Presidente da República Federativa do Brasil João Figueiredo Ministro da Educação e Cultura Esther de Figueiredo Ferraz

AVALIAÇÃO BIOMÉTRICA EM EDUCAÇÃO FÍSICA

MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO E CULTURA SECRETARIA DE EDUCAÇÃO FlSICA E DESPORTOS

- SECRETARIO G E R A L DO MEC Sérgio Mário Pasqualí SECRETARIO DE EDUCAÇÃO FÍSICA E DESPORTOS Péricles Cavalcanti SUBSECRETARIO DE DESPORTOS (SUDES) Antonio Celestino Silveira Brocchi - .

OLIVEIRA .AVALIAÇÃO BIOMETRICA EM EDUCAÇÃO FÍSICA ROMEU RODRIGUES DE SOUZA Professor Assistente Doutor Departamento de Anatomia Universidade de São Paulo JOSÉ ARI C.

APRESENTAÇÃO AVALIAÇÃO BIOMÉTRJCA EM EDUCAÇÃO FÍSICA. através da mensuração. Este trabalho demonstra pois. a preocupação de seus autores em atender a especialistas e estudiosos do assunto. uma segura mostragem evolutiva do atleta nos sentidos qualitativo e quantitativo do treinamento. PROF. antes de ser uma obra dedicada ao campo da Medicina. HÉLIO JOSÉ MAFFIA Diretor da Escola Superior de Educação Física de Jundiaí Preparador físico do Esporte Clube Corinthians Paulista Ex-preparador físico do Paulista Futebol Clube de Jundiaí Ex-preparador físico do São Paulo Futebol Clube Ex-preparador físico da Sociedade Esportiva Palmeiras Ex-preparador físico do Guarani Futebol Clube Ex-preparador físico da Seleção Brasileira . ela permite a treinadores e preparadores físicos. Não obstante ser uma obra didática. propiciando ao estudante a assimilação de maneira clara e objetiva. é uma orientação didática na área da Educação Física.

CAPITULO I Generalidades sobre medição e avaliação em Educação Física CAPITULO II Agrupamento dos dados: Ficha Biométrica CAPITULO III Seleção das medidas. Técnica geral das medidas CAPITULO IV Análise e Interpretação dos dados: Noções de Estatísticas CAPITULO V Avaliação das dimensões e proporções externas do corpo e seus segmentos CAPITULO VI Avaliação do Estado Nutritivo: Medida da espessura de pregas cutâneas e peso CAPITULO VII Medida da capacidade vital e cardiocirculatória. Força muscular CAPITULO VIII Avaliação do crescimento CAPITULO IX Biotipologia: Aspectos gerais CAPlYULO X Teorias biótipológicas CAPITULO XI Biotipologia infantil 7 13 17 23 37 77 83 93 103 107 127 CAPÍTULO XII Diferenciação sexual CAPITULO XIII Importância da avaliação Biotipológica em Educação Física 133 141 .ÍNDICE Pág.

Este conhecimento. como ciência. Todas estas fases requerem medições. para sabermos se estamos conseguindo resultados satisfatórios. isto é. é preciso saber inicialmente em que situação se encontra nosso aluno. Mais tarde. o professor de Educação Física pode obter através de técnicas de avaliação e medição. ou seja. estabilidade emocional. aquilo que pretendemos desenvolver para. participar com gosto de atividades recreativas. temos que medir continuamente os parâmetros que queremos desenvolver. por outro lado. e a aptidão social. a Educação Física só poderá atingir seus objetivos em relação a um indivíduo. NECESSIDADE DE SE MEDIR EM EDUCAÇÃO FÍSICA Entre outras razões que podem explicar a necessidade de medidas. se for uma criança. voltamos a analisar suas condições para podermos avaliar os resultados. . fisiológicas e psicológicas atuais da pessoa a quem ele é dirigido. O desenvolvimento da aptidão física vai possibilitar ao indivíduo exercer melhor suas tarefas diárias e sentir-se melhor ao final de cada dia. determinar o estado de aptidão atual de um aluno. a Educação Física visa também desenvolver no jovem a capacidade para a recreação. a capacidade de dar-se bem com os outros. se ela puder fazer um programa específico de acordo com suas necessidades. saúde. da mente e educação social. Em outras palavras. elas podem ser utilizadas. é educação global: educação do físico. Ao lado da aptidão física. Entretanto. para depois aplicar-lhe um programa adequado à sua situação. De posse das informações obtidas. desempenho eficiente em atividades motoras e um corpo esteticamente bem constituído. acompanhar o progresso de um trabalho. necessitamos medir antes. para que o programa a ser elaborado seja o mais efetivo possível ás necessidades individuais. A aplicação de tal programa exige conhecimento prévio das condições físicas. serão citadas apenas as seguintes: divisão em turmas homogéneas. aplicar um trabalho de desenvolvimento. a seguir. Em resumo. A educação do físico subentende desenvolver no indivíduo aptidão física.CAPITULO I GENERALIDADES SOBRE MEDIÇÃO E AVALIAÇÃO EM EDUCAÇÃO FÍSICA EDUCAÇÃO FÍSICA: OBJETIVOS A Educação Física. ou seja. especialmente.

bios e metria. Entretanto. vamos iniciar estas considerações com a análise deste termo. A Biometria começou em 1901. Temos assim um primeiro conceito de Biometria que é "a medida da vida". CONCEITO DE BIOMETRIA Para se esclarecer o conceito de Biometria. O mesmo se pode dizer quando determinamos a frequência cardíaca ou a respiratória dos alunos em relação com a intensidade de um certo exercício. quando medimos a altura de um grupo de alunos estamos fazendo Biometria. na Inglaterra. Assim. vida e medida. Entretanto. uma definição mais coerente. é um problema muito complexo definir o que é a vida em todas as suas manifestações e a medida de todas elas não cabe nos limites de um curso. As doses e intensidade do trabalho a ser realizado ficam mais objetivas e especificas. Biometria é uma palavra composta por dois radicais gregos. Objetivos deste compêndio A Biometria humana tem pois um campo muito amplo. preferindo entender Biometria como "a ciência que procura traduzir numericamente os fenómenos biológicos. A ciência que trata das medidas corporais é a Biometria. Gomes de Sá (1975) classifica esta definição de simplista e a critica por levar a interpretações ambíguas. .Agrupar homogeneamente facilita a quem ensina e a quem aprende. nossa motivação aumenta. Hegg e Luongo (1971) definem Biometria como "o ramo da Biologia que estuda os caracteres mensuráveis dos seres vivos. fisiológico e psicológico. serão abordados somente os aspectos relacionados a certo grupo de mensurações. compreendendo de modo geral o estudo das mais variadas medidas relacionadas ao corpo humano. nas páginas seguintes. sem dúvida. respectivamente. visando sempre atingir nossos objetivos. cujo conceito veremos a seguir. com o fim de determinar as leis que os regem". os quais estão subentendidos na expressão "fenómenos biológicos" e que são os níveis em que será estudado o indivíduo. que significam. A determinação das aptidões e qualidades de um aluno é muito importante para se conduzir um trabalho físico pois assim este poderá ser o mais adaptado possível às necessidades dos alunos. Pode-se dizer em um sentido geral que a Biometria é a ciência que estuda quantitativamente os fenómenos vitais. amparado pela análise matemática e estatística". Esta é. porém falta especificar os três níveis morfológico. A avaliação do progresso permite ainda mudanças e adaptações no trabalho. especialmente aquelas que apresentem alguma importância para a Educação Física. estabelecendo relações entre os dados assim obtidos. A medida do progresso obtido em um trabalho é fundamental visto que quando sabemos que estamos melhorando.

é outro exemplo. comparar. peso. . A determinação da frequência respiratória. Os resultados vão mostrar se o exercício está sendo muito ou pouco intenso. etc. permitindo assim. Em Educação Física. A medida da altura de um indivíduo em um dado momento representa um exemplo. poderemos verificar se o peso está diminuindo ou não com essa dieta. tanto animais quanto vegetais. Precisamos pois conhecer bem o indivíduo a quem dirigimos o trabalho físico. Ao realizar um trabalho físico. em um determinado instante. IMPORTÂNCIA DA BIOMETRIA EM EDUCAÇÃO FÍSICA A ciência evolui quando os fenómenos estudados podem ser medidos. de um ou mais indivíduos quando submetidos a uma determinada dieta. Outro exemplo seria a variação do peso. Aqui está incluída a Biometria humana que estuda o Homem sob os pontos de vista: morfológico. Claude Bernard afirmava mesmo que só pode haver ciência quando se pode medir os fenómenos. fisiológico e psicológico. aspectos importantes como a altura. construir tabelas. Neste conhecimento estão incluídos os aspectos mensuráveis do indivíduo. A Biometria Dinâmica estuda as relações entre vários aspectos biométricos e um trabalho físico em função do tempo.DIVISÕES DA BIOMETRIA A chave seguinte resume as divisões da Biometria: De acordo com os objetivos do trabalho biométrico De acordo com o modo de abordar os fenómenos em relação ao tempo e espaço A Biometria Geral estuda aspectos métricos ligados aos seres vivos em geral. A Biometria Estática estuda os aspectos mensuráveis do indivíduo em um determinado instante sem se preocupar se estes variam ou não no tempo. acertar a dose ideal. para que possamos analisar. batimentos cardíacos só terão valor se puderem ser medidos. Depois de um certo tempo. A Biometria Especial estuda aspectos mensuráveis particulares do seres vivos. os exercícios aplicados só produzem efeitos benéficos quando bem dosados em qualidade e em quantidade. Um exemplo típico é o estudo da variação da frequência cardíaca com doses de um determinado exercício.

mas devido a sua importância. deficiências que geralmente se traduzem por cansaço ou fadiga. Pode-se descobrir assim. Estas deficiências serão então tratadas . resultados melhores que os previsíveis e os poupados não atingem estes valores esperados. OBJETIVOS DO TRABALHO BIOMÉTRICO EM EDUCAÇÃO FÍSICA Estes aspectos foram já esboçados em item anterior. procuramos formar turmas homogéneas e para isso necessitamos classificar os indivíduos usando parâmetros como a altura e o peso. fisiológico ou psicológico procura verificar a existência de semelhanças entre eles dando ideia dos fenômenos comuns a determinados grupos. No caso de escolares. para acompanhar os progressos de um grupo submetido a um trabalho físico. o que é de grande importância pois assim ele poderá encaminhar o aluno para tratamento adequado. pode-se dosar os exercícios físicos que serão aplicados. que exigem novos esforços. tem-se uma ideia do seu estado físico atual. A Biometria. O professor de Educação Física poderá. no exame de seus alunos. serão aqui estudados com mais pormenores. ao estudar os indivíduos seja do ponto de vista morfológico. b. Algumas assimetrias podem inclusive ser corrigidas através da aplicação correta de exercícios adequados. d. Determinar o valor físico do indivíduo. selecionados e poupados. São feitas várias medidas e exame médico no indivíduo. b.Aqui estão dois exemplos da aplicação de conhecimentos biométricos em esporte: a. Determinar a condição física do indivíduo. Através de exames periódicos do indivíduo pode-se detectar certa falta de adaptação do organismo frente a determinados exercícios. pode-se utilizar a medida de certos parâmetros como o pulso e a frequência respiratória por exemplo. os fenômenos biológicos caracterizam-se por sua grande variabilidade. a homogeneização de grupos facilita a aplicação de um trabalho físico. Deste modo. como vimos. detectar algumas assimetria de forma. os selecionados. podemos classificar os indivíduos em normais. Como se sabe. utiliza-se ainda o item inapto ou dispensado àqueles alunos que não são capazes de realizar nenhuma atividade física. Os objetivos principais do trabalho biométrico em Educação Física são os seguintes: a. Detectar assimetrias de forma. Com isto. A formação de grupos com características semelhantes é importante pois. Detectar deficiências físicas. ao aplicar um trabalho físico. Através da aplicação de provas específicas. Os normais obtém nessas provas resultados previsíveis. c.

adaptando-os às necesidades de cada indivíduo ou grupo. Além disso. Aqui veremos apenas alguns aspectos. e. pode-se ter ideia do rendimento e dos resultados que se está obtendo com a aplicação daqueles determinados exercícios em função da finalidade que se tem em vista. nos longilíneos. brevilíneos e lingilíneos. O conhecimento do tipo constitucional de um indivíduo permite orientálo para determinadas atividades físicas mais indicadas para aquele tipo de indivíduo. . quando se pretende administrar exercícios ou orientar e selecionar para práticas desportivas. Os primeiros tem maior desenvolvimento no sentido longitudinal enquanto os brevilíneos desenvolvem-se mais no sentido transversal. Daí a importância do trabalho biométrico bem realizado f. têm maior resistência e força. predominam a velocidade e a agilidade. resistência e força). São amplamente conhecidos os três tipos constitucionais da Escola Biotipoiógica Italiana (Viola e Pende): normolíneos. como corridas de velocidade e saltos. Nos normolíneos há equilíbrio destas quatro qualidades. os indivíduos terão um melhor rendimento. Cada um destes tipos constitucionais possui em graus diferentes os elementos da sigla VARF (velocidade. Através de exames biométricos poderemos acompanhar a dosagem dos exercícios. Fisiologia. os brevilíneos devem ser orientados para esportes que requerem força e resistência. Psicologia e Bioquímica. Daí a necessidade de se utilizar ciências Matemáticas.convenientemente antes que produzam lesões mais graves e irreversíveis no organismo. os brevilíneos. tais como: arremesso do martelo e levantamento de peso. Este assunto será mais bem estudado posteriormente. Assim. para se realizar estudos biométricos. Assim sendo. Dosagem dos exercícios e avaliação dos resultados. Os brevilíneos e os longilíneos são os tipos extremos e o normolíneo é o tipo médio. a variabilidade dos fenómenos biológicos torna os indivíduos diferentes uns dos outros. com menor gasto de energia. Particularmente importantes para a Biometria são a Matemática e a Estatísticas. agilidade. como a Estatística. Classificar um determinado indivíduo em um destes grupos é muito importante em Educação Física. os longilíneos adaptam-se melhor com esportes que exigem velocidade e agilidade. Bem orientados. ao contrário. CIÊNCIAS AFINS À BIOMETRIA Algumas ciências estão muito relacionadas com a Biometria. devido ao maior desenvolvimento dos membros que apresentam estes indivíduos. devido a sua maior massa corporal. pois também são ramos da Biologia: Anatomia. Determinar o tipo constitucional (biótipo ou somatotipo).

conhecimentos básicos de Estatística que serão apresentados mais . Isto requer adiante. as medidas devem ser analisadas e interpretadas.Depois de coietadas.

c. serão apresentados os seguintes: identificação. fisiológico e psicológico. Esta escolha depende então da finalidade que se tem na realização do trabalho físico. a. antecedentes. Exame biométrico: as medidas a serem tomadas vão depender da finalidade que se tem em vista. as medidas a serem colhidas enquadram-se nos três níveis: morfológico. Aqui incluem-se também exames de laboratório e outros que se fizerem necessários. Depois de escolhidas. Deve ser orientado de acordo com a idade e modalidade desportiva do indivíduo. poderemos tirar conclu- . Exame clínico geral e especial: consiste no exame dos vários sistemas orgânicos (respiratório. são várias as mensuraçôes possíveis no corpo humano. idade e outros dados pessoais. Itens fundamentais de uma ficha biométrica Entre os itens fundamentais de uma ficha biométrica. Identificação: aqui são colocados o nome. devem ser selecionadas algumas medidas convenientes ao trabalho que vamos realizar. e assim sendo temos que escolher certas medidas de acordo com os objetivos que temos em vista.CAPITULO II AGRUPAMENTO DOS DADOS: FICHA BIOMÉTRICA Como já sabemos. como já vimos. as medidas a serem obtidas são agrupadas em uma ficha denominada ficha biométrica que será preenchida quando da realização do exame do aluno. Antecedentes: refere-se aos antecedentes pessoais e familiares. Alguns denominam a ficha biométrica de médico-biométrica porque vários dados devem ser colhidos exclusivamente pelo médico. CONCEITO DE FICHA BIOMÉTRICA A ficha biométrica é portanto um documento que contém informações morfológicas. d. mas. Entretanto. Análise dos dados obtidos Através da análise dos dados da ficha biométrica. b. fisiológicas e psicológicas sobre um determinado indivíduo e que permite fazer um julgamento sobre suas condições de saúde e suas aptidões atuais. o peso e a altura. exame clínico geral e especial e exame biométrico. digestivo e outros). Geralmente são colhidos obrigatoriamente. Uma ficha biométrica poderia conter inúmeros dados.

Dosar exercícios . pode ser prescrita a ginástica corretiva. como já sabemos. e. apto. são de ordem morfológica. Este é o estudo do desenvolvimento físico do homem e utiliza como métodos de estudo. e a raça determina. o tipo morfológico. de acordo com a finalidade que se tem em vista. a antropologia física. apresenta alguma deficiência que o limita para atividades desportivas. A primeira estuda aspectos não mensuráveis do homem. d. aqui podemos relembrar o que já foi dito sobre este assunto: os aptos serão considerados normais ou selecionados segundo os resultados obtidos em provas específicas sejam os esperados ou superem estes resultados. Dados do exame biométrico As medidas e dados constantes da ficha biométrica. Os dados morfológicos constituem uma série de informações que pertencem em última análise a uma ciência mais ampla. Detectar assimetrias de forma — Quando em presença de uma assimetria de forma o professor de Educação Física deverá orientar o aluno convenientemente. O inapto ou dispensado é o indivíduo que não pode exercer atividades físicas.Através da análise e interpretação dos dados obtidos na ficha. de nenhuma forma. a antroposposcopia e a antropometria. podemos saber quais as possibilidades de cada aluno em diversos esportes com fins competitivos.Aplicado um trabalho físico. f. Selecionar para a competição — Através da análise dos dados constantes da ficha biométrica. Avaliar resultados . Determinar a condição física — Com base nos resultados do exame feito o indivíduo será considerado. A antropometria é o estudo dos aspectos mensuráveis do homem. podemos adequar os exercícios em duração e intensidade ás necessidades individuais. b. dos olhos e dos cabelos. como a cor da pele. 0 indivíduo poupado.soes a respeito do aluno e que são os mesmos objetivos do trabalho biométrico: a. é necessário verificar como o organismo está reagindo e que resultados estamos obtendo. c. Entre os aspectos não mensuráveis do indivíduo. poupado ou inapto. fisiológica e psicológica. em parte. . O estudo dos tipos raciais tem importância pois eles estão ligados aos tipos morfológicos ou somatotipos dos indivíduos. Esta deficiência pode ser transitória ou permanente. O indivíduo apto tem condições tais que pode praticar qualquer tipo de esporte. É preciso saber quais são estes dados para que possamos analisá-los. destacam-se alguns relacionados ao conceito de raça. Determinar o somatótipo — A determinação do somatótipo ou tipo constitucional vai permitir compreender e orientar melhor cada aluno. Em alguns casos.

com cores diferentes. . classificandoa neste caso em branca. b) Cor dos olhos — Pela simples observação. o seu estudo tem importância pois os tipos morfológicos estâo relacionados com o desempenho atlético. verde e azul.Através da observação podemos classificar os cabelos em castanhos. Alguns destes aspectos são: a cor da pele. Uma série de aspectos externos e medidas caracterizam cada grupo racial. próprios da raça negra. Pode-se determinar também a cor da pele comparando-a com quadros representativos dos diversos matizes (escala cromática). ao estado nutritivo e à maturação sexual. preta. transmitidas hereditariamente e que se repetem no grupo de modo a imprimir-lhe um aspecto diferente de outros grupos. ulótricos e cimatótricos. As medidas fisiológicas referem-se aos sistemas orgânicos em geral. ulótricos são cabelos encarapinhados. louros e avermelhados. Pode-se também comparar com modelos de olhos de vidro. Existe também uma escala cromática constituída por fios coloridos. parda e vermelha. em qualquer caso. As medidas morfológicas a serem colhidas serão grupadas sob o t í t u l o geral de medidas biométricas somáticas ou morfológicas. c) Cor dos cabelos . dos cabelos e a forma dos cabelos. podemos classificar a cor dos olhos em castanho. circulatório e muscular. Os cimatótricos são os cabelos ondulados. Lissótricos são cabelos lisos. Deve-se. amarela. a Psicometria. examinar uma parte que habitualmente é coberta pela roupa. fazem parte de uma ciência mais ampla. pois medidas em Psicologia. e mais especificamente ao funcionamento dos sistemas respiratório. Como a raça determina o t i p o morfológico. pretos.Assim. podemos compreender raça como um grupo de indivíduos com características semelhantes. negra. a) Cor da pele — Pode ser determinada pela simples observação. São também englobados neste item as medições relativas ao crescimento. d) Forma dos cabelos — Quanto à forma os cabelos são classificados em lissótricos. Os dados de ordem psicológica constantes da ficha biométrica referem-se apenas a uma "impressão" a respeito do estado do indivíduo. cor dos olhos.

Pode-se ainda complementar as medidas através dos denominados índices. As medidas biométricas somáticas podem ser subdivididas. de acordo com a finalidade a atingir. Vamos estudar pois quais são as medidas que podem ser obtidas. b. TÉCNICA GERAL DAS MEDIDAS A escolha das medidas a serem utilizadas depende dos objetivos que se tem em vista. medidas destinadas a apreciar o estado de maturação sexual. Estas medidas caracterizam-se por serem de fácil execução e por não necessitarem a participação ativa do examinando. . Serão abordados aqui apenas as principais medidas e índices.CAPITULO III SELEÇÃO DAS MEDIDAS. CLASSIFICAÇÃO DAS MEDIDAS BIOMÉTRICAS Várias medidas podem ser obtidas durante o trabalho biométrico. b) medidas que visam avaliar o estado funcional de alguns sistemas orgânicos (medidas biométricas funcionais). de acordo com a finalidade a atingir. detectar deficiências. índices são relações numéricas centesimais entre as medidas. em: a. medidas que permitem avaliar o estado de nutrição. As medidas biométricas podem ser classificadas em dois grandes grupos. e c. Medidas biométricas somáticas São medidas que permitem avaliar as dimensões e proporções externas do corpo. que. medidas que visam avaliar as proporções do corpo. Olivier (1960) considerou 34 medidas e 40 índices. como vimos. podem ser resumidos nos seguintes: determinar a situação física atual. de acordo com o tipo de avaliação que se quer fazer: a) medidas que permitem avaliar as dimensões e proporções externas do corpo e seus segmentos (medidas biométricas somáticas). elaborar um programa de trabalho de acordo com os resultados e acompanhar a evolução do trabalho.

As medidas funcionais exigem instrumentos especiais e são de mais d i f í c i l execução. como a força muscular e a capacidade cardio-circulatória. Resumo das medidas biométricas mais importantes em Educação Física. Medidas biométricas funcionais Estas medidas são as que permitem avaliar funções orgânicas específicas. altura tronco-cefálica. bi-crista ilíaca e bi-troncantérico e o grau de desenvolvimento dos genitais. espessura da dobra cutânea. Medidas que permitem avaliar o estado de nutrição: São as seguintes: peso. bi-umeral. Medidas destinadas a apreciar a maturação sexual São: diâmetros bi-acromial. comprimento dos membros. envergadura.Medidas que visam avaliar as dimensões e proporções externas do corpo e seus segmentos. comprimento do tronco e perímetro cefálico. São: altura. Altura Altura tronco-cefálica Medidas que visam Medidas biométricas somáticas Medidas que permitem avaliar o estado de nutrição Medidas destinadas a apreciar a maturação sexual avaliar as proporções do corpo Envergadura Comprimento dos membros Comprimento do tronco Perímetro cefálico Peso Espessura da dobra cutânea Perímetro torácico Perímetros dos membros Diâmetro do tórax Diâmetro bi-acromial Diâmetro bi-crista ilíaca Diâmetro bi-umeral Diâmetro bi-tocantérico Desenvolvimento dos genitais Medidas biométricas funcionais Capacidade vital Capacidade cárdio-circulatória Força muscular . perímetro dos membros e diâmetro do tórax. perímetro torácico.

onde se coloca uma régua terminada em ponta e disposta perpendicularmente à haste graduada. sobre a qual desliza um cursor. c. compasso de corrediça. . Principais instrumentos de medida usados na obtenção das medidas biométricas somáticas Os principais instrumentos utilizados na realização destas mensurações são os seguintes: antropômetro de Rudolf M a r t i n . compasso de toque ou de pontas rombas e a fita métrica. Antropômetro de Rudolf Martin É utilizado para tomar medidas no sentido vertical (Fig.TÉCNICA GERAL DAS M E D I D A S BIOMÉTRICAS Cuidados que se deve tomar ao colher as medidas biométricas Para se evitar ao máximo a influência dos fatores de erro ao se obter as medidas biométricas. d. As medidas devem ser tomadas em locais bem iluminados. Os instrumentos não devem pressionar a pele mas apenas tocá-la. 3. de mesmo sexo e idade.1). e. Instrumentos aferidos e calibrados. compasso de barras. deve-se atender a uma série de requisitos dentre os quais destacam-se os seguintes: a. 0 indivíduo deve estar o mais despido possível durante a realização das medidas. b. Antes de iniciar as medidas. reunir os indivíduos em grupos homogéneos. Consta de uma haste de metal graduada de zero a 2000 milímetros.

com uma haste fixa na extremidade zero da escala e um cursor que pode deslizar ao longo da régua (Fig.3). Compasso de corrediça É utilizado para tomar medidas pequenas como as da face. de zero a 950 milímetros e um cursor com uma régua que pode se deslocar. Consta de uma régua de 25 centímetros. apresenta ainda uma outra régua. 3. fixa.Compasso de barras Destina-se á tomada de medidas tais como: diâmetros transversos. Consta também de uma haste metálica graduada. 3. na extremidade da haste graduada (Fig. . do tronco e comprimentos dos membros.2).

4). Estes pontos são denominados pontos antropométricos e serão também descritos juntamente com cada uma das medidas biométricas. Outros elementos necessários para se colher as medidas biométricas. Outros instrumentos serão descritos nos itens correpondentes ao estudo que será feito mais adiante. .Figura 3. que terminam em pontas rombas. além de instrumentos adequados Além de instrumentos adequados é necessário ainda conhecer certos pontos de reparo existentes no corpo e que servem como pontos de referência para se obter as medidas. É representada por uma fita de metal ou linho. Consta de duas hastes metálicas que se articularm em uma das extremidades. graduada. Uma das hastes tem uma régua graduada a ela fixada e que permite fazer a leitura da medida encontrada.3 — Compasso de Corrediça Compasso de toque ou de pontas rombas Este compasso é utilizado para tomar diâmetros do tronco e medidas da cabeça. As hastes são retas nas metades próximas ao ponto onde se articulam e curvas nas metades restantes. A maior distância que se pode medir é de 30 cm (Fig. Fita métrica Destina-se à medida dos perímetros. 3. de cada uma das medidas biométricas.

Compasso de Pontas Rombas Os principais instrumentos utilizados no trabalho biométrico e algumas medidas que podem ser obtidas com estes instrumentos estão resumidos na tabela seguinte: Instrumento Medidas (altura. altura tronco-cefálica) tronco e comprimento dos membros das da cabeça .Figura 3.4 .

que são subconjuntos. podemos calcular o tempo médio do grupo que também é um parâmetro. por outro lado. Como agrupar de maneira mais homogénea? Veremos que muitos tipos de medidas distribuem-se segundo uma curva denominada curva normal. Qual a situação de um determinado aluno. Parâmetro — Universo — População — Amostra Parâmetro é um número que caracteriza um conjunto de medidas. cada vez em um tempo diferente. Trabalhando por exemplo com um grupo de alunos. Ao realizar um trabalho estatístico. Se um grupo de alunos faz um percurso. tais como a média. podem ser representativas do grupo. é necessário algum conhecimento desta ciência. teremos as populações. como veremos. Devido às suas relações com a Biometria. geralmente utilizamos um conjunto de elementos e não a população toda. A população é pois um grupo de alunos ou objetos que possuem características semelhantes dentro do mesmo universo. A média destes tempos é um parâmetro. b. veremos que certas medidas. As respostas a estas e outras questões semelhantes pertencem ao domínio de uma ciência denominada Estatística. Neste . Todos os tempos podem ser substituídos por um único que é o tempo médio. dentro do grupo? c. através do desvio padrão. Variáveis contínuas e discretas A medida da altura de um grupo de escolares é um t i p o de variável. a variabilidade dos valores pode ser medida. A própria repetição de experiências só é possível se for controlada através da medição dos dados. A Estatística é a ciência que procura tirar conclusões a partir de observações de dados numéricos. Este conjunto é a amostra. Como se encontra este grupo em relação a uma determinada medida? Neste caso. Por exemplo: um atleta faz um percurso várias vezes. é necessário que eles possam ser medidos. Ao conjunto de alunos chamamos universo e se dividirmos o universo (grupo todo) em subgrupos. a qual mostra as frequências com que aparecem os vários tipos. poderíamos perguntar: a.CAPITULO IV ANÁLISE E INTERPRETAÇÃO DOS DADOS: NOÇÕES DE ESTATÍSTICA INTRODUÇÃO Para estabelecer relações e leis entre os fenómenos.

médios e grandes. divisão segundo o sexo. Estes valores assim apresentados são difíceis de serem interpretados. entre 1. 32. Construímos assim. Neste caso. as medidas podem ter qualquer valor e sempre pode haver uma medida que se interponha entre duas outras.Distribuição de frequência de 5 observações (escores).3 por grupo.5 por grupo ou 1. Por exemplo.caso. os grupos são separados de acordo com uma certa ordem. Tabela 4. por exemplo. Escores Frequência 28 29 30 31 32 33 34 35 1 0 2 0 1 0 0 1 Observando a tabela 4. t i p o constitucional.1 . Por exemplo: em pequenos. a divisão deve obedecer a um único critério. utilizando a Estatística. A variável é discreta quando os valores se comportam de modo que se sucedem em saltos.10m e 1. que consiste em colocá-los em uma coluna ordenada e com as frequências com que cada valor ocorre. precisamos frequentemente separar os indivíduos segundo certas características. Suponhamos que determinamos o peso de 5 alunos e que os resultados tenham sido os seguintes: 30. Assim. 28 e 30. 35.12m podemos ter um valor de 1. APRESENTAÇÃO DOS DADOS Os dados obtidos em um experimento podem ser apenas enumerados sem preocupação de ordem. o número de alunos por grupo ná"o pode ter valores parciais: 2. Grupamento de dados Ao realizar um trabalho biométrico. Trata-se de uma variável contínua. Uma melhor maneira é ordená-los em sequência ascendente ou descendente e verificar se há valores que se repetem e quantas vezes se repetem. por exemplo. Podemos por exemplo separar os alunos por categorias. idade.1 conclui-se imediatamente que os pesos máximo e . a distribuição de frequências dos dados. Os alunos podem também ser divididos segundo uma classificação hierárquica. etc.11m. Neste caso.

28 = 7 Como se decidiu por três classes. por meio de um gráfico.33 Como o número obtido é fracionário. os valores aumentam à medida que dele se afastam. seja ao longo da ordenada. ou seja a variável dividida em classes de invidivíduos ou objetos.2 — Distribuição de frequências de dados agrupados Classes 28 a 30 31 a 33 34 a 36 Frequência 3 1 1 REPRESENTAÇÃO GRÁFICA DOS RESULTADOS Às vezes é mais interessante apresentar os resultados obtidos. o eixo das ordenadas. . com linhas laterais levantadas a partir dos limites de cada classe. seja ao longo da abcissa. representado geralmente pela letra Y) e um horizontal (eixo das abcissas. A diferença entre os valores máximo e mínimo nos dá a amplitude de distribuição (A): A = 35 . representa a variável dependente. a partir das abcissas. A partir deste. médio e baixo. um vertical (eixo das ordenadas. O ponto onde ocorre a intersecção dos dois eixos é o ponto zero. No caso de peso. Os dados obtidos podem ainda ser agrupados em classes. No eixo das abcissas coloca-se os valores da variável independente. por exemplo. Um dos tipos mais comuns de gráficos é o histograma. As classes são colocadas ao longo da abcissa e na ordenada situam-se as frequências com que aparecem os valores. o intervalo de classe (I) será: I (intervalo) = 7/3 = 2.mínimo obtidos são respectivamente 35 e 28. sendo sua frequência zero. o peso mais frequente foi 30 (2 vezes) e que houve valores de peso que não aparecerem.2). O gráfico é construído utilizando-se dois eixos perpendiculares entre si. As frequências de cada classe serão representadas por uma barra. representando geralmente pela letra X). o professor podem querer agrupar os 5 alunos em 3 classes: peso alto. com as frequências com que cada medida aparece. Então os valores serão agrupados em intervalos de amplitude igual a 2 (tabela 4. o intervalo passa a ser o número inteiro mais próximo (no caso =2). Tabela 4.

Figura 4. Diferem quanto à posição.Um histograma construído a partir da tabela 4. pois a méida dos valores da distribuição II é maior que a média da distribuição I ou seja. os valores concentram-se em torno de 11. Examinando os gráficos.Gráfico de duas distribuições de frequências . seria a figura 4.2 é o gráfico representativo de duas distribuições de frequências.2. Figura 4. em II. ao passo que em I. eles estão concentrados em torno de 5. DISTRIBUIÇÃO DE FREQUÊNCIAS A figura 4. vê-se logo que as duas distribuições diferem quanto â posição (tendência central) mas são semelhantes na forma (variabilidade).1 — Histograma da distribuição de frequência do peso de 5 alunos.1.2 .

Podemos ter o caso inverso ou seja, distribuições de frequências com a mesma tendência central, mas diferentes na forma (na variabilidade). A figura 4.3 é o gráfico destas distribuições.

Figura 4.3 - Distribuição de frequências com mesma tendência central

Quando a distribuição de frequência tem um ponto de frequência mais elevada, é denominada de unimodal. Se houver dois destes pontos, ela será bimodal. A figura 4.4 é um gráfico representativo deste tipo de distribuição.

Figura 4.5 - Distribuição bimodal

Curva normal As curvas das distribuições de frequências podem ter as mais variadas formas. Existe entretanto um t i p o de curva que por sua importância deve ser estudada com maior destaque: ela tem a forma de um sino, é simétrica e contínua (figura 4.5). É a chamada curva normal ou curva de Gauss que representa a distribuição normal. Em Biologia, muitas variáveis contínuas apresentam esse t i p o de distribuição. A altura é um tipo de variável com distribuição normal. No eixo das abcissas (X) a variável pode ir de menos infinito a mais infinit o : a curva nunca chega a tocar na base. Importância da curva normal em Biometria Em Biometria, a importância da curva normal é grande pois todas as vezes que se fala em classificar alguma coisa, uma das primeiras preocupações é se localizar o " n o r m a l " , para depois posicionar aquilo que dele se distancia. Normal foi colocado entre aspas por ter um sentido preciso em Biometria, que é o relacionado com o mais comum enquanto as formas que dele se distanciam são expressões menos comuns, ou melhor que mantém relações, em suas medidas, com diferenças mais acentuadas. Trabalhando com as diferenças individuais observamos que estas obedecem ao tipo de distribuição em que a maior parte dos indivíduos mantém as medidas próximas de uma média e que a partir deste ponto há uma distribuição decrescente para ambos os lados, que graficamente, obedece à distribuição semelhante á de Gauss (curva normal).

Figura 4.5 - Curva normal

MEDIDAS DE TENDÊNCIA CENTRAL
As medidas de tendência central mais utilizadas em Estatística são a moda, a mediana e a média aritmética. Moda (M) É o valor que aparece com maior frequência, em uma série de medidas. Exemplo: na série seguinte de valores, a moda é o valor 8 pois é o que mais vezes aparece. 6 - 8 - 8 - 1 6 - 8 - 1 0 - 8 - 6 - 1 0 - 8 - 1 8 - 8 - 6 - 1 2 Neste caso, a série é unimodal porque tem uma única moda. Mas ela pode ser bimodal, multimodal ou ainda amodal, quando não possui moda. Exemplos: Série bimodal (possui 2 modas):

6-10-10-10-10-18-20-20-20-20-15
As modas são: 10 e 20. Série multimodal (possui várias modas): 4 - 6 - 5 - 8 - 6 - 5 - 8 - 5 - 6 - 8 - 3 - 9 As modas são: 5, 6 e 8. Série amodal (não há moda, pois todos os valores aparecem com igual frequência): 6-10- 16-8-4-2ou: 4_4_5_5_2_2_7_7_3_3. As curvas representativas das distribuições de frequências das séries estão na figura 4.6. Mediana (Me) Em uma série de rnedidas, colocadas em ordem crescentes a mediana é o valor precedido e seguido pelo mesmo número de valores. Exemplos: Séries a-2-3-5-7-18 b-1-5-8-15-21 c-1 - 3 - 5 - 5 - 2 0 - 2 4 Mediana 5 6,5 5

Quando o número de valores é impar, o cálculo da mediana pode ser feito usando a fórmula: N + 1 (N =número de valores). 2

Figura 4. sendo P1. (N =número Quando o número de valores é par usa-se a fórmula o número que ocupa a posição obtida por: .6 — Vários tipos de distribuição de frequências Assim. na série a: A mediana é o 39 valor (5).

Média aritmética ( X ) É também chamada de média. A mediana. (3ª posição). Quando as três medidas forem próximas ou semelhantes.5) é um número que não consta dos valores obtidos na série. . A medida. É um valor que existe realmente na série e por sinal é o que mais aparece. a média. Em uma série de medidas da altura dos alunos. no conjunto de medidas: Na realidade. esta é a mediana. por sua vez. (Mediana =6.40 m significa que existe metade das crianças com altura acima e metade com altura abaixo deste valor. as três medidas que estudamos (moda. Portanto. ou seja entre os 50% mais altos ou entre os 50% mais baixos. se a mediana for. por exemplo 1. A muda nos informa qual é a altura mais frequente no grupo. é também um valor que nem sempre consta da série de medidas. tal como a mediana. No caso da série b. Por exemplo. significa que houve muitas alturas diferentes na série. em uma série de medidas da altura. A média " e q u i l i b r a " uma série de medidas. Assim na série b: 3 + 1 =4 (4ª posição). Portanto: (Mediana = 5). mediana e média) não são exclusivas mas se complementam. passamos a considerar cada aluno como se tivesse aquela medida (média). facilita localizar um determinado aluno no grupo: sua altura estará acima ou abaixo daquele valor e portanto ele estará em um ou outro grupo. ou seja. fazendo uma série de medidas da altura em grupo de crianças. Assim. Consiste na soma dos valores dividido pelo número de valores. simplesmente. a mediana e a moda forem muito diferentes entre si. O significado da mediana é que ela é um valor que divide o conjunto em dois grupos: um acima e outro abaixo daquele valor. por exemplo. Se.de casos). observa-se que a mediana (6.5) Na série a„ temos o mesmo número de casos. Mas por convenção. os valores estão "esparramados". é que houve menor variação.

que são as medidas de tendência central (moda. Já estudamos uma característica desses tipos de distribuição de frequência. mas os valores individuais em cada grupo podem ser muito diferentes. . Duas distribuições podem ter a mesma média. média e mediana). dois grupos de alunos podem ter a mesma média de altura. Figura 4. Por exemplo.Distribuições de frequências: simétrica e duas assimétricas M E D I D A S DE DISPERSÃO Geralmente os conjuntos de medidas apresentam certa dispersão ou variabilidade. mediana ou a mesma moda mas as medidas dos valores variam de modo diferente. É necessário pois introduzir medidas de dispersão que informem o grau de variabilidade dos valores em cada grupo. moda. mediana). ao passo que o outro grupo pode ter alguns indivíduos muito baixos e a maioria. Embora tenham a mesma média.7 .Na figura 4.7 temos as curvas representativas de três tipos de distribuição de frequências. mais altos. esta medida nada informa quanto à homogeneidade dos dois grupos: um pode ter indivíduos todos mais ou menos da mesma altura. onde se indicam as posições das três medidas que estudamos (média. uma simétrica e duas assimétricas. Uma das medidas de dispersão ou variabilidade mais utilizada na prática é o desvio padrão.

Quanto maior for o desvio padrão. Os pesos. sendo N.5 15. em Kg.5 - 9. Os valores que se afastam desta média são chamados desvios.5 10. A fórmula para se calcular o desvio padrão é pois: . Suponhamos que queiramos determinar o peso médio dos indivíduos perten_ centes.5 10.5 kg e que o desvio padrão dos valores observados é 10. o número de observações (10. Os desvios em relação a esta média são: 0. dividido por N — 1. maior será a variabilidade dos valores.5 -9. por exemplo. no caso) nos dá o desvio padrão (s).5 kg.5 -4.5 0.9 kg.5 Os desvios são calculados diminuindo-se da média. determinando o peso de. O desvio padrão indica pois o grau de variação dos valores da amostra. cada valor observado.5 5.5 19. podemos dizer que a estimativa do peso médio do grupo é 69. a uma determinada comunidade. Assim: Portanto. 10 indivíduos tomados ao acaso.Desvio padrão O seguinte problema permitirá introduzir o conceito de desvio padrão. são os seguintes: 70 80 60 50 70 60 65 80 75 85 A média aritmética desses 10 dados é 69. Começamos. A raiz quadrada da soma dos desvios ao quadrado.

sendo X, cada valor observado; X, a média dos valores e N, o número de valores. Em Biotipologia, porém, o desvio padrão é calculado a partir da moda e não da média aritmética. Este assunto será abordado mais adiante. Aplicação da curva normal As medidas corporais utilizadas em Educação Física geralmente tem uma distribuição que segue a curva normal. Através de ca'lculos matemáticos pode-se obter as áreas que estão sob a curva quando ela é dividida em segmentos, através de linhas verticais (f ig. 4.8). A linha do meio representa a média. As outras três linhas de cada lado relacionam-se a unidades de desvio padrão. O lado direito a partir da média é positivo ou seja indica os escores mais altos da distribuição. 0 lado esquerdo é negativo: aqui estão os valores mais baixos da distribuição. A curva normal é dividida em seis desvios-padrão sendo três de cada lado da média. Assim, na curva normal, um desvio padrão acima da média contém cerca de 34,00 por cento dos escores; isto significa que a área situada entre um desvio padrão de cada lado, em torno da média, vale aproximadamente 68 por cento. A área compreendida entre 1 e 2 desvios-padrão vale aproximadamente 14 por cento. Estes conhecimentos são importantes para determinar, por exemplo, o número de alunos que obtiveram um determinado escore, em uma distribuição normal. Suponhamos que 200 alunos foram submetidos a um determinado tipo de exercício e tenham obtido escores com distribuição normal, sendo a média 100 e o desvio-padrão igual a 20.

Figura 4.8 - Área sob a curva normal

Como a média é 100, sabe-se que 100 alunos obtiveram 100 ou mais e 100 alunos obtiveram 100 ou menos. Quantos alunos tiveram um escore de 140? Sendo o desvio-padrâb igual a 20, o valor 140 encontra-se 2 desvios-padrão acima da média. A área compreendida entre 2 desvios padrão acima e abaixo da média corresponde a 95% e então sobram 5% dos casos, sendo 2,5% acima e 2,5% abaixo de dois desvios-padrão. Em outras palavras, apenas 2,5% dos alunos obtiveram escores superiores a 140 na prova realizada (fig. 4.9).

Figura 4.9 - Área sob a curva normal

CORRELAÇÃO
Às vezes em Educação Física é importante saber como varia uma determinada medida ou fenómeno em relação a outra, isto é, se existe ou não correlação entre essas duas variáveis, e se existe, saber se essa correlação é positiva ou negativa. Será positiva quando aumentando uma variável, a outra também aumenta, ou diminuindo uma, a outra também diminui. A correlação é negativa quando ao aumentar uma variável, a outra diminui ou vice-versa. Existe, por exemplo, correlação entre o Q.l. dos alunos e as notas obtidas, ou seja, quanto mais elevado o Q.l. mais altas são as notas obtidas pelos alunos. Mas não existe correlação, por exemplo, entre a altura e as notas obtidas nas provas. Através de fórmulas específicas, pode-se determinar a correlação entre duas variáveis, calculando o chamado coeficiente de correlação. Este assunto não será porém aqui abordado. Mais pormenores podem ser obtidos em tratados de Estatística.

TESTES DE S I G N I F I C Â N C I A Suponhamos uma situação em que submetemos dois grupos diferentes de alunos a um mesmo trabalho físico e gostaríamos de compará-los, para saber em qual grupo, o aproveitamento f o i melhor. Depois de obtidos os valores, as médias de cada grupo deveriam ser comparadas, uma com a outra. Se houvesse uma diferença entre estas medias, que medem o desempenho de cada grupo, esta diferença teria de ser testada para verificar se ela é verdadeira ou se houve qualquer tipo de interferência que determinou a diferença. Existem vários tipos de testes estatísticos que permitem determinar se essa diferença entre médias é real ou não. Um dos testes mais fáceis e mais utilizados na prática é o chamado teste " t " . Utilizando os valores das médias e desvios-padrão, calcula-se o valor de " t " , através de fórmulas próprias, o qual é depois comparado com valores constantes de tabelas e que nos dão o resultado ou seja, se as médias dos dois grupos diferem realmente ou não. Este assunto poderá ser melhor compreendido, consultando-se livros de Estatística.

.1 ~ Plano sagital mediano Os antímeros são simétricos apenas aparentemente. Figura 5. uma simetria aparente mas uma assimetria real. nem externamente. Existe pois externamente. nem internamente. 5. ou seja não existe uma simetria perfeita: os antímeros não são exatamente iguais. apresenta um princípio de construção chamado antimeria: o corpo é constituído por duas metades. os antímeros direito e esquerdo.CAPITULO V AVALIAÇÃO DAS DIMENSÕES E PROPORÇÕES EXTERNAS DO CORPO E SEUS SEGMENTOS INTRODUÇÃO O corpo humano como dos vertebrados em geral. Exemplos destas assimetrias serão vistos em seguida.1). separados pelo plano sagital mediano (Fig.

perímetro. volume e força dos músculos são maiores do lado direito.Assimetrias externas Os dois lados da face não são simétricos: a linha que une as fendas palpebrais. ocorrendo o inverso quando se o examina anteriormente. Os membros superiores. 5. O pavilhão da orelha é maior e está em nível mais alto do lado esquerdo. na maior parte dos indivíduos são assimétricos. o inferior mais desenvolvido será o do lado oposto. quando examinado por trás. o membro superior direito é mais desenvolvido que o esquerdo: o comprimento. O antímero direito do tronco é mais desenvolvido que o esquerdo. Nos indivíduos dextros. Quando o membro superior de um lado é mais desenvolvido. .2). bem como a linha que une as comissuras dos lábios são oblíquas e não paralelas (Fig. Cerca de um terço dos indivíduos apresentam assimetrias nos membros inferiores.

para compensar (Fig. . As curvaturas estão exageradas propositalmente. Além destas assimetrias morfológicas observam-se também assimetrias funcionais: a maioria dos indivíduos usa com maior habilidade o membro superior direito em trabalhos com as mãos. a região torácica da coluna apresenta uma curvatura de convexidade também para a direita.5. quando o membro superior direito é mais desenvolvido que o esquerdo. Figura 5. Geralmente. Existe também maior acuidade no uso da visão e audição de um lado que do outro.A coluna vertebral quando examinada de frente mostra curvaturas normais. Esquema da coluna em vista posterior. enquanto que a coluna lombar exibe uma curvatura de convexidade para a esquerda.3 — Escolioses da coluna vertebral.3). Estas curvaturas são conhecidas como escolioses.

4 . medidas da cabeça. Após esta breve introdução. 5. ALTURA Conceito de altura Altura ou estatura é a distância em linha reta entre dois planos. altura tronco-cefálica.Há casos em que a musculatura de uma parte do corpo apresenta hipotonia ou hipertrofia. Fig. na "posição fundamental" (Fig. um tangente à planta dos pés e outro tangente ao ponto mais alto da cabeça. 5. são indicados exercícios especiais para sua correçáb. conferindo aspecto anti-estético ao seu portador.4). Nestes casos. M E D I D A S QUE P E R M I T E M A V A L I A R AS DIMENSÕES E PROPORÇÕES E X T E R N A S DO CORPO H U M A N O Como já vimos. Serão apresentadas na seguinte ordem: altura.A l t u r a . estas medidas são denominadas medidas biométricas somáticas. do tronco e dos membros. envergadura. estudaremos algumas das principais medidas que avaliam as proporções do corpo. estando o indivíduo em pé.

e com o passar dos séculos. Cada um destes aspectos será analisado a seguir. Esta posição é utilizada para medir crianças até 3 anos. A ação da gravidade. fase da vida. a altura varia em 2.5).Fatores de variação da altura A altura varia fisiologicamente de acordo com os seguintes fatores: posição do corpo e hora do dia. obtida na posição em pé. Figura 5. o peso do corpo e o achatamento dos discos intervertebrais são os responsáveis por este fenómeno.5 — Variações da altura durante 24 horas (segundo Backman) . 5. Em consequência. fala-se em distância ou comprimento. No decorrer das 24 horas do dia. Quando se mede o indivíduo na posição deitada.5 cm em média (Fig. a) Posição do corpo e hora do dia — A medida da altura na posição em pé pode deferir em até 3 cm da medida na posição deitada. deve-se usar o termo altura para definir a medida longitudinal.

Observa-se que os meninos crescem sempre mais que as meninas. . destacam-se o genético. d) Variação da altura com a passar dos séculos — Segundo alguns autores.Durante a vida. Classificação dos indivíduos segundo a altura Existem várias classificações. segundo o sexo e a idade O quadro seguinte mostra a variação da altura nos primeiros anos de vida. em altura. Na idade adulta. a altura passa por uma fase em que há uma elevação dos valores e que vai do nascimento até os 25 anos aproximadamente. de mesma idade. quando começam a diminuir devido a procesos que afetam os discos intervertebrais. o neuro-endócrino e as doenças. as meninas crescem mais que os meninos e na idade adulta estes recuperam e ultrapassam aquelas. Na puberdade porém. os fatores externos mais importantes são: nutrição. a média de altura é de 130 a 199 cm. a altura média do ser humano tem aumentado ao longo dos séculos. os valores se mantém até os 50 anos. mas uma das mais conhecidas é a que considera os indivíduos como pertencentes a um dos três grupos: Masculino 130-160 cm 161-169 cm 170-199 cm Feminino 121-149 cm 150-158 cm 159-187 cm Pequena altura Média altura Grande altura Fatores que determinam a altura Entre os fatores internos. condições sócio-econômicas e temperatura. Fase Recém-nascido 12 meses 24 meses 36 meses Masculino 50 cm 75 cm 85 cm 95 cm Feminino 49 cm 74 cm 84 cm 84 cm Após os três anos. A seguir. menos que o homem. na mesma raça. afirmam que não tem havido aumento da altura. A mulher tem geralmente 10 cm. Outros porém. a criança cresce em média 6 cm por ano. em média. clima. c) Variação da altura com a fase da vida .b) Variação da altura com a fase do crescimento. também baseados em dados experimentais.

Entretanto. . 5. devido principalmente ao crescimento dos membros inferiores e durante e depois dessa fase. além de ser importante para estudos biotipológicose raciais. tal como a altura e devido aos mesmos motivos. devido ao crescimento maior da altura tronco-cefálica.4). a altura aumenta antes da puberdade. natação. (1970) estudaram a evolução da altura tronco-cefálica em relação à altura.Importância da medida da altura O estudo da altura é muito importante porque esta medida se relaciona com quase todas as medidas somáticas. A altura tronco-cefálica é maior no sexo feminino que no masculino. maior nos amarelos que nos brancos e maior nestes que nos pretos. Atletas de grande altura são mais indicados para esportes como corrida de meio fundo. são indicados para indivíduos de pequena altura. luta livre e arremesso de peso. ALTURA TRONCO-CEFÁLICA Conceito É a distância entre um plano tangente ao ponto mais alto da cabeça e um plano que passa pelos ísquios. A cabeça fica em posição tal que o aluno olha para frente (Fig. enquanto corridas de fundo. A técnica de medida da altura é simples: a haste vertical do instrumento é colocada junto ao dorso do aluno enquanto a haste horizontal toca a cabeça. estando o indivíduo sentado. Segundo Godin. esportes como corrida de velocidade e boxe são apropriados para indivíduos de altura média. estas diferenças são pequenas. Instrumento utilizado para medir a altura O instrumento que se utiliza para medir a altura é o antropômetro. Os calcanhares devem estar unidos. por exemplo. Marcondes e cols. em crianças brasileiras de 0 a 12 anos (Tabela 1). salto em altura e á distância e ciclismo. Fatores de variação da altura tronco-cefálica Esta medida varia com a posição do corpo e hora do dia.

35 131.22 117.40 112. o desenvolvimento dos membros inferiores.93 59.88 44.58 100.75 61.87 65.25 56.06 64.07 52.81 49.70 135. em relação à altura (Marcondes e cols.86 53.15 73.37 132.10 60.24 67.19 139.23 66.35 64.54 53.26 56.80 54.95 55.01 57.54 55.68 59.59 138.86 128.62 Meninas Altura Altura troncocefálica 33.26 53.81 51.60 47.55 127.95 112.47 52.96 73.91 52. 1970) Utilidade da medida da altura tronco-cefálica Esta medida permite calcular os denominados indice esquélico de Monouvrier e indice córmico. O índice córmico (termo criado por Vallois) se o b t é m relacionando a altura tronco-cefálica e a altura (fórmula criada por Giuffrida-Ruggieri): .61 38.Meninos Idade Altura Altura troncocefálica 34.13 106.96 O anos 3 meses 6 meses 9 meses 12 meses 18 meses 2 anos 3 anos 4 anos 5 anos 6 anos 7 anos 8 anos 9 anos 10 anos 11 anos 12 anos 50.07 49.92 60.22 61.38 64.08 43.06 57.15 51.94 74.45 70. o primeiro é dado pela relação centesimal entre o comprimento dos membros inferiores e a altura tronco-cefálica: Indice esquélico de Monouvrier Este índice permite apreciar.14 93.45 80.26 49.75 55.04 54..74 53.91 63.16 62.03 45.17 122.03 65.52 122.33 63.42 56. indiretamente.77 64.60 Porcentagem da altura 68.22 65.04 54.82 137.27 63.10 69.77 118.18 39.56 54.33 60.06 66.50 68.22 55.20 46.24 71.01 59.14 105.14 61.06 Tabela 1 — Evolução da altura tronco-cefálica.66 85.59 73.27 57.26 79.33 53.15 59.01 69.11 91.13 Porcentagem da altura 68.94 99.36 41.98 64.15 71.43 70.57 62.02 72.37 84.

os braquicórmicos são mais indicados para esportes de velocidade (corridas e saltos). Instrumento utilizado para se medir a altura tronco-cefálica Para se medir a altura tronco-cefálica. estando o indivíduo sentado (Fig. utiliza-se o antropômetro. . 5. 5. Figura 5.De acordo com este índice.6 .Altura tronco-cefálica ENVERGADURA Conceito de envergadura É a distância em projeção entre as extremidades dos dedos médios. com os membros superiores estendidos horizontalmente. estando o indivíduo em pé.6). Em seleçãb desportiva. pode-se classificar os indivíduos e m : Braquicórmicos Metriocórmicos Macrocórmicos menos que 51 (tronco pouco desenvolvido) 51 a 53 (tronco médio) mais que 53 (tronco muito desenvolvido) 0 índice córmico permite avaliar o desenvolvimento do tronco. ao lado do corpo (Fig. Ele é um pouco mais elevado no sexo feminino que no masculino.7). ao passo que os macrocórmicos possuem mais resistência e mais força.

abdome. ao lado do corpo. . pelve e dos membros. no homem e 5 cm na mulher. remo. a diferença vai diminuindo. a envergadura ultrapassa a altura em 5 a 10 cm. do toráx. da cabeça. Técnica de medida da envergadura Utilíza-se. Importância da medida da envergadura Em seleçâb desportiva. Na raça negra a envergadura é maior que na amarela. até que no adulto. encostada na prancha e com os membros superiores estendidos horizontalmente. o sexo e a raça A altura é maior que a envergadura desde o nascimento até os 10 anos. para medir a envergadura. passaremos a seguir a analisar alguns pontos importantes sobre medidas dos segmentos corporais. graduada horizontalmente. os atletas que possuem grande envergadura têm melhor desempenho em esportes como:ténis. um quadro mural ou prancha. A pessoa fica em pé.7 — Envergadura Variação da envergadura com a idade. arremesso e box. Daí até a fase adulta. altura-tronco-cefálica e envergadura. ou seja.Figura 5. Tendo estudado os principais aspectos sobre as medidas biométricas: altura.

antes de iniciarmos o estudo destas medidas e índices.MEDIDAS DA CABEÇA principais medidas e índices da cabeça Podemos resumir as principais medidas e índices da cabeça. temos que definir alguns pontos antropométricos da cabeça. pontos que servem de reparo para se obter as medidas deste segmento. como se segue: Principais medidas da cabeça índices da cabeça Entretanto. Figura 5. ou seja.8 — Pontos cefalométricos .

podemos estudar algumas medidas da cabeça. gnácio. — É o ponto mais saliente do bordo inferior da mandíbula. Entretanto. A cabeça é dividida em crânio e face.8 e 5. opistocrânio.Figura 5. o gnácio e o opistocrânio são ímpares e o êurio e o zígio são pontos pares. Definição destes pontos cefalométricos Glabela — Násio Gnácio Êurio Zígio É o ponto situado entre as sobrancelhas. é necessário conhecer antes alguns pontos antropométricos desse segmento. o násio. Tendo compreendido os principais pontos cefalométricos. êurio e zígio (Figs.Pontos cefalométricos Principais pontos antropométricos da cabeça Para estudar as medidas da cabeça.9 . que neste caso são denominados pontos cefalométricos. — É o ponto mais saliente na parte lateral da cabeça. que já foram citadas. — Situa-se na parte central da sutura entre os ossos frontal e nasais. estudaremos apenas as mais importantes. 5. . Opistocrânio A glabela.9). násio. — Corresponde ao ponto mais saliente do arco zigomático. — É o ponto mais saliente na parte posterior da cabeça. Os principais são: glabela. Várias medidas podem ser feitas nestas duas partes.

Figura 5.Comprimento da cabeça É a distância entre a glabela e o opistocrânio. Largura da face Corresponde ao diâmetro bi-zigomático.10 — Comprimento da cabeça Largura da cabeça É a distância entre o êurio de um lado e o outro do lado oposto.11). 5. ou seja.10). Corresponde ao diâmetro transverso da cabeça (Fig. 5. . Altura da face É a distância que vai do násio ao gnácio. à distância entre o zfgio de cada lado. Corresponde ao diâmetro ântero-posterior da cabeça (Fig.

11 — Largura da cabeça Principais índices da cabeça Os índices da cabeça são: o cefálico e o facial. podemos classificar os indivíduos em: Dolicocéfalos (de cabeças estreitas ou longas): índice cefálico menor que 76.0. Mesocéfalos (de cabeças intermediárias): índice de 76.0. índice cefálico A relação entre os diâmetros da cabeça constitui o índice cefálico: Classificação dos indivíduos de acordo com o índice cefálico De acordo com este índice. Braquicéfalos (de cabeças arredondadas): índice maior que 81.9.Figura 5. .0 a 80.

pois permite avaliar o desenvolvimento do volume da cabeça e detectar possíveis anomalias. quando tanto a maxila como a mandíbula se projetam para frente.87 2 anos 3 anos Instrumento utilizado para se medir os perímetros Os perímetros são medidos com a fita métrica. Em crianças brasileiras. em média. há uma macrocefalia e se é muito baixo. mede 50 c m . que é a projeção da face para frente. Ele pode ser t o t a l .98 47. foram obtidos os seguintes valores (cm) para o perímetro cefálico (Marcondes e cols. .93 48.9 46. Importância das medidas da cabeça Os diâmetros e índices da cabeça são mais usados em estudos de antropologia racial. o perímetro cefálico mede. 35 c m . O prognatismo parcial superior e o inferior ocorrem quando somente a maxila ou somente a mandíbula.84 Feminino 34. 47 c m . estudos ligados ao desenvolvimento do homem desde seu aparecimento.80 Idade Recém nascido 1 ano 47.índice facial A relação entre as medidas da face fornece o índice facial: Instrumento utilizado para se obter as medidas da cabeça até agora estudadas As medidas da cabeça até agora estudadas (comprimento e largura da cabeça e altura e largura da face) são obtidas utilizando os compassos de pontas rombas ou de corrediça. pode haver o chamado prognatismo. Em relação à face. Perímetro cefálico É a medida da circunferência da cabeça utilizando o plano que passa pela glabela e pelo opistocrânio. respectivamente.0 45. se projeta para frente. ou seja.26 44. Quando o valor do perímetro cefálico é muito elevado.): Masculino 35. O perímetro cefálico é importante até os três anos de idade. 49 cm e aos 36 meses. Ao nascer. aos 12 meses. aos 24 meses. com relação aos grupos raciais. uma microcefalia.

Principais medidas do tronco As principais medidas e índices do tronco estão resumidos na chave seguinte: Altura anterior do tronco Diâmetro bi-acromial Diâmetro transverso do tórax Diâmetro sagital do tórax índice torácico de Godin Diâmetro bi-crista ilíaca Diâmetro bi-trocantérico Perímetro torácico Coeficiente torácico Perímetro do abdome Altura do tórax Altura total do abdome Principais medidas e índices do tronco Antes de iniciarmos o estudo destas medidas. . Além disso. abdome e pelve. Um tronco bem desenvolvido já indica um bom desenvolvimento orgânico. ílio-espinhal anterior e troncanterion (pares). Assim sendo. ou seja. diâmetros e perímetros. o tronco é uma parte do corpo que nos permite acompanhar os progressos obtidos com um esquema de treinamento físico.: 5. através do estudo de seus comprimentos.MEDIDAS DO TRONCO Introdução Neste estudo são consideradas as medidas do toráx.14): jugular. no exame do tronco observamos o seu desenvolvimento e suas simetrias. pontos de reparo. acromial. umbilical e pubiano (ímpares). xifoideano. Quando há doenças em órgãos contidos no tórax ou abdome pode haver deformidades correspondentes. mamilar. 5. O estudo do tronco é muito importante pois seu exame nos informa sobre vários aspectos em relação ao indivíduo. utilizados para se obter as medidas. temos que conhecer os principais pontos antropométricos do tronco.12. Principais pontos antropométricos do tronco Os principais pontos antropométricos do tronco são (Figs. As doenças que afetam os segmentos do tronco podem se assentar em sua parede. em órgãos contidos em suas cavidades ou na coluna vertebral. ílio-cristal.13 e 5.

13 — Pontos antropométricos do tronco .Pontos antropométricos do tronco Figura 5.Figura 5.12 .

Altura anterior do tronco É a distância em projecão (em linha reta) entre o bordo superior do esterno (ponto jugular) e o bordo superior da sínfise púbica (ponto pubiano). no ponto onde o trocanter maior do fémur mais se afasta . — ílio-cristal: no local onde a crista ilíaca mais se projeta lateralmente. — acromial: ponto mais saliente lateralmente. Mede-se com o antropômetro estando o indivíduo em pé. — xifoideano: no centro da base do processo xifóide do esterno.Figura 5. — ílio espinhal: no local onde a espinha ilíaca ântero-superior mais se projeta anteriormente. — pubiano: no centro da parte superior da sínfise púbica. — mamilar: no centro do mamilo.14 . — umbilical: no centro da cicatriz umbilical. do acrômio da escápula. — trocanterion: lateralmente. Pode ser decomposta em altura anterior do tórax e altura total do abdome.Pontos a n t r o p o m e t r i a » do tronco Localização dos pontos antropométricos do tronco Os pontos antropométricos do tronco estão situados: — jugular: no centro da incisura jugular do esterno.

Tanto a altura do tórax como a do abdome. Figura 5. esta medida permite apreciar o desenvolvimento do tórax em relação ao abdome. Estas medidas quando realizadas na posição deitada sao chamadas comprimentos ou distâncias. Segundo os estudos de Viola. mede-se com o antropômetro ou compasso de barras e na posição ereta (Fig.15 — Altura do tórax Altura total do abdome É a distância que vai do ponto xifoideano à sínfise púbica (ponto pubiano). 5.16).15). .Altura anterior do tórax e sua importância É a distância em linha reta entre a borda superior do esterno (ponto jugular) e a borda superior do apêndice xifóide (ponto xifoideano) (Fig. 5.

Figura 5. ou pontos acromiais (Figs. 5.Figura 5.17 — Diâmetro bi-acromial .17).16 — Altura do abdome Diâmetro bi-acromial e seus valores médios É a distância entre os bordos laterais dos acrômios das escápulas. Seus valores médios sâo: 37 a 44 cm no homem e 34 a 38 cm na mulher.13 e 5.

estes diâmetros devem ser medidos entre dois pontos situados em um plano transversal ao eixo do tórax. que permite apreciar a forma do tórax: índice torácico de Godin Figura 5. Na mulher. passando pela base do apêndice xifóide. Diferenças entre estes diâmetros menores que 5 cm ou maiores que 12 cm.18 e 5.19). O valor médio do diâmetro transverso no homem é 30 cm e do sagital é 20 cm.Diâmetro transverso do tórax . traduzem tórax cilíndrico ou deformado.Diâmetros transverso e sagital do tórax e seus valores médios Para a maioria dos autores. eles valem cerca de 2 cm menos. 5.18 . na fase intermediária entre a inspiração e a expiração (Figs. índice torácico de Godin — A relação entre os diâmetros torácicos fornece o índice torácico de Godin.

. O bi-trocantérico vale.20). 28 cm no homem e 27 cm na mulher. enquanto na mulher. Vale 32 cm. em média.21).Figura 5. em linha reta.5 cm mais que o bi-crista ilíaca. entre os pontos mais laterais dos trocanteres maiores dos fémures (trochanterion) (Fig. 5. em média. o diâmetro bi-acromial e os da pelve (bi-crista ilíaca e bi-trocantérico) desenvolvem-se proporcionalmente. 5. Relação entre os diâmetros bi-trocantérico e bi-crista ilíaca Os diâmetros bi-trocantérico e bi-crista ilíaca estão intimamente ligados. Os estudos de Vague (1953) mostram que. em média. 3.Diâmetro sagital do tórax Diâmetro bi-crista ilíaca e seus valores médios É a distância em linha reta entre os pontos mais laterais das cristas ilíacas (ponto ilío-cristal) (Fig. a partir da puberdade ocorre um aumento progressivamente maior dos diâmetros da pelve em relação ao bi-acromial. no homem.19 . Vale. Diâmetro bi-troncantérico e seu valor médio É a distância máxima.

Perímetro torácico É a medida da circunferência do tórax.Figura 5. de modo geral. para esse fim. no homem) e o perímetro xifoideano (ao nível da articulação xifo-esternal). 5. Importância dos diâmetros do tronco e instrumentos utilizados para medi-los Os diâmetros. a seguinte fórmula: 3 x diâmetro bi-acromial — diâmetro bi-crista Os valores médios para os sexos masculinos e feminino são. são importantes para avaliar o desenvolvimento horizontal do corpo no sentido transversal ou ântero-posterior e sâo obtidos com os compassos de toque ou de pontas rombas. . Valores acima ou abaixo destes indicariam maior ou menor virilidade ou feminilidade. Este último geralmente é 3 cm menor que o mamilar (Fig.22). Os mais utilizados sâo o perímetro mamilar (ao nível dos mamilos. Pode ser obtido em vários níveis do tórax. Tanner (1951) propõe. respectivamente. 93 ± 5 e 78 ± 5.20 — Diâmetro bi-crista Figura 5.21 — Diâmetro bi-trocantérico A relação entre estes diâmetros permitiria avaliar o grau de feminilidade e masculinidade do indivíduo.

relacionando o perímetro torácico com a altura.Figura 5.22 . através do coeficiente torácico: Tórax estreito Tórax médio Tórax largo Coeficiente torácico menor que 51 Coeficiente torácico entre 51 e 56 Coeficiente torácico maior que 56 . Classificação dos indivíduos de acordo com este parâmetro A medida do perímetro torácico indica o grau de desenvolvimento do tronco. Coeficiente torácico. Elasticidade torácica A diferença entre as medidas dos perímetros torácicos depois de uma inspiração profunda e uma expiração forçada fornece a chamada elasticidade torácica.Perímetro torácico mamilar Técnica para medir os perímetros torácicos Os perímetros torácicos são obtidos ao fim de uma expiração normal. médio e largo. Pode-se também determinar um valor médio realizando duas medidas: uma no fim da inspiração e outra no fim da expiração. Brugsh classifica o tórax em estreito.

arremessadores de peso e halterofilistas. Os perímetros abdominais indicam o grau de adiposidade que o indivíduo possui. indica estado de magresa e se for menor que esse valor. 0 objetivo é comparar uma metade do corpo com a outra para deduzir informações sobre simetrias e assimetrias. indica obesidade. Assim. Instrumento utilizado para se obtê-lo Perímetro do abdome é a medida da circunferência do abdome obtida em um ponto situado à meia distância entre o rebordo costal e a crista ilíaca. Ao determinar os semiperímetros desses segmentos corporais.Alguns fatores que influenciam no valor do perímetro torácico 0 perímetro torácico é geralmente maior no sexo masculino e nos indivíduos que praticam esporte. externamente. queremos verificar a presença ou ausência de simetria. o importante é verificar a simetria entre um membro e outro e não no mesmo lado. a diferença entre os perímetros torácico e abdominal deve estar situada em torno de 14 cm. Semiperímetro é a metade dessa linha. . onde são mais frequentes os problemas de simetria. interessa o estudo dos semiperímetros do tórax. Utilidade da medida dos perímetros do tronco O perímetro torácico informa sobre o desenvolvimento do tronco em largura e sobre o estado nutritivo do indivíduo. o perímetro é a linha de contorno de uma figura. Perímetro do abdome. Em Educação Física. especialmente nos fundistas. Não se aplica semiperimetria nos membros. quando traçada sobre um plano transversal a um segmento do corpo. Semi perímetros Como já vimos. No adulto. A medida dos perímetros do tronco é feita com fita métrica. Se esta diferença for maior que 14 cm. Existe geralmente relação diretamente proporcional entre perímetro torácico e peso. Certas doenças diminuem o perímetro torácico enquanto outras como a asma e o enfisema o aumentam. pois no caso destes segmentos. utilizamos a semiperimetria mais para o tronco e neste. na cabeça e no tronco as metades direita e esquerda são tidas como simétricas.

por exemplo. caracterizada por ter o zero da escala no centro da fita e não em uma das extremidades (fig. Para medir os semiperímetros utiliza-se o chamado centímetro simétrico de Rosenthal que nada mais é que uma fita métrica. No caso da medida dos semiperímetros do tórax. há simetria. Figura 5. Mede-se os semiperímetros de um lado e de outro do tórax e compara-se as medidas. por exemplo. Se as medidas forem iguais dos dois lados. nos dois sentidos das extremidades. 5. Assim. A fita é graduada em milímetros a partir do zero. É facilmente palpado como uma saliência no osso esterno. por meio do ângulo de Louis e a seguir percorrer as demais até atingir a que nos interessa. é só situar a segunda. Sua importância reside no fato de estar situado ao nível da união da segunda cartilagem costal com o esterno.23). coloca-se o zero sobre os processos espinhosos da coluna e tracionamos as extremidades da fita até junto à linha média na face anterior do esterno.22).A semiperimetria do tórax visa não só detectar assimetrias como também permite acompanhar a evolução de tratamento dessas mesmas assimetrias com o uso de ginástica corretiva. 5. quando queremos localizar e saber que costela estamos palpando. . É bastante obtuso e seu vértice está voltado anteriormente (fig. onde fazemos as leituras.22-a — Centímetro simétrico de Rosenthal Ângulo de Louis ou ângulo do esterno É o ângulo entre o corpo e o manúbrio do esterno.

Ângulo de Louis. Os membros superiores são também chamados torácicos e os inferiores.23 . nona. . Este ângulo tem importância em Biotipologia para classificar os indivíduos em somatótipos. Os membros superiores na verdade servem não somente para a preensão e o tato mas também para manter o equilíbrio do corpo durante a locomoção. junto ao processo xifóide (fig. oitava e sétima costelas que se unem ao esterno. abdominais. em vista lateral do osso esterno Angulo de Charpy ou ângulo subcostal É o ângulo formado pelas cartilagens da décima.13). MEDIDAS DOS MEMBROS INTRODUÇÃO Os membros são apêndices destinados à locomoção e preensão. 5.Figura 5.

destacam-se os seguintes pontos antropométricos (fig. — Acromial — Já descrito no estudo do tronco — Dactilium .Os membros inferiores sustentam o peso do corpo.24). 5. tanto em posição estática. Antes porém temos que conhecer seus pontos antropométricos.É o ponto mais distai do dedo médio — Dobra do punho — Situado na parte central da prega que se forma quando o punho é flexionado. Daí serem mais desenvolvidos que os superiores. Às vezes o número de pregas que se formam é par. o ponto situa-se entre as duas pregas centrais. Neste caso. — Radial — Situado na extremidade proximal do rádio — Stylion .24 — Pontos antropométricos do membro superior . Pontos antropométricos dos membros No membro superior.Situa-se no ápice do processo estilóidedo rádio Figura 5. Nos membros são estudados os comprimentos e os perímetros. quanto durante a locomoção.

destacarn-se os seguintes pontos antropométricos (fig. perna e pé índice ósseo. 5.Já descrito no estudo do tronco — Pubiano — Já descrito no estudo do tronco — Tibial — Ponto mais medial da linha interarticular do joelho — Maleolar — Situa-se no maléolo medial Figura 5.25).25 — Pontos antropométricos do membro inferior Principais medidas e índices dos membros A chave seguinte resume as principais medidas e índices dos membros: Comprimento do membro superior índice do comprimento do membro superior Comprimento do braço índice do comprimento do braço Comprimento do antebraço índice do comprimento do antebraço Comprimento do membro inferior índice do comprimento do membro inferior Comprimento da coxa índice do comprimento da coxa Comprimento da perna índice do comprimento da perna Perímetros do braço.No membro inferior. antebraço e mão Perímetros da coxa. — Mio-espinhal anterior. Medidas e índices dos membros .

26).26 . O membro superior direito é mais comprido que o esquerdo em mais ou menos 1cm. Figura 5.Cumprimento do membro superior índice do comprimento do membro superior Relacionando esta medida com a altura. em linha reta. obtém-se o índice do comprimento do membro superior que é dado pela fórmula: Classificação dos indivíduos através do índice do comprimento do membro superior Através deste índice. estando o indivíduo em pé.9 de 45 a 46.Comprimento do membro superior É a distância entre o ponto acromial e o dactilium. na posição fundamental (fig.9 maior que 47 . classificam-se os indivíduos em: Membro superior curto Membro superior médio Membro superior longo até 44. 5.

classificam-se os indivíduos em: Braço curto Braço médio Braço longo até 18. em geral. utilizando a fórmula: De acordo com este índice. 5.9 de 19 a 19.27 . enquanto nas raças branca e amarela. No sexo feminino.9 Figura 5. o comprimento do membro superior é 1cm menor que no masculino.9 maior que 19. Comprimento do braço O comprimento do braço ó a distância em projeção entre os pontos acromial e radial (fig. predomina o membro superior longo.Comprimento do braço .27) O índice do comprimento do braço é obtido.Na raça negra. o membro superior curto.

entre o stylion e o dactilium até 14. de acordo com este índice.9 .28) Figura 5.9 maior que 15. em: Antebraço curto Antebraço médio Antebraço longo Comprimento da mão É a distância em linha reta.0 a 15. 5.28 — Comprimento do antebraço 0 índice do comprimento do antebraço obtém-se pela fórmula: índice do comprimento do antebraço Classif icam-se os indivíduos.Comprimento do antebraço É a distância em linha reta entre os pontos radial e stylion (fig.9 de 15.

que vai do bordo superior da cabeça do fémur. para isso. utilizam-se pontos de reparo que fornecem a medida aproximada do comprimento do membro inferior. Esta medida nâb pode ser obtida diretamente pois o bordo superior da cabeça do fémur não é acessível.5 cm. 5.5 cm abaixo daquela linha (fig. 5.29) Figura 5. O primeiro ponto está situado em média 4 cm acima da linha interarticular ílio-femoral no homem e 3. na mulher. Estes pontos de reparo são: a espinha ilíaca ântero-superior e o bordo superior da sínfise púbica.30) Do mesmo modo que para o membro superior. medindo a distância de um destes pontos ao plano do solo e fazendo-se os descontos necessários (fig. em média. utiliza-se a fórmula: índice do comprimento do membro inferior .Comprimento do membro inferior É a distância em linha reta. enquanto que o bordo superior da sínfise púbica encontra-se. até um plano que passa pela planta do pé.29 — Pontos de reparo para medir o comprimento do membro inferior Pode-se então obter o comprimento do membro inferior indiretamente. pode-se obter o índice do comprimento do membro inferior. Por esse motivo. 3.

9 acima de 29.0 a 56.0 a 29.31 . 5. classificamos os indivíduos em: Membro inferior curto Membro inferior médio Membro inferior longo Comprimento da coxa É a distância em projecão entre os pontos ílio-espinhal anterior e o tibial (fig. O índice de comprimento da coxa é obtido pela fórmula: até 54.Através deste índice.9 acima de 57 De acordo com este índice.31).Comprimento do membro inferior Figura 5.9 de 29. classificam-se os indivíduos em: Coxa curta Coxa média Coxa longa até 28.9 Figura 5.30 .9 de 55.Comprimento da coxa .

9 Figura 5.Comprimento da perna É a distância em linha reta entre os pontos tibial e maleolar (fig.32 — Comprimento da perna Comprimento do pé É a distância entre o ponto mais posterior do calcanhar e a extremidade distai do primeiro ou segundo dedo (o que for mais longo).9 acima de 23. através da fórmula: índice do comprimento da perna Classificamos os indivíduos de acordo com este índice. Obtemos o índice do comprimento do pé através da fórmula: . 5.0 a 23. Obtém-se o índice do comprimento da perna.9 de 22.32). em: Perna curta Perna média Perna longa até 21.

e de preferência no lado esquerdo. segundo a finalidade. Perímetros dos membros Podem ser obtidos medindo-se nas partes moles ou nas partes ósseas. coxa. Os comprimentos dos membros são obtidos com o uso do antropômetro. perna e pé (Fig.33 . 5. Figura 5. antebraço. do joelho e do tornozelo.Perimetro do braço índice ósseo e classificação dos indivíduos através deste índice Este índice é dado pela fórmula: . Nas partes moles. Os perímetros ósseos sao medidos ao nível do cotovelo. do punho. mão. mede-se no braço.Os comprimentos dos membros e seus segmentos são importantes para se estudar suas simetrias.33).

os indivíduos são classificados em: Ossatura fraca Ossatura média Ossatura forte Utilidade da medida dos perímetros dos membros A medida dos perímetros dos membros permite apreciar seu desenvolvimento como um todo bem como o desenvolvimento ósseo dos membros. Os aparelhos utilizados para se medir ângulos articulares são os goniómetros (fig.5 a 1. mede-se ao nível do seu terço proximal. o que requer tratamento. A amplitude de movimento de uma articulação pode estar diminuída por vários motivos. Na coxa. no membro inferior ele será maior do outro lado e vice-versa. pequena diferença entre ambos os lados (0. na sua parte mais larga. com os dedos unidos exceto o polegar. onde as massas musculares apresentam maior volume e na mão. mede-se ao nível da raiz deste segmento. o perímetro do braço mede-se ao nível da extremidade distai do músculo deltóide: no antebraço. Ângulos articulares dos membros O ângulo articular é o ângulo formado pelos ossos. uma imobilidade prolongada.Através deste índice.5 cm).34) . e no pé. como já vimos. Godin verificou que sempre que o perímetro é maior em um lado. em um plano que passa junto à prega glútea. de Godin.5 e 46 maior que 46 Em tratamento de fraturas. por exemplo. Os perímetros ósseos são medidos ao nível das articulações. no membro superior. Para medida das partes moles. na articulação. Dá uma ideia também do estado de nutrição e do desenvolvimento muscular. menor que 43 entre 43. por exemplo. Devem ser colhidos tanto de um lado como do o u t r o . as articulações ficam imobilizadas por certo tempo. 5. Retirado o gesso. Este pode ser acompanhado. Os músculos ficam relaxados. Esta é a lei das assimetrias compensadoras. às vezes a amplitude de movimento das articulações pode estar diminuída. o perímetro da perna é medido ao nível da sua porção mais volumosa. mede-se na sua parte mais larga. entre os quais. Os perímetros dos membros são obtidos com a fita métrica. havendo geralmente. através da medida da amplitude de movimento.

34 — Tipos de goniómetro O goniómetro é basicamente um transferidor em cujo centro està"o unidos dois braços ou alavancas. A figura 5. Geralmente apenas um dos braços é móvel. Figura 5. antes e depois de aplicado tratamento com fisioterapia.35). 5. O transferidor é graduado de um em um grau (f ig.Figura 5.35 — Medida dos ângulos articulares do ombro (a) e do cotovelo (b) .36 é o registro gráfico das modificações da amplitude de movimento da articulação interfalângica proximal durante um período de quatro semanas.

36 — Gráfico da amplitude da articulação interfalángica proximal em 4 semanas de registro .Figura 5.

manter ou reparar os tecidos. proteínas. pouco animado. Ao contrário. Quando há uma boa nutrição. para considerar apenas alguns aspectos. . É dever do professor de Educação Física saber avaliar o estado nutritivo de uma criança e encaminhá-la para o setor médico responsável para que um tratamento possa ser providenciado. com cansaço facial e irritação fácil. são indícios de má nutrição. especialmente na época do crescimento. A criança mal nutrida tem fadiga crónica. O professor de educação física pode e tem condições de detectar casos de má nutrição e encaminhá-los para o médico. e habilidades motoras retardadas. É claro que qualquer um destes processos vai influenciar na altura. força muscular e outros aspectos da criança. É possível também que a quantidade e a qualidade sejam suficientes mas os tecidos do corpo não conseguem absorver ou aproveitar os elementos por alguma deficiência orgânica ou metabólica. Peso e alutra em torno da média. a digestão ocorre perfeitamente bem e as células do corpo estão usando de modo satisfatório esses alimentos. músculos firmes. Um dos principais fatores que prejudicam o processo normal de crescimento é a deficiência nutritiva. etc). dentes cariados. olhos claros boa postura e bom apetite são alguns dos sinais de boa nutrição. força muscular diminuída. regular a atividade corporal e permitir o trabalho do corpo. corpo pouco desenvolvido. pele flácida. todos os processos envolvidos na cadeia estão em equilíbrio: há oferta suficiente de alimento. Conceito de nutrição Nutrição pode ser considerado como o processo pelo qual as células do corpo usam o alimento ingerido para construir. músculos frágeis. ou seja. peso. A nutrição é pobre quando algum elemento desta cadeia não está funcionando a contento: a criança pode estar ingerindo alimento em quantidade insuficiente ou o alimento pode ser deficiente em determinadas substâncias (vitaminas. pele corada.CAPITULO VI AVALIAÇÃO DO ESTADO NUTRITIVO: MEDIDA DA ESPESSURA DE PREGAS CUTÂNEAS E PESO INTRODUÇÃO A saúde e o desenvolvimento do indivíduo são muito importantes. magro. subjetivãmente. AVALIAÇÃO DO ESTADO NUTRITIVO O estado nutritivo pode ser avaliado simplesmente pela observação da criança.

Entretanto, para eliminar erros que sempre ocorrem em avaliações subjetivas, foram criados meios objetivos de julgar o estado nutritivo. Tabelas de estatura-peso idade e tabelas de largura-peso Estas tabelas foram construídas a partir da avaliação de um grande número de indivíduos. 0 uso das tabelas idade-estrutura-peso apresenta desvantagens: não leva em conta a constituição corporal; é construída a partir de uma média, a qual, nem sempre é representativa para aquele caso específico. As tabelas de largura-peso (Pryor, 1940), sugerem que se pode avaliar o estado nutritivo utilizando não só o peso e a estatura mas também outras medidas como os diâmetros bi-crista ilíaca e o transverso do tórax. Assim, foram construídas tabelas relacionando idade, estatura, sexo, peso e as medidas acima relacionadas. Deste modo, para saber se o peso de uma determinada criança está dentro dos padrões normais, basta compará-lo com os valores indicados nas tabelas, levando em conta as várias medidas efetuadas. Alguns autores propõe a determinação da porcentagem de gordura corporal através de cálculos usando fórmulas em que entram a densidade, a massa e o volume do corpo. Estes dados são obtidos por métodos especiais. Entretanto, o meio mais fácil e prático de se avaliar o estado nutritivo é medindo o tecido adiposo através da medida das pregas cutâneas, pois o tecido adiposo subcutâneo, como se sabe, constitui aproximadamente metade de todo o estoque adiposo do corpo. MEDIDA DA ESPESSURA DE PREGAS CUTÂNEAS Importância da medida da espessura de pregas cutâneas. Esta medida permite avaliar o grau de adiposidade do indivíduo, e portanto seu estado nutritivo. Técnica de medida da espessura de pregas cutâneas Para medir a espessura da prega cutânea, utiliza-se um compasso especial que exerce pressão fixa sobre a pele, permitindo assim, uma medida sempre precisa. Um dos mais conhecidos é o compasso de Lauge (fig. 6.1).

Figura 6.1 - Compasso de Lange, para medida das pregas cutâneas

Os locais do corpo escolhidos para se efetuar as medidas são o dorso do braço, a região infra-escapular, região anterior da coxa, tórax e abdome (fig.6.2). Toma-se entre os dedos polegar e indicador uma dobra de tecido subcutâneo e mede-se sua espessura com o compasso. Em adulto, a medida vale cerca de 1cm, em média.

Pode-se também medir a espessura do tecido subcutâneo, através de chapas radiográficas. Além da medida da espessura de pregas cutâneas, uma das medidas mais utilizadas para avaliar o estado de nutrição é o peso, cujo estudo será feito a seguir. PESO Definição de peso O peso é resultante das forças exercidas pela gravidade sobre o corpo. Geralmente é interpretado, para efeitos práticos, como sendo igual à massa.

Figura 6.2 — Locais mais usados para medir a espessura da prega cutânea a — dorso do braço b — Região infra-escapular c — Regiáo lateral do abdome d - Coxa e — Região anterior do abdome

Elementos constituintes do peso A tabela seguinte mostra os elementos constituintes do peso e suas percentagens: Tecido subcutâneo, gordura e água Músculos Esqueleto, vísceras, sistema nervoso e pele 17% 50% 33%

Como se observa. condições de saúde e hábitos de vida. ao passo que à noite. Entre os fatores externos. o peso é maior.100. segundo Broca Segundo Broca. Esta diferença entre o peso pela manhã e à noite pode atingir até 2 quilogramas.Pela manhã. constituição neuro-endócrina e patologias. A parte do peso representada pelo tecido subcutâneo. através da respiração e sudorese. Broca considera como valores normais os que se colocam para mais 10 ou menos 10 do peso ideal calculado. a) Variação do peso com a hora do dia . Esta parte se modifica por exercícios físicos. devido à perda de líquidos. sob várias condições. o peso ideal seria dado pela fórmula: P = A (cm) sendo: A . b) Variação do peso com o crescimento — Durante a fase de crescimento. . destacam-se:a hereditariedade. Nestes casos. esqueleto. = altura em centímetros. os mais importantes são a alimentação e a atividade física. o peso aumenta cerca de 2 quilogramas por ano de idade. deve-se acompanhar a redução de peso. os mais importantes sío: hora do dia. Fatores que determinam o peso Podemos considerar fatores internos e externos. através de verificações periódicas. o peso é menor devido ao fato do estômago. Finalmente. c) Variação do peso com a prática de esportes — Esta é fator de redução de peso.. sistema nervoso e pele. Fatores de variação do peso Diversos fatores influenciam no valor do peso. Cálculo do peso ideal. há uma parte fixa que corresponde às vísceras. Entre os primeiros. intestinos e bexiga estarem vazios. o crescimento e a prática desportiva. a maior parte do peso é representada pelos músculos. gordura e água também é muito variável. depois dos 2 anos.

. o peso é uma medida utilizada para orientar o indivíduo para um determinado tipo de esporte. Pessoas de peso elevado são indicadas para esportes que requerem resistência e força. A balança de alavanca é preferida à de mola pois com o passar do tempo. esta tem sua precisão diminuída.Utilidade da medida de peso O peso tem grande importância como medida biométrica por sua fácil obtenção e por indicar o estado de nutrição e de saúde do indivíduo. enquanto os de peso baixo podem praticar esportes como corridas de fundo. Técnica da medida de peso Dois tipos principais de balança são utilizados para medir o peso. Em seleção desportiva. sendo o resultado dado em quilogramas: a de alavanca e a de mola.

tais como: idade. O volume sistólico em repouso. os valores da frequência do pulso variam com muitos fatores. geralmente é maior que o de um indivíduo não treinado. porque o coração do atleta é mais forte. Pode ser que na pessoa treinada o volume ejetado a cada batimento seja maior que numa não treinada. O volume minuto é a quantidade de sangue bombeada por minuto e o volume sistólico é o volume ejetado em cada batida do coração. como também a cardíaca. FORÇA MUSCULAR CONCEITO DE MEDIDAS BIOMÉTRICAS FUNCIONAIS Medidas biométricas funcionais são medidas que permitem avaliar o estado fisiológico de alguns sistemas do corpo. em repouso. devido ao treinamento que fortalece não só a musculatura esquelética. ao realizar um trabalho intenso e rápido. capacidade vital e forca muscular. mas todas baseiam-se em que o sistema muscular. os limites.CAPITULO VII MEDIDA DA CAPACIDADE VITAL E CARDIOCIRCULATÓRIA . Frequência do pulso Um indivíduo jovem tem em média. o pulso e a pressão sanguínea devem voltar rapidamente aos níveis de repouso. Volume minuto. e atividade física. a frequência do pulso pode ser 20 ou 30 batimentos mais baixa que uma pessoa não treinada. uma frequência do pulso de 64 batimentos por minuto. Além disso. no indivíduo normal. Quando um indivíduo é submetido a um trabalho. Se o coração e os pulmões estão funcionando à contento. A medida da capacidade cárdio-circulatória é feita submetendo-se o indivíduo às chamadas provas de esforço. o coração deve responder prontamente. hora do dia. estando entre 38 e 110. Em um atleta treinado. Estudaremos as seguintes: capacidade cardio-circulatória. de um atleta. Volume sistólico. suprem perfeitamente de oxigénio os músculos durante o esforço. a frequência do pulso vai . Entretanto. Existem vários tipos de provas de esforço. alimentação. MEDIDA DA CAPACIDADE CÁRDIO-CIRCULATÓRIA Veremos apenas uma noção sumária sobre a medida da capacidade cárdiocirculatória. Vejamos inicialmente algumas características fisiológicas do sistema cardiovascular. cessando o trabalho.

A pressão sanguínea é a pressão exercida pelo sangue sobre as paredes dos vasos. a frequência do pulso volta ao estado inicial e o tempo que leva para que isto ocorra depende do esforço realizado. porque o ar vai saindo. sem um aumento tão grande da respiração. A pressão máxima é a pressão do sangue durante a sístole ventricular esquerda e a pressão mínima. chega um momento em que não se ouve mais o batimento. A eficiência dos músculos vai depender do oxigénio que chega até eles. No indivíduo treinado. Respiração O sistema circulatório está funcionalmente ligado ao respiratório. menor tempo leva para voltar a atingir a frequência de repouso. sabe-se que os músculos respiratórios. não ocorre tanto desconforto ao respirar mais fortemente. Vários cuidados devem ser tomados pois muitos fatores podem afetar os resultados. Por último. é obtida quando ela diminui ao máximo entre os batimentos. À medida que a pressão vai dímuindo. no treinado há uma melhor ventilação. na pessoa treinada. Esta é registrada como pressão diastólica (mínima). Assim.A pressão é medida no braço.aumentando à medida que a intensidade do esforço é maior. Só assim poderemos opinar sobre sua aptidão à atividade física. 0 uso dos testes que medem a capacidade cardiocirculatória em Educação . Além disso. pois é nos pulmões que ocorrem as trocas gasosas e o oxigénio é absorvido e eliminado o gás carbónico. Depois solta-se lentamente o ar. esta é a pressão máxima. Quanto mais preparado fisicamente. a tomada da pressão sanguínea deve ser feita com o indivíduo sentado confortavelmente ou deitado . quando se ouvir o som do batimento cardíaco nitidamente. bem como do estado físico da pessoa. com mais economia. insufla-se o ar no manguito colocado em posição no braço e ouvindo com o estetoscópio. geralmente utiliza-se medir variáveis como a pressão sanguínea e a frequência do pulso sob diferentes condições. se desenvolvem mais e quando há um esforço. Para se medir a pressão sistólica (máxima). como ocorre nos não treinados. durante um esforço físico. É necessário pois submeter o coração do indivíduo a uma prova de esforço para se ter uma avaliação de seu desempenho funcional. Pressão sangú ínea Quando necessária. Avaliação do sistema cardiovascular Nesta avaliação. aumenta a expansão do tórax e a profundidade respiratória. lida no manómetro. Terminado o trabalho. há um melhor aproveitamento de oxigénio.

os valores obtidos em uma fórmula conveniente. examina-se o pulso do indivíduo. onde o indivíduo assopra. As modificações do pulso (ritmo cardíaco) e o tempo que o indivíduo consegue atingir permitem avaliar o desempenho cardíaco. Imediatamente mede-se o pulso. M E D I D A D A CAPACIDADE V I T A L Conceito de capacidade vital É a quantidade máxima de ar que uma pessoa pode expulsar após uma inspiração máxima. de um lado há uma conexão com um bocal. Mede-se a frequência do pulso e a pressão arterial antes e depois da prova. obtendo-se resultados que indicam a aptidão física do indivíduo. e suportando até os limites de suas possibilidades. até que volte aos valores iniciais. Teste de Lian O indivíduo faz 30 flexões em 1 minuto. Prova de Flack Esta prova é feita utilizando um tubo de vidro. Mede-se o pulso 1 m i n u t o . Estes indivíduos deverão ser encaminhados para o médico competente. 2 minutos e 3 minutos após o término da prova. Quando este volta aos valores iniciais de antes do teste em menos de 2 minutos. procurando fazer com que o mercúrio atinja um desnível de 40 m m . o resultado é considerado bom. isto ocorre aos 2 ou 3 minutos após o término do teste.Física é limitado. Mas eles podem ajudar a detectar indivíduos com aptidão física muito baixa. Durante a prova. o indivíduo sobe em um banco de 50. de minuto em minuto. Aplica-se. A prova é cansativa e deve ser feita somente em indivíduos previamente examinados pelo médico. Prova do banco (Step test) Durante um período de 5 minutos. . Normalmente. A seguir serão analisados alguns testes que medem a capacidade cardiocirculatória.8 cm de altura a cada 2 segundos. com mercúrio. Prova de Pachon-Martinet Consiste na execução de 20 flexões em 40 segundos. a seguir.

o qual permite medir a quantidade de ar insuflado.2). Aparelho utilizado para se medir a capacidade vital É o espirômetro. 11. O indivíduo começa a expirar no ponto 2. Nas doenças pulmonares. Realizando uma inspiração forçada. 11. no .Depende basicamente dos músculos envolvidos na respiração (inspiração e expiração) e do volume máximo dos territórios dos pulmões. A figura 11. Insufla-se ar no aparelho. A capacidade vital é a soma dos volumes corrente.2 mostra um traçado de uma prova de capacidade vital de um indivíduo com enfisema. Figura 11*1 -A — Espirômetro em corte esquemático Utilidade da medida da capacidade vital Através da espirometria pode-se detectar insuficiências respiratórias e acompanhar progressos em reeducação respiratória. é o volume de ar que entra nos pulmões na inspiração. O volume corrente é o volume de ar inspirado e expirado durante a respiração. temos a reserva inspiratória e ao realizar uma expiração forçada. há alteração do traçado normal de uma espirometria. de reserva inspiratória e de reserva expiratória. por exemplo. A prova é denominada espirometria (figs. que desloca um sistema graduado. Em outras palavras. tem-se a reserva expiratória.1.

se fosse normal.C — Espirometria .1 . Figura 11-1-B Componenetes da capacidade vital Figura 11.ponto 2 (primeiro segundo de prova) ele deveria expirar. 70 a 80% da sua capacidade vital mas na realidade o gráfico mostra que ele expele somente 40% desta capacidade.

altura e desenvolvimento físico. A capacidade vital depende das dimensões da caixa torácica. Comportamento da capacidade vital nos sexos A capacidade vital nos homens é cerca de 800 ml maior que a das mulheres.2 — Capacidade vital de um indivíduo com enfisema A capacidade vital pode ser melhorada com técnica respiratória adequada. quando o indivíduo respira com má técnica. tipo constitucional e exercícios físicos. idade. Nos que levam vida sedentária. a capacidade vital aumenta. Variação da capacidade vital com a altura Quanto mais desenvolvido for o indivíduo. Variação da capacidade vital com a idade Durante o crescimento do indivíduo. a capacidade vital aumenta até 40 anos. bem como não se pode dizer que um atleta com capacidade vital elevada terá ótimos resultados físicos. Nos indivíduos bem desenvolvidos e de grande altura têm-se também um maior desenvolvimento da caixa torácica. Fatores que influenciam no valor da capacidade vital Os principais são: sexo. para uma mesma idade e altura. entretanto. ao contrário. .Figura 11. diminui. maior será sua capacidade vital. Nà"o se pode. No adulto que pratica exercícios adequados. considerar como incapaz um indivíduo que tenha uma capacidade vital pequena.

roupas folgadas e deve ser bem explicado ao examinando o modo de se realizar a prova. Por este motivo. MEDIDA DA FORÇA MUSCULAR A medida da força muscular é uma das mais importantes para se avaliar a aptidão física do indivíduo. ao se medir a capacidade vital: a) Posição: deve ser medida com a pessoa em pé. . pois têm o tórax mais curto e suas costelas têm menor mobilidade que a dos longilíneos. há diferenças nas raças. Exercícios físicos e a capacidade vital A ginástica e os exercícios só melhoram a capacidade vital nos indivíduos que apresentam técnica respiratória errada. Conceito da medida da força muscular Consiste na medida da força máxima de determinados grupos musculares. b) Realização da prova: com o estômago vazio. A aquisição de um corpo bem modelado é aspiração natural de jovens masculinos e femininos. A medida chama-sedinamometria.Relacionamento entre capacidade vital e tipo constitucional A capacidade vital nos brevilíneos é menor que a dos longilíneos. Além disso. e é influenciada por vários fatores entre quais processos patológicos. todo atleta sabe que a força muscular quando desenvolvida melhora a aparência e o físico. A medida da força muscular pode ser um bom indicador da aptidão física geral pois é uma medida bastante obejtiva. dá maior potência para saídas mais rápidas e permite melhor desempenho em quase todos os esportes. Técnica de medida da capacidade vital Deve-se observar os seguintes aspectos. permite melhor desempenho em provas específicas e ajuda a evitar certas deficiências ortopédicas. O desenvolvimento da força muscular melhora a velocidade do indivíduo.

3) Grupos musculares que podem ser explorados através da dinamometria São os seguintes: a. . porém. Músculos flexores dos dedos (força de preensáb) (fig. neste aspecto. idade e exercícios físicos. Na puberdade e após esse período. aumentando o rendimento muscular. Músculos do dorso (força de traçâo vertical) (fig. 11.4). Músculos do braço e da região escapular (força de traçâb horizontal). Fatores que influenciam na medida da força muscular Sâb os seguintes: sexo.3) b. Valores médios no homem adulto Força de preensão da mão Força de traçâb horizontal Força de traçâo vertical 40 a 60 kgf 30 a 40 kgf 130 a 150 kgf A mulher possui valores entre 50 a 60% dos masculinos. 11. Até a puberdade. Idade e a medida da força muscular A força muscular aumenta a partir da puberdade. as diferenças são pequenas. Baseia-se no fato que a força muscular aplicada ao aparelho deforma uma mola. deslocando um ponteiro que corre em uma escala graduada (fig. os músculos são mais desenvolvidos no homem que na mulher.Aparelho utilizado em dinamometria É o dinamômetro. atingindo valores máximos enter 25 e 35 anos. c. 11. Sexo e medida da força muscular No adulto. há uma maior atividade física nos meninos e entram em açâo também os hormônios masculinos.

Medida da força detraçfo .Figura 11.3 — Medida da força de preensão Figura 11.4 .

e b. pode-se fazer com que os músculos de um indivíduo atinjam a força máxima de que são capazes. em 10 meses. Através de treinamento. Importância da dinamometria A dinamometria permite: a. . Comparar forças musculares de indivíduos diferentes. Acompanhar variações da força muscular durante treinamento.Influência dos exercícios físicos na medida da força muscular Aumentam a força muscular.

O aumento da altura do indivíduo se deve ao aumento do comprimento dos pelas mudanças progressivas das várias medidas do corpo. Está intimamente ligado à nutrição. que ocorrem. durante o desenvolvimento. os processos de ossificação e as mudanças que ocorrem na puberdade. Há o inconveniente de não se levar em conta as diferenças individuais no r i t m o de crescimento. diminuindo até os quatro ou cinco anos (Tanner. CONCEITOS DE CRESCIMENTO E M A T U R A Ç Ã O Diferença entre crescimento e maturação Durante o desenvolvimento do ser humano. Métodos de estudo do crescimento Existem dois métodos biométricos para se analisar o crescimento:o transversal e o longitudinal. acompanha-se um grupo de crianças durante seu crescimento. com o passar da idade.CAPITULO V I I I A V A L I A Ç Ã O D O CRESCIMENTO Neste capítulo estudaremos os conceitos de crescimento e maturação. O método transversal consiste em tomar medidas em crianças de diferentes idades e daí estabelecer valores médios para cada idade. 1964). O inconveniente é a dificuldade de seguir o mesmo grupo de crianças durante um tempo mais ou menos longo. as fases do crescimento. Crescimento propriamente d i t o é representado t i v o . as características de cada fase e os conceitos de idade cronológica e idade fisiológica. ASPECTOS GERAIS DO CRESCIMENTO Velocidade de crescimento A velocidade do crescimento é maior no início da via pós-natal. A maturação compreende as mudanças na estrutura e composição do corpo. embora intimamente interligados: crescimento propriamente dito e maturação. pode-se distinguir dois processos diferentes entre si. É pois um processo quantitativo. observando e anotando as caracterísitcas que surgem. No método longitudinal. É pois um processo quantita- . São exemplos: as dentições.

há variação no número e nomenclatura das fases do crescimento. quando então.membros inferiores. 1935). rapidamente durante os primeiros anos de vida e lentamente na puberdade. segundo os autores. crescem pouco até a puberdade. Crescimento dos órgãos Os órgãos do corpo crescem. durante e após essa fase (Godin. Entretanto. Os órgãos genitais. antes da puberdade e ao aumento da altura tronco-cefálica. como mostra a tabela seguinte: Autor Penna (1962) Fases Crescimento intra-uterino Primeira Infância Segunda Infância Adolescência Meninos Idades Fertilização até o nascimento Nascimento aos 2 anos Dos 3 aos 10 anos Dos 10 aos 20 anos Meninas Até 6—7 anos 7 aos 10 anos 10 aos 13 anos 13 aos 14 anos Claparède (1940) Primeira Infância Segunda Infância Adolescência Puberdade Nascimento aos 7 anos 7 aos 12 anos 12 aos 15 anos 15 aos 16 anos Vandervael Pequena Infância Média Infância Grande Infância Adolescência Juventude Nascimento aos 2 anos e meio 2 anos e meio aos 6 anos 7 aos 12 anos 11 aos 16—18 anos 16—18 anos aos 21—23 anos . em sua maioria. FASES DO CRESCIMENTO Embora o crescimento seja um processo contínuo. costuma-se dividi-lo em fases caracterizadas por alguns fenómenos mais evidentes em cada fase. desenvolvem-se rapidamente. ao contrário.

depois. O tórax tende cada vez mais a acentuar a forma ovalada. Por esse motivo. são alcançadas e ultrapassadas. nos meninos. A altura aumenta devido. Fenómenos que caracterizam a pequena infância Compreendendo o período que vai do nascimento aos dois anos e meio. secreção de hormônios sexuais pelas células testiculares e aparecimento de barba. aumento dos testículos. Nas meninas. principalmente. Aspectos que caracterizam a grande infância Vai dos 7 aos 1 0 . nesta fase. o fenómeno característico desta fase é o aumento da altura (quase 50%) e do peso. Existe grande variação quanto à data de início destes fenómenos. crescem as mamas. o mesmo ocorrendo com o seu término. Nesta fase. crescimento do pênis. que corresponde ao surto pubertário. ocorre. O pescoço se alonga e fica delgado. o que aumenta suas possibilidades atléticas. Características da média infância Estende-se dos dois anos e meio aos 6 anos.A seguir serão descritos os fenómenos principais que caracterizam cada fase do crescimento tomando por base. A capacidade vital aumenta nos meninos. O aumento da altura deve-se mais ao crescimento do tronco que dos membros inferiores. Fenómenos que caracterizam a adolescência Esta fase. A cabeça é grande. A força muscular aumenta especialmente no sexo masculino devido a hormônios próprios.1 1 anos. O tronco adquire. deixando pois de ser cilíndrico. Acentuam-se as diferenças de forma: nos meninos alargam-se as espáduas e nas meninas. ao maior crescimento dos membros inferiores. Na área genital. Os membros são curtos. os diâmetros da pelve. aparecimento dos pelos pubianos e axilares. as medidas da cabeça e do tronco continuam a predominar sobre as dos membros. aparecem os pelos pubianos e ocorre a menarca (primeira menstruação). proporcionalmente. Aspectos que caracterizam a fase da juventude . de convexidade posterior. as meninas crescem mais que os meninos no início desta fase mas. as fases de Vandervael. A voz passa a ser mais grave. o tórax é cilíndrico e a coluna vertebral apresenta apenas uma curvatura. começa e termina antes nas meninas. a forma oval.

o outro menino pode estar em uma fase intermediária entre os dois anteriormente citados. os três meninos tem a mesma idade mas encontram-se em diferentes estágios de desenvolvimento. Estes centros podem ser detectados através de radiografias. o que dará ideia do grau de desenvolvimento. . desde a vida fetal. IDADE CRONOLÓGICA E IDADE FISIOLÓGICA Conceitos da idade cronológica a idade fisiológica A observação mostra que duas crianças do mesmo sexo e mesma idade cronológica (igual número de anos vividos) podem apresentar grandes diferenças morfológicas em relação ao estágio de desenvolvimento. idade de erupção dos dentes. Na puberdade. algumas medidas biométricas e as características sexuais secundárias. Assinala o início da idade adulta. Assim. Por esse motivo. há um adiantamento de 2 anos mais ou menos. assemelhando-se a um menino de menor idade. morfológico. órgãos genitais como os de um adulto. Medidas biométricas Algumas medidas como o peso e a altura podem ser utilizadas como critério para determinar a idade fisiológica. entre 6 meses e dois anos e meio. outro tem bom desenvolvimento físico. A altura cresce cada vez mais lentamente. Desenvolvimento dos ossos Os vários centros de ossificação dos ossos do esqueleto aparecem em idades constantes e podem servir pois como critério para se determinar o grau de desenvolvimento em que se encontra o indivíduo. músculos bem desenvolvidos. Conta-se os dentes que já fizeram erupção e compara-se com tabelas. a qual se baseia nos seguintes critérios: idade óssea. podemos encontrar um que é menor.Estende-se desde os 16—18 anos até o início da idade adulta. Idade de erupção dos dentes O aparecimento dos chamados dentes de leite se faz de modo constante. fisiológico e mental. A idade óssea nas meninas é geralmente mais avançada que a dos meninos. Tanner (1964) considera o que se denomina idade fisiológica. Existem tabelas que mostram a idade de aparecimento de cada centro de ossificação de cada osso. entre três meninos de 14 anos. com sistema muscular pouco desenvolvido. Portanto. Toma-se as medidas que são depois comparadas com as constantes da tabelas. por exemplo.

CRESCIMENTO DO CORPO COMO UM TODO Peso O peso do recém-nascido é milhares e milhares de vezes maior que o ovo mas o peso do adulto é apenas 20 vezes o do recém-nascido. dentro de certos limites de variação. Durante a infância e meninice. Depois de 3 anos na adolescência os rapazes voltam a pesar mais. o perímetro cefálico médio é 35 cm. Ao nascer a criança pesa em média 3. Nos primeiros dias após o nascimento. CRESCIMENTO DAS PARTES DO CORPO Cabeça Ao nascer. O crescimento do crânio é importante pois está relacionado ao crescimento do encéfalo. barba. a cabeça representa 1/4 do corpo e no adulto. Durante a meninice. Em mais ou menos 8 dias porém. Altura A altura aumenta cerca de 3 vezes e meia desde o nascimento até a idade adulta. No final do 19 ano de vida o peso triplica e no segundo ano quadruplica. No nascimento.5kg. aparecem em épocas constantes. 1/12. com frequência. As fases em que o peso aumenta mais são na vida fetal e na adolescência. . Na puberdade há um surto de crescimento rápido que começa e termina antes nas meninas. as meninas pesam menos que os meninos mas na puberdade pesam mais. O comprimento da criança duplica aos 4 anos. pois estes fenómenos. Durante o seu crescimento a cabeça sempre cresce mais em altura que em largura. mamas e menarca que surgem na puberdade podem também ser usados como meios de determinar a idade do indivíduo. Até a idade adulta cresce apenas mais 5 cm. recupera esse peso. a época do aparecimento de pelos. nesta fase. A moça para de crescer geralmente aos 18 anos e o rapaz.Características sexuais secundárias O grau de desenvolvimento dos órgãos genitais. aos 20 anos. a criança perde 5 a 6%do peso inicial devido a uma ingestão menor de líquidos. a criança cresce pouco. Aos três anos passa para 50 cm.

Aos dois anos o perímetro torácico aumenta. supondo iguais os membros inferiores . 12. Figura 12. A altura tronco-cefálica representa cerca de 70% da altura total ao nascer e cerca de 55% no adulto (f ig.Tronco O tronco contribui com cerca de 50% do comprimento do corpo em qualquer fase da vida.1 — Proporções do corpo. o perímetro torácico é igual ao cefálico. Durante a infância.1). Na infância. os diâmetros sagital e transverso do tórax são aproximadamente iguais mas no adulto o transverso é três vezes o sagital.

mas há variações raciais. O ponto médio do corpo é o ponto.Membros O membro superior participa com 9% do peso total no nascimento e assim permanece no adulto. sendo que no sexo feminino. Começa a aumentar novamente na adolescência. No recém-nascido situa-se ao nível do umbigo e no adulto está na crista púbica. Nas mulheres os pelos púbicos aparecem pouco antes da menarca e na axila. nas seguintes regiões: púbica. Pele e tela subcutânea Os pelos aparecem no início da adolescência. Aos dois anos de idade os membros superiores tem o mesmo comprimento que os inferiores. mas não nas mesmas proporções nas várias fases de desenvolvimento. representa 15% do peso total e no adulto. sexuais. O mesmo ocorre com o centro de gravidade que no recém-nascido está ao nível do diafragma e no adulto passa para o promontório do osso sacro. A idade óssea é o estado em que se encontra o esqueleto em qualquer momento da vida. 0 membro inferior. Por esse motivo não pode ser considerada como um critério absoluto para avaliar o estado de nutrição. em todas as fases. cerca de 6 meses após. atinge a metade do valor que possuía no primeiro ano. a idade óssea é ótimo critério para indicar a fase de desenvolvimento. peito e membros. Através de radiografias pode-se dizer a idade óssea do indivíduo. acima e abaixo do qual. Portanto. A tela subcutânea aumenta. face. No rapaz aparecem em ordem. os comprimentos sâb iguais. . esse valor sobe para 30%. O aumento maior do comprimento dos membros inferiores e menor do tronco leva o ponto médio do corpo para baixo. no nascimento. a gordura subcutânea aumenta bruscamente mas no segundo ano de vida. No adulto o inferior fica 1/6 mais comprido que o superior. Existem tabelas próprias. Nos primeiros 9 meses. e influências de nutrição. Esqueleto O aparecimento dos centros de ossificação segue uma ordem cronológica bem definida desde o nascimento até a vida adulta. axila. há acúmulos isolados nos quadris e nas mamas. começa a diminuir e aos 5 anos.

Órgãos endócrinos As glândulas supra-renais diminuem seu peso durante a infância. Coração Ao nascer. Ele cresce especialmente durante a adolescência. a força muscular duplica. Sistema Nervoso Central O peso do encéfalo duplica no primeiro ano e triplica no terceiro. O ovário tem seu peso aumentado de 30 vezes no adulto. Na adolescência essa participação é ainda maior.Músculos Aumentam grandemente de peso na infância. O útero cresce realmente durante a adolescência. No adulto o peso do coração é cerca de 12 vezes maior que ao nascer. Sistema genital Os órgãos genitais apresentam um padrão de crescimento que se afasta das outras vísceras. em relação ao da recém-nascida. A medula espinhal cresce menos que a coluna vertebral de tal maneira que no adulto sua extremidade encontra-se ao nível da 2ª ou 3ª vértebra lombar. quando pesam o dobro do seu valor ao nascer. o coração pesa cerca de 20 g. Este valor triplica no 3º ano. O peso total do encéfalo pode ser atingido aos 10 anos de idade. O testículo do adulto pesa 40 vezes mais do que o do recém-nascido. Na adolescência. Os músculos crescem em tamanho e ná"o pelo aumento do número de fibras. A glândula tiróide do adulto tem um peso cerca de 12 vezes maior que do recém-nascido e a hipófise aumenta seu peso em cerca de 5 vezes até a idade adulta. . Durante a puberdade crescem lentamente até a idade adulta.

são elas: 1 2 3 4 5 Peso e altura Altura tronco-cefálica Perímetro da cabeça Perímetro torácico Diâmetro bi-crista ilíaca. podemos construir tabelas e curvas-padrâb (figs. Quando os valores de uma criança se afastam muito dos das curvas-padràb.3). raça e meio ambiente. Pode-se usar.PADRÕES NORMAIS DE CRESCIMENTO Estudando-se o crescimento de crianças do mesmo sexo. o método longitudinal. ocorre grande variabilidade nos padrões normais. 12. Algumas medidas são mais frequentemente utilizadas para se verificar o crescimento e desenvolvimento. que examina as mesmas crianças em vários períodos ou o método transversal que examina crianças diferentes numa mesma época. 1952) .2 . 12.2.Curvas-padrffo de peio nos sexos masculino e feminino (Baseado em Boyd. Figura 12. Como cada criança tem um modo próprio de crescer. para construir essas curvas-padrão. é necessário buscar as causas deste fenómeno.

Este período é chamado período crítico. hormônios.3 . Cada tecido ou órgão tem um período em que a diferenciação e crescimento são mais acelerados havendo então uma alternância destes períodos para cada órgão. os órgãos e tecidos que mais vão sofrer essas influências e ficar com defeitos são os que estão se diferenciando nesse momento. então ele não mais conseguirá se desenvolver ou então o fará defeituosamente. sexo. raça. clima.Curvas-padrão de altura em meninos e meninas (Baseado em Boyd. . o órgão domina e parece inibir o desenvolvimento de outras estruturas. Se o órgão não aproveitar o período que lhe é destinado para se diferenciar.Figura 12. nutrição. Se num determinado momento do desenvolvimento agentes nocivos atuarem sobre o corpo. 1952) FATORES RESPONSÁVEIS PELA VARIABILIDADE NO CRESCIMENTO E DESENVOLVIMENTO Os fatores principais responsáveis pela variação no crescimento e desenvolvimento sâb: hereditariedade. ele se diferencia num determinado momento e cresce com uma certa velocidade e que depende de fatores intrínsecos a esse órgão. porque nesta fase. atividade. Cada órgão tem um modo próprio de se desenvolver e crescer.

Os fatos gerais interessam ao filósofo. Não há. cujos aspectos gerais serão descritos a seguir. passar o indivíduo é ótimo". este indivíduo. Berardinelli define biotipologia como a "ciência das constituições. CONCEITO DE BIOTIPOLOGIA 0 termo Biotipologia foi utilizado pela primeira vez por Nicola Pende. rasgando-lhe mais amplas perspectivas. humoral. dois indivíduos. fisiológicas e psicológicas. através do qual se pode conhecer e entender muitas das características do ser humano e suas diferenças. . o estudo das "manifestações vitais de ordem anatómica. cada indivíduo apresenta uma série de características morfológicas. certa de ser a variabilidade individual enorme e de que só de seu estudo resultará a possibilidade de desfazer muitos conceitos errados da biologia humana. não é como fim. tal idéia provém do nome dessa ciência e das classificações existentes dentro da matéria. á variedade. o importante é o indivíduo uno e concreto. como já dissemos. que sejam iguais. ao político. apesar das classificações. Muito comum e errónea é a idéia que se tem de que Biotipologia pretende tipificar os indivíduos para classificá-los. estas diferenças são importantes edevem ser levadas em consideração em Educação Física. mas sim a realidade concreta que é o indivíduo. mas sim como instrumento de estudo". por mais parecidos. ou seja. concreto. ao historiador. Lembra Duarte-Santos: "classificar em um grupo é bom. psicológica. ao clínico importa. ao orientador profissional. Estas variações na construção corpórea dos indivíduos decorrem da diferença de constituição individual. Como veremos mais adiante. que é o ser humano. é a própria unidade do seu estudo. sobretudo. "este caso". A constituição individual está ligada a uma ciência. da síntese das quais resulta o conhecimento do tipo estrutural-dinãmico especial de cada indivíduo". ao economista. funcional. o caso particular. com esta biologia diferencial e comparativa". é melhor. ao administrador. A Biotipologia tem por objetivo o estudo do indivíduo como um ser particular e concreto. para designar a ciência que teria por objeto. em 1922. Duarte-Santos afirma: "a biotipologia pretende estudar não a abstração e mero universal. e se às vezes constrói uma síntese. Berardinelli faz ainda uma comparação entre a Biot pologia ea Antropologia: "Se a Antropologia analisa é para depois sintetisar. a Biotipologia. ir ao sub-grupo. atingir o caso concreto. Mas ao educador.CAPITULO IX BIOTIPOLOGIA: ASPECTOS GERAIS Não existem dois indivíduos exatamente iguais. que o distingue dos demais. ao passo que para a Biotipologia o que interessa é a análise. temperamentos e caracteres". ao diretor de esporte. Entretanto.

Para Viola. o sistema nervoso e os fatores secundários ambientais. ou seja. o t i m o e o córtex supra-renal. T E R M I N O L O G I A BIOTIPOLÓGICA Como toda ciência. o que as torna um fator capaz de transformar forças do meio externo em forças internas do corpo. Aceitaremos como definição de constituição a de Silveira. personalidade e biótipo. Viola acrescenta também os fisiológicos. básico para toda a biotipologia. caráter. serão definidos os seguintes termos. tem vários conceitos. Os fatores responsáveis por essa diferença no r i t m o de crescimento são: a hereditariedade. As múltiplas possibilidades de combinações entre os gens nas primeiras fases do desenvolvimento sâb a maior causa de variabilidade na construção individual. Experiências têm demonstrado que a presença de partes do sistema nervoso são necessárias para que outras partes do corpo se desenvolvam. constituição é "a especial combinação correlacionada das variantes dos caracteres físicos próprios da espécie no estado fisiológico". genótipo. consideram-se: região geográfica. as glândulas endócrinas também dependem da ação genética e por esse motivo podemos considerá-las como mediadoras entre o genótipo e o fenótipo. Por outro lado. portanto. e. Quanto às glândulas endócrinas podem ser divididas em dois grupos de acordo com seu modo de ação. temperamento. Os fatores ambientais constituem em conjunto o que se denomina de "peristase". O termo constituição. podem ser influenciadas por fatores como alimentação e clima. Compreende a hipófise. . condições sócio-econômicas. Em outras palavras. elas contribuem para que um determinado genótipo possa realizar um fenótipo. que são os mais utilizados nesta ciência: constituição. A seguir. Entre eles. citada por Coelho: "O conceito de constituição resulta de uma abstração que reúne o substrato anatômicoencefálico e somático em geral. Incluem-se neste grupo a tireóide e as gônadas. o aspecto funcional que aparece como expressão daquele conjunto nos vários tipor de c o m p o r t a m e n t o " . as glândulas também sofrem a ação do meio externo. além dos elementos morfológicos. Entretanto. Um primeiro grupo age sobre a diferenciação das formas dos órgãos. sem influir porém no aumento da massa corporal.FATORES DE D I F E R E N C I A Ç Ã O DOS TIPOS HUMANOS Os tipos humanos diferenciam-se devido a desigualdades no ritmo de crescimento dos órgãos. doenças e número de gestações. parátipo e f e n ó t i p o . ao mesmo tempo. a biotipologia tem sua terminologia própria. A seguir serão analisados sucintamente cada um destes fatores. as glândulas endócrinas. Um segundo grupo de glândulas age aumentando a massa corporal sem interferir na diferenciação das formas.

tal termo apresenta como definição precisa "o conjunto de funções subjetivas agrupadas fundamentalmente em três setores: afetividade. significando assim a mistura dos diferentes traços de personalidade. Biótipo e temperamento em conjunto. Caráter é considerado como traduzindo fenómenos de ordem psíquica. mas tem significado mais abrangente. segundo o estímulo recebido. raciocínio e memória. Portanto. excluindo-se a parte intelectual. mas é empregado com amplitude variada. conativas (volitivas) e intelectuais do indivíduo. Kretschmer considera temperamento o conjunto de qualidades afetivas que caracterizam uma individualidade tanto no que diz respeito á forma como sofre as "afecções" e à maneira como reage. Outros ainda dão-lhe significado somente psíquico. temperamento seria a expressão humoral do b i ó t i p o . derivados dos caracteres físico-funcionais e que determinam um modo especial e espontâneo de reação psíquica ao ambiente". e também compreensão. enquanto outros. Caráter. deriva de têmpera. 0 componente morfológico se resume como biótipo e os componentes funcional. tendências e vontade. é a parte volitivo-afetiva. segundo Coelho. 0 termo personalidade é muitas vezes usado como sinónimo de temperamento ou caráter. abrangendo a parte afetivo-volitiva e as faculdades intelectuais do indivíduo. temperamento corresponde ao aspecto dinâmico da constituição. Admitia-se caráter como o conjunto de todas as características psicológicas do biótipo. Depende mais das condições ambientais e é mais passível de modificações do que a constituição. Confunde-se dessa forma com o conceito de personalidade. idiótipo (Lenz. através das quais ele se contactua com o meio ambiente. Viola dia que "temperamento é a especial combinação de caracteres dominantes da individualidade psíquica ou pessoa. decorrem do estímulo afetivo. abrangendo sentimentos. Siemens) ou caracteres potenciais (Pende) é o conjunto de caracteres que o indivíduo adquiriu hereditariamente. Para Silveira. "a manifestação da atividade explícita. reconhecidas como modalidade de caráter". mas não se confunde com ela. estão implícitos na constituição individual. Siemens) ou caracteres atuais (Pende) é a totalidade dos caracteres acrescentados ao genótipo pelas complexas ações do meio ambiente. conação e . fixados através das gerações. para Duarte-Santos. A expressão temperamento. Parátipo (Lens. de maneira a se conduzir socialmente. Para alguns autores. as ações. Fenótipo é o resultado da interação entre genótipo e parátipo. de modo que o indivíduo traduzirá no comportamento interpessoal as disposições afetivas. pois engloba as caraterísticas afetivas. como temperamento. psíquico e fisiológico. isto é. ampliam seu significado abrangendo também a parte psíquica e tendo assim significado volitivo-afetivo. Segundo Coelho.Genótipo (Johansen). Consideramos caráter como a expressão mais dinâmica do estado psicológico do indivíduo através do qual apresenta reações no meio ambiente.

Essa diferença individual não é caótica. Na génese da doença. Todos os indivíduos são diferentes.inteligência. e. Estas funções psíquicas resultam da atividade cerebral. O mesmo indivíduo é diferente de si mesmo em momentos diferentes. d. as reações individuais têm importância igual ou superior às causas externas. Uma definição precisa de biótipo é fornecida por Coelho: "a expressão somática da regência metabólica para com o mundo interno objetivo. PRINCÍPIOS GERAIS DE BIOTIPOLOGIA Alguns dos princípios gerais da biotipologia são importantes e por esse motivo serão citados a seguir: a. f. . são peculiares à espécie humana e regem harmonicamente e de modo contínuo as disposições do indivíduo e as suas relações com os ambientes físico e social". Apesar das diferenças entre os indivíduos há semelhanças que permitem grupá-los em " t i p o s " . g. como carga genética e como manifestação do instinto nutritivo. consiste no b i ó t i p o " . b. não há duas pessoas iguais. O conhecimento do indivíduo " n o r m a l " deve preceder e servir de base ao estudo do indivíduo patológico. O indivíduo é uma unidade existindo uma indissolúvel correlação entre suas diversas partes e funções. c. mas obedece a determinadas leis.

segundo a predominância de uma destas três partes relativamente às outras. baseadas apenas no aspecto externo do indivíduo.CAPITULO X TEORIAS BIOTIPOLÓGICAS Existem diferentes classificações biótipo lógicas. que levaram esta ideia a outros povos. seu discípulo. sendo. torácicos e abdominais. A tentativa de agrupar os indivíduos segundo certas características existe desde as mais antigas civilizações. Goethe criou o termo morfologia para significar o estudo da forma. acreditando que o ser humano seria formado por quatro elementos: linfa. da qual foram precursores Halé. escrevia ele. ShekJon e Stevens. surgiram várias teorias biotipológicas. "O que acaba de ser formado. Galeno admitiu que quatro humores entrariam na constituição do homem: sangue (quente e úmido). Brugsh. originando uma orientação morfológica. A predominância de um destes humores determinava o temperamento: sanguíneo. Hipócrates utilizava os ensinamentos de Empédocles em Medicina. devemos considerá-la sempre móvel e cambiante. Viola e Pende. Jaensch. "pintor em Roma antes de ser médico em Paris"." A partir do final do século XIX. Sigaud. aceitava como fundamental a ideia que o indivíduo desde a fecundação teria seu destino evolutivo marcado. pituita (fria e úmida) em contraposição com a bile (quente e seca). e Hussen. Mais tarde (século II DC). dando-lhe uma característica pela qual seria agrupado ou tipificado. Kraus. pois resultado da hereditariedade. Stockard e Bean. opondo-se â atrabile (fria e seca).Estes classificavam os indivíduos em cranianos. se transforma imediatamente e para termos uma ideia viva e verdadeira da Natureza. apoiam-se em medidas biométricas. umas. . A vida resultaria da combinação desses quatro elementos sendo que um deles predomina no indivíduo. pituitoso e bilioso. sangue. dentre as quais destacamos as de: De Giovanni. não só considerada sinteticamente e no sentido estático (GestaIt). Os progressos que se realizaram posteriormente na Anatomia humana deram à noção de temperamento um significado diverso. interpretadas estatiscamente. enquanto outras. como também no estado dinâmico e cinemático (Bildung). melancólico. bile e atrabile. Benecke. mas influenciável pelo meio externo. O método é criticável por basear-se unicamente na inspeção sem nenhum elemento mais concreto e objetivo. Encontramos indícios de tal fato já nas antigas sociedade orientais e ulteriormente entre os gregos. ESCOLA ITALIANA De Giovanni (1891). Tal predominância se reconhecia pelo contacto com o corpo do indivíduo.

aspecto viçoso. o que acarretaria excedência relativa do tórax. em idade mais avançada. De Giovanni levava em consideração o desenvolvimento harmónico de cada parte e do todo individual. oom critério antropométrico. a combinação ideal (fig. Harmónicos. tórax largo. com frequente catarro. Hiperemia respiratória. refletindo até a evolução filogenética da espécie. desprezando só a parte psíquica. A segunda combinação é a mais idêntica à ideal. musculatura e sistema cardiovascular bem desenvolvidos. circunferência torácica igual a metade da estatura. deficiência respiratória por musculatura fraca.1). um hipoevolutismo com tórax e abdome deficientes. venosa ainda mais. de morbilidade escassa. A cada combinação corresponderia determinado funcionamento orgânico e especiais tendências mórbidas. desde as primeiras fases embrionárias até a completa maturidade. membros curtos. tensão arterial baixa. intestinos e afecções dos órgãos intra-abdominais como fígado. Os indivíduos da terceira "combinação" têm apreciável desenvolvimento do tronco. 10. fraca musculatura esquelética. mesmo tuberculose pulmonar e. como hemorróidas.Este autor propôs-se a estudar os indivíduos baseando-se em sua morfolofia externa. pulmões grandes em relação ao coração. a Anatomia e a Fisiologia. com leve excedência de tórax sobre o abdome. mas sem esquecer a investigação funcional e clínica. Daí surgiu o conceito de hiper e hipo-evolutismo e a possibilidade de desequilíbrios. diâmetro bi-ilíaco igual a 4/3 de altura do abdomem. segundo o conceito do autor. rins. Rara como em geral é a perfeição. característica das crianças. Bom grau de nutrição. coração proporcionado ou mais desenvolvido na metade direita e sistema venoso e linfático muito desenvolvidos. na qual se incluiriam as pessoas dotadas de ótima constituição. Jacinto Viola (1905). Funcionalmente. 10. baço e das veias. havia. doenças intestinais. altura do esterno igual a 1/5 da circunferência do tórax. média. podendo a individualidade total não atingir ou ultrapasar a maturidade plena. há debilidade geral. capazes de servirem para classificar os homens em grupos a que chamou "combinações". mas com maior desenvolvimento somático (maior massa corpórea). normal. coração pequeno e sistema arterial deficiente em relação ao venoso e linfático. em seu significado profundo. tendência à obesidade. pele. Admitia estreitas correlações orgânicas entre a forma e a função. Representa uma forma hipo-evolutiva. eretismo do sistema nervoso. que é de volume normal ou maior (fig. sãs e resistentes. membros alargados.2) teria os seguintes caracteres antropométricos: estatura igual à grande abertura dos braços. mas sobretudo este. sendo 1/5 da base do apêndice xifoide ao umbigo e 1/5 do umbigo ao púbis. Estas. desproporções e variantes individuais. entre o externo e o interno e até internamente entre os aparelhos e órgãos e as próprias partes constitutivas destes. predisposição para afecções pulmonares. insuficiência hepática e do aparelho digestivo. Na primeira combinação. discípulo de De Giovanni é sem dúvida o mais impor- . seriam etapas diferentes da ontogênese. sobretudo dos vértices pulmonares. com predisposição para doenças do sistema linfático. mas sobretudo do abdome.

Figura 10. a combinação Figura 10.Tipo ideal de De Giovanni . c— 3 .2 .1 — As "combinações" de De Giovanni: a—1ªcombinação b—2ª combinação.

por uma cruva binominal (lei de Quetelet—Gauss). Este autor admite pois como elemento fundamental a correlação entre o exterior e o interior. O homem modal se torna indispensável para a classificação de Viola. o sexo. como elemento final. o qual é composto por dez medidas indispensáveis para a classificação biotipológica do indivíduo. A d m i t e como elemento mais bem adaptado ao ambiente aquele que mais vezes se faz presente .tante nome dentre os biotipologistas italianos. a hereditariedade influenciada pelo meio ambiente. como causas acidentais dessa modelação. a Anatomia e a Fisiologia. mas se fez necessário a criação de um quarto tipo — o misto — para abrangermos os indivíduos que apresentam tal relação entre as medidas. Estabeleceu as bases científicas da doutrina constitucionalista. na linha mediana. os hábitos de vida. o qual foi definido através da lei dos erros: "as variantes individuais. as diferenças raciais.a moda — através do que define todos os seus tipos biotiopológicos. delimitado por leis e traduzindo os elementos de estudo de diferentes origens em um número puro. Viola utiliza um sistema de medidas que chamou de fechado. utilizando-se de método preciso. Aceita como base formadora do indivíduo. distribuem-se de maneira que existe um desvio uniforme dos vários indivíduos para os dois lados do valor médio central da curva de distribuição". a classe social. o indivíduo em sua expressão unitária. a alimentação e a idade no período adulto (entre os 20 e o s 50 anos). enquanto que as demais são as componentes do sistema aberto. num grupo étnico. ponto xifóideo correspondente à síntese do esterno com o apêndice xifóide. veremos que a multiplicidade de relações não nos permite a classificação em apenas três tipos: normolíneo. Tal fenómeno é representado. o ambiente físico. graficamente. a idade e a saúde. chegando á unidade. b. a higiene. As variações se fazem em sentido antitético e se tornam mais escassas à medida que se vai distanciando do ponto médio da curva (vai ocorrendo uma maior amplitude de variação). como o esperado. e. Apesar de teoricamente ser elemento de muita facilidade de se entender e classificar. Estabelece como elementos fundamentais para a avaliação tipológica. que possibilitam maior por menor ização do indivíduo. Toda a comparação no método biotipológico de Viola se baseia na determinação da moda (normotipo) e das variações possíveis de se apresentarem para excedência ou deficiência das relações em comparação à medida modal. condição indispensável para se ter as correlações entre eles de maneira direta e simples. Seus pontos antropométricos são preferentemente ósseos para que haja precisão nas medidas. Tais pontos são: a. na linha mediana. cria o grau centesimal. que não podem ser incluídos em nenhum dos tipos padrões. ponto jugular correspondente ao ângulo formado pela superfície anterior do nanúbrio esternal e pela superfície superior da incisura jugular. onde este genoma se desenvolve produzindo. o morfológico e o fisiológico. brevilíneo e longilíneo. .

com uma linha horizontal. admite haver dois poios em cada um deles. ponto maléolo-tibial correspondente ao ponto de maior saliência do maléolo medial direito. Discípulo de Viola. sendo este um dos pontos mais criticados de sua classificação por abranger número muito elevado de indivíduos que são classificados por exclusão. a psíquica e a neuroquímica. De acordo com Viola. é sinónimo de homem total que se encontra no ápice de uma pirâmide triangular. admitindo um número reduzido de medidas.4). no homem médio. teríamos o biótipo ou o homem t o t a l de onde sairá o conhecimento do indivíduo. correspondente ao ponto de cruzamento da linha mediana abdominal. na linha mediana. segundo Viola. mesmo na classificação mais simples dos quatro tipo preconizados por Viola. 10. recorre a inúmeras medidas complementares. normolíneo. ponto acromial correspondente à borda externa do acrômio direito. a conclusão sobre a re- . Viola procura retirar de seu método elementos que são influenciados diretamente e em grau muito elevado pelo ambiente como o meteorismo. Biótipo. Não aceita também somação de medidas feitas em dois segmentos consecutivos e que tenham a mesma função fisiológica correspondente. o segmento abdominal inferior com a escolha e absorção dos alimentos. a gordura e a hipertrofia muscular. Pende (1939) aceitava o sistema fechado do mestre. f. como elemento indispensável para a caracterização biotipológica. bem identificável ao se fazer movimentos de flexão e de extensão do punho. segmento abdominal (digestão). lembrando ainda a necessidade da medida basal. é relacionado com a vida vegetativa e os membros com a vida de relação. e. Da interação entre estas faces calcadas na base. ponto epigástrico. porém com seu conceito de biotipologia — máxima individualização. confere melhor sistemática e menor possibilidade de erros do método. Este autor admite também a correspondência das medidas. o estênico e o astênico. linha articular do punho direito na face dorsal. A proporção de distribuição encontrada pelo autor f o i de 40% para os mistos e 20% para cada um dos tipos. tais c o m o : segmento torácico com a hematose e distribuição de alimentos pelo organismo. dos segmentos determinados pelas medidas com funções fisiológicas precisas. brevilíneo e longilíneo (Fig. ponto púbico correspondente à borda anterior e superior da sínfise púbica.c.3). passando pela borda inferior da 10ª costela (ponto em que esta cruza a linha axilar anterior). proveniente de exercícios exagerados. d. a moda. a relação entre a vida vegetativa e a de relação se equivalem de forma harmónica e nele encontraríamos a expressão mais adequada de todas as funções fisiológicas. g. que tem por base o património hereditário e por faces a morfológica. portanto. para Pende. Tal fato encontra fundamento quando se faz o estudo da resistência em militares e desportistas. Por outro lado. Sua classificação é baseada no estudo endocrinologia) do indivíduo (Fig. o tronco. ou melhor. 10. em bloco.

brevilíneo (B) e normolíneo (N) de frente e de perfil B .3 .Tipos longilíneo (L).L N Figura 10.

hipertireoideia-hiperpituitárica. hipossuprarrenal. Dentre os brevilíneos. descreve Pende as seguintes variedades: hipotireoideia.Figura 10. social. retirando conclusões. . reprodutor. escolares. estenia e assim as duas primeiras variedades citadas são astênicas e as duas últimas estênicas. hipersuprarrenal. das quais serão citadas a seguir. as aptidões manuais. apenas as mais comuns. segundo Pende sistência vital geral. hipogenital.Biótipo. entre os longilíneos temos: hipertiroideia. o valor económico. mas. desenvolvimento sexual. que é o fundamental. robustez. Baseado neste índices. se existe hiper-funcionamento concomitante da suprarrenal ou das glândulas genitais. as características morfo-neuro-musculares. ocorre. Pode-se dizer que os brevilíneos têm temperamento hipotireóideo. hipopituirárica ou hipopituitárico-hipotireoideia. hipogenital. destes estudos. Estuda todas as faces da pirâmide de maneira bastante minuciosa. faz a determinação do caráter astênico ou estênico. . em consequência. etc. classificações e combinações as mais variadas. havendo neles astenia.4 . Pende estabelece relações no âmbito da face morfológica determinando índices como o de nutrição. . profissionais. com orientação parassimpaticostênica e metabolismo de tendência anabólica. do indivíduo no vastíssimo alcance médico. social e geral. intelectuais.

constituem seus tipos: a. deficiência ou normalidade. fisiologicamente apresentam desenvolvimentos harmónico da vida vegetativa e de relação. Macrosômico harmónico ou Paracentral superior de Viola (2ª Combinação) . o colérico e no longilíneo astênico.5). utiliza-se dos mesmos parâmetros que seu mestre Viola. no brevilíneo astênico se vê o temperamento fleugmático. no brevilíneo estênico. Braquitipo com antagonismo ou megaloesplâncnico de Viola (3ª Combinação) Tronco + > Membros - Suas características morfológicas e fisiológicas são contrárias ao anterior. porém estabelece um critéiro de classificação que permite a localização de todos os indivíduos sem cair nos mistos de Viola. Tipo médio ou normoesplâcnico de Viola: Tronco O = Membro O O tronco e os membros são iguais em seus valores absolutos e relativos. Assim. caráter próprio e até por vezes t i p o intelectual característico. Longilíneo ou N o r m o l í n e o . Para t a n t o . dentro do t i p o brevilíneo e do tipo longilíneo há diferenças morfológicas grandes. e o da vida de relação excedente. reconhece que sob uma mesma rubrica estabelecida através do mestre Viola há relações muito diferentes no sentido da excedéncia. Assim. no longilíneo estênico. Ainda dentro da escola italiana.Na realidade. o qual é acompanhado de um antagonismo entre o desenvolvimento da vida vegetativa absolutamente deficiente. b. o sanguíneo. c. É muito interessante a coincidência destes quatro biótipos (longilíneos astênicos e estênicos e brevilíneos astênicos e estênicos). com os quatro temperamentos dos antigos. 10. deficiência ou normalidade do dado avaliado (Fig. Longitipo com antagonismo ou microesplâncnico de Viola (1ª Combinação) Tronco — < Membros + Os membros excedentes predominam sobre o tronco deficiente. o melancólico. porém através da comparação de cada elemento com o valor modal determina se há excedéncia. traduzindo caracteres morfológicos e funcionais diferentes. dentro das quais se pode catalogar qualquer indivíduo. d. Seu método baseia-se na primeira relação estabelecida por Viola — Tronco/ membro para classificar sob a rubrica de Brevilíneo. Mário Barbara (1929). que servem para caracterizar essas variedades e às quais corespondem temperamento próprio. Deste modo se estabelecem o i t o variantes e quatro formas de passagem de uma a outra variedade.

normolíneo. j-longilíneo. 0 tronco e os membros são proporcionados porém de valores superiores ao normal. b normomélico c-microbrevilíneo.5 .Tipos de Barbara-Berardinelli Grupo brevilíneo: a-normocórmico. porém inferiores ao normal. vida vegetativa e de relação proporcionadas.normomélico. f-macronormolíneo. n. porém excedem ao normal. h-micronormolíneo. Grupo normolíneo. .Figura 10. i-macrolongilíneo. ocorrendo algo semelhante com os dois setores da vida orgânica. Microsômico harmónico ou Paracentral inferior de Viola (4ª Combinação) Tronco — = Membros 0 tronco e os membros são proporcionados. l-microlongilíneo. d-brevilíneo. e-macrobrevilíneo. Grupo longilíneo. e. g. m-normocórmico.

A variedade D (tronco — < modal e predominando ao tronco. braquitipo deficiente: Tronco — > Membros — Suas características são contrárias ao anterior. desenvolvimento deficiente dos sistemas orgânicos. cujo valor é inferior ao modal.1 resume estes tipos. porém logo temos as quatro variedades que tornam possível a classificação dos restantes em quase sua totalidade: Variedade A. cujas características sintéticas são as seguintes: Variedade D. longitipo excedente: Tronco + < Membros + Ambos os valores excedem à média e são desproporcionados entre si. desenvolvimento maior da vida vegetativa sobre a da relação e ambos superiores ao normal. . A variedade C (tronco O > membros -) o tronco encontra-se dentro do membros O) tem membros dentro do valor valor modal e é maior que os membros que se encontram abaixo do valor modal. A variedade B (tronco + > membros 0 possui tronco acima do valor nodal e maior que os membros que se apresentam dentro do valor modal. Variedade C. Os indivíduos que não são classificados em nenhuma dessas formas citadas. predomínio do tronco. tronco maior que membros. A variedade A (tronco O < membros +) possui tronco dentro do valor modal.Até aqui o critério de Barbara é semelhante ao de Viola. Variedade B. corresponderia a desenvolvimento desarmônico dos sistemas orgânicos com predomínio do sistema de relação. longitipo deficiente: Tronco — < Membros — Valores abaixo da média. braquitipo excedente: Tronco + > Membros H Valores do tronco e dos membros superiores ao normal. porém menor que membros. O quadro 10. os quais excedem o valor modal. com predomínio do sistema de relação. correspondem à "forma de passagem".

QUADRO 10.1 -CLASSIFICAÇÃO DE BARBARA-BERARDINELLI .

e predomínio do abdome.ESCOLA FRANCESA A princípio.6 . bosselada ou cúbica e ainda considera uma forma comprida e uma forma larga.6). tendo a cabeça em forma de pião (Fig. seriam definidos os quatro tipos: respiratório. Da predominância de um desses sistemas. D = digestivo. cujo tronco é igualmente repartido entre tórax e abdome. Claude Sigaud. muscular. com predominância do tórax e do andar médio da face. Figura 10. digestivo. o VARF. com a cabeça em forma de pirâmide devido ao grande desenvolvimento do maxilar. M = muscular e C = cerebral Thooris além de considerar a forma do corpo como o fazia Sigaud. uniforme ou ondulada. e cerebral. . resistência e força. É também quem inicia o estudo das capacidade físicas de velocidade. dá importância também à superfície corporal classificando os indivíduos em: superfície redonda ou chata. agilidade. propondo um índice que até hoje é válido.Os quatro tipos de Sigaud: R=respiratório. (1894) o primeiro vulto de destaque da escola francesa elaborou uma classificação dos indivíduos baseada na integração do conjunto de sistemas que constituem a economia humana e o meio específico no qual apresenta a sua continuidade. com os andares da face iguais. com predominância do crânio. os autores desta escola basearam-se na análise da superfície corporal e só mais recentemente vêm utilizando método diferente de estudo. 10.

ESCOLA ALEMÃ Nota-se nos autores alemães do início do desenvolvimento das ideias biotipológicas uma preocupação em relacionar os tipos com as condições viscerais como o fez Benecke (1878) e também com as perturbações psíquicas como o fez Kretschmer (1921). Entre os autores modernos temos Olivier que classifica os tipos utilizandose de medidas biométricas que em conjunto. Ambos os autores têm o mérito de ter dado à tonicidade e atonicidade das formas corpóreas o valor que elas merecem fora do t i p o de predominância. pouco resistentes à fadiga e às infecções. o cálculo dos coeficientes de correlação e mesmo . correlacionar o t i p o morfológico com o fisiológico e o psíquico. faz uso. o transversal (brevilíneo) superior ou muscular. débeis. anêmicos. com bom estado de nutrição. o longilíneo. que posteriormente são trabalhadas estatiscamente para se determinar recorrendo a análise fatorial. — O endoblástico ao brevilíneo astênico — O mesoblástico ao brevilíneo estênico — O extoblástico ao longilíneo astênico — O cordoblástico ao longilíneo estênico.Mac Auliffe (1932). para sua classificação. fortes. resistentes às causas morbígenas e órgãos volumosos. não de categorias pré-estabelecidas. mas de uma dúvida sistemática. mas ao estudo de grande número de variáveis. diâmetro biacromial e diâmetro bicristailíaca). Martiny procura. altura troncocefálica. com as principais vísceras pequenas (microesplancnia). também dá importância à superfície corporal e faz a mesma classificação que Thooris para esse fator. A Escola Biotipológica Parisiense é constituída de vários autores que procuram estudar o indivíduo partindo. Classificou dessa foram dois tipos: o primeiro. em seu trabalho. utilizando um critério mais organicista e localisacionista que o geral. constituem o denominado morfograma (altura. e o transversal (brevilíneo) inferior ou visceral. Não se propõem a nenhuma classificação nova. peso. Benecke. o segundo tipo englobaria os indivíduos de grande massa t o t a l . Fazia uma antropometria mais interna do que externa e estudava o desenvolvimento em massa comparando as vísceras entre si e com a estatura e o peso corporal. constituído por indivíduos delgados. porém no aspecto de forma acrescenta a hidrófila inchada redonda e uma seca hidrófoba. de relações quantitativas de peso e volume de vísceras de cadáveres. atarracados. as características de seus tipos se superpõem às dos quatro biótipos de Pende. Usando tais medidas chega a quatro tipos: o mediolíneo. O estudo da participação dos três folhetos embrionários na determinação dos tipos é o que caracteriza o trabalho de Martiny.

que aceita a orientação de Pende. tronco cilíndrico. o abdomem é rijo e fino. Kretschmer. É gorducho. Este autor estabelece índices variados que não são referentes a um homem médio padrão.7). altos e baixos. dando ao todo uma impressão de imponência e força física. gorda. distanciamento notável do normal. relaciona o tipo morfológico com a tendência de se desencadear a psicose maníaco-depressiva ou para a demência . a cabeça forte. Estudando precoce.Tais tipos coincidem com a primeira e a terceira combinação de De Giovanni. fisionomia larga. Pelo valor absoluto da estatura. etc. ossos. desarmonia do conjunto. os obesos por influência endócrina. músculos e pele. O atlético caracteriza-se por um aspecto de robustez inconfundível. em tipos tais como os agigantados. bem desenvolvidos. o pescoço musculoso. não somente os casos normais mas também os que se encontram no limiar da anormalidade ou que se encontram em estados psicóticos. Leva em conta ação das glândulas de secreção interna que agem sobre duas coisas: a forma e o caráter. classifica-os em médios. ombros estreitos. cabelos raros. caixa torácica estreita e comprida. finos. fracos e delgados.o pícnico. ombros estreitos. contrastando com o desenvolvimento pelviano. As características do leptosòmico são: desenvolvimento dominante no sentido longitudinal. a dos atléticos e a dos displásicos (fig. aliadas a uma beleza de formas que tem por base uma perfeita harmonia. as quais abrangem. de tórax estreito (menor que 51) e de tórax largo (maior que 56). porém com uma metodologia diferente. feiura. Aos esquizotímicos correspondem três formas exteriores: a dos leptosòmicos. pescoço e extremidades finais. o nariz longo e o queixo é retraído. psicopatas. encontramos Kraus (1897) que elabora sua classificação baseando-se no estudo da capacidade funcional do indivíduo (siziologia) e Brugsch (1918). os anões. mais ou menos dolicocéfala. pois seu sistema antopométrico é calcado nas comparações das medidas entre si. O pícnico corresponde ao t i p o digestivo de Sigaud. Entre outros autores. 10. os eunucóides. o tórax amplo. A maior crítica feita a essa classificação é que o autor não considera a parte psíquica no seu método. Aos ciclotímicos corresponde uma única forma. Os ombros são largos. dando origem a três tipos: normal (índice entre 51 a 56). Às duas tendências principais denominou de Ciclotímica e Esquizotímica. Seu índice mais importante é o que relaciona o tórax com a estatura. de abdome desenvolvido. o dorso se estreira para baixo. músculos flácidos. o displásico apresenta formas bizarras. Seu esqueleto e músculos são sólidos. mas sim relacionados com a estatura. a cabeça é pequena. Diferentemente do atlético. com acentuada tendência à calvície.

L Figura 10.7 — Os tipos de Kretschmer L — leptossòmico A —atlético P — pícnico A P .

mas animados para dentro (isto é. Fechado ao ambiente. Compassivo. Adaptável e acomodável. firme ou obstinado.Merece atenção especial a teoria dos irmãos Henrique e Walter Jaensch. Com predomínio afetivo Com predomínio voluntário Dissolvido ou incorporado ao ambiente. irritável ou indiferen te. Curso representativo lento e com frequência adesivo e viscoso. Fantasistas Homens de conflitos e obrigações. Eis aqui. Quase sempre sério. nô-la dá o denominado tipo basedowoide ou tipo B. com grande "vida interior"). quando se encontra acompanhada dos correspondentes sinais somáticos. às vezes simultaneamente. A base da teoria tipológica destes autores radica na oposição entre os denominados tipos integrados ou animados (besselter) para fora eos tipos desintegrados ou desanimados para fora. Teóricos Curso representativo muito vivo e com frequência mutável. a título de expicação. Idealistas e ascetas. A forma básica da integração para fora. Com bom controle da expressão emocional. . até certo ponto. sua oposta (desintegração aparente) é o denominado tipo tetanóide ou tipo T. com violentas ou vivas variações do humor. o quadro-resumo desta oposição tipológica: Tipo animado (integrado) para fora (e também para dentro) Tipo desanimado (desintegrado) para fora (quase sempre animado para dentro) Todas as funções (manifestações vitais) trabalham somato psiquicamente como uma totalidade fechada (integração) Todas as funções se encontram. Soldados de ação e cérebro. independentes entre si (desintegração). Natureza meiga e flexível Natureza dura e rígida Dirigido para a A r t e e o gozo estético-sensual. lábil. Mais propenso à ingenuidade e à alegria infantil. Tempo Firmeza Artistas do viver e hábeis práticos. Os primeiros são relativamente infantis e os segundo plenamente evoluídos ou adultos.

embora mais próximo do t i p o T. selecionaram vinte manifestações para caracterizar cada uma dessas atitudes (as quais não seria d i f í c i l identificar às três emoções básicas) e propõem definir cada indivíduo mediante uma fórmula numérica-tempe- . ao predomínio do mesoderma corresponde. introvertido de Jung. nariz largo e curto de grande depressão na raiz e narinas francamente orientadas para a frente. Stockard (1923) e Bean (1924) criaram classificações estreitamente relacionadas com o desenvolvimento endócrino. tensão interior e retenção expressiva". Jaensch. que se denomina viscerotônica. bervilíneo ou macrosplâncnico de Viola ou " d i n á r i c o " de Gunther e o t i p o desintegrado é o leptossômico (esquizotímico) de Kretschmer. orelhas pequenas redondas e grossas. da tireóide (Stockard). Pacientemente. Bean. uma atitude de "reserva. temos que destacar a de Sheldon (1940) e Stevens. corresponde um t i p o temperamental ao mesmo tempo que um tipo morfológico: o predomínio do endoderma se reflete por um aumento da área visceral e pela existência de uma atitude afetiva "branda. baseandose na evolução. sendo que este autor considera ainda um terceiro t i p o . ESCOLA A M E R I C A N A Nos Estados Unidos. especialmente. ao predomínio de cada uma das folhas blastodérmicas no indivíduo. em indivíduos que possuem uma particular sensibilidade às toxinas tuberculosas. o tipo lítico ou t i p o S. extremidades curtas. Estes dois psicólogos da Universidade de Harward. de auto-afirmação e poder". apresenta os tipos hiper-evoluídos (hiperontomorfo ou epiteliopático) e o hipo-evoluído (mesontomorfo ou mesodermopático). Ao predomínio do ectoderma corresponde. finalmente. denominam de cerebrotônico.Não é difícil verificar que o tipo integrado é o sintônico de Kretschmer ou o extrovertido de Jung. cerebrotônico de Sheldon e alpino de Gunther. que do t i p o B. coincidindo com integrações limitadas a determinados territórios de sua individualidade e se faz presente. em troca. partindo de concepções tipológicas sustentam que. dando origem a dois tipos relacionados com o hiper e o hipo funcionamento desta glândula. À margem desses tipos. própria do temperamento que o A A . complacente e epicuriana". Dentre os escolas modernas de Biotipologia. o hipoontomorfo. os tipos linear e lateral respectivamente. uma atitude "dinâmica. viscerotônico de Sheldon. descreveu W. que seria constituído por tronco comprido. a qual denominam somatotônica (embora melhor seria denominá-la miotônica). este exibe uma desintegração patológica.

cada um dos quais oscilará entre 1 e 7. que marcam sua posição nas escalas denominadas de endomorfia. Quanto ao termo "clivagem horizontal". é descrito como somatotônico extremo e o que alcança o índice 1-1-7. ademais. submetendo-o a não menos de 20 "entrevistas" analíticas. determinam seu somatotipo e. a "clivagem vertical" indica a propensão para penetrar em profundidade a tendência à introversão e à retroversão (dependência do passado). nas quais serão colhidos dados referentes à sua história familiar e individual e seu desenvolvimento psíquico nas esferas económica. obtendo-se as medidas dos valores de cada série de 20 manifestações (viscerotônicas. educativa (cultural) e física. .. tomadas sobre uma série especial de imagens fotográficas e quadriculadas do indivíduo despido.ramental. com dissociação nítida do subconsciente e manifesta objetividade. o qual é usado aqui como sinónimo de centrotônico". Uma vez obtidos os valores de cada uma das 60 manifestações. isto é. Usa-se uma escala de pontos de 1 a 7 para cada manifestação observada. de fixação temperamental para as tendências sensuais. Na obra original de Sheldon-Stevens. um indivíduo que obtém índice temperamental de 7-1-1. escrevendo estas notas com lápis apagável. Como apreciar e valorizar essas manifestações das três modalidades? Observando o indivíduo durante o período de um ano.. que não tem têmpera em si". Tais tipos extremos são raros e o frequente é obter valores intermediários. músculos e tecido conjuntivo: atletas ou . . é descrito como viscerotônico extremo e aquele que tem um índice de 1-7-1. de acordo com a tabela do resultado de tais medidas. social. de extroversão. lhe conferem também três notas. vamos esclarecer apenas o termo "intemperança". estática. básicas da vida. sexual. Em troca. de sorte que o temperamento de cada indivíduo virá definido por 3 valores. etc. que dê uma ideia do valor de cada uma delas. tais como 4-4-6. calcula-se o denominado índice Temperamental. segundo os AA. em todas as possíveis situações e humores. que possibilitam classificar o indivíduo com relação à sua estrutura afetivo-reacional. a projeção e fixação da individualidade em um plano superficial. O 7-1-1 corresponde à extrema endomorfia (predomínio das vísceras digestivas: gordos abdominais). mediante o uso de 17 medidas antropométricas. O 1-7-1 corresponde á extrema mesomorfia (predomínio do esqueleto. De acordo com este critério. e. 5-6-3. indica. para incluir possíveis retificações ulteriores. Para se obter o tipo morfológico neste método os AA. mesomorfia e ectomorfia. é descrito como cerebrotônico extremo. os autores dão ampla definição de cada uma das 60 manifestações que constituem a escala. somatônicas e cerebrotônicas). de sorte que o indivíduo dá a impressão de um "metal mole. Para sermos breves.

Mas na vida quotidiana. uma discordância intra-individual (somato-psíquica). Naturalmente.Figura 10. os casos em que existe tão perfeita concordância.8) ESCOLA BRASILEIRA Na Bahia. 90 e 135 graus). extremidades fracas.). . secundariamente. utilizando-se da altura. são poucos. O comum é que existam desvios entre o somatotipo e o temperamento. devem corresponder-se os índices de endomorfia e viscerotonia. o 1-1-7. o grau de abertura do ângulo de Charpy e a forma da cabeça constitui o chamado tríplice morfológico de Prado Valadares. . depois analisa a altura atingindo um total de 9 classes e finalmente o aspecto da face: triangular. de mesomorfia e somatotonia e de ectomorfia e cerebrotonia. tórax e abdome planos. trapezóide e pentagonal perfazendo um total de 45 tipos. Prado Valadares. relativamente. quando não intervém fatores que provocam. .desnudez perante o mundo — fragilidade linear.8 — Tipos de Sheldon a — endomorfo b — mesomorfo c — médio d— ectomorfo homens fortes e ligeiros). Inicia a classificação analisando o ângulo de Charpy de onde resultam três tipos (45. 10. losângica. (Fig. etc . representa a extrema ectomorfia (máxima área superficial possível .

outro de mulheres franca e visivelmente anormais.1). Q U A D R O II .TIPOS CONSTITUCIONAIS SEGUNDO V Á R I O S A U T O R E S Autores Hipócrates (460 A.) Beneke (1878) De Giovanni (1891) Sigaud (1894) Manouvrier (1902) Viola (1905) Giuffrida-Ruggeri (1910) Brugsh (1918) Kretschmer (1921) Stockard (1923) Bean (1924) Sheldon (1940) apoplecticus 2a. Rocha Vaz e seus discípulos deram grande desenvolvimento á Biotipologia entre nós. O quadro que segue fornece a classificação biotipológica dos indivíduos. seu grupo de estudos foram as mulheres. combinação 1a.C. que adotando o método da escola italiana fornece as denominações últimas para essa escola e é aceita pelo próprio Barbara (fig. combinação respiratório marcroscélico microsplàncnico macroscélico tórax estreito leptossõmico linear hiperontomorfo ectomorfo cerebral . No Rio de Janeiro. combinação muscular mesoscélico normosplãncnico mesoscélico tórax médio atlético Tipos Morfológicos phtisicus 1a. de acordo com vários autores.Martim Gomes. combinação 3a.5 e quadro 10. se utiliza de critério natural e simples. Entre seus discípulos merece destaque Berardinelli. a que denominou de displásicas e um terceiro grupo. combinação digestivo braquiscélíco megalospláncnico braquiscélíco tórax largo pícnico latoral hipo-ontomorfo endomorfo meso-ontomorfo mesomorfo 2a. 10. o das intermediárias. que são classificadas em três grandes grupos: um grupo de mulheres normais.

O genótipo é a confluência dessas informaçõc que se organizam para se iniciar a ação gênica indispensável ao crescimento e desenvolvimento do organismo. Malina comentando sobre a nutrição aventa ser esta o fator natural mais importante para o desenvolvimento plástico do indivíduo. Marcondes e Pikunas entre outros tantos autores abordam o problema do crescimento e desenvolvimento como a interação entre a herança e o meio. mecânica. o processo de vida. torna-se difícil de entender. cabe uma análise que pode ser morfológica. Arndt — Schultz. Em relação ao meio ambiente Silveira o divide em interno — citoplasmático — e externo — ambiente social. A hereditariedade é constituída de todos os traços encontrados nos antecedentes. Para Marcondes. Pikunas acredita ser a hereditariedade o fatorchave do desenvolvimento humano. etc". torna-se muito difícil distinguir as manifestações genéticas das decorrentes da agressão do ambiente ao feto. A princípio o crescimento e desenvolvimento se fazem em dialética exclusivamente com o meio interno onde estão dissolvidos os elementos plásticos necessários para que se concretize a informação genética. a qual se caracteriza por ser um processo no decurso do qual emergem os traços genéticos e que abrange todas as influências biologicamente transmitidas dos pais às células do sexo. fisiológica ou mesmo psicológica. Essa dialética existente entre o genótipo e o meio caracteriza. . segundo Comte citado por Coelho.CAPITULO XI BIOTIPOLOGIA INFANTIL O ser humano é o resultado de uma interação complexa entre o genótipo e o meio ambiente. pelo duplo movimento contínuo de assimilação e desassimilação do meio ambiente pelo genótipo. Marcondes afirma que o conceito de desenvolvimento é relacionado com a aquisição de capacidade e crescimento com o aumento de massa pela hipertrofia e divisão celular (hiperplasia). imunológica. postural. porém Stent se contrapõem a essa ideia afirmando ser o DNA a estrutura do gen que abriga sua informação genética. "quando os fatores ambientais atuam na vida intra-uterina. O estímulo fraco deve ser de tal forma que seja assimilado. Para Ford há suspeitas de que não haja uma base física para a hereditariedade. citado por Marcondes diz que "estímulos fracos aceleram as funções e estímulos poderosos reprimem-na". infecciosa. sendo que só a interação desses conhecimentos se aproxima da realidade. Mesmo em atos aparentemente simples como o andar. que aliás. que. colaterais e descendentes que conseguiram ganhar expressão no meio que se desenvolveram. são de diferentes índoles: anóxica. em sua integralidade de expressão. Para Marcondes a herança está presente em todo o processo de crescimento e desenvolvimento através do genótipo. Para Pikunas o desenvolvimento é uma sequência ordenada de fenótipos que é a resultante da ação do meio e do genótipo.

Entre nós Marcondes divide os períodos de crescimento e desenvolvimento pelo critério etário. tão particular e diferente em cada fase de crescimento. Dessa forma acreditamos fornecer elementos para melhor compreensão do organismo e estágio de desenvolvimento deste. e tão d i ferente também em cada educando. Pikunas lembra que "o ser humano cresce e amadurece à medida que as dimensões básicas do organismo e da personalidade se desenvolvem. Impelido pelo código genético no seu interior e pela nutrição e estimulação sensorial no exterior. metabolismo. adolescência — dos 7 anos até os primeiros fenómenos da faculdade reprodutiva. citado por Rossi. de cada fase do desenvolvimento. urinário. puerilismo — dos dois aos 6—7 anos. Rossi divide os períodos e os caracteriza quanto aos aspectos somáticos. bioquímica hemática e psiquismo procurando estudar as mudanças encontradas. No capítulo anterior. serão vistos outros pormenores. aparelhos — digestivo.É portanto na determinação da intensidade do estímulo físico que se en- contra o problema da influência benéfica ou prejudicial da atividade física como elemento que propiciará melhor harmonia e desenvolvimento do organismo e de suas funções. cada qual em seu próprio tempo e r i t m o . dentro da realidade do momento para o organismo. estudamos os aspectos gerais do crescimento. A seguir. tampouco é concebível um educador que ignore as capacidades fisiológicas e as potências psíquicas. puberdade — correspondente ao período de desenvolvimento da diferenciação sexual e juventude que vai da puberdade até a consolidação do esqueleto. mas na variabilidade de um organismo para outro e no mesmo organismo de um instante para o u t r o . A dificuldade do estudo não se prende somente ao ser longitudinal. do terreno orgânico da criança. Dizia Plutarco. "Como não é possível que um agricultor não conheça o terreno no qual deve semear. circulatório e nervoso. temperamento." A primeira determinação dos períodos de crescimento segundo Rossi data de 1700 e foi realizado por Pagliani: O autor italiano dividia em 5 períodos compreendidos por: infância — 1º ano de vida até completar a primeira dentição. o amadurecimento do sistema nervoso e o psiquismo. o indivíduo se desloca ladeira acima para níveis mais altos da operação comportamental. a tendência simplista de se responder a pergunta da beneficidade ou não de um estímulo sobre o organismo deve ser analisado nos diferentes ângulos: morfológico. Malina preocupando-se de estudar a açâb da atividade física no crescimento e desenvolvimento abre a pergunta de quanto deve ser esse mínimo e faz sentir a necessidade de estudos nessa área." Assim. o metabolismo. respiratório. fisiológico e psicológico. Chamamos então de Neonato ao recém-nascido nos 15 primeiros dias de . Resumindo a classificação de Rossi para os objetivos do presente estudo levaremos em consideração o aspecto somático.

Predominam nessa fase todos os hormônios vagotropos favorecedores do metabolismo anabólico com a consequente deficiência dos hormônios simpáticotropos — catabólicos. A altura no final do 19 ano é por volta de 70 c m . pouco menos desenvolvido que o abdomem. predominando o anabolismo sobre o catabolismo. Ao nascer. o lactente. de um modo particular a associação hipertiroidismo-hiperparatiroidismo da 2ª metade da lactência. a erupção dos 19 dentes e a tendência a certas diarreias. o estado especial de nervosismo que acompanha a muitas crianças. as necessidades calóricas são de 15o kcal/kg peso. O parassimpáticotonismo e o predomínio do estado hipertímico linfático associado ao hiperrinsulinismo. função da medula espinal bem desenvolvida. vai do final do neonato até o final do 1º ano. Resumidamente podemos dizer que se caracteriza morfologicamente da seguinte f o r m a : macroesplancnico cefálico. hipertonia muscular fisiológica e sinal de Babinsky. Seu desenvolvimento psíquico já lhe permite uma maior participação no meio compreendendo ordens simples. graças à insuficiência pancreática. o aspecto metabólico é caracterizado pela facilidade de assimilação de hidratos de carbono e dificuldade de assimilar proteínas. é grande a imperfeição da função cerebral. Para Pende. fibras nervosas pobres em mielina. tem por finalidade essencial assegurar o predomínio do anabolismo sobre o catabolismo.vida. é dizer. índice torácico de 90. braquitipo. A fórmula neuro-endócrina com predomínio dos vagotropos. pescoço curto. do t i m o e do pâncreas.5 cm da cada três meses e meio. o predomínio dos processos assimilativos sobre a desassimilação. O aspecto somático é o seguinte: A linha que divide a estatura do neonato passa sobre o umbigo. usando frases. segundo Rossi. No sistema nervoso vemos que seu volume e peso são 1/4 do definitivo. O estágio seguinte. seu tronco é grande. a ter mo regulação é imperfeita. braquiesquélico e macrossômico. o que assegura também o aumento do peso corporal. a altura da cabeça é 1/4 a 1/5 da estatura t o t a l . Dominam os hormônios da córtex supra renal. O metabolismo se caracteriza por oxidações intensas. A lactência é. corre e pede para satisfazer suas necessidades. reflexos tendinosos muito vivos. assegurando com esta utilidade nutritiva as necessidades calóricas do 19 ano de vida. o metabolismo basal é muito alto e a ação específica dos alimentos é quase nula. tórax relativamente maior que os membros superiores. explica o possível desenvolvimento do raquitismo e do modo particular. a circunferência craneana e torácica crescem 2. citado por Rossi. o psiquismo é quase exclusivamente a prevalência da vida fisiológica e a resposta aos estímulos envolve o corpo todo. O temperamento é hipotiroideo para Concetti. a constituição morfológica e dinâmica temperamental do 1º ano de vida. a primeira época de desenvolviment o . seu peso é 1 /4 a 1 /5 da estatura em centímetros. curto e de base alargada. na classificação de Godin. justifica. o perímetro torácico ultrapassa 7—8 cm da metade da estatura. os membros superiores são maiores que os inferiores e a envergadura é maior que a estatura. . hipopituitário para Pende. reflexos cutâneos ausentes.

a associação de ideias. O crescimento prevalece em peso e amplitude. apresenta no 2º semestre do 2º ano um notável aceleramento. responde a perguntas simples e usa orações. Marcondes falando da época pré-escolar lembra "a influência benéfica dos exercícios físicos se faz sentir claramente. bonecas inquebráveis.5 anos caracteriza o terceiro período de crescimento de Pende ou Turgor Primus. segundo período de Godin. a atenção. função da atividade física que lhe permite a memória. Na área física o autor supra citado preconiza duas sessões diárias de 5 repetições em cada um dos seguintes exercícios que deverão ser realizados também com o auxilio dos pais: circundação dos membros superiores. a silhueta se define. A terceira época de Godin. "proceritas p r i m a " ou pequena puberdade de Pende se caracteriza pelo crescimento longitudinal e se extende no período do 5º ao 7 º a n o de vida. bem como a marcha e a atitude postural". faz uma ponte com 3 cubos. Segundo Pende a evolução das percepções se faz da seguinte forma. Suas capacidades físicas de velocidade e agilidade ficam exacerbadas. aos 2 anos reconhece perspectiva e dos 3 aos 4 anos em todos os planos. Os jogos dos 2 aos 5 anos são motores. Há aumento das proporções braquítípicas em ambos os sexos devido ao perímetro torácico. o que dificulta a resposta plástica aos exercícios. a proteinemia é muito variável.. a 2 a dentição se inicia.Os brinquedos mais adequados. simples e de imaginação. 0 peso corporal que havia dimunuído em seu crescimento na segunda metade do 1º ano.nos homens predominam os diâmetros craneanos transversais e nas mulheres os longitudinais. o falar mais fluente. O aspecto metabólico basal é máximo no 29 ano. exercícios para os músculos dorsais e sacrolombares que podem ser executados a partir dos 2 meses. o progresso psíquico da criança é. A necessidade metabólica em calorias é 83 Kcal/Kg/dia para os meninos e 80 Kcal/Kg/dia para as meninas aos 7 anos. relativo estreitamento do tórax e escasso aumento ponderal caracterizando maior longitipia fisiológica. "Os exercícios visam aumentar a independência muscular e aperfeiçoar a coordenação m o t o r a " . segundo Marcondes são as sacolas e caminhões para puxar. porém não se deve pular nenhuma das fases do desenvolvimento. como o engatinhar. cubos de encaixe. em grande parte. movimentos laterais do quadril. põe sapatos e usa bem a colher. No aspecto somático encontramos um aumento rápido da estatura. enovelamento. O período de 2 a 3. animais. aos 18 meses reconhece as figuras frontalmente. . No aspecto psíquico consegue manter equilíbrio em 1 pé só. panelinhas para as atividades imitativas do meio social em que se desenvolve. exercícios de sentar e equilíbrio para sentar-se devem ser executados após o 4º mês e de ficar em pé e equilíbrio para ficar em pé após os 6 meses que podem se prolongar até os 2 anos. Há o crescimento do pescoço. Os exercícios ajudam a desenvolver o tonismo muscular necessário para a postura ereta e marcha. flexão e extensão dos inferiores.

Os exercícios físicos preconizados por Marcondes para essa época divergem conforme o sexo. a hipertorfia muscular se opõe ao crescimento ósseo. estamos no período pré-realista de Pende que se caracteriza pelo domínio da sugestionabilidade e tendência a crer. Neste período desehvolve-se a consciência das relações interpessoais. obedecer e imitar. Existe uma evolução na capacidade de trabalho. Há aumento intenso do peso. enquanto o psiconeuromotor é . Quanto aos exercícios físicos nessa época do desenvolvimento preconiza Marcondes uma maior complexidade destes procurando desenvolver responsabilidade e disciplina. Salienta também que "os exercícios de força seriam usados excepcionalmente. o desenvolvimento muito. Para Marcondes há um maior desenvolvimento da função respiratória. Há. Idade em que se formam os costumes morais e mentais pela ação dos colegas. "proceritas segunda" caracteriza-se por nova crise de crescimento longitudinal. um notável aumento da força muscular. assim como os inferiores. aproximadamente. motivo pelo qual ganha pouca força. para as meninas. Silveira e Rossi salientam que o 79 ano é a idade da mentira e que também. Para as mulheres exercícios que desenvolvam a graça e o r i t m o e Tanto Marcondes quanto Godin admitem ocorrer por volta do 12º — 13º ano para os rapazes e 11º . em ambos os sexos. hiperpituitarismo. os membros superiores sofrem intenso crescimento.12º ano muscular é pouco expressivo. hipertiroidismo. começa o desenvolvimento da crítica. O temperamento é dominado pelo vagotonismo. V época de Godin. educadores e pais. hipergenitalismo. No aspecto psíquico. nessa fase.No aspecto psíquico a criança adquire a noçâb de tempo decorrido e assim adquiriu todas as noções tanto auto como halopsíquicas. Surge a necessidade da crítica e da prova. No aspecto endócrino metabólico podemos ter: uma maior atividade hipercorticossuprarenal-hiperinsulínica-hipertímica com acúmulo de gordura e obesidade infantil ou do grupo tiroides-hipofisea-adrenal com constelação catabólica produzindo magreza submórbida ou mórbida. Domínio da extroversão e falta de introspecção. pois os ossos ainda são maleáveis e os pontos de inserção dos músculos não estão consolidados". Há a reafirmação da constelação hormônica anabólica. Também se observam neste período a maioria dos casos de ambivalência sexual por hipertimismo. Deve-se evitar uma educação demasiado sistemática que choque com o real caráter criador. Coincide com a queda dos dentes de leite. No aspecto metabólico encontramos hiperfunção da constituição anabólica. o diâmetro transverso do tórax desenvolve-se. O "turgor segundo" de Pende se caracteriza pelo acelerado crescimento ponderal dos 9 aos 11 anos. É uma fase transitória em que o indivíduo ganha peso graças ao tecido adiposo e pouco devido ao tecido muscular. A pré-puberdade. hipertimismo.

um estímulo positivo. Há diminuição do crescimento longitudinal e começa o crescimento em amplitude sobretudo ao nível do tronco.para os homens. Do ponto de vista psicológico a puberdade determina profundas modificações tendendo todas a exagerar as características originais. Na mulher o sinal visível é a menarca e o invisível é a ovulação: os pelos pubianos e axilares aparecem e ocorre o desenvolvimento das mamas e dos genitais externos. Para Marcondes a ginástica e o desporto. . os que possibliitam movimentos amplos.na mulher começa com a menarca e no homem com a primeira poluçãb noturna. o exercício físico torna-se um elemento catalizador. para o desenvolvimento harmónico das potencialidades contidas no genótipo e no meio ambiente em que ele se encontra. há aumento dos testículos e produção dos espermatozóides. dos caracteres individuais. VI época de Godin e sétimo período de crescimento de Pende "turgor t e r t i u s " . Na mulher completa-se o desenvolvimento pélvico com o aumento do diâmetro bicristailíaco. acompanhado de aumento da espessura dos membros. Os exercícios de força são largamente utilizados bem como os de aprimoramento da formação corporal. A pele aumenta em consistência. constituem a base dos exercícios físicos. desenvolvimento das mamas e distribuição característica do tecido adiposo. flexíveis e que desenvolvam a resistência. o cérebro adquire seu volume definitivo e o timo deve estar involuido. aumento do penis. o mesmo acontecendo com os dentes e unhas. boas ou más. Quando respeitados os diferentes períodos de desenvolvimento do indivíduo. Nos homens além de mudanças na tonalidade da voz. Preconiza também para esta época a iniciação esportiva do indivíduo. A puberdade. hipertrofia e robustecimento das massas musculares. neste período. da pilosidade pubiana e axilar e esboça-se a barba e o bigode. No homem. adquirindo maior elasticidade e hiperpigmentação sobretudo nas zonas genitais. O acontecimento mais importante da crise puberal é a amadurecimento sexual. O sistema piloso adquire o máximo de desenvolvimento. que terão atingido o seu grau máximo de complexidade. ocorre a mudança da voz.

a força e o desenvolvimento das inserções musculares maiores são características de predominância masculina. vagina e vulva. base do pescoço mais larga e arredondada. visto que nos meninos a partir dos 11 anos já encontramos uma superioridade no teste da dinamometria. um dos aspectos mais nítidos da personalidade é. Não nos utilizaremos nesta exposição da divisão proposta por Hunter em 1870 (caracteres sexuais primários e secundários). trompas. Quanto às características gerais a mulher no seu conjunto apresenta dimensões menores. segundo Tanner (1962). cérebro maior relativamente à massa corporal. o sexual. que antes do surto pubertário é igual para os dois sexos. Caracteres Sexuais Morfológicos Nas mulheres em relação aos homens encontramos além de órgãos tipicamente femininos como os ovários. nem mesmo da modificação de Marafión (caracteres genitais e sexuais) porque incide no mesmo incoveniente de dar um caráter radicalmente diferencial a órgãos que tem equivalentes nos dois sexos.CAPITULO X I I DIFERENCIAÇÃO SEXUAL Como diz Marafión. A resistência. coluna lombar relativamente mais longa e coluna dorsal mais curta. alguns evidentes à primeira vista. sem dúvida. a asperidade onde se inserem os músculos nos ossos são menos salientes. mas que com os conhecimentos endocrinológicos atuais se tornou muito estreita. já clássica. com laringe mais delicada. A altura da mulher adulta é 10 a 12 cm menores que o homem em igualdade de condições. mais cilíndrico. mais regular. para ocorrer uma aceleração no início do surto pubertário. mostra-se um fator de precoce diferenciação sexual. Lordose lombo-sacra mais pronunciada. A mulher se distingue do homem por uma série de caracteres morfofísiopsicológicos. A força. a cabeça mais longa. Pende procurando estudar as diferenças sexuais constitui três índices e classificação consequente. Em poucas coisas nos diferenciamos como nos traços de nossa sexualidade respectiva. superfície da pele mais lisa. Todo o sistema ósteo-músculo-ligamentoso mais delicado. e produzindo por pequeno período maior estatura nas meninas do que nos meninos. Esses índices são: ou pela precisão dos instrumentos de antropometria . que é antecipado na mulher visto este ocorrer antes nelas. Tal aumento se torna generalizado após o surto pubertário para toda a musculatura constituindo elemento de diferenciação entre os sexos. e outros postos em evidência pela observação mais minuciosa física e funcional. Pescoço mais curto. cordas vocais mais débeis e curtas. A velocidade de crescimento decresce do nascimento até os quatro ou cinco anos.

quando há diminuição das características femininas. o índice: Diâmetro bi-trocanteriano X 100 diâmetro bi-acromial apresenta como média 90. hipergenitais. Pende classifica as mulheres e m : .4 para os homens. ou quase. ao passo que os solicocéfalos. 2º— Comprimento relativo da coxa e da perna — Nota-se um maior desenvolvimento longitudinal da coxa que da perna. Baseado nesses índices e outras caracteríticas auxiliares. A mulher braquicéfala seria mais fecunda que a dolicocéfala. A medida da coxa se obtém.Nota-se na mulher bem desenvolvida uma predominância deste sobre o dos membros. Pende (1955). em que há predominância do segundo sobre o primeiro. diâmetro biacromial — diâmetro bicrista ilíaca O valor médio desse índice fica em torno de 93 para os homens e 78 para as mulheres. Na mulher normal há predominância da largura e da altura sobre o comprimento da cabeça. mais se acentuam seus caracteres viris. As primeiras são as segundas são estéreis.4 para as mulheres e 85.5 para as mulheres e 91.1º— Relação entre os diâmetros bi-acromial e bi-trocantérico .Gualco e Sarperi dizem haver uma estreita relação entre a predominância do diâmetro bi-troncanteriano e a fecundidade feminina. medindo os pontos supra-púbico e o ponto tibial interno na interlinha fêmoro-tibíal. aproximando-se das do homem. O grau de virilidade ou feminilidade será tanto mais acentuado quanto maior ou menor for o índice com relação aos seus valores médios. Tanner propõe uma fórmula simples para evidenciar a diferenciação sexual: I = 3. quanto mais preponderante o bi-acromial.1 para os homens. começa-se a notar o inverso. bilateral e vertical do crânio. Como já estudamos. a medida que a mulher vai desenvolvendo caracteres femininos. segundo Gualco. As médias para os dois sexos são: 83. Na mulher hipoovariana há predominância da perna. no homem. No homem haveria inversão destas características: os braquicéfalos são hipogenitais. comprimento da coxa X 100 comprimento da perna fecundas: 3º- Relação entre os diâmetros longitudinal.

isto é. na pube.a) Tipo de feminilidade pré-púbere b) Tipo de feminilidade pós-púbere ou pré-maternal c) Tipo de feminilidade maternal d) Tipo intersexual atenuado. invadindo raramente. O t i p o evoluído pré-pubere se caracteriza por apresentar bacia pouco desenvolvida assim como as mamas. Caracteriza-se por hiperfunções ovariana. sendo tal espessamento mínimo no homem. pés juntos. com bacia ampla embora haja uma perfeita harmonia de formas. a gordura da mulher invade a parte superior do tronco. Na mulher há espessamento progressivo e acentuado do panículo adiposo sobre a face interna da coxa desde sua raiz até o bordo interno do joelho. O t i p o intersexual atenuado é o que apresenta discreta tendência para a masculinidade. o períneo. sob uma nova forma. cita o sinal de Stein como um dos caracteres sexuais mais constantes no homem e que constitui da forma da implantação dos cabelos na região frontal.1. A gordura na mulher se acumula de preferência na região mamária. tal localização faz com que. que permite. na posição ereta. isto é. Há predominância do timo redução da função ovariana. preponderando. durante a puberdade. 12. Na época preclimatérica e climatérica. No homem. e estendendo-se para o perineo e margem do ânus. em direção ao umbigo. a disposição dos pelos é também feminóide: mas nos anos sucessivos eles se transformam tipicamente. fecundas. embora haja mamas bem desenvolvidas. nos flancos. em que há predominância da porção inferior do tronco. o pescoço. a cintura escapular. tiroidiana e suprarrenal. na metade inferior do corpo. (Figs. ao longo da linha mediana do abdome. 12. as coxas das mulheres permaneçam em contato ao passo que as dos homens apresentam-se geralmente afastadas por um espaço mais ou menos largo. Isso não impede que possam ser belas e algumas vezes. por . espessando-se mais do que na mulher. O t i p o de feminilidade maternal apresenta predominância do segmento inferior. na parte inferior do ventre. de aspecto quase infantil. os atrativos físicos da mulher. aumento da hipófise. termina numa linha horizontal. na parte inferior. Nos homens ocorrem as "entradas". pois. o que caracteza o tipo matronal. lembrando o desenvolvimento pré-púbere. A distribuição de gordura é muito diferente no homem e na mulher. O t i p o de feminilidade pós-púbere é o tipo de mulher adulta bem desenvolvida. 12. prolongando-se para cima. Berardinelli. preponderância da bacia sobre a cintura escapular e a porção superior do tronco é bem acentuada. prolongar às vezes muitos anos.2. nas coxas.3) Os pelos pubianos tem na mulher a mesma disposição que nos adoslescentes de ambos os sexos. os braços.

Figura 12.1 — Perfis masculino e feminino em vistas anterior e posterior para comparação .

menor atividade das trocas gasosas e energéticas em geral. quantidade de urina.Perfil do tronco masculino Caracteres sexuais fisiológicos. 2 . hiposuprarrenálica.72% maior na mulheres. Figura 1 2 . coração mais célere. menor energia muscular. relativamente hipohipofisária.Baseados nessa característica Felice e Vassal propõem um índice que utiliza o perímetro da coxa e o peso. a mulher é mais hipertiroidea ou hipertimotiroidea. segundo Pende. bem como sua densidade e taxa de ureia menores. menor capacidade vital. maior precocidade sexual e também parada mais precoce da atividade sexual. endocrinologicamente. maior número de movimentos respiratórios. Fisiologicamente a mulher apresenta. hipoparatiroidea. em relação ao homem os seguintes caracteres principais: temperatura um pouco mais elevada e ao mesmo tempo mais lábil. . sendo que na mulher é 20.

que obriga as coxas a covergirem mais que no homem. é a de soprano nas suas diversas gradações. e um movimento em báscula mais ou menos acentuado à bacia.3 . o andar. a mulher é dotada de menor aptidão motora e à resistência passiva.Perfil do tronco feminino A voz. caracterizam também a mulher. diz Maranon. A voz nitidamente feminina. as vozes nitidamente masculina são as de baixo e de barítono. resultando como compensação um certo grau de geno valgo. a atitude das mãos e a aptidão especial para certos trabalhos. Como consequência da estrutura menos sólida do seu aparelho ósteo-músculoligamentar. O andar característico da mulher é devido sobretudo à maior largura da bacia. o andar do homem se caracteriza por um movimento pendular das coxas e muito reduzida mobilidade pélvica. disso resulta que a mulher para andar deve imprimir uma certa rotação às coxas.Figura 12. .

Para Maranon. Caracteres sexuais psicológicos. que é rápido no homem e mais demorado na mulher. como o que se poderia chamar a labilidade da mímica emotiva (riso e choro fáceis). inteligência mais viva e ágil. linguagem mais célere sendo por isso mais desenvolvidos os músculos da língua como aliás o são também os adutores da coxa. principalmente nas mulheres mais jovens e sem experiência sexual. mesmo sob o ponto de vista estritamente prático.Diferença fisiológica importante. de desenvolvimento mais precoce. . Maior emotividade. O mesmo pesquisador afirma que as mulheres apresentam todas as formas de sensibilidade mais obtusas do que nos homens. Pesquisas de Lombroso e sua escola mostram menos sensibilidade dolorosa na mulher. mais intuitiva do que lógica. é a que se refere ao orgasmo. suporta-a melhor" (Balzac). Também para a dor moral as mulheres são mais fortes. as mulheres se caracterizam psicologicamente por apresentarem uma afetividade mais aguda que a do homem. tendência aos fenómenos dependentes do menor controle dos centros nervosos superiores sobre os inferiores. e uma menor aptidão do que a destes para a atividade abstrata e criadora. (Pende). mais prática. maior irascibilidade. "A mulher tem mais apreensão pela desgraça. mas. quando ela vem.

coletados no início do ano. e.R. em detrimento da harmonia da forma e funções. a Biotipologia constitui base verdadeiramente científica." é formada pelas iniciais de quatro qualidades diretamente ligadas ao aparelho motor e que são: . mais especificamente. d. e que serão estudadas a seguir.R. Assim sendo. De posse dos dados biotipológicos. de um grupo de alunos e comparando estes dados com os de uma nova tomada.F. cada indivíduo apresenta certas habilidades motoras mais ou menos desenvolvidas e que devem ser consideradas no momento de se indicar um determinado tipo de esporte para esse indivíduo. pois foi demonstrado que o atletismo não controlado cientificamente pode levar á desarmonia dos biótipos corporais e psíquicos. quando feita criteriosamente. Estas habilidades ou capacidades podem ser resumidas na sigla V. como sabemos. Conhecer e controlar também as aptidões psico-sensoriais e intelectuais. c.F. O conhecimento e o controle das aptidões musculares e psicomotoras. melhor avaliá-lo e orientá-lo sobre exercícios mais indicados e os que seriam prejudiciais à sua constituição. b.A. 0 conhecimento da formação harmónica do tipo geral do corpo. que mescla a vida moral e social do indivíduo em formação. que deve guiar as atitudes do professor de Educação Física e do Técnico desportivo. aconselhar no rendimento e orientação profissional. de Educação Física. fatores que não só relacionam a biotipologia escolar com a medicina do trabalho. Será mais fácil para o técnico desportista escolher os indivíduos que poderão render mais e se comportar melhor em esportes coletivos ou os que terão melhor desempenho em provas individuais e dentre estas. O controle da formação do caráter e do tipo mental. O estudo biotipológico dos alunos possibilita aconselhar a higiene somática e terapêutica.A. os que terão maior rendimento em uma determinada especialidade. oferece material suficiente para se organizar um conceito objetivo e sólido dos seus atributos físicos e psíquicos. Por outro lado.CAPITULO XIII IMPORTÂNCIA DA AVALIAÇÃO BIOTIPOLÓGICA EM EDUCAÇÃO FÍSICA A avaliação biotipológica do indivíduo. Podemos assim. aconselhar sobre higiene mental. 0 dilucidar controlando a normalidade ou anormalidade do desenvolvimento sexual. Segundo a escola de Pende. aconselhar em educação física. isto equivale a dizer praticar medicina preventiva. como consequência do excesso de desenvolvimento muscular e da força dos músculos em determinados segmentos do corpo. pode-se avaliar a validade do trabalho realizado pelo Prof. senão que fundamentam a base científica da projeção do indivíduo na sociedade. que necessariamente devem imperar em todo desportista. A palavra "V. há cinco aplicações que a ficha biotipológica escolar tem estabelecido na ordem social: a.

velocidade e agilidade traduzem quase sempre um temperamento neuro-vegetativo. São bons atletas para corridas (de longa distância — estatura pequena. se prevalece a velocidade. é a inteligência posta a serviço do músculo. basquete. f r u t o da própria experiência.tipicamente longilíneos e de musculatura variável). poderíamos indicar esportes competitivos para os estênicos e recreativos para os astênicos. é apreciar que este animal não é somente f o r t e . de modo que este é um fator decisivo no estudo da fadiga. é destreza. são reveladoras de uma tendência constitucional para a parasimpaticostenia. musculatura delgada e frágil. que em jogos olímpicos sabem suprir a falta de resistência ou força muscular com um maior emprego da agilidade. Esportes coletivos para os de espírito altruístico e individual para os de tendências mais egoístas. é arte. essa é a função do Educador Físico. fácil. . É conhecida a perspicácia de certos atletas. A agilidade. enquanto a resistência associa-se com a força. é o que mais rapidamente vai queimando suas reservas energéticas. em grande parte. em consequência. de média distância — mais altos com as proporções mais para a longitipia e os velocistas . agilidade R — resistência F — força Por resistência devemos entender o tempo máximo de duração do moviment o . não pode prevalecer a força. é tática do movimento. Thooris afirma que nenhum homem é capaz de reunir as quatro qualidades do " V A R F " no mesmo grau. o biótipo de menor resistência. saltadores.V — velocidade A . peso baixo. emparelhadas. diz: "temos que admitir que a velocidade e a força muscular apresentam-se nos diferentes biótipos humanos de forma antitética. O biótipo veloz (taquiprágico — taquipsíquico — hipertireóideo — simpaticotônico) equivale ao t i p o de cavalo de corrida. sendo em consequência. Determinado o biótipo. Pode-se mesmo procurar um plano de treinamento para minorar as qualidades negativas do indivíduo e exacerbar suas qualidades. ela equivale ao instinto automático do sujeito saber coordenar e precisar seus movimentos. Longilíneos — Tem como característica geral a velocidade.destreza. com tendência à simpaticostenia. analisando-o de maneira ampla e completa. comentando o índice " V A R F " . Exercícios que necessitem de agilidade para os longilíneos e os que requerem resistência para os brevilíneos. Pende. arremessadores de dardo. ao dizer de Pende. esgrima. pois. vale dizer que. voleibol. e a resistência e a força. Assim é que geralmente a velocidade ocorre paralelamente com a agilidade. mas também resistente. Tudo ocorre ao contrário com o cavalo bretão (bradiprágico — bradipsfquico — hiperpituitárico — parasimpaticoestênico). A relação entre biótipo e desempenho esportivo pode ser resumida como segue: a. É esta uma propriedade característica do longilíneo veloz. equitação. acrobacia. é.

c.F. v.r. v. (400 m) V.5 e 10 mil m) V. (3. Como vemos. V.f. também constitui "handcap" em todas as especialidades atléticas. (800.R. Brandão faz uma correlação de alguns esportes com o índice VARF.R. parece-nos porém mais aconselhável seguir a orientação de Silveira. F. b. r. Um estudo feito com atletas participantes de jogos olímpicos. quase sempre acima de 4. A. v. nadadores (devido ao bom desenvolvimento da caixa torácica). natação (tendência para a longitipia).Tem como característica geral o equilíbrio das formas. F. levantamento de peso e halteres. A.f. f. A. Ginástica de aparelhos. R. 200m) V. F. Só os indivíduos de mesomorfia considerável. lento e pouco resistente. Normolíneos . tem possibilidades de brilhar como atletas. c. V.A. teremos possibilidade de entender melhor o nosso educando e melhor avaliá-lo para orientar convenientemente sua atividade física. judo. e. d. há diferentes aspectos a serem considerados de acordo com os vários autores. poliatleta. .F. Sâb bons atletas para lutas (luta romana. 1. 19— Classificar a face morfológica. de intensidade igual ou superior a 5.b. Brevilíneos . significando debilidade. mostra o seguinte: a. terrestres ou aquáticas. R. Nas provas de velocidade. remadores (estatura alta). R. 29 — Classificar a face do temperamento pela escala de Sheldon. que tratam do assunto. F.a.R. que transcrevemos: Corredores de velocidade Corredores de meio fundo Corredores de velocidade prolongada Corredores de fundo Saltos e barreiras Arremessos Futebol e basquete Levantamento de peso Lutadores Boxeadores Esgrima (100.a. V. a.Classificar a parte psíquica pelo método de Rorschach. A. A ectomorfia é condição necessária para as corridas de fundo e meio fundo e para saltos. Assim. . igualando ou mesmo superando a mesomorf ia.A.F.A. r. utilizando-sea metodologia proposta por Viola e a classificação de Berardinelli.). 39 . etc. F.R. os praticantes de alto padrão são sempre mesomorfos. v. pois torna o indivíduo pesado. o grau de mesomorfia é superior a 5. R. social e intelectual. fragilidade e fatigabilidade. O excesso de endomorfia tem efeito negativo em qualquer desporto. futebol.500m) V. pentatlo ou decatlo.Tem como característica a força. A. A ectomorfia exagerada. . Em desportos que necessitam de mais força.

mas também da cultura física. ambas devem necessariamente complementar-se. exame das vias aéreas superiores. A ficha do controle mínimo contém os seguintes dados: Idade no momento do exame. Passamos a transcrever o modelo das duas fichas adotadas neste encontro e que se denominam: "controle m í n i m o " e "avaliação propriamente d i t a " . morfologia constitucional e fisiológica e psicometria.atuando em nível curativo e profilático. Antecedentes patológicos. Provas respiratórias: espirometria. isto é. A ficha consta da avaliação dos seguintes tópicos: antropometria. No Congresso Internacional de Educação Física de Chamonix (Suiça) em 1934. que f o i aceita na ocasião por uninimidade. altura e peso. há a possibilidade de que ocorra uma verdadeira reforma educacional. b. o que se pode obter através da ficha biotipológica. como diz Rossi. graduação e classificação não somente da cultura mental. mas identifica-se com a pirâmide biotipológica . Amplitude torácica. A l t u r a . como também. podemos dizer que a ficha biotipológica da educação física não pode ser outra que a ficha biotipológica da educação mental. Exame dos pulmões. a. deduzimos a necessidade do conhecimento integral da personalidade física e psíquica. podemos organizar grupos homogéneos segundo a idade. que compreende: a. Pende apresentou uma ficha biotipológica para aplicação em esportes. por conseguinte. Os resultados das "perfomances". Exame de urina. Após essa análise. Observação do médico A ficha de avaliação compreende duas partes fundamentais: 1a. Como vemos. 2a. Nos indivíduos adultos. O Congresso de Chamonix ocupou-se somente da primeira parte. as "performances" se avaliam segundo o cânone olímpico. FICHA BIOTIPOLÓGICA DE NICOLA PENDE EM EDUCAÇÃO FÍSICA Como resultado do estudo aqui apresentado. Provas funcionais antes e depois do esforço — tempo para retornar ao normal. diferencia-se somente pelo nome. deste autor. Perímetro torácico na inspiração e na expiração. os caracteres somáticos e psíquicos individuais. Peso. segundo o ponto de vista de seus temperamentos e capacidades intelectuais. pode-se fazer a seleção. Assumindo essas diretrizes. Perímetro torácico médio. sexo. Provas cárdio-vasculares: estudo do pulso e da pressão arterial. desenvolvendo suas qualidades e respeitando suas limitações. O controle e a avaliação biotipológica. como na verdade se completam. Assim.

Pesquisa da albuminúria depois do trabalho ' T e s t e " da fadiga de Donnaggio. Os exames psicométricos. c. envergadura. comprimento do membro inferior e peso corporal. espessuras. movimentos e atitudes. No exame em pé: determinação dos diâmetros torácicos (transversal e ântero-posterior). 1a. mínima e mediana. 2º Exame morfológico-constitucional. epigastropúbico e dos membros superiores e inferiores. Exame radiológico do tórax e do aparelho cardiovascular. do tronco e membros. hipocondríacos (transversal e ántero-posterior) e dos membros superiores e inferiores. Fórmula corporal. a. parte: Estudo da orientação desportiva. O exame antropométrico e morfológico. Dinamometria horizontal e vertical. Com estas medidas. Exame antropométrico e morfológico. Os exames funcionais.b. epigástrico. diâmetro biacromial. 2º — Exame das funções intelectuais. xifoideano. perímetros das coxas direita e esquerda. acromial e da interlinha do punho. 3º— desportiva. Antecedentes patológicos. perímetro abdominal médio. Esta parte concerne somente ao médico e ao probando. púbico. deduzimos os comprimentos xifo-epigástrico. Dedução dos índices: torácicos. abrange: 1º — Exame das funções sensório-motoras. maleolar. Frequência respiratória em repouso (de pé). Finura de apreciação das formas. Tipo morfológico. Consta de: 1. Depois desta prova horizontal. com elevação dos joelhos até um plano horizontal. Tempo de retorno à normalidade. perímetros dos braços direito e esquerdo. Aborda os seguintes itens: altura. Capacidade vital. ú t i l para t o d o exame biotipológico e orientação desportiva. pesos. Exame das funções afetivas. d. d. c. perímetro torácico. Cada um destes itens será explicado a seguir. Provas de trabalho: podem ser feitas as seguintes: uma corrida " i n s i t u " durante dois minutos. Compreende duas partes: a primeira. Pressão máxima. 1º— Exame antropométrico. b. Exame das funções sensório-motoras. No exame deitado: determinação dos pontos: manubrial. A segunda parte. Exames funcionais. faz-se um novo exame respiratório e cárdío-vascular. abdominal t o t a l . Exame psicométrico (segundo Pende). Eletrocardiografia. estuda pontos especiais relacionados com a especialização . Acuidade sensorial. a razão de dois saltos por segundo.

e. Compreende o peso corporal e a estatura e 41 medidas assim distribuídas: cabeça: seis pescoço: três tórax: nove abdome: seis membro superior: nove membro inferior: oito Figuram aqui as dez medidas fundamentais e suas relações recíprocas. 1. Estudo das velocidades reacionais. f. Estabilidade (tiro) 3. Susceptibilidade às perturbações emocionais. 2ª parte: Determinações especiais relacionadas com especializações desportivas. Determinação do "perfil psicológico". polo. Para classificar os longilíneos. b. por provas de " t a p p i n g " pontaria. largo-longo abdominal inferior. segundo o sistema de Viola. 4. que são: 1. g. Integridade das funções vestibulares-autitivas (natação. ténis. Resistência à distração. largo-comprido cefálico. a classificação do biótipo morfológico se manifesta em graus centesimais. c.Investigação da regularização dos movimentos. Idem aos afetos. 2. largo-longo do pé. Expressa em medidas elementares. 6. e. Tenacidade. pingpong. Caráter. etc) 6. submersão) 5. largo-longo abdominal superior. a. . Poder de decisão rápida. largo-longo torácico. 7. tem sido criado os índices largo-longo. Exame das funções intelectuais. h. modificado. Provas de esforço. Visão estereoscópica (ténis) 4. 2. Em continuação. que se obtém com uma ficha de exame do t i p o adotado para a orientação profissional. Exame das funções afetivas. Idem à monotonia e ao sono. Apreciação de distâncias (jogos de lançamento. Suscetibilidade à dor (boxe) A ficha proposta por Pende tem os seguintes fundamentos e aplicação ao caso: 19 Avaliação morfológica do biótipo. e. estabilidade. Velocidade de reação (esgrima) 2. largo-longo da mão. honestidade. golf. 3. d. se registram os quocientes de crescimento do peso e do perímetro torácico e as relações: Estatura-peso e Estatura-perímetro torácico. Estudo de predomínio do direito ou esquerdo dos membros superiores e inferiores e dos olhos (preferência para fazer a mira). Em todos os casos se realiza: IP ) uma prova de atenção e 29) provas de nível intelectual. 3. sugestibilidade (aparelho de Binet). brevilíneos e normolíneos. 5. Estudo da capacidade de repetição de esforços iguais. largo-longo facial.

ataque-defesa.Os índices do desenvolvimento sexual se ajustam à diretivas de Pende e Gualco. Atitude introspectiva-extrospectivado espírito. Atitude e predisposição do sujeito a um trabalho especial. controle de certos movimentos. 2º — Avaliação funcional do biótipo. grau de memória e da capacidade de observação. Adaptação aos diversos trabalhos mentais. investigação de uma predominância neuro-vegetativa simpática ou para-simpática ou pneumogástrica.. Tempo de elaboração dos processos ideativos. que se encontram no prelo e que irá constituir importante referencial prático e simples na avaliação dos alunos em suas capacidades físicas. das modificações hemáticas da fadiga. aos de Gualco e Berreta. do abstrato e lógico e do sentido crítico. Estudam-se os instintos fundamentais: conservação. O apêndice etnológico permite resumir conclusões sobre o tipo de raça individual. Compreende o exame da capacidade muscular dos diversos segmentos corporais. 3º — Avaliação do caráter individual (face moral). a qualidade moral dominante e a tendência afetiva orientadora da conduta. os do desenvolvimento cardíaco. dinamometria dos principais territórios musculares complexos. define-se o tipo de caráter. Ainda no solo pátrio o laboratório de São Caetano tem procurado determinar testes para a realidade brasileira e que já constitui publicação disponível nas livrarias. a conduta de adaptação ao ambiente. Resistência ao trabalho intelectual. 4º — Avaliação do grau e forma da inteligência. Síntese do biótipo.. a vontade e o auto-controle. exame do aparelho do equilíbrio. insuficiente). os do hemolinfopoiético. no dinamismo e psiquismo individual. Registram-se os resultados do treinamento ginástico e desportivo e seus efeitos na morfologia. força. . gregário. diagnóstico do temperamento endócrino. reprodução.. exame de urina antes e depois de um exercício de controle. aos de Pende e Berreta. Desenvolvimento do pensamento fantástico-místico. Mesmo com os esforços que muitos grupos vem realizando na área de avaliação da criança há necessidade de pesquisas multidisciplinares que venham correlacionar os diferentes níveis de manifestação do comportamento humano. exame de urina antes e depois de um exercício conhecido. a emotividade global. os sentimentos egoístas e altruístas. exame da excitabilidade neuro-muscular e dos reflexos. Estas observações tratam de avaliar as seguintes qualidades: grau de inteligência global. . em jejum e depois em exercício de controle. Predominância do sentido analítico ou do sintético. Com este estudo. grau de atenção. resistência. medíocre. trabalhando com crianças do Sesi. estabelecem padrões de referência para determinadas provas de avaliação física como: velocidade. exame das diferentes sensibilidades. Influência da esfera emotiva sobre os pensamentos e destes sobre aquela. . etc . bom. metabolismo basal. Entre nós Negrão & Molinkiss. Utilidade do trabalho efetivo (excelente.

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