Presidente da República Federativa do Brasil João Figueiredo Ministro da Educação e Cultura Esther de Figueiredo Ferraz

AVALIAÇÃO BIOMÉTRICA EM EDUCAÇÃO FÍSICA

MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO E CULTURA SECRETARIA DE EDUCAÇÃO FlSICA E DESPORTOS

- SECRETARIO G E R A L DO MEC Sérgio Mário Pasqualí SECRETARIO DE EDUCAÇÃO FÍSICA E DESPORTOS Péricles Cavalcanti SUBSECRETARIO DE DESPORTOS (SUDES) Antonio Celestino Silveira Brocchi - .

AVALIAÇÃO BIOMETRICA EM EDUCAÇÃO FÍSICA ROMEU RODRIGUES DE SOUZA Professor Assistente Doutor Departamento de Anatomia Universidade de São Paulo JOSÉ ARI C. OLIVEIRA .

Este trabalho demonstra pois. Não obstante ser uma obra didática. antes de ser uma obra dedicada ao campo da Medicina. a preocupação de seus autores em atender a especialistas e estudiosos do assunto. HÉLIO JOSÉ MAFFIA Diretor da Escola Superior de Educação Física de Jundiaí Preparador físico do Esporte Clube Corinthians Paulista Ex-preparador físico do Paulista Futebol Clube de Jundiaí Ex-preparador físico do São Paulo Futebol Clube Ex-preparador físico da Sociedade Esportiva Palmeiras Ex-preparador físico do Guarani Futebol Clube Ex-preparador físico da Seleção Brasileira . através da mensuração.APRESENTAÇÃO AVALIAÇÃO BIOMÉTRJCA EM EDUCAÇÃO FÍSICA. PROF. é uma orientação didática na área da Educação Física. uma segura mostragem evolutiva do atleta nos sentidos qualitativo e quantitativo do treinamento. propiciando ao estudante a assimilação de maneira clara e objetiva. ela permite a treinadores e preparadores físicos.

CAPITULO I Generalidades sobre medição e avaliação em Educação Física CAPITULO II Agrupamento dos dados: Ficha Biométrica CAPITULO III Seleção das medidas. Técnica geral das medidas CAPITULO IV Análise e Interpretação dos dados: Noções de Estatísticas CAPITULO V Avaliação das dimensões e proporções externas do corpo e seus segmentos CAPITULO VI Avaliação do Estado Nutritivo: Medida da espessura de pregas cutâneas e peso CAPITULO VII Medida da capacidade vital e cardiocirculatória. Força muscular CAPITULO VIII Avaliação do crescimento CAPITULO IX Biotipologia: Aspectos gerais CAPlYULO X Teorias biótipológicas CAPITULO XI Biotipologia infantil 7 13 17 23 37 77 83 93 103 107 127 CAPÍTULO XII Diferenciação sexual CAPITULO XIII Importância da avaliação Biotipológica em Educação Física 133 141 .ÍNDICE Pág.

para depois aplicar-lhe um programa adequado à sua situação. saúde. A educação do físico subentende desenvolver no indivíduo aptidão física. Em outras palavras. da mente e educação social. desempenho eficiente em atividades motoras e um corpo esteticamente bem constituído. acompanhar o progresso de um trabalho. serão citadas apenas as seguintes: divisão em turmas homogéneas. Ao lado da aptidão física. e a aptidão social. . a Educação Física visa também desenvolver no jovem a capacidade para a recreação. A aplicação de tal programa exige conhecimento prévio das condições físicas. fisiológicas e psicológicas atuais da pessoa a quem ele é dirigido. O desenvolvimento da aptidão física vai possibilitar ao indivíduo exercer melhor suas tarefas diárias e sentir-se melhor ao final de cada dia.CAPITULO I GENERALIDADES SOBRE MEDIÇÃO E AVALIAÇÃO EM EDUCAÇÃO FÍSICA EDUCAÇÃO FÍSICA: OBJETIVOS A Educação Física. aplicar um trabalho de desenvolvimento. se ela puder fazer um programa específico de acordo com suas necessidades. elas podem ser utilizadas. determinar o estado de aptidão atual de um aluno. a seguir. De posse das informações obtidas. isto é. Entretanto. necessitamos medir antes. como ciência. a Educação Física só poderá atingir seus objetivos em relação a um indivíduo. se for uma criança. voltamos a analisar suas condições para podermos avaliar os resultados. estabilidade emocional. para que o programa a ser elaborado seja o mais efetivo possível ás necessidades individuais. Todas estas fases requerem medições. Em resumo. ou seja. participar com gosto de atividades recreativas. é preciso saber inicialmente em que situação se encontra nosso aluno. temos que medir continuamente os parâmetros que queremos desenvolver. o professor de Educação Física pode obter através de técnicas de avaliação e medição. especialmente. aquilo que pretendemos desenvolver para. NECESSIDADE DE SE MEDIR EM EDUCAÇÃO FÍSICA Entre outras razões que podem explicar a necessidade de medidas. a capacidade de dar-se bem com os outros. ou seja. por outro lado. Mais tarde. Este conhecimento. para sabermos se estamos conseguindo resultados satisfatórios. é educação global: educação do físico.

Entretanto.Agrupar homogeneamente facilita a quem ensina e a quem aprende. Gomes de Sá (1975) classifica esta definição de simplista e a critica por levar a interpretações ambíguas. com o fim de determinar as leis que os regem". nas páginas seguintes. visando sempre atingir nossos objetivos. CONCEITO DE BIOMETRIA Para se esclarecer o conceito de Biometria. os quais estão subentendidos na expressão "fenómenos biológicos" e que são os níveis em que será estudado o indivíduo. estabelecendo relações entre os dados assim obtidos. preferindo entender Biometria como "a ciência que procura traduzir numericamente os fenómenos biológicos. Esta é. que significam. O mesmo se pode dizer quando determinamos a frequência cardíaca ou a respiratória dos alunos em relação com a intensidade de um certo exercício. sem dúvida. bios e metria. na Inglaterra. As doses e intensidade do trabalho a ser realizado ficam mais objetivas e especificas. respectivamente. Biometria é uma palavra composta por dois radicais gregos. . é um problema muito complexo definir o que é a vida em todas as suas manifestações e a medida de todas elas não cabe nos limites de um curso. Pode-se dizer em um sentido geral que a Biometria é a ciência que estuda quantitativamente os fenómenos vitais. Temos assim um primeiro conceito de Biometria que é "a medida da vida". Objetivos deste compêndio A Biometria humana tem pois um campo muito amplo. amparado pela análise matemática e estatística". fisiológico e psicológico. A determinação das aptidões e qualidades de um aluno é muito importante para se conduzir um trabalho físico pois assim este poderá ser o mais adaptado possível às necessidades dos alunos. especialmente aquelas que apresentem alguma importância para a Educação Física. A Biometria começou em 1901. Hegg e Luongo (1971) definem Biometria como "o ramo da Biologia que estuda os caracteres mensuráveis dos seres vivos. serão abordados somente os aspectos relacionados a certo grupo de mensurações. A ciência que trata das medidas corporais é a Biometria. A avaliação do progresso permite ainda mudanças e adaptações no trabalho. nossa motivação aumenta. vida e medida. Assim. Entretanto. vamos iniciar estas considerações com a análise deste termo. quando medimos a altura de um grupo de alunos estamos fazendo Biometria. compreendendo de modo geral o estudo das mais variadas medidas relacionadas ao corpo humano. cujo conceito veremos a seguir. A medida do progresso obtido em um trabalho é fundamental visto que quando sabemos que estamos melhorando. uma definição mais coerente. porém falta especificar os três níveis morfológico.

Precisamos pois conhecer bem o indivíduo a quem dirigimos o trabalho físico. acertar a dose ideal. de um ou mais indivíduos quando submetidos a uma determinada dieta. tanto animais quanto vegetais. A determinação da frequência respiratória. Depois de um certo tempo. aspectos importantes como a altura. Claude Bernard afirmava mesmo que só pode haver ciência quando se pode medir os fenómenos. A Biometria Dinâmica estuda as relações entre vários aspectos biométricos e um trabalho físico em função do tempo. . IMPORTÂNCIA DA BIOMETRIA EM EDUCAÇÃO FÍSICA A ciência evolui quando os fenómenos estudados podem ser medidos. comparar. Em Educação Física. Neste conhecimento estão incluídos os aspectos mensuráveis do indivíduo. batimentos cardíacos só terão valor se puderem ser medidos. Outro exemplo seria a variação do peso. fisiológico e psicológico. é outro exemplo. Ao realizar um trabalho físico. construir tabelas. em um determinado instante. peso. poderemos verificar se o peso está diminuindo ou não com essa dieta. para que possamos analisar. A Biometria Estática estuda os aspectos mensuráveis do indivíduo em um determinado instante sem se preocupar se estes variam ou não no tempo. A medida da altura de um indivíduo em um dado momento representa um exemplo. Aqui está incluída a Biometria humana que estuda o Homem sob os pontos de vista: morfológico. permitindo assim. etc. A Biometria Especial estuda aspectos mensuráveis particulares do seres vivos. os exercícios aplicados só produzem efeitos benéficos quando bem dosados em qualidade e em quantidade. Os resultados vão mostrar se o exercício está sendo muito ou pouco intenso. Um exemplo típico é o estudo da variação da frequência cardíaca com doses de um determinado exercício.DIVISÕES DA BIOMETRIA A chave seguinte resume as divisões da Biometria: De acordo com os objetivos do trabalho biométrico De acordo com o modo de abordar os fenómenos em relação ao tempo e espaço A Biometria Geral estuda aspectos métricos ligados aos seres vivos em geral.

d. deficiências que geralmente se traduzem por cansaço ou fadiga. ao estudar os indivíduos seja do ponto de vista morfológico. Como se sabe. pode-se utilizar a medida de certos parâmetros como o pulso e a frequência respiratória por exemplo. OBJETIVOS DO TRABALHO BIOMÉTRICO EM EDUCAÇÃO FÍSICA Estes aspectos foram já esboçados em item anterior. ao aplicar um trabalho físico. podemos classificar os indivíduos em normais. Os normais obtém nessas provas resultados previsíveis. serão aqui estudados com mais pormenores. a homogeneização de grupos facilita a aplicação de um trabalho físico. detectar algumas assimetria de forma. São feitas várias medidas e exame médico no indivíduo. Os objetivos principais do trabalho biométrico em Educação Física são os seguintes: a. utiliza-se ainda o item inapto ou dispensado àqueles alunos que não são capazes de realizar nenhuma atividade física. os fenômenos biológicos caracterizam-se por sua grande variabilidade. Algumas assimetrias podem inclusive ser corrigidas através da aplicação correta de exercícios adequados. Determinar a condição física do indivíduo. selecionados e poupados. tem-se uma ideia do seu estado físico atual. no exame de seus alunos. Detectar assimetrias de forma. para acompanhar os progressos de um grupo submetido a um trabalho físico. mas devido a sua importância. Pode-se descobrir assim. fisiológico ou psicológico procura verificar a existência de semelhanças entre eles dando ideia dos fenômenos comuns a determinados grupos. Determinar o valor físico do indivíduo.Aqui estão dois exemplos da aplicação de conhecimentos biométricos em esporte: a. A formação de grupos com características semelhantes é importante pois. O professor de Educação Física poderá. pode-se dosar os exercícios físicos que serão aplicados. os selecionados. A Biometria. resultados melhores que os previsíveis e os poupados não atingem estes valores esperados. Detectar deficiências físicas. que exigem novos esforços. Através da aplicação de provas específicas. c. Estas deficiências serão então tratadas . b. o que é de grande importância pois assim ele poderá encaminhar o aluno para tratamento adequado. b. procuramos formar turmas homogéneas e para isso necessitamos classificar os indivíduos usando parâmetros como a altura e o peso. Através de exames periódicos do indivíduo pode-se detectar certa falta de adaptação do organismo frente a determinados exercícios. Deste modo. Com isto. No caso de escolares. como vimos.

com menor gasto de energia. resistência e força). têm maior resistência e força. como corridas de velocidade e saltos. para se realizar estudos biométricos. Assim. CIÊNCIAS AFINS À BIOMETRIA Algumas ciências estão muito relacionadas com a Biometria. ao contrário. Aqui veremos apenas alguns aspectos. nos longilíneos. Psicologia e Bioquímica. os indivíduos terão um melhor rendimento. São amplamente conhecidos os três tipos constitucionais da Escola Biotipoiógica Italiana (Viola e Pende): normolíneos. adaptando-os às necesidades de cada indivíduo ou grupo. . Particularmente importantes para a Biometria são a Matemática e a Estatísticas. Determinar o tipo constitucional (biótipo ou somatotipo). a variabilidade dos fenómenos biológicos torna os indivíduos diferentes uns dos outros. os brevilíneos devem ser orientados para esportes que requerem força e resistência. os longilíneos adaptam-se melhor com esportes que exigem velocidade e agilidade. tais como: arremesso do martelo e levantamento de peso. Nos normolíneos há equilíbrio destas quatro qualidades. devido a sua maior massa corporal. Bem orientados. Dosagem dos exercícios e avaliação dos resultados. Através de exames biométricos poderemos acompanhar a dosagem dos exercícios. Classificar um determinado indivíduo em um destes grupos é muito importante em Educação Física. Fisiologia. pois também são ramos da Biologia: Anatomia.convenientemente antes que produzam lesões mais graves e irreversíveis no organismo. devido ao maior desenvolvimento dos membros que apresentam estes indivíduos. Daí a necessidade de se utilizar ciências Matemáticas. brevilíneos e lingilíneos. Além disso. como a Estatística. Cada um destes tipos constitucionais possui em graus diferentes os elementos da sigla VARF (velocidade. Os primeiros tem maior desenvolvimento no sentido longitudinal enquanto os brevilíneos desenvolvem-se mais no sentido transversal. agilidade. Daí a importância do trabalho biométrico bem realizado f. predominam a velocidade e a agilidade. quando se pretende administrar exercícios ou orientar e selecionar para práticas desportivas. os brevilíneos. O conhecimento do tipo constitucional de um indivíduo permite orientálo para determinadas atividades físicas mais indicadas para aquele tipo de indivíduo. Este assunto será mais bem estudado posteriormente. Assim sendo. e. Os brevilíneos e os longilíneos são os tipos extremos e o normolíneo é o tipo médio. pode-se ter ideia do rendimento e dos resultados que se está obtendo com a aplicação daqueles determinados exercícios em função da finalidade que se tem em vista.

as medidas devem ser analisadas e interpretadas. conhecimentos básicos de Estatística que serão apresentados mais .Depois de coietadas. Isto requer adiante.

exame clínico geral e especial e exame biométrico. serão apresentados os seguintes: identificação. Deve ser orientado de acordo com a idade e modalidade desportiva do indivíduo. Entretanto. a. Aqui incluem-se também exames de laboratório e outros que se fizerem necessários. o peso e a altura. antecedentes. devem ser selecionadas algumas medidas convenientes ao trabalho que vamos realizar. digestivo e outros). Depois de escolhidas. Análise dos dados obtidos Através da análise dos dados da ficha biométrica. idade e outros dados pessoais. como já vimos. Geralmente são colhidos obrigatoriamente. fisiológico e psicológico. mas. d. poderemos tirar conclu- .CAPITULO II AGRUPAMENTO DOS DADOS: FICHA BIOMÉTRICA Como já sabemos. são várias as mensuraçôes possíveis no corpo humano. Itens fundamentais de uma ficha biométrica Entre os itens fundamentais de uma ficha biométrica. Exame clínico geral e especial: consiste no exame dos vários sistemas orgânicos (respiratório. Esta escolha depende então da finalidade que se tem na realização do trabalho físico. Identificação: aqui são colocados o nome. Antecedentes: refere-se aos antecedentes pessoais e familiares. CONCEITO DE FICHA BIOMÉTRICA A ficha biométrica é portanto um documento que contém informações morfológicas. e assim sendo temos que escolher certas medidas de acordo com os objetivos que temos em vista. Alguns denominam a ficha biométrica de médico-biométrica porque vários dados devem ser colhidos exclusivamente pelo médico. as medidas a serem colhidas enquadram-se nos três níveis: morfológico. Uma ficha biométrica poderia conter inúmeros dados. c. as medidas a serem obtidas são agrupadas em uma ficha denominada ficha biométrica que será preenchida quando da realização do exame do aluno. b. fisiológicas e psicológicas sobre um determinado indivíduo e que permite fazer um julgamento sobre suas condições de saúde e suas aptidões atuais. Exame biométrico: as medidas a serem tomadas vão depender da finalidade que se tem em vista.

o tipo morfológico. A antropometria é o estudo dos aspectos mensuráveis do homem. . A primeira estuda aspectos não mensuráveis do homem. como já sabemos. O estudo dos tipos raciais tem importância pois eles estão ligados aos tipos morfológicos ou somatotipos dos indivíduos. dos olhos e dos cabelos. Avaliar resultados . 0 indivíduo poupado. apresenta alguma deficiência que o limita para atividades desportivas. c. Detectar assimetrias de forma — Quando em presença de uma assimetria de forma o professor de Educação Física deverá orientar o aluno convenientemente.Aplicado um trabalho físico. em parte. poupado ou inapto.soes a respeito do aluno e que são os mesmos objetivos do trabalho biométrico: a. Selecionar para a competição — Através da análise dos dados constantes da ficha biométrica. de nenhuma forma.Através da análise e interpretação dos dados obtidos na ficha. e. de acordo com a finalidade que se tem em vista. é necessário verificar como o organismo está reagindo e que resultados estamos obtendo. Em alguns casos. Determinar o somatótipo — A determinação do somatótipo ou tipo constitucional vai permitir compreender e orientar melhor cada aluno. Dosar exercícios . e a raça determina. É preciso saber quais são estes dados para que possamos analisá-los. d. fisiológica e psicológica. como a cor da pele. são de ordem morfológica. destacam-se alguns relacionados ao conceito de raça. Dados do exame biométrico As medidas e dados constantes da ficha biométrica. apto. Os dados morfológicos constituem uma série de informações que pertencem em última análise a uma ciência mais ampla. f. podemos adequar os exercícios em duração e intensidade ás necessidades individuais. O indivíduo apto tem condições tais que pode praticar qualquer tipo de esporte. Determinar a condição física — Com base nos resultados do exame feito o indivíduo será considerado. Entre os aspectos não mensuráveis do indivíduo. a antropologia física. b. O inapto ou dispensado é o indivíduo que não pode exercer atividades físicas. pode ser prescrita a ginástica corretiva. Esta deficiência pode ser transitória ou permanente. podemos saber quais as possibilidades de cada aluno em diversos esportes com fins competitivos. Este é o estudo do desenvolvimento físico do homem e utiliza como métodos de estudo. aqui podemos relembrar o que já foi dito sobre este assunto: os aptos serão considerados normais ou selecionados segundo os resultados obtidos em provas específicas sejam os esperados ou superem estes resultados. a antroposposcopia e a antropometria.

classificandoa neste caso em branca. d) Forma dos cabelos — Quanto à forma os cabelos são classificados em lissótricos. Existe também uma escala cromática constituída por fios coloridos. louros e avermelhados. fazem parte de uma ciência mais ampla. Os dados de ordem psicológica constantes da ficha biométrica referem-se apenas a uma "impressão" a respeito do estado do indivíduo. amarela. As medidas morfológicas a serem colhidas serão grupadas sob o t í t u l o geral de medidas biométricas somáticas ou morfológicas. Pode-se também comparar com modelos de olhos de vidro. em qualquer caso.Através da observação podemos classificar os cabelos em castanhos. transmitidas hereditariamente e que se repetem no grupo de modo a imprimir-lhe um aspecto diferente de outros grupos. ulótricos são cabelos encarapinhados. Pode-se determinar também a cor da pele comparando-a com quadros representativos dos diversos matizes (escala cromática). São também englobados neste item as medições relativas ao crescimento. e mais especificamente ao funcionamento dos sistemas respiratório. a) Cor da pele — Pode ser determinada pela simples observação. b) Cor dos olhos — Pela simples observação. Uma série de aspectos externos e medidas caracterizam cada grupo racial. As medidas fisiológicas referem-se aos sistemas orgânicos em geral. preta. ulótricos e cimatótricos. podemos classificar a cor dos olhos em castanho. com cores diferentes.Assim. circulatório e muscular. podemos compreender raça como um grupo de indivíduos com características semelhantes. c) Cor dos cabelos . Lissótricos são cabelos lisos. examinar uma parte que habitualmente é coberta pela roupa. dos cabelos e a forma dos cabelos. parda e vermelha. o seu estudo tem importância pois os tipos morfológicos estâo relacionados com o desempenho atlético. pretos. pois medidas em Psicologia. Alguns destes aspectos são: a cor da pele. ao estado nutritivo e à maturação sexual. Os cimatótricos são os cabelos ondulados. Como a raça determina o t i p o morfológico. verde e azul. . a Psicometria. negra. cor dos olhos. Deve-se. próprios da raça negra.

de acordo com a finalidade a atingir. . elaborar um programa de trabalho de acordo com os resultados e acompanhar a evolução do trabalho. Medidas biométricas somáticas São medidas que permitem avaliar as dimensões e proporções externas do corpo. Pode-se ainda complementar as medidas através dos denominados índices. Estas medidas caracterizam-se por serem de fácil execução e por não necessitarem a participação ativa do examinando. e c. medidas que visam avaliar as proporções do corpo. de acordo com o tipo de avaliação que se quer fazer: a) medidas que permitem avaliar as dimensões e proporções externas do corpo e seus segmentos (medidas biométricas somáticas).CAPITULO III SELEÇÃO DAS MEDIDAS. Serão abordados aqui apenas as principais medidas e índices. medidas que permitem avaliar o estado de nutrição. As medidas biométricas podem ser classificadas em dois grandes grupos. que. Vamos estudar pois quais são as medidas que podem ser obtidas. TÉCNICA GERAL DAS MEDIDAS A escolha das medidas a serem utilizadas depende dos objetivos que se tem em vista. b) medidas que visam avaliar o estado funcional de alguns sistemas orgânicos (medidas biométricas funcionais). podem ser resumidos nos seguintes: determinar a situação física atual. Olivier (1960) considerou 34 medidas e 40 índices. CLASSIFICAÇÃO DAS MEDIDAS BIOMÉTRICAS Várias medidas podem ser obtidas durante o trabalho biométrico. em: a. b. como vimos. detectar deficiências. medidas destinadas a apreciar o estado de maturação sexual. As medidas biométricas somáticas podem ser subdivididas. índices são relações numéricas centesimais entre as medidas. de acordo com a finalidade a atingir.

bi-umeral. envergadura. Resumo das medidas biométricas mais importantes em Educação Física. São: altura. Medidas biométricas funcionais Estas medidas são as que permitem avaliar funções orgânicas específicas. Altura Altura tronco-cefálica Medidas que visam Medidas biométricas somáticas Medidas que permitem avaliar o estado de nutrição Medidas destinadas a apreciar a maturação sexual avaliar as proporções do corpo Envergadura Comprimento dos membros Comprimento do tronco Perímetro cefálico Peso Espessura da dobra cutânea Perímetro torácico Perímetros dos membros Diâmetro do tórax Diâmetro bi-acromial Diâmetro bi-crista ilíaca Diâmetro bi-umeral Diâmetro bi-tocantérico Desenvolvimento dos genitais Medidas biométricas funcionais Capacidade vital Capacidade cárdio-circulatória Força muscular . como a força muscular e a capacidade cardio-circulatória. altura tronco-cefálica. As medidas funcionais exigem instrumentos especiais e são de mais d i f í c i l execução. Medidas destinadas a apreciar a maturação sexual São: diâmetros bi-acromial. comprimento do tronco e perímetro cefálico. perímetro torácico. espessura da dobra cutânea. Medidas que permitem avaliar o estado de nutrição: São as seguintes: peso. bi-crista ilíaca e bi-troncantérico e o grau de desenvolvimento dos genitais. comprimento dos membros.Medidas que visam avaliar as dimensões e proporções externas do corpo e seus segmentos. perímetro dos membros e diâmetro do tórax.

Principais instrumentos de medida usados na obtenção das medidas biométricas somáticas Os principais instrumentos utilizados na realização destas mensurações são os seguintes: antropômetro de Rudolf M a r t i n . de mesmo sexo e idade. deve-se atender a uma série de requisitos dentre os quais destacam-se os seguintes: a.TÉCNICA GERAL DAS M E D I D A S BIOMÉTRICAS Cuidados que se deve tomar ao colher as medidas biométricas Para se evitar ao máximo a influência dos fatores de erro ao se obter as medidas biométricas. Instrumentos aferidos e calibrados. Antropômetro de Rudolf Martin É utilizado para tomar medidas no sentido vertical (Fig. e. . d. Antes de iniciar as medidas. b. 0 indivíduo deve estar o mais despido possível durante a realização das medidas. reunir os indivíduos em grupos homogéneos. compasso de toque ou de pontas rombas e a fita métrica. Consta de uma haste de metal graduada de zero a 2000 milímetros. onde se coloca uma régua terminada em ponta e disposta perpendicularmente à haste graduada. c. compasso de barras. 3.1). Os instrumentos não devem pressionar a pele mas apenas tocá-la. compasso de corrediça. As medidas devem ser tomadas em locais bem iluminados. sobre a qual desliza um cursor.

com uma haste fixa na extremidade zero da escala e um cursor que pode deslizar ao longo da régua (Fig. apresenta ainda uma outra régua. Compasso de corrediça É utilizado para tomar medidas pequenas como as da face.2). na extremidade da haste graduada (Fig. 3. de zero a 950 milímetros e um cursor com uma régua que pode se deslocar. . 3. Consta também de uma haste metálica graduada. fixa. do tronco e comprimentos dos membros.3).Compasso de barras Destina-se á tomada de medidas tais como: diâmetros transversos. Consta de uma régua de 25 centímetros.

que terminam em pontas rombas.3 — Compasso de Corrediça Compasso de toque ou de pontas rombas Este compasso é utilizado para tomar diâmetros do tronco e medidas da cabeça. Fita métrica Destina-se à medida dos perímetros. As hastes são retas nas metades próximas ao ponto onde se articulam e curvas nas metades restantes. 3. Uma das hastes tem uma régua graduada a ela fixada e que permite fazer a leitura da medida encontrada. além de instrumentos adequados Além de instrumentos adequados é necessário ainda conhecer certos pontos de reparo existentes no corpo e que servem como pontos de referência para se obter as medidas.4). de cada uma das medidas biométricas. Consta de duas hastes metálicas que se articularm em uma das extremidades. A maior distância que se pode medir é de 30 cm (Fig. É representada por uma fita de metal ou linho. graduada. . Estes pontos são denominados pontos antropométricos e serão também descritos juntamente com cada uma das medidas biométricas. Outros elementos necessários para se colher as medidas biométricas. Outros instrumentos serão descritos nos itens correpondentes ao estudo que será feito mais adiante.Figura 3.

altura tronco-cefálica) tronco e comprimento dos membros das da cabeça .4 .Compasso de Pontas Rombas Os principais instrumentos utilizados no trabalho biométrico e algumas medidas que podem ser obtidas com estes instrumentos estão resumidos na tabela seguinte: Instrumento Medidas (altura.Figura 3.

A média destes tempos é um parâmetro. Qual a situação de um determinado aluno. é necessário algum conhecimento desta ciência. é necessário que eles possam ser medidos. Como agrupar de maneira mais homogénea? Veremos que muitos tipos de medidas distribuem-se segundo uma curva denominada curva normal. Neste . através do desvio padrão. dentro do grupo? c. A própria repetição de experiências só é possível se for controlada através da medição dos dados. geralmente utilizamos um conjunto de elementos e não a população toda. Variáveis contínuas e discretas A medida da altura de um grupo de escolares é um t i p o de variável. como veremos. podem ser representativas do grupo. por outro lado. Todos os tempos podem ser substituídos por um único que é o tempo médio. Parâmetro — Universo — População — Amostra Parâmetro é um número que caracteriza um conjunto de medidas. Este conjunto é a amostra. que são subconjuntos. b. Ao realizar um trabalho estatístico. a variabilidade dos valores pode ser medida.CAPITULO IV ANÁLISE E INTERPRETAÇÃO DOS DADOS: NOÇÕES DE ESTATÍSTICA INTRODUÇÃO Para estabelecer relações e leis entre os fenómenos. A população é pois um grupo de alunos ou objetos que possuem características semelhantes dentro do mesmo universo. teremos as populações. podemos calcular o tempo médio do grupo que também é um parâmetro. tais como a média. A Estatística é a ciência que procura tirar conclusões a partir de observações de dados numéricos. Devido às suas relações com a Biometria. cada vez em um tempo diferente. a qual mostra as frequências com que aparecem os vários tipos. Trabalhando por exemplo com um grupo de alunos. veremos que certas medidas. Como se encontra este grupo em relação a uma determinada medida? Neste caso. As respostas a estas e outras questões semelhantes pertencem ao domínio de uma ciência denominada Estatística. Se um grupo de alunos faz um percurso. poderíamos perguntar: a. Ao conjunto de alunos chamamos universo e se dividirmos o universo (grupo todo) em subgrupos. Por exemplo: um atleta faz um percurso várias vezes.

idade. A variável é discreta quando os valores se comportam de modo que se sucedem em saltos. Estes valores assim apresentados são difíceis de serem interpretados. as medidas podem ter qualquer valor e sempre pode haver uma medida que se interponha entre duas outras. Assim. Por exemplo. por exemplo. a divisão deve obedecer a um único critério. médios e grandes. APRESENTAÇÃO DOS DADOS Os dados obtidos em um experimento podem ser apenas enumerados sem preocupação de ordem. utilizando a Estatística. 28 e 30.Distribuição de frequência de 5 observações (escores).11m. Tabela 4. Escores Frequência 28 29 30 31 32 33 34 35 1 0 2 0 1 0 0 1 Observando a tabela 4. precisamos frequentemente separar os indivíduos segundo certas características. etc. Construímos assim. 35. a distribuição de frequências dos dados. Trata-se de uma variável contínua. o número de alunos por grupo ná"o pode ter valores parciais: 2. os grupos são separados de acordo com uma certa ordem. t i p o constitucional. 32. que consiste em colocá-los em uma coluna ordenada e com as frequências com que cada valor ocorre. Suponhamos que determinamos o peso de 5 alunos e que os resultados tenham sido os seguintes: 30.3 por grupo. Grupamento de dados Ao realizar um trabalho biométrico.1 . por exemplo.10m e 1.5 por grupo ou 1. Uma melhor maneira é ordená-los em sequência ascendente ou descendente e verificar se há valores que se repetem e quantas vezes se repetem. Neste caso. Por exemplo: em pequenos.1 conclui-se imediatamente que os pesos máximo e .caso. entre 1. Neste caso. divisão segundo o sexo. Os alunos podem também ser divididos segundo uma classificação hierárquica.12m podemos ter um valor de 1. Podemos por exemplo separar os alunos por categorias.

por exemplo. o intervalo passa a ser o número inteiro mais próximo (no caso =2). O ponto onde ocorre a intersecção dos dois eixos é o ponto zero. A diferença entre os valores máximo e mínimo nos dá a amplitude de distribuição (A): A = 35 . representando geralmente pela letra X). os valores aumentam à medida que dele se afastam.28 = 7 Como se decidiu por três classes. As classes são colocadas ao longo da abcissa e na ordenada situam-se as frequências com que aparecem os valores. No eixo das abcissas coloca-se os valores da variável independente. representa a variável dependente. sendo sua frequência zero.33 Como o número obtido é fracionário. No caso de peso. a partir das abcissas. por meio de um gráfico. um vertical (eixo das ordenadas. o peso mais frequente foi 30 (2 vezes) e que houve valores de peso que não aparecerem. . seja ao longo da ordenada. O gráfico é construído utilizando-se dois eixos perpendiculares entre si. Tabela 4. com linhas laterais levantadas a partir dos limites de cada classe. o professor podem querer agrupar os 5 alunos em 3 classes: peso alto. Os dados obtidos podem ainda ser agrupados em classes. representado geralmente pela letra Y) e um horizontal (eixo das abcissas. médio e baixo.2). As frequências de cada classe serão representadas por uma barra. Então os valores serão agrupados em intervalos de amplitude igual a 2 (tabela 4. A partir deste.2 — Distribuição de frequências de dados agrupados Classes 28 a 30 31 a 33 34 a 36 Frequência 3 1 1 REPRESENTAÇÃO GRÁFICA DOS RESULTADOS Às vezes é mais interessante apresentar os resultados obtidos. o intervalo de classe (I) será: I (intervalo) = 7/3 = 2. Um dos tipos mais comuns de gráficos é o histograma.mínimo obtidos são respectivamente 35 e 28. o eixo das ordenadas. ou seja a variável dividida em classes de invidivíduos ou objetos. com as frequências com que cada medida aparece. seja ao longo da abcissa.

2 .2.Gráfico de duas distribuições de frequências . DISTRIBUIÇÃO DE FREQUÊNCIAS A figura 4.Um histograma construído a partir da tabela 4. ao passo que em I. Figura 4. eles estão concentrados em torno de 5. os valores concentram-se em torno de 11. em II. Examinando os gráficos. Figura 4.1 — Histograma da distribuição de frequência do peso de 5 alunos. vê-se logo que as duas distribuições diferem quanto â posição (tendência central) mas são semelhantes na forma (variabilidade).2 é o gráfico representativo de duas distribuições de frequências.1. Diferem quanto à posição. seria a figura 4. pois a méida dos valores da distribuição II é maior que a média da distribuição I ou seja.

Podemos ter o caso inverso ou seja, distribuições de frequências com a mesma tendência central, mas diferentes na forma (na variabilidade). A figura 4.3 é o gráfico destas distribuições.

Figura 4.3 - Distribuição de frequências com mesma tendência central

Quando a distribuição de frequência tem um ponto de frequência mais elevada, é denominada de unimodal. Se houver dois destes pontos, ela será bimodal. A figura 4.4 é um gráfico representativo deste tipo de distribuição.

Figura 4.5 - Distribuição bimodal

Curva normal As curvas das distribuições de frequências podem ter as mais variadas formas. Existe entretanto um t i p o de curva que por sua importância deve ser estudada com maior destaque: ela tem a forma de um sino, é simétrica e contínua (figura 4.5). É a chamada curva normal ou curva de Gauss que representa a distribuição normal. Em Biologia, muitas variáveis contínuas apresentam esse t i p o de distribuição. A altura é um tipo de variável com distribuição normal. No eixo das abcissas (X) a variável pode ir de menos infinito a mais infinit o : a curva nunca chega a tocar na base. Importância da curva normal em Biometria Em Biometria, a importância da curva normal é grande pois todas as vezes que se fala em classificar alguma coisa, uma das primeiras preocupações é se localizar o " n o r m a l " , para depois posicionar aquilo que dele se distancia. Normal foi colocado entre aspas por ter um sentido preciso em Biometria, que é o relacionado com o mais comum enquanto as formas que dele se distanciam são expressões menos comuns, ou melhor que mantém relações, em suas medidas, com diferenças mais acentuadas. Trabalhando com as diferenças individuais observamos que estas obedecem ao tipo de distribuição em que a maior parte dos indivíduos mantém as medidas próximas de uma média e que a partir deste ponto há uma distribuição decrescente para ambos os lados, que graficamente, obedece à distribuição semelhante á de Gauss (curva normal).

Figura 4.5 - Curva normal

MEDIDAS DE TENDÊNCIA CENTRAL
As medidas de tendência central mais utilizadas em Estatística são a moda, a mediana e a média aritmética. Moda (M) É o valor que aparece com maior frequência, em uma série de medidas. Exemplo: na série seguinte de valores, a moda é o valor 8 pois é o que mais vezes aparece. 6 - 8 - 8 - 1 6 - 8 - 1 0 - 8 - 6 - 1 0 - 8 - 1 8 - 8 - 6 - 1 2 Neste caso, a série é unimodal porque tem uma única moda. Mas ela pode ser bimodal, multimodal ou ainda amodal, quando não possui moda. Exemplos: Série bimodal (possui 2 modas):

6-10-10-10-10-18-20-20-20-20-15
As modas são: 10 e 20. Série multimodal (possui várias modas): 4 - 6 - 5 - 8 - 6 - 5 - 8 - 5 - 6 - 8 - 3 - 9 As modas são: 5, 6 e 8. Série amodal (não há moda, pois todos os valores aparecem com igual frequência): 6-10- 16-8-4-2ou: 4_4_5_5_2_2_7_7_3_3. As curvas representativas das distribuições de frequências das séries estão na figura 4.6. Mediana (Me) Em uma série de rnedidas, colocadas em ordem crescentes a mediana é o valor precedido e seguido pelo mesmo número de valores. Exemplos: Séries a-2-3-5-7-18 b-1-5-8-15-21 c-1 - 3 - 5 - 5 - 2 0 - 2 4 Mediana 5 6,5 5

Quando o número de valores é impar, o cálculo da mediana pode ser feito usando a fórmula: N + 1 (N =número de valores). 2

Figura 4. na série a: A mediana é o 39 valor (5). sendo P1. (N =número Quando o número de valores é par usa-se a fórmula o número que ocupa a posição obtida por: .6 — Vários tipos de distribuição de frequências Assim.

A muda nos informa qual é a altura mais frequente no grupo. ou seja entre os 50% mais altos ou entre os 50% mais baixos. A média " e q u i l i b r a " uma série de medidas. Portanto. as três medidas que estudamos (moda. Por exemplo. passamos a considerar cada aluno como se tivesse aquela medida (média).5) é um número que não consta dos valores obtidos na série. no conjunto de medidas: Na realidade. a mediana e a moda forem muito diferentes entre si. observa-se que a mediana (6. é que houve menor variação. Em uma série de medidas da altura dos alunos. (Mediana =6. Quando as três medidas forem próximas ou semelhantes. significa que houve muitas alturas diferentes na série. É um valor que existe realmente na série e por sinal é o que mais aparece.40 m significa que existe metade das crianças com altura acima e metade com altura abaixo deste valor. Assim. por sua vez. (3ª posição). se a mediana for. fazendo uma série de medidas da altura em grupo de crianças. simplesmente. O significado da mediana é que ela é um valor que divide o conjunto em dois grupos: um acima e outro abaixo daquele valor.de casos). Se. ou seja. mediana e média) não são exclusivas mas se complementam. . Mas por convenção. facilita localizar um determinado aluno no grupo: sua altura estará acima ou abaixo daquele valor e portanto ele estará em um ou outro grupo. Média aritmética ( X ) É também chamada de média. No caso da série b.5) Na série a„ temos o mesmo número de casos. é também um valor que nem sempre consta da série de medidas. tal como a mediana. por exemplo 1. esta é a mediana. Portanto: (Mediana = 5). Assim na série b: 3 + 1 =4 (4ª posição). a média. A medida. os valores estão "esparramados". A mediana. Consiste na soma dos valores dividido pelo número de valores. por exemplo. em uma série de medidas da altura.

onde se indicam as posições das três medidas que estudamos (média. esta medida nada informa quanto à homogeneidade dos dois grupos: um pode ter indivíduos todos mais ou menos da mesma altura.Distribuições de frequências: simétrica e duas assimétricas M E D I D A S DE DISPERSÃO Geralmente os conjuntos de medidas apresentam certa dispersão ou variabilidade. uma simétrica e duas assimétricas. mediana). É necessário pois introduzir medidas de dispersão que informem o grau de variabilidade dos valores em cada grupo. ao passo que o outro grupo pode ter alguns indivíduos muito baixos e a maioria. mais altos. mas os valores individuais em cada grupo podem ser muito diferentes. . Figura 4. Uma das medidas de dispersão ou variabilidade mais utilizada na prática é o desvio padrão. Duas distribuições podem ter a mesma média. Já estudamos uma característica desses tipos de distribuição de frequência. média e mediana).7 . mediana ou a mesma moda mas as medidas dos valores variam de modo diferente.Na figura 4. Por exemplo. dois grupos de alunos podem ter a mesma média de altura. Embora tenham a mesma média. moda.7 temos as curvas representativas de três tipos de distribuição de frequências. que são as medidas de tendência central (moda.

podemos dizer que a estimativa do peso médio do grupo é 69. no caso) nos dá o desvio padrão (s).5 10. A fórmula para se calcular o desvio padrão é pois: . o número de observações (10. Assim: Portanto. em Kg. são os seguintes: 70 80 60 50 70 60 65 80 75 85 A média aritmética desses 10 dados é 69. a uma determinada comunidade. O desvio padrão indica pois o grau de variação dos valores da amostra. sendo N. Começamos. Suponhamos que queiramos determinar o peso médio dos indivíduos perten_ centes. A raiz quadrada da soma dos desvios ao quadrado.5 10. Os valores que se afastam desta média são chamados desvios.5 -4.5 kg e que o desvio padrão dos valores observados é 10. dividido por N — 1.5 15. Os desvios em relação a esta média são: 0.5 -9.5 - 9.5 5.5 0.5 19. cada valor observado. Os pesos.Desvio padrão O seguinte problema permitirá introduzir o conceito de desvio padrão. maior será a variabilidade dos valores. determinando o peso de.5 kg. 10 indivíduos tomados ao acaso. Quanto maior for o desvio padrão. por exemplo.5 Os desvios são calculados diminuindo-se da média.9 kg.

sendo X, cada valor observado; X, a média dos valores e N, o número de valores. Em Biotipologia, porém, o desvio padrão é calculado a partir da moda e não da média aritmética. Este assunto será abordado mais adiante. Aplicação da curva normal As medidas corporais utilizadas em Educação Física geralmente tem uma distribuição que segue a curva normal. Através de ca'lculos matemáticos pode-se obter as áreas que estão sob a curva quando ela é dividida em segmentos, através de linhas verticais (f ig. 4.8). A linha do meio representa a média. As outras três linhas de cada lado relacionam-se a unidades de desvio padrão. O lado direito a partir da média é positivo ou seja indica os escores mais altos da distribuição. 0 lado esquerdo é negativo: aqui estão os valores mais baixos da distribuição. A curva normal é dividida em seis desvios-padrão sendo três de cada lado da média. Assim, na curva normal, um desvio padrão acima da média contém cerca de 34,00 por cento dos escores; isto significa que a área situada entre um desvio padrão de cada lado, em torno da média, vale aproximadamente 68 por cento. A área compreendida entre 1 e 2 desvios-padrão vale aproximadamente 14 por cento. Estes conhecimentos são importantes para determinar, por exemplo, o número de alunos que obtiveram um determinado escore, em uma distribuição normal. Suponhamos que 200 alunos foram submetidos a um determinado tipo de exercício e tenham obtido escores com distribuição normal, sendo a média 100 e o desvio-padrão igual a 20.

Figura 4.8 - Área sob a curva normal

Como a média é 100, sabe-se que 100 alunos obtiveram 100 ou mais e 100 alunos obtiveram 100 ou menos. Quantos alunos tiveram um escore de 140? Sendo o desvio-padrâb igual a 20, o valor 140 encontra-se 2 desvios-padrão acima da média. A área compreendida entre 2 desvios padrão acima e abaixo da média corresponde a 95% e então sobram 5% dos casos, sendo 2,5% acima e 2,5% abaixo de dois desvios-padrão. Em outras palavras, apenas 2,5% dos alunos obtiveram escores superiores a 140 na prova realizada (fig. 4.9).

Figura 4.9 - Área sob a curva normal

CORRELAÇÃO
Às vezes em Educação Física é importante saber como varia uma determinada medida ou fenómeno em relação a outra, isto é, se existe ou não correlação entre essas duas variáveis, e se existe, saber se essa correlação é positiva ou negativa. Será positiva quando aumentando uma variável, a outra também aumenta, ou diminuindo uma, a outra também diminui. A correlação é negativa quando ao aumentar uma variável, a outra diminui ou vice-versa. Existe, por exemplo, correlação entre o Q.l. dos alunos e as notas obtidas, ou seja, quanto mais elevado o Q.l. mais altas são as notas obtidas pelos alunos. Mas não existe correlação, por exemplo, entre a altura e as notas obtidas nas provas. Através de fórmulas específicas, pode-se determinar a correlação entre duas variáveis, calculando o chamado coeficiente de correlação. Este assunto não será porém aqui abordado. Mais pormenores podem ser obtidos em tratados de Estatística.

TESTES DE S I G N I F I C Â N C I A Suponhamos uma situação em que submetemos dois grupos diferentes de alunos a um mesmo trabalho físico e gostaríamos de compará-los, para saber em qual grupo, o aproveitamento f o i melhor. Depois de obtidos os valores, as médias de cada grupo deveriam ser comparadas, uma com a outra. Se houvesse uma diferença entre estas medias, que medem o desempenho de cada grupo, esta diferença teria de ser testada para verificar se ela é verdadeira ou se houve qualquer tipo de interferência que determinou a diferença. Existem vários tipos de testes estatísticos que permitem determinar se essa diferença entre médias é real ou não. Um dos testes mais fáceis e mais utilizados na prática é o chamado teste " t " . Utilizando os valores das médias e desvios-padrão, calcula-se o valor de " t " , através de fórmulas próprias, o qual é depois comparado com valores constantes de tabelas e que nos dão o resultado ou seja, se as médias dos dois grupos diferem realmente ou não. Este assunto poderá ser melhor compreendido, consultando-se livros de Estatística.

apresenta um princípio de construção chamado antimeria: o corpo é constituído por duas metades. os antímeros direito e esquerdo. separados pelo plano sagital mediano (Fig. nem externamente.1). nem internamente. 5. . Exemplos destas assimetrias serão vistos em seguida.CAPITULO V AVALIAÇÃO DAS DIMENSÕES E PROPORÇÕES EXTERNAS DO CORPO E SEUS SEGMENTOS INTRODUÇÃO O corpo humano como dos vertebrados em geral. Figura 5. ou seja não existe uma simetria perfeita: os antímeros não são exatamente iguais.1 ~ Plano sagital mediano Os antímeros são simétricos apenas aparentemente. Existe pois externamente. uma simetria aparente mas uma assimetria real.

ocorrendo o inverso quando se o examina anteriormente. bem como a linha que une as comissuras dos lábios são oblíquas e não paralelas (Fig. o membro superior direito é mais desenvolvido que o esquerdo: o comprimento. O antímero direito do tronco é mais desenvolvido que o esquerdo.2). volume e força dos músculos são maiores do lado direito. Quando o membro superior de um lado é mais desenvolvido. na maior parte dos indivíduos são assimétricos. Nos indivíduos dextros. quando examinado por trás. o inferior mais desenvolvido será o do lado oposto. Os membros superiores. perímetro. 5. O pavilhão da orelha é maior e está em nível mais alto do lado esquerdo. Cerca de um terço dos indivíduos apresentam assimetrias nos membros inferiores. .Assimetrias externas Os dois lados da face não são simétricos: a linha que une as fendas palpebrais.

A coluna vertebral quando examinada de frente mostra curvaturas normais.5. a região torácica da coluna apresenta uma curvatura de convexidade também para a direita.3 — Escolioses da coluna vertebral. Além destas assimetrias morfológicas observam-se também assimetrias funcionais: a maioria dos indivíduos usa com maior habilidade o membro superior direito em trabalhos com as mãos. As curvaturas estão exageradas propositalmente. para compensar (Fig. Geralmente. Existe também maior acuidade no uso da visão e audição de um lado que do outro. Esquema da coluna em vista posterior. enquanto que a coluna lombar exibe uma curvatura de convexidade para a esquerda.3). . Estas curvaturas são conhecidas como escolioses. quando o membro superior direito é mais desenvolvido que o esquerdo. Figura 5.

5.Há casos em que a musculatura de uma parte do corpo apresenta hipotonia ou hipertrofia. medidas da cabeça. altura tronco-cefálica. na "posição fundamental" (Fig. M E D I D A S QUE P E R M I T E M A V A L I A R AS DIMENSÕES E PROPORÇÕES E X T E R N A S DO CORPO H U M A N O Como já vimos.4 . estudaremos algumas das principais medidas que avaliam as proporções do corpo. estas medidas são denominadas medidas biométricas somáticas.4). Fig. envergadura. um tangente à planta dos pés e outro tangente ao ponto mais alto da cabeça. estando o indivíduo em pé. ALTURA Conceito de altura Altura ou estatura é a distância em linha reta entre dois planos. do tronco e dos membros. 5. Nestes casos. Após esta breve introdução.A l t u r a . são indicados exercícios especiais para sua correçáb. Serão apresentadas na seguinte ordem: altura. conferindo aspecto anti-estético ao seu portador.

5).Fatores de variação da altura A altura varia fisiologicamente de acordo com os seguintes fatores: posição do corpo e hora do dia. Em consequência. deve-se usar o termo altura para definir a medida longitudinal. Figura 5. No decorrer das 24 horas do dia. fala-se em distância ou comprimento. Quando se mede o indivíduo na posição deitada. o peso do corpo e o achatamento dos discos intervertebrais são os responsáveis por este fenómeno.5 — Variações da altura durante 24 horas (segundo Backman) .5 cm em média (Fig. e com o passar dos séculos. A ação da gravidade. Cada um destes aspectos será analisado a seguir. Esta posição é utilizada para medir crianças até 3 anos. a altura varia em 2. obtida na posição em pé. fase da vida. 5. a) Posição do corpo e hora do dia — A medida da altura na posição em pé pode deferir em até 3 cm da medida na posição deitada.

clima. os fatores externos mais importantes são: nutrição. a média de altura é de 130 a 199 cm.Durante a vida. Classificação dos indivíduos segundo a altura Existem várias classificações. Outros porém. na mesma raça. os valores se mantém até os 50 anos. . em média. Na idade adulta. a altura passa por uma fase em que há uma elevação dos valores e que vai do nascimento até os 25 anos aproximadamente. o neuro-endócrino e as doenças. de mesma idade. A seguir.b) Variação da altura com a fase do crescimento. Fase Recém-nascido 12 meses 24 meses 36 meses Masculino 50 cm 75 cm 85 cm 95 cm Feminino 49 cm 74 cm 84 cm 84 cm Após os três anos. segundo o sexo e a idade O quadro seguinte mostra a variação da altura nos primeiros anos de vida. Observa-se que os meninos crescem sempre mais que as meninas. a criança cresce em média 6 cm por ano. a altura média do ser humano tem aumentado ao longo dos séculos. as meninas crescem mais que os meninos e na idade adulta estes recuperam e ultrapassam aquelas. em altura. afirmam que não tem havido aumento da altura. condições sócio-econômicas e temperatura. quando começam a diminuir devido a procesos que afetam os discos intervertebrais. c) Variação da altura com a fase da vida . Na puberdade porém. mas uma das mais conhecidas é a que considera os indivíduos como pertencentes a um dos três grupos: Masculino 130-160 cm 161-169 cm 170-199 cm Feminino 121-149 cm 150-158 cm 159-187 cm Pequena altura Média altura Grande altura Fatores que determinam a altura Entre os fatores internos. d) Variação da altura com a passar dos séculos — Segundo alguns autores. menos que o homem. destacam-se o genético. A mulher tem geralmente 10 cm. também baseados em dados experimentais.

A altura tronco-cefálica é maior no sexo feminino que no masculino. Atletas de grande altura são mais indicados para esportes como corrida de meio fundo. Segundo Godin. .Importância da medida da altura O estudo da altura é muito importante porque esta medida se relaciona com quase todas as medidas somáticas. devido ao crescimento maior da altura tronco-cefálica. Instrumento utilizado para medir a altura O instrumento que se utiliza para medir a altura é o antropômetro. enquanto corridas de fundo. Os calcanhares devem estar unidos. Entretanto. A cabeça fica em posição tal que o aluno olha para frente (Fig. A técnica de medida da altura é simples: a haste vertical do instrumento é colocada junto ao dorso do aluno enquanto a haste horizontal toca a cabeça. por exemplo. (1970) estudaram a evolução da altura tronco-cefálica em relação à altura. estas diferenças são pequenas. em crianças brasileiras de 0 a 12 anos (Tabela 1). são indicados para indivíduos de pequena altura. Marcondes e cols. luta livre e arremesso de peso. tal como a altura e devido aos mesmos motivos. Fatores de variação da altura tronco-cefálica Esta medida varia com a posição do corpo e hora do dia. estando o indivíduo sentado. natação. a altura aumenta antes da puberdade. além de ser importante para estudos biotipológicose raciais. maior nos amarelos que nos brancos e maior nestes que nos pretos. ALTURA TRONCO-CEFÁLICA Conceito É a distância entre um plano tangente ao ponto mais alto da cabeça e um plano que passa pelos ísquios. 5. esportes como corrida de velocidade e boxe são apropriados para indivíduos de altura média. salto em altura e á distância e ciclismo. devido principalmente ao crescimento dos membros inferiores e durante e depois dessa fase.4).

Meninos Idade Altura Altura troncocefálica 34.13 Porcentagem da altura 68.26 56.26 49.74 53.45 70.61 38.04 54.87 65.35 64.45 80. em relação à altura (Marcondes e cols.96 73.94 74.33 60. o desenvolvimento dos membros inferiores.91 63.06 57.59 138.88 44.17 122.91 52.93 59.33 53.77 118.92 60..15 71.24 67.55 127.27 63.57 62.56 54.94 99.22 117.54 53.15 59.98 64. o primeiro é dado pela relação centesimal entre o comprimento dos membros inferiores e a altura tronco-cefálica: Indice esquélico de Monouvrier Este índice permite apreciar.50 68.33 63.15 51.81 49.08 43.19 139.16 62.06 64.22 61.80 54.01 57.38 64.66 85.47 52. 1970) Utilidade da medida da altura tronco-cefálica Esta medida permite calcular os denominados indice esquélico de Monouvrier e indice córmico.14 61.22 65.60 47.86 53.10 60.10 69.86 128.82 137.68 59.11 91.01 69.81 51.43 70.52 122.07 49.23 66.77 64.06 66.75 55.37 84.62 Meninas Altura Altura troncocefálica 33.06 Tabela 1 — Evolução da altura tronco-cefálica.15 73.01 59.95 55.40 112.14 105.07 52.95 112.75 61.70 135.14 93.13 106.26 79.22 55.42 56.20 46.26 53. indiretamente.04 54.60 Porcentagem da altura 68.59 73.37 132.58 100.03 65.02 72.25 56.36 41.35 131.24 71.18 39.54 55. O índice córmico (termo criado por Vallois) se o b t é m relacionando a altura tronco-cefálica e a altura (fórmula criada por Giuffrida-Ruggieri): .03 45.27 57.96 O anos 3 meses 6 meses 9 meses 12 meses 18 meses 2 anos 3 anos 4 anos 5 anos 6 anos 7 anos 8 anos 9 anos 10 anos 11 anos 12 anos 50.

pode-se classificar os indivíduos e m : Braquicórmicos Metriocórmicos Macrocórmicos menos que 51 (tronco pouco desenvolvido) 51 a 53 (tronco médio) mais que 53 (tronco muito desenvolvido) 0 índice córmico permite avaliar o desenvolvimento do tronco.7). estando o indivíduo sentado (Fig. os braquicórmicos são mais indicados para esportes de velocidade (corridas e saltos). Ele é um pouco mais elevado no sexo feminino que no masculino. Instrumento utilizado para se medir a altura tronco-cefálica Para se medir a altura tronco-cefálica. Em seleçãb desportiva.De acordo com este índice.Altura tronco-cefálica ENVERGADURA Conceito de envergadura É a distância em projeção entre as extremidades dos dedos médios. estando o indivíduo em pé. Figura 5. 5. ao passo que os macrocórmicos possuem mais resistência e mais força. utiliza-se o antropômetro. 5.6 . .6). ao lado do corpo (Fig. com os membros superiores estendidos horizontalmente.

A pessoa fica em pé. o sexo e a raça A altura é maior que a envergadura desde o nascimento até os 10 anos. do toráx. ou seja. no homem e 5 cm na mulher. pelve e dos membros. um quadro mural ou prancha. encostada na prancha e com os membros superiores estendidos horizontalmente. a envergadura ultrapassa a altura em 5 a 10 cm. a diferença vai diminuindo. ao lado do corpo. passaremos a seguir a analisar alguns pontos importantes sobre medidas dos segmentos corporais. Na raça negra a envergadura é maior que na amarela. Técnica de medida da envergadura Utilíza-se. os atletas que possuem grande envergadura têm melhor desempenho em esportes como:ténis.7 — Envergadura Variação da envergadura com a idade.Figura 5. Daí até a fase adulta. remo. . abdome. da cabeça. para medir a envergadura. graduada horizontalmente. altura-tronco-cefálica e envergadura. até que no adulto. Tendo estudado os principais aspectos sobre as medidas biométricas: altura. Importância da medida da envergadura Em seleçâb desportiva. arremesso e box.

temos que definir alguns pontos antropométricos da cabeça. como se segue: Principais medidas da cabeça índices da cabeça Entretanto. antes de iniciarmos o estudo destas medidas e índices.MEDIDAS DA CABEÇA principais medidas e índices da cabeça Podemos resumir as principais medidas e índices da cabeça. Figura 5. pontos que servem de reparo para se obter as medidas deste segmento.8 — Pontos cefalométricos . ou seja.

que já foram citadas. násio. — Situa-se na parte central da sutura entre os ossos frontal e nasais. opistocrânio. A cabeça é dividida em crânio e face. — É o ponto mais saliente na parte posterior da cabeça. Definição destes pontos cefalométricos Glabela — Násio Gnácio Êurio Zígio É o ponto situado entre as sobrancelhas.Figura 5. Opistocrânio A glabela.8 e 5.9). 5. podemos estudar algumas medidas da cabeça. que neste caso são denominados pontos cefalométricos. êurio e zígio (Figs. — É o ponto mais saliente do bordo inferior da mandíbula. Os principais são: glabela. Várias medidas podem ser feitas nestas duas partes.9 . . — É o ponto mais saliente na parte lateral da cabeça. — Corresponde ao ponto mais saliente do arco zigomático. gnácio. o gnácio e o opistocrânio são ímpares e o êurio e o zígio são pontos pares. estudaremos apenas as mais importantes. o násio. Entretanto. é necessário conhecer antes alguns pontos antropométricos desse segmento.Pontos cefalométricos Principais pontos antropométricos da cabeça Para estudar as medidas da cabeça. Tendo compreendido os principais pontos cefalométricos.

. 5. Largura da face Corresponde ao diâmetro bi-zigomático.Comprimento da cabeça É a distância entre a glabela e o opistocrânio. Corresponde ao diâmetro transverso da cabeça (Fig. à distância entre o zfgio de cada lado. Corresponde ao diâmetro ântero-posterior da cabeça (Fig. ou seja. Figura 5.11).10 — Comprimento da cabeça Largura da cabeça É a distância entre o êurio de um lado e o outro do lado oposto. 5. Altura da face É a distância que vai do násio ao gnácio.10).

Braquicéfalos (de cabeças arredondadas): índice maior que 81.Figura 5.11 — Largura da cabeça Principais índices da cabeça Os índices da cabeça são: o cefálico e o facial.0. Mesocéfalos (de cabeças intermediárias): índice de 76.0. .9.0 a 80. podemos classificar os indivíduos em: Dolicocéfalos (de cabeças estreitas ou longas): índice cefálico menor que 76. índice cefálico A relação entre os diâmetros da cabeça constitui o índice cefálico: Classificação dos indivíduos de acordo com o índice cefálico De acordo com este índice.

uma microcefalia. Perímetro cefálico É a medida da circunferência da cabeça utilizando o plano que passa pela glabela e pelo opistocrânio.0 45. mede 50 c m .84 Feminino 34. Em crianças brasileiras. aos 24 meses. quando tanto a maxila como a mandíbula se projetam para frente. o perímetro cefálico mede.índice facial A relação entre as medidas da face fornece o índice facial: Instrumento utilizado para se obter as medidas da cabeça até agora estudadas As medidas da cabeça até agora estudadas (comprimento e largura da cabeça e altura e largura da face) são obtidas utilizando os compassos de pontas rombas ou de corrediça. Ele pode ser t o t a l . Importância das medidas da cabeça Os diâmetros e índices da cabeça são mais usados em estudos de antropologia racial. foram obtidos os seguintes valores (cm) para o perímetro cefálico (Marcondes e cols.93 48. em média.): Masculino 35.87 2 anos 3 anos Instrumento utilizado para se medir os perímetros Os perímetros são medidos com a fita métrica. 49 cm e aos 36 meses. 35 c m . Em relação à face. pode haver o chamado prognatismo. 47 c m . . O perímetro cefálico é importante até os três anos de idade. Quando o valor do perímetro cefálico é muito elevado. estudos ligados ao desenvolvimento do homem desde seu aparecimento.9 46. aos 12 meses. há uma macrocefalia e se é muito baixo. pois permite avaliar o desenvolvimento do volume da cabeça e detectar possíveis anomalias. respectivamente. O prognatismo parcial superior e o inferior ocorrem quando somente a maxila ou somente a mandíbula.26 44. com relação aos grupos raciais.80 Idade Recém nascido 1 ano 47.98 47. Ao nascer. se projeta para frente. que é a projeção da face para frente. ou seja.

no exame do tronco observamos o seu desenvolvimento e suas simetrias. através do estudo de seus comprimentos. Além disso. abdome e pelve.: 5. Assim sendo.MEDIDAS DO TRONCO Introdução Neste estudo são consideradas as medidas do toráx. ílio-espinhal anterior e troncanterion (pares). o tronco é uma parte do corpo que nos permite acompanhar os progressos obtidos com um esquema de treinamento físico. xifoideano. utilizados para se obter as medidas. As doenças que afetam os segmentos do tronco podem se assentar em sua parede. .13 e 5. acromial. Principais medidas do tronco As principais medidas e índices do tronco estão resumidos na chave seguinte: Altura anterior do tronco Diâmetro bi-acromial Diâmetro transverso do tórax Diâmetro sagital do tórax índice torácico de Godin Diâmetro bi-crista ilíaca Diâmetro bi-trocantérico Perímetro torácico Coeficiente torácico Perímetro do abdome Altura do tórax Altura total do abdome Principais medidas e índices do tronco Antes de iniciarmos o estudo destas medidas. 5. ílio-cristal. pontos de reparo. ou seja. umbilical e pubiano (ímpares). diâmetros e perímetros. temos que conhecer os principais pontos antropométricos do tronco. O estudo do tronco é muito importante pois seu exame nos informa sobre vários aspectos em relação ao indivíduo. em órgãos contidos em suas cavidades ou na coluna vertebral. mamilar. Principais pontos antropométricos do tronco Os principais pontos antropométricos do tronco são (Figs. Quando há doenças em órgãos contidos no tórax ou abdome pode haver deformidades correspondentes. Um tronco bem desenvolvido já indica um bom desenvolvimento orgânico.14): jugular.12.

13 — Pontos antropométricos do tronco .Pontos antropométricos do tronco Figura 5.Figura 5.12 .

Altura anterior do tronco É a distância em projecão (em linha reta) entre o bordo superior do esterno (ponto jugular) e o bordo superior da sínfise púbica (ponto pubiano). — acromial: ponto mais saliente lateralmente. — ílio espinhal: no local onde a espinha ilíaca ântero-superior mais se projeta anteriormente. — xifoideano: no centro da base do processo xifóide do esterno. — trocanterion: lateralmente. do acrômio da escápula. — ílio-cristal: no local onde a crista ilíaca mais se projeta lateralmente.Pontos a n t r o p o m e t r i a » do tronco Localização dos pontos antropométricos do tronco Os pontos antropométricos do tronco estão situados: — jugular: no centro da incisura jugular do esterno. — mamilar: no centro do mamilo. Mede-se com o antropômetro estando o indivíduo em pé.Figura 5. — umbilical: no centro da cicatriz umbilical. no ponto onde o trocanter maior do fémur mais se afasta .14 . — pubiano: no centro da parte superior da sínfise púbica. Pode ser decomposta em altura anterior do tórax e altura total do abdome.

5. . Segundo os estudos de Viola.15 — Altura do tórax Altura total do abdome É a distância que vai do ponto xifoideano à sínfise púbica (ponto pubiano).Altura anterior do tórax e sua importância É a distância em linha reta entre a borda superior do esterno (ponto jugular) e a borda superior do apêndice xifóide (ponto xifoideano) (Fig. Figura 5. mede-se com o antropômetro ou compasso de barras e na posição ereta (Fig. 5.16). Tanto a altura do tórax como a do abdome.15). esta medida permite apreciar o desenvolvimento do tórax em relação ao abdome. Estas medidas quando realizadas na posição deitada sao chamadas comprimentos ou distâncias.

ou pontos acromiais (Figs.17).17 — Diâmetro bi-acromial . Figura 5.Figura 5.16 — Altura do abdome Diâmetro bi-acromial e seus valores médios É a distância entre os bordos laterais dos acrômios das escápulas.13 e 5. 5. Seus valores médios sâo: 37 a 44 cm no homem e 34 a 38 cm na mulher.

18 . que permite apreciar a forma do tórax: índice torácico de Godin Figura 5. índice torácico de Godin — A relação entre os diâmetros torácicos fornece o índice torácico de Godin.Diâmetros transverso e sagital do tórax e seus valores médios Para a maioria dos autores. na fase intermediária entre a inspiração e a expiração (Figs.19). estes diâmetros devem ser medidos entre dois pontos situados em um plano transversal ao eixo do tórax.Diâmetro transverso do tórax .18 e 5. passando pela base do apêndice xifóide. 5. O valor médio do diâmetro transverso no homem é 30 cm e do sagital é 20 cm. Na mulher. traduzem tórax cilíndrico ou deformado. eles valem cerca de 2 cm menos. Diferenças entre estes diâmetros menores que 5 cm ou maiores que 12 cm.

Relação entre os diâmetros bi-trocantérico e bi-crista ilíaca Os diâmetros bi-trocantérico e bi-crista ilíaca estão intimamente ligados. em linha reta. entre os pontos mais laterais dos trocanteres maiores dos fémures (trochanterion) (Fig.5 cm mais que o bi-crista ilíaca. em média. Vale. 5. Vale 32 cm. 5. 28 cm no homem e 27 cm na mulher.Diâmetro sagital do tórax Diâmetro bi-crista ilíaca e seus valores médios É a distância em linha reta entre os pontos mais laterais das cristas ilíacas (ponto ilío-cristal) (Fig. enquanto na mulher.20). o diâmetro bi-acromial e os da pelve (bi-crista ilíaca e bi-trocantérico) desenvolvem-se proporcionalmente.19 . em média. a partir da puberdade ocorre um aumento progressivamente maior dos diâmetros da pelve em relação ao bi-acromial. em média.21).Figura 5. Diâmetro bi-troncantérico e seu valor médio É a distância máxima. no homem. O bi-trocantérico vale. Os estudos de Vague (1953) mostram que. . 3.

.Figura 5. 93 ± 5 e 78 ± 5. para esse fim.22).21 — Diâmetro bi-trocantérico A relação entre estes diâmetros permitiria avaliar o grau de feminilidade e masculinidade do indivíduo. Este último geralmente é 3 cm menor que o mamilar (Fig. Valores acima ou abaixo destes indicariam maior ou menor virilidade ou feminilidade. Perímetro torácico É a medida da circunferência do tórax. 5. no homem) e o perímetro xifoideano (ao nível da articulação xifo-esternal). Tanner (1951) propõe. respectivamente. a seguinte fórmula: 3 x diâmetro bi-acromial — diâmetro bi-crista Os valores médios para os sexos masculinos e feminino são. Pode ser obtido em vários níveis do tórax. Importância dos diâmetros do tronco e instrumentos utilizados para medi-los Os diâmetros. de modo geral.20 — Diâmetro bi-crista Figura 5. são importantes para avaliar o desenvolvimento horizontal do corpo no sentido transversal ou ântero-posterior e sâo obtidos com os compassos de toque ou de pontas rombas. Os mais utilizados sâo o perímetro mamilar (ao nível dos mamilos.

Coeficiente torácico. Pode-se também determinar um valor médio realizando duas medidas: uma no fim da inspiração e outra no fim da expiração. Brugsh classifica o tórax em estreito.22 . relacionando o perímetro torácico com a altura. Elasticidade torácica A diferença entre as medidas dos perímetros torácicos depois de uma inspiração profunda e uma expiração forçada fornece a chamada elasticidade torácica.Figura 5. médio e largo.Perímetro torácico mamilar Técnica para medir os perímetros torácicos Os perímetros torácicos são obtidos ao fim de uma expiração normal. Classificação dos indivíduos de acordo com este parâmetro A medida do perímetro torácico indica o grau de desenvolvimento do tronco. através do coeficiente torácico: Tórax estreito Tórax médio Tórax largo Coeficiente torácico menor que 51 Coeficiente torácico entre 51 e 56 Coeficiente torácico maior que 56 .

A medida dos perímetros do tronco é feita com fita métrica. Perímetro do abdome. queremos verificar a presença ou ausência de simetria. Os perímetros abdominais indicam o grau de adiposidade que o indivíduo possui. quando traçada sobre um plano transversal a um segmento do corpo. Utilidade da medida dos perímetros do tronco O perímetro torácico informa sobre o desenvolvimento do tronco em largura e sobre o estado nutritivo do indivíduo. indica estado de magresa e se for menor que esse valor. Semiperímetro é a metade dessa linha.Alguns fatores que influenciam no valor do perímetro torácico 0 perímetro torácico é geralmente maior no sexo masculino e nos indivíduos que praticam esporte. interessa o estudo dos semiperímetros do tórax. pois no caso destes segmentos. onde são mais frequentes os problemas de simetria. Existe geralmente relação diretamente proporcional entre perímetro torácico e peso. Ao determinar os semiperímetros desses segmentos corporais. externamente. No adulto. 0 objetivo é comparar uma metade do corpo com a outra para deduzir informações sobre simetrias e assimetrias. Semi perímetros Como já vimos. a diferença entre os perímetros torácico e abdominal deve estar situada em torno de 14 cm. arremessadores de peso e halterofilistas. Em Educação Física. utilizamos a semiperimetria mais para o tronco e neste. Certas doenças diminuem o perímetro torácico enquanto outras como a asma e o enfisema o aumentam. . Assim. na cabeça e no tronco as metades direita e esquerda são tidas como simétricas. Não se aplica semiperimetria nos membros. Instrumento utilizado para se obtê-lo Perímetro do abdome é a medida da circunferência do abdome obtida em um ponto situado à meia distância entre o rebordo costal e a crista ilíaca. Se esta diferença for maior que 14 cm. o perímetro é a linha de contorno de uma figura. o importante é verificar a simetria entre um membro e outro e não no mesmo lado. especialmente nos fundistas. indica obesidade.

Figura 5. coloca-se o zero sobre os processos espinhosos da coluna e tracionamos as extremidades da fita até junto à linha média na face anterior do esterno. é só situar a segunda. Sua importância reside no fato de estar situado ao nível da união da segunda cartilagem costal com o esterno. Mede-se os semiperímetros de um lado e de outro do tórax e compara-se as medidas. nos dois sentidos das extremidades. onde fazemos as leituras.22-a — Centímetro simétrico de Rosenthal Ângulo de Louis ou ângulo do esterno É o ângulo entre o corpo e o manúbrio do esterno. 5. Para medir os semiperímetros utiliza-se o chamado centímetro simétrico de Rosenthal que nada mais é que uma fita métrica.22). A fita é graduada em milímetros a partir do zero. por meio do ângulo de Louis e a seguir percorrer as demais até atingir a que nos interessa. por exemplo. É bastante obtuso e seu vértice está voltado anteriormente (fig. por exemplo. caracterizada por ter o zero da escala no centro da fita e não em uma das extremidades (fig. No caso da medida dos semiperímetros do tórax. .A semiperimetria do tórax visa não só detectar assimetrias como também permite acompanhar a evolução de tratamento dessas mesmas assimetrias com o uso de ginástica corretiva. É facilmente palpado como uma saliência no osso esterno. Assim.23). quando queremos localizar e saber que costela estamos palpando. Se as medidas forem iguais dos dois lados. há simetria. 5.

23 . em vista lateral do osso esterno Angulo de Charpy ou ângulo subcostal É o ângulo formado pelas cartilagens da décima. Os membros superiores são também chamados torácicos e os inferiores. Os membros superiores na verdade servem não somente para a preensão e o tato mas também para manter o equilíbrio do corpo durante a locomoção. MEDIDAS DOS MEMBROS INTRODUÇÃO Os membros são apêndices destinados à locomoção e preensão.Figura 5. Este ângulo tem importância em Biotipologia para classificar os indivíduos em somatótipos.Ângulo de Louis. junto ao processo xifóide (fig. abdominais.13). nona. 5. . oitava e sétima costelas que se unem ao esterno.

tanto em posição estática.24 — Pontos antropométricos do membro superior . Neste caso.Os membros inferiores sustentam o peso do corpo.Situa-se no ápice do processo estilóidedo rádio Figura 5.24). quanto durante a locomoção. Antes porém temos que conhecer seus pontos antropométricos. Pontos antropométricos dos membros No membro superior. 5. Nos membros são estudados os comprimentos e os perímetros. — Radial — Situado na extremidade proximal do rádio — Stylion .É o ponto mais distai do dedo médio — Dobra do punho — Situado na parte central da prega que se forma quando o punho é flexionado. Daí serem mais desenvolvidos que os superiores. Às vezes o número de pregas que se formam é par. — Acromial — Já descrito no estudo do tronco — Dactilium . destacam-se os seguintes pontos antropométricos (fig. o ponto situa-se entre as duas pregas centrais.

5.25 — Pontos antropométricos do membro inferior Principais medidas e índices dos membros A chave seguinte resume as principais medidas e índices dos membros: Comprimento do membro superior índice do comprimento do membro superior Comprimento do braço índice do comprimento do braço Comprimento do antebraço índice do comprimento do antebraço Comprimento do membro inferior índice do comprimento do membro inferior Comprimento da coxa índice do comprimento da coxa Comprimento da perna índice do comprimento da perna Perímetros do braço.No membro inferior. antebraço e mão Perímetros da coxa. destacarn-se os seguintes pontos antropométricos (fig. Medidas e índices dos membros . — Mio-espinhal anterior.25). perna e pé índice ósseo.Já descrito no estudo do tronco — Pubiano — Já descrito no estudo do tronco — Tibial — Ponto mais medial da linha interarticular do joelho — Maleolar — Situa-se no maléolo medial Figura 5.

O membro superior direito é mais comprido que o esquerdo em mais ou menos 1cm. em linha reta.Cumprimento do membro superior índice do comprimento do membro superior Relacionando esta medida com a altura.26 . classificam-se os indivíduos em: Membro superior curto Membro superior médio Membro superior longo até 44. na posição fundamental (fig.26). obtém-se o índice do comprimento do membro superior que é dado pela fórmula: Classificação dos indivíduos através do índice do comprimento do membro superior Através deste índice.Comprimento do membro superior É a distância entre o ponto acromial e o dactilium. 5. Figura 5.9 de 45 a 46.9 maior que 47 . estando o indivíduo em pé.

em geral. o comprimento do membro superior é 1cm menor que no masculino.27) O índice do comprimento do braço é obtido.Comprimento do braço .27 . 5.9 maior que 19. Comprimento do braço O comprimento do braço ó a distância em projeção entre os pontos acromial e radial (fig.9 de 19 a 19. o membro superior curto.Na raça negra. enquanto nas raças branca e amarela. predomina o membro superior longo.9 Figura 5. classificam-se os indivíduos em: Braço curto Braço médio Braço longo até 18. No sexo feminino. utilizando a fórmula: De acordo com este índice.

de acordo com este índice.28) Figura 5.9 de 15.9 . em: Antebraço curto Antebraço médio Antebraço longo Comprimento da mão É a distância em linha reta. entre o stylion e o dactilium até 14.Comprimento do antebraço É a distância em linha reta entre os pontos radial e stylion (fig.0 a 15.9 maior que 15.28 — Comprimento do antebraço 0 índice do comprimento do antebraço obtém-se pela fórmula: índice do comprimento do antebraço Classif icam-se os indivíduos. 5.

3.5 cm abaixo daquela linha (fig.29 — Pontos de reparo para medir o comprimento do membro inferior Pode-se então obter o comprimento do membro inferior indiretamente. para isso. 5.29) Figura 5. enquanto que o bordo superior da sínfise púbica encontra-se. pode-se obter o índice do comprimento do membro inferior. 5. até um plano que passa pela planta do pé. O primeiro ponto está situado em média 4 cm acima da linha interarticular ílio-femoral no homem e 3. na mulher. que vai do bordo superior da cabeça do fémur. Estes pontos de reparo são: a espinha ilíaca ântero-superior e o bordo superior da sínfise púbica.Comprimento do membro inferior É a distância em linha reta. medindo a distância de um destes pontos ao plano do solo e fazendo-se os descontos necessários (fig. utilizam-se pontos de reparo que fornecem a medida aproximada do comprimento do membro inferior.30) Do mesmo modo que para o membro superior. utiliza-se a fórmula: índice do comprimento do membro inferior . Esta medida nâb pode ser obtida diretamente pois o bordo superior da cabeça do fémur não é acessível.5 cm. em média. Por esse motivo.

9 de 55.Comprimento do membro inferior Figura 5.9 Figura 5.Através deste índice. classificamos os indivíduos em: Membro inferior curto Membro inferior médio Membro inferior longo Comprimento da coxa É a distância em projecão entre os pontos ílio-espinhal anterior e o tibial (fig.9 de 29. 5.9 acima de 57 De acordo com este índice.9 acima de 29. classificam-se os indivíduos em: Coxa curta Coxa média Coxa longa até 28. O índice de comprimento da coxa é obtido pela fórmula: até 54.0 a 29.31 .Comprimento da coxa .0 a 56.31).30 .

32). Obtém-se o índice do comprimento da perna. Obtemos o índice do comprimento do pé através da fórmula: .0 a 23.9 de 22.32 — Comprimento da perna Comprimento do pé É a distância entre o ponto mais posterior do calcanhar e a extremidade distai do primeiro ou segundo dedo (o que for mais longo).Comprimento da perna É a distância em linha reta entre os pontos tibial e maleolar (fig. através da fórmula: índice do comprimento da perna Classificamos os indivíduos de acordo com este índice.9 Figura 5.9 acima de 23. 5. em: Perna curta Perna média Perna longa até 21.

Os perímetros ósseos sao medidos ao nível do cotovelo.Perimetro do braço índice ósseo e classificação dos indivíduos através deste índice Este índice é dado pela fórmula: . Os comprimentos dos membros são obtidos com o uso do antropômetro. do punho. coxa. e de preferência no lado esquerdo. perna e pé (Fig.Os comprimentos dos membros e seus segmentos são importantes para se estudar suas simetrias. Figura 5. Perímetros dos membros Podem ser obtidos medindo-se nas partes moles ou nas partes ósseas. mão. antebraço. 5. mede-se no braço.33). do joelho e do tornozelo.33 . Nas partes moles. segundo a finalidade.

Godin verificou que sempre que o perímetro é maior em um lado. o perímetro da perna é medido ao nível da sua porção mais volumosa. Esta é a lei das assimetrias compensadoras. o que requer tratamento. Os aparelhos utilizados para se medir ângulos articulares são os goniómetros (fig. uma imobilidade prolongada. mede-se ao nível da raiz deste segmento. as articulações ficam imobilizadas por certo tempo.5 a 1. de Godin. onde as massas musculares apresentam maior volume e na mão. no membro inferior ele será maior do outro lado e vice-versa. no membro superior. entre os quais. Os perímetros dos membros são obtidos com a fita métrica. em um plano que passa junto à prega glútea.5 cm). Para medida das partes moles. Retirado o gesso. Ângulos articulares dos membros O ângulo articular é o ângulo formado pelos ossos. 5. Devem ser colhidos tanto de um lado como do o u t r o . às vezes a amplitude de movimento das articulações pode estar diminuída. o perímetro do braço mede-se ao nível da extremidade distai do músculo deltóide: no antebraço. por exemplo. havendo geralmente. pequena diferença entre ambos os lados (0. e no pé. Dá uma ideia também do estado de nutrição e do desenvolvimento muscular.Através deste índice.5 e 46 maior que 46 Em tratamento de fraturas. Na coxa. com os dedos unidos exceto o polegar. Os perímetros ósseos são medidos ao nível das articulações. como já vimos. por exemplo. menor que 43 entre 43.34) . através da medida da amplitude de movimento. A amplitude de movimento de uma articulação pode estar diminuída por vários motivos. os indivíduos são classificados em: Ossatura fraca Ossatura média Ossatura forte Utilidade da medida dos perímetros dos membros A medida dos perímetros dos membros permite apreciar seu desenvolvimento como um todo bem como o desenvolvimento ósseo dos membros. mede-se na sua parte mais larga. Este pode ser acompanhado. Os músculos ficam relaxados. na articulação. na sua parte mais larga. mede-se ao nível do seu terço proximal.

34 — Tipos de goniómetro O goniómetro é basicamente um transferidor em cujo centro està"o unidos dois braços ou alavancas. antes e depois de aplicado tratamento com fisioterapia.Figura 5. Geralmente apenas um dos braços é móvel. O transferidor é graduado de um em um grau (f ig.36 é o registro gráfico das modificações da amplitude de movimento da articulação interfalângica proximal durante um período de quatro semanas. Figura 5. 5.35).35 — Medida dos ângulos articulares do ombro (a) e do cotovelo (b) . A figura 5.

Figura 5.36 — Gráfico da amplitude da articulação interfalángica proximal em 4 semanas de registro .

etc). são indícios de má nutrição. corpo pouco desenvolvido. magro. proteínas. músculos firmes. com cansaço facial e irritação fácil. Quando há uma boa nutrição. Ao contrário. É claro que qualquer um destes processos vai influenciar na altura. Peso e alutra em torno da média. força muscular e outros aspectos da criança. . pele corada. ou seja. peso. O professor de educação física pode e tem condições de detectar casos de má nutrição e encaminhá-los para o médico. Um dos principais fatores que prejudicam o processo normal de crescimento é a deficiência nutritiva. AVALIAÇÃO DO ESTADO NUTRITIVO O estado nutritivo pode ser avaliado simplesmente pela observação da criança. É possível também que a quantidade e a qualidade sejam suficientes mas os tecidos do corpo não conseguem absorver ou aproveitar os elementos por alguma deficiência orgânica ou metabólica. força muscular diminuída. dentes cariados. Conceito de nutrição Nutrição pode ser considerado como o processo pelo qual as células do corpo usam o alimento ingerido para construir. regular a atividade corporal e permitir o trabalho do corpo. a digestão ocorre perfeitamente bem e as células do corpo estão usando de modo satisfatório esses alimentos. pouco animado. subjetivãmente. para considerar apenas alguns aspectos. A nutrição é pobre quando algum elemento desta cadeia não está funcionando a contento: a criança pode estar ingerindo alimento em quantidade insuficiente ou o alimento pode ser deficiente em determinadas substâncias (vitaminas. olhos claros boa postura e bom apetite são alguns dos sinais de boa nutrição. pele flácida. todos os processos envolvidos na cadeia estão em equilíbrio: há oferta suficiente de alimento. e habilidades motoras retardadas.CAPITULO VI AVALIAÇÃO DO ESTADO NUTRITIVO: MEDIDA DA ESPESSURA DE PREGAS CUTÂNEAS E PESO INTRODUÇÃO A saúde e o desenvolvimento do indivíduo são muito importantes. manter ou reparar os tecidos. É dever do professor de Educação Física saber avaliar o estado nutritivo de uma criança e encaminhá-la para o setor médico responsável para que um tratamento possa ser providenciado. músculos frágeis. A criança mal nutrida tem fadiga crónica. especialmente na época do crescimento.

Entretanto, para eliminar erros que sempre ocorrem em avaliações subjetivas, foram criados meios objetivos de julgar o estado nutritivo. Tabelas de estatura-peso idade e tabelas de largura-peso Estas tabelas foram construídas a partir da avaliação de um grande número de indivíduos. 0 uso das tabelas idade-estrutura-peso apresenta desvantagens: não leva em conta a constituição corporal; é construída a partir de uma média, a qual, nem sempre é representativa para aquele caso específico. As tabelas de largura-peso (Pryor, 1940), sugerem que se pode avaliar o estado nutritivo utilizando não só o peso e a estatura mas também outras medidas como os diâmetros bi-crista ilíaca e o transverso do tórax. Assim, foram construídas tabelas relacionando idade, estatura, sexo, peso e as medidas acima relacionadas. Deste modo, para saber se o peso de uma determinada criança está dentro dos padrões normais, basta compará-lo com os valores indicados nas tabelas, levando em conta as várias medidas efetuadas. Alguns autores propõe a determinação da porcentagem de gordura corporal através de cálculos usando fórmulas em que entram a densidade, a massa e o volume do corpo. Estes dados são obtidos por métodos especiais. Entretanto, o meio mais fácil e prático de se avaliar o estado nutritivo é medindo o tecido adiposo através da medida das pregas cutâneas, pois o tecido adiposo subcutâneo, como se sabe, constitui aproximadamente metade de todo o estoque adiposo do corpo. MEDIDA DA ESPESSURA DE PREGAS CUTÂNEAS Importância da medida da espessura de pregas cutâneas. Esta medida permite avaliar o grau de adiposidade do indivíduo, e portanto seu estado nutritivo. Técnica de medida da espessura de pregas cutâneas Para medir a espessura da prega cutânea, utiliza-se um compasso especial que exerce pressão fixa sobre a pele, permitindo assim, uma medida sempre precisa. Um dos mais conhecidos é o compasso de Lauge (fig. 6.1).

Figura 6.1 - Compasso de Lange, para medida das pregas cutâneas

Os locais do corpo escolhidos para se efetuar as medidas são o dorso do braço, a região infra-escapular, região anterior da coxa, tórax e abdome (fig.6.2). Toma-se entre os dedos polegar e indicador uma dobra de tecido subcutâneo e mede-se sua espessura com o compasso. Em adulto, a medida vale cerca de 1cm, em média.

Pode-se também medir a espessura do tecido subcutâneo, através de chapas radiográficas. Além da medida da espessura de pregas cutâneas, uma das medidas mais utilizadas para avaliar o estado de nutrição é o peso, cujo estudo será feito a seguir. PESO Definição de peso O peso é resultante das forças exercidas pela gravidade sobre o corpo. Geralmente é interpretado, para efeitos práticos, como sendo igual à massa.

Figura 6.2 — Locais mais usados para medir a espessura da prega cutânea a — dorso do braço b — Região infra-escapular c — Regiáo lateral do abdome d - Coxa e — Região anterior do abdome

Elementos constituintes do peso A tabela seguinte mostra os elementos constituintes do peso e suas percentagens: Tecido subcutâneo, gordura e água Músculos Esqueleto, vísceras, sistema nervoso e pele 17% 50% 33%

Esta parte se modifica por exercícios físicos. Entre os fatores externos. c) Variação do peso com a prática de esportes — Esta é fator de redução de peso. A parte do peso representada pelo tecido subcutâneo. intestinos e bexiga estarem vazios. condições de saúde e hábitos de vida. sob várias condições. há uma parte fixa que corresponde às vísceras.. Entre os primeiros. o crescimento e a prática desportiva. a) Variação do peso com a hora do dia . gordura e água também é muito variável. deve-se acompanhar a redução de peso. Broca considera como valores normais os que se colocam para mais 10 ou menos 10 do peso ideal calculado. através da respiração e sudorese. os mais importantes sío: hora do dia. b) Variação do peso com o crescimento — Durante a fase de crescimento.Como se observa. Fatores de variação do peso Diversos fatores influenciam no valor do peso. constituição neuro-endócrina e patologias. . sistema nervoso e pele. através de verificações periódicas.100. Cálculo do peso ideal. a maior parte do peso é representada pelos músculos. = altura em centímetros. esqueleto. o peso aumenta cerca de 2 quilogramas por ano de idade. os mais importantes são a alimentação e a atividade física. Finalmente. destacam-se:a hereditariedade. depois dos 2 anos. Nestes casos. o peso é maior. Esta diferença entre o peso pela manhã e à noite pode atingir até 2 quilogramas. o peso ideal seria dado pela fórmula: P = A (cm) sendo: A . o peso é menor devido ao fato do estômago. Fatores que determinam o peso Podemos considerar fatores internos e externos. segundo Broca Segundo Broca. ao passo que à noite. devido à perda de líquidos.Pela manhã.

sendo o resultado dado em quilogramas: a de alavanca e a de mola. Técnica da medida de peso Dois tipos principais de balança são utilizados para medir o peso.Utilidade da medida de peso O peso tem grande importância como medida biométrica por sua fácil obtenção e por indicar o estado de nutrição e de saúde do indivíduo. . o peso é uma medida utilizada para orientar o indivíduo para um determinado tipo de esporte. enquanto os de peso baixo podem praticar esportes como corridas de fundo. Em seleção desportiva. esta tem sua precisão diminuída. A balança de alavanca é preferida à de mola pois com o passar do tempo. Pessoas de peso elevado são indicadas para esportes que requerem resistência e força.

cessando o trabalho. o coração deve responder prontamente. como também a cardíaca. Existem vários tipos de provas de esforço. o pulso e a pressão sanguínea devem voltar rapidamente aos níveis de repouso. devido ao treinamento que fortalece não só a musculatura esquelética. ao realizar um trabalho intenso e rápido. porque o coração do atleta é mais forte. O volume minuto é a quantidade de sangue bombeada por minuto e o volume sistólico é o volume ejetado em cada batida do coração. Vejamos inicialmente algumas características fisiológicas do sistema cardiovascular. A medida da capacidade cárdio-circulatória é feita submetendo-se o indivíduo às chamadas provas de esforço. estando entre 38 e 110. Pode ser que na pessoa treinada o volume ejetado a cada batimento seja maior que numa não treinada. tais como: idade. Estudaremos as seguintes: capacidade cardio-circulatória. Volume minuto. Quando um indivíduo é submetido a um trabalho. e atividade física. a frequência do pulso pode ser 20 ou 30 batimentos mais baixa que uma pessoa não treinada. em repouso. capacidade vital e forca muscular. suprem perfeitamente de oxigénio os músculos durante o esforço. Entretanto. Volume sistólico. FORÇA MUSCULAR CONCEITO DE MEDIDAS BIOMÉTRICAS FUNCIONAIS Medidas biométricas funcionais são medidas que permitem avaliar o estado fisiológico de alguns sistemas do corpo. os limites. Em um atleta treinado. Se o coração e os pulmões estão funcionando à contento. Frequência do pulso Um indivíduo jovem tem em média. uma frequência do pulso de 64 batimentos por minuto. geralmente é maior que o de um indivíduo não treinado. a frequência do pulso vai .CAPITULO VII MEDIDA DA CAPACIDADE VITAL E CARDIOCIRCULATÓRIA . no indivíduo normal. hora do dia. de um atleta. os valores da frequência do pulso variam com muitos fatores. O volume sistólico em repouso. Além disso. mas todas baseiam-se em que o sistema muscular. MEDIDA DA CAPACIDADE CÁRDIO-CIRCULATÓRIA Veremos apenas uma noção sumária sobre a medida da capacidade cárdiocirculatória. alimentação.

Depois solta-se lentamente o ar. No indivíduo treinado. sem um aumento tão grande da respiração. lida no manómetro. com mais economia. Quanto mais preparado fisicamente. se desenvolvem mais e quando há um esforço. a frequência do pulso volta ao estado inicial e o tempo que leva para que isto ocorra depende do esforço realizado. 0 uso dos testes que medem a capacidade cardiocirculatória em Educação . A pressão máxima é a pressão do sangue durante a sístole ventricular esquerda e a pressão mínima. na pessoa treinada. À medida que a pressão vai dímuindo. Pressão sangú ínea Quando necessária. Vários cuidados devem ser tomados pois muitos fatores podem afetar os resultados. porque o ar vai saindo.aumentando à medida que a intensidade do esforço é maior. é obtida quando ela diminui ao máximo entre os batimentos. Para se medir a pressão sistólica (máxima). Terminado o trabalho. não ocorre tanto desconforto ao respirar mais fortemente. chega um momento em que não se ouve mais o batimento. Esta é registrada como pressão diastólica (mínima). menor tempo leva para voltar a atingir a frequência de repouso.A pressão é medida no braço. Além disso. insufla-se o ar no manguito colocado em posição no braço e ouvindo com o estetoscópio. aumenta a expansão do tórax e a profundidade respiratória. quando se ouvir o som do batimento cardíaco nitidamente. Respiração O sistema circulatório está funcionalmente ligado ao respiratório. bem como do estado físico da pessoa. A pressão sanguínea é a pressão exercida pelo sangue sobre as paredes dos vasos. pois é nos pulmões que ocorrem as trocas gasosas e o oxigénio é absorvido e eliminado o gás carbónico. há um melhor aproveitamento de oxigénio. Assim. geralmente utiliza-se medir variáveis como a pressão sanguínea e a frequência do pulso sob diferentes condições. É necessário pois submeter o coração do indivíduo a uma prova de esforço para se ter uma avaliação de seu desempenho funcional. durante um esforço físico. A eficiência dos músculos vai depender do oxigénio que chega até eles. sabe-se que os músculos respiratórios. no treinado há uma melhor ventilação. Avaliação do sistema cardiovascular Nesta avaliação. a tomada da pressão sanguínea deve ser feita com o indivíduo sentado confortavelmente ou deitado . Só assim poderemos opinar sobre sua aptidão à atividade física. como ocorre nos não treinados. Por último. esta é a pressão máxima.

procurando fazer com que o mercúrio atinja um desnível de 40 m m . Imediatamente mede-se o pulso. examina-se o pulso do indivíduo. com mercúrio. Estes indivíduos deverão ser encaminhados para o médico competente. isto ocorre aos 2 ou 3 minutos após o término do teste. Prova do banco (Step test) Durante um período de 5 minutos. Aplica-se. M E D I D A D A CAPACIDADE V I T A L Conceito de capacidade vital É a quantidade máxima de ar que uma pessoa pode expulsar após uma inspiração máxima. de um lado há uma conexão com um bocal. a seguir. onde o indivíduo assopra. Mas eles podem ajudar a detectar indivíduos com aptidão física muito baixa. Prova de Pachon-Martinet Consiste na execução de 20 flexões em 40 segundos. e suportando até os limites de suas possibilidades. até que volte aos valores iniciais. obtendo-se resultados que indicam a aptidão física do indivíduo. de minuto em minuto. Mede-se o pulso 1 m i n u t o . . Durante a prova. o indivíduo sobe em um banco de 50. Normalmente. As modificações do pulso (ritmo cardíaco) e o tempo que o indivíduo consegue atingir permitem avaliar o desempenho cardíaco. Teste de Lian O indivíduo faz 30 flexões em 1 minuto. os valores obtidos em uma fórmula conveniente. Mede-se a frequência do pulso e a pressão arterial antes e depois da prova. Quando este volta aos valores iniciais de antes do teste em menos de 2 minutos. A seguir serão analisados alguns testes que medem a capacidade cardiocirculatória. 2 minutos e 3 minutos após o término da prova.Física é limitado.8 cm de altura a cada 2 segundos. o resultado é considerado bom. Prova de Flack Esta prova é feita utilizando um tubo de vidro. A prova é cansativa e deve ser feita somente em indivíduos previamente examinados pelo médico.

A figura 11. Em outras palavras. Insufla-se ar no aparelho. tem-se a reserva expiratória. há alteração do traçado normal de uma espirometria. O volume corrente é o volume de ar inspirado e expirado durante a respiração. Realizando uma inspiração forçada. 11. Aparelho utilizado para se medir a capacidade vital É o espirômetro. que desloca um sistema graduado. é o volume de ar que entra nos pulmões na inspiração. Nas doenças pulmonares. no . temos a reserva inspiratória e ao realizar uma expiração forçada.2 mostra um traçado de uma prova de capacidade vital de um indivíduo com enfisema. de reserva inspiratória e de reserva expiratória. A prova é denominada espirometria (figs.Depende basicamente dos músculos envolvidos na respiração (inspiração e expiração) e do volume máximo dos territórios dos pulmões. Figura 11*1 -A — Espirômetro em corte esquemático Utilidade da medida da capacidade vital Através da espirometria pode-se detectar insuficiências respiratórias e acompanhar progressos em reeducação respiratória. 11.1. o qual permite medir a quantidade de ar insuflado.2). por exemplo. O indivíduo começa a expirar no ponto 2. A capacidade vital é a soma dos volumes corrente.

1 . se fosse normal. Figura 11-1-B Componenetes da capacidade vital Figura 11.ponto 2 (primeiro segundo de prova) ele deveria expirar.C — Espirometria . 70 a 80% da sua capacidade vital mas na realidade o gráfico mostra que ele expele somente 40% desta capacidade.

diminui. Nà"o se pode. Comportamento da capacidade vital nos sexos A capacidade vital nos homens é cerca de 800 ml maior que a das mulheres. Variação da capacidade vital com a idade Durante o crescimento do indivíduo. A capacidade vital depende das dimensões da caixa torácica. Nos que levam vida sedentária.Figura 11. bem como não se pode dizer que um atleta com capacidade vital elevada terá ótimos resultados físicos. entretanto. tipo constitucional e exercícios físicos. quando o indivíduo respira com má técnica. a capacidade vital aumenta. Fatores que influenciam no valor da capacidade vital Os principais são: sexo. altura e desenvolvimento físico. . a capacidade vital aumenta até 40 anos. ao contrário. Variação da capacidade vital com a altura Quanto mais desenvolvido for o indivíduo. idade.2 — Capacidade vital de um indivíduo com enfisema A capacidade vital pode ser melhorada com técnica respiratória adequada. Nos indivíduos bem desenvolvidos e de grande altura têm-se também um maior desenvolvimento da caixa torácica. No adulto que pratica exercícios adequados. considerar como incapaz um indivíduo que tenha uma capacidade vital pequena. maior será sua capacidade vital. para uma mesma idade e altura.

b) Realização da prova: com o estômago vazio. roupas folgadas e deve ser bem explicado ao examinando o modo de se realizar a prova. A medida chama-sedinamometria. permite melhor desempenho em provas específicas e ajuda a evitar certas deficiências ortopédicas. Exercícios físicos e a capacidade vital A ginástica e os exercícios só melhoram a capacidade vital nos indivíduos que apresentam técnica respiratória errada. . Além disso. O desenvolvimento da força muscular melhora a velocidade do indivíduo. e é influenciada por vários fatores entre quais processos patológicos. pois têm o tórax mais curto e suas costelas têm menor mobilidade que a dos longilíneos. A medida da força muscular pode ser um bom indicador da aptidão física geral pois é uma medida bastante obejtiva. ao se medir a capacidade vital: a) Posição: deve ser medida com a pessoa em pé. Por este motivo. dá maior potência para saídas mais rápidas e permite melhor desempenho em quase todos os esportes. todo atleta sabe que a força muscular quando desenvolvida melhora a aparência e o físico. Técnica de medida da capacidade vital Deve-se observar os seguintes aspectos. MEDIDA DA FORÇA MUSCULAR A medida da força muscular é uma das mais importantes para se avaliar a aptidão física do indivíduo.Relacionamento entre capacidade vital e tipo constitucional A capacidade vital nos brevilíneos é menor que a dos longilíneos. Conceito da medida da força muscular Consiste na medida da força máxima de determinados grupos musculares. há diferenças nas raças. A aquisição de um corpo bem modelado é aspiração natural de jovens masculinos e femininos.

deslocando um ponteiro que corre em uma escala graduada (fig. neste aspecto. Músculos flexores dos dedos (força de preensáb) (fig. Músculos do dorso (força de traçâo vertical) (fig. .3) Grupos musculares que podem ser explorados através da dinamometria São os seguintes: a. 11. Sexo e medida da força muscular No adulto. 11.3) b. há uma maior atividade física nos meninos e entram em açâo também os hormônios masculinos. os músculos são mais desenvolvidos no homem que na mulher. Idade e a medida da força muscular A força muscular aumenta a partir da puberdade. 11. Fatores que influenciam na medida da força muscular Sâb os seguintes: sexo. Baseia-se no fato que a força muscular aplicada ao aparelho deforma uma mola. Até a puberdade. as diferenças são pequenas. idade e exercícios físicos.4). Na puberdade e após esse período. aumentando o rendimento muscular. porém. Músculos do braço e da região escapular (força de traçâb horizontal). Valores médios no homem adulto Força de preensão da mão Força de traçâb horizontal Força de traçâo vertical 40 a 60 kgf 30 a 40 kgf 130 a 150 kgf A mulher possui valores entre 50 a 60% dos masculinos. atingindo valores máximos enter 25 e 35 anos. c.Aparelho utilizado em dinamometria É o dinamômetro.

3 — Medida da força de preensão Figura 11.4 .Figura 11.Medida da força detraçfo .

Importância da dinamometria A dinamometria permite: a. pode-se fazer com que os músculos de um indivíduo atinjam a força máxima de que são capazes. em 10 meses. .Influência dos exercícios físicos na medida da força muscular Aumentam a força muscular. Comparar forças musculares de indivíduos diferentes. Acompanhar variações da força muscular durante treinamento. Através de treinamento. e b.

No método longitudinal. É pois um processo quantitativo. O inconveniente é a dificuldade de seguir o mesmo grupo de crianças durante um tempo mais ou menos longo. É pois um processo quantita- . Crescimento propriamente d i t o é representado t i v o . acompanha-se um grupo de crianças durante seu crescimento. as características de cada fase e os conceitos de idade cronológica e idade fisiológica. as fases do crescimento. diminuindo até os quatro ou cinco anos (Tanner. São exemplos: as dentições. durante o desenvolvimento. Está intimamente ligado à nutrição. CONCEITOS DE CRESCIMENTO E M A T U R A Ç Ã O Diferença entre crescimento e maturação Durante o desenvolvimento do ser humano. com o passar da idade. os processos de ossificação e as mudanças que ocorrem na puberdade. Métodos de estudo do crescimento Existem dois métodos biométricos para se analisar o crescimento:o transversal e o longitudinal. 1964).CAPITULO V I I I A V A L I A Ç Ã O D O CRESCIMENTO Neste capítulo estudaremos os conceitos de crescimento e maturação. Há o inconveniente de não se levar em conta as diferenças individuais no r i t m o de crescimento. que ocorrem. embora intimamente interligados: crescimento propriamente dito e maturação. O aumento da altura do indivíduo se deve ao aumento do comprimento dos pelas mudanças progressivas das várias medidas do corpo. pode-se distinguir dois processos diferentes entre si. ASPECTOS GERAIS DO CRESCIMENTO Velocidade de crescimento A velocidade do crescimento é maior no início da via pós-natal. O método transversal consiste em tomar medidas em crianças de diferentes idades e daí estabelecer valores médios para cada idade. observando e anotando as caracterísitcas que surgem. A maturação compreende as mudanças na estrutura e composição do corpo.

crescem pouco até a puberdade. 1935). costuma-se dividi-lo em fases caracterizadas por alguns fenómenos mais evidentes em cada fase. há variação no número e nomenclatura das fases do crescimento. durante e após essa fase (Godin. ao contrário. desenvolvem-se rapidamente. FASES DO CRESCIMENTO Embora o crescimento seja um processo contínuo. antes da puberdade e ao aumento da altura tronco-cefálica. segundo os autores. em sua maioria. Entretanto. como mostra a tabela seguinte: Autor Penna (1962) Fases Crescimento intra-uterino Primeira Infância Segunda Infância Adolescência Meninos Idades Fertilização até o nascimento Nascimento aos 2 anos Dos 3 aos 10 anos Dos 10 aos 20 anos Meninas Até 6—7 anos 7 aos 10 anos 10 aos 13 anos 13 aos 14 anos Claparède (1940) Primeira Infância Segunda Infância Adolescência Puberdade Nascimento aos 7 anos 7 aos 12 anos 12 aos 15 anos 15 aos 16 anos Vandervael Pequena Infância Média Infância Grande Infância Adolescência Juventude Nascimento aos 2 anos e meio 2 anos e meio aos 6 anos 7 aos 12 anos 11 aos 16—18 anos 16—18 anos aos 21—23 anos . Crescimento dos órgãos Os órgãos do corpo crescem.membros inferiores. Os órgãos genitais. quando então. rapidamente durante os primeiros anos de vida e lentamente na puberdade.

deixando pois de ser cilíndrico. Existe grande variação quanto à data de início destes fenómenos. aparecimento dos pelos pubianos e axilares. as fases de Vandervael. Características da média infância Estende-se dos dois anos e meio aos 6 anos. Fenómenos que caracterizam a pequena infância Compreendendo o período que vai do nascimento aos dois anos e meio. começa e termina antes nas meninas. aparecem os pelos pubianos e ocorre a menarca (primeira menstruação). A altura aumenta devido. aumento dos testículos. são alcançadas e ultrapassadas.1 1 anos. Aspectos que caracterizam a fase da juventude . principalmente. Os membros são curtos. A força muscular aumenta especialmente no sexo masculino devido a hormônios próprios.A seguir serão descritos os fenómenos principais que caracterizam cada fase do crescimento tomando por base. Acentuam-se as diferenças de forma: nos meninos alargam-se as espáduas e nas meninas. A cabeça é grande. o que aumenta suas possibilidades atléticas. secreção de hormônios sexuais pelas células testiculares e aparecimento de barba. nesta fase. O pescoço se alonga e fica delgado. crescem as mamas. crescimento do pênis. o mesmo ocorrendo com o seu término. os diâmetros da pelve. as medidas da cabeça e do tronco continuam a predominar sobre as dos membros. a forma oval. Nas meninas. nos meninos. Por esse motivo. de convexidade posterior. Na área genital. ocorre. A capacidade vital aumenta nos meninos. O aumento da altura deve-se mais ao crescimento do tronco que dos membros inferiores. as meninas crescem mais que os meninos no início desta fase mas. ao maior crescimento dos membros inferiores. depois. o fenómeno característico desta fase é o aumento da altura (quase 50%) e do peso. Aspectos que caracterizam a grande infância Vai dos 7 aos 1 0 . Nesta fase. A voz passa a ser mais grave. O tronco adquire. O tórax tende cada vez mais a acentuar a forma ovalada. Fenómenos que caracterizam a adolescência Esta fase. o tórax é cilíndrico e a coluna vertebral apresenta apenas uma curvatura. que corresponde ao surto pubertário. proporcionalmente.

Estende-se desde os 16—18 anos até o início da idade adulta. músculos bem desenvolvidos. algumas medidas biométricas e as características sexuais secundárias. Medidas biométricas Algumas medidas como o peso e a altura podem ser utilizadas como critério para determinar a idade fisiológica. por exemplo. assemelhando-se a um menino de menor idade. morfológico. IDADE CRONOLÓGICA E IDADE FISIOLÓGICA Conceitos da idade cronológica a idade fisiológica A observação mostra que duas crianças do mesmo sexo e mesma idade cronológica (igual número de anos vividos) podem apresentar grandes diferenças morfológicas em relação ao estágio de desenvolvimento. Tanner (1964) considera o que se denomina idade fisiológica. Por esse motivo. a qual se baseia nos seguintes critérios: idade óssea. . fisiológico e mental. entre três meninos de 14 anos. Assinala o início da idade adulta. Portanto. Existem tabelas que mostram a idade de aparecimento de cada centro de ossificação de cada osso. Conta-se os dentes que já fizeram erupção e compara-se com tabelas. há um adiantamento de 2 anos mais ou menos. o outro menino pode estar em uma fase intermediária entre os dois anteriormente citados. A idade óssea nas meninas é geralmente mais avançada que a dos meninos. com sistema muscular pouco desenvolvido. idade de erupção dos dentes. Assim. o que dará ideia do grau de desenvolvimento. podemos encontrar um que é menor. Na puberdade. os três meninos tem a mesma idade mas encontram-se em diferentes estágios de desenvolvimento. Toma-se as medidas que são depois comparadas com as constantes da tabelas. entre 6 meses e dois anos e meio. órgãos genitais como os de um adulto. Desenvolvimento dos ossos Os vários centros de ossificação dos ossos do esqueleto aparecem em idades constantes e podem servir pois como critério para se determinar o grau de desenvolvimento em que se encontra o indivíduo. Idade de erupção dos dentes O aparecimento dos chamados dentes de leite se faz de modo constante. A altura cresce cada vez mais lentamente. desde a vida fetal. outro tem bom desenvolvimento físico. Estes centros podem ser detectados através de radiografias.

O comprimento da criança duplica aos 4 anos. com frequência. Durante o seu crescimento a cabeça sempre cresce mais em altura que em largura. 1/12. Durante a meninice. Altura A altura aumenta cerca de 3 vezes e meia desde o nascimento até a idade adulta.5kg. as meninas pesam menos que os meninos mas na puberdade pesam mais. a cabeça representa 1/4 do corpo e no adulto. aparecem em épocas constantes. o perímetro cefálico médio é 35 cm. aos 20 anos. Nos primeiros dias após o nascimento. No nascimento. Em mais ou menos 8 dias porém. pois estes fenómenos. Na puberdade há um surto de crescimento rápido que começa e termina antes nas meninas. a criança cresce pouco. No final do 19 ano de vida o peso triplica e no segundo ano quadruplica. dentro de certos limites de variação.Características sexuais secundárias O grau de desenvolvimento dos órgãos genitais. recupera esse peso. barba. As fases em que o peso aumenta mais são na vida fetal e na adolescência. . A moça para de crescer geralmente aos 18 anos e o rapaz. Até a idade adulta cresce apenas mais 5 cm. a época do aparecimento de pelos. Durante a infância e meninice. Depois de 3 anos na adolescência os rapazes voltam a pesar mais. O crescimento do crânio é importante pois está relacionado ao crescimento do encéfalo. Aos três anos passa para 50 cm. a criança perde 5 a 6%do peso inicial devido a uma ingestão menor de líquidos. nesta fase. CRESCIMENTO DAS PARTES DO CORPO Cabeça Ao nascer. CRESCIMENTO DO CORPO COMO UM TODO Peso O peso do recém-nascido é milhares e milhares de vezes maior que o ovo mas o peso do adulto é apenas 20 vezes o do recém-nascido. mamas e menarca que surgem na puberdade podem também ser usados como meios de determinar a idade do indivíduo. Ao nascer a criança pesa em média 3.

Aos dois anos o perímetro torácico aumenta. A altura tronco-cefálica representa cerca de 70% da altura total ao nascer e cerca de 55% no adulto (f ig.1 — Proporções do corpo. Durante a infância. Figura 12. os diâmetros sagital e transverso do tórax são aproximadamente iguais mas no adulto o transverso é três vezes o sagital.Tronco O tronco contribui com cerca de 50% do comprimento do corpo em qualquer fase da vida. o perímetro torácico é igual ao cefálico.1). Na infância. 12. supondo iguais os membros inferiores .

Portanto. O aumento maior do comprimento dos membros inferiores e menor do tronco leva o ponto médio do corpo para baixo. representa 15% do peso total e no adulto. Pele e tela subcutânea Os pelos aparecem no início da adolescência. Por esse motivo não pode ser considerada como um critério absoluto para avaliar o estado de nutrição. começa a diminuir e aos 5 anos. A idade óssea é o estado em que se encontra o esqueleto em qualquer momento da vida. a idade óssea é ótimo critério para indicar a fase de desenvolvimento. mas não nas mesmas proporções nas várias fases de desenvolvimento. no nascimento. No adulto o inferior fica 1/6 mais comprido que o superior. face. esse valor sobe para 30%. nas seguintes regiões: púbica. . cerca de 6 meses após. Aos dois anos de idade os membros superiores tem o mesmo comprimento que os inferiores.Membros O membro superior participa com 9% do peso total no nascimento e assim permanece no adulto. sexuais. No recém-nascido situa-se ao nível do umbigo e no adulto está na crista púbica. O mesmo ocorre com o centro de gravidade que no recém-nascido está ao nível do diafragma e no adulto passa para o promontório do osso sacro. e influências de nutrição. Nas mulheres os pelos púbicos aparecem pouco antes da menarca e na axila. há acúmulos isolados nos quadris e nas mamas. mas há variações raciais. axila. Esqueleto O aparecimento dos centros de ossificação segue uma ordem cronológica bem definida desde o nascimento até a vida adulta. Existem tabelas próprias. a gordura subcutânea aumenta bruscamente mas no segundo ano de vida. Através de radiografias pode-se dizer a idade óssea do indivíduo. A tela subcutânea aumenta. sendo que no sexo feminino. peito e membros. os comprimentos sâb iguais. 0 membro inferior. No rapaz aparecem em ordem. acima e abaixo do qual. O ponto médio do corpo é o ponto. Nos primeiros 9 meses. Começa a aumentar novamente na adolescência. em todas as fases. atinge a metade do valor que possuía no primeiro ano.

Órgãos endócrinos As glândulas supra-renais diminuem seu peso durante a infância. O testículo do adulto pesa 40 vezes mais do que o do recém-nascido. . Ele cresce especialmente durante a adolescência. Na adolescência. No adulto o peso do coração é cerca de 12 vezes maior que ao nascer. O peso total do encéfalo pode ser atingido aos 10 anos de idade. Sistema genital Os órgãos genitais apresentam um padrão de crescimento que se afasta das outras vísceras. a força muscular duplica. Coração Ao nascer.Músculos Aumentam grandemente de peso na infância. Na adolescência essa participação é ainda maior. o coração pesa cerca de 20 g. Durante a puberdade crescem lentamente até a idade adulta. Sistema Nervoso Central O peso do encéfalo duplica no primeiro ano e triplica no terceiro. A medula espinhal cresce menos que a coluna vertebral de tal maneira que no adulto sua extremidade encontra-se ao nível da 2ª ou 3ª vértebra lombar. em relação ao da recém-nascida. Este valor triplica no 3º ano. A glândula tiróide do adulto tem um peso cerca de 12 vezes maior que do recém-nascido e a hipófise aumenta seu peso em cerca de 5 vezes até a idade adulta. Os músculos crescem em tamanho e ná"o pelo aumento do número de fibras. quando pesam o dobro do seu valor ao nascer. O útero cresce realmente durante a adolescência. O ovário tem seu peso aumentado de 30 vezes no adulto.

1952) .PADRÕES NORMAIS DE CRESCIMENTO Estudando-se o crescimento de crianças do mesmo sexo. 12. o método longitudinal. são elas: 1 2 3 4 5 Peso e altura Altura tronco-cefálica Perímetro da cabeça Perímetro torácico Diâmetro bi-crista ilíaca. é necessário buscar as causas deste fenómeno. Quando os valores de uma criança se afastam muito dos das curvas-padràb. Figura 12.2. ocorre grande variabilidade nos padrões normais. Como cada criança tem um modo próprio de crescer.2 . Algumas medidas são mais frequentemente utilizadas para se verificar o crescimento e desenvolvimento. raça e meio ambiente. podemos construir tabelas e curvas-padrâb (figs. que examina as mesmas crianças em vários períodos ou o método transversal que examina crianças diferentes numa mesma época.Curvas-padrffo de peio nos sexos masculino e feminino (Baseado em Boyd. 12.3). para construir essas curvas-padrão. Pode-se usar.

o órgão domina e parece inibir o desenvolvimento de outras estruturas. Este período é chamado período crítico.Figura 12. Cada órgão tem um modo próprio de se desenvolver e crescer. os órgãos e tecidos que mais vão sofrer essas influências e ficar com defeitos são os que estão se diferenciando nesse momento.Curvas-padrão de altura em meninos e meninas (Baseado em Boyd. Se num determinado momento do desenvolvimento agentes nocivos atuarem sobre o corpo. sexo. então ele não mais conseguirá se desenvolver ou então o fará defeituosamente.3 . porque nesta fase. Cada tecido ou órgão tem um período em que a diferenciação e crescimento são mais acelerados havendo então uma alternância destes períodos para cada órgão. 1952) FATORES RESPONSÁVEIS PELA VARIABILIDADE NO CRESCIMENTO E DESENVOLVIMENTO Os fatores principais responsáveis pela variação no crescimento e desenvolvimento sâb: hereditariedade. . ele se diferencia num determinado momento e cresce com uma certa velocidade e que depende de fatores intrínsecos a esse órgão. nutrição. raça. atividade. Se o órgão não aproveitar o período que lhe é destinado para se diferenciar. hormônios. clima.

certa de ser a variabilidade individual enorme e de que só de seu estudo resultará a possibilidade de desfazer muitos conceitos errados da biologia humana. da síntese das quais resulta o conhecimento do tipo estrutural-dinãmico especial de cada indivíduo". Berardinelli define biotipologia como a "ciência das constituições. este indivíduo. Entretanto. A constituição individual está ligada a uma ciência. A Biotipologia tem por objetivo o estudo do indivíduo como um ser particular e concreto. dois indivíduos. rasgando-lhe mais amplas perspectivas. é melhor. atingir o caso concreto. ao administrador. é a própria unidade do seu estudo. o importante é o indivíduo uno e concreto. ao diretor de esporte. mas sim como instrumento de estudo". passar o indivíduo é ótimo". sobretudo. funcional. ao passo que para a Biotipologia o que interessa é a análise. ao historiador. ao político. Muito comum e errónea é a idéia que se tem de que Biotipologia pretende tipificar os indivíduos para classificá-los. Lembra Duarte-Santos: "classificar em um grupo é bom. cujos aspectos gerais serão descritos a seguir. "este caso".CAPITULO IX BIOTIPOLOGIA: ASPECTOS GERAIS Não existem dois indivíduos exatamente iguais. e se às vezes constrói uma síntese. ir ao sub-grupo. Berardinelli faz ainda uma comparação entre a Biot pologia ea Antropologia: "Se a Antropologia analisa é para depois sintetisar. concreto. ao economista. Duarte-Santos afirma: "a biotipologia pretende estudar não a abstração e mero universal. ou seja. tal idéia provém do nome dessa ciência e das classificações existentes dentro da matéria. não é como fim. Estas variações na construção corpórea dos indivíduos decorrem da diferença de constituição individual. Mas ao educador. CONCEITO DE BIOTIPOLOGIA 0 termo Biotipologia foi utilizado pela primeira vez por Nicola Pende. o estudo das "manifestações vitais de ordem anatómica. fisiológicas e psicológicas. estas diferenças são importantes edevem ser levadas em consideração em Educação Física. o caso particular. através do qual se pode conhecer e entender muitas das características do ser humano e suas diferenças. para designar a ciência que teria por objeto. a Biotipologia. temperamentos e caracteres". em 1922. como já dissemos. que o distingue dos demais. Os fatos gerais interessam ao filósofo. humoral. que é o ser humano. . apesar das classificações. que sejam iguais. á variedade. ao clínico importa. por mais parecidos. Não há. Como veremos mais adiante. ao orientador profissional. com esta biologia diferencial e comparativa". cada indivíduo apresenta uma série de características morfológicas. psicológica. mas sim a realidade concreta que é o indivíduo.

as glândulas também sofrem a ação do meio externo. as glândulas endócrinas também dependem da ação genética e por esse motivo podemos considerá-las como mediadoras entre o genótipo e o fenótipo. T E R M I N O L O G I A BIOTIPOLÓGICA Como toda ciência. Entre eles. ou seja. que são os mais utilizados nesta ciência: constituição. podem ser influenciadas por fatores como alimentação e clima. além dos elementos morfológicos. o t i m o e o córtex supra-renal. Os fatores ambientais constituem em conjunto o que se denomina de "peristase". a biotipologia tem sua terminologia própria. A seguir serão analisados sucintamente cada um destes fatores. o sistema nervoso e os fatores secundários ambientais. sem influir porém no aumento da massa corporal. constituição é "a especial combinação correlacionada das variantes dos caracteres físicos próprios da espécie no estado fisiológico". Os fatores responsáveis por essa diferença no r i t m o de crescimento são: a hereditariedade. Um primeiro grupo age sobre a diferenciação das formas dos órgãos. Viola acrescenta também os fisiológicos. Incluem-se neste grupo a tireóide e as gônadas. Em outras palavras. genótipo. . condições sócio-econômicas. ao mesmo tempo. temperamento. Aceitaremos como definição de constituição a de Silveira. consideram-se: região geográfica. O termo constituição. A seguir. Experiências têm demonstrado que a presença de partes do sistema nervoso são necessárias para que outras partes do corpo se desenvolvam. elas contribuem para que um determinado genótipo possa realizar um fenótipo. As múltiplas possibilidades de combinações entre os gens nas primeiras fases do desenvolvimento sâb a maior causa de variabilidade na construção individual. as glândulas endócrinas. básico para toda a biotipologia. personalidade e biótipo. Um segundo grupo de glândulas age aumentando a massa corporal sem interferir na diferenciação das formas. Compreende a hipófise. serão definidos os seguintes termos. o que as torna um fator capaz de transformar forças do meio externo em forças internas do corpo. tem vários conceitos. parátipo e f e n ó t i p o .FATORES DE D I F E R E N C I A Ç Ã O DOS TIPOS HUMANOS Os tipos humanos diferenciam-se devido a desigualdades no ritmo de crescimento dos órgãos. e. doenças e número de gestações. portanto. citada por Coelho: "O conceito de constituição resulta de uma abstração que reúne o substrato anatômicoencefálico e somático em geral. Quanto às glândulas endócrinas podem ser divididas em dois grupos de acordo com seu modo de ação. Por outro lado. Para Viola. caráter. Entretanto. o aspecto funcional que aparece como expressão daquele conjunto nos vários tipor de c o m p o r t a m e n t o " .

mas não se confunde com ela. fixados através das gerações. "a manifestação da atividade explícita. mas tem significado mais abrangente. Siemens) ou caracteres atuais (Pende) é a totalidade dos caracteres acrescentados ao genótipo pelas complexas ações do meio ambiente. reconhecidas como modalidade de caráter". decorrem do estímulo afetivo. Confunde-se dessa forma com o conceito de personalidade. 0 termo personalidade é muitas vezes usado como sinónimo de temperamento ou caráter. Siemens) ou caracteres potenciais (Pende) é o conjunto de caracteres que o indivíduo adquiriu hereditariamente. e também compreensão. tal termo apresenta como definição precisa "o conjunto de funções subjetivas agrupadas fundamentalmente em três setores: afetividade. isto é. ampliam seu significado abrangendo também a parte psíquica e tendo assim significado volitivo-afetivo. idiótipo (Lenz. Depende mais das condições ambientais e é mais passível de modificações do que a constituição. pois engloba as caraterísticas afetivas. A expressão temperamento. Biótipo e temperamento em conjunto. Fenótipo é o resultado da interação entre genótipo e parátipo. derivados dos caracteres físico-funcionais e que determinam um modo especial e espontâneo de reação psíquica ao ambiente". as ações. Viola dia que "temperamento é a especial combinação de caracteres dominantes da individualidade psíquica ou pessoa. Portanto. abrangendo a parte afetivo-volitiva e as faculdades intelectuais do indivíduo. Kretschmer considera temperamento o conjunto de qualidades afetivas que caracterizam uma individualidade tanto no que diz respeito á forma como sofre as "afecções" e à maneira como reage. Para Silveira. tendências e vontade. deriva de têmpera. Consideramos caráter como a expressão mais dinâmica do estado psicológico do indivíduo através do qual apresenta reações no meio ambiente. de maneira a se conduzir socialmente. Parátipo (Lens. abrangendo sentimentos. Outros ainda dão-lhe significado somente psíquico. temperamento corresponde ao aspecto dinâmico da constituição. significando assim a mistura dos diferentes traços de personalidade. Para alguns autores. de modo que o indivíduo traduzirá no comportamento interpessoal as disposições afetivas. psíquico e fisiológico. segundo o estímulo recebido. enquanto outros. Caráter é considerado como traduzindo fenómenos de ordem psíquica. excluindo-se a parte intelectual. 0 componente morfológico se resume como biótipo e os componentes funcional. segundo Coelho. Admitia-se caráter como o conjunto de todas as características psicológicas do biótipo. conativas (volitivas) e intelectuais do indivíduo. Segundo Coelho. como temperamento. mas é empregado com amplitude variada. raciocínio e memória. é a parte volitivo-afetiva. Caráter. temperamento seria a expressão humoral do b i ó t i p o . conação e . para Duarte-Santos.Genótipo (Johansen). estão implícitos na constituição individual. através das quais ele se contactua com o meio ambiente.

PRINCÍPIOS GERAIS DE BIOTIPOLOGIA Alguns dos princípios gerais da biotipologia são importantes e por esse motivo serão citados a seguir: a. O indivíduo é uma unidade existindo uma indissolúvel correlação entre suas diversas partes e funções. b. mas obedece a determinadas leis. consiste no b i ó t i p o " . Na génese da doença. f. c. Estas funções psíquicas resultam da atividade cerebral. as reações individuais têm importância igual ou superior às causas externas. Essa diferença individual não é caótica. não há duas pessoas iguais. O mesmo indivíduo é diferente de si mesmo em momentos diferentes. são peculiares à espécie humana e regem harmonicamente e de modo contínuo as disposições do indivíduo e as suas relações com os ambientes físico e social". e. g. O conhecimento do indivíduo " n o r m a l " deve preceder e servir de base ao estudo do indivíduo patológico. Uma definição precisa de biótipo é fornecida por Coelho: "a expressão somática da regência metabólica para com o mundo interno objetivo. como carga genética e como manifestação do instinto nutritivo. Todos os indivíduos são diferentes.inteligência. d. Apesar das diferenças entre os indivíduos há semelhanças que permitem grupá-los em " t i p o s " . .

Sigaud. O método é criticável por basear-se unicamente na inspeção sem nenhum elemento mais concreto e objetivo. devemos considerá-la sempre móvel e cambiante. ShekJon e Stevens. dando-lhe uma característica pela qual seria agrupado ou tipificado.CAPITULO X TEORIAS BIOTIPOLÓGICAS Existem diferentes classificações biótipo lógicas. não só considerada sinteticamente e no sentido estático (GestaIt).Estes classificavam os indivíduos em cranianos. A predominância de um destes humores determinava o temperamento: sanguíneo. originando uma orientação morfológica. interpretadas estatiscamente. acreditando que o ser humano seria formado por quatro elementos: linfa. aceitava como fundamental a ideia que o indivíduo desde a fecundação teria seu destino evolutivo marcado. que levaram esta ideia a outros povos. Tal predominância se reconhecia pelo contacto com o corpo do indivíduo. sangue. melancólico. Jaensch. pituitoso e bilioso. pituita (fria e úmida) em contraposição com a bile (quente e seca). mas influenciável pelo meio externo. Brugsh. Mais tarde (século II DC). . ESCOLA ITALIANA De Giovanni (1891). A vida resultaria da combinação desses quatro elementos sendo que um deles predomina no indivíduo." A partir do final do século XIX. umas. seu discípulo. Benecke. e Hussen. enquanto outras. apoiam-se em medidas biométricas. "O que acaba de ser formado. Stockard e Bean. torácicos e abdominais. pois resultado da hereditariedade. segundo a predominância de uma destas três partes relativamente às outras. Kraus. se transforma imediatamente e para termos uma ideia viva e verdadeira da Natureza. da qual foram precursores Halé. dentre as quais destacamos as de: De Giovanni. sendo. bile e atrabile. como também no estado dinâmico e cinemático (Bildung). A tentativa de agrupar os indivíduos segundo certas características existe desde as mais antigas civilizações. Os progressos que se realizaram posteriormente na Anatomia humana deram à noção de temperamento um significado diverso. Hipócrates utilizava os ensinamentos de Empédocles em Medicina. Goethe criou o termo morfologia para significar o estudo da forma. surgiram várias teorias biotipológicas. "pintor em Roma antes de ser médico em Paris". Galeno admitiu que quatro humores entrariam na constituição do homem: sangue (quente e úmido). baseadas apenas no aspecto externo do indivíduo. opondo-se â atrabile (fria e seca). Viola e Pende. escrevia ele. Encontramos indícios de tal fato já nas antigas sociedade orientais e ulteriormente entre os gregos.

A segunda combinação é a mais idêntica à ideal. 10. refletindo até a evolução filogenética da espécie. baço e das veias. que é de volume normal ou maior (fig. circunferência torácica igual a metade da estatura. mas sem esquecer a investigação funcional e clínica. com frequente catarro. predisposição para afecções pulmonares. como hemorróidas. média. eretismo do sistema nervoso. o que acarretaria excedência relativa do tórax. Estas. diâmetro bi-ilíaco igual a 4/3 de altura do abdomem. segundo o conceito do autor. Harmónicos. desproporções e variantes individuais. de morbilidade escassa. desprezando só a parte psíquica. Daí surgiu o conceito de hiper e hipo-evolutismo e a possibilidade de desequilíbrios. 10. em seu significado profundo. rins. mas sobretudo este. sobretudo dos vértices pulmonares. oom critério antropométrico. tensão arterial baixa. normal. Hiperemia respiratória. Rara como em geral é a perfeição. mas com maior desenvolvimento somático (maior massa corpórea). membros curtos. aspecto viçoso. Os indivíduos da terceira "combinação" têm apreciável desenvolvimento do tronco. mas sobretudo do abdome. altura do esterno igual a 1/5 da circunferência do tórax. sendo 1/5 da base do apêndice xifoide ao umbigo e 1/5 do umbigo ao púbis. coração pequeno e sistema arterial deficiente em relação ao venoso e linfático. Representa uma forma hipo-evolutiva. com leve excedência de tórax sobre o abdome. característica das crianças. tendência à obesidade. um hipoevolutismo com tórax e abdome deficientes. Admitia estreitas correlações orgânicas entre a forma e a função. Jacinto Viola (1905). na qual se incluiriam as pessoas dotadas de ótima constituição. deficiência respiratória por musculatura fraca. insuficiência hepática e do aparelho digestivo. a combinação ideal (fig. A cada combinação corresponderia determinado funcionamento orgânico e especiais tendências mórbidas. há debilidade geral. De Giovanni levava em consideração o desenvolvimento harmónico de cada parte e do todo individual. coração proporcionado ou mais desenvolvido na metade direita e sistema venoso e linfático muito desenvolvidos. com predisposição para doenças do sistema linfático.Este autor propôs-se a estudar os indivíduos baseando-se em sua morfolofia externa. Funcionalmente. membros alargados. Bom grau de nutrição. seriam etapas diferentes da ontogênese. podendo a individualidade total não atingir ou ultrapasar a maturidade plena. tórax largo. havia. capazes de servirem para classificar os homens em grupos a que chamou "combinações". Na primeira combinação. a Anatomia e a Fisiologia. musculatura e sistema cardiovascular bem desenvolvidos. entre o externo e o interno e até internamente entre os aparelhos e órgãos e as próprias partes constitutivas destes. em idade mais avançada. doenças intestinais. pele. pulmões grandes em relação ao coração. mesmo tuberculose pulmonar e.2) teria os seguintes caracteres antropométricos: estatura igual à grande abertura dos braços.1). venosa ainda mais. sãs e resistentes. discípulo de De Giovanni é sem dúvida o mais impor- . desde as primeiras fases embrionárias até a completa maturidade. fraca musculatura esquelética. intestinos e afecções dos órgãos intra-abdominais como fígado.

a combinação Figura 10.2 .1 — As "combinações" de De Giovanni: a—1ªcombinação b—2ª combinação. c— 3 .Tipo ideal de De Giovanni .Figura 10.

veremos que a multiplicidade de relações não nos permite a classificação em apenas três tipos: normolíneo. brevilíneo e longilíneo.tante nome dentre os biotipologistas italianos. Tal fenómeno é representado. mas se fez necessário a criação de um quarto tipo — o misto — para abrangermos os indivíduos que apresentam tal relação entre as medidas. como o esperado. . Viola utiliza um sistema de medidas que chamou de fechado. As variações se fazem em sentido antitético e se tornam mais escassas à medida que se vai distanciando do ponto médio da curva (vai ocorrendo uma maior amplitude de variação). O homem modal se torna indispensável para a classificação de Viola. enquanto que as demais são as componentes do sistema aberto. o qual é composto por dez medidas indispensáveis para a classificação biotipológica do indivíduo. distribuem-se de maneira que existe um desvio uniforme dos vários indivíduos para os dois lados do valor médio central da curva de distribuição". Toda a comparação no método biotipológico de Viola se baseia na determinação da moda (normotipo) e das variações possíveis de se apresentarem para excedência ou deficiência das relações em comparação à medida modal. por uma cruva binominal (lei de Quetelet—Gauss). a alimentação e a idade no período adulto (entre os 20 e o s 50 anos). a hereditariedade influenciada pelo meio ambiente. como elemento final. Seus pontos antropométricos são preferentemente ósseos para que haja precisão nas medidas. a Anatomia e a Fisiologia. b. condição indispensável para se ter as correlações entre eles de maneira direta e simples. e. ponto xifóideo correspondente à síntese do esterno com o apêndice xifóide. os hábitos de vida. que não podem ser incluídos em nenhum dos tipos padrões. o qual foi definido através da lei dos erros: "as variantes individuais. chegando á unidade. Apesar de teoricamente ser elemento de muita facilidade de se entender e classificar. o morfológico e o fisiológico. num grupo étnico. Estabelece como elementos fundamentais para a avaliação tipológica. na linha mediana. graficamente. cria o grau centesimal. o sexo. a higiene. delimitado por leis e traduzindo os elementos de estudo de diferentes origens em um número puro.a moda — através do que define todos os seus tipos biotiopológicos. Aceita como base formadora do indivíduo. ponto jugular correspondente ao ângulo formado pela superfície anterior do nanúbrio esternal e pela superfície superior da incisura jugular. o indivíduo em sua expressão unitária. as diferenças raciais. A d m i t e como elemento mais bem adaptado ao ambiente aquele que mais vezes se faz presente . Este autor admite pois como elemento fundamental a correlação entre o exterior e o interior. que possibilitam maior por menor ização do indivíduo. Estabeleceu as bases científicas da doutrina constitucionalista. a classe social. a idade e a saúde. na linha mediana. o ambiente físico. como causas acidentais dessa modelação. Tais pontos são: a. utilizando-se de método preciso. onde este genoma se desenvolve produzindo.

ponto epigástrico. a conclusão sobre a re- .4). o estênico e o astênico. porém com seu conceito de biotipologia — máxima individualização. em bloco. teríamos o biótipo ou o homem t o t a l de onde sairá o conhecimento do indivíduo. linha articular do punho direito na face dorsal. bem identificável ao se fazer movimentos de flexão e de extensão do punho. e. tais c o m o : segmento torácico com a hematose e distribuição de alimentos pelo organismo. Viola procura retirar de seu método elementos que são influenciados diretamente e em grau muito elevado pelo ambiente como o meteorismo. Biótipo. ponto acromial correspondente à borda externa do acrômio direito. no homem médio. g. confere melhor sistemática e menor possibilidade de erros do método. brevilíneo e longilíneo (Fig. a relação entre a vida vegetativa e a de relação se equivalem de forma harmónica e nele encontraríamos a expressão mais adequada de todas as funções fisiológicas. a psíquica e a neuroquímica. Por outro lado. Este autor admite também a correspondência das medidas. De acordo com Viola. a gordura e a hipertrofia muscular. Tal fato encontra fundamento quando se faz o estudo da resistência em militares e desportistas. f.c. o segmento abdominal inferior com a escolha e absorção dos alimentos. Discípulo de Viola. 10. é sinónimo de homem total que se encontra no ápice de uma pirâmide triangular. que tem por base o património hereditário e por faces a morfológica. admitindo um número reduzido de medidas. é relacionado com a vida vegetativa e os membros com a vida de relação. proveniente de exercícios exagerados. ponto púbico correspondente à borda anterior e superior da sínfise púbica. para Pende. passando pela borda inferior da 10ª costela (ponto em que esta cruza a linha axilar anterior). ponto maléolo-tibial correspondente ao ponto de maior saliência do maléolo medial direito. A proporção de distribuição encontrada pelo autor f o i de 40% para os mistos e 20% para cada um dos tipos. a moda. como elemento indispensável para a caracterização biotipológica. na linha mediana. Da interação entre estas faces calcadas na base. mesmo na classificação mais simples dos quatro tipo preconizados por Viola. com uma linha horizontal. Sua classificação é baseada no estudo endocrinologia) do indivíduo (Fig. portanto. o tronco. segmento abdominal (digestão). Pende (1939) aceitava o sistema fechado do mestre. admite haver dois poios em cada um deles. Não aceita também somação de medidas feitas em dois segmentos consecutivos e que tenham a mesma função fisiológica correspondente. dos segmentos determinados pelas medidas com funções fisiológicas precisas. ou melhor. recorre a inúmeras medidas complementares. d.3). segundo Viola. lembrando ainda a necessidade da medida basal. 10. normolíneo. correspondente ao ponto de cruzamento da linha mediana abdominal. sendo este um dos pontos mais criticados de sua classificação por abranger número muito elevado de indivíduos que são classificados por exclusão.

brevilíneo (B) e normolíneo (N) de frente e de perfil B .3 .Tipos longilíneo (L).L N Figura 10.

Pode-se dizer que os brevilíneos têm temperamento hipotireóideo. descreve Pende as seguintes variedades: hipotireoideia. do indivíduo no vastíssimo alcance médico. . havendo neles astenia. com orientação parassimpaticostênica e metabolismo de tendência anabólica.4 . hipopituirárica ou hipopituitárico-hipotireoideia. profissionais. faz a determinação do caráter astênico ou estênico. classificações e combinações as mais variadas. retirando conclusões. mas. destes estudos. hipossuprarrenal. escolares. . apenas as mais comuns. . das quais serão citadas a seguir.Biótipo. segundo Pende sistência vital geral. hipogenital. entre os longilíneos temos: hipertiroideia. se existe hiper-funcionamento concomitante da suprarrenal ou das glândulas genitais.Figura 10. social e geral. hipertireoideia-hiperpituitárica. hipogenital. desenvolvimento sexual. hipersuprarrenal. Baseado neste índices. em consequência. etc. as características morfo-neuro-musculares. intelectuais. reprodutor. Dentre os brevilíneos. que é o fundamental. as aptidões manuais. social. robustez. Pende estabelece relações no âmbito da face morfológica determinando índices como o de nutrição. estenia e assim as duas primeiras variedades citadas são astênicas e as duas últimas estênicas. o valor económico. ocorre. Estuda todas as faces da pirâmide de maneira bastante minuciosa.

É muito interessante a coincidência destes quatro biótipos (longilíneos astênicos e estênicos e brevilíneos astênicos e estênicos). utiliza-se dos mesmos parâmetros que seu mestre Viola. Deste modo se estabelecem o i t o variantes e quatro formas de passagem de uma a outra variedade. o qual é acompanhado de um antagonismo entre o desenvolvimento da vida vegetativa absolutamente deficiente. reconhece que sob uma mesma rubrica estabelecida através do mestre Viola há relações muito diferentes no sentido da excedéncia. no brevilíneo estênico. deficiência ou normalidade do dado avaliado (Fig. Assim. porém estabelece um critéiro de classificação que permite a localização de todos os indivíduos sem cair nos mistos de Viola. Mário Barbara (1929). Tipo médio ou normoesplâcnico de Viola: Tronco O = Membro O O tronco e os membros são iguais em seus valores absolutos e relativos. Seu método baseia-se na primeira relação estabelecida por Viola — Tronco/ membro para classificar sob a rubrica de Brevilíneo. c. o melancólico. Longilíneo ou N o r m o l í n e o . Longitipo com antagonismo ou microesplâncnico de Viola (1ª Combinação) Tronco — < Membros + Os membros excedentes predominam sobre o tronco deficiente. dentro das quais se pode catalogar qualquer indivíduo. com os quatro temperamentos dos antigos. dentro do t i p o brevilíneo e do tipo longilíneo há diferenças morfológicas grandes. Braquitipo com antagonismo ou megaloesplâncnico de Viola (3ª Combinação) Tronco + > Membros - Suas características morfológicas e fisiológicas são contrárias ao anterior. que servem para caracterizar essas variedades e às quais corespondem temperamento próprio. Ainda dentro da escola italiana. o colérico e no longilíneo astênico. fisiologicamente apresentam desenvolvimentos harmónico da vida vegetativa e de relação. Para t a n t o . 10. traduzindo caracteres morfológicos e funcionais diferentes. d. Assim. no brevilíneo astênico se vê o temperamento fleugmático.5). porém através da comparação de cada elemento com o valor modal determina se há excedéncia. b. no longilíneo estênico. deficiência ou normalidade. o sanguíneo. e o da vida de relação excedente. constituem seus tipos: a.Na realidade. caráter próprio e até por vezes t i p o intelectual característico. Macrosômico harmónico ou Paracentral superior de Viola (2ª Combinação) .

.Tipos de Barbara-Berardinelli Grupo brevilíneo: a-normocórmico. porém excedem ao normal. n. vida vegetativa e de relação proporcionadas. Microsômico harmónico ou Paracentral inferior de Viola (4ª Combinação) Tronco — = Membros 0 tronco e os membros são proporcionados. d-brevilíneo.normomélico. j-longilíneo. f-macronormolíneo. l-microlongilíneo. porém inferiores ao normal. e.Figura 10. ocorrendo algo semelhante com os dois setores da vida orgânica. 0 tronco e os membros são proporcionados porém de valores superiores ao normal. Grupo longilíneo. Grupo normolíneo. h-micronormolíneo. i-macrolongilíneo.normolíneo.5 . g. b normomélico c-microbrevilíneo. e-macrobrevilíneo. m-normocórmico.

tronco maior que membros. Variedade B. correspondem à "forma de passagem". Os indivíduos que não são classificados em nenhuma dessas formas citadas. A variedade B (tronco + > membros 0 possui tronco acima do valor nodal e maior que os membros que se apresentam dentro do valor modal. porém logo temos as quatro variedades que tornam possível a classificação dos restantes em quase sua totalidade: Variedade A. longitipo deficiente: Tronco — < Membros — Valores abaixo da média. O quadro 10. predomínio do tronco.1 resume estes tipos. A variedade A (tronco O < membros +) possui tronco dentro do valor modal. . os quais excedem o valor modal. porém menor que membros. Variedade C. corresponderia a desenvolvimento desarmônico dos sistemas orgânicos com predomínio do sistema de relação. longitipo excedente: Tronco + < Membros + Ambos os valores excedem à média e são desproporcionados entre si. desenvolvimento maior da vida vegetativa sobre a da relação e ambos superiores ao normal. A variedade C (tronco O > membros -) o tronco encontra-se dentro do membros O) tem membros dentro do valor valor modal e é maior que os membros que se encontram abaixo do valor modal. braquitipo deficiente: Tronco — > Membros — Suas características são contrárias ao anterior. com predomínio do sistema de relação.Até aqui o critério de Barbara é semelhante ao de Viola. A variedade D (tronco — < modal e predominando ao tronco. cujo valor é inferior ao modal. desenvolvimento deficiente dos sistemas orgânicos. cujas características sintéticas são as seguintes: Variedade D. braquitipo excedente: Tronco + > Membros H Valores do tronco e dos membros superiores ao normal.

QUADRO 10.1 -CLASSIFICAÇÃO DE BARBARA-BERARDINELLI .

digestivo. com predominância do tórax e do andar médio da face. com os andares da face iguais. 10. uniforme ou ondulada. tendo a cabeça em forma de pião (Fig. Figura 10. cujo tronco é igualmente repartido entre tórax e abdome. propondo um índice que até hoje é válido. e predomínio do abdome.6). M = muscular e C = cerebral Thooris além de considerar a forma do corpo como o fazia Sigaud. É também quem inicia o estudo das capacidade físicas de velocidade. Claude Sigaud. muscular. e cerebral. D = digestivo.Os quatro tipos de Sigaud: R=respiratório. (1894) o primeiro vulto de destaque da escola francesa elaborou uma classificação dos indivíduos baseada na integração do conjunto de sistemas que constituem a economia humana e o meio específico no qual apresenta a sua continuidade. resistência e força. dá importância também à superfície corporal classificando os indivíduos em: superfície redonda ou chata.ESCOLA FRANCESA A princípio. seriam definidos os quatro tipos: respiratório. o VARF. com a cabeça em forma de pirâmide devido ao grande desenvolvimento do maxilar.6 . bosselada ou cúbica e ainda considera uma forma comprida e uma forma larga. . agilidade. com predominância do crânio. os autores desta escola basearam-se na análise da superfície corporal e só mais recentemente vêm utilizando método diferente de estudo. Da predominância de um desses sistemas.

Fazia uma antropometria mais interna do que externa e estudava o desenvolvimento em massa comparando as vísceras entre si e com a estatura e o peso corporal. mas ao estudo de grande número de variáveis. e o transversal (brevilíneo) inferior ou visceral. Ambos os autores têm o mérito de ter dado à tonicidade e atonicidade das formas corpóreas o valor que elas merecem fora do t i p o de predominância. ESCOLA ALEMÃ Nota-se nos autores alemães do início do desenvolvimento das ideias biotipológicas uma preocupação em relacionar os tipos com as condições viscerais como o fez Benecke (1878) e também com as perturbações psíquicas como o fez Kretschmer (1921). A Escola Biotipológica Parisiense é constituída de vários autores que procuram estudar o indivíduo partindo. porém no aspecto de forma acrescenta a hidrófila inchada redonda e uma seca hidrófoba.Mac Auliffe (1932). o transversal (brevilíneo) superior ou muscular. o cálculo dos coeficientes de correlação e mesmo . o longilíneo. débeis. as características de seus tipos se superpõem às dos quatro biótipos de Pende. com as principais vísceras pequenas (microesplancnia). em seu trabalho. anêmicos. Benecke. O estudo da participação dos três folhetos embrionários na determinação dos tipos é o que caracteriza o trabalho de Martiny. constituem o denominado morfograma (altura. com bom estado de nutrição. faz uso. Martiny procura. — O endoblástico ao brevilíneo astênico — O mesoblástico ao brevilíneo estênico — O extoblástico ao longilíneo astênico — O cordoblástico ao longilíneo estênico. pouco resistentes à fadiga e às infecções. altura troncocefálica. também dá importância à superfície corporal e faz a mesma classificação que Thooris para esse fator. peso. Usando tais medidas chega a quatro tipos: o mediolíneo. Classificou dessa foram dois tipos: o primeiro. fortes. o segundo tipo englobaria os indivíduos de grande massa t o t a l . diâmetro biacromial e diâmetro bicristailíaca). que posteriormente são trabalhadas estatiscamente para se determinar recorrendo a análise fatorial. utilizando um critério mais organicista e localisacionista que o geral. constituído por indivíduos delgados. Entre os autores modernos temos Olivier que classifica os tipos utilizandose de medidas biométricas que em conjunto. para sua classificação. mas de uma dúvida sistemática. resistentes às causas morbígenas e órgãos volumosos. de relações quantitativas de peso e volume de vísceras de cadáveres. não de categorias pré-estabelecidas. atarracados. Não se propõem a nenhuma classificação nova. correlacionar o t i p o morfológico com o fisiológico e o psíquico.

Kretschmer.o pícnico. finos. distanciamento notável do normal. o pescoço musculoso. tronco cilíndrico. mas sim relacionados com a estatura. psicopatas. porém com uma metodologia diferente. altos e baixos. o displásico apresenta formas bizarras. gorda. o dorso se estreira para baixo. em tipos tais como os agigantados. bem desenvolvidos. Este autor estabelece índices variados que não são referentes a um homem médio padrão. classifica-os em médios. relaciona o tipo morfológico com a tendência de se desencadear a psicose maníaco-depressiva ou para a demência . dando origem a três tipos: normal (índice entre 51 a 56). ossos.7).Tais tipos coincidem com a primeira e a terceira combinação de De Giovanni. A maior crítica feita a essa classificação é que o autor não considera a parte psíquica no seu método. Diferentemente do atlético. os obesos por influência endócrina. Pelo valor absoluto da estatura. músculos e pele. os eunucóides. a dos atléticos e a dos displásicos (fig. o abdomem é rijo e fino. aliadas a uma beleza de formas que tem por base uma perfeita harmonia. Os ombros são largos. com acentuada tendência à calvície. Às duas tendências principais denominou de Ciclotímica e Esquizotímica. de tórax estreito (menor que 51) e de tórax largo (maior que 56). a cabeça é pequena. Aos ciclotímicos corresponde uma única forma. mais ou menos dolicocéfala. Seu índice mais importante é o que relaciona o tórax com a estatura. feiura. contrastando com o desenvolvimento pelviano. o nariz longo e o queixo é retraído. Seu esqueleto e músculos são sólidos. ombros estreitos. os anões. fracos e delgados. de abdome desenvolvido. Leva em conta ação das glândulas de secreção interna que agem sobre duas coisas: a forma e o caráter. caixa torácica estreita e comprida. pescoço e extremidades finais. o tórax amplo. fisionomia larga. Estudando precoce. As características do leptosòmico são: desenvolvimento dominante no sentido longitudinal. É gorducho. O atlético caracteriza-se por um aspecto de robustez inconfundível. desarmonia do conjunto. 10. O pícnico corresponde ao t i p o digestivo de Sigaud. dando ao todo uma impressão de imponência e força física. cabelos raros. etc. Aos esquizotímicos correspondem três formas exteriores: a dos leptosòmicos. encontramos Kraus (1897) que elabora sua classificação baseando-se no estudo da capacidade funcional do indivíduo (siziologia) e Brugsch (1918). Entre outros autores. ombros estreitos. não somente os casos normais mas também os que se encontram no limiar da anormalidade ou que se encontram em estados psicóticos. músculos flácidos. que aceita a orientação de Pende. as quais abrangem. a cabeça forte. pois seu sistema antopométrico é calcado nas comparações das medidas entre si.

7 — Os tipos de Kretschmer L — leptossòmico A —atlético P — pícnico A P .L Figura 10.

A forma básica da integração para fora. Compassivo. Eis aqui. A base da teoria tipológica destes autores radica na oposição entre os denominados tipos integrados ou animados (besselter) para fora eos tipos desintegrados ou desanimados para fora.Merece atenção especial a teoria dos irmãos Henrique e Walter Jaensch. Soldados de ação e cérebro. a título de expicação. Curso representativo lento e com frequência adesivo e viscoso. irritável ou indiferen te. Fantasistas Homens de conflitos e obrigações. mas animados para dentro (isto é. Fechado ao ambiente. às vezes simultaneamente. o quadro-resumo desta oposição tipológica: Tipo animado (integrado) para fora (e também para dentro) Tipo desanimado (desintegrado) para fora (quase sempre animado para dentro) Todas as funções (manifestações vitais) trabalham somato psiquicamente como uma totalidade fechada (integração) Todas as funções se encontram. Com predomínio afetivo Com predomínio voluntário Dissolvido ou incorporado ao ambiente. Teóricos Curso representativo muito vivo e com frequência mutável. independentes entre si (desintegração). até certo ponto. sua oposta (desintegração aparente) é o denominado tipo tetanóide ou tipo T. quando se encontra acompanhada dos correspondentes sinais somáticos. Idealistas e ascetas. Natureza meiga e flexível Natureza dura e rígida Dirigido para a A r t e e o gozo estético-sensual. Tempo Firmeza Artistas do viver e hábeis práticos. Com bom controle da expressão emocional. Adaptável e acomodável. com violentas ou vivas variações do humor. Os primeiros são relativamente infantis e os segundo plenamente evoluídos ou adultos. com grande "vida interior"). Mais propenso à ingenuidade e à alegria infantil. Quase sempre sério. firme ou obstinado. . nô-la dá o denominado tipo basedowoide ou tipo B. lábil.

Stockard (1923) e Bean (1924) criaram classificações estreitamente relacionadas com o desenvolvimento endócrino. ao predomínio do mesoderma corresponde. uma atitude "dinâmica. extremidades curtas. denominam de cerebrotônico. orelhas pequenas redondas e grossas. À margem desses tipos. complacente e epicuriana". baseandose na evolução. o hipoontomorfo. a qual denominam somatotônica (embora melhor seria denominá-la miotônica). em indivíduos que possuem uma particular sensibilidade às toxinas tuberculosas. uma atitude de "reserva. especialmente. viscerotônico de Sheldon. dando origem a dois tipos relacionados com o hiper e o hipo funcionamento desta glândula. própria do temperamento que o A A . Jaensch. coincidindo com integrações limitadas a determinados territórios de sua individualidade e se faz presente. introvertido de Jung. corresponde um t i p o temperamental ao mesmo tempo que um tipo morfológico: o predomínio do endoderma se reflete por um aumento da área visceral e pela existência de uma atitude afetiva "branda. em troca. Dentre os escolas modernas de Biotipologia. ao predomínio de cada uma das folhas blastodérmicas no indivíduo. embora mais próximo do t i p o T. descreveu W. que seria constituído por tronco comprido. apresenta os tipos hiper-evoluídos (hiperontomorfo ou epiteliopático) e o hipo-evoluído (mesontomorfo ou mesodermopático). selecionaram vinte manifestações para caracterizar cada uma dessas atitudes (as quais não seria d i f í c i l identificar às três emoções básicas) e propõem definir cada indivíduo mediante uma fórmula numérica-tempe- . Bean. os tipos linear e lateral respectivamente. tensão interior e retenção expressiva". da tireóide (Stockard). temos que destacar a de Sheldon (1940) e Stevens. partindo de concepções tipológicas sustentam que. bervilíneo ou macrosplâncnico de Viola ou " d i n á r i c o " de Gunther e o t i p o desintegrado é o leptossômico (esquizotímico) de Kretschmer. este exibe uma desintegração patológica. que se denomina viscerotônica. que do t i p o B. Estes dois psicólogos da Universidade de Harward. sendo que este autor considera ainda um terceiro t i p o . o tipo lítico ou t i p o S.Não é difícil verificar que o tipo integrado é o sintônico de Kretschmer ou o extrovertido de Jung. finalmente. de auto-afirmação e poder". nariz largo e curto de grande depressão na raiz e narinas francamente orientadas para a frente. Ao predomínio do ectoderma corresponde. ESCOLA A M E R I C A N A Nos Estados Unidos. Pacientemente. cerebrotônico de Sheldon e alpino de Gunther.

. calcula-se o denominado índice Temperamental. isto é. De acordo com este critério. de acordo com a tabela do resultado de tais medidas. é descrito como viscerotônico extremo e aquele que tem um índice de 1-7-1. determinam seu somatotipo e. os autores dão ampla definição de cada uma das 60 manifestações que constituem a escala. lhe conferem também três notas. que possibilitam classificar o indivíduo com relação à sua estrutura afetivo-reacional. de extroversão. em todas as possíveis situações e humores. escrevendo estas notas com lápis apagável. Tais tipos extremos são raros e o frequente é obter valores intermediários. com dissociação nítida do subconsciente e manifesta objetividade. indica. segundo os AA. Como apreciar e valorizar essas manifestações das três modalidades? Observando o indivíduo durante o período de um ano. básicas da vida. de sorte que o indivíduo dá a impressão de um "metal mole. O 7-1-1 corresponde à extrema endomorfia (predomínio das vísceras digestivas: gordos abdominais). educativa (cultural) e física. tais como 4-4-6. Para se obter o tipo morfológico neste método os AA. que não tem têmpera em si". vamos esclarecer apenas o termo "intemperança". nas quais serão colhidos dados referentes à sua história familiar e individual e seu desenvolvimento psíquico nas esferas económica. é descrito como cerebrotônico extremo. o qual é usado aqui como sinónimo de centrotônico".ramental. Quanto ao termo "clivagem horizontal". . somatônicas e cerebrotônicas). ademais. etc. sexual. é descrito como somatotônico extremo e o que alcança o índice 1-1-7. Em troca. que dê uma ideia do valor de cada uma delas. de fixação temperamental para as tendências sensuais. cada um dos quais oscilará entre 1 e 7. submetendo-o a não menos de 20 "entrevistas" analíticas. Para sermos breves. a "clivagem vertical" indica a propensão para penetrar em profundidade a tendência à introversão e à retroversão (dependência do passado).. social. músculos e tecido conjuntivo: atletas ou . O 1-7-1 corresponde á extrema mesomorfia (predomínio do esqueleto. mediante o uso de 17 medidas antropométricas. para incluir possíveis retificações ulteriores.. e. de sorte que o temperamento de cada indivíduo virá definido por 3 valores. Uma vez obtidos os valores de cada uma das 60 manifestações. tomadas sobre uma série especial de imagens fotográficas e quadriculadas do indivíduo despido. que marcam sua posição nas escalas denominadas de endomorfia. estática. a projeção e fixação da individualidade em um plano superficial. 5-6-3. um indivíduo que obtém índice temperamental de 7-1-1. Usa-se uma escala de pontos de 1 a 7 para cada manifestação observada. Na obra original de Sheldon-Stevens. mesomorfia e ectomorfia. obtendo-se as medidas dos valores de cada série de 20 manifestações (viscerotônicas.

uma discordância intra-individual (somato-psíquica).Figura 10. (Fig. relativamente. 10. o grau de abertura do ângulo de Charpy e a forma da cabeça constitui o chamado tríplice morfológico de Prado Valadares.desnudez perante o mundo — fragilidade linear.). os casos em que existe tão perfeita concordância. . são poucos. secundariamente. o 1-1-7. de mesomorfia e somatotonia e de ectomorfia e cerebrotonia. quando não intervém fatores que provocam.8 — Tipos de Sheldon a — endomorfo b — mesomorfo c — médio d— ectomorfo homens fortes e ligeiros). 90 e 135 graus). extremidades fracas. trapezóide e pentagonal perfazendo um total de 45 tipos. . Mas na vida quotidiana. etc . tórax e abdome planos. depois analisa a altura atingindo um total de 9 classes e finalmente o aspecto da face: triangular. losângica. Prado Valadares. Naturalmente. Inicia a classificação analisando o ângulo de Charpy de onde resultam três tipos (45. representa a extrema ectomorfia (máxima área superficial possível . utilizando-se da altura. . O comum é que existam desvios entre o somatotipo e o temperamento. devem corresponder-se os índices de endomorfia e viscerotonia.8) ESCOLA BRASILEIRA Na Bahia.

TIPOS CONSTITUCIONAIS SEGUNDO V Á R I O S A U T O R E S Autores Hipócrates (460 A. O quadro que segue fornece a classificação biotipológica dos indivíduos. combinação 3a. a que denominou de displásicas e um terceiro grupo. Q U A D R O II . combinação respiratório marcroscélico microsplàncnico macroscélico tórax estreito leptossõmico linear hiperontomorfo ectomorfo cerebral . o das intermediárias. seu grupo de estudos foram as mulheres. outro de mulheres franca e visivelmente anormais. Rocha Vaz e seus discípulos deram grande desenvolvimento á Biotipologia entre nós. combinação 1a. de acordo com vários autores. No Rio de Janeiro. Entre seus discípulos merece destaque Berardinelli. que adotando o método da escola italiana fornece as denominações últimas para essa escola e é aceita pelo próprio Barbara (fig. 10. que são classificadas em três grandes grupos: um grupo de mulheres normais. combinação digestivo braquiscélíco megalospláncnico braquiscélíco tórax largo pícnico latoral hipo-ontomorfo endomorfo meso-ontomorfo mesomorfo 2a.1). se utiliza de critério natural e simples.5 e quadro 10.) Beneke (1878) De Giovanni (1891) Sigaud (1894) Manouvrier (1902) Viola (1905) Giuffrida-Ruggeri (1910) Brugsh (1918) Kretschmer (1921) Stockard (1923) Bean (1924) Sheldon (1940) apoplecticus 2a.Martim Gomes.C. combinação muscular mesoscélico normosplãncnico mesoscélico tórax médio atlético Tipos Morfológicos phtisicus 1a.

Malina comentando sobre a nutrição aventa ser esta o fator natural mais importante para o desenvolvimento plástico do indivíduo. são de diferentes índoles: anóxica. Mesmo em atos aparentemente simples como o andar. O estímulo fraco deve ser de tal forma que seja assimilado. postural. Em relação ao meio ambiente Silveira o divide em interno — citoplasmático — e externo — ambiente social. torna-se difícil de entender. Para Pikunas o desenvolvimento é uma sequência ordenada de fenótipos que é a resultante da ação do meio e do genótipo. etc". infecciosa. torna-se muito difícil distinguir as manifestações genéticas das decorrentes da agressão do ambiente ao feto. Pikunas acredita ser a hereditariedade o fatorchave do desenvolvimento humano. Para Ford há suspeitas de que não haja uma base física para a hereditariedade. fisiológica ou mesmo psicológica. porém Stent se contrapõem a essa ideia afirmando ser o DNA a estrutura do gen que abriga sua informação genética. .CAPITULO XI BIOTIPOLOGIA INFANTIL O ser humano é o resultado de uma interação complexa entre o genótipo e o meio ambiente. sendo que só a interação desses conhecimentos se aproxima da realidade. colaterais e descendentes que conseguiram ganhar expressão no meio que se desenvolveram. Marcondes e Pikunas entre outros tantos autores abordam o problema do crescimento e desenvolvimento como a interação entre a herança e o meio. Marcondes afirma que o conceito de desenvolvimento é relacionado com a aquisição de capacidade e crescimento com o aumento de massa pela hipertrofia e divisão celular (hiperplasia). "quando os fatores ambientais atuam na vida intra-uterina. Para Marcondes a herança está presente em todo o processo de crescimento e desenvolvimento através do genótipo. Arndt — Schultz. imunológica. cabe uma análise que pode ser morfológica. Essa dialética existente entre o genótipo e o meio caracteriza. que. segundo Comte citado por Coelho. o processo de vida. a qual se caracteriza por ser um processo no decurso do qual emergem os traços genéticos e que abrange todas as influências biologicamente transmitidas dos pais às células do sexo. citado por Marcondes diz que "estímulos fracos aceleram as funções e estímulos poderosos reprimem-na". mecânica. A hereditariedade é constituída de todos os traços encontrados nos antecedentes. O genótipo é a confluência dessas informaçõc que se organizam para se iniciar a ação gênica indispensável ao crescimento e desenvolvimento do organismo. pelo duplo movimento contínuo de assimilação e desassimilação do meio ambiente pelo genótipo. em sua integralidade de expressão. Para Marcondes. A princípio o crescimento e desenvolvimento se fazem em dialética exclusivamente com o meio interno onde estão dissolvidos os elementos plásticos necessários para que se concretize a informação genética. que aliás.

puberdade — correspondente ao período de desenvolvimento da diferenciação sexual e juventude que vai da puberdade até a consolidação do esqueleto. temperamento. o indivíduo se desloca ladeira acima para níveis mais altos da operação comportamental. citado por Rossi. tão particular e diferente em cada fase de crescimento. o amadurecimento do sistema nervoso e o psiquismo. Impelido pelo código genético no seu interior e pela nutrição e estimulação sensorial no exterior. a tendência simplista de se responder a pergunta da beneficidade ou não de um estímulo sobre o organismo deve ser analisado nos diferentes ângulos: morfológico. e tão d i ferente também em cada educando. tampouco é concebível um educador que ignore as capacidades fisiológicas e as potências psíquicas. aparelhos — digestivo. urinário. Entre nós Marcondes divide os períodos de crescimento e desenvolvimento pelo critério etário. Malina preocupando-se de estudar a açâb da atividade física no crescimento e desenvolvimento abre a pergunta de quanto deve ser esse mínimo e faz sentir a necessidade de estudos nessa área. fisiológico e psicológico. do terreno orgânico da criança. metabolismo. de cada fase do desenvolvimento. bioquímica hemática e psiquismo procurando estudar as mudanças encontradas. serão vistos outros pormenores. A dificuldade do estudo não se prende somente ao ser longitudinal." A primeira determinação dos períodos de crescimento segundo Rossi data de 1700 e foi realizado por Pagliani: O autor italiano dividia em 5 períodos compreendidos por: infância — 1º ano de vida até completar a primeira dentição." Assim. A seguir. Dizia Plutarco. circulatório e nervoso. adolescência — dos 7 anos até os primeiros fenómenos da faculdade reprodutiva. No capítulo anterior. respiratório. Rossi divide os períodos e os caracteriza quanto aos aspectos somáticos. Chamamos então de Neonato ao recém-nascido nos 15 primeiros dias de . o metabolismo. dentro da realidade do momento para o organismo.É portanto na determinação da intensidade do estímulo físico que se en- contra o problema da influência benéfica ou prejudicial da atividade física como elemento que propiciará melhor harmonia e desenvolvimento do organismo e de suas funções. estudamos os aspectos gerais do crescimento. puerilismo — dos dois aos 6—7 anos. cada qual em seu próprio tempo e r i t m o . Pikunas lembra que "o ser humano cresce e amadurece à medida que as dimensões básicas do organismo e da personalidade se desenvolvem. Resumindo a classificação de Rossi para os objetivos do presente estudo levaremos em consideração o aspecto somático. "Como não é possível que um agricultor não conheça o terreno no qual deve semear. Dessa forma acreditamos fornecer elementos para melhor compreensão do organismo e estágio de desenvolvimento deste. mas na variabilidade de um organismo para outro e no mesmo organismo de um instante para o u t r o .

assegurando com esta utilidade nutritiva as necessidades calóricas do 19 ano de vida. o aspecto metabólico é caracterizado pela facilidade de assimilação de hidratos de carbono e dificuldade de assimilar proteínas. a constituição morfológica e dinâmica temperamental do 1º ano de vida. hipertonia muscular fisiológica e sinal de Babinsky. A lactência é. a erupção dos 19 dentes e a tendência a certas diarreias. a altura da cabeça é 1/4 a 1/5 da estatura t o t a l . O metabolismo se caracteriza por oxidações intensas. braquitipo. o que assegura também o aumento do peso corporal. é dizer. pescoço curto. curto e de base alargada. as necessidades calóricas são de 15o kcal/kg peso. vai do final do neonato até o final do 1º ano. tem por finalidade essencial assegurar o predomínio do anabolismo sobre o catabolismo. braquiesquélico e macrossômico. Dominam os hormônios da córtex supra renal. . função da medula espinal bem desenvolvida. a circunferência craneana e torácica crescem 2. o predomínio dos processos assimilativos sobre a desassimilação. Seu desenvolvimento psíquico já lhe permite uma maior participação no meio compreendendo ordens simples. o psiquismo é quase exclusivamente a prevalência da vida fisiológica e a resposta aos estímulos envolve o corpo todo. graças à insuficiência pancreática.5 cm da cada três meses e meio. o estado especial de nervosismo que acompanha a muitas crianças. justifica. Ao nascer. O temperamento é hipotiroideo para Concetti. o metabolismo basal é muito alto e a ação específica dos alimentos é quase nula. fibras nervosas pobres em mielina. hipopituitário para Pende. do t i m o e do pâncreas. tórax relativamente maior que os membros superiores. predominando o anabolismo sobre o catabolismo. A altura no final do 19 ano é por volta de 70 c m . explica o possível desenvolvimento do raquitismo e do modo particular. Para Pende. o perímetro torácico ultrapassa 7—8 cm da metade da estatura. Predominam nessa fase todos os hormônios vagotropos favorecedores do metabolismo anabólico com a consequente deficiência dos hormônios simpáticotropos — catabólicos. A fórmula neuro-endócrina com predomínio dos vagotropos. o lactente. seu peso é 1 /4 a 1 /5 da estatura em centímetros. citado por Rossi. O estágio seguinte. a primeira época de desenvolviment o . O parassimpáticotonismo e o predomínio do estado hipertímico linfático associado ao hiperrinsulinismo. reflexos cutâneos ausentes. na classificação de Godin. de um modo particular a associação hipertiroidismo-hiperparatiroidismo da 2ª metade da lactência. índice torácico de 90. os membros superiores são maiores que os inferiores e a envergadura é maior que a estatura. seu tronco é grande. Resumidamente podemos dizer que se caracteriza morfologicamente da seguinte f o r m a : macroesplancnico cefálico. O aspecto somático é o seguinte: A linha que divide a estatura do neonato passa sobre o umbigo. pouco menos desenvolvido que o abdomem.vida. usando frases. reflexos tendinosos muito vivos. segundo Rossi. a ter mo regulação é imperfeita. No sistema nervoso vemos que seu volume e peso são 1/4 do definitivo. é grande a imperfeição da função cerebral. corre e pede para satisfazer suas necessidades.

Segundo Pende a evolução das percepções se faz da seguinte forma. a associação de ideias. a 2 a dentição se inicia. panelinhas para as atividades imitativas do meio social em que se desenvolve. a atenção. aos 2 anos reconhece perspectiva e dos 3 aos 4 anos em todos os planos. Suas capacidades físicas de velocidade e agilidade ficam exacerbadas. bonecas inquebráveis. No aspecto psíquico consegue manter equilíbrio em 1 pé só. animais. responde a perguntas simples e usa orações. o progresso psíquico da criança é. cubos de encaixe.Os brinquedos mais adequados. No aspecto somático encontramos um aumento rápido da estatura.5 anos caracteriza o terceiro período de crescimento de Pende ou Turgor Primus. movimentos laterais do quadril. função da atividade física que lhe permite a memória. "proceritas p r i m a " ou pequena puberdade de Pende se caracteriza pelo crescimento longitudinal e se extende no período do 5º ao 7 º a n o de vida. flexão e extensão dos inferiores. Há aumento das proporções braquítípicas em ambos os sexos devido ao perímetro torácico. A terceira época de Godin. segundo período de Godin.. simples e de imaginação. Na área física o autor supra citado preconiza duas sessões diárias de 5 repetições em cada um dos seguintes exercícios que deverão ser realizados também com o auxilio dos pais: circundação dos membros superiores. Os exercícios ajudam a desenvolver o tonismo muscular necessário para a postura ereta e marcha. em grande parte. O período de 2 a 3. põe sapatos e usa bem a colher. faz uma ponte com 3 cubos. O aspecto metabólico basal é máximo no 29 ano. bem como a marcha e a atitude postural". apresenta no 2º semestre do 2º ano um notável aceleramento. . exercícios de sentar e equilíbrio para sentar-se devem ser executados após o 4º mês e de ficar em pé e equilíbrio para ficar em pé após os 6 meses que podem se prolongar até os 2 anos. relativo estreitamento do tórax e escasso aumento ponderal caracterizando maior longitipia fisiológica.nos homens predominam os diâmetros craneanos transversais e nas mulheres os longitudinais. porém não se deve pular nenhuma das fases do desenvolvimento. "Os exercícios visam aumentar a independência muscular e aperfeiçoar a coordenação m o t o r a " . como o engatinhar. a proteinemia é muito variável. 0 peso corporal que havia dimunuído em seu crescimento na segunda metade do 1º ano. a silhueta se define. O crescimento prevalece em peso e amplitude. segundo Marcondes são as sacolas e caminhões para puxar. exercícios para os músculos dorsais e sacrolombares que podem ser executados a partir dos 2 meses. Marcondes falando da época pré-escolar lembra "a influência benéfica dos exercícios físicos se faz sentir claramente. Os jogos dos 2 aos 5 anos são motores. o que dificulta a resposta plástica aos exercícios. A necessidade metabólica em calorias é 83 Kcal/Kg/dia para os meninos e 80 Kcal/Kg/dia para as meninas aos 7 anos. o falar mais fluente. enovelamento. Há o crescimento do pescoço. aos 18 meses reconhece as figuras frontalmente.

assim como os inferiores. hiperpituitarismo. A pré-puberdade. Para as mulheres exercícios que desenvolvam a graça e o r i t m o e Tanto Marcondes quanto Godin admitem ocorrer por volta do 12º — 13º ano para os rapazes e 11º . enquanto o psiconeuromotor é . O "turgor segundo" de Pende se caracteriza pelo acelerado crescimento ponderal dos 9 aos 11 anos. pois os ossos ainda são maleáveis e os pontos de inserção dos músculos não estão consolidados". o desenvolvimento muito. aproximadamente. Para Marcondes há um maior desenvolvimento da função respiratória. Coincide com a queda dos dentes de leite. estamos no período pré-realista de Pende que se caracteriza pelo domínio da sugestionabilidade e tendência a crer. É uma fase transitória em que o indivíduo ganha peso graças ao tecido adiposo e pouco devido ao tecido muscular. Surge a necessidade da crítica e da prova. para as meninas. Há. Salienta também que "os exercícios de força seriam usados excepcionalmente. Domínio da extroversão e falta de introspecção. Existe uma evolução na capacidade de trabalho. V época de Godin. Idade em que se formam os costumes morais e mentais pela ação dos colegas.No aspecto psíquico a criança adquire a noçâb de tempo decorrido e assim adquiriu todas as noções tanto auto como halopsíquicas. hipertimismo. "proceritas segunda" caracteriza-se por nova crise de crescimento longitudinal. um notável aumento da força muscular. No aspecto endócrino metabólico podemos ter: uma maior atividade hipercorticossuprarenal-hiperinsulínica-hipertímica com acúmulo de gordura e obesidade infantil ou do grupo tiroides-hipofisea-adrenal com constelação catabólica produzindo magreza submórbida ou mórbida. obedecer e imitar. hipergenitalismo. Há a reafirmação da constelação hormônica anabólica. Também se observam neste período a maioria dos casos de ambivalência sexual por hipertimismo. a hipertorfia muscular se opõe ao crescimento ósseo. Silveira e Rossi salientam que o 79 ano é a idade da mentira e que também. No aspecto metabólico encontramos hiperfunção da constituição anabólica. No aspecto psíquico. hipertiroidismo. motivo pelo qual ganha pouca força. O temperamento é dominado pelo vagotonismo. nessa fase. Os exercícios físicos preconizados por Marcondes para essa época divergem conforme o sexo. Quanto aos exercícios físicos nessa época do desenvolvimento preconiza Marcondes uma maior complexidade destes procurando desenvolver responsabilidade e disciplina. os membros superiores sofrem intenso crescimento. Deve-se evitar uma educação demasiado sistemática que choque com o real caráter criador. o diâmetro transverso do tórax desenvolve-se.12º ano muscular é pouco expressivo. educadores e pais. Neste período desehvolve-se a consciência das relações interpessoais. em ambos os sexos. Há aumento intenso do peso. começa o desenvolvimento da crítica.

há aumento dos testículos e produção dos espermatozóides. desenvolvimento das mamas e distribuição característica do tecido adiposo. O sistema piloso adquire o máximo de desenvolvimento. . constituem a base dos exercícios físicos.na mulher começa com a menarca e no homem com a primeira poluçãb noturna. dos caracteres individuais. Quando respeitados os diferentes períodos de desenvolvimento do indivíduo. um estímulo positivo. que terão atingido o seu grau máximo de complexidade. O acontecimento mais importante da crise puberal é a amadurecimento sexual. A puberdade.para os homens. o mesmo acontecendo com os dentes e unhas. VI época de Godin e sétimo período de crescimento de Pende "turgor t e r t i u s " . aumento do penis. Nos homens além de mudanças na tonalidade da voz. adquirindo maior elasticidade e hiperpigmentação sobretudo nas zonas genitais. boas ou más. da pilosidade pubiana e axilar e esboça-se a barba e o bigode. Para Marcondes a ginástica e o desporto. acompanhado de aumento da espessura dos membros. para o desenvolvimento harmónico das potencialidades contidas no genótipo e no meio ambiente em que ele se encontra. A pele aumenta em consistência. flexíveis e que desenvolvam a resistência. os que possibliitam movimentos amplos. Do ponto de vista psicológico a puberdade determina profundas modificações tendendo todas a exagerar as características originais. ocorre a mudança da voz. neste período. Na mulher completa-se o desenvolvimento pélvico com o aumento do diâmetro bicristailíaco. Os exercícios de força são largamente utilizados bem como os de aprimoramento da formação corporal. Preconiza também para esta época a iniciação esportiva do indivíduo. No homem. Há diminuição do crescimento longitudinal e começa o crescimento em amplitude sobretudo ao nível do tronco. o exercício físico torna-se um elemento catalizador. Na mulher o sinal visível é a menarca e o invisível é a ovulação: os pelos pubianos e axilares aparecem e ocorre o desenvolvimento das mamas e dos genitais externos. hipertrofia e robustecimento das massas musculares. o cérebro adquire seu volume definitivo e o timo deve estar involuido.

Em poucas coisas nos diferenciamos como nos traços de nossa sexualidade respectiva. um dos aspectos mais nítidos da personalidade é.CAPITULO X I I DIFERENCIAÇÃO SEXUAL Como diz Marafión. Não nos utilizaremos nesta exposição da divisão proposta por Hunter em 1870 (caracteres sexuais primários e secundários). A mulher se distingue do homem por uma série de caracteres morfofísiopsicológicos. mais cilíndrico. mais regular. cordas vocais mais débeis e curtas. coluna lombar relativamente mais longa e coluna dorsal mais curta. Pende procurando estudar as diferenças sexuais constitui três índices e classificação consequente. nem mesmo da modificação de Marafión (caracteres genitais e sexuais) porque incide no mesmo incoveniente de dar um caráter radicalmente diferencial a órgãos que tem equivalentes nos dois sexos. a força e o desenvolvimento das inserções musculares maiores são características de predominância masculina. Pescoço mais curto. vagina e vulva. Quanto às características gerais a mulher no seu conjunto apresenta dimensões menores. já clássica. superfície da pele mais lisa. mostra-se um fator de precoce diferenciação sexual. com laringe mais delicada. a asperidade onde se inserem os músculos nos ossos são menos salientes. segundo Tanner (1962). e produzindo por pequeno período maior estatura nas meninas do que nos meninos. Caracteres Sexuais Morfológicos Nas mulheres em relação aos homens encontramos além de órgãos tipicamente femininos como os ovários. Tal aumento se torna generalizado após o surto pubertário para toda a musculatura constituindo elemento de diferenciação entre os sexos. para ocorrer uma aceleração no início do surto pubertário. sem dúvida. cérebro maior relativamente à massa corporal. visto que nos meninos a partir dos 11 anos já encontramos uma superioridade no teste da dinamometria. Lordose lombo-sacra mais pronunciada. A altura da mulher adulta é 10 a 12 cm menores que o homem em igualdade de condições. que é antecipado na mulher visto este ocorrer antes nelas. trompas. mas que com os conhecimentos endocrinológicos atuais se tornou muito estreita. alguns evidentes à primeira vista. que antes do surto pubertário é igual para os dois sexos. Todo o sistema ósteo-músculo-ligamentoso mais delicado. A força. Esses índices são: ou pela precisão dos instrumentos de antropometria . e outros postos em evidência pela observação mais minuciosa física e funcional. o sexual. base do pescoço mais larga e arredondada. A velocidade de crescimento decresce do nascimento até os quatro ou cinco anos. a cabeça mais longa. A resistência.

segundo Gualco. Pende classifica as mulheres e m : .Gualco e Sarperi dizem haver uma estreita relação entre a predominância do diâmetro bi-troncanteriano e a fecundidade feminina.4 para as mulheres e 85.5 para as mulheres e 91. hipergenitais.1º— Relação entre os diâmetros bi-acromial e bi-trocantérico . a medida que a mulher vai desenvolvendo caracteres femininos. No homem haveria inversão destas características: os braquicéfalos são hipogenitais. Baseado nesses índices e outras caracteríticas auxiliares.4 para os homens. Na mulher normal há predominância da largura e da altura sobre o comprimento da cabeça.Nota-se na mulher bem desenvolvida uma predominância deste sobre o dos membros. diâmetro biacromial — diâmetro bicrista ilíaca O valor médio desse índice fica em torno de 93 para os homens e 78 para as mulheres.1 para os homens. ao passo que os solicocéfalos. quando há diminuição das características femininas. o índice: Diâmetro bi-trocanteriano X 100 diâmetro bi-acromial apresenta como média 90. quanto mais preponderante o bi-acromial. As primeiras são as segundas são estéreis. Pende (1955). A mulher braquicéfala seria mais fecunda que a dolicocéfala. Como já estudamos. começa-se a notar o inverso. bilateral e vertical do crânio. medindo os pontos supra-púbico e o ponto tibial interno na interlinha fêmoro-tibíal. Na mulher hipoovariana há predominância da perna. em que há predominância do segundo sobre o primeiro. no homem. Tanner propõe uma fórmula simples para evidenciar a diferenciação sexual: I = 3. aproximando-se das do homem. mais se acentuam seus caracteres viris. A medida da coxa se obtém. comprimento da coxa X 100 comprimento da perna fecundas: 3º- Relação entre os diâmetros longitudinal. As médias para os dois sexos são: 83. ou quase. O grau de virilidade ou feminilidade será tanto mais acentuado quanto maior ou menor for o índice com relação aos seus valores médios. 2º— Comprimento relativo da coxa e da perna — Nota-se um maior desenvolvimento longitudinal da coxa que da perna.

a gordura da mulher invade a parte superior do tronco. 12. na metade inferior do corpo. em direção ao umbigo. os atrativos físicos da mulher. tiroidiana e suprarrenal. preponderando. Na época preclimatérica e climatérica. o períneo. 12. por . O t i p o intersexual atenuado é o que apresenta discreta tendência para a masculinidade. na pube. os braços.a) Tipo de feminilidade pré-púbere b) Tipo de feminilidade pós-púbere ou pré-maternal c) Tipo de feminilidade maternal d) Tipo intersexual atenuado. O t i p o de feminilidade pós-púbere é o tipo de mulher adulta bem desenvolvida. sob uma nova forma. (Figs. e estendendo-se para o perineo e margem do ânus. em que há predominância da porção inferior do tronco. aumento da hipófise. espessando-se mais do que na mulher. cita o sinal de Stein como um dos caracteres sexuais mais constantes no homem e que constitui da forma da implantação dos cabelos na região frontal. sendo tal espessamento mínimo no homem. fecundas. embora haja mamas bem desenvolvidas. Nos homens ocorrem as "entradas". prolongar às vezes muitos anos. de aspecto quase infantil. O t i p o evoluído pré-pubere se caracteriza por apresentar bacia pouco desenvolvida assim como as mamas. ao longo da linha mediana do abdome. 12.2. o pescoço. A gordura na mulher se acumula de preferência na região mamária. prolongando-se para cima. Caracteriza-se por hiperfunções ovariana. pés juntos. na parte inferior. nos flancos. preponderância da bacia sobre a cintura escapular e a porção superior do tronco é bem acentuada. Isso não impede que possam ser belas e algumas vezes. a disposição dos pelos é também feminóide: mas nos anos sucessivos eles se transformam tipicamente.1. isto é. na parte inferior do ventre. nas coxas. que permite. pois. tal localização faz com que. o que caracteza o tipo matronal. No homem.3) Os pelos pubianos tem na mulher a mesma disposição que nos adoslescentes de ambos os sexos. a cintura escapular. as coxas das mulheres permaneçam em contato ao passo que as dos homens apresentam-se geralmente afastadas por um espaço mais ou menos largo. invadindo raramente. Na mulher há espessamento progressivo e acentuado do panículo adiposo sobre a face interna da coxa desde sua raiz até o bordo interno do joelho. isto é. na posição ereta. A distribuição de gordura é muito diferente no homem e na mulher. Berardinelli. durante a puberdade. termina numa linha horizontal. O t i p o de feminilidade maternal apresenta predominância do segmento inferior. lembrando o desenvolvimento pré-púbere. Há predominância do timo redução da função ovariana. com bacia ampla embora haja uma perfeita harmonia de formas.

1 — Perfis masculino e feminino em vistas anterior e posterior para comparação .Figura 12.

Baseados nessa característica Felice e Vassal propõem um índice que utiliza o perímetro da coxa e o peso. Figura 1 2 . menor atividade das trocas gasosas e energéticas em geral. 2 . bem como sua densidade e taxa de ureia menores. . quantidade de urina. menor capacidade vital. em relação ao homem os seguintes caracteres principais: temperatura um pouco mais elevada e ao mesmo tempo mais lábil. maior número de movimentos respiratórios.72% maior na mulheres. segundo Pende. relativamente hipohipofisária. menor energia muscular. coração mais célere. hipoparatiroidea.Perfil do tronco masculino Caracteres sexuais fisiológicos. a mulher é mais hipertiroidea ou hipertimotiroidea. Fisiologicamente a mulher apresenta. hiposuprarrenálica. endocrinologicamente. maior precocidade sexual e também parada mais precoce da atividade sexual. sendo que na mulher é 20.

a mulher é dotada de menor aptidão motora e à resistência passiva. o andar do homem se caracteriza por um movimento pendular das coxas e muito reduzida mobilidade pélvica. . e um movimento em báscula mais ou menos acentuado à bacia. O andar característico da mulher é devido sobretudo à maior largura da bacia. caracterizam também a mulher. as vozes nitidamente masculina são as de baixo e de barítono.3 . A voz nitidamente feminina. é a de soprano nas suas diversas gradações.Perfil do tronco feminino A voz. resultando como compensação um certo grau de geno valgo. a atitude das mãos e a aptidão especial para certos trabalhos. diz Maranon. o andar.Figura 12. Como consequência da estrutura menos sólida do seu aparelho ósteo-músculoligamentar. que obriga as coxas a covergirem mais que no homem. disso resulta que a mulher para andar deve imprimir uma certa rotação às coxas.

mesmo sob o ponto de vista estritamente prático. tendência aos fenómenos dependentes do menor controle dos centros nervosos superiores sobre os inferiores. suporta-a melhor" (Balzac). Maior emotividade. mais intuitiva do que lógica. mais prática. inteligência mais viva e ágil. e uma menor aptidão do que a destes para a atividade abstrata e criadora. principalmente nas mulheres mais jovens e sem experiência sexual. é a que se refere ao orgasmo. como o que se poderia chamar a labilidade da mímica emotiva (riso e choro fáceis). Para Maranon. mas. (Pende). Também para a dor moral as mulheres são mais fortes. Caracteres sexuais psicológicos. Pesquisas de Lombroso e sua escola mostram menos sensibilidade dolorosa na mulher. . de desenvolvimento mais precoce. maior irascibilidade. quando ela vem. as mulheres se caracterizam psicologicamente por apresentarem uma afetividade mais aguda que a do homem. O mesmo pesquisador afirma que as mulheres apresentam todas as formas de sensibilidade mais obtusas do que nos homens. "A mulher tem mais apreensão pela desgraça. linguagem mais célere sendo por isso mais desenvolvidos os músculos da língua como aliás o são também os adutores da coxa. que é rápido no homem e mais demorado na mulher.Diferença fisiológica importante.

há cinco aplicações que a ficha biotipológica escolar tem estabelecido na ordem social: a. de um grupo de alunos e comparando estes dados com os de uma nova tomada. Conhecer e controlar também as aptidões psico-sensoriais e intelectuais. melhor avaliá-lo e orientá-lo sobre exercícios mais indicados e os que seriam prejudiciais à sua constituição. Estas habilidades ou capacidades podem ser resumidas na sigla V. pois foi demonstrado que o atletismo não controlado cientificamente pode levar á desarmonia dos biótipos corporais e psíquicos. a Biotipologia constitui base verdadeiramente científica. oferece material suficiente para se organizar um conceito objetivo e sólido dos seus atributos físicos e psíquicos. que necessariamente devem imperar em todo desportista.F. 0 conhecimento da formação harmónica do tipo geral do corpo. os que terão maior rendimento em uma determinada especialidade. de Educação Física. aconselhar em educação física. 0 dilucidar controlando a normalidade ou anormalidade do desenvolvimento sexual.F. que mescla a vida moral e social do indivíduo em formação. fatores que não só relacionam a biotipologia escolar com a medicina do trabalho.R. aconselhar sobre higiene mental. coletados no início do ano. b. A palavra "V. senão que fundamentam a base científica da projeção do indivíduo na sociedade. quando feita criteriosamente. O controle da formação do caráter e do tipo mental. Por outro lado. c. isto equivale a dizer praticar medicina preventiva. que deve guiar as atitudes do professor de Educação Física e do Técnico desportivo. De posse dos dados biotipológicos. cada indivíduo apresenta certas habilidades motoras mais ou menos desenvolvidas e que devem ser consideradas no momento de se indicar um determinado tipo de esporte para esse indivíduo. e que serão estudadas a seguir. como consequência do excesso de desenvolvimento muscular e da força dos músculos em determinados segmentos do corpo. em detrimento da harmonia da forma e funções. Podemos assim. como sabemos. O conhecimento e o controle das aptidões musculares e psicomotoras." é formada pelas iniciais de quatro qualidades diretamente ligadas ao aparelho motor e que são: .CAPITULO XIII IMPORTÂNCIA DA AVALIAÇÃO BIOTIPOLÓGICA EM EDUCAÇÃO FÍSICA A avaliação biotipológica do indivíduo. mais especificamente.A.R. d. e. O estudo biotipológico dos alunos possibilita aconselhar a higiene somática e terapêutica. pode-se avaliar a validade do trabalho realizado pelo Prof. Assim sendo. Segundo a escola de Pende. aconselhar no rendimento e orientação profissional.A. Será mais fácil para o técnico desportista escolher os indivíduos que poderão render mais e se comportar melhor em esportes coletivos ou os que terão melhor desempenho em provas individuais e dentre estas.

Pende.destreza. Assim é que geralmente a velocidade ocorre paralelamente com a agilidade. são reveladoras de uma tendência constitucional para a parasimpaticostenia. em grande parte. peso baixo. enquanto a resistência associa-se com a força. pois. . de modo que este é um fator decisivo no estudo da fadiga.tipicamente longilíneos e de musculatura variável). basquete. mas também resistente. é tática do movimento. É conhecida a perspicácia de certos atletas. se prevalece a velocidade. A agilidade. e a resistência e a força. Tudo ocorre ao contrário com o cavalo bretão (bradiprágico — bradipsfquico — hiperpituitárico — parasimpaticoestênico). São bons atletas para corridas (de longa distância — estatura pequena. agilidade R — resistência F — força Por resistência devemos entender o tempo máximo de duração do moviment o . é. com tendência à simpaticostenia. acrobacia. equitação. é destreza. voleibol. o biótipo de menor resistência. não pode prevalecer a força. Exercícios que necessitem de agilidade para os longilíneos e os que requerem resistência para os brevilíneos. saltadores. Pode-se mesmo procurar um plano de treinamento para minorar as qualidades negativas do indivíduo e exacerbar suas qualidades. é a inteligência posta a serviço do músculo. poderíamos indicar esportes competitivos para os estênicos e recreativos para os astênicos. é o que mais rapidamente vai queimando suas reservas energéticas. essa é a função do Educador Físico. em consequência. esgrima. comentando o índice " V A R F " . diz: "temos que admitir que a velocidade e a força muscular apresentam-se nos diferentes biótipos humanos de forma antitética. analisando-o de maneira ampla e completa. Longilíneos — Tem como característica geral a velocidade. de média distância — mais altos com as proporções mais para a longitipia e os velocistas . Esportes coletivos para os de espírito altruístico e individual para os de tendências mais egoístas. É esta uma propriedade característica do longilíneo veloz. A relação entre biótipo e desempenho esportivo pode ser resumida como segue: a. musculatura delgada e frágil.V — velocidade A . Thooris afirma que nenhum homem é capaz de reunir as quatro qualidades do " V A R F " no mesmo grau. ao dizer de Pende. que em jogos olímpicos sabem suprir a falta de resistência ou força muscular com um maior emprego da agilidade. f r u t o da própria experiência. ela equivale ao instinto automático do sujeito saber coordenar e precisar seus movimentos. sendo em consequência. Determinado o biótipo. arremessadores de dardo. fácil. é arte. é apreciar que este animal não é somente f o r t e . O biótipo veloz (taquiprágico — taquipsíquico — hipertireóideo — simpaticotônico) equivale ao t i p o de cavalo de corrida. emparelhadas. velocidade e agilidade traduzem quase sempre um temperamento neuro-vegetativo. vale dizer que.

.b. lento e pouco resistente. e. f.R. F.Tem como característica a força. Sâb bons atletas para lutas (luta romana. pentatlo ou decatlo. Brevilíneos . R. tem possibilidades de brilhar como atletas.F. A ectomorfia exagerada. Brandão faz uma correlação de alguns esportes com o índice VARF.R. V. (3. c. c. remadores (estatura alta).Classificar a parte psíquica pelo método de Rorschach. teremos possibilidade de entender melhor o nosso educando e melhor avaliá-lo para orientar convenientemente sua atividade física. que transcrevemos: Corredores de velocidade Corredores de meio fundo Corredores de velocidade prolongada Corredores de fundo Saltos e barreiras Arremessos Futebol e basquete Levantamento de peso Lutadores Boxeadores Esgrima (100. 1. . A.R. V. v.f. poliatleta.F. Em desportos que necessitam de mais força. R. etc. de intensidade igual ou superior a 5. Um estudo feito com atletas participantes de jogos olímpicos. A.R. v. O excesso de endomorfia tem efeito negativo em qualquer desporto.5 e 10 mil m) V.f. A. levantamento de peso e halteres. Só os indivíduos de mesomorfia considerável. mostra o seguinte: a. social e intelectual. r.A. V. A. também constitui "handcap" em todas as especialidades atléticas.a. pois torna o indivíduo pesado. o grau de mesomorfia é superior a 5. F. 19— Classificar a face morfológica. v. 39 .F.A. terrestres ou aquáticas. d. nadadores (devido ao bom desenvolvimento da caixa torácica). r. utilizando-sea metodologia proposta por Viola e a classificação de Berardinelli. Como vemos. que tratam do assunto. F.Tem como característica geral o equilíbrio das formas. natação (tendência para a longitipia). A. parece-nos porém mais aconselhável seguir a orientação de Silveira. igualando ou mesmo superando a mesomorf ia. F.500m) V. (400 m) V. os praticantes de alto padrão são sempre mesomorfos.A. Nas provas de velocidade. a.a. b. R. há diferentes aspectos a serem considerados de acordo com os vários autores. Assim. Ginástica de aparelhos. fragilidade e fatigabilidade. F. (800.r. R. Normolíneos . 200m) V. significando debilidade. judo.). 29 — Classificar a face do temperamento pela escala de Sheldon. A ectomorfia é condição necessária para as corridas de fundo e meio fundo e para saltos. quase sempre acima de 4. futebol. . v.

Antecedentes patológicos. A l t u r a . Como vemos. há a possibilidade de que ocorra uma verdadeira reforma educacional.atuando em nível curativo e profilático. que compreende: a. A ficha consta da avaliação dos seguintes tópicos: antropometria. O controle e a avaliação biotipológica. podemos dizer que a ficha biotipológica da educação física não pode ser outra que a ficha biotipológica da educação mental. Provas funcionais antes e depois do esforço — tempo para retornar ao normal. desenvolvendo suas qualidades e respeitando suas limitações. Perímetro torácico médio. por conseguinte. sexo. ambas devem necessariamente complementar-se. Exame de urina. como também. Passamos a transcrever o modelo das duas fichas adotadas neste encontro e que se denominam: "controle m í n i m o " e "avaliação propriamente d i t a " . podemos organizar grupos homogéneos segundo a idade. Assumindo essas diretrizes. FICHA BIOTIPOLÓGICA DE NICOLA PENDE EM EDUCAÇÃO FÍSICA Como resultado do estudo aqui apresentado. graduação e classificação não somente da cultura mental. No Congresso Internacional de Educação Física de Chamonix (Suiça) em 1934. 2a. A ficha do controle mínimo contém os seguintes dados: Idade no momento do exame. Provas cárdio-vasculares: estudo do pulso e da pressão arterial. Peso. mas também da cultura física. Nos indivíduos adultos. que f o i aceita na ocasião por uninimidade. Perímetro torácico na inspiração e na expiração. Pende apresentou uma ficha biotipológica para aplicação em esportes. segundo o ponto de vista de seus temperamentos e capacidades intelectuais. Amplitude torácica. Assim. o que se pode obter através da ficha biotipológica. a. mas identifica-se com a pirâmide biotipológica . b. exame das vias aéreas superiores. Os resultados das "perfomances". Provas respiratórias: espirometria. os caracteres somáticos e psíquicos individuais. como diz Rossi. Observação do médico A ficha de avaliação compreende duas partes fundamentais: 1a. O Congresso de Chamonix ocupou-se somente da primeira parte. isto é. as "performances" se avaliam segundo o cânone olímpico. pode-se fazer a seleção. Após essa análise. Exame dos pulmões. diferencia-se somente pelo nome. altura e peso. morfologia constitucional e fisiológica e psicometria. deste autor. deduzimos a necessidade do conhecimento integral da personalidade física e psíquica. como na verdade se completam.

a. Exame psicométrico (segundo Pende). Fórmula corporal. Exame das funções afetivas. perímetro abdominal médio. parte: Estudo da orientação desportiva. púbico. Pressão máxima. envergadura. 2º Exame morfológico-constitucional. perímetros das coxas direita e esquerda. Aborda os seguintes itens: altura. Exame antropométrico e morfológico. Capacidade vital. Depois desta prova horizontal. No exame em pé: determinação dos diâmetros torácicos (transversal e ântero-posterior). 3º— desportiva. c. O exame antropométrico e morfológico. d. com elevação dos joelhos até um plano horizontal. A segunda parte. estuda pontos especiais relacionados com a especialização . movimentos e atitudes. comprimento do membro inferior e peso corporal. 2º — Exame das funções intelectuais. ú t i l para t o d o exame biotipológico e orientação desportiva. b. epigástrico. Tipo morfológico. Antecedentes patológicos. abdominal t o t a l . mínima e mediana. d. faz-se um novo exame respiratório e cárdío-vascular. Acuidade sensorial. espessuras. Dinamometria horizontal e vertical. perímetro torácico. Exame das funções sensório-motoras. Frequência respiratória em repouso (de pé). Exames funcionais.b. 1a. perímetros dos braços direito e esquerdo. epigastropúbico e dos membros superiores e inferiores. xifoideano. do tronco e membros. Esta parte concerne somente ao médico e ao probando. Dedução dos índices: torácicos. Compreende duas partes: a primeira. Finura de apreciação das formas. deduzimos os comprimentos xifo-epigástrico. Cada um destes itens será explicado a seguir. pesos. diâmetro biacromial. Consta de: 1. Os exames funcionais. Provas de trabalho: podem ser feitas as seguintes: uma corrida " i n s i t u " durante dois minutos. hipocondríacos (transversal e ántero-posterior) e dos membros superiores e inferiores. c. Com estas medidas. maleolar. Pesquisa da albuminúria depois do trabalho ' T e s t e " da fadiga de Donnaggio. acromial e da interlinha do punho. 1º— Exame antropométrico. Eletrocardiografia. a razão de dois saltos por segundo. Tempo de retorno à normalidade. Exame radiológico do tórax e do aparelho cardiovascular. Os exames psicométricos. No exame deitado: determinação dos pontos: manubrial. abrange: 1º — Exame das funções sensório-motoras.

largo-longo da mão. b. e. Provas de esforço. submersão) 5. Para classificar os longilíneos. Idem aos afetos. por provas de " t a p p i n g " pontaria. largo-longo abdominal inferior. . c. largo-longo do pé. Exame das funções afetivas. e. 5. Resistência à distração. 1. ténis.Investigação da regularização dos movimentos. Poder de decisão rápida. Expressa em medidas elementares. Compreende o peso corporal e a estatura e 41 medidas assim distribuídas: cabeça: seis pescoço: três tórax: nove abdome: seis membro superior: nove membro inferior: oito Figuram aqui as dez medidas fundamentais e suas relações recíprocas. f. que se obtém com uma ficha de exame do t i p o adotado para a orientação profissional. Em todos os casos se realiza: IP ) uma prova de atenção e 29) provas de nível intelectual. Visão estereoscópica (ténis) 4. etc) 6. largo-longo facial. Estudo das velocidades reacionais. g. Suscetibilidade à dor (boxe) A ficha proposta por Pende tem os seguintes fundamentos e aplicação ao caso: 19 Avaliação morfológica do biótipo. modificado. Apreciação de distâncias (jogos de lançamento. golf. Determinação do "perfil psicológico". e. Estudo de predomínio do direito ou esquerdo dos membros superiores e inferiores e dos olhos (preferência para fazer a mira). Velocidade de reação (esgrima) 2. h. se registram os quocientes de crescimento do peso e do perímetro torácico e as relações: Estatura-peso e Estatura-perímetro torácico. Exame das funções intelectuais. segundo o sistema de Viola. Tenacidade. d. 6. a. 2. 4. 7. polo. 2. sugestibilidade (aparelho de Binet). tem sido criado os índices largo-longo. 2ª parte: Determinações especiais relacionadas com especializações desportivas. que são: 1. honestidade. Susceptibilidade às perturbações emocionais. largo-longo abdominal superior. Caráter. Integridade das funções vestibulares-autitivas (natação. estabilidade. Estabilidade (tiro) 3. 3. brevilíneos e normolíneos. a classificação do biótipo morfológico se manifesta em graus centesimais. Estudo da capacidade de repetição de esforços iguais. largo-longo torácico. largo-comprido cefálico. 3. Idem à monotonia e ao sono. Em continuação. pingpong.

a vontade e o auto-controle. Atitude e predisposição do sujeito a um trabalho especial. Predominância do sentido analítico ou do sintético. Adaptação aos diversos trabalhos mentais. que se encontram no prelo e que irá constituir importante referencial prático e simples na avaliação dos alunos em suas capacidades físicas. Influência da esfera emotiva sobre os pensamentos e destes sobre aquela. reprodução. . medíocre. a conduta de adaptação ao ambiente. exame das diferentes sensibilidades. ataque-defesa. aos de Gualco e Berreta. resistência. Estudam-se os instintos fundamentais: conservação. 4º — Avaliação do grau e forma da inteligência.Os índices do desenvolvimento sexual se ajustam à diretivas de Pende e Gualco. Resistência ao trabalho intelectual. . exame do aparelho do equilíbrio. define-se o tipo de caráter. a qualidade moral dominante e a tendência afetiva orientadora da conduta. gregário. estabelecem padrões de referência para determinadas provas de avaliação física como: velocidade.. em jejum e depois em exercício de controle. investigação de uma predominância neuro-vegetativa simpática ou para-simpática ou pneumogástrica. no dinamismo e psiquismo individual. a emotividade global. .. insuficiente). os sentimentos egoístas e altruístas. Registram-se os resultados do treinamento ginástico e desportivo e seus efeitos na morfologia. Com este estudo. grau de memória e da capacidade de observação. aos de Pende e Berreta. trabalhando com crianças do Sesi. diagnóstico do temperamento endócrino. controle de certos movimentos. dinamometria dos principais territórios musculares complexos. etc . do abstrato e lógico e do sentido crítico. Mesmo com os esforços que muitos grupos vem realizando na área de avaliação da criança há necessidade de pesquisas multidisciplinares que venham correlacionar os diferentes níveis de manifestação do comportamento humano. Tempo de elaboração dos processos ideativos. Síntese do biótipo. 2º — Avaliação funcional do biótipo. os do desenvolvimento cardíaco. os do hemolinfopoiético. exame da excitabilidade neuro-muscular e dos reflexos. grau de atenção. 3º — Avaliação do caráter individual (face moral). exame de urina antes e depois de um exercício conhecido. força. Estas observações tratam de avaliar as seguintes qualidades: grau de inteligência global. Entre nós Negrão & Molinkiss. metabolismo basal. Ainda no solo pátrio o laboratório de São Caetano tem procurado determinar testes para a realidade brasileira e que já constitui publicação disponível nas livrarias. exame de urina antes e depois de um exercício de controle. O apêndice etnológico permite resumir conclusões sobre o tipo de raça individual. bom. Compreende o exame da capacidade muscular dos diversos segmentos corporais. Desenvolvimento do pensamento fantástico-místico. das modificações hemáticas da fadiga.. Atitude introspectiva-extrospectivado espírito. Utilidade do trabalho efetivo (excelente.

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