Presidente da República Federativa do Brasil João Figueiredo Ministro da Educação e Cultura Esther de Figueiredo Ferraz

AVALIAÇÃO BIOMÉTRICA EM EDUCAÇÃO FÍSICA

MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO E CULTURA SECRETARIA DE EDUCAÇÃO FlSICA E DESPORTOS

- SECRETARIO G E R A L DO MEC Sérgio Mário Pasqualí SECRETARIO DE EDUCAÇÃO FÍSICA E DESPORTOS Péricles Cavalcanti SUBSECRETARIO DE DESPORTOS (SUDES) Antonio Celestino Silveira Brocchi - .

AVALIAÇÃO BIOMETRICA EM EDUCAÇÃO FÍSICA ROMEU RODRIGUES DE SOUZA Professor Assistente Doutor Departamento de Anatomia Universidade de São Paulo JOSÉ ARI C. OLIVEIRA .

HÉLIO JOSÉ MAFFIA Diretor da Escola Superior de Educação Física de Jundiaí Preparador físico do Esporte Clube Corinthians Paulista Ex-preparador físico do Paulista Futebol Clube de Jundiaí Ex-preparador físico do São Paulo Futebol Clube Ex-preparador físico da Sociedade Esportiva Palmeiras Ex-preparador físico do Guarani Futebol Clube Ex-preparador físico da Seleção Brasileira . a preocupação de seus autores em atender a especialistas e estudiosos do assunto. antes de ser uma obra dedicada ao campo da Medicina. uma segura mostragem evolutiva do atleta nos sentidos qualitativo e quantitativo do treinamento. Não obstante ser uma obra didática. PROF. através da mensuração. Este trabalho demonstra pois. propiciando ao estudante a assimilação de maneira clara e objetiva. é uma orientação didática na área da Educação Física.APRESENTAÇÃO AVALIAÇÃO BIOMÉTRJCA EM EDUCAÇÃO FÍSICA. ela permite a treinadores e preparadores físicos.

CAPITULO I Generalidades sobre medição e avaliação em Educação Física CAPITULO II Agrupamento dos dados: Ficha Biométrica CAPITULO III Seleção das medidas. Força muscular CAPITULO VIII Avaliação do crescimento CAPITULO IX Biotipologia: Aspectos gerais CAPlYULO X Teorias biótipológicas CAPITULO XI Biotipologia infantil 7 13 17 23 37 77 83 93 103 107 127 CAPÍTULO XII Diferenciação sexual CAPITULO XIII Importância da avaliação Biotipológica em Educação Física 133 141 .ÍNDICE Pág. Técnica geral das medidas CAPITULO IV Análise e Interpretação dos dados: Noções de Estatísticas CAPITULO V Avaliação das dimensões e proporções externas do corpo e seus segmentos CAPITULO VI Avaliação do Estado Nutritivo: Medida da espessura de pregas cutâneas e peso CAPITULO VII Medida da capacidade vital e cardiocirculatória.

Ao lado da aptidão física. a Educação Física visa também desenvolver no jovem a capacidade para a recreação. Este conhecimento. necessitamos medir antes. voltamos a analisar suas condições para podermos avaliar os resultados. Em resumo. . por outro lado. se for uma criança. para depois aplicar-lhe um programa adequado à sua situação. NECESSIDADE DE SE MEDIR EM EDUCAÇÃO FÍSICA Entre outras razões que podem explicar a necessidade de medidas. De posse das informações obtidas. Entretanto. aplicar um trabalho de desenvolvimento. participar com gosto de atividades recreativas. para sabermos se estamos conseguindo resultados satisfatórios. desempenho eficiente em atividades motoras e um corpo esteticamente bem constituído.CAPITULO I GENERALIDADES SOBRE MEDIÇÃO E AVALIAÇÃO EM EDUCAÇÃO FÍSICA EDUCAÇÃO FÍSICA: OBJETIVOS A Educação Física. A educação do físico subentende desenvolver no indivíduo aptidão física. aquilo que pretendemos desenvolver para. para que o programa a ser elaborado seja o mais efetivo possível ás necessidades individuais. Todas estas fases requerem medições. a Educação Física só poderá atingir seus objetivos em relação a um indivíduo. O desenvolvimento da aptidão física vai possibilitar ao indivíduo exercer melhor suas tarefas diárias e sentir-se melhor ao final de cada dia. A aplicação de tal programa exige conhecimento prévio das condições físicas. temos que medir continuamente os parâmetros que queremos desenvolver. a seguir. serão citadas apenas as seguintes: divisão em turmas homogéneas. fisiológicas e psicológicas atuais da pessoa a quem ele é dirigido. ou seja. é educação global: educação do físico. determinar o estado de aptidão atual de um aluno. se ela puder fazer um programa específico de acordo com suas necessidades. a capacidade de dar-se bem com os outros. como ciência. e a aptidão social. isto é. estabilidade emocional. saúde. ou seja. Mais tarde. da mente e educação social. especialmente. acompanhar o progresso de um trabalho. elas podem ser utilizadas. Em outras palavras. o professor de Educação Física pode obter através de técnicas de avaliação e medição. é preciso saber inicialmente em que situação se encontra nosso aluno.

Objetivos deste compêndio A Biometria humana tem pois um campo muito amplo. os quais estão subentendidos na expressão "fenómenos biológicos" e que são os níveis em que será estudado o indivíduo. sem dúvida. Assim. cujo conceito veremos a seguir. CONCEITO DE BIOMETRIA Para se esclarecer o conceito de Biometria. uma definição mais coerente. compreendendo de modo geral o estudo das mais variadas medidas relacionadas ao corpo humano. A ciência que trata das medidas corporais é a Biometria. vida e medida. amparado pela análise matemática e estatística". Gomes de Sá (1975) classifica esta definição de simplista e a critica por levar a interpretações ambíguas. fisiológico e psicológico. com o fim de determinar as leis que os regem". Temos assim um primeiro conceito de Biometria que é "a medida da vida". Esta é. A medida do progresso obtido em um trabalho é fundamental visto que quando sabemos que estamos melhorando. preferindo entender Biometria como "a ciência que procura traduzir numericamente os fenómenos biológicos. bios e metria. que significam. Entretanto. Biometria é uma palavra composta por dois radicais gregos.Agrupar homogeneamente facilita a quem ensina e a quem aprende. O mesmo se pode dizer quando determinamos a frequência cardíaca ou a respiratória dos alunos em relação com a intensidade de um certo exercício. Hegg e Luongo (1971) definem Biometria como "o ramo da Biologia que estuda os caracteres mensuráveis dos seres vivos. A determinação das aptidões e qualidades de um aluno é muito importante para se conduzir um trabalho físico pois assim este poderá ser o mais adaptado possível às necessidades dos alunos. A Biometria começou em 1901. As doses e intensidade do trabalho a ser realizado ficam mais objetivas e especificas. especialmente aquelas que apresentem alguma importância para a Educação Física. na Inglaterra. serão abordados somente os aspectos relacionados a certo grupo de mensurações. A avaliação do progresso permite ainda mudanças e adaptações no trabalho. nas páginas seguintes. Pode-se dizer em um sentido geral que a Biometria é a ciência que estuda quantitativamente os fenómenos vitais. . é um problema muito complexo definir o que é a vida em todas as suas manifestações e a medida de todas elas não cabe nos limites de um curso. estabelecendo relações entre os dados assim obtidos. respectivamente. vamos iniciar estas considerações com a análise deste termo. nossa motivação aumenta. porém falta especificar os três níveis morfológico. quando medimos a altura de um grupo de alunos estamos fazendo Biometria. Entretanto. visando sempre atingir nossos objetivos.

é outro exemplo. fisiológico e psicológico. para que possamos analisar. Um exemplo típico é o estudo da variação da frequência cardíaca com doses de um determinado exercício. comparar. Neste conhecimento estão incluídos os aspectos mensuráveis do indivíduo. Aqui está incluída a Biometria humana que estuda o Homem sob os pontos de vista: morfológico. permitindo assim. em um determinado instante. de um ou mais indivíduos quando submetidos a uma determinada dieta. batimentos cardíacos só terão valor se puderem ser medidos. A Biometria Estática estuda os aspectos mensuráveis do indivíduo em um determinado instante sem se preocupar se estes variam ou não no tempo. A Biometria Especial estuda aspectos mensuráveis particulares do seres vivos. os exercícios aplicados só produzem efeitos benéficos quando bem dosados em qualidade e em quantidade. Ao realizar um trabalho físico. acertar a dose ideal. poderemos verificar se o peso está diminuindo ou não com essa dieta. A Biometria Dinâmica estuda as relações entre vários aspectos biométricos e um trabalho físico em função do tempo. Outro exemplo seria a variação do peso. A medida da altura de um indivíduo em um dado momento representa um exemplo. IMPORTÂNCIA DA BIOMETRIA EM EDUCAÇÃO FÍSICA A ciência evolui quando os fenómenos estudados podem ser medidos. aspectos importantes como a altura. peso. construir tabelas. Os resultados vão mostrar se o exercício está sendo muito ou pouco intenso. . Claude Bernard afirmava mesmo que só pode haver ciência quando se pode medir os fenómenos. tanto animais quanto vegetais. A determinação da frequência respiratória. Depois de um certo tempo. Precisamos pois conhecer bem o indivíduo a quem dirigimos o trabalho físico.DIVISÕES DA BIOMETRIA A chave seguinte resume as divisões da Biometria: De acordo com os objetivos do trabalho biométrico De acordo com o modo de abordar os fenómenos em relação ao tempo e espaço A Biometria Geral estuda aspectos métricos ligados aos seres vivos em geral. Em Educação Física. etc.

Pode-se descobrir assim. Detectar assimetrias de forma. deficiências que geralmente se traduzem por cansaço ou fadiga. no exame de seus alunos. o que é de grande importância pois assim ele poderá encaminhar o aluno para tratamento adequado. Os normais obtém nessas provas resultados previsíveis. Detectar deficiências físicas. os fenômenos biológicos caracterizam-se por sua grande variabilidade. ao aplicar um trabalho físico. Deste modo. resultados melhores que os previsíveis e os poupados não atingem estes valores esperados. b. pode-se dosar os exercícios físicos que serão aplicados. para acompanhar os progressos de um grupo submetido a um trabalho físico. podemos classificar os indivíduos em normais. Determinar o valor físico do indivíduo. como vimos. A Biometria. utiliza-se ainda o item inapto ou dispensado àqueles alunos que não são capazes de realizar nenhuma atividade física. O professor de Educação Física poderá. selecionados e poupados. mas devido a sua importância. Estas deficiências serão então tratadas . os selecionados. que exigem novos esforços.Aqui estão dois exemplos da aplicação de conhecimentos biométricos em esporte: a. fisiológico ou psicológico procura verificar a existência de semelhanças entre eles dando ideia dos fenômenos comuns a determinados grupos. Os objetivos principais do trabalho biométrico em Educação Física são os seguintes: a. Através da aplicação de provas específicas. No caso de escolares. serão aqui estudados com mais pormenores. OBJETIVOS DO TRABALHO BIOMÉTRICO EM EDUCAÇÃO FÍSICA Estes aspectos foram já esboçados em item anterior. Com isto. procuramos formar turmas homogéneas e para isso necessitamos classificar os indivíduos usando parâmetros como a altura e o peso. ao estudar os indivíduos seja do ponto de vista morfológico. c. Determinar a condição física do indivíduo. A formação de grupos com características semelhantes é importante pois. b. d. Algumas assimetrias podem inclusive ser corrigidas através da aplicação correta de exercícios adequados. a homogeneização de grupos facilita a aplicação de um trabalho físico. Como se sabe. detectar algumas assimetria de forma. pode-se utilizar a medida de certos parâmetros como o pulso e a frequência respiratória por exemplo. Através de exames periódicos do indivíduo pode-se detectar certa falta de adaptação do organismo frente a determinados exercícios. São feitas várias medidas e exame médico no indivíduo. tem-se uma ideia do seu estado físico atual.

quando se pretende administrar exercícios ou orientar e selecionar para práticas desportivas. brevilíneos e lingilíneos. São amplamente conhecidos os três tipos constitucionais da Escola Biotipoiógica Italiana (Viola e Pende): normolíneos. Daí a importância do trabalho biométrico bem realizado f. predominam a velocidade e a agilidade. Determinar o tipo constitucional (biótipo ou somatotipo). os indivíduos terão um melhor rendimento. tais como: arremesso do martelo e levantamento de peso. como a Estatística. os brevilíneos. a variabilidade dos fenómenos biológicos torna os indivíduos diferentes uns dos outros. resistência e força). para se realizar estudos biométricos. adaptando-os às necesidades de cada indivíduo ou grupo. devido a sua maior massa corporal. pois também são ramos da Biologia: Anatomia.convenientemente antes que produzam lesões mais graves e irreversíveis no organismo. Aqui veremos apenas alguns aspectos. pode-se ter ideia do rendimento e dos resultados que se está obtendo com a aplicação daqueles determinados exercícios em função da finalidade que se tem em vista. Este assunto será mais bem estudado posteriormente. Cada um destes tipos constitucionais possui em graus diferentes os elementos da sigla VARF (velocidade. Dosagem dos exercícios e avaliação dos resultados. os longilíneos adaptam-se melhor com esportes que exigem velocidade e agilidade. Fisiologia. agilidade. com menor gasto de energia. Os primeiros tem maior desenvolvimento no sentido longitudinal enquanto os brevilíneos desenvolvem-se mais no sentido transversal. e. Através de exames biométricos poderemos acompanhar a dosagem dos exercícios. O conhecimento do tipo constitucional de um indivíduo permite orientálo para determinadas atividades físicas mais indicadas para aquele tipo de indivíduo. CIÊNCIAS AFINS À BIOMETRIA Algumas ciências estão muito relacionadas com a Biometria. como corridas de velocidade e saltos. Classificar um determinado indivíduo em um destes grupos é muito importante em Educação Física. Particularmente importantes para a Biometria são a Matemática e a Estatísticas. Bem orientados. Assim sendo. Assim. Os brevilíneos e os longilíneos são os tipos extremos e o normolíneo é o tipo médio. ao contrário. Daí a necessidade de se utilizar ciências Matemáticas. Psicologia e Bioquímica. têm maior resistência e força. Nos normolíneos há equilíbrio destas quatro qualidades. . Além disso. nos longilíneos. os brevilíneos devem ser orientados para esportes que requerem força e resistência. devido ao maior desenvolvimento dos membros que apresentam estes indivíduos.

as medidas devem ser analisadas e interpretadas. Isto requer adiante.Depois de coietadas. conhecimentos básicos de Estatística que serão apresentados mais .

a. as medidas a serem obtidas são agrupadas em uma ficha denominada ficha biométrica que será preenchida quando da realização do exame do aluno. como já vimos. Exame biométrico: as medidas a serem tomadas vão depender da finalidade que se tem em vista. Geralmente são colhidos obrigatoriamente. Antecedentes: refere-se aos antecedentes pessoais e familiares. e assim sendo temos que escolher certas medidas de acordo com os objetivos que temos em vista. são várias as mensuraçôes possíveis no corpo humano. d. antecedentes. b. poderemos tirar conclu- . Alguns denominam a ficha biométrica de médico-biométrica porque vários dados devem ser colhidos exclusivamente pelo médico. digestivo e outros). Esta escolha depende então da finalidade que se tem na realização do trabalho físico. idade e outros dados pessoais. Identificação: aqui são colocados o nome. Uma ficha biométrica poderia conter inúmeros dados. Entretanto. devem ser selecionadas algumas medidas convenientes ao trabalho que vamos realizar. fisiológico e psicológico. Aqui incluem-se também exames de laboratório e outros que se fizerem necessários. fisiológicas e psicológicas sobre um determinado indivíduo e que permite fazer um julgamento sobre suas condições de saúde e suas aptidões atuais. Depois de escolhidas. Análise dos dados obtidos Através da análise dos dados da ficha biométrica. mas. serão apresentados os seguintes: identificação. exame clínico geral e especial e exame biométrico.CAPITULO II AGRUPAMENTO DOS DADOS: FICHA BIOMÉTRICA Como já sabemos. c. CONCEITO DE FICHA BIOMÉTRICA A ficha biométrica é portanto um documento que contém informações morfológicas. Exame clínico geral e especial: consiste no exame dos vários sistemas orgânicos (respiratório. Itens fundamentais de uma ficha biométrica Entre os itens fundamentais de uma ficha biométrica. o peso e a altura. Deve ser orientado de acordo com a idade e modalidade desportiva do indivíduo. as medidas a serem colhidas enquadram-se nos três níveis: morfológico.

Selecionar para a competição — Através da análise dos dados constantes da ficha biométrica. b. 0 indivíduo poupado. poupado ou inapto. aqui podemos relembrar o que já foi dito sobre este assunto: os aptos serão considerados normais ou selecionados segundo os resultados obtidos em provas específicas sejam os esperados ou superem estes resultados. O inapto ou dispensado é o indivíduo que não pode exercer atividades físicas. Dados do exame biométrico As medidas e dados constantes da ficha biométrica. fisiológica e psicológica. como a cor da pele. O indivíduo apto tem condições tais que pode praticar qualquer tipo de esporte. é necessário verificar como o organismo está reagindo e que resultados estamos obtendo. Esta deficiência pode ser transitória ou permanente. podemos adequar os exercícios em duração e intensidade ás necessidades individuais. d. A antropometria é o estudo dos aspectos mensuráveis do homem. de nenhuma forma. Detectar assimetrias de forma — Quando em presença de uma assimetria de forma o professor de Educação Física deverá orientar o aluno convenientemente. A primeira estuda aspectos não mensuráveis do homem. Os dados morfológicos constituem uma série de informações que pertencem em última análise a uma ciência mais ampla. pode ser prescrita a ginástica corretiva. podemos saber quais as possibilidades de cada aluno em diversos esportes com fins competitivos. como já sabemos. o tipo morfológico. Avaliar resultados . f. . destacam-se alguns relacionados ao conceito de raça. O estudo dos tipos raciais tem importância pois eles estão ligados aos tipos morfológicos ou somatotipos dos indivíduos. de acordo com a finalidade que se tem em vista. Entre os aspectos não mensuráveis do indivíduo. Em alguns casos.soes a respeito do aluno e que são os mesmos objetivos do trabalho biométrico: a. em parte. Determinar o somatótipo — A determinação do somatótipo ou tipo constitucional vai permitir compreender e orientar melhor cada aluno. são de ordem morfológica. apresenta alguma deficiência que o limita para atividades desportivas.Aplicado um trabalho físico. c. e.Através da análise e interpretação dos dados obtidos na ficha. a antropologia física. apto. dos olhos e dos cabelos. e a raça determina. Dosar exercícios . Este é o estudo do desenvolvimento físico do homem e utiliza como métodos de estudo. Determinar a condição física — Com base nos resultados do exame feito o indivíduo será considerado. É preciso saber quais são estes dados para que possamos analisá-los. a antroposposcopia e a antropometria.

ao estado nutritivo e à maturação sexual.Assim. podemos compreender raça como um grupo de indivíduos com características semelhantes. Os cimatótricos são os cabelos ondulados. ulótricos e cimatótricos. . parda e vermelha. circulatório e muscular. fazem parte de uma ciência mais ampla. a Psicometria.Através da observação podemos classificar os cabelos em castanhos. ulótricos são cabelos encarapinhados. pois medidas em Psicologia. Lissótricos são cabelos lisos. pretos. verde e azul. Pode-se também comparar com modelos de olhos de vidro. próprios da raça negra. Existe também uma escala cromática constituída por fios coloridos. louros e avermelhados. negra. o seu estudo tem importância pois os tipos morfológicos estâo relacionados com o desempenho atlético. Pode-se determinar também a cor da pele comparando-a com quadros representativos dos diversos matizes (escala cromática). amarela. dos cabelos e a forma dos cabelos. preta. Como a raça determina o t i p o morfológico. e mais especificamente ao funcionamento dos sistemas respiratório. em qualquer caso. Uma série de aspectos externos e medidas caracterizam cada grupo racial. examinar uma parte que habitualmente é coberta pela roupa. a) Cor da pele — Pode ser determinada pela simples observação. As medidas morfológicas a serem colhidas serão grupadas sob o t í t u l o geral de medidas biométricas somáticas ou morfológicas. São também englobados neste item as medições relativas ao crescimento. classificandoa neste caso em branca. Alguns destes aspectos são: a cor da pele. transmitidas hereditariamente e que se repetem no grupo de modo a imprimir-lhe um aspecto diferente de outros grupos. Os dados de ordem psicológica constantes da ficha biométrica referem-se apenas a uma "impressão" a respeito do estado do indivíduo. d) Forma dos cabelos — Quanto à forma os cabelos são classificados em lissótricos. podemos classificar a cor dos olhos em castanho. b) Cor dos olhos — Pela simples observação. Deve-se. com cores diferentes. c) Cor dos cabelos . As medidas fisiológicas referem-se aos sistemas orgânicos em geral. cor dos olhos.

de acordo com a finalidade a atingir. Vamos estudar pois quais são as medidas que podem ser obtidas. de acordo com a finalidade a atingir. detectar deficiências. elaborar um programa de trabalho de acordo com os resultados e acompanhar a evolução do trabalho. como vimos. TÉCNICA GERAL DAS MEDIDAS A escolha das medidas a serem utilizadas depende dos objetivos que se tem em vista. Estas medidas caracterizam-se por serem de fácil execução e por não necessitarem a participação ativa do examinando. As medidas biométricas podem ser classificadas em dois grandes grupos. que. b) medidas que visam avaliar o estado funcional de alguns sistemas orgânicos (medidas biométricas funcionais). podem ser resumidos nos seguintes: determinar a situação física atual. medidas que permitem avaliar o estado de nutrição. . índices são relações numéricas centesimais entre as medidas. Medidas biométricas somáticas São medidas que permitem avaliar as dimensões e proporções externas do corpo. em: a. Pode-se ainda complementar as medidas através dos denominados índices. CLASSIFICAÇÃO DAS MEDIDAS BIOMÉTRICAS Várias medidas podem ser obtidas durante o trabalho biométrico. b. medidas destinadas a apreciar o estado de maturação sexual. Olivier (1960) considerou 34 medidas e 40 índices. e c. de acordo com o tipo de avaliação que se quer fazer: a) medidas que permitem avaliar as dimensões e proporções externas do corpo e seus segmentos (medidas biométricas somáticas). As medidas biométricas somáticas podem ser subdivididas. Serão abordados aqui apenas as principais medidas e índices. medidas que visam avaliar as proporções do corpo.CAPITULO III SELEÇÃO DAS MEDIDAS.

Resumo das medidas biométricas mais importantes em Educação Física. Medidas que permitem avaliar o estado de nutrição: São as seguintes: peso. São: altura. envergadura. Altura Altura tronco-cefálica Medidas que visam Medidas biométricas somáticas Medidas que permitem avaliar o estado de nutrição Medidas destinadas a apreciar a maturação sexual avaliar as proporções do corpo Envergadura Comprimento dos membros Comprimento do tronco Perímetro cefálico Peso Espessura da dobra cutânea Perímetro torácico Perímetros dos membros Diâmetro do tórax Diâmetro bi-acromial Diâmetro bi-crista ilíaca Diâmetro bi-umeral Diâmetro bi-tocantérico Desenvolvimento dos genitais Medidas biométricas funcionais Capacidade vital Capacidade cárdio-circulatória Força muscular . bi-umeral. perímetro torácico. como a força muscular e a capacidade cardio-circulatória. Medidas destinadas a apreciar a maturação sexual São: diâmetros bi-acromial. As medidas funcionais exigem instrumentos especiais e são de mais d i f í c i l execução. Medidas biométricas funcionais Estas medidas são as que permitem avaliar funções orgânicas específicas. comprimento dos membros. perímetro dos membros e diâmetro do tórax. comprimento do tronco e perímetro cefálico. bi-crista ilíaca e bi-troncantérico e o grau de desenvolvimento dos genitais. altura tronco-cefálica.Medidas que visam avaliar as dimensões e proporções externas do corpo e seus segmentos. espessura da dobra cutânea.

sobre a qual desliza um cursor. b. compasso de barras. Consta de uma haste de metal graduada de zero a 2000 milímetros. de mesmo sexo e idade. onde se coloca uma régua terminada em ponta e disposta perpendicularmente à haste graduada. deve-se atender a uma série de requisitos dentre os quais destacam-se os seguintes: a. Antes de iniciar as medidas. e. 3. reunir os indivíduos em grupos homogéneos.TÉCNICA GERAL DAS M E D I D A S BIOMÉTRICAS Cuidados que se deve tomar ao colher as medidas biométricas Para se evitar ao máximo a influência dos fatores de erro ao se obter as medidas biométricas. Principais instrumentos de medida usados na obtenção das medidas biométricas somáticas Os principais instrumentos utilizados na realização destas mensurações são os seguintes: antropômetro de Rudolf M a r t i n . c. Instrumentos aferidos e calibrados. As medidas devem ser tomadas em locais bem iluminados. compasso de toque ou de pontas rombas e a fita métrica. . Os instrumentos não devem pressionar a pele mas apenas tocá-la. compasso de corrediça.1). 0 indivíduo deve estar o mais despido possível durante a realização das medidas. Antropômetro de Rudolf Martin É utilizado para tomar medidas no sentido vertical (Fig. d.

Compasso de corrediça É utilizado para tomar medidas pequenas como as da face.3). Consta de uma régua de 25 centímetros. 3. fixa.2). apresenta ainda uma outra régua. . do tronco e comprimentos dos membros. de zero a 950 milímetros e um cursor com uma régua que pode se deslocar.Compasso de barras Destina-se á tomada de medidas tais como: diâmetros transversos. na extremidade da haste graduada (Fig. com uma haste fixa na extremidade zero da escala e um cursor que pode deslizar ao longo da régua (Fig. Consta também de uma haste metálica graduada. 3.

Estes pontos são denominados pontos antropométricos e serão também descritos juntamente com cada uma das medidas biométricas.4).Figura 3. Outros elementos necessários para se colher as medidas biométricas. As hastes são retas nas metades próximas ao ponto onde se articulam e curvas nas metades restantes. Outros instrumentos serão descritos nos itens correpondentes ao estudo que será feito mais adiante. A maior distância que se pode medir é de 30 cm (Fig. . além de instrumentos adequados Além de instrumentos adequados é necessário ainda conhecer certos pontos de reparo existentes no corpo e que servem como pontos de referência para se obter as medidas. 3. Fita métrica Destina-se à medida dos perímetros. É representada por uma fita de metal ou linho. graduada. Uma das hastes tem uma régua graduada a ela fixada e que permite fazer a leitura da medida encontrada.3 — Compasso de Corrediça Compasso de toque ou de pontas rombas Este compasso é utilizado para tomar diâmetros do tronco e medidas da cabeça. de cada uma das medidas biométricas. Consta de duas hastes metálicas que se articularm em uma das extremidades. que terminam em pontas rombas.

4 .Figura 3.Compasso de Pontas Rombas Os principais instrumentos utilizados no trabalho biométrico e algumas medidas que podem ser obtidas com estes instrumentos estão resumidos na tabela seguinte: Instrumento Medidas (altura. altura tronco-cefálica) tronco e comprimento dos membros das da cabeça .

Todos os tempos podem ser substituídos por um único que é o tempo médio. Qual a situação de um determinado aluno. veremos que certas medidas. dentro do grupo? c. Trabalhando por exemplo com um grupo de alunos. Por exemplo: um atleta faz um percurso várias vezes. teremos as populações. que são subconjuntos. Parâmetro — Universo — População — Amostra Parâmetro é um número que caracteriza um conjunto de medidas. A própria repetição de experiências só é possível se for controlada através da medição dos dados. Ao realizar um trabalho estatístico. a variabilidade dos valores pode ser medida. cada vez em um tempo diferente. podem ser representativas do grupo. é necessário que eles possam ser medidos. como veremos. A Estatística é a ciência que procura tirar conclusões a partir de observações de dados numéricos. Este conjunto é a amostra.CAPITULO IV ANÁLISE E INTERPRETAÇÃO DOS DADOS: NOÇÕES DE ESTATÍSTICA INTRODUÇÃO Para estabelecer relações e leis entre os fenómenos. Devido às suas relações com a Biometria. b. podemos calcular o tempo médio do grupo que também é um parâmetro. A população é pois um grupo de alunos ou objetos que possuem características semelhantes dentro do mesmo universo. geralmente utilizamos um conjunto de elementos e não a população toda. Ao conjunto de alunos chamamos universo e se dividirmos o universo (grupo todo) em subgrupos. Neste . As respostas a estas e outras questões semelhantes pertencem ao domínio de uma ciência denominada Estatística. A média destes tempos é um parâmetro. a qual mostra as frequências com que aparecem os vários tipos. tais como a média. Se um grupo de alunos faz um percurso. através do desvio padrão. Como agrupar de maneira mais homogénea? Veremos que muitos tipos de medidas distribuem-se segundo uma curva denominada curva normal. por outro lado. poderíamos perguntar: a. Como se encontra este grupo em relação a uma determinada medida? Neste caso. Variáveis contínuas e discretas A medida da altura de um grupo de escolares é um t i p o de variável. é necessário algum conhecimento desta ciência.

a distribuição de frequências dos dados. divisão segundo o sexo. Neste caso. t i p o constitucional. Tabela 4. por exemplo. Neste caso. Grupamento de dados Ao realizar um trabalho biométrico.3 por grupo. que consiste em colocá-los em uma coluna ordenada e com as frequências com que cada valor ocorre. idade. entre 1. por exemplo. o número de alunos por grupo ná"o pode ter valores parciais: 2. médios e grandes. 35. Construímos assim. Por exemplo. utilizando a Estatística. precisamos frequentemente separar os indivíduos segundo certas características.5 por grupo ou 1. Por exemplo: em pequenos. APRESENTAÇÃO DOS DADOS Os dados obtidos em um experimento podem ser apenas enumerados sem preocupação de ordem.11m.Distribuição de frequência de 5 observações (escores). 28 e 30.1 . Trata-se de uma variável contínua. Estes valores assim apresentados são difíceis de serem interpretados. as medidas podem ter qualquer valor e sempre pode haver uma medida que se interponha entre duas outras. 32. os grupos são separados de acordo com uma certa ordem.10m e 1. Assim. Uma melhor maneira é ordená-los em sequência ascendente ou descendente e verificar se há valores que se repetem e quantas vezes se repetem.12m podemos ter um valor de 1. etc. Suponhamos que determinamos o peso de 5 alunos e que os resultados tenham sido os seguintes: 30. A variável é discreta quando os valores se comportam de modo que se sucedem em saltos.1 conclui-se imediatamente que os pesos máximo e . a divisão deve obedecer a um único critério.caso. Escores Frequência 28 29 30 31 32 33 34 35 1 0 2 0 1 0 0 1 Observando a tabela 4. Os alunos podem também ser divididos segundo uma classificação hierárquica. Podemos por exemplo separar os alunos por categorias.

médio e baixo. um vertical (eixo das ordenadas. O gráfico é construído utilizando-se dois eixos perpendiculares entre si. Tabela 4. com as frequências com que cada medida aparece.mínimo obtidos são respectivamente 35 e 28.2 — Distribuição de frequências de dados agrupados Classes 28 a 30 31 a 33 34 a 36 Frequência 3 1 1 REPRESENTAÇÃO GRÁFICA DOS RESULTADOS Às vezes é mais interessante apresentar os resultados obtidos. o eixo das ordenadas. a partir das abcissas.28 = 7 Como se decidiu por três classes. Então os valores serão agrupados em intervalos de amplitude igual a 2 (tabela 4. As classes são colocadas ao longo da abcissa e na ordenada situam-se as frequências com que aparecem os valores. As frequências de cada classe serão representadas por uma barra. por exemplo. No caso de peso. No eixo das abcissas coloca-se os valores da variável independente. o intervalo passa a ser o número inteiro mais próximo (no caso =2). O ponto onde ocorre a intersecção dos dois eixos é o ponto zero. por meio de um gráfico. seja ao longo da ordenada. sendo sua frequência zero. Um dos tipos mais comuns de gráficos é o histograma. com linhas laterais levantadas a partir dos limites de cada classe. . A diferença entre os valores máximo e mínimo nos dá a amplitude de distribuição (A): A = 35 . representando geralmente pela letra X).2). representa a variável dependente. o peso mais frequente foi 30 (2 vezes) e que houve valores de peso que não aparecerem. o professor podem querer agrupar os 5 alunos em 3 classes: peso alto. A partir deste. ou seja a variável dividida em classes de invidivíduos ou objetos. o intervalo de classe (I) será: I (intervalo) = 7/3 = 2. seja ao longo da abcissa.33 Como o número obtido é fracionário. representado geralmente pela letra Y) e um horizontal (eixo das abcissas. os valores aumentam à medida que dele se afastam. Os dados obtidos podem ainda ser agrupados em classes.

2 é o gráfico representativo de duas distribuições de frequências. em II. DISTRIBUIÇÃO DE FREQUÊNCIAS A figura 4. Figura 4.Um histograma construído a partir da tabela 4.Gráfico de duas distribuições de frequências .1. seria a figura 4. eles estão concentrados em torno de 5. os valores concentram-se em torno de 11. Figura 4.1 — Histograma da distribuição de frequência do peso de 5 alunos.2 . Diferem quanto à posição.2. Examinando os gráficos. pois a méida dos valores da distribuição II é maior que a média da distribuição I ou seja. vê-se logo que as duas distribuições diferem quanto â posição (tendência central) mas são semelhantes na forma (variabilidade). ao passo que em I.

Podemos ter o caso inverso ou seja, distribuições de frequências com a mesma tendência central, mas diferentes na forma (na variabilidade). A figura 4.3 é o gráfico destas distribuições.

Figura 4.3 - Distribuição de frequências com mesma tendência central

Quando a distribuição de frequência tem um ponto de frequência mais elevada, é denominada de unimodal. Se houver dois destes pontos, ela será bimodal. A figura 4.4 é um gráfico representativo deste tipo de distribuição.

Figura 4.5 - Distribuição bimodal

Curva normal As curvas das distribuições de frequências podem ter as mais variadas formas. Existe entretanto um t i p o de curva que por sua importância deve ser estudada com maior destaque: ela tem a forma de um sino, é simétrica e contínua (figura 4.5). É a chamada curva normal ou curva de Gauss que representa a distribuição normal. Em Biologia, muitas variáveis contínuas apresentam esse t i p o de distribuição. A altura é um tipo de variável com distribuição normal. No eixo das abcissas (X) a variável pode ir de menos infinito a mais infinit o : a curva nunca chega a tocar na base. Importância da curva normal em Biometria Em Biometria, a importância da curva normal é grande pois todas as vezes que se fala em classificar alguma coisa, uma das primeiras preocupações é se localizar o " n o r m a l " , para depois posicionar aquilo que dele se distancia. Normal foi colocado entre aspas por ter um sentido preciso em Biometria, que é o relacionado com o mais comum enquanto as formas que dele se distanciam são expressões menos comuns, ou melhor que mantém relações, em suas medidas, com diferenças mais acentuadas. Trabalhando com as diferenças individuais observamos que estas obedecem ao tipo de distribuição em que a maior parte dos indivíduos mantém as medidas próximas de uma média e que a partir deste ponto há uma distribuição decrescente para ambos os lados, que graficamente, obedece à distribuição semelhante á de Gauss (curva normal).

Figura 4.5 - Curva normal

MEDIDAS DE TENDÊNCIA CENTRAL
As medidas de tendência central mais utilizadas em Estatística são a moda, a mediana e a média aritmética. Moda (M) É o valor que aparece com maior frequência, em uma série de medidas. Exemplo: na série seguinte de valores, a moda é o valor 8 pois é o que mais vezes aparece. 6 - 8 - 8 - 1 6 - 8 - 1 0 - 8 - 6 - 1 0 - 8 - 1 8 - 8 - 6 - 1 2 Neste caso, a série é unimodal porque tem uma única moda. Mas ela pode ser bimodal, multimodal ou ainda amodal, quando não possui moda. Exemplos: Série bimodal (possui 2 modas):

6-10-10-10-10-18-20-20-20-20-15
As modas são: 10 e 20. Série multimodal (possui várias modas): 4 - 6 - 5 - 8 - 6 - 5 - 8 - 5 - 6 - 8 - 3 - 9 As modas são: 5, 6 e 8. Série amodal (não há moda, pois todos os valores aparecem com igual frequência): 6-10- 16-8-4-2ou: 4_4_5_5_2_2_7_7_3_3. As curvas representativas das distribuições de frequências das séries estão na figura 4.6. Mediana (Me) Em uma série de rnedidas, colocadas em ordem crescentes a mediana é o valor precedido e seguido pelo mesmo número de valores. Exemplos: Séries a-2-3-5-7-18 b-1-5-8-15-21 c-1 - 3 - 5 - 5 - 2 0 - 2 4 Mediana 5 6,5 5

Quando o número de valores é impar, o cálculo da mediana pode ser feito usando a fórmula: N + 1 (N =número de valores). 2

na série a: A mediana é o 39 valor (5). sendo P1.6 — Vários tipos de distribuição de frequências Assim.Figura 4. (N =número Quando o número de valores é par usa-se a fórmula o número que ocupa a posição obtida por: .

em uma série de medidas da altura. (3ª posição). No caso da série b. Média aritmética ( X ) É também chamada de média. Assim. a média.5) Na série a„ temos o mesmo número de casos. (Mediana =6. Quando as três medidas forem próximas ou semelhantes. A média " e q u i l i b r a " uma série de medidas. O significado da mediana é que ela é um valor que divide o conjunto em dois grupos: um acima e outro abaixo daquele valor. passamos a considerar cada aluno como se tivesse aquela medida (média). ou seja entre os 50% mais altos ou entre os 50% mais baixos. É um valor que existe realmente na série e por sinal é o que mais aparece. é que houve menor variação. os valores estão "esparramados".5) é um número que não consta dos valores obtidos na série. Consiste na soma dos valores dividido pelo número de valores. mediana e média) não são exclusivas mas se complementam.40 m significa que existe metade das crianças com altura acima e metade com altura abaixo deste valor. a mediana e a moda forem muito diferentes entre si. se a mediana for. A mediana. as três medidas que estudamos (moda. fazendo uma série de medidas da altura em grupo de crianças. tal como a mediana. por exemplo.de casos). Se. no conjunto de medidas: Na realidade. facilita localizar um determinado aluno no grupo: sua altura estará acima ou abaixo daquele valor e portanto ele estará em um ou outro grupo. A muda nos informa qual é a altura mais frequente no grupo. Assim na série b: 3 + 1 =4 (4ª posição). simplesmente. Em uma série de medidas da altura dos alunos. por sua vez. . por exemplo 1. é também um valor que nem sempre consta da série de medidas. esta é a mediana. ou seja. A medida. significa que houve muitas alturas diferentes na série. Mas por convenção. Portanto. Por exemplo. Portanto: (Mediana = 5). observa-se que a mediana (6.

Distribuições de frequências: simétrica e duas assimétricas M E D I D A S DE DISPERSÃO Geralmente os conjuntos de medidas apresentam certa dispersão ou variabilidade. Uma das medidas de dispersão ou variabilidade mais utilizada na prática é o desvio padrão. Por exemplo. Duas distribuições podem ter a mesma média. mas os valores individuais em cada grupo podem ser muito diferentes.7 temos as curvas representativas de três tipos de distribuição de frequências. É necessário pois introduzir medidas de dispersão que informem o grau de variabilidade dos valores em cada grupo.7 . esta medida nada informa quanto à homogeneidade dos dois grupos: um pode ter indivíduos todos mais ou menos da mesma altura. dois grupos de alunos podem ter a mesma média de altura. mediana). moda. ao passo que o outro grupo pode ter alguns indivíduos muito baixos e a maioria. mais altos. que são as medidas de tendência central (moda. Já estudamos uma característica desses tipos de distribuição de frequência. média e mediana). Figura 4. uma simétrica e duas assimétricas. onde se indicam as posições das três medidas que estudamos (média. Embora tenham a mesma média. mediana ou a mesma moda mas as medidas dos valores variam de modo diferente.Na figura 4. .

A raiz quadrada da soma dos desvios ao quadrado.5 5. Os pesos. Os desvios em relação a esta média são: 0. dividido por N — 1.5 Os desvios são calculados diminuindo-se da média. A fórmula para se calcular o desvio padrão é pois: .5 -9. Assim: Portanto.9 kg.5 kg.5 kg e que o desvio padrão dos valores observados é 10.Desvio padrão O seguinte problema permitirá introduzir o conceito de desvio padrão.5 - 9. são os seguintes: 70 80 60 50 70 60 65 80 75 85 A média aritmética desses 10 dados é 69.5 15. podemos dizer que a estimativa do peso médio do grupo é 69.5 10. maior será a variabilidade dos valores. 10 indivíduos tomados ao acaso.5 19. a uma determinada comunidade.5 10. em Kg. O desvio padrão indica pois o grau de variação dos valores da amostra. Os valores que se afastam desta média são chamados desvios.5 -4. o número de observações (10. Suponhamos que queiramos determinar o peso médio dos indivíduos perten_ centes. sendo N. Começamos. por exemplo. no caso) nos dá o desvio padrão (s). cada valor observado. determinando o peso de. Quanto maior for o desvio padrão.5 0.

sendo X, cada valor observado; X, a média dos valores e N, o número de valores. Em Biotipologia, porém, o desvio padrão é calculado a partir da moda e não da média aritmética. Este assunto será abordado mais adiante. Aplicação da curva normal As medidas corporais utilizadas em Educação Física geralmente tem uma distribuição que segue a curva normal. Através de ca'lculos matemáticos pode-se obter as áreas que estão sob a curva quando ela é dividida em segmentos, através de linhas verticais (f ig. 4.8). A linha do meio representa a média. As outras três linhas de cada lado relacionam-se a unidades de desvio padrão. O lado direito a partir da média é positivo ou seja indica os escores mais altos da distribuição. 0 lado esquerdo é negativo: aqui estão os valores mais baixos da distribuição. A curva normal é dividida em seis desvios-padrão sendo três de cada lado da média. Assim, na curva normal, um desvio padrão acima da média contém cerca de 34,00 por cento dos escores; isto significa que a área situada entre um desvio padrão de cada lado, em torno da média, vale aproximadamente 68 por cento. A área compreendida entre 1 e 2 desvios-padrão vale aproximadamente 14 por cento. Estes conhecimentos são importantes para determinar, por exemplo, o número de alunos que obtiveram um determinado escore, em uma distribuição normal. Suponhamos que 200 alunos foram submetidos a um determinado tipo de exercício e tenham obtido escores com distribuição normal, sendo a média 100 e o desvio-padrão igual a 20.

Figura 4.8 - Área sob a curva normal

Como a média é 100, sabe-se que 100 alunos obtiveram 100 ou mais e 100 alunos obtiveram 100 ou menos. Quantos alunos tiveram um escore de 140? Sendo o desvio-padrâb igual a 20, o valor 140 encontra-se 2 desvios-padrão acima da média. A área compreendida entre 2 desvios padrão acima e abaixo da média corresponde a 95% e então sobram 5% dos casos, sendo 2,5% acima e 2,5% abaixo de dois desvios-padrão. Em outras palavras, apenas 2,5% dos alunos obtiveram escores superiores a 140 na prova realizada (fig. 4.9).

Figura 4.9 - Área sob a curva normal

CORRELAÇÃO
Às vezes em Educação Física é importante saber como varia uma determinada medida ou fenómeno em relação a outra, isto é, se existe ou não correlação entre essas duas variáveis, e se existe, saber se essa correlação é positiva ou negativa. Será positiva quando aumentando uma variável, a outra também aumenta, ou diminuindo uma, a outra também diminui. A correlação é negativa quando ao aumentar uma variável, a outra diminui ou vice-versa. Existe, por exemplo, correlação entre o Q.l. dos alunos e as notas obtidas, ou seja, quanto mais elevado o Q.l. mais altas são as notas obtidas pelos alunos. Mas não existe correlação, por exemplo, entre a altura e as notas obtidas nas provas. Através de fórmulas específicas, pode-se determinar a correlação entre duas variáveis, calculando o chamado coeficiente de correlação. Este assunto não será porém aqui abordado. Mais pormenores podem ser obtidos em tratados de Estatística.

TESTES DE S I G N I F I C Â N C I A Suponhamos uma situação em que submetemos dois grupos diferentes de alunos a um mesmo trabalho físico e gostaríamos de compará-los, para saber em qual grupo, o aproveitamento f o i melhor. Depois de obtidos os valores, as médias de cada grupo deveriam ser comparadas, uma com a outra. Se houvesse uma diferença entre estas medias, que medem o desempenho de cada grupo, esta diferença teria de ser testada para verificar se ela é verdadeira ou se houve qualquer tipo de interferência que determinou a diferença. Existem vários tipos de testes estatísticos que permitem determinar se essa diferença entre médias é real ou não. Um dos testes mais fáceis e mais utilizados na prática é o chamado teste " t " . Utilizando os valores das médias e desvios-padrão, calcula-se o valor de " t " , através de fórmulas próprias, o qual é depois comparado com valores constantes de tabelas e que nos dão o resultado ou seja, se as médias dos dois grupos diferem realmente ou não. Este assunto poderá ser melhor compreendido, consultando-se livros de Estatística.

nem internamente. os antímeros direito e esquerdo. 5. ou seja não existe uma simetria perfeita: os antímeros não são exatamente iguais. nem externamente. Figura 5. Existe pois externamente. . Exemplos destas assimetrias serão vistos em seguida. apresenta um princípio de construção chamado antimeria: o corpo é constituído por duas metades.1 ~ Plano sagital mediano Os antímeros são simétricos apenas aparentemente.CAPITULO V AVALIAÇÃO DAS DIMENSÕES E PROPORÇÕES EXTERNAS DO CORPO E SEUS SEGMENTOS INTRODUÇÃO O corpo humano como dos vertebrados em geral. separados pelo plano sagital mediano (Fig.1). uma simetria aparente mas uma assimetria real.

bem como a linha que une as comissuras dos lábios são oblíquas e não paralelas (Fig. ocorrendo o inverso quando se o examina anteriormente.Assimetrias externas Os dois lados da face não são simétricos: a linha que une as fendas palpebrais. O antímero direito do tronco é mais desenvolvido que o esquerdo. 5. o inferior mais desenvolvido será o do lado oposto. quando examinado por trás. volume e força dos músculos são maiores do lado direito. Nos indivíduos dextros. perímetro. Quando o membro superior de um lado é mais desenvolvido. . Cerca de um terço dos indivíduos apresentam assimetrias nos membros inferiores. Os membros superiores. O pavilhão da orelha é maior e está em nível mais alto do lado esquerdo.2). na maior parte dos indivíduos são assimétricos. o membro superior direito é mais desenvolvido que o esquerdo: o comprimento.

3). Existe também maior acuidade no uso da visão e audição de um lado que do outro. Além destas assimetrias morfológicas observam-se também assimetrias funcionais: a maioria dos indivíduos usa com maior habilidade o membro superior direito em trabalhos com as mãos. quando o membro superior direito é mais desenvolvido que o esquerdo. As curvaturas estão exageradas propositalmente.3 — Escolioses da coluna vertebral. Estas curvaturas são conhecidas como escolioses.A coluna vertebral quando examinada de frente mostra curvaturas normais. enquanto que a coluna lombar exibe uma curvatura de convexidade para a esquerda. a região torácica da coluna apresenta uma curvatura de convexidade também para a direita. Figura 5.5. . Geralmente. para compensar (Fig. Esquema da coluna em vista posterior.

estando o indivíduo em pé.A l t u r a . ALTURA Conceito de altura Altura ou estatura é a distância em linha reta entre dois planos.Há casos em que a musculatura de uma parte do corpo apresenta hipotonia ou hipertrofia. do tronco e dos membros. envergadura. conferindo aspecto anti-estético ao seu portador.4). Serão apresentadas na seguinte ordem: altura.4 . Após esta breve introdução. Nestes casos. são indicados exercícios especiais para sua correçáb. estudaremos algumas das principais medidas que avaliam as proporções do corpo. Fig. na "posição fundamental" (Fig. M E D I D A S QUE P E R M I T E M A V A L I A R AS DIMENSÕES E PROPORÇÕES E X T E R N A S DO CORPO H U M A N O Como já vimos. medidas da cabeça. um tangente à planta dos pés e outro tangente ao ponto mais alto da cabeça. 5. estas medidas são denominadas medidas biométricas somáticas. 5. altura tronco-cefálica.

e com o passar dos séculos.5 cm em média (Fig. deve-se usar o termo altura para definir a medida longitudinal. obtida na posição em pé. Em consequência.5). A ação da gravidade.5 — Variações da altura durante 24 horas (segundo Backman) . No decorrer das 24 horas do dia. 5. a) Posição do corpo e hora do dia — A medida da altura na posição em pé pode deferir em até 3 cm da medida na posição deitada. Quando se mede o indivíduo na posição deitada. Cada um destes aspectos será analisado a seguir. Figura 5. fala-se em distância ou comprimento.Fatores de variação da altura A altura varia fisiologicamente de acordo com os seguintes fatores: posição do corpo e hora do dia. Esta posição é utilizada para medir crianças até 3 anos. a altura varia em 2. o peso do corpo e o achatamento dos discos intervertebrais são os responsáveis por este fenómeno. fase da vida.

na mesma raça. menos que o homem. Outros porém. a altura média do ser humano tem aumentado ao longo dos séculos. Na puberdade porém. as meninas crescem mais que os meninos e na idade adulta estes recuperam e ultrapassam aquelas. . também baseados em dados experimentais. quando começam a diminuir devido a procesos que afetam os discos intervertebrais. os fatores externos mais importantes são: nutrição. segundo o sexo e a idade O quadro seguinte mostra a variação da altura nos primeiros anos de vida. em média. a criança cresce em média 6 cm por ano. condições sócio-econômicas e temperatura. A mulher tem geralmente 10 cm. clima. Classificação dos indivíduos segundo a altura Existem várias classificações. a média de altura é de 130 a 199 cm.b) Variação da altura com a fase do crescimento. A seguir. Observa-se que os meninos crescem sempre mais que as meninas.Durante a vida. de mesma idade. destacam-se o genético. a altura passa por uma fase em que há uma elevação dos valores e que vai do nascimento até os 25 anos aproximadamente. c) Variação da altura com a fase da vida . Na idade adulta. d) Variação da altura com a passar dos séculos — Segundo alguns autores. mas uma das mais conhecidas é a que considera os indivíduos como pertencentes a um dos três grupos: Masculino 130-160 cm 161-169 cm 170-199 cm Feminino 121-149 cm 150-158 cm 159-187 cm Pequena altura Média altura Grande altura Fatores que determinam a altura Entre os fatores internos. afirmam que não tem havido aumento da altura. os valores se mantém até os 50 anos. o neuro-endócrino e as doenças. em altura. Fase Recém-nascido 12 meses 24 meses 36 meses Masculino 50 cm 75 cm 85 cm 95 cm Feminino 49 cm 74 cm 84 cm 84 cm Após os três anos.

natação. enquanto corridas de fundo. devido ao crescimento maior da altura tronco-cefálica. Entretanto. estas diferenças são pequenas. A altura tronco-cefálica é maior no sexo feminino que no masculino. Marcondes e cols. . Os calcanhares devem estar unidos. 5. ALTURA TRONCO-CEFÁLICA Conceito É a distância entre um plano tangente ao ponto mais alto da cabeça e um plano que passa pelos ísquios. A técnica de medida da altura é simples: a haste vertical do instrumento é colocada junto ao dorso do aluno enquanto a haste horizontal toca a cabeça. estando o indivíduo sentado. salto em altura e á distância e ciclismo. luta livre e arremesso de peso. Fatores de variação da altura tronco-cefálica Esta medida varia com a posição do corpo e hora do dia. Instrumento utilizado para medir a altura O instrumento que se utiliza para medir a altura é o antropômetro. esportes como corrida de velocidade e boxe são apropriados para indivíduos de altura média.Importância da medida da altura O estudo da altura é muito importante porque esta medida se relaciona com quase todas as medidas somáticas. em crianças brasileiras de 0 a 12 anos (Tabela 1). (1970) estudaram a evolução da altura tronco-cefálica em relação à altura. por exemplo. a altura aumenta antes da puberdade. maior nos amarelos que nos brancos e maior nestes que nos pretos. tal como a altura e devido aos mesmos motivos. Atletas de grande altura são mais indicados para esportes como corrida de meio fundo. são indicados para indivíduos de pequena altura. Segundo Godin. além de ser importante para estudos biotipológicose raciais. devido principalmente ao crescimento dos membros inferiores e durante e depois dessa fase.4). A cabeça fica em posição tal que o aluno olha para frente (Fig.

60 Porcentagem da altura 68.80 54.13 Porcentagem da altura 68.14 61.91 52.95 55.35 131.42 56.62 Meninas Altura Altura troncocefálica 33.18 39.74 53.82 137.26 79.50 68. o primeiro é dado pela relação centesimal entre o comprimento dos membros inferiores e a altura tronco-cefálica: Indice esquélico de Monouvrier Este índice permite apreciar. 1970) Utilidade da medida da altura tronco-cefálica Esta medida permite calcular os denominados indice esquélico de Monouvrier e indice córmico.92 60.20 46.26 49.33 53.17 122.52 122.14 93.94 99.57 62.40 112.15 71.94 74.38 64. o desenvolvimento dos membros inferiores.36 41.37 84.81 51.54 53.59 73.24 71.07 52.15 51.81 49.03 45.98 64.14 105.75 55.22 117.04 54.75 61.91 63.03 65.22 55.27 57.58 100.22 61.10 69.11 91.24 67.08 43.13 106.59 138.07 49.33 63.25 56.96 O anos 3 meses 6 meses 9 meses 12 meses 18 meses 2 anos 3 anos 4 anos 5 anos 6 anos 7 anos 8 anos 9 anos 10 anos 11 anos 12 anos 50.01 59.23 66.61 38.Meninos Idade Altura Altura troncocefálica 34.77 64.01 69.15 59.06 66.26 53.54 55.66 85.37 132.68 59.70 135.87 65.04 54.43 70.22 65.15 73.06 57.86 53.01 57.96 73.02 72. em relação à altura (Marcondes e cols..86 128.93 59.77 118.16 62.35 64.45 80.47 52.56 54.27 63. indiretamente.06 64.33 60.06 Tabela 1 — Evolução da altura tronco-cefálica.60 47.19 139.88 44.95 112.55 127.26 56.45 70. O índice córmico (termo criado por Vallois) se o b t é m relacionando a altura tronco-cefálica e a altura (fórmula criada por Giuffrida-Ruggieri): .10 60.

com os membros superiores estendidos horizontalmente.6). estando o indivíduo em pé.7). Instrumento utilizado para se medir a altura tronco-cefálica Para se medir a altura tronco-cefálica. pode-se classificar os indivíduos e m : Braquicórmicos Metriocórmicos Macrocórmicos menos que 51 (tronco pouco desenvolvido) 51 a 53 (tronco médio) mais que 53 (tronco muito desenvolvido) 0 índice córmico permite avaliar o desenvolvimento do tronco. estando o indivíduo sentado (Fig. Ele é um pouco mais elevado no sexo feminino que no masculino. ao passo que os macrocórmicos possuem mais resistência e mais força. 5. 5.6 . Em seleçãb desportiva. os braquicórmicos são mais indicados para esportes de velocidade (corridas e saltos).Altura tronco-cefálica ENVERGADURA Conceito de envergadura É a distância em projeção entre as extremidades dos dedos médios.De acordo com este índice. . Figura 5. utiliza-se o antropômetro. ao lado do corpo (Fig.

. encostada na prancha e com os membros superiores estendidos horizontalmente. um quadro mural ou prancha. para medir a envergadura. abdome. do toráx. graduada horizontalmente. a diferença vai diminuindo. o sexo e a raça A altura é maior que a envergadura desde o nascimento até os 10 anos. Técnica de medida da envergadura Utilíza-se. Tendo estudado os principais aspectos sobre as medidas biométricas: altura. arremesso e box.7 — Envergadura Variação da envergadura com a idade. da cabeça. os atletas que possuem grande envergadura têm melhor desempenho em esportes como:ténis. passaremos a seguir a analisar alguns pontos importantes sobre medidas dos segmentos corporais. altura-tronco-cefálica e envergadura. no homem e 5 cm na mulher.Figura 5. A pessoa fica em pé. a envergadura ultrapassa a altura em 5 a 10 cm. Daí até a fase adulta. ou seja. pelve e dos membros. remo. até que no adulto. ao lado do corpo. Importância da medida da envergadura Em seleçâb desportiva. Na raça negra a envergadura é maior que na amarela.

como se segue: Principais medidas da cabeça índices da cabeça Entretanto. ou seja. pontos que servem de reparo para se obter as medidas deste segmento.MEDIDAS DA CABEÇA principais medidas e índices da cabeça Podemos resumir as principais medidas e índices da cabeça. Figura 5. temos que definir alguns pontos antropométricos da cabeça.8 — Pontos cefalométricos . antes de iniciarmos o estudo destas medidas e índices.

Várias medidas podem ser feitas nestas duas partes. — Corresponde ao ponto mais saliente do arco zigomático. o gnácio e o opistocrânio são ímpares e o êurio e o zígio são pontos pares. estudaremos apenas as mais importantes.8 e 5. — Situa-se na parte central da sutura entre os ossos frontal e nasais. 5. násio. — É o ponto mais saliente na parte lateral da cabeça.9). é necessário conhecer antes alguns pontos antropométricos desse segmento. — É o ponto mais saliente do bordo inferior da mandíbula. gnácio. que neste caso são denominados pontos cefalométricos. — É o ponto mais saliente na parte posterior da cabeça. Os principais são: glabela. que já foram citadas. o násio.Figura 5. Definição destes pontos cefalométricos Glabela — Násio Gnácio Êurio Zígio É o ponto situado entre as sobrancelhas.9 . opistocrânio. Tendo compreendido os principais pontos cefalométricos. êurio e zígio (Figs. .Pontos cefalométricos Principais pontos antropométricos da cabeça Para estudar as medidas da cabeça. A cabeça é dividida em crânio e face. Entretanto. podemos estudar algumas medidas da cabeça. Opistocrânio A glabela.

Figura 5. Corresponde ao diâmetro transverso da cabeça (Fig. Largura da face Corresponde ao diâmetro bi-zigomático. 5. Altura da face É a distância que vai do násio ao gnácio. . 5.10 — Comprimento da cabeça Largura da cabeça É a distância entre o êurio de um lado e o outro do lado oposto.Comprimento da cabeça É a distância entre a glabela e o opistocrânio.10). ou seja. Corresponde ao diâmetro ântero-posterior da cabeça (Fig.11). à distância entre o zfgio de cada lado.

9.0. Braquicéfalos (de cabeças arredondadas): índice maior que 81.11 — Largura da cabeça Principais índices da cabeça Os índices da cabeça são: o cefálico e o facial.0.0 a 80. Mesocéfalos (de cabeças intermediárias): índice de 76.Figura 5. . podemos classificar os indivíduos em: Dolicocéfalos (de cabeças estreitas ou longas): índice cefálico menor que 76. índice cefálico A relação entre os diâmetros da cabeça constitui o índice cefálico: Classificação dos indivíduos de acordo com o índice cefálico De acordo com este índice.

se projeta para frente.80 Idade Recém nascido 1 ano 47. estudos ligados ao desenvolvimento do homem desde seu aparecimento. O prognatismo parcial superior e o inferior ocorrem quando somente a maxila ou somente a mandíbula. . Ao nascer. que é a projeção da face para frente. 35 c m . em média. 47 c m . 49 cm e aos 36 meses.): Masculino 35. há uma macrocefalia e se é muito baixo. o perímetro cefálico mede. aos 12 meses. aos 24 meses.84 Feminino 34. Quando o valor do perímetro cefálico é muito elevado. Em relação à face.98 47. ou seja. Perímetro cefálico É a medida da circunferência da cabeça utilizando o plano que passa pela glabela e pelo opistocrânio. O perímetro cefálico é importante até os três anos de idade. quando tanto a maxila como a mandíbula se projetam para frente.93 48. com relação aos grupos raciais. Em crianças brasileiras.87 2 anos 3 anos Instrumento utilizado para se medir os perímetros Os perímetros são medidos com a fita métrica. pois permite avaliar o desenvolvimento do volume da cabeça e detectar possíveis anomalias. foram obtidos os seguintes valores (cm) para o perímetro cefálico (Marcondes e cols. respectivamente.0 45. mede 50 c m . Ele pode ser t o t a l .26 44. pode haver o chamado prognatismo. Importância das medidas da cabeça Os diâmetros e índices da cabeça são mais usados em estudos de antropologia racial.9 46. uma microcefalia.índice facial A relação entre as medidas da face fornece o índice facial: Instrumento utilizado para se obter as medidas da cabeça até agora estudadas As medidas da cabeça até agora estudadas (comprimento e largura da cabeça e altura e largura da face) são obtidas utilizando os compassos de pontas rombas ou de corrediça.

Assim sendo. . pontos de reparo. Principais pontos antropométricos do tronco Os principais pontos antropométricos do tronco são (Figs. ílio-cristal. através do estudo de seus comprimentos. mamilar.13 e 5. abdome e pelve.14): jugular. no exame do tronco observamos o seu desenvolvimento e suas simetrias. umbilical e pubiano (ímpares). diâmetros e perímetros. acromial. As doenças que afetam os segmentos do tronco podem se assentar em sua parede.: 5. em órgãos contidos em suas cavidades ou na coluna vertebral. Um tronco bem desenvolvido já indica um bom desenvolvimento orgânico.12. ou seja. Principais medidas do tronco As principais medidas e índices do tronco estão resumidos na chave seguinte: Altura anterior do tronco Diâmetro bi-acromial Diâmetro transverso do tórax Diâmetro sagital do tórax índice torácico de Godin Diâmetro bi-crista ilíaca Diâmetro bi-trocantérico Perímetro torácico Coeficiente torácico Perímetro do abdome Altura do tórax Altura total do abdome Principais medidas e índices do tronco Antes de iniciarmos o estudo destas medidas. Quando há doenças em órgãos contidos no tórax ou abdome pode haver deformidades correspondentes. O estudo do tronco é muito importante pois seu exame nos informa sobre vários aspectos em relação ao indivíduo. utilizados para se obter as medidas. Além disso.MEDIDAS DO TRONCO Introdução Neste estudo são consideradas as medidas do toráx. o tronco é uma parte do corpo que nos permite acompanhar os progressos obtidos com um esquema de treinamento físico. ílio-espinhal anterior e troncanterion (pares). xifoideano. temos que conhecer os principais pontos antropométricos do tronco. 5.

Figura 5.Pontos antropométricos do tronco Figura 5.12 .13 — Pontos antropométricos do tronco .

— trocanterion: lateralmente. — ílio-cristal: no local onde a crista ilíaca mais se projeta lateralmente. — pubiano: no centro da parte superior da sínfise púbica.Figura 5.Pontos a n t r o p o m e t r i a » do tronco Localização dos pontos antropométricos do tronco Os pontos antropométricos do tronco estão situados: — jugular: no centro da incisura jugular do esterno. do acrômio da escápula. — ílio espinhal: no local onde a espinha ilíaca ântero-superior mais se projeta anteriormente. — xifoideano: no centro da base do processo xifóide do esterno. Mede-se com o antropômetro estando o indivíduo em pé.14 . Altura anterior do tronco É a distância em projecão (em linha reta) entre o bordo superior do esterno (ponto jugular) e o bordo superior da sínfise púbica (ponto pubiano). Pode ser decomposta em altura anterior do tórax e altura total do abdome. no ponto onde o trocanter maior do fémur mais se afasta . — acromial: ponto mais saliente lateralmente. — umbilical: no centro da cicatriz umbilical. — mamilar: no centro do mamilo.

Tanto a altura do tórax como a do abdome. 5. Figura 5. esta medida permite apreciar o desenvolvimento do tórax em relação ao abdome. Segundo os estudos de Viola. mede-se com o antropômetro ou compasso de barras e na posição ereta (Fig.15).Altura anterior do tórax e sua importância É a distância em linha reta entre a borda superior do esterno (ponto jugular) e a borda superior do apêndice xifóide (ponto xifoideano) (Fig. Estas medidas quando realizadas na posição deitada sao chamadas comprimentos ou distâncias.15 — Altura do tórax Altura total do abdome É a distância que vai do ponto xifoideano à sínfise púbica (ponto pubiano). .16). 5.

16 — Altura do abdome Diâmetro bi-acromial e seus valores médios É a distância entre os bordos laterais dos acrômios das escápulas. 5.17 — Diâmetro bi-acromial . Seus valores médios sâo: 37 a 44 cm no homem e 34 a 38 cm na mulher.Figura 5. ou pontos acromiais (Figs. Figura 5.13 e 5.17).

estes diâmetros devem ser medidos entre dois pontos situados em um plano transversal ao eixo do tórax.18 e 5.Diâmetro transverso do tórax .Diâmetros transverso e sagital do tórax e seus valores médios Para a maioria dos autores.18 . 5. Diferenças entre estes diâmetros menores que 5 cm ou maiores que 12 cm. Na mulher.19). traduzem tórax cilíndrico ou deformado. índice torácico de Godin — A relação entre os diâmetros torácicos fornece o índice torácico de Godin. na fase intermediária entre a inspiração e a expiração (Figs. passando pela base do apêndice xifóide. O valor médio do diâmetro transverso no homem é 30 cm e do sagital é 20 cm. eles valem cerca de 2 cm menos. que permite apreciar a forma do tórax: índice torácico de Godin Figura 5.

20).Diâmetro sagital do tórax Diâmetro bi-crista ilíaca e seus valores médios É a distância em linha reta entre os pontos mais laterais das cristas ilíacas (ponto ilío-cristal) (Fig. Relação entre os diâmetros bi-trocantérico e bi-crista ilíaca Os diâmetros bi-trocantérico e bi-crista ilíaca estão intimamente ligados. Diâmetro bi-troncantérico e seu valor médio É a distância máxima. em média. enquanto na mulher. a partir da puberdade ocorre um aumento progressivamente maior dos diâmetros da pelve em relação ao bi-acromial.21). 5. 5. 3. .Figura 5.5 cm mais que o bi-crista ilíaca.19 . Vale 32 cm. em média. em linha reta. em média. 28 cm no homem e 27 cm na mulher. Os estudos de Vague (1953) mostram que. entre os pontos mais laterais dos trocanteres maiores dos fémures (trochanterion) (Fig. o diâmetro bi-acromial e os da pelve (bi-crista ilíaca e bi-trocantérico) desenvolvem-se proporcionalmente. no homem. O bi-trocantérico vale. Vale.

no homem) e o perímetro xifoideano (ao nível da articulação xifo-esternal). de modo geral. Valores acima ou abaixo destes indicariam maior ou menor virilidade ou feminilidade. 93 ± 5 e 78 ± 5. respectivamente. Importância dos diâmetros do tronco e instrumentos utilizados para medi-los Os diâmetros.21 — Diâmetro bi-trocantérico A relação entre estes diâmetros permitiria avaliar o grau de feminilidade e masculinidade do indivíduo.22). . Os mais utilizados sâo o perímetro mamilar (ao nível dos mamilos. são importantes para avaliar o desenvolvimento horizontal do corpo no sentido transversal ou ântero-posterior e sâo obtidos com os compassos de toque ou de pontas rombas. 5. Tanner (1951) propõe.20 — Diâmetro bi-crista Figura 5. a seguinte fórmula: 3 x diâmetro bi-acromial — diâmetro bi-crista Os valores médios para os sexos masculinos e feminino são. Perímetro torácico É a medida da circunferência do tórax. Este último geralmente é 3 cm menor que o mamilar (Fig.Figura 5. para esse fim. Pode ser obtido em vários níveis do tórax.

Perímetro torácico mamilar Técnica para medir os perímetros torácicos Os perímetros torácicos são obtidos ao fim de uma expiração normal. Pode-se também determinar um valor médio realizando duas medidas: uma no fim da inspiração e outra no fim da expiração.Figura 5. através do coeficiente torácico: Tórax estreito Tórax médio Tórax largo Coeficiente torácico menor que 51 Coeficiente torácico entre 51 e 56 Coeficiente torácico maior que 56 . Brugsh classifica o tórax em estreito. Elasticidade torácica A diferença entre as medidas dos perímetros torácicos depois de uma inspiração profunda e uma expiração forçada fornece a chamada elasticidade torácica. relacionando o perímetro torácico com a altura.22 . médio e largo. Classificação dos indivíduos de acordo com este parâmetro A medida do perímetro torácico indica o grau de desenvolvimento do tronco. Coeficiente torácico.

Se esta diferença for maior que 14 cm. Em Educação Física. . externamente. 0 objetivo é comparar uma metade do corpo com a outra para deduzir informações sobre simetrias e assimetrias. na cabeça e no tronco as metades direita e esquerda são tidas como simétricas. arremessadores de peso e halterofilistas. indica obesidade. utilizamos a semiperimetria mais para o tronco e neste. interessa o estudo dos semiperímetros do tórax. A medida dos perímetros do tronco é feita com fita métrica. pois no caso destes segmentos. Semi perímetros Como já vimos. Não se aplica semiperimetria nos membros. Assim. No adulto. o importante é verificar a simetria entre um membro e outro e não no mesmo lado. Semiperímetro é a metade dessa linha. onde são mais frequentes os problemas de simetria.Alguns fatores que influenciam no valor do perímetro torácico 0 perímetro torácico é geralmente maior no sexo masculino e nos indivíduos que praticam esporte. Certas doenças diminuem o perímetro torácico enquanto outras como a asma e o enfisema o aumentam. Instrumento utilizado para se obtê-lo Perímetro do abdome é a medida da circunferência do abdome obtida em um ponto situado à meia distância entre o rebordo costal e a crista ilíaca. queremos verificar a presença ou ausência de simetria. Ao determinar os semiperímetros desses segmentos corporais. Perímetro do abdome. especialmente nos fundistas. indica estado de magresa e se for menor que esse valor. Existe geralmente relação diretamente proporcional entre perímetro torácico e peso. o perímetro é a linha de contorno de uma figura. Utilidade da medida dos perímetros do tronco O perímetro torácico informa sobre o desenvolvimento do tronco em largura e sobre o estado nutritivo do indivíduo. a diferença entre os perímetros torácico e abdominal deve estar situada em torno de 14 cm. quando traçada sobre um plano transversal a um segmento do corpo. Os perímetros abdominais indicam o grau de adiposidade que o indivíduo possui.

caracterizada por ter o zero da escala no centro da fita e não em uma das extremidades (fig. Sua importância reside no fato de estar situado ao nível da união da segunda cartilagem costal com o esterno.23). quando queremos localizar e saber que costela estamos palpando. A fita é graduada em milímetros a partir do zero. coloca-se o zero sobre os processos espinhosos da coluna e tracionamos as extremidades da fita até junto à linha média na face anterior do esterno. há simetria.A semiperimetria do tórax visa não só detectar assimetrias como também permite acompanhar a evolução de tratamento dessas mesmas assimetrias com o uso de ginástica corretiva.22). é só situar a segunda. Se as medidas forem iguais dos dois lados.22-a — Centímetro simétrico de Rosenthal Ângulo de Louis ou ângulo do esterno É o ângulo entre o corpo e o manúbrio do esterno. 5. No caso da medida dos semiperímetros do tórax. por meio do ângulo de Louis e a seguir percorrer as demais até atingir a que nos interessa. Para medir os semiperímetros utiliza-se o chamado centímetro simétrico de Rosenthal que nada mais é que uma fita métrica. Mede-se os semiperímetros de um lado e de outro do tórax e compara-se as medidas. É facilmente palpado como uma saliência no osso esterno. por exemplo. nos dois sentidos das extremidades. Assim. onde fazemos as leituras. . por exemplo. 5. Figura 5. É bastante obtuso e seu vértice está voltado anteriormente (fig.

MEDIDAS DOS MEMBROS INTRODUÇÃO Os membros são apêndices destinados à locomoção e preensão. nona. em vista lateral do osso esterno Angulo de Charpy ou ângulo subcostal É o ângulo formado pelas cartilagens da décima.Ângulo de Louis. . Os membros superiores são também chamados torácicos e os inferiores. Os membros superiores na verdade servem não somente para a preensão e o tato mas também para manter o equilíbrio do corpo durante a locomoção.23 . abdominais. oitava e sétima costelas que se unem ao esterno.Figura 5. Este ângulo tem importância em Biotipologia para classificar os indivíduos em somatótipos. 5.13). junto ao processo xifóide (fig.

quanto durante a locomoção. Antes porém temos que conhecer seus pontos antropométricos.É o ponto mais distai do dedo médio — Dobra do punho — Situado na parte central da prega que se forma quando o punho é flexionado. Às vezes o número de pregas que se formam é par. — Radial — Situado na extremidade proximal do rádio — Stylion . tanto em posição estática.Os membros inferiores sustentam o peso do corpo. Daí serem mais desenvolvidos que os superiores. Neste caso.24 — Pontos antropométricos do membro superior . Pontos antropométricos dos membros No membro superior. destacam-se os seguintes pontos antropométricos (fig.Situa-se no ápice do processo estilóidedo rádio Figura 5. 5. o ponto situa-se entre as duas pregas centrais.24). — Acromial — Já descrito no estudo do tronco — Dactilium . Nos membros são estudados os comprimentos e os perímetros.

antebraço e mão Perímetros da coxa.25). — Mio-espinhal anterior. Medidas e índices dos membros . 5.No membro inferior.25 — Pontos antropométricos do membro inferior Principais medidas e índices dos membros A chave seguinte resume as principais medidas e índices dos membros: Comprimento do membro superior índice do comprimento do membro superior Comprimento do braço índice do comprimento do braço Comprimento do antebraço índice do comprimento do antebraço Comprimento do membro inferior índice do comprimento do membro inferior Comprimento da coxa índice do comprimento da coxa Comprimento da perna índice do comprimento da perna Perímetros do braço. perna e pé índice ósseo.Já descrito no estudo do tronco — Pubiano — Já descrito no estudo do tronco — Tibial — Ponto mais medial da linha interarticular do joelho — Maleolar — Situa-se no maléolo medial Figura 5. destacarn-se os seguintes pontos antropométricos (fig.

em linha reta. classificam-se os indivíduos em: Membro superior curto Membro superior médio Membro superior longo até 44.26). Figura 5. O membro superior direito é mais comprido que o esquerdo em mais ou menos 1cm. estando o indivíduo em pé.Comprimento do membro superior É a distância entre o ponto acromial e o dactilium. 5. obtém-se o índice do comprimento do membro superior que é dado pela fórmula: Classificação dos indivíduos através do índice do comprimento do membro superior Através deste índice.Cumprimento do membro superior índice do comprimento do membro superior Relacionando esta medida com a altura.9 de 45 a 46.9 maior que 47 . na posição fundamental (fig.26 .

27) O índice do comprimento do braço é obtido. utilizando a fórmula: De acordo com este índice. No sexo feminino.Comprimento do braço . em geral. Comprimento do braço O comprimento do braço ó a distância em projeção entre os pontos acromial e radial (fig. o membro superior curto.9 Figura 5.27 .9 maior que 19. predomina o membro superior longo.Na raça negra. 5. enquanto nas raças branca e amarela. o comprimento do membro superior é 1cm menor que no masculino. classificam-se os indivíduos em: Braço curto Braço médio Braço longo até 18.9 de 19 a 19.

Comprimento do antebraço É a distância em linha reta entre os pontos radial e stylion (fig. 5. de acordo com este índice.9 de 15.9 . em: Antebraço curto Antebraço médio Antebraço longo Comprimento da mão É a distância em linha reta.0 a 15. entre o stylion e o dactilium até 14.28 — Comprimento do antebraço 0 índice do comprimento do antebraço obtém-se pela fórmula: índice do comprimento do antebraço Classif icam-se os indivíduos.9 maior que 15.28) Figura 5.

em média.29) Figura 5.Comprimento do membro inferior É a distância em linha reta.5 cm. Por esse motivo. enquanto que o bordo superior da sínfise púbica encontra-se.30) Do mesmo modo que para o membro superior. Esta medida nâb pode ser obtida diretamente pois o bordo superior da cabeça do fémur não é acessível. 3. na mulher. utiliza-se a fórmula: índice do comprimento do membro inferior . até um plano que passa pela planta do pé. 5. que vai do bordo superior da cabeça do fémur. O primeiro ponto está situado em média 4 cm acima da linha interarticular ílio-femoral no homem e 3. utilizam-se pontos de reparo que fornecem a medida aproximada do comprimento do membro inferior. pode-se obter o índice do comprimento do membro inferior. para isso.29 — Pontos de reparo para medir o comprimento do membro inferior Pode-se então obter o comprimento do membro inferior indiretamente.5 cm abaixo daquela linha (fig. Estes pontos de reparo são: a espinha ilíaca ântero-superior e o bordo superior da sínfise púbica. 5. medindo a distância de um destes pontos ao plano do solo e fazendo-se os descontos necessários (fig.

9 de 29. 5.9 acima de 29. O índice de comprimento da coxa é obtido pela fórmula: até 54.9 de 55.9 acima de 57 De acordo com este índice.0 a 29.Comprimento da coxa . classificamos os indivíduos em: Membro inferior curto Membro inferior médio Membro inferior longo Comprimento da coxa É a distância em projecão entre os pontos ílio-espinhal anterior e o tibial (fig.Através deste índice.31 .0 a 56.31).Comprimento do membro inferior Figura 5. classificam-se os indivíduos em: Coxa curta Coxa média Coxa longa até 28.9 Figura 5.30 .

9 de 22.32 — Comprimento da perna Comprimento do pé É a distância entre o ponto mais posterior do calcanhar e a extremidade distai do primeiro ou segundo dedo (o que for mais longo).9 Figura 5.0 a 23. 5. através da fórmula: índice do comprimento da perna Classificamos os indivíduos de acordo com este índice.9 acima de 23.Comprimento da perna É a distância em linha reta entre os pontos tibial e maleolar (fig.32). Obtemos o índice do comprimento do pé através da fórmula: . em: Perna curta Perna média Perna longa até 21. Obtém-se o índice do comprimento da perna.

33 . perna e pé (Fig. Nas partes moles. mão.Os comprimentos dos membros e seus segmentos são importantes para se estudar suas simetrias. do joelho e do tornozelo. mede-se no braço. antebraço. e de preferência no lado esquerdo. Figura 5. do punho.Perimetro do braço índice ósseo e classificação dos indivíduos através deste índice Este índice é dado pela fórmula: . Os comprimentos dos membros são obtidos com o uso do antropômetro.33). segundo a finalidade. 5. Os perímetros ósseos sao medidos ao nível do cotovelo. coxa. Perímetros dos membros Podem ser obtidos medindo-se nas partes moles ou nas partes ósseas.

o perímetro do braço mede-se ao nível da extremidade distai do músculo deltóide: no antebraço. no membro inferior ele será maior do outro lado e vice-versa. Ângulos articulares dos membros O ângulo articular é o ângulo formado pelos ossos. através da medida da amplitude de movimento. Retirado o gesso. Este pode ser acompanhado. pequena diferença entre ambos os lados (0.5 e 46 maior que 46 Em tratamento de fraturas. Os perímetros dos membros são obtidos com a fita métrica. às vezes a amplitude de movimento das articulações pode estar diminuída.Através deste índice. mede-se ao nível do seu terço proximal. os indivíduos são classificados em: Ossatura fraca Ossatura média Ossatura forte Utilidade da medida dos perímetros dos membros A medida dos perímetros dos membros permite apreciar seu desenvolvimento como um todo bem como o desenvolvimento ósseo dos membros. por exemplo. com os dedos unidos exceto o polegar. mede-se ao nível da raiz deste segmento. no membro superior. o perímetro da perna é medido ao nível da sua porção mais volumosa. Godin verificou que sempre que o perímetro é maior em um lado. como já vimos. Os perímetros ósseos são medidos ao nível das articulações.5 cm). por exemplo. menor que 43 entre 43. Esta é a lei das assimetrias compensadoras.34) . entre os quais. Devem ser colhidos tanto de um lado como do o u t r o . 5. as articulações ficam imobilizadas por certo tempo. na articulação. Os músculos ficam relaxados. Dá uma ideia também do estado de nutrição e do desenvolvimento muscular. Para medida das partes moles. na sua parte mais larga. Na coxa. e no pé. de Godin.5 a 1. onde as massas musculares apresentam maior volume e na mão. em um plano que passa junto à prega glútea. havendo geralmente. mede-se na sua parte mais larga. A amplitude de movimento de uma articulação pode estar diminuída por vários motivos. Os aparelhos utilizados para se medir ângulos articulares são os goniómetros (fig. o que requer tratamento. uma imobilidade prolongada.

A figura 5.34 — Tipos de goniómetro O goniómetro é basicamente um transferidor em cujo centro està"o unidos dois braços ou alavancas. 5. Geralmente apenas um dos braços é móvel.35 — Medida dos ângulos articulares do ombro (a) e do cotovelo (b) .36 é o registro gráfico das modificações da amplitude de movimento da articulação interfalângica proximal durante um período de quatro semanas.Figura 5. Figura 5. O transferidor é graduado de um em um grau (f ig.35). antes e depois de aplicado tratamento com fisioterapia.

36 — Gráfico da amplitude da articulação interfalángica proximal em 4 semanas de registro .Figura 5.

O professor de educação física pode e tem condições de detectar casos de má nutrição e encaminhá-los para o médico. peso. regular a atividade corporal e permitir o trabalho do corpo. e habilidades motoras retardadas. músculos firmes. É possível também que a quantidade e a qualidade sejam suficientes mas os tecidos do corpo não conseguem absorver ou aproveitar os elementos por alguma deficiência orgânica ou metabólica. pele flácida. Um dos principais fatores que prejudicam o processo normal de crescimento é a deficiência nutritiva. para considerar apenas alguns aspectos. A criança mal nutrida tem fadiga crónica. Peso e alutra em torno da média. É dever do professor de Educação Física saber avaliar o estado nutritivo de uma criança e encaminhá-la para o setor médico responsável para que um tratamento possa ser providenciado. pouco animado. são indícios de má nutrição. Conceito de nutrição Nutrição pode ser considerado como o processo pelo qual as células do corpo usam o alimento ingerido para construir. proteínas. etc). força muscular diminuída. Quando há uma boa nutrição. força muscular e outros aspectos da criança. . Ao contrário. músculos frágeis. a digestão ocorre perfeitamente bem e as células do corpo estão usando de modo satisfatório esses alimentos. A nutrição é pobre quando algum elemento desta cadeia não está funcionando a contento: a criança pode estar ingerindo alimento em quantidade insuficiente ou o alimento pode ser deficiente em determinadas substâncias (vitaminas. todos os processos envolvidos na cadeia estão em equilíbrio: há oferta suficiente de alimento. dentes cariados. olhos claros boa postura e bom apetite são alguns dos sinais de boa nutrição. corpo pouco desenvolvido. subjetivãmente. manter ou reparar os tecidos. pele corada. especialmente na época do crescimento. magro. AVALIAÇÃO DO ESTADO NUTRITIVO O estado nutritivo pode ser avaliado simplesmente pela observação da criança. É claro que qualquer um destes processos vai influenciar na altura. ou seja. com cansaço facial e irritação fácil.CAPITULO VI AVALIAÇÃO DO ESTADO NUTRITIVO: MEDIDA DA ESPESSURA DE PREGAS CUTÂNEAS E PESO INTRODUÇÃO A saúde e o desenvolvimento do indivíduo são muito importantes.

Entretanto, para eliminar erros que sempre ocorrem em avaliações subjetivas, foram criados meios objetivos de julgar o estado nutritivo. Tabelas de estatura-peso idade e tabelas de largura-peso Estas tabelas foram construídas a partir da avaliação de um grande número de indivíduos. 0 uso das tabelas idade-estrutura-peso apresenta desvantagens: não leva em conta a constituição corporal; é construída a partir de uma média, a qual, nem sempre é representativa para aquele caso específico. As tabelas de largura-peso (Pryor, 1940), sugerem que se pode avaliar o estado nutritivo utilizando não só o peso e a estatura mas também outras medidas como os diâmetros bi-crista ilíaca e o transverso do tórax. Assim, foram construídas tabelas relacionando idade, estatura, sexo, peso e as medidas acima relacionadas. Deste modo, para saber se o peso de uma determinada criança está dentro dos padrões normais, basta compará-lo com os valores indicados nas tabelas, levando em conta as várias medidas efetuadas. Alguns autores propõe a determinação da porcentagem de gordura corporal através de cálculos usando fórmulas em que entram a densidade, a massa e o volume do corpo. Estes dados são obtidos por métodos especiais. Entretanto, o meio mais fácil e prático de se avaliar o estado nutritivo é medindo o tecido adiposo através da medida das pregas cutâneas, pois o tecido adiposo subcutâneo, como se sabe, constitui aproximadamente metade de todo o estoque adiposo do corpo. MEDIDA DA ESPESSURA DE PREGAS CUTÂNEAS Importância da medida da espessura de pregas cutâneas. Esta medida permite avaliar o grau de adiposidade do indivíduo, e portanto seu estado nutritivo. Técnica de medida da espessura de pregas cutâneas Para medir a espessura da prega cutânea, utiliza-se um compasso especial que exerce pressão fixa sobre a pele, permitindo assim, uma medida sempre precisa. Um dos mais conhecidos é o compasso de Lauge (fig. 6.1).

Figura 6.1 - Compasso de Lange, para medida das pregas cutâneas

Os locais do corpo escolhidos para se efetuar as medidas são o dorso do braço, a região infra-escapular, região anterior da coxa, tórax e abdome (fig.6.2). Toma-se entre os dedos polegar e indicador uma dobra de tecido subcutâneo e mede-se sua espessura com o compasso. Em adulto, a medida vale cerca de 1cm, em média.

Pode-se também medir a espessura do tecido subcutâneo, através de chapas radiográficas. Além da medida da espessura de pregas cutâneas, uma das medidas mais utilizadas para avaliar o estado de nutrição é o peso, cujo estudo será feito a seguir. PESO Definição de peso O peso é resultante das forças exercidas pela gravidade sobre o corpo. Geralmente é interpretado, para efeitos práticos, como sendo igual à massa.

Figura 6.2 — Locais mais usados para medir a espessura da prega cutânea a — dorso do braço b — Região infra-escapular c — Regiáo lateral do abdome d - Coxa e — Região anterior do abdome

Elementos constituintes do peso A tabela seguinte mostra os elementos constituintes do peso e suas percentagens: Tecido subcutâneo, gordura e água Músculos Esqueleto, vísceras, sistema nervoso e pele 17% 50% 33%

c) Variação do peso com a prática de esportes — Esta é fator de redução de peso. Esta parte se modifica por exercícios físicos. destacam-se:a hereditariedade. condições de saúde e hábitos de vida. segundo Broca Segundo Broca. devido à perda de líquidos. há uma parte fixa que corresponde às vísceras. depois dos 2 anos. o peso ideal seria dado pela fórmula: P = A (cm) sendo: A . o peso aumenta cerca de 2 quilogramas por ano de idade. deve-se acompanhar a redução de peso. esqueleto. Esta diferença entre o peso pela manhã e à noite pode atingir até 2 quilogramas. o crescimento e a prática desportiva. ao passo que à noite. Nestes casos. o peso é menor devido ao fato do estômago. . constituição neuro-endócrina e patologias. o peso é maior. sob várias condições. a maior parte do peso é representada pelos músculos. Finalmente. Cálculo do peso ideal. através de verificações periódicas. Fatores que determinam o peso Podemos considerar fatores internos e externos. Entre os primeiros.Pela manhã. A parte do peso representada pelo tecido subcutâneo. sistema nervoso e pele. a) Variação do peso com a hora do dia .Como se observa. Fatores de variação do peso Diversos fatores influenciam no valor do peso. Entre os fatores externos. b) Variação do peso com o crescimento — Durante a fase de crescimento. Broca considera como valores normais os que se colocam para mais 10 ou menos 10 do peso ideal calculado. os mais importantes são a alimentação e a atividade física.. gordura e água também é muito variável. através da respiração e sudorese. intestinos e bexiga estarem vazios. os mais importantes sío: hora do dia.100. = altura em centímetros.

. Em seleção desportiva. Técnica da medida de peso Dois tipos principais de balança são utilizados para medir o peso. Pessoas de peso elevado são indicadas para esportes que requerem resistência e força. sendo o resultado dado em quilogramas: a de alavanca e a de mola. o peso é uma medida utilizada para orientar o indivíduo para um determinado tipo de esporte. enquanto os de peso baixo podem praticar esportes como corridas de fundo. A balança de alavanca é preferida à de mola pois com o passar do tempo.Utilidade da medida de peso O peso tem grande importância como medida biométrica por sua fácil obtenção e por indicar o estado de nutrição e de saúde do indivíduo. esta tem sua precisão diminuída.

ao realizar um trabalho intenso e rápido. no indivíduo normal. estando entre 38 e 110. Vejamos inicialmente algumas características fisiológicas do sistema cardiovascular. uma frequência do pulso de 64 batimentos por minuto. Quando um indivíduo é submetido a um trabalho. Estudaremos as seguintes: capacidade cardio-circulatória. em repouso. os limites. o coração deve responder prontamente. alimentação. Frequência do pulso Um indivíduo jovem tem em média. hora do dia. porque o coração do atleta é mais forte. Entretanto. Volume minuto. tais como: idade. mas todas baseiam-se em que o sistema muscular. e atividade física. A medida da capacidade cárdio-circulatória é feita submetendo-se o indivíduo às chamadas provas de esforço. os valores da frequência do pulso variam com muitos fatores. MEDIDA DA CAPACIDADE CÁRDIO-CIRCULATÓRIA Veremos apenas uma noção sumária sobre a medida da capacidade cárdiocirculatória. O volume minuto é a quantidade de sangue bombeada por minuto e o volume sistólico é o volume ejetado em cada batida do coração. cessando o trabalho. de um atleta. devido ao treinamento que fortalece não só a musculatura esquelética. Existem vários tipos de provas de esforço. geralmente é maior que o de um indivíduo não treinado. como também a cardíaca. a frequência do pulso vai . capacidade vital e forca muscular. FORÇA MUSCULAR CONCEITO DE MEDIDAS BIOMÉTRICAS FUNCIONAIS Medidas biométricas funcionais são medidas que permitem avaliar o estado fisiológico de alguns sistemas do corpo. Pode ser que na pessoa treinada o volume ejetado a cada batimento seja maior que numa não treinada. o pulso e a pressão sanguínea devem voltar rapidamente aos níveis de repouso.CAPITULO VII MEDIDA DA CAPACIDADE VITAL E CARDIOCIRCULATÓRIA . Em um atleta treinado. O volume sistólico em repouso. Além disso. Volume sistólico. a frequência do pulso pode ser 20 ou 30 batimentos mais baixa que uma pessoa não treinada. suprem perfeitamente de oxigénio os músculos durante o esforço. Se o coração e os pulmões estão funcionando à contento.

não ocorre tanto desconforto ao respirar mais fortemente. chega um momento em que não se ouve mais o batimento. com mais economia. se desenvolvem mais e quando há um esforço. pois é nos pulmões que ocorrem as trocas gasosas e o oxigénio é absorvido e eliminado o gás carbónico. É necessário pois submeter o coração do indivíduo a uma prova de esforço para se ter uma avaliação de seu desempenho funcional. lida no manómetro. sem um aumento tão grande da respiração. Além disso. A eficiência dos músculos vai depender do oxigénio que chega até eles. 0 uso dos testes que medem a capacidade cardiocirculatória em Educação . Respiração O sistema circulatório está funcionalmente ligado ao respiratório. aumenta a expansão do tórax e a profundidade respiratória. porque o ar vai saindo. geralmente utiliza-se medir variáveis como a pressão sanguínea e a frequência do pulso sob diferentes condições. Por último. menor tempo leva para voltar a atingir a frequência de repouso. Vários cuidados devem ser tomados pois muitos fatores podem afetar os resultados. Pressão sangú ínea Quando necessária. durante um esforço físico.A pressão é medida no braço. Só assim poderemos opinar sobre sua aptidão à atividade física. insufla-se o ar no manguito colocado em posição no braço e ouvindo com o estetoscópio. Assim. À medida que a pressão vai dímuindo. A pressão sanguínea é a pressão exercida pelo sangue sobre as paredes dos vasos. A pressão máxima é a pressão do sangue durante a sístole ventricular esquerda e a pressão mínima. quando se ouvir o som do batimento cardíaco nitidamente. na pessoa treinada. No indivíduo treinado. bem como do estado físico da pessoa.aumentando à medida que a intensidade do esforço é maior. Quanto mais preparado fisicamente. é obtida quando ela diminui ao máximo entre os batimentos. no treinado há uma melhor ventilação. Avaliação do sistema cardiovascular Nesta avaliação. a frequência do pulso volta ao estado inicial e o tempo que leva para que isto ocorra depende do esforço realizado. há um melhor aproveitamento de oxigénio. Esta é registrada como pressão diastólica (mínima). Terminado o trabalho. a tomada da pressão sanguínea deve ser feita com o indivíduo sentado confortavelmente ou deitado . Depois solta-se lentamente o ar. esta é a pressão máxima. Para se medir a pressão sistólica (máxima). como ocorre nos não treinados. sabe-se que os músculos respiratórios.

Mas eles podem ajudar a detectar indivíduos com aptidão física muito baixa. de um lado há uma conexão com um bocal. Estes indivíduos deverão ser encaminhados para o médico competente. M E D I D A D A CAPACIDADE V I T A L Conceito de capacidade vital É a quantidade máxima de ar que uma pessoa pode expulsar após uma inspiração máxima. procurando fazer com que o mercúrio atinja um desnível de 40 m m . Normalmente. examina-se o pulso do indivíduo. o indivíduo sobe em um banco de 50. Prova de Pachon-Martinet Consiste na execução de 20 flexões em 40 segundos. 2 minutos e 3 minutos após o término da prova. Quando este volta aos valores iniciais de antes do teste em menos de 2 minutos. de minuto em minuto.Física é limitado. A prova é cansativa e deve ser feita somente em indivíduos previamente examinados pelo médico. Durante a prova.8 cm de altura a cada 2 segundos. Aplica-se. a seguir. . obtendo-se resultados que indicam a aptidão física do indivíduo. e suportando até os limites de suas possibilidades. As modificações do pulso (ritmo cardíaco) e o tempo que o indivíduo consegue atingir permitem avaliar o desempenho cardíaco. com mercúrio. Mede-se o pulso 1 m i n u t o . Prova de Flack Esta prova é feita utilizando um tubo de vidro. os valores obtidos em uma fórmula conveniente. onde o indivíduo assopra. até que volte aos valores iniciais. Teste de Lian O indivíduo faz 30 flexões em 1 minuto. A seguir serão analisados alguns testes que medem a capacidade cardiocirculatória. Prova do banco (Step test) Durante um período de 5 minutos. o resultado é considerado bom. isto ocorre aos 2 ou 3 minutos após o término do teste. Imediatamente mede-se o pulso. Mede-se a frequência do pulso e a pressão arterial antes e depois da prova.

temos a reserva inspiratória e ao realizar uma expiração forçada. tem-se a reserva expiratória. Nas doenças pulmonares. é o volume de ar que entra nos pulmões na inspiração. Insufla-se ar no aparelho. 11. há alteração do traçado normal de uma espirometria. de reserva inspiratória e de reserva expiratória.1.2). que desloca um sistema graduado. Aparelho utilizado para se medir a capacidade vital É o espirômetro. por exemplo. A figura 11. o qual permite medir a quantidade de ar insuflado. O volume corrente é o volume de ar inspirado e expirado durante a respiração. 11. Em outras palavras. Figura 11*1 -A — Espirômetro em corte esquemático Utilidade da medida da capacidade vital Através da espirometria pode-se detectar insuficiências respiratórias e acompanhar progressos em reeducação respiratória.Depende basicamente dos músculos envolvidos na respiração (inspiração e expiração) e do volume máximo dos territórios dos pulmões. A capacidade vital é a soma dos volumes corrente. O indivíduo começa a expirar no ponto 2.2 mostra um traçado de uma prova de capacidade vital de um indivíduo com enfisema. A prova é denominada espirometria (figs. no . Realizando uma inspiração forçada.

C — Espirometria . Figura 11-1-B Componenetes da capacidade vital Figura 11. se fosse normal.1 .ponto 2 (primeiro segundo de prova) ele deveria expirar. 70 a 80% da sua capacidade vital mas na realidade o gráfico mostra que ele expele somente 40% desta capacidade.

Nà"o se pode. bem como não se pode dizer que um atleta com capacidade vital elevada terá ótimos resultados físicos. a capacidade vital aumenta até 40 anos. No adulto que pratica exercícios adequados. quando o indivíduo respira com má técnica. para uma mesma idade e altura. Fatores que influenciam no valor da capacidade vital Os principais são: sexo. tipo constitucional e exercícios físicos. considerar como incapaz um indivíduo que tenha uma capacidade vital pequena. A capacidade vital depende das dimensões da caixa torácica. entretanto. altura e desenvolvimento físico. a capacidade vital aumenta. Nos que levam vida sedentária. Nos indivíduos bem desenvolvidos e de grande altura têm-se também um maior desenvolvimento da caixa torácica. idade. Variação da capacidade vital com a altura Quanto mais desenvolvido for o indivíduo. .2 — Capacidade vital de um indivíduo com enfisema A capacidade vital pode ser melhorada com técnica respiratória adequada. ao contrário. Comportamento da capacidade vital nos sexos A capacidade vital nos homens é cerca de 800 ml maior que a das mulheres. maior será sua capacidade vital. diminui.Figura 11. Variação da capacidade vital com a idade Durante o crescimento do indivíduo.

e é influenciada por vários fatores entre quais processos patológicos.Relacionamento entre capacidade vital e tipo constitucional A capacidade vital nos brevilíneos é menor que a dos longilíneos. Técnica de medida da capacidade vital Deve-se observar os seguintes aspectos. dá maior potência para saídas mais rápidas e permite melhor desempenho em quase todos os esportes. roupas folgadas e deve ser bem explicado ao examinando o modo de se realizar a prova. . todo atleta sabe que a força muscular quando desenvolvida melhora a aparência e o físico. pois têm o tórax mais curto e suas costelas têm menor mobilidade que a dos longilíneos. A medida da força muscular pode ser um bom indicador da aptidão física geral pois é uma medida bastante obejtiva. Além disso. b) Realização da prova: com o estômago vazio. ao se medir a capacidade vital: a) Posição: deve ser medida com a pessoa em pé. há diferenças nas raças. Conceito da medida da força muscular Consiste na medida da força máxima de determinados grupos musculares. O desenvolvimento da força muscular melhora a velocidade do indivíduo. permite melhor desempenho em provas específicas e ajuda a evitar certas deficiências ortopédicas. MEDIDA DA FORÇA MUSCULAR A medida da força muscular é uma das mais importantes para se avaliar a aptidão física do indivíduo. Por este motivo. A aquisição de um corpo bem modelado é aspiração natural de jovens masculinos e femininos. Exercícios físicos e a capacidade vital A ginástica e os exercícios só melhoram a capacidade vital nos indivíduos que apresentam técnica respiratória errada. A medida chama-sedinamometria.

11.4). Sexo e medida da força muscular No adulto. 11. Valores médios no homem adulto Força de preensão da mão Força de traçâb horizontal Força de traçâo vertical 40 a 60 kgf 30 a 40 kgf 130 a 150 kgf A mulher possui valores entre 50 a 60% dos masculinos. 11. c. Músculos flexores dos dedos (força de preensáb) (fig. atingindo valores máximos enter 25 e 35 anos.3) b. as diferenças são pequenas. Idade e a medida da força muscular A força muscular aumenta a partir da puberdade.Aparelho utilizado em dinamometria É o dinamômetro. porém. Na puberdade e após esse período. Fatores que influenciam na medida da força muscular Sâb os seguintes: sexo. idade e exercícios físicos. Até a puberdade. Músculos do braço e da região escapular (força de traçâb horizontal). Músculos do dorso (força de traçâo vertical) (fig. deslocando um ponteiro que corre em uma escala graduada (fig. os músculos são mais desenvolvidos no homem que na mulher. aumentando o rendimento muscular. há uma maior atividade física nos meninos e entram em açâo também os hormônios masculinos. neste aspecto. Baseia-se no fato que a força muscular aplicada ao aparelho deforma uma mola. .3) Grupos musculares que podem ser explorados através da dinamometria São os seguintes: a.

3 — Medida da força de preensão Figura 11.Medida da força detraçfo .4 .Figura 11.

Influência dos exercícios físicos na medida da força muscular Aumentam a força muscular. Através de treinamento. Acompanhar variações da força muscular durante treinamento. Importância da dinamometria A dinamometria permite: a. . Comparar forças musculares de indivíduos diferentes. em 10 meses. pode-se fazer com que os músculos de um indivíduo atinjam a força máxima de que são capazes. e b.

durante o desenvolvimento. 1964). O inconveniente é a dificuldade de seguir o mesmo grupo de crianças durante um tempo mais ou menos longo. O método transversal consiste em tomar medidas em crianças de diferentes idades e daí estabelecer valores médios para cada idade. CONCEITOS DE CRESCIMENTO E M A T U R A Ç Ã O Diferença entre crescimento e maturação Durante o desenvolvimento do ser humano. A maturação compreende as mudanças na estrutura e composição do corpo. Crescimento propriamente d i t o é representado t i v o . pode-se distinguir dois processos diferentes entre si. São exemplos: as dentições.CAPITULO V I I I A V A L I A Ç Ã O D O CRESCIMENTO Neste capítulo estudaremos os conceitos de crescimento e maturação. acompanha-se um grupo de crianças durante seu crescimento. as características de cada fase e os conceitos de idade cronológica e idade fisiológica. É pois um processo quantita- . com o passar da idade. Há o inconveniente de não se levar em conta as diferenças individuais no r i t m o de crescimento. diminuindo até os quatro ou cinco anos (Tanner. que ocorrem. É pois um processo quantitativo. os processos de ossificação e as mudanças que ocorrem na puberdade. Métodos de estudo do crescimento Existem dois métodos biométricos para se analisar o crescimento:o transversal e o longitudinal. embora intimamente interligados: crescimento propriamente dito e maturação. ASPECTOS GERAIS DO CRESCIMENTO Velocidade de crescimento A velocidade do crescimento é maior no início da via pós-natal. as fases do crescimento. Está intimamente ligado à nutrição. No método longitudinal. O aumento da altura do indivíduo se deve ao aumento do comprimento dos pelas mudanças progressivas das várias medidas do corpo. observando e anotando as caracterísitcas que surgem.

quando então. Os órgãos genitais. desenvolvem-se rapidamente.membros inferiores. durante e após essa fase (Godin. como mostra a tabela seguinte: Autor Penna (1962) Fases Crescimento intra-uterino Primeira Infância Segunda Infância Adolescência Meninos Idades Fertilização até o nascimento Nascimento aos 2 anos Dos 3 aos 10 anos Dos 10 aos 20 anos Meninas Até 6—7 anos 7 aos 10 anos 10 aos 13 anos 13 aos 14 anos Claparède (1940) Primeira Infância Segunda Infância Adolescência Puberdade Nascimento aos 7 anos 7 aos 12 anos 12 aos 15 anos 15 aos 16 anos Vandervael Pequena Infância Média Infância Grande Infância Adolescência Juventude Nascimento aos 2 anos e meio 2 anos e meio aos 6 anos 7 aos 12 anos 11 aos 16—18 anos 16—18 anos aos 21—23 anos . há variação no número e nomenclatura das fases do crescimento. rapidamente durante os primeiros anos de vida e lentamente na puberdade. segundo os autores. Entretanto. 1935). antes da puberdade e ao aumento da altura tronco-cefálica. crescem pouco até a puberdade. FASES DO CRESCIMENTO Embora o crescimento seja um processo contínuo. costuma-se dividi-lo em fases caracterizadas por alguns fenómenos mais evidentes em cada fase. Crescimento dos órgãos Os órgãos do corpo crescem. em sua maioria. ao contrário.

o tórax é cilíndrico e a coluna vertebral apresenta apenas uma curvatura. de convexidade posterior. Existe grande variação quanto à data de início destes fenómenos. aparecem os pelos pubianos e ocorre a menarca (primeira menstruação). A voz passa a ser mais grave. depois. Por esse motivo. Os membros são curtos. as fases de Vandervael. A altura aumenta devido. Nesta fase. principalmente. Nas meninas. deixando pois de ser cilíndrico. são alcançadas e ultrapassadas. a forma oval. ocorre. A cabeça é grande.A seguir serão descritos os fenómenos principais que caracterizam cada fase do crescimento tomando por base. os diâmetros da pelve. proporcionalmente. crescimento do pênis. aumento dos testículos. secreção de hormônios sexuais pelas células testiculares e aparecimento de barba. o fenómeno característico desta fase é o aumento da altura (quase 50%) e do peso. O pescoço se alonga e fica delgado.1 1 anos. Fenómenos que caracterizam a adolescência Esta fase. crescem as mamas. O aumento da altura deve-se mais ao crescimento do tronco que dos membros inferiores. as meninas crescem mais que os meninos no início desta fase mas. Características da média infância Estende-se dos dois anos e meio aos 6 anos. O tronco adquire. o mesmo ocorrendo com o seu término. começa e termina antes nas meninas. o que aumenta suas possibilidades atléticas. A capacidade vital aumenta nos meninos. Aspectos que caracterizam a fase da juventude . as medidas da cabeça e do tronco continuam a predominar sobre as dos membros. aparecimento dos pelos pubianos e axilares. Na área genital. nos meninos. ao maior crescimento dos membros inferiores. que corresponde ao surto pubertário. Acentuam-se as diferenças de forma: nos meninos alargam-se as espáduas e nas meninas. Aspectos que caracterizam a grande infância Vai dos 7 aos 1 0 . Fenómenos que caracterizam a pequena infância Compreendendo o período que vai do nascimento aos dois anos e meio. A força muscular aumenta especialmente no sexo masculino devido a hormônios próprios. O tórax tende cada vez mais a acentuar a forma ovalada. nesta fase.

o outro menino pode estar em uma fase intermediária entre os dois anteriormente citados. Idade de erupção dos dentes O aparecimento dos chamados dentes de leite se faz de modo constante. fisiológico e mental. Na puberdade. podemos encontrar um que é menor. com sistema muscular pouco desenvolvido. algumas medidas biométricas e as características sexuais secundárias. Tanner (1964) considera o que se denomina idade fisiológica. o que dará ideia do grau de desenvolvimento. outro tem bom desenvolvimento físico. assemelhando-se a um menino de menor idade. Desenvolvimento dos ossos Os vários centros de ossificação dos ossos do esqueleto aparecem em idades constantes e podem servir pois como critério para se determinar o grau de desenvolvimento em que se encontra o indivíduo. por exemplo. morfológico. A altura cresce cada vez mais lentamente. idade de erupção dos dentes. Assim. Existem tabelas que mostram a idade de aparecimento de cada centro de ossificação de cada osso. Estes centros podem ser detectados através de radiografias. Conta-se os dentes que já fizeram erupção e compara-se com tabelas. os três meninos tem a mesma idade mas encontram-se em diferentes estágios de desenvolvimento. A idade óssea nas meninas é geralmente mais avançada que a dos meninos. entre 6 meses e dois anos e meio. Toma-se as medidas que são depois comparadas com as constantes da tabelas. desde a vida fetal.Estende-se desde os 16—18 anos até o início da idade adulta. Por esse motivo. Assinala o início da idade adulta. IDADE CRONOLÓGICA E IDADE FISIOLÓGICA Conceitos da idade cronológica a idade fisiológica A observação mostra que duas crianças do mesmo sexo e mesma idade cronológica (igual número de anos vividos) podem apresentar grandes diferenças morfológicas em relação ao estágio de desenvolvimento. músculos bem desenvolvidos. Portanto. órgãos genitais como os de um adulto. a qual se baseia nos seguintes critérios: idade óssea. há um adiantamento de 2 anos mais ou menos. Medidas biométricas Algumas medidas como o peso e a altura podem ser utilizadas como critério para determinar a idade fisiológica. entre três meninos de 14 anos. .

Durante o seu crescimento a cabeça sempre cresce mais em altura que em largura. A moça para de crescer geralmente aos 18 anos e o rapaz. . recupera esse peso. Depois de 3 anos na adolescência os rapazes voltam a pesar mais. O comprimento da criança duplica aos 4 anos. Durante a meninice. CRESCIMENTO DAS PARTES DO CORPO Cabeça Ao nascer. aparecem em épocas constantes. Durante a infância e meninice. barba. No final do 19 ano de vida o peso triplica e no segundo ano quadruplica. No nascimento. as meninas pesam menos que os meninos mas na puberdade pesam mais. o perímetro cefálico médio é 35 cm. Altura A altura aumenta cerca de 3 vezes e meia desde o nascimento até a idade adulta. com frequência. Ao nascer a criança pesa em média 3. a criança cresce pouco. Até a idade adulta cresce apenas mais 5 cm. Em mais ou menos 8 dias porém. nesta fase. Aos três anos passa para 50 cm. 1/12. CRESCIMENTO DO CORPO COMO UM TODO Peso O peso do recém-nascido é milhares e milhares de vezes maior que o ovo mas o peso do adulto é apenas 20 vezes o do recém-nascido. dentro de certos limites de variação.Características sexuais secundárias O grau de desenvolvimento dos órgãos genitais. Nos primeiros dias após o nascimento.5kg. a cabeça representa 1/4 do corpo e no adulto. pois estes fenómenos. aos 20 anos. a época do aparecimento de pelos. mamas e menarca que surgem na puberdade podem também ser usados como meios de determinar a idade do indivíduo. As fases em que o peso aumenta mais são na vida fetal e na adolescência. a criança perde 5 a 6%do peso inicial devido a uma ingestão menor de líquidos. O crescimento do crânio é importante pois está relacionado ao crescimento do encéfalo. Na puberdade há um surto de crescimento rápido que começa e termina antes nas meninas.

supondo iguais os membros inferiores .1). Aos dois anos o perímetro torácico aumenta.Tronco O tronco contribui com cerca de 50% do comprimento do corpo em qualquer fase da vida. A altura tronco-cefálica representa cerca de 70% da altura total ao nascer e cerca de 55% no adulto (f ig. os diâmetros sagital e transverso do tórax são aproximadamente iguais mas no adulto o transverso é três vezes o sagital. o perímetro torácico é igual ao cefálico. Na infância. Durante a infância.1 — Proporções do corpo. Figura 12. 12.

O ponto médio do corpo é o ponto. Pele e tela subcutânea Os pelos aparecem no início da adolescência. A tela subcutânea aumenta. começa a diminuir e aos 5 anos. No adulto o inferior fica 1/6 mais comprido que o superior. Esqueleto O aparecimento dos centros de ossificação segue uma ordem cronológica bem definida desde o nascimento até a vida adulta. acima e abaixo do qual. No recém-nascido situa-se ao nível do umbigo e no adulto está na crista púbica. Nas mulheres os pelos púbicos aparecem pouco antes da menarca e na axila. mas não nas mesmas proporções nas várias fases de desenvolvimento. Aos dois anos de idade os membros superiores tem o mesmo comprimento que os inferiores. A idade óssea é o estado em que se encontra o esqueleto em qualquer momento da vida. Por esse motivo não pode ser considerada como um critério absoluto para avaliar o estado de nutrição. axila. peito e membros. No rapaz aparecem em ordem. a gordura subcutânea aumenta bruscamente mas no segundo ano de vida. Portanto. . face. em todas as fases. sendo que no sexo feminino. Através de radiografias pode-se dizer a idade óssea do indivíduo. atinge a metade do valor que possuía no primeiro ano. Nos primeiros 9 meses. sexuais. Existem tabelas próprias. nas seguintes regiões: púbica. e influências de nutrição. representa 15% do peso total e no adulto. os comprimentos sâb iguais. no nascimento. há acúmulos isolados nos quadris e nas mamas. esse valor sobe para 30%. a idade óssea é ótimo critério para indicar a fase de desenvolvimento. mas há variações raciais.Membros O membro superior participa com 9% do peso total no nascimento e assim permanece no adulto. O mesmo ocorre com o centro de gravidade que no recém-nascido está ao nível do diafragma e no adulto passa para o promontório do osso sacro. O aumento maior do comprimento dos membros inferiores e menor do tronco leva o ponto médio do corpo para baixo. cerca de 6 meses após. Começa a aumentar novamente na adolescência. 0 membro inferior.

O útero cresce realmente durante a adolescência. o coração pesa cerca de 20 g. A medula espinhal cresce menos que a coluna vertebral de tal maneira que no adulto sua extremidade encontra-se ao nível da 2ª ou 3ª vértebra lombar. em relação ao da recém-nascida. O ovário tem seu peso aumentado de 30 vezes no adulto. No adulto o peso do coração é cerca de 12 vezes maior que ao nascer. O peso total do encéfalo pode ser atingido aos 10 anos de idade.Músculos Aumentam grandemente de peso na infância. Ele cresce especialmente durante a adolescência. Este valor triplica no 3º ano. O testículo do adulto pesa 40 vezes mais do que o do recém-nascido. Sistema Nervoso Central O peso do encéfalo duplica no primeiro ano e triplica no terceiro. A glândula tiróide do adulto tem um peso cerca de 12 vezes maior que do recém-nascido e a hipófise aumenta seu peso em cerca de 5 vezes até a idade adulta. Durante a puberdade crescem lentamente até a idade adulta. a força muscular duplica. Os músculos crescem em tamanho e ná"o pelo aumento do número de fibras. . Na adolescência. Coração Ao nascer. Órgãos endócrinos As glândulas supra-renais diminuem seu peso durante a infância. Sistema genital Os órgãos genitais apresentam um padrão de crescimento que se afasta das outras vísceras. Na adolescência essa participação é ainda maior. quando pesam o dobro do seu valor ao nascer.

é necessário buscar as causas deste fenómeno. 1952) .2 . para construir essas curvas-padrão. o método longitudinal.2. Figura 12. 12.Curvas-padrffo de peio nos sexos masculino e feminino (Baseado em Boyd. são elas: 1 2 3 4 5 Peso e altura Altura tronco-cefálica Perímetro da cabeça Perímetro torácico Diâmetro bi-crista ilíaca. que examina as mesmas crianças em vários períodos ou o método transversal que examina crianças diferentes numa mesma época.3). Algumas medidas são mais frequentemente utilizadas para se verificar o crescimento e desenvolvimento.PADRÕES NORMAIS DE CRESCIMENTO Estudando-se o crescimento de crianças do mesmo sexo. raça e meio ambiente. Quando os valores de uma criança se afastam muito dos das curvas-padràb. podemos construir tabelas e curvas-padrâb (figs. 12. Pode-se usar. ocorre grande variabilidade nos padrões normais. Como cada criança tem um modo próprio de crescer.

porque nesta fase. o órgão domina e parece inibir o desenvolvimento de outras estruturas. sexo.3 . Este período é chamado período crítico. hormônios. ele se diferencia num determinado momento e cresce com uma certa velocidade e que depende de fatores intrínsecos a esse órgão. Se o órgão não aproveitar o período que lhe é destinado para se diferenciar. atividade. 1952) FATORES RESPONSÁVEIS PELA VARIABILIDADE NO CRESCIMENTO E DESENVOLVIMENTO Os fatores principais responsáveis pela variação no crescimento e desenvolvimento sâb: hereditariedade. Cada órgão tem um modo próprio de se desenvolver e crescer. Cada tecido ou órgão tem um período em que a diferenciação e crescimento são mais acelerados havendo então uma alternância destes períodos para cada órgão. .Figura 12. então ele não mais conseguirá se desenvolver ou então o fará defeituosamente. raça.Curvas-padrão de altura em meninos e meninas (Baseado em Boyd. os órgãos e tecidos que mais vão sofrer essas influências e ficar com defeitos são os que estão se diferenciando nesse momento. nutrição. clima. Se num determinado momento do desenvolvimento agentes nocivos atuarem sobre o corpo.

certa de ser a variabilidade individual enorme e de que só de seu estudo resultará a possibilidade de desfazer muitos conceitos errados da biologia humana. Lembra Duarte-Santos: "classificar em um grupo é bom. estas diferenças são importantes edevem ser levadas em consideração em Educação Física. sobretudo. A constituição individual está ligada a uma ciência. é a própria unidade do seu estudo. ao economista. Como veremos mais adiante. Berardinelli define biotipologia como a "ciência das constituições. ao orientador profissional. rasgando-lhe mais amplas perspectivas. que sejam iguais. atingir o caso concreto. tal idéia provém do nome dessa ciência e das classificações existentes dentro da matéria. apesar das classificações. com esta biologia diferencial e comparativa". e se às vezes constrói uma síntese. fisiológicas e psicológicas. passar o indivíduo é ótimo". ao clínico importa. Não há. o importante é o indivíduo uno e concreto. mas sim a realidade concreta que é o indivíduo. temperamentos e caracteres". concreto. . este indivíduo. é melhor. ao político. que é o ser humano. o caso particular. Os fatos gerais interessam ao filósofo. Entretanto. ou seja. Mas ao educador. ao diretor de esporte. ir ao sub-grupo. dois indivíduos. para designar a ciência que teria por objeto. Muito comum e errónea é a idéia que se tem de que Biotipologia pretende tipificar os indivíduos para classificá-los. que o distingue dos demais. cada indivíduo apresenta uma série de características morfológicas. ao administrador. mas sim como instrumento de estudo". por mais parecidos. cujos aspectos gerais serão descritos a seguir. ao passo que para a Biotipologia o que interessa é a análise. "este caso". não é como fim. Estas variações na construção corpórea dos indivíduos decorrem da diferença de constituição individual. á variedade. CONCEITO DE BIOTIPOLOGIA 0 termo Biotipologia foi utilizado pela primeira vez por Nicola Pende. Berardinelli faz ainda uma comparação entre a Biot pologia ea Antropologia: "Se a Antropologia analisa é para depois sintetisar. Duarte-Santos afirma: "a biotipologia pretende estudar não a abstração e mero universal. em 1922. o estudo das "manifestações vitais de ordem anatómica. como já dissemos. ao historiador.CAPITULO IX BIOTIPOLOGIA: ASPECTOS GERAIS Não existem dois indivíduos exatamente iguais. A Biotipologia tem por objetivo o estudo do indivíduo como um ser particular e concreto. psicológica. através do qual se pode conhecer e entender muitas das características do ser humano e suas diferenças. humoral. funcional. a Biotipologia. da síntese das quais resulta o conhecimento do tipo estrutural-dinãmico especial de cada indivíduo".

as glândulas endócrinas também dependem da ação genética e por esse motivo podemos considerá-las como mediadoras entre o genótipo e o fenótipo. Em outras palavras. doenças e número de gestações. ao mesmo tempo. As múltiplas possibilidades de combinações entre os gens nas primeiras fases do desenvolvimento sâb a maior causa de variabilidade na construção individual. consideram-se: região geográfica. o sistema nervoso e os fatores secundários ambientais. parátipo e f e n ó t i p o . Quanto às glândulas endócrinas podem ser divididas em dois grupos de acordo com seu modo de ação. temperamento. Um segundo grupo de glândulas age aumentando a massa corporal sem interferir na diferenciação das formas. Os fatores responsáveis por essa diferença no r i t m o de crescimento são: a hereditariedade. o aspecto funcional que aparece como expressão daquele conjunto nos vários tipor de c o m p o r t a m e n t o " . . básico para toda a biotipologia. e. além dos elementos morfológicos. Para Viola. Por outro lado. constituição é "a especial combinação correlacionada das variantes dos caracteres físicos próprios da espécie no estado fisiológico". Entre eles. ou seja. personalidade e biótipo. as glândulas endócrinas. elas contribuem para que um determinado genótipo possa realizar um fenótipo. Incluem-se neste grupo a tireóide e as gônadas. Um primeiro grupo age sobre a diferenciação das formas dos órgãos. A seguir serão analisados sucintamente cada um destes fatores. Aceitaremos como definição de constituição a de Silveira. Viola acrescenta também os fisiológicos.FATORES DE D I F E R E N C I A Ç Ã O DOS TIPOS HUMANOS Os tipos humanos diferenciam-se devido a desigualdades no ritmo de crescimento dos órgãos. A seguir. podem ser influenciadas por fatores como alimentação e clima. citada por Coelho: "O conceito de constituição resulta de uma abstração que reúne o substrato anatômicoencefálico e somático em geral. O termo constituição. o que as torna um fator capaz de transformar forças do meio externo em forças internas do corpo. Compreende a hipófise. genótipo. o t i m o e o córtex supra-renal. as glândulas também sofrem a ação do meio externo. caráter. Experiências têm demonstrado que a presença de partes do sistema nervoso são necessárias para que outras partes do corpo se desenvolvam. portanto. condições sócio-econômicas. tem vários conceitos. T E R M I N O L O G I A BIOTIPOLÓGICA Como toda ciência. que são os mais utilizados nesta ciência: constituição. Entretanto. a biotipologia tem sua terminologia própria. sem influir porém no aumento da massa corporal. serão definidos os seguintes termos. Os fatores ambientais constituem em conjunto o que se denomina de "peristase".

temperamento corresponde ao aspecto dinâmico da constituição. Consideramos caráter como a expressão mais dinâmica do estado psicológico do indivíduo através do qual apresenta reações no meio ambiente. 0 componente morfológico se resume como biótipo e os componentes funcional. para Duarte-Santos. fixados através das gerações. A expressão temperamento. conação e . tal termo apresenta como definição precisa "o conjunto de funções subjetivas agrupadas fundamentalmente em três setores: afetividade. excluindo-se a parte intelectual. conativas (volitivas) e intelectuais do indivíduo. idiótipo (Lenz. Siemens) ou caracteres potenciais (Pende) é o conjunto de caracteres que o indivíduo adquiriu hereditariamente. mas é empregado com amplitude variada. Siemens) ou caracteres atuais (Pende) é a totalidade dos caracteres acrescentados ao genótipo pelas complexas ações do meio ambiente. abrangendo a parte afetivo-volitiva e as faculdades intelectuais do indivíduo. como temperamento. enquanto outros. psíquico e fisiológico. derivados dos caracteres físico-funcionais e que determinam um modo especial e espontâneo de reação psíquica ao ambiente".Genótipo (Johansen). decorrem do estímulo afetivo. "a manifestação da atividade explícita. mas tem significado mais abrangente. Fenótipo é o resultado da interação entre genótipo e parátipo. Parátipo (Lens. Caráter é considerado como traduzindo fenómenos de ordem psíquica. as ações. tendências e vontade. Admitia-se caráter como o conjunto de todas as características psicológicas do biótipo. segundo Coelho. Portanto. temperamento seria a expressão humoral do b i ó t i p o . mas não se confunde com ela. de modo que o indivíduo traduzirá no comportamento interpessoal as disposições afetivas. reconhecidas como modalidade de caráter". ampliam seu significado abrangendo também a parte psíquica e tendo assim significado volitivo-afetivo. Kretschmer considera temperamento o conjunto de qualidades afetivas que caracterizam uma individualidade tanto no que diz respeito á forma como sofre as "afecções" e à maneira como reage. deriva de têmpera. Segundo Coelho. através das quais ele se contactua com o meio ambiente. de maneira a se conduzir socialmente. Confunde-se dessa forma com o conceito de personalidade. abrangendo sentimentos. Para Silveira. e também compreensão. Viola dia que "temperamento é a especial combinação de caracteres dominantes da individualidade psíquica ou pessoa. Depende mais das condições ambientais e é mais passível de modificações do que a constituição. isto é. raciocínio e memória. significando assim a mistura dos diferentes traços de personalidade. Biótipo e temperamento em conjunto. pois engloba as caraterísticas afetivas. Outros ainda dão-lhe significado somente psíquico. é a parte volitivo-afetiva. estão implícitos na constituição individual. Para alguns autores. segundo o estímulo recebido. Caráter. 0 termo personalidade é muitas vezes usado como sinónimo de temperamento ou caráter.

b. mas obedece a determinadas leis. O indivíduo é uma unidade existindo uma indissolúvel correlação entre suas diversas partes e funções. as reações individuais têm importância igual ou superior às causas externas.inteligência. Todos os indivíduos são diferentes. . PRINCÍPIOS GERAIS DE BIOTIPOLOGIA Alguns dos princípios gerais da biotipologia são importantes e por esse motivo serão citados a seguir: a. d. consiste no b i ó t i p o " . Na génese da doença. não há duas pessoas iguais. Uma definição precisa de biótipo é fornecida por Coelho: "a expressão somática da regência metabólica para com o mundo interno objetivo. Estas funções psíquicas resultam da atividade cerebral. Apesar das diferenças entre os indivíduos há semelhanças que permitem grupá-los em " t i p o s " . c. f. são peculiares à espécie humana e regem harmonicamente e de modo contínuo as disposições do indivíduo e as suas relações com os ambientes físico e social". O conhecimento do indivíduo " n o r m a l " deve preceder e servir de base ao estudo do indivíduo patológico. g. e. Essa diferença individual não é caótica. O mesmo indivíduo é diferente de si mesmo em momentos diferentes. como carga genética e como manifestação do instinto nutritivo.

surgiram várias teorias biotipológicas. dando-lhe uma característica pela qual seria agrupado ou tipificado. se transforma imediatamente e para termos uma ideia viva e verdadeira da Natureza. pois resultado da hereditariedade. sendo. enquanto outras.Estes classificavam os indivíduos em cranianos. melancólico. dentre as quais destacamos as de: De Giovanni. acreditando que o ser humano seria formado por quatro elementos: linfa. Stockard e Bean. Benecke. mas influenciável pelo meio externo. devemos considerá-la sempre móvel e cambiante. aceitava como fundamental a ideia que o indivíduo desde a fecundação teria seu destino evolutivo marcado. Encontramos indícios de tal fato já nas antigas sociedade orientais e ulteriormente entre os gregos. Hipócrates utilizava os ensinamentos de Empédocles em Medicina. A tentativa de agrupar os indivíduos segundo certas características existe desde as mais antigas civilizações. A predominância de um destes humores determinava o temperamento: sanguíneo. originando uma orientação morfológica. escrevia ele. A vida resultaria da combinação desses quatro elementos sendo que um deles predomina no indivíduo. interpretadas estatiscamente. seu discípulo. Tal predominância se reconhecia pelo contacto com o corpo do indivíduo." A partir do final do século XIX. ShekJon e Stevens. Kraus. pituita (fria e úmida) em contraposição com a bile (quente e seca). que levaram esta ideia a outros povos. O método é criticável por basear-se unicamente na inspeção sem nenhum elemento mais concreto e objetivo. pituitoso e bilioso. Jaensch. bile e atrabile. sangue. torácicos e abdominais. como também no estado dinâmico e cinemático (Bildung). Galeno admitiu que quatro humores entrariam na constituição do homem: sangue (quente e úmido). e Hussen. Goethe criou o termo morfologia para significar o estudo da forma.CAPITULO X TEORIAS BIOTIPOLÓGICAS Existem diferentes classificações biótipo lógicas. Brugsh. "O que acaba de ser formado. . Mais tarde (século II DC). ESCOLA ITALIANA De Giovanni (1891). Sigaud. "pintor em Roma antes de ser médico em Paris". opondo-se â atrabile (fria e seca). apoiam-se em medidas biométricas. baseadas apenas no aspecto externo do indivíduo. Viola e Pende. Os progressos que se realizaram posteriormente na Anatomia humana deram à noção de temperamento um significado diverso. da qual foram precursores Halé. umas. não só considerada sinteticamente e no sentido estático (GestaIt). segundo a predominância de uma destas três partes relativamente às outras.

diâmetro bi-ilíaco igual a 4/3 de altura do abdomem. membros curtos. Estas. podendo a individualidade total não atingir ou ultrapasar a maturidade plena. fraca musculatura esquelética. tórax largo. sãs e resistentes. de morbilidade escassa. a Anatomia e a Fisiologia. desde as primeiras fases embrionárias até a completa maturidade. há debilidade geral. coração proporcionado ou mais desenvolvido na metade direita e sistema venoso e linfático muito desenvolvidos. Rara como em geral é a perfeição. mas sem esquecer a investigação funcional e clínica. em seu significado profundo. tendência à obesidade. 10. com predisposição para doenças do sistema linfático. mas sobretudo do abdome. pulmões grandes em relação ao coração. pele. na qual se incluiriam as pessoas dotadas de ótima constituição. A segunda combinação é a mais idêntica à ideal. Representa uma forma hipo-evolutiva. mas sobretudo este. circunferência torácica igual a metade da estatura. média. entre o externo e o interno e até internamente entre os aparelhos e órgãos e as próprias partes constitutivas destes. que é de volume normal ou maior (fig. A cada combinação corresponderia determinado funcionamento orgânico e especiais tendências mórbidas.2) teria os seguintes caracteres antropométricos: estatura igual à grande abertura dos braços. Harmónicos. a combinação ideal (fig. aspecto viçoso. Admitia estreitas correlações orgânicas entre a forma e a função. com leve excedência de tórax sobre o abdome. desprezando só a parte psíquica. um hipoevolutismo com tórax e abdome deficientes. seriam etapas diferentes da ontogênese. eretismo do sistema nervoso. como hemorróidas. Na primeira combinação. musculatura e sistema cardiovascular bem desenvolvidos. 10. sendo 1/5 da base do apêndice xifoide ao umbigo e 1/5 do umbigo ao púbis. intestinos e afecções dos órgãos intra-abdominais como fígado. Hiperemia respiratória. oom critério antropométrico. com frequente catarro. doenças intestinais. havia. normal.Este autor propôs-se a estudar os indivíduos baseando-se em sua morfolofia externa. baço e das veias. tensão arterial baixa. capazes de servirem para classificar os homens em grupos a que chamou "combinações". refletindo até a evolução filogenética da espécie. Funcionalmente. o que acarretaria excedência relativa do tórax. insuficiência hepática e do aparelho digestivo. mas com maior desenvolvimento somático (maior massa corpórea). venosa ainda mais. característica das crianças. coração pequeno e sistema arterial deficiente em relação ao venoso e linfático. segundo o conceito do autor. mesmo tuberculose pulmonar e. Jacinto Viola (1905). Daí surgiu o conceito de hiper e hipo-evolutismo e a possibilidade de desequilíbrios. altura do esterno igual a 1/5 da circunferência do tórax. em idade mais avançada. Os indivíduos da terceira "combinação" têm apreciável desenvolvimento do tronco. desproporções e variantes individuais. sobretudo dos vértices pulmonares. rins. Bom grau de nutrição. deficiência respiratória por musculatura fraca.1). membros alargados. De Giovanni levava em consideração o desenvolvimento harmónico de cada parte e do todo individual. discípulo de De Giovanni é sem dúvida o mais impor- . predisposição para afecções pulmonares.

a combinação Figura 10.2 .Tipo ideal de De Giovanni .1 — As "combinações" de De Giovanni: a—1ªcombinação b—2ª combinação.Figura 10. c— 3 .

Este autor admite pois como elemento fundamental a correlação entre o exterior e o interior. onde este genoma se desenvolve produzindo. Tal fenómeno é representado. Estabelece como elementos fundamentais para a avaliação tipológica. a alimentação e a idade no período adulto (entre os 20 e o s 50 anos). o ambiente físico. e. a hereditariedade influenciada pelo meio ambiente. como elemento final. enquanto que as demais são as componentes do sistema aberto. a Anatomia e a Fisiologia. condição indispensável para se ter as correlações entre eles de maneira direta e simples. chegando á unidade. a classe social. o indivíduo em sua expressão unitária. distribuem-se de maneira que existe um desvio uniforme dos vários indivíduos para os dois lados do valor médio central da curva de distribuição". ponto jugular correspondente ao ângulo formado pela superfície anterior do nanúbrio esternal e pela superfície superior da incisura jugular. ponto xifóideo correspondente à síntese do esterno com o apêndice xifóide. na linha mediana. o sexo. que não podem ser incluídos em nenhum dos tipos padrões. como o esperado. delimitado por leis e traduzindo os elementos de estudo de diferentes origens em um número puro. b. Apesar de teoricamente ser elemento de muita facilidade de se entender e classificar. . num grupo étnico. Toda a comparação no método biotipológico de Viola se baseia na determinação da moda (normotipo) e das variações possíveis de se apresentarem para excedência ou deficiência das relações em comparação à medida modal. mas se fez necessário a criação de um quarto tipo — o misto — para abrangermos os indivíduos que apresentam tal relação entre as medidas. veremos que a multiplicidade de relações não nos permite a classificação em apenas três tipos: normolíneo. o morfológico e o fisiológico. os hábitos de vida. utilizando-se de método preciso. Estabeleceu as bases científicas da doutrina constitucionalista. na linha mediana. a idade e a saúde. Aceita como base formadora do indivíduo. que possibilitam maior por menor ização do indivíduo. cria o grau centesimal. As variações se fazem em sentido antitético e se tornam mais escassas à medida que se vai distanciando do ponto médio da curva (vai ocorrendo uma maior amplitude de variação). Viola utiliza um sistema de medidas que chamou de fechado. o qual foi definido através da lei dos erros: "as variantes individuais.tante nome dentre os biotipologistas italianos. O homem modal se torna indispensável para a classificação de Viola. a higiene. como causas acidentais dessa modelação. as diferenças raciais. o qual é composto por dez medidas indispensáveis para a classificação biotipológica do indivíduo. A d m i t e como elemento mais bem adaptado ao ambiente aquele que mais vezes se faz presente . Tais pontos são: a. brevilíneo e longilíneo. por uma cruva binominal (lei de Quetelet—Gauss). Seus pontos antropométricos são preferentemente ósseos para que haja precisão nas medidas.a moda — através do que define todos os seus tipos biotiopológicos. graficamente.

correspondente ao ponto de cruzamento da linha mediana abdominal. a moda. Este autor admite também a correspondência das medidas. o estênico e o astênico. recorre a inúmeras medidas complementares. a relação entre a vida vegetativa e a de relação se equivalem de forma harmónica e nele encontraríamos a expressão mais adequada de todas as funções fisiológicas. a gordura e a hipertrofia muscular. ponto púbico correspondente à borda anterior e superior da sínfise púbica. admite haver dois poios em cada um deles. Da interação entre estas faces calcadas na base. a conclusão sobre a re- .4). ponto epigástrico. em bloco. mesmo na classificação mais simples dos quatro tipo preconizados por Viola. ou melhor.c. na linha mediana. Discípulo de Viola. é sinónimo de homem total que se encontra no ápice de uma pirâmide triangular. segundo Viola. e. o tronco. é relacionado com a vida vegetativa e os membros com a vida de relação. brevilíneo e longilíneo (Fig. bem identificável ao se fazer movimentos de flexão e de extensão do punho.3). d. Por outro lado. Viola procura retirar de seu método elementos que são influenciados diretamente e em grau muito elevado pelo ambiente como o meteorismo. 10. Sua classificação é baseada no estudo endocrinologia) do indivíduo (Fig. Biótipo. porém com seu conceito de biotipologia — máxima individualização. tais c o m o : segmento torácico com a hematose e distribuição de alimentos pelo organismo. que tem por base o património hereditário e por faces a morfológica. Pende (1939) aceitava o sistema fechado do mestre. linha articular do punho direito na face dorsal. a psíquica e a neuroquímica. lembrando ainda a necessidade da medida basal. portanto. admitindo um número reduzido de medidas. como elemento indispensável para a caracterização biotipológica. sendo este um dos pontos mais criticados de sua classificação por abranger número muito elevado de indivíduos que são classificados por exclusão. com uma linha horizontal. para Pende. Tal fato encontra fundamento quando se faz o estudo da resistência em militares e desportistas. f. normolíneo. A proporção de distribuição encontrada pelo autor f o i de 40% para os mistos e 20% para cada um dos tipos. proveniente de exercícios exagerados. g. 10. De acordo com Viola. o segmento abdominal inferior com a escolha e absorção dos alimentos. segmento abdominal (digestão). ponto acromial correspondente à borda externa do acrômio direito. no homem médio. Não aceita também somação de medidas feitas em dois segmentos consecutivos e que tenham a mesma função fisiológica correspondente. teríamos o biótipo ou o homem t o t a l de onde sairá o conhecimento do indivíduo. confere melhor sistemática e menor possibilidade de erros do método. dos segmentos determinados pelas medidas com funções fisiológicas precisas. ponto maléolo-tibial correspondente ao ponto de maior saliência do maléolo medial direito. passando pela borda inferior da 10ª costela (ponto em que esta cruza a linha axilar anterior).

L N Figura 10. brevilíneo (B) e normolíneo (N) de frente e de perfil B .Tipos longilíneo (L).3 .

Figura 10. das quais serão citadas a seguir. se existe hiper-funcionamento concomitante da suprarrenal ou das glândulas genitais. mas. apenas as mais comuns. as características morfo-neuro-musculares. que é o fundamental. hipopituirárica ou hipopituitárico-hipotireoideia. intelectuais. as aptidões manuais. do indivíduo no vastíssimo alcance médico. faz a determinação do caráter astênico ou estênico. social. Estuda todas as faces da pirâmide de maneira bastante minuciosa. escolares. hipogenital. retirando conclusões. entre os longilíneos temos: hipertiroideia. Pode-se dizer que os brevilíneos têm temperamento hipotireóideo. social e geral. hipertireoideia-hiperpituitárica. estenia e assim as duas primeiras variedades citadas são astênicas e as duas últimas estênicas. hipersuprarrenal. o valor económico. etc. . em consequência. . Baseado neste índices. havendo neles astenia. Pende estabelece relações no âmbito da face morfológica determinando índices como o de nutrição. segundo Pende sistência vital geral. hipogenital. destes estudos.4 . desenvolvimento sexual. reprodutor. . Dentre os brevilíneos. classificações e combinações as mais variadas. profissionais. com orientação parassimpaticostênica e metabolismo de tendência anabólica. robustez.Biótipo. hipossuprarrenal. descreve Pende as seguintes variedades: hipotireoideia. ocorre.

Assim. d. Ainda dentro da escola italiana. caráter próprio e até por vezes t i p o intelectual característico. no longilíneo estênico. traduzindo caracteres morfológicos e funcionais diferentes. Longitipo com antagonismo ou microesplâncnico de Viola (1ª Combinação) Tronco — < Membros + Os membros excedentes predominam sobre o tronco deficiente. dentro do t i p o brevilíneo e do tipo longilíneo há diferenças morfológicas grandes. deficiência ou normalidade. reconhece que sob uma mesma rubrica estabelecida através do mestre Viola há relações muito diferentes no sentido da excedéncia. o qual é acompanhado de um antagonismo entre o desenvolvimento da vida vegetativa absolutamente deficiente. fisiologicamente apresentam desenvolvimentos harmónico da vida vegetativa e de relação. Longilíneo ou N o r m o l í n e o . porém estabelece um critéiro de classificação que permite a localização de todos os indivíduos sem cair nos mistos de Viola. e o da vida de relação excedente. no brevilíneo astênico se vê o temperamento fleugmático. o sanguíneo. Assim. Mário Barbara (1929). no brevilíneo estênico. Deste modo se estabelecem o i t o variantes e quatro formas de passagem de uma a outra variedade. dentro das quais se pode catalogar qualquer indivíduo. 10. c. utiliza-se dos mesmos parâmetros que seu mestre Viola. Braquitipo com antagonismo ou megaloesplâncnico de Viola (3ª Combinação) Tronco + > Membros - Suas características morfológicas e fisiológicas são contrárias ao anterior. Macrosômico harmónico ou Paracentral superior de Viola (2ª Combinação) . que servem para caracterizar essas variedades e às quais corespondem temperamento próprio. b. porém através da comparação de cada elemento com o valor modal determina se há excedéncia.5). o melancólico. Seu método baseia-se na primeira relação estabelecida por Viola — Tronco/ membro para classificar sob a rubrica de Brevilíneo. com os quatro temperamentos dos antigos. deficiência ou normalidade do dado avaliado (Fig. constituem seus tipos: a.Na realidade. É muito interessante a coincidência destes quatro biótipos (longilíneos astênicos e estênicos e brevilíneos astênicos e estênicos). Para t a n t o . Tipo médio ou normoesplâcnico de Viola: Tronco O = Membro O O tronco e os membros são iguais em seus valores absolutos e relativos. o colérico e no longilíneo astênico.

g. m-normocórmico. i-macrolongilíneo. . f-macronormolíneo. porém excedem ao normal. 0 tronco e os membros são proporcionados porém de valores superiores ao normal. h-micronormolíneo. b normomélico c-microbrevilíneo. j-longilíneo. ocorrendo algo semelhante com os dois setores da vida orgânica.5 . Grupo longilíneo. e. Grupo normolíneo. l-microlongilíneo. porém inferiores ao normal.Figura 10. n.normomélico. e-macrobrevilíneo.Tipos de Barbara-Berardinelli Grupo brevilíneo: a-normocórmico. d-brevilíneo. Microsômico harmónico ou Paracentral inferior de Viola (4ª Combinação) Tronco — = Membros 0 tronco e os membros são proporcionados.normolíneo. vida vegetativa e de relação proporcionadas.

Variedade B. longitipo excedente: Tronco + < Membros + Ambos os valores excedem à média e são desproporcionados entre si. A variedade C (tronco O > membros -) o tronco encontra-se dentro do membros O) tem membros dentro do valor valor modal e é maior que os membros que se encontram abaixo do valor modal. porém menor que membros. os quais excedem o valor modal. desenvolvimento maior da vida vegetativa sobre a da relação e ambos superiores ao normal.1 resume estes tipos. correspondem à "forma de passagem". predomínio do tronco. cujas características sintéticas são as seguintes: Variedade D. porém logo temos as quatro variedades que tornam possível a classificação dos restantes em quase sua totalidade: Variedade A. corresponderia a desenvolvimento desarmônico dos sistemas orgânicos com predomínio do sistema de relação. Variedade C. A variedade B (tronco + > membros 0 possui tronco acima do valor nodal e maior que os membros que se apresentam dentro do valor modal. braquitipo deficiente: Tronco — > Membros — Suas características são contrárias ao anterior. tronco maior que membros. cujo valor é inferior ao modal.Até aqui o critério de Barbara é semelhante ao de Viola. A variedade D (tronco — < modal e predominando ao tronco. desenvolvimento deficiente dos sistemas orgânicos. Os indivíduos que não são classificados em nenhuma dessas formas citadas. O quadro 10. com predomínio do sistema de relação. braquitipo excedente: Tronco + > Membros H Valores do tronco e dos membros superiores ao normal. . longitipo deficiente: Tronco — < Membros — Valores abaixo da média. A variedade A (tronco O < membros +) possui tronco dentro do valor modal.

QUADRO 10.1 -CLASSIFICAÇÃO DE BARBARA-BERARDINELLI .

Os quatro tipos de Sigaud: R=respiratório. Figura 10. M = muscular e C = cerebral Thooris além de considerar a forma do corpo como o fazia Sigaud. o VARF. com os andares da face iguais. e cerebral.6 . muscular. e predomínio do abdome. seriam definidos os quatro tipos: respiratório. digestivo. tendo a cabeça em forma de pião (Fig. os autores desta escola basearam-se na análise da superfície corporal e só mais recentemente vêm utilizando método diferente de estudo. É também quem inicia o estudo das capacidade físicas de velocidade. com predominância do tórax e do andar médio da face.6). uniforme ou ondulada. 10. (1894) o primeiro vulto de destaque da escola francesa elaborou uma classificação dos indivíduos baseada na integração do conjunto de sistemas que constituem a economia humana e o meio específico no qual apresenta a sua continuidade. . bosselada ou cúbica e ainda considera uma forma comprida e uma forma larga.ESCOLA FRANCESA A princípio. com a cabeça em forma de pirâmide devido ao grande desenvolvimento do maxilar. Da predominância de um desses sistemas. com predominância do crânio. resistência e força. D = digestivo. propondo um índice que até hoje é válido. cujo tronco é igualmente repartido entre tórax e abdome. dá importância também à superfície corporal classificando os indivíduos em: superfície redonda ou chata. Claude Sigaud. agilidade.

não de categorias pré-estabelecidas. Martiny procura. Entre os autores modernos temos Olivier que classifica os tipos utilizandose de medidas biométricas que em conjunto. resistentes às causas morbígenas e órgãos volumosos. para sua classificação. em seu trabalho. de relações quantitativas de peso e volume de vísceras de cadáveres. o transversal (brevilíneo) superior ou muscular. Fazia uma antropometria mais interna do que externa e estudava o desenvolvimento em massa comparando as vísceras entre si e com a estatura e o peso corporal. pouco resistentes à fadiga e às infecções. diâmetro biacromial e diâmetro bicristailíaca). com as principais vísceras pequenas (microesplancnia). que posteriormente são trabalhadas estatiscamente para se determinar recorrendo a análise fatorial.Mac Auliffe (1932). correlacionar o t i p o morfológico com o fisiológico e o psíquico. Benecke. Classificou dessa foram dois tipos: o primeiro. faz uso. constituído por indivíduos delgados. Usando tais medidas chega a quatro tipos: o mediolíneo. constituem o denominado morfograma (altura. débeis. altura troncocefálica. o cálculo dos coeficientes de correlação e mesmo . — O endoblástico ao brevilíneo astênico — O mesoblástico ao brevilíneo estênico — O extoblástico ao longilíneo astênico — O cordoblástico ao longilíneo estênico. peso. ESCOLA ALEMÃ Nota-se nos autores alemães do início do desenvolvimento das ideias biotipológicas uma preocupação em relacionar os tipos com as condições viscerais como o fez Benecke (1878) e também com as perturbações psíquicas como o fez Kretschmer (1921). Não se propõem a nenhuma classificação nova. O estudo da participação dos três folhetos embrionários na determinação dos tipos é o que caracteriza o trabalho de Martiny. A Escola Biotipológica Parisiense é constituída de vários autores que procuram estudar o indivíduo partindo. as características de seus tipos se superpõem às dos quatro biótipos de Pende. o segundo tipo englobaria os indivíduos de grande massa t o t a l . mas ao estudo de grande número de variáveis. utilizando um critério mais organicista e localisacionista que o geral. com bom estado de nutrição. mas de uma dúvida sistemática. também dá importância à superfície corporal e faz a mesma classificação que Thooris para esse fator. anêmicos. e o transversal (brevilíneo) inferior ou visceral. fortes. Ambos os autores têm o mérito de ter dado à tonicidade e atonicidade das formas corpóreas o valor que elas merecem fora do t i p o de predominância. o longilíneo. porém no aspecto de forma acrescenta a hidrófila inchada redonda e uma seca hidrófoba. atarracados.

em tipos tais como os agigantados. a cabeça forte. As características do leptosòmico são: desenvolvimento dominante no sentido longitudinal. Pelo valor absoluto da estatura. tronco cilíndrico. finos. psicopatas. classifica-os em médios. contrastando com o desenvolvimento pelviano. feiura. Aos esquizotímicos correspondem três formas exteriores: a dos leptosòmicos. os obesos por influência endócrina. Às duas tendências principais denominou de Ciclotímica e Esquizotímica. o tórax amplo. o pescoço musculoso. a cabeça é pequena. Leva em conta ação das glândulas de secreção interna que agem sobre duas coisas: a forma e o caráter. as quais abrangem. relaciona o tipo morfológico com a tendência de se desencadear a psicose maníaco-depressiva ou para a demência . o nariz longo e o queixo é retraído. fracos e delgados. o displásico apresenta formas bizarras. Entre outros autores. Seu esqueleto e músculos são sólidos. bem desenvolvidos. Diferentemente do atlético. Os ombros são largos. o abdomem é rijo e fino. o dorso se estreira para baixo. O pícnico corresponde ao t i p o digestivo de Sigaud. ombros estreitos. fisionomia larga. caixa torácica estreita e comprida. os eunucóides.7). com acentuada tendência à calvície. aliadas a uma beleza de formas que tem por base uma perfeita harmonia. porém com uma metodologia diferente. ombros estreitos. Seu índice mais importante é o que relaciona o tórax com a estatura. não somente os casos normais mas também os que se encontram no limiar da anormalidade ou que se encontram em estados psicóticos. A maior crítica feita a essa classificação é que o autor não considera a parte psíquica no seu método. gorda. cabelos raros. pois seu sistema antopométrico é calcado nas comparações das medidas entre si. a dos atléticos e a dos displásicos (fig.o pícnico. mas sim relacionados com a estatura. distanciamento notável do normal. etc. Aos ciclotímicos corresponde uma única forma. 10. de tórax estreito (menor que 51) e de tórax largo (maior que 56). dando origem a três tipos: normal (índice entre 51 a 56). de abdome desenvolvido. músculos e pele. Estudando precoce. que aceita a orientação de Pende. encontramos Kraus (1897) que elabora sua classificação baseando-se no estudo da capacidade funcional do indivíduo (siziologia) e Brugsch (1918). ossos. desarmonia do conjunto. O atlético caracteriza-se por um aspecto de robustez inconfundível. É gorducho. Kretschmer. músculos flácidos. dando ao todo uma impressão de imponência e força física. os anões. altos e baixos. mais ou menos dolicocéfala. Este autor estabelece índices variados que não são referentes a um homem médio padrão.Tais tipos coincidem com a primeira e a terceira combinação de De Giovanni. pescoço e extremidades finais.

7 — Os tipos de Kretschmer L — leptossòmico A —atlético P — pícnico A P .L Figura 10.

A base da teoria tipológica destes autores radica na oposição entre os denominados tipos integrados ou animados (besselter) para fora eos tipos desintegrados ou desanimados para fora. Mais propenso à ingenuidade e à alegria infantil. Idealistas e ascetas. . Quase sempre sério. Com predomínio afetivo Com predomínio voluntário Dissolvido ou incorporado ao ambiente. Tempo Firmeza Artistas do viver e hábeis práticos. Soldados de ação e cérebro. Compassivo. A forma básica da integração para fora. até certo ponto. com violentas ou vivas variações do humor. lábil. firme ou obstinado. o quadro-resumo desta oposição tipológica: Tipo animado (integrado) para fora (e também para dentro) Tipo desanimado (desintegrado) para fora (quase sempre animado para dentro) Todas as funções (manifestações vitais) trabalham somato psiquicamente como uma totalidade fechada (integração) Todas as funções se encontram. Curso representativo lento e com frequência adesivo e viscoso. nô-la dá o denominado tipo basedowoide ou tipo B. sua oposta (desintegração aparente) é o denominado tipo tetanóide ou tipo T. Fantasistas Homens de conflitos e obrigações. independentes entre si (desintegração). Teóricos Curso representativo muito vivo e com frequência mutável. Natureza meiga e flexível Natureza dura e rígida Dirigido para a A r t e e o gozo estético-sensual. Fechado ao ambiente. quando se encontra acompanhada dos correspondentes sinais somáticos. mas animados para dentro (isto é. às vezes simultaneamente. Adaptável e acomodável. Eis aqui. Os primeiros são relativamente infantis e os segundo plenamente evoluídos ou adultos. com grande "vida interior"). a título de expicação. irritável ou indiferen te.Merece atenção especial a teoria dos irmãos Henrique e Walter Jaensch. Com bom controle da expressão emocional.

Stockard (1923) e Bean (1924) criaram classificações estreitamente relacionadas com o desenvolvimento endócrino. Ao predomínio do ectoderma corresponde. denominam de cerebrotônico. viscerotônico de Sheldon. em indivíduos que possuem uma particular sensibilidade às toxinas tuberculosas. de auto-afirmação e poder". os tipos linear e lateral respectivamente. orelhas pequenas redondas e grossas. descreveu W. embora mais próximo do t i p o T. corresponde um t i p o temperamental ao mesmo tempo que um tipo morfológico: o predomínio do endoderma se reflete por um aumento da área visceral e pela existência de uma atitude afetiva "branda. extremidades curtas. ao predomínio do mesoderma corresponde. Estes dois psicólogos da Universidade de Harward. selecionaram vinte manifestações para caracterizar cada uma dessas atitudes (as quais não seria d i f í c i l identificar às três emoções básicas) e propõem definir cada indivíduo mediante uma fórmula numérica-tempe- . em troca. própria do temperamento que o A A . cerebrotônico de Sheldon e alpino de Gunther. uma atitude "dinâmica. Dentre os escolas modernas de Biotipologia. bervilíneo ou macrosplâncnico de Viola ou " d i n á r i c o " de Gunther e o t i p o desintegrado é o leptossômico (esquizotímico) de Kretschmer. o hipoontomorfo. temos que destacar a de Sheldon (1940) e Stevens. uma atitude de "reserva. nariz largo e curto de grande depressão na raiz e narinas francamente orientadas para a frente. apresenta os tipos hiper-evoluídos (hiperontomorfo ou epiteliopático) e o hipo-evoluído (mesontomorfo ou mesodermopático).Não é difícil verificar que o tipo integrado é o sintônico de Kretschmer ou o extrovertido de Jung. o tipo lítico ou t i p o S. da tireóide (Stockard). que do t i p o B. Pacientemente. ao predomínio de cada uma das folhas blastodérmicas no indivíduo. este exibe uma desintegração patológica. Bean. baseandose na evolução. especialmente. coincidindo com integrações limitadas a determinados territórios de sua individualidade e se faz presente. ESCOLA A M E R I C A N A Nos Estados Unidos. finalmente. Jaensch. dando origem a dois tipos relacionados com o hiper e o hipo funcionamento desta glândula. tensão interior e retenção expressiva". À margem desses tipos. complacente e epicuriana". a qual denominam somatotônica (embora melhor seria denominá-la miotônica). introvertido de Jung. sendo que este autor considera ainda um terceiro t i p o . que seria constituído por tronco comprido. que se denomina viscerotônica. partindo de concepções tipológicas sustentam que.

com dissociação nítida do subconsciente e manifesta objetividade. lhe conferem também três notas. obtendo-se as medidas dos valores de cada série de 20 manifestações (viscerotônicas. é descrito como cerebrotônico extremo. que dê uma ideia do valor de cada uma delas. que não tem têmpera em si". Tais tipos extremos são raros e o frequente é obter valores intermediários.. educativa (cultural) e física. Em troca. . segundo os AA. de sorte que o temperamento de cada indivíduo virá definido por 3 valores. é descrito como viscerotônico extremo e aquele que tem um índice de 1-7-1. de extroversão. somatônicas e cerebrotônicas). determinam seu somatotipo e. escrevendo estas notas com lápis apagável. 5-6-3. o qual é usado aqui como sinónimo de centrotônico". Para se obter o tipo morfológico neste método os AA. De acordo com este critério. músculos e tecido conjuntivo: atletas ou . submetendo-o a não menos de 20 "entrevistas" analíticas. que possibilitam classificar o indivíduo com relação à sua estrutura afetivo-reacional. sexual. a "clivagem vertical" indica a propensão para penetrar em profundidade a tendência à introversão e à retroversão (dependência do passado). a projeção e fixação da individualidade em um plano superficial. um indivíduo que obtém índice temperamental de 7-1-1. Como apreciar e valorizar essas manifestações das três modalidades? Observando o indivíduo durante o período de um ano. Na obra original de Sheldon-Stevens. indica. mesomorfia e ectomorfia. tomadas sobre uma série especial de imagens fotográficas e quadriculadas do indivíduo despido. vamos esclarecer apenas o termo "intemperança". O 7-1-1 corresponde à extrema endomorfia (predomínio das vísceras digestivas: gordos abdominais). .. Para sermos breves. Uma vez obtidos os valores de cada uma das 60 manifestações. O 1-7-1 corresponde á extrema mesomorfia (predomínio do esqueleto. isto é. em todas as possíveis situações e humores. básicas da vida. estática. os autores dão ampla definição de cada uma das 60 manifestações que constituem a escala. de sorte que o indivíduo dá a impressão de um "metal mole. social.ramental. tais como 4-4-6. nas quais serão colhidos dados referentes à sua história familiar e individual e seu desenvolvimento psíquico nas esferas económica. Quanto ao termo "clivagem horizontal". mediante o uso de 17 medidas antropométricas. Usa-se uma escala de pontos de 1 a 7 para cada manifestação observada. que marcam sua posição nas escalas denominadas de endomorfia. de acordo com a tabela do resultado de tais medidas. ademais. para incluir possíveis retificações ulteriores. é descrito como somatotônico extremo e o que alcança o índice 1-1-7. e. cada um dos quais oscilará entre 1 e 7. calcula-se o denominado índice Temperamental. etc. de fixação temperamental para as tendências sensuais.

8) ESCOLA BRASILEIRA Na Bahia. losângica. . quando não intervém fatores que provocam. representa a extrema ectomorfia (máxima área superficial possível . depois analisa a altura atingindo um total de 9 classes e finalmente o aspecto da face: triangular. são poucos.Figura 10.). secundariamente. 90 e 135 graus). Mas na vida quotidiana.8 — Tipos de Sheldon a — endomorfo b — mesomorfo c — médio d— ectomorfo homens fortes e ligeiros). tórax e abdome planos. etc . de mesomorfia e somatotonia e de ectomorfia e cerebrotonia. 10. Prado Valadares. utilizando-se da altura. . Inicia a classificação analisando o ângulo de Charpy de onde resultam três tipos (45. .desnudez perante o mundo — fragilidade linear. extremidades fracas. O comum é que existam desvios entre o somatotipo e o temperamento. o 1-1-7. Naturalmente. uma discordância intra-individual (somato-psíquica). relativamente. os casos em que existe tão perfeita concordância. devem corresponder-se os índices de endomorfia e viscerotonia. (Fig. o grau de abertura do ângulo de Charpy e a forma da cabeça constitui o chamado tríplice morfológico de Prado Valadares. trapezóide e pentagonal perfazendo um total de 45 tipos.

o das intermediárias. combinação respiratório marcroscélico microsplàncnico macroscélico tórax estreito leptossõmico linear hiperontomorfo ectomorfo cerebral .5 e quadro 10. O quadro que segue fornece a classificação biotipológica dos indivíduos. Entre seus discípulos merece destaque Berardinelli. a que denominou de displásicas e um terceiro grupo. No Rio de Janeiro. combinação digestivo braquiscélíco megalospláncnico braquiscélíco tórax largo pícnico latoral hipo-ontomorfo endomorfo meso-ontomorfo mesomorfo 2a.TIPOS CONSTITUCIONAIS SEGUNDO V Á R I O S A U T O R E S Autores Hipócrates (460 A.C. combinação muscular mesoscélico normosplãncnico mesoscélico tórax médio atlético Tipos Morfológicos phtisicus 1a. outro de mulheres franca e visivelmente anormais.Martim Gomes.1). seu grupo de estudos foram as mulheres. que são classificadas em três grandes grupos: um grupo de mulheres normais.) Beneke (1878) De Giovanni (1891) Sigaud (1894) Manouvrier (1902) Viola (1905) Giuffrida-Ruggeri (1910) Brugsh (1918) Kretschmer (1921) Stockard (1923) Bean (1924) Sheldon (1940) apoplecticus 2a. 10. Rocha Vaz e seus discípulos deram grande desenvolvimento á Biotipologia entre nós. de acordo com vários autores. combinação 1a. se utiliza de critério natural e simples. Q U A D R O II . que adotando o método da escola italiana fornece as denominações últimas para essa escola e é aceita pelo próprio Barbara (fig. combinação 3a.

torna-se muito difícil distinguir as manifestações genéticas das decorrentes da agressão do ambiente ao feto. são de diferentes índoles: anóxica. A hereditariedade é constituída de todos os traços encontrados nos antecedentes. mecânica. Para Marcondes. Pikunas acredita ser a hereditariedade o fatorchave do desenvolvimento humano. que. que aliás. O genótipo é a confluência dessas informaçõc que se organizam para se iniciar a ação gênica indispensável ao crescimento e desenvolvimento do organismo. infecciosa. A princípio o crescimento e desenvolvimento se fazem em dialética exclusivamente com o meio interno onde estão dissolvidos os elementos plásticos necessários para que se concretize a informação genética. etc". Para Ford há suspeitas de que não haja uma base física para a hereditariedade. O estímulo fraco deve ser de tal forma que seja assimilado. Marcondes afirma que o conceito de desenvolvimento é relacionado com a aquisição de capacidade e crescimento com o aumento de massa pela hipertrofia e divisão celular (hiperplasia). Malina comentando sobre a nutrição aventa ser esta o fator natural mais importante para o desenvolvimento plástico do indivíduo. Em relação ao meio ambiente Silveira o divide em interno — citoplasmático — e externo — ambiente social. torna-se difícil de entender. Essa dialética existente entre o genótipo e o meio caracteriza. citado por Marcondes diz que "estímulos fracos aceleram as funções e estímulos poderosos reprimem-na". cabe uma análise que pode ser morfológica. em sua integralidade de expressão. porém Stent se contrapõem a essa ideia afirmando ser o DNA a estrutura do gen que abriga sua informação genética. postural. o processo de vida. colaterais e descendentes que conseguiram ganhar expressão no meio que se desenvolveram. "quando os fatores ambientais atuam na vida intra-uterina. Arndt — Schultz. fisiológica ou mesmo psicológica. segundo Comte citado por Coelho. .CAPITULO XI BIOTIPOLOGIA INFANTIL O ser humano é o resultado de uma interação complexa entre o genótipo e o meio ambiente. pelo duplo movimento contínuo de assimilação e desassimilação do meio ambiente pelo genótipo. sendo que só a interação desses conhecimentos se aproxima da realidade. Mesmo em atos aparentemente simples como o andar. Marcondes e Pikunas entre outros tantos autores abordam o problema do crescimento e desenvolvimento como a interação entre a herança e o meio. a qual se caracteriza por ser um processo no decurso do qual emergem os traços genéticos e que abrange todas as influências biologicamente transmitidas dos pais às células do sexo. imunológica. Para Pikunas o desenvolvimento é uma sequência ordenada de fenótipos que é a resultante da ação do meio e do genótipo. Para Marcondes a herança está presente em todo o processo de crescimento e desenvolvimento através do genótipo.

dentro da realidade do momento para o organismo. o metabolismo. A dificuldade do estudo não se prende somente ao ser longitudinal. A seguir." A primeira determinação dos períodos de crescimento segundo Rossi data de 1700 e foi realizado por Pagliani: O autor italiano dividia em 5 períodos compreendidos por: infância — 1º ano de vida até completar a primeira dentição. "Como não é possível que um agricultor não conheça o terreno no qual deve semear. urinário. e tão d i ferente também em cada educando. tampouco é concebível um educador que ignore as capacidades fisiológicas e as potências psíquicas. o amadurecimento do sistema nervoso e o psiquismo. Pikunas lembra que "o ser humano cresce e amadurece à medida que as dimensões básicas do organismo e da personalidade se desenvolvem.É portanto na determinação da intensidade do estímulo físico que se en- contra o problema da influência benéfica ou prejudicial da atividade física como elemento que propiciará melhor harmonia e desenvolvimento do organismo e de suas funções. citado por Rossi. mas na variabilidade de um organismo para outro e no mesmo organismo de um instante para o u t r o . o indivíduo se desloca ladeira acima para níveis mais altos da operação comportamental. temperamento." Assim. Dessa forma acreditamos fornecer elementos para melhor compreensão do organismo e estágio de desenvolvimento deste. bioquímica hemática e psiquismo procurando estudar as mudanças encontradas. estudamos os aspectos gerais do crescimento. tão particular e diferente em cada fase de crescimento. respiratório. Dizia Plutarco. circulatório e nervoso. Rossi divide os períodos e os caracteriza quanto aos aspectos somáticos. metabolismo. No capítulo anterior. Impelido pelo código genético no seu interior e pela nutrição e estimulação sensorial no exterior. adolescência — dos 7 anos até os primeiros fenómenos da faculdade reprodutiva. Chamamos então de Neonato ao recém-nascido nos 15 primeiros dias de . aparelhos — digestivo. a tendência simplista de se responder a pergunta da beneficidade ou não de um estímulo sobre o organismo deve ser analisado nos diferentes ângulos: morfológico. Entre nós Marcondes divide os períodos de crescimento e desenvolvimento pelo critério etário. serão vistos outros pormenores. Resumindo a classificação de Rossi para os objetivos do presente estudo levaremos em consideração o aspecto somático. puerilismo — dos dois aos 6—7 anos. fisiológico e psicológico. do terreno orgânico da criança. Malina preocupando-se de estudar a açâb da atividade física no crescimento e desenvolvimento abre a pergunta de quanto deve ser esse mínimo e faz sentir a necessidade de estudos nessa área. cada qual em seu próprio tempo e r i t m o . puberdade — correspondente ao período de desenvolvimento da diferenciação sexual e juventude que vai da puberdade até a consolidação do esqueleto. de cada fase do desenvolvimento.

o aspecto metabólico é caracterizado pela facilidade de assimilação de hidratos de carbono e dificuldade de assimilar proteínas. explica o possível desenvolvimento do raquitismo e do modo particular. A altura no final do 19 ano é por volta de 70 c m . O temperamento é hipotiroideo para Concetti. é dizer. seu tronco é grande. A fórmula neuro-endócrina com predomínio dos vagotropos. o psiquismo é quase exclusivamente a prevalência da vida fisiológica e a resposta aos estímulos envolve o corpo todo. hipertonia muscular fisiológica e sinal de Babinsky. curto e de base alargada. reflexos cutâneos ausentes. . seu peso é 1 /4 a 1 /5 da estatura em centímetros. o perímetro torácico ultrapassa 7—8 cm da metade da estatura. O parassimpáticotonismo e o predomínio do estado hipertímico linfático associado ao hiperrinsulinismo. Dominam os hormônios da córtex supra renal. o que assegura também o aumento do peso corporal. o estado especial de nervosismo que acompanha a muitas crianças. pouco menos desenvolvido que o abdomem. predominando o anabolismo sobre o catabolismo. assegurando com esta utilidade nutritiva as necessidades calóricas do 19 ano de vida. a altura da cabeça é 1/4 a 1/5 da estatura t o t a l . Resumidamente podemos dizer que se caracteriza morfologicamente da seguinte f o r m a : macroesplancnico cefálico. as necessidades calóricas são de 15o kcal/kg peso. a erupção dos 19 dentes e a tendência a certas diarreias. é grande a imperfeição da função cerebral. Predominam nessa fase todos os hormônios vagotropos favorecedores do metabolismo anabólico com a consequente deficiência dos hormônios simpáticotropos — catabólicos. Seu desenvolvimento psíquico já lhe permite uma maior participação no meio compreendendo ordens simples. índice torácico de 90. justifica. o metabolismo basal é muito alto e a ação específica dos alimentos é quase nula. O metabolismo se caracteriza por oxidações intensas. a ter mo regulação é imperfeita. o lactente.5 cm da cada três meses e meio. pescoço curto. de um modo particular a associação hipertiroidismo-hiperparatiroidismo da 2ª metade da lactência. segundo Rossi. o predomínio dos processos assimilativos sobre a desassimilação. usando frases. fibras nervosas pobres em mielina. No sistema nervoso vemos que seu volume e peso são 1/4 do definitivo. reflexos tendinosos muito vivos. corre e pede para satisfazer suas necessidades. a circunferência craneana e torácica crescem 2. Ao nascer. tem por finalidade essencial assegurar o predomínio do anabolismo sobre o catabolismo. os membros superiores são maiores que os inferiores e a envergadura é maior que a estatura. O aspecto somático é o seguinte: A linha que divide a estatura do neonato passa sobre o umbigo. Para Pende. graças à insuficiência pancreática. a primeira época de desenvolviment o . citado por Rossi.vida. função da medula espinal bem desenvolvida. braquiesquélico e macrossômico. na classificação de Godin. do t i m o e do pâncreas. vai do final do neonato até o final do 1º ano. braquitipo. hipopituitário para Pende. a constituição morfológica e dinâmica temperamental do 1º ano de vida. A lactência é. O estágio seguinte. tórax relativamente maior que os membros superiores.

a atenção. a 2 a dentição se inicia. cubos de encaixe. No aspecto somático encontramos um aumento rápido da estatura. O crescimento prevalece em peso e amplitude. panelinhas para as atividades imitativas do meio social em que se desenvolve.Os brinquedos mais adequados. O aspecto metabólico basal é máximo no 29 ano. bonecas inquebráveis. como o engatinhar. a associação de ideias. põe sapatos e usa bem a colher. responde a perguntas simples e usa orações.nos homens predominam os diâmetros craneanos transversais e nas mulheres os longitudinais. No aspecto psíquico consegue manter equilíbrio em 1 pé só. exercícios de sentar e equilíbrio para sentar-se devem ser executados após o 4º mês e de ficar em pé e equilíbrio para ficar em pé após os 6 meses que podem se prolongar até os 2 anos. Segundo Pende a evolução das percepções se faz da seguinte forma. flexão e extensão dos inferiores. "proceritas p r i m a " ou pequena puberdade de Pende se caracteriza pelo crescimento longitudinal e se extende no período do 5º ao 7 º a n o de vida. Marcondes falando da época pré-escolar lembra "a influência benéfica dos exercícios físicos se faz sentir claramente. segundo período de Godin. apresenta no 2º semestre do 2º ano um notável aceleramento. movimentos laterais do quadril. faz uma ponte com 3 cubos. 0 peso corporal que havia dimunuído em seu crescimento na segunda metade do 1º ano. Os jogos dos 2 aos 5 anos são motores. porém não se deve pular nenhuma das fases do desenvolvimento. segundo Marcondes são as sacolas e caminhões para puxar. bem como a marcha e a atitude postural". O período de 2 a 3. simples e de imaginação. a proteinemia é muito variável. aos 18 meses reconhece as figuras frontalmente. "Os exercícios visam aumentar a independência muscular e aperfeiçoar a coordenação m o t o r a " . a silhueta se define. em grande parte..5 anos caracteriza o terceiro período de crescimento de Pende ou Turgor Primus. Há o crescimento do pescoço. Suas capacidades físicas de velocidade e agilidade ficam exacerbadas. exercícios para os músculos dorsais e sacrolombares que podem ser executados a partir dos 2 meses. . Há aumento das proporções braquítípicas em ambos os sexos devido ao perímetro torácico. o falar mais fluente. enovelamento. animais. aos 2 anos reconhece perspectiva e dos 3 aos 4 anos em todos os planos. o progresso psíquico da criança é. função da atividade física que lhe permite a memória. Na área física o autor supra citado preconiza duas sessões diárias de 5 repetições em cada um dos seguintes exercícios que deverão ser realizados também com o auxilio dos pais: circundação dos membros superiores. A necessidade metabólica em calorias é 83 Kcal/Kg/dia para os meninos e 80 Kcal/Kg/dia para as meninas aos 7 anos. o que dificulta a resposta plástica aos exercícios. relativo estreitamento do tórax e escasso aumento ponderal caracterizando maior longitipia fisiológica. Os exercícios ajudam a desenvolver o tonismo muscular necessário para a postura ereta e marcha. A terceira época de Godin.

os membros superiores sofrem intenso crescimento. Neste período desehvolve-se a consciência das relações interpessoais. Surge a necessidade da crítica e da prova. em ambos os sexos. O "turgor segundo" de Pende se caracteriza pelo acelerado crescimento ponderal dos 9 aos 11 anos. um notável aumento da força muscular.No aspecto psíquico a criança adquire a noçâb de tempo decorrido e assim adquiriu todas as noções tanto auto como halopsíquicas.12º ano muscular é pouco expressivo. Existe uma evolução na capacidade de trabalho. É uma fase transitória em que o indivíduo ganha peso graças ao tecido adiposo e pouco devido ao tecido muscular. Para as mulheres exercícios que desenvolvam a graça e o r i t m o e Tanto Marcondes quanto Godin admitem ocorrer por volta do 12º — 13º ano para os rapazes e 11º . Também se observam neste período a maioria dos casos de ambivalência sexual por hipertimismo. Quanto aos exercícios físicos nessa época do desenvolvimento preconiza Marcondes uma maior complexidade destes procurando desenvolver responsabilidade e disciplina. hipergenitalismo. começa o desenvolvimento da crítica. pois os ossos ainda são maleáveis e os pontos de inserção dos músculos não estão consolidados". nessa fase. O temperamento é dominado pelo vagotonismo. Coincide com a queda dos dentes de leite. Idade em que se formam os costumes morais e mentais pela ação dos colegas. enquanto o psiconeuromotor é . A pré-puberdade. No aspecto metabólico encontramos hiperfunção da constituição anabólica. Há. estamos no período pré-realista de Pende que se caracteriza pelo domínio da sugestionabilidade e tendência a crer. No aspecto psíquico. o diâmetro transverso do tórax desenvolve-se. o desenvolvimento muito. V época de Godin. Deve-se evitar uma educação demasiado sistemática que choque com o real caráter criador. hipertimismo. aproximadamente. Há aumento intenso do peso. motivo pelo qual ganha pouca força. para as meninas. No aspecto endócrino metabólico podemos ter: uma maior atividade hipercorticossuprarenal-hiperinsulínica-hipertímica com acúmulo de gordura e obesidade infantil ou do grupo tiroides-hipofisea-adrenal com constelação catabólica produzindo magreza submórbida ou mórbida. hipertiroidismo. Domínio da extroversão e falta de introspecção. educadores e pais. Salienta também que "os exercícios de força seriam usados excepcionalmente. Para Marcondes há um maior desenvolvimento da função respiratória. Os exercícios físicos preconizados por Marcondes para essa época divergem conforme o sexo. obedecer e imitar. Silveira e Rossi salientam que o 79 ano é a idade da mentira e que também. "proceritas segunda" caracteriza-se por nova crise de crescimento longitudinal. assim como os inferiores. hiperpituitarismo. a hipertorfia muscular se opõe ao crescimento ósseo. Há a reafirmação da constelação hormônica anabólica.

. o exercício físico torna-se um elemento catalizador. Na mulher o sinal visível é a menarca e o invisível é a ovulação: os pelos pubianos e axilares aparecem e ocorre o desenvolvimento das mamas e dos genitais externos. desenvolvimento das mamas e distribuição característica do tecido adiposo. para o desenvolvimento harmónico das potencialidades contidas no genótipo e no meio ambiente em que ele se encontra. dos caracteres individuais. A puberdade. Para Marcondes a ginástica e o desporto. há aumento dos testículos e produção dos espermatozóides. aumento do penis. Há diminuição do crescimento longitudinal e começa o crescimento em amplitude sobretudo ao nível do tronco. da pilosidade pubiana e axilar e esboça-se a barba e o bigode. os que possibliitam movimentos amplos. boas ou más. Os exercícios de força são largamente utilizados bem como os de aprimoramento da formação corporal. VI época de Godin e sétimo período de crescimento de Pende "turgor t e r t i u s " . hipertrofia e robustecimento das massas musculares.para os homens. um estímulo positivo. No homem. Na mulher completa-se o desenvolvimento pélvico com o aumento do diâmetro bicristailíaco. Do ponto de vista psicológico a puberdade determina profundas modificações tendendo todas a exagerar as características originais. O acontecimento mais importante da crise puberal é a amadurecimento sexual. neste período.na mulher começa com a menarca e no homem com a primeira poluçãb noturna. Quando respeitados os diferentes períodos de desenvolvimento do indivíduo. constituem a base dos exercícios físicos. O sistema piloso adquire o máximo de desenvolvimento. Nos homens além de mudanças na tonalidade da voz. adquirindo maior elasticidade e hiperpigmentação sobretudo nas zonas genitais. o cérebro adquire seu volume definitivo e o timo deve estar involuido. A pele aumenta em consistência. acompanhado de aumento da espessura dos membros. Preconiza também para esta época a iniciação esportiva do indivíduo. o mesmo acontecendo com os dentes e unhas. flexíveis e que desenvolvam a resistência. que terão atingido o seu grau máximo de complexidade. ocorre a mudança da voz.

base do pescoço mais larga e arredondada. Caracteres Sexuais Morfológicos Nas mulheres em relação aos homens encontramos além de órgãos tipicamente femininos como os ovários. a asperidade onde se inserem os músculos nos ossos são menos salientes. para ocorrer uma aceleração no início do surto pubertário. A altura da mulher adulta é 10 a 12 cm menores que o homem em igualdade de condições. que antes do surto pubertário é igual para os dois sexos. a cabeça mais longa. A resistência. cérebro maior relativamente à massa corporal. mas que com os conhecimentos endocrinológicos atuais se tornou muito estreita. Quanto às características gerais a mulher no seu conjunto apresenta dimensões menores. trompas. vagina e vulva. cordas vocais mais débeis e curtas. mais regular. sem dúvida. Não nos utilizaremos nesta exposição da divisão proposta por Hunter em 1870 (caracteres sexuais primários e secundários). superfície da pele mais lisa. o sexual. Pende procurando estudar as diferenças sexuais constitui três índices e classificação consequente. A mulher se distingue do homem por uma série de caracteres morfofísiopsicológicos. segundo Tanner (1962). que é antecipado na mulher visto este ocorrer antes nelas. A velocidade de crescimento decresce do nascimento até os quatro ou cinco anos. Pescoço mais curto. A força. um dos aspectos mais nítidos da personalidade é. Em poucas coisas nos diferenciamos como nos traços de nossa sexualidade respectiva. mostra-se um fator de precoce diferenciação sexual. já clássica. mais cilíndrico. Todo o sistema ósteo-músculo-ligamentoso mais delicado. coluna lombar relativamente mais longa e coluna dorsal mais curta. Tal aumento se torna generalizado após o surto pubertário para toda a musculatura constituindo elemento de diferenciação entre os sexos. visto que nos meninos a partir dos 11 anos já encontramos uma superioridade no teste da dinamometria. Esses índices são: ou pela precisão dos instrumentos de antropometria . e produzindo por pequeno período maior estatura nas meninas do que nos meninos. alguns evidentes à primeira vista. com laringe mais delicada. a força e o desenvolvimento das inserções musculares maiores são características de predominância masculina. nem mesmo da modificação de Marafión (caracteres genitais e sexuais) porque incide no mesmo incoveniente de dar um caráter radicalmente diferencial a órgãos que tem equivalentes nos dois sexos. Lordose lombo-sacra mais pronunciada.CAPITULO X I I DIFERENCIAÇÃO SEXUAL Como diz Marafión. e outros postos em evidência pela observação mais minuciosa física e funcional.

2º— Comprimento relativo da coxa e da perna — Nota-se um maior desenvolvimento longitudinal da coxa que da perna. Como já estudamos. no homem.Nota-se na mulher bem desenvolvida uma predominância deste sobre o dos membros.4 para as mulheres e 85. em que há predominância do segundo sobre o primeiro. Baseado nesses índices e outras caracteríticas auxiliares. hipergenitais. As primeiras são as segundas são estéreis. diâmetro biacromial — diâmetro bicrista ilíaca O valor médio desse índice fica em torno de 93 para os homens e 78 para as mulheres.1º— Relação entre os diâmetros bi-acromial e bi-trocantérico . A mulher braquicéfala seria mais fecunda que a dolicocéfala. bilateral e vertical do crânio. Na mulher normal há predominância da largura e da altura sobre o comprimento da cabeça. comprimento da coxa X 100 comprimento da perna fecundas: 3º- Relação entre os diâmetros longitudinal. segundo Gualco. No homem haveria inversão destas características: os braquicéfalos são hipogenitais. Tanner propõe uma fórmula simples para evidenciar a diferenciação sexual: I = 3. Pende classifica as mulheres e m : . ou quase.5 para as mulheres e 91. medindo os pontos supra-púbico e o ponto tibial interno na interlinha fêmoro-tibíal. As médias para os dois sexos são: 83. quanto mais preponderante o bi-acromial.4 para os homens. o índice: Diâmetro bi-trocanteriano X 100 diâmetro bi-acromial apresenta como média 90. O grau de virilidade ou feminilidade será tanto mais acentuado quanto maior ou menor for o índice com relação aos seus valores médios. Pende (1955). mais se acentuam seus caracteres viris. Na mulher hipoovariana há predominância da perna.Gualco e Sarperi dizem haver uma estreita relação entre a predominância do diâmetro bi-troncanteriano e a fecundidade feminina. a medida que a mulher vai desenvolvendo caracteres femininos. aproximando-se das do homem.1 para os homens. A medida da coxa se obtém. começa-se a notar o inverso. quando há diminuição das características femininas. ao passo que os solicocéfalos.

o períneo. Na época preclimatérica e climatérica. em direção ao umbigo. fecundas. 12. na metade inferior do corpo. O t i p o de feminilidade maternal apresenta predominância do segmento inferior.2. Berardinelli. nas coxas. tal localização faz com que. isto é.a) Tipo de feminilidade pré-púbere b) Tipo de feminilidade pós-púbere ou pré-maternal c) Tipo de feminilidade maternal d) Tipo intersexual atenuado. Nos homens ocorrem as "entradas". Há predominância do timo redução da função ovariana. sob uma nova forma. na parte inferior. na posição ereta. lembrando o desenvolvimento pré-púbere. (Figs. 12. Caracteriza-se por hiperfunções ovariana. termina numa linha horizontal. as coxas das mulheres permaneçam em contato ao passo que as dos homens apresentam-se geralmente afastadas por um espaço mais ou menos largo. prolongar às vezes muitos anos. preponderância da bacia sobre a cintura escapular e a porção superior do tronco é bem acentuada. O t i p o de feminilidade pós-púbere é o tipo de mulher adulta bem desenvolvida. e estendendo-se para o perineo e margem do ânus. por . cita o sinal de Stein como um dos caracteres sexuais mais constantes no homem e que constitui da forma da implantação dos cabelos na região frontal. Isso não impede que possam ser belas e algumas vezes. O t i p o evoluído pré-pubere se caracteriza por apresentar bacia pouco desenvolvida assim como as mamas. A distribuição de gordura é muito diferente no homem e na mulher. espessando-se mais do que na mulher. prolongando-se para cima. em que há predominância da porção inferior do tronco.1. isto é. os braços. o que caracteza o tipo matronal. A gordura na mulher se acumula de preferência na região mamária. pois. a gordura da mulher invade a parte superior do tronco. O t i p o intersexual atenuado é o que apresenta discreta tendência para a masculinidade. durante a puberdade. os atrativos físicos da mulher. tiroidiana e suprarrenal. embora haja mamas bem desenvolvidas. o pescoço. com bacia ampla embora haja uma perfeita harmonia de formas. pés juntos. ao longo da linha mediana do abdome. a disposição dos pelos é também feminóide: mas nos anos sucessivos eles se transformam tipicamente. No homem. na pube. aumento da hipófise. preponderando. na parte inferior do ventre. invadindo raramente. 12. sendo tal espessamento mínimo no homem. que permite.3) Os pelos pubianos tem na mulher a mesma disposição que nos adoslescentes de ambos os sexos. a cintura escapular. de aspecto quase infantil. nos flancos. Na mulher há espessamento progressivo e acentuado do panículo adiposo sobre a face interna da coxa desde sua raiz até o bordo interno do joelho.

1 — Perfis masculino e feminino em vistas anterior e posterior para comparação .Figura 12.

quantidade de urina. maior número de movimentos respiratórios.Baseados nessa característica Felice e Vassal propõem um índice que utiliza o perímetro da coxa e o peso. em relação ao homem os seguintes caracteres principais: temperatura um pouco mais elevada e ao mesmo tempo mais lábil. 2 . Figura 1 2 . .72% maior na mulheres. segundo Pende. relativamente hipohipofisária. a mulher é mais hipertiroidea ou hipertimotiroidea. Fisiologicamente a mulher apresenta. menor atividade das trocas gasosas e energéticas em geral. bem como sua densidade e taxa de ureia menores. menor energia muscular. maior precocidade sexual e também parada mais precoce da atividade sexual. endocrinologicamente. coração mais célere. menor capacidade vital. hiposuprarrenálica. hipoparatiroidea.Perfil do tronco masculino Caracteres sexuais fisiológicos. sendo que na mulher é 20.

e um movimento em báscula mais ou menos acentuado à bacia. Como consequência da estrutura menos sólida do seu aparelho ósteo-músculoligamentar. que obriga as coxas a covergirem mais que no homem.Figura 12. disso resulta que a mulher para andar deve imprimir uma certa rotação às coxas. diz Maranon. A voz nitidamente feminina. as vozes nitidamente masculina são as de baixo e de barítono. O andar característico da mulher é devido sobretudo à maior largura da bacia.3 . o andar do homem se caracteriza por um movimento pendular das coxas e muito reduzida mobilidade pélvica. caracterizam também a mulher. a atitude das mãos e a aptidão especial para certos trabalhos. . resultando como compensação um certo grau de geno valgo. o andar. a mulher é dotada de menor aptidão motora e à resistência passiva. é a de soprano nas suas diversas gradações.Perfil do tronco feminino A voz.

suporta-a melhor" (Balzac). Maior emotividade.Diferença fisiológica importante. mesmo sob o ponto de vista estritamente prático. Para Maranon. e uma menor aptidão do que a destes para a atividade abstrata e criadora. mais prática. inteligência mais viva e ágil. de desenvolvimento mais precoce. Caracteres sexuais psicológicos. é a que se refere ao orgasmo. O mesmo pesquisador afirma que as mulheres apresentam todas as formas de sensibilidade mais obtusas do que nos homens. que é rápido no homem e mais demorado na mulher. tendência aos fenómenos dependentes do menor controle dos centros nervosos superiores sobre os inferiores. linguagem mais célere sendo por isso mais desenvolvidos os músculos da língua como aliás o são também os adutores da coxa. . mais intuitiva do que lógica. mas. Pesquisas de Lombroso e sua escola mostram menos sensibilidade dolorosa na mulher. (Pende). as mulheres se caracterizam psicologicamente por apresentarem uma afetividade mais aguda que a do homem. principalmente nas mulheres mais jovens e sem experiência sexual. Também para a dor moral as mulheres são mais fortes. quando ela vem. maior irascibilidade. "A mulher tem mais apreensão pela desgraça. como o que se poderia chamar a labilidade da mímica emotiva (riso e choro fáceis).

Segundo a escola de Pende.R.R. isto equivale a dizer praticar medicina preventiva. quando feita criteriosamente. coletados no início do ano. que deve guiar as atitudes do professor de Educação Física e do Técnico desportivo. melhor avaliá-lo e orientá-lo sobre exercícios mais indicados e os que seriam prejudiciais à sua constituição. Podemos assim.CAPITULO XIII IMPORTÂNCIA DA AVALIAÇÃO BIOTIPOLÓGICA EM EDUCAÇÃO FÍSICA A avaliação biotipológica do indivíduo. e que serão estudadas a seguir. aconselhar em educação física. pode-se avaliar a validade do trabalho realizado pelo Prof. Por outro lado. de Educação Física. os que terão maior rendimento em uma determinada especialidade. há cinco aplicações que a ficha biotipológica escolar tem estabelecido na ordem social: a. Estas habilidades ou capacidades podem ser resumidas na sigla V. que mescla a vida moral e social do indivíduo em formação. e. 0 dilucidar controlando a normalidade ou anormalidade do desenvolvimento sexual. O controle da formação do caráter e do tipo mental. em detrimento da harmonia da forma e funções. A palavra "V. O estudo biotipológico dos alunos possibilita aconselhar a higiene somática e terapêutica. b.F. Assim sendo. mais especificamente. 0 conhecimento da formação harmónica do tipo geral do corpo.F. Será mais fácil para o técnico desportista escolher os indivíduos que poderão render mais e se comportar melhor em esportes coletivos ou os que terão melhor desempenho em provas individuais e dentre estas. c. De posse dos dados biotipológicos. a Biotipologia constitui base verdadeiramente científica. d." é formada pelas iniciais de quatro qualidades diretamente ligadas ao aparelho motor e que são: . Conhecer e controlar também as aptidões psico-sensoriais e intelectuais. aconselhar sobre higiene mental. como sabemos.A. como consequência do excesso de desenvolvimento muscular e da força dos músculos em determinados segmentos do corpo. cada indivíduo apresenta certas habilidades motoras mais ou menos desenvolvidas e que devem ser consideradas no momento de se indicar um determinado tipo de esporte para esse indivíduo. senão que fundamentam a base científica da projeção do indivíduo na sociedade. fatores que não só relacionam a biotipologia escolar com a medicina do trabalho.A. oferece material suficiente para se organizar um conceito objetivo e sólido dos seus atributos físicos e psíquicos. pois foi demonstrado que o atletismo não controlado cientificamente pode levar á desarmonia dos biótipos corporais e psíquicos. aconselhar no rendimento e orientação profissional. que necessariamente devem imperar em todo desportista. de um grupo de alunos e comparando estes dados com os de uma nova tomada. O conhecimento e o controle das aptidões musculares e psicomotoras.

Longilíneos — Tem como característica geral a velocidade. e a resistência e a força. agilidade R — resistência F — força Por resistência devemos entender o tempo máximo de duração do moviment o . É conhecida a perspicácia de certos atletas. saltadores. emparelhadas. não pode prevalecer a força. que em jogos olímpicos sabem suprir a falta de resistência ou força muscular com um maior emprego da agilidade. fácil. basquete. é tática do movimento. arremessadores de dardo. pois. poderíamos indicar esportes competitivos para os estênicos e recreativos para os astênicos. É esta uma propriedade característica do longilíneo veloz. analisando-o de maneira ampla e completa. ao dizer de Pende. Determinado o biótipo. é apreciar que este animal não é somente f o r t e . diz: "temos que admitir que a velocidade e a força muscular apresentam-se nos diferentes biótipos humanos de forma antitética. equitação. é. essa é a função do Educador Físico. em consequência. enquanto a resistência associa-se com a força. Pende. são reveladoras de uma tendência constitucional para a parasimpaticostenia. é o que mais rapidamente vai queimando suas reservas energéticas. Thooris afirma que nenhum homem é capaz de reunir as quatro qualidades do " V A R F " no mesmo grau. sendo em consequência. Pode-se mesmo procurar um plano de treinamento para minorar as qualidades negativas do indivíduo e exacerbar suas qualidades. esgrima. é a inteligência posta a serviço do músculo. ela equivale ao instinto automático do sujeito saber coordenar e precisar seus movimentos. em grande parte. se prevalece a velocidade. Esportes coletivos para os de espírito altruístico e individual para os de tendências mais egoístas.tipicamente longilíneos e de musculatura variável). Tudo ocorre ao contrário com o cavalo bretão (bradiprágico — bradipsfquico — hiperpituitárico — parasimpaticoestênico). Assim é que geralmente a velocidade ocorre paralelamente com a agilidade. A relação entre biótipo e desempenho esportivo pode ser resumida como segue: a. vale dizer que. voleibol. de modo que este é um fator decisivo no estudo da fadiga. O biótipo veloz (taquiprágico — taquipsíquico — hipertireóideo — simpaticotônico) equivale ao t i p o de cavalo de corrida. f r u t o da própria experiência. com tendência à simpaticostenia. é destreza. mas também resistente. A agilidade. é arte. de média distância — mais altos com as proporções mais para a longitipia e os velocistas . velocidade e agilidade traduzem quase sempre um temperamento neuro-vegetativo. comentando o índice " V A R F " . peso baixo. . Exercícios que necessitem de agilidade para os longilíneos e os que requerem resistência para os brevilíneos.V — velocidade A .destreza. musculatura delgada e frágil. São bons atletas para corridas (de longa distância — estatura pequena. o biótipo de menor resistência. acrobacia.

5 e 10 mil m) V. tem possibilidades de brilhar como atletas. A ectomorfia é condição necessária para as corridas de fundo e meio fundo e para saltos. utilizando-sea metodologia proposta por Viola e a classificação de Berardinelli. Ginástica de aparelhos. social e intelectual. lento e pouco resistente.f. remadores (estatura alta). terrestres ou aquáticas. Como vemos. Nas provas de velocidade. Normolíneos . v. F. R. Só os indivíduos de mesomorfia considerável. v. parece-nos porém mais aconselhável seguir a orientação de Silveira.Tem como característica geral o equilíbrio das formas.F. fragilidade e fatigabilidade. 29 — Classificar a face do temperamento pela escala de Sheldon. significando debilidade. futebol. F.R. b. . f. o grau de mesomorfia é superior a 5. (400 m) V. r. que tratam do assunto. v.R. r. c.R. (800. d. A.500m) V. F.). judo. teremos possibilidade de entender melhor o nosso educando e melhor avaliá-lo para orientar convenientemente sua atividade física. A ectomorfia exagerada.A. Brandão faz uma correlação de alguns esportes com o índice VARF.a. A. e. Um estudo feito com atletas participantes de jogos olímpicos.b. nadadores (devido ao bom desenvolvimento da caixa torácica). de intensidade igual ou superior a 5. V. igualando ou mesmo superando a mesomorf ia. V. etc. F. A. R. Sâb bons atletas para lutas (luta romana. 1. F.F. quase sempre acima de 4.A.r. . A. Assim.f. V. os praticantes de alto padrão são sempre mesomorfos. 200m) V. 19— Classificar a face morfológica. v. também constitui "handcap" em todas as especialidades atléticas.Classificar a parte psíquica pelo método de Rorschach. c. . pentatlo ou decatlo. mostra o seguinte: a. O excesso de endomorfia tem efeito negativo em qualquer desporto. que transcrevemos: Corredores de velocidade Corredores de meio fundo Corredores de velocidade prolongada Corredores de fundo Saltos e barreiras Arremessos Futebol e basquete Levantamento de peso Lutadores Boxeadores Esgrima (100. 39 . Em desportos que necessitam de mais força.F.R. pois torna o indivíduo pesado. R. poliatleta. Brevilíneos .Tem como característica a força.a. (3. levantamento de peso e halteres. a. A.A. R. natação (tendência para a longitipia). há diferentes aspectos a serem considerados de acordo com os vários autores.

ambas devem necessariamente complementar-se. podemos dizer que a ficha biotipológica da educação física não pode ser outra que a ficha biotipológica da educação mental. que f o i aceita na ocasião por uninimidade. O Congresso de Chamonix ocupou-se somente da primeira parte. O controle e a avaliação biotipológica. os caracteres somáticos e psíquicos individuais. Observação do médico A ficha de avaliação compreende duas partes fundamentais: 1a. Antecedentes patológicos. sexo. Peso. b. A ficha do controle mínimo contém os seguintes dados: Idade no momento do exame. Nos indivíduos adultos. como na verdade se completam.atuando em nível curativo e profilático. FICHA BIOTIPOLÓGICA DE NICOLA PENDE EM EDUCAÇÃO FÍSICA Como resultado do estudo aqui apresentado. Provas funcionais antes e depois do esforço — tempo para retornar ao normal. como também. Após essa análise. como diz Rossi. altura e peso. exame das vias aéreas superiores. Exame de urina. Provas cárdio-vasculares: estudo do pulso e da pressão arterial. No Congresso Internacional de Educação Física de Chamonix (Suiça) em 1934. morfologia constitucional e fisiológica e psicometria. Provas respiratórias: espirometria. Perímetro torácico na inspiração e na expiração. Os resultados das "perfomances". deste autor. Assumindo essas diretrizes. Amplitude torácica. isto é. deduzimos a necessidade do conhecimento integral da personalidade física e psíquica. a. Pende apresentou uma ficha biotipológica para aplicação em esportes. Perímetro torácico médio. por conseguinte. mas também da cultura física. há a possibilidade de que ocorra uma verdadeira reforma educacional. graduação e classificação não somente da cultura mental. Assim. diferencia-se somente pelo nome. mas identifica-se com a pirâmide biotipológica . A l t u r a . as "performances" se avaliam segundo o cânone olímpico. Como vemos. A ficha consta da avaliação dos seguintes tópicos: antropometria. Passamos a transcrever o modelo das duas fichas adotadas neste encontro e que se denominam: "controle m í n i m o " e "avaliação propriamente d i t a " . segundo o ponto de vista de seus temperamentos e capacidades intelectuais. 2a. o que se pode obter através da ficha biotipológica. pode-se fazer a seleção. podemos organizar grupos homogéneos segundo a idade. Exame dos pulmões. que compreende: a. desenvolvendo suas qualidades e respeitando suas limitações.

abdominal t o t a l . do tronco e membros. Tempo de retorno à normalidade. Provas de trabalho: podem ser feitas as seguintes: uma corrida " i n s i t u " durante dois minutos. Finura de apreciação das formas. perímetro torácico. diâmetro biacromial. Exames funcionais. envergadura. mínima e mediana. púbico. a. Consta de: 1. O exame antropométrico e morfológico. Dinamometria horizontal e vertical. perímetros dos braços direito e esquerdo. Aborda os seguintes itens: altura. c. Dedução dos índices: torácicos. pesos. No exame em pé: determinação dos diâmetros torácicos (transversal e ântero-posterior). Os exames psicométricos. Frequência respiratória em repouso (de pé). abrange: 1º — Exame das funções sensório-motoras.b. Cada um destes itens será explicado a seguir. perímetros das coxas direita e esquerda. Esta parte concerne somente ao médico e ao probando. espessuras. parte: Estudo da orientação desportiva. 1º— Exame antropométrico. com elevação dos joelhos até um plano horizontal. b. No exame deitado: determinação dos pontos: manubrial. Exame psicométrico (segundo Pende). Antecedentes patológicos. hipocondríacos (transversal e ántero-posterior) e dos membros superiores e inferiores. Com estas medidas. acromial e da interlinha do punho. 2º — Exame das funções intelectuais. movimentos e atitudes. Eletrocardiografia. d. Pressão máxima. Exame antropométrico e morfológico. epigástrico. Exame radiológico do tórax e do aparelho cardiovascular. faz-se um novo exame respiratório e cárdío-vascular. ú t i l para t o d o exame biotipológico e orientação desportiva. Exame das funções sensório-motoras. a razão de dois saltos por segundo. Os exames funcionais. epigastropúbico e dos membros superiores e inferiores. Tipo morfológico. Exame das funções afetivas. 2º Exame morfológico-constitucional. A segunda parte. deduzimos os comprimentos xifo-epigástrico. Capacidade vital. comprimento do membro inferior e peso corporal. Fórmula corporal. Depois desta prova horizontal. Compreende duas partes: a primeira. Pesquisa da albuminúria depois do trabalho ' T e s t e " da fadiga de Donnaggio. perímetro abdominal médio. 1a. 3º— desportiva. estuda pontos especiais relacionados com a especialização . d. xifoideano. Acuidade sensorial. maleolar. c.

a. b. pingpong. Determinação do "perfil psicológico". Expressa em medidas elementares. Velocidade de reação (esgrima) 2. e. Exame das funções intelectuais. Caráter. Estudo de predomínio do direito ou esquerdo dos membros superiores e inferiores e dos olhos (preferência para fazer a mira). Susceptibilidade às perturbações emocionais. 3. Para classificar os longilíneos. Estudo da capacidade de repetição de esforços iguais. Exame das funções afetivas. d. 4. Em todos os casos se realiza: IP ) uma prova de atenção e 29) provas de nível intelectual. Poder de decisão rápida. segundo o sistema de Viola. 6. Idem aos afetos. Tenacidade. largo-longo da mão. ténis. modificado. Idem à monotonia e ao sono. 2ª parte: Determinações especiais relacionadas com especializações desportivas. largo-longo abdominal superior. 7. g. Resistência à distração. sugestibilidade (aparelho de Binet). Provas de esforço. honestidade. Apreciação de distâncias (jogos de lançamento. a classificação do biótipo morfológico se manifesta em graus centesimais. largo-longo torácico. que são: 1. .Investigação da regularização dos movimentos. largo-comprido cefálico. largo-longo facial. 1. por provas de " t a p p i n g " pontaria. 3. largo-longo abdominal inferior. submersão) 5. e. etc) 6. Estudo das velocidades reacionais. Em continuação. Estabilidade (tiro) 3. 2. h. 5. Visão estereoscópica (ténis) 4. que se obtém com uma ficha de exame do t i p o adotado para a orientação profissional. e. golf. polo. brevilíneos e normolíneos. se registram os quocientes de crescimento do peso e do perímetro torácico e as relações: Estatura-peso e Estatura-perímetro torácico. Integridade das funções vestibulares-autitivas (natação. Compreende o peso corporal e a estatura e 41 medidas assim distribuídas: cabeça: seis pescoço: três tórax: nove abdome: seis membro superior: nove membro inferior: oito Figuram aqui as dez medidas fundamentais e suas relações recíprocas. 2. tem sido criado os índices largo-longo. Suscetibilidade à dor (boxe) A ficha proposta por Pende tem os seguintes fundamentos e aplicação ao caso: 19 Avaliação morfológica do biótipo. f. estabilidade. c. largo-longo do pé.

ataque-defesa. 3º — Avaliação do caráter individual (face moral). insuficiente). Desenvolvimento do pensamento fantástico-místico. Registram-se os resultados do treinamento ginástico e desportivo e seus efeitos na morfologia. Utilidade do trabalho efetivo (excelente. Tempo de elaboração dos processos ideativos. gregário. estabelecem padrões de referência para determinadas provas de avaliação física como: velocidade.Os índices do desenvolvimento sexual se ajustam à diretivas de Pende e Gualco. exame das diferentes sensibilidades. reprodução. que se encontram no prelo e que irá constituir importante referencial prático e simples na avaliação dos alunos em suas capacidades físicas. investigação de uma predominância neuro-vegetativa simpática ou para-simpática ou pneumogástrica. . Entre nós Negrão & Molinkiss. define-se o tipo de caráter. exame do aparelho do equilíbrio. aos de Gualco e Berreta. Com este estudo. controle de certos movimentos. os do desenvolvimento cardíaco. grau de atenção. . Mesmo com os esforços que muitos grupos vem realizando na área de avaliação da criança há necessidade de pesquisas multidisciplinares que venham correlacionar os diferentes níveis de manifestação do comportamento humano. O apêndice etnológico permite resumir conclusões sobre o tipo de raça individual. medíocre. resistência.. Resistência ao trabalho intelectual. diagnóstico do temperamento endócrino. . a emotividade global. exame da excitabilidade neuro-muscular e dos reflexos. metabolismo basal. Influência da esfera emotiva sobre os pensamentos e destes sobre aquela. grau de memória e da capacidade de observação. trabalhando com crianças do Sesi. Estudam-se os instintos fundamentais: conservação. os do hemolinfopoiético. exame de urina antes e depois de um exercício conhecido. a conduta de adaptação ao ambiente.. etc .. bom. exame de urina antes e depois de um exercício de controle. aos de Pende e Berreta. 2º — Avaliação funcional do biótipo. das modificações hemáticas da fadiga. Atitude e predisposição do sujeito a um trabalho especial. os sentimentos egoístas e altruístas. força. Ainda no solo pátrio o laboratório de São Caetano tem procurado determinar testes para a realidade brasileira e que já constitui publicação disponível nas livrarias. Predominância do sentido analítico ou do sintético. a qualidade moral dominante e a tendência afetiva orientadora da conduta. 4º — Avaliação do grau e forma da inteligência. do abstrato e lógico e do sentido crítico. Estas observações tratam de avaliar as seguintes qualidades: grau de inteligência global. em jejum e depois em exercício de controle. Adaptação aos diversos trabalhos mentais. a vontade e o auto-controle. Síntese do biótipo. Compreende o exame da capacidade muscular dos diversos segmentos corporais. dinamometria dos principais territórios musculares complexos. Atitude introspectiva-extrospectivado espírito. no dinamismo e psiquismo individual.

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