Presidente da República Federativa do Brasil João Figueiredo Ministro da Educação e Cultura Esther de Figueiredo Ferraz

AVALIAÇÃO BIOMÉTRICA EM EDUCAÇÃO FÍSICA

MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO E CULTURA SECRETARIA DE EDUCAÇÃO FlSICA E DESPORTOS

- SECRETARIO G E R A L DO MEC Sérgio Mário Pasqualí SECRETARIO DE EDUCAÇÃO FÍSICA E DESPORTOS Péricles Cavalcanti SUBSECRETARIO DE DESPORTOS (SUDES) Antonio Celestino Silveira Brocchi - .

OLIVEIRA .AVALIAÇÃO BIOMETRICA EM EDUCAÇÃO FÍSICA ROMEU RODRIGUES DE SOUZA Professor Assistente Doutor Departamento de Anatomia Universidade de São Paulo JOSÉ ARI C.

APRESENTAÇÃO AVALIAÇÃO BIOMÉTRJCA EM EDUCAÇÃO FÍSICA. propiciando ao estudante a assimilação de maneira clara e objetiva. antes de ser uma obra dedicada ao campo da Medicina. Não obstante ser uma obra didática. a preocupação de seus autores em atender a especialistas e estudiosos do assunto. HÉLIO JOSÉ MAFFIA Diretor da Escola Superior de Educação Física de Jundiaí Preparador físico do Esporte Clube Corinthians Paulista Ex-preparador físico do Paulista Futebol Clube de Jundiaí Ex-preparador físico do São Paulo Futebol Clube Ex-preparador físico da Sociedade Esportiva Palmeiras Ex-preparador físico do Guarani Futebol Clube Ex-preparador físico da Seleção Brasileira . é uma orientação didática na área da Educação Física. através da mensuração. uma segura mostragem evolutiva do atleta nos sentidos qualitativo e quantitativo do treinamento. ela permite a treinadores e preparadores físicos. PROF. Este trabalho demonstra pois.

ÍNDICE Pág. CAPITULO I Generalidades sobre medição e avaliação em Educação Física CAPITULO II Agrupamento dos dados: Ficha Biométrica CAPITULO III Seleção das medidas. Técnica geral das medidas CAPITULO IV Análise e Interpretação dos dados: Noções de Estatísticas CAPITULO V Avaliação das dimensões e proporções externas do corpo e seus segmentos CAPITULO VI Avaliação do Estado Nutritivo: Medida da espessura de pregas cutâneas e peso CAPITULO VII Medida da capacidade vital e cardiocirculatória. Força muscular CAPITULO VIII Avaliação do crescimento CAPITULO IX Biotipologia: Aspectos gerais CAPlYULO X Teorias biótipológicas CAPITULO XI Biotipologia infantil 7 13 17 23 37 77 83 93 103 107 127 CAPÍTULO XII Diferenciação sexual CAPITULO XIII Importância da avaliação Biotipológica em Educação Física 133 141 .

voltamos a analisar suas condições para podermos avaliar os resultados. por outro lado. a Educação Física só poderá atingir seus objetivos em relação a um indivíduo. determinar o estado de aptidão atual de um aluno. Ao lado da aptidão física. estabilidade emocional. elas podem ser utilizadas. De posse das informações obtidas. A educação do físico subentende desenvolver no indivíduo aptidão física. NECESSIDADE DE SE MEDIR EM EDUCAÇÃO FÍSICA Entre outras razões que podem explicar a necessidade de medidas. O desenvolvimento da aptidão física vai possibilitar ao indivíduo exercer melhor suas tarefas diárias e sentir-se melhor ao final de cada dia. se ela puder fazer um programa específico de acordo com suas necessidades. para sabermos se estamos conseguindo resultados satisfatórios. fisiológicas e psicológicas atuais da pessoa a quem ele é dirigido. Todas estas fases requerem medições. necessitamos medir antes. para que o programa a ser elaborado seja o mais efetivo possível ás necessidades individuais. Em outras palavras. é educação global: educação do físico. aquilo que pretendemos desenvolver para. serão citadas apenas as seguintes: divisão em turmas homogéneas. especialmente. e a aptidão social. aplicar um trabalho de desenvolvimento.CAPITULO I GENERALIDADES SOBRE MEDIÇÃO E AVALIAÇÃO EM EDUCAÇÃO FÍSICA EDUCAÇÃO FÍSICA: OBJETIVOS A Educação Física. temos que medir continuamente os parâmetros que queremos desenvolver. isto é. Este conhecimento. . Entretanto. se for uma criança. para depois aplicar-lhe um programa adequado à sua situação. ou seja. saúde. a seguir. da mente e educação social. ou seja. A aplicação de tal programa exige conhecimento prévio das condições físicas. como ciência. é preciso saber inicialmente em que situação se encontra nosso aluno. Mais tarde. Em resumo. acompanhar o progresso de um trabalho. desempenho eficiente em atividades motoras e um corpo esteticamente bem constituído. a capacidade de dar-se bem com os outros. participar com gosto de atividades recreativas. a Educação Física visa também desenvolver no jovem a capacidade para a recreação. o professor de Educação Física pode obter através de técnicas de avaliação e medição.

Biometria é uma palavra composta por dois radicais gregos. Entretanto. bios e metria. que significam. A determinação das aptidões e qualidades de um aluno é muito importante para se conduzir um trabalho físico pois assim este poderá ser o mais adaptado possível às necessidades dos alunos. A medida do progresso obtido em um trabalho é fundamental visto que quando sabemos que estamos melhorando. os quais estão subentendidos na expressão "fenómenos biológicos" e que são os níveis em que será estudado o indivíduo. A ciência que trata das medidas corporais é a Biometria. cujo conceito veremos a seguir. amparado pela análise matemática e estatística". Esta é. especialmente aquelas que apresentem alguma importância para a Educação Física. na Inglaterra. com o fim de determinar as leis que os regem". Hegg e Luongo (1971) definem Biometria como "o ramo da Biologia que estuda os caracteres mensuráveis dos seres vivos. Temos assim um primeiro conceito de Biometria que é "a medida da vida". Gomes de Sá (1975) classifica esta definição de simplista e a critica por levar a interpretações ambíguas. respectivamente. visando sempre atingir nossos objetivos. porém falta especificar os três níveis morfológico. é um problema muito complexo definir o que é a vida em todas as suas manifestações e a medida de todas elas não cabe nos limites de um curso. As doses e intensidade do trabalho a ser realizado ficam mais objetivas e especificas. nossa motivação aumenta. estabelecendo relações entre os dados assim obtidos. Objetivos deste compêndio A Biometria humana tem pois um campo muito amplo. O mesmo se pode dizer quando determinamos a frequência cardíaca ou a respiratória dos alunos em relação com a intensidade de um certo exercício. nas páginas seguintes. quando medimos a altura de um grupo de alunos estamos fazendo Biometria. CONCEITO DE BIOMETRIA Para se esclarecer o conceito de Biometria. . vida e medida. uma definição mais coerente. compreendendo de modo geral o estudo das mais variadas medidas relacionadas ao corpo humano. A Biometria começou em 1901. Assim. fisiológico e psicológico. Pode-se dizer em um sentido geral que a Biometria é a ciência que estuda quantitativamente os fenómenos vitais. preferindo entender Biometria como "a ciência que procura traduzir numericamente os fenómenos biológicos. vamos iniciar estas considerações com a análise deste termo. serão abordados somente os aspectos relacionados a certo grupo de mensurações. Entretanto. A avaliação do progresso permite ainda mudanças e adaptações no trabalho.Agrupar homogeneamente facilita a quem ensina e a quem aprende. sem dúvida.

A determinação da frequência respiratória. Claude Bernard afirmava mesmo que só pode haver ciência quando se pode medir os fenómenos. IMPORTÂNCIA DA BIOMETRIA EM EDUCAÇÃO FÍSICA A ciência evolui quando os fenómenos estudados podem ser medidos. A Biometria Dinâmica estuda as relações entre vários aspectos biométricos e um trabalho físico em função do tempo. Em Educação Física. permitindo assim. os exercícios aplicados só produzem efeitos benéficos quando bem dosados em qualidade e em quantidade. acertar a dose ideal. Um exemplo típico é o estudo da variação da frequência cardíaca com doses de um determinado exercício. tanto animais quanto vegetais. para que possamos analisar. em um determinado instante. aspectos importantes como a altura. Depois de um certo tempo. Aqui está incluída a Biometria humana que estuda o Homem sob os pontos de vista: morfológico. fisiológico e psicológico. A medida da altura de um indivíduo em um dado momento representa um exemplo. comparar. poderemos verificar se o peso está diminuindo ou não com essa dieta. . etc. construir tabelas. Os resultados vão mostrar se o exercício está sendo muito ou pouco intenso. de um ou mais indivíduos quando submetidos a uma determinada dieta. batimentos cardíacos só terão valor se puderem ser medidos. Outro exemplo seria a variação do peso. A Biometria Especial estuda aspectos mensuráveis particulares do seres vivos. Neste conhecimento estão incluídos os aspectos mensuráveis do indivíduo.DIVISÕES DA BIOMETRIA A chave seguinte resume as divisões da Biometria: De acordo com os objetivos do trabalho biométrico De acordo com o modo de abordar os fenómenos em relação ao tempo e espaço A Biometria Geral estuda aspectos métricos ligados aos seres vivos em geral. A Biometria Estática estuda os aspectos mensuráveis do indivíduo em um determinado instante sem se preocupar se estes variam ou não no tempo. Ao realizar um trabalho físico. Precisamos pois conhecer bem o indivíduo a quem dirigimos o trabalho físico. peso. é outro exemplo.

Deste modo. procuramos formar turmas homogéneas e para isso necessitamos classificar os indivíduos usando parâmetros como a altura e o peso. podemos classificar os indivíduos em normais. Através de exames periódicos do indivíduo pode-se detectar certa falta de adaptação do organismo frente a determinados exercícios. tem-se uma ideia do seu estado físico atual. Detectar deficiências físicas. Pode-se descobrir assim. ao aplicar um trabalho físico. que exigem novos esforços. Algumas assimetrias podem inclusive ser corrigidas através da aplicação correta de exercícios adequados. pode-se utilizar a medida de certos parâmetros como o pulso e a frequência respiratória por exemplo. detectar algumas assimetria de forma. a homogeneização de grupos facilita a aplicação de um trabalho físico. como vimos. fisiológico ou psicológico procura verificar a existência de semelhanças entre eles dando ideia dos fenômenos comuns a determinados grupos. resultados melhores que os previsíveis e os poupados não atingem estes valores esperados. A Biometria. no exame de seus alunos. deficiências que geralmente se traduzem por cansaço ou fadiga. mas devido a sua importância. o que é de grande importância pois assim ele poderá encaminhar o aluno para tratamento adequado. No caso de escolares. para acompanhar os progressos de um grupo submetido a um trabalho físico. c. Estas deficiências serão então tratadas . os selecionados. Como se sabe. OBJETIVOS DO TRABALHO BIOMÉTRICO EM EDUCAÇÃO FÍSICA Estes aspectos foram já esboçados em item anterior. A formação de grupos com características semelhantes é importante pois. São feitas várias medidas e exame médico no indivíduo. d. Determinar a condição física do indivíduo. Determinar o valor físico do indivíduo.Aqui estão dois exemplos da aplicação de conhecimentos biométricos em esporte: a. os fenômenos biológicos caracterizam-se por sua grande variabilidade. Os normais obtém nessas provas resultados previsíveis. Detectar assimetrias de forma. serão aqui estudados com mais pormenores. Com isto. selecionados e poupados. ao estudar os indivíduos seja do ponto de vista morfológico. O professor de Educação Física poderá. b. Através da aplicação de provas específicas. b. utiliza-se ainda o item inapto ou dispensado àqueles alunos que não são capazes de realizar nenhuma atividade física. pode-se dosar os exercícios físicos que serão aplicados. Os objetivos principais do trabalho biométrico em Educação Física são os seguintes: a.

brevilíneos e lingilíneos. os indivíduos terão um melhor rendimento. os longilíneos adaptam-se melhor com esportes que exigem velocidade e agilidade. predominam a velocidade e a agilidade. Aqui veremos apenas alguns aspectos. Dosagem dos exercícios e avaliação dos resultados. Bem orientados. pois também são ramos da Biologia: Anatomia. Através de exames biométricos poderemos acompanhar a dosagem dos exercícios. têm maior resistência e força. e. Assim sendo. com menor gasto de energia. Além disso. como corridas de velocidade e saltos. Particularmente importantes para a Biometria são a Matemática e a Estatísticas. Daí a importância do trabalho biométrico bem realizado f. os brevilíneos. os brevilíneos devem ser orientados para esportes que requerem força e resistência. Nos normolíneos há equilíbrio destas quatro qualidades. Determinar o tipo constitucional (biótipo ou somatotipo). devido a sua maior massa corporal. devido ao maior desenvolvimento dos membros que apresentam estes indivíduos. Daí a necessidade de se utilizar ciências Matemáticas. adaptando-os às necesidades de cada indivíduo ou grupo. como a Estatística. para se realizar estudos biométricos. tais como: arremesso do martelo e levantamento de peso. a variabilidade dos fenómenos biológicos torna os indivíduos diferentes uns dos outros. pode-se ter ideia do rendimento e dos resultados que se está obtendo com a aplicação daqueles determinados exercícios em função da finalidade que se tem em vista. Este assunto será mais bem estudado posteriormente. nos longilíneos. . São amplamente conhecidos os três tipos constitucionais da Escola Biotipoiógica Italiana (Viola e Pende): normolíneos.convenientemente antes que produzam lesões mais graves e irreversíveis no organismo. Classificar um determinado indivíduo em um destes grupos é muito importante em Educação Física. Os brevilíneos e os longilíneos são os tipos extremos e o normolíneo é o tipo médio. ao contrário. Os primeiros tem maior desenvolvimento no sentido longitudinal enquanto os brevilíneos desenvolvem-se mais no sentido transversal. Fisiologia. O conhecimento do tipo constitucional de um indivíduo permite orientálo para determinadas atividades físicas mais indicadas para aquele tipo de indivíduo. Psicologia e Bioquímica. quando se pretende administrar exercícios ou orientar e selecionar para práticas desportivas. resistência e força). CIÊNCIAS AFINS À BIOMETRIA Algumas ciências estão muito relacionadas com a Biometria. agilidade. Assim. Cada um destes tipos constitucionais possui em graus diferentes os elementos da sigla VARF (velocidade.

conhecimentos básicos de Estatística que serão apresentados mais . as medidas devem ser analisadas e interpretadas.Depois de coietadas. Isto requer adiante.

Depois de escolhidas. exame clínico geral e especial e exame biométrico. b. Exame biométrico: as medidas a serem tomadas vão depender da finalidade que se tem em vista. e assim sendo temos que escolher certas medidas de acordo com os objetivos que temos em vista. Exame clínico geral e especial: consiste no exame dos vários sistemas orgânicos (respiratório. Itens fundamentais de uma ficha biométrica Entre os itens fundamentais de uma ficha biométrica. poderemos tirar conclu- . fisiológicas e psicológicas sobre um determinado indivíduo e que permite fazer um julgamento sobre suas condições de saúde e suas aptidões atuais. Análise dos dados obtidos Através da análise dos dados da ficha biométrica. como já vimos. CONCEITO DE FICHA BIOMÉTRICA A ficha biométrica é portanto um documento que contém informações morfológicas. a. são várias as mensuraçôes possíveis no corpo humano. c. digestivo e outros). serão apresentados os seguintes: identificação. Uma ficha biométrica poderia conter inúmeros dados. devem ser selecionadas algumas medidas convenientes ao trabalho que vamos realizar. Esta escolha depende então da finalidade que se tem na realização do trabalho físico. Aqui incluem-se também exames de laboratório e outros que se fizerem necessários. Alguns denominam a ficha biométrica de médico-biométrica porque vários dados devem ser colhidos exclusivamente pelo médico. Identificação: aqui são colocados o nome. Geralmente são colhidos obrigatoriamente. antecedentes. mas. Entretanto.CAPITULO II AGRUPAMENTO DOS DADOS: FICHA BIOMÉTRICA Como já sabemos. fisiológico e psicológico. as medidas a serem obtidas são agrupadas em uma ficha denominada ficha biométrica que será preenchida quando da realização do exame do aluno. Deve ser orientado de acordo com a idade e modalidade desportiva do indivíduo. Antecedentes: refere-se aos antecedentes pessoais e familiares. d. o peso e a altura. idade e outros dados pessoais. as medidas a serem colhidas enquadram-se nos três níveis: morfológico.

Em alguns casos. são de ordem morfológica. de acordo com a finalidade que se tem em vista. Esta deficiência pode ser transitória ou permanente. . fisiológica e psicológica. destacam-se alguns relacionados ao conceito de raça. apto. 0 indivíduo poupado. podemos saber quais as possibilidades de cada aluno em diversos esportes com fins competitivos. c. a antroposposcopia e a antropometria. Avaliar resultados . O inapto ou dispensado é o indivíduo que não pode exercer atividades físicas. é necessário verificar como o organismo está reagindo e que resultados estamos obtendo. aqui podemos relembrar o que já foi dito sobre este assunto: os aptos serão considerados normais ou selecionados segundo os resultados obtidos em provas específicas sejam os esperados ou superem estes resultados. em parte. a antropologia física. e. como já sabemos. O indivíduo apto tem condições tais que pode praticar qualquer tipo de esporte. Dados do exame biométrico As medidas e dados constantes da ficha biométrica. Dosar exercícios . o tipo morfológico. e a raça determina. pode ser prescrita a ginástica corretiva. poupado ou inapto. b. A primeira estuda aspectos não mensuráveis do homem. dos olhos e dos cabelos.Aplicado um trabalho físico. f.Através da análise e interpretação dos dados obtidos na ficha. A antropometria é o estudo dos aspectos mensuráveis do homem. É preciso saber quais são estes dados para que possamos analisá-los. de nenhuma forma. Este é o estudo do desenvolvimento físico do homem e utiliza como métodos de estudo. Entre os aspectos não mensuráveis do indivíduo. O estudo dos tipos raciais tem importância pois eles estão ligados aos tipos morfológicos ou somatotipos dos indivíduos. d. Determinar a condição física — Com base nos resultados do exame feito o indivíduo será considerado. Determinar o somatótipo — A determinação do somatótipo ou tipo constitucional vai permitir compreender e orientar melhor cada aluno. apresenta alguma deficiência que o limita para atividades desportivas. podemos adequar os exercícios em duração e intensidade ás necessidades individuais. como a cor da pele. Selecionar para a competição — Através da análise dos dados constantes da ficha biométrica. Os dados morfológicos constituem uma série de informações que pertencem em última análise a uma ciência mais ampla.soes a respeito do aluno e que são os mesmos objetivos do trabalho biométrico: a. Detectar assimetrias de forma — Quando em presença de uma assimetria de forma o professor de Educação Física deverá orientar o aluno convenientemente.

classificandoa neste caso em branca. Deve-se. o seu estudo tem importância pois os tipos morfológicos estâo relacionados com o desempenho atlético. Existe também uma escala cromática constituída por fios coloridos.Através da observação podemos classificar os cabelos em castanhos. podemos classificar a cor dos olhos em castanho. . cor dos olhos. a) Cor da pele — Pode ser determinada pela simples observação. próprios da raça negra. ulótricos e cimatótricos. Pode-se também comparar com modelos de olhos de vidro. preta. amarela. ao estado nutritivo e à maturação sexual. negra. em qualquer caso. podemos compreender raça como um grupo de indivíduos com características semelhantes. b) Cor dos olhos — Pela simples observação. a Psicometria. As medidas fisiológicas referem-se aos sistemas orgânicos em geral. Uma série de aspectos externos e medidas caracterizam cada grupo racial. dos cabelos e a forma dos cabelos. examinar uma parte que habitualmente é coberta pela roupa. parda e vermelha. Os dados de ordem psicológica constantes da ficha biométrica referem-se apenas a uma "impressão" a respeito do estado do indivíduo. circulatório e muscular. Pode-se determinar também a cor da pele comparando-a com quadros representativos dos diversos matizes (escala cromática). fazem parte de uma ciência mais ampla. pois medidas em Psicologia. com cores diferentes. São também englobados neste item as medições relativas ao crescimento. e mais especificamente ao funcionamento dos sistemas respiratório. Alguns destes aspectos são: a cor da pele. louros e avermelhados. Lissótricos são cabelos lisos. As medidas morfológicas a serem colhidas serão grupadas sob o t í t u l o geral de medidas biométricas somáticas ou morfológicas. ulótricos são cabelos encarapinhados. verde e azul.Assim. Os cimatótricos são os cabelos ondulados. d) Forma dos cabelos — Quanto à forma os cabelos são classificados em lissótricos. pretos. Como a raça determina o t i p o morfológico. c) Cor dos cabelos . transmitidas hereditariamente e que se repetem no grupo de modo a imprimir-lhe um aspecto diferente de outros grupos.

medidas destinadas a apreciar o estado de maturação sexual. Serão abordados aqui apenas as principais medidas e índices. de acordo com o tipo de avaliação que se quer fazer: a) medidas que permitem avaliar as dimensões e proporções externas do corpo e seus segmentos (medidas biométricas somáticas). de acordo com a finalidade a atingir. em: a. Vamos estudar pois quais são as medidas que podem ser obtidas. b) medidas que visam avaliar o estado funcional de alguns sistemas orgânicos (medidas biométricas funcionais). As medidas biométricas somáticas podem ser subdivididas. As medidas biométricas podem ser classificadas em dois grandes grupos. Estas medidas caracterizam-se por serem de fácil execução e por não necessitarem a participação ativa do examinando. índices são relações numéricas centesimais entre as medidas. TÉCNICA GERAL DAS MEDIDAS A escolha das medidas a serem utilizadas depende dos objetivos que se tem em vista. b. . Olivier (1960) considerou 34 medidas e 40 índices. que. Pode-se ainda complementar as medidas através dos denominados índices. de acordo com a finalidade a atingir. Medidas biométricas somáticas São medidas que permitem avaliar as dimensões e proporções externas do corpo.CAPITULO III SELEÇÃO DAS MEDIDAS. como vimos. elaborar um programa de trabalho de acordo com os resultados e acompanhar a evolução do trabalho. CLASSIFICAÇÃO DAS MEDIDAS BIOMÉTRICAS Várias medidas podem ser obtidas durante o trabalho biométrico. detectar deficiências. medidas que visam avaliar as proporções do corpo. podem ser resumidos nos seguintes: determinar a situação física atual. medidas que permitem avaliar o estado de nutrição. e c.

envergadura. São: altura. Medidas que permitem avaliar o estado de nutrição: São as seguintes: peso. perímetro torácico. comprimento do tronco e perímetro cefálico. comprimento dos membros. espessura da dobra cutânea. como a força muscular e a capacidade cardio-circulatória. bi-crista ilíaca e bi-troncantérico e o grau de desenvolvimento dos genitais. As medidas funcionais exigem instrumentos especiais e são de mais d i f í c i l execução.Medidas que visam avaliar as dimensões e proporções externas do corpo e seus segmentos. Medidas biométricas funcionais Estas medidas são as que permitem avaliar funções orgânicas específicas. altura tronco-cefálica. Altura Altura tronco-cefálica Medidas que visam Medidas biométricas somáticas Medidas que permitem avaliar o estado de nutrição Medidas destinadas a apreciar a maturação sexual avaliar as proporções do corpo Envergadura Comprimento dos membros Comprimento do tronco Perímetro cefálico Peso Espessura da dobra cutânea Perímetro torácico Perímetros dos membros Diâmetro do tórax Diâmetro bi-acromial Diâmetro bi-crista ilíaca Diâmetro bi-umeral Diâmetro bi-tocantérico Desenvolvimento dos genitais Medidas biométricas funcionais Capacidade vital Capacidade cárdio-circulatória Força muscular . Resumo das medidas biométricas mais importantes em Educação Física. bi-umeral. Medidas destinadas a apreciar a maturação sexual São: diâmetros bi-acromial. perímetro dos membros e diâmetro do tórax.

compasso de toque ou de pontas rombas e a fita métrica. Antes de iniciar as medidas. Os instrumentos não devem pressionar a pele mas apenas tocá-la. 3. Consta de uma haste de metal graduada de zero a 2000 milímetros. 0 indivíduo deve estar o mais despido possível durante a realização das medidas. . Antropômetro de Rudolf Martin É utilizado para tomar medidas no sentido vertical (Fig. onde se coloca uma régua terminada em ponta e disposta perpendicularmente à haste graduada. As medidas devem ser tomadas em locais bem iluminados. c. de mesmo sexo e idade.1). reunir os indivíduos em grupos homogéneos. compasso de corrediça. e. Principais instrumentos de medida usados na obtenção das medidas biométricas somáticas Os principais instrumentos utilizados na realização destas mensurações são os seguintes: antropômetro de Rudolf M a r t i n . b.TÉCNICA GERAL DAS M E D I D A S BIOMÉTRICAS Cuidados que se deve tomar ao colher as medidas biométricas Para se evitar ao máximo a influência dos fatores de erro ao se obter as medidas biométricas. deve-se atender a uma série de requisitos dentre os quais destacam-se os seguintes: a. Instrumentos aferidos e calibrados. compasso de barras. d. sobre a qual desliza um cursor.

.Compasso de barras Destina-se á tomada de medidas tais como: diâmetros transversos. apresenta ainda uma outra régua. fixa. 3. do tronco e comprimentos dos membros. 3. Consta também de uma haste metálica graduada. na extremidade da haste graduada (Fig. Compasso de corrediça É utilizado para tomar medidas pequenas como as da face. Consta de uma régua de 25 centímetros. com uma haste fixa na extremidade zero da escala e um cursor que pode deslizar ao longo da régua (Fig.3).2). de zero a 950 milímetros e um cursor com uma régua que pode se deslocar.

Consta de duas hastes metálicas que se articularm em uma das extremidades. A maior distância que se pode medir é de 30 cm (Fig.3 — Compasso de Corrediça Compasso de toque ou de pontas rombas Este compasso é utilizado para tomar diâmetros do tronco e medidas da cabeça. além de instrumentos adequados Além de instrumentos adequados é necessário ainda conhecer certos pontos de reparo existentes no corpo e que servem como pontos de referência para se obter as medidas. de cada uma das medidas biométricas. Outros instrumentos serão descritos nos itens correpondentes ao estudo que será feito mais adiante. que terminam em pontas rombas. Estes pontos são denominados pontos antropométricos e serão também descritos juntamente com cada uma das medidas biométricas.Figura 3. Uma das hastes tem uma régua graduada a ela fixada e que permite fazer a leitura da medida encontrada. 3.4). graduada. . As hastes são retas nas metades próximas ao ponto onde se articulam e curvas nas metades restantes. Outros elementos necessários para se colher as medidas biométricas. É representada por uma fita de metal ou linho. Fita métrica Destina-se à medida dos perímetros.

4 .Figura 3.Compasso de Pontas Rombas Os principais instrumentos utilizados no trabalho biométrico e algumas medidas que podem ser obtidas com estes instrumentos estão resumidos na tabela seguinte: Instrumento Medidas (altura. altura tronco-cefálica) tronco e comprimento dos membros das da cabeça .

Ao conjunto de alunos chamamos universo e se dividirmos o universo (grupo todo) em subgrupos. por outro lado. geralmente utilizamos um conjunto de elementos e não a população toda. a qual mostra as frequências com que aparecem os vários tipos. Parâmetro — Universo — População — Amostra Parâmetro é um número que caracteriza um conjunto de medidas. poderíamos perguntar: a. Por exemplo: um atleta faz um percurso várias vezes. Como se encontra este grupo em relação a uma determinada medida? Neste caso. a variabilidade dos valores pode ser medida. que são subconjuntos. As respostas a estas e outras questões semelhantes pertencem ao domínio de uma ciência denominada Estatística. Todos os tempos podem ser substituídos por um único que é o tempo médio. Devido às suas relações com a Biometria. Ao realizar um trabalho estatístico. podemos calcular o tempo médio do grupo que também é um parâmetro. cada vez em um tempo diferente. Trabalhando por exemplo com um grupo de alunos. é necessário algum conhecimento desta ciência. podem ser representativas do grupo. veremos que certas medidas. é necessário que eles possam ser medidos. Neste . Se um grupo de alunos faz um percurso. b. A média destes tempos é um parâmetro. A população é pois um grupo de alunos ou objetos que possuem características semelhantes dentro do mesmo universo. Como agrupar de maneira mais homogénea? Veremos que muitos tipos de medidas distribuem-se segundo uma curva denominada curva normal.CAPITULO IV ANÁLISE E INTERPRETAÇÃO DOS DADOS: NOÇÕES DE ESTATÍSTICA INTRODUÇÃO Para estabelecer relações e leis entre os fenómenos. teremos as populações. A Estatística é a ciência que procura tirar conclusões a partir de observações de dados numéricos. Variáveis contínuas e discretas A medida da altura de um grupo de escolares é um t i p o de variável. A própria repetição de experiências só é possível se for controlada através da medição dos dados. Qual a situação de um determinado aluno. através do desvio padrão. dentro do grupo? c. tais como a média. como veremos. Este conjunto é a amostra.

idade.10m e 1. entre 1. t i p o constitucional. Por exemplo. o número de alunos por grupo ná"o pode ter valores parciais: 2. Trata-se de uma variável contínua. Grupamento de dados Ao realizar um trabalho biométrico. divisão segundo o sexo. Suponhamos que determinamos o peso de 5 alunos e que os resultados tenham sido os seguintes: 30. Os alunos podem também ser divididos segundo uma classificação hierárquica. os grupos são separados de acordo com uma certa ordem. utilizando a Estatística. Por exemplo: em pequenos. precisamos frequentemente separar os indivíduos segundo certas características. Escores Frequência 28 29 30 31 32 33 34 35 1 0 2 0 1 0 0 1 Observando a tabela 4. a distribuição de frequências dos dados.1 . a divisão deve obedecer a um único critério. por exemplo. Neste caso. 32.Distribuição de frequência de 5 observações (escores). Uma melhor maneira é ordená-los em sequência ascendente ou descendente e verificar se há valores que se repetem e quantas vezes se repetem. que consiste em colocá-los em uma coluna ordenada e com as frequências com que cada valor ocorre.3 por grupo. Construímos assim.12m podemos ter um valor de 1.1 conclui-se imediatamente que os pesos máximo e . APRESENTAÇÃO DOS DADOS Os dados obtidos em um experimento podem ser apenas enumerados sem preocupação de ordem. etc. as medidas podem ter qualquer valor e sempre pode haver uma medida que se interponha entre duas outras. por exemplo. 35. Tabela 4. Assim.caso. Estes valores assim apresentados são difíceis de serem interpretados. 28 e 30.11m. médios e grandes.5 por grupo ou 1. A variável é discreta quando os valores se comportam de modo que se sucedem em saltos. Neste caso. Podemos por exemplo separar os alunos por categorias.

2 — Distribuição de frequências de dados agrupados Classes 28 a 30 31 a 33 34 a 36 Frequência 3 1 1 REPRESENTAÇÃO GRÁFICA DOS RESULTADOS Às vezes é mais interessante apresentar os resultados obtidos.33 Como o número obtido é fracionário. representando geralmente pela letra X). seja ao longo da abcissa. com as frequências com que cada medida aparece.2). A partir deste. No caso de peso.mínimo obtidos são respectivamente 35 e 28.28 = 7 Como se decidiu por três classes. o professor podem querer agrupar os 5 alunos em 3 classes: peso alto. os valores aumentam à medida que dele se afastam. um vertical (eixo das ordenadas. a partir das abcissas. . As classes são colocadas ao longo da abcissa e na ordenada situam-se as frequências com que aparecem os valores. por exemplo. o eixo das ordenadas. Os dados obtidos podem ainda ser agrupados em classes. por meio de um gráfico. Um dos tipos mais comuns de gráficos é o histograma. seja ao longo da ordenada. representado geralmente pela letra Y) e um horizontal (eixo das abcissas. o intervalo de classe (I) será: I (intervalo) = 7/3 = 2. médio e baixo. No eixo das abcissas coloca-se os valores da variável independente. sendo sua frequência zero. O ponto onde ocorre a intersecção dos dois eixos é o ponto zero. ou seja a variável dividida em classes de invidivíduos ou objetos. o peso mais frequente foi 30 (2 vezes) e que houve valores de peso que não aparecerem. As frequências de cada classe serão representadas por uma barra. O gráfico é construído utilizando-se dois eixos perpendiculares entre si. Então os valores serão agrupados em intervalos de amplitude igual a 2 (tabela 4. representa a variável dependente. com linhas laterais levantadas a partir dos limites de cada classe. Tabela 4. o intervalo passa a ser o número inteiro mais próximo (no caso =2). A diferença entre os valores máximo e mínimo nos dá a amplitude de distribuição (A): A = 35 .

ao passo que em I.Um histograma construído a partir da tabela 4. em II. seria a figura 4.2 .1. eles estão concentrados em torno de 5.2 é o gráfico representativo de duas distribuições de frequências. Diferem quanto à posição. Figura 4.2. vê-se logo que as duas distribuições diferem quanto â posição (tendência central) mas são semelhantes na forma (variabilidade).Gráfico de duas distribuições de frequências . os valores concentram-se em torno de 11.1 — Histograma da distribuição de frequência do peso de 5 alunos. pois a méida dos valores da distribuição II é maior que a média da distribuição I ou seja. Examinando os gráficos. DISTRIBUIÇÃO DE FREQUÊNCIAS A figura 4. Figura 4.

Podemos ter o caso inverso ou seja, distribuições de frequências com a mesma tendência central, mas diferentes na forma (na variabilidade). A figura 4.3 é o gráfico destas distribuições.

Figura 4.3 - Distribuição de frequências com mesma tendência central

Quando a distribuição de frequência tem um ponto de frequência mais elevada, é denominada de unimodal. Se houver dois destes pontos, ela será bimodal. A figura 4.4 é um gráfico representativo deste tipo de distribuição.

Figura 4.5 - Distribuição bimodal

Curva normal As curvas das distribuições de frequências podem ter as mais variadas formas. Existe entretanto um t i p o de curva que por sua importância deve ser estudada com maior destaque: ela tem a forma de um sino, é simétrica e contínua (figura 4.5). É a chamada curva normal ou curva de Gauss que representa a distribuição normal. Em Biologia, muitas variáveis contínuas apresentam esse t i p o de distribuição. A altura é um tipo de variável com distribuição normal. No eixo das abcissas (X) a variável pode ir de menos infinito a mais infinit o : a curva nunca chega a tocar na base. Importância da curva normal em Biometria Em Biometria, a importância da curva normal é grande pois todas as vezes que se fala em classificar alguma coisa, uma das primeiras preocupações é se localizar o " n o r m a l " , para depois posicionar aquilo que dele se distancia. Normal foi colocado entre aspas por ter um sentido preciso em Biometria, que é o relacionado com o mais comum enquanto as formas que dele se distanciam são expressões menos comuns, ou melhor que mantém relações, em suas medidas, com diferenças mais acentuadas. Trabalhando com as diferenças individuais observamos que estas obedecem ao tipo de distribuição em que a maior parte dos indivíduos mantém as medidas próximas de uma média e que a partir deste ponto há uma distribuição decrescente para ambos os lados, que graficamente, obedece à distribuição semelhante á de Gauss (curva normal).

Figura 4.5 - Curva normal

MEDIDAS DE TENDÊNCIA CENTRAL
As medidas de tendência central mais utilizadas em Estatística são a moda, a mediana e a média aritmética. Moda (M) É o valor que aparece com maior frequência, em uma série de medidas. Exemplo: na série seguinte de valores, a moda é o valor 8 pois é o que mais vezes aparece. 6 - 8 - 8 - 1 6 - 8 - 1 0 - 8 - 6 - 1 0 - 8 - 1 8 - 8 - 6 - 1 2 Neste caso, a série é unimodal porque tem uma única moda. Mas ela pode ser bimodal, multimodal ou ainda amodal, quando não possui moda. Exemplos: Série bimodal (possui 2 modas):

6-10-10-10-10-18-20-20-20-20-15
As modas são: 10 e 20. Série multimodal (possui várias modas): 4 - 6 - 5 - 8 - 6 - 5 - 8 - 5 - 6 - 8 - 3 - 9 As modas são: 5, 6 e 8. Série amodal (não há moda, pois todos os valores aparecem com igual frequência): 6-10- 16-8-4-2ou: 4_4_5_5_2_2_7_7_3_3. As curvas representativas das distribuições de frequências das séries estão na figura 4.6. Mediana (Me) Em uma série de rnedidas, colocadas em ordem crescentes a mediana é o valor precedido e seguido pelo mesmo número de valores. Exemplos: Séries a-2-3-5-7-18 b-1-5-8-15-21 c-1 - 3 - 5 - 5 - 2 0 - 2 4 Mediana 5 6,5 5

Quando o número de valores é impar, o cálculo da mediana pode ser feito usando a fórmula: N + 1 (N =número de valores). 2

sendo P1.Figura 4.6 — Vários tipos de distribuição de frequências Assim. na série a: A mediana é o 39 valor (5). (N =número Quando o número de valores é par usa-se a fórmula o número que ocupa a posição obtida por: .

5) é um número que não consta dos valores obtidos na série. Em uma série de medidas da altura dos alunos. é também um valor que nem sempre consta da série de medidas. passamos a considerar cada aluno como se tivesse aquela medida (média). ou seja entre os 50% mais altos ou entre os 50% mais baixos. Assim. fazendo uma série de medidas da altura em grupo de crianças. No caso da série b. Assim na série b: 3 + 1 =4 (4ª posição). A mediana. ou seja. tal como a mediana. no conjunto de medidas: Na realidade. O significado da mediana é que ela é um valor que divide o conjunto em dois grupos: um acima e outro abaixo daquele valor. É um valor que existe realmente na série e por sinal é o que mais aparece. (3ª posição). por sua vez. se a mediana for. observa-se que a mediana (6. simplesmente.40 m significa que existe metade das crianças com altura acima e metade com altura abaixo deste valor.de casos). Portanto. Quando as três medidas forem próximas ou semelhantes. mediana e média) não são exclusivas mas se complementam. Se. A muda nos informa qual é a altura mais frequente no grupo. Consiste na soma dos valores dividido pelo número de valores.5) Na série a„ temos o mesmo número de casos. A medida. Mas por convenção. . a média. Por exemplo. por exemplo. facilita localizar um determinado aluno no grupo: sua altura estará acima ou abaixo daquele valor e portanto ele estará em um ou outro grupo. Média aritmética ( X ) É também chamada de média. em uma série de medidas da altura. os valores estão "esparramados". A média " e q u i l i b r a " uma série de medidas. Portanto: (Mediana = 5). (Mediana =6. as três medidas que estudamos (moda. é que houve menor variação. por exemplo 1. significa que houve muitas alturas diferentes na série. esta é a mediana. a mediana e a moda forem muito diferentes entre si.

7 temos as curvas representativas de três tipos de distribuição de frequências. onde se indicam as posições das três medidas que estudamos (média. . média e mediana). mais altos. ao passo que o outro grupo pode ter alguns indivíduos muito baixos e a maioria. uma simétrica e duas assimétricas.7 . esta medida nada informa quanto à homogeneidade dos dois grupos: um pode ter indivíduos todos mais ou menos da mesma altura. É necessário pois introduzir medidas de dispersão que informem o grau de variabilidade dos valores em cada grupo. Já estudamos uma característica desses tipos de distribuição de frequência. dois grupos de alunos podem ter a mesma média de altura. mediana ou a mesma moda mas as medidas dos valores variam de modo diferente. mas os valores individuais em cada grupo podem ser muito diferentes. Embora tenham a mesma média.Na figura 4. que são as medidas de tendência central (moda. Figura 4. Uma das medidas de dispersão ou variabilidade mais utilizada na prática é o desvio padrão. mediana).Distribuições de frequências: simétrica e duas assimétricas M E D I D A S DE DISPERSÃO Geralmente os conjuntos de medidas apresentam certa dispersão ou variabilidade. Por exemplo. Duas distribuições podem ter a mesma média. moda.

em Kg.5 -9. maior será a variabilidade dos valores.Desvio padrão O seguinte problema permitirá introduzir o conceito de desvio padrão.5 -4. A fórmula para se calcular o desvio padrão é pois: . Os valores que se afastam desta média são chamados desvios.5 0. determinando o peso de. no caso) nos dá o desvio padrão (s). são os seguintes: 70 80 60 50 70 60 65 80 75 85 A média aritmética desses 10 dados é 69. Os pesos. o número de observações (10.5 kg e que o desvio padrão dos valores observados é 10.5 - 9. por exemplo.9 kg. Começamos. Quanto maior for o desvio padrão. Suponhamos que queiramos determinar o peso médio dos indivíduos perten_ centes. a uma determinada comunidade.5 Os desvios são calculados diminuindo-se da média. Assim: Portanto.5 19. A raiz quadrada da soma dos desvios ao quadrado. cada valor observado. Os desvios em relação a esta média são: 0.5 kg. O desvio padrão indica pois o grau de variação dos valores da amostra. 10 indivíduos tomados ao acaso.5 5.5 15. podemos dizer que a estimativa do peso médio do grupo é 69.5 10. dividido por N — 1. sendo N.5 10.

sendo X, cada valor observado; X, a média dos valores e N, o número de valores. Em Biotipologia, porém, o desvio padrão é calculado a partir da moda e não da média aritmética. Este assunto será abordado mais adiante. Aplicação da curva normal As medidas corporais utilizadas em Educação Física geralmente tem uma distribuição que segue a curva normal. Através de ca'lculos matemáticos pode-se obter as áreas que estão sob a curva quando ela é dividida em segmentos, através de linhas verticais (f ig. 4.8). A linha do meio representa a média. As outras três linhas de cada lado relacionam-se a unidades de desvio padrão. O lado direito a partir da média é positivo ou seja indica os escores mais altos da distribuição. 0 lado esquerdo é negativo: aqui estão os valores mais baixos da distribuição. A curva normal é dividida em seis desvios-padrão sendo três de cada lado da média. Assim, na curva normal, um desvio padrão acima da média contém cerca de 34,00 por cento dos escores; isto significa que a área situada entre um desvio padrão de cada lado, em torno da média, vale aproximadamente 68 por cento. A área compreendida entre 1 e 2 desvios-padrão vale aproximadamente 14 por cento. Estes conhecimentos são importantes para determinar, por exemplo, o número de alunos que obtiveram um determinado escore, em uma distribuição normal. Suponhamos que 200 alunos foram submetidos a um determinado tipo de exercício e tenham obtido escores com distribuição normal, sendo a média 100 e o desvio-padrão igual a 20.

Figura 4.8 - Área sob a curva normal

Como a média é 100, sabe-se que 100 alunos obtiveram 100 ou mais e 100 alunos obtiveram 100 ou menos. Quantos alunos tiveram um escore de 140? Sendo o desvio-padrâb igual a 20, o valor 140 encontra-se 2 desvios-padrão acima da média. A área compreendida entre 2 desvios padrão acima e abaixo da média corresponde a 95% e então sobram 5% dos casos, sendo 2,5% acima e 2,5% abaixo de dois desvios-padrão. Em outras palavras, apenas 2,5% dos alunos obtiveram escores superiores a 140 na prova realizada (fig. 4.9).

Figura 4.9 - Área sob a curva normal

CORRELAÇÃO
Às vezes em Educação Física é importante saber como varia uma determinada medida ou fenómeno em relação a outra, isto é, se existe ou não correlação entre essas duas variáveis, e se existe, saber se essa correlação é positiva ou negativa. Será positiva quando aumentando uma variável, a outra também aumenta, ou diminuindo uma, a outra também diminui. A correlação é negativa quando ao aumentar uma variável, a outra diminui ou vice-versa. Existe, por exemplo, correlação entre o Q.l. dos alunos e as notas obtidas, ou seja, quanto mais elevado o Q.l. mais altas são as notas obtidas pelos alunos. Mas não existe correlação, por exemplo, entre a altura e as notas obtidas nas provas. Através de fórmulas específicas, pode-se determinar a correlação entre duas variáveis, calculando o chamado coeficiente de correlação. Este assunto não será porém aqui abordado. Mais pormenores podem ser obtidos em tratados de Estatística.

TESTES DE S I G N I F I C Â N C I A Suponhamos uma situação em que submetemos dois grupos diferentes de alunos a um mesmo trabalho físico e gostaríamos de compará-los, para saber em qual grupo, o aproveitamento f o i melhor. Depois de obtidos os valores, as médias de cada grupo deveriam ser comparadas, uma com a outra. Se houvesse uma diferença entre estas medias, que medem o desempenho de cada grupo, esta diferença teria de ser testada para verificar se ela é verdadeira ou se houve qualquer tipo de interferência que determinou a diferença. Existem vários tipos de testes estatísticos que permitem determinar se essa diferença entre médias é real ou não. Um dos testes mais fáceis e mais utilizados na prática é o chamado teste " t " . Utilizando os valores das médias e desvios-padrão, calcula-se o valor de " t " , através de fórmulas próprias, o qual é depois comparado com valores constantes de tabelas e que nos dão o resultado ou seja, se as médias dos dois grupos diferem realmente ou não. Este assunto poderá ser melhor compreendido, consultando-se livros de Estatística.

nem externamente. os antímeros direito e esquerdo. separados pelo plano sagital mediano (Fig. Exemplos destas assimetrias serão vistos em seguida. nem internamente. uma simetria aparente mas uma assimetria real. Existe pois externamente.CAPITULO V AVALIAÇÃO DAS DIMENSÕES E PROPORÇÕES EXTERNAS DO CORPO E SEUS SEGMENTOS INTRODUÇÃO O corpo humano como dos vertebrados em geral. 5.1). Figura 5. . apresenta um princípio de construção chamado antimeria: o corpo é constituído por duas metades.1 ~ Plano sagital mediano Os antímeros são simétricos apenas aparentemente. ou seja não existe uma simetria perfeita: os antímeros não são exatamente iguais.

Cerca de um terço dos indivíduos apresentam assimetrias nos membros inferiores. ocorrendo o inverso quando se o examina anteriormente. 5. O pavilhão da orelha é maior e está em nível mais alto do lado esquerdo. perímetro. na maior parte dos indivíduos são assimétricos. Quando o membro superior de um lado é mais desenvolvido.2). o inferior mais desenvolvido será o do lado oposto.Assimetrias externas Os dois lados da face não são simétricos: a linha que une as fendas palpebrais. o membro superior direito é mais desenvolvido que o esquerdo: o comprimento. bem como a linha que une as comissuras dos lábios são oblíquas e não paralelas (Fig. . quando examinado por trás. O antímero direito do tronco é mais desenvolvido que o esquerdo. Nos indivíduos dextros. Os membros superiores. volume e força dos músculos são maiores do lado direito.

3 — Escolioses da coluna vertebral. Geralmente. As curvaturas estão exageradas propositalmente. Além destas assimetrias morfológicas observam-se também assimetrias funcionais: a maioria dos indivíduos usa com maior habilidade o membro superior direito em trabalhos com as mãos. Esquema da coluna em vista posterior. para compensar (Fig.5. .3). a região torácica da coluna apresenta uma curvatura de convexidade também para a direita. quando o membro superior direito é mais desenvolvido que o esquerdo. Figura 5. Existe também maior acuidade no uso da visão e audição de um lado que do outro. Estas curvaturas são conhecidas como escolioses.A coluna vertebral quando examinada de frente mostra curvaturas normais. enquanto que a coluna lombar exibe uma curvatura de convexidade para a esquerda.

um tangente à planta dos pés e outro tangente ao ponto mais alto da cabeça.4). são indicados exercícios especiais para sua correçáb. na "posição fundamental" (Fig. 5. Após esta breve introdução. Fig. Nestes casos. envergadura.4 . estudaremos algumas das principais medidas que avaliam as proporções do corpo. altura tronco-cefálica. estas medidas são denominadas medidas biométricas somáticas. M E D I D A S QUE P E R M I T E M A V A L I A R AS DIMENSÕES E PROPORÇÕES E X T E R N A S DO CORPO H U M A N O Como já vimos. do tronco e dos membros. conferindo aspecto anti-estético ao seu portador. Serão apresentadas na seguinte ordem: altura.A l t u r a . estando o indivíduo em pé.Há casos em que a musculatura de uma parte do corpo apresenta hipotonia ou hipertrofia. medidas da cabeça. ALTURA Conceito de altura Altura ou estatura é a distância em linha reta entre dois planos. 5.

fase da vida.5).5 — Variações da altura durante 24 horas (segundo Backman) . fala-se em distância ou comprimento. o peso do corpo e o achatamento dos discos intervertebrais são os responsáveis por este fenómeno. deve-se usar o termo altura para definir a medida longitudinal.5 cm em média (Fig. Cada um destes aspectos será analisado a seguir. Quando se mede o indivíduo na posição deitada. 5. obtida na posição em pé. e com o passar dos séculos. Esta posição é utilizada para medir crianças até 3 anos.Fatores de variação da altura A altura varia fisiologicamente de acordo com os seguintes fatores: posição do corpo e hora do dia. Em consequência. No decorrer das 24 horas do dia. Figura 5. A ação da gravidade. a altura varia em 2. a) Posição do corpo e hora do dia — A medida da altura na posição em pé pode deferir em até 3 cm da medida na posição deitada.

Na puberdade porém.Durante a vida. afirmam que não tem havido aumento da altura. o neuro-endócrino e as doenças. clima. Outros porém. a média de altura é de 130 a 199 cm. também baseados em dados experimentais. . em altura. na mesma raça. a altura passa por uma fase em que há uma elevação dos valores e que vai do nascimento até os 25 anos aproximadamente. Fase Recém-nascido 12 meses 24 meses 36 meses Masculino 50 cm 75 cm 85 cm 95 cm Feminino 49 cm 74 cm 84 cm 84 cm Após os três anos.b) Variação da altura com a fase do crescimento. em média. Classificação dos indivíduos segundo a altura Existem várias classificações. Na idade adulta. mas uma das mais conhecidas é a que considera os indivíduos como pertencentes a um dos três grupos: Masculino 130-160 cm 161-169 cm 170-199 cm Feminino 121-149 cm 150-158 cm 159-187 cm Pequena altura Média altura Grande altura Fatores que determinam a altura Entre os fatores internos. os fatores externos mais importantes são: nutrição. os valores se mantém até os 50 anos. a altura média do ser humano tem aumentado ao longo dos séculos. d) Variação da altura com a passar dos séculos — Segundo alguns autores. segundo o sexo e a idade O quadro seguinte mostra a variação da altura nos primeiros anos de vida. as meninas crescem mais que os meninos e na idade adulta estes recuperam e ultrapassam aquelas. destacam-se o genético. a criança cresce em média 6 cm por ano. quando começam a diminuir devido a procesos que afetam os discos intervertebrais. A mulher tem geralmente 10 cm. condições sócio-econômicas e temperatura. A seguir. c) Variação da altura com a fase da vida . de mesma idade. Observa-se que os meninos crescem sempre mais que as meninas. menos que o homem.

natação. ALTURA TRONCO-CEFÁLICA Conceito É a distância entre um plano tangente ao ponto mais alto da cabeça e um plano que passa pelos ísquios. luta livre e arremesso de peso. a altura aumenta antes da puberdade. devido ao crescimento maior da altura tronco-cefálica. esportes como corrida de velocidade e boxe são apropriados para indivíduos de altura média. devido principalmente ao crescimento dos membros inferiores e durante e depois dessa fase. . tal como a altura e devido aos mesmos motivos. em crianças brasileiras de 0 a 12 anos (Tabela 1). além de ser importante para estudos biotipológicose raciais. são indicados para indivíduos de pequena altura. estando o indivíduo sentado. estas diferenças são pequenas.4).Importância da medida da altura O estudo da altura é muito importante porque esta medida se relaciona com quase todas as medidas somáticas. Instrumento utilizado para medir a altura O instrumento que se utiliza para medir a altura é o antropômetro. Atletas de grande altura são mais indicados para esportes como corrida de meio fundo. Fatores de variação da altura tronco-cefálica Esta medida varia com a posição do corpo e hora do dia. 5. maior nos amarelos que nos brancos e maior nestes que nos pretos. Segundo Godin. A técnica de medida da altura é simples: a haste vertical do instrumento é colocada junto ao dorso do aluno enquanto a haste horizontal toca a cabeça. por exemplo. (1970) estudaram a evolução da altura tronco-cefálica em relação à altura. enquanto corridas de fundo. A cabeça fica em posição tal que o aluno olha para frente (Fig. Entretanto. Marcondes e cols. Os calcanhares devem estar unidos. salto em altura e á distância e ciclismo. A altura tronco-cefálica é maior no sexo feminino que no masculino.

70 135.Meninos Idade Altura Altura troncocefálica 34.02 72.20 46.62 Meninas Altura Altura troncocefálica 33.35 131.50 68.01 69.15 51.87 65.22 61.26 53.54 55.06 64. em relação à altura (Marcondes e cols.23 66.24 71.26 56.15 73.33 60.01 57.74 53.07 49.82 137.55 127.14 61. o desenvolvimento dos membros inferiores.19 139.03 45.26 79.86 53.93 59.45 70.16 62.43 70.10 69.27 57.95 55.56 54.52 122.18 39.59 73.80 54.24 67.06 57.54 53.77 118.96 73.15 71.22 117.07 52.33 53.60 Porcentagem da altura 68.11 91.22 55.37 132.13 106. O índice córmico (termo criado por Vallois) se o b t é m relacionando a altura tronco-cefálica e a altura (fórmula criada por Giuffrida-Ruggieri): .58 100. indiretamente.57 62.06 Tabela 1 — Evolução da altura tronco-cefálica.91 63.03 65.91 52.14 105.95 112.45 80.88 44.61 38.01 59.66 85.37 84.22 65.38 64.15 59.33 63.04 54.68 59.75 61.59 138.27 63.25 56. 1970) Utilidade da medida da altura tronco-cefálica Esta medida permite calcular os denominados indice esquélico de Monouvrier e indice córmico.35 64.94 99.40 112.26 49.47 52.14 93.81 49.08 43.86 128.17 122. o primeiro é dado pela relação centesimal entre o comprimento dos membros inferiores e a altura tronco-cefálica: Indice esquélico de Monouvrier Este índice permite apreciar.96 O anos 3 meses 6 meses 9 meses 12 meses 18 meses 2 anos 3 anos 4 anos 5 anos 6 anos 7 anos 8 anos 9 anos 10 anos 11 anos 12 anos 50.06 66.81 51.42 56.75 55..04 54.94 74.36 41.60 47.92 60.77 64.98 64.13 Porcentagem da altura 68.10 60.

Em seleçãb desportiva. estando o indivíduo sentado (Fig. 5. com os membros superiores estendidos horizontalmente.6). Figura 5. Ele é um pouco mais elevado no sexo feminino que no masculino. 5.Altura tronco-cefálica ENVERGADURA Conceito de envergadura É a distância em projeção entre as extremidades dos dedos médios. ao passo que os macrocórmicos possuem mais resistência e mais força. . pode-se classificar os indivíduos e m : Braquicórmicos Metriocórmicos Macrocórmicos menos que 51 (tronco pouco desenvolvido) 51 a 53 (tronco médio) mais que 53 (tronco muito desenvolvido) 0 índice córmico permite avaliar o desenvolvimento do tronco.De acordo com este índice.6 . utiliza-se o antropômetro. ao lado do corpo (Fig.7). os braquicórmicos são mais indicados para esportes de velocidade (corridas e saltos). estando o indivíduo em pé. Instrumento utilizado para se medir a altura tronco-cefálica Para se medir a altura tronco-cefálica.

Importância da medida da envergadura Em seleçâb desportiva. para medir a envergadura. . A pessoa fica em pé. a envergadura ultrapassa a altura em 5 a 10 cm.Figura 5. os atletas que possuem grande envergadura têm melhor desempenho em esportes como:ténis. a diferença vai diminuindo. arremesso e box. da cabeça. o sexo e a raça A altura é maior que a envergadura desde o nascimento até os 10 anos. ao lado do corpo. encostada na prancha e com os membros superiores estendidos horizontalmente. do toráx. Técnica de medida da envergadura Utilíza-se. pelve e dos membros. passaremos a seguir a analisar alguns pontos importantes sobre medidas dos segmentos corporais. abdome. Na raça negra a envergadura é maior que na amarela. um quadro mural ou prancha. remo. altura-tronco-cefálica e envergadura. Tendo estudado os principais aspectos sobre as medidas biométricas: altura. Daí até a fase adulta. no homem e 5 cm na mulher. ou seja. até que no adulto.7 — Envergadura Variação da envergadura com a idade. graduada horizontalmente.

antes de iniciarmos o estudo destas medidas e índices. ou seja.8 — Pontos cefalométricos . como se segue: Principais medidas da cabeça índices da cabeça Entretanto. Figura 5.MEDIDAS DA CABEÇA principais medidas e índices da cabeça Podemos resumir as principais medidas e índices da cabeça. pontos que servem de reparo para se obter as medidas deste segmento. temos que definir alguns pontos antropométricos da cabeça.

o gnácio e o opistocrânio são ímpares e o êurio e o zígio são pontos pares. que já foram citadas. násio. é necessário conhecer antes alguns pontos antropométricos desse segmento. gnácio.9 . Várias medidas podem ser feitas nestas duas partes. — É o ponto mais saliente na parte posterior da cabeça. Tendo compreendido os principais pontos cefalométricos. 5. Os principais são: glabela. Entretanto. — É o ponto mais saliente do bordo inferior da mandíbula. que neste caso são denominados pontos cefalométricos. estudaremos apenas as mais importantes. o násio. êurio e zígio (Figs. — Corresponde ao ponto mais saliente do arco zigomático. Opistocrânio A glabela.Pontos cefalométricos Principais pontos antropométricos da cabeça Para estudar as medidas da cabeça. — É o ponto mais saliente na parte lateral da cabeça. podemos estudar algumas medidas da cabeça.Figura 5.8 e 5. opistocrânio. Definição destes pontos cefalométricos Glabela — Násio Gnácio Êurio Zígio É o ponto situado entre as sobrancelhas. — Situa-se na parte central da sutura entre os ossos frontal e nasais. . A cabeça é dividida em crânio e face.9).

5.10).10 — Comprimento da cabeça Largura da cabeça É a distância entre o êurio de um lado e o outro do lado oposto. . Corresponde ao diâmetro ântero-posterior da cabeça (Fig. 5.11). Corresponde ao diâmetro transverso da cabeça (Fig. Figura 5. à distância entre o zfgio de cada lado. Largura da face Corresponde ao diâmetro bi-zigomático. ou seja.Comprimento da cabeça É a distância entre a glabela e o opistocrânio. Altura da face É a distância que vai do násio ao gnácio.

11 — Largura da cabeça Principais índices da cabeça Os índices da cabeça são: o cefálico e o facial. . índice cefálico A relação entre os diâmetros da cabeça constitui o índice cefálico: Classificação dos indivíduos de acordo com o índice cefálico De acordo com este índice.Figura 5. Braquicéfalos (de cabeças arredondadas): índice maior que 81.0.0.0 a 80. Mesocéfalos (de cabeças intermediárias): índice de 76. podemos classificar os indivíduos em: Dolicocéfalos (de cabeças estreitas ou longas): índice cefálico menor que 76.9.

com relação aos grupos raciais. pode haver o chamado prognatismo.93 48.índice facial A relação entre as medidas da face fornece o índice facial: Instrumento utilizado para se obter as medidas da cabeça até agora estudadas As medidas da cabeça até agora estudadas (comprimento e largura da cabeça e altura e largura da face) são obtidas utilizando os compassos de pontas rombas ou de corrediça. . respectivamente. Perímetro cefálico É a medida da circunferência da cabeça utilizando o plano que passa pela glabela e pelo opistocrânio. uma microcefalia.80 Idade Recém nascido 1 ano 47.0 45.): Masculino 35. O prognatismo parcial superior e o inferior ocorrem quando somente a maxila ou somente a mandíbula. 35 c m . foram obtidos os seguintes valores (cm) para o perímetro cefálico (Marcondes e cols. aos 12 meses. Em crianças brasileiras. Ele pode ser t o t a l . Quando o valor do perímetro cefálico é muito elevado. Em relação à face.84 Feminino 34. aos 24 meses. 49 cm e aos 36 meses. Importância das medidas da cabeça Os diâmetros e índices da cabeça são mais usados em estudos de antropologia racial. há uma macrocefalia e se é muito baixo. estudos ligados ao desenvolvimento do homem desde seu aparecimento. ou seja. mede 50 c m . o perímetro cefálico mede. O perímetro cefálico é importante até os três anos de idade. Ao nascer. em média. quando tanto a maxila como a mandíbula se projetam para frente. 47 c m .87 2 anos 3 anos Instrumento utilizado para se medir os perímetros Os perímetros são medidos com a fita métrica.26 44. pois permite avaliar o desenvolvimento do volume da cabeça e detectar possíveis anomalias. se projeta para frente.98 47.9 46. que é a projeção da face para frente.

ílio-espinhal anterior e troncanterion (pares). Além disso. abdome e pelve. ílio-cristal. em órgãos contidos em suas cavidades ou na coluna vertebral. no exame do tronco observamos o seu desenvolvimento e suas simetrias. xifoideano. diâmetros e perímetros. Um tronco bem desenvolvido já indica um bom desenvolvimento orgânico. As doenças que afetam os segmentos do tronco podem se assentar em sua parede. Assim sendo. . utilizados para se obter as medidas. mamilar. Principais pontos antropométricos do tronco Os principais pontos antropométricos do tronco são (Figs.13 e 5. ou seja. acromial.14): jugular. 5. O estudo do tronco é muito importante pois seu exame nos informa sobre vários aspectos em relação ao indivíduo.: 5. Quando há doenças em órgãos contidos no tórax ou abdome pode haver deformidades correspondentes. através do estudo de seus comprimentos.12. Principais medidas do tronco As principais medidas e índices do tronco estão resumidos na chave seguinte: Altura anterior do tronco Diâmetro bi-acromial Diâmetro transverso do tórax Diâmetro sagital do tórax índice torácico de Godin Diâmetro bi-crista ilíaca Diâmetro bi-trocantérico Perímetro torácico Coeficiente torácico Perímetro do abdome Altura do tórax Altura total do abdome Principais medidas e índices do tronco Antes de iniciarmos o estudo destas medidas. temos que conhecer os principais pontos antropométricos do tronco. umbilical e pubiano (ímpares).MEDIDAS DO TRONCO Introdução Neste estudo são consideradas as medidas do toráx. o tronco é uma parte do corpo que nos permite acompanhar os progressos obtidos com um esquema de treinamento físico. pontos de reparo.

Figura 5.Pontos antropométricos do tronco Figura 5.13 — Pontos antropométricos do tronco .12 .

— acromial: ponto mais saliente lateralmente.Figura 5. no ponto onde o trocanter maior do fémur mais se afasta . — trocanterion: lateralmente. — ílio-cristal: no local onde a crista ilíaca mais se projeta lateralmente. Altura anterior do tronco É a distância em projecão (em linha reta) entre o bordo superior do esterno (ponto jugular) e o bordo superior da sínfise púbica (ponto pubiano). — ílio espinhal: no local onde a espinha ilíaca ântero-superior mais se projeta anteriormente.Pontos a n t r o p o m e t r i a » do tronco Localização dos pontos antropométricos do tronco Os pontos antropométricos do tronco estão situados: — jugular: no centro da incisura jugular do esterno. — umbilical: no centro da cicatriz umbilical. Pode ser decomposta em altura anterior do tórax e altura total do abdome.14 . — mamilar: no centro do mamilo. Mede-se com o antropômetro estando o indivíduo em pé. — pubiano: no centro da parte superior da sínfise púbica. — xifoideano: no centro da base do processo xifóide do esterno. do acrômio da escápula.

Segundo os estudos de Viola.16). Tanto a altura do tórax como a do abdome.15 — Altura do tórax Altura total do abdome É a distância que vai do ponto xifoideano à sínfise púbica (ponto pubiano). 5. Estas medidas quando realizadas na posição deitada sao chamadas comprimentos ou distâncias. esta medida permite apreciar o desenvolvimento do tórax em relação ao abdome. 5. Figura 5.15). . mede-se com o antropômetro ou compasso de barras e na posição ereta (Fig.Altura anterior do tórax e sua importância É a distância em linha reta entre a borda superior do esterno (ponto jugular) e a borda superior do apêndice xifóide (ponto xifoideano) (Fig.

17 — Diâmetro bi-acromial .16 — Altura do abdome Diâmetro bi-acromial e seus valores médios É a distância entre os bordos laterais dos acrômios das escápulas. 5. Figura 5.Figura 5.13 e 5.17). ou pontos acromiais (Figs. Seus valores médios sâo: 37 a 44 cm no homem e 34 a 38 cm na mulher.

na fase intermediária entre a inspiração e a expiração (Figs. que permite apreciar a forma do tórax: índice torácico de Godin Figura 5.Diâmetros transverso e sagital do tórax e seus valores médios Para a maioria dos autores.18 e 5.18 . O valor médio do diâmetro transverso no homem é 30 cm e do sagital é 20 cm. 5. estes diâmetros devem ser medidos entre dois pontos situados em um plano transversal ao eixo do tórax. Na mulher. passando pela base do apêndice xifóide. eles valem cerca de 2 cm menos.19).Diâmetro transverso do tórax . índice torácico de Godin — A relação entre os diâmetros torácicos fornece o índice torácico de Godin. Diferenças entre estes diâmetros menores que 5 cm ou maiores que 12 cm. traduzem tórax cilíndrico ou deformado.

21). . 28 cm no homem e 27 cm na mulher. em média. em média. Vale 32 cm.Figura 5. no homem. 5. a partir da puberdade ocorre um aumento progressivamente maior dos diâmetros da pelve em relação ao bi-acromial.Diâmetro sagital do tórax Diâmetro bi-crista ilíaca e seus valores médios É a distância em linha reta entre os pontos mais laterais das cristas ilíacas (ponto ilío-cristal) (Fig.20). Vale. Relação entre os diâmetros bi-trocantérico e bi-crista ilíaca Os diâmetros bi-trocantérico e bi-crista ilíaca estão intimamente ligados. em média. O bi-trocantérico vale.19 . enquanto na mulher.5 cm mais que o bi-crista ilíaca. Os estudos de Vague (1953) mostram que. Diâmetro bi-troncantérico e seu valor médio É a distância máxima. 3. em linha reta. 5. entre os pontos mais laterais dos trocanteres maiores dos fémures (trochanterion) (Fig. o diâmetro bi-acromial e os da pelve (bi-crista ilíaca e bi-trocantérico) desenvolvem-se proporcionalmente.

93 ± 5 e 78 ± 5. .20 — Diâmetro bi-crista Figura 5. a seguinte fórmula: 3 x diâmetro bi-acromial — diâmetro bi-crista Os valores médios para os sexos masculinos e feminino são. no homem) e o perímetro xifoideano (ao nível da articulação xifo-esternal). Tanner (1951) propõe. de modo geral.21 — Diâmetro bi-trocantérico A relação entre estes diâmetros permitiria avaliar o grau de feminilidade e masculinidade do indivíduo. respectivamente.22).Figura 5. Os mais utilizados sâo o perímetro mamilar (ao nível dos mamilos. para esse fim. são importantes para avaliar o desenvolvimento horizontal do corpo no sentido transversal ou ântero-posterior e sâo obtidos com os compassos de toque ou de pontas rombas. Perímetro torácico É a medida da circunferência do tórax. Este último geralmente é 3 cm menor que o mamilar (Fig. Importância dos diâmetros do tronco e instrumentos utilizados para medi-los Os diâmetros. 5. Pode ser obtido em vários níveis do tórax. Valores acima ou abaixo destes indicariam maior ou menor virilidade ou feminilidade.

Brugsh classifica o tórax em estreito.Figura 5. médio e largo.22 . Elasticidade torácica A diferença entre as medidas dos perímetros torácicos depois de uma inspiração profunda e uma expiração forçada fornece a chamada elasticidade torácica. Pode-se também determinar um valor médio realizando duas medidas: uma no fim da inspiração e outra no fim da expiração. Coeficiente torácico. Classificação dos indivíduos de acordo com este parâmetro A medida do perímetro torácico indica o grau de desenvolvimento do tronco.Perímetro torácico mamilar Técnica para medir os perímetros torácicos Os perímetros torácicos são obtidos ao fim de uma expiração normal. através do coeficiente torácico: Tórax estreito Tórax médio Tórax largo Coeficiente torácico menor que 51 Coeficiente torácico entre 51 e 56 Coeficiente torácico maior que 56 . relacionando o perímetro torácico com a altura.

. o perímetro é a linha de contorno de uma figura. especialmente nos fundistas. No adulto. a diferença entre os perímetros torácico e abdominal deve estar situada em torno de 14 cm. Assim. arremessadores de peso e halterofilistas. pois no caso destes segmentos. queremos verificar a presença ou ausência de simetria. indica estado de magresa e se for menor que esse valor. na cabeça e no tronco as metades direita e esquerda são tidas como simétricas. Instrumento utilizado para se obtê-lo Perímetro do abdome é a medida da circunferência do abdome obtida em um ponto situado à meia distância entre o rebordo costal e a crista ilíaca. Semiperímetro é a metade dessa linha. interessa o estudo dos semiperímetros do tórax. 0 objetivo é comparar uma metade do corpo com a outra para deduzir informações sobre simetrias e assimetrias. o importante é verificar a simetria entre um membro e outro e não no mesmo lado. quando traçada sobre um plano transversal a um segmento do corpo. utilizamos a semiperimetria mais para o tronco e neste. Perímetro do abdome. Ao determinar os semiperímetros desses segmentos corporais. Os perímetros abdominais indicam o grau de adiposidade que o indivíduo possui.Alguns fatores que influenciam no valor do perímetro torácico 0 perímetro torácico é geralmente maior no sexo masculino e nos indivíduos que praticam esporte. Não se aplica semiperimetria nos membros. Em Educação Física. onde são mais frequentes os problemas de simetria. Certas doenças diminuem o perímetro torácico enquanto outras como a asma e o enfisema o aumentam. Existe geralmente relação diretamente proporcional entre perímetro torácico e peso. Utilidade da medida dos perímetros do tronco O perímetro torácico informa sobre o desenvolvimento do tronco em largura e sobre o estado nutritivo do indivíduo. A medida dos perímetros do tronco é feita com fita métrica. externamente. Semi perímetros Como já vimos. indica obesidade. Se esta diferença for maior que 14 cm.

5. Assim. . por exemplo. caracterizada por ter o zero da escala no centro da fita e não em uma das extremidades (fig. por meio do ângulo de Louis e a seguir percorrer as demais até atingir a que nos interessa. por exemplo. Figura 5. Para medir os semiperímetros utiliza-se o chamado centímetro simétrico de Rosenthal que nada mais é que uma fita métrica. Sua importância reside no fato de estar situado ao nível da união da segunda cartilagem costal com o esterno. Se as medidas forem iguais dos dois lados. coloca-se o zero sobre os processos espinhosos da coluna e tracionamos as extremidades da fita até junto à linha média na face anterior do esterno.22-a — Centímetro simétrico de Rosenthal Ângulo de Louis ou ângulo do esterno É o ângulo entre o corpo e o manúbrio do esterno. É bastante obtuso e seu vértice está voltado anteriormente (fig. onde fazemos as leituras. nos dois sentidos das extremidades. há simetria. é só situar a segunda. A fita é graduada em milímetros a partir do zero. Mede-se os semiperímetros de um lado e de outro do tórax e compara-se as medidas.A semiperimetria do tórax visa não só detectar assimetrias como também permite acompanhar a evolução de tratamento dessas mesmas assimetrias com o uso de ginástica corretiva.23). 5. No caso da medida dos semiperímetros do tórax. quando queremos localizar e saber que costela estamos palpando.22). É facilmente palpado como uma saliência no osso esterno.

Este ângulo tem importância em Biotipologia para classificar os indivíduos em somatótipos.Ângulo de Louis. nona. Os membros superiores são também chamados torácicos e os inferiores. junto ao processo xifóide (fig. 5. abdominais. MEDIDAS DOS MEMBROS INTRODUÇÃO Os membros são apêndices destinados à locomoção e preensão. oitava e sétima costelas que se unem ao esterno. em vista lateral do osso esterno Angulo de Charpy ou ângulo subcostal É o ângulo formado pelas cartilagens da décima. Os membros superiores na verdade servem não somente para a preensão e o tato mas também para manter o equilíbrio do corpo durante a locomoção.Figura 5.23 .13). .

— Acromial — Já descrito no estudo do tronco — Dactilium . Antes porém temos que conhecer seus pontos antropométricos. o ponto situa-se entre as duas pregas centrais. 5. Às vezes o número de pregas que se formam é par. tanto em posição estática. destacam-se os seguintes pontos antropométricos (fig. Nos membros são estudados os comprimentos e os perímetros.24). Neste caso. Pontos antropométricos dos membros No membro superior.Situa-se no ápice do processo estilóidedo rádio Figura 5.24 — Pontos antropométricos do membro superior .É o ponto mais distai do dedo médio — Dobra do punho — Situado na parte central da prega que se forma quando o punho é flexionado. quanto durante a locomoção. — Radial — Situado na extremidade proximal do rádio — Stylion . Daí serem mais desenvolvidos que os superiores.Os membros inferiores sustentam o peso do corpo.

destacarn-se os seguintes pontos antropométricos (fig. antebraço e mão Perímetros da coxa. — Mio-espinhal anterior.No membro inferior.25 — Pontos antropométricos do membro inferior Principais medidas e índices dos membros A chave seguinte resume as principais medidas e índices dos membros: Comprimento do membro superior índice do comprimento do membro superior Comprimento do braço índice do comprimento do braço Comprimento do antebraço índice do comprimento do antebraço Comprimento do membro inferior índice do comprimento do membro inferior Comprimento da coxa índice do comprimento da coxa Comprimento da perna índice do comprimento da perna Perímetros do braço. Medidas e índices dos membros . 5.25).Já descrito no estudo do tronco — Pubiano — Já descrito no estudo do tronco — Tibial — Ponto mais medial da linha interarticular do joelho — Maleolar — Situa-se no maléolo medial Figura 5. perna e pé índice ósseo.

obtém-se o índice do comprimento do membro superior que é dado pela fórmula: Classificação dos indivíduos através do índice do comprimento do membro superior Através deste índice. na posição fundamental (fig. Figura 5.9 maior que 47 .Comprimento do membro superior É a distância entre o ponto acromial e o dactilium. estando o indivíduo em pé. classificam-se os indivíduos em: Membro superior curto Membro superior médio Membro superior longo até 44.Cumprimento do membro superior índice do comprimento do membro superior Relacionando esta medida com a altura. em linha reta. 5.26).26 .9 de 45 a 46. O membro superior direito é mais comprido que o esquerdo em mais ou menos 1cm.

Comprimento do braço .Na raça negra.27) O índice do comprimento do braço é obtido.9 Figura 5.9 maior que 19. Comprimento do braço O comprimento do braço ó a distância em projeção entre os pontos acromial e radial (fig. classificam-se os indivíduos em: Braço curto Braço médio Braço longo até 18.27 . 5. No sexo feminino. o comprimento do membro superior é 1cm menor que no masculino.9 de 19 a 19. utilizando a fórmula: De acordo com este índice. enquanto nas raças branca e amarela. o membro superior curto. predomina o membro superior longo. em geral.

28 — Comprimento do antebraço 0 índice do comprimento do antebraço obtém-se pela fórmula: índice do comprimento do antebraço Classif icam-se os indivíduos.9 . entre o stylion e o dactilium até 14.28) Figura 5.Comprimento do antebraço É a distância em linha reta entre os pontos radial e stylion (fig.0 a 15. de acordo com este índice.9 de 15. 5. em: Antebraço curto Antebraço médio Antebraço longo Comprimento da mão É a distância em linha reta.9 maior que 15.

pode-se obter o índice do comprimento do membro inferior. Por esse motivo. utilizam-se pontos de reparo que fornecem a medida aproximada do comprimento do membro inferior.29 — Pontos de reparo para medir o comprimento do membro inferior Pode-se então obter o comprimento do membro inferior indiretamente. em média. Estes pontos de reparo são: a espinha ilíaca ântero-superior e o bordo superior da sínfise púbica. 5. para isso.5 cm abaixo daquela linha (fig.Comprimento do membro inferior É a distância em linha reta. 5. na mulher. até um plano que passa pela planta do pé.5 cm. utiliza-se a fórmula: índice do comprimento do membro inferior .29) Figura 5.30) Do mesmo modo que para o membro superior. enquanto que o bordo superior da sínfise púbica encontra-se. medindo a distância de um destes pontos ao plano do solo e fazendo-se os descontos necessários (fig. Esta medida nâb pode ser obtida diretamente pois o bordo superior da cabeça do fémur não é acessível. 3. O primeiro ponto está situado em média 4 cm acima da linha interarticular ílio-femoral no homem e 3. que vai do bordo superior da cabeça do fémur.

Comprimento do membro inferior Figura 5.0 a 56.Comprimento da coxa .9 acima de 29. classificamos os indivíduos em: Membro inferior curto Membro inferior médio Membro inferior longo Comprimento da coxa É a distância em projecão entre os pontos ílio-espinhal anterior e o tibial (fig.9 de 55. 5. classificam-se os indivíduos em: Coxa curta Coxa média Coxa longa até 28.0 a 29.30 .9 de 29.9 acima de 57 De acordo com este índice.9 Figura 5. O índice de comprimento da coxa é obtido pela fórmula: até 54.31).Através deste índice.31 .

5.Comprimento da perna É a distância em linha reta entre os pontos tibial e maleolar (fig. através da fórmula: índice do comprimento da perna Classificamos os indivíduos de acordo com este índice. em: Perna curta Perna média Perna longa até 21. Obtém-se o índice do comprimento da perna.32 — Comprimento da perna Comprimento do pé É a distância entre o ponto mais posterior do calcanhar e a extremidade distai do primeiro ou segundo dedo (o que for mais longo).0 a 23.9 de 22. Obtemos o índice do comprimento do pé através da fórmula: .9 Figura 5.32).9 acima de 23.

do joelho e do tornozelo. Perímetros dos membros Podem ser obtidos medindo-se nas partes moles ou nas partes ósseas. Nas partes moles. 5. do punho. mão.33). mede-se no braço. segundo a finalidade. e de preferência no lado esquerdo.Os comprimentos dos membros e seus segmentos são importantes para se estudar suas simetrias. perna e pé (Fig. antebraço. Os comprimentos dos membros são obtidos com o uso do antropômetro.33 . Os perímetros ósseos sao medidos ao nível do cotovelo. coxa.Perimetro do braço índice ósseo e classificação dos indivíduos através deste índice Este índice é dado pela fórmula: . Figura 5.

uma imobilidade prolongada. o que requer tratamento. onde as massas musculares apresentam maior volume e na mão. Na coxa. Devem ser colhidos tanto de um lado como do o u t r o . em um plano que passa junto à prega glútea. de Godin. e no pé. Godin verificou que sempre que o perímetro é maior em um lado. havendo geralmente. Este pode ser acompanhado. por exemplo. menor que 43 entre 43. por exemplo. mede-se na sua parte mais larga. 5. no membro inferior ele será maior do outro lado e vice-versa. o perímetro da perna é medido ao nível da sua porção mais volumosa. no membro superior. Esta é a lei das assimetrias compensadoras. Dá uma ideia também do estado de nutrição e do desenvolvimento muscular. Os músculos ficam relaxados. Os aparelhos utilizados para se medir ângulos articulares são os goniómetros (fig. entre os quais. A amplitude de movimento de uma articulação pode estar diminuída por vários motivos. mede-se ao nível da raiz deste segmento.Através deste índice.5 cm). Retirado o gesso.5 a 1. na articulação. às vezes a amplitude de movimento das articulações pode estar diminuída. através da medida da amplitude de movimento. o perímetro do braço mede-se ao nível da extremidade distai do músculo deltóide: no antebraço.34) . mede-se ao nível do seu terço proximal.5 e 46 maior que 46 Em tratamento de fraturas. como já vimos. Ângulos articulares dos membros O ângulo articular é o ângulo formado pelos ossos. pequena diferença entre ambos os lados (0. Os perímetros ósseos são medidos ao nível das articulações. os indivíduos são classificados em: Ossatura fraca Ossatura média Ossatura forte Utilidade da medida dos perímetros dos membros A medida dos perímetros dos membros permite apreciar seu desenvolvimento como um todo bem como o desenvolvimento ósseo dos membros. na sua parte mais larga. com os dedos unidos exceto o polegar. as articulações ficam imobilizadas por certo tempo. Para medida das partes moles. Os perímetros dos membros são obtidos com a fita métrica.

35 — Medida dos ângulos articulares do ombro (a) e do cotovelo (b) . antes e depois de aplicado tratamento com fisioterapia.35).Figura 5. O transferidor é graduado de um em um grau (f ig. A figura 5. Geralmente apenas um dos braços é móvel. 5.34 — Tipos de goniómetro O goniómetro é basicamente um transferidor em cujo centro està"o unidos dois braços ou alavancas. Figura 5.36 é o registro gráfico das modificações da amplitude de movimento da articulação interfalângica proximal durante um período de quatro semanas.

Figura 5.36 — Gráfico da amplitude da articulação interfalángica proximal em 4 semanas de registro .

É dever do professor de Educação Física saber avaliar o estado nutritivo de uma criança e encaminhá-la para o setor médico responsável para que um tratamento possa ser providenciado. a digestão ocorre perfeitamente bem e as células do corpo estão usando de modo satisfatório esses alimentos. especialmente na época do crescimento. pele corada. força muscular e outros aspectos da criança. são indícios de má nutrição. peso. manter ou reparar os tecidos. Peso e alutra em torno da média. etc). A criança mal nutrida tem fadiga crónica. O professor de educação física pode e tem condições de detectar casos de má nutrição e encaminhá-los para o médico. Quando há uma boa nutrição. pouco animado. Um dos principais fatores que prejudicam o processo normal de crescimento é a deficiência nutritiva. Conceito de nutrição Nutrição pode ser considerado como o processo pelo qual as células do corpo usam o alimento ingerido para construir. com cansaço facial e irritação fácil. regular a atividade corporal e permitir o trabalho do corpo. magro. subjetivãmente. e habilidades motoras retardadas. dentes cariados. . corpo pouco desenvolvido. É possível também que a quantidade e a qualidade sejam suficientes mas os tecidos do corpo não conseguem absorver ou aproveitar os elementos por alguma deficiência orgânica ou metabólica. todos os processos envolvidos na cadeia estão em equilíbrio: há oferta suficiente de alimento. músculos firmes. A nutrição é pobre quando algum elemento desta cadeia não está funcionando a contento: a criança pode estar ingerindo alimento em quantidade insuficiente ou o alimento pode ser deficiente em determinadas substâncias (vitaminas. força muscular diminuída. olhos claros boa postura e bom apetite são alguns dos sinais de boa nutrição. músculos frágeis. Ao contrário. proteínas. para considerar apenas alguns aspectos. AVALIAÇÃO DO ESTADO NUTRITIVO O estado nutritivo pode ser avaliado simplesmente pela observação da criança. É claro que qualquer um destes processos vai influenciar na altura. pele flácida. ou seja.CAPITULO VI AVALIAÇÃO DO ESTADO NUTRITIVO: MEDIDA DA ESPESSURA DE PREGAS CUTÂNEAS E PESO INTRODUÇÃO A saúde e o desenvolvimento do indivíduo são muito importantes.

Entretanto, para eliminar erros que sempre ocorrem em avaliações subjetivas, foram criados meios objetivos de julgar o estado nutritivo. Tabelas de estatura-peso idade e tabelas de largura-peso Estas tabelas foram construídas a partir da avaliação de um grande número de indivíduos. 0 uso das tabelas idade-estrutura-peso apresenta desvantagens: não leva em conta a constituição corporal; é construída a partir de uma média, a qual, nem sempre é representativa para aquele caso específico. As tabelas de largura-peso (Pryor, 1940), sugerem que se pode avaliar o estado nutritivo utilizando não só o peso e a estatura mas também outras medidas como os diâmetros bi-crista ilíaca e o transverso do tórax. Assim, foram construídas tabelas relacionando idade, estatura, sexo, peso e as medidas acima relacionadas. Deste modo, para saber se o peso de uma determinada criança está dentro dos padrões normais, basta compará-lo com os valores indicados nas tabelas, levando em conta as várias medidas efetuadas. Alguns autores propõe a determinação da porcentagem de gordura corporal através de cálculos usando fórmulas em que entram a densidade, a massa e o volume do corpo. Estes dados são obtidos por métodos especiais. Entretanto, o meio mais fácil e prático de se avaliar o estado nutritivo é medindo o tecido adiposo através da medida das pregas cutâneas, pois o tecido adiposo subcutâneo, como se sabe, constitui aproximadamente metade de todo o estoque adiposo do corpo. MEDIDA DA ESPESSURA DE PREGAS CUTÂNEAS Importância da medida da espessura de pregas cutâneas. Esta medida permite avaliar o grau de adiposidade do indivíduo, e portanto seu estado nutritivo. Técnica de medida da espessura de pregas cutâneas Para medir a espessura da prega cutânea, utiliza-se um compasso especial que exerce pressão fixa sobre a pele, permitindo assim, uma medida sempre precisa. Um dos mais conhecidos é o compasso de Lauge (fig. 6.1).

Figura 6.1 - Compasso de Lange, para medida das pregas cutâneas

Os locais do corpo escolhidos para se efetuar as medidas são o dorso do braço, a região infra-escapular, região anterior da coxa, tórax e abdome (fig.6.2). Toma-se entre os dedos polegar e indicador uma dobra de tecido subcutâneo e mede-se sua espessura com o compasso. Em adulto, a medida vale cerca de 1cm, em média.

Pode-se também medir a espessura do tecido subcutâneo, através de chapas radiográficas. Além da medida da espessura de pregas cutâneas, uma das medidas mais utilizadas para avaliar o estado de nutrição é o peso, cujo estudo será feito a seguir. PESO Definição de peso O peso é resultante das forças exercidas pela gravidade sobre o corpo. Geralmente é interpretado, para efeitos práticos, como sendo igual à massa.

Figura 6.2 — Locais mais usados para medir a espessura da prega cutânea a — dorso do braço b — Região infra-escapular c — Regiáo lateral do abdome d - Coxa e — Região anterior do abdome

Elementos constituintes do peso A tabela seguinte mostra os elementos constituintes do peso e suas percentagens: Tecido subcutâneo, gordura e água Músculos Esqueleto, vísceras, sistema nervoso e pele 17% 50% 33%

o peso é menor devido ao fato do estômago. intestinos e bexiga estarem vazios. a maior parte do peso é representada pelos músculos. constituição neuro-endócrina e patologias. através de verificações periódicas. ao passo que à noite. = altura em centímetros. b) Variação do peso com o crescimento — Durante a fase de crescimento. através da respiração e sudorese. Fatores que determinam o peso Podemos considerar fatores internos e externos. o peso aumenta cerca de 2 quilogramas por ano de idade. o peso ideal seria dado pela fórmula: P = A (cm) sendo: A .. segundo Broca Segundo Broca.100. Cálculo do peso ideal. há uma parte fixa que corresponde às vísceras. destacam-se:a hereditariedade. devido à perda de líquidos. Entre os primeiros. Finalmente. sistema nervoso e pele. os mais importantes sío: hora do dia.Como se observa. A parte do peso representada pelo tecido subcutâneo. esqueleto. depois dos 2 anos. deve-se acompanhar a redução de peso. a) Variação do peso com a hora do dia . o peso é maior. Broca considera como valores normais os que se colocam para mais 10 ou menos 10 do peso ideal calculado. gordura e água também é muito variável. condições de saúde e hábitos de vida.Pela manhã. os mais importantes são a alimentação e a atividade física. Esta parte se modifica por exercícios físicos. sob várias condições. c) Variação do peso com a prática de esportes — Esta é fator de redução de peso. Nestes casos. o crescimento e a prática desportiva. . Esta diferença entre o peso pela manhã e à noite pode atingir até 2 quilogramas. Fatores de variação do peso Diversos fatores influenciam no valor do peso. Entre os fatores externos.

enquanto os de peso baixo podem praticar esportes como corridas de fundo. sendo o resultado dado em quilogramas: a de alavanca e a de mola. Pessoas de peso elevado são indicadas para esportes que requerem resistência e força. esta tem sua precisão diminuída.Utilidade da medida de peso O peso tem grande importância como medida biométrica por sua fácil obtenção e por indicar o estado de nutrição e de saúde do indivíduo. . o peso é uma medida utilizada para orientar o indivíduo para um determinado tipo de esporte. Em seleção desportiva. Técnica da medida de peso Dois tipos principais de balança são utilizados para medir o peso. A balança de alavanca é preferida à de mola pois com o passar do tempo.

CAPITULO VII MEDIDA DA CAPACIDADE VITAL E CARDIOCIRCULATÓRIA . Pode ser que na pessoa treinada o volume ejetado a cada batimento seja maior que numa não treinada. alimentação. A medida da capacidade cárdio-circulatória é feita submetendo-se o indivíduo às chamadas provas de esforço. hora do dia. ao realizar um trabalho intenso e rápido. em repouso. e atividade física. O volume minuto é a quantidade de sangue bombeada por minuto e o volume sistólico é o volume ejetado em cada batida do coração. Estudaremos as seguintes: capacidade cardio-circulatória. O volume sistólico em repouso. Além disso. Volume minuto. Em um atleta treinado. suprem perfeitamente de oxigénio os músculos durante o esforço. uma frequência do pulso de 64 batimentos por minuto. Frequência do pulso Um indivíduo jovem tem em média. Existem vários tipos de provas de esforço. a frequência do pulso pode ser 20 ou 30 batimentos mais baixa que uma pessoa não treinada. Se o coração e os pulmões estão funcionando à contento. mas todas baseiam-se em que o sistema muscular. capacidade vital e forca muscular. estando entre 38 e 110. porque o coração do atleta é mais forte. como também a cardíaca. Vejamos inicialmente algumas características fisiológicas do sistema cardiovascular. no indivíduo normal. os limites. o coração deve responder prontamente. Volume sistólico. devido ao treinamento que fortalece não só a musculatura esquelética. o pulso e a pressão sanguínea devem voltar rapidamente aos níveis de repouso. Entretanto. tais como: idade. os valores da frequência do pulso variam com muitos fatores. MEDIDA DA CAPACIDADE CÁRDIO-CIRCULATÓRIA Veremos apenas uma noção sumária sobre a medida da capacidade cárdiocirculatória. cessando o trabalho. geralmente é maior que o de um indivíduo não treinado. de um atleta. FORÇA MUSCULAR CONCEITO DE MEDIDAS BIOMÉTRICAS FUNCIONAIS Medidas biométricas funcionais são medidas que permitem avaliar o estado fisiológico de alguns sistemas do corpo. Quando um indivíduo é submetido a um trabalho. a frequência do pulso vai .

quando se ouvir o som do batimento cardíaco nitidamente. A eficiência dos músculos vai depender do oxigénio que chega até eles. Assim. Para se medir a pressão sistólica (máxima). A pressão sanguínea é a pressão exercida pelo sangue sobre as paredes dos vasos. Quanto mais preparado fisicamente. À medida que a pressão vai dímuindo. a tomada da pressão sanguínea deve ser feita com o indivíduo sentado confortavelmente ou deitado . durante um esforço físico. é obtida quando ela diminui ao máximo entre os batimentos. esta é a pressão máxima. a frequência do pulso volta ao estado inicial e o tempo que leva para que isto ocorra depende do esforço realizado. geralmente utiliza-se medir variáveis como a pressão sanguínea e a frequência do pulso sob diferentes condições. Por último. sabe-se que os músculos respiratórios. pois é nos pulmões que ocorrem as trocas gasosas e o oxigénio é absorvido e eliminado o gás carbónico. Avaliação do sistema cardiovascular Nesta avaliação. sem um aumento tão grande da respiração. no treinado há uma melhor ventilação. não ocorre tanto desconforto ao respirar mais fortemente. É necessário pois submeter o coração do indivíduo a uma prova de esforço para se ter uma avaliação de seu desempenho funcional. Esta é registrada como pressão diastólica (mínima). menor tempo leva para voltar a atingir a frequência de repouso. na pessoa treinada. A pressão máxima é a pressão do sangue durante a sístole ventricular esquerda e a pressão mínima.A pressão é medida no braço. bem como do estado físico da pessoa. Só assim poderemos opinar sobre sua aptidão à atividade física. Vários cuidados devem ser tomados pois muitos fatores podem afetar os resultados. como ocorre nos não treinados. Depois solta-se lentamente o ar. 0 uso dos testes que medem a capacidade cardiocirculatória em Educação . Respiração O sistema circulatório está funcionalmente ligado ao respiratório. com mais economia. há um melhor aproveitamento de oxigénio. porque o ar vai saindo. Pressão sangú ínea Quando necessária. chega um momento em que não se ouve mais o batimento. aumenta a expansão do tórax e a profundidade respiratória. insufla-se o ar no manguito colocado em posição no braço e ouvindo com o estetoscópio. lida no manómetro. se desenvolvem mais e quando há um esforço. Terminado o trabalho.aumentando à medida que a intensidade do esforço é maior. No indivíduo treinado. Além disso.

examina-se o pulso do indivíduo. Prova de Pachon-Martinet Consiste na execução de 20 flexões em 40 segundos. o indivíduo sobe em um banco de 50. Normalmente. de minuto em minuto. Aplica-se. A prova é cansativa e deve ser feita somente em indivíduos previamente examinados pelo médico. obtendo-se resultados que indicam a aptidão física do indivíduo. de um lado há uma conexão com um bocal. Quando este volta aos valores iniciais de antes do teste em menos de 2 minutos. . A seguir serão analisados alguns testes que medem a capacidade cardiocirculatória. procurando fazer com que o mercúrio atinja um desnível de 40 m m . Imediatamente mede-se o pulso. Estes indivíduos deverão ser encaminhados para o médico competente. M E D I D A D A CAPACIDADE V I T A L Conceito de capacidade vital É a quantidade máxima de ar que uma pessoa pode expulsar após uma inspiração máxima. os valores obtidos em uma fórmula conveniente. o resultado é considerado bom. Mede-se o pulso 1 m i n u t o . Mas eles podem ajudar a detectar indivíduos com aptidão física muito baixa. até que volte aos valores iniciais. onde o indivíduo assopra. Prova do banco (Step test) Durante um período de 5 minutos.Física é limitado. As modificações do pulso (ritmo cardíaco) e o tempo que o indivíduo consegue atingir permitem avaliar o desempenho cardíaco. a seguir. Mede-se a frequência do pulso e a pressão arterial antes e depois da prova. Teste de Lian O indivíduo faz 30 flexões em 1 minuto. Prova de Flack Esta prova é feita utilizando um tubo de vidro. isto ocorre aos 2 ou 3 minutos após o término do teste. 2 minutos e 3 minutos após o término da prova. e suportando até os limites de suas possibilidades. Durante a prova. com mercúrio.8 cm de altura a cada 2 segundos.

Realizando uma inspiração forçada. 11. temos a reserva inspiratória e ao realizar uma expiração forçada. O volume corrente é o volume de ar inspirado e expirado durante a respiração. de reserva inspiratória e de reserva expiratória. Em outras palavras. o qual permite medir a quantidade de ar insuflado. Nas doenças pulmonares. Aparelho utilizado para se medir a capacidade vital É o espirômetro. que desloca um sistema graduado. há alteração do traçado normal de uma espirometria.2 mostra um traçado de uma prova de capacidade vital de um indivíduo com enfisema. no . é o volume de ar que entra nos pulmões na inspiração.Depende basicamente dos músculos envolvidos na respiração (inspiração e expiração) e do volume máximo dos territórios dos pulmões. por exemplo.1. Insufla-se ar no aparelho. tem-se a reserva expiratória. A figura 11. O indivíduo começa a expirar no ponto 2. Figura 11*1 -A — Espirômetro em corte esquemático Utilidade da medida da capacidade vital Através da espirometria pode-se detectar insuficiências respiratórias e acompanhar progressos em reeducação respiratória. A capacidade vital é a soma dos volumes corrente. A prova é denominada espirometria (figs.2). 11.

Figura 11-1-B Componenetes da capacidade vital Figura 11.ponto 2 (primeiro segundo de prova) ele deveria expirar.C — Espirometria . 70 a 80% da sua capacidade vital mas na realidade o gráfico mostra que ele expele somente 40% desta capacidade. se fosse normal.1 .

A capacidade vital depende das dimensões da caixa torácica. a capacidade vital aumenta até 40 anos. para uma mesma idade e altura. tipo constitucional e exercícios físicos. Fatores que influenciam no valor da capacidade vital Os principais são: sexo. Variação da capacidade vital com a idade Durante o crescimento do indivíduo. bem como não se pode dizer que um atleta com capacidade vital elevada terá ótimos resultados físicos. entretanto. Nos que levam vida sedentária. considerar como incapaz um indivíduo que tenha uma capacidade vital pequena. Nos indivíduos bem desenvolvidos e de grande altura têm-se também um maior desenvolvimento da caixa torácica. ao contrário.Figura 11. quando o indivíduo respira com má técnica. maior será sua capacidade vital. altura e desenvolvimento físico. . Variação da capacidade vital com a altura Quanto mais desenvolvido for o indivíduo. diminui. Nà"o se pode. idade.2 — Capacidade vital de um indivíduo com enfisema A capacidade vital pode ser melhorada com técnica respiratória adequada. a capacidade vital aumenta. No adulto que pratica exercícios adequados. Comportamento da capacidade vital nos sexos A capacidade vital nos homens é cerca de 800 ml maior que a das mulheres.

Conceito da medida da força muscular Consiste na medida da força máxima de determinados grupos musculares. MEDIDA DA FORÇA MUSCULAR A medida da força muscular é uma das mais importantes para se avaliar a aptidão física do indivíduo. A medida chama-sedinamometria. roupas folgadas e deve ser bem explicado ao examinando o modo de se realizar a prova.Relacionamento entre capacidade vital e tipo constitucional A capacidade vital nos brevilíneos é menor que a dos longilíneos. dá maior potência para saídas mais rápidas e permite melhor desempenho em quase todos os esportes. permite melhor desempenho em provas específicas e ajuda a evitar certas deficiências ortopédicas. Por este motivo. Além disso. O desenvolvimento da força muscular melhora a velocidade do indivíduo. e é influenciada por vários fatores entre quais processos patológicos. todo atleta sabe que a força muscular quando desenvolvida melhora a aparência e o físico. ao se medir a capacidade vital: a) Posição: deve ser medida com a pessoa em pé. A aquisição de um corpo bem modelado é aspiração natural de jovens masculinos e femininos. Exercícios físicos e a capacidade vital A ginástica e os exercícios só melhoram a capacidade vital nos indivíduos que apresentam técnica respiratória errada. A medida da força muscular pode ser um bom indicador da aptidão física geral pois é uma medida bastante obejtiva. pois têm o tórax mais curto e suas costelas têm menor mobilidade que a dos longilíneos. há diferenças nas raças. . b) Realização da prova: com o estômago vazio. Técnica de medida da capacidade vital Deve-se observar os seguintes aspectos.

os músculos são mais desenvolvidos no homem que na mulher. Baseia-se no fato que a força muscular aplicada ao aparelho deforma uma mola. 11. Músculos do braço e da região escapular (força de traçâb horizontal). idade e exercícios físicos. porém.4). c. Idade e a medida da força muscular A força muscular aumenta a partir da puberdade. Na puberdade e após esse período. Músculos do dorso (força de traçâo vertical) (fig.Aparelho utilizado em dinamometria É o dinamômetro. Até a puberdade. Músculos flexores dos dedos (força de preensáb) (fig. aumentando o rendimento muscular. as diferenças são pequenas. há uma maior atividade física nos meninos e entram em açâo também os hormônios masculinos. 11.3) Grupos musculares que podem ser explorados através da dinamometria São os seguintes: a.3) b. Valores médios no homem adulto Força de preensão da mão Força de traçâb horizontal Força de traçâo vertical 40 a 60 kgf 30 a 40 kgf 130 a 150 kgf A mulher possui valores entre 50 a 60% dos masculinos. . neste aspecto. deslocando um ponteiro que corre em uma escala graduada (fig. atingindo valores máximos enter 25 e 35 anos. Fatores que influenciam na medida da força muscular Sâb os seguintes: sexo. Sexo e medida da força muscular No adulto. 11.

4 .Figura 11.Medida da força detraçfo .3 — Medida da força de preensão Figura 11.

Influência dos exercícios físicos na medida da força muscular Aumentam a força muscular. Através de treinamento. pode-se fazer com que os músculos de um indivíduo atinjam a força máxima de que são capazes. e b. . em 10 meses. Comparar forças musculares de indivíduos diferentes. Importância da dinamometria A dinamometria permite: a. Acompanhar variações da força muscular durante treinamento.

ASPECTOS GERAIS DO CRESCIMENTO Velocidade de crescimento A velocidade do crescimento é maior no início da via pós-natal. CONCEITOS DE CRESCIMENTO E M A T U R A Ç Ã O Diferença entre crescimento e maturação Durante o desenvolvimento do ser humano. diminuindo até os quatro ou cinco anos (Tanner. pode-se distinguir dois processos diferentes entre si. Métodos de estudo do crescimento Existem dois métodos biométricos para se analisar o crescimento:o transversal e o longitudinal. O inconveniente é a dificuldade de seguir o mesmo grupo de crianças durante um tempo mais ou menos longo. os processos de ossificação e as mudanças que ocorrem na puberdade. 1964). as características de cada fase e os conceitos de idade cronológica e idade fisiológica. que ocorrem. A maturação compreende as mudanças na estrutura e composição do corpo. com o passar da idade. É pois um processo quantitativo. embora intimamente interligados: crescimento propriamente dito e maturação. No método longitudinal. O aumento da altura do indivíduo se deve ao aumento do comprimento dos pelas mudanças progressivas das várias medidas do corpo. O método transversal consiste em tomar medidas em crianças de diferentes idades e daí estabelecer valores médios para cada idade. acompanha-se um grupo de crianças durante seu crescimento. Há o inconveniente de não se levar em conta as diferenças individuais no r i t m o de crescimento. Está intimamente ligado à nutrição. Crescimento propriamente d i t o é representado t i v o . observando e anotando as caracterísitcas que surgem. durante o desenvolvimento. as fases do crescimento. São exemplos: as dentições.CAPITULO V I I I A V A L I A Ç Ã O D O CRESCIMENTO Neste capítulo estudaremos os conceitos de crescimento e maturação. É pois um processo quantita- .

rapidamente durante os primeiros anos de vida e lentamente na puberdade. FASES DO CRESCIMENTO Embora o crescimento seja um processo contínuo. há variação no número e nomenclatura das fases do crescimento. em sua maioria. Crescimento dos órgãos Os órgãos do corpo crescem. Os órgãos genitais. 1935). antes da puberdade e ao aumento da altura tronco-cefálica. ao contrário. durante e após essa fase (Godin. Entretanto. crescem pouco até a puberdade. segundo os autores. costuma-se dividi-lo em fases caracterizadas por alguns fenómenos mais evidentes em cada fase. quando então. desenvolvem-se rapidamente. como mostra a tabela seguinte: Autor Penna (1962) Fases Crescimento intra-uterino Primeira Infância Segunda Infância Adolescência Meninos Idades Fertilização até o nascimento Nascimento aos 2 anos Dos 3 aos 10 anos Dos 10 aos 20 anos Meninas Até 6—7 anos 7 aos 10 anos 10 aos 13 anos 13 aos 14 anos Claparède (1940) Primeira Infância Segunda Infância Adolescência Puberdade Nascimento aos 7 anos 7 aos 12 anos 12 aos 15 anos 15 aos 16 anos Vandervael Pequena Infância Média Infância Grande Infância Adolescência Juventude Nascimento aos 2 anos e meio 2 anos e meio aos 6 anos 7 aos 12 anos 11 aos 16—18 anos 16—18 anos aos 21—23 anos .membros inferiores.

proporcionalmente. principalmente. aparecimento dos pelos pubianos e axilares. nos meninos.A seguir serão descritos os fenómenos principais que caracterizam cada fase do crescimento tomando por base. Os membros são curtos. Existe grande variação quanto à data de início destes fenómenos. as fases de Vandervael. O aumento da altura deve-se mais ao crescimento do tronco que dos membros inferiores. Características da média infância Estende-se dos dois anos e meio aos 6 anos. depois. deixando pois de ser cilíndrico. secreção de hormônios sexuais pelas células testiculares e aparecimento de barba. ao maior crescimento dos membros inferiores. A cabeça é grande. o tórax é cilíndrico e a coluna vertebral apresenta apenas uma curvatura. A voz passa a ser mais grave. Aspectos que caracterizam a fase da juventude . Nas meninas. Acentuam-se as diferenças de forma: nos meninos alargam-se as espáduas e nas meninas. crescem as mamas. as medidas da cabeça e do tronco continuam a predominar sobre as dos membros. O tronco adquire. A altura aumenta devido. são alcançadas e ultrapassadas. aparecem os pelos pubianos e ocorre a menarca (primeira menstruação). aumento dos testículos. o fenómeno característico desta fase é o aumento da altura (quase 50%) e do peso. Fenómenos que caracterizam a adolescência Esta fase. crescimento do pênis. Nesta fase. que corresponde ao surto pubertário. de convexidade posterior. Por esse motivo. Aspectos que caracterizam a grande infância Vai dos 7 aos 1 0 . A capacidade vital aumenta nos meninos. o que aumenta suas possibilidades atléticas. O pescoço se alonga e fica delgado. começa e termina antes nas meninas. A força muscular aumenta especialmente no sexo masculino devido a hormônios próprios. as meninas crescem mais que os meninos no início desta fase mas. os diâmetros da pelve. a forma oval. O tórax tende cada vez mais a acentuar a forma ovalada. Fenómenos que caracterizam a pequena infância Compreendendo o período que vai do nascimento aos dois anos e meio. o mesmo ocorrendo com o seu término. ocorre.1 1 anos. Na área genital. nesta fase.

Por esse motivo. Estes centros podem ser detectados através de radiografias. por exemplo. Idade de erupção dos dentes O aparecimento dos chamados dentes de leite se faz de modo constante. idade de erupção dos dentes. A idade óssea nas meninas é geralmente mais avançada que a dos meninos. Na puberdade. os três meninos tem a mesma idade mas encontram-se em diferentes estágios de desenvolvimento. Portanto. a qual se baseia nos seguintes critérios: idade óssea. Assinala o início da idade adulta. o outro menino pode estar em uma fase intermediária entre os dois anteriormente citados. entre três meninos de 14 anos. há um adiantamento de 2 anos mais ou menos. Assim. podemos encontrar um que é menor. com sistema muscular pouco desenvolvido. entre 6 meses e dois anos e meio. o que dará ideia do grau de desenvolvimento. fisiológico e mental. outro tem bom desenvolvimento físico. Conta-se os dentes que já fizeram erupção e compara-se com tabelas. morfológico. Medidas biométricas Algumas medidas como o peso e a altura podem ser utilizadas como critério para determinar a idade fisiológica. assemelhando-se a um menino de menor idade. A altura cresce cada vez mais lentamente.Estende-se desde os 16—18 anos até o início da idade adulta. Existem tabelas que mostram a idade de aparecimento de cada centro de ossificação de cada osso. músculos bem desenvolvidos. algumas medidas biométricas e as características sexuais secundárias. Toma-se as medidas que são depois comparadas com as constantes da tabelas. Tanner (1964) considera o que se denomina idade fisiológica. órgãos genitais como os de um adulto. Desenvolvimento dos ossos Os vários centros de ossificação dos ossos do esqueleto aparecem em idades constantes e podem servir pois como critério para se determinar o grau de desenvolvimento em que se encontra o indivíduo. desde a vida fetal. IDADE CRONOLÓGICA E IDADE FISIOLÓGICA Conceitos da idade cronológica a idade fisiológica A observação mostra que duas crianças do mesmo sexo e mesma idade cronológica (igual número de anos vividos) podem apresentar grandes diferenças morfológicas em relação ao estágio de desenvolvimento. .

recupera esse peso. No final do 19 ano de vida o peso triplica e no segundo ano quadruplica. Aos três anos passa para 50 cm. A moça para de crescer geralmente aos 18 anos e o rapaz. dentro de certos limites de variação. aparecem em épocas constantes. o perímetro cefálico médio é 35 cm. mamas e menarca que surgem na puberdade podem também ser usados como meios de determinar a idade do indivíduo. Até a idade adulta cresce apenas mais 5 cm. a época do aparecimento de pelos. O comprimento da criança duplica aos 4 anos. O crescimento do crânio é importante pois está relacionado ao crescimento do encéfalo. aos 20 anos. . Nos primeiros dias após o nascimento. nesta fase. Durante a meninice. pois estes fenómenos. Durante o seu crescimento a cabeça sempre cresce mais em altura que em largura.5kg. Depois de 3 anos na adolescência os rapazes voltam a pesar mais. No nascimento. barba. 1/12. Altura A altura aumenta cerca de 3 vezes e meia desde o nascimento até a idade adulta. a criança cresce pouco. CRESCIMENTO DAS PARTES DO CORPO Cabeça Ao nascer. Durante a infância e meninice. a cabeça representa 1/4 do corpo e no adulto. Na puberdade há um surto de crescimento rápido que começa e termina antes nas meninas. as meninas pesam menos que os meninos mas na puberdade pesam mais. CRESCIMENTO DO CORPO COMO UM TODO Peso O peso do recém-nascido é milhares e milhares de vezes maior que o ovo mas o peso do adulto é apenas 20 vezes o do recém-nascido. Em mais ou menos 8 dias porém. As fases em que o peso aumenta mais são na vida fetal e na adolescência.Características sexuais secundárias O grau de desenvolvimento dos órgãos genitais. Ao nascer a criança pesa em média 3. a criança perde 5 a 6%do peso inicial devido a uma ingestão menor de líquidos. com frequência.

os diâmetros sagital e transverso do tórax são aproximadamente iguais mas no adulto o transverso é três vezes o sagital.1). 12.1 — Proporções do corpo.Tronco O tronco contribui com cerca de 50% do comprimento do corpo em qualquer fase da vida. Durante a infância. Aos dois anos o perímetro torácico aumenta. supondo iguais os membros inferiores . A altura tronco-cefálica representa cerca de 70% da altura total ao nascer e cerca de 55% no adulto (f ig. Na infância. Figura 12. o perímetro torácico é igual ao cefálico.

Começa a aumentar novamente na adolescência. esse valor sobe para 30%. A tela subcutânea aumenta. Esqueleto O aparecimento dos centros de ossificação segue uma ordem cronológica bem definida desde o nascimento até a vida adulta. mas não nas mesmas proporções nas várias fases de desenvolvimento.Membros O membro superior participa com 9% do peso total no nascimento e assim permanece no adulto. representa 15% do peso total e no adulto. atinge a metade do valor que possuía no primeiro ano. No rapaz aparecem em ordem. . face. no nascimento. No recém-nascido situa-se ao nível do umbigo e no adulto está na crista púbica. há acúmulos isolados nos quadris e nas mamas. peito e membros. Pele e tela subcutânea Os pelos aparecem no início da adolescência. nas seguintes regiões: púbica. Nas mulheres os pelos púbicos aparecem pouco antes da menarca e na axila. os comprimentos sâb iguais. O aumento maior do comprimento dos membros inferiores e menor do tronco leva o ponto médio do corpo para baixo. 0 membro inferior. Aos dois anos de idade os membros superiores tem o mesmo comprimento que os inferiores. No adulto o inferior fica 1/6 mais comprido que o superior. sendo que no sexo feminino. cerca de 6 meses após. axila. O ponto médio do corpo é o ponto. O mesmo ocorre com o centro de gravidade que no recém-nascido está ao nível do diafragma e no adulto passa para o promontório do osso sacro. sexuais. Existem tabelas próprias. Através de radiografias pode-se dizer a idade óssea do indivíduo. acima e abaixo do qual. Nos primeiros 9 meses. Por esse motivo não pode ser considerada como um critério absoluto para avaliar o estado de nutrição. mas há variações raciais. Portanto. A idade óssea é o estado em que se encontra o esqueleto em qualquer momento da vida. em todas as fases. e influências de nutrição. a gordura subcutânea aumenta bruscamente mas no segundo ano de vida. a idade óssea é ótimo critério para indicar a fase de desenvolvimento. começa a diminuir e aos 5 anos.

a força muscular duplica. Na adolescência. A medula espinhal cresce menos que a coluna vertebral de tal maneira que no adulto sua extremidade encontra-se ao nível da 2ª ou 3ª vértebra lombar. Órgãos endócrinos As glândulas supra-renais diminuem seu peso durante a infância. Os músculos crescem em tamanho e ná"o pelo aumento do número de fibras. em relação ao da recém-nascida. quando pesam o dobro do seu valor ao nascer. O peso total do encéfalo pode ser atingido aos 10 anos de idade. Ele cresce especialmente durante a adolescência.Músculos Aumentam grandemente de peso na infância. Coração Ao nascer. O útero cresce realmente durante a adolescência. Sistema Nervoso Central O peso do encéfalo duplica no primeiro ano e triplica no terceiro. No adulto o peso do coração é cerca de 12 vezes maior que ao nascer. Durante a puberdade crescem lentamente até a idade adulta. O ovário tem seu peso aumentado de 30 vezes no adulto. A glândula tiróide do adulto tem um peso cerca de 12 vezes maior que do recém-nascido e a hipófise aumenta seu peso em cerca de 5 vezes até a idade adulta. Sistema genital Os órgãos genitais apresentam um padrão de crescimento que se afasta das outras vísceras. . Este valor triplica no 3º ano. o coração pesa cerca de 20 g. Na adolescência essa participação é ainda maior. O testículo do adulto pesa 40 vezes mais do que o do recém-nascido.

3).2. podemos construir tabelas e curvas-padrâb (figs. para construir essas curvas-padrão.2 . 12. Quando os valores de uma criança se afastam muito dos das curvas-padràb. 12.Curvas-padrffo de peio nos sexos masculino e feminino (Baseado em Boyd. Figura 12. raça e meio ambiente. o método longitudinal. que examina as mesmas crianças em vários períodos ou o método transversal que examina crianças diferentes numa mesma época. Algumas medidas são mais frequentemente utilizadas para se verificar o crescimento e desenvolvimento. ocorre grande variabilidade nos padrões normais. Pode-se usar.PADRÕES NORMAIS DE CRESCIMENTO Estudando-se o crescimento de crianças do mesmo sexo. são elas: 1 2 3 4 5 Peso e altura Altura tronco-cefálica Perímetro da cabeça Perímetro torácico Diâmetro bi-crista ilíaca. Como cada criança tem um modo próprio de crescer. 1952) . é necessário buscar as causas deste fenómeno.

então ele não mais conseguirá se desenvolver ou então o fará defeituosamente. atividade. 1952) FATORES RESPONSÁVEIS PELA VARIABILIDADE NO CRESCIMENTO E DESENVOLVIMENTO Os fatores principais responsáveis pela variação no crescimento e desenvolvimento sâb: hereditariedade. sexo. nutrição. os órgãos e tecidos que mais vão sofrer essas influências e ficar com defeitos são os que estão se diferenciando nesse momento. Este período é chamado período crítico. porque nesta fase. clima. Cada órgão tem um modo próprio de se desenvolver e crescer. hormônios. . Cada tecido ou órgão tem um período em que a diferenciação e crescimento são mais acelerados havendo então uma alternância destes períodos para cada órgão. o órgão domina e parece inibir o desenvolvimento de outras estruturas.3 . Se num determinado momento do desenvolvimento agentes nocivos atuarem sobre o corpo. raça.Figura 12. Se o órgão não aproveitar o período que lhe é destinado para se diferenciar. ele se diferencia num determinado momento e cresce com uma certa velocidade e que depende de fatores intrínsecos a esse órgão.Curvas-padrão de altura em meninos e meninas (Baseado em Boyd.

a Biotipologia. ao orientador profissional. ao político. que o distingue dos demais. ao passo que para a Biotipologia o que interessa é a análise. o estudo das "manifestações vitais de ordem anatómica. humoral. e se às vezes constrói uma síntese. é melhor. da síntese das quais resulta o conhecimento do tipo estrutural-dinãmico especial de cada indivíduo". Duarte-Santos afirma: "a biotipologia pretende estudar não a abstração e mero universal. cujos aspectos gerais serão descritos a seguir. Como veremos mais adiante. cada indivíduo apresenta uma série de características morfológicas. com esta biologia diferencial e comparativa". ao clínico importa. ir ao sub-grupo. para designar a ciência que teria por objeto. concreto. Muito comum e errónea é a idéia que se tem de que Biotipologia pretende tipificar os indivíduos para classificá-los. o caso particular. ao diretor de esporte. mas sim como instrumento de estudo". mas sim a realidade concreta que é o indivíduo. Entretanto. que sejam iguais. ao administrador. sobretudo. ou seja. dois indivíduos. Não há. "este caso". ao economista. ao historiador. como já dissemos. á variedade. Os fatos gerais interessam ao filósofo. através do qual se pode conhecer e entender muitas das características do ser humano e suas diferenças. funcional. é a própria unidade do seu estudo. Mas ao educador. em 1922. Estas variações na construção corpórea dos indivíduos decorrem da diferença de constituição individual. estas diferenças são importantes edevem ser levadas em consideração em Educação Física. Lembra Duarte-Santos: "classificar em um grupo é bom. passar o indivíduo é ótimo". CONCEITO DE BIOTIPOLOGIA 0 termo Biotipologia foi utilizado pela primeira vez por Nicola Pende. rasgando-lhe mais amplas perspectivas. este indivíduo. temperamentos e caracteres". Berardinelli faz ainda uma comparação entre a Biot pologia ea Antropologia: "Se a Antropologia analisa é para depois sintetisar. psicológica. tal idéia provém do nome dessa ciência e das classificações existentes dentro da matéria. atingir o caso concreto. fisiológicas e psicológicas. apesar das classificações. certa de ser a variabilidade individual enorme e de que só de seu estudo resultará a possibilidade de desfazer muitos conceitos errados da biologia humana. por mais parecidos. não é como fim.CAPITULO IX BIOTIPOLOGIA: ASPECTOS GERAIS Não existem dois indivíduos exatamente iguais. . que é o ser humano. A Biotipologia tem por objetivo o estudo do indivíduo como um ser particular e concreto. o importante é o indivíduo uno e concreto. Berardinelli define biotipologia como a "ciência das constituições. A constituição individual está ligada a uma ciência.

T E R M I N O L O G I A BIOTIPOLÓGICA Como toda ciência. Um segundo grupo de glândulas age aumentando a massa corporal sem interferir na diferenciação das formas. consideram-se: região geográfica. serão definidos os seguintes termos. condições sócio-econômicas. as glândulas também sofrem a ação do meio externo. ao mesmo tempo. a biotipologia tem sua terminologia própria. portanto. Entre eles. as glândulas endócrinas também dependem da ação genética e por esse motivo podemos considerá-las como mediadoras entre o genótipo e o fenótipo. Por outro lado. o aspecto funcional que aparece como expressão daquele conjunto nos vários tipor de c o m p o r t a m e n t o " . caráter. ou seja. sem influir porém no aumento da massa corporal. A seguir. temperamento. Os fatores ambientais constituem em conjunto o que se denomina de "peristase". personalidade e biótipo. A seguir serão analisados sucintamente cada um destes fatores. Os fatores responsáveis por essa diferença no r i t m o de crescimento são: a hereditariedade. Incluem-se neste grupo a tireóide e as gônadas. Compreende a hipófise. o sistema nervoso e os fatores secundários ambientais. Viola acrescenta também os fisiológicos. genótipo. as glândulas endócrinas. podem ser influenciadas por fatores como alimentação e clima.FATORES DE D I F E R E N C I A Ç Ã O DOS TIPOS HUMANOS Os tipos humanos diferenciam-se devido a desigualdades no ritmo de crescimento dos órgãos. Aceitaremos como definição de constituição a de Silveira. Para Viola. básico para toda a biotipologia. o t i m o e o córtex supra-renal. As múltiplas possibilidades de combinações entre os gens nas primeiras fases do desenvolvimento sâb a maior causa de variabilidade na construção individual. Quanto às glândulas endócrinas podem ser divididas em dois grupos de acordo com seu modo de ação. citada por Coelho: "O conceito de constituição resulta de uma abstração que reúne o substrato anatômicoencefálico e somático em geral. o que as torna um fator capaz de transformar forças do meio externo em forças internas do corpo. Em outras palavras. Entretanto. parátipo e f e n ó t i p o . doenças e número de gestações. . tem vários conceitos. O termo constituição. e. elas contribuem para que um determinado genótipo possa realizar um fenótipo. além dos elementos morfológicos. Experiências têm demonstrado que a presença de partes do sistema nervoso são necessárias para que outras partes do corpo se desenvolvam. constituição é "a especial combinação correlacionada das variantes dos caracteres físicos próprios da espécie no estado fisiológico". Um primeiro grupo age sobre a diferenciação das formas dos órgãos. que são os mais utilizados nesta ciência: constituição.

pois engloba as caraterísticas afetivas. 0 componente morfológico se resume como biótipo e os componentes funcional. "a manifestação da atividade explícita. temperamento seria a expressão humoral do b i ó t i p o . é a parte volitivo-afetiva. isto é. Caráter é considerado como traduzindo fenómenos de ordem psíquica. 0 termo personalidade é muitas vezes usado como sinónimo de temperamento ou caráter. tendências e vontade. Segundo Coelho. conação e . Fenótipo é o resultado da interação entre genótipo e parátipo. de maneira a se conduzir socialmente. através das quais ele se contactua com o meio ambiente. Para Silveira. Biótipo e temperamento em conjunto. excluindo-se a parte intelectual. as ações. abrangendo a parte afetivo-volitiva e as faculdades intelectuais do indivíduo. Admitia-se caráter como o conjunto de todas as características psicológicas do biótipo. conativas (volitivas) e intelectuais do indivíduo. significando assim a mistura dos diferentes traços de personalidade. fixados através das gerações. reconhecidas como modalidade de caráter". A expressão temperamento. mas tem significado mais abrangente. Confunde-se dessa forma com o conceito de personalidade. Caráter. derivados dos caracteres físico-funcionais e que determinam um modo especial e espontâneo de reação psíquica ao ambiente". e também compreensão. enquanto outros. Viola dia que "temperamento é a especial combinação de caracteres dominantes da individualidade psíquica ou pessoa. Siemens) ou caracteres potenciais (Pende) é o conjunto de caracteres que o indivíduo adquiriu hereditariamente. psíquico e fisiológico. decorrem do estímulo afetivo. tal termo apresenta como definição precisa "o conjunto de funções subjetivas agrupadas fundamentalmente em três setores: afetividade. segundo o estímulo recebido. para Duarte-Santos. ampliam seu significado abrangendo também a parte psíquica e tendo assim significado volitivo-afetivo. estão implícitos na constituição individual. abrangendo sentimentos. mas não se confunde com ela. mas é empregado com amplitude variada. Outros ainda dão-lhe significado somente psíquico.Genótipo (Johansen). raciocínio e memória. Siemens) ou caracteres atuais (Pende) é a totalidade dos caracteres acrescentados ao genótipo pelas complexas ações do meio ambiente. Parátipo (Lens. Depende mais das condições ambientais e é mais passível de modificações do que a constituição. Portanto. Consideramos caráter como a expressão mais dinâmica do estado psicológico do indivíduo através do qual apresenta reações no meio ambiente. Para alguns autores. temperamento corresponde ao aspecto dinâmico da constituição. deriva de têmpera. Kretschmer considera temperamento o conjunto de qualidades afetivas que caracterizam uma individualidade tanto no que diz respeito á forma como sofre as "afecções" e à maneira como reage. segundo Coelho. idiótipo (Lenz. de modo que o indivíduo traduzirá no comportamento interpessoal as disposições afetivas. como temperamento.

O indivíduo é uma unidade existindo uma indissolúvel correlação entre suas diversas partes e funções.inteligência. O mesmo indivíduo é diferente de si mesmo em momentos diferentes. como carga genética e como manifestação do instinto nutritivo. b. f. Na génese da doença. as reações individuais têm importância igual ou superior às causas externas. d. c. não há duas pessoas iguais. Todos os indivíduos são diferentes. consiste no b i ó t i p o " . Uma definição precisa de biótipo é fornecida por Coelho: "a expressão somática da regência metabólica para com o mundo interno objetivo. g. Estas funções psíquicas resultam da atividade cerebral. PRINCÍPIOS GERAIS DE BIOTIPOLOGIA Alguns dos princípios gerais da biotipologia são importantes e por esse motivo serão citados a seguir: a. Essa diferença individual não é caótica. mas obedece a determinadas leis. são peculiares à espécie humana e regem harmonicamente e de modo contínuo as disposições do indivíduo e as suas relações com os ambientes físico e social". Apesar das diferenças entre os indivíduos há semelhanças que permitem grupá-los em " t i p o s " . . e. O conhecimento do indivíduo " n o r m a l " deve preceder e servir de base ao estudo do indivíduo patológico.

Encontramos indícios de tal fato já nas antigas sociedade orientais e ulteriormente entre os gregos. seu discípulo. interpretadas estatiscamente. se transforma imediatamente e para termos uma ideia viva e verdadeira da Natureza. bile e atrabile. "O que acaba de ser formado. A tentativa de agrupar os indivíduos segundo certas características existe desde as mais antigas civilizações. Stockard e Bean. umas. dentre as quais destacamos as de: De Giovanni.CAPITULO X TEORIAS BIOTIPOLÓGICAS Existem diferentes classificações biótipo lógicas. como também no estado dinâmico e cinemático (Bildung). sangue. Hipócrates utilizava os ensinamentos de Empédocles em Medicina. baseadas apenas no aspecto externo do indivíduo. escrevia ele. não só considerada sinteticamente e no sentido estático (GestaIt). opondo-se â atrabile (fria e seca). que levaram esta ideia a outros povos. pituita (fria e úmida) em contraposição com a bile (quente e seca). melancólico. apoiam-se em medidas biométricas. Brugsh. surgiram várias teorias biotipológicas. A predominância de um destes humores determinava o temperamento: sanguíneo. pituitoso e bilioso. Benecke. Kraus. e Hussen. Goethe criou o termo morfologia para significar o estudo da forma. Viola e Pende. acreditando que o ser humano seria formado por quatro elementos: linfa. Jaensch. ESCOLA ITALIANA De Giovanni (1891)." A partir do final do século XIX. originando uma orientação morfológica.Estes classificavam os indivíduos em cranianos. da qual foram precursores Halé. mas influenciável pelo meio externo. ShekJon e Stevens. aceitava como fundamental a ideia que o indivíduo desde a fecundação teria seu destino evolutivo marcado. devemos considerá-la sempre móvel e cambiante. enquanto outras. Os progressos que se realizaram posteriormente na Anatomia humana deram à noção de temperamento um significado diverso. . dando-lhe uma característica pela qual seria agrupado ou tipificado. sendo. torácicos e abdominais. Galeno admitiu que quatro humores entrariam na constituição do homem: sangue (quente e úmido). pois resultado da hereditariedade. O método é criticável por basear-se unicamente na inspeção sem nenhum elemento mais concreto e objetivo. Mais tarde (século II DC). "pintor em Roma antes de ser médico em Paris". Tal predominância se reconhecia pelo contacto com o corpo do indivíduo. segundo a predominância de uma destas três partes relativamente às outras. A vida resultaria da combinação desses quatro elementos sendo que um deles predomina no indivíduo. Sigaud.

a Anatomia e a Fisiologia. pele. um hipoevolutismo com tórax e abdome deficientes. altura do esterno igual a 1/5 da circunferência do tórax. mas sobretudo este. sãs e resistentes. fraca musculatura esquelética. Estas. aspecto viçoso. que é de volume normal ou maior (fig. de morbilidade escassa. Harmónicos. discípulo de De Giovanni é sem dúvida o mais impor- . mas com maior desenvolvimento somático (maior massa corpórea). segundo o conceito do autor. 10. membros curtos. havia. refletindo até a evolução filogenética da espécie.1). baço e das veias. na qual se incluiriam as pessoas dotadas de ótima constituição. característica das crianças. circunferência torácica igual a metade da estatura. doenças intestinais. sobretudo dos vértices pulmonares. musculatura e sistema cardiovascular bem desenvolvidos. pulmões grandes em relação ao coração. De Giovanni levava em consideração o desenvolvimento harmónico de cada parte e do todo individual. oom critério antropométrico. com frequente catarro. Representa uma forma hipo-evolutiva. A segunda combinação é a mais idêntica à ideal. deficiência respiratória por musculatura fraca. o que acarretaria excedência relativa do tórax. mas sem esquecer a investigação funcional e clínica. com leve excedência de tórax sobre o abdome. sendo 1/5 da base do apêndice xifoide ao umbigo e 1/5 do umbigo ao púbis. Jacinto Viola (1905). 10. como hemorróidas. A cada combinação corresponderia determinado funcionamento orgânico e especiais tendências mórbidas. tendência à obesidade. venosa ainda mais. Admitia estreitas correlações orgânicas entre a forma e a função. média. desde as primeiras fases embrionárias até a completa maturidade. em idade mais avançada. desprezando só a parte psíquica. Os indivíduos da terceira "combinação" têm apreciável desenvolvimento do tronco. Na primeira combinação. seriam etapas diferentes da ontogênese. mas sobretudo do abdome. eretismo do sistema nervoso. intestinos e afecções dos órgãos intra-abdominais como fígado. normal. Rara como em geral é a perfeição. Hiperemia respiratória. tensão arterial baixa. mesmo tuberculose pulmonar e. predisposição para afecções pulmonares. com predisposição para doenças do sistema linfático. entre o externo e o interno e até internamente entre os aparelhos e órgãos e as próprias partes constitutivas destes. em seu significado profundo. rins. Funcionalmente. coração pequeno e sistema arterial deficiente em relação ao venoso e linfático. insuficiência hepática e do aparelho digestivo.Este autor propôs-se a estudar os indivíduos baseando-se em sua morfolofia externa. diâmetro bi-ilíaco igual a 4/3 de altura do abdomem. podendo a individualidade total não atingir ou ultrapasar a maturidade plena.2) teria os seguintes caracteres antropométricos: estatura igual à grande abertura dos braços. tórax largo. Bom grau de nutrição. capazes de servirem para classificar os homens em grupos a que chamou "combinações". membros alargados. a combinação ideal (fig. Daí surgiu o conceito de hiper e hipo-evolutismo e a possibilidade de desequilíbrios. desproporções e variantes individuais. coração proporcionado ou mais desenvolvido na metade direita e sistema venoso e linfático muito desenvolvidos. há debilidade geral.

c— 3 . a combinação Figura 10.Figura 10.1 — As "combinações" de De Giovanni: a—1ªcombinação b—2ª combinação.Tipo ideal de De Giovanni .2 .

o indivíduo em sua expressão unitária. utilizando-se de método preciso.tante nome dentre os biotipologistas italianos. ponto xifóideo correspondente à síntese do esterno com o apêndice xifóide. Toda a comparação no método biotipológico de Viola se baseia na determinação da moda (normotipo) e das variações possíveis de se apresentarem para excedência ou deficiência das relações em comparação à medida modal. como elemento final. o qual foi definido através da lei dos erros: "as variantes individuais. condição indispensável para se ter as correlações entre eles de maneira direta e simples. As variações se fazem em sentido antitético e se tornam mais escassas à medida que se vai distanciando do ponto médio da curva (vai ocorrendo uma maior amplitude de variação). enquanto que as demais são as componentes do sistema aberto. o ambiente físico. Tais pontos são: a. Apesar de teoricamente ser elemento de muita facilidade de se entender e classificar. as diferenças raciais. Estabelece como elementos fundamentais para a avaliação tipológica. como o esperado. que não podem ser incluídos em nenhum dos tipos padrões. a Anatomia e a Fisiologia. brevilíneo e longilíneo. cria o grau centesimal. Este autor admite pois como elemento fundamental a correlação entre o exterior e o interior. a higiene. b. distribuem-se de maneira que existe um desvio uniforme dos vários indivíduos para os dois lados do valor médio central da curva de distribuição". que possibilitam maior por menor ização do indivíduo. na linha mediana. Seus pontos antropométricos são preferentemente ósseos para que haja precisão nas medidas. num grupo étnico. a classe social. Aceita como base formadora do indivíduo. e. Viola utiliza um sistema de medidas que chamou de fechado. graficamente. Estabeleceu as bases científicas da doutrina constitucionalista. a idade e a saúde. o sexo. por uma cruva binominal (lei de Quetelet—Gauss). delimitado por leis e traduzindo os elementos de estudo de diferentes origens em um número puro. os hábitos de vida. a hereditariedade influenciada pelo meio ambiente. veremos que a multiplicidade de relações não nos permite a classificação em apenas três tipos: normolíneo. na linha mediana. onde este genoma se desenvolve produzindo. A d m i t e como elemento mais bem adaptado ao ambiente aquele que mais vezes se faz presente .a moda — através do que define todos os seus tipos biotiopológicos. ponto jugular correspondente ao ângulo formado pela superfície anterior do nanúbrio esternal e pela superfície superior da incisura jugular. o qual é composto por dez medidas indispensáveis para a classificação biotipológica do indivíduo. . a alimentação e a idade no período adulto (entre os 20 e o s 50 anos). como causas acidentais dessa modelação. O homem modal se torna indispensável para a classificação de Viola. Tal fenómeno é representado. chegando á unidade. mas se fez necessário a criação de um quarto tipo — o misto — para abrangermos os indivíduos que apresentam tal relação entre as medidas. o morfológico e o fisiológico.

ponto acromial correspondente à borda externa do acrômio direito. recorre a inúmeras medidas complementares. admitindo um número reduzido de medidas.4). Sua classificação é baseada no estudo endocrinologia) do indivíduo (Fig. com uma linha horizontal. em bloco. passando pela borda inferior da 10ª costela (ponto em que esta cruza a linha axilar anterior). na linha mediana. A proporção de distribuição encontrada pelo autor f o i de 40% para os mistos e 20% para cada um dos tipos. o tronco. ou melhor. lembrando ainda a necessidade da medida basal. proveniente de exercícios exagerados. Tal fato encontra fundamento quando se faz o estudo da resistência em militares e desportistas. para Pende. 10. De acordo com Viola. dos segmentos determinados pelas medidas com funções fisiológicas precisas. a moda. linha articular do punho direito na face dorsal. brevilíneo e longilíneo (Fig. confere melhor sistemática e menor possibilidade de erros do método. o segmento abdominal inferior com a escolha e absorção dos alimentos. Discípulo de Viola. ponto púbico correspondente à borda anterior e superior da sínfise púbica. tais c o m o : segmento torácico com a hematose e distribuição de alimentos pelo organismo. Não aceita também somação de medidas feitas em dois segmentos consecutivos e que tenham a mesma função fisiológica correspondente. a gordura e a hipertrofia muscular.c. a psíquica e a neuroquímica. no homem médio. segmento abdominal (digestão). admite haver dois poios em cada um deles.3). e. ponto epigástrico. a relação entre a vida vegetativa e a de relação se equivalem de forma harmónica e nele encontraríamos a expressão mais adequada de todas as funções fisiológicas. teríamos o biótipo ou o homem t o t a l de onde sairá o conhecimento do indivíduo. sendo este um dos pontos mais criticados de sua classificação por abranger número muito elevado de indivíduos que são classificados por exclusão. 10. Este autor admite também a correspondência das medidas. que tem por base o património hereditário e por faces a morfológica. segundo Viola. Viola procura retirar de seu método elementos que são influenciados diretamente e em grau muito elevado pelo ambiente como o meteorismo. Biótipo. portanto. como elemento indispensável para a caracterização biotipológica. Da interação entre estas faces calcadas na base. porém com seu conceito de biotipologia — máxima individualização. bem identificável ao se fazer movimentos de flexão e de extensão do punho. Por outro lado. g. d. a conclusão sobre a re- . mesmo na classificação mais simples dos quatro tipo preconizados por Viola. normolíneo. ponto maléolo-tibial correspondente ao ponto de maior saliência do maléolo medial direito. f. Pende (1939) aceitava o sistema fechado do mestre. o estênico e o astênico. correspondente ao ponto de cruzamento da linha mediana abdominal. é sinónimo de homem total que se encontra no ápice de uma pirâmide triangular. é relacionado com a vida vegetativa e os membros com a vida de relação.

L N Figura 10. brevilíneo (B) e normolíneo (N) de frente e de perfil B .Tipos longilíneo (L).3 .

retirando conclusões. do indivíduo no vastíssimo alcance médico. em consequência. hipossuprarrenal. segundo Pende sistência vital geral. hipogenital. as aptidões manuais. mas.4 . ocorre. apenas as mais comuns. Pende estabelece relações no âmbito da face morfológica determinando índices como o de nutrição. hipogenital. reprodutor. social. profissionais. que é o fundamental. Pode-se dizer que os brevilíneos têm temperamento hipotireóideo.Biótipo. intelectuais. classificações e combinações as mais variadas. destes estudos. desenvolvimento sexual. com orientação parassimpaticostênica e metabolismo de tendência anabólica. hipertireoideia-hiperpituitárica. escolares. social e geral. entre os longilíneos temos: hipertiroideia. havendo neles astenia. das quais serão citadas a seguir. . hipopituirárica ou hipopituitárico-hipotireoideia. se existe hiper-funcionamento concomitante da suprarrenal ou das glândulas genitais. robustez. estenia e assim as duas primeiras variedades citadas são astênicas e as duas últimas estênicas. faz a determinação do caráter astênico ou estênico. Baseado neste índices. Estuda todas as faces da pirâmide de maneira bastante minuciosa. etc. o valor económico. Dentre os brevilíneos. descreve Pende as seguintes variedades: hipotireoideia. as características morfo-neuro-musculares. . hipersuprarrenal.Figura 10. .

reconhece que sob uma mesma rubrica estabelecida através do mestre Viola há relações muito diferentes no sentido da excedéncia. o colérico e no longilíneo astênico. com os quatro temperamentos dos antigos. que servem para caracterizar essas variedades e às quais corespondem temperamento próprio. o qual é acompanhado de um antagonismo entre o desenvolvimento da vida vegetativa absolutamente deficiente. e o da vida de relação excedente. c. no longilíneo estênico. utiliza-se dos mesmos parâmetros que seu mestre Viola. Assim. 10. dentro das quais se pode catalogar qualquer indivíduo. Macrosômico harmónico ou Paracentral superior de Viola (2ª Combinação) . É muito interessante a coincidência destes quatro biótipos (longilíneos astênicos e estênicos e brevilíneos astênicos e estênicos). no brevilíneo astênico se vê o temperamento fleugmático. Mário Barbara (1929). porém através da comparação de cada elemento com o valor modal determina se há excedéncia. Longitipo com antagonismo ou microesplâncnico de Viola (1ª Combinação) Tronco — < Membros + Os membros excedentes predominam sobre o tronco deficiente. b. Deste modo se estabelecem o i t o variantes e quatro formas de passagem de uma a outra variedade. Longilíneo ou N o r m o l í n e o . constituem seus tipos: a. deficiência ou normalidade do dado avaliado (Fig. traduzindo caracteres morfológicos e funcionais diferentes. Ainda dentro da escola italiana. no brevilíneo estênico. o melancólico. porém estabelece um critéiro de classificação que permite a localização de todos os indivíduos sem cair nos mistos de Viola. Braquitipo com antagonismo ou megaloesplâncnico de Viola (3ª Combinação) Tronco + > Membros - Suas características morfológicas e fisiológicas são contrárias ao anterior. deficiência ou normalidade. Para t a n t o . d. Seu método baseia-se na primeira relação estabelecida por Viola — Tronco/ membro para classificar sob a rubrica de Brevilíneo. fisiologicamente apresentam desenvolvimentos harmónico da vida vegetativa e de relação. Assim.5). Tipo médio ou normoesplâcnico de Viola: Tronco O = Membro O O tronco e os membros são iguais em seus valores absolutos e relativos. dentro do t i p o brevilíneo e do tipo longilíneo há diferenças morfológicas grandes.Na realidade. o sanguíneo. caráter próprio e até por vezes t i p o intelectual característico.

ocorrendo algo semelhante com os dois setores da vida orgânica. b normomélico c-microbrevilíneo.normolíneo. Microsômico harmónico ou Paracentral inferior de Viola (4ª Combinação) Tronco — = Membros 0 tronco e os membros são proporcionados. e. d-brevilíneo.5 . l-microlongilíneo. g. f-macronormolíneo. Grupo longilíneo.normomélico. h-micronormolíneo. m-normocórmico. porém inferiores ao normal. Grupo normolíneo. 0 tronco e os membros são proporcionados porém de valores superiores ao normal. e-macrobrevilíneo.Tipos de Barbara-Berardinelli Grupo brevilíneo: a-normocórmico. porém excedem ao normal.Figura 10. vida vegetativa e de relação proporcionadas. n. . i-macrolongilíneo. j-longilíneo.

braquitipo deficiente: Tronco — > Membros — Suas características são contrárias ao anterior. cujo valor é inferior ao modal.1 resume estes tipos. A variedade C (tronco O > membros -) o tronco encontra-se dentro do membros O) tem membros dentro do valor valor modal e é maior que os membros que se encontram abaixo do valor modal.Até aqui o critério de Barbara é semelhante ao de Viola. correspondem à "forma de passagem". longitipo excedente: Tronco + < Membros + Ambos os valores excedem à média e são desproporcionados entre si. A variedade D (tronco — < modal e predominando ao tronco. A variedade A (tronco O < membros +) possui tronco dentro do valor modal. porém menor que membros. Os indivíduos que não são classificados em nenhuma dessas formas citadas. os quais excedem o valor modal. com predomínio do sistema de relação. braquitipo excedente: Tronco + > Membros H Valores do tronco e dos membros superiores ao normal. Variedade B. tronco maior que membros. predomínio do tronco. O quadro 10. desenvolvimento maior da vida vegetativa sobre a da relação e ambos superiores ao normal. cujas características sintéticas são as seguintes: Variedade D. desenvolvimento deficiente dos sistemas orgânicos. A variedade B (tronco + > membros 0 possui tronco acima do valor nodal e maior que os membros que se apresentam dentro do valor modal. . longitipo deficiente: Tronco — < Membros — Valores abaixo da média. porém logo temos as quatro variedades que tornam possível a classificação dos restantes em quase sua totalidade: Variedade A. corresponderia a desenvolvimento desarmônico dos sistemas orgânicos com predomínio do sistema de relação. Variedade C.

1 -CLASSIFICAÇÃO DE BARBARA-BERARDINELLI .QUADRO 10.

com predominância do crânio. com predominância do tórax e do andar médio da face. agilidade. com a cabeça em forma de pirâmide devido ao grande desenvolvimento do maxilar. dá importância também à superfície corporal classificando os indivíduos em: superfície redonda ou chata.Os quatro tipos de Sigaud: R=respiratório. os autores desta escola basearam-se na análise da superfície corporal e só mais recentemente vêm utilizando método diferente de estudo. bosselada ou cúbica e ainda considera uma forma comprida e uma forma larga. 10. o VARF. (1894) o primeiro vulto de destaque da escola francesa elaborou uma classificação dos indivíduos baseada na integração do conjunto de sistemas que constituem a economia humana e o meio específico no qual apresenta a sua continuidade. Da predominância de um desses sistemas. digestivo. seriam definidos os quatro tipos: respiratório. D = digestivo. propondo um índice que até hoje é válido.6 . Figura 10. cujo tronco é igualmente repartido entre tórax e abdome. com os andares da face iguais. e predomínio do abdome. uniforme ou ondulada. É também quem inicia o estudo das capacidade físicas de velocidade. Claude Sigaud. . e cerebral. M = muscular e C = cerebral Thooris além de considerar a forma do corpo como o fazia Sigaud. tendo a cabeça em forma de pião (Fig.ESCOLA FRANCESA A princípio.6). muscular. resistência e força.

que posteriormente são trabalhadas estatiscamente para se determinar recorrendo a análise fatorial. pouco resistentes à fadiga e às infecções. as características de seus tipos se superpõem às dos quatro biótipos de Pende. diâmetro biacromial e diâmetro bicristailíaca). Martiny procura. mas de uma dúvida sistemática. ESCOLA ALEMÃ Nota-se nos autores alemães do início do desenvolvimento das ideias biotipológicas uma preocupação em relacionar os tipos com as condições viscerais como o fez Benecke (1878) e também com as perturbações psíquicas como o fez Kretschmer (1921). Usando tais medidas chega a quatro tipos: o mediolíneo. Benecke. anêmicos. constituído por indivíduos delgados. em seu trabalho. Entre os autores modernos temos Olivier que classifica os tipos utilizandose de medidas biométricas que em conjunto. atarracados. o longilíneo.Mac Auliffe (1932). Ambos os autores têm o mérito de ter dado à tonicidade e atonicidade das formas corpóreas o valor que elas merecem fora do t i p o de predominância. Não se propõem a nenhuma classificação nova. peso. o cálculo dos coeficientes de correlação e mesmo . fortes. — O endoblástico ao brevilíneo astênico — O mesoblástico ao brevilíneo estênico — O extoblástico ao longilíneo astênico — O cordoblástico ao longilíneo estênico. porém no aspecto de forma acrescenta a hidrófila inchada redonda e uma seca hidrófoba. constituem o denominado morfograma (altura. resistentes às causas morbígenas e órgãos volumosos. de relações quantitativas de peso e volume de vísceras de cadáveres. Classificou dessa foram dois tipos: o primeiro. A Escola Biotipológica Parisiense é constituída de vários autores que procuram estudar o indivíduo partindo. com as principais vísceras pequenas (microesplancnia). para sua classificação. débeis. correlacionar o t i p o morfológico com o fisiológico e o psíquico. faz uso. O estudo da participação dos três folhetos embrionários na determinação dos tipos é o que caracteriza o trabalho de Martiny. com bom estado de nutrição. Fazia uma antropometria mais interna do que externa e estudava o desenvolvimento em massa comparando as vísceras entre si e com a estatura e o peso corporal. e o transversal (brevilíneo) inferior ou visceral. o transversal (brevilíneo) superior ou muscular. o segundo tipo englobaria os indivíduos de grande massa t o t a l . utilizando um critério mais organicista e localisacionista que o geral. não de categorias pré-estabelecidas. altura troncocefálica. também dá importância à superfície corporal e faz a mesma classificação que Thooris para esse fator. mas ao estudo de grande número de variáveis.

caixa torácica estreita e comprida. ossos. pescoço e extremidades finais. Estudando precoce. a cabeça é pequena. as quais abrangem. O atlético caracteriza-se por um aspecto de robustez inconfundível. desarmonia do conjunto. mas sim relacionados com a estatura. o pescoço musculoso. músculos flácidos. gorda. dando ao todo uma impressão de imponência e força física. Este autor estabelece índices variados que não são referentes a um homem médio padrão. altos e baixos.7). que aceita a orientação de Pende. ombros estreitos. A maior crítica feita a essa classificação é que o autor não considera a parte psíquica no seu método. mais ou menos dolicocéfala. bem desenvolvidos. encontramos Kraus (1897) que elabora sua classificação baseando-se no estudo da capacidade funcional do indivíduo (siziologia) e Brugsch (1918). Os ombros são largos. Kretschmer. psicopatas. Leva em conta ação das glândulas de secreção interna que agem sobre duas coisas: a forma e o caráter.o pícnico. O pícnico corresponde ao t i p o digestivo de Sigaud. dando origem a três tipos: normal (índice entre 51 a 56). etc. Seu esqueleto e músculos são sólidos. feiura. o tórax amplo. os obesos por influência endócrina. músculos e pele. Pelo valor absoluto da estatura. o abdomem é rijo e fino.Tais tipos coincidem com a primeira e a terceira combinação de De Giovanni. relaciona o tipo morfológico com a tendência de se desencadear a psicose maníaco-depressiva ou para a demência . a cabeça forte. pois seu sistema antopométrico é calcado nas comparações das medidas entre si. contrastando com o desenvolvimento pelviano. Seu índice mais importante é o que relaciona o tórax com a estatura. de tórax estreito (menor que 51) e de tórax largo (maior que 56). Entre outros autores. com acentuada tendência à calvície. o dorso se estreira para baixo. os eunucóides. Diferentemente do atlético. As características do leptosòmico são: desenvolvimento dominante no sentido longitudinal. a dos atléticos e a dos displásicos (fig. fracos e delgados. Às duas tendências principais denominou de Ciclotímica e Esquizotímica. em tipos tais como os agigantados. distanciamento notável do normal. classifica-os em médios. cabelos raros. o nariz longo e o queixo é retraído. É gorducho. Aos esquizotímicos correspondem três formas exteriores: a dos leptosòmicos. não somente os casos normais mas também os que se encontram no limiar da anormalidade ou que se encontram em estados psicóticos. finos. fisionomia larga. de abdome desenvolvido. tronco cilíndrico. aliadas a uma beleza de formas que tem por base uma perfeita harmonia. os anões. Aos ciclotímicos corresponde uma única forma. porém com uma metodologia diferente. 10. o displásico apresenta formas bizarras. ombros estreitos.

7 — Os tipos de Kretschmer L — leptossòmico A —atlético P — pícnico A P .L Figura 10.

a título de expicação. sua oposta (desintegração aparente) é o denominado tipo tetanóide ou tipo T. Os primeiros são relativamente infantis e os segundo plenamente evoluídos ou adultos. Com predomínio afetivo Com predomínio voluntário Dissolvido ou incorporado ao ambiente. Idealistas e ascetas. A forma básica da integração para fora. quando se encontra acompanhada dos correspondentes sinais somáticos. Natureza meiga e flexível Natureza dura e rígida Dirigido para a A r t e e o gozo estético-sensual. Teóricos Curso representativo muito vivo e com frequência mutável. Compassivo. mas animados para dentro (isto é. Curso representativo lento e com frequência adesivo e viscoso. o quadro-resumo desta oposição tipológica: Tipo animado (integrado) para fora (e também para dentro) Tipo desanimado (desintegrado) para fora (quase sempre animado para dentro) Todas as funções (manifestações vitais) trabalham somato psiquicamente como uma totalidade fechada (integração) Todas as funções se encontram. . Soldados de ação e cérebro. às vezes simultaneamente. independentes entre si (desintegração). com violentas ou vivas variações do humor. Adaptável e acomodável. Com bom controle da expressão emocional.Merece atenção especial a teoria dos irmãos Henrique e Walter Jaensch. até certo ponto. irritável ou indiferen te. Quase sempre sério. A base da teoria tipológica destes autores radica na oposição entre os denominados tipos integrados ou animados (besselter) para fora eos tipos desintegrados ou desanimados para fora. Tempo Firmeza Artistas do viver e hábeis práticos. nô-la dá o denominado tipo basedowoide ou tipo B. Eis aqui. Fechado ao ambiente. Fantasistas Homens de conflitos e obrigações. firme ou obstinado. Mais propenso à ingenuidade e à alegria infantil. lábil. com grande "vida interior").

baseandose na evolução. cerebrotônico de Sheldon e alpino de Gunther.Não é difícil verificar que o tipo integrado é o sintônico de Kretschmer ou o extrovertido de Jung. especialmente. denominam de cerebrotônico. da tireóide (Stockard). Estes dois psicólogos da Universidade de Harward. em indivíduos que possuem uma particular sensibilidade às toxinas tuberculosas. selecionaram vinte manifestações para caracterizar cada uma dessas atitudes (as quais não seria d i f í c i l identificar às três emoções básicas) e propõem definir cada indivíduo mediante uma fórmula numérica-tempe- . descreveu W. viscerotônico de Sheldon. a qual denominam somatotônica (embora melhor seria denominá-la miotônica). uma atitude de "reserva. em troca. coincidindo com integrações limitadas a determinados territórios de sua individualidade e se faz presente. bervilíneo ou macrosplâncnico de Viola ou " d i n á r i c o " de Gunther e o t i p o desintegrado é o leptossômico (esquizotímico) de Kretschmer. ao predomínio de cada uma das folhas blastodérmicas no indivíduo. o tipo lítico ou t i p o S. de auto-afirmação e poder". finalmente. temos que destacar a de Sheldon (1940) e Stevens. nariz largo e curto de grande depressão na raiz e narinas francamente orientadas para a frente. extremidades curtas. orelhas pequenas redondas e grossas. ao predomínio do mesoderma corresponde. ESCOLA A M E R I C A N A Nos Estados Unidos. que se denomina viscerotônica. Jaensch. apresenta os tipos hiper-evoluídos (hiperontomorfo ou epiteliopático) e o hipo-evoluído (mesontomorfo ou mesodermopático). Stockard (1923) e Bean (1924) criaram classificações estreitamente relacionadas com o desenvolvimento endócrino. dando origem a dois tipos relacionados com o hiper e o hipo funcionamento desta glândula. Ao predomínio do ectoderma corresponde. própria do temperamento que o A A . os tipos linear e lateral respectivamente. uma atitude "dinâmica. Dentre os escolas modernas de Biotipologia. embora mais próximo do t i p o T. este exibe uma desintegração patológica. complacente e epicuriana". que seria constituído por tronco comprido. que do t i p o B. Pacientemente. introvertido de Jung. sendo que este autor considera ainda um terceiro t i p o . À margem desses tipos. partindo de concepções tipológicas sustentam que. Bean. corresponde um t i p o temperamental ao mesmo tempo que um tipo morfológico: o predomínio do endoderma se reflete por um aumento da área visceral e pela existência de uma atitude afetiva "branda. o hipoontomorfo. tensão interior e retenção expressiva".

ademais. um indivíduo que obtém índice temperamental de 7-1-1. De acordo com este critério.. escrevendo estas notas com lápis apagável. de sorte que o indivíduo dá a impressão de um "metal mole. somatônicas e cerebrotônicas). que possibilitam classificar o indivíduo com relação à sua estrutura afetivo-reacional. músculos e tecido conjuntivo: atletas ou . .. Para se obter o tipo morfológico neste método os AA. estática. cada um dos quais oscilará entre 1 e 7. determinam seu somatotipo e. mesomorfia e ectomorfia. os autores dão ampla definição de cada uma das 60 manifestações que constituem a escala. calcula-se o denominado índice Temperamental. Usa-se uma escala de pontos de 1 a 7 para cada manifestação observada. vamos esclarecer apenas o termo "intemperança". é descrito como cerebrotônico extremo. de sorte que o temperamento de cada indivíduo virá definido por 3 valores. O 7-1-1 corresponde à extrema endomorfia (predomínio das vísceras digestivas: gordos abdominais). educativa (cultural) e física. nas quais serão colhidos dados referentes à sua história familiar e individual e seu desenvolvimento psíquico nas esferas económica. tais como 4-4-6. tomadas sobre uma série especial de imagens fotográficas e quadriculadas do indivíduo despido. em todas as possíveis situações e humores. Em troca. etc. Para sermos breves. o qual é usado aqui como sinónimo de centrotônico". com dissociação nítida do subconsciente e manifesta objetividade. sexual. e. segundo os AA. indica. mediante o uso de 17 medidas antropométricas. obtendo-se as medidas dos valores de cada série de 20 manifestações (viscerotônicas. . submetendo-o a não menos de 20 "entrevistas" analíticas. Tais tipos extremos são raros e o frequente é obter valores intermediários. Na obra original de Sheldon-Stevens. de acordo com a tabela do resultado de tais medidas. de extroversão. O 1-7-1 corresponde á extrema mesomorfia (predomínio do esqueleto. Quanto ao termo "clivagem horizontal". a projeção e fixação da individualidade em um plano superficial. é descrito como viscerotônico extremo e aquele que tem um índice de 1-7-1. isto é. lhe conferem também três notas. que dê uma ideia do valor de cada uma delas. Uma vez obtidos os valores de cada uma das 60 manifestações. de fixação temperamental para as tendências sensuais.ramental. Como apreciar e valorizar essas manifestações das três modalidades? Observando o indivíduo durante o período de um ano. é descrito como somatotônico extremo e o que alcança o índice 1-1-7. 5-6-3. que não tem têmpera em si". a "clivagem vertical" indica a propensão para penetrar em profundidade a tendência à introversão e à retroversão (dependência do passado). social. básicas da vida. que marcam sua posição nas escalas denominadas de endomorfia. para incluir possíveis retificações ulteriores.

Naturalmente. extremidades fracas. representa a extrema ectomorfia (máxima área superficial possível . O comum é que existam desvios entre o somatotipo e o temperamento. 10. depois analisa a altura atingindo um total de 9 classes e finalmente o aspecto da face: triangular. 90 e 135 graus). losângica. devem corresponder-se os índices de endomorfia e viscerotonia. Inicia a classificação analisando o ângulo de Charpy de onde resultam três tipos (45. de mesomorfia e somatotonia e de ectomorfia e cerebrotonia. utilizando-se da altura. são poucos.). . Mas na vida quotidiana.8 — Tipos de Sheldon a — endomorfo b — mesomorfo c — médio d— ectomorfo homens fortes e ligeiros). quando não intervém fatores que provocam. uma discordância intra-individual (somato-psíquica).Figura 10. os casos em que existe tão perfeita concordância. secundariamente.desnudez perante o mundo — fragilidade linear. Prado Valadares. o grau de abertura do ângulo de Charpy e a forma da cabeça constitui o chamado tríplice morfológico de Prado Valadares. etc . relativamente. tórax e abdome planos. (Fig. o 1-1-7.8) ESCOLA BRASILEIRA Na Bahia. . . trapezóide e pentagonal perfazendo um total de 45 tipos.

que adotando o método da escola italiana fornece as denominações últimas para essa escola e é aceita pelo próprio Barbara (fig.) Beneke (1878) De Giovanni (1891) Sigaud (1894) Manouvrier (1902) Viola (1905) Giuffrida-Ruggeri (1910) Brugsh (1918) Kretschmer (1921) Stockard (1923) Bean (1924) Sheldon (1940) apoplecticus 2a. combinação digestivo braquiscélíco megalospláncnico braquiscélíco tórax largo pícnico latoral hipo-ontomorfo endomorfo meso-ontomorfo mesomorfo 2a. o das intermediárias. combinação 1a. de acordo com vários autores.TIPOS CONSTITUCIONAIS SEGUNDO V Á R I O S A U T O R E S Autores Hipócrates (460 A.Martim Gomes. No Rio de Janeiro. que são classificadas em três grandes grupos: um grupo de mulheres normais. combinação muscular mesoscélico normosplãncnico mesoscélico tórax médio atlético Tipos Morfológicos phtisicus 1a. O quadro que segue fornece a classificação biotipológica dos indivíduos.5 e quadro 10. a que denominou de displásicas e um terceiro grupo.1). Entre seus discípulos merece destaque Berardinelli. combinação respiratório marcroscélico microsplàncnico macroscélico tórax estreito leptossõmico linear hiperontomorfo ectomorfo cerebral . Q U A D R O II . Rocha Vaz e seus discípulos deram grande desenvolvimento á Biotipologia entre nós. 10. se utiliza de critério natural e simples. seu grupo de estudos foram as mulheres.C. outro de mulheres franca e visivelmente anormais. combinação 3a.

Para Marcondes. mecânica. Arndt — Schultz. torna-se muito difícil distinguir as manifestações genéticas das decorrentes da agressão do ambiente ao feto. a qual se caracteriza por ser um processo no decurso do qual emergem os traços genéticos e que abrange todas as influências biologicamente transmitidas dos pais às células do sexo. Marcondes afirma que o conceito de desenvolvimento é relacionado com a aquisição de capacidade e crescimento com o aumento de massa pela hipertrofia e divisão celular (hiperplasia). Em relação ao meio ambiente Silveira o divide em interno — citoplasmático — e externo — ambiente social. Marcondes e Pikunas entre outros tantos autores abordam o problema do crescimento e desenvolvimento como a interação entre a herança e o meio. segundo Comte citado por Coelho. etc". Mesmo em atos aparentemente simples como o andar. "quando os fatores ambientais atuam na vida intra-uterina. que aliás. o processo de vida. infecciosa. que. . Para Marcondes a herança está presente em todo o processo de crescimento e desenvolvimento através do genótipo. fisiológica ou mesmo psicológica. Essa dialética existente entre o genótipo e o meio caracteriza. A hereditariedade é constituída de todos os traços encontrados nos antecedentes. postural. são de diferentes índoles: anóxica. cabe uma análise que pode ser morfológica. Pikunas acredita ser a hereditariedade o fatorchave do desenvolvimento humano. porém Stent se contrapõem a essa ideia afirmando ser o DNA a estrutura do gen que abriga sua informação genética. Para Pikunas o desenvolvimento é uma sequência ordenada de fenótipos que é a resultante da ação do meio e do genótipo. citado por Marcondes diz que "estímulos fracos aceleram as funções e estímulos poderosos reprimem-na". Para Ford há suspeitas de que não haja uma base física para a hereditariedade. pelo duplo movimento contínuo de assimilação e desassimilação do meio ambiente pelo genótipo. imunológica.CAPITULO XI BIOTIPOLOGIA INFANTIL O ser humano é o resultado de uma interação complexa entre o genótipo e o meio ambiente. O genótipo é a confluência dessas informaçõc que se organizam para se iniciar a ação gênica indispensável ao crescimento e desenvolvimento do organismo. Malina comentando sobre a nutrição aventa ser esta o fator natural mais importante para o desenvolvimento plástico do indivíduo. em sua integralidade de expressão. sendo que só a interação desses conhecimentos se aproxima da realidade. O estímulo fraco deve ser de tal forma que seja assimilado. torna-se difícil de entender. colaterais e descendentes que conseguiram ganhar expressão no meio que se desenvolveram. A princípio o crescimento e desenvolvimento se fazem em dialética exclusivamente com o meio interno onde estão dissolvidos os elementos plásticos necessários para que se concretize a informação genética.

tão particular e diferente em cada fase de crescimento." Assim. puerilismo — dos dois aos 6—7 anos. e tão d i ferente também em cada educando. urinário. o amadurecimento do sistema nervoso e o psiquismo. o indivíduo se desloca ladeira acima para níveis mais altos da operação comportamental. A seguir. de cada fase do desenvolvimento. A dificuldade do estudo não se prende somente ao ser longitudinal. Dizia Plutarco. bioquímica hemática e psiquismo procurando estudar as mudanças encontradas. Entre nós Marcondes divide os períodos de crescimento e desenvolvimento pelo critério etário. Chamamos então de Neonato ao recém-nascido nos 15 primeiros dias de . temperamento. do terreno orgânico da criança. adolescência — dos 7 anos até os primeiros fenómenos da faculdade reprodutiva. respiratório. No capítulo anterior. a tendência simplista de se responder a pergunta da beneficidade ou não de um estímulo sobre o organismo deve ser analisado nos diferentes ângulos: morfológico. Pikunas lembra que "o ser humano cresce e amadurece à medida que as dimensões básicas do organismo e da personalidade se desenvolvem. metabolismo. Resumindo a classificação de Rossi para os objetivos do presente estudo levaremos em consideração o aspecto somático. serão vistos outros pormenores. fisiológico e psicológico. tampouco é concebível um educador que ignore as capacidades fisiológicas e as potências psíquicas. aparelhos — digestivo. Rossi divide os períodos e os caracteriza quanto aos aspectos somáticos.É portanto na determinação da intensidade do estímulo físico que se en- contra o problema da influência benéfica ou prejudicial da atividade física como elemento que propiciará melhor harmonia e desenvolvimento do organismo e de suas funções. o metabolismo. Malina preocupando-se de estudar a açâb da atividade física no crescimento e desenvolvimento abre a pergunta de quanto deve ser esse mínimo e faz sentir a necessidade de estudos nessa área. cada qual em seu próprio tempo e r i t m o . dentro da realidade do momento para o organismo. citado por Rossi. "Como não é possível que um agricultor não conheça o terreno no qual deve semear. Impelido pelo código genético no seu interior e pela nutrição e estimulação sensorial no exterior. Dessa forma acreditamos fornecer elementos para melhor compreensão do organismo e estágio de desenvolvimento deste." A primeira determinação dos períodos de crescimento segundo Rossi data de 1700 e foi realizado por Pagliani: O autor italiano dividia em 5 períodos compreendidos por: infância — 1º ano de vida até completar a primeira dentição. mas na variabilidade de um organismo para outro e no mesmo organismo de um instante para o u t r o . puberdade — correspondente ao período de desenvolvimento da diferenciação sexual e juventude que vai da puberdade até a consolidação do esqueleto. circulatório e nervoso. estudamos os aspectos gerais do crescimento.

O parassimpáticotonismo e o predomínio do estado hipertímico linfático associado ao hiperrinsulinismo. o estado especial de nervosismo que acompanha a muitas crianças. A lactência é. seu peso é 1 /4 a 1 /5 da estatura em centímetros. usando frases. corre e pede para satisfazer suas necessidades. braquitipo. o psiquismo é quase exclusivamente a prevalência da vida fisiológica e a resposta aos estímulos envolve o corpo todo. o perímetro torácico ultrapassa 7—8 cm da metade da estatura. pescoço curto. a altura da cabeça é 1/4 a 1/5 da estatura t o t a l . o lactente. Ao nascer. segundo Rossi. No sistema nervoso vemos que seu volume e peso são 1/4 do definitivo. é grande a imperfeição da função cerebral. hipertonia muscular fisiológica e sinal de Babinsky. a erupção dos 19 dentes e a tendência a certas diarreias. reflexos cutâneos ausentes. A fórmula neuro-endócrina com predomínio dos vagotropos. os membros superiores são maiores que os inferiores e a envergadura é maior que a estatura. a constituição morfológica e dinâmica temperamental do 1º ano de vida. A altura no final do 19 ano é por volta de 70 c m . Predominam nessa fase todos os hormônios vagotropos favorecedores do metabolismo anabólico com a consequente deficiência dos hormônios simpáticotropos — catabólicos. O aspecto somático é o seguinte: A linha que divide a estatura do neonato passa sobre o umbigo. Para Pende. O estágio seguinte. fibras nervosas pobres em mielina. a circunferência craneana e torácica crescem 2. na classificação de Godin. a primeira época de desenvolviment o . O temperamento é hipotiroideo para Concetti. braquiesquélico e macrossômico. assegurando com esta utilidade nutritiva as necessidades calóricas do 19 ano de vida. O metabolismo se caracteriza por oxidações intensas. justifica. o predomínio dos processos assimilativos sobre a desassimilação. função da medula espinal bem desenvolvida. o que assegura também o aumento do peso corporal. pouco menos desenvolvido que o abdomem. o metabolismo basal é muito alto e a ação específica dos alimentos é quase nula. vai do final do neonato até o final do 1º ano. hipopituitário para Pende. Dominam os hormônios da córtex supra renal. índice torácico de 90. curto e de base alargada. as necessidades calóricas são de 15o kcal/kg peso.5 cm da cada três meses e meio. reflexos tendinosos muito vivos. a ter mo regulação é imperfeita. citado por Rossi. o aspecto metabólico é caracterizado pela facilidade de assimilação de hidratos de carbono e dificuldade de assimilar proteínas. Seu desenvolvimento psíquico já lhe permite uma maior participação no meio compreendendo ordens simples. explica o possível desenvolvimento do raquitismo e do modo particular. Resumidamente podemos dizer que se caracteriza morfologicamente da seguinte f o r m a : macroesplancnico cefálico. do t i m o e do pâncreas. .vida. predominando o anabolismo sobre o catabolismo. tem por finalidade essencial assegurar o predomínio do anabolismo sobre o catabolismo. graças à insuficiência pancreática. tórax relativamente maior que os membros superiores. seu tronco é grande. de um modo particular a associação hipertiroidismo-hiperparatiroidismo da 2ª metade da lactência. é dizer.

No aspecto psíquico consegue manter equilíbrio em 1 pé só. cubos de encaixe. simples e de imaginação. o progresso psíquico da criança é. função da atividade física que lhe permite a memória. põe sapatos e usa bem a colher. responde a perguntas simples e usa orações. Segundo Pende a evolução das percepções se faz da seguinte forma. exercícios para os músculos dorsais e sacrolombares que podem ser executados a partir dos 2 meses. A necessidade metabólica em calorias é 83 Kcal/Kg/dia para os meninos e 80 Kcal/Kg/dia para as meninas aos 7 anos. apresenta no 2º semestre do 2º ano um notável aceleramento. aos 18 meses reconhece as figuras frontalmente. O aspecto metabólico basal é máximo no 29 ano. O crescimento prevalece em peso e amplitude. Na área física o autor supra citado preconiza duas sessões diárias de 5 repetições em cada um dos seguintes exercícios que deverão ser realizados também com o auxilio dos pais: circundação dos membros superiores. Suas capacidades físicas de velocidade e agilidade ficam exacerbadas. bem como a marcha e a atitude postural". A terceira época de Godin. em grande parte. Marcondes falando da época pré-escolar lembra "a influência benéfica dos exercícios físicos se faz sentir claramente. a atenção. enovelamento.. segundo Marcondes são as sacolas e caminhões para puxar. a silhueta se define.5 anos caracteriza o terceiro período de crescimento de Pende ou Turgor Primus. . O período de 2 a 3. como o engatinhar. Os jogos dos 2 aos 5 anos são motores. a proteinemia é muito variável.Os brinquedos mais adequados. No aspecto somático encontramos um aumento rápido da estatura. a associação de ideias. animais. o falar mais fluente. "Os exercícios visam aumentar a independência muscular e aperfeiçoar a coordenação m o t o r a " . faz uma ponte com 3 cubos. exercícios de sentar e equilíbrio para sentar-se devem ser executados após o 4º mês e de ficar em pé e equilíbrio para ficar em pé após os 6 meses que podem se prolongar até os 2 anos. "proceritas p r i m a " ou pequena puberdade de Pende se caracteriza pelo crescimento longitudinal e se extende no período do 5º ao 7 º a n o de vida.nos homens predominam os diâmetros craneanos transversais e nas mulheres os longitudinais. 0 peso corporal que havia dimunuído em seu crescimento na segunda metade do 1º ano. aos 2 anos reconhece perspectiva e dos 3 aos 4 anos em todos os planos. relativo estreitamento do tórax e escasso aumento ponderal caracterizando maior longitipia fisiológica. Há aumento das proporções braquítípicas em ambos os sexos devido ao perímetro torácico. a 2 a dentição se inicia. bonecas inquebráveis. Os exercícios ajudam a desenvolver o tonismo muscular necessário para a postura ereta e marcha. porém não se deve pular nenhuma das fases do desenvolvimento. Há o crescimento do pescoço. segundo período de Godin. flexão e extensão dos inferiores. movimentos laterais do quadril. panelinhas para as atividades imitativas do meio social em que se desenvolve. o que dificulta a resposta plástica aos exercícios.

Também se observam neste período a maioria dos casos de ambivalência sexual por hipertimismo. O "turgor segundo" de Pende se caracteriza pelo acelerado crescimento ponderal dos 9 aos 11 anos. Existe uma evolução na capacidade de trabalho. No aspecto psíquico. Para Marcondes há um maior desenvolvimento da função respiratória. aproximadamente. Domínio da extroversão e falta de introspecção. hipertimismo. No aspecto metabólico encontramos hiperfunção da constituição anabólica. Para as mulheres exercícios que desenvolvam a graça e o r i t m o e Tanto Marcondes quanto Godin admitem ocorrer por volta do 12º — 13º ano para os rapazes e 11º . hiperpituitarismo. motivo pelo qual ganha pouca força. Surge a necessidade da crítica e da prova. hipergenitalismo. É uma fase transitória em que o indivíduo ganha peso graças ao tecido adiposo e pouco devido ao tecido muscular. o diâmetro transverso do tórax desenvolve-se. começa o desenvolvimento da crítica. Salienta também que "os exercícios de força seriam usados excepcionalmente. em ambos os sexos. hipertiroidismo. o desenvolvimento muito. obedecer e imitar. para as meninas. enquanto o psiconeuromotor é . Há a reafirmação da constelação hormônica anabólica. "proceritas segunda" caracteriza-se por nova crise de crescimento longitudinal. A pré-puberdade. Os exercícios físicos preconizados por Marcondes para essa época divergem conforme o sexo. Há. a hipertorfia muscular se opõe ao crescimento ósseo. No aspecto endócrino metabólico podemos ter: uma maior atividade hipercorticossuprarenal-hiperinsulínica-hipertímica com acúmulo de gordura e obesidade infantil ou do grupo tiroides-hipofisea-adrenal com constelação catabólica produzindo magreza submórbida ou mórbida. O temperamento é dominado pelo vagotonismo. os membros superiores sofrem intenso crescimento. pois os ossos ainda são maleáveis e os pontos de inserção dos músculos não estão consolidados". Quanto aos exercícios físicos nessa época do desenvolvimento preconiza Marcondes uma maior complexidade destes procurando desenvolver responsabilidade e disciplina. nessa fase. assim como os inferiores. um notável aumento da força muscular.No aspecto psíquico a criança adquire a noçâb de tempo decorrido e assim adquiriu todas as noções tanto auto como halopsíquicas. Idade em que se formam os costumes morais e mentais pela ação dos colegas. Há aumento intenso do peso. Deve-se evitar uma educação demasiado sistemática que choque com o real caráter criador. estamos no período pré-realista de Pende que se caracteriza pelo domínio da sugestionabilidade e tendência a crer. V época de Godin. Neste período desehvolve-se a consciência das relações interpessoais.12º ano muscular é pouco expressivo. Coincide com a queda dos dentes de leite. Silveira e Rossi salientam que o 79 ano é a idade da mentira e que também. educadores e pais.

da pilosidade pubiana e axilar e esboça-se a barba e o bigode. Quando respeitados os diferentes períodos de desenvolvimento do indivíduo. Nos homens além de mudanças na tonalidade da voz. dos caracteres individuais. adquirindo maior elasticidade e hiperpigmentação sobretudo nas zonas genitais. aumento do penis. um estímulo positivo. neste período. que terão atingido o seu grau máximo de complexidade. há aumento dos testículos e produção dos espermatozóides. o cérebro adquire seu volume definitivo e o timo deve estar involuido. o mesmo acontecendo com os dentes e unhas. flexíveis e que desenvolvam a resistência. constituem a base dos exercícios físicos. O acontecimento mais importante da crise puberal é a amadurecimento sexual. O sistema piloso adquire o máximo de desenvolvimento. Há diminuição do crescimento longitudinal e começa o crescimento em amplitude sobretudo ao nível do tronco. hipertrofia e robustecimento das massas musculares. Para Marcondes a ginástica e o desporto. boas ou más. o exercício físico torna-se um elemento catalizador. Na mulher o sinal visível é a menarca e o invisível é a ovulação: os pelos pubianos e axilares aparecem e ocorre o desenvolvimento das mamas e dos genitais externos. A pele aumenta em consistência.para os homens.na mulher começa com a menarca e no homem com a primeira poluçãb noturna. VI época de Godin e sétimo período de crescimento de Pende "turgor t e r t i u s " . para o desenvolvimento harmónico das potencialidades contidas no genótipo e no meio ambiente em que ele se encontra. Do ponto de vista psicológico a puberdade determina profundas modificações tendendo todas a exagerar as características originais. Os exercícios de força são largamente utilizados bem como os de aprimoramento da formação corporal. desenvolvimento das mamas e distribuição característica do tecido adiposo. Na mulher completa-se o desenvolvimento pélvico com o aumento do diâmetro bicristailíaco. acompanhado de aumento da espessura dos membros. os que possibliitam movimentos amplos. Preconiza também para esta época a iniciação esportiva do indivíduo. . No homem. A puberdade. ocorre a mudança da voz.

Pende procurando estudar as diferenças sexuais constitui três índices e classificação consequente. base do pescoço mais larga e arredondada. Quanto às características gerais a mulher no seu conjunto apresenta dimensões menores. a força e o desenvolvimento das inserções musculares maiores são características de predominância masculina. superfície da pele mais lisa. um dos aspectos mais nítidos da personalidade é. cordas vocais mais débeis e curtas. Lordose lombo-sacra mais pronunciada. visto que nos meninos a partir dos 11 anos já encontramos uma superioridade no teste da dinamometria. A força. que é antecipado na mulher visto este ocorrer antes nelas. nem mesmo da modificação de Marafión (caracteres genitais e sexuais) porque incide no mesmo incoveniente de dar um caráter radicalmente diferencial a órgãos que tem equivalentes nos dois sexos. a asperidade onde se inserem os músculos nos ossos são menos salientes. cérebro maior relativamente à massa corporal. A altura da mulher adulta é 10 a 12 cm menores que o homem em igualdade de condições. e outros postos em evidência pela observação mais minuciosa física e funcional. o sexual. sem dúvida. Caracteres Sexuais Morfológicos Nas mulheres em relação aos homens encontramos além de órgãos tipicamente femininos como os ovários. mostra-se um fator de precoce diferenciação sexual.CAPITULO X I I DIFERENCIAÇÃO SEXUAL Como diz Marafión. A mulher se distingue do homem por uma série de caracteres morfofísiopsicológicos. coluna lombar relativamente mais longa e coluna dorsal mais curta. Todo o sistema ósteo-músculo-ligamentoso mais delicado. Tal aumento se torna generalizado após o surto pubertário para toda a musculatura constituindo elemento de diferenciação entre os sexos. e produzindo por pequeno período maior estatura nas meninas do que nos meninos. mais regular. mais cilíndrico. A velocidade de crescimento decresce do nascimento até os quatro ou cinco anos. já clássica. Em poucas coisas nos diferenciamos como nos traços de nossa sexualidade respectiva. que antes do surto pubertário é igual para os dois sexos. Esses índices são: ou pela precisão dos instrumentos de antropometria . vagina e vulva. Não nos utilizaremos nesta exposição da divisão proposta por Hunter em 1870 (caracteres sexuais primários e secundários). mas que com os conhecimentos endocrinológicos atuais se tornou muito estreita. Pescoço mais curto. para ocorrer uma aceleração no início do surto pubertário. segundo Tanner (1962). trompas. A resistência. alguns evidentes à primeira vista. a cabeça mais longa. com laringe mais delicada.

mais se acentuam seus caracteres viris. No homem haveria inversão destas características: os braquicéfalos são hipogenitais.4 para os homens. Como já estudamos. diâmetro biacromial — diâmetro bicrista ilíaca O valor médio desse índice fica em torno de 93 para os homens e 78 para as mulheres. a medida que a mulher vai desenvolvendo caracteres femininos. medindo os pontos supra-púbico e o ponto tibial interno na interlinha fêmoro-tibíal. em que há predominância do segundo sobre o primeiro. aproximando-se das do homem. quanto mais preponderante o bi-acromial. ou quase.1 para os homens. As médias para os dois sexos são: 83. comprimento da coxa X 100 comprimento da perna fecundas: 3º- Relação entre os diâmetros longitudinal.1º— Relação entre os diâmetros bi-acromial e bi-trocantérico .4 para as mulheres e 85. hipergenitais. A medida da coxa se obtém. Tanner propõe uma fórmula simples para evidenciar a diferenciação sexual: I = 3. o índice: Diâmetro bi-trocanteriano X 100 diâmetro bi-acromial apresenta como média 90. no homem. A mulher braquicéfala seria mais fecunda que a dolicocéfala. segundo Gualco. Pende (1955). ao passo que os solicocéfalos. O grau de virilidade ou feminilidade será tanto mais acentuado quanto maior ou menor for o índice com relação aos seus valores médios. quando há diminuição das características femininas.Nota-se na mulher bem desenvolvida uma predominância deste sobre o dos membros.Gualco e Sarperi dizem haver uma estreita relação entre a predominância do diâmetro bi-troncanteriano e a fecundidade feminina.5 para as mulheres e 91. começa-se a notar o inverso. Pende classifica as mulheres e m : . Na mulher normal há predominância da largura e da altura sobre o comprimento da cabeça. bilateral e vertical do crânio. 2º— Comprimento relativo da coxa e da perna — Nota-se um maior desenvolvimento longitudinal da coxa que da perna. As primeiras são as segundas são estéreis. Baseado nesses índices e outras caracteríticas auxiliares. Na mulher hipoovariana há predominância da perna.

na parte inferior. na parte inferior do ventre. de aspecto quase infantil. Na época preclimatérica e climatérica. na posição ereta. o pescoço. preponderância da bacia sobre a cintura escapular e a porção superior do tronco é bem acentuada. sendo tal espessamento mínimo no homem. o períneo. a disposição dos pelos é também feminóide: mas nos anos sucessivos eles se transformam tipicamente. pés juntos. na metade inferior do corpo. por . em direção ao umbigo. A distribuição de gordura é muito diferente no homem e na mulher. os atrativos físicos da mulher. isto é. e estendendo-se para o perineo e margem do ânus. Caracteriza-se por hiperfunções ovariana. Nos homens ocorrem as "entradas". tal localização faz com que. O t i p o de feminilidade pós-púbere é o tipo de mulher adulta bem desenvolvida. O t i p o de feminilidade maternal apresenta predominância do segmento inferior. durante a puberdade. espessando-se mais do que na mulher. fecundas. pois. 12. o que caracteza o tipo matronal. os braços. Berardinelli. em que há predominância da porção inferior do tronco. 12. Isso não impede que possam ser belas e algumas vezes. nas coxas.a) Tipo de feminilidade pré-púbere b) Tipo de feminilidade pós-púbere ou pré-maternal c) Tipo de feminilidade maternal d) Tipo intersexual atenuado. com bacia ampla embora haja uma perfeita harmonia de formas. cita o sinal de Stein como um dos caracteres sexuais mais constantes no homem e que constitui da forma da implantação dos cabelos na região frontal. nos flancos. ao longo da linha mediana do abdome. prolongando-se para cima. O t i p o intersexual atenuado é o que apresenta discreta tendência para a masculinidade. invadindo raramente. isto é. tiroidiana e suprarrenal. sob uma nova forma. O t i p o evoluído pré-pubere se caracteriza por apresentar bacia pouco desenvolvida assim como as mamas. (Figs.2. a cintura escapular. preponderando. prolongar às vezes muitos anos. aumento da hipófise. Na mulher há espessamento progressivo e acentuado do panículo adiposo sobre a face interna da coxa desde sua raiz até o bordo interno do joelho. No homem. embora haja mamas bem desenvolvidas. Há predominância do timo redução da função ovariana. a gordura da mulher invade a parte superior do tronco. 12. A gordura na mulher se acumula de preferência na região mamária. na pube.3) Os pelos pubianos tem na mulher a mesma disposição que nos adoslescentes de ambos os sexos. lembrando o desenvolvimento pré-púbere.1. as coxas das mulheres permaneçam em contato ao passo que as dos homens apresentam-se geralmente afastadas por um espaço mais ou menos largo. que permite. termina numa linha horizontal.

1 — Perfis masculino e feminino em vistas anterior e posterior para comparação .Figura 12.

menor atividade das trocas gasosas e energéticas em geral.72% maior na mulheres. maior precocidade sexual e também parada mais precoce da atividade sexual. quantidade de urina. segundo Pende.Perfil do tronco masculino Caracteres sexuais fisiológicos. relativamente hipohipofisária. menor energia muscular. coração mais célere. Fisiologicamente a mulher apresenta. sendo que na mulher é 20. . hiposuprarrenálica.Baseados nessa característica Felice e Vassal propõem um índice que utiliza o perímetro da coxa e o peso. bem como sua densidade e taxa de ureia menores. 2 . maior número de movimentos respiratórios. Figura 1 2 . hipoparatiroidea. a mulher é mais hipertiroidea ou hipertimotiroidea. em relação ao homem os seguintes caracteres principais: temperatura um pouco mais elevada e ao mesmo tempo mais lábil. endocrinologicamente. menor capacidade vital.

diz Maranon. A voz nitidamente feminina. O andar característico da mulher é devido sobretudo à maior largura da bacia. o andar do homem se caracteriza por um movimento pendular das coxas e muito reduzida mobilidade pélvica. é a de soprano nas suas diversas gradações. a mulher é dotada de menor aptidão motora e à resistência passiva. . disso resulta que a mulher para andar deve imprimir uma certa rotação às coxas. caracterizam também a mulher. e um movimento em báscula mais ou menos acentuado à bacia. as vozes nitidamente masculina são as de baixo e de barítono. que obriga as coxas a covergirem mais que no homem. resultando como compensação um certo grau de geno valgo. o andar.Figura 12.Perfil do tronco feminino A voz.3 . Como consequência da estrutura menos sólida do seu aparelho ósteo-músculoligamentar. a atitude das mãos e a aptidão especial para certos trabalhos.

mais intuitiva do que lógica.Diferença fisiológica importante. linguagem mais célere sendo por isso mais desenvolvidos os músculos da língua como aliás o são também os adutores da coxa. Para Maranon. inteligência mais viva e ágil. Também para a dor moral as mulheres são mais fortes. mais prática. tendência aos fenómenos dependentes do menor controle dos centros nervosos superiores sobre os inferiores. maior irascibilidade. quando ela vem. Pesquisas de Lombroso e sua escola mostram menos sensibilidade dolorosa na mulher. Caracteres sexuais psicológicos. (Pende). que é rápido no homem e mais demorado na mulher. como o que se poderia chamar a labilidade da mímica emotiva (riso e choro fáceis). . O mesmo pesquisador afirma que as mulheres apresentam todas as formas de sensibilidade mais obtusas do que nos homens. e uma menor aptidão do que a destes para a atividade abstrata e criadora. mesmo sob o ponto de vista estritamente prático. Maior emotividade. é a que se refere ao orgasmo. suporta-a melhor" (Balzac). de desenvolvimento mais precoce. "A mulher tem mais apreensão pela desgraça. as mulheres se caracterizam psicologicamente por apresentarem uma afetividade mais aguda que a do homem. principalmente nas mulheres mais jovens e sem experiência sexual. mas.

Assim sendo. O controle da formação do caráter e do tipo mental. como consequência do excesso de desenvolvimento muscular e da força dos músculos em determinados segmentos do corpo. A palavra "V.R. isto equivale a dizer praticar medicina preventiva.F. os que terão maior rendimento em uma determinada especialidade. Estas habilidades ou capacidades podem ser resumidas na sigla V.F. melhor avaliá-lo e orientá-lo sobre exercícios mais indicados e os que seriam prejudiciais à sua constituição. 0 dilucidar controlando a normalidade ou anormalidade do desenvolvimento sexual. c. pois foi demonstrado que o atletismo não controlado cientificamente pode levar á desarmonia dos biótipos corporais e psíquicos.A. fatores que não só relacionam a biotipologia escolar com a medicina do trabalho. oferece material suficiente para se organizar um conceito objetivo e sólido dos seus atributos físicos e psíquicos. e. coletados no início do ano. b. d. Por outro lado. que mescla a vida moral e social do indivíduo em formação. que necessariamente devem imperar em todo desportista. O conhecimento e o controle das aptidões musculares e psicomotoras. Conhecer e controlar também as aptidões psico-sensoriais e intelectuais. mais especificamente. em detrimento da harmonia da forma e funções. aconselhar no rendimento e orientação profissional.A. Podemos assim.CAPITULO XIII IMPORTÂNCIA DA AVALIAÇÃO BIOTIPOLÓGICA EM EDUCAÇÃO FÍSICA A avaliação biotipológica do indivíduo. pode-se avaliar a validade do trabalho realizado pelo Prof.R. a Biotipologia constitui base verdadeiramente científica. de um grupo de alunos e comparando estes dados com os de uma nova tomada. e que serão estudadas a seguir. De posse dos dados biotipológicos. quando feita criteriosamente. cada indivíduo apresenta certas habilidades motoras mais ou menos desenvolvidas e que devem ser consideradas no momento de se indicar um determinado tipo de esporte para esse indivíduo." é formada pelas iniciais de quatro qualidades diretamente ligadas ao aparelho motor e que são: . como sabemos. Será mais fácil para o técnico desportista escolher os indivíduos que poderão render mais e se comportar melhor em esportes coletivos ou os que terão melhor desempenho em provas individuais e dentre estas. O estudo biotipológico dos alunos possibilita aconselhar a higiene somática e terapêutica. senão que fundamentam a base científica da projeção do indivíduo na sociedade. que deve guiar as atitudes do professor de Educação Física e do Técnico desportivo. aconselhar sobre higiene mental. 0 conhecimento da formação harmónica do tipo geral do corpo. há cinco aplicações que a ficha biotipológica escolar tem estabelecido na ordem social: a. aconselhar em educação física. de Educação Física. Segundo a escola de Pende.

musculatura delgada e frágil. Assim é que geralmente a velocidade ocorre paralelamente com a agilidade. A relação entre biótipo e desempenho esportivo pode ser resumida como segue: a. Pende. velocidade e agilidade traduzem quase sempre um temperamento neuro-vegetativo. f r u t o da própria experiência. A agilidade. . Tudo ocorre ao contrário com o cavalo bretão (bradiprágico — bradipsfquico — hiperpituitárico — parasimpaticoestênico).V — velocidade A . são reveladoras de uma tendência constitucional para a parasimpaticostenia. agilidade R — resistência F — força Por resistência devemos entender o tempo máximo de duração do moviment o . Esportes coletivos para os de espírito altruístico e individual para os de tendências mais egoístas. de média distância — mais altos com as proporções mais para a longitipia e os velocistas . pois. Thooris afirma que nenhum homem é capaz de reunir as quatro qualidades do " V A R F " no mesmo grau. São bons atletas para corridas (de longa distância — estatura pequena. e a resistência e a força. É conhecida a perspicácia de certos atletas. comentando o índice " V A R F " . O biótipo veloz (taquiprágico — taquipsíquico — hipertireóideo — simpaticotônico) equivale ao t i p o de cavalo de corrida. peso baixo. em consequência. de modo que este é um fator decisivo no estudo da fadiga. fácil. o biótipo de menor resistência. ela equivale ao instinto automático do sujeito saber coordenar e precisar seus movimentos. é a inteligência posta a serviço do músculo. é arte. é destreza. se prevalece a velocidade. arremessadores de dardo. em grande parte. saltadores. Exercícios que necessitem de agilidade para os longilíneos e os que requerem resistência para os brevilíneos. poderíamos indicar esportes competitivos para os estênicos e recreativos para os astênicos. ao dizer de Pende. é. mas também resistente. emparelhadas. Determinado o biótipo. acrobacia. sendo em consequência. equitação. é tática do movimento. com tendência à simpaticostenia.tipicamente longilíneos e de musculatura variável). essa é a função do Educador Físico. Pode-se mesmo procurar um plano de treinamento para minorar as qualidades negativas do indivíduo e exacerbar suas qualidades. esgrima. é o que mais rapidamente vai queimando suas reservas energéticas.destreza. é apreciar que este animal não é somente f o r t e . enquanto a resistência associa-se com a força. diz: "temos que admitir que a velocidade e a força muscular apresentam-se nos diferentes biótipos humanos de forma antitética. Longilíneos — Tem como característica geral a velocidade. vale dizer que. analisando-o de maneira ampla e completa. É esta uma propriedade característica do longilíneo veloz. voleibol. que em jogos olímpicos sabem suprir a falta de resistência ou força muscular com um maior emprego da agilidade. não pode prevalecer a força. basquete.

A. etc. v. há diferentes aspectos a serem considerados de acordo com os vários autores. b. também constitui "handcap" em todas as especialidades atléticas. A.Tem como característica geral o equilíbrio das formas. c. judo. pentatlo ou decatlo. Normolíneos . V. utilizando-sea metodologia proposta por Viola e a classificação de Berardinelli. v. que transcrevemos: Corredores de velocidade Corredores de meio fundo Corredores de velocidade prolongada Corredores de fundo Saltos e barreiras Arremessos Futebol e basquete Levantamento de peso Lutadores Boxeadores Esgrima (100. d. Assim.A. O excesso de endomorfia tem efeito negativo em qualquer desporto. parece-nos porém mais aconselhável seguir a orientação de Silveira.f. de intensidade igual ou superior a 5. Brevilíneos . mostra o seguinte: a. A. V. F.R.b.a.). 39 .A.R.f. Como vemos. Só os indivíduos de mesomorfia considerável. A.a. Um estudo feito com atletas participantes de jogos olímpicos. nadadores (devido ao bom desenvolvimento da caixa torácica). 29 — Classificar a face do temperamento pela escala de Sheldon. futebol. 19— Classificar a face morfológica. pois torna o indivíduo pesado. 1. A ectomorfia exagerada. r. Nas provas de velocidade.A. r. F. a.Classificar a parte psíquica pelo método de Rorschach. f. Em desportos que necessitam de mais força. terrestres ou aquáticas. V. (400 m) V. os praticantes de alto padrão são sempre mesomorfos. A ectomorfia é condição necessária para as corridas de fundo e meio fundo e para saltos. que tratam do assunto. igualando ou mesmo superando a mesomorf ia. F.R. c.F. Ginástica de aparelhos. o grau de mesomorfia é superior a 5. R. R. v. 200m) V.R. remadores (estatura alta). e.F.F. R. Brandão faz uma correlação de alguns esportes com o índice VARF. tem possibilidades de brilhar como atletas.500m) V. . poliatleta. (3. A. . significando debilidade. lento e pouco resistente. F. . quase sempre acima de 4. v. teremos possibilidade de entender melhor o nosso educando e melhor avaliá-lo para orientar convenientemente sua atividade física. Sâb bons atletas para lutas (luta romana. social e intelectual. R.Tem como característica a força. (800. natação (tendência para a longitipia). levantamento de peso e halteres.5 e 10 mil m) V.r. fragilidade e fatigabilidade. F.

mas identifica-se com a pirâmide biotipológica . Os resultados das "perfomances". Nos indivíduos adultos. Provas funcionais antes e depois do esforço — tempo para retornar ao normal. que compreende: a. Antecedentes patológicos. os caracteres somáticos e psíquicos individuais. altura e peso. O Congresso de Chamonix ocupou-se somente da primeira parte. Assim. deduzimos a necessidade do conhecimento integral da personalidade física e psíquica. Observação do médico A ficha de avaliação compreende duas partes fundamentais: 1a. A ficha consta da avaliação dos seguintes tópicos: antropometria. O controle e a avaliação biotipológica. Passamos a transcrever o modelo das duas fichas adotadas neste encontro e que se denominam: "controle m í n i m o " e "avaliação propriamente d i t a " . graduação e classificação não somente da cultura mental. A ficha do controle mínimo contém os seguintes dados: Idade no momento do exame. diferencia-se somente pelo nome. que f o i aceita na ocasião por uninimidade. FICHA BIOTIPOLÓGICA DE NICOLA PENDE EM EDUCAÇÃO FÍSICA Como resultado do estudo aqui apresentado. b. isto é. desenvolvendo suas qualidades e respeitando suas limitações. Após essa análise. Pende apresentou uma ficha biotipológica para aplicação em esportes. Exame dos pulmões. como na verdade se completam. mas também da cultura física. Perímetro torácico na inspiração e na expiração. podemos organizar grupos homogéneos segundo a idade. Amplitude torácica. segundo o ponto de vista de seus temperamentos e capacidades intelectuais. a.atuando em nível curativo e profilático. Provas respiratórias: espirometria. Peso. deste autor. Como vemos. podemos dizer que a ficha biotipológica da educação física não pode ser outra que a ficha biotipológica da educação mental. A l t u r a . sexo. como diz Rossi. pode-se fazer a seleção. há a possibilidade de que ocorra uma verdadeira reforma educacional. como também. 2a. o que se pode obter através da ficha biotipológica. Provas cárdio-vasculares: estudo do pulso e da pressão arterial. por conseguinte. exame das vias aéreas superiores. Exame de urina. ambas devem necessariamente complementar-se. as "performances" se avaliam segundo o cânone olímpico. Assumindo essas diretrizes. Perímetro torácico médio. morfologia constitucional e fisiológica e psicometria. No Congresso Internacional de Educação Física de Chamonix (Suiça) em 1934.

Acuidade sensorial. a razão de dois saltos por segundo. perímetro torácico. Depois desta prova horizontal. xifoideano. com elevação dos joelhos até um plano horizontal. c. deduzimos os comprimentos xifo-epigástrico. Tempo de retorno à normalidade. Fórmula corporal. Eletrocardiografia. pesos. Com estas medidas. Exame radiológico do tórax e do aparelho cardiovascular. perímetros dos braços direito e esquerdo. abrange: 1º — Exame das funções sensório-motoras. espessuras. epigástrico. movimentos e atitudes. mínima e mediana. Exame psicométrico (segundo Pende). maleolar. envergadura. Exame das funções afetivas. Pressão máxima. Tipo morfológico. Os exames funcionais. 3º— desportiva. Aborda os seguintes itens: altura. do tronco e membros. 1a. acromial e da interlinha do punho. O exame antropométrico e morfológico. diâmetro biacromial. Exames funcionais. epigastropúbico e dos membros superiores e inferiores. 2º Exame morfológico-constitucional. perímetro abdominal médio. d. parte: Estudo da orientação desportiva. 1º— Exame antropométrico. 2º — Exame das funções intelectuais. Os exames psicométricos. Pesquisa da albuminúria depois do trabalho ' T e s t e " da fadiga de Donnaggio. comprimento do membro inferior e peso corporal. Esta parte concerne somente ao médico e ao probando.b. b. Dedução dos índices: torácicos. hipocondríacos (transversal e ántero-posterior) e dos membros superiores e inferiores. Compreende duas partes: a primeira. Provas de trabalho: podem ser feitas as seguintes: uma corrida " i n s i t u " durante dois minutos. Finura de apreciação das formas. No exame deitado: determinação dos pontos: manubrial. perímetros das coxas direita e esquerda. A segunda parte. estuda pontos especiais relacionados com a especialização . d. Frequência respiratória em repouso (de pé). Consta de: 1. faz-se um novo exame respiratório e cárdío-vascular. ú t i l para t o d o exame biotipológico e orientação desportiva. a. Cada um destes itens será explicado a seguir. Dinamometria horizontal e vertical. Antecedentes patológicos. Exame das funções sensório-motoras. Exame antropométrico e morfológico. abdominal t o t a l . Capacidade vital. No exame em pé: determinação dos diâmetros torácicos (transversal e ântero-posterior). c. púbico.

Em todos os casos se realiza: IP ) uma prova de atenção e 29) provas de nível intelectual. Susceptibilidade às perturbações emocionais. 2. 2ª parte: Determinações especiais relacionadas com especializações desportivas. segundo o sistema de Viola. Velocidade de reação (esgrima) 2. Tenacidade. Estabilidade (tiro) 3. . Provas de esforço. modificado. h. brevilíneos e normolíneos. Exame das funções afetivas. Idem aos afetos. largo-longo abdominal superior. largo-longo abdominal inferior. Para classificar os longilíneos. Poder de decisão rápida. e. largo-longo torácico. Estudo da capacidade de repetição de esforços iguais. e. se registram os quocientes de crescimento do peso e do perímetro torácico e as relações: Estatura-peso e Estatura-perímetro torácico. Exame das funções intelectuais. que se obtém com uma ficha de exame do t i p o adotado para a orientação profissional. ténis. Em continuação. Visão estereoscópica (ténis) 4. pingpong. golf. Determinação do "perfil psicológico". c. a classificação do biótipo morfológico se manifesta em graus centesimais. b. honestidade. Apreciação de distâncias (jogos de lançamento. largo-longo da mão. largo-comprido cefálico.Investigação da regularização dos movimentos. Estudo das velocidades reacionais. 2. Resistência à distração. sugestibilidade (aparelho de Binet). etc) 6. 3. Expressa em medidas elementares. 7. tem sido criado os índices largo-longo. largo-longo facial. por provas de " t a p p i n g " pontaria. 1. Estudo de predomínio do direito ou esquerdo dos membros superiores e inferiores e dos olhos (preferência para fazer a mira). e. 5. g. Caráter. Compreende o peso corporal e a estatura e 41 medidas assim distribuídas: cabeça: seis pescoço: três tórax: nove abdome: seis membro superior: nove membro inferior: oito Figuram aqui as dez medidas fundamentais e suas relações recíprocas. largo-longo do pé. 4. d. f. Integridade das funções vestibulares-autitivas (natação. Suscetibilidade à dor (boxe) A ficha proposta por Pende tem os seguintes fundamentos e aplicação ao caso: 19 Avaliação morfológica do biótipo. submersão) 5. a. 6. polo. 3. Idem à monotonia e ao sono. que são: 1. estabilidade.

Utilidade do trabalho efetivo (excelente. Com este estudo. no dinamismo e psiquismo individual. força. . 2º — Avaliação funcional do biótipo. Mesmo com os esforços que muitos grupos vem realizando na área de avaliação da criança há necessidade de pesquisas multidisciplinares que venham correlacionar os diferentes níveis de manifestação do comportamento humano. ataque-defesa. Estudam-se os instintos fundamentais: conservação. Influência da esfera emotiva sobre os pensamentos e destes sobre aquela. Desenvolvimento do pensamento fantástico-místico. a qualidade moral dominante e a tendência afetiva orientadora da conduta. bom. grau de atenção. das modificações hemáticas da fadiga. Adaptação aos diversos trabalhos mentais. a vontade e o auto-controle. medíocre. exame da excitabilidade neuro-muscular e dos reflexos..Os índices do desenvolvimento sexual se ajustam à diretivas de Pende e Gualco. estabelecem padrões de referência para determinadas provas de avaliação física como: velocidade. metabolismo basal. Entre nós Negrão & Molinkiss.. controle de certos movimentos. Atitude introspectiva-extrospectivado espírito. grau de memória e da capacidade de observação. Síntese do biótipo. do abstrato e lógico e do sentido crítico. define-se o tipo de caráter. insuficiente). exame do aparelho do equilíbrio. 3º — Avaliação do caráter individual (face moral). investigação de uma predominância neuro-vegetativa simpática ou para-simpática ou pneumogástrica. 4º — Avaliação do grau e forma da inteligência. os sentimentos egoístas e altruístas. gregário. Tempo de elaboração dos processos ideativos. reprodução. . os do hemolinfopoiético. exame de urina antes e depois de um exercício de controle. exame de urina antes e depois de um exercício conhecido. exame das diferentes sensibilidades. os do desenvolvimento cardíaco. aos de Pende e Berreta. Registram-se os resultados do treinamento ginástico e desportivo e seus efeitos na morfologia. diagnóstico do temperamento endócrino. Ainda no solo pátrio o laboratório de São Caetano tem procurado determinar testes para a realidade brasileira e que já constitui publicação disponível nas livrarias. dinamometria dos principais territórios musculares complexos. que se encontram no prelo e que irá constituir importante referencial prático e simples na avaliação dos alunos em suas capacidades físicas. aos de Gualco e Berreta. Atitude e predisposição do sujeito a um trabalho especial. Predominância do sentido analítico ou do sintético. resistência. a emotividade global. Estas observações tratam de avaliar as seguintes qualidades: grau de inteligência global. a conduta de adaptação ao ambiente. O apêndice etnológico permite resumir conclusões sobre o tipo de raça individual. Resistência ao trabalho intelectual. Compreende o exame da capacidade muscular dos diversos segmentos corporais. em jejum e depois em exercício de controle. . etc .. trabalhando com crianças do Sesi.

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