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avaliação biometrica

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Presidente da República Federativa do Brasil João Figueiredo Ministro da Educação e Cultura Esther de Figueiredo Ferraz

AVALIAÇÃO BIOMÉTRICA EM EDUCAÇÃO FÍSICA

MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO E CULTURA SECRETARIA DE EDUCAÇÃO FlSICA E DESPORTOS

- SECRETARIO G E R A L DO MEC Sérgio Mário Pasqualí SECRETARIO DE EDUCAÇÃO FÍSICA E DESPORTOS Péricles Cavalcanti SUBSECRETARIO DE DESPORTOS (SUDES) Antonio Celestino Silveira Brocchi - .

AVALIAÇÃO BIOMETRICA EM EDUCAÇÃO FÍSICA ROMEU RODRIGUES DE SOUZA Professor Assistente Doutor Departamento de Anatomia Universidade de São Paulo JOSÉ ARI C. OLIVEIRA .

HÉLIO JOSÉ MAFFIA Diretor da Escola Superior de Educação Física de Jundiaí Preparador físico do Esporte Clube Corinthians Paulista Ex-preparador físico do Paulista Futebol Clube de Jundiaí Ex-preparador físico do São Paulo Futebol Clube Ex-preparador físico da Sociedade Esportiva Palmeiras Ex-preparador físico do Guarani Futebol Clube Ex-preparador físico da Seleção Brasileira .APRESENTAÇÃO AVALIAÇÃO BIOMÉTRJCA EM EDUCAÇÃO FÍSICA. Este trabalho demonstra pois. é uma orientação didática na área da Educação Física. Não obstante ser uma obra didática. antes de ser uma obra dedicada ao campo da Medicina. ela permite a treinadores e preparadores físicos. PROF. através da mensuração. uma segura mostragem evolutiva do atleta nos sentidos qualitativo e quantitativo do treinamento. a preocupação de seus autores em atender a especialistas e estudiosos do assunto. propiciando ao estudante a assimilação de maneira clara e objetiva.

CAPITULO I Generalidades sobre medição e avaliação em Educação Física CAPITULO II Agrupamento dos dados: Ficha Biométrica CAPITULO III Seleção das medidas. Técnica geral das medidas CAPITULO IV Análise e Interpretação dos dados: Noções de Estatísticas CAPITULO V Avaliação das dimensões e proporções externas do corpo e seus segmentos CAPITULO VI Avaliação do Estado Nutritivo: Medida da espessura de pregas cutâneas e peso CAPITULO VII Medida da capacidade vital e cardiocirculatória. Força muscular CAPITULO VIII Avaliação do crescimento CAPITULO IX Biotipologia: Aspectos gerais CAPlYULO X Teorias biótipológicas CAPITULO XI Biotipologia infantil 7 13 17 23 37 77 83 93 103 107 127 CAPÍTULO XII Diferenciação sexual CAPITULO XIII Importância da avaliação Biotipológica em Educação Física 133 141 .ÍNDICE Pág.

CAPITULO I GENERALIDADES SOBRE MEDIÇÃO E AVALIAÇÃO EM EDUCAÇÃO FÍSICA EDUCAÇÃO FÍSICA: OBJETIVOS A Educação Física. para depois aplicar-lhe um programa adequado à sua situação. a Educação Física visa também desenvolver no jovem a capacidade para a recreação. Em resumo. participar com gosto de atividades recreativas. é educação global: educação do físico. por outro lado. necessitamos medir antes. temos que medir continuamente os parâmetros que queremos desenvolver. O desenvolvimento da aptidão física vai possibilitar ao indivíduo exercer melhor suas tarefas diárias e sentir-se melhor ao final de cada dia. como ciência. Entretanto. aquilo que pretendemos desenvolver para. é preciso saber inicialmente em que situação se encontra nosso aluno. Em outras palavras. para que o programa a ser elaborado seja o mais efetivo possível ás necessidades individuais. para sabermos se estamos conseguindo resultados satisfatórios. A educação do físico subentende desenvolver no indivíduo aptidão física. serão citadas apenas as seguintes: divisão em turmas homogéneas. A aplicação de tal programa exige conhecimento prévio das condições físicas. Todas estas fases requerem medições. se for uma criança. Mais tarde. acompanhar o progresso de um trabalho. a seguir. fisiológicas e psicológicas atuais da pessoa a quem ele é dirigido. Este conhecimento. isto é. estabilidade emocional. saúde. ou seja. a Educação Física só poderá atingir seus objetivos em relação a um indivíduo. De posse das informações obtidas. . ou seja. desempenho eficiente em atividades motoras e um corpo esteticamente bem constituído. NECESSIDADE DE SE MEDIR EM EDUCAÇÃO FÍSICA Entre outras razões que podem explicar a necessidade de medidas. aplicar um trabalho de desenvolvimento. elas podem ser utilizadas. o professor de Educação Física pode obter através de técnicas de avaliação e medição. se ela puder fazer um programa específico de acordo com suas necessidades. a capacidade de dar-se bem com os outros. da mente e educação social. determinar o estado de aptidão atual de um aluno. especialmente. Ao lado da aptidão física. e a aptidão social. voltamos a analisar suas condições para podermos avaliar os resultados.

nossa motivação aumenta. os quais estão subentendidos na expressão "fenómenos biológicos" e que são os níveis em que será estudado o indivíduo. A avaliação do progresso permite ainda mudanças e adaptações no trabalho. visando sempre atingir nossos objetivos. respectivamente. CONCEITO DE BIOMETRIA Para se esclarecer o conceito de Biometria. bios e metria. Biometria é uma palavra composta por dois radicais gregos. A Biometria começou em 1901. Pode-se dizer em um sentido geral que a Biometria é a ciência que estuda quantitativamente os fenómenos vitais. fisiológico e psicológico. preferindo entender Biometria como "a ciência que procura traduzir numericamente os fenómenos biológicos. na Inglaterra. Gomes de Sá (1975) classifica esta definição de simplista e a critica por levar a interpretações ambíguas. Entretanto. porém falta especificar os três níveis morfológico. A determinação das aptidões e qualidades de um aluno é muito importante para se conduzir um trabalho físico pois assim este poderá ser o mais adaptado possível às necessidades dos alunos. Objetivos deste compêndio A Biometria humana tem pois um campo muito amplo. cujo conceito veremos a seguir. A ciência que trata das medidas corporais é a Biometria. vamos iniciar estas considerações com a análise deste termo. A medida do progresso obtido em um trabalho é fundamental visto que quando sabemos que estamos melhorando. Hegg e Luongo (1971) definem Biometria como "o ramo da Biologia que estuda os caracteres mensuráveis dos seres vivos. é um problema muito complexo definir o que é a vida em todas as suas manifestações e a medida de todas elas não cabe nos limites de um curso. . serão abordados somente os aspectos relacionados a certo grupo de mensurações. Esta é. compreendendo de modo geral o estudo das mais variadas medidas relacionadas ao corpo humano. uma definição mais coerente.Agrupar homogeneamente facilita a quem ensina e a quem aprende. que significam. amparado pela análise matemática e estatística". Temos assim um primeiro conceito de Biometria que é "a medida da vida". nas páginas seguintes. especialmente aquelas que apresentem alguma importância para a Educação Física. estabelecendo relações entre os dados assim obtidos. As doses e intensidade do trabalho a ser realizado ficam mais objetivas e especificas. quando medimos a altura de um grupo de alunos estamos fazendo Biometria. sem dúvida. vida e medida. O mesmo se pode dizer quando determinamos a frequência cardíaca ou a respiratória dos alunos em relação com a intensidade de um certo exercício. Entretanto. Assim. com o fim de determinar as leis que os regem".

A Biometria Estática estuda os aspectos mensuráveis do indivíduo em um determinado instante sem se preocupar se estes variam ou não no tempo. permitindo assim. etc. Aqui está incluída a Biometria humana que estuda o Homem sob os pontos de vista: morfológico. IMPORTÂNCIA DA BIOMETRIA EM EDUCAÇÃO FÍSICA A ciência evolui quando os fenómenos estudados podem ser medidos. poderemos verificar se o peso está diminuindo ou não com essa dieta. fisiológico e psicológico. acertar a dose ideal. A medida da altura de um indivíduo em um dado momento representa um exemplo. A Biometria Dinâmica estuda as relações entre vários aspectos biométricos e um trabalho físico em função do tempo. aspectos importantes como a altura.DIVISÕES DA BIOMETRIA A chave seguinte resume as divisões da Biometria: De acordo com os objetivos do trabalho biométrico De acordo com o modo de abordar os fenómenos em relação ao tempo e espaço A Biometria Geral estuda aspectos métricos ligados aos seres vivos em geral. batimentos cardíacos só terão valor se puderem ser medidos. . A Biometria Especial estuda aspectos mensuráveis particulares do seres vivos. os exercícios aplicados só produzem efeitos benéficos quando bem dosados em qualidade e em quantidade. para que possamos analisar. Claude Bernard afirmava mesmo que só pode haver ciência quando se pode medir os fenómenos. A determinação da frequência respiratória. é outro exemplo. Ao realizar um trabalho físico. Os resultados vão mostrar se o exercício está sendo muito ou pouco intenso. construir tabelas. comparar. Em Educação Física. de um ou mais indivíduos quando submetidos a uma determinada dieta. tanto animais quanto vegetais. peso. Precisamos pois conhecer bem o indivíduo a quem dirigimos o trabalho físico. em um determinado instante. Um exemplo típico é o estudo da variação da frequência cardíaca com doses de um determinado exercício. Depois de um certo tempo. Outro exemplo seria a variação do peso. Neste conhecimento estão incluídos os aspectos mensuráveis do indivíduo.

o que é de grande importância pois assim ele poderá encaminhar o aluno para tratamento adequado. os selecionados. Detectar assimetrias de forma. para acompanhar os progressos de um grupo submetido a um trabalho físico. deficiências que geralmente se traduzem por cansaço ou fadiga. a homogeneização de grupos facilita a aplicação de um trabalho físico. No caso de escolares. procuramos formar turmas homogéneas e para isso necessitamos classificar os indivíduos usando parâmetros como a altura e o peso. os fenômenos biológicos caracterizam-se por sua grande variabilidade. selecionados e poupados. c. A Biometria. ao aplicar um trabalho físico. detectar algumas assimetria de forma. b. Deste modo.Aqui estão dois exemplos da aplicação de conhecimentos biométricos em esporte: a. Através da aplicação de provas específicas. Algumas assimetrias podem inclusive ser corrigidas através da aplicação correta de exercícios adequados. Estas deficiências serão então tratadas . Com isto. serão aqui estudados com mais pormenores. como vimos. OBJETIVOS DO TRABALHO BIOMÉTRICO EM EDUCAÇÃO FÍSICA Estes aspectos foram já esboçados em item anterior. Detectar deficiências físicas. utiliza-se ainda o item inapto ou dispensado àqueles alunos que não são capazes de realizar nenhuma atividade física. Os objetivos principais do trabalho biométrico em Educação Física são os seguintes: a. O professor de Educação Física poderá. Os normais obtém nessas provas resultados previsíveis. pode-se utilizar a medida de certos parâmetros como o pulso e a frequência respiratória por exemplo. fisiológico ou psicológico procura verificar a existência de semelhanças entre eles dando ideia dos fenômenos comuns a determinados grupos. mas devido a sua importância. d. A formação de grupos com características semelhantes é importante pois. Determinar o valor físico do indivíduo. ao estudar os indivíduos seja do ponto de vista morfológico. tem-se uma ideia do seu estado físico atual. Através de exames periódicos do indivíduo pode-se detectar certa falta de adaptação do organismo frente a determinados exercícios. Determinar a condição física do indivíduo. Como se sabe. b. podemos classificar os indivíduos em normais. que exigem novos esforços. São feitas várias medidas e exame médico no indivíduo. resultados melhores que os previsíveis e os poupados não atingem estes valores esperados. Pode-se descobrir assim. pode-se dosar os exercícios físicos que serão aplicados. no exame de seus alunos.

tais como: arremesso do martelo e levantamento de peso. predominam a velocidade e a agilidade. adaptando-os às necesidades de cada indivíduo ou grupo. Bem orientados. Aqui veremos apenas alguns aspectos. Dosagem dos exercícios e avaliação dos resultados. Os brevilíneos e os longilíneos são os tipos extremos e o normolíneo é o tipo médio. pode-se ter ideia do rendimento e dos resultados que se está obtendo com a aplicação daqueles determinados exercícios em função da finalidade que se tem em vista. têm maior resistência e força. resistência e força). pois também são ramos da Biologia: Anatomia. agilidade. para se realizar estudos biométricos. São amplamente conhecidos os três tipos constitucionais da Escola Biotipoiógica Italiana (Viola e Pende): normolíneos. Psicologia e Bioquímica. Através de exames biométricos poderemos acompanhar a dosagem dos exercícios. . quando se pretende administrar exercícios ou orientar e selecionar para práticas desportivas. Fisiologia. os brevilíneos devem ser orientados para esportes que requerem força e resistência. os longilíneos adaptam-se melhor com esportes que exigem velocidade e agilidade. Cada um destes tipos constitucionais possui em graus diferentes os elementos da sigla VARF (velocidade. Além disso. Determinar o tipo constitucional (biótipo ou somatotipo). a variabilidade dos fenómenos biológicos torna os indivíduos diferentes uns dos outros. devido ao maior desenvolvimento dos membros que apresentam estes indivíduos. os brevilíneos. Assim sendo. como corridas de velocidade e saltos. Este assunto será mais bem estudado posteriormente. ao contrário. com menor gasto de energia. nos longilíneos. Assim. Nos normolíneos há equilíbrio destas quatro qualidades. como a Estatística.convenientemente antes que produzam lesões mais graves e irreversíveis no organismo. O conhecimento do tipo constitucional de um indivíduo permite orientálo para determinadas atividades físicas mais indicadas para aquele tipo de indivíduo. e. Os primeiros tem maior desenvolvimento no sentido longitudinal enquanto os brevilíneos desenvolvem-se mais no sentido transversal. Classificar um determinado indivíduo em um destes grupos é muito importante em Educação Física. Particularmente importantes para a Biometria são a Matemática e a Estatísticas. devido a sua maior massa corporal. Daí a necessidade de se utilizar ciências Matemáticas. brevilíneos e lingilíneos. os indivíduos terão um melhor rendimento. Daí a importância do trabalho biométrico bem realizado f. CIÊNCIAS AFINS À BIOMETRIA Algumas ciências estão muito relacionadas com a Biometria.

as medidas devem ser analisadas e interpretadas. conhecimentos básicos de Estatística que serão apresentados mais .Depois de coietadas. Isto requer adiante.

Uma ficha biométrica poderia conter inúmeros dados. as medidas a serem obtidas são agrupadas em uma ficha denominada ficha biométrica que será preenchida quando da realização do exame do aluno. digestivo e outros). e assim sendo temos que escolher certas medidas de acordo com os objetivos que temos em vista. serão apresentados os seguintes: identificação. Análise dos dados obtidos Através da análise dos dados da ficha biométrica. fisiológicas e psicológicas sobre um determinado indivíduo e que permite fazer um julgamento sobre suas condições de saúde e suas aptidões atuais. as medidas a serem colhidas enquadram-se nos três níveis: morfológico. idade e outros dados pessoais. o peso e a altura. antecedentes. Depois de escolhidas. b. a. Esta escolha depende então da finalidade que se tem na realização do trabalho físico. Geralmente são colhidos obrigatoriamente. Exame biométrico: as medidas a serem tomadas vão depender da finalidade que se tem em vista. Exame clínico geral e especial: consiste no exame dos vários sistemas orgânicos (respiratório. Antecedentes: refere-se aos antecedentes pessoais e familiares. exame clínico geral e especial e exame biométrico. CONCEITO DE FICHA BIOMÉTRICA A ficha biométrica é portanto um documento que contém informações morfológicas. devem ser selecionadas algumas medidas convenientes ao trabalho que vamos realizar. fisiológico e psicológico. mas. Aqui incluem-se também exames de laboratório e outros que se fizerem necessários. Entretanto. c. d. são várias as mensuraçôes possíveis no corpo humano. Alguns denominam a ficha biométrica de médico-biométrica porque vários dados devem ser colhidos exclusivamente pelo médico. como já vimos. Itens fundamentais de uma ficha biométrica Entre os itens fundamentais de uma ficha biométrica. Deve ser orientado de acordo com a idade e modalidade desportiva do indivíduo.CAPITULO II AGRUPAMENTO DOS DADOS: FICHA BIOMÉTRICA Como já sabemos. poderemos tirar conclu- . Identificação: aqui são colocados o nome.

o tipo morfológico. A primeira estuda aspectos não mensuráveis do homem. Avaliar resultados . e. d. poupado ou inapto. fisiológica e psicológica. Em alguns casos. Entre os aspectos não mensuráveis do indivíduo. de acordo com a finalidade que se tem em vista.Através da análise e interpretação dos dados obtidos na ficha. e a raça determina. a antropologia física. Os dados morfológicos constituem uma série de informações que pertencem em última análise a uma ciência mais ampla. dos olhos e dos cabelos. em parte. Determinar a condição física — Com base nos resultados do exame feito o indivíduo será considerado. de nenhuma forma.soes a respeito do aluno e que são os mesmos objetivos do trabalho biométrico: a. pode ser prescrita a ginástica corretiva. O estudo dos tipos raciais tem importância pois eles estão ligados aos tipos morfológicos ou somatotipos dos indivíduos. podemos saber quais as possibilidades de cada aluno em diversos esportes com fins competitivos. aqui podemos relembrar o que já foi dito sobre este assunto: os aptos serão considerados normais ou selecionados segundo os resultados obtidos em provas específicas sejam os esperados ou superem estes resultados. Dosar exercícios . Detectar assimetrias de forma — Quando em presença de uma assimetria de forma o professor de Educação Física deverá orientar o aluno convenientemente. são de ordem morfológica. Determinar o somatótipo — A determinação do somatótipo ou tipo constitucional vai permitir compreender e orientar melhor cada aluno. como a cor da pele. 0 indivíduo poupado. Esta deficiência pode ser transitória ou permanente. A antropometria é o estudo dos aspectos mensuráveis do homem. Dados do exame biométrico As medidas e dados constantes da ficha biométrica. Este é o estudo do desenvolvimento físico do homem e utiliza como métodos de estudo. c. podemos adequar os exercícios em duração e intensidade ás necessidades individuais. a antroposposcopia e a antropometria. O inapto ou dispensado é o indivíduo que não pode exercer atividades físicas. apresenta alguma deficiência que o limita para atividades desportivas. como já sabemos. destacam-se alguns relacionados ao conceito de raça. apto. Selecionar para a competição — Através da análise dos dados constantes da ficha biométrica. b. É preciso saber quais são estes dados para que possamos analisá-los. é necessário verificar como o organismo está reagindo e que resultados estamos obtendo. f. . O indivíduo apto tem condições tais que pode praticar qualquer tipo de esporte.Aplicado um trabalho físico.

examinar uma parte que habitualmente é coberta pela roupa. parda e vermelha. b) Cor dos olhos — Pela simples observação. podemos classificar a cor dos olhos em castanho. amarela. Existe também uma escala cromática constituída por fios coloridos. a) Cor da pele — Pode ser determinada pela simples observação. com cores diferentes. c) Cor dos cabelos . em qualquer caso.Assim. Pode-se determinar também a cor da pele comparando-a com quadros representativos dos diversos matizes (escala cromática). pois medidas em Psicologia. e mais especificamente ao funcionamento dos sistemas respiratório. cor dos olhos. transmitidas hereditariamente e que se repetem no grupo de modo a imprimir-lhe um aspecto diferente de outros grupos. podemos compreender raça como um grupo de indivíduos com características semelhantes. Deve-se. d) Forma dos cabelos — Quanto à forma os cabelos são classificados em lissótricos. ulótricos e cimatótricos. preta. o seu estudo tem importância pois os tipos morfológicos estâo relacionados com o desempenho atlético. ao estado nutritivo e à maturação sexual. dos cabelos e a forma dos cabelos. As medidas fisiológicas referem-se aos sistemas orgânicos em geral. Como a raça determina o t i p o morfológico. circulatório e muscular. Os dados de ordem psicológica constantes da ficha biométrica referem-se apenas a uma "impressão" a respeito do estado do indivíduo. a Psicometria. negra. fazem parte de uma ciência mais ampla. Os cimatótricos são os cabelos ondulados. . pretos. louros e avermelhados. classificandoa neste caso em branca.Através da observação podemos classificar os cabelos em castanhos. Alguns destes aspectos são: a cor da pele. ulótricos são cabelos encarapinhados. São também englobados neste item as medições relativas ao crescimento. verde e azul. As medidas morfológicas a serem colhidas serão grupadas sob o t í t u l o geral de medidas biométricas somáticas ou morfológicas. Lissótricos são cabelos lisos. Uma série de aspectos externos e medidas caracterizam cada grupo racial. próprios da raça negra. Pode-se também comparar com modelos de olhos de vidro.

CAPITULO III SELEÇÃO DAS MEDIDAS. como vimos. medidas destinadas a apreciar o estado de maturação sexual. Olivier (1960) considerou 34 medidas e 40 índices. medidas que permitem avaliar o estado de nutrição. e c. elaborar um programa de trabalho de acordo com os resultados e acompanhar a evolução do trabalho. índices são relações numéricas centesimais entre as medidas. Vamos estudar pois quais são as medidas que podem ser obtidas. b. medidas que visam avaliar as proporções do corpo. que. em: a. de acordo com a finalidade a atingir. detectar deficiências. As medidas biométricas somáticas podem ser subdivididas. Pode-se ainda complementar as medidas através dos denominados índices. Estas medidas caracterizam-se por serem de fácil execução e por não necessitarem a participação ativa do examinando. de acordo com a finalidade a atingir. As medidas biométricas podem ser classificadas em dois grandes grupos. . podem ser resumidos nos seguintes: determinar a situação física atual. Serão abordados aqui apenas as principais medidas e índices. TÉCNICA GERAL DAS MEDIDAS A escolha das medidas a serem utilizadas depende dos objetivos que se tem em vista. Medidas biométricas somáticas São medidas que permitem avaliar as dimensões e proporções externas do corpo. b) medidas que visam avaliar o estado funcional de alguns sistemas orgânicos (medidas biométricas funcionais). CLASSIFICAÇÃO DAS MEDIDAS BIOMÉTRICAS Várias medidas podem ser obtidas durante o trabalho biométrico. de acordo com o tipo de avaliação que se quer fazer: a) medidas que permitem avaliar as dimensões e proporções externas do corpo e seus segmentos (medidas biométricas somáticas).

bi-crista ilíaca e bi-troncantérico e o grau de desenvolvimento dos genitais. Medidas que permitem avaliar o estado de nutrição: São as seguintes: peso. envergadura. perímetro torácico. altura tronco-cefálica. Medidas destinadas a apreciar a maturação sexual São: diâmetros bi-acromial. São: altura. bi-umeral. Resumo das medidas biométricas mais importantes em Educação Física.Medidas que visam avaliar as dimensões e proporções externas do corpo e seus segmentos. comprimento dos membros. comprimento do tronco e perímetro cefálico. perímetro dos membros e diâmetro do tórax. As medidas funcionais exigem instrumentos especiais e são de mais d i f í c i l execução. Altura Altura tronco-cefálica Medidas que visam Medidas biométricas somáticas Medidas que permitem avaliar o estado de nutrição Medidas destinadas a apreciar a maturação sexual avaliar as proporções do corpo Envergadura Comprimento dos membros Comprimento do tronco Perímetro cefálico Peso Espessura da dobra cutânea Perímetro torácico Perímetros dos membros Diâmetro do tórax Diâmetro bi-acromial Diâmetro bi-crista ilíaca Diâmetro bi-umeral Diâmetro bi-tocantérico Desenvolvimento dos genitais Medidas biométricas funcionais Capacidade vital Capacidade cárdio-circulatória Força muscular . Medidas biométricas funcionais Estas medidas são as que permitem avaliar funções orgânicas específicas. como a força muscular e a capacidade cardio-circulatória. espessura da dobra cutânea.

de mesmo sexo e idade. . Antes de iniciar as medidas.TÉCNICA GERAL DAS M E D I D A S BIOMÉTRICAS Cuidados que se deve tomar ao colher as medidas biométricas Para se evitar ao máximo a influência dos fatores de erro ao se obter as medidas biométricas. Antropômetro de Rudolf Martin É utilizado para tomar medidas no sentido vertical (Fig. 3.1). deve-se atender a uma série de requisitos dentre os quais destacam-se os seguintes: a. compasso de corrediça. Principais instrumentos de medida usados na obtenção das medidas biométricas somáticas Os principais instrumentos utilizados na realização destas mensurações são os seguintes: antropômetro de Rudolf M a r t i n . Consta de uma haste de metal graduada de zero a 2000 milímetros. d. compasso de barras. sobre a qual desliza um cursor. reunir os indivíduos em grupos homogéneos. onde se coloca uma régua terminada em ponta e disposta perpendicularmente à haste graduada. 0 indivíduo deve estar o mais despido possível durante a realização das medidas. e. As medidas devem ser tomadas em locais bem iluminados. compasso de toque ou de pontas rombas e a fita métrica. b. Os instrumentos não devem pressionar a pele mas apenas tocá-la. c. Instrumentos aferidos e calibrados.

3).2). . Compasso de corrediça É utilizado para tomar medidas pequenas como as da face. fixa. do tronco e comprimentos dos membros. na extremidade da haste graduada (Fig. de zero a 950 milímetros e um cursor com uma régua que pode se deslocar. Consta de uma régua de 25 centímetros. 3. Consta também de uma haste metálica graduada. 3. com uma haste fixa na extremidade zero da escala e um cursor que pode deslizar ao longo da régua (Fig.Compasso de barras Destina-se á tomada de medidas tais como: diâmetros transversos. apresenta ainda uma outra régua.

3.4). Outros elementos necessários para se colher as medidas biométricas. além de instrumentos adequados Além de instrumentos adequados é necessário ainda conhecer certos pontos de reparo existentes no corpo e que servem como pontos de referência para se obter as medidas. A maior distância que se pode medir é de 30 cm (Fig. Fita métrica Destina-se à medida dos perímetros.Figura 3. As hastes são retas nas metades próximas ao ponto onde se articulam e curvas nas metades restantes. Outros instrumentos serão descritos nos itens correpondentes ao estudo que será feito mais adiante. Uma das hastes tem uma régua graduada a ela fixada e que permite fazer a leitura da medida encontrada. que terminam em pontas rombas. de cada uma das medidas biométricas. graduada. Consta de duas hastes metálicas que se articularm em uma das extremidades. É representada por uma fita de metal ou linho. . Estes pontos são denominados pontos antropométricos e serão também descritos juntamente com cada uma das medidas biométricas.3 — Compasso de Corrediça Compasso de toque ou de pontas rombas Este compasso é utilizado para tomar diâmetros do tronco e medidas da cabeça.

Compasso de Pontas Rombas Os principais instrumentos utilizados no trabalho biométrico e algumas medidas que podem ser obtidas com estes instrumentos estão resumidos na tabela seguinte: Instrumento Medidas (altura.4 . altura tronco-cefálica) tronco e comprimento dos membros das da cabeça .Figura 3.

Variáveis contínuas e discretas A medida da altura de um grupo de escolares é um t i p o de variável. geralmente utilizamos um conjunto de elementos e não a população toda. As respostas a estas e outras questões semelhantes pertencem ao domínio de uma ciência denominada Estatística. podem ser representativas do grupo. Por exemplo: um atleta faz um percurso várias vezes. poderíamos perguntar: a. Se um grupo de alunos faz um percurso. por outro lado. tais como a média. Este conjunto é a amostra. que são subconjuntos. Devido às suas relações com a Biometria. A Estatística é a ciência que procura tirar conclusões a partir de observações de dados numéricos. Neste . é necessário que eles possam ser medidos. como veremos. dentro do grupo? c. através do desvio padrão. Ao conjunto de alunos chamamos universo e se dividirmos o universo (grupo todo) em subgrupos. A própria repetição de experiências só é possível se for controlada através da medição dos dados. veremos que certas medidas. Qual a situação de um determinado aluno. é necessário algum conhecimento desta ciência. Trabalhando por exemplo com um grupo de alunos.CAPITULO IV ANÁLISE E INTERPRETAÇÃO DOS DADOS: NOÇÕES DE ESTATÍSTICA INTRODUÇÃO Para estabelecer relações e leis entre os fenómenos. Como se encontra este grupo em relação a uma determinada medida? Neste caso. Como agrupar de maneira mais homogénea? Veremos que muitos tipos de medidas distribuem-se segundo uma curva denominada curva normal. a qual mostra as frequências com que aparecem os vários tipos. b. podemos calcular o tempo médio do grupo que também é um parâmetro. a variabilidade dos valores pode ser medida. A média destes tempos é um parâmetro. Parâmetro — Universo — População — Amostra Parâmetro é um número que caracteriza um conjunto de medidas. A população é pois um grupo de alunos ou objetos que possuem características semelhantes dentro do mesmo universo. Ao realizar um trabalho estatístico. cada vez em um tempo diferente. teremos as populações. Todos os tempos podem ser substituídos por um único que é o tempo médio.

12m podemos ter um valor de 1. 28 e 30. precisamos frequentemente separar os indivíduos segundo certas características. utilizando a Estatística. etc. por exemplo. Por exemplo. o número de alunos por grupo ná"o pode ter valores parciais: 2. Construímos assim. Suponhamos que determinamos o peso de 5 alunos e que os resultados tenham sido os seguintes: 30. divisão segundo o sexo. A variável é discreta quando os valores se comportam de modo que se sucedem em saltos. Uma melhor maneira é ordená-los em sequência ascendente ou descendente e verificar se há valores que se repetem e quantas vezes se repetem. idade. 32. a distribuição de frequências dos dados. a divisão deve obedecer a um único critério.caso. entre 1. Os alunos podem também ser divididos segundo uma classificação hierárquica. Neste caso.11m. Podemos por exemplo separar os alunos por categorias. 35.5 por grupo ou 1. Trata-se de uma variável contínua. Estes valores assim apresentados são difíceis de serem interpretados. que consiste em colocá-los em uma coluna ordenada e com as frequências com que cada valor ocorre. Grupamento de dados Ao realizar um trabalho biométrico. t i p o constitucional.1 conclui-se imediatamente que os pesos máximo e . Neste caso. Assim.Distribuição de frequência de 5 observações (escores). por exemplo. médios e grandes. Escores Frequência 28 29 30 31 32 33 34 35 1 0 2 0 1 0 0 1 Observando a tabela 4. APRESENTAÇÃO DOS DADOS Os dados obtidos em um experimento podem ser apenas enumerados sem preocupação de ordem.10m e 1. as medidas podem ter qualquer valor e sempre pode haver uma medida que se interponha entre duas outras.1 . Tabela 4. Por exemplo: em pequenos. os grupos são separados de acordo com uma certa ordem.3 por grupo.

ou seja a variável dividida em classes de invidivíduos ou objetos. por meio de um gráfico. o intervalo de classe (I) será: I (intervalo) = 7/3 = 2. Os dados obtidos podem ainda ser agrupados em classes. a partir das abcissas. um vertical (eixo das ordenadas. Então os valores serão agrupados em intervalos de amplitude igual a 2 (tabela 4. médio e baixo.33 Como o número obtido é fracionário. No eixo das abcissas coloca-se os valores da variável independente. com linhas laterais levantadas a partir dos limites de cada classe. O gráfico é construído utilizando-se dois eixos perpendiculares entre si. por exemplo.mínimo obtidos são respectivamente 35 e 28. representando geralmente pela letra X). A diferença entre os valores máximo e mínimo nos dá a amplitude de distribuição (A): A = 35 . representado geralmente pela letra Y) e um horizontal (eixo das abcissas. O ponto onde ocorre a intersecção dos dois eixos é o ponto zero. As classes são colocadas ao longo da abcissa e na ordenada situam-se as frequências com que aparecem os valores. As frequências de cada classe serão representadas por uma barra. representa a variável dependente.2). Tabela 4. o peso mais frequente foi 30 (2 vezes) e que houve valores de peso que não aparecerem. com as frequências com que cada medida aparece. os valores aumentam à medida que dele se afastam. seja ao longo da ordenada.2 — Distribuição de frequências de dados agrupados Classes 28 a 30 31 a 33 34 a 36 Frequência 3 1 1 REPRESENTAÇÃO GRÁFICA DOS RESULTADOS Às vezes é mais interessante apresentar os resultados obtidos. sendo sua frequência zero. o intervalo passa a ser o número inteiro mais próximo (no caso =2).28 = 7 Como se decidiu por três classes. . o professor podem querer agrupar os 5 alunos em 3 classes: peso alto. No caso de peso. A partir deste. seja ao longo da abcissa. Um dos tipos mais comuns de gráficos é o histograma. o eixo das ordenadas.

os valores concentram-se em torno de 11.2.1.Um histograma construído a partir da tabela 4.2 é o gráfico representativo de duas distribuições de frequências. em II. pois a méida dos valores da distribuição II é maior que a média da distribuição I ou seja. eles estão concentrados em torno de 5.Gráfico de duas distribuições de frequências .1 — Histograma da distribuição de frequência do peso de 5 alunos.2 . Figura 4. seria a figura 4. DISTRIBUIÇÃO DE FREQUÊNCIAS A figura 4. Figura 4. vê-se logo que as duas distribuições diferem quanto â posição (tendência central) mas são semelhantes na forma (variabilidade). Diferem quanto à posição. Examinando os gráficos. ao passo que em I.

Podemos ter o caso inverso ou seja, distribuições de frequências com a mesma tendência central, mas diferentes na forma (na variabilidade). A figura 4.3 é o gráfico destas distribuições.

Figura 4.3 - Distribuição de frequências com mesma tendência central

Quando a distribuição de frequência tem um ponto de frequência mais elevada, é denominada de unimodal. Se houver dois destes pontos, ela será bimodal. A figura 4.4 é um gráfico representativo deste tipo de distribuição.

Figura 4.5 - Distribuição bimodal

Curva normal As curvas das distribuições de frequências podem ter as mais variadas formas. Existe entretanto um t i p o de curva que por sua importância deve ser estudada com maior destaque: ela tem a forma de um sino, é simétrica e contínua (figura 4.5). É a chamada curva normal ou curva de Gauss que representa a distribuição normal. Em Biologia, muitas variáveis contínuas apresentam esse t i p o de distribuição. A altura é um tipo de variável com distribuição normal. No eixo das abcissas (X) a variável pode ir de menos infinito a mais infinit o : a curva nunca chega a tocar na base. Importância da curva normal em Biometria Em Biometria, a importância da curva normal é grande pois todas as vezes que se fala em classificar alguma coisa, uma das primeiras preocupações é se localizar o " n o r m a l " , para depois posicionar aquilo que dele se distancia. Normal foi colocado entre aspas por ter um sentido preciso em Biometria, que é o relacionado com o mais comum enquanto as formas que dele se distanciam são expressões menos comuns, ou melhor que mantém relações, em suas medidas, com diferenças mais acentuadas. Trabalhando com as diferenças individuais observamos que estas obedecem ao tipo de distribuição em que a maior parte dos indivíduos mantém as medidas próximas de uma média e que a partir deste ponto há uma distribuição decrescente para ambos os lados, que graficamente, obedece à distribuição semelhante á de Gauss (curva normal).

Figura 4.5 - Curva normal

MEDIDAS DE TENDÊNCIA CENTRAL
As medidas de tendência central mais utilizadas em Estatística são a moda, a mediana e a média aritmética. Moda (M) É o valor que aparece com maior frequência, em uma série de medidas. Exemplo: na série seguinte de valores, a moda é o valor 8 pois é o que mais vezes aparece. 6 - 8 - 8 - 1 6 - 8 - 1 0 - 8 - 6 - 1 0 - 8 - 1 8 - 8 - 6 - 1 2 Neste caso, a série é unimodal porque tem uma única moda. Mas ela pode ser bimodal, multimodal ou ainda amodal, quando não possui moda. Exemplos: Série bimodal (possui 2 modas):

6-10-10-10-10-18-20-20-20-20-15
As modas são: 10 e 20. Série multimodal (possui várias modas): 4 - 6 - 5 - 8 - 6 - 5 - 8 - 5 - 6 - 8 - 3 - 9 As modas são: 5, 6 e 8. Série amodal (não há moda, pois todos os valores aparecem com igual frequência): 6-10- 16-8-4-2ou: 4_4_5_5_2_2_7_7_3_3. As curvas representativas das distribuições de frequências das séries estão na figura 4.6. Mediana (Me) Em uma série de rnedidas, colocadas em ordem crescentes a mediana é o valor precedido e seguido pelo mesmo número de valores. Exemplos: Séries a-2-3-5-7-18 b-1-5-8-15-21 c-1 - 3 - 5 - 5 - 2 0 - 2 4 Mediana 5 6,5 5

Quando o número de valores é impar, o cálculo da mediana pode ser feito usando a fórmula: N + 1 (N =número de valores). 2

Figura 4. na série a: A mediana é o 39 valor (5). sendo P1.6 — Vários tipos de distribuição de frequências Assim. (N =número Quando o número de valores é par usa-se a fórmula o número que ocupa a posição obtida por: .

A mediana. Portanto: (Mediana = 5). os valores estão "esparramados". por exemplo. no conjunto de medidas: Na realidade. por exemplo 1. (Mediana =6. Assim. Quando as três medidas forem próximas ou semelhantes. se a mediana for. tal como a mediana. a média. Portanto. mediana e média) não são exclusivas mas se complementam. observa-se que a mediana (6. facilita localizar um determinado aluno no grupo: sua altura estará acima ou abaixo daquele valor e portanto ele estará em um ou outro grupo. fazendo uma série de medidas da altura em grupo de crianças. (3ª posição). Consiste na soma dos valores dividido pelo número de valores.5) Na série a„ temos o mesmo número de casos.40 m significa que existe metade das crianças com altura acima e metade com altura abaixo deste valor. A muda nos informa qual é a altura mais frequente no grupo. é também um valor que nem sempre consta da série de medidas. Se. a mediana e a moda forem muito diferentes entre si. por sua vez. . Por exemplo. É um valor que existe realmente na série e por sinal é o que mais aparece. passamos a considerar cada aluno como se tivesse aquela medida (média). No caso da série b. A medida. ou seja. O significado da mediana é que ela é um valor que divide o conjunto em dois grupos: um acima e outro abaixo daquele valor. Mas por convenção. as três medidas que estudamos (moda. Em uma série de medidas da altura dos alunos. em uma série de medidas da altura. é que houve menor variação.de casos). simplesmente. Assim na série b: 3 + 1 =4 (4ª posição). ou seja entre os 50% mais altos ou entre os 50% mais baixos. esta é a mediana. significa que houve muitas alturas diferentes na série. A média " e q u i l i b r a " uma série de medidas. Média aritmética ( X ) É também chamada de média.5) é um número que não consta dos valores obtidos na série.

Uma das medidas de dispersão ou variabilidade mais utilizada na prática é o desvio padrão.Na figura 4. Já estudamos uma característica desses tipos de distribuição de frequência.Distribuições de frequências: simétrica e duas assimétricas M E D I D A S DE DISPERSÃO Geralmente os conjuntos de medidas apresentam certa dispersão ou variabilidade. Figura 4. Embora tenham a mesma média. Duas distribuições podem ter a mesma média. mas os valores individuais em cada grupo podem ser muito diferentes. média e mediana). esta medida nada informa quanto à homogeneidade dos dois grupos: um pode ter indivíduos todos mais ou menos da mesma altura. onde se indicam as posições das três medidas que estudamos (média. . mediana).7 . É necessário pois introduzir medidas de dispersão que informem o grau de variabilidade dos valores em cada grupo. uma simétrica e duas assimétricas. dois grupos de alunos podem ter a mesma média de altura.7 temos as curvas representativas de três tipos de distribuição de frequências. que são as medidas de tendência central (moda. ao passo que o outro grupo pode ter alguns indivíduos muito baixos e a maioria. mais altos. moda. mediana ou a mesma moda mas as medidas dos valores variam de modo diferente. Por exemplo.

5 15. A fórmula para se calcular o desvio padrão é pois: . Começamos. dividido por N — 1. Os valores que se afastam desta média são chamados desvios.5 -9. Assim: Portanto.5 10.5 0.5 kg e que o desvio padrão dos valores observados é 10. A raiz quadrada da soma dos desvios ao quadrado. por exemplo. Os desvios em relação a esta média são: 0.5 19. no caso) nos dá o desvio padrão (s). Suponhamos que queiramos determinar o peso médio dos indivíduos perten_ centes. são os seguintes: 70 80 60 50 70 60 65 80 75 85 A média aritmética desses 10 dados é 69. O desvio padrão indica pois o grau de variação dos valores da amostra. sendo N.5 - 9.5 Os desvios são calculados diminuindo-se da média. o número de observações (10. podemos dizer que a estimativa do peso médio do grupo é 69.Desvio padrão O seguinte problema permitirá introduzir o conceito de desvio padrão.5 -4. Quanto maior for o desvio padrão. determinando o peso de. Os pesos. cada valor observado.5 5. 10 indivíduos tomados ao acaso. em Kg.5 10.5 kg.9 kg. maior será a variabilidade dos valores. a uma determinada comunidade.

sendo X, cada valor observado; X, a média dos valores e N, o número de valores. Em Biotipologia, porém, o desvio padrão é calculado a partir da moda e não da média aritmética. Este assunto será abordado mais adiante. Aplicação da curva normal As medidas corporais utilizadas em Educação Física geralmente tem uma distribuição que segue a curva normal. Através de ca'lculos matemáticos pode-se obter as áreas que estão sob a curva quando ela é dividida em segmentos, através de linhas verticais (f ig. 4.8). A linha do meio representa a média. As outras três linhas de cada lado relacionam-se a unidades de desvio padrão. O lado direito a partir da média é positivo ou seja indica os escores mais altos da distribuição. 0 lado esquerdo é negativo: aqui estão os valores mais baixos da distribuição. A curva normal é dividida em seis desvios-padrão sendo três de cada lado da média. Assim, na curva normal, um desvio padrão acima da média contém cerca de 34,00 por cento dos escores; isto significa que a área situada entre um desvio padrão de cada lado, em torno da média, vale aproximadamente 68 por cento. A área compreendida entre 1 e 2 desvios-padrão vale aproximadamente 14 por cento. Estes conhecimentos são importantes para determinar, por exemplo, o número de alunos que obtiveram um determinado escore, em uma distribuição normal. Suponhamos que 200 alunos foram submetidos a um determinado tipo de exercício e tenham obtido escores com distribuição normal, sendo a média 100 e o desvio-padrão igual a 20.

Figura 4.8 - Área sob a curva normal

Como a média é 100, sabe-se que 100 alunos obtiveram 100 ou mais e 100 alunos obtiveram 100 ou menos. Quantos alunos tiveram um escore de 140? Sendo o desvio-padrâb igual a 20, o valor 140 encontra-se 2 desvios-padrão acima da média. A área compreendida entre 2 desvios padrão acima e abaixo da média corresponde a 95% e então sobram 5% dos casos, sendo 2,5% acima e 2,5% abaixo de dois desvios-padrão. Em outras palavras, apenas 2,5% dos alunos obtiveram escores superiores a 140 na prova realizada (fig. 4.9).

Figura 4.9 - Área sob a curva normal

CORRELAÇÃO
Às vezes em Educação Física é importante saber como varia uma determinada medida ou fenómeno em relação a outra, isto é, se existe ou não correlação entre essas duas variáveis, e se existe, saber se essa correlação é positiva ou negativa. Será positiva quando aumentando uma variável, a outra também aumenta, ou diminuindo uma, a outra também diminui. A correlação é negativa quando ao aumentar uma variável, a outra diminui ou vice-versa. Existe, por exemplo, correlação entre o Q.l. dos alunos e as notas obtidas, ou seja, quanto mais elevado o Q.l. mais altas são as notas obtidas pelos alunos. Mas não existe correlação, por exemplo, entre a altura e as notas obtidas nas provas. Através de fórmulas específicas, pode-se determinar a correlação entre duas variáveis, calculando o chamado coeficiente de correlação. Este assunto não será porém aqui abordado. Mais pormenores podem ser obtidos em tratados de Estatística.

TESTES DE S I G N I F I C Â N C I A Suponhamos uma situação em que submetemos dois grupos diferentes de alunos a um mesmo trabalho físico e gostaríamos de compará-los, para saber em qual grupo, o aproveitamento f o i melhor. Depois de obtidos os valores, as médias de cada grupo deveriam ser comparadas, uma com a outra. Se houvesse uma diferença entre estas medias, que medem o desempenho de cada grupo, esta diferença teria de ser testada para verificar se ela é verdadeira ou se houve qualquer tipo de interferência que determinou a diferença. Existem vários tipos de testes estatísticos que permitem determinar se essa diferença entre médias é real ou não. Um dos testes mais fáceis e mais utilizados na prática é o chamado teste " t " . Utilizando os valores das médias e desvios-padrão, calcula-se o valor de " t " , através de fórmulas próprias, o qual é depois comparado com valores constantes de tabelas e que nos dão o resultado ou seja, se as médias dos dois grupos diferem realmente ou não. Este assunto poderá ser melhor compreendido, consultando-se livros de Estatística.

Figura 5.CAPITULO V AVALIAÇÃO DAS DIMENSÕES E PROPORÇÕES EXTERNAS DO CORPO E SEUS SEGMENTOS INTRODUÇÃO O corpo humano como dos vertebrados em geral. separados pelo plano sagital mediano (Fig.1). . apresenta um princípio de construção chamado antimeria: o corpo é constituído por duas metades. ou seja não existe uma simetria perfeita: os antímeros não são exatamente iguais. nem externamente. Exemplos destas assimetrias serão vistos em seguida. 5. Existe pois externamente.1 ~ Plano sagital mediano Os antímeros são simétricos apenas aparentemente. os antímeros direito e esquerdo. uma simetria aparente mas uma assimetria real. nem internamente.

5. Os membros superiores. perímetro.2). volume e força dos músculos são maiores do lado direito.Assimetrias externas Os dois lados da face não são simétricos: a linha que une as fendas palpebrais. Nos indivíduos dextros. Quando o membro superior de um lado é mais desenvolvido. bem como a linha que une as comissuras dos lábios são oblíquas e não paralelas (Fig. . O antímero direito do tronco é mais desenvolvido que o esquerdo. o membro superior direito é mais desenvolvido que o esquerdo: o comprimento. ocorrendo o inverso quando se o examina anteriormente. o inferior mais desenvolvido será o do lado oposto. quando examinado por trás. O pavilhão da orelha é maior e está em nível mais alto do lado esquerdo. na maior parte dos indivíduos são assimétricos. Cerca de um terço dos indivíduos apresentam assimetrias nos membros inferiores.

a região torácica da coluna apresenta uma curvatura de convexidade também para a direita. enquanto que a coluna lombar exibe uma curvatura de convexidade para a esquerda.5. Esquema da coluna em vista posterior.3). .3 — Escolioses da coluna vertebral. quando o membro superior direito é mais desenvolvido que o esquerdo. Geralmente.A coluna vertebral quando examinada de frente mostra curvaturas normais. Figura 5. Além destas assimetrias morfológicas observam-se também assimetrias funcionais: a maioria dos indivíduos usa com maior habilidade o membro superior direito em trabalhos com as mãos. Estas curvaturas são conhecidas como escolioses. Existe também maior acuidade no uso da visão e audição de um lado que do outro. As curvaturas estão exageradas propositalmente. para compensar (Fig.

4 . do tronco e dos membros. 5. estudaremos algumas das principais medidas que avaliam as proporções do corpo. Nestes casos. envergadura. 5.4).A l t u r a . ALTURA Conceito de altura Altura ou estatura é a distância em linha reta entre dois planos. altura tronco-cefálica. na "posição fundamental" (Fig. conferindo aspecto anti-estético ao seu portador. Fig. estando o indivíduo em pé. estas medidas são denominadas medidas biométricas somáticas. medidas da cabeça.Há casos em que a musculatura de uma parte do corpo apresenta hipotonia ou hipertrofia. são indicados exercícios especiais para sua correçáb. Serão apresentadas na seguinte ordem: altura. um tangente à planta dos pés e outro tangente ao ponto mais alto da cabeça. M E D I D A S QUE P E R M I T E M A V A L I A R AS DIMENSÕES E PROPORÇÕES E X T E R N A S DO CORPO H U M A N O Como já vimos. Após esta breve introdução.

fala-se em distância ou comprimento. obtida na posição em pé. deve-se usar o termo altura para definir a medida longitudinal. Em consequência. o peso do corpo e o achatamento dos discos intervertebrais são os responsáveis por este fenómeno. a altura varia em 2. fase da vida. A ação da gravidade. Cada um destes aspectos será analisado a seguir. e com o passar dos séculos.5 — Variações da altura durante 24 horas (segundo Backman) . 5.5 cm em média (Fig. Figura 5. Quando se mede o indivíduo na posição deitada. No decorrer das 24 horas do dia. Esta posição é utilizada para medir crianças até 3 anos. a) Posição do corpo e hora do dia — A medida da altura na posição em pé pode deferir em até 3 cm da medida na posição deitada.Fatores de variação da altura A altura varia fisiologicamente de acordo com os seguintes fatores: posição do corpo e hora do dia.5).

na mesma raça. Outros porém. A mulher tem geralmente 10 cm. A seguir. afirmam que não tem havido aumento da altura.Durante a vida. quando começam a diminuir devido a procesos que afetam os discos intervertebrais. mas uma das mais conhecidas é a que considera os indivíduos como pertencentes a um dos três grupos: Masculino 130-160 cm 161-169 cm 170-199 cm Feminino 121-149 cm 150-158 cm 159-187 cm Pequena altura Média altura Grande altura Fatores que determinam a altura Entre os fatores internos. o neuro-endócrino e as doenças. . os fatores externos mais importantes são: nutrição. clima. a média de altura é de 130 a 199 cm. de mesma idade.b) Variação da altura com a fase do crescimento. menos que o homem. os valores se mantém até os 50 anos. d) Variação da altura com a passar dos séculos — Segundo alguns autores. c) Variação da altura com a fase da vida . condições sócio-econômicas e temperatura. a altura passa por uma fase em que há uma elevação dos valores e que vai do nascimento até os 25 anos aproximadamente. também baseados em dados experimentais. a criança cresce em média 6 cm por ano. segundo o sexo e a idade O quadro seguinte mostra a variação da altura nos primeiros anos de vida. Na idade adulta. as meninas crescem mais que os meninos e na idade adulta estes recuperam e ultrapassam aquelas. Na puberdade porém. destacam-se o genético. Fase Recém-nascido 12 meses 24 meses 36 meses Masculino 50 cm 75 cm 85 cm 95 cm Feminino 49 cm 74 cm 84 cm 84 cm Após os três anos. Classificação dos indivíduos segundo a altura Existem várias classificações. Observa-se que os meninos crescem sempre mais que as meninas. em altura. em média. a altura média do ser humano tem aumentado ao longo dos séculos.

5. devido principalmente ao crescimento dos membros inferiores e durante e depois dessa fase. estando o indivíduo sentado. esportes como corrida de velocidade e boxe são apropriados para indivíduos de altura média. Os calcanhares devem estar unidos. Fatores de variação da altura tronco-cefálica Esta medida varia com a posição do corpo e hora do dia. A técnica de medida da altura é simples: a haste vertical do instrumento é colocada junto ao dorso do aluno enquanto a haste horizontal toca a cabeça. tal como a altura e devido aos mesmos motivos. A altura tronco-cefálica é maior no sexo feminino que no masculino. . natação. Atletas de grande altura são mais indicados para esportes como corrida de meio fundo. estas diferenças são pequenas. salto em altura e á distância e ciclismo. ALTURA TRONCO-CEFÁLICA Conceito É a distância entre um plano tangente ao ponto mais alto da cabeça e um plano que passa pelos ísquios. enquanto corridas de fundo. A cabeça fica em posição tal que o aluno olha para frente (Fig. Instrumento utilizado para medir a altura O instrumento que se utiliza para medir a altura é o antropômetro. devido ao crescimento maior da altura tronco-cefálica. Marcondes e cols. (1970) estudaram a evolução da altura tronco-cefálica em relação à altura. são indicados para indivíduos de pequena altura. em crianças brasileiras de 0 a 12 anos (Tabela 1). maior nos amarelos que nos brancos e maior nestes que nos pretos. Segundo Godin. por exemplo.4). luta livre e arremesso de peso. além de ser importante para estudos biotipológicose raciais. Entretanto. a altura aumenta antes da puberdade.Importância da medida da altura O estudo da altura é muito importante porque esta medida se relaciona com quase todas as medidas somáticas.

15 71.75 61.54 53.87 65.91 63.15 73.91 52.86 128.92 60.02 72.52 122.04 54.22 117.59 138.14 61.25 56.26 53.56 54.24 71.93 59.27 57. o primeiro é dado pela relação centesimal entre o comprimento dos membros inferiores e a altura tronco-cefálica: Indice esquélico de Monouvrier Este índice permite apreciar.47 52.61 38.22 55.86 53.26 56.01 69.01 57.68 59. indiretamente.03 45.75 55.43 70.82 137.13 Porcentagem da altura 68.07 49.60 Porcentagem da altura 68.08 43.37 132.81 51.23 66.81 49.14 105.15 51.Meninos Idade Altura Altura troncocefálica 34.37 84.06 64.22 65.80 54..77 64.10 69.45 80.38 64.10 60. O índice córmico (termo criado por Vallois) se o b t é m relacionando a altura tronco-cefálica e a altura (fórmula criada por Giuffrida-Ruggieri): .42 56.19 139.06 Tabela 1 — Evolução da altura tronco-cefálica.74 53.45 70.98 64. em relação à altura (Marcondes e cols.58 100.50 68.13 106.77 118.22 61.04 54.15 59.96 73.94 99.35 131.70 135.60 47.96 O anos 3 meses 6 meses 9 meses 12 meses 18 meses 2 anos 3 anos 4 anos 5 anos 6 anos 7 anos 8 anos 9 anos 10 anos 11 anos 12 anos 50.11 91.14 93.94 74.26 49.57 62.16 62.03 65.95 55.54 55. 1970) Utilidade da medida da altura tronco-cefálica Esta medida permite calcular os denominados indice esquélico de Monouvrier e indice córmico.27 63.88 44.18 39.33 60.95 112.07 52.40 112.20 46.55 127.06 57.33 63.59 73.17 122.06 66.24 67.62 Meninas Altura Altura troncocefálica 33.01 59.35 64.33 53.66 85. o desenvolvimento dos membros inferiores.26 79.36 41.

ao passo que os macrocórmicos possuem mais resistência e mais força.7).6).Altura tronco-cefálica ENVERGADURA Conceito de envergadura É a distância em projeção entre as extremidades dos dedos médios. 5. utiliza-se o antropômetro. Instrumento utilizado para se medir a altura tronco-cefálica Para se medir a altura tronco-cefálica. Figura 5. ao lado do corpo (Fig. com os membros superiores estendidos horizontalmente. Ele é um pouco mais elevado no sexo feminino que no masculino. estando o indivíduo sentado (Fig. . 5. os braquicórmicos são mais indicados para esportes de velocidade (corridas e saltos).6 .De acordo com este índice. Em seleçãb desportiva. pode-se classificar os indivíduos e m : Braquicórmicos Metriocórmicos Macrocórmicos menos que 51 (tronco pouco desenvolvido) 51 a 53 (tronco médio) mais que 53 (tronco muito desenvolvido) 0 índice córmico permite avaliar o desenvolvimento do tronco. estando o indivíduo em pé.

Daí até a fase adulta. da cabeça. no homem e 5 cm na mulher. Importância da medida da envergadura Em seleçâb desportiva. Na raça negra a envergadura é maior que na amarela. ao lado do corpo. pelve e dos membros. remo. para medir a envergadura. o sexo e a raça A altura é maior que a envergadura desde o nascimento até os 10 anos. a diferença vai diminuindo. passaremos a seguir a analisar alguns pontos importantes sobre medidas dos segmentos corporais. um quadro mural ou prancha. Tendo estudado os principais aspectos sobre as medidas biométricas: altura.Figura 5.7 — Envergadura Variação da envergadura com a idade. A pessoa fica em pé. Técnica de medida da envergadura Utilíza-se. ou seja. do toráx. os atletas que possuem grande envergadura têm melhor desempenho em esportes como:ténis. altura-tronco-cefálica e envergadura. encostada na prancha e com os membros superiores estendidos horizontalmente. até que no adulto. graduada horizontalmente. arremesso e box. a envergadura ultrapassa a altura em 5 a 10 cm. . abdome.

temos que definir alguns pontos antropométricos da cabeça. antes de iniciarmos o estudo destas medidas e índices.MEDIDAS DA CABEÇA principais medidas e índices da cabeça Podemos resumir as principais medidas e índices da cabeça. Figura 5. como se segue: Principais medidas da cabeça índices da cabeça Entretanto. pontos que servem de reparo para se obter as medidas deste segmento. ou seja.8 — Pontos cefalométricos .

opistocrânio. — É o ponto mais saliente do bordo inferior da mandíbula. o gnácio e o opistocrânio são ímpares e o êurio e o zígio são pontos pares. que já foram citadas. .9). êurio e zígio (Figs.9 . Opistocrânio A glabela. A cabeça é dividida em crânio e face. gnácio. — Corresponde ao ponto mais saliente do arco zigomático. é necessário conhecer antes alguns pontos antropométricos desse segmento. Tendo compreendido os principais pontos cefalométricos. podemos estudar algumas medidas da cabeça. Os principais são: glabela. 5. — É o ponto mais saliente na parte lateral da cabeça.8 e 5. que neste caso são denominados pontos cefalométricos. násio. — É o ponto mais saliente na parte posterior da cabeça.Figura 5.Pontos cefalométricos Principais pontos antropométricos da cabeça Para estudar as medidas da cabeça. Entretanto. Definição destes pontos cefalométricos Glabela — Násio Gnácio Êurio Zígio É o ponto situado entre as sobrancelhas. o násio. Várias medidas podem ser feitas nestas duas partes. estudaremos apenas as mais importantes. — Situa-se na parte central da sutura entre os ossos frontal e nasais.

Comprimento da cabeça É a distância entre a glabela e o opistocrânio. ou seja. 5. Largura da face Corresponde ao diâmetro bi-zigomático. Figura 5. . 5. Altura da face É a distância que vai do násio ao gnácio. Corresponde ao diâmetro transverso da cabeça (Fig.10).11). à distância entre o zfgio de cada lado.10 — Comprimento da cabeça Largura da cabeça É a distância entre o êurio de um lado e o outro do lado oposto. Corresponde ao diâmetro ântero-posterior da cabeça (Fig.

11 — Largura da cabeça Principais índices da cabeça Os índices da cabeça são: o cefálico e o facial.9. Braquicéfalos (de cabeças arredondadas): índice maior que 81. Mesocéfalos (de cabeças intermediárias): índice de 76. .Figura 5.0.0 a 80. índice cefálico A relação entre os diâmetros da cabeça constitui o índice cefálico: Classificação dos indivíduos de acordo com o índice cefálico De acordo com este índice.0. podemos classificar os indivíduos em: Dolicocéfalos (de cabeças estreitas ou longas): índice cefálico menor que 76.

aos 12 meses. ou seja.0 45. O perímetro cefálico é importante até os três anos de idade. há uma macrocefalia e se é muito baixo. pode haver o chamado prognatismo. O prognatismo parcial superior e o inferior ocorrem quando somente a maxila ou somente a mandíbula. Em crianças brasileiras. se projeta para frente. 35 c m . que é a projeção da face para frente. estudos ligados ao desenvolvimento do homem desde seu aparecimento. 49 cm e aos 36 meses. Quando o valor do perímetro cefálico é muito elevado. aos 24 meses. pois permite avaliar o desenvolvimento do volume da cabeça e detectar possíveis anomalias.índice facial A relação entre as medidas da face fornece o índice facial: Instrumento utilizado para se obter as medidas da cabeça até agora estudadas As medidas da cabeça até agora estudadas (comprimento e largura da cabeça e altura e largura da face) são obtidas utilizando os compassos de pontas rombas ou de corrediça. Importância das medidas da cabeça Os diâmetros e índices da cabeça são mais usados em estudos de antropologia racial.87 2 anos 3 anos Instrumento utilizado para se medir os perímetros Os perímetros são medidos com a fita métrica.): Masculino 35.26 44.9 46.84 Feminino 34. em média.98 47. o perímetro cefálico mede. mede 50 c m . . foram obtidos os seguintes valores (cm) para o perímetro cefálico (Marcondes e cols. com relação aos grupos raciais. Ele pode ser t o t a l . 47 c m .93 48. uma microcefalia. Ao nascer. Em relação à face. respectivamente. Perímetro cefálico É a medida da circunferência da cabeça utilizando o plano que passa pela glabela e pelo opistocrânio.80 Idade Recém nascido 1 ano 47. quando tanto a maxila como a mandíbula se projetam para frente.

em órgãos contidos em suas cavidades ou na coluna vertebral. Além disso. As doenças que afetam os segmentos do tronco podem se assentar em sua parede. no exame do tronco observamos o seu desenvolvimento e suas simetrias. temos que conhecer os principais pontos antropométricos do tronco. ílio-espinhal anterior e troncanterion (pares). acromial. diâmetros e perímetros. Principais medidas do tronco As principais medidas e índices do tronco estão resumidos na chave seguinte: Altura anterior do tronco Diâmetro bi-acromial Diâmetro transverso do tórax Diâmetro sagital do tórax índice torácico de Godin Diâmetro bi-crista ilíaca Diâmetro bi-trocantérico Perímetro torácico Coeficiente torácico Perímetro do abdome Altura do tórax Altura total do abdome Principais medidas e índices do tronco Antes de iniciarmos o estudo destas medidas. Um tronco bem desenvolvido já indica um bom desenvolvimento orgânico.12.: 5. . O estudo do tronco é muito importante pois seu exame nos informa sobre vários aspectos em relação ao indivíduo. abdome e pelve.13 e 5. ílio-cristal. através do estudo de seus comprimentos. o tronco é uma parte do corpo que nos permite acompanhar os progressos obtidos com um esquema de treinamento físico. Quando há doenças em órgãos contidos no tórax ou abdome pode haver deformidades correspondentes.MEDIDAS DO TRONCO Introdução Neste estudo são consideradas as medidas do toráx. xifoideano. ou seja. 5. pontos de reparo. mamilar. utilizados para se obter as medidas. Principais pontos antropométricos do tronco Os principais pontos antropométricos do tronco são (Figs. Assim sendo.14): jugular. umbilical e pubiano (ímpares).

Figura 5.13 — Pontos antropométricos do tronco .Pontos antropométricos do tronco Figura 5.12 .

Pontos a n t r o p o m e t r i a » do tronco Localização dos pontos antropométricos do tronco Os pontos antropométricos do tronco estão situados: — jugular: no centro da incisura jugular do esterno. — ílio-cristal: no local onde a crista ilíaca mais se projeta lateralmente. do acrômio da escápula. — pubiano: no centro da parte superior da sínfise púbica.14 . — acromial: ponto mais saliente lateralmente. — mamilar: no centro do mamilo. — ílio espinhal: no local onde a espinha ilíaca ântero-superior mais se projeta anteriormente. — trocanterion: lateralmente. Mede-se com o antropômetro estando o indivíduo em pé. — umbilical: no centro da cicatriz umbilical. — xifoideano: no centro da base do processo xifóide do esterno. no ponto onde o trocanter maior do fémur mais se afasta . Altura anterior do tronco É a distância em projecão (em linha reta) entre o bordo superior do esterno (ponto jugular) e o bordo superior da sínfise púbica (ponto pubiano).Figura 5. Pode ser decomposta em altura anterior do tórax e altura total do abdome.

5.15 — Altura do tórax Altura total do abdome É a distância que vai do ponto xifoideano à sínfise púbica (ponto pubiano).15). . mede-se com o antropômetro ou compasso de barras e na posição ereta (Fig. 5.Altura anterior do tórax e sua importância É a distância em linha reta entre a borda superior do esterno (ponto jugular) e a borda superior do apêndice xifóide (ponto xifoideano) (Fig. Figura 5.16). Tanto a altura do tórax como a do abdome. Segundo os estudos de Viola. Estas medidas quando realizadas na posição deitada sao chamadas comprimentos ou distâncias. esta medida permite apreciar o desenvolvimento do tórax em relação ao abdome.

Seus valores médios sâo: 37 a 44 cm no homem e 34 a 38 cm na mulher. Figura 5. 5.17 — Diâmetro bi-acromial .Figura 5. ou pontos acromiais (Figs.13 e 5.17).16 — Altura do abdome Diâmetro bi-acromial e seus valores médios É a distância entre os bordos laterais dos acrômios das escápulas.

Diferenças entre estes diâmetros menores que 5 cm ou maiores que 12 cm. eles valem cerca de 2 cm menos. passando pela base do apêndice xifóide.18 e 5.19). que permite apreciar a forma do tórax: índice torácico de Godin Figura 5. Na mulher. traduzem tórax cilíndrico ou deformado.Diâmetro transverso do tórax . estes diâmetros devem ser medidos entre dois pontos situados em um plano transversal ao eixo do tórax. na fase intermediária entre a inspiração e a expiração (Figs.Diâmetros transverso e sagital do tórax e seus valores médios Para a maioria dos autores. O valor médio do diâmetro transverso no homem é 30 cm e do sagital é 20 cm. índice torácico de Godin — A relação entre os diâmetros torácicos fornece o índice torácico de Godin.18 . 5.

em média. 28 cm no homem e 27 cm na mulher. o diâmetro bi-acromial e os da pelve (bi-crista ilíaca e bi-trocantérico) desenvolvem-se proporcionalmente.19 .Diâmetro sagital do tórax Diâmetro bi-crista ilíaca e seus valores médios É a distância em linha reta entre os pontos mais laterais das cristas ilíacas (ponto ilío-cristal) (Fig. 5. enquanto na mulher. Vale 32 cm. O bi-trocantérico vale. Relação entre os diâmetros bi-trocantérico e bi-crista ilíaca Os diâmetros bi-trocantérico e bi-crista ilíaca estão intimamente ligados. em média.5 cm mais que o bi-crista ilíaca. . Diâmetro bi-troncantérico e seu valor médio É a distância máxima. Os estudos de Vague (1953) mostram que. 3. a partir da puberdade ocorre um aumento progressivamente maior dos diâmetros da pelve em relação ao bi-acromial. em média.20). Vale. 5. em linha reta.Figura 5. entre os pontos mais laterais dos trocanteres maiores dos fémures (trochanterion) (Fig.21). no homem.

de modo geral. Perímetro torácico É a medida da circunferência do tórax. Este último geralmente é 3 cm menor que o mamilar (Fig. para esse fim. 5. Tanner (1951) propõe.20 — Diâmetro bi-crista Figura 5. a seguinte fórmula: 3 x diâmetro bi-acromial — diâmetro bi-crista Os valores médios para os sexos masculinos e feminino são. 93 ± 5 e 78 ± 5. são importantes para avaliar o desenvolvimento horizontal do corpo no sentido transversal ou ântero-posterior e sâo obtidos com os compassos de toque ou de pontas rombas.22).21 — Diâmetro bi-trocantérico A relação entre estes diâmetros permitiria avaliar o grau de feminilidade e masculinidade do indivíduo. Pode ser obtido em vários níveis do tórax. Os mais utilizados sâo o perímetro mamilar (ao nível dos mamilos. Importância dos diâmetros do tronco e instrumentos utilizados para medi-los Os diâmetros. respectivamente. .Figura 5. Valores acima ou abaixo destes indicariam maior ou menor virilidade ou feminilidade. no homem) e o perímetro xifoideano (ao nível da articulação xifo-esternal).

através do coeficiente torácico: Tórax estreito Tórax médio Tórax largo Coeficiente torácico menor que 51 Coeficiente torácico entre 51 e 56 Coeficiente torácico maior que 56 . relacionando o perímetro torácico com a altura.22 . Classificação dos indivíduos de acordo com este parâmetro A medida do perímetro torácico indica o grau de desenvolvimento do tronco.Figura 5. Coeficiente torácico. médio e largo.Perímetro torácico mamilar Técnica para medir os perímetros torácicos Os perímetros torácicos são obtidos ao fim de uma expiração normal. Elasticidade torácica A diferença entre as medidas dos perímetros torácicos depois de uma inspiração profunda e uma expiração forçada fornece a chamada elasticidade torácica. Brugsh classifica o tórax em estreito. Pode-se também determinar um valor médio realizando duas medidas: uma no fim da inspiração e outra no fim da expiração.

o perímetro é a linha de contorno de uma figura. na cabeça e no tronco as metades direita e esquerda são tidas como simétricas. Os perímetros abdominais indicam o grau de adiposidade que o indivíduo possui. Perímetro do abdome. externamente. interessa o estudo dos semiperímetros do tórax. Instrumento utilizado para se obtê-lo Perímetro do abdome é a medida da circunferência do abdome obtida em um ponto situado à meia distância entre o rebordo costal e a crista ilíaca. especialmente nos fundistas. Se esta diferença for maior que 14 cm. utilizamos a semiperimetria mais para o tronco e neste. Não se aplica semiperimetria nos membros. queremos verificar a presença ou ausência de simetria. Semi perímetros Como já vimos. indica obesidade. Ao determinar os semiperímetros desses segmentos corporais. 0 objetivo é comparar uma metade do corpo com a outra para deduzir informações sobre simetrias e assimetrias. Em Educação Física. onde são mais frequentes os problemas de simetria. arremessadores de peso e halterofilistas. Certas doenças diminuem o perímetro torácico enquanto outras como a asma e o enfisema o aumentam. . pois no caso destes segmentos. indica estado de magresa e se for menor que esse valor. quando traçada sobre um plano transversal a um segmento do corpo. Utilidade da medida dos perímetros do tronco O perímetro torácico informa sobre o desenvolvimento do tronco em largura e sobre o estado nutritivo do indivíduo.Alguns fatores que influenciam no valor do perímetro torácico 0 perímetro torácico é geralmente maior no sexo masculino e nos indivíduos que praticam esporte. a diferença entre os perímetros torácico e abdominal deve estar situada em torno de 14 cm. A medida dos perímetros do tronco é feita com fita métrica. Existe geralmente relação diretamente proporcional entre perímetro torácico e peso. Assim. No adulto. o importante é verificar a simetria entre um membro e outro e não no mesmo lado. Semiperímetro é a metade dessa linha.

Mede-se os semiperímetros de um lado e de outro do tórax e compara-se as medidas.22-a — Centímetro simétrico de Rosenthal Ângulo de Louis ou ângulo do esterno É o ângulo entre o corpo e o manúbrio do esterno. Figura 5.23). por exemplo. Assim.22). 5. há simetria. é só situar a segunda. caracterizada por ter o zero da escala no centro da fita e não em uma das extremidades (fig. por meio do ângulo de Louis e a seguir percorrer as demais até atingir a que nos interessa. coloca-se o zero sobre os processos espinhosos da coluna e tracionamos as extremidades da fita até junto à linha média na face anterior do esterno. quando queremos localizar e saber que costela estamos palpando. por exemplo.A semiperimetria do tórax visa não só detectar assimetrias como também permite acompanhar a evolução de tratamento dessas mesmas assimetrias com o uso de ginástica corretiva. Sua importância reside no fato de estar situado ao nível da união da segunda cartilagem costal com o esterno. . No caso da medida dos semiperímetros do tórax. nos dois sentidos das extremidades. É facilmente palpado como uma saliência no osso esterno. Para medir os semiperímetros utiliza-se o chamado centímetro simétrico de Rosenthal que nada mais é que uma fita métrica. Se as medidas forem iguais dos dois lados. onde fazemos as leituras. É bastante obtuso e seu vértice está voltado anteriormente (fig. 5. A fita é graduada em milímetros a partir do zero.

em vista lateral do osso esterno Angulo de Charpy ou ângulo subcostal É o ângulo formado pelas cartilagens da décima. 5. abdominais.Figura 5.13). junto ao processo xifóide (fig. MEDIDAS DOS MEMBROS INTRODUÇÃO Os membros são apêndices destinados à locomoção e preensão.Ângulo de Louis. Os membros superiores na verdade servem não somente para a preensão e o tato mas também para manter o equilíbrio do corpo durante a locomoção.23 . Os membros superiores são também chamados torácicos e os inferiores. . Este ângulo tem importância em Biotipologia para classificar os indivíduos em somatótipos. nona. oitava e sétima costelas que se unem ao esterno.

Nos membros são estudados os comprimentos e os perímetros.24 — Pontos antropométricos do membro superior . 5.Os membros inferiores sustentam o peso do corpo.É o ponto mais distai do dedo médio — Dobra do punho — Situado na parte central da prega que se forma quando o punho é flexionado. Às vezes o número de pregas que se formam é par. quanto durante a locomoção. — Acromial — Já descrito no estudo do tronco — Dactilium .Situa-se no ápice do processo estilóidedo rádio Figura 5. o ponto situa-se entre as duas pregas centrais. — Radial — Situado na extremidade proximal do rádio — Stylion . tanto em posição estática. Pontos antropométricos dos membros No membro superior.24). Neste caso. destacam-se os seguintes pontos antropométricos (fig. Daí serem mais desenvolvidos que os superiores. Antes porém temos que conhecer seus pontos antropométricos.

Já descrito no estudo do tronco — Pubiano — Já descrito no estudo do tronco — Tibial — Ponto mais medial da linha interarticular do joelho — Maleolar — Situa-se no maléolo medial Figura 5.25 — Pontos antropométricos do membro inferior Principais medidas e índices dos membros A chave seguinte resume as principais medidas e índices dos membros: Comprimento do membro superior índice do comprimento do membro superior Comprimento do braço índice do comprimento do braço Comprimento do antebraço índice do comprimento do antebraço Comprimento do membro inferior índice do comprimento do membro inferior Comprimento da coxa índice do comprimento da coxa Comprimento da perna índice do comprimento da perna Perímetros do braço. — Mio-espinhal anterior. Medidas e índices dos membros . antebraço e mão Perímetros da coxa. destacarn-se os seguintes pontos antropométricos (fig. 5. perna e pé índice ósseo.No membro inferior.25).

Figura 5. estando o indivíduo em pé.Cumprimento do membro superior índice do comprimento do membro superior Relacionando esta medida com a altura.26 . classificam-se os indivíduos em: Membro superior curto Membro superior médio Membro superior longo até 44. na posição fundamental (fig. obtém-se o índice do comprimento do membro superior que é dado pela fórmula: Classificação dos indivíduos através do índice do comprimento do membro superior Através deste índice. O membro superior direito é mais comprido que o esquerdo em mais ou menos 1cm.9 de 45 a 46.26). em linha reta.Comprimento do membro superior É a distância entre o ponto acromial e o dactilium. 5.9 maior que 47 .

utilizando a fórmula: De acordo com este índice. predomina o membro superior longo. o comprimento do membro superior é 1cm menor que no masculino.9 de 19 a 19. No sexo feminino.27) O índice do comprimento do braço é obtido.Na raça negra.27 . o membro superior curto.9 Figura 5. Comprimento do braço O comprimento do braço ó a distância em projeção entre os pontos acromial e radial (fig. 5. enquanto nas raças branca e amarela.9 maior que 19.Comprimento do braço . em geral. classificam-se os indivíduos em: Braço curto Braço médio Braço longo até 18.

28) Figura 5. 5. em: Antebraço curto Antebraço médio Antebraço longo Comprimento da mão É a distância em linha reta.9 de 15. de acordo com este índice.28 — Comprimento do antebraço 0 índice do comprimento do antebraço obtém-se pela fórmula: índice do comprimento do antebraço Classif icam-se os indivíduos.Comprimento do antebraço É a distância em linha reta entre os pontos radial e stylion (fig.0 a 15. entre o stylion e o dactilium até 14.9 .9 maior que 15.

medindo a distância de um destes pontos ao plano do solo e fazendo-se os descontos necessários (fig. O primeiro ponto está situado em média 4 cm acima da linha interarticular ílio-femoral no homem e 3. que vai do bordo superior da cabeça do fémur.30) Do mesmo modo que para o membro superior.29 — Pontos de reparo para medir o comprimento do membro inferior Pode-se então obter o comprimento do membro inferior indiretamente.5 cm abaixo daquela linha (fig.5 cm. Esta medida nâb pode ser obtida diretamente pois o bordo superior da cabeça do fémur não é acessível.29) Figura 5. Estes pontos de reparo são: a espinha ilíaca ântero-superior e o bordo superior da sínfise púbica. na mulher. em média. 5. Por esse motivo.Comprimento do membro inferior É a distância em linha reta. utiliza-se a fórmula: índice do comprimento do membro inferior . para isso. 5. 3. até um plano que passa pela planta do pé. pode-se obter o índice do comprimento do membro inferior. enquanto que o bordo superior da sínfise púbica encontra-se. utilizam-se pontos de reparo que fornecem a medida aproximada do comprimento do membro inferior.

9 acima de 29.9 acima de 57 De acordo com este índice. classificam-se os indivíduos em: Coxa curta Coxa média Coxa longa até 28.Comprimento do membro inferior Figura 5.0 a 56.0 a 29.31 . classificamos os indivíduos em: Membro inferior curto Membro inferior médio Membro inferior longo Comprimento da coxa É a distância em projecão entre os pontos ílio-espinhal anterior e o tibial (fig.9 Figura 5. O índice de comprimento da coxa é obtido pela fórmula: até 54.31). 5.9 de 55.Através deste índice.9 de 29.30 .Comprimento da coxa .

9 de 22. em: Perna curta Perna média Perna longa até 21. Obtemos o índice do comprimento do pé através da fórmula: . através da fórmula: índice do comprimento da perna Classificamos os indivíduos de acordo com este índice.32 — Comprimento da perna Comprimento do pé É a distância entre o ponto mais posterior do calcanhar e a extremidade distai do primeiro ou segundo dedo (o que for mais longo).32).9 Figura 5.0 a 23.9 acima de 23. 5.Comprimento da perna É a distância em linha reta entre os pontos tibial e maleolar (fig. Obtém-se o índice do comprimento da perna.

perna e pé (Fig.33 . Nas partes moles. mede-se no braço. e de preferência no lado esquerdo. antebraço. Perímetros dos membros Podem ser obtidos medindo-se nas partes moles ou nas partes ósseas. 5.33). do joelho e do tornozelo. Os comprimentos dos membros são obtidos com o uso do antropômetro. mão. coxa. segundo a finalidade. Os perímetros ósseos sao medidos ao nível do cotovelo. Figura 5.Os comprimentos dos membros e seus segmentos são importantes para se estudar suas simetrias. do punho.Perimetro do braço índice ósseo e classificação dos indivíduos através deste índice Este índice é dado pela fórmula: .

as articulações ficam imobilizadas por certo tempo.Através deste índice. Para medida das partes moles. havendo geralmente. por exemplo. o perímetro do braço mede-se ao nível da extremidade distai do músculo deltóide: no antebraço.5 a 1. o perímetro da perna é medido ao nível da sua porção mais volumosa. na articulação. de Godin. com os dedos unidos exceto o polegar. por exemplo. Na coxa. o que requer tratamento. Este pode ser acompanhado. na sua parte mais larga. Os perímetros dos membros são obtidos com a fita métrica. A amplitude de movimento de uma articulação pode estar diminuída por vários motivos. Esta é a lei das assimetrias compensadoras.34) . Os perímetros ósseos são medidos ao nível das articulações. e no pé. Dá uma ideia também do estado de nutrição e do desenvolvimento muscular.5 cm). Ângulos articulares dos membros O ângulo articular é o ângulo formado pelos ossos. os indivíduos são classificados em: Ossatura fraca Ossatura média Ossatura forte Utilidade da medida dos perímetros dos membros A medida dos perímetros dos membros permite apreciar seu desenvolvimento como um todo bem como o desenvolvimento ósseo dos membros. no membro superior. através da medida da amplitude de movimento. Devem ser colhidos tanto de um lado como do o u t r o . entre os quais. Os aparelhos utilizados para se medir ângulos articulares são os goniómetros (fig. onde as massas musculares apresentam maior volume e na mão. como já vimos. pequena diferença entre ambos os lados (0.5 e 46 maior que 46 Em tratamento de fraturas. no membro inferior ele será maior do outro lado e vice-versa. Retirado o gesso. em um plano que passa junto à prega glútea. mede-se ao nível do seu terço proximal. uma imobilidade prolongada. mede-se ao nível da raiz deste segmento. Godin verificou que sempre que o perímetro é maior em um lado. Os músculos ficam relaxados. mede-se na sua parte mais larga. 5. às vezes a amplitude de movimento das articulações pode estar diminuída. menor que 43 entre 43.

Geralmente apenas um dos braços é móvel. O transferidor é graduado de um em um grau (f ig.34 — Tipos de goniómetro O goniómetro é basicamente um transferidor em cujo centro està"o unidos dois braços ou alavancas.36 é o registro gráfico das modificações da amplitude de movimento da articulação interfalângica proximal durante um período de quatro semanas.35 — Medida dos ângulos articulares do ombro (a) e do cotovelo (b) . Figura 5.35).Figura 5. 5. antes e depois de aplicado tratamento com fisioterapia. A figura 5.

36 — Gráfico da amplitude da articulação interfalángica proximal em 4 semanas de registro .Figura 5.

etc). Um dos principais fatores que prejudicam o processo normal de crescimento é a deficiência nutritiva. magro. com cansaço facial e irritação fácil. O professor de educação física pode e tem condições de detectar casos de má nutrição e encaminhá-los para o médico. pele corada. corpo pouco desenvolvido. a digestão ocorre perfeitamente bem e as células do corpo estão usando de modo satisfatório esses alimentos. são indícios de má nutrição. e habilidades motoras retardadas. AVALIAÇÃO DO ESTADO NUTRITIVO O estado nutritivo pode ser avaliado simplesmente pela observação da criança. pouco animado. A nutrição é pobre quando algum elemento desta cadeia não está funcionando a contento: a criança pode estar ingerindo alimento em quantidade insuficiente ou o alimento pode ser deficiente em determinadas substâncias (vitaminas. para considerar apenas alguns aspectos. . pele flácida. ou seja. Quando há uma boa nutrição.CAPITULO VI AVALIAÇÃO DO ESTADO NUTRITIVO: MEDIDA DA ESPESSURA DE PREGAS CUTÂNEAS E PESO INTRODUÇÃO A saúde e o desenvolvimento do indivíduo são muito importantes. regular a atividade corporal e permitir o trabalho do corpo. músculos frágeis. dentes cariados. É claro que qualquer um destes processos vai influenciar na altura. Ao contrário. músculos firmes. É dever do professor de Educação Física saber avaliar o estado nutritivo de uma criança e encaminhá-la para o setor médico responsável para que um tratamento possa ser providenciado. olhos claros boa postura e bom apetite são alguns dos sinais de boa nutrição. força muscular diminuída. A criança mal nutrida tem fadiga crónica. subjetivãmente. Conceito de nutrição Nutrição pode ser considerado como o processo pelo qual as células do corpo usam o alimento ingerido para construir. manter ou reparar os tecidos. proteínas. peso. força muscular e outros aspectos da criança. Peso e alutra em torno da média. especialmente na época do crescimento. É possível também que a quantidade e a qualidade sejam suficientes mas os tecidos do corpo não conseguem absorver ou aproveitar os elementos por alguma deficiência orgânica ou metabólica. todos os processos envolvidos na cadeia estão em equilíbrio: há oferta suficiente de alimento.

Entretanto, para eliminar erros que sempre ocorrem em avaliações subjetivas, foram criados meios objetivos de julgar o estado nutritivo. Tabelas de estatura-peso idade e tabelas de largura-peso Estas tabelas foram construídas a partir da avaliação de um grande número de indivíduos. 0 uso das tabelas idade-estrutura-peso apresenta desvantagens: não leva em conta a constituição corporal; é construída a partir de uma média, a qual, nem sempre é representativa para aquele caso específico. As tabelas de largura-peso (Pryor, 1940), sugerem que se pode avaliar o estado nutritivo utilizando não só o peso e a estatura mas também outras medidas como os diâmetros bi-crista ilíaca e o transverso do tórax. Assim, foram construídas tabelas relacionando idade, estatura, sexo, peso e as medidas acima relacionadas. Deste modo, para saber se o peso de uma determinada criança está dentro dos padrões normais, basta compará-lo com os valores indicados nas tabelas, levando em conta as várias medidas efetuadas. Alguns autores propõe a determinação da porcentagem de gordura corporal através de cálculos usando fórmulas em que entram a densidade, a massa e o volume do corpo. Estes dados são obtidos por métodos especiais. Entretanto, o meio mais fácil e prático de se avaliar o estado nutritivo é medindo o tecido adiposo através da medida das pregas cutâneas, pois o tecido adiposo subcutâneo, como se sabe, constitui aproximadamente metade de todo o estoque adiposo do corpo. MEDIDA DA ESPESSURA DE PREGAS CUTÂNEAS Importância da medida da espessura de pregas cutâneas. Esta medida permite avaliar o grau de adiposidade do indivíduo, e portanto seu estado nutritivo. Técnica de medida da espessura de pregas cutâneas Para medir a espessura da prega cutânea, utiliza-se um compasso especial que exerce pressão fixa sobre a pele, permitindo assim, uma medida sempre precisa. Um dos mais conhecidos é o compasso de Lauge (fig. 6.1).

Figura 6.1 - Compasso de Lange, para medida das pregas cutâneas

Os locais do corpo escolhidos para se efetuar as medidas são o dorso do braço, a região infra-escapular, região anterior da coxa, tórax e abdome (fig.6.2). Toma-se entre os dedos polegar e indicador uma dobra de tecido subcutâneo e mede-se sua espessura com o compasso. Em adulto, a medida vale cerca de 1cm, em média.

Pode-se também medir a espessura do tecido subcutâneo, através de chapas radiográficas. Além da medida da espessura de pregas cutâneas, uma das medidas mais utilizadas para avaliar o estado de nutrição é o peso, cujo estudo será feito a seguir. PESO Definição de peso O peso é resultante das forças exercidas pela gravidade sobre o corpo. Geralmente é interpretado, para efeitos práticos, como sendo igual à massa.

Figura 6.2 — Locais mais usados para medir a espessura da prega cutânea a — dorso do braço b — Região infra-escapular c — Regiáo lateral do abdome d - Coxa e — Região anterior do abdome

Elementos constituintes do peso A tabela seguinte mostra os elementos constituintes do peso e suas percentagens: Tecido subcutâneo, gordura e água Músculos Esqueleto, vísceras, sistema nervoso e pele 17% 50% 33%

Fatores que determinam o peso Podemos considerar fatores internos e externos. c) Variação do peso com a prática de esportes — Esta é fator de redução de peso. b) Variação do peso com o crescimento — Durante a fase de crescimento. A parte do peso representada pelo tecido subcutâneo. ao passo que à noite. intestinos e bexiga estarem vazios. Entre os primeiros. através da respiração e sudorese.100. Entre os fatores externos. Fatores de variação do peso Diversos fatores influenciam no valor do peso. condições de saúde e hábitos de vida. gordura e água também é muito variável. destacam-se:a hereditariedade. segundo Broca Segundo Broca. através de verificações periódicas. Nestes casos. constituição neuro-endócrina e patologias. o peso ideal seria dado pela fórmula: P = A (cm) sendo: A . sistema nervoso e pele.Como se observa.. Cálculo do peso ideal.Pela manhã. = altura em centímetros. o peso é menor devido ao fato do estômago. Esta diferença entre o peso pela manhã e à noite pode atingir até 2 quilogramas. o peso é maior. os mais importantes sío: hora do dia. Finalmente. o crescimento e a prática desportiva. deve-se acompanhar a redução de peso. sob várias condições. os mais importantes são a alimentação e a atividade física. . devido à perda de líquidos. o peso aumenta cerca de 2 quilogramas por ano de idade. depois dos 2 anos. Broca considera como valores normais os que se colocam para mais 10 ou menos 10 do peso ideal calculado. Esta parte se modifica por exercícios físicos. há uma parte fixa que corresponde às vísceras. a maior parte do peso é representada pelos músculos. esqueleto. a) Variação do peso com a hora do dia .

enquanto os de peso baixo podem praticar esportes como corridas de fundo. o peso é uma medida utilizada para orientar o indivíduo para um determinado tipo de esporte.Utilidade da medida de peso O peso tem grande importância como medida biométrica por sua fácil obtenção e por indicar o estado de nutrição e de saúde do indivíduo. A balança de alavanca é preferida à de mola pois com o passar do tempo. Pessoas de peso elevado são indicadas para esportes que requerem resistência e força. Técnica da medida de peso Dois tipos principais de balança são utilizados para medir o peso. Em seleção desportiva. sendo o resultado dado em quilogramas: a de alavanca e a de mola. . esta tem sua precisão diminuída.

hora do dia. Se o coração e os pulmões estão funcionando à contento. mas todas baseiam-se em que o sistema muscular. porque o coração do atleta é mais forte. O volume minuto é a quantidade de sangue bombeada por minuto e o volume sistólico é o volume ejetado em cada batida do coração. devido ao treinamento que fortalece não só a musculatura esquelética. Volume sistólico. em repouso. uma frequência do pulso de 64 batimentos por minuto. Entretanto. estando entre 38 e 110. Frequência do pulso Um indivíduo jovem tem em média. de um atleta. Pode ser que na pessoa treinada o volume ejetado a cada batimento seja maior que numa não treinada. suprem perfeitamente de oxigénio os músculos durante o esforço. os limites. a frequência do pulso pode ser 20 ou 30 batimentos mais baixa que uma pessoa não treinada. e atividade física. FORÇA MUSCULAR CONCEITO DE MEDIDAS BIOMÉTRICAS FUNCIONAIS Medidas biométricas funcionais são medidas que permitem avaliar o estado fisiológico de alguns sistemas do corpo. os valores da frequência do pulso variam com muitos fatores. o coração deve responder prontamente. O volume sistólico em repouso. MEDIDA DA CAPACIDADE CÁRDIO-CIRCULATÓRIA Veremos apenas uma noção sumária sobre a medida da capacidade cárdiocirculatória. o pulso e a pressão sanguínea devem voltar rapidamente aos níveis de repouso. tais como: idade. A medida da capacidade cárdio-circulatória é feita submetendo-se o indivíduo às chamadas provas de esforço. capacidade vital e forca muscular. como também a cardíaca. ao realizar um trabalho intenso e rápido. no indivíduo normal. Vejamos inicialmente algumas características fisiológicas do sistema cardiovascular. Além disso. alimentação. Estudaremos as seguintes: capacidade cardio-circulatória. a frequência do pulso vai . Quando um indivíduo é submetido a um trabalho. Existem vários tipos de provas de esforço. cessando o trabalho. Volume minuto. Em um atleta treinado. geralmente é maior que o de um indivíduo não treinado.CAPITULO VII MEDIDA DA CAPACIDADE VITAL E CARDIOCIRCULATÓRIA .

quando se ouvir o som do batimento cardíaco nitidamente. não ocorre tanto desconforto ao respirar mais fortemente. No indivíduo treinado. sabe-se que os músculos respiratórios. chega um momento em que não se ouve mais o batimento. a tomada da pressão sanguínea deve ser feita com o indivíduo sentado confortavelmente ou deitado . bem como do estado físico da pessoa. Para se medir a pressão sistólica (máxima). Por último. pois é nos pulmões que ocorrem as trocas gasosas e o oxigénio é absorvido e eliminado o gás carbónico. no treinado há uma melhor ventilação. lida no manómetro. como ocorre nos não treinados. 0 uso dos testes que medem a capacidade cardiocirculatória em Educação . Além disso. A eficiência dos músculos vai depender do oxigénio que chega até eles. A pressão sanguínea é a pressão exercida pelo sangue sobre as paredes dos vasos. durante um esforço físico. geralmente utiliza-se medir variáveis como a pressão sanguínea e a frequência do pulso sob diferentes condições. Só assim poderemos opinar sobre sua aptidão à atividade física. Terminado o trabalho. há um melhor aproveitamento de oxigénio. É necessário pois submeter o coração do indivíduo a uma prova de esforço para se ter uma avaliação de seu desempenho funcional. é obtida quando ela diminui ao máximo entre os batimentos.aumentando à medida que a intensidade do esforço é maior. menor tempo leva para voltar a atingir a frequência de repouso. na pessoa treinada. com mais economia. A pressão máxima é a pressão do sangue durante a sístole ventricular esquerda e a pressão mínima. Esta é registrada como pressão diastólica (mínima). insufla-se o ar no manguito colocado em posição no braço e ouvindo com o estetoscópio. se desenvolvem mais e quando há um esforço. sem um aumento tão grande da respiração.A pressão é medida no braço. a frequência do pulso volta ao estado inicial e o tempo que leva para que isto ocorra depende do esforço realizado. Vários cuidados devem ser tomados pois muitos fatores podem afetar os resultados. porque o ar vai saindo. aumenta a expansão do tórax e a profundidade respiratória. Avaliação do sistema cardiovascular Nesta avaliação. Assim. Quanto mais preparado fisicamente. Pressão sangú ínea Quando necessária. À medida que a pressão vai dímuindo. Respiração O sistema circulatório está funcionalmente ligado ao respiratório. esta é a pressão máxima. Depois solta-se lentamente o ar.

Prova do banco (Step test) Durante um período de 5 minutos.8 cm de altura a cada 2 segundos. onde o indivíduo assopra. o indivíduo sobe em um banco de 50. a seguir. Quando este volta aos valores iniciais de antes do teste em menos de 2 minutos. Imediatamente mede-se o pulso. Mede-se a frequência do pulso e a pressão arterial antes e depois da prova. 2 minutos e 3 minutos após o término da prova. com mercúrio.Física é limitado. Aplica-se. examina-se o pulso do indivíduo. M E D I D A D A CAPACIDADE V I T A L Conceito de capacidade vital É a quantidade máxima de ar que uma pessoa pode expulsar após uma inspiração máxima. A seguir serão analisados alguns testes que medem a capacidade cardiocirculatória. Prova de Pachon-Martinet Consiste na execução de 20 flexões em 40 segundos. até que volte aos valores iniciais. A prova é cansativa e deve ser feita somente em indivíduos previamente examinados pelo médico. obtendo-se resultados que indicam a aptidão física do indivíduo. As modificações do pulso (ritmo cardíaco) e o tempo que o indivíduo consegue atingir permitem avaliar o desempenho cardíaco. . Mas eles podem ajudar a detectar indivíduos com aptidão física muito baixa. Mede-se o pulso 1 m i n u t o . os valores obtidos em uma fórmula conveniente. de minuto em minuto. Normalmente. Teste de Lian O indivíduo faz 30 flexões em 1 minuto. Estes indivíduos deverão ser encaminhados para o médico competente. o resultado é considerado bom. Durante a prova. procurando fazer com que o mercúrio atinja um desnível de 40 m m . e suportando até os limites de suas possibilidades. isto ocorre aos 2 ou 3 minutos após o término do teste. Prova de Flack Esta prova é feita utilizando um tubo de vidro. de um lado há uma conexão com um bocal.

tem-se a reserva expiratória. que desloca um sistema graduado.Depende basicamente dos músculos envolvidos na respiração (inspiração e expiração) e do volume máximo dos territórios dos pulmões. Em outras palavras. A capacidade vital é a soma dos volumes corrente. Insufla-se ar no aparelho. Nas doenças pulmonares. o qual permite medir a quantidade de ar insuflado.2). de reserva inspiratória e de reserva expiratória. por exemplo. O volume corrente é o volume de ar inspirado e expirado durante a respiração. 11. temos a reserva inspiratória e ao realizar uma expiração forçada. é o volume de ar que entra nos pulmões na inspiração. Figura 11*1 -A — Espirômetro em corte esquemático Utilidade da medida da capacidade vital Através da espirometria pode-se detectar insuficiências respiratórias e acompanhar progressos em reeducação respiratória. há alteração do traçado normal de uma espirometria. 11.2 mostra um traçado de uma prova de capacidade vital de um indivíduo com enfisema. no . A prova é denominada espirometria (figs.1. O indivíduo começa a expirar no ponto 2. A figura 11. Aparelho utilizado para se medir a capacidade vital É o espirômetro. Realizando uma inspiração forçada.

ponto 2 (primeiro segundo de prova) ele deveria expirar. 70 a 80% da sua capacidade vital mas na realidade o gráfico mostra que ele expele somente 40% desta capacidade. Figura 11-1-B Componenetes da capacidade vital Figura 11. se fosse normal.C — Espirometria .1 .

bem como não se pode dizer que um atleta com capacidade vital elevada terá ótimos resultados físicos. a capacidade vital aumenta.2 — Capacidade vital de um indivíduo com enfisema A capacidade vital pode ser melhorada com técnica respiratória adequada. Comportamento da capacidade vital nos sexos A capacidade vital nos homens é cerca de 800 ml maior que a das mulheres. Nos que levam vida sedentária. entretanto. altura e desenvolvimento físico. diminui. Fatores que influenciam no valor da capacidade vital Os principais são: sexo. Nà"o se pode. Variação da capacidade vital com a idade Durante o crescimento do indivíduo. Nos indivíduos bem desenvolvidos e de grande altura têm-se também um maior desenvolvimento da caixa torácica. Variação da capacidade vital com a altura Quanto mais desenvolvido for o indivíduo. tipo constitucional e exercícios físicos. para uma mesma idade e altura. considerar como incapaz um indivíduo que tenha uma capacidade vital pequena. idade. a capacidade vital aumenta até 40 anos. A capacidade vital depende das dimensões da caixa torácica. quando o indivíduo respira com má técnica. ao contrário. maior será sua capacidade vital. . No adulto que pratica exercícios adequados.Figura 11.

A aquisição de um corpo bem modelado é aspiração natural de jovens masculinos e femininos. ao se medir a capacidade vital: a) Posição: deve ser medida com a pessoa em pé. A medida da força muscular pode ser um bom indicador da aptidão física geral pois é uma medida bastante obejtiva. há diferenças nas raças. Técnica de medida da capacidade vital Deve-se observar os seguintes aspectos. dá maior potência para saídas mais rápidas e permite melhor desempenho em quase todos os esportes. todo atleta sabe que a força muscular quando desenvolvida melhora a aparência e o físico. Por este motivo. Conceito da medida da força muscular Consiste na medida da força máxima de determinados grupos musculares. b) Realização da prova: com o estômago vazio. Exercícios físicos e a capacidade vital A ginástica e os exercícios só melhoram a capacidade vital nos indivíduos que apresentam técnica respiratória errada.Relacionamento entre capacidade vital e tipo constitucional A capacidade vital nos brevilíneos é menor que a dos longilíneos. A medida chama-sedinamometria. O desenvolvimento da força muscular melhora a velocidade do indivíduo. MEDIDA DA FORÇA MUSCULAR A medida da força muscular é uma das mais importantes para se avaliar a aptidão física do indivíduo. roupas folgadas e deve ser bem explicado ao examinando o modo de se realizar a prova. e é influenciada por vários fatores entre quais processos patológicos. pois têm o tórax mais curto e suas costelas têm menor mobilidade que a dos longilíneos. Além disso. . permite melhor desempenho em provas específicas e ajuda a evitar certas deficiências ortopédicas.

neste aspecto. Valores médios no homem adulto Força de preensão da mão Força de traçâb horizontal Força de traçâo vertical 40 a 60 kgf 30 a 40 kgf 130 a 150 kgf A mulher possui valores entre 50 a 60% dos masculinos. Na puberdade e após esse período.3) Grupos musculares que podem ser explorados através da dinamometria São os seguintes: a. 11. as diferenças são pequenas. Músculos do dorso (força de traçâo vertical) (fig. os músculos são mais desenvolvidos no homem que na mulher. 11. deslocando um ponteiro que corre em uma escala graduada (fig. aumentando o rendimento muscular.3) b. Músculos do braço e da região escapular (força de traçâb horizontal). Fatores que influenciam na medida da força muscular Sâb os seguintes: sexo. c. há uma maior atividade física nos meninos e entram em açâo também os hormônios masculinos. idade e exercícios físicos. porém. .4). Baseia-se no fato que a força muscular aplicada ao aparelho deforma uma mola. Sexo e medida da força muscular No adulto. Músculos flexores dos dedos (força de preensáb) (fig. Até a puberdade. Idade e a medida da força muscular A força muscular aumenta a partir da puberdade. 11.Aparelho utilizado em dinamometria É o dinamômetro. atingindo valores máximos enter 25 e 35 anos.

4 .3 — Medida da força de preensão Figura 11.Figura 11.Medida da força detraçfo .

em 10 meses. Através de treinamento. Acompanhar variações da força muscular durante treinamento. Importância da dinamometria A dinamometria permite: a. Comparar forças musculares de indivíduos diferentes.Influência dos exercícios físicos na medida da força muscular Aumentam a força muscular. pode-se fazer com que os músculos de um indivíduo atinjam a força máxima de que são capazes. e b. .

Há o inconveniente de não se levar em conta as diferenças individuais no r i t m o de crescimento. que ocorrem. pode-se distinguir dois processos diferentes entre si. O aumento da altura do indivíduo se deve ao aumento do comprimento dos pelas mudanças progressivas das várias medidas do corpo. com o passar da idade. observando e anotando as caracterísitcas que surgem. as características de cada fase e os conceitos de idade cronológica e idade fisiológica. É pois um processo quantita- . durante o desenvolvimento. acompanha-se um grupo de crianças durante seu crescimento. embora intimamente interligados: crescimento propriamente dito e maturação. CONCEITOS DE CRESCIMENTO E M A T U R A Ç Ã O Diferença entre crescimento e maturação Durante o desenvolvimento do ser humano. São exemplos: as dentições. É pois um processo quantitativo. A maturação compreende as mudanças na estrutura e composição do corpo. No método longitudinal. 1964). Crescimento propriamente d i t o é representado t i v o . O método transversal consiste em tomar medidas em crianças de diferentes idades e daí estabelecer valores médios para cada idade. O inconveniente é a dificuldade de seguir o mesmo grupo de crianças durante um tempo mais ou menos longo. as fases do crescimento.CAPITULO V I I I A V A L I A Ç Ã O D O CRESCIMENTO Neste capítulo estudaremos os conceitos de crescimento e maturação. diminuindo até os quatro ou cinco anos (Tanner. os processos de ossificação e as mudanças que ocorrem na puberdade. ASPECTOS GERAIS DO CRESCIMENTO Velocidade de crescimento A velocidade do crescimento é maior no início da via pós-natal. Métodos de estudo do crescimento Existem dois métodos biométricos para se analisar o crescimento:o transversal e o longitudinal. Está intimamente ligado à nutrição.

1935). Crescimento dos órgãos Os órgãos do corpo crescem. segundo os autores. desenvolvem-se rapidamente. como mostra a tabela seguinte: Autor Penna (1962) Fases Crescimento intra-uterino Primeira Infância Segunda Infância Adolescência Meninos Idades Fertilização até o nascimento Nascimento aos 2 anos Dos 3 aos 10 anos Dos 10 aos 20 anos Meninas Até 6—7 anos 7 aos 10 anos 10 aos 13 anos 13 aos 14 anos Claparède (1940) Primeira Infância Segunda Infância Adolescência Puberdade Nascimento aos 7 anos 7 aos 12 anos 12 aos 15 anos 15 aos 16 anos Vandervael Pequena Infância Média Infância Grande Infância Adolescência Juventude Nascimento aos 2 anos e meio 2 anos e meio aos 6 anos 7 aos 12 anos 11 aos 16—18 anos 16—18 anos aos 21—23 anos . crescem pouco até a puberdade. ao contrário. há variação no número e nomenclatura das fases do crescimento. quando então.membros inferiores. Entretanto. costuma-se dividi-lo em fases caracterizadas por alguns fenómenos mais evidentes em cada fase. FASES DO CRESCIMENTO Embora o crescimento seja um processo contínuo. rapidamente durante os primeiros anos de vida e lentamente na puberdade. durante e após essa fase (Godin. em sua maioria. Os órgãos genitais. antes da puberdade e ao aumento da altura tronco-cefálica.

A voz passa a ser mais grave. começa e termina antes nas meninas. depois. o fenómeno característico desta fase é o aumento da altura (quase 50%) e do peso. aumento dos testículos. A capacidade vital aumenta nos meninos. ao maior crescimento dos membros inferiores. deixando pois de ser cilíndrico. crescem as mamas. aparecimento dos pelos pubianos e axilares. O aumento da altura deve-se mais ao crescimento do tronco que dos membros inferiores. Existe grande variação quanto à data de início destes fenómenos. O tronco adquire. Características da média infância Estende-se dos dois anos e meio aos 6 anos. ocorre. secreção de hormônios sexuais pelas células testiculares e aparecimento de barba. O pescoço se alonga e fica delgado. A altura aumenta devido. Os membros são curtos. o mesmo ocorrendo com o seu término. Aspectos que caracterizam a fase da juventude . aparecem os pelos pubianos e ocorre a menarca (primeira menstruação). Fenómenos que caracterizam a pequena infância Compreendendo o período que vai do nascimento aos dois anos e meio. Acentuam-se as diferenças de forma: nos meninos alargam-se as espáduas e nas meninas. A cabeça é grande. Fenómenos que caracterizam a adolescência Esta fase. Nas meninas. as meninas crescem mais que os meninos no início desta fase mas. as fases de Vandervael. Por esse motivo. o tórax é cilíndrico e a coluna vertebral apresenta apenas uma curvatura. as medidas da cabeça e do tronco continuam a predominar sobre as dos membros. o que aumenta suas possibilidades atléticas. principalmente. Nesta fase. de convexidade posterior.A seguir serão descritos os fenómenos principais que caracterizam cada fase do crescimento tomando por base. Na área genital. O tórax tende cada vez mais a acentuar a forma ovalada. proporcionalmente. os diâmetros da pelve. nesta fase. A força muscular aumenta especialmente no sexo masculino devido a hormônios próprios. a forma oval. são alcançadas e ultrapassadas. crescimento do pênis. nos meninos.1 1 anos. Aspectos que caracterizam a grande infância Vai dos 7 aos 1 0 . que corresponde ao surto pubertário.

Desenvolvimento dos ossos Os vários centros de ossificação dos ossos do esqueleto aparecem em idades constantes e podem servir pois como critério para se determinar o grau de desenvolvimento em que se encontra o indivíduo. fisiológico e mental. outro tem bom desenvolvimento físico. há um adiantamento de 2 anos mais ou menos. Por esse motivo. Portanto. Conta-se os dentes que já fizeram erupção e compara-se com tabelas. Na puberdade. Assinala o início da idade adulta. com sistema muscular pouco desenvolvido. podemos encontrar um que é menor. Idade de erupção dos dentes O aparecimento dos chamados dentes de leite se faz de modo constante. Existem tabelas que mostram a idade de aparecimento de cada centro de ossificação de cada osso. músculos bem desenvolvidos. o que dará ideia do grau de desenvolvimento. os três meninos tem a mesma idade mas encontram-se em diferentes estágios de desenvolvimento. morfológico. Estes centros podem ser detectados através de radiografias. órgãos genitais como os de um adulto. por exemplo. algumas medidas biométricas e as características sexuais secundárias. o outro menino pode estar em uma fase intermediária entre os dois anteriormente citados. A idade óssea nas meninas é geralmente mais avançada que a dos meninos. Tanner (1964) considera o que se denomina idade fisiológica. A altura cresce cada vez mais lentamente. entre 6 meses e dois anos e meio. idade de erupção dos dentes. Toma-se as medidas que são depois comparadas com as constantes da tabelas. desde a vida fetal. entre três meninos de 14 anos. Medidas biométricas Algumas medidas como o peso e a altura podem ser utilizadas como critério para determinar a idade fisiológica. IDADE CRONOLÓGICA E IDADE FISIOLÓGICA Conceitos da idade cronológica a idade fisiológica A observação mostra que duas crianças do mesmo sexo e mesma idade cronológica (igual número de anos vividos) podem apresentar grandes diferenças morfológicas em relação ao estágio de desenvolvimento. Assim. a qual se baseia nos seguintes critérios: idade óssea. . assemelhando-se a um menino de menor idade.Estende-se desde os 16—18 anos até o início da idade adulta.

CRESCIMENTO DO CORPO COMO UM TODO Peso O peso do recém-nascido é milhares e milhares de vezes maior que o ovo mas o peso do adulto é apenas 20 vezes o do recém-nascido. o perímetro cefálico médio é 35 cm. a criança perde 5 a 6%do peso inicial devido a uma ingestão menor de líquidos. Durante a meninice. Durante a infância e meninice. No nascimento. mamas e menarca que surgem na puberdade podem também ser usados como meios de determinar a idade do indivíduo. as meninas pesam menos que os meninos mas na puberdade pesam mais. Na puberdade há um surto de crescimento rápido que começa e termina antes nas meninas.Características sexuais secundárias O grau de desenvolvimento dos órgãos genitais. Ao nascer a criança pesa em média 3. CRESCIMENTO DAS PARTES DO CORPO Cabeça Ao nascer. O crescimento do crânio é importante pois está relacionado ao crescimento do encéfalo. barba. Depois de 3 anos na adolescência os rapazes voltam a pesar mais. Em mais ou menos 8 dias porém. pois estes fenómenos. No final do 19 ano de vida o peso triplica e no segundo ano quadruplica. aos 20 anos. A moça para de crescer geralmente aos 18 anos e o rapaz. Altura A altura aumenta cerca de 3 vezes e meia desde o nascimento até a idade adulta. Até a idade adulta cresce apenas mais 5 cm. aparecem em épocas constantes. Aos três anos passa para 50 cm. . O comprimento da criança duplica aos 4 anos. a criança cresce pouco. nesta fase. a cabeça representa 1/4 do corpo e no adulto. dentro de certos limites de variação. Durante o seu crescimento a cabeça sempre cresce mais em altura que em largura. com frequência. Nos primeiros dias após o nascimento. 1/12. recupera esse peso. a época do aparecimento de pelos.5kg. As fases em que o peso aumenta mais são na vida fetal e na adolescência.

A altura tronco-cefálica representa cerca de 70% da altura total ao nascer e cerca de 55% no adulto (f ig. os diâmetros sagital e transverso do tórax são aproximadamente iguais mas no adulto o transverso é três vezes o sagital.Tronco O tronco contribui com cerca de 50% do comprimento do corpo em qualquer fase da vida. Figura 12. Durante a infância. o perímetro torácico é igual ao cefálico.1 — Proporções do corpo. 12.1). Aos dois anos o perímetro torácico aumenta. Na infância. supondo iguais os membros inferiores .

Começa a aumentar novamente na adolescência. No adulto o inferior fica 1/6 mais comprido que o superior. A tela subcutânea aumenta. Aos dois anos de idade os membros superiores tem o mesmo comprimento que os inferiores. esse valor sobe para 30%. a gordura subcutânea aumenta bruscamente mas no segundo ano de vida. Esqueleto O aparecimento dos centros de ossificação segue uma ordem cronológica bem definida desde o nascimento até a vida adulta. mas não nas mesmas proporções nas várias fases de desenvolvimento. atinge a metade do valor que possuía no primeiro ano. face. O aumento maior do comprimento dos membros inferiores e menor do tronco leva o ponto médio do corpo para baixo. Portanto. peito e membros. . cerca de 6 meses após. sexuais. no nascimento. 0 membro inferior. axila. começa a diminuir e aos 5 anos. representa 15% do peso total e no adulto. Pele e tela subcutânea Os pelos aparecem no início da adolescência. há acúmulos isolados nos quadris e nas mamas. a idade óssea é ótimo critério para indicar a fase de desenvolvimento. Existem tabelas próprias. em todas as fases. No rapaz aparecem em ordem. nas seguintes regiões: púbica. Nos primeiros 9 meses. Nas mulheres os pelos púbicos aparecem pouco antes da menarca e na axila. Por esse motivo não pode ser considerada como um critério absoluto para avaliar o estado de nutrição.Membros O membro superior participa com 9% do peso total no nascimento e assim permanece no adulto. os comprimentos sâb iguais. A idade óssea é o estado em que se encontra o esqueleto em qualquer momento da vida. Através de radiografias pode-se dizer a idade óssea do indivíduo. No recém-nascido situa-se ao nível do umbigo e no adulto está na crista púbica. e influências de nutrição. O mesmo ocorre com o centro de gravidade que no recém-nascido está ao nível do diafragma e no adulto passa para o promontório do osso sacro. mas há variações raciais. acima e abaixo do qual. O ponto médio do corpo é o ponto. sendo que no sexo feminino.

O ovário tem seu peso aumentado de 30 vezes no adulto. A medula espinhal cresce menos que a coluna vertebral de tal maneira que no adulto sua extremidade encontra-se ao nível da 2ª ou 3ª vértebra lombar. Na adolescência. Órgãos endócrinos As glândulas supra-renais diminuem seu peso durante a infância. o coração pesa cerca de 20 g. Coração Ao nascer. em relação ao da recém-nascida. Na adolescência essa participação é ainda maior. O útero cresce realmente durante a adolescência.Músculos Aumentam grandemente de peso na infância. O peso total do encéfalo pode ser atingido aos 10 anos de idade. Os músculos crescem em tamanho e ná"o pelo aumento do número de fibras. Durante a puberdade crescem lentamente até a idade adulta. a força muscular duplica. Sistema Nervoso Central O peso do encéfalo duplica no primeiro ano e triplica no terceiro. . Este valor triplica no 3º ano. Ele cresce especialmente durante a adolescência. No adulto o peso do coração é cerca de 12 vezes maior que ao nascer. quando pesam o dobro do seu valor ao nascer. A glândula tiróide do adulto tem um peso cerca de 12 vezes maior que do recém-nascido e a hipófise aumenta seu peso em cerca de 5 vezes até a idade adulta. Sistema genital Os órgãos genitais apresentam um padrão de crescimento que se afasta das outras vísceras. O testículo do adulto pesa 40 vezes mais do que o do recém-nascido.

podemos construir tabelas e curvas-padrâb (figs. Como cada criança tem um modo próprio de crescer. são elas: 1 2 3 4 5 Peso e altura Altura tronco-cefálica Perímetro da cabeça Perímetro torácico Diâmetro bi-crista ilíaca.3). 1952) .2 .PADRÕES NORMAIS DE CRESCIMENTO Estudando-se o crescimento de crianças do mesmo sexo.2. Algumas medidas são mais frequentemente utilizadas para se verificar o crescimento e desenvolvimento. Quando os valores de uma criança se afastam muito dos das curvas-padràb. que examina as mesmas crianças em vários períodos ou o método transversal que examina crianças diferentes numa mesma época. 12. Figura 12. o método longitudinal. é necessário buscar as causas deste fenómeno. raça e meio ambiente. 12. ocorre grande variabilidade nos padrões normais. Pode-se usar.Curvas-padrffo de peio nos sexos masculino e feminino (Baseado em Boyd. para construir essas curvas-padrão.

nutrição. 1952) FATORES RESPONSÁVEIS PELA VARIABILIDADE NO CRESCIMENTO E DESENVOLVIMENTO Os fatores principais responsáveis pela variação no crescimento e desenvolvimento sâb: hereditariedade.Curvas-padrão de altura em meninos e meninas (Baseado em Boyd. hormônios. sexo. o órgão domina e parece inibir o desenvolvimento de outras estruturas. Este período é chamado período crítico. clima. então ele não mais conseguirá se desenvolver ou então o fará defeituosamente.3 . . Cada tecido ou órgão tem um período em que a diferenciação e crescimento são mais acelerados havendo então uma alternância destes períodos para cada órgão. Cada órgão tem um modo próprio de se desenvolver e crescer. porque nesta fase. Se num determinado momento do desenvolvimento agentes nocivos atuarem sobre o corpo. os órgãos e tecidos que mais vão sofrer essas influências e ficar com defeitos são os que estão se diferenciando nesse momento.Figura 12. atividade. ele se diferencia num determinado momento e cresce com uma certa velocidade e que depende de fatores intrínsecos a esse órgão. Se o órgão não aproveitar o período que lhe é destinado para se diferenciar. raça.

A constituição individual está ligada a uma ciência. Entretanto. CONCEITO DE BIOTIPOLOGIA 0 termo Biotipologia foi utilizado pela primeira vez por Nicola Pende. A Biotipologia tem por objetivo o estudo do indivíduo como um ser particular e concreto. para designar a ciência que teria por objeto. Berardinelli define biotipologia como a "ciência das constituições. com esta biologia diferencial e comparativa". ou seja. que sejam iguais. Não há. Os fatos gerais interessam ao filósofo. através do qual se pode conhecer e entender muitas das características do ser humano e suas diferenças. Mas ao educador. sobretudo. apesar das classificações. á variedade. o importante é o indivíduo uno e concreto. Como veremos mais adiante. ao clínico importa. concreto. ao passo que para a Biotipologia o que interessa é a análise. não é como fim. cada indivíduo apresenta uma série de características morfológicas. que o distingue dos demais. rasgando-lhe mais amplas perspectivas. funcional. Lembra Duarte-Santos: "classificar em um grupo é bom. atingir o caso concreto. a Biotipologia. humoral. mas sim como instrumento de estudo". ao orientador profissional. dois indivíduos. Estas variações na construção corpórea dos indivíduos decorrem da diferença de constituição individual. psicológica. ao historiador. Duarte-Santos afirma: "a biotipologia pretende estudar não a abstração e mero universal. em 1922. passar o indivíduo é ótimo". Berardinelli faz ainda uma comparação entre a Biot pologia ea Antropologia: "Se a Antropologia analisa é para depois sintetisar. certa de ser a variabilidade individual enorme e de que só de seu estudo resultará a possibilidade de desfazer muitos conceitos errados da biologia humana. ao administrador. fisiológicas e psicológicas. . ao político. cujos aspectos gerais serão descritos a seguir. o estudo das "manifestações vitais de ordem anatómica. "este caso". mas sim a realidade concreta que é o indivíduo. este indivíduo. Muito comum e errónea é a idéia que se tem de que Biotipologia pretende tipificar os indivíduos para classificá-los. da síntese das quais resulta o conhecimento do tipo estrutural-dinãmico especial de cada indivíduo". que é o ser humano. temperamentos e caracteres". é melhor. ir ao sub-grupo. como já dissemos. por mais parecidos. e se às vezes constrói uma síntese. ao diretor de esporte.CAPITULO IX BIOTIPOLOGIA: ASPECTOS GERAIS Não existem dois indivíduos exatamente iguais. o caso particular. tal idéia provém do nome dessa ciência e das classificações existentes dentro da matéria. ao economista. estas diferenças são importantes edevem ser levadas em consideração em Educação Física. é a própria unidade do seu estudo.

consideram-se: região geográfica. T E R M I N O L O G I A BIOTIPOLÓGICA Como toda ciência. parátipo e f e n ó t i p o . citada por Coelho: "O conceito de constituição resulta de uma abstração que reúne o substrato anatômicoencefálico e somático em geral. e. personalidade e biótipo. condições sócio-econômicas. elas contribuem para que um determinado genótipo possa realizar um fenótipo. Um segundo grupo de glândulas age aumentando a massa corporal sem interferir na diferenciação das formas. As múltiplas possibilidades de combinações entre os gens nas primeiras fases do desenvolvimento sâb a maior causa de variabilidade na construção individual. temperamento. A seguir. Experiências têm demonstrado que a presença de partes do sistema nervoso são necessárias para que outras partes do corpo se desenvolvam. constituição é "a especial combinação correlacionada das variantes dos caracteres físicos próprios da espécie no estado fisiológico".FATORES DE D I F E R E N C I A Ç Ã O DOS TIPOS HUMANOS Os tipos humanos diferenciam-se devido a desigualdades no ritmo de crescimento dos órgãos. O termo constituição. Viola acrescenta também os fisiológicos. tem vários conceitos. Entretanto. Os fatores ambientais constituem em conjunto o que se denomina de "peristase". Quanto às glândulas endócrinas podem ser divididas em dois grupos de acordo com seu modo de ação. ao mesmo tempo. o t i m o e o córtex supra-renal. Para Viola. as glândulas também sofrem a ação do meio externo. genótipo. Um primeiro grupo age sobre a diferenciação das formas dos órgãos. A seguir serão analisados sucintamente cada um destes fatores. o aspecto funcional que aparece como expressão daquele conjunto nos vários tipor de c o m p o r t a m e n t o " . ou seja. portanto. doenças e número de gestações. as glândulas endócrinas. sem influir porém no aumento da massa corporal. Em outras palavras. podem ser influenciadas por fatores como alimentação e clima. as glândulas endócrinas também dependem da ação genética e por esse motivo podemos considerá-las como mediadoras entre o genótipo e o fenótipo. o sistema nervoso e os fatores secundários ambientais. Entre eles. a biotipologia tem sua terminologia própria. Incluem-se neste grupo a tireóide e as gônadas. Os fatores responsáveis por essa diferença no r i t m o de crescimento são: a hereditariedade. além dos elementos morfológicos. básico para toda a biotipologia. o que as torna um fator capaz de transformar forças do meio externo em forças internas do corpo. Compreende a hipófise. Por outro lado. Aceitaremos como definição de constituição a de Silveira. que são os mais utilizados nesta ciência: constituição. . caráter. serão definidos os seguintes termos.

e também compreensão. Admitia-se caráter como o conjunto de todas as características psicológicas do biótipo. Caráter. idiótipo (Lenz. Fenótipo é o resultado da interação entre genótipo e parátipo. Viola dia que "temperamento é a especial combinação de caracteres dominantes da individualidade psíquica ou pessoa. conativas (volitivas) e intelectuais do indivíduo. excluindo-se a parte intelectual. Parátipo (Lens. mas é empregado com amplitude variada. ampliam seu significado abrangendo também a parte psíquica e tendo assim significado volitivo-afetivo. temperamento corresponde ao aspecto dinâmico da constituição. para Duarte-Santos. derivados dos caracteres físico-funcionais e que determinam um modo especial e espontâneo de reação psíquica ao ambiente". enquanto outros. 0 termo personalidade é muitas vezes usado como sinónimo de temperamento ou caráter. mas não se confunde com ela. reconhecidas como modalidade de caráter". significando assim a mistura dos diferentes traços de personalidade. Caráter é considerado como traduzindo fenómenos de ordem psíquica. Outros ainda dão-lhe significado somente psíquico. abrangendo a parte afetivo-volitiva e as faculdades intelectuais do indivíduo. 0 componente morfológico se resume como biótipo e os componentes funcional. pois engloba as caraterísticas afetivas. Siemens) ou caracteres potenciais (Pende) é o conjunto de caracteres que o indivíduo adquiriu hereditariamente. segundo Coelho. Portanto. de modo que o indivíduo traduzirá no comportamento interpessoal as disposições afetivas. Confunde-se dessa forma com o conceito de personalidade. Para alguns autores. Consideramos caráter como a expressão mais dinâmica do estado psicológico do indivíduo através do qual apresenta reações no meio ambiente. Siemens) ou caracteres atuais (Pende) é a totalidade dos caracteres acrescentados ao genótipo pelas complexas ações do meio ambiente. tendências e vontade. psíquico e fisiológico. deriva de têmpera. "a manifestação da atividade explícita. isto é. mas tem significado mais abrangente. é a parte volitivo-afetiva. segundo o estímulo recebido. através das quais ele se contactua com o meio ambiente. de maneira a se conduzir socialmente. conação e . abrangendo sentimentos. Kretschmer considera temperamento o conjunto de qualidades afetivas que caracterizam uma individualidade tanto no que diz respeito á forma como sofre as "afecções" e à maneira como reage. Para Silveira. Depende mais das condições ambientais e é mais passível de modificações do que a constituição. A expressão temperamento. temperamento seria a expressão humoral do b i ó t i p o . decorrem do estímulo afetivo. Biótipo e temperamento em conjunto. raciocínio e memória. Segundo Coelho. estão implícitos na constituição individual. tal termo apresenta como definição precisa "o conjunto de funções subjetivas agrupadas fundamentalmente em três setores: afetividade. como temperamento.Genótipo (Johansen). fixados através das gerações. as ações.

c. b. f. Na génese da doença. consiste no b i ó t i p o " . mas obedece a determinadas leis. g. Estas funções psíquicas resultam da atividade cerebral. são peculiares à espécie humana e regem harmonicamente e de modo contínuo as disposições do indivíduo e as suas relações com os ambientes físico e social". d. Essa diferença individual não é caótica. e.inteligência. as reações individuais têm importância igual ou superior às causas externas. como carga genética e como manifestação do instinto nutritivo. O mesmo indivíduo é diferente de si mesmo em momentos diferentes. PRINCÍPIOS GERAIS DE BIOTIPOLOGIA Alguns dos princípios gerais da biotipologia são importantes e por esse motivo serão citados a seguir: a. Todos os indivíduos são diferentes. não há duas pessoas iguais. O conhecimento do indivíduo " n o r m a l " deve preceder e servir de base ao estudo do indivíduo patológico. Apesar das diferenças entre os indivíduos há semelhanças que permitem grupá-los em " t i p o s " . Uma definição precisa de biótipo é fornecida por Coelho: "a expressão somática da regência metabólica para com o mundo interno objetivo. O indivíduo é uma unidade existindo uma indissolúvel correlação entre suas diversas partes e funções. .

Estes classificavam os indivíduos em cranianos. Jaensch. O método é criticável por basear-se unicamente na inspeção sem nenhum elemento mais concreto e objetivo. seu discípulo. da qual foram precursores Halé. Stockard e Bean. acreditando que o ser humano seria formado por quatro elementos: linfa. umas. A tentativa de agrupar os indivíduos segundo certas características existe desde as mais antigas civilizações. A vida resultaria da combinação desses quatro elementos sendo que um deles predomina no indivíduo. aceitava como fundamental a ideia que o indivíduo desde a fecundação teria seu destino evolutivo marcado. torácicos e abdominais. dando-lhe uma característica pela qual seria agrupado ou tipificado. apoiam-se em medidas biométricas. Galeno admitiu que quatro humores entrariam na constituição do homem: sangue (quente e úmido). dentre as quais destacamos as de: De Giovanni. pois resultado da hereditariedade. bile e atrabile. originando uma orientação morfológica. "pintor em Roma antes de ser médico em Paris". Viola e Pende. pituita (fria e úmida) em contraposição com a bile (quente e seca). A predominância de um destes humores determinava o temperamento: sanguíneo.CAPITULO X TEORIAS BIOTIPOLÓGICAS Existem diferentes classificações biótipo lógicas. não só considerada sinteticamente e no sentido estático (GestaIt). pituitoso e bilioso. "O que acaba de ser formado. Os progressos que se realizaram posteriormente na Anatomia humana deram à noção de temperamento um significado diverso. se transforma imediatamente e para termos uma ideia viva e verdadeira da Natureza. Kraus. Tal predominância se reconhecia pelo contacto com o corpo do indivíduo. Encontramos indícios de tal fato já nas antigas sociedade orientais e ulteriormente entre os gregos. mas influenciável pelo meio externo. e Hussen. interpretadas estatiscamente. sangue. segundo a predominância de uma destas três partes relativamente às outras. ShekJon e Stevens. que levaram esta ideia a outros povos. enquanto outras. escrevia ele. baseadas apenas no aspecto externo do indivíduo. ." A partir do final do século XIX. surgiram várias teorias biotipológicas. ESCOLA ITALIANA De Giovanni (1891). Mais tarde (século II DC). sendo. Brugsh. Hipócrates utilizava os ensinamentos de Empédocles em Medicina. devemos considerá-la sempre móvel e cambiante. Benecke. opondo-se â atrabile (fria e seca). como também no estado dinâmico e cinemático (Bildung). Goethe criou o termo morfologia para significar o estudo da forma. melancólico. Sigaud.

há debilidade geral. na qual se incluiriam as pessoas dotadas de ótima constituição. seriam etapas diferentes da ontogênese. baço e das veias. sobretudo dos vértices pulmonares. coração pequeno e sistema arterial deficiente em relação ao venoso e linfático. normal. média. membros alargados. De Giovanni levava em consideração o desenvolvimento harmónico de cada parte e do todo individual.Este autor propôs-se a estudar os indivíduos baseando-se em sua morfolofia externa. Jacinto Viola (1905). Os indivíduos da terceira "combinação" têm apreciável desenvolvimento do tronco. o que acarretaria excedência relativa do tórax. tórax largo. tensão arterial baixa. desde as primeiras fases embrionárias até a completa maturidade. rins. doenças intestinais. 10. Harmónicos. venosa ainda mais. desproporções e variantes individuais. A segunda combinação é a mais idêntica à ideal. mesmo tuberculose pulmonar e. mas sobretudo do abdome. capazes de servirem para classificar os homens em grupos a que chamou "combinações". eretismo do sistema nervoso. mas com maior desenvolvimento somático (maior massa corpórea). havia. como hemorróidas. Na primeira combinação. insuficiência hepática e do aparelho digestivo. de morbilidade escassa. oom critério antropométrico. A cada combinação corresponderia determinado funcionamento orgânico e especiais tendências mórbidas. com leve excedência de tórax sobre o abdome. coração proporcionado ou mais desenvolvido na metade direita e sistema venoso e linfático muito desenvolvidos. pele. pulmões grandes em relação ao coração. fraca musculatura esquelética. Admitia estreitas correlações orgânicas entre a forma e a função. segundo o conceito do autor. predisposição para afecções pulmonares. Rara como em geral é a perfeição. 10. a combinação ideal (fig.2) teria os seguintes caracteres antropométricos: estatura igual à grande abertura dos braços. intestinos e afecções dos órgãos intra-abdominais como fígado. em idade mais avançada. mas sobretudo este. musculatura e sistema cardiovascular bem desenvolvidos. Daí surgiu o conceito de hiper e hipo-evolutismo e a possibilidade de desequilíbrios. Bom grau de nutrição. podendo a individualidade total não atingir ou ultrapasar a maturidade plena. altura do esterno igual a 1/5 da circunferência do tórax. Funcionalmente. desprezando só a parte psíquica. sãs e resistentes. Estas. com predisposição para doenças do sistema linfático. que é de volume normal ou maior (fig. aspecto viçoso. mas sem esquecer a investigação funcional e clínica. Hiperemia respiratória. Representa uma forma hipo-evolutiva. entre o externo e o interno e até internamente entre os aparelhos e órgãos e as próprias partes constitutivas destes. diâmetro bi-ilíaco igual a 4/3 de altura do abdomem.1). circunferência torácica igual a metade da estatura. em seu significado profundo. sendo 1/5 da base do apêndice xifoide ao umbigo e 1/5 do umbigo ao púbis. deficiência respiratória por musculatura fraca. com frequente catarro. refletindo até a evolução filogenética da espécie. discípulo de De Giovanni é sem dúvida o mais impor- . um hipoevolutismo com tórax e abdome deficientes. característica das crianças. tendência à obesidade. membros curtos. a Anatomia e a Fisiologia.

a combinação Figura 10. c— 3 .Figura 10.2 .Tipo ideal de De Giovanni .1 — As "combinações" de De Giovanni: a—1ªcombinação b—2ª combinação.

A d m i t e como elemento mais bem adaptado ao ambiente aquele que mais vezes se faz presente . o indivíduo em sua expressão unitária. O homem modal se torna indispensável para a classificação de Viola. Estabeleceu as bases científicas da doutrina constitucionalista. os hábitos de vida. Seus pontos antropométricos são preferentemente ósseos para que haja precisão nas medidas. como causas acidentais dessa modelação. o morfológico e o fisiológico. a hereditariedade influenciada pelo meio ambiente. distribuem-se de maneira que existe um desvio uniforme dos vários indivíduos para os dois lados do valor médio central da curva de distribuição". delimitado por leis e traduzindo os elementos de estudo de diferentes origens em um número puro. na linha mediana. utilizando-se de método preciso. Apesar de teoricamente ser elemento de muita facilidade de se entender e classificar. o ambiente físico. b. a idade e a saúde. onde este genoma se desenvolve produzindo. brevilíneo e longilíneo. Toda a comparação no método biotipológico de Viola se baseia na determinação da moda (normotipo) e das variações possíveis de se apresentarem para excedência ou deficiência das relações em comparação à medida modal. Estabelece como elementos fundamentais para a avaliação tipológica. as diferenças raciais. Tal fenómeno é representado. que não podem ser incluídos em nenhum dos tipos padrões. condição indispensável para se ter as correlações entre eles de maneira direta e simples. mas se fez necessário a criação de um quarto tipo — o misto — para abrangermos os indivíduos que apresentam tal relação entre as medidas. graficamente. Aceita como base formadora do indivíduo. a Anatomia e a Fisiologia. ponto xifóideo correspondente à síntese do esterno com o apêndice xifóide. a alimentação e a idade no período adulto (entre os 20 e o s 50 anos). Viola utiliza um sistema de medidas que chamou de fechado. Tais pontos são: a. veremos que a multiplicidade de relações não nos permite a classificação em apenas três tipos: normolíneo. a classe social.a moda — através do que define todos os seus tipos biotiopológicos. chegando á unidade. que possibilitam maior por menor ização do indivíduo. e. como o esperado. o qual é composto por dez medidas indispensáveis para a classificação biotipológica do indivíduo.tante nome dentre os biotipologistas italianos. o qual foi definido através da lei dos erros: "as variantes individuais. por uma cruva binominal (lei de Quetelet—Gauss). . num grupo étnico. enquanto que as demais são as componentes do sistema aberto. como elemento final. na linha mediana. ponto jugular correspondente ao ângulo formado pela superfície anterior do nanúbrio esternal e pela superfície superior da incisura jugular. Este autor admite pois como elemento fundamental a correlação entre o exterior e o interior. o sexo. a higiene. cria o grau centesimal. As variações se fazem em sentido antitético e se tornam mais escassas à medida que se vai distanciando do ponto médio da curva (vai ocorrendo uma maior amplitude de variação).

para Pende. ponto acromial correspondente à borda externa do acrômio direito. ponto púbico correspondente à borda anterior e superior da sínfise púbica. segundo Viola. que tem por base o património hereditário e por faces a morfológica.c. a psíquica e a neuroquímica. bem identificável ao se fazer movimentos de flexão e de extensão do punho. Discípulo de Viola. teríamos o biótipo ou o homem t o t a l de onde sairá o conhecimento do indivíduo. portanto. Este autor admite também a correspondência das medidas. brevilíneo e longilíneo (Fig. g. sendo este um dos pontos mais criticados de sua classificação por abranger número muito elevado de indivíduos que são classificados por exclusão.4). é relacionado com a vida vegetativa e os membros com a vida de relação. o segmento abdominal inferior com a escolha e absorção dos alimentos. passando pela borda inferior da 10ª costela (ponto em que esta cruza a linha axilar anterior). Não aceita também somação de medidas feitas em dois segmentos consecutivos e que tenham a mesma função fisiológica correspondente. em bloco. Sua classificação é baseada no estudo endocrinologia) do indivíduo (Fig. f. Pende (1939) aceitava o sistema fechado do mestre. normolíneo. recorre a inúmeras medidas complementares. ponto epigástrico. 10. o estênico e o astênico. a moda. d. segmento abdominal (digestão). Viola procura retirar de seu método elementos que são influenciados diretamente e em grau muito elevado pelo ambiente como o meteorismo. 10. a gordura e a hipertrofia muscular. A proporção de distribuição encontrada pelo autor f o i de 40% para os mistos e 20% para cada um dos tipos. na linha mediana. Por outro lado. como elemento indispensável para a caracterização biotipológica. a conclusão sobre a re- . o tronco. linha articular do punho direito na face dorsal. Tal fato encontra fundamento quando se faz o estudo da resistência em militares e desportistas. mesmo na classificação mais simples dos quatro tipo preconizados por Viola. é sinónimo de homem total que se encontra no ápice de uma pirâmide triangular. tais c o m o : segmento torácico com a hematose e distribuição de alimentos pelo organismo. De acordo com Viola. a relação entre a vida vegetativa e a de relação se equivalem de forma harmónica e nele encontraríamos a expressão mais adequada de todas as funções fisiológicas. correspondente ao ponto de cruzamento da linha mediana abdominal. Biótipo. Da interação entre estas faces calcadas na base. admite haver dois poios em cada um deles.3). porém com seu conceito de biotipologia — máxima individualização. lembrando ainda a necessidade da medida basal. dos segmentos determinados pelas medidas com funções fisiológicas precisas. proveniente de exercícios exagerados. admitindo um número reduzido de medidas. confere melhor sistemática e menor possibilidade de erros do método. e. ponto maléolo-tibial correspondente ao ponto de maior saliência do maléolo medial direito. ou melhor. no homem médio. com uma linha horizontal.

brevilíneo (B) e normolíneo (N) de frente e de perfil B .3 .Tipos longilíneo (L).L N Figura 10.

Estuda todas as faces da pirâmide de maneira bastante minuciosa. intelectuais. reprodutor. hipersuprarrenal. social e geral. robustez. segundo Pende sistência vital geral. Baseado neste índices. hipopituirárica ou hipopituitárico-hipotireoideia. havendo neles astenia. Pende estabelece relações no âmbito da face morfológica determinando índices como o de nutrição. profissionais. que é o fundamental. desenvolvimento sexual. etc. hipertireoideia-hiperpituitárica.4 . . . hipogenital. escolares.Biótipo. estenia e assim as duas primeiras variedades citadas são astênicas e as duas últimas estênicas. hipossuprarrenal. . as aptidões manuais. social. se existe hiper-funcionamento concomitante da suprarrenal ou das glândulas genitais. das quais serão citadas a seguir. Dentre os brevilíneos. o valor económico. retirando conclusões. em consequência. apenas as mais comuns. mas. com orientação parassimpaticostênica e metabolismo de tendência anabólica. classificações e combinações as mais variadas. descreve Pende as seguintes variedades: hipotireoideia. as características morfo-neuro-musculares. Pode-se dizer que os brevilíneos têm temperamento hipotireóideo. do indivíduo no vastíssimo alcance médico. destes estudos.Figura 10. hipogenital. entre os longilíneos temos: hipertiroideia. ocorre. faz a determinação do caráter astênico ou estênico.

o sanguíneo.5). Macrosômico harmónico ou Paracentral superior de Viola (2ª Combinação) . traduzindo caracteres morfológicos e funcionais diferentes. com os quatro temperamentos dos antigos. d. porém através da comparação de cada elemento com o valor modal determina se há excedéncia. porém estabelece um critéiro de classificação que permite a localização de todos os indivíduos sem cair nos mistos de Viola. Para t a n t o . Longitipo com antagonismo ou microesplâncnico de Viola (1ª Combinação) Tronco — < Membros + Os membros excedentes predominam sobre o tronco deficiente. Mário Barbara (1929). Ainda dentro da escola italiana. caráter próprio e até por vezes t i p o intelectual característico. Longilíneo ou N o r m o l í n e o . É muito interessante a coincidência destes quatro biótipos (longilíneos astênicos e estênicos e brevilíneos astênicos e estênicos). constituem seus tipos: a. b. no brevilíneo estênico. fisiologicamente apresentam desenvolvimentos harmónico da vida vegetativa e de relação. Braquitipo com antagonismo ou megaloesplâncnico de Viola (3ª Combinação) Tronco + > Membros - Suas características morfológicas e fisiológicas são contrárias ao anterior. Assim. dentro das quais se pode catalogar qualquer indivíduo. e o da vida de relação excedente. no brevilíneo astênico se vê o temperamento fleugmático. o melancólico. Tipo médio ou normoesplâcnico de Viola: Tronco O = Membro O O tronco e os membros são iguais em seus valores absolutos e relativos. que servem para caracterizar essas variedades e às quais corespondem temperamento próprio. no longilíneo estênico. o qual é acompanhado de um antagonismo entre o desenvolvimento da vida vegetativa absolutamente deficiente. deficiência ou normalidade. reconhece que sob uma mesma rubrica estabelecida através do mestre Viola há relações muito diferentes no sentido da excedéncia. deficiência ou normalidade do dado avaliado (Fig. c. Seu método baseia-se na primeira relação estabelecida por Viola — Tronco/ membro para classificar sob a rubrica de Brevilíneo. 10. Assim. Deste modo se estabelecem o i t o variantes e quatro formas de passagem de uma a outra variedade. dentro do t i p o brevilíneo e do tipo longilíneo há diferenças morfológicas grandes.Na realidade. o colérico e no longilíneo astênico. utiliza-se dos mesmos parâmetros que seu mestre Viola.

Microsômico harmónico ou Paracentral inferior de Viola (4ª Combinação) Tronco — = Membros 0 tronco e os membros são proporcionados.Figura 10. n. h-micronormolíneo.5 . porém inferiores ao normal.normomélico. l-microlongilíneo. b normomélico c-microbrevilíneo.Tipos de Barbara-Berardinelli Grupo brevilíneo: a-normocórmico. d-brevilíneo. Grupo longilíneo. g. ocorrendo algo semelhante com os dois setores da vida orgânica. f-macronormolíneo. e-macrobrevilíneo. . j-longilíneo. m-normocórmico. i-macrolongilíneo. porém excedem ao normal.normolíneo. Grupo normolíneo. vida vegetativa e de relação proporcionadas. 0 tronco e os membros são proporcionados porém de valores superiores ao normal. e.

braquitipo deficiente: Tronco — > Membros — Suas características são contrárias ao anterior. longitipo excedente: Tronco + < Membros + Ambos os valores excedem à média e são desproporcionados entre si.1 resume estes tipos. porém logo temos as quatro variedades que tornam possível a classificação dos restantes em quase sua totalidade: Variedade A. Os indivíduos que não são classificados em nenhuma dessas formas citadas.Até aqui o critério de Barbara é semelhante ao de Viola. corresponderia a desenvolvimento desarmônico dos sistemas orgânicos com predomínio do sistema de relação. cujas características sintéticas são as seguintes: Variedade D. predomínio do tronco. desenvolvimento maior da vida vegetativa sobre a da relação e ambos superiores ao normal. com predomínio do sistema de relação. . correspondem à "forma de passagem". braquitipo excedente: Tronco + > Membros H Valores do tronco e dos membros superiores ao normal. O quadro 10. A variedade A (tronco O < membros +) possui tronco dentro do valor modal. A variedade C (tronco O > membros -) o tronco encontra-se dentro do membros O) tem membros dentro do valor valor modal e é maior que os membros que se encontram abaixo do valor modal. desenvolvimento deficiente dos sistemas orgânicos. cujo valor é inferior ao modal. os quais excedem o valor modal. tronco maior que membros. A variedade B (tronco + > membros 0 possui tronco acima do valor nodal e maior que os membros que se apresentam dentro do valor modal. longitipo deficiente: Tronco — < Membros — Valores abaixo da média. porém menor que membros. Variedade C. A variedade D (tronco — < modal e predominando ao tronco. Variedade B.

1 -CLASSIFICAÇÃO DE BARBARA-BERARDINELLI .QUADRO 10.

Claude Sigaud. 10. M = muscular e C = cerebral Thooris além de considerar a forma do corpo como o fazia Sigaud. agilidade. digestivo.ESCOLA FRANCESA A princípio. resistência e força. É também quem inicia o estudo das capacidade físicas de velocidade. e predomínio do abdome.Os quatro tipos de Sigaud: R=respiratório. e cerebral. tendo a cabeça em forma de pião (Fig. com a cabeça em forma de pirâmide devido ao grande desenvolvimento do maxilar.6). Figura 10. Da predominância de um desses sistemas. propondo um índice que até hoje é válido. o VARF. os autores desta escola basearam-se na análise da superfície corporal e só mais recentemente vêm utilizando método diferente de estudo. com predominância do crânio. D = digestivo. (1894) o primeiro vulto de destaque da escola francesa elaborou uma classificação dos indivíduos baseada na integração do conjunto de sistemas que constituem a economia humana e o meio específico no qual apresenta a sua continuidade.6 . bosselada ou cúbica e ainda considera uma forma comprida e uma forma larga. com os andares da face iguais. . dá importância também à superfície corporal classificando os indivíduos em: superfície redonda ou chata. cujo tronco é igualmente repartido entre tórax e abdome. seriam definidos os quatro tipos: respiratório. uniforme ou ondulada. muscular. com predominância do tórax e do andar médio da face.

o transversal (brevilíneo) superior ou muscular. Usando tais medidas chega a quatro tipos: o mediolíneo. correlacionar o t i p o morfológico com o fisiológico e o psíquico. e o transversal (brevilíneo) inferior ou visceral. ESCOLA ALEMÃ Nota-se nos autores alemães do início do desenvolvimento das ideias biotipológicas uma preocupação em relacionar os tipos com as condições viscerais como o fez Benecke (1878) e também com as perturbações psíquicas como o fez Kretschmer (1921). Martiny procura. O estudo da participação dos três folhetos embrionários na determinação dos tipos é o que caracteriza o trabalho de Martiny. com bom estado de nutrição. — O endoblástico ao brevilíneo astênico — O mesoblástico ao brevilíneo estênico — O extoblástico ao longilíneo astênico — O cordoblástico ao longilíneo estênico. fortes. pouco resistentes à fadiga e às infecções. resistentes às causas morbígenas e órgãos volumosos. A Escola Biotipológica Parisiense é constituída de vários autores que procuram estudar o indivíduo partindo. porém no aspecto de forma acrescenta a hidrófila inchada redonda e uma seca hidrófoba. débeis. também dá importância à superfície corporal e faz a mesma classificação que Thooris para esse fator. Entre os autores modernos temos Olivier que classifica os tipos utilizandose de medidas biométricas que em conjunto. atarracados. Ambos os autores têm o mérito de ter dado à tonicidade e atonicidade das formas corpóreas o valor que elas merecem fora do t i p o de predominância. anêmicos. o longilíneo. Não se propõem a nenhuma classificação nova. mas ao estudo de grande número de variáveis.Mac Auliffe (1932). com as principais vísceras pequenas (microesplancnia). constituem o denominado morfograma (altura. faz uso. utilizando um critério mais organicista e localisacionista que o geral. que posteriormente são trabalhadas estatiscamente para se determinar recorrendo a análise fatorial. para sua classificação. altura troncocefálica. não de categorias pré-estabelecidas. as características de seus tipos se superpõem às dos quatro biótipos de Pende. em seu trabalho. o segundo tipo englobaria os indivíduos de grande massa t o t a l . de relações quantitativas de peso e volume de vísceras de cadáveres. o cálculo dos coeficientes de correlação e mesmo . mas de uma dúvida sistemática. Benecke. constituído por indivíduos delgados. diâmetro biacromial e diâmetro bicristailíaca). Fazia uma antropometria mais interna do que externa e estudava o desenvolvimento em massa comparando as vísceras entre si e com a estatura e o peso corporal. Classificou dessa foram dois tipos: o primeiro. peso.

Aos esquizotímicos correspondem três formas exteriores: a dos leptosòmicos. não somente os casos normais mas também os que se encontram no limiar da anormalidade ou que se encontram em estados psicóticos.7). Seu esqueleto e músculos são sólidos. pois seu sistema antopométrico é calcado nas comparações das medidas entre si. a dos atléticos e a dos displásicos (fig. Entre outros autores. mais ou menos dolicocéfala. o tórax amplo. desarmonia do conjunto. aliadas a uma beleza de formas que tem por base uma perfeita harmonia. gorda. dando origem a três tipos: normal (índice entre 51 a 56). tronco cilíndrico. 10. psicopatas. classifica-os em médios. É gorducho. ombros estreitos. a cabeça forte. ossos. que aceita a orientação de Pende. fisionomia larga. contrastando com o desenvolvimento pelviano. com acentuada tendência à calvície. Estudando precoce. músculos e pele. Aos ciclotímicos corresponde uma única forma. músculos flácidos. A maior crítica feita a essa classificação é que o autor não considera a parte psíquica no seu método. feiura. distanciamento notável do normal. o nariz longo e o queixo é retraído. As características do leptosòmico são: desenvolvimento dominante no sentido longitudinal. Leva em conta ação das glândulas de secreção interna que agem sobre duas coisas: a forma e o caráter. mas sim relacionados com a estatura. Seu índice mais importante é o que relaciona o tórax com a estatura. etc. Este autor estabelece índices variados que não são referentes a um homem médio padrão. dando ao todo uma impressão de imponência e força física.Tais tipos coincidem com a primeira e a terceira combinação de De Giovanni. o pescoço musculoso. porém com uma metodologia diferente. Às duas tendências principais denominou de Ciclotímica e Esquizotímica. O atlético caracteriza-se por um aspecto de robustez inconfundível. a cabeça é pequena. os eunucóides. finos. as quais abrangem. caixa torácica estreita e comprida.o pícnico. de abdome desenvolvido. Kretschmer. Os ombros são largos. cabelos raros. relaciona o tipo morfológico com a tendência de se desencadear a psicose maníaco-depressiva ou para a demência . bem desenvolvidos. o abdomem é rijo e fino. altos e baixos. os anões. O pícnico corresponde ao t i p o digestivo de Sigaud. o dorso se estreira para baixo. encontramos Kraus (1897) que elabora sua classificação baseando-se no estudo da capacidade funcional do indivíduo (siziologia) e Brugsch (1918). Diferentemente do atlético. fracos e delgados. ombros estreitos. pescoço e extremidades finais. de tórax estreito (menor que 51) e de tórax largo (maior que 56). o displásico apresenta formas bizarras. Pelo valor absoluto da estatura. em tipos tais como os agigantados. os obesos por influência endócrina.

7 — Os tipos de Kretschmer L — leptossòmico A —atlético P — pícnico A P .L Figura 10.

Compassivo. Tempo Firmeza Artistas do viver e hábeis práticos. até certo ponto. às vezes simultaneamente. lábil. com grande "vida interior"). mas animados para dentro (isto é. sua oposta (desintegração aparente) é o denominado tipo tetanóide ou tipo T. . o quadro-resumo desta oposição tipológica: Tipo animado (integrado) para fora (e também para dentro) Tipo desanimado (desintegrado) para fora (quase sempre animado para dentro) Todas as funções (manifestações vitais) trabalham somato psiquicamente como uma totalidade fechada (integração) Todas as funções se encontram. Natureza meiga e flexível Natureza dura e rígida Dirigido para a A r t e e o gozo estético-sensual. Eis aqui. Curso representativo lento e com frequência adesivo e viscoso. irritável ou indiferen te. Quase sempre sério. Fantasistas Homens de conflitos e obrigações. independentes entre si (desintegração). a título de expicação. Idealistas e ascetas. A base da teoria tipológica destes autores radica na oposição entre os denominados tipos integrados ou animados (besselter) para fora eos tipos desintegrados ou desanimados para fora. Mais propenso à ingenuidade e à alegria infantil. com violentas ou vivas variações do humor. Soldados de ação e cérebro. Com bom controle da expressão emocional. quando se encontra acompanhada dos correspondentes sinais somáticos. firme ou obstinado. A forma básica da integração para fora. nô-la dá o denominado tipo basedowoide ou tipo B. Adaptável e acomodável. Fechado ao ambiente. Com predomínio afetivo Com predomínio voluntário Dissolvido ou incorporado ao ambiente. Os primeiros são relativamente infantis e os segundo plenamente evoluídos ou adultos.Merece atenção especial a teoria dos irmãos Henrique e Walter Jaensch. Teóricos Curso representativo muito vivo e com frequência mutável.

coincidindo com integrações limitadas a determinados territórios de sua individualidade e se faz presente. temos que destacar a de Sheldon (1940) e Stevens. Stockard (1923) e Bean (1924) criaram classificações estreitamente relacionadas com o desenvolvimento endócrino. Jaensch. a qual denominam somatotônica (embora melhor seria denominá-la miotônica). viscerotônico de Sheldon. Dentre os escolas modernas de Biotipologia. introvertido de Jung. dando origem a dois tipos relacionados com o hiper e o hipo funcionamento desta glândula. que seria constituído por tronco comprido. o tipo lítico ou t i p o S. À margem desses tipos. bervilíneo ou macrosplâncnico de Viola ou " d i n á r i c o " de Gunther e o t i p o desintegrado é o leptossômico (esquizotímico) de Kretschmer. os tipos linear e lateral respectivamente. ao predomínio do mesoderma corresponde. embora mais próximo do t i p o T. nariz largo e curto de grande depressão na raiz e narinas francamente orientadas para a frente. sendo que este autor considera ainda um terceiro t i p o . uma atitude "dinâmica. ao predomínio de cada uma das folhas blastodérmicas no indivíduo. denominam de cerebrotônico. extremidades curtas. em troca. cerebrotônico de Sheldon e alpino de Gunther. em indivíduos que possuem uma particular sensibilidade às toxinas tuberculosas. de auto-afirmação e poder". Bean. partindo de concepções tipológicas sustentam que. uma atitude de "reserva. própria do temperamento que o A A . finalmente. baseandose na evolução. que do t i p o B. este exibe uma desintegração patológica. corresponde um t i p o temperamental ao mesmo tempo que um tipo morfológico: o predomínio do endoderma se reflete por um aumento da área visceral e pela existência de uma atitude afetiva "branda. descreveu W. ESCOLA A M E R I C A N A Nos Estados Unidos. complacente e epicuriana". tensão interior e retenção expressiva". especialmente.Não é difícil verificar que o tipo integrado é o sintônico de Kretschmer ou o extrovertido de Jung. orelhas pequenas redondas e grossas. Ao predomínio do ectoderma corresponde. selecionaram vinte manifestações para caracterizar cada uma dessas atitudes (as quais não seria d i f í c i l identificar às três emoções básicas) e propõem definir cada indivíduo mediante uma fórmula numérica-tempe- . o hipoontomorfo. Pacientemente. que se denomina viscerotônica. apresenta os tipos hiper-evoluídos (hiperontomorfo ou epiteliopático) e o hipo-evoluído (mesontomorfo ou mesodermopático). da tireóide (Stockard). Estes dois psicólogos da Universidade de Harward.

músculos e tecido conjuntivo: atletas ou . cada um dos quais oscilará entre 1 e 7. básicas da vida. e.. Tais tipos extremos são raros e o frequente é obter valores intermediários. isto é. que não tem têmpera em si". Como apreciar e valorizar essas manifestações das três modalidades? Observando o indivíduo durante o período de um ano. de extroversão. segundo os AA.. de acordo com a tabela do resultado de tais medidas. de sorte que o temperamento de cada indivíduo virá definido por 3 valores. O 7-1-1 corresponde à extrema endomorfia (predomínio das vísceras digestivas: gordos abdominais). que dê uma ideia do valor de cada uma delas. De acordo com este critério. obtendo-se as medidas dos valores de cada série de 20 manifestações (viscerotônicas. submetendo-o a não menos de 20 "entrevistas" analíticas. o qual é usado aqui como sinónimo de centrotônico". que possibilitam classificar o indivíduo com relação à sua estrutura afetivo-reacional. os autores dão ampla definição de cada uma das 60 manifestações que constituem a escala. ademais. Para se obter o tipo morfológico neste método os AA. determinam seu somatotipo e. Na obra original de Sheldon-Stevens. que marcam sua posição nas escalas denominadas de endomorfia. estática. O 1-7-1 corresponde á extrema mesomorfia (predomínio do esqueleto. tais como 4-4-6. etc.ramental. educativa (cultural) e física. tomadas sobre uma série especial de imagens fotográficas e quadriculadas do indivíduo despido. com dissociação nítida do subconsciente e manifesta objetividade. Para sermos breves. indica. vamos esclarecer apenas o termo "intemperança". é descrito como cerebrotônico extremo. Quanto ao termo "clivagem horizontal". a "clivagem vertical" indica a propensão para penetrar em profundidade a tendência à introversão e à retroversão (dependência do passado). para incluir possíveis retificações ulteriores. social. 5-6-3. lhe conferem também três notas. mediante o uso de 17 medidas antropométricas. nas quais serão colhidos dados referentes à sua história familiar e individual e seu desenvolvimento psíquico nas esferas económica. calcula-se o denominado índice Temperamental. somatônicas e cerebrotônicas). sexual. . Usa-se uma escala de pontos de 1 a 7 para cada manifestação observada. é descrito como somatotônico extremo e o que alcança o índice 1-1-7. em todas as possíveis situações e humores. de fixação temperamental para as tendências sensuais. mesomorfia e ectomorfia. Uma vez obtidos os valores de cada uma das 60 manifestações. de sorte que o indivíduo dá a impressão de um "metal mole. a projeção e fixação da individualidade em um plano superficial. . um indivíduo que obtém índice temperamental de 7-1-1. Em troca. escrevendo estas notas com lápis apagável. é descrito como viscerotônico extremo e aquele que tem um índice de 1-7-1.

utilizando-se da altura. losângica. Prado Valadares. são poucos. Naturalmente. 10. (Fig. .Figura 10. representa a extrema ectomorfia (máxima área superficial possível . o grau de abertura do ângulo de Charpy e a forma da cabeça constitui o chamado tríplice morfológico de Prado Valadares. de mesomorfia e somatotonia e de ectomorfia e cerebrotonia. extremidades fracas. depois analisa a altura atingindo um total de 9 classes e finalmente o aspecto da face: triangular.). etc . relativamente. trapezóide e pentagonal perfazendo um total de 45 tipos. Inicia a classificação analisando o ângulo de Charpy de onde resultam três tipos (45.8 — Tipos de Sheldon a — endomorfo b — mesomorfo c — médio d— ectomorfo homens fortes e ligeiros). tórax e abdome planos. Mas na vida quotidiana. o 1-1-7. devem corresponder-se os índices de endomorfia e viscerotonia. uma discordância intra-individual (somato-psíquica). os casos em que existe tão perfeita concordância.desnudez perante o mundo — fragilidade linear. 90 e 135 graus). quando não intervém fatores que provocam. .8) ESCOLA BRASILEIRA Na Bahia. secundariamente. . O comum é que existam desvios entre o somatotipo e o temperamento.

combinação digestivo braquiscélíco megalospláncnico braquiscélíco tórax largo pícnico latoral hipo-ontomorfo endomorfo meso-ontomorfo mesomorfo 2a. Q U A D R O II . o das intermediárias. se utiliza de critério natural e simples. seu grupo de estudos foram as mulheres. de acordo com vários autores. 10. combinação respiratório marcroscélico microsplàncnico macroscélico tórax estreito leptossõmico linear hiperontomorfo ectomorfo cerebral .5 e quadro 10. Rocha Vaz e seus discípulos deram grande desenvolvimento á Biotipologia entre nós. outro de mulheres franca e visivelmente anormais. a que denominou de displásicas e um terceiro grupo. combinação muscular mesoscélico normosplãncnico mesoscélico tórax médio atlético Tipos Morfológicos phtisicus 1a. combinação 3a.1). combinação 1a.Martim Gomes. que adotando o método da escola italiana fornece as denominações últimas para essa escola e é aceita pelo próprio Barbara (fig. O quadro que segue fornece a classificação biotipológica dos indivíduos.C. Entre seus discípulos merece destaque Berardinelli. No Rio de Janeiro. que são classificadas em três grandes grupos: um grupo de mulheres normais.) Beneke (1878) De Giovanni (1891) Sigaud (1894) Manouvrier (1902) Viola (1905) Giuffrida-Ruggeri (1910) Brugsh (1918) Kretschmer (1921) Stockard (1923) Bean (1924) Sheldon (1940) apoplecticus 2a.TIPOS CONSTITUCIONAIS SEGUNDO V Á R I O S A U T O R E S Autores Hipócrates (460 A.

pelo duplo movimento contínuo de assimilação e desassimilação do meio ambiente pelo genótipo. O estímulo fraco deve ser de tal forma que seja assimilado. são de diferentes índoles: anóxica. "quando os fatores ambientais atuam na vida intra-uterina. que aliás. o processo de vida. citado por Marcondes diz que "estímulos fracos aceleram as funções e estímulos poderosos reprimem-na". O genótipo é a confluência dessas informaçõc que se organizam para se iniciar a ação gênica indispensável ao crescimento e desenvolvimento do organismo. torna-se muito difícil distinguir as manifestações genéticas das decorrentes da agressão do ambiente ao feto. em sua integralidade de expressão. mecânica. imunológica. A princípio o crescimento e desenvolvimento se fazem em dialética exclusivamente com o meio interno onde estão dissolvidos os elementos plásticos necessários para que se concretize a informação genética. segundo Comte citado por Coelho. Mesmo em atos aparentemente simples como o andar. Malina comentando sobre a nutrição aventa ser esta o fator natural mais importante para o desenvolvimento plástico do indivíduo. a qual se caracteriza por ser um processo no decurso do qual emergem os traços genéticos e que abrange todas as influências biologicamente transmitidas dos pais às células do sexo. Pikunas acredita ser a hereditariedade o fatorchave do desenvolvimento humano. torna-se difícil de entender. Essa dialética existente entre o genótipo e o meio caracteriza. postural. sendo que só a interação desses conhecimentos se aproxima da realidade. Em relação ao meio ambiente Silveira o divide em interno — citoplasmático — e externo — ambiente social. Para Ford há suspeitas de que não haja uma base física para a hereditariedade. Marcondes afirma que o conceito de desenvolvimento é relacionado com a aquisição de capacidade e crescimento com o aumento de massa pela hipertrofia e divisão celular (hiperplasia). Marcondes e Pikunas entre outros tantos autores abordam o problema do crescimento e desenvolvimento como a interação entre a herança e o meio.CAPITULO XI BIOTIPOLOGIA INFANTIL O ser humano é o resultado de uma interação complexa entre o genótipo e o meio ambiente. que. colaterais e descendentes que conseguiram ganhar expressão no meio que se desenvolveram. . porém Stent se contrapõem a essa ideia afirmando ser o DNA a estrutura do gen que abriga sua informação genética. Para Pikunas o desenvolvimento é uma sequência ordenada de fenótipos que é a resultante da ação do meio e do genótipo. infecciosa. etc". fisiológica ou mesmo psicológica. Para Marcondes. Para Marcondes a herança está presente em todo o processo de crescimento e desenvolvimento através do genótipo. Arndt — Schultz. cabe uma análise que pode ser morfológica. A hereditariedade é constituída de todos os traços encontrados nos antecedentes.

A dificuldade do estudo não se prende somente ao ser longitudinal. adolescência — dos 7 anos até os primeiros fenómenos da faculdade reprodutiva. puerilismo — dos dois aos 6—7 anos. urinário. Malina preocupando-se de estudar a açâb da atividade física no crescimento e desenvolvimento abre a pergunta de quanto deve ser esse mínimo e faz sentir a necessidade de estudos nessa área. e tão d i ferente também em cada educando. cada qual em seu próprio tempo e r i t m o . de cada fase do desenvolvimento. fisiológico e psicológico. No capítulo anterior. Chamamos então de Neonato ao recém-nascido nos 15 primeiros dias de . puberdade — correspondente ao período de desenvolvimento da diferenciação sexual e juventude que vai da puberdade até a consolidação do esqueleto. Pikunas lembra que "o ser humano cresce e amadurece à medida que as dimensões básicas do organismo e da personalidade se desenvolvem. dentro da realidade do momento para o organismo. Entre nós Marcondes divide os períodos de crescimento e desenvolvimento pelo critério etário. Impelido pelo código genético no seu interior e pela nutrição e estimulação sensorial no exterior. citado por Rossi. Dizia Plutarco." A primeira determinação dos períodos de crescimento segundo Rossi data de 1700 e foi realizado por Pagliani: O autor italiano dividia em 5 períodos compreendidos por: infância — 1º ano de vida até completar a primeira dentição. Rossi divide os períodos e os caracteriza quanto aos aspectos somáticos. "Como não é possível que um agricultor não conheça o terreno no qual deve semear. temperamento. tampouco é concebível um educador que ignore as capacidades fisiológicas e as potências psíquicas. o metabolismo. o amadurecimento do sistema nervoso e o psiquismo. A seguir." Assim. aparelhos — digestivo. respiratório. mas na variabilidade de um organismo para outro e no mesmo organismo de um instante para o u t r o . tão particular e diferente em cada fase de crescimento. metabolismo. bioquímica hemática e psiquismo procurando estudar as mudanças encontradas. circulatório e nervoso.É portanto na determinação da intensidade do estímulo físico que se en- contra o problema da influência benéfica ou prejudicial da atividade física como elemento que propiciará melhor harmonia e desenvolvimento do organismo e de suas funções. estudamos os aspectos gerais do crescimento. serão vistos outros pormenores. do terreno orgânico da criança. a tendência simplista de se responder a pergunta da beneficidade ou não de um estímulo sobre o organismo deve ser analisado nos diferentes ângulos: morfológico. Dessa forma acreditamos fornecer elementos para melhor compreensão do organismo e estágio de desenvolvimento deste. Resumindo a classificação de Rossi para os objetivos do presente estudo levaremos em consideração o aspecto somático. o indivíduo se desloca ladeira acima para níveis mais altos da operação comportamental.

braquitipo. Resumidamente podemos dizer que se caracteriza morfologicamente da seguinte f o r m a : macroesplancnico cefálico. o psiquismo é quase exclusivamente a prevalência da vida fisiológica e a resposta aos estímulos envolve o corpo todo. Predominam nessa fase todos os hormônios vagotropos favorecedores do metabolismo anabólico com a consequente deficiência dos hormônios simpáticotropos — catabólicos. hipopituitário para Pende. Dominam os hormônios da córtex supra renal. reflexos cutâneos ausentes. o estado especial de nervosismo que acompanha a muitas crianças. O aspecto somático é o seguinte: A linha que divide a estatura do neonato passa sobre o umbigo. a altura da cabeça é 1/4 a 1/5 da estatura t o t a l . explica o possível desenvolvimento do raquitismo e do modo particular. de um modo particular a associação hipertiroidismo-hiperparatiroidismo da 2ª metade da lactência. do t i m o e do pâncreas. justifica. Para Pende.5 cm da cada três meses e meio. usando frases. O temperamento é hipotiroideo para Concetti. função da medula espinal bem desenvolvida. braquiesquélico e macrossômico.vida. o metabolismo basal é muito alto e a ação específica dos alimentos é quase nula. . as necessidades calóricas são de 15o kcal/kg peso. assegurando com esta utilidade nutritiva as necessidades calóricas do 19 ano de vida. a erupção dos 19 dentes e a tendência a certas diarreias. segundo Rossi. A lactência é. tórax relativamente maior que os membros superiores. curto e de base alargada. na classificação de Godin. reflexos tendinosos muito vivos. o predomínio dos processos assimilativos sobre a desassimilação. citado por Rossi. vai do final do neonato até o final do 1º ano. índice torácico de 90. Seu desenvolvimento psíquico já lhe permite uma maior participação no meio compreendendo ordens simples. é grande a imperfeição da função cerebral. o que assegura também o aumento do peso corporal. a ter mo regulação é imperfeita. corre e pede para satisfazer suas necessidades. O metabolismo se caracteriza por oxidações intensas. o lactente. A fórmula neuro-endócrina com predomínio dos vagotropos. O parassimpáticotonismo e o predomínio do estado hipertímico linfático associado ao hiperrinsulinismo. Ao nascer. pouco menos desenvolvido que o abdomem. a circunferência craneana e torácica crescem 2. o perímetro torácico ultrapassa 7—8 cm da metade da estatura. a primeira época de desenvolviment o . seu peso é 1 /4 a 1 /5 da estatura em centímetros. tem por finalidade essencial assegurar o predomínio do anabolismo sobre o catabolismo. pescoço curto. No sistema nervoso vemos que seu volume e peso são 1/4 do definitivo. os membros superiores são maiores que os inferiores e a envergadura é maior que a estatura. graças à insuficiência pancreática. O estágio seguinte. a constituição morfológica e dinâmica temperamental do 1º ano de vida. seu tronco é grande. predominando o anabolismo sobre o catabolismo. o aspecto metabólico é caracterizado pela facilidade de assimilação de hidratos de carbono e dificuldade de assimilar proteínas. A altura no final do 19 ano é por volta de 70 c m . fibras nervosas pobres em mielina. hipertonia muscular fisiológica e sinal de Babinsky. é dizer.

faz uma ponte com 3 cubos. exercícios para os músculos dorsais e sacrolombares que podem ser executados a partir dos 2 meses. a atenção. animais. 0 peso corporal que havia dimunuído em seu crescimento na segunda metade do 1º ano. simples e de imaginação. como o engatinhar.nos homens predominam os diâmetros craneanos transversais e nas mulheres os longitudinais. flexão e extensão dos inferiores. Os exercícios ajudam a desenvolver o tonismo muscular necessário para a postura ereta e marcha.5 anos caracteriza o terceiro período de crescimento de Pende ou Turgor Primus. cubos de encaixe. O crescimento prevalece em peso e amplitude. Há aumento das proporções braquítípicas em ambos os sexos devido ao perímetro torácico. bem como a marcha e a atitude postural". A necessidade metabólica em calorias é 83 Kcal/Kg/dia para os meninos e 80 Kcal/Kg/dia para as meninas aos 7 anos. relativo estreitamento do tórax e escasso aumento ponderal caracterizando maior longitipia fisiológica. a silhueta se define. O aspecto metabólico basal é máximo no 29 ano. aos 2 anos reconhece perspectiva e dos 3 aos 4 anos em todos os planos. função da atividade física que lhe permite a memória. Há o crescimento do pescoço. Suas capacidades físicas de velocidade e agilidade ficam exacerbadas. Os jogos dos 2 aos 5 anos são motores. Marcondes falando da época pré-escolar lembra "a influência benéfica dos exercícios físicos se faz sentir claramente. segundo período de Godin. Na área física o autor supra citado preconiza duas sessões diárias de 5 repetições em cada um dos seguintes exercícios que deverão ser realizados também com o auxilio dos pais: circundação dos membros superiores. O período de 2 a 3. a proteinemia é muito variável. Segundo Pende a evolução das percepções se faz da seguinte forma. põe sapatos e usa bem a colher. responde a perguntas simples e usa orações. No aspecto somático encontramos um aumento rápido da estatura. panelinhas para as atividades imitativas do meio social em que se desenvolve. movimentos laterais do quadril. o progresso psíquico da criança é. bonecas inquebráveis. porém não se deve pular nenhuma das fases do desenvolvimento. No aspecto psíquico consegue manter equilíbrio em 1 pé só. exercícios de sentar e equilíbrio para sentar-se devem ser executados após o 4º mês e de ficar em pé e equilíbrio para ficar em pé após os 6 meses que podem se prolongar até os 2 anos. aos 18 meses reconhece as figuras frontalmente. em grande parte. A terceira época de Godin. "Os exercícios visam aumentar a independência muscular e aperfeiçoar a coordenação m o t o r a " . a 2 a dentição se inicia. . "proceritas p r i m a " ou pequena puberdade de Pende se caracteriza pelo crescimento longitudinal e se extende no período do 5º ao 7 º a n o de vida. apresenta no 2º semestre do 2º ano um notável aceleramento. enovelamento.. o que dificulta a resposta plástica aos exercícios.Os brinquedos mais adequados. a associação de ideias. o falar mais fluente. segundo Marcondes são as sacolas e caminhões para puxar.

assim como os inferiores. O "turgor segundo" de Pende se caracteriza pelo acelerado crescimento ponderal dos 9 aos 11 anos. "proceritas segunda" caracteriza-se por nova crise de crescimento longitudinal. No aspecto metabólico encontramos hiperfunção da constituição anabólica. o desenvolvimento muito. Para Marcondes há um maior desenvolvimento da função respiratória. o diâmetro transverso do tórax desenvolve-se. Para as mulheres exercícios que desenvolvam a graça e o r i t m o e Tanto Marcondes quanto Godin admitem ocorrer por volta do 12º — 13º ano para os rapazes e 11º . enquanto o psiconeuromotor é . Existe uma evolução na capacidade de trabalho. Salienta também que "os exercícios de força seriam usados excepcionalmente. Também se observam neste período a maioria dos casos de ambivalência sexual por hipertimismo. para as meninas. Surge a necessidade da crítica e da prova.No aspecto psíquico a criança adquire a noçâb de tempo decorrido e assim adquiriu todas as noções tanto auto como halopsíquicas. Os exercícios físicos preconizados por Marcondes para essa época divergem conforme o sexo. Há. estamos no período pré-realista de Pende que se caracteriza pelo domínio da sugestionabilidade e tendência a crer. Domínio da extroversão e falta de introspecção. V época de Godin. Há a reafirmação da constelação hormônica anabólica. começa o desenvolvimento da crítica. É uma fase transitória em que o indivíduo ganha peso graças ao tecido adiposo e pouco devido ao tecido muscular. O temperamento é dominado pelo vagotonismo. hipertimismo. a hipertorfia muscular se opõe ao crescimento ósseo. educadores e pais. hipertiroidismo. motivo pelo qual ganha pouca força. No aspecto endócrino metabólico podemos ter: uma maior atividade hipercorticossuprarenal-hiperinsulínica-hipertímica com acúmulo de gordura e obesidade infantil ou do grupo tiroides-hipofisea-adrenal com constelação catabólica produzindo magreza submórbida ou mórbida. aproximadamente. em ambos os sexos. Silveira e Rossi salientam que o 79 ano é a idade da mentira e que também. os membros superiores sofrem intenso crescimento. hiperpituitarismo. No aspecto psíquico. Quanto aos exercícios físicos nessa época do desenvolvimento preconiza Marcondes uma maior complexidade destes procurando desenvolver responsabilidade e disciplina. pois os ossos ainda são maleáveis e os pontos de inserção dos músculos não estão consolidados". um notável aumento da força muscular.12º ano muscular é pouco expressivo. Deve-se evitar uma educação demasiado sistemática que choque com o real caráter criador. Há aumento intenso do peso. Neste período desehvolve-se a consciência das relações interpessoais. hipergenitalismo. Idade em que se formam os costumes morais e mentais pela ação dos colegas. Coincide com a queda dos dentes de leite. A pré-puberdade. nessa fase. obedecer e imitar.

há aumento dos testículos e produção dos espermatozóides. neste período. O sistema piloso adquire o máximo de desenvolvimento.na mulher começa com a menarca e no homem com a primeira poluçãb noturna. o cérebro adquire seu volume definitivo e o timo deve estar involuido. hipertrofia e robustecimento das massas musculares. o mesmo acontecendo com os dentes e unhas. Do ponto de vista psicológico a puberdade determina profundas modificações tendendo todas a exagerar as características originais. Os exercícios de força são largamente utilizados bem como os de aprimoramento da formação corporal. aumento do penis. que terão atingido o seu grau máximo de complexidade. .para os homens. No homem. para o desenvolvimento harmónico das potencialidades contidas no genótipo e no meio ambiente em que ele se encontra. ocorre a mudança da voz. dos caracteres individuais. boas ou más. o exercício físico torna-se um elemento catalizador. A puberdade. O acontecimento mais importante da crise puberal é a amadurecimento sexual. os que possibliitam movimentos amplos. da pilosidade pubiana e axilar e esboça-se a barba e o bigode. Para Marcondes a ginástica e o desporto. Na mulher completa-se o desenvolvimento pélvico com o aumento do diâmetro bicristailíaco. Preconiza também para esta época a iniciação esportiva do indivíduo. flexíveis e que desenvolvam a resistência. Na mulher o sinal visível é a menarca e o invisível é a ovulação: os pelos pubianos e axilares aparecem e ocorre o desenvolvimento das mamas e dos genitais externos. Nos homens além de mudanças na tonalidade da voz. VI época de Godin e sétimo período de crescimento de Pende "turgor t e r t i u s " . um estímulo positivo. acompanhado de aumento da espessura dos membros. A pele aumenta em consistência. Há diminuição do crescimento longitudinal e começa o crescimento em amplitude sobretudo ao nível do tronco. adquirindo maior elasticidade e hiperpigmentação sobretudo nas zonas genitais. desenvolvimento das mamas e distribuição característica do tecido adiposo. constituem a base dos exercícios físicos. Quando respeitados os diferentes períodos de desenvolvimento do indivíduo.

Pescoço mais curto. Não nos utilizaremos nesta exposição da divisão proposta por Hunter em 1870 (caracteres sexuais primários e secundários). mais cilíndrico. A velocidade de crescimento decresce do nascimento até os quatro ou cinco anos. e produzindo por pequeno período maior estatura nas meninas do que nos meninos. sem dúvida. Pende procurando estudar as diferenças sexuais constitui três índices e classificação consequente. alguns evidentes à primeira vista. a asperidade onde se inserem os músculos nos ossos são menos salientes. nem mesmo da modificação de Marafión (caracteres genitais e sexuais) porque incide no mesmo incoveniente de dar um caráter radicalmente diferencial a órgãos que tem equivalentes nos dois sexos. a cabeça mais longa.CAPITULO X I I DIFERENCIAÇÃO SEXUAL Como diz Marafión. já clássica. Tal aumento se torna generalizado após o surto pubertário para toda a musculatura constituindo elemento de diferenciação entre os sexos. base do pescoço mais larga e arredondada. visto que nos meninos a partir dos 11 anos já encontramos uma superioridade no teste da dinamometria. cérebro maior relativamente à massa corporal. cordas vocais mais débeis e curtas. que antes do surto pubertário é igual para os dois sexos. para ocorrer uma aceleração no início do surto pubertário. e outros postos em evidência pela observação mais minuciosa física e funcional. Quanto às características gerais a mulher no seu conjunto apresenta dimensões menores. mais regular. Caracteres Sexuais Morfológicos Nas mulheres em relação aos homens encontramos além de órgãos tipicamente femininos como os ovários. coluna lombar relativamente mais longa e coluna dorsal mais curta. superfície da pele mais lisa. mostra-se um fator de precoce diferenciação sexual. Todo o sistema ósteo-músculo-ligamentoso mais delicado. trompas. A força. um dos aspectos mais nítidos da personalidade é. a força e o desenvolvimento das inserções musculares maiores são características de predominância masculina. A mulher se distingue do homem por uma série de caracteres morfofísiopsicológicos. mas que com os conhecimentos endocrinológicos atuais se tornou muito estreita. com laringe mais delicada. Esses índices são: ou pela precisão dos instrumentos de antropometria . A altura da mulher adulta é 10 a 12 cm menores que o homem em igualdade de condições. Em poucas coisas nos diferenciamos como nos traços de nossa sexualidade respectiva. Lordose lombo-sacra mais pronunciada. que é antecipado na mulher visto este ocorrer antes nelas. A resistência. o sexual. segundo Tanner (1962). vagina e vulva.

diâmetro biacromial — diâmetro bicrista ilíaca O valor médio desse índice fica em torno de 93 para os homens e 78 para as mulheres. hipergenitais. O grau de virilidade ou feminilidade será tanto mais acentuado quanto maior ou menor for o índice com relação aos seus valores médios. 2º— Comprimento relativo da coxa e da perna — Nota-se um maior desenvolvimento longitudinal da coxa que da perna. As médias para os dois sexos são: 83. aproximando-se das do homem. A medida da coxa se obtém. Na mulher hipoovariana há predominância da perna. mais se acentuam seus caracteres viris.5 para as mulheres e 91. comprimento da coxa X 100 comprimento da perna fecundas: 3º- Relação entre os diâmetros longitudinal. Na mulher normal há predominância da largura e da altura sobre o comprimento da cabeça. Como já estudamos. em que há predominância do segundo sobre o primeiro. o índice: Diâmetro bi-trocanteriano X 100 diâmetro bi-acromial apresenta como média 90. Baseado nesses índices e outras caracteríticas auxiliares. quanto mais preponderante o bi-acromial. As primeiras são as segundas são estéreis.Gualco e Sarperi dizem haver uma estreita relação entre a predominância do diâmetro bi-troncanteriano e a fecundidade feminina. Tanner propõe uma fórmula simples para evidenciar a diferenciação sexual: I = 3. começa-se a notar o inverso. bilateral e vertical do crânio.Nota-se na mulher bem desenvolvida uma predominância deste sobre o dos membros. medindo os pontos supra-púbico e o ponto tibial interno na interlinha fêmoro-tibíal. segundo Gualco. no homem.1 para os homens.1º— Relação entre os diâmetros bi-acromial e bi-trocantérico . No homem haveria inversão destas características: os braquicéfalos são hipogenitais. ou quase. quando há diminuição das características femininas. ao passo que os solicocéfalos. Pende classifica as mulheres e m : . a medida que a mulher vai desenvolvendo caracteres femininos.4 para as mulheres e 85. Pende (1955). A mulher braquicéfala seria mais fecunda que a dolicocéfala.4 para os homens.

nas coxas. tiroidiana e suprarrenal. isto é. Caracteriza-se por hiperfunções ovariana. pois. sob uma nova forma. fecundas. Nos homens ocorrem as "entradas". tal localização faz com que. e estendendo-se para o perineo e margem do ânus. invadindo raramente. na parte inferior. Berardinelli. cita o sinal de Stein como um dos caracteres sexuais mais constantes no homem e que constitui da forma da implantação dos cabelos na região frontal. preponderância da bacia sobre a cintura escapular e a porção superior do tronco é bem acentuada. na posição ereta. 12. (Figs. lembrando o desenvolvimento pré-púbere. ao longo da linha mediana do abdome. prolongando-se para cima. Na época preclimatérica e climatérica. os atrativos físicos da mulher. O t i p o evoluído pré-pubere se caracteriza por apresentar bacia pouco desenvolvida assim como as mamas. aumento da hipófise. durante a puberdade. A distribuição de gordura é muito diferente no homem e na mulher. No homem. a disposição dos pelos é também feminóide: mas nos anos sucessivos eles se transformam tipicamente. O t i p o intersexual atenuado é o que apresenta discreta tendência para a masculinidade.3) Os pelos pubianos tem na mulher a mesma disposição que nos adoslescentes de ambos os sexos. espessando-se mais do que na mulher. na parte inferior do ventre. que permite. pés juntos. a cintura escapular.1. com bacia ampla embora haja uma perfeita harmonia de formas. Na mulher há espessamento progressivo e acentuado do panículo adiposo sobre a face interna da coxa desde sua raiz até o bordo interno do joelho. Há predominância do timo redução da função ovariana. O t i p o de feminilidade pós-púbere é o tipo de mulher adulta bem desenvolvida. 12. sendo tal espessamento mínimo no homem. A gordura na mulher se acumula de preferência na região mamária. O t i p o de feminilidade maternal apresenta predominância do segmento inferior. 12. a gordura da mulher invade a parte superior do tronco. na metade inferior do corpo. Isso não impede que possam ser belas e algumas vezes. termina numa linha horizontal. o que caracteza o tipo matronal. os braços. isto é. o períneo. o pescoço.a) Tipo de feminilidade pré-púbere b) Tipo de feminilidade pós-púbere ou pré-maternal c) Tipo de feminilidade maternal d) Tipo intersexual atenuado. na pube. embora haja mamas bem desenvolvidas. prolongar às vezes muitos anos. por . em que há predominância da porção inferior do tronco.2. de aspecto quase infantil. preponderando. nos flancos. em direção ao umbigo. as coxas das mulheres permaneçam em contato ao passo que as dos homens apresentam-se geralmente afastadas por um espaço mais ou menos largo.

1 — Perfis masculino e feminino em vistas anterior e posterior para comparação .Figura 12.

menor energia muscular. maior precocidade sexual e também parada mais precoce da atividade sexual. a mulher é mais hipertiroidea ou hipertimotiroidea. 2 . menor atividade das trocas gasosas e energéticas em geral. bem como sua densidade e taxa de ureia menores. hipoparatiroidea. coração mais célere. segundo Pende. Fisiologicamente a mulher apresenta. menor capacidade vital. em relação ao homem os seguintes caracteres principais: temperatura um pouco mais elevada e ao mesmo tempo mais lábil.Baseados nessa característica Felice e Vassal propõem um índice que utiliza o perímetro da coxa e o peso.Perfil do tronco masculino Caracteres sexuais fisiológicos. Figura 1 2 . sendo que na mulher é 20. . endocrinologicamente.72% maior na mulheres. quantidade de urina. hiposuprarrenálica. maior número de movimentos respiratórios. relativamente hipohipofisária.

Perfil do tronco feminino A voz. é a de soprano nas suas diversas gradações. que obriga as coxas a covergirem mais que no homem. a atitude das mãos e a aptidão especial para certos trabalhos. . O andar característico da mulher é devido sobretudo à maior largura da bacia. diz Maranon. A voz nitidamente feminina. resultando como compensação um certo grau de geno valgo. o andar. caracterizam também a mulher. o andar do homem se caracteriza por um movimento pendular das coxas e muito reduzida mobilidade pélvica. e um movimento em báscula mais ou menos acentuado à bacia. disso resulta que a mulher para andar deve imprimir uma certa rotação às coxas. a mulher é dotada de menor aptidão motora e à resistência passiva.3 . Como consequência da estrutura menos sólida do seu aparelho ósteo-músculoligamentar. as vozes nitidamente masculina são as de baixo e de barítono.Figura 12.

Maior emotividade. . inteligência mais viva e ágil. Também para a dor moral as mulheres são mais fortes. principalmente nas mulheres mais jovens e sem experiência sexual. de desenvolvimento mais precoce. mais intuitiva do que lógica. as mulheres se caracterizam psicologicamente por apresentarem uma afetividade mais aguda que a do homem. quando ela vem. maior irascibilidade. Para Maranon. mesmo sob o ponto de vista estritamente prático. O mesmo pesquisador afirma que as mulheres apresentam todas as formas de sensibilidade mais obtusas do que nos homens. é a que se refere ao orgasmo. mais prática. tendência aos fenómenos dependentes do menor controle dos centros nervosos superiores sobre os inferiores. (Pende). Pesquisas de Lombroso e sua escola mostram menos sensibilidade dolorosa na mulher. como o que se poderia chamar a labilidade da mímica emotiva (riso e choro fáceis). e uma menor aptidão do que a destes para a atividade abstrata e criadora. que é rápido no homem e mais demorado na mulher. mas. linguagem mais célere sendo por isso mais desenvolvidos os músculos da língua como aliás o são também os adutores da coxa.Diferença fisiológica importante. Caracteres sexuais psicológicos. suporta-a melhor" (Balzac). "A mulher tem mais apreensão pela desgraça.

pois foi demonstrado que o atletismo não controlado cientificamente pode levar á desarmonia dos biótipos corporais e psíquicos. Estas habilidades ou capacidades podem ser resumidas na sigla V. Assim sendo. aconselhar sobre higiene mental. De posse dos dados biotipológicos. e que serão estudadas a seguir.F. A palavra "V. Será mais fácil para o técnico desportista escolher os indivíduos que poderão render mais e se comportar melhor em esportes coletivos ou os que terão melhor desempenho em provas individuais e dentre estas. senão que fundamentam a base científica da projeção do indivíduo na sociedade. isto equivale a dizer praticar medicina preventiva.R. e. os que terão maior rendimento em uma determinada especialidade. aconselhar no rendimento e orientação profissional. b. O conhecimento e o controle das aptidões musculares e psicomotoras. pode-se avaliar a validade do trabalho realizado pelo Prof. c.R. Segundo a escola de Pende. em detrimento da harmonia da forma e funções.F. Por outro lado. de Educação Física.A. O estudo biotipológico dos alunos possibilita aconselhar a higiene somática e terapêutica." é formada pelas iniciais de quatro qualidades diretamente ligadas ao aparelho motor e que são: . há cinco aplicações que a ficha biotipológica escolar tem estabelecido na ordem social: a.A. aconselhar em educação física. Conhecer e controlar também as aptidões psico-sensoriais e intelectuais. 0 dilucidar controlando a normalidade ou anormalidade do desenvolvimento sexual. quando feita criteriosamente. O controle da formação do caráter e do tipo mental. que deve guiar as atitudes do professor de Educação Física e do Técnico desportivo. como consequência do excesso de desenvolvimento muscular e da força dos músculos em determinados segmentos do corpo. 0 conhecimento da formação harmónica do tipo geral do corpo. mais especificamente. que necessariamente devem imperar em todo desportista. como sabemos. oferece material suficiente para se organizar um conceito objetivo e sólido dos seus atributos físicos e psíquicos. a Biotipologia constitui base verdadeiramente científica. que mescla a vida moral e social do indivíduo em formação. coletados no início do ano.CAPITULO XIII IMPORTÂNCIA DA AVALIAÇÃO BIOTIPOLÓGICA EM EDUCAÇÃO FÍSICA A avaliação biotipológica do indivíduo. cada indivíduo apresenta certas habilidades motoras mais ou menos desenvolvidas e que devem ser consideradas no momento de se indicar um determinado tipo de esporte para esse indivíduo. d. melhor avaliá-lo e orientá-lo sobre exercícios mais indicados e os que seriam prejudiciais à sua constituição. de um grupo de alunos e comparando estes dados com os de uma nova tomada. fatores que não só relacionam a biotipologia escolar com a medicina do trabalho. Podemos assim.

de média distância — mais altos com as proporções mais para a longitipia e os velocistas . ela equivale ao instinto automático do sujeito saber coordenar e precisar seus movimentos.destreza. fácil. com tendência à simpaticostenia. vale dizer que. peso baixo. é destreza. é arte. arremessadores de dardo.tipicamente longilíneos e de musculatura variável). Pode-se mesmo procurar um plano de treinamento para minorar as qualidades negativas do indivíduo e exacerbar suas qualidades. Esportes coletivos para os de espírito altruístico e individual para os de tendências mais egoístas. Exercícios que necessitem de agilidade para os longilíneos e os que requerem resistência para os brevilíneos. Assim é que geralmente a velocidade ocorre paralelamente com a agilidade. ao dizer de Pende. é a inteligência posta a serviço do músculo. esgrima. diz: "temos que admitir que a velocidade e a força muscular apresentam-se nos diferentes biótipos humanos de forma antitética. . equitação. O biótipo veloz (taquiprágico — taquipsíquico — hipertireóideo — simpaticotônico) equivale ao t i p o de cavalo de corrida. o biótipo de menor resistência.V — velocidade A . é o que mais rapidamente vai queimando suas reservas energéticas. pois. analisando-o de maneira ampla e completa. acrobacia. velocidade e agilidade traduzem quase sempre um temperamento neuro-vegetativo. que em jogos olímpicos sabem suprir a falta de resistência ou força muscular com um maior emprego da agilidade. poderíamos indicar esportes competitivos para os estênicos e recreativos para os astênicos. são reveladoras de uma tendência constitucional para a parasimpaticostenia. Pende. em grande parte. em consequência. emparelhadas. é tática do movimento. voleibol. mas também resistente. de modo que este é um fator decisivo no estudo da fadiga. enquanto a resistência associa-se com a força. saltadores. É conhecida a perspicácia de certos atletas. é apreciar que este animal não é somente f o r t e . não pode prevalecer a força. sendo em consequência. se prevalece a velocidade. Determinado o biótipo. Thooris afirma que nenhum homem é capaz de reunir as quatro qualidades do " V A R F " no mesmo grau. é. basquete. A agilidade. f r u t o da própria experiência. São bons atletas para corridas (de longa distância — estatura pequena. A relação entre biótipo e desempenho esportivo pode ser resumida como segue: a. e a resistência e a força. essa é a função do Educador Físico. musculatura delgada e frágil. Tudo ocorre ao contrário com o cavalo bretão (bradiprágico — bradipsfquico — hiperpituitárico — parasimpaticoestênico). Longilíneos — Tem como característica geral a velocidade. É esta uma propriedade característica do longilíneo veloz. agilidade R — resistência F — força Por resistência devemos entender o tempo máximo de duração do moviment o . comentando o índice " V A R F " .

A. fragilidade e fatigabilidade. R. r.Tem como característica geral o equilíbrio das formas. A. pois torna o indivíduo pesado.F. Em desportos que necessitam de mais força. futebol.A. 29 — Classificar a face do temperamento pela escala de Sheldon. significando debilidade. v. há diferentes aspectos a serem considerados de acordo com os vários autores. 39 . .F.Tem como característica a força. R. A. e. (3. A ectomorfia exagerada. Brevilíneos . V. V. . pentatlo ou decatlo.R. tem possibilidades de brilhar como atletas. mostra o seguinte: a. levantamento de peso e halteres. Assim. Normolíneos . r. v.r. c. poliatleta.b. A.5 e 10 mil m) V. R. Só os indivíduos de mesomorfia considerável. Sâb bons atletas para lutas (luta romana. v. . A.500m) V.f.F. A. nadadores (devido ao bom desenvolvimento da caixa torácica). d. V.R. 1. 19— Classificar a face morfológica. F. os praticantes de alto padrão são sempre mesomorfos. F. parece-nos porém mais aconselhável seguir a orientação de Silveira. (800. Ginástica de aparelhos. Como vemos. terrestres ou aquáticas. F. Nas provas de velocidade. igualando ou mesmo superando a mesomorf ia. etc. v. judo. F.a. (400 m) V. A ectomorfia é condição necessária para as corridas de fundo e meio fundo e para saltos. natação (tendência para a longitipia). a.A. R. quase sempre acima de 4. remadores (estatura alta).f. Um estudo feito com atletas participantes de jogos olímpicos. também constitui "handcap" em todas as especialidades atléticas. que transcrevemos: Corredores de velocidade Corredores de meio fundo Corredores de velocidade prolongada Corredores de fundo Saltos e barreiras Arremessos Futebol e basquete Levantamento de peso Lutadores Boxeadores Esgrima (100.Classificar a parte psíquica pelo método de Rorschach. que tratam do assunto. O excesso de endomorfia tem efeito negativo em qualquer desporto.). f. utilizando-sea metodologia proposta por Viola e a classificação de Berardinelli. de intensidade igual ou superior a 5. F.R. b. o grau de mesomorfia é superior a 5. c. social e intelectual.a. lento e pouco resistente. 200m) V. teremos possibilidade de entender melhor o nosso educando e melhor avaliá-lo para orientar convenientemente sua atividade física. Brandão faz uma correlação de alguns esportes com o índice VARF.R.

desenvolvendo suas qualidades e respeitando suas limitações. como também. graduação e classificação não somente da cultura mental. como na verdade se completam. pode-se fazer a seleção. A ficha do controle mínimo contém os seguintes dados: Idade no momento do exame. a. 2a. que f o i aceita na ocasião por uninimidade. segundo o ponto de vista de seus temperamentos e capacidades intelectuais. exame das vias aéreas superiores. os caracteres somáticos e psíquicos individuais. O controle e a avaliação biotipológica. FICHA BIOTIPOLÓGICA DE NICOLA PENDE EM EDUCAÇÃO FÍSICA Como resultado do estudo aqui apresentado. mas também da cultura física. Assumindo essas diretrizes. deste autor. as "performances" se avaliam segundo o cânone olímpico. que compreende: a. O Congresso de Chamonix ocupou-se somente da primeira parte. deduzimos a necessidade do conhecimento integral da personalidade física e psíquica. o que se pode obter através da ficha biotipológica. por conseguinte. Exame dos pulmões. diferencia-se somente pelo nome. Peso. isto é. Passamos a transcrever o modelo das duas fichas adotadas neste encontro e que se denominam: "controle m í n i m o " e "avaliação propriamente d i t a " . A ficha consta da avaliação dos seguintes tópicos: antropometria. A l t u r a . ambas devem necessariamente complementar-se. No Congresso Internacional de Educação Física de Chamonix (Suiça) em 1934. Perímetro torácico médio. Provas cárdio-vasculares: estudo do pulso e da pressão arterial. podemos dizer que a ficha biotipológica da educação física não pode ser outra que a ficha biotipológica da educação mental. Como vemos. como diz Rossi. há a possibilidade de que ocorra uma verdadeira reforma educacional. mas identifica-se com a pirâmide biotipológica . Exame de urina. b. Após essa análise. Assim. Amplitude torácica. morfologia constitucional e fisiológica e psicometria. altura e peso. Os resultados das "perfomances".atuando em nível curativo e profilático. Nos indivíduos adultos. Antecedentes patológicos. Observação do médico A ficha de avaliação compreende duas partes fundamentais: 1a. Provas respiratórias: espirometria. Provas funcionais antes e depois do esforço — tempo para retornar ao normal. sexo. Pende apresentou uma ficha biotipológica para aplicação em esportes. podemos organizar grupos homogéneos segundo a idade. Perímetro torácico na inspiração e na expiração.

Eletrocardiografia. Exames funcionais. No exame deitado: determinação dos pontos: manubrial. 2º Exame morfológico-constitucional. parte: Estudo da orientação desportiva. Os exames psicométricos. No exame em pé: determinação dos diâmetros torácicos (transversal e ântero-posterior). Tipo morfológico. 1a. Exame antropométrico e morfológico. Cada um destes itens será explicado a seguir. Capacidade vital. 3º— desportiva. abrange: 1º — Exame das funções sensório-motoras. deduzimos os comprimentos xifo-epigástrico. hipocondríacos (transversal e ántero-posterior) e dos membros superiores e inferiores. Frequência respiratória em repouso (de pé). O exame antropométrico e morfológico. pesos. perímetros das coxas direita e esquerda. c. Esta parte concerne somente ao médico e ao probando.b. púbico. ú t i l para t o d o exame biotipológico e orientação desportiva. espessuras. Pressão máxima. d. mínima e mediana. Acuidade sensorial. com elevação dos joelhos até um plano horizontal. Tempo de retorno à normalidade. Os exames funcionais. acromial e da interlinha do punho. comprimento do membro inferior e peso corporal. 1º— Exame antropométrico. d. Exame psicométrico (segundo Pende). epigastropúbico e dos membros superiores e inferiores. Aborda os seguintes itens: altura. diâmetro biacromial. c. perímetros dos braços direito e esquerdo. perímetro torácico. Com estas medidas. estuda pontos especiais relacionados com a especialização . Fórmula corporal. do tronco e membros. Consta de: 1. Antecedentes patológicos. Dinamometria horizontal e vertical. 2º — Exame das funções intelectuais. envergadura. Dedução dos índices: torácicos. Exame das funções sensório-motoras. faz-se um novo exame respiratório e cárdío-vascular. A segunda parte. Exame das funções afetivas. abdominal t o t a l . b. a. epigástrico. Exame radiológico do tórax e do aparelho cardiovascular. movimentos e atitudes. a razão de dois saltos por segundo. Provas de trabalho: podem ser feitas as seguintes: uma corrida " i n s i t u " durante dois minutos. Depois desta prova horizontal. Pesquisa da albuminúria depois do trabalho ' T e s t e " da fadiga de Donnaggio. Compreende duas partes: a primeira. Finura de apreciação das formas. xifoideano. perímetro abdominal médio. maleolar.

Integridade das funções vestibulares-autitivas (natação. 4. g. Determinação do "perfil psicológico". 3. segundo o sistema de Viola. Exame das funções intelectuais. largo-longo abdominal superior. pingpong. Estudo das velocidades reacionais. golf. e. d. modificado. polo. sugestibilidade (aparelho de Binet). submersão) 5. e. c. brevilíneos e normolíneos. a. 3. Compreende o peso corporal e a estatura e 41 medidas assim distribuídas: cabeça: seis pescoço: três tórax: nove abdome: seis membro superior: nove membro inferior: oito Figuram aqui as dez medidas fundamentais e suas relações recíprocas. 6. 2. largo-longo do pé. Estabilidade (tiro) 3. que se obtém com uma ficha de exame do t i p o adotado para a orientação profissional. 2. Em todos os casos se realiza: IP ) uma prova de atenção e 29) provas de nível intelectual. Poder de decisão rápida. 7. Expressa em medidas elementares. Velocidade de reação (esgrima) 2. se registram os quocientes de crescimento do peso e do perímetro torácico e as relações: Estatura-peso e Estatura-perímetro torácico. 2ª parte: Determinações especiais relacionadas com especializações desportivas. ténis. Idem à monotonia e ao sono. largo-longo da mão. f. Visão estereoscópica (ténis) 4. Idem aos afetos. Apreciação de distâncias (jogos de lançamento. etc) 6. . largo-comprido cefálico. honestidade. Susceptibilidade às perturbações emocionais. por provas de " t a p p i n g " pontaria. largo-longo abdominal inferior. Em continuação. Para classificar os longilíneos. Exame das funções afetivas. largo-longo facial. a classificação do biótipo morfológico se manifesta em graus centesimais. estabilidade. Estudo de predomínio do direito ou esquerdo dos membros superiores e inferiores e dos olhos (preferência para fazer a mira). Provas de esforço. Resistência à distração. 1. Suscetibilidade à dor (boxe) A ficha proposta por Pende tem os seguintes fundamentos e aplicação ao caso: 19 Avaliação morfológica do biótipo. tem sido criado os índices largo-longo. que são: 1. h. b. Caráter. e. 5. Tenacidade.Investigação da regularização dos movimentos. Estudo da capacidade de repetição de esforços iguais. largo-longo torácico.

Tempo de elaboração dos processos ideativos. metabolismo basal. Atitude e predisposição do sujeito a um trabalho especial. a emotividade global. a qualidade moral dominante e a tendência afetiva orientadora da conduta. grau de memória e da capacidade de observação. exame de urina antes e depois de um exercício conhecido. O apêndice etnológico permite resumir conclusões sobre o tipo de raça individual. em jejum e depois em exercício de controle. Ainda no solo pátrio o laboratório de São Caetano tem procurado determinar testes para a realidade brasileira e que já constitui publicação disponível nas livrarias. etc . diagnóstico do temperamento endócrino. trabalhando com crianças do Sesi. Estas observações tratam de avaliar as seguintes qualidades: grau de inteligência global. insuficiente). exame do aparelho do equilíbrio. os do desenvolvimento cardíaco. Entre nós Negrão & Molinkiss. Síntese do biótipo.. reprodução. a conduta de adaptação ao ambiente. do abstrato e lógico e do sentido crítico. aos de Pende e Berreta. Com este estudo. ataque-defesa. Atitude introspectiva-extrospectivado espírito. define-se o tipo de caráter. 3º — Avaliação do caráter individual (face moral).. os sentimentos egoístas e altruístas. estabelecem padrões de referência para determinadas provas de avaliação física como: velocidade.. exame das diferentes sensibilidades. os do hemolinfopoiético. . grau de atenção. Influência da esfera emotiva sobre os pensamentos e destes sobre aquela. das modificações hemáticas da fadiga. dinamometria dos principais territórios musculares complexos. investigação de uma predominância neuro-vegetativa simpática ou para-simpática ou pneumogástrica. Utilidade do trabalho efetivo (excelente. 2º — Avaliação funcional do biótipo. 4º — Avaliação do grau e forma da inteligência.Os índices do desenvolvimento sexual se ajustam à diretivas de Pende e Gualco. Adaptação aos diversos trabalhos mentais. controle de certos movimentos. . que se encontram no prelo e que irá constituir importante referencial prático e simples na avaliação dos alunos em suas capacidades físicas. Registram-se os resultados do treinamento ginástico e desportivo e seus efeitos na morfologia. aos de Gualco e Berreta. . Predominância do sentido analítico ou do sintético. medíocre. exame de urina antes e depois de um exercício de controle. no dinamismo e psiquismo individual. Mesmo com os esforços que muitos grupos vem realizando na área de avaliação da criança há necessidade de pesquisas multidisciplinares que venham correlacionar os diferentes níveis de manifestação do comportamento humano. Resistência ao trabalho intelectual. exame da excitabilidade neuro-muscular e dos reflexos. gregário. Estudam-se os instintos fundamentais: conservação. a vontade e o auto-controle. bom. Compreende o exame da capacidade muscular dos diversos segmentos corporais. força. Desenvolvimento do pensamento fantástico-místico. resistência.

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