Presidente da República Federativa do Brasil João Figueiredo Ministro da Educação e Cultura Esther de Figueiredo Ferraz

AVALIAÇÃO BIOMÉTRICA EM EDUCAÇÃO FÍSICA

MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO E CULTURA SECRETARIA DE EDUCAÇÃO FlSICA E DESPORTOS

- SECRETARIO G E R A L DO MEC Sérgio Mário Pasqualí SECRETARIO DE EDUCAÇÃO FÍSICA E DESPORTOS Péricles Cavalcanti SUBSECRETARIO DE DESPORTOS (SUDES) Antonio Celestino Silveira Brocchi - .

OLIVEIRA .AVALIAÇÃO BIOMETRICA EM EDUCAÇÃO FÍSICA ROMEU RODRIGUES DE SOUZA Professor Assistente Doutor Departamento de Anatomia Universidade de São Paulo JOSÉ ARI C.

a preocupação de seus autores em atender a especialistas e estudiosos do assunto. propiciando ao estudante a assimilação de maneira clara e objetiva. é uma orientação didática na área da Educação Física. ela permite a treinadores e preparadores físicos. antes de ser uma obra dedicada ao campo da Medicina. Não obstante ser uma obra didática. Este trabalho demonstra pois. PROF. HÉLIO JOSÉ MAFFIA Diretor da Escola Superior de Educação Física de Jundiaí Preparador físico do Esporte Clube Corinthians Paulista Ex-preparador físico do Paulista Futebol Clube de Jundiaí Ex-preparador físico do São Paulo Futebol Clube Ex-preparador físico da Sociedade Esportiva Palmeiras Ex-preparador físico do Guarani Futebol Clube Ex-preparador físico da Seleção Brasileira . uma segura mostragem evolutiva do atleta nos sentidos qualitativo e quantitativo do treinamento. através da mensuração.APRESENTAÇÃO AVALIAÇÃO BIOMÉTRJCA EM EDUCAÇÃO FÍSICA.

CAPITULO I Generalidades sobre medição e avaliação em Educação Física CAPITULO II Agrupamento dos dados: Ficha Biométrica CAPITULO III Seleção das medidas. Força muscular CAPITULO VIII Avaliação do crescimento CAPITULO IX Biotipologia: Aspectos gerais CAPlYULO X Teorias biótipológicas CAPITULO XI Biotipologia infantil 7 13 17 23 37 77 83 93 103 107 127 CAPÍTULO XII Diferenciação sexual CAPITULO XIII Importância da avaliação Biotipológica em Educação Física 133 141 . Técnica geral das medidas CAPITULO IV Análise e Interpretação dos dados: Noções de Estatísticas CAPITULO V Avaliação das dimensões e proporções externas do corpo e seus segmentos CAPITULO VI Avaliação do Estado Nutritivo: Medida da espessura de pregas cutâneas e peso CAPITULO VII Medida da capacidade vital e cardiocirculatória.ÍNDICE Pág.

Mais tarde. O desenvolvimento da aptidão física vai possibilitar ao indivíduo exercer melhor suas tarefas diárias e sentir-se melhor ao final de cada dia. Este conhecimento. como ciência. se ela puder fazer um programa específico de acordo com suas necessidades. Todas estas fases requerem medições. acompanhar o progresso de um trabalho. A aplicação de tal programa exige conhecimento prévio das condições físicas. ou seja. aquilo que pretendemos desenvolver para. isto é. Em outras palavras. é educação global: educação do físico. elas podem ser utilizadas. por outro lado. especialmente. Entretanto.CAPITULO I GENERALIDADES SOBRE MEDIÇÃO E AVALIAÇÃO EM EDUCAÇÃO FÍSICA EDUCAÇÃO FÍSICA: OBJETIVOS A Educação Física. da mente e educação social. Ao lado da aptidão física. temos que medir continuamente os parâmetros que queremos desenvolver. necessitamos medir antes. a Educação Física visa também desenvolver no jovem a capacidade para a recreação. o professor de Educação Física pode obter através de técnicas de avaliação e medição. e a aptidão social. fisiológicas e psicológicas atuais da pessoa a quem ele é dirigido. voltamos a analisar suas condições para podermos avaliar os resultados. para depois aplicar-lhe um programa adequado à sua situação. se for uma criança. aplicar um trabalho de desenvolvimento. a seguir. NECESSIDADE DE SE MEDIR EM EDUCAÇÃO FÍSICA Entre outras razões que podem explicar a necessidade de medidas. . a Educação Física só poderá atingir seus objetivos em relação a um indivíduo. De posse das informações obtidas. A educação do físico subentende desenvolver no indivíduo aptidão física. Em resumo. estabilidade emocional. determinar o estado de aptidão atual de um aluno. serão citadas apenas as seguintes: divisão em turmas homogéneas. ou seja. desempenho eficiente em atividades motoras e um corpo esteticamente bem constituído. a capacidade de dar-se bem com os outros. participar com gosto de atividades recreativas. é preciso saber inicialmente em que situação se encontra nosso aluno. para que o programa a ser elaborado seja o mais efetivo possível ás necessidades individuais. saúde. para sabermos se estamos conseguindo resultados satisfatórios.

porém falta especificar os três níveis morfológico. Esta é. vamos iniciar estas considerações com a análise deste termo. CONCEITO DE BIOMETRIA Para se esclarecer o conceito de Biometria. cujo conceito veremos a seguir. O mesmo se pode dizer quando determinamos a frequência cardíaca ou a respiratória dos alunos em relação com a intensidade de um certo exercício. Pode-se dizer em um sentido geral que a Biometria é a ciência que estuda quantitativamente os fenómenos vitais. respectivamente. uma definição mais coerente. é um problema muito complexo definir o que é a vida em todas as suas manifestações e a medida de todas elas não cabe nos limites de um curso. A Biometria começou em 1901. amparado pela análise matemática e estatística". Assim. A medida do progresso obtido em um trabalho é fundamental visto que quando sabemos que estamos melhorando. vida e medida. bios e metria. A determinação das aptidões e qualidades de um aluno é muito importante para se conduzir um trabalho físico pois assim este poderá ser o mais adaptado possível às necessidades dos alunos. estabelecendo relações entre os dados assim obtidos. fisiológico e psicológico. quando medimos a altura de um grupo de alunos estamos fazendo Biometria. especialmente aquelas que apresentem alguma importância para a Educação Física. Gomes de Sá (1975) classifica esta definição de simplista e a critica por levar a interpretações ambíguas. Entretanto. Objetivos deste compêndio A Biometria humana tem pois um campo muito amplo.Agrupar homogeneamente facilita a quem ensina e a quem aprende. Hegg e Luongo (1971) definem Biometria como "o ramo da Biologia que estuda os caracteres mensuráveis dos seres vivos. preferindo entender Biometria como "a ciência que procura traduzir numericamente os fenómenos biológicos. na Inglaterra. nossa motivação aumenta. visando sempre atingir nossos objetivos. A ciência que trata das medidas corporais é a Biometria. A avaliação do progresso permite ainda mudanças e adaptações no trabalho. nas páginas seguintes. Biometria é uma palavra composta por dois radicais gregos. . compreendendo de modo geral o estudo das mais variadas medidas relacionadas ao corpo humano. Entretanto. com o fim de determinar as leis que os regem". sem dúvida. os quais estão subentendidos na expressão "fenómenos biológicos" e que são os níveis em que será estudado o indivíduo. serão abordados somente os aspectos relacionados a certo grupo de mensurações. Temos assim um primeiro conceito de Biometria que é "a medida da vida". que significam. As doses e intensidade do trabalho a ser realizado ficam mais objetivas e especificas.

A Biometria Especial estuda aspectos mensuráveis particulares do seres vivos. para que possamos analisar. poderemos verificar se o peso está diminuindo ou não com essa dieta. comparar.DIVISÕES DA BIOMETRIA A chave seguinte resume as divisões da Biometria: De acordo com os objetivos do trabalho biométrico De acordo com o modo de abordar os fenómenos em relação ao tempo e espaço A Biometria Geral estuda aspectos métricos ligados aos seres vivos em geral. permitindo assim. IMPORTÂNCIA DA BIOMETRIA EM EDUCAÇÃO FÍSICA A ciência evolui quando os fenómenos estudados podem ser medidos. A determinação da frequência respiratória. batimentos cardíacos só terão valor se puderem ser medidos. acertar a dose ideal. Os resultados vão mostrar se o exercício está sendo muito ou pouco intenso. Claude Bernard afirmava mesmo que só pode haver ciência quando se pode medir os fenómenos. em um determinado instante. fisiológico e psicológico. de um ou mais indivíduos quando submetidos a uma determinada dieta. Ao realizar um trabalho físico. Outro exemplo seria a variação do peso. Um exemplo típico é o estudo da variação da frequência cardíaca com doses de um determinado exercício. os exercícios aplicados só produzem efeitos benéficos quando bem dosados em qualidade e em quantidade. . tanto animais quanto vegetais. Precisamos pois conhecer bem o indivíduo a quem dirigimos o trabalho físico. Aqui está incluída a Biometria humana que estuda o Homem sob os pontos de vista: morfológico. Neste conhecimento estão incluídos os aspectos mensuráveis do indivíduo. construir tabelas. aspectos importantes como a altura. A Biometria Dinâmica estuda as relações entre vários aspectos biométricos e um trabalho físico em função do tempo. A Biometria Estática estuda os aspectos mensuráveis do indivíduo em um determinado instante sem se preocupar se estes variam ou não no tempo. A medida da altura de um indivíduo em um dado momento representa um exemplo. Depois de um certo tempo. etc. é outro exemplo. Em Educação Física. peso.

os fenômenos biológicos caracterizam-se por sua grande variabilidade. serão aqui estudados com mais pormenores. pode-se dosar os exercícios físicos que serão aplicados. No caso de escolares. O professor de Educação Física poderá. que exigem novos esforços. Os objetivos principais do trabalho biométrico em Educação Física são os seguintes: a. Deste modo. no exame de seus alunos. A Biometria. Detectar assimetrias de forma. c. Pode-se descobrir assim. Estas deficiências serão então tratadas . a homogeneização de grupos facilita a aplicação de um trabalho físico. tem-se uma ideia do seu estado físico atual. ao aplicar um trabalho físico. os selecionados. Através da aplicação de provas específicas. Detectar deficiências físicas. São feitas várias medidas e exame médico no indivíduo. podemos classificar os indivíduos em normais. b. utiliza-se ainda o item inapto ou dispensado àqueles alunos que não são capazes de realizar nenhuma atividade física. Os normais obtém nessas provas resultados previsíveis. fisiológico ou psicológico procura verificar a existência de semelhanças entre eles dando ideia dos fenômenos comuns a determinados grupos. deficiências que geralmente se traduzem por cansaço ou fadiga. procuramos formar turmas homogéneas e para isso necessitamos classificar os indivíduos usando parâmetros como a altura e o peso. Determinar o valor físico do indivíduo. Com isto. pode-se utilizar a medida de certos parâmetros como o pulso e a frequência respiratória por exemplo. para acompanhar os progressos de um grupo submetido a um trabalho físico. o que é de grande importância pois assim ele poderá encaminhar o aluno para tratamento adequado. d. b. Através de exames periódicos do indivíduo pode-se detectar certa falta de adaptação do organismo frente a determinados exercícios. selecionados e poupados. OBJETIVOS DO TRABALHO BIOMÉTRICO EM EDUCAÇÃO FÍSICA Estes aspectos foram já esboçados em item anterior. detectar algumas assimetria de forma. A formação de grupos com características semelhantes é importante pois. Como se sabe. resultados melhores que os previsíveis e os poupados não atingem estes valores esperados. mas devido a sua importância. ao estudar os indivíduos seja do ponto de vista morfológico.Aqui estão dois exemplos da aplicação de conhecimentos biométricos em esporte: a. Determinar a condição física do indivíduo. Algumas assimetrias podem inclusive ser corrigidas através da aplicação correta de exercícios adequados. como vimos.

têm maior resistência e força. e. Psicologia e Bioquímica. como a Estatística. com menor gasto de energia. devido ao maior desenvolvimento dos membros que apresentam estes indivíduos. Fisiologia. São amplamente conhecidos os três tipos constitucionais da Escola Biotipoiógica Italiana (Viola e Pende): normolíneos. Classificar um determinado indivíduo em um destes grupos é muito importante em Educação Física. predominam a velocidade e a agilidade. Os primeiros tem maior desenvolvimento no sentido longitudinal enquanto os brevilíneos desenvolvem-se mais no sentido transversal. a variabilidade dos fenómenos biológicos torna os indivíduos diferentes uns dos outros. resistência e força). Daí a necessidade de se utilizar ciências Matemáticas. Dosagem dos exercícios e avaliação dos resultados. os brevilíneos. pode-se ter ideia do rendimento e dos resultados que se está obtendo com a aplicação daqueles determinados exercícios em função da finalidade que se tem em vista. Este assunto será mais bem estudado posteriormente. para se realizar estudos biométricos. devido a sua maior massa corporal. ao contrário. Assim sendo. como corridas de velocidade e saltos. os brevilíneos devem ser orientados para esportes que requerem força e resistência. os longilíneos adaptam-se melhor com esportes que exigem velocidade e agilidade. Além disso. Os brevilíneos e os longilíneos são os tipos extremos e o normolíneo é o tipo médio. Bem orientados. agilidade. Através de exames biométricos poderemos acompanhar a dosagem dos exercícios. adaptando-os às necesidades de cada indivíduo ou grupo. CIÊNCIAS AFINS À BIOMETRIA Algumas ciências estão muito relacionadas com a Biometria. Aqui veremos apenas alguns aspectos. brevilíneos e lingilíneos. tais como: arremesso do martelo e levantamento de peso. Cada um destes tipos constitucionais possui em graus diferentes os elementos da sigla VARF (velocidade.convenientemente antes que produzam lesões mais graves e irreversíveis no organismo. O conhecimento do tipo constitucional de um indivíduo permite orientálo para determinadas atividades físicas mais indicadas para aquele tipo de indivíduo. pois também são ramos da Biologia: Anatomia. os indivíduos terão um melhor rendimento. quando se pretende administrar exercícios ou orientar e selecionar para práticas desportivas. Particularmente importantes para a Biometria são a Matemática e a Estatísticas. Assim. nos longilíneos. Nos normolíneos há equilíbrio destas quatro qualidades. Daí a importância do trabalho biométrico bem realizado f. . Determinar o tipo constitucional (biótipo ou somatotipo).

Isto requer adiante. as medidas devem ser analisadas e interpretadas.Depois de coietadas. conhecimentos básicos de Estatística que serão apresentados mais .

d. CONCEITO DE FICHA BIOMÉTRICA A ficha biométrica é portanto um documento que contém informações morfológicas. devem ser selecionadas algumas medidas convenientes ao trabalho que vamos realizar. exame clínico geral e especial e exame biométrico. Deve ser orientado de acordo com a idade e modalidade desportiva do indivíduo. as medidas a serem colhidas enquadram-se nos três níveis: morfológico. Depois de escolhidas.CAPITULO II AGRUPAMENTO DOS DADOS: FICHA BIOMÉTRICA Como já sabemos. poderemos tirar conclu- . fisiológicas e psicológicas sobre um determinado indivíduo e que permite fazer um julgamento sobre suas condições de saúde e suas aptidões atuais. como já vimos. antecedentes. digestivo e outros). Alguns denominam a ficha biométrica de médico-biométrica porque vários dados devem ser colhidos exclusivamente pelo médico. mas. fisiológico e psicológico. b. Exame clínico geral e especial: consiste no exame dos vários sistemas orgânicos (respiratório. Esta escolha depende então da finalidade que se tem na realização do trabalho físico. Geralmente são colhidos obrigatoriamente. são várias as mensuraçôes possíveis no corpo humano. Uma ficha biométrica poderia conter inúmeros dados. Análise dos dados obtidos Através da análise dos dados da ficha biométrica. Aqui incluem-se também exames de laboratório e outros que se fizerem necessários. Exame biométrico: as medidas a serem tomadas vão depender da finalidade que se tem em vista. Itens fundamentais de uma ficha biométrica Entre os itens fundamentais de uma ficha biométrica. Antecedentes: refere-se aos antecedentes pessoais e familiares. e assim sendo temos que escolher certas medidas de acordo com os objetivos que temos em vista. Identificação: aqui são colocados o nome. idade e outros dados pessoais. serão apresentados os seguintes: identificação. o peso e a altura. a. as medidas a serem obtidas são agrupadas em uma ficha denominada ficha biométrica que será preenchida quando da realização do exame do aluno. Entretanto. c.

Dosar exercícios . O indivíduo apto tem condições tais que pode praticar qualquer tipo de esporte. c.soes a respeito do aluno e que são os mesmos objetivos do trabalho biométrico: a. em parte. dos olhos e dos cabelos. apto. e. Determinar a condição física — Com base nos resultados do exame feito o indivíduo será considerado. são de ordem morfológica. destacam-se alguns relacionados ao conceito de raça. a antroposposcopia e a antropometria. Esta deficiência pode ser transitória ou permanente. Os dados morfológicos constituem uma série de informações que pertencem em última análise a uma ciência mais ampla. poupado ou inapto. é necessário verificar como o organismo está reagindo e que resultados estamos obtendo. f. como a cor da pele. É preciso saber quais são estes dados para que possamos analisá-los. fisiológica e psicológica. Este é o estudo do desenvolvimento físico do homem e utiliza como métodos de estudo. apresenta alguma deficiência que o limita para atividades desportivas. e a raça determina. Determinar o somatótipo — A determinação do somatótipo ou tipo constitucional vai permitir compreender e orientar melhor cada aluno. O estudo dos tipos raciais tem importância pois eles estão ligados aos tipos morfológicos ou somatotipos dos indivíduos. de nenhuma forma. d. o tipo morfológico. O inapto ou dispensado é o indivíduo que não pode exercer atividades físicas. .Através da análise e interpretação dos dados obtidos na ficha. 0 indivíduo poupado. aqui podemos relembrar o que já foi dito sobre este assunto: os aptos serão considerados normais ou selecionados segundo os resultados obtidos em provas específicas sejam os esperados ou superem estes resultados. como já sabemos. Avaliar resultados . a antropologia física. Detectar assimetrias de forma — Quando em presença de uma assimetria de forma o professor de Educação Física deverá orientar o aluno convenientemente. Selecionar para a competição — Através da análise dos dados constantes da ficha biométrica. Dados do exame biométrico As medidas e dados constantes da ficha biométrica.Aplicado um trabalho físico. Entre os aspectos não mensuráveis do indivíduo. podemos adequar os exercícios em duração e intensidade ás necessidades individuais. pode ser prescrita a ginástica corretiva. de acordo com a finalidade que se tem em vista. Em alguns casos. podemos saber quais as possibilidades de cada aluno em diversos esportes com fins competitivos. A antropometria é o estudo dos aspectos mensuráveis do homem. A primeira estuda aspectos não mensuráveis do homem. b.

Alguns destes aspectos são: a cor da pele. São também englobados neste item as medições relativas ao crescimento. As medidas fisiológicas referem-se aos sistemas orgânicos em geral. As medidas morfológicas a serem colhidas serão grupadas sob o t í t u l o geral de medidas biométricas somáticas ou morfológicas. a) Cor da pele — Pode ser determinada pela simples observação. em qualquer caso. pretos. o seu estudo tem importância pois os tipos morfológicos estâo relacionados com o desempenho atlético.Assim. circulatório e muscular. e mais especificamente ao funcionamento dos sistemas respiratório. Os dados de ordem psicológica constantes da ficha biométrica referem-se apenas a uma "impressão" a respeito do estado do indivíduo. podemos classificar a cor dos olhos em castanho. negra. Lissótricos são cabelos lisos. parda e vermelha. transmitidas hereditariamente e que se repetem no grupo de modo a imprimir-lhe um aspecto diferente de outros grupos. amarela. ao estado nutritivo e à maturação sexual. examinar uma parte que habitualmente é coberta pela roupa. próprios da raça negra. Pode-se determinar também a cor da pele comparando-a com quadros representativos dos diversos matizes (escala cromática). cor dos olhos. ulótricos e cimatótricos. classificandoa neste caso em branca. .Através da observação podemos classificar os cabelos em castanhos. a Psicometria. Existe também uma escala cromática constituída por fios coloridos. fazem parte de uma ciência mais ampla. Os cimatótricos são os cabelos ondulados. Deve-se. podemos compreender raça como um grupo de indivíduos com características semelhantes. dos cabelos e a forma dos cabelos. com cores diferentes. Como a raça determina o t i p o morfológico. Uma série de aspectos externos e medidas caracterizam cada grupo racial. c) Cor dos cabelos . d) Forma dos cabelos — Quanto à forma os cabelos são classificados em lissótricos. preta. verde e azul. Pode-se também comparar com modelos de olhos de vidro. louros e avermelhados. pois medidas em Psicologia. b) Cor dos olhos — Pela simples observação. ulótricos são cabelos encarapinhados.

índices são relações numéricas centesimais entre as medidas. CLASSIFICAÇÃO DAS MEDIDAS BIOMÉTRICAS Várias medidas podem ser obtidas durante o trabalho biométrico. Pode-se ainda complementar as medidas através dos denominados índices. TÉCNICA GERAL DAS MEDIDAS A escolha das medidas a serem utilizadas depende dos objetivos que se tem em vista. Olivier (1960) considerou 34 medidas e 40 índices. Medidas biométricas somáticas São medidas que permitem avaliar as dimensões e proporções externas do corpo. de acordo com a finalidade a atingir. medidas que permitem avaliar o estado de nutrição. elaborar um programa de trabalho de acordo com os resultados e acompanhar a evolução do trabalho. As medidas biométricas podem ser classificadas em dois grandes grupos. podem ser resumidos nos seguintes: determinar a situação física atual. que. Vamos estudar pois quais são as medidas que podem ser obtidas. medidas que visam avaliar as proporções do corpo. b) medidas que visam avaliar o estado funcional de alguns sistemas orgânicos (medidas biométricas funcionais). detectar deficiências. Estas medidas caracterizam-se por serem de fácil execução e por não necessitarem a participação ativa do examinando. e c. medidas destinadas a apreciar o estado de maturação sexual. As medidas biométricas somáticas podem ser subdivididas. de acordo com a finalidade a atingir. Serão abordados aqui apenas as principais medidas e índices. de acordo com o tipo de avaliação que se quer fazer: a) medidas que permitem avaliar as dimensões e proporções externas do corpo e seus segmentos (medidas biométricas somáticas).CAPITULO III SELEÇÃO DAS MEDIDAS. em: a. b. como vimos. .

São: altura. comprimento dos membros. perímetro torácico.Medidas que visam avaliar as dimensões e proporções externas do corpo e seus segmentos. Medidas biométricas funcionais Estas medidas são as que permitem avaliar funções orgânicas específicas. espessura da dobra cutânea. envergadura. Medidas que permitem avaliar o estado de nutrição: São as seguintes: peso. As medidas funcionais exigem instrumentos especiais e são de mais d i f í c i l execução. perímetro dos membros e diâmetro do tórax. como a força muscular e a capacidade cardio-circulatória. bi-crista ilíaca e bi-troncantérico e o grau de desenvolvimento dos genitais. altura tronco-cefálica. Altura Altura tronco-cefálica Medidas que visam Medidas biométricas somáticas Medidas que permitem avaliar o estado de nutrição Medidas destinadas a apreciar a maturação sexual avaliar as proporções do corpo Envergadura Comprimento dos membros Comprimento do tronco Perímetro cefálico Peso Espessura da dobra cutânea Perímetro torácico Perímetros dos membros Diâmetro do tórax Diâmetro bi-acromial Diâmetro bi-crista ilíaca Diâmetro bi-umeral Diâmetro bi-tocantérico Desenvolvimento dos genitais Medidas biométricas funcionais Capacidade vital Capacidade cárdio-circulatória Força muscular . bi-umeral. comprimento do tronco e perímetro cefálico. Medidas destinadas a apreciar a maturação sexual São: diâmetros bi-acromial. Resumo das medidas biométricas mais importantes em Educação Física.

de mesmo sexo e idade. b. .1). reunir os indivíduos em grupos homogéneos. As medidas devem ser tomadas em locais bem iluminados. compasso de toque ou de pontas rombas e a fita métrica. 3. compasso de barras. 0 indivíduo deve estar o mais despido possível durante a realização das medidas. Os instrumentos não devem pressionar a pele mas apenas tocá-la. Antes de iniciar as medidas. Instrumentos aferidos e calibrados. e. Consta de uma haste de metal graduada de zero a 2000 milímetros. d. Principais instrumentos de medida usados na obtenção das medidas biométricas somáticas Os principais instrumentos utilizados na realização destas mensurações são os seguintes: antropômetro de Rudolf M a r t i n . deve-se atender a uma série de requisitos dentre os quais destacam-se os seguintes: a. c.TÉCNICA GERAL DAS M E D I D A S BIOMÉTRICAS Cuidados que se deve tomar ao colher as medidas biométricas Para se evitar ao máximo a influência dos fatores de erro ao se obter as medidas biométricas. onde se coloca uma régua terminada em ponta e disposta perpendicularmente à haste graduada. sobre a qual desliza um cursor. Antropômetro de Rudolf Martin É utilizado para tomar medidas no sentido vertical (Fig. compasso de corrediça.

de zero a 950 milímetros e um cursor com uma régua que pode se deslocar. apresenta ainda uma outra régua. com uma haste fixa na extremidade zero da escala e um cursor que pode deslizar ao longo da régua (Fig. Consta também de uma haste metálica graduada. Compasso de corrediça É utilizado para tomar medidas pequenas como as da face. do tronco e comprimentos dos membros. fixa. na extremidade da haste graduada (Fig.Compasso de barras Destina-se á tomada de medidas tais como: diâmetros transversos. Consta de uma régua de 25 centímetros. 3. .2).3). 3.

Estes pontos são denominados pontos antropométricos e serão também descritos juntamente com cada uma das medidas biométricas. de cada uma das medidas biométricas.3 — Compasso de Corrediça Compasso de toque ou de pontas rombas Este compasso é utilizado para tomar diâmetros do tronco e medidas da cabeça. Outros elementos necessários para se colher as medidas biométricas. Uma das hastes tem uma régua graduada a ela fixada e que permite fazer a leitura da medida encontrada. além de instrumentos adequados Além de instrumentos adequados é necessário ainda conhecer certos pontos de reparo existentes no corpo e que servem como pontos de referência para se obter as medidas. Consta de duas hastes metálicas que se articularm em uma das extremidades. Outros instrumentos serão descritos nos itens correpondentes ao estudo que será feito mais adiante. . É representada por uma fita de metal ou linho. que terminam em pontas rombas. As hastes são retas nas metades próximas ao ponto onde se articulam e curvas nas metades restantes. graduada.Figura 3.4). Fita métrica Destina-se à medida dos perímetros. A maior distância que se pode medir é de 30 cm (Fig. 3.

altura tronco-cefálica) tronco e comprimento dos membros das da cabeça .4 .Figura 3.Compasso de Pontas Rombas Os principais instrumentos utilizados no trabalho biométrico e algumas medidas que podem ser obtidas com estes instrumentos estão resumidos na tabela seguinte: Instrumento Medidas (altura.

é necessário algum conhecimento desta ciência. b. Devido às suas relações com a Biometria. A própria repetição de experiências só é possível se for controlada através da medição dos dados. veremos que certas medidas. As respostas a estas e outras questões semelhantes pertencem ao domínio de uma ciência denominada Estatística. Todos os tempos podem ser substituídos por um único que é o tempo médio. A população é pois um grupo de alunos ou objetos que possuem características semelhantes dentro do mesmo universo. Por exemplo: um atleta faz um percurso várias vezes. podemos calcular o tempo médio do grupo que também é um parâmetro. cada vez em um tempo diferente. Trabalhando por exemplo com um grupo de alunos. como veremos. por outro lado. Neste . a variabilidade dos valores pode ser medida.CAPITULO IV ANÁLISE E INTERPRETAÇÃO DOS DADOS: NOÇÕES DE ESTATÍSTICA INTRODUÇÃO Para estabelecer relações e leis entre os fenómenos. A média destes tempos é um parâmetro. geralmente utilizamos um conjunto de elementos e não a população toda. a qual mostra as frequências com que aparecem os vários tipos. dentro do grupo? c. Qual a situação de um determinado aluno. tais como a média. Se um grupo de alunos faz um percurso. é necessário que eles possam ser medidos. Ao realizar um trabalho estatístico. Como agrupar de maneira mais homogénea? Veremos que muitos tipos de medidas distribuem-se segundo uma curva denominada curva normal. que são subconjuntos. podem ser representativas do grupo. Este conjunto é a amostra. através do desvio padrão. teremos as populações. Como se encontra este grupo em relação a uma determinada medida? Neste caso. A Estatística é a ciência que procura tirar conclusões a partir de observações de dados numéricos. Parâmetro — Universo — População — Amostra Parâmetro é um número que caracteriza um conjunto de medidas. Variáveis contínuas e discretas A medida da altura de um grupo de escolares é um t i p o de variável. Ao conjunto de alunos chamamos universo e se dividirmos o universo (grupo todo) em subgrupos. poderíamos perguntar: a.

o número de alunos por grupo ná"o pode ter valores parciais: 2. etc. as medidas podem ter qualquer valor e sempre pode haver uma medida que se interponha entre duas outras. Uma melhor maneira é ordená-los em sequência ascendente ou descendente e verificar se há valores que se repetem e quantas vezes se repetem. Trata-se de uma variável contínua. os grupos são separados de acordo com uma certa ordem.12m podemos ter um valor de 1. Por exemplo: em pequenos.1 . utilizando a Estatística.10m e 1. t i p o constitucional. 35. APRESENTAÇÃO DOS DADOS Os dados obtidos em um experimento podem ser apenas enumerados sem preocupação de ordem. que consiste em colocá-los em uma coluna ordenada e com as frequências com que cada valor ocorre. a divisão deve obedecer a um único critério. 28 e 30. idade.11m. Construímos assim. a distribuição de frequências dos dados. Os alunos podem também ser divididos segundo uma classificação hierárquica. por exemplo. entre 1.1 conclui-se imediatamente que os pesos máximo e . precisamos frequentemente separar os indivíduos segundo certas características. Suponhamos que determinamos o peso de 5 alunos e que os resultados tenham sido os seguintes: 30. médios e grandes. Assim. Podemos por exemplo separar os alunos por categorias. Estes valores assim apresentados são difíceis de serem interpretados. Escores Frequência 28 29 30 31 32 33 34 35 1 0 2 0 1 0 0 1 Observando a tabela 4. Neste caso. 32. divisão segundo o sexo. por exemplo.caso.5 por grupo ou 1. Por exemplo. Grupamento de dados Ao realizar um trabalho biométrico. Tabela 4. Neste caso.Distribuição de frequência de 5 observações (escores).3 por grupo. A variável é discreta quando os valores se comportam de modo que se sucedem em saltos.

seja ao longo da ordenada. Um dos tipos mais comuns de gráficos é o histograma. O gráfico é construído utilizando-se dois eixos perpendiculares entre si. . ou seja a variável dividida em classes de invidivíduos ou objetos. sendo sua frequência zero. o intervalo de classe (I) será: I (intervalo) = 7/3 = 2. A partir deste. um vertical (eixo das ordenadas. por exemplo. Os dados obtidos podem ainda ser agrupados em classes. A diferença entre os valores máximo e mínimo nos dá a amplitude de distribuição (A): A = 35 .2 — Distribuição de frequências de dados agrupados Classes 28 a 30 31 a 33 34 a 36 Frequência 3 1 1 REPRESENTAÇÃO GRÁFICA DOS RESULTADOS Às vezes é mais interessante apresentar os resultados obtidos. os valores aumentam à medida que dele se afastam. o intervalo passa a ser o número inteiro mais próximo (no caso =2). No eixo das abcissas coloca-se os valores da variável independente. As classes são colocadas ao longo da abcissa e na ordenada situam-se as frequências com que aparecem os valores.mínimo obtidos são respectivamente 35 e 28. por meio de um gráfico. Então os valores serão agrupados em intervalos de amplitude igual a 2 (tabela 4. o professor podem querer agrupar os 5 alunos em 3 classes: peso alto. As frequências de cada classe serão representadas por uma barra. seja ao longo da abcissa. O ponto onde ocorre a intersecção dos dois eixos é o ponto zero. representando geralmente pela letra X). médio e baixo. com linhas laterais levantadas a partir dos limites de cada classe.33 Como o número obtido é fracionário. a partir das abcissas. com as frequências com que cada medida aparece.2). No caso de peso. Tabela 4. o peso mais frequente foi 30 (2 vezes) e que houve valores de peso que não aparecerem. representado geralmente pela letra Y) e um horizontal (eixo das abcissas. representa a variável dependente. o eixo das ordenadas.28 = 7 Como se decidiu por três classes.

Diferem quanto à posição. em II.2 . os valores concentram-se em torno de 11. pois a méida dos valores da distribuição II é maior que a média da distribuição I ou seja.Gráfico de duas distribuições de frequências . Figura 4. vê-se logo que as duas distribuições diferem quanto â posição (tendência central) mas são semelhantes na forma (variabilidade).2 é o gráfico representativo de duas distribuições de frequências. seria a figura 4.Um histograma construído a partir da tabela 4.1.2. Figura 4. ao passo que em I. Examinando os gráficos.1 — Histograma da distribuição de frequência do peso de 5 alunos. eles estão concentrados em torno de 5. DISTRIBUIÇÃO DE FREQUÊNCIAS A figura 4.

Podemos ter o caso inverso ou seja, distribuições de frequências com a mesma tendência central, mas diferentes na forma (na variabilidade). A figura 4.3 é o gráfico destas distribuições.

Figura 4.3 - Distribuição de frequências com mesma tendência central

Quando a distribuição de frequência tem um ponto de frequência mais elevada, é denominada de unimodal. Se houver dois destes pontos, ela será bimodal. A figura 4.4 é um gráfico representativo deste tipo de distribuição.

Figura 4.5 - Distribuição bimodal

Curva normal As curvas das distribuições de frequências podem ter as mais variadas formas. Existe entretanto um t i p o de curva que por sua importância deve ser estudada com maior destaque: ela tem a forma de um sino, é simétrica e contínua (figura 4.5). É a chamada curva normal ou curva de Gauss que representa a distribuição normal. Em Biologia, muitas variáveis contínuas apresentam esse t i p o de distribuição. A altura é um tipo de variável com distribuição normal. No eixo das abcissas (X) a variável pode ir de menos infinito a mais infinit o : a curva nunca chega a tocar na base. Importância da curva normal em Biometria Em Biometria, a importância da curva normal é grande pois todas as vezes que se fala em classificar alguma coisa, uma das primeiras preocupações é se localizar o " n o r m a l " , para depois posicionar aquilo que dele se distancia. Normal foi colocado entre aspas por ter um sentido preciso em Biometria, que é o relacionado com o mais comum enquanto as formas que dele se distanciam são expressões menos comuns, ou melhor que mantém relações, em suas medidas, com diferenças mais acentuadas. Trabalhando com as diferenças individuais observamos que estas obedecem ao tipo de distribuição em que a maior parte dos indivíduos mantém as medidas próximas de uma média e que a partir deste ponto há uma distribuição decrescente para ambos os lados, que graficamente, obedece à distribuição semelhante á de Gauss (curva normal).

Figura 4.5 - Curva normal

MEDIDAS DE TENDÊNCIA CENTRAL
As medidas de tendência central mais utilizadas em Estatística são a moda, a mediana e a média aritmética. Moda (M) É o valor que aparece com maior frequência, em uma série de medidas. Exemplo: na série seguinte de valores, a moda é o valor 8 pois é o que mais vezes aparece. 6 - 8 - 8 - 1 6 - 8 - 1 0 - 8 - 6 - 1 0 - 8 - 1 8 - 8 - 6 - 1 2 Neste caso, a série é unimodal porque tem uma única moda. Mas ela pode ser bimodal, multimodal ou ainda amodal, quando não possui moda. Exemplos: Série bimodal (possui 2 modas):

6-10-10-10-10-18-20-20-20-20-15
As modas são: 10 e 20. Série multimodal (possui várias modas): 4 - 6 - 5 - 8 - 6 - 5 - 8 - 5 - 6 - 8 - 3 - 9 As modas são: 5, 6 e 8. Série amodal (não há moda, pois todos os valores aparecem com igual frequência): 6-10- 16-8-4-2ou: 4_4_5_5_2_2_7_7_3_3. As curvas representativas das distribuições de frequências das séries estão na figura 4.6. Mediana (Me) Em uma série de rnedidas, colocadas em ordem crescentes a mediana é o valor precedido e seguido pelo mesmo número de valores. Exemplos: Séries a-2-3-5-7-18 b-1-5-8-15-21 c-1 - 3 - 5 - 5 - 2 0 - 2 4 Mediana 5 6,5 5

Quando o número de valores é impar, o cálculo da mediana pode ser feito usando a fórmula: N + 1 (N =número de valores). 2

sendo P1. na série a: A mediana é o 39 valor (5). (N =número Quando o número de valores é par usa-se a fórmula o número que ocupa a posição obtida por: .6 — Vários tipos de distribuição de frequências Assim.Figura 4.

A mediana. por exemplo. se a mediana for. a média. (Mediana =6. no conjunto de medidas: Na realidade. passamos a considerar cada aluno como se tivesse aquela medida (média). por sua vez. O significado da mediana é que ela é um valor que divide o conjunto em dois grupos: um acima e outro abaixo daquele valor. Por exemplo. A medida. . observa-se que a mediana (6. significa que houve muitas alturas diferentes na série. mediana e média) não são exclusivas mas se complementam. A muda nos informa qual é a altura mais frequente no grupo. Assim na série b: 3 + 1 =4 (4ª posição).5) é um número que não consta dos valores obtidos na série.5) Na série a„ temos o mesmo número de casos. é também um valor que nem sempre consta da série de medidas. No caso da série b. a mediana e a moda forem muito diferentes entre si. É um valor que existe realmente na série e por sinal é o que mais aparece. é que houve menor variação. fazendo uma série de medidas da altura em grupo de crianças. por exemplo 1. Portanto. ou seja entre os 50% mais altos ou entre os 50% mais baixos. as três medidas que estudamos (moda. Consiste na soma dos valores dividido pelo número de valores. Mas por convenção. esta é a mediana. os valores estão "esparramados". Se.de casos). simplesmente. A média " e q u i l i b r a " uma série de medidas. ou seja. facilita localizar um determinado aluno no grupo: sua altura estará acima ou abaixo daquele valor e portanto ele estará em um ou outro grupo. Quando as três medidas forem próximas ou semelhantes. (3ª posição). Assim. Portanto: (Mediana = 5). Média aritmética ( X ) É também chamada de média. Em uma série de medidas da altura dos alunos. tal como a mediana.40 m significa que existe metade das crianças com altura acima e metade com altura abaixo deste valor. em uma série de medidas da altura.

média e mediana). moda. esta medida nada informa quanto à homogeneidade dos dois grupos: um pode ter indivíduos todos mais ou menos da mesma altura. que são as medidas de tendência central (moda. Uma das medidas de dispersão ou variabilidade mais utilizada na prática é o desvio padrão. Por exemplo. . mediana ou a mesma moda mas as medidas dos valores variam de modo diferente. Já estudamos uma característica desses tipos de distribuição de frequência. É necessário pois introduzir medidas de dispersão que informem o grau de variabilidade dos valores em cada grupo.7 .7 temos as curvas representativas de três tipos de distribuição de frequências. ao passo que o outro grupo pode ter alguns indivíduos muito baixos e a maioria. Figura 4. dois grupos de alunos podem ter a mesma média de altura. Embora tenham a mesma média. mais altos. Duas distribuições podem ter a mesma média. mediana). onde se indicam as posições das três medidas que estudamos (média.Distribuições de frequências: simétrica e duas assimétricas M E D I D A S DE DISPERSÃO Geralmente os conjuntos de medidas apresentam certa dispersão ou variabilidade.Na figura 4. mas os valores individuais em cada grupo podem ser muito diferentes. uma simétrica e duas assimétricas.

Desvio padrão O seguinte problema permitirá introduzir o conceito de desvio padrão. no caso) nos dá o desvio padrão (s). sendo N. A raiz quadrada da soma dos desvios ao quadrado. Os valores que se afastam desta média são chamados desvios. 10 indivíduos tomados ao acaso.5 10.9 kg.5 19. Quanto maior for o desvio padrão.5 -4.5 0.5 kg. por exemplo. determinando o peso de. Começamos.5 5.5 10. o número de observações (10. Os pesos. podemos dizer que a estimativa do peso médio do grupo é 69.5 - 9. são os seguintes: 70 80 60 50 70 60 65 80 75 85 A média aritmética desses 10 dados é 69.5 15. a uma determinada comunidade. cada valor observado. em Kg.5 Os desvios são calculados diminuindo-se da média.5 -9. Os desvios em relação a esta média são: 0. Assim: Portanto. maior será a variabilidade dos valores. A fórmula para se calcular o desvio padrão é pois: . dividido por N — 1. Suponhamos que queiramos determinar o peso médio dos indivíduos perten_ centes.5 kg e que o desvio padrão dos valores observados é 10. O desvio padrão indica pois o grau de variação dos valores da amostra.

sendo X, cada valor observado; X, a média dos valores e N, o número de valores. Em Biotipologia, porém, o desvio padrão é calculado a partir da moda e não da média aritmética. Este assunto será abordado mais adiante. Aplicação da curva normal As medidas corporais utilizadas em Educação Física geralmente tem uma distribuição que segue a curva normal. Através de ca'lculos matemáticos pode-se obter as áreas que estão sob a curva quando ela é dividida em segmentos, através de linhas verticais (f ig. 4.8). A linha do meio representa a média. As outras três linhas de cada lado relacionam-se a unidades de desvio padrão. O lado direito a partir da média é positivo ou seja indica os escores mais altos da distribuição. 0 lado esquerdo é negativo: aqui estão os valores mais baixos da distribuição. A curva normal é dividida em seis desvios-padrão sendo três de cada lado da média. Assim, na curva normal, um desvio padrão acima da média contém cerca de 34,00 por cento dos escores; isto significa que a área situada entre um desvio padrão de cada lado, em torno da média, vale aproximadamente 68 por cento. A área compreendida entre 1 e 2 desvios-padrão vale aproximadamente 14 por cento. Estes conhecimentos são importantes para determinar, por exemplo, o número de alunos que obtiveram um determinado escore, em uma distribuição normal. Suponhamos que 200 alunos foram submetidos a um determinado tipo de exercício e tenham obtido escores com distribuição normal, sendo a média 100 e o desvio-padrão igual a 20.

Figura 4.8 - Área sob a curva normal

Como a média é 100, sabe-se que 100 alunos obtiveram 100 ou mais e 100 alunos obtiveram 100 ou menos. Quantos alunos tiveram um escore de 140? Sendo o desvio-padrâb igual a 20, o valor 140 encontra-se 2 desvios-padrão acima da média. A área compreendida entre 2 desvios padrão acima e abaixo da média corresponde a 95% e então sobram 5% dos casos, sendo 2,5% acima e 2,5% abaixo de dois desvios-padrão. Em outras palavras, apenas 2,5% dos alunos obtiveram escores superiores a 140 na prova realizada (fig. 4.9).

Figura 4.9 - Área sob a curva normal

CORRELAÇÃO
Às vezes em Educação Física é importante saber como varia uma determinada medida ou fenómeno em relação a outra, isto é, se existe ou não correlação entre essas duas variáveis, e se existe, saber se essa correlação é positiva ou negativa. Será positiva quando aumentando uma variável, a outra também aumenta, ou diminuindo uma, a outra também diminui. A correlação é negativa quando ao aumentar uma variável, a outra diminui ou vice-versa. Existe, por exemplo, correlação entre o Q.l. dos alunos e as notas obtidas, ou seja, quanto mais elevado o Q.l. mais altas são as notas obtidas pelos alunos. Mas não existe correlação, por exemplo, entre a altura e as notas obtidas nas provas. Através de fórmulas específicas, pode-se determinar a correlação entre duas variáveis, calculando o chamado coeficiente de correlação. Este assunto não será porém aqui abordado. Mais pormenores podem ser obtidos em tratados de Estatística.

TESTES DE S I G N I F I C Â N C I A Suponhamos uma situação em que submetemos dois grupos diferentes de alunos a um mesmo trabalho físico e gostaríamos de compará-los, para saber em qual grupo, o aproveitamento f o i melhor. Depois de obtidos os valores, as médias de cada grupo deveriam ser comparadas, uma com a outra. Se houvesse uma diferença entre estas medias, que medem o desempenho de cada grupo, esta diferença teria de ser testada para verificar se ela é verdadeira ou se houve qualquer tipo de interferência que determinou a diferença. Existem vários tipos de testes estatísticos que permitem determinar se essa diferença entre médias é real ou não. Um dos testes mais fáceis e mais utilizados na prática é o chamado teste " t " . Utilizando os valores das médias e desvios-padrão, calcula-se o valor de " t " , através de fórmulas próprias, o qual é depois comparado com valores constantes de tabelas e que nos dão o resultado ou seja, se as médias dos dois grupos diferem realmente ou não. Este assunto poderá ser melhor compreendido, consultando-se livros de Estatística.

apresenta um princípio de construção chamado antimeria: o corpo é constituído por duas metades. nem internamente. uma simetria aparente mas uma assimetria real. Figura 5. Exemplos destas assimetrias serão vistos em seguida. ou seja não existe uma simetria perfeita: os antímeros não são exatamente iguais. Existe pois externamente.1).CAPITULO V AVALIAÇÃO DAS DIMENSÕES E PROPORÇÕES EXTERNAS DO CORPO E SEUS SEGMENTOS INTRODUÇÃO O corpo humano como dos vertebrados em geral. nem externamente. separados pelo plano sagital mediano (Fig.1 ~ Plano sagital mediano Os antímeros são simétricos apenas aparentemente. 5. os antímeros direito e esquerdo. .

quando examinado por trás. na maior parte dos indivíduos são assimétricos. ocorrendo o inverso quando se o examina anteriormente. O antímero direito do tronco é mais desenvolvido que o esquerdo. o inferior mais desenvolvido será o do lado oposto. .Assimetrias externas Os dois lados da face não são simétricos: a linha que une as fendas palpebrais. Nos indivíduos dextros. o membro superior direito é mais desenvolvido que o esquerdo: o comprimento. perímetro. volume e força dos músculos são maiores do lado direito.2). O pavilhão da orelha é maior e está em nível mais alto do lado esquerdo. 5. Cerca de um terço dos indivíduos apresentam assimetrias nos membros inferiores. Os membros superiores. bem como a linha que une as comissuras dos lábios são oblíquas e não paralelas (Fig. Quando o membro superior de um lado é mais desenvolvido.

. Além destas assimetrias morfológicas observam-se também assimetrias funcionais: a maioria dos indivíduos usa com maior habilidade o membro superior direito em trabalhos com as mãos. Figura 5.3). Estas curvaturas são conhecidas como escolioses. a região torácica da coluna apresenta uma curvatura de convexidade também para a direita. Geralmente.5.A coluna vertebral quando examinada de frente mostra curvaturas normais. As curvaturas estão exageradas propositalmente. Existe também maior acuidade no uso da visão e audição de um lado que do outro. Esquema da coluna em vista posterior. para compensar (Fig. quando o membro superior direito é mais desenvolvido que o esquerdo. enquanto que a coluna lombar exibe uma curvatura de convexidade para a esquerda.3 — Escolioses da coluna vertebral.

4 . Nestes casos. estando o indivíduo em pé. 5. 5. conferindo aspecto anti-estético ao seu portador. do tronco e dos membros.A l t u r a . Após esta breve introdução. são indicados exercícios especiais para sua correçáb.Há casos em que a musculatura de uma parte do corpo apresenta hipotonia ou hipertrofia. Fig. estudaremos algumas das principais medidas que avaliam as proporções do corpo. M E D I D A S QUE P E R M I T E M A V A L I A R AS DIMENSÕES E PROPORÇÕES E X T E R N A S DO CORPO H U M A N O Como já vimos. ALTURA Conceito de altura Altura ou estatura é a distância em linha reta entre dois planos. estas medidas são denominadas medidas biométricas somáticas. envergadura.4). altura tronco-cefálica. Serão apresentadas na seguinte ordem: altura. medidas da cabeça. um tangente à planta dos pés e outro tangente ao ponto mais alto da cabeça. na "posição fundamental" (Fig.

o peso do corpo e o achatamento dos discos intervertebrais são os responsáveis por este fenómeno. Cada um destes aspectos será analisado a seguir. Quando se mede o indivíduo na posição deitada. a altura varia em 2. No decorrer das 24 horas do dia.5 cm em média (Fig.Fatores de variação da altura A altura varia fisiologicamente de acordo com os seguintes fatores: posição do corpo e hora do dia. Esta posição é utilizada para medir crianças até 3 anos. 5. deve-se usar o termo altura para definir a medida longitudinal. fala-se em distância ou comprimento. Em consequência. obtida na posição em pé.5 — Variações da altura durante 24 horas (segundo Backman) . e com o passar dos séculos. A ação da gravidade. Figura 5.5). a) Posição do corpo e hora do dia — A medida da altura na posição em pé pode deferir em até 3 cm da medida na posição deitada. fase da vida.

c) Variação da altura com a fase da vida . Classificação dos indivíduos segundo a altura Existem várias classificações. em altura. afirmam que não tem havido aumento da altura. Na idade adulta. A seguir. menos que o homem. Observa-se que os meninos crescem sempre mais que as meninas. condições sócio-econômicas e temperatura. d) Variação da altura com a passar dos séculos — Segundo alguns autores. a altura passa por uma fase em que há uma elevação dos valores e que vai do nascimento até os 25 anos aproximadamente. de mesma idade. quando começam a diminuir devido a procesos que afetam os discos intervertebrais. segundo o sexo e a idade O quadro seguinte mostra a variação da altura nos primeiros anos de vida. as meninas crescem mais que os meninos e na idade adulta estes recuperam e ultrapassam aquelas. os valores se mantém até os 50 anos. . também baseados em dados experimentais. os fatores externos mais importantes são: nutrição. a altura média do ser humano tem aumentado ao longo dos séculos. na mesma raça. clima. a criança cresce em média 6 cm por ano.b) Variação da altura com a fase do crescimento. destacam-se o genético. Outros porém. Na puberdade porém. A mulher tem geralmente 10 cm. a média de altura é de 130 a 199 cm.Durante a vida. mas uma das mais conhecidas é a que considera os indivíduos como pertencentes a um dos três grupos: Masculino 130-160 cm 161-169 cm 170-199 cm Feminino 121-149 cm 150-158 cm 159-187 cm Pequena altura Média altura Grande altura Fatores que determinam a altura Entre os fatores internos. o neuro-endócrino e as doenças. Fase Recém-nascido 12 meses 24 meses 36 meses Masculino 50 cm 75 cm 85 cm 95 cm Feminino 49 cm 74 cm 84 cm 84 cm Após os três anos. em média.

A cabeça fica em posição tal que o aluno olha para frente (Fig. esportes como corrida de velocidade e boxe são apropriados para indivíduos de altura média. luta livre e arremesso de peso. Segundo Godin. ALTURA TRONCO-CEFÁLICA Conceito É a distância entre um plano tangente ao ponto mais alto da cabeça e um plano que passa pelos ísquios. devido principalmente ao crescimento dos membros inferiores e durante e depois dessa fase.Importância da medida da altura O estudo da altura é muito importante porque esta medida se relaciona com quase todas as medidas somáticas. 5. devido ao crescimento maior da altura tronco-cefálica. enquanto corridas de fundo. Os calcanhares devem estar unidos. A altura tronco-cefálica é maior no sexo feminino que no masculino. salto em altura e á distância e ciclismo. Entretanto. em crianças brasileiras de 0 a 12 anos (Tabela 1). a altura aumenta antes da puberdade. (1970) estudaram a evolução da altura tronco-cefálica em relação à altura. Fatores de variação da altura tronco-cefálica Esta medida varia com a posição do corpo e hora do dia. Marcondes e cols. . além de ser importante para estudos biotipológicose raciais. Atletas de grande altura são mais indicados para esportes como corrida de meio fundo. são indicados para indivíduos de pequena altura. estando o indivíduo sentado. tal como a altura e devido aos mesmos motivos.4). natação. maior nos amarelos que nos brancos e maior nestes que nos pretos. A técnica de medida da altura é simples: a haste vertical do instrumento é colocada junto ao dorso do aluno enquanto a haste horizontal toca a cabeça. Instrumento utilizado para medir a altura O instrumento que se utiliza para medir a altura é o antropômetro. estas diferenças são pequenas. por exemplo.

60 47.06 66.82 137.75 55.59 138. 1970) Utilidade da medida da altura tronco-cefálica Esta medida permite calcular os denominados indice esquélico de Monouvrier e indice córmico.06 64.20 46.22 61.19 139.13 106.22 117.10 69.15 71.55 127.13 Porcentagem da altura 68.60 Porcentagem da altura 68.01 57.96 73.77 64.87 65.02 72.81 51. indiretamente.03 65.80 54. o desenvolvimento dos membros inferiores.33 53.68 59.06 57.07 52.35 131.42 56.15 73.95 112.94 99.22 65.81 49.88 44.07 49.86 128.25 56.93 59.40 112.86 53. em relação à altura (Marcondes e cols.98 64.35 64.23 66.77 118.04 54.15 51.33 63.37 132.43 70.66 85.54 53.45 80.01 69.59 73.95 55.26 79.08 43.14 105.75 61.26 53.16 62.94 74.92 60. o primeiro é dado pela relação centesimal entre o comprimento dos membros inferiores e a altura tronco-cefálica: Indice esquélico de Monouvrier Este índice permite apreciar. O índice córmico (termo criado por Vallois) se o b t é m relacionando a altura tronco-cefálica e a altura (fórmula criada por Giuffrida-Ruggieri): .52 122.27 63.01 59.14 93.17 122.91 63.11 91.70 135.61 38.15 59.10 60..04 54.36 41.18 39.22 55.24 71.14 61.62 Meninas Altura Altura troncocefálica 33.96 O anos 3 meses 6 meses 9 meses 12 meses 18 meses 2 anos 3 anos 4 anos 5 anos 6 anos 7 anos 8 anos 9 anos 10 anos 11 anos 12 anos 50.54 55.33 60.26 49.57 62.27 57.56 54.47 52.26 56.38 64.74 53.45 70.Meninos Idade Altura Altura troncocefálica 34.58 100.03 45.91 52.50 68.37 84.24 67.06 Tabela 1 — Evolução da altura tronco-cefálica.

estando o indivíduo sentado (Fig. ao lado do corpo (Fig.De acordo com este índice. utiliza-se o antropômetro.6). . os braquicórmicos são mais indicados para esportes de velocidade (corridas e saltos). pode-se classificar os indivíduos e m : Braquicórmicos Metriocórmicos Macrocórmicos menos que 51 (tronco pouco desenvolvido) 51 a 53 (tronco médio) mais que 53 (tronco muito desenvolvido) 0 índice córmico permite avaliar o desenvolvimento do tronco. 5.6 . estando o indivíduo em pé. 5. Figura 5. ao passo que os macrocórmicos possuem mais resistência e mais força.7). Em seleçãb desportiva. Instrumento utilizado para se medir a altura tronco-cefálica Para se medir a altura tronco-cefálica. Ele é um pouco mais elevado no sexo feminino que no masculino.Altura tronco-cefálica ENVERGADURA Conceito de envergadura É a distância em projeção entre as extremidades dos dedos médios. com os membros superiores estendidos horizontalmente.

Daí até a fase adulta. um quadro mural ou prancha. o sexo e a raça A altura é maior que a envergadura desde o nascimento até os 10 anos. para medir a envergadura. Tendo estudado os principais aspectos sobre as medidas biométricas: altura. A pessoa fica em pé. até que no adulto. no homem e 5 cm na mulher. os atletas que possuem grande envergadura têm melhor desempenho em esportes como:ténis. abdome. altura-tronco-cefálica e envergadura. graduada horizontalmente. da cabeça.7 — Envergadura Variação da envergadura com a idade. remo.Figura 5. Técnica de medida da envergadura Utilíza-se. a diferença vai diminuindo. pelve e dos membros. a envergadura ultrapassa a altura em 5 a 10 cm. ou seja. Na raça negra a envergadura é maior que na amarela. passaremos a seguir a analisar alguns pontos importantes sobre medidas dos segmentos corporais. Importância da medida da envergadura Em seleçâb desportiva. encostada na prancha e com os membros superiores estendidos horizontalmente. arremesso e box. . ao lado do corpo. do toráx.

Figura 5. pontos que servem de reparo para se obter as medidas deste segmento. antes de iniciarmos o estudo destas medidas e índices.8 — Pontos cefalométricos . temos que definir alguns pontos antropométricos da cabeça. ou seja.MEDIDAS DA CABEÇA principais medidas e índices da cabeça Podemos resumir as principais medidas e índices da cabeça. como se segue: Principais medidas da cabeça índices da cabeça Entretanto.

— É o ponto mais saliente do bordo inferior da mandíbula. Tendo compreendido os principais pontos cefalométricos.Pontos cefalométricos Principais pontos antropométricos da cabeça Para estudar as medidas da cabeça. Os principais são: glabela.9). násio. — É o ponto mais saliente na parte lateral da cabeça. — Corresponde ao ponto mais saliente do arco zigomático. Opistocrânio A glabela. 5. . — Situa-se na parte central da sutura entre os ossos frontal e nasais. gnácio.Figura 5.8 e 5. o gnácio e o opistocrânio são ímpares e o êurio e o zígio são pontos pares. êurio e zígio (Figs. A cabeça é dividida em crânio e face. — É o ponto mais saliente na parte posterior da cabeça. o násio. estudaremos apenas as mais importantes.9 . Várias medidas podem ser feitas nestas duas partes. podemos estudar algumas medidas da cabeça. Definição destes pontos cefalométricos Glabela — Násio Gnácio Êurio Zígio É o ponto situado entre as sobrancelhas. que já foram citadas. Entretanto. que neste caso são denominados pontos cefalométricos. é necessário conhecer antes alguns pontos antropométricos desse segmento. opistocrânio.

Largura da face Corresponde ao diâmetro bi-zigomático.10 — Comprimento da cabeça Largura da cabeça É a distância entre o êurio de um lado e o outro do lado oposto. ou seja.11). 5. . Altura da face É a distância que vai do násio ao gnácio. Corresponde ao diâmetro ântero-posterior da cabeça (Fig.10). 5. à distância entre o zfgio de cada lado. Corresponde ao diâmetro transverso da cabeça (Fig. Figura 5.Comprimento da cabeça É a distância entre a glabela e o opistocrânio.

0.0 a 80.9. índice cefálico A relação entre os diâmetros da cabeça constitui o índice cefálico: Classificação dos indivíduos de acordo com o índice cefálico De acordo com este índice. Braquicéfalos (de cabeças arredondadas): índice maior que 81.0. Mesocéfalos (de cabeças intermediárias): índice de 76. . podemos classificar os indivíduos em: Dolicocéfalos (de cabeças estreitas ou longas): índice cefálico menor que 76.Figura 5.11 — Largura da cabeça Principais índices da cabeça Os índices da cabeça são: o cefálico e o facial.

com relação aos grupos raciais. há uma macrocefalia e se é muito baixo.26 44. uma microcefalia.93 48. se projeta para frente. 49 cm e aos 36 meses. Quando o valor do perímetro cefálico é muito elevado. Perímetro cefálico É a medida da circunferência da cabeça utilizando o plano que passa pela glabela e pelo opistocrânio. em média.9 46. que é a projeção da face para frente. ou seja. Em crianças brasileiras.84 Feminino 34. Ao nascer. Importância das medidas da cabeça Os diâmetros e índices da cabeça são mais usados em estudos de antropologia racial. pode haver o chamado prognatismo. Ele pode ser t o t a l . quando tanto a maxila como a mandíbula se projetam para frente. o perímetro cefálico mede. .0 45.índice facial A relação entre as medidas da face fornece o índice facial: Instrumento utilizado para se obter as medidas da cabeça até agora estudadas As medidas da cabeça até agora estudadas (comprimento e largura da cabeça e altura e largura da face) são obtidas utilizando os compassos de pontas rombas ou de corrediça. O prognatismo parcial superior e o inferior ocorrem quando somente a maxila ou somente a mandíbula. foram obtidos os seguintes valores (cm) para o perímetro cefálico (Marcondes e cols. Em relação à face.87 2 anos 3 anos Instrumento utilizado para se medir os perímetros Os perímetros são medidos com a fita métrica. estudos ligados ao desenvolvimento do homem desde seu aparecimento. aos 12 meses. respectivamente. 47 c m .): Masculino 35. aos 24 meses. O perímetro cefálico é importante até os três anos de idade.80 Idade Recém nascido 1 ano 47. 35 c m .98 47. pois permite avaliar o desenvolvimento do volume da cabeça e detectar possíveis anomalias. mede 50 c m .

12.13 e 5. Principais medidas do tronco As principais medidas e índices do tronco estão resumidos na chave seguinte: Altura anterior do tronco Diâmetro bi-acromial Diâmetro transverso do tórax Diâmetro sagital do tórax índice torácico de Godin Diâmetro bi-crista ilíaca Diâmetro bi-trocantérico Perímetro torácico Coeficiente torácico Perímetro do abdome Altura do tórax Altura total do abdome Principais medidas e índices do tronco Antes de iniciarmos o estudo destas medidas. em órgãos contidos em suas cavidades ou na coluna vertebral. temos que conhecer os principais pontos antropométricos do tronco. ou seja. Quando há doenças em órgãos contidos no tórax ou abdome pode haver deformidades correspondentes. através do estudo de seus comprimentos. Principais pontos antropométricos do tronco Os principais pontos antropométricos do tronco são (Figs. O estudo do tronco é muito importante pois seu exame nos informa sobre vários aspectos em relação ao indivíduo. Um tronco bem desenvolvido já indica um bom desenvolvimento orgânico. o tronco é uma parte do corpo que nos permite acompanhar os progressos obtidos com um esquema de treinamento físico. abdome e pelve. acromial. ílio-espinhal anterior e troncanterion (pares). utilizados para se obter as medidas.14): jugular. mamilar.MEDIDAS DO TRONCO Introdução Neste estudo são consideradas as medidas do toráx.: 5. . As doenças que afetam os segmentos do tronco podem se assentar em sua parede. ílio-cristal. umbilical e pubiano (ímpares). xifoideano. diâmetros e perímetros. Assim sendo. 5. no exame do tronco observamos o seu desenvolvimento e suas simetrias. pontos de reparo. Além disso.

12 .Pontos antropométricos do tronco Figura 5.Figura 5.13 — Pontos antropométricos do tronco .

Pode ser decomposta em altura anterior do tórax e altura total do abdome. — trocanterion: lateralmente. no ponto onde o trocanter maior do fémur mais se afasta . — xifoideano: no centro da base do processo xifóide do esterno. — mamilar: no centro do mamilo. Mede-se com o antropômetro estando o indivíduo em pé. Altura anterior do tronco É a distância em projecão (em linha reta) entre o bordo superior do esterno (ponto jugular) e o bordo superior da sínfise púbica (ponto pubiano). — pubiano: no centro da parte superior da sínfise púbica. — umbilical: no centro da cicatriz umbilical. — ílio espinhal: no local onde a espinha ilíaca ântero-superior mais se projeta anteriormente. — ílio-cristal: no local onde a crista ilíaca mais se projeta lateralmente.Pontos a n t r o p o m e t r i a » do tronco Localização dos pontos antropométricos do tronco Os pontos antropométricos do tronco estão situados: — jugular: no centro da incisura jugular do esterno. — acromial: ponto mais saliente lateralmente. do acrômio da escápula.14 .Figura 5.

5.16).15 — Altura do tórax Altura total do abdome É a distância que vai do ponto xifoideano à sínfise púbica (ponto pubiano). esta medida permite apreciar o desenvolvimento do tórax em relação ao abdome. 5.15). Figura 5.Altura anterior do tórax e sua importância É a distância em linha reta entre a borda superior do esterno (ponto jugular) e a borda superior do apêndice xifóide (ponto xifoideano) (Fig. Estas medidas quando realizadas na posição deitada sao chamadas comprimentos ou distâncias. Tanto a altura do tórax como a do abdome. Segundo os estudos de Viola. mede-se com o antropômetro ou compasso de barras e na posição ereta (Fig. .

17 — Diâmetro bi-acromial . 5. ou pontos acromiais (Figs.Figura 5. Seus valores médios sâo: 37 a 44 cm no homem e 34 a 38 cm na mulher.17).16 — Altura do abdome Diâmetro bi-acromial e seus valores médios É a distância entre os bordos laterais dos acrômios das escápulas. Figura 5.13 e 5.

eles valem cerca de 2 cm menos. estes diâmetros devem ser medidos entre dois pontos situados em um plano transversal ao eixo do tórax.19). Na mulher.18 . na fase intermediária entre a inspiração e a expiração (Figs. O valor médio do diâmetro transverso no homem é 30 cm e do sagital é 20 cm. Diferenças entre estes diâmetros menores que 5 cm ou maiores que 12 cm. traduzem tórax cilíndrico ou deformado. índice torácico de Godin — A relação entre os diâmetros torácicos fornece o índice torácico de Godin. 5. que permite apreciar a forma do tórax: índice torácico de Godin Figura 5.Diâmetros transverso e sagital do tórax e seus valores médios Para a maioria dos autores. passando pela base do apêndice xifóide.Diâmetro transverso do tórax .18 e 5.

em média.20). Vale 32 cm. enquanto na mulher. Vale. 28 cm no homem e 27 cm na mulher. em média. no homem. Os estudos de Vague (1953) mostram que.19 . Diâmetro bi-troncantérico e seu valor médio É a distância máxima.Figura 5. 5. 3. O bi-trocantérico vale. a partir da puberdade ocorre um aumento progressivamente maior dos diâmetros da pelve em relação ao bi-acromial.Diâmetro sagital do tórax Diâmetro bi-crista ilíaca e seus valores médios É a distância em linha reta entre os pontos mais laterais das cristas ilíacas (ponto ilío-cristal) (Fig. em média. entre os pontos mais laterais dos trocanteres maiores dos fémures (trochanterion) (Fig. 5. o diâmetro bi-acromial e os da pelve (bi-crista ilíaca e bi-trocantérico) desenvolvem-se proporcionalmente. em linha reta. Relação entre os diâmetros bi-trocantérico e bi-crista ilíaca Os diâmetros bi-trocantérico e bi-crista ilíaca estão intimamente ligados.5 cm mais que o bi-crista ilíaca.21). .

5. Perímetro torácico É a medida da circunferência do tórax. a seguinte fórmula: 3 x diâmetro bi-acromial — diâmetro bi-crista Os valores médios para os sexos masculinos e feminino são. Os mais utilizados sâo o perímetro mamilar (ao nível dos mamilos.Figura 5. para esse fim. são importantes para avaliar o desenvolvimento horizontal do corpo no sentido transversal ou ântero-posterior e sâo obtidos com os compassos de toque ou de pontas rombas. Valores acima ou abaixo destes indicariam maior ou menor virilidade ou feminilidade. . Tanner (1951) propõe. no homem) e o perímetro xifoideano (ao nível da articulação xifo-esternal). de modo geral. respectivamente.21 — Diâmetro bi-trocantérico A relação entre estes diâmetros permitiria avaliar o grau de feminilidade e masculinidade do indivíduo. Importância dos diâmetros do tronco e instrumentos utilizados para medi-los Os diâmetros. Este último geralmente é 3 cm menor que o mamilar (Fig. Pode ser obtido em vários níveis do tórax. 93 ± 5 e 78 ± 5.20 — Diâmetro bi-crista Figura 5.22).

22 .Perímetro torácico mamilar Técnica para medir os perímetros torácicos Os perímetros torácicos são obtidos ao fim de uma expiração normal. Elasticidade torácica A diferença entre as medidas dos perímetros torácicos depois de uma inspiração profunda e uma expiração forçada fornece a chamada elasticidade torácica. Classificação dos indivíduos de acordo com este parâmetro A medida do perímetro torácico indica o grau de desenvolvimento do tronco.Figura 5. Coeficiente torácico. médio e largo. Brugsh classifica o tórax em estreito. através do coeficiente torácico: Tórax estreito Tórax médio Tórax largo Coeficiente torácico menor que 51 Coeficiente torácico entre 51 e 56 Coeficiente torácico maior que 56 . relacionando o perímetro torácico com a altura. Pode-se também determinar um valor médio realizando duas medidas: uma no fim da inspiração e outra no fim da expiração.

Não se aplica semiperimetria nos membros. . Assim. queremos verificar a presença ou ausência de simetria. externamente. Os perímetros abdominais indicam o grau de adiposidade que o indivíduo possui. Instrumento utilizado para se obtê-lo Perímetro do abdome é a medida da circunferência do abdome obtida em um ponto situado à meia distância entre o rebordo costal e a crista ilíaca. A medida dos perímetros do tronco é feita com fita métrica. na cabeça e no tronco as metades direita e esquerda são tidas como simétricas. o perímetro é a linha de contorno de uma figura. interessa o estudo dos semiperímetros do tórax. indica estado de magresa e se for menor que esse valor. Existe geralmente relação diretamente proporcional entre perímetro torácico e peso. Ao determinar os semiperímetros desses segmentos corporais. Se esta diferença for maior que 14 cm. Semiperímetro é a metade dessa linha. utilizamos a semiperimetria mais para o tronco e neste. pois no caso destes segmentos. o importante é verificar a simetria entre um membro e outro e não no mesmo lado. No adulto.Alguns fatores que influenciam no valor do perímetro torácico 0 perímetro torácico é geralmente maior no sexo masculino e nos indivíduos que praticam esporte. Semi perímetros Como já vimos. quando traçada sobre um plano transversal a um segmento do corpo. 0 objetivo é comparar uma metade do corpo com a outra para deduzir informações sobre simetrias e assimetrias. especialmente nos fundistas. Utilidade da medida dos perímetros do tronco O perímetro torácico informa sobre o desenvolvimento do tronco em largura e sobre o estado nutritivo do indivíduo. Em Educação Física. arremessadores de peso e halterofilistas. onde são mais frequentes os problemas de simetria. Perímetro do abdome. a diferença entre os perímetros torácico e abdominal deve estar situada em torno de 14 cm. Certas doenças diminuem o perímetro torácico enquanto outras como a asma e o enfisema o aumentam. indica obesidade.

Para medir os semiperímetros utiliza-se o chamado centímetro simétrico de Rosenthal que nada mais é que uma fita métrica. quando queremos localizar e saber que costela estamos palpando. por meio do ângulo de Louis e a seguir percorrer as demais até atingir a que nos interessa. 5.23). A fita é graduada em milímetros a partir do zero. nos dois sentidos das extremidades. 5. há simetria. Figura 5. é só situar a segunda. Mede-se os semiperímetros de um lado e de outro do tórax e compara-se as medidas. No caso da medida dos semiperímetros do tórax. Se as medidas forem iguais dos dois lados. É facilmente palpado como uma saliência no osso esterno.22). onde fazemos as leituras. Assim. por exemplo. coloca-se o zero sobre os processos espinhosos da coluna e tracionamos as extremidades da fita até junto à linha média na face anterior do esterno. É bastante obtuso e seu vértice está voltado anteriormente (fig. por exemplo. caracterizada por ter o zero da escala no centro da fita e não em uma das extremidades (fig.A semiperimetria do tórax visa não só detectar assimetrias como também permite acompanhar a evolução de tratamento dessas mesmas assimetrias com o uso de ginástica corretiva. .22-a — Centímetro simétrico de Rosenthal Ângulo de Louis ou ângulo do esterno É o ângulo entre o corpo e o manúbrio do esterno. Sua importância reside no fato de estar situado ao nível da união da segunda cartilagem costal com o esterno.

oitava e sétima costelas que se unem ao esterno. Este ângulo tem importância em Biotipologia para classificar os indivíduos em somatótipos. junto ao processo xifóide (fig. Os membros superiores são também chamados torácicos e os inferiores.Ângulo de Louis. em vista lateral do osso esterno Angulo de Charpy ou ângulo subcostal É o ângulo formado pelas cartilagens da décima.23 . MEDIDAS DOS MEMBROS INTRODUÇÃO Os membros são apêndices destinados à locomoção e preensão. Os membros superiores na verdade servem não somente para a preensão e o tato mas também para manter o equilíbrio do corpo durante a locomoção.Figura 5. nona. . abdominais.13). 5.

Às vezes o número de pregas que se formam é par.Os membros inferiores sustentam o peso do corpo. Antes porém temos que conhecer seus pontos antropométricos. Pontos antropométricos dos membros No membro superior. Neste caso. o ponto situa-se entre as duas pregas centrais. 5. destacam-se os seguintes pontos antropométricos (fig. Nos membros são estudados os comprimentos e os perímetros.Situa-se no ápice do processo estilóidedo rádio Figura 5. — Acromial — Já descrito no estudo do tronco — Dactilium .24). — Radial — Situado na extremidade proximal do rádio — Stylion .24 — Pontos antropométricos do membro superior .É o ponto mais distai do dedo médio — Dobra do punho — Situado na parte central da prega que se forma quando o punho é flexionado. tanto em posição estática. quanto durante a locomoção. Daí serem mais desenvolvidos que os superiores.

5. Medidas e índices dos membros . — Mio-espinhal anterior. destacarn-se os seguintes pontos antropométricos (fig.25 — Pontos antropométricos do membro inferior Principais medidas e índices dos membros A chave seguinte resume as principais medidas e índices dos membros: Comprimento do membro superior índice do comprimento do membro superior Comprimento do braço índice do comprimento do braço Comprimento do antebraço índice do comprimento do antebraço Comprimento do membro inferior índice do comprimento do membro inferior Comprimento da coxa índice do comprimento da coxa Comprimento da perna índice do comprimento da perna Perímetros do braço.25). perna e pé índice ósseo.Já descrito no estudo do tronco — Pubiano — Já descrito no estudo do tronco — Tibial — Ponto mais medial da linha interarticular do joelho — Maleolar — Situa-se no maléolo medial Figura 5.No membro inferior. antebraço e mão Perímetros da coxa.

Cumprimento do membro superior índice do comprimento do membro superior Relacionando esta medida com a altura. obtém-se o índice do comprimento do membro superior que é dado pela fórmula: Classificação dos indivíduos através do índice do comprimento do membro superior Através deste índice. classificam-se os indivíduos em: Membro superior curto Membro superior médio Membro superior longo até 44.26 .Comprimento do membro superior É a distância entre o ponto acromial e o dactilium. em linha reta. Figura 5. O membro superior direito é mais comprido que o esquerdo em mais ou menos 1cm. na posição fundamental (fig. 5.9 de 45 a 46.26).9 maior que 47 . estando o indivíduo em pé.

classificam-se os indivíduos em: Braço curto Braço médio Braço longo até 18.27) O índice do comprimento do braço é obtido.9 maior que 19.9 Figura 5. o comprimento do membro superior é 1cm menor que no masculino. No sexo feminino. enquanto nas raças branca e amarela. 5. o membro superior curto. predomina o membro superior longo.Na raça negra. em geral.Comprimento do braço . Comprimento do braço O comprimento do braço ó a distância em projeção entre os pontos acromial e radial (fig.9 de 19 a 19. utilizando a fórmula: De acordo com este índice.27 .

0 a 15.9 de 15.9 maior que 15. 5. entre o stylion e o dactilium até 14.28 — Comprimento do antebraço 0 índice do comprimento do antebraço obtém-se pela fórmula: índice do comprimento do antebraço Classif icam-se os indivíduos. de acordo com este índice. em: Antebraço curto Antebraço médio Antebraço longo Comprimento da mão É a distância em linha reta.Comprimento do antebraço É a distância em linha reta entre os pontos radial e stylion (fig.9 .28) Figura 5.

5. 5.29) Figura 5.Comprimento do membro inferior É a distância em linha reta. 3. que vai do bordo superior da cabeça do fémur. medindo a distância de um destes pontos ao plano do solo e fazendo-se os descontos necessários (fig. pode-se obter o índice do comprimento do membro inferior. utiliza-se a fórmula: índice do comprimento do membro inferior .29 — Pontos de reparo para medir o comprimento do membro inferior Pode-se então obter o comprimento do membro inferior indiretamente. Por esse motivo. Estes pontos de reparo são: a espinha ilíaca ântero-superior e o bordo superior da sínfise púbica. para isso.5 cm abaixo daquela linha (fig.30) Do mesmo modo que para o membro superior. enquanto que o bordo superior da sínfise púbica encontra-se. até um plano que passa pela planta do pé. em média.5 cm. O primeiro ponto está situado em média 4 cm acima da linha interarticular ílio-femoral no homem e 3. Esta medida nâb pode ser obtida diretamente pois o bordo superior da cabeça do fémur não é acessível. na mulher. utilizam-se pontos de reparo que fornecem a medida aproximada do comprimento do membro inferior.

classificamos os indivíduos em: Membro inferior curto Membro inferior médio Membro inferior longo Comprimento da coxa É a distância em projecão entre os pontos ílio-espinhal anterior e o tibial (fig.9 de 55.Através deste índice.Comprimento da coxa .0 a 56.9 acima de 57 De acordo com este índice.9 Figura 5. classificam-se os indivíduos em: Coxa curta Coxa média Coxa longa até 28.9 de 29.Comprimento do membro inferior Figura 5.31 .31). 5.9 acima de 29.30 .0 a 29. O índice de comprimento da coxa é obtido pela fórmula: até 54.

32 — Comprimento da perna Comprimento do pé É a distância entre o ponto mais posterior do calcanhar e a extremidade distai do primeiro ou segundo dedo (o que for mais longo). Obtemos o índice do comprimento do pé através da fórmula: . em: Perna curta Perna média Perna longa até 21. Obtém-se o índice do comprimento da perna.0 a 23.9 de 22.Comprimento da perna É a distância em linha reta entre os pontos tibial e maleolar (fig.9 Figura 5.32).9 acima de 23. através da fórmula: índice do comprimento da perna Classificamos os indivíduos de acordo com este índice. 5.

Figura 5. antebraço. Perímetros dos membros Podem ser obtidos medindo-se nas partes moles ou nas partes ósseas. do punho.Perimetro do braço índice ósseo e classificação dos indivíduos através deste índice Este índice é dado pela fórmula: . Os perímetros ósseos sao medidos ao nível do cotovelo. coxa. Nas partes moles.33). do joelho e do tornozelo. mão. segundo a finalidade. e de preferência no lado esquerdo. 5. perna e pé (Fig.33 .Os comprimentos dos membros e seus segmentos são importantes para se estudar suas simetrias. Os comprimentos dos membros são obtidos com o uso do antropômetro. mede-se no braço.

às vezes a amplitude de movimento das articulações pode estar diminuída. menor que 43 entre 43. Dá uma ideia também do estado de nutrição e do desenvolvimento muscular. os indivíduos são classificados em: Ossatura fraca Ossatura média Ossatura forte Utilidade da medida dos perímetros dos membros A medida dos perímetros dos membros permite apreciar seu desenvolvimento como um todo bem como o desenvolvimento ósseo dos membros. Os músculos ficam relaxados. Na coxa. e no pé. o que requer tratamento. Os perímetros dos membros são obtidos com a fita métrica. pequena diferença entre ambos os lados (0.5 e 46 maior que 46 Em tratamento de fraturas.5 a 1. Os aparelhos utilizados para se medir ângulos articulares são os goniómetros (fig. através da medida da amplitude de movimento. o perímetro da perna é medido ao nível da sua porção mais volumosa. uma imobilidade prolongada.34) . Para medida das partes moles. com os dedos unidos exceto o polegar. na sua parte mais larga. Devem ser colhidos tanto de um lado como do o u t r o . mede-se ao nível do seu terço proximal. por exemplo.Através deste índice. havendo geralmente. como já vimos. Retirado o gesso. na articulação. entre os quais. as articulações ficam imobilizadas por certo tempo. A amplitude de movimento de uma articulação pode estar diminuída por vários motivos. o perímetro do braço mede-se ao nível da extremidade distai do músculo deltóide: no antebraço. mede-se na sua parte mais larga. onde as massas musculares apresentam maior volume e na mão. Este pode ser acompanhado. Godin verificou que sempre que o perímetro é maior em um lado.5 cm). em um plano que passa junto à prega glútea. Os perímetros ósseos são medidos ao nível das articulações. de Godin. no membro inferior ele será maior do outro lado e vice-versa. no membro superior. Esta é a lei das assimetrias compensadoras. por exemplo. 5. Ângulos articulares dos membros O ângulo articular é o ângulo formado pelos ossos. mede-se ao nível da raiz deste segmento.

Figura 5.34 — Tipos de goniómetro O goniómetro é basicamente um transferidor em cujo centro està"o unidos dois braços ou alavancas. A figura 5. antes e depois de aplicado tratamento com fisioterapia.35 — Medida dos ângulos articulares do ombro (a) e do cotovelo (b) .36 é o registro gráfico das modificações da amplitude de movimento da articulação interfalângica proximal durante um período de quatro semanas. Figura 5. Geralmente apenas um dos braços é móvel.35). 5. O transferidor é graduado de um em um grau (f ig.

36 — Gráfico da amplitude da articulação interfalángica proximal em 4 semanas de registro .Figura 5.

O professor de educação física pode e tem condições de detectar casos de má nutrição e encaminhá-los para o médico. força muscular e outros aspectos da criança. músculos frágeis.CAPITULO VI AVALIAÇÃO DO ESTADO NUTRITIVO: MEDIDA DA ESPESSURA DE PREGAS CUTÂNEAS E PESO INTRODUÇÃO A saúde e o desenvolvimento do indivíduo são muito importantes. etc). peso. Um dos principais fatores que prejudicam o processo normal de crescimento é a deficiência nutritiva. regular a atividade corporal e permitir o trabalho do corpo. ou seja. todos os processos envolvidos na cadeia estão em equilíbrio: há oferta suficiente de alimento. magro. para considerar apenas alguns aspectos. Ao contrário. Peso e alutra em torno da média. pele corada. AVALIAÇÃO DO ESTADO NUTRITIVO O estado nutritivo pode ser avaliado simplesmente pela observação da criança. pele flácida. músculos firmes. . Conceito de nutrição Nutrição pode ser considerado como o processo pelo qual as células do corpo usam o alimento ingerido para construir. olhos claros boa postura e bom apetite são alguns dos sinais de boa nutrição. A criança mal nutrida tem fadiga crónica. a digestão ocorre perfeitamente bem e as células do corpo estão usando de modo satisfatório esses alimentos. subjetivãmente. com cansaço facial e irritação fácil. pouco animado. são indícios de má nutrição. dentes cariados. manter ou reparar os tecidos. É dever do professor de Educação Física saber avaliar o estado nutritivo de uma criança e encaminhá-la para o setor médico responsável para que um tratamento possa ser providenciado. É possível também que a quantidade e a qualidade sejam suficientes mas os tecidos do corpo não conseguem absorver ou aproveitar os elementos por alguma deficiência orgânica ou metabólica. proteínas. A nutrição é pobre quando algum elemento desta cadeia não está funcionando a contento: a criança pode estar ingerindo alimento em quantidade insuficiente ou o alimento pode ser deficiente em determinadas substâncias (vitaminas. corpo pouco desenvolvido. Quando há uma boa nutrição. É claro que qualquer um destes processos vai influenciar na altura. e habilidades motoras retardadas. especialmente na época do crescimento. força muscular diminuída.

Entretanto, para eliminar erros que sempre ocorrem em avaliações subjetivas, foram criados meios objetivos de julgar o estado nutritivo. Tabelas de estatura-peso idade e tabelas de largura-peso Estas tabelas foram construídas a partir da avaliação de um grande número de indivíduos. 0 uso das tabelas idade-estrutura-peso apresenta desvantagens: não leva em conta a constituição corporal; é construída a partir de uma média, a qual, nem sempre é representativa para aquele caso específico. As tabelas de largura-peso (Pryor, 1940), sugerem que se pode avaliar o estado nutritivo utilizando não só o peso e a estatura mas também outras medidas como os diâmetros bi-crista ilíaca e o transverso do tórax. Assim, foram construídas tabelas relacionando idade, estatura, sexo, peso e as medidas acima relacionadas. Deste modo, para saber se o peso de uma determinada criança está dentro dos padrões normais, basta compará-lo com os valores indicados nas tabelas, levando em conta as várias medidas efetuadas. Alguns autores propõe a determinação da porcentagem de gordura corporal através de cálculos usando fórmulas em que entram a densidade, a massa e o volume do corpo. Estes dados são obtidos por métodos especiais. Entretanto, o meio mais fácil e prático de se avaliar o estado nutritivo é medindo o tecido adiposo através da medida das pregas cutâneas, pois o tecido adiposo subcutâneo, como se sabe, constitui aproximadamente metade de todo o estoque adiposo do corpo. MEDIDA DA ESPESSURA DE PREGAS CUTÂNEAS Importância da medida da espessura de pregas cutâneas. Esta medida permite avaliar o grau de adiposidade do indivíduo, e portanto seu estado nutritivo. Técnica de medida da espessura de pregas cutâneas Para medir a espessura da prega cutânea, utiliza-se um compasso especial que exerce pressão fixa sobre a pele, permitindo assim, uma medida sempre precisa. Um dos mais conhecidos é o compasso de Lauge (fig. 6.1).

Figura 6.1 - Compasso de Lange, para medida das pregas cutâneas

Os locais do corpo escolhidos para se efetuar as medidas são o dorso do braço, a região infra-escapular, região anterior da coxa, tórax e abdome (fig.6.2). Toma-se entre os dedos polegar e indicador uma dobra de tecido subcutâneo e mede-se sua espessura com o compasso. Em adulto, a medida vale cerca de 1cm, em média.

Pode-se também medir a espessura do tecido subcutâneo, através de chapas radiográficas. Além da medida da espessura de pregas cutâneas, uma das medidas mais utilizadas para avaliar o estado de nutrição é o peso, cujo estudo será feito a seguir. PESO Definição de peso O peso é resultante das forças exercidas pela gravidade sobre o corpo. Geralmente é interpretado, para efeitos práticos, como sendo igual à massa.

Figura 6.2 — Locais mais usados para medir a espessura da prega cutânea a — dorso do braço b — Região infra-escapular c — Regiáo lateral do abdome d - Coxa e — Região anterior do abdome

Elementos constituintes do peso A tabela seguinte mostra os elementos constituintes do peso e suas percentagens: Tecido subcutâneo, gordura e água Músculos Esqueleto, vísceras, sistema nervoso e pele 17% 50% 33%

intestinos e bexiga estarem vazios. Entre os primeiros. os mais importantes sío: hora do dia. Fatores de variação do peso Diversos fatores influenciam no valor do peso. sob várias condições. Finalmente. a) Variação do peso com a hora do dia . c) Variação do peso com a prática de esportes — Esta é fator de redução de peso. o peso é menor devido ao fato do estômago. Fatores que determinam o peso Podemos considerar fatores internos e externos. através de verificações periódicas.Pela manhã. b) Variação do peso com o crescimento — Durante a fase de crescimento.100. deve-se acompanhar a redução de peso. o peso ideal seria dado pela fórmula: P = A (cm) sendo: A . Cálculo do peso ideal. Esta diferença entre o peso pela manhã e à noite pode atingir até 2 quilogramas. Entre os fatores externos. a maior parte do peso é representada pelos músculos. esqueleto. destacam-se:a hereditariedade. o peso aumenta cerca de 2 quilogramas por ano de idade. o crescimento e a prática desportiva. há uma parte fixa que corresponde às vísceras. condições de saúde e hábitos de vida. Nestes casos. o peso é maior. segundo Broca Segundo Broca. devido à perda de líquidos. os mais importantes são a alimentação e a atividade física. através da respiração e sudorese. sistema nervoso e pele. depois dos 2 anos. Esta parte se modifica por exercícios físicos. A parte do peso representada pelo tecido subcutâneo. . ao passo que à noite. gordura e água também é muito variável. = altura em centímetros. Broca considera como valores normais os que se colocam para mais 10 ou menos 10 do peso ideal calculado.. constituição neuro-endócrina e patologias.Como se observa.

o peso é uma medida utilizada para orientar o indivíduo para um determinado tipo de esporte. enquanto os de peso baixo podem praticar esportes como corridas de fundo. sendo o resultado dado em quilogramas: a de alavanca e a de mola. . esta tem sua precisão diminuída.Utilidade da medida de peso O peso tem grande importância como medida biométrica por sua fácil obtenção e por indicar o estado de nutrição e de saúde do indivíduo. Pessoas de peso elevado são indicadas para esportes que requerem resistência e força. A balança de alavanca é preferida à de mola pois com o passar do tempo. Técnica da medida de peso Dois tipos principais de balança são utilizados para medir o peso. Em seleção desportiva.

hora do dia. O volume sistólico em repouso. devido ao treinamento que fortalece não só a musculatura esquelética.CAPITULO VII MEDIDA DA CAPACIDADE VITAL E CARDIOCIRCULATÓRIA . Frequência do pulso Um indivíduo jovem tem em média. Quando um indivíduo é submetido a um trabalho. Vejamos inicialmente algumas características fisiológicas do sistema cardiovascular. o pulso e a pressão sanguínea devem voltar rapidamente aos níveis de repouso. FORÇA MUSCULAR CONCEITO DE MEDIDAS BIOMÉTRICAS FUNCIONAIS Medidas biométricas funcionais são medidas que permitem avaliar o estado fisiológico de alguns sistemas do corpo. A medida da capacidade cárdio-circulatória é feita submetendo-se o indivíduo às chamadas provas de esforço. uma frequência do pulso de 64 batimentos por minuto. tais como: idade. suprem perfeitamente de oxigénio os músculos durante o esforço. capacidade vital e forca muscular. Entretanto. mas todas baseiam-se em que o sistema muscular. e atividade física. alimentação. a frequência do pulso pode ser 20 ou 30 batimentos mais baixa que uma pessoa não treinada. Estudaremos as seguintes: capacidade cardio-circulatória. a frequência do pulso vai . Se o coração e os pulmões estão funcionando à contento. cessando o trabalho. de um atleta. Volume sistólico. porque o coração do atleta é mais forte. geralmente é maior que o de um indivíduo não treinado. Em um atleta treinado. Volume minuto. os limites. como também a cardíaca. em repouso. o coração deve responder prontamente. no indivíduo normal. Pode ser que na pessoa treinada o volume ejetado a cada batimento seja maior que numa não treinada. ao realizar um trabalho intenso e rápido. Existem vários tipos de provas de esforço. MEDIDA DA CAPACIDADE CÁRDIO-CIRCULATÓRIA Veremos apenas uma noção sumária sobre a medida da capacidade cárdiocirculatória. Além disso. os valores da frequência do pulso variam com muitos fatores. O volume minuto é a quantidade de sangue bombeada por minuto e o volume sistólico é o volume ejetado em cada batida do coração. estando entre 38 e 110.

Pressão sangú ínea Quando necessária. sabe-se que os músculos respiratórios. Vários cuidados devem ser tomados pois muitos fatores podem afetar os resultados. bem como do estado físico da pessoa. é obtida quando ela diminui ao máximo entre os batimentos. no treinado há uma melhor ventilação. esta é a pressão máxima. Esta é registrada como pressão diastólica (mínima). À medida que a pressão vai dímuindo. menor tempo leva para voltar a atingir a frequência de repouso. Só assim poderemos opinar sobre sua aptidão à atividade física.aumentando à medida que a intensidade do esforço é maior. geralmente utiliza-se medir variáveis como a pressão sanguínea e a frequência do pulso sob diferentes condições. aumenta a expansão do tórax e a profundidade respiratória. Assim. a tomada da pressão sanguínea deve ser feita com o indivíduo sentado confortavelmente ou deitado . Terminado o trabalho. quando se ouvir o som do batimento cardíaco nitidamente. a frequência do pulso volta ao estado inicial e o tempo que leva para que isto ocorra depende do esforço realizado. durante um esforço físico. Respiração O sistema circulatório está funcionalmente ligado ao respiratório. Por último. É necessário pois submeter o coração do indivíduo a uma prova de esforço para se ter uma avaliação de seu desempenho funcional. No indivíduo treinado. com mais economia. sem um aumento tão grande da respiração.A pressão é medida no braço. Depois solta-se lentamente o ar. insufla-se o ar no manguito colocado em posição no braço e ouvindo com o estetoscópio. pois é nos pulmões que ocorrem as trocas gasosas e o oxigénio é absorvido e eliminado o gás carbónico. Para se medir a pressão sistólica (máxima). lida no manómetro. A pressão máxima é a pressão do sangue durante a sístole ventricular esquerda e a pressão mínima. porque o ar vai saindo. se desenvolvem mais e quando há um esforço. Avaliação do sistema cardiovascular Nesta avaliação. Além disso. chega um momento em que não se ouve mais o batimento. A pressão sanguínea é a pressão exercida pelo sangue sobre as paredes dos vasos. na pessoa treinada. 0 uso dos testes que medem a capacidade cardiocirculatória em Educação . há um melhor aproveitamento de oxigénio. como ocorre nos não treinados. A eficiência dos músculos vai depender do oxigénio que chega até eles. Quanto mais preparado fisicamente. não ocorre tanto desconforto ao respirar mais fortemente.

A seguir serão analisados alguns testes que medem a capacidade cardiocirculatória. de minuto em minuto. de um lado há uma conexão com um bocal.Física é limitado. Mede-se a frequência do pulso e a pressão arterial antes e depois da prova. Aplica-se. 2 minutos e 3 minutos após o término da prova.8 cm de altura a cada 2 segundos. As modificações do pulso (ritmo cardíaco) e o tempo que o indivíduo consegue atingir permitem avaliar o desempenho cardíaco. Estes indivíduos deverão ser encaminhados para o médico competente. Quando este volta aos valores iniciais de antes do teste em menos de 2 minutos. procurando fazer com que o mercúrio atinja um desnível de 40 m m . o resultado é considerado bom. Teste de Lian O indivíduo faz 30 flexões em 1 minuto. e suportando até os limites de suas possibilidades. Durante a prova. Prova de Flack Esta prova é feita utilizando um tubo de vidro. isto ocorre aos 2 ou 3 minutos após o término do teste. o indivíduo sobe em um banco de 50. com mercúrio. Normalmente. Mede-se o pulso 1 m i n u t o . M E D I D A D A CAPACIDADE V I T A L Conceito de capacidade vital É a quantidade máxima de ar que uma pessoa pode expulsar após uma inspiração máxima. examina-se o pulso do indivíduo. Prova de Pachon-Martinet Consiste na execução de 20 flexões em 40 segundos. obtendo-se resultados que indicam a aptidão física do indivíduo. até que volte aos valores iniciais. a seguir. . Prova do banco (Step test) Durante um período de 5 minutos. Mas eles podem ajudar a detectar indivíduos com aptidão física muito baixa. Imediatamente mede-se o pulso. os valores obtidos em uma fórmula conveniente. onde o indivíduo assopra. A prova é cansativa e deve ser feita somente em indivíduos previamente examinados pelo médico.

11. Nas doenças pulmonares. tem-se a reserva expiratória. O indivíduo começa a expirar no ponto 2. A figura 11.Depende basicamente dos músculos envolvidos na respiração (inspiração e expiração) e do volume máximo dos territórios dos pulmões. por exemplo. Insufla-se ar no aparelho.2 mostra um traçado de uma prova de capacidade vital de um indivíduo com enfisema.1. há alteração do traçado normal de uma espirometria. no . Figura 11*1 -A — Espirômetro em corte esquemático Utilidade da medida da capacidade vital Através da espirometria pode-se detectar insuficiências respiratórias e acompanhar progressos em reeducação respiratória. Em outras palavras. A capacidade vital é a soma dos volumes corrente. Aparelho utilizado para se medir a capacidade vital É o espirômetro. A prova é denominada espirometria (figs. Realizando uma inspiração forçada. de reserva inspiratória e de reserva expiratória. o qual permite medir a quantidade de ar insuflado. temos a reserva inspiratória e ao realizar uma expiração forçada. é o volume de ar que entra nos pulmões na inspiração. que desloca um sistema graduado. O volume corrente é o volume de ar inspirado e expirado durante a respiração. 11.2).

1 . se fosse normal.C — Espirometria . Figura 11-1-B Componenetes da capacidade vital Figura 11.ponto 2 (primeiro segundo de prova) ele deveria expirar. 70 a 80% da sua capacidade vital mas na realidade o gráfico mostra que ele expele somente 40% desta capacidade.

Variação da capacidade vital com a idade Durante o crescimento do indivíduo. idade. maior será sua capacidade vital. A capacidade vital depende das dimensões da caixa torácica. Comportamento da capacidade vital nos sexos A capacidade vital nos homens é cerca de 800 ml maior que a das mulheres. diminui. entretanto. Nos que levam vida sedentária. No adulto que pratica exercícios adequados. . Fatores que influenciam no valor da capacidade vital Os principais são: sexo. Nos indivíduos bem desenvolvidos e de grande altura têm-se também um maior desenvolvimento da caixa torácica. considerar como incapaz um indivíduo que tenha uma capacidade vital pequena. ao contrário. quando o indivíduo respira com má técnica.2 — Capacidade vital de um indivíduo com enfisema A capacidade vital pode ser melhorada com técnica respiratória adequada. tipo constitucional e exercícios físicos. para uma mesma idade e altura. a capacidade vital aumenta.Figura 11. a capacidade vital aumenta até 40 anos. bem como não se pode dizer que um atleta com capacidade vital elevada terá ótimos resultados físicos. altura e desenvolvimento físico. Variação da capacidade vital com a altura Quanto mais desenvolvido for o indivíduo. Nà"o se pode.

todo atleta sabe que a força muscular quando desenvolvida melhora a aparência e o físico. A aquisição de um corpo bem modelado é aspiração natural de jovens masculinos e femininos. ao se medir a capacidade vital: a) Posição: deve ser medida com a pessoa em pé. há diferenças nas raças. e é influenciada por vários fatores entre quais processos patológicos. Além disso. roupas folgadas e deve ser bem explicado ao examinando o modo de se realizar a prova.Relacionamento entre capacidade vital e tipo constitucional A capacidade vital nos brevilíneos é menor que a dos longilíneos. pois têm o tórax mais curto e suas costelas têm menor mobilidade que a dos longilíneos. A medida chama-sedinamometria. MEDIDA DA FORÇA MUSCULAR A medida da força muscular é uma das mais importantes para se avaliar a aptidão física do indivíduo. permite melhor desempenho em provas específicas e ajuda a evitar certas deficiências ortopédicas. Conceito da medida da força muscular Consiste na medida da força máxima de determinados grupos musculares. b) Realização da prova: com o estômago vazio. dá maior potência para saídas mais rápidas e permite melhor desempenho em quase todos os esportes. A medida da força muscular pode ser um bom indicador da aptidão física geral pois é uma medida bastante obejtiva. Por este motivo. Técnica de medida da capacidade vital Deve-se observar os seguintes aspectos. Exercícios físicos e a capacidade vital A ginástica e os exercícios só melhoram a capacidade vital nos indivíduos que apresentam técnica respiratória errada. . O desenvolvimento da força muscular melhora a velocidade do indivíduo.

neste aspecto. idade e exercícios físicos. Valores médios no homem adulto Força de preensão da mão Força de traçâb horizontal Força de traçâo vertical 40 a 60 kgf 30 a 40 kgf 130 a 150 kgf A mulher possui valores entre 50 a 60% dos masculinos.3) b. deslocando um ponteiro que corre em uma escala graduada (fig. Músculos do dorso (força de traçâo vertical) (fig. Idade e a medida da força muscular A força muscular aumenta a partir da puberdade. Músculos flexores dos dedos (força de preensáb) (fig. as diferenças são pequenas. Baseia-se no fato que a força muscular aplicada ao aparelho deforma uma mola. . atingindo valores máximos enter 25 e 35 anos. Fatores que influenciam na medida da força muscular Sâb os seguintes: sexo. 11.4). Sexo e medida da força muscular No adulto. 11. aumentando o rendimento muscular.3) Grupos musculares que podem ser explorados através da dinamometria São os seguintes: a. os músculos são mais desenvolvidos no homem que na mulher. c. porém. Músculos do braço e da região escapular (força de traçâb horizontal). 11. há uma maior atividade física nos meninos e entram em açâo também os hormônios masculinos.Aparelho utilizado em dinamometria É o dinamômetro. Até a puberdade. Na puberdade e após esse período.

Figura 11.4 .3 — Medida da força de preensão Figura 11.Medida da força detraçfo .

pode-se fazer com que os músculos de um indivíduo atinjam a força máxima de que são capazes. Importância da dinamometria A dinamometria permite: a. e b. Acompanhar variações da força muscular durante treinamento.Influência dos exercícios físicos na medida da força muscular Aumentam a força muscular. Comparar forças musculares de indivíduos diferentes. em 10 meses. Através de treinamento. .

Está intimamente ligado à nutrição. pode-se distinguir dois processos diferentes entre si. O método transversal consiste em tomar medidas em crianças de diferentes idades e daí estabelecer valores médios para cada idade. diminuindo até os quatro ou cinco anos (Tanner. 1964). as características de cada fase e os conceitos de idade cronológica e idade fisiológica. as fases do crescimento. É pois um processo quantitativo. durante o desenvolvimento. embora intimamente interligados: crescimento propriamente dito e maturação. que ocorrem. CONCEITOS DE CRESCIMENTO E M A T U R A Ç Ã O Diferença entre crescimento e maturação Durante o desenvolvimento do ser humano. Há o inconveniente de não se levar em conta as diferenças individuais no r i t m o de crescimento. acompanha-se um grupo de crianças durante seu crescimento.CAPITULO V I I I A V A L I A Ç Ã O D O CRESCIMENTO Neste capítulo estudaremos os conceitos de crescimento e maturação. São exemplos: as dentições. com o passar da idade. A maturação compreende as mudanças na estrutura e composição do corpo. ASPECTOS GERAIS DO CRESCIMENTO Velocidade de crescimento A velocidade do crescimento é maior no início da via pós-natal. É pois um processo quantita- . os processos de ossificação e as mudanças que ocorrem na puberdade. observando e anotando as caracterísitcas que surgem. No método longitudinal. O aumento da altura do indivíduo se deve ao aumento do comprimento dos pelas mudanças progressivas das várias medidas do corpo. O inconveniente é a dificuldade de seguir o mesmo grupo de crianças durante um tempo mais ou menos longo. Métodos de estudo do crescimento Existem dois métodos biométricos para se analisar o crescimento:o transversal e o longitudinal. Crescimento propriamente d i t o é representado t i v o .

crescem pouco até a puberdade. há variação no número e nomenclatura das fases do crescimento. segundo os autores. ao contrário. desenvolvem-se rapidamente. Crescimento dos órgãos Os órgãos do corpo crescem. Entretanto. durante e após essa fase (Godin. 1935).membros inferiores. Os órgãos genitais. quando então. antes da puberdade e ao aumento da altura tronco-cefálica. como mostra a tabela seguinte: Autor Penna (1962) Fases Crescimento intra-uterino Primeira Infância Segunda Infância Adolescência Meninos Idades Fertilização até o nascimento Nascimento aos 2 anos Dos 3 aos 10 anos Dos 10 aos 20 anos Meninas Até 6—7 anos 7 aos 10 anos 10 aos 13 anos 13 aos 14 anos Claparède (1940) Primeira Infância Segunda Infância Adolescência Puberdade Nascimento aos 7 anos 7 aos 12 anos 12 aos 15 anos 15 aos 16 anos Vandervael Pequena Infância Média Infância Grande Infância Adolescência Juventude Nascimento aos 2 anos e meio 2 anos e meio aos 6 anos 7 aos 12 anos 11 aos 16—18 anos 16—18 anos aos 21—23 anos . rapidamente durante os primeiros anos de vida e lentamente na puberdade. FASES DO CRESCIMENTO Embora o crescimento seja um processo contínuo. costuma-se dividi-lo em fases caracterizadas por alguns fenómenos mais evidentes em cada fase. em sua maioria.

A força muscular aumenta especialmente no sexo masculino devido a hormônios próprios. aumento dos testículos. Nesta fase. A voz passa a ser mais grave. principalmente. aparecimento dos pelos pubianos e axilares. são alcançadas e ultrapassadas. o tórax é cilíndrico e a coluna vertebral apresenta apenas uma curvatura. aparecem os pelos pubianos e ocorre a menarca (primeira menstruação). as fases de Vandervael. as meninas crescem mais que os meninos no início desta fase mas. Aspectos que caracterizam a fase da juventude . depois. ao maior crescimento dos membros inferiores. os diâmetros da pelve. O aumento da altura deve-se mais ao crescimento do tronco que dos membros inferiores. Na área genital. A capacidade vital aumenta nos meninos. O tronco adquire. Os membros são curtos. Existe grande variação quanto à data de início destes fenómenos. A cabeça é grande. Por esse motivo. O tórax tende cada vez mais a acentuar a forma ovalada. Acentuam-se as diferenças de forma: nos meninos alargam-se as espáduas e nas meninas. secreção de hormônios sexuais pelas células testiculares e aparecimento de barba. deixando pois de ser cilíndrico. nesta fase. proporcionalmente.1 1 anos. A altura aumenta devido. Fenómenos que caracterizam a adolescência Esta fase. Características da média infância Estende-se dos dois anos e meio aos 6 anos. o mesmo ocorrendo com o seu término. de convexidade posterior. Nas meninas. Aspectos que caracterizam a grande infância Vai dos 7 aos 1 0 . começa e termina antes nas meninas. O pescoço se alonga e fica delgado. a forma oval. o que aumenta suas possibilidades atléticas. que corresponde ao surto pubertário. nos meninos. o fenómeno característico desta fase é o aumento da altura (quase 50%) e do peso.A seguir serão descritos os fenómenos principais que caracterizam cada fase do crescimento tomando por base. Fenómenos que caracterizam a pequena infância Compreendendo o período que vai do nascimento aos dois anos e meio. ocorre. as medidas da cabeça e do tronco continuam a predominar sobre as dos membros. crescem as mamas. crescimento do pênis.

idade de erupção dos dentes. por exemplo. assemelhando-se a um menino de menor idade. fisiológico e mental. a qual se baseia nos seguintes critérios: idade óssea. músculos bem desenvolvidos. Portanto. Idade de erupção dos dentes O aparecimento dos chamados dentes de leite se faz de modo constante. há um adiantamento de 2 anos mais ou menos. algumas medidas biométricas e as características sexuais secundárias. o que dará ideia do grau de desenvolvimento. Na puberdade. Assim. podemos encontrar um que é menor. morfológico. A idade óssea nas meninas é geralmente mais avançada que a dos meninos. IDADE CRONOLÓGICA E IDADE FISIOLÓGICA Conceitos da idade cronológica a idade fisiológica A observação mostra que duas crianças do mesmo sexo e mesma idade cronológica (igual número de anos vividos) podem apresentar grandes diferenças morfológicas em relação ao estágio de desenvolvimento. desde a vida fetal. Conta-se os dentes que já fizeram erupção e compara-se com tabelas. Por esse motivo. Tanner (1964) considera o que se denomina idade fisiológica. . entre 6 meses e dois anos e meio. outro tem bom desenvolvimento físico. Toma-se as medidas que são depois comparadas com as constantes da tabelas. Estes centros podem ser detectados através de radiografias. Medidas biométricas Algumas medidas como o peso e a altura podem ser utilizadas como critério para determinar a idade fisiológica. com sistema muscular pouco desenvolvido. órgãos genitais como os de um adulto. os três meninos tem a mesma idade mas encontram-se em diferentes estágios de desenvolvimento. A altura cresce cada vez mais lentamente. o outro menino pode estar em uma fase intermediária entre os dois anteriormente citados. Desenvolvimento dos ossos Os vários centros de ossificação dos ossos do esqueleto aparecem em idades constantes e podem servir pois como critério para se determinar o grau de desenvolvimento em que se encontra o indivíduo.Estende-se desde os 16—18 anos até o início da idade adulta. Assinala o início da idade adulta. entre três meninos de 14 anos. Existem tabelas que mostram a idade de aparecimento de cada centro de ossificação de cada osso.

A moça para de crescer geralmente aos 18 anos e o rapaz. mamas e menarca que surgem na puberdade podem também ser usados como meios de determinar a idade do indivíduo. Nos primeiros dias após o nascimento. CRESCIMENTO DO CORPO COMO UM TODO Peso O peso do recém-nascido é milhares e milhares de vezes maior que o ovo mas o peso do adulto é apenas 20 vezes o do recém-nascido. o perímetro cefálico médio é 35 cm. a criança perde 5 a 6%do peso inicial devido a uma ingestão menor de líquidos. O crescimento do crânio é importante pois está relacionado ao crescimento do encéfalo. pois estes fenómenos. Durante a meninice. Durante o seu crescimento a cabeça sempre cresce mais em altura que em largura. Durante a infância e meninice. Altura A altura aumenta cerca de 3 vezes e meia desde o nascimento até a idade adulta. Em mais ou menos 8 dias porém.5kg. Aos três anos passa para 50 cm. as meninas pesam menos que os meninos mas na puberdade pesam mais. a cabeça representa 1/4 do corpo e no adulto. CRESCIMENTO DAS PARTES DO CORPO Cabeça Ao nascer. a época do aparecimento de pelos. a criança cresce pouco. Depois de 3 anos na adolescência os rapazes voltam a pesar mais. nesta fase.Características sexuais secundárias O grau de desenvolvimento dos órgãos genitais. Ao nascer a criança pesa em média 3. dentro de certos limites de variação. Na puberdade há um surto de crescimento rápido que começa e termina antes nas meninas. recupera esse peso. O comprimento da criança duplica aos 4 anos. 1/12. aos 20 anos. . No final do 19 ano de vida o peso triplica e no segundo ano quadruplica. aparecem em épocas constantes. Até a idade adulta cresce apenas mais 5 cm. com frequência. No nascimento. barba. As fases em que o peso aumenta mais são na vida fetal e na adolescência.

o perímetro torácico é igual ao cefálico. 12. Aos dois anos o perímetro torácico aumenta. Durante a infância.1). supondo iguais os membros inferiores . Figura 12.Tronco O tronco contribui com cerca de 50% do comprimento do corpo em qualquer fase da vida. A altura tronco-cefálica representa cerca de 70% da altura total ao nascer e cerca de 55% no adulto (f ig.1 — Proporções do corpo. os diâmetros sagital e transverso do tórax são aproximadamente iguais mas no adulto o transverso é três vezes o sagital. Na infância.

começa a diminuir e aos 5 anos. Por esse motivo não pode ser considerada como um critério absoluto para avaliar o estado de nutrição. os comprimentos sâb iguais. 0 membro inferior. cerca de 6 meses após. Nos primeiros 9 meses. O mesmo ocorre com o centro de gravidade que no recém-nascido está ao nível do diafragma e no adulto passa para o promontório do osso sacro. A tela subcutânea aumenta. a gordura subcutânea aumenta bruscamente mas no segundo ano de vida. O ponto médio do corpo é o ponto. No adulto o inferior fica 1/6 mais comprido que o superior. Através de radiografias pode-se dizer a idade óssea do indivíduo. nas seguintes regiões: púbica. Nas mulheres os pelos púbicos aparecem pouco antes da menarca e na axila. Existem tabelas próprias. A idade óssea é o estado em que se encontra o esqueleto em qualquer momento da vida. Aos dois anos de idade os membros superiores tem o mesmo comprimento que os inferiores. No rapaz aparecem em ordem. em todas as fases. O aumento maior do comprimento dos membros inferiores e menor do tronco leva o ponto médio do corpo para baixo. face. atinge a metade do valor que possuía no primeiro ano. sexuais. sendo que no sexo feminino. . No recém-nascido situa-se ao nível do umbigo e no adulto está na crista púbica. acima e abaixo do qual. há acúmulos isolados nos quadris e nas mamas. axila. mas há variações raciais. no nascimento. e influências de nutrição. a idade óssea é ótimo critério para indicar a fase de desenvolvimento. esse valor sobe para 30%. Esqueleto O aparecimento dos centros de ossificação segue uma ordem cronológica bem definida desde o nascimento até a vida adulta. Pele e tela subcutânea Os pelos aparecem no início da adolescência. peito e membros. Começa a aumentar novamente na adolescência. mas não nas mesmas proporções nas várias fases de desenvolvimento. representa 15% do peso total e no adulto.Membros O membro superior participa com 9% do peso total no nascimento e assim permanece no adulto. Portanto.

. em relação ao da recém-nascida. Ele cresce especialmente durante a adolescência. o coração pesa cerca de 20 g. Durante a puberdade crescem lentamente até a idade adulta. O ovário tem seu peso aumentado de 30 vezes no adulto. Órgãos endócrinos As glândulas supra-renais diminuem seu peso durante a infância. Os músculos crescem em tamanho e ná"o pelo aumento do número de fibras. Na adolescência. Sistema Nervoso Central O peso do encéfalo duplica no primeiro ano e triplica no terceiro. Coração Ao nascer. A medula espinhal cresce menos que a coluna vertebral de tal maneira que no adulto sua extremidade encontra-se ao nível da 2ª ou 3ª vértebra lombar. O peso total do encéfalo pode ser atingido aos 10 anos de idade. Este valor triplica no 3º ano. O testículo do adulto pesa 40 vezes mais do que o do recém-nascido. Sistema genital Os órgãos genitais apresentam um padrão de crescimento que se afasta das outras vísceras. a força muscular duplica. Na adolescência essa participação é ainda maior.Músculos Aumentam grandemente de peso na infância. A glândula tiróide do adulto tem um peso cerca de 12 vezes maior que do recém-nascido e a hipófise aumenta seu peso em cerca de 5 vezes até a idade adulta. O útero cresce realmente durante a adolescência. No adulto o peso do coração é cerca de 12 vezes maior que ao nascer. quando pesam o dobro do seu valor ao nascer.

Como cada criança tem um modo próprio de crescer.2 . que examina as mesmas crianças em vários períodos ou o método transversal que examina crianças diferentes numa mesma época. 1952) . são elas: 1 2 3 4 5 Peso e altura Altura tronco-cefálica Perímetro da cabeça Perímetro torácico Diâmetro bi-crista ilíaca. raça e meio ambiente. o método longitudinal. podemos construir tabelas e curvas-padrâb (figs. para construir essas curvas-padrão. Pode-se usar. 12. Quando os valores de uma criança se afastam muito dos das curvas-padràb.Curvas-padrffo de peio nos sexos masculino e feminino (Baseado em Boyd. Algumas medidas são mais frequentemente utilizadas para se verificar o crescimento e desenvolvimento. é necessário buscar as causas deste fenómeno.2. 12. Figura 12.PADRÕES NORMAIS DE CRESCIMENTO Estudando-se o crescimento de crianças do mesmo sexo.3). ocorre grande variabilidade nos padrões normais.

Se o órgão não aproveitar o período que lhe é destinado para se diferenciar. ele se diferencia num determinado momento e cresce com uma certa velocidade e que depende de fatores intrínsecos a esse órgão. Cada tecido ou órgão tem um período em que a diferenciação e crescimento são mais acelerados havendo então uma alternância destes períodos para cada órgão. Este período é chamado período crítico. então ele não mais conseguirá se desenvolver ou então o fará defeituosamente. atividade.Figura 12. hormônios. sexo. . o órgão domina e parece inibir o desenvolvimento de outras estruturas. Cada órgão tem um modo próprio de se desenvolver e crescer.Curvas-padrão de altura em meninos e meninas (Baseado em Boyd.3 . porque nesta fase. raça. os órgãos e tecidos que mais vão sofrer essas influências e ficar com defeitos são os que estão se diferenciando nesse momento. nutrição. clima. Se num determinado momento do desenvolvimento agentes nocivos atuarem sobre o corpo. 1952) FATORES RESPONSÁVEIS PELA VARIABILIDADE NO CRESCIMENTO E DESENVOLVIMENTO Os fatores principais responsáveis pela variação no crescimento e desenvolvimento sâb: hereditariedade.

ao economista. cada indivíduo apresenta uma série de características morfológicas. á variedade. certa de ser a variabilidade individual enorme e de que só de seu estudo resultará a possibilidade de desfazer muitos conceitos errados da biologia humana. psicológica. sobretudo. ao passo que para a Biotipologia o que interessa é a análise. o caso particular. a Biotipologia. ou seja. para designar a ciência que teria por objeto. mas sim a realidade concreta que é o indivíduo. como já dissemos. ao historiador. em 1922. tal idéia provém do nome dessa ciência e das classificações existentes dentro da matéria. humoral. Muito comum e errónea é a idéia que se tem de que Biotipologia pretende tipificar os indivíduos para classificá-los. Mas ao educador. é a própria unidade do seu estudo. passar o indivíduo é ótimo". atingir o caso concreto. "este caso". Estas variações na construção corpórea dos indivíduos decorrem da diferença de constituição individual. . Entretanto. CONCEITO DE BIOTIPOLOGIA 0 termo Biotipologia foi utilizado pela primeira vez por Nicola Pende. que é o ser humano. Duarte-Santos afirma: "a biotipologia pretende estudar não a abstração e mero universal. fisiológicas e psicológicas. através do qual se pode conhecer e entender muitas das características do ser humano e suas diferenças. ir ao sub-grupo. ao clínico importa. Não há. que sejam iguais. este indivíduo. ao diretor de esporte. ao político. ao administrador. temperamentos e caracteres". Lembra Duarte-Santos: "classificar em um grupo é bom. por mais parecidos. dois indivíduos. rasgando-lhe mais amplas perspectivas. Como veremos mais adiante. Os fatos gerais interessam ao filósofo. ao orientador profissional. e se às vezes constrói uma síntese. Berardinelli faz ainda uma comparação entre a Biot pologia ea Antropologia: "Se a Antropologia analisa é para depois sintetisar. cujos aspectos gerais serão descritos a seguir. funcional. concreto. não é como fim. Berardinelli define biotipologia como a "ciência das constituições. é melhor. A constituição individual está ligada a uma ciência. o estudo das "manifestações vitais de ordem anatómica. que o distingue dos demais. da síntese das quais resulta o conhecimento do tipo estrutural-dinãmico especial de cada indivíduo". estas diferenças são importantes edevem ser levadas em consideração em Educação Física. mas sim como instrumento de estudo".CAPITULO IX BIOTIPOLOGIA: ASPECTOS GERAIS Não existem dois indivíduos exatamente iguais. com esta biologia diferencial e comparativa". A Biotipologia tem por objetivo o estudo do indivíduo como um ser particular e concreto. o importante é o indivíduo uno e concreto. apesar das classificações.

genótipo. caráter. personalidade e biótipo. A seguir. as glândulas endócrinas também dependem da ação genética e por esse motivo podemos considerá-las como mediadoras entre o genótipo e o fenótipo. serão definidos os seguintes termos. Viola acrescenta também os fisiológicos. e. condições sócio-econômicas. as glândulas endócrinas. o que as torna um fator capaz de transformar forças do meio externo em forças internas do corpo. a biotipologia tem sua terminologia própria. Incluem-se neste grupo a tireóide e as gônadas. Por outro lado. Os fatores ambientais constituem em conjunto o que se denomina de "peristase". consideram-se: região geográfica. Quanto às glândulas endócrinas podem ser divididas em dois grupos de acordo com seu modo de ação. T E R M I N O L O G I A BIOTIPOLÓGICA Como toda ciência. Os fatores responsáveis por essa diferença no r i t m o de crescimento são: a hereditariedade. doenças e número de gestações. ou seja. constituição é "a especial combinação correlacionada das variantes dos caracteres físicos próprios da espécie no estado fisiológico". As múltiplas possibilidades de combinações entre os gens nas primeiras fases do desenvolvimento sâb a maior causa de variabilidade na construção individual. O termo constituição. . Aceitaremos como definição de constituição a de Silveira. o t i m o e o córtex supra-renal. tem vários conceitos. temperamento. o aspecto funcional que aparece como expressão daquele conjunto nos vários tipor de c o m p o r t a m e n t o " . ao mesmo tempo. que são os mais utilizados nesta ciência: constituição. Entretanto. sem influir porém no aumento da massa corporal.FATORES DE D I F E R E N C I A Ç Ã O DOS TIPOS HUMANOS Os tipos humanos diferenciam-se devido a desigualdades no ritmo de crescimento dos órgãos. citada por Coelho: "O conceito de constituição resulta de uma abstração que reúne o substrato anatômicoencefálico e somático em geral. A seguir serão analisados sucintamente cada um destes fatores. o sistema nervoso e os fatores secundários ambientais. além dos elementos morfológicos. básico para toda a biotipologia. Experiências têm demonstrado que a presença de partes do sistema nervoso são necessárias para que outras partes do corpo se desenvolvam. podem ser influenciadas por fatores como alimentação e clima. as glândulas também sofrem a ação do meio externo. Entre eles. parátipo e f e n ó t i p o . elas contribuem para que um determinado genótipo possa realizar um fenótipo. Um segundo grupo de glândulas age aumentando a massa corporal sem interferir na diferenciação das formas. Um primeiro grupo age sobre a diferenciação das formas dos órgãos. portanto. Em outras palavras. Compreende a hipófise. Para Viola.

através das quais ele se contactua com o meio ambiente. tal termo apresenta como definição precisa "o conjunto de funções subjetivas agrupadas fundamentalmente em três setores: afetividade. Para alguns autores. reconhecidas como modalidade de caráter". Caráter. temperamento seria a expressão humoral do b i ó t i p o . Confunde-se dessa forma com o conceito de personalidade. para Duarte-Santos. tendências e vontade. Consideramos caráter como a expressão mais dinâmica do estado psicológico do indivíduo através do qual apresenta reações no meio ambiente. Depende mais das condições ambientais e é mais passível de modificações do que a constituição. conativas (volitivas) e intelectuais do indivíduo. Outros ainda dão-lhe significado somente psíquico. Segundo Coelho. A expressão temperamento. temperamento corresponde ao aspecto dinâmico da constituição. de maneira a se conduzir socialmente. segundo Coelho. enquanto outros. ampliam seu significado abrangendo também a parte psíquica e tendo assim significado volitivo-afetivo.Genótipo (Johansen). Biótipo e temperamento em conjunto. Parátipo (Lens. Fenótipo é o resultado da interação entre genótipo e parátipo. as ações. psíquico e fisiológico. Siemens) ou caracteres potenciais (Pende) é o conjunto de caracteres que o indivíduo adquiriu hereditariamente. mas tem significado mais abrangente. mas não se confunde com ela. decorrem do estímulo afetivo. 0 termo personalidade é muitas vezes usado como sinónimo de temperamento ou caráter. isto é. Para Silveira. Portanto. mas é empregado com amplitude variada. pois engloba as caraterísticas afetivas. "a manifestação da atividade explícita. Admitia-se caráter como o conjunto de todas as características psicológicas do biótipo. fixados através das gerações. abrangendo sentimentos. estão implícitos na constituição individual. Kretschmer considera temperamento o conjunto de qualidades afetivas que caracterizam uma individualidade tanto no que diz respeito á forma como sofre as "afecções" e à maneira como reage. deriva de têmpera. excluindo-se a parte intelectual. derivados dos caracteres físico-funcionais e que determinam um modo especial e espontâneo de reação psíquica ao ambiente". abrangendo a parte afetivo-volitiva e as faculdades intelectuais do indivíduo. idiótipo (Lenz. raciocínio e memória. significando assim a mistura dos diferentes traços de personalidade. segundo o estímulo recebido. Viola dia que "temperamento é a especial combinação de caracteres dominantes da individualidade psíquica ou pessoa. é a parte volitivo-afetiva. conação e . 0 componente morfológico se resume como biótipo e os componentes funcional. Caráter é considerado como traduzindo fenómenos de ordem psíquica. como temperamento. e também compreensão. de modo que o indivíduo traduzirá no comportamento interpessoal as disposições afetivas. Siemens) ou caracteres atuais (Pende) é a totalidade dos caracteres acrescentados ao genótipo pelas complexas ações do meio ambiente.

f. c. O mesmo indivíduo é diferente de si mesmo em momentos diferentes. mas obedece a determinadas leis. . consiste no b i ó t i p o " . Essa diferença individual não é caótica. como carga genética e como manifestação do instinto nutritivo. as reações individuais têm importância igual ou superior às causas externas. e.inteligência. b. PRINCÍPIOS GERAIS DE BIOTIPOLOGIA Alguns dos princípios gerais da biotipologia são importantes e por esse motivo serão citados a seguir: a. não há duas pessoas iguais. g. Apesar das diferenças entre os indivíduos há semelhanças que permitem grupá-los em " t i p o s " . Estas funções psíquicas resultam da atividade cerebral. O indivíduo é uma unidade existindo uma indissolúvel correlação entre suas diversas partes e funções. Todos os indivíduos são diferentes. Uma definição precisa de biótipo é fornecida por Coelho: "a expressão somática da regência metabólica para com o mundo interno objetivo. são peculiares à espécie humana e regem harmonicamente e de modo contínuo as disposições do indivíduo e as suas relações com os ambientes físico e social". Na génese da doença. d. O conhecimento do indivíduo " n o r m a l " deve preceder e servir de base ao estudo do indivíduo patológico.

A vida resultaria da combinação desses quatro elementos sendo que um deles predomina no indivíduo. "pintor em Roma antes de ser médico em Paris". Brugsh. Hipócrates utilizava os ensinamentos de Empédocles em Medicina. baseadas apenas no aspecto externo do indivíduo. bile e atrabile. . se transforma imediatamente e para termos uma ideia viva e verdadeira da Natureza. Goethe criou o termo morfologia para significar o estudo da forma. sendo. não só considerada sinteticamente e no sentido estático (GestaIt). Os progressos que se realizaram posteriormente na Anatomia humana deram à noção de temperamento um significado diverso. apoiam-se em medidas biométricas. "O que acaba de ser formado. Viola e Pende. e Hussen. A predominância de um destes humores determinava o temperamento: sanguíneo. Benecke. segundo a predominância de uma destas três partes relativamente às outras. Mais tarde (século II DC). como também no estado dinâmico e cinemático (Bildung). opondo-se â atrabile (fria e seca). seu discípulo. Galeno admitiu que quatro humores entrariam na constituição do homem: sangue (quente e úmido). pois resultado da hereditariedade. Tal predominância se reconhecia pelo contacto com o corpo do indivíduo. Encontramos indícios de tal fato já nas antigas sociedade orientais e ulteriormente entre os gregos. ESCOLA ITALIANA De Giovanni (1891). umas. Kraus. originando uma orientação morfológica. aceitava como fundamental a ideia que o indivíduo desde a fecundação teria seu destino evolutivo marcado. acreditando que o ser humano seria formado por quatro elementos: linfa. interpretadas estatiscamente. pituitoso e bilioso. sangue. dando-lhe uma característica pela qual seria agrupado ou tipificado.Estes classificavam os indivíduos em cranianos.CAPITULO X TEORIAS BIOTIPOLÓGICAS Existem diferentes classificações biótipo lógicas. devemos considerá-la sempre móvel e cambiante. mas influenciável pelo meio externo. que levaram esta ideia a outros povos. A tentativa de agrupar os indivíduos segundo certas características existe desde as mais antigas civilizações. enquanto outras. surgiram várias teorias biotipológicas. Stockard e Bean. ShekJon e Stevens. melancólico. torácicos e abdominais. Jaensch. O método é criticável por basear-se unicamente na inspeção sem nenhum elemento mais concreto e objetivo. pituita (fria e úmida) em contraposição com a bile (quente e seca). da qual foram precursores Halé." A partir do final do século XIX. Sigaud. escrevia ele. dentre as quais destacamos as de: De Giovanni.

altura do esterno igual a 1/5 da circunferência do tórax. discípulo de De Giovanni é sem dúvida o mais impor- . aspecto viçoso. como hemorróidas. predisposição para afecções pulmonares. desde as primeiras fases embrionárias até a completa maturidade. com predisposição para doenças do sistema linfático. rins. tendência à obesidade. A cada combinação corresponderia determinado funcionamento orgânico e especiais tendências mórbidas. oom critério antropométrico.1). o que acarretaria excedência relativa do tórax. venosa ainda mais. fraca musculatura esquelética. em idade mais avançada. tensão arterial baixa. com leve excedência de tórax sobre o abdome. a combinação ideal (fig. eretismo do sistema nervoso. tórax largo. seriam etapas diferentes da ontogênese. sendo 1/5 da base do apêndice xifoide ao umbigo e 1/5 do umbigo ao púbis. entre o externo e o interno e até internamente entre os aparelhos e órgãos e as próprias partes constitutivas destes. com frequente catarro. média. Na primeira combinação. musculatura e sistema cardiovascular bem desenvolvidos. capazes de servirem para classificar os homens em grupos a que chamou "combinações". membros alargados. Bom grau de nutrição. podendo a individualidade total não atingir ou ultrapasar a maturidade plena. coração proporcionado ou mais desenvolvido na metade direita e sistema venoso e linfático muito desenvolvidos. pulmões grandes em relação ao coração. sãs e resistentes. desproporções e variantes individuais. na qual se incluiriam as pessoas dotadas de ótima constituição. mesmo tuberculose pulmonar e. a Anatomia e a Fisiologia. Representa uma forma hipo-evolutiva. Admitia estreitas correlações orgânicas entre a forma e a função. mas sobretudo do abdome. 10. diâmetro bi-ilíaco igual a 4/3 de altura do abdomem. membros curtos. Funcionalmente. Jacinto Viola (1905). Os indivíduos da terceira "combinação" têm apreciável desenvolvimento do tronco.Este autor propôs-se a estudar os indivíduos baseando-se em sua morfolofia externa. há debilidade geral. mas com maior desenvolvimento somático (maior massa corpórea). mas sem esquecer a investigação funcional e clínica. um hipoevolutismo com tórax e abdome deficientes. normal. desprezando só a parte psíquica. de morbilidade escassa. 10. em seu significado profundo. Harmónicos. sobretudo dos vértices pulmonares. A segunda combinação é a mais idêntica à ideal. deficiência respiratória por musculatura fraca. havia. característica das crianças. Hiperemia respiratória. Estas. insuficiência hepática e do aparelho digestivo. pele. Daí surgiu o conceito de hiper e hipo-evolutismo e a possibilidade de desequilíbrios. circunferência torácica igual a metade da estatura.2) teria os seguintes caracteres antropométricos: estatura igual à grande abertura dos braços. segundo o conceito do autor. baço e das veias. que é de volume normal ou maior (fig. De Giovanni levava em consideração o desenvolvimento harmónico de cada parte e do todo individual. refletindo até a evolução filogenética da espécie. doenças intestinais. coração pequeno e sistema arterial deficiente em relação ao venoso e linfático. intestinos e afecções dos órgãos intra-abdominais como fígado. mas sobretudo este. Rara como em geral é a perfeição.

1 — As "combinações" de De Giovanni: a—1ªcombinação b—2ª combinação.Tipo ideal de De Giovanni . a combinação Figura 10. c— 3 .2 .Figura 10.

ponto jugular correspondente ao ângulo formado pela superfície anterior do nanúbrio esternal e pela superfície superior da incisura jugular. Seus pontos antropométricos são preferentemente ósseos para que haja precisão nas medidas. a Anatomia e a Fisiologia. utilizando-se de método preciso. condição indispensável para se ter as correlações entre eles de maneira direta e simples. o qual foi definido através da lei dos erros: "as variantes individuais. a classe social. na linha mediana. Apesar de teoricamente ser elemento de muita facilidade de se entender e classificar. cria o grau centesimal. que não podem ser incluídos em nenhum dos tipos padrões. o morfológico e o fisiológico. a hereditariedade influenciada pelo meio ambiente. os hábitos de vida. enquanto que as demais são as componentes do sistema aberto. O homem modal se torna indispensável para a classificação de Viola. na linha mediana. num grupo étnico. Toda a comparação no método biotipológico de Viola se baseia na determinação da moda (normotipo) e das variações possíveis de se apresentarem para excedência ou deficiência das relações em comparação à medida modal. o sexo. a idade e a saúde. Aceita como base formadora do indivíduo. distribuem-se de maneira que existe um desvio uniforme dos vários indivíduos para os dois lados do valor médio central da curva de distribuição". onde este genoma se desenvolve produzindo. a higiene. As variações se fazem em sentido antitético e se tornam mais escassas à medida que se vai distanciando do ponto médio da curva (vai ocorrendo uma maior amplitude de variação).tante nome dentre os biotipologistas italianos. como causas acidentais dessa modelação. Estabelece como elementos fundamentais para a avaliação tipológica. a alimentação e a idade no período adulto (entre os 20 e o s 50 anos). A d m i t e como elemento mais bem adaptado ao ambiente aquele que mais vezes se faz presente . Tais pontos são: a. chegando á unidade. b. graficamente. como elemento final. brevilíneo e longilíneo. ponto xifóideo correspondente à síntese do esterno com o apêndice xifóide. o qual é composto por dez medidas indispensáveis para a classificação biotipológica do indivíduo. e. mas se fez necessário a criação de um quarto tipo — o misto — para abrangermos os indivíduos que apresentam tal relação entre as medidas. Estabeleceu as bases científicas da doutrina constitucionalista. que possibilitam maior por menor ização do indivíduo. Este autor admite pois como elemento fundamental a correlação entre o exterior e o interior. o indivíduo em sua expressão unitária. por uma cruva binominal (lei de Quetelet—Gauss).a moda — através do que define todos os seus tipos biotiopológicos. como o esperado. Tal fenómeno é representado. as diferenças raciais. delimitado por leis e traduzindo os elementos de estudo de diferentes origens em um número puro. . Viola utiliza um sistema de medidas que chamou de fechado. o ambiente físico. veremos que a multiplicidade de relações não nos permite a classificação em apenas três tipos: normolíneo.

no homem médio. linha articular do punho direito na face dorsal. 10. Sua classificação é baseada no estudo endocrinologia) do indivíduo (Fig. em bloco. na linha mediana. o segmento abdominal inferior com a escolha e absorção dos alimentos. lembrando ainda a necessidade da medida basal. f. portanto. d. a relação entre a vida vegetativa e a de relação se equivalem de forma harmónica e nele encontraríamos a expressão mais adequada de todas as funções fisiológicas. dos segmentos determinados pelas medidas com funções fisiológicas precisas. confere melhor sistemática e menor possibilidade de erros do método. ponto epigástrico. para Pende. Biótipo. admite haver dois poios em cada um deles. Da interação entre estas faces calcadas na base. g. é relacionado com a vida vegetativa e os membros com a vida de relação. e. a psíquica e a neuroquímica. segmento abdominal (digestão). proveniente de exercícios exagerados. que tem por base o património hereditário e por faces a morfológica. correspondente ao ponto de cruzamento da linha mediana abdominal. admitindo um número reduzido de medidas. o tronco. Viola procura retirar de seu método elementos que são influenciados diretamente e em grau muito elevado pelo ambiente como o meteorismo. o estênico e o astênico. teríamos o biótipo ou o homem t o t a l de onde sairá o conhecimento do indivíduo. recorre a inúmeras medidas complementares. Por outro lado. ponto púbico correspondente à borda anterior e superior da sínfise púbica. passando pela borda inferior da 10ª costela (ponto em que esta cruza a linha axilar anterior). porém com seu conceito de biotipologia — máxima individualização. Não aceita também somação de medidas feitas em dois segmentos consecutivos e que tenham a mesma função fisiológica correspondente. a conclusão sobre a re- . segundo Viola.4). ou melhor. De acordo com Viola. Este autor admite também a correspondência das medidas. a moda.c. A proporção de distribuição encontrada pelo autor f o i de 40% para os mistos e 20% para cada um dos tipos. ponto acromial correspondente à borda externa do acrômio direito.3). Tal fato encontra fundamento quando se faz o estudo da resistência em militares e desportistas. com uma linha horizontal. mesmo na classificação mais simples dos quatro tipo preconizados por Viola. como elemento indispensável para a caracterização biotipológica. 10. sendo este um dos pontos mais criticados de sua classificação por abranger número muito elevado de indivíduos que são classificados por exclusão. a gordura e a hipertrofia muscular. Discípulo de Viola. bem identificável ao se fazer movimentos de flexão e de extensão do punho. é sinónimo de homem total que se encontra no ápice de uma pirâmide triangular. normolíneo. tais c o m o : segmento torácico com a hematose e distribuição de alimentos pelo organismo. ponto maléolo-tibial correspondente ao ponto de maior saliência do maléolo medial direito. brevilíneo e longilíneo (Fig. Pende (1939) aceitava o sistema fechado do mestre.

L N Figura 10. brevilíneo (B) e normolíneo (N) de frente e de perfil B .Tipos longilíneo (L).3 .

social e geral. hipersuprarrenal. etc. ocorre. apenas as mais comuns. havendo neles astenia. faz a determinação do caráter astênico ou estênico. do indivíduo no vastíssimo alcance médico. Dentre os brevilíneos. desenvolvimento sexual. hipertireoideia-hiperpituitárica. segundo Pende sistência vital geral. classificações e combinações as mais variadas. se existe hiper-funcionamento concomitante da suprarrenal ou das glândulas genitais.4 . hipogenital. . reprodutor. intelectuais. social. em consequência. hipogenital. destes estudos. com orientação parassimpaticostênica e metabolismo de tendência anabólica. . estenia e assim as duas primeiras variedades citadas são astênicas e as duas últimas estênicas. hipopituirárica ou hipopituitárico-hipotireoideia. hipossuprarrenal. o valor económico. Estuda todas as faces da pirâmide de maneira bastante minuciosa. das quais serão citadas a seguir. entre os longilíneos temos: hipertiroideia. mas. escolares.Biótipo.Figura 10. descreve Pende as seguintes variedades: hipotireoideia. que é o fundamental. Pende estabelece relações no âmbito da face morfológica determinando índices como o de nutrição. . retirando conclusões. as aptidões manuais. robustez. Pode-se dizer que os brevilíneos têm temperamento hipotireóideo. Baseado neste índices. profissionais. as características morfo-neuro-musculares.

que servem para caracterizar essas variedades e às quais corespondem temperamento próprio. Mário Barbara (1929). fisiologicamente apresentam desenvolvimentos harmónico da vida vegetativa e de relação. e o da vida de relação excedente. porém estabelece um critéiro de classificação que permite a localização de todos os indivíduos sem cair nos mistos de Viola. constituem seus tipos: a. caráter próprio e até por vezes t i p o intelectual característico. dentro das quais se pode catalogar qualquer indivíduo. utiliza-se dos mesmos parâmetros que seu mestre Viola. É muito interessante a coincidência destes quatro biótipos (longilíneos astênicos e estênicos e brevilíneos astênicos e estênicos). Deste modo se estabelecem o i t o variantes e quatro formas de passagem de uma a outra variedade. Macrosômico harmónico ou Paracentral superior de Viola (2ª Combinação) . Longitipo com antagonismo ou microesplâncnico de Viola (1ª Combinação) Tronco — < Membros + Os membros excedentes predominam sobre o tronco deficiente. porém através da comparação de cada elemento com o valor modal determina se há excedéncia. dentro do t i p o brevilíneo e do tipo longilíneo há diferenças morfológicas grandes. o colérico e no longilíneo astênico. Longilíneo ou N o r m o l í n e o . Para t a n t o . com os quatro temperamentos dos antigos. o melancólico. traduzindo caracteres morfológicos e funcionais diferentes. Seu método baseia-se na primeira relação estabelecida por Viola — Tronco/ membro para classificar sob a rubrica de Brevilíneo. 10. no brevilíneo estênico. b. deficiência ou normalidade.5). o sanguíneo. Ainda dentro da escola italiana. no longilíneo estênico.Na realidade. Braquitipo com antagonismo ou megaloesplâncnico de Viola (3ª Combinação) Tronco + > Membros - Suas características morfológicas e fisiológicas são contrárias ao anterior. deficiência ou normalidade do dado avaliado (Fig. c. Tipo médio ou normoesplâcnico de Viola: Tronco O = Membro O O tronco e os membros são iguais em seus valores absolutos e relativos. Assim. Assim. no brevilíneo astênico se vê o temperamento fleugmático. d. reconhece que sob uma mesma rubrica estabelecida através do mestre Viola há relações muito diferentes no sentido da excedéncia. o qual é acompanhado de um antagonismo entre o desenvolvimento da vida vegetativa absolutamente deficiente.

g.normomélico. e. Grupo longilíneo.5 . h-micronormolíneo. Grupo normolíneo. f-macronormolíneo. d-brevilíneo. m-normocórmico. i-macrolongilíneo.Tipos de Barbara-Berardinelli Grupo brevilíneo: a-normocórmico. l-microlongilíneo. Microsômico harmónico ou Paracentral inferior de Viola (4ª Combinação) Tronco — = Membros 0 tronco e os membros são proporcionados. 0 tronco e os membros são proporcionados porém de valores superiores ao normal. j-longilíneo.normolíneo.Figura 10. e-macrobrevilíneo. vida vegetativa e de relação proporcionadas. n. . porém inferiores ao normal. b normomélico c-microbrevilíneo. ocorrendo algo semelhante com os dois setores da vida orgânica. porém excedem ao normal.

tronco maior que membros. desenvolvimento maior da vida vegetativa sobre a da relação e ambos superiores ao normal. com predomínio do sistema de relação.1 resume estes tipos. . porém menor que membros. os quais excedem o valor modal. braquitipo excedente: Tronco + > Membros H Valores do tronco e dos membros superiores ao normal. cujo valor é inferior ao modal. Variedade B. porém logo temos as quatro variedades que tornam possível a classificação dos restantes em quase sua totalidade: Variedade A. Os indivíduos que não são classificados em nenhuma dessas formas citadas. O quadro 10. A variedade A (tronco O < membros +) possui tronco dentro do valor modal. Variedade C. longitipo excedente: Tronco + < Membros + Ambos os valores excedem à média e são desproporcionados entre si. A variedade B (tronco + > membros 0 possui tronco acima do valor nodal e maior que os membros que se apresentam dentro do valor modal. desenvolvimento deficiente dos sistemas orgânicos.Até aqui o critério de Barbara é semelhante ao de Viola. correspondem à "forma de passagem". corresponderia a desenvolvimento desarmônico dos sistemas orgânicos com predomínio do sistema de relação. longitipo deficiente: Tronco — < Membros — Valores abaixo da média. A variedade D (tronco — < modal e predominando ao tronco. predomínio do tronco. A variedade C (tronco O > membros -) o tronco encontra-se dentro do membros O) tem membros dentro do valor valor modal e é maior que os membros que se encontram abaixo do valor modal. cujas características sintéticas são as seguintes: Variedade D. braquitipo deficiente: Tronco — > Membros — Suas características são contrárias ao anterior.

1 -CLASSIFICAÇÃO DE BARBARA-BERARDINELLI .QUADRO 10.

D = digestivo. Claude Sigaud. muscular. M = muscular e C = cerebral Thooris além de considerar a forma do corpo como o fazia Sigaud. uniforme ou ondulada.6 . (1894) o primeiro vulto de destaque da escola francesa elaborou uma classificação dos indivíduos baseada na integração do conjunto de sistemas que constituem a economia humana e o meio específico no qual apresenta a sua continuidade. o VARF. com a cabeça em forma de pirâmide devido ao grande desenvolvimento do maxilar.ESCOLA FRANCESA A princípio. Da predominância de um desses sistemas. É também quem inicia o estudo das capacidade físicas de velocidade. tendo a cabeça em forma de pião (Fig. com predominância do tórax e do andar médio da face. bosselada ou cúbica e ainda considera uma forma comprida e uma forma larga. e cerebral. seriam definidos os quatro tipos: respiratório.6). cujo tronco é igualmente repartido entre tórax e abdome.Os quatro tipos de Sigaud: R=respiratório. e predomínio do abdome. os autores desta escola basearam-se na análise da superfície corporal e só mais recentemente vêm utilizando método diferente de estudo. 10. com os andares da face iguais. com predominância do crânio. propondo um índice que até hoje é válido. resistência e força. digestivo. Figura 10. . dá importância também à superfície corporal classificando os indivíduos em: superfície redonda ou chata. agilidade.

débeis. não de categorias pré-estabelecidas. o transversal (brevilíneo) superior ou muscular. mas ao estudo de grande número de variáveis. A Escola Biotipológica Parisiense é constituída de vários autores que procuram estudar o indivíduo partindo. de relações quantitativas de peso e volume de vísceras de cadáveres. diâmetro biacromial e diâmetro bicristailíaca). ESCOLA ALEMÃ Nota-se nos autores alemães do início do desenvolvimento das ideias biotipológicas uma preocupação em relacionar os tipos com as condições viscerais como o fez Benecke (1878) e também com as perturbações psíquicas como o fez Kretschmer (1921). fortes. altura troncocefálica. que posteriormente são trabalhadas estatiscamente para se determinar recorrendo a análise fatorial. porém no aspecto de forma acrescenta a hidrófila inchada redonda e uma seca hidrófoba. constituído por indivíduos delgados. para sua classificação. Usando tais medidas chega a quatro tipos: o mediolíneo. com bom estado de nutrição. em seu trabalho. resistentes às causas morbígenas e órgãos volumosos. Fazia uma antropometria mais interna do que externa e estudava o desenvolvimento em massa comparando as vísceras entre si e com a estatura e o peso corporal. e o transversal (brevilíneo) inferior ou visceral. utilizando um critério mais organicista e localisacionista que o geral.Mac Auliffe (1932). — O endoblástico ao brevilíneo astênico — O mesoblástico ao brevilíneo estênico — O extoblástico ao longilíneo astênico — O cordoblástico ao longilíneo estênico. as características de seus tipos se superpõem às dos quatro biótipos de Pende. O estudo da participação dos três folhetos embrionários na determinação dos tipos é o que caracteriza o trabalho de Martiny. o cálculo dos coeficientes de correlação e mesmo . pouco resistentes à fadiga e às infecções. também dá importância à superfície corporal e faz a mesma classificação que Thooris para esse fator. Benecke. constituem o denominado morfograma (altura. o segundo tipo englobaria os indivíduos de grande massa t o t a l . correlacionar o t i p o morfológico com o fisiológico e o psíquico. com as principais vísceras pequenas (microesplancnia). o longilíneo. atarracados. anêmicos. Classificou dessa foram dois tipos: o primeiro. faz uso. peso. Não se propõem a nenhuma classificação nova. Ambos os autores têm o mérito de ter dado à tonicidade e atonicidade das formas corpóreas o valor que elas merecem fora do t i p o de predominância. Martiny procura. mas de uma dúvida sistemática. Entre os autores modernos temos Olivier que classifica os tipos utilizandose de medidas biométricas que em conjunto.

O pícnico corresponde ao t i p o digestivo de Sigaud. 10. As características do leptosòmico são: desenvolvimento dominante no sentido longitudinal. o pescoço musculoso. caixa torácica estreita e comprida. os obesos por influência endócrina. Às duas tendências principais denominou de Ciclotímica e Esquizotímica. encontramos Kraus (1897) que elabora sua classificação baseando-se no estudo da capacidade funcional do indivíduo (siziologia) e Brugsch (1918). o abdomem é rijo e fino. mais ou menos dolicocéfala. psicopatas. o nariz longo e o queixo é retraído. É gorducho. de abdome desenvolvido. os eunucóides. Aos esquizotímicos correspondem três formas exteriores: a dos leptosòmicos. Kretschmer. mas sim relacionados com a estatura. contrastando com o desenvolvimento pelviano. Este autor estabelece índices variados que não são referentes a um homem médio padrão. classifica-os em médios. pescoço e extremidades finais. aliadas a uma beleza de formas que tem por base uma perfeita harmonia. de tórax estreito (menor que 51) e de tórax largo (maior que 56). Entre outros autores. desarmonia do conjunto. tronco cilíndrico.Tais tipos coincidem com a primeira e a terceira combinação de De Giovanni. a cabeça é pequena. Aos ciclotímicos corresponde uma única forma. o dorso se estreira para baixo. não somente os casos normais mas também os que se encontram no limiar da anormalidade ou que se encontram em estados psicóticos. Diferentemente do atlético. bem desenvolvidos. em tipos tais como os agigantados. Seu esqueleto e músculos são sólidos.o pícnico. que aceita a orientação de Pende. ossos. Estudando precoce. pois seu sistema antopométrico é calcado nas comparações das medidas entre si.7). fracos e delgados. O atlético caracteriza-se por um aspecto de robustez inconfundível. finos. músculos flácidos. o tórax amplo. porém com uma metodologia diferente. o displásico apresenta formas bizarras. cabelos raros. altos e baixos. relaciona o tipo morfológico com a tendência de se desencadear a psicose maníaco-depressiva ou para a demência . Leva em conta ação das glândulas de secreção interna que agem sobre duas coisas: a forma e o caráter. os anões. etc. dando origem a três tipos: normal (índice entre 51 a 56). ombros estreitos. feiura. distanciamento notável do normal. dando ao todo uma impressão de imponência e força física. ombros estreitos. a cabeça forte. Os ombros são largos. A maior crítica feita a essa classificação é que o autor não considera a parte psíquica no seu método. músculos e pele. gorda. fisionomia larga. Seu índice mais importante é o que relaciona o tórax com a estatura. Pelo valor absoluto da estatura. a dos atléticos e a dos displásicos (fig. as quais abrangem. com acentuada tendência à calvície.

L Figura 10.7 — Os tipos de Kretschmer L — leptossòmico A —atlético P — pícnico A P .

Compassivo. Fantasistas Homens de conflitos e obrigações. A base da teoria tipológica destes autores radica na oposição entre os denominados tipos integrados ou animados (besselter) para fora eos tipos desintegrados ou desanimados para fora. com grande "vida interior"). o quadro-resumo desta oposição tipológica: Tipo animado (integrado) para fora (e também para dentro) Tipo desanimado (desintegrado) para fora (quase sempre animado para dentro) Todas as funções (manifestações vitais) trabalham somato psiquicamente como uma totalidade fechada (integração) Todas as funções se encontram. Fechado ao ambiente. Quase sempre sério. com violentas ou vivas variações do humor. firme ou obstinado. Curso representativo lento e com frequência adesivo e viscoso. às vezes simultaneamente.Merece atenção especial a teoria dos irmãos Henrique e Walter Jaensch. Tempo Firmeza Artistas do viver e hábeis práticos. A forma básica da integração para fora. Soldados de ação e cérebro. independentes entre si (desintegração). Adaptável e acomodável. a título de expicação. Com bom controle da expressão emocional. lábil. Os primeiros são relativamente infantis e os segundo plenamente evoluídos ou adultos. mas animados para dentro (isto é. sua oposta (desintegração aparente) é o denominado tipo tetanóide ou tipo T. quando se encontra acompanhada dos correspondentes sinais somáticos. Teóricos Curso representativo muito vivo e com frequência mutável. Eis aqui. nô-la dá o denominado tipo basedowoide ou tipo B. até certo ponto. Mais propenso à ingenuidade e à alegria infantil. Idealistas e ascetas. . Natureza meiga e flexível Natureza dura e rígida Dirigido para a A r t e e o gozo estético-sensual. Com predomínio afetivo Com predomínio voluntário Dissolvido ou incorporado ao ambiente. irritável ou indiferen te.

embora mais próximo do t i p o T. Ao predomínio do ectoderma corresponde. apresenta os tipos hiper-evoluídos (hiperontomorfo ou epiteliopático) e o hipo-evoluído (mesontomorfo ou mesodermopático). coincidindo com integrações limitadas a determinados territórios de sua individualidade e se faz presente. ao predomínio do mesoderma corresponde. Dentre os escolas modernas de Biotipologia. Stockard (1923) e Bean (1924) criaram classificações estreitamente relacionadas com o desenvolvimento endócrino. extremidades curtas. da tireóide (Stockard). o tipo lítico ou t i p o S. tensão interior e retenção expressiva". em troca. os tipos linear e lateral respectivamente. cerebrotônico de Sheldon e alpino de Gunther. temos que destacar a de Sheldon (1940) e Stevens. especialmente. este exibe uma desintegração patológica. orelhas pequenas redondas e grossas. dando origem a dois tipos relacionados com o hiper e o hipo funcionamento desta glândula. que seria constituído por tronco comprido. viscerotônico de Sheldon. sendo que este autor considera ainda um terceiro t i p o . própria do temperamento que o A A . ESCOLA A M E R I C A N A Nos Estados Unidos. selecionaram vinte manifestações para caracterizar cada uma dessas atitudes (as quais não seria d i f í c i l identificar às três emoções básicas) e propõem definir cada indivíduo mediante uma fórmula numérica-tempe- . denominam de cerebrotônico. bervilíneo ou macrosplâncnico de Viola ou " d i n á r i c o " de Gunther e o t i p o desintegrado é o leptossômico (esquizotímico) de Kretschmer. Bean. uma atitude "dinâmica. corresponde um t i p o temperamental ao mesmo tempo que um tipo morfológico: o predomínio do endoderma se reflete por um aumento da área visceral e pela existência de uma atitude afetiva "branda. Estes dois psicólogos da Universidade de Harward. baseandose na evolução. em indivíduos que possuem uma particular sensibilidade às toxinas tuberculosas. Jaensch. À margem desses tipos. descreveu W. complacente e epicuriana". que se denomina viscerotônica. finalmente. introvertido de Jung. partindo de concepções tipológicas sustentam que. Pacientemente. a qual denominam somatotônica (embora melhor seria denominá-la miotônica).Não é difícil verificar que o tipo integrado é o sintônico de Kretschmer ou o extrovertido de Jung. que do t i p o B. o hipoontomorfo. ao predomínio de cada uma das folhas blastodérmicas no indivíduo. de auto-afirmação e poder". uma atitude de "reserva. nariz largo e curto de grande depressão na raiz e narinas francamente orientadas para a frente.

somatônicas e cerebrotônicas). O 7-1-1 corresponde à extrema endomorfia (predomínio das vísceras digestivas: gordos abdominais). mesomorfia e ectomorfia. obtendo-se as medidas dos valores de cada série de 20 manifestações (viscerotônicas. social. que não tem têmpera em si". Como apreciar e valorizar essas manifestações das três modalidades? Observando o indivíduo durante o período de um ano. de extroversão. um indivíduo que obtém índice temperamental de 7-1-1. a projeção e fixação da individualidade em um plano superficial. submetendo-o a não menos de 20 "entrevistas" analíticas. lhe conferem também três notas. é descrito como viscerotônico extremo e aquele que tem um índice de 1-7-1. de acordo com a tabela do resultado de tais medidas. segundo os AA. em todas as possíveis situações e humores. O 1-7-1 corresponde á extrema mesomorfia (predomínio do esqueleto. ademais. Em troca..ramental. Usa-se uma escala de pontos de 1 a 7 para cada manifestação observada. Quanto ao termo "clivagem horizontal". calcula-se o denominado índice Temperamental. cada um dos quais oscilará entre 1 e 7. Na obra original de Sheldon-Stevens. é descrito como cerebrotônico extremo. Uma vez obtidos os valores de cada uma das 60 manifestações. educativa (cultural) e física. sexual. tomadas sobre uma série especial de imagens fotográficas e quadriculadas do indivíduo despido. nas quais serão colhidos dados referentes à sua história familiar e individual e seu desenvolvimento psíquico nas esferas económica. . 5-6-3. tais como 4-4-6.. para incluir possíveis retificações ulteriores. Para sermos breves. de fixação temperamental para as tendências sensuais. com dissociação nítida do subconsciente e manifesta objetividade. . que dê uma ideia do valor de cada uma delas. escrevendo estas notas com lápis apagável. isto é. é descrito como somatotônico extremo e o que alcança o índice 1-1-7. que marcam sua posição nas escalas denominadas de endomorfia. os autores dão ampla definição de cada uma das 60 manifestações que constituem a escala. e. estática. etc. Para se obter o tipo morfológico neste método os AA. De acordo com este critério. básicas da vida. a "clivagem vertical" indica a propensão para penetrar em profundidade a tendência à introversão e à retroversão (dependência do passado). o qual é usado aqui como sinónimo de centrotônico". que possibilitam classificar o indivíduo com relação à sua estrutura afetivo-reacional. mediante o uso de 17 medidas antropométricas. de sorte que o temperamento de cada indivíduo virá definido por 3 valores. de sorte que o indivíduo dá a impressão de um "metal mole. Tais tipos extremos são raros e o frequente é obter valores intermediários. determinam seu somatotipo e. indica. vamos esclarecer apenas o termo "intemperança". músculos e tecido conjuntivo: atletas ou .

uma discordância intra-individual (somato-psíquica). utilizando-se da altura.Figura 10. etc .desnudez perante o mundo — fragilidade linear.). Inicia a classificação analisando o ângulo de Charpy de onde resultam três tipos (45. 90 e 135 graus). Naturalmente. devem corresponder-se os índices de endomorfia e viscerotonia. depois analisa a altura atingindo um total de 9 classes e finalmente o aspecto da face: triangular. quando não intervém fatores que provocam. O comum é que existam desvios entre o somatotipo e o temperamento. losângica. Mas na vida quotidiana. trapezóide e pentagonal perfazendo um total de 45 tipos. extremidades fracas. o 1-1-7. os casos em que existe tão perfeita concordância.8) ESCOLA BRASILEIRA Na Bahia. representa a extrema ectomorfia (máxima área superficial possível . . secundariamente. . (Fig. Prado Valadares. tórax e abdome planos. . 10. de mesomorfia e somatotonia e de ectomorfia e cerebrotonia.8 — Tipos de Sheldon a — endomorfo b — mesomorfo c — médio d— ectomorfo homens fortes e ligeiros). relativamente. são poucos. o grau de abertura do ângulo de Charpy e a forma da cabeça constitui o chamado tríplice morfológico de Prado Valadares.

10.1). que adotando o método da escola italiana fornece as denominações últimas para essa escola e é aceita pelo próprio Barbara (fig. Q U A D R O II . a que denominou de displásicas e um terceiro grupo. combinação 1a. de acordo com vários autores. combinação 3a.C. outro de mulheres franca e visivelmente anormais. se utiliza de critério natural e simples.5 e quadro 10. combinação respiratório marcroscélico microsplàncnico macroscélico tórax estreito leptossõmico linear hiperontomorfo ectomorfo cerebral . O quadro que segue fornece a classificação biotipológica dos indivíduos. que são classificadas em três grandes grupos: um grupo de mulheres normais.Martim Gomes. seu grupo de estudos foram as mulheres. combinação digestivo braquiscélíco megalospláncnico braquiscélíco tórax largo pícnico latoral hipo-ontomorfo endomorfo meso-ontomorfo mesomorfo 2a. o das intermediárias.TIPOS CONSTITUCIONAIS SEGUNDO V Á R I O S A U T O R E S Autores Hipócrates (460 A. No Rio de Janeiro. combinação muscular mesoscélico normosplãncnico mesoscélico tórax médio atlético Tipos Morfológicos phtisicus 1a. Entre seus discípulos merece destaque Berardinelli. Rocha Vaz e seus discípulos deram grande desenvolvimento á Biotipologia entre nós.) Beneke (1878) De Giovanni (1891) Sigaud (1894) Manouvrier (1902) Viola (1905) Giuffrida-Ruggeri (1910) Brugsh (1918) Kretschmer (1921) Stockard (1923) Bean (1924) Sheldon (1940) apoplecticus 2a.

"quando os fatores ambientais atuam na vida intra-uterina. postural. o processo de vida. colaterais e descendentes que conseguiram ganhar expressão no meio que se desenvolveram. a qual se caracteriza por ser um processo no decurso do qual emergem os traços genéticos e que abrange todas as influências biologicamente transmitidas dos pais às células do sexo. torna-se difícil de entender. Mesmo em atos aparentemente simples como o andar. Malina comentando sobre a nutrição aventa ser esta o fator natural mais importante para o desenvolvimento plástico do indivíduo. citado por Marcondes diz que "estímulos fracos aceleram as funções e estímulos poderosos reprimem-na". O estímulo fraco deve ser de tal forma que seja assimilado. Para Marcondes. em sua integralidade de expressão. Para Marcondes a herança está presente em todo o processo de crescimento e desenvolvimento através do genótipo. . que aliás. que. Essa dialética existente entre o genótipo e o meio caracteriza. Arndt — Schultz. Pikunas acredita ser a hereditariedade o fatorchave do desenvolvimento humano. Marcondes afirma que o conceito de desenvolvimento é relacionado com a aquisição de capacidade e crescimento com o aumento de massa pela hipertrofia e divisão celular (hiperplasia). fisiológica ou mesmo psicológica. segundo Comte citado por Coelho. Para Ford há suspeitas de que não haja uma base física para a hereditariedade. A hereditariedade é constituída de todos os traços encontrados nos antecedentes. imunológica. Em relação ao meio ambiente Silveira o divide em interno — citoplasmático — e externo — ambiente social. infecciosa. torna-se muito difícil distinguir as manifestações genéticas das decorrentes da agressão do ambiente ao feto. porém Stent se contrapõem a essa ideia afirmando ser o DNA a estrutura do gen que abriga sua informação genética. mecânica. Para Pikunas o desenvolvimento é uma sequência ordenada de fenótipos que é a resultante da ação do meio e do genótipo. cabe uma análise que pode ser morfológica. Marcondes e Pikunas entre outros tantos autores abordam o problema do crescimento e desenvolvimento como a interação entre a herança e o meio. O genótipo é a confluência dessas informaçõc que se organizam para se iniciar a ação gênica indispensável ao crescimento e desenvolvimento do organismo. são de diferentes índoles: anóxica. pelo duplo movimento contínuo de assimilação e desassimilação do meio ambiente pelo genótipo. etc". A princípio o crescimento e desenvolvimento se fazem em dialética exclusivamente com o meio interno onde estão dissolvidos os elementos plásticos necessários para que se concretize a informação genética.CAPITULO XI BIOTIPOLOGIA INFANTIL O ser humano é o resultado de uma interação complexa entre o genótipo e o meio ambiente. sendo que só a interação desses conhecimentos se aproxima da realidade.

Dessa forma acreditamos fornecer elementos para melhor compreensão do organismo e estágio de desenvolvimento deste. o metabolismo. estudamos os aspectos gerais do crescimento. puerilismo — dos dois aos 6—7 anos. No capítulo anterior. Dizia Plutarco. bioquímica hemática e psiquismo procurando estudar as mudanças encontradas. respiratório. Pikunas lembra que "o ser humano cresce e amadurece à medida que as dimensões básicas do organismo e da personalidade se desenvolvem. Impelido pelo código genético no seu interior e pela nutrição e estimulação sensorial no exterior. do terreno orgânico da criança." Assim. A dificuldade do estudo não se prende somente ao ser longitudinal. o indivíduo se desloca ladeira acima para níveis mais altos da operação comportamental. tampouco é concebível um educador que ignore as capacidades fisiológicas e as potências psíquicas. adolescência — dos 7 anos até os primeiros fenómenos da faculdade reprodutiva. Resumindo a classificação de Rossi para os objetivos do presente estudo levaremos em consideração o aspecto somático. aparelhos — digestivo. o amadurecimento do sistema nervoso e o psiquismo. A seguir. tão particular e diferente em cada fase de crescimento. "Como não é possível que um agricultor não conheça o terreno no qual deve semear. a tendência simplista de se responder a pergunta da beneficidade ou não de um estímulo sobre o organismo deve ser analisado nos diferentes ângulos: morfológico. puberdade — correspondente ao período de desenvolvimento da diferenciação sexual e juventude que vai da puberdade até a consolidação do esqueleto. e tão d i ferente também em cada educando. Entre nós Marcondes divide os períodos de crescimento e desenvolvimento pelo critério etário. citado por Rossi. de cada fase do desenvolvimento. Rossi divide os períodos e os caracteriza quanto aos aspectos somáticos." A primeira determinação dos períodos de crescimento segundo Rossi data de 1700 e foi realizado por Pagliani: O autor italiano dividia em 5 períodos compreendidos por: infância — 1º ano de vida até completar a primeira dentição. Chamamos então de Neonato ao recém-nascido nos 15 primeiros dias de . fisiológico e psicológico. metabolismo.É portanto na determinação da intensidade do estímulo físico que se en- contra o problema da influência benéfica ou prejudicial da atividade física como elemento que propiciará melhor harmonia e desenvolvimento do organismo e de suas funções. Malina preocupando-se de estudar a açâb da atividade física no crescimento e desenvolvimento abre a pergunta de quanto deve ser esse mínimo e faz sentir a necessidade de estudos nessa área. mas na variabilidade de um organismo para outro e no mesmo organismo de um instante para o u t r o . urinário. dentro da realidade do momento para o organismo. cada qual em seu próprio tempo e r i t m o . serão vistos outros pormenores. temperamento. circulatório e nervoso.

pescoço curto. o psiquismo é quase exclusivamente a prevalência da vida fisiológica e a resposta aos estímulos envolve o corpo todo. índice torácico de 90. Ao nascer. Seu desenvolvimento psíquico já lhe permite uma maior participação no meio compreendendo ordens simples. reflexos cutâneos ausentes. segundo Rossi. usando frases. assegurando com esta utilidade nutritiva as necessidades calóricas do 19 ano de vida. O estágio seguinte. do t i m o e do pâncreas. o estado especial de nervosismo que acompanha a muitas crianças. braquitipo. o aspecto metabólico é caracterizado pela facilidade de assimilação de hidratos de carbono e dificuldade de assimilar proteínas. vai do final do neonato até o final do 1º ano. explica o possível desenvolvimento do raquitismo e do modo particular. a constituição morfológica e dinâmica temperamental do 1º ano de vida. reflexos tendinosos muito vivos. é grande a imperfeição da função cerebral. de um modo particular a associação hipertiroidismo-hiperparatiroidismo da 2ª metade da lactência. justifica. o metabolismo basal é muito alto e a ação específica dos alimentos é quase nula. as necessidades calóricas são de 15o kcal/kg peso. hipopituitário para Pende. é dizer. Dominam os hormônios da córtex supra renal. O temperamento é hipotiroideo para Concetti. Predominam nessa fase todos os hormônios vagotropos favorecedores do metabolismo anabólico com a consequente deficiência dos hormônios simpáticotropos — catabólicos. O parassimpáticotonismo e o predomínio do estado hipertímico linfático associado ao hiperrinsulinismo. . pouco menos desenvolvido que o abdomem. seu peso é 1 /4 a 1 /5 da estatura em centímetros. corre e pede para satisfazer suas necessidades. a altura da cabeça é 1/4 a 1/5 da estatura t o t a l . O aspecto somático é o seguinte: A linha que divide a estatura do neonato passa sobre o umbigo. tem por finalidade essencial assegurar o predomínio do anabolismo sobre o catabolismo. o que assegura também o aumento do peso corporal. os membros superiores são maiores que os inferiores e a envergadura é maior que a estatura. hipertonia muscular fisiológica e sinal de Babinsky. No sistema nervoso vemos que seu volume e peso são 1/4 do definitivo. função da medula espinal bem desenvolvida. braquiesquélico e macrossômico. citado por Rossi.5 cm da cada três meses e meio. o lactente. Resumidamente podemos dizer que se caracteriza morfologicamente da seguinte f o r m a : macroesplancnico cefálico. a erupção dos 19 dentes e a tendência a certas diarreias. o predomínio dos processos assimilativos sobre a desassimilação. o perímetro torácico ultrapassa 7—8 cm da metade da estatura. fibras nervosas pobres em mielina. O metabolismo se caracteriza por oxidações intensas. predominando o anabolismo sobre o catabolismo. Para Pende. na classificação de Godin. a primeira época de desenvolviment o . A fórmula neuro-endócrina com predomínio dos vagotropos. graças à insuficiência pancreática. curto e de base alargada. A lactência é. a circunferência craneana e torácica crescem 2.vida. seu tronco é grande. A altura no final do 19 ano é por volta de 70 c m . a ter mo regulação é imperfeita. tórax relativamente maior que os membros superiores.

aos 2 anos reconhece perspectiva e dos 3 aos 4 anos em todos os planos. "proceritas p r i m a " ou pequena puberdade de Pende se caracteriza pelo crescimento longitudinal e se extende no período do 5º ao 7 º a n o de vida. Suas capacidades físicas de velocidade e agilidade ficam exacerbadas. Marcondes falando da época pré-escolar lembra "a influência benéfica dos exercícios físicos se faz sentir claramente. o que dificulta a resposta plástica aos exercícios. No aspecto psíquico consegue manter equilíbrio em 1 pé só. bonecas inquebráveis. animais. Os exercícios ajudam a desenvolver o tonismo muscular necessário para a postura ereta e marcha. função da atividade física que lhe permite a memória. segundo período de Godin. enovelamento. Os jogos dos 2 aos 5 anos são motores. movimentos laterais do quadril. O crescimento prevalece em peso e amplitude. flexão e extensão dos inferiores. cubos de encaixe. "Os exercícios visam aumentar a independência muscular e aperfeiçoar a coordenação m o t o r a " .. põe sapatos e usa bem a colher. Há o crescimento do pescoço. faz uma ponte com 3 cubos. A necessidade metabólica em calorias é 83 Kcal/Kg/dia para os meninos e 80 Kcal/Kg/dia para as meninas aos 7 anos. O aspecto metabólico basal é máximo no 29 ano. a associação de ideias. a silhueta se define. Na área física o autor supra citado preconiza duas sessões diárias de 5 repetições em cada um dos seguintes exercícios que deverão ser realizados também com o auxilio dos pais: circundação dos membros superiores. exercícios para os músculos dorsais e sacrolombares que podem ser executados a partir dos 2 meses. simples e de imaginação. O período de 2 a 3. apresenta no 2º semestre do 2º ano um notável aceleramento. aos 18 meses reconhece as figuras frontalmente. em grande parte. bem como a marcha e a atitude postural". a proteinemia é muito variável. No aspecto somático encontramos um aumento rápido da estatura. a atenção. exercícios de sentar e equilíbrio para sentar-se devem ser executados após o 4º mês e de ficar em pé e equilíbrio para ficar em pé após os 6 meses que podem se prolongar até os 2 anos. como o engatinhar. a 2 a dentição se inicia. panelinhas para as atividades imitativas do meio social em que se desenvolve. o progresso psíquico da criança é. . o falar mais fluente. responde a perguntas simples e usa orações.nos homens predominam os diâmetros craneanos transversais e nas mulheres os longitudinais. A terceira época de Godin. 0 peso corporal que havia dimunuído em seu crescimento na segunda metade do 1º ano. Há aumento das proporções braquítípicas em ambos os sexos devido ao perímetro torácico.Os brinquedos mais adequados. segundo Marcondes são as sacolas e caminhões para puxar. Segundo Pende a evolução das percepções se faz da seguinte forma. porém não se deve pular nenhuma das fases do desenvolvimento.5 anos caracteriza o terceiro período de crescimento de Pende ou Turgor Primus. relativo estreitamento do tórax e escasso aumento ponderal caracterizando maior longitipia fisiológica.

educadores e pais. obedecer e imitar. a hipertorfia muscular se opõe ao crescimento ósseo. aproximadamente. No aspecto metabólico encontramos hiperfunção da constituição anabólica. O "turgor segundo" de Pende se caracteriza pelo acelerado crescimento ponderal dos 9 aos 11 anos. O temperamento é dominado pelo vagotonismo. o diâmetro transverso do tórax desenvolve-se. os membros superiores sofrem intenso crescimento. nessa fase. hipergenitalismo. V época de Godin. o desenvolvimento muito. Para as mulheres exercícios que desenvolvam a graça e o r i t m o e Tanto Marcondes quanto Godin admitem ocorrer por volta do 12º — 13º ano para os rapazes e 11º .No aspecto psíquico a criança adquire a noçâb de tempo decorrido e assim adquiriu todas as noções tanto auto como halopsíquicas. enquanto o psiconeuromotor é . Silveira e Rossi salientam que o 79 ano é a idade da mentira e que também. hiperpituitarismo. Há a reafirmação da constelação hormônica anabólica. Para Marcondes há um maior desenvolvimento da função respiratória. Há aumento intenso do peso. Quanto aos exercícios físicos nessa época do desenvolvimento preconiza Marcondes uma maior complexidade destes procurando desenvolver responsabilidade e disciplina. A pré-puberdade. hipertimismo. um notável aumento da força muscular. em ambos os sexos. Neste período desehvolve-se a consciência das relações interpessoais. Salienta também que "os exercícios de força seriam usados excepcionalmente. estamos no período pré-realista de Pende que se caracteriza pelo domínio da sugestionabilidade e tendência a crer. Idade em que se formam os costumes morais e mentais pela ação dos colegas. Os exercícios físicos preconizados por Marcondes para essa época divergem conforme o sexo.12º ano muscular é pouco expressivo. Coincide com a queda dos dentes de leite. Também se observam neste período a maioria dos casos de ambivalência sexual por hipertimismo. motivo pelo qual ganha pouca força. Surge a necessidade da crítica e da prova. "proceritas segunda" caracteriza-se por nova crise de crescimento longitudinal. Existe uma evolução na capacidade de trabalho. No aspecto endócrino metabólico podemos ter: uma maior atividade hipercorticossuprarenal-hiperinsulínica-hipertímica com acúmulo de gordura e obesidade infantil ou do grupo tiroides-hipofisea-adrenal com constelação catabólica produzindo magreza submórbida ou mórbida. Deve-se evitar uma educação demasiado sistemática que choque com o real caráter criador. começa o desenvolvimento da crítica. Domínio da extroversão e falta de introspecção. No aspecto psíquico. hipertiroidismo. para as meninas. Há. assim como os inferiores. pois os ossos ainda são maleáveis e os pontos de inserção dos músculos não estão consolidados". É uma fase transitória em que o indivíduo ganha peso graças ao tecido adiposo e pouco devido ao tecido muscular.

ocorre a mudança da voz. há aumento dos testículos e produção dos espermatozóides. Os exercícios de força são largamente utilizados bem como os de aprimoramento da formação corporal. No homem. o exercício físico torna-se um elemento catalizador. . para o desenvolvimento harmónico das potencialidades contidas no genótipo e no meio ambiente em que ele se encontra.para os homens. flexíveis e que desenvolvam a resistência. acompanhado de aumento da espessura dos membros. Do ponto de vista psicológico a puberdade determina profundas modificações tendendo todas a exagerar as características originais. o mesmo acontecendo com os dentes e unhas. Preconiza também para esta época a iniciação esportiva do indivíduo. Nos homens além de mudanças na tonalidade da voz. boas ou más. da pilosidade pubiana e axilar e esboça-se a barba e o bigode. desenvolvimento das mamas e distribuição característica do tecido adiposo. Na mulher o sinal visível é a menarca e o invisível é a ovulação: os pelos pubianos e axilares aparecem e ocorre o desenvolvimento das mamas e dos genitais externos. Para Marcondes a ginástica e o desporto. O acontecimento mais importante da crise puberal é a amadurecimento sexual. Quando respeitados os diferentes períodos de desenvolvimento do indivíduo. um estímulo positivo.na mulher começa com a menarca e no homem com a primeira poluçãb noturna. A puberdade. O sistema piloso adquire o máximo de desenvolvimento. neste período. Na mulher completa-se o desenvolvimento pélvico com o aumento do diâmetro bicristailíaco. Há diminuição do crescimento longitudinal e começa o crescimento em amplitude sobretudo ao nível do tronco. que terão atingido o seu grau máximo de complexidade. dos caracteres individuais. o cérebro adquire seu volume definitivo e o timo deve estar involuido. constituem a base dos exercícios físicos. aumento do penis. VI época de Godin e sétimo período de crescimento de Pende "turgor t e r t i u s " . os que possibliitam movimentos amplos. A pele aumenta em consistência. adquirindo maior elasticidade e hiperpigmentação sobretudo nas zonas genitais. hipertrofia e robustecimento das massas musculares.

a cabeça mais longa. o sexual. alguns evidentes à primeira vista. Pende procurando estudar as diferenças sexuais constitui três índices e classificação consequente. coluna lombar relativamente mais longa e coluna dorsal mais curta. visto que nos meninos a partir dos 11 anos já encontramos uma superioridade no teste da dinamometria. Lordose lombo-sacra mais pronunciada. Caracteres Sexuais Morfológicos Nas mulheres em relação aos homens encontramos além de órgãos tipicamente femininos como os ovários. cordas vocais mais débeis e curtas. que é antecipado na mulher visto este ocorrer antes nelas. Não nos utilizaremos nesta exposição da divisão proposta por Hunter em 1870 (caracteres sexuais primários e secundários). mas que com os conhecimentos endocrinológicos atuais se tornou muito estreita. e outros postos em evidência pela observação mais minuciosa física e funcional. segundo Tanner (1962). cérebro maior relativamente à massa corporal. Todo o sistema ósteo-músculo-ligamentoso mais delicado. A altura da mulher adulta é 10 a 12 cm menores que o homem em igualdade de condições. vagina e vulva. Em poucas coisas nos diferenciamos como nos traços de nossa sexualidade respectiva. base do pescoço mais larga e arredondada. A mulher se distingue do homem por uma série de caracteres morfofísiopsicológicos. mais regular. um dos aspectos mais nítidos da personalidade é. nem mesmo da modificação de Marafión (caracteres genitais e sexuais) porque incide no mesmo incoveniente de dar um caráter radicalmente diferencial a órgãos que tem equivalentes nos dois sexos. Tal aumento se torna generalizado após o surto pubertário para toda a musculatura constituindo elemento de diferenciação entre os sexos. A força. Quanto às características gerais a mulher no seu conjunto apresenta dimensões menores. que antes do surto pubertário é igual para os dois sexos. Esses índices são: ou pela precisão dos instrumentos de antropometria . trompas. A velocidade de crescimento decresce do nascimento até os quatro ou cinco anos.CAPITULO X I I DIFERENCIAÇÃO SEXUAL Como diz Marafión. superfície da pele mais lisa. mostra-se um fator de precoce diferenciação sexual. já clássica. a asperidade onde se inserem os músculos nos ossos são menos salientes. mais cilíndrico. sem dúvida. A resistência. e produzindo por pequeno período maior estatura nas meninas do que nos meninos. Pescoço mais curto. com laringe mais delicada. a força e o desenvolvimento das inserções musculares maiores são características de predominância masculina. para ocorrer uma aceleração no início do surto pubertário.

hipergenitais. começa-se a notar o inverso. Tanner propõe uma fórmula simples para evidenciar a diferenciação sexual: I = 3. aproximando-se das do homem.5 para as mulheres e 91. o índice: Diâmetro bi-trocanteriano X 100 diâmetro bi-acromial apresenta como média 90. bilateral e vertical do crânio. quando há diminuição das características femininas. no homem. quanto mais preponderante o bi-acromial. Na mulher normal há predominância da largura e da altura sobre o comprimento da cabeça. ao passo que os solicocéfalos. Pende classifica as mulheres e m : . O grau de virilidade ou feminilidade será tanto mais acentuado quanto maior ou menor for o índice com relação aos seus valores médios. medindo os pontos supra-púbico e o ponto tibial interno na interlinha fêmoro-tibíal. em que há predominância do segundo sobre o primeiro. Pende (1955). diâmetro biacromial — diâmetro bicrista ilíaca O valor médio desse índice fica em torno de 93 para os homens e 78 para as mulheres. ou quase.1º— Relação entre os diâmetros bi-acromial e bi-trocantérico . comprimento da coxa X 100 comprimento da perna fecundas: 3º- Relação entre os diâmetros longitudinal. As primeiras são as segundas são estéreis. Como já estudamos. No homem haveria inversão destas características: os braquicéfalos são hipogenitais. As médias para os dois sexos são: 83. Na mulher hipoovariana há predominância da perna. mais se acentuam seus caracteres viris.Gualco e Sarperi dizem haver uma estreita relação entre a predominância do diâmetro bi-troncanteriano e a fecundidade feminina.4 para os homens. A medida da coxa se obtém. A mulher braquicéfala seria mais fecunda que a dolicocéfala.Nota-se na mulher bem desenvolvida uma predominância deste sobre o dos membros.1 para os homens. segundo Gualco. 2º— Comprimento relativo da coxa e da perna — Nota-se um maior desenvolvimento longitudinal da coxa que da perna. a medida que a mulher vai desenvolvendo caracteres femininos. Baseado nesses índices e outras caracteríticas auxiliares.4 para as mulheres e 85.

a) Tipo de feminilidade pré-púbere b) Tipo de feminilidade pós-púbere ou pré-maternal c) Tipo de feminilidade maternal d) Tipo intersexual atenuado. A distribuição de gordura é muito diferente no homem e na mulher. O t i p o intersexual atenuado é o que apresenta discreta tendência para a masculinidade. sob uma nova forma. a gordura da mulher invade a parte superior do tronco. Há predominância do timo redução da função ovariana. embora haja mamas bem desenvolvidas. tal localização faz com que. O t i p o de feminilidade maternal apresenta predominância do segmento inferior. aumento da hipófise. na posição ereta. isto é. e estendendo-se para o perineo e margem do ânus. na parte inferior do ventre. na parte inferior. prolongando-se para cima. pés juntos. Caracteriza-se por hiperfunções ovariana. 12. O t i p o evoluído pré-pubere se caracteriza por apresentar bacia pouco desenvolvida assim como as mamas. por . termina numa linha horizontal. espessando-se mais do que na mulher. de aspecto quase infantil. Na mulher há espessamento progressivo e acentuado do panículo adiposo sobre a face interna da coxa desde sua raiz até o bordo interno do joelho. em direção ao umbigo. o que caracteza o tipo matronal.3) Os pelos pubianos tem na mulher a mesma disposição que nos adoslescentes de ambos os sexos. Nos homens ocorrem as "entradas". preponderância da bacia sobre a cintura escapular e a porção superior do tronco é bem acentuada. durante a puberdade. invadindo raramente. 12. com bacia ampla embora haja uma perfeita harmonia de formas. preponderando. que permite. cita o sinal de Stein como um dos caracteres sexuais mais constantes no homem e que constitui da forma da implantação dos cabelos na região frontal.1. as coxas das mulheres permaneçam em contato ao passo que as dos homens apresentam-se geralmente afastadas por um espaço mais ou menos largo.2. nos flancos. Na época preclimatérica e climatérica. Berardinelli. O t i p o de feminilidade pós-púbere é o tipo de mulher adulta bem desenvolvida. isto é. os atrativos físicos da mulher. sendo tal espessamento mínimo no homem. em que há predominância da porção inferior do tronco. o pescoço. na metade inferior do corpo. lembrando o desenvolvimento pré-púbere. os braços. prolongar às vezes muitos anos. nas coxas. A gordura na mulher se acumula de preferência na região mamária. o períneo. pois. a cintura escapular. tiroidiana e suprarrenal. Isso não impede que possam ser belas e algumas vezes. fecundas. 12. na pube. No homem. ao longo da linha mediana do abdome. (Figs. a disposição dos pelos é também feminóide: mas nos anos sucessivos eles se transformam tipicamente.

Figura 12.1 — Perfis masculino e feminino em vistas anterior e posterior para comparação .

a mulher é mais hipertiroidea ou hipertimotiroidea. bem como sua densidade e taxa de ureia menores. Figura 1 2 . 2 . menor energia muscular. maior precocidade sexual e também parada mais precoce da atividade sexual.Baseados nessa característica Felice e Vassal propõem um índice que utiliza o perímetro da coxa e o peso.Perfil do tronco masculino Caracteres sexuais fisiológicos. sendo que na mulher é 20. . maior número de movimentos respiratórios.72% maior na mulheres. menor capacidade vital. quantidade de urina. relativamente hipohipofisária. coração mais célere. menor atividade das trocas gasosas e energéticas em geral. Fisiologicamente a mulher apresenta. hipoparatiroidea. endocrinologicamente. hiposuprarrenálica. segundo Pende. em relação ao homem os seguintes caracteres principais: temperatura um pouco mais elevada e ao mesmo tempo mais lábil.

. o andar do homem se caracteriza por um movimento pendular das coxas e muito reduzida mobilidade pélvica. O andar característico da mulher é devido sobretudo à maior largura da bacia. as vozes nitidamente masculina são as de baixo e de barítono. Como consequência da estrutura menos sólida do seu aparelho ósteo-músculoligamentar. resultando como compensação um certo grau de geno valgo. A voz nitidamente feminina. disso resulta que a mulher para andar deve imprimir uma certa rotação às coxas.3 . o andar. diz Maranon. caracterizam também a mulher.Figura 12. é a de soprano nas suas diversas gradações.Perfil do tronco feminino A voz. e um movimento em báscula mais ou menos acentuado à bacia. a mulher é dotada de menor aptidão motora e à resistência passiva. que obriga as coxas a covergirem mais que no homem. a atitude das mãos e a aptidão especial para certos trabalhos.

Para Maranon. mesmo sob o ponto de vista estritamente prático. como o que se poderia chamar a labilidade da mímica emotiva (riso e choro fáceis). . maior irascibilidade. tendência aos fenómenos dependentes do menor controle dos centros nervosos superiores sobre os inferiores. Pesquisas de Lombroso e sua escola mostram menos sensibilidade dolorosa na mulher. principalmente nas mulheres mais jovens e sem experiência sexual. suporta-a melhor" (Balzac). mais intuitiva do que lógica. linguagem mais célere sendo por isso mais desenvolvidos os músculos da língua como aliás o são também os adutores da coxa.Diferença fisiológica importante. que é rápido no homem e mais demorado na mulher. inteligência mais viva e ágil. mais prática. as mulheres se caracterizam psicologicamente por apresentarem uma afetividade mais aguda que a do homem. Maior emotividade. Caracteres sexuais psicológicos. de desenvolvimento mais precoce. mas. quando ela vem. e uma menor aptidão do que a destes para a atividade abstrata e criadora. (Pende). é a que se refere ao orgasmo. O mesmo pesquisador afirma que as mulheres apresentam todas as formas de sensibilidade mais obtusas do que nos homens. Também para a dor moral as mulheres são mais fortes. "A mulher tem mais apreensão pela desgraça.

R. O estudo biotipológico dos alunos possibilita aconselhar a higiene somática e terapêutica." é formada pelas iniciais de quatro qualidades diretamente ligadas ao aparelho motor e que são: . mais especificamente. de um grupo de alunos e comparando estes dados com os de uma nova tomada. d. aconselhar em educação física. pode-se avaliar a validade do trabalho realizado pelo Prof. os que terão maior rendimento em uma determinada especialidade. em detrimento da harmonia da forma e funções. a Biotipologia constitui base verdadeiramente científica. como consequência do excesso de desenvolvimento muscular e da força dos músculos em determinados segmentos do corpo.F. Por outro lado. c. de Educação Física. e que serão estudadas a seguir. O controle da formação do caráter e do tipo mental.A. oferece material suficiente para se organizar um conceito objetivo e sólido dos seus atributos físicos e psíquicos.F. fatores que não só relacionam a biotipologia escolar com a medicina do trabalho. Assim sendo. cada indivíduo apresenta certas habilidades motoras mais ou menos desenvolvidas e que devem ser consideradas no momento de se indicar um determinado tipo de esporte para esse indivíduo. aconselhar no rendimento e orientação profissional. 0 conhecimento da formação harmónica do tipo geral do corpo. como sabemos. Conhecer e controlar também as aptidões psico-sensoriais e intelectuais.A. senão que fundamentam a base científica da projeção do indivíduo na sociedade. que deve guiar as atitudes do professor de Educação Física e do Técnico desportivo. O conhecimento e o controle das aptidões musculares e psicomotoras. aconselhar sobre higiene mental. Estas habilidades ou capacidades podem ser resumidas na sigla V. que mescla a vida moral e social do indivíduo em formação. Será mais fácil para o técnico desportista escolher os indivíduos que poderão render mais e se comportar melhor em esportes coletivos ou os que terão melhor desempenho em provas individuais e dentre estas.R. Podemos assim. Segundo a escola de Pende. 0 dilucidar controlando a normalidade ou anormalidade do desenvolvimento sexual. pois foi demonstrado que o atletismo não controlado cientificamente pode levar á desarmonia dos biótipos corporais e psíquicos. há cinco aplicações que a ficha biotipológica escolar tem estabelecido na ordem social: a. A palavra "V. melhor avaliá-lo e orientá-lo sobre exercícios mais indicados e os que seriam prejudiciais à sua constituição. quando feita criteriosamente. isto equivale a dizer praticar medicina preventiva. e. coletados no início do ano. De posse dos dados biotipológicos. que necessariamente devem imperar em todo desportista. b.CAPITULO XIII IMPORTÂNCIA DA AVALIAÇÃO BIOTIPOLÓGICA EM EDUCAÇÃO FÍSICA A avaliação biotipológica do indivíduo.

Pode-se mesmo procurar um plano de treinamento para minorar as qualidades negativas do indivíduo e exacerbar suas qualidades. pois. de modo que este é um fator decisivo no estudo da fadiga. A relação entre biótipo e desempenho esportivo pode ser resumida como segue: a. é tática do movimento. O biótipo veloz (taquiprágico — taquipsíquico — hipertireóideo — simpaticotônico) equivale ao t i p o de cavalo de corrida. emparelhadas. em consequência. fácil. velocidade e agilidade traduzem quase sempre um temperamento neuro-vegetativo. São bons atletas para corridas (de longa distância — estatura pequena. diz: "temos que admitir que a velocidade e a força muscular apresentam-se nos diferentes biótipos humanos de forma antitética. o biótipo de menor resistência. e a resistência e a força. A agilidade. ela equivale ao instinto automático do sujeito saber coordenar e precisar seus movimentos. de média distância — mais altos com as proporções mais para a longitipia e os velocistas . Exercícios que necessitem de agilidade para os longilíneos e os que requerem resistência para os brevilíneos. Thooris afirma que nenhum homem é capaz de reunir as quatro qualidades do " V A R F " no mesmo grau. não pode prevalecer a força. equitação. é apreciar que este animal não é somente f o r t e .V — velocidade A . f r u t o da própria experiência. . ao dizer de Pende. comentando o índice " V A R F " . musculatura delgada e frágil. é destreza. enquanto a resistência associa-se com a força. sendo em consequência. agilidade R — resistência F — força Por resistência devemos entender o tempo máximo de duração do moviment o . é arte. acrobacia. arremessadores de dardo. é o que mais rapidamente vai queimando suas reservas energéticas. É esta uma propriedade característica do longilíneo veloz. Assim é que geralmente a velocidade ocorre paralelamente com a agilidade. essa é a função do Educador Físico. Esportes coletivos para os de espírito altruístico e individual para os de tendências mais egoístas. poderíamos indicar esportes competitivos para os estênicos e recreativos para os astênicos. Pende. mas também resistente. se prevalece a velocidade. com tendência à simpaticostenia.tipicamente longilíneos e de musculatura variável). esgrima. voleibol. peso baixo. basquete. vale dizer que. saltadores.destreza. é. são reveladoras de uma tendência constitucional para a parasimpaticostenia. analisando-o de maneira ampla e completa. É conhecida a perspicácia de certos atletas. Determinado o biótipo. Tudo ocorre ao contrário com o cavalo bretão (bradiprágico — bradipsfquico — hiperpituitárico — parasimpaticoestênico). que em jogos olímpicos sabem suprir a falta de resistência ou força muscular com um maior emprego da agilidade. é a inteligência posta a serviço do músculo. em grande parte. Longilíneos — Tem como característica geral a velocidade.

Classificar a parte psíquica pelo método de Rorschach. v. A ectomorfia exagerada.F. R. etc.r. também constitui "handcap" em todas as especialidades atléticas. poliatleta. f.b. (3. Brandão faz uma correlação de alguns esportes com o índice VARF. remadores (estatura alta). teremos possibilidade de entender melhor o nosso educando e melhor avaliá-lo para orientar convenientemente sua atividade física. quase sempre acima de 4. Assim. fragilidade e fatigabilidade. 39 . A. O excesso de endomorfia tem efeito negativo em qualquer desporto. (800.f.F. F. igualando ou mesmo superando a mesomorf ia. c. e. significando debilidade. . levantamento de peso e halteres. parece-nos porém mais aconselhável seguir a orientação de Silveira.A. A ectomorfia é condição necessária para as corridas de fundo e meio fundo e para saltos. mostra o seguinte: a. tem possibilidades de brilhar como atletas. terrestres ou aquáticas. os praticantes de alto padrão são sempre mesomorfos.R. Ginástica de aparelhos. A. que transcrevemos: Corredores de velocidade Corredores de meio fundo Corredores de velocidade prolongada Corredores de fundo Saltos e barreiras Arremessos Futebol e basquete Levantamento de peso Lutadores Boxeadores Esgrima (100. Como vemos. 29 — Classificar a face do temperamento pela escala de Sheldon.a. Brevilíneos . judo.A. V.5 e 10 mil m) V. Só os indivíduos de mesomorfia considerável. Em desportos que necessitam de mais força.Tem como característica geral o equilíbrio das formas. F.f. (400 m) V. de intensidade igual ou superior a 5. lento e pouco resistente. F. 19— Classificar a face morfológica.R. R. . utilizando-sea metodologia proposta por Viola e a classificação de Berardinelli. b. natação (tendência para a longitipia). V. F. v. há diferentes aspectos a serem considerados de acordo com os vários autores. d.A. R.a. Sâb bons atletas para lutas (luta romana. 200m) V. c. V. . r. Um estudo feito com atletas participantes de jogos olímpicos. Normolíneos . que tratam do assunto.500m) V. A.Tem como característica a força. o grau de mesomorfia é superior a 5. r. futebol. A. v.R. nadadores (devido ao bom desenvolvimento da caixa torácica). v. pentatlo ou decatlo. F. social e intelectual.R. A. R. pois torna o indivíduo pesado. 1. a.F. Nas provas de velocidade.).

as "performances" se avaliam segundo o cânone olímpico. Passamos a transcrever o modelo das duas fichas adotadas neste encontro e que se denominam: "controle m í n i m o " e "avaliação propriamente d i t a " . desenvolvendo suas qualidades e respeitando suas limitações. Provas cárdio-vasculares: estudo do pulso e da pressão arterial. Assumindo essas diretrizes. morfologia constitucional e fisiológica e psicometria. a. Peso. os caracteres somáticos e psíquicos individuais. pode-se fazer a seleção. o que se pode obter através da ficha biotipológica. que compreende: a. altura e peso. Pende apresentou uma ficha biotipológica para aplicação em esportes. Perímetro torácico na inspiração e na expiração. 2a. O Congresso de Chamonix ocupou-se somente da primeira parte. FICHA BIOTIPOLÓGICA DE NICOLA PENDE EM EDUCAÇÃO FÍSICA Como resultado do estudo aqui apresentado. Nos indivíduos adultos. podemos dizer que a ficha biotipológica da educação física não pode ser outra que a ficha biotipológica da educação mental. podemos organizar grupos homogéneos segundo a idade. Assim. por conseguinte. No Congresso Internacional de Educação Física de Chamonix (Suiça) em 1934. que f o i aceita na ocasião por uninimidade. Exame de urina. Amplitude torácica. Exame dos pulmões. deduzimos a necessidade do conhecimento integral da personalidade física e psíquica. b. segundo o ponto de vista de seus temperamentos e capacidades intelectuais. há a possibilidade de que ocorra uma verdadeira reforma educacional. Antecedentes patológicos. mas também da cultura física. ambas devem necessariamente complementar-se. sexo. mas identifica-se com a pirâmide biotipológica . Provas funcionais antes e depois do esforço — tempo para retornar ao normal. como diz Rossi. deste autor. A ficha consta da avaliação dos seguintes tópicos: antropometria. Os resultados das "perfomances". Após essa análise. A l t u r a . graduação e classificação não somente da cultura mental. Provas respiratórias: espirometria. como na verdade se completam. isto é. A ficha do controle mínimo contém os seguintes dados: Idade no momento do exame. O controle e a avaliação biotipológica.atuando em nível curativo e profilático. Observação do médico A ficha de avaliação compreende duas partes fundamentais: 1a. Como vemos. exame das vias aéreas superiores. diferencia-se somente pelo nome. Perímetro torácico médio. como também.

perímetros dos braços direito e esquerdo. b. 1º— Exame antropométrico. c. epigastropúbico e dos membros superiores e inferiores. 3º— desportiva. Os exames psicométricos. faz-se um novo exame respiratório e cárdío-vascular. c. Cada um destes itens será explicado a seguir. Esta parte concerne somente ao médico e ao probando. abrange: 1º — Exame das funções sensório-motoras. comprimento do membro inferior e peso corporal. Exame psicométrico (segundo Pende). estuda pontos especiais relacionados com a especialização . Exame antropométrico e morfológico. Dinamometria horizontal e vertical. d. perímetro abdominal médio. ú t i l para t o d o exame biotipológico e orientação desportiva. No exame deitado: determinação dos pontos: manubrial. espessuras. com elevação dos joelhos até um plano horizontal. Exames funcionais. perímetro torácico. Depois desta prova horizontal. xifoideano. deduzimos os comprimentos xifo-epigástrico. Pressão máxima. Tipo morfológico. Capacidade vital. Eletrocardiografia. Provas de trabalho: podem ser feitas as seguintes: uma corrida " i n s i t u " durante dois minutos. 2º Exame morfológico-constitucional. Os exames funcionais. do tronco e membros.b. maleolar. Exame radiológico do tórax e do aparelho cardiovascular. púbico. Consta de: 1. A segunda parte. perímetros das coxas direita e esquerda. pesos. 2º — Exame das funções intelectuais. Exame das funções afetivas. Fórmula corporal. Exame das funções sensório-motoras. movimentos e atitudes. envergadura. mínima e mediana. Antecedentes patológicos. O exame antropométrico e morfológico. Frequência respiratória em repouso (de pé). Aborda os seguintes itens: altura. Pesquisa da albuminúria depois do trabalho ' T e s t e " da fadiga de Donnaggio. a razão de dois saltos por segundo. Compreende duas partes: a primeira. abdominal t o t a l . acromial e da interlinha do punho. No exame em pé: determinação dos diâmetros torácicos (transversal e ântero-posterior). 1a. Com estas medidas. a. Dedução dos índices: torácicos. epigástrico. Acuidade sensorial. hipocondríacos (transversal e ántero-posterior) e dos membros superiores e inferiores. d. Finura de apreciação das formas. parte: Estudo da orientação desportiva. diâmetro biacromial. Tempo de retorno à normalidade.

3. golf. que são: 1. Determinação do "perfil psicológico". brevilíneos e normolíneos. Estudo da capacidade de repetição de esforços iguais. segundo o sistema de Viola. tem sido criado os índices largo-longo. . honestidade. largo-longo do pé. e. 2ª parte: Determinações especiais relacionadas com especializações desportivas. e. Compreende o peso corporal e a estatura e 41 medidas assim distribuídas: cabeça: seis pescoço: três tórax: nove abdome: seis membro superior: nove membro inferior: oito Figuram aqui as dez medidas fundamentais e suas relações recíprocas. Suscetibilidade à dor (boxe) A ficha proposta por Pende tem os seguintes fundamentos e aplicação ao caso: 19 Avaliação morfológica do biótipo. Estabilidade (tiro) 3. submersão) 5. pingpong. e. que se obtém com uma ficha de exame do t i p o adotado para a orientação profissional. Velocidade de reação (esgrima) 2. estabilidade. Expressa em medidas elementares. modificado. largo-longo abdominal superior. Estudo de predomínio do direito ou esquerdo dos membros superiores e inferiores e dos olhos (preferência para fazer a mira). 2. Susceptibilidade às perturbações emocionais. Em todos os casos se realiza: IP ) uma prova de atenção e 29) provas de nível intelectual. Apreciação de distâncias (jogos de lançamento. largo-longo abdominal inferior. 4. Para classificar os longilíneos. 7. Visão estereoscópica (ténis) 4. Exame das funções afetivas. largo-longo torácico. largo-longo da mão. se registram os quocientes de crescimento do peso e do perímetro torácico e as relações: Estatura-peso e Estatura-perímetro torácico. c. f. Caráter. b. Poder de decisão rápida. Exame das funções intelectuais. Em continuação. 3.Investigação da regularização dos movimentos. g. Estudo das velocidades reacionais. a. ténis. largo-longo facial. h. Resistência à distração. 1. 6. Provas de esforço. d. etc) 6. a classificação do biótipo morfológico se manifesta em graus centesimais. sugestibilidade (aparelho de Binet). 5. Tenacidade. por provas de " t a p p i n g " pontaria. Integridade das funções vestibulares-autitivas (natação. largo-comprido cefálico. polo. Idem aos afetos. 2. Idem à monotonia e ao sono.

no dinamismo e psiquismo individual. Adaptação aos diversos trabalhos mentais. metabolismo basal. Mesmo com os esforços que muitos grupos vem realizando na área de avaliação da criança há necessidade de pesquisas multidisciplinares que venham correlacionar os diferentes níveis de manifestação do comportamento humano. a qualidade moral dominante e a tendência afetiva orientadora da conduta. os do hemolinfopoiético. força. . grau de memória e da capacidade de observação. Síntese do biótipo. . O apêndice etnológico permite resumir conclusões sobre o tipo de raça individual. Predominância do sentido analítico ou do sintético. resistência. define-se o tipo de caráter. 3º — Avaliação do caráter individual (face moral). Entre nós Negrão & Molinkiss. Compreende o exame da capacidade muscular dos diversos segmentos corporais. controle de certos movimentos. exame da excitabilidade neuro-muscular e dos reflexos.. Registram-se os resultados do treinamento ginástico e desportivo e seus efeitos na morfologia.. Atitude introspectiva-extrospectivado espírito. gregário. os sentimentos egoístas e altruístas. . exame das diferentes sensibilidades. exame de urina antes e depois de um exercício conhecido. a vontade e o auto-controle. a conduta de adaptação ao ambiente. que se encontram no prelo e que irá constituir importante referencial prático e simples na avaliação dos alunos em suas capacidades físicas. Utilidade do trabalho efetivo (excelente. 2º — Avaliação funcional do biótipo. trabalhando com crianças do Sesi. bom. Estas observações tratam de avaliar as seguintes qualidades: grau de inteligência global. Influência da esfera emotiva sobre os pensamentos e destes sobre aquela. exame de urina antes e depois de um exercício de controle. Estudam-se os instintos fundamentais: conservação. insuficiente). aos de Gualco e Berreta. das modificações hemáticas da fadiga. investigação de uma predominância neuro-vegetativa simpática ou para-simpática ou pneumogástrica. etc . diagnóstico do temperamento endócrino. em jejum e depois em exercício de controle. dinamometria dos principais territórios musculares complexos. do abstrato e lógico e do sentido crítico.. Tempo de elaboração dos processos ideativos. Com este estudo. Ainda no solo pátrio o laboratório de São Caetano tem procurado determinar testes para a realidade brasileira e que já constitui publicação disponível nas livrarias.Os índices do desenvolvimento sexual se ajustam à diretivas de Pende e Gualco. estabelecem padrões de referência para determinadas provas de avaliação física como: velocidade. ataque-defesa. aos de Pende e Berreta. 4º — Avaliação do grau e forma da inteligência. grau de atenção. reprodução. Atitude e predisposição do sujeito a um trabalho especial. exame do aparelho do equilíbrio. a emotividade global. Resistência ao trabalho intelectual. os do desenvolvimento cardíaco. Desenvolvimento do pensamento fantástico-místico. medíocre.

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