Presidente da República Federativa do Brasil João Figueiredo Ministro da Educação e Cultura Esther de Figueiredo Ferraz

AVALIAÇÃO BIOMÉTRICA EM EDUCAÇÃO FÍSICA

MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO E CULTURA SECRETARIA DE EDUCAÇÃO FlSICA E DESPORTOS

- SECRETARIO G E R A L DO MEC Sérgio Mário Pasqualí SECRETARIO DE EDUCAÇÃO FÍSICA E DESPORTOS Péricles Cavalcanti SUBSECRETARIO DE DESPORTOS (SUDES) Antonio Celestino Silveira Brocchi - .

OLIVEIRA .AVALIAÇÃO BIOMETRICA EM EDUCAÇÃO FÍSICA ROMEU RODRIGUES DE SOUZA Professor Assistente Doutor Departamento de Anatomia Universidade de São Paulo JOSÉ ARI C.

através da mensuração. HÉLIO JOSÉ MAFFIA Diretor da Escola Superior de Educação Física de Jundiaí Preparador físico do Esporte Clube Corinthians Paulista Ex-preparador físico do Paulista Futebol Clube de Jundiaí Ex-preparador físico do São Paulo Futebol Clube Ex-preparador físico da Sociedade Esportiva Palmeiras Ex-preparador físico do Guarani Futebol Clube Ex-preparador físico da Seleção Brasileira . a preocupação de seus autores em atender a especialistas e estudiosos do assunto. antes de ser uma obra dedicada ao campo da Medicina.APRESENTAÇÃO AVALIAÇÃO BIOMÉTRJCA EM EDUCAÇÃO FÍSICA. Não obstante ser uma obra didática. propiciando ao estudante a assimilação de maneira clara e objetiva. ela permite a treinadores e preparadores físicos. é uma orientação didática na área da Educação Física. PROF. Este trabalho demonstra pois. uma segura mostragem evolutiva do atleta nos sentidos qualitativo e quantitativo do treinamento.

CAPITULO I Generalidades sobre medição e avaliação em Educação Física CAPITULO II Agrupamento dos dados: Ficha Biométrica CAPITULO III Seleção das medidas. Técnica geral das medidas CAPITULO IV Análise e Interpretação dos dados: Noções de Estatísticas CAPITULO V Avaliação das dimensões e proporções externas do corpo e seus segmentos CAPITULO VI Avaliação do Estado Nutritivo: Medida da espessura de pregas cutâneas e peso CAPITULO VII Medida da capacidade vital e cardiocirculatória.ÍNDICE Pág. Força muscular CAPITULO VIII Avaliação do crescimento CAPITULO IX Biotipologia: Aspectos gerais CAPlYULO X Teorias biótipológicas CAPITULO XI Biotipologia infantil 7 13 17 23 37 77 83 93 103 107 127 CAPÍTULO XII Diferenciação sexual CAPITULO XIII Importância da avaliação Biotipológica em Educação Física 133 141 .

acompanhar o progresso de um trabalho. Em outras palavras. como ciência. da mente e educação social. para que o programa a ser elaborado seja o mais efetivo possível ás necessidades individuais. para depois aplicar-lhe um programa adequado à sua situação. Este conhecimento. aquilo que pretendemos desenvolver para. ou seja. a Educação Física só poderá atingir seus objetivos em relação a um indivíduo. A educação do físico subentende desenvolver no indivíduo aptidão física. temos que medir continuamente os parâmetros que queremos desenvolver. aplicar um trabalho de desenvolvimento. O desenvolvimento da aptidão física vai possibilitar ao indivíduo exercer melhor suas tarefas diárias e sentir-se melhor ao final de cada dia. NECESSIDADE DE SE MEDIR EM EDUCAÇÃO FÍSICA Entre outras razões que podem explicar a necessidade de medidas. A aplicação de tal programa exige conhecimento prévio das condições físicas. se ela puder fazer um programa específico de acordo com suas necessidades. é preciso saber inicialmente em que situação se encontra nosso aluno. a Educação Física visa também desenvolver no jovem a capacidade para a recreação. a capacidade de dar-se bem com os outros. e a aptidão social. Em resumo. necessitamos medir antes. Todas estas fases requerem medições.CAPITULO I GENERALIDADES SOBRE MEDIÇÃO E AVALIAÇÃO EM EDUCAÇÃO FÍSICA EDUCAÇÃO FÍSICA: OBJETIVOS A Educação Física. por outro lado. Ao lado da aptidão física. elas podem ser utilizadas. . determinar o estado de aptidão atual de um aluno. Entretanto. voltamos a analisar suas condições para podermos avaliar os resultados. é educação global: educação do físico. saúde. Mais tarde. para sabermos se estamos conseguindo resultados satisfatórios. ou seja. participar com gosto de atividades recreativas. o professor de Educação Física pode obter através de técnicas de avaliação e medição. especialmente. se for uma criança. fisiológicas e psicológicas atuais da pessoa a quem ele é dirigido. desempenho eficiente em atividades motoras e um corpo esteticamente bem constituído. De posse das informações obtidas. estabilidade emocional. serão citadas apenas as seguintes: divisão em turmas homogéneas. isto é. a seguir.

Objetivos deste compêndio A Biometria humana tem pois um campo muito amplo. Hegg e Luongo (1971) definem Biometria como "o ramo da Biologia que estuda os caracteres mensuráveis dos seres vivos. CONCEITO DE BIOMETRIA Para se esclarecer o conceito de Biometria. Entretanto. . A medida do progresso obtido em um trabalho é fundamental visto que quando sabemos que estamos melhorando. nas páginas seguintes. amparado pela análise matemática e estatística". As doses e intensidade do trabalho a ser realizado ficam mais objetivas e especificas. bios e metria. uma definição mais coerente. que significam. com o fim de determinar as leis que os regem". é um problema muito complexo definir o que é a vida em todas as suas manifestações e a medida de todas elas não cabe nos limites de um curso. respectivamente. serão abordados somente os aspectos relacionados a certo grupo de mensurações. especialmente aquelas que apresentem alguma importância para a Educação Física. sem dúvida. porém falta especificar os três níveis morfológico. preferindo entender Biometria como "a ciência que procura traduzir numericamente os fenómenos biológicos. quando medimos a altura de um grupo de alunos estamos fazendo Biometria. A determinação das aptidões e qualidades de um aluno é muito importante para se conduzir um trabalho físico pois assim este poderá ser o mais adaptado possível às necessidades dos alunos. A ciência que trata das medidas corporais é a Biometria.Agrupar homogeneamente facilita a quem ensina e a quem aprende. nossa motivação aumenta. estabelecendo relações entre os dados assim obtidos. vida e medida. A Biometria começou em 1901. Assim. O mesmo se pode dizer quando determinamos a frequência cardíaca ou a respiratória dos alunos em relação com a intensidade de um certo exercício. Biometria é uma palavra composta por dois radicais gregos. A avaliação do progresso permite ainda mudanças e adaptações no trabalho. na Inglaterra. os quais estão subentendidos na expressão "fenómenos biológicos" e que são os níveis em que será estudado o indivíduo. cujo conceito veremos a seguir. compreendendo de modo geral o estudo das mais variadas medidas relacionadas ao corpo humano. Gomes de Sá (1975) classifica esta definição de simplista e a critica por levar a interpretações ambíguas. visando sempre atingir nossos objetivos. Entretanto. Temos assim um primeiro conceito de Biometria que é "a medida da vida". fisiológico e psicológico. vamos iniciar estas considerações com a análise deste termo. Esta é. Pode-se dizer em um sentido geral que a Biometria é a ciência que estuda quantitativamente os fenómenos vitais.

poderemos verificar se o peso está diminuindo ou não com essa dieta. IMPORTÂNCIA DA BIOMETRIA EM EDUCAÇÃO FÍSICA A ciência evolui quando os fenómenos estudados podem ser medidos. peso. Precisamos pois conhecer bem o indivíduo a quem dirigimos o trabalho físico. acertar a dose ideal. Ao realizar um trabalho físico. A Biometria Estática estuda os aspectos mensuráveis do indivíduo em um determinado instante sem se preocupar se estes variam ou não no tempo. Depois de um certo tempo. em um determinado instante. aspectos importantes como a altura. Em Educação Física. Neste conhecimento estão incluídos os aspectos mensuráveis do indivíduo. Claude Bernard afirmava mesmo que só pode haver ciência quando se pode medir os fenómenos. permitindo assim. fisiológico e psicológico. Os resultados vão mostrar se o exercício está sendo muito ou pouco intenso. A medida da altura de um indivíduo em um dado momento representa um exemplo. Outro exemplo seria a variação do peso. Um exemplo típico é o estudo da variação da frequência cardíaca com doses de um determinado exercício. de um ou mais indivíduos quando submetidos a uma determinada dieta. etc. comparar. construir tabelas. Aqui está incluída a Biometria humana que estuda o Homem sob os pontos de vista: morfológico. A Biometria Especial estuda aspectos mensuráveis particulares do seres vivos. A Biometria Dinâmica estuda as relações entre vários aspectos biométricos e um trabalho físico em função do tempo. tanto animais quanto vegetais. para que possamos analisar. é outro exemplo. . os exercícios aplicados só produzem efeitos benéficos quando bem dosados em qualidade e em quantidade. batimentos cardíacos só terão valor se puderem ser medidos. A determinação da frequência respiratória.DIVISÕES DA BIOMETRIA A chave seguinte resume as divisões da Biometria: De acordo com os objetivos do trabalho biométrico De acordo com o modo de abordar os fenómenos em relação ao tempo e espaço A Biometria Geral estuda aspectos métricos ligados aos seres vivos em geral.

Com isto. os selecionados. d. mas devido a sua importância. Estas deficiências serão então tratadas . Os objetivos principais do trabalho biométrico em Educação Física são os seguintes: a. serão aqui estudados com mais pormenores. fisiológico ou psicológico procura verificar a existência de semelhanças entre eles dando ideia dos fenômenos comuns a determinados grupos. procuramos formar turmas homogéneas e para isso necessitamos classificar os indivíduos usando parâmetros como a altura e o peso. Através da aplicação de provas específicas. Os normais obtém nessas provas resultados previsíveis. Deste modo. No caso de escolares. ao aplicar um trabalho físico. Determinar o valor físico do indivíduo. tem-se uma ideia do seu estado físico atual. resultados melhores que os previsíveis e os poupados não atingem estes valores esperados. no exame de seus alunos. pode-se utilizar a medida de certos parâmetros como o pulso e a frequência respiratória por exemplo. Detectar deficiências físicas. utiliza-se ainda o item inapto ou dispensado àqueles alunos que não são capazes de realizar nenhuma atividade física. podemos classificar os indivíduos em normais. Detectar assimetrias de forma. Algumas assimetrias podem inclusive ser corrigidas através da aplicação correta de exercícios adequados. OBJETIVOS DO TRABALHO BIOMÉTRICO EM EDUCAÇÃO FÍSICA Estes aspectos foram já esboçados em item anterior. c. que exigem novos esforços. como vimos.Aqui estão dois exemplos da aplicação de conhecimentos biométricos em esporte: a. b. Através de exames periódicos do indivíduo pode-se detectar certa falta de adaptação do organismo frente a determinados exercícios. para acompanhar os progressos de um grupo submetido a um trabalho físico. A formação de grupos com características semelhantes é importante pois. o que é de grande importância pois assim ele poderá encaminhar o aluno para tratamento adequado. Pode-se descobrir assim. pode-se dosar os exercícios físicos que serão aplicados. A Biometria. detectar algumas assimetria de forma. deficiências que geralmente se traduzem por cansaço ou fadiga. São feitas várias medidas e exame médico no indivíduo. Determinar a condição física do indivíduo. ao estudar os indivíduos seja do ponto de vista morfológico. Como se sabe. os fenômenos biológicos caracterizam-se por sua grande variabilidade. selecionados e poupados. b. a homogeneização de grupos facilita a aplicação de um trabalho físico. O professor de Educação Física poderá.

Através de exames biométricos poderemos acompanhar a dosagem dos exercícios. os indivíduos terão um melhor rendimento. e. quando se pretende administrar exercícios ou orientar e selecionar para práticas desportivas. Psicologia e Bioquímica. os brevilíneos devem ser orientados para esportes que requerem força e resistência. Além disso. tais como: arremesso do martelo e levantamento de peso. devido ao maior desenvolvimento dos membros que apresentam estes indivíduos. pois também são ramos da Biologia: Anatomia. com menor gasto de energia. como a Estatística. brevilíneos e lingilíneos. os longilíneos adaptam-se melhor com esportes que exigem velocidade e agilidade. Daí a importância do trabalho biométrico bem realizado f. Determinar o tipo constitucional (biótipo ou somatotipo). Assim sendo. . adaptando-os às necesidades de cada indivíduo ou grupo. pode-se ter ideia do rendimento e dos resultados que se está obtendo com a aplicação daqueles determinados exercícios em função da finalidade que se tem em vista. ao contrário. como corridas de velocidade e saltos. Os primeiros tem maior desenvolvimento no sentido longitudinal enquanto os brevilíneos desenvolvem-se mais no sentido transversal. os brevilíneos. Este assunto será mais bem estudado posteriormente. Cada um destes tipos constitucionais possui em graus diferentes os elementos da sigla VARF (velocidade. Assim. agilidade. São amplamente conhecidos os três tipos constitucionais da Escola Biotipoiógica Italiana (Viola e Pende): normolíneos. para se realizar estudos biométricos. Os brevilíneos e os longilíneos são os tipos extremos e o normolíneo é o tipo médio. devido a sua maior massa corporal. a variabilidade dos fenómenos biológicos torna os indivíduos diferentes uns dos outros. têm maior resistência e força. Dosagem dos exercícios e avaliação dos resultados. Bem orientados.convenientemente antes que produzam lesões mais graves e irreversíveis no organismo. resistência e força). Particularmente importantes para a Biometria são a Matemática e a Estatísticas. predominam a velocidade e a agilidade. nos longilíneos. Aqui veremos apenas alguns aspectos. Daí a necessidade de se utilizar ciências Matemáticas. Fisiologia. CIÊNCIAS AFINS À BIOMETRIA Algumas ciências estão muito relacionadas com a Biometria. Nos normolíneos há equilíbrio destas quatro qualidades. O conhecimento do tipo constitucional de um indivíduo permite orientálo para determinadas atividades físicas mais indicadas para aquele tipo de indivíduo. Classificar um determinado indivíduo em um destes grupos é muito importante em Educação Física.

Depois de coietadas. as medidas devem ser analisadas e interpretadas. Isto requer adiante. conhecimentos básicos de Estatística que serão apresentados mais .

Entretanto. o peso e a altura. digestivo e outros). Uma ficha biométrica poderia conter inúmeros dados. mas. Deve ser orientado de acordo com a idade e modalidade desportiva do indivíduo. as medidas a serem obtidas são agrupadas em uma ficha denominada ficha biométrica que será preenchida quando da realização do exame do aluno. exame clínico geral e especial e exame biométrico. as medidas a serem colhidas enquadram-se nos três níveis: morfológico. Itens fundamentais de uma ficha biométrica Entre os itens fundamentais de uma ficha biométrica. fisiológico e psicológico. Aqui incluem-se também exames de laboratório e outros que se fizerem necessários. d. como já vimos. são várias as mensuraçôes possíveis no corpo humano. b. antecedentes. Alguns denominam a ficha biométrica de médico-biométrica porque vários dados devem ser colhidos exclusivamente pelo médico. fisiológicas e psicológicas sobre um determinado indivíduo e que permite fazer um julgamento sobre suas condições de saúde e suas aptidões atuais. Exame biométrico: as medidas a serem tomadas vão depender da finalidade que se tem em vista. idade e outros dados pessoais. Geralmente são colhidos obrigatoriamente. Esta escolha depende então da finalidade que se tem na realização do trabalho físico. e assim sendo temos que escolher certas medidas de acordo com os objetivos que temos em vista. Antecedentes: refere-se aos antecedentes pessoais e familiares. Exame clínico geral e especial: consiste no exame dos vários sistemas orgânicos (respiratório. Análise dos dados obtidos Através da análise dos dados da ficha biométrica. a. c. devem ser selecionadas algumas medidas convenientes ao trabalho que vamos realizar. CONCEITO DE FICHA BIOMÉTRICA A ficha biométrica é portanto um documento que contém informações morfológicas. Depois de escolhidas.CAPITULO II AGRUPAMENTO DOS DADOS: FICHA BIOMÉTRICA Como já sabemos. Identificação: aqui são colocados o nome. poderemos tirar conclu- . serão apresentados os seguintes: identificação.

de acordo com a finalidade que se tem em vista. b. em parte. É preciso saber quais são estes dados para que possamos analisá-los.Através da análise e interpretação dos dados obtidos na ficha. Entre os aspectos não mensuráveis do indivíduo. destacam-se alguns relacionados ao conceito de raça. podemos saber quais as possibilidades de cada aluno em diversos esportes com fins competitivos. apresenta alguma deficiência que o limita para atividades desportivas. é necessário verificar como o organismo está reagindo e que resultados estamos obtendo. d. como a cor da pele. Detectar assimetrias de forma — Quando em presença de uma assimetria de forma o professor de Educação Física deverá orientar o aluno convenientemente. a antropologia física. aqui podemos relembrar o que já foi dito sobre este assunto: os aptos serão considerados normais ou selecionados segundo os resultados obtidos em provas específicas sejam os esperados ou superem estes resultados.Aplicado um trabalho físico. dos olhos e dos cabelos. c. Este é o estudo do desenvolvimento físico do homem e utiliza como métodos de estudo. Determinar o somatótipo — A determinação do somatótipo ou tipo constitucional vai permitir compreender e orientar melhor cada aluno. A primeira estuda aspectos não mensuráveis do homem. o tipo morfológico. fisiológica e psicológica. O estudo dos tipos raciais tem importância pois eles estão ligados aos tipos morfológicos ou somatotipos dos indivíduos. de nenhuma forma. podemos adequar os exercícios em duração e intensidade ás necessidades individuais. pode ser prescrita a ginástica corretiva. 0 indivíduo poupado. Os dados morfológicos constituem uma série de informações que pertencem em última análise a uma ciência mais ampla. .soes a respeito do aluno e que são os mesmos objetivos do trabalho biométrico: a. apto. O indivíduo apto tem condições tais que pode praticar qualquer tipo de esporte. como já sabemos. e a raça determina. Selecionar para a competição — Através da análise dos dados constantes da ficha biométrica. Avaliar resultados . Dosar exercícios . f. A antropometria é o estudo dos aspectos mensuráveis do homem. Esta deficiência pode ser transitória ou permanente. são de ordem morfológica. Determinar a condição física — Com base nos resultados do exame feito o indivíduo será considerado. poupado ou inapto. Em alguns casos. Dados do exame biométrico As medidas e dados constantes da ficha biométrica. O inapto ou dispensado é o indivíduo que não pode exercer atividades físicas. e. a antroposposcopia e a antropometria.

negra. e mais especificamente ao funcionamento dos sistemas respiratório. As medidas fisiológicas referem-se aos sistemas orgânicos em geral. Os dados de ordem psicológica constantes da ficha biométrica referem-se apenas a uma "impressão" a respeito do estado do indivíduo. Lissótricos são cabelos lisos.Assim. ulótricos e cimatótricos. . As medidas morfológicas a serem colhidas serão grupadas sob o t í t u l o geral de medidas biométricas somáticas ou morfológicas. em qualquer caso. pois medidas em Psicologia. amarela. o seu estudo tem importância pois os tipos morfológicos estâo relacionados com o desempenho atlético. verde e azul. ao estado nutritivo e à maturação sexual. Uma série de aspectos externos e medidas caracterizam cada grupo racial. podemos compreender raça como um grupo de indivíduos com características semelhantes. ulótricos são cabelos encarapinhados. c) Cor dos cabelos . Pode-se determinar também a cor da pele comparando-a com quadros representativos dos diversos matizes (escala cromática). b) Cor dos olhos — Pela simples observação. fazem parte de uma ciência mais ampla. examinar uma parte que habitualmente é coberta pela roupa. Alguns destes aspectos são: a cor da pele. próprios da raça negra. cor dos olhos. Como a raça determina o t i p o morfológico. classificandoa neste caso em branca. a) Cor da pele — Pode ser determinada pela simples observação. louros e avermelhados. São também englobados neste item as medições relativas ao crescimento. com cores diferentes. d) Forma dos cabelos — Quanto à forma os cabelos são classificados em lissótricos. pretos. Os cimatótricos são os cabelos ondulados. circulatório e muscular. Existe também uma escala cromática constituída por fios coloridos. Deve-se. podemos classificar a cor dos olhos em castanho. transmitidas hereditariamente e que se repetem no grupo de modo a imprimir-lhe um aspecto diferente de outros grupos.Através da observação podemos classificar os cabelos em castanhos. preta. dos cabelos e a forma dos cabelos. a Psicometria. parda e vermelha. Pode-se também comparar com modelos de olhos de vidro.

Pode-se ainda complementar as medidas através dos denominados índices. que. Estas medidas caracterizam-se por serem de fácil execução e por não necessitarem a participação ativa do examinando. Olivier (1960) considerou 34 medidas e 40 índices. b) medidas que visam avaliar o estado funcional de alguns sistemas orgânicos (medidas biométricas funcionais). As medidas biométricas podem ser classificadas em dois grandes grupos. e c. elaborar um programa de trabalho de acordo com os resultados e acompanhar a evolução do trabalho. b. podem ser resumidos nos seguintes: determinar a situação física atual. . medidas que visam avaliar as proporções do corpo.CAPITULO III SELEÇÃO DAS MEDIDAS. detectar deficiências. TÉCNICA GERAL DAS MEDIDAS A escolha das medidas a serem utilizadas depende dos objetivos que se tem em vista. medidas que permitem avaliar o estado de nutrição. Medidas biométricas somáticas São medidas que permitem avaliar as dimensões e proporções externas do corpo. Serão abordados aqui apenas as principais medidas e índices. CLASSIFICAÇÃO DAS MEDIDAS BIOMÉTRICAS Várias medidas podem ser obtidas durante o trabalho biométrico. de acordo com o tipo de avaliação que se quer fazer: a) medidas que permitem avaliar as dimensões e proporções externas do corpo e seus segmentos (medidas biométricas somáticas). de acordo com a finalidade a atingir. Vamos estudar pois quais são as medidas que podem ser obtidas. de acordo com a finalidade a atingir. em: a. índices são relações numéricas centesimais entre as medidas. medidas destinadas a apreciar o estado de maturação sexual. como vimos. As medidas biométricas somáticas podem ser subdivididas.

altura tronco-cefálica. As medidas funcionais exigem instrumentos especiais e são de mais d i f í c i l execução. perímetro torácico. Resumo das medidas biométricas mais importantes em Educação Física. envergadura. São: altura. comprimento do tronco e perímetro cefálico. Medidas biométricas funcionais Estas medidas são as que permitem avaliar funções orgânicas específicas. bi-crista ilíaca e bi-troncantérico e o grau de desenvolvimento dos genitais. Altura Altura tronco-cefálica Medidas que visam Medidas biométricas somáticas Medidas que permitem avaliar o estado de nutrição Medidas destinadas a apreciar a maturação sexual avaliar as proporções do corpo Envergadura Comprimento dos membros Comprimento do tronco Perímetro cefálico Peso Espessura da dobra cutânea Perímetro torácico Perímetros dos membros Diâmetro do tórax Diâmetro bi-acromial Diâmetro bi-crista ilíaca Diâmetro bi-umeral Diâmetro bi-tocantérico Desenvolvimento dos genitais Medidas biométricas funcionais Capacidade vital Capacidade cárdio-circulatória Força muscular . perímetro dos membros e diâmetro do tórax. comprimento dos membros. como a força muscular e a capacidade cardio-circulatória. espessura da dobra cutânea. Medidas destinadas a apreciar a maturação sexual São: diâmetros bi-acromial. Medidas que permitem avaliar o estado de nutrição: São as seguintes: peso. bi-umeral.Medidas que visam avaliar as dimensões e proporções externas do corpo e seus segmentos.

3. onde se coloca uma régua terminada em ponta e disposta perpendicularmente à haste graduada. compasso de corrediça. As medidas devem ser tomadas em locais bem iluminados. reunir os indivíduos em grupos homogéneos.1). . Os instrumentos não devem pressionar a pele mas apenas tocá-la. compasso de barras. Consta de uma haste de metal graduada de zero a 2000 milímetros. b. d. Instrumentos aferidos e calibrados. Antropômetro de Rudolf Martin É utilizado para tomar medidas no sentido vertical (Fig. Antes de iniciar as medidas. deve-se atender a uma série de requisitos dentre os quais destacam-se os seguintes: a. 0 indivíduo deve estar o mais despido possível durante a realização das medidas. sobre a qual desliza um cursor. c. e.TÉCNICA GERAL DAS M E D I D A S BIOMÉTRICAS Cuidados que se deve tomar ao colher as medidas biométricas Para se evitar ao máximo a influência dos fatores de erro ao se obter as medidas biométricas. compasso de toque ou de pontas rombas e a fita métrica. de mesmo sexo e idade. Principais instrumentos de medida usados na obtenção das medidas biométricas somáticas Os principais instrumentos utilizados na realização destas mensurações são os seguintes: antropômetro de Rudolf M a r t i n .

.Compasso de barras Destina-se á tomada de medidas tais como: diâmetros transversos. Compasso de corrediça É utilizado para tomar medidas pequenas como as da face.3). Consta também de uma haste metálica graduada. apresenta ainda uma outra régua.2). com uma haste fixa na extremidade zero da escala e um cursor que pode deslizar ao longo da régua (Fig. de zero a 950 milímetros e um cursor com uma régua que pode se deslocar. fixa. do tronco e comprimentos dos membros. na extremidade da haste graduada (Fig. Consta de uma régua de 25 centímetros. 3. 3.

. Uma das hastes tem uma régua graduada a ela fixada e que permite fazer a leitura da medida encontrada. Consta de duas hastes metálicas que se articularm em uma das extremidades. que terminam em pontas rombas. Estes pontos são denominados pontos antropométricos e serão também descritos juntamente com cada uma das medidas biométricas. além de instrumentos adequados Além de instrumentos adequados é necessário ainda conhecer certos pontos de reparo existentes no corpo e que servem como pontos de referência para se obter as medidas. Fita métrica Destina-se à medida dos perímetros.4).3 — Compasso de Corrediça Compasso de toque ou de pontas rombas Este compasso é utilizado para tomar diâmetros do tronco e medidas da cabeça. Outros instrumentos serão descritos nos itens correpondentes ao estudo que será feito mais adiante.Figura 3. Outros elementos necessários para se colher as medidas biométricas. de cada uma das medidas biométricas. A maior distância que se pode medir é de 30 cm (Fig. As hastes são retas nas metades próximas ao ponto onde se articulam e curvas nas metades restantes. graduada. 3. É representada por uma fita de metal ou linho.

Compasso de Pontas Rombas Os principais instrumentos utilizados no trabalho biométrico e algumas medidas que podem ser obtidas com estes instrumentos estão resumidos na tabela seguinte: Instrumento Medidas (altura.Figura 3.4 . altura tronco-cefálica) tronco e comprimento dos membros das da cabeça .

tais como a média. Ao conjunto de alunos chamamos universo e se dividirmos o universo (grupo todo) em subgrupos. b. A população é pois um grupo de alunos ou objetos que possuem características semelhantes dentro do mesmo universo. A Estatística é a ciência que procura tirar conclusões a partir de observações de dados numéricos. a variabilidade dos valores pode ser medida. Por exemplo: um atleta faz um percurso várias vezes. veremos que certas medidas. teremos as populações. Como agrupar de maneira mais homogénea? Veremos que muitos tipos de medidas distribuem-se segundo uma curva denominada curva normal.CAPITULO IV ANÁLISE E INTERPRETAÇÃO DOS DADOS: NOÇÕES DE ESTATÍSTICA INTRODUÇÃO Para estabelecer relações e leis entre os fenómenos. Parâmetro — Universo — População — Amostra Parâmetro é um número que caracteriza um conjunto de medidas. Todos os tempos podem ser substituídos por um único que é o tempo médio. podem ser representativas do grupo. Neste . cada vez em um tempo diferente. poderíamos perguntar: a. Variáveis contínuas e discretas A medida da altura de um grupo de escolares é um t i p o de variável. Ao realizar um trabalho estatístico. Devido às suas relações com a Biometria. A própria repetição de experiências só é possível se for controlada através da medição dos dados. Qual a situação de um determinado aluno. As respostas a estas e outras questões semelhantes pertencem ao domínio de uma ciência denominada Estatística. por outro lado. dentro do grupo? c. Este conjunto é a amostra. que são subconjuntos. Se um grupo de alunos faz um percurso. geralmente utilizamos um conjunto de elementos e não a população toda. A média destes tempos é um parâmetro. podemos calcular o tempo médio do grupo que também é um parâmetro. é necessário que eles possam ser medidos. como veremos. Como se encontra este grupo em relação a uma determinada medida? Neste caso. através do desvio padrão. Trabalhando por exemplo com um grupo de alunos. a qual mostra as frequências com que aparecem os vários tipos. é necessário algum conhecimento desta ciência.

Grupamento de dados Ao realizar um trabalho biométrico. Suponhamos que determinamos o peso de 5 alunos e que os resultados tenham sido os seguintes: 30. entre 1. Construímos assim. os grupos são separados de acordo com uma certa ordem. Tabela 4. a divisão deve obedecer a um único critério. etc.3 por grupo. que consiste em colocá-los em uma coluna ordenada e com as frequências com que cada valor ocorre. Podemos por exemplo separar os alunos por categorias. Neste caso. utilizando a Estatística. precisamos frequentemente separar os indivíduos segundo certas características.Distribuição de frequência de 5 observações (escores). as medidas podem ter qualquer valor e sempre pode haver uma medida que se interponha entre duas outras.11m. A variável é discreta quando os valores se comportam de modo que se sucedem em saltos. Por exemplo: em pequenos. Neste caso. por exemplo. 28 e 30. Estes valores assim apresentados são difíceis de serem interpretados. Escores Frequência 28 29 30 31 32 33 34 35 1 0 2 0 1 0 0 1 Observando a tabela 4. médios e grandes.12m podemos ter um valor de 1.caso. Os alunos podem também ser divididos segundo uma classificação hierárquica.1 .1 conclui-se imediatamente que os pesos máximo e . idade. a distribuição de frequências dos dados. t i p o constitucional. 32. por exemplo.5 por grupo ou 1. APRESENTAÇÃO DOS DADOS Os dados obtidos em um experimento podem ser apenas enumerados sem preocupação de ordem.10m e 1. 35. Por exemplo. o número de alunos por grupo ná"o pode ter valores parciais: 2. divisão segundo o sexo. Assim. Trata-se de uma variável contínua. Uma melhor maneira é ordená-los em sequência ascendente ou descendente e verificar se há valores que se repetem e quantas vezes se repetem.

o peso mais frequente foi 30 (2 vezes) e que houve valores de peso que não aparecerem. representa a variável dependente. o intervalo de classe (I) será: I (intervalo) = 7/3 = 2. . As frequências de cada classe serão representadas por uma barra.2). A diferença entre os valores máximo e mínimo nos dá a amplitude de distribuição (A): A = 35 . com as frequências com que cada medida aparece. Um dos tipos mais comuns de gráficos é o histograma. A partir deste.28 = 7 Como se decidiu por três classes. O gráfico é construído utilizando-se dois eixos perpendiculares entre si. por exemplo. Tabela 4. os valores aumentam à medida que dele se afastam.2 — Distribuição de frequências de dados agrupados Classes 28 a 30 31 a 33 34 a 36 Frequência 3 1 1 REPRESENTAÇÃO GRÁFICA DOS RESULTADOS Às vezes é mais interessante apresentar os resultados obtidos. representando geralmente pela letra X). a partir das abcissas. ou seja a variável dividida em classes de invidivíduos ou objetos. O ponto onde ocorre a intersecção dos dois eixos é o ponto zero. o intervalo passa a ser o número inteiro mais próximo (no caso =2). sendo sua frequência zero.mínimo obtidos são respectivamente 35 e 28. As classes são colocadas ao longo da abcissa e na ordenada situam-se as frequências com que aparecem os valores. Os dados obtidos podem ainda ser agrupados em classes. seja ao longo da abcissa. No caso de peso. o eixo das ordenadas. por meio de um gráfico. representado geralmente pela letra Y) e um horizontal (eixo das abcissas.33 Como o número obtido é fracionário. Então os valores serão agrupados em intervalos de amplitude igual a 2 (tabela 4. seja ao longo da ordenada. No eixo das abcissas coloca-se os valores da variável independente. médio e baixo. com linhas laterais levantadas a partir dos limites de cada classe. um vertical (eixo das ordenadas. o professor podem querer agrupar os 5 alunos em 3 classes: peso alto.

Figura 4. DISTRIBUIÇÃO DE FREQUÊNCIAS A figura 4. eles estão concentrados em torno de 5. pois a méida dos valores da distribuição II é maior que a média da distribuição I ou seja.1. vê-se logo que as duas distribuições diferem quanto â posição (tendência central) mas são semelhantes na forma (variabilidade). Figura 4.Gráfico de duas distribuições de frequências . Diferem quanto à posição. em II.2. Examinando os gráficos.Um histograma construído a partir da tabela 4. os valores concentram-se em torno de 11.2 . seria a figura 4.2 é o gráfico representativo de duas distribuições de frequências. ao passo que em I.1 — Histograma da distribuição de frequência do peso de 5 alunos.

Podemos ter o caso inverso ou seja, distribuições de frequências com a mesma tendência central, mas diferentes na forma (na variabilidade). A figura 4.3 é o gráfico destas distribuições.

Figura 4.3 - Distribuição de frequências com mesma tendência central

Quando a distribuição de frequência tem um ponto de frequência mais elevada, é denominada de unimodal. Se houver dois destes pontos, ela será bimodal. A figura 4.4 é um gráfico representativo deste tipo de distribuição.

Figura 4.5 - Distribuição bimodal

Curva normal As curvas das distribuições de frequências podem ter as mais variadas formas. Existe entretanto um t i p o de curva que por sua importância deve ser estudada com maior destaque: ela tem a forma de um sino, é simétrica e contínua (figura 4.5). É a chamada curva normal ou curva de Gauss que representa a distribuição normal. Em Biologia, muitas variáveis contínuas apresentam esse t i p o de distribuição. A altura é um tipo de variável com distribuição normal. No eixo das abcissas (X) a variável pode ir de menos infinito a mais infinit o : a curva nunca chega a tocar na base. Importância da curva normal em Biometria Em Biometria, a importância da curva normal é grande pois todas as vezes que se fala em classificar alguma coisa, uma das primeiras preocupações é se localizar o " n o r m a l " , para depois posicionar aquilo que dele se distancia. Normal foi colocado entre aspas por ter um sentido preciso em Biometria, que é o relacionado com o mais comum enquanto as formas que dele se distanciam são expressões menos comuns, ou melhor que mantém relações, em suas medidas, com diferenças mais acentuadas. Trabalhando com as diferenças individuais observamos que estas obedecem ao tipo de distribuição em que a maior parte dos indivíduos mantém as medidas próximas de uma média e que a partir deste ponto há uma distribuição decrescente para ambos os lados, que graficamente, obedece à distribuição semelhante á de Gauss (curva normal).

Figura 4.5 - Curva normal

MEDIDAS DE TENDÊNCIA CENTRAL
As medidas de tendência central mais utilizadas em Estatística são a moda, a mediana e a média aritmética. Moda (M) É o valor que aparece com maior frequência, em uma série de medidas. Exemplo: na série seguinte de valores, a moda é o valor 8 pois é o que mais vezes aparece. 6 - 8 - 8 - 1 6 - 8 - 1 0 - 8 - 6 - 1 0 - 8 - 1 8 - 8 - 6 - 1 2 Neste caso, a série é unimodal porque tem uma única moda. Mas ela pode ser bimodal, multimodal ou ainda amodal, quando não possui moda. Exemplos: Série bimodal (possui 2 modas):

6-10-10-10-10-18-20-20-20-20-15
As modas são: 10 e 20. Série multimodal (possui várias modas): 4 - 6 - 5 - 8 - 6 - 5 - 8 - 5 - 6 - 8 - 3 - 9 As modas são: 5, 6 e 8. Série amodal (não há moda, pois todos os valores aparecem com igual frequência): 6-10- 16-8-4-2ou: 4_4_5_5_2_2_7_7_3_3. As curvas representativas das distribuições de frequências das séries estão na figura 4.6. Mediana (Me) Em uma série de rnedidas, colocadas em ordem crescentes a mediana é o valor precedido e seguido pelo mesmo número de valores. Exemplos: Séries a-2-3-5-7-18 b-1-5-8-15-21 c-1 - 3 - 5 - 5 - 2 0 - 2 4 Mediana 5 6,5 5

Quando o número de valores é impar, o cálculo da mediana pode ser feito usando a fórmula: N + 1 (N =número de valores). 2

sendo P1.6 — Vários tipos de distribuição de frequências Assim.Figura 4. (N =número Quando o número de valores é par usa-se a fórmula o número que ocupa a posição obtida por: . na série a: A mediana é o 39 valor (5).

Portanto: (Mediana = 5). A medida. (3ª posição). Consiste na soma dos valores dividido pelo número de valores. Por exemplo. Em uma série de medidas da altura dos alunos. significa que houve muitas alturas diferentes na série. simplesmente. Portanto. Mas por convenção. É um valor que existe realmente na série e por sinal é o que mais aparece. a mediana e a moda forem muito diferentes entre si. observa-se que a mediana (6. A muda nos informa qual é a altura mais frequente no grupo. se a mediana for.de casos). fazendo uma série de medidas da altura em grupo de crianças. os valores estão "esparramados". esta é a mediana. em uma série de medidas da altura. Se. passamos a considerar cada aluno como se tivesse aquela medida (média). A média " e q u i l i b r a " uma série de medidas. tal como a mediana. Média aritmética ( X ) É também chamada de média. por sua vez. ou seja entre os 50% mais altos ou entre os 50% mais baixos. no conjunto de medidas: Na realidade. Quando as três medidas forem próximas ou semelhantes. mediana e média) não são exclusivas mas se complementam. Assim na série b: 3 + 1 =4 (4ª posição). por exemplo 1. No caso da série b. A mediana. é também um valor que nem sempre consta da série de medidas. por exemplo. é que houve menor variação. O significado da mediana é que ela é um valor que divide o conjunto em dois grupos: um acima e outro abaixo daquele valor.5) Na série a„ temos o mesmo número de casos. Assim. a média.5) é um número que não consta dos valores obtidos na série. (Mediana =6. . as três medidas que estudamos (moda. facilita localizar um determinado aluno no grupo: sua altura estará acima ou abaixo daquele valor e portanto ele estará em um ou outro grupo. ou seja.40 m significa que existe metade das crianças com altura acima e metade com altura abaixo deste valor.

dois grupos de alunos podem ter a mesma média de altura. . mediana). Embora tenham a mesma média. mas os valores individuais em cada grupo podem ser muito diferentes.7 . É necessário pois introduzir medidas de dispersão que informem o grau de variabilidade dos valores em cada grupo. mais altos. Uma das medidas de dispersão ou variabilidade mais utilizada na prática é o desvio padrão. onde se indicam as posições das três medidas que estudamos (média. média e mediana).Distribuições de frequências: simétrica e duas assimétricas M E D I D A S DE DISPERSÃO Geralmente os conjuntos de medidas apresentam certa dispersão ou variabilidade. Figura 4. uma simétrica e duas assimétricas. Duas distribuições podem ter a mesma média.Na figura 4. esta medida nada informa quanto à homogeneidade dos dois grupos: um pode ter indivíduos todos mais ou menos da mesma altura.7 temos as curvas representativas de três tipos de distribuição de frequências. Já estudamos uma característica desses tipos de distribuição de frequência. mediana ou a mesma moda mas as medidas dos valores variam de modo diferente. ao passo que o outro grupo pode ter alguns indivíduos muito baixos e a maioria. que são as medidas de tendência central (moda. Por exemplo. moda.

5 kg e que o desvio padrão dos valores observados é 10.5 10. Suponhamos que queiramos determinar o peso médio dos indivíduos perten_ centes.5 Os desvios são calculados diminuindo-se da média.5 5. Os valores que se afastam desta média são chamados desvios. o número de observações (10. dividido por N — 1. Os desvios em relação a esta média são: 0. A raiz quadrada da soma dos desvios ao quadrado.9 kg. cada valor observado.Desvio padrão O seguinte problema permitirá introduzir o conceito de desvio padrão. Os pesos.5 - 9. sendo N. maior será a variabilidade dos valores.5 19.5 15. 10 indivíduos tomados ao acaso. a uma determinada comunidade. Assim: Portanto. Começamos. no caso) nos dá o desvio padrão (s). são os seguintes: 70 80 60 50 70 60 65 80 75 85 A média aritmética desses 10 dados é 69. determinando o peso de. Quanto maior for o desvio padrão. em Kg.5 -9.5 0. podemos dizer que a estimativa do peso médio do grupo é 69. O desvio padrão indica pois o grau de variação dos valores da amostra.5 kg. por exemplo.5 -4. A fórmula para se calcular o desvio padrão é pois: .5 10.

sendo X, cada valor observado; X, a média dos valores e N, o número de valores. Em Biotipologia, porém, o desvio padrão é calculado a partir da moda e não da média aritmética. Este assunto será abordado mais adiante. Aplicação da curva normal As medidas corporais utilizadas em Educação Física geralmente tem uma distribuição que segue a curva normal. Através de ca'lculos matemáticos pode-se obter as áreas que estão sob a curva quando ela é dividida em segmentos, através de linhas verticais (f ig. 4.8). A linha do meio representa a média. As outras três linhas de cada lado relacionam-se a unidades de desvio padrão. O lado direito a partir da média é positivo ou seja indica os escores mais altos da distribuição. 0 lado esquerdo é negativo: aqui estão os valores mais baixos da distribuição. A curva normal é dividida em seis desvios-padrão sendo três de cada lado da média. Assim, na curva normal, um desvio padrão acima da média contém cerca de 34,00 por cento dos escores; isto significa que a área situada entre um desvio padrão de cada lado, em torno da média, vale aproximadamente 68 por cento. A área compreendida entre 1 e 2 desvios-padrão vale aproximadamente 14 por cento. Estes conhecimentos são importantes para determinar, por exemplo, o número de alunos que obtiveram um determinado escore, em uma distribuição normal. Suponhamos que 200 alunos foram submetidos a um determinado tipo de exercício e tenham obtido escores com distribuição normal, sendo a média 100 e o desvio-padrão igual a 20.

Figura 4.8 - Área sob a curva normal

Como a média é 100, sabe-se que 100 alunos obtiveram 100 ou mais e 100 alunos obtiveram 100 ou menos. Quantos alunos tiveram um escore de 140? Sendo o desvio-padrâb igual a 20, o valor 140 encontra-se 2 desvios-padrão acima da média. A área compreendida entre 2 desvios padrão acima e abaixo da média corresponde a 95% e então sobram 5% dos casos, sendo 2,5% acima e 2,5% abaixo de dois desvios-padrão. Em outras palavras, apenas 2,5% dos alunos obtiveram escores superiores a 140 na prova realizada (fig. 4.9).

Figura 4.9 - Área sob a curva normal

CORRELAÇÃO
Às vezes em Educação Física é importante saber como varia uma determinada medida ou fenómeno em relação a outra, isto é, se existe ou não correlação entre essas duas variáveis, e se existe, saber se essa correlação é positiva ou negativa. Será positiva quando aumentando uma variável, a outra também aumenta, ou diminuindo uma, a outra também diminui. A correlação é negativa quando ao aumentar uma variável, a outra diminui ou vice-versa. Existe, por exemplo, correlação entre o Q.l. dos alunos e as notas obtidas, ou seja, quanto mais elevado o Q.l. mais altas são as notas obtidas pelos alunos. Mas não existe correlação, por exemplo, entre a altura e as notas obtidas nas provas. Através de fórmulas específicas, pode-se determinar a correlação entre duas variáveis, calculando o chamado coeficiente de correlação. Este assunto não será porém aqui abordado. Mais pormenores podem ser obtidos em tratados de Estatística.

TESTES DE S I G N I F I C Â N C I A Suponhamos uma situação em que submetemos dois grupos diferentes de alunos a um mesmo trabalho físico e gostaríamos de compará-los, para saber em qual grupo, o aproveitamento f o i melhor. Depois de obtidos os valores, as médias de cada grupo deveriam ser comparadas, uma com a outra. Se houvesse uma diferença entre estas medias, que medem o desempenho de cada grupo, esta diferença teria de ser testada para verificar se ela é verdadeira ou se houve qualquer tipo de interferência que determinou a diferença. Existem vários tipos de testes estatísticos que permitem determinar se essa diferença entre médias é real ou não. Um dos testes mais fáceis e mais utilizados na prática é o chamado teste " t " . Utilizando os valores das médias e desvios-padrão, calcula-se o valor de " t " , através de fórmulas próprias, o qual é depois comparado com valores constantes de tabelas e que nos dão o resultado ou seja, se as médias dos dois grupos diferem realmente ou não. Este assunto poderá ser melhor compreendido, consultando-se livros de Estatística.

separados pelo plano sagital mediano (Fig. Exemplos destas assimetrias serão vistos em seguida. uma simetria aparente mas uma assimetria real. apresenta um princípio de construção chamado antimeria: o corpo é constituído por duas metades. nem internamente. 5. os antímeros direito e esquerdo.1). .1 ~ Plano sagital mediano Os antímeros são simétricos apenas aparentemente. nem externamente.CAPITULO V AVALIAÇÃO DAS DIMENSÕES E PROPORÇÕES EXTERNAS DO CORPO E SEUS SEGMENTOS INTRODUÇÃO O corpo humano como dos vertebrados em geral. Figura 5. Existe pois externamente. ou seja não existe uma simetria perfeita: os antímeros não são exatamente iguais.

ocorrendo o inverso quando se o examina anteriormente.Assimetrias externas Os dois lados da face não são simétricos: a linha que une as fendas palpebrais. Quando o membro superior de um lado é mais desenvolvido. 5. Nos indivíduos dextros. O antímero direito do tronco é mais desenvolvido que o esquerdo. volume e força dos músculos são maiores do lado direito.2). O pavilhão da orelha é maior e está em nível mais alto do lado esquerdo. na maior parte dos indivíduos são assimétricos. . o inferior mais desenvolvido será o do lado oposto. quando examinado por trás. o membro superior direito é mais desenvolvido que o esquerdo: o comprimento. perímetro. bem como a linha que une as comissuras dos lábios são oblíquas e não paralelas (Fig. Cerca de um terço dos indivíduos apresentam assimetrias nos membros inferiores. Os membros superiores.

3). . As curvaturas estão exageradas propositalmente. Figura 5.5. Existe também maior acuidade no uso da visão e audição de um lado que do outro.A coluna vertebral quando examinada de frente mostra curvaturas normais. Esquema da coluna em vista posterior. para compensar (Fig. Geralmente.3 — Escolioses da coluna vertebral. enquanto que a coluna lombar exibe uma curvatura de convexidade para a esquerda. a região torácica da coluna apresenta uma curvatura de convexidade também para a direita. Estas curvaturas são conhecidas como escolioses. quando o membro superior direito é mais desenvolvido que o esquerdo. Além destas assimetrias morfológicas observam-se também assimetrias funcionais: a maioria dos indivíduos usa com maior habilidade o membro superior direito em trabalhos com as mãos.

estudaremos algumas das principais medidas que avaliam as proporções do corpo. estando o indivíduo em pé.4). estas medidas são denominadas medidas biométricas somáticas. do tronco e dos membros.Há casos em que a musculatura de uma parte do corpo apresenta hipotonia ou hipertrofia. um tangente à planta dos pés e outro tangente ao ponto mais alto da cabeça. Fig. ALTURA Conceito de altura Altura ou estatura é a distância em linha reta entre dois planos.4 .A l t u r a . Após esta breve introdução. medidas da cabeça. altura tronco-cefálica. na "posição fundamental" (Fig. Serão apresentadas na seguinte ordem: altura. conferindo aspecto anti-estético ao seu portador. envergadura. 5. 5. M E D I D A S QUE P E R M I T E M A V A L I A R AS DIMENSÕES E PROPORÇÕES E X T E R N A S DO CORPO H U M A N O Como já vimos. são indicados exercícios especiais para sua correçáb. Nestes casos.

Figura 5. Quando se mede o indivíduo na posição deitada. fala-se em distância ou comprimento. deve-se usar o termo altura para definir a medida longitudinal. e com o passar dos séculos. Cada um destes aspectos será analisado a seguir. No decorrer das 24 horas do dia. o peso do corpo e o achatamento dos discos intervertebrais são os responsáveis por este fenómeno.5 cm em média (Fig.5 — Variações da altura durante 24 horas (segundo Backman) . Esta posição é utilizada para medir crianças até 3 anos. 5. a) Posição do corpo e hora do dia — A medida da altura na posição em pé pode deferir em até 3 cm da medida na posição deitada. A ação da gravidade. a altura varia em 2. fase da vida. Em consequência.Fatores de variação da altura A altura varia fisiologicamente de acordo com os seguintes fatores: posição do corpo e hora do dia. obtida na posição em pé.5).

em altura. o neuro-endócrino e as doenças. Outros porém. a média de altura é de 130 a 199 cm. na mesma raça. A seguir. as meninas crescem mais que os meninos e na idade adulta estes recuperam e ultrapassam aquelas. Fase Recém-nascido 12 meses 24 meses 36 meses Masculino 50 cm 75 cm 85 cm 95 cm Feminino 49 cm 74 cm 84 cm 84 cm Após os três anos.b) Variação da altura com a fase do crescimento. também baseados em dados experimentais. os fatores externos mais importantes são: nutrição. a altura passa por uma fase em que há uma elevação dos valores e que vai do nascimento até os 25 anos aproximadamente. . Observa-se que os meninos crescem sempre mais que as meninas. mas uma das mais conhecidas é a que considera os indivíduos como pertencentes a um dos três grupos: Masculino 130-160 cm 161-169 cm 170-199 cm Feminino 121-149 cm 150-158 cm 159-187 cm Pequena altura Média altura Grande altura Fatores que determinam a altura Entre os fatores internos. a altura média do ser humano tem aumentado ao longo dos séculos. Na puberdade porém. Classificação dos indivíduos segundo a altura Existem várias classificações. c) Variação da altura com a fase da vida . d) Variação da altura com a passar dos séculos — Segundo alguns autores. em média. Na idade adulta. a criança cresce em média 6 cm por ano. segundo o sexo e a idade O quadro seguinte mostra a variação da altura nos primeiros anos de vida. menos que o homem. clima. afirmam que não tem havido aumento da altura. quando começam a diminuir devido a procesos que afetam os discos intervertebrais. condições sócio-econômicas e temperatura. os valores se mantém até os 50 anos. destacam-se o genético. de mesma idade. A mulher tem geralmente 10 cm.Durante a vida.

ALTURA TRONCO-CEFÁLICA Conceito É a distância entre um plano tangente ao ponto mais alto da cabeça e um plano que passa pelos ísquios. A técnica de medida da altura é simples: a haste vertical do instrumento é colocada junto ao dorso do aluno enquanto a haste horizontal toca a cabeça. estas diferenças são pequenas. Instrumento utilizado para medir a altura O instrumento que se utiliza para medir a altura é o antropômetro. esportes como corrida de velocidade e boxe são apropriados para indivíduos de altura média. Atletas de grande altura são mais indicados para esportes como corrida de meio fundo. (1970) estudaram a evolução da altura tronco-cefálica em relação à altura. luta livre e arremesso de peso. Entretanto. salto em altura e á distância e ciclismo. em crianças brasileiras de 0 a 12 anos (Tabela 1). a altura aumenta antes da puberdade. Fatores de variação da altura tronco-cefálica Esta medida varia com a posição do corpo e hora do dia.4). A altura tronco-cefálica é maior no sexo feminino que no masculino.Importância da medida da altura O estudo da altura é muito importante porque esta medida se relaciona com quase todas as medidas somáticas. Os calcanhares devem estar unidos. enquanto corridas de fundo. são indicados para indivíduos de pequena altura. estando o indivíduo sentado. devido ao crescimento maior da altura tronco-cefálica. tal como a altura e devido aos mesmos motivos. . Marcondes e cols. devido principalmente ao crescimento dos membros inferiores e durante e depois dessa fase. 5. além de ser importante para estudos biotipológicose raciais. A cabeça fica em posição tal que o aluno olha para frente (Fig. natação. maior nos amarelos que nos brancos e maior nestes que nos pretos. Segundo Godin. por exemplo.

26 56.14 93.13 106.10 60.86 53.96 O anos 3 meses 6 meses 9 meses 12 meses 18 meses 2 anos 3 anos 4 anos 5 anos 6 anos 7 anos 8 anos 9 anos 10 anos 11 anos 12 anos 50.24 67.94 99.70 135.17 122.01 57.04 54.45 80.42 56.74 53.38 64.01 69.45 70.43 70.15 59.22 61.54 53.88 44.16 62.13 Porcentagem da altura 68.15 51.18 39.98 64.33 60. em relação à altura (Marcondes e cols.87 65.11 91.54 55.15 71.33 53.19 139.23 66.92 60.58 100.81 49.75 61.91 63.35 131.06 66.08 43.37 84.60 Porcentagem da altura 68.24 71.22 117.80 54.10 69.62 Meninas Altura Altura troncocefálica 33.75 55.96 73.81 51.95 55.26 49.47 52.33 63.59 73.77 64.40 112.25 56.06 Tabela 1 — Evolução da altura tronco-cefálica. O índice córmico (termo criado por Vallois) se o b t é m relacionando a altura tronco-cefálica e a altura (fórmula criada por Giuffrida-Ruggieri): .06 64.93 59.27 63.06 57.36 41.27 57. o desenvolvimento dos membros inferiores.03 65.61 38.20 46.86 128.50 68..52 122.26 53.07 49.35 64.26 79.14 61. 1970) Utilidade da medida da altura tronco-cefálica Esta medida permite calcular os denominados indice esquélico de Monouvrier e indice córmico. o primeiro é dado pela relação centesimal entre o comprimento dos membros inferiores e a altura tronco-cefálica: Indice esquélico de Monouvrier Este índice permite apreciar.07 52.Meninos Idade Altura Altura troncocefálica 34.22 65.57 62.59 138.56 54.55 127.77 118.01 59. indiretamente.68 59.03 45.60 47.02 72.04 54.82 137.22 55.91 52.15 73.14 105.66 85.37 132.94 74.95 112.

os braquicórmicos são mais indicados para esportes de velocidade (corridas e saltos). Instrumento utilizado para se medir a altura tronco-cefálica Para se medir a altura tronco-cefálica. ao passo que os macrocórmicos possuem mais resistência e mais força. Ele é um pouco mais elevado no sexo feminino que no masculino. estando o indivíduo sentado (Fig. Em seleçãb desportiva.De acordo com este índice.Altura tronco-cefálica ENVERGADURA Conceito de envergadura É a distância em projeção entre as extremidades dos dedos médios. 5.7). ao lado do corpo (Fig. Figura 5. com os membros superiores estendidos horizontalmente.6 . pode-se classificar os indivíduos e m : Braquicórmicos Metriocórmicos Macrocórmicos menos que 51 (tronco pouco desenvolvido) 51 a 53 (tronco médio) mais que 53 (tronco muito desenvolvido) 0 índice córmico permite avaliar o desenvolvimento do tronco. estando o indivíduo em pé.6). 5. . utiliza-se o antropômetro.

do toráx.Figura 5. . remo.7 — Envergadura Variação da envergadura com a idade. Tendo estudado os principais aspectos sobre as medidas biométricas: altura. da cabeça. passaremos a seguir a analisar alguns pontos importantes sobre medidas dos segmentos corporais. até que no adulto. a diferença vai diminuindo. pelve e dos membros. Técnica de medida da envergadura Utilíza-se. ou seja. abdome. altura-tronco-cefálica e envergadura. Importância da medida da envergadura Em seleçâb desportiva. a envergadura ultrapassa a altura em 5 a 10 cm. os atletas que possuem grande envergadura têm melhor desempenho em esportes como:ténis. encostada na prancha e com os membros superiores estendidos horizontalmente. o sexo e a raça A altura é maior que a envergadura desde o nascimento até os 10 anos. no homem e 5 cm na mulher. A pessoa fica em pé. para medir a envergadura. Na raça negra a envergadura é maior que na amarela. um quadro mural ou prancha. arremesso e box. ao lado do corpo. Daí até a fase adulta. graduada horizontalmente.

8 — Pontos cefalométricos . ou seja.MEDIDAS DA CABEÇA principais medidas e índices da cabeça Podemos resumir as principais medidas e índices da cabeça. Figura 5. pontos que servem de reparo para se obter as medidas deste segmento. como se segue: Principais medidas da cabeça índices da cabeça Entretanto. antes de iniciarmos o estudo destas medidas e índices. temos que definir alguns pontos antropométricos da cabeça.

9). que já foram citadas. 5. Opistocrânio A glabela. Os principais são: glabela. opistocrânio. podemos estudar algumas medidas da cabeça. — É o ponto mais saliente na parte lateral da cabeça. — É o ponto mais saliente na parte posterior da cabeça. Várias medidas podem ser feitas nestas duas partes.8 e 5. Entretanto. o násio. . que neste caso são denominados pontos cefalométricos. êurio e zígio (Figs. Definição destes pontos cefalométricos Glabela — Násio Gnácio Êurio Zígio É o ponto situado entre as sobrancelhas. násio. — É o ponto mais saliente do bordo inferior da mandíbula.Pontos cefalométricos Principais pontos antropométricos da cabeça Para estudar as medidas da cabeça. é necessário conhecer antes alguns pontos antropométricos desse segmento. o gnácio e o opistocrânio são ímpares e o êurio e o zígio são pontos pares. estudaremos apenas as mais importantes. — Corresponde ao ponto mais saliente do arco zigomático.Figura 5.9 . Tendo compreendido os principais pontos cefalométricos. gnácio. A cabeça é dividida em crânio e face. — Situa-se na parte central da sutura entre os ossos frontal e nasais.

5. ou seja.11). . Corresponde ao diâmetro ântero-posterior da cabeça (Fig. Corresponde ao diâmetro transverso da cabeça (Fig. Altura da face É a distância que vai do násio ao gnácio. Largura da face Corresponde ao diâmetro bi-zigomático. Figura 5.10 — Comprimento da cabeça Largura da cabeça É a distância entre o êurio de um lado e o outro do lado oposto.Comprimento da cabeça É a distância entre a glabela e o opistocrânio. 5. à distância entre o zfgio de cada lado.10).

0.Figura 5. índice cefálico A relação entre os diâmetros da cabeça constitui o índice cefálico: Classificação dos indivíduos de acordo com o índice cefálico De acordo com este índice. podemos classificar os indivíduos em: Dolicocéfalos (de cabeças estreitas ou longas): índice cefálico menor que 76.9. Mesocéfalos (de cabeças intermediárias): índice de 76.11 — Largura da cabeça Principais índices da cabeça Os índices da cabeça são: o cefálico e o facial. . Braquicéfalos (de cabeças arredondadas): índice maior que 81.0.0 a 80.

se projeta para frente. 49 cm e aos 36 meses. ou seja. . aos 24 meses. há uma macrocefalia e se é muito baixo. pois permite avaliar o desenvolvimento do volume da cabeça e detectar possíveis anomalias. em média.26 44. com relação aos grupos raciais. aos 12 meses. Importância das medidas da cabeça Os diâmetros e índices da cabeça são mais usados em estudos de antropologia racial.): Masculino 35. Ao nascer. Ele pode ser t o t a l .índice facial A relação entre as medidas da face fornece o índice facial: Instrumento utilizado para se obter as medidas da cabeça até agora estudadas As medidas da cabeça até agora estudadas (comprimento e largura da cabeça e altura e largura da face) são obtidas utilizando os compassos de pontas rombas ou de corrediça.98 47. pode haver o chamado prognatismo. Em crianças brasileiras. mede 50 c m . uma microcefalia. que é a projeção da face para frente. O perímetro cefálico é importante até os três anos de idade. respectivamente. quando tanto a maxila como a mandíbula se projetam para frente.87 2 anos 3 anos Instrumento utilizado para se medir os perímetros Os perímetros são medidos com a fita métrica.93 48. 35 c m . estudos ligados ao desenvolvimento do homem desde seu aparecimento. Quando o valor do perímetro cefálico é muito elevado. foram obtidos os seguintes valores (cm) para o perímetro cefálico (Marcondes e cols.80 Idade Recém nascido 1 ano 47. 47 c m .84 Feminino 34. O prognatismo parcial superior e o inferior ocorrem quando somente a maxila ou somente a mandíbula. Perímetro cefálico É a medida da circunferência da cabeça utilizando o plano que passa pela glabela e pelo opistocrânio.0 45. o perímetro cefálico mede. Em relação à face.9 46.

o tronco é uma parte do corpo que nos permite acompanhar os progressos obtidos com um esquema de treinamento físico. diâmetros e perímetros. xifoideano. Principais pontos antropométricos do tronco Os principais pontos antropométricos do tronco são (Figs. Assim sendo. ou seja.MEDIDAS DO TRONCO Introdução Neste estudo são consideradas as medidas do toráx. temos que conhecer os principais pontos antropométricos do tronco. Um tronco bem desenvolvido já indica um bom desenvolvimento orgânico. O estudo do tronco é muito importante pois seu exame nos informa sobre vários aspectos em relação ao indivíduo.14): jugular.12. em órgãos contidos em suas cavidades ou na coluna vertebral. através do estudo de seus comprimentos.13 e 5. ílio-espinhal anterior e troncanterion (pares). umbilical e pubiano (ímpares). 5. Quando há doenças em órgãos contidos no tórax ou abdome pode haver deformidades correspondentes.: 5. As doenças que afetam os segmentos do tronco podem se assentar em sua parede. ílio-cristal. . Principais medidas do tronco As principais medidas e índices do tronco estão resumidos na chave seguinte: Altura anterior do tronco Diâmetro bi-acromial Diâmetro transverso do tórax Diâmetro sagital do tórax índice torácico de Godin Diâmetro bi-crista ilíaca Diâmetro bi-trocantérico Perímetro torácico Coeficiente torácico Perímetro do abdome Altura do tórax Altura total do abdome Principais medidas e índices do tronco Antes de iniciarmos o estudo destas medidas. acromial. no exame do tronco observamos o seu desenvolvimento e suas simetrias. abdome e pelve. Além disso. utilizados para se obter as medidas. pontos de reparo. mamilar.

12 .Figura 5.13 — Pontos antropométricos do tronco .Pontos antropométricos do tronco Figura 5.

do acrômio da escápula. Mede-se com o antropômetro estando o indivíduo em pé.Pontos a n t r o p o m e t r i a » do tronco Localização dos pontos antropométricos do tronco Os pontos antropométricos do tronco estão situados: — jugular: no centro da incisura jugular do esterno. — trocanterion: lateralmente. Altura anterior do tronco É a distância em projecão (em linha reta) entre o bordo superior do esterno (ponto jugular) e o bordo superior da sínfise púbica (ponto pubiano). — xifoideano: no centro da base do processo xifóide do esterno. — umbilical: no centro da cicatriz umbilical. — acromial: ponto mais saliente lateralmente. Pode ser decomposta em altura anterior do tórax e altura total do abdome. no ponto onde o trocanter maior do fémur mais se afasta .14 . — ílio-cristal: no local onde a crista ilíaca mais se projeta lateralmente.Figura 5. — mamilar: no centro do mamilo. — pubiano: no centro da parte superior da sínfise púbica. — ílio espinhal: no local onde a espinha ilíaca ântero-superior mais se projeta anteriormente.

mede-se com o antropômetro ou compasso de barras e na posição ereta (Fig.15 — Altura do tórax Altura total do abdome É a distância que vai do ponto xifoideano à sínfise púbica (ponto pubiano). 5. Segundo os estudos de Viola.15). Estas medidas quando realizadas na posição deitada sao chamadas comprimentos ou distâncias. . Tanto a altura do tórax como a do abdome. 5.Altura anterior do tórax e sua importância É a distância em linha reta entre a borda superior do esterno (ponto jugular) e a borda superior do apêndice xifóide (ponto xifoideano) (Fig.16). Figura 5. esta medida permite apreciar o desenvolvimento do tórax em relação ao abdome.

Seus valores médios sâo: 37 a 44 cm no homem e 34 a 38 cm na mulher.17 — Diâmetro bi-acromial . Figura 5.17). ou pontos acromiais (Figs.16 — Altura do abdome Diâmetro bi-acromial e seus valores médios É a distância entre os bordos laterais dos acrômios das escápulas.13 e 5.Figura 5. 5.

que permite apreciar a forma do tórax: índice torácico de Godin Figura 5.Diâmetro transverso do tórax . 5. estes diâmetros devem ser medidos entre dois pontos situados em um plano transversal ao eixo do tórax. passando pela base do apêndice xifóide. traduzem tórax cilíndrico ou deformado.18 .Diâmetros transverso e sagital do tórax e seus valores médios Para a maioria dos autores. Diferenças entre estes diâmetros menores que 5 cm ou maiores que 12 cm. O valor médio do diâmetro transverso no homem é 30 cm e do sagital é 20 cm.19). Na mulher.18 e 5. na fase intermediária entre a inspiração e a expiração (Figs. eles valem cerca de 2 cm menos. índice torácico de Godin — A relação entre os diâmetros torácicos fornece o índice torácico de Godin.

5 cm mais que o bi-crista ilíaca. em média.20). . em média. 3. 5. Diâmetro bi-troncantérico e seu valor médio É a distância máxima. em linha reta. Vale 32 cm. 28 cm no homem e 27 cm na mulher.Figura 5. enquanto na mulher. o diâmetro bi-acromial e os da pelve (bi-crista ilíaca e bi-trocantérico) desenvolvem-se proporcionalmente. em média. Vale. O bi-trocantérico vale. entre os pontos mais laterais dos trocanteres maiores dos fémures (trochanterion) (Fig. no homem.Diâmetro sagital do tórax Diâmetro bi-crista ilíaca e seus valores médios É a distância em linha reta entre os pontos mais laterais das cristas ilíacas (ponto ilío-cristal) (Fig. a partir da puberdade ocorre um aumento progressivamente maior dos diâmetros da pelve em relação ao bi-acromial.21). Os estudos de Vague (1953) mostram que.19 . 5. Relação entre os diâmetros bi-trocantérico e bi-crista ilíaca Os diâmetros bi-trocantérico e bi-crista ilíaca estão intimamente ligados.

Pode ser obtido em vários níveis do tórax. Valores acima ou abaixo destes indicariam maior ou menor virilidade ou feminilidade.21 — Diâmetro bi-trocantérico A relação entre estes diâmetros permitiria avaliar o grau de feminilidade e masculinidade do indivíduo. 93 ± 5 e 78 ± 5. .22). são importantes para avaliar o desenvolvimento horizontal do corpo no sentido transversal ou ântero-posterior e sâo obtidos com os compassos de toque ou de pontas rombas. Os mais utilizados sâo o perímetro mamilar (ao nível dos mamilos.Figura 5. Tanner (1951) propõe. Perímetro torácico É a medida da circunferência do tórax. de modo geral. 5. para esse fim.20 — Diâmetro bi-crista Figura 5. respectivamente. a seguinte fórmula: 3 x diâmetro bi-acromial — diâmetro bi-crista Os valores médios para os sexos masculinos e feminino são. Este último geralmente é 3 cm menor que o mamilar (Fig. no homem) e o perímetro xifoideano (ao nível da articulação xifo-esternal). Importância dos diâmetros do tronco e instrumentos utilizados para medi-los Os diâmetros.

relacionando o perímetro torácico com a altura. médio e largo. através do coeficiente torácico: Tórax estreito Tórax médio Tórax largo Coeficiente torácico menor que 51 Coeficiente torácico entre 51 e 56 Coeficiente torácico maior que 56 .Perímetro torácico mamilar Técnica para medir os perímetros torácicos Os perímetros torácicos são obtidos ao fim de uma expiração normal. Classificação dos indivíduos de acordo com este parâmetro A medida do perímetro torácico indica o grau de desenvolvimento do tronco.Figura 5. Brugsh classifica o tórax em estreito. Pode-se também determinar um valor médio realizando duas medidas: uma no fim da inspiração e outra no fim da expiração. Elasticidade torácica A diferença entre as medidas dos perímetros torácicos depois de uma inspiração profunda e uma expiração forçada fornece a chamada elasticidade torácica. Coeficiente torácico.22 .

Certas doenças diminuem o perímetro torácico enquanto outras como a asma e o enfisema o aumentam. Assim. indica estado de magresa e se for menor que esse valor. externamente. Semi perímetros Como já vimos. queremos verificar a presença ou ausência de simetria.Alguns fatores que influenciam no valor do perímetro torácico 0 perímetro torácico é geralmente maior no sexo masculino e nos indivíduos que praticam esporte. Perímetro do abdome. Se esta diferença for maior que 14 cm. o perímetro é a linha de contorno de uma figura. na cabeça e no tronco as metades direita e esquerda são tidas como simétricas. Semiperímetro é a metade dessa linha. indica obesidade. 0 objetivo é comparar uma metade do corpo com a outra para deduzir informações sobre simetrias e assimetrias. especialmente nos fundistas. . Em Educação Física. Ao determinar os semiperímetros desses segmentos corporais. pois no caso destes segmentos. interessa o estudo dos semiperímetros do tórax. o importante é verificar a simetria entre um membro e outro e não no mesmo lado. No adulto. Instrumento utilizado para se obtê-lo Perímetro do abdome é a medida da circunferência do abdome obtida em um ponto situado à meia distância entre o rebordo costal e a crista ilíaca. utilizamos a semiperimetria mais para o tronco e neste. Utilidade da medida dos perímetros do tronco O perímetro torácico informa sobre o desenvolvimento do tronco em largura e sobre o estado nutritivo do indivíduo. Os perímetros abdominais indicam o grau de adiposidade que o indivíduo possui. Não se aplica semiperimetria nos membros. Existe geralmente relação diretamente proporcional entre perímetro torácico e peso. quando traçada sobre um plano transversal a um segmento do corpo. arremessadores de peso e halterofilistas. onde são mais frequentes os problemas de simetria. A medida dos perímetros do tronco é feita com fita métrica. a diferença entre os perímetros torácico e abdominal deve estar situada em torno de 14 cm.

5. É bastante obtuso e seu vértice está voltado anteriormente (fig. . é só situar a segunda. onde fazemos as leituras. há simetria. por exemplo. nos dois sentidos das extremidades.A semiperimetria do tórax visa não só detectar assimetrias como também permite acompanhar a evolução de tratamento dessas mesmas assimetrias com o uso de ginástica corretiva. Assim.22-a — Centímetro simétrico de Rosenthal Ângulo de Louis ou ângulo do esterno É o ângulo entre o corpo e o manúbrio do esterno.23). Figura 5. Sua importância reside no fato de estar situado ao nível da união da segunda cartilagem costal com o esterno. 5. É facilmente palpado como uma saliência no osso esterno. Mede-se os semiperímetros de um lado e de outro do tórax e compara-se as medidas. Para medir os semiperímetros utiliza-se o chamado centímetro simétrico de Rosenthal que nada mais é que uma fita métrica. Se as medidas forem iguais dos dois lados. por meio do ângulo de Louis e a seguir percorrer as demais até atingir a que nos interessa. No caso da medida dos semiperímetros do tórax. por exemplo. quando queremos localizar e saber que costela estamos palpando. A fita é graduada em milímetros a partir do zero. coloca-se o zero sobre os processos espinhosos da coluna e tracionamos as extremidades da fita até junto à linha média na face anterior do esterno.22). caracterizada por ter o zero da escala no centro da fita e não em uma das extremidades (fig.

23 . oitava e sétima costelas que se unem ao esterno. nona. abdominais. Os membros superiores na verdade servem não somente para a preensão e o tato mas também para manter o equilíbrio do corpo durante a locomoção. 5. . em vista lateral do osso esterno Angulo de Charpy ou ângulo subcostal É o ângulo formado pelas cartilagens da décima.13). Os membros superiores são também chamados torácicos e os inferiores. MEDIDAS DOS MEMBROS INTRODUÇÃO Os membros são apêndices destinados à locomoção e preensão.Ângulo de Louis.Figura 5. Este ângulo tem importância em Biotipologia para classificar os indivíduos em somatótipos. junto ao processo xifóide (fig.

Pontos antropométricos dos membros No membro superior. 5. Daí serem mais desenvolvidos que os superiores. — Radial — Situado na extremidade proximal do rádio — Stylion . quanto durante a locomoção. Neste caso.Situa-se no ápice do processo estilóidedo rádio Figura 5. Nos membros são estudados os comprimentos e os perímetros. Às vezes o número de pregas que se formam é par.É o ponto mais distai do dedo médio — Dobra do punho — Situado na parte central da prega que se forma quando o punho é flexionado.24).Os membros inferiores sustentam o peso do corpo. o ponto situa-se entre as duas pregas centrais. destacam-se os seguintes pontos antropométricos (fig. Antes porém temos que conhecer seus pontos antropométricos. — Acromial — Já descrito no estudo do tronco — Dactilium . tanto em posição estática.24 — Pontos antropométricos do membro superior .

Medidas e índices dos membros . perna e pé índice ósseo. destacarn-se os seguintes pontos antropométricos (fig.25 — Pontos antropométricos do membro inferior Principais medidas e índices dos membros A chave seguinte resume as principais medidas e índices dos membros: Comprimento do membro superior índice do comprimento do membro superior Comprimento do braço índice do comprimento do braço Comprimento do antebraço índice do comprimento do antebraço Comprimento do membro inferior índice do comprimento do membro inferior Comprimento da coxa índice do comprimento da coxa Comprimento da perna índice do comprimento da perna Perímetros do braço. antebraço e mão Perímetros da coxa. 5.Já descrito no estudo do tronco — Pubiano — Já descrito no estudo do tronco — Tibial — Ponto mais medial da linha interarticular do joelho — Maleolar — Situa-se no maléolo medial Figura 5.25). — Mio-espinhal anterior.No membro inferior.

5.26 .9 de 45 a 46. estando o indivíduo em pé. O membro superior direito é mais comprido que o esquerdo em mais ou menos 1cm. em linha reta. na posição fundamental (fig. obtém-se o índice do comprimento do membro superior que é dado pela fórmula: Classificação dos indivíduos através do índice do comprimento do membro superior Através deste índice.9 maior que 47 .26). Figura 5. classificam-se os indivíduos em: Membro superior curto Membro superior médio Membro superior longo até 44.Cumprimento do membro superior índice do comprimento do membro superior Relacionando esta medida com a altura.Comprimento do membro superior É a distância entre o ponto acromial e o dactilium.

27 .9 Figura 5. utilizando a fórmula: De acordo com este índice.9 maior que 19. predomina o membro superior longo. enquanto nas raças branca e amarela.Comprimento do braço .27) O índice do comprimento do braço é obtido. classificam-se os indivíduos em: Braço curto Braço médio Braço longo até 18. No sexo feminino. 5. Comprimento do braço O comprimento do braço ó a distância em projeção entre os pontos acromial e radial (fig.9 de 19 a 19. em geral. o comprimento do membro superior é 1cm menor que no masculino.Na raça negra. o membro superior curto.

28 — Comprimento do antebraço 0 índice do comprimento do antebraço obtém-se pela fórmula: índice do comprimento do antebraço Classif icam-se os indivíduos.0 a 15.9 maior que 15. em: Antebraço curto Antebraço médio Antebraço longo Comprimento da mão É a distância em linha reta. de acordo com este índice.9 de 15.9 .28) Figura 5. 5. entre o stylion e o dactilium até 14.Comprimento do antebraço É a distância em linha reta entre os pontos radial e stylion (fig.

pode-se obter o índice do comprimento do membro inferior. na mulher.5 cm abaixo daquela linha (fig. medindo a distância de um destes pontos ao plano do solo e fazendo-se os descontos necessários (fig. 3. Esta medida nâb pode ser obtida diretamente pois o bordo superior da cabeça do fémur não é acessível. enquanto que o bordo superior da sínfise púbica encontra-se. 5. que vai do bordo superior da cabeça do fémur.Comprimento do membro inferior É a distância em linha reta. para isso. até um plano que passa pela planta do pé. em média. 5. O primeiro ponto está situado em média 4 cm acima da linha interarticular ílio-femoral no homem e 3.29) Figura 5. utilizam-se pontos de reparo que fornecem a medida aproximada do comprimento do membro inferior. Por esse motivo. Estes pontos de reparo são: a espinha ilíaca ântero-superior e o bordo superior da sínfise púbica.5 cm.29 — Pontos de reparo para medir o comprimento do membro inferior Pode-se então obter o comprimento do membro inferior indiretamente. utiliza-se a fórmula: índice do comprimento do membro inferior .30) Do mesmo modo que para o membro superior.

31 .30 .9 acima de 29.9 Figura 5. classificamos os indivíduos em: Membro inferior curto Membro inferior médio Membro inferior longo Comprimento da coxa É a distância em projecão entre os pontos ílio-espinhal anterior e o tibial (fig.0 a 29.Através deste índice.0 a 56.Comprimento do membro inferior Figura 5. classificam-se os indivíduos em: Coxa curta Coxa média Coxa longa até 28.Comprimento da coxa .31).9 acima de 57 De acordo com este índice. 5.9 de 29.9 de 55. O índice de comprimento da coxa é obtido pela fórmula: até 54.

0 a 23.9 Figura 5.9 acima de 23. Obtemos o índice do comprimento do pé através da fórmula: .Comprimento da perna É a distância em linha reta entre os pontos tibial e maleolar (fig.32 — Comprimento da perna Comprimento do pé É a distância entre o ponto mais posterior do calcanhar e a extremidade distai do primeiro ou segundo dedo (o que for mais longo). em: Perna curta Perna média Perna longa até 21. através da fórmula: índice do comprimento da perna Classificamos os indivíduos de acordo com este índice.9 de 22. Obtém-se o índice do comprimento da perna.32). 5.

Os comprimentos dos membros e seus segmentos são importantes para se estudar suas simetrias. Nas partes moles. Os comprimentos dos membros são obtidos com o uso do antropômetro. Figura 5. e de preferência no lado esquerdo. Os perímetros ósseos sao medidos ao nível do cotovelo. antebraço. coxa. segundo a finalidade. 5. mede-se no braço. Perímetros dos membros Podem ser obtidos medindo-se nas partes moles ou nas partes ósseas. mão.Perimetro do braço índice ósseo e classificação dos indivíduos através deste índice Este índice é dado pela fórmula: .33). do punho. do joelho e do tornozelo.33 . perna e pé (Fig.

no membro inferior ele será maior do outro lado e vice-versa. havendo geralmente. através da medida da amplitude de movimento. menor que 43 entre 43. como já vimos. no membro superior. em um plano que passa junto à prega glútea. Para medida das partes moles. mede-se ao nível da raiz deste segmento. o que requer tratamento.34) . Os perímetros dos membros são obtidos com a fita métrica. por exemplo. Retirado o gesso. de Godin. entre os quais. Este pode ser acompanhado. Na coxa. Godin verificou que sempre que o perímetro é maior em um lado. o perímetro do braço mede-se ao nível da extremidade distai do músculo deltóide: no antebraço. Os perímetros ósseos são medidos ao nível das articulações. mede-se ao nível do seu terço proximal. A amplitude de movimento de uma articulação pode estar diminuída por vários motivos.5 cm). por exemplo. Os aparelhos utilizados para se medir ângulos articulares são os goniómetros (fig. uma imobilidade prolongada. na sua parte mais larga. as articulações ficam imobilizadas por certo tempo. Os músculos ficam relaxados. Devem ser colhidos tanto de um lado como do o u t r o . e no pé. 5. Dá uma ideia também do estado de nutrição e do desenvolvimento muscular.Através deste índice. o perímetro da perna é medido ao nível da sua porção mais volumosa. onde as massas musculares apresentam maior volume e na mão. mede-se na sua parte mais larga.5 e 46 maior que 46 Em tratamento de fraturas. na articulação. pequena diferença entre ambos os lados (0. com os dedos unidos exceto o polegar. às vezes a amplitude de movimento das articulações pode estar diminuída. Esta é a lei das assimetrias compensadoras. Ângulos articulares dos membros O ângulo articular é o ângulo formado pelos ossos. os indivíduos são classificados em: Ossatura fraca Ossatura média Ossatura forte Utilidade da medida dos perímetros dos membros A medida dos perímetros dos membros permite apreciar seu desenvolvimento como um todo bem como o desenvolvimento ósseo dos membros.5 a 1.

36 é o registro gráfico das modificações da amplitude de movimento da articulação interfalângica proximal durante um período de quatro semanas. 5.35 — Medida dos ângulos articulares do ombro (a) e do cotovelo (b) .Figura 5.35). antes e depois de aplicado tratamento com fisioterapia. O transferidor é graduado de um em um grau (f ig.34 — Tipos de goniómetro O goniómetro é basicamente um transferidor em cujo centro està"o unidos dois braços ou alavancas. Figura 5. Geralmente apenas um dos braços é móvel. A figura 5.

36 — Gráfico da amplitude da articulação interfalángica proximal em 4 semanas de registro .Figura 5.

corpo pouco desenvolvido. pele flácida. todos os processos envolvidos na cadeia estão em equilíbrio: há oferta suficiente de alimento. pouco animado. O professor de educação física pode e tem condições de detectar casos de má nutrição e encaminhá-los para o médico. dentes cariados. É possível também que a quantidade e a qualidade sejam suficientes mas os tecidos do corpo não conseguem absorver ou aproveitar os elementos por alguma deficiência orgânica ou metabólica. Quando há uma boa nutrição. para considerar apenas alguns aspectos. músculos firmes. são indícios de má nutrição. A nutrição é pobre quando algum elemento desta cadeia não está funcionando a contento: a criança pode estar ingerindo alimento em quantidade insuficiente ou o alimento pode ser deficiente em determinadas substâncias (vitaminas. É claro que qualquer um destes processos vai influenciar na altura. manter ou reparar os tecidos. força muscular diminuída. Um dos principais fatores que prejudicam o processo normal de crescimento é a deficiência nutritiva. É dever do professor de Educação Física saber avaliar o estado nutritivo de uma criança e encaminhá-la para o setor médico responsável para que um tratamento possa ser providenciado. com cansaço facial e irritação fácil. a digestão ocorre perfeitamente bem e as células do corpo estão usando de modo satisfatório esses alimentos. Peso e alutra em torno da média. etc). ou seja. e habilidades motoras retardadas. subjetivãmente. A criança mal nutrida tem fadiga crónica. olhos claros boa postura e bom apetite são alguns dos sinais de boa nutrição. pele corada. especialmente na época do crescimento. AVALIAÇÃO DO ESTADO NUTRITIVO O estado nutritivo pode ser avaliado simplesmente pela observação da criança. . peso.CAPITULO VI AVALIAÇÃO DO ESTADO NUTRITIVO: MEDIDA DA ESPESSURA DE PREGAS CUTÂNEAS E PESO INTRODUÇÃO A saúde e o desenvolvimento do indivíduo são muito importantes. regular a atividade corporal e permitir o trabalho do corpo. proteínas. magro. Ao contrário. músculos frágeis. força muscular e outros aspectos da criança. Conceito de nutrição Nutrição pode ser considerado como o processo pelo qual as células do corpo usam o alimento ingerido para construir.

Entretanto, para eliminar erros que sempre ocorrem em avaliações subjetivas, foram criados meios objetivos de julgar o estado nutritivo. Tabelas de estatura-peso idade e tabelas de largura-peso Estas tabelas foram construídas a partir da avaliação de um grande número de indivíduos. 0 uso das tabelas idade-estrutura-peso apresenta desvantagens: não leva em conta a constituição corporal; é construída a partir de uma média, a qual, nem sempre é representativa para aquele caso específico. As tabelas de largura-peso (Pryor, 1940), sugerem que se pode avaliar o estado nutritivo utilizando não só o peso e a estatura mas também outras medidas como os diâmetros bi-crista ilíaca e o transverso do tórax. Assim, foram construídas tabelas relacionando idade, estatura, sexo, peso e as medidas acima relacionadas. Deste modo, para saber se o peso de uma determinada criança está dentro dos padrões normais, basta compará-lo com os valores indicados nas tabelas, levando em conta as várias medidas efetuadas. Alguns autores propõe a determinação da porcentagem de gordura corporal através de cálculos usando fórmulas em que entram a densidade, a massa e o volume do corpo. Estes dados são obtidos por métodos especiais. Entretanto, o meio mais fácil e prático de se avaliar o estado nutritivo é medindo o tecido adiposo através da medida das pregas cutâneas, pois o tecido adiposo subcutâneo, como se sabe, constitui aproximadamente metade de todo o estoque adiposo do corpo. MEDIDA DA ESPESSURA DE PREGAS CUTÂNEAS Importância da medida da espessura de pregas cutâneas. Esta medida permite avaliar o grau de adiposidade do indivíduo, e portanto seu estado nutritivo. Técnica de medida da espessura de pregas cutâneas Para medir a espessura da prega cutânea, utiliza-se um compasso especial que exerce pressão fixa sobre a pele, permitindo assim, uma medida sempre precisa. Um dos mais conhecidos é o compasso de Lauge (fig. 6.1).

Figura 6.1 - Compasso de Lange, para medida das pregas cutâneas

Os locais do corpo escolhidos para se efetuar as medidas são o dorso do braço, a região infra-escapular, região anterior da coxa, tórax e abdome (fig.6.2). Toma-se entre os dedos polegar e indicador uma dobra de tecido subcutâneo e mede-se sua espessura com o compasso. Em adulto, a medida vale cerca de 1cm, em média.

Pode-se também medir a espessura do tecido subcutâneo, através de chapas radiográficas. Além da medida da espessura de pregas cutâneas, uma das medidas mais utilizadas para avaliar o estado de nutrição é o peso, cujo estudo será feito a seguir. PESO Definição de peso O peso é resultante das forças exercidas pela gravidade sobre o corpo. Geralmente é interpretado, para efeitos práticos, como sendo igual à massa.

Figura 6.2 — Locais mais usados para medir a espessura da prega cutânea a — dorso do braço b — Região infra-escapular c — Regiáo lateral do abdome d - Coxa e — Região anterior do abdome

Elementos constituintes do peso A tabela seguinte mostra os elementos constituintes do peso e suas percentagens: Tecido subcutâneo, gordura e água Músculos Esqueleto, vísceras, sistema nervoso e pele 17% 50% 33%

a maior parte do peso é representada pelos músculos. o peso ideal seria dado pela fórmula: P = A (cm) sendo: A .100. depois dos 2 anos. através da respiração e sudorese. os mais importantes sío: hora do dia. há uma parte fixa que corresponde às vísceras. através de verificações periódicas. Entre os fatores externos. esqueleto. Broca considera como valores normais os que se colocam para mais 10 ou menos 10 do peso ideal calculado. b) Variação do peso com o crescimento — Durante a fase de crescimento. constituição neuro-endócrina e patologias. c) Variação do peso com a prática de esportes — Esta é fator de redução de peso. A parte do peso representada pelo tecido subcutâneo. Fatores que determinam o peso Podemos considerar fatores internos e externos. Entre os primeiros. sistema nervoso e pele.. os mais importantes são a alimentação e a atividade física. condições de saúde e hábitos de vida. o peso é menor devido ao fato do estômago. gordura e água também é muito variável. Cálculo do peso ideal.Pela manhã. o crescimento e a prática desportiva. deve-se acompanhar a redução de peso. Nestes casos. Esta parte se modifica por exercícios físicos. intestinos e bexiga estarem vazios. Fatores de variação do peso Diversos fatores influenciam no valor do peso. o peso é maior.Como se observa. a) Variação do peso com a hora do dia . ao passo que à noite. segundo Broca Segundo Broca. destacam-se:a hereditariedade. = altura em centímetros. devido à perda de líquidos. Esta diferença entre o peso pela manhã e à noite pode atingir até 2 quilogramas. o peso aumenta cerca de 2 quilogramas por ano de idade. Finalmente. sob várias condições. .

Técnica da medida de peso Dois tipos principais de balança são utilizados para medir o peso. esta tem sua precisão diminuída. enquanto os de peso baixo podem praticar esportes como corridas de fundo.Utilidade da medida de peso O peso tem grande importância como medida biométrica por sua fácil obtenção e por indicar o estado de nutrição e de saúde do indivíduo. Pessoas de peso elevado são indicadas para esportes que requerem resistência e força. o peso é uma medida utilizada para orientar o indivíduo para um determinado tipo de esporte. sendo o resultado dado em quilogramas: a de alavanca e a de mola. Em seleção desportiva. A balança de alavanca é preferida à de mola pois com o passar do tempo. .

uma frequência do pulso de 64 batimentos por minuto. mas todas baseiam-se em que o sistema muscular. A medida da capacidade cárdio-circulatória é feita submetendo-se o indivíduo às chamadas provas de esforço. no indivíduo normal. como também a cardíaca. a frequência do pulso pode ser 20 ou 30 batimentos mais baixa que uma pessoa não treinada.CAPITULO VII MEDIDA DA CAPACIDADE VITAL E CARDIOCIRCULATÓRIA . O volume minuto é a quantidade de sangue bombeada por minuto e o volume sistólico é o volume ejetado em cada batida do coração. porque o coração do atleta é mais forte. o pulso e a pressão sanguínea devem voltar rapidamente aos níveis de repouso. alimentação. cessando o trabalho. MEDIDA DA CAPACIDADE CÁRDIO-CIRCULATÓRIA Veremos apenas uma noção sumária sobre a medida da capacidade cárdiocirculatória. Se o coração e os pulmões estão funcionando à contento. Frequência do pulso Um indivíduo jovem tem em média. Vejamos inicialmente algumas características fisiológicas do sistema cardiovascular. ao realizar um trabalho intenso e rápido. O volume sistólico em repouso. Pode ser que na pessoa treinada o volume ejetado a cada batimento seja maior que numa não treinada. FORÇA MUSCULAR CONCEITO DE MEDIDAS BIOMÉTRICAS FUNCIONAIS Medidas biométricas funcionais são medidas que permitem avaliar o estado fisiológico de alguns sistemas do corpo. Existem vários tipos de provas de esforço. Quando um indivíduo é submetido a um trabalho. a frequência do pulso vai . o coração deve responder prontamente. Em um atleta treinado. os valores da frequência do pulso variam com muitos fatores. e atividade física. hora do dia. de um atleta. suprem perfeitamente de oxigénio os músculos durante o esforço. Volume sistólico. tais como: idade. Estudaremos as seguintes: capacidade cardio-circulatória. Além disso. capacidade vital e forca muscular. em repouso. geralmente é maior que o de um indivíduo não treinado. estando entre 38 e 110. Volume minuto. Entretanto. os limites. devido ao treinamento que fortalece não só a musculatura esquelética.

Por último. porque o ar vai saindo. Assim. Quanto mais preparado fisicamente. A pressão sanguínea é a pressão exercida pelo sangue sobre as paredes dos vasos. não ocorre tanto desconforto ao respirar mais fortemente. Só assim poderemos opinar sobre sua aptidão à atividade física.aumentando à medida que a intensidade do esforço é maior. aumenta a expansão do tórax e a profundidade respiratória. menor tempo leva para voltar a atingir a frequência de repouso. chega um momento em que não se ouve mais o batimento. como ocorre nos não treinados. Avaliação do sistema cardiovascular Nesta avaliação. a frequência do pulso volta ao estado inicial e o tempo que leva para que isto ocorra depende do esforço realizado. Para se medir a pressão sistólica (máxima). Além disso. sabe-se que os músculos respiratórios. Terminado o trabalho. no treinado há uma melhor ventilação. quando se ouvir o som do batimento cardíaco nitidamente. geralmente utiliza-se medir variáveis como a pressão sanguínea e a frequência do pulso sob diferentes condições. durante um esforço físico. Depois solta-se lentamente o ar. Vários cuidados devem ser tomados pois muitos fatores podem afetar os resultados. lida no manómetro. a tomada da pressão sanguínea deve ser feita com o indivíduo sentado confortavelmente ou deitado . A eficiência dos músculos vai depender do oxigénio que chega até eles. com mais economia. há um melhor aproveitamento de oxigénio. na pessoa treinada. 0 uso dos testes que medem a capacidade cardiocirculatória em Educação . se desenvolvem mais e quando há um esforço. É necessário pois submeter o coração do indivíduo a uma prova de esforço para se ter uma avaliação de seu desempenho funcional. No indivíduo treinado. é obtida quando ela diminui ao máximo entre os batimentos. esta é a pressão máxima. sem um aumento tão grande da respiração. pois é nos pulmões que ocorrem as trocas gasosas e o oxigénio é absorvido e eliminado o gás carbónico. A pressão máxima é a pressão do sangue durante a sístole ventricular esquerda e a pressão mínima. Pressão sangú ínea Quando necessária.A pressão é medida no braço. Esta é registrada como pressão diastólica (mínima). À medida que a pressão vai dímuindo. insufla-se o ar no manguito colocado em posição no braço e ouvindo com o estetoscópio. Respiração O sistema circulatório está funcionalmente ligado ao respiratório. bem como do estado físico da pessoa.

isto ocorre aos 2 ou 3 minutos após o término do teste. Teste de Lian O indivíduo faz 30 flexões em 1 minuto.Física é limitado. o resultado é considerado bom. Prova de Pachon-Martinet Consiste na execução de 20 flexões em 40 segundos. até que volte aos valores iniciais. com mercúrio. . Mede-se o pulso 1 m i n u t o . Prova de Flack Esta prova é feita utilizando um tubo de vidro. Prova do banco (Step test) Durante um período de 5 minutos. Normalmente. A prova é cansativa e deve ser feita somente em indivíduos previamente examinados pelo médico. A seguir serão analisados alguns testes que medem a capacidade cardiocirculatória. procurando fazer com que o mercúrio atinja um desnível de 40 m m . obtendo-se resultados que indicam a aptidão física do indivíduo. e suportando até os limites de suas possibilidades. Imediatamente mede-se o pulso. de um lado há uma conexão com um bocal. a seguir. os valores obtidos em uma fórmula conveniente. Mede-se a frequência do pulso e a pressão arterial antes e depois da prova. As modificações do pulso (ritmo cardíaco) e o tempo que o indivíduo consegue atingir permitem avaliar o desempenho cardíaco. 2 minutos e 3 minutos após o término da prova. Mas eles podem ajudar a detectar indivíduos com aptidão física muito baixa. Aplica-se. examina-se o pulso do indivíduo.8 cm de altura a cada 2 segundos. M E D I D A D A CAPACIDADE V I T A L Conceito de capacidade vital É a quantidade máxima de ar que uma pessoa pode expulsar após uma inspiração máxima. onde o indivíduo assopra. Quando este volta aos valores iniciais de antes do teste em menos de 2 minutos. de minuto em minuto. o indivíduo sobe em um banco de 50. Estes indivíduos deverão ser encaminhados para o médico competente. Durante a prova.

2 mostra um traçado de uma prova de capacidade vital de um indivíduo com enfisema. Em outras palavras. Realizando uma inspiração forçada. tem-se a reserva expiratória. temos a reserva inspiratória e ao realizar uma expiração forçada. A capacidade vital é a soma dos volumes corrente. 11. Figura 11*1 -A — Espirômetro em corte esquemático Utilidade da medida da capacidade vital Através da espirometria pode-se detectar insuficiências respiratórias e acompanhar progressos em reeducação respiratória. no . 11. há alteração do traçado normal de uma espirometria. Nas doenças pulmonares. o qual permite medir a quantidade de ar insuflado.Depende basicamente dos músculos envolvidos na respiração (inspiração e expiração) e do volume máximo dos territórios dos pulmões. A prova é denominada espirometria (figs. Insufla-se ar no aparelho. que desloca um sistema graduado. é o volume de ar que entra nos pulmões na inspiração. por exemplo. Aparelho utilizado para se medir a capacidade vital É o espirômetro. de reserva inspiratória e de reserva expiratória. A figura 11. O indivíduo começa a expirar no ponto 2.2). O volume corrente é o volume de ar inspirado e expirado durante a respiração.1.

se fosse normal.C — Espirometria .1 . 70 a 80% da sua capacidade vital mas na realidade o gráfico mostra que ele expele somente 40% desta capacidade.ponto 2 (primeiro segundo de prova) ele deveria expirar. Figura 11-1-B Componenetes da capacidade vital Figura 11.

a capacidade vital aumenta. Nos que levam vida sedentária.2 — Capacidade vital de um indivíduo com enfisema A capacidade vital pode ser melhorada com técnica respiratória adequada. quando o indivíduo respira com má técnica. tipo constitucional e exercícios físicos. Variação da capacidade vital com a idade Durante o crescimento do indivíduo. diminui. A capacidade vital depende das dimensões da caixa torácica. .Figura 11. Variação da capacidade vital com a altura Quanto mais desenvolvido for o indivíduo. Nà"o se pode. entretanto. ao contrário. bem como não se pode dizer que um atleta com capacidade vital elevada terá ótimos resultados físicos. altura e desenvolvimento físico. idade. Fatores que influenciam no valor da capacidade vital Os principais são: sexo. No adulto que pratica exercícios adequados. considerar como incapaz um indivíduo que tenha uma capacidade vital pequena. Nos indivíduos bem desenvolvidos e de grande altura têm-se também um maior desenvolvimento da caixa torácica. maior será sua capacidade vital. para uma mesma idade e altura. Comportamento da capacidade vital nos sexos A capacidade vital nos homens é cerca de 800 ml maior que a das mulheres. a capacidade vital aumenta até 40 anos.

roupas folgadas e deve ser bem explicado ao examinando o modo de se realizar a prova. todo atleta sabe que a força muscular quando desenvolvida melhora a aparência e o físico. e é influenciada por vários fatores entre quais processos patológicos. Técnica de medida da capacidade vital Deve-se observar os seguintes aspectos. pois têm o tórax mais curto e suas costelas têm menor mobilidade que a dos longilíneos. MEDIDA DA FORÇA MUSCULAR A medida da força muscular é uma das mais importantes para se avaliar a aptidão física do indivíduo.Relacionamento entre capacidade vital e tipo constitucional A capacidade vital nos brevilíneos é menor que a dos longilíneos. permite melhor desempenho em provas específicas e ajuda a evitar certas deficiências ortopédicas. Exercícios físicos e a capacidade vital A ginástica e os exercícios só melhoram a capacidade vital nos indivíduos que apresentam técnica respiratória errada. dá maior potência para saídas mais rápidas e permite melhor desempenho em quase todos os esportes. Além disso. Conceito da medida da força muscular Consiste na medida da força máxima de determinados grupos musculares. há diferenças nas raças. . O desenvolvimento da força muscular melhora a velocidade do indivíduo. ao se medir a capacidade vital: a) Posição: deve ser medida com a pessoa em pé. Por este motivo. A aquisição de um corpo bem modelado é aspiração natural de jovens masculinos e femininos. A medida chama-sedinamometria. b) Realização da prova: com o estômago vazio. A medida da força muscular pode ser um bom indicador da aptidão física geral pois é uma medida bastante obejtiva.

Até a puberdade. Idade e a medida da força muscular A força muscular aumenta a partir da puberdade.4). Valores médios no homem adulto Força de preensão da mão Força de traçâb horizontal Força de traçâo vertical 40 a 60 kgf 30 a 40 kgf 130 a 150 kgf A mulher possui valores entre 50 a 60% dos masculinos. 11.3) b. há uma maior atividade física nos meninos e entram em açâo também os hormônios masculinos. Baseia-se no fato que a força muscular aplicada ao aparelho deforma uma mola. os músculos são mais desenvolvidos no homem que na mulher. porém. Músculos flexores dos dedos (força de preensáb) (fig. Na puberdade e após esse período. aumentando o rendimento muscular. Sexo e medida da força muscular No adulto. neste aspecto. Fatores que influenciam na medida da força muscular Sâb os seguintes: sexo. 11.Aparelho utilizado em dinamometria É o dinamômetro.3) Grupos musculares que podem ser explorados através da dinamometria São os seguintes: a. Músculos do braço e da região escapular (força de traçâb horizontal). deslocando um ponteiro que corre em uma escala graduada (fig. c. as diferenças são pequenas. atingindo valores máximos enter 25 e 35 anos. Músculos do dorso (força de traçâo vertical) (fig. idade e exercícios físicos. 11. .

4 .Figura 11.3 — Medida da força de preensão Figura 11.Medida da força detraçfo .

pode-se fazer com que os músculos de um indivíduo atinjam a força máxima de que são capazes. e b. . Comparar forças musculares de indivíduos diferentes. em 10 meses. Acompanhar variações da força muscular durante treinamento. Importância da dinamometria A dinamometria permite: a. Através de treinamento.Influência dos exercícios físicos na medida da força muscular Aumentam a força muscular.

as fases do crescimento. Há o inconveniente de não se levar em conta as diferenças individuais no r i t m o de crescimento. É pois um processo quantita- . 1964). Está intimamente ligado à nutrição. O aumento da altura do indivíduo se deve ao aumento do comprimento dos pelas mudanças progressivas das várias medidas do corpo. A maturação compreende as mudanças na estrutura e composição do corpo. pode-se distinguir dois processos diferentes entre si. O método transversal consiste em tomar medidas em crianças de diferentes idades e daí estabelecer valores médios para cada idade. durante o desenvolvimento. acompanha-se um grupo de crianças durante seu crescimento. É pois um processo quantitativo. observando e anotando as caracterísitcas que surgem. com o passar da idade. as características de cada fase e os conceitos de idade cronológica e idade fisiológica. CONCEITOS DE CRESCIMENTO E M A T U R A Ç Ã O Diferença entre crescimento e maturação Durante o desenvolvimento do ser humano. ASPECTOS GERAIS DO CRESCIMENTO Velocidade de crescimento A velocidade do crescimento é maior no início da via pós-natal. Métodos de estudo do crescimento Existem dois métodos biométricos para se analisar o crescimento:o transversal e o longitudinal. Crescimento propriamente d i t o é representado t i v o . No método longitudinal. São exemplos: as dentições.CAPITULO V I I I A V A L I A Ç Ã O D O CRESCIMENTO Neste capítulo estudaremos os conceitos de crescimento e maturação. embora intimamente interligados: crescimento propriamente dito e maturação. O inconveniente é a dificuldade de seguir o mesmo grupo de crianças durante um tempo mais ou menos longo. os processos de ossificação e as mudanças que ocorrem na puberdade. diminuindo até os quatro ou cinco anos (Tanner. que ocorrem.

segundo os autores. Crescimento dos órgãos Os órgãos do corpo crescem. crescem pouco até a puberdade. quando então. desenvolvem-se rapidamente.membros inferiores. antes da puberdade e ao aumento da altura tronco-cefálica. como mostra a tabela seguinte: Autor Penna (1962) Fases Crescimento intra-uterino Primeira Infância Segunda Infância Adolescência Meninos Idades Fertilização até o nascimento Nascimento aos 2 anos Dos 3 aos 10 anos Dos 10 aos 20 anos Meninas Até 6—7 anos 7 aos 10 anos 10 aos 13 anos 13 aos 14 anos Claparède (1940) Primeira Infância Segunda Infância Adolescência Puberdade Nascimento aos 7 anos 7 aos 12 anos 12 aos 15 anos 15 aos 16 anos Vandervael Pequena Infância Média Infância Grande Infância Adolescência Juventude Nascimento aos 2 anos e meio 2 anos e meio aos 6 anos 7 aos 12 anos 11 aos 16—18 anos 16—18 anos aos 21—23 anos . costuma-se dividi-lo em fases caracterizadas por alguns fenómenos mais evidentes em cada fase. FASES DO CRESCIMENTO Embora o crescimento seja um processo contínuo. Entretanto. 1935). em sua maioria. durante e após essa fase (Godin. rapidamente durante os primeiros anos de vida e lentamente na puberdade. há variação no número e nomenclatura das fases do crescimento. Os órgãos genitais. ao contrário.

crescem as mamas. ocorre. secreção de hormônios sexuais pelas células testiculares e aparecimento de barba. são alcançadas e ultrapassadas. aparecimento dos pelos pubianos e axilares. Existe grande variação quanto à data de início destes fenómenos. Características da média infância Estende-se dos dois anos e meio aos 6 anos. O tórax tende cada vez mais a acentuar a forma ovalada. os diâmetros da pelve. ao maior crescimento dos membros inferiores. Fenómenos que caracterizam a adolescência Esta fase. A força muscular aumenta especialmente no sexo masculino devido a hormônios próprios. A cabeça é grande. Aspectos que caracterizam a fase da juventude . Na área genital. Aspectos que caracterizam a grande infância Vai dos 7 aos 1 0 . Fenómenos que caracterizam a pequena infância Compreendendo o período que vai do nascimento aos dois anos e meio. O aumento da altura deve-se mais ao crescimento do tronco que dos membros inferiores. O tronco adquire. Os membros são curtos. aparecem os pelos pubianos e ocorre a menarca (primeira menstruação). o tórax é cilíndrico e a coluna vertebral apresenta apenas uma curvatura. O pescoço se alonga e fica delgado. as meninas crescem mais que os meninos no início desta fase mas. Nas meninas. Acentuam-se as diferenças de forma: nos meninos alargam-se as espáduas e nas meninas. principalmente. proporcionalmente. deixando pois de ser cilíndrico.1 1 anos. Nesta fase. A capacidade vital aumenta nos meninos. Por esse motivo. nesta fase. A altura aumenta devido. de convexidade posterior. nos meninos. as medidas da cabeça e do tronco continuam a predominar sobre as dos membros. depois.A seguir serão descritos os fenómenos principais que caracterizam cada fase do crescimento tomando por base. as fases de Vandervael. o mesmo ocorrendo com o seu término. a forma oval. o fenómeno característico desta fase é o aumento da altura (quase 50%) e do peso. o que aumenta suas possibilidades atléticas. A voz passa a ser mais grave. crescimento do pênis. começa e termina antes nas meninas. aumento dos testículos. que corresponde ao surto pubertário.

o outro menino pode estar em uma fase intermediária entre os dois anteriormente citados. por exemplo. A idade óssea nas meninas é geralmente mais avançada que a dos meninos. Estes centros podem ser detectados através de radiografias. os três meninos tem a mesma idade mas encontram-se em diferentes estágios de desenvolvimento. desde a vida fetal. Na puberdade. Conta-se os dentes que já fizeram erupção e compara-se com tabelas. entre 6 meses e dois anos e meio. músculos bem desenvolvidos. A altura cresce cada vez mais lentamente. algumas medidas biométricas e as características sexuais secundárias. morfológico.Estende-se desde os 16—18 anos até o início da idade adulta. podemos encontrar um que é menor. Desenvolvimento dos ossos Os vários centros de ossificação dos ossos do esqueleto aparecem em idades constantes e podem servir pois como critério para se determinar o grau de desenvolvimento em que se encontra o indivíduo. há um adiantamento de 2 anos mais ou menos. assemelhando-se a um menino de menor idade. Toma-se as medidas que são depois comparadas com as constantes da tabelas. com sistema muscular pouco desenvolvido. idade de erupção dos dentes. Assim. Idade de erupção dos dentes O aparecimento dos chamados dentes de leite se faz de modo constante. Assinala o início da idade adulta. fisiológico e mental. Portanto. . o que dará ideia do grau de desenvolvimento. entre três meninos de 14 anos. Existem tabelas que mostram a idade de aparecimento de cada centro de ossificação de cada osso. Por esse motivo. IDADE CRONOLÓGICA E IDADE FISIOLÓGICA Conceitos da idade cronológica a idade fisiológica A observação mostra que duas crianças do mesmo sexo e mesma idade cronológica (igual número de anos vividos) podem apresentar grandes diferenças morfológicas em relação ao estágio de desenvolvimento. outro tem bom desenvolvimento físico. Tanner (1964) considera o que se denomina idade fisiológica. a qual se baseia nos seguintes critérios: idade óssea. órgãos genitais como os de um adulto. Medidas biométricas Algumas medidas como o peso e a altura podem ser utilizadas como critério para determinar a idade fisiológica.

recupera esse peso. 1/12. nesta fase. CRESCIMENTO DAS PARTES DO CORPO Cabeça Ao nascer. Aos três anos passa para 50 cm. a criança perde 5 a 6%do peso inicial devido a uma ingestão menor de líquidos.Características sexuais secundárias O grau de desenvolvimento dos órgãos genitais. Na puberdade há um surto de crescimento rápido que começa e termina antes nas meninas. aparecem em épocas constantes. as meninas pesam menos que os meninos mas na puberdade pesam mais. pois estes fenómenos. No nascimento. Durante a meninice. dentro de certos limites de variação. Durante o seu crescimento a cabeça sempre cresce mais em altura que em largura. Ao nascer a criança pesa em média 3. a criança cresce pouco. A moça para de crescer geralmente aos 18 anos e o rapaz. O comprimento da criança duplica aos 4 anos. o perímetro cefálico médio é 35 cm. barba. . Nos primeiros dias após o nascimento. Em mais ou menos 8 dias porém. Depois de 3 anos na adolescência os rapazes voltam a pesar mais.5kg. mamas e menarca que surgem na puberdade podem também ser usados como meios de determinar a idade do indivíduo. Até a idade adulta cresce apenas mais 5 cm. No final do 19 ano de vida o peso triplica e no segundo ano quadruplica. Durante a infância e meninice. a cabeça representa 1/4 do corpo e no adulto. O crescimento do crânio é importante pois está relacionado ao crescimento do encéfalo. CRESCIMENTO DO CORPO COMO UM TODO Peso O peso do recém-nascido é milhares e milhares de vezes maior que o ovo mas o peso do adulto é apenas 20 vezes o do recém-nascido. com frequência. aos 20 anos. a época do aparecimento de pelos. Altura A altura aumenta cerca de 3 vezes e meia desde o nascimento até a idade adulta. As fases em que o peso aumenta mais são na vida fetal e na adolescência.

Figura 12. Na infância.Tronco O tronco contribui com cerca de 50% do comprimento do corpo em qualquer fase da vida.1 — Proporções do corpo. o perímetro torácico é igual ao cefálico. A altura tronco-cefálica representa cerca de 70% da altura total ao nascer e cerca de 55% no adulto (f ig.1). Durante a infância. Aos dois anos o perímetro torácico aumenta. supondo iguais os membros inferiores . os diâmetros sagital e transverso do tórax são aproximadamente iguais mas no adulto o transverso é três vezes o sagital. 12.

há acúmulos isolados nos quadris e nas mamas.Membros O membro superior participa com 9% do peso total no nascimento e assim permanece no adulto. atinge a metade do valor que possuía no primeiro ano. Esqueleto O aparecimento dos centros de ossificação segue uma ordem cronológica bem definida desde o nascimento até a vida adulta. a gordura subcutânea aumenta bruscamente mas no segundo ano de vida. O mesmo ocorre com o centro de gravidade que no recém-nascido está ao nível do diafragma e no adulto passa para o promontório do osso sacro. 0 membro inferior. A idade óssea é o estado em que se encontra o esqueleto em qualquer momento da vida. Por esse motivo não pode ser considerada como um critério absoluto para avaliar o estado de nutrição. Aos dois anos de idade os membros superiores tem o mesmo comprimento que os inferiores. Através de radiografias pode-se dizer a idade óssea do indivíduo. em todas as fases. peito e membros. No adulto o inferior fica 1/6 mais comprido que o superior. e influências de nutrição. . Pele e tela subcutânea Os pelos aparecem no início da adolescência. O aumento maior do comprimento dos membros inferiores e menor do tronco leva o ponto médio do corpo para baixo. cerca de 6 meses após. esse valor sobe para 30%. face. nas seguintes regiões: púbica. Começa a aumentar novamente na adolescência. representa 15% do peso total e no adulto. a idade óssea é ótimo critério para indicar a fase de desenvolvimento. acima e abaixo do qual. Existem tabelas próprias. mas há variações raciais. Nas mulheres os pelos púbicos aparecem pouco antes da menarca e na axila. O ponto médio do corpo é o ponto. Portanto. No rapaz aparecem em ordem. Nos primeiros 9 meses. começa a diminuir e aos 5 anos. A tela subcutânea aumenta. axila. os comprimentos sâb iguais. sendo que no sexo feminino. no nascimento. mas não nas mesmas proporções nas várias fases de desenvolvimento. No recém-nascido situa-se ao nível do umbigo e no adulto está na crista púbica. sexuais.

O peso total do encéfalo pode ser atingido aos 10 anos de idade. Órgãos endócrinos As glândulas supra-renais diminuem seu peso durante a infância. Durante a puberdade crescem lentamente até a idade adulta.Músculos Aumentam grandemente de peso na infância. Sistema Nervoso Central O peso do encéfalo duplica no primeiro ano e triplica no terceiro. No adulto o peso do coração é cerca de 12 vezes maior que ao nascer. em relação ao da recém-nascida. Sistema genital Os órgãos genitais apresentam um padrão de crescimento que se afasta das outras vísceras. Coração Ao nascer. O testículo do adulto pesa 40 vezes mais do que o do recém-nascido. a força muscular duplica. Na adolescência. Na adolescência essa participação é ainda maior. O ovário tem seu peso aumentado de 30 vezes no adulto. quando pesam o dobro do seu valor ao nascer. Este valor triplica no 3º ano. Os músculos crescem em tamanho e ná"o pelo aumento do número de fibras. O útero cresce realmente durante a adolescência. o coração pesa cerca de 20 g. . Ele cresce especialmente durante a adolescência. A glândula tiróide do adulto tem um peso cerca de 12 vezes maior que do recém-nascido e a hipófise aumenta seu peso em cerca de 5 vezes até a idade adulta. A medula espinhal cresce menos que a coluna vertebral de tal maneira que no adulto sua extremidade encontra-se ao nível da 2ª ou 3ª vértebra lombar.

Pode-se usar. Como cada criança tem um modo próprio de crescer. raça e meio ambiente. 12.2 . Quando os valores de uma criança se afastam muito dos das curvas-padràb. que examina as mesmas crianças em vários períodos ou o método transversal que examina crianças diferentes numa mesma época. para construir essas curvas-padrão. ocorre grande variabilidade nos padrões normais.3). podemos construir tabelas e curvas-padrâb (figs.Curvas-padrffo de peio nos sexos masculino e feminino (Baseado em Boyd.PADRÕES NORMAIS DE CRESCIMENTO Estudando-se o crescimento de crianças do mesmo sexo. é necessário buscar as causas deste fenómeno. 12. Figura 12.2. Algumas medidas são mais frequentemente utilizadas para se verificar o crescimento e desenvolvimento. 1952) . são elas: 1 2 3 4 5 Peso e altura Altura tronco-cefálica Perímetro da cabeça Perímetro torácico Diâmetro bi-crista ilíaca. o método longitudinal.

Se num determinado momento do desenvolvimento agentes nocivos atuarem sobre o corpo. nutrição. porque nesta fase. . sexo. os órgãos e tecidos que mais vão sofrer essas influências e ficar com defeitos são os que estão se diferenciando nesse momento. Este período é chamado período crítico. 1952) FATORES RESPONSÁVEIS PELA VARIABILIDADE NO CRESCIMENTO E DESENVOLVIMENTO Os fatores principais responsáveis pela variação no crescimento e desenvolvimento sâb: hereditariedade.Curvas-padrão de altura em meninos e meninas (Baseado em Boyd. Cada órgão tem um modo próprio de se desenvolver e crescer.3 . o órgão domina e parece inibir o desenvolvimento de outras estruturas. hormônios. clima. raça. atividade. então ele não mais conseguirá se desenvolver ou então o fará defeituosamente.Figura 12. ele se diferencia num determinado momento e cresce com uma certa velocidade e que depende de fatores intrínsecos a esse órgão. Se o órgão não aproveitar o período que lhe é destinado para se diferenciar. Cada tecido ou órgão tem um período em que a diferenciação e crescimento são mais acelerados havendo então uma alternância destes períodos para cada órgão.

ao político. o caso particular. Mas ao educador. que o distingue dos demais. e se às vezes constrói uma síntese. ao administrador. ao diretor de esporte. como já dissemos. sobretudo. em 1922. dois indivíduos. apesar das classificações. Berardinelli faz ainda uma comparação entre a Biot pologia ea Antropologia: "Se a Antropologia analisa é para depois sintetisar. é a própria unidade do seu estudo. Lembra Duarte-Santos: "classificar em um grupo é bom. Berardinelli define biotipologia como a "ciência das constituições. A constituição individual está ligada a uma ciência. CONCEITO DE BIOTIPOLOGIA 0 termo Biotipologia foi utilizado pela primeira vez por Nicola Pende. ir ao sub-grupo. . mas sim como instrumento de estudo". o importante é o indivíduo uno e concreto. ao historiador. rasgando-lhe mais amplas perspectivas. A Biotipologia tem por objetivo o estudo do indivíduo como um ser particular e concreto. temperamentos e caracteres". atingir o caso concreto. cada indivíduo apresenta uma série de características morfológicas. Estas variações na construção corpórea dos indivíduos decorrem da diferença de constituição individual. ao economista. humoral. da síntese das quais resulta o conhecimento do tipo estrutural-dinãmico especial de cada indivíduo". Como veremos mais adiante. concreto. ao passo que para a Biotipologia o que interessa é a análise. através do qual se pode conhecer e entender muitas das características do ser humano e suas diferenças. ou seja. ao clínico importa. Entretanto. por mais parecidos. que sejam iguais. tal idéia provém do nome dessa ciência e das classificações existentes dentro da matéria. "este caso". funcional. mas sim a realidade concreta que é o indivíduo. Os fatos gerais interessam ao filósofo. certa de ser a variabilidade individual enorme e de que só de seu estudo resultará a possibilidade de desfazer muitos conceitos errados da biologia humana. ao orientador profissional. o estudo das "manifestações vitais de ordem anatómica. á variedade. Duarte-Santos afirma: "a biotipologia pretende estudar não a abstração e mero universal. para designar a ciência que teria por objeto.CAPITULO IX BIOTIPOLOGIA: ASPECTOS GERAIS Não existem dois indivíduos exatamente iguais. que é o ser humano. cujos aspectos gerais serão descritos a seguir. é melhor. Muito comum e errónea é a idéia que se tem de que Biotipologia pretende tipificar os indivíduos para classificá-los. este indivíduo. passar o indivíduo é ótimo". fisiológicas e psicológicas. não é como fim. estas diferenças são importantes edevem ser levadas em consideração em Educação Física. Não há. com esta biologia diferencial e comparativa". psicológica. a Biotipologia.

Entretanto. a biotipologia tem sua terminologia própria. que são os mais utilizados nesta ciência: constituição. tem vários conceitos. Um primeiro grupo age sobre a diferenciação das formas dos órgãos. Um segundo grupo de glândulas age aumentando a massa corporal sem interferir na diferenciação das formas. as glândulas endócrinas também dependem da ação genética e por esse motivo podemos considerá-las como mediadoras entre o genótipo e o fenótipo. o t i m o e o córtex supra-renal. Compreende a hipófise. e. Incluem-se neste grupo a tireóide e as gônadas. condições sócio-econômicas. Por outro lado. o que as torna um fator capaz de transformar forças do meio externo em forças internas do corpo. além dos elementos morfológicos. As múltiplas possibilidades de combinações entre os gens nas primeiras fases do desenvolvimento sâb a maior causa de variabilidade na construção individual. sem influir porém no aumento da massa corporal. ou seja. Entre eles. Quanto às glândulas endócrinas podem ser divididas em dois grupos de acordo com seu modo de ação. serão definidos os seguintes termos. Viola acrescenta também os fisiológicos. Em outras palavras. T E R M I N O L O G I A BIOTIPOLÓGICA Como toda ciência. constituição é "a especial combinação correlacionada das variantes dos caracteres físicos próprios da espécie no estado fisiológico". ao mesmo tempo. Aceitaremos como definição de constituição a de Silveira. básico para toda a biotipologia. A seguir serão analisados sucintamente cada um destes fatores. o aspecto funcional que aparece como expressão daquele conjunto nos vários tipor de c o m p o r t a m e n t o " . temperamento. as glândulas endócrinas. Para Viola. caráter. elas contribuem para que um determinado genótipo possa realizar um fenótipo. genótipo. A seguir. citada por Coelho: "O conceito de constituição resulta de uma abstração que reúne o substrato anatômicoencefálico e somático em geral. Os fatores ambientais constituem em conjunto o que se denomina de "peristase". Os fatores responsáveis por essa diferença no r i t m o de crescimento são: a hereditariedade. Experiências têm demonstrado que a presença de partes do sistema nervoso são necessárias para que outras partes do corpo se desenvolvam. portanto. as glândulas também sofrem a ação do meio externo.FATORES DE D I F E R E N C I A Ç Ã O DOS TIPOS HUMANOS Os tipos humanos diferenciam-se devido a desigualdades no ritmo de crescimento dos órgãos. consideram-se: região geográfica. o sistema nervoso e os fatores secundários ambientais. O termo constituição. parátipo e f e n ó t i p o . . doenças e número de gestações. podem ser influenciadas por fatores como alimentação e clima. personalidade e biótipo.

como temperamento. derivados dos caracteres físico-funcionais e que determinam um modo especial e espontâneo de reação psíquica ao ambiente". Fenótipo é o resultado da interação entre genótipo e parátipo. Consideramos caráter como a expressão mais dinâmica do estado psicológico do indivíduo através do qual apresenta reações no meio ambiente. isto é. mas é empregado com amplitude variada. mas não se confunde com ela. Outros ainda dão-lhe significado somente psíquico. Portanto. Confunde-se dessa forma com o conceito de personalidade. e também compreensão. segundo o estímulo recebido. Siemens) ou caracteres atuais (Pende) é a totalidade dos caracteres acrescentados ao genótipo pelas complexas ações do meio ambiente. ampliam seu significado abrangendo também a parte psíquica e tendo assim significado volitivo-afetivo. para Duarte-Santos. raciocínio e memória. 0 componente morfológico se resume como biótipo e os componentes funcional. excluindo-se a parte intelectual. A expressão temperamento. tendências e vontade. Para Silveira. mas tem significado mais abrangente. Viola dia que "temperamento é a especial combinação de caracteres dominantes da individualidade psíquica ou pessoa. Para alguns autores. Biótipo e temperamento em conjunto. psíquico e fisiológico. 0 termo personalidade é muitas vezes usado como sinónimo de temperamento ou caráter. idiótipo (Lenz. através das quais ele se contactua com o meio ambiente. segundo Coelho. reconhecidas como modalidade de caráter". as ações. "a manifestação da atividade explícita. pois engloba as caraterísticas afetivas. Caráter é considerado como traduzindo fenómenos de ordem psíquica. Parátipo (Lens. Caráter. Admitia-se caráter como o conjunto de todas as características psicológicas do biótipo. conativas (volitivas) e intelectuais do indivíduo. temperamento seria a expressão humoral do b i ó t i p o . enquanto outros.Genótipo (Johansen). deriva de têmpera. Depende mais das condições ambientais e é mais passível de modificações do que a constituição. fixados através das gerações. de modo que o indivíduo traduzirá no comportamento interpessoal as disposições afetivas. significando assim a mistura dos diferentes traços de personalidade. de maneira a se conduzir socialmente. conação e . decorrem do estímulo afetivo. abrangendo a parte afetivo-volitiva e as faculdades intelectuais do indivíduo. Siemens) ou caracteres potenciais (Pende) é o conjunto de caracteres que o indivíduo adquiriu hereditariamente. é a parte volitivo-afetiva. estão implícitos na constituição individual. Kretschmer considera temperamento o conjunto de qualidades afetivas que caracterizam uma individualidade tanto no que diz respeito á forma como sofre as "afecções" e à maneira como reage. abrangendo sentimentos. Segundo Coelho. temperamento corresponde ao aspecto dinâmico da constituição. tal termo apresenta como definição precisa "o conjunto de funções subjetivas agrupadas fundamentalmente em três setores: afetividade.

O conhecimento do indivíduo " n o r m a l " deve preceder e servir de base ao estudo do indivíduo patológico. Essa diferença individual não é caótica. b. e. Uma definição precisa de biótipo é fornecida por Coelho: "a expressão somática da regência metabólica para com o mundo interno objetivo. Todos os indivíduos são diferentes. mas obedece a determinadas leis. g. . Na génese da doença. consiste no b i ó t i p o " . c. O mesmo indivíduo é diferente de si mesmo em momentos diferentes. f. O indivíduo é uma unidade existindo uma indissolúvel correlação entre suas diversas partes e funções. como carga genética e como manifestação do instinto nutritivo. Estas funções psíquicas resultam da atividade cerebral. não há duas pessoas iguais.inteligência. as reações individuais têm importância igual ou superior às causas externas. são peculiares à espécie humana e regem harmonicamente e de modo contínuo as disposições do indivíduo e as suas relações com os ambientes físico e social". Apesar das diferenças entre os indivíduos há semelhanças que permitem grupá-los em " t i p o s " . d. PRINCÍPIOS GERAIS DE BIOTIPOLOGIA Alguns dos princípios gerais da biotipologia são importantes e por esse motivo serão citados a seguir: a.

que levaram esta ideia a outros povos. Viola e Pende. Brugsh. surgiram várias teorias biotipológicas. como também no estado dinâmico e cinemático (Bildung). A predominância de um destes humores determinava o temperamento: sanguíneo.Estes classificavam os indivíduos em cranianos. e Hussen. não só considerada sinteticamente e no sentido estático (GestaIt). acreditando que o ser humano seria formado por quatro elementos: linfa. pituitoso e bilioso. apoiam-se em medidas biométricas. originando uma orientação morfológica. sangue. Sigaud. Encontramos indícios de tal fato já nas antigas sociedade orientais e ulteriormente entre os gregos. Os progressos que se realizaram posteriormente na Anatomia humana deram à noção de temperamento um significado diverso. Kraus. Jaensch. Galeno admitiu que quatro humores entrariam na constituição do homem: sangue (quente e úmido). devemos considerá-la sempre móvel e cambiante. dando-lhe uma característica pela qual seria agrupado ou tipificado. torácicos e abdominais. umas. aceitava como fundamental a ideia que o indivíduo desde a fecundação teria seu destino evolutivo marcado. "O que acaba de ser formado.CAPITULO X TEORIAS BIOTIPOLÓGICAS Existem diferentes classificações biótipo lógicas. A vida resultaria da combinação desses quatro elementos sendo que um deles predomina no indivíduo. segundo a predominância de uma destas três partes relativamente às outras. Mais tarde (século II DC). . Hipócrates utilizava os ensinamentos de Empédocles em Medicina. pois resultado da hereditariedade. A tentativa de agrupar os indivíduos segundo certas características existe desde as mais antigas civilizações. Tal predominância se reconhecia pelo contacto com o corpo do indivíduo. pituita (fria e úmida) em contraposição com a bile (quente e seca). baseadas apenas no aspecto externo do indivíduo. se transforma imediatamente e para termos uma ideia viva e verdadeira da Natureza. dentre as quais destacamos as de: De Giovanni. sendo. enquanto outras. Goethe criou o termo morfologia para significar o estudo da forma. O método é criticável por basear-se unicamente na inspeção sem nenhum elemento mais concreto e objetivo. interpretadas estatiscamente. Benecke." A partir do final do século XIX. bile e atrabile. seu discípulo. mas influenciável pelo meio externo. Stockard e Bean. opondo-se â atrabile (fria e seca). da qual foram precursores Halé. ESCOLA ITALIANA De Giovanni (1891). melancólico. "pintor em Roma antes de ser médico em Paris". escrevia ele. ShekJon e Stevens.

há debilidade geral. podendo a individualidade total não atingir ou ultrapasar a maturidade plena. tendência à obesidade. membros alargados. venosa ainda mais. fraca musculatura esquelética. mas com maior desenvolvimento somático (maior massa corpórea). que é de volume normal ou maior (fig. capazes de servirem para classificar os homens em grupos a que chamou "combinações". Daí surgiu o conceito de hiper e hipo-evolutismo e a possibilidade de desequilíbrios. com frequente catarro. em idade mais avançada. sobretudo dos vértices pulmonares. Estas. segundo o conceito do autor.1). com predisposição para doenças do sistema linfático. coração pequeno e sistema arterial deficiente em relação ao venoso e linfático. De Giovanni levava em consideração o desenvolvimento harmónico de cada parte e do todo individual. A cada combinação corresponderia determinado funcionamento orgânico e especiais tendências mórbidas. em seu significado profundo. entre o externo e o interno e até internamente entre os aparelhos e órgãos e as próprias partes constitutivas destes. desproporções e variantes individuais. oom critério antropométrico. desprezando só a parte psíquica. tórax largo. tensão arterial baixa. Funcionalmente. Harmónicos. intestinos e afecções dos órgãos intra-abdominais como fígado. 10. mas sem esquecer a investigação funcional e clínica. eretismo do sistema nervoso. característica das crianças. doenças intestinais. havia. predisposição para afecções pulmonares. mesmo tuberculose pulmonar e. insuficiência hepática e do aparelho digestivo.Este autor propôs-se a estudar os indivíduos baseando-se em sua morfolofia externa. um hipoevolutismo com tórax e abdome deficientes. pele. a Anatomia e a Fisiologia. com leve excedência de tórax sobre o abdome. rins. desde as primeiras fases embrionárias até a completa maturidade. discípulo de De Giovanni é sem dúvida o mais impor- . aspecto viçoso. sãs e resistentes. baço e das veias.2) teria os seguintes caracteres antropométricos: estatura igual à grande abertura dos braços. mas sobretudo do abdome. refletindo até a evolução filogenética da espécie. diâmetro bi-ilíaco igual a 4/3 de altura do abdomem. como hemorróidas. Os indivíduos da terceira "combinação" têm apreciável desenvolvimento do tronco. normal. o que acarretaria excedência relativa do tórax. 10. na qual se incluiriam as pessoas dotadas de ótima constituição. Admitia estreitas correlações orgânicas entre a forma e a função. deficiência respiratória por musculatura fraca. média. Bom grau de nutrição. a combinação ideal (fig. Jacinto Viola (1905). sendo 1/5 da base do apêndice xifoide ao umbigo e 1/5 do umbigo ao púbis. A segunda combinação é a mais idêntica à ideal. circunferência torácica igual a metade da estatura. mas sobretudo este. Rara como em geral é a perfeição. membros curtos. coração proporcionado ou mais desenvolvido na metade direita e sistema venoso e linfático muito desenvolvidos. Hiperemia respiratória. de morbilidade escassa. pulmões grandes em relação ao coração. seriam etapas diferentes da ontogênese. altura do esterno igual a 1/5 da circunferência do tórax. Na primeira combinação. musculatura e sistema cardiovascular bem desenvolvidos. Representa uma forma hipo-evolutiva.

a combinação Figura 10.Tipo ideal de De Giovanni .Figura 10. c— 3 .2 .1 — As "combinações" de De Giovanni: a—1ªcombinação b—2ª combinação.

onde este genoma se desenvolve produzindo. Tal fenómeno é representado. que possibilitam maior por menor ização do indivíduo. o sexo. Tais pontos são: a. Aceita como base formadora do indivíduo. Toda a comparação no método biotipológico de Viola se baseia na determinação da moda (normotipo) e das variações possíveis de se apresentarem para excedência ou deficiência das relações em comparação à medida modal. Viola utiliza um sistema de medidas que chamou de fechado. As variações se fazem em sentido antitético e se tornam mais escassas à medida que se vai distanciando do ponto médio da curva (vai ocorrendo uma maior amplitude de variação). Apesar de teoricamente ser elemento de muita facilidade de se entender e classificar. na linha mediana. os hábitos de vida. por uma cruva binominal (lei de Quetelet—Gauss). a Anatomia e a Fisiologia. A d m i t e como elemento mais bem adaptado ao ambiente aquele que mais vezes se faz presente . o qual foi definido através da lei dos erros: "as variantes individuais. . ponto xifóideo correspondente à síntese do esterno com o apêndice xifóide. graficamente. utilizando-se de método preciso. mas se fez necessário a criação de um quarto tipo — o misto — para abrangermos os indivíduos que apresentam tal relação entre as medidas. delimitado por leis e traduzindo os elementos de estudo de diferentes origens em um número puro. Estabelece como elementos fundamentais para a avaliação tipológica. ponto jugular correspondente ao ângulo formado pela superfície anterior do nanúbrio esternal e pela superfície superior da incisura jugular. num grupo étnico. como o esperado. distribuem-se de maneira que existe um desvio uniforme dos vários indivíduos para os dois lados do valor médio central da curva de distribuição". b. as diferenças raciais. a higiene. a idade e a saúde. cria o grau centesimal. o morfológico e o fisiológico. na linha mediana. O homem modal se torna indispensável para a classificação de Viola. a alimentação e a idade no período adulto (entre os 20 e o s 50 anos).tante nome dentre os biotipologistas italianos. a hereditariedade influenciada pelo meio ambiente. o indivíduo em sua expressão unitária. Este autor admite pois como elemento fundamental a correlação entre o exterior e o interior. enquanto que as demais são as componentes do sistema aberto. como elemento final. e. chegando á unidade. como causas acidentais dessa modelação.a moda — através do que define todos os seus tipos biotiopológicos. a classe social. condição indispensável para se ter as correlações entre eles de maneira direta e simples. o ambiente físico. o qual é composto por dez medidas indispensáveis para a classificação biotipológica do indivíduo. veremos que a multiplicidade de relações não nos permite a classificação em apenas três tipos: normolíneo. Estabeleceu as bases científicas da doutrina constitucionalista. Seus pontos antropométricos são preferentemente ósseos para que haja precisão nas medidas. brevilíneo e longilíneo. que não podem ser incluídos em nenhum dos tipos padrões.

é relacionado com a vida vegetativa e os membros com a vida de relação. com uma linha horizontal. Da interação entre estas faces calcadas na base. A proporção de distribuição encontrada pelo autor f o i de 40% para os mistos e 20% para cada um dos tipos. Tal fato encontra fundamento quando se faz o estudo da resistência em militares e desportistas. g. a psíquica e a neuroquímica. tais c o m o : segmento torácico com a hematose e distribuição de alimentos pelo organismo. portanto. segundo Viola. 10. Pende (1939) aceitava o sistema fechado do mestre. ponto púbico correspondente à borda anterior e superior da sínfise púbica. Não aceita também somação de medidas feitas em dois segmentos consecutivos e que tenham a mesma função fisiológica correspondente. a relação entre a vida vegetativa e a de relação se equivalem de forma harmónica e nele encontraríamos a expressão mais adequada de todas as funções fisiológicas. no homem médio. passando pela borda inferior da 10ª costela (ponto em que esta cruza a linha axilar anterior). que tem por base o património hereditário e por faces a morfológica. a conclusão sobre a re- . d.4). e. ponto epigástrico. admite haver dois poios em cada um deles. a moda. De acordo com Viola. Por outro lado. bem identificável ao se fazer movimentos de flexão e de extensão do punho. Viola procura retirar de seu método elementos que são influenciados diretamente e em grau muito elevado pelo ambiente como o meteorismo. proveniente de exercícios exagerados. Biótipo. 10. brevilíneo e longilíneo (Fig. a gordura e a hipertrofia muscular. o segmento abdominal inferior com a escolha e absorção dos alimentos. para Pende. teríamos o biótipo ou o homem t o t a l de onde sairá o conhecimento do indivíduo. ou melhor. dos segmentos determinados pelas medidas com funções fisiológicas precisas. mesmo na classificação mais simples dos quatro tipo preconizados por Viola. lembrando ainda a necessidade da medida basal. f. é sinónimo de homem total que se encontra no ápice de uma pirâmide triangular. sendo este um dos pontos mais criticados de sua classificação por abranger número muito elevado de indivíduos que são classificados por exclusão. Discípulo de Viola. admitindo um número reduzido de medidas.c. ponto maléolo-tibial correspondente ao ponto de maior saliência do maléolo medial direito. o estênico e o astênico. o tronco. Sua classificação é baseada no estudo endocrinologia) do indivíduo (Fig. como elemento indispensável para a caracterização biotipológica. linha articular do punho direito na face dorsal. recorre a inúmeras medidas complementares. normolíneo. segmento abdominal (digestão).3). em bloco. Este autor admite também a correspondência das medidas. correspondente ao ponto de cruzamento da linha mediana abdominal. confere melhor sistemática e menor possibilidade de erros do método. ponto acromial correspondente à borda externa do acrômio direito. na linha mediana. porém com seu conceito de biotipologia — máxima individualização.

Tipos longilíneo (L).L N Figura 10.3 . brevilíneo (B) e normolíneo (N) de frente e de perfil B .

se existe hiper-funcionamento concomitante da suprarrenal ou das glândulas genitais. estenia e assim as duas primeiras variedades citadas são astênicas e as duas últimas estênicas. intelectuais. que é o fundamental. . Pende estabelece relações no âmbito da face morfológica determinando índices como o de nutrição. em consequência.Biótipo. apenas as mais comuns. Baseado neste índices. faz a determinação do caráter astênico ou estênico. profissionais. retirando conclusões. com orientação parassimpaticostênica e metabolismo de tendência anabólica. do indivíduo no vastíssimo alcance médico. mas. escolares.Figura 10. as características morfo-neuro-musculares. as aptidões manuais. hipopituirárica ou hipopituitárico-hipotireoideia. entre os longilíneos temos: hipertiroideia. destes estudos. hipertireoideia-hiperpituitárica. descreve Pende as seguintes variedades: hipotireoideia. hipossuprarrenal. . desenvolvimento sexual. hipogenital. Dentre os brevilíneos. das quais serão citadas a seguir. Estuda todas as faces da pirâmide de maneira bastante minuciosa. havendo neles astenia. . o valor económico. social e geral. social. etc. ocorre. robustez. classificações e combinações as mais variadas.4 . hipersuprarrenal. reprodutor. segundo Pende sistência vital geral. hipogenital. Pode-se dizer que os brevilíneos têm temperamento hipotireóideo.

Para t a n t o . c. 10. dentro do t i p o brevilíneo e do tipo longilíneo há diferenças morfológicas grandes. o colérico e no longilíneo astênico. deficiência ou normalidade do dado avaliado (Fig. no brevilíneo estênico. porém estabelece um critéiro de classificação que permite a localização de todos os indivíduos sem cair nos mistos de Viola. Seu método baseia-se na primeira relação estabelecida por Viola — Tronco/ membro para classificar sob a rubrica de Brevilíneo. o qual é acompanhado de um antagonismo entre o desenvolvimento da vida vegetativa absolutamente deficiente. reconhece que sob uma mesma rubrica estabelecida através do mestre Viola há relações muito diferentes no sentido da excedéncia. no brevilíneo astênico se vê o temperamento fleugmático. b. deficiência ou normalidade. Longilíneo ou N o r m o l í n e o . Tipo médio ou normoesplâcnico de Viola: Tronco O = Membro O O tronco e os membros são iguais em seus valores absolutos e relativos. constituem seus tipos: a. É muito interessante a coincidência destes quatro biótipos (longilíneos astênicos e estênicos e brevilíneos astênicos e estênicos). utiliza-se dos mesmos parâmetros que seu mestre Viola. d. caráter próprio e até por vezes t i p o intelectual característico. o sanguíneo. Assim. dentro das quais se pode catalogar qualquer indivíduo. Braquitipo com antagonismo ou megaloesplâncnico de Viola (3ª Combinação) Tronco + > Membros - Suas características morfológicas e fisiológicas são contrárias ao anterior. fisiologicamente apresentam desenvolvimentos harmónico da vida vegetativa e de relação. com os quatro temperamentos dos antigos. Longitipo com antagonismo ou microesplâncnico de Viola (1ª Combinação) Tronco — < Membros + Os membros excedentes predominam sobre o tronco deficiente.5). o melancólico. porém através da comparação de cada elemento com o valor modal determina se há excedéncia. Mário Barbara (1929). e o da vida de relação excedente. no longilíneo estênico. Assim. que servem para caracterizar essas variedades e às quais corespondem temperamento próprio. Deste modo se estabelecem o i t o variantes e quatro formas de passagem de uma a outra variedade.Na realidade. traduzindo caracteres morfológicos e funcionais diferentes. Macrosômico harmónico ou Paracentral superior de Viola (2ª Combinação) . Ainda dentro da escola italiana.

5 .Figura 10. e. b normomélico c-microbrevilíneo.normomélico. Grupo longilíneo. i-macrolongilíneo. h-micronormolíneo. n. 0 tronco e os membros são proporcionados porém de valores superiores ao normal. d-brevilíneo. j-longilíneo. m-normocórmico. . f-macronormolíneo. l-microlongilíneo. Microsômico harmónico ou Paracentral inferior de Viola (4ª Combinação) Tronco — = Membros 0 tronco e os membros são proporcionados. g. Grupo normolíneo. ocorrendo algo semelhante com os dois setores da vida orgânica. porém excedem ao normal. porém inferiores ao normal. e-macrobrevilíneo.normolíneo.Tipos de Barbara-Berardinelli Grupo brevilíneo: a-normocórmico. vida vegetativa e de relação proporcionadas.

tronco maior que membros. porém logo temos as quatro variedades que tornam possível a classificação dos restantes em quase sua totalidade: Variedade A. A variedade B (tronco + > membros 0 possui tronco acima do valor nodal e maior que os membros que se apresentam dentro do valor modal. corresponderia a desenvolvimento desarmônico dos sistemas orgânicos com predomínio do sistema de relação. A variedade C (tronco O > membros -) o tronco encontra-se dentro do membros O) tem membros dentro do valor valor modal e é maior que os membros que se encontram abaixo do valor modal.1 resume estes tipos. A variedade A (tronco O < membros +) possui tronco dentro do valor modal. Os indivíduos que não são classificados em nenhuma dessas formas citadas. porém menor que membros. . correspondem à "forma de passagem". braquitipo deficiente: Tronco — > Membros — Suas características são contrárias ao anterior. cujas características sintéticas são as seguintes: Variedade D. Variedade B. Variedade C. O quadro 10. com predomínio do sistema de relação. desenvolvimento maior da vida vegetativa sobre a da relação e ambos superiores ao normal. os quais excedem o valor modal. A variedade D (tronco — < modal e predominando ao tronco. desenvolvimento deficiente dos sistemas orgânicos.Até aqui o critério de Barbara é semelhante ao de Viola. longitipo excedente: Tronco + < Membros + Ambos os valores excedem à média e são desproporcionados entre si. predomínio do tronco. cujo valor é inferior ao modal. braquitipo excedente: Tronco + > Membros H Valores do tronco e dos membros superiores ao normal. longitipo deficiente: Tronco — < Membros — Valores abaixo da média.

QUADRO 10.1 -CLASSIFICAÇÃO DE BARBARA-BERARDINELLI .

Figura 10. Da predominância de um desses sistemas. com os andares da face iguais.ESCOLA FRANCESA A princípio. bosselada ou cúbica e ainda considera uma forma comprida e uma forma larga. muscular. uniforme ou ondulada. É também quem inicia o estudo das capacidade físicas de velocidade. agilidade. com predominância do crânio. propondo um índice que até hoje é válido. e predomínio do abdome. os autores desta escola basearam-se na análise da superfície corporal e só mais recentemente vêm utilizando método diferente de estudo. o VARF. e cerebral. 10. resistência e força.6 . D = digestivo. Claude Sigaud. com a cabeça em forma de pirâmide devido ao grande desenvolvimento do maxilar. cujo tronco é igualmente repartido entre tórax e abdome.Os quatro tipos de Sigaud: R=respiratório. (1894) o primeiro vulto de destaque da escola francesa elaborou uma classificação dos indivíduos baseada na integração do conjunto de sistemas que constituem a economia humana e o meio específico no qual apresenta a sua continuidade.6). dá importância também à superfície corporal classificando os indivíduos em: superfície redonda ou chata. tendo a cabeça em forma de pião (Fig. digestivo. M = muscular e C = cerebral Thooris além de considerar a forma do corpo como o fazia Sigaud. com predominância do tórax e do andar médio da face. . seriam definidos os quatro tipos: respiratório.

o transversal (brevilíneo) superior ou muscular. ESCOLA ALEMÃ Nota-se nos autores alemães do início do desenvolvimento das ideias biotipológicas uma preocupação em relacionar os tipos com as condições viscerais como o fez Benecke (1878) e também com as perturbações psíquicas como o fez Kretschmer (1921). mas ao estudo de grande número de variáveis. para sua classificação. Fazia uma antropometria mais interna do que externa e estudava o desenvolvimento em massa comparando as vísceras entre si e com a estatura e o peso corporal. não de categorias pré-estabelecidas. fortes. as características de seus tipos se superpõem às dos quatro biótipos de Pende. com as principais vísceras pequenas (microesplancnia). pouco resistentes à fadiga e às infecções. também dá importância à superfície corporal e faz a mesma classificação que Thooris para esse fator. altura troncocefálica. mas de uma dúvida sistemática. que posteriormente são trabalhadas estatiscamente para se determinar recorrendo a análise fatorial. débeis. atarracados.Mac Auliffe (1932). Não se propõem a nenhuma classificação nova. anêmicos. constituído por indivíduos delgados. faz uso. porém no aspecto de forma acrescenta a hidrófila inchada redonda e uma seca hidrófoba. o longilíneo. o segundo tipo englobaria os indivíduos de grande massa t o t a l . com bom estado de nutrição. constituem o denominado morfograma (altura. Ambos os autores têm o mérito de ter dado à tonicidade e atonicidade das formas corpóreas o valor que elas merecem fora do t i p o de predominância. Benecke. Classificou dessa foram dois tipos: o primeiro. Entre os autores modernos temos Olivier que classifica os tipos utilizandose de medidas biométricas que em conjunto. diâmetro biacromial e diâmetro bicristailíaca). de relações quantitativas de peso e volume de vísceras de cadáveres. Martiny procura. resistentes às causas morbígenas e órgãos volumosos. O estudo da participação dos três folhetos embrionários na determinação dos tipos é o que caracteriza o trabalho de Martiny. o cálculo dos coeficientes de correlação e mesmo . e o transversal (brevilíneo) inferior ou visceral. peso. Usando tais medidas chega a quatro tipos: o mediolíneo. — O endoblástico ao brevilíneo astênico — O mesoblástico ao brevilíneo estênico — O extoblástico ao longilíneo astênico — O cordoblástico ao longilíneo estênico. utilizando um critério mais organicista e localisacionista que o geral. A Escola Biotipológica Parisiense é constituída de vários autores que procuram estudar o indivíduo partindo. correlacionar o t i p o morfológico com o fisiológico e o psíquico. em seu trabalho.

porém com uma metodologia diferente. a dos atléticos e a dos displásicos (fig. o pescoço musculoso. as quais abrangem. Estudando precoce. 10. dando ao todo uma impressão de imponência e força física. que aceita a orientação de Pende. o abdomem é rijo e fino. O pícnico corresponde ao t i p o digestivo de Sigaud. distanciamento notável do normal. dando origem a três tipos: normal (índice entre 51 a 56). desarmonia do conjunto. de tórax estreito (menor que 51) e de tórax largo (maior que 56). Entre outros autores. O atlético caracteriza-se por um aspecto de robustez inconfundível. a cabeça é pequena. aliadas a uma beleza de formas que tem por base uma perfeita harmonia. o tórax amplo. A maior crítica feita a essa classificação é que o autor não considera a parte psíquica no seu método. mas sim relacionados com a estatura. ombros estreitos. cabelos raros. com acentuada tendência à calvície. Às duas tendências principais denominou de Ciclotímica e Esquizotímica. de abdome desenvolvido. em tipos tais como os agigantados. os anões. Seu esqueleto e músculos são sólidos. a cabeça forte. Os ombros são largos. o dorso se estreira para baixo. o displásico apresenta formas bizarras. os eunucóides. mais ou menos dolicocéfala. pescoço e extremidades finais. músculos e pele. Kretschmer. músculos flácidos.7). encontramos Kraus (1897) que elabora sua classificação baseando-se no estudo da capacidade funcional do indivíduo (siziologia) e Brugsch (1918). pois seu sistema antopométrico é calcado nas comparações das medidas entre si. Aos ciclotímicos corresponde uma única forma.Tais tipos coincidem com a primeira e a terceira combinação de De Giovanni. ombros estreitos. feiura. contrastando com o desenvolvimento pelviano. Leva em conta ação das glândulas de secreção interna que agem sobre duas coisas: a forma e o caráter. fisionomia larga. fracos e delgados. os obesos por influência endócrina. caixa torácica estreita e comprida. As características do leptosòmico são: desenvolvimento dominante no sentido longitudinal. relaciona o tipo morfológico com a tendência de se desencadear a psicose maníaco-depressiva ou para a demência . Diferentemente do atlético. classifica-os em médios. Pelo valor absoluto da estatura. Aos esquizotímicos correspondem três formas exteriores: a dos leptosòmicos. psicopatas. Seu índice mais importante é o que relaciona o tórax com a estatura. altos e baixos. o nariz longo e o queixo é retraído. ossos. etc. gorda. Este autor estabelece índices variados que não são referentes a um homem médio padrão.o pícnico. É gorducho. não somente os casos normais mas também os que se encontram no limiar da anormalidade ou que se encontram em estados psicóticos. tronco cilíndrico. finos. bem desenvolvidos.

L Figura 10.7 — Os tipos de Kretschmer L — leptossòmico A —atlético P — pícnico A P .

Com predomínio afetivo Com predomínio voluntário Dissolvido ou incorporado ao ambiente. independentes entre si (desintegração). o quadro-resumo desta oposição tipológica: Tipo animado (integrado) para fora (e também para dentro) Tipo desanimado (desintegrado) para fora (quase sempre animado para dentro) Todas as funções (manifestações vitais) trabalham somato psiquicamente como uma totalidade fechada (integração) Todas as funções se encontram. sua oposta (desintegração aparente) é o denominado tipo tetanóide ou tipo T. Mais propenso à ingenuidade e à alegria infantil. lábil. às vezes simultaneamente. até certo ponto. Eis aqui. A base da teoria tipológica destes autores radica na oposição entre os denominados tipos integrados ou animados (besselter) para fora eos tipos desintegrados ou desanimados para fora. Teóricos Curso representativo muito vivo e com frequência mutável. quando se encontra acompanhada dos correspondentes sinais somáticos. Adaptável e acomodável. mas animados para dentro (isto é. nô-la dá o denominado tipo basedowoide ou tipo B. com grande "vida interior"). a título de expicação. Com bom controle da expressão emocional. Fantasistas Homens de conflitos e obrigações. Natureza meiga e flexível Natureza dura e rígida Dirigido para a A r t e e o gozo estético-sensual. Tempo Firmeza Artistas do viver e hábeis práticos. Soldados de ação e cérebro. firme ou obstinado. irritável ou indiferen te. Curso representativo lento e com frequência adesivo e viscoso. com violentas ou vivas variações do humor. Fechado ao ambiente. . Os primeiros são relativamente infantis e os segundo plenamente evoluídos ou adultos. A forma básica da integração para fora. Compassivo. Quase sempre sério. Idealistas e ascetas.Merece atenção especial a teoria dos irmãos Henrique e Walter Jaensch.

o hipoontomorfo. ESCOLA A M E R I C A N A Nos Estados Unidos. Pacientemente. o tipo lítico ou t i p o S. em troca. Jaensch. partindo de concepções tipológicas sustentam que. uma atitude de "reserva. nariz largo e curto de grande depressão na raiz e narinas francamente orientadas para a frente. uma atitude "dinâmica. tensão interior e retenção expressiva". especialmente. selecionaram vinte manifestações para caracterizar cada uma dessas atitudes (as quais não seria d i f í c i l identificar às três emoções básicas) e propõem definir cada indivíduo mediante uma fórmula numérica-tempe- . Estes dois psicólogos da Universidade de Harward. descreveu W. os tipos linear e lateral respectivamente. este exibe uma desintegração patológica. sendo que este autor considera ainda um terceiro t i p o . Ao predomínio do ectoderma corresponde. dando origem a dois tipos relacionados com o hiper e o hipo funcionamento desta glândula. da tireóide (Stockard). ao predomínio de cada uma das folhas blastodérmicas no indivíduo. orelhas pequenas redondas e grossas. complacente e epicuriana". própria do temperamento que o A A . À margem desses tipos. que seria constituído por tronco comprido. de auto-afirmação e poder". a qual denominam somatotônica (embora melhor seria denominá-la miotônica). bervilíneo ou macrosplâncnico de Viola ou " d i n á r i c o " de Gunther e o t i p o desintegrado é o leptossômico (esquizotímico) de Kretschmer. denominam de cerebrotônico. Bean. cerebrotônico de Sheldon e alpino de Gunther. baseandose na evolução. corresponde um t i p o temperamental ao mesmo tempo que um tipo morfológico: o predomínio do endoderma se reflete por um aumento da área visceral e pela existência de uma atitude afetiva "branda. Stockard (1923) e Bean (1924) criaram classificações estreitamente relacionadas com o desenvolvimento endócrino. introvertido de Jung. extremidades curtas. temos que destacar a de Sheldon (1940) e Stevens. em indivíduos que possuem uma particular sensibilidade às toxinas tuberculosas.Não é difícil verificar que o tipo integrado é o sintônico de Kretschmer ou o extrovertido de Jung. ao predomínio do mesoderma corresponde. apresenta os tipos hiper-evoluídos (hiperontomorfo ou epiteliopático) e o hipo-evoluído (mesontomorfo ou mesodermopático). finalmente. que do t i p o B. que se denomina viscerotônica. coincidindo com integrações limitadas a determinados territórios de sua individualidade e se faz presente. Dentre os escolas modernas de Biotipologia. embora mais próximo do t i p o T. viscerotônico de Sheldon.

submetendo-o a não menos de 20 "entrevistas" analíticas. de acordo com a tabela do resultado de tais medidas. Quanto ao termo "clivagem horizontal". é descrito como viscerotônico extremo e aquele que tem um índice de 1-7-1. Como apreciar e valorizar essas manifestações das três modalidades? Observando o indivíduo durante o período de um ano. os autores dão ampla definição de cada uma das 60 manifestações que constituem a escala. mediante o uso de 17 medidas antropométricas. o qual é usado aqui como sinónimo de centrotônico".. vamos esclarecer apenas o termo "intemperança". Para sermos breves. e. etc. Usa-se uma escala de pontos de 1 a 7 para cada manifestação observada. que não tem têmpera em si". de sorte que o temperamento de cada indivíduo virá definido por 3 valores. determinam seu somatotipo e. segundo os AA. de sorte que o indivíduo dá a impressão de um "metal mole. de fixação temperamental para as tendências sensuais. a projeção e fixação da individualidade em um plano superficial. mesomorfia e ectomorfia. obtendo-se as medidas dos valores de cada série de 20 manifestações (viscerotônicas. tomadas sobre uma série especial de imagens fotográficas e quadriculadas do indivíduo despido. que possibilitam classificar o indivíduo com relação à sua estrutura afetivo-reacional. O 1-7-1 corresponde á extrema mesomorfia (predomínio do esqueleto. 5-6-3. em todas as possíveis situações e humores. para incluir possíveis retificações ulteriores. sexual. Em troca. calcula-se o denominado índice Temperamental. social. educativa (cultural) e física. escrevendo estas notas com lápis apagável. O 7-1-1 corresponde à extrema endomorfia (predomínio das vísceras digestivas: gordos abdominais).ramental. que marcam sua posição nas escalas denominadas de endomorfia. tais como 4-4-6. nas quais serão colhidos dados referentes à sua história familiar e individual e seu desenvolvimento psíquico nas esferas económica. . somatônicas e cerebrotônicas). Para se obter o tipo morfológico neste método os AA. básicas da vida. Tais tipos extremos são raros e o frequente é obter valores intermediários. De acordo com este critério. que dê uma ideia do valor de cada uma delas. é descrito como somatotônico extremo e o que alcança o índice 1-1-7. um indivíduo que obtém índice temperamental de 7-1-1. de extroversão. isto é. Na obra original de Sheldon-Stevens. Uma vez obtidos os valores de cada uma das 60 manifestações. cada um dos quais oscilará entre 1 e 7. músculos e tecido conjuntivo: atletas ou . a "clivagem vertical" indica a propensão para penetrar em profundidade a tendência à introversão e à retroversão (dependência do passado). é descrito como cerebrotônico extremo. ademais. . lhe conferem também três notas. com dissociação nítida do subconsciente e manifesta objetividade. estática. indica..

etc . uma discordância intra-individual (somato-psíquica). representa a extrema ectomorfia (máxima área superficial possível .8) ESCOLA BRASILEIRA Na Bahia. os casos em que existe tão perfeita concordância. são poucos. secundariamente. quando não intervém fatores que provocam. (Fig. extremidades fracas. 90 e 135 graus). O comum é que existam desvios entre o somatotipo e o temperamento. Inicia a classificação analisando o ângulo de Charpy de onde resultam três tipos (45. o 1-1-7. de mesomorfia e somatotonia e de ectomorfia e cerebrotonia. Naturalmente.).Figura 10. utilizando-se da altura. . tórax e abdome planos. Prado Valadares.desnudez perante o mundo — fragilidade linear.8 — Tipos de Sheldon a — endomorfo b — mesomorfo c — médio d— ectomorfo homens fortes e ligeiros). . depois analisa a altura atingindo um total de 9 classes e finalmente o aspecto da face: triangular. losângica. Mas na vida quotidiana. o grau de abertura do ângulo de Charpy e a forma da cabeça constitui o chamado tríplice morfológico de Prado Valadares. trapezóide e pentagonal perfazendo um total de 45 tipos. . relativamente. 10. devem corresponder-se os índices de endomorfia e viscerotonia.

que adotando o método da escola italiana fornece as denominações últimas para essa escola e é aceita pelo próprio Barbara (fig. Rocha Vaz e seus discípulos deram grande desenvolvimento á Biotipologia entre nós. 10. outro de mulheres franca e visivelmente anormais.5 e quadro 10. Entre seus discípulos merece destaque Berardinelli. combinação muscular mesoscélico normosplãncnico mesoscélico tórax médio atlético Tipos Morfológicos phtisicus 1a.) Beneke (1878) De Giovanni (1891) Sigaud (1894) Manouvrier (1902) Viola (1905) Giuffrida-Ruggeri (1910) Brugsh (1918) Kretschmer (1921) Stockard (1923) Bean (1924) Sheldon (1940) apoplecticus 2a. o das intermediárias.C. combinação 1a. No Rio de Janeiro. se utiliza de critério natural e simples. a que denominou de displásicas e um terceiro grupo. Q U A D R O II . O quadro que segue fornece a classificação biotipológica dos indivíduos. que são classificadas em três grandes grupos: um grupo de mulheres normais. combinação 3a.1). combinação digestivo braquiscélíco megalospláncnico braquiscélíco tórax largo pícnico latoral hipo-ontomorfo endomorfo meso-ontomorfo mesomorfo 2a. de acordo com vários autores.TIPOS CONSTITUCIONAIS SEGUNDO V Á R I O S A U T O R E S Autores Hipócrates (460 A. combinação respiratório marcroscélico microsplàncnico macroscélico tórax estreito leptossõmico linear hiperontomorfo ectomorfo cerebral .Martim Gomes. seu grupo de estudos foram as mulheres.

pelo duplo movimento contínuo de assimilação e desassimilação do meio ambiente pelo genótipo. o processo de vida. Para Marcondes a herança está presente em todo o processo de crescimento e desenvolvimento através do genótipo. Marcondes e Pikunas entre outros tantos autores abordam o problema do crescimento e desenvolvimento como a interação entre a herança e o meio. Para Marcondes. Em relação ao meio ambiente Silveira o divide em interno — citoplasmático — e externo — ambiente social. Para Ford há suspeitas de que não haja uma base física para a hereditariedade. Marcondes afirma que o conceito de desenvolvimento é relacionado com a aquisição de capacidade e crescimento com o aumento de massa pela hipertrofia e divisão celular (hiperplasia). citado por Marcondes diz que "estímulos fracos aceleram as funções e estímulos poderosos reprimem-na". que aliás. Malina comentando sobre a nutrição aventa ser esta o fator natural mais importante para o desenvolvimento plástico do indivíduo. . torna-se muito difícil distinguir as manifestações genéticas das decorrentes da agressão do ambiente ao feto. mecânica. segundo Comte citado por Coelho. postural. A princípio o crescimento e desenvolvimento se fazem em dialética exclusivamente com o meio interno onde estão dissolvidos os elementos plásticos necessários para que se concretize a informação genética. Essa dialética existente entre o genótipo e o meio caracteriza. "quando os fatores ambientais atuam na vida intra-uterina. a qual se caracteriza por ser um processo no decurso do qual emergem os traços genéticos e que abrange todas as influências biologicamente transmitidas dos pais às células do sexo. imunológica. que. O genótipo é a confluência dessas informaçõc que se organizam para se iniciar a ação gênica indispensável ao crescimento e desenvolvimento do organismo. Para Pikunas o desenvolvimento é uma sequência ordenada de fenótipos que é a resultante da ação do meio e do genótipo. etc". são de diferentes índoles: anóxica. O estímulo fraco deve ser de tal forma que seja assimilado. em sua integralidade de expressão. infecciosa. Arndt — Schultz. torna-se difícil de entender. porém Stent se contrapõem a essa ideia afirmando ser o DNA a estrutura do gen que abriga sua informação genética. A hereditariedade é constituída de todos os traços encontrados nos antecedentes. fisiológica ou mesmo psicológica. cabe uma análise que pode ser morfológica. Mesmo em atos aparentemente simples como o andar. sendo que só a interação desses conhecimentos se aproxima da realidade. colaterais e descendentes que conseguiram ganhar expressão no meio que se desenvolveram.CAPITULO XI BIOTIPOLOGIA INFANTIL O ser humano é o resultado de uma interação complexa entre o genótipo e o meio ambiente. Pikunas acredita ser a hereditariedade o fatorchave do desenvolvimento humano.

Impelido pelo código genético no seu interior e pela nutrição e estimulação sensorial no exterior. a tendência simplista de se responder a pergunta da beneficidade ou não de um estímulo sobre o organismo deve ser analisado nos diferentes ângulos: morfológico. Entre nós Marcondes divide os períodos de crescimento e desenvolvimento pelo critério etário. temperamento. o metabolismo. puerilismo — dos dois aos 6—7 anos. Dizia Plutarco." Assim. serão vistos outros pormenores. bioquímica hemática e psiquismo procurando estudar as mudanças encontradas. o amadurecimento do sistema nervoso e o psiquismo. metabolismo. do terreno orgânico da criança. de cada fase do desenvolvimento. adolescência — dos 7 anos até os primeiros fenómenos da faculdade reprodutiva. respiratório. Chamamos então de Neonato ao recém-nascido nos 15 primeiros dias de . estudamos os aspectos gerais do crescimento. No capítulo anterior. Resumindo a classificação de Rossi para os objetivos do presente estudo levaremos em consideração o aspecto somático." A primeira determinação dos períodos de crescimento segundo Rossi data de 1700 e foi realizado por Pagliani: O autor italiano dividia em 5 períodos compreendidos por: infância — 1º ano de vida até completar a primeira dentição. A dificuldade do estudo não se prende somente ao ser longitudinal. Rossi divide os períodos e os caracteriza quanto aos aspectos somáticos. "Como não é possível que um agricultor não conheça o terreno no qual deve semear.É portanto na determinação da intensidade do estímulo físico que se en- contra o problema da influência benéfica ou prejudicial da atividade física como elemento que propiciará melhor harmonia e desenvolvimento do organismo e de suas funções. Malina preocupando-se de estudar a açâb da atividade física no crescimento e desenvolvimento abre a pergunta de quanto deve ser esse mínimo e faz sentir a necessidade de estudos nessa área. tão particular e diferente em cada fase de crescimento. tampouco é concebível um educador que ignore as capacidades fisiológicas e as potências psíquicas. dentro da realidade do momento para o organismo. cada qual em seu próprio tempo e r i t m o . e tão d i ferente também em cada educando. Dessa forma acreditamos fornecer elementos para melhor compreensão do organismo e estágio de desenvolvimento deste. o indivíduo se desloca ladeira acima para níveis mais altos da operação comportamental. A seguir. puberdade — correspondente ao período de desenvolvimento da diferenciação sexual e juventude que vai da puberdade até a consolidação do esqueleto. fisiológico e psicológico. aparelhos — digestivo. citado por Rossi. Pikunas lembra que "o ser humano cresce e amadurece à medida que as dimensões básicas do organismo e da personalidade se desenvolvem. mas na variabilidade de um organismo para outro e no mesmo organismo de um instante para o u t r o . circulatório e nervoso. urinário.

. o psiquismo é quase exclusivamente a prevalência da vida fisiológica e a resposta aos estímulos envolve o corpo todo. Ao nascer. Dominam os hormônios da córtex supra renal. do t i m o e do pâncreas. Predominam nessa fase todos os hormônios vagotropos favorecedores do metabolismo anabólico com a consequente deficiência dos hormônios simpáticotropos — catabólicos. O parassimpáticotonismo e o predomínio do estado hipertímico linfático associado ao hiperrinsulinismo. A lactência é. usando frases. explica o possível desenvolvimento do raquitismo e do modo particular. Resumidamente podemos dizer que se caracteriza morfologicamente da seguinte f o r m a : macroesplancnico cefálico. função da medula espinal bem desenvolvida. A altura no final do 19 ano é por volta de 70 c m . o que assegura também o aumento do peso corporal. O estágio seguinte. O temperamento é hipotiroideo para Concetti. segundo Rossi. Para Pende. seu tronco é grande. as necessidades calóricas são de 15o kcal/kg peso. é dizer. o aspecto metabólico é caracterizado pela facilidade de assimilação de hidratos de carbono e dificuldade de assimilar proteínas. graças à insuficiência pancreática. reflexos cutâneos ausentes. a circunferência craneana e torácica crescem 2. o predomínio dos processos assimilativos sobre a desassimilação. braquitipo. predominando o anabolismo sobre o catabolismo. o estado especial de nervosismo que acompanha a muitas crianças. pouco menos desenvolvido que o abdomem. fibras nervosas pobres em mielina. No sistema nervoso vemos que seu volume e peso são 1/4 do definitivo. A fórmula neuro-endócrina com predomínio dos vagotropos. braquiesquélico e macrossômico. na classificação de Godin. os membros superiores são maiores que os inferiores e a envergadura é maior que a estatura. a erupção dos 19 dentes e a tendência a certas diarreias. a ter mo regulação é imperfeita. seu peso é 1 /4 a 1 /5 da estatura em centímetros. o perímetro torácico ultrapassa 7—8 cm da metade da estatura. é grande a imperfeição da função cerebral. curto e de base alargada. a primeira época de desenvolviment o .5 cm da cada três meses e meio. índice torácico de 90. Seu desenvolvimento psíquico já lhe permite uma maior participação no meio compreendendo ordens simples. O metabolismo se caracteriza por oxidações intensas. vai do final do neonato até o final do 1º ano. tem por finalidade essencial assegurar o predomínio do anabolismo sobre o catabolismo. justifica. a altura da cabeça é 1/4 a 1/5 da estatura t o t a l . assegurando com esta utilidade nutritiva as necessidades calóricas do 19 ano de vida. citado por Rossi. hipertonia muscular fisiológica e sinal de Babinsky. hipopituitário para Pende. a constituição morfológica e dinâmica temperamental do 1º ano de vida. pescoço curto. o metabolismo basal é muito alto e a ação específica dos alimentos é quase nula. corre e pede para satisfazer suas necessidades. O aspecto somático é o seguinte: A linha que divide a estatura do neonato passa sobre o umbigo.vida. o lactente. tórax relativamente maior que os membros superiores. reflexos tendinosos muito vivos. de um modo particular a associação hipertiroidismo-hiperparatiroidismo da 2ª metade da lactência.

a proteinemia é muito variável. O aspecto metabólico basal é máximo no 29 ano. panelinhas para as atividades imitativas do meio social em que se desenvolve. 0 peso corporal que havia dimunuído em seu crescimento na segunda metade do 1º ano. animais.5 anos caracteriza o terceiro período de crescimento de Pende ou Turgor Primus. . em grande parte. Segundo Pende a evolução das percepções se faz da seguinte forma. "proceritas p r i m a " ou pequena puberdade de Pende se caracteriza pelo crescimento longitudinal e se extende no período do 5º ao 7 º a n o de vida.. relativo estreitamento do tórax e escasso aumento ponderal caracterizando maior longitipia fisiológica. apresenta no 2º semestre do 2º ano um notável aceleramento. A necessidade metabólica em calorias é 83 Kcal/Kg/dia para os meninos e 80 Kcal/Kg/dia para as meninas aos 7 anos. a 2 a dentição se inicia. exercícios de sentar e equilíbrio para sentar-se devem ser executados após o 4º mês e de ficar em pé e equilíbrio para ficar em pé após os 6 meses que podem se prolongar até os 2 anos. Há aumento das proporções braquítípicas em ambos os sexos devido ao perímetro torácico. exercícios para os músculos dorsais e sacrolombares que podem ser executados a partir dos 2 meses. segundo Marcondes são as sacolas e caminhões para puxar. A terceira época de Godin. aos 18 meses reconhece as figuras frontalmente. Suas capacidades físicas de velocidade e agilidade ficam exacerbadas. o falar mais fluente. No aspecto psíquico consegue manter equilíbrio em 1 pé só. O período de 2 a 3. função da atividade física que lhe permite a memória. a associação de ideias. No aspecto somático encontramos um aumento rápido da estatura. o que dificulta a resposta plástica aos exercícios. a atenção. movimentos laterais do quadril. O crescimento prevalece em peso e amplitude. aos 2 anos reconhece perspectiva e dos 3 aos 4 anos em todos os planos. Os jogos dos 2 aos 5 anos são motores. o progresso psíquico da criança é. Marcondes falando da época pré-escolar lembra "a influência benéfica dos exercícios físicos se faz sentir claramente.Os brinquedos mais adequados. cubos de encaixe. faz uma ponte com 3 cubos.nos homens predominam os diâmetros craneanos transversais e nas mulheres os longitudinais. enovelamento. bonecas inquebráveis. flexão e extensão dos inferiores. como o engatinhar. a silhueta se define. "Os exercícios visam aumentar a independência muscular e aperfeiçoar a coordenação m o t o r a " . segundo período de Godin. Na área física o autor supra citado preconiza duas sessões diárias de 5 repetições em cada um dos seguintes exercícios que deverão ser realizados também com o auxilio dos pais: circundação dos membros superiores. Há o crescimento do pescoço. porém não se deve pular nenhuma das fases do desenvolvimento. simples e de imaginação. responde a perguntas simples e usa orações. Os exercícios ajudam a desenvolver o tonismo muscular necessário para a postura ereta e marcha. bem como a marcha e a atitude postural". põe sapatos e usa bem a colher.

obedecer e imitar. Domínio da extroversão e falta de introspecção. aproximadamente. O "turgor segundo" de Pende se caracteriza pelo acelerado crescimento ponderal dos 9 aos 11 anos. Salienta também que "os exercícios de força seriam usados excepcionalmente. hipertiroidismo. em ambos os sexos. enquanto o psiconeuromotor é . para as meninas. No aspecto metabólico encontramos hiperfunção da constituição anabólica. hipertimismo. Deve-se evitar uma educação demasiado sistemática que choque com o real caráter criador. "proceritas segunda" caracteriza-se por nova crise de crescimento longitudinal. motivo pelo qual ganha pouca força. os membros superiores sofrem intenso crescimento. nessa fase. No aspecto endócrino metabólico podemos ter: uma maior atividade hipercorticossuprarenal-hiperinsulínica-hipertímica com acúmulo de gordura e obesidade infantil ou do grupo tiroides-hipofisea-adrenal com constelação catabólica produzindo magreza submórbida ou mórbida. o diâmetro transverso do tórax desenvolve-se. Para Marcondes há um maior desenvolvimento da função respiratória. Também se observam neste período a maioria dos casos de ambivalência sexual por hipertimismo. Os exercícios físicos preconizados por Marcondes para essa época divergem conforme o sexo. hiperpituitarismo. Para as mulheres exercícios que desenvolvam a graça e o r i t m o e Tanto Marcondes quanto Godin admitem ocorrer por volta do 12º — 13º ano para os rapazes e 11º . Existe uma evolução na capacidade de trabalho. a hipertorfia muscular se opõe ao crescimento ósseo. o desenvolvimento muito. A pré-puberdade.No aspecto psíquico a criança adquire a noçâb de tempo decorrido e assim adquiriu todas as noções tanto auto como halopsíquicas. um notável aumento da força muscular. hipergenitalismo. No aspecto psíquico. Idade em que se formam os costumes morais e mentais pela ação dos colegas. educadores e pais. pois os ossos ainda são maleáveis e os pontos de inserção dos músculos não estão consolidados". estamos no período pré-realista de Pende que se caracteriza pelo domínio da sugestionabilidade e tendência a crer. V época de Godin. Há. assim como os inferiores. Há aumento intenso do peso. Silveira e Rossi salientam que o 79 ano é a idade da mentira e que também.12º ano muscular é pouco expressivo. Há a reafirmação da constelação hormônica anabólica. Quanto aos exercícios físicos nessa época do desenvolvimento preconiza Marcondes uma maior complexidade destes procurando desenvolver responsabilidade e disciplina. Coincide com a queda dos dentes de leite. Surge a necessidade da crítica e da prova. Neste período desehvolve-se a consciência das relações interpessoais. começa o desenvolvimento da crítica. O temperamento é dominado pelo vagotonismo. É uma fase transitória em que o indivíduo ganha peso graças ao tecido adiposo e pouco devido ao tecido muscular.

para o desenvolvimento harmónico das potencialidades contidas no genótipo e no meio ambiente em que ele se encontra. Para Marcondes a ginástica e o desporto. o exercício físico torna-se um elemento catalizador. neste período.na mulher começa com a menarca e no homem com a primeira poluçãb noturna. O acontecimento mais importante da crise puberal é a amadurecimento sexual. dos caracteres individuais. um estímulo positivo. A pele aumenta em consistência. Preconiza também para esta época a iniciação esportiva do indivíduo. Na mulher o sinal visível é a menarca e o invisível é a ovulação: os pelos pubianos e axilares aparecem e ocorre o desenvolvimento das mamas e dos genitais externos. há aumento dos testículos e produção dos espermatozóides. o mesmo acontecendo com os dentes e unhas. acompanhado de aumento da espessura dos membros. os que possibliitam movimentos amplos. Nos homens além de mudanças na tonalidade da voz. Há diminuição do crescimento longitudinal e começa o crescimento em amplitude sobretudo ao nível do tronco. Quando respeitados os diferentes períodos de desenvolvimento do indivíduo. hipertrofia e robustecimento das massas musculares. No homem. adquirindo maior elasticidade e hiperpigmentação sobretudo nas zonas genitais. Do ponto de vista psicológico a puberdade determina profundas modificações tendendo todas a exagerar as características originais. aumento do penis. constituem a base dos exercícios físicos. . desenvolvimento das mamas e distribuição característica do tecido adiposo. Os exercícios de força são largamente utilizados bem como os de aprimoramento da formação corporal. O sistema piloso adquire o máximo de desenvolvimento.para os homens. da pilosidade pubiana e axilar e esboça-se a barba e o bigode. ocorre a mudança da voz. que terão atingido o seu grau máximo de complexidade. A puberdade. VI época de Godin e sétimo período de crescimento de Pende "turgor t e r t i u s " . boas ou más. o cérebro adquire seu volume definitivo e o timo deve estar involuido. Na mulher completa-se o desenvolvimento pélvico com o aumento do diâmetro bicristailíaco. flexíveis e que desenvolvam a resistência.

A força. visto que nos meninos a partir dos 11 anos já encontramos uma superioridade no teste da dinamometria. coluna lombar relativamente mais longa e coluna dorsal mais curta. A altura da mulher adulta é 10 a 12 cm menores que o homem em igualdade de condições. base do pescoço mais larga e arredondada. superfície da pele mais lisa. trompas. cérebro maior relativamente à massa corporal. o sexual. alguns evidentes à primeira vista. segundo Tanner (1962). para ocorrer uma aceleração no início do surto pubertário. cordas vocais mais débeis e curtas. mostra-se um fator de precoce diferenciação sexual. Tal aumento se torna generalizado após o surto pubertário para toda a musculatura constituindo elemento de diferenciação entre os sexos. que antes do surto pubertário é igual para os dois sexos. Quanto às características gerais a mulher no seu conjunto apresenta dimensões menores. Esses índices são: ou pela precisão dos instrumentos de antropometria . nem mesmo da modificação de Marafión (caracteres genitais e sexuais) porque incide no mesmo incoveniente de dar um caráter radicalmente diferencial a órgãos que tem equivalentes nos dois sexos. a asperidade onde se inserem os músculos nos ossos são menos salientes. mais regular. Pende procurando estudar as diferenças sexuais constitui três índices e classificação consequente. e outros postos em evidência pela observação mais minuciosa física e funcional. A resistência. um dos aspectos mais nítidos da personalidade é.CAPITULO X I I DIFERENCIAÇÃO SEXUAL Como diz Marafión. vagina e vulva. A mulher se distingue do homem por uma série de caracteres morfofísiopsicológicos. Pescoço mais curto. mas que com os conhecimentos endocrinológicos atuais se tornou muito estreita. mais cilíndrico. A velocidade de crescimento decresce do nascimento até os quatro ou cinco anos. e produzindo por pequeno período maior estatura nas meninas do que nos meninos. sem dúvida. Todo o sistema ósteo-músculo-ligamentoso mais delicado. a cabeça mais longa. já clássica. Caracteres Sexuais Morfológicos Nas mulheres em relação aos homens encontramos além de órgãos tipicamente femininos como os ovários. com laringe mais delicada. Lordose lombo-sacra mais pronunciada. que é antecipado na mulher visto este ocorrer antes nelas. Não nos utilizaremos nesta exposição da divisão proposta por Hunter em 1870 (caracteres sexuais primários e secundários). Em poucas coisas nos diferenciamos como nos traços de nossa sexualidade respectiva. a força e o desenvolvimento das inserções musculares maiores são características de predominância masculina.

a medida que a mulher vai desenvolvendo caracteres femininos.4 para os homens. As médias para os dois sexos são: 83.5 para as mulheres e 91. medindo os pontos supra-púbico e o ponto tibial interno na interlinha fêmoro-tibíal. bilateral e vertical do crânio. A medida da coxa se obtém. em que há predominância do segundo sobre o primeiro. quando há diminuição das características femininas.Gualco e Sarperi dizem haver uma estreita relação entre a predominância do diâmetro bi-troncanteriano e a fecundidade feminina. hipergenitais. O grau de virilidade ou feminilidade será tanto mais acentuado quanto maior ou menor for o índice com relação aos seus valores médios. começa-se a notar o inverso.1º— Relação entre os diâmetros bi-acromial e bi-trocantérico . Tanner propõe uma fórmula simples para evidenciar a diferenciação sexual: I = 3. 2º— Comprimento relativo da coxa e da perna — Nota-se um maior desenvolvimento longitudinal da coxa que da perna. No homem haveria inversão destas características: os braquicéfalos são hipogenitais. diâmetro biacromial — diâmetro bicrista ilíaca O valor médio desse índice fica em torno de 93 para os homens e 78 para as mulheres. As primeiras são as segundas são estéreis. aproximando-se das do homem. Pende classifica as mulheres e m : . segundo Gualco. mais se acentuam seus caracteres viris.Nota-se na mulher bem desenvolvida uma predominância deste sobre o dos membros. Como já estudamos. ao passo que os solicocéfalos.1 para os homens. ou quase. Na mulher hipoovariana há predominância da perna. quanto mais preponderante o bi-acromial. Na mulher normal há predominância da largura e da altura sobre o comprimento da cabeça. comprimento da coxa X 100 comprimento da perna fecundas: 3º- Relação entre os diâmetros longitudinal. Pende (1955). no homem. o índice: Diâmetro bi-trocanteriano X 100 diâmetro bi-acromial apresenta como média 90. Baseado nesses índices e outras caracteríticas auxiliares. A mulher braquicéfala seria mais fecunda que a dolicocéfala.4 para as mulheres e 85.

que permite. embora haja mamas bem desenvolvidas. ao longo da linha mediana do abdome. com bacia ampla embora haja uma perfeita harmonia de formas. nos flancos. sob uma nova forma. 12. pés juntos. em que há predominância da porção inferior do tronco.3) Os pelos pubianos tem na mulher a mesma disposição que nos adoslescentes de ambos os sexos.2. de aspecto quase infantil. prolongar às vezes muitos anos. preponderância da bacia sobre a cintura escapular e a porção superior do tronco é bem acentuada. (Figs. tiroidiana e suprarrenal. isto é. sendo tal espessamento mínimo no homem. Caracteriza-se por hiperfunções ovariana. pois. Berardinelli. O t i p o intersexual atenuado é o que apresenta discreta tendência para a masculinidade. 12.a) Tipo de feminilidade pré-púbere b) Tipo de feminilidade pós-púbere ou pré-maternal c) Tipo de feminilidade maternal d) Tipo intersexual atenuado. No homem. as coxas das mulheres permaneçam em contato ao passo que as dos homens apresentam-se geralmente afastadas por um espaço mais ou menos largo. por . Na mulher há espessamento progressivo e acentuado do panículo adiposo sobre a face interna da coxa desde sua raiz até o bordo interno do joelho. isto é. durante a puberdade. na pube. Há predominância do timo redução da função ovariana. a gordura da mulher invade a parte superior do tronco. o períneo. termina numa linha horizontal. a disposição dos pelos é também feminóide: mas nos anos sucessivos eles se transformam tipicamente. e estendendo-se para o perineo e margem do ânus. os atrativos físicos da mulher. A gordura na mulher se acumula de preferência na região mamária. preponderando. na parte inferior do ventre. 12. nas coxas. na posição ereta. prolongando-se para cima. Nos homens ocorrem as "entradas". fecundas. A distribuição de gordura é muito diferente no homem e na mulher. os braços. O t i p o evoluído pré-pubere se caracteriza por apresentar bacia pouco desenvolvida assim como as mamas. espessando-se mais do que na mulher. o que caracteza o tipo matronal. na parte inferior. Na época preclimatérica e climatérica. Isso não impede que possam ser belas e algumas vezes. aumento da hipófise. a cintura escapular. invadindo raramente. em direção ao umbigo. O t i p o de feminilidade pós-púbere é o tipo de mulher adulta bem desenvolvida. lembrando o desenvolvimento pré-púbere. cita o sinal de Stein como um dos caracteres sexuais mais constantes no homem e que constitui da forma da implantação dos cabelos na região frontal. tal localização faz com que.1. O t i p o de feminilidade maternal apresenta predominância do segmento inferior. na metade inferior do corpo. o pescoço.

Figura 12.1 — Perfis masculino e feminino em vistas anterior e posterior para comparação .

Figura 1 2 . quantidade de urina. em relação ao homem os seguintes caracteres principais: temperatura um pouco mais elevada e ao mesmo tempo mais lábil.Baseados nessa característica Felice e Vassal propõem um índice que utiliza o perímetro da coxa e o peso.72% maior na mulheres. coração mais célere. hipoparatiroidea. menor energia muscular. menor capacidade vital. menor atividade das trocas gasosas e energéticas em geral. sendo que na mulher é 20. maior número de movimentos respiratórios. a mulher é mais hipertiroidea ou hipertimotiroidea.Perfil do tronco masculino Caracteres sexuais fisiológicos. bem como sua densidade e taxa de ureia menores. relativamente hipohipofisária. 2 . segundo Pende. . endocrinologicamente. Fisiologicamente a mulher apresenta. hiposuprarrenálica. maior precocidade sexual e também parada mais precoce da atividade sexual.

disso resulta que a mulher para andar deve imprimir uma certa rotação às coxas.Figura 12. . caracterizam também a mulher. o andar do homem se caracteriza por um movimento pendular das coxas e muito reduzida mobilidade pélvica. O andar característico da mulher é devido sobretudo à maior largura da bacia. A voz nitidamente feminina. diz Maranon. é a de soprano nas suas diversas gradações. Como consequência da estrutura menos sólida do seu aparelho ósteo-músculoligamentar.3 . resultando como compensação um certo grau de geno valgo. as vozes nitidamente masculina são as de baixo e de barítono. a atitude das mãos e a aptidão especial para certos trabalhos. e um movimento em báscula mais ou menos acentuado à bacia.Perfil do tronco feminino A voz. o andar. a mulher é dotada de menor aptidão motora e à resistência passiva. que obriga as coxas a covergirem mais que no homem.

(Pende). Pesquisas de Lombroso e sua escola mostram menos sensibilidade dolorosa na mulher. principalmente nas mulheres mais jovens e sem experiência sexual. . de desenvolvimento mais precoce. Caracteres sexuais psicológicos. maior irascibilidade. O mesmo pesquisador afirma que as mulheres apresentam todas as formas de sensibilidade mais obtusas do que nos homens. Maior emotividade. "A mulher tem mais apreensão pela desgraça. mas. as mulheres se caracterizam psicologicamente por apresentarem uma afetividade mais aguda que a do homem. mesmo sob o ponto de vista estritamente prático. mais prática. Para Maranon. quando ela vem. que é rápido no homem e mais demorado na mulher. inteligência mais viva e ágil. mais intuitiva do que lógica. é a que se refere ao orgasmo. suporta-a melhor" (Balzac). tendência aos fenómenos dependentes do menor controle dos centros nervosos superiores sobre os inferiores. Também para a dor moral as mulheres são mais fortes.Diferença fisiológica importante. como o que se poderia chamar a labilidade da mímica emotiva (riso e choro fáceis). e uma menor aptidão do que a destes para a atividade abstrata e criadora. linguagem mais célere sendo por isso mais desenvolvidos os músculos da língua como aliás o são também os adutores da coxa.

d. melhor avaliá-lo e orientá-lo sobre exercícios mais indicados e os que seriam prejudiciais à sua constituição. mais especificamente. coletados no início do ano. que mescla a vida moral e social do indivíduo em formação. e que serão estudadas a seguir. a Biotipologia constitui base verdadeiramente científica. cada indivíduo apresenta certas habilidades motoras mais ou menos desenvolvidas e que devem ser consideradas no momento de se indicar um determinado tipo de esporte para esse indivíduo. O controle da formação do caráter e do tipo mental. que necessariamente devem imperar em todo desportista." é formada pelas iniciais de quatro qualidades diretamente ligadas ao aparelho motor e que são: .A.CAPITULO XIII IMPORTÂNCIA DA AVALIAÇÃO BIOTIPOLÓGICA EM EDUCAÇÃO FÍSICA A avaliação biotipológica do indivíduo. aconselhar no rendimento e orientação profissional. fatores que não só relacionam a biotipologia escolar com a medicina do trabalho. Será mais fácil para o técnico desportista escolher os indivíduos que poderão render mais e se comportar melhor em esportes coletivos ou os que terão melhor desempenho em provas individuais e dentre estas.F. há cinco aplicações que a ficha biotipológica escolar tem estabelecido na ordem social: a. A palavra "V.A. Conhecer e controlar também as aptidões psico-sensoriais e intelectuais. Podemos assim. que deve guiar as atitudes do professor de Educação Física e do Técnico desportivo. pode-se avaliar a validade do trabalho realizado pelo Prof.R. 0 conhecimento da formação harmónica do tipo geral do corpo. em detrimento da harmonia da forma e funções. senão que fundamentam a base científica da projeção do indivíduo na sociedade. oferece material suficiente para se organizar um conceito objetivo e sólido dos seus atributos físicos e psíquicos. O conhecimento e o controle das aptidões musculares e psicomotoras. e. os que terão maior rendimento em uma determinada especialidade. de um grupo de alunos e comparando estes dados com os de uma nova tomada. O estudo biotipológico dos alunos possibilita aconselhar a higiene somática e terapêutica.R. Estas habilidades ou capacidades podem ser resumidas na sigla V. como sabemos. Assim sendo. de Educação Física. pois foi demonstrado que o atletismo não controlado cientificamente pode levar á desarmonia dos biótipos corporais e psíquicos. Por outro lado.F. De posse dos dados biotipológicos. aconselhar sobre higiene mental. como consequência do excesso de desenvolvimento muscular e da força dos músculos em determinados segmentos do corpo. isto equivale a dizer praticar medicina preventiva. b. quando feita criteriosamente. aconselhar em educação física. c. Segundo a escola de Pende. 0 dilucidar controlando a normalidade ou anormalidade do desenvolvimento sexual.

pois. fácil. acrobacia. de modo que este é um fator decisivo no estudo da fadiga. ela equivale ao instinto automático do sujeito saber coordenar e precisar seus movimentos. enquanto a resistência associa-se com a força. f r u t o da própria experiência. poderíamos indicar esportes competitivos para os estênicos e recreativos para os astênicos. é arte. é destreza. Thooris afirma que nenhum homem é capaz de reunir as quatro qualidades do " V A R F " no mesmo grau. saltadores. Exercícios que necessitem de agilidade para os longilíneos e os que requerem resistência para os brevilíneos. esgrima. A agilidade. não pode prevalecer a força. comentando o índice " V A R F " . musculatura delgada e frágil. peso baixo. Esportes coletivos para os de espírito altruístico e individual para os de tendências mais egoístas. Assim é que geralmente a velocidade ocorre paralelamente com a agilidade.destreza. em grande parte. diz: "temos que admitir que a velocidade e a força muscular apresentam-se nos diferentes biótipos humanos de forma antitética. de média distância — mais altos com as proporções mais para a longitipia e os velocistas . velocidade e agilidade traduzem quase sempre um temperamento neuro-vegetativo. é. essa é a função do Educador Físico. O biótipo veloz (taquiprágico — taquipsíquico — hipertireóideo — simpaticotônico) equivale ao t i p o de cavalo de corrida. mas também resistente. equitação.tipicamente longilíneos e de musculatura variável). É conhecida a perspicácia de certos atletas. se prevalece a velocidade. agilidade R — resistência F — força Por resistência devemos entender o tempo máximo de duração do moviment o . o biótipo de menor resistência. vale dizer que. são reveladoras de uma tendência constitucional para a parasimpaticostenia. basquete. voleibol. emparelhadas. é a inteligência posta a serviço do músculo. ao dizer de Pende. é apreciar que este animal não é somente f o r t e . é tática do movimento. e a resistência e a força. arremessadores de dardo. Pende. sendo em consequência. analisando-o de maneira ampla e completa. Tudo ocorre ao contrário com o cavalo bretão (bradiprágico — bradipsfquico — hiperpituitárico — parasimpaticoestênico). É esta uma propriedade característica do longilíneo veloz. . é o que mais rapidamente vai queimando suas reservas energéticas.V — velocidade A . com tendência à simpaticostenia. que em jogos olímpicos sabem suprir a falta de resistência ou força muscular com um maior emprego da agilidade. A relação entre biótipo e desempenho esportivo pode ser resumida como segue: a. São bons atletas para corridas (de longa distância — estatura pequena. Determinado o biótipo. em consequência. Longilíneos — Tem como característica geral a velocidade. Pode-se mesmo procurar um plano de treinamento para minorar as qualidades negativas do indivíduo e exacerbar suas qualidades.

O excesso de endomorfia tem efeito negativo em qualquer desporto. Um estudo feito com atletas participantes de jogos olímpicos. nadadores (devido ao bom desenvolvimento da caixa torácica). (400 m) V. 200m) V. A. terrestres ou aquáticas. Nas provas de velocidade.Tem como característica geral o equilíbrio das formas. há diferentes aspectos a serem considerados de acordo com os vários autores. o grau de mesomorfia é superior a 5. natação (tendência para a longitipia). F. R. levantamento de peso e halteres.F. quase sempre acima de 4. A. judo.R. v.F. utilizando-sea metodologia proposta por Viola e a classificação de Berardinelli.). fragilidade e fatigabilidade.R. r. F.a. a. pentatlo ou decatlo.A. R. Em desportos que necessitam de mais força. de intensidade igual ou superior a 5. os praticantes de alto padrão são sempre mesomorfos. (800. Ginástica de aparelhos. f. 39 . b. Brandão faz uma correlação de alguns esportes com o índice VARF. 29 — Classificar a face do temperamento pela escala de Sheldon. etc. R. tem possibilidades de brilhar como atletas. . A ectomorfia é condição necessária para as corridas de fundo e meio fundo e para saltos. V. remadores (estatura alta). A. 19— Classificar a face morfológica. também constitui "handcap" em todas as especialidades atléticas.A. parece-nos porém mais aconselhável seguir a orientação de Silveira. mostra o seguinte: a. r. e. d. c. 1.Classificar a parte psíquica pelo método de Rorschach. F. futebol. Assim.r. A.b. pois torna o indivíduo pesado. Como vemos. teremos possibilidade de entender melhor o nosso educando e melhor avaliá-lo para orientar convenientemente sua atividade física. que tratam do assunto. F. significando debilidade. c.5 e 10 mil m) V. . Brevilíneos . lento e pouco resistente. Sâb bons atletas para lutas (luta romana.a. social e intelectual. v.f. A.Tem como característica a força. F. A ectomorfia exagerada.F.A.500m) V. poliatleta. V. .f. que transcrevemos: Corredores de velocidade Corredores de meio fundo Corredores de velocidade prolongada Corredores de fundo Saltos e barreiras Arremessos Futebol e basquete Levantamento de peso Lutadores Boxeadores Esgrima (100. v. Só os indivíduos de mesomorfia considerável. Normolíneos . R. V. igualando ou mesmo superando a mesomorf ia.R. v. (3.R.

O controle e a avaliação biotipológica. os caracteres somáticos e psíquicos individuais. segundo o ponto de vista de seus temperamentos e capacidades intelectuais. há a possibilidade de que ocorra uma verdadeira reforma educacional. mas também da cultura física. Nos indivíduos adultos. pode-se fazer a seleção. Antecedentes patológicos. Exame dos pulmões. No Congresso Internacional de Educação Física de Chamonix (Suiça) em 1934. a. FICHA BIOTIPOLÓGICA DE NICOLA PENDE EM EDUCAÇÃO FÍSICA Como resultado do estudo aqui apresentado. Perímetro torácico médio. podemos dizer que a ficha biotipológica da educação física não pode ser outra que a ficha biotipológica da educação mental. o que se pode obter através da ficha biotipológica. por conseguinte. como na verdade se completam. como também. b. Provas funcionais antes e depois do esforço — tempo para retornar ao normal. que compreende: a. Após essa análise.atuando em nível curativo e profilático. exame das vias aéreas superiores. A ficha consta da avaliação dos seguintes tópicos: antropometria. deduzimos a necessidade do conhecimento integral da personalidade física e psíquica. Assumindo essas diretrizes. desenvolvendo suas qualidades e respeitando suas limitações. Provas cárdio-vasculares: estudo do pulso e da pressão arterial. podemos organizar grupos homogéneos segundo a idade. Exame de urina. Peso. 2a. sexo. A l t u r a . Assim. as "performances" se avaliam segundo o cânone olímpico. Como vemos. Provas respiratórias: espirometria. como diz Rossi. Observação do médico A ficha de avaliação compreende duas partes fundamentais: 1a. mas identifica-se com a pirâmide biotipológica . Amplitude torácica. A ficha do controle mínimo contém os seguintes dados: Idade no momento do exame. morfologia constitucional e fisiológica e psicometria. O Congresso de Chamonix ocupou-se somente da primeira parte. que f o i aceita na ocasião por uninimidade. Os resultados das "perfomances". diferencia-se somente pelo nome. Passamos a transcrever o modelo das duas fichas adotadas neste encontro e que se denominam: "controle m í n i m o " e "avaliação propriamente d i t a " . graduação e classificação não somente da cultura mental. altura e peso. Perímetro torácico na inspiração e na expiração. isto é. deste autor. Pende apresentou uma ficha biotipológica para aplicação em esportes. ambas devem necessariamente complementar-se.

acromial e da interlinha do punho. ú t i l para t o d o exame biotipológico e orientação desportiva. Os exames psicométricos. c. Eletrocardiografia. Dedução dos índices: torácicos. Os exames funcionais. faz-se um novo exame respiratório e cárdío-vascular. 3º— desportiva. epigastropúbico e dos membros superiores e inferiores. estuda pontos especiais relacionados com a especialização . 1a. No exame deitado: determinação dos pontos: manubrial. 2º Exame morfológico-constitucional. Pesquisa da albuminúria depois do trabalho ' T e s t e " da fadiga de Donnaggio. No exame em pé: determinação dos diâmetros torácicos (transversal e ântero-posterior). Exame antropométrico e morfológico. Consta de: 1. Dinamometria horizontal e vertical. 1º— Exame antropométrico. movimentos e atitudes. púbico. b. a razão de dois saltos por segundo. 2º — Exame das funções intelectuais. Exame psicométrico (segundo Pende). Exame das funções afetivas. pesos. do tronco e membros. Esta parte concerne somente ao médico e ao probando. perímetro torácico. A segunda parte. Com estas medidas. Exames funcionais. perímetros das coxas direita e esquerda. abrange: 1º — Exame das funções sensório-motoras. Aborda os seguintes itens: altura. Fórmula corporal. Exame radiológico do tórax e do aparelho cardiovascular. parte: Estudo da orientação desportiva. Finura de apreciação das formas. Exame das funções sensório-motoras. a. Tempo de retorno à normalidade. maleolar. d.b. perímetros dos braços direito e esquerdo. epigástrico. com elevação dos joelhos até um plano horizontal. espessuras. Acuidade sensorial. Provas de trabalho: podem ser feitas as seguintes: uma corrida " i n s i t u " durante dois minutos. perímetro abdominal médio. Compreende duas partes: a primeira. hipocondríacos (transversal e ántero-posterior) e dos membros superiores e inferiores. Cada um destes itens será explicado a seguir. abdominal t o t a l . comprimento do membro inferior e peso corporal. d. Antecedentes patológicos. mínima e mediana. Pressão máxima. O exame antropométrico e morfológico. xifoideano. deduzimos os comprimentos xifo-epigástrico. Tipo morfológico. envergadura. Frequência respiratória em repouso (de pé). c. Depois desta prova horizontal. Capacidade vital. diâmetro biacromial.

largo-comprido cefálico. largo-longo facial. e. tem sido criado os índices largo-longo. 1. Compreende o peso corporal e a estatura e 41 medidas assim distribuídas: cabeça: seis pescoço: três tórax: nove abdome: seis membro superior: nove membro inferior: oito Figuram aqui as dez medidas fundamentais e suas relações recíprocas. estabilidade. brevilíneos e normolíneos. segundo o sistema de Viola. Estabilidade (tiro) 3. Estudo da capacidade de repetição de esforços iguais. 5.Investigação da regularização dos movimentos. largo-longo da mão. Exame das funções afetivas. Poder de decisão rápida. Susceptibilidade às perturbações emocionais. Para classificar os longilíneos. pingpong. polo. 3. a. 3. Determinação do "perfil psicológico". h. largo-longo abdominal inferior. Provas de esforço. a classificação do biótipo morfológico se manifesta em graus centesimais. Apreciação de distâncias (jogos de lançamento. modificado. 2. e. etc) 6. . f. largo-longo abdominal superior. Idem à monotonia e ao sono. se registram os quocientes de crescimento do peso e do perímetro torácico e as relações: Estatura-peso e Estatura-perímetro torácico. largo-longo do pé. Tenacidade. Resistência à distração. que se obtém com uma ficha de exame do t i p o adotado para a orientação profissional. sugestibilidade (aparelho de Binet). Em todos os casos se realiza: IP ) uma prova de atenção e 29) provas de nível intelectual. Visão estereoscópica (ténis) 4. 6. golf. honestidade. Caráter. Estudo das velocidades reacionais. Em continuação. Suscetibilidade à dor (boxe) A ficha proposta por Pende tem os seguintes fundamentos e aplicação ao caso: 19 Avaliação morfológica do biótipo. 2ª parte: Determinações especiais relacionadas com especializações desportivas. ténis. 2. b. d. por provas de " t a p p i n g " pontaria. largo-longo torácico. Velocidade de reação (esgrima) 2. que são: 1. Expressa em medidas elementares. g. Exame das funções intelectuais. Estudo de predomínio do direito ou esquerdo dos membros superiores e inferiores e dos olhos (preferência para fazer a mira). submersão) 5. 7. e. c. Integridade das funções vestibulares-autitivas (natação. 4. Idem aos afetos.

que se encontram no prelo e que irá constituir importante referencial prático e simples na avaliação dos alunos em suas capacidades físicas. Ainda no solo pátrio o laboratório de São Caetano tem procurado determinar testes para a realidade brasileira e que já constitui publicação disponível nas livrarias. os do hemolinfopoiético. Influência da esfera emotiva sobre os pensamentos e destes sobre aquela. estabelecem padrões de referência para determinadas provas de avaliação física como: velocidade. reprodução. ataque-defesa. 3º — Avaliação do caráter individual (face moral). diagnóstico do temperamento endócrino. Estas observações tratam de avaliar as seguintes qualidades: grau de inteligência global. .. gregário. Compreende o exame da capacidade muscular dos diversos segmentos corporais. aos de Pende e Berreta. Síntese do biótipo. dinamometria dos principais territórios musculares complexos. a emotividade global. exame da excitabilidade neuro-muscular e dos reflexos. Atitude e predisposição do sujeito a um trabalho especial. a qualidade moral dominante e a tendência afetiva orientadora da conduta. Predominância do sentido analítico ou do sintético. resistência. Estudam-se os instintos fundamentais: conservação. etc . define-se o tipo de caráter. do abstrato e lógico e do sentido crítico. medíocre. em jejum e depois em exercício de controle. exame de urina antes e depois de um exercício de controle. bom. grau de atenção. força. Tempo de elaboração dos processos ideativos. . no dinamismo e psiquismo individual. Utilidade do trabalho efetivo (excelente. controle de certos movimentos. Com este estudo. Atitude introspectiva-extrospectivado espírito.Os índices do desenvolvimento sexual se ajustam à diretivas de Pende e Gualco.. Entre nós Negrão & Molinkiss. os do desenvolvimento cardíaco. Resistência ao trabalho intelectual. Registram-se os resultados do treinamento ginástico e desportivo e seus efeitos na morfologia. exame de urina antes e depois de um exercício conhecido. exame das diferentes sensibilidades. 2º — Avaliação funcional do biótipo. a vontade e o auto-controle. 4º — Avaliação do grau e forma da inteligência.. exame do aparelho do equilíbrio. Adaptação aos diversos trabalhos mentais. insuficiente). das modificações hemáticas da fadiga. investigação de uma predominância neuro-vegetativa simpática ou para-simpática ou pneumogástrica. metabolismo basal. O apêndice etnológico permite resumir conclusões sobre o tipo de raça individual. os sentimentos egoístas e altruístas. trabalhando com crianças do Sesi. . a conduta de adaptação ao ambiente. Desenvolvimento do pensamento fantástico-místico. grau de memória e da capacidade de observação. Mesmo com os esforços que muitos grupos vem realizando na área de avaliação da criança há necessidade de pesquisas multidisciplinares que venham correlacionar os diferentes níveis de manifestação do comportamento humano. aos de Gualco e Berreta.

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