P. 1
peducll80

peducll80

|Views: 16.882|Likes:
Publicado porceliofelix

More info:

Published by: celiofelix on Jul 31, 2011
Direitos Autorais:Attribution Non-commercial

Availability:

Read on Scribd mobile: iPhone, iPad and Android.
download as PDF, TXT or read online from Scribd
See more
See less

10/24/2014

pdf

text

original

Antes de discutirmos a teoria de Piaget (1896­1980) e suas implicações educacionais,
deve­se esclarecer que o referido autor costuma ser criticado por desprezar o papel dos fatores
sociais no desenvolvimento humano. Segundo Taille (1992), Piaget não se deteve longamente
sobre esta questão, apenas apontou as influências da interação social sobre o desenvolvimento
da inteligência; mas isso não significa que Piaget ignorasse o aspecto social no desenvolvimento
humano. Para ilustrar essa idéia, o autor, citando Piaget, comenta que “a inteligência humana
somente se desenvolve no indivíduo em função de interações que são, em geral,
demasiadamente negligenciadas” (op.cit, p.11).

De acordo com Montoya (2004), Piaget acreditava que a pesquisa psicológica poderia
fornecer conhecimentos científicos necessários sobre os quais a pedagogia pode se apoiar. Para
que o educador se afaste da idéia de que os conhecimentos podem ser transmitidos e aprendidos
numa ordem lógica, faz­se necessário conhecer os processos e mecanismos envolvidos na
aprendizagem dos conteúdos.

Montoya (2004, p. 158) aponta que, infelizmente, a obra de Piaget na Educação foi
“reduzida ao desenvolvimento das estruturas lógico­matemáticas, particularmente aos seus
estágios sucessivos”. Esse fato empobreceu a obra de Piaget nos meios educacionais e limitou
sua contribuição no fazer pedagógico. É importante destacar que, quanto melhor forem
conhecidos os mecanismos psicológicos que formam as diferentes operações, noções e
explicações do mundo real, e não somente das operações lógico­matemáticas, as contribuições
de Piaget para a prática educativa serão muito relevantes.

A teoria de Piaget é conhecida como Epistemologia Genética, que segundo Taille (1992)
se propõe a responder uma pergunta essencial, que é: Como os homens constroem o
conhecimento?

Para responder a essa pergunta, Macedo (2002) comenta que Piaget utilizou­se do método
“clínico” a fim de verificar como a criança ultrapassa de um raciocínio mais simples a outro mais
complexo sobre determinado problema. Piaget pretendia demonstrar as etapas possíveis de um
trajeto, até se alcançar uma mudança na maneira de a criança interagir com uma determinada
situação.

17

PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO II

O interesse fundamental de Piaget, segundo Macedo (2002), era de ordem epistemológica
e teórica e não psicológica ou pedagógica, por isso, bastava expor o mais detalhadamente
possível os níveis de desenvolvimento.

O autor salienta que, para Piaget, o conhecimento seria derivado da ação do indivíduo
sobre o objeto, pois é por meio de esquemas de ação que ele passa a conhecer o meio. O
conhecimento é resultado da assimilação que é o processo pelo qual o sujeito incorpora o objeto à
sua estrutura cognitiva e acomodação em que a estrutura cognitiva se ajusta às características do
objeto. A adaptação é a manifestação exterior, é o equilíbrio entre assimilação e acomodação. O
conhecimento está sempre ligado à ação, pois é interagindo com o meio que a criança constrói
seu conhecimento. Esse processo de adaptação é descrito por Piaget pelos estágios sucessivos.

Segundo Taille (1992), cada estágio define um momento de desenvolvimento ao longo do
qual a criança constrói estruturas cognitivas. Para Piaget, o desenvolvimento passa por três
etapas: sensório­motor, pré­operatório e operatório, sendo esta última dividida em operatório­
concreto e operatório­formal.

Apoiando­se na teoria de Piaget, surgiu o construtivismo que, segundo Rosa (2003), é uma
teoria que permite compreender o mundo que está a sua volta a fim de responder às perguntas
que esse mundo coloca. Defende a idéia de que nada está pronto e que o conhecimento não é
visto como algo acabado. A criança constrói o conhecimento pela interação com o meio físico e
social. A teoria construtivista não se preocupa em “como ensinar” e sim “como o indivíduo
aprende”.

Na perspectiva da Epistemologia Genética de Piaget, segundo Ferreiro e Teberosky (1985,
p. 26), o indivíduo é entendido como:

“Um sujeito que procura ativamente compreender o mundo que o rodeia e trata de
resolver as interrogações que esse mundo provoca. Não é um sujeito que espera que alguém que
possui um conhecimento o transmita a ele, por um ato de benevolência. É um sujeito que aprende
basicamente através de suas próprias ações os objetos do mundo, que constrói suas próprias
categorias de pensamento ao mesmo tempo que organiza seu mundo.”

Você sabia que esquemas de ação podem ser compreendidos como os primeiros
reflexos (sugar, pegar entre outros) que a criança tem, além de incluir tudo o que é
generalizado numa determinada ação?

18

PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO II

Assim, a aprendizagem é produto do pensamento do indivíduo e depende do
desenvolvimento de suas estruturas cognitivas; é resultado do esforço inteligente de conhecer o
mundo.

Sem dúvida a teoria de Piaget é de fundamental importância para a prática pedagógica. Ao
conhecer como se dá o desenvolvimento cognitivo da criança, o professor terá possibilidade de
adequar os conteúdos escolares a fim de favorecer a aprendizagem dos alunos.

19

PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO II

You're Reading a Free Preview

Descarregar
scribd
/*********** DO NOT ALTER ANYTHING BELOW THIS LINE ! ************/ var s_code=s.t();if(s_code)document.write(s_code)//-->