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Trabalho de Processo Civil

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Published by: Cristian Grein Bueno on Aug 01, 2011
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ITEM C: MIRIAN GRANEMANN MOCELLIN

SUMÁRIO: 1 INTRODUÇÃO O presente trabalho objetivou apresentar o princípio da prova ilícita e os problemas dele decorrentes. Veremos a importância dos princípios, na atualidade, que passaram de uma fase de meros vetores axiológicos para serem interpretados como verdadeiras normas de observação obrigatória. Por se tratar de um princípio relacionado à atividade probatória, foram trazidos vários aspectos da teoria geral das provas, sendo relevante a questão dos meios de prova que, no direito pátrio, devem ser lícitos, e a questão dos princípios relativos à prova do qual se abstrai o da proibição da prova ilícita. A problemática principal apresentada refere-se à admissibilidade das interceptações telefônicas e gravações clandestinas no processo, em especial o civil, por se tratar, em princípio, de provas ilicitamente obtidas. Para isto foi realizada uma pesquisa doutrinária e jurisprudencial, apresentando-se três correntes para a solução do problema: a corrente obstativa, a permissiva e a intermediária ou da teoria da proporcionalidade, dentre as quais se destaca esta última, por ser a mais coerente, uma vez que se posiciona pela admissibilidade ou não da prova ilicitamente obtida, após o sopesamento dos bens jurídicos conflitantes no caso concreto.

Principio da Proibição da Prova ilícita A prova ilícita foi empregada pela Constituição Federal de 1988, tendo sido haurida da melhor doutrina, citado por João Batista Lopes (2002, p.96), o seu grande destaque. Para esse autor, as provas ilícitas são colocadas como espécies das provas vedadas, as quais compreendem as provas ilícitas propriamente ditas e as provas ilegítimas. Ultrapassando essa divergência terminológica, já que tanto a prova ilícita, quanto a ilegítima são, em regra, vedadas pelo ordenamento jurídico brasileiro, convém analisar a questão da prova ilícita e até onde vai a proibição de sua utilização no processo. O sistema brasileiro rejeita, genericamente, a prova ilícita, consoante dispõe o inciso LVI do art. 5º da Lei Fundamental, são inadmissíveis, no processo, as provas obtidas por meios ilícitos.

através da utilização de critérios de ponderação de valores: a razoabilidade e a proporcionalidade. p. tendo que decidir qual é o direito que. não importando o meio pelo qual a prova foi obtida. apud BARBOSA. Há a chamada corrente intermediária ou corrente obstativa atenuada pela teoria da proporcionalidade que acompanha o posicionamento desses Tribunais. (A propositura da doutrina quanto à tese intermediária é a que mais se coaduna com o que se denomina modernamente de princípio da proporcionalidade). NELSON NERY JR. ou seja. ainda que baseada em meios ilícitos. No Principio da Proibição da prova Ilícita. ao acreditar que. especialmente no direito de família. naquela situação. Justifica-se essa nova forma de interpretar o princípio da proibição da prova ilícita somente em casos excepcionais. conhecido teórico constitucionalista. destarte. 8)". orienta . nem a admissão pura e simples de qualquer gravação fonográfica ou televisiva. vêm decidindo por admitir provas de cunho ilícito. havia duas correntes doutrinárias a respeito da admissibilidade processual das provas ilícitas. tem “mais peso” na balança da justiça. comenta que: "Não devem ser aceitos os extremos: nem a negativa peremptória de emprestar-se validade e eficácia à prova obtida sem o conhecimento do protagonista da gravação sub-reptícia. deveria ceder quando em confronto com a ordem pública e as liberdades alheias. antes da Constituição de 1988. diante do caso concreto. O fato é que nenhum direito deve ser considerado absoluto. o primeiro. Retomando o exemplo anteriormente citado do indivíduo que consegue comprovar sua inocência a partir de uma prova ilícita. de extrema gravidade. Os adeptos da teoria da admissibilidade prestigiavam a busca da verdade real. predominando a que defendia a admissibilidade. portanto. Cabe ao juiz interpretar o caso concreto a fim de solucioná-lo da forma mais justa possível. No direito brasileiro. Havendo um conflito entre o direito à intimidade e o direito à prova. quando não havia outro meio de aquisição daquela prova. de forma ainda tímida. tem a finalidade de solucionar determinados casos específicos envolvendo as provas obtidas por meios ilícitos. o Superior Tribunal de Justiça e o Supremo Tribunal Federal. sobre as radicais. o julgador deve realizar uma análise axiológica a partir desses parâmetros. Ronald Dworkin. observa-se então um conflito de direitos. Ao tratar das correntes doutrinárias existentes sobre a utilização da prova ilícita. em sua teoria interpretativa do Direito. que está entre as liberdades públicas. A ponderação. pendia em favor do princípio da investigação da verdade. devendo o juiz aproveitar o seu conteúdo. sendo esta indispensável para a solução do processo. Devendo prevalecer. e é nesse momento que deve haver uma ponderação de valores por parte do juiz. (NERY JR.O conceito de prova ilícita evoluiu com o passar do tempo.

A regra de exclusão daquele país foi consolidada por meio de julgados que estabeleceram que as provas obtidas a partir de uma prisão ilegal. a princípio.A expressão "Frutos da árvore envenenada” é encontrada. por meio do versículo bíblico os doutrinadores construíram a doutrina. é cortada e lançada no fogo. mas produzidas a partir de outra ilegalmente obtida. Colhem-se. fazendo do Direito algo tão dinâmico quanto à sociedade em que está inserido. toda árvore boa produz bons frutos. que são aquelas em si mesmas lícitas. FRUTO DA ÁRVORE ENVENENADA A teoria dos frutos da árvore envenenada indica um conjunto de regras jurisprudenciais surgidas na Suprema Corte norte-americana e consagra o entendimento de que a mácula de origem que invalida determinada prova transmite-se a todas as provas subseqüentes. toda árvore. Tal como a regra da exclusão. de modo a interpretá-lo buscando a efetiva concretização da justiça. A Suprema Corte Norte-Americana criou a teoria dos frutos da árvore envenenada na qual fundamenta que o vício da planta seria transmitido a todos os seus frutos. porém a árvore má produz frutos maus. e a sempre “descobrirem” o Direito. Essa teoria. pois esta não é a sua função. Pelos seus frutos os conhecereis. uvas dos espinheiros. sem qualquer ligação com a prova ilícita. sob o argumento de que as provas decorrentes das provas ilícitas devem ser extirpadas do processo. não significa “inventar” o Direito. pois um fato pode ser provado através de provas lícitas. . A prova ilícita não tem o poder de contaminar todo o material probatório. principalmente. ou figos dos abrolhos? Assim. pois que não produz bom fruto. no Evangelho de Mateus: E já está posto o machado á raiz das árvores. de investigações ilegítimas ou de interrogatórios coercitivos devem ser excluídas do julgamento. impedir a condenação de cidadãos a partir da violação de direitos individuais. como nos casos de documentos obtidos com violação de domicílio. interceptação telefônica com autorização judicial baseada em um documento falso. Prova disso é a utilização dos critérios de ponderação aqui discutidos. também é conhecida como prova ilícita por derivação. a teoria dos frutos da árvore envenenada busca. porventura.àqueles quem detém a função jurisdicional a irem além do legalismo por si só. Com efeito. A teoria dos frutos da árvore envenenada foi desenvolvida a partir da regra de exclusão consagrada nos Estados Unidos da América.

ou da proibição de excesso como designado pelos juristas alemães é defendido por inúmeros doutrinadores e busca equacionar colisões existentes entre direitos e garantias constitucionais. nem todos os frutos da árvore são proibidos. no sentido da ilicitude da interceptação telefônica que contaminou as demais provas. mas não suficiente para estender a ilicitude da primeira à segunda. a segunda prova não é admitida como derivada. PRINCIPIO DA PROPORCIONALIDADE O princípio da proporcionalidade ou da razoabilidade. A jurisprudência do Supremo Tribunal Federal se posiciona no sentido da inadmissibilidade das provas ilícitas por derivação. Na exceção do descobrimento inevitável mesmo que a segunda prova derive de uma prova ilícita. Humberto Bergmann Ávila define o princípio da proporcionalidade: Pode-se definir o dever de proporcionalidade como um postulado normativo aplicativo . que estará contaminada. das informações obtidas na escuta. pois alguns podem ser aproveitados. Nem sempre é possível concluir com exatidão se a segunda prova teria sido produzida na ausência de prova ilícita ou se existe uma conexão de contaminação entre as provas. Já na exceção de descobrimento provavelmente independente. pois a prova é aparentemente independente. Desta forma. O nexo de causalidade entre as provas é necessário. A última prova é autônoma e independente e não pode ser considerada derivada da ilícita. É necessário que o juiz atribua à eficácia da prova. todas oriundas direta e indiretamente. assim definido no ordenamento norte-americano. A teoria dos frutos da árvore envenenada não é absoluta. se defere pela prevalência de cinco votos vencidos.A obtenção de uma prova ilícita pode propiciar a produção de uma outra prova. sem nexo de causalidade com a prova ilícita. Na ementa em que houve a renovação do julgamento. nas quais se fundou a condenação do paciente. justificando como a prova derivada seria naturalmente obtida por meio de uma prova lícita. a sua nulidade se tornará ineficaz. porém não impede que o fato que se desejou demonstrar seja objeto de prova que com ela tenha qualquer vinculação. ou seja. pois a descoberta da verdade ocorreria mais cedo ou mais tarde. assim a Corte Norte Americana admitiu exceções à teoria: o descobrimento inevitável e o descobrimento provavelmente independente.

mas de conteúdo verdadeiro. Em conseqüência. não restam dúvidas de que obtém maior é a liberdade individual. Convém salientar que o uso da prova ilícita. LVI. amparadas nesse princípio. o princípio da Proporcionalidade está relacionado à harmonia que deve existir entre os princípios constitucionais. admitindo. este deve prevalecer. apenas pode ser aceito quando a prova foi obtida ou formada ilicitamente porque não existia outra forma para se demonstrar os fatos. inclusive quando da necessidade de se considerar a prova ilícita ou produzida por meios ilícitos Cumpre destacar. no caso concreto. Portanto. ainda que diante do direito da personalidade atingido. Em síntese. apesar de não explicito no texto da Carta Política de 1988. o Princípio da Proporcionalidade integra o sistema adotado pela Carta Magna de modo implícito.decorrente da estrutura principal das normas e da atributividade do Direito e dependente do conflito de bens jurídicos materiais e do poder estruturador da relação meio-fim. só pode ser admitida quando é a única capaz de evidenciar fato absolutamente necessário para a tutela de um direito que. Assim. . Por conseguinte. da Constituição Federal. em alguns casos excepcionais. igualmente. onde se verifica o confronto do princípio da proibição da prova ilícita com o princípio da ampla defesa do réu. mesmo que dependente dessa ponderação. a utilização da prova ilícita no processo. as normas e a sua aplicabilidade no caso concreto e deve ser utilizado pelo operador do direito na ponderação dos valores que deverão prevalecer em cada questão. A prova ilícita. entre a condenação de um inocente e o uso da prova ilicitamente obtida. portanto. na situação que o réu obtém a prova de modo ilícito. cuja função é estabelecer uma medida entre bens jurídicos concretamente correlacionados. a doutrina e a jurisprudência procuram minimizar o caráter absoluto do art. que por meio da aplicação do princípio da proporcionalidade é que se admite a utilização de prova ilícita em favor da defesa. que pode levar à absolvição do réu. merece ser realizado. 5º.

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