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A eficácia dos direitos fundamentais - Ingo W. Sarlet

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A eficácia dos Direitos Fundamentais

Uma teoria geral dos direitos fundamentais na perspectiva constitucional Ingo Wolfgang Sarlet

 Doutor em Direito pela Universidade de

Munique;  Integra o corpo docente do programa de pósgraduação da PUC/RS e Plabo Olavide,Sevilha.  Juiz de Direito;

 Origem do texto: tese de

Doutoramento na Universidade de Munique em 1996; 
Proposta da 10º edição é apresentar uma

Teoria geral dos Direitos Fundamentais;

 Discussão sobre a terminológica.  Conceito materialmente aberto de direitos fundamentais. .  Problema das gerações/dimensões dos direitos.  Deveres fundamentais.  Dimensão objetiva/subjetiva dos direitos fundamentais.Mapeamento da obra 1ª PARTE: O SISTEMA DOS DIREITOS FUNDAMENTAIS NA CONSTITUIÇÃO: DELINEAMENTOS DE UMA TEORIA GERAL CONSTITUCIONALMENTE ORIENTADA.  Titularidade dos direitos fundamentais.

 Vinculação do Poder Público aos direitos fundamentais.Mapeamento da obra  2ª Parte: O PROBLEMA DA EFICÁCIA DOS DIREITOS FUNDAMENTAIS.  Eficácia das normas definidoras de direitos fundamentais. .  Proibição do retrocesso.  Eficácia dos direitos sociais.

Conceito materialmente aberto dos direitos fundamentais 10 .Princípio da dignidade humana 11 .Processo de reconhecimento dos direitos fundamentais.DPH e a Jurisprudência .Concepções de Direitos Fundamentais na Constituição de 1988 7 . 4 ± Diversas dimensões de direitos fundamentais 5.Posição e significado dos direitos fundamentais no Estado Democrático e Social de Direito 6 .Problema terminológico 2 ± Perspectiva histórica 3.Fundamentalidade material 9 .Elementos caracterizadores de um sistema de direitos fundamentais 8 .           1 .

ou ainda não positivados.  Direitos Humanos: se aplica aos documentos de direito internacional. direitos fundamentais e direitos humanos?  Direitos do Homem: direitos naturais não.1 .  Direitos fundamentais: se aplica aos direitos do ser humano reconhecidos e positivados na esfera do Direito Constitucional positivo de um Estado. Refere-se ao reconhecimento de posições jurídicas ao ser humano como tal. . independente da ordem jurídica estatal.Problema terminológico  Qual a diferença entre direitos do homem.

1 . melhores condições de eficácia e aplicabilidade em razão da existências de graus e instâncias dotadas do poder de coerção.  Direitos Fundamentais: em tese.  Direitos Humanos: Não é da natureza do Direito Internacional a existência de mecanismos de coerção entre os Estados.Problema terminológico  Critério do grau de efetiva aplicação e proteção. .

. liberdade e igualdade entre os homens encontra suas raízes na filosofia clássica (greco-romana) e no pensamento cristão.2 ± Perspectiva histórica  Segundo o autor. o valor da dignidade da pessoa humana.

Processo de reconhecimento dos direitos fundamentais. Observação: deve-se descartar o caráter de autênticos direitos fundamentais. Críticas do autor: Privilégios outorgados pela autoridade real.3. Poderiam ser arbitrariamente subtraídos pelo monarca. em que pese a limitação ao poder monárquico ± não vinculam o Parlamento. Direitos de cunho estamental atribuídos a certas castas nas quais se estratificava a sociedade feudal. Os direitos e liberdades.  Origem: Afirma-se como data e local de nascimento dos direitos fundamentais a Inglaterra do século XIII: Magna Carta João Sem-terra de 1215.      .

.  Por outro lado.  Há uma relação de interdependência entre os movimentos liberais do século XVIII:  O documento americano é cronologicamente anterior. em especial Rousseau e Montesquieu.Processo de reconhecimento dos direitos fundamentais.3. inegável a influência dos pensadores franceses. os marcos iniciais são as revoluções americana e francesa.  Para o autor.

. limitação da jornada. prestacionais e ³liberdades sociais´: liberdade de sindicalização. etc. direito de greve.4 ± Diversas dimensões de direitos fundamentais  1ª Dimensão: direitos de cunho negativo: abstenção do Estado.  3ª Dimensão: direitos de titularidade coletiva ou difusa.  2ª Dimensão: direitos positivos. repouso semanal.

49) . paz e desenvolvimento) tem suscitado no que concerne à própria qualificação de grande parte destas reivindicações como autênticos direitos fundamentais´ (Sarlet.4 ± Diversas dimensões de direitos fundamentais  3ª Dimensão: ³A atribuição da titularidade de direitos fundamentais ao próprio Estado e à Nação (direitos à autodeterminação.

manipulação genética) são apenas novas reivindicações deduzidas. dos clássicos direitos de liberdade.4 ± Diversas dimensões de direitos fundamentais  Direitos fundamentais de 4ª ou 5ª Dimensão?  Em regra. os direitos fundamentais arrolados pela doutrina como de 4ª dimensão (mudança de sexo. em maior parte. .

no sentido de uma universalização no plano institucional.4 ± Diversas dimensões de direitos fundamentais  Direitos fundamentais de 4ª ou 5ª Dimensão?  Conceito de Bonavides sobre a 4ª dimensão: resultado da globalização dos direitos fundamentais. . informação e pluralismo.  Direito à democracia (direta).  Vantagem da classificação de Bonavides: são uma nova fase de reconhecimento.

retrocessos e contradições.4 ± Diversas dimensões de direitos fundamentais  Considerações conclusivas do autor:  O processo de reconhecimento dos direitos fundamentais é de cunho essencialmente dinâmico e dialético.  As diversas dimensões revelam que os direitos fundamentais são uma categoria materialmente aberta e mutável. . marcado por avanços.

.  A partir da Declaração da ONU constata-se uma nova fase: universalidade abstrata e concreta. Por meio da positivação.4 ± Diversas dimensões de direitos fundamentais  Considerações conclusivas do autor  Os direitos fundamentais nascem como direitos naturais e (jusnaturalismo) inalienáveis do homem: universalidade abstrata dos direitos fundamentais. (direito internacional) os direitos são reconhecidos a todos seres humanos e não apenas aos cidadãos de determinado Estado.

ou seja. em último grau se protege sempre a vida. liberdade.  Apesar da dimensão coletiva dos novos direitos. são direitos de cunho individual.4 ± Diversas dimensões de direitos fundamentais  Considerações conclusivas do autor  Alguns direitos clássicos são objetos de revitalização e releituras a partir de novas agressões. igualdade e dignidade. .

57) . p. 337) sobre a função acadêmica da evolução histórica dos direitos fundamentais (Sarlet.4 ± Diversas dimensões de direitos fundamentais  Considerações conclusivas do autor  Concorda com Souza Cruz (HJD.

mas como ³ordenação integral e livre da comunidade política´ ± os direitos fundamentais assumem para além de uma função limitativa do poder.  Estado de Direito ± não apenas como o ³governo das leis´. 59) . (p. ou seja.Posição e significado dos direitos fundamentais no Estado Democrático e Social de Direito  O artigo 16 da Declaração dos Direitos do Homem e Cidadão constitui o núcleo material das primeiras Constituições Escritas. critérios de legitimação de atuação do Estado.5.58). limitação do poder estatal (p.

59)  Os direitos fundamentais: reconhecimento de determinados valores básicos.5. o núcleo substancial. (p.Posição e significado dos direitos fundamentais no Estado Democrático e Social de Direito  Os direitos fundamentais passam a ser considerados. (p. 60) . a substância propriamente dita. além da dimensão negativa. elementos da ordem jurídica objetiva. integrando um sistema axiológico que atua como fundamento material de todo ordenamento jurídico.

 A dignidade é vista como um valor essencial e da unidade de sentido à Constituição. O meta-valor é o princípio da DPH.Comunitarismo Brasileiro  A Constituição é vista como uma ordem concreta de valores positivados.  proporcionalidade  desvelamento hermenêutico do ser.  teoria concretista .

Justiça realização do seu projeto de vida pessoal. consenso ético.Pluralismo Liberais diversidade de concepções de vida boa. tradições) estão presentes nas democracias contemporâneas concepções individuais (bem) e valores que configuram a identidade devem ser submetidos ao amplo debate público. Patriotismo onstitucional: compromissos morais com normas universais ± os DFs ± podem ser vinculados aos compromissos éticos de culturas políticas particulares. específicas culturalmente e únicas do ponto de vista histórico rítico-deliberativo a diversidade de concepções de bem da vida e as multiplicidades de concepções específicas de vida (compartilham valores. fundado em valores compartilhados onstituição onstituição-garantia. que tem como função preservar o conjunto de liberdades negativas (autonomia moral) onstituição como um projeto social integrado por um conjunto de valores compartilhados que traduz um compromisso com certos ideais. . omunitários multiplicidade de identidades sociais.

e desde já considerar que uma teoria da interdependência dos direitos humanos. tende não somente a instrumentalizar esses direitos. axiologicamente fundada e orientada. exatamente o que pretende evitar. .Crítica de Cattoni  ³Cabe. ao concebê-los como bem jurídicos otimizáveis. entretanto. uma teoria axiológica da interdependência ou do núcleo indivisível de direitos humanos mascara e desconsidera a relação de co-originalidade e equiprimordialidade entre autonomias jurídicas públicas e privadas dos cidadãos. Mais que isso.

. por fim. e que nem é necessária. que não existe numa sociedade mundial. como advogamos com Habermas. dado o caráter cultural e particularista dos valores´. mas numa pretensa comunhão hermenêutico-existencial de µvalores superiores¶ num nível universal. por defender. complexa e pluralista. porque coloca em risco extamente o próprio caráter universal dos direitos humanos e de sua proteção transnacional ou superestatal. razoável ou desejável. pois nesses termos. que se pretende. a legitimidade dos direitos não estaria num reconhecimento público e recíproco dos mesmos.

6 .Concepções de Direitos Fundamentais na Constituição de 1988  Características da Constituição de 1988 (p. 65)  Compromissário: optou por acolher e conciliar posições e reivindicações nem sempre afinadas entre si. resultante das fortes pressões políticas exercidas pelas diversas tendências envolvidas no processo constituinte. .

6 . . fins e diretrizes a serem perseguidos pelo Poder Público.Concepções de Direitos Fundamentais na Constituição de 1988  Características da Constituição de 1988:  Programático e Dirigente: impõe programas.

7 . baseado no princípio fundamental da dignidade humana.Elementos caracterizadores de um sistema de direitos fundamentais  1ª Corrente: Gunther Durig  A Lei Fundamental consagrou um sistema de direitos fundamentais isento de lacunas. (p. 70) .

.  Apesar de agrupados em um catálogo.7 . os direitos fundamentais são garantias pontuais.  Reconhece a existência de certas vinculações de natureza sistémica.Elementos caracterizadores de um sistema de direitos fundamentais  2ª Corrente: Konrad Hesse. mas entende ser impossível sustentar um ³sistema autônomo e fechado´ de direitos fundamentais.

 Para o autor. tratados internacionais. etc. não-escritos.7 .  O artigo 5º § 2º. existência de direitos em outras partes do texto. ou seja. receptivo a novos conteúdos e sujeito aos influxos do mundo circundante. conceito materialmente aberto de direitos fundamentais.Elementos caracterizadores de um sistema de direitos fundamentais  Posição do autor:  Não há como sustentar um sistema separado e fechado de direitos fundamentais. . o sistema de direitos fundamentais seria aberto e flexivel.

por seu conteúdo e importância podem ser equiparados aos direitos formalmente fundamentais.  Formal: posições jurídicas que. . apesar de se encontrarem fora do catálogo.8 .  Material: são aqueles que. por decisão do Legislador-Constituinte.Fundamentalidade material  A diferença entre DF formal e material significa que a Constituição aderiu a certa ordem de valores. foram consagradas no catálogo de direitos fundamentais.

75  A propriedade para Ferrajoli.Fundamentalidade material  Ferrajoli busca uma definição formal de direitos fundamentais por meio do critério da titularidade universal. 76 . não seria um direito fundamental. uma vez que o autor distingue direitos fundamentais e direitos patrimoniais. ou seja. p. p. por exemplo. os direitos subjetivos que decorrem de todos seres humanos.8 .

Entretanto. liberdade.8 . Todavia. tais categorias universais devem ser contextualizadas. tais como vida. . Aquilo que se mostra fundamental para um Estado pode não ser para outro. ou seja.Fundamentalidade material  Conclusão do autor:  Qualquer conceituação definitiva. completa e abstrata do     conteúdo material dos direitos fundamentais está fadada ao insucesso. dignidade. construção hermenêutica vinculada ao contexto constitucional vigente. existem categorias essenciais de fundamentalidade. p 76 Um conceito material somente pode ser obtido por meio de uma ordem constitucional concreta. igualdade.

Fundamentalidade material  Um determinado direito é fundamental não apenas pela relevância do bem jurídico tutelado em si.8 . econômica.  Mas pela relevância daquele bem jurídico na  Ex: direito à saúde na Constituição brasileira é fundamental e na Constituição espanhola não lhe é assegurado o regime jurídico equivalente aos direitos fundamentais. perspectiva das opções constitucionais.  Propriedade e liberdade (econômica) na ordem .

Conceito materialmente aberto dos direitos fundamentais  Com fundamento no art. mas que. por sua substância e importância não se enquadram no conceito material de dirietos fundamentais (Vieira Andrade) p.9 . 81 .  b) Direitos apenas materialmente fundamentais: sem assento no texto constitucional. 5º §2º da CF:  a) Direitos formal e materialmente fundamentais: Constituição Formal.  c) Direitos apenas formalmente fundamentais: os constantes no catálogo.

85 e 87)     DF: 1) positivos. desobediência civil. 2) não-escritos.  Não escritos:  A) Implícitos: deduzido. 225 (meio ambiente).9 . 216). garantias do sigilo fiscal e direito à boa administração (p. cultura (art.  B) Decorrente de regime e princípios:  Ex: direito de resistência. Positivos: A) Previsto no catálogo: artigo 5º da CF. identidade genética.Conceito materialmente aberto dos direitos fundamentais  Contornos de um conceito material de direitos fundamentais (esquema quadro). por via do ato interpretativo. 90) . (p. B) Outras partes do texto constitucional: art. com base nos direitos constantes no catálogo.

 Posição do intérprete: o intérprete atua na ³construção jurisprudencial do direito´. 1º a 4º) p.Conceito materialmente aberto dos direitos fundamentais  Quanto à atuação do intérprete: (p. ma apenas propõe uma redefinição do campo de incidência de um direito fundamental.  B) Decorrente de regime de princípios: princípios fundamentais que informa a ordem constitucional.  Posição do intérprete: o intérprete não cria novo direito. revelando os direitos fundamentais que se encontram em estado latente em nossa Carta e podem ser deduzidos diretamente do regime constitucional (art. se determinada posição jurídica pode ser considerada como resultado implícito de garantias individuais.9 . a partir do catálogo de direitos fundamentais. 139 . 139)  A) Implícitos: Verificar.

Parágrafo único do art. 2º. 1º. 170 caput (parcialmente). art. 3º. . art. 4º.9 . art.Conceito materialmente aberto dos direitos fundamentais  Qual a natureza jurídica do título I da Constituição?  1) Eros Grau ± fundamentado em Dworkin ± assim divide:  a) princípios: art. art.  b) diretrizes: art. 4º. 5º e art. caput e incisos. 170 (parcialmente) e incisos.

170 caput (parcialmente).a depender do contexto ± pode ser lido de diferentes concepções. 4º. . como argumentos de princípios (jurídicos). Parágrafo único do art.Conceito materialmente aberto dos direitos fundamentais  Problemas:  Impossibilidade de utilizar art. 3º. art.  A vantagem da posição de Sarlet é que o texto do título 1º . pois seriam metas políticas e sociais. inclusive como abertura material dos direitos fundamentais.9 .

Princípio da dignidade humana  Breves considerações sobre a definição e conteúdo da dignidade humana.10 .  Avaliar o status jurídico-normativo no âmbito de nosso ordenamento constitucional .

Não pode ser criado ou retirado. sendo irrenunciável e inalienável. em virtude apenas de sua condição biológica humana. 100)  Qualidade intrínseca da pessoa humana. (p. é titular de direitos que devem ser reconhecidos pelo Estado.10 1 Princípio da dignidade humana: definição e conteúdo da dignidade humana  1ª Corrente  Vínculo histórico c/ jusnaturalismo: a ideia de dignidade humana parte do pressuposto que o homem. algo que simplesmente existe. já que existe em cada ser humano como algo que lhe é inerente.  Elemento que qualifica o ser humano. .

uma vez que é fruto do trabalho de diversas gerações e da humanidade. uma qualidade que define a própria natureza do homem. (p.  A dimensão natural e a dimensão cultural da dignidade da pessoa se complementam e integram mutuamente. 102) . ou seja.  Dignidade possui uma dimensão cultural.10 1 Princípio da dignidade humana: definição e conteúdo da dignidade humana  2ª Corrente  A dignidade não deve ser considerada como algo inerente à natureza.

Somente mediante a análise do caso concreto seria possível a delimitação do seu âmbito. na medida em que todos são iguais em dignidade e como tais convivem em determinada comunidade ou grupo.10 1 Princípio da dignidade humana: definição e conteúdo da dignidade humana  Conclusões do autor:  Há uma dimensão comunitária da dignidade humana. ao inves de fazê-lo em função do homem singular. fórmula abstrata e genérica.  Perez Luño (Werner Maihofer): dimensão intersubjetiva da  Não é possível reduzir o conteúdo da dignidade humana a uma . dignidade. limitado a sua esfera individual. partindo da situação básica do ser humano em relação com os demais (do ser com os outros).

. ou seja. os direitos fundamentais seriam meros desdobramentos da DPH.  DPH: princípio com função integradora e hermenêutica. 107)  DPH: fundamento para limitação dos direitos fundamentais e limite dos limites. na medida que serve como parâmetro de interpretação de todo ordenamento. uma barreira contra a limitação dos direitos fundamentais (reduto intangível de cada indivíduo)  DPH: fundamento dos direitos fundamentais.10 2 Princípio da dignidade humana: status jurídico-normativo  A CF inseriu a dignidade humana como um fundamento e não no rol dos direitos fundamentais. ou seja. (p.

11 .DPH e a Jurisprudência  Há relação entre o princípio da DPH e o risco de decisionismo judicial? .

 II . no princípio da razoabilidade.12. julgado em 06. questões que não podem ser revistas no âmbito do recurso especial. SÚMULA 7/STJ. DJ 19.O acórdão recorrido não considerou apenas a questão da lotação carcerária para fins de negar a pretensão deduzida pelo detento-recorrente no sentido de obter indenização do Estado por danos morais. por demandarem o reexame do conjunto fático-probatório dos autos.11.2007 p.Agravo improvido. . principalmente.2007.AgRg no REsp 970 415/MS. entre outras. PRIMEIRA TURMA. Ministro FRANCISCO FALCÃO.  I . REVOLVIMENTO DE MATÉRIA FÁTICO-PROBATÓRIA. mas fundou-se. atento à disponibilidade orçamentária. 1177)  TEORIA DA RESERVA DO POSSÍVEL: RAZOABILIDADE DA PRETENSÃO E DISPONIBILIDADE ORÇAMENTÁRIA. Rel.

Improcede a condenação do Estado em indenização decorrente de danos morais advindos de superpopulação carcerária.Apelacao Civel AC 7964 MS 2006.RESPONSABILIDADE DO ESTADO . a contar da data da prisão.INDENIZAÇÃO . SUPERLOTAÇÃO CARCERÁRIA INDENIZAÇÃO .007964-9 (TJMS)  SUPERLOTAÇÃO CARCERÁRIA . expedido em favor do autor. . não há falar em perda do objeto por conta de alvará de soltura.PRINCÍPIO DA RESERVA DO POSSÍVEL.TRANSFERÊNCIA DO AUTOR PARA CASA DO ALBERGADO. em obediência ao princípio da reserva do possível. Se o autor pretende ser indenizado pelos danos morais decorrentes da superpopulação carcerária.DANOS MORAIS . até que sejam implementadas as medidas que eliminem o problema.DANOS MORAIS . diante de sua impossibilidade orçamentária.PERDA DO OBJETO .

Inclusão do Direito à moradia no rol de direitos fundamentais sociais  Esses são graves equívocos que precisam ser combatidos. Inseriu-se. de habitação. ingênuas ou cínicas. É realmente ingenuidade acreditar que pelo simples fato de o direito à moradia ter sido inserido expressamente na Constituição. da Constituição. etc. o direito à moradia. vai sair construindo casa por aí. no caput do artigo 6°. dentre os direitos sociais. de educação. . por exemplo. segundo as quais bastaria mudar o texto das leis ou mesmo o da Constituição para serem solucionados de uma vez por todas todos os problemas de descumprimento do Direito. por ela mesma. Pois mais uma nova emenda não vai resolver os nossos problemas de saúde. É necessária uma política habitacional condizente. Precisamos romper com concepções. ou que a Constituição. todas as pessoas no País já terão moradia.

11 .A eficácia dos Direitos Fundamentais .

11.1 A eficácia dos direitos sociais na sua dimensão prestacional 
Questões fundamentais: a) Podem os direitos a prestações serem diretamente

aplicados gerando, assim plena eficácia jurídica? b) Quais os diversos efeitos jurídicos inerentes à eficácia jurídico-normativa dos direitos fundamentais a prestações? c) Existe um direito subjetivo individual a prestações estatais? d) Em que situações e sob que condições um direito subjetivo a prestações poderá ser reconhecido?

 Direitos -

-

de defesa x Direitos sociais prestacionais DSP também com viés negativo DSP = não pode (geralmente) ser estabelecido e definido de forma geral e abstrata Definição do objeto conforme o caso DSP encontram-se intimamente vinculados às tarefas de melhoria, distribuição e redistribuição dos recurso existentes

 Relevância econômica dos DSP e o limite da -

reserva do possível Obstáculos financeiros decorrentes da natureza prestacional dos direitos sociais Direitos de defesa não criariam despesas (falso) Necessidade de real existência de meios pelo destinatário para sua implementação Reserva do possível = disponibilidade fática e jurídica e proporcionalidade da prestação (exigibilidade)

 Características - normativo-estruturais dos DSP ± doutrina tradicional DSP necessitariam de concretização legislativa DSP chamados de direitos relativos Direitos de defesa chamados de direitos absolutos Negativa aos DSP da natureza de direitos subjetivos .

normasfim Contudo. Eficácia dos direitos sociais no âmbito de sua - possível dimensão programática Normas constitucionais de cunho programático (Ingo) Normas-programa. são todas com eficácia Não se exclui a condição de direitos subjetivos Densidade normativa = vinculação do legislador . normas-tarefa.

 Problemática - - dos direitos sociais na qualidade de direitos subjetivos a prestações DSP como direitos originários reconhecidos como direitos subjetivos DSP feriria o princípio da isonomia? Não. Porque no ESD o princípio isonômico contém apenas uma proibição relativa de discriminação Proibição de discriminação arbitrária e desproporcional Principais argumentos contrários são de cunho ideológico .

Natureza aberta e vaga das normas de DSP não - - impede a sua imediata aplicabilidade e plena eficácia Afasta qualquer entendimento da inexistência de direito subjetivo à prestação por eventual norma ³programática´ Dignidade da pessoa humana como baliza dos direitos fundamentais Mínimo existencial = não meramente físico Difícil delimitação Condições mínimas para uma existência com dignidade constituem objeto da prestação assistencial ..

. possibilitando uma liberdade real Utilização do método hermenêutico da ponderação entre princípios no caso de colisão entre direitos fundamentais Solução calcada no caso concreto Reserva do possível (orçamento) não pode vincular os direitos fundamentais Direitos fundamentais não pode depender de políticas públicas .Padrão - - mínimo de segurança material garantido por meio de direitos fundamentais Evitar-se o esvaziamento da liberdade pessoal.

Vinculação do poder público: Executivo. Legislativo e - - Judiciário Vinculação material e funcional Executivo: Princípio da legalidade x Princípio da constitucionalidade (quando da ofensa a um direito fundamental) Legislativo: densidade normativa definidora do grau de vinculação do legislador Leis apenas na medida dos direitos fundamentais Judiciário: controle de constitucionalidade de leis e atos normativos ofensivos aos direitos fundamentais .11.2 ± A vinculação do poder público e dos particulares aos Direitos fundamentais .

quando em risco a dignidade da pessoa humana . empregador ± aplicação direta .Relação entre iguais: aplicação do princípio da liberdade . privada ou externa dos direitos fundamentais: possível .Reconhecimento de relações verticais mesmo na órbita privada: poder econômico.Eficácia horizontal..Eficácia direta dos direitos fundamentais na esfera privada.

Abrange os diferentes pressupostos fáticos instituídos pela respectiva norma jurídica . fronteiras implícitas.Teoria interna dos limites dos DFs: limites imanentes.12 ± A proteção dos direitos fundamentais  Âmbito de proteção dos direitos e garantias fundamentais . natureza apriorística .Bem jurídico protegido .

Teoria externa dos limites dos DFs: distinção dos - - - DFs das restrições As restrições são destacadas dos direitos A identificação dos limites dos DFs constitui condição para que se possa controlar o seu desenvolvimento normativo Limites: ações ou omissões dos poderes públicos ou particulares que dificultem.. reduzam ou eliminem o acesso ao bem jurídico protegido. afetando o seu exercício e/ou diminuindo deveres estatais de garantia e promoção que resultem dos direitos fundamentais Restrição por expressa disposição constitucional como por norma legal fundamentada na Constituição .

 Proporcionalidade - e razoabilidade como - limites dos limites Princípio da proporcionalidade: dupla função como proibição de excesso e proibição de proteção insuficiente a) adequação ou conformidade b) necessidade c) proporcionalidade em sentido estrito .

 Proporcionalidade x Razoabilidade .Núcleo essencial não significa conteúdo mínimo .A limitação de um direito fundamental não pode privá-lo de um mínimo de eficácia .Razoabilidade não reclama procedimento trifásico .Semelhança razoabilidade com proporcionalidade em sentido estrito  Garantia de proteção do núcleo essencial dos DFs sob pena de se perder sua mínima eficácia .A CF/88 não previu expressamente uma garantia do núcleo essencial .

Resguardar-se o núcleo essencial .As cláusulas pétreas não significam absoluta imutabilidade dos conteúdos por elas assegurados . §4º. 60. IV. CF: proteção dos DFs expressos e/ou implícitos presente em toda a Constituição .12.Direitos fundamentais erigidos à categoria de cláusula pétrea = limite material à reforma .Art.1 Proteção contra o poder constitucional reformador .

A dignidade da pessoa humana deve ser protegida contra medidas retrocessivas e não meramente retroativas .Proibição do retrocesso relaciona-se com a questão da segurança jurídica .2 ± Direitos fundamentais e proteção do retrocesso .12.

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