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CORPOREIDADE, AFETIVIDADE E NOVAS TECNOLOGIAS
William Cesar Castilho Pereira
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Resumo: Este texto tem por objetivo discutir a diferença entre os conceitos de corpo e corporeidade contrapondo com a definição de afetividade em Freud. Estabelece-se ainda os conceitos psicanalíticos do inconsciente e de libido como diferenciadores entre a espécie humana e os demais seres vivos, regidos pelo instinto. Paralelamente à definição de

afetividade/sexualidade na teoria psicanalítica busca-se fazer um contraponto entre as tendências do mundo contemporâneo e as revoluções tecnológicas visando o estudo das transformações das subjetividades. Como conclusão, na linha do tempo, dando caráter também histórico a essa discussão, analisa os impactos e desafios do mundo globalizado nas transformações da vida religiosa consagrada,

Abstrat :This essay has the main goal of discussing the difference between the definitions of body and corporeity in comparison to Freud’s definition of affectivity. This article also considers the psychoanalytic concepts of unconscious and of libido, which differentiates the human beings and the other living beings, ruled by instinct. In parallel to the definition of affectivity / sexuality in the psychoanalytic theory, the author counterpoints the tendencies of the contemporary world and the technological revolutions, with the purpose of studying the transformations of subjectivity. As a conclusion, he adds a historical perspective to this discussion, analyzing in details the impacts and challenges produced by globalized world in the lives of the ones dedicated to the sacred religious life.

Palavras-chave: Corporeidade, sexualidade, subjetividade, globalização, Vida Religiosa Consagrada.

Key-words: corporeity, sexuality, subjectivity, globalization, Sacred Religious Life.

Doutor pela UFRJ. Psicólogo Clínico. Analista Institucional. Autor de livros e artigos. Professor da PUC Minas, do ISTA e ISI.

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Com razão. em dispositivos de controle e de coesão absoluta de indivíduos centrados em identidades unificadas. pois são. é constituída pela ressonância interna que o contato com o mundo externo e com os outros vai deixando impresso nas profundezas de cada pessoa humana. e a afetividade não chegam a se identificar. o tempo. apoiado na regulação de idéias. espontaneamente seguidos. nos meios de comunicação. mas estão muito próximas e se inter-relacionam continuamente” (MOSER. mas de forma positiva (afirmativa). na literatura. químicas e físicas que atravessam órgãos e tecidos do organismo humano. Pode-se dizer que são algumas das personagens mais importantes da civilização.. 43) 4 Para Foucault (1999: p. Sujeitos são vigiados e não podem ver quem os vigia. presentes em mitos e lendas. A vigilância baseia-se em saberes institucionais e científicos. na economia e na política e. os poderes são exercidos de forma “capilar”. Em fins da década de 70 e início dos anos 80. por sua vez. até então. afetividade e novas tecnologias” no campo da sociedade vinculada à vida religiosa. irrompeu na sociedade contemporânea um surto de idéias novas que se impuseram como padrão de comportamentos sexuais e de diferentes subjetividades. reflexões e debates em diferentes setores e instituições sociais. vem-se falando de uma revolução no campo das relações afetivas e sexuais da vida humana. A corporeidade. histórica e de gênero.120). temas de amplos estudos.) Vê-se por aí que a sexualidade. o outro e a instituição religiosa? Há novos processos de subjetivação na vida religiosa? Esses episódios estão sendo percebidos e/ou integrados no cotidiano comunitário? Que impactos e transformações estão sendo vividos pelos sujeitos. CORPOREIDADE Corporeidade2 e afetividade/sexualidade3 tornaram-se. que precisa ser docilizado. eles mesmos. principalmente. mas ao mesmo tempo apresentando uma tônica específica. intimamente ligada a ela.2 CORPOREIDADE. fundada na certeza da razão instrumental. (. O poder disciplinar estava. entendida em seu sentido amplo. É possível afirmar que a revolução das tecnologias da informação produz novos sujeitos. fisiológicas. e não mais através da violência física da repressão negativa (proibitiva). seus grupos e instituições religiosas? 2. Tais mudanças abalaram os edifícios institucionais da modernidade. como habitante do subsolo do sagrado. AFETIVIDADE E NOVAS TECNOLOGIAS 1. o corpo. nas últimas décadas.. é a experiência do corpo como realidade fenomenológica. novas formas de relacionamento e de experimentar o espaço. nas artes. no controle do espaço e do tempo. relacional. em saberes disciplinares sólidos. O objeto perfeito para esses poderes é o corpo. Chamamos de corpo as complexas dimensões biológicas. INTRODUÇÃO Este texto propõe-se a apresentar algumas questões para o debate em torno do tema “corporeidade. 3 Antônio Moser define bem o limite tênue entre afetividade e sexualidade: “a afetividade é um desdobramento da sexualidade. empurrando-o para fora de si mesmo e como que obrigando-o a estabelecer laços com os outros e com o mundo circunstante. por sua vez. os próprios algozes. A sexualidade é antes de tudo uma energia que perpassa todo o humano. O poder disciplinar cria disciplinas através da vigilância. pesquisas. 2 . na vigilância da subjetividade e da estética do corpo4. 2001. A afetividade. como micropoderes.

AFETIVIDADE E VIDA RELIGIOSA Do que falamos quando falamos do corpo e da afetividade? O corpo é uma metalinguagem. O corpo é. A união com Deus é comunhão do corpo. A libido é uma pulsão vital. Freud postula que o desenvolvimento da afetividade/sexualidade humana passa por um obscuro caminho que parte das funções biológicas. conseqüentemente. Essa transcendência eleva-se à ordem do simbólico. É viagem. o corpo transcende as coisas e chega Trindade. Com a descoberta da libido e. posteriormente. uma energia que invade o ser. seduz e apaixona com sua forma extraordinária e sua diferença. mas o transcendente. o pastor protestante Oscar Pfister. ao diferente. O corpo é a ternura que se dá e se recebe ou a mesquinhez dos contidos e controladores. na atração pelo mistério com que o Outro (Deus) nos vê. um significante que diz algo: corpo-palavra. essa instituição não poderia deixar de ser afetada e participar da construção de diferentes ideários morais e éticos da civilização emergente. Freud abriu polêmica e arrebanhou uma série de acusações e injúrias. os aspectos da afetividade/sexualidade ou da subjetividade humana tornaram-se caixas de ressonância das transformações sociais. 1. imagens e fantasias da ordem do desejo em busca da realização. Em 1909. que envolve. impulso que vai longe. inclusive o relacionamento com o sagrado. “Eis o mistério da fé”. “o Verbo se fez Carne e habitou entre nós”. impregna a existência humana e todas as formas de relacionamento. saída de si para aceder ao estrangeiro. seu grande amigo. Na forma de relacionar-se o corpo humano não se limita a simples procura do biológico. Como parte ativa da sociedade civil.3 Como ocorre em épocas de crise histórica. da ordem da necessidade e. O marco de toda experiência da vida religiosa está centrado no desejo. E quem deterá esse desejo que não se sacia jamais? Os místicos testemunham essa experiência. Assim. muito mais do que um amontoado orgânico de células. . pois.14). 3. delas se desvia. generosidade das mãos ou avidez dos gulosos. corporeidade. Uma metáfora. refletindo em microterritórios as complexas macroestruturas da sociedade. destreza dos dedos. nada sabem e nada são capazes de dizer de tudo isso. Essas novas subjetividades singulares e universais também atingiram a estrutura da Igreja. passando para o caminho da pulsão e gerando um conjunto de sensações. (João. entretanto. no fascínio. Ele é olhar. escreve-lhe uma carta condenando veementemente sua teoria. mais perfeita experiência da relação amorosa de reciprocidade-alteridade. provocando rejeição ou aproximação e união. da sexualidade na infância. O corpo se faz palavra. pela linguagem. O sagrado é desejo de outro Ser. em busca da realização do desejo – a sedução do sagrado.

5 6 Bíblia de Jerusalém Cf. esse desejo constitui a força motriz. Seu cabelo um rebanho de cabras. desvios. a libido da psicanálise. implora por nosso reconhecimento mas se apresenta como enigmático. mesmo quando mais professam admirá-los (FREUD. e. quando o apóstolo Paulo. Mas isso apenas demonstra que os homens nem sempre levam a sério seus grandes pensadores. Freud sinaliza: por chegar a essa decisão. incansável.4 classificando-a de pansexualismo e tomando-a como uma busca desordenada de erotismo. Também a esposa. principalmente no processo de vida grupal e institucional. Em sua origem. 10 s: . 116-117). Suas pernas são colunas de alabastro. É um movimento do devir. louva o amor sobre tudo o mais. O desejo pode ser tomado como força elementar. Em Psicologia das Massas e Análise do Ego (1921). Como você é bela! São pombas seus olhos escondidos sob o véu. Como é bela. 1976. Seu corpo é marfim lavrado. Sua boca é só doçura. clama. 5. não fez nada de original em tomar o amor nesse sentido “mais amplo”. minha amada. no Cântico dos Cânticos. se eu não tivesse caridade. buscando caminhos. Contudo. atalhos. assim é o meu amigo. perturba o sono. Suas faces são canteiros de bálsamos. Suas mãos são braceletes de ouro. a psicanálise desencadeou uma tormenta de indignação. Em cada um de nós. certamente o entende no mesmo sentido “mais amplo”. como se fosse culpada de um ato de ultrajante inovação. O meu amado é branco e corado. as dos homens e dos anjos. seria como um bronze que soa ou como um címbalo que tine (1 Cor 13.1)5. O sujeito de desejo relaciona-se a uma liturgia amorosa e prazerosa. Freud afirma a Pfister que o erotismo em que acreditava não se restringia ao “gozo sexual grosseiro”. Freud responde ao amigo pastor citando. Não existe modelo que nos ensine a buscar essa realização através da avaliação de alguma autoridade. na convivência com o outro. Seus lábios são fita vermelha. a Epístola de São Paulo aos Coríntios: Ainda que eu falasse línguas. arde. Cada um deve descobri-lo por si mesmo. tal como foi pormenorizadamente demonstrado por Nachmansohn (1915) e Pfister (1921). Cântico dos Cânticos4. treme. aquilo que nos queima por dentro. 1s. Sua fala melodiosa. função e relação com o amor sexual. Sua cabeça é ouro puro. Seus olhos são pombos. Seu pescoço é a torre de Davi. a tensão incessante a mover-nos por toda a vida. Tal é o meu amado. em sua famosa Epístola aos Coríntios. agita. assim se expressa sobre a ferida de amor pela visão do Amado6. sem direção certa ou errada. inicialmente. o Eros do filósofo Platão coincide exatamente com a força amorosa.

morais e filantrópicas. TENDÊNCIAS DO MUNDO CONTEMPORÂNEO E REVOLUÇÕES TECNOLÓGICAS: TRANSFORMAÇÕES DAS SUBJETIVIDADES Diversos estudos do mundo urbano globalizado coincidem ao indicar traços comuns da cultura contemporânea que exercem forte influência sobre os processos de subjetivação.5 Se algo pode ser dito sobre o exercício da vida afetiva. como contrabando. Há relações afetivas com fortes traços fálicos que matam. podemos gerar a vida ou enormes confusões. Oscar Romero. a relação com Deus pode ser elemento propulsor fundamental. impulsiona uns e outros nas diversas articulações de sua experiência religiosa e política. místicos e oferentes de um lado e. religiosos e religiosas cantores. 4. instituições. ou pelas virtudes ou pelos vícios.) um conjunto decididamente heterogêneo que engloba discursos. desenvolve o conceito de dispositivo como (. O mesmo objeto. Nessa dimensão. Padre Cícero. Profetas. Em suma. avassaladora. Ghandi. Presidente Bush. Martin Luter King. fundamentalistas e paranóicos (MORANO. atos perversos e atitudes doentias. medidas administrativas. computadores. certamente é que ela passa pelo caminho da experiência amorosa/libidinal entre sujeitos e é atravessada pela errância entre virtudes e vícios. Em seu nome são cometidas terríveis atrocidades. o dito e o não-dito são os elementos do dispositivo. a construção da corporeidade e da afetividade não é algo puro e pode arrastar. Alguns desses traços já estavam presentes em outras épocas. Severino do Congresso.1995). Ou. Jesus de Nazaré. pelo contrário. Edir Macedo. até a morte. lado a lado. O dispositivo é a rede que se pode estabelecer entre estes elementos (FOUCAULT. . como aparelhos microeletrônicos. Dom Hélder Câmara. enunciados científicos. uma paixão amorosa. o fascínio por Deus imaginado e o poder. Internet e telefones celulares. fanáticos. decisões regulamentares. p 244). de forma regressiva e narcisista. Em nome de Deus e da Vida Religiosa. leis. Severino da Maria. falam todos em nome de Deus e do poder.. visando à transformação do sujeito e de seu contexto histórico e institucional. Francisco da Assis. infantilizam e tamponam o enfrentamento da realidade. Talvez não exista relação mais ambivalente que entre o crente e Deus. Teresa de Ávila. Buda. pela figura de Deus. Frei Damião e Collor de Mello. do outro.. organizações arquitetônicas. Michel Foucault. Todos se acotovelam. outros vêm sendo produzidos pelos novos processos de agenciamentos resultantes de dispositivos tecnológicos. Bin Laden. em Microfísica do Poder. proposições filosóficas. 1982. João da Cruz e o iluminado Miguel de Molinos.

(GUATTARI. Assim. Tem uma função estratégica dominante. mas que igualmente o condicionam (FOUCAULT. Outro conceito importante é o de subjetividade. As instituições concretizadas em organizações e estabelecimentos não apenas realizam – quando realizam – os objetivos oficiais para os quais foram criadas. Sujeitos são fundados no interior dessas práticas.31-33). configurando-se de forma aberta. p. p. produzindo um processo que se chamaria de singularização (GUATTARI. O modo pelo qual os indivíduos vivem essa subjetividade oscila entre dois extremos: uma relação de alienação e opressão. O dispositivo está sempre inscrito em um jogo de poder. inscrever no meu psiquismo como formas de submissão ou de autonomia? O pensamento costuma reificar objetos e os sujeitos passam a existir enquanto se produzem e são produzidos dentro de determinadas práticas institucionais. ou uma relação de expressão e de criação. registrados e modelados. os dispositivos estão inseridos em jogos de poder associados a saberes que deles nascem ao mesmo tempo em que os configuram. como recomenda Guattari (1986). Portanto têm uma função estratégica. já que (. ROLNIK. por sua vez. não é passível de totalização. 1986.31) A subjetividade. o que dele posso extrair. repleta da multiplicidade dos agenciadores.6 Para ele. ligado a uma ou a configurações de saber que dele nascem. portanto. operando efeitos de reconhecimento e desconhecimento dessa ação. ou seja.244). tão preciosa à concepção prevalente de sujeito moderno. em um determinado momento histórico. teve como função principal responder a uma urgência.1982 p. o impacto dos dispositivos do mundo contemporâneo das revoluções tecnológicas produz novas subjetividades.) está em circulação nos conjuntos sociais de diferentes tamanhos: ela é essencialmente social. Para compreendê-lo. na qual o indivíduo se submete à subjetividade tal como recebe. e respondem a uma urgência histórica. ROLNIK. 1986. na qual o indivíduo se reapropria dos componentes da subjetividade. sujeitos ao mesmo tempo constituídos no e constituintes do cotidiano institucional.. mas produzem determinadas subjetividades. Para aquele autor. O que importa é a relação do sujeito com o objeto. como um tipo de formação que. pensar e agir constitutivos do sujeito em determinado momento histórico) é tecida. sentir. dissociá-lo da idéia de indivíduo. simultaneamente. com sintomas que denunciam os “não- . pela rede de micropoderes que sustenta o fazer cotidiano. estando sempre. no contexto institucional. Como me sinto capturado nessa relação? O que esse objeto é capaz de arrastar? Que tipo de fantasia posso subtrair desse objeto e. no entanto.. serializados. é necessário. e assumida e vivida por indivíduos em suas existências particulares. indivíduos são o resultado de uma produção de massa e. paralelamente. A subjetividade (modos de ser. Dispositivo.

deve haver uma estreita colaboração de quem o produz para que seja demandado. individuais e totalizantes. hábitos. É o reino da automação dos artefatos e das subjetividades mass-midiáticas. É um novo modo de dominação: um poder disperso. figura emblemática da sociedade espetáculo que apresenta um imaginário em constante pane. saberes. Tomando por referência as concepções de sociedade apresentadas por Michel Foucault (1997) e Gilles Deleuze (1992). O sujeito contemporâneo pode ser considerado tanto ator como consumidor. prestígio. Segundo Hobsbawn. prazer. Se há uma demanda por um serviço. impedindo a identificação dos modelos de moldagem. É nesse jogo de demanda e oferta que se podem produzir dependência. subjetividade masculina e feminina e sagrado. a sociedade de consumo contemporânea cada vez mais obriga as estruturas políticas a se adaptarem a ela. Por outro. Encontramo-nos frente a uma nova ordem simbólica. É o império da produção de imagens efêmeras. a penitenciária. pois a soberania do consumidor deve prevalecer sobre todo o resto: o mercado supostamente deve garantir o máximo de escolhas para os consumidores. o que. a fábrica. distante e interpenetrado nos interstícios espaciais por supostas ausências de limites. a Igreja. já vale uma análise mais aprofundada.7 ditos”: poder. exploração e mistificação de grupos que a controlam. dinheiro. 7 . Por um lado. 2000. saber. exercícios. a escola. para que não se caia em uma relação de puro fetiche do tipo que diz “eu sou a resposta à necessidade gerada por tua carência”. são grande resultado de criação humana.118). provocando em quem consome a submissão e aceitação de que o produto ofertado tem plenamente tudo o que lhe falta. uma profunda semiotização da vida cotidiana construída na nova indústria cultural transnacionalizada. a teoria do livre mercado alega que não há necessidade da política. corporeidade. “por sua própria natureza. vivemos a ambivalência entre a sociedade disciplinar e a sociedade de controle. A primeira caracteriza-se pela mecânica do poder calcada nas disciplinas. caracterizada por um grande consumo7 de signos e imagens. Na verdade. por si só. p. a família que. sustentado pela veiculação instantânea de sistemas de simulacros – a metonímia. permitindo-lhes satisfazer todas as suas necessidades e desejos por meio dessas escolhas” (HOBSBAWN. há que se suspeitar criticamente de sutis e deliberadamente intenções de dominação. das soberanias como o Estado. o exército. Tempo das instituições fortes. O paradigma da sociedade de controle funciona transformando contínua e rapidamente o sujeito em outros moldes. As tecnologias contemporâneas podem representar formas de progresso de desenvolvimento humano e o apocalipse. produz subjetividades e corpos dóceis. verdades e regras instituídas. ignorância e formas recalcadas que impossibilitam sujeitos de possuir seu próprio saber e sua própria determinação. preconizando a vigilância permanente dos sujeitos por alguém que sobre eles exerce seu domínio.

analisar os dispositivos agenciadores de subjetividades a que estão submetidas. ação do Espírito que renova a face da terra. por exemplo. que escraviza os mais pobres. Ou seja. invenção e produção. Não podemos. no entanto. o pós-moderno não é senão a lógica cultural do capitalismo avançado. O capitalismo vive da produção da carência: a falta é constitutiva do seu sistema de reprodução e consumo. A geração de hoje pode ser tão idealista e generosa quanto o foram ou não as que lhe precederam. “A promoção da publicidade como a arte oficial do capitalismo traz para a arte estratégias publicitárias e introduz a arte nessas mesmas estratégias” (HARVEY. Nova geração não é sinônimo de segmento jovem.8 São os primeiros fermentos das produções culturais que sinalizam a virada pós-moderna ou. 23). não faz calor ou frio. e sim da carência no âmbito do desejo. o capitalismo multinacional. o excesso. O novo é criação. a arquitetura. É a terceira e mais profunda fase do capitalismo. ou seja. Entra-se numa roda de produção de desejos sem fim. incitando assim o avanço tecnológico que. Vários estudos ainda preliminares têm destacado produções de subjetividades de gerações fruto do novo formato cultural do capitalismo globalizado contemporâneo. Também tem a ver com novos formatos de ser. Não estamos falando de categorias universais. onde não há relógio. Cada geração tem suas luzes e sombras. Seus princípios essenciais repousam na falta de equilíbrio estrutural e no seu caráter antagonista: vive-se de crise em crise. A dimensão da realização é a insatisfação absoluta. A construção de um novo jeito de ser. não chove. fazer-se drogar e fazer-se endividar. como diz Jameson em sua ousada tese. 1992). Não se trata da carência de necessidades. os grandes centros industriais. desperta novos desejos. O Shopping Center é o lugar do mundo exatamente aonde ele não existe. Novo é diferente de novidade. a produção cultural e as novas tecnologias estão imbricados e vinculados a um novo estilo de capitalismo. Portanto. O capitalismo é um sistema onde o crescimento da produção só faz aumentar a demanda por novas formas de desejo. cujas estruturas estão intensamente marcadas pela nova tecnologia (JAMESON. que move compulsivamente o consumidor. na Vida Religiosa. Em outra formulação: a produção cultural integrou-se à produção de mercadoria. p. mas analisando grandes tendências. de cronologia. por sua vez. Novidade é efêmero e transitório. Seu lugar privilegiado é o Shopping Center. cair na tentação de nostalgia. Vive-se do sintoma do consumo: fazer-se devorar. multiplicidade de devires.1993. Vale indagar que processos de subjetivação estão em ação na atualidade e que subjetividades deles advêm: autonomia ou alienação? . a produção cultural atinge o inconsciente e perverte os desejos. Há que compreendê-la. Seu estado normal consiste em viver insatisfeito. A questão básica está no permanente estado de insatisfação. Esse novo perfil merece uma leitura dialética e não maniqueísta.

ou melhor. . nos diferentes cenários culturais. Ao mesmo tempo. a relação que esse parceiro feroz inflige e impele o sujeito a consumir ou a se consumir na bulimia. os territórios étnicos e centros institucionais. pressa e pragmatismo. a rapidez gera estupidez e banalização.Privilegia-se a velocidade como sinônimo de rapidez. mudando de canal em canal para encontrar novos estímulos. é preciso considerar que talvez isso sinalize uma mudança nos modos de adquirir informação. religiosos. sente-se inquieto. Os espaços tornam-se desterritorizados. 1997. Torna-se angustiante a escuta silenciosa de si mesmo. Aumenta a importância do espaço – “hiperespaço” – em detrimento do encolhimento do tempo (JAMESON. por exemplo. Instala-se uma epidemia de informação gerando um misto de fascínio e de angústia.9 Passemos à reflexão sobre alguns traços característicos dessas produções: . . . . nas novas formas do amor conjugal.Surge uma geração “zapping” (com controle remoto da TV na mão).Valoriza-se mais o flexível.Contemporaneamente. nos encontros com portadores de deficiência física e mental. com poucas perspectivas para o futuro. Essa exigência despótica é o supereu. nas compras compulsivas e na ganância de tudo saber. . lava-rápido. e o estranho passa a ser vivido frente a frente. na anorexia. câmara digital. estéticos. O segundo. GUATTARI. p. moradores de rua. . A estranheza é vivenciada.As antigas instituições produtoras de identidades homogêneas perdem força em decorrência do enfraquecimento da categoria de tempo concentradora de valores e tradições. 1991/1997. etários e raciais. Ora. andarilhos e imigrantes. os espaços são mais simultâneos e multiplicam-se principalmente através dos artefatos da Internet e da telefonia celular. sadicamente. Propagam-se processos de emigração e imigração. as fronteiras entre as nações. exigindo de si mesmo que se saiba ainda mais. os sem-teto. surgindo formas nômades. porém a geração atual sente-se saturada de imagens e de estímulos constantes para manter sua atenção.Multiplicam-se e diversificam-se espaços lisos em detrimento dos espaços estriados e fixos (DELEUZE.43). . p181). Esgotam-se os paradigmas pautados na igualdade e emerge o paradigma da diferença. nas drogas. o instantâneo. Têm-se dificuldades com a dimensão auto-reflexiva. fluidas e intersticiais tais como os novos movimentos sociais: os sem-terra. Os espaços lisos rompem com as demarcações.Perde-se a intensidade do hábito de leitura dos clássicos. . A sociedade apressada apresenta características tênues de laços frágeis e descartáveis: come-se rápido (fastfood). nos relacionamentos entre gays. impotente.Os espaços lisos produzem subjetividades múltiplas. anseia-se gozar o momento presente. O primeiro dilata os sentimentos de onipotência e a voracidade de mais saber.

O definitivo e as relações estáveis são experimentados de forma angustiante. classe operária. a internet e as novas formas de comunicação instantânea transmutam a noção de distância (antes pensada como o espaço físico entre dois corpos). Há rebeldia diante de instituições “retrógradas” e impaciência com autoridades despóticas.Há uma prevalência das relações interpessoais. A pessoa está enfocada quase unicamente em seus próprios problemas e necessidades. . Surgem transtornos de adicção: excesso de exercício físico. provocando afastamento e medo. . que se sobrepõem às relações vinculadas às instituições. Há inclinação pelas pequenas transformações em detrimento das grandes obras. Busca-se imperativamente a pílula da . . angústias e opção preferencial pelo prazer e pela felicidade. .Valoriza-se fortemente a subjetividade. Assiste-se a dificuldade de elaboração de momentos de frustração. movimentos religiosos de massa. . tempo de espera.10 . Por outro lado. agora medida por critérios de velocidade.Muda-se o modo de vincular-se ao outro e de enfrentar compromissos. estruturas de paróquia e figuras da autoridade mítica. formas virtuais que buscam compensar a solidão e a insatisfação do mundo real. . compulsão à pornografia. Frente aos desafios e obstáculos que a vida apresenta. Percebe-se também menos segregação racial e preconceituosa. pelas grandes estruturas tradicionais: partidos. .Amplia-se o desinteresse pela macropolítica. agora provisórios e instantâneos: no mundo do trabalho. o que facilita maior entrosamento entre os gêneros masculino e feminino: homens que vivenciam harmoniosamente traços da feminilidade.Tende-se ao hedonismo e à vulnerabilidade psicológica. ao jogo virtual e ao consumo. à luxúria. na vida conjugal e nas escolhas profissionais.Observa-se tendência ao sincretismo religioso e às formas religiosas ecumênicas: maior liberdade de expressão e dificuldades em viver valores institucionais. São drogas de uso solitário. na vida religiosa consagrada. a comunicação simultânea produz invasão do espaço público. em um culto ao narcisismo. Há confusão quanto à imagem de si mesmo unificada e coesa. A intimidade privada torna-se coisa pública. de tolerância horizontal e aberta. Prefere-se relações democráticas. a nova geração sente-se tentada a desistir. Os grupos de amigos são muito valorizados. mulheres que entram no mercado de trabalho em crescente igualdade de condições. Há grande dificuldade em se definir um projeto de vida. o que coloca o outro disponível para contato ou interação interpessoal on-line.A telefonia celular.Fragmentam-se identidades.

sexualidade. em um vertiginoso processo de secularização que resulta em um problema importante: Deus é cada vez mais ausente. comunicação. espaço e tempo. pelo massacre da mídia. Assim. arrastado pelos neurolépticos. espiritualidade e missão. antropológica de várias décadas. incertezas e crises agudas de identidade não somente do sujeito. Esses e outros sintomas constituem o pano de fundo do cenário emergente da Vida Religiosa Contemporânea. O período pós-Segunda Guerra foi marcado por turbulências e descobertas de um mundo complexo. Já religiosos de língua inglesa empregam o termo “caos institucional”. tecnologia. novos padrões societários. . que tem sido desafiada a repensar sua prática e sua forma de ser institucional. Ao mesmo tempo. sociocultural. Há sinais de esgotamento de modelos antigos e imenso clamor por novas potencialidades proféticas. angústia. surtos de efervescência teológica pós-Vaticano II. pela velocidade do tempo urbano e pela religião espetáculo” (PEREIRA. com a ameaça da fragmentação. Assim. econômica. ao mesmo tempo em que a afeta.11 felicidade8. prestígio. saber. O conceito de afetividade foi compreendido para muito além de simples questão psicológica. e circunscrevem-se na crise das matrizes da modernidade e das ciências. o tema enfocou mais a questão de refundação da vida institucional exatamente pela densidade afetiva e pela perspectiva teológica da opção preferencial pelos pobres nas quais os sintomas estavam apoiados. as alterações da Vida Religiosa são fruto de uma conjuntura política. da instituição. há um segmento da juventude que revela tendência de refugiar-se no conservadorismo ou até em certo fundamentalismo. também a instituição religiosa foi interpelada em vários analisadores: poder. pela imagem narcisista. dinheiro. Tais sintomas mexem com afetos. A 8 “Um sujeito solto. 5. sobretudo. sem rumo. que produz novas formas de subjetividade. obras. anos rebeldes da década de 60 e novos atores sociais. mas. colapso do socialismo real. pelo consumo metonímico. gênero. No Brasil e em outros países latino-americanos. idade. alimentam mal-estares e fantasias regressivas que desencadeiam insegurança. num cenário que é por ela afetado. 2004). carisma. Autores franceses e belgas usam metaforicamente o termo “morte da vida religiosa”. fragilidade. IMPACTOS E DESAFIOS DO MUNDO GLOBALIZADO NAS TRANSFORMAÇÕES DA VIDA RELIGIOSA CONSAGRADA Uma instituição religiosa é também uma prática social que se repete e se legitima enquanto se repete.

de assistência social e ONGs. com a afetividade/sexualidade. Resgate do valor comunitário que enfatiza as três ecologias – natural. Há comunidades religiosas que são excelentes dispositivos cibernéticos de solidão. recolocando-a sobre seu sustentáculo originário. É mister a reestruturação das tiranias das autoridades religiosas e das relações tumultuadas nas comunidades de forte traço infantil. podemos. das três conferências latino-americanas9. O que aconteceu e ainda acontece é verdadeiramente uma “refundação”10. de anonimato e de frieza pela ausência de corporeidade. houve verdadeiro potencial de metamorfose: no poder. destacando-se o equilíbrio e maior entrosamento entre os gêneros. de dependência e de culpabilidade. de compras consumistas e jogos impulsivos noturnos. com instalação de artefatos cibernéticos visando a interatividade de redes sociais.12 crise afetiva dos religiosos sinaliza a emergência de novas subjetivações provenientes de modelos societários globalizados. Dificilmente os idealizadores do Concílio Vaticano II. Em todos os campos. 10 9 . a fraternidade entre os seres humanos e as causas sociais em favor dos mais pobres em detrimento ao anonimato. grosso modo. políticas e intercongregaçionais. recuperando mártires. resumir alguns aspectos que a Vida Religiosa precisa urgentemente perseguir como desafio: aprofundamento das mudanças institucionais no exercício da autoridade. relações e modelos de formação. resgate da memória histórica num processo interativo. na vida comunitária e. na forma de lidar com o dinheiro. colégios. Nenhum protagonista desses acontecimentos podia calcular quão longe e quão rapidamente essas mudanças levariam a transformações fecundas na Igreja e na VRC. sobretudo. na espiritualidade e na missão. da Teologia da Libertação e de inúmeros dispositivos criados nessas últimas décadas poderiam imaginar que tais empreendimentos trouxessem tão significativas mudanças. humana e social -. hospitais. ao estabelecer aliança entre o cuidado com a mãe terra. O fundamento em questão só pode ser Jesus Cristo. otimização de trabalhos de inserção. Refundar a Vida Religiosa é ir fundo à cata de sua verdadeira profundidade e de sua primeira fundamentação. busca de novos espaços. etnias e de redes grupais. Medellín (1979) e Santo Domingo (1992). Assim. São territórios que permitem as pessoas a substituírem o outro por fantasias compulsivas eróticas de sites de encontros virtuais. nas estruturas arquitetônicas dos conventos e das casas. tecnológicos. incentivando a criatividade do presente. com poder redistribuído entre todos. nas obras sociais. Puebla (1968). no corpo e nas vestimentas. a ausência de comunicação verbal e o distanciamento físico tão comum nesse tempo. profetas e profetisas da Vida Religiosa.

raças. É um processo educativo que desafia a paciência histórica. as tecnologias cibernéticas. . o Evangelho é acolhido no cotidiano de um povo de tal modo que este possa expressar. sua fé e sua cultura. em vista da construção do Reino. A principal dificuldade apresentada pela maioria dos 11 Trata-se de um processo de evangelização inculturada que se dá no diálogo entre evangelizador e comunidade portadora de cultura. Creio que os/as religiosos/as têm que se empenhar cada vez mais das novas tecnologias em vista da missão. Há uma suspeita quanto à supervalorização da fraternidade. em busca de novos desafios e respostas para o mundo contemporâneo. a subjetividade. Nesse processo de inserção. crescimento das vocações vindas dos meios populares. depois confirmadas por Puebla. busca da liberdade pessoal e da individuação como a grande conquista das novas gerações. a auto-sustentação profissional e a solidariedade com os empobrecidos e marginalizados. visando maior densidade profética. sobre a qual pairam idéias estereotipadas e preconceituosas de que se trataria de um grupo que só vai e realizar quando adulto. busca de saberes atualizados e contextualizados por parte dos religiosos. As “novas gerações” corresponderão às gerações de religiosos que saberão servir-se das novas tecnologias. postura corporal. imbuídos da experiência missionária sem fronteira. produzindo formas religiosas sem fronteiras: inserção e noviciados intercongregacionais em vários territórios. o poder e a autoridade. da vida comunitária e da partilha que não leva em consideração a singularidade. como seminários e casas intercongregacionais que possibilitem maior trabalho com a corporeidade. distanciando-se de modelos europeus. gênero e diferentes combinações culturais. inauguração de trabalhos com a geração jovem excluída. O despontar de novas gerações pressupõe maior competência quanto ao acesso ao saber.13 O desafio atual de libertação dos pobres exige menos romantismo e ingenuidade e mais potencialização tecnológica a serviço dos povos excluídos. concomitantemente. crescente influência das orientações de Medellín. pois o evangelizador vem de outro modo de vida. exercício profissional e processos de inculturação11 frente a outras religiões. ampliando a capacidade de informação frente às novas tecnologias. obrigando a VR a enfrentar novos desafios na formação. ou que demanda apenas prazer. horários. com senso crítico e discernimento. no processo de pequenas comunidades inseridas da VR . novos esforços para se construir uma teologia a partir da realidade local. gestos. mudanças de hábitos como residências seculares.

“emergiu no mundo moderno e espalhou-se por todo o corpo social. O modelo de comunidade tradicional da vida religiosa e o valor da observância às regras e normas vêm perdendo força para o ideal de realização pessoal. constituída por técnicas minuciosas. O novo tempo contemporâneo clama por uma nova estrutura institucional da VRC. Com desprendimento e coragem. dispositivos que obedecem a economias inconfessáveis. que se elaborar o espaço da singularidade e o espaço comunitário. ao estudar a disciplina. Há uma tensão entre o processo de individuação12 e a vida comunitária. p. 47. . fruto de uma história construída por inúmeros protagonistas visíveis e invisíveis. deseja-se mais uma vez lançar-se nas “águas mais profundas” com determinação. cultural e psicologicamente distantes dos recalques históricos. Outros. Individuação não é o mesmo que individualismo. formas de poder vertical.5). ressignificando o passado com atualidades emergentes: “Eis que faço novas todas as coisas” (Ap. é necessário abandonar dispositivos disciplinares14 e de controle. É um processo de desenvolvimento através do qual a pessoa torna-se singular. Diminuir a preocupação com o estranho e o esquisito e idolatrar menos o genérico. 1999 p. no entanto. adquirindo uma clara e plena identificação de si mesma. Muitos religiosos buscam formas libertárias espiritual. e seguir em direção às fontes de origem. vivemos a mudança “de uma simples ética da obediência para os súditos da Igreja a uma corajosa ética da responsabilidade para cristãos maiores de idade”13. de forma nômade. 14 12 Foucault (1999. de aparência inocente. arranjos sutis. A ideologia medieval. em um processo de re-fundação da VRC. grupal e institucional. Neste Congresso Nacional “Novas Gerações”. supostamente espiritual neutra foi muito bem assimilada na consciência de vários religiosos dominados. indica que uma nova microfísica do poder. saberes tradicionais. Como afirma o teólogo Häring. hierárquica. 21. acostumados à “segurança” de sua situação. A disciplina é uma anatomia política do detalhe: trata-se de pequenas astúcias dotadas de um grande poder de difusão. que definem um modo de investimento do corpo. 13 Confira: HÄRING.14 religiosos é a convivência comunitária em detrimento dos espaços singulares. mas profundamente suspeita. não suportam esse momento de intenso conflito pessoal. única. tornando-se mais capaz de potencializar-se e usar recursos internos.120). ou que procuram coerções sem grandeza”. Há. portanto.

Heloísa Buarque. Rio de Janeiro: IMAGO. 3 ed.15 REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA DELEUZE. William Cesar Castilho.4. Gillles. Sigmund. vol. Enero-junio 1995.34. O adoecer psíquico do subproletariado. HARVEY. GUATTARI. 2. Mil Platôs: capitalismo e esquizofrenia.ed.Psicologia de massas e análise do Ego – (1921). 10 s: . ________. HOBSBAWM. 47. Bíblia de Jerusalém Cântico dos Cânticos4. Vigiar e punir: nascimento da prisão. v. Microfísica do Poder. Deus Imaginário. O novo século. São Paulo: Loyola. Suely. MORANO. Petrópolis: Vozes. (Col. 1992. FREUD. TRANS. Frederic. 2004. 5. 2001. Micropolítica: cartografias o desejo. O Enigma da Esfinge.1. Madri: Centro Loyola. B. FOUCAULT. MOSER. GUATTARI. 1993.ed.3. 1999. Félix. A sexualidade. Tomo 231. 1990. São Paulo: Companhia das Letras. Revista Hispanoamericana de Cultura: Razón y fé. 1s. Rio de Janeiro: Ed. São Paulo.XVIII. Obras Completas. Félix. ROLNIK. Minhas esperanças para a Igreja. D. Periodizando os anos 60 In: HOLLANDA. Pósmodernismo e política. Santuário. Eric . Petrópolis: Vozes. Carlos Domingues. PEREIRA. 1969. p. Petrópolis: Vozes. Rio de Janeiro: Graal. Michel. 1995.5). Rio de Janeiro: Imago. 9. 2000. Antonio. 1986 e 81 HÄRING. JAMESON. A condição pós -moderna.2. 1983. Rio de Janeiro: Rocco.

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