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16. Série Romanos - Fidelidade de Deus e a infidelidade do povo de Deus (Rm 3.1~8)

16. Série Romanos - Fidelidade de Deus e a infidelidade do povo de Deus (Rm 3.1~8)

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Série Romanos – O Evangelho de Deus – Mensagem 16 1 A Fidelidade de Deus e a infidelidade do povo de Deus. (Texto: Rm 3:1~ 8) 1. Introdução. Questionamentos. Críticas.

São poucas pessoas que levam isso “na boa”. Na maioria absoluta dos casos, as pessoas se sentem atingidas pessoalmente. Quantas vezes você já foi criticado ou questionado de alguma coisa que você estava fazendo de todo o coração para Deus? Pois até o apóstolo Paulo foi questionado pelos judeus a respeito do Evangelho. Também, não podia deixar de ser. Paulo, durante todo o capítulo 2 criticou a atitude fechada que os judeus tinham em relação a Deus e aos gentios. E Paulo fez isso com muita dor, pois ele mesmo era judeu, e mais, o apóstolo Paulo era fariseu, pertencente ao um grupo religioso muito rígido dentro do judaísmo da época. Esses oito primeiros versículos do capítulo 3 de Romanos mostram algumas respostas que Paulo dá aos questionamentos que os judeus estavam colocando no seu ensino. Paulo usa um método literário chamado diatribe: ele “simula” questões e as responde, como se de fato, ele estivesse dialogando com os seus opositores. Esse método era muito utilizado pelos grandes filósofos gregos. Tecnicamente, Paulo estava fazendo uma apologética, ou seja, a defesa da fé em Cristo baseado em argumentos fundamentados na razão e na Palavra de Deus. A principal questão que esses oito versículos vão tratar é acerca da Fidelidade de Deus em contraste à infidelidade humana. Afinal, Deus tem obrigação de ser fiel àquele que é infiel? Será que a infidelidade da humanidade não realçaria ainda mais a fidelidade de Deus? Se for assim, não seria melhor que todos sejamos infiéis, para que Deus pareça ser mais fiel? A minha oração hoje, é que o Espírito Santo nos ilumine de maneira especial. Esse trecho é muito difícil porém importante. Que peçamos a Deus sabedoria e humildade nessa hora. 2. Exposição do texto. (Rm 3:1~ 8)
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Que vantagem há então em ser judeu ou que utilidade há na circuncisão? 2 Muita, em todos os sentidos! Principalmente porque aos judeus foram confiadas as palavras de Deus. 3 Que importa se alguns deles foram infiéis? A sua infidelidade anulará a fidelidade de Deus? 4 De maneira nenhuma! Seja Deus verdadeiro, e todo homem mentiroso.
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Τί οὖν τὸ περισσὸν τοῦ Ἰουδαίου, ἢ τίς ἡ ὠφέλεια τῆς περιτοµῆς;
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πολὺ κατὰ πάντα τρόπον. πρῶτον µὲν [γὰρ] ὅτι ἐπιστεύθησαν τὰ λόγια τοῦ θεοῦ.
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τί γὰρ εἰ ἠπίστησάν τινες; µὴ ἡ ἀπιστία αὐτῶν τὴν πίστιν τοῦ θεοῦ καταργήσει;
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µὴ γένοιτο· γινέσθω δὲ ὁ θεὸς ἀληθής, πᾶς δὲ ἄνθρωπος ψεύστης, καθὼς

Pregado no MEP dia 31 de julho de 2011.

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Série Romanos – O Evangelho de Deus – Mensagem 16

Como está escrito: “Para que sejas justificado nas tuas palavras e prevaleças”.2 5 Mas, se a nossa justiça ressalta de maneira ainda mais clara a justiça de Deus, que diremos? Que Deus é injusto por aplicar a sua ira? (Estou usando um argumento humano.) 6 Claro que não! Se fosse assim, como Deus iria julgar o mundo? 7 Alguém pode alegar ainda: “Se a minha mentira ressalta a veracidade de Deus, aumentando assim a sua glória, por que sou condenado como pecador?” 8 Por que não dizer como alguns caluniosamente afirmam que dizemos: “Façamos o mal, para que nos venha o bem”? A condenação de tais é merecida. 1. A vantagem de ser judeu.

γέγραπται, Ὅπως ἂν δικαιωθῇς ἐν τοῖς λόγοις σου καὶ νικήσεις ἐν τῷ κρίνεσθαί σε.
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εἰ δὲ ἡ ἀδικία ἡµῶν θεοῦ δικαιοσύνην συνίστησιν, τί ἐροῦµεν; µὴ ἄδικος ὁ θεὸς ὁ ἐπιφέρων τὴν ὀργήν; κατὰ ἄνθρωπον λέγω.
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µὴ γένοιτο· ἐπεὶ πῶς κρινεῖ ὁ θεὸς τὸν κόσµον; 7 εἰ γὰρ ἡ ἀλήθεια τοῦ θεοῦ ἐν τῷ ἐµῷ ψεύσµατι ἐπερίσσευσεν εἰς τὴν δόξαν αὐτοῦ, τί ἔτι κἀγὼ ὡς ἁµαρτωλὸς κρίνοµαι; 8 καὶ µὴ καθὼς βλασφηµούµεθα καὶ καθώς φασίν τινες ἡµᾶς λέγειν ὅτι Ποιήσωµεν τὰ κακὰ ἵνα ἔλθῃ τὰ ἀγαθά; ὧν τὸ κρίµα ἔνδικόν ἐστιν.

“Que vantagem há então em ser judeu ou que utilidade há na circuncisão? Muita, em todos os sentidos! Principalmente porque aos judeus foram confiadas as palavras de Deus.” (vss. 1,2). Vimos no capítulo 2 de Romanos que o apóstolo Paulo fala de seu próprio povo, os judeus. O maior problema foi que eles usaram a Lei e a circuncisão como elementos que os distinguiam dos demais povos. Paulo não concordava com a ideia dos religiosos judeus que pelo simples fato de terem nascido judeus, de guardarem a lei e de serem circuncidados, eles estavam livres do julgamento de Deus enquanto que todos os demais gentios estavam condenados. Salvação não era questão de fé, mas de prática religiosa e nacionalismo. Ele concluiu o capítulo 2 dizendo: “Judeu é quem o é interiormente, e circuncisão é a operada no coração, pelo Espírito, e não pela Lei escrita” (Rm 2:29). Então a pergunta que surge a partir disso é: Se todos somos iguais diante de Deus, qual a vantagem de ser judeu? Não podemos esquecer que Paulo era judeu e fariseu. Se ser judeu era absolutamente desnecessário, então tudo o que Deus fez no Antigo Testamento seria, no fim das contas, inútil. Não! Há sim uma “vantagem” de ser judeu, não em termos de valor, mas de responsabilidade: a eles, Deus deu a sua palavra, ou seja, o Antigo Testamento. Deus escolheu Israel para ser guardião da Sua revelação e povo de Sua aliança: e esse privilégio não foi dado a nenhuma outra nação na história3. Entretanto, as palavras de Deus que foram entregues aos judeus ficaram com os judeus. A aliança de Deus que tinha como lema: “em ti serão abençoadas todas as famílias da terra” ficou na terra, mas
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Cf. Sl 51:4

Cf. Sttot, pág. 108.

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apenas na terra de Israel. Meus irmãos, o povo de Israel foi chamado para ser luz das nações, ou seja, o propósito original de Deus é que todo o mundo O conhecesse por intermédio de Israel. Qual foi o maior erro dos judeus? Ter falhado nessa sagrada missão! É como se o carteiro não tivesse entregue a carta ao destinatário e tivesse se apropriado da carta de maneira indevida. Qual deve ser a nossa atitude em relação aos judeus de hoje? Primeiro de respeito, porque aos seus antepassados Deus lhes confiou a Lei, e foi através dos judeus que Jesus veio ao mundo. Em segundo lugar, devemos manter nosso amor pelos judeus em oração, para que eles possam conhecer o Messias Jesus e fazerem parte, plenamente das promessas que nós desfrutamos em Cristo. 2. A infidelidade dos judeus não anulou a fidelidade de Deus. “Que importa se alguns deles foram infiéis? A sua infidelidade anulará a fidelidade de Deus?” (vss. 3) Sim! Muitos judeus falharam na missão. Eles foram infiéis a Deus. Eles tomaram para si a revelação de Deus que era destinada ao mundo. O questionamento que o apóstolo Paulo tenta responder é o seguinte: “Paulo, e se alguns judeus foram infiéis com Deus?”. Paulo responde: “a infidelidade do povo de Deus não pode anular a fidelidade de Deus”. Como é bom saber disso: nada do que façamos pode mudar a fidelidade eterna de Deus para com o seu povo! Deus tem uma aliança para com o seu povo. Deus é fiel para guardar essa Aliança até o fim. Paulo não abandonou a ideia de que Deus tem um povo escolhido4, o povo da aliança. Entretanto, o Evangelho veio para tornar em realidade o propósito original de Deus: através de Israel, fazer com que todas as pessoas fossem alcançadas pela graça e salvação. Se o povo judeu não foi eficiente na missão, Jesus, o perfeito judeu, cumpriu cabalmente a tarefa que lhe foi proposta, e por causa de Jesus, nós, ainda que não tenhamos nascido como judeus, podemos ser, pela fé, judeus espirituais e povo do Reino de Deus. A infidelidade do povo de Deus pode mudar a fidelidade de Deus? De jeito nenhum! Por que Deus é totalmente confiável e o homem é falho: “Seja Deus verdadeiro, e todo homem mentiroso” (vr. 4). Meus irmãos, como é bom descansarmos a nossa vida na fidelidade de Deus às suas promessas? Como é libertador saber que mesmo que nós venhamos a soltar as mãos de Deus, Ele continua segurando nas nossas! Deus é fiel às suas promessas à cada um de nós, que somos o seu povo! “Como está escrito: “Para que sejas justificado nas tuas palavras e prevaleças”” (vr. 4b). Foi o rei Davi que disse isso logo após ter cometido adultério com Bateseba. Davi confiava plenamente que mesmo ele tendo pecado, Deus era fiel para perdoá-lo com base na Sua palavra. Esse salmo de penitência de Davi é a afirmação de que Deus está
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Cf. Wrigth, pág. 45.

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Série Romanos – O Evangelho de Deus – Mensagem 16

sempre do lado certo, mesmo que nós estejamos no lado errado. Deus nunca deixa de ser fiel por causa da nossa infidelidade. Ele nunca deixa de ser justo por causa da nossa injustiça! 3. Será que devemos ser infiéis para Deus pareça mais fiel? “Mas, se a nossa justiça ressalta de maneira ainda mais clara a justiça de Deus, que diremos? Que Deus é injusto por aplicar a sua ira? (Estou usando um argumento humano.)” (vr. 5) Imagine o julgamento de um terrível criminoso e o julgamento de um ladrão de galinhas. Nós daríamos mais atenção para qual dos dois julgamentos? Creio que seja o primeiro. Por quê? Por causa da gravidade do crime cometido. Quanto mais injusto for o criminoso, mais justo o juiz parece ser. Mas será mesmo que a gravidade do crime ressalta ainda mais a justiça do juiz? Esse é o âmago do terceiro questionamento que fazem a Paulo: “Será que a nossa injustiça ressalta ainda mais a justiça de Deus?”. Parece estranho dizer isso, mas alguns adversários de Paulo diziam que ele pregava tais coisas. Tais pessoas ouviram falar da justificação pela fé, do perdão dos pecados, assuntos que Paulo constantemente pregava, mas não entenderem direito. Se a gravidade do meu pecado realça a justiça de Deus, por que Deus julga as pessoas? Deus não teria de deixar as pessoas pecarem ainda mais para que a sua justiça seja ainda mais evidente? Será que Deus “é injusto por aplicar a sua ira?”. E mais, “A lguém pode alegar ainda: “Se a minha mentira ressalta a veracidade de Deus, aumentando assim a sua glória, por que sou condenado como pecador?” Por que não dizer como alguns caluniosamente afirmam que dizemos: “Façamos o mal, para que nos venha o bem”?” (vr. 7,8a). Ou seja, se a minha mentira evidencia ainda mais a verdade de Deus, fazendo com que a Sua glória fique ainda maior, por que Deus me julga por ser mentiroso? Ele não deveria me agradecer por isso? Então, já que é assim, vamos fazer o mal, porque é nisso que Deus é mais glorificado. E mais uma vez, Paulo faz questão de dizer “Claro que não! Se fosse assim, como Deus iria julgar o mundo?” (vr. 6). Se Deus se pautasse por esse argumento humano, Ele não seria justo. E se Deus não fosse totalmente justo, como Ele julgaria o mundo? O mundo questiona o Evangelho sem muitas vezes conhecê-lo. É como escutar apenas metade de um sermão: dependendo do caso, você pode sair da igreja pensando que Deus é totalmente mal ou que Deus tolera indefinidamente todos os pecadores. Seremos questionados sim! Você está preparado para responder aos seus adversários? Meus irmãos, todos os dias, seremos questionados a respeito daquilo que cremos. Como disse o rev. John Sttot, “precisamos antecipar as objeções que as pessoas farão ao evangelho, ouvir cuidadosamente os seus problemas, responder-lhes com a devida seriedade e proclamar o evangelho de tal maneira a afirmar a bondade de Deus e anunciar a sua glória”. Conclusão. Meus irmãos, duas lições nesse trecho que lemos e estudamos hoje. Primeiramente,
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Série Romanos – O Evangelho de Deus – Mensagem 16

Deus é fiel, mesmo que sejamos infiéis. Nossa infidelidade não muda em nada a fidelidade de Deus, por isso, Deus é totalmente confiável: nós podemos confiar Nele em todos os momentos. O nosso Deus é fiel para cumprir cabalmente tudo o que ele prometeu ao seu povo, que não é mais definido por marcas externas, práticas religiosas ou questões genéticas, mas sim, pela fé em Cristo, que torna qualquer um em “verdadeiro judeu e povo de Deus”. Em segundo lugar, vimos que todo esse trecho é fruto dos questionamentos que os adversários de Paulo, os religiosos judeus, faziam à sua pregação: não devemos temer os questionamentos, mas sim, buscar anunciar o Evangelho em amor, com sabedoria e inteligência, conduzidos pelo Espírito Santo, para que a dúvida de hoje se torna, na cabeça dos nossos adversário, na certeza da salvação do amanhã.

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