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5 - PRESCRIÇÃO E DECADÊNCIA

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Direito Civil

Pablo Stolze Gagliano

Aula 14/10/2010

V - PRESCRIÇÃO E DECADÊNCIA
1. Conceito de Prescrição e de Decadência

1.1. Prescrição

- A doutrina clássica, desde Beviláqua, sustentava que a prescrição atacaria o direito de ação, posição que não deve mais ser adotada, sobretudo após a entrada em vigor do Código Civil de 2002 (art. 189). No conceito moderno, a prescrição não ataca a ação, a ação não prescreve, como pode se verificar do seguinte exemplo:
y

Em virtude de contrato celebrado em 10/10, Caio se tornou credor e Tício devedor de uma prestação de mil reais, sendo que o vencimento da dívida é dia 10/11. Ao celebrar o contrato, caio já é credor da prestação, tício devedor, mas a exigibilidade só inicia a partir de 10/11. Nesta data, Tício não pagou a dívida, violando o direito à prestação do credor; a doutrina clássica dizia, de forma uníssona, que, violado o direito à prestação, começa a fluir o prazo prescricional dentro do qual deve ser exercido o direito de ação. O credor 28 anos depois contratou advogado que ingressou com ação, havendo instalação da relação jurídica processual, o réu foi citado, que alegou prescrição e o juiz acatou a alegação, extinguindo o processo com julgamento de mérito. Mesmo com o fim do prazo prescricional, se o credor exercer o direito de ação, entendido como direito processual público e abstrato de pedir ao estado provimento prescricional, não prescreve nunca: haverá processo e haverá sentença.

- Se a prescrição não extingue o direito de ação, os alemães descobriram que o que prescreve - o que deve ser exercido dentro do prazo, sob pena de prescrever - é a chamada pretensão. - A pretensão nasce quando o direito à prestação é violado (dia 10/11, no exemplo acima) e morre no último dia do prazo prescricional. - PRETENSÃO: O que prescreve, em verdade, é a pretensão do credor, entendida como poder que o ordenamento jurídico lhe confere de coercitivamente exigir o cumprimento da prestação violada. - Prazo Vintenário: o prazo de 20 anos de prescrição acabou; o prazo prescricional extintivo máximo no código de 2002 é de 10 anos. O CC/2002 prevê prazos prescricionais em apenas dois artigos: 205 (10 anos) e 206 (rol de prazos especiais). Os demais prazos são decadenciais.

Ex: o direito do advogado de renunciar o mandato é direito potestativo sem prazo.Ver no material de apoio artigo escrito em coautoria com prof.Direito Civil Pablo Stolze Gagliano Aula 14/10/2010 . seria decadencial.As causas interruptivas. 205 e 206) PRAZOS DECADENCIAIS PODEM SER LEGAIS OU CONVENCIONAIS . a mesma causa.Uma causa é impeditiva quando impede ou obsta o início do prazo. Entre os cônjuges na constância da sociedade conjugal. suspedem e interrompem a Prescrição y y Causas impeditivas ou suspensivas: art. traduz o prazo para o exercício de um direito potestativo (direito de interferência na esfera jurídica alheia sem conteúdo prestacional).Exemplo de prazo decadencial legal: art. zeram o prazo prescricional. Entre ascendentes e descendentes. que pode fazê-lo por meio de objeção ou preliminar de mérito. também conhecida como caducidade.prazo de 4 anos para exercer direito potestativo para anular contratos. quando ocorrem. paralisando-o (finda a causa. Decadência . 2.Prazo decadencial é o prazo para o exercício de um direito potestativo. o prazo volta a correr) Não corre a prescrição: a. em sede de contestação. c.O interesse da alegação da prescrição é do devedor. torna-se suspensiva. Causas interruptivas: art. b. se houvesse prazo. já estando o prazo em curso. 197 a 199. . . .Decadência. 178 . CC. PRESCRIÇÃO ATACA A PRETENSÃO E NÃO O DIREITO DE AÇÃO 1. Causas que impedem.2. Entre tutores ou curadores com seus tutelados ou curatelados. CC. ou . . 202. PRAZOS PRESCRICIONAIS SEMPRE SÃO LEGAIS (art. podendo esse prazo ser legal ou convencional. durante o poder familiar. . Arruda Alvim sobre o direito intertemporal ou a contagem de prazo.

quando credor soube que sujeito morreu e se movimentou no processo de inventário. III. . para evitar abuso por parte do credor.Obs. sua decisão retroagirá seus efeitos à data em que foi protocolizada inicial. VI.: prescrição intercorrente. não há reconhecimento do direito.se o credor protestar o crédito. por paralisação do próprio processo.Obs. Despacho inicial proferido pelo juiz. interrompe a prescrição. o prazo prescricional recomeça a contar. que ordenar a citação. tal tese não é aceita. se no último dia do prazo prescricional o credor protocoliza a inicial. se o interessado a promover no prazo e na forma da lei processual: isso quer dizer que. além do direito do trabalho. . acautelando-se. Qualquer ato judicial que constitua em mora o devedor: notificação. Protesto cambial: esse inciso revogou a antiga Súmula 173 do STF. pois não poderia o credor ser prejudicado pela mora do próprio judiciário (ver tópico correspondente no material de apoio). no processo civil. ainda que extrajudicial. podemos colher situações de causas que interferem no curso de um prazo decadencial. mesmo incompetente. II. A notificação extrajudicial não interrompe a prescrição. . IV. interpelação. Qualquer ato inequívoco. mesmo que o juiz profira a decisão de citação seis meses após. devia mil reais. o prazo recomeça a contar do zero (é o terror dos devedores). que importe reconhecimento do direito pelo devedor: atentar que. Apresentação do título de crédito em juízo de inventário ou em concurso de credores: joão morreu.: O PL 3293/98 do deputado Celso Russomano pretende incluir a notificação extrajudicial como uma das causas de interrupção do prazo prescricional. . Em geral.Interrompe-se a prescrição (art. tema integrante da grade de processo civil e tributário. Protesto nas condições do inciso anterior: trata-se da medida cautelar de protesto .Direito Civil Pablo Stolze Gagliano Aula 14/10/2010 seja. em que vemos causa que impede o início de um prazo decadencial. 202. A interrupção do prazo prescricional só poderá ocorrer uma única vez. a exemplo do § 2º do art. . CC): I. traduz o desaparecimento da pretensão após haver sido levada ao juízo. V. que dizia que o protesto cambial não interrompe prazo prescricional. Reconhecimento seria o caso de confissão de dívida no tabelionato.Excepcionalmente. 26 do CDC. prazo de prescrição de 5 anos. no caso da notificação extrajudicial.

a despeito de o juiz poder reconhecer de ofício a prescrição. por meio da reforma operada pela Lei 11. Assim. lembra-nos de que. . poderá o juiz até reconhecê-la de ofício (art. interessa ao réu a alegação da prescrição. 4. a juridisdição do STJ ou do STF se abre. para os processos em curso. já os decadenciais convencionais podem. o devedor não está alijado do direito de renunciar à esta defesa que é do seu próprio interesse. se quiser. citado. Na mesma linha. . A prescrição pode ser reconhecida de ofício pelo juiz? . 210). e se esta for legal. os decadenciais legais. de maneira que é possível o reconhecimento da prescrição (Súmula 456. deseja discutir o valor e pagar. conceda um prazo ao credor (que pode eventualmente demonstrar que a prescrição não se consumou) e ao devedor (para que. por serem legais. A prescrição pode ser alegada pelo devedor em qualquer grau de jurisdição (art.Direito Civil Pablo Stolze Gagliano Aula 14/10/2010 3. STF). 219.A prescrição é defesa do devedor.Mas. não estaria ferindo o direito do devedor? O Enunciado 295 da 4ª JDC. se o réu não quer alegar a prescrição por questões pessoais. respeitando o contraditório. também não. que o juiz antes de pronunciar-se. Características fundamentais da prescrição e da decadência a. se o juiz reconhecer de ofício. . Uma das razões é para desafogar o judiciário. passou a admitir expressamente que o juiz poderia reconhecer de ofício a prescrição. não podem ser modificados pela vontade das partes. descobre que a pretensão está prescrita. renuncie à defesa da prescrição). por óbvio. em seu art. Os prazos prescricionais. b. a decadência. é recomendável.O CPC. com propriedade. Conhecendo o REsp ou o RE. § 5º. Se o devedor não se manifestar. se for ajuizada ação de cobrança e o réu.280/06. 193). (FAZER QUADRO). o juiz então poderá reconhecer de ofício a prescrição.

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