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A Igreja do Diabo - ANÁLISE DO CONTO DE MACHADO DE ASSIS

A Igreja do Diabo - ANÁLISE DO CONTO DE MACHADO DE ASSIS

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A Igreja do Diabo (Conto de Histórias sem Data), de Machado de Assis
Versão para impressão Análise da obra A obra machadiana é permeada de surpresas e fatos curiosos; não só em suas histórias, como nos fatos que a constituem. Com personagens densos e "humanamente verdadeiros", Machado de Assis cria uma narrativa de tensão por ser tão perturbadora, deixando no leitor aquela sensação de asfixia. Em A Igreja do Diabo, conto dividido em 4 capítulos, o que temos é uma narrativa densa e, aparentemente
A Igreja do Diabo (Conto de Histórias sem Data), de Machado de Assis
Versão para impressão Análise da obra A obra machadiana é permeada de surpresas e fatos curiosos; não só em suas histórias, como nos fatos que a constituem. Com personagens densos e "humanamente verdadeiros", Machado de Assis cria uma narrativa de tensão por ser tão perturbadora, deixando no leitor aquela sensação de asfixia. Em A Igreja do Diabo, conto dividido em 4 capítulos, o que temos é uma narrativa densa e, aparentemente

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A Igreja do Diabo (Conto de Histórias sem Data), de Machado de Assis

Versão para impressão Análise da obra A obra machadiana é permeada de surpresas e fatos curiosos; não só em suas histórias, como nos fatos que a constituem. Com personagens densos e "humanamente verdadeiros", Machado de Assis cria uma narrativa de tensão por ser tão perturbadora, deixando no leitor aquela sensação de asfixia. Em A Igreja do Diabo, conto dividido em 4 capítulos, o que temos é uma narrativa densa e, aparentemente, banal e de simples interpretação. Porém, para o leitor atento e bem munido de exemplos referencialmente citados ao longo do texto, a interpretação não se torna tão objetiva assim. Sobretudo, o mais importante é que se trata de uma grande apólogo constituído por outros menores; daí o seu caráter moralizante. Mas o que dá o toque genial ao conto são as inúmeras referências ao longo do texto. Quando esse fator é atentamente observado percebemos, claramente, os valores da sátira e da paródia constituindo um pilar que serve de base para a criação machadiana, principalmente, nesse texto, onde os elementos carnavalescos são fartamente explorados. O conto, que integra Histórias sem data, cujos personagens principais são Deus e o Diabo, enfoca de forma cômica a relação Deus/religião, homem/razão. Traz à tona a discussão de como cada pessoa pode exercer a religiosidade sem medo de viver suas incertezas, ou mesmo de duvidar da eficácia da benevolência do homem. Na discussão o Diabo questiona a hipocrisia religiosa e as práticas salvacionistas. A religião está sujeita à crítica ferina do escritor. Neste conto Machado de Assis criticou todas as formas religiosas existentes no Brasil, bem como o modo de comercializar a fé através das vendas de conceito religioso. Porque todas as religiões vendem uma mesma ideologia, a salvação. Inclusive, com práticas proibitivas. Na visão de Machado a elite brasileira se afasta das práticas diversificadas de religiões por pura hipocrisia e preconceitos. A verossimilhança apresentada no conto é paradoxal, porque não revela, antes de tudo, uma grande metáfora. Faz uma brincadeira muito perspicaz com o leitor, usando inúmeros recursos de várias fontes, chegando a ser sufocante. O retrato é cruel e melancólico, mas o resultado é imensamente satisfatório; sentimo-nos devorando Machado de Assis e rindo do par carnavalesco de Deus e do Diabo. Este conto foi classificado como sendo uma espécie de fábula, marcada pela ironia, mas a rigor, não é, pois além de não constituir uma narrativa curta, os seus protagonistas não são animais irracionais à maneira de La Fontaine que falam de um modo integralmente humano e ainda é permeada por diálogos entre divindades: Deus e seu anjo renegado, o Diabo. Portanto, extrapola até os limites do fabuloso. A Igreja do Diabo traz uma série de alegorias e símbolos. A literatura machadiana se baseia muito na simbologia de uma forma geral, mas é nesse conto que esse recurso aparece recorrentemente, assim como o humor trágico e amargo dado o pessimismo com que o autor enxerga a alma humana. Nesse conto, Machado de Assis exercita a sua capacidade de julgamento de atos buscando uma verdade que se mostra cruel na máscara do riso.

havia várias: “enquanto as outras religiões se combatem e se dividem. a fim de concorrer com as diversas religiões. era "gentil e airoso". o reino "casual e adventício"? Imediatamente. o Diabo explica a necessidade da nova instituição. Para o Mal personificado no conto. é o do homem facilmente corruptível e sujeito às influências malignas ou de qualquer espécie. Outras vezes. mesmo lutando contra o Bem. ao passo que para adorar deuses. O que demonstra o caráter ambíguo do homem. de ficar com as circunstanciais sobras das diferentes manifestações de fé. afinal. a preguiça. acaba colaborando com Deus. Machado não acredita nas virtudes humanas. e no qual. na concepção machadiana. O mundo. mostrar o contrário. O Diabo vai a Deus e comunica sua intenção. Essa teoria se dá por meio de várias alegorias e mitos. das letras e das artes. O que o Diabo propõe é uma doutrina muito semelhante a de Deus. o escritor tece uma outra "nova teoria sobre a alma humana". Com a imposição de novos dogmas e crenças. entre eles o uso da ironia a favor de jogos lingüísticos na criação de uma linguagem refinada. o Diabo persuade até convencer os homens de que o Mal pode ser melhor do que o Bem. o Diabo se denomina o "próprio gênio da Natureza". Fundando uma igreja.. por "lealdade" e para "não ser acusado de dissimulação".. Os motivos que o levam à tal empreendimento é o do desejo da organização e da retificação da sua imagem que. desce à terra e começa sua pregação. O "Diabo" de Machado de Assis. mais uma vez. O autor mostra essa imagem humana refletida num espelho invertido. O autor afirma que o Diabo comunica ao Senhor a fundação da Igreja. provocando aqui uma inversão de papéis. não era como diziam as "velhas beatas" e que. a convivência harmônica dos paradoxos que apresentam virtudes boas e más. De quem é. assim como vieram a Jesus.O esboço humano que o escritor traz nesse conto. segundo ele. O Diabo colocou-se no patamar de Pai de Deus. o erro é necessário à humanidade. Diziase cansado de ser desorganizado. dialeticamente.) Há muitos modos de afirmar: há um só de negar tudo”. O Diabo se propõe a negar o que reflete. as virtudes estão submetidas às mazelas. tornando-se a nova igreja hegemônica. Defende a inveja. Multidões vêm a ele crendo nessa nova descoberta. tudo com justificativas da história. com a única diferença de que acaba sendo sua mais profunda negação. tornando-se conhecidos em muitas . e por isso o criador o deixa fundar o seu ministério para recolher os homens que estão perdidos. quando este veio ao mundo como Messias enviado por Deus para salvar a humanidade. Os dogmas do Diabo propagou-se pelo globo. demonstrando-a com a maestria de manipulação de recursos de estilo. na verdade. a gula. Rapidamente. Mostra. Machado de Assis conta a história narrada num velho escrito beneditino do dia em que o diabo resolveu fundar uma igreja. teria vantagem de ser única neste tipo de pregação. Por meio de apólogos e máximas. obtém mais e mais adeptos. a minha será única. Uma dessas alegorias é a das franjas e mantos de algodão ou de seda. é aquele em que o Mau predomina sobre o Bem. O Diabo também usa de apólogos e símbolos para exemplificar sua doutrina. Em A Igreja do Diabo. que se revela na descrença da melhora do espírito humano. A visão machadiana do mundo é perseguida pela sombra do pessimismo. (.

Deus está conformado com essa contradição humana. o espírito da confusão. mas como obstáculo facilmente transponível.frase que parece proferida da boca do próprio Machado de Assis. atos de bondade. vive se contradizendo o tempo todo. E o homem quer ser livre. o Diabo percebeu baixas entre seus fiéis. A estrutura religiosa. Pesquisando a fundo. senão científica. todavia. Aqui e ali seus seguidores praticavam. indo contra o direito natural do homem para seu próprio engrandecimento. só Deus existe e atua. Que queres tu? É a eterna contradição humana.divididos pelas outras religiões .busca a religião única e suprema. vista desse modo. indo contra a liberdade e adquirindo seu direito de controle da humanidade. Um exemplo é o do Padre Galiani.Que queres. é porque este estava impondo-lhes os antigos preceitos de obediência. de arrependimento. Numa aspiração a reunir todos os povos . o pecado pode estar a favor do homem. só que o mais perturbador e surpreendente é a maneira pela qual ele usa o seu tão cotado livrearbítrio. e Deus o consola com uma frase complacente. por que. tinham uma explicação. o Diabo volta aos céus. como as de veludo tiveram franjas de algodão. há a negação de todos os princípios morais. Já quando se revoltam contra o Diabo. os homens voltam a praticar as antigas ações é porque aquelas." No conto. é muito desoladora. Ao mesmo tempo que o Espírito Santo está contra o Espírito Negador. afinal. Maomé e Lutero aparecem. A volta à prática das antigas virtudes pelos homens atordoa o Diabo. virtude e vício. suprime-se toda a diferença entre bom e mau. que ligado aos enciclopedistas franceses. Machado mostra a dualidade de caráter em cada um dos preceitos pregados pelo Diabo. Porque quando não se está sobre domínio de um deus. sob a desculpa de uma religião. a propósito de uma alegoria: " . mesmo sendo religioso levava em consideração a utilidade e a raridade das coisas: "Leve a breca o próximo! Não há próximo!" . às escondidas. somente mais uma manipulação em forma da liberdade tão almejada do pecado. metafísica. verificou o Diabo que em todo o mundo já se espalhava tal atitude. Atônico. porque sabe que esse sentimento de confusão parte d'Ele mesmo. O homem seria tão contraditório que nada é capaz de defini-lo? O homem é um ser inexplicável. sem compreender o que havia acontecido. meu pobre Diabo? As capas de algodão têm agora franjas de seda. . A idéia de que o Diabo. o que é o pecado. como a da "tenda de Abraão". de restituições de roubo. Temos depois. para a religião. Além disso. não como a ameaça da religião islâmica ou protestante. fora dos limites da religião cristã? O Diabo não propõe nada de extraordinário aos seus súditos. tu. estabelecida e difundida a Igreja.línguas. por isso. O Diabo faz referências bíblicas. mesma alusão direta ao jejum cristão e à celebração do corpo e sangue de Cristo. A "contradição humana" aludida no texto remete à contradição da religião cristã em eterno conflito com a essência do homem. buscava a organização de seu reino é interessante. que terá uma unidade fiel e verdadeira. explicando o pessimismo de Machado diante do mundo. ele queria também a própria missa com muito vinho e pão. Quando em "A Igreja do Diabo". de certa forma. obtendo maior espaço para suas ações. Se. justamente.

. para explicar o sentido da máquina do universo. A questão da abordagem do tema religioso sendo explorado parodicamente. Ambos são reflexos da personalidade humana e por isso. Machado de Assis prefere transferir aos homens todo o seu ódio e indiferença. estão sob a máscara do egoísmo. de uma origem mecanicista. Quando o Diabo chega ao céu. é citado numa passagem do texto. até sob a máscara da bondade. aquele que obtém do Pai asas para voar. Só que as imagens de que dispõe são elaboradas artisticamente. pode-se ver a atualização de uma lenda que trata de personagens do imaginário cristão. Deus só existe. na concepção machadiana. inclusive. O que se apresenta aqui é. pois os símbolos tomados por Machado de Assis são mais do que tipos carnavalescos sem importância. reporta-nos ao Mefistófeles. mas cai nas águas profundas do Oceano. o livre-arbítrio humano. popularmente. mas da própria fé humana.agindo verdadeiramente. mas "por todos os Faustos do século e dos séculos" (e esse trecho já se trata de uma paródia do final da liturgia na missa católica). são raros os atos honestos e nobres e. revolta-se contra esse poder originalmente divino. Deus e o Diabo. novamente. sendo seu próprio Fausto. O homem quer se libertar contra essas verdades presentes. por outro lado. É notável a influência de Rabelais que. O evidente da obra alemã está na "simpatia" que Deus demonstra a Mefistófeles e que. desde a sua origem bíblica. essa idéia religiosa contradiz o entendimento e o sentido natural que concede às coisas naturais uma certa espontaneidade. porque em determinado momento. há uma crítica. um positivo que é Deus. Em seus contos. a consciência do homem de sua nulidade e dependência de Deus. Em A Igreja do Diabo. o mito de Ícaro. se aparecem. e muito frios ao calcular todos os meios de se controlar e atrair seus fiéis. diz a Deus não vir pelo servo Fausto. e outro negativo que é o mundo. Machado de Assis se utiliza da tomada de um mito religioso para a demonstração do caráter humano. e em alguns casos. O que parece é que Machado de Assis encarna o próprio alter ego da figura do Diabo no conto. se ouve dizer que há um anjo e um demônio em cada indivíduo. remete o conto à Sátira Menipéia e a Rabelais. contestando sua origem. a idéia do espelho que acaba por refletir uma imagem inversamente ao objeto original. por desejar subir mais alto do que deveria ir." A visão pessimista do mundo. O homem. Trata-se de um conto "moralizante" e. no conto. são também muito parecidos: ambos irônicos e perversos. na verdade. Criam-se dois pólos. que é limitado de entendimento. Tudo se reduz à maldade e ao egoísmo. se assemelha a um apólogo. que traz os homens à submissão do Diabo depois do "abandono" de Deus porque a vida na Terra nada mais é do que desilusão e fracasso. de acordo com o escritor. desse modo. Essa máquina controlada divinamente leva o homem a crer alegremente numa força desconhecida despertando. O Diabo sugere. até mesmo o ódio e o desprezo. o Diabo no conto defendeu que o amor ao próximo era "uma invenção de parasitas" e que este não merecia nada além da indiferença. arrastando "as franjas de algodão na capa de veludo. A religião cristã vê o mundo num sentido prático. Dessa forma. como algo que foi criado por Deus. uma forma velada de se expor um mito. não da religião. em vários pontos. porque com toda essa tirania e hipocrisia não há como acharmos na sua literatura exemplos das virtudes humanas. do escritor alemão Goethe. É uma crítica psicológica que dá uma realização artística do olhar do escritor sobre a realidade contemporânea.

Assim. que é ingrata. como espírito que nega. só que essas 'blasfêmias'. O Diabo expõe o Decálogo num plano inverso. "prazerosamente") pronunciada por Deus e pelo Diabo. que a negação é sublime e singular. a própria Vida. no entanto só para o leitor atento. milagres. pode denotar significações ainda mais profundas. o pecado tem seu aspecto positivo. é que o Diabo ironiza dizendo não saber. existem provas demonstrativas da mútua admiração que se traduz nessa constante troca de elogios das duas partes. o Diabo acaba transferindo a sua veia sarcástica para o autor. O Diabo não apenas conversa com Deus sobre seus planos. Enquanto o Diabo sorri triunfante. dando margem a várias interpretações. O Mefistófeles machadiano. dividido entre a luta do Bem e do Mal. Assim como nem em Fausto. Com a "carnavalização" de doutrinas. Por meio de várias ironias. numa metáfora para a perdição da alma do outro. mais um indício de papéis inversos. constituíam um elemento necessário nos cultos cômicos mais antigos. Comparando a imagem divina a de um negociador. moralidades e mistérios divinos. Essas 'blasfêmias' dirigidas a uma divindade. não se põe contra Deus. Da mesma maneira. ao mesmo tempo que degradavam. renovavam. O ódio e a ânsia de vingança aparecem remontando ao episódio bíblico da expulsão de Lúcifer. existe muito do pessimismo machadiano. Não havia nenhum interesse. segundo a descrição do autor. no conto machadiano. e nem na literatura machadiana. o Senhor mostra dissimulação ao murmurar que se tratam de pensamentos de um "velho retórico". Assim como Mefistófeles pede a Fausto que pare "Verwilledoch!". pelo diabo do conto. contra a Vida. o Diabo tem uma suntuosidade superior à divina. que acabara de chegar ao céu. É nesse jogo de palavras que Machado de Assis cria esse retrato cômico do mundo.aliás. mas o desafia. Aqui. mas que em determinado momento se turva já não reproduzindo imagens fiéis. Mostra que a Lei de Deus pode ser falha. O Diabo se refere ao céu como uma hospedaria de preço alto. Os recursos de estilo são inúmeros. Nisso. não está negando o Criador. a existência de uma simpatia inesperada entre Deus e o Espírito Negador traz o 'inesperado' que é recorrente em Machado de Assis. não tinham "franjas de algodão" no ato. O Diabo repele essa afirmativa com a ironia de que a misantropia pode . veladamente. e sim. Machado de Assis é que nega tudo. vemos na primeira. Quando o Diabo chega aos céus. ornamentando a linguagem de Machado de Assis e criando um espelho de contraste imenso. de Goethe. dos céus por Deus. Deus tenta demonstrar que o velho ancião. Diante do discurso do Diabo. A descrição que Machado faz do Diabo atribui-lhe uma imagem majestosa: "magnífico e varonil". quando Deus se dirige ao Diabo com "olhos cheios de doçura" e este o chama de "mestre". salvou outras vidas. Paradoxalmente. negando e reiterando. apresenta que o seu Espírito de Negação é suficiente. as palavras são empregadas gratuitamente. mesmo sem nenhum público. comparando pessoas de boa índole a mantos de veludo e os bons atos a franjas de seda. o adjetivo alemão "gern" ("de muito bom grado". aproveitando a oportunidade para expor suas idéias. Nos próprios gestos. Em A Igreja do Diabo. é recíproca. o anjo de luz. Deus parece se submeter "murmurando". não entra. mas a sua criação. Assim como os vários exemplos de personagens machadianos cindidos entre a eterna dúvida. Inicia seu discurso retórico na entrada e só depois de Deus perguntar-lhe se sabe porque aquele velho ancião foi mandado para os céus.

de vez em quando e sozinhos. dar um exemplo de preocupação com o homem. dá a simples explicação de que seria o estímulo à prosperidade. Ao se tratarem de pecados capitais." O Diabo quer ocupar esse lugar de Pai no conto. que "evangelizou" os homens ao fim de salvá-los. trazendo em oposição à seriedade do azeite. esse triunfo o opõe a Deus. com o Decálogo. depois de seduzidos. Porém. ao passo que distorce o outro. As imagens e os símbolos são inúmeros. à palavra e à verdade alegre.. Indo dessa forma com todos os preceitos divinos. O Diabo. Mesmo o pão e vinho. pode ser considerado como uma paródia à parábola da ovelha perdida. a liberdade: "As vinhas do Diabo" . . A Igreja como "hospedaria barata" mostra o acolhimento dos filhos que não tem como pagar as exigências divinas tão altas. desde Moisés. por ser fruto do rapto de sua escrava. para operações comuns. A imagem dos banquetes simbolizava a devoração dos bens que o homem conseguira por meio de seu suor. praticavam as tais boas ações. ou seja.há uma certa dose de paganismo nessa metáfora da superação de Deus. O Diabo também refere-se ao pão e ao vinho para..de acordo com os ensinamentos cristãos. o Diabo toma exemplos literários a princípio. Com o trecho: ". "não se deve amar ao próximo. fazendo com que seus "mantos de algodão" tenham "franjas de seda". Também por meio de um apólogo. 13:34). com sua vantagens e lucros. o pasmo não lhe deu tempo para refletir.. fundamentalmente. deve-se sair para procurá-la deixando as outras.. os homens voltam a praticar as antigas virtudes e. representam o mundo vencido pela luta e trabalho do homem. Entretanto. a não ser que se tratem de mulheres alheias". Pátroclo. a comicidade se propõe tragicamente quando.sempre com muito exagero. O jogo de símbolos no conto é primoroso. comparar e concluir do espetáculo presente. Quanto à inveja. e pela perda do amigo..sendo assim recompensados por Deus. o homem ao se referir a Deus. volta-se para suas necessidades básicas de sobrevivência: "O pão nosso de cada dia. Trata-se de uma imagem idealista sobre a devoração do mundo vencido . como Cristo. inconformado com atitudes das mais curiosas e surpreendentes. a contradição humana. que por meio de parábolas ensinava aos homens na Terra: "Usarei comparações quando falar com eles e explicarei coisas desconhecidas desde a Criação do Mundo" (Mateus. como exemplifica o conto mostrando sua negação como hipocrisia e contradição. mas cada acionista não cuida senão dos seus dividendos. Briseida. considerados grandes pecados. nos dividendos que lhe pesarão depois. para os homens não praticarem seus deveres religiosos em público . e só cometida por ele.ser só uma simulação de caridade. Essas imagens mostram o homem num corpo que interage com o mundo. Uma grande inversão das coisas de todo o tipo. mencionados anteriormente. o homem hoje se preocupa. A alusão ao vinho é muito significativa.. sendo todos muito importantes dentro da narrativa. o Diabo se assemelha a Cristo. A gula encontra justificativa em Rabelais e seus banquetes . como manda a Bíblia.o comer e o beber estão amplamente explorados nesse autor por estarem ligados às festas. Pode ser associada também a usura e à mesquinhez. até o Messias. Justifica a ira de Aquiles. por sua vez.". que "foi incluído no livro da sabedoria". que prega que se um pastor tiver cem ovelhas e uma se perder. O apólogo: "Cem pessoas tomam ações de um banco. dai-nos hoje. alguma coisa análoga ao passado". às escondidas . Mesmo assim. Na religião. deparou-se com o grande Mal verdadeiro. A venalidade foi tão logicamente explicada. como responsável pela Ilíada. que tornou-se "um monumento da lógica". É como se o Diabo tivesse percorrendo o mesmo caminho.

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