GLOMERULONEFRITE

Acadêmica: Daniela Londero Professor: Renato Lutz Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul – UNIJUÍ Curso de Graduação em Enfermagem
GLOMERULONEFRITE AGUADA

1.Introdução: A glomerulonefrite aguda é um termo amplo que se refere a um grupo de doenças renais nas quais há uma reação inflamatória nos glomérulos. Na maioria dos tipos de glomerulonefrite, a IgG, a principal imunoglobulina (anticorpo) encontrada no soro humano, pode ser detectada nas paredes capilares glomerulares. Em conseqüência de uma reação antígeno-anticorpo, são formados agregados de moléculas (complexos) que circulam por todo corpo. Alguns destes complexos alojam-se nos glomérulos, o leito filtrante do rim, e induzem uma resposta inflamatória. As várias formas de glomerulonefrite incluem a proliferativa, membranosa, membranoproliferativa, proliferativa local e rapidamente progressiva. A glomerulonefrite pode ser classificada como lesão glomerular primária ou secundária; os distúrbios primários são devidos à lesão direta, enquanto os distúrbios secundários resultam de doença sistêmica. A glomerulonefrite é uma doença predominantemente do jovem; todavia, formas virais de glomerulonefrite ocorrem em todas as faixas etárias. 2.Biologia: Na maioria dos casos, o estímulo da reação é a infecção da garganta por estreptococos do grupo A, o que comumente precede o início da glomerulonefrite em um intervalo de duas a três semanas. O produto esteptocócico, atuando como um antígeno, estimula os anticorpos circulantes e resulta em depósito dos complexos nos glomérulos, produzindo lesão renal. A glomerulonefrite também pode seguir-se à escarlatina e ao impetigo (infecção da pele) e infecções virais agudas (infecções respiratórias altas, parotidite, varicela, infecções por Epstein-Barr, hepatite B e HIV). 3.Epidemiologia: A proliferação celular (aumento da produção de células endetoliais que revestem o glomérulo), a infiltração do glomérulo por leucócitos e o espaçamento da membrana de filtração de filtração glomerular ou da membrana basal resultam em fibrose e perda da superfície de filtração. Na glomerulonefrite aguda, os rins tornam-se grandes, edemaciados e congestionados. Todos os tecidos renais – Glomérulos, túbulos e vasos sangüíneos – são afetados em vários graus, a despeito da forma de glomerulonefrite aguda presente. Em alguns pacientes, os antígenos do lado de fora do corpo (bactérias e vírus) iniciam o processo, resultando na deposição de complexos nos glomérulos. Em outros pacientes o

A proteinúria. 6. é prescrito penicilina.tecido renal por si mesmo serve como antígeno incitante. A percentagem de recuperação para adultos não é bem estabelecida. mais de 50% dos pacientes com nefropatia IgA (o tipo mais comum de glomerulonefrite primária) irão apresentar um nível elevado de IgA sérica e um nível de complemento normal. ou a história pode revelar um episódio anterior de faringite ou amigdalite com febre. Na forma mais grave da doença. principalmente albumina. mais de 90% das crianças se recuperam. Uma grande porcentagem de pacientes apresenta um aumento do título de antiestreptolisina O. edema facial e dor no flanco. O paciente pode apresentar anemia devido à perda das hemácias na urina e alterações do mecanismo hematopóetico do corpo. porque a atividade excessiva pode aumentar a proteinúria e a hematúria. é de cerca de 70%. Observa-se que a hipertensão moderada a grave e a sensibilidade sobre o ângulo costovertebral (ACV) são comuns. Os níveis séricos de complemento podem estar reduzidos. Os valores crescentes do NUS e da creatinina sérica sobem enquanto o debito urinário diminui. . O repouso no leito é encorajado durante a face aguda até que a urina esteja límpida e o NUS. o paciente queixa-se de cefaléia. 4. provavelmente. a creatinina e a pressão arterial retornem ao normal. desenvolvem insidiosamente glomerulonefrite crônica. Todavia. O sódio é restrito quando há hipertensão. A urina do paciente pode servir como um guia para a duração do repouso no leito. Outros. a quantidade de urina aumenta. A proteína da dieta é restrita quando há desenvolvimento de insuficiência renal e retenção nitrogenada (elevação do NUS). A urina parece da cor da Coca-Cola devido a hemácias. mas. Os diuréticos e anti-hipertensivos podem ser prescritos para controlar a hipertensão.Diagnostico Laboratorial: A primeira manifestação da glomerulonefrite aguda é a hemáturia microscópica ou macroscópicas. edema e insuficiência cardíaca congestiva.Tratamento: Os objetivos do tratamento da glomerulonefrite aguda são proteger a função renal e tratar imediatamente as complicações. está presente em razão do aumento da permeabilidade da membrana glomerular. enquanto a proteína urinária e o sedimento urinário diminuem. após um período de recuperação aparente. mas geralmente retornam ao normal em duas ou oito semanas. Alguns pacientes tornam-se intensamente urêmicos em semanas e exigem diálise para a sua sobrevivência. Os carboidratos são fornecidos à vontade para fornecer energia e reduzir o catabolismo de proteínas. Quando o paciente melhora. Uma biópsia renal pode ser necessária para identificar entre os vários tipos de glomerulonefrite aguda. Se houver suspeita de infecção estreptocócica residual. O repouso também facilita a diurese. complexos de proteínas ou cilindros (Cilindros hemáticos indicam lesão glomerular). em conseqüência de uma reação ao microrganismo estreptocócico.Sintomatologia: A doença pode ser tão leve que é descoberta inadvertidamente através de um exame de urina de rotina. 5. mal-estar. Determinações seriadas dos títulos de antiestreptolisina O (ASO) ou anti-Dnase B (ADB) freqüentemente são elevadas na glomerulonefrite pós-estreptocócica. Geralmente. A microscopia eletrônica e a identificação por imunofluorecência do mecanismo imunológico podem identificar a natureza da lesão.

Nesta forma de glomerulonefrite. fadiga.Fisiopatologia: A glomerulonefrite crônica pode Ter seu início na forma de glomerulonefrite aguda ou pode apresentar um tipo mais leve de reação antígeno-anticorpo. efeitos colaterais e horários de administração).A ingestão e a excreção são cuidadosamente mensurados e registrados se o paciente está hospitalizado. Orientar o paciente quanto às modificações dietéticas e hídricas recomendadas. A perda insensível de líquidos através dos tratos respiratórios e gastrointestinal (500 a 1. a proteinúria e a hematúria microscópica podem persistir durante vários meses. Vários glomérulos e seus túbulos tornam-se fibrosados.Profilaxia: As instruções para o paciente incluem explicações e programação para avaliação do acompanhamento da pressão arterial. A encefalopatia hipertensiva é considerada uma emergência clínica e o tratamento é direcionado para a redução da pressão arterial sem prejudicar a função renal. e os ramos da artéria renal são espassados. vômitos. 7. dose. sem o tratamento agressivo o risco de progressão para doença renal em estágio final é elevado. se as manifestações de uremia são graves. Faixas de tecido cicatricial distorcem o córtex remanescente. tão leve que pode nem ser percebida. Podem descobrir sua condição acidentalmente quando a hipertensão ou os níveis de NUS e creatinina são evidenciados.000 ml) é considerada na estimativa de perda de líquido. Na glomerulonefrite rapidamente progressiva. Alguns pacientes com doença grave não apresentam sintoma algum por muitos anos. redução do débito urinário). quando são . Entretanto. e ensino sobre a medicação (propósito. a troca plasmática (plasmaferese) e o tratamento com esteróides e drogas citotóxicas foram utilizadas para reduzir a resposta inflamatória. O edema diminui e a hipertensão fica reduzida. náuseas. O resultado é a lesão glomerular grave que resulta em glomerulonefrite crônica. a diurese começa uma ou duas semanas após o início dos sintomas. O córtex se retrai para uma camada de 1 a 2 mm de espessura ou menos. As complicações incluem encefalopatia hipertensiva. insuficiência cardíaca congestiva e edema pulmonar. É iniciada a diálise na glonerulonefrite aguda. O paciente é instruído a notificar o médico se houver sintomas se insuficiência renal (por exemplo. os rins estão reduzidos em até um quinto de seu tamanho normal. uma comum de doença renal terminal (DRT). O diagnóstico pode ser sugerido durante um exame oftalmológico de retina. GLOMERULONEFRITE CRÕNICA 1. Após ocorrências repetidas destas reações. considerando principalmente em tecido fibroso. ações desejadas. 2. dos níveis de NUS e a creatinina para determinar se há progressão da doença. Em alguns pacientes. a doença pode evoluir para a glomerulonefrite crônica. Qualquer infecção deve ser tratada imediatamente. Geralmente. tornando a superfície do rim rugosa e irregular. Os líquidos são administrados de acordo com as perdas de líquido do paciente e o peso corporal diário.Manifestações Clínicas: Os sintomas da glomerulonefrite crônica são variáveis. exame da urina para pesquisa de proteínas.

O paciente apresenta estar desnutrido com uma pigmentação amarelo-acinzentada da pele e edema periorbital e periférico (das partes pendentes). arteríolas estreitadas e tortuosas e papiledema. Crepitações podem ser auscultadas nos pulmões.encontradas alterações vasculares ou hemorragias retinianas. 3.010. o ritmo de galope e outros sinais de insuficiência cardíaca congestiva podem estar presentes. como hipercalemia e ondas T. Outro achado tardio adicional inclui evidências de pericardite com um atrito pericárdico e pulso paradoxal (uma diferença na pressão arterial durante a inspiração e expiração maior que 10 mm Hg). A cardiomegalia. Vários pacientes apenas observam discreto edema de pés à noite. tontura e distúrbios digestivos são comuns. . sendo observadas as seguintes alterações: • Hipercalemia devido à diminuição da excreção. O exame de urina revela uma densidade específica fixa de 1. As veias cervicais podem estar distendidas em conseqüência da sobre carga hídrica. exsudato.Avaliação Diagnostica: Ocorrem várias anormalidades laboratoriais. O paciente torna-se confuso e seu nível de atenção fica limitado. agudas (em pico). A neuropatia periférica com depressão dos reflexos tendinosos profundos e alterações neurossensoriais ocorre em uma fase tardia da doença. sinais e sintomas de insuficiência renal e insuficiência renal crônica podem se desenvolver. A maioria dos pacientes também apresentam sintomas gerais. um acidente vascular cerebral ou uma convulsão. mas também pode refletir hipertensão com hipertrofia ventricular esquerda e distúrbios eletrolíticos. A primeira indicação da doença pode ser uma epistaxe súbita e intensa. As mucosas são pálidas devido à anemia. O eletrocardiograma pode ser normal. acidose e catabolismo. Á medida que a glomerulonefrite crônica evolui. crescente irritabilidade e aumento da necessidade de urinar a noite (nictúria). como perda de peso e de força. Os achados retinianos incluem hemorragia. À medida que a insuficiência renal progride. A pressão arterial pode ser normal ou muito elevada. • Acidose metabólica devido à diminuição de ácido pelo rim e incapacidade de regenerar o bicarbonato • Anemia secundária à redução da eritropoese (produção de hemácias) • Hipoalbuminemia com edema secundária à perda de proteínas através da membrana glomerular lesada • Aumento do fósforo sérico à medida que diminui a excreção renal • Diminuição do cálcio sérico (o cálcio liga-se ao fósforo para compensar os elevados níveis de fósforo sérico) • Hipermagnesemia devida diminuição da excreção e ingestão de antiácidos contendo magnésio • Distúrbio na condução nervosa devido às anormalidades eletrolíticas e uremia As radiografias de tórax podem mostrar cardiomegalia e edema pulmonar. altas. Céfaleia. ingestão pelos alimentos e medicação. proteinúria variável e sedimento urinário (complexos de proteína são secretados pelos túbulos renais lesados). a filtração glomerular cai para menos de 50 ml/min.

carnes) são fornecidas para promover um bom estado nutricional para o paciente. . Se houver desenvolvimento de edema acentuado.Tratamaento: O tratamento do paciente ambulatorial é guiado pelos sintomas do paciente com glomerulonefrite crônica. Proteínas de alto valor biológico (laticínios. A ingestão de sódio e a de líquido são ajustadas de acordo com a capacidade dos rins do paciente de excretar água e sódio. ovos. a pressão sangüínea é reduzida com restrição de sódio e água. As calorias adequadas são também importantes para poupar a proteína para o crescimento tissular e regeneração.4. O peso é monitorizado diariamente. o paciente é colocado em repouso no leito. Se houver hipertensão. evitar desequilíbrios hidroeletrolíticos e reduzir o risco de complicações de insuficiência renal. e os diuréticos são utilizados para reduzir a sobrecarga hídrica. O curso da diálise é mais suave se o tratamento for iniciado antes de o paciente desenvolver complicações significativas. As infecções do trato urinário devem ser tratadas prontamente para prevenir posterior lesão renal. O início da diálise é considerado no princípio do curso da doença a fim de manter o paciente em condição física ideal. A cabeceira e levantada para promover conforto e diurese.

br/Publico Glomerulonefrite/Patogenesi www. “Enfermagem Médico Cirúrgico – Brunner e Suddarth.it/news/e-nefrologia . editora Guanabara. A enfermagem tem um papel fundamental na educação do paciente sobre o tratamento prescrito. insinar sobre a medicação (propósito. vômito.. O paciente deve notificar o médico se houver sintomas de insuficiência renal (por exemplo fadiga.CONCLUSÃO: O paciente com doença renal geralmente está diante de um futuro incerto.. ações desejadas. dos níveis de NUS e creatinina. exame de urina para pesquisa de proteínas. As instruções incluem avaliação de acompanhamento da pressão arterial. Suzanne C. náuseas. BIBLIOGRAFIA: Smeltzer. Brenda G.xogena. Bare. Páginas da WEB: SBN – Sociedade Brasileira de Nefrologia www.sbm. redução do débito urinário). Qualquer infecção deve ser tratada imediatamente. efeitos colaterais e horários de administração). oitava edição .org. Modificações dietéticas e hídricas são recomendadas. dose.