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Curso de Direito Civil - Parte Geral, Washington de Barros Monteiro

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CURSO DE DIREITO CIVIL - PARTE GERAL Washington de Barros Monteiro OBRAS DO MESMO AUTOR: CURSO DE DIREITO CIVIL Volumes

publicados: Parte Geral Direito de Família Direito Direito Direito Direito das das das das Coisas Obrigações - 1ª parte Obrigações - 2ª parte Sucessões Direito da

WASHINGTON DE BARROS MONTEIRO Professor catedrático da Faculdade de Universidade de São Paulo Professor da Faculdade Paulista de Direito da Universidade Católica de São Paulo CURSO DE DIREITO CIVIL PARTE GERAL 5ª edição, revista e aumentada Edição Saraiva São Paulo 1966 ÍNDICE

1. Conceito de direito. Distinção entre o direito e a moral. Direito objetivo e direito subjetivo. Direito positivo e direito natural. Direito público e direito privado. Direitos congênitos e direitos adquiridos. Classificação dos direitos quanto à sua base 2. Fontes do direito. Fontes imediatas: a lei e o costume. Fontes mediatas: a doutrina e a jurisprudência 3. Da vigência da lei. Quando tem início e quando cessa a sua obrigatoriedade. Da retroatividade e da interpretação das

leis 4. Da integração da norma jurídica. Analogia Princípios gerais de direito. Equidade 5. Código Civil Brasileiro. Utilidade das codificações. Elaboração do nosso Código e primeiros projetos. Projeto de Clóvis e sua transformação em lei. Conteúdo e classificação do direito civil 6. Das pessoas. Pessoa natural. Comêço da personalidade natural. Capacidade de direito e de fato. Pessoas absolutamente incapazes. Pessoas relativamente incapazes. Emancipação. Fim da personalidade natural. Atos do registro civil 7. Estado da personalidade natural: individual, familiar e político. Do estado político: nacionalidade e cidadania. Da naturalização. Disposições legais referentes a estrangeiros. 8. Do nome. Definição e natureza jurídica. História. Elementos atuais do nome. Possibilidade de alteração. Outras disposições 9. Das pessoas jurídicas. Generalidades. Notícia histórica. Sua natureza jurídica. Classificação das pessoas jurídicas. Outras disposições 10. Das pessoas jurídicas de direito público. Sua enumeração. Responsabilidade civil das pessoas jurídicas de direito público. 11. Das pessoas jurídicas de direito privado. Sua enumeração e representação. Comêço da pessoa jurídica. Registro. Das sociedades e associações civis. Das fundações. Terminação da pessoa jurídica 12. Do domicílio civil. Generalidades. Domicílio da pessoa natural. Pluralidade e mudança de domicílio. Domicílio da pessoa jurídica. Classificação do domicílio. Fôro de eleição 13. Dos bens. Várias acepções da palavra. Das diferentes classes de bens. Bens corpóreos e incorpóreos. Bens imóveis e móveis 14. Das coisas fungiveis e infungíveis. Coisas consumíveis e inconsumíveis. Coisas divisíveis e indivisíveis. Coisas singulares e coletivas. Dos bens reciprocamente considerados. Bens públicos e particulares. Coisas que estão fora do comércio 15. Do bem de família. Generalidades. Qual o prédio que pode ser constituído em bem de família. Sua destinação

específica. Inalienabilidade, impenhorabilidade e duração do bem de família. Processo de constituição e outras disposições 16. Dos fatos jurídicos. Definição e compreensão. Aquisição dos direitos. Sua defesa através da ação judicial. Perecimento dos direitos 17. Dos atos jurídicos. Definição. Elementos constitutivos. Sua classificação. Representação dos incapazes. Interpretação dos atos jurídicos 18. Dos defeitos dos atos jurídicos. Generalidades. Êrro ou ignorância. .Êrro substancial e êrro acidental. Êrro de fato e êrro de direito. Outras disposições 19. Do dolo. Definição e generalidades. Como se distingue do êrro e da fraude. Espécies de dolo. Elementos do dolo principal. Outras disposições 20. Da coação. Generalidades e definição. Espécies. Requisitos da coação. Casos de exclusão. Outras disposições 21. Da simulação. Conceito e generalidades. Seus característicos. Espécies. Modalidades particulares. Outras disposições 22. Da fraude contra credores. Generalidades. Definição e elementos constitutivos. Atos suscetíveis de fraude. Ação revocatória. Disposições especiais 23. Das modalidades dos atos jurídicos. Generalidades. Definição e elementos conceituais da condição. Sua classificação. Têrmo. Modo ou encargo 24. Da forma dos atos jurídicos e da sua prova. Conceito de forma. Atos formais e não formais. Da prova e sua classificação. Meios probatórios admitidos em direito. Outras disposições 25. Das nulidades. Classificação e discriminação. Como se distingue a nulidade absoluta da relativa. Ratificação desta. Obrigações contraídas por menores. Outras disposições 26. Dos atos ilícitos. Conceito. Elementos constitutivos. Exclusão da ilicitude. Abuso do direito 27. Da prescrição. Discussões que suscita. Notícia histórica. Definição e espécies. Institutos afins. Disposições gerais 28. Das causas que impedem ou suspendem a prescrição. Das causas que a interrompem

29. Dos prazos da prescrição. Prescrição ordinária. Prazos de dez dias a seis meses. Prazos de um ano. Prazos de dois a três anos. Prazos de quatro e de cinco anos. Outras disposições CONCEITO DE DIREITO. DISTINÇÃO ENTRE O DIREITO E A MORAL. DIREITO OBJETIVO E DIREITO SUBJETIVO. DIREITO POSITIVO E DIREITO PÚBLICO E DIREITO PRIVADO. DIREITOS CONGÊNITOS E DIREITOS ADQUIRIDOS. CLASSIFICAÇÃO DOS DIREITOS QUANTO A SUA BASE.

DIREITO

NATURAL.

Conceito de direito: - Divergem juristas, filósofos, e sociólogos quanto ao modo de conceituar o direito. Diversas são as causas dessa divergência, podendo ser mencionada, dentre outras, a existência de várias escolas, cada qual com teoria própria sôbre a origem do direito e o papel que êle representa no meio social. Podemos repetir, na atualidade, o que foi dito anteriormente por RANT, de que "ainda continuam os juristas à procura do seu conceito de direito", e também por ÁLVARES TALADRIZ, de que "tão deficientemente como a geometria define o que seja espaço, assim acontece igualmente com o direito". Pertence a questão ao âmbito da filosofia jurídica, desta constituindo um dos problemas fundamentais. Por isso, neste ensejo, fugindo intencionalmente às suas complexidades, limitar-nos-emos a uma única definição, talvez a mais singela, mas que, desde logo, por si só, fala ao nosso entendimento. É a de RADRUCH: o conjunto das normas gerais e positivas, que regulam a vida social. Realmente, o homem não pode viver isolado. Robinson, na ilha deserta, é exemplo utópico que não interessa à ciência. Obrigados a viver necessàriamente uns ao lado dos outros, carecemos de regras de proceder. Sem essas regras, disciplinadoras de nosso procedimento, ter-se-ia o caos. Os conflitos individuais, resultantes do choque de interêsses, seriam inevitáveis e a

desordem constituiria o estado natural da humanidade. Indispensável é, portanto, determinada ordem. Pressupõe esta certas restrições ou limitações à atividade de cada um de nós, a fim de que possamos realizar nosso destino. O fim do direito é precisamente determinar regras que permitam aos homens a vida em sociedade. A ordem jurídica não é outra coisa senão o estabelecimento dessas restrições, a determinação dêsses limites, a cuja observância todos os indivíduos se acham indistintamente submetidos, para que se torne possível a coexistência social. O direito domina e absorve a vida da humanidade. Aí está a razão por que o homem não pode furtar ou matar impunemente; se o arbítrio fôsse sua lei exclusiva, fatal seria o perecimento da sociedade. Como mostra a imagem simbólica da balança, o direito busca um equilíbrio. Para a Escola Positiva, aquelas restrições impostas à atividade individual, em proveito do agrupamento social, são ditadas pela observação, pela experiência e pela necessidade. Para a Escola Racionalista, elas, são fruto da razão humana; o homem, refletindo sôbre sua natureza e destino, cria, pelo esfôrço da razão, um direito imutável e perfeito, que serve de modêlo às legislações positivas. Para a Escola Histórica, as regras de direito positivo repousam na consciência popular, resultam da história, das relações sociais, das necessidades econômicas, das aspirações de cada época e da luta dos interêsses convergentes. Para nós, todavia, o direito tem seu fundamento na própria natureza humana. Seja qual fôr a origem das limitações impostas à atividade de cada um de nós, o certo é que elas são imprescindíveis e sem elas tornar-se-ia inviável a vida em sociedade. Ao conjunto dessas normas, gerais e positivas, ditadas por um poder soberano e que disciplinam a vida social, se denomina direito. Aliás, essa palavra vem do latim dirigere e serve para guiar-nos.

quer dizer. não haveria segurança nem justiça para a humanidade.Na vida em sociedade. Nesta. O campo do direito é mais restrito. que não se confundem com as jurídicas (gratidão. Do ponto de vista social. Aparece assim a diferenciação entre o direito e a moral. cortesia. a consciência social. educação. ao inverso. b) . arrependimento. tal sanção é ineficaz. Se não existisse êsse elemento coercitivo.o campo da moral é mais amplo (non omne quod lioet honestum est). compreende apenas os deveres do homem para com os semelhantes. torna-se inseparável do direito. porém. O conceito de coação. tem sido chamada "o cabo Horn da ciência jurídica". para consigo mesmo e para com seus semelhantes. etc. os homens. desgôsto íntimo. tendo um e outro por fim o bem-estar do indivíduo e da sociedade. urbanidade. a primeira só comporta sanções internas (remorso. A principal oposição entre a regra moral e a regra jurídica repóusa efetivamente na sanção. adstritos estamos igualmente à observância de outras normas de procedimento. Não é só: o direito e a moral regulam atos de sêres livres. Ambos têm pontos de contacto e pontos de dissemelhança. a moral é incoercível. conta com a sanção para coagir os homens. De outro lado. o escolho perigoso contra o qual muitos sistemas já naufragaram (IHERIXG). por isso mesmo. como . Abrange os deveres do homem para com Deus. Tendo em vista o fim a que se destina. apresentam as seguintes dissemelhanças: a) . uma idêntica origem. ou possibilidade de constranger o indivíduo à observância da norma. A segunda.o direito tem a coação.Distinção entre o direito e a moral: . nem sempre fácil de estabelecer-se e que. Ambos constituem normas de comportamento. têm êles uma comum base ética.). pois a ela não se submetem indivíduos sem consciência e sem religião. sentimento de reprovação geral).

ou do meu direito de propriedade.-lei n. Como diz ARANGIO-RuIZ. Se. Nessas condições. ao revés. ao inverso. do direito civil em vigor. c) . exemplificamente. todos do mesmo Código. justamente através de sua aplicação é que a regra jurídica adquire sua mais completa eficácia. de 4-9-1942) e os arts. se eu falo do direito romano. bilateral. à intenção que determina o ato.êste é mais definido. Como esclarecem RUGGIERO-MAROI para a norma moral. seu valor absoluto. os campos da moral e do direito entrelaçam-se e interpenetram-se de mil maneiras. as normas morais tendem a converter-se em normas jurídicas.o 4. refere-se o direito às prescrições da moral. como sucedeu. pois.a moral é unilateral. ao passo que o segundo se dirige ao momento externo. mas apenas sua atividade nas relações com o mundo externo. o que tem especialmente importância é a intenção de quem age. Sirvam de exemplo o art. traduzidas pelas expressões direito objetivo e direito subjetivo.183. ao ato exterior. 395. ou do direito de propriedade como instituição jurídica. para a jurídica. f) . mais difusa. refiro-me a um . falo do meu direito de crédito. elevando-as a momentos culminantes da ordem jurídica.a moral visa à abstenção do mal e à prática do bem. não carece de estatuto ou de govêrno o Intimo querer dos homens. freqüentemente.A palavra direito encerra duas significações diversas. isto é. com o dever do pai de velar pelo filho e com a indenização por acidente do trabalho. físico. 17 da Lei de Introdução ao Código Civil (Dec. separando-se nitidamente. e) . 413. e 1. volitivo. Direito objetivo e direito subjetivo: . ao contrário. psíquico. o direito. a palavra direito representa um conjunto de regras que imprimem à atividade humana certa direção ou a encerram dentro de certos limites.657. Entretanto. V. d) a primeira dirige-se ao momento interno. enquanto o objetivo do direito é evitar se lese ou se prejudique a outrem.diz JEAN HEMARD essencial é o problema das sanções. embora não se confundindo. aquela. Aliás.

por exemplo. nascem juntos com a ação do homem. ou negativo. diz-se que a palavra direito é empregada em sentido objetivo. A expressão designa apenas uma faculdade reconhecida à pessoa pela lei e que lhe permite realizar determinados atos. Delineiam-se assim os dois aspectos do direito. Muitas normas. em virtude da regra de direito. Como observam RUGGIERO-MAROI. Êsses aspectos não são antagônicos entre si. o direito objetivo. por exemplo. direito objetivo é o conjunto das regras jurídicas. O direito objetivo designa o direito enquanto regra (jus est norma agendi). para o particular. nem figuras ou formações diferentes.poder que estende e dilata meu campo de ação sôbre pessoas e coisas. a norma agendi e a facultas agendi. O direito objetivo é a norma ditada aos particulares e pela qual a êstes se impõe certa atuação. São as prerrogativas de que uma pessoa é titular. ou preceito. direito subjetivo é o meio de satisfazer interêsses humanos (hominum causa omne jus constitutum sit). O segundo deriva do primeiro. Por outras palavras. antes. enquanto para a segunda. São. por exemplo. Direito objetivo é a regra de direito. o impedimento matrimonial (art. feições diversas de um conceito único. 183 do Cód. ela é utilizada em sentido subjetivo. o pagamento de uma dívida. o preceito que deve inspirar sua atuação. Civil). o preceito que impõe ao devedor a obrigação de pagar a dívida atribui ao credor a faculdade de obter o pagamento. como resultante da . mas atribuem correlatamente a outra pessoa uma faculdade. a regra imposta ao proceder humano. no sentido de obter certo efeito jurídico. Direito subjetivo é poder. não se exaurem com a imposição do preceito ou da proibição. entretanto. À respectiva observância pode ser compelido mediante coação. deriva da norma (jus est facultas agendi). a norma de comportamento a que o indivíduo deve se submeter. É a faculdade que. Procuraremos ser mais explícitos. que pode consistir num comportamento positivo. Para exprimir a primeira situação.

Partem as primeiras do mesmo pressuposto. quem penetre numa propriedade alheia viola o direito do respectivo proprietário. salientados pela teoria da vontade. no entanto. depois. Assim. A teoria do interêsse não identifica o direito subjetivo pelo princípio da vontade. portanto. A utilidade é que representa a substância dêstes. compete êste a sêres destituídos de vontade. como os loucos de todo o gênero e os ausentes. porém. Direitos existem que dificilmente se ligarão a um interêsse. conjugando o elemento vontade com o elemento interesse. Para a primeira. o direito subjetivo constitui um poder ou uma senhoria da vontade. igualmente unilateral. A teoria mista propõe-se a definir o direito subjetivo. Tal concepção. freqüentemente. não esgota. O direito subjetivo caracteriza-se. Variam. contudo. em virtude do ordenamento jurídico. em aspectos diferentes. teoria do interêsse e teoria mista. de que aquêle direito deriva. a subsistência do direito independe. definindo-se como o interêsse juridicamente protegido.vontade geral. profundamente. pode agir consoante a norma. ou como o interêsse humano garantido pela ordem jurídica . Em posições diametralmente opostas situaram-se as doutrinas afirmativas e as doutrinas negativistas. as opiniões quanto ao modo de encarar os direitos subjetivos. porquanto. Esta não é o fim. Assim. como vontade particular. Mas. muitas vêzes. para . Além disso. Quem tem um determinado direito. de qualquer manifestação de vontade de seu titular. desdobrando-se. Não se pode situar a vontade na base do direito subjetivo. que se concretiza. o subjetivo. o conceito do direito. se o elemento volitivo realmente representa um dos dados do problema. pelo interêsse. assim como também interêsses há que não logram obter tutela e proteção do direito. embora não exista proibição emanada dêste. nem a fôrça motriz dos direitos. a existência dos direitos subjetivos. sofreu críticas muito fortes.

mas de situações jurídicas. Insurgindo-se assim contra o direito subjetivo. até o momento em que venham a ser modificadas ou derrogadas. porque. que considera . que a vontade tem o poder de realizar. São gerais e permanentes. Temporárias. O primeiro estudou com paixão tal assunto. As primeiras derivam diretamente da norma. uma vez exercida a via de direito que as sanciona. permanentes. o que a análise revela não é a presença de direitos subjetivos. porque continuam a subsistir. elas desaparecem. As situações jurídicas subjetivas. Em contraposição às citadas teorias afirmativas. sem deixar vestígios. que outorga a uma das partes o direito de exigir e a outra o dever de prestar. que se apresentam sob duas faces distintas: situações jurídicas objetivas e situações jurídicas subjetivas. Especiais. Gerais. ou de sua expressão. são especiais e temporárias. entre as quais se destacam a de DuGuIT e a de KELSEN. a lei positiva. uma vez realizada a atuação que delas se espera. Tome-se como exemplo o estado das pessoas casadas ou a situação legal do filho que proceda de justas núpcias. O exemplo mais característico de situação jurídica subjetiva é a resultante de um contrato. sem embargo de tôdas as aplicações que delas se façam. É expressão da vontade individual. No seu entender. Contesta êle a idéia do subjetivismo da norma. porque só podem ser invocadas por uma ou mais pessoas individualmente determinadas e só se tornam oponíveis a uma ou mais pessoas igualmente individualizadas. como o direito objetivo é a expressão da vontade geral. que asseguram aos respectivos titulares um conjunto de prerrogativas permanentes e exercitáveis contra todos. mencionemse as teorias negativistas. porque sua determinação se impõe a todos.JELLINEK direito subjetivo é o interêsse protegido. Trata-se de situações jurídicas objetivas. ao contrário.

Aliás. considerada do ponto de vista do comportamento que ela impõe a um indivíduo determinado. Também KELSEN opõe ao direito subjetivo negação terminante. a obrigação jurídica não é senão a própria norma jurídica. uma situação verdadeiramente incontestável. para XELSEN. Podemos assim conceituar o direito subjetivo como todo poder da vontade dos particulares. a coação social. termina DUGUIT por afirmar que êsse direito não existe. que lhe garante a restituição da quantia mutuada. Como diz SANTAMARIA as teorias negativistas não fizeram senão provar ainda mais triunfalmente a existência dos direitos subjetivos. Seu livro intitulado Teoria Pura do Direito contém um capítulo sob esta rubrica: redução do direito subjetivo ao direito objetivo. o direito do credor ao reembôlso vem a ser a própria norma jurídica. êle assevera expressamente que "o tratado de PLANIOL é o canto do cisne do direito subjetivo". direito subjetivo não é senão direito objetivo. um ideal de perfeição. em fórmulas ou palavras adequadas. Assim. o direito do proprietário é a norma jurídica. Surge assim a distinção entre direito positivo e direito natural. numa das passagens de sua obra. Efetivamente. em virtude da qual os demais indivíduos se adstringem a não interferir na maneira pela qual o primeiro dispõe do que é seu. por exemplo. em certas circunstâncias. a ser banida da moderna linguagem jurídica.finaliza KELSEN. Os homens estão perenemente insatisfeitos com a situação em que se encontram e sua aspiração é melhorá-la cada vez mais.O direito pode ser concebido sob uma forma abstrata. a possibilidade para cada um de nós de tornar efetiva.entidade metafísica. O primeiro é o ordenamento jurídico em vigor num determinado país e numa determinada época (jus in civitate . Com efeito. num caso de mútuo. exprimem êstes. igualmente na propriedade. reconhecido ou outorgado pelo ordenamento jurídico. Direito positivo e direito natural: . ou seja. Em resumo.

já formulada pelos romanos. Elas ordenam o respeito a Deus. Direito público é o destinado a disciplinar os interêsses . a moral positiva. Saliente-se ainda que o direito natural. 128 do Código Penal. Tôda regra de direito enquadra-se forçosamente num ou noutro ramo do direito. são indeléveis. Para a Escola Histórica. Sôbre elas descansa a vida das comunidades. tende a converter-se em direito positivo. o respeito à liberdade e aos bens. e constituem as bases permanentes e sólidas de tôda legislação. correspondente a uma justiça superior e suprema. no entanto. ou modificar o direito preexistente. Cada um de nós as traz gravadas no próprio coração. Direito público e direito privado: . por exemplo. por sua vez. a ciência positiva. É o guia supremo da legislação. o direito natural é o princípio regulador do direito positivo. Sirva de exemplo a censurável norma consubstanciada no art. só interessam o direito positivo. a exemplo do que sucede com as normas morais. deixar de reconhecer a existência de uma lei anterior e superior ao direito positivo. jamais se apagarão. Na frase de LAFAYETTE. quem considere tal idéia contrária ao progresso da ciência. Como adverte PLANIOL tôda vez que o legislador dêle se afasta realiza obra má ou injusta. Constitui o paradigma em que deve se inspirar o legislador. o ideal para o qual êste sempre tende e do qual tanto mais se aproxima quanto mais se aperfeiçoa.positum). Há. apesar de não escritas. todavia. ordenamento ideal. só o direito positivo merece a atenção dos estudiosos. Simboliza a perfeita justiça (justo por lei e justo por natureza). Leis existem realmente que. O direito natural representa assim a duplicata ideal do direito positivo. distinção. a defesa da pátria. o segundo. Para a Escola Positiva. Não podemos. ao editar suas normas.O direito objetivo subdivide-se em direito público e direito privado.

Seu campo é a atuação governamental. serviços. Direito administrativo é o conjunto das normas disciplinadoras da atividade do Estado para consecução de seus fins sociais.-lei 2. aos quais podemos adicionar o direito do trabalho. excetuadas aquelas cuja aplicação específica pertence ao poder judiciário. Baseia-se em várias leis.608. sua subdivisão em direito constitucional. Direito judiciário é o correspondente à mais elevada função do Estado. O direito judiciário penal. Direito constitucional é o complexo das normas que presidem à suprema organização do Estado e regulam a divisão dos podêres. dentre as quais avultam o Código Penal (Dec. Temos assim.-lei n. Subdivide-se em civil e penal. através de sua função preventiva e repressiva. polítiCOs e financeiros. direito administrativo.o 3. além das relações entre a soberania política e os governados. a Lei das Contravenções Penais (Dec. de 3-10-1941) sua linha mestra. de 12-11-1953). Diz respeito à comunidade. o direito internacional e o direito eclesiástico. a administração em geral da coisa pública. direito judiciário e direito penal.-lei n.688. O direito judiciário civil encontra no Código de Processo Civil (Dec.848.o 1. O direito do trabalho compreende as normas que disciplinam . funções de seus órgãos e respectivos limites. Sua lei básica é a Constituição. a distribuição da justiça. sua atuação. tutela dos direitos individuais e repressão dos delitos.gerais da coletividade (publicum jus est quod ad statum rei romanae spectat).lei n. por sua vez.o 3. de 18-9-1939) sua espinha dorsal. a gestão da fazenda e execução das leis. de 7-12-1940). Direito penal é o conjunto dos diversos meios e da forma pelos quais o Estado desempenha a função de manter a integridade da ordem jurídica. de 3-10-1941) e a Lei de Imprensa (Lei n. sob o aspecto que nos interessa.o 2. estruturando-lhe organização.083. tem no Código de Processo Penal (Dec.689.

Por fim. Dentre as normas de direito privado. O direito civil tem no Código Civil (Lei n.o 556. Sua lei fundamental é ainda o velho Código Comercial de 1850 (Lei n. de 1-5-1943. Desdobra-se numa Parte Geral e numa Parte Especial. o direito eclesiástico regula as relações entre a Igreja e o Estado. por sua vez. de 1-11916) sua lei fundamental. Denominam-se as primeiras cogentes ou imperativas e constituem a chamada ordem pública. dos particulares em geral. Leis de ordem pública são aquelas cuja observância se torna necessária ao interêsse geral. são as que interessam mais diretamente à coletividade que aos particulares. aprovada pelo Decretolei n. por seu turno.071.o 5. nas relações com outros Estados. Subdivide-se assim em direito internacional público e direito internacional privado. subdivide-se em direito comercial terrestre e direito comercial marítimo.a organização do trabalho e da produção. Esteia-se na Consolidação das Leis do Trabalho. jus publicum privatorum pactis . Direito das Obrigações e Direito das Sucessões. acêrca da unidade ou pluralidade do direito privado. Pode êle constituir-se ainda pelas normas que disciplinam as relações do Estado com cidadãos pertencentes a Estados diversos. Direito das Coisas. isto é. Qualquer disposição que as contrarie é fulminada de nulidade (privatorum conventio juri publico non derogat. Controverte-se. Direito internacional é aquêle que se constitui pelas normas que refletem a vida do Estado no exterior. considerados como entes soberanos e sujeitos de direito público.o 3. constituída esta pelo Direito de Família. se a legislação a respeito deve ser compreendida por um só ou por vários Códigos. todavia. é o conjunto de preceitos reguladores das relações dos individuos entre si (privatum. O direito comercial.452. disciplinando êste a atividade das pessoas comerciantes e aquêle. de 25-6-1850). umas são inderrogáveis e outras não. Direito privado. quod ad singulorum utilitatem) Subdivide-se em direito civil e direito comercial.

deve considerar-se como sendo de interêsse privado. Civil.150. isto é. podendo os contratantes. convencionar que o depositário seja gratificado (Cód.-lei n. é sujeita a alterar-se no tempo e no espaço. no entanto. a lei é apenas supletiva. que pode dispor de modo diferente que o previsto pelo legislador. são de ordem pública e não podem ser modificadas pelos particulares. conforme o idealismo que anime as nações. Mas. Observa-se presentemente acentuada tendência publicística no direito privado.o 4. que reprimem a usura e congelam aluguéis em períodos de emergência. de 20-41934) e da família (Dec.494. Por exemplo.200. como acontece com a legislação protetora do inquilinato (Lei n. de 19-4-1941). a distinção entre direito público e direito privado não resulta de uma linha separativa precisa. n. § único). segundo as tendências sociais e políticas. a seu lado. a disposição que estabelece a gratuidade do depósito. A relação é dominada pela vontade privada. todo o direito de família caminha para o direito público. são de ordem pública as disposições legais a respeito do casamento e da indissolubilidade do vínculo. Nesse caso se acha.265.o 3. em que nenhum interêsse social existe a proteger. encontramos as chamadas normas dispositivas. Aliás. art. segundo seja mais conveniente ou oportuno para os interessados.mutari non potest). a interferência do direito público em relações jurídicas até agora reservadas exclusívamente ao primeiro. Sempre que houver dúvida sôbre se determinada regra é ou não de ordem pública.o 24. Como anota ALBERTO TRABUCCHI. que estatuem sôbre a ordem da vocação hereditária. embora integrem o direito privado. Tais normas. . 1. sendo assim derrogáveis pelas partes. de 30-11-1964 e Dec. por exemplo.

Adquiridos são os que decorrem de ato lícito próprio. os direitos de família. como a vida. a liberdade. o direito de crédito. a fonte cumpre chamar a . sem primordial do direito.Fontes são os meios pelos quais se formam ou pelos quais se estabelecem as normas jurídicas. São a doutrina e a jurisprudência. A mais importante divide-as em fontes diretas ou imediatas e fontes indiretas ou mediatas. Da lei: .Foi ela efetuada por JOSSERAND. FONTES IMEDIATAS: A LEI E O COSTUME. de base abstrata. mais cedo ou mais tarde. à elaboração da norma. A DOUTRINA E A Fontes do direito: .Comecemos pela lei. Inicialmente. Fontes indiretas ou mediatas são as que não têm tal virtude. por si sós. Os primeiros são aquêles que resultam da própria natureza humana. porém encaminham os espíritos. a defesa. como o direito de propriedade. pela sua própria fôrça. a honra. podendo ser facultativamente exercidos (o direito do condômino de solicitar a divisão da coisa comum). outros de base altruísta (pátrio poder). FONTES MEDIATAS: JURISPRUDÊNCIA.No sentido subjetivo. FONTES DO DIREITO. Fontes diretas ou imediatas são aquelas que. atenção para a dúvida. São os órgãos sociais de que dimana o direito objetivo. uns são de base egoísta (a propriedade). Dentre os direitos. ou de ato de terceiro. São a lei e o costume. são suficentes para gerar a regra jurídica.Direitos congênitos e direitos adquiridos: . e outros. Classificação dos direitos quanto à sua base: . finalmente. os direitos dividem-se em congênitos e adquiridos. Várias as classificações dessas fontes.

Igualmente. A lei pode ser definida de vários modos. na mesma relação que rex e regere . Outros. obrigatória. embora apresente pontos de contacto com a lei jurídica. com mais acêrto. Da mesma forma. a palavra advém do verbo latino ligare. Além de comum. todos são iguais perante a lei). mais tarde. também não teoriza. regra de proceder. porque elas não têm o mesmo domínio. à lei também atribuiu S. Para uns. da experiência. ou não rege ninguém. assim conceituá-la: lei é um preceito comum e obrigatório. sendo a lei aquilo que liga. Lex e legere estão. ToMÁs o caráter de preceito. a lei da gravidade). Muito amplo é o conceito de lei em geral. sem exclusão de ninguém. Já era êsse o entendimento de PAPINIANO (lex est commune praeceptum). aquilo que vincula. emanado do poder competente e provido de sanção. por exemplo. exprime apenas aquilo que deve ser nas relações entre os homens (por exemplo. nem o mesmo fundamento. cuja origem se presta à controvérsia. invocando as normas . porém. abrangendo o vocábulo tanto a lei natural.etimologia do vocábulo. Já procuramos mostrar anteriormente que a lei moral. com esta não se confunde. todavia. a lei é. aquilo que obriga. Há quem lhe negue tal atributo. norma. como a lei moral e a lei jurídica. Esta é a síntese de uma realidade. É um preceito comum. aquilo que se lê. Excelente. Dirige-se indistintamente a todos os membros da coletividade. a lei ou rege todos. a lei jurídica não se confunde com a lei natural ou física. a definição de RUGGIERO-MAROI: é a norma imposta pelo Estado e tornada obrigatória na sua observância. assumindo forma coativa. Ninguém se subtrai ao seu tom imperativo e ao seu campo de ação. Analisemos os diversos elementos dessa definição. ao passo que aquela não recebe a verdade da observação dos fenômenos. destarte. Como diz LAuRENt. exprime aquilo que (por exemplo. asseguram que sua origem é o verbo legere. Ela ordena e não exorta (jubeat non suadeat). nem a mesma sanção. por igual. isto é. Preferimos.

Finalmente. desde que os interessados não tenham anteriormente disciplinado o assunto de modo diverso. perde a obrigatoriedade e. portanto. Se provier de órgão incompetente. Promulgação é o ato pelo qual o chefe de Estado atesta perante o corpo social a existência da lei. mesmo supletiva (art. combinado com o art. Mesmo o jus dispositivum é obrigatório. porque é da publicação que decorre presumidamente o conhecimento da . Trata-se de elemento essencial à existência da lei e sua antítese natural é o veto. da promulgação e da publicação. 67 e seguintes. publicação é o meio adotado para tornar a lei conhecida. não procede êsse ponto de vista. a verdade é que. Aliás. A lei deve emanar do poder competente. cabe determinar o órgão competente para a elaboração das leis. n.o XV. ou não cogentes. que constitui a repulsa do executivo à lei formulada pelo legislativo. Sanção (de sanctum) é o ato pelo qual o executivo manifesta sua aquiescência à lei elaborada pelo legislativo. à União compete legislar privativamente sôbre direito civil. 5. Ao direito constitucional. Não se confunde com a promulgação. na confecção das leis.o). ordenando-lhe o respectivo cumprimento. não tendo os Estados. que podem ser derrogadas pela vontade das partes. qualquer competência. letra a. Entre nós. enquanto pela publicação a lei se torna obrigatória . também colabora o poder executivo. como está expresso na Constituição Federal. deixa de ser direito. arts.dispositivas. É formalidade substancial. 6. Mas. que tem por objeto as normas que presidem à suprema organização do Estado. êsse órgão é o poder legislativo.o. a respeito. Conquanto efetivamente caiba ao legislativo sua formulação. inclusive quanto à divisão de podêres. Tem esta por fim tornar a lei executória. através da sanção.

Sômente não será obrigatória para o povo enquanto. arresto ou seqüestro. indenização por perdas e danos. torná-lo inviolável. que significa reforçar o preceito. a lei fundamental. esclarece ANDREA TORRENTE. as de forma. Trata-se. Em primeiro lugar. concedendo execução de sentença. Num Estado federal. não podendo ser reformada senão por outra lei. segundo o que está publicado. um fogo que não queima. A lei. Nesse caso. como já vimos. deferindo penhora. Trata-se de distinção engenhosa. a sanção não opera diretamente ~. A lei adquire então obrigatoriedade. aquelas são as leis de fundo. depois de sancionada. Várias as classificações das leis. no direito privado. que remonta ao período medieval. é uma contradição em si. ou de modo indireto. quando ensinada por BARTOLO e que ainda hoje serve com proveito à exposição doutrinária do direito. a lei primeira. A sanção atua de modo direto. As leis de processo. no tocante à sua natureza. Por fim. socorre-se o ordenamento jurídico de outros meios para alcançar a observância da norma. disse IHERING. 115/28). vêm as leis . ordenando prisão). estaduais e municipais. elas são substantivas ou adjetivas. em regra. Contudo. ainda que não publicada. Regra jurídica sem coação. por assemelhação com os adjetivos. do verbo sancire. cominando pena de nulidade. pela publicação. as leis são federais.lei. Depois. em relação às leis de fundo. como o nosso país. a prestar o serviço militar). estas. existe verdadeira hierarquia nas leis. A lei magna é a Constituição Federal. que só existem na linguagem em função dos substantivos. não se tornar conhecida (Arquivo Judiciário. Quanto à sua origem legislativa. já há lei. de elemento inseparável do direito. ou para reparar sua violação (por exemplo. são chamadas de adjetivas. constrangendo o indivíduo a fazer o que a lei determina (por exemplo. a última característica da lei é a sanção (no sentido de coação). uma luz que não alumia.

acolheu-se a mesma tese em questão relacionada com o comércio e a fiscalização da carne verde (Revista dos Tribunais. Decidido ficou. Código de Obras. por último. 144. A Constituição Paulista. 1. Referentemente às pessoas a que se dirigem. as leis são imperativas (todos são iguais perante a lei).federais ordinárias. garantia a livre cir culação da loteria federal em todo território nacional. a que defere autorização a alguém para pesquisa e lavra). Código de Caça. a que concede pensão a determinada pessoa. as leis estaduais ordinárias e. em seguida. em terceiro lugar. o Código de Trânsito. civis (Código Civil e demais leis que lhe introduziram modificações) e comerciais (Código Comercial. . A lei federal. no art. proibiu a circulação de qualquer loteria. Lei de Imprensa). Lei das Contravenções Penais. as Constituições Estaduais e as leis constitucionais). a hierarquia das leis encontrou interessante aplicação na questão da loteria federal. Civil). Com relação aos seus efeitos. a Consolidação das Leis do Trabalho) e individuais (por exemplo. o Código Civil. 170/556). as leis são constitucionais (a Constituição Federal. administrativas (Código Florestal. observar-se-á essa ordem de precedência quanto à sua aplicação. nessa oportunidade. que ao Estado não é lícito criar embaraço a uma atividade assegurada pela lei federal (Revista dos Tribunais. penais (Código Penal. o Código Penal). o Código de Propriedade Industrial.531 do Cód. Surgindo conflito entre elas. o Código de Processo Civil. as leis serão gerais (por exemplo. De outra feita. 297/339). Código de Pesca). entretanto. Lei Cambial). a Constituição Estadual. as leis municipais. proibitivas (não pode ser objeto de contrato a herança de pessoa viva). facultativas (o direito de adotar) e punitivas (caso do art. especiais (o Código Comercial. No Estado de SSão Paulo. Quanto à natureza do direito que elas regulam. Lei de Falências.

É o caso da Inglaterra. com a mesma simplicidade com que se elabora uma lei comum. podendo. Sua aplicação é imediata. com a mesma facilidade com que se elaboram as leis comuns. É o caso do Brasil. portanto. em que a reforma terá de obedecer ao formalismo prescrito pelo art. de 1-6-1964. esta não pode ser modificada pelo poder legislativo ordinário. pode esta ser alterada pelo poder legislativo ordinário. Nos países de Constituição flexível. qualquer modificação depende de cuidados especiais. no dizer dos tratadistas alemães. as leis são constitucionais ou inconstitucionais. porém. o problema da inconstitucionalidade das leis. nos têrmos do art. A ela devem afeiçoar-se tôdas as demais leis do país. se o texto constitucional é enfrentado por lei ordinária subseqüente.o. não pode subsistir.337. ser emendada por qualquer outra lei. devendo a inconstitucionalidade ser decretada pelo poder judiciário. A Constituição é a lei suprema. cuja Constituição não se distingue das leis ordinárias. como o nosso. . a competência das competências. n.o VII. Nesse e em outros países de Constituição flexível não há. Segundo DICEY as Constituições podem ser rígidas ou flexíveis. 217 e seus parágrafos da Constituição Federal. pois.o 4. 200 da Constituição Federal. as leis constitucionais regem o presente e o futuro. sendo-lhe aquela posterior. entende-se que foi esta revogada. Nos países de Constituição rígida. esta cede o passo. A Lei n. regula a declaração de inconstitucionalidade para os efeitos do art. 7. Tudo o que se lhe contraponha fica eliminado. Nos países de Constituição rígida. com o consentimento da rainha e das duas câmaras. De fato. Se uma lei se chocar com a Constituição. da Constituição Federal. Ao inverso.No que concerne à sua conformidade com a lei básica.

suprimir-se-ia um dos graus de jurisdição. mas nenhuma restrição trouxe à capacidade dos juizes de primeira instância nessa matéria. quando não existe poder legislativo regular. Assim sendo. De outro modo. Igualmente não entra em jôgo a questão da inconstitucionalidade se a Constituição é posterior à lei de que se trata. da Constituição Federal. porque pode implicar invasão de podêres. tendo mesmo idêntica eficácia. ela só é pronunciada quando clara e evidente. transparecendo desde logo acima de qualquer dúvida razoável. Atualmente. Federal. Larga foi a messe dos decretos-lei em nosso país no período ditatorial. entendese por decreto-lei ato expedido pelo poder executivo em período revolucionário ou de transição. as leis são impositivas ou cogentes e dispositivas ou facultativas. Relativamente à possibilidade de serem ou não derrogáveis pelas partes. Não pode ela ser examinada em relação à lei em tese. é ato jurídico de natureza gratuita). êles não são mais permitidos. As segundas são suscetíveis de derrogação (por exemplo. A questão da inconstitucionalidade das leis é de extrema gravidade e delicadeza. Na linguagem jurídica tradicional. que não as pode modificar (por exemplo. 200 limitou-se a fixar o qworum para declaração de inconstitucionalidade nos juízos coletivos.o). art. As primeiras pairam acima da vontade privada. as leis de ordem pública). 8. § único. Cuidarse-á então de saber apenas se esta subsiste em face daquela. se foi ou não por ela revogada. modificando ou revogando leis em vigor. podem as partes estipular remuneração ao depósito. podemos situar o decreto-lei. Por outro lado.o. uma vez que é proibida a delegação de podêres (Const. § 2. . salvo na hipótese do art. que. 36.O citado art. por índole. havendo possibilidade de solução do litígio sem apreciação da inconstitucionalidade. Ao lado da lei. não deve esta ser objeto de decisão pelo juiz.

devido à escassa função legislativa e ao número limitado de leis escritas. constituindo desenvolvimento. Se o segundo se sobrepõe à primeira.o. só sendo aplicado no caso de falta ou omissão da lei (Intr. ou num conceito do passado. mas nem por isso se converteu num ramo morto do direito. conceder naturalização e outros atos relativos à administração pública. Dec. de 30-12-1931. de um modo geral. nos países de direito costumeiro. especificação ou complementação do pensamento legislativo. desfrutava o costume de larga projeção. outorgar privilégios. quaisquer explanações. No direito moderno. n. que dêle se serve para fazer nomeações.636. Continua a brotar da consciência jurídica popular. 4. art. Cód. Destina-se a facilitar a execução das leis.881. arts.Mencionados devem ser ainda os regulamentos e os decretos. Dec. A supremacia da lei sôbre o regulamento constitui tese pacífica e consagrada. 6. Já no direito comercial. chegada a hora das codificações. Não pode ser sobreposto à lei. Sua função. 87. como adverte SERPA LOPES. No vigente direito civil brasileiro.No direito antigo.o a 9. Seu objetivo é o desempenho das atribuições constitucionais do executivo. saliente é seu papel como fonte do direito. n. como a Inglaterra. fôrça reconhecê-lo.o 24. prevalece curialmente a última. n.o 20. Ainda hoje. o costume abre ensejo a mais amplas aplicações (Cód. no conflito entre ambos. 291. exígua é sua atuação. cabe aos órgãos judiciários lhe recusar aplicação. eminentemente integrativa da lei. dispensando. mas sem o caráter de regra comum inerente às leis e regulamentos. Regulamento é ato do poder executivo (Const. Do costume: . Federal. art. desde que consagrado pelos precedentes judiciários. por isso. como inicial manifestação do direito. Decreto é também ato do poder executivo. foi êle perdendo paulatinamente sua importância.o I). Civil. porém. art. Comercial.o). .

o direito preexistente.teoria da vontade popular.sua uniformidade. c) . apregoada por PLANIOL. que produz a tendência à conformidade geral.teoria da razoabilidade judicial. tão-somente.o 93. Finalmente. 2. entretanto. para a última teoria. o costume descansa sua fôrça obrigatória na vontade tácita do povo. subjetivo e interno. objetivo. Essa teoria não satisfaz. Capítulo VIII). n. o uso. a certeza da imprescindibilidade da norma. b) . da geral e constante repetição de determinado comportamento. de que certo uso ou praxe é necessário.de 10-7-1934. A primeira questão que se oferece no seu estudo é relativa à sua obrigatoriedade. outro. a obrigatoriedade do costume promana das decisões judiciais.sua moralidade. aliás. de natureza externa. art. na vontade tácita do legislador. ou melhor.teoria da convicção jurídica. O costume deriva da longa prática uniforme. a convicção jurídica (opinio juris et necessitate). a mais antiga. Seção III. o costume só era considerado como fonte subsidiária do direito mediante as condições .o. Essa teoria é indefensável. b) . letra a. Dec. Da reunião de ambos decorre sua obrigatoriedade. d) . Sua legitimidade promana dessa reiteração. tal concepção não pode ser aceita. porque juizes e tribunais não criam o direito. Por que o costume é obrigatório? Teorias várias foram formuladas: a) . De acôrdo com a primeira. São pois condições indispensáveis à sua vigência: a) . porque nenhuma razão autoriza se converta em direito a simples convicção.sua diuturnidade. Ao tempo das Ordenações do Reino. porque costumes existem que se acham em vigor e que. no entanto. de 20-3-1935. aplicam. são completamente ignorados do povo.sua obrigatoriedade. e) . Mas. transformando-a em ordem autoritária do ente coletivo.sua continuidade. c) . consistente na prática uniforme e reiterada de certos atos. de autoria de SAVIGNY costume resulta do concurso de dois elementos: um. De conformidade com a segunda.

o 4. No primeiro caso. art. de 15-4-1963. art. não contido na norma.192. secundum legem e contra legem.569. 1014. só intervém na ausência ou omissão da lei. De seu valor se pode ter idéia com o famoso Tribunal dos Mortos. Da doutrina: . a doutrina e a jurisprudência. A prova dos usos e costumes comerciais far-se-á por certidão da Junta Comercial (Dec. 8. o assentamento dos usos e práticas mercantis (Lei n. n. é mais flexível (vantagem). a doutrina consistia na comunis opinio dos doutores. surge norma contrária à lei. o Código Civil refere-se aos usos e costumes (arts.726. 1.o I). 588. c) . de 30-8-1937. Dec.242 e 1. no terceiro.ter mais de cem anos.não ser contrário às leis. passemos às fontes indiretas ou mediatas. art. 1. Os costumes são admitidos excepcionalmente para suprir lacunas ou deficiências da lei. a lei é vontade precisa da consciência jurídica (vantagem). 1. mas essa manifestação é rígida (desvantagem). O mesmo sucede em algumas leis avulsas (Lei n.o 9.Estudadas as fontes diretas ou imediatas do direito objetivo. o costume pode apresentar-se numa das seguintes categorias: pra eter legem. art. às Juntas Comerciais. exclusivamente.ser conforme à boa razão. 1. b) . por motivos óbvios. O costume. êle caracteriza-se pelo seu cunho supletivo.-lei n. ao inverso. Ainda com referência à lei. n.588.o.219. e que .210. no segundo.o II. § 2.218. de 16-8-1946. Incumbe. o preceito. é reconhecido e admitido com eficácia obrigatória. constituído por Teodósio II. Em relação à lei.825.o. 50). o costume oferece vantagens e desvantagens. 31). é mais obscuro (desvantagem) em compensação. n. jamais os podem acolher tribunais contra preceito legal expresso. Se há lei em vigor que prescreva em sentido contrário não é possível a formação da regra consuetudinária.o 492.o). 3. Realmente. de 13-7-1965. No direito romano. Em numerosos textos. 1.seguintes: a) .o 41.

apontando o melhor caminho para corrigi-los e emendá-los. PAULO. A parte que tem em seu favor os precedentes judiciários ganhará certamente a demanda. por sua vez. Da jurisprudência: . Por seu intermédio. Para o anglo-saxão. não deveria perguntá-lo a LuCRÉCIO. Em caso de empate. como fonte normal do direito positivo. considerável é sua importância. No sistema latino. Muitas críticas lhe são dirigidas. portanto. Por mais reiterada que seja a jurisprudência. Na frase de IHERING. nos dias atuais. Conserva a doutrina. sem dúvida. sua significação e relevância na elaboração do direito positivo. prevalecia a opinião do primeiro. apreciável valor. bastavam para que bibliotecas inteiras se reduzissem a um montão de papéis inúteis. Embora os precedentes constituam precisas fontes de consulta. ULPIANO e MODESTINO. a corrigirem um texto. Chegou êle a efetuar conferência subordinada a êste título: "o nenhum valor da jurisprudência como ciencia". Forma-se ela através dos pareceres dos jurisconsultos. bem menos significativo é seu papel. Muita injustiça há. a servir de guia para o julgador e de boa orientação para o legislador. a jurisprudência foi a filosofia nacional dos romanos. a SÉNECA ou a . não constitui norma imperativa. depura-se e cristaliza-se o melhor critério interpretativo. KIRCHMAN. Quem quisesse compreender como êstes entendiam o homem e a sociedade. das opiniões dos tratadistas e dos trabalhos forenses. nessa increpação. Realmente. de direito costumeiro. entretanto. arvorado em presidente do hipotético tribunal. Dizia PASCAL que três graus de latitude revogam uma jurisprudência. diversificam profundamente os sistemas jurídicos contemporâneos. dos ensinamentos dos professôres. nem por isso estão os juízes obrigados a seguilos. Inegável.Quanto ao valor desta. afirmava que três palavras da lei. GAIO.tornava vinculativas as opiniões de PAPINIANO. tais obras deixam à mostra os defeitos e inconvenientes da lei em vigor.

Muitas situações iníquas surgiram. 1. como adverte Rossi. de 24-9-1942. como diz PLANIOL. Efetivamente. Já tivemos. não podendo. a jurisprudência antecipa-se ao trabalho legislativo. uma lei que assim dispunha: "As justiças dos Estados.o). contudo. n. por fôrça de seu estatuto pessoal. ser reconhecidos. ULPIANO e GAIO. ela constitui-se em verdadeira fonte de vida jurídica. vindo pobre para o Brasil. De fato. após a dissolução da sociedade conjugal. o homem reclama e a lei é surda. que vieram possibilitar tal reconhecimento. forma-se ao contrário no meio dos negócios e das realidades. a PAULO.737. pois. Antigamente. por exemplo a referente à locação. Para o casal italiano. forçando a expedição do Decreto-lei n. de 9-8-1933. Nessas condições.MARCO AuRÉLIO. êsse entendimento. Em algumas matérias. bens adquiridos em nome do marido só a êle pertenciam. mas. Longa série de julgados alterou. 358 do Código Civil (texto primitivo). É a jurisprudência que forçosamente segue o homem e o escuta sempre. Na frase de CAPITANT. É que ela.o 23. chegando mesmo a abalar conceitos jurídicos tradicionais. e da Lei n. de acôrdo com o art. de 21-10-1949. o direito jurisprudencial vem completar. todavia. por sua livre vontade.o 4. . O homem não lhe impõe seus arestos. principalmente. art. não se alimenta de abstrações. em homenagem à obra construtiva efetuada pelo pretor. Modernamente.o 883.055. inúmeras e benéficas foram as transformações introduzidas no direito romano pela jurisprudência. força-a a pronunciar-se. modificar. do Distrito Federal e do Território do Acre devem interpretar as leis da União de acôrdo com a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal" (Dec. muitas vêzes chamada de direito pretoriano. os filhos de desquitados eram considerados adulterinos. enriquecer. o homem caminha segundo sua fantasia e a lei claudica. mas. o regime matrimonial era o da completa separação. recobrir de nova vegetação o direito escrito nos textos legislativos. Alguns casos concretos realçarão a importância da jurisprudência na formação do direito.

casada com estrangeiro. o Decreto n. permanentemente utilizado e respeitado. Mas a jurisprudência.em detrimento da mulher. 14 da velha Introdução ao Código Civil.o 24.494.-lei n. Ora. entendimento que. a jurisprudência tem proporcionado notáveis contribuições à elaboração do direito positivo. no tocante à legislação de emergência sôbre o inquilinato. 17). acêrca da retomada pelo compromissário-comprador.o 24. 8. sàbiamente.150 fundou-se na eqüidade (art. 11. de 29-121956. É o que sucede. porque a presunção era a de que a espôsa havia contribuído com seu esfôrço. criando caso de retomada que a lei não previra. sob regime que exclua a comunhão universal. socorre a mesma disposição específica (Dec. havendo nêle obras visíveis.200. Ela deve basear-se num tratamento eqüitativo para ambas. 11. se não haverá iniqüidade. sendo certo que à brasileira. Outro caso revelado pela jurisprudência concerne à servidão de trânsito. de 19-4-1941.o. Tal entendimento tornou-se normal. 16) e esta não pode consistir em tratamento melhor para uma parte do que para outra. a comunhão dos adquiridos na constância do matrimônio. VIII. Como aterros. com a aplicação da regra constante do art. por fim. art.o 3. uniformemente admitida por juizes e tribunais e afinal consagrada em texto expresso (Lei n. trabalho e economia para a aquisição. pontes e porteiras. não admite retomada para construção de obra de vulto. . o diploma legal permitiu-a apenas para edificação de obras determinadas pelo poder público (art.150.o 4. em casos semelhantes. que goza de proteção possessória. ns. art. É o caso ainda da orientação jurisprudencial que não vislumbrava abuso de direito na reiterada purgação da mora por parte do locatário. art. ampliou o alcance da disposição legal.o 3.085. IX e X). letra d). desde que se trate de caminho antigo. O Decreto n. Passou então a jurisprudência a admitir. por exemplo. de 30-11-1964. se cristalizou na Lei n. Em matéria de locação predial. de 20-4-1934.

ipso facto. Quando tem início a obrigatoriedade da lei: . DA RETROATIVIDADE E DA INTERPRETAÇÃO DAS LEIS. 1. a invariável seqüência dos julgamentos torna-se como que o suplemento da própria legislação. Consagrada se acha. Como bem diz o Supremo Tribunal Federal. pareceu também razoável que ao locatário se estendesse a vantagem do art.o III.521. cumpre chamar a atenção para a transformação operada na responsabilidade civil.Essa questão tem sido regulada por dois sistemas diferentes. n. o famoso preceito referente às pessoas jurídicas universitas distat a singulis . Por fim. Por exemplo. A antiga Introdução ao Código Civil adotava o princípio da obrigatoriedade progressiva. o início da obrigatoriedade processa-se por partes. e 1. quando não fixassem outro . para uso desta. a culpa do preponente. No segundo. concessão de indenização pelos prejuízos de mudança e despesas da nova instalação. No primeiro caso. 8.o. o da obrigatoriedade progressiva e o da obrigatoriedade simultânea. para não nos alongarmos em demasia. QUANDO TEM INÍCIO E QUANDO CESSA A SUA OBRIGATORIEDADE. Em alguns casos mesmo. letra d.o.523. depois nas mais remotas. a lei entra em vigor a um só tempo em todo o país. olvidar o papel que à jurisprudência está reservado na formação do direito. Dispunha a mesma. Humanizaram-Se assim os preceitos conStantes dos arts. que a obrigatoriedade das leis. no art. em vantagem do proprietário. orientação segundo a qual da culpa do preposto emerge. de prédio pertencente a um dos sócios individualmente. no propósito de admitir-se retornada pela sociedade. 2. a jurisprudência chega a afetar princípios clássicos. pois. Impossível. por iterativa jurisprudência.sofre temperamentos em matéria de locação predial. DA VIGÊNCIA DA LEI. como se salientou anteriormente.Desde que se deu interpretação ampliativa ao art. 20. primeiro nas regiões mais próximas. da lei civil.

o prazo da obrigatoriedade começará a correr da nova publicação (art. § 3. As correções a texto de lei já em vigor consideram-se lei nova (art. há casos em que a lei obriga no exterior: a) nas embaixadas. agentes e mais funcionários dessas repartições. destinada a correção.o. O sistema do prazo único é também o adotado pelo Código Civil espanhol (art. legações. A vigência das leis. antes de entrar a lei em vigor. Referentemente à sua obrigatoriedade em países estrangeiros. da obrigatoriedade simultânea: salvo disposição contrária. contados após a publicação na Capital Federal (antiga Introdução. compreendidas as circunscrições não constituídas em Estado. . trinta dias nos Estados marítimos e no de Minas Gerais. 1. três dias depois de oficialmente publicada. § 2. o prazo. 1. Civil. consulados e escritórios. Se. A nova lei de Introdução (Dec. todavia. entretanto. depende da aprovação dêste e começará no prazo que a legislação estadual fixar (Intr. acêrca de seu estatuto pessoal e sôbre todos os atos regidos pelas leis pátrias. 1. quando admitida. ocorrer nova publicação de seu texto.657.o). que era de quatro meses. começaria.o.no que concerne aos brasileiros.o 4. § 1. foi reduzido a três meses. Cód.o. a lei começa a vigorar em todo o país quarenta e cinco dias depois de oficialmente publicada (art. b) . 1. 2. c) . depois de oficialmente publicada (nova Introdução. § único). art. no tocante às atribuições dos embaixadores. De fato. que os Governos Estaduais elaborem por autorização do Govêrno Federal. cem dias nos outros. o sistema oposto. art. quinze dias no Estado do Rio de Janeiro. art.para todos quantos tenham interêsses regulados pelas leis brasileiras.o. ministros. no Distrito Federal. cônsules. 1.-lei n. É êsse igualmente o sistema do Código Napoleão. caput).prazo. Esse princípio. de 4-9-1942) perfilha.o.o).o). não é absoluto porquanto quase tôdas as leis atualmente expedidas prescrevem sua entrada em vigor na data da respectiva publicação.o).

para efeito de sua obrigatoriedade.o). Geralmente é estabelecido para melhor divulgação dos textos. De maneira mais concisa e mais feliz dispunha igualmente a antiga Introdução (art. alegando que não a conhece (Intr. ela se ressente de erros e omissões. 5.o). alegando ignorar a lei. Efetivamente. esta não se considera lei nova. demonstrado o êrro com que foi publicada a lei. que simples êrro tipográfico no texto da lei.1. Do exposto se dá conta do relevante papel que a publicação desempenha na obrigatoriedade da lei. se. que. Tenha-se presente. art. . Enquanto não transcorrido êsse período. Sucede. 3. a lei nova não tem fôrça obrigatória. ninguém se escusa de cumprir a lei. Penal. quando evidente. O espaço de tempo compreendido entre a publicação da lei e sua entrada em vigor denomina-se vacatio legis. Uma vez publicada.nemo consetur ignorare legem. pois.o. Cód. embora ociosa. § 4. A ignorância ou a errada compreensão da lei não eximem da pena (Cód. ela já entrara em vigor. publicada com incorreções. Idêntico preceito se depara em matéria penal. ainda que faça sentido o texto errado. Encerram ambos os preceitos velho brocardo latino: nemo jus ignorare consetur . no entanto. dispensa lei retificativa.o): ninguém se escusa. todavia. Civil. A lei torna-se obrigatória pela publicação oficial e segundo o que está publicado. porém. não deve ser aplicado o pensamento resultante do texto defeituoso e sim o que de fato teria disposto o legislador. Considera-se. a correção feita é reputada lei nova. E a competência para corrigir o êrro é do próprio juiz. Quando a retificação se faça por lei posterior. ainda não entrou em vigor. Se a lei. só começará sua obrigatoriedade com a nova publicação. por outras palavras: ignorantia legis neminem excusat. muitas vêzes. conquanto já publicada. ainda em vigor a lei precedente sôbre a mesma matéria. Ou ainda.

quando escusáveis. com a legislação de emergência sôbre o inquilinato. Se admissível fôsse dispensa fundada na ignorantia legis. de 3-10-1941). como é bem de ver. Em matéria penal. 8. o preceito não contém regra absoluta.688. prescreve a Lei das Contravenções Penais (Dec. de antemão. como escusa à inobservância da norma. a lei terá vigor até que outra a modifique ou revogue (Intr. o admite. Cód. Quando cessa a obrigatoriedade da lei: . apoiados pela jurisprudência. com evidentes prejuízos para a comunidade. Efetivamente. pois ignoro.-lei n. a própria ignorância. de ANDREA TORRENTE: acredito que uma pessoa é estrangeira. Entretanto.o). por exemplo. não estarei procurando subtrair-me ao comando legislativo. art. a fôrça imperativa da norma estaria comprometida e vacilante se tornaria todo o sistema jurídico. sem dúvida.o: "no caso de ignorância ou de errada compreensão da lei. A quase unanimidade dos autores. o citado preceito que impede aduza alguém. o êrro de direito foi acolhido pelo direito pátrio. . não obstante a omissão do Código e a objeção de CLÓvIS. É o que acontece. fixando-se-lhes. e capaz de produzir anulação do ato jurídico. 2. De fato. apenas buscarei demonstrar um extravio verificado no processo formativo da minha vontade. algumas leis são expedidas. Justifica-se. Ele comporta temperamentos quer em matéria penal. admite-se também atenuação da norma para a caracterização do chamado erro de direito. a legislação sôbre cidadania e nacionalidade. à fôrça imperativa da norma. a pena pode deixar de ser aplicada".Não se destinando à vigência temporária. Civil. efêmera duração. Medite-se realmente neste exemplo. posto que a mesma venha sendo sucessivamente prorrogada.art. art. É o que sucede ainda com a lei que outorga o benefício da moratória.o 3. quer em matéria civil. Em matéria civil. equiparado ao erro de fato. 16). Invocando o êrro de direito.

É o chamado princípio da continuidade das leis.o. O legislador teme as conseqüências de ser leal para com a nação.514. o locatário. 2. num de seus dispositivos. a Lei n.494. art.o 4. a revogação.seja com esta incompatível. poderá sublocar o prédio. ou em parte. 163/412). a sublocação total ou parcial e o empréstimo do prédio dependem de consentimento prévio e escrito do locador" . De modo idêntico. prescreveu que: "a cessão da locação. no todo. sem declarar explicitamente revogada a anterior: a) . nas locações a prazo fixo.quando regule inteiramente a matéria de que tratava a lei anterior (art. 18 do Decreto-lei n. se a lei nova.o. porém.o. § 1. Cód. não se fixando prazo de duração prolonga-se a obrigatoriedade até que a lei seja modificada ou revogada por outra lei. ou por via oblíqua.o. Por exemplo. continuando responsável ao locador pela conservação do imóvel e solução do aluguel. o art. Por exemplo. de modo contrário. quando a lei nova taxativamente declara revogada a lei anterior (Intr. A revogação pode ser expressa ou tácita. última parte). revogou expressamente o art. pode matar o que está vivo e reviver o que morreu. antes ou depois de havê-lo recebido. É expressa. revogam-se as disposições em contrário. É tácita.200. 1. b) . o Decreto n. 87 do Regulamento dos Registros Públicos. deixando ao intérprete e ao juiz a tarefa que era dêle: dizer o que vigora e o que já não vige. por um destino fatal a marcha da legislação é semelhante à do homem que corre sempre para frente sem olhar um só instante para trás. de 30-11-1964. 2. de 19-4-1941. § 1. de 29-5-1941.Contudo.o 7. declarou expressamente revogado o art. e bem assim emprestá-lo. primeira parte).201 do Código Civil dispõe que não havendo estipulação expressa em contrário. Como diz ANTÃO DE MORAES (Revista dos Tribunais.o 3. A Lei n.270. de 27-6-1955.o 2. cobre-se com a fórmula vaga e imprecisa. Civil. Se fôr muito positivo. Acovardado ante êsse apuro.

que estabelece disposições gerais ou especiais a par das já existentes. Posteriormente. 2. se referir. entende-se que êste foi revogado. não aludiu às ações ordinárias de fôrça velha. derrogá-lo ou ab-rogá-lo. Sobre tal assunto estatuía a velha Introdução.o.o IX.626.(art. art. § 6.o 7. 2.o 22.o) Medite-se no seguinte e elucidativo exemplo: em consonância com o art. o Decreto n. Em matéria de leis. senão quando a ela. se a lei nova regula a matéria de que trata a lei anterior e não reproduz determinado dispositivo. a lei revogada não se restaura por ter a lei revogadora perdido a vigência (Introdução. ou derroga. por outra lei. a modificação de redação do texto de um dispositivo legal constitui modo usado pelo legislador para revogá-lo. entretanto. para cobrança de seus honorários. ou ao seu assunto. alterando-a.961. todavia. explícita ou implicitamente". Salvo disposição em contrário. 371). Por fim. nem a geral revoga a especial. 523 do Código Civil. Outro exemplo: o art. de 18-9-1945. 16. § 3. de 7-41933 (Lei da Usura). êsse prazo foi elevado para cinco anos. mas a disposição especial não revoga a geral.062 do mesmo Código permitia a livre estipulação de juros. de forma lapidar (art. se há de sustentar que êste dispositivo foi revogado por aquêle.o. 4. Nem por isso.o). 1. 1. um nôvo estado de coisas revoga automàticamente qualquer regra de direito que com êle seja incompatível.o. mencionadas no art. o dôbro da taxa legal (art.o). não revoga nem modifica a lei anterior (Introdução. § 2. Pelo Decreto-lei n. A lei nova. Legi speciali per generalem non derogatur. Da mesma forma. n. prescrevia em um ano a ação dos médicos.o). do Código Civil.o) : "a lei só se revoga. estabeleceu um teto. ao disciplinar os interditos de manutenção e de reintegração de posse (art. 178. o . art. art. Veja-se êste exemplo: o Código de Processo Civil. 2.

Tal controvérsia. A primeira é revogação integral. Inexiste entre nós revogação pelo desuso. sempre que a mesma venha a ser julgada inconstitucional. mas há a suspensão da lei.o 2. da Introdução. § 3. como o próprio nome indica. têm efeito passageiro. Disposição dessa ordem é sem valor jurídico.923. É o caso. a lei revogada não se restaura por ter a lei revogadora perdido a vigência. Disposições transitórias. do § 6. do Código Civil (prazo de um ano). 178. da lei civil. . inegàvelmente. o correto entendimento. como remate. Passaram então alguns a entender que se restabelecera implicitamente a disposição do citado art. por exemplo. de 14-12-1948. a diferenciação conceitual entre ad-rogação e derrogação. uma lei contrária à Constituição posterior representa a revogação da primeira e não a sua inconstitucionalidade. ou revogar. Mas o têrmo revogação abrange as duas modalidades. do art. n. Tecnicamente. Frise-se mais. por determinação do Senado.o 536.o.o. (Const.o IX. uma vez que a Lei n. salvo disposição em contrário. da promessa geral de isenção de impostos. Acentue-se ainda que o legislador não pode interditar-se o direito de modificar. lei que acaso venha a expedir. Era êsse. 178. porquanto. ao passo que a segunda é revogação parcial.último diploma foi revogado pela Lei n. porque o legislador teria exorbitado.o.o. enquanto sustentavam outros que o prazo passara a ser o das ações pessoais em geral (trinta anos). repristinou ou revigorou o inciso IX. § 6. Outras questões paralelas podem ainda ser suscitadas. exercendo poder que lhe não pertence. Tal preceito não vincula as subseqüentes legislaturas. de 21-10-1956. a propósito dos honorários médicos. em conformidade com o art. 2. despiu-se atualmente de qualquer interesse prático.

Na frase de GRENIER. em regra. Sua eficácia.A lei é expedida para disciplinar fatos futuros. correspondente a uma justiça superior. Da retroatividade das leis: . O princípio da não-retroprojeção constitui um dos postulados. alcançando conseqüências jurídicas de fatos efetuados sob a égide de lei anterior. 64). Em regra. art. Por outro lado. O passado escapa ao seu império. que melhor resguarda a segurança dos negócios jurídicos. êsse princípio é a própria moral da legislação. Tão velho como o direito. embora com preceito expresso em . como já se acentuou. sem que esta sobre êles possa ter qualquer influência.Federal. Sua vigência estende-se. restringe-se exclusivamente aos atos verificados durante o período de sua existência. inerente ao próprio sentimento da justiça. porém. É a projeção da lei no passado. êle é altamente político e social. É o sistema ideal. casos existem ainda em que a lei nova retroage no passado. Denomina-se também direito intertemporal. que. ou sôbre fatos anteriores. deve prevalecer o princípio da irretroatividade. que dominam tôda legislação contemporânea. a intangibilidade dos atos jurídicos perfeitos e a invulnerabilidade da coisa julgada. Essa atuação da lei no tempo dá origem à teoria da retroatividade das leis. non respicit). entre nós. constituem garantias constitucionaiS. Há casos. Esse princípio chegou outrora a ser considerado de direito natural. ocorridos ou realizados sob o domínio de uma lei. as leis não têm efeitos pretéritos. elas só valem para o futuro (lex prospicit. Sôbre êle se assentam a estabilidade dos direitos adquiridos. BARTOLO não hesitou em dizer que. em que determinados atos. desde o início de sua obrigatoriedade até o início da obrigatoriedade de outra lei que a derrogue. só vão produzir efeitos na vigência de lei nova.

o: . A de 1937 colocou-se em pólo oposto. como sucedeu. como aquêles cujo comêço do exercício tenha têrmo prefixo. com o Decreto-lei n. 6. numerosos abusos. . a Constituição de 1891 consagrou expressamente aquêle princípio (art. 113. que reproduziu fórmula da velha Introdução ao Código Civil. com a sideração do próprio direito.Chama-se coisa julgada ou caso julgado a decisão judicial de que já não caiba recurso. inalterável a arbítrio de outrem. Parágrafo 1. Não atingirá. o ato jurídico perfeito e a coisa julgada (art. WALKER. § 3.contrário. dominada pela teoria de GABBA. ao direito adquirido e à coisa julgada.907. não podiam as leis projetar seus efeitos no passado. o dispositivo ficou assim elaborado: . respeitados o ato jurídico perfeito."a lei em vigor terá efeito imediato e geral.o: . lei que retroage não é lei. Entre nós.Reputa-se ato jurídico perfeito o já consumado segundo a lei vigente ao tempo em que se efetuou. A nova Introdução. 141. possa exercer. de 1-8-1957.o). de 26-12-1939. entretanto. 3.o: . salvo disposição expressa em contrário. A atual. ou condição preestabelecida. as situações jurídicas definitivamente constituídas e a execução do ato jurídico perfeito". A retroatividade. de completo respeito ao ato jurídico perfeito. Parágrafo 2.o).o 3). de modo mais restrito. citado por BARBALHO afirmava que leis retroativas só tiranos as fazem e só escravos se lhes submetem. com sua orientação.o 1. ou alguém por êle. preceitua que a lei não prejudicará o direito adquirido.Consideram-se adquiridos assim os direitos que o seu titular.o. havia preceituado que "a lei em vigor terá efeito imediato e geral. Com a nova redação que lhe deu a Lei n. Restabeleceu-se assim a fórmula adotada pela velha Introdução (art.o 3. o direito adquirido e a coisa julgada. n. por exemplo. Parágrafo 3. no art. ensejando. proclamou-o BENJAMIN CONSTANT. arrebata à lei seu caráter.238.

cuja específica função. A primeira destrói atos jurídicos perfeitos ou atinge relações já acabadas (por exemplo.907. d) Decreto-lei n. Injusta.Lei n.o As leis proibitivas de usura são de ordem pública. a liberdade civil seria um mito. entre nós. Temos tido. que dispôs sôbre herança jacente. média e mínima.o 3. e) . É justa. art. Desde que o legislador manda aplicar a lei a casos pretéritos.Decreto-lei n. b) Decreto-lei n.626. 11. sem o princípio da irretroatividade. de 19-4-1941. quando não se depara. a retroatividade será a exceção. que considerou jacentes heranças já devolvidas a herdeiros legítimos segundo a lei então vigente). "O respeito aos direitos adquiridos é o único limite à eficácia das leis no tempo". impregnado de intranqüilidade e altamente nocivo aos superiores interêsses do indivíduo e da sociedade.Decreto n. existe retroatividade.Efetivamente. de 7-4-1933.o 1. Se a irretroatividade é a regra. Seria a negação do próprio direito. pouco importando que a palavra seja usada. qualquer ofensa ao direito adquirido. é tutela e garantia. ao ato jurídico perfeito e à coisa julgada. ou não. a estabilidade patrimonial desapareceria e a solidez dos negócios estaria sacrificada.o 3. inexistiria qualquer segurança nas transações. art. 3. na aplicação do texto. de 29-12-1956.o 1. c) . § único.200. de 9-5-1941. A retroatividade pode ser justa ou injusta. art. Vale com efeito retroativo.o 22. a segunda ocorre quando a lei nova alcança .907. A retroatividade pode ser ainda máxima. de 26-12-1939. quando qualquer dessas situações vem a ser lesada com a aplicação retroperante da lei.-lei n. numerosos exemplos de leis retroativas: a) .o 3. a do Dec. no dizer de RUGGIERO-MAROI. para dar lugar a um ambiente de apreensões e incertezas.085. 13.259.

o que. porque com ela se verifica lesão. não pode conter norma colidente com a lei. "Não há retroatividade tácita. Saliente-se. não se consumaram.os efeitos pendentes do ato jurídico verificado antes dela (por exemplo. interpretativas que regulam o exercício dos direitos políticos e individuais. condições de aptidão para cargos públicos. a direitos individuais. nem leis retroativas pela sua própria índole. o Dec. é também o respeito ao direito adquirido. penais mais benignas. mas produzidos após a data em que ela entrou em vigor. tôdas as normas de direito público têm aplicação imediata. para a imediata e geral aplicação. todavia. ainda não se aperfeiçoaram. expressa e inequívoca. Deve decorrer de determinação legal. O requisito sine qua non. de interêsse geral.o 22.o) . organização judiciária e processo (civil e criminal). Todos êsses casos são de retroatividade injusta. como é sabido. a da aplicabilidade imediata da lei nova a relações que. Não há retroatividade virtual ou inata.626. Aliás. de ordem pública (ainda que de direito privado). Mas. administrativas. n. 3. quando a lei nova afeta apenas os efeitos dos atos anteriores. Acham-se nesse caso as leis constitucionais. políticas. devendo o juiz não aplicar a lei nova aos fatos passados se nela não se expressar tal possibilidade". que a retroatividade é exceção e não se presume. porque a irretroatividade promana da lei e o regulamento. em regra. maior ou menor. art. no entanto. A retroatividade não pode ser estabelecida em regulamento. ao ato jurídico perfeito e à coisa julgada. entre a retroatividade e a irretroatividade existe uma situação intermediária. finalmente. nascidas embora sob a vigência da lei antiga. embora não se requeiram palavras sacramentais. como é . a terceira.

a realização do fim social". 2) . "Toda lei de ordem pública tem efeito imediato e geral. "As leis políticas. o princípio fundamental é o de que a lei reguladora será a do tempo . aplica-se esta. Vejamos agora. Simples pedidos de câmbio ou licença prévia não constituem direito adquirido". o bem da coletividade.se. relações nascidas sob o império de outra lei. "A retroatividade das leis interpretativas é regra sôbre a qual não dissentem os doutrinadores". para terminar o prazo antigo. "Não cabe invocar direito adquirido contra a faculdade que tem o legislador de reorganizar os serviços públicos". para finalizar. aplicam-se imediatamente. não se aplica esta. de direito publico. falta tempo menor que o estabelecido pela lei nova. contando-se da data da sua vigência o nôvo prazo. segundo a regra da lei anterior. Em resumo. sob o aspecto do direito intertemporal. estudando a retroatividade das leis que abreviam prazos prescritivos. visando a situações especiais em que predomina o interêsse público. as leis são retroativas. as segundas.óbvio. formulou as seguintes regras.em matéria de contratos. o Prof. inclusive administrativas. As primeiras atingem relações jurídicas perfeitas e acabadas. as terceiras limitam-se a dispor sôbre relações nascidas a partir de sua entrada em vigor. para terminar o prazo antigo da prescrição em curso.se. mas ainda não aperfeiçoadas. "As leis políticas aplicam-se imediatamente. algumas situações concretas: a) .em matéria de prescrição. em suma. pode ser intencionalmente arredado pelo legislador. não há que se cuidar da aplicação da lei nova. b) . falta tempo igual ou maior que o estabelecido pela lei nova. REINALDO PORCHAT. A essas duas regras podemos acrescentar terceira: se a prescrição já se consumou. sufragadas pela jurisprudência: 1) . abrangendo as situações em curso". de aplicação imediata e irretroativas.

a lei nova não pode servir de fundamento para a reforma de uma sentença.A lei quase sempre é clara. Ao ser posta em relação com a prodigiosa diversidade dos fatos. c) . a lei é norma abstrata.a situação do funcionário público pode ser sempre modificada por leis novas in futurum. passando do estado platônico para o estado positivo. será de responsabilidade do legislador. perchê il giudice dell. sobretudo na tela judiciária. Da interpretação das leis: . em têrmos de obrigações.em matéria de processo. a lei nova será aplicada sem prejuízo dos atos processuais consumados sob o império da anterior. Eis aí. para fixar-lhe o exato sentido e extensão. como soam suas palavras. nem tem a virtude de revogar a coisa julgada. Deve então ser aplicada. A necessidade da interpretação surge a todo momento no mundo jurídico.em que os mesmos foram celebrados. o árduo problema da interpretação das leis. hipótese em que descabe qualquer trabalho interpretativo (lex clara non indiget interpretatione). pode dar ensejo à interpretação. Aliás. evitando-se a interpretatio abrogans. vigora a lei do tempo em que elas se constituíram. deve applicarsi ao caso relativo il diritto anteriore e non il nuovo. che vigeva quando fu pronunciata". desmentindo assim . "Se si ha una sentenza non ancora passata in giudicato. d) . qualquer que seja a fonte de que derivem. fonte de tantos abusos. e o grande e difícil problema cujo conhecimento torna o jurista verdadeiramente digno dêsse nome. A interpretação das leis é a ciência jurídica inteira.istanza superiore deve fondare lesame della sentenza impugnata sul diritto. e) . Mas a lei que regula os efeitos da apelação é a vigente ao tempo em que o recurso fôr interposto. Todavia. na frase de DEMOLOMBE. a desafiar a nossa argúcia. Se houver injustiça.

Para SAvIGNY. b) . pois.quanto aos seus meios. é determinar-lhe com exatidão seu verdadeiro sentido. do texto controvertido (nihil dat novi. Existem vários modos de interpretação: a) quanto às suas fontes. Ante essa obra tão definitiva e completa. Quase sempre se exerce através de lei interpretativa. o que o legislador realmente quis editar ou estatuir. seja para entender corretamente seu sentido. Interpretar uma lei. sed datum significat). As regras de interpretação constituem a chamada hermenêutica jurídica. A primeira é fornecida pelo mesmo poder que elaborou a lei. repita-se. interpretação é a reconstrução do pensamento contido na lei. jurisprudencial e doutrinal. Fácil será a tarefa se se trata de lei clara. para que "legum interpretationis. O legislador moderno não tem a veleidade de imitar JuSTINIANO. Quanto às suas fontes. a interpretação pode ser autêntica. perguntava o legislador. Interpretar a lei será. immo magis perversiones?" Mas essa ilusão logo se desfez e mais cedo do que se imaginava surgiu a necessidade da interpretação. A ambigüidade do texto. imperfeição e falta de técnica impõem. má redação. que inculcava ser tão clara sua legislação que a obra do intérprete se tornava supérflua. a pesquisar-lhe o verdadeiro significado. O legislador primitivo. porém. c) quanto aos seus resultados. reconstruir a mens legis. o exato significado. a intervenção do intérprete. a todo instante. por via da qual se determina o verdadeiro sentido. descobrindo os vários elementos significativos que entram em sua compreensão e reconhecendo todos os casos a que se estende sua aplicação.o dito de PROUDHON de que "é caluniar a lei supor que ela é deficiente e obscura". se a norma a ser interpretada é obscura ou formulada de modo ambíguo. cuja intenção se teve . difícil. seja para suprir-lhe as lacunas.

É possível. irrefutável e decisiva não é a interpretação autêntica. de molde a resultar perfeita harmonia e coerência. Entretanto. assume entidade própria. A interpretação jurisprudencial é a ministrada pelos tribunais. quer sintàticamente. uniforme. fundada sôbre as regras da lingüística. o hermeneuta se atém às necessidades jurídicas emergentes no instante da elaboração da lei. lógica. Quanto aos meios. Na segunda. mas. histórica e sistemática. combinandoos e confrontando-os entre si. naturalmente proporcional ao merecimento do intérprete. atribuir-lhe significado diverso daquele que lhe emprestam os órgãos que a formularam. Tal investigação. quer isolada. pelo efeito de caridosa ficção da nova lei. repetida. torna-se usual. destacado da árvore. não ter tido nunca outra vontade senão aquela que foi reconhecida por essa mesma lei sôbre os pontos obscuros. origem etimológica e outros dados. no sistema jurídico em geral. além de ser uma anomalia a lei interpretativa. É um diploma de clareza que lhe conferem de repente. a lei é examinada em seu conjunto. sendo a lei apreciada sob todos os seus aspectos. É costume comparar a lei ao fruto que. colocação dos vocábulos.como duvidosa. no dizer de SCIALOJA constitui um dos cânones fundamentais da reta interpretação. a interpretação pode ser gramatical. Sua autoridade é também relativa. Na terceira. portanto. A seqüência invariável dos julgados não tem fôrça obrigatória. examina-se literalmente cada têrmo do texto. mediante recursos fornecidos pela lógica. sem ondulações. às circunstâncias eventuais e contingentes que provocaram a expedição da norma . é reputado. atendendo-se à pontuação. De acôrdo com a primeira. A interpretação doutrinal é a dos juristas que analisam a lei à luz de seus conhecimentos técnicos. analisando-se seus períodos. sendo então geralmente acatada e observada. distinta da árvore que o produziu. com a autoridade de cultores do direito. mercê da reiteração de seus julgamentos.

confronta-a com outros textos. nesse ponto. que abre exceção a regras gerais.o 4. Verifica então qual a real intenção do legislador (mens legistatoris). a razão de ser da norma (ratio legis). o resultado obtido pela interpretação pode ser declarativo se se afirma que a letra da lei corresponde precisamente ao pensamento do legislador (e é o caso normal). se se afirma que a fórmula legislativa é menos ampla que aquêle pensamento. No Decreto-lei n. extensiva e restritiva. Realmente.(elemento teleológico e occasio legis). a finalidade social a que ela é dirigida.657. ou restringe direitos. encontramos uma única disposição sôbre o assunto: "na aplicação da lei. Nessas condições. Tal preceito encerrava o adágio: exceptio strictissimi juris. só abrange os casos. da velha Introdução. extensivo ou ampliativo. restritiva no caso inverso. isto é. o intérprete compara a lei com a anterior que regulava a mesma matéria. Quanto aos resultados. o juiz atenderá aos fins sociais a que ela se dirige e às exigências do bem comum" (art. nem sempre é feliz a expressão usada pelo legislador. de 4-9-1942.o). Quais são aquêles fins sociais e estas exigências do bem comum que o legislador manda tomar como ponto de referência na aplicação da lei? . o seu espírito. Tal era a sua procedência. A antiga Introdução ao Código Civil continha a seguinte regra interpretativa: "A lei. finalmente. que especifica". 5. afastando-se. Na quarta. Acontece algumas vêzes que êle diz menos ou mais do que pretendia dizer (minus dixit quam voluit plus dixit quam voluit). a interpretação pode ser declarativa. de sorte a harmonizá-la com o sistema jurídico. que a nova Lei de Introdução achou inútil reproduzi-lo.

todavia. ANALOGIA. sem dúvida. cujo sentido deve ser fixado. preciso será temperar o espírito do jurista.O texto não esclarece e a doutrina mostra-se imprecisa. que fins sociais são resultantes das linhas mestras traçadas pelo ordenamento político e visando ao bem-estar e à prosperidade do indivíduo e da sociedade.na interpretação deve sempre preferir-se a inteligência que faz sentido à que não faz. Êsses os dados da razão que o magistrado há de cuidadosamente sopesar. isto é. ao inexplicável. adicionandolhe certa dose de espírito social. as expressões são metafísicas e difícil é fixar com acêrto sua compreensão. e) . DA INTEGRAÇÃO DA NORMA JURÍDICA. exigências do bem comum são os elementos que impelem os homens para um ideal de justiça. h) . g) .urge se considere o lugar onde está colocado o dispositivo.deve ser afastada a exegese que conduza ao vago. f) todas as leis excepcionais ou especiais devem ser interpretadas restritivamente. Intuímos. PRINCÍPIOS . EQUIDADE. A doutrina e a jurisprudência estabeleceram vários e preciosos critérios interpretativos: a) . aumentandolhes a felicidade e contribuindo para o seu aprimoramento. a interpretação se fará restritivamente. aquilo que ordinàriamente sucede no meio social.tratando-se. GERAIS DE DIREITO. Por seu turno. b) . c) . de interpretar leis sociais. Por outro lado.deve preferir-se a inteligência que melhor atenda à tradição do direito.onde a lei não distingue o intérprete não deve igualmente distinguir. ao contraditório e ao absurdo. quando tiver de aplicar a lei. Acreditamos. mas encontramos dificuldades em traduzir-lhes a exata significação. seu conteúdo. i) . sob pena de sacrificar-se a verdade à lógica. porém.em matéria fiscal. facilmente. d) há de se ter em vista o eo quod plerumque fit.

a pretexto de obscuridade ou omissão da norma.Da integração da norma jurídica: . inúmeras situações fatalmente surgirão. não consegue prever tôdas as hipóteses que virão a ocorrer na vida real. os critérios interpretativos. a faculdade de auto-integração. eximir-se de proferir despachos ou sentenças". Esgotados. segurança e inteligência. cumpre ao aplicador da lei suprir a lacuna encontrada. a faculdade de completar-se a si mesma. 113: "o juiz não poderá. Por isso. em que se acumulariam preceitos casuísticos. Esses processos são a analogia.O legislador não pode mostrar-se dispersivo. teria transformado o Código em obra extensíssima. Devido a essa concisão proposital. manipulados ou trabalhados pelo julgador. Dispõe efetivamente o Código de Processo Civil. através de processos científicos preexistentes. De fato. como sinônima de direito. não é só. anteriormente expostos. sem resultado. Mas. no art. edita a Introdução ao Código Civil. inerente ao estilo legislativo. Esta. não previstas de modo específico pelo legislador e que reclamam sua adequação à vida por parte do juiz ou do jurista. levou LACERDA DE ALMEIDA a atribuir pernas curtas ao legislador. Seus conceitos hão de ser os mais gerais. . cria a todo instante situações que o legislador não lograra encerrar ou captar em meras fórmulas legislativas ou disposições legais. Êsse desnível entre a lei e os fatos. os costumes e os princípios gerais de direito. caracterizada pela prolixidade. Se assim não sucedesse. Aparece destarte o problema da integração da norma. Tem êste de expressar-se através de textos genéricos e abstratos. entre a previsão do legislador e as ocorrências da vida. mediante os recursos fornecidos pela ciência jurídica. sob pretexto de lacuna ou obscuridade da lei. Possui realmente a lei. já que lícito não lhe é escusar-se de sentenciar ou despachar. nas suas polimorfas e infinitas manifestações. com real prejuízo para a sua clareza.

de acôrdo com os usos e costumes. Por sua vez. não prevista especialmente em lei. 4. Verificado o simultâneo concurso dêsses requisitos legitimado está o emprêgo da analogia."quando a lei fôr omissa. na falta de disposições legais ou contratuais. ela constitui poderoso adminículo. pela jurisprudência. para empregar a linguagem das Ordenações. por analogia. a fim de guardar-lhes a vitalidade.é preciso que o fato considerado não tenha sido especificamente objetivado pelo legislador. que vem em auxílio do juiz. principalmente do direito do trabalho. o juiz decidirá o caso de acôrdo com a analogia. para amparar o juiz. regulou situação que apresenta ponto de contacto.art. cada um dêsses elementos (com exclusão do costume. 8. pois. separadamente. disposição relativa a caso semelhante. já examinado precedentemente). a Consolidação das Leis do Trabalho prescreve no art. Examinemos. o que não deixa de ser lógico."as autoridades administrativas e a Justiça do Trabalho. por eqüidade e outros princípios e normas gerais do direito. pois fatos semelhantes exigem regras semelhantes (ubi eadem ratio legis ibi eadem . mas sempre de maneira que nenhum interêsse de classe ou particular prevaleça sôbre o interêsse público". de que se serve o legislador.finalmente. Analogia: .êste.o: .o: . o direito comparado. e. haja sido o elemento determinante ou decisivo na implantação da regra concernente à situação considerada pelo julgador. Para que se permita o recurso à analogia exige-se a concorrência dos três requisitos seguintes: a) . requer-se que êsse ponto comum às duas situações (a prevista e a não prevista). b) . No dizer de CAPITANT. ainda. os costumes e os princípios gerais de direito". c) . Pressupõe semelhança de relações. perplexo entre relações sociais não expressamente reguladas. baseia-se no argumento de semelhante a semelhante. decidirão. no entanto. conforme o caso. relação de coincidência ou algo de idêntico ou semelhante. para que não permaneça sem solução o caso por êle considerado.A analogia consiste em aplicar a uma hipótese.

em concluir de semelhanças bem estabelecidas entre duas espécies. respeitada sempre a vontade da lei. nesta. pela lei.nas leis penais. De certa norma. Restringem estas a liberdade do indivíduo e não se deseja por isso que o juiz acrescente outras . a norma é tirada do inteiro complexo da legislação vigente. ainda mais genérica. Elucida-o KANT: . Existem duas modalidades de analogia. que compreenda não só a situação especificamente prevista. investiga-se o princípio latente no sistema jurídico. o raciocínio por analogia. Igualmente. o intérprete permanece dentro dos limites do comando legislativo. parte o intérprete para outra regra. na segunda. a qual. Cumpre não confundir analogia com interpretação extensiva. ou do sistema legislativo. verifica-se apenas o caso abrangido em seu espírito. a analogia não se confunde com a indução. Êle não é admitido: a) . como também a não prevista. mas semelhante. é retificada. A segunda (analogia juris) é extraida filosóficamente dos princípios gerais que disciplinam determinado instituto jurídico. exteriorizado em fórmula imperfeita. quando a norma é extraída de outra disposição legislativa. ultrapassou-se os limites estabelecidos por determinada norma. Naquela. a legal e a jurídica.dispositio). O recurso à analogia não é ilimitado. palmilhando-se pontos por esta não focalizados. ou de um complexo de disposições legislativas. aplicável a determinado caso concreto. Na primeira."a indução consiste em estender a todos os sêres de uma mesma espécie observações feitas sôbre alguns dêles. extraem-se os elementos que autorizam sua aplicação a outro caso concreto. O processo analógico tem seu suporte na seguinte operação mental: de uma determinada norma. semelhanças ainda não observadas". não previsto. que regula certa situação. A primeira (analogia legis) é a tirada da própria lei. por assim dizer.

inexistindo. 903 do Código de Processo Civil 10. para apuração dos danos decorrentes. 327 do Código Civil.o II. também por analogia. g) . a interpretação analógica. que não estradas de ferro. e) .nas leis fiscais. a que melhor assegure a vontade do testador. dada a semelhança de situação com o condomínio. o princípio que manda prevalecer. Os casos não previstos pelas normas de exceção são disciplinados pelas de caráter geral.o devedor .681. Este é um dos princípios fundamentais da hermenêutica jurídica.o art. aplicar-se o estatuto no art.negada a homologação do penhor legal. b) . motivo que justificaria o apêlo à analogia (que pressupõe não esteja contemplado em lei alguma o caso a decidir). por analogia. c) . na interpretação de cláusula testamentária. f) tratando-se de usufruto de que são titulares cônjuges desquitados. é feita mediante o recurso interpretativo da analogia.a obrigação de restituir a coisa locada pode converter-se em perdas e danos.nas leis excepcionais. a alterar as disposições legais sôbre guarda de filhos menores. quando dissolvida a sociedade conjugal. cabe a analogia apenas quando beneficia a defesa.à doação aplica-se. do estatuto processual. se aplica analôgicamente à tutela. por analogia. 640 do Código Civil.o 2. que autoriza o juiz. 883. b) . porém. o disposto no art. aplicando-se.limitações além das previstas pelo legislador. c) . pois. é razoável se aplique a regra do art. em casos graves. n.ampliação de Lei n. Cabe. de 7-12-1912 a outras emprêsas de transporte. podendo assim o magistrado modificar a ordem de precedência estabelecida em lei para nomeação do tutor. Dentre outros. Como adverte LOMONACO no tema das exceções não se pode admitir o proceder ad similia. Em matéria penal. podemos apontar os seguintes casos de elaboração analógica: a) . d) . opera-se a restituição das partes ao statuo quo ante.

para outros.o II. presumir-se-á mandatário comum. por interpretação analógica. tais princípios existem. o disposto no art. c) para outros ainda. 11 do Código Civil sôbre comoriência verificada na mesma ocasião. da lei civil. é o direito natural. No dizer de CLÓvIS. No . Várias correntes podem ser mencionadas a respeito: a) . a regra do art. nos seus diferentes sentidos. a exemplo do que sucede com o condômino. ainda por analogia. f) . 413. verificaremos que seus princípios gerais visam ao refôrço do núcleo familiar. é o direito romano puro. pois a família é a base fundamental da sociedade. sem oposição do outro. êles são os elementos fundamentais da cultura jurídica humana em nossos dias. aplica-se. não especificados pelo legislador. diz BOULANGER é a manifestação do próprio espírito de uma legislação.finalmente. Se lançarmos nossas vistas sôbre o direito de família. b) . Embora não estejam estampados em textos expressos. Seu enunciado. Por outras palavras. d) . e) desumem-se do ordenamento jurídico do Estado. o cônjuge que administrar.são os constantes ensinamentos da jurisprudência.do testador é inapto para exercer a testamentaria. ao caso de eventos ocorridos em países diversos. Princípios gerais de direito: . Não são êles criados pela jurisprudência. h) .Nada existe de mais tormentoso para o intérprete que a explicação dos princípios gerais de direito. sendo impossível fixar-se a precedência da morte. enquanto para COVIELLO são os pressupostos lógicos e necessários das diversas normas legislativas.para uns. são êles constituídos pelo direito comum dos séculos passados. aplicando-se.é a eqüidade. n.

porém. Em certos casos.Eis aí a mais nítida manifestação do idealismo jurídico. Mais sentida do que definida (COGLIOLO). Elas saltam aos olhos a cada passo. Saliente-se.direito das obrigações. Através dela. d) quem exercita o próprio direito não prejudica a ninguém. previstos e imprevistos. est non potest tractu temporis convalescere. todavia.quod initio vitiosum.ninguém pode invocar a própria malícia. êles resguardam o princípio da iniciativa individual. e) pacta sunt servanda.ninguém deve ser condenado sem ser ouvido. Mas. atribuirão prevalência ao interêsse familiar e social sôbre o do indivíduo. Ela corresponde ao que os romanos chamavam benignitas. os elementos de que se socorre o juiz para suprir as lacunas encontradas na lei. para muitos juristas essas lacunas não existem. enquanto no direito das sucessões. não elimina a doença. podem ser mencionados os seguintes princípios gerais de direito: a) . como ensina TORRENTE. que. tendo em vista as circunstâncias peculiares do caso concreto. presentes e futuros. a norma é expedida para disciplinar determinada situação-tipo. que de fato cura. f) . suaviza o juiz o rigor da norma abstrata. constituem. Conquanto na lei se deparem elementos para supri-las. humanitas. acolhida o segundo entendimento. a humanidade no direito (BUTERA). Eqüidade: . portanto. ao lado dos costumes. o certo é que êstes constituem o remédio. c) . não se pode pôr em dúvida que as lacunas verdadeiramente existem no direito positivo. nem verdadeiramente podem existir. não merece. pode acontecer que sua aplicação dê lugar a conseqüências que se choquem . personifica sinteticamente a justiça do caso concreto.ninguém pode transferir mais direitos do que tem. Dentre outros. A analogia e os princípios gerais de direito. Com efeito. b) . pois. porquanto o ordenamento jurídico oferece recursos para regular todos os casos possíveis.

o vocábulo foi . uma vez sequer. ao expedir o comando legislativo. o legislador renuncia à enunciação do preceito abstrato e remete o juiz à eqüidade.com o nosso sentimento de justiça. pelo menos duas vêzes.456. por seu intermédio. não pode o julgador. aspirava a converter-se em direito. por ser "a indumentária vistosa com que o arbítrio se disfarça nos pretórios" 23. em verdade. achava-se impregnada ao próprio direito. Contudo. n. Aliás. servir-se da inspiração social da eqüidade. merecedora de tantas censuras. permanece um tirano. ou de que não se dera conta. A segunda partia da primeira. no caso concreto. Ele só pode fazê-lo quando expressamente autorizado pelo legislador. Nesse caso. o julgador tempera a severidade da norma. é o juiz quem revela o direito. porém. que determina as modificações. inovações e temperamentos ao direito em vigor. modernamente. como todo bom tirano. Em vários textos. está no próprio direito e não fora dêle. Recorda ASCARELLI . ocorre alguma circunstância que o legislador não chegara a prever. Sem autorização legal explícita. nos arts. teria consagrado a eqüidade cerebrina. A primeira encarnava a justiça ideal. se êle se ativesse às suas concessões pessoais. 114). art. 1. no direito romano. aequitas naturalis e aequitas civilis. que. a palavra eqüidade. motu proprio. e que por isso. já subsistia a célebre frase ciceroniana: summum jus summa injuria. duplo era o seu aspecto.040. o juiz aplicará a norma que estabeleceria se fôsse legislador" (Cód. que o bom juiz.o IV. Civil. LACERDA DE ALMEIDA censurou o Código Civil por não haver empregado. Proc. funcionando como se fôra verdadeiro legislador. Em tal hipótese. "quando autorizado a decidir por eqüidade. No direito romano. e 1. Assim sucede quando. Surge então a oportunidade para intervenção da eqüidade e. não é sempre que o magistrado pode se socorrer da eqüidade. sendo destarte direito vigente. Todavia.

o. descabe invocação à eqüidade. de 1012-1963. b) a eqüidade. como igualmente nas repartições públicas. Só está autorizado a decidir por eqüidade na ausência de lei. de 22-3-1945.a eqüidade não pode ser invocada para enfrentar exigências quer ditadas por necessidades da vida coletiva. art.421. tendo sobretudo. mas ela não pode ser invocada para inutilizar e revogar preceito claro de lei. expressamente consignadas pelo mandamento legal. deve entrar na formação mesma da lei. de 4-6-1938. os princípios de eqüidade. como ideal ético de justiça.o 466. a Lei n. para proferir a sentença. art. Mas pode ela ser invocada não só nos pretórios. ou condições e normas livremente aceitas pelas partes. as circunstâncias especiais de cada caso concreto para o que poderá converter o julgamento em diligência.Decreto n.o 45.o 4.Decreto n. 104.214. de 2-5-1963 (Estatuto do Trabalhador Rural). quer estabelecidas pelos interêsses superiores do Estado. permite igualmente a invocação à eqüidade: "o juiz apreciará. 9 . o juiz modificar a lei sob côr de a humanizar e inspirar-lhe os influxos da eqüidade.404. perante autoridades judiciárias. A jurisprudência tem assentado a seguinte orientação: a) diante de texto expresso.214 de 2-3-1963.o) . art. também autoriza o juiz a decidir por eqüidade. O Decreto 24.422 de 12-2-1959. Sirvam de ilustração as hipóteses seguintes: a) . b) . art. d) . art. 69. c) . perante autoridades administrativas. art.o 53. c) . A Consolidação das Leis do Trabalho.Decreto-lei n.Lei n.usado. além das regras de direito. de 20-4-1934. art. de 12-21959.150.154. 16. art.o 7.Decreto n 45. Não pode. 54. 176.o 4. porém. e) . em vista. a fim de melhor se elucidar".a eqüidade recomenda-se quando o texto legal não propicia clara exegese. Da mesma forma.Decretolei n. 332. 8. d) . .

a Lei das Doze Tábuas e a legislação de JusTINIANO. por isso. na medida das exigências sociais. constituem algo de morto. mas. não puderam executá-la. aplaudindo. Animados por idêntico propósito JÚLIO CÉSAR e CROMWELL pensaram em realizá-la. De um lado. Também GABBA foi adversário das codificações. que se julgam dispensados de maiores indagações e da visão do conjunto. através de leis esparsas. contendo tôdas as instituições úteis ao país. UTILIDADE ELABORAÇÃO DO NOSSO CÓDIGO E PRIMEIROS PROJETOS. Reconheceu GABBA. asseverando que estas facilitam a missão e as pretensões dos medíocres. é conhecida a posição da Escola Histórica: "sendo os códigos sínteses sistemáticas de leis. cujo preço consiste em entravar e conter durante maior lapso de tempo o curso natural da evolução jurídica". substituindo-as pelo culto da palavra e da letra. ou reuni-lo desde logo num complexo Volumoso de normas. por falta de tempo. CONTEÚDO E CLASSIFICAÇÃO DO DIREITO CIVIL. DAS CODIFICAÇÕES. Afirmava mesmo SAVIGNY que os códigos são fossilizações do direito. de esterilização do direito civil e dos estudos correspondentes. entretanto. O direito vive pela prática e pelo costume. Discute-se realmente qual o sistema preferível: deixar que o direito nacional se desenvolva livremente. PROJETO DE CLÓVIS E SUA TRANSFORMAÇÃO EM LEI.Sérias as divergências doutrinárias acêrca dessa questão de alta filosofia legislativa. o Decálogo. Além disso. .CÓDIGO CIVIL BRASILEIRO. Assinalam períodos de decadência. Utilidade das codificações: . a codificação ou fixação do direito de um povo tem a virtude de unificar o direito e consolidar por êsse meio a unidade política da nação. gozam de maior estabilidade. que impede o desenvolvimento ulterior. a necessidade das codificações para educar a vida civil dos povos bárbaros. expressão imediata da consciência jurídica popular.

via na sua promulgação maior honra para si que as quarenta batalhas que havia vencido. porém.Incontrastável é. a vantagem de uma boa codificação. Apesar dos ataques êle continua de pé. Veja-se. Afirmou SALEILLES que toda legislação codificada atende às exigências da vida social exclusivamente no instante em que é estabelecida. Apesar de promulgado em 1804. no exílio em Santa Helena. Com o tempo. Dêle orgulhava-se NAPOLEÃO. chegou Lord CASTLEREAGH a dizer estas palavras: . servindo de regra à França e de modêlo ao mundo". resistindo à ação do tempo. A fixação do direito num código só se torna prejudicial quando êste é injustificadamente recoberto com o manto da intangibilidade. Sem dúvida. rudes golpes êle sofreu. como seria natural. descobriram-se-lhe as imperfeições. "arca santa digna de um respeito religioso e destinada a guardar o direito para o futuro". chegando a vigorar em vários outros países e tendo exercido considerável influência na elaboração do direito positivo moderno. foi recebido com êstes epítetos: "Código imortal". que. numa verdadeira consagração do espírito jurídico francês. "contrarevolução instalada no coração da sociedade civil". uma vez evidenciada sua necessidade. regulando a vida jurídica de um dos povos mais altamente civilizados do mundo. "carta imperecível dos direitos civis. Veio então a reação: . as indispensáveis adaptações. ainda continua em vigor na sua maior parte. Ao ser expedido. Mas. Não parece que o mesmo haja entravado o progresso do direito nesse país."é inútil destruir a França. por exemplo. o Código Napoleão. seu Código Civil encarregar-se-á disso". No Congresso de Viena. perde a objeção qualquer valor desde que se esteja pronto a emendar o código."legislação atrasada". embora tendo de sofrer. de fato. "resumo da moral universal". .

n. leis e decretos de Portugal. era êle regido pelas antiquadas Ordenações do Reino. Propôs EusÉBIo DE QUEIROZ. mandando vigorar em todo o território nacional as Ordenações. em 1845. mas a idéia foi rejeitada. Em 1858 estava êle concluído e aprovado com louvor. embora alteradas por inúmeras leis e decretos extravagantes. 179. expedidas em 1603 por FILIPE I. Êsse anseio generálizado por uma legislação própria estava presente quando o govêrno imperial expediu a lei de 20-101823.o 18). de CORREIA TELLES. Dêsse ingente trabalho preparatório foi encarregado AUGUSTO TEIXEIRA DE FREITAS em 1855. cogitou-se desde logo da elaboração de um Código Civil. Seriamente empenhado em confeccionar um Código. se adotasse como lei civil pátria o Digesto Português. Com a ruptura dos vínculos. aspiração da consciência jurídica nacional. que viesse cimentar a união das províncias e consolidar a unidade política do país. enquantO se não organizasse um nôvo Código. através do Ministro da Justiça. As primeiras tentativas no sentido de fixar-se o direito pátrio foram devidas a CARVALHO MOREIRA. Acreditou-se então que mais fàcilmente se atingiria a meta desejada se se cuidasse de uma prévia consolidação das leis civis. A Constituição de 25-3-1824 referiu-se expressamente à organização de um Código Civil e Criminal. apresentou estudo sôbre a revisão geral e codificação das leis civis e de processo.Elaboração do Código Civil brasileiro e primeiros projetos: . esta consumiu-se em prolongadas e estéreis . NABUCO DE ARAÚJO. atribuiu ao mesmo TEIXEIRA DE FREITAS o encargo de preparar o respectivo projeto. Começou então a vir a lume o famoso "Esbôço". igualmente.Quando em 1822 obteve o Brasil sua emancipação política. que. em 1859. o Govêrno Imperial. Nomeada uma comissão revisora. fundado nas sólidas bases da justiça e da eqüidade (art.

AFONSO MOREIRA PENA. foram êles. foi incumbida de tentar novamente a codificação projetada. Seu projeto. não pôde contar com a inspiração do genial jurisconsulto. como "o nosso maior jurisconsulto. Rescindido o contrato com TEIXEIRA DE FREITAS. às vésperas da República. que desgostaram o autor do projeto. SOUZA DANTAS. Colhido pela morte. foi apresentada em 1881. Para que se tenha idéia do merecimento de TEIXEIRA DE FREITAS. Mas. pela vastidão de seus conhecimentos especiais. A terceira tentativa coube a um jurisconsulto mineiro. tido também por ESPINOLA como a suprema expressão das letras jurídicas brasileiras. basta se considere que seus trabalhos foram estimados por VÉLEz SÁRSFIELD apenas comparáveis aos de SAVIGNY. apontado por CLóvIs. tendo recebido parecer desfavorável da comissão nomeada para examiná-la. Aliás. aproveitados na confecção do Código Civil argentino. embora se houvesse trabalhado bastante. suspenderam-se-lhe os trabalhos e assim malogrou a tentativa de TEIXEIRA DE FREITAS. Mas a comissão desfalcou-se de elementos prestigiosos e logo se dissolveu. COELHO RoDRIGUES e CÂNDIDO DE OLIVEIRA. No . em grande parte.discussões. Sua obra. COELHO RoDRIGUES foi o escolhido para o encargo. pela originalidade de suas concepções. FRANCISCO JUSTINO GONÇALVES DE ANDRADE. composta de LAFAYETTE RODRIGUES PEREIRA. JOAQUIM FELÍcIO DOS SANTOS. bem como do próprio FELÍCIO DOS SANTOS. denominada "Apontamentos". ANTÔNIO COELHO RODRIGUES e ANTÔNIO FERREIRA VIANA. a proclamação da República fêz com que se suspendessem suas atividades. Por fim. Em 1889. constituída por JosÉ DA SILVA COSTA. OLEGÁRIO DE AQUINO E CASTRO. não obteve as boas graças do legislativo. pela segurança de seu raciocínio". incumbiu-se o próprio NABUcO DE ARAÚJO da apresentação do nôvo projeto. o direito das sucessões. onde não teve andamento. cujo ramo mais deficiente. conquanto revelasse o grande saber jurídico de seu auto . mais tarde refundida. Essa mesma comissão. outra comissão foi nomeada. NABUCO não pôde levar a cabo a árdua missão. A República volveu aos trabalhos individuais. ANTÔNIO JOAQUIM RIBAS.

onde primeiro foi discutido. aprovado pela Câmara em sessão de 13-3-1902. com a recomendação de aproveitar. na presidência CAMPOS SALES. De fato. ali o aguardava longo parecer de Rui BARBOSA. o Ministro da Justiça. sofreu êle meticuloso exame por parte dos vinte e um representantes das diversas bancadas. sob a presidência de J. o projeto COELHO RODRIGUES. Assim. que se constituiu de AQuINO E CASTRO. em sua crítica. opositor irredutível da iniciativa governamental. tratava-se de trabalho condições de se converter em lei. o Prof. mas depois de luta áspera e intensa. aleijada. EPITÁcIO PESSOA. BULHÕES DE CARVALHO. à forma e não ao fundo. previa Rui BARBOSA obra tôsca. Recebendo o projeto primitivo. sob a presidência do próprio Ministro da Justiça. de incontestável merecimento. o govêrno nomeou comissão revisora. o projeto foi apresentado ao Presidente da República. de que se desincumbiu em pouco mais de seis meses. que o remeteu ao Congresso Nacional. Na Câmara dos Deputados. CLÓVIS BEVILÁQUA. surgindo então o chamado projeto da comissão. Aceito o convite. SANTIAGO DANTAS chega à conclusão de que. indigesta. J. SEABRA. Igualmente INGLÊS DE SOUSA se mostrava adversário e nessa linha de combate ambos se mantiveram firmes até o fim. em Projeto de Clóvis e sua transformação em lei: . mediante mensagem de 17 de novembro de 1900.entanto. restrito quase exclusivamente à redação. com a introdução de numerosas inovações. não abalaria o prestígio do . iniciando desde logo a pesada tarefa. Maus foram os augúrios que antecederam ao aparecimento do projeto.Chegou-se assim à derradeira iniciativa que se coroou de sucesso. transferiu-se CLÓVIS para o Rio de Janeiro. convidou seu antigo colega de congregação da Faculdade de Direito do Recife. LACERDA DE ALMEIDA. tanto quanto possível. Procurando esclarecer o motivo pelo qual RUI se restringiu. Conselheiro BARRADAS e FREIRE DE CARVALHO. Enviado sem demora ao Senado. Depois de revisto.

avulta sua brevidade. Aprovado. referindo-se ao nosso Código. fôrça é convir. por exemplo. cujo aparecimento foi saudado com os maiores louvores. como o condomínio em edifícios de apartamentos e o pacto de reserva de domínio nos contratos de compra e venda. para entrar em vigor a 1. ou por não ter tido a intuição de contemplar relações jurídicas em germinação. com vantagem. era por certo condená-lo à frustração. assevera que "seu aparecimento assinala nova etapa no progresso jurídico do continente. A obra é sólida e . peca êsse Código. se se ativesse apenas aos seus fundamentos jurídicos. Mas. volta finalmente à Câmara com 1. em primeiro lugar.projeto. o reduzido número de defeitos. Ministro da Justiça do Paraguai. sob a forma literária. chama a atenção pela clareza e precisão. de 15-11919.o 3. sentindo-se a América envaidecida e orgulhosa de que no seu solo pudesse ter sido produzida obra tão famosa quão admirável. Por fim. Entretanto. tendo-a em conta em suas faturas obras legislativas. suas inúmeras qualidades superam e compensam. a não ser perante número limitado de entendidos. em diversos pontos.071.725. Depois de várias vicissitudes.o de janeiro de 1917. atacando-o. SCIALOJA. dizem ARMINJON-NOLDE-WOLFF que o Código Civil brasileiro. como o pacto de melhor comprador e a hipoteca judicial. Em verdade. Como o Corcovado majestoso. explicada por excelente técnica jurídica. converte-se em lei (n.736 emendas. quase triunfa a emprêsa demolitória. porém. com novas alterações. numa fase propícia das letras pátrias. o Código Civil é um monumento imperecível que brilha com luz própria no mundo inteiro". Assim. de um Código rigorosamente científico. Trata-se. quase tôdas de redação. introduzidas pela Lei n. ANIBAL DELMÂS.o 3. inquestionàvelmente. diz tratar-se de belíssima lei e que os próprios países europeus fariam bem. ou por ter disciplinado institutos em franca decadência. O projeto sofreu longos anos de estagnação no Senado. de 1-1-1916). Em segundo lugar.

vel ad res. as regras jurídicas referentes às pessoas. aos 31 de março de 1963. Realmente. sucessão e delito. Vários métodos têm sido preconizados para essa classificação. ora em fase de estudos e discussões. posse. Cuida o Govêrno. preferindo-se sistematização mais compreensiva e científica. Todavia. pode ser mencionado o processo de LEIBINIZ. Entretanto. não é satisfatória essa discriminação. todavia. fundado nas causas yeradoras. na própria França não mais se observa essa ordem no ensino do direito civil. Em segundo lugar. apresentou ao Ministro da Justiça o respectivo anteprojeto.resistirá à ação do tempo. isto é. vel ad actiones. a distribuição sistemática e ordenada das diferentes partes de que se compõe. Primacial requisito de uma boa codificação é a ordem metódica na classificação das matérias. que. O mais antigo é o historico-tradicional de GAIO. portanto. Encontrase formulado no Digesto: omne jus quo utimur.Todo Código supõe um plano. a figura mais enigmática que a jurisprudência romana apresenta. bens e várias maneiras pelas quais se adquire a propriedade). Contudo. convenção. dado o caráter pessoal de ambos. Essas causas são cinco: natureza. O usufruto. . por exemplo. O mesmo direito pode ter causas diversas. O filósofo de Leipzig buscou a diferenciação dos direitos na diversidade das causas que os fazem nascer. produzindo a aliança do direito de família com o direito das obrigações. ORLANDO COMES. vel ad personas pertinet. enquanto o outro se funda em relações puramente pessoais e de ordem moral. extinguir. às coisas e às ações. aquela distribuição é vaga. Dessa tarefa incumbido foi o Prof. de atualizar a lei civil pátria. O direito civil compreenderia. É a distribuição feita pelo Código Napoleão (pessoas. um tem por objeto relações patrimoniais. Conteúdo e classificação do direito civil: .

se examinem os de família. diversos direitos podem nascer do mesmo fato. as coisas. são contempladas as pessoas. Como diz LAFAYETTE. Êsse igualmente o método adotado pelo legislador brasileiro. Temos. direito das coisas. por fim. como fazer as subdivisões? Como se vê. o direito de família e o direito das sucessões. preconizado por SAVIGNY e adotado pelo Código Civil alemão. Na primeira. os atos jurídicos e as disposições sobre prescrição e exercício dos direitos. Por outro lado. com mais técnica que o Código alemão.pode advir da lei. direito das obrigações e direito das sucessões). bens e fatos jurídicos). em que se contemplam os mais importantes institutos jurídicos e morais. Na segunda. da convenção e do testamento. o direito das coisas. que não se acomodam em nenhuma das duas categorias. Por exemplo. É o critério proposto por TEIXEIRA DE FREITAS. todo direito é pessoal ou real. há instituições de direito civil. pois a sucessão abrange simultâneamente direitos reais e pessoais. antes de se estudarem os demais direitos. a obrigação de indenizar e a de prestar hipoteca legal resultam do delito. como o direito das sucessões. Mas. relacionados com . a noção é exata. Compreende êle uma Parte Geral e uma Parte Especial. primeiro merecimento das classificações. invertendo também a ordem das matérias na Parte Especial (direito de família. Ato contínuo. pois. o método científico-racional. é natural que. que preferiu apenas dar à Parte Geral outra disposição (pessoas. desloca-se e não se resolve a dificuldade. Como diz LAFAYETTE. A nosso ver. são incluídos o direito das obrigações. estabelecidas as duas grandes divisões. merece ainda ser indicada a classificação deduzida da natureza dos direitos: pessoais e reais. Além disso. presta-Se essa classificação a clara exposição das matérias. como os reais e os obrigacionais.

Nela são dispostos todos os princípios e regras de aplicação comuns a qualquer relação jurídica. natural (arts. elementos heterogêneos ou abstrações inúteis. manifestou-se pela existência de uma Parte Geral. Mas. que esta encerra princípios meramente acadêmicos. com o correlato problema do domicílio (arts. que poderiam ser perfeitamente dispensados. que a existência de ambas constitui excesso de técnica.a família. encarregada da reforma do Código Civil francês. 2. Não se justificaria assim sua permanência na Parte Geral. 31 a 42). o mesmo acontecendo com ORLANDO GOMES. por fim. refere-se a Parte Geral. Diversas críticas são feitas à compreensão de uma Parte Geral e uma Parte Especial.o) regras gerais sôbre pessoas. 13 a 30). e sôbre fatos jurídicos. Entre nós. a Parte Geral está em desfavor e hoje se pugna pela sua supressão. célula principal da sociedade. sucessivamente. Não obstante aquelas idéias. a subsistência da Parte Geral é um fato e apresenta incontestável utilidade. em virtude de um contraste entre o direito subjetivo e o direito objetivo. Tem-se por isso sustentado que as futuras codificações de direito privado não mais precisarão de Parte Geral. como causas geradoras ou extintoras dos direitos. a seu favor deve ser dito que a comissão de juristas. sendo raros seus reflexos nos demais ramos do direito civil. como sujeitos de direitos. sôbre bens. 43 a . acima referido. Afirma-se ainda que o Capitulo concernente aos fatos jurídicos interessa mais ao direito das obrigações. 1. No tocante às pessoas. Diz-se. sem nenhum prejuízo para o Código. são contempladas as duas espécies. em seu trabalho. No seu conteúdo encontramos. HAHNEMANN GUIMARÃES bateu-se pela sua supressão ao discutir-se o primeiro anteprojeto de Código das Obrigações.o a 22) e jurídica (arts. Assevera-se. além de uma disposição preliminar (art. Referentemente aos bens. como objeto do direito. por exemplo. às diversas categorias: imóveis (arts. Criação dos pandectistas alemães.

desdobra-se em três Títulos. coação . II) .arts. e fraude contra credores . 159 e 160) e o terceiro. II) . à prescrição. temos o direito das obrigações e no segundo. V) nulidades (arts.defeitos dos atos jurídicos (êrro ou ignorância . III) . b) . No primeiro caso. 81 a 85) . III) causas que interrompem a prescrição (arts. O primeiro. 172 a 176) . IV) . O complexo dos segundos constitui os direitos reais. 161 a 167). o direito civil é classificado por instituições. subdivide-se em cinco Capítulos: . 98 a 101 -. O terceiro também se desdobra em quatro Capítulos: . o segundo. 47 a 49). dolo arts. aos atos ilícitos (arts. Se dentre êstes a transferência se opera mortis causa.modalidades dos atos jurídicos (arts.disposições gerais (arts. 70 a 73). o primeiro reservado aos atos jurídicos. simulação arts. singulares e coletivas (arts. 74 a 80). a Parte Geral depois de mencionar as disposições preliminares (arts.causas que impedem ou suspendem a prescrição (arts.relações dos homens entre si. públicos e particulares (arts. Por fim. 58 a 64). Examinando-o no conjunto. 51). coisas que estão fora do comércio (art. 129 a 144).arts. bens reciprocamente considerados (arts.46) e móveis (arts. 106 a 113). 86 a 91 -. 102 a 105 -. Na Parte Especial. 92 a 97 -. As primeiras têm ou não caráter patrimonial.I) . temos o direito das sucessões. 50). 54 a 57). 145 a 158).podêres imediatos dos homens sôbre as coisas. o direito de família. 65 a 68). por sua vez.I) . 52 e 53). coisas fungíveis e infungíveis (art. quanto aos fatos jurídicos. IV) prazos prescritivos (arts. se a transferência se processa inter .disposições gerais (arts.arts. 168 a 171). verificamos que suas relações jurídicas se repartem em dois grandes grupos: a) . consumíveis e inconsumíveis (art. 114 a 128).forma e prova dos atos jurídicos (arts. divisíveis e indivisíveis (arts. 69) e bem de família (arts. 177 a 179).

no entanto. portanto.na primeira. pois. prescreve-se que êle entrará em vigor no dia 12 de janeiro de 1917. Leis.807 artigos estão em flagrante contraste com os 4.805). temos o direito das coisas. nessa matéria. Para rematar. seus 1. o Livro II é reservado ao direito das coisas (arts. b) . O legislador pretendeu sublinhar apenas o objetivo próprio do direito civil (relações de caráter particular). o Livro III. Nossa lei civil é. Alvarás. A Parte Especial distribui-se destarte em quatro Livros. embora tenha dito que pelo Código seriam regulados direitos e obrigações de ordem privada. falta frisar ainda que na disposição preliminar (art. Com êsse dispositivo não quis a lei civil impor a unificação do direito privado. Decretos. Usos e Costumes concernentes às matérias de direito civil reguladas pelo Código (arts.572 a 1. ORLANDO GOMES.571) e. 1. de acôrdo com a iniciativa governamental. o que constitui. Não se perca de vista.o). finalmente. 1. são revogadas as Ordenações. 1. O Livro 1 é o direito de família (arts. . aos bens e às suas relações. 180 a 484). Resoluções. 863 a 1. de caráter transitório. das mais concisas.vivos. com exclusão de qualquer norma de direito público. edita o Código que êle regula os direitos e obrigações de ordem privada concernentes às pessoas. 485 a 862).806 e 1. ao direito das sucessões (arts. cifra recorde. como já se salientou.051 artigos do Código Civil argentino.na segunda.807). que a sucessão abrange igualmente direitos pessoais. o Livro IV. O direito das obrigações não integra o anteprojeto de Código Civil do Prof. ao direito das obrigações (arts. haverá um Código de Obrigações. Termina o Código por duas disposições finais: a) .

Arredada deve ser a concepção que aceita a possibilidade de direitos sem os respectivos titulares. já existiram entes humanos que não foram pessoas . A palavra pessoa advém do latim persona. destinada a dar eco às suas palavras. pois.O Livro I da Parte Geral dispõe a respeito das pessoas. no entanto. PESSOA NATURAL. Primitivamente. inadmissível é a existência de faculdade ou poder sem sujeito. Das pessoas: . Efetivamente. na relação jurídica é o sujeito ou a pessoa. A máscara era uma persona. completando a evolução. Essa acepção não se adapta à técnica jurídica. A palavra em questão pode ser tomada em três acepções diferentes: vulgar. Por fim. filosófica e jurídica. mais tarde. pessoa é sinônima de ente humano. PESSOAS RELATIVAMENTE INCAPAZES. EMANCIPAÇÃO. FIM DA PERSONALIDADE NATURAL. Os atores adaptavam ao rosto uma máscara. emprestada à linguagem teatral na antiguidade romana. Por curiosa transformação no sentido. como sujeitos de direitos. O primeiro elemento que aparece. como se frisou. portanto. o vocábulo passou a significar o papel que cada ator representava e. PESSOAS ABSOLUTAMENTE INCAPAZES. ATOS DO REGISTRO CIVIL. a palavra passou a expressar o próprio indivíduo que representa êsses papéis. Personare queria dizer. provida de disposição especial. fazer ressoar. COMEÇO DA PERSONALIDADE NATURAL. CAPACIDADE DE DIREITO E DE FATO. no sentido subjetivo. Nesse sentido é que a empregamos atualmente. sem o qual ou sem a qual não pode existir o direito.DAS PESSOAS. ecoar. porque fazia ressoar a voz de uma pessoa. exprimiu a atuação de cada indivíduo no cenário jurídico. Na acepção vulgar. direito é a faculdade ou o poder de agir conferido a um sujeito ou titular. De fato. há instituições que têm direitos e por isso são reconhecidas como pessoas e. não são entes humanos (as pessoas jurídicas). Realmente. Por outro lado. significava máscara.

o. Duas são. ou qualquer coletividade. No direito moderno. e a pessoa jurídica. côr. o ser humano). segundo Cihvis. individualmente. suscetível de direitos e obrigações.(os escravos). sem discriminação de idade. animados ou inspirados por fins e interêsses comuns. Nesse sentido. ou melhor. êle não existe senão entre homens ~. pessoa é o ente que realiza seu fim moral e emprega sua atividade de modo consciente. que preencha aquelas condições. estado de saúde e nacionalidade. Nesse sentido. Na acepção filosófica. que lhe detenha a titularidade. 2. pessoa é o ente físico ou moral. as espécies de pessoas reconhecidas pela ordem jurídica: a pessoa natwral também chamada pessoa física (o homem. A expressão inicial todo homem compreende indistintamente a unaminidade dos sêres componentes da espécie humana. Mas o direito é constituído hominum causa. em forma lapidar: . no art. todo ser humano é pessoa no sentido jurídico. além dos homens. que tendem à consecução de fins comuns. Esse sujeito pode ser o homem. há de existir forçosamente um sujeito. Os animais estão excluídos de seu raio de . o ente humano. sexo. presente determinado direito. igualmente denominada pessoa moral ou pessoa coletiva (agrupamentos humanos visando a fins de interêsse comum). são também dotadas de personalidade certas organizações ou coletividades. raça. pessoa é o homem.Dispõe o Código Civil. a todos oferece a tutela da ordem jurídica. pessoa é sinônima de sujeito de direito ou sujeito da relação jurídica. Pessoa natural: . Na acepção jurídica. Mas."Todo homem é capaz de direitos e obrigações na ordem civil". por conseguinte. ou um agrupamento mais ou menos numeroso de homens. Nessas condições. faculta o Código seu ingresso na cidadela do direito. A todos.

houve sêres humanos que não eram sujeitos de direitos: os escravos e os estrangeiros. predomina a idéia da paridade com os nacionais. na história do direito. sem dúvida. Atualmente. de um modo geral. Afirmamos que o direito é relação que se estabelece exclusivamente de homem para homem. Existem. Análoga evolução verificou-se com os estrangeiros. Logo se manifestou a tendência para suavizar seu tratamento jurídico. por terem perdido a nacionalidade de origem. Nem por isso. aos quais. firmá-lo referentemente a coisas ou bens.-lei n. O direito rege relações de homens entre si. porém. como asseveram PLANIOL-RIPERT. de manifesto exagêro de abstração jurídica. Como dizem RuGGIERO-MAROI. leis de proteção aos irracionais (Dec. os animais são tomados em consideração apenas para fins sociais. 64). art. como quer PAUL JANET. Mas a filosofia estóica e o cristianismo foram abrandando essa concepção e modernamente desapareceu a escravatura do mundo civilizado contemporâneo. evitando-se o espetáculo degradante de perversa brutalidade. Trata-se. Os primeiros eram equiparados às coisas. se tornam sujeitos de direitos. Não é possível. como . entretanto. pela necessidade de se elevar o sentimento humano.688. Por outro lado. Referentemente aos apátridas. estimulada aliás pela necessidade das trocas econômicas. Nem se pode dizer igualmente que os animais tenham semidireitos ou sejam semipessoas. mantêm êles a qualidade de sujeitos de direitos.ação. também se negava personalidade. de início. com exclusão dos direitos políticos e de alguns direitos de índole civil. que não pertencem a Estado algum. escapam igualmente à conceituaçãO de pessoa. portanto. Por fim. Através de seus dispositivos estão êles a salvo contra atos de crueldade. de 3-10-1941.o 3. como decorrência de sua natureza humana. Deve ser assim afastada a construção jurídica que vislumbra na relação obrigacional um vínculo entre dois patrimônios.

ente capaz de direitos e obrigações. as entidades místicas ou metafísicas. pessoa é o ente a que a ordem jurídica outorga êsses podêres. que. por si ou por outrem. Outras.o).A personalidade civil do homem começa do nascimento com vida. 1. evidentemente. Terceira corrente acolhe solução eclética: se a criança nasce com vida sua capacidade remontará à concepção (Cód. capacidade é elemento da personalidade. personalidade é a resultante dêsses podêres. Civil francês). 1. nula será. os diversos elementos da primeira constituem a segunda.o) e o italiano (art. que se concretiza ou se realiza na terceira. como almas e santos. O direito romano se atinha à regra de PAULO: . o português (art. tomam a concepção. Com efeito. O conjunto dêsses podêres constitui a personalidade. 6.sujeito de direitos. o princípio da vida intra-uterina. Prossegue o art. Capacidade exprime podêres ou faculdades.nasciturus pro jam nato habetur. porém. a nomeação de alma ou de algum santo por herdeiro ou legatário. Comêço da personalidade natural: . 2.o). Esta. atos da vida civil. Capacidade é a aptidão para adquirir direitos e exercer. forma a pessoa.o). localizando-se ou concretizado-se num ente. Assim. Diversificam as legislações contemporâneas quanto a êsse têrmo inicial.o dizendo que todo homem é capaz de direitos e obrigações. É o sistema do Código argentino (art. Reportam-se umas ao fato do nascimento. . si de ejus commodo agitur. isto é. como marco inicial da personalidade. 70) e do Código Civil húngaro (seção 9). como o Código alemão (art. mas a lei põe a salvo desde a concepção os direitos do nascituro (art. projetando-se no campo do direito. é expressa pela idéia de pessoa. Surge assim a noção de capacidade. que se entrosa com a de personalidade e a de pessoa. 4. Assim.

são descurados os direitos do nascituro. recobre-se de personalidade. Não basta. Se a criança nasce morta. portanto. tornou-se sujeito de direitos. como vagidos e movimentos próprios. ainda que a ciência a condene à morte pela precariedade de sua conformação. o infante reveste-se de personalidade. Alguns Códigos. embora venha a falecer instantes depois. contudo. adquire e transfere direitos. Adotou o nosso legislador a primeira solução: a personalidade começa do nascimento com vida. . para que se lhe reconheça personalidade civil e se torne sujeito de direitos. Se a criança nasceu com vida. Também a respiração. A lei civil pátria afastou as questões relativas à viabilidade e forma humana. ponto de partida da personalidade. todavia. É necessário ainda que o recém-nascido haja dado sinais inequívocos de vida. ainda que efêmera. Como desde logo se percebe. o simples fato do nascimento. que fixa um prazo de vinte e quatro horas para que o recémnascido venha a adquirir personalidade. Viável ou não. preciso será que a criança se separe completamente do ventre materno. apegam-se ainda à viabilidade (vitae habilis). outrossim. entretanto. tenha sido a termo ou fora de tempo. 3. não chega a adquirir personalidade. ou haja exigido intervenção cirúrgica. não recebe nem transmite direitos. é de suma importância tal indagação.É o sistema do Código holandês (art. Requer a lei. constitui sinal concludente de que a criança nasceu com vida. dê o infante sinais inequívocos de vida. de que podem resultar importantíssimas conseqüências práticas. Não importa. como o Código Civil espanhol (art. Ainda não terá nascido enquanto a êste permanecer ligado pelo cordão umbelical. 30). evidenciada pela docimasia hidrostática de GALENO. Para que ocorra o fato do nascimento. Não importa que o parto tenha sido natural. Se nasce com vida. após o nascimento. nem por isso.o).

Cód. cidadão em germe. criatura que não promane de mulher. arts. 372. 739 a 741. a aquisição da personalidade acha-se sob a dependência de condição suspensiva. Perante o nosso Código. há para o feto uma expectativa de vida humana. os direitos do nascituro. o nascimento com vida.Não se requer. 462 e 1. uma pessoa em formação. no seu livro Os Confins do Homem. Em numerosos textos. sejam quais forem as anomalias e deformidades que apresente. Civil. como o monstrum vel prodigium do direito romano. Civil. 357. § único. por igual. 353. ORLANDO GOMES procura manter a . homem in spem. o que não sucede com os pulmões que não respiraram. Penal. Mas. o nascituro é pessoa condicional. Baseia-se essa prova no princípio de que o feto. 124 e 128).718. ainda que dotada de características humanas. não é ser humano. O anteprojeto do Prof. exigida pelo Código Civil português. a aguardar o nascimento do concebido ou procriado. 458. Conquanto comece do nascimento com vida a personalidade civil do homem. arts. por efeito da instituição do nascituro. Cód. depois de haver respirado. preciso é ocorra o nascimento com vida. arts. Discute-se se o nascituro é pessoa virtual. Seja qual fôr a conceituação. Como diz SANTORO-PASSARELLI. es sobrenadam. o legislador volta sua atenção para aquêle que apenas foi concebido (Cód. Proc. para o efeito de se investir nos direitos conferidos pela legislação civil. A lei não pode ignorá-lo e por isso lhe salvaguarda os eventuais direitos. como a imaginada por VERCORS. desde a concepção. Assim. tem os pulmões cheios de ar. a figura humana. 377. qualquer criatura que provenha de mulher é ente humano. A esta situação tôda especial chama PLANIOL de antecipação da personalidade. forma-se um centro autônomo de relações jurídicas. imersos em água. põe a lei a salvo. Ao inverso. Por assim dizer. para que êstes se adquiram.

portanto. tem ou não capacidade para estabelecê-la. a de gózo ou de direito e a de exercício ou de fato. no art. mas para vendê-los a um dos descendentes. Se a capacidade de gôzo é imanente a todo ser humano. se nascer com vida (art. do ponto de vista doutrinário. num ou noutro sentido.Capacidade.o. 2. A segunda espécie de capacidade é a de exercício ou de fato. atos da vida civil. A capacidade de gôzo ou de direito é ínsita ao ente humano. Conquanto tenha capacidade de gôzo. em saber se uma pessoa. a de exercício ou de fato dêste pode ser retirada.o). Modernamente. Enquanto a capacidade de gôzo é pressuposto meramente subjetivo do negócio jurídico. § único). distingue-se a capacidade de gôzo da chamada legitimação. a criatura humana pode achar-se inibida de praticar determinado ato jurídico. Medite-se no expressivo exemplo ministrado por SERPA LoPES : o proprietário direito de alienar livremente bens (capacidade de gôzo). Di-lo o Código. pois. 1. em face de determinada relação jurídica. É a faculdade de os fazer valer. de modo enfático.art. A legitimação consiste. É simples aptidão para exercitar direitos. tôda pessoa normalmente tem essa capacidade.132 (legitimação). certas pessoas ou certos interêsses. Capacidade de direito e de fato: . a legitimação é pressuposto subjetivo-objetivo. as espécies de capacidade. 2. carece do prévio consentimento dos demais . por si ou por outrem. é a aptidão para ser sujeito de direitos e obrigações e exercer. Esta pressupõe aquela. 1. O exercício dos direitos pressupõe realmente consciência e . E o referido anteprojeto torna a repetir: tôda pessoa tem o gôzo dos direitos civis (art. em virtude de sua posição especial em relação a certos bens. mas a primeira pode subsistir independentemente da segunda. já o vimos. nenhum ser dela pode ser privado pelo ordenamento jurídico.mesma orientação: ao nascituro são assegurados os direitos que seu interêsse exija. Duas são.o: todo homem é capaz de direitos e obrigações na ordem civil.

84). art. R. por fim. sendo suprida pelo instituto da representação. a capacidade de fato subordina-se à existência no homem dessas duas faculdades. porém. Os loucos de todo o gênero. do Estado onipotente. Em primeiro lugar. dispõe o Decreto n. Existe.Preceitua o art. que os mesmos. 5. são absolutamente incapazes os menores de 16 anos. Pessoas absolutamente incapazes: . que não puderem exprimir a sua vontade. permanente e duradoura. por conseguinte. como se expressava o direito anterior. caracterizada por graves alterações das faculdades psíquicas. IV. S. Preferível teria sido o uso da palavra alienados. esta é simples concessão. Essa capacidade acha-se assim vinculada a determinados fatores objetivos: idade. não porque privados de aptidão para procriar. de sua reduzida adaptabilidade à vida social. Observe-se. O incapaz exerce seus direitos através dos respectivos representantes legais (Cód. propondo a substituição da expressão legal por "alienados e deficientes mentais". sexo e estado de saúde. mas em razão de seu exíguo desenvolvimento mental.o do Código Civil: são absolutamente incapazes de exercer pessoalmente os atos da vida civil: I. assim declarados por . III. Referentemente aos psicopatas. esta sim. Todos os comentadores são unânimes em reconhecer a impropriedade da expressão. Na U. a título precário. compreensiva de todos os casos de insanidade mental. menciona o Código os loucos de todo o gênero..vontade. a título de curiosidade. em trânsito pelo Congresso Nacional. Civil. II.o 24. Os surdos-mudos. Os ausentes. Considera-os o Código civilmente incapazes. art. conatural ao homem. de 3-7-1934. de um e de outro sexo. declarados tais por ato do juiz. de autoria do Deputado DJALMA MARINhO.559. Os menores de 16 anos. Em segundo lugar. projeto de lei. 26. S. São os impúberes do direito pré-codificado. A incapacidade de exercício ou de fato não suprime a capacidade de gôzo ou de direito. a concepção soviética da capacidade civil.

n. de um modo satisfatório. com base no citado art. 142. que não puderam exprimir a sua vontade. 451 do Código Civil. ou vem conexa a algum processo mórbido. n. incluída nos quadros da patologia psíquica. nem os velhos são feridos de incapacidade. Protege-o o Código através de medidas acautelatórias previstas . O Código não contemplou os afásicos entre os incapazes. Entretanto. são ainda absolutamente incapazes os ausentes. as restrições oriundas do abuso de bebidas e entorpecentes são fixadas pelo Decreto-lei n. pode exprimir seu pensamento. Quanto aos toxicômanos. é porque possui discernimento.o II. não é motivo de incapacidade e nem constitui indicação de enfraquecimento mental.o III. Em terceiro lugar.650. e no art. 1. Ausente é aquêle que se afasta de seu domicílio sem dar notícia do destino tomado.o. procederá o juiz de acôrdo com o art. nesse caso. no art. 5. não é incapaz. não deixando quem o represente. Se a incapacidade fôr apenas parcial.o 891.637. são absolutamente incapazes os surdosmudos. Todavia. se a afasia resulta de perturbação mental.por si só. Nem os cegos. A surdo-mudez resulta de lesão aos centros nervosos. não obstante a frase de TERÊNCIO senectus ipsa morbus .o II. se se tratar de involução senil.perícia médica processada em forma regular. nem havia razão para fazê-lo. se êles conservam intacta a sua inteligência. declarados tais por ato do juiz. Também a senectude. 1. Mas diversa será a solução. de 25-11-1938. Por fim. situa-se o legislador sob o ângulo da possibilidade de externar êle sua vontade. então nesse caso poderá o paciente ser interditado. aproximando o paciente dos alienados mentais. todos do Código Civil. n. Se. para decidir se o surdo-mudo é ou não incapaz. Os primeiros sofrem apenas as limitações previstas no art. É o que se retira para lugar ignorado. são absoluta ou relativamente incapazes de exercer pessoalmente os atos da vida civil.

confere-lhes o exercício de outros direitos para. 6. de 26-8-1960.o. não tiverem discernimento para a prática dos atos da vida civil e os que não tiverem a livre disposição de sua vontade para cuidar dos próprios interêsses. de 19-101938. art. São os púberes do antigo direito. Os pródigos.298) .807. fazer cessar a incapacidade. n. relativamente a certos atos (art.o 22.firmar recibos de pagamentos de benefícios da Previdência Social. inclusive em testamentos (Cód. Civil. a critério da instituição previdenciária (Lei n. de 19-12-1932.o). e 1. 1.ser mandatário (art. II . Como se percebe. 463 a 484. o menor de mais de 16 e menos de 21 anos pode livremente: a) . Os silvícolas. c) .239. III.os menores de quinze anos. finalmente. Na enumeração legal figuram em primeiro lugar os maiores de 16 e menores de 21 anos. ORLANDO GOMES. para os menores. assim dispondo no art. art. a incapacidade absoluta passará a terminar aos quinze anos de idade. 63) . 147. Assim. f) .servir de testemunha.o 3. em seu anteprojeto.nos arts. Como é mais acentuado seu discernimento. sucessão provisória e sucessão definitiva. a censurada expressão loucos de todo o gênero será substituida por outra. Aos 18 anos. 7. ou à maneira de os exercer. g) .os que.o 794. II. por fim. aos 21.equipara-se ao maior quanto às obrigações .testar (art.Ingressar em cooperativas (Dec. prescreve o art. 142. mais científica e precisa. 1. e) exercer a pesca (Dec.o I). 6. n. por enfermidade mental ou fraqueza de espírito. o Código reduzlhes a incapacidade.o: I.-lei n.o I).o I). arts. n.627. d) . Pessoas relativamente incapazes: São incapazes. procura inovar essa parte da nossa lei civil. n. art.650. n. desdobradas em três fases distintas. § 1.o III. b) . Os maiores de 16 e menores de 21 anos. 6.o: São absolutamente incapazes: I .o). da incapacidade dos surdosmudos e dos ausentes não mais se ocupará o Código Civil. curadoria do ausente.

quer em psiquiatria. quer em direito. Proc. arts. 4.resultantes de atos ilícitos (Cód.o XII). n. 50. reduzindo-se à miséria. n. foi introduzida no Código Civil por proposta do Conselheiro ANDRADE FIGUEIRA. Civil. 156). renúncia e perdão (Cód. 58). art. 446). g) movimentar depósitos nas Caixas Econômicas (Dec. inciso II. art. Igualmente os pródigos são incluídos entre os relativamente incapazes. dar quitação. alienar. Comercial. art. pode: a) . de 2-31963. e 52) . 34. Finalmente. 792). Pródigo é aquêle que desordenadamente dissipa seus haveres.casar (se fôr mulher a idade nupcial é de 16 anos art. transigir.o. 63. b) . Dec. sem assistência do pai ou tutor (Consolidação das Leis do Trabalho. quer em economia.o.o. art.exercer. 459). art. 155).comerciar (Cód. h) . i) . h) não se exime de obrigação quando dolosamente oculta a sua idade (art.o 4. atos que não sejam de mera administração (Cód. A prodigalidade é instituto bastante discutido. o pródigo impedido não está de casar ou de exercer sua profissão.celebrar contrato de trabalho (mesma Consolidação. art. art. na justiça criminal. inciso II). § único. refere-se o legislador aos silvícolas. § 2. c) pleitear perante a justiça trabalhista. de 21-6-1945.661.o 4.requerer o registro de seu nascimento (Dec. De origem romana.857. f) . de 25-4-1960).o 7.427. tendo escla- .-lei n. d) . Mas a interdição do pródigo só o privará de.ser eleitor (Lei n. Criminal. art. o direito de queixa. em geral. hipotecar. art.787. arts. sendo trabalhador rural (Lei n.o 4. Lei n.764. 1. Civil. 3. por sua vez.o 3.o). de 9-11-1939.firmar recibos relativos a salários e férias.214. O de mais de 18 e menos de 21 anos.o 24. emprestar. Contudo. de 19-7-1934. 183.o. n. e 5. demandar ou ser demandado e praticar. de 15-7-1965. e) . sem curador. 53) .

O Juiz MANOEL AUGUSTO VIEIRA NETO. na mesma ordem de idéias. diz fraqueza e. 1. Civil. a Convenção Interamericana de Bogotá. n.não corre a prescrição contra os incapazes de que trata o art.o (Cód. excluiu-a da relação dos incapazes. no art. conveio em outorgar à mulher os mesmos direitos civis de que goza o homem. o qual cessará à medida que forem se adaptando à civilização do país. 5. 1. a Lei n. 6. 6. 169. no § único do art. que ficarão êles sujeitos ao regime tutelar.o. ORLANDO GOMES. Por outro lado.recido.121.ninguém pode reclamar o que. pois.259) . quem diz incapacidade. E por isso. pagou a um incapaz. c) . 3. Todavia.260 (art. Aliás. figuravam no rol das pessoas relativamente incapazes. a idade é reduzida. b) . ou ao modo de exercê-los. Outrora.o do Código Civil. enquanto subsistisse a sociedade conjugal. Dentre outras. os pródigos e os silvícolas são excluídos dentre os relativamente incapazes. também as mulheres casadas. dando nova redação ao citado art. o anteprojeto do Prof. em 1948. faz especificada menção dos vários diplomas legais existentes a respeito. volta a preceituar: o homem e a mulher têm igual capacidade civil. art.o. os maiores de quinze anos. 7. estabelecido em lei e regulamentos especiais. De acôrdo com essa orientação.mútuo feito a menor não pode ser reavido. por uma obrigação anulada. necessidade de proteção jurídica. enquanto menores de dezoito. em que tomou parte o nosso país. consagra o anteprojeto outras inovações: quanto aos menores.o I).o 4. salvo nas hipóteses do art. podem ser indicadas as seguintes: a) . prescrevendo o art.o que são incapazes relativamente à prática de certos atos. Ora. de 27-8-1962. Várias as medidas tutelares previstas em lei para defesa dos interêsses de incapazes. se não provar que reverteu em proveito dêle a importância paga . na sua coletânea sôbre a legislação civil em vigor.

84. paixão.626.Aos vinte e um anos completos acaba a menoridade. ou inexperiência de menor. art. Ainda não é tudo: constitui circunstância agravante ter sido o crime cometido contra criança. ficando habilitado o indivíduo para todos os atos da vida civil (Cód. pois. configura delito de abuso de incapazes. e) . combinado com os arts. que na proteção conferida aos incapazes não se compreende o benefício da restituição (art. da mesma forma de nada vale ao menor ser precoce. Emancipação: . n. Assim como não adianta ao louco agir num lúcido intervalo. 9. que voluntàriamente pagou (art. Formulou. 384.o I). letra i) idêntica exacerbação é prevista para a usura nas mesmas condições (Dec. de necessidade.477). e 426.pode o menor. 15). Civil. não se justifica realmente a subsistência da restitutio in integrum. dispondo que. Como diz CLóvIs.o). entretanto. velho ou enfêrmo (Cód. 1. acabados. 1. art. n. não pode ser convencionada amigàvelmente (art. reprimido pelo art. cumpridos. aos 21 anos completos.o). em proveito próprio ou alheio. em prejuízo próprio ou de terceiro. prejudica a circulação dos bens e produz grande perturbação no organismo econômico da sociedade. A lei civil pôs têrmo à dúvida sôbre o modo de contar-se a idade.773). feitos.partilha.o 22.beneficia-se o incapaz com o instituto da assistência e da representação (art. Por fim. n. recobrar dívida de jôgo.o V. 8. exigindo que os anos de idade estejam completos. Penal. d) . ou da alienação ou debilidade mental de outrem. f) . induzindo qualquer dêles à prática de ato suscetível de produzir efeito jurídico. uma regra para cômputo da idade em geral. em que há incapazes. ou interdito. 157). que não respeita direitos adquiridos. Adverte o Código Civil. 173. Enquanto . 44. de 7-4-1933. acaba a menoridade. do estatuto repressivo.(art. inciso II. valer-se. art.

392. mas a 12 de março. Pelo estabelecimento civil ou comercial. que continua regida por dispositivos próprios. Essa capacidade não deve ser confundida com a eleitoral. porém. precisamente. A plenitude desta. direitos e deveres específicos. insista-se.o do art. a idade em que tem início a responsabilidade penal não exerce qualquer influência na capacidade civil. Acrescenta. Pelo casamento. exigir-se-á exame médico. III. extingue o pátrio poder (art. II. se fôr morto. a maioridade será alcançada no 21. a 29 de fevereiro. para os menores. O primeiro é êste: em que instante.o I). V. nem com a idade limite para o serviço militar. n. da mãe. a que se refere êsse dispositivo e que consiste na aquisição da capacidade civil antes da idade legal. A emancipação.o ano. Assim já se pronunciou o Supremo Tribunal Federal. Pela colação de grau científico em curso de ensino superior. Se êle nasceu num ano bissexto. ou. Mutatis mutandis. consubstanciados no Código Civil.o II). se completa a maioridade? Contam-se os 21 anos de momento a momento? Será preciso se compute o último dia integralmente? A opinião mais correta é no sentido de que o indivíduo se torna maior e capaz no primeiro momento do dia em que perfaz os 21 anos. se o menor tiver dezoito anos cumpridos. 9. e por sentença do juiz. Pelo exercício de emprêgo público efetivo.o que cessará.não perfizer 21 anos completos. ouvido o tutor. com economia própria. 442. o § 1. As leis que às duas últimas se referem cuidam de atividades. a incapacidade: I. Interessantes problemas relacionam-se intimamente com o advento da maioridade. fazendo cessar igualmente a condição de pupilo. pender-se-á pela capacidade. na dúvida. Se ignorada a data do nascimento. n. Por concessão do pai. na tutela (art. não adquirirá a plenitude da capacidade civil. porém. IV. A primeira forma de emancipação resulta de concessão do . ocorre aos 21 anos completos.

A outorga. 16. 1. Civil. . arts. 100 a 102. como . o menor há de ter dezoito anos cumpridos. se fôr morto o pai. n. nem explícito. revogado que foi o art. § 2. mas. § único.o 2.375. portanto.pai. c) . ser denegada: a) . O respectivo instrumento deve ser inscrito no Registro Civil competente (Cód. observado o rito processual prescrito pelos arts.se através dela se colima outro fim que não seja o interêsse do emancipado. n. segunda alínea. 621 a 624 do Código de Processo Civil. por concessão paterna ou por decisão judicial. nem implícito. e por sentença do juiz. todos do Dec. Não há dispositivo de lei. da mãe.857.o).o. 12. de 9-11-1939 ). e 115.Essa inscrição não mais depende de homologação judicial. Deve. a emancipação dependerá de sentença do juiz. é óbvio que o mesmo direito lhe assiste se êste se encontra interditado. paterna ou materna. daquele Regulamento dos Registros Públicos (Lei n. se o menor tiver dezoito anos cumpridos. se fôr morto. Num e noutro caso. que exija. ouvido o tutor. 43. Não se pense que a emancipação seja direito do menor.se o mesmo não fundamenta o pedido e ignora fatos essenciais sôbre seus haveres. nas emancipações. ou da mãe (o que implica idéia de benefício). a ser acrescentado aos anteriores. e sentença do juiz (que pressupõe naturalmente exame dos fatos e das circunstâncias). A própria lei fala em concessão do pai. a formalidade da escritura pública.o e 2.o II. Se o menor estiver sob tutela. combinado com os arts. inciso IV. Os menores de mais de 18 anos têm capacidade mais ampla que os de menos de 18 e mais de 16. b) . 39. Tratase de outro caso típico.se êste não possui o necessário discernimento para reger sua pessoa e administrar seus bens.o 4. A lei só atribui à mãe o direito de emancipar o filho. e que vem corroborar aquela idéia da existência de gradações na própria incapacidade relativa. ou. de 21-12-1954. constará de escritura pública ou particular. art.

de 21-61945). 32 do Código de Processo Civil (Dec. contemplada pela lei. extranumerários e investidos em comissão.a qualidade e quantidade. Mas o fato de ser analfabeto o emancipando e de contar pouco mais de 18 anos de idade não traduz carecer êle de discernimento para reger sua pessoa. bem como o Supremo Tribunal Federal.e fique sob a autoridade de outrem. Para que as autarquias e entidades paraestatais obtenham qualquer dos atributos outorgados à pessoa jurídica de direito público interno preciso é lei especial. quem reúna condições para casar e assim constituir a própria família. Não se beneficiam. não implica o retôrno do emancipado à situação de incapaz. pôsto nomeado em caráter efetivo. O exercício de emprêgo público efetivo também determina a cessação da incapacidade. Sua subseqüente anulação.659. já decidiu o Tribunal Federal de Recursos. como sucedeu com os favores do art. A função pública pode ser federal. O funcionário de autarquia ou entidade paraestatal não é alcançado pela emancipação. mãe ou tutor. Embora o matrimônio haja sido contraído antes da idade nupcial.se a emancipação é requerida com a exclusiva finalidade de liberar bens clausulados até a maioridade. que servidores das autarquias não são funcionários públicos. atribui ao nubente plena capacidade civil. contratados. pai.-lei n. os simples interinos. estadual ou municipal. deve emancipá-lo. é o casamento. sem assistência do tutor. mensalistas. diaristas. De resto. Certificando-se o juiz de que o mesmo tem condições de desenvolvimento mental e suficiente experiência para a si próprio se dirigir. A segunda forma de emancipação. O dispositivo legal só se refere a emprêgo público.o 7. d) . só se emancipam os nomeados em caráter efetivo. Não é plausível realment. portanto. ou o simples desquite do casal. Mas. A quarta maneira prevista em lei é a colação de grau em .

o). de 13-5-1943). a emancipação só se dará por sentença do juiz.o que "para efeito do alistamento e do sorteio militar cessará a incapacidade do menor que houver completado 18 anos de idade". que dispõe. 139: . dada a considerável extensão do curso ginasial. civil ou comercialmente. Êsse dispositivo foi modificado pela Lei n. A emancipação civil.curso de ensino superior.-lei n.o). devendo o ato ser homologado pelo juiz e inscrito no registro civil (art. Quando vier a receber grau. emancipam-se também os que se estabelecerem. mas. O ato de emancipação pode ser cassado pelo juiz. poderá ser obtida dos pais se o menor tiver dezesseis anos cumpridos (art. com economia própria. científico ou clássico. cessará a incapacidade civil do menor.480.o do art. Referentemente à emancipação. Importantes alterações sugere o anteprojeto recentemente apresentado. a maioridade começará aos dezoito anos (art. De modo idêntico. 11.o 4. 11).o 5. Ajunta ainda o § 2.375. decidiu o Tribunal Superior do Trabalho que "a situação dos empregados autárquicos corresponde à dos funcionários públicos. ouvido o tutor (art. Dificilmente alguém se emancipará presentemente por essa forma. quando o menor emancipado demonstre incapacidade de administrar os bens. no art. e superior. é irrelevante na órbita jurídico-penal. Tal iniciativa evidencia que o interessado tem suficiente amadurecimento e experiência desenvolvida. 5. § 1. de 17-8-1964. tem êsse caráter o curso de jornalismo (Dec. 11. na data em que completar dezessete anos de idade". Observe-se que não pode ser considerado superior o curso de professor normalista. É análoga". resguardados os .o). podendo. assim como de seus bens."para efeito do serviço militar. Não é idêntica. desde logo assumir a regência da própria pessoa. a requerimento dos pais. Finalmente. Em primeiro lugar. em qualquer dos seus casos. 9. pois. o estudante terá certamente atingido a maioridade. Se o menor estiver sob tutela. § 2.

sendo suprida através da representação. Além da emancipação por outorga dos pais e por sentença do juiz. § 3. que estabelecia verdadeiro hiato no direito de propriedade.o do Código em vigor. Até êsse têrmo final inexorável. 9. O ordenamento jurídico moderno atinge o mesmo fim atribuindo fôrça retroativa à . por ficção.o) e o menor relativamente incapaz será assistido por seus pais. Fim da personalidade natural: . Os mortos não são mais pessoas.o). nos atos da vida civil (art. se relativa essa incapacidade. Só com a morte perde tal apanágio. Mors omnia solvit. representado. No direito romano. 10. absoluta ou relativa. a incapacidade de fato não elimina a capacidade de gôzo ou de direito. Tôdas as demais formas de emancipação são abolidas. proveniente de matrimônio do menor (art. prevê o anteprojeto a legal. se absoluta a incapacidade. Cumpre salientar ainda que. 7. O incapaz de fato exerce seus direitos representado ou assistido pelo respectivo representante legal. 12). Parte Especial". 8. conserva o ente humano a personalidade adquirida ao nascer. ajuntando-se. 11. ou por seu tutor. de acôrdo com o art. no art. "supre-se a incapacidade. primeira parte).A existência da pessoa natural termina com a morte (art.direitos de terceiros (art. o defunto era considerado como se vivo fôra até a aceitação de sua herança pelos respectivos herdeiros. Pelo referido anteprojeto. 10. Objetivava-se evitar a jacência. Não são mais ninguém. assistido apenas. se importarem prejuízo ao seu patrimônio. Não são mais sujeitos de direitos e obrigações. pelo modo instituído neste Código. os incapazes podem exercer direitos ou contrair obrigações por intermédio de seus representantes legais (art. Por outras palavras. que só serão anulados os atos praticados pelo menor sem assistência.o).

7. Na antiguidade. é o direito do herdeiro que remonta no passado.698. Mas essa idéia é relativamente moderna na história das instituições jurídicas. em nosso direito positivo alguns resquícios da morte civil. Vislumbram-Se. qualquer interregno. 111.o 9. deixava de ser pessoa. na titularidade do acervo hereditário. todavia. recebida ao nascer. como se houvesse falecido. Os descendentes do herdeiro excluído sucedem. aos olhos da lei. a assimilação de homem vivo a homem morto. de 10-2-1941. eram tidos por defuntos. como se êle morto fôsse. Não é mais o direito do falecido que se estende ficticiamente além da morte. dispõe no art. como morte fictícia. aquêle que era por algum motivo reduzido à condição de escravo. aquêle que perdia o status libertatis. O primeiro vem previsto no art. apenas remanesce na Inglaterra (civil death). Acolhida pelo Código Napoleão.adição da herança. 1. Os condenados a penas perpétuas e os religiosos professos eram considerados mortos para o mundo e assim eram tratados pelo direito. de 2-9-1946. teôricamente. de modo a eliminar qualquer solução de continuidade. No mesmo sentido. perderá o militar seu pôsto e respectiva patente. foi ela abolída por uma lei de 31-5-1854 e não logrou sobreviver no direito moderno.038. Parece que.o: uma vez declarado indigno do oficialato. Define-a SAVIGNY. Conquanto vivos.599 do Código Civil: são pessoais os efeitos da exclusão da herança por indignidade. art. o Decreto-lei n. ou com êle incompatível. para os condenados por crimes de alta traição. ressalvado à sua família o direito à percepção das suas pensões. Segundo caso encontramos nas leis militares. . No direito intermediário existia igualmente a morte civil (ficta mors). Mors ultima linea rerum est.o 3. só se perde com a própria vida. A personalidade. O Decreto-lei n.

j) extinção do usufruto (art.399. l) - .148.157 e 1. Em segundo lugar.o IV). 1. b) . f) .o I). n. 267.extinção do pátrio poder (art. Civil. d) abertura da sucessão (art. g) obrigação de fazer. n.extinção dos contratos personalíssimos. 4.o I) e sociedade (art. primeira parte. n. 1.dissolução do vínculo conjugal (Cód. de 1-9-1941. parceria (art.572). respectivamente. i) obrigação oriunda de ingratidão do donatário (art.Além da morte real. 1. admite nosso ordenamento jurídico alguns casos. de morte presumida. quando o ausente conta 80 anos de nascido e de mais de cinco datam as últimas notícias suas. Por outras palavras.782. 3. nos casos dos arts. de 8-10-1942. perempção ou preferência e de melhor comprador (arts.577. quando convencionado o cumprimento pessoal (art. n. A morte real traz como conseqüência a imediata cessação de todos os direitos e obrigações de que o de cujus era titular. como locação de serviços (art. 1. Dispõem êles. sôbre morte presumida de segurado do Instituto de Aposentadoria e Pensões dos Marítimos. de 30-8-1943. 878). h) .185). 10.819. 1. e) . n.o I). § único). 1.o I).239. notadamente: a) . c) . poucos.423). 1. mandato (art. segunda parte: presume-se a morte.158.dissolução da comunhão universal (art. quanto aos ausentes. Em ambos os casos. de militar. Da mesma forma. 1. de 3-2-1944.316. podem os interessados requerer a sucessão definitiva. 10. contemplada no art.pacto de venda a contento. admite-se a presunção se já são decorridos vinte anos depois de passada em julgado a sentença que concedeu a abertura da sucessão provisória. 481 e 482.o I). n. 5.obrigação de alimentos (art. não pode ela ser recusada. podem ser mencionados os seguintes Decretos-lei: ns.233). 739. 392. de servidor público e de militar da aeronáutica. art. e 6. O primeiro é apontado no próprio art. 315. 402).

art. § único. art.o I) e na judiciária.o. 108. 7. no tema de que estamos a tratar.o.o 11.-lei n. 3. presumia-se terem êstes expirado antes daqueles. Se a morte atingia simultâneamente marido e mulher. art. impossível será apurar quem primeiro se finou. a morte de duas ou mais pessoas. 10). a morte determina a extinção da punibilidade (Cód. A falência pode ser decretada. sendo elas reciprocamente herdeiras umas das outras. de 5-2-1950. em favor dêles. e art. existe a possibilidade de se reabilitar a memória do morto. 1. isto é. No atual direito inglês. n. presumia-se que haviam sobrevivido aos genitores.o. 197.764) . Todavia. não é completo o aniquilamento do de cujus pela morte. cuidando-se de pais e filhos impúberes. 9. enquanto o Decreto n. prevê. 156. se púberes fôssem. n. é a relacionada com a comoriência. 1. 209 a 212). de 15-12-1915.benefício da justiça gratuita (Lei n.doação em forma de subvenção periódica ao beneficiado (art. Penal. de 21-61945. Na órbita penal. . m) encargo da testamentaria (art. Sua vontade sobrevive através do testamento. Penal. o) cadernetas de caixas econômicas (Dec. entendia-se ter-se esta extinguido primeiro. Por fim.o 52.060.o 1. havendo no Código Penal dispositivos que reprimem delitos contra os mortos (arts. a suspensão da instância (Cód. na mesma ocasião e por fôrça do mesmo evento. Ao cadáver é devido respeito. Muitas vêzes.172). n) .795. porém.820. n. o direito de resposta.o).661. não há problema a enfrentar: a sucessão e outras conseqüências jurídicas se regerão de acôrdo com a precedência da morte. Proc. Outra questão de extrema delicadeza. Militares e servidores públicos podem ser promovidos post mortem e aquinhoados com medalhas e condecorações. n.o I). § 2. embora morto o comerciante (Dec. No direito romano. n.o III). art. de 31-10-1963.o I.o 7. art. Se as provas (e não simples conjeturas) permitem determinar a ordem cronológica dos óbitos. art.

Surge então o interêsse pela averiguação da provável duração da vida humana (Cód. para adotar regra diferente. 11 do Código: . Há casos em que a morte dá lugar a indenizações (Cód. o responsável ficará sujeito ao pagamento de uma renda vitalícia. a exemplo do Código alemão. a velha esteira do direito romano. para a transmitir. Embora venha a ocorrer tal circunstância. A herança será então repartida em duas porções. Proc. Dispõe realmente o art. Se é a mulher quem precede ao marido. Civil. transmitindo aos seus herdeiros a herança recebida. Sendo impossível determinar a precedência. sucede êste à primeira. art. O direito francês estabelece igualmente uma série de presunções legais. Se se demonstra que o marido pré-morreu à espôsa. presumir-se-ão simultâneamente mortos". Proceder-se-á a essa divisão ainda que os sucessores de um dos falecidos sejam parentes em grau mais afastado que os herdeiros do outro comoriente (por exemplo. um dos comorientes deixa ascedentes e o outro. atribuidas respectivamente aos herdeiros de cada um dos cônjuges."se dois ou mais indivíduos falecerem na mesma ocasião. presume o nosso código a simultaneidade das mortes.537). esta recolhe a herança daquele. apenas irmãos). Não haverá transmissão de bens entre os comorientes. Vejam-se estas conseqüências jurídicas em matéria sucessória: um casal sem descendentes e ascendentes falece no mesmo evento. 1. o acervo é sempre repartido pela forma indicada. pois. não se podendo averiguar se algum dos comorientes precedeu aos outros. Em tais hipóteses. seguindo.a presunção é de que o mais jovem faleceu depois do mais velho. abandonou a tradição das presunções. pois não tem aplicação ao caso o princípio de que o mais próximo exclui o mais remoto. aos próprios herdeiros. em seguida. A lei pátria. .

da propriedade marítima. Interessam ao próprio registrado porque êste encontra no Registro prova fácil.o I). arrecadação de impostos e distribuição da justiça. da propriedade literária. no art. O registro civil. O registro apresenta-se sob vários aspectos: civil. como polícia. relativo à pessoa natural e que ora nos interessa. prova de estado para . 12. III. A emancipação por outorga do pai ou mãe. imobiliário.Prescreve o Código Civil. que serão inscritos em registro público: I. ao próprio registrado e a terceiros que com êle mantenham relações. em serviços essenciais. serviço eleitoral. Os nascimentos. da propriedade industrial e das aeronaves. A interdição dos loucos. Atos do registro civil: . § 1. dos surdos-mudos e dos pródigos. recenseamento. estatística. decisiva e imediata da própria situação: prova de idade para demonstração da capacidade civil. Essa publicidade. que lhe é imanente. casamentos e óbitos. cuja base primordial descansa na publicidade.Civil. IV. n. ou por sentença do juiz (art. prova de nacionalidade para gôzo dos direitos políticos. Êle fornece meios probatórios fidedignos. segunda alínea). art. se destina à fixação indelével dos principais fatos da vida humana. como o nascimento.o. 9. Registro é o conjunto de atos autênticos tendentes a ministrar prova segura e certa do estado das pessoas. porque esta depara no Registro fonte auxiliar preciosa para a administração pública. de que se reveste o Registro. 912. o casamento e o óbito. A dificuldade resolverse-á mediante recurso as tábuas gerais de sobrevivência e tabelas de probabilidades das companhias de seguros e repartições de estatística. Sua existência e funcionamento interessam de perto à nação.o. científica e artística. A sentença declaratória da ausência. recrutamento militar. tem função específica: provar a situação jurídica do registrado e torná-la conhecida de terceiros. Interessam à nação. II.

como dizem NICOLA e FRANCESCO STOLFI. de . tais registros eclesiásticos eram dotados de fidedignidade. finalmente. à sua disposição. chama o deus legal. que não apresentam garantia alguma de sinceridade? Efetivamente. O Registro Civil é instituição que se deve à Igreja Católica. mais forte que a natureza e que reina nos templos das comunas. se o contratante é maior ou menor. O Registro Civil está a cargo de serventuários vitalícios. sempre falha e suspeita.o 9. a gloriosa divindade. pessoas nascidas anteriormente à secularização do Registro Civil fazem prova de idade mediante apresentação de batistério. a terceiros que com êste contratem. nessa matéria. que. Interessam. se tivéssemos que nos ater. pergunta PLANIOL. nessa matéria. de 7-3-1888. teve ela a idéia de anotar nascimentos. a que MAUPASSANT. a biografia jurídica de cada cidadão.o 17. durante o Império. desde o Decreto estadual n. encontram êles a indispensável informação para maior segurança de seus negócios. se denominavam escrivães de paz e hoje se intitulam. por assim dizer. à prova testemunhal. Que seria dos negócios públicos e privados. cujo valor probante é reconhecido sem contestação. Sob êsse ponto de vista. porque nos dados subministrados pelo Registro. por meio de inscrições nos livros paroquiais.886. casamentos e óbitos. em São Paulo. outrora.impetração de eventuais direitos. nada sobreleva o Registro Civil. às recordações semi-apagadas dos próprios interessados e aos escritos particulares. no Registro se pode encontrar a história civil da pessoa. na primeira hipótese. hiperbolicamente. Entre nós. Ainda hoje. Desde a Idade Média. Aquela secularização do Registro Civil principiou com o Decreto n. dadas as relações entre a Igreja e o Estado.375. casado ou solteiro. e hoje ela inspira tôda a legislação pátria. verificando. e qual o regime matrimonial de bens adotado. num relance.

Aí se especifica a maneira pela qual se procede à inscrição de cada um dos atos indicados no citado art.o). Lei n. que estabelece providências que facilitem. que estabelece rito sumaríssimo para retificações no Registro Civil. 18 da Introdução ao Código Civil. para o efeito da prescrição da ação penal. com a redação que lhe deu a Lei n. 2. que dispõe sôbre registro de nascimento de menor abandonado. podendo lavrar certidão de nascimento. o registro de nascimento. Decreto-lei n.857.o 7. 3. ou a seus filhos. de 1-8-1957. a cujas disposições nos reportamos. 12 do Código Civil. Também às autoridades consulares cabe idêntica função. inclusive o registro de nascimento e de óbito dos filhos de brasileiro ou brasileira nascidos no país de sede do Consulado". de 30-9-1943. Mas. Estabelece o art.3-7-1947.o) e considera praticado o ato.o 3. Algumas leis especiais devem ser ainda mencionadas neste ensejo.o 5.238. O registro é efetuado em conformidade com o Decreto n. de 9-8-1945. a nacionalidade brasileira (art.o 7. Título II (arts. 156).o 3. para fins eleitorais. Decreto-lei n. para o fim de atribuir-se. que determina a expulsão do território nacional de estrangeiro que fizer falsa declaração perante o Registro Civil. que ocorrerem a bordo (Cód.764.860. são competentes as autoridades consulares brasileiras para lhes celebrar o casamento e os mais atos de Registro Civil e de tabelionato. de 29-5-1941. sob jurisdição do juiz de menores.o 4. de 25-4-1960. também ao comandante das aeronaves compete exercer funções de oficial público.270. de 9-11-1939. oficiais do Registro Civil das Pessoas Naturais. 39 a 121). ou dos óbitos. art.845. do Ar. . como o Decreto n. que "tratando-se de brasileiros. no dia em que fôr conhecido o delito de falsidade (art.

Com CLÓvIS. que era tripla: máxima. O status apresentava-se então sob três aspectos: liberdade. porquanto. todos. é a posição jurídica da pessoa no seio da coletividade. Tôda pessoa tem um estado. Estado individual. mas sem afetar o de liberdade. nacionalidade e família. empregada pelos romanos para designar os vários predicados integrantes da personalidade. No seu estudo são equacionados diversos elementos objetivos. podemos definir estado como o modo particular de existir. pois. por ter o cidadão mudado de família. como idade. A captis deminutio minima era conseqüente à perda do último estado. DISPOSIÇÕES LEGAIS REFERENTES A ESTRANGEIROS. de que resultam múltiplas relações jurídicas. média e mínima. cidade e família (status libertatis. sexo e saúde. status civitatis e status familiae). DA NATURALIZAÇÃO. presentemente. . FAMILIAR E POLÍTICO. No direito moderno apenas lograram sobreviver os dois derradeiros estados. ou físico. afirmou PICARD que a palavra liberdade não tem mais hoje a mesma sonoridade de outrora. Era o modo de ser em virtude do qual se tornavam os homens suscetíveis de direitos na sociedade civil. familiar e político. era caput civile. A capitis deminutio media resultava da inibição do direito de cidade. implicando a perda do estado de família. DO ESTADO POLÍTICO: NACIONALIDADE E CIDADANIA. Com razão. A perda de um dos atributos configurava a capitis deminutio.ESTADO DA PERSONALIDADE NATURAL: INDIVIDUAL.A expressão estado provém do latim status. que acarretava a perda dos demais estados. Quem os preenchesse. A capitis deminutio maxima decorria da perda da liberdade. é o modo de ser da pessoa sob o aspecto de sua constituição orgânica. Êsse estado pode ser encarado sob três ângulos diferentes: individual. Estado da personalidade natural: . A personalidade natural só atingia a plenitude quando reunia os três elementos. todos os homens são igualmente livres e capazes de direitos e obrigações.

dividem-se os indivíduos em nacionais e estrangeiros (no direito romano civis e peregrini). O Código Civil. viúvas e desquitadas. Como ensina o Prof. que não as ações. impropriamente. por sua vez. n.os quais exercem decisiva influência sobre a capacidade civil. Outrora. o parentesco por consanguinidade e a afinidade. consoante já tivemos oportunidade de sublinhar anteriormente. Todo indivíduo se enquadra em determinada família por três ordens de relações: o vínculo conjugal. diz TORRENTE. que não podem ser modificadas pelas partes. o status era tutelado pelas chamadas ações prejudiciais.o II. preferível é usar a locução qualidade jwrídica. No direito moderno. parentes (consangüíneos e afins) ou não. emprega tal expressão e dêsse estado ocupa-se o direito de família de modo particular. o estado familiar distingue as pessoas em casadas. A uns e outros assegura a Constituição Federal a inviolabilidade dos direitos concernentes à vida. empregam-se também expressões como estas: estado de herdeiro. à segurança individual e à propriedade (art.Como membros da sociedade política. Sob êsse aspecto. Estado familiar é a posição ocupada pela pessoa no seio da família. Para designar essas situações. Do estado político: nacionalidade e cidadania: . O próprio Código Civil. estado político é a qualidade jurídica que advém da posição do indivíduo como parcela de uma sociedade politicamente organizada e chamada nação. dispõe que "a lei não distingue entre nacionais e estrangeiros quanto à aquisição e ao gôzo dos direitos civis". O estado de cidade e o estado de liberdade são protegidos por outros meios. no art. . à liberdade. Finalmente. o estado das pessoas é disciplinado por normas de ordem pública. somente o estado de família é protegido na ordem civil. porém. ORLANDO GOMES. 141). 180.o. solteiras. no art. 3. estado de sócio. Algumas vêzes.

157. 155). devem ser brasileiros (Const. b) os proprietários. g) .somente poderão ser admitidos ao . 80.o I). art. pelo menos. emprêsas ou companhias (Cons. Federal. armadores e comandantes de navios nacionais. Senão vejamos: a) . n. n. do Estado.é condição de elegibilidade para o Congresso Nacional ser brasileiro (Const. f) . notadamente entre estrangeiros e brasileiros natos. art. d) . a verdade é que em nosso direito positivo existe sensível discriminação entre estrangeiros e brasileiros. art. é condição essencial de investidura no cargo de Ministro de Estado ser brasileiro (art. Federal. das Leis do Trabalho.da mesma forma. Federal. 90. § único. das Leis do Trabalho.Não obstante a linguagem empregada pelo legislador. art. c) deve existir determinada porcentagem de empregados brasileiros nos serviços públicos concedidos e em determinados ramos do comércio e indústria (Const. art. para ser presidente e vice-presidente da República (art. art.o I). quanto ao cargo de Ministro do Supremo Tribunal Federal (art. 36 e 37). 38. j) . e) idem. n. h) . art. dos seus tripulantes. como o número de químicos estrangeiros a serviço de particulares. 515). 46. § único) . quanto aos demais cargos de administração e representação.o). Federal. secretários de Estado (art.a navegação de cabotagem para o transporte de mercadorias é privativa dos navios nacionais.só o brasileiro nato pode ser presidente de sindicato. i) . 349). § 1. salvo caso de necessidade pública (Const. n. 155.idem.idem. 103). bem como dois terços.o XI). quanto ao cargo de deputado estadual (Const. § único. governador e vice-governador do Estado (arts.o) . § único) e membros do Tribunal de Contas (art. por brasileiros (Cons. 69.o I). 6. 99) e do Tribunal Federal de Recursos (art.

9. proprietárias de emprêsas jornalísticas (Lei n.o 1.o 3.-lei n. 6. exclusivamente.778. os que fizerem prova de nacionalidade brasileira (Cons. r) concessões de terras nas faixas fronteiriças só podem ser deferidas a brasileiros natos. 1. art. § 2.o direito de pesquisar ou lavrar só poderá ser outorgado a brasileiros.o. art. 3.o).438. o) .à pessoa estrangeira. l) . de 17-1-1940. sômente a brasileiros natos é permitida a sucessão (Dec. de 17-7-1941. salvo se ocorrer a hipótese do Decreto-lei n. porém. física ou jurídica. art. art.968. ainda que no regime de comunhão de bens.430.o 2. de Minas. 310.é vedada a propriedade de emprêsas jornalísticas políticas ou simplesmente noticiosas. exclusive o petróleo. in fine). de transmissão inter vivos ou causa mortis. m) .o 2.só brasileiros natos podem ser Agentes da Propriedade Industrial (Dec. ou brasileiras casadas com estrangeiros. pessoas naturais ou jurídicas. § único). art.na . revisores e fotógrafos. 2. 2.não podem êstes ser acionistas de sociedades anônimas.083. art. 311.-lei n. art. 160. n. de 17-4-1944.o).poderão ser sócios das emprêsas de mineração e das indústrias de transformação e industrialização dos minérios.o. casados com brasileiras natas (Dec. no caso.o 6. n) .-lei n. constituídas estas de sócios ou acionistas brasileiros (Cód.-lei n. art. combinado com o art.o 2. único). de 7-10-1940. art.o). a estrangeiros (Lei n.o I).o.o. não serão aforados terrenos de marinha (Dec. Federal.serviço das emprêsas jornalísticas. locutores. s) . letra a). os brasileiros casados com estrangeiras. art.679. de 12-11-1940. a responsabilidade principal delas e a sua orientação intelectual e administrativa (Const. A brasileiros caberá. p) . 18). como jornalistas. das Leis do Trabalho. q) .083. de 12-11-1953.o 2.

o). como também nulos de pleno direito serão quaisquer compromissos ou declarações que importem em direito sôbre ações ou quotas de capital por parte de pessoa proibida de adquirilas. exercer atos de administração no tocante às ações ou quotas de capital (§ 1. herdeiros ou legatários brasileiros. art. 61) . letra a).o 2.faixa em questão a gerência ou administração de sociedades que explorem emprêsas de indústria ou de comércio caberá. v) .o comércio individual por estrangeiros. a quem se faça a transferência ou se os . sendo nula de pleno direito a subscrição. u) . não havendo cônjuge.430.na vigência do Decreto-lei n. cessão ou transferência das ações ou quotas de capital se inobservada essa condição de nacionalidade.o.o). ainda que administrador dos bens da mulher.182. art. e em cujo favor também não poderão ser dadas em penhor ou caução (art. 4. a brasileiro nato ou a maioria de brasileiros natos (Dec-lei n. sempre. bem assim. de 17-4-1944. 3.o). art. de 9-4-1941. Com relação às ações ou quotas de capital transferidas a menores brasileiros sob o pátrio poder de estrangeiros.475. na mesma faixa. 3. 2. só será permitido se o número de estrangeiros estabelecidos com o mesmo ramo no local não exceder um têrço dos comerciantes e industriais que o explorem (art. n. de 13-3-1897. e se o regime fôr o da separação.o 3. é defeso aos possuidores das ações ou quotas de capital dos bancos que recebam depósitos transferi-las a quem não seja pessoa física brasileira. leiloeiro matriculado (Cód. Comercial.o 6.o). não poderá o marido estrangeiro. t) . sua administração será obrigatoriamente conferida a brasileiro (§ 2.só brasileiro pode ser corretor de fundos públicos (Dec. Nos casos de transmissão causa mortis. Nessa proibição incluem-se as brasileiras casadas com estrangeiros pelo regime de comunhão de bens.o).

o I). Tão extensa enumeração. art.o 2. 44). se distribuem em três categorias distintas: brasileiros natos. As diversas legislações contemporâneas adotam critérios diferentes para distinguir seus nacionais.o 2.117. 1. art.o). n. Têm os primeiros a plenitude dos direitos. d) . de 27-8-1962. arts. 11.o 54. de 18-1-1954. ou a emprêsas que não sejam constituídas exclusivamente dos brasileiros a que se referem as alíneas I e II do art. ela evidencia que os habitantes do território pátrio. mostra não ser desarrazoada a opinião daqueles que sustentam não mais se achar em vigor o art. n. 18.ser corretor de navio (Decreto Federal n. art.004.o 4. no tocante à nacionalidade. 4. Esses critérios são o do . de 310-1958.o 2. que se ampliam com relação aos terceiros. art. serão as ações ou quotas vendidas a quem a lei não o proiba (§ 3. z) .118. b) . 3. c) .é vedada a concessão ou autorização do serviço de radiodifusão a sociedade por ações ao portador. naturalizados e estrangeiros.o 4.só brasileiros natos podem ingressar na classe inicial da carreira de diplomata (Lei n. que poderia ainda prosseguir. de 27-8-1962. os segundos sofrem algumas restrições.o do Código Civil. x) . 12 e 13).o III). letra a). 4.-lei n.estatutos ou contrato social não assegurarem por outra forma a transferência a pessoas capazes.956. 129 da Constituição Federal (Lei n.ser nomeados membros da Comissão Nacional de Energia Nuclear (Lei n. art.estrangeiros não podem ser acionistas da Petrobrás (Lei n.171.o.063. de 73-1940.o) . de 6-11-1964. Realmente.idênticas disposições existem a respeito das ações relativas a sociedades anônimas que se dediquem a operações de seguros (Dec. Acrescentem-se ainda os casos seguintes: a) .o.

a educação. ao passo que a conferiria a descendentes de nacionais. n. Por outro lado.jus soli e o do jus sanguinis. para conservar a nacionalidade brasileira. e nacionais seriam filhos de estrangeiros nascidos acidentalmente no país. III. De acôrdo com êsse dispositivo constitucional. da Constituição de 24 de fevereiro de 1891. atingida a maioridade. art. no segundo. art. optar por ela. a nacionalidade dos genitores. em aeronaves . penetrados dos hábitos nacionais. de 18-9-1949. a adoção exclusiva do jus soli importaria a aceitação de que estrangeiros seriam os filhos de nacionais nascidos no exterior. ainda que de pais estrangeiros. idoneidade moral e sanidade física.o 818. necessàriamente. nascidos alhures e já sem os hábitos. A adoção exclusiva de um ou de outro critério. ou brasileira. dentro em quatro anos. são brasileiros: I. Os que adquiriram a nacionalidade brasileira nos têrmos do art. ensina PONTES DE MIRANDA pode conduzir a situações injustas. ou. nascidos no estrangeiro. Os naturalizados pela forma que a lei estabelecer. repetido pela Lei n. se vierem residir no país. Neste caso. exigidas aos portuguêses apenas residência no país por um ano ininterrupto. O Brasil tem procurado dosar um e outro sistema. não residindo êstes a serviço do seu país. IV. e só êsses. Os nascidos no Brasil. deverão.aos nascidos no Brasil. No primeiro sistema. 69. ainda que de pais estrangeiros. Os filhos de brasileiros. negaria a indivíduos nascidos no seu território.o IV e V. adquire o filho.o. a qualidade de cidadãos nacionais. se os pais estiverem a serviço do Brasil. não o estando. o amor e as preocupações de um nacional. II. pouco importando o lugar do nascimento. todo aquêle que nasce no território de um Estado adquire a nacionalidade dêsse Estado. Segundo a Constituição Federal. a qualidade de brasileiro é outorgada às seguintes pessoas: a) . 1. O Estado que fizesse seus nacionais todos os filhos de nacionais. São nascidos no Brasil os que foram dados à luz em território brasileiro. 129.

sem embargo da opinião contrária de PONTES DE MIRANDA. A opção constará de têrmo assinado pelo optante ou seu procurador. e não a política (18 anos). 3. entretanto. ainda que ancorada em águas territoriais brasileiras. Não será brasileiro o nascido a bordo de belonave estrangeira.o).o do mesmo diploma que "o filho de brasileiro ou brasileira. aliado ao jus sanguinis. nascido no estrangeiro e cujos pais ali não estejam a serviço do Brasil.o 4. poderá. 4. segue o filho a nacionalidade dos genitores. nação diversa. Se êles servem. Não terão a nossa nacionalidade. atingida a maioridade. dentre os nascidos no Brasil. Nesse caso.o 818. Esclarece o art. ou brasileira. 2. deverão. art. Indispensável se torna. para conservar a nacionalidade brasileira. se os pais estiverem a serviço do Brasil. opção pela nacionalidade brasileira. n. dentro em quatro anos. ou do de seus pais (Dec. se um dos pais fôr brasileiro (Lei n.o 818.o). A maioridade. não sua pátria.857. faculta a lei. Ao filho de pais estrangeiros. § 2.o). É competente para inscrição da opção o cartório da residência do optante. se vierem residir no país. a que se refere o texto. bem como o nascido a bordo de avião de guerra. art. 39. que entre nós se encontrem a serviço de seu país. é a civil (21 anos). todavia. b) aos filhos de brasileiro. não o estando. Neste caso. optar por ela. o desempenho do questionado serviço. após sua chegada . nascidos no estrangeiro.brasileiras e em navios brasileiros. pois. será brasileiro o filho aqui nascido. apenas aquêles cujos pais aqui residam a serviço de seu país. que os pais (ou apenas um dêles) a serviço estejam de seu país. afasta a aplicação do jus soli. porém. de passagem pelo nosso território. art. e não de outro. ou. no Registro Civil de nascimento (Lei n. de 9-11-1939.

De acOrdo com o ensinamento de PONTES DE MIRANDA. enumerados em ambos os incisos da Constituição de 1891. c) . se transcreva. 5.o 818. para nêle residir. que possuírem bens imóveis no Brasil. art. dentro em seis meses depois de entrar em vigor a Constituição. independentemente do título declaratório a que se refere a Lei n.o 818.o). Preenchidos os requisitos legais. achando-se no Brasil aos 15-11-1889. art. 6. bem como os estrangeiros. da Constituição de 24-2-1891. O primeiro caso corresponde à chamada grande naturalização.os que adquiriram a nacionalidade brasileira nos têrmos do art. meras manifestações posteriores não bastavam para lhe acarretar a perda da nossa nacionalidade. o inciso V exige o domínio de bens imóveis. requerer ao Juiz de Direito de seu domicílio. idoneidade moral e sanidade física.o. salvo se manifestarem a intenção de não mudar de nacionalidade. no Registro Civil. até 16 de julho de 1934. O simples silêncio do estrangeiro aqui domiciliado em 15-111889 bastou para que êle adquirisse a nacionalidade brasileira. Observe-se que são brasileiros natos os de que tratam os ns. contanto que residam no Brasil. 129 da Constituição Federal (Lei n. isto é: os estrangeiros que. não sendo suficiente a simples posse. o estrangeiro adquiriu a nacionalidade brasileira. Por outro lado. exigido ad probationem e não ad solemnitaterni d) finalmente. existe . adquirida esta.ao país. aos naturalizados pela forma que a lei estabelecer. exigidas aos portuguêses apenas residência no país por um ano ininterrupto. ns. IV e V. o têrmo de nascimento. não declararam. I e II do art. fazendo-se constar dêste e das respectivas certidões que o mesmo só valerá como prova de nacionalidade brasileira até quatro anos depois de atingida a maioridade". o ânimo de conservar a nacionalidade de origem. 69. e forem casados com brasileiros ou tiverem filhos brasileiros.

publicado na Revista de Direito Administrativo. O cancelamento da naturalização compreende a abertura de inquérito. pois. III. o conceito de cidadania está reservado à qualidade de possuir e exercer direitos políticos. ou de pedido de arquivamento. por naturalização voluntária. Nos casos indicados nos incisos I e II a perda da nacionalidade será decretada pelo Presidente da República. Estabelece a Constituição Federal no art. correrá no Ministério da Justiça. ou mediante petição fundamentada. por sentença judiciária. Cumpre não confundir nacionalidade e cidadania. 23). Nosso ordenamento jurídico não admite dupla nacionalidade: duarun civitatum civis noster esse jure civili nemo potest. por exercer atividade nociva ao interêsse nacional. Recebida a denúncia. Que. o processo é da competência da Vara dos Feitos da Fazenda Nacional. em processos que a lei estabelecer.o 818: perde a nacionalidade o brasileiro: I. arts. da Lei n. emprêgo ou pensão. pôsto tenha a nacionalidade brasileira. Quem não é eleitor não é cidadão. ou representação de qualquer pessoa (art. Que. em nosso sistema legislativo. art. . diz BONFANTE que o direito romano manteve sempre firme. II. adquirir outra nacionalidade. Afirmam ESPÍNOLA e ESPÍNOLA FILHO que. Que. aceitar de govêrno estrangeiro comissão. repetido no art.o 818. seguir-se-á o rito processual indicado na Lei n. iniciado de ofício. 55/256. 130. sem licença do Presidente da República. será iniciado mediante a solicitação do Ministério da Justiça. 27 a 34. 22. Cidadão e eleitor são. seguido de denúncia. em nossa Constituição. Eis o princípio. Na hipótese prevista na alínea III.acórdão do Tribunal Federal de Recursos. 24). apuradas as causas em processo que. palavras sinônimas.o 818. ouvido sempre o interessado (Lei n. tiver cancelada a sua naturalização.

art.192 (art. Sanidade física. VII. com as especificações constantes do art. podem ser suavizadas e mesmo dispensadas. art. 12 e 13). fique perfeitamente individualizado cada beneficiário (Lei n.o): I.A concessão da naturalização é de faculdade exclusiva do Presidente da República. Em qualquer caso. 1.o a 4.o. de 3-9-1954.o). em casos especiais. 27).o 2. opinando em seguida a autoridade (art. Exercício de profissão ou posse de bens suficientes à manutenção própria e da família. enquanto nos Estados e nos Territórios. §§ 1. art. III. IV.o 818 e instruído com a documentação indicada no respectivo § único. em decreto referendado pelo Ministro da Justiça (Lei n.o. 8. 10 da Lei n. a petição é apresentada diretamente ao Ministério da Justiça. de 4-7-1957. II. modificada pela Lei n. Ler e escrever a língua portuguêsa. Bom procedimento. art. Pode ser concedida mediante decreto coletivo.Da naturalização: . levada em conta a condição do naturalizando. imediatamente anteriores ao pedido de naturalização.o).§ 1. Residência contínua no território nacional pelo prazo mínímo de cinco anos. o processo será remetido ao Ministério da Justiça. 13. com parecer e . por crime cuja pena seja superior a um ano de prisão. 7.o e 2. Ausência de pronúncia ou condenação no Brasil. Terminada a instrução. 9.o 818. Algumas dessas exigências. no seu texto. V.o.o 818. VI. No Distrito Federal. Capacidade civil do naturalizando. § único). São condições para a naturalização (Lei n.312. 8. à Prefeitura Municipal da localidade em que residir o naturalizando (arts.o). art.192. O requerimento será dirigido ao Presidente da República. Deverá ser igualmente ouvido o órgão federal de saúde (Lei n. o pedido é enviado à repartição policial competente para sindicância e permuta das individuais datiloscópicas. segundo a lei brasileira. que o apresentará. consoante se vê da mesma Lei n.o 3.o 818.o 3. desde que.

Durante o processo de naturalização. devendo êste reunir as condições exigidas em lei (conhecimento da língua. . sob o aspecto subjetivo. direitos políticos são os referentes à co-participação do indivíduo no organismo social. direitos civis. como ser humano. Se o naturalizado. 15. 16). advertindo-se quanto aos direitos e deveres dêle decorrentes (Lei n. de brasileiro).192). art. ao Presidente da República (art. Efetivamente.o 818. modificado pela Lei n. são aquêles que cabem ao indivíduo. em audiência pública. A naturalização só produzirá efeito após a entrega da certidão. assumem o caráter de direitos individuais. e confere ao naturalizado o gôzo de todos os direitos civis e políticos excetuados os que a Constituição Federal atribui exclusivamente a brasileiros natos (Lei n. 17).novas diligências. se necessárias. na qual se explicará a significação do ato. na vigência de Constituições anteriores. desde que o faça fundamentadamente. na forma dos arts. Direitos individuais. elegibilidade.o 3.o 818. a fim de lhe ser imediata e solenemente entregue. será enviada certidão ao juiz de direito do domicílio do interessado.192). com mais propriedade. 15 e 16. A entrega da certidão constará do têrmo lavrado no livro de audiências e assinado pelo juiz e pelo naturalizando (art. Acabamos de aludir a direitos civis e políticos. poderá qualquer cidadão brasileiro impugná-la. Concedida a naturalização e arquivado no Ministério da Justiça o respectivo decreto. modificada pela Lei n. subdividem-se os direitos em individuais e políticos. alistamento. renúncia da nacionalidade anterior e compromisso de quem cumprir os deveres. 14).o 3. Preenchidas certas condições de nacionalidade. diplomação ou investidura. ou. devendo ser junta ao processo a impugnação e os documentos que a acompanharem (art.

o 394.404.o 818.o 3.-lei n. 1. 2. de 30-9-1943. modificada pela Lei n. b) .-lei n. optar.860. Dec.o). art. 8.o 5.o 1. art.exerceu qualquer mandato eletivo. de 14-9-1964. A citada Lei n.377. Será nulo o ato de naturalização se provada a falsidade ideológica ou material de qualquer dos requisitos exigidos pelos arts.o 6. Mas.o e 9. c) .o).Numerosos os diplomas legais referentes a alienígenas. 2. Federal.o 479. Atingida a maioridade. Disposições legais referentes a estrangeiros: . depois de haver adquirido a nacionalidade brasileira. é considerado brasileiro para todos os efeitos (Lei n. art.192). n.sôbre extradição (Declei n.259. 70 (para os que contravenham disposições da lei de loterias). Dec. continua sendo elegível para os cargos de representação popular. 21). para conservar a nacionalidade brasileira.lei n. art.o 554.o 818 encerra ainda disposições sôbre requisição da nacionalidade e direitos políticos.o 6. de 10-2-1944. art. 35. de 12-7-1938. se este o requerer (art.Decreto-lei n.-lei n. A naturalização não importa aquisição da nacionalidade brasileira pelo cônjuge do naturalizado (art. Dec. 20).o (Lei n. de 3-2-1944 (sôbre . por ela. exceto os de Presidente e VicePresidente da República e o de Governador (Const. o menor estrangeiro residente no País. Dec. dentro de quatro anos (art. de 27-6-1939. 19 das Disposições Transitórias). No ato da naturalização o Ministro da Justiça poderá autorizar a tradução do nome do naturalizado. de 8-6-1938.238.o (para os que fizerem falsa declaração perante o registro civil para fins de aquisição da nacionalidade brasileira).sôbre expulsão (Dec. de 28-4-1938) . filho de pais estrangeiros naturalizados brasileiros e aqui domiciliados. Limitar-nosemos a citar aqui os mais importantes: a) .o 4. deverá o interessado.

-lei n.entrada e saída (Dec. Em todos os acontecimentos da vida individual. em todos os momentos.116.o 3. é o nome. de 3-71934.o) . d) .o. É a expressão mais característica da personalidade.o 24. 25. ELEMENTOS ATUAIS DO NOME. sem que decline o próprio nome No sugestivo dizer de JOSSERAND. além dos demais requisitos.o § 1. n. fazer contrato.registro de estrangeiros admitidos em caráter temporário) . no país.o 4. se identifica e se reconhece a pessoa no seio da família e da comunidade. Não pode entrar numa escola. ALTERAÇÃO. 2. DEFINIÇÃO E NATUREZA JURÍDICA. e seu Regulamento. casar. aprovado pelo Dec. o homem tem de apresentar-se com o nome que lhe foi atribuído e com que foi registrado.010. de 4-5-1938. Um e outro se encontram eterna e indissolüvelmente ligados. em todos os atos jurídicos.o 406. de 20-8-1938). o nome é como uma etiquêta colocada sôbre cada um de nós. familiar e social. de 22-12-1957 (sôbre as condições para admissão de nacionais e estrangeiros ao exercício de atividade remunerada no país e sóbre abolição do registro policial de estrangeiros). o estrangeiro. e) . ao lado da capacidade civil e do estado.o 3. art. êle dá a chave da pessoa tôda inteira. deve comprovar permanência legal e ininterrupta. dispõe o Decreto n. f) para o exercício da profissão de corretor de imóveis. OUTRAS DISPOSIÇÕES. g) . Pode ser definido como o sinal exterior pelo qual se designa.Lei n. hISTÓRIA. exercer um emprêgo ou votar. de 27-8-1962. POSSIBILIDADE DE Definição do nome: .559. durante o último decênio (Lei n. § 2. DO NOME.sôbre o repatriamento de portadores de doenças mentais.Um dos mais importantes atributos da pessoa natural. o elemento inalienável e imprescritível da individualidade da .359. O homem recebe-o ao nascer e conserva-o até a morte. art.

por isso. sinal distintivo e revelador da personalidade. É o pensamento de FERRARA e RUGGIERO. filho de Abás). os indivíduos passaram a ser individualizados pelo seu nome ligado ao do genitor (José Bar-Jacó José. para outros ainda.A imprescindibilidade do nome foi reconhecida desde os niais remotos tempos. Como observa CUNHA GONÇALVES . Platão. mas com o tempo. a cujo entendimento nos filiamos. Mas essa opinião não pode ser acolhida. Não se concebe. como também após a sua morte. o nome é uma forma de propriedade. Aristótelesr). rimas e logradouros públicOS. prescritível. na vida social. filho de Tolomeu . locomotivas e aviões. ser humano que não traga um nome. aos animais. aos produtos agrícolas e até aos furacões. Tais caracteres são estranhos ao nome. . às coletividades. Para COLIN ET CAPITANT. Tão notória é a respectiva utilidade que seu uso se estendeu às firmas comerciais. História: . A propriedade comum é alienável. para contornar a dificuldade. Serve para individualizá-lo não só durante a sua vida.pessoa.Barrabás.Várias as opiniões sôbre essa questão. quando as tribos se multiplicaram. os nomes do apóstolo Bartolomeu e do bandido Barrabás indicavam apenas a filiação (Bartolomeu. trata-se de direito subjetivo e Extrapatrimonial. Mas. que se perdeu naturalmente na noite dos tempos. Asseguram outros que o nome é um direito da personalidade. Entre os gregos. filho de Jacó). que seria uma propriedade sui-generis. Para uns. exercitável erga omnes e cujo objeto é inestimável. Finalmente. era único e individual (Sócrates. mas não o da própria personagem. era igualmente único. Entre os hebreus. Cada pessoa tinha o próprio nome e não o transmitia aos descendentes. o nome é marca distintiva da filiação. Afirmou-se. patrimonial e exclusiva. aos navios. de objeto imaterial. Dêsse sentir é JOSSERAND. às cidades. não pára aí a controvérsia. Para terceira corrente. Natureza jurídica: .

recorria-se ao nome paterno. Benoliel). Cícero . ou nome próprio de cada pessoa. ora de algum animal. entre êles vigorante. depois se tornou hereditário. Túlio gentílico. passaram estas a adotar o sistema romano. b) . Paulatinamente. usado por todos os membros da mesma gens. e ovna. para os homens. no sobrenome. Mas. Nádia Petrovna Nádia. Os rumenos usam a partícula esco (Lupesco. Nomes de um só. os nomes bárbaros foram substituídos pelos do calendário cristão. com maior freqüência.prenome. Para distingui-las. Nomes com três elementos. retornou-se ao do nome único.Ali filho de Mustafá).o prenome.Alexandre. filha de Pedro). ora da profissão (Monteiro). voltemos à história do nome. eram peculiares ao patriciado (Marco . Carvalho. como Marco Túlio Cícero. a desinência Ben (Bensabat. Valente.cognome). para as mulheres (Alexandre Markovicz . eram próprios da plebe (Espártaco). com a invasão dos bárbaros. Branco). planta ou objeto (Coelho. ora do lugar do nascimento (Portugal). Inicialmente. desde a dominação maometana. Aliás. o nome era bastante complexo. no entanto. alguns judeus passaram a adotar. começou a surgir confusão entre pessoas com o mesmo nome e pertencentes a famílias diversas. no máximo de dois elementos. adotam-se. as mulheres não o usavam. Mas. Os elementos que entravam em sua composição eram: a) . filho de Marcos. devido ao grande desenvolvimento da gens e às complicações provenientes das alianças. Popesco).Acrescenta o mesmo civilista que tal sistema predomina ainda entre os árabes (Ali Ben Mustafa . o cognome era individual. as partículas vitch ou vicz. Com a conquista das Gálias e da Lusitânia. igualmente. Feita essa breve digressão. o cognome. porém. . Tornando-se cada vez mais densa a população. Entre os russos. terceiro elemento apareceu. ora tirado de qualidade ou sinal pessoal (Bravo. era próprio dos homens. enquanto os inglêses a partícula son (Stevenson). Em Roma. Posteriormente. Leite). recorreu-se ao emprêgo de um sobrenome.o gentílico.

por exemplo. de 1555. o direito ao nome. a princípio. O primeiro é individual e pode ser escolhido ad libitum dos interessados. 159) seria suficiente para proteger todos os interêsses que se prendam ao nome. Não se pense. todavia. primeiro se menciona o patronímico e em seguida o prenome. Foi a Ordenança de Amboise. outros não. Entre nós. respeitados o prenome e o apelido de família. como a Itália. entretanto. o prenome (ou nome próprio) antecede ao patronlmico ou apelido de família. começou a passar de pai para filho. No anteprojeto oferecido. filho de Henrique. ou duplo (José Carlos. Êsse o seu caráter na atualidade. tanto na onomástica nacional. o nome da mulher casada. 38 a 44). Segundo CLóvIs. Vítor Hugo. a alteração dêste. Durante muito tempo o nome esteve à margem do direito.Afonso. era individual e não se transmitia hereditàriamente. Pedro). como na peregrina. possível será a modificação consoante se verá. Em outros países. como o brasileiro. Não seria realmente admissível adoção de . Hoje. Esse sobrenome. João Batista). como o alemão (art. o Prof. ORLANDO GOMES dedica nada menos de sete artigos à disciplina jurídica do nome.Lourenço. a proteção do pseudônimo e a identificação da pessoa (arts. Dissemos que o prenome pode ser escolhido ad libitum dos interessados. Lourenço Marques . Civil. Depois. art.Presentemente. nada impede seja triplo ou quádruplo. Antônio.em genitivo (Afonso Henriques . Pode ser simples (José. o nome da pessoa compõe-se de um prenome e do respectivo apelido de familia. julgou-se que O princípio da reparação do dano (Cód. sucessivamente. as restrições ao emprêgo de nome alheio. Alguns Códigos ocupam-se do nome. como sucede nas famílias reais. que a escolha seja arbitrária e indiscriminada. regulando. 12). Mas. filho de Marco). a proteção ao direito do nome. sendo livre sua alteração. Elementos atuais do nome: . que primeiro negou qualquer mudança. todavia.

de pseudônimos e designações religiosas. do. de denominações de uso especializado e restrito. Em casos especiais. Valdevinos e Rôdo Metálico. Carvalho) OU composto (Pais de Barros). não têm a importância que muita gente lhes empresta. como Oderfla (Alfredo às avessas). fruto. de 292-1940).o 4. porém. da. talvez perdoável.857.318.o 4.o 5. como aquêle divulgado pelo último recenseamento em nosso país: Himeneu Casamentício das Dores Conjugais. independentemente da cobrança de quaisquer selos. ou materno. e que não dispensam a pessoa de usar êste em todos os atos da vida civil. art. modificado pelo Dec. e seus correspondentes em idiomas estrangeiros. e das. Possibilidade de alteração: . à decisão do juiz a quem esteja subordinado". Trata-se. como nos conventos. n. que assim não fazem parte do nome. As partículas de. êste submeterá o caso. Quando os pais não se conformarem com a recusa do oficial. dos. porém. de 9-11-1939. sua estirpe. à margem do nome verdadeiro. custas ou emolumentos. no entanto.857. Não obstante a excelência da disposição legal. e também da fusão de ambos. O segundo elemento fundamental do nome é o patronímico ou apelido de família. dispõe que: "os oficiais do Registro Civil não registrarão prenomes suscetíveis de expor ao ridículo os seus portadores. n. art. também fazem parte integrante do nome. É o sinal revelador da procedência da pessoa e serve para indicar sua filiação. § único. o Decreto n. Aliás. Pode ser simples (Rebouças.prenome que expusesse o portador à irrisão. o apelido de família é inalterável (Dec. Pode provir do sobrenome paterno. 70. Como o prenome. no meio literário e artístico. da mais indesculpável extravagância. . Nosso direito não toma conhecimento dos títulos nobiliárquicos. admitese o uso de nomes de guerra. de 9-11-1939. continuam a pulular nomes exóticos e arrevezados. 69.O prenome será imutável. não da fantasia.

de 1939. Teresinha por Teresa). O objetivo do legislador é evitar que a pessoa.857. O dispositivo é curialmente salutar. não tendo o oficial do registro civil impugnado oportunamente a designação. por malícia ou por capricho. no caso do § único do art. Estabelece. passe a chamar-se João. o § único. Observe-se. Volva-se àquela pessoa registrada com o absurdo nome Himeneu. Da mesma forma. Não se admite que uma pessoa. esteja a todo instante a mudar de nome. a requerimento do interessado. Êsses os casos em que se admitem temperamentos à regra legal da imutabilidade do prenome. é preciso não perder de vista o alcance da disposição. 69. do art. 72 do Decreto n. mediante decisão do juiz. no entanto. . Autoriza aluda a lei mudança do prenome se êste é suscetível de sujeitar o portador à irrisão. expondo-a a chacotas e zombarias. nas mesmas condições encontra-se o vocábulo que apenas exprima um nome singular. proibe. absoluto. 72: "quando fôr evidente o êrro gráfico do prenome e desde que não se altere sua pronúncia.o 4. de 9-11-1939.857. admite-se õbviamente a corrigenda. ou Anrique.o 4. o princípio legal não é inflexível. se a pessoa foi registrada com o prenome no diminutivo. Semelhante mutação seria perigosa e altamente nociva aos interêsses sociais. se os oficiais não o houverem impugnado". Inquestionável o direito dela de pleitear a mudança de nome que só lhe pode criar dificuldades na da. realmente. admite-se a retificação. o art. Da mesma forma. Mas.Assim se expressa. O Decreto n. quando êsse não era o intento do declarante (por exemplo. bem como a sua mudança. Hitler e Lúcifer. quando a grafia exata é Henrique. Contudo. os tribunais têm admitido a substituição de nomes como Mussolini. mudança de prenomes e não simples retificação de erros. que não é o fato de uma palavra ter significação de coisa que expõe a ridículo quem a tem como nome. Se a pessoa foi registrada sob o nome INércia quando o certo era Nélsia. em têrmos peremptórios. pois. registrada como Antonio.

fazendo-se a averbação com as mesmas formalidades e publicações pela imprensa". como o de ocultar a própria identidade ou causar prejuízo a outrem. entretanto.Se. que impossível se torna sua separação. de Elisa Ercília para Elisa). 70 do Decreto n. . poucas aliás. Júlio César.o 4. traduções e transposições. alterar o nome. com as atenuações já especificadas. pode o interessado encaixar no próprio nome outros elementos.318. Em casos tais. como o sobrenome materno ou avoengo. n. por ser. depois do prenome. colocando-se destarte o registro em consonância com o nome sempre usado pelo interessado. pode efetuar supressões. No tocante à tradução. desde que não prejudique os apelidos de fanmilia. que não pode ser mudado. 72 simples acréscimo ou justaposição de outro nome ao já usado pelo registrado. e que constitui um dos princípios fundamentais nesta matéria. firma-se orientação jurisprudencial no sentido de acolhê-la e deferi-la. mas mera retificação de engano. não infringe o disposto no art. os elementos constitutivos do prenome interpenetram-se de tal maneira. consagra também a lei a intangibilidade do patronlmico ou apelido de família.857. de Angelino para Angelino Francisco) e vice-versa (por exemplo. no primeiro ano após ter atingido a maioridade civil. Pela mesma razão. permite-se transformação de prenome singelo em composto. pessoalmente ou por procurador bastante. o elemento mais típico do nome. "o interessado. Só é obrigado a deter-se ante o apelido de família. Além da inalterabilidade do prenome. de 1939 (com a modificação introduzida pelo Dec.o 5. não há como indeferir-se o pedido. De modo idêntico. ou de simples em duplo (por exemplo. Só existe restrição se se cuidar de nome célebre ou já consagrado (Marco Antonio. poderá. havido por ocasião da abertura do assento. João Batista). sem embargo de algumas decisões adversas. pela alusão às personagens que representam. Assim sendo. não se trata de objetivo inconfessável. de 1940). Dispõe efetivamente o art.

que "no ato da adoção serão declarados quais os apelidos de família que passará a usar o adotado". Observe-se.o da Lei n. além dos requisitos do art. que "qualquer alteração posterior do nome. que se a retificação. 240).857. ou acrescentando os do adotante. 2. determina que no assento de casamento. justificada estará a mudança. os apelidos do marido (Cód. ainda. Civil. a Lei n. que o interessado precise alterar o nome para fazer parte de firma comercial. de 8-5-1957. quando fôr o caso. no art. estabelece rito sumaríssimo para as retificações do registro civil. 81 do Decreto n.o 3. ou paternidade. 599 do estatuto processual. de 1939. com exclusão dos apelidos dos pais de sangue". ajuntando o § único que "o adotado poderá formar seus apelidos conservando os dos pais de sangue. só por exceção e motivadamente será permitida. O processo de retificação vem indicado nos arts. estabelece o art. sômente os do adotante. de acôrdo com o art. posta em dúvida a filiação. A competência é tanto do juiz do lugar em que o assento foi lavrado. pelo casamento. Com efeito. pleiteada não se relacionar apenas com os sinais da identidade. Suponha-se. Também permite a lei alteração do nome no caso de adoção do registrado por terceira pessoa. Outras disposições: . art. aliás. Aliás. por despacho do juiz togado a que estiver sujeito o registro e audiência do Ministério Público. com o da residência do interessado.764. 195 do Código Civil. em todos os casos em que ocorra uma razão aceitável ou legítima. por fim. surge a questão de estado e seu rito é o ordinário. de 25-4-1960. mas com a própria identidade das partes. por exemplo. sendo. por exemplo. Assim acontecerá. conste o nome .o 3.857. ou. O art.o 4. aparece o interêsse público.Adverte ainda o mesmo Decreto n. e publicando-se pela imprensa". sendo de instrução sumária. Nesse caso.133.o 4. 595 a 599 do Código de Processo Civil. arquivando-se o mandado. 71.A mulher assume.

em virtude do casamento.o). é um quid rigorosamente apreciável em dinheiro. no ato da naturalização. em casos excepcionais. pois. Ao contrário dêste. sendo.que passa a ter a mulher. Mas tal direito obviamente cessa. O nome civil é inalienável. pertencente ao autor. Tem êle expressivos traços que o distinguem nitidamente do nome civil. além de inalienável. e a critério daquela autoridade. o comercial. é inerente ao nome comercial e cabe ação cominatória para forçar o réu a abster-se de utilizar determinada denominação. ou mesmo do nome (Lei n. só poderá ser autorizada pelo Ministro da Justiça (art. 3. com a viuvez. ninguém pode impedir que outrem seja registrado ou faça uso do mesmo nome. de 17-12-1942. A exclusividade. marido. ou suscetível de confundir-se com a dêste.o). um dos temas que mais têm preocupado os autores. sem dúvida.o 5. Quanto ao nome do estrangeiro domiciliado no Brasil. um valor. art. a tradução de seu prenome (art. vendo FORTI nessa identidade a união que deve existir No direito romano. todavia. se ela convola segundas núpcias. podendo igualmente ser deferida ao naturalizado. Também merece breve alusão o nome comercial.o 818.-lei n. Sua alteração. é também . porém. Por fim. 324). o nome comercial tem valor pecuniário. de 18-9-1949. será o constante de seus assentamentos no registro respectivo (Dec. art. é transmissível inter vivos ou mortis causa. 21). que só tem valor moral. 1. o nome da mulher casada era igual ao entre as pessoas dos cônjuges. 2. Não o perderá.101. o nome civil. O nome civil não é exclusivo. Civil. tendo conteúdo estritamente patrimonial. Só se vier a ser condenada na ação de desquite perderá ela o direito a usar o nome do marido (Cód. embora normalmente só possa ser cedido juntamente com o fundo de negócio. art.o). Como diz o Ministro FRANCISCO CAMPOS a significação que o nome adquire para a clientela é que lhe confere valor.

art. de 13-7-1965. que ultrapassam suas fôrças e os limites da vida individual. é preciso partir da idéia de que o indivíduo. SUA NATUREZA JURÍDICA.726.688.o 1. formando associações.o 4. por si só. as pessoas jurídicas. Acrescentando sua atividade à de seus semelhantes. Generalidades: . 68 do Decreto-lei n. sujeito à prescrição do Decreto n. inc. o homem multiplica quase ao infinito suas possibilidades. muitas vêzes. não o é. O Código Penal. DAS PESSOAS JURÍDICAS. Cada dia que passa.o).236. o nome comercial.o 3. com as quais supera a debilidade de suas fôrças e a brevidade de sua vida. cumpre ainda aludir ao disposto no art.o III. novos e imprevistos horizontes se descortinam nesse proteiforme instituto jurídico. fascinante e sempre nôvo. 37. n. Para bem compreender a existência de semelhantes entidades. por sua vez. Antes de encerrarmos êste assunto. OUTRAS DISPOSIÇÕES.imprescritível . variadas e modernas aplicações. comina penas para o delito de usurpação de nome ou pseudônimo alheio. no art. de 14-10-1904. Está sujeito a registro no Registro de Comércio o nome comercial a sociedade mercantil (Lei n. propiciando a execução de obras extraordinárias e duráveis em benefício da comunidade. NOTÍCIA HISTÓRICA. GENERALIDADES. 185. CLASSIFICAÇÃO DAS PESSOAS JURÍDICAS. 7. juntando seu poder ao de outros indivíduos. será incapaz de realizar certos fins. dotadas de estrutura própria e de personalidade privativa. todavia. de 3-10-1941: constitui contravenção penal a recusa de dados sobre a própria identidade ou qualificação à autoridade competente. Por . devido às suas múltiplas. Para consecução dêsses fins. mas se multiplicam. As fôrças assim aglutinadas não se somam. o indivíduo tem de unir-se a outros homens.Já se disse algures tratar-se de tema tormentoso.

Mas os romanos sempre se mostraram muito sóbrios. muito parcimoniosos nesse tema e jamais tiveram a menor idéia a respeito das vastas abstrações metafísicas que os escritores alemães iriam formular séculos mais tarde. em tôdas as suas manifestações. provido de patrimônio . entretanto. então denominadas corpus mysticum. integrantes da coletividade. O conceito da personalidade jurídica só penetrou no direito germânico com a posterior recepção do direito romano. No direito de JUSTINIANO.de um lado. As pessoas naturais. objetivos inatingíveis para um só homem são fàcilmente alcançados pela reunião dos esforços combinados de várias pessoas. Também no antigo direito germânico não existe o conceito de pessoa jurídica. sodalitates. Surgem assim as pessoas jurídicas. Qualquer ofício eclesiástico. como universitates. Notícia histórica: . certas associações de interêsse público. Na primeira fase do Império Romano. Com justeza já se afirmou anteriormente que o espírito de associação obedece. conheciam-se. também chamadas pessoas morais (no direito francês) e pessoas coletivas (no direito português) e que podem ser definidas como associações ou instituições formadas para a realização de um fim e reconhecidas pela ordem jurídica como sujeitos de direitos. simultâneas e concorrentes: a) . a tendência inata do homem para o convívio em sociedade. b) de outro. corpora e collegia. enriqueceu-se a pessoa jurídica com o acréscimo das fundações.isso. Foi o direito canônico que desenvolveu tal instituto com o incremento das fundações.Como diz CALOGERO GANGI no antigo direito romano a pessoa jurídica não existia. a duas fôrças fundamentais. eram os verdadeiros sujeitos dos direitos. a acenada vantagem que resulta da conjugação de fôrças e que se expressa pelo princípio mecânico da composição das fôrças paralelogramo e segundo o qual o efeito da resultante é o produto e não a soma aritmética das fôrças agrupadas.

2. especialmente do ponto de vista político. as sociedades literárias. Mais recentemente. os sindicatos. as caixas econômicas e montes de socorro. elas multiplicaram-se de modo impressionante. são pessoas jurídicas de direito público.estão sob a fiscalização e contrôle do govêrno. os institutos previdenciários. as fundações eram subordinadas à Igreja. A princípio. era considerado um ente autônomo. mais tarde. para alguns. o serviço estatal descentralizado. de 22-11-1943. que se destacam do conjunto para serem erigidos em órgãos dotados de vida própria. as associações e instituições passaram a interessar ao Estado. os partidos políticos. tornam-se independentes (pium corpus. explícita ou implicitamente reconhecida por lei. que lhes confere aptidão para adquirir um patrimônio. . As autarquias correspondem àquilo que os franceses denominam établissements publics. para efeito dêste decreto-lei. art. quer de ordem privada. Aludiu-se acima às entidades paraestatais. artísticas.o 6. Têm elas tríplice característica: a) . Estado e Município). esportivas e beneficentes. quer de ordem pública. b) têm administração distinta da administração geral ou local.o: considera-se autarquia. científicas. com personalidade de direito público.a existência das autarquias deriva da lei. trata-se de designação nova. Como observa FERRARA. São satélites do Estado no desenvolvimento de sua atividade. porém. Nos tempos modernos. as sociedades de economia mista. Assim as define o Decreto-lei n. parece enigmática.próprio. hospitalis). São ramos dos serviços gerais do Estado. descentralizações da administração geral (União. para os fins mais diversos. sancta domus. Tivemos então as autarquias ou entidades paraestatais. No dizer de TITO PRATES DA FONSECA. que. c) . as caixas de aposentadorias e pensões.016.

Várias teorias formularam-se a respeito: a) .959-A. essas e as demais entidades já mencionadas (sindicatos.orgânica ou da realidade objetiva. Sua natureza jurídica: .o 35.448. estão a evidenciar a extensa contribuição que. à ampliação do conceito técnicojurídico da pessoa jurídica. vem recebendo a teoria das pessoas jurídicas. como o foi por muito tempo.Entre nós. Sua posição. As sociedades de economia mista nascem da fusão do capital público com o particular. partidos políticos. Essa mútua colaboração.807. na respectiva sistematização. têm o mesmo significado. verifica-se a existência de economia mista toda vez que o Estado cria. visando à obtenção de um fim social. caixas e sociedades civis). filósofos do direito. não se faz qualquer distinção a respeito de autarquia e entidade paraestatal.o 48. de 15-1954. no direito moderno. na atualidade.da equiparação.o 3. Paralelamente a tal expansão de entes e de fins. de 26-8-1960 e do Decreto n. comercialistas e até canonistas. Enfim. Ela já não é mais figura exclusiva do direito privado. São expressões sinônimas. regulamenta e administra uma empresa privada. é muito mais importante que na primitiva ordem jurídica. . mas.Tal questão é campo aberto às mais sutis discussões e às polêmicas mais ardentes. portanto. c) . A pessoa jurídica de direito público interno associa-se a particulares. em que tomaram parte civilistas. todos os entes da vida social. fundando emprêsas destinadas a realizar serviço de interêsse da coletividade. de direito universal. de 19-9-1960. assiste-se igualmente. de direito público e privado. Como assevera ERIMÁ CARNEIRO. romanistas. Os institutos previdenciários têm por fim prestar assistência às classes trabalhadoras. repousa no interesse que o povo tem na execução do serviço. criminalistas. Sua tendência atual é de abraçar. notadamente do Decreto n.da ficção. b) . nestes últimos tempos. nos têrmos da Constituição Federal e do direito social. da Lei n.

sem qualquer realidade. atrás do qual se ocultam os verdadeiros protagonistas das relações jurídicas. Ela não cuidou de explicar de maneira alguma a existência do Estado como pessoa jurídica. Ficção será. a pessoa jurídica não é senão um sujeito aparente. incapazes de vontade e que são representados como os incapazes. dela não diverge a de IHERING. um expediente técnico. É a teoria sustentada por SAVIGNY e defendida por VAREILLES-SOMMIÊRES. sem qualquer objetividade. porque emanado do Estado. tudo quanto se encontre na esfera . Ela parte do princípio de que só o homem é capaz de ser sujeito de direitos. A primeira teoria. para quem a pessoa jurídica não existe senão na Inteligência. simples efeito de ótica. o ordenamento jurídico pode modificar êsse princípio. a ocultar os verdadeiros sujeitos. Mas. como as pessoas jurídicas. A teoria da ficção não pode ser aceita. que constituem sêres fictícios. Originou-se do direito canônico e prevaleceu até o século passado. Hoje. Quem foi o criador do Estado? Uma vez que êle não se identifica com as pessoas físicas. Só por meio de abstrações se obtém essa personalidade. A pessoa jurídica é uma máscara. sendo puro ato de espírito. É um biombo. o próprio direito será também outra ficção. Para êste. A pessoa jurídica é assim criação artificial da lei para exercer direitos patrimoniais. Demonstrou-o GIORGIO DEL VECHIO. deverá ser igualmente havido como ficção? Nesse caso. encontra-se em franco descrédito. No fundo. ora negando capacidade ao homem (como no caso do escravo). portanto.da realidade das instituições jurídicas. da ficção. é pessoa puramente pensada. ora estendendo-a a outros entes que não o homem. é pessoa imaginária. constitui a doutrina tradicional. que são sempre os homens. simples projeção. um modo de designar as pessoas reais.d) . mas não realmente existente.

Cai assim por terra tôda a construção jurídica arquitetada pela teoria orgânica. também chamada orgânica. da equiparação (WINDSCHEID e BRINZ). Por conseguinte. Como observa FERRARA. é navegar a plenas velas no mar da fantasia aludir à vontade de um ente coletivo. A teoria da realidade objetiva. de modo idêntico. ou patrimônios personificados pelo direito. por outro lado. A vontade é peculiar aos homens. como organismo físico. junto à pessoa natural. As pessoas jurídicas não passam de meros patrimônios destinados a um fim específico. equiparados. até confundi-las com as coisas. que o direito não cria. notadamente na Alemanha. às pessoas naturais. que são realidades vivas.jurídica. tão real quanto a das pessoas físicas. Ela admite. São as pessoas jurídicas. tão-somente. ou pessoas jurídicas. pessoas jurídicas são corpos sociais. não pode existir num ente coletivo. nega qualquer personalidade jurídica como substância. rebaixa as pessoas. que têm vida autônoma e vontade própria. tendo em vista o objetivo a conseguir-se. determinados patrimônios. Entre as duas posições antagônicas (teoria da ficção e teoria . Mas essa teoria recai na ficção quando se refere à vontade própria da pessoa jurídica. Teve ela grande difusão. como fenômeno humano. A segunda teoria. O principal representante dessa teoria foi OTTO GIERKE. Junto dêste há entes dotados de existência real. que há certas massas de bens. parte de base diametralmente oposta à da ficção. elevando os bens ao plano de sujeitos de direitos e. O mesmo DEL VECCHIO evidencia a inaceitabilidade de semelhante concepção. que personaliza o patrimônio. mas que se limita a declarar existentes. cuja finalidade é a realização do fim social. inclusive a própria teoria da pessoa jurídica. sendo seguida por VON TUHR e ZITELMANN. Pessoa não é só o homem. há organismos sociais. Por outras palavras. no seu tratamento jurídico.

da realidade), interpõe-se a da realidade técnica ou juridica e que fornece a verdadeira essência jurídica da pessoa jurídica. Sendo eclética, ela reconhece que há uma parcela de verdade em cada uma daquelas teorias. Do ponto de vista físico e natural, só a pessoa física é realidade. Sob êsse aspecto, portanto, a pessoa jurídica não passará de ficção. Mas, tôda ciência aprecia diversamente os fenômenos, tôda ciência define êsses fenômenos mediante critérios próprios. Ora, a noção de personalidade, de sujeito de direito, não é noção que se vá buscar nas ciências naturais, porém, noção jurídica, cuja definição há de ser procurada na ciência jurídica. Assim como a personalidade humana deriva do direito (tanto que êste já privou sêres humanos de personalidade - os escravos), da mesma forma pode êle concedê-la a outros entes, que não os homens, desde que colimem a realização de interêsses humanos. A personalidade jurídica não é, pois, uma ficção, mas uma forma, uma investidura, um atributo, que o Estado defere a certos entes, havidos como merecedores dessa situação. O Estado não outorga tal predicado de maneira arbitrária e sim tendo em vista determinada situação, que já encontra devidamente concretizada. A pessoa jurídica tem assim realidade, não a realidade física (peculiar às ciências naturais), mas a realidade jurídica, ideal, a realidade das instituições jurídicas. No âmbito do direito, portanto, as pessoas jurídicas são dotadas do mesmo subjetivismo outorgado às pessoas físicas. Classificação das pessoas jurídicas: - As pessoas jurídicas podem ser classificadas: a) - quanto às suas funções e capacidade; b) - quanto à sua estrutura; c) - quanto à sua nacionalidade. Sob o primeiro aspecto, as pessoas jurídicas são de direito público, interno ou externo, e de direito privado (Cód. Civil, art. 13). Quanto ao segundo, elas se subdividem em

associações e fundações (opinião tradicional). Finalmente, com referência à nacionalidade, as pessoas jurídicas são nacionais ou estrangeiras. Outra classificação poderia ser ainda mencionada; as pessoas jurídicas subdividir-se-iam em entes civis e entes eclesiásticos. Daquela primeira classificação falaremos logo mais. Por enquanto, deter-nos-emos na segunda, levada a efeito sob o aspecto de sua estrutura (associações e fundações). Associações e fundações dependem necessàriamente da coexistência de dois elementos, um pessoal e outro real, a reunião de várias pessoas e o acervo de bens. Um e outro não podem ser dissociados. Na frase de SCHAFFLE, a reunião de várias pessoas sem a presença do elemento real equivale à alucinação espiritista; a reunião de bens sem o elemento pessoal, por sua vez, corresponderá ao absurdo materialista. Distinguem-se as associações das fundações por caracteres inconfundíveis. Os requisitos integrantes das primeiras são a pluralidade de pessoas e o escopo comum que a estas anima. Os das segundas são o patrimônio e sua destinação a um fim. Como afirma ANDREA TORRENTE, aquelas têm, é claro, um patrimônio, mas êsse patrimônio tem função instrumental, representa um meio para a consecução dos fins colimados pelos sócios. Nestas, nas fundações, o patrimônio constitui o elemento essencial, juntamente com o objetivo a que êle se destina. As associações ou sociedades têm órgãos dominantes, as fundações, órgãos servientes, as primeiras, fins internos e comuns, as segundas, fins externos e alheios. Outras disposições: - A teoria da personalidade jurídica é dominada por alguns princípios fundamentais: a) - a pessoa jurídica tem personalidade distinta da de seus membros (universitas distat a singulis), embora êsse princípio esteja presentemente abalado em matéria de locação credial, como se viu anteriormente; b) - a pessoa jurídica tem patrimônio distinto. Essa autonomia patrimonial é caracterizada por dois preceitos:

quod debet universitas non debent singuli e quod debent singuli non debet universitas; c) - a pessoa jurídica tem vida própria, distinta da de seus membros. Em regra, a pessoa jurídica tem os mesmos direitos que a pessoa natural, pode contratar, adquirir por testamento, sujeita-se à prescrição (Cód. Civil, art. 163). Exerce ainda alguns direitos personalíssimos, como a nacionalidade e o nome. Mas, õbviamente, não pode casar, adotar, ou testar, nem exercer a testamentaria, nem ser acionista de emprêsa jornalística (Lei n.o 2.083, de 12-11-1953, art. 2.o). Como se expressa o anteprojeto ORLANDO GOMES (art. 65), as pessoas jurídicas podem adquirir os direitos e assumir as obrigações que, por sua natureza, não sejam privativos da pessoa humana. Também não podem cometer crimes (societas delinquere non potest - universitas non delinquunt). Agindo por intermédio de representantes, se êstes por acaso exorbitam, desviandose da lei, recai individualmente sôbre êsses representantes a culpa pelos atos criminosos praticados em nome delas. Já decidiu por isso o Supremo Tribunal Federal que não cabe ação penal contra pessoa jurídica. Mas, se esta não pode ser sujeito ativo de delitos (singulorum proprium est maleficium), pode, todavia, ser sujeito passivo, excluidas naturalmente as figuras criminosas inaplicáveis, rejeitada igualmente a possibilidade de ser a pessoa jurídica sujeito passivo de delitos contra a honra, ainda que de difamação. DAS PESSOAS JURÍDICAS DE DIREITO PÚBLICO. SUA ENUMERAÇÃO. RESPONSABILIDADE CIVIL DAS PESSOAS JURÍDICAS DE DIREITO PÚBLICO. Enumeração das pessoas jurídicas de direito público: Como vimos anteriormente, as pessoas jurídicas são de direito público, interno ou externo, e de direito privado (Cód. Civil, art. 13).

As pessoas jurídicas de direito público externo, regidas pelo direito internacional, são as nações estrangeiras e a Santa Sé. Entre elas pode ser igualmente incluída a Organização das Nações Unidas (O.N.U.). As pessoas jurídicas de direito público interno estão parcialmente enumeradas no art. 14 da lei civil: I) - a União; II) - cada um dos seus Estados e o Distrito Federal; III) cada um dos municípios legalmente constituídos. Essa enumeração não esgota, contudo, o elenco das pessoas jurídicas de direito público interno. Efetivamente, as autarquias administrativas são pessoas jurídicas de direito público interno, nos têrmos do Decreto-lei n.o 6.016, de 22-11-1943, que assim dispõe, no art. 2.o: "considera-se autarquia, para efeito dêste decreto-lei, o serviço estatal descentralizado, com personalidade de direito público, explícita ou implicitamente reconhecida por lei". Sob regime autárquico encontram-se, exemplificativamente, na órbita federal, a Estrada de Ferro Central do Brasil (Dec.lei n.o 3.306, de 24-5-1941), o Lloyd Brasileiro (Lei n.o 420, de 10-4-1937) e a Estrada de Ferro Noroeste do Brasil; na órbita estadual, o Departamento de Estradas de Rodagem (Dec.-lei n.o 16.546, de 26-12-1946), o Departamento de Águas e Energia Elétrica (Lei n.o 1.350, de 12-12-1951, art. 1.o), a Comissão Nacional de Energia Nuclear (Lei n.o 4.118, de 278-1962, art. 3.o) e a Superintendência Nacional de Abastecimento (Lei Delegada n.o 5, de 26-9-1962, art. 1.o). São ainda pessoas jurídicas de direito público interno os partidos políticos (Lei n.o 4.740, de 15-7-1965, art. 2.o). Têm personalidade jurídica de direito privado o Serviço Social de Indústria (SESI) (Dec.-lei n.o 9.403, de 25-61946, art. 2.o) e o Serviço Social do Comércio (SESC) (Dec.-lei n.o 9.853, de 13-9-1946, art. 2.o). Por igual, o SENAI é entidade de direito

privado, o mesmo acontecendo com o SASSE (Lei n.o 3.149, de 21-5-1957; Dec. n.o 50.223, de 28-1-1961). Quanto aos Territórios, só quando constituídos em Estados, nos têrmos do art. 3.o da Constituição Federal, adquirirão personalidade jurídica. Responsabilidade civil das pessoas jurídicas de direito público: - Dupla a atividade exercida pelo Estado, a jurídica e a social. A atividade jurídica é aquela que colima o asseguramento da ordem jurídica interna e a defesa do território contra o inimigo externo. O asseguramento da ordem jurídica interna, por sua vez, compreende a manutenção da ordem pública e a distribuição da justiça. A atividade social tem por objeto a promoção do bem comum. Para realizar êsses fins e preencher suas funções, o Estado lança mão de pessoas físicas, agentes e funcionários públicos, aos quais delega os necessários podêres. Age, assim, por meio de representantes, cujos atos, em última análise, são atos da própria administraçãO pública. Êsses representantes, no desempenho de suas funções, no exercício de suas atividades, podem ocasionar danos ou lesões de direito aos particulares. Tais danos serão ressarcíveis? Antigo e profundo o debate doutrinário manifestado a respeito. A teoria mais remota é a da irresponsabilidade absoluta do Estado. Segundo o seu ponto de vista, o Estado é o órgão gerador do direito, o Estado existe para exercer a tutela do direito. Assim, quem com êle contrata deve saber de antemão que o mesmo não pode violar a lei; quem contrata com o funcionário público deve saber que êste só pode ser considerado preposto do Estado enquanto se mantém nos limites traçados pela lei. Se o funcionário, na sua atuação, fere direitos individuais, ao próprio funcionário pessoalmente, e não ao Estado, caberá a obrigação de reparar o dano. Essa doutrina, que mereceu, no Senado francês, o epíteto de tese feudal, não pode ser acolhida; na atualidade, está

Qual. Com PAUL DUEZ. o dano não é indenizável quando resulta de ato de império. procurando responder a essa indagação. cujo poder é irresistível. no exercício de sua atividade. quando celebra determinado contrato). não como um mero particular. ora o Estado age como entidade sobarana. a irresponsabilidade a exceção. Só se pode tachar de arbitrária a distinção entre ato praticado jure imperii ou jure gestionis.mesmo totalmente abandonada. de ato de gestão. quando o legislativo expede lei. mas para consecução de . efetua atos de gestão (por exemplo. pratica atos de império (por exemplo. Sem culpa não há ressarcimento do dano. no dizer de LAFERRIERE. Ela constitui clamorosa injustiça. a indenização é devida. o Estado é sempre o Estado. podemos mesmo dizer que a responsabilidade é a regra. quando o executivo decreta desapropriação por necessidade pública. No primeiro caso. quando realiza concorrência pública. Se o prejuízo advém. todavia. Realizando um ou outro. começa por estabelecer diferença entre atos de império e atos de gestão. Realmente. é típico da soberania impor-se a todos sem compensação. ou não culpa. é a negação do próprio direito. Segundo a doutrina civilista. repudiada pela consciência jurídica universal. Se houve culpa. é o da responsabilidade da pessoa jurídica de direito público. preciso será distinguir se houve. porém. ora se conduz como um particular qualquer na administração de seu patrimônio. pois. O princípio hoje dominante. Mesmo quando pratica simples ato de gestão o poder público age. quando o judiciário profere sentença) no segundo. É inaceitável semelhante doutrina. sem qualquer impugnação séria. o fundamento jurídico dessa responsabilidade? A teoria civilista.

ou da culpa do serviço público. porém. a tutela dos direitos. a administração pública responde pelos deveres oriundos da solidariedade social. já ensinava AMARO CAVALCANTI que assim como existe igualdade de direitos. pode êle produzir danos.da culpa administrativa. pois: modernamente. é nesse direito. a responsabilidade da pessoa jurídica de direito público interno encontra-se hoje inteiramente fora do conceito civilista da culpa. Negar indenização neste caso é subtrair-se o poder público à sua função específica. b) . que se baseia em vários princípios (eqüidade.do risco integral. Mas. na sua atuação. Assentam-se assim em princípios mais largos. o mais importante o da igualdade dos ônus e dos encargos sociais. para o ressarcimento do prejuízo sofrido por um só. situando-se decisivamente no campo do direito público. contribuindo cada um de nós. Em verdade. Efetivamente. todas as questões relacionadas com a responsabilidade civil do Estado apóiamse em preceitos do direito público. política jurídica). ampliando-se o campo das reparações. por intermédio do Estado. c) . nos critérios preconizados pelo direito civil. Funda-se ela em razões de ordem solidarista. que vamos localizar o fundamento da responsabilidade. não se pode dizer que o Estado é responsável quando pratica atos de gestão e não o é. quando realiza atos de império. Repetimos.seus fins. Assim. . portanto. sendo. Devem êstes ser suportados por todos indistintamente. não no direito privado. deve igualmente existir igualdade dos encargos. princípio que se tornou fundamental no direito constitucional dos povos civilizados.do acidente administrativo. Aliás. Três as teorias filiadas ao direito público: a) . acarretar certos malefícios. O serviço público é organizado em benefício da coletividade. A responsabilidade do poder público não mais se baseia.

salvo o direito regressivo contra os causadores do dano". o ofendido tem direito a indenização. que independe do pressuposto subjetivo da culpa. só há direito a indenização quando se prova que houve negligência. a culpa é do funcionário. de todos os prejuízos. grande semelhança entre essa teoria e a da responsabilidade fundada no direito civil. 15: . Êsse preceito legal. Como diz o Ministro OrozIMbo NONATo cuida apenas de um de seus aspectos. culpa in eligendo ou in vigilando. como se percebe. Por fim. do próprio serviço público."as pessoas jurídicas de direito público são civilmente responsáveis por atos dos seus representantes que nessa qualidade causem danos a terceiros. em suma. O Código Civil havia disposto no art. ou culpa do serviço público. Por ela. Há. fixando a responsabilidade em caso de culpa do funcionário. nesta. de todas as lesões de direito ocasionadas aos particulares pelos funcionários. É o que se desume das expressões: procedendo de . Pela teoria da culpa administrativa.Pela teoria do risco integral. não só quando se demonstra ter sido culposo o funcionamento do serviço público (culpa administrativa). de culpa anônima do serviço (risco integral). quer seja regular ou irregular o funcionamento do serviço público. todavia. de acidente administrativo. como também quando se evidencia que o prejuízo adveio de fato objetivo de irregularidade material. Na responsabilidade do Estado. ainda que insignificante. procedendo de modo contrário ao direito ou faltando a dever prescrito por lei. imprudência ou imperícia. violação de qualquer dever jurídico por parte dos representantes do poder público. cabe indenização. quer se trate de ato de império ou de ato de gestão. naquela. prepondera o caráter objetivo. não esgota inteiramente o assunto. a teoria do acidente administrativo procura combinar as duas anteriores.

nessa qualidade. a Constituição Federal foi além. ainda que regular. como observa AGUIAR DIAS. no exercício da função pública. o conceito da responsabilidade civil. Presentemente. consideràvelmente. Mas. Ainda que a violação do direito resulte de crime cometido . iterativamente consagrada pela jurisprudência. Todos os intérpretes são unânimes em afirmar a integral adoção da responsabilidade objetiva pelo texto constitucional. 194: . Entretanto. quando tiver havido culpa dêstes". para empenhar a responsabilidade do Estado por ato de seu servidor. Preciso é que o representante pratique o ato nessa qualidade. segue-se que não haverá ação regressiva quando inexistir culpa. se a ação regressiva cabe quando tiver havido culpa do funcionário público. Realmente. é essencial que êste se ache em serviço por ocasião do evento danoso. preceituando no art. no caráter de pessoa privada. Mas. A Constituição Federal alargou. E remata o § único: "caber-lhes-á ação regressiva contra os funcionários causadores do dano. provado que o funcionário agiu nessa qualidade. A idéia da causalidade do ato veio substituir a da culpabilidade do agente. embora o Estado continue a responder pelas conseqüências do evento lesivo. e não individualmente. ainda que lícito. ou não levava em conta para conceder indenização. Por outras palavras. é o acolhimento da teoria do risco integral. pois. transgredido seus deveres ou praticado abuso de poder.modo contrário ao direito ou faltando a dever prescrito por lei. para que o Estado responda civilmente. basta a existência do dano e do nexo causal com o ato do funcionário. causem a terceiros". isto é. ainda que aquêle tenha excedido os limites legais de suas funções."as pessoas jurídicas de direito público interno são civilmente responsáveis pelos danos que os seus funcionários. de modo a abranger aspectos concretos que o direito anterior não conhecia. a Fazenda paga.

Não importa que o servidor público seja graduado ou não. 194. continua o Estado responsável. como soldado de polícia ou motorista.o. direito de reembolsar-se do que despendeu. salvo se nêles fôssem mantidos após a sua verificação. ainda quando praticados no exercício do cargo. pode induzir a responsabilidade do Estado. dispunha que a União. 171.711. de 28-10-1952. da Constituição de 1946. e fundada em lesão praticada por funcionário. À Fazenda assegura-se direito de regresso. não há margem para qualquer discriminação entre empregados e funcionários públicos. que são expressões sinônimas. êste será sempre citado como litisconsorte". isto é.o 1. Hoje. sendo revogada pelas Constituições de 1934 e 1937. O Estatuto dos Funcionários Públicos da União (Lei n. função ou desempenho de seus serviços. O Decreto-lei . A responsabilidade de ambos era solidária. estabelece várias disposições sôbre a responsabilidade dos funcionários e a mencionada ação regressiva.pelo funcionário. Dispunha realmente o art. não há mais litisconsórcio. não mais pode prevalecer ante os claros têrmos do art. § 1. de 9-5-1934. Na Constituição de 1946 o sistema é diverso: a ação pode ser dirigida apenas contra o Estado.216. funcionários ou prepostos. que "na ação proposta contra a Fazenda Pública. 196 a 200. Essa lei. desde que ocorra culpa do funcionário. nos arts. o Estado e o Município não responderiam civilmente pelos atos criminosos de seus representantes. O Decreto federal n. foi reiteradamente havida por inconstitucional. nem solidariedade. em nosso direito administrativo. A atual Constituição restaurou o primitivo sistema do Código Civil. entretanto.o 24. A Constituição de 1934 estabelecia litisconsórcio necessário nas ações de indenização movidas contra a administração pública. Aliás. Ainda que subalterno. modernamente.

n.o 3.240, de 8-5-1941, sujeita a seqüestro os bens de pessoas indiciadas por crime de que resulte prejuízo para a Fazenda. Por sua vez, a Lei n.o 3.164, de 1-6-1957, art. 1.o, sujeita igualmente a seqüestro bens adquiridos por servidor público, por influência ou abuso do cargo ou função pública, ou de emprêgo de entidade autárquica. A Lei n.o 3.502, de 21-12-1958, regula o seqüestro e o perdimento de bens nos casos de enriquecimento ilícito, por influência ou abuso do cargo ou função. Finalmente, a Lei n.o 4.619, de 28-4-1965, dispõe sôbre a ação regressiva da União contra seus agentes. Vejamos agora alguns atos do poder público que podem originar indenizações. Comecemos pela Municipalidade, que, através de obras públicas, eleva ou rebaixa leito de rua, abre galeria em via pública, ou inescusàvelmente interrompe sua execução. Se com êsse procedimento causa dano a particulares, fica obrigado a ressarci-lo, independentemente de qualquer idéia de culpa. Da mesma forma, empenhará sua responsabilidade civil se se descura da conservação do serviço de esgotos, ou de rêdes pluviais, dando ensejo a vasamentos e inundações, outrossim, se negligencia a conserva de estradas, provocando acidentes ~. Suponha-se ainda que a Municipalidade concede alvará para construção e depois o revoga; ou, então, injustamente, denega o respectivo licenciamento. Nesses e em muitos outros casos, patente a responsabilidade do poder público, que não pode fugir a reparação do dano. Passemos agora à órbita estadual: multidão em tumulto depreda e saqueia estabelecimento comercial, não logrando a polícia manter a ordem; o serviço de trânsito expede certificado relativo a automóvel, omitindo, porém, a existência de pactum reservati dominii, sendo assim negociado o carro; motorista de carro oficial provoca atropelamento ou colisão; funcionário de hospital psiquiátrico é morto por insano ali recolhido; menor internado em reformatório perde uma das vistas em conseqüência de imperícia do médico oficial; transeunte é atingido por

disparos feitos por soldado em perseguição a desordeiro. Por fim, na esfera federal, o correio deixa de entregar valores nêle postados; o poder público efetua desapropriação indireta, esbulliando violentamente trecho de terra para abertura de estrada; dá ensejo a explosão de material bélico depositado em centro urbano. Não precisamos ir além para deixar sublinhada a infinita riqueza das aplicações práticas oriundas da responsabilidade civil do Estado. Cumpre frisar apenas que êste não responde pelos danos decorrentes de atos judiciais, quer provenientes da jurisdição graciosa, quer da jurisdição contenciosa. A irresponsabilidade do Estado por atos do judiciário é fatal corolário da autoridade da res judicata. Só em caso de prisão ilegal poderá ser êle eventualmente obrigado a compor os danos causados, ou, então, na hipótese prevista no art. 630 do Código de Processo Penal. Aquela irresponsabilidade, há pouco mencionada, estende-se igualmente aos atos do Ministério Público, desde que cobertos amparados por decisão judicial. O Estado também não responde pelos prejuízos causados a particulares pela ação revolucionária, que não podia prevenir, ou pelo combate aos rebeldes. Nesse caso, está em jôgo a legítima defesa ou o exercício regular de um direito (Cód. Civil, art. 160, n.o I). De modo idêntico, exclui-se a responsabilidade ocorrendo caso fortuito ou fôrça maior (Cód. Civil, art. 1.058, § único). DAS PESSOAS JURÍDICAS DE DIREITO PRIVADO. SUA ENUMERAÇÃO E REPRESENTAÇÃO. COMÊÇO DA PESSOA JURÍDICA. REGISTRO. DAS SOCIEDADES E ASSOCIAÇÕES CIVIS. DAS FUNDAÇÕES. TERMINAÇÃO DA PESSOA JURÍDICA. Enumeração: - São pessoas jurídicas de direito privado (Cód. Civil, art. 16): I) - as sociedades civis, religiosas, pias,

morais, científicas ou literárias, as associações de utilidade pública e as fundações; II) - as sociedades mercantis. De nossa exposição excluiremos para logo as sociedades mercantis que continuam a reger-se pelo estatuído nas leis comerciais (Cód. Civil, art. 16, § 2.o), sendo por isso estudadas nesse ramo do direito privado (Cód. Comercial, arts. 300 a 353). Serão objeto de nossa apreciação, tão-somente, as sociedades civis, religiosas, pias, morais, científicas ou literárias, as associações de utilidade pública e as fundações. Salientaremos inicialmente que, do ponto de vista doutrinário, não se confundem sociedades civis e associações. Nas primeiras, há o fito de lucro, enquanto nas segundas, inexiste finalidade lucrativa. O objeto das associações é puramente cultural, beneficente, altruísta, religioso, esportivo ou moral. Num só conceito, todavia, no de corporação, reuniremos as duas espécies, para melhor distingui-las das fundações, que consistem, segundo definição de CLÓvIS em universalidades de bens personalizadas, em atenção aos fins que lhes dão unidade, ou ainda, em patrimônios transfigurados pela idéia, que os põe a serviço de um fim determinado. Associações e fundações correspondem, respectivamente, às universitas personarum e universitas bonorum do antigo direito. Estremam-se por caracteres distintivos bem nítidos. Corporação: gênero de que a associação e a sociedade são espécies. Nas primeiras, há interêsses, fins e meios próprios, exclusivos dos sócios; nas segundas, os fins e interêsses não são próprios, mas alheios, isto é, do fundador. Além disso, naquelas, os fins podem ser alterados pelos associados; nestas, os fins são perenes e imutáveis, limitando-se os administradores a executá-los simplesmente. Nas associações, o patrimônio é constituído pelos consócios, já que o interêsse é exclusivo dêles: nas fundações, o patrimônio é fornecido pelo instituidor, que tanto pode ser um

particular como o Estado. Por fim, naquelas, os associados deliberam livremente, dizendo-se por isso que seus órgãos são dirigentes ou dominantes; nestas, as resoluções são delimitadas pelo instituidor, afirmando-se por isso que seus órgãos são servientes. Cumpre mencionar a existência de escritores que concebem ainda terceiro tipo de pessoa jurídica de direito privado, as instituições. Em face do nosso direito positivo, porém, as pessoas jurídicas de direito privado enquadram-se nas espécies previstas no art. 16 do Código Civil. O § 1.o do mesmo artigo esclarece que as sociedades mencionadas no n.o I só se poderão constituir por escrito, lançado no registro geral (art. 20, § 2.o), e reger-se-ão pelo disposto a seu respeito neste Código, Parte Especial (arts. 1.363 a 1.409). A Lei n.o 92, de 27-7-1935, regulamentada pelo Decreto n.o 50.517, de 2-5-1961, determina as regras pelas quais são as sociedades declaradas de utilidade pública. Em São Paulo, a Lei estadual n.o 3.198, de 25-10-1955, estabelece as regras para que se obtenha a mesma declaração. Representação: - As pessoas jurídicas serão representadas, ativa e passivamente, nos atos judiciais e extrajudiciais, por quem os respectivos estatutos designarem, ou, não o designando, pelos seus diretores (Cód. Civil, art. 17). O Código de Processo Civil, por sua vez, no art. 86, dispõe que as pessoas jurídicas serão representadas em juízo por seus administradores ou por aquêles a quem os estatutos conferirem podêres de representação. Cumpre não confundir essa representação com a inerente aos incapazes. Quanto a êstes, a vontade do representante substitui a dos representados; nas pessoas jurídicas, a vontade reside no próprio ente, sendo o representante o meio de exteriorizar essa vontade.

Referentemente à representação das pessoas jurídicas de direito público interno, dispõe o Código de Processo Civil, no art. 87, que "a União será representada em juízo por seus procuradores; os Estados, por seus advogados ou procuradores; os Municípios, por seus prefeitos ou procuradores; o Distrito Federal e os Territórios, por seus procuradores". Junto à justiça comum, o Procurador-Geral da República representa a União; nos Estados, em tôdas as instâncias, esta é representada pelos Procuradores da República (Lei n.o 1.341, de 30-1-1951, arts. 30, n.o II, e 38). A citação inicial da União recairá num ou noutros, conforme o caso (art. 42). O Estado de São Paulo, por sua vez, será citado na pessoa do Procurador-Geral do Estado (Lei estadual n.o 2.829, de 112-1954). É manifesto que a quem quer que entre em relações de negócio com pessoa jurídica toca o dever elementar de perquirir de antemão quem tem qualidade para representá-la e qual a extensão dos podêres de seu representante. Comêço da pessoa jurídica: - A constituição das sociedades e associações civis depende do concurso de dois elementos: o material e o formal. Compreende o primeiro: a) - os atos de associação; b) - o fim a que se propõe a pessoa jurídica; c) - o conjunto de bens necessários à consecução dêsse fim. Os atos de associação dizem respeito ao agrupamento dos associados e consócios, os quais, por abstração, são considerados como um único sujeito. O número dêles é vário, podendo ser limitado ou ilimitado, mas nunca inferior a dois. Não se concebe a existência de pessoa jurídica com um só membro. As condições de admissão devem ser especificadas nos estatutos, compromissos, contrato social, no ato constitutivo, enfim. Elas podem concernir à nacionalidade, lugar do nascimento, estado civil, sexo, crença, profissão, raça, curso em determinada escola e outros pontos de referência. Os associados podem distribuir-se por diferentes categorias: fundadores, contribuintes, remidos, honorários, beneméritos, correspondentes. O ato constitutivo esclarecerá quais os direitos

aproximação ou confraternização. sem violação do citado art. Tais fins devem ser determinados. especial ou geral. o contrato pode dispor. Não podem. econômico e não econômico. o direito de voto. pode êle ser vário: altruístico. Todos os sócios têm. Nenhuma associação poderá ser compulsôriamente dissolvida senão em virtude de sentença judiciária". lícitos e possíveis. Estabelece a Constituição Federal. São encontradas pessoas jurídicas na vida real para tôdas as destinações. no art. esportes e diversões.394. ou os estatutos. portanto. Assim. Quanto ao fim a que se propõe a pessoa jurídica. podem. imorais ou contrários à ordem pública e aos bons costumes. o registro ou o funcionamento de qualquer partido político ou . lucro ou benemerência. mas o contrato pode estabelecer o modo de exercê-lo. Acrescenta ainda o § 13: "é vedada a organização. ampliar ou restringir o direito. os estatutos podem fixar o número de ações que o acionista há de possuir para o exercício do voto. nas sociedades anônimas.394. que "é garantida a liberdade de associação para fins lícitos. sempre voltados para o convívio em sociedade. § 12.e deveres de cada categoria. debates e conferências. múltiplos os seus diferentes matizes. Civil. A pluralidade de pessoas. de tal arte. que apenas os sócios mais velhos tenham o direito de votar. 1. pode efetivamente visar a fins de solidariedade. ou negandolhe. É a inata tendência dos homens. de utilidade pública. art. primeira parte). o direito de votar nas assembléias gerais (Cód. por exemplo. 1. ciência e arte. 141. O direito de voto é inerente à qualidade de sócio. em certas sociedades. concedendo-lhe. O contrato. realmente. Infinita a sua gama. egoístico ou misto. de utilidade pública e particular e de utilidade particular. adquirir personalidade jurídica entidades de fins imprecisos. física ou legalmente impossíveis. intencionalmente reunidas. para todos os fins.

Civil. Pode formar-se assim mediante contribuições futuras dos associados e consócios. O escrito pode ser. baseado na pluralidade dos partidos e na garantia dos direitos fundamentais do homem". indispensável à constituição da pessoa jurídica.E. as sociedades. ou em mais de um Estado. se em um só Estado. é o conjunto de bens. cujo programa ou ação contrarie o regime democrático.085. legalmente organizados. o último pressuposto material. porém. sem prévia autorização.o 9. Assim. indiferentemente. veio estabelecer que as mesmas adquirem personalidade jurídica com o registro delas no S. Finalmente. dispõe sôbre a dissolução de sociedades de fins contrários. à ordem pública. dispõe o Código Civil. público ou particular. de autorização do govêrno. de 14-2-1944.o 5. 11 do Decreto-lei n. O elemento formal refere-se à maneira pela qual se constitui a sociedade ou associação. ou em territórios não constituídos em Estados a autorização será do Govêrno Federal. o patrimônio. Se tiverem de funcionar no Distrito Federal.associação.. Referentemente às cooperativas. como diz a lei. necessário à consecução do fim social. Em qualquer caso. Inúmeras entidades dependem. acrescentando o § 1. montepios e caixas econômicas. 20. modificado pelo Decreto-lei n. de 25-31946.893. o art. no ato da formação. à segurança do Estado e da coletividade.R. as agências ou os estabelecimentos de seguros. porém. Já vimos que essa constituição se opera por escrito (Cód.o).274. para o seu funcionamento. art. deve ser levado a registro. à moral e aos bons costumes. salvo as cooperativas e os sindicatos profissionais e agrícolas. perigosos ou nocivos ao bem público. integral e concretamente.o que a falta dêsse registro torna ilegal o .o: "não se poderão constituir. no art. § 1. § 1. 16. Basta que a sociedade ou associação tenha capacidade para adquiri-lo.o 6. O Decreto-lei n. do Govêrno dêste". de 19-10-1943. Não é preciso que êle exista.

o 2. organizadas sob a forma de associações ou fundações.638. Os bancos e casas bancárias. de 26-5-1965.o).o 22.-lei n. de 16-3-1921. obedecem à lei do Estado em que se constituírem.o. ficando sujeitas à lei brasileira". não podem. art. todavia.o). será precedida de autorização por decreto do Govêrno federal ou estadual (Lei n. funcionar no país. qualquer que seja o seu objeto. acrescenta: "não poderão.o 14. constituídas em forma legal. 1. 520 da Consolidação das Leis do Trabalho. art. art. ter no Brasil filiais. art. 11. ou por filiais. entre tanto. Em seguida.o). art. 1.o 5. que expede a seu favor a competente carta. ser acionistas de sociedade anônima brasileira. só poderão funcionar com autorização do Govêrno (Dec. n. estabelece: as sociedades anônimas ou companhias estrangeiras. nos têrmos do art. de 27-12-1961. Lei n. podendo. 4. 81). de 26-9-1940. no § 1.funcionamento de qualquer cooperativa. preceitua igualmente que as organizações destinadas a fins de interêsse coletivo. ressalvados os casos expressos em lei. agências ou estabelecimentos antes de serem os atos constitutivos aprovados pelo Govêrno brasileiro. por si mesmas.o. mediante prévia autorização do Govêrno Federal (Dec. no art. Para que uma entidade desportiva possa funcionar. de 10-2-1933. A Lei de Introdução ao Código Civil.o 4. expedido pelo Conselho Nacional de Desportos (Dec.627. ou estabelecimentos que as representem. por sua vez. sucursais.342.o 4. O Decreto-lei n. art.456. nacionais e estrangeiros. 4. de 25-3-1943. n. sem autorização do Govêrno Federal. Por igual. como as sociedades e as fundações. 64. dependem êles de prévio reconhecimento por parte do Ministério do Trabalho. A exploração das operações de capitalização somente pode ser exercida no território brasileiro por sociedades anônimas brasileiras. . a inscrição do ato constitutivo de universidades particulares. Quanto aos sindicatos.728. é necessário tenha obtido licença por meio de alvará.024. agências.

regulado por lei especial. O Decreto-lei n. Registro da pessoa jurídica: .085. o contrato ou o compromisso são reformáveis no tocante à administração. no art. se for o caso (art. III. II. Se os membros respondem. navegação de cabotagem. indispensáveis à constituição das sociedades e associações civis.o). ou da aprovação pela autoridade competente. V. Prescreve o art. O modo por que se administra e representa. No anteprojeto de sua autoria. vejamos agora quando começa a sua existência legal. que êsses atos constitutivos sofrerem". 18 acrescenta que "serão averbadas no registro as alterações. estatutos ou compromissos no seu registro peculiar. 4.água. por sua vez. 18 da lei civil: "começa a existência legal das pessoas jurídicas de direito privado com a inscrição dos seus contratos. As condições de extinção da pessoa jurídica e o destino do seu patrimônio nesse caso.o 9. . energia elétrica. etc. O § único do art. subsidiariamente pelas obrigações sociais. e de que modo. aproveitamento de quedas d.Êsse registro declarará (Cód. construção e exploração de pontes. os fins e a sede da associação ou fundação. ativa e passiva. 73). Conhecidos assim o elemento material e o elemento formal. quando precisa Assim como a personalidade civil do homem começa do nascimento com vida (art. das sociedades de economia coletiva. Civil. o Prof. atos constitutivos. ou com a autorização ou aprovação do Govêrno. A denominação. a personalidade jurídica principia a ter existência legal com aquela inscrição no registro competente. ou não. judicial e extrajudicialmente. ORLANDo GOMES assim provê: as associações constituem-se pela aprovação de seus estatutos em assembléia dos fundadores. 19): I. de 25-3-1946. art. IV. Se os estatutos.Idêntica autorização se exige ainda das companhias de mineração ou exploração de jazidas. porém não adquirem personalidade jurídica antes da sua inscrição no registro próprio.o. 1.

no registro civil das pessoas jurídicas. Diz realmente o art. quando seu objeto ou circunstância relevante indique destino ou atividade ilícitos ou contrários. mediante falsa declaração de seus fins. 5.o).o que as sociedades ou associações que houverem adquirido personalidade jurídica. sob cuja jurisdição estiver o oficial.o (art. 4. competindo ao juiz. de 9-11-1939. 6.o do mesmo diploma que "não poderão ser registrados os atos constitutivos de pessoas jurídicas. A concessão do registro não obsta a propositura de ação de dissolução. morais. os atos constitutivos. das sociedades civis. antes do pedido de inscrição ou concomitantemente com êste.preceitua que. Estabelece o art. à segurança do Estado e da coletividade. à ordem pública ou social. à ordem pública ou social.o.as sociedades civis que revestirem as formas estabelecidas nas leis comerciais. e os das associações de utilidade pública e das fundações. exofficio. 215 a 219 do Decreto n.o 4. à moral e aos bons costumes". serão inscritos: I) . científicas ou literárias. . Também não poderão ser registrados os atos constitutivos de sociedades ou associações que.o. passarem a exercer atividades das previstas no art. 6. ou por provocação de qualquer autoridade. depois de registradas. os estatutos ou compromissos. na forma dos arts. serão suspensas pelo Govêrno por prazo não excedente de seis meses.o).o que ocorrendo qualquer dos motivos previstos no artigo anterior.o e 4.os contratos. 2. à moral e aos bons costumes (art. ou que. 2. nocivos ou perigosos ao bem público.857. 3. tenham exercido atividades ou praticado atos contrários. religiosas. ou o procedimento referido no art. à segurança do Estado ou da coletividade. pias. nocivos ou perigosos ao bem público. fundada nos fatos referidos nos arts. II) . no que forem aplicáveis. Esclarece o art. sobrestará no processo de inscrição e suscitará dúvida. o Oficial do Registro. 2. decidir a dúvida. concedendo ou negando o registro.

20. mas êstes poderão responsabilizá-las por todos os seus atos (Cód. As sociedades enumeradas no art. que. Civil. para tal fim.-lei n. que o registro e arquivamento dos contratos e estatutos das sociedades civis e das fundações no Departamento Nacional de Indústria e Comércio assegurarão o uso exclusivo do nome. não a existência legal.O Decreto n. não supre o registro público estabelecido para dar início à existência legal das pessoas jurídicas de direito privado (art. nos limites do domicílio do titular que houver efetuado o registro (Dec.857. nem a terceiros. A lei exige. arts. caput). 106 e 109). não poderão acionar a seus membros.903. uso pelo sócio é uso da sociedade. se não reputarem pessoas jurídicas. Nessas condições. na sua coletânea de leis civis. Mas êsse princípio até agora tradicional. 20. O registro do nome. acha-se fortemente abalado em matéria de locação predial. a existência da pessoa. assim como o sócio pode . de 27-8-1945. vice-versa. § 2. pessoa jurídica cujo instrumento de ajuste não foi levado a registro na repartição peculiar. nos arts. Universitas distat a singulis. art. Adverte MANOEL AUGUSTO VIEIRA NETO.o). dispõe acêrca do processo de registro civil das pessoas jurídicas. A existência de fato também é reconhecida pela lei para certos efeitos. porém. A jurisprudência está realmente entendendo que o uso exercido pela sociedade é uso do sócio. Das sociedades e associações civis: . de 1939. Não se considera regularmente constituída.o 7.o 4. 122 e seguintes. por falta de autorização ou de registro. embora sem existência legal.As pessoas jurídicas têm existência distinta da dos seus membros (art. 113). podem adquirir por testamento. Todavia. 16. não tendo por isso ação contra terceiro.

art. Poderão os sócios convencionar. e. se quiser. singulis non debetur. . 19. pelas obrigações sociais. portanto.375 do mesmo Código. como ensina AMÍLCAR DE CASTRO. singuli debent. como se expressava ULPIANO: si quid universitati debetur. é óbvio. far-lhe-á o seu instituidor. De outro lado. Das fundações: . por escritura pública ou testamento. pertencem a esta. Civil. ter-se-á em vista a regra do art. Diferente a solução.retomar prédio locado a terceiro. n. o que constará do registro (Cód. 942. dotação especial de bens livres. No caso afirmativo. se a sociedade se constituiu de modo que os sócios respondam. se algo é devido à sociedade não é devido aos sócios individualmente. art. Civil. e não aos sócios (Cód. isso só se entende no caso de haver pessoa jurídica regularmente constituído. Proc. não é esta devida pelos sócios. todavia. ou não. especificado o fim a que a destina. n. 24). podem penhorar os bens adquiridos pelos sócios devedores ainda que êstes aleguem pertencerem à sociedade. Vê-se. Ou. para uso da sociedade de que faça parte. Do fato de ter a sociedade autonomia patrimonial segue-se que. que a constituição dessa pessoa jurídica se desdobra em dois atos distintos. e declarando. pelo referido dispositivo legal. 1. e que lhe pertença individualmente. até a dissolução da sociedade.o XII). Entretanto. pode também a sociedade retomar seu imóvel para uso de um dos membros. por dívidas particulares dos sócios. o ato de fundação e o ato de dotação. art. porque os credores particulares dos sócios não estão adstritos a reconhecer a sociedade de fato existente apenas entre êles. subsidiariamente. que. se a sociedade deve alguma coisa. pelas obrigações sociais. a maneira de administrá-la (Cód.Para criar uma fundação. se respondem. solidária e ilimitadamente. não podem ser penhorados os fundos sociais. Civil. nec quod debet universitas.o IV).

a indicação dos fins a que se destinam e a maneira de administrá-los. 11. até que. de 24-2-1939. 653: o órgão do Ministério Público velará pelas fundações existentes da comarca. na segunda.o 9. § 1.o). Se estenderem a atividade a mais de um Estado. êle entrega a outrem a organização da obra projetada. art. à aprovação da autoridade . art. art.085. os bens doados serão convertidos em títulos da dívida pública. Civil. onde situadas (art. o próprio instituidor pessoalmente a tudo provê. de 9-11-1939. se outra coisa não dispuser o instituidor. de 25-3-1946. o ato depende de registro (Cód. 59. art.857. submetendo-os. isto é. n. Aquêles a quem o instituidor cometer a aplicação do patrimônio. n. art. Civil.o I).o. Quando insuficientes para constituir a fundação. Dec. a direta e a fiduciária. n. 25).O ato de fundação pode ser inter vivos ou mortis causa. a fundação pode ser criada por escritura pública ou por testamento. 26.o). Duas são as modalidades de formação. Dec. combinado com o art. 19. Civil. 1. art. 10. Aplica-se ao Distrito Federal e aos Territórios não constituídos em Estados o aqui disposto quanto a êstes (§ 2.o 4. em seguida. art.o 10. tal função cabe ao Curador de Resíduos (Dec. ns. O ato de dotação compreende a reserva de bens livres. Na primeira. 18. Num e noutro caso. Sôbre o mesmo assunto dispõe ainda o Código de Processo Civil. aumentados com os rendimentos ou novas dotações.000. os estatutos da fundação projetada. caberá em cada um dêles ao Ministério Público êsse encargo (Cód. fiscalizando os atos dos administradores e promovendo a anulação dos praticados sem observância dos estatutos. 122. Velará pelas fundações o Ministério Público do Estado. 12 e 16).-lei n.o I. perfaçam capital bastante (Cód. de acôrdo com as suas bases (art. 24). formularão logo. n. 26). em tendo ciência do encargo. Em São Paulo.

art. § 2. Civil). Civil. 652. o qual verificará se foram observadas as bases da fundação e se bastam os bens aos fins a que ela se destina (Cód. pedir ao juiz que a supra. Que não contrarie o fim desta. Civil. pode qualquer interessado. Autuado o pedido com os documentos apresentados. A autoridade competente. art. dentro em um ano. recorrendo ao juiz competente. § único. Se a pessoa encarregada da aplicação do patrimônio não elaborar os estatutos.o). art. cada um. § 1. Civil.o). a que serão submetidos os estatutos elaborados pelas pessoas incumbidas da aplicação do patrimônio. Na Capital de São Paulo. Proc. Que seja aprovada pela autoridade competente. Mas. A minoria vencida na modificação dos estatutos poderá. 27. salvo o direito de terceiros (Cód. Proc. com os recursos da lei (Cód. em seguida. é mister (Cód. no prazo de cinco dias. § 3. Proc. Civil. promover-lhe a nulidade. o juiz decidirá. o órgão do Ministério Público e a parte reclamante serão ouvidos. podendo mandar fazer nos estatutos as modificações necessárias à sua perfeita adaptação ao objetivo do instituidor (art. o juízo competente é o da Provedoria. combinado com o art. 28): I. Cód. 652). 652. Civil. 652. judicial ou extrajudicialmente (art. 652.o. art. deverá fazê-lo o próprio órgão do Ministério Público.competente (Cód. 29). no Distrito Federal ou nos Territórios. Civil. para se poderem alterá-los. III. . do Cód. Denegada a aprovação. Os estatutos são suscetíveis de alteração posterior. Se esta lha denegar. Que a reforma seja deliberada pela maioria absoluta dos componentes para gerir e representar a fundação. "É nula a reforma estatutária de fundação deliberada em assembléia constituída em desacôrdo com os estatutos e que. in fine). como se viu. II. art. é o mesmo órgão do Ministério Público. 27. art. supri-la-á o juiz competente no Estado.

pode esta ser autorizada pelo juiz competente. A autorização pode ser concedida ainda que o instituidor haja impôsto cláusula de inalienabilidade. enquanto GIORGI sustenta ser o próprio Estado o sujeito real. mas na . Cumpre acentuar ainda que os estatutos constituem a lei básica das fundações. são os beneficiários. os titulares do direito são os administradores da fundação. Para SERMENT. isto é. O administrador. Superam êles curialmente a vontade dos órgãos administrativos. Por outro lado. Assim sendo. Não podem êles. porque sua existência é que assegura a concretização dos fins visados pelo instituidor. Venda sem licença da autoridade judiciária é nula. ser desviados de seu destino. porém. Última questão: nas fundações quais os verdadeiros sujeitos do direito? Para IHERING e seus seguidores. êsses bens são inalienáveis. não obteve a aprovação da autoridade competente". Em face do nosso direito. O estudo das fundações comporta ainda exame de outros aspectos do maior interêsse. a fundação é entidade cuja natureza não consiste na coletividade dos seus membros. Um dêles é atinente à inalienabilidade dos bens que integram o patrimônio das fundações. as pessoas que preencham as condições exigidas pelo ato de fundação para usarem de seus serviços. podendo ser reivindicado o imóvel alheado. comprovada a necessidade da venda. ainda que vitalício por disposição testamentária. portanto. mandato conferido estatutàriamente não comporta revogação ad nutum. como é óbvio. para oportuna aplicação do produto em outros bens destinados ao mesmo fim. com audiência do órgão do Ministério Público. Normalmente. pode e deve a autoridade competente promover-lhe a remoção. Todavia. caso dêles necessitem. está sujeito a prestação de contas. provada a desvantagem da gestão do administrador.além disso. em casos especiais.

Terminação da pessoa jurídica: . salvo o direito da minoria e de terceiros. como a Lei n. que define os crimes contra o Estado e a Ordem Política e Social e que. Pela sua dissolução em virtude de ato do Govêrno.Termina a existência da pessoa jurídica (sociedades ou associações civiS) (Cód. que dispõe sôbre a dissolução de sociedades perniciosas. com serviços ou donativos. de fins idênticos ou semelhantes". deliberada entre os seus membros. no art.085. que lhe casse a autorização para funcionar. cujos estatutos não disponham quanto ao destino ulterior dos seus bens. Dispõe ainda o Código Civil.o 9. Outros diplomas poderiam ser ainda mencionados. Civil. no art. estadual ou federal. ou do órgão do Ministério Público". 21): I. no Distrito Federal .disposição de certos bens (elemento predominante) em vista de determinados fins. será dissolvida por ação direta. Na mesma ordem de idéias. Pela sua dissolução. devolverse-á o patrimônio social a um estabelecimento municipal. art. III. quando a lei determine.o 1. nos arts. 22: "extinguindo-se uma associação de intuitos não econômicos. a qualquer daquelas entidades assim reconstituidas. 670: "a sociedade civil com personalidade jurídica. que promover atividade ilícita ou imoral. de 5-1-1953. e não tendo os sócios adotado a tal respeito deliberação eficaz. reprime a reorganização ou tentativa de reorganização de partido político ou associação dissolvidos por fôrça de disposição legal. Não havendo no Município ou no Estado. Já tivemos ensejo de aludir ao Decreto-lei n.o e 10. Pela sua dissolução. II. quando a pessoa jurídica incorra em atos opostos aos seus fins ou nocivos ao bem público. preceitua o Código de Processo Civil. de 25-3-1946.802. bem como o auxílio. 9. mediante denúncia de qualquer do povo.

se não existisse um ponto de referência onde a pessoa pudesse responder . É indispensável. É uma necessidade social. ou pelo Ministério Público (art. em todos os seus têrmos será ouvido o órgão do Ministério Público. Referentemente às fundações. c) . § único). DOMICÍLIO DA PESSOA NATURAL. Se não houvesse essa fixação. 22. 30. DOMICÍLIO DA PESSOA JURÍDICA. se êste a propuser. dar-se-á à fundação curador in litem (§ Único). DO DOMICÍLIO CIVIL. sua terminação é disciplinada pelo art. ou vencido o prazo da sua existência.vencimento do prazo de sua existência. ou à da União (art. que êstes estejam presentes em determinado lugar. A verificação poderá ser promovida judicialmente pela minoria de que trata o art. o patrimônio será incorporado em outras fundações. FORO DE ELEIÇÃO. 30. fixar a pessoa a determinado lugar. o patrimônio se devolverá à Fazenda do Estado. 654: "Tornando-se ilícito ou impossível o objeto da fundação. à do Distrito Federal. § único).ou no Território ainda não constituído em Estado. Se a ação fôr proposta por qualquer interessado. em que a associação teve a sua sede. estatui o Código de Processo Civil no art. CLASSIFICAÇÃO DO DOMICÍLIO. 29. b) . para que se exerçam normalmente as relações jurídicas. que se proponham a fins iguais ou semelhantes. de antemão conhecido. PLURALIDADE E MUDANÇA DE DOMICÍLIO. o órgão do Ministério Público ou qualquer interessado lhe promoverá a extinção.O direito é um complexo de relações que se estabelece entre os homens.sua impossibilidade. porém. uma necessidade de ordem geral. citados os administradores". estabelecimento nas condições indicadas. que contempla três situações diferentes: a) sua nocividade. Generalidades: . Verificada qualquer dessas alternativas. Semelhantemente. salvo disposição em contrário no ato constitutivo. GENERALIDADES.

a da segunda é meramente de fato. Ela fixa-o. do domicílio. por sua vez. sede legal da pessoa. sede jurídica. A essência do primeiro é puramente jurídica e corresponde à necessidade de fixar a pessoa em dado local. O primeiro é relação de índole jurídica. não sôbre o vazio.pelos seus deveres jurídicos. Esse ponto de referência. com a conseqüente radicação do individuo. a linha separativa entre ambos os conceitos: o domicílio da pessoa física é o lugar onde ela tem a sede principal da . Se pudéssemos empregar fórmula para melhor traduzir essa idéia. Mas esta não é arbitrária na determinação. o lugar em que a pessoa habita ou tem o centro de suas ocupações. Residência. ora o centro onde ela efetivamente exerce suas atividades. é um conceito de ordem ideal e que decorre de criação da lei. onde ela se presume presente para efeitos de direito. êsse local prefixado pela lei. é relação de fato. Cumpre não confundir os conceitos de domicílio e de residência. é de natureza vária. pois. O anteprojeto de ORLANDO GomES estabelece. e assim por diante. Podemos. de modo nítido. precário e instável se tornaria o direito. diriamos que domicílio = residência (quid fact) + qualificação legal (quid juris). Êsse substractum. ora o lugar em que eventualmente se encontra ou habitam seus representantes legais. é o domicílio (do latim domus. Ora é a residência ou morada da pessoa. criado pela própria lei e através do qual. para efeitos jurídicos. casa ou morada). tendo em vista certo sub stractum que encontra estabelecido. da seguinte forma estabelecer a diferenciação entre domicílio e residência: o primeiro é conceito jurídico. se presume estar presente a pessoa em determinado lugar. sôbre o qual assenta a designação do domicílio.

134). pois a competência se determina. no de sua residência (art. Se o óbito houver ocorrido no estrangeiro. 135). Na falta de domicílio certo. o fôro competente será o do domicílio do réu (Cód. Se. De modo idêntico. será competente o fôro da situação do imóvel deixado pelo de cujus.657.o). processa-se a inscrição eleitoral no juízo do domicílio do eleitor (Lei n. o do lugar do falecimento. onde mora com a intenção de permanecer (art. porém.-lei n. 8. Penal.o). e. Ao domicílio cabe também papel de extraordinário relêvo no direito judiciário civil. para regular os conflitos de lei. em regra. ou. SAVIGNY mandava aplicar a do domicílio. enquanto a nova (Dec. art. A noção de domicílio desempenha importantíssimo papel em todo o sistema jurídico. A velha Introdução ao Código Civil filiava-se a êste segundo sistema (art. pelo domicílio do réu (Cód. na falta. a partilha e tôdas as ações relativas à herança (art. no direito internacional privado.sua atividade. O fôro competente é o do lugar onde foi perpetrada a infração. Assim. Civil. art. e a residência. 45). no direito judiciário penal aparece a importância da relação domiciliar. se ocorrido no Brasil (§ 2.o .o 4. 72). n. Proc. 133. será competente o fôro do último domicílio do de cujus no Brasil (§ 1. para determinação do fôro competente. Referentemente ao exercício dos direitos políticos. na falta. O réu será. Ainda não é tudo: o fôro do domicílio do de cujus será o competente para o inventário. art. em primeiro lugar.o I). de 4-9-1942. demandado no fôro do seu domicílio. desconhecido êsse lugar.o). Proc. 7.o) adotou o primeiro. enquanto MANCINI preconizava a aplicação do estatuto pessoal.

33 que "ter-se-á por domicílio da pessoa natural. 32). Domicílio da pessoa natural: . 7. subjetivo. de modo estável e permanente. 102). que não tenha residência habitual (art.737. letra a) e os deputados estaduais. outro. mas permanente. situou-o no lugar do principal estabelecimento de uma pessoa (art. art. pois. o lugar onde fôr encontrada". objetivo. e o centro dos negócios. no território do Estado (Const. A Lei de Falências mantém o mesmo critério.O direito romano fazia repousar a noção de domicílio sôbre dois elementos: o lar. Estabelece realmente o art. material. Esclarece o art. a intenção de aí fixar-se com ânimo definitivo. a radicação do indivíduo em determinado lugar. O vereador é obrigado a residir no território de seu município (Lei Orgânica dos Municípios. preferentemente. do Estado. 42. O Código Napoleão não definiu o domicílio. ao dispor no art. ao critério da residência. sede da vida individual. 14). art. 26. 31: "o domicílio civil da pessoa natural é o lugar onde ela estabelece a sua residência com ânimo definitivo". ou empregue a vida em viagens. Dois elementos são. embora alternada. de 15-7-1965. sem ponto central de negócios. É o lugar ubi quis larem rerumque ac fortunarum suarum summam constituit (é onde o indivíduo vive e estabelece a maior soma de suas coisas com O escopo de permanecer).o: "é competente para declarar a falência o juiz em cuja jurisdição o devedor tem o seu principal estabelecimento". necessários para que se caracterize o domicílio civil. desde que não seja transitória. .4. O Código Civil pátrio ateve-se. um dos principais atributos da pessoa natural: um. psicológico. § único). art.

à escolha do autor. art. com efeito. Ante o princípio da multiplicidade domiciliar. que a pessoa more num lugar com a sua família e noutro tenha negócios ou exerça sua atividade. à sua . porém. a pessoa natural tiver diversas residências onde alternadamente viva. § 1.Muitas legislações. A lei considera domicílio qualquer dêles. 7. cada um com domicílio diferente. 22). o art. austríaco. pelos respectivos atos em cada um dêles praticados.o. Imagine-se. porém. assim como os exemplos dos Códigos alemão. Dispõe. bem como o direito inglês e o norte-americano. art. considerar-se-á domicílio seu qualquer dêstes ou daquelas". de 21-6-1045. Assim também se o réu tem mais de uma residência. b) .492. ou vários centros de ocupações habituais. no local da infração ou naquele onde forem organizadas (Dec."A falência dos comerciantes ambulantes e empresários de espetáculos públicos pode ser declarada pelo juiz do lugar onde sejam encontrados". de 16-7-1928. notadamente as que se filiaram ao sistema jurídico francês.661. se a pluralidade fôr de réus. (Dec. dispersa a sua personalidade. n. lícito é ao autor escolher qualquer delas para acioná-lo. Duas situações diferentes estão aí previstas: a) .o). aceitou a pluralidade domiciliar. Mas. 32: "se. repelem o princípio da multiplicidade de domicílio.a pessoa natural tem diversas residências onde alternadamente vive. O indivíduo que assim se desdobra. Em matéria de competência judiciária poderá ser acionado em qualquer dos lugares. pode o autor demandá-los no fôro de um dêles.-lei n. grego e chileno.o 7. Nosso Código.tem ela vários centros de ocupações habituais.o 5. por exemplo. Pluralidade de domicílio: . As emprêsas sem sede ou companhias em excursão poderão ser demandadas. pode considerar-se como seu domicílio qualquer dêsses lugares. seguindo a esteira do direito romano e a tradição do direito pátrio.

Profundas e extensas foram. a transferência da morada. 34). depois de ajuizada a ação. o lugar onde funcionarem as respectivas diretorias e administrações. a União será demandada na seção judicial em que o fato ocorreu. Referentemente à União. O Código de Processo . porém. Civil. Da União. art.o. ou que deva produzir os seus efeitos. ou êste tenha de ser executado".escolha. a deslocação da residência. III. Ajunta o § único que "a prova da intenção resultará do que declarar a pessoa mudada às municipalidades dos lugares. as modificações introduzidas nesse dispositivo legal. o segundo. dispunha o § 1. 134. IV. II.Muda-se o domicílio. da própria mudança. A dois elementos está subordinada essa mudança: o primeiro. com as circunstâncias que a acompanharem". Dos Estados. Do Município.o do mesmo art. Não se pode caracterizar a mudança de domicílio sem transferência da morada com intenção manifesta de a mudar. ou de um ato praticado. Proc. ou onde elegerem domicílio especial nos seus estatutos ou atos constitutivos. 35: "quando o direito pleiteado se originar de um fato ocorrido. 151). Mudança de domicílio: . nenhuma influência tem sôbre a competência de fôro (Cód. Civil. fora do Distrito Federal. art. ou. 35 do Código Civil que quanto às pessoas jurídicas. Domicílio da pessoa jurídica: . e para onde vai. a vontade de deixar a residência anterior para estabelecê-la em outra parte.Esclarece o art. de natureza psicológica. o Distrito Federal. § 2. as respectivas capitais. do Código de Processo Civil. o lugar onde funcione a administração municipal. se tais declarações não fizer. que deixa. transferindo a residência. em consonância com o disposto no art. Das demais pessoas jurídicas. o domicílio é: I. ou onde tiver sua sede a autoridade de que o ato emanou. de índole material. com intenção manifesta de o mudar (Cód. A mudança de domicílio.

201. na capital do Estado em que se verificou o ato ou fato originador da demanda ou esteja situada a coisa. b) . se observará quanto às causas de natureza local.o 11. Em São Paulo tais causas são da competência das Varas dos Feitos da Fazenda Nacional. no art. no art. ou de assistente ou opoente. dispõe o art. Acrescenta o § 1. 23 e pela Lei n. 201. oriundas de fatos . de 11-7-1956. Entretanto.o.o: "as causas propostas perante outros juízos.Civil. o fôro competente será o da capital do Estado em que fôr domiciliado o réu ou o autor". cometendo ao Ministério Público estadual a representação judicial da União". à vontade do autor. ou esteja situada a coisa. que pelo citado art. de 26-4-1940. passarão a ser da competência de um dos juízos da capital". por si só. no Distrito Federal. em igualdade de condições. No tocante aos Estados. assim estatuiu: "as causas em que a União fôr autora serão aforadas na capital. três possibilidades: a) . c) . ainda. Vê-se. ao contrário. As intentadas contra a União poderão ser aforadas na capital do Estado ou Território em que fôr domiciliado o autor.ou. se a citação da Fazenda Nacional foi mera medida acautelatória. por sua vez.397.058.em que se verificou o ato ou fato originador da demanda. A Constituição Federal.o 3. começou por dispor que "nas causas propostas pela União ou contra ela. de modo a deslocar a competência para a Vara privativa. portanto. aparece mesmo com caráter supletivo. 35. art. se a União nelas intervier como assistente ou opoente. § 2. reguladas pelo Decreto-lei n. Êste último não tem. ou ainda no Distrito Federal". E remata o § 2. que nestes.poderão ser aforadas as causas na capital do Estado em que fôr domiciliado o autor. se a União é ré. pois. 143. ela não imprime a esta o caráter de parte no feito. qualquer primazia sôbre os demais. põem-se.o: "a lei poderá permitir que a ação seja proposta noutro fôro.

ocorridos, ou atos praticados por suas autoridades, ou dados à execução, fora das capitais, o que dispuser a respectiva legislação. Em São Paulo, compete aos juízes dos feitos da Fazenda Estadual processar e julgar as causas em que o Estado seja autor ou réu, assistente ou opoente, exclusive os feitos mencionados no art. 20, do Decreto-lei n.o 11.058, de 26-4-1940, modificado pelo art. 8.o do Decreto-lei n.o 14.234, de 16-10-1944. Mutatis mutandis, o que já se disse anteriormente a respeito da União se aplica também ao Estado; não basta, para firmar a competência das Varas privativas, se cogite de um possível interesse do Estado; é necessário que êste seja autor ou réu, ou intervenha no processo como assistente ou opoente. Quanto ao Município, sua sede legal é a da comarca onde êle se situa, sendo que o da capital de São Paulo tem igualmente Varas privativas, as dos feitos da Fazenda Municipal, cuja competência é regida pelo art. 21 do mesmo Decreto-lei n.o 11.058, de 1940. As autarquias federais, estaduais e municipais têm também fôro privilegiado, o das pessoas jurídicas de direito público interno, de que sejam descentralizações. A Lei n.o 2.285, de 9-8-1954, dispõe sôbre o fôro das causas em que as autarquias sejam autoras. Tendo a pessoa jurídica de direito privado diversos estabelecimentos em lugares diferentes, cada um será considerado domicílio para os atos nêle praticados (art. 35, § 3.o). Trata-se, no dizer de CLÓVIS de providência em benefício dos que contratam com a pessoa jurídica. Como benefício, pode ser renunciado, para ser ajuizada a ação na sede da principal administração. Sustenta ESPÍNOLA que a referida disposição tem caráter supletivo e só se aplica quando o domicílio não seja fixado nos estatutos ou nos atos constitutivos da pessoa jurídica. Não é êsse, todavia, o entendimento vitorioso na jurisprudência. Segundo esta, pode a pessoa jurídica ser demandada no fôro da filial, por atos aí praticados, ainda que ela tenha

sede designada nos estatutos. Juízes e tribunais têm realmente propugnado por inteligência mais ampla do texto, não exigindo absolutamente que a filial goze de autonomia e administração própria. Assim, se se trata de Banco com sede num Estado e sucursal em outro, pode ser demandado no fôro desta pelos atos aí realizados. Ressalve-se, entretanto, que estação de estrada de ferro, para êsse efeito, não tem sido considerada estabelecimento, o mesmo acontecendo com um simples armazém. Edita, por fim, o art. 35, § 4.o, que se a administração, ou diretoria, tiver a sede no estrangeiro, haver-se-á por domicílio da pessoa jurídica, no tocante às obrigações contraídas por cada uma das suas agências o lugar do estabelecimento, sito no Brasil, a que ela corresponder. Classificação do domicílio: - Pode êste ser classificado quanto à sua origem e quanto à sua natureza. No tocante à sua origem, o domicílio é necessário ou voluntário. O domicílio necessário (domicilium necessarium) resulta de imposição legal, a lei fixa-o independentemente da vontade do indivíduo; por necessidade jurídica, êste é obrigado a estabelecer-se num determinado lugar. Em regra, pressupõe a subordinação de um indivíduo a outra pessoa, razão por que surge a precisão de se lhe atribuir o mesmo domicílio da pessoa a quem aquêle está subordinado. O domicílio necessário subdivide-se em originário e legal. Quando adquirido ao nascer é originário. Assim, o recémnascido tem por domicílio o do pai. É legal, quando presumido ou fixado pela lei. Numerosos os casos de domicílio necessário contemplados pela lei civil: a) - os incapazes têm por domicílio o dos seus representantes (art. 36). Mas êsse domicílio necessário cessa com a maioridade; b) - a mulher casada tem por domicílio

o do marido, salvo se estiver desquitada (art. 315), ou lhe competir a administração do casal. Todavia, a mulher casada tem fôro privilegiado nos casos previstos no art. 142 do Código de Processo Civil. Por outro lado, a Lei de Introdução ao Código Civil, no art. 7.o, § 7.o, estabelece que "salvo o caso de abandono, o domicílio do chefe da família estende-se ao outro cônjuge e aos filhos não emancipados, e o do tutor ou curador aos incapazes sob sua guarda". A viúva conserva o domicílio do marido, enquanto voluntariamente não adquire outro próprio; c) - os funcionários públicos reputam-se domiciliados onde exercem as suas funções, não sendo temporárias, periódicas, ou de simples comissão, porque, nestes casos, elas não operam mudança no domicílio anterior (art. 37) ; d) - o domicílio do militar em serviço ativo é o lugar onde servir (art. 38) ; e) - as pessoas com praça na armada têm o seu domicílio na respectiva estação naval, ou na sede do emprêgo que estiver exercendo, em terra (art. 38, § único) ; f) - o domicílio dos oficiais e tripulantes da marinha mercante é o lugar onde estiver matriculado o navio (art. 39); g) - o prêso, ou o desterrado, tem o domicílio no lugar onde cumpre a sentença, ou destêrro (Const. Federal, art. 209, n.o III) (art. 40); lh) - o ministro ou agente diplomático do Brasil, que, citado no estrangeiro, alegar exterritorialidade sem designar onde tem, no país, o seu domicílio, poderá ser demandado no Distrito Federal ou no último ponto do território brasileiro onde o teve (art. 41). Domicílio voluntário (domicilium voluntarium), como a palavra está a indicar, é aquêle cuja escolha depende exclusivamente da nossa vontade. Qualquer indivíduo, não sujeito a domicílio necessário, pode livremente fixar o lugar onde vai instalar a própria residência com ânimo definitivo. Quanto à sua natureza, o domicílio pode ser ainda geral e especial. É geral, quando fixado ou estabelecido nos têrmos já

expostos, quer se trate de necessário. É especial, quando decorre contratantes. Surge assim a disciplinada pelo art. 42 do

domicílio voluntário, quer de de convenção entre as partes figura do domicílio contratual, Código Civil.

Foro de eleição: Dispõe realmente o questionado dispositivo que "nos contratos escritos poderão os contraentes especificar domicílio onde se exercitem e cumpram os direitos e obrigações dêles resultantes". No art. 846, § único, alude ainda o Código a essa modalidade de domicílio. Como o Código de Processo Civil houvesse silenciado a seu respeito, quando se referiu à determinação da competência, não faltou quem sustentasse a sua revogação. De acôrdo com êsse entendimento, não mais existiria o fôro de eleição em nosso ordenamento jurídico. Não vingou, todavia, tal entendimento. A subsistência do forum electionis tem sido proclamada por diuturna e uniforme jurisprudência. Apenas se requer que sua estipulação decorra de cláusula induvidosa, que não comporte interpretações equívocas . Como justamente observa o Ministro LUÍS GALLOTTI o Decreto-lei n.o 4.597, de 19-8-1942, posterior ao estatuto processual, faz expressa referência ao fôro de eleição, o que constitui, sem dúvida, sinal de que não foi eliminado do nosso direito positivo. O anteprojeto de ORLANDO GOMES, procurando dissipar qualquer dúvida, estabelece: nos contratos escritos poderão os contraentes especificar domicílio onde se exercitem e cumpram os direitos e obrigações dêles resultantes (art. 51). Saliente-se ainda que a eleição contratual do fôro não inibe que o credor prefira o fôro do domicílio do devedor, quando diverso daquele. Ressalte-se, por fim, que sôbre o fôro contratual há de prevalecer naturalmente o rei sitae, se a ação é de índole real. DOS BENS. VÁRIAS ACEPÇõES DA PALAVRA. DAS DIFERENTES CLASSES DE BENS. BENS CORPÓREOS E INCORPÓREOS. BENS IMÓVEIS E MÓVEIS. Várias acepções da palavra "bens": - Depois de havermos estudado o primeiro elemento da relação jurídica, isto é, o sujeito do direito, cabe-nos passar ao exame do seu objeto,

vale dizer, dos bens. A palavra bens pode ser tomada em vários sentidos, a começar pelo filosófico. A êsse propósito, saliente-se, para logo, a discordância entre o significado jurídico e o filosófico do vocábulo em questão. Filosoficamente, bem é tudo quanto pode proporcionar ao homem uma satisfação qualquer. Nesse sentido se diz que a saúde é um bem, que a amizade é um bem, que Deus é o sumo bem. Mas, se, filosoficamente, saúde, amizade e Deus são bens, na linguagem jurídica não podem receber tal qualificação. Juridicamente falando, bens são valores materiais ou imateriais, que podem ser objeto de uma relação de direito. O vocábulo, que é amplo no seu significado, abrange coisas corpóreas e incorpóreas, coisas materiais ou imponderáveis, fatos e abstenções humanas. Como diz SOUTO, o conceito de coisa corresponde ao de bem, mas, nem sempre há perfeita sincronização entre as duas expressões. Às vêzes, coisas são o gênero e bens, a espécie; outras, êstes são o gênero e aquelas, a espécie; outras, finalmente, são os dois têrmos usados como sinônimos, havendo então entre êles coincidência de significação. Não são todas as coisas materiais que interessam ao mundo jurídico. Somente interessam ao direito, coisas suscetíveis de apropriação exclusiva pelo homem, como prédios, semoventes, mercadorias, livros, quadros e moedas. Se as coisas materiais escapam à apropriação exclusiva pelo homem, por ser inexaurível a sua quantidade, como o ar atmosférico, a luz solar e a água dos oceanos, deixam de ser bens em sentido jurídico. O conceito de coisa, na linguagem do direito, é ministrado pela economia. Por fim, urge ainda não confundir a palavra coisa, tomada no sentido vulgar ou genérico, com o seu significado jurídico. No primeiro sentido, coisa é tudo quanto existe fora ou além do

emanações da personalidade natural e não entram. outros existem ainda. IV. coisa é tudo quanto seja suscetível de posse exclusiva pelo homem. Do bem de família. tem amplo significado. sob os mais diversos aspectos. IV. por assim dizer. Na Parte Especial. como a vida. O dinheiro é. rendimentos e . as coisas são principais e acessórias. a defesa e o nome. Das coisas divisíveis e indivisíveis.Numerosas as categorias de bens. abrangendo coisas e direitos. na formação do patrimônio. no Livro II da Parte Geral. Se não suscetíveis de aferição monetária. para que possam integrá-lo preciso é sejam econômicamente apreciáveis. porque então se dedica. Das coisas singulares e coletivas. Mas. frutos. sendo econômicamente apreciável. A palavra bens. escapam ao raio de ação do direito. Dos bens móveis. II. porque não comportam estimação pecuniária. além dos bens mencionados no art.homem. Coisas e bens econômicos constituem o patrimônio da pessoa. Êsses bens não econômicos são prolongamentos. Reciprocamente considerados (Capítulo II). II. 61. nem podem entrar. Das diferentes classes de bens: . os bens distribuemse por cinco seções: I. seu denominador comum. de ordem moral e econômicamente inapreciáveis. Além dêsses bens. disciplina-os em cinco capítulos diferentes: I. Das coisas fungíveis e consumíveis. incluindo-se nestas. a liberdade. refere-se o Código ao direito das coisas. à propriedade e aos seus vários desmembramentos. Dos bens imóveis. produtos. Considerados em si mesmos (Capítulo I). natural ou jurídica. III. Dos bens reciprocamente considerados. exclusivamente. V. V. no segundo. Dos bens públicos e particulares. Das coisas que estão fora do comércio. idôneos à estimação pecuniária. III. a honra. Dos bens considerados em si mesmos. O próprio Código. que serve de rubrica ao Livro II da Parte Geral do Código Civil.

benfeitorias. a que a doutrina acrescenta a dos bens corpóreos e incorpóreos. por exemplo. n. desde que apresente vários caracteres. Cada uma dessas discriminações tem por base determinada característica particular da coisa. portanto.Corpóreos são os bens dotados de existência física. os bens imóveis por natureza. o direito à sucessão aberta (art. ensinava o Prof. os que. quae tangi possunt). divisibilidade ou indivisibilidade). dentre os segundos. inclusive o bem de família. 649). 44. Por exemplo. tendo para o homem valor econômico (incorporales. n. nos Capítulos subseqüentes. proporcionando assim completa visão daquilo que constitui objeto da relação jurídica. O maior êrro que o jurista pode cometer. enquadrar-se em múltiplas categorias. são reconhecidos pela ordem jurídica. quae tangi non possunt). Incorpóreos. especificados no art. in commercium e extra commercium. Dentre os primeiros estão. ora sua negociabilidade (no comércio e fora do comércio). imóvel e acessório (a árvore frutífera). ora nas relações que os bens guardam entre si (principais e acessórios). material.o III) e a propriedade . Pode esta. do Código Civil. públicos e particulares. a mesma coisa pode ser ao mesmo tempo móvel e consumível (a moeda). As várias distinções feitas pelo legislador. das coisas que interessam ao mundo do direito. Bens corpóreos e incorpóreos: . regula o Código as demais categorias de bens. científica e artística (art. pública e fora do comércio (o rio).o I. fungibilidade ou infungibilidade. que incidem ou recaem sob os sentidos (res corporales sunt. a terminologia da sua profissão. Por fim. FRANCISCO MoRATo. a propriedade literária. ora tendo em vista a pessoa do respectivo proprietário (públicos e particulares). Pertencem à linguagem do direito. fundam-se ora nas qualidades físicas ou jurídicas da própria coisa (mobilidade ou imobilidade. embora de existência abstrata ou ideal. 43. Tôdas essas classificações devem ser amplamente dominadas. é não conhecer a técnica. imóvel.

não se prestam à tradição e ao usucapião. tão evidente. coisas que exigem. melhor que a primeira. aquêles adágios representam hoje um contra-senso.A divisão dos bens em móveis e imóveis é fundamental em tôdas as legislações (summa divisio rerum). de 27-8-1945). No direito medieval. ao contrário daquelas. atribuindo assim à propriedade imóvel sensível primazia. Considera-a SUMNER MAINE a classificação fundada na efetiva natureza dos bens. essa suprema classificação não foi criada por quem quer que seja. mormente quando se atenta para o fato de que a segunda. As coisas corpóreas são objeto de compra e venda. o alcance da função econômica desempenhada pelos valores mobiliários. Além disso. vantajosamente se presta à livre circulação. mas surgiu espontâneamente do povo. do ponto de vista puramente econômico. graças aos fisiocratas. só a propriedade imóvel tinha valor. enquanto as incorpóreas são suscetíveis de cessão. porém. tendo surgido em substituição à clássica divisão do direito romano. Em verdade.-lei n. como adverte FuLvIo MAroI. Inquestionàvelmente.industrial (Dec. havida a terra como sinal de poder e riqueza. Inegável é. isto é. res mancipi e res nec mancipi. torna-se discutível o primado da propriedade imóvel sôbre a móvel. que deveria ter mais depressa ferido a atenção da humanidade. dada a enorme importância adquirida pela riqueza mobiliária. Renovou-se essa concepção nos tempos modernos. Sustentam alguns autores que ela é relativamente recente. em . O Código Napoleão não logrou vencer a influência da escola fisiocrática. a sobrepujar.903. de acôrdo com os quais só a terra representa fonte de riqueza social. ou não exigem emprêgo da mancipatio para a sua transferência. segundo atestam os adágios res mobilis res vilis e mobilium est vilis possessio. Bens imóveis e móveis: . e considerando-a mesmo o verdadeiro fundamento da riqueza nacional. relegada a propriedade móvel a plano secundário.o 7. constituía a propriedade por excelência. modernamente. Entretanto. estas.

qual poderosa rival.a alínea). de 18-12-1952). Apenas os imóveis se sujeitam ao pagamento do impôsto territorial e ao de transmissão.o II. 2. de 7-3-1955). para os segundos . para os revender por grosso ou a retalho. ou para alugar o seu uso (Cód. . vai paulatinamente desaparecendo. além de idênticas repercussões no direito internacional privado. como no comercial. ao passo que apenas os móveis se prestam ao contrato de mútuo (art.768. os principais efeitos práticos dessa distinção são os seguintes: a) . dez. em matéria de usucapião (três ou cinco anos para os primeiros.os bens móveis adquirem-se. quinze ou vinte anos. pela simples tradição. É unicamente considerada mercantil a compra e venda de efeitos móveis ou semoventes. Importantíssimos efeitos práticos resultam da divisão dos bens em móveis e imóveis. Comercial. Aquela espécie de desdém. no fiscal e no penal. 619. desponta a riqueza mobiliária. n. 618. seja qual fôr o regime matrimonial. c) . art. em regra. Ao lado da propriedade imobiliária. No direito fiscal avulta igualmente a importância da mesma classificação. com a nova redação da Lei n. ao passo que os imóveis. 531) e à enfiteuse (art.o 1. art.relevância.os primeiros sujeitam-se a prazos muito mais curtos que os segundos. 134. enquanto os imóveis de valor superior a Cr$10.437. porquanto só bens móveis podem ser objeto de atos de comércio. os próprios bens de raiz. 678). que aspira se colocar na primeira plana e daquela tomar o lugar. enquanto o de consumo e o de vendas e consignações só recaem sôbre efeitos móveis. na mesma espécie ou manufaturados.arts. que se professava pelos bens móveis. tanto no direito civil. 235).o 2. Civil. modificado pela Lei n. 550 e 551. e a que se referia LAURENT. 1. d) só os imóveis estão sujeitos à transcrição (art. 191. b) os bens móveis podem ser alienados independentemente de outorga uxória. Também no direito comercial tem reflexos a aludida diferenciação. No direito civil.256). dependem dessa formalidade (art.000 exigem escritura pública (Cód.

no direito internacional privado.o. arts. Por sua vez. Civil. nem a respectiva energia hidráulica.o. o álveo do curso no trecho em que se acha a queda d. bem como as quedas d. Preceituou realmente a Constituição Federal. os edifícios e construções. III. 82). no art. Por fim.No direito penal. Os bens indicados no inciso I são imóveis por natureza. o espaço aéreo e o subsolo. II. 145: "as quedas d. Assim a propriedade superficial não abrange a água. exclusivamente os móveis podem ser objeto de furto e roubo (Cód. 152: "as minas e demais riquezas do subsolo.água e outras fontes de energia hidráulica são bens imóveis e tidas como coisas distintas e não integrantes das terras em que se encontrem. os seus acessórios e adjacências naturais. ou comodidade. de modo que se não possa retirar sem destruição. para qualificar os bens e regular as relações a êles concernentes aplicar-se-á a lei do país em que estiverem situados (Intr. a lei do país em que fôr domiciliado o proprietário. para o efeito de seu aproveitamento industrial". Cód. 8. o Código de Águas dispõe. Tudo quanto no imóvel o proprietário mantiver intencionalmente empregado em sua exploração industrial.água. fratura. 43: são bens imóveis: I.água. A propriedade . como a semente lançada à terra.o). 4. que o dispositivo legal se acha modificado. modificação. todavia. ou dano. no art. 155 e 157). aformoseamento. O solo com a sua superfície. art. Observe-se. compreendendo as árvores e frutos pendentes. todavia. Enfim. constituem propriedade distinta da do solo para o efeito de exploração ou aproveitamento industrial". edita: "a jazida é bem imóvel distinto e não integrante do solo. § 1. no art. desde logo. quanto aos bens móveis que êle trouxer ou se destinarem a transporte para outros lugares (art. Penal. Tudo quanto o homem incorporar permanentemente ao solo. Aplicar-seá. o Código de Minas. Estabelece o Código Civil no art.

e as ações que os asseguram. II. o direito real de garantia abrangerá certamente aquêles efeitos. 178. 45 que os bens.o).da superfície abrangerá a do subsolo. consideram-se imóveis para os efeitos legais: I. Mas. Esclareça-se. "não perdem o caráter de imóveis os materiais provisoriamente separados de um prédio. se o proprietário mantém tratores e outros veículos na exploração de sua propriedade agrícola. Mas. § 2. autorizado pelo art. não incluída. Os direitos reais sôbre imóveis. que o são por disposição de lei. para nêle mesmo se reempregarem.o III (bens imóveis por acessão intelectual) podem ser.o IV). As apólices da dívida pública oneradas com a cláusula de inalienabilidade. 178. em qualquer tempo.o. As árvores. III. mobilizar os efeitos por êle anteriormente convertidos em imóveis mediante destinação ou incorporação. essa enumeração não esgota os bens imóveis. inclusive o penhor agrícola. no caso de ajuizar eventual ação redibitória do contrato de compra e venda o prazo prescritivo será de seis meses (art. Efetivamente. Os bens especificados no inciso II do art. Outros existem ainda. de conformidade com o art. todavia. pode o proprietário. são bens imóveis por . torna-a bem imóvel por destino. se o dono de uma fábrica adquire maquinaria e a anexa ao solo. § 5. na forma do direito comum. Adverte o art. O direito à sucessão aberta. 45. enquanto ligadas ao solo. que. mobilizados. Assim. e não de quinze dias (art. Se hipotecar o imóvel. n. 46. a fim de se imprimir maior segurança às relações jurídicas. nesta a das substâncias minerais ou fósseis úteis à indústria". enquanto os mencionados no inciso III são imóveis por acessão intelectual. porém. são êles bens imóveis por acessão intelectual. 43 são imóveis por acessão física artificial. Da mesma forma. de que trata o art. como o dono da fábrica. 43. n.

Enquanto aderentes ao imóvel são imóveis. pedras e metais. como os semoventes. o legislador contempla outra categoria: bens móveis por disposição de lei. pode ser vendida pelo pai. independentemente de autorização judicial. d) . devida apenas nas transmissões imobiliárias. Destinada à derrubada. Os direitos reais sôbre objetos móveis e as ações correspondentes. como as mercadorias e os produtos agrícolas. separados para fins humanos tornam-se móveis. porém. Da mesma forma que as árvores. são os bens suscetíveis de movimento próprio. II. b) . pois. Nesse dispositivo previstos estão os bens móveis por natureza. na compra e venda de mata.natureza (art. consideram-se bens móveis para os efeitos legais (art. São os chamados bens móveis por antecipação. Dentre êles. c) .não pode ser transcrito no registro imobiliário o instrumento da compra e venda. decisivo. III. podendo esta ser efetuada por instrumento particular. se se destinam ao corte. passemos aos móveis. Examinados os imóveis. Os direitos de autor.da mesma forma. que são os bens que se não podem transportar. uns são dotados de movimento próprio. pertencente a mata a menor. e) . Os direitos de obrigação e as ações respectivas. n. ou de remoção por fôrça alheia. ou outra finalidade industrial. também os frutos.por fim. sem destruição. mas de bens móveis por antecipação. mediante fôrça alheia. 43.não se exige escritura pública para realização da compra e venda.o I). de um lugar para outro (CLóvIs). não precisa o vendedor de outorga uxória. a madeira cortada. Outros são também suscetíveis de movimento. Não se trata assim de imóvel. 47. de acôrdo com o art.não está sujeita ao pagamento de sisa. se casado fôr. Créditos garantidos por hipoteca ou penhor podem ser objeto . para transformação em lenha e carvão. Entretanto. Realmente. 48): I. convertem-se em móveis. que. é. o que se vende é a árvore abatida. Importantes conseqüências práticas resultam dêsse fato: a) . Além dos móveis por natureza. O fim que se tem em vista.

DAS COISAS FUNGÍVEIS E INFUNGÍVEIS. a fungibilidade é atributo exlusivo de bens móveis. 46). qualidade e quantidade (Cód. art. QUE ESTÃO FORA DO COMÉRCIO. número e medida. são as coisas que consistem em pêso. numero. "Cose fungibili"). Assim como não perdem o caráter de imóveis materiais provisôriamente separados de um prédio. Entretanto. remonta ao direito romano.Considerados ainda em si mesmos. n. Penal. 155. COISAS SINGULARES E COLETIVAS. repousam numerosas relações jurídicas: a) . No sistema do Código Civil. 1. COISAS DIVISÍVEIS E INDIVISÍVEIS. para nêle mesmo se reempregarem (art. os bens podem ser fungíveis e infungíveis. existem móveis que são infungíveis.o). qualidade e quantidade (aliás. § 3. Civil.o).778. art. mensura consistunt. res fungibiles sunt. DOS BENS RECÍPROCAMENTE CONSIDERADOS. enquanto não forem empregados. Á coisa móvel equipara-se ainda a energia elétrica ou qualquer outra que tenha valor econômico (Cód. em vernáculo. 50). . PÚBLICOS E Das coisas fungíveis e infungíveis: . conservam a sua qualidade de móveis. Sôbre a base da fungibilidade. art. de 14-7-1934. mas o termo fungível é medieval (Nuovo Digesto Italiano. COISAS CONSUMÍVEIS E INCONSUMÍVEIS. São fungíveis os móveis que podem. que possibilita a substituição da coisa por outra da mesma espécie.o 24. não há bens imóveis fungíveis. Readquirem essa qualidade os provenientes da demolição de algum prédio" (art. quae pondere.o mútuo é empréstimo de coisas fungíveis. e não fungíveis os que não podem substituir-se por outros da mesma espécie. da mesma forma "os materiais destinados a alguma construção.de penhor e para êsse efeito são considerados coisa móvel (Dec. 49). BENS PARTICULARES. fungível quer dizer substituível). tão rica de conseqüências práticas no campo das obrigações e dos contratos. Essa classificação. Como se expressavam os romanos. ou. voe.

280). pois. 301. b) . 933.248). Civil. 1. regular-se-á pelo disposto acêrca do mútuo (art. b) . a idéia da infungibilidade impregna diversas situações. realizáveis por terceiro (art. as seguintes: a) . em que o depositário se obrigue a restituir objetos do mesmo gênero. qualidade e quantidade (Cód. aludir a outro texto de lei. vencidas e de coisas fungíveis (art. 1.o contrato de locação objetiva o uso e gôzo de coisa não fungível (art. e 1.681). qualidade e quantidade.188). . 1. é a mesma idéia do direito civil. Neste. quanto ao comodato (art. podendo ser mencionadas. existem também prestações fungíveis.o depósito de coisas fungíveis.256).O mutuário é obrigado a restituir ao mutuante o que dêle recebeu em coisa do mesmo gênero. 881).idem. art. não referido na inicial ou no pedido. substitui-se uma coisa por outra. como à parte. É o que PONTES DE MIRANDA chama de fungibilidade da forma de fundamento. 1. da mesma espécie. d) se o legado fôr de coisa móvel. ou pela espécie. quando se permite ao juiz. 1. 863). c) .o III. assim como há prestações infungíveis.264. será cumprido.nas mesmas condições encontram-se ainda as relações regidas pelos arts. ainda que tal coisa não exista entre os bens deixados pelo testador (art. que se determine pelo gênero. sômente exeqüíveis pelo próprio devedor (arts. c) . Igualmente no direito judiciário se vislumbra a mesma idéia da fungibilidade. Como se vê. e) . n. 878 e 880).o credor de coisa certa não pode ser obrigado a receber outra. no fundo.a compensação efetua-se entre dívidas liuidas. ainda que mais valiosa (art.010). Da mesma forma. 1. § único. Não se imagine que só quanto aos bens intervém o conceito da fungibilidade ou infungibilidade. desde que respeitados os fatos da lide. A mesma idéia aparece ainda nas obrigações de fazer. dentre outras. qualidade e quantidade. 1.378.

todavia. Por exemplo. ou de direito (como a do dinheiro). quer pelo juiz. ou não se consuma com o uso. Assim também uma cesta de frutas é coisa fungível.no direito judiciário. A utilização mais ou menos prolongada acaba por consumir tudo quanto existe na terra. da própria qualidade física. Mas pode advir igualmente da vontade das partes. pode ser de fato (como a dos gêneros alimentícios). Cumpre. Por outras palavras. por exemplo. por convenção. do ponto de vista físico. um boi é infungível. tornam infungíveis coisas intrinsecamente fungíveis. isto é. não no sentido vulgar. Inconsumíveis. na linguagem jurídica.São consumíveis os bens móveis. quer pela parte. a qualidade daquilo que é consumível. Entretanto. em regra. coisa . converte-se em fungível e o devedor se liberará restituindo outro animal da mesma espécie e qualidade. transformar-se-á em coisa infungível. mas se o boi havia sido cedido para o talho. cujo uso importa destruição imediata da própria substância. da própria natureza da coisa. com o primeiro uso (res consuntibilis sunt quae usu consumuntur). Estas. por seu turno. mas emprestada ad pompam vel ostentationem. sem destruição da sua substância. sendo também considerados tais os destinados a alienação (art. se um fazendeiro empresta-o a outro para serviços de lavoura. Coisas consumíveis e inconsumíveis: . mas no econômico. são os bens que proporcionam reiterada utilização ao homem. não se deteriore. 51). deve receber de volta o mesmo animal que havia emprestado. A consuntibilidade. nada existe no mundo que não se altere. não perder de vista a observação de TorrENTE os têrmos consumível e inconsumível devem ser entendidos. A fungibilidade ou infungibilidade é predicado que resulta. consumíveis são as coisas que se exaurem num só ato. Com efeito. se alterados não são os fatos da lide. tolera-se também a substituição de um texto por outro. para ornamentação.

como se vê. embora naturalmente divisíveis. ou vontade das partes. A idéia de consuntibilidade apresenta-se bem nítida no usufruto impróprio. Civil. Por outras palavras. qualidade e quantidade. 52). Coisas indivisíveis. não é. e a . perdem a possibilidade de prestar os serviços e utilidades que o todo anteriormente oferecia . as coisas podem ser divisíveis e indivisíveis. fracionadas. são aquelas que não comportam o aludido fracionamentO. prestadas pelo todo. II. ou as mesmas utilidades. findo o usufruto. não sendo possível. ou. Coisas divisíveis e indivisíveis: .Ainda consideradas em si mesmas. pelo preço corrente ao tempo da restituição". O livro. Coisas divisíveis são as que se podem partir em porções reais e distintas. assim redigido: "as coisas que se consomem pelo uso. ficando. por exemplo. São indivisíveis (art. Os que. Os bens que se não podem partir sem alteração na sua substância. exposto à venda. aí. caem para logo no domínio do usufrutuário. se destinadas à alienação. o seu valor. importa em o fazer desaparecer do acervo em que se acha integrado. ao inverso. o equivalente em gênero. em que as coisas não se podem partir sem alteração na sua substância (um quadro a óleo. duas espécies de indivisibilidade: a material ou física. nas livrarias. 53): I. se torna consumível. juridicamente consumível a roupa. Coisas inconsumíveis podem transformar-se em consumíveis. formando cada qual um todo perfeito (Cód. se consideram indivisíveis por lei. porém. porque seu uso normal. êste obrigado a restituir. disciplinado pelo art. art. por natureza. ou que. de tal modo que cada uma destas possa prestar os mesmos serviços. coisas divisíveis são aquelas que se podem repartir em frações distintas. porém.consumível é apenas a que se destrói com o primeiro uso. mas. que lentamente se gasta com o uso ordinário. Há. é inconsumível. por exemplo). 726 do Código Civil.

Ainda que o devedor venha a pagar alguma parcela por conta do débito.intelectual ou jurídica. 83. c) . publicado na Revista dos Tribunais. b) as servidões prediais são indivisíveis (art. a obrigação indivisível). em si mesmas consideradas.274. considerem-se apenas alguns casos. em benefício de cada um dos quinhões do prédio dominante. A indivisibilidade pode concernir. a do prédio enfitêutico . Coisas singulares e coletivas: . A divisibilidade ou indivisibilidade entra em jôgo em várias situações jurídicas.art.em primeiro lugar. se a obrigação é indivisível. Outros dispositivos legais poderiam ser ainda invocados (arts. decorrente da lei (por exemplo. art. Para que se tenha idéia da relevância do assunto e de suas infinitas aplicações práticas. cada um dos co-devedores será obrigado pela dívida tôda (Cód. extraídos da própria lei civil: a) . 707) . suficientes para evidenciar a projeção da divisibilidade e da indivisibilidade no cenário jurídico em geral. os já mencionados são. portanto. 1. elas não podem ser adquiridas ou perdidas por partes. não só às coisas corpóreas (como no exemplo do quadro a óleo). 152. porém. Subsistem. se sómente por inteiro pode ser cumprida. as coisas são simples e compostas. e continuam a gravar cada um dos do prédio serviente. 891). "A perda de identidade e a diminuição do valor econômico são traços característicos da indivisibilidade jurídica de coisa comum" (acórdão do Supremo Tribunal Federal.580 e 1. Pois bem. 681). segundo suas prestações sejam ou não suscetíveis de cumprimento parcial. 1.031. ou vontade das partes (por exemplo. Civil. 757).da mesma forma.728). . bem como às incorpóreas (como na hipótese da obrigação indivisível). 227/603).Ainda sob o mesmo aspecto. classificam-se as obrigações em divisíveis e indivisíveis. 1. os bens gravados continuam integralmente onerados para garantia do saldo devedor. a hipoteca é indivisível (art. no caso de partilha.

como diziam os romanos. Como as simples. uma galeria de arte) e as universalidades de direito (o patrimônio. o fundo de negócio). a propósito das duas primeiras universalidades. ou universais.Coisas simples. agrupadas num único todo. têm individualidade própria. II. são as que embora constituídas de duas ou mais coisas singulares. uma biblioteca. e como tais subsistem. ou imateriais (como um crédito). ou imateriais. 54): I. Como observa CLÓVIS as coisas são ordinàriamente singulares. Coletivas. cujas partes. são singulares ou coletivas (art. nenhuma determinação especial reclamam da lei: unu spiritu cotinentur. se consideram de per si. quando se encaram agregadas em todo. independentemente das demais. todavia. ou universalidades. unidas pela natureza ou pelo engenho humano. a construção de um edifício. o fundo de negócio). com fornecimento de materiais e mão-de-obra) e imateriais (por exemplo. que tem individualidade distinta das unidades que o compõem. embora consideradas isoladamente. materiais. Êsse todo. As coisas coletivas compreendem as universalidades de fato (por exemplo. Singulares. o rebanho. embora reunidas. podem ser também materiais (por exemplo. uma planta). Os cânones fundamentais que regem a matéria de que estamos . ou universais. têm valor próprio. embora não constem de objetos materiais". em direito. ou pela vontade das partes. quando. a massa falida. Somente por determinação da lei. se consideram coletivas. Coisas coletivas. As coisas simples ou compostas. 57: "o patrimônio e a herança constituem coisas universais. é geralmente designado por um nome genérico. se consideram. As coisas singulares. Podem ser materiais (como um cavalo. dispõe o art. são as que formam um todo homogêneo. a herança. Coisas compostas são as que se foram de várias partes ligadas pela arte humana. Aliás.

menos um. existe sôbre si. Assim. 59: "salvo disposição especial em contrário. Assim. A árvore. § 2. No tema dos bens reciprocamente considerados. aquela cuja existência supõe a da principal (Cód.677. e vice-versa". o solo é coisa principal. abstrata ou concretamente. 58).Sob êsse aspecto. edita: "na coletividade. Tal distinção tem cabimento não só nas coisas corpóreas como também nos direitos. por exemplo. Principal é a coisa que existe sôbre si. porque sua existência está vinculada à do solo onde foi plantada. Dos bens reciprocamente considerados: . todos do Código Civil. É a consagração do velho princípio res succedit in locum pretii et pretium in locum rei. Acessória. Como ensina o Prof. 393. JOSÉ AUGUSTO CÉsAR desdobra-se o princípio em duas proposições distintas: a) . a coisa acessória segue a principal". por sua vez. sem dependência de qualquer outra. 31 do Decreto-lei n. por exemplo. Estabelece o primeiro que "nas coisas coletivas.o 3.a natureza do . não desaparece por ter-se incendiado a construção. em desaparecendo todos os indivíduos. 735. de 216-1941. porque existe sôbre si. Acha-se impregnada de obscuridades e a seu respeito a doutrina ainda se mostra indecisa. um crédito. 55 e 56. art.a tratar se encontra nos arts. o princípio fundamental vem exarado pela art. pois remanesce quanto ao solo.o. individualidade própria. cuja existência se subordina à de uma obrigação principal. O mesmo não sucede com a cláusula penal. tem autonomia. O segundo. O legado de um prédio. Civil. dividem-se os bens em principais e acessórios. Deparam-se interessantes aplicações dêsse preceito nos arts. 737 e 1.365. bem como no art. porém. § único. se tem por extinta a coletividade". fica subrogado ao indivíduo o respectivo valor. Observa CLÓvIs que a distinção das coisas em singulares e coletivas não tem maior interêsse prático. concretamente. é acessória.

a regra não é absoluta e cede ante a vontade em contrário dos interessados. podendo consistir tanto na safra de uma propriedade agrícola como nos produtos oriundos da intervenção do homem sôbre a natureza. 1. Pois bem. na cessão de um crédito se abrangem todos os seus acessórios (art. por exceção.acessório é a mesma da do principal. b) . Inúmeras são as aplicações resultantes do art. frutos são as utilidades que a coisa periõdicamente produz. c) . é verdadeiro não só para as coisas materiais. duas teorias podem ser mencionadas. O princípio accessorium sequitur suum principale tradução do citado art.066). Esclarece o Código. são quaisquer produtos orgânicos. Limitarnos-emos a três: a) .a obrigação de dar coisa certa abrange-lhe os acessórios. produtos e rendimentos Acêrca dos frutos. frutos são as riquezas normalmente produzidas por um bem patrimonial. b) . a lei da hipoteca é a civil. como para as imateriais. devido à importância social adquirida pelo referido direito real de garantia. 864). 60. que "entram na classe das coisas acessórias os frutos. como ainda nos . cuja percepção deixa substancialmente intacta a coisa que os produziu. Apenas num caso o acessório domina o principal: a hipoteca é acessório em relação à dívida garantida. 59. ainda que a dívida seja comercial. o acessório prevalece sôbre o principal. se esta é imóvel. como as relações de direito.salvo disposição em contrário. aquela também o é. Mas. no art. que se atém sobretudo ao aspecto econômico.o proprietário do principal é proprietário do acessório. a objetiva e a subjetiva. constituem a produção normal. 59. 809).a posse do imóvel faz presumir. e civil a sua jurisdição. Para a primeira. Nesse caso. salvo se o contrário resultar do título. e comerciantes as partes (art. ordinária e certa da coisa. 498). pôsto não mencionados. ou das circunstâncias do caso (art. Para a teoria subjetiva. a dos móveis e objetos que nêle estiverem (art. até prova contrária.

denominam-se consumidos.rendimentos de um capital. as expressões são sinônimas e o Código foi redundante. estantes. Adverte o art. períôdicamente. As obras de aderência permanente. como as crias dos animais. os devidos à intervenção do homem sôbre a natureza. produtos e rendimentos. II. Os que já não mais existem. art. 61 que são acessórios do solo: I. como os frutos. frutos. regendo-se. como juros. Civis são as rendas provenientes da utilização de coisa frugífera. o sal. pois. em virtude da fôrça orgânica da própria coisa. obtido nas salinas. III. aluguéis e dividendos. tanto pelos ramos como pelas raízes (exemplo. reduzindolhe paulatinamente a respectiva quantidade. os metais. Os que deviam ser. que se retiram das pedreiras. Todos êsses efeitos. denominam-se percebidos (art. percipiendos e consumidos. feitas acima ou abaixo da superfície. os frutos dizem-se ainda pendentes. Naturais são os que se renovam periôdicamente. Armazenados ou acondicionados para a venda são estantes. São pendentes. de acôrdo com o citado art. entram na classe das coisas acessórias. que se extraem das minas. 510). Acolheu o nosso Código a teoria objetiva. Os minerais contidos no subsolo. O inciso I compreende vegetais e animais encontrados na . pois. por terem sido utilizados. Os produtos orgânicos da superfície. mas ainda não foram colhidos se chamam percipiendos. Não se reproduzem. sem dispêndio da sua substância. Dividem-se os frutos em naturais. Sob outro aspecto. como a produção de uma fábrica. Depois de colhidos. 511). considerando como frutos a produção normal e periódica da coisa. industriais e civis. Produtos são utilidades que se extraem da coisa. sendo êsse o traço distintivo entre ambos. Rendimentos são os frutos civis. quando ainda unidos à árvore que os produziu. pelos princípios legais já enunciados. Industriais. São as pedras. percebidos. 60.

§ 1. por exemplo. que não aumentam o uso habitual da coisa. Ressalvadas as situações aí previstas. a fim de conservá-lo. 63. é preciso não perder de vista a legislação. abrigos. qualquer que seja o seu valor. A escritura e outro qualquer trabalho gráfico. inclui o legislador. mas veio aumentar-lhe o valor. exceto (art. melhorá-lo ou embelezá-lo. § 2. em relação à matéria-prima que os recebe (art. feitas acima ou abaixo da superfície. Benfeitorias são obras ou despesas. Têm estas capital importância no direito positivo. são os edifícios e outras construções. 62 atribui a propriedade ao especificador. 614. 63. que confere autonomia jurídica às minas e jazidas ainda não manifestadas. A pintura em relação à tela. Como esclarece o citado art. . Embora a expressão seja de uso corrente. é. desde que duradouras. tôdas as benfeitorias. como pontes. Por exemplo. mas não o exime à indenização. a edificação de garagem numa casa. A escultura em relação à matéria-prima. mencionada precedentemente. São úteis as que aumentam ou facilitam o uso da coisa (art. na classe dos acessórios. a construção de piscina numa residência particular. a pintura de uma casa.o). Obras de aderência permanente. São voluptuárias. 614). a outrem pertencente. III. que se fazem num bem móvel ou imóvel. a especificação obtida por alguma das maneiras do art. mencionados no inciso II. as de mero deleite ou recreio. Quanto aos minerais. ainda que a tornem mais agradável ou sejam de elevado valor. Também se consideram acessórias da coisa todas as benfeitorias. metrôs. lembrando CLÓvIs que a palavra produto aí não figura no seu sentido técnico. diz o art.o. 62): I. úteis e necessárias. Essa construção não era necessária para a conservação do prédio. facilitar-lhe o uso. convém defini-la. II. Dessa definição decorrem as três espécies de benfeitorias: voluptuárias.superfície. a feitura de um campo de futebol.

etc. claramente estabelecida pela doutrina. em linguagem popular. Nessas hipóteses. melhorá-la ou embelezá-la. O dispositivo alude ao produto das acessões (aluvião. Benfeitorias são obras ou despesas efetuadas na coisa para conservá-la. possuidor ou detentor". Sendo obra exclusiva da natureza. plantações e construções. como também as culturas e as obras edificadas. adverte o art. São necessárias as que têm por fim conservar a coisa ou evitar que se deteriore (art. que se agregam às já existentes. regida pelos arts.portanto. para a sua realização. só podem ser catalogadas como acessões. que constituem acessão. Não são êles indenizáveis. porque. que havia desabado. acessão. diferentes. § 3. que ameaçam ceder. 64 que "não se consideram benfeitorias os melhoramentos sobrevindos à coisa sem a intervenção do proprietário.). quem lucra é o proprietário do imóvel. com plantações e construções. cuja importância é capital na teoria da posse. e que vêm aderir à coisa anteriormente existente. empresta-se freqüentemente cunho genérico à expressão benfeitorias. benfeitoria útil. sem compensação alguma para quem quer . não há benfeitorias. Mercê dessa diferenciação. Por exemplo. uma cêrca de arame farpado para defesa da terra cultivada. mas acréscimos decorrentes de fatos eventuais e inteiramente fortuitos. 516 a 519 do Código Civil. Cumpre não confundir benfeitorias. fôrça é reconhecer. o refôrço das fundações de um prédio. de molde a compreender não só as benfeitorias prôpriamente ditas. Entretanto. 63. Cumpre salientar ainda que melhoramentos. 545 a 549 do mesmo Código. a restauração de um assoalho.o). acessões são obras que criam coisas novas. tem às vêzes o mesmo sentido que a palavra benfeitorias Por fim. não ocorreu qualquer esfôrço do possuidor ou detentor. sendo coisas novas. consoante se pode verificar dos arts.

passemos à classificação dos bens públicos. os tesouros. rios. isto é. segundo o texto. Sob êsse aspecto. Ora. etc. Os de uso comum do povo. ruas e praças. ou aos Municípios. tais como os edifícios ou terrenos aplicados a serviço ou estabelecimento federal. 65). nessa afirmativa se contém manifesta contradição. os referidos bens. por exclusão. as coisas abandonadas.que seja. quando forem do domínio nacional. feita pelo art. o que não pertencer à União. III. como objeto de direito pessoal. os de uso especial e os dominicais. dos Estados. no mar e em terra. as res nullius. Podem ser utilizados por qualquer pessoa (res communis omnium). os que constituem o patrimônio da União. estradas.Para essa distinção. as coisas são consideradas em relação aos respectivos proprietários. estadual ou municipal. ou dos Municípios. ou aos Municípios. Os bens públicos são: I. as pérolas que jazem no fundo dos mares. Feitas essas restrições à literalidade do art. pois. II. 66. Não parece exato tal entendimento. seja qual fôr a pessoa a que pertencerem (art. Os primeiros pertencem a todos.). Muitas coisas existem. Os de uso especial. isso não é absolutamente verdade. Dá a entender que só sejam públicos os bens dos Estados. 65. o legislador pátrio distribuiu os bens públicos em três categorias distintas: os de uso comum do povo. O preceito é ambíguo. ou dos Municípios. enquanto entregues à sua natural liberdade. tais como os mares. Como se vê. elas são públicas e particulares. São públicos os bens do domínio nacional pertencentes à União. Todos os outros são particulares. aos Estados. as águas pluviais não captadas. em . será de propriedade dos particulares. ou real de cada uma dessas entidades. aos Estados. que não pertencem a ninguém (os animais bravios. Além disso. CLÓvIs chega mesmo a afirmar que o proprietário dêsses bens é a coletividade. Dos bens públicos e particulares: . Os dominicais.

estradas de ferro. 35 da Constituição Federal. acessível a todos. como terrenos de marinha. ruas e praças. c) . quarteis e fortalezas. de 30-111937. por isso.o 9. títulos da dívida pública e outros. d) . 1. ou retribuído. neste ensejo. A exemplo do que sucede com o inciso I.Constituição Federal. condicionados naturalmente à observância dos regulamentos administrativos. de 6-9-1945. que tem a respectiva guarda.o 14. Bens dominicais são os que constituem o patrimônio da pessoa jurídica de direito público interno. 66. dos Estados ou dos Municípios. terras devolutas.o 25.o. 68 esclarece que o uso comum dos bens públicos pode ser gratuito.o 852. tlpicamente. de direito público. escolas. tribunais. 66.Decreto-lei n. a cuja administração pertencerem. Aliás. prédios de renda. repartições públicas. 2.Decretolei n. . Sua discriminação pertence ao direito público. Os bens públicos de uso especial (art. A comunidade tem apenas o uso e gôzo. São os mares territoriais (inclusive golfos. inciso I. Os bens públicos da União encontram-se disciplinados pelas seguintes leis: a) . Não se perca de vista que a enumeração é meramente exemplificativa. Cingimo-nos.760. n. a enumeração é apenas enunciativa.o.916. conforme as leis da União. acham-se especificados no art. art. de 5-9-1946. tôda matéria que ora estamos a tratar é. pertencem ao ente de direito público (União. a uma simples referência à legislação em vigor. pode ser ainda mencionado o Decreto-lei n. e não de direito privado. O art. Os bens de uso comum.verdade. além do disposto no art. Estado ou Município). de 11-11-1938. baías e enseadas).o II) são constituídos pelos imóveis destinados ao serviço público. 34. estradas. tais como os prédios em que se instalem ministérios e secretarias. que dispõe sôbre terras devolutas. administração e fiscalização. rios. móveis ou imóveis. art. b) Decreto-lei n. No tocante ao Estado de São Paulo. art.

por ter sido entregue ao tráfego outra melhor localizada. do Decreto-lei n. só perderão a inalienabilidade. a exegese que melhor ornava com a natureza dos bens públicos e com a lei civil era a da prescritibilidade. Por outras palavras. dissipando tôdas as dúvidas. Essa mesma disposição foi posteriormente reproduzida no art. art.785. Já decidiu o Supremo Tribunal Federal que "é nula a alienação de matas existentes em terras pertencentes à União. nos casos e forma que a lei prescrever (Cód. na vigência do Código Civil. desde que o permitam as leis ordinárias. Todavia. A posse ad usucapionem não os privava da inalienabilidade com que haviam sido caracterizados pelo legislador. que não continha texto expresso a respeito. Suponha-se rua pública. que lhes é peculiar. seja qual fôr a sua natureza não são sujeitos a usucapião (art. aliene os terrenos que integravam aquela primeira rua (bem público de uso comum do povo). bens públicos podiam ser adquiridos por usucapião. do Decretolei n. Nada impede que a municipalidade.o 710. alienáveis.o).Os bens públicos indicados no art. Mas a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal era contrária a tal entendimento. se não houve a necessária autorização legal". que foi abandonada. desde que haja autorização legal. § único. tanto doutrinárias como jurisprudenciais. 67).o 9. Civil. surgiu o Decreto n. Posteriormente ao Código Civil. e no art. pode ser alienado. os demais bens públicos também podem ser vendidos. que lhes é peculiar. que. 66 são inalienáveis. 12. Todo bem público. os bens públicos são igualmente imprescritíveis.o 22. a êsse tempo. de 5-12-1946. de 31-5-1933. estabeleceu que os bens públicos. pois. Mercê da inalienabilidade. de 17-9-1938. Não é exato que exista essa possibilidade só para os bens dominicais ou patrimoniais. Os bens públicos são. 2. credenciada por lei especial. seja qual fôr sua espécie. Hoje . Tal assunto foi objeto de graves e profundas dissenções.760. 200.

etc. a liberdade. para todos os efeitos.as legalmente inalienáveis. significando a possibilidade de compra e venda. Não são essas coisas passíveis de posse exclusiva pelo homem. de 27-81962. Minas e jazidas de substâncias de interêsse para a produção de energia atômica constituem bens inalienáveis e imprescritíveis (Lei n. bens patrimoniais da União (Lei n. fora do comércio são aquelas que não podem ser objeto de relações jurídicas. a água dos oceanos. dar. 4. acham-se fora do comércio as coisas insuscetíveis de apropriação. como o ar atmosférico. Em primeiro lugar. o mar alto.as insuscetíveis de apropriação. art.o 4. que são coisas fora do comércio as insuscetíveis de apropriação. para fixar o homem no campo. art.Dispõe o Código Civil no art.o). Por exclusão. a dos bens que constituem direta irradiação da personalidade humana. se pode condescender com a prescrição aquisitiva de bens públicos. são consideradas. o nome civil. 7. portanto.o. As jazidas arqueológicas ou pré-históricas de qualquer natureza. Coisas que estão fora do comércio: . e as legalmente inalienáveis. A essas duas categorias podemos acrescentar terceira. Só no caso disciplinado pelo art. vender. de 26-7-1961. a liberdade de circulação. pro labore.924. a honra. não manifestadas ou registradas na forma dos arts. como a vida. emprestar. 156. como as mencionadas. § 3.118. por ser inesgotável sua . 69. no sentido jurídico. trocar.o da lei. doar.o). alugar. da Constituição Federal é que. não se pode mais cogitar de usucapião de bens públicos. a luz solar.o 3. Coisas no comércio são. o poder de movimentação dos bens. Observe-se inicialmente que a palavra comércio aí figura no sentido técnico. as que se podem comprar.em dia. b) . por conseguinte.o e 6. estão no comércio todos os demais bens. 3. Contempla o Código duas categorias de coisas fora do comércio: a) .

alienar os cabelos ou doar seu sangue . 72). nos casos e forma que a lei prescrever (Cód. podendo ser levantada mediante a observância de determinadas cautelas ou formalidades. em vida. são. a uma escola para estudos? É claro. se pode êste. entretanto. cedendo-o. 67).618. por que não poderia dispor do próprio cadáver. recuperarão a negociabilidade. Todos êsses bens. O corpo humano é ou não coisa extra commercium? A opinião predominante é a de que possível se torna a respectiva disponibilidade.676). A extracomercialização é absoluta e decorre da própria natureza. legalmente inalienáveis.o 3. Civil. estão igualmente fora do comércio as coisas que. ou relativa.-lei n. 293). propositadamente excluídas pela lei. que lhes é peculiar. De fato. Por isso. dentro de certos limites. quer em atenção à defesa social. art. É o que acontece com o bem de família (art. como sucede quanto aos bens públicos. Nesses casos. no .utilização. os imóveis financiados pelos Institutos e Caixas de Aposentadoria e Pensões (Dec. 1. atenta a finalidade visada pelo disponente.o 8. Expliquemo-nos melhor: para certos bens. quer para proteger determinadas pessoas. art. por exemplo. Para outros bens. os bens gravados com a cláusula de inalienabilidade (art. desde que se observem as exigências estatuídas em lei. os bens pertencentes às fundações.807. embora suscetíveis de apropriação pelo homem. a extracomercialização é apenas relativa. os bens dotais (art. tornar-se-ão alienáveis. que só perdem a inalienabilidade. todavia. absoluta. a extracomercialização é essencial. 149). a extracomercialização é meramente acidental. de 10-1-1946) ou pela previdência social (Lei n. de 26-8-1960. Em segundo lugar. Questão controvertida é a da possibilidade de dispor a pessoa do próprio corpo após a sua morte. estão fora do comércio.

DO BEM DE FAMÍLIA. sujeito. Seu lugar apropriado seria no direito de família. já que a finalidade do instituto é a proteção da família. Numa imagem bastante conhecida.o 3. no capítulo reservado aos direitos da personalidade. isto é. evidentemente. coisas fora do comércio. por exemplo. 31) e direito ao cadáver (art. enquanto a Parte Especial seria sua fisiologia.o 4. dizia IHERING que a Parte Geral era a anatomia do direito.Mal colocado na Parte Geral se acha. êsse instituto. INALIENABILIDADE. PROCESSO DE CONSTITUIÇÃO E OUTRAS DISPOSIÇÕES. Da mesma forma. Nela se estudam apenas os elementos da relação jurídica. A Lei n. isto é. São. como se acentuou. de 6-6-1956. o bem de família é relação jurídica de caráter especifico e não genérico. do móvel que animou o disponente. IMPENHORABILIDADE E DURAÇÃO DO BEM DE FAMÍLIA. SUA DESTINAÇÃO ESPECÍFICA. dispõe sObre doação voluntária de sangue. se o interessado fôsse movido por algum propósito subalterno. dispõe sobre extirpação de órgãos ou tecidos de pessoas falecidas. já se decidiu que não pode ser penhorado monumento tumular erigido em cemitérios. Terrenos em cemitérios públicos são objeto de concessões. que a solução teria de ser diferente. No anteprojeto de ORLANDO GOMES. GENERALIDADES. que não podem ser transferidas. Tudo depende. QUAL O PRÉDIO QUE PODE SER CONSTITUÍDO EM BEM DE FAMÍLIA. conservação e extinção dos direitos. a discriminação de suas funções.365. portanto. a dissecção de sua estrutura. encontram-se várias normas relativas à disposição do próprio corpo (art. 32). Ora. de 6-11-1963. 30 e § único). o intuito de lucro. .230. objeto e fatos que determinam a origem. do cadáver (art. A Lei estadual n. Generalidades: .entanto.

Com o advento do Decreto-lei n. sem muito sucesso. já que no ato incluídos podem ser. juntamente com o prédio rural. 70. cuja finalidade primordial é a de proteger os lavradores no cultivo das terras. Em alguns Estados da União Norte-Americana o homestead chega a figurar nas próprias Constituições locais. Realmente. O dispositivo alcança não só as famílias legítimas como as ilegítimas. assim como tutôres e curadores.proporcionando-lhe abrigo seguro. mobília e utensílios de uso doméstico. não acha desarrazoada sua colocação no direito das coisas. em face da lei civil. desde 1839. segundo tudo indica. Ao disciplinar tal instituto. Embora ilegítimas. concedendolhes isenção de penhora quanto à propriedade cultivada. ampliou-se a finalidade do bem de família. são também famílias. Pessoas solteiras não podem instituir bem de família. como a constituição de abrigo para a família. embora lhe tenha também impresso cunho especial. A instituição do bem de família é privativa dos respectivos chefes. No Brasil. êle existe desde 1909 e. inspirou-se o nosso Código em algumas legislações alienígenas. secundado por JOÃO FRANZEN DE LIMA. fôr viúva ou desquitada (tendo neste caso a guarda dos filhos menores). 22). Como a lei não distingue. a fim de transmitir-se Integro a um dos sucessores do proprietário. existe o homestead. Estabelece realmente o art. Incumbe assim ao marido. Mas CLÓVIS. de 19-41941. que se caracteriza pela indivisibilidade de certo imóvel rural. 349). em benefício dos tutelados e . gado e instrumentos do trabalho (art. se estiver investida na direção do casal. nos Estados-Unidos. Na Alemanha existe igualmente o Hofrecht. Ao bem de família o Código suíço expressivamente chama de "asilo da família" (art. passando a possibilitar não só a destinação de prédio para domicílio. primeira parte: "é permitido aos chefes de família destinar um prédio para domicílio desta".o 3.200. e também à mulher. podem ser beneficiadas pelo favor legal. é o instituto pelo qual o chefe de família destina um prédio para domicílio ou residência de sua família. Na França.

em parte.o).000. não é qualquer imóvel. tem-se decidido: a) assegurada sua destinação legal. portanto.200. de 27-6-1955.o 2. alude expressamente a imóvel situado em zona rural. 19. todavia.curatelados. arrendado. Pelo Decreto-lei n. A lei civil não desceu a êsses pormenores.Este há de ser um prédio residencial. sem o consentimento dos interessados e dos seus representantes legais. Por sua vez. gado e instrumentos do trabalho. no ato da constituição. É o que se infere do art. 1.Realizado o ato de constituição. atualizando aquela cifra.o 3. mas o citado Decretolei n. a família deve transferir-se para o prédio que lhe foi destinado.o 3.a finalidade do bem de família .000 (art.514. ou ser alienado. elevou-a para Cr$ 1.200. finalidade específica. não poderá ter outro destino. não seria instituído bem de família imóvel de valor superior a Cr$ 100. Precisamente quando recair em prédio rural é que se permitirá a inclusão.o 3. 22. urbano ou rural.200 permite o cancelamento da cláusula se o prédio deixar de ser domicílio da família. que a jurisprudência vem atenuando êsse rigor. que se presta à constituição em bem de família. Há um teto para o seu valor. Assim. 72: o prédio. nas condições acima ditas. hoje igualmente superada. Contudo. urbano ou rural. que não pode e não deve ser desvirtuada. o art. art. da mobília e utensílios de uso doméstico. 70: é permitido aos chefes de família destinar um prédio para domicílio desta. b) . Sua destinção específica: . A Lei n. de servir de domicílio. 21 do Decreto-lei n. Frisa ainda o art. pode o bem de família ser. O bem de família tem. A ocupação e o uso para residência são essenciais ao bem de família.000. Qual o prédio que pode ser constituído como bem de família: . Fôrça reconhecer. art.

que o bem de família pode ser alugado ou arrendado. como CARVALHO SANTos. por que não se dispensar a cláusula e não se permitir a livre disposição do bem? Se os interessados são incapazes. Inalienabilidade e impenhorabilidade do bem de família: O bem de família é declarado inalienável pelo art. nomeando-se-lhes curador especial. É perante o juiz da cidade em que residem os interessados em bem de família que se deve promover seu cancelamento. proporcionandolhe seguro asilo. in fine). mas a alegação de se haver desviado o destino legal não invalida a instituição e só os beneficiários poderão reclamar contra aquêle desvio. o consentimento deve ser dado pelos representantes legais. Mas essa inalienabilidade. que têm qualidade para se opor ao cancelamento. nos têrmos do art. há quem sustente. segundo vimos anteriormente. O Código de . se a família se transferiu para outro Estado ou outra localidade. afirma ROGUIN que a impenhorabilidade é o próprio nervo do instituto. c) mudança de residência e necessidade de partilha não justificam o cancelamento do bem de família. desde que haja anuência dos interessados e dos seus representantes legais (art. O principal efeito do ato é isentar de penhora o prédio destinado a ser o lar da família.é servir de residência para a família. O bem de família é também impenhorável. Efetivamente. na doutrina. Aliás. 387 do Código Civil. salvo as que provierem de impostos relativos ao mesmo prédio. se fôr o caso. Pode ser removida. Aliás. 72 do Código Civil. se existem vantagens econômicas devidamente justificadas. A inalienabilidade vem estabelecida pela lei no propósito de salvaguardar a família do instituidor. 70 positiva: é permitido aos chefes de família destinar um prédio para domicílio desta. O art. com a cláusula de ficar isento de execução por dívida. é apenas acidental. Entre os interessados se acham os filhos do instituidor. 72.

o bem de família responde pelas dívidas provenientes de impostos relativos ao mesmo prédio. Conseqüentemente. 106). não prevalece a impenhorabilidade se se verifica que a instituição foi feita em fraude ou prejuízo de débito anterior. com efeito. 71: para o exercício dêsse direito é necessário que os instituidores no ato da instituição não tenham dívidas cujo pagamento possa por êle ser prejudicado. Mas a impenhorabilidade não é absoluta.Processo Civil. esta não compreenderá o bem de família (Dec.-lei n. Da mesma forma. Em tal hipótese. e não às anteriores. desde que a esse tempo não fôsse insolvente o instituidor. art.Esclarece o art. 41).661. 70. prevalecendo então a isenção. 70. de 21-6-1945. 942 que não poderão absolutamente ser penhorados os bens inalienáveis por fôrça de lei. não encontrarão os credores no bem de família a natural garantia de seus direitos. dispõe no art. Diz o § único do art.o 7. é necessária a existência de nexo causal entre a instituição e a insolvência do devedor. A primeira vem expressa no próprio corpo do art. ou desde que pelo ato não tivesse se tornado insolvente (Cód. esta não fica anulada ou comprometida. Decretada a falência do instituidor. Duração do bem de família: . Se a insolvência é posterior à instituição. o art. § único: essa isenção durará enquanto viverem os cônjuges e até que os . comportando exceções. Dispõe. a seu turno. não se anulará instituição de bem de família ainda que apareça título de dívida anterior. Civil. 71: a isenção se refere a dívidas posteriores ao ato. art. se se verificar que a solução destas se tornou inexeqüível em virtude do ato da instituição. Contudo.

Processo de constituição: . Proc. 277). 21). avisará que se alguém se julgar prejudicado. A instituição deverá constar de escritura pública (Cód. O bem de família não tem. para que mande publicá-la na imprensa da localidade e. O cancelamento far-se-á. Civil. à falta. combinado com o citado art. art. ou de seu cônjuge. Proc. O bem de família terá então atingido plenamente seus fins e nada mais legitima a subsistência da cláusula.filhos completem sua maioridade. 648. 73. Mas. Civil. Acrescente-se mais que não cessa a instituição pelo desquite do instituidor. Dec. a cláusula será eliminada e o imóvel entrará logo em inventário para ser partilhado (art.200. Proc. art.o 3.857.o). Civil. com explícita declaração de que determinado prédio se destina ao domicílio de sua família. na da Capital (Cód. são equiparados aos menores. 21.o 4. se o cônjuge sobrevivente se mudar do prédio e neste não ficar residindo algum filho menor. como também a requerimento do interessado. Civil). poderá reclamar no prazo de 30 dias (Cód. 647 e seguintes do Código de Processo Civil. portanto. feita em forma de edital. Lavrada a mesma.-lei n. não só no caso apontado. ou se ocorreu motivo relevante plenamente comprovado (art. ficando isento de execução por dívidas. por conseguinte. A publicação. de 9-11-1939. o instituidor a entregará ao oficial do registro de imóveis. . Extinguir-se-á. nem será partilhado (Dec. art. § 2. art. 20). embora maiores de 21 anos. Civil. o prédio instituído em bem de família não entrará em inventário. filhos interditos. Por morte dêste. n. 647 do Cód. quando falecerem os instituidores e os filhos completarem a maioridade. 73.Regem-no os arts. Observe-se que para efeito de constituição do bem de família e fruição de seus benefícios. art. Cód. duração indefinida. art. Remanesce enquanto vivos os instituidores e os filhos forem menores. se o prédio deixou de ser domicílio da família. 649).

§ 2.Inexistindo reclamação. de 13-61964.o).o.-lei n. Se houver reclamação. Lei n. do Dec-.o I). SUA DEFESA ATRAVÉS DA AÇÃO JUDICIAL. n. ou o direito de excutir o prédio instituído (art. 650 do estatutoprocessual. AQUISIÇÃO DOS DIREITOS. 32. 6. PERECIMENTO DOS DIREITOS. bem como com o art. o direito positivo pátrio contempla outros casos especiais: a) sôbre lotes de terrenos nas colônias militares de fronteiras (Dec.sôbre casas doadas aos expedicionários da FEB (Lei n.o 4. O interessado poderá requerer ao juiz que ordene o registro sem embargo da reclamação (art. A transcrição compreenderá o despacho do magistrado (§ 3. Ordenado o registro. art.-lei estadual n. com financiamento pela Caixa Econômica (Lei n. 4. passa a dispor sôbre . 73. de 16-3-1950. depois de haver regulado o sujeito e o objeto do direito. O cancelamento da cláusula no registro imobiliário não pode ser efetuado sem prova do pagamento (Dec. 7. o registro será suspenso. 651.340. § 1.o 1. n. letra a). Definição e compreensão: . a escritura será transcrita (Cód.o). 178. de 16-5-1947.000 está isento de impostos e selos.o. art.O Código Civil.378. ressalvar-se-á ao reclamante a ação competente para anular a instituição.o I.224. letra a.351. 4. 651.o 4. art.o). de 16-4-1964. o tributo torna-se exigível.o 668. art.o). 13). art. devolvida a escritura ao instituidor.O bem de família até o valor de Cr$50. com uma cópia daquela (art. Na Capital de São Paulo o juiz competente é o da Vara de Registros Públicos (Lei n.sôbre casas construídas para residência de jornalistas e radialistas. combinado com o art. de 23-12-1954. b) . Além do bem de família disciplinado pelo Código Civil. art. c) . Outras disposições: . de 16-6-1939. n. DEFINIÇÃO E COMPREENSÃO. Civil.o). Mas cancelada a instituição.101. art.o 2.857).o 17. 651).o 8. DOS FATOS JURÍDICOS.

o primeiro compreende o segundo. Outras produzem também efeitos jurídicos. através do seu exercício. porém. instantâneo ou de elaboração progressiva. contemplados em lei. positivo ou negativo. Quanto aos atos ilícitos. psíquico. mas sem qualquer atenção àquele elemento interno. Pois bem. destarte. o contrato. enquanto ato jurídico é acontecimento voluntário. Em sentido amplo. entre as duas noções. em relação à pessoa natural. subsistem e se extinguem as relações jurídicas. denominam-se fatos jurídicos (lato sensu). a subsistência e a perda dos direitos. como o casamento. o aluvião e a avulsão em relação às coisas. a maioridade. São os atos jurídicos. Em sentido restrito. prevista em lei. Todos os direitos. normal ou anormal.os fatos jurídicos. . Dentre êsses fatos. uma oposição técnica fundamental: aos fatos. alheios à vontade humana. Há. o desabamento de um edifício. em relação aos direitos em geral. seja qual fôr sua natureza. Entre estas. o caso fortuito e a fôrça maior. êsses acontecimentos. ou da sua defesa. umas produzem efeitos jurídicos em consonância com a vontade do agente. ou. de que êste é a espécie. o abandono do álveo pelo rio. Do exposto se dá conta da diferenciação conceitual entre fato jurídico e ato jurídico. querido e desejado pelo interessado. o decurso do tempo. independente da vontade interna. a interdição e a morte. quando ocorre alguma circunstância. procedem de algum fato. Subsistem. fruto da inteligência e da vontade. são as ações humanas. acontecimentos casuais. fato jurídico é acontecimento natural. Extinguem-se. o testamento e a renúncia. essa vontade apenas concorre de modo indireto. de que decorrem o nascimento. Outros fatos. acontecimentos voluntários. São os atos ilícitos. isto é. capaz de acarretar-lhes o perecimento. aquêle é o gênero. contrapoemse os atos. os acontecimentos em virtude dos quais nascem. uns são de ordem natural. tão freqüentes como os primeiros. tais como o nascimento. para os quais.

dando assim origem à repetição do indevido (Cód. II) . 964). 74 a 80). São êles antecedidos de várias disposições preliminares (arts. aliás.dos atos jurídicos. dos segundos. é bem de ver. Distribui-se o Livro III em três Títulos: I) . No tocante à maneira pela qual se produzem. III) . Dizem-se atuais os direitos completamente adquiridos. como o inesperado desabamento de um edifício. a conservação e o perecimento dos direitos. III. como o usucapião e a prescrição extintiva. em sentido amplo.Dos Fatos Jurídicos -. Antes de passar ao seu estudo queremos dizer ainda que os fatos jurídicos em geral podem ser classificados: a) quanto à sua natureza. Pode uma pessoa adquiri-los para si.Estabelece o art. emprega a rubrica . Quanto à sua natureza. 1. os fatos jurídicos são positivos ou negativos. foi paga pelo suposto devedor. no Livro III. Adquirem-se os direitos mediante ato do adquirente ou por intermédio de outrem. os fatos jurídicos são naturais ordinários. emprega-a.posto sejam ações humanas. c) . § único). Exemplo dos primeiros. mas simples proposições doutrinárias. com relação à sua normalidade. abrangendo os fatos jurídicos propriamente ditos (stricto sensu) e os atos jurídicos. os fatos jurídicos são instantâneos. ou naturais extraordinários. art. da Parte Geral. entretanto. incluem-se entre os primeiros. a morte de uma pessoa.quanto à maneira pela qual se produzem. . a inexistência de uma dívida. 74 do Código Civil que na aquisição dos direitos se observarão estas regras: I. Observa CLÓvIS que não há nesse artigo preceitos legislativos.dos atos ilícitos.quanto à sua normalidade.058. entre os fatos. ou para terceiros. como o decurso do tempo. já que seus efeitos jurídicos são involuntários. como o caso fortuito ou fôrça maior (art. Finalmente. Aquisição dos direitos: . a qual. que se relacionam com a aquisição. II. ou de elaboração progressiva. O Código Civil. b) . Civil. e futuros os cuja aquisição não se acabou de operar.da prescrição.

6. algumas até incongruentes. sendo supérfluo. depois de fazer inútil distinção entre direitos atuais e direitos futuros. quando se subordina a fatos ou condições falíveis". todo direito atual é direito adquirido. logo no inciso I. ou para terceiros. não é só. Mas. de 1-81957). ou de outrem. vislumbra-se a imprecisão do dispositivo. Por sua vez o inciso II é redundante. O inciso III. não sendo atual.238. o legislador afirma que o direito condicional não é atual e que.o 3. Por outras palavras. como aquêles cujo comêço do exercício tenha têrmo prefixo. o emprêgo daquele advérbio. Dispõe o § único do art. Direito atual é aquêle que está em condições de ser exercido. 74: "chama-se deferido o direito futuro. Efetivamente. como sucede no caso do aluvião e da avulsão (arte. como no caso do mandato e da representação. quando sua aquisição pende somente do arbítrio do sujeito. se os direitos se adquirem mediante ato do adquirente ou por intermédio de outrem. de que ao definir direito adquirido assim havia se expressado: "consideram-se adquiridos assim os direitos que o seu titular. não de ferido. no entanto. inalterável a arbítrio de outrem" (art. ou alguém por êle. possa exercer. passa a definir os primeiros como sendo os direitos completamente adquiridos. estando já contido no inciso I. Cumpre ainda não perder de vista. é óbvio que podem ser adquiridos para o próprio agente. Esqueceu-se êle. portanto.desnecessárias.o da Introdução. modificado pela Lei n. ou condição preestabelecida. como se possível a existência de direito incompletamente adquirido. Nesse dispositivo diz o Código que direito condicional (subordinado a fatos ou condições falíveis) é direito futuro não deferido. 538 e 541). no capítulo relativo à . porquanto existem direitos que podem ser adquiridos independentemente de ato do adquirente. não é deferido.

que pode ser desde logo exercido. Enquanto esta não se verifica. . São modos originários de aquisição a ocupação e a acessão. embora possa o respectivo titular efetuar os atos conservatórios (art. procure destacar a figura do direito eventual. entretanto. Pendente esta. o adquirente faz seu o bem. a aquisição é direita e independe da interposição de outra pessoa. Tais são a transcrição. o direito condicional e o direito puro e simples. com a simples expectativa. Expectativa de direito é o nada jurídico. tem êle simples expectativa. direito puro e simples é o direito atual. havendo sinonímia entre as duas expressões. Direito condicional. Há quem. Ainda com referência à aquisição dos direitos. É a situação do herdeiro. despida de consistência jurídica. que o Código chama de não deferido (art. a existência de verdadeira escala. compreensiva de três estágios distintos: a simples expectativa. em formação. Nos segundos. o direito adquirido. classificamse os vários meios aquisitivos em originários e derivados.aquisição dos direitos. Finalmente. o titular de um direito condicional é titular de um direito eventual (art. 121). Nos primeiros. a tradição e a herança. 121). até agora mal definido. que lhe não é transmitido por quem quer que seja. A expectativa é mera possibilidade de adquirir um direito. a aquisição tem como pressuposto um ato de transmissão por via do qual o direito se transfere do transmitente para o adquirente. nessa escala. No expressivo dizer de ANDREA TORRENTE. dos quais uns se verificam e outros não. Perante o nosso Código Civil. O direito depende de vários elementos sucessivos. é direito in fieri. e por outro. porque reúne todos os seus elementos integrantes. § único) é o subordinado a uma condição falível. que aguarda a abertura da sucessão. e que se limita por um lado com o direito puro e simples. 74. o direito é meramente eventual.

a aquisição pode ser ainda a titulo universal e a titulo singular. quando o adquirente substitui o precedente titular na totalidade de seus direitos. Por fim. que o assegura". provendo a respeito. ao passo que o segundo necessàriamente pressupõe um meio coercitivo destinado a lhe assegurar o respeito. cuja existência separa o direito da moral. a título gratuito e a título oneroso. dispõe o Código no art. Defesa dos direitos através da ação judicial: . resolve-se também o do outorgado).Outra resultante dos fatos jurídicos é a subsistência ou conservação dos direitos. o germe daquela doença. Voltaremos ainda a êsse assunto na devida oportunidade. a aquisição pode ser inter vivos ou mortis causa. estabelece a lei a garantia com que a ordem . é latente em tôda e qualquer relação jurídica. que se chama lide. Ao estudarmos a distinção entre a moral e o direito. não se aplicam aos modos originários de aquisição dos direitos. a constante do art. Êsse meio coercitivo. Essas regras. porém. Na teoria da posse existe a respeito regra capital. Efetivamente. 75: "a todo o direito corresponde uma ação. aí estará. como é de primeira evidência. quando o adquirente substitui o antecessor em direitos determinados. Sob outro aspecto. verificamos que a primeira é desamparada de qualquer sanção exterior. Subsistem êstes através de seu exercício pelo respectivo titular. É a título singular. resolvitur jus accipientis (resolvido o direito do outorgante. É a título universal. Com êsse preceito. Contestado. 496. no dizer de CARNELUTTI. como o comprador e o legatário.Os modos derivados de adquirir a propriedade são dominados pela regra fundamental de ULPIANO: nemo plus juris ad alium transferre potest quam ipse habet (ninguém pode transferir a outrem mais direitos do que tem). Normalmente êsse exercício não sofre impugnações. Outro preceito igualmente aplicável aos modos derivados é o seguinte: resoluto jwre dantis. ou numa quota ideal dêles. como no caso do herdeiro.

não se deve confundir a ação com o direito que ela garante. as hipóteses mais freqüentes são as mencionadas pelos arts. porque insensivelmente pode conduzir a excessos. por via da qual se recorre à autoridade judiciária competente para restabelecer o direito violado. de necessidades práticas. ou em vias de cometer-se. Essa autodefesa. dispersam-se os da segunda em várias doutrinas. separado. Para uns (teoria civilística). teoria do direito abstrato. por outras palavras. no esfôrço da própria conservação integral. teoria do direito subjetivo contra o Estado). ou proteger o direito ameaçado.o I. Não nos deteremos em tal matéria. é a ação judicial. sob a pressão. reprimindo assim o atentado cometido. 160. firmado está nesse dispositivo. Enquanto os partidários da primeira corrente se mantêm coesos. ela é o próprio direito em estado de luta contra os que lhe contestem a existência. dotado de vida própria. O meio normal para tutelar e fazer respeitar o direito violado. 502 e 558 do Código Civil. É o ensinamento. é excepcional. a própria natureza do homem. Ela constitui elemento distinto. é simples aspecto do próprio direito subjetivo. n. Não há direito sem ação. tornam inevitável e constante a violação do direito. Só em casos muito restritos se permite a defesa privada. É o que. autônomo. que pertence ao direito . Para outros (teoria autonomista). Ela desprende-se do direito substancial. Como diz ESPINOLA. como ente autonomo. além do direito de retenção e do penhor legal. o aspecto econômico da sociedade. Divergem radicalmente os autores quanto à natureza da ação. de JoÃo MONTEIRO. entretanto.jurídica reveste todo direito subjetivo. embora anexo ao direito que a pressupõe e que lhe dá origem. dentre outros. cada qual procurando o próprio fundamento para a alegada autonomia da ação (teoria publicística. aliás. Em nosso direito. teoria privatística. ou simplesmente ameaçado. para quem a ação não é senão o mesmo direito.

entretanto. o próprio direito reage à violação por intermédio da ação judicial. Êsse ponto de vista. Realmente. Segundo êles. Dentre os futuros. os direitos completamente adquiridos. o mesmo direito que deixa a posição de inércia ou de descanso. de modo específico. Não há assim confusão entre os dois conceitos. para assumir a defesa. Os adeptos da teoria civilística entendem que os autonomistas incidem numa confusão de idéias. 75 ampara. de tal arte. se se verifica. à parte. sem o suposto direito invocado. ela permanece na sombra. em estado latente. ação é direito distinto. O autor moveu a ação e. afinal. ajuizamento de ação. que não se confunde com a relação jurídica que ela visa a tutelar. o mesmo direito em movimento. em última análise. que é assim. ministrar tutela e garantia. uma atitude de desrespeito. se encontra superado na atualidade. se a ação se confundisse com o próprio direito subjetivo tutelado. dela foi julgado carecedor.judiciário civil. verificando-se. no entanto. porém. destinada a sua reparação. que prevaleceu por muito tempo. acham-se igualmente . O citado art. ela vem para o primeiro plano. Segundo êstes. houve. ficariam sem explicação plausível as ações movidas pelas partes e que culminaram com a decretação de sua carência. o titular de um direito tem o poder de exigir que os demais indivíduos o respeitem. que a ação não se identifica com o direito subjetivo tutelado. graças aos estudos dos escritores alemães e italianos. pois. isto é. Ofendido. na técnica defeituosa do Código. a fim de assegurar a tutela jurídica. Enquanto o direito é respeitado. E assim exerce o direito sua função específica. os direitos atuais.

no direito moderno. expulsando-as mesmo de seu templo. ou moral". a qualidade e a capacidade. Quanto aos não deferidos. Repete o Código de Processo Civil. é de nenhuma valia. 121). pouco importando a denominação que lhe seja emprestada.o "para propor ou contestar ação é necessário legítimo interêsse econômico ou moral". despindo-se de execução forçada. Num e noutro caso. no art. o importante efeito da soluti retentio. Ocorrerá então. no mundo do direito. Nem mesmo êsses casos constituem. que não lhes reconhece o direito de cidade. aquêles cuja aquisição pende somente do arbítrio do sujeito. Elas só voltam a interessar. espontâneamente. sem . São condições essenciais para o exercício da ação: o direito. a repetição é inútil e não para melhor. 75: a todo o direito corresponde uma ação que o assegura. vieram a privar-se da essencial característica das obrigações jurídicas. subordinados a fatos ou condições falíveis. por fim. 2. 76 do Código Civil que "para propor. O nome da ação. 76 o Código se atém exclusivamente ao interêsse de agir. Ajunte-se ainda que o direito à ação é regulado pela lei vigente ao tempo de sua propositura. mas não tem ação para haver o respectivo montante. Como diz PEREIRA BRAGA. Remate-se. vale dizer. mencionando-se as dívidas prescritas. ou contestar uma ação. bem como as de jôgo. efetua seu pagamento. é permitido exercer atos destinados a conservá-los (art.tutelados os deferidos. Dispõe mais o art. quanto a êste. nada significam. que a exatidão dela resulta dos elementos que a caracterizam. portanto. No art. é necessário ter legítimo interêsse econômico. exceção à regra do art. pois. o interêsse. Mas essas obrigações. quando o devedor. acrescenta-se. Há quem afirme a existência de direitos não providos de ação. o credor tem o crédito.

Está no primeiro caso.o III. Realmente. a anulação de casamento na hipótese prevista no art. Ninguém tem direito de armar litígios que não lhe aproveitem. que é a medida das ações (ratio agendi. no questionado art. ao estado da pessoa. É nesse sentido que opina COUTURE. por dizer respeito à honra. ao decôro e à profissão. Indispensável também o interêsse de agir. ação. a menos que tenham reflexos . ou já foi lesado. à liberdade. Ordinàriamente. potestas agendi). dos demais requisitos. do qual disse LAFAYETTE tratar-se de extravagância do espírito humano. Exemplo do segundo caso. compreendida tanto a defesa do direito pessoal como do direito real. quando chamado a resolver uma controvérsia. ação movida pelo marido para contestar a paternidade de filho nascido de sua mulher (art. n. ou à sua família (Cód. a ressarcibilidade do dano moral. O interêsse moral só autoriza a ação. Civil. 344). apreciável em dinheiro. Inclina-se a jurisprudência. do Código Civil. 76. todavia. quando toque diretamente ao autor. art. examinar preliminarmente o interêsse que o litigante tem em provocar a decisão judicial. Houve quem visse. não basta ter direito para propor. ocupando a atenção da justiça com temas que lhe são talvez indiferentes. 213. ou contestar. exemplificativamente. 76. o interêsse é econômico.prescindir. Cumpre ao juiz. Mas o interêsse também pode ser moral. sem alcance prático. no sentido de reconhecer que danos simplesmente morais não são suscetíveis de reparação. § único. Aparece êsse interêsse quando o direito está ameaçado. entretanto. § único). Os tribunais não resolvem questões acadêmicas. dizendo que "no processo se deve discutir sôbre realidades econômicas e não sôbre hipóteses".

280. Do mesmo modo.o 2. cogita da estimação de dano moral. movida por qualquer cidadão. que aprova o Regulamento dos Serviços de Radiodifusão. perante a Câmara Municipal. de outro interêsse.795. § único).o 818. O interêsse deve ser legítimo. art. É o que sucede. § 38. com a Lei n. 24 e 35. art. relativamente à impugnação. Nos processos dessa índole há que se cuidar. por exemplo. 162. de 29-6-1965.o 4. 81 e 84.patrimoniais para a vítima. 4.o. 141. 8. portanto. feita com infringência da lei (art. Igualmente a Lei n. preceitua que qualquer cidadão poderá pleitear judicialmente a anulação de contrato firmado entre o Estado e o adquirente de lote previsto nesta lei. a Lei estadual n.o 52. Outrossim. ou a qualquer cidadão. que dispõe sôbre a política nacional do petróleo. não se enquadra nos dois tipos clássicos contemplados pela lei civil. de acôrdo com a Lei estadual n. concede ação popular para anular-se transferência ou subscrição de ações da Petrobrás. e que. 11. em seus arts. de 28-8-1964.o 4. o mesmo sucedendo com o Decreto n. de 3-10-1953. 17. igualmente tutelado. cancelamento e anulação da naturalização. de 18-91949. pela prática de infrações político-administrativas. É o interêsse público. A Lei n. que institui o Código Brasileiro de Telecomunicações. em que se outorga a qualquer pessoa.117. Se ilícito .o 8. para anular atos lesivos à União. de 31-10-1963. existem ainda outros casos concretos em nossa legislação. no entanto. Aliás. de 27-12-1952. arts. no art. iniciativa para invalidar atos que interessam à coletividade. aos Estados e aos Municípios. de 27-8-1962.o. restabeleceu a ação popular. regula a ação popular. desde que prove que não foram cumpridas as exigências a que ficar sujeito. direto e imediato.o 2. qualquer cidadão poderá denunciar o prefeito. A Lei n. A Constituição Federal.004. no art.085.717.

retorna à liberdade primitiva. Perecimento dos direitos: . quando se confunde com outro. 589. à mistura de líquidos e sólidos. Esclarece o art. objeto e tutela legal. ou o valor econômico. n. Quando fica em lugar de onde não pode ser retirado. III.739. portanto. O direito não se extingue pelo não uso. como no caso da pérola que cai no fundo do rio. o réu será absolvido da instância (Cód. sujeito. pelos prejuízos contra o culpado (art. Em primeiro lugar. ou do animal selvagem. no inciso II. Quando perde as qualidades essenciais. 201. quando êste perde as qualidades essenciais. E o . que depois de apreendido. e 849. É o caso do campo invadido pelo mar. II. presume-se ainda o perecimento. 77 alude o Código apenas ao perecimento do direito. Reporta-se o Código.ou imoral. n. Em segundo lugar. terá êste ação. Em numerosos outros textos. n. Por fim. aos casos de confusão.o II. de modo que se não possa distinguir. perduram os direitos enquanto não sobrevém causa capaz de eliminar algum ou todos os seus elementos constitutivos. n.o III). salvo na hipótese prevista pelo art. 3. de modo que se não possa distinguir. Civil. isto é. 79). n.Uma vez adquiridos. Quando se confunde com outro. o legislador insiste nessa idéia (arts. mero capricho ou êrro grosseiro. entende-se que pereceu o objeto do direito. 802. Presume-se também o perecimento quando o objeto perde o valor econômico. 710. Acrescenta o art. Se a coisa perecer por fato alheio à vontade do dono. do Código Civil. 520.o V.o IV. pelo perecimento de seu objeto. 78 que "entende-se que pereceu o objeto do direito": I. Proc. é o que sucede com as cédulas recolhidas.o II). n. quando o objeto fica em lugar de onde não pode ser retirado. art. entende-se que pereceu o objeto do direito. No art. bem como à justaposição de uma coisa à outra.o III.o do mesmo Código que responderá por perdas e danos a parte que intentar demanda por espírito de emulação. comistão e adjunção. n.o III.

649. Civil). 80 remata: "a mesma ação de perdas e danos terá o dono contra aquêle que. e 802.art. Civil. para não se falar na caducidade. Proc. c) . REPRESENTAÇÃO INCAPAZES.O Código não definiu os fatos jurídicos. INTERPRETAÇÃO DOS ATOS JURÍDICOS. 204). intransmissível (arts. n. SUA CLASSIFICAÇÃO. d) .perda da posse (art. art.o V. b) . A êsses casos poderíamos ainda acrescentar outro: extinguese o direito se a instituição jurídica vem a ser abolida.extinção da hipoteca (art. n. por sua vez.148. 1. f) . sendo o direito personalíssimo e. 1. art. 708 e 710). 589 e 590). A todos êles podemos acrescentar a prescrição. Civil.se numa só pessoa se reúnem as qualidades de credor e de devedor (arts. que atinge o próprio direito.049. direito regressivo contra o terceiro culpado".185. 351. 849). 647). § 2. cabendo a êste. Cód. e) .extinção das servidões (arts. DOS ATOS JURÍDICOS.se falece o titular.resolução do domínio (art. Aliás. incumbido de conservar a coisa. g) . 1.extinção do usufruto (art. 739. Outros casos de extinção dos direitos são também contemplados em nosso ordenamento jurídico: a) .extinção do penhor (art. 739). o Código prevê diversos casos particulares de extinção: a) . todos do Cód. .quando a instância fica perempta (Cód. ELEMENTOS CONSTITUTIVOS. DOS Definição: .perda da propriedade imóvel (arts. c) . se esta viesse a ser banida do nosso direito positivo.o V). que. Na Parte Especial.o. 520). por negligência a deixar perecer. faz desaparecer o direito pela inexistência de tutela legal. 802).157 e 1. DEFINIÇÃO. b) . extinguindo a ação. pois. É o que aconteceria com a enfiteuse.

como todo o ato lícito. A característica primordial do ato jurídico é ser um ato de vontade. transferir. em tôda a sua extensão e profundidade. parecendo mesmo. Precisamente nesse ponto se manifesta sua frontal oposição ao fato jurídico (stricto sensu) e que é a resultante de fôrças naturais em geral. Omitiu o Código. transferir. que tenha por fim imediato adquirir. conquanto haja quem afirme igualmente a inequívoca distinção entre ambos os conceitos. JoSÉ AUGUSTO CÉSAR. seu conceito constitui um daqueles esquemas gerais. seus vários elementos integrantes: essentialia negotii. a qual. o vasto alcance dos atos jurídicos. por êle definido. se pode considerar englobada no verbo resguardar. eis. Embora dêste advenham também conseqüências jurídicas. A expressão abrange a vida civil. no art. modificar ou extinguir direitos. resguardar. todavia. qualquer referência à conservação dos direitos. . Elementos constitutivos: . Não observou o legislador. só pode ser incluído entre os fatos jurídicos.Os jurisconsultos romanos não chegaram a elaborar uma teoria sôbre os atos jurídicos. passa a ilícito. que ficam melhor num manual científico de direito. na plenitude de suas manifestações. Cumpre ainda salientar que à expressão ato jurídico preferem os pandectistas alemães a denominação negócio jurídico. em poucas palavras. ou a infringe. entretanto. A segunda característica do referido ato é ser lícito. dentre os vários aspectos com que se apresenta o ato jurídico. nitidamente. Se se arreda da lei. Contudo. resguardar. que êles não tiveram uma expressão técnica para designar a idéia do negócio jurídico. idêntica orientação quanto ao ato jurídico. isto é. naturalia negotii e accidentalia negotii. 81. modificar ou extinguir direitos. entreviram êles. fundado em direito.para alguns autores. do que num texto de lei. Adquirir. como BRuGI. como ensina o Prof.

Faltando um dêles. o ato não existe. não existe. são elementos naturais. Os elementos essenciais subdividem-se em gerais e particulares. ou encargo (arts. o têrmo e o modo. Por falta dêsse elemento essencial o ato não tem consistência jurídica. 1. dizem respeito às pessoas que intervêm no ato. naturais e acidentais os vários elementos em que se desdobram os atos jurídicos. 123 e 128). o pactum de non praestanda evictione (art. Os elementos essenciais. comuns à generalidade dos atos jurídicos. 1. Os segundos (naturalia negotii. a estrutura do ato. ainda hoje podemos classificar em essenciais. pessoa dotada de consciência e . a validade do ato jurídico requer agente capaz (art. 1. como a condição. pretium et consensus). 1. que lhe formam a substância e sem os quais o ato não existe. por exemplo. Na mesma compra e venda. resultantes do próprio negócio. na compra e venda. o preço e o consentimento (res. 114. 2. quer dizer. a obrigação que tem o comprador de dar a garantia a que se refere o art.092. o prazo para entregar a coisa ou pagar o preço. a obrigação que tem o vendedor de responder pelos vícios redibitórios (art. caso lhe sobrevenha diminuição patrimonial. capaz de comprometer a prestação a seu cargo.107) . Essa discriminação é de inquestionável utilidade didática. sem que haja necessidade de expressa menção. Os terceiros (accidentalia negotii) são estipulações que facultativamente se adicionam ao ato para modificar-lhe uma ou algumas de suas conseqüências naturais. ao objeto dêste e ao consentimento dos interessados. enquanto os segundos são peculiares a determinadas espécies. 82). a desmenção ao preço. aquêles sem os quais o ato não existe. pois.Os primeiros são os elementos essenciais. os elementos essenciais são a coisa. Quanto às pessoas. Os primeiros são comuns a todos os atos.a alínea. por exemplo. Elementos essenciais são.108). Numa compra e venda. por exemplo.) são as conseqüências que decorrem do próprio ato.101) e pelos riscos da evicção (art.

089) e pacto comissório (art. 765). c) . ativa e passiva. n. sem casamento. o ato não se configura. Da sua compreensão se excluem: a) atos contrários à moral. 5.o) são representadas pelos seus representantes legais e as relativamente incapazes (art.132 e 1. a vontade é totalmente eliminada (non agit.133 do Código Civil. O terceiro elemento é o consentimento. No tocante ao objeto. como a herança de pessoa viva (art. Nulo será o ato praticado diretamente por pessoa absolutamente incapaz (art. O primeiro é manifestado de modo explícito. As pessoas absolutamente incapazes (art. sed agitur). 1.o I). a anuência é implícita.o II). 17). elemento psicológico tão discutido na atualidade. b) . 6. como nos casos previstos nos arts. quando a mão da vitima é conduzida a firmar determinado documento. categórico. o requisito da legitimação.o I). a lei não se contenta com a simples capacidade civil. 147. Assim. ou volta ao mundo em duas horas. n. n. judicial e extrajudicialmente (art. A sanção é a nulidade do ato (art. por escrito ou verbalmente. 145. 1.atos que colimem prestações juridicamente impossíveis. Sem o concurso da vontade. Ato jurídico é ato voluntário. no caso de coação absoluta. A expressão é ampla. como viagem à lua. exigindo ainda. 82). e apenas anulável o realizado por pessoa relativamente incapaz (art.o) por êstes assistidas.atos que objetivem prestações fisicamente impossíveis. exemplificativamente. a lei erige o próprio silêncio em veículo da manifestação da . à ordem pública e aos bons costumes. impõe a lei que êste seja lícito (art. O consentimento pode ser expresso ou tácito.vontade e reconhecida pela lei como apta a exercer todos os atos da vida civil. 145. Para certos atos. Em alguns casos. As pessoas jurídicas intervirão por intermédio de quem as represente. como vimos anteriormente. no segundo. São vedados assim os contratos de corretagem matrimonial e aquêles pelos quais homem e mulher se comprometem a viver como marido e mulher.

Em muitos atos. é possível modificar por contrato a natureza de um ato jurídico. 134. da Parte Especial: é o que acontece ainda com o testamento (Título III. até prova em contrário. 1. se a lei não dispuser de modo diferente. quando se diz que a causa ilícita vicia o ato jurídico. Assim. Esses elementos particulares concernem à forma do ato. A própria denominação jurídica.000. confunde-se com o próprio escopo do ato.vontade (qui tacet consentire videtur. o fim visado pelo agente. 145. A forma é o meio de revelação da vontade. suas conseqüências e seus efeitos. comuns a todos os atos jurídicos. isto é. assim como com a transmissão de direitos reais sobre imóveis. como sucede com o casamento. sem necessidade de expressa menção. Em princípio.084.o III). através dos quais se estabelece o circuito da vontade. a forma é essencial. dada pelas partes. passemos aos particulares. os atos jurídicos são informais. O Código não se referiu à causa. entretanto. que exige escritura pública (art. Examinados os elementos gerais. n. 82: "a validade do ato jurídico requer agente capaz. Mas. Na sua maioria. a causa é parte integrante do ato de vontade. é porque o próprio objeto dêle é ilícito. Nulo será o ato efetuado sem observância da forma prescrita em lei (art. do Livro IV). que há de ser realizado com estrita observância de todo o formalismo prescrito no Título I. restritos a determinadas espécies. do Livro I. Para usarmos de uma imagem de CARNELUTTI poderíamos dizer que a causa e a forma são os dois pólos do ato. de valor superior a Cr$ 10. Elementos naturais são as conseqüências que decorrem da própria natureza do ato. . como esclarece CAPITANT. É o caso do art. É a lei que determina quais essas qualidades naturais. Dispõe realmente o mesmo art. não tem e nem pode ter valor decisivo. objeto lícito e forma prescrita ou não defesa em lei". si loqui debuisset ac potuisset). II). Admitida é a sua existência.

quando a declaração de vontade é emitida para criação do direito após a morte do declarante (testamento. . Quanto às vantagens que podem produzir. Unilaterais. devido às suas aplicações práticas. quando dêles resultam sacrifícios e vantagens recíprocos (compra e venda. o empréstimo. locação. Tais estipulações devem ser precisas e determinadas e não inferidas ou presumidas. sua eficácia não depende do enderêço a determinado destinatário (por exemplo. quando destinados a produzir seus efeitos em vida dos interessados: a compra e venda. enfiteuse. o comodato) . porém. Nos primeiros. o casamento. as conseqüências do ato só se verificam após o recebimento da declaração pelo respectivo destinatário (por exemplo. a doação. que se juntam ao ato para modificar-lhe algum dos elementos naturais. têrmo e modo ou encargo. a adoção. na mesma direção (renúncia. quando a declaração de vontade emana de uma só pessoa. Classificação dos atos jurídicos: . elementos acidentais são cláusulas acessórias. codicilo. os atos são unilaterais e bilaterais. promessa de recompensa e título ao portador). a concentração nas obrigações genéricas e nas obrigações alternativas). quanto ao tempo em que devam produzir seus efeitos. ou mais de uma. desistência. Mortis causa. São gratuitos. onerosos. Dentre as principais. a locação. a adoção. Sob um primeiro aspecto. os atos dividem-se em gratuitos e onerosos. usufruto). quando outorgam vantagens sem impor ao beneficiado a obrigação de fornecer o equivalente (o reconhecimento de filho. a permuta. Inter vivos. destacam-se as modalidades dos atos jurídicos: condição. a renúncia de herança). Nos segundos.Por fim. o reconhecimento de filho. os atos jurídicos se classificam em inter vivos e mortis causa.Inegável a importância dêsse estudo. parceria. No tocante à manifestação da vontade. partilha causa mortis). Subdividem-se em receptícios e não-receptícios. doação para depois da morte do doador. o mandato.

Por fim. Sinalagmáticos. suprida pelo instituto da representação. pupilos e curatelados. em relação aos filhos menores. Bilaterais simples. que quer dizer contrato com reciprocidade. o empréstimo.Vimos anteriormente que a incapacidade. a doação verbal (art. quando outorgam ônus e vantagens recíprocos (compra e venda.Atos bilaterais são aquêles em que a declaração de vontade se faz mediante concurso de duas ou mais pessoas. não suprime a capacidade de gôzo ou de direito. quanto às formalidades. São atos solenes o casamento e o testamento. oriunda de certos fatos objetivos. não solenes. Três as categorias de representantes: legais. § único). Representação é a relação jurídica pela qual determinada pessoa se obriga diretamente perante terceiro. quando concedem vantagens a uma das partes e ônus à outra (doação. Subdividem-se em bilaterais simples e sinalagmáticos. tutôres. o incapaz exerce os seus direitos por intermédio dos respectivos representantes. comodato. com êsse dispositivo legal. locação. judiciais e convencionais. Aliás. a palavra vem do grego sinalagma. De acôrdo. segundo seja ou não necessária a sua existência forma especial prescrita pela lei. porém. pois. as relativamente incapazes pelas pessoas e nos atos que êste Código determina". Representação dos incapazes: . 1. depósito gratuito). Dispõe efetivamente o Código Civil. ou curadores em todos os atos jurídicos. os atos jurídicos classificam-se em solenes e não solenes. Representantes legais são aquêles a quem a própria lei confere podêres para administrar bens de outrem. sociedade).168. como pais. o sexo e a saúde. 84. como nos contratos em geral. como a idade. tutôres e curadores. em sentido oposto. a compra e venda de coisas móveis. através de ato praticado em seu nome por um representante ou intermediário. . no art. que "as pessoas absolutamente incapazes serão representadas pelos pais.

453 manda aplicar curatela o disposto no Capítulo sôbre a tutela. ao curador. quanto à pessoa dos filhos menores. verbal ou escrito. e assisti-lo. nos atos da vida civil. disciplinada pelo art. do representado. É da lei que êles recebem a investidura. 426 repete o mesmo pensamento do art. se contém medida de proteção e defesa. o síndico e o curador da herança jacente. o art. os incapazes intervêm pessoalmente no ato. 384. Vemos assim que os pais. a representação legal do interdito. enquanto os relativamente incapazes são apenas assistidos. o art. No tocante aos tutelados. os incapazes são substituídos pelos respectivos representantes.Representantes judiciais são nomeados pelo juiz para o exercício de certo cargo no fôro ou no processo. expresso ou tácito. a sanção é a nulidade. Na representação. pois. Assim também ao do ausente. após essa idade. como os procuradores (no contrato de mandato) e o comissário (no contrato de comissão mercantil). nos atos em que fôr parte. em nome daqueles. declarado tal por ato do juiz. Os absolutamente incapazes são representados.o V. compete. apenas acompanhados ou assistidos pelos representantes . nos atos em que forem partes. como o inventariante. No que concerne aos curatelados. realizam o ato jurídico. 84: cabe ao tutor representar o menor. A diferença está em que. praticados por outra forma. Quanto aos menores sob pátrio poder. até os 16 anos. suprindo-lhes o consentimento. e assisti-los. que os credencia a representar os incapazes em todos os atos da vida civil. no segundo caso. Convencionais são os representantes munidos de mandato. suprindo-lhe o consentimento. nos atos da vida civil. até aos 16 anos. que aos pais compete. que. representá-los. 84. n. no primeiro caso. declarado ainda está no art. tutôres e curadores são representantes legais. após essa idade.

a incapacidade é exceção pessoal. A referência a alguns textos. ao lado de perfeito conhecimento da vida. o art. a fixação do sentido autêntico. só pode ser formulada pelo próprio incapaz. juiz ou advogado. na infinidade de suas manifestações. a menos que ocorram as ressalvas legais. impregnado de profunda sabedoria. portanto. Deve ser arredado. salvo se fôr indivisível o objeto do direito ou da obrigação comum".Por mais cuidadosas que sejam as partes na redação do ato jurídico. lhes suprem o consentimento. segundo o qual "nas declara ções de vontade se atenderá mais à sua intenção que ao sentido literal da linguagem". Declaração que não corresponda ao preciso intento das partes é um corpo sem alma. exatamente colimado pelos interessados. essa defesa não pode ser invocada em proveito próprio pelo interessado capaz. Pela sua analogia com a mesma matéria. possível será sempre a inclusão de cláusula duvidosa. Na parte Geral. Trata-se de investigação que requer ponderação e equilíbrio. entendimento que se apegue tão-sômente à literalidade da estipulação. isto é. ou o aparecimento de ponto obscuro. ou pelo seu representante legal. que. De fato. com a sua presença. levando-as à celebração do ato jurídico. nem sempre é fácil a pesquisa dêsse elemento íntimo e espiritual. com total desprêzo da rigorosa intenção dos interessados e dos fins econômicos que os aproximaram.legais. esparsos na Parte Especial do Código. seja indivisível o objeto do direito ou da obrigação comum. Cuida-se inquestionàvelmente de preceito salutar. que movimenta as partes. oriundas da . 83: "a incapacidade de uma das partes não pode ser invocada pela outra em proveito próprio. citado deve ser o disposto no art. aliada a certas observações. Interpretação dos atos jurídicos: . a exigir do aplicador da lei. 85. quantum verba sonant. Mas. por mais conhecedoras do idioma e do valor dos vocábulos. reservou o Código um único dispositivo para tão importante matéria.

resolve-se a dúvida contra o locador e nos contratos de adesão. 1. Se alguma dúvida surge no contrato de compra e venda. quanto à extensão da coisa vendida. Relativamente às obrigações. prevalecerá a que melhor assegure a vontade do testador.027) . aquiescência aos seus têrmos.experiência pode conduzir o intérprete a bom caminho. . não o foi (ambiguitas contra stipulatorem est).os contratos benéficos interpretar-se-ão restritivamente (art. c) quando a cláusula testamentária fôr suscetível de interpretações diferentes. No contrato de locação. aplica-se o mesmo princípio às doações. as dúvidas de uma venda devem ser interpretadas contra o vendedor. prevalecerá a que melhor assegure a observância da vontade do testador (art.090) . A melhor interpretação de um contrato é a maneira pela qual os interessados. 1.666). Aliás. a estipulação deve ser interpretada da maneira menos onerosa para o devedor (in dubiis quod minimum est sequimur). b) . as necessidades do crédito e as leis da eqüidade. pois. Qualquer obscuridade é levada à conta de quem redigiu a estipulação.a transação interpreta-se restritivamente (art. de comum acôrdo. podendo ser claro. a favor do aderente. Os eventos posteriores são a melhor explicação dos fatos. com relação aos contratos em geral. segundo a doutrina tradicional. a contradição prejudica o outorgante e não o outorgado. na hermenêutica contratual. No conflito entre duas cláusulas. de modo geral. o executaram. devem êstes ser interpretados segundo a boa-fé. Por outro lado. em melhores condições de conhecer a coisa alienada. Na interpretação de cláusula testamentária suscetível de sentidos diversos. a interpretação deve ser a favor do comprador e contra o vendedor. "Visto" apôsto num documento nem sempre exprime adesão ao seu conteúdo. Os textos são êstes: a) . as cláusulas duvidosas interpretam-se sempre a favor de quem se obriga. A observância do negócio jurídico constitui um dos meios demonstrativos da interpretação da vontade das partes. Por analogia. 1.

não isoladamente. Generalidades: . Entretanto. ERRO SUBSTANCIAL E ÊRRO ACIDENTAL. pois. além de ter existido. há casos em que a vontade existe e funciona normalmente. efeito em relação à causa. porque lhe falta o elemento básico. A vontade é. a alma do negócio jurídico. é claro que êle se ressentirá dos mesmos vícios que a esta originàriamente maculavam. a vontade do agente. ato jurídico é a manifestação da vontade tendente a criar. fundamental. ÊRRO OU IGNORÂNCIA. Só então o ato produz os efeitos jurídicos almejados pelas partes. Efetivamente. as várias cláusulas da estipulação interpretam-se pondo-as em harmonia. Para que êste vàlidamente exista indispensável é a presença do elemento volitivo. base e fundamento do ato. GENERALIDADES. OUTRAS DISPOSIÇÕES. DOS DEFEITOS DOS ATOS JURÍDICOS. sua vontade estava contaminada por algum dos vícios do consentimento. o interessado desejou realmente praticar o ato questionado. outras duradouras e permanentes. Em ambos os casos. modificar ou extinguir um direito. haja funcionado normalmente. se os têrmos são claros e apropriados. ela desvia-se da lei. de qualquer forma. Por fim. Mais ainda. A conseqüência natural será a ineficácia do ato eivado por qualquer daqueles vícios. pode acontecer que a vontade não tenha existido na celebração do negócio jurídico. Há perfeita correspondência entre a vontade interna e a sua declaração. sua razão de ser. como a alienação mental. mas. Tal ausência pode ser fruto das mais diversas circunstâncias. o ato não pode subsistir. ou da boa-fé. como a coação absoluta.Por fim. Pode acontecer ainda que a vontade tenha existido. Sendo o ato jurídico pura emanação da vontade. bem como em várias situações análogas. ERRO DE FATO E ÊRRO DE DIREITO. umas transitórias. êrro ou ignorância. dolo e coação ou violência. não há como fugir ao sentido literal e gramatical. .Segundo vimos anteriormente. é necessário que êsse elemento.

delicado e difícil. 86 a 91. Os outros.o II). Êrro é a noção falsa a respeito dêsse mesmo objeto. tanto aquêles como êstes têm a mesma fôrça de coordenação. A verdade. é que o legislador os equipara nos seus efeitos. entretanto. acarretam a ineficácia do ato. ou de determinada pessoa. que dentre êsses defeitos. à honestidade e à regularidade do comércio jurídico. não são vícios da vontade. O assunto. o dolo e a coação ou violência. ou de infringir o direito. Erro ou ignorância: . uns se manifestam diretamente sôbre a vontade. diríamos que são vícios sociais. Acrescenta CUNHA GONçALVES que êsse vício é o mais freqüente e o mais fácil de realizar-se. nesses preceitos. que comprometem também a ordem jurídica. Surgem assim a simulação e a fraude contra credores. devido à insuficiência mental da grande maioria dos homens. Civil. Vemos. 147. como os primeiros. na primeira. São êles o êrro e a ignorância. no sentido de induzir a anulabilidade do ato jurídico (Cód. na segunda. simulação e fraude contra credores.e orienta-se no sentido de prejudicar a terceiros. pelo êrro ou ignorância. criando irredutível oposição entre o propósito íntimo do agente e sua expressão. a mente está in albis. Embora a Seção I traga a rubrica do êrro ou ignorância. Ignorância é o completo desconhecimento acêrca de um objeto. o que está registrado é falso. n. igualmente contempladas entre os defeitos dos atos jurídicos e que. regula-se pelos arts. a doutrina do êrro ainda hoje é muito complicada e objeto de várias controvérsias. verbal ou escrita.Como bem observa ESPíNOLA. art. Exprimindo-nos com mais precisão. o agente é levado a praticar o ato jurídico. só encontramos. disposições sôbre o êrro. Num e noutro caso. ou que praticaria . Mas. Por outras palavras. que não praticaria por certo. pela deliberada afronta à lisura. consoante a ordem do Código. Comecemos seu estudo. rigorosamente falando. por conseguinte.

quando se tenciona praticar certo ato e no entanto se realiza outro: A entrega determinado objeto a título de empréstimo e B recebe-o a título de doação. são pregos. 1. Há êrro substancial sôbre a natureza do ato (error in ipso negotio). 87 que se considera êrro substancial o que interessa à natureza do ato. de tal consistência. Erro substancial e êrro acidental: . de tal relêvo. de fato.Falemos agora mais demoradamente do êrro. em ambos os casos. para viciar a vontade e tornar anulável o ato. devido ao desentendimento sôbre o objeto do ato (nulla voluntas errantis est). quando a coisa concretizada no ato em verdade não era a pretendida pelo agente. a vontade desviou-se. inexistindo acôrdo de vontades sôbre a própria essência do ato.102 e 1. bem situado e próximo de centro urbano.036. Existe êrro sôbre o objeto principal da declaração (error in ipso corpore rei). Sua posição jurídica é a mesma do êrro. Tratemos primeiro da ignorância. O êrro. se estivesse devidamente esclarecido. em virtude de êrro substancial. esclarece o art. ter-se-á a inconsistência do ato. num loteamento. Em alguns artigos da Parte Especial. quando realmente está comprando outro muito mais distante. o primeiro entrega um imóvel a título de venda e o segundo recebe-o a título de locação.751). Por sua vez. ou alguma das qualidades a êle essenciais. deve ser essencial ou substancial. cuida o Código de casos particulares de ignorância (arts. Em qualquer dessas hipóteses.em circunstâncias diversas. 86: "são anuláveis os atos jurídicos. isto é. é êle ineficaz. de tal fôrça. que. certo lote de terreno. Nesses casos. muito mais comum e talvez o maior de todos os vícios que possam afetar os atos jurídicos. 1. o ato não se realizaria. O comprador acredita que esteja a adquirir. sem êle. este é anulável e o adquirente está autorizado. . o objeto principal da declaração. quando as declarações de vontade emanarem de êrro substancial". o comprador acredita sejam parafusos os objetos que adquiriu e. Desvendada. Dispõe realmente o art.

verifica o comprador que os candelabros eram de cobre prateado. 88 do Código que "tem-se igualmente por êrro substancial o que disser respeito a qualidades essenciais da pessoa. posteriormente. só é causa de anulabilidade do ato quando a consideração da mesma pessoa foi a causa determinante. Nesse caso. incidindo sôbre a pessoa com quem se teve intenção de tratar. em outros tempos. O êrro. não existia.a pedir a sua decretação. tendo a falsa crença determinado a vontade (error in substantia). que. capacita-se de que. porém. quando se supunha existente determinada qualidade. Estabelece o art. porque a qualidade do metal fôra o motivo determinante do ato. a uma personagem célebre. porque a vetustez do objeto era elemento essencial. Versando o êrro sôbre qualidades essenciais do objeto. Depois de os ter adquirido. a . certificou-se de que eram de fabricação recente. Depois de os ter adquirido. Por fim. Vejam-se os exemplos de ANDREA TORRENTE: creio ser lã animal o que é lã sintética. O ato é anulável. adquiro cavalo de tiro por um de corrida. porque lhe foi assegurado terem pertencido a uma celebridade. nesse caso a venda também é anulável. o ato é anulável. os candelabros são de cobre prateado. alguém adquire candelabros de prata. o ato é válido. adquire-os do comerciante. a quem se refira a declaração da vontade". também o erro sôbre pessoas. que afirma serem êles do metal indicado. Alguém. verdadeiramente determinador do negócio. Alguém viu anunciada a venda de candelabros antiquíssimos. embora exata a procedência. porque a razão determinante da compra havia sido a circunstância de haver pertencido o objeto. O casuísmo de POTHIER a respeito é altamente expressivo. desejando possuir candelabros de prata. não é sômente o êrro sôbre coisas que pode anular o ato. equivocadamente tidas por existentes. Ocorre ainda êrro sôbre alguma das qualidades essenciais do objeto principal da declaração. Mas.

). o êrro sôbre a pessoa será de somenos importância. o ato versa sôbre fato fungível. em todos os atos benéficos realizados intuitu personae (doação. 218 que é anulável o casamento. se puder identificar a pessoa ou coisa. dote. Analisado o êrro essencial ou substancial.na sucessão testamentária. Por exemplo. III e IV. 880) . porém. disciplinados pelos . o equívoco relacionado com o valor do objeto contratado. b) . 1. Está nesse caso. não se pode prescindir da affectio societatis. por outros documentos. bem assim. Em outros casos.no casamento.670 que o êrro na designação da pessoa do herdeiro. Esse êrro não induz anulação do ato. incisos I. 219. Em seguida. prima pela desonestidade.mola propulsora do negócio jurídico. no art. c) no contrato de sociedade. menciona a lei os fatos caracterizadores do êrro matrimonial. não será êle de molde a anular o ato.no contrato a título oneroso. mas contrato com outra. a entrega de automóvel diferente em série ou no de produção. tendo por objeto fato infungível (art. Cumpre não confundir o êrro sôbre as qualidades essenciais do objeto com os vícios redibitórios. a que o testador queria se referir. d) . impera soberana a consideração das pessoas. no dizer de LOMONACO. salvo se. ao consentir. exemplificativamente. Estabelece o art. tendo o mesmo nome. passemos ao meramente acidental. II. em que. ou da coisa legada anula a disposição. e) finalmente. ou do objeto. do legatário. que pode ser executado por qualquer pessoa. concernente às qualidades secundárias ou acessórias da pessoa. que. Ainda que o agente tenha incorrido em êrro na designação desta. Numerosos os atos em que o êrro sôbre a pessoa tem influência decisiva: a) . Supunha associar-me a uma pessoa de reconhecida idoneidade moral. Dispõe o Código no art. êrro essencial quanto à pessoa do outro. etc. pelo contexto do testamento. se houver por parte de um dos nubentes. ou por fatos inequívocos.

O êrro de direito referir-se-ia à capacidade do agente. sendo fonte de confusão a referência . no êrro. porque êste era o único que podia influir sôbre a eficácia da vontade. Na redibição o fundamento é a garantia que o vendedor tem de assegurar ao comprador contra os defeitos ocultos da coisa e que a tornam imprestável ao fim a que se destina. sôbre qualidades essenciais da pessoa. ou da coisa. a anulação tem por base o consentimento imperfeitamente fornecido no momento da constituição do ato. foi revogada. que a lei está em vigor quando. precisa ser substancial. que qualquer pessoa inteligente e de atenção ordinária seja capaz de cometê-lo. supondose. em verdade. Êrro de direito é aquêle que diz respeito à existência de uma norma jurídica. no sentido de que há de ter por fundamento uma razão plausível. Deve ainda ser real. Acêrca do ato em si não se pode acenar com o êrro de direito. à proibição do ato ou à sua forma. causa de anulação do ato jurídico? O Código Civil foi omisso acêrca dessa relevante questão.101 a 1.106 do Código Civil. Foi dito que o êrro. Entendia CLÓvIs que o legislador só cuidara do êrro de fato.Êrro de fato é aquêle que recai sôbre circunstância de fato. Será possível equiparar o êrro de direito ao êrro de fato para caracterização do vício da vontade. por exemplo. a verdade é que são diversos os respectivos fundamentos. ou ser de tal monta. Embora íntima a relação existente entre êles. Mas. Deve ser escusável. porque ninguém se escusa alegando ignorar a lei (ignorantia legis neminem excusat). tangível. ao seu conteúdo. não basta.arts. para viciar a vontade. 1. necessário seja também escusável e real. por exemplo. importando efetivo prejuízo para o interessado. palpável. não à essência dêle. Erro de fato e êrro de direito: . isto é.

o). contrárias aos seus interêsses. tanto na doutrina. não posso alienar bens dotais. art. alegando ignorar a proibição cons tante do art. porém. deveria o Construtor estar ao par das deliberações da Prefeitura no tocante à sua especialidade. Por exemplo. desde que afete a manifestação da vontade. consistente na ignorância da norma jurídica? Não é difícil a resposta. construtor que adquire terreno. a orientação predominante. Diversa.do Código Civil italiano ao êrro de direito. que são inalienáveis. em virtude de recuo determinado pela Municipalidade. tal orientação é universal. sustentando os opositores que o êrro de direito. Por fôrça de sua atividade. vicia o consentimento. a situação quando concluo determinado ato. na atualidade jurídica brasileira. por ser inescusável. diz ANDREA TORRENTE. como se conciliará o princípio segundo o qual ninguém se escusa de cumprir a lei. Essa. Se se admitisse semelhante argüição. e depois subtrair-me às conseqüências. com a invocação do êrro de direito. segundo a qual error juris non excusat. Impedem essas regras se alegue como escusa à inobservância da norma legal a própria ignorância. Bastaria à parte invocar sua ignorância e a salvo estaria das imposições do comando legislativo. alegando que não a conhece (Intr Cód. Essa opinião do eminente civilista pátrio. Mas. 293 do Código Civil. na sua essência. Preciso é atentar para o exato alcance dos preceitos nemo censetur ignorare legem e ignorantia legi8 non. que afinal verifica não servir para construção. 3. destruída ou atenuada estaria a fôrça imperativa da norma legal. Aliás. se a êsse êrro se atribuísse relevância. como na jurisprudência. fundado em errônea apreciação dos dados jurídicos do . como o de fato. Civil. decidiu o Tribunal de Justiça do Distrito Federal que não pode invocar o erro. ececnstzt. A propósito. tendo sido acolhida nos trabalhos de reforma do Código Napoleão. foi vivamente combatida.

90. Entendê-la de outro modo será. Prescreve o Código. à causa como elemento integrante do ato jurídico. ao determinar a vontade. agora mais pormenorizadamente. necessário é que o êrro tenha sido a razão única ou principal. sempre variável e contingente. mas também no seu falso conhecimento e na sua interpretação errônea. Numa compra e venda. no art. a causa que movimenta o vendedor é o intento de embolsar o preço e a que aciona o . quando indispensável à ordem pública e à utilidade social. Não se confunde com o motivo. Outras disposições: . condenar quem realmente estava enganado e foi vítima de equívoco perfeitamente desculpável. embora de modo sumário. A lei é humana e eqüitativa. Nesse caso. não busco suspender a eficácia obrigatória da lei. só um êrro. parte constitutiva dêste. O legislador não pode ter o preconceito de TALLEYRAND: pior do que um crime. que só vicia o ato a falsa causa. É chegada a ocasião de ferir o mesmo problema. invocando o êrro de direito. que leva a pessoa a negociar. é o sustentáculo necessário do ato. Volvamos ao exemplo daquele mesmo civilista italiano: acredito que uma pessoa é estrangeira. Já aludimos anteriormente. O apêgo à ficção . muitas vêzes. para induzir anulação do ato. Causa é o escopo. O error juris não consiste apenas na ignorância da norma. pois ignoro a legislação que dispõe sôbre nacionalidade e cidadania.Outra questão a respeito da qual se manifestam sérias divergências é a da falsa causa. razão psicológica.só deve ser mantido. quando expressa como razão determinante ou sob forma de condição.problema. o fim visado pela parte ao realizar o negócio jurídico. De qualquer modo. não procuro subtrair-me à fôrça imperativa da norma. apenas ponho em evidência um extravio verificado no processo formativo da minha vontade.nemo jus ignorare licet . por exemplo.

em meu testamento. o brocardo falsa causa non nocet. porque precisa de dinheiro. faço um legado a certa pessoa. Motivo é coisa diferente. O vendedor pode ser induzido a contratar pelas mais diversas razões. O Código Civil brasileiro não esconde sua tendência anticausalista. se apurada a falsidade dela. Pode acontecer. Pela nossa lei. 82 (agente capaz. o desejo de receber a coisa adquirida. portanto. esta confunde-se com o próprio ato. sendo mesmo imanente à sua constituição. por exemplo. O negócio jurídico adquire eficácia. produzindo seus jurídicos efeitos. impondo-se-lhe a anulação.comprador. em tal hipótese. vazia de conteúdo. graves dissenções entre causalistas e anticausalistas. porque deseja especular. . Conjugados êsses elementos. entretanto. e que deve ser banida da técnica jurídica. Os motivos do comprador também podem ser diversos: quer empregar seu capital. razão determinante da disposição testamentária. é parte integrante da vontade. porque vai se mudar. Na aparência simples. Não subsiste. desde que reunidos os pressupostos do art. declarando que assim procedo porque ela me salvou a vida. o tema constitui verdadeiro casus belli em todos os ramos do direito. Para êstes. provocando. elemento essencial de todo ato jurídico. Para aquêles. será êste anulável por êrro. causa é noção parasita. o ato constitui-se vàlidamente. que a causa tenha sido expressa como razão determinante do ato. pois à causa deixou de imprimir o devido relêvo. o ato não prevalece. porque pretende empregar melhor seu dinheiro. Desvendada a falsidade dessa assertiva. quer negociar. em nosso direito. no direito civil. Em tal hipótese. quer o objeto para seu uso. Por exemplo. objeto lícito e forma prescrita ou não defesa em lei). independentemente da causa.

86 a 91 do Código Civil. por seu contexto e pelas circunstâncias. COMO SE DISTINGUE DO ERRO E DA FRAUDE. não viciará o ato. O que se disse sôbre a falsa causa se aplica igualmente à causa manifestada sob forma de condição. 91 que "o êrro na indicação da pessoa. pode suceder que o agente recorra a um instrumento mecânico para transmissão de sua vontade (rádio. 1. a que se referir a declaração de vontade.Contudo. ou coisa. DE DOLO. DEFINIÇÃO E GENERALIDADES. poder-se-á alegar o êrro nos mesmos casos. pode argüir-se de nulidade nos mesmos casos em que a declaração direta". OUTRAS DISPOSIÇÕES. De fato. telefone). embora anulável o ato eivado de êrro. em que a manifestação da vontade é realizada inter praesentes. DO DOLO. Quem alega o êrro deve prová-lo. quando. Por fim. pode valer-se de interposta pessoa. a constante do art. Estabelece mais o art. sem que a outra parte . não pela outra parte. O êrro só pode ser alegado por aquêle a quem aproveite o reconhecimento do vício. se não houve expressa declaração do agente sôbre a causa o ato é válido. que o exprimam por uma relação natural e necessária. ou por interposta pessoa. Será preciso deduzi-lo então de elementos objetivos.O êrro. é o êrro puramente fortuito. Dispõe ainda o art. fazendo surgir divergência entre o agente e a outra parte. Definição e generalidades: . derivado de algum equívoco da própria vítima. nas mesmas condições. prevalece enquanto não anulado por sentença. Já vimos que no direito hereditário se encontra disposição especial da mesma natureza. 89 que "a transmissão errônea da vontade por instrumento. se puder identificar a coisa ou pessoa cogitada".670. Sendo fenômeno de ordem subjetiva. telégrafo. um mensageiro ou emissário. muitas vêzes. Se o veículo utilizado não transmite fielmente a vontade. não comporta. disciplinado pelos arts. prova direta. ESPÉCIES ELEMENTOS DO DOLO PRINCIPAL.

Diz-se que o dolo é direto quando o resultado do mundo exterior corresponde perfeitamente à intenção e vontade do agente. Como tôdas as relações jurídicas e sociais. Cumpre desde logo arredar qualquer confusão entre dolo civil. assim como entre dolo civil e dolo processual. Tão enérgico quanto o êrro. Por outro lado. O dolo indireto. Ainda sob o mesmo aspecto criminal. alternativo e eventual.o I). arts. Penal.).alma. tornando-se mais precavida e reduzindo as possibilidades de ser iludida. por sua vez. 15. art. Se dessa orientação se afasta o litigante. que é o êrro intencionalmente provocado na vítima pelo autor do dolo.haja concorrido. 171 e segs. nas figuras do estelionato e outras fraudes (Cód. Penal. No direito penal. para êsse estado d. Difundiu-se a instrução pública e com isso a comunidade aprendeu a defender-se melhor. e dolo criminal. embora não queira propriamente atingi-lo. outrora mais comum. e o admite como conseqüência de sua conduta. n. no determinar a anulabilidade do ato jurídico. ou por terceiro. dolo processual é o decorrente da maneira pela qual o litigante se conduz na causa. Trataremos agora do dolo. desdobra-se em dois aspectos. Nesse dispositivo estão previstas as duas modalidades de dolo. direto e indireto. a processual é também regida pela boa-fé. é hoje menos freqüente que aquêle primeiro vício do consentimento. As sanções para essas modalidades delituosas são as contempladas no estatuto repressivo. o dolo é punido como delito específico. quando o agente quer um ou outro dos resultados possíveis de sua ação. alternativo. eventual. provocando incidentes manifestamente infundados com o único objetivo de protelar o julgamento do feito. diz-se doloso o crime quando o agente quis o resultado ou assumiu o risco de produzi-lo (Cód. incide no chamado dolo processual e que o . de qualquer forma. de que ora estamos a tratar. portando-se em suma de modo temerário. o dolo. quando êle prevê o resultado como possível. afirmando coisas falsas.

o artifício ou expediente astucioso empregado para induzir alguém à prática de um ato. essa definição. O mesmo acontece quando ardilosamente se procura frustrar plano de um inimigo ou assassino. custas em décuplo. por exemplo. enquanto no dolo. combinado com o art. 92. com a diferença de que. Num e noutro caso a vítima é iludida. ela se equivoca também. por oposição ao dolus malus. a idéia falsa é do próprio agente. elogiável e nobre. Se. a ponto de afirmar DEMOGUE que tende êste a se deixar absorver pela teoria daquele. 147. contamina-se o ato simultâneamente de êrro e dolo. no êrro. aquêle decorrente do estado de espírito da vítima. pode ter fim lícito.Como deixamos acentuado.o II. lhe é necessário. consistente no emprêgo de manobras astuciosas destinadas a prejudicar alguém. Como se distingue do erro e da fraude: . no segundo. intervindo na efetuação de um ato jurídico para viciar o consentimento do agente. porém. consoante definição de CLÓvIs. êste oriundo do emprêgo de manobras astuciosas. Excepcionalmente. dolo é. dolo civil é todo artifício empregado para enganar alguém (dolus est consilium alteri nocendi). quando se induz alguém a tomar um remédio. Em sentido restrito e técnico. perdas e danos.sujeita a várias penalidades. mas ilaqueada pela outra parte. e que. A estas armas de defesa o jurisconsulto romano atribuía o nome de dolus bonus. conquanto se ressinta de certa ambigüidade. no entanto. o dolo só aparece na esfera civil. que o prejudica. como se verá mais adiante. Aceitável é. e aproveita ao autor do dolo ou a terceiro. a idéia falsa é resultante da malícia alheia. ela se engana sôzinha. um e outro do Código Civil. No primeiro. pena cominada pelo art. íntima é a ligação entre o êrro e o dolo. Em sentido amplo. n. êle é civil e sua sanção é a anulabilidade. como honorários de advogado. que dá seu . No segundo caso. em princípio. que recusa ingerir.

a divisão já mencionada entre dolus bonus e dolus malus e por isso dela não nos ocuparemos. por certo. não só porque aquêle é mais fácil de provar. afirmando-se mesmo que êste constitui uma espécie de violência psíquica. ao inverso. Mas a diferença está em que. Aconselham os autores. acolhida pelo . acreditando numa situação que. portanto. tendo assim muito maior influência na elaboração da vontade. O ato seria. se funde a ação anulatória no dolo e não no êrro. por êrro e por dolo. o emprêgo de manobras insidiosas e desleais. Além disso. é sempre subseqüent. não se deve confundir o dolo com a fraude. o dolo é mais profundo. que. são aspectos diversos de um mesmo problema. o dolo geralmente antecede à prática do ato.Sem interêsse prático. A principal distinção é feita entre dolo principal ou essencial e dolo acidental. ao passo que a fraude se consuma sem intervenção pessoal do prejudicado. Também com a coação o dolo tem afinidade. não existe. Outrossim. como também porque o ressarcimento é mais completo que no caso de simples êrro.consentimento. pois enquanto êste atua exclusivamente sôbre a inteligência da vítima. enquanto o êrro sôbre qualidades acidentais e sôbre a causa (quando esta não é determinante) não anula o ato. no dolo. Espécies de dolo: . pode o dolo provocar-lhe a anulação. essas manobras conduzem a própria pessoa que delas é vítima a concorrer para a formação do ato. não há dolo a posteriori. duplamente anulável. em verdade. age aquela diretamente sôbre a sua liberdade. sendo certamente mais viva a reação psicológica do julgador. com êste é concomitante. entretanto.e aos atos de que se originam os direitos das pessoas prejudicadas. Têm êles ponto comum. A fraude. Ademais. evidentemente. A verdade é que a primeira tem maior gravidade que o segundo. ou no máximo.

no art. sendo os glosadores os responsáveis pela sua autoria. em primeiro lugar. 92 e 93). segundo se vê do art. segundo o artifício astucioso conste de ação dolosa (por exemplo. que é ciência da vida e não ciência das abstrações. O dolo pode ser ainda positivo ou negativo. o dolo que o origina e que sem êle não se teria concluído. prevê o Código nesse dispositivo o dolo principal ou dolo determinante. a ser banida da ciência do direito. porque não mencionada nas fontes. O dolus incidens (dolo incidente ou acidental) é aquêle que leva a vítima a realizar o ato. dizendo que isso é escolástica. para que o dolo constitua vício do consentimentO é preciso: a) . é a causa eficiente do ato. ou sejam dêste conhecidos. sua única razão. para configuração do . Requer-se assim. b) que os artifícios fraudulentos sejam graves. mas em condições mais onerosas ou menos vantajosas.que procedam do outro contratante. inegável seu valor. d) . também chamado dolo essencial. que os atos jurídicos são anuláveis por dolo. porque ajudam a fixar de modo indelével conceitos fundamentais sôbre o tema em questão. Essa diferenciação é igualmente aceita pelo legislador pátrio. erradamente atribuida aos romanos. Combate LAURENT vivamente tôdas essas distinções.que sejam a causa determinante da declaração de vontade. quando êste fôr a sua causa. 92. Mas. se procedentes de terceiro. Segundo salientamos. dolo determinante ou dolo causal.que haja intenção de induzir o declarante a praticar o ato jurídico. o silêncio intencional acêrca de determinado fato).Dispõe o Código. ou de omissão dolosa (por exemplo.nosso Código (arts. a captação no testamento). 94. Prende-se essa distinção à efetuada outrora em dolus causam dans contractui e dolus incidens. De conformidade com a lição de ESPINOLA. O dolus causam dans contractui é o dolo principal. c) . Elementos do dolo principal: .

que. ou exagera os existentes. o vendedor costuma valorizar a coisa. cuja alienação apregoa. vantagem que não obteria se não fóra o artifício. Acêrca dêsse requisito. são legais êsses ligeiros ataques à boa-fé. Fôrça admitir. sem artifícios. que sofre prejuízo. Como assevera CUNhA GONÇALvES são humanos. Só o dolus malus. ou por terceiro. é secundária qualquer preocupação em tôrno do prejuízo que venha a sofrer a pessoa ludibriada. Tais artifícios são de índole vária. afirma que a está vendendo pelo preço do custo. O comprador. Mas. Em segundo lugar. haja intenção de induzir o declarante a praticar o ato jurídico. indispensável se revistam de gravidade. neste passo. na prática. vicia o consentimento. um pouco de perspicácia. Podem consistir em atos ou palavras e até mesmo no simples silêncio. por seu turno. Por exemplo. em que descobre defeitos. Cumpre não esquecer. a essa vantagem auferida pelo autor do dolo. com um pouco de diligência. uma espécie de dolo perfeitamente tolerado. secundado por SERPA LOPES que a característica do dolo é a intenção de prejudicar no ânimo de seu autor. porém. é necessário que os artifícios fraudulentos sejam graves. . Admissíveis são essas manifestações no giro diário dos negócios. sustenta CiAvis. O exagêro. Vão desde a simples reticência até a insinuação de circunstâncias falsas. O propósito do enliçador é de obter. o dolo grave. que já obteve melhor oferta. podem ser dissipadas. isto é. no mundo dos negócios. entretanto. é o chamado dolus bonus. porque. procura subestimar o objeto. passando pela supressão de elementos verdadeiros. De qualquer forma. como observa ESPíNOLA. para si ou para outrem. que há na vida real. corresponde quase sempre prejuízo para a vítima. como. por exemplo. exalta-lhe as qualidades.dolo principal.

nem lhe impede a formação). A doutrina. Finalmente. sem perder de vista. . Urge não esquecer que o dolo se apresenta na vida prática com maior ou menor intensidade. é vacilante. imprimindo-lhe outro aspecto. Cabe destarte ao pretório a aferição dêsse elemento. a seu despeito. é óbvio.o dolo é dêsse terceiro. só quando determinante ou essencial. embora por outro modo. De acôrdo com a lição de CARVALHO SANTos. cuja presença se exige para caracterização do dolo. mas a parte não cooperou com êle. ora leva a parte. o ato se teria praticado. só obriga a satisfação das perdas e danos (art. se uma das partes o soube (art. notadamente às condições pessoais da vítima e do burlão. mas praticado com a cumplicidade da parte. Nos dois primeiroS casos o ato é anulável e válido no último. em quarto lugar. três são as hipóteses mais viáveis com referência ao dolo de terceiro: a) . à extensão do prejuízo e outras peculiaridades. ou quando o agente capta fraudulentamente a vontade do testador. c) . Esse o terceiro elemento.quando o negociante altera a aparência externa da coisa. b) . conhecendo-o apenas. para tanto. ora ainda é tolerado (caso em que não prejudica o ato.o dolo é de terceiro. que só o dolo determinante é causa de anulabilidade. 95). a praticá-lo. Ora êle é a razão única do ato (dolo principal art. O dolo acidental. 93).art.o dolo do terceiro é completamente ignorado pela parte beneficiada. aos dados concretos objetivados nos autos. alterando-lhe as condições. Pode também ser anulado o ato por dolo de terceiro. descendo. 92). quando a seu despeito. acarreta a anulação do ato. os artifícios devem ser a causa eficiente da manifestação de vontade. torna-se imprescindível que os artifícios fraudulentos promanem do outro contraente. Quais os caracteres de que as manobras dolosas devem se revestir para que se reputem graves? A lei não diz. Além de graves. por sua vez. Só quando o dolo tem aquela densidade já referida. induzindo-o a dispor em seu benefício. 93). ou modificando-lhe as cláusulas (dolo acidental .

Ainda na Parte Geral do Código. há igualmente disposição especial. realizado por procurador. Em matéria de seguro. invocar a sua idade.444 e 1. entre 16 e 21 anos. O seguro é outro contrato que fàcilmente se presta à ocultação dolosa e nos arts. porém. deve ser provado e o preceito legal em questão exige que o silêncio doloso seja intencional. ocultando. de modo especial. exemplificativamente. O dolo do representante de uma das partes só obriga o representado a responder civilmente até à importância do proveito que teve (art. a do art. nenhuma pode . 155: o menor. não pode.respondendo o terceiro pelas perdas e danos. Outras disposições: . como no dolo direto.Nos atos bilaterais o silêncio intencional de uma das partes a respeito de fato ou qualidade que a outra parte haja ignorado. espontâneamente se declarou maior. e dolosamente a ocultou. Suponha-se. provando-se que sem ela se não teria celebrado o contrato (art. inquirido pela outra parte. Se êsse dolo do representante é substancial o ato é anulável. que certo produtor venda safra de laranjas. 1. 94).446 provê o legislador a respeito. O representado responde civilmente pelos prejuízos da vítima. evidenciando-se. 1. mas tem ação regressiva contra o representante.445. salvo se com êste estava mancomunado. encontramos preceito específico. constitui omissão dolosa. 96). Mas o dolo não se presume. que sem a omissão o contrato não se teria celebrado. outrossim. para se eximir de uma obrigação. Se ambas as partes procederam com dolo. Configura-se então a hipótese do citado art. 94. ou no dolo de terceiro. ou se no ato de se obrigar. o do art. ao comprador que seu pomar se acha infestado pela leprose.

porque se êste incide sôbre a inteligência da vítima. os atos de má-fé poderão ser provados por indícios e circunstâncias". a partilha pode ser invalidada em razão do mesmo vício (art. entretanto. o dolo comum é reciprocamente compensado (ab utroque parte dolus compensandus ). Assim. êsse vício pode contaminar todo e qualquer ato jurídico. Como dizia LOYSEL. no art. 1. quando proveniente de dolo (art. GENERALIDADES E DEFINIÇÃO. 1. Em tal hipótese. O ônus da prova cabe naturalmente à parte que os alega. ela ofende de modo mais . Além disso. DA COAÇÃO. 548. para obter anulação do ato (ne ex dolo suo lucrentur). Ainda no direito das sucessões é retratável a renúncia da herança. De modo idêntico. ou reclamar indenização (art. nenhuma das partes pode invocá-la em seu benefício. ESPÉCIES. diz BUTERA que se tem o máximo da influência dolosa no caso de sugestão hipnótica sôbre o testador. a captação e a sugestão são casos peculiares às disposições testamentárias. Nesse dispositivo cuida o Código da torpeza bilateral. Edita o Código de Processo Civil.A coação é o vício mais profundo que possa afetar o ato jurídico. Já o vimos anteriormente. que "o dolo. a simulação e. a fraude. Generalidades e definição: . Admiti-lo no direito matrimonial seria tornar ainda mais instável a instituição. De um modo geral. excluído o matrimônio.805). a parte que procedeu com dolo não pode argüi-lo em seu beneficio. REQUISITOS DA COAÇÃO. Aliás. exceção na Parte Especial. 252. CASOS DE EXCLUSÃO. 97). Há. a vontade livre do agente. "en mariage trompe qui peut". a do art. para anular o ato. Na Parte Especial. OUTRAS DISPOSIÇÕES. o legislador contempla casos especiais de atuação dolosa. aquela infringe a sua liberdade. ela é mais grave que o próprio dolo. uma vez que seu impacto o atinge na própria base.590) .alegá-lo. em geral.

Por outro lado. entretanto. 344). Ela intervém igualmente no direito criminal. A coação pode. 147. Como expressão verbal. referindo-se a êsse defeito dos atos jurídicos. n. é o estado de espírito. para agravar penas (Cód. na frase de BALZAC. que lhe é exigido.590 e 1.o II) ora de violência (arts. No primeiro caso.sensível a ordem social. 146 a 148) e contra a administração da justiça (art. o gigante negro de MIRA Y LOPEZ que. portanto. perdendo a energia moral e a espontaneidade do querer. letra c). do ponto de vista psicológico. exercida sôbre a pessoa para constrangê-la à prática do ato. o vocábulo reflete com mais propriedade o meio coercitivo empregado pelo agente. ab intrínseco e ab extrinseco. a linguagem dos romanos era mais precisa. Na Parte Especial. que o estado de intimidação gerado na vítima.o III). ora o chama de coação (Seção III e art. 18) e se não o é. Nosso direito positivo. ser encarada sob dois aspectos distintos. a violência pode configurar crime contra a liberdade pessoal (arts. Penal. 1. 45. realiza o ato.nada é mais contrário ao consentimento do que a violência e o temor.595. atenualhe a pena (art. II e III). em que o agente. física ou moral. No segundo. em princípio. isenta o autor material da infração (art. ns. 48. Coação é a pressão física ou moral exercida sôbre alguém para induzi-lo à prática de um ato. É que a coação provoca o mêdo. art. derruba os sistemas e contraria tôdas as hipóteses da fisiologia. A coação não é conceito exclusivo do direito privado. n. se irresistível. é a violência. É por isso que. Já dizia ULPIANO que nihil consensui tam contrarium est quam vis atque metus . Êles empregavam o têrmo metus (mentis trepidatio) e não vis (violência). n . as regras legais de direito privado sôbre a coação. porque é o temor infundido na vítima que constitui o vício do consentimento e não os atos externos utilizados no sentido de desencadear o mêdo.o IV. são aplicáveis ao direito .

a vítima é privada de qualquer resquício de vontade. não cuida o Código dessa espécie de coação. pelo menos. ela não pode querer diversamente. como sucede no caso da violência física. para viciar a manifestação da vontade. que incuta ao paciente fundado temor de dano à sua pessoa. A primeira (vis absoluta) é o constrangimento corporal que reduz a vítima a instrumento passivo do ato.deve incutir ao paciente um temor justificado.administrativo. O exemplo clássico é apontado por RUGGIERO-MAROI: a mão da vítima é conduzida a assinar ou subscrever um documento. mas completa ausência de consentimento. Sua vontade está aniquilada (non agit.Estabelece o art. cinco são os requisitos para que a coação se delineie como vício do consentimento: a) . ou a seus bens. porque lhe falta elemento substancial. . há de ser tal. c) . que não é simples vício de consentimento. ora em estudo. na moral. o ato não é simplesmente anulável. podendo optar entre a realização do ato. à sua família. iminente e igual. Na coação moral (vis compulsiva) a vontade não é completamente eliminada.êsse temor deve dizer respeito a um dano iminente. d) .deve ser a causa determinante do ato. Espécies: .êsse dano deve ser considerável. Verificada a hipótese de total supressão da vontade. que lhe é exigido. restalhe tal opção. Requisitos da coação: . Na coação física. b) . sed agitur). mas nulo de modo irremediável. ao receável do ato extorquido". o consentimento do interessado. a vítima conserva relativa liberdade. embora a vontade declarada se coloque em oposição à vontade real (coatus tamen volui ou voluntas coacta tamen semper est voluntas). e o dano. Em face do estatuído nesse dispositivo legal. Nesse caso. com que é ameaçada. 98 do Código que "a coação.A coação pode ser física e moral. ela não pode querer coisa diversa. Na Seção III.

fome. alguém promete a outrem extraordinária recompensa pelo seu salvamento. nessa conjuntura. Ao solucioná-la. se aquela não é a razão determinante dêste não há coação. ridículo.finalmente. ou a seus bens. my kingdom for a horse". a horse. sustentam que o ato é ineficaz. reduzindo-se apenas a recompensa. Acham uns que a promessa é válida. ao exclamar: "a horse. No exame dêsse primeiro requisito interessante questão pode ser ventilada: em momento de extremo perigo. Por outras . O primeiro requisito concerne à relação de causalidade. relatar os fatos concretos e positivos da atuação do coator junto ao paciente. portanto. uma vez que o constrangimento não emana de um dos contratantes. num incêndio ou numa inundação. mas de maneira razoável e eqüitativa. entre a violência e o ato extorquido deve existir um nexo de causa e efeito. não pela forma exagerada constante da promessa. sem dúvida. sêde. com segurança. deve o dano referir-se à pessoa do paciente. à situação de RIcARDo III. em proporção com o serviço prestado. desonra. segundo o arbitrado pelo juiz. A opinião mais correta é a de que a pessoa deve ser remunerada. mutilação. A coação deve ser de molde a incutir ao paciente um temor justificado. prisão. desconsideração pública. se o promitente estava de tal modo aterrorizado que nem sequer se pode cogitar de consentimento. à sua família. mas de imprevisível acontecimento a que êstes são alheios. O ato. para si ou para alguma pessoa de sua família. na ação anulatória. A parte que pretenda a anulação do ato deve. embora reconhecendo todos que não se trata prôpriamente de coação. a existência do nexo causal. estará eivado de coação? A controvérsia suscitada assemelha-se. antes de mais nada. Êsse temor pode ser de diferentes espécies: morte. seqüestro.e) . ao revés. É o segundo requisito dela. por exemplo. em Bosworth. Outros. cárcere privado. dissentem os autores. escândalo. de molde a se poder dêles extrair. dor física.

que efetivamente infunda mêdo ao paciente. a impossibilidade de receber qualquer ajuda. o temor pode concernir a mal físico ou moral. 99 deparam-se preciosos subsídios para exame da intensidade da coação: a criança é mais sugestionável que a mulher. A ameaça de mal remoto. sem personalidade. iminente. as horas mortas do ato. que. o deprimido. era exigente: o mêdo só se justificava quando capaz de vencer a resistência de um constantissimus homo. para uma criança. De qualquer forma. em relação ao instruído que viva em meio civilizado. como dizia CELSO. preconizando a apreciação de vários elementos subjetivos e objetivos. para um doente. impossível ou evitável não constitui coação apta a viciar o . o lugar êrmo em que se verifica a violência. ameaça que seria vã para um ânimo varonil. pode ser grave para uma alma tímida. O terceiro requisito refere-se ao dano temido. Cumpre destarte levar em conta o estado d. a mulher.alma dos fracos e humildes. que lhe possam influir na gravidade". O direito romano. O direito moderno humanizou êsse rigor. fortemente imbuído do estoicismo filosófico. Outros dados hão de ser ainda sopesados: o estado de isolamento da vítima. se impressionam fàcilmente e logo se deixam dominar. em relação ao de boa saúde. vanis timoris justa excusatio non est. o rude. seja fundado. o velho. irremediável. para um velho. a multiplicidade de coatores. o enfêrmo. a idade.palavras. porquanto. 99: "no apreciar a coação. a condição. não a de um tímido pusilânime. o conjunto dessas circunstâncias há de apresentar-se com suficiente densidade. em relação ao arrebatado. o temperamento do paciente e tôdas as demais circunstâncias. se terá em conta o sexo. a saúde. em relação ao môço. longínquo. No citado art. Indispensável. todavia. em relação ao homem. Como lembra Clóvis. indicados 110 art. apto a impressionar realmente a vítima. que deve ser próximo.

É moral. Êsse dano pode ser moral ou patrimonial. o grau de afeição existente entre o coato e o parente de que se trata. mas é a que se extrai da literalidade do texto. preciso será. Estarão êles compreendidos na proteção legal? Impossível é a resposta dogmática. pelo menos. a alguém de sua família. que. não há a menor dúvida. considerados pela lei civil. Não há uniformidade de vistas sôbre o alcance da palavra família. É patrimonial. sobretudo. Pode não ser essa a solução ideal. Na segunda hipótese (dano de ordem patrimonial). o mal com que se ameaça o paciente deve ser grave (timor maioris malitatis). aliás. Viciado estará o ato se a coação exercida disser respeito a qualquer dêsses familiares. em face do art. esclarece ESPÍNOLA. a honra. assim como ao próprio coato. O mal é iminente. ao decôro e ao bom nome do paciente. tendo-se em vista. ocorre curialmente o majum malus. tudo dependerá do exame de cada caso. quer com os próprios recursos. O temor deve ser de um dano considerável. haja equivalência entre os valores confrontados. isto é. ascendentes e irmãos. descendentes. quando a ameaça é dirigida contra a vida. Mas. o dano temido é maior que o receável do ato extorquido. Em qualquer daquelas primeiras hipóteses (dano de ordem moral). além do cônjuge. Finalmente. existem ainda outros parentes. os que se encontram até o sexto grau (art. quer mediante auxílio de outrem. 331). a incolumidade física. a liberdade.consentimento. sempre que a vítima não tenha meios para furtar-se ao dano. ou da autoridade pública. Relativamente aos parentes próximos. ou a seus bens. quando o dano receável é de ordem pecuniária ou econômica. se o dano receável do ato extorquido é menor que o resultante da ameaça não se configurará a coação. . geralmente censurado. o dano receável deve concernir à vítima pessoalmente. tal como figura no dispositivo. 99.

para da vítima obter a venda amigável. premido pela atitude do credor. não há como falar em coação se o agente acena com a possibilidade de desapropriação.Encerrando a análise dos requisitos da coação. Mudará o caso de figura. ou mesmo. se disser respeito a exercício anormal ou irregular do direito. iniciar execução ou requerer falência. "não se considera coação a ameaça do exercício normal de um direito. é de se recordar a advertência de DEMOGUE: raros os atos humanos que se praticam com espontaneidade. 100 do Código. Todos vivemos sob o império de circunstâncias mais ou menos opressivas. lhe outorga procuração em causa própria ou dação em pagamento. Essa ameaça não é injusta. Ameaça de expropriação jamais poderá ser conceituada como coação. A ameaça de acusação improcedente ou irrelevante não pode abalar a resistência do paciente. preciso será que a ameaça seja injusta. é que se pode falar em coação. Da mesma forma. Idênticamente. por exemplo. desvinculados de qualquer causa extrínseca. excluída está qualquer idéia de violência se o credor por dívida vencida. se tem êste convicção de sua inocência e dos meios para comprová-la. Casos de exclusão: . como quando o credor infunde pavor ou grave . e não paga. que apenas a ameaça do exercício normal do direito não constitui constrangimento. ameaça o devedor de protestar título. só quando a pressão se reveste de anomalia. todavia. mas exercício normal de um direito. Se justa. não assume os contornos do vício simples ameaça de denúncia à polícia. para que se configure o vício. nem o simples temor reverencial". oferecimento de queixa-crime. Realmente. Ressalte-se.De conformidade com o art. não existe coação. a pretexto de que foi coagido. Se o devedor. porém. Entretanto. embora com alteração do consentimento (qui suo jure utitur neminem laedit). no sentido jurídico. Assim. não pode depois reclamar anulação do ato.

o ato é sempre anulável. Contudo. que a coação é de fato mais grave que o dolo. sem os requisitos básicos da coação. 101: "a coação vicia o ato. inquinando-se o ato de anulabilidade. verificada a coação de terceiro. um simples protesto ou interpelação poderá constituir coação. pregando que o primeiro dever do homem é prestar toda a atenção ao menor desejo de seu pai. Verificada a mesma. não é vício do consentimento. responderá esta solidàriamente com aquêle por tôdas as perdas e danos (§ 1. tenha ou não prévio conhecimento dela a parte a quem .o). Por temor reverencial se entende o receio de desgostar pai. quer a parte. Se a coação exercida por terceiro fôr previamente conhecida à parte. 95). Se a parte prejudicada com a anulação do ato não soube da coação exercida por terceiro. mero receio de desagradar os genitores. ainda quando exercida por terceiro". ou a outras pessoas consideradas nas relações sociais e profissionais. só êste responderá pelas perdas e danos (§ 2. princípio que CoNFÚcIo também anunciara.apreensão no espírito do devedor. conheça ou não a violência.o máximo crime é faltar com obediência aos pais -.A coação emanada de terceiro pode também gerar a anulabilidade. através dêsses dispositivos legais. ocorrerá abuso do direito e a ameaça deixará de ser legítima. pois. Vemos. em qualquer hipótese. Havendo abuso de direito. Nesse caso. a quem se deva respeito ou obediência. CÍCERO chegou mesmo a proclamar que peccatum est parentes violare . constitui falta grave a desobediência aos pais. Na coação assim não sucede. do ponto de vista jurídico. É o que dispõe o art. o ato é anulável. porque aquela deferência não tem o condão de obliterar a vontade livre e servir de apoio a uma ação quod metus causa.o). a quem aproveite. Do ponto de vista religioso e moral. a quem ela aproveita. nesse último vício só quando a maquinação de terceiro é conhecida da outra parte se tem a anulação (art. ou outra pessoa. Outras disposições: . superior hierárquico. mãe.

Extrajudicialmente. comum é a alegação de que foi simulada a venda feita ao retomante. SEUS CARACTERÍSTICOS. que a mesma visa a garantir a incolumidade do consentimento. 266. em um aqueles aspectos que INGENIEROS expressivamente denominou de simulação na luta pela vida. Não só na vida. social. Discute-se o fundamento dessa garantia. Se o sujeito passivo é pessoa jurídica não se pode cogitar de coação. sob determinada aparência. o ato realmente querido.o). Inevitável é mesmo que a ela tenhamos de aderir ou recorrer algumas vêzes.Como o êrro. § 2. 115). Nas ações de despejo. um ato jurídico. DA SIMULAÇÃO. porém. que. Para SAvIGNY. O direito moderno assegura. de fato. Conceito e generalidades: . 147. que tem como pressuposto a vontade livre. os litigantes simulam doenças para obter adiamento de audiências (art. Ela caracteriza-se pelo intencional desacôrdo entre a vontade interna e a declarada.o II). Mas. PARTICULARES. no sentido de criar. sob as roupagens mais diferentes. n. como também na judicial e na extrajudicial ela é comum. ou então oculta. em forma lapidar. em lances de nossa existência. sôbre os quais juízes e tribunais são chamados a se pronunciar. ela repousa na necessidade de reprimir a imoralidade que decorre da violência. Demonstrado o vício. CONCEITO E GENERALIDADES. Urde-se a simulação com mais freqüência do que se pensa. é a declaração enganosa da vontade. o ato jurídico é anulável (art.aproveite. MODALIDADES OUTRAS DISPOSIÇÕES. não é só: nos repertórios de jurisprudência numerosas as alusões a dívidas forjadas e a atos simulados. Freqüentemente. aparentemente. ESPÉCIES. com ela tropeçamos a todo instante. não existe. visando a produzir efeito diverso do ostensivamente indicado. simulação traduz uma inverdade. testemunham-se atos como ocultação do . Como diz CLóvIs. só existente na pessoa física. A própria lei adjetiva prevê a possibilidade de conluio entre as partes. que se servem do processo para realizar ato simulado (art.

em que somente um dos interessados conhece a maquinação. realização de ato jurídico mediante interposição de pessoa. Em sentido contrário. A própria causa simulandi tem as mais diversas procedências. sonegação. é uma entente de ambas as partes contra terceiro. Como bem diz CUNHA GONÇALvES. A simulação. b) . não penetrando assim no campo dos atos unilaterais. O dolo é sempre urdido contra uma das partes. é declaração bilateral da vontade.em regra. no dolo. . a simulação é declaração bilateral da vontade. desde o extremo do escrúpulo de consciência até ao da absoluta falta de escrúpulos. uma das partes é enganada pela outra. mas pode existir também nos atos unilaterais. e a vontade declarada no ato. ao contrário. uma e outra têm conhecimento da burla. ora a fraudar o fisco. Em regra.A simulação apresenta-se com as características seguintes: a) .verdadeiro preço da coisa no contrato de compra e venda. do dolo. como ensina ESPINOLA. para quem a simulação é o resultado do acôrdo de duas partes. Não é possível. na simulação. Ora visa a burlar a lei. ora a prejudicar a credores. quer por terceiro. desde que se verifique o ajuste do declarante com outra pessoa. quer pela outra parte.não corresponde à intenção das partes.é sempre concertada com a outra parte. sendo apenas ignorada de terceiros.é feita no sentido de iludir terceiros. Por outras palavras. d) . a coexistência. Seus característicos: . ora a guardar em reserva determinado negócio. levada a efeito para ludibriar terceiro. de dolo e de simulação. pois. c) . portanto. o que verdadeiramente caracteriza a simulação é o seu conhecimento pela outra parte. ou com a pessoa a quem ela se destina. Distingue-se. A terceira característica desta é a proposital divergência entre a vontade interna. a opinião de FERRARA. ou real. antedata de documento. Entretanto. encontra-se a simulação tôda a gama de motivos. nenhuma das partes é iludida. no mesmo ato jurídico.

nesse caso. levando-os a acreditar que são positivos e certos. nos termos do art. que simula venda de seus bens a parente ou amigo. c) . na feliz expressão de BALDO. a simulação perpetra-se no sentido de iludir terceiros. a absoluta e a relativa. se pretende ultimar (colorem habens. para contornar a proibição do art. mas êste: a) . não realmente queridos pelos interessados.o II. ilusório.é de natureza diversa daquele que. não quiseram as partes efetuar ato algum (nihil agitur). em qualquer das suas modalidades. 1. Finalmente. 147. imaginários.Êste não corresponde à verdadeira intenção das partes. do Código Civil.trata-se de declaração bilateral da vontade. É absoluta. d) . mas realizada por intermédio de compra e venda simulada. Espelha uma simples aparência. quando efetivamente há intenção de realizar algum ato jurídico. deliberadamente. não sendo intenção das partes efetuar ato algum (colorem habens. O ato é inexistente. se subtraiam à execução dos credores. concretizado ou apresentado sob aparência irreal ou fictícia. quando a declaração de vontade exprime aparentemente um ato jurídico.é feita no sentido de iludir terceiros (cônjuge e herdeiros do doador). que jamais pretenderam realizar compra e venda. Em verdade. n. que. aparentemente alienados. a fim de que os mesmos. b) .ela é fruto de prévio ajuste entre o doador e a beneficiária.não corresponde à intenção das partes. por exemplo.177 do Código Civil. substantiam vero nullam). doação de homem casado à concubina. É o caso do devedor. Evidenciada a simulação. de fato. negócios jurídicos fantasiosos. É relativa. substantiam . o ato é anulável. Suponha-se. fictício. disfarçam seu pensamento. Caracteriza-se essa modalidade de simulação pela completa ausência de qualquer realidade (umbra sine effectu). Tôdas aquelas características aí se apresentam de modo indelével: a) . uma sombra vã. um corpo sem alma. Espécies: A doutrina distingue duas espécies de simulação.

rôto o invólucro. com efeito. Por exemplo. o invólucro e o conteúdo. a fim de consumir o patrimônio do casal. em seguida ou mais tarde.não contém elementos verdadeiros. Por exemplo. Vemos. Com freqüência é ela consumada na vida prática. ou de violar disposição de lei. a fim de reduzir o quantum do impôsto de transmissão da propriedade. as partes realizam negócio jurídico diverso do que soam as palavras. ressalvada à Fazenda. que se apressam a executar os títulos e assim consumir os bens existentes. concretize o ato que o primeiro tinha originàriamente em mira. graves e concordantes. A prova da simulação pode assentar em indícios e presunções. Nesse terreno encontrará devida aplicação o art. Diz-se. forja dívidas. c) .não é efetuado entre as próprias partes. pricipiando pelo da ocultação do caráter jurídico do ato. alguém. o do ato que se aparentou fazer e o do ato que na realidade foi feito. é óbvio. para que êste. sem outros embaraços. Se não houver intenção de prejudicar a terceiros. 1. ou melhor. 252 do Código de Processo Civil.vero alteram). cumpre examinar a validade do que restou. ou a figura do palha. desejando vender bens a um dos descendentes e não podendo satisfazer a exigência do art. hipótese em que subsiste o ato. pois. quão importante é essa classificação.132 do Código Civil. É o caso da doação à concubina. nesse caso. Desfeito o ato aparente. b) . Vislumbram-se. mascarada sob aparência de venda. numa escritura de compra e venda. Passemos agora aos casos de simulação relativa. na iminência do desquite. os contratantes mencionam preço inferior ao real. é o marido que. Por exemplo. que emite cambiais em favor de amigos. do conteúdo. Volvase. É o devedor. aparecendo então o testa-de-ferro. simula alienação a terceiro. à simulação absoluta. nesse caso. o ato dissimulado é válido (plus valet quod . dois aspectos distintos. Para alcançar seu objetivo. a percepção dos respectivos direitos fiscais. que a simulação é parcial. o prestanome. não tendo assim de pagar a meação da espôsa. seus dados são inexatos. desde que precisos. o fingido e o real.

condição. necessária com relação a terceiros. confissão. as antedatas vão tornando-se cada vez mais raras. O intuito do declarante é o de inculcar a existência de um titular de direito. ilícito o conteúdo. condição. embora parcial. Quando aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas das a quem realmente se conferem. cumpre observar que a simulação só se ultimará quando se completar com a transmissão dos bens ao real adquirente. confissão. II.por ocultação da verdade na declaração (n. A simulação pode ser ainda inocente ou maliciosa. Três. quanto à menção no ato de elementos falsos ou inexatos. nenhum direito se outorga ou se transfere. Quando os instrumentos particulares forem antedatados. a simulação.agitur quam quod simulate concipitur).o III). todavia. ou mesmo em interposição. Finalmente. ou cláusula não verdadeira. III. será anulável. não se pode falar em ato proibido.o II). Quando contiverem declaração. na hipótese contrária. nos têrmos expostos. Presentemente. devido à exigência da autenticação pelo reconhecimento da firma. Referentemente à interposição de pessoas. b) . Enquanto esta não se realiza. ou transmitem. poderá assumir aspecto criminoso. mencionado na declaração. reprimido pelo art. servindo seu nome exclusivamente para encobrir o da pessoa a quem de fato se quer outorgar ou transferir o direito de que se trata.o I). ou pós-datados. 102 do Código Civil que haverá simulação nos atos jurídicos em geral: I. c) . resultando de declaração.por falsidade da data (n. A simulação pode ser então absoluta ou relativa. caso em que verdadeiras não são as datas apostas nos documentos. vindo a constituir delito de falso documental. ao qual. ou cláusula não verdadeira. Dispõe o art. ou pela inscrição do documento no Registro de Títulos e Documentos. É . 299 do Código Penal. por conseguinte. as espécies de simulação consideradas pelo legislador pátrio nesse dispositivo: a) por interposição de pessoa (n.

Estará nesse caso. Envolvendo esta propósito lesivo aos direitos ou ínterêsses de outrem. ou de violar disposição de lei". a parte nada pode argüir ou requerer em juízo no tocante a ela. Assim também se a simulação visou a infringir preceito legal. Havendo. ou requerer os contraentes em juízo quanto à simulação do ato. Na mesma ordem de idéias. ou infringir preceito de lei. ou objetivando burlar a lei. ou de violar disposição de lei. nada poderão alegar. ou da fazenda". exemplificativamente. os simuladores nada poderão alegar contra o ato. mas . quando não existe intuito de violar a lei. Nessas condições. isto é. sem herdeiros necessários. quando não houver intenção de prejudicar a terceiros. Em casos tais. Estabelece o art. 103: "a simulação não se considerará defeito em qualquer dos casos do artigo antecedente. "tendo havido intuito de prejudicar a terceiros.inocente. que faz doação à concubina. decidiu o Tribunal de Justiça de São Paulo que se considera inocente simulação levada a efeito por declarante solteiro. retira tôda validade ao ato por ela viciado. em litígio de um contra o outro. 105 que "poderão demandar a nulidade dos atos simulados os terceiros lesados pela simulação. a bem da lei. intenção de prejudicar a terceiros. ou contra terceiros" (art. ninguém será admitido a alegar a própria torpeza (nemo de improbitate sua consequitur actionem). deve ser tolerada. ou de lesar a outrem. sob forma de venda Sendo inocente. inspirada no propósito de evitar atritos e dissenções com pessoas que se julgam com direito ao mesmo benefício outorgado a outrem. Os simuladores não têm qualidade para argüir a simulação. ou os representantes do poder público. simulação de ordem moral. de acôrdo ainda com o mesmo art. 104). se a simulação tem por escopo prejudicar a terceiro. em litígio de um contra o outro. a simulação é maliciosa. porém. 104. Dessa modalidade de simulação cuida o art. ou contra terceiro. só os próprios prejudicados serão partes legítimas para deduzi-la em juízo.

de que não cogitou nosso Código. inclusive em embargos à execução. Mas. pois em ambas se declara coisa que não se pretende. Se a simulação é um fantasma. sob pena de anulação do feito. o rancor). ou da fazenda. Na ação simulatória. aquêle que pede o reconhecimento do vício precisa demonstrar o prejuízo que o ato lhe acarreta. o enganado é o outro contratante. Embora a pessoa que emita a declaração guarde em mente o secreto propósito de não cumprir o prometido. por qualquer forma. a simulação pode ser alegada não só em ação especial. na dissimulação.Cumpre não confundir simulação com dissimulação. participaram do ato jurídico. com o intuito exclusivo de enganar. ao passo que na simulação a impostura é bilateral. sôbre a inexistência de situação real. falta interêsse ao autor para a propositura da demanda. nos seguintes têrmos: na simulação. a dissimulação uma máscara. se não houver prejuízo. Entretanto. a simulação é unilateral. aquela procura uma ilusão externa. tem a simulação ponto comum. Distinguiu-as FERRARA.a lei igualmente confere aos representantes do poder público. Mas a diferença entre elas está em que. a simulação provoca uma crença falsa num estado não real. em ambas. urdida por ambos os contratantes. busca esta uma ocultação interna (dissimula-se o ódio. como na pauliana. na dissimulação oculta-se o que é. quer enganar sôbre a existência de situação não verdadeira. na simulação. faz-se aparecer o que não existe. na reserva. não pode . legitimação processual para pleitear a decretação da nulidade. a bem da lei. Também com a reserva mental. Modalidades particulares: . o agente quer o engano. mas também como matéria de defesa. Para essa ação devem ser citados todos quantos. a dissimulação oculta ao conhecimento dos outros uma situação existente. porquanto.

tendo em mira a concretização de determinado efeito prático. Civil). Negócio fiduciário é aquêle em que uma pessoa transmite a outra a propriedade ou titularidade de um bem ou direito. A simulação diz respeito ao elemento subjetivo. em conformidade com o pactuado em ressalva. Civil. a segunda é de natureza intelectual. realmente efetuado pelas partes. A simulação não se confunde. ao momento espiritual do ato. uma vez alcançado o objetivo. combinado com o art. se conhecia. assim como na verificação de créditos em falência (Dec. Cumpre outrossim. nos têrmos do art. Se esta não é conhecida. aninhando-se nela pensamento muito diverso daquele que de fato animava os contratantes. os simuladores fingem o acôrdo de vontades que no documento é atestado. Na simulação. não confundir a simulação com a falsidade (aliud est falsum. art.-lei n. Proc. . Proc. O fiduciário não pode trair a confiança nêle depositada. a declaração de vontade peca pela sua dobrez. aliud simulatum). por igual. para determinado fim. O primeiro constitui contrafação física. 1.661. ou a realidade dos fatos. ou a transferi-la a terceiro. 252). Civil. obrigando-se a segunda a restitui-la.024 do Cód.555. com o negócio fiduciário. Pode ela ainda ser discutida em concurso de credores (Cód. n.Vimos que a simulação se prova por indícios e circunstâncias (Cód. a menos que a outra parte tenha conhecimento da reserva mental. A atuação delas é balizada pela fidúcia. A falsidade consiste na adulteração da materialidade do instrumento ou documento. Enquanto o falsário altera o documento. haverá simulação e o ato é ineficaz. Outras disposições: .o 7. o ato subsiste. 1. A diferença entre êle e a simulação reside na circunstância de que o primeiro é negócio realmente sério. dado o fim a alcançar. ao contrário. art.o II.subtrair-se ao declarado. 102.

Civil. letra b. do mesmo Código (quatro anos). exposto à vingança do credor sobre a própria pessoa. exclusivamente. não há essa reserva ou separação de bens. Civil. GENERALIDADES. DISPOSIÇõES ESPECIAIS. a execução transferiu-se do corpo do devedor para o seu patrimônio. com a garantia genérica. o devedor oferece ao credor uma garantia específica. art. 99).escrito a mão). proporcionada pelos bens do devedor. É o princípio que ora anima o direito universal. Nesses casos. § 9. § 32. Generalidades: .072) e o seu prazo prescritivo vem a ser o do art. 1. da Constituição Federal.o V.de 21-6-1945. Em tal hipótese. A situação do devedor impontual era análoga à do escravo. evolução que levou TITO Livio a dizer dela ser "a aurora de uma nova liberdade". só em casos excepcionais e restritos. 178. em detrimento da sua liberdade e até mesmo da vida. DEFINIÇÃO E ELEMENTOS CONSTITUTIVOS. Entre nós. DA FRAUDE CONTRA CREDORES. ao cumprimento da obrigação (Cód. móvel ou imóvel. para constituição de garantia real. art. não dispõe de garantia específica. que recai sôbre determinado bem. Conta então o credor. 141. se permite a prisão civil por dívida. êle conta apenas com a . indicados no art. ATOS SUSCETÍvEIS DE FRAUDE.o. 755). como acontece no penhor e na hipoteca.Primitivamente. Comumente. Algumas vêzes. AÇÃO REVOCATÓRIA. Estava êle então sujeito a duríssima execução corporal. êsse credor. Desde então. por intermédio da manus injectio. É inoponível ao cessionário de boafé (Cód. pelos débitos que contraísse responderia o devedor com os seus bens. o devedor respondia com o próprio corpo pelas obrigações assumidas. inspirada em altos sentimentos humanitários. a coisa dada em garantia fica sujeita por vínculo real. que se chama quirografário (do grego chirografo . art. Com o advento da famosa Lei Poetelia Papiria. n. porém.

os caracteres da fraude. por diversos meios. Num sentido amplo. 106 a 113. com um pouco de bom-senso. o nexo causal. outorga de direitos preferenciais e outros recursos. renúncia de herança. tais como alienação de bens. discutirá melhor que o mais sutil jurisconsulto. ou por ter sido praticado em estado de insolvência. O elemento subjetivo (consilium fraudis) é a má-fé. sob a rubrica de fraude contra credores. entre o ato do devedor e a insolvência dêste deve estar entremeado. que o juiz. ela pode ser conceituada como o artifício malicioso empregado para prejudicar a terceiros. idôneos e enérgicos. sed in eventu). como na venda fraudulenta. todavia. Compõe-se de dois elementos. . a relação de causa a efeito. existir sem ser premeditada (fraus non in consilio. dizia LAURENT. Pode êste. não se acham êstes desamparados. o propósito deliberado de prejudicar credores. Definição e elementos constitwtivos: . o patrimônio do devedor. desfalcar ou comprometer essa garantia. Na conceituação de consilium fraudis não tem relevância o animus nocendi. como na renúncia de herança. A fraude pode. O elemento objetivo (eventus damni) é todo ato prejudicial ao credor. Aí está esboçada a matéria que o Código Civil disciplina principalmente nos arts. Pode advir do devedor. por tornar o devedor insolvente. um objetivo e outro subjetivo. porém. remissão de dívidas. em detrimento dos credores. Basta que o devedor tenha consciência de que de seu ato advirão prejuízos. No primeiro caso. ou do devedor aliado a terceiro. Arma-os a lei de meios apropriados. para invalidarem os atos fraudatórios e assim recomporem o desfalcado patrimônio do devedor. o intuito malicioso de prejudicar. Mas. pois. evidente.Não tenhamos a pretensão de definir a prior.garantia comum a todos os credores. isoladamente.

JosÉ AUGUSTO CÉsAR que é errôneo o título . procura o Código reprimir a fraude verificada em cinco tipos de negócios jurídicos: a) . poderão ser anulados pelos credores quirografários como lesivos dos seus direitos". quando os pratique o devedor já insolvente. nos seguintes têrmos: "os atos de transmissão gratuita de bens. O direito pátrio contenta-se com o eventus damni. Prevê o Código. portanto. ou melhor. do ato lesivo. uma vez demonstrados os pressupostos referidos. com relação ao cúmplice do fraudador (particeps fraudis) não se cuida da intenção de prejudicar. apreciável simplificação na teoria da fraude contra credores. Houve.em atos de remissão de dívida. 106. ou por êles reduzido à insolvência. Basta que o devedor pratique qualquer dêsses atos em estado . É ela disciplinada pelo art. d) . presume a fraude. ou deva ter. bastando o conhecimento que êle tenha. Atos suscetíveis de fraude: . Os segundos constituem perdão da dívida (art. Principiemos pela fraude em atos de transmissão gratuita de bens e de remissão de dívida. porque.Na Seção V. quando se comprovasse concorrentemente o intento de prejudicar.053). em verdade. os de transmissão gratuita de bens e os de remissão de dívida.em contratos onerosos.em outorga de direitos preferenciais. Verificaremos ainda que a fraude pode contaminar outros atos jurídicos. resultarão para os credores.em pagamento antecipado de dívidas. ou remissão de dívida. Entende por isso o Prof.fraude contra credores -.Igualmente. O direito romano só concedia ação revocatória (ou pauliana). não corresponde à instituição. c) . b) . Entre os primeiros estão a doação e o dote. do estado de insolvência do devedor e das conseqüências que. não exige que o ato seja intrinsecamente fraudulento.em atos de transmissão gratuita de bens. 1. portanto. e) . duas categorias de atos.

Justifica-se. porquanto. sem dúvida. Adverte. A razão da maior severidade quanto aos atos onerosos é que nestes. podem pleitear-lhes a anulação"."serão igualmente anuláveis os contratos onerosos do devedor insolvente. enquanto o adquirente a título gratuito procura apenas assegurar um . para que possam ser invalidados como lesivos aos direitos dos credores. Não têm êsse direito os credores com garantia real. quando o adquirente contesta a ação revocatória. o § único do art. porém. ou então. no penhor e na hipoteca. nem que os beneficiários estejam inteirados da insolvência. insista-se. Mas a prova da insolvência é indispensável. que o ato haja reduzido o devedor a êsse Estado.de insolvência. Examinemos agora a fraude verificada em contratos onerosos. falece aos respectivos titulares legítimo interêsse em propor a ação revocatória. Não se requer prova de qualquer outro requisito. ou que êstes o reduzam a tal estado. Sem ela não se configura o interesse econômico do autor em mover a ação revocatória. que já o eram ao tempo dêsses atos. completa segurança de que serão oportuna e devidamente reembolsados. 106: "só os credores. Se os créditos são posteriores. nos seguintes têrmos: . essa diversidade de tratamento. quando a insolvência fôr notória ou houver motivo para ser conhecida do outro contraente". procura subtrair-se a um dano (certat de damno vitando). Contenta-se a lei tão-sômente. 107 do Código Civil. com a prática do ato em estado de insolvência. Rege o assunto o art. ao se tornarem credores. Não se exige assim que o devedor tenha tido intenção de prejudicar credores. já encontraram caracterizado o estado de insolvência e contra êste nada poderão reclamar. o qual se caracteriza quando a soma do ativo do devedor é inferior à do passivo. porque encontrarão êles. Só os credores quirografários podem reclamar-lhe a anulação.

Quem contrata com devedor insolvente evidencia intuito malicioso. mercê de protestos. notória ou presumida.também não pode alegar ignorância dêsse estado quem. não existe contraprestação. a scientia se presume nesse e noutros casos análogos. d) . quando sabida de todos. entre os contratantes é indício de fraude (fraus inter parentes facile praesumitur). mas em seu lugar entra outro. Assim. ou desde que haja motivo para ser conhecida da outra parte.ganho (certat de lucro captando).o emprêgo de cautelas excessivas é também. A respeito dêsse conhecimento presumido. Por outras palavras. sai um valor do patrimônio do devedor. se o ato é oneroso. Os contratos onerosos são.o parentesco próximo. manifesta. quase sempre. devendo o outro contraente restituir aos credores o lucro obtido com a fraude do devedor. embora dela não haja participado. portanto. do conhecimento geral. É notória. A insolvência pode ser. anteriormente. b) . pai que contrata com filho insolvente dificilmente poderá argüir sua ignorância sôbre a má situação econômica dêste.relações íntimas de amizade. ou afinidade próxima. indicativa de fraude. havia feito protestar títulos de responsabilidade do devedor. pois um contratante de boa-fé instintivamente se retrai. pois. publicações pela imprensa ou cobranças contra o devedor. negócios mútuos ou comuns. Presumida. . c) . anuláveis desde que notória a contemporânea insolvência do devedor. quando o adquirente tinha motivos para saber do precário estado financeiro do alienante. se o ato é gratuito. assentou a jurisprudência a seguinte orientação: a) . pública. convivência freqüente. levam a presumir ciência do adquirente quanto à má situação patrimonial do devedor e a impossibilidade de solver suas obrigações.

desobrigar-se-á depositando-o em juízo. Examinemos agora a fraude consistente em antecipação de pagamentos. Restabelece-se o justo equilíbrio. há indício de má-fé e o feito deve prosseguir. ficará obrigado a repor. Dispõe a respeito o art. pode êle ser excluído da ação revocatória. a fim de que.quando depara tal estado econômico. se o preço não foi justo. o corrente. Se a obrigação já se vencera. embora insolvente. em concurso creditório. De acôrdo com êsse dispositivo legal. obrigando-se o favorecido a restituir ao acervo o que extemporâneamente embolsou. enquanto o credor embolsa apenas aquilo que de direito lhe cabia. com citação edital de todos os interessados". 108: "se o adquirente dos bens do devedor insolvente ainda não tiver pago o preço e êste fôr. que receber do devedor insolvente o pagamento da dívida ainda não vencida. só se anula por fraude pagamento de dívida ainda não vencida. se um dêles é pago antecipadamente. mediante consignação judicial da quantia devida. o qual. Entretanto. 110: "o credor quirografário. receba o que fôr de direito. em proveito do acervo sôbre que se tenha de efetuar o concurso de credores. Caracteriza-se assim a participatio fraudis. aproximadamente. Igualmente constitui fraude a outorga de direitos preferenciais a um dos credores. 111: "presumem-se fraudatórias dos direitos dos outros credores as garantias . A propósito do mesmo assunto dispõe o art. em detrimento dos demais. nesse caso. Prescreve realmente o art. vem a ser beneficiado. aquilo que recebeu". Todos os credores quirografários devem permanecer no mesmo pé de igualdade. não fêz mais que o seu dever. O adquirente só pode valer-se dêsse meio liberatório se justo o preço contratado. o pagamento respectivo constitui ato normal e lícito do devedor.

Observe-se. nos têrmos do art. nos mesmos casos (art.de dívidas que o devedor insolvente tiver dado a algum credor". Os ditames éticos procuram expulsá-las de todos os departamentos do direito. A constituição da garantia vem situar o credor favorecido numa posição privilegiada.o III). bem assim interrompêla. contra a vontade. podem os credores alegar a prescrição. que nessa faculdade não se compreende a de aceitar doação ou legado. quando não o faça o próprio devedor. As garantias. desde logo. o direito não tolera a fraude. 112. 755). todavia. A fraude resulta do próprio ato. 162. 691). b) . Esclareça-se. Mas. uma vez demonstrada a insolvência do devedor. outras providências são ainda tomadas pelo Código. são as reais (art. 111 é juris et de jure. a que se refere o texto. anticrese ou hipoteca. Como disse IVAIR NOGUEIRA ITAGIRA. d) . tornando problemática a solução do passivo pelo devedor. ao mesmo tempo que agrava a dos demais. não vencível por prova contrária.podem ainda impugnar o abandono gratuito do prédio aforado pelo enfiteuta (art. no entanto. 174. não se faz benefício (invito beneficium non datur) . "presumem-se de . 1. nem jamais teve indulgência para com a má-fé. 308. c) podem opor-se à separação do dote. A paridade que deve reinar entre os credores ficará irremediavelmente comprometida se houver outorga a um dêles de penhor.com autorização do juiz. quando fraudulenta. podem aceitar herança recusada pelo devedor (art. n.não vale desistência de ação pelo devedor se a ela se opõe credor com penhora nos direitos do autor. recusados pelo devedor. que pelo art.586). Aí estão os atos fraudulentos contemplados na Seção V e passíveis de revogação. no sentido de combater a fraude: a) de conformidade com o art. porque essa recusa pode ter sido ditada ou inspirada em motivos ponderosos de ordem moral e também porque. e) . Ensina CARVALHO SANTOS que a presunção do art.

Os atos eivados de fraude são anuláveis de acôrdo com o art.não pertence ao texto oficial do Digesto. O credor posterior encontra comprometido o patrimônio do devedor. Ao credor com garantia real não assiste êsse direito. e assim chamada por cusa do pretor PAULO.o nome pau Pana não é antigo. socialmente útil. Áção revocatória: . Enquanto existirem tais bens os créditos estão garantidos e o pagamento assegurado. Não obstante. a que tão freqüentemente fazia apêlo o direito pretoriano. agrícola. citado por JAIME LEONEL. do Código Civil. segundo intervenha ou não o elemento da fraude. Como esclarece João Luís ALVES. ficando a critério do magistrado a apreciação do que seja negócio indispensável à manutenção da atividade do devedor.boa-fé e valem. só o quirografário pode intentá-la. Só pode ser proposta por credor. A anulação é demandada pela ação revocatória ou pauliana. c) . segundo o nome do jurisconsulto Paulo. Trata-se.foi criado por um glosador posterior ao Digesto. 147. b) . na frase de GrouBER. Mas. Como se trata de ação de natureza pessoal. realmente. ou não. pois. o ato será apreciado conforme as circunstâncias e o juiz o anulará. Como adverte LOMÔNACO ela surgiu em homenagem àquele princípio de eqüidade natural. que já o fôsse quando se praticou o ato . direito de reclamar contra a suposta fraude.acoimado de fraudulento. n. Acrescentese que a enumeração é simplesmente enunciativa. mesmo no caso de venda.o II. não tendo. independe de . A presunção é juris tantum e pode ser destruída por prova contrária. eminentemente moralizadora. afirma COLLINET: a) . os negócios ordinários indispensáveis à manutenção de estabelecimento mercantil. de origem romana. por falta de interêsse econômico ou moral. de ação essencialmente eqüitativa. Os bens que acompanham os créditos os seguem por tôda a parte. ou industrial do devedor". seu introdutor nos editos.

Título II. Efetivamente. a vantagem resultante reverterá em proveito do acervo sôbre que se tenha de efetuar o concurso de credores (art. deverá ser êste igualmente citado.A revogação de atos fraudulentos encontra importante aplicação em matéria falimentar. às quais neste ensejo nos reportamos. todos da maior relevância. deve ela ser promovida não só contra o devedor. Disposições especiais: . 113). Assim. 888. mesmo porque a eventual execução de sentença terá de ser dirigida contra o adquirente. A ação. Dispõe mais a lei adjetiva (art. para que vingue a ação contra o último. sua nulidade importará sômente na anulação da preferência ajustada (§ único).o 7. Na legislação processual deparam-se igualmente diversos preceitos legais conexos. 106 e 107. preciso será que se prove sua má-fé. a pessoa que com êle celebrou a estipulação considerada fraudulenta. 109). 252. Se os atos revogados tinham por único objeto atribuir direitos preferenciais. detentor da coisa.661. sempre com habilidosa premeditação. 52 a 58. A ação não pode destarte ser ajuizada exclusivamente contra o devedor insolvente. n. de 21-6-1945. ou terceiros adquirentes que hajam procedido de má-fé (art.outorga uxória. nesse caso. ou penhor. mediante hipoteca. como também contra a pessoa que com êle celebrou a estipulação considerada fraudulenta. Se o objeto alienado pelo devedor já foi transmitido a um subadquirente. Seção V. processando-se às ocultas. O Decreto-lei n. nos casos dos arts. poderá ser intentada contra o devedor insolvente. sob pena de nulidade ab initio. Anulados os atos fraudulentos.o V) que ficarão sujeitos à execução bens alienados ou hipotecados em fraude de . encerra várias disposições sôbre o assunto. pode a fraude ser provada por indícios e presunções. porém. a começar pelo art. anticrese. arts.

857.024). Proc. finalmente. de 9-11-1939). são cláusulas que se adicionam ao ato para o . mais manifesto. sendo levada a efeito pelo devedor para frustrar-lhe a execução. o vício é mais patente. Os primeiros são os elementos essenciais. 231 (Dec. a fraude de execução aproveita apenas ao exequente. a estrutura do ato. CONDIÇÃO. art.accidentalia negotii. GENERALIDADES. Nesta. TÊRMO. apenas anulável. 1. Os segundos são as conseqüências que decorrem do ato. A decretação da fraude de execução independe de revocatória. o reconhecimento da segunda não está subordinado à preexistência de demanda em relação ao ato considerado fraudulento. II) . SUA GeneralidadeS: . uma vez reconhecida. a fraude contra credores é defeito dos atos jurídicos. mas ela pode ser também proclamada em concurso de credores (Cód. DEFINIÇÃO E ELEMENTOS CONCEITUAIS DA CLASSIFICAÇÃO. assim é realmente na generalidade dos casos. enquanto a fraude contra credores só pode ser pronunciada em virtude dessa ação. MODO OU ENCARGO. Cumpre evitar qualquer confusão entre os dois conceitos: fraude de execução não se confunde com fraude contra credores.execução. a fraude de execução é incidente do processo.Salientou-se. III) . aproveita a todos os credores. havendo até quem afirme se tratar de presunção juris et de jwre a verificação de qualquer dos fatos apontados pela lei como caracterizadores dela. no estudo dos atos jurídicos. Civil. que êles se decompõem em vários elementos: I) . que lhe formam a substância e sem os quais o ato não existe. Aquela torna nulo o ato. Dissemos que o reconhecimento da fraude contra credores depende de ação revocatória. A primeira pressupõe demanda em andamento. independentemente de expressa menção. A fraude contra credores.naturalia negotii. De fato. ao passo que esta. DAS MODALIDADES DOS ATOS JURÍDICOS. Os terceiros.o 4. regulado pelo direito público. disciplinado pelo direito privado. assim como nos processos indicados no art. n.essentialia negotii.

por exemplo. Êsses elementos acidentais. ou o pagamento do preço. constitui assunto delicado. sem os quais não pode existir o ato. Definição e elementos conceituais da condição: . assumem capital importância na teoria dos atos jurídicos: a condição. são de uma variedade infinita. a cláusula. sem excluir outras modificações derivadas de cláusulas e de pactos. de pagar o preço convencionado. mas. porque resultam de sua própria natureza. quando as partes protelam a entrega da coisa.das modalidades dos atos jurídicos -. o preço e o consentimento. subordinando-os a acontecimentos eventuais e incertos.fim de modificar uma ou algumas de suas conseqüências naturais. seu tato e sutil penetração. inquestionavelmente. de elementos acidentais. O estudo dessas modificações. reunidas pelo legislador sob a rubrica . Do mesmo contrato decorrem os elementos naturais. Êsses elementos naturais podem ser alterados por elementos acidentais. como a obrigação do vendedor de entregar a coisa vendida e a do comprador. comumente. 114 do Código Civil. que.Considerase condição. como realmente se trata. Trata-se. a ser escandido com particular discernimento. modificadores dos elementos naturais. o têrmo e o modo ou encargo. adiando-os para data futura. subjeitando-Os a encargos ou obrigações. de tema em que os juristas romanos fizeram resplandecer com mais brilho sua sagacidade. se reduzem a três. porque aos atos jurídicos é dado subsistir sem a respectiva inserção ou estipulação. que não precisam ser expressos. pelos seus efeitos e pelo seu cunho de generalidade. como. desde o direito romano. que subordina o efeito do ato jurídico a evento futuro e . tratando-se. são a coisa. Se volvermos ao exemplo da compra e venda recordar-nos-emos de que seus elementos essenciais. reza o art.

Fato passado. Mas a condição.incerto. Veja-se o exemplo ministrado por SPENCER VAMPRÉ: prometo certa quantia se premiado meu bilhete de loteria que ontem correu. sem afetar a disposição. não é condição. precisa relacionar-se ainda a um acontecimento incerto. Discutem os autores acêrca da natureza das condições. Realmente. Assim. convertendo-se em pura e simples. não posso ser constrangido a cumprir a promessa. Se o fato futuro fôr certo. No primeiro caso. se eu digo: dar-te-ei um dote. em geral. a estipulação tornou-se ineficaz por ter falhado o implemento da condição. ou mesmo presente. não tendo igualmente a pessoa a quem ela é feita o direito de exigir-lhe a efetivação. as quais. São por isso denominadas condições impróprias. O direito pátrio. a condição diz respeito a um evento futuro. a estipulação deixou de ser condicional. Antes de realizada a condição. uma de duas terá ocorrido: ou o fato se verificou ou não se verificou. tornando-se ineficaz a declaração da vontade. a futuridade e a incerteza do evento. se esta se reporta a um fato passado. Nessa definição aparecem claramente os dois elementos conceituais da condição. por exemplo. enquanto não realizada a condição prevista na estipulação. que não admitia como verdadeiras condições aquelas quae ad praeteritum vel praesens tempus referuntur. conformou-se ao sistema romano. ainda que desconhecido ou ignorado. que pode se verificar. Em primeiro lugar. Nesse caso. ou não. a rigor. como a morte. afirmando uns que se trata de autolimitações da vontade. além de referir-se a fato futuro. o ato é ineficaz e nenhum efeito produz. em tal hipótese. a promessa se anulou. No segundo. quando te casares. nada deixam em suspenso. enquanto . ou presente. como as demais legislações. ou o bilhete está branco e. nessa matéria. não será mais condição e sim têrmo. ou o bilhete está premiado e a obrigação constante de minha promessa é pura e simples (e não condicional).

entretanto. Podem as condições adaptar-se à generalidade dos negócios jurídicos. sobretudo aos direitos de família. não se sujeitam a condições a adoção (art. porém. são as que não têm possibilidade de se concretizar. Assim. sem nenhum alcance prático. que se reputa celebrado sob condição suspensiva: se o casamento se realizar. o reconhecimento de filho (art. são eminentemente condicionais. como o pacto antenupcial. seja por obstáculo de ordem legal. Subdividem-se assim em fisicamente possíveis e juridicamente possíveis. 375). observa Clóvis. São possíveis as realizáveis. Por exemplo: dar-te-ei tal objeto. ou de acôrdo com as disposições legais.583). A alguns. a aceitação da testamentaria. unilaterais ou bilaterais. não se pode submeter a condição ato como o matrimônio. 361). elas podem ser possíveis e impossíveis. gratuitos ou onerosos. inter vivos e mortis causa. Da mesma forma. seu repúdio. aquelas cujo implemento é tolhido pela natureza. As primeiras são aquelas quae natura impleri nou possunt. repugna essa modificação. ou que podem acontecer. subdividem-se em condições fisicamente impossíveis e condições juridicamente impossíveis. ou. a emancipação e o regime de bens no casamento. seja por empecilho da natureza.As condições apresentam-se sob várias formas e figuras. Classificação das condições: . devido à multiplicidade de suas conseqüências práticas. Em primeiro lugar. Mesmo quanto aos direitos patrimoniais. muito existem que não comportam inserção de condições. Condições impossíveis. Alguns atos. É imprescindível conhecer-lhes rigorosamente a terminologia. Como. Como as possíveis. em vernáculo. por natureza. ao inverso. segundo as leis da natureza. 1.asseveram outros tratar-se de determinações acessórias. se tocares o . essa controvérsia constitui verdadeira sutileza doutrinária. como a adição ou aceitação de herança (art.

Dispõe o Código Civil. Desenvolvendo o estudo das condições impossíveis. As segundas são aquelas quae jure impleri non possunt. se Tício não falecer. quer dizer. não escritas. distinguia segundo o ato inter vivos ou mortis causa. Mas. Referentemente às condições juridicamente impossíveis. que as condições fisicamente impossíveis. as condições fisicamente impossíveis. A última há de ser absoluta. homem algum terá o poder de realizá-la. ou os bons costumes. a condição fisicamente impossível reputava-se não escrita. invalidam os atos a elas subordinados. bem como as de não fazer coisa impossível têm-se por inexistentes. isto é. por obstáculo da lei e por obstáculo de fato. as juridicamente impossíveis invalidam o ato. como esclarece . ou se não chover mais). entretanto. para a diversidade de tratamento: as fisicamente impossíveis têm-se por inexistentes. enquanto naquele. a impossibilidade deverá existir para todos os indivíduos em geral. vale dizer. As condições fisicamente impossíveis têm-se. 116. Por exemplo: dar-te-ei tal quantia se emancipares teu filho antes dos 18 anos de idade. ou se me obtiveres um centauro para a minha coleção de história natural. aquelas que contrariam as leis.céu com o dedo. O Código tem sido alvo de censuras por haver adotado soluções diversas para os dois casos. Atente-se. As juridicamente impossíveis invalidam os atos a elas subordinados. ou se renunciares ao trabalho. O Código Civil. inutilizava o ato. por inexistentes. no art. talvez influenciado pela divergência que separou sabinianos e proculeanos. isto é. quer se trate de ato inter vivos ou mortis causa. pois. submeteu-os ao mesmo tratamento jurídico. Bastará que sua realização seja possível para uma só pessoa e não se configurará a acenada impossibilidade. O mesmo acontece com a condição de não fazer coisa impossível (por exemplo. Neste último. têm-se por inexistentes. pois. O direito anterior. costumam os autores distinguir três espécies de impossibilidade: por obstáculo da natureza. não escritas.

a que depende de um acontecimento fortuito. desvinculado da vontade das partes. Diz o Código. A questão não se resolve. nenhuma contradição no querer. pois. Com relação às condições juridicamente impossíveis. que se limitou a prescrever regras diversas para hipóteses diferentes. segundo dependam de um evento fortuito. ou. Condição potestativa é a subordinada à vontade de um dos contraentes. porém. a que aderem. transigir com o que o contraria. o legislador condena ato em que se incere condição juridicamente impossível (vitiantur et vitiant) e deixa subsistir o sujeito a condição fisicamente impossível (vitiantur sed non vitiant). se fôr à cidade. é mister distinguir as condições puramente potestativas das meramente ou simplesmente potes tativas. Encara-as o Código como ociosas. o hostiliza. As condições fisicamente impossíveis não existem. da vontade de um dos contraentes e de outro fator. ao mesmo tempo. que tenta solapar-lhe as bases jurídicas. Condição casual é. potestativas e mistas. por isso. deixando subsistir o ato.CLÓvIS. Por exemplo: dar-te-ei Cr$ 10. portanto. entretanto. tal a sua absurdez. com essa aparente mas radical simplicidade. frívolas. condenadas estariam tôdas as condições potestativas. 115. As condições classificam-se ainda em casuais. no art. se vestir tal roupa. in fine. ante a literalidade da lei. sàbiamente. Eis a razão por que.000 se chover amanhã. De feito. As primeiras são as de mero capricho: se eu levantar o braço. Em princípio. como a vontade de terceiro. não houve desacêrto do legislador. da vontade de um dos contraentes. extravagantes ou ineptas. que entre as condições defesas se incluem as que sujeitarem o ato ao arbítrio de uma das partes. As segundas dependem da . Nenhuma contaminação de imoralidade delas resulta. Não pode o mesmo. reconhece o direito a presença de uma vontade perversa.

na dependência. proposital. Conquanto a condição promíscua seja resultante da combinação entre a vontade e o acaso. Era essa a razão por que à condição potestativa chamavam os romanos de "condição promíscua. se essa escalada é tolhida pela paralisia. Aí está uma condição puramente potestativa. e) . passando a reger-se pelo acaso. a vontade de terceira pessoa: dar-te-ei esta casa se casares com tal pessoa. do exame de circunstâncias que escapam ao contrôle dêle. d) .não. perde a condição seu cunho potestativo. Mas. não se vislumbra aí o merum arbitrium. ela pode deixar de sê-lo. exemplificativamente. as segundas escapam à proibição legal. Só as primeiras são defesas.não é potestativa a cláusula "quando puder" ou "quando possível". Por exemplo: dar-te-ei tal soma se subires ao Jaraguá. de um instante para o outro. Eis aí. se pode considerar como potestativa cláusula que. porém. b) . em compromisso de compra e venda. A condição potestativa pode perder êsse caráter por dificuldades de tôda sorte. pelo mesmo prazo e aluguel. ela é o produto refletido da vontade humana combinada a um fato casual. c) . mas da fusão deliberada.prática de algum ato por parte do contraente. estabelece direito de arrependimento e sujeita o promitente-vendedor à devolução em dôbro do preço recebido. . que é também produto da fusão dêsses mesmos elementos. portanto. que pode ser.pagarei a coisa adquirida quando a revender. mas o aírbitrium boni viri. Coerente com êsse ponto de vista. abeberada na melhor doutrina.da cláusula que subordina à conveniência do locatário prorrogação do contrato de locação.a cláusula "pagarei quando estiver ao meu alcance ou quando vender meu estabelecimento" equipara-se a têrmo incerto e não a condição potestativa". consciente. a característica fundamental da condição mista. ao seu término. que venham a agravar a debilidade humana. vem a jurisprudência admitindo a validade das seguintes estipulações: a) . não se deve confundila com a mista.

Condenou-a TEIXEIRA DE FREITAS. legítima será a condição de casar-se. é válida a condição. valerá a cláusula de não viver em concubinato. Não vale tal estipulação. visto favorecer a implantação do concubinato. profligada pela moral cristã. porém. que tende a suprimir a liberdade individual. O disponente pode estar animado dos melhores . existe dissenção entre os autores. Mas essa cláusula oferece outros aspectos. acrescentando o mesmo dispositivo que "entre as condições defesas se incluem as que privarem de todo efeito o ato. Quanto à de casar com determinada pessoa. o mesmo sucedendo com a de casar com determinada pessoa. e a de não casar com pessoa determinada. no Esboço. ou em certo lugar. São lícitas. a de casar em certo tempo. segundo sejam permitidas ou condenadas pelo direito. Relativamente à cláusula que subordine casamento à anuência de terceiro. ou o sujeitarem ao arbítrio de uma das partes". sendo ainda prejudicial ao Estado.Dividem-se ainda as condições em lícitas e ilícitas. Alguns tipos merecem exame mais acurado. se relativa. cumpre admitir-lhe a licitude. em geral. tôdas as condições que a lei não vedar expressamente.o 4. embora corresponda à de não se consorciar a outra pessoa. porque procura eliminar situação anormal. a de celibato perpétuo. Se existe proibição legal. a liberdade não é afetada. 633. Por outro lado. porque à pessoa a quem se dirige a estipulação resta ainda vasto campo de ação. Em ambos os casos. a de não casar (si non nupserit). De modo idêntico. meu inimigo. Por exemplo. Quanto a algumas delas. a condição é ilícita. se ela não se casar com Pedro. n. em cujo favorecimento existe grande interêsse social. diz o art. ou com Paulo. não há controvérsias. de condição social inferior. ou temporário. Só quando absoluta é ela ilícita. porque estimula o matrimônio. TEIXEIRA DE FREITAS também a coloca no Index. Por exemplo. art. 115 do Código Civil. instituo Maria por herdeira.

a menos que se converta em exílio ou morada perpétua no lugar indicado. limitem o uso ou a utilização da coisa adquirida. 141. não pode subsistir. ou em companhia de certa pessoa. ou mesmo por um dos cônjuges em relação ao outro. são lícitas cláusulas que. como o sacerdócio. ou que imponha obrigação de viver na ociosidade. se relativa (art. art. ou não mudar de religião. assegurada pelo art. Nos têrmos do art. Acêrca da condição de não atacar ato nulo. A obrigação de não mais comerciar. Assim.propósitos. 145). 147). sem tempo determinado. Necessárias são as inerentes à natureza do ato (qui extrinsecus veniunt). A cláusula de conservar-se em estado de viuvez pode ser imposta por terceiro. No tocante à condição de abraçar certo estado. voluntárias. defesa é a cláusula que dispense os cônjuges dos deveres de coabitação e fidelidade mútua.o. cumpre distinguir: se a nulidade fôr absoluta (Cód. ou exijam certo recuo e aprovação da planta pelo vendedor. Outra classificação das condições: necessárias e voluntárias. Mas. como o de estimular a realização de certo matrimônio. Civil. 115. Não incide em proibição legal. trata-se de estipulação permitida. as que constituem acréscimos apostos aos . são igualmente ilícitas as condições imorais ou contrárias aos bons costumes. Mas. lícita não será a cláusula que procure resguardar o ato. que repute vantajoso ou conveniente. diversa será a solução se indigna a pessoa indicada pelo estipulante. trata-se igualmente de disposição lícita e que deve ser executada. Mas é condenada a condição de mudar. restrinjam o número de construções no imóvel comprado. o mesmo acontecendo com a cláusula de não ingressar nesse estado. § 7. Referentemente à cláusula de morar num determinado lugar. porque atenta contra a liberdade de consciência. ou de não mais exercer sua profissão. na compra e venda. da Constituição Federal. deve ser respeitada a vontade do estipulante.

o direito criado pelo ato. das primeiras depende que o negócio jurídico tenha vida. São resolutivas as condições que tenham por fim extinguir. no sentido técnico. Por exemplo: dar-te-ei meu apartamento se te casares. Por fim. nas segundas. 117 dispõe: "não se considera condição a cláusula. cláusula exarada nos seguintes têrmos: Tício será herdeiro meu. nas primeiras o evento futuro e incerto consiste num fato afirmativo (se eu me casar). As condições podem ser ainda positivas e negativas. a que acede". mas decorra necessàriamente da natureza do direito. Por exemplo: constituo uma renda em teu favor. Alguns autores negam-se também a admitir tal distinção. a resolutiva. depois do acontecimento futuro e incerto. São suspensivas. Num caso e noutro. o segundo é criação dos intérpretes. que não derive exclusivamente da vontade das partes. ou se aceitar a herança. se me sobreviver. das segundas. do direito. acolheu essa classificação. De acôrdo com êsse dispositivo. Só as últimas correspondem a verdadeiras condições. é da essência da cláusula sustar. O nosso Código. protrair a existência. enquanto estudares. De conformidade com a tradição escolástica. aquêle evento importa numa abstenção (se não me casar). suspender. as condições podem ser ainda suspensivas e resolutivas. A suspensiva deixa em suspenso a existência do direito criado pelo ato. como se expressa POLACCO. Por outras palavras. que perdura enquanto não se verifica o evento .atos pela vontade das partes. não constitui condição. sustenta MAYNZ que tôda condição é suspensiva. por sua vez. porque é da sua essência submeter a eficácia do ato a evento futuro e incerto. tanto que o art. entretanto. quando as partes protelam temporàriamente a eficácia do ato até a realização do acontecimento futuro e incerto. a condição suspensiva pode ser considerada sob três estados diferentes: o estado de pendência. Assim. suspende também a extinção do direito. que cesse de tê-la. portanto. ou a cessação. No direito romano clássico só existia o primeiro tipo.

todavia. todavia. ao contrário. enquanto esta se não verificar. "reputa-se verificada. a quem desfavorecer. terá direito a repetição. a que êle visa". 120. verificada a condição. não afeta direitos de terceiros. No segundo estado (conditio existit). como se desde o início fôra puro e simples. pendente conditione. não verificada a condição maliciosamente levada a efeito por aquêle. fica em suspenso a eficácia do ato.futuro e incerto (oonditio pendet). 118: "subordinando-se a eficácia do ato à condição suspensiva. não condicional. enquanto esta não se verificar. no caso de fideicomisso (art. no caso de condição suspensiva. cujo implemento fôr maliciosamente obstado pela parte. se pagar por êrro. Considera-se. 1. como adverte o art. se frustra a condição (conditio deficit). o de implemento da condição (conditio e ixistit) e o de sua frustração (conditio deficit).734. 121). vigorará o ato jurídico. Embora não tenha adquirido o direito. Se. o direito passa de eventual a adquirido e o ato adquire eficácia. Se se tratar. Entretanto. verificada a . a quem aproveita o seu implemento". § único). por exemplo. contra êle não corre a prescrição e. é permitido exercer os atos destinados a conservá-lo (art. enquanto esta se não realizar. a bem de seus interêsses. ao titular do direito eventual. o devedor não pode ser demandado. podendo exercer-se desde o momento dêste o direito por êle estabelecido. como pedir inventário e caução. No primeiro estado. É o que se denomina de efeito retroativo das condições. Entretanto. pode o titular da relação condicional praticar atos de natureza conservatória. de crédito submetido a tal condição. Se fôr resolutiva a condição. o qual. mas. não se terá adquirido o direito. além de outras providências acautelatórias da spes debitum iri. quanto aos efeitos jurídicos. como óbvio. nem modifica a percepção dos frutos. estima-se como nunca tendo existido a estipulação. a condição. É o que dispõe o art.

que as partes a inserem em todos os contratos sinalagmáticos. se com ela forem incompatíveis". porém. Como a suspensiva. o ato se desfaz. será ela resolvida pelo exame dos têrmos do ato. ou tácita. se tácita. Finge-se. não há margem para qualquer dúvida. como se nunca tivesse existido. realizada a condição. malograda. quer-se dizer que a cláusula aparece como verdadeira lex commissoria fictícia. Se expressa. verificada esta.condição. Se houver dúvida sôbre a natureza da condição. intenção das partes e circunstâncias do caso. o ato é também considerado como puro e simples. trata-se de outra aplicação do princípio da retroatividade das condições. A propósito dêsse princípio. e não esta. opera de pleno direito. Com estas palavras. estas não terão valor. para todos os efeitos. a resolutiva pode ser igualmente considerada sob três estados: pendente a condição. dois sistemas existem. que cede o passo. o francês e o alemão. A condição resolutiva é sempre subentendida nos contratos sinalagmáticos. de pleno direito. realmente. 119). verificada. e. para o caso em que uma das partes não satisfaça sua obrigação. 119. e por interpelação judicial. a condição. No primeiro. é como se o ato fôra puro e simples. no primeiro caso. ou comprovado o seu malôgro. operando. situados em posições antagônicas. 122 que "se alguém dispuser de uma coisa sob condição suspensiva. pendente esta. uma vez verificada. porém. Inconciliável a nova disposição com a cláusula suspensiva. se extingue o direito a que ela se opõe (art. é aquela. desde a origem. A condição resolutiva da obrigação pode ser expressa. suspensiva ou resolutiva. fizer quanto àquela novas disposições. no segundo (art. Em que consiste êsse problema que tantas controvérsias . edita o art. torna-se imperiosa a intervenção da autoridade judiciária para que esta pronuncie a rescisão do ato. O primeiro consagra e o segundo repele o princípio da retroatividade. Por fim. independentemente de invocação à justiça. § único).

Em ponto diametralmente oposto coloca-se o sistema alemão. desde a celebração do negócio jurídico. que. sendo resolúvel seu direito. Só por convenção expressa se pode arredar essa presunção. mercê do aludido efeito retroativo. cujo objeto venha a perecer antes de realizada a condição. sob condição suspensiva. 1. ex post facto ao instante em que se concluiu o ato (conditio retrotrahitur ab initio negotii). Por êle. 1. seus efeitos remontam. na realidade. o efeito retroativo corresponde à vontade presumida das partes. quando impedida pelo próprio interessado (art. os negócios estabelecidos no período condicional reputam-se fundados no princípio de que o proprietário não pode dispor de mais direitos dos que efetivamente tem (nemo dat quod non habet). o adquirente de uma propriedade. abraçado pelo Código Civil alemão (art. 171). com Dusi que a retroatividade da condição . com o implemento respectivo. na aparência. É o sistema do Código Napoleão (art. Com relação a terceiros. Reconhecem os adeptos dêsse segundo sistema. a respectiva transferência só se processa com êsse atributo. êle vem a tornar-se proprietário desde o dia do contrato. só se torna proprietário. 678 e 680). uma vez verificada a condição na relação condicional. 122). de sorte que. porém. que às partes compete regular a questão em todos os seus aspectos. nem explica a realização fictícia desta. 158) e pelo Código suíço (art.360) e do Código Civil português (arts. impugna o princípio da retroatividade.179). de modo que necessária não se torne a discussão dos fatos surgidos pendente conditione. de modo peremptório. Acreditamos. Afirmam seus partidários que esta não se concilia com o fato da invalidade do contrato condicional. De acôrdo com o mesmo. do Código Civil italiano (art.suscitou? A resposta é simples: pelo primeiro sistema.

mas que se verificará em data indeterminada. Em tal hipótese. dividese o têrmo em certo e incerto. no qual tem de começar ou de extinguir-se a eficácia de um negócio jurídico. como neste caso: se Pedro falecer antes de Paulo. Caem assim os direitos constituídos pendente condtione. se a sua ocorrência estiver proposta de maneira problemática. com a incerteza da condição. Têrmo: . valendo apenas os atos de administração. Também não se confunde com a condição. a própria morte pode transformar-se de têrmo em condição. embora certo e inevitável no futuro. entretanto. Pode acontecer. A fatalidade do têrmo contrasta. No têrmo. quando se refere a um acontecimento futuro. há condição e não têrmo. 510 e seguintes do Código Civil. porque o evento futuro . o acontecimento futuro é certo. quando fixado tendo por base o decurso de certo lapso de tempo: de hoje a um ano. pois.permanece como a maneira mais simples e natural para esclarecer êste fato singular: apenas realizada a condição. como a morte de uma pessoa. portanto. retrotrai até o momento em que se concluiu o negócio. o óbito de certa pessoa. segundo as regras dos arts. quando tal pessoa atingir a maioridade. Todavia. seja incerto quanto à data de sua verificação. É incerto. Esta. O têrmo é certo. que o têrmo.É o dia. Sob êsse aspecto. por exemplo. segundo vimos. bem como os de percepção dos frutos. é a cláusula. que subordina o efeito do ato jurídico a evento futuro e incerto. ou então. que é o espaço de tempo intercorrente entre a declaração de vontade e o advento do têrmo. quando se reporta a uma data do calendário: 22 de abril de 1967. o nascimento da relação jurídica. Não se confunde com o prazo. para os efeitos mais importantes.

enquanto não se verifica seu implemento. outra existe ainda. a que o ato visa (art. Aliás. Tão manifestas são as semelhanças entre as duas modalidades. êle extingue-se. inciso III. Passa o Código. Patente. a dispor sôbre prazos. interromper a prescrição. o art. não se terá adquirido o direito. porém. 123 do mesmo Código. o titular de direito submetido a têrmo final pode exercê-lo. deixarão aquelas de subsistir. 124 do Código assim dispõe: "ao têrmo inicial se aplica o disposto. Por igual. quanto à condição suspensiva. o têrmo inicial. que o art. se refere. 118). Em ambos. e acontecimento certo. Mas. por exemplo. e o têrmo anterior. e fundamental: na condição. o titular de relação jurídica sujeita a têrmo inicial pode exercer atos destinados a conservá-la. além da diferença conceitual já apontada (acontecimento incerto. e ao têrmo final. como se expressa o art. apenas retarda seu exercício (art. verificado êste. 123). não impede a aquisição do direito. para a condição. do Código Civil. O têrmo inicial (dies a quo) suspende o exercício do direito. na dependência do acontecimento futuro. 121 e 122. ao contrário. imprôpriamente. Da mesma forma. 119". em seguida. o disposto acêrca da condição resolutiva no art. Por outras palavras. O têrmo pode ser ainda inicial ou final. evidente sua analogia com a condição resolutiva. A . algo fica em suspenso. como se fôra puro e simples. Se acaso houver oposição entre as novas disposições. pois.é incerto (se Pedro morre ou não antes de Paulo). nos arts. Chegado o têrmo. 470. à condição de morte. como. sua analogia com a condição suspensiva. para o têrmo). efetuadas pelo estipulante. Têrmo final (dies ad quem) é o que faz cessar o direito criado pelo ato.

No § 1.a.o da Lei n. dies ad quen com putrttur ia termino. Segundo o § 3. da Consolidação das Leis do Trabalho. insiste (art. do Código de Processo Penal dispõe: "não se computará no prazo o dia do comêço. de acôrdo com o art. alínea 3. 125. em qualquer mês. § 1.388. o do vencimento".primeira regra legal é a do art.044. 27 do Código de Processo Civil: "na contagem dos prazos. 17. Vários dispositivos legais estão em íntima conexão com o texto citado. do Decreto n. A mesma disposição encontra-se reproduzida no art. Realmente. meses ou anos da data ou da vista vence no dia da . 775. § 3. 125: salvo disposição em contrário. 125 estabelece o Código que "meado considera-se. porém. 1.o 3. dispondo sôbre contagem de prazos em processos ou causas de natureza fiscal ou administrativa. art.o do art.o. § único. de 28-8-1964. excluir-se-á o dia do comêço e se incluirá o do vencimento". considerar-se-á prorrogado o prazo até o seguinte dia útil". e incluindo o do vencimento.o. 798.o do art. salvo disposição em contrário.o 4. o Decreto-lei n. 775 da Consolidação das Leis do Trabalho edita: "os prazos estabelecidos neste título contam-se com exclusão do dia do comêço e inclusão do dia do vencimento". o seu décimo quinto dia". como se vê. de 9-9-1941. a invariável repetição do princípio dies a quo non computatur iun termino. 12. excluindo o dia do comêço. de 31-12-1908.602 e art.o § único. É. computam-se os prazos. o art. o art.o 2. Com êsse preceito legal. incluindo-se. afastava-se a lei civil do direito cambiário em vigor. a letra a semanas. do Decreto-lei n. estabelece o Código Civil: "se êste (o dia do vencimento) cair em dia feriado. 27 do Código de Processo Civil. art.602. Assim. 1. No § 2. considerava-se mês o período sucessivo de trinta dias completos.o) : "na contagem dos prazos em processos ou causas de natureza fiscal ou administrativa excluir-se-á o dia do comêço e incluir-se-á o do vencimento". o art.o 3.

o). 7 de setembro. no citado § 3. de 6-4-1949. A mesma Lei n. 15 de novembro e 25 de dezembro.o 810. o dia 21 de abril (art.266. correspondente ao dia do saque ou ao dia do aceite. são feriados nacionais os dias 1. in fine). Quando no ano ou mês do vencimento não houver o dia correspondente ao do início do prazo. na falta do dia correspondente.o 810. entretanto. Pela lei cambial. A lei civil alude a feriados. edita o art. 1. de 6-10-1949.602. Idêntica disposição se depara na lei adjetiva.o 810. de 1949. no art. O Código Civil. art.o). de acôrdo com a Lei n.o: "os prazos fixados por hora contar-se-ão de minuto a minuto". 1. que assim estatui no art.o. 27. 3. A Lei n. mês ou ano do pagamento. e o dia correspondente ao mês seguinte.o 1. 2. esclarece: "considera-se ano o período de doze meses contados do dia do início ao dia e mês correspondentes do ano seguinte". bem como no citado Decreto-lei n. a essa relação. acrescentou. 1. de 8-12-1950.o de janeiro. ou do aceite.o: "considera-se mês o período do tempo contado do dia do início ao dia correspondente do mês seguinte".semana.o. 2. 3.o 662. na lei cambial é o espaço de tempo que medeia entre o dia do sanque. êste findará no primeiro dia subseqüente (Lei n. 125.o 3. Portanto. trinta dias corridos. Por fim.o) e aquêle em que se realizarem eleições gerais em todo país (art.a alínea. um mês. 17. através da Lei n.o de maio. vence-se no último dia do mês do pagamento (art. O sistema daquele diploma legal era mais razoável e mais simples e por isso o legislador pátrio houve por bem transplantá-lo para o Código. Só serão permitidas nos feriados nacionais atividades . Pois bem. 2. art.o. art. § 4. optava por critério diferente: mês era o período sucessivo de trinta dias completos.

todavia. 2. entende-se que o mesmo foi estabelecido em favor do herdeiro. Ressalvam-se. ou das circunstâncias do caso. Mas o Supremo Tribunal Federal decidiu que falece competência aos Estados para decretar feriados. as hipóteses em que o prazo haja sido estabelecido em favor do credor. Distrito Federal ou os Municípios decretarem não suspenderão as horas normais do ensino nem prejudicarão os atos da vida forense.o 8. nas obrigações convencionais. dos tabeliães e dos cartórios de registro (art. nos contratos.o). declara feriado em todo o território nacional. obrigado ao pagamento. 145.408.292. que pode. 1. o que se desumirá do teor do instrumento.o).o). Da mesma forma. declarou feriados estaduais os dias 25 de janeiro e 9 de julho. Suponha-se realmente que num ato de última vontade o testador fixe prazo para entrega do legado.o 4.o 662. no art. 3. a Lei n. O Decreto-lei n. . 1. resultar que se estabeleceu a benefício do credor. Por fim. Dispõe também a Lei n. Só a União pode fazê-lo. de 9-8-1951. e não do legatário. consagrado à justiça (art. ou de ambos os contraentes".674. e. prorrogou vencimento de prazos judiciais. Os chamados "pontos facultativos" que os Estados. No art. pois. prescreve o Código Civil que "nos testamentos o prazo se presume em favor do herdeiro. salvo quanto a êsses. de 156-1965. A Constituição Estadual. art. em proveito do devedor. o dia 8 de dezembro. de 5-12-1945. que os prazos judiciais que se iniciarem ou vencerem aos sábados serão prorrogados por um dia útil (art. renunciá-lo e desde logo solver a dívida. ou das circunstâncias.o 1. se do teor do instrumento.o). 126. estabelecendo ainda várias providências sôbre o expediente forense. para efeitos forenses. o prazo é a favor do devedor.privadas e administrativas absolutamente indispensáveis (Lei n.

oriundas da própria lei.707 . igualmente admissível em declarações unilaterais da vontade. 1. 952 que "salvo disposição especial dêste Código e não tendo sido ajustada época para o pagamento. salvo se a execução tiver de ser feita em lugar diverso ou depender de tempo". Constam elas de numerosos dispositivos. Na mesma ordem de idéias. para construção de uma casa. como a promessa de recompensa. sendo. com efeito.531). Se os interessados omitiram o prazo. inter vivos ou mortis causa. nos atos jurídicos. caso forem a benefício do doador. que encerrem a concessão de algum benefício (doação. 1. 1. Em geral. respondendo ainda pelas conseqüências de sua precipitação (arts. Por exemplo: dôo o terreno à Municipalidade para nêle ser edificado um hospital. sem prazo. notadamente do art. porém. a respeito do mútuo sem prazo. de terceiro. legado).Estabelece ainda o art.264. Do modo ou encargo: . Imagine-se. sem prazo. será julgado carecedor de ação.Modo ou encargo é a cláusula pela qual se impõe obrigação a quem se faz uma liberalidade. Acrescenta o art. Se o credor quiser reclamá-la antes do tempo. 127 outras devem ser acrescentadas. dispõe o art.530 e 1. o credor pode exigi-lo imediatamente". Trata-se de estipulação peculiar aos atos a título gratuito. ressalvadas as exceções previstas em lei: diversidade do lugar de pagamento e dependência de tempo para efetuá-lo. herança. O art. ou do interêsse geral. Às duas exceções mencionadas no art.180 preceitua que o donatário é obrigado a cumprir os encargos da doação. fixam as partes prazo em que deve ser satisfeita a prestação prometida. 127 que "os atos entre vivos. são exeqüíveis desde Jogo. É óbvio que o dono não pode exigir a imediata execução da avença. a prestação é imediatamente exigível. 1. cujo cumprimento depende de tempo. que se trate de empreitada.

DA FORMA DOS ATOS JURÍDICOS E DA SUA PROVA. se êste não o tiver feito (art. todavia. § único). não suspende a aquisição.731. Torna-se preciso que essa vontade exista e funcione normalmente para que o ato possa produzir seus efeitos. salvo quando expressamente impôsto no ato. Se porventura se inserir encargo em ato a título oneroso. CONCEITO DE FORMA. já se insistiu nesta idéia de que a vontade do agente é elemento fundamental em todo ato jurídico. o Ministério Público poderá exigir sua execução. ao passo que estará sujeito a essa contingência. 1.Por mais de uma vez. o encargo é coercitivo. aceito pelo comprador. a conjunção se serve para indicar que se trata de condição.180. Distinguem-se. Se o encargo fôr do interêsse geral. se aplica o disposto no art. Esse ônus. o encargo confunde-se com a condição. a fim de que. denota a presença do encargo. OUTRAS DISPOSIÇÕES. se se tratar de encargo. em virtude da compra e venda. o que não sucede com a condição. 128). por traços muito expressivos.180. faz parte do co-respectivo a que êle está adstrito. que o comprador se obriga a franquear ao público. Algumas vêzes. MEIOS Conceito de forma: .que ao legatário. por fôrça do art. sob pena de se anular a liberalidade. com a obrigação de. ATOS FORMAIS E NÃO FORMAIS. O encargo. o mesmo acontecendo com o substituto. PROBATÓRIOS ADMITIDOS EM DIREITO. Por fim. será êle parte integrante da contraprestação devida pelo adquirente. 1. depois da morte do doador. enquanto o emprêgo das locuções para que. tais as afinidades existentes entre ambos. pelo disponente. ao contrário. Medite-se no exemplo de ScuTo: o vendedor aliena sua vila. 1. Ninguém pode ser constrangido a submeter-se a uma condição. DA PROVA E SUA CLASSIFICAÇÃO. Além disso. como condição suspensiva (art. nem o exercício do direito. a existência ou extinção do direito fica suspensa até a verificação do acontecimento futuro e incerto. nos legados com encargo. Na condição. .

para maior segurança das relações jurídicas. à palavra escrita. No antigo direito o sistema vigorante era outro. podendo recorrer. porque se se mantém quardada no íntimo do indivíduo. Como diz DE PAGE. Em regra. Além disso. não opera no mundo jurídico. êsse sistema era necessário em seu tempo. A única vontade que o direito considera é a declarada. o agente não se acha adstrito a imprimir-lhe forma especial. a lei prescreve a observância de certa forma. corruit. precisamente oposto. Nulo seria o contrato em que não se observasse êsse ritual. na compra e venda. que não pode então ser preterida. simplificando sua prova ulterior. forçoso era que o comprador perguntasse: dari spondes? e que o vendedor respondesse: spondeo. A menor desobediência. não comunicada.Deve ela externar-se de modo palpável. Assim. A lei deixa o agente à vontade. oferecendo mesmo algumas vantagens. à palavra falada. 129. indiferentemente. desde que apto a traduzir o pensamento. A ordem jurídica não cria restrições à sua livre exteriorização. porém. o apêgo à forma constituía entrave à desejada expansão . não existe juridicamente. Cada ato jurídico era submentido a várias formas preestabelecidas. pois eliminava quase tôdas as dúvidas que se suscitassem sôbre a vontade das partes. cujo rigor era tal. a vontade pode manifestar-se livremente. conservava mais viva a lembrança dêste. entre os romanos. natureza e fins do ato. implicava nulidade do ato: actus. senão quando a lei expressamente a exigir". nenhuma conseqüência produz. Assim. que assim reza: "a validade das declarações de vontade não dependerá de forma especial. Esse o liberal princípio dominante em todo o direito universal e entre nós consagrado pelo art. ainda que secundária. Nem sempre foi assim. cabendo-lhe exprimir seu intento como lhe agrade. Como observa IHERING. Mas. ao gesto e até mesmo ao simples silêncio. sensível. Entretanto. o formalismo foi a característica das civilizações primitivas. extensivo também ao processo. que se proclamava: si virgula nequit cadit causa. omissa forma legis. em casos determinados.

Exige esta que as partes se acautelem. vai sugerindo novas precauções. Aliás. foi sendo dispensado o formalismo. lhe atribui a necessária consistência e vitalidade . têm sido justificados. reconhecimento de firma. no entanto. por via do qual.do comércio jurídico e. Cada vez mais maleável. adquirindo assim a necessária plasticidade. por isso. de que é característica a citada disposição do art. 129. a lei procura dar a certos atos um revestimento jurídico especial. e êste rejuvenescimento dêle. Registre-se mesmo êste fenômeno curioso: na atualidade. sob os nomes de autenticação. Subsiste. cada vez mais espiritual. paulatinamente. O requinte da civilização. tudo se complicava por simbolismo. para que a má-fé alheia não as afete. com a ampliação da cultura humana.forma . transcrição. A diferença é que. realmente. ou os azares da vida não as prejudiquem. de novas formalidades. Eis a razão por que. para que não se precipitem. enquanto hoje é por desconfiança. cercam-se os atos jurídicos de novas cautelas. Aquela sobrevivência do formalismo. antigamente. Na frase de PLANIOL o excesso de cultura está produzindo assim efeitos análogos aos decorrentes da simplicidade e da ignorância dos povos primitivos e a solenidade dos atos jurídicos ressurge em tôda a parte. registro. foi êsse formalismo que deu origem a um sentimento de viva hostilidade contra as legis actiones. em outros. assiste-se ao renascimento dêle. no dizer de Clóvis. Na hora presente. verdadeiramente um tropêço à facilidade e rapidez das transações. o direito foi-se desembaraçando de inúmeras e inúteis complicações. multiplicando as possibilidades de êrro e fraude. assim preparando o advento do direito formulário. o formalismo para um número considerável de atos. novas providências. pela necessidade de maior segurança na vida jurídica. exteriorizando a declaração da vontade. em certos casos.

130. Do mesmo modo que a cédula dispensa a verificação do título e do pêso. pois. em que consubstanciado se acha o princípio da forma livre. Tão numerosos são êles que muitos autores se animam a sustentar modernamente a regra oposta: a forma especial é a regra. a forma desempenha o papel de prova. 118: "quando a lei considerar determinada forma como da substância do ato. êste não pode provar-se senão quando obedecida a forma prefixada. 129. o conjunto de solenidades que se devem observar para que a declaração da vontade tenha eficácia jurídica. Todavia. a forma representa para o ato jurídico o que a moeda é para o dinheiro. gozam as partes de inteira liberdade. outra sanção a não ser a de nulidade. A êsse revestimento. A lei adjetiva segue a mesma trilha. o art. adverte o Código. o juiz não lhe admitirá a prova por outro meio. em numerosos casos. A primeira é meio para exprimir a vontade interna.a forma dá existência à coisa. a regra. ao dispor. meio para evidenciar a existência do ato. Pois bem. no art. que recobre certos atos jurídicos. Não se deve confundir a forma com a prova dos atos jurídicos.quando não revestir a forma prescrita em lei. 145 ser nulo o ato jurídico: III) . efetivamente. Como afirma SERPA LOPES. a essa ganga. a forma livre. porém. assim também a forma poupa ao juiz o trabalho de investigar se realmente o ato jurídico foi ou não concluído. dá-se o nome de forma. doação . Mas. quando se trata de exprimir a vontade interna. Voltemos. salvo quando esta comine sanção diferente contra a preterição da forma exigida". bem como do seu valor. ao art. A forma livre é. a lei exige forma especial. determinada em lei (art. A lei não comina. Quando a lei impõe certa forma para determinado ato. Preceitua. a segunda. IV) . no art. porém.dat esse rei . na definição do mesmo CLÓvIs. 82). De acôrdo com o mesmo. Assim. muitas vêzes. que "não vale o ato. que deixar de revestir a forma especial. a exceção.quando fôr preterida alguma solenidade que a lei considere essencial para a sua validade.

na sistemática do Código. êstes ou têm forma especial. art. . no caso do art. têrmo nos autos do inventário.246 do Código Civil. razão CLÓvIs. pois. ou a forma é livre.art. homologado pelo juiz (art. pode ela apresentar-se sob qualquer forma gráfica.028). o consentimento pode exteriorizar-se não só por escrito. 1. aludindo apenas à vontade expressa. 2. pode ser efetuada por escritura pública. Por exemplo. ainda que qualificados. A partilha amigável.000 não pode ser provada a não ser mediante exibição do ato público respectivo. exprime-se a lei de modo ainda mais genérico. por exemplo. desde que de modo inequívoco. exigida por lei. 1. Por outro lado.de bens imóveis de valor superior a Cr$ 10. por exemplo.494. Tem. A transação concretiza-se por têrmo nos autos ou por escritura pública (art. o reconhecimento volutário de filhos ilegítimos pode fazer-se ou no próprio têrmo do nascimento. Outras vêzes.199. podem ser demonstrados pelos meios probatórios comuns admitidos em direito.o). se livre. quando afirma a atual inutilidade da distinção entre forma ad solemnitatem e ad probationem. como. 118 do Código de Processo Civil. ou escrito particular. ou mediante escritura pública. ou por testamento (art. Nesse e noutros casos de forma especial. Lei n. como também verbalmente. 1. a escrita (verbi gratia . desde a simples epístola até a escritura pública. Nessa hipótese. como a confissão. quando a lei prescreve uma forma genérica. não se pode fugir ao art. não se admite prova do ato através de outros meios. de 30-11-1964. 357). Se especial.773). Há casos em que a lei tolera a formalização do ato por vários modos. 1. não há mais formas impostas exclusivamente para prova dos atos. sendo os herdeiros maiores e capazes.o 4.

por igual. alude ainda o legislador a documento ou ato autêntico (arts.o 4. pondoo a salvo de impugnações descabidas ou de resoluções não devidamente meditadas. como no contrato de seguro (art.433) e no de fiança (art. Escritura pública é documento autêntico por natureza.Atos formais e não formais: . 1. na presença de testemunhas. sob pena de visceral nulidade. além da formalidade da liasta pública. Os requisitos legais não podem ser postergados. I e II. se classificam os atos jurídicos em formais ou solenes e não formais. Tudo se faz com o propósito de atribuir a tão importante ato tôda a garantia e estabilidade. do ponto de vista da forma. Efetivamente. não contém rasura nem entrelinha. Mesmo depois de realizado. se devidamente datado e assinado. outro ato solene e grave. Muitos outros atos poderiam ser ainda acrescentados. e 1. também chamados consensuais. talvez de todos os mais solenes. como a alienação de bens dotais e de bens pertencentes a menores sob tutela. Mas. Estão êles indicados no art. A celebração é pública e solene. ns. verifica-se que. 134. há exigências legais a serem preenchidas. ela refere-se apenas à prova por escrito. 407. do Código Civil. . e nenhuma dúvida séria surge sôbre a sua fidedignidade. Para certos atos. referentes ao processo de habilitação matrimonial. como a lavratura e subscrição da ata.494. também o documento particular pode ser autêntico. exigindo intervenção da autoridade judiciária. além dos casos previstos no art. Outras vêzes. O testamento é.483). o casamento é precedido de várias formalidades.597). 2. 1. porque lavrado por tabelião. sobressaem o casamento e o testamento. contenta-se a lei com a outorga de escritura pública. Dentre os primeiros. Uma vez por outra. nas três formas ordinárias previstas em lei.Do exposto até agora. em seu livro de notas. que depende de autorização judicial.o da Lei n. § único.

Sem dúvida. mas. Consistem essas formalidades na inscrição e transcrição no Registro Público. todavia. A preterição dela acarreta. Atos não formais. destinado a tornar os atos conhecidos de terceiros.o 4. podem ser mencionados a compra e venda de bens móveis. Cumpre ressaltar. no entanto. do Código Civil. desde logo. Aquilo que se não prova equivale ao que não existe. que se situa nas confrontações do direito público e do direito privado. Dec. dizia MASCARDO. em consonância com o princípio da autonomia da vontade. nos têrmos do art. ou consensuais. Da prova e sua classificação: . 145. o mandato e o comodato. Sua omissão não induz nulidade. apenas exclui a oponibilidade contra terceiro (Cód. Essa dispersão embaraça sobremaneira a sistematização do direito probatório. a imensa dificuldade para perfeita localização de sua teoria. apresentar um . são êles modelados pelas partes. torná-lo conhecido e eficaz contra terceiros. Quem não consegue provar.Todos os atos até agora mencionados não podem ser efetuados sem observância da forma que a lei expressamente estatuiu. Civil. art. Dentre os mesmos. de que procuraremos. Deparam-se realmente numerosos dispositivos sôbre tal matéria tanto no direito civil. 135. são os que independem de qualquer forma especial. in fine. correspondem à mesma coisa. 134). geralmente se apóia tôda a fôrça do juízo. art. divulgá-lo. para dar-lhe publicidade.857. a doação manual. destarte. porquanto. Organizou ainda o Código outro sistema de formalidades. a locação de imóveis. III e IV. ou não ser. de 9-111939. ineficácia do ato. como no direito comercial e no direito judiciário. enfim. Não poder ser provado. contra os quais poderão ser oportunamente opostos. prima êsse estudo pela sua grande importância. que se constitui. ns. em segura fonte de informações. n. nas provas. ao alcance de todos. é como quem nada tem. como já se acentuou. A inscrição e a transcrição não são exigidas para intrínseca validade do ato.

resumo tão fiel quanto possível. Mas essa definição não satisfaz. ou confirmar as alegações feitas. Assim. 1. por isso. adverte CONIGLIO. adequada à demonstração dos fatos e a êstes aplicável. em suma. c) concludente. Múltiplas as definições de prova. a definição de CLÓvIs. isto é. ou excluídos por . quer em matéria comercial. deve apresentar-se com as seguintes características: a) . o juiz não lhe admitirá a prova por outro meio. quer em matéria civil. reproduziríamos a definição de CUNhA GonÇALvEs . em tôda a parte. porque não são ünicamente fatos alegados em juízo que se provam. Também são suscetíveis de comprovação fatos argüidos em repartições públicas. Nenhum juiz. segundo os princípios jurídicos invocados pelas partes. isto é. em que surjam pretensões individuais submetidas à apreciação de terceiros. bancos. 118 do Código de Processo Civil: quando a lei considerar determinada forma como da substância do ato. A prova. e aplicável ao caso em questão. para ser recebida. hospitais.admissível. inconcludentes.pertinente. para quem "a prova é todo meio empregado para convencer o juiz da verdade de um fato". Se quiséssemos ser mais concisos. no art. escolas. Uma das mais conhecidas é a de PLANIOL. Parece preferível. segundo a qual "prova é o conjunto dos meios empregados para demonstrar legalmente a existência de um ato jurídico". para quem prova é a demonstração da verdade de um fato. isto é. que tanta fortuna alcançaram nos tempos antigos e de que ainda conser vamos um resquício em nossa legislação. há de trazer esclarecimentos ao ponto controvertido.480 do Código Civil. não seriam juridicamente admissíveis as ordálias ou juízos de Deus. pode ser obrigado a admitir prova sôbre fatos impertinentes. não proibida por lei. Na apreciação dêsse requisito ter-se-á em conta o disposto no art. b) .

ou. podemos afirmar. diminuiria a seriedade da função jurisdicional. Mas. De conformidade com êsse preceito legal. Como ensina o mesmo BONNIER. qui dicit. que o ônus da prova compete ao autor (onus probandi incumbit actori). demonstrar a existência do crédito alegado. porque. dar-se-á preferência a uma ou outra declaração. municipal. êsse princípio não é outra coisa senão o bom-senso e a razão aplicados ao direito. Tais princípios se acham entre nós consagrados no art. Órgão vivo da lei. alguns herdados do direito romano. prova-se o fato e não o direito a aplicar. Só o direito estadual. quando proclamavam: frusta probatur quod probatum non relevat. deve ministrar a prova respectiva: é que as declarações de uma e outra parte se equivalem e devem ser tratadas no mesmo pé de igualdade. Em segundo lugar. 209. Se eu me intitulo credor de alguém. costumeiro ou estrangeiro deve ter comprovado o seu teor (Cód. na teoria das provas. § § 1. mas de apêlo à ciência do magistrado. Vigoram. de um modo geral. PESCATORE dá a razão filosófica da necessidade prática por via da qual quem alega a verdade de um fato como fundamento e condição jurídica de seu intento. . como se exprimia PAULO: ei incumbit probatio. a mim tão-somente. diversos princípios. só depois de comprovada. o juiz tem por função específica aplicála e por dever conhecê-la (jura novit curia). O primeiro dêles é que o ônus da prova incumbe a quem alega o fato. se o devedor suscita algum fato extintivo ou suspensivo do meu direito. não a quem o contesta. de outra forma. então a ele caberá comprovar a defesa (reus in exceptione actor est). se o devedor alega haver pago a dívida reclamada. Os romanos já compreendiam a inutilidade de provar fatos inúteis. Como bem observa BONNIER. caber-lhe-á certamente evidenciar o acenado pagamento.outra prova incontroversa.o e 2. o ponto de direito não é objeto de prova. non qui negat.o. do Código de Processo Civil. Por outras palavras. claro que me cabe.

por exemplo. Os fatos notórios fazem parte. na contestação. 212). que . que pode permitir se oriente sua convicção em outro sentido. exprime GOLDSCHIMIDT o mesmo conceito: "el juez debe tener por verdad lo no controvertido". Em terceiro lugar. O Código de Processo Civil. torna-se incontroverso o evento lesivo. a vinculação do juiz a aceitá-los como verdadeiros cede diante da apreciação do conjunto da prova. no entanto. não da ciência privada do juiz. em ação de desquite. Civil. Digo. se o réu. contestando apenas a extensão dos prejuízos. tem-se sustentado que elas não são passíveis de prova. prescinde-se da prova relativa a fatos que se tornaram conhecidos da generalidade das pessoas e que constituem o patrimônio comum de cultura. Assim. Em quarto lugar.Proc. não se defende de tal imputação. Pode. a mulher afirma que o marido vive em concubinato. como. porquanto as negativas correspondem quase sempre a uma afirmativa. denegar provas inatingíveis. art. de objetivo inalcançável. independem de prova os fatos notórios (Cód. Trata-se. ficando o autor dispensado de produzir prova a respeito. sôbre os quais não se estabelece debate entre os litigantes. no art. acolhe expressamente tal princípio. mas de um processo de cognição. integrante da cultura humana. dispensando produção de provas a respeito. e se o causador do dano não nega o acidente. art. Numa síntese feliz. o fato tornar-se-á incontroverso. pode o juiz recusar prova meramente dilatória. Entretanto. como a inquirição de testemunha que passou a residir na Europa. Se a parte reclama indenização pelos prejuízos que sofreu. por exemplo. outrossim. Proc. de questão que não comporta resposta dogmática. fundando em outros pontos a defesa. Nessa mesma ordem de idéias. ou fatigante para o adversário. 209. Mercê do princípio notorium non egent probatione ou non probandum factum notorium. têm-se por verídicos os fatos incontroversos. 211). Civil. perícia para saber se são realmente de Humberto de Campos os trabalhos psicografados por Francisco Xavier. com o acidente de que foi vítima. No tocante às negativas.

118). Proc. muitas vêzes. passemos à classificação das provas. a prova pode ser plena ou semip lena. Em razão da causa eficiente. e de fato transeunte (como os instrumentos e testemunhos). Expostos êsses princípios fundamentais. quando só produz alguma fé. Finalmente. cuja prova é sumamente embaraçosa. a consistente em testemunhos. causa formal e causa final. semiplena. ainda que não alegados pelas partes (Cód. é de lei que. em razão da causa final. mas essa negativa equivale a uma afirmativa. mas isso não constitui obstáculo à sua exigibilidade. pois há igualmente afirmativas. Os praxistas reinícolas classificavam as provas em razão das causas dos atos. suscetível de comprovação (a de que Paulo é pobre). 117). mas por serem sempre mais ou menos a obra da razão humana). Consoante o citado MASCARDO. na apreciação da prova. cumprindo não esquecer a advertência de MÂYNz. bastante difícil será a prova negativa. mas não a suficiente para levar o juiz a uma conclusão. as provas eram de fato permanente (como a perícia e o exame de corpo de delito). Em razão da causa material. orais e mudas. Não há dúvida que. Pode ainda o juiz indeferir as provas inúteis em relação ao objeto da causa (art. muda. Prova literal. oral. É plena. em número de quatro: causa eficiente. apreciação de indícios e presunções. dividia-se a prova em . não porque sejam arbitrárias. as provas dividiam-se em martificais (as que se contêm nos instrumentos e nos testemunhos) e artificiais (assim chamadas. quando faz tanta fé. a decorrente de inspeção ocular. Civil. a proporcionada pelos instrumentos escritos. tudo deve ser provado. art. nega-o meu opositor.Paulo é rico. Finalmente. o juiz formará livremente o seu convencimento. que basta para liquidar a questão. as provas classificavam-se em literais. causa material. de que o magistrado não acredita em nada. atendendo aos fatos e circunstâncias dos autos. Em razão da causa formal.

mas seu maior mérito consistiu. poderão provar-se mediante: I. São dadas para que. ao inverso. ou ainda de uma simples proposição. 134): . Presunção. casamento. de qualquer ato jurídico. plena (quando produz fé bastante para pôr têrmo ao feito) e semiplena (quando só produz alguma fé. Atos processados em juízo. III. Dissemos ainda que para muitos outros a lei impõe a formalidade da escritura pública. Meios probatórios admitidos em direito: . quando estabelecida sob a forma pública. dispõe o Código Civil que os atos jurídicos. nessa matéria. não a suficiente. 208. BENTHAM fêz também interessante classificação das provas em diretas e indiretas. de futuro. IV. para liquidar a controvérsia). Efetivamente. Provas preconstituídas são a obra do legislador. que as institui ou ordena por previdência.pleníssima (constante de instrumento público). em haver distinguido as provas preconstituídas e as casuais. Testemunhas. no art. alienação de bens dotais e de bens pertencentes a menores sob tutela).O Código de Processo Civil. é da substância do ato a escritura pública (art. V. Já nos referimos a determinados atos para os quais exige a lei forma especial (testamento. Provas casuais. o depoimento testemunhal é o mais típico exemplo das provas casuais. Confissão. Arbitramento. Documentos públicos ou particulares. são as emergentes ex post facto. II. A prova literal é a melhor das provas preconstituídas. não se levantem dúvidas em tôrno da realidade de um fato. preceitua que são admissíveis em juízo tôdas as espécies de prova reconhecidas nas leis civis e comerciais. Por sua vez. porém. no art. Exames e vistorias. a que se não impõe forma especial. VI. 136. de uma obrigação. VII.

I. Na transferência das bancas de jornais (Dec. 468). 134.o 9. X. mas por declaração do adotante no têrmo de nascimento do registrado.o 3. VIII. Nos pactos antenupciais (art. n. 5.o 1. 1. de 12-10-1946. o mesmo acontecendo com os têrmos de contratos e obrigações lavrados nos livros das repartições do Distrito Federal (Lei n.438.o 4. uma vez que não tenham sido discriminados no pacto antenupcial (art. de 15-1-1948. IX. 134. Nas adoções (art. lavrados na repartição local do Serviço do Patrimônio da União.o II. No testamento público (art. de 18-12-1952). 375). de 26-9-1940. art. não por escritura pública. 273). êle equivalia ao ato público exigido em lei. 133). 74 atribui fôrça de escritura pública aos têrmos. IV. Na constituição de sociedade anônima por subscrição particular do seu capital. 256. Tratando-se também de instrumento público. O que nêles se estabelece é lei entre as partes.-lei n.768. combinado com o art. o Decreto-lei n.632. Na criação de fundações (art. art. Na descrição dos bens móveis. Nas alienações e hipotecas de navios (Cód. combinado com o art. art. Aliás. 134.-lei n.760. 73). No contrato celebrado com a cláusula de não valer sem instrumento público (art.o I). se os subscritores não optarem pela deliberação em assembléia geral (Dec. modificado pela Lei n. de 17-7-1941. Os acordos tomados por têrmo nos autos valem como escrituras públicas. que não entrem para a comunhão parcial dos cônjuges.o I).o 2. Já se julgou igualmente válida adoção efetivada. XI.o I. II. III.826.o).o I. 49). VII.627. Observe-se que sendo a escritura pública da substância do ato. ajustes ou contratos relativos a imóveis da União.o 217.-lei n. VI. não pode êste ser celebrado parte por escritura pública e . n. 45). de 5-9-1946. Nos contratos constitutivos ou translativos de direitos reais sôbre imóveis de valor superior a Cr$ 10. art. Comercial. n. 26).000. Na instituição do bem de família (art. n. art. Na transmissão por ato entre vivos do domínio útil de terrenos aforados ou mesmo de simples ocupação (Dec. 24). XII. excetuado o penhor agrícola (art. V. n. § único. art.

art. c) . Civil. há quem sustente ser ela essencial. devendo ser mantido o ato. como a testemunhal. já que é da substância do ato translativo a escritura pública. assim como pelo notário. . A escritura pública tem fidedignidade. inerente à fé pública do notário. Não se permite. b) . Instrumento dessa natureza vale por si e não pode ser ilidido senão por provas completas. recomendam o exame de cada caso. o ato: a) . porém. A anuência ou a autorização de outrem necessária à validade de um ato. não podem ficar à mercê de provas falíveis ou precárias. A segurança e a estabilidade do negócio jurídico. Nulo será. segundo as circunstâncias.que não preencha os requisitos intrínsecos do ato. só por instrumento público pode a mulher casada outorgar procuração ao marido para alienação de bens imóveis de valor superior a Cr$ 10. provar-se-á do mesmo modo que êste. não será êle invalidado por simples ausência das testemunhas durante a sua lavratura. O Código Civil não regulou as formalidades da escritura pública. entretanto. se os seus dizeres não chegam propriamente a ser contestados. "o mais importante dos instrumentos do nosso direito". excluído naturalmente o testamento público. ou por alguém a seu rôgo. Acrescente-se ainda que a escritura pública só se retifica por outra escritura pública. porém. que nela se concretizam. 132). ou não obedeça às exigências legais. Referentemente à subscrição pelas testemunhas instrumentárias. mais prudentes.000. sempre que ser possa. e constará.parte por instrumento particular. A unidade do ato impõe a unidade da forma. na frase de OTÁvIO UCHOA DA VEIGA. De acôrdo com êsse dispositivo legal. não exigida pelo Código Civil.não lavrado pelo tabelião em seu livro de notas. Outros. Com mais forte razão.não assinado pelas partes. continuando a seu respeito em vigor as velhas Ordenações do Reino. do próprio instrumento (Cód.

as declarações enunciativas não eximem os interessados em sua veracidade do ônus de proválas". com as disposições principais. 131: "não tendo relação direta. contra ou além do instrumento público. Mas os seus efeitos. a respeito de terceiros (art. entretanto. contudo. ou quem se encontre em situação de não poder assinar o nome. Adverte. prova as obrigações convencionais de qualquer valor. como também para o instrumento particular. ou somente assinado por quem esteja na disposição e administração livre de seus bens. 135). Saliente-se. estranhos ao ato. não pode prejudicar o . provar com testemunhas. só por escritura pública. bem como os da cessão. ao instrumento particular feito e assinado. nesse dispositivo.pois.000. que nos foi legado pelo direito romano e que encerra incontestável verdade. ou por intermédio de procurador bastante. nos seguintes têrmos: as declarações constantes de documentos assinados presumemse verdadeiras em relação aos signatários. não se operam. ou com a legitimidade das partes. Refere-se a lei. O analfabeto. pode contrair obrigação. 1. Êsse princípio. Se o documento não estiver assinado pelo interessado não constituirá sequer comêço de prova por escrito. Não têm valor jurídico as escrituras particulares assinadas a rôgo. Ressalte-se ainda que. Afirma-o o art. 131 do Código Civil. feito e assinado. vale não só para a escritura pública. sendo subscrito por duas testemunhas. A assinatura não pode ser substituida pelo simples lançamento da impressão digital.067) antes de transcrito no registro público (art. o § único do art. emanado de um dos litigantes. ou somente assinado. que a presunção de veracidade só prevalece contra os próprios signatários. O instrumento particular. caso em que se admite prova testemunhal. salvo se de valor inferior a Cr$ 10. porém. não contra terceiros.

litisconsorte, de acôrdo com o art. 89 do Código de Processo Civil, e que a lei não exige o reconhecimento de firmas. O citado art. 135 alude ainda à subscrição do instrumento por duas testemunhas. Há quem sustente que, faltando essa subscrição, o documento deixa de fazer prova plena, reduzindo-se a mero comêço de prova. Pensamos, porém, que documento assinado pela parte, ainda que não subscrito por testemunhas, faz prova contra quem o subscreve, máxime quando não se põe em dúvida a autenticidade da assinatura. Por fim, edita o § único do mesmo art. 135 que "a prova do instrumento particular pode suprir-se pelas outras de caráter legal". Se a lei exige escritura pública, tendo-a como indispensável ao ato, não há como se distinguir se a exigência é ad solemnitatem ou ad probationem. Se se trata, no entanto, de instrumento particular, pode a prova ser suprida por todos os meios probatórioS reconhecidos em direito. Examinemos agora as provas mencionadas no art. 136, começando naturalmente pela confissão, que é o reconhecimento pela parte do fato em que se funda a parte contrária. Foi ela proclamada pelos doutôres regina probationum, probatio probatissima, maxima omniun probationum. A confissão é, sem dúvida, um dos meios mais potentes de prova. Nunca a certeza é tão grande como quando pode o juiz proclamar: temos um réu que confessa. Nesse caso, como diz BEUDANT condena-se o réu a si próprio. A confissão pode ser classificada segundo o lugar em que é produzida, segundo o seu modo e segundo a sua forma. Consoante o lugar, a confissão é judicial ou extrajudicial; em razão do modo, simples ou qualificada; quanto à forma, expressa ou tácita. Confissão judicial é a que se faz em juízo, perante autoridade competente; extrajudicial, a que se efetua fora do juízo, ou sem assistência do juiz, ou ainda perante juiz incompetente. A primeira pode ser feita mediante petição, ou em depoimento da parte (Cód. Proc. Civil, art. 230, § 2.o). A confissão

extrajudicial pode ser feita oralmente ou por escrito, tendo a mesma fé que compete ao instrumento em que foi produzida. Confissão simples é a que se faz sem ampliação nem restrição; qualificada, a que contém alguma ampliação ou limitação, quer na qualidade quer na quantidade. Em regra, a confissão é indivisível (confessio dividi non debet), não podendo, de tal arte ser aceita em parte e em parte rejeitada. Êsse entendimento, todavia, não é pacífico, havendo quem lhe afirme a cindibilidade. A confissão expressa é feita por palavras, ou por escrito, mas deliberadamente, intencionalmente; a tácita se deduz de algum fato. Assim, quem é citado para a causa e não se defende, confessa a matéria de fato contra si articulada (Cód. Proc. Civil, art. 209); igualmente se a parte, citada para depoimento pessoal, não comparece, ou não responde, é havida por confessa, presumindo-se verdadeiros os fatos alegados, desde que verossímeis e coerentes com as demais provas dos autos (Cód. Proc. Civil, art. 229, § 2.o). Essa confissão chama-se também confissão ficta. A confissão só pode ser produzida por pessoa capaz e no gôzo de seus direitos. Conseqüentemente, valor algum terá confissão pronunciada por um demente. Mas não precisa ser proferida pessoalmente, podendo sê-lo por intermédio de mandatário com podêres especiais e expréssos (Cód. Proc. Civil, art. 230), não bastando, porém, simples referência no mandato à faculdade de jurar, confessar e transigir; é necessária expressa menção dos têrmos e extensão da confissão. Por fim, a confissão somente prejudica o próprio confitente e seus herdeiros, não afetando os demais litisconsortes (Cód. Proc. Civil, art. 231) e não pode ser aceita em processo de anulação de casamento.

Os atos jurídicos poderão igualmente provar-se mediante atos processados em juízo (art. 136, n.o II). Atos processados em juízo são os que foram objeto de processo anterior e cuja existência ou validade foi proclamada por sentença. Dentre êsses atos merece destaque a coisa julgada, isto é, a decisão judicial de que já não caiba recurso. Só ocorrerá, entretanto, a coisa julgada se se verificar a tríplice identidade de objeto, causa e pessoas; nesse caso, ela significará produção de certeza, equivalendo, na frase de LIEBMAN "alla, creazione di un accertamento irrevocabile". Muitas vêzes a coisa julgada implicará manutenção de situação injusta, mas êsse inconveniente pareceu ao legislador menos temível que o resultante da instabilidade dos julgamentos. Cabe ainda uma referência à prova emprestada, isto é, transplantada de um processo para outro. Os autores, em geral, negam valia a essa prova, a menos que o outro processo tenha sido também intentado entre as mesmas partes. Ainda nesse caso, a prova transplantada deve ser recebida com cautela, dado o princípio da identidade física do juiz, que informa a lei adjetiva pátria. Dentre os atos processados em juízo, porém, os mais comuns são as cartas de arrematação (Cód. Proc. Civil, art. 980); de adjudicação (art. 984) e de remissão (art. 991), os formais de partilha (art. 509), as cartas de sentença (art. 890) e os alvarás judiciais. Outro meio probatório contemplado no art. 136 (inciso III) é o proveniente de documentos públicos e particulares. A lei civil distingue, portanto, nitidamente, documentos e instrumentos. Realmente, os instrumentos, públicos ou particulares, são destinados a dar vida a um ato jurídico ou a ministrar-lhe a prova respectiva. Por exemplo, quando os nubentes celebram pacto antenupcial, o que só pode ser feito por escritura pública, criam o ato jurídico e fazem a prova do que entre êles se passou. O mesmo acontece igualmente com o instrumento particular,

verbi gratia, a letra de câmbio. Já o documento não tem essa finalidade específica, êsse objetivo determinado. Ele serve apenas para comprovar algum ato jurídico, nascido, porém, aliunde. Uma carta, por exemplo, pode constituir-se em precioso elemento de prova; mas, não é instrumento e sim documento, porque, escrevendo-a, o signatário não teve o escopo de criar o ato jurídico, ou de fazer-lhe a prova. Nas mesmas condições estão os registros paroquiais, os diários íntimos, os laudos das repartições públicas, etc. Não podem, todavia, ser catalogados como documentos simples recortes de jornais, pareceres, etc. A exemplo do que suscede com os instrumentos, também os documentos serão públicos e particulares, segundo emanem de autoridade pública, ou de pessoa investida em função pública e relativos a fatos públicos, ou procedam de particulares, sôbre fatos privados. Diz ainda o Código que a prova dos atos jurídicos pode ser feita por testemunhas (inciso IV). Existem, contudo, várias restrições a essa prova. A mais importante se depara no art. 141: "salvo os casos expressos, a prova exclusivamente testemunhal só se admite nos contratos, cujo valor não passe de Cr$ 10.000, (com a redação da Lei n.o 1.768, de 18-12-1952). Trata-se de dispositivo de ordem pública, que não pode ser dispensado pelas partes, ou seus procuradores. Como teve oportunidade de observar FILADELFO AZEVEDO mostrou-se o mesmo impotente para atender aos reclamos sociais, no tocante à própria formação do vínculo, pois, além das exceções que, de início, com signa, êle é diariamente arrombado pelas necessidades da vida, que os tribunais não podem desconhecer. Assim, tratando-se de prestação de fato, admissível é a prova por meio de testemunhas, sem se cogitar do valor do contrato. É o que acontece com a locação de serviços, com a empreitada, com a corretagem e

com o fornecimento de materiais. Em complemento, porém, ao art. 141, dispõe o § único que "qualquer que seja o valor do contrato, a prova testemunhal é admissível como subsidiária ou complementar da prova por escrito". Há, efetivamente, no direito pátrio, ampla permissão a que a prova testemunhal corrobore qualquer escrito para demonstração de algum contrato, sem indagação de seu valor, ou para contrariar o conteúdo dos documentos escritos. Entretanto, não podem ser admitidos como testemunhas (art. 142): I. Os loucos de todo o gênero. II. Os cegos e surdos, quando a ciência do fato, que se quer provar, dependa dos sentidos, que lhes faltam. III. Os menores de 16 anos. IV. O interessado no objeto do litígio, bem como o ascendente e o descendente, ou o colateral, até o terceiro grau de alguma das partes, por consangüinidade, ou afinidade. V. Os cônjuges. Dentre os impedidos de depor está, portanto, o interessado no objeto do litígio. Estão nessas condições: a) - o sublocatário, na ação de despejo movida contra o inquilino; b) - o exadvogado da parte; c) - o sócio, se a questão pode afetar a sociedade; d) - o fiador de um dos litigantes. Não assim, porém, empregados e dependentes, dadas as garantias que lhes são dispensadas pela legislação trabalhista. Os parentes acham-se iguálmente impedidos de depor, mesmo nas ações matrimoniais (ponto de vista que, todavia, não é pacífico). Quando a lei transige com o testemunho de parentes ela é expressa, como sucede com o casamento (arts. 180, n.o IV, e 193) e nos casos do art. 143: "os ascendentes por consanguinidade, ou afinidade, podem ser admitidos como testemunhas em questões em que se trate de verificar o nascimento, ou o óbito dos filhos". Impedida a testemunha, o juiz não lhe tomará o depoimento (Cód. Proc. Civil, art. 240, 2.a alínea); na justiça cível

ninguém pode ser compelido a revelar fatos de que teve conhecimento em razão de sua profissão. por estado ou profissão. art.215. o resultado. d) . 25. embora substancialmente se equivalham as duas expressões. f) . correntes se . No tema do sigilo profissional o único juiz é a própria testemunha.o V. 207. A essas expressões.Código de Processo Civil.Estatuto dos Funcionários Públicos Civis do Estado. imaginadas pelos doutôres da Idade Média.Código Comercial. c) . 144 do Código Civil que "ninguém pode ser obrigado a depor de fatos. o Código Civil inclui a presunção entre os meios de prova.Estatuto dos Militares. deva guardar segrêdo". Em quinto lugar. 56. subdividindo-se as primeiras em presunções juris et de jwre e presunções juris tantum. n. art. 207.o VII. preferível seria a linguagem dos inglêses: presunções peremptórias (conclusive) e discutíveis (disputable). art. 829). Em vários diplomas legais encontramos a confirmação dêsse asserto: a) . Indício é o fato conhecido de que se tira a presunção. art. das Leis do Trabalho. 87. b) Código de Processo Penal. Classificam-se as presunções em legais (juris) e comuns (hominis). A prova indiciária foi por BENTHAM denominada de prova circunstancial.não há testemunhas informantes. 222. um é a premissa. outra. Entre nós.o 1. 241. art. art. art.o 4.o III. n. a cujo respeito. porém. arte.Lei n.755). o que não sucede na do trabalho. n. n. e) Estatuto dos Funcionários Públicos Civis da União. de 27-41963.o IV. O próprio Código de Direito Canônico também é expresso a respeito (cânone n. Acrescenta ainda o art. onde o depoimento vale como informação (Cons. g) . e 239. Ela não se confunde com o indício. Presunção é a ilação que se extrai de um fato conhecido para chegar à demonstração de outro desconhecido.

Estabelece o Código de Processo Civil.a de simulação fraudulenta na venda de ascendente a descendente sem consentimento dos demais descendentes. também chamada legal absoluta. na experiência da vida. 251. e 1. por meio de peritos. também por intermédio de peritos. também denominada legal condicional. Exame é a apreciação de alguma coisa. para determinar-lhe o valor ou estimar em dinheiro a obrigação. exame de grupos sangüíneos. à inspeção ocular. aceite prejuízo. e que não comporta prova em contrário. exame grafotécnico. restrita. c) . podendo evitá-lo. 254 e seguintes do Código de Processo Civil. presume-se-lhe juris et de jure a incapacidade jurídica. Em todos êles. por sua vez. no art. quando de um fato conhecido e verdadeiro se induz a veracidade de outro. Outros casos poderiam ser ainda mencionados. a presunção não é vencível por prova adversa. a lei civil refere-se igualmente ao arbitramento.a do conhecimento da lei por parte de todos. salvo quando a própria lei a excluir. para esclarecimento do juízo. que a prova contra presunção legal será sempre admitida.241 § único. enquanto não se demonstre o contrário. Por exemplo. não é de se presumir que alguém. 11. Presunção jwris et de jwre. 248 § único. 1. é diligência . que permite ao juiz formar a própria convicção. disciplinadas pelos arts. A presunção hominis. é presunção de verdade que a própria lei atribui a certos fatos. que é o exame de alguma coisa. 944 e 945. porém. 136).decretada a interdição do demente. Temos assim exame de livros. Tem-se como verdade indiscutível (pro veritate).tornaram aquelas expressões latinas. Ilustram essa modalidade os arts. 258. como os dos arts. b) . No inciso VII. São as perícias. ou presunção comum. fundando-se. porém. Provam-se ainda os atos jurídicos por exames e vistorias (inciso VI do art. Por outro lado. 943. 131. 338. existe presunção juris tantum.720. São exemplos de presunções juris et de jure: a) . A vistoria. não resulta da lei. Vistoria é a mesma operação.

Só poderão constituir-se em prova idônea se oferecerem tôda a garantia. ou sob a sua vigilância. Em qualquer caso. ou. podendo ordenar nova perícia. Gravação de voz. grande probabilidade de revelar a verdade. chama-se certidão verbo ad verbum. chama-se certidão em breve relatório. livro ou documento. não estar o juiz vinculado ao parecer do experto.freqüente nas questões possessórias. nas desapropriações e nos alimentos. nas demarcatórias e nas relacionadas com vícios redibitórios. Outras disposições: . O arbitramento surge na indenização dos danos por atos ilícitos. 226. assim como os traslados de autos. Estabelece o Código de Processo Civil. o juiz não fica adstrito ao laudo. devendo proferir decisão em conformidade com a sua consciência. são recursos ainda inseguros. Não existem outros meios probatórios. art. ou de outro qualquer livro a cargo do escrivão.Farão a mesma prova que os originais as certidões textuais de qualquer peça judicial. livros de notas . que as certidões e traslados extraídos de registros. compreendendo apenas os pontos indicados pelo interessado. É inconcusso princípio doutrinário. desde que se trate de terminar a existência ou as circunstâncias relativas a um fato transeunte e que de outra maneira não possam ser fixadas. confirmado pela jurisprudência. pelo menos. e por êle subscritas. no art. Certidão é a reprodução do que se acha exarado num determinado ato. sendo extraídas por êle. Como diz LOMÔNACO. Civil. quando por outro escrivão concertados (Cód. do protocolo das audiências. 137). A vistoria pode ser ad perpetuam rei memorian. autos. Traslado é a cópia ou reprodução do que se encontra lançado num livro ou em autos. abrangendo todo o conteúdo do ato. se textual. em geral. mas não o de segui-lo. a autoridade judiciária tem o dever de ouvir o parecer dos peritos. fotografias e filmes. resumida.

ainda que não concertados. de 2-1-1948. para ter efeitos legais no país. O art. Sua admissibilidade. existe em São Paulo provimento da Corregedoria Geral da Justiça.o 7.o.903. art. Nesse sentido. 139.o 209. Acrescenta o art. e as certidões considerar-se-ão instrumentos públicos.o 4. A conferência poderá ser feita pelo escrivão do processo. § 2. 137 do Decreto n. acham-se em grande voga as cópias fotostáticas. art. todavia. na presença da parte contrária. pelos escrivães. Entretanto. Preceitua o art. as cópias. dispõe: "os traslados.857. apesar de não conferida ou autenticada. Alguns diplomas legais. 138 no Código Civil que "terão também a mesma fôrça probante os traslados e as certidões extraídas por oficial público. não é de se desprezar o valor probante da fotocópia. 225 da lei adjetiva que dependerão de conferência com o original.148.o. está condicionada a certas exigências. e Decreto-lei n. de instrumentos ou documentos lançados em suas notas".e de outros documentos públicos. que as certidões dos serventuários de justiça merecem fé quando baseadas em autos judiciais ou em livros do cartório.o 2. de 27-8-1945. Registre-se. para êsse fim nomeado. devendo ser obedecido o disposto no art. art. se a parte contrária não lhe contesta a exatidão. se os originais se houverem produzido em juízo como prova de algum ato". vertidos em . 209. notificada a parte contrária. entretanto. Lei n. como o Decreto-lei n. 2. 25. tabeliães e oficiais de registro terão por si a presunção de autenticidade. Os escritos de obrigação redigidos em língua estrangeira serão. exigem sua conferência e autenticação. permitindo o uso das fotocópias. são graciosas e não merecem agasalho em juízo. bem como decisões dos tribunais. os extratos ou as públicas-formas de documento. ou por outro. de 9-11-1939: os documentos fotostáticos só farão prova em juízo. de 25-4-1940. a seu turno. tiradas de outros documentos. quando acompanhados de certidão da transcrição do original no registro de títulos e documentos. Atualmente. provindas de outras fontes.

português (Cód. Civil. Comercial. art. se fôsse perfeito. fica êle eivado de visceral nulidade. São os atos nulos (de ne ullus . 228. b) . para fazerem fé em juízo. RATIFICAÇÃO DESTA. Proc. portanto. Só excepcionalmente se pode dispensar tal formalidade. Por fim. dolo e coação). nenhum efeito pode produzir. foi praticado com violação da lei. Por tais razões. que produziria. precisam ser legalizados pelos cônsules brasileiros do lugar.nenhum). ou aos bons costumes. documentos passados em países estrangeiros. ou porque sua declaração se inquinou de algum dos vícios do consentimento (êrro ou ignorância. Em tais condições é evidente que o ato. Atos anuláveis é a expressão empregada para assinalar essa anomalia de menor gravidade. OBRIGAÇÕES CONTRAÍDAS POR MENORES. OUTRAS DISPOSIÇÕES.finalmente. ou não observou a forma legal. três tipos de atos. 125). do ponto de vista de sua imperfeição. desviando-se da lisura e da boa-fé. reconhecendo-se as firmas dêstes no Ministério das Relações Exteriores. COMO SE DISTINGUE A NULIDADE ABSOLUTA DA RELATIVA. ressentem-se de imperfeições os atos jurídicos. Não fazem prova em juízo sem essa formalidade.por falta de elemento essencial e. recusando-lhe a ordem jurídica os efeitos. A doutrina caracteriza essa situação com o têrmo inexistente. ou de vulnerar a lei. é contrário à ordem pública. o defeito pode advir de imperfeição da vontade. A doutrina distingue. art. 140. ou ainda porque a mesma vontade. por conseguinte. Cód. Civil. formando. art. atuou no sentido de prejudicar a outrem.o ato. melhormente chamado ato incompleto ou ato inacabado no direito alemão. causa). reunindo embora todos os elementos fundamentais. não tendo chegado a se completar. CLASSIFICAÇÃO E DISCRIMINAÇÃO. ou porque emanada de um incapaz. DAS NULIDADES. indispensável à sua existência (consentimento. Cód. c) . objeto. ou nas repartições fiscais da União. Essas imperfeições provêm de uma das três causas seguintes: a) . por assim . Classificação e discriminação das nulidades: Freqüentemente.

145): I. 145 e os segundos. Entretanto. porém. Nosso Código não se referiu. à primeira categoria. juridicamente. É a classificação do nosso legislador. A lei não o regula. 147. instituindo. porque não há necessidade de se disciplinar o nada. A rigor. II. Outras imperfeições podem ainda ocorrer. a clássica e fundamental divisão das nulidades é a das nulidades absolutas e das nulidades relativas. em verdade. atos nulos e atos anuláveis.dizer. de somenos importância. . no art. não chegam a afetar a higidez do ato jurídico. tida presentemente como inútil complicação. III. um pára-raios que atrai relâmpagos. verdadeira gradação no que concerne à sua intensidade: atos ine xistentes. fôrça é convir. O vendedor diz: vendo tal objeto. nem carece ser declarada sua ineficácia por decisão judicial. mas inexiste um elemento essencial ao aperfeiçoamento do contrato e êste. de modo explícito. o seu objeto. Ato inexistente é o nada. Imagine-se compra e venda em que não se haja fixado o preço. os primeiros indicados no art. inidôneo à produção de conseqüências jurídicas. É nulo o ato jurídico (art. nem é possível invalidar o que não existe. o comprador aquiesce. meras irregularidades. não se configura. porque o ato. que. 5. assim. o qual distingue os atos nulos (nulidade absoluta) dos atos anuláveis (nulidade relativa). jamais chegou a existir. Diz mesmo NIBOYET que a palavra inexistente é assaz perigOSa. ou impossível. O legislador pátrio considerou o ato inexistente simples fato. ao nosso direito não repugna a divisão tripartida.o). Há a coisa e o consentimentO. Quando praticado por pessoa absolutamente incapaz (art. Quando fôr ilícito. Na hora presente. Quando não revestir a forma prescrita em lei (arts.

O legislador reprime-as de modo mais enérgico. A pena de nulidade. Como desde logo se percebe da comparação entre as nulidades absolutas e as relativas. seria excessiva e por isso o direito positivo. simulação. diz o Código ser anulável o ato jurídico: I. V. cominada para as primeiras. Por incapacidade relativa do agente (art. No art. II. dolo. 86 a 113).82 e 130). coação. Quando fôr preterida alguma solenidade que a lei considere essencial para a sua validade. Por vício resultante de êrro. ou fraude (arts. Quando a lei taxativamente o declarar nulo ou lhe negar efeito. 6. IV. atenuando-a. aquelas são muito mais graves. muito mais profundo é o atentado à ordem jurídica. Nas segundas. criou a figura da anulabilidade. a falta cometida é mais leve.o). . 147. sendo menos profundo o contraste com a ordem jurídica. aplicando-lhes a sanção mais severa.

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