Verônica Araújo Nilba Paiva

organizadoras

Desafios da Educação a Distância
Na perspectiva da autonomia do educando, a EAD oferece aos interessados em desenvolver seu potencial uma gama de oportunidades. O governo federal, desde a L.D.B 9.394/96, em seu artigo 80, onde estabeleceu as disposições iniciais para organizar o oferecimento da educação nesta modalidade, até os dias atuais, tem dirigido esforços para apoiar diversos cursos dentro do campo da EAD, além de procurar facilitar a Formação de Professores através de diversos canais e sistemas. Estudar através da EAD atualmente é quase uma obrigação para profissionais da educação, por sua facilidade de tempo e espaço. Porém, possuir ferramentas para o acesso a rede é uma dificuldade real para os professores do Brasil. O salário dessa categoria, mesmo diante dos vários "reconhecimentos" de seu trabalho, ainda é um salário muito pequeno que muitas vezes inviabiliza a compra de um computador pessoal, bem como a manutenção de um provedor de internet. Aliada a essa dificuldade também existe a falta de tempo para o conhecimento da própria máquina. O que parece simples para os que já adquiriam o hábito de estar "conectados" diariamente, muitas vezes é uma caixinha de surpresas incrível, que muitos temem até mesmo "retirar a fita" com medo de quebrar o presente. Portanto, um dos principais entraves para a EAD nesse sentido ainda é externo a própria área computacional: diz respeito ao apoio governamental aos profissionais da educação em seus vencimentos mensais. Nessa ótica, os professores ao adquirirem seus computadores pessoais e adquirirem o hábito de manusearem as ferramentas incríveis que há no meio cibernético e globalizado,

logicamente iriam disseminar em suas aulas cada vez mais recursos, mídias e assim, a EAD, bem como a educação como um todo, iriam contribuir para um salto de qualidade no aprendizado das pessoas semelhante à invenção da escrita, a descoberta da roda... etc. Por ser a EAD uma Modalidade de Ensino diferenciada, é necessário desenvolver propostas quanto ao conteúdo, métodos, avaliação e materiais coerentes com a especificidade do curso. Por desenvolver atividades on-line os recursos da WEB são as ferramentas utilizadas colaborando para a expansão de possibilidades de uso, enquanto modalidade educacional. Em relação às ferramentas da EAD, a utilização destas é muito bom por tornar esta modalidade em uma educação diferenciada, transparente e renovadora, embora que haja controvérsias nas formações, nada disso deve desestimular aqueles que querem vivenciar sua aprendizagem a partir desta modalidade.

O Brasil e a EAD
A educação brasileira há muito mudou com o advento da internet. Muitos já se beneficiavam com a EAD antes dessa nova era, mas com ela tudo ficou mais acessível. Entendamos que acessível não é o mesmo que ser fácil. A realidade do poder aquisitivo de muitos e a falta de tempo ainda são um dos entraves para a completa realização de cursos via EAD. Pelo ponto de vista aquisitivo, vemos que muitas pessoas ainda não têm total acesso à realidade virtual - o que pode "esfriar" a continuidade de um curso, já que esse impedimento não é de total responsabilidade do estudante. Pelo aspecto tempo, temos visto a necessidade do "é pra ontem", ou seja, a informação caminha a passos largos - diriamos até à moda do deus grego Hermes. O fato é que o Brasil está buscando, a cada dia, proporcionar uma formação mais sólida no que tange à especialização em um campo ou em uma profissão. Ouvimos muito que a falta de emprego é absurda. Porém, o que muitas pessoas desconhecem, a oferta está maior do que a procura. O que falta é mão de obra especializada, já está comprovado estatisticamente. A EAD no Brasil está propiciando cada vez mais a ascensão profissional, e isso é feito de forma democrática, visto que a maioria dos cursos é promovida pelos governos federal, estadual e municipal. A EAD, por ser um processo de ensino-aprendizagem mediado por tecnologias, em que professores e alunos interagem separados espacial ou temporalmente, faz com que o aluno busque manifestar mais interesse pelos estudos, embora tenha dificuldades, mas, a força

de vontade aliada à determinação, vão fazer com que persigamos os nossos objetivos. O importante é fazer acontecer, e devemos sempre está em busca de novos horizontes da vida.

O professor e a EAD
Os professores que atuam na EAD desempenham diferentes papéis que são imprescindíveis para o sucesso na aprendizagem do aluno. A construção do processo de ensino-aprendizagem na EAD baseia-se na interação entre professores e alunos. O papel do professor na EAD é tão importante quanto em qualquer outro curso presencial, apesar de sua forma de atuar ser diferenciada, porque atua como mediador, interventor, facilitador da busca e construção de conhecimentos, mas não deixa de ser importante, porque se não houver a intervenção do professor, o sentido de construção de aprendizagem torna-se ineficaz e sem muitos significados para as reais necessidades do aluno de EAD, e este aluno necessita sim de orientação para chegar a um determinado fim. Nesse sentido, a sala de aula virtual não difere tanto da sala de aula presencial, como afirma Simonson (2000) na medida em que o professor faz uso da literatura já existente para ministrar suas aulas. A midiatização feita pelos recursos cada vez mais modernos da informática assusta, mas a educação a distância apenas requer mais disciplina, atitudes mais bem delimitadas, previstas, organizadas. Em ambas as modalidades de ensino, a atuação de um educador experiente, conhecedor da matéria, é imprescindível. Dessa forma, a problemática envolvida nesta questão é a falta de critérios bem definidos que possibilitem maior autoconfiança ao professor, para que ele desempenhe sua função virtualmente, porém, calcado em princípios básicos do ensino presencial com os quais ele lida tão bem. A boa atuação do educador enquanto professor a distância está atrelada a um treinamento adequado, que tenha como base, sobretudo, questões de ordem interacional e psicopedagógica, e não meramente técnica, como vem acontecendo. A formulação de orientações, bem como o treinamento de pessoal especializado que subsidie o docente em sua atuação como professor a distância, enfatizando questões de ordem psicológica e focalizando a relação professor-aluno, fazem-se necessárias. Tais orientações poderão dar origem ao desenvolvimento de um material pedagógico, como base de um curso – presencial e/ou on-line - incluindo aulas expositivas e fornecimento de material impresso, com o qual o professor poderá contar para que ele adquira conhecimento o bastante

para se sentir seguro e desempenhar de forma satisfatória seu papel como professor de Educação a Distância. É inegável que a tecnologia caminha a passos bem mais largos do que nossos costumes, nossa vida em sociedade. São dois pontos extremos, são duas naturezas estranhas entre si, que, se devidamente combinadas, podem formar uma bela parceria, tornando nosso dia-a-dia mais agradável, mais prático, mais enriquecedor, mas, é preciso cautela para que não percamos de vista nosso eu. A tecnologia é apenas mediadora, ela é um meio, não um fim, a essência está em nós, cabe à educação o papel de fazer esse link. O professor para ser o responsável por um determinado conteúdo não precisa ser um especialista em tecnologia para operacionalizar uma proposta dentro da modalidade EAD. Ele apenas precisa ser um bom usuário e conhecedor de algumas ferramentas tecnológicas para ser capaz de propor formas de interação do seu conteúdo por outras mídias. Um professor que esteja restrito ao entendimento de que a aula só acontece em uma sala tradicional, não conseguirá transpor os conteúdos de sua disciplina para a metodologia a distância com eficácia. Estamos falando aqui em algo mais do que apenas o domínio tecnológico, é necessário uma mudança de atitude frente às novas tecnologias. Observamos que as definições dos diferentes papéis do professor na Educação a Distância podem variar de acordo com a Instituição que desenvolve o projeto de curso. Para analisar a interação dos diferentes papéis do professor nos cursos de graduação a distância, vamos utilizar as categorias propostas pela Secretaria de Educação a Distância (SEED) do Ministério da Educação, que são adotadas pela maioria das universidades públicas que trabalham com EAD. O tutor é o professor que está mais próximo do aluno e atua diretamente no pólo onde ficam os cursos, orientando-o na execução de suas atividades, auxiliando-o na organização do seu tempo e dos seus estudos. Geralmente ele apresenta uma formação generalista vinculada à área do curso e não a uma determinada disciplina. Uma das atribuições do tutor é tirar as dúvidas dos alunos em relação aos conteúdos apresentados, mas precisamos considerar que dependendo da disciplina ou do conteúdo, esta tarefa poderá não ser desempenhada com sucesso. O tutor é a figura mais próxima dos alunos e o relacionamento entre estes dois grupos é sempre estruturado em um grau de afetividade bastante considerável. Para acompanhar as mudanças na educação dos últimos anos, como o uso das TIC (Tecnologias de Informação e Comunicação) e a educação a distância (EAD), a formação permanente dos docentes é essencial para que se mantenham atualizados e cumpram sua função de educadores. Para isso, as necessidades envolvidas nessa nova era da educação os professores devem ter um treinamento de capacitação para o desenvolvimento de boas

estratégias e materiais didáticos para EAD, abordando as TIC como um dos recursos a serem utilizados para tal fim. Portanto, deve garantir o uso das TIC no currículo, o treinamento vai além de ensinar diferentes softwares ou teorias de aprendizagem; ele propõe estratégias e permite aos professores desenvolver habilidades que lhes dêem autonomia e capacidade para colaborar, sugerir, facilitar e construir projetos educacionais. Assim segue os pontos importantes para um bom professor de EAD. Para isso, ele deve saber os seguintes requisitos: • As estratégias andragógicas de aprendizagem. • O aluno autônomo no processo de ensino. • A motivação para a pesquisa. • As formas de lidar com situações de aprendizagem no ambiente virtual. • O que é mediação e como ser um bom mediador de aprendizagem. • Como promover a interação entre os alunos em cursos de EAD. • Os Ambientes Virtuais de Aprendizagens (AVAs).

O Futuro da EAD
A educação a distância vem crescendo muito em nosso País. É uma modalidade diferente em muitos aspectos do chamado ensino tradicional, por isso é mais adequada para a educação de adultos, principalmente para aqueles que já têm experiência consolidada de aprendizagem individual e de pesquisa, como acontece no ensino de graduação e também pósgraduação. Percebe-se que, o futuro da EAD é visto com otimismo por muitos educadores. Essa modalidade de ensino está crescendo a cada ano, de 2004 a 2007 cresceu 54,8%. Segundo Luciano Sathler, pró-reitor da EAD da Metodista. “A educação a distância não é uma opção, é o futuro. Quem estiver fora da EAD nos próximos anos está fora da educação”. “Há uma mudança no perfil do aluno, no mercado e na maneira como a sociedade enxerga de que forma o conhecimento é disseminado. A EAD é a resposta para esses três níveis de mudança de paradigma”, justifica. Desta maneira, acreditamos ser a Educação a Distância o modelo para boa parte da educação do futuro. Vale, no entanto refletirmos sobre a necessidade dos profissionais da Educação estarem preparados para atuar neste novo modelo de ensino-aprendizagem, que exige dos profissionais da Educação e alunos uma nova postura. Acreditamos que o futuro da EAD terá mais pontos positivos e animadores, do que negativos e incertos. Com a cumplicidade de cidadãos que buscam conhecimento, a

aceitação da sociedade e o apoio do governo, os cursos de EAD tendem a criar um espaço de oportunidades e inclusão social. Os cursos a distância não são a salvação de um povo que está distante de uma educação de qualidade, mas ela estreita caminhos e favorece minimizar as desigualdades. A EAD abre fronteiras, no entanto há uma questão que infelizmente permeia esse tipo de aprendizado, ou seja, boa parte dos alunos não possui capacidade de utilizar a tecnologia disponível para acessar o curso e realizar as tarefas. Percebemos que esse problema esta gradativamente sendo sanado, pois em parte das escolas públicas já existem laboratórios de informática, onde o aluno tem contato com o computador, através de atividades pedagógicas, pesquisas, digitação de textos, etc. Todos os investimentos que buscam qualidade são considerados benéficos. A EAD é uma forma, por exemplo, de incluir jovens na faixa etária de 18 a 24 anos no ensino superior. No entanto, o que preocupa é a queda na cobertura da educação a distância, ou seja, se o modelo definido não conseguir chegar as pequenas cidades. Sabemos que existem barreiras e os desafios se apresentam quando estamos introduzindo algo inovador, mas na educação à distância se tutor e alunos têm compromisso com a qualidade o sucesso fica mais acessível. O futuro da EAD pode ser mais promissor do que suponhamos. O momento é bem propício para a EAD em todo o Brasil. Porém, como pudemos perceber no panorama do uso educacional da EAD, o Nordeste ainda precisa investir bastante nestes cursos, em comparação as demais regiões. Mesmo assim, há perspectivas positivas para a modalidade que irá contribuir para a expansão do ensino brasileiro. Segundo o diretor da UAB, Celso Costa, o futuro da EAD depende das ações do governo, das instituições e da sociedade, sendo traçado em função do desenvolvimento da educação. O futuro da EAD será bem aceito e amplo para todos os usuários do Brasil e do mundo inteiro, pois, aqui está a grande chance de crescer na vida. Portanto, isso acaba se tornando um curso muito aceito por todos, embora as dificuldades sejam muitas. Existe também um preconceito com a Educação do Brasil, com aulas a distância, isso gera uma grande possibilidade da não inclusão social e de uma boa capacitação para os cidadãos no mercado de trabalho. ___________________ Texto produzido durante a realização da 6ª turma do Curso Explorando o Universo da Educação a Distância em julho de 2011 pelos seguintes alunos: Vicentina Candido; Cloves

Araujo; Nilba Paiva; Lilian Moreira Pará; Idalina Pontes; Adriana Mota; Josiane Oliveira; Julio Pontes Veras; Magna Roberta Alves de Macedo; Bergson Rodrigo S de Melo; Soneide Torres.

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