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Reino de Kush

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Reino de Kush

Foi uma civilização que se desenvolveu na região norte-africana da Núbia, localizada no que é hoje o norte do Sudão, a partir do século XXXII a.C. Uma das primeiras civilizações a surgir no vale do rio Nilo, os Estados cuchitas controlaram a região antes do período das incursões egípcias na área.

Origens
As primeiras sociedades a se desenvolver na área surgiram na Núbia antes da Primeira Dinastia do Egito (3100-2890 a.C.). Em cerca de 2500 a.C., os egípcios começaram a avançar na direção sul e é por meio deles que a maior parte das informações sobre Cuche ficou conhecida. Mas esta expansão foi detida pela queda do Médio Império no Egito. A expansão egípcia recomeçou em aproximadamente em 1500 a.C., mas desta vez encontrou resistência organizada. Os historiadores não têm certeza se esta resistência foi oferecida por cidades-Estado múltiplas ou por um império unificado, e debatem se o conceito de Estado surgiu ali de modo independente ou se foi tomado do Egito. Os egípcios lograram vencer a resistência e fizeram da região uma colônia sua, durante o reinado de Tutmósis I, cujo exército mantinha ali um certo número de fortalezas. No século XI a.C., disputas internas no Egito permitiram aos nativos derrubar o regime colonial egípcio e instituir um reino independente, governado a partir de Napata, na Núbia.

Napata
Este novo reino, com sede em Napata, foi unificado por Alara no período entre 780 e 755 a.C. Alara era visto pelos seus sucessores como o fundador do reino cuchita. O reino cresceu em influência e veio a dominar a região meridional egípcia de Elefantina e até mesmo Tebas, no reinado de Kachta, sucessor de Alara e que logrou no século VIII a.C. forçar Chepenuepet I, meia-irmã de Takelot III e "esposa do deus Amon", a adotar Amenirdis I, filha do soberano cuchita, como sucessora. Com isto, Tebas passou ao controle de facto do reino de Napata. Seu poder chegou ao auge com Piye, sucessor de Kachta, que conquistou todo o Egito e fundou a vigésima-quinta dinastia. Quando os assírios invadiram em 671 a.C., Cuche tornou-se uma vez mais um Estado independente. O último rei cuchita a tentar retomar o controle do Egito foi Tantamani, que foi definitivamente derrotado pela Assíria em 664 a.C. Subseqüentemente, o poder cuchita sobre o território egípcio declinou e extinguiu-se em 656 a.C., quando Psamético I, fundador da vigésima-sexta dinastia, reunificou o Egito. Em 591 a.C., os egípcios invadiram Cuche - possivelmente porque esta, governada por Aspelta, preparava-se para atacar o Egito - e saquearam e incendiaram Napata.

Meroé

mesmo se houvessem residido em Meroé. Uma teoria alternativa afirma que havia na verdade dois Estados separados mas estreitamente interligados. Não se encontrou até o momento uma residência real ao norte de Meroé e é possível que Napata fosse apenas um centro religioso. j que Meroé. o último teria eclipsado o primeiro.Di regi tros arqueol gi os mostram que os sucessores de Aspelta transferiram a capital para Meroé.. embora alguns historiadores acreditem que o fato ocorreu durante o reinado de Aspelta. ao contrário de Napata. .C. pois agora podia exportar seus produtos via o mar Vermelho e as col nias mercantis gregas ali locali adas. um em Napata e outro em Meroé. A chegada de mercadores gregos na área também sinali ou o fim da dependência cuchita do comércio ao longo do Nilo. possuía vastas florestas que serviam de combustível para os altos-fornos. Com o tempo. mais ao sul do que Napata. Em cerca de 300 a. A data exata da mudança não é conhecida. Outros estudiosos pensam que a transferência deveu-se à atração do ferro. como reação à invasão egípcia da Baixa Núbia. mas este permaneceu uma cidade importante. Alguns entendem que este fato indicaria uma ruptura com os sacerdotes de Napata. onde os reis eram coroados e sepultados. os soberanos cuchitas começaram a ser sepultados em Meroé.

novos Estados se haviam formado na área antes controlada por Meroé. eram similares. alguns pensam que o relato axumita parece descrever a repressão a uma revolta em terras que os etíopes já controlavam. para representar a língua meroítica. Uma explicação mais simples é que a capital sempre fora em Meroé. Entretanto. refere-se apenas aos nubas (um povo dos montes Nuba. Declínio O declínio de Kush é um assunto altamente controverso.C.). pouco mais é conhecido a seu respeito. os nobatas (mencionados em fontes romanas anteriores e que alguns estudiosos associam com os nubas) evoluíram para formar o Estado da Nobácia (um reino cristão africano na Baixa Núbia) e outros na região. Falavam núbio antigo e escreviam com uma versão do alfabeto copta. os túmulos reais começam a reduzir-se em dimensões e esplendor e a construção de grandes monumentos cessou. entre os séculos I e XIII.Diodoro Sículo relata a história de um soberano meroítico chamado Ergamenes. estelas gigantes. capital do antigo Império de Aksum . túmulos reais e antigos castelos. chamada meroítica. A língua meroítica e sua escrita parecem ter desaparecido Reino de Aksum Aksum é uma cidade do norte da Etiópia. Segundo a teoria tradicional. sem mencionar os governantes de Meroé. que ainda não foi completamente decifrada. . por volta de 350. invadiu a Núbia em reação a um ataque núbio contra o sul da província e saqueou Napata (22 a. Após o século II. Os outros dois Estados da área. Makúria e Alodia.. Os sepultamentos reais em pirâmides cessam a partir de meados do século IV. As ruínas da cidade incluem obeliscos monolíticos. contemporâneo de Ptolomeu II. Ademais. Ao que parece. no atual Sudão). O último rei de Meroé chamava-se Sect Lie. Cuche deixou de usar os hieróglifos egípcios e desenvolveu uma nova escrita. ao revés.C.um dos estados mais poderosos da região entre o Império Romano do Oriente e a Pérsia. que recebera a ordem de se suicidar mas teria rompido com a tradição e. ordenado a execução dos sacerdotes. Por volta do século VI. Petrônio. o governador romano do Egito. Em algum momento. Em 23 a. Kush teria sido destruída por uma invasão do reino etíope de Axum.

o governo italiano não o cumpriu. dentra da qual se encontram as Tábuas da Lei onde estão inscritos os Dez Mandamentos. Este obelisco é considerado um dos mais refinados exemplos da engenharia do império axumita e. Alguns festivais religiosos dignos de menciona são o Festival T'imk'et. contém a Arca da Aliança mencionada na Bíblia. a Itália começou por devolver o obelisco em pedaços. em 1980 na lista do Património Mundial. em 1947. Foi nesta mesma igreja que os imperadores etíopes foram coroados durante séculos. que vê no monumento um símbolo de identi ade nacional. resultando numa longa disputa diplomática com o governo etíope.Por estas razões. mesmo depois do declínio do reino de Axum. Aksum é considerada a cidade mais sagrada da Etiópia e é um importante destino de peregrinações. as ruínas da cidade foram inscritas pela UNESCO. Finalmente. de que o obelisco seria devolvido. apesar de um acordo mediado pela ONU. A Igreja Ortodoxa Etíope afirma que a igreja de Nossa Senhora Maria de Zion. até ao reinado de Fasilidos e depois a partir de Yohannes IV. até ao fim do império. Em 1937. no século X. d em Abril de 2005. em Aksum. r a 7 de Janeiro e o Festival de Maryam Zion nos finais de Novembro. Reino da Abissínia . sendo re-inaugurado em 4 de Setembro de 2008. um obelisco com 24 m de altura e 1700 anos de idade foi cortado em três partes por soldados italianos e enviado de Aksum para Roma. Voltou à sua forma e lugar original.

e China como um das quatro grandes potências de seu tempo.C. mais bem preservado e mais completo fóssil adulto Australopithecus.C. expandiram-se em direção ao sul. que significa 'macaco do sul de Afar'. É estimado que Lucy tenha vivido na Etiópia a 3.C. porém estes falharam em completar a viagem de retorno. senão a maior. norte etíope. o Imperador Yeshaq. sob o Imperador Lebna Dengel. que enviou emissários retornando. que havia acabado de herdar o trono de seu pai. incluindo o testemunho de Pêro da Covilhã.. No entanto. Houve várias outras descobertas notáveis de fósseis no país.. ao norte da Etiópia. região da Etiópia onde a descoberta foi feita. Lucy. [editar] Dinastias Etíopes A dinastia Zagwe governou algumas partes da região em que atualmente se situam a Etiópia e a Eritreia de. com sua capital em Yeha. talvez representando uma colônia comercial ou militar em algum tipo de simbiose ou aliança militar com a civilização etíope de D mt. Na embaixada enviada em 1515 em resposta ao envio a Portugal do embaixador etiope Mateus. aproximadamente. que era capaz de reunir a área. e desaparecendo após poucas décadas ou um século.A Etiópia é considerada uma das áreas mais antigas de ocupação humana do mundo. Em 1428.[21] enquanto outros consideram os D mt como o resultado de uma mistura dos sabeus e populações indígenas. a dinastia solomônica governou a região. descoberta no no Vale de Awash da região Afar da Etiópia. embora influenciada pelos sabeus. com Portugal. até a ascensão de um desses reinos durante o século I a. que faria um relato. De 1270..C. por causa de sua tardia hegemonia do Mar Vermelho. Ardi. As primeiras relações contínuas com um país europeu começaram em 1508. [editar] Contato restaurado com a Europa No início do século XV. o Império Aksumite. um reino conhecido como D mt foi estabelecido ao norte da Etiópia e Eritreia. Há evidências da presença de povos semíticos na Etiópia e na Eritreia pelo menos no início de 2 000 a. limitada a poucas localidades. Após a queda dos D mt no século IV a. durante muitos séculos. Uma carta do Rei Henrique IV de Inglaterra ao Imperador da Abssínia ainda existe. incluindo o fóssil humano mais velho. que falam línguas cuchíticas. A influência sabeia é agora considerada por ter sido menor.2 milhões de anos atrás. Eles estabeleceram bases nas terras altas do norte do Planalto Etíope e de lá. o planalto veio a ser dominado por reinos sucessores menores. ge'ez. O nome da dinastia vem do povo Agaw. a Etiópia procurou realizar contatos diplomáticos com reinos europeus pela primeira vez desde os tempos de Aksumite. A espécie de Lucy é chamada de Australopithecus afarensis. enviou dois emissários para Afonso V de Aragão. de acordo com algumas descobertas científicas. Muitos historiadores modernos consideram esta civilização nativa da África. é considerado o segundo mais antigo. Pérsia. ancestral da Etiópia moderna e medieval. da Etiópia. . Por volta do século VIII a. a língua semítica mais antiga da Etiópia. A figura religiosa persa Maniqueu listou Aksum junto a Roma. 1137 a 1270. é agora considerada não sendo derivada dos sabeus (também semitas do sul). seguia Francisco Álvares.

Depois de muitos anos de luta. o Imperador Susenyos converteu-se ao Catolicismo. Desde essa data até 770 os seus governantes constituíram a dinastia dos Magas. o filho de Susenyos. Os soninkés habitavam a região ao sul do deserto do Saara. e expulsou os missionários jesuítas e outros europeus. Este império era comandado por reis . Em 1624. Este povo estava organizado em tribos que constituíam um grande império. o Imperador Fasilides. apesar do povo ser constituído por negros das tribos Soninque. e em 25 de junho de 1632. e o império expandiu-se grandemente sob o domínio de Kaya Maghan Sisse. a dinastia dos Almorávidas berberes subiu ao poder. O Gana foi provavelmente fundado durante os anos 300. Portugal ajudou o Imperador etíope. deve o seu nome moderno ao de um antigo império que dominava a África Ocidental durante a Idade Média.Isto provou ser um passo importante. que antigamente se chamava Costa de Ouro. Reino de Gana O atual Gana. entre o deserto do Saara e os rios Níger e Senegal. O velho Gana ficava a muitos quilómetros mais para norte do actual. que foi rei cerca de 790. uma família berbere. O império entrou em declínio e em 1240 foi destruído pelo povo de Mali. Atingiu o máximo da sua glória durante os anos 900 e atraiu a atenção dos Árabes. Em 770 os Magas foram derrubados pelos Soninques. Nessa altura o Gana começou a adquirir uma reputação de ser uma terra de ouro.[32] Os missionários jesuítas ofenderam a fé ortodoxa dos etíopes locais. tornando-se quando o Império Otomano e Portugal tomaram conta das partes envolventes no conflito. Ahmad ibn Ibrihim al-Ghazi. ano de revolta e agitação civil. declarou a religião do Estado sendo novamente a Igreja Ortodoxa Etíope. enviando-lhe armas e quatrocentos homens. resultando em milhares de mortes.[31] Esta guerra Etíope-Adal foi também uma das primeiras guerras proxy na região. que ajudaram seu filho Gelawdewos a derrotar Ahmad e restabelecer seu governo. pois quando o Império foi submetido aos ataques do General Adal e Imame. embora não o tenha conservado durante muito tempo.

seus parentes e amigos. Também pode ser considerado uma etapa da História do atual Mali. O Império do Mali foi descrito pelos viajantes árabes como um Estado rico e suntuoso durante o seu apogeu. que trabalhavam nas terras da n obreza Reino de Mali Império do Mali Império O Império do Mali foi um Estado que existiu na África Ocidental e na Europa entre as décadas de 1230 e de 1600 aproximad amente. embora as fronteiras do extinto Império do Mali compreendessem regiões onde hoje se encontram outros países daÁfrica. da agricultura e da pesca. Um exército poderoso fazia a proteção das terras e do comércio que era praticado na região. queera formada pelo caia-maga. Extraíam o ouro para trocar por outros produtos com os povos do deserto (bérberes).conhecidos como caia-maga. Os habitantes do império deviam pagar impostos para a nobreza. Habitavam uma região com grandes reservas de ouro. uma área de intenso comércio. Além de pagar impostos. constituindo amplas redes de poder. as aldeias deviam contribuir com soldados e lavradores. Viviam da criação de animais. A região de Gana. Origens . tornou com o -se tempo. e certamente foi um importante centro comercial da África Moderna. Os Mansas do Mali ampliaram seu domínio sobre outros reinos da África.

rei do Mali. O Mali era um império agrícola. A corte imperial se estabeleceu em diversas cidades (Djeliba. do Baixo Senegal e do rio gâmbia Baxio Gâmbia. estes organizados em "kelé-bolon" (contingentes) controlados por um "kelé tigui" (general-chefe). Os malinqués dominavam a cultura do algodão e do amendoim. que decidia sobre a guerra e os impostos. os grupos malinqués vivendo nas cidades antigas de Kiri e Dakadyala eram liderados por chefes mágico-caçadores chamados de "simbon". seria o novo Mansa. Durante o século XI esses povos sofreram a interferência cada vez maior do principado do Sosso. As famílias pagavam impostos para o Estado por meio de trabalhos nas terras do simbon. Sundjata Keita morreu em 1255 num acidente. Kangaba) até se fixar em Niani. contudo. e não detinha autoridade real sobre os outros membros da sociedade. introduzidas no país por Sundjata.Originários da região do Rio Senegal e do Alto Níger. Também no século XI. e os casamentos entre membros de castas diferentes eram proibidos. A guerra era conduzida após a reunião de camponeses guerreiros. Os casamentos eram regulados por casta . O "simbon" era apenas um primeiro entre iguais. . A sociedade era dividida em grandes unidades familiares. mas o grande conselho constituía um proto-Estado. Existia escravidão e servidão no antigo Mali. etc. Nos anos subsequentes o Mali se expandiu sobre regiões do Sudão. cujo príncipe havia tomado o título de mansa (Imperador) nessa época. alguns de artesãos. O Império Mansa Musa Foi no ano de 1240. outros de homens livres ("ton dyon"). os líderes do Mali se converteram ao islamismo e iniciaram um processo de centralização política acentuado. Soci A sociedade foi dividida em trinta grandes clãs. em Kuru-Kan-Fugha que se decidiu que Sundjata Keita. que viviam em campos comunitários chamados de Foroba. outros de guerreiros.

Um escravo do mansa Abubakar I (1270 e 1285).Durante o reino de Maghan (1332-1336) Timbuktu foi saqueada por povos estrangeiros. Za el-Ayamen. impressionando os líderes árabes da época. proporcionando a descentralização do reino. Este mansa foi responsável pela construção em Timbuktu da mesquita de Djinger-ber. na direção da América do Sul. ficou célebre por conta de sua tentativa sem sucesso de se expandir para o oeste enviando navios navegarem pelo oceano atlântico. foi um outro célebre rei malinqué que organizou uma grandiosa peregrinação com cerca de 60 mil servidores e cem camelos carregados de ouro. Foi fundado por um chefe berbere da Líbia. O Mansa Musa. foi entronizado como imperador e aumentou os domínios do Mali. mansa de 1312 a 1332. em Timbuktu. Sakura foi assassinado após retornar de uma peregrinação. Seu reinado é considerado a Era Dourada da História do Mali. Sakura. pela expansão e afirmação do Islã no império e por estabilizar as relações diplomáticas do Mali com os reinos vizinhos. governou seu filho Mansa Ulé (1255-1270). Os reinados de Mari Djata (1360-1374) e Mussa II (1374-1387) marcaram o início do período de decadência do Império Reino de Songai Songai é um antigo reino da África Ocidental que se estendia pelas margens do Níger.Mesquita de Djinger-ber. fazendo com que mais reis se tornassem vassalos do imperador. Abubakar II. Mansa Ulé entregou o controle das províncias imperiais a diferentes generais. no século VII na região de . Mansa Suleiman (1341 -1360) recuperou a economia do Império e tentou restaurar a sua influência sobre a periferia do Império e conseguiu fazer reconhecer sua soberania sobre os Tuaregues. o mansa que assumiu o governo em 1303. construída pelo Mansa Musa Após Sundjata Keita.

a decadência deste império permitiu um ressurgir deste reino. Pouco adepto do islamismo. permitindo. Em 1496 este rei organizou uma peregrinação a Meca. convertendo. sendo seu sucessor um dos seus generais. No século XV. onde obteve o título de califa. No século XI. momento em que o navegador lusitano Diogo Cão alcançou a foz do rio Zaire. fundador da dinastia muçulmana dos Askias. sendo pilhada a capital do Mali em 1400 pelo rei de Kukia. Em 1591. este reino acabou por desaparecer nas mãos do sultão de Marroc Ahmed elos Mansur que se instalou em Tombuctu e o aniquilou por completo. Apoderou de Tombuctu. pescadores e caçadores. Foi durante o seu reinado que o reino Songhai alcançou o seu apogeu. passando em finais do século XIII a ser dominado pelo Império do Mali. A partir do século XI (c. Ali Ber persseguiu os Peules e os Tuaregues para defender a civilização dos negros africanos contra os estrangeiros. os reis que viviam em Kukia estabeleceram-se em Gao e converteram-se ao islamismo.Gao. que o novo reino de Songhai conhecesse um grande dese nvolvimento levado a cabo por dois reis: Sonni Ali (1464) e por Ali Ber (1492). . ao fugir dos árabes. Ma Dogo. finalmente desta forma. Morreu em combate. tendo-se estabelecido em Kukia (a sul de Gao) e impondo a sua autoridade às populações autóctones. este reino estendia-se ao longo do rio (de Tombuctu a Niamey). ainda que a maior parte dos súbditos permanecesse pagã até ao final do século XV. os portugueses abriram contato com as várias culturas que já se mostravam consolidadas pelo litoral e outras par es do t interior do continente africano. Reino do Congo Durante seu processo de expansão marítimo -comercial. -se Djenné e da região dos Lagos e controlou as minas auríferas do Bito e a navegabilidade do Níger. Mohammed Touré (1493-1528). o reino Songhai ao islamismo. no final do século XV. 1010). Em 1483. foi encontrado um governo monárquico fortemente estruturado conhecido como Congo.

uma espécie de concha somente encontrada na região de Luanda.Fundado por Ntinu Wene. O império era governado por um monarca. principalmente os bakongo. onde aconteciam as mais importantes decisões políticas de todo o reinado. esse Estado centralizado dominava a parcela centro-ocidental da África. tinha o direito de receber o tributo proveniente de cada uma das províncias dominadas. metais. Na sua máxima dimensão. Matamba. rebatizada São Salvador do Congo após os primeiros contactos com os portugueses e a conversão do manicongo ao catolicismo no século XVI. a oeste. até ao rio Cuanza. o reino do Congo contava com a presença de administradores locais provenientes de antigas famílias ou escolhidos pela própria autoridade monárquica. tais como Ndongo. consistia de nove províncias e três reinos (Ngoy. conhecido como manicongo. Uma expressiva parte dos escravos que trabalharam na exploração aurífera do século XVII. Apesar da existência destas subdivisões na configuração política do Congo. a leste. Foi nesse mesmo local onde os portugueses entraram em contato com essa diversificada civilização africana. era proveniente da região do Congo e de Angola. A principal atividade econômica dos congoleses envolvia a prática de um desenvolvido comércio onde predominava a compra e venda de sal. a sul. O contato dos portugueses com as autoridades políticas deste reino teve grande importância na articulação do tráfico de escravos. o rei. até ao rio Congo. estendia-se desde o oceano Atlântico. no século XIII. O intercâmbio cultural com os europeus acabou trazendo novas práticas que fortaleceram a autoridade monárquica no Congo . mas a sua área de influência estendia-se também aos estados limítrofes. Apesar da feição centralizada. Nessa região se encontrava vários grupos da etnia banto. principalmente em Minas Gerais. no actual Gabão. A prática comercial poderia ser feita através do escambo (trocas) ou com a adoção do nzimbu. Kakongo e Loango). Kassanje e Kissama. ocupavam os territórios. tecidos e produtos de origem animal. o manicongo. e do rio Oguwé. A capital era M'Banza Kongo (cidade do Congo). a norte.

Não deve ser confundido com o país dos nossos dias chamado Benim (outrora chamado Daomé). Reino de Benin O Reino de Benin.. . Império de Benim ou Império Edo (1440-1897) foi um grande estado africano pré-colonial da moderna Nigéria.

Nessa ocasião. A resposta de Oduduwa foi "um governante não pode deixar o seu domínio". (que na língua de diz. também conhecido como Odudua. ele finalmente subiu à posição do Oba (significado 'rei' ou 'soberano' na língua Yoruba) e depois recebeu o título de Ooni de Ife. seu filho e evidente herdeiro Ekaladerhan foram banidos do Benim em conseqüência de uma mensagem do oráculo para Ogiso. implorar ao Oba (Rei) Oduduwa para voltar ao Benim para subir o trono. . Os povos originais e fundadores do Império de Benim.Origem Segundo um conto tradicional. Uma tradição oral afirma que durante o último reinado o Ogiso. O príncipe Ekaladerhan era um poderoso guerreiro e bem amado. modifica por uma das rainhas. Na sequência á Ekaladerhans chegou à cidade Yoruba de Ife. o oráculo de Ifá disse que o povo Yoruba de Ile Ife (também conhecida como Ife) seria regida por um homem que sair da floresta. Ele mudou seu nome para 'Izoduwa'. uma forma de república anterior ao reino. foram inicialmente governados pelos Ogisos (Reis do Céu). Cerca de 36 Ogiso conhecidos são contabiliz ados como príncipes do império. fala-se de um Estado. o último Ogiso. Na morte de seu pai. um grupo de Chefes de Benim liderados pelo Chefe Oliha veio para Ife. Oòdua e Eleduwa. "Eu escolhi o caminho da le prosperidade") e ser digno do Grande Oduduwa. Na partida do Benim se deslocaram no sentido oeste para à terra dos Yoruba. dos Yorubas. A cidade de Ubini (mais tarde chamada Benin City) foi fundada em 1180. mas ele tinha sete filhos e iria pedir para um deles voltar ao Benim para se tornar o próximo rei. o povo Bini.

"terra de aborrecimento e irritação). Durante o reinado do Oba Oduduwa como Alaafin de Oyo. onde ele engravidou a princesa Erimwinde. e foi esta frase que se tornou a origem do antigo nome 'Ubini' de Benin City. concordou em ir para Benim. na sua própria língua. mudou o nome da cidadede Ile Ibinu para Ubini. a filha do Enogie de Ego e ela deu à luz uma criança chamada Eweka. chegou ao poder e transformou a cidade-estado em um império.Oranyan (também conhecido como Oranmiyan). Cerca de 1470. Oba Ewedo. Ele passou alguns anos em Benim antes de voltar para as terras Yoruba e estabelecer o seu próprio reino Yoruba de Oyo. em seu caminho de casa para Ife. Eweka tornou o Oba em -se Ile Ibinu. também conhecido como 'Ewuare o Grande ". Oba Ewuare. Diz-se que ele deixou o local com raiva e chamou-o "Ile Ibinu" (que significa. que o português. um ancestral do Oba Ewaka I. ele nomeou o novo estado Edo. um dos filhos de Oduduwa e filho da esposa Yoruba de Oduduwa Okanbi. corrompeu para Benim ou -a Bini. parou brevemente em Ego. Oranmiyan. Em 1440. .

Foi a partir deste baluarte que ele lançou a sua campanha militar. como fez seu contemporâneo manikongo Afonso. uma expedição portuguesa foi à capital do reino para estabelecer os primeiros contatos com Evaré. Oba Ewuare. é creditado com a Benin City que se converteu em uma fortaleza militar protegida por fossos e paredes. O único traço cristão que permaneceu em Benin foi à crucificação de seus inimigos. A Oba recebeu os portugueses de braços abertos. e começou a expansão do reino. Benin vivia em intermináveis guerras em seu processo de expansão. A cola guineense era tradicionalmente trocada pelo cobre e o algodão sudanês. o primeiro Oba Golden Age. O Oba Esigi que sucedeu Evaré foi ainda mais favorável aos portugueses. Permitiu que missionários cristãos construíssem igrejas no reino. O comércio entre os portugueses e Benin. o reino se encontrava em plena expansão.O Oba tornou-se o supremo poder na região. o cristianismo não vingou. porém ele não se converteu ao cristianismo. além de escravos. o Oba em exercício (era o décimo quinto da dinastia). ou seja. envolvia armas. marfim. Contato com os Portugueses Quando os portugueses entram em contato com Benin. . Nos últimos anos do século XV. O cobre era um dos principais produtos que os Edos obtinham no comércio do Níger. rei do Kongo. vestimentas. Tal castigo era desconhecido na África antes da chegada dos cristãos. o Grande. por volta de l480. etc. pimenta. que seus súditos batizassem. Teria umas oitenta léguas de comprimento por quarenta de largura.

dentre outros fatores. é consequência de fatos passados. No que diz respeito às pessoas foi uma violência irreparável. que pressupõe. Assim. mão -de-obra excedente que possa ser explorada em benefício de outros. Do ponto de vista econômico. Revela uma longa história de exploração e subjugação de populações fragilizadas por outras. Demonstra também que a desestruturação econômica e cultural tem efeitos desastrosos de longa duração.Escravidão e tráfico de escravos Escravidão O estudo do processo de escravização dos povos africanos é essencial para que se compreenda a situação atual de desigualdade no planeta. a escravidão foi uma forma eficiente de acumulação primitiva. a existência de povos muito pobres. Escravidão na África: uma antiga forma de exploração . mais equipadas. poucos. parte do atualcontexto socio-econômico da África de miséria e exclusão.

ainda são responsáveis por todo um contexto de miséria existente no continente africano. Lovejoy apresenta o conceito de modo de produção escravista (de E.C. onde os mais fracos são os que pagam com a própria existência. conflitos internos aliados à corrupção de governantes locais. expectativa que não se realizou. uma solução econômica e social viável para o povo africano. A presença européia na costa atlântica e o comércio de escravos As primeiras excursões portuguesas à África foram pacíficas (o marco da chegada foi a construção da fortaleza de S.A escravidão esteve presente no continente africano muito antes do início do comércio de escravos com europeus na costa atlântica. Portugueses muitas vezes se casavam com mulheres nativas e eram aceitos pelas lideranças locais. Durante os três impérios medievais do norte da África (séculos X a XV). Terray) como fundamental para uma compreensão mais completa do funcionamento político. o comércio de escravos foi largamente praticado . Jorge da Mina.313. De fato. Basicamente os conflitos tribais na África alimentavam o tráfico. o modo de produção baseado na escravidão é aquele em que predominam a mão-de-obra escrava em setores essenciais da economia. Segundo sua definição. fizeram uma quantidade enorme de vítimas. protelam. ³prisioneiros capturados nas guerras santas que expandiram o Islã da Arábia pelo norte da África e através da região do Golfo Pérsico´ eram vendidos e usados como escravos. Já em meados da década de 1470 os ³portugueses tinham começado a comerciar nos golfos do Benin e frequentar o delta do rio Níger e os rios que lhe ficavam logo a oeste´. a condição de escravo no mais baixo nível da hierarquia social. Guerras civis entre forças revolucionárias e governos corruptos na África. em 1482).e também das colônias portuguesas nas Américas.. A escravização do negro pelo negro Muitas tribos rivais faziam prisioneiros em conflitos e vendiam-nos para árabes e europeus.000 indivíduos. consta que o comércio de escravos que se estabeleceu no Atlântico entre 1450 e 1900 contabilizou a venda de cerca de 11. . Desde por volta de 700 d. Os investimentos na navegação da costa oeste da África foram inicialmente estimulados pela crença de que a principal fonte de lucro seria a exploração de minas de ouro. Os povos mais frágeis eram capturados pelos chefes das tribos e trocados com os europeus por mercadorias. em Gana. este foi um dos elementos chaves responsável pela mercantilização dos povos africanos. Assim. econômico e social da África . atualmente. A baixa industrialização do continente e o conflito de interesses entre liberais e a esquerda. e a consolidação de uma infraestrutura política e comercial que garanta a manutenção desse tipo de exploração. negociando principalmente escravos. assim como até hoje.

após a aprovação de uma lei de autoria de Eusébio de Queirós. embora no séc. o que gerava uma constante substituição dos escravos por novas levas e girava a máquina dos negócios dos traficantes. a partir de 1560 e com a descoberta de ouro. interessado no desenvolvimento do trabalho livre para a ampliação do mercado consumidor. Além disso. Mas a principal fonte de riqueza obtida pelos europeus na África foi mesmo a mão-de-obra barata demandada nas colônias americanas e que pareceu-lhes uma boa justificativa para os investimentos em explorações marítimas que. as populações de escravos. depois de intensa pressão do governo britânico. Os filhos eram assimilados pela sociedade muçulmana. Os árabes vendiam os homens e ficavam com as mulheres. Tráfico de escravos Os portugueses já usavam o negro como escravo antes da colonização do Brasil. somente cessou em torno de 1850. nas ilhas da Madeira. embora ilegal a partir de 1830. XV os escravos fossem vendidos em Portugal e na Europa de maneira geral. Açores e Cabo Verde. tecido. O tráfico para o Brasil. os europeus comprassem muito mais homens do que mulheres. O investimento europeu em guerras geradoras de escravos modificou profundamente a África e também as Américas. escravizando a população. ³o trabalho escravo estava diretamente relacionado à consolidação da infra-estrutura comercial que era necessária para a exportação de escravos´. Dessa forma. Os comerciantes usavam como moeda pequenos objetos de cobre. ganhavam maior liberdade. Desde muito antes da chegada dos portugueses a Gana. Lovejoy chama a atenção para o caráter de relação de dependência inerente à escravidão. Também por isso. não tinham como se sustentar por meio da reprodução biológica . Outro fator importante foi a constatação de que os homens eram mais resistentes às péssimas condições de salubridade a que eram submetidos nas longas viagens de travessia do oceano Atlântico em navios negreiros. manilhas e contas de vidro trazidos de Veneza. O indivíduo na situação de escravo ficava numa situação em que não tinha autonomia alguma. tanto na África como nas Américas. o tráfico de escravos negros da África para o Brasil teve grande crescimento com a expansão da produção de açúcar. e dependia do seu senhor para suas necessidades mais fundamentais. Iniciado na primeira metade do século XVI. XIV. A preferência dos traficantes africanos por cativos do sexo feminino foi um fator decisivo para que. no século XVIII. Lovejoy faz uma descrição pormenorizada de diversos casos de escravidão. armas de fogo e peles . as mulheres faziam quase todo o trabalho agrícola. que eram absorvidas pelas comunidades e. Cidades atacavam outras cidades. como no caso de mulheres que se tornavam concubinas. no início de seus negócios nessa área. conforme incorporavam valores das sociedades de seus senhores. vinham fazendo desde o séc. tais como marfim.Em torno do comércio de escravos estabeleceu-se o comércio de outros produtos. tabaco. Dessa forma. foi com a exploração das colônias americanas que o tráfico atingiu grandes proporções. A viagem para o Brasil era . especialmente os portugueses. a escravidão articulada com a expansão do Islã sempre esteve calcada em interesses sexuais.

Rio de Janeiro e Pernambuco. Mas no final da viagem sempre havia lucro. que os transportavam. . de onde seguiam para outras cidades. Os principais portos de desembarque no Brasil eram a Bahia. cerca de 40% dos negros embarcados morriam durante a viagem nos porões dos navios negreiros.dramática.

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