Reino de Kush

Foi uma civilização que se desenvolveu na região norte-africana da Núbia, localizada no que é hoje o norte do Sudão, a partir do século XXXII a.C. Uma das primeiras civilizações a surgir no vale do rio Nilo, os Estados cuchitas controlaram a região antes do período das incursões egípcias na área.

Origens
As primeiras sociedades a se desenvolver na área surgiram na Núbia antes da Primeira Dinastia do Egito (3100-2890 a.C.). Em cerca de 2500 a.C., os egípcios começaram a avançar na direção sul e é por meio deles que a maior parte das informações sobre Cuche ficou conhecida. Mas esta expansão foi detida pela queda do Médio Império no Egito. A expansão egípcia recomeçou em aproximadamente em 1500 a.C., mas desta vez encontrou resistência organizada. Os historiadores não têm certeza se esta resistência foi oferecida por cidades-Estado múltiplas ou por um império unificado, e debatem se o conceito de Estado surgiu ali de modo independente ou se foi tomado do Egito. Os egípcios lograram vencer a resistência e fizeram da região uma colônia sua, durante o reinado de Tutmósis I, cujo exército mantinha ali um certo número de fortalezas. No século XI a.C., disputas internas no Egito permitiram aos nativos derrubar o regime colonial egípcio e instituir um reino independente, governado a partir de Napata, na Núbia.

Napata
Este novo reino, com sede em Napata, foi unificado por Alara no período entre 780 e 755 a.C. Alara era visto pelos seus sucessores como o fundador do reino cuchita. O reino cresceu em influência e veio a dominar a região meridional egípcia de Elefantina e até mesmo Tebas, no reinado de Kachta, sucessor de Alara e que logrou no século VIII a.C. forçar Chepenuepet I, meia-irmã de Takelot III e "esposa do deus Amon", a adotar Amenirdis I, filha do soberano cuchita, como sucessora. Com isto, Tebas passou ao controle de facto do reino de Napata. Seu poder chegou ao auge com Piye, sucessor de Kachta, que conquistou todo o Egito e fundou a vigésima-quinta dinastia. Quando os assírios invadiram em 671 a.C., Cuche tornou-se uma vez mais um Estado independente. O último rei cuchita a tentar retomar o controle do Egito foi Tantamani, que foi definitivamente derrotado pela Assíria em 664 a.C. Subseqüentemente, o poder cuchita sobre o território egípcio declinou e extinguiu-se em 656 a.C., quando Psamético I, fundador da vigésima-sexta dinastia, reunificou o Egito. Em 591 a.C., os egípcios invadiram Cuche - possivelmente porque esta, governada por Aspelta, preparava-se para atacar o Egito - e saquearam e incendiaram Napata.

Meroé

A chegada de mercadores gregos na área também sinali ou o fim da dependência cuchita do comércio ao longo do Nilo. embora alguns historiadores acreditem que o fato ocorreu durante o reinado de Aspelta. Não se encontrou até o momento uma residência real ao norte de Meroé e é possível que Napata fosse apenas um centro religioso. pois agora podia exportar seus produtos via o mar Vermelho e as col nias mercantis gregas ali locali adas. os soberanos cuchitas começaram a ser sepultados em Meroé. possuía vastas florestas que serviam de combustível para os altos-fornos. Com o tempo. ao contrário de Napata. mesmo se houvessem residido em Meroé.C. mas este permaneceu uma cidade importante. A data exata da mudança não é conhecida.Di regi tros arqueol gi os mostram que os sucessores de Aspelta transferiram a capital para Meroé. o último teria eclipsado o primeiro. onde os reis eram coroados e sepultados. Uma teoria alternativa afirma que havia na verdade dois Estados separados mas estreitamente interligados.. Alguns entendem que este fato indicaria uma ruptura com os sacerdotes de Napata. j que Meroé. mais ao sul do que Napata. um em Napata e outro em Meroé. Em cerca de 300 a. como reação à invasão egípcia da Baixa Núbia. Outros estudiosos pensam que a transferência deveu-se à atração do ferro. .

estelas gigantes. Makúria e Alodia. refere-se apenas aos nubas (um povo dos montes Nuba. Por volta do século VI. sem mencionar os governantes de Meroé.um dos estados mais poderosos da região entre o Império Romano do Oriente e a Pérsia. entre os séculos I e XIII. O último rei de Meroé chamava-se Sect Lie. Após o século II. Entretanto. Falavam núbio antigo e escreviam com uma versão do alfabeto copta. capital do antigo Império de Aksum . o governador romano do Egito. chamada meroítica. Petrônio.). invadiu a Núbia em reação a um ataque núbio contra o sul da província e saqueou Napata (22 a. que ainda não foi completamente decifrada. túmulos reais e antigos castelos.C. ao revés. Declínio O declínio de Kush é um assunto altamente controverso. Uma explicação mais simples é que a capital sempre fora em Meroé. no atual Sudão). A língua meroítica e sua escrita parecem ter desaparecido Reino de Aksum Aksum é uma cidade do norte da Etiópia. contemporâneo de Ptolomeu II. que recebera a ordem de se suicidar mas teria rompido com a tradição e. Kush teria sido destruída por uma invasão do reino etíope de Axum. os nobatas (mencionados em fontes romanas anteriores e que alguns estudiosos associam com os nubas) evoluíram para formar o Estado da Nobácia (um reino cristão africano na Baixa Núbia) e outros na região.C. Os sepultamentos reais em pirâmides cessam a partir de meados do século IV. .. para representar a língua meroítica. os túmulos reais começam a reduzir-se em dimensões e esplendor e a construção de grandes monumentos cessou. Ao que parece. pouco mais é conhecido a seu respeito. Em algum momento. eram similares. novos Estados se haviam formado na área antes controlada por Meroé.Diodoro Sículo relata a história de um soberano meroítico chamado Ergamenes. por volta de 350. Segundo a teoria tradicional. ordenado a execução dos sacerdotes. As ruínas da cidade incluem obeliscos monolíticos. alguns pensam que o relato axumita parece descrever a repressão a uma revolta em terras que os etíopes já controlavam. Ademais. Cuche deixou de usar os hieróglifos egípcios e desenvolveu uma nova escrita. Os outros dois Estados da área. Em 23 a.

Foi nesta mesma igreja que os imperadores etíopes foram coroados durante séculos. no século X. mesmo depois do declínio do reino de Axum. a Itália começou por devolver o obelisco em pedaços. até ao reinado de Fasilidos e depois a partir de Yohannes IV. as ruínas da cidade foram inscritas pela UNESCO. o governo italiano não o cumpriu. d em Abril de 2005. até ao fim do império. que vê no monumento um símbolo de identi ade nacional. A Igreja Ortodoxa Etíope afirma que a igreja de Nossa Senhora Maria de Zion. apesar de um acordo mediado pela ONU. resultando numa longa disputa diplomática com o governo etíope. Este obelisco é considerado um dos mais refinados exemplos da engenharia do império axumita e. dentra da qual se encontram as Tábuas da Lei onde estão inscritos os Dez Mandamentos. r a 7 de Janeiro e o Festival de Maryam Zion nos finais de Novembro.Por estas razões. Em 1937. em 1947. Alguns festivais religiosos dignos de menciona são o Festival T'imk'et. Voltou à sua forma e lugar original. contém a Arca da Aliança mencionada na Bíblia. Reino da Abissínia . de que o obelisco seria devolvido. em 1980 na lista do Património Mundial. em Aksum. sendo re-inaugurado em 4 de Setembro de 2008. Aksum é considerada a cidade mais sagrada da Etiópia e é um importante destino de peregrinações. um obelisco com 24 m de altura e 1700 anos de idade foi cortado em três partes por soldados italianos e enviado de Aksum para Roma. Finalmente.

que significa 'macaco do sul de Afar'. ao norte da Etiópia.C. ge'ez. e China como um das quatro grandes potências de seu tempo. descoberta no no Vale de Awash da região Afar da Etiópia. a língua semítica mais antiga da Etiópia. que havia acabado de herdar o trono de seu pai.. Em 1428. sob o Imperador Lebna Dengel. embora influenciada pelos sabeus. De 1270.C. que faria um relato. Lucy. mais bem preservado e mais completo fóssil adulto Australopithecus. limitada a poucas localidades. com Portugal. 1137 a 1270.A Etiópia é considerada uma das áreas mais antigas de ocupação humana do mundo. de acordo com algumas descobertas científicas.C. a dinastia solomônica governou a região. Por volta do século VIII a. é agora considerada não sendo derivada dos sabeus (também semitas do sul). Pérsia. e desaparecendo após poucas décadas ou um século. que falam línguas cuchíticas. enviou dois emissários para Afonso V de Aragão. Ardi. incluindo o fóssil humano mais velho. aproximadamente. Eles estabeleceram bases nas terras altas do norte do Planalto Etíope e de lá.2 milhões de anos atrás. Houve várias outras descobertas notáveis de fósseis no país. . região da Etiópia onde a descoberta foi feita. [editar] Dinastias Etíopes A dinastia Zagwe governou algumas partes da região em que atualmente se situam a Etiópia e a Eritreia de. Uma carta do Rei Henrique IV de Inglaterra ao Imperador da Abssínia ainda existe. Após a queda dos D mt no século IV a.C. talvez representando uma colônia comercial ou militar em algum tipo de simbiose ou aliança militar com a civilização etíope de D mt.[21] enquanto outros consideram os D mt como o resultado de uma mistura dos sabeus e populações indígenas. da Etiópia.. expandiram-se em direção ao sul. No entanto. ancestral da Etiópia moderna e medieval. senão a maior. por causa de sua tardia hegemonia do Mar Vermelho. [editar] Contato restaurado com a Europa No início do século XV. O nome da dinastia vem do povo Agaw. seguia Francisco Álvares. porém estes falharam em completar a viagem de retorno. É estimado que Lucy tenha vivido na Etiópia a 3. que era capaz de reunir a área. a Etiópia procurou realizar contatos diplomáticos com reinos europeus pela primeira vez desde os tempos de Aksumite. A espécie de Lucy é chamada de Australopithecus afarensis. o Imperador Yeshaq. A influência sabeia é agora considerada por ter sido menor.. é considerado o segundo mais antigo. norte etíope. durante muitos séculos. o planalto veio a ser dominado por reinos sucessores menores. com sua capital em Yeha. Na embaixada enviada em 1515 em resposta ao envio a Portugal do embaixador etiope Mateus. um reino conhecido como D mt foi estabelecido ao norte da Etiópia e Eritreia. A figura religiosa persa Maniqueu listou Aksum junto a Roma. até a ascensão de um desses reinos durante o século I a. incluindo o testemunho de Pêro da Covilhã. As primeiras relações contínuas com um país europeu começaram em 1508. o Império Aksumite. Muitos historiadores modernos consideram esta civilização nativa da África. que enviou emissários retornando. Há evidências da presença de povos semíticos na Etiópia e na Eritreia pelo menos no início de 2 000 a.

Os soninkés habitavam a região ao sul do deserto do Saara. que ajudaram seu filho Gelawdewos a derrotar Ahmad e restabelecer seu governo. Reino de Gana O atual Gana. Portugal ajudou o Imperador etíope. enviando-lhe armas e quatrocentos homens. uma família berbere. que foi rei cerca de 790. Este povo estava organizado em tribos que constituíam um grande império. que antigamente se chamava Costa de Ouro. a dinastia dos Almorávidas berberes subiu ao poder.Isto provou ser um passo importante. Atingiu o máximo da sua glória durante os anos 900 e atraiu a atenção dos Árabes. o filho de Susenyos. Este império era comandado por reis . tornando-se quando o Império Otomano e Portugal tomaram conta das partes envolventes no conflito.[32] Os missionários jesuítas ofenderam a fé ortodoxa dos etíopes locais. O velho Gana ficava a muitos quilómetros mais para norte do actual. e expulsou os missionários jesuítas e outros europeus. resultando em milhares de mortes. O Gana foi provavelmente fundado durante os anos 300. e o império expandiu-se grandemente sob o domínio de Kaya Maghan Sisse. ano de revolta e agitação civil. Em 770 os Magas foram derrubados pelos Soninques. apesar do povo ser constituído por negros das tribos Soninque. Nessa altura o Gana começou a adquirir uma reputação de ser uma terra de ouro. O império entrou em declínio e em 1240 foi destruído pelo povo de Mali. declarou a religião do Estado sendo novamente a Igreja Ortodoxa Etíope. entre o deserto do Saara e os rios Níger e Senegal. Ahmad ibn Ibrihim al-Ghazi. pois quando o Império foi submetido aos ataques do General Adal e Imame. o Imperador Susenyos converteu-se ao Catolicismo. o Imperador Fasilides. e em 25 de junho de 1632. embora não o tenha conservado durante muito tempo. Desde essa data até 770 os seus governantes constituíram a dinastia dos Magas. Em 1624. deve o seu nome moderno ao de um antigo império que dominava a África Ocidental durante a Idade Média. Depois de muitos anos de luta.[31] Esta guerra Etíope-Adal foi também uma das primeiras guerras proxy na região.

Além de pagar impostos. uma área de intenso comércio. queera formada pelo caia-maga. tornou com o -se tempo. Um exército poderoso fazia a proteção das terras e do comércio que era praticado na região. Extraíam o ouro para trocar por outros produtos com os povos do deserto (bérberes). as aldeias deviam contribuir com soldados e lavradores. da agricultura e da pesca.conhecidos como caia-maga. Viviam da criação de animais. Origens . que trabalhavam nas terras da n obreza Reino de Mali Império do Mali Império O Império do Mali foi um Estado que existiu na África Ocidental e na Europa entre as décadas de 1230 e de 1600 aproximad amente. Os habitantes do império deviam pagar impostos para a nobreza. embora as fronteiras do extinto Império do Mali compreendessem regiões onde hoje se encontram outros países daÁfrica. e certamente foi um importante centro comercial da África Moderna. Também pode ser considerado uma etapa da História do atual Mali. Habitavam uma região com grandes reservas de ouro. O Império do Mali foi descrito pelos viajantes árabes como um Estado rico e suntuoso durante o seu apogeu. constituindo amplas redes de poder. seus parentes e amigos. Os Mansas do Mali ampliaram seu domínio sobre outros reinos da África. A região de Gana.

e não detinha autoridade real sobre os outros membros da sociedade. A guerra era conduzida após a reunião de camponeses guerreiros. Durante o século XI esses povos sofreram a interferência cada vez maior do principado do Sosso. Os malinqués dominavam a cultura do algodão e do amendoim. Existia escravidão e servidão no antigo Mali. outros de homens livres ("ton dyon"). cujo príncipe havia tomado o título de mansa (Imperador) nessa época. Soci A sociedade foi dividida em trinta grandes clãs. Kangaba) até se fixar em Niani. . rei do Mali. introduzidas no país por Sundjata. outros de guerreiros. A sociedade era dividida em grandes unidades familiares. que viviam em campos comunitários chamados de Foroba. os líderes do Mali se converteram ao islamismo e iniciaram um processo de centralização política acentuado. do Baixo Senegal e do rio gâmbia Baxio Gâmbia. Também no século XI. O "simbon" era apenas um primeiro entre iguais. e os casamentos entre membros de castas diferentes eram proibidos. O Império Mansa Musa Foi no ano de 1240. alguns de artesãos. que decidia sobre a guerra e os impostos.Originários da região do Rio Senegal e do Alto Níger. As famílias pagavam impostos para o Estado por meio de trabalhos nas terras do simbon. mas o grande conselho constituía um proto-Estado. O Mali era um império agrícola. estes organizados em "kelé-bolon" (contingentes) controlados por um "kelé tigui" (general-chefe). etc. Os casamentos eram regulados por casta . os grupos malinqués vivendo nas cidades antigas de Kiri e Dakadyala eram liderados por chefes mágico-caçadores chamados de "simbon". A corte imperial se estabeleceu em diversas cidades (Djeliba. em Kuru-Kan-Fugha que se decidiu que Sundjata Keita. contudo. Nos anos subsequentes o Mali se expandiu sobre regiões do Sudão. Sundjata Keita morreu em 1255 num acidente. seria o novo Mansa.

foi entronizado como imperador e aumentou os domínios do Mali. em Timbuktu. Este mansa foi responsável pela construção em Timbuktu da mesquita de Djinger-ber. construída pelo Mansa Musa Após Sundjata Keita. o mansa que assumiu o governo em 1303.Mesquita de Djinger-ber. foi um outro célebre rei malinqué que organizou uma grandiosa peregrinação com cerca de 60 mil servidores e cem camelos carregados de ouro. Seu reinado é considerado a Era Dourada da História do Mali. Foi fundado por um chefe berbere da Líbia. Sakura. pela expansão e afirmação do Islã no império e por estabilizar as relações diplomáticas do Mali com os reinos vizinhos. governou seu filho Mansa Ulé (1255-1270). O Mansa Musa. fazendo com que mais reis se tornassem vassalos do imperador. Mansa Suleiman (1341 -1360) recuperou a economia do Império e tentou restaurar a sua influência sobre a periferia do Império e conseguiu fazer reconhecer sua soberania sobre os Tuaregues. Za el-Ayamen. Mansa Ulé entregou o controle das províncias imperiais a diferentes generais. no século VII na região de . Sakura foi assassinado após retornar de uma peregrinação. Um escravo do mansa Abubakar I (1270 e 1285). na direção da América do Sul.Durante o reino de Maghan (1332-1336) Timbuktu foi saqueada por povos estrangeiros. Os reinados de Mari Djata (1360-1374) e Mussa II (1374-1387) marcaram o início do período de decadência do Império Reino de Songai Songai é um antigo reino da África Ocidental que se estendia pelas margens do Níger. impressionando os líderes árabes da época. Abubakar II. ficou célebre por conta de sua tentativa sem sucesso de se expandir para o oeste enviando navios navegarem pelo oceano atlântico. proporcionando a descentralização do reino. mansa de 1312 a 1332.

a decadência deste império permitiu um ressurgir deste reino. Ali Ber persseguiu os Peules e os Tuaregues para defender a civilização dos negros africanos contra os estrangeiros. passando em finais do século XIII a ser dominado pelo Império do Mali. onde obteve o título de califa. os reis que viviam em Kukia estabeleceram-se em Gao e converteram-se ao islamismo. o reino Songhai ao islamismo. no final do século XV. 1010). os portugueses abriram contato com as várias culturas que já se mostravam consolidadas pelo litoral e outras par es do t interior do continente africano. Mohammed Touré (1493-1528). Ma Dogo. fundador da dinastia muçulmana dos Askias. permitindo. -se Djenné e da região dos Lagos e controlou as minas auríferas do Bito e a navegabilidade do Níger.Gao. No século XI. convertendo. Pouco adepto do islamismo. foi encontrado um governo monárquico fortemente estruturado conhecido como Congo. . sendo seu sucessor um dos seus generais. ao fugir dos árabes. Em 1496 este rei organizou uma peregrinação a Meca. momento em que o navegador lusitano Diogo Cão alcançou a foz do rio Zaire. Foi durante o seu reinado que o reino Songhai alcançou o seu apogeu. Em 1591. A partir do século XI (c. No século XV. Reino do Congo Durante seu processo de expansão marítimo -comercial. que o novo reino de Songhai conhecesse um grande dese nvolvimento levado a cabo por dois reis: Sonni Ali (1464) e por Ali Ber (1492). este reino acabou por desaparecer nas mãos do sultão de Marroc Ahmed elos Mansur que se instalou em Tombuctu e o aniquilou por completo. tendo-se estabelecido em Kukia (a sul de Gao) e impondo a sua autoridade às populações autóctones. finalmente desta forma. pescadores e caçadores. sendo pilhada a capital do Mali em 1400 pelo rei de Kukia. ainda que a maior parte dos súbditos permanecesse pagã até ao final do século XV. Morreu em combate. este reino estendia-se ao longo do rio (de Tombuctu a Niamey). Apoderou de Tombuctu. Em 1483.

Nessa região se encontrava vários grupos da etnia banto. A principal atividade econômica dos congoleses envolvia a prática de um desenvolvido comércio onde predominava a compra e venda de sal. A prática comercial poderia ser feita através do escambo (trocas) ou com a adoção do nzimbu. o rei. Matamba. uma espécie de concha somente encontrada na região de Luanda. esse Estado centralizado dominava a parcela centro-ocidental da África. Kassanje e Kissama. A capital era M'Banza Kongo (cidade do Congo). ocupavam os territórios. rebatizada São Salvador do Congo após os primeiros contactos com os portugueses e a conversão do manicongo ao catolicismo no século XVI. Uma expressiva parte dos escravos que trabalharam na exploração aurífera do século XVII. O império era governado por um monarca. tecidos e produtos de origem animal. era proveniente da região do Congo e de Angola. até ao rio Cuanza. até ao rio Congo. Apesar da existência destas subdivisões na configuração política do Congo. o manicongo. principalmente os bakongo. metais. a leste. o reino do Congo contava com a presença de administradores locais provenientes de antigas famílias ou escolhidos pela própria autoridade monárquica. conhecido como manicongo. Kakongo e Loango). tais como Ndongo. estendia-se desde o oceano Atlântico. no século XIII. tinha o direito de receber o tributo proveniente de cada uma das províncias dominadas. Foi nesse mesmo local onde os portugueses entraram em contato com essa diversificada civilização africana.Fundado por Ntinu Wene. O intercâmbio cultural com os europeus acabou trazendo novas práticas que fortaleceram a autoridade monárquica no Congo . Na sua máxima dimensão. a norte. onde aconteciam as mais importantes decisões políticas de todo o reinado. principalmente em Minas Gerais. a sul. consistia de nove províncias e três reinos (Ngoy. Apesar da feição centralizada. e do rio Oguwé. mas a sua área de influência estendia-se também aos estados limítrofes. O contato dos portugueses com as autoridades políticas deste reino teve grande importância na articulação do tráfico de escravos. a oeste. no actual Gabão.

Não deve ser confundido com o país dos nossos dias chamado Benim (outrora chamado Daomé). Reino de Benin O Reino de Benin. Império de Benim ou Império Edo (1440-1897) foi um grande estado africano pré-colonial da moderna Nigéria. ..

Origem Segundo um conto tradicional. A resposta de Oduduwa foi "um governante não pode deixar o seu domínio". um grupo de Chefes de Benim liderados pelo Chefe Oliha veio para Ife. O príncipe Ekaladerhan era um poderoso guerreiro e bem amado. seu filho e evidente herdeiro Ekaladerhan foram banidos do Benim em conseqüência de uma mensagem do oráculo para Ogiso. Nessa ocasião. Na morte de seu pai. dos Yorubas. mas ele tinha sete filhos e iria pedir para um deles voltar ao Benim para se tornar o próximo rei. o oráculo de Ifá disse que o povo Yoruba de Ile Ife (também conhecida como Ife) seria regida por um homem que sair da floresta. Oòdua e Eleduwa. também conhecido como Odudua. Uma tradição oral afirma que durante o último reinado o Ogiso. Na sequência á Ekaladerhans chegou à cidade Yoruba de Ife. implorar ao Oba (Rei) Oduduwa para voltar ao Benim para subir o trono. Ele mudou seu nome para 'Izoduwa'. ele finalmente subiu à posição do Oba (significado 'rei' ou 'soberano' na língua Yoruba) e depois recebeu o título de Ooni de Ife. o último Ogiso. uma forma de república anterior ao reino. A cidade de Ubini (mais tarde chamada Benin City) foi fundada em 1180. Cerca de 36 Ogiso conhecidos são contabiliz ados como príncipes do império. modifica por uma das rainhas. Os povos originais e fundadores do Império de Benim. Na partida do Benim se deslocaram no sentido oeste para à terra dos Yoruba. (que na língua de diz. fala-se de um Estado. o povo Bini. . "Eu escolhi o caminho da le prosperidade") e ser digno do Grande Oduduwa. foram inicialmente governados pelos Ogisos (Reis do Céu).

chegou ao poder e transformou a cidade-estado em um império. a filha do Enogie de Ego e ela deu à luz uma criança chamada Eweka. concordou em ir para Benim. Em 1440. Oranmiyan. onde ele engravidou a princesa Erimwinde. parou brevemente em Ego. um dos filhos de Oduduwa e filho da esposa Yoruba de Oduduwa Okanbi. Oba Ewedo. corrompeu para Benim ou -a Bini. Eweka tornou o Oba em -se Ile Ibinu. "terra de aborrecimento e irritação). Durante o reinado do Oba Oduduwa como Alaafin de Oyo. mudou o nome da cidadede Ile Ibinu para Ubini. Ele passou alguns anos em Benim antes de voltar para as terras Yoruba e estabelecer o seu próprio reino Yoruba de Oyo. Diz-se que ele deixou o local com raiva e chamou-o "Ile Ibinu" (que significa. e foi esta frase que se tornou a origem do antigo nome 'Ubini' de Benin City. também conhecido como 'Ewuare o Grande ". . um ancestral do Oba Ewaka I. na sua própria língua. Cerca de 1470. em seu caminho de casa para Ife. ele nomeou o novo estado Edo.Oranyan (também conhecido como Oranmiyan). Oba Ewuare. que o português.

pimenta. rei do Kongo. vestimentas. etc. é creditado com a Benin City que se converteu em uma fortaleza militar protegida por fossos e paredes. Nos últimos anos do século XV. Contato com os Portugueses Quando os portugueses entram em contato com Benin. O comércio entre os portugueses e Benin. Benin vivia em intermináveis guerras em seu processo de expansão. Teria umas oitenta léguas de comprimento por quarenta de largura. o Grande. o primeiro Oba Golden Age. Foi a partir deste baluarte que ele lançou a sua campanha militar. envolvia armas. que seus súditos batizassem. e começou a expansão do reino. o reino se encontrava em plena expansão. O Oba Esigi que sucedeu Evaré foi ainda mais favorável aos portugueses. uma expedição portuguesa foi à capital do reino para estabelecer os primeiros contatos com Evaré. A Oba recebeu os portugueses de braços abertos. ou seja. Tal castigo era desconhecido na África antes da chegada dos cristãos. . Permitiu que missionários cristãos construíssem igrejas no reino. além de escravos.O Oba tornou-se o supremo poder na região. Oba Ewuare. o cristianismo não vingou. A cola guineense era tradicionalmente trocada pelo cobre e o algodão sudanês. porém ele não se converteu ao cristianismo. por volta de l480. o Oba em exercício (era o décimo quinto da dinastia). marfim. como fez seu contemporâneo manikongo Afonso. O cobre era um dos principais produtos que os Edos obtinham no comércio do Níger. O único traço cristão que permaneceu em Benin foi à crucificação de seus inimigos.

Escravidão na África: uma antiga forma de exploração . Revela uma longa história de exploração e subjugação de populações fragilizadas por outras. dentre outros fatores. Assim. Do ponto de vista econômico. parte do atualcontexto socio-econômico da África de miséria e exclusão. a escravidão foi uma forma eficiente de acumulação primitiva. poucos. é consequência de fatos passados. mão -de-obra excedente que possa ser explorada em benefício de outros. Demonstra também que a desestruturação econômica e cultural tem efeitos desastrosos de longa duração. mais equipadas. a existência de povos muito pobres. que pressupõe.Escravidão e tráfico de escravos Escravidão O estudo do processo de escravização dos povos africanos é essencial para que se compreenda a situação atual de desigualdade no planeta. No que diz respeito às pessoas foi uma violência irreparável.

Desde por volta de 700 d. ³prisioneiros capturados nas guerras santas que expandiram o Islã da Arábia pelo norte da África e através da região do Golfo Pérsico´ eram vendidos e usados como escravos.313. atualmente. o modo de produção baseado na escravidão é aquele em que predominam a mão-de-obra escrava em setores essenciais da economia. em Gana. A escravização do negro pelo negro Muitas tribos rivais faziam prisioneiros em conflitos e vendiam-nos para árabes e europeus. econômico e social da África . e a consolidação de uma infraestrutura política e comercial que garanta a manutenção desse tipo de exploração. Lovejoy apresenta o conceito de modo de produção escravista (de E.000 indivíduos. Segundo sua definição. Portugueses muitas vezes se casavam com mulheres nativas e eram aceitos pelas lideranças locais. o comércio de escravos foi largamente praticado . uma solução econômica e social viável para o povo africano.e também das colônias portuguesas nas Américas. Assim. a condição de escravo no mais baixo nível da hierarquia social. conflitos internos aliados à corrupção de governantes locais. expectativa que não se realizou. A baixa industrialização do continente e o conflito de interesses entre liberais e a esquerda. Guerras civis entre forças revolucionárias e governos corruptos na África. este foi um dos elementos chaves responsável pela mercantilização dos povos africanos. Os investimentos na navegação da costa oeste da África foram inicialmente estimulados pela crença de que a principal fonte de lucro seria a exploração de minas de ouro. consta que o comércio de escravos que se estabeleceu no Atlântico entre 1450 e 1900 contabilizou a venda de cerca de 11. Basicamente os conflitos tribais na África alimentavam o tráfico. ainda são responsáveis por todo um contexto de miséria existente no continente africano. fizeram uma quantidade enorme de vítimas. . negociando principalmente escravos. onde os mais fracos são os que pagam com a própria existência.. De fato. em 1482). A presença européia na costa atlântica e o comércio de escravos As primeiras excursões portuguesas à África foram pacíficas (o marco da chegada foi a construção da fortaleza de S. Jorge da Mina. assim como até hoje. Já em meados da década de 1470 os ³portugueses tinham começado a comerciar nos golfos do Benin e frequentar o delta do rio Níger e os rios que lhe ficavam logo a oeste´. Durante os três impérios medievais do norte da África (séculos X a XV). Os povos mais frágeis eram capturados pelos chefes das tribos e trocados com os europeus por mercadorias.C. Terray) como fundamental para uma compreensão mais completa do funcionamento político.A escravidão esteve presente no continente africano muito antes do início do comércio de escravos com europeus na costa atlântica. protelam.

o tráfico de escravos negros da África para o Brasil teve grande crescimento com a expansão da produção de açúcar. o que gerava uma constante substituição dos escravos por novas levas e girava a máquina dos negócios dos traficantes. Outro fator importante foi a constatação de que os homens eram mais resistentes às péssimas condições de salubridade a que eram submetidos nas longas viagens de travessia do oceano Atlântico em navios negreiros. Os comerciantes usavam como moeda pequenos objetos de cobre. Lovejoy chama a atenção para o caráter de relação de dependência inerente à escravidão. A viagem para o Brasil era . não tinham como se sustentar por meio da reprodução biológica . Os filhos eram assimilados pela sociedade muçulmana. ³o trabalho escravo estava diretamente relacionado à consolidação da infra-estrutura comercial que era necessária para a exportação de escravos´. as populações de escravos. especialmente os portugueses. armas de fogo e peles . foi com a exploração das colônias americanas que o tráfico atingiu grandes proporções. O indivíduo na situação de escravo ficava numa situação em que não tinha autonomia alguma. somente cessou em torno de 1850. que eram absorvidas pelas comunidades e. a escravidão articulada com a expansão do Islã sempre esteve calcada em interesses sexuais. nas ilhas da Madeira. XIV. tecido. Lovejoy faz uma descrição pormenorizada de diversos casos de escravidão. O investimento europeu em guerras geradoras de escravos modificou profundamente a África e também as Américas. Além disso. vinham fazendo desde o séc. Tráfico de escravos Os portugueses já usavam o negro como escravo antes da colonização do Brasil. tabaco. O tráfico para o Brasil. conforme incorporavam valores das sociedades de seus senhores. Iniciado na primeira metade do século XVI. Dessa forma. manilhas e contas de vidro trazidos de Veneza. tais como marfim. XV os escravos fossem vendidos em Portugal e na Europa de maneira geral. as mulheres faziam quase todo o trabalho agrícola. tanto na África como nas Américas. como no caso de mulheres que se tornavam concubinas. os europeus comprassem muito mais homens do que mulheres. embora no séc. Mas a principal fonte de riqueza obtida pelos europeus na África foi mesmo a mão-de-obra barata demandada nas colônias americanas e que pareceu-lhes uma boa justificativa para os investimentos em explorações marítimas que. escravizando a população. Cidades atacavam outras cidades. Açores e Cabo Verde. no século XVIII. ganhavam maior liberdade. a partir de 1560 e com a descoberta de ouro. Também por isso. no início de seus negócios nessa área. Os árabes vendiam os homens e ficavam com as mulheres. e dependia do seu senhor para suas necessidades mais fundamentais. depois de intensa pressão do governo britânico. embora ilegal a partir de 1830. A preferência dos traficantes africanos por cativos do sexo feminino foi um fator decisivo para que. após a aprovação de uma lei de autoria de Eusébio de Queirós. Dessa forma. Desde muito antes da chegada dos portugueses a Gana.Em torno do comércio de escravos estabeleceu-se o comércio de outros produtos. interessado no desenvolvimento do trabalho livre para a ampliação do mercado consumidor.

de onde seguiam para outras cidades. cerca de 40% dos negros embarcados morriam durante a viagem nos porões dos navios negreiros. que os transportavam. . Rio de Janeiro e Pernambuco. Os principais portos de desembarque no Brasil eram a Bahia.dramática. Mas no final da viagem sempre havia lucro.

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