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Pesquisa Survey

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1. INTRODUÇÃO Os conceitos da Pesquisa Survey (termo em inglês que se destina a “pesquisa em grande escala”) desenvolve uma abordagem quantitativa, que visa apresentar as opiniões das pessoas através de questionários, entrevistas, etc. Este estudo se realizou acerca das definições, descrições e características do processo da pesquisa Survey, proporcionando a metodologia peculiar desse modelo de pesquisa utilizado muito no ramo empresarial e também considerado no meio educacional. O grupo desenvolveu uma pesquisa com os 4 º anos dos cursos do IB Instituto de Biociências da Unesp - Rio Claro - sobre a infra-estrutura do campus, utilizando como instrumento o questionário para uma melhor compreensão do assunto.

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2. HISTÓRICO Conforme Babbie (1999, p. 78-80), as origens do método survey remontam à antiga civilização egípcia. Porém, seu uso em pesquisas políticas teve início em 1880 com Karl Marx, entretanto foram os americanos que desenvolveram o método e apresentaram trabalhos importantes em três setores: “amostragem e coleta de dados”, “marketing de produtos e de pesquisas políticas” e “análise dos fenômenos sociais”. Com o trabalho de U.S. Bureau foram realizados surveys amostrais com “dados demográficos e econômicos entre os recenseamentos” e em “desenhos de amostras em surveys específicos”. Empresas de pesquisa de opinião como George Gallup, Elmo Roper, Louis Harri e outros foram as responsáveis pelo setor de marketing de produtos e de pesquisas políticas, utilizando experimentações com “métodos de amostragem”, “redação de perguntas”, “técnicas de coletas de dados”, entre outros. Os Professores Samuel A . Stouffer e Paul F. Lazarsfeld, pioneiros da pesquisa survey como hoje conhecemos, refinaram cientificamente a pesquisa de survey com a aplicação de métodos empíricos de pesquisa social relacionados à problemas sociais. Segundo Forza (2002, p. 152) “O número pesquisas survey, baseados em artigos de investigação, cresceram de forma constante a partir de meados dos anos 1980 ao início de 1990, aumentando consideravelmente a partir de 1993”1. Em sua maioria, as pesquisas survey buscam a descrição e em outros casos podem procurar explicações, como por exemplo, questionar por que motivo determinado grupo de trabalhadores está empregado e outro não, ou por que alguns eleitores dão preferência a determinado candidato em detrimento a outro. Com a grande competição que as empresas vivem atualmente, a opinião do cliente sobre a qualidade de um serviço ou produto, pode fazer toda a diferença. Aumentar as vendas e reduzir os custos é um dos objetivos de quem deseja sobreviver nesta competição. Por estes motivos as empresas passaram a adotar normas de programas de qualidade e iniciaram um investimento mais significativo nas pesquisas. No Brasil, vários órgãos de pesquisa auxiliam as empresas na elaboração de
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Tradução livre das autoras. No original: “ The number of survey research based articles increased

steadily from the mid-1980s to the early 1990s, and increased sharply from 1993”. (Forza 2002 p. 152)

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estratégias e solução de problemas, utilizando inclusive, um sistema de recompensa para os colaboradores pela participação nas pesquisas, como é o caso da empresa IBOPE Inteligência. Outro exemplo é a empresa Sphinx Brasil, que oferece o serviço de pesquisa via web. Porém, há outras maneiras de se realizar uma pesquisa survey, seja pelo envio de questionários pelo correio, preenchimento de formulários, pesquisas online multimídia entrevistas por telefone ou entrevista pessoal. Entretanto,
cada método de coleta de dados tem pontos fortes e fracos. Decisões sobre qual o melhor método não podem ser tomadas aleatoriamente, mas devem estar baseadas nas necessidades específicas da pesquisa, tal como custos, tempo e restrições2 (FORZA, 2002, p. 166).

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Tradução livre das autoras. No original: “Each data collection method has merits as well

shortcomings. Decisions on which method is best cannot be made in the abstract; rather, they must be based on the needs of the specific survey as well as time, cost and resource constraints”. (Forza 2002 p. 166)

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3. DEFINIÇÃO

A pesquisa tipo Survey é caracterizada pela:
interrogação direta das pessoas, cujo comportamento se deseja conhecer. Solicita-se informações a um grupo significativo de pessoas acerca do problema estudado para, em seguida, mediante análise quantitativa, obter as conclusões correspondentes dos dados coletados (GIL, 1999, p. 70).

Este tipo de pesquisa também pode ser descrita como “a aquisição de informações sobre as características, ações ou opiniões de determinado grupo de pessoas, como representantes de uma população”3 (Tanur apud Pinssonneault & Kraemer, 1993, p.3). A palavra inglesa survey geralmente traduzida como levantamento de dados, também é definida como “método para coletar informação de pessoas acerca de suas idéias, sentimentos, planos, crenças, bem como origem social, educacional e financeira” (Fink & Kosecoff apud Günther, 2003, p.17). A principal diferença entre a pesquisa survey e o censo é que enquanto a survey realiza um estudo por meio do exame de uma amostra, o censo o realiza por meio de toda população. Ao optar-se pelo survey ganha-se tempo, economia e qualidade nos dados. Ao buscar compreender um pouco do comportamento de determinado grupo, pode-se observá-lo em sua realidade ou perguntar aos entrevistados o que pensam ou fazem em relação ao objeto de pesquisa. Entretanto, segundo Günther (2003, p. 2) deve-se ter em mente o objetivo conceitual da pesquisa e o grupo a ser estudado, por exemplo: ao pesquisar as opções de viagens entre grupos de terceira idade, as opções de viagem seriam o “conceito” e os grupos de terceira idade a “populaçãoalvo”, analisando-se quais são os destinos mais procurados por estas pessoas, os tipos de acomodações que mais atendem às suas necessidades, o perfil sócioeconômico do grupo, entre outros aspectos. Dillman e Fowler apud Pinsonneault e Kraemer (1993) indicam que existem três elementos-chave na avaliação de uma pesquisa survey: desenho de pesquisa, amostragem e coleta de dados (unidade de análise e método de coleta). Assim,
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Tradução livre das autoras. No original “gathering information about the characteristics, actions, or opinions of a large group of people, referred to as a population." (Tanur apud Pinssonneault & Kraemer, 1993, p.3)

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dependendo do objetivo da pesquisa, deve-se determinar sua forma, sua aplicação, a população-alvo e o tamanho da amostra. Para Gil (1989, p. 91 e 92) é importante compreender a definição dos conceitos de Universo/População e Amostra. Segundo ele, Universo/População “refere-se a um conjunto definido de elementos que possuem determinadas características [...]” e a Amostra “refere-se ao subconjunto do universo ou da população, por meio do qual se estabelecem ou se estimam as características desse universo ou população [...].” Dentro deste contexto, Babbie afirma (1999, p.131 e 132) “uma população do survey é a agregação de elementos da qual é de fato extraída a amostra do survey”, enquanto que “uma unidade de amostra é o elemento ou conjunto de elementos considerados para seleção em alguma etapa da amostragem”. Os diversos tipos de amostragem, segundo Gil (1999) podem ser classificados em: “amostragem probabilística” - casual e “não probabilística” - não casual. Dentre as “amostragens probabilísticas temos a aleatória simples, sistemática, estratificada, por conglomerado e por etapas”. Entre as “não probabilísticas mais conhecidas temos por acessibilidade, por tipicidade e por cotas”. Ainda que nas amostras probabilísticas a amostra seja aleatória, segundo Carnevalli (2001), é necessário conhecer seus elementos, como nomes e endereços. Nas amostras aleatórias simples, a escolha é feita por meio de uma tabela com números aleatórios ou por sorteio. Por exemplo: em uma cidade sua população é de 20.000 habitantes, sendo assim, cada habitante representa 1/20.000 de probabilidade de entrar na amostra. Na amostra aleatória sistemática itens ou indivíduos são ordenados a partir do primeiro item que é sorteado aleatoriamente. Os demais são escolhidos em intervalos fixos. O intervalo amostral é determinado dividindo o tamanho N da população pelo tamanho n da amostra, com arredondamento para o número inteiro mais próximo. Por exemplo: Em uma população de 200.000 habitantes deseja-se uma amostra de 2000 habitantes. O intervalo amostral neste caso seria de 200. Escolhe-se um número aleatoriamente entre 1 e 200. Se o número escolhido for o 20, a amostra aleatória sistemática será: 20, 220, 420, 620 e assim sucessivamente. Na amostra estratificada são extraídas amostras aleatórias de grupos divididos da população (estratos), por exemplo: uma pesquisa eleitoral com as mulheres, dos 30 aos 50 anos, com nível superior, na região sudeste. Já a amostra

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por conglomerado precisa ser uma amostra representativa da população, sendo o conglomerado a unidade onde se concentra parte de uma população. A população é subdividida em estratos e uma amostra de estratos é selecionada. Em seguida, amostras dos estratos são selecionadas. Sua vantagem é a redução de custos em relação à aleatória estratificada. Esse tipo de amostra costuma ser utilizada quando não se possui um cadastro da população, como quando se usa a amostragem sistemática. Nas não probabilísticas a amostra não é aleatória e o pesquisador escolhe o elemento que melhor lhe convém, intencionalmente, por representar um grupo específico com uma característica que represente a população-alvo ou por outro motivo que julgue importante.

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4. CARACTERÍSTICAS Os autores PINSONNEAULT e KRAEMER (1993) descrevem três

características principais da Pesquisa Survey: a) Descrição quantitativa de aspectos da população e informações padronizadas sobre os objetos de estudo, sejam eles indivíduos, grupos, organizações, comunidades, projetos, aplicações ou sistemas; b) Coleta de informações por meio de perguntas estruturadas e pré-definidas; c) A informação é normalmente coletada sobre uma amostra da população, mas deve-se atentar para que ela permita uma ampla análise estatística. Babbie (1999) afirma que a pesquisa survey oferece um método de verificação empírica, já que envolve a coleta e a quantificação de dados e os dados coletados se tornam uma fonte permanente de informações. Há diversas vantagens para a realização de pesquisas sociais, sendo que a primeira delas é a facilidade de aplicação do pensamento lógico e seu formato que permite o desenvolvimento e testes de explicações lógicas. A segunda é seu determinismo de causa e efeito, devido a elaboração clara e rigorosa de um modelo lógico, onde o pesquisador busca explicar as razões e as fontes de eventos, suas características e correlações. A terceira é seu caráter geral que norteia a pesquisa no sentido da amostra particular servir para a compreensão de uma população maior. A quarta é sua parcimônia, pois como há uma diversidade de variáveis, os pesquisadores podem construir vários modelos explicativos e selecionar o que melhor servir. A quinta é sua especificidade, o que torna possível a medição de cada variável a partir de itens e respostas específicas. Outras vantagens são citadas por Gil (1989), como: - a possibilidade de conhecer a realidade das pessoas, seus comportamentos e preferências; - a economia e rapidez, pois grande quantidade de dados pode ser obtida em curto espaço de tempo e a baixo custo; - quantificação, visto que os dados obtidos por levantamento podem ser agrupados em tabelas e ao utilizar-se de amostras probabilísticas, torna-se possível conhecer a margem de erro dos resultados. Segundo PINSONNEAULT e KRAEMER (1993), a Pesquisa Survey é apropriada quando as questões de interesse são: “o que está acontecendo, como e

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por quê?”; quando o controle das variáveis não são possíveis e quando os fenômenos estudados ocorrem no presente ou passado recente. Uma variável é uma propriedade que adquire diversos valores e cuja variação pode ser medida, podendo ser quantitativas ou qualitativas e se aplica a pessoas ou objetos, que podem adquirir diversos valores em relação à variável. As variáveis qualitativas têm como resultado atributos ou qualidade, enquanto as quantitativas têm como resultado números de determinada escala. São exemplos de variáveis: o sexo, a motivação do trabalho, a aprendizagem de conceitos, a religião, tempo de serviço. Por exemplo, a motivação do trabalho, as pessoas classificam seu nível de motivação, mas nem todas possuem o mesmo nível de motivação. As variáveis são divididas por Freitas (2000) em nominais, ordinais, intervalares e de razão. As nominais são as mais simples, permitem apenas a classificação qualitativa e possuem os elementos do conjunto original agrupados em classes, como o sexo, raça, cidade e o estado civil, por exemplo. Não se pode dizer se um indivíduo tem maior ou menor quantidade desta variável. As variáveis ordinais resultam da ordenação por postos ou de forma hierárquica, como por exemplo, o nível sócio-econômico: classe baixa, média ou alta. Elas permitem a ordenação dos itens medidos, porém, não permitem que se estabeleçam valores, por exemplo: se dissermos que um indivíduo pertence à classe média-alta, entendemos que seu nível é mais média do que alta, entretanto não podemos dizer que é 20% mais média. As intervalares, além de apresentarem características das duas anteriores, apresentam distâncias iguais entre os intervalos, podendo ser utilizadas todas as medidas estatísticas usuais, por exemplo, a temperatura. Se em Fortaleza a temperatura estiver 35°C podemos dizer que ela é maior do que os 30°C de São Paulo. Também podemos analisar que se a temperatura no Rio de Janeiro sofrer uma alteração de 15°C para 30°C, ela sofreu o dobro de aumento. As variáveis de razão são aquelas que possuem as características de uma escala de intervalos e que tem um ponto zero como origem, ou seja, aquelas que reúnem todas as propriedades dos números naturais, como a altura, peso e temperatura em graus Kelvin. São chamadas de razão porque a razão entre dois valores é sempre real. Nelas existe um zero que indica nenhuma quantidade e por isso é possível dizer que uma quantidade é maior que outra em X vezes (razões significativas), como 20 anos

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de idade é 4 vezes maior do que 5 anos de idade. Algumas limitações da pesquisa survey são citadas por Gil (1999), como a ênfase nos aspectos perceptivos – visto que são recolhidos dados em relação à percepção dos entrevistados e muitas vezes as pessoas podem não falar o que realmente pensam. A pouca profundidade no estudo da estrutura e dos processos sociais também acaba limitando a pesquisa, uma vez que não há como levar em conta os fatores interpessoais. A limitada apreensão do processo de mudança pode ser outro obstáculo, pois o levantamento apresenta uma visão estática do fenômeno. Mesmo que seja aplicado um levantamento tipo painel, com amostras ao longo do tempo, pode haver uma redução no número de amostras, visto que os entrevistados podem mudar de endereço ou simplesmente não estarem mais dispostos a responderem novos questionários. Algumas atitudes do entrevistador também podem influenciar negativamente a pesquisa como: apresentar insegurança diante do entrevistado, tornar a entrevista muito longa e cansativa ou desmotivar o entrevistado por parecer não estar atento às respostas. Percebe-se assim, que a pesquisa survey é indicada para o estudo descritivo de opiniões e atitudes. Entretanto, torna-se inapropriada quando o intuito é o aprofundamento de aspectos psicológicos e psicossociais.

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5. OBJETIVOS PINSONNEAULT e KRAEMER (1993) esclarecem que a Pesquisa Survey, de acordo com o objetivo de seu estudo, pode ser utilizada para fins de exploração, descrição ou explicação. Quando utilizada para a exploração, o pesquisador visa tornar-se mais familiarizado com o tema, tentando estabelecer conceitos preliminares, determinando o que medir, como medir e como descobrir novas observações. Ela ocorre no início da pesquisa de um fenômeno e busca receber uma variedade de respostas dos indivíduos com diferentes pontos de vista, formando assim uma base para a elaboração de um estudo mais cuidadoso. Na descrição, a finalidade é descobrir que situações, eventos, atitudes ou opiniões estão ocorrendo em uma população. A preocupação do pesquisador é determinar a relevância de um fenômeno e a descrição de sua distribuição, fazendo comparações entre as distribuições. Utiliza-se uma técnica padronizada para a coleta do dados e aproxima-se da pesquisa explicativa. Segundo Gil (1999, p.45) “a pesquisa descritiva tem como objetivo primordial a descrição das características de determinada população ou fenômeno ou o estabelecimento de relações entre variáveis”. Quando utilizada para a explicação, seu objetivo é testar uma teoria e as relações causais, visando explicar as relações entre as variáveis. Questões explicativas podem servir não apenas para confirmar a existência de um relação causal, mas também para perguntar por que a relação existe. Ela identifica os fatores que contribuem para a ocorrência dos fenômenos.

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6. UNIDADES DE ANÁLISE

Segundo Babbie (1999) o mundo estudado numa pesquisa Survey, são as unidades de análise variáveis, que podem ser pessoas, famílias, cidades, etc. Independente da unidade de análise, os dados da pesquisa são colhidos, a fim de descrever cada unidade individual, por exemplo, descrever a preferência de cada pessoa sobre determinado produto. Todas as descrições agregadas descrevem a amostra estudada e consequentemente, a população representada pela amostra. Uma pesquisa survey pode envolver várias unidades de análise, porém é necessário que o pesquisador utilize a unidade de análise correta para sua linha de investigação.

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7. TIPOS DE DESENHOS A escolha do desenho da pesquisa deve ser feita após a definição do tipo de estudo a ser realizado, do estabelecimento da hipótese de investigação, da especificação dos objetivos e das unidades de análise. Desta forma, torna-se possível escolher aqueles(s) que responda(m) as perguntas da investigação e possa(m) ser aplicado(s) ao contexto particular do estudo, sendo: surveys interseccionais, surveys longitudinais, aproximações de surveys longitudinais e variações dos desenhos básicos. Conforme SAMPIERI et al. (1997), o desenho chama a atenção do investigador para o que este pode fazer para alcançar seus objetivos. O termo desenho refere-se à estratégia escolhida para responder as perguntas da investigação. Nenhum desenho é melhor do que o outro, porque cada um tem características próprias e sua escolha depende dos objetivos do pesquisador e do tipo de estudo a realizar. Ele recebe uma denominação de acordo com o número de momentos onde os dados são coletados: longitudinal (amostra em períodos específicos, sendo estudadas as mudanças das variáveis e as relações entre elas) ou corte-tranversal ou inter-seccional (amostras coletadas em um só momento, onde se pretende descrever e analisar as variáveis em um dado momento). 7.1. Surveys Inter-seccionais ou corte transversal Num survey inter-seccional, os dados são coletados de uma amostra em uma época específica, esses dados coletados descreveram essa população na época específica do estudo, por exemplo, se uma pesquisa fosse realizada com a seguinte pergunta: “Qual chapa de grêmio melhor representaria os alunos dessa escola?” Os alunos iriam escolher a chapa de grêmio que melhor representasse os alunos da escola naquele momento. O survey inter-seccional segundo Babbie (1999, p. 81) “pode ser usado não só para descrever, mas também para determinar relações entre variáveis na época do estudo”, por exemplo, a relação entre a aceitação ou não do casamento homossexual, pode-se relatar através de uma pesquisa que há um maior número de pessoas que não aceitam o casamento homossexual, mas reconhecer que esta relação pode mudar posteriormente.

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7.2.

Surveys Longitudinais

Segundo Babbie (1999, p.81) “alguns desenhos de survey permitem análise de dados ao longo do tempo”. Isto significa que as descrições e as explicações de alguns surveys são analisadas ao longo do tempo. Dados são coletados em diferentes momentos e relatam as mudanças que houveram das suas descrições e explicações. Existem três desenhos longitudinais que são os principais: A- Estudos de Tendência: uma população pode ser descrita e estudada ao longo do tempo, as pessoas entrevistadas no decorrer do tempo não serão as mesmas, mas cada amostra estudada irá representar a mesma população. Por exemplo, um estudo pode ser feito sobre a inclusão social, os entrevistados podem ser indagados se concordam que os alunos com algum tipo de deficiência devem estudar na mesma escola que os outros alunos. Ao longo do tempo, os percentuais a favor de escolas que participem dessa inclusão podem aumentar assim os pesquisadores observaram tendências nas atitudes com relação à inclusão social. Um estudo de tendência pode envolver longos períodos de coletas de dados, logo, muitas vezes um pesquisador não colhe pessoalmente todos os dados de seu estudo de tendência, ele se utiliza de dados coletados por outros pesquisadores e faz uma segunda análise dos mesmos. B- Estudos de Coortes: o estudo é feito de uma mesma população específica, embora as amostras sejam diferentes. Por exemplo, estuda-se uma população de estudantes que se formaram no ensino médio em 2000, para analisar quantos ingressaram no mercado de trabalho e quantos optaram por um ensino superior. Três anos depois se seleciona e estuda-se outra amostra dessa mesma turma que se formou em 2000. As amostras serão diferentes, mas o estudo continuará a descrever a turma do ensino médio que se formou em 2000. Outro exemplo de estudo de coorte, é o estudo de um determinado grupo de idade. Podemos estudar uma amostra de todas as mulheres brasileiras entre trinta e quarenta anos de idade. Cinco anos mais tarde, a amostra estudada será de mulheres brasileiras entre trinta e cinco e quarenta e cinco anos de idade, e assim por diante. Este estudo pode ser feito a partir de uma análise secundária de dados que foram colhidos por outros pesquisadores.

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C- Estudo de Painel: este estudo analisa os dados ao longo do tempo de uma mesma amostra de entrevistados, que se chama painel. Por exemplo, pode-se fazer uma pesquisa com jovens universitários no inicio da universidade para saber qual tipo de computador preferem, se notebook ou computador de mesa. No fim da universidade, realiza-se a mesma pesquisa com as mesmas pessoas (com o mesmo painel), assim será possível identificar se houve mudança de opinião, quem mudou de opinião, e explicar os motivos dessa mudança. Diferentemente dos estudos de tendências e de coortes, o estudo de painel não pode ser feitos através de uma análise secundária de dados, assim tendem a ser caros e demorados. Além disso, apresenta outros dois problemas, como o esgotamento de painel; neste as pessoas que participaram da amostra estudada podem não querer ou não poder continuar a participar da pesquisa ao longo do tempo. E o segundo problema se refere à complicada análise dos dados do painel, a tabela de mudanças usada como mecanismo para analisar as mudanças pode se tornar inadministrável. Assim diante de todos esses motivos, o estudo de painel é o menos realizado entre os outros tipos de survey. 7.3. Aproximação de surveys longitudinais

Segundo Babbie (1999, p. 84) “o survey interseccional é o desenho de pesquisa usado mais frequentemente”, porém, muitas questões em uma pesquisa requerem a noção de mudança ao longo do tempo. Para isso pode-se usar alguns mecanismos num survey interseccional a fim de aproximar o estudo de processo ou mudança. Por exemplo: um pesquisador pode utilizar-se de dados sobre a renda familiar de um grupo, levantados durante os anos de 2007, 2008 e 2009 a fim de realizar sua pesquisa, como se tivessem sido colhidos em um estudo de painel.

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8. VARIAÇÕES DOS DESENHOS BÁSICOS Os desenhos básicos de survey podem ser modificados de diversas maneiras para possam se encaixar de forma mais apropriada à determinada pesquisa. Babbie (1999), exemplifica algumas modificações mais comuns da seguinte forma: A- Amostras Paralelas – Quando um problema de pesquisa é relevante para mais de uma população pode-se amostrar cada uma destas populações separadamente e administrar o mesmo questionário – ou com pequenas alterações – a cada amostra. Após este processo onde cada população é amostrada e comparada, os resultados vão gerar um estudo denominado amostra paralela. Por exemplo: aplica-se um questionário entre os fiéis e entre o clero de determinada igreja sobre a legalização do aborto. B- Estudos Contextuais – Quando se colhe dados sobre partes do ambiente ou meio da pessoa (exemplo: um grupo de amigos, um grupo religioso) e utiliza-se destes dados para descrever este individuo, está se fazendo um exame do contexto do mesmo, constituindo um Estudo contextual. Por exemplo: digamos que se tenha aplicado um questionário para alunos e pais. As informações sobre os pais serão levadas em conta ao se analisar as informações sobre os filhos. C- Estudos Sociométricos - Quando se utiliza a pesquisa survey para um exame mais abrangente de determinado grupo, procurando observar as inter-relações entre seus membros, estamos usando os estudos sociométricos. Este tipo de processo pode ser utilizado com qualquer tipo de grupo, e a pesquisa pode ser encaminhada ao longo do tempo ou de forma interseccional. Por exemplo: aplica-se um questionário em uma empresa e pede-se para que os funcionários identifiquem os colegas com quem possuem maior afinidade. Por meio da avaliação dos dados coletados seria possível examinar os diversos fatores que estariam direcionando estas amizades.

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9. COMO ESCOLHER O DESENHO APROPRIADO O pesquisador de survey poderá encontrar várias opções de desenho disponíveis e possivelmente irá se questionar: qual desenho deve escolher. Para responder esta pergunta e escolher o desenho apropriado para sua pesquisa, o pesquisador deverá ter definido claramente seu objetivo, já que diferentes problemas de pesquisas requerem desenhos diferentes. Para decidir o melhor método a ser utilizado, deve-se basear nas necessidades especificas da pesquisa,como já vimos anteriormente. Se o objetivo do pesquisador for uma descrição de tempo único, ele deverá utilizar o survey interseccional. Este tipo de desenho é o mais apropriado quando se deseja documentar o comportamento de determinada população em determinado momento, ou ainda quando se interessa descrever subconjuntos. Quando se interessa examinar um processo em que mudanças ao longo do tempo são implícitas, o ideal é estudá-las ao longo deste período. Porém, um estudo desta maneira levaria anos para se completar, além dos custos altos para a realização deste estudo. É por esta razão (tempo e custo) que este tipo de desenho não é muito utilizado. Em vez de observar efeitos de várias condições e experiências enquanto estas ocorrem você pode comparar respondentes de estudos que já passaram por determinada experiência com os que ainda não passaram. Quando o estudo está voltado para um fenômeno que tem uma duração relativamente curta e se deseja estudar as mudanças ocorridas neste pequeno período, o survey de painel seria o desenho mais viável. Uma campanha eleitoral pode ser considerada um exemplo, já que ocorre em aproximadamente um ano. Quando o problema da pesquisa survey envolve um processo de mudança nos indivíduos, o pesquisador encontra-se obrigado a fazer uso de pesquisas relevantes que já foram realizadas e compará-las às informações colhidas atuais, apontando para um exame de tendências.

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10.EXEMPLO DE UMA PESQUISA SURVEY Introdução Para ficar mais claro como se dá uma pesquisa Survey este grupo, assim como o grupo que realizou esta pesquisa no ano de 2010, resolveu aplicar uma Pesquisa Survey. Optamos por fazer uma pesquisa que pudesse mostrar características dos cursos do Instituto de Biociências da UNESP de Rio Claro. Problema Como os alunos do Instituto de Biociências avaliam seus cursos, em relação à estrutura de laboratório e salas, professores e formação? Hipótese Ainda que os alunos dos cursos de Biologia (diurno e noturno), Ecologia, Pedagogia e Educação Física, freqüentem o mesmo ambiente de estudos – o Instituto de biociências, estes podem ter diferentes visões em relação a seus cursos. Apontando pontos negativos e positivos diferenciados. Notamos um maior investimento por parte da faculdade na área de Biologia, portando acreditamos que terá um melhor desempenho na pesquisa. Objetivos - Realizar uma Pesquisa Survey - Apontar os pontos positivos e negativos dos Cursos do Instituto de Biociências e as diferenças destes aspectos entre os cursos. Metodologia A pesquisa foi realizada a partir de uma amostra de 15 alunos de cada curso do Instituto de Biociências, sendo eles: Biologia (diurno e noturno), Ecologia, Educação Física e Pedagogia.

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Foram escolhidos alunos do 4º ano, pois acreditamos estes que têm mais estrutura e mais vivência para responder o questionário. A pesquisa foi feita através de um questionário contendo seis questões, identificando a opinião dos alunos do Instituto de Biociências em relação ao seu curso. As análises dos dados serão apresentadas em um seminário da disciplina de Pesquisa Educacional: abordagens qualitativas e quantitativas, para exemplificar e esclarecer dúvidas da sala em relação à pesquisa survey. adiante os resultados para uma melhora dos cursos. Definição e Características da Pesquisa Descritiva: identificar e descrever as características de cada curso do Instituto de Biociências. Inter-seccionais ou Corte Transversal: pretendemos avaliar as características dos cursos neste instante (tempo único). Amostra Probabilística: a amostra é composta por um pequeno grupo de cada curso, escolhida aleatoriamente. Descrição das coletas Os dados foram coletados nos dias 09, 10, 12 e 13 de maio de 2011 com a amostra de 15 alunos que estavam presentes na sala. Os dados foram analisados e colocados em um gráfico para melhor visualização. Com esta pesquisa, temos com a intenção de exemplificar a pesquisa survey, distanciando- nos de levar

2 Em que categoria se enquadraria a maioria de seus professores?

Notamos neste gráfico, a maioria dos alunos enquadra seus professores no nível bom, seguidos de regular, ótimo, ruim e sem base. Sendo que quase o total dos alunos de Ed. Física (13 alunos) e Pedagogia (12 alunos) enquadram seus professores no nível bom. Como você avalia a estrutura de salas, laboratórios, e equipamentos necessários para a realização da aula?

2 Em relação a estrutura, vemos que a maioria dos alunos a enquadra no nível bom, seguido de regular, ótimo, ruim e péssimo. Notamos que a maioria dos alunos de Biologia (noturno e diurno) enquadra seus equipamentos no nível bom. A biblioteca atende em que nível aos textos necessários para seu curso?

No caso da qualidade da biblioteca a maioria dos alunos a enquadra no nível bom, seguido de ótimo, regular, péssimo e ruim. Sendo que o destaque se dá para os alunos de Pedagogia a enquadram como ótima.

2 Como você avalia a grade curricular do seu curso?

Em relação a grade curricular a maioria dos aluno a enquadra no nível bom, seguido de regular, ruim, ótimo, sem base e péssimo. Sendo que a maior parte dos alunos de Biologia (Diurno), considera a grade curricular no nível bom. Por estar nas retas finais do seu curso, que valor caberia dar em relação a sua formação para entrada no mercado de trabalho?

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Em relação a formação para entrada no mercado de trabalho, a maioria dos alunos a enquadra no nível bom. Sendo que se destacam Ed. Física e Pedagogia, no qual a maioria dos alunos assume que está em um nível bom para entrada no mercado de trabalho. Também em relação a sua formação, que nota você daria as condições realizar mestrado futuramente?

2 Neste caso a maior parte dos alunos enquadra um possível mestrado seguido do termino da graduação no nível bom. Sendo que se destacam Biologia (Diurno) e Ecologia. Resultados: Qualidade dos professores: Pedagogia: Bom Biologia Noturno: Bom Biologia Diurno: Bom Ed. Física: Regular Ecologia: Bom Estrutura de salas, laboratórios e equipamentos: Pedagogia: Bom Biologia Noturno: Bom Biologia Diurno: Bom Ed. Física: Regular Ecologia: Bom Qualidade da Biblioteca: Pedagogia: Ótimo Biologia Noturno: Bom Biologia Diurno: Bom Ed. Física: Bom Ecologia: Bom Qualidade da Grade Curricular: Pedagogia: Regular/Bom Biologia Noturno: Bom Biologia Diurno: Bom Ed. Física: Bom Ecologia: Bom

2 Carreira – Mercado de trabalho Pedagogia: Bom Biologia Noturno: Regular Biologia Diurno: Regular Ed. Física: Bom Ecologia: Bom Carreira - Acadêmica Pedagogia: Bom Biologia Noturno: Regular/Bom Biologia Diurno: Bom Ed. Física: Bom Ecologia: Bom Conclusão Concluímos que não há muitas diferenças entre os cursos, calculando que a maioria das perguntas foi enquadrada no nível bom. Pensamos que a Biologia se destacaria pelo seu alto investimento, elencando na maioria dos casos ótimo, mas como no exemplo da pergunta sobre a qualidade da biblioteca vemos que o curso de Pedagogia a enquadra como ótima e Biologia como bom. Apontamos também que muitas reclamações são colocadas verbalmente, mas quando os alunos têm que colocar no papel, algumas coisas são “mascaradas” como boas.

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REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFICAS BABBIE, Earl. Métodos de Pesquisa Survey. Tradução de Guilherme Cezarino, Editora UFMG, BH, 1999, 519 p. (Coleção Aprender) Disponível em: http://pt.scribd.com/doc/30984153/BABBIE-Earl-Metodos-dePesquisa-de-Survey Acesso em 28/04/2011 CARNEVALLI, J. A. ; MIGUEL, P. A. C. . Desenvolvimento da Pesquisa de Campo, Amostra e Questionário para Realização de um Estudo Tipo Survey Sobre a Aplicação do QFD no Brasil. In: ENEGEP - XXI Encontro Nacional de Engenharia de Produção, 2001, Salvador. XXI Encontro Nacional de Engenharia de Produção - VII International Conference on Industrial Engineering and Operations Management. Porto Alegre : SONOPRESS Indústria Brasileira Representado por DISC PRESS Comércio Fonográfico Ltda, 2001. Disponível em:

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