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CADERNO_DIDATICO_I_-_CIENCIAS_SOCIAIS_web

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Livro do primeiro período dos cursos de bacharelado da UAB.
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CADERNO DIDÁTICO I

1 período
CIÊNCIAS SOCIAIS

UAB

UNIVERSIDADE
ABERTA DO BRASIL

Ministro da Educação Fernando Haddad Secretário de Educação a Distância Carlos Eduardo Bielschowsky Coordenador Geral da Universidade Aberta do Brasil Celso José da Costa Governador do Estado de Minas Gerais Aécio Neves da Cunha Vice-Governador do Estado de Minas Gerais Antônio Augusto Junho Anastasia Secretário de Estado de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior Alberto Duque Portugal Reitor da Universidade Estadual de Montes Claros - Unimontes Paulo César Gonçalves de Almeida Vice-Reitor da Unimontes João dos Reis Canela Pró-Reitora de Ensino Maria Ivete Soares de Almeida Coordenadora da UAB/Unimontes Fábia Magali Santos Vieira Coordenadora Adjunta da UAB/Unimontes Ramony Maria da Silva Reis Oliveira

CADERNO DIDÁTICO I UAB/UNIMONTES Projeto Gráfico e Editoração Andréia Santos Dias Alcino Franco de Moura Júnior Wendell Brito Mineiro Impressão, Montagem e Acabamento Gráfica e Editora Sigma Ltda. Revisão Alcino Franco de Moura Júnior Danielle F. Souza Fábia Magali Santos Vieira Ivanise Melo de Sousa José França Neto Karen Tôrres Corrêa Lafetá de Almeida Wane Elayne Eulálio dos Anjos Wanessa Pereira Fróes Quadros Ramony Maria da Silva Reis Oliveira

SUMÁRIO

Apresentação do Caderno Didático..................................................

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Introdução à Educação a Distância................................................... 11 Referências..................................................................................... 35 Iniciação Científica......................................................................... 37 Unidade 1..................................................................................... 43 Unidade 2..................................................................................... 55 Referências.................................................................................. 96 Atividades de Aprendizagem - AA................................................... 98 Filosofia da Educação.................................................................... 100 Apresentação............................................................................ 104 Unidade 1: A Filosofia e suas Origens........................................... 108 Unidade 2: Ontologia................................................................. 120 Unidade 3: O Racionalismo Moderno.......................................... 130 Unidade 4: A Ação na Filosofia Contemporânea........................... 152 Unidade 5: A Contribuição do Projeto Filosófico para a Teoria e Prática da Educação na Atualidade.............................................. 172 Atividades de Aprendizagem - AA................................................ 189 Referências Básica, Complementar e Suplementar........................ 192 Agenda do Acadêmico.................................................................... 194

APRESENTAÇÃO DO CADERNO DIDÁTICO

Caro Acadêmico, Inicialmente, cumpre-nos registrar nossos cumprimentos pelo seu êxito no Processo Seletivo da Universidade Aberta do Brasil. Que este triunfo, que coloca você entre os privilegiados da sociedade, possa efetivamente contribuir para seu crescimento pessoal, sua auto-realização e, conseqüentemente, para desenvolvimento da sociedade, através de sua resposta, em ações, aos que contribuíram para sua formação. Você está ingressando em um curso de Licenciatura. Este fato amplia, em muito, a sua responsabilidade social. A formação adequada de professores se coloca, hoje, como a mais significativa esperança para o desenvolvimento humano. E é nesta perspectiva que apresentamos o seu primeiro Caderno Didático de Disciplinas. Cada Caderno Didático tem o objetivo de orientar as atividades que você realizará nas disciplinas nele contidas. Na forma como foi organizado, dialogando com o acadêmico, este material permite a construção gradativa e processual dos conhecimentos relevantes, deixando à responsabilidade do acadêmico o seu aprofundamento através das indicações de referência, sugeridas para estudo. Aí, também, foram colocadas Atividades de Aprendizagem – AA, através das quais você poderá acompanhar seu desempenho e promover o seu próprio desenvolvimento. Esta atividade terá um valor de 20 pontos. O objetivo deste trabalho é que o conhecimento adquirido ultrapasse o âmbito da teoria e permita o estabelecimento de relações em todas as atividades de sua vida, extrapolando as relações sociais em que você se insere. Os Cadernos Didáticos do primeiro período terão as seguintes disciplinas:
? Científica, com uma carga horária de 40 horas; Iniciação ? I , com uma carga horária de 90 horas; Sociologia ? da Educação, com uma carga horária de 75 horas; Filosofia ? Antropologia I, com uma carga horária de 75 horas; ? com uma carga horária de 75 horas; e Política I, ? da Educação, com uma carga horária de 45 horas. História

Na disciplina Iniciação Científica, você terá oportunidade de construir e/ou aprofundar conhecimentos acerca da relação entre ciência e conhecimento, desvelando o processo de produção e de transmissão, reconhecendo e empregando as mais diversas técnicas de estudo e de

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Ciências Sociais

Caderno Didático I - 1º Período

pesquisa, de sistematização e de registro dos conhecimentos produzidos. Colocadas estrategicamente, no início do curso, o trabalho com esta disciplina prepara você para todas as demais e para a realização das tarefas de estudo a que se propuser. Na disciplina Sociologia I, você, como acadêmico, terá oportunidade de conhecer e analisar a contextualização histórica do surgimento da Sociologia e a postura dos clássicos quanto aos pressupostos teóricos e metodológicos que envolvem esse campo de estudos. Com a disciplina Filosofia da Educação, você conhecerá as origens e a evolução da Filosofia, em uma perspectiva educacional. A problemática do ser, o realismo e o idealismo na concepção dos principais teóricos clássicos que os fundamentaram, as concepções históricas do homem e do conhecimento, a ética, a estética e a política. Com esta disciplina, você perceberá um claro convite à reflexão radical, rigorosa e profunda sobre temas de absoluta relevância ao desenvolvimento do homem, enquanto ser racional, co-responsável pela edificação da humanidade no caminho de sua evolução. Antropologia I contempla o estudo da Antropologia como uma Ciência do “outro” ou ainda das diferenças sociais e culturais, explicitando a especificidade da antropologia em relação às demais Ciências Sociais. A especificidade do discurso antropológico sobre o “outro” e comparação com outros discursos elaborados em contextos de relações de alteridade, priorizando aqueles construídos a partir do encontro do “europeu” com os povos do chamado “Novo Mundo”, como os missionários e viajantes. O discurso antropológico evolucionista do século XIX. Os diferentes discursos sobre o “outro”: a oposição entre etnocentrismo e relativismo cultural e as noções de cultura e diversidade cultural. Na disciplina Política I, você conhecerá o objeto e conceitos básicos da Ciência Política; o problema do poder, da legitimidade e da autoridade como dimensões fundacionais do objeto da ciência política em suas interações humanas. A formação e a trajetória do pensamento político moderno relativas à propriedade, à liberdade, à igualdade e aos direitos, nas concepções clássicas de Maquiavel, Hobbes, Locke, Rosseau e Montesquieu. História da Educação possibilita o estudo da contextualização sócio-histórica da educação, enfatizando os diversos paradigmas educacionais na realidade tempo/espaço, com atenção especial para a História da Educação no Brasil, suas tendências e concepções da educação ideal, conforme a realidade educacional no contexto sóciopolítico específico de cada época. Este primeiro Caderno Didático refere-se às disciplinas Iniciação Científica e Filosofia da Educação. Além das atividades a distância, que incluem, entre outras, o estudo do Caderno Didático, você, acadêmico, deverá, obrigatoriamente,

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Apresentação

Unimontes/UAB

participar de atividades presenciais intensivas no pólo de apoio presencial, onde serão ministradas as aulas propriamente ditas, com o Professor Formador de cada disciplina. Nessa oportunidade, o professor desencadeará o processo de reflexão, apresentando o conteúdo básico da disciplina. É, nesse momento, que o acadêmico, juntamente com o restante da turma, terá oportunidade de manifestar-se, de expor suas expectativas em relação ao trabalho com a disciplina. Estas atividades acontecerão no pólo de apoio presencial em finais de semana, conforme cronograma apresentado. Assim como as Atividades Presenciais, acontecerão, também, os Seminários Temáticos – três por período, em finais de semana, ocasião em que devem ocorrer as discussões conclusivas sobre os trabalhos realizados nas disciplinas, incluindo nestes momentos, as Avaliações On-line – AO, que serão avaliadas com valor de 30 pontos. Ao final do último Seminário Temático, no pólo de apoio presencial, serão aplicadas as Avaliações Semestrais – AS. Estas avaliações terão o valor de 50 pontos. Iniciando a primeira Fase Presencial Intensiva, como abertura oficial do curso, serão realizadas, no pólo de apoio presencial, as seguintes atividades de freqüência obrigatória:
? identificada como Introdução a Palestra

Educação a

Distância;
? Apresentação das disciplinas Iniciação Científica e Filosofia da Educação; e ? Capacitação Tecnológica para uso do Ambiente Virtual para

os acadêmicos. Após a realização da primeira fase presencial intensiva, haverá um período de Atividades de Inserção do Acadêmico no Curso. Nesta fase, o acadêmico poderá usar de todos os meios disponibilizados para colher informações sobre o curso e sobre o Sistema UAB/Unimontes. Todas as instâncias abaixo descritas estarão disponibilizadas para responder aos seus questionamentos e manifestações. Esgotado o período determinado para inserção do acadêmico, será dado início às atividades de estudo das disciplinas e os seminários de acordo com o cronograma abaixo.

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Ciências Sociais

Caderno Didático I - 1º Período

CRONOGRAMA DAS ATIVIDADES DA EAD NO 1º PERÍODO DO CURSO DE CIÊNCIAS SOCIAIS
Tabela 1: Cronograma das atividades
Período 31/10, 1º 02/11//08 03 a 15/11/08 17 a 29/11/08 1º a 19/12/08 20/12/08 21/12/08 a 08/01/09 09, 10 e 11/01/09 12 a 31/01/09 – 18 dias 02/02 a 27/02/09 – 21 dias 28/02/09 02 a 31/03/09 – 24 dias 30/03 a 17/04/09 – 17 dias 18/04/09 19/04/09 25/04/09 20 a 30/04/09 01, 02 e 03/05/09 Disciplina/Atividade Inicio do 1º período (Fase Presencial Intensiva) Atividades de inserção do acadêmico no curso Iniciação Científica Filosofia da Educação 1º Seminário Temático/AO (Iniciação Científica e Filosofia) Recesso (Fase Presencial Intensiva) História da Educação Antropologia I 2º seminário Temático/AO (duas disciplinas conforme cada curso) Sociologia Política I 3º Seminário Temático/AO (duas disciplinas conforme cada curso) Avaliação Semestral AS Conclusão do 1º Período Letivo Prova Final Recesso Início do 2º Período Letivo (Fase Presencial Intensiva) Curso Todos os Cursos os pólos Todos os Cursos os pólos Todos os Cursos os pólos Todos os Cursos os pólos Todos os Cursos os pólos Todos os Cursos os pólos Todos os Cursos os pólos Ciências Sociais Ciências Sociais Todos os Cursos - Todos os pólos Ciências Sociais Ciências Sociais Todos os Cursos - Todos os pólos Todos os Cursos os pólos Todos os Cursos os pólos Todos os Cursos os pólos Todos os Cursos os pólos - Todos - Todos - Todos - Todos - Todos - Todos - Todos - Todos - Todos - Todos - Todos 24 45 75 8 90 75 8 8 20 40/45 75/90/60 8 CH 20

INSTÂNCIAS DE APOIO AO ACADÊMICO Virtualmontes O Sistema UAB foi idealizado para permitir a inclusão de todos aqueles que, tendo concluído o Ensino Médio, demonstrarem capacidade de realizar um curso superior, mesmo que não disponham de computadores com acesso à Internet em suas residências ou na localidade onde residem. Por esse motivo, as atividades a serem realizadas no ambiente virtual a distância não são obrigatórias. Entretanto, é de grande importância a participação do acadêmico no ambiente Virtualmontes. Esta atividade ampliará, em muito, as possibilidades de discussão interativa com todos os demais integrantes do curso, acadêmicos, tutores, professores, coordenadores, o que, por si só, já caracteriza uma enorme possibilidade de aprendizagem.

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Apresentação

Unimontes/UAB

Pólo de Apoio Presencial Para facilitar as atividades a serem realizadas no Virtualmontes, o Pólo de Apoio Presencial estará aberto todos os dias, durante um período de quatro horas, onde os tutores presencias estarão realizando plantões de atendimento aos acadêmicos. Neste espaço, no qual o acadêmico poderá permanecer durante todo o tempo em que estiverem sendo realizados os plantões, os computadores estarão disponibilizados para seu uso. Coordenador de Pólo É, também, no pólo de apoio presencial, que o acadêmico encontrará o Coordenador de Pólo, que é o responsável, administrativamente, pelo bom andamento das atividades realizadas. Sem dúvidas, este é mais um apoio que o acadêmico contará em suas atividades no curso. Tutor Presencial Responsável pelo acompanhamento direto ao acadêmico, este profissional tem a função de acompanhar e orientar os acadêmicos do curso, no pólo de apoio presencial; planejar as atividades para recuperação das atividades; realizar, juntamente com os professores formadores, os seminários introdutórios e seminários temáticos; colaborar com a realização das atividades da Fase Presencial Intensiva; aplicar as Avaliações On-line (AO) e as avaliações semestrais (AS); orientar e acompanhar as atividades de estágio, o Trabalho de Conclusão do Curso – TCC e as Atividades Acadêmico-Científico Culturais - AACC. Tutor a Distância Tem a função de prestar assistência aos professores/formadores, de acordo com as disciplinas ministradas no período; orientar os tutores presenciais e os acadêmicos e corrigir as Avaliações On-line (AO), realizadas pelos acadêmicos. Estes profissionais permanecerão na Unimontes e darão suporte remoto (ou seja: por telefone, fax, e-mail) aos tutores presenciais e aos acadêmicos. Professor Formador Responsável pelo planejamento, pela realização e pela avaliação da disciplina, sob sua responsabilidade, este profissional que deverá ser mestre ou doutor, terá as seguintes atribuições: planejar, ministrar e avaliar

DICAS

O Virtualmontes encontrase hospedado na Internet – Portal da Unimontes: www.unimontes.br. Ao acessar este site, dê um clique no link: ambiente de aprendizagem, localizado no canto esquerdo da página na web (ou da tela do computador). Logo, em seguida, clique no link acesse, no canto superior direito da tela, entrando, posteriormente, com seu login e sua senha pessoal.

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Ciências Sociais

Caderno Didático I - 1º Período

a disciplina; planejar as atividades da fase presencial intensiva; planejar, coordenar e avaliar os seminários introdutórios e seminários temáticos; planejar e acompanhar as atividades a distância; orientar os tutores a distância e presencial; planejar e orientar as atividades de nova oportunidade da aprendizagem; colaborar na organização para aplicação das Avaliações Presenciais Semestrais (AS); corrigir as Avaliações Presenciais Semestrais (AS); registrar o conteúdo, a freqüência e o aproveitamento dos alunos nas avaliações, no Diário Eletrônico;

Coordenador de Curso Responsável pela organização didática do curso e pelo cumprimento das atividades constantes do Projeto Político-Pedagógico, este profissional estará na retaguarda dando todo o suporte institucional para o curso e acompanhando a adequada execução o Projeto. Todas estas instâncias de apoio estarão à disposição dos acadêmicos, através do ambiente Virtualmontes, na Internet, e de seus respectivos e-mails disponibilizados no Guia do Acadêmico. O Caderno Didático pretende estimular e ajudar você em todas as etapas do processo. O Nosso maior interesse é o seu pleno sucesso no curso. Estamos à sua disposição. Observe as orientações, extrapole-as, mas responda a todas as questões propostas. Isto é imprescindível para o pleno êxito do Sistema UAB/Unimontes. Vá em frente! Agora é com você. Professora Maria Elvira Curty Romero Christoff

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1º PERÍODO

INTRODUÇÃO À EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA

AUTORAS Fábia Magali Santos Vieira Doutoranda em Educação (Universidade de Brasília - UnB), mestre em Educação (UnB), especialista em Alfabetização (Pontíficia Universidade Católica de Minas Gerais - PUC-MG), especialista em Informática Educativa (Universidade Federal de Minas Gerais - UFMG), especialista em Educação a Distância (UnB) e graduada em Pedagogia (Universidade Estadual de Montes Claros - Unimontes). Professora de Tecnologias Educacionais e, atualmente, coordenadora de Ensino Superior e da UAB na Unimontes. Karen Tôrres C. Lafetá de Almeida Mestre em Desenvolvimento Social (Universidade Estadual de Montes Claros - Unimontes), especialista em Metodologia Científica e Epistemologia das Ciências Humanas e Sociais (Unimontes), cursando especialização em Educação Continuada e a Distância (Universidade de Brasília - UnB) e graduada em Turismo e Hotelaria (Faculdades Integradas Pitágoras de Montes Claros - FIP-MOC). Professora do Departamento de Métodos e Técnicas Educacionais da Unimontes, professora das Faculdades Santo Agostinho, professora conteudista da UAB/Unimontes, professora orientadora e tutora do Programa de Formação Continuada Mídias na Educação. Liliane Campos Machado Doutoranda em Educação (Universidade Federal de Uberlândia - UFU), mestre em Educação Tecnológica (Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais - Cefet-MG), e graduada em Pedagogia (Universidade Estadual de Montes Claros - Unimontes). Professora adjunta da Unimontes e supervisora eduacional da Secretaria de Estado da Educação de Minas Gerais. Mônica Prates Queiroz Especialista em Saúde Mental (Faculdade de Saúde Ibituruna - Fasi), graduada em Fonoaudiologia (Universidade Católica de Petrópolis - UCP). Atualmente, é responsável pelo setor de Pós-Graduação e pela Educação a Distância da Fasi/Santa Casa. Ramony Maria da Silva Reis Oliveira Mestranda em Educação (Faculdade de Itaúna), especialista em Supervisão Escolar (Universidade Estadual de Montes Claros - Unimontes) e graduada em Pedagogia, Letras/Português e Letras/Inglês (Unimontes). Professora de Fundamentos da Alfabetização e Metodologia das Ciências na Educação Infantil e, atualmente, coordenadora adjunta da UAB. Francely Aparecida dos Santos Doutoranda em Educação (Universidade Metodista de Piracicaba - Unimep), mestre em Educação (Universidade de Uberaba - Uniube), especialista em Psicopedagogia e em Teoria e Prática em Supervisão Educacional (ambas pela Universidade Estadual de Montes Claros Unimontes) e graduada em Pedagogia (Unimontes) e Matemática (Pontíficia Universidade Católica de Minas Gerais - PUC-MG). Professora da Unimontes.

SUMÁRIO DA DISCIPLINA

1 Carta de Apresentação................................................................. 15 2. EAD na Unimontes ..................................................................... 16 3. Conceito e Histórico da Educação a Distância............................... 16 3.1. O Perfil do Acadêmico e do Professor na Educação a Distância................................................................................... 17 3.2. Profissionais de Suporte ao Estudo na EAD............................ 18 4. Comparação: Cursos Presenciais e Cursos a Distância .................. 19 4.1. Tabela Comparativa entre uma aula Presencial e sua Dinâmica e a Educação a Distância............................................. 20 5. Importância da Educação a Distância........................................... 20 5.1. Vantagens da Educação a Distância.................................... 22 6 Hábitos de Estudos em Cursos Superiores, Principalmente em Cursos a Distância ..................................................................... 23 7. Avaliação................................................................................... 24 7.1. Atividades De Aprendizagem (AA)........................................ 24 7.2. Avaliações On-line (AO)....................................................... 24 7.3. Avaliações Presenciais Semestrais (AS)................................. 25 7.4. Síntese da Avaliação de cada Período.................................... 25 8. Virtualmontes - Ambiente Virtual de Aprendizagem da Unimontes................................................................................ 26 8.1. Utilizando o Virtualmontes - Ambiente Virtual de Aprendizagem da Unimontes...................................................... 26 8.2 Conhecendo as Ferramentas................................................. 28 8.3 Como Enviar ou Receber as Mensagens ................................. 32 9 Referências.................................................................................. 35

INTRODUÇÃO À EAD

1 CARTA DE APRESENTAÇÃO Caro acadêmico, A Unimontes tem a satisfação de recebê-lo como acadêmico em um de seus cursos oferecidos pela Universidade Aberta do Brasil - UAB, em nível de graduação. Este Caderno tem o objetivo de orientá-lo quanto às suas atividades no Virtualmontes, dar-lhe noções de informática, além de esclarecer alguns pontos importantes sobre a Educação a Distância. Ele o orientará em situações em que será necessário o seu acesso à Internet para fazer suas atividades on-line, participar de conversas (chats), dar sua opinião em Fóruns,bem como a possibilidade de navegar no nosso Ambiente de Aprendizagem, para enviar e receber mensagens, conversar com os colegas e com os professores e toda a equipe da EAD do curso que está fazendo. Queremos que ele possa ter uma utilização verdadeira, para você, nos momentos de auto-estudo e também quando estiver com o grupo de estudo. A graduação é um grande passo em sua vida e se você conseguiu chegar até esse espaço, então é merecedor dele. Queremos, nessa oportunidade, apresentar-lhe a organização da vida acadêmica que passará a ter a partir deste momento, e nela não poderemos dizer que tudo será “fácil”, ou que tudo cairá do céu em suas mãos, mas poderemos afirmar, com certeza, que é um grande prazer tê-lo em nosso grupo de acadêmicos da Universidade Estadual de Montes Claros – Unimontes, que na parceria construída e firmada com a Universidade Aberta do Brasil e o Ministério da Educação foi possível tornar real a sua entrada. Serão quatro anos de muito estudo, mas você não estará sozinho nessa caminhada, pois junto com você estarão os professores formadores, os tutores presenciais e a distância e, também os coordenadores. A caminhada que será trilhada terá, ainda, amparo dos profissionais que fazem parte do curso, mas, é importante afirmar que a pessoa mais importante, nesse processo é você, pois de nada adianta todos desejarem que tudo dê certo, se o acadêmico, também, não pensar dessa forma. Por isso, queremos dar-lhe as boas vindas e dizer-lhe que deve se sentir à vontade para iniciar o curso. Você receberá o material que fará parte da trajetória estudantil na Unimontes. São eles: este caderno, o caderno do acadêmico, o caderno do módulo e os cadernos Didáticos de cada disciplina deste módulo. As autoras

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Ciências Sociais

Caderno Didático I - 1º Período

2 EAD NA UNIMONTES A primeira experiência da Unimontes com a Educação a Distância foi o Programa de Capacitação de Professores - Procap, realizado no período de julho de 1997 a janeiro de 2005. O Programa de Capacitação de Professores (PROCAP) teve a finalidade de contribuir para a melhoria da qualidade do ensino, nas séries iniciais do ensino fundamental, em todo o Estado de Minas Gerais. O PROCAP foi o resultado de uma ação conjunta, efetivada pelos poderes Público Estadual e Municipal, através das Secretarias de Educação e pelas Instituições de Ensino Superior do Estado de Minas Gerais. Foram atendidos 14.391 professores da rede pública das regiões, dos municípios-sede de Curvelo, Januária, Pirapora, Sete Lagoas e Montes Claros. A segunda experiência foi realizada no período de 2000 a 2006, com o Projeto Unimontes Virtual, que teve como objetivo criar na comunidade acadêmica da Universidade Estadual de Montes Claros Unimontes, uma cultura dinâmica de aprendizado e colaboração em rede, permitindo a interação entre todos os envolvidos. O Unimontes virtual ministrou os cursos de extensão em Uso Pedagógico da Internet, Metodologia Científica, Iniciação a leitura em Inglês, Iniciação a Língua Espanhola. Para atingir o objetivo proposto, a equipe de professores responsáveis pela coordenação deste projeto desenvolveu um ambiente de aprendizagem, denominado Virtualmontes, para disponibilizar os cursos de extensão virtuais. Outra experiência relevante aconteceu no período de 2002- 2005, quando a Unimontes participou, com outras Universidades, do Projeto Veredas, promovido pela Secretaria de Estado da Educação de Minas Gerais – SEE/MG, com objetivo de capacitar os 1.299 professores das séries iniciais do ensino fundamental, da rede pública de Minas Gerais, que estavam em efetivo exercício e ainda não possuíam habilitação em curso superior. 3 CONCEITO E HISTÓRICO DA EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA O que é a Educação a Distância? Segundo Vieira (2003, p. 21),
(...) a Educação Aberta e a Distância é um processo pelo qual professores e estudantes, buscam a informação, visando a construção do conhecimento, a partir das experiências e dos interesses de ambos, em espaços e tempos síncronos e assíncronos, através de um sistema de aprendizagem mediado por diferentes meios e formas de comunicação. Assim, na EAD a interatividade entre os atores envolvidos é indireta e mediatizada por uma combinação de meios tecnológicos e linguagens de comunicação.

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Introdução à Educação a Distância

Unimontes/UAB

Nesta modalidade, o acadêmico é co-responsável pelo seu processo de aprendizagem, construindo conhecimentos e desenvolvendo competências, habilidades, atitudes e hábitos relativos ao estudo, à profissão e à sua própria vida, no tempo e no local que lhe são adequados, sem a participação, em tempo integral, de um professor. Você perceberá que existem muitas diferenças entre a educação a Distância e o Ensino Presencial. Vamos apresentar, aqui, algumas dessas peculiaridades. Na aprendizagem a distância, você terá que substituir a oralidade das aulas presenciais pela aprendizagem via leitura e escrita. Em outras palavras,
(...) a possibilidade de diálogo simultâneo e dinâmico em ambientes de comunicação coletiva, potencializando a participação, a exposição e a autoria de cada aluno no processo de construção do grupo; a acessibilidade, por meio de computador pessoal, potencializando o autoestudo, a autonomia do saber e, principalmente, a flexibilidade para a participação do acadêmico ( LIMA, 2008, s. p.).

3.1 O Perfil do Acadêmico e do Professor na Educação a Distância Nem acadêmico, nem professor na Educação a Distância tem as mesmas características do ensino presencial. As diferenças de aplicação das modalidades implicam diferenças nos perfis desejados de cada participante do processo. Você, agora, vai conhecer qual é o seu papel na educação a Distância, bem como o dos profissionais que o orientarão. Você deve estar pronto para planejar e organizar sua aprendizagem de forma independente dos professores. De acordo com Peters (2004), os estudantes dessa modalidade de ensino devem ter cinco habilidades para serem capazes de estudar em um ambiente informatizado de aprendizagem, quais sejam: autodeterminação e orientação, seleção e capacidade de tomar decisões e habilidade de aprender e organizar-se. Essas habilidades também são necessárias no ensino presencial, mas na EAD, elas são fundamentais. Assim, para concluir o seu curso com sucesso, você terá que: conhecer ? as ferramentas básicas de Internet; dispor de ? um tempo para estudo e disciplinar-se para que este tempo seja proveitoso; organizar-se para integrar trabalho, vida pessoal e estudo; ? acessar ? com freqüência o Ambiente de Aprendizagem Virtualmontes; participar ? das atividades solicitadas – fóruns e chats e outras; e conscientizar-se ? da necessidade de atuar de modo

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Ciências Sociais

Caderno Didático I - 1º Período

ATIVIDADES
Vá até o fórum: Introdução a Educação a Distância e clique no tópico: Concepção de EAD. Responda a seguinte questão: Como acadêmico que acabou de se matricular em um curso de Educação a Distância como você compreende a educação a distância?

colaborativo, objetivando a formação de uma comunidade acadêmica em rede. 3.2 Profissionais de Suporte ao Estudo na EAD Professor Formador Responsável pelo planejamento, realização e avaliação da disciplina sob sua responsabilidade, com as seguintes atribuições:
? e avaliar a disciplina; ministrar ? as Atividades da Fase Presencial Intensiva; planejar ? os seminários introdutórios e seminários temáticos; planejar ? os tutores a distância e presenciais; orientar ? e orientar as atividades para recuperação da planejar

aprendizagem; e
? coordenar diretamente as Avaliações Presenciais Semestrais (AS) e reponsabilizar-se pelo registro dos resultados, na Secretaria Geral, e também, as Avaliações On-line (AO) e Atividades de Aprendizagem (AA).

ATIVIDADES
Vá até o fórum: Introdução a Educação a Distância e clique no tópico: Experiência em EAD. Responda a seguinte questão: Você já fez ou conhece alguém que já fez um curso a distância? O que esta pessoa achou? A partir de quando você ouviu falar em EAD?

Atribuições do Tutor Presencial Os encontros presenciais representarão momentos para todo tipo de acompanhamento dos cursistas e, ainda, para:
? sobre os conteúdos de cada área do conhecimento; discussões ? elaboração de planejamentos; ? orientações e sugestões quanto às leituras que deverão ser feitas, auxiliando-os em suas dúvidas (resolvendo ou encaminhando-os para resoluções); ? acompanhamento e avaliação da aprendizagem dos cursistas,

bem como:
? elaboração do TCC, de Relatórios, e outros procedimentos; ? de recursos, bibliografias e materiais adicionais para indicação

o estudo;
? proposição de formas auxiliares de estudo;

ATIVIDADES
Vá até o fórum: Introdução a Educação a Distância e clique no tópico: Dados estatísticos da EAD e compartilhe sua opinião sobre o crescimento da educação a distância.

? orientação aos cursistas sobre a importância da pesquisa

científica;
? alimentação de um esforço positivo na superação de

dificuldades;
? favorecimento de troca de experiências e conhecimentos em atividades de grupos; ? de debates e produções individuais e coletivas; e incentivo ? promoção de conferências, colóquios, palestras, seminários, mesas redondas, painéis, aulas inovadoras.

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Introdução à Educação a Distância

Unimontes/UAB

Para tanto, o tutor presencial contará com uma carga horária de 20 horas semanais e permanecerá no Pólo de Apoio Presencial por, no mínimo, 5 dias na semana ou 15 horas semanais para atendimento individual, em pequenos grupos, ou coletivo. As demais horas serão usadas para acompanhamento das atividades de estágio. Esta última atividade deverá ser combinada com os cursistas, para agendamento de datas e horários de afastamento do Pólo de Apoio Presencial. Atribuições do Tutor a Distância O trabalho do tutor é determinar o diálogo permanente e fundamental entre o curso e seus cursistas, desfazendo a idéia cultural da impessoalidade dos cursos a distância. É ao tutor que você deverá encaminhar as suas dúvidas. Ele é quem poderá responder com exatidão sobre as características, as dificuldades, desafios e progressos de cada um dos seus acadêmicos. Os tutores a distância farão o acompanhamento das suas atividades, utilizando o laboratório de informática, a biblioteca virtual, através da criação de grupos virtuais de comunicação para tirar dúvidas e dar outras informações. Além disso, as salas virtuais serão, também, um espaço onde você terá acesso a programas de TV, vídeos educativos e DVD relacionados a cada área de atuação. O tutor a distância escolherá e disponibilizará o Instrumento mais adequado, simples e de melhor acesso, para tratar dos pontos de interesse que originaram a sua solicitação e este tutor o responderá assim que tiver conhecimento da sua demanda. 4 COMPARAÇÃO: CURSOS PRESENCIAIS E CURSOS A DISTÂNCIA A modalidade de estudos a distância é ainda uma modalidade de estudo que está tomando forma no Brasil e nas suas várias regiões, no sentido de alcançar o respeito e aprovação da sociedade. Sabemos que esse tipo de estudo requer do acadêmico uma disciplina muito grande, assim como a modalidade presencial. No entanto, podemos afirmar que a EAD exige do acadêmico maior comprometimento, organização e autonomia, porque ele mesmo estará gerenciando seus estudos. Por um lado tem-se as vantagens de não ter que sair de casa todos os dias, enfrentar estradas, ônibus e outras situações, você terá, por outro lado, que assumir o compromisso de realizar as atividades e assim, cumprir o cronograma do curso. Em EAD você não poderá contar com o professor, todos os dias dizendo o que você tem que fazer ou não.

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Ciências Sociais

Caderno Didático I - 1º Período

4.1 Tabela Comparativa entre uma Aula Presencial e sua Dinâmica e a Educação a Distância
Tabela 1: Comparação aula presencial Numa aula presencial, você... Numa aula a distância, você... 1. Recebe a ementa, bibliografia e 1. Receberá a ementa, a bibliografia e o Plano de Ensino da disciplina. o Plano de Ensino da disciplina na sala do Ambiente de Aprendizagem, e isso tudo ficará sua disposição para que você consulte quando quiser. 2. Dialoga com o professor e 2. Responsabiliza-se por estudar o colegas, utilizando quadro de giz, material previamente, e depois slides e materiais escritos de apoio. interage com o professor, tutor e Interage com suas perguntas e colegas. comentários imediatamente. 3. Recebe atividades para que 3. As suas respostas serão postadas copie e resolva em sala, entregando no ambiente de aprendizagem, sem os resultados ao professor, no montes de papéis. As correções mesmo dia. podem ser feitas e inseridas numa pasta no portfólio do professor ou enviadas aos acadêmicos pelo Ambiente de Aprendizagem. 4. Tem o tempo de aula limitado 4. Tem a possibilidade de comunicarpara o contato com o professor e se com o professor, tutor e colegas a colegas e tem oportunidade de qualquer momento pelo Ambiente, realizar possíveis correções no que pelo fórum de discussões ou pela sala foi dito ou pedido que fizesse. de bate-papo, em momentos agendados, ou não. 5. Tem tarefas complementares a 5. Encontra as tarefas solicitadas no serem feitas fora de sala e Ambiente de Aprendizagem, com entregues posteriormente. Essas todos os dados e documentos tarefas podem ser individuais ou em necessários para sua resolução. grupo. Quando solicitado você pode formar livremente grupos para trabalho. A entrega será feita pelos portfólios individuais, ou dos grupos, ou pelo Ambiente de Aprendizagem. 6. Participa imediatamente, realiza 6. Participa remota, mas ativamente, pesquisas e busca a melhor por meio do Ambiente, dos fóruns de integração com o grupo. discussão e dos momentos de encontro presenciais.

5 IMPORTÂNCIA DA EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA Enfocar a questão da Educação a Distância, significa vê-la de frente e apontar sua importância em uma sociedade moderna, como a nossa. Isto significa reconhecer que o conhecimento tecnológico e científico produziu, ao longo dos anos, várias mudanças em nossos hábitos sociais e nos hábitos educacionais também. Podemos, por exemplo, apontar algumas dessas mudanças, para que você perceba como estamos inseridos nelas, de forma consciente ou inconsciente. O trabalhador atual lida com dados computacionais, sendo ele, por exemplo, operário de uma fábrica, que não trabalha mais diretamente com as mãos no produto, pois ele se transformou em um trabalhador que

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opera com a informação, ou seja, ele recebe os dados via “máquinas”. Nessas “máquinas”, ele insere os dados daquilo que precisa, podendo ser uma peça ou uma engrenagem e, o resto, a referida máquina faz. Esse trabalhador se transformou em um operador de um computador, pois seu trabalho não é mais físico, ao contrário, é uma seqüência de padrões de informações que são manuseadas, e assim poderemos dizer que esse trabalhador é o antigo torneiro mecânico. Hoje, pode-se afirmar que a grande maioria deles não se “sujam de graxa”, pois operam outra máquina: o computador. Nas lojas podemos apontar as mesmas questões, quando vemos os vendedores, ao realizarem seu trabalho, operarem as máquinas para organizar, verificar estoques de mercadorias e finalizar uma compra. Além disso, usam delas para verificar se o nosso nome está “limpo” no cadastro de pessoas físicas. Caso contrário, não poderemos realizar as compras se elas forem a prazo, e só aceitam pagamentos à vista, se for em moeda corrente, nada de cheques ou de cartões. Em cada passo desses exemplos podemos observar como as informações andam em velocidades altíssimas, e quando não acompanhamos essas mudanças somos facilmente chamados de “analfabetos tecnológicos”. Em alguns casos ficamos com receio, de não encontrarmos emprego, pelo motivo dessa mais nova necessidade: dominar os aparelhos tecnológicos. E então, um dia descobrimos que essas mudanças tecnológicas não estão presentes somente na sociedade do trabalho, também estão presentes na sociedade educacional, e por isso estamos aqui hoje falando para você sobre um curso superior que será feito a distância, e que tem amparo legal, inclusive pela Lei de Diretrizes e Bases Educacionais Brasileira, nº 9.394/96 de 20 de Dezembro de 1996, e também pelo Plano Nacional de Educação Brasileiro. Sabemos que o desenvolvimento dos meios de comunicação lançou às escolas “o grande desafio de ter que mudar para continuar existindo, não só pelo poder de sedução que a mídia oferece, mas também pelos perigos que ela traz consigo” (TEVES, 2000). A comunicação oral, desde o seu inicio, quando somente era realizada pessoa-a-pessoa, passando pelo rádio e pela televisão e chegando até a Internet, “acabou fazendo do homem comum, um habitante do mundo” (TEVES, 2000). Esse homem está conectado não somente em sua casa, seu bairro ou sua cidade, mas sim com o mundo todo. Do quarto, ou da sala de casa ele vê e sabe tudo que acontece ao redor do mundo, em questão de segundos. É o que podemos chamar de avanço planetário. Neste sentido, não poderemos pensar que a escola, a educação brasileira poderia ficar de fora desses avanços tecnológicos, inclusive no aspecto relativo à formação de professores e de outros profissionais da sociedade. Por isso, esse material tem também a pretensão de

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ATIVIDADES
Vá até o fórum: Introdução a Educação a Distância e clique no tópico: Educação presencial X EAD. Responda qual a diferença entre EAD e a educação presencial.

conscientizá-lo do papel, que nesse momento, você está começando a ocupar. É um papel que aponta para uma formação intelectual muito ampla e aprofundada, contemplando os problemas e complexidades presentes em nosso cotidiano, sendo necessário que, nós, professores e os futuros professores apropriem-se dos recursos tecnológicos disponíveis nos dias atuais, e que consigamos transformá-los em nossos instrumentos de trabalho, utilizando-os de forma inteligente, discutindo, completando os assuntos que foram discutidos e estudados nas salas de aula. A Educação a Distância poderá nos ajudar a ser mais íntimos desses materiais e equipamentos tecnológicos produzidos pela ciência e disponibilizados para o homem, para a busca de nossa autonomia e busca da construção de uma sociedade mais humana, sem perder de vista que a Educação a Distância não é de forma alguma, um vislumbre para ficarmos trancados em quatro paredes, “ligados” vinte e quatro horas em um computador, ou em frente à televisão.
Podemos, então, perceber que ela veio para melhorar as relações humanas e que nesse caso, dentro da escola, para melhorar o processo ensino-aprendizagem, e que por isso “é um dever da escola mostrar a seu acadêmico que ele, por si mesmo é um ser de carências e necessidades. Que sua existência depende dos outros e que é por causa dos outros que a sua ação é sempre transação com as coisas e pessoas...” ( TEVES, 2000).

ATIVIDADES
Vá até o fórum: Introdução a Educação a Distância e clique no tópico: Limites e possibilidades da EAD e compartilhe sua impressão essas questões.

5.1 Vantagens da Educação a Distância
? Flexibilidade de tempo e espaço: você estuda no tempo e local

adequados à sua disponibilidade. É um fator de democratização do ensino, porque insere todas as pessoas que têm dificuldades para ingressarem numa universidade.
? Flexibilidade de ritmo: você produz o conhecimento de acordo

com o seu ritmo e velocidade de aprendizagem.
? Acompanhamento individual: você terá um tutor a distância e o tutor presencial para orientá-lo. ? Minimização de custos: você não terá despesas, tais como:

deslocamentos todos os dias, material impresso, etc.
? Desempenho pessoal: você terá oportunidade de desenvolverse autonomamente, além de estimular sua iniciativa na resolução de problemas e desenvolver atitudes e hábitos educativos. ? à individualidade: você verá respeitado seu ritmo de Respeito

estudo.

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Unimontes/UAB

6 HÁBITOS DE ESTUDOS EM CURSOS SUPERIORES, PRINCIPALMENTE EM CURSOS A DISTÂNCIA Todo estudo requer uma organização e cuidados de ordem individual e social, pois ninguém nasce sabendo estudar; nós aprendemos na medida em que vamos nos conscientizando dessa necessidade. Para isso, é preciso entender que, ao entrar em um curso superior, a nossa vida muda em vários pontos, como por exemplo, se assistíamos novelas todos os dias, ou qualquer outro programa de televisão (ou mesmo ouvir programas de rádio), já teremos que reorganizar e fazer algumas mudanças, escolhendo algumas programações para o lazer, e tenha certeza de que serão bem menos do que o costume. É necessário romper com o pensamento de que o fato de não sabermos estudar é um grande problema, ele será grande se não mudarmos nossos hábitos. Aquela velha ida ao “boteco” nos finais de tarde, todos os dias, serão passadas para os finais de semana. O hábito de dormir tarde e levantar tarde, também poderá ser mudado, e, assim você reorganizará os horários de deitar e levantar. Outra questão importante e que necessita de readaptação é a que se refere aos familiares que são pessoas importantes em nossa vida. Por isso, precisamos torná-los nossos parceiros, tanto os pequenininhos (filhos pequenos) quanto os maiores (filhos adolescentes ou jovens, maridos/esposas, namorados/namoradas) para que eles possam nos ajudar nos momentos de estudo, contribuindo com sugestões na organização do seu estudo, que é a distância, ou seja, cada um estudará muito em casa, com a utilização de seu próprio material de apoio. Por isso, explique a eles o que está acontecendo, mostre o material e diga-lhes que eles podem ajudá-lo nesse processo. Tudo deverá ser feito com equilíbrio e moderação, não será necessário ser muito radical, mas será necessário tomar cuidado com os estudos. Observar o cronograma de tarefas, ficar atento às atividades enviadas pelo computador, à troca de informações entre os colegas e demais profissionais que darão suporte ao curso a todos os acadêmicos, às orientações de cada professor formadores. É preciso ler com atenção o material a as instruções nele contidas, além de utilizar os meios de comunicação para tirar as dúvidas. Listaremos, abaixo, alguns itens que podem favorecer a sua leitura, reflexões e aumentar o nível de argumentação: utilize meia hora por dia para estudar, no mínimo, mas todos os ? dias, impreterivelmente; estabeleça uma meta pensando que o curso que está fazendo é ? a distância e que você será um auto-didata. Pense que está investindo em seu futuro; valorize ? seu tempo e o tempo de sua família. Além de tudo,

ATIVIDADES
Vá até o fórum: Introdução a Educação a Distância e clique no tópico: Tutor na EAD. Explane o que você entende por tutor.

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valorize o investimento que está fazendo em sua vida; fazer um cronograma semanal de estudos, indicando as ? disciplinas que serão estudadas e os horários, por dia, que serão estipulados; separar ? o material diário que deverá ser estudado e deixar próximo de você; selecionar ? as disciplinas que serão estudadas naquele dia; procurar ? um ambiente tranqüilo e arejado, sem computador, rádio ou televisão ligados, e se tiver som ligado que seja em altura considerada “ambiente”, pois som muito alto não ajuda nos estudos; sentar-se ? de forma confortável e não deitar-se, pois você pode dormir; ler um texto por vez e duas vezes cada texto; ? marcar ? em cada texto, na segunda leitura, os itens que são importantes; anotar, ?resumir, elaborar esquemas e fazer fichamentos; anotar as ? dúvidas e perguntar ao seu tutor. Lembre-se de que nenhuma dúvida é “boba”; se você ? tiver colegas que morem próximo a você, procure-os para organizarem um grupo de estudos e, juntos, leiam, discutam, elaborem documentação de estudo pessoal (resumos, resenhas, esquemas, fichamentos), problematizem e anotem as dúvidas; e enviem ? as dúvidas ao ambiente de aprendizagem e solicite discussão. 7 AVALIAÇÃO No Sistema UAB, as avaliações realizadas, em cada disciplina, serão ministradas conforme abaixo descrito. 7.1 Atividades de Aprendizagem (AA) Conjunto de Atividades de Aprendizagem constantes nos Cadernos Didáticos trabalhados no período ao término do conteúdo de cada disciplina. As AAs terão o valor de 20 pontos. 7.2 Avaliações On-Line (AO) Após o seminário temático, cada acadêmico receberá uma senha para que possa ter acesso à prova que será visualizada e respondida, em sua integralidade no Virtualmontes. As Avaliações On-line terão o valor de 30 pontos. O acadêmico que não alcançar 21 pontos na avaliação On-Line - AO, terá oportunidade de reavaliação em que serão usados estudos individuais orientados pelo professor formador e pelo tutor a distância,

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tendo direito a uma nova AO, em data a ser agendada pelo tutor presencial. Esta nova avaliação terá o valor de 30 pontos. Neste caso, o resultado a ser registrado será o maior, observada a 1ª e a 2ª AO. 7.3 Avaliações Presenciais Semestrais (AS) Realizadas nos Pólos de Apoio Presencial, ocorrerão no final de cada período, em dias e horários preestabelecidos, incluídos no cronograma do período. As Avaliações Presenciais terão o valor de 50 pontos. 7.4 Síntese da Avaliação de cada Período
Tabela 1: Síntese da avaliação
Forma de organização das atividades avaliativas Período de realização Características gerais de cada modalidade de avaliação - Atividades pertinentes às unidades didáticas trabalhadas no período. No caderno didático, ao término do conteúdo de cada disciplina, há um conjunto de Atividades de Aprendizagem que serão corrigidas pelo tutores a distancia. - Avaliações essencialmente de caráter formativo, realizadas no ambiente de aprendizagem. A equipe de tutoriapresencial organizará um cronograma durante o 1º seminário, após o término de cada disciplina, e os tutores presenciais conduzirão a turma em grupo para o laboratório de informática onde serão realizadas as at ividades on line. -Avaliações realizadas nos Pólos Presenciais ocorrerão no final de cada período , em dias e horários preestabelecidos, dentro dos períodos de a valiações presenciais planejadas e incluídos no calendário escolar. Rendimento previsto em cada período Pontos % Em cada Total disciplina Rendimento Mínimo aceitável Pontos Em cada disciplina %

Atividade de Aprendizagem (AA)

Final de cada disciplina (Caderno Didático das disciplinas do período)

20

100%

70%

Avaliação Online (AO)

No 1º Seminário realizado no Pólo presencial, após o término de cada disciplina.

30

100%

70%

Avaliação Presencial Semestral (AS)

Final de cada semestre no PóloPresencial

50

100%

70%

Prova Final

100

70

Avaliação do Estágio Supervisionado

A partir do 5º Período A partir do 6º Período

100%

70%

Trabalho de Conclusão do Curso

100%

70%

O acadêmico que, no final do período, obtiver pontuação igual ou superior a 50 (cinqüenta) pontos e inferior a 70 (setenta), deverá submeter-se a uma avaliação final, cujo valor será 100 (cem) pontos. Será considerado aprovado na avaliação final, o aluno que alcançar a média ponderada – igual ou superior a 70 (setenta) pontos – entre a nota semestral e a nota da avaliação final. A base de cálculo da média ponderada levará em conta o PESO 1 para a nota semestral e o PESO 2 para a nota da avaliação final, sendo utilizada a seguinte fórmula matemática: NF = (TPSL x 1) + (TPPF x 2) 3

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Sendo que: NF=Nota Final TPSL=Total de Pontos obtidos no Semestre Letivo TPPF=Total de Pontos obtidos na Prova Final Para diplomação, o acadêmico deve ter obtido desempenho satisfatório em todas as disciplinas de todos os períodos, de acordo com os critérios estabelecidos pela Unimontes e ter sido aprovado em seu relatório final do Estágio Curricular Supervisionado, na apresentação do TCC, bem como no cumprimento da carga horária de Atividades AcadêmicoCientífico Culturais - AACC (ver página 27). Ao final do período letivo, o acadêmico que obtiver pontuação inferior a 50 pontos deverá cursar, novamente, a disciplina, em regime de Dependência. 8 VIRTUALMONTES - AMBIENTE VIRTUAL DE APRENDIZAGEM DA UNIMONTES O Virtualmontes - Ambiente Virtual de Aprendizagem da UNIMONTES utiliza a plataforma MOODLE (Modular Object-Oriented Dynamic Learning Environment) que é um software livre de apoio à aprendizagem, permitindo que a sala de aula seja (re)significada em um espaço virtual, a Internet. Este programa possibilita ao estudante e ao professor uma integração, estudando ou ministrando num curso on-line à sua escolha, facilitando a interação entre todos. Usando o MOODLE o acadêmico tem acesso a anúncios e notícias, envia e recebe mensagens, conversa em tempo real com os participantes, realiza trabalhos e tarefas, vê as matérias disponibilizadas pelo professor e muito mais. Esta explicação objetiva descrever e explicar o funcionamento das ferramentas desse programa. 8.1 Utilizando o Virtualmontes - Ambiente Virtual de Aprendizagem da UNIMONTES Para começar o seu aprendizado no Virtualmontes, você deverá, primeiramente, acessar o site www.unimontes.br.

Figura 1: Portal da Unimontes na Internet

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Unimontes/UAB

E clicar do lado esquerdo da tela em Ambiente de Aprendizagem. Você sempre deve lembrar do seu Nome de usuário e da sua senha, pois são com essas informações que terá acesso ao Virtualmontes – Ambiente Virtual de Aprendizagem da UNIMONTES. O seu Nome de usuário é o número da sua matrícula e sua Senha é a data do seu nascimento. Exemplo, se você nasceu no dia 3 de fevereiro de 1979 você irá digitar na senha: 321979 (despreze o zero à esquerda e coloque o ano com os 4 dígitos).

DICAS

Verifique se o seu nome aparece no canto direito superior da tela.

Figura 2: Virtualmontes - Ambiente Virtual de aprendizagem da Unimontes

O que iremos fazer agora será uma capacitação! Vamos utilizar as ferramentas do Virtualmontes, e para isso – clique na disciplina: Introdução à EAD.

Esta página é semelhante às que aparecerão para todas as demais disciplinas, semelhante porque o professor tem autonomia de melhor adequá-la para o seu usufruto. Ela é composta de informações pertinentes à matéria disponibilizada e as configurações dos usuários inscritos. Mas você aprendendo a utilizá-la, agora, não terá dificuldades em outras salas.

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ATIVIDADES
No módulo Introdução à EAD, vá até o link PARTICIPANTES e veja todos os inscritos, escolha um colega e clique em seu nome. Conheça o seu perfil e envie uma mensagem.

8.2 Conhecendo as Ferramentas Lado esquerdo Participantes Aqui você encontra todos os colegas cadastrados na disciplina Introdução à EAD, o tutor e o professor. Através deste recurso, você tem a Figura 3: Link participantes possibilidade de observar o perfil do colega, as mensagens que a pessoa postou em fóruns e pode enviar mensagem mesmo a pessoa estando off-line.

perfil foto e-mail

para enviar mensagens
Figura 4: Identificação do perfil de participantes e como enviar mensagem

ATIVIDADES
Na sala Introdução à EAD, clique em cada um dos itens em ATIVIDADES e verifique o que está disponível para você!

Atividades É um BOX que serve para facilitar a localização das funções que estão na parte central da página. Todas as atribuições desses ícones serão discutidas mais adiante.

Figura 5: Link Atividades

Buscar nos Fóruns É uma fer ramenta auto explicativa que possibilita localizar, com rapidez e precisão, mensagens enviadas aos fóruns.

Figura 6: Link Buscar nos Fóruns

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Administração Para facilitar o seu manuseio com o Virtualmontes, acompanhe cada ícone descrito abaixo e faça as alterações necessárias:
Figura 6: Link Administração

ATIVIDADES
Na sala Introdução à EAD, vá até o BOX ADMINISTRAÇÃO e clique em NOTAS. Observe se há alguma atividade corrigida e nota lançada.

Notas Todos os trabalhos enviados ao professor, fóruns ou qualquer outra atividade avaliativa é aqui, neste lugar, que você vai consultar a nota que tirou.

Figura 7: Link Notas

Modificar Perfil A qualquer hora você poderá mudar seu perfil. Essa ferramenta permite aos acadêmicos e aos docentes se apresentarem e incluírem uma foto pessoal.

Figura 8: Link Perfil

Clique em Modificar perfil e faça as modificações citadas abaixo:

Insira seu nome E aqui seu sobrenome Deixe o seu e-mail

Escreva a sua cidade

Figura 9: Campos para inserção e alteração do perfil

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ATIVIDADES
Vá até descrição e escreva um pouquinho sobre você. Faça uma mensagem de apresentação
Figura 10: editor de textos

DICAS

Para inserir sua imagem é preciso que você tenha uma foto salva para que ela possa ser anexada. Clique em procurar, localize a foto desejada, anexe e pronto! Sua imagem atual está modificada. Formato do arquivo: JPG ou PNG.

Figura 11: Campos para inserção e alterações de imagem

DICAS
Figura 12: Link para atualizar perfil

Agora é só clicar em Atualizar perfil e as alterações ficam salvas

Categorias de Curso São listadas todas as disciplinas nas quais você está inscrito até agora, facilitando o seu acesso aos mesmos.

ATIVIDADES
Queremos conhecer você! No módulo Introdução à EAD, clique no Fórum de Apresentação e no tópico: Faça sua apresentação pessoal aqui. Fale de você, suas experiências, expectativas e sonhos...

Parte Central Programação Fóruns O Fórum permite acesso a uma página que contém tópicos que estão em discussão naquele momento do curso. O acompanhamento da discussão se dá por meio da visualização de forma estruturada das mensagens já enviadas e a participação também por envio de mensagens.
Figura 13: Link para Menu Cursos

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Unimontes/UAB

Chat A seguir você encontrará a sala de bate-papo – CHAT da disciplina. O Bate-papo é uma atividade em que, acadêmicos, tutores e professores estabelecem uma comunicação por escrito, on-line, com dia e hora previamente determinados. É recomendável que, antes de iniciar um bate-papo real observe à direita, no box Usuários on-line se há algum colega on-line. Se houver, vocês poderão realizar um bate-papo em tempo real sobre as atividades que estiverem executando.

ATIVIDADES

Na sala Introdução à EAD, clique em CHAT e comece um bate papo com os colegas on-line. É muito divertido, você vai gostar!

Figura 14: Link para informar usuário on-line

A configuração de um Bate-papo é auto-explicativa. Link Sempre que estiver disponível para você o ícone LINK, significa que o professor já especificou a página que você irá pesquisar. Material Arquivado Para você conhecer as funcionalidades no ícone ARQUIVOS, entre no ícone – Plano de Ensino e Dicas do acadêmico on-line e observe todas as sugestões que deixamos disponíveis para você. Tarefa

DICAS
A tarefa consiste na descrição ou elaboração de uma atividade a ser desenvolvida pelo participante, que pode ser enviada ao servidor do curso, utilizando a plataforma. Alguns exemplos de tarefas que podem ser solicitados pelo professor: redações, questionários, projetos, relatórios entre outros. Lado direito Últimas Notícias Aqui somente os professores, tutores ou coordenador do curso poderão postar mensagens para a
Figura 15: Link para Últimas Notícias

Fiquem sempre atentos quanto a data de entrega das tarefas, pois não poderão ser enviadas após a data marcada.

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ATIVIDADES
No módulo Introdução à EAD, vá até a Unidade I e clique em Tarefa. Leia o texto e responda as questões seguindo os passos para confecção da atividade e envie para serem corrigidas.

turma, tais como avisos, lembretes e novidades. Próximos Eventos As atividades relevantes com datas a serem entregues aparecem neste BOX, deixando você sempre a par de tudo que o professor está cobrando.
Figura 16: Link para Próximos Eventos

PARA REFLETIR

Quer ficar por dentro de todas as novidades que o professor compartilha com você? Então sempre que acessar o Virtualmontes, observe esses links importantes à direita: ? notícias, Últimas ? Eventos e; Próximos ? Mensagens. E se mantenha atualizado!

Calendário Disponível para você se organizar com a vantagem de terem os dias com atividades marcadas em destaque.

Figura 17: Calendário e Atividades UAB/Unimontes

8.3 Como Enviar e Receber Mensagens?

ATIVIDADES
Verifique se há algum colega on-line. Se houver escolha um e escreva uma mensagem para ele, clicando no envelope em frente ao seu nome.

Através do Virtualmontes – Ambiente Virtual de Aprendizagem da Unimontes você tem a possibilidade de enviar mensagens para os seus colegas, tutores e professores, mesmo esses estando on-line ou off-line. Enviando mensagem para os colegas on-line Utilize o BOX Usuários on-line, à direita no canto inferior da tela. Observe que na frente do nome do seu colega tem o ícone (envelope), clique neste envelope e perceba que abrirá uma nova tela com uma caixa de texto para você redigir. Enviando mensagem para os colegas off-line

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Introdução à Educação a Distância

Unimontes/UAB

Esta é uma possibilidade que a plataforma nos permite que é o envio de mensagem para os participantes que não estão on-line na sala, ou seja, mesmo a pessoa não estando presente naquele momento, logo que ele acessar o Virtualmontes estará depositado em sua caixa de mensagens o material enviado pelo remetente. Neste caso, deveremos ir ao BOX PARTICIPANTES, no lado esquerdo da página e escolher o colega para o envio da mensagem, assim como foi solicitado na Atividade da página11. E como ler as mensagens recebidas? É no BOX Mensagens que aparecerá as mensagens recebidas. Para visualizar, basta clicar no envelope, na frente do nome da pessoa que enviou a você e depois ler o conteúdo. Você tem a possibilidade de responder, digitando na caixa de texto abaixo da mensagem recebida. Esta é uma ótima maneira de interação entre você e seus colegas, entre os tutores, professores e coordenadores de curso. E para finalizar essa capacitação, a nossa sugestão é que você experimente e não tenha medo de clicar!!! Bom trabalho! 9 CARTA DE DESPEDIDA Prezados acadêmicos,
Figura 18: Link para informar sobre mensagens

ATIVIDADES
Vá até o Fórum Virtualmontes e clique no tópico: Ambiente Virtual de Aprendizagem. Compartilhe sua opinião sobre o Virtualmontes, as suas dificuldades, suas dúvidas...

Depois desta nossa conversa “introdutória”, desejamos enfatizar que um pais como o nosso, que é regido por um regime político democrático, o fato de freqüentar um curso superior faz parte de uma conquista de muitos brasileiros, alguns, inclusive, morreram nessa luta. Portanto, queremos aqui discutir o que significa democracia. Para Souza (1996) falar em democracia é falar primeiramente em cinco princípios básicos que a compõem, e que segundo ele, cada princípio já é por si só a formulação de uma grande teoria: liberdade, participação, diversidade, solidariedade e igualdade. Vejam, então, como realmente, cada um desses princípios poderia ser discutido por toda uma vida; mas eles estão diretamente ligados à democracia. E nesse caso, a democracia está ligada ao direito que cada um tem de usufruir desse estudo. Por isso, não perca a oportunidade de participar ativamente de seus estudos, e faça desse momento uma grande oportunidade de aprimorar, a cada dia, mais e mais os seus conhecimentos acadêmicos, para que possam, através dele, tornar-se pessoas melhores e futuros profissionais responsáveis pela parte que lhes couber nessa grande diversidade que é o nosso mundo e nosso estudo, ainda mais no que se refere à Educação a Distância, conforme o nome já diz, no que possamos tornar solidários uns com os outros, estejam eles próximos ou distantes, sabendo, como já falamos no início deste caderno, que com a Internet e

ATIVIDADES
Vá até o Fórum Introdução à EAD e clique no tópico – Opinião sobre Introdução a EAD. Compartilhe com os colegas suas impressões sobre este módulo.

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Ciências Sociais

Caderno Didático I - 1º Período

todos os meios de comunicação tornamo-nos cidadãos do mundo e por fim em uma busca contínua de igualdade e oportunidades, que nem todos têm a chance de vivenciar. Observem caros acadêmicos, ao mesmo tempo que é tão simples discutir democracia, torna-se tão complexo, pois esse não é somente um conceito político, mas uma atitude de cada um de nós, no espaço que é de cada um. Portanto, usufruam com total direito e total dever a oportunidade que lhes é oferecida e boa sorte nesse momento e em todos os quatro anos que terão pela frente. Abraços carinhosos! As autoras.

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3 REFERÊNCIAS

BRASIL. Ministério da Educação: Secretaria de Educação a Distância. Referenciais de Qualidade para Cursos a Distância. Brasília, 02 de abril de 2003. LIMA, Valéria Sperduti. As Raízes e singularidades da Educação a Distancia. Disponível em: <http://www.educacaoadistancia.org.br> 2008. Acesso em 07 de setembro de 2008. MORAN, J.M. O que é educação a distância. Disponível em: <http://www.eca.usp.br/prof/moran/dist.htm> Acesso em 18 de janeiro de 2007. PETERS, Otto. Didática do ensino a distância: experiências e estágio da discussão numa visão internacional. Tradução Ilson Kayser, RS: Editora UNISINOS, 2003. SOUZA, Herbert. Democracia e Cidadania. In: RODRIGUES, Carla (org.) Democracia: cinco princípios e um fim. São Paulo: Moderna, 1996. TEVES, Nilda. Palestra proferida na Associação Brasileira de Educação. Rio de Janeiro, 2000. Universidade Estadual de Montes Claros. Pró-reitoria de ensino Coordenadoria de ensino Superior da Unimontes. Projetos políticopedagógicos dos cursos da licenciatura UAB/Unimontes. Montes Claros, 2008. VIEIRA, Fábia Magali Santos. Ciberespaço e educação: possibilidades e limites da interação dialógica nos cursos a distancia, 2003. 129 f. Dissertação de Mestrado em Educação Faculdade de Educação da Universidade de Brasília – UnB. Brasília, 2003.

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1º PERÍODO

INICIAÇÃO CIENTÍFICA

Alex Fabiano Correia Jardim Doutor em Filosofia pela Universidade Federal de São Carlos – UFSCar, mestre em Fundamentos da Educação pela UFSCar e graduado em Filosofia pela Universidade Estadual de Montes Claros – Unimontes. Professor do Departamento de Filosofia da Universidade Estadual de Montes Claros - Unimontes e do Programa de Pós-graduação em Letras/Estudos literários desta mesma Universidade. Cláudia de Jesus Maia Doutora em História pela Universidade de Brasília – UnB, com período sanduíche na École des Hautes Études en Sciences Sociales – EHES, em Paris. É líder do Grupo de Pesquisa Gênero e Violência, professora do Departamento de História da Universidade Estadual de Montes Claros - Unimontes e do Programa de Pós-graduação em Letras/Estudos literários desta mesma Universidade. Emília Murta Moraes Mestre em Educação pela Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG, pós-graduada em Alfabetização pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais – PUC/Minas e graduada em Pedagogia pela Universidade Estadual de Montes Claros – Unimontes. É professora e coordenadora de Projetos Especiais da Pró-Reitoria de Extensão da Unimontes. Jussara Maria de Carvalho Guimarães Doutora em Geografia - Percepção Ambiental Infantil pela Universidade Federal de Uberlândia - UFU, mestre em Geografia - Educação Ambiental pela UFU e graduada em Pedagogia pela Universidade Estadual de Montes Claros – Unimontes. Professora do curso de Pedagogia da Unimontes. Coordenadora Pedagógica do Curso de Capacitação de Gerentes Sociais do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS); Coordenadora de Projetos Especiais da Pró-Reitoria de Extensão.

SUMÁRIO DA DISCIPLINA

Apresentação................................................................................... 41 Unidade I: Conhecimento e Ciência ................................................... 43 1.1 Introdução............................................................................. 43 1.2 Introdução à Ciência e ao Conhecimento.................................. 43 1.2.1 O Problema da Verdade e o Conceito de Ciência.................. 45 1.2.2 Conhecimento Científico e Senso Comum........................... 46 1.3 O Nascimento da Ciência Moderna.......................................... 50 1.4 A Emergência das Ciências Humanas.......................................53 1.4.1 A Neutralidade Científica................................................... 55 Unidade II: Técnicas de Estudo .......................................................... 55 2.1 Introdução.................................................................................. 55 2.2. O Método de Estudo............................................................... 55 2.2.1 O Ato de Estudar............................................................... 56 2.2.2 Como Estudar................................................................... 57 2.2.3 Etapas do Estudo.............................................................. 58 2.3 Leitura, Análise e Interpretação de Texto................................... 59 2.3.1 A Leitura.......................................................................... 59 2.3.2 Sublinhar um Texto........................................................... 60 2.3.3 Como Elaborar um Esquema............................................. 62 2.3.4 Resumo........................................................................... 65 2.3.4.1 Tipos de Resumos....................................................... 65 2.4 A Prática de Documentação Pessoal......................................... 67 2.4.1 Formas de Documentação................................................ 68 2.4.2 Conteúdo das Fichas......................................................... 69 2.4.3 Confecção das Fichas e Materiais Diversos.......................... 71 2.5 O Seminário como Técnica de Estudo....................................... 72 2.5.1 Definição......................................................................... 72 2.5.2 Objetivos.......................................................................... 72 2.5.3 Estrutura e Organização.................................................... 73 2.5.4 O Texto-roteiro..................................................................74 2.5.5 O Texto-base.................................................................... 76 2.5.6 Apresentação e Duração................................................... 77 2.5.7 Avaliação......................................................................... 78 2.6. A Internet como Fonte de Estudo e Pesquisa............................. 78 2.6.1 Acesso à Internet.............................................................. 79

2.6.2 A Pesquisa Científica na Internet............................................. 81 2.6.3 Atividades............................................................................. 87 2.6.4 Relação de Sites Importantes para sua Pesquisa Científica por Área.............................................................................................. 89 2.7 Formatação de Texto e Capa de Trabalho Acadêmico..................... 93 2.7.1 Formatação de Texto.............................................................. 93 2.7.2 Formatação de Capa de Trabalhos..........................................94 3 Referências......................................................................................... 96 4 Atividades de Aprendizagem - AA......................................................... 98

APRESENTAÇÃO

Você começa agora o seu curso universitário! Isto significa uma grande mudança na sua postura de estudante, pois o curso superior exigirá de você um conjunto de atividades intelectuais e acadêmicas. Por isso, é preciso instrumentos e técnicas operacionais de estudo a fim de torná-lo cientificamente organizado para assegurar maior eficiência e desenvolver seus trabalhos científicos. De maneira geral, podemos entender o trabalho científico como “o conjunto de processos de estudo, de pesquisa e de reflexão que caracterizam a vida intelectual do universitário”, conforme definição de Severino (2000, p.19). Na disciplina de Iniciação Científica tem por objetivo iniciar você na vida científica universitária, oferecendo alguns subsídios para as várias tarefas que você terá de desenvolver durante o seu trabalho acadêmico e intelectual. A universidade contemporânea tem perseguido, dentre seus objetivos, a indissociabilidade do ensino-pesquisa e extensão, visando formar profissionais de qualidade, não somente capazes de executar tarefas, aprender e transmitir conhecimento, mas, sobretudo, capazes de produzir novos conhecimentos. Isso significa, que ser aluno/a universitário/a não é apenas se matricular em um curso superior para aprender o que lhe é transmitido, mas ser sujeito ativo do seu processo de ensino-aprendizagem para conhecer e dominar conceitos, procedimentos de pesquisa e de realização de trabalhos acadêmicos e, finalmente, ser atuante na produção e divulgação de conhecimentos científicos. Pensando nestes objetivos da formação do profissional de nível superior, tendo em vista as dimensões prática e conceitual, é que organizamos a disciplina em duas unidades: Unidade I: conhecimento e ciência 1Introdução à ciência e ao conhecimento: conceituações 1.1 O problema da verdade e o conceito de ciência 1.2 O conhecimento científico e o senso comum 2 O nascimento da ciência moderna 3 A emergência das ciências humanas 3.1 A neutralidade científica Unidade II: técnicas de estudo 1 O método de estudo

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Iniciação científica: é também a denominação de um programa que visa iniciar o/a estudante da graduação à pesquisa por um professor/a orientador/a, preferencialmente com uma bolsa de pesquisa fornecida por agências de fomento. No âmbito da Unimontes a iniciação científica com bolsas se desenvolve através de dois programas: o PROBIC – Programa de Bolsas de Iniciação Científica – da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (FAPEMIG), e o PIBIC – Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica – do Conselho Nacional do Desenvolvimento Científico e Tecnolóico - CNPq. Além desses dois programas, a Unimontes também desenvolve o programa de Iniciação Científica

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Iniciação Científica

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2 Leitura, análise e interpretação de texto 3 A prática de documentação pessoal 4 Seminário como técnica de estudo 5 A Internet como fonte de estudo e pesquisa Após cada capítulo, preparamos uma atividade para você realizar. As atividades são muito importantes, porque fazem parte do processo de aprendizagem, sobretudo as atividades práticas da segunda unidade, pois você aprenderá como fazer, fazendo. Além das atividades, indicamos ao longo dos textos, dicas de estudos com sugestões de bibliografia para consultar e aprofundar determinados temas, questões para reflexão e significados de termos e palavras desconhecidas, que você identificará através dos ícones seguintes:

DICAS

PARA REFLETIR

GLOSSÁRIO

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ATIVIDADES

Agora que você já conhece os objetivos da disciplina “Iniciação Científica”, os conteúdos que vai estudar e a forma como está organizado este caderno, vamos começar!

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UNIDADE 1
CONHECIMENTO E CIÊNCIA
1.1 INTRODUÇÃO Esta primeira unidade visa introduzir você ao universo da ciência. Para tanto, apresentaremos o conceito de ciência, a noção de verdade e a concepção de atitude científica. Assinalamos a diferença entre o conhecimento científico e o conhecimento oriundo senso comum que, não obstante, não se apresentam de forma hierárquica. Apresentaremos o surgimento da ciência moderna no século XVII com os filósofos Bacon e Descartes, que lançaram fundamentos ainda aceitos no modelo de ciência que praticamos hoje, e a emergência das ciências humanas no século XIX. O desenvolvimento desta última, ao longo do século XX, trouxe questionamentos aos principais pressupostos científicos da modernidade, como a noção de neutralidade científica.

Ao longo do texto, apresentaremos dicas e estudos, bem como sugestões de alguns filmes para você, juntamente com seus colegas, aprofunde os temas apresentados e reflita sobre as questões suscitadas. Não deixe de esclarecer todas as suas dúvidas com seu/sua professor/a formador/a e com os tutores. Boa aula! Os autores.

1.2 INTRODUÇÃO À CIÊNCIA E AO CONHECIMENTO: CONCEITUAÇÒES 1.2.1 O Problema da Verdade e o Conceito de Ciência Para tratarmos de ciência, precisamos antes de qualquer coisa, entender o problema da verdade e de como a ciência trata essa questão. Para isso, nos deparamos, antes da verdade, com um tipo de “estado”, chamado pela filosofia, de ignorância. E muitas vezes nem percebemos a profundidade de nossa ignorância. A ignorância é causada pela crença em opiniões que nos foram passadas, sem nenhum questionamento de nossa parte. A “ignorância” permeia a nossa vida, sendo que todo nosso conhecimento é aceito como útil e correto. Achamos que possuímos conhecimento e que não há razão para colocá-lo em dúvida. A ignorância nos deixa cegos. O que move a ciência é a dúvida. A busca pela verdade. E um dos passos para a ciência chegar à verdade é afirmar a incerteza sobre as coisas. É a incerteza que nos faz enxergar o quanto somos ignorantes

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diante da realidade, pois não a conhecemos de fato e que as nossas crenças e opiniões são falhas e não podem servir mais como fundamento para o nosso pensamento. A incerteza como passo essencial para a busca da verdade, nos faz caminhar, mesmo sem saber direito o que pensar, o que fazer diante dos acontecimentos, de certas situações. A incerteza traz a insegurança, mas junto dela, alcançamos a possibilidade de criarmos problemas e interrogações sobre o mundo e sobre o homem. Sendo assim, tanto a incerteza quanto a insegurança fazem nascer em nós o espírito do pesquisador e a disposição para a busca do conhecimento verdadeiro. Claro que, de alguma forma, a ciência quebra um pouco o encanto do mundo, isso porque, até então, todas as “minhas verdades” não estavam condicionadas a um questionamento, mas a uma simples aceitação. Mas, afinal de contas, o que significa buscar a verdade como critério para o estabelecimento da ciência? O filme “O Nome da Rosa”, baseado no romance de Umberto Eco, ilustra bem as questões apresentadas aqui. O filme “mostra vários assassinatos em que os mortos apresentam um sinal: a língua escura, juntamente com dois dedos da mão esquerda – o polegar e o indicador . O monge Guilherme de Baskerville descobre que todos os assassinatos eram frades encarregados de copiar e ilustrar os manuscritos de uma biblioteca”; tinham ainda em comum o fato de terem manuseado uma obra perdida do filósofo grego Aristóteles. (CHAUI, M., 1995, p. 98). Em primeiro lugar, significa romper com o dogmatismo, isto é, a crença indiscriminada em algo. Acreditar sem perguntar. Todas as vezes que eu desconfio de algo, de opiniões, eu estou tendo uma atitude antidogmática. Eu estou me afastando do dogmatismo. O dogmatismo é toda atitude espontânea, que inclusive adquirimos ainda criança, como se o mundo fosse tal como ele nos é apresentado. Como eu o percebo imediatamente. Na atitude dogmática, acreditamos no mundo como algo dado, pronto e pensado. Nós fazemos parte da realidade desse mundo onde tudo acontece naturalmente, por isso não merece ser questionado: por exemplo, a realidade política, social e cultural. O dogmatismo tem por princípio, ser conservador e foge de tudo que é novo, porque qualquer procedimento que não seja o da plena aceitação espontânea, pode colocar em risco tudo o que já está constituído, sua organização, opiniões, etc. Em segundo lugar, como se chegar ao conhecimento verdadeiro? Teremos na resposta a esta questão algumas posições:
? do grego, significa a verdade revelada nas próprias Alethéia:

DICAS

coisas ou quando se percebe intelectualmente e racionalmente essa verdade nas coisas a partir da evidência. Se se tem uma idéia de alguma coisa, deve haver necessariamente uma correspondência entre essa idéia e a própria coisa (conteúdo da idéia); e
? do latim, é a coerência lógica da coisa que aparece à Veritas:

idéia. É o conjunto de idéias que organizam a razão, levando-se em consideração as regras, as leis, a validade lógica e os argumentos para organização dessas idéias. O conhecimento científico e a busca pela verdade avança um pouco mais as duas fases anteriores, da alethéia e da Veritas, para alcançar o conhecimento pragmático. Nesse caso, todo conhecimento só é considerado verdadeiro se tiver resultados práticos e for possível aplicálos a partir da experiência. Na perspectiva da pragmática, só pode ser

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considerado, verdadeiro o conhecimento que for verificado e constituir resultados. É diferente de um conhecimento assistemático, que pode ser adquirido ao acaso, indiferente dos caminhos ou métodos e se seus respectivos planejamentos. Esse conhecimento assistemático se aproxima de um conhecimento sem crítica ou dogmático, pois nesse caso, não importa um exame, uma atenção à validade ou à verdade do conhecimento. Porque a ciência precisa do conhecimento pragmático e abandonar o conhecimento assistematico? Etimologicamente, ciência vem do verbo “Scire” que significa conhecer. Isso quer dizer que tudo o que existe no universo, pode ser um objeto de preocupação da ciência e dos cientistas, desde os processos da mente, até a origem e extinção das galáxias, passando pela migração dos pássaros ou pelo aumento da temperatura na terra. Isso nos indica que o universo pode ser observado sistematicamente e objetivamente. A ciência quando observa, sistematiza e elabora leis, pois ela precisa buscar a verdade de forma pragmática, ou seja, que tenha um valor prático e útil,como já foi falado anteriormente. Sendo assim, ciência pode ser considerada um meio ou maneira de pensar o mundo dos fatos, e dos aspectos que podem ser conhecidos pela humanidade. A ciência constata, por isso ela é uma atividade de pesquisa, e é somente com a pesquisa e suas técnicas que o cientista entra em contato com a realidade de maneira específica: ações determinadas pelo método científico e que se transformarão futuramente em teoria porque ela constata e explica o objeto estudado. A ciência teria como finalidade:
? fazer com que a maioria dos aspectos do universo possam ser

conhecidos de maneira rigorosa e precisa; e
? dar ao homem uma capacidade de agir sobre a natureza.

Se a ciência abandonar a necessidade da teoria (e do conhecimento, pragmático), não poderia existir absolutamente nenhuma prática cientiíica. Não se pode construir conhecimento distante da teoria. Sabemos que os conceitos científicos são abstrações, mas eles têm como referência o mundo concreto-empírico (proveniente da experiência). Isso significa dizer que toda abstração nos leva à realidade e à existência. Daí, o conhecimento científico ser diferente do “senso comum”, pois este tem uma relação direta com o conhecimento dogmático. 1.2.2 Conhecimento Científico e Senso comum O conhecimento oriundo do senso comum é meramente subjetivo, depende dos sentimentos e opiniões, sem se importar com a regularidade, e a repetição própria do mundo e das coisas, além de se surpreender assustarem quando se depara com o imponderável, o desconhecido, que segundo a filósofa Marilena Chauí, “por serem subjetivos, generalizadores, expressões de sentimentos de medo e angústia

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quanto ao trabalho científico, o senso comum de nossa sociedade cristalizam-se em preconceitos com os quais passamos a interpretar toda a realidade que nos cerca e todos os acontecimentos.” (CHAUI, 1995, p. 248). Diferentemente, a atitude científica exige desconfiança. Por isso, vamos aprofundar mais um pouco nos conceitos já apontados acima, em relação à idéia de incerteza e insegurança. Ao contrário do senso comum, o conhecimento científico elabora problemas e não aceita as aparências como explicação da realidade. Se o senso comum é subjetivo, o conhecimento científico seria objetivo, isto é, com a ajuda do método científico (caminho para se chegar ao verdadeiro conhecimento), procura-se a universalidade do conhecimento. E essa universalidade do conhecimento só é possível em razão dos padrões, critérios e avaliação das coisas, para uniformizá-las, torná-las homogêneas. Tudo passa a ser explicado segundo um critério na medida, que se consiste em: Teremos então: rigorosa observação, identificação de um problema, planejamento, método, hipóteses, verificação de resultados e elaboração de teoria. 1.3 O NASCIMENTO DA CIÊNCIA MODERNA Esse processo em que esta nova concepção de ciência avança no mundo, iniciou-se no século XVII e é conhecido como o século do nascimento da ciência moderna (a elaboração de um método, a organização e levantamento de hipóteses e edificação de uma teoria). Essa mudança significou uma nova maneira de ver o mundo, uma nova concepção de saber. Surgem várias teorias científicas que modificaram completamente a maneira do homem viver. Uma delas foi o heliocentrismo, ou seja, a idéia de que a terra gira em torno do sol e o sol está no centro do sistema. Esta idéia foi elaborada por Copérnico, astrônomo. A matemática e a física, pensadas por Galileu, passam a representar um novo modelo de entendimento das coisas. Mas como já ressaltamos acima, a grande descoberta do século XVII foi mesmo o método científico, que significa um caminho para o saber. Temos dois nomes (filósofos/pensadores) em especial, que contribuíram muito para a discussão a respeito da ciência e do método científico: Francis Bacon (1561-1626) e René Descartes (1596-1658). Francis Bacon enfatizou a importância de uma observação criteriosa do mundo dos fatos, afirmando a importância em organizá-los a partir da lógica. Descartes, tratou da necessidade dos critérios de evidência, da análise das coisas até elas se tornarem claras e distintas. René Descartes a partir de sua obra “Discurso do Método”, elabora a teoria segundo a qual o cogito (o pensamento) é autoconsciente, evidente por si mesmo e estruturado segundo a evidência da razão. Neste caso, Descartes faz duas distinções: de um lado, teremos o que ele

PARA REFLETIR
Copérnico (1473-1543, Polônia), dedicou-se à Astronomia, escrevendo em 1530 sua grande obra, De revolutionibus orbium coelestium (sobre as revoluções das esferas celestes), que afirma que a Terra gira em torno de seu próprio eixo uma vez por dia e viaja ao redor do Sol uma vez por ano. Esta ficou conhecida como a teoria de Copérnico. Galileu Galilei (1564-1642, Itália) fez a descoberta da lei dos corpos e enunciou o princípio da Inércia. Foi um dos principais representantes do Renascimento Científico dos séculos XVI e XVII. Devido à sua visão heliocêntrica, foi julgado pelo Tribunal da Inquisição e condenado a assinar um termo onde declarava que o sistema heliocêntrico era apenas uma hipótese. Morreu cego e condenado pela Igreja Católica por suas convicções científicas

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Fonte: www.art-prints-on-demand.com

chamava de rés cogito (aquilo que pensa) e do outro, o mundo material, rés extensa, que pode ser medido, calculado e será objeto da ciência. Para Descartes, ao fazer ciência, o homem tem que se afastar do conhecimento sensível, das paixões e das emoções, pois elas perturbam o caminho, Figura 1: René Descartes (1596-1658) para se chegar ao em pintura de Frans Hals (1649), conhecimento. E o cogito (o Museu do Louvre pensamento) para Descartes não é influenciado pelas paixões. A mente então ou o rés cogito é o fundamento para todas as ciências, pois ela estabelece os critérios analíticos para o conhecimento, sem se deixar contaminar pelo mundo sensível. Descartes criticava todo o conhecimento determinado pelas sensações, por isso o termo conhecimento sensível. Para Descartes, não podemos fazer ciência através das idéias adventícias e nem pelas idéias fictícias. As idéias adventícias são aquelas vindas do exterior, originadas nas sensações. São todas as idéias que nos vêm pela experiência sensível. Por exemplo, se eu olho para o sol, vejo que ele é menor do que a terra, mas todos nós sabemos que o Sol é muito maior do que a Terra. Sendo assim, os sentidos nos enganam. Já as idéias fictícias, são todas as idéias provenientes da fantasia, da imaginação. Por exemplo, um cavalo alado, fadas, bruxas, duendes. Não podem ser consideradas verdadeiras porque não correspondem à realidade. Mas Descartes destaca a importância das idéias inatas. Essas sim, são legítimas. Elas não dependem da experiência. As idéias inatas são aquelas da própria razão e existem porque já nascemos com elas. A idéia de infinito por exemplo ou as idéias matemáticas. É por causa dessa razão inata, como luz natural, que podemos conhecer a verdade. Para Descartes, essas idéias são colocadas pelo Criador, por Deus, logo, são verdadeiras ou corresponderão com a verdade. Nós só podemos conhecer a verdade, porque possuímos as idéias inatas, porque temos em nosso espírito a razão que nos garante separar o conhecimento verdadeiro do falso. Ela é o único critério seguro. Descartes contribuiu decisivamente para a ciência , em especial ao levantar o problema da dúvida. A pretensão de Descartes é elevar o nosso espírito à mais alta perfeição. A idéia parte da seguinte perspectiva: não acolher jamais alguma coisa como verdadeiro de forma mediata

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Razão: na concepção de Descartes, é a faculdade de bem julgar, de distinguir o bem do mal e o verdadeiro do falso; considerada absoluta e imutável. Em nossos dias a razão está relativizada; “designa agora um centro ativo que trava um diálogo com as coisas sem que, por isso, as possa reger” (Russ,1994, p.244) O racionalismo na perspectiva cartesiana, é doutrina “segundo a qual o espírito humano possuiria os princípios ou conhecimentos a priori, independentes da experiência, que comandariam o conhecimento”. Já o racionalismo contemporâneo, abandonou “a idéia de um conteúdo permanente e absoluto da razão, para ver nesta última, uma atividade de construção e um dinamismo em obra nos fenômenos. (Russ, op.cit. p.243)

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DICAS

Para saber mais sobre o nascimento da ciência moderna, consulte o volume II da obra Historia da Filosofia, de Giovanni Reale. Editora Paulus:1991. Consulte também o livro da filosófa Marilena Chauí, Convite à Filosofia. Altas, 1995. Este livro completo esta disponível para fazer download em http://geocities.yahoo.com. br/mcrost02

(atitude dogmática). Forma mediata significa aquele conhecimento que antecede ao uso da razão, como por exemplo, quando conheço algo primeiramente pelos sentidos. Essa prática evita qualquer atitude precipitada em direção ao conhecimento. Assim, nos prevenimos contra qualquer engano ou erro. Deve-se colocar em dúvida tudo que percebemos, até que “as coisas” se apresentem com clareza e distinção. Posteriormente, Descartes afirma a necessidade em dividir todas as partes de um problema, identificar cada uma das dificuldades encontradas para examiná-las e posteriormente resolvê-las. E por fim, organizar o pensamento. Inicialmente, pelos objetos mais simples e mais fáceis de ser conhecidos, para, degrau por degrau, alcançar o conhecimento mais totalizante possível, sabendo-se que o conhecimento acontece de maneira gradual e organizada, passo a passo. Segundo Descartes, precisamos de uma ordem para atingirmos o conhecimento preciso e claro das coisas. Então teremos: primeiro a dúvida; segundo a divisão do problema em partes simples e; terceiro enumerar, organizar e revisar, nada omitindo. Na oportunidade, uma abordagem Fonte: fotografia do Arquivo pessoal profa. Cláudia Maia um pouco mais sistemática do pensamento de René Descartes será abordado na disciplina Filosofia da Educação. A dúvida corrige os preconceitos e a falsidade do conhecimento. Ela nos livra do erro e do engano. A dúvida é o passo inicial e fundamental para a conquista da verdade final e da certeza incondicionada. É a dúvida que fará com que cheguemos à primeira certeza em Descartes: o cogito ou o pensamento/consciência de si. Se eu duvido, existe necessariamente alguém que coloca as coisas em dúvida,

DICAS

Para uma leitura mais aprofundada sobre o assunto, indicamos a leitura da obra “Meditações Metafísicas”, de René Descartes, da Coleção Os pensadores. Abril Cultural: São Paulo. São seis meditações, onde ele apresenta todo o percurso de descoberta da consciência, do pensamento e sua validade.

Figura 2: Escultura “O Pensador” de A. Rodin, exposta no Museu Rodin – Paris

logo, eu penso. E se penso, eu existo. Esse método da dúvida em Descartes no século XVII (abertura para o que chamamos de modernidade), é o passo essencial para que o homem domine e controle a natureza, pois ele passa a estudá-la, conhecêla. Definitivamente, o homem se coloca “um pouco mais distante” da natureza, para explorá-la e entender o seu funcionamento. O mundo passa a ser pensado como uma máquina e precisa ser conhecido. Assim, a busca pela verdade se transforma também na busca por um método seguro que leve ao conhecimento das coisas. Descartes então, contribui muito para a

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conquista de um fundamento seguro a partir da afirmação da capacidade humana em desvendar os segredos da natureza, do mundo e tudo aquilo que, até então, se apresenta como desconhecido. O homem, a partir do século XVII, conquista a sua autonomia na modernidade. Se “navegar é preciso” ou seguir adiante é necessário, então, que seja com segurança, com método, ordem e organização. Assim é a ciência de Descartes. Afastando-se de todo e qualquer subjetivismo ou evitando acreditar em crenças e opiniões. Diferentemente das preocupações de René Descartes, mas contribuindo fortemente para o avanço da ciência moderna temos o empirismo de Francis Bacon (1561Fonte: www.art-prints-on-demand.com 1626). Diferente do racionalismo de Descartes, o empirismo pretende explicar a realidade a partir da experiência, abandonando e criticando a noção de idéia inata, considerada inadequada para se chegar ao conhecimento. Para os empiristas, toda a verdade e todo conhecimento é proveniente da percepção que temos das coisas, do mundo que esta fora de nós, o mundo externo. O empirismo inicia-se na Inglaterra e tem em Francis Bacon um dos mais fortes influentes. Ele defende a tese de que a ciência deve basear-se no método experimental, levando-se em consideração a observação e a aplicação da ciência. O método empírico pretende que as leis científicas sejam o resultado da observação pela repetição dos fenômenos. A isso, denominamos de indução, ou seja, todo conhecimento de fenômenos particulares para se chegar aos fenômenos generalizados. Para os empiristas, diferente dos racionalistas (representados por Descartes), as idéias surgem a partir de um processo de abstração, que tem no seu principio, a percepção das coisas através dos sentidos ou sensações. Nada, absolutamente nada, se apresenta na mente sem antes ser percebido pelos sentidos. Só podemos ter qualquer compreensão ou entendimento do mundo através dos sentidos. As idéias simples, que vêm das impressões sensíveis, originam as idéias mais complexas. A idéia é mais nítida quando se aproxima das impressões sensíveis, que é responsável pela idéia. Daí, a importância da verificação empírica para dar validade ao conhecimento. O conhecimento (ou a ciência) será o resultado da certeza do que foi verificado. É o mesmo que afirmarmos que somos uma folha em branco, nossa mente é aberta e vazia e que vamos preenchendo essa
O pensador inglês Francis Bacon (1561-1626), em pintura de William Larkin pertencente a coleção particular

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forma em branco com as nossas experiências. Esse preenchimento é feito quando os nossos órgãos dos sentidos são excitados e estimulados; quando vemos cores, provamos sabores, ouvimos sons ou diferenciamos o quente e o frio, o listo e o áspero. A medida que experimentamos, se forma a percepção. A nossa percepção se dá por associação e esta se apresenta de três maneiras: semelhança, proximidade e sucessão temporal. Primeiro associo minha percepção por repetição ou por semelhança, isto é, as coisas vão se repetindo de tal forma, próximas umas das outras. E de tanto repetirem e se sucederem, se forma em nós o hábito. Nós constituímos o hábito por associação da repetição e sucessão. De tanto repetir e formar o hábito, a memória vai se formando e, posteriormente, a razão forma e organiza o pensamento. É importante que fique claro que, também para a ciência empírica, conhecer é ter idéias. Mas é preciso estabelecer uma diferença entre a realidade (o mundo das coisas, dos fatos) e a sua representação (o ato de apresentar um objeto em minha mente, na consciência).

PARA REFLETIR
Na obra Novo Organum Bacon afirma: “Aqueles que trataram das ciências foram ou empíricos ou dogmáticos. Os empíricos, à maneira das formigas, contestam-se em amontoar e suar; os racionais, à maneira das aranhas, tecem teias a partir de sua própria substância”.

Francis Bacon consolida a significação da ciência no mundo moderno e o papel que ela tem para a humanidade. Seu lema maior é “saber é poder”, por isso todo conhecimento não deve ser desinteressado ou meramente proveniente da contemplação. Diferentemente, a ciência pretende ser um saber que sirva de instrumento que possibilite ao homem dominar a natureza. Em sua obra chamada “Novo Organum” (Novo Instrumento/Órgão como instrumento do pensamento), Bacon critica todas as formas de preconceito que impedem o conhecimento. Nessa obra, Bacon fala que a ciência deve ser livre e aberta para receber as novas idéias. Para ele, a ciência deve ter como preocupação a melhoraria da humanidade e o avanço do comércio através da avaliação dos fatos, na experiência. Segundo Bacon, toda a educação deveria ser investida na busca por novos conhecimentos, deixando-se de lado o antigo. Bacon foi um ardoroso defensor da melhoria das condições de toda a humanidade, pelo progresso da ciência do século XVII. A partir de Descartes e Bacon, a ciência se transforma no grande modelo que inspirará todo o movimento da sociedade moderna, por ser sistemático e visar o progresso. A verdade passa a ser àquela determinada pela ciência e torna-se imprescindível abandonar qualquer tipo de dogma ou crença supersticiosa. Só com a razão e a experiência, respectivamente representados por René Descartes e Francis Bacon, a verdade poderá ser bem conduzida e direcionar todo o mundo para um destino melhor. 1.4 A EMERGÊNCIA DAS CIÊNCIAS HUMANAS Dando um salto na história do pensamento, trataremos um pouco do problema do conhecimento no século XIX e XX. O século XIX tem dentre suas características a herança de importantes acontecimentos do

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final do século XVIII: a Revolução Industrial, que começou na Inglaterra, e a Revolução Francesa, com ambições especialmente políticas. Estas duas grandes mudanças refletiram no século XIX de maneira bastante forte. Observamos as mudanças no processo de produção de mercadorias com a industrialização do mundo; o Estado se fortalece, desde a sua economia, até a força dos exércitos; o consumo dos produtos é crescente e o capitalismo se consolida enquanto sistema econômico hegemônico. Diante de todos esses acontecimentos, surgem as Ciências Humanas, como uma maneira de pensar esse “novo mundo” do século XIX e XX. As Ciências Humanas têm como objeto o homem. Sendo assim, é importante ressaltarmos que o homem como objeto do conhecimento científico, só aparece no século XIX. A filosofia não tem objeto definido, por isso, não é uma ciência; passa a conviver com as ciências humanas, que tem o homem como objeto específico e que se organiza na tarefa de pensar o homem em suas mais variáveis relações. Inicialmente, para se pensar o homem, as ciências humanas utilizaram os mesmos critérios que as outras ciências: as ciências matemáticas e naturais, para com isso, serem respeitadas. Elas então utilizaram métodos e técnicas das ciências naturais para serem compreendidas como ciência. Mas, esse procedimento foi perdendo força, devido à dado a complexidade do objeto, o próprio homem e suas relações. Então, não bastava apenas utilizar os mesmos recursos metodológicos das outras ciências naturais, mas era preciso buscar outras formas para entender esse novo objeto: o homem. Por exemplo, se a ciência trabalha com observação, colocando um determinado objeto numa certa situação, para experimentá-lo e elaborar teorias sobre eles, como fazer isso com o ser humano? Como criar critérios de observação em relação à consciência? (no caso da Psicologia), ou das relações do homem no tecido social (a sociologia)? Se a partir da observação, as demais ciências buscam universalizar o conhecimento sobre um determinado objeto, como fazer isso em relação ao objeto humano? Como criar leis objetivas para pensar o ser humano? Como universalizar essas leis ou teorias sobre o humano, sabendo-se que se trata de um objeto complexo, isto é, variável, que muda de acordo com a história, as relações sociais e a cultura? Se as demais ciências querem construir uma ordem sistemática das coisas, como isso é possível em se tratando da mente humana, da sua consciência ou da subjetividade? O homem possui elementos importantes que o diferenciam, como a razão, a vontade, a liberdade. O ser humano inventa práticas, noções, valores. O ser humano é constituído de opções, de escolhas. As ciências humanas inicialmente lutam por dar objetividade à subjetividade, principal característica do humano. O período de transformação do humano como objeto e preocupação da ciência (psicologia, antropologia, sociologia, história, etnografia, lingüística) recebeu uma série de contribuições, sendo o positivismo uma delas. Corrente filosófica do início do século XIX, cujo

DICAS

Um bom filme para refletir e discutir a distância entre as duas áreas do conhecimento abordadas aqui (ciências da natureza e a ciências humanas) é o filme “Ponto de Mutação”, baseado no livro de mesmo nome, de Fritjof Capra. O filme é um diálogo, aparentemente impossível, mas bem sucedido, entre uma física, um político mal sucedido e um poeta. “Os três se encontram em um castelo Medieval de Mont Saint Michel, no litoral da França, onde começam a dialogar, a respeito dos objetos antigos do castelo e a fazer relações da ciência com a política, economia, ecologia e doses de poesia. Na conversa tratam de temas que, nos dias de hoje, fazem parte dos encontros ambientalistas e dos movimentos antinuclear e ecológico”. (Lucena, 2007)

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fundador foi Augusto Comte, defendia a idéia de que a humanidade tem necessariamente que passar por três estágios: a superstição religiosa, a metafísica ou teológia e por fim, a ciência positiva. Assim se concretiza o ideal da humanidade, do progresso e avanço do homem. Augusto Comte é considerado o fundador da Sociologia (uma das ciências humanas). Segundo ele, a sociedade pode ser pensada como física social, ou seja, é possível investigar as ações humanas e os fatos utilizando-se dos mesmos procedimentos das ciências da natureza (como a física, a biologia). Temos também a psicologia, que propôs o estudo do desenvolvimento da mente humana, da consciência, da linguagem, da imaginação e das emoções. Propôs estudar também, as relações intersubjetivas (entre os homens e suas subjetividades), juntamente com todos os problemas que perturbam o humano, as doenças mentais e os comportamentos das pessoas. O nome que aparece nesse período inicial da psicologia é Wilhem Wundt (1852-1920), fundador do primeiro laboratório de psicologia. Em seu livro “Elementos de Psicologia Fisiológica”, ele desenvolve um método que aproxima a psicologia com a fisiologia (estudo do funcionamento do corpo humano). Posteriormente, teremos Ivan Pavlov (1849-1936). Pavlov tratou de explicar o reflexo condicionado a partir do estímulo e da resposta, como por exemplo, estímulos não-condicionados, no caso, do alimento e do som, que geram um reflexo simples. Isto significa que diante do alimento salivamos automaticamente. Ou toda vez que um cão escuta uma determinada campainha, ele se coloca em estado de atenção. Segundo Pavlov, se associarmos esses dois eventos, ou seja, juntarmos alimento e som, todas as vezes que se aparecer o alimento e tocar um determinado som, a saliva será produzida como resposta de um estímulo determinado. Num determinado momento, por repetição, bastará tocar a campainha, sem a presença do alimento, que haverá salivação. A isso, denominamos, reflexo condicionado. Não aprofundaremos essas questões, pois elas serão tratadas pelas disciplinas específicas no decorrer do curso. A proposta deste capítulo é apenas apresentar os princípios das duas principais áreas das ciências humanas no início do século XIX: a sociologia e a psicologia. Mas é importante lembrar que se consolida também neste período a antropologia, estudando as manifestações culturais, a religião, a comunicação, a organização da vida econômica, as artes, costumes e crenças de uma comunidade ou povo. A História, com o estudo da origem da formação da sociedade em seus aspectos mais variáveis, levando-se em consideração seus conflitos, as relações de poder própria das relações humanas e da organização da sociedade, assim como as revoluções, conquistas, descobertas, exploração, as mudanças e rupturas, movimentos sociais e culturais do ser humano. Neste caso, cada ciência se encaminha para diversos campos do saber, definindo sua especificidade, objeto e método. Teremos, então, psicologia social, psicologia do

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desenvolvimento, sociologia política, do trabalho rural e econômica; história social, econômica e política. A antropologia, etnologia, sem contar a lingüística, com a fonologia, fonética, semântica, etc. As ciências humanas têm também a interdisciplinaridade (o dialogo dos vários campos que têm como objeto o fenômeno humano e sua complexidade). 1.4.1 A neutralidade científica Finalizando a apresentação do conceito de ciência e um breve esboço do que vem a ser as Ciências Humanas, é importante discutir um pouco a respeito do que habitualmente chamamos de “neutralidade científica”. Acreditamos que um cientista, quando faz uma pesquisa, quando alcança uma descoberta ou afirma uma tese, ele estaria isento de qualquer relação parcial com o seu trabalho. Ou seja, ele se coloca neutro diante da sua pesquisa. Isso é um grande engano. A simples escolha de um método específico em Fonte: www.imdb.com relação a outro, no intuito de obter os melhores resultados possíveis, já indica uma posição que o pesquisador toma em relação ao objeto. Se ele escolhe, ele não pode ser neutro, isso é impossível. Todo saber científico é interessado, se Figura 4: Imagem do filme alemão de pretende algo com ficção científica “Metropolis” filmado em 1927 ele e o pesquisador pelo cineasta austríaco Fritz Lang ou cientista é movido por uma vontade e desejo. Nós temos hoje, pesquisas financiadas por grandes grupos industriais, por empresas farmacêuticas, pela indústria de armas, pelo Estado, em especial, no interior das Universidades Públicas. Essas pesquisas precisam de recursos financeiros, e quem investe, espera resultados. Por isso não podemos falar de neutralidade, como se uma pesquisa, uma descoberta científica fosse irrelevante para a humanidade. Um exemplo disso é que vários produtos que hoje utilizamos é o resultado de pesquisas, de uma disputa pela qualificação de produtos, pois os mesmos precisam alcançar o mercado, serem consumidos. A imagem que temos do cientista solitário, envolvido num mundo

ATIVIDADES
Nesta unidade, discutimos sobre a diferença entre um conhecimento dogmático e o conhecimento científico, tendo como referência a busca pela verdade. O que significa a saída do senso comum para uma atitude crítica propiciada pela atitude científica na universidade e em nosso cotidiano ou dia-a-dia? Discuta esta questão com seu/sua professor(a) formador(a) e seus colegas no Fórum. Bom trabalho!

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bastante particular, isento das influências do meio, da história, da sociedade deve ser esquecida. O cientista é alguém que age em seu tempo, que se interessa pelos problemas do ser humano e, por outro lado, também está envolvido positivamente ou negativamente na criação de invenções, que podem ajudar o homem ou prejudicá-lo. Para isso, a ciência nunca poderá abandonar enquanto fundamento de sua prática, a ética ou os valores que devem nortear a pesquisa científica, isto é, o respeito à natureza e jamais colocar em risco a dignidade da vida humana ou qualquer forma de vida.

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UNIDADE 2
TÉCNICAS DE ESTUDO
2.1 INTRODUÇÃO Esta segunda unidade é menos histórico-conceitual e mais prática, ou seja, nos voltaremos agora para os procedimentos científicos. Ela está dividida em cinco capítulos, nos quais procuramos oferecer alguns instrumentos e orientações para você organizar os seus estudos e realizar atividades que fazem parte do cotidiano acadêmico, como a leitura analítica, a prática de documentação pessoal e a realização de seminários. Para facilitar os estudos e a realização de pesquisas, oferecemos, ainda algumas dicas de utilização da rede mundial de computadores - a Internet, como fonte de pesquisa e listamos vários endereços de sites de revistas científicas, arquivos, bibliotecas virtuais, dentre outros.

Ao final, também apresentamos a estrutura de formatação de textos e de capa de trabalhos acadêmicos, pois a partir de agora você os utilizará muito, como exigência de avaliação das disciplinas que você cursará. Boa aula! Os autores 2.2 O MÉTODO DE ESTUDO Na graduação serão cursadas diversas disciplinas, que compõem o quadro curricular do seu curso. Você precisará de algumas orientações básicas para a compreensão das leituras, elaboração de atividades dentre outras tantas tarefas a serem realizadas. Esperamos, pois, que esta unidade possa lhe oferecer subsídios para o sucesso dos seus estudos. Para algumas pessoas, estudar consiste em estar matriculado em algum curso e assistir às aulas, sejam elas presenciais ou a distância. Porém, estudar é muito mais que isso: é aprender exercitando a inteligência, a memória, a vontade, a capacidade de análise, de síntese, de relacionar, etc. Neste capítulo, orientaremos você, para maior eficiência na organização dos seus estudos no curso de graduação, sugerindo caminhos que propiciarão um estudo mais eficiente, por meio de diferentes técnicas e métodos. Não se esqueça: não aprendemos sozinhos; a aprendizagem acontece através de mediações constantes. Como disse o grande educador brasileiro, Paulo Freire (1985), “estudar não é um ato de consumir idéias, mas criá-las e recriá-las”.

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Vamos começar? 2.2.1 O ato de estudar Estudar requer compreender quatro fatores: poder estudar, querer estudar, saber estudar, ter disciplina para estudar. Estes são fatores importantes para a aquisição e produção do conhecimento. Encontraremos acadêmicos que dedicam um tempo razoável para os estudos, utilizam os instrumentos adequados, e ainda assim, têm um resultado não satisfatório. Possivelmente, isto se deve ao fato de utilizar técnicas inadequadas de estudo. Além destes fatores, há também outros que são significativos, como o horário dedicado aos estudos. É preciso que este seja estabelecido e cumprido rigorosamente, para a execução das atividades, das revisões de conteúdo, para as leituras prévias e complementares, etc. Assim, elencamos algumas dicas para que você possa otimizar melhor o seu tempo:
? um local que seja apropriado à concentração dos preparar

estudos. Esse deve ser agradável, com pouco ou nenhum ruído;
? evitar passar de um conteúdo para outro sem a compreensão

do que foi revisto anteriormente;
? evitar estudar os conteúdos de última hora, somente próximo

às avaliações e exercícios;
? horário fixo para começar os estudos; definir um ? uma lista de dificuldades que poderão ser esclarecidas elaborar

PARA REFLETIR
“Ato de estudar significa aquilo que se faz para estudar. Estudar é um ato que deve ser assumido e direcionado por você” (JOHANN, 2002)

pelo professor ou tutor e solicitar ajuda;
? descanso de cinco minutos a cada uma hora de fazer um estudo concentrado. Isso evita o cansaço mental; ? a cada dia terminar as atividades programadas. Não acumular

conteúdos;
? evite decorar os conteúdos. Decorar sem compreensão não produz retenção; e ? dormir adequadamente. Não invada a madrugada procure

estudando, pois assim você estará prejudicando várias funções importantes do seu organismo. Vamos agora partir do seguinte pressuposto: são comuns observações de que um grande número de acadêmicos que chega às universidades não sabe avaliar a dimensão e a importância do que é o ato de estudar. Muitas vezes até se diz que alguns nem sabem estudar. Muitos, ainda, fixaram a sua prática estudantil em hábitos tradicionais, desenvolvendo um estudo meramente mecânico, memorizador e reprodutivo. Organizar a sua própria vida estudantil de maneira a ser mais

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eficiente e eficaz é condição para o sucesso da sua vida acadêmica. Estudar é uma atividade que se aprende, da mesma forma como aprendemos a andar, nadar, jogar bola, brincadeiras, andar de bicicleta, etc. O ato de estudar é uma ação transformadora e construtora de uma nova realidade. Você não deve fixar-se apenas no aprender a repetir e reproduzir o que os outros já disseram sobre o mundo, mas ir além, pois estudar é ação, é criação e recriação. Um texto escrito é apenas um instrumento mediador entre dois mundos – o mundo do leitor e o mundo do autor. É preciso, pois, ao ler, estabelecer um diálogo e este deverá ser direcionado pelos interesses e intenções do leitor. É você, que deverá estabelecer questionamentos e buscar respostas; problematizar o texto e formular juízos próprios. Em outras palavras, ao ler um texto, você precisa produzir o seu próprio texto. Assim, você será um sujeito e não objeto da leitura. É necessário ainda, ao iniciar uma leitura:
? os componentes desconhecidos do texto – utilizar estudar

PARA REFLETIR

O que é estudar? Qual a importância da leitura no ato de estudar? Você estuda só para fazer avaliações? Você estuda só no dia anterior às avaliações? Onde você estuda? Como você estuda? Como é que você costuma ler? Qual a relação entre Ler e Estudar?

sempre o dicionário; e
? a referência bibliográfica do texto - quem é o autor do verificar texto ou do livro; o título do texto ou da obra; ano da publicação e outras questões percebidas por você identificar o tipo do texto – se é científico, ou filosófico ou literário, ou teológico, etc. Isto facilita o entendimento das idéias que o autor quer transmitir.

2.2.2 Como estudar Um dos fatores que afeta a atenção e concentração no estudo é o ambiente. O ideal seria você reservar um local apropriado para os estudos e que este tenha uma boa iluminação, ventilação, todo o material necessário aos estudos, além de desligar tudo aquilo que possa desviar a sua atenção como televisão, rádio, som, jogos de computador, etc. Evitar ainda, ser interrompido por outras pessoas. Uma outra questão a ser observada refere-se à postura, quando for estudar. Escolha uma cadeira confortável e uma mesa com uma altura adequada, para que você não fique encurvado(a). Nunca estude deitado, pois o sono logo virá. A alimentação também é fator relevante para os estudos. Logicamente que, após uma feijoada ou outra comida pesada, você não terá tanta disposição para os estudos. Evite, portanto, estudar após certas refeições, pois o seu rendimento será menor. Não deixe que as sessões de estudo perturbem a sua alimentação. Respeite os horários destinados às refeições, pois a fome poderá atrapalhar o seu rendimento. E a música? Será uma boa idéia estudar ouvindo música? Bem,

DICAS

Antes de prosseguir... Pesquise sobre o que é um texto científico – o que é um texto filosófico – o que é um texto literário – o que é um texto teológico

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existem músicas mais suaves e músicas com letras e sons bem agitados. A instrumental é suave, não rouba muito a atenção do estudante. O silêncio ajuda, mas não é todo barulho que atrapalha. A concentração nos estudos é importante, pois mais vale uma hora de estudo concentrado do que várias horas de estudo dispersivo. Nada atrapalha mais os estudos do que começar e parar, começar e parar... Mesmo que você possua uma memória fantástica, ela pode falhar com o passar do tempo. Por isso, não podemos atribuir absoluta confiança a ela, imaginando que ela manterá arquivados eternamente os conhecimentos adquiridos. Um texto, um livro lido hoje poderá ser muito útil em outros tempos. Para isso você deverá criar hábitos, aprender técnicas e métodos de estudo, fazer anotações, fichamentos, resumos, resenhas das leituras que você realiza. 2.2.3 Etapas do estudo O estudo sintetiza quatro passos: Ler, Sublinhar, Esquematizar e Revisar. A seguir, uma síntese destes passos e na unidade seguinte alguns serão melhor explicitados:
? A leitura é o primeiro passo a ser seguido para uma boa

compreensão dos conteúdos. Antes você poderá fazer uma leitura rápida do assunto, verificar que questões poderão ser levantadas acerca do tema, explorar os desenhos, imagens ou gráficos existentes. Depois faça algumas perguntas para si mesmo, a fim de levantar o que você já sabe sobre o tema a ser tratado. Com isso, você estará relacionando os conhecimentos anteriores com os novos e aumentado a motivação, ao dar-se conta dos conteúdos que ainda faltam para serem apreendidos. Na seqüência, ler todo o texto para ter uma visão geral ou síntese inicial da lição;
? é o segundo passo. Sublinhe as idéias principais, as Sublinhar idéias secundárias, os exemplos dados, etc. Você poderá, se preferir, utilizar diferentes cores para tal procedimento; ? Esquematizar é o terceiro passo. Depois de sublinhar é preciso

ordenar as idéias principais e classificá-las segundo algum critério. Esquema não é resumo, é a parte menor do resumo;
? consiste em repetir mentalmente todas as idéias Revisar

sublinhadas e/ou esquematizadas. Faça isto quantas vezes for necessário, até ter a certeza que está dominando satisfatoriamente os conteúdos; Agora você está preparado para começar seus estudos! Bom estudo!

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2.3 LEITURA, ANÁLISE E INTERPRETAÇÃO DE TEXTO 2.3.1 A Leitura A leitura é de importância fundamental para a compreensão dos conteúdos das diversas disciplinas. Quem não sabe ler adequadamente não saberá resumir, esquematizar, fazer os apontamentos, e finalmente, não saberá estudar. Já fizemos uma reflexão sobre o ato de estudar; agora nosso desafio é pensar um pouco sobre a importância da leitura no ato de estudar. Para criar o hábito de leitura, reserve um tempo do seu dia para praticar. Para que isto dê certo, é preciso ser rigoroso, nada de dizer “ah, eu leio amanhã”. Lendo todos os dias, o ato passará a ser corriqueiro e com o tempo se tornará um hábito inadiável. Preocupe-se em manter um dicionário por perto, para poder consultar todas as palavras que não fazem sentido para você. Escreve bem quem lê muito e escreve melhor quem lê e escreve muito. Por isso é importante ao fazer qualquer tipo de leitura, você se pergunta: O que é ? Quem? Quando? Onde? Quais? Almeida (2002, p. 34) nos apresenta algumas vantagens do processo de leitura:
? o vocabulário; enriquece ? idéias; clareia as ? conhecimento da língua; amplia o ? aquisição de experiências; facilita a ? a nossa redação; e melhora ? fornece-nos soluções de problemas já resolvidos por outras

ATIVIDADES
O grande educador brasileiro Paulo Freire (1979, p. 9) ressalta que: “estudar seriamente um texto é estudar o estudo de quem, estudando, o escreveu. É perceber o condicionamento históricosociológico do conhecimento. É buscar as relações entre o conteúdo em estudo e outras dimensões afins do conhecimento. Estudar é uma forma de reinventar, de recriar, de reescrever – tarefa de sujeito e não de objeto. Desta maneira não é possível a quem estuda, numa tal perspectiva, alienar-se ao texto, renunciando assim à sua atitude crítica em face dele”. Você concorda com o educador? Vá ao Fórum de Discussão e comente com seus colegas.

pessoas.
? a inteligência; desperta ? ativa a imaginação; e ? aperfeiçoa a cultura.

A leitura é um processo que se constitui da:

? das palavras; identificação ? do pensamento do autor; interpretação ? do texto; compreensão ?idéias; fixação das ? das idéias; e reprodução ?de novas idéias. construção
O Almeida identifica ainda algumas características dos bons e maus leitores.
? - concentra-se nas palavras. Mau leitor

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? Bom leitor- concentra-se nas idéias. ? Mau leitor- acompanha a leitura com o movimento dos lábios. ? - não move os lábios. Bom leitor

GLOSSÁRIO

B GC
E

? - move a cabeça à medida que lê. Mau leitor ? Bom leitor- só move os olhos. ? Mau leitor- lê com o corpo em posição desconfortável; ? - lê com o corpo na posição correta. Bom leitor ? - não tem expectativa quanto à leitura. Mau leitor ? - pensa no que espera do livro. Bom leitor ? - volta com freqüência ao início do livro, da leitura. Mau leitor ? - lê sempre para frente. Bom leitor ? - não faz leitura de reconhecimento. Mau leitor ? Bom leitor- folheia o livro para decidir se vale a pena lê-lo. ? Mau leitor- não se importa com as palavras cujo significado desconhece. ? Bom leitor - procura no dicionário o significado das palavras

A

F

Ler: para Lakatos e Marconi (2001, p. 19) significa conhecer, interpretar, decifrar, distinguir os elementos mais importantes dos secundários e, optando pelos mais representativos e sugestivos, utilizá-los como fonte de novas idéias e do saber, através dos processos de busca, crítica, assimilação, retenção, verificação e integração do conhecimento.

que desconhece.
? - o objetivo é chegar ao final do livro rapidamente. Mau leitor ? - o objetivo é tirar proveito da leitura. Bom leitor ? Mau leitor- lê apressadamente. ? - lê com calma. Bom leitor ? - não examina o livro. Mau leitor ? Bom leitor – examina o prefácio do livro, o índice e a orelha do

livro. Lê com calma. 2.3.2 Sublinhar um texto Ao ler um texto, você deverá fazer apontamentos e grifos das idéias principais e das palavras-chave de cada parágrafo. Isto pode ser feito sublinhando o texto ou fazendo anotações nas margens. Esta prática se torna produtiva, porque se separam as argumentações principais das secundárias e, com isto, você registrará suas próprias observações. Sublinhar é uma técnica muito utilizada pelos leitores. No entanto recomenda-se nunca sublinhar um texto na primeira leitura, pois a primeira leitura servirá para tomar conhecimento geral sobre o texto. A segunda leitura deverá ser mais apurada em busca de sinalizar as idéias principais e secundárias. Quanto às anotações de margem, é importante que você crie um código de sinais, que indique a sua maneira pessoal de realizar o

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entendimento e questionamento do texto. Indicamos no quadro abaixo algumas sugestões de sinais que você poderá utilizar. Sinais para Anotações de Margem
Tabela 1: Sinais para anotações de margem
SINAL

? = + *

SIGNIFICADO quando a argumentação do autor não ficou clara para você. Quando a argumentação do autor coincidir com a sua Quando você perceber que poderá acrescentar observações de outras leituras sobre o mesmo tema por autores diferentes Quando se tratar de uma citação importante que você deseja transcrever em algum trabalho.

É importante sublinhar as idéias principais, as idéias secundárias, os exemplos dados, etc. Você poderá, se preferir, utilizar diferentes cores para tal procedimento. Sabemos que sublinhar um texto requer algumas habilidades, algumas técnicas que nem sempre são bem compreendidas. Temos percebido a existência de acadêmicos que sublinham seus livros e textos na íntegra e se orgulham disso. Existe o sublinhar correto e o sublinhar incorreto. Antes de sublinhar qualquer texto é necessário ter um primeiro contato com a leitura e questioná-la, procurando decifrar as principais idéias. Utilize sinais e códigos pessoais para “conversar com a leitura”, sempre à margem do texto, correspondendo a um apontamento provisório. Só depois de bem entendido o texto, é que você deverá sublinhá-lo, evitando assim, o preenchimento de traçados em todo o texto ou mesmo parágrafo. Isto porque, ao sublinhar uma frase inteira ou um parágrafo inteiro, além de sobrecarregar a memória e o aspecto visual, corre-se o risco de, ao resumir, reproduzir as frases do autor, sem evidenciar as idéias principais, visto que o resumo deve ser a condensação de idéias, não de frases ou palavras.
? Andrade (2001, p. 26), a técnica de sublinhar pode segundo

ser desenvolvida a partir dos seguintes procedimentos:
? leitura integral do texto, para tomada de contato; ? esclarecimento de dúvidas de vocabulário, termos técnicos e

outras;
? do texto, para identificar as idéias principais; releitura ? grifo, em cada parágrafo, as palavras que contêm a idéia-

núcleo e os detalhes mais importantes;
? sinalização com uma linha vertical, à margem do texto, os

tópicos mais importantes;

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? colocação, à margem do texto, de um ponto de interrogação,

para os casos de discordância, as passagens obscuras, os argumentos discutíveis;
? que foi sublinhado, para verificar se há sentido; e leitura do ? reconstrução do texto, em forma de esquema ou de resumo,

tomando as palavras sublinhadas como base. 2.3.3 Como elaborar um esquema Um esquema bem elaborado requer algumas orientações, para que este corresponda realmente a um “esqueleto” do texto, ou seja, contenha palavras-chave, sem a necessidade de apresentar frases prontas retiradas do texto. Corresponde a parte inicial de um resumo, onde estarão contempladas determinadas idéias, com o objetivo de melhor memorização do conteúdo integral do texto. Para isto, deve-se utilizar: setas, chaves, linhas retas ou curvas colchetes, símbolos diversos, dependendo da sua própria escolha. As setas, por exemplo, são utilizadas quando há uma relação entre a palavra (idéia) do ponto de partida e as palavras (idéias) que são apontadas. As chaves são utilizadas para ordenar diversos itens. Salomon (1991, p. 85) ressalta que um esquema é considerado realmente útil, quando apresenta as seguintes características: a) Fidelidade ao texto original – deve conter as idéias do autor, sem alterações, mesmo quando se usar as próprias palavras para reproduzir as do autor. Por isso, em alguns momentos, é preciso transcrever e citar a página; b) estrutura lógica do assunto – após levantamento da idéia principal, e dos detalhes importantes, é possível elaborar uma organização dessas idéias a partir das mais importantes para as conseqüentes. No esquema, haverá lugar para os devidos destaques. c) adequação ao assunto estudado e funcionalidade – o esquema útil é flexível. Adapta-se ao tipo de conteúdo que se estuda. Um assunto mais profundo, mais rico de informações e detalhes importantes possibilitará uma forma de esquema com maiores indicações. Assunto menos profundo, mais simples, terá no esquema apenas indicações-chave. É diferente um esquema em função de revisão para exame e outro em função de uma aula a ser dada. d) utilidade de seu emprego – conseqüência da característica anterior: o esquema deve ajudar e não atrapalhar. Tratando-se de esquema em função de revisão, para o estudo para as avaliações, é diferente daquele que elaboramos a partir de uma aula assistida. e) cunho pessoal – cada um faz o esquema de acordo com suas tendências, hábitos, recursos e experiências pessoais. Por isso, é que um esquema de uma pessoa raramente é útil para outra. Uns preferem o

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esquema rigidamente lógico, outros o cronológico ou na disposição das idéias. Alguns usam recursos gráficos, de visualização da imagem mental (tinta de cor, desenhos, símbolos, etc.), outros já preferem empregar só palavras. Veja o modelo abaixo:
Na psicanálise freudiana muito comportamento criador, especialmente nas artes, é substituto e continuação do folguedo da infância. Como a criança se exprime em jogos e fantasias, o adulto criativo o faz escrevendo ou, conforme o caso, pintando. Além disso, muito do material de que ele se vale para resolver seu conflito inconsciente, material que se torna substância de sua produção criadora, tende a ser obtido das experiências da infância. Assim, um evento comum pode impressioná-lo de tal modo que desperte a lembrança de alguma experiência anterior. Essa lembrança por sua vez promove um desejo, que se realiza no escrever e no pintar. A relação da criatividade com o folguedo infantil atinge máxima clareza, talvez, no prazer que a pessoa criativa manifesta em jogar com idéias, livremente, em seu hábito de explorar idéias e situações pela simples alegria de ver aonde elas podem levar” (Kneller, 1976 apud Andrade, 2001, p. 32).

Observe um possível esquema do texto apresentado:

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Psicanálise Freudiana

Comportamento Criador do adulto

Continuação do folguedo da infância

A criança exprime em jogos e fantasias

O adulto na escrita, no desenho e/ou na pintura

O adulto utiliza, para solucionar seus conflitos, experiências da infância

As lembranças da infância promovem desejos de escrever ou pintar

O adulto, então, brinca com as idéias, cria livremente

Observe outras possibilidades de elaboração de esquemas. Escolha uma destas possibilidades e faça o seu esquema a partir do texto apresentado.

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Ciências Sociais

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2.3.4 O Resumo Assim como o esquema, o resumo também possui algumas especificidades. Você deverá ter o cuidado para não copiar simplesmente partes do texto e considerá-lo como um resumo. A técnica de resumir difere, no modo de redigir, por exemplo, de um livro, de um texto, de um parágrafo ou de um capítulo. Um resumo bem elaborado deve conter apresentação clara do assunto da obra; não apresentar juízos críticos ou comentários pessoais; respeitar a ordem das idéias e fatos apresentados; empregar linguagem clara e objetiva; evitar a transcrição de frases do original; apontar as conclusões do autor; dispensar a consulta ao original para a compreensão do assunto. 2.3.4.1 Tipos de Resumo Segundo Andrade (2001, p. 29-30), os resumos podem ser classificados da seguinte maneira:
? descritivo ou indicativo: nesse tipo de resumo, resumo descrevem-se os principais tópicos do texto original, e indicam-se sucintamente seus conteúdos. Portanto, não dispensa a leitura do texto original para a compreensão do assunto. Quanto a extensão, não deve ultrapassar quinze ou vinte linhas; utilizam-se frases curtas que,

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geralmente, correspondem a cada elemento fundamental do texto; porém, o resumo descritivo não deve limitar-se à enumeração pura e simples das partes do trabalho;
?informativo ou analítico: é o tipo de resumo que reduz o resumo

texto a 1/3 ou 1/4 do original, abolindo-se gráficos, citações, exemplificações abundantes, mantendo-se, porém, as idéias principais. Não são permitidas as opiniões pessoais do autor do resumo. O resumo informativo, que é o mais solicitado nos cursos de graduação, deve dispensar a leitura do texto original para o conhecimento do assunto;
? crítico: consiste na condensação do texto original a 1/3 resumo

ou 1/4 de sua extensão, mantendo as idéias fundamentais, mas permite opiniões e comentários do autor do resumo. Tal como o resumo informativo, dispensa a leitura do original para a compreensão do assunto; e
? (em inglês, synopsis ou summary); em francês, sinopse:

DICAS

resume d'auteur) neste tipo de resumo indica-se o tema ou assunto da obra e suas partes principais. Trata-se de um resumo bem curto, elaborado apenas pelo autor da obra ou por seus editores. Evidentemente, que você irá deparar com diferentes tipos de resumos na universidade e em conseqüência necessitará de conhecimentos específicos de como fazê-los. A técnica de resumir difere, no modo de redigir, quando se trata de um texto menor ou de um capítulo ou mesmo de um livro inteiro. Para cada um destes tipos existem regras específicas que facilitarão o seu trabalho. Resumos de Parágrafos e Capítulos Para estes dois tipos você poderá utilizar a técnica de sublinhar e redigir o seu resumo pela organização das frases, baseando-se nas palavras sublinhadas e mantendo sempre a ordem dos fatos e idéias apresentadas pelo autor. Quando o parágrafo ou capítulo do livro for mais complexo e você sentir dificuldade em resumí-los, sugerimos que faça primeiro um esquema com as palavras sublinhadas. É importante salientar que se você exercitar bastante a técnica de resumir parágrafos, desenvolverá habilidades para resumir capítulos e obras inteiras. Veja um exemplo de como sublinhar um parágrafo:
Na psicanálise freudiana muito comportamento criador, especialmente nas artes, é substituto e continuação do folguedo da infância. Como a criança se exprime em jogos e fantasias, o adulto criativo o faz escrevendo ou, conforme o caso, pintando. Além disso, muito do material de que ele se vale para resolver seu conflito inconsciente, material que se torna substância de sua produção criadora, tende a ser obtido das experiências da infância.

Um bom resumo deve ter: a) Brevidade – um bom resumo não deve ultrapassar um quarto do original. b) Clareza – idéias apresentadas sem confusão ou ambigüidade. c) Rigor – reprodução das idéias sem erros ou deformações. d) Originalidade – utilização de linguagem original, própria de cada leitor, mas transmitindo o ponto de vista do autor – resumir não é comentar. e) Aprender a resumir é fundamental para comunicar o que sabemos, com rapidez e eficiência.

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Ciências Sociais

Caderno Didático I - 1º Período

Assim, um evento comum pode impressioná-lo de tal modo que desperte a lembrança de alguma experiência anterior. Essa lembrança por sua vez promove um desejo, que se realiza no escrever e no pintar. A relação da criatividade com o folguedo infantil atinge máxima clareza, talvez, no prazer que a pessoa criativa manifesta em jogar com idéias, livremente, em seu hábito de explorar idéias e situações pela simples alegria de ver aonde elas podem levar (Kneller, 1976 apud Andrade,2001, p. 32).

ATIVIDADES
Agora você irá praticar o que aprendeu. Utilizando as orientações apresentadas nesse texto, leia, sublinhe e analise o artigo “Michel Foucault e a educação: o investimento político do corpo”. Este artigo de autoria de Alex Fabiano Correia Jardim, foi publicado na revista Unimontes Científica, v.8, n.2 e está disponível no site www.ruc.unimontes.br. A revista também se encontra em todas as bibliotecas da Unimontes. Após a compreensão do artigo, elabore um esquema do mesmo e envie para o professor formador.

Agora, de posse deste parágrafo já sublinhado você pode fazer o resumo do mesmo.

2.4 A PRÁTICA DE DOCUMENTAÇÃO PESSOAL Temos presenciado a crescente expansão da era da informação, que atinge uma velocidade surpreendente, principalmente a partir da informática e da Internet. Cresce também, a necessidade da informação precisa no lugar e no momento adequados. Daí a importância cada vez maior das práticas de documentação pessoal, que além de armazenar informações que estarão disponíveis sempre que precisar, constituem também uma forma de estudar, apreender e fixar conteúdos. Tais práticas são essenciais, sobretudo para vocês, acadêmicos de graduação, em especial para os que irão desenvolver monografias, trabalhos de conclusão de curso ou relatórios de iniciação científica. São muitos os livros e textos lidos, idéias e autores estudados, que necessitam serem revistos para utilização em trabalhos ou em atividades posteriores. Portanto, a documentação deve ser uma prática constante em sua vida acadêmica. Segundo Salomon, “a documentação pessoal é uma conseqüência das atividades intelectuais de quem determinou sua especialização e de todo aquele que, mesmo sem a intenção de ser enciclopédico, procura estar em dia com as produções do pensamento humano” (SALOMON,1999, p. 123). Constitui material para documentação, tudo o que você julgar importante em função dos seus estudos ou da sua futura vida profissional. Assim, aconselhamos documentar as leituras (de livros, artigos, apostilas, dentre outras), as aulas, os trabalhos de grupos de estudos, seminários, conferências etc. É fundamental que você se convença da necessidade e da utilidade da prática de documentação pessoal, tornando-a uma rotina em sua vida de estudos. Para tanto, é preciso criar um conjunto de técnicas para organizá-la. Por se tratar de um método pessoal de estudos e de arquivar informações, leve em consideração a forma mais funcional e conveniente para você. Neste sentido, apresentamos a seguir algumas orientações gerais de procedimentos para organização da documentação.

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Iniciação Científica

Unimontes/UAB

2.4.1 Formas de documentação Uma das técnicas mais eficazes de documentação pessoal é o fichamento. Ele permite não apenas fixar conteúdos, armazenar informações e localizar fontes, como também dispensar a releitura de um texto ou livro anteriormente estudado. Os fichamentos podem ser por temática de interesse do aluno, por disciplinas, por autor, dentre outros tipos. O fichamento temático objetiva coletar e arquivar informações importantes para o estudo em geral ou para o desenvolvimento, dentro de uma determinada área, de um trabalho específico como a monografia, o trabalho de conclusão de curso e a realização de um seminário (sobre este assunto conferir o texto seguinte deste caderno). As informações a serem transcritas não se restringem àquelas retiradas de leituras de textos e livros, mas também de palestras, conferências, aulas, seminários, filmes, fontes primárias, etc., ou seja, toda informação pertinente ao desenvolvimento do trabalho ou de projetos futuros, inclusive suas idéias pessoais, para que essas não se percam com o passar do tempo. Esse tipo de fichamento é feito seguindo um plano sistemático que deve conter o tema e os subtemas do trabalho. As fichas devem ter um cabeçalho contendo o título geral (que corresponde ao tema), o subtítulo (que corresponde ao subtema), a referência bibliográfica, e, se forem mais de uma do mesmo tema, devem ser numeradas (ex. 1, 2, 3 ou A, B, C). Aconselhamos separar o cabeçalho com um traço, conforme o exemplo da tabela 2.
Tabela 2: Modelo de cabeçalho para fichamento temático

I- TÉCNICAS DE ESTUDO 1- A prática de documentação pessoal A

MARCONI, A M. e LAKATOS, E.M. Fichas. In: ___ Metodologia do Trabalho Científico. São Paulo: Atlas, 2001, p. 51-67.

O fichamento bibliográfico também deve ser organizado dentro de uma área temática, a diferença é que a ficha se restringirá à uma obra específica, seja um livro, um texto, um artigo, capítulo de livro, etc. Ele se constitui, dessa forma, em um acervo bibliográfico e de informações sobre um determinado assunto dentro de uma área do conhecimento. Aconselhamos que você crie o hábito de fazer esse tipo de ficha cotidianamente, à medida que você tenha contato com as leituras relativas ao seu curso. O conteúdo desta ficha pode ser um resumo geral do texto, uma síntese dos principais argumentos do autor – indicando

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preferencialmente o número das páginas onde se encontram – ou ainda pode ser por tópicos e citações. Este mesmo procedimento você pode utilizar no fichamento por autor, no entanto, neste último, a organização não seguirá uma temática, mas as obras do autor. Veja o exemplo na tabela 3.
Tabela 3: Modelo de Fichas por autor

I- MICHEL FOUCAULT 1- História da Sexualidade FOUCAULT, M. História da sexualidade, v.1 Janeiro: Graal, 1998. A . Rio de

Outra forma de organização da sua documentação é seguindo a estrutura curricular do seu curso. Neste caso, você deve organizar suas fichas conforme as disciplinas. Por exemplo, todos os textos da disciplina “Iniciação Científica” constituirão um subtema da ficha, que terá como tema geral o título desta disciplina, conforme a figura 6.

Tabela 4: Modelo de fichas por disciplina

I- INICIAÇÃO CIENTÍFICA 1- Tipos de conhecimentos CADERNO DIDÁTICO da disciplina Iniciação Científica. Montes Claros: UAB/Unimontes, 2008. A

2.4.2 Conteúdo das Fichas Conforme já sugerimos, o conteúdo das fichas pode ser: um resumo geral do texto, palestra, aula, etc.; uma transcrição dos principais argumentos desenvolvidos pelo autor; um comentário ou interpretação crítica pessoal sobre as idéias do texto; ou de citações. Este último, consiste na reprodução literal de frases ou sentenças que você considere relevante para seu estudo. Neste caso, utilize os procedimentos para citação como a utilização de aspas e reticências quando suprimido alguma palavra ou frase. Délcio Salomon (1999) sugere um modelo de conteúdo de fichas, que consideramos o mais adequado, uma vez que permite utilizar-se de resumo, transcrições, anotações e pontos de vista do leitor, que não são do autor. Para isso, ele sugere a utilização de códigos a fim de identificar a natureza desse material todo. Ex.:

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Iniciação Científica

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(“...”) para citação ( * ) para designar resumo ( // ) para indicar que se trata de idéias pessoais e não do livro, etc. Apresentamos na figura 4, um modelo de ficha, utilizando as indicações de Salomon. Neste modelo, sugerimos utilizar somente os códigos para idéias pessoais (//) e para citação (“...”), pois consideramos não ser necessário a utilização de código para resumo uma vez que o fichamento já indica isso. Sugerimos que você adote este modelo para a sua documentação pessoal.
Tabela 5: Modelo de conteúdo de fichas lado A e lado B
I

– TÉCNICAS DE ESTUDOS
1- A Prática de documentação pessoal 1.1- Conteúdo das fichas A

MARCONI, A M. e LAKATOS, E.M. Fichas. In: ___ Metodologia do Trabalho Científico. São Paulo: Atlas, 2001, p. 51-67. FICHA BIBLIOGRÁFICA: Refere-se: campo do saber que é abordado, problemas, conclusões alcançadas, contribuições em relação ao assunto, as fontes dos dados, métodos de abordagem, procedimentos utilizados modalidade empregada , recursos ilustrativos. FICHA DE CITAÇÕES: Reprodução fiel de frases ou sentenças consideradas relevantes ao estudo em pauta. FICHA DE RESUMO OU DE CONTEÚDO: “Apresenta uma síntese bem clara e concisa das idéias principais do autor ou um resumo dos aspectos essenciais da obra” (p.60).
I – TÉCNICAS DE ESTUDOS

DICAS

Se você deseja ver outros exemplos e formas de elaboração de fichamento consulte as seguintes obras: SEVERINO, A. J. Metodologia do Trabalho Científico. 21 ed. São Paulo: Cortez, 2000. MARCONI, A M. e LAKATOS, E.M. Fichas. In: ___ Metodologia do Trabalho Científico. São Paulo: Atlas, 2001, p. 5167.

1- A Prática de documentação pessoal 1.1- Conteúdo das fichas

B

FICHA DE ESBOÇO: Refere-se a apresentação de forma mais detalhada da principais idéias expressas pelo autor é a mais extensa e detalhada das fichas, a síntese das idéias é realizada quase que de página a página exige indicação das páginas à esquerda da ficha. FICHA DE COMENTÁRIO OU ANALÍTICA: “Consiste na explicação ou interpretação crítica pessoal das idéias expressas pelo autor” (p.61). Pode apresentar: Comentário sobre aspectos metodológicos, análise crítica do conteúdo, interpretação de um texto, comparação da obra com outros trabalhos sobre o mesmo tema, explicação da importância da obra para o estudo em pauta. // estes modelos de fichas são mais indicados para acadêmicos em fase de elaboração de monografia//

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Ciências Sociais

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Ao fazer um fichamento você deve ainda:
? ser breve; ?expressões tais como: “segundo o autor”, “o autor evitar disse”, “a seguir”, “este livro”, etc; ? transcrever com fidelidade nome do autor, título da obra,

página, o texto, et;.
? utilizar verbos ativos (critica, define, etc.); ? evitar repetições desnecessárias; e ? padronizar o tamanho das fichas.

2.4.3 Confecção das fichas e materiais diversos O tamanho do papel para o fichamento fica a critério de cada um. Pode-se utilizar fichas, encontradas nas papelarias ou confeccionadas, nos tamanhos 20 X 12,5 cm, 20 X 25 cm ou 25 X 15 cm, podendo utilizar seus dois lados (ver figura 5). Neste caso as fichas podem ser guardadas em fichários organizados por assuntos, áreas de interesse, por autores ou por ordem alfabética também fica a critério de cada um. Podem também serem feitas em papel de diversos tamanhos como o A4, mais comum, utilizando-se somente um lado do papel. Neste caso, as fichas podem ser guardadas em pastas-arquivos, classificadores ou caixas de arquivos. Se você possui um computador de uso pessoal, principalmente um leptop, você tem a opção também de fazer o seu fichamento diretamente em um editor de textos e arquivá-los conforme o sistema de pastas e diretórios. Neste caso, basta você fazer um arquivo para cada fichamento e salva-lo em uma pasta que pode ser uma temática, uma disciplina ou um autor, veja o exemplo da figura 8.

GLOSSÁRIO

B GC
E

A

F

Seminário: vem do latim, seminariu, que significa “viveiro de plantas onde se fazem sementeiras. Nesse sentido o seminário constitui na ocasião de semear e germinar idéias. Seminário significa também um congresso científico e cultural mais amplo que reúne um grande número de especialista de uma determinada área (Dicionário Aurélio – Século XXI)

Figura 5: Modelo de ficha encontrada em papelarias

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2.5 O SEMINÁRIO COMO TÉCNICA DE ESTUDO

ATIVIDADES
No capítulo anterior você aprendeu técnicas para leitura, análise e interpretação de texto. Utilizando as orientações sobre a prática de documentação pessoal, faça um fichamento do texto “Michel Foucault e a educação: o investimento político do corpo” que você já leu, analisou e interpretou. Este texto de autoria de Alex Fabiano Correia Jardim, foi publicado na revista Unimontes Científica, v.8. n.2, e está disponível no site www.ruc.unimontes.br ou em todas as bibliotecas da Unimontes. Você poderá fazer seu fichamento em papel A4, ou na ficha que você adquire em qualquer papelaria. Se preferir, você pode também confeccionar sua própria ficha, utilizando-se de uma cartolina. Bom trabalho!

2.5.1 Definição Outra técnica de estudo que fará parte do seu cotidiano acadêmico é o seminário. Em sentido geral, o seminário é definido como um grupo de estudos em que se expõe e debate um ou mais temas apresentados por um aluno ou grupo de acadêmicos sob a orientação e coordenação do professor responsável pela disciplina. Essa é uma técnica de estudos que envolve a pesquisa, a análise e exposição sistemática dos conteúdos estudados e o debate aprofundado sobre um tema. Neste sentido, o seminário objetiva muito mais a formação do aluno do que a mera informação. Ilma Passos Alencastro Veiga também entende o seminário como uma técnica de ensino socializado, já que
“o conhecimento a ser assimilado, reelaborado e até mesmo produzido, não é 'transmitido pelo professor', mas é estudado e investigado pelo próprio aluno, pois este é visto como sujeito de seu processo de aprender” (Veiga, 1991, p. 110).

Não se trata, portanto, de uma aula expositiva dada pelos acadêmicos. O professor deve ser parte ativa do processo, cabendo a ele sugerir o tema, indicar bibliografias, aprofundar o assunto, estabelecer relações, provocar o debate, encaminhar as conclusões e fazer a síntese final. O seminário, como uma técnica de estudo, foi criado originalmente para ser desenvolvido em sala de aula presencial, estimulando o ambiente crítico e participativo. Acreditamos, no entanto, ser possível adaptar tal técnica para ambientes de aprendizagem virtual, assim como, para vídeo-conferência. Nos ambientes virtuais, a exposição – texto verbalizado – pode ser substituída pelo texto escrito. Nesse sentido, o sucesso do seminário dependerá do envolvimento e comprometimento de todos os participantes na leitura do texto – construído de forma coletiva por cada grupo – e no debate, que pode ser feito no chat ou fórum de discussão. 2.5.2 Objetivos Dentre os objetivos do seminário, podemos destacar:
? aprofundamento da discussão de um tema ou problema dentro de uma área do conhecimento; ? debate em profundidade de um texto específico da estudo e

disciplina;

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? cooperativo em sala de aula ou no ambiente virtual; trabalho ?crítico sobre um ou mais temas; diálogo ? incentivo a ter participação no processo de ensinoaprendizagem; trabalho em grupo e com autonomia; e ? a pesquisa. estimulo

A apresentação do seminário, constitui-se também um excelente momento para você aprender a sistematizar informações e a expor idéias. No caso de ser realizado em ambiente virtual de aprendizagem, podemos utilizar a mesma estrutura de organização do seminário presencial. No entanto, os resultados da pesquisa e discussão do grupo não será exposto verbalmente, mas através de um texto construído coletivamente pelo grupo, a partir da pesquisa realizada, análise e interpretação das leituras feitas. O fórum de discussão permite que, após a leitura, todos possam interagir dialogicamente e participar do debate, apresentando as questões e problemas suscitados pelo texto-base. 2.5.3 Estrutura e organização O seminário é composto por um coordenador, geralmente o professor da disciplina e o/os expositor/es, que pode ser um ou todos os membros do seu grupo. No caso de um seminário em ambiente virtual, os expositores são todos os membros do grupo, responsáveis pela elaboração do texto-base, a partir do qual, se desenvolverá o debate. Um secretário, que é o/a estudante responsável pela anotação ou relatório das conclusões parciais e finais do seminário; um comentador, escolhido pelo professor entre os colegas da turma para comentar criticamente a discussão e resultados apresentados pelos expositores, antes do debate dos demais participantes. O comentador poderá ser também, preferencialmente, um especialista do tema, externo à turma, especialmente convidado para esta função. Se o seminário for realizado através de vídeo-conferência, podemos utilizar os mesmos procedimentos de uma sala de aula presencial. O professor coordenador tem como função:
? os objetivos e finalidades do seminário; explicitar ?na formação dos grupos; auxiliar ? o texto ou tema objeto do estudo, pesquisa e indicar apresentação de cada grupo; ? recomendar, no caso de um seminário temático, a bibliografia

básica e complementar a ser estudada pelo grupo;
? o grupo na busca das fontes de consulta, na orientar elaboração do texto-roteiro ou do texto-base – a ser disponibilizado nos casos em que o seminário for realizado em ambiente virtual; ? o calendário de apresentação dos trabalhos e o elaborar cronograma das atividades que precedem a apresentação;

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? ou convidar o comentador/a; e escolher ? coordenar e estimular o debate.

A vocês acadêmicos, divididos em grupo, cabe:
? os subtemas dentro do tema indicado pelo professor selecionar e pesquisá-los. No caso de um seminário sobre um texto específico, vocês deverão fazer o levantamento de dados que facilitem a compreensão do texto, como informações sobre o autor, as circunstâncias de escrita do texto, as filiações em correntes de pensamento do autor, dentre outros dados; ? e estudar em profundidade a bibliografia ou texto ler, fichar indicado pelo professor; ? o texto-roteiro da exposição do trabalho ou o textoelaborar

base a ser apresentado e que deverá ser lido pelos demais colegas da turma;
? entre vocês, os membros, o/os expositor/es e o/a escolher,

secretário/a; e
? providenciar os recursos didáticos que desejam utilizar na apresentação, tais como retroprojetor, data-show, etc.

2.5.4 O texto-roteiro O texto-roteiro é utilizado nos seminários presenciais. Ele é seu instrumento de trabalho e conforme ressaltam Lakatos e Marconi (2001, p. 34), “deve expressar o apreendido, isto é, aquilo que se presta à aprendizagem ou se apresenta como um apontamento didático para a consulta” e auxílio na exposição. O texto-roteiro não é um resumo ou síntese da pesquisa e estudo realizado, nem a transposição do sumário do texto ou livro estudado, mas tópicos que indiquem, numa seqüência, os assuntos que serão abordados na apresentação. O texto-roteiro deve conter:
? trabalho; título do ? introdução: apresentação da temática e objetivo do trabalho, a

metodologia utilizada na sua preparação; apresentação dos/as expositores/as e do/a secretário/a, por ordem de fala, estrutura geral da apresentação;
? desenvolvimento: através de tópicos ou pequenas citações que

indiquem os assuntos a serem abordados na apresentação e o planejamento do grupo. Os tópicos auxiliam o expositor e permite que os demais participantes acompanhem o caminho percorrido pela exposição;
? conclusão: síntese, fechamento das exposições, estabelecendo as relações entre uma fala e outra – pode ser apenas indicada no roteiro e feita verbalmente; ? Bibliografia: relação completa das obras utilizadas na pesquisa e elaboração do trabalho apresentado;

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? integrantes do grupo; e Nome dos ? realização do seminário. Data de

DICAS

Cada participante do seminário deverá receber uma cópia impressa do roteiro. Antônio Joaquim Severino (2001), por sua vez, sugere um texto-roteiro mais detalhado e que deve ser disponibilizado previamente aos participantes para que estes possam estudá-lo mais profundamente a fim de participar da discussão. Sobre esta discussão consulte: SEVERINO, A. J. Metodologia do Trabalho Científico. 21. ed. São Paulo: Cortez, 2000, p. 6372.

Fonte: Arquivo pessoal Luana Balieiro

Figura 6: Seminário Patrimônio Histórico de Montes Claros realizado pelos acadêmicos do 1º período de História/ 2006, como atividade da prática de articulação das disciplinas História da Arte e Metodologia Científica.

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Fonte: Arquivo pessoal Cláudia Maia

Figura 7: Modelo de roteiro de seminário

2.5.5 O texto-base O texto-base pode ser utilizado em seminários realizados nos ambientes virtuais. Sugerimos a utilização da ferramenta constante na Plataforma Moodle – o WIKI, que é a produção coletiva de textos, atividade muito interessante e que conduzirá você e seu grupo a participar de forma ativa. O texto-base é o principal material do seminário, pois será a partir dele, que se desenvolverá a discussão e o debate. Ele se constitui no resultado escrito da pesquisa sistemática, estudo e preparação prolongada

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realizado pelo seu grupo, por isto, deverá ser construído coletivamente. Sua estrutura poderá seguir a mesma seqüência do texto-roteiro, a diferença está no desenvolvimento. Vocês não apenas indicarão tópicos, mas deverão dissertar sobre eles. Ou seja, o que seria falado no seminário presencial, será escrito no seminário virtual:
? título; ? introdução: apresentação do objetivo e da temática do

seminário; breve visão de conjunto dos resultados da pesquisa e estudo realizado; esquema geral do texto, ora apresentado, ou seja, sua estrutura redacional;
? desenvolvimento: subdivide-se em tópicos ou títulos, seguido

da apresentação/dissertação aprofundada sobre o assunto escolhido, indicando com quais autores estão dialogando, ou seja, os autores consultados para elaboração do trabalho, e apontando para problematizações que podem levantar questões importantes no debate que seguirá;
? conclusão: síntese, fechamento das exposições, estabelecendo as relações entre uma fala e outra; ? bibliografia: relação completa das obras utilizadas na pesquisa

e na elaboração do trabalho apresentado;
? integrantes do grupo; e Nome dos ? realização do seminário. Data de

O texto-base deverá ser disponibilizado previamente aos demais participantes, conforme o cronograma estabelecido pelo professor coordenador, para que todos possam lê-lo, estudá-lo e formular suas questões, dúvidas e apontamentos. No cronograma, o coordenador também deverá estipular o prazo para a leitura de todos os participantes, para a postagem das observações do comentador e questões, dúvidas e comentários dos demais participantes. O debate também, poderá ser feito por chat. Nesse caso, o coordenador deverá estabelecer no cronograma o dia e o horário. O papel do coordenador será fundamental, pois ele deverá instalar o diálogo crítico, procurando coletivizar as questões suscitadas, estimular a participação de todos na leitura e no debate. É importante que você se coloque em uma postura ativa e não de mero ouvinte, pois você juntamente com seus colegas terão uma parcela de contribuição no decorrer das atividades. 2.5.6 Apresentação e duração No dia da apresentação do seminário, o coordenador convida os expositores para compor a mesa dos trabalhos, situada à frente da sala ou auditório, informa a dinâmica das apresentações e o tempo de cada exposição. O tempo de duração do seminário presencial em geral é o mesmo

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Iniciação Científica

Unimontes/UAB

tempo das aulas, cerca de 2 horários ou 4 horários, dependendo do tema a ser abordado e da quantidade de grupos. O coordenador deverá estipular e controlar o tempo de cada expositor, o tempo do comentador, o tempo total para o debate, que em geral, é feito após todas as exposições. Ao final, o coordenador fará a síntese das discussões e encaminhará a avaliação. No seminário realizado em ambiente virtual, sugerimos que o tempo total para a disponibilização e leitura do texto, os comentários e realização do debate não dure mais do que uma semana. 2.5.7 Avaliação Ao final do seminário é fundamental uma avaliação de todo o processo. Nessa avaliação, deverão ser observados aspectos como: envolvimento e participação de todos; planejamento e cronograma das atividades, qualidade da pesquisa realizada pelos grupos e a exposição, participação no debate e os resultados dos estudos realizados. A avaliação é sempre importante para verificar os avanços do grupo, assim como para melhorar os aspectos deficitários e levantar sugestões para o próximo seminário. 2.6 A INTERNET COMO FONTE PARA ESTUDO E PESQUISA ACADÊMICA Os avanços tecnológicos têm promovido uma verdadeira democratização da informação ao facilitar seu acesso com rapidez a um número cada vez maior de pessoas, particularmente, a pessoas como nós, que vivemos distantes dos grandes centros produtores de conhecimento, dos locais de realização de importantes eventos científicos, de bibliotecas e grandes livrarias, e em alguns casos, até mesmo dos centros universitários. A rede mundial de computadores, a Internet, representa em nossos dias, um extraordinário acervo de dados à disposição de qualquer um, que pode acessá-los com certa facilidade, dado a sofisticação e expansão dos atuais recursos informacionais e do barateamento no custeio dos computadores e das formas de conexão à rede. A Internet tornou-se assim, uma valiosa e indispensável fonte de pesquisa para as diversas áreas de conhecimento. Tendo isso em vista, elaboramos algumas dicas e orientações para você usar e abusar desta tecnologia, que não será apenas um dos meios de comunicação com seus professores, tutores e colegas, de realizar atividades do seu curso e participar de debates, mas sobretudo, lhe fornecerá muitas e variadas opções de pesquisa na sua área de formação. Apresentamos aqui, somente indicações operacionais para um usuário comum, não entrando em questões técnicas, nem mesmo em formas de utilização do ambiente de aprendizagem virtual do curso. Nosso objetivo é oferecer algumas indicações gerais e ferramentas, que servirão de subsídios para você realizar pesquisas e aprofundar seus estudos.

ATIVIDADES
Agora, vamos ver se você entendeu as orientações e a dinâmica do seminário. Reúna com mais quatro colegas de curso e a partir do texto que você já fichou no capítulo anterior (Michel Foucault e a educação: o investimento político do corpo”; disponível no site www.ruc.unimontes.br ou em todas as bibliotecas da Unimontes), faça um textoroteiro do mesmo. Imagine que você e seus colegas irão apresentá-lo em um seminário do curso. Envie para seu/sua professor/a formador/a. Bom trabalho!

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Hoje, muitos acadêmicos e pesquisadores são capazes de realizar seus trabalhos de monografia, dissertações, teses e outras pesquisas sem sair de casa ou do laboratório de informática, dada a possibilidade de acesso aos bancos de dados, arquivos, bibliotecas virtuais, sites de revistas científicas, além da facilidade de fazer download ou comprar livros, tudo pela Internet. 2.6.1 O acesso à Internet A Internet é um conjunto de redes de computadores interligados em todo mundo, permitindo que cada vez mais outros computadores se conectem e o acesso dos usuários a milhares de informações que estão armazenados em seus web sites. A analogia mais comumente utilizada para definir esta rede é a de uma malha viária por onde trafegam bytes sob a forma de pacotes TCP/IP As informações contidas em textos, som e . imagens trafegam em velocidade surpreendente entre qualquer computador conectado a essa rede, permitindo ao usuário navegar por essa malha de computadores para consultar e recolher elementos informativos de todo tipo, aí disponibilizado. Permite também eliminar as barreiras do tempo e do espaço, possibilitando a comunicação, a troca de mensagens e de informação entre acadêmicos e pesquisados de todos os lugares do mundo. Conforme Ferreira (2002), a Internet evoluiu da ARPANET, rede desenvolvida nos Estados Unidos no final dos anos de 1960, no contexto da guerra fria, com objetivo de sobrevivência do sistema de comunicação em eventuais ataques nucleares em 1986. Em 1987, a rede foi liberada para uso comercial e sua vasta expansão ocorreu a partir da criação da web em 1993. No Brasil, as primeiras conexões ocorreram através da FAPESP (Fundação de Amaparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) e do Laboratório Nacional de Computação Científica no Rio de Janeiro em 1988. O acesso comercial se deu a partir de 1995 através de provedores. Web é o diminutivo de World Wide Web (rede mundial de computadores) ou apenas www, que designa o conjunto de servidores na Internet que transferem informações através do protocolo http (protocolo de transporte de hipertexto). Os usuários interligam-se à rede mediante Web site, que estão alocadas em provedores. Os provedores (a exemplo do UAI, UOL, Terra, etc.) são empresas ou instituições responsáveis por articular as redes de computadores, os servidores, os computadores pessoais dos usuários. Os servidores são responsáveis por fornecer o suporte de conexão que pode ser via telefônica, tv, rádio, celular, algumas de alta velocidade, denominadas banda larga. Assim, para você navegar na Internet em busca de informações ou serviços, é necessário que seu computador esteja conectado através de um servidor, que tenha disponível o serviço de um provedor, e que tenha instalado em seu micro um programa de navegação (browsers). Os

GLOSSÁRIO

B GC
E

A

F

Download: é o ato de transferir o arquivo de um computador remoto (na Internet) para o seu próprio computador, usando qualquer protocolo de comunicações.

GLOSSÁRIO

B GC
E

A

F

TCP/IP: é a “sigla proveniente de Transmission Control Protocol / Internet Protocol. Apesar de TCP e IP serem dois protocolos distintos, os protocolos mais importantes da Internet, o termo TCP/IP designa geralmente aquilo que se conhece como o conjunto de protocolos TCP/IP que pode englobar outros protocolos menos utilizados e/ou importantes”. (Ferreira, 2002)

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programas de navegação mais utilizados no Brasil são o Internet Explorer da Microsoft e o Mozilla firefox que podem ser acessados através de atalho na área de trabalho ou no menu iniciar. O sites são acessados através de endereços, que são também os nomes das páginas. Eles são Figura 8: Acesso ao programa de navegação constituídos por pelo menu Iniciar números ou protocolos de Internet (IP) que codificam as páginas. Em geral, os endereços possuem a seguinte estrutura: www.nome.tipodeogranização.br.

DICAS

Para conhecer o significado de termos e palavras usadas na linguagem da Internet, consulte o Dicionário de Internetês de Antônio M. Ferreira, disponível em http://dicio.net/

Figura 9: Navegador Internet Explorer

Os endereços dos sites são atribuídos por um sistema específico de nome de Domínio que permite também identificar o tipo de site. No Brasil, o domínio global de primeiro nível é representado por “br”; dentro dele há os subdomínios de uso coletivo, definidos de acordo com a natureza organizacional do site, conforme o quadro de exemplos abaixo. Em terceiro nível, os nomes específicos que identificam instituições, entidades ou pessoas do mundo real.

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Figura 10: Navegador Mozilla Firefox Tabela 2: Exemplos de domínios
br ar us fr pt es GEOGRÁFICOS Brasil Argentina Estados Unidos França Portugal Espanha com edu gov Net mil Org. ORGANIZACIONAIS comercial Organizações educacionais Organizações governamentais redes Organizações militares Organizações que não se enquadra nas anteriores

2.6.2 A pesquisa científica na Internet A rede mundial de computadores coloca à disposição dos internautas um volume excessivo de informações, sobre os mais variados assuntos e temas. Alguns, no entanto, são pouco confiáveis. É preciso garimpar e selecionar as informações a serem utilizadas, e uma das formas é dirigir-se diretamente aos endereços certos, principalmente se forem de instituições e órgãos de reconhecida credibilidade. Não dispondo destes endereços, ou no caso de uma pesquisa mais ampla, tendo apenas um tema, você pode começar seu trabalho utilizando um site de busca. Estes sites se ocupam de localizar os endereços em toda a rede, a partir da indicação de palavras-chave, nomes, temas, etc. Entre os mais utilizados estão: www.google.com www.yahoo.com www.cade.com.br/ www.altavista.com/ busca.uol.com.br/ busca.igbusca.com.br/app/ Após indicar as palavras-chave e clicar em buscar/pesquisar, serão

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exibidas várias páginas nas quais você poderá encontrar a informação procurada. Ao fazer uma busca, sugerimos restringir as palavras-chave e, quando possível, utilizar aspas, pois evitará um número enorme de sites

Figura 11: Pesquisa no Google

que não interessam à sua pesquisa. Veja abaixo o exemplo: Ao localizar um arquivo de seu interesse, é aconselhável que você salve em seu computador; caso não possua um, você pode salvar o arquivo ou página em um disco flexível – CD, disquete ou pendrive, ou ainda, enviar para e-mail e HD virtuais – para que a informação esteja disponível quando você precisar, sem necessariamente ter que realizar uma nova busca. Se você já conhece alguns sites de entidades, instituições de pesquisa, bibliotecas virtuais, revistas científicas, portais de periódicos, arquivos, dentre outros, isso facilita sua busca além de você ter acesso às informações que são resultados de reflexões teóricas, pesquisas científicas empreendidas, bancos de dados construídos, dentre outros, voltados especificamente para o público acadêmico. Atualmente, muitas revistas científicas têm disponibilizado os artigos completos na rede, além de impressos, como é o caso da revista Unimontes Científica (www.ruc.unimontes.br), ou têm substituído totalmente as edições impressas pelo meio digital. As revistas digitais, disponíveis na rede, além de serem mais econômicas e de maior rapidez na editoração, atingem um público muito maior, ampliando consideravelmente sua divulgação. Além desses sites, importantes fontes de pesquisa são, sem dúvida, os portais de periódicos, que reúnem revistas de grande credibilidade na academia e com melhores avaliações, como é o caso do Scielo – Scientific Electronic Library Online. O portal do Scielo (www.scielo.br) disponibiliza revistas nacionais e internacionais de todas as áreas do conhecimento. Você pode

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acessá-las por área, por assuntos, por lista alfabética, dentre outras

Figura 12: Resultado de pesquisa no Google

formas. Veja o exemplo nas figuras abaixo: No site da CAPES – Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior – você encontrará duas fontes valiosíssimas para sua pesquisa científica: o Portal de Periódicos, que reúne inúmeras revistas com artigos completos disponíveis, e o Portal Domínio Público, uma biblioteca digital com um imenso acervo de texto (em forma de livros, revistas, dicionários, etc.) imagens, som e vídeo. Além destes dois portais, você encontrará também no site da Capes um banco de teses, com resumos e informaçõ es de teses

Figura 13: Pesquisa no Portal do Scielo

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Figura 14: Site da Capes com o Portal de Periódicos e o Portal Domínio Público

Figura 15: Pesquisa no Portal de Periódicos da Capes

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Figura 16: Pesquisa no Portal Domínio Público

Figura 17: Banco de Teses de Capes

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e dissertações defendidas em todo país a partir de 1987 Para auxiliar você nos seus trabalhos e pesquisas, listamos ao final deste capítulo, endereços de sites importantes por área de conhecimento, onde você encontrar artigos, textos, dados, etc. Você pode, ainda, utilizar a Internet para acessar o acervo bibliográfico de várias bibliotecas do país, a fim de identificar alguma obra para consulta. Atualmente, a Unimontes está testando um sistema integrado de bibliotecas que permitirá aos acadêmicos encontrar o livro desejado em qualquer uma de suas bibliotecas e saber se ele está disponível para consulta. Da mesma forma, dado a ausência de livrarias especializadas em nossa região, você poderá utilizar a rede para consultar catálogos de editoras e adquirir livros, importantes para seus estudos e que lhe permitirá aprofundar determinados assuntos, que não se encontram nas bibliotecas dos pólos da UAB/Unimontes. Ao procurar um site para comprar livros, verifique se são confiáveis e de credibilidade; prefira os sites das grandes livrarias já reconhecidas no Brasil. Vale a pena consultar também, os sites de sebos virtuais que oferecem livros usados com baixos preços e que são entregues em sua casa pelos correios. Por fim, ao utilizar dados, comentários, idéias, imagens, etc. retirados de um arquivo ou página da Internet, você deve fazer o registro bibliográfico de acordo com as normas específicas de referenciação da ABNT, que você estudará em maiores detalhes na disciplina de Metodologia Científica. De maneira geral, você deve indicar: a) o autor: começando pelo último sobrenome em letras maiúsculas; b) o título do artigo, texto ou obra; c) o título da revista, livro, ou site em itálico; d) o endereço onde está disponível; e e) data de acesso ao documento. EXEMPLO MAIA, Cláudia de J. As Desigualdades de Gênero no Contexto do Desenvolvimento Humano. Unimontes Científica, v. 1, n.1, jan. jun/2001. Disponível em <www.ruc.unimontes.br> acesso em: 28/set./2008. Agora, você já tem dicas e sugestões de onde e como utilizar a rede mundial de computadores, a serviço de seus estudos e pesquisas. É só começar, bom trabalho!

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2.6.3 Atividades Orientações: a) Abra um novo documento no Word; b) Registre o título “Atividade- Internet”, o seu nome e a data; c) Complete o máximo dos itens abaixo que você puder. Em cada caso, comece digitando o URL (endereço do site) designada. Assim que você tiver conseguido acessar um “site”, pesquise as informações solicitadas. Se um “site” que você esteja tentando alcançar, tiver levando tempo demais, cancele a conexão e retorne a ele mais tarde; d) Registre todas as respostas no documento “Atividade- Internet”; e) Salve todas as alterações realizadas; f) Ao terminar sua atividade, envie um e-mail para o/a professor/a formador/a, anexando. 1. Utilizando um site de busca de sua preferência, procure o site da FAPEMIG (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais) e identifique:
? do site; endereço ? da FAPEMIG; objetivo ? modalidades de bolsas de pesquisa para acadêmicos de graduação; ? para solicitação bolsas de iniciação científica; critérios ? revista Minas Faz Ciência e identifique seu endereço; e entre na ? uma reportagem de qualquer um dos números da escolha

revista Minas Faz Ciência cole e copie. 2. Utilizando o site de busca, procure uma revista científica da sua área, disponível no Portal do Scielo ou no Portal de periódicos da CAPES e identifique:
? do site; endereço ? revista; nome da ? título, autor e resumo de 2 (dois) artigos de seu interesse; e ? informações importantes para seu curso.

3. Na Internet existem sites das diferentes Sociedades ou Associações Brasileiras das várias áreas de atuação, como a Associação Nacional dos Professores de História (ANPUH); Associação Brasileira de Antropologia (ABA); etc. Utilizando o site de busca, procure o portal ou site de uma sociedade ou associação da área de formação do seu curso e identifique:
? dos sites; endereço

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? desta sociedade ou associação; objetivo ? como torna-se sócio; ?realizados; e eventos ? links importantes.

4. Visite o site da Catho Online - Empregos, vagas, cursos, currículo... e verifique como anda o mercado para o profissional da sua área e estagiários (Título da vaga, descrição, ramo de atuação, Estado) 5. Visite o site de uma Universidade, que possui o também seu curso de graduação e analise a estrutura do mesmo e compare-a com a do curso de vocês. Identifique as semelhanças e diferenças, e identifique, também:
? instituição; nome da ? duração; ? egresso; e o perfil do ?atuação área de

6. No site da Universia Brasil, disponível em <www.universia.com.br> são publicadas diversas matérias sobre universidades e os diversos cursos universitários. Acesse esse site, escolha uma matéria relacionada ao seu curso, leia a matéria e registre as informações interessantes 7. Procure na Internet o símbolo do seu Curso, copie e cole aqui.

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2.6.4 Relação de Sites Importantes para sua Pesquisa Científica por Área A- ARTES

ENDEREÇO http://www.cultura.gov.br/site/cate goria/o-dia-a-dia-dacultura/artigos/ http://www.cultura.gov.br/brasil_art e_contemporanea/?page_id=433 http://www.artcultura.inhis.ufu.br/a tual.php

DESCRIÇÃO Ministério da Cultura – Artigos do Governo ARCO - Revista Brasil Arte Contemporânea ArtCultura: Revista de História, Cultura e Arte é uma publicação semestral da Universidade Federal de Uberlândia Revista Digital Art & Revista Museu - O portal definitivo que mostra os bastidores dos museus, a criatividade dos profissionais da área e seus projetos inovadores, divulgando a cultura no Brasil e no mundo.

http://www.revista.art.br/site numero-09/apresentacao.htm http://www.revistamuseu.com.br/de fault.asp

B- BIOLOGIA

ENDEREÇO http://www.bireme.br/php/index.ph p http://www.ipas.org.br/biblioteca.ht ml http://www.fesbe.org.br/v3/index.p hp http://www.editora.ufla.br/Periodic os.htm http://www.bvsalutz.coc.fiocruz.br/ php/index.php

DESCRIÇÃO Biblioteca Virtual em Saúde

Biblioteca Virtual do Ipas (ONG do Brasil que lida a saúde reprodutiva da mulher) Federação de Sociedades de Biologia Experimental Periódicos da UFLA sobre Biologia, foco em Agronomia. Biblioteca Virtual em Saúde Adolpho Lutz

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C- CIÊNCIAS SOCIAIS
Tabela 4

ENDEREÇO http://www.cchla.ufpb.br/caos/ http://www.enfoques.ifcs.ufrj.br/

http://www.ifcs.ufrj.br/ http://revistaseletronicas.pucrs.br/ci vitas/ojs/index.php/civitas http://www.ceu.org.br/novo/ www.unb.br/ics/dan

DESCRIÇÃO CAOS – Revista Eletrônica de Ciências Sociais - UFPB ENFOQUES – Revista Eletrônica dos Acadêmicos do Programa de Pós Graduação da UFRJ IFCS – Instituto de Filosofia e Ciências Socais Civitas - Revista de Ciências Sociais PUCRS Instituto Internacional de Ciências Sociais Departamento de Antropologia da UNB, estão disponíveis aí a Série Antropologia, publicação dos professores do departamento, textos completos e o Anuário Antropológico, revista da Associação Brasileira de Antropologia.

D- HISTÓRIA
Tabela 5
ENDEREÇO http://www.revista.iphan.gov.br/ http://www.orbis.ufba.br/index1.ht m http://www.locus.ufjf.br/ DESCRIÇÃO Patrimônio - Revista Eletrônica do IPHAN Revista Orbis – Ciência, Cultura e Humanidades - UFBA LOCUS - Revista de História, é uma publicação do Departamento de História e do Programa de PósGraduação em História da Universidade Federal de Juiz de Fora FVG/CPDOC – Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea Gaîa - Revista ligada a UFRJ Artigos e resenhas Biblioteca Nacional – estão disponível documentos históricos para consulta Revista de História da Biblioteca Nacional, encontra-se disponível todos os artigos completos publicados. É uma revista mensal e comercializada em bancas de jornal, excelente para trabalhar nas aulas de história com acadêmicos do ensino médio e fundamental. Revista “Em Tempo de História ”, dos acadêmicos do programa de pós graduação em História da UnB, artigos completos disponíveis. Site da Associação Nacional dos Professores de História, contem anais dos Encontros e links para revista, arquivos e outros. Sistema Integrado de Acesso do Arquivo Público Mineiro, estão disponíveis, documentos da administração colonial e imperial do Brasil, jornais, acervos de fotografia, dentre outros documentos digitalizados.

http://www.cpdoc.fgv.br/comum/ht m/ http://www.ifcs.ufrj.br/~gaia/ www.bn.br/portal

www.revistadehistoria.com.br

http://www.unb.br/ih/novo_portal/p ortal_his/periodicos_revistas_temp o_historias.html www.anpuh.org

http://www.siaapm.cultura.mg.gov. br/

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E- GEOGRAFIA
Tabela 6

ENDEREÇO http://www.ibge.gov.br/ http://www.inpe.br/ http://www2.petrobras.com.br/port al/frame.asp?pagina=/AtuacaoInt ernacional/PetrobrasMagazine/ind ex_port.html&lang=pt&area=mag azine http://viajeaqui.abril.com.br/ng/ind ex.shtml http://www.geocities.com/geografi aonline/

DESCRIÇÃO INTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA INSTITUTO NACIONAL DE PESQUISAS ESPACIAIS Petrobras Magazine – Empresa – Meio Ambiente - Geopolítica

Revista National Geographic Brasil Geog@fiaonline - Este foi um projeto de extensão do Departamento de Geociências da Universidade Estadual de Londrina

F- LETRAS
Tabela 7

ENDEREÇO http://www.biblio.com.br/ http://www.bibvirt.futuro.usp.br/

http://proxy.furb.br/ojs/index.php/li nguagens http://www.ceart.udesc.br/Revistas _do_Ceart/index.php?dir1=Revista %20ArteOnline&index=Revista%20Arte Online http://www.academia.org.br/ http://www.letras.ufrj.br/litcult/revist a_mulheres/revistamulheres_vol9.p hp?id=13

DESCRIÇÃO Biblioteca virtual de clássicos da Literatura BibVirt (desde 1997 disponibiliza gratuitamente vasta quantidade de informação) Linguagens - Revista de Letras, Artes e Comunicação Portal sobre Artes da UDESCO

Academia Brasileira de Letras Revista on-line Mulher e Literatura

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G- PEDAGOGIA
Tabela 8

ENDEREÇO http://www.revistaconecta.com/ www.pedagogia.pro.br

DESCRIÇÃO Conect@ - Revista on-line de Educação a Distância Pedagogia On-line

www.educacaoonline.pro.br www.pedagogia.com www.escolanet.com.br www.correioescola.com.br www.futura.org.br http://www.revista.inf.br/pedagogia / http://www.fe.unb.br/revistadepeda gogia/ http://www.futuro.usp.br/

Educação On-line Pedagogia.com Escolanet Correio Escola Futura Revista Científica Eletrônica de Pedagogia Revista de Pedagogia da Unb Escola do Futuro da Universidade de São Paulo – Projeto sobre novas tecnologias para aprendizado Revista Escola Ministério da Educação – Regulamentos e Informações sobre Educação

http://revistaescola.abril.com.br/ho me/ http://portal.mec.gov.br/

H-INTERDISCIPLINAR
Tabela 9

ENDEREÇO http://www.usp.br/sibi/ http://scholar.google.com.br/ http://www.pucrs.br/biblioteca/rec ursos.htm http://br.monografias.com/ http://books.google.com.br/bkshp ?hl=pt-BR&tab=wp http://biblioteca.uol.com.br/ http://www.unb.br/ih/his/gefem www.ruc.unimontes.br

DESCRIÇÃO Banco de Teses da USP Google Acadêmico Acervo online da PUCRS Portal que disponibiliza várias monografias Google Livros Acervo do portal UOL Revista Labrys, publica artigos da área de gênero e estudos feministas Revista Unimontes científica, publica artigos de todas as áreas do conhecimento. Site da Biblioteca Nacional Neste site pode-se fazer download de vários livros.

www.bn.br/portal http://br.geocities.com/mcrost02/

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2.7 FORMATAÇÃO DE TEXTO E CAPA DE TRABALHOS ACADÊMICOS Durante todo o desenvolvimento do seu curso, provavelmente, todos os/as professores/as exigirão trabalhos como parte do processo de avaliação da aprendizagem da disciplina. Indicamos aqui, normas para formatação e apresentação de textos e de capas dos trabalhos que você entregará aos seus/suas professores/as. 2.7.1 Formatação do texto a) Papel: deve ser em formato A-4 (210 X 297 mm), branco. b) Margem: Superior: 3 cm Inferior: 2 cm Esquerda: 3 cm Direita: 2 cm Para formar o texto no computador siga os passos seguintes, conforme o exemplo: Menu> Arquivo> Configurar Página

Figura 20: Formatação de margens de um texto

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c) Tipo de letra: utilize sempre fontes arredondadas, é obrigatório a Times News Romam ou a Arial, que são as mais utilizadas, tamanho 12. Veja no exemplo abaixo, como selecionar a fonte ou tipo de letra: Menu> Formatar> Estilos e Formatação

Figura 21: Formatação de fonte

d) É recomendável utilizar o espaço 1,5 ou duplo entrelinhas para o texto, e simples para citações recuadas, títulos e capa. Veja como formatar o espaço entre linhas em seu computador: Menu> Formatar> Parágrafo

Figura 22: Formatação de espaçamento

2.7.2 Formatação de capa de trabalhos A capa de um trabalho científico deve conter, acima e centralizado o nome da instituição onde o trabalho foi realizado, neste caso, o nome da sua universidade, seguido dos outros órgãos ou centros ao qual seu curso pertence. No centro da folha, o título do trabalho centralizado. À direita, o objetivo do trabalho e a quem ou a qual disciplina ele está direcionada(o). Abaixo, o nome do autor ou da equipe que realizou trabalho e na última

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linha, também centralizado, o local e a data. As margens da folha segue as indicações anteriores. Veja abaixo um modelo de capa.

UNIVERSIDADE ABERTA DO BRASIL – UAB UNIVERSIDADE ESTADUAL DE MONTES CLAROS – Unimontes CENTRO DE CIÊNCIAS HUMANAS – CCH DEPARTAMENTO DE HISTÓRIA
(fonte Times New Roman, tamanho 14, centralizado, digitado após a margem superior)

[dois espaços simples]

Andréa Batista Azevedo
(nome completo do acadêmico, só as primeiras letras maiúsculas, negrito, centralizado, fonte 14)

RESUMO DE TEXTO
(título, fonte 16, Caixa Alta/maiúsculo, centralizado)

Montes Claros - MG novembro/ 2008
(fonte 14, maiúsculo e minúsculo, centralizado)

Figura 23: Modelo de capa de trabalhos acadêmicos

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3 REFERÊNCIAS

ALMEIDA, Marcos Antônio Chaves de . Projeto de Pesquisa. Guia Prático para Monografia. Rio de Janeiro:Wak, 2002 ANDRADE, Maria Margarida de. Introdução à Metodologia do Trabalho Científico: elaboração de trabalhos na graduação. 5.ed..São Paulo: Atlas, 2001 FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Dicionário da Língua Portuguesa. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2005.1 CD-ROM CHAUI, Marilena. Convite à Filosofia. São Paulo: Altas, 1995. FREIRE, Paulo. Importância do ato de ler. 11 ed. São Paulo: Cortez, 1979 e 1985. GALLIANO, A.G.(ed) O Método Científico: teoria e prática. São Paulo:Harbra, 1986. LAKATOS; Eva Marina; MARCONI, M. A. Metodologia do Trabalho Científico. 5 ed. São Paulo: Altas, 2001. JOHANN, Jorge Renato (coord) Introdução ao Método Científico.2.ed. Canoas: Ed.da ULBRA, 2002, p 43. LUCENA, R. Pontos de Mutação. In: Orion. 2007. Disponível em: <http://www.orion.med.br/filme12.htm>. Acesso em: 29/set./2008. MARCONI, A M. e LAKATOS, E.M. Fichas. In: ___ Metodologia do Trabalho Científico. São Paulo: Atlas, 2001, p. 51-67. RUSS, J. Dicionário de Filosofia. São Paulo: Scipione, 1994. SALOMON, D. V. A prática da documentação pessoal. In: ___ Como fazer uma monografia. São Paulo: Martins Fontes, 1999, p. 124-143. SEVERINO, A.J. Metodologia do Trabalho Científico. São Paulo: Cortez, 2000. VEIGA, I. P A. O seminário como técnica de ensino socializado. In:___. . Técnicas de ensino: por que não? Campinas: Papirus, 1991. Sites <http://www.art-prints-on-demand.com/a/larkin-william/portrait-offrancis-bacon-1.html> acesso em 29/ set./2008.

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,<http://www.art-prints-on-demand.com/a/hals-frans/portrait-of-renedescarte-1.html> acesso em 29/set./2008. <http://www.imdb.com/title/tt0017136/mediaindex?page=2> acesso em 29/set./2008.

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4 ATIVIDADES DE APRENDIZAGEM - AA

QUESTÃO 1: Diferencie senso comum e ciência. ______________________________________________________________ ______________________________________________________________ ______________________________________________________________ ______________________________________________________________ QUESTÃO 2: Qual a importância do método científico? ______________________________________________________________ ______________________________________________________________ ______________________________________________________________ ______________________________________________________________ QUESTÃO 3 : Todas as afirmações estão corretas, exceto: a- ( ) Francis Bacon desenvolveu seu pensamento na direção contrária a de René Descartes. b- ( ) Todas as vezes que buscamos a verdade pela ciência, temos que contar com a sorte e o acaso. c- ( ) As ciências humanas têm na psicologia uma de sua áreas. d- ( ) As ciências humanas têm preocupação em estabelecer uma verdade acerca do homem. QUESTÃO 4: Sobre a emergência das ciências humanas, marque F para Falso ou V para Verdadeiro: a- ( ) As ciências humanas surgiram no século XIX b- ( ) A psicologia é uma das ciências humanas que procura estudar os fenômenos econômicos da sociedade. c- ( ) A sociologia busca compreender as transformações ocorridas independente da história. d- ( ) Para que haja verdade científica, não precisa uma relação entre sujeito e objeto. Posso somente imaginar a verdade, sem nenhum recurso metodológico. QUESTÃO 5- Qual a diferença entre atitude dogmática e atitude crítica? ______________________________________________________________ ______________________________________________________________ ______________________________________________________________ ______________________________________________________________ ______________________________________________________________ ______________________________________________________________

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Caderno Didático I - 1º Período

QUESTÃO 6: Elabore um esquema destacando as principais idéias sobre “Como Estudar”. ______________________________________________________________ ______________________________________________________________ QUESTÃO 7: Escolha um dos textos apresentados no material da disciplina Iniciação Científica, faça um resumo, seguindo as orientações propostas cientificamente. QUESTÃO 8: Um esquema para ser considerado útil, apresenta as seguintes características, exceto duas alternativas. Marque-as. a- ( b- ( c- ( d- ( e- ( ) Estruturação lógica do assunto ) Inexistência da característica pessoal. ) Utilidade de seu emprego. ) Fidelidade ao texto original ) Utilização de idéias pessoais.

QUESTÃO 9- Todos os elementos abaixo são necessários num fichamento, exceto: a- ( ) O conteúdo deve ser composto por um texto detalhado da obra, texto ou aula fichada. b- ( ) Cabeçalho contendo o título geral que pode ser uma disciplina, um tema de estudo, ou um autor c- ( ) Um sub-título no cabeçalho que indica o plano sistemático dos fichamentos d- ( ) A referência completa da obra, aula ou texto que será fichado e- ( ) Uma numeração se forem mais de uma do mesmo tema para facilitar a organização do fichário ou pasta-arquivo. QUESTÃO 10: Sobre os objetivos de um Seminário marque V para as alternativas verdadeiras e F para as alternativas falsas. a- ( ) Substituir a aula expositiva uma vez que estas são monótonas e não envolve a participação do aluno; b- ( ) Aprofundar a discussão de um tema ou problema dentro de uma área do conhecimento; c- ( ) Estudar e debater em profundidade um texto específico da disciplina; d- ( ) Trabalhar de forma cooperativa em sala de aula ou no ambiente virtual; e- ( ) Instaurar o diálogo crítico sobre um ou mais temas; f- ( ) Informar e transmitir conhecimentos pelos acadêmicos; g- ( ) Estimular a pesquisa;

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1º PERÍODO

FILOSOFIA DA EDUCAÇÃO

AUTORES Alex Fabiano Correa Jardim Doutor em Filosofia pela Universidade Federal de São Carlos – UFSCar, mestre em Fundamentos da Educação pela UFSCar, graduado em Filosofia pela Universidade Estadual de Montes Claros – Unimontes. Professor do Departamento de Filosofia e do Programa de Pós-Graduação em Letras/Estudos Literários da Unimontes. Ângela Christina Borges Mestre em Ciências da Religião pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo – PUC-SP e graduada em Filosofia pela Universidade Estadual de Montes Claros – Unimontes. Coordenadora do curso de Ciências da Religião da Unimontes. Antônio Wagner Veloso Rocha Mestre em Filosofia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro – PUC-RJ e graduado em Filosofia e em Letras pela Universidade Estadual de Montes Claros - Unimontes. É professor e coordenador didático do curso de graduação em Filosofia da Unimontes, onde também leciona no curso de pós-graduação lato sensu em Tópicos Especiais de História da Filosofia Moderna e Contemporânea. Desenvolve pesquisas sobre as relações entre filosofia e literatura. É também autor do livro Heidegger: a caminho da poesia (Editora Unimontes, 2008). Ildenilson Meireles Barbosa Doutorando em Filosofia pela Universidade Federal de São Carlos - UFSCar, mestre em Filosofia pela Universidade Federal do Paraná - UFPR e graduado em Filosofia pela Universidade Estadual de Montes Claros - Unimontes. Professor do Departamento de Filosofia da Unimontes. Márcio Antônio Silva Doutor em Fundamentos da Educação pela Universidade Federal de São Carlos – UFSCar, mestre em Educação pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas e graduado em Pedagogia pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Formiga. Atualmente, é professor efetivo da Universidade Estadual de Montes Claros – Unimontes. Tem experiência na área de Educação, com ênfase em Fundamentos da Educação. É também líder do Grupo de Pesquisa em Educaçao da Unimontes. Péricles Pereira de Sousa Doutor e mestre em Filosofia pela Universidade Federal de São Carlos - UFSCar e graduado em História pela Universidade Estadual Paulista - Unesp/Assis. Professor do Departamento de Filosofia da Universidade estadual de Montes Claros - Unimontes. Possui experiência na área de Filosofia, com ênfase em História da Filosofia.

SUMÁRIO DA DISCIPLINA

Apresentação................................................................................. 104 Unidade 1: A Filosofia e suas Origens Gregas.................................... 108 1.1 Introdução........................................................................... 108 1.2 A Natureza da Filosofia........................................................ 108 1.3 A Experiência Mítica............................................................ 113 1.4 Logos e Realidade............................................................... 115 1.5 A Influência dos Gregos no Pensamento Medieval.................. 118 1.6 Referências.......................................................................... 120 Unidade 2: Ontologia...................................................................... 122 2.1 Introdução.......................................................................... 122 2.2 Platão e o Conhecimento..................................................... 123 2.3 Aristóteles: Conhecimento, Educação e Ontologia................. 125 2.4 Considerações Finais........................................................... 127 2.5 Referências.......................................................................... 129 Unidade 3: O Racionalismo Moderno............................................... 130 3.1 Introdução........................................................................... 130 3.2 A Problemática do Conhecimento e o Projeto Filosófico da Modernidade. Empirismo e Racionalismo na Epistemologia Moderna. A Construção do Iluminismo criticista........................... 130 3.2.1 A Problemática do Conhecimento e o Projeto Filosófico da Modernidade............................................................................ 130 3.2.2 O Racionalismo: René Descartes e o Problema da Subjetividade ............................................................................ 135 3.2.3 O empirismo: o Conhecimento pela Experiência .................. 140 3.2.4 Kant e o Iluminismo Criticista............................................. 145 3.3 Referências.......................................................................... 150 Unidade 4: A Ação na Filosofia Contemporânea................................ 152 4.1 Introdução........................................................................... 152 4.2 As Origens do Pragmatismo: Peirce e James........................... 153 4.3 O Pragmatismo de John Dewey: Principais Caraterísticas e Contribuições ........................................................................... 155 4.4 Os Desafios da Filosofia Contemporânea: Jürgen Habermas e Richard Rorty ............................................................................ 160 4.4.1 Habermas e a Modernidade............................................... 160 4.4.2 Habermas e a Ação Comunicativa...................................... 163

4.4.3 A Teoria da Ação Comunicativa e a Educação.................... 164 4.4.4 O Neo-pragmatismo de Richard Rorty............................... 167 4.5 Referências........................................................................ 169 4.6 Vídeos Sugeridos para Debate............................................. 171 Unidade 5: A Contribuição do Projeto Filosófico para a Teoria e Prática da Educação na Atualidade................................................. 172 5.1 Introdução......................................................................... 172 5.2 A Educação no Século XXI.................................................. 172 5.3 Estética.............................................................................. 179 5.4 Educação Estética............................................................... 180 5.5 Política............................................................................... 182 5.6 Referências........................................................................ 186 5.7 Resumo............................................................................. 187 6 Atividades de Aprendizagem........................................................ 189 7 Referências................................................................................ 192

APRESENTAÇÃO

Olá pessoal! Vamos iniciar alguns debates sobre muitas coisas desconhecidas, mas muito interessantes. É justamente pelo fato de problemas difíceis e interessantes fazerem parte do nosso cotidiano, que a filosofia se dispõe a dialogar. Em primeiro lugar, vamos começar complicando um pouco, falando de algumas coisas que parecem muito estranhas, mas que podem ser entendidas se tivermos um pouco de paciência e dedicação. Depois, faremos uma série de atividades para avaliar o nosso conhecimento e o nosso desempenho na disciplina. Não vamos estudar uma filosofia pura, que trata de conceitos abstratos, mas a filosofia da educação. O que nos interessa é estabelecer algumas ligações entre o pensamento e a ação; a reflexão e a práxis; a teoria e o cotidiano das diversas abordagens educacionais, desde os pensadores mais antigos, como Platão e Aristóteles, até pensadores de nossa época que ainda estão vivos, nos ajudando a pensar a educação numa dimensão crítica e construtiva. Se você observar a ementa da disciplina, verá que ela pretende mostrar várias correntes filosóficas iniciadas com os filósofos gregos, passando pelos padres da igreja na Idade Média, por filósofos como Descartes, Hume, Kant e tantos outros da época moderna, até chegar aos filósofos mais próximos do nosso tempo, como Habermas, Rorty, Paulo Freire, Dermeval Saviani e outros. Como é uma ementa muito longa, com muito assunto para tratar, selecionamos alguns que nos ajudarão a pensar criticamente os processos educacionais. O objetivo geral da disciplina de filosofia da educação, cuja carga horária é de 75 h/a, é desenvolver a capacidade crítica do aluno em relação aos vários processos educacionais ocorridos na história da cultura ocidental, levando em consideração todo o contexto em que esses processos se deram. Mesmo com algumas dificuldades que são próprias da disciplina, não podemos deixar de considerar a importância que tem a filosofia para pensarmos a educação de modo mais crítico, mais radical, mais engajado e mais livre de preconceitos. Nesse sentido, a filosofia nos oferece os elementos necessários para compreendermos a nossa educação e a nossa realidade. Para isso, estabelecemos os seguintes objetivos:
? apresentar as idéias fundamentais de Platão e Aristóteles para

uma compreensão do mundo grego, principalmente a relação entre educação e política;

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? relação entre conhecimento e ontologia; discutir a ? compreender o contexto da modernidade a partir de duas correntes filosóficas: o racionalismo e o empirismo e sua relação com a pedagogia moderna; e ? as várias correntes filosóficas que investigam a discutir educação sob um ponto de vista crítico, social, libertário e político.

A partir desses tópicos, você verá que estudar filosofia e relacionála à educação é muito interessante e não tão complicada como pode parecer. Só é preciso um pouco de paciência e dedicação no estudo dos textos e nas atividades. Dividimos a disciplina em cinco unidades. Cada uma está dividida em tópicos ou subunidades. Unidade 1: A Filosofia e suas Origens Gregas 1.1. A Natureza da Filosofia; 1.2. A Experiência Mítica; 1.3. Logos e Realidade; e 1.4. A Influência dos Gregos no Pensamento Medieval. Unidade 2: Ontologia 2.1. Introdução; 2.2. Platão e o Conhecimento; 2.3. Aristóteles: Conhecimento, Educação e Ontologia; e 2.4. Considerações Finais. Unidade 3: O Racionalismo Moderno 3.1. A problemática do Conhecimento e o Projeto Filosófico da Modernidade; 3.2. O Racionalismo: René Descartes e o Problema da Subjetividade; 3.3. O empirismo: o Conhecimento pela Experiência; e 3.4. Kant e o Iluminismo Criticista.

Unidade 4: A Ação na Filosofia Contemporânea 4.1. As origens do Pragmatismo: Peirce e James; 4.2. O Pragmatismo de John Dewey: principais caraterísticas e contribuições; 4.3. Os desafios da filosofia contemporânea: Jürgen Habermas e Richard Rorty; 4.3.1. Habermas e a modernidade; 4.3.2. Habermas e a Ação Comunicativa; e 4.3.3. O neo-pragmatismo de Richard Rorty.

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Unidade 5: A Contribuição do Projeto Filosófico para a Teoria e Prática da Educação na Atualidade 5.1. A Educação no Século XXI; 5.2. Estética; 5.3. Educação Estética; e 5.4. Política. Os autores.

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UNIDADE 1
1.1 INTRODUÇÃO

A FILOSOFIA E AS SUAS ORIGENS GREGAS

Para compreendermos melhor o que é a filosofia faz-se necessário distingui-la daquilo que se encontra na concepção popular quando esta entende possuir uma “filosofia de vida”. A chamada “filosofia de vida” está relacionada à mera opinião, cujo termo grego é doxa, ou seja, a uma especulação rasa e simplista sobre as coisas, sem nenhum conteúdo rigorosamente reflexivo. O que temos na “filosofia de vida” é uma concepção de mundo que o homem acaba desenvolvendo para uso pessoal. Trata-se, portanto, da “filosofia de cada indivíduo”, da maneira como cada um procede diante dos fatos vivenciados no cotidiano, e nada além disso. Neste sentido, todos nós temos uma “filosofia de vida”, um jeito de viver e um comportamento próprio, um modo de ser. Na nossa primeira unidade, trataremos de um tipo de filosofia que nos coloca questões cotidianas, mas que exige de nós uma capacidade mais reflexiva e mais crítica sobre as coisas. Por isso, vamos estudar as origens do pensamento filosófico na Grécia e sua influência sobre o modo de pensar da idade média. 1.2 A NATUREZA DA FILOSOFIA
Fonte: www.mundodosfilosofos.com.br

A pergunta é o ponto de partida do ato de f i l o s o f a r. To d o s n ó s sentimos instigados a perguntar sobre as coisas, o mundo, a vida, a realidade. Todos nós fazemos perguntas. Somos constantemente provocados a questionar, Figura1: Escola de Atenas a nos inquietarmos, a nos Afresco de Rafael de Sânzio movermos sempre guiados por nossas curiosidades, nossas dúvidas, nossas incertezas. Portanto, o surgimento da filosofia é algo tipicamente antropológico. Só o homem pergunta, só o homem responde. Um cachorro, um gato, uma pedra, não fazem perguntas e nem respondem sobre as coisas. A filosofia é uma invenção do homem. Somente o homem se angustia diante dos mistérios da vida, diante da busca de profundidade para os problemas que envolvem a sua existência. Os primeiros filósofos aparecem justamente quando estavam diante de perguntas complexas sobre a origem do mundo, do universo, ou

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seja, de onde tudo teria começado a existir. E assim eles foram em busca de respostas precisas. Ao se deparar com o desconhecido, esses filósofos colocam o pensamento em exercício a fim de abstrair significativas reflexões atinentes a ordem do cosmos, esmiuçando, assim, toda a realidade que os cerca. Tal tarefa só se torna possível graças às suas faculdades racionais. Isto mesmo: o homem faz perguntas e anseia por respostas porque é dotado de razão, de capacidade cognitiva, de intelecto. Um animal qualquer não pergunta e nem responde nada porque não é racional. A filosofia é, portanto, uma atitude reflexiva. Em um dos seus escritos, o filósofo grego Platão diz que Sócrates teria afirmado certa vez que “uma vida sem reflexão não merece ser vivida”. Mas o que quer dizer mesmo a palavra “reflexão”? Reflexão, conforme nos ensina Chauí, em seu livro Convite à filosofia, é “o movimento pelo qual o pensamento voltase para si mesmo, interrogando a si mesmo”. Quando falamos em pensamento estamos mencionando aquilo que é produzido pela própria razão, entendida pelos gregos como logos, aquilo que nos faz colocar em xeque a ordem das coisas. Daí usamos o termo “reflexão filosófica” para designar de forma específica o campo de domínio da filosofia: a “radicalidade”, ou seja, a compreensão dos problemas relacionados ao homem e ao mundo. A reflexão filosófica coloca questões para o homem a partir da sua raiz, da sua origem, quando o pensamento busca conhecer-se como pensamento. Foi com Pitágoras de Samos, um filósofo grego do século V antes de Cristo, que surgiu o termo filosofia, cujo significado quer dizer “amizade pela sabedoria”. [Philos vem de philia, ou seja, amizade; e sophia corresponde à sabedoria]. Daí podemos perceber que o filósofo é aquele que ama o saber, que deseja o conhecimento. É aquele que se entrega à difícil tarefa de formular conceitos sobre os dados da realidade, procurando compreendê-la. Consta que o surgimento dessa forma de compreensão da realidade, ou seja, da filosofia, dá-se no final do século VII e início do século VI antes de Cristo numa cidade grega chamada Mileto, tendo sido Tales um dos seus habitantes - o primeiro dos filósofos, ou seja, o primeiro a buscar uma explicação racional sobre o mundo e o seu ordenamento (cosmos), a sua Natureza. É Tales o primeiro a se perguntar: “o que é isto?” ao se deparar com o cosmos, o que nos leva a constatar que a filosofia, inicialmente, é marcada pela cosmologia. Trata-se de um conteúdo filosófico que indica formulação racional, portanto, reflexão, conhecimento sistemático, sobre a ordem do mundo. Assim, podemos concluir que a filosofia nasce da pergunta: “o que é isto?”, cabendo ao filósofo a missão de questionar o que são as coisas e de procurar problematizar tal pergunta. É importante lembrar que essa forma de questionamento surge a partir do instante em que alguns gregos – como é o caso de Tales – sentem-se admirados diante da realidade e

PARA REFLETIR
O pensamento produzido pela filosofia se difere de uma opinião qualquer. A filosofia não é um mero “achismo”, não é um casuísmo, não é uma especulação ingênua e sem fundamentos. Ao contrário, ela possui uma estrutura lógica capaz de produzir conceitos e idéias, ultrapassando as nossas experiências cotidianas, as nossas crenças, atingindo assim um grau significativo de profundidade com relação aos problemas do mundo. Através deste caráter rigoroso e marcadamente racional, a filosofia nos possibilita tratar de maneira crítica aquilo que se encontra no cotidiano, ou até mesmo aquilo que aceitamos espontaneamente como verdadeiro.

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inconformados com o fato de que, segundo a tradição, somente os deuses e alguns eleitos eram capazes de desvendá-la. Os gregos perceberam que por meio do uso da razão – atributo inerente a todos os homens – era possível atingir um conhecimento pleno sobre a verdade do mundo. É, sem dúvida, a descoberta da razão, que vai impulsionar o nascimento do saber filosófico na Grécia antiga, gerando assim um novo procedimento de assimilação e de compreensão do mundo real, um novo caminho para se buscar explicações plausíveis sobre o mundo e as coisas. Desta forma, torna-se necessário afirmar que a atividade filosófica exige argumentos racionais e lógicos, sendo, portanto, o ato de filosofar caracterizado pelo rigor e pela sistematização. O filósofo não aceita qualquer constatação imediata como verdade instituída. Ele busca analisar, problematizar, para depois chegar a determinadas conclusões. O exercício do pensamento é algo muito valioso para o filósofo, pois significa esforço intelectual para interpretar e compreender os mais diversos fenômenos da vida. Uma das perguntas feita pelos primeiros filósofos gregos era como podem todas as coisas se transformarem e até desaparecerem e, mesmo assim, a Natureza continuar a mesma. Para compreender melhor o que é a filosofia, faz-se necessário, então, distingui-la daquilo que se encontra na concepção popular quando esta entende possuir uma “filosofia de vida”. A chamada “filosofia de vida” está relacionada à mera opinião, cujo termo grego é doxa, ou seja, a uma especulação rasa sobre as coisas, sem nenhum conteúdo rigorosamente reflexivo. O que temos na “filosofia de vida” é uma concepção de mundo que o homem acaba desenvolvendo para uso pessoal. Trata-se, portanto, da “filosofia de cada indivíduo”, da maneira como cada um procede diante dos fatos vivenciados no cotidiano. E nada mais além disso. Neste sentido, todos nós temos uma “filosofia de vida”, um jeito de viver e um comportamento próprio, um modo de ser. Concluímos, então, que não é preciso ser filósofo para adotar uma “filosofia de vida”. Qualquer pessoa pode criar seu estilo de vida, sendo que a “filosofia de vida” possibilita ao homem se orientar no meio em que vive. Porém, por seu caráter espontâneo, assistemático, ela não tem nada a ver com a filosofia enquanto sistema organizado de pensamento. Apesar disso, a “filosofia de vida” também parte da realidade com o intuito de operar sobre ela: a realidade da vida. Este fato curioso nos oferece a oportunidade de perceber que ambas partem da realidade para se constituírem como tais, mesmo sendo duas coisas totalmente distintas. O que se constata, com isso, é que a realidade é um convite ao homem para que este estabeleça possíveis diálogos com ela. Mas a “filosofia de vida” jamais pode ser confundida com a filosofia da qual estamos tratando nesta Unidade. Por ter se originado no solo grego e se estendido a todo o mundo ocidental, atravessando épocas e lugares diferentes, a filosofia tornou-se para nós, ocidentais, a principal referência como fundadora de toda a

ATIVIDADES
Movido por um tom inquiridor, o poema abaixo apresenta uma seqüência de interrogações expressando a busca de sentido para a vida humana em sua relação com a realidade das coisas, sendo que tudo se volta para o campo das hipóteses e conjecturas acerca do existir. Leia, reflita e elabore um pequeno texto apontando quais os elementos do poema que nos permitem pensar a realidade do homem e a sua condição no mundo.

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nossa cultura. Aprendemos a pensar com os gregos. Aprendemos a olhar as coisas e analisá-las com profundidade mediante as acepções filosóficas que fomos adquirindo através do contato inicial com o pensamento grego. Apesar de toda a sua contribuição para a vida humana, a filosofia é vítima de muitos preconceitos. Nem todos valorizam a atividade filosófica. Em todos os tempos, ela sempre fora marginalizada e criticada, vista como algo inútil e sem nenhum vínculo com o mundo em que vivemos. Em nossos dias, as preocupações do homem estão relacionadas com poder e dinheiro, com os resultados imediatos, com a busca de bens materiais, o que gera, de certa forma, a crise das relações humanas. Assim, ele vai se distanciando daquilo que é fundamental em sua vida, vai se desligando da possibilidade de refletir sobre a sua própria essência. O que é útil para o homem é apenas o que se encontra no campo das banalidades, pois ele perde a noção do que é bom para si mesmo. Assim, o homem se engana ao deixar que outros pensem e tomem decisões por ele. O homem se engana ao deixar que as propagandas consumistas da televisão ganhem um espaço importantíssimo em sua vida, às vezes muito mais do que os seus familiares e entes queridos. O homem se robotiza cada vez mais e se recusa a ser solidário, fraterno e ser sujeito pensante da sua história. Ele não mais se vê, não se encontra, não dá valor às coisas essenciais da sua existência. Ele não mais pensa e nem se ocupa com questões relacionadas à sua origem, à sua natureza e ao seu destino. O homem torna-se um mistério para si mesmo, vivendo apenas em busca de riquezas e prestígio. Esse processo mercantilista e desumanizador gerado pela sociedade considera útil aquilo que produz os bens de consumo, o poder, a riqueza, as vantagens, desprezando, assim, o valor da reflexão filosófica, concebendo-a como algo estéril e sem utilidade. A filosofia é útil à medida em que nos faz distanciar das impressões ingênuas que temos das coisas para nos dar condições de agir criticamente. Ela nos permite deixar de lado os preconceitos para dar vazão a uma reflexão fértil e necessária sobre tudo o que nos diz respeito. Não há dúvida de que a filosofia dá sentido à vida humana, não sendo, portanto, necessária apenas para o indivíduo, mas para toda a sociedade. É dela que se depreende o conhecimento e os seus reflexos na realidade social. Desde o princípio de tudo, o conhecimento sempre esteve presente nas ações do homem. O desejo de conhecer faz parte da condição humana como algo vital e extremamente imprescindível para o homem sentir-se sujeito da sua história e da história de outras pessoas, ou seja, da própria sociedade a que pertence. Da Suposta Existência Como é o lugar quando ninguém passa por ele?

PARA REFLETIR

“A filosofia é uma maneira de reaprender a ver o mundo”. (Merleau-Ponty, filósofo francês)

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Existem as coisas sem ser vistas?

O interior do apartamento desabitado, a pinça esquecida na gaveta, os eucaliptos à noite no caminho três vezes deserto, a formiga sob a terra no domingo, os mortos, um minuto depois de sepultados, nós, sozinhos no quarto sem espelho?

Que fazem, que são as coisas não testadas como coisas, minerais não descobertos – e algum dia o serão?

Estrela não pensada, palavra rascunhada no papel que nunca ninguém leu? Existe, existe o mundo apenas pelo olhar que o cria e lhe confere espacialidade? Concretude das coisas: falácia de olho enganador, ouvido falso, mão que brinca de pegar o não e pegando-o concede-lhe a ilusão de forma e, ilusão maior, a de sentido?

Ou tudo vige planturosamente, à revelia de nossa judicial inquirição e esta apenas existe consentida pelos elementos inquiridos? Será tudo talvez hipermercado de possíveis e impossíveis possibilíssimos que geram minha fantasia de consciência enquanto

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exercito a mentira de passear mas passeado sou pelo passeio que é o sumo real, a divertir-se com esta bruma-sonho do sentir-me e fruir peripécias de passagem?

Eis se delineia espantosa batalha entre o ser inventado e o mundo inventor. Sou ficção rebelada contra a mente universa e tento construir-me de novo a cada instante, a cada cólica, na faina de traçar meu início só meu e distender um arco de vontade para cobrir todo o depósito de circunstantes coisas soberanas.

PARA REFLETIR
Um aspecto importante a ser lembrado é o fato de que a experiência mítica, sobretudo do homem primitivo, só se desenvolve dentro de um espírito comunitário. Toda e qualquer experiência só é possível através da comunidade, das ações coletivas que se sobrepõem às individuais.

A guerra sem mercê, indefinida prossegue, feita de negação, armas de dúvida, táticas a se voltarem contra mim, teima interrogante de saber se existe o inimigo, se existimos ou somos todos uma hipótese de luta ao sol do dia curto em que lutamos.

(ANDRADE, Carlos Drummond de. A paixão medida. 8. ed. Rio de Janeiro: Record, 2002.) 1.3 A EXPERIÊNCIA MÍTICA Agora que já traçamos em linhas gerais de que se ocupa a filosofia e quais as suas principais características, achamos por bem discorrer sobre a questão do mito, o que ele significa e representa no âmbito da cultura ocidental como algo que antecede o saber filosófico. Muitos estudiosos afirmam que o mito é a primeira forma de explicação da realidade, seja ela natural ou social. Trata-se de uma narrativa, concebida pela língua grega como mythos. Mas, afinal, que espécie de narrativa é o mito? Na Grécia

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Assim, observamos que a atitude mítica é, antes de tudo, uma atitude de crença. Além de procurar uma explicação para a realidade, o mito também propõe apaziguar os temores do homem diante do mundo em que vive. As narrativas descrevem a relação do homem com os deuses – pois se trata de uma cultura politeísta – de forma poética e metafórica, utilizando-se de recursos figurativos. O mito expressa, através do seu poder criativo, como as coisas passaram a existir, a sua origem. Apesar de se constituir como uma criação, ele não pode ser interpretado como uma simples invenção, uma ficção, uma fábula ou algo parecido. A sua finalidade é representar, por meio de uma linguagem simbólica, a realidade do mundo humano. Assim, podemos observar que, diferentemente da filosofia - que se utiliza de sistemas e conceitos -, o mito é marcado por um forte simbolismo, por uma forma de expressão até mesmo literária. Desprovido de qualquer caráter lógico e racional, o mito nem sempre possui sentido, ficando às vezes no plano da sugestão. Por isso está sujeito às mais variadas interpretações. São os poetas gregos os grandes responsáveis pela realização dessas narrativas, uma vez que são considerados escolhidos pelos deuses, eleitos pelas divindades. Os deuses apresentam-lhes os fatos do passado e a origem de tudo, cabendo a eles transmitir às demais pessoas. Desta forma, é possível perceber que o mito tem um caráter sagrado. Para Reale,

Figura 2: Chronos o deus do tempo

antiga cultivava-se a tradição oral, ou seja, a palavra falada. O mito nasce dessa oralidade através da cultura popular, configurando-se como um discurso destinado a um público ouvinte, sendo que este toma aquilo como verdade absoluta por confiar plenamente em quem está narrando.

Antes do nascimento da filosofia, os educadores incontrastados dos gregos foram os poetas, sobretudo Homero, cujos poemas foram, como se disse com justiça, quase a Bíblia dos gregos, no sentido de que a primitiva grecidade buscou alimento espiritual essencial e prioritariamente nos poemas homéricos, dos quais extraiu modelos de vida, matéria de reflexão, estímulo à fantasia e, portanto, todos os elementos essenciais à própria educação e formação espiritual. (REALE, 1993, p.19).

Muitos mitos são transmitidos através das epopéias cuja poesia expressa o mundo poético do povo grego. O poeta mais importante desse período foi Homero – conforme mencionando na citação acima -, autor das famosas obras Ilíada e Odisséia, que relatam o tema da luta entre gregos e troianos e as façanhas de Ulisses, respectivamente.

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1.4 LOGOS E REALIDADE Os Pré-socráticos

Os filósofos pré-socráticos – assim denominados porque viveram antes de Sócrates – são os primeiros filosóficos surgidos no Ocidente. Rompendo com a concepção mítica, a filosofia pré-socrática coloca a razão (logos em grego) acima de tudo, despr ezando qualquer possibilidade sobrenatural. A sua preocupação é puramente cosmológica, desvendar a realidade do cosmos. Os escritos filosóficos desses pensadores foram elaborados em forma de fragmentos, o que dificulta obter uma Figura 3: Sócrates compreensão clara do seu conteúdo. Os principais filósofos pré-socráticos são: Tales de Mileto (624 a.C. – 545 a.C.), Anaximandro (610 a.C. – 547 a. C.), Anaxímenes (585 a.C. – 525 a.C.), Pitágoras (582 – 497 a.C.), Heráclito (540 a.C. – 480 a.C.), Demócrito (460 – 370 a. C.). Sócrates (470 – 399 a.C.) Vamos conhecer agora o filósofo Sócrates. Certamente todos vocês já ouviram falar dele. Trata-se do mais importante pensador grego, responsável por mudar completamente os rumos da civilização ocidental. Ele exerceu, também, uma considerável influência na política de Atenas. Apesar de toda a sua sabedoria, Sócrates não deixou nenhum texto escrito. Tudo o que sabemos sobre a sua vida e o seu pensamento foi escrito por seus discípulos, dentre eles Platão e Xenofonte. Defensor da Razão como única via de acesso ao conhecimento, Sócrates desenvolve um método próprio de análise filosófica. Este método é denominado de “maiêutica” (em grego “parto das idéias”), cujo objetivo é possibilitar ao homem o conhecimento de si mesmo.
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Mas, afinal, em que consiste a “maiêutica”? Consiste em “fazer perguntas e analisar as respostas de maneira sucessiva até chegar à verdade ou contradição do enunciado” (TELES, 1995, p. 31). Desta forma, este método faz com que as pessoas comecem a pensar a partir daquilo que não conhecem, ou seja, pela ignorância. Daí a sua famosa frase: “eu só sei que nada sei”.

Figura 4: Platão

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O mito da caverna

Imaginemos uma caverna subterrânea onde, desde a infância, geração após geração, seres humanos estão aprisionados. Suas pernas e seus pescoços estão algemados de tal modo que são forçados a permanecer sempre no mesmo lugar e a olhar apenas para a frente, não podendo girar a cabeça nem para trás nem para os lados. A entrada da caverna permite que alguma luz exterior ali penetre, de modo que se possa, na semi-obscuridade, enxergar o que se passa no interior. A luz que ali entra provém de uma imensa e alta fogueira externa. Entre ela e os prisioneiros – no exterior, portanto – há um caminho ascendente ao longo do qual foi erguida uma mureta, como se fosse a parte fronteira de um palco de marionetes. Ao longo dessa mureta-palco, homens transportam estatuetas de todo tipo, com de seres humanos, animais e todas as coisas. Por causa da luz da fogueira e da posição ocupada por ela, os prisioneiros enxergam na parede do fundo da caverna as sombras das estatuetas transportadas, mas sem poderem ver as próprias estatuetas, nem os homens que as transportam. Como jamais viram outra coisa, os prisioneiros imaginam que as sombras vistas são as próprias coisas. Ou seja, não podem saber que são sombras, nem podem saber que são imagens (estatuetas de coisas), nem que há outros seres humanos reais fora da caverna. Também não podem saber que enxergam porque há a fogueira e a luz no exterior e imaginam que toda a luminosidade possível é que reina na caverna. Que aconteceria, indaga Platão, se alguém libertasse os
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Figura 5: O mito da caverna

prisioneiros? Que faria um prisioneiro libertado? Em primeiro lugar, olharia toda a caverna, veria os outros seres humanos, a mureta, as estatuetas e a fogueira. Embora dolorido pelos anos de imobilidade, começaria a

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ATIVIDADES
Filme: O show de Truman (The Truman Show, EUA, 1998). Diretor: Peter Weir. Duração: 103 min. Sinopse: Trata-se da história de um jovem que tem a sua vida filmada a todo tempo e mostrada para o mundo inteiro num programa de TV, porém ele não sabe disso, pois tudo lhe parece normal e verdadeiro. Alguns acontecimentos acabam lhe mostrando que tudo o que vive é uma grande ilusão, uma mentira. SUGESTÃO: Assista a este filme comparando-o com o Mito da Caverna, de Platão.

caminhar, dirigindo-se à entrada da caverna e, deparando com o caminho ascendente, nele adentraria. Num primeiro momento, ficaria completamente cego, pois a fogueira na verdade é a luz do sol e ele ficaria inteiramente ofuscado por ela. Depois, acostumando-se com a claridade, veria os homens que transportam as estatuetas e, prosseguindo no caminho, enxergaria as próprias coisas, descobrindo que, durante toda sua vida, não vira senão sombras de imagens (as sombras das estatuetas projetadas no fundo da caverna) e que somente agora está contemplando a própria realidade. Libertado e conhecedor do mundo, o prisioneiro regressaria à caverna, ficaria desnorteado pela escuridão, contaria aos outros o que viu e tentaria libertá-los. Que lhe aconteceria nesse retorno? Os demais prisioneiros zombariam dele, não acreditariam em suas palavras e, se não conseguissem silenciá-lo com suas caçoadas, tentariam fazê-lo espancando-o e, se mesmo assim, ele teimasse em afirmar o que viu e os convidasse a sair da caverna, certamente acabariam por matá-lo. Mas, quem sabe, alguns poderiam ouvi-lo e, contra a vontade dos demais, também decidissem sair da caverna rumo à realidade. O que é a caverna? O mundo em que vivemos. Que são as sombras das estatuetas? As coisas materiais e sensoriais que percebemos. Quem é o prisioneiro que se liberta e sai da caverna? O filósofo. O que é a luz exterior do sol? A luz da verdade. O que é o mundo exterior? O mundo das idéias verdadeiras ou da verdadeira realidade. Qual o instrumento que liberta o filósofo e com o qual ele deseja libertar os outros prisioneiros? A dialética. O que é a visão do mundo real iluminado? A Filosofia. (CHAUÍ,1996). Aristóteles (384-322 a.C) Aristóteles freqüentou a Academia de Platão, tornando-se seu discípulo. Mais tarde contraria o seu próprio mestre, sobretudo ao desprezar a teoria do mundo das idéias, fazendo a síntese do mundo sensível e do inteligível a partir do conceito de “substância”, ou seja, “aquilo que é em si mesmo”. Um dos seus grandes feitos filosóficos foi sistematizar a Lógica através do seu tratado intitulado Organon. Além disso, escreveu vários trabalhos científicos, a saber, A física, História Figura 6: Aristóteles natural, As partes dos animais, etc. Sobre estética produziu duas grandes obras, intituladas Retórica e Poética. É autor também de Ética a Nicômaco, Política e Metafísica, esta última exerceu uma grande influência nas concepções filosóficas e teológicas da Idade Média.
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1.5 A INFLUÊNCIA DOS GREGOS NO PENSAMENTO MEDIEVAL A divisão da história em períodos como método para seu estudo tem colocado a Europa como centro de referência da história mundial. Tal método colabora na indução, ainda presente na educação, em estabelecer a cultura européia como modelo a ser seguido ignorando outras culturas, histórias e pensamentos. Desta forma, quando nos referimos ao pensamento desenvolvido na Idade Média, devemos nos lembrar que o pensar filosófico não se restringe aos filósofos europeus, mas se estende a pensadores judeus e árabes. No entanto, podemos apontar como ponto fundamental nesse pensamento as influências de Platão e Aristóteles. Apesar do quase desaparecimento da cultura greco-romana durante o estabelecimento do modo de produção feudal, pensadores da Idade Média como Santo Agostinho, São Tomás de Aquino, Avicena e Averróis traduziram em suas filosofias – em contextos diferentes – o pensamento grego. A fim de entendermos melhor, vejamos um pouco do pensamento de Santo Agostinho e São Tomás de Aquino, respectivamente, os expoentes da Patrística e da Escolástica. Santo Agostinho (Século IV) Santo Agostinho foi o principal representante da Patrística, tendência filosófica que introduziu como preocupação humana as idéias de criação, pecado, juízo final, ressurreição, natureza trina de Deus, etc. Para tanto, Santo Agostinho retoma a dicotomia platônica (“mundo sensível e mundo das idéias”), substituindo o mundo das idéias pelas idéias divinas. Para ele, o conhecimento não é uma reminiscência, um conteúdo passado, mas a conseqüência da irradiação divina que atua a todo o momento possibilitando ao homem a capacidade de

GLOSSÁRIO

B GC
E

A

F

Patrística: Inicia-se durante a decadência do Império Romano no século III. Teve como ponto fundamental a apresentação racional da doutrina religiosa. Sua principal preocupação era esclarecer a relação entre fé e ciência. Escolástica: Filosofia e teologia ensinadas nas escolas medievais. Também pode ser compreendida como um período de grande efervescência tanto de idéias filosóficas quanto teológicas.

Figura 7: Santo Agostinho

pensar corretamente. A teoria agostiniana defende o princípio de que Deus é, foi e será o Ser. Deus é imutável, eterno, perfeito, o bem absoluto. O mundo, criado por ele, é a manifestação da sua bondade e sabedoria. Ele, então, deve ser o objetivo humano, pois a procura por ele é a procura pela verdade. Assim, a razão humana torna-se serva da fé e, conseqüentemente, a filosofia torna-se serva da teologia. Suas principais obras são: Confissões, Cidade de Deus, De beata vita, De magistro. São Tomás de Aquino (Século XIII) São Tomás de Aquino é o mais importante filósofo da Escolástica.

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Ciências Sociais

Caderno Didático I - 1º Período

A questão debatida pelos escolásticos, em geral, teólogos e clérigos, era se a filosofia tinha autonomia frente à teologia, isto é, se a razão é autônoma em relação à fé. Assim, Tomás de Aquino procurou realizar uma síntese perfeita, elaborando um novo sistema de pensamento que acolhe a verdade existente nesses dois opostos: fé e razão. Para ele, o homem é capaz de chegar ao Figura 8: São Tomás conhecimento da verdade, porém nos mostra de Aquino que há verdades reveladas e verdades racionais. As primeiras alcançadas mediante a fé, e as segundas a partir da razão humana. Desta forma, ele chega ao entendimento de que apesar da sua dependência de Deus, o homem gozaria de uma relativa autonomia e esta se manifesta através do uso da razão. O ente e a essência é uma das suas principais obras. Seu pensamento recebeu uma profunda influência da filosofia aristotélica.
Fonte: www.mundodosfilosofos.com.br

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Filosofia da Educação

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REFERÊNCIAS

CHAUÍ, Marilena. Convite à filosofia. São Paulo: Ática, 1996.

GAARDER, Jostein. O mundo de Sofia: romance da história da filosofia. Trad. João Azenha Jr.. São Paulo: Companhia das Letras, 1997.

OSBORNE, Richard. Filosofia para principiantes. Trad. Adalgisa Campos da Silva. Rio de Janeiro: Objetiva, 1992.

REALE, Giovanni. História da filosofia antiga. vol. I e II. Trad. Marcelo Perine. São Paulo: Edições Loyola, 1993.

RUSS, Jacqueline. Dicionário de filosofia. Trad. Alberto Alonso Muñoz. São Paulo: Scipione, 1994.

TELES, Antônio Xavier. Introdução ao estudo da filosofia. São Paulo: Ática, 1995.

Disponível na Internet: www.mundodosfilosofos.com.br

Obs.: Todas as imagens exibidas nesta Unidade foram extraídas do site www.mundodosfilosofos.com.br

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UNIDADE 2
ONTOLOGIA
2.1 INTRODUÇÃO

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O pensamento grego é indiscutivelmente um marco fundamental no modo como hoje concebemos o mundo, a vida e a nós mesmos. De todos os pensadores gregos, Platão e Aristóteles são os que mais nos influenciaram. A partir deles, temos as bases necessárias para a discussão filosófica sobre a educação, ou seja, algumas questões pensadas por eles há muito tempo ainda servem para pensarmos o papel da educação e sua relação com a sociedade como um todo. Pensemos, por exemplo, que: a educação visava à virtude e tinha uma relação direta com a política. Por que? Porque a virtude era considerada um modo de o homem mostrar sua superioridade em todos os sentidos, inclusive na vida pública, nos negócios da cidade em prol da coletividade. A tentativa de qualificar o homem pela virtude no universo grego tinha como meta a construção de homens capazes de viver numa sociedade boa e justa. Sabemos também que os gregos nos deixaram um modelo de ensino que ainda estimula as nossas discussões sobre ensino-aprendizagem e, de muitas formas, influencia o nosso cotidiano. A importância de Platão e Aristóteles não reside somente no que p o d e m o s e n t e n d e r Fonte: www.mundodosfilosofos.com.br como pioneirismo e exclusividade na abordagem do assunto, pois na cultura grega arcaica já havia indícios de uma visão educacional que nos serviria como ponto de Figura 9: Imagem da Acrópoles na Grécia partida para a compreensão do problema do conhecimento e da ontologia. A proposta dos filósofos gregos, que entendiam o saber como um cuidado da vida interior, a disseminação do conceito de psyché e sua relação com o soma (corpo), e o empreendimento pitagórico são alguns exemplos apenas. A Paidéia grega não representava apenas uma mudança na forma de conceber a educação e produzir o conhecimento, mas significou toda a perspectiva da concepção ocidental do que podemos nominar como sendo o objetivo maior do ensino e da aprendizagem. As questões colocadas até aqui servem para nos situar diante da percepção e compreensão da verdade como fruto da relação do homem com os outros, com a realidade e com o transcendente, na busca de sentido para sua existência, tudo isso como uma conquista do pensamento

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Paidéia: processo de formação do homem grego equivalente ao que hoje chamamos de pedagogia. Ou seja, para que ensinar e o que ensinar diante daquilo que se pretende alcançar? Qual é o melhor caminho para chegarmos ao conhecimento do mundo e ao conhecimento de nós mesmos, do nosso ser. A primeira conquista da humanidade ou da civilização ocidental, fundada na idéia de ensino e aprendizagem de modo sistemático, vem da Filosofia inaugurada pelos gregos. Esse novo modo de entender o conhecimento, como pressuposto para a construção do ser, foi buscar na educação um processo relacional de construção da verdade, e não apenas execução da imposição da verdade que consiste nos códigos religiosos ou culturais, como nas demais culturas existentes na época, anterior à Grécia, e até mesmo posterior à mesma.

DICAS

O livro VII da República de Platão retrata muito bem a relação da educação com a virtude e a política. Leia o livro VII e relacione os três temas: educação, virtude e política.

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Ciências Sociais

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Psyché: Alma, Mente. Pitagórico: Segundo o pitagorismo, a essência, o princípio essencial de que são compostas todas as coisas, é o número, ou seja, as relações matemáticas. Os pitagóricos, não distinguindo bem forma, lei e matéria, substância das coisas, consideraram o número como sendo a união de um e outro elemento. Da racional concepção de que tudo é regulado segundo relações numéricas, passa-se à visão fantástica de que o número seja a essência das coisas.

e da reflexão filosófica. O legado grego, portanto, é essa insistência que o ser humano possui de construir-se como senhor de si, e não apenas dobrarse aos mecanismos de poder presentes no seu contexto. Essa perspectiva de construção está vinculada ao dinamismo da razão humana como uma projeção para fora de si, no sentido de transcendência. Que significa isso? Significa que um modo específico de compreender a nós mesmos no mundo se dá pela compreensão do nosso s e r, d a n o s s a Fonte: www.mundodosfilosofos.com.br essência, daquilo que somos verdadeiramente. O conhecimento que trata do nosso ser chama-se ONTOLOGIA O termo ontologia é originário da Figura 10: A morte de Sócrates filosofia grega. Ontologia é um ramo da filosofia que lida com a nossa constituição mais íntima, isto é, com o nosso ser. Esse termo foi introduzido por Aristóteles para desenvolver um conhecimento, uma ciência do Ser, da Essência humana. Por isso, o termo significa: Ontós = Ser, e Logos = Conhecimento: Conhecimento sobre o Ser. Antes de passarmos para esse ramo do conhecimento que se chama Ontologia, trilharemos um caminho pelo problema do conhecimento desde Platão. Lembre-se: o conhecimento não está desvinculado da ontologia.

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Ontologia: Estudo do Ser. Ramo da filosofia que procura elaborar um pensamento sobre o Ser, sobre o que as coisas são em sua essência e não segundo sua aparência.

2.2 PLATÃO E O CONHECIMENTO

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Inatismo: De Inato, próprio ao homem, que já nasce com ele Plotino: Santo Agostinho:

Platão, seguindo as trilhas de seu mestre (Sócrates), propõe nos Diálogos, especialmente na República, que a verdade pode estar no enunciado, na linguagem, mais do que isso, é preciso muito diálogo para encontrá-la. Faz parte da visão platônica de verdade que devemos desconfiar daquilo que aparece, ou mais ainda, o mais importante pode e quase sempre está para além do que estamos vendo ou percebendo. O conceito de EIDOS (idéia), chamado mais convencionalmente de ‘mundo das idéias’, ou como no Diálogo Parmênides: Teoria das Formas, tem um propósito interessante. Afinal, a proposição na República de uma espécie de teoria da iluminação, podendo ser entendida, inclusive, como inatismo, vai alimentar todo o pensamento medieval e, de modo especial, Plotino, Santo Agostinho e outros filósofos.

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Filosofia da Educação

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O conhecimento como relação com o código indica a submissão do indivíduo à tirania, monarquia, mitologia, oligarquia e outras formas que consideravam o conhecimento Fonte: www.mundodosfilosofos.com.br como determinação do status quo. Ou seja, os papéis sociais e religiosos estavam definidos, conhecer significava submeter-se a isso. No caso de Platão, um legado do mundo das idéias; no caso dos pensadores medievais, é uma iluminação direta de Deus que dá a garantia de que estamos intuindo a verdade, ou mesmo dizendo-a. A proposta educacional e política de Platão não é absurda. Figura 11: Robbia, Luca (1400-1482) Aliás, ele apresenta de forma muito evidente que há uma estreita e necessária relação entre Política, Conhecimento e Educação. Quando sugere o sentido da Educação como Paidéia (Educação integral – corpo e alma), como um meio de construção de uma república ideal, sedimentada no Bem, no Justo e no Belo, ele dá um caráter muito parecido com o que entendemos por educação hoje. Não são apenas informações ou dados; os conteúdos propostos no senso platônico de Educação são pressupostos para a formação daquele cidadão que vai dar sentido e garantia para a cidade. Nela, a justiça deve ser o princípio fundante. Embora legitimando a escravidão e algumas injustiças de seu tempo, como a desvalorização das mulheres, dos escravos e das crianças, Platão aponta uma perspectiva que ainda alimenta a mística da educação como promoção e qualificação do ser. Ou seja, uma coletividade justa e voltada para o bem nasce de um processo em que os indivíduos são educados para a construção da justiça, embora ela nem sempre seja fácil de ser conceituada, fundamentada ou mesmo justificada pela argumentação. Platão vê, na Justiça, o fundamento pelo qual o Bem pode se configurar. A verdade é que, como ele admite, se alguém puder demonstrar que é mentira o que dissemos, e estiver seguro de saber bem que a justiça é o maior dos bens, tem sempre uma larga compreensão, e não se encoleriza com as pessoas injustas, mas sabe que, a menos que alguém, por instinto divino, tenha aversão à injustiça ou dela se abstenha devido ao saber que alcançou, ninguém mais é justo voluntariamente, mas que devido à covardia, à velhice ou a qualquer outra fraqueza, censurará a injustiça, por estar incapacitado de a cometer. Nessa combinação entre Bem e Justiça, mas sobretudo de uma subjetividade que consiga projetar-se para a relação com a coletividade dentro e a partir daquilo que Platão chama de virtude, convém ressaltar que a Justiça em Platão é um misto de utopia e realidade. E a utopia ainda está presente na nossa ânsia educativa. O

PARA REFLETIR
Vá ao ambiente de aprendizagem e deixe sua opinião sobre a seguinte questão: como a educação pode levar os homens a uma dimensão crítica em relação a si mesmos?

DICAS

O filme O Nome da Rosa retrata muito bem a relação entre o conhecimento herdado dos gregos e o problema da verdade religiosa. Assista ao filme e faça uma relação entre conhecimento e verdade revelada na idade média.

PARA REFLETIR
Como se trata de temas muito atuais, tente definir o que é a Justiça, o que é o Bem e o que é o Belo. Lembre-se: não se trata de uma mera opinião, mas de uma definição rigorosa!

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Transcendente: Aquilo que vai além da experiência, que ultrapassa os dados materiais, que diz respeito à essência das coisas, ao fundamento e ao ser das coisas.

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Ciências Sociais

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Utopia: Topos significa lugar; U é negação. Utopia é a condição daquilo que ainda não está realizado. Tem o sentido de irrealizável, impossível de se concretizar.

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Politéia: Conjunto de todas as ações praticadas na polis pelos indivíduos.

processo educativo não tem sentido se não tiver um aspecto consciente ou inconsciente de projeção de sujeitos que, embora envolvidos e fixados numa realidade racional, conceitualmente almejem uma realidade melhor no sentido ontológico e social. Podemos até não concordar com o propósito platônico, mas educar sempre vai significar uma transição, uma transcendência, uma auto-superação ou, pelo menos, a busca disso. A utopia platônica entendida na Politéia como um conceito comum a todas as formas de governo de seu tempo, pois examinando e avaliando os regimes e modelos circunvizinhos, mostra a necessidade de projetar para fora da realidade um lugar que ainda não existia (república ideal), para servir de arché (estrutura modelo) para todas as repúblicas, mas não se esqueceu de propor que essa finalidade só se efetivaria quando houvesse um processo educativo que conduzisse para tal. O curioso é que Platão não apresenta apenas o contentamento quando acontece a conceituação sobre o propósito da Justiça, mas, fundamentando-se na busca de um Bem maior, tende a propor algo que vai além do enunciado lingüístico. Certamente que as repúblicas que se fundariam a partir do horizonte utópico da república modelo se construiriam em perspectivas diferentes, em que a justiça, o bem e o belo seriam os fios condutores da permanência desse estado perfeito de organização da Pólis, garantidos pela educação integral do ser humano. É, nesse sentido, que o pensamento educacional de Platão fixou-se nessa necessidade e possibilidade de qualificação do ser para a vida coletiva. Definitivamente, não há senso coletivo sem o empreendimento educacional.

PARA REFLETIR
Em que medida é possível haver justiça como um todo a partir da educação? Em que o pensamento educacional de Platão pode ser útil para os nossos dias? Apesar de serem contextos diferentes, reflita sobre a relação entre a educação platônica e a educação atual.

DICAS

2.3 ARISTÓTELES: CONHECIMENTO, EDUCAÇÃO E ONTOLOGIA

Veja os filmes ‘Posseidon’ e ‘Odisséia’ em que são retratados os aspectos humanos das divindades gregas.
Fonte: www.mundodosfilosofos.com.br

Já na Politéia, de Homero, há uma proposta educacional muito curiosa, pois os deuses têm características humanas. Não só for mas, mas atitudes humanas como ciúme, raiva, amor etc. Isso já dá uma perspectiva interessante, ou seja, se investirmos na qualificação do nosso ser, através da educação, podemos alcançar um nível mais elevado de nossa existência, muito embora não tenhamos o dom da imortalidade, podemos nos

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Delfos: Oráculo grego onde os indivíduos iam consultar os deuses sobre seu destino e sobre as ações a serem praticadas em benefício da cidade.

Figura 12: Aristóteles

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assemelhar aos deuses na busca do conhecimento. Dito de outra forma, podemos ser parecidos com os deuses pelo menos no aspecto do saber. Nesse sentido, a grandeza humana consiste no duplo movimento: não aceitar mais a determinação do destino, mas também renegar que precisamos ser igual aos deuses. O velho preceito de Delfos “conhece-te a ti mesmo” significa que devemos investir mais no nosso aperfeiçoamento do que ficar invejando os deuses ou investindo em alguma coisa referente aos deuses. A proposta socrática de implantação da temática antropológica supera a discussão do período arcaico em que o foco era a investigação teológica e cosmológica. Embora na mitologia a função pedagógica do próprio mito era chantagear e/ou seduzir as novas gerações para manter e respeitar a tradição, ela carrega implicitamente uma proposta de reação revolucionária às determinações impostas pela tradição cultural. Nesse sentido é que nasce aquilo que chamamos de estética da existência. Cada ser humano assume a sua autoconstrução como se fosse uma obra de arte. Com isso, a educação vai perdendo herança divina para assumir um caráter de finalidade humana. O conhecimento na ótica aristotélica representa uma nova etapa. Nele encontramos um modo de pensar sobre a prática. Uma teoria que nasce da contemplação, mas que é aplicação, práxis. A proposta da virtude reiterada e que já vinha pautada nas proposições platônicas e socráticas. Em Aristóteles, temos uma compreensão dialética da educação e, ao mesmo tempo, uma espécie de sistemática de tudo o que foi dito e entendido sobre o assunto na Grécia Antiga e Clássica. Para ele, não há problema com a política (Platão) ou com o discurso (Sócrates), desde que esses sejam acompanhados pela ética. Na Ética a Nicômaco fica bem evidente que o entendimento de Aristóteles aponta para a necessidade de um investimento em sentimentos e atitudes que sejam alternativos ao caráter tirânico. A inserção nas discussões filosóficas de temas como a amizade, por exemplo, mostra a efetiva preocupação com a questão política. Por que os tiranos e os malfeitores não investem nesse tipo de virtude? Somente uma sociedade livre e democrática é capaz de estimular a amizade e as relações que tendem para a valorização da pessoa e o respeito por ela. Para o discípulo de Platão, o conhecimento nasce da experiência dos sentidos. Ele funda, com isso, o Realismo em contraposição ao Inatismo ou ao Idealismo de Platão. Nele, a gestão do conhecimento é necessária porque incide na questão do poder político. Há uma grande confiança no papel dos sentidos captarem, através da Intuição, a essência das coisas. Essa compreensão realista do conhecimento parece que resolve o problema da educação, mas possivelmente aqui é que começam os empecilhos do ensinar e do aprender. A busca da arte de interpretar nos remete ao sentido do educar, como um exame mais suspensivo sobre a realidade, para podermos captar a essência. Ao remontar todo o edifício filosófico já apresentado por

PARA REFLETIR
Como você relaciona política, discurso e ética? A partir do seu contexto, da sua realidade, faça uma relação entre esses três temas.

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Ciências Sociais

Caderno Didático I - 1º Período

Fonte: www.mundodosfilosofos.com.br

Parmênides, Heráclito, Platão e Sócrates, Aristóteles lança mão do argumento de que o problema filosófico da Pólis não está ancorado na Linguagem, no plano das Idéias, ou mesmo na questão do discurso e/ou da política, ou mesmo no problema do movimento ou não. Ele apresenta algo diferente, que é a necessidade de cada integrante da coletividade ter um esforço ético. Figura 13: Cada um deve fazer sua parte a partir do horizonte do exercício virtuoso da cidadania. E é nesse sentido que no ocidente, pela primeira vez, falou-se em ética como Ciência. Dentro do postulado aristotélico, para gerir uma instituição, família ou a si mesmo, é preciso ter solidez de caráter e isso se consegue pelo conhecimento: o orthós logos (bom uso da razão) e pela vivência da virtude do equilíbrio. Esse caminho apontado por Aristóteles mostra que ele insistiu no fato de que a educação, ou o processo do conhecimento leva o ser humano a buscar o meio termo, a temperança, nem muita festa nem de menos. Percorrido pelo bom uso do conhecimento, isso só acontece pela virtude obtida pela educação das novas gerações, numa perspectiva de construção interior da pessoa.

2.4 CONSIDERAÇÕES FINAIS Nos dois grandes filósofos clássicos, a compreensão do papel filosófico da educação reside nessa tentativa de nos remetermos para fora de nós mesmos, sem deixar de ser o que somos, mas justamente fazendo desse movimento uma construção perene dos conceitos que orientam e direcionam o nosso agir. Isso vai balizando um novo jeito de ser do humano no mundo e vai recriando um ambiente em que o coletivo se efetiva pela qualificação das pessoas. Esse salto só pode ser alcançado pela educação. Nesse caso, o ensino não é meramente uma transmissão de conceitos ou conteúdos, mas um treinamento ontológico, uma forma de lapidar os seres para que possam conviver de forma mais harmônica na sociedade. A metafísica grega, principalmente a proposta em Aristóteles, orienta os nossos conceitos educacionais, como referência ou como paradoxo, e é ainda questionada pelos mais diferentes autores de nosso tempo. Ela está ligada de alguma forma à própria investigação de Parmênides sobre o ser e a busca que sempre fazemos de algo que fundamente não só a educação, mas toda a realidade: a essência. A questão do ser como arché (origem) desencadeou e acelerou todo o processo filosófico no ocidente. Não precisamos aceitá-la, mas tampouco conseguiremos negar que o saber

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Filosofia da Educação

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como ontologia, como construção do ser, tornou-se a marca registrada daqueles que ainda se encontram nos diferentes níveis de ensino para aprender e ensinar. O conceito de ser como medida de todas as coisas, na compreensão de Parmênides, suscitou todo o alavancar filosófico. Depois, Heráclito, ao debruçar-se sobre isso, propondo o Devir como horizonte primordial, suscita nos pensadores seguintes a tentativa de resolver os problemas que ambos criaram. Essa necessidade de encontrar, definir a verdade, dizê-la e comprová-la aos outros tornou-se o marco central da filosofia grega, mas também é o ponto de partida de todas as ciências no mundo. Ou seja, conhecer é um misto de contemplar, concluir e discorrer, mas sempre num processo contínuo de construção, desconstrução e reconstrução dos conceitos. Sócrates, quando remonta à maiêutica como arte filosófica, não apenas cria um problema posterior, como encontra sérias dificuldades em seu tempo para contrapor o propósito sofista da verdade alcançada pela retórica, então sugere que a verdade está no interior do homem. Quando lemos algo sobre Sócrates, ou mesmo nos diálogos de Platão, sempre como o mais sábio dos sábios, podemos nos encantar e nem perceber o problema maior que ele causou. Mas, sem dúvida, o seu propósito é inovador. A verdade está no ser. A verdade está em nós e não escondida nos deuses, no cosmos e no universo exterior. O problema é muito simples: a verdade está dentro de nós? Nascemos com ela? Se a resposta for positiva, então só cabe ao indivíduo buscar nele mesmo a verdade. Nesse caso, conhecer seria somente ensinar as novas gerações a dar-se conta de que alguém a depositou lá dentro de nosso ser e nós só precisamos buscá-la. Do contrário, se a adquirimos sozinhos, no contato com a realidade, como se dá esse processo? Mesmo assim, alguém tem que ensinar o caminho para chegarmos até lá, ou buscamos juntos na realidade. Eis o grande paradoxo que ainda movimenta os eventos sobre educação e que vai movimentar todo o pensamento ocidental por muito tempo. Basta lembrarmos o que consta no artigo 35 da LDB, em seu inciso III, quando alude sobre a necessidade da Filosofia hoje nas escolas: “o aprimoramento do educando como pessoa humana, incluindo a formação ética e o desenvolvimento da autonomia intelectual e do pensamento crítico”, advém de certa forma do “domínio dos conhecimentos de Filosofia e de Sociologia necessários ao exercício da Cidadania” (LDB, art. 36, inciso III). Respondendo a nossa pergunta inicial: há o que ensinar em Filosofia? Sim. Ensinarmos o valor da responsabilidade de cada um na construção do seu ser individual para que, através disso, se alcance a capacidade de conviver em sociedade de forma justa, pacífica e crítica.

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REFERÊNCIAS

CHAUÍ, Marilena. Convite à filosofia. São Paulo: Ática, 1996. GAARDER, Jostein. O mundo de Sofia: romance da história da filosofia. Trad. João Azenha Jr.. São Paulo: Companhia das Letras, 1997. REALE, Giovanni. História da filosofia antiga. Vol. I e II. Trad. Marcelo Perine. São Paulo: Edições Loyola, 1993. www.mundodosfilosofos.com.br

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UNIDADE 3
O RACIONALISMO MODERNO
3.1 INTRODUÇÃO Nesta unidade, iremos discutir Fonte: www.mundodosfilosofos.com.br uma temática interessante e pertinente para entendermos alguns conceitos importantes acerca da Filosofia da Educação e do pensamento na modernidade. Faremos uma viagem através do pensamento de Descartes, Hume e Kant. Dividimos o curso, para um melhor entendimento, em três tópicos, e esperamos que vocês possam aproveitar a discussão não só fazendo as atividades, mas também participando do programa de discussão Figura 14: O Geográfo disponibilizado para todos. Sempre depois de cada aula, vamos deixar uma questão para suscitar o debate no fórum e para reflexão dos assuntos tratados. É importante salientar que a participação no fórum é fundamental para que todos possam compartilhar as idéias, pensamentos, etc. Estaremos aguardando vocês.

3.2 A PROBLEMÁTICA DO CONHECIMENTO E O PROJETO FILOSÓFICO DA MODERNIDADE. EMPIRISMO E RACIONALISMO NA EPISTEMOLOGIA MODERNA. A CONSTRUÇÃO DO ILUMINISMO CRITICISTA. 3.2.1 A Problemática do Conhecimento e o Projeto Filosófico da Modernidade Neste tópico, discutiremos algumas questões importantes acerca da modernidade: Caracterização da modernidade; ? A ruptura ? científica; O predomínio da razão. ? Os objetivos deste tópico são: Discutir ?pressupostos epistemológicos da racionalidade; Proporcionar o entendimento da modernidade como período ? de afirmação da razão. Orientação: Faça a leitura do texto abaixo e em seguida resolva as questões indicadas. A modernidade é um momento que podemos conceituar, de

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antemão, como o período da razão. Muito mais que uma simples transformação, ela se instala como uma Fonte: www.mundodosfilosofos.com.br grande ruptura científica: a concretização da racionalidade onde o homem utilizará métodos científicos para conhecer o mundo e as coisas. Esse período é denominado secularização, isto é, conhecimento caracterizado principalmente, pelos valores da ciência, substituindo os valores sagrados que foram anteriormente dados pela religião. E tais valores científicos passam a ser centrados na idéia de progresso, de sociedade racional e técnica. Isso Figura 15: Galileu significa que o mundo não estará mais submetido às verdades da fé. A ciência, agora, diagnostica os problemas do mundo e passa a buscar no próprio mundo, e não mais na religião, como era na Idade Média, os caminhos para a solução dos problemas. O homem da modernidade anseia por significados que estavam protegidos pelo saber religioso. A sociedade moderna passa a ser administrada pela razão – leiase ciência – e a função da razão é de proteger a sociedade de qualquer meio ou artifício que venha pôr em risco o saber científico. A racionalização se estende em todas as situações, significando a destruição de tudo que impeça o homem de ver com clareza e nitidez os movimentos da história. Isso significa que o pensamento do homem deve voltar-se para dar fim a todo olhar limitado e que não seja crítico, ou seja, toda a educação baseada em crenças e superstições, vinculadas a antigas formas de organizações sociais. A razão moderna coloca o homem em um mundo agora aberto à participação coletiva, rompendo definitivamente com as práticas sociais e políticas que serviam simplesmente para deixá-lo no terreno da ignorância. Traduz-se, então, a modernidade, como o acontecimento maior na tentativa de se construir uma sociedade ideal, perfeita e alicerçada pela ciência. Acreditar nessa positividade da razão é o mesmo que esperar necessariamente por uma libertação do homem – da humanidade – livres de todo perigo que possa servir de obstáculo e que venha escurecer o caminho para o conhecimento. A forma das pessoas viverem produzidas na modernidade tirou os homens de todos os tipos tradicionais de ordem social, de uma maneira que nunca houve: revolução geográfica, revolução econômica, revolução política, revolução social. Um exemplo claro disso é a idéia de progresso da humanidade. Libertado da força da religião que dominava o mundo, o homem moderno é direcionado pelo surgimento de uma recente ordem econômica – o capitalismo – e pela produção de novas e modificadas

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Razão: Faculdade ou poder de bem julgar e de discernir o verdadeiro do falso. Para Descartes, isso é possível pela razão inata e natural a todos os homens.

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instituições sociais. Mostrando-se com um enorme dinamismo, a modernidade se consolida como o momento da inter-relação coletiva entre as pessoas, forçando a elaboração de sistemas políticos baseados na reformulação da idéia de Estado, na urbanização crescente para a facilitação e expansão de uma rede de comércio cada vez mais forte e organizada. Logo, a modernidade é marcada pela implementação de uma sociedade mercantil, baseada no acúmulo e no lucro de mercadorias, que reivindica novas exigências como a melhoria das forças de trabalho para o desenvolvimento das atividades produtoras. Além do mais, e talvez seja um dos aspectos mais relevantes e importantes: a modernidade se constitui enquanto período de criação de Estados-nações, que se estruturam e espalham uma técnica de governar a vida das pessoas. A reflexão de Cambi nesse sentido é importante:
O mundo moderno é atravessado por uma profunda ambigüidade: deixa-se guiar pela idéia de liberdade, mas efetua também uma exata e constante ação de governo; pretende libertar o homem, a sociedade e a cultura de vínculos, ordens e limites, fazendo viver de maneira completa esta liberdade, mas, ao mesmo tempo, tende a moldar profundamente o indivíduo segundo modelos sociais de comportamento, tornando-o produtivo e integrado. Trata-se de uma antinomia, de uma oposição fundamental que marca a história da modernidade, faz dela um processo dramático e inconcluso, dilacerado e dinâmico em seu próprio interior, e portanto problemático e aberto (CAMBI, 1999, pp. 199-200).

O pensamento desenvolvido na modernidade surge em suas bases conceituais na Renascença: de certa forma, ocorreu uma vitória da crítica à religião, (domínio especial da Igreja Católica Apostólica Romana), dos valores do mundo, do individualismo. Mas ainda não podemos considerar o Renascimento como uma contraposição radical à Idade Média. Fica claro somente que tal período foi importante na realização de grandes mudanças na civilização, de ordem política, social e cultural. E tais transformações influenciaram decisivamente os séculos seguintes, ou o período denominado propriamente de modernidade. Epistemologicamente (o mesmo que conhecimento científico), a Renascença é marcada pela ausência de um espírito totalmente crítico e purificado pela razão.
O renascimento é uma renascença do homem neste mesmo sentido de renovação; esta renovação, porém, não consiste já numa transcendência dos limites da natureza humana, numa existência pura e exclusiva ligação com Deus, mas sim numa verdadeira renovação do homem nos seus poderes humanos, nas suas relações com os outros homens, com o mundo e com Deus”. (ABBAGNANO, 1984, pp.15-16).

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Conhecimento: Na concepção empirista, todo conhecimento provém da experiência, bem como é a experiência que fornece o critério de verificação que confirma ou não a verdade da ciência.

O período denominado de Renascimento estava ainda cheio de superstições e crenças. Principalmente porque depois da crítica ao domínio exclusivo da religião, o que se mostra é a ausência da crença que antes vigorava, ficando apenas um certo deslumbramento em relação à presença do homem e sua relação com a natureza. Mas, temos uma grande dívida para com o Renascimento e o espírito aventureiro do homem renascentista. Os Renascentistas acreditavam na idéia de que tudo é possível. A curiosidade é aguçada e ilimitada, então ele parte para conhecer novos horizontes, o que ocasionou, como já sabemos, as grandes navegações e expedições. Esse reconhecimento tem de ser expressado. Segundo Abbagnano, o Renascimento se mostrou como um período em que um novo tipo de homem e de sociedade se organizou, ressaltando que:
O renascer do homem, que é o anúncio e a esperança do Renascimento, é o renascer do homem no mundo. A relação com o mundo é reconhecida como parte integrante, constitutiva do homem. A clareza que o homem alcança no Renascimento no que respeita à própria natureza, é também ao mesmo tempo, clareza no que respeita à solidariedade que o liga ao mundo: homem compreende-se como parte do mundo, distingue-se dele por reivindicar a originalidade própria, mas ao mesmo tempo por reivindicar-se nele e reconhece-o como o seu próprio domínio (ABBAGNANO, 1984, p.163).

Apesar das limitações renascentistas, a ciência moderna fundava suas bases cada vez mais sólidas. Uma das mudanças proporcionadas pela ciência moderna foi uma crítica muito grande à todo pensamento que acreditava num mundo bem ordenado e calmo e na terra como o centro do universo. A ciência moderna encontra as possibilidades de se pensar diferentemente do que se pensava anteriormente, e acredita realmente na condição de organizar um mundo verdadeiro, lançando mão, para isso, de uma grande ruptura na ciência: a introdução da geometria pelo filósofo e matemático Galileu Galilei. Isso significava que, para Galileu, os corpos estão em constante movimento, independentemente da vontade dos homens. Antes de Galileu, as inovações na concepção de mundo já tinham sido iniciadas por Giordano Bruno, Nicolau de Cusa e Copérnico. Esses pensadores desarticularam a imagem de um mundo tradicionalmente aceito. Com a ajuda da astronomia, começaram a “cair por terra” os antigos pensamentos a respeito do universo que foram sustentados até o século XIV. Mas, podemos dizer claramente que foi com Galileu que pela primeira vez se racionalizou o cosmos, articulando-o pela linguagem matemática. Isso significa que o universo pode ser pensado e calculado pela matemática. E quando falamos em racionalização do cosmos, é no sentido de sua completa desmistificação: fim de qualquer crença mágica

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ou religiosa dominante na implementação das leis do universo – questão que ainda era comum como característica do renascimento (período que antecede a modernidade). Galileu, pensador do final do século XVI e primeiras décadas do século XVII, parte das bases mecanicistas para se pensar o mundo: movimento, força, repouso. O mundo visto como uma grande máquina que não necessitava de nenhuma lei ou determinação, tanto para mantêlo em movimento, quanto em repouso. Não vamos aprofundar as questões da física de Galileu, não sentimos necessidade disso. A referência é simplesmente para mostrar a importância na História de seu pensamento e sua contribuição para a modernidade a partir do século XVII. A tese de Galileu foi de extrema importância, apesar das sanções da Igreja Católica. Em junho de 1633, Galileu Galilei, com setenta anos, foi obrigado a ajoelhar-se ante o Tribunal Inquisitorial, em Roma, e negar e abandonar as suas teses que futuramente tornaram possíveis a física moderna. O homem da razão, segundo Galileu, passou a ocupar um novo espaço no mundo: o daquele que se torna responsável pela produção do conhecimento. Cabe ao homem desvendar as leis que regem o cosmos, os mistérios que fazem funcionar essa “grande máquina” que denominamos de universo. O homem então, tem que decidir a cada instante o que vai fazer, o que vai ser nos momentos seguintes. Partindo de suas convicções, Galileu mostra que é possível conhecermos o mundo através da matemática. A experiência e a interpretação são o caminho para essa tarefa. Não basta simplesmente ao homem observar e admirar o movimento dos corpos, é preciso que ele saiba colocar as questões certas para encontrar as verdades que tanto procura. Segundo o pensamento de Galileu, o universo não é mais um espaço fechado, organizado hierarquicamente e nem cheio de poderes mítico-religiosos. O universo agora é um espaço infinito, contínuo, físico e matematicamente calculado. Sendo assim, o conhecimento científico só pode ser proporcionado pelo saber racional. Dessa forma, o homem se separa da natureza, e toda relação homem / mundo é estabelecida através da razão. As certezas e coerências da fé religiosa não respondem mais às interrogações, cabendo ao homem intervir sobre o mundo, explorando-o e construindo um novo edifício científico. Torna-se importante, não deixarmos escapar que a ruptura com a idade média deixa ao homem a possibilidade de planejar seu próprio destino, isto é, a sua historicidade. Desvinculando-se das verdades religiosas, o homem passa a considerar a sua diferença, a sua localização na sociedade e seu individualismo. Seguindo as pistas do humanismo renascentista, a modernidade, a partir do século XVII, começa a trilhar verdadeiramente os caminhos da liberdade, e isto significa uma nova postura da figura-homem.

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Quando se diz que o humanismo renascentista descobriu ou redescobriu o “valor do homem”, quer-se com isso dizer que reconheceu o valor do homem como ser terreno ou mundano, inserido no mundo da natureza e da história, capaz de forjar o próprio destino. O homem a quem se reconhece um tal valor é um ser racional e finito, cuja integração na natureza e na sociedade não constitui exílio, mas antes um instrumento de liberdade e que por essa razão pode obter na natureza e entre os homens a sua formação e a sua felicidade (ABBAGNANO, 1984 , p. 12).
Fonte: www.mundodosfilosofos.com.br

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Idéia: Para os empiristas, as idéias originam sempre da percepção. Idéias são objetos mentais, resultado de um processo de abstração, que representa objetos externos percebidos pelos sentidos.

Com a instauração da racionalidade crítico-científica, o homem olha para o mundo e enxerga nele as condições para se chegar `a felicidade e à verdade. A liberdade proporcionada pela razão – espírito aberto a curiosidade científica – faz da experiência humana, enquanto mergulho na natureza e na história, valores imprescindíveis que ocasionarão em novas vivências no campo da arte, da economia, da política, da Figura 16: Descartes geografia e da filosofia. Desde Galileu e sua idéia de ciência, o homem passa a ocupar um papel de destaque. 3.2.2 O Racionalismo: René Descartes e o Problema da Subjetividade Neste texto discutiremos:
? A importância de Descartes na história do pensamento; ? A descoberta do “cogito” ou da idéia de “consciência” em

Descartes;
? e a edificação de uma subjetividade moderna. Descartes

A presença de Descartes no cenário moderno vai marcar decididamente toda a história do pensamento filosófico. Ele vai servir de marco para delimitar a modernidade: o surgimento do subjetivismo como apelo ao homem criador, dominador e conquistador da natureza – o homem pensante. Diferentemente de Galileu que via a verdade como instalada no mundo, Descartes afirma um certo “reposicionamento” do homem, explicando melhor a constituição de uma racionalidade moderna. A importância de Galileu é indiscutível, pois pensou um novo tipo de homem, que se tornara livre para conhecer a realidade que o cercava. Mas o pensamento de Galileu limitava o homem a mero espectador, não determinante do conhecimento sobre a natureza, cabendo a ele

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simplesmente a tarefa de reconhecimento das leis matemáticas e mecânicas do universo. Podemos dizer que Descartes, comumente chamado de principal pensador da racionalidade moderna, iniciou seu projeto perguntando sobre: como é possível conhecer a realidade? E a sua resposta é clara: só podemos conhecer a realidade pela razão. A isso chamamos de RACIONALISMO. E juntamente a esta questão, a problematização da verdade não mais como dada pelo mundo externo, físico, natural (como em Galileu), mas sim como uma qualidade própria do homem como ser pensante, ou seja, a partir de Descartes, a verdade é representada subjetivamente, isto é, na consciência do homem e não no mundo. O pensamento moderno é caracterizado por uma discussão em torno da subjetividade, isto é, tudo aquilo que se articula como pensamento ou com a noção de consciência de si. E o pensar ou consciência de si mesmo, segundo Descartes, é condição para que exista o sujeito – res cogito (que significa consciência pensante). Em Descartes, a idéia de sujeito é o mesmo que: substância pensante, descobrindo com isso a posição do cogito (do pensamento), definindo-o como substância do sujeito, (leia-se metafísica da subjetividade). Para podermos pensar o sujeito em Descartes, é necessário antes de tudo, que saibamos a metodologia usada por ele para se chegar à iluminação do cogito (do pensamento). Descartes, em seu trabalho filosófico, consolida de maneira diferenciada o que já vinha desenhandose desde o século XVI: a valorização positiva do indivíduo e de sua subjetividade como espelho do governo da razão. Para Descartes, a verdade está no interior do próprio sujeito: a certeza da consciência de si. Eu penso, logo existo, ou seja, o pensamento como condição para a existência. Não vamos fazer neste trabalho uma reprodução sistematizada da trajetória cartesiana. O mais importante é deixarmos claro que foi com Descartes que pela primeira vez se pensou o fundamento “do que é o homem” a partir da presença do cogito. Fica claro que, para Galileu, o conhecimento (enquanto leis que fazem funcionar a natureza e/ou o cosmos ou universo) existe e independe do homem. Mas, para Descartes, o primeiro passo para o conhecimento é o surgimento de um sujeito pensante, de um sujeito que se separa do mundo, se reconhecendo e se bastando a si mesmo. Na verdade, em Descartes, o mundo torna-se dependente do sujeito que conhece. A partir de Descartes, o conhecimento não está mais gravado no mundo, mas seu lugar é na consciência do sujeito pensante enquanto representação e/ou adequação entre a “coisa” (o mundo) e o pensamento (o cogito). É a consciência que demarca e dá validade para o que é conhecido. O cogito, segundo Descartes, cobre toda a realidade de uma experiência, sendo resultado de um processo que coloca em cena uma questão: a verdade como um projeto de fundação da consciência. A proposição: Eu penso, logo existo põe o pensar como aspecto essencial do

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Método: Modo de conhecimento graças ao qual o homem pode atingir diretamente seu objeto. O método pode ser racional ou experimental.

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sujeito. E isso em Descartes acaba por transformar a filosofia posterior a ele em exercício obrigatório, de se concordar ou discordar de suas idéias. A existência do mundo é devedora da realidade do pensamento. O sujeito em Descartes alcança a posição daquele que vai produzir uma verdade sobre o mundo, e que esta verdade atingirá o caráter de evidência, clareza distinta do mundo das coisas porque é o resultado de um rigor metodológico nunca visto. Isso significa que para chegar ao conhecimento das coisas é preciso conhecer e avaliar as causas, a falsidade e a verdade de cada saber para abandonar qualquer possibilidade de engano ou de erro. Deve-se afastar de tudo que é duvidoso no pensamento. É necessário oferecer ao método científico um conjunto de regras que conduzirá a ciência em direção à verdade. Para isso, segundo Descartes, precisamos nos afastar do conhecimento sensível, isto é, todo conhecimento proporcionado pelas sensações não nos serve de fundamento para o conhecimento. O único conhecimento possível deve ser aquele dado pelo intelecto, pela razão, por meio de regras, método e investigação. A necessidade de estabelecer um método que tenha como resultado final a clareza dos princípios absolutos, exige de Descartes uma filosofia primeira, que ilumine as regras para a direção do espírito, isto é, de princípios que signifiquem a constatação da presença eficiente do cogito (do pensamento) no mundo e que só através do sujeito pensante é que o mundo pode ser tratado como certeza científica. Descartes, ao afirmar a necessidade e a importância primordial do cogito – do puro pensamento – rejeita a condição dos sentidos como fontes claras do conhecimento. O mundo, que em Galileu era portador de uma verdade própria, passará a ser, em Descartes, nada mais que um imenso campo ou espaço de onde provêm os enganos, as ilusões e as mentiras. Do mundo sensível (tudo que é material, concreto, que eu posso conhecer pelas sensações) nada se pode esperar e concluir, a não ser que ele é falso e motivo de erros de percepção. Dessa forma, Descartes separa o sujeito pensante ou como consciência de um mundo carregado de particularidades e sombras, e que nunca tem em si mesmo, as condições verdadeiras de se conhecer. Muito pelo contrário, estas condições estão, verdadeiramente, na essência do sujeito, em sua consciência, possuidora de uma verdade sobre o mundo. Sendo assim, Descartes surge na modernidade como o filósofo criador do sujeito individual, totalmente separado da res extensa (significa o mundo, as coisas). O sujeito em Descartes é visto como consciência, mas não uma simples consciência de vontades e imaginação, mas como força do cogito que encontra sua verdade a partir do processo da dúvida: jamais admitir coisa alguma como verdadeira se não tenho certeza sobre ela, ou seja, se não consigo torná-la evidente. A evidência é o remédio contra a dúvida. Importante também como método é ordenar meus pensamentos, dos objetos mais simples aos mais complexos e, posteriormente, realizar as enumerações necessárias e

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mais exatas possíveis. Só assim seria possível alcançar a verdade das coisas, do mundo. A substancialização do sujeito, em Descartes, alcança proposições que vão percorrer toda a história do pensamento, principalmente no que trata à redução do corpo como simplesmente uma extensão física e que em nada vai contribuir positivamente na busca da verdade. O Sujeito em Descartes se fecha num tipo de circularidade que vai da consciência do existir a uma existência garantida por uma consciência, cuja única natureza, verdade primeira e indubitável, é o pensamento, e este é inato. Segundo Chauí:
Idéias inatas são aquelas que não poderiam vir de nossa experiência sensorial porque não há objetos sensoriais ou sensíveis para elas, nem poderiam vir de nossa fantasia, pois não tivemos experiência sensorial para compô-las a partir de nossa memória. As idéias inatas são inteiramente racionais e só podem existir porque já nascemos com elas. (CHAUI, 1995, p. 71).

A garantia da existência das coisas, do mundo, nos é dada pela substância pensante que se reconhece através dos seus modos e de suas ações como sendo a afirmação do próprio pensar, ou seja, os modos de vida do indivíduo ou a sua ética, é a correspondência direta e imediata da força de sua razão, expressando, com isso, o itinerário da construção da subjetividade – se o sujeito existe, é porque ele se constitui enquanto res cogito ou como alguém que pensa. No caminho da construção da subjetividade, Descartes parte para um tipo de radicalização do “eu”, através de um distanciamento do mundo. Esse distanciamento é marcado principalmente pelo princípio da dúvida metódica, que propicia a Descartes a oportunidade de vivenciar uma experiência de crítica a todo e qualquer tipo de conhecimento adquirido. Fundando o princípio da dúvida metódica, Descartes dá ao homem a qualidade de “ser que duvida”, colocando-o numa posição central: de negação à afirmação da existência, tanto sua, como do resto das demais coisas. Em Descartes, o fato de duvidar é condição para o pensamento e o pensamento é também, segundo uma mesma ordem, condição para a existência, notoriamente inscrita na frase que afirma: Penso, logo existo. Segundo Descartes, a subjetividade é constituída justamente em sua autonomia para com o mundo pelo processo de afirmação da consciência, do pensamento. A ambição cartesiana que surge é a sua pretensão em solidificar metodologicamente o caminho que conduzirá à evidência da verdade por regras claras e distintas. Uma verdade sobre o mundo das coisas e sobre o homem principalmente, livre dos enganos. A questão mais imediata é visualizar que o sujeito em Descartes é portador de uma verdade universal (penso, logo existo), já que ele possui

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Crítica: Atitude ou capacidade de distinguir entre o verdadeiro e o falso.

um método que lhe dá clareza, segurança e objetividade rumo ao conhecimento (análise, síntese e enumeração). Pelas mãos de Descartes, a modernidade se consolida, acentuando suas bases no poder da razão, caracterizando o sujeito moderno cartesiano (referente a Descartes = cartesiano), fundador do conhecimento, já que a verdade se encontra no interior de si mesmo enquanto certeza da consciência de si (eu me conheço enquanto alguém que pensa). É o ponto importante na modernidade, onde o homem se separa radicalmente do mundo, se recolhendo e se bastando. Descartes abre na modernidade o instante pelo qual insurge uma nova noção de sujeito. A dúvida, trazendo consigo a verdade do pensar, acaba comprovando a idéia cartesiana de consciência como modo pelo qual se chegará à verdade. Com isso, o pensamento cartesiano estabelece a verdade do sujeito enquanto consciência pensante. Nesse momento, Descartes deixa clara sua pretensão em apontar o sujeito, tratando-o a partir da noção de subjetividade. Quando considera o sujeito enquanto substância pensante, Descartes afirma que os sentidos se tornam um obstáculo e um limite à certeza garantida pela ciência. A construção da dúvida metódica vem justificar tal postura, já que não se deve confiar naquilo que é dado de forma mediata pela sensação. A percepção não nos dá segurança, e nos tornamos vítimas das ilusões provenientes do mundo ou das nossas fantasias fruto da imaginação. Esse tipo de questão para a modernidade, até então, nunca tinha sido feita. O homem cartesiano coloca sob suspeita tudo aquilo que lhe foi dado como certo e indubitável. Descartes afirma a superioridade do intelecto sobre o sensível, partindo para um novo fazer científico, iniciando com um entendimento do próprio homem, que ainda se encontrava desconhecido. Descartes descobre o homem como portador de uma consciência, e essa forma de ver o homem desvinculado da natureza torna-se essencial para que o mesmo possa pensar sobre a natureza. O sujeito pensante é, então, um sujeito individual. E o que isso significa? Que o sujeito visto como essência universal, unitária e pensante, descolada do mundo sensível, nada mais é que algo vago e confuso. É um sujeito que se caracteriza simplesmente por ter de forma inata o puro pensar. O pensamento cartesiano nos remete e nos faz admitir um dualismo, um momento de divisão de dois mundos: de um lado, o mundo dos corpos sensíveis e extensos, que possuem grandeza espacial e que podem se tornar conhecido através da matemática pura (da ciência); do outro lado, o mundo racional, cuja essência é o próprio pensar. O mundo físico e extenso, visto pelo dualismo cartesiano, se transforma em uma grande máquina entendida, unicamente, pelas leis matemáticas atribuídas ao pensamento como possuidor de idéias claras e distintas. Jamais a verdade sobre o mundo das coisas poderá ser dada pela percepção como fonte de verdade, já que as impressões (a sensação) recaem constantemente no erro e na falsidade.

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Dúvida metódica: Denominação dada ao método filosófico de Descartes. A dúvida metódica tem por objetivo fundar a certeza de modo inquebrantável, rejeitando sistematicamente tudo aquilo que não é certo. Assim, “duvido, logo existo” é a mesma coisa que “penso, logo existo”.

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Contrariamente a essa idéia, o conhecimento racional marcado por possuir como instrumento metodológico as qualidades imutáveis da geometria analítica se qualifica como possibilidade de aplicação dos conceitos matemáticos no mundo material, isto é, no mundo físico. Descartes avança seu pensamento obstinadamente, na tentativa de distinguir os objetos materiais e se os mesmos podem ser compreendidos. Realiza uma profunda reflexão sobre os atos do imaginar, cuja existência é possível graças ao papel das impressões (das sensações, ou seja, eu só imagino porque posso sentir o mundo), que não se mostram como meio confiável para se chegar à verdade, já que ela se manifesta como diferente da natureza do pensar, concordando com processos cuja elaboração voltase completamente para espelhar as sensações do mundo físico que são apreendidas pelos sentidos. Não se pode ter no cogito (no pensamento) algo que me aparece como falso e ilusório, como os processos que consolidam os atos do imaginar, que acabam se transformando num tipo de verdade apropriada particularmente – subjetivismo – e que se define como efeito do mundo corporal, subordinando o homem ao mundo das sensações. Em nenhum momento, Descartes nega a ocorrência no homem de sensações, mas essas são independentes de uma relação com a consciência ou substância pensante. As operações corpóreas são simplesmente disposições dos órgãos dos sentidos, e não se pode concluir que elas não sejam reais. As operações sensitivas ocorrem para o bom funcionamento da máquina corporal, o que não significa que elas sejam respectivamente da ordem do poder da razão, do cogito. O mais importante em Descartes é mostrar como se dá o distanciamento na constituição da subjetividade (do pensamento, da consciência) entre o pensar e a realidade corpórea. Nesse caso, o homem é então compreendido como sujeito-essência. Entender a noção de homem em Descartes é o primeiro passo estratégico para se compreender o período inaugurado como modernidade, correspondendo esse momento ou acontecimento que se apresenta historicamente ao princípio de uma nova filosofia, entendida como compreensão do homem-sujeito: possuidor de um cogito em si mesmo, reafirmando uma nova abordagem antropológica que possibilitará posteriormente novas problematizações e críticas. Descartes funda o homem a partir do sujeito pensante, que duvida de tudo que lhe é dado como certeza, para metodicamente construir um mundo de verdades claras e indubitáveis. A subjetividade em Descartes alcança um status, um grau de autonomia e liberdade para com a realidade exterior tornando-se, então, o modo privilegiado para pensar o sujeito e também o mundo. 3.2.3 O Empirismo: o Conhecimento pela Experiência Neste tópico, discutiremos algumas questões importantes acerca

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Após a leitura enumere os pontos importantes e relevantes.

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do pensamento de David Hume e o empirismo:
? O conceito de empirismo; ? ao racionalismo; A crítica ? Os objetivos deste tópico são: ?alguns pressupostos epistemológicos do empirismo; Discutir ? Proporcionar o entendimento da modernidade como período de afirmação não só do racionalismo, mas também do empirismo.

Orientação: Faca a leitura do texto abaixo e em seguida resolva as questões. O ponto de partida da reflexão Fonte: www.mundodosfilosofos.com.br humeana está em considerar que todo conhecimento que se refere ao mundo começaria com a experiência, fundandose na percepção. Contudo, o autor considera a percepção de duas maneiras: impressões e idéias. As impressões seriam as percepções mais vivas sentidas pelo sujeito, como as sensações que se tem das cores, dos sons, de uma paisagem, de uma dor, de estados de tristeza e de alegria. As Figura 17: David Hume idéias, de modo diferente, seriam cópias das impressões, imagens mais pálidas que resultariam da forma como o sujeito refletiria sobre as impressões ao usar a memória ou a imaginação. Uma criança, ao colocar o dedo numa tomada, poderia ser vítima de uma descarga elétrica capaz de produzir-lhe uma impressão, porém; todas as vezes que lembrar ou imaginar essa experiência, ela tomará contato com uma idéia, com uma cópia modificada dessa mesma vivência. Assim, se as idéias seriam aquilo que expressaria um pensamento, então seria impossível existir pensamento ou idéia que não tivesse por origem uma ou mais impressões. Levando em consideração esse tipo de raciocínio, os cegos ou surdos de nascença jamais seriam capazes de desfrutar de uma idéia, pois alguém que tivesse o seu aparelho perceptivo danificado seria incapaz de conhecer alguma coisa.
A percepção dividi-se em impressões e idéias. As impressões são nossas percepções mais vivas, [...] são as nossas sensações quando experimentamos algo. As idéias são os nossos pensamentos e, para Hume, não é, portanto, possível supor pensamentos ou idéias cuja origem não esteja numa ou num conjunto de impressões. (ANDERY, p. 312.)

Embora tais dados sejam fundamentais para se compreender como Hume entende a estrutura mental de um sujeito, a situação que se

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coloca agora seria descobrir como o autor apresenta a produção do conhecimento a partir das impressões e das idéias. O primeiro passo dado pelo filósofo seria dividir o conhecimento em dois tipos de raciocínios: os raciocínios demonstrativos, que se referem às relações de idéias; e os raciocínios morais, que se referem às questões de fato e de existência. O que seriam os raciocínios demonstrativos? Por que esse tipo de raciocínio se referiria às relações de idéias? O exemplo que o pensador apresenta seria bastante simples. Que três vezes cinco seria a metade de trinta expressaria a relação existente entre as idéias desses números. Que um triângulo seja uma figura de três lados expressaria a relação existente entre as idéias de linhas. Em poucas palavras, esse tipo de conhecimento se limitaria às operações lógicas do pensamento e não dependeriam, absolutamente, de que tais objetos existissem em parte alguma do universo. Esse modelo de conhecimento seria produzido pela geometria, aritmética e álgebra. Isso significa que ainda que não existam na natureza triângulos, círculos, quadrados, ou mesmo que a natureza não dependa de qualquer tipo de cálculo para dar os seus passos, as verdades produzidas pela matemática conservarão sempre a certeza obtida pelos seus raciocínios.
Há, para Hume, dois tipos possíveis de conhecimento. De um lado, o conhecimento obtido pela aplicação do raciocínio, pela construção de relações lógicas; o conhecimento das matemáticas, geometria e da própria lógica. [...] De outro lado, há o conhecimento que diz respeito a questões de fato, que busca expressar conexões e relações que descrevem ou explicam fenômenos concretos. (ANDERY, pp. 315-316)

O que seriam os raciocínios morais? Por que esse tipo de raciocínio se referiria às questões de fato e de existência? Aqui a resposta será um pouco mais complexa que a apresentada acerca dos raciocínios demonstrativos. Isso porque o conhecimento que se refere às questões de fato lidariam com as conexões e relações capazes de descrever os fenômenos naturais. Assim, a experiência passará a exercer uma função especial, por se preocupar com os acontecimentos do mundo, o que faz com que a verdade de uma afirmação não possa ser demonstrada, pois todo o conhecimento conquistado dependerá da relação existente entre aquilo que se passa na mente humana e aquilo que se coloca junto à experiência. De qualquer forma, Hume considera esse modelo de conhecimento muito mais importante, uma vez que seria o conhecimento empírico que melhor poderia explicar ou traduzir as leis que fariam parte da natureza. O problema seria saber como idéias individuais, produto de experiências particulares, poderiam ser transformadas em leis gerais. Embora possa parecer surpreendente, o autor acredita que as leis, as regularidades descobertas junto à natureza, não passariam de regras naturais da imaginação humana. O pensador chama tais regras de

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Fenômeno: Objeto do conhecimento sensível. O modo como a realidade nos aparece e é conhecida.

associação de idéias, onde as idéias seriam associadas por contigüidade, semelhança e causalidade, transformando a relação de causalidade como o principal elemento de todo conhecimento que se refere às questões de fato.

Para Hume, as afirmações gerais, as leis, as regularidades que supomos descobrir com o conhecimento que reproduzimos sobre o mundo derivam de regras naturais que operam na imaginação dos homens. (ANDERY, p. 316)

Para o filósofo escocês, a relação de causa e efeito seria a única maneira de se produzir conhecimento sobre as questões de fatos, não existindo outra forma de se tomar contato com essa relação que não seja tornando a experiência como critério de conhecimento. É que o conhecimento sobre os acontecimentos abriria uma possibilidade para que o homem pudesse confiar na previsão dos eventos no mundo, dependeria da crença de que a experiência passada se tornasse o padrão de juízos futuros. Isso quer dizer que para haver conhecimento sobre as coisas, a natureza humana deverá criar uma expectativa de que aquilo que ocorrerá no futuro repetirá aquilo que se deu no passado, de tal modo que a natureza possa apresentar sempre um mesmo padrão para o surgimento dos acontecimentos. Em poucas palavras, se todas as afirmações sobre a existência devem se basear na relação de causa e efeito, se o conhecimento dessa relação deriva da experiência, então toda conclusão sobre a natureza deve supor que o futuro estará de acordo com o passado. Percebe-se que os raciocínios demonstrativos diferem dos raciocínios morais, indicando que o conhecimento sobre os fatos nunca conseguirá demonstrar matematicamente seja o que for sobre o mundo. Porém, ainda que o homem seja impedido de demonstrar a verdade de suas afirmações sobre a experiência, seria o conhecimento empírico que possibilitaria a confiança objetiva acerca das coisas, construindo uma abertura para que a natureza humana possa explicar e transformar os fenômenos naturais. Se não seria a razão, num modelo lógico-matemático, aquilo que permitiria ao homem conquistar a confiança objetiva diante dos acontecimentos, o que seria então? A resposta humeana é, novamente, surpreendente, pois seria o hábito e não a razão que possibilitaria ao homem adquirir toda essa confiança.
É essa relação, a de causalidade, que é o traço fundamental, a primeira característica de todo conhecimento sobre questões de fato. (...) Para Hume, não há como estabelecer tais relações causais e, portanto, não há como construir conhecimento sobre questões de fato, a não ser a partir da experiência, que se torna, assim, a segunda característica desse tipo de conhecimento. (...) Para Hume, o conhecimento relativo a questões de fato também está na dependência de se confiar na experiência

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passada e fazer dela o padrão de nossos juízos futuros. (ANDERY, pp. 317-318)

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Enganar-se-ia quem achasse que o problema encontraria seu final com o conceito de hábito. Embora esse tema seja indispensável para se entender como seria possível o conhecimento sobre as questões de fato, Hume aponta ainda um outro conceito que complementa toda a sua reflexão: a crença. A crença possui um papel especial dentro do edifício apresentado pelo pensador escocês, pois é a crença que possibilita ao sujeito fortalecer as conexões derivadas do hábito, permitindo-lhe diferenciar as ficções produzidas pela imaginação do conhecimento, dos fatos. Se as idéias não passam de cópias das impressões, tendo a imaginação o poder de separar ou unir as idéias à vontade, então nada impediria que a imaginação preenchesse a mente humana de seres fictícios. Como reprodutora da percepção humana, a imaginação poderia juntar de uma nova maneira imagens de coisas percebidas: um cavalo alado, por exemplo, seria a junção da imagem de um cavalo percebido com a imagem de asas percebidas; uma sereia, a junção de uma imagem de mulher percebida com a imagem de um peixe percebido; uma montanha de ouro, a junção de uma imagem de uma montanha percebida com a imagem de uma pedra de ouro percebida. Entretanto, como a crença estaria ligada ao hábito, à relação de causa e efeito e às observações da experiência, sendo a crença uma maneira de conceber objetos de modo mais firme, a mente humana seria forçada a não acreditar em cavalos alados, sereias, montanhas de ouro, uma vez que seria impossível encontrar na experiência a existência de tais objetos. Por outro lado, seria a crença que ajudaria o homem a tentar antecipar a ocorrência de um evento no futuro ligando-o ao número de ocorrência mais freqüentes no passado. Assim, será o número de ocorrência no passado que fortalecerá a crença de que esse evento poderá se repetir no futuro. Um time de futebol que venceu oito partidas e perdeu duas fortalece a crença humana de que será mais provável que venha vencer e não perder a próxima partida.
A concepção de hábito como um princípio que leva ao conhecimento de questões de fato conduz a um outro conceito de Hume: o conceito de crença. A crença fortalece as conexões que foram derivadas do hábito e permite ao homem optar por determinadas conexões causais e por determinadas expectativas quando, diante de um fato, lhe permite diferenciar aquilo que é considerado uma ficção da imaginação daquilo que é conhecimento de fato. [...] Para Hume, a crença está associada à noção de probabilidade. A ocorrência mais provável de um evento no futuro está associada à sua ocorrência mais freqüente no passado. Essa ocorrência passada fortalece a crença na ocorrência futura do evento, dado que a ele se associa uma maior probabilidade de que venha a acontecer. (ANDERY, pp. 319 e 320)

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Experiência: O termo “empirismo” se traduz por experiência e significa, literalmente, contato com algo. A experiência seria assim, uma apreensão da realidade externa através dos sentidos que forma a base necessária de todo conhecimento.

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Causalidade: Para Hume, causalidade reflete nossa forma habitual de perceber as relações entre fenômenos. Causalidade não expressa assim uma lei natural, de caráter necessário, mas uma projeção sobre a natureza de nossa forma de perceber o real.

Como se pode notar, Hume acredita que o problema do conhecimento teria por fundamento princípios que fariam parte da mente: impressões, idéias, imaginação, hábito e crença. Ao se perguntar como seria possível ao homem conhecer algo, o filósofo mostra que o sujeito associaria impressões, idéias, recebidas pelos órgãos dos sentidos e retidas na memória. Ao indicar que a relação causal é o que possibilitaria o conhecimento sobre a existência de fatos no mundo, o autor afirma que a relação causal não passa de um simples hábito que a mente do homem conquistaria ao estabelecer relações de causa e efeito entre percepções e impressões sucessivas. Seria a repetição constante e regular de impressões sucessivas que leva a natureza humana à crença de que existe uma causalidade real que faria parte das próprias coisas, quando na verdade tudo isso estaria presente na mente do sujeito. Assim, a produção de conhecimento dependeria não apenas da experiência, mas de princípios psicológicos da natureza humana. Embora tais idéias tenham trazido muita polêmica para a história do pensamento, não deixaram de se colocar como uma marca capaz de reconhecer o pensador escocês como um dos mais importantes da era moderna. 3.2.4 Kant e o Iluminismo Criticista

ATIVIDADES
Como o autor descreve a mente humana?

Fonte: www.mundodosfilosofos.com.br

Neste tópico, discutiremos algumas questões importantes acerca do pensamento de Immanuel Kant:
? O problema da intuição; ? O problema da faculdade da sensibilidade, do entendimento e da razão. ? Os objetivos deste tópico são: ? alguns conceitos Discutir tratados por Immanuel Kant e sua contribuição para a filosofia moderna.

PARA REFLETIR
A partir do texto, qual é o papel da imaginação em David Hume?

Figura 18: Kant

Orientação: Faça uma leitura do texto abaixo e em seguida resolva as questões após a unidade. O contexto da reflexão kantiana seria o século XVIII, marcado por duas ciências que apresentavam resultados indiscutíveis para a humanidade: matemática e física. Ao lado dessas duas ciências existia ainda a metafísica que, ao contrário das duas ciências, não só procurava tratar da realidade última das coisas como não conseguia convencer ninguém sobre os seus resultados. O grande interesse do autor alemão seria desenvolver uma reflexão sobre essas três disciplinas, tentando descobrir o motivo do descompasso existente entre a matemática, a física e a metafísica. Esse problema poderia ser formulado

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da seguinte maneira: Como foi possível à matemática e à física conquistarem um caminho seguro de ciência? Por que a metafísica não trilhou o mesmo caminho? O problema da matemática será resolvido na Estética transcendental; o da física, na Analítica transcendental; e o da metafísica, na Dialética transcendental. Estética, Analítica e Dialética são as três partes que constituem a Crítica da Razão Pura. Assim, o que filósofo define como crítica da razão consistirá numa reflexão feita pela razão procurando saber quais os limites daquilo que o homem poderia conhecer. Na Estética, o autor mostra como seria composta a estrutura sensível do sujeito do conhecimento. A intuição, faculdade da sensibilidade, seria responsável pelo modo como os objetos lhe seriam dados: fenômenos. Porém, a sensibilidade seria dividida de duas maneiras: matéria e forma. Se a matéria seria as impressões que o sujeito recebe dos objetos, a forma exprime a ordem na qual as impressões são colocadas. Na verdade, a matéria seria a posteriori, derivando da experiência, a forma seria a priori, anterior e independente da experiência. Ao analisar a estrutura sensível, Kant descobre duas formas da sensibilidade responsáveis por ordenar as sensações ou impressões no sujeito: espaço e tempo. A nossa capacidade de sermos afetados pelo objeto está a priori no ser humano, ou seja, precede qualquer experiência, sendo, portanto, necessária e igual em todos os seres humanos. Ela é denominada intuição pura. Ela permite que as impressões fornecidas pelas sensações, que são diversas, múltiplas e dispersas, sejam ordenadas a partir de uma capacidade da mente. (...) Se retiramos da sensibilidade tudo o que provém da sensação (cor, dureza, etc.), portanto tudo o que a matéria lhe fornece, restarão somente as formas da sensibilidade, ou seja, a intuição pura, a única coisa que a sensibilidade nos fornece a priori como condição de captação – o espaço e o tempo. (Para Compreender a Ciência, pp. 347 e 348). Para o filósofo, o espaço e o tempo não são extraídos da experiência, mas se constituem como intuições a priori, por existir na mente do sujeito como as condições pelas quais os fenômenos seriam percebidos: o espaço teria a função de apreender os objetos fora do sujeito; o tempo seria responsável pelo modo como o sujeito tem acesso às suas mudanças no tempo. Se a matemática obteve sucesso nos seus resultados, isso se deu em função dela tomar como base uma intuição pura, dotada de espaço e tempo, enquanto formas a priori. Assim, espaço e tempo seriam as duas condições necessárias para que o conhecimento matemático tivesse

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A posteriori: Tudo aquilo que é proveniente da experiência.

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A priori: Representação necessária e universal, independente da experiência, logo, condição da experiência.

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resultados de caráter universal e necessário. Por necessário e universal deve-se entender aquilo que seria inquestionável, que seria aceito sem qualquer discussão: por exemplo, ninguém duvida que os ângulos internos de um triângulo correspondam a dois ângulos retos. No entanto, resta ainda saber como a física teria conquistado essa condição. Tal idéia supõe acompanhar como Kant apresenta, na Analítica, os elementos a priori da faculdade do entendimento. Isso, porque o entendimento seria a sede onde se encontram as categorias, também chamadas conceitos, que organizariam os conteúdos enviados pela sensibilidade. Assim como através da sensibilidade os objetos são dados, através do entendimento eles seriam conhecidos. Para que o sujeito conheça alguma coisa, será necessário estabelecer uma relação entre as faculdades da sensibilidade e do entendimento, senão a produção de conhecimento seria impossibilitada.
Assim, entendimento e sensibilidade não têm, cada qual, seu objeto próprio; conceitos e intuições são necessários para a elaboração do conhecimento, não tendo, nenhum desses elementos, preponderância sobre o outro. (ANDERY, p. 347).

Para alcançar os conceitos que se referem a priori aos objetos, o filósofo alemão partiu dos diferentes tipos de juízos classificados pela lógica aristotélica (384-322). Essa classificação seria a seguinte: quantidade (universais, particulares, singulares); qualidade (afirmativos, negativos, indefinidos); relação (categóricos, hipotéticos, disjuntivos); modalidade (problemáticos, assertórios, apodíticos). Ao tomar como base a classificação desses juízos, Kant conseguiu estabelecer a seguinte tábua das categorias: categoria de quantidade (unidade, pluralidade, totalidade); categoria de qualidade (realidade, negação e limitação); categoria de relação (substância e acidente, causa e efeito, ação recíproca); categoria de modalidade (possibilidade, existência e necessidade). Como se pode notar, nenhum desses elementos foram retirados da experiência. O autor denomina dedução transcendental o modo pelo qual os conceitos a priori se referem aos objetos da experiência, embora não tenham sido extraídos da experiência.
Para determinar quais seriam os conceitos que se referem a priori aos objetos, Kant partiu dos juízos que os lógicos propunham até então. Estabeleceu, assim, uma tábua de categorias. (ANDERY, p. 351).

Se a física conseguiu obter sucesso nos seus resultados, isso se deu em função dela tomar como base a existência de conceitos ou categoria, que teriam por referência a faculdade do entendimento. Conseqüentemente, na medida em que o entendimento dispõe da capacidade de aplicar os seus conceitos junto à sensibilidade, o

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conhecimento produzido pela física não só terá um caráter necessário e universal como atingirá total êxito nas descobertas das leis que envolvem os fenômenos naturais: por exemplo, ninguém duvida que toda mudança no mundo tem uma causa. Na verdade, todo esse sucesso obtido pelas ciências seria fruto de uma revolução. O filósofo alemão a chamou de revolução copernicana. O que seria isso? Sabe-se que a tradição antiga e medieval concebia o universo como Geocêntrico, acreditando que a terra era imóvel, se encontrava no centro do universo, tendo os demais planetas girando ao seu redor. Porém, as descobertas elaboradas por Copérnico mostraram que essa concepção seria falsa. Para o astrônomo, a terra não seria imóvel, não representava o centro do universo, girando em torno do sol. Essa nova forma de conceber o universo é chamada de Heliocentrismo. Isso significa que, a partir de Copérnico, ocorre uma completa inversão na forma como o universo é compreendido. Que importância isso teria nas reflexões apresentadas por Kant? O que o autor alemão critica na tradição da filosofia é a iniciativa dos filósofos em colocar a realidade objetiva como prioridade sem se perguntarem pela natureza da própria razão. Para o filósofo, não é a razão que deveria se curvar a uma realidade objetiva qualquer, mas toda e qualquer realidade objetiva é que deveria se submeter às exigências da razão.

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Categoria: representação geral do entendimento, destinada a dar unidade às sínteses sensíveis.

A razão, portanto, não estaria subordinada à experiência, mas determinaria, segundo suas exigências, o que deveria ser observado; a razão projetaria a partir de conceitos a priori o que buscar na natureza, objetivando descobrir leis da própria natureza. Tal associação, da razão com a experiência como forma de produzir conhecimento, Kant considera uma revolução pela matemática e pela ciência da natureza (física), dois conhecimentos teóricos, ou especulativos, da razão. (ANDERY, p. 344.)

Porque a metafísica não teria conquistado o mesmo sucesso da matemática e da física? A solução do problema fora tratado pelo autor alemão na Dialética, onde seriam apresentados os elementos a priori da faculdade da razão: idéias. Ao contrário da matemática e da física, que buscavam conhecer os seus objetos junto à experiência, a metafísica tentaria conhecer algo que ultrapassa a experiência. A metafísica seria um domínio que sempre se viu na tentativa de conhecer a alma, Deus e o mundo. Na verdade, Deus, alma e mundo são idéias da razão. O problema é que embora o homem busque o conhecimento de tais idéias, parece pouco provável que isso aconteça. Por qual motivo? É que tais idéias não podem ser conhecidas, por ultrapassar os limites daquilo que a natureza

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Coisa-em-si (noumenon): Corresponderia como aquilo que pode ser pensado, embora não possa ser conhecido.

humana poderia conhecer. O filósofo afirma que a alma, Deus e o mundo são não só idéias, mas númenos, aquilo que pode ser pensado mas não conhecido. Em poucas palavras, a razão humana seria limitada a conhecer apenas o que se daria à sua sensibilidade, aquilo que se dá na experiência: fenômenos. Conseqüentemente, fora da experiência, os númenos, chamados coisas em si, não seriam conhecidos pelo homem.
A terceira parte da Crítica da Razão Pura – Dialética transcendental – refere-se à ilusão da razão ao pretender obter conhecimentos da existência de Deus, da alma e do mundo. (...) Conclui pela impossibilidade de se resolver tais questões, pois essas idéias da razão não são passíveis de ser objetos da experiência. (...) Portanto, sobre tais idéias, objeto da metafísica, não se pode produzir nenhum conhecimento objetivo. (ANDERY, p. 355)

Observa-se que o sujeito, formulado por Kant, seria constituído de uma estrutura racional dotada de formas a priori da sensibilidade, do entendimento e da razão que indicaria aquilo que o homem poderia ou não conhecer. O filósofo alemão chama essa estrutura de transcendental. Isso em função dela corresponder às diversas maneiras pelas quais o sujeito pode conhecer os objetos. Ainda que outros filósofos venham a discordar da interpretação kantiana, não se pode falar de conhecimento sem que tais questões sejam discutidas, o que faz de Kant um dos autores mais importantes que já surgiu na história da civilização humana.

ATIVIDADES
Após a leitura, quais os pontos importantes e relevantes acerca do texto?

PARA REFLETIR

A partir do texto, o que você entendeu por Revolução Copernicana?

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REFERÊNCIAS

CHAUÍ, Marilena. Convite à Filosofia. 6. ed. São Paulo: Ática, 1995. REALE, Giovanni e ANTISERI, Dário. História da filosofia. 4.ed. v. III Trad. Álvaro Cunha. São Paulo: Paulus, 1991.

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4.1 INTRODUÇÃO

UNIDADE 4 UNIDADE 5
A AÇÃO NA FILOSOFIA CONTEMPORÂNEA

A AÇÃO NA FILOSOFIA CONTEMPORÂNEA

Nesta unidade estudaremos um movimento filosófico muito importante. Ele surgiu nos Estados Unidos na primeria metade do séc. XIX, mais precisamente na década de 1830, e até os dias de hoje influencia o pensamento dos filósofos contemporâneos. Estamos falando do Pragmatismo. O que é Pragmatismo? Você deve estar perguntando agora. Antes de respondermos a esta questão falaremos brevemente de alguns aspectos que foram relevantes para o desenvolvimento do Pragmatismo.

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A preocupação do homem em relação ao modo como ele deve agir no mundo é tão antiga quanto a consciência humana de que não existe possiblidade para viver fora de uma sociedade qualquer. Então, desde que o homem tomou consciência de que ninguém poderia viver completamente isolado da presença dos outros, o modo como se deve agir também passou a fazer parte de suas reflexões. Temos, já no séc. V a.C, o filósofo Aristóteles afirmando que o homem é um “animal político” por natureza e, portanto, não pode prescindir, ou seja, não pode abrir mão da presença de outros homens para viver. Pensando assim, o mesmo Aristóteles dedica parte de sua obra à reflexão sobre a Ética. Ele pensa e escreve exatamente sobre o modo como os homens agem em comunidade, sobre os seus costumes e os seus hábitos. Ele chamou esse tipo de ação como práxis. A práxis é compreendida como o oposto da theoría. Apesar disso, um não pode ser compreendido totalmente separado do outro e, portanto, há uma certa relação de interdependência entre os conceitos. Pois era impensável para o filósofo Aristóteles que a ação (práxis) não fosse precedida e, até certo ponto, regulada pela teoria (theoría). A partir daí, dezenas de filósofos passaram grande parte de suas vidas comprometidos com o estudo e a investigação da ação humana e de suas conseqüências para a sociedade. Entretanto, o que se seguiu foi uma separação nítida entre o modo como os homens agem e a regra pela qual deveriam agir. E, uma das conseqüências mais importantes dessa relação homem - sociedade foi exatamente a separação radical entre a teoria e a prática. Então, já podemos voltar a questão: O que é Pragmatismo? Falando de uma maneira bem simplificada, o Pragmatismo é um movimento filosófico que tem como característica principal a valorização da 'prática' em oposição à “teoria”. Os principais filósofos que representam o Pragmatismo são os norte-americanos Charles Sanders Peirce (183919140), William James (1842-1910) e John Dewey (1859-1952). As pesquisas dos filósofos pragmáticos estavam centradas basicamente em dois campos de reflexão. Um deles é o campo da teoria do conhecimento e o outro o campo da moral. Veremos a seguir como os filósofos pragmáticos

Pragmatismo: vem do vocábulo inglês pragmatism, que deriva do termo grego pragma, que significa ação. (ver JAPIASSU e MARCONDES, 2005, p. 223) .

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Práxis: ação na qual se aplica conhecimenos adquiridos teoricamente; “prática”.

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Teoria do conhecimento: área da Filosofia que estuda os diversos modos do conhecimento humano, tais como: conhecimento científico, conhecimento filosófico. (Ver CHAUÍ, 1995, p. 55).

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se ocuparam desses problemas. 4.2 AS ORIGENS DO PRAGMATISMO: PEIRCE E JAMES O primeiro pensador a usar o termo Pragmatismo foi o norteamericano Charles Sanders Peirce que nasceu em Cambridge, nos Estados Unidos, em 1839. Além de se formar em Física, Química e Matemática, ele foi um estudioso da Filosofia. Segundo Peirce, o Pragmatismo é como um método utilizado para compreender o verdadeiro significado das idéias. Mas, para isso, é necessário refletir sobre os efeitos práticos causados pelas idéias quando as mesmas são aplicadas na realidade concreta. Nas palavras do próprio Peirce está o resumo do que ele considerou como 'regra pragmática'. Vejamos: segundo Peirce, para apurar o significado de um concepção intelectual deve-se considerar quais as conseqüências práticas poderiam, concebivelmente, resultar por necessecidade dessa verdade ou dessa concepção; e a soma dessas conseqüências constituirá todo o significado da concepção. Para dar um exemplo de como a teoria de Peirce pode ser analisada na realidade, vamos observar o comentário do Professor Olavo de Carvalho em seu texto Notas sobre Charles S. Peirce: por exemplo, do marxismo pode-se inferir logicamente a revolução proletária e o estado sem classes, como conseqüências pretendidas. Mas, na prática, suas conseqüências reais foram um golpe militar e a instauração da ditadura de uma nova classe. Como vimos no exemplo dado pelo professor Olavo de Carvalho, uma das teses centrais da teoria comunista do filósofo Karl Marx (1818-1883), ou o chamado marxismo, era exatamente a que previa a revolução dos trabalhadores e a extinção das classes. E quando os socialistas tentaram colocar em prática tais Figura 19: Charles S. idéias, o resultado não foi de modo algum aquilo Peirce que se esperava. A tomada do poder não se deu através de uma verdadeira revolução do proletariado (como pretendiam os socialistas), pois uma nova classe surgiu como dominadora desses mesmos trabalhadores. Willian James, também considerado um dos fundadores do Pragmatismo, nasceu em 1842, na cidade de Nova York nos Estados Unidos, onde estudou Medicina. Estudou Filosofia na Alemanha mas dedicou-se principalmente à pesquisa no campo da Psicologia. Para James a 'utilidade' é o critério pelo qual devemos julgar o valor das idéias. Por isso, ele considera que a verdade só pode ser necessariamente aquilo que é útil. Portanto o valor de qualquer idéia está na sua eficácia, ou seja, uma idéia só tem valor se tiver êxito.
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Segundo Giovanni Reale e Dário Antiseri, foi James quem tornou o Pragmatismo conhecido no mundo. James concebia o Pragmatismo como uma Filosofia que estava mais presente na vida dos homens. Para James, a filosofia é como um instrumento útil aos homens. É o próprio James quem afirma que o Pragmatismo foge da abstração, das soluções verbais e se volta para o concreto e o adequado, para os fatos, para a ação. (JAMES apud REALE e ANTISERI, 1991, p. 493) É interessante observar como o filósofo William James compreende a idéia de Deus a partir de sua visão pragamática. O que a prática dessa filosofia [poderíamos dizer a crença em Deus, por exemplo] significa para nossas vidas e nossos ineresses? Portanto, a crença em Deus
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Figura 20: John Dewey dedicou parte de sua pesquisa ao campo da Educação

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Figura 21: William James

pode ser uma idéia valida se, de fato, ela trouxer algum benefício para quem crê. E isto parece claro na seguinte tese de James. Observe: se houver qualquer vida que seja realmente melhor levarmos, e qualquer idéia que, aceita por nós, nos ajude a vivê-la, será realmente melhor para nós acreditar em tal idéia, a menos que isso se choque incidentalmente com outros benefícios vitais maiores.

Incidentalmente: conseqüentemente; de modo acidental.

Você já deve ter percebido que para James a validade e importância de uma idéia está associada a sua utilidade prática na vida de cada um. Leia abaixo o que o próprio James escreveu sobre o que é a verdade: O verdadeiro [...] é apenas o conveniente no caminho do nosso pensamento [...] A verdade é uma das espécies de bem, e não, como e, geral se supõe, uma categoria distinta do bem e coordenada com ele. Verdadeiro é o nome de tudo aquilo que se mostrar bom no caminho da crença. (JAMES apud DURANT, 1991, p. 464) Agora, leia e observe abaixo no poema de Carlos Drumond de Andrade que tem como título: Verdade.

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Verdade A porta da verdade estava aberta, mas só deixa passar meia pessoa de cada vez. Assim não era possível atingir toda a verdade, porque a meia pessoa que entrava só trazia o perfil de meia verdade. E sua segunda metade volta igualmente com meio perfil. E os meios perfis não coincidiam. Será que os homens, de fato, devem acreditar somente naquilo que pode ser útil em suas vidas, conforme pensou o filósofo William James? Arrebentaram a porta. Derrubaram a porta. Chegaram ao lugar luminoso onde a verdade esplendia seus fogos. Era divida em metades diferentes uma da outra. Chegou-se a discutir qual metade era mais bela. Nenhuma das duas era totalmente bela. E carecia optar. Cada um optou conforme seu capricho, sua ilusão, sua miopia. Agora é com você. Reflita e procure estabelecer uma relação entre o texto de James e o poema de Drumond. 4.3 O PRAGMATISMO DE JOHN DEWEY: PRINCIPAIS CARATERÍSTICAS E CONTRIBUIÇÕES Apesar de ter sido Peirce quem primeiro desenvolveu a teoria pragmática e de ter sido James o responsável pela sua divulgação, quem mais se destacou entre os filósofos ligados ao Fonte: www.mundodosfilosofos.com.br Pragmatismo foi Dewey. John Dewey nasceu em 1859 em Burlington, cidade situada também nos Estado Unidos. Ele é até hoje muito conhecido por seus trabalhos na área da Filosofia política e, sobretudo, na área da Filosofia da Educação. Entretanto, a sua vasta obra busca uma interação entre a filosofia e todos os campos dos saberes humanos. Se de um lado o pragmatismo de Peirce está centrado na avaliação exclusiva Figura 22: John Dewey das idéias, a partir das suas conseqüências práticas, em James, o que interessa é apenas a utilidade da verdade na vida dos indivíduos; em Dewey, o que é mais importante é a aplicação social das idéias. Daí ele próprio chamar a sua filosofia de instrumentalismo. E é exatamente disso que vamos tratar agora de modo

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Esplendia: resplandecia; brilhava intensamente.

DICAS

Assistam o filme Julian Pó: o contador de mentiras. O filme mostra de um modo interessante como a crença ingênua pode levar os homens ao absurdo. O site www.portal.filosofia.pro.br do professor da Paulo Ghiraldelli Jr., contém ótimos artigos sobre o Pragmatismo.

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mais detalhado. Dewey acredita que a experiência e o pensamento só têm sentido se entendidos a partir de uma interação entre o homem e o seu meio ambiente. Sendo assim, pensamento e ação, necessariamente, não são opostos, e qualquer separação entre o conheciemnto teórico e o conhecimento prático significa negar a natureza integrada do verdadeiro conhecimento. Isso porque nenhuma idéia pode ser verdadeira apenas teoricamente, pois toda teoria que se queira verdadeira deve se apresentar de tal modo que os homens sejam capazes de encontrar, a partir dessa mesma teoria, algo correspondente na experiência, ou seja, é necessário aplicá-la na prática. Para Dewey, o papel da Filosofia pragmática enquanto instrumentalismo é o de contribuir para o desenvolvimento científico e moral dos homens. E não há como pensar esses dois campos de modo separado. A experiência, os hábitos, o modo de vida são tão importante para o desenvolvimento da ciência, quanto os saberes científicos são importantes para o aprimoramento moral do homem. Dewey afirma que o homem vive em um mundo aleatório e que a sua existência implica o acaso. O mundo é o palco do risco: é incerto, instável, terrivelmente instável. Para Dewey a experiência do homem neste mundo revela tais incertezas, na medida em que nela estão presentes “os sonhos, a loucura, a doença, a morte, a guerra, a confusão, a ambigüidade, a mentira e o horror. A experiência humana inclui os sistemas transcendentais como também os sistemas empíricos, inclui tanto a magia e a superstição como a ciência” (DEWEY apud REALE e ANTISERI, 1991, pp. 505-506). Se não fosse a capacidade humana de ordenar e tentar compreender as suas experiências, a vida do homem não teria sentido. O desafio da filosofia deweyana é tornar-se um instrumento de desenvolvimento das possibilidades intelectuais do homem e, sobretudo, das suas habilidades morais. Para ele: A meta da vida não é a perfeição, mas o eterno processo de aperfeiçoamento, amadurecimento, refinamento. O homem mau é o homem que, não importa o quanto tenha sido bom, está começando a deteriorar-se, a

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ficar menos bom. O homem bom é o que não importa o quanto tenha sido moralmente indigno, está agindo para tornar-se melhor. (DEWEY apud DURANT,1991, pp. 474-475) Partindo de um caminho diferente daquele seguido por Peirce e James, que foram seus precursores do Pragmatismo, Dewey encontra na formação humana o ponto de referência para sua filosofia. Para ele, todas as idéias desenvolvidas pela investigação científica, na tentativa de solucionar os problemas reais, deveriam ser colocadas em prática para testar os seus resultados na sociedade. Assim, as idéias funcionariam como instrumentos auxiliares na vida prática dos homens. A Educação constitui, então, o campo onde todas as preocupações humanas estão presentes. Por essa razão, Dewey estava convicto de que sua própria filosofia pode ser definida como uma teoria geral da educação. A preocupação de Dewey em relação à educação levou-o a romper com o modelo educacional tradicional, bem como questionar as novas tendências educacionais. Isso porque a educação tradicional estava preocupada com uma formação essencialmente conteudista e negligenciava a experiência dos próprios educandos. As novas tendências educacionais, por sua vez, apontavam para uma alorização extrema da técnica em detrimento do conhecimento teórico. Da crítica de Dewey a esses modelos, surge um novo projeto pedagógico progressista que busca conciliar os extremos. A chamada escola ativa deveria convergir para um mesmo instante de formação, saberes que até então estavam totalmente dissociados. Dewey via nessa separação entre teoria e prática, uma desastrosa conseqüência para a formação humana. Por isso, ele propõe uma educação progressista que resulta num processo dinâmico entre o pensamento e a experiência, entre o planejamento e a execução dos projetos planejados; levando sempre em conta as conseqüências de tal educação na sociedade. Ora, se para Dewey a vida implica desenvolvimento, e se a Educação era de fato necessária para que os seres humanos se desenvovlvessem planamente, então a própria Educação não pode ser considerada apenas como uma preparação para a vida. Ela deve ser contínua. A Educação é um processo, e como tal, deve acompanhar o homem enquanto dure sua vida, conforme as palavras do próprio Dewey, que diz: “uma pessoa educada é aquela que tem a virtude de continuar a adquirir mais educação”. ( DEWEY, apud STROH, 1968, p. 330) Podemos destacar dois pontos muito importantes da concepção deweyana de educação. Trata-se dos problemas ligados à moral e à política. As questões morais ocupam um lugar muito importante na teoria pragmática instrumentalista de Dewey. A pergunta central colocada por ele é a de saber que tipo de pessoas queremos ser e, conseqüentemente, que tipo de mundo se constrói. E a escolha diante dessas questões

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Detrimento: perda, dano, prejuízo; em prejuízo de.

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Assistam ao filme Escola da vida. Depois, discuta no fórum uma possível relação entre a proposta deweyana de uma escola ativa e o filme. Uma importante fonte das idéias deweyanas é o seu livro Vida e Educação, uma obra prima traduzida por Anísio Teixeira.

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perpassa pelo velho conceito de deliberação (escolha) com novas implicações. Então, para Dewey “todos os bens que têm verdadeiro valor são sociais, e é por isso que as pessoas boas visam ao bem comum”. (DEWEY apud PUTNAM, 2003, p. 377) Há aqui, portanto, uma estreita ligação entre o indivíduo e a sociedade. A questão da formação moral está, portanto, intimamente relacionada à questão da formação política. Sendo assim, diz Anna Putnam, a maior preocupação do filósofo John Dewey era exatamente a formação das crianças. Todas as crianças deveriam ser educadas para se tornarem “cidadãos inteligentes de uma democracia, seres humanos que continuassem a crescer intelectual e moralmente durante a vida toda.” Fonte: www.mundodosfilosofos.com.br (PUTNAM, 2003: p. 378) Dewey chama a atenção para uma questão muito complexa. Como conciliar o ilimitado poder humano de p r o d u ç ã o d e conhecimento Figura 23: Manolito defendendo o ideal científico com a democrático deliberdade de expressão utilização desses saberes na vida cotidiana dos homens? De fato, o avanço do conhecimento científico é um dos pilares não só para o crescimento individual, mas também para o desenvolvimento da sociedade em geral. Porém, não há um padrão moral para balizar a produção científica. Por isso Dewey alerta para o uso das descobertas científicas. Para ele, “a ciência é indiferente ao fato de suas descobertas serem utilizadas para curar as doenças ou difundí-las, para acrescer os meios para a promoção da vida ou para fabricar material bélico para aniquilá-la.” (DEWEY apud REALE e ANTISERI, 1991, p. 512). Aqui nos deparamos com uma questão moral que ganha claros contornos políticos.
Fonte: www.mundodosfilosofos.com.br

Figura 24: Democracia

A compreensão e possível solução dos problemas morais e políticos exige um esforço filosófico capaz de conciliar os saberes científicos

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com a vida humana. Essa é a expectativa de Dewey, que se procupava muito com seguinte fato: Nós conseguimos desenvolver ao máximo nossa capacidade intelectual no conhecimento prático da Física, da Química. Mas quando se trata dos valores políticos e morais, não conseguimos avançar do mesmo modo e, consequentemente ficamos para trás. A maior tarefa que se impõe à filosofia de Dewey é, portanto, a de ser um instrumento capaz de reconstruir os meios e os fins científicos com a intenção de aperfeiçoar a construção das ciências e sua utilização. Associada à ética e à política, a ciência tem o dever de rever os seus fins últimos, isto é, analisar de que modo os seus resultados influenciam a vida humana. A partir daí, a conduta moral e a tomada de decisões, também devem ser concebidas como assunto da ciência. Se tais juizos não podem ser feitos pela ciência, ela não pode levar a cabo sua tarefa. No entanto, essa tarefa pedagógica depende plenamente de uma sociedade cuja principal bandeira é a liberdade. Mas nenhuma sociedade é livre no sentido pleno da palavra. A liberdade exigida por Dewey não é algo pronto e muito menos algo apenas institucional. A liberdade, assim como a vida, só pode significar um processo.
Dewey afirma que não pode haver nenhuma liberdade efetiva sem organização e planejamento social inteligente. [...] A liberdade é inseparavel da cultura; envolve essencialmente toda uma série contínua de transações entre as pessoas e grupos, politicamente, moralmente [...]. (STROH, 1968, p. 337)

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Material bélico: materiais relativos à guerra; armas e munição.

Uma sociedade que se quer livre, conforme Dewey, é aquela onde todas as pessoas maduras participam da formação dos valores que servem para vida de todas aqueles que nela habitam. Portanto, não resta dúvidas para o filósofo Dewey, que tal modo de vida só é possível numa sociedade democrática. Somente numa Democracia é possível desenvolver plenamente o aspecto moral e intelectual dos homens. Dewey associa a liberdade com o pleno desenvolvimento humano. E essa liberdade defendida com tanta insistência não diz respeito somente à vida individual de cada um. Contrariamente do que se poderia imaginar, a liberdade implica necessariamente responsabilidade moral e política. Por isso, mesmo sendo livre para agir como queira, o indivíduo não pode deixar de examinar quais são as conseqüências de suas ações para a sociedade. Por isso, ele afirma que: “A pessoa autenticamente moral (...) faz seus planos, orienta seus desejos e depois executa seus atos, pensando no efeito que eles terão sobre os grupos sociais dos quais ele faz parte” (DEWEY apud PUTNAM, 2003, p. 378). Por isso o seu interesse moral é a realização de bens que conduzam a um bem comum. Como vimos, a filosofia pragmática Instrumentalista do filósofo norte-americano John Dewey possui uma importância significativa para a

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compreesão do homem e de sua atuação na sociedade. Não há como dissociar, na filosofia deweyana, a teoria da prática. Assim, não é possível conceber um tipo de conhecimento que não esteja a serviço da vida. 4.4 OS DESAFIOS DA FILOSOFIA CONTEMPORÂNEA: JURGEN HABERMAS E RICHARD RORTY 4.4.1. Habermas e a Modernidade
Fonte: www.mundodosfilosofos.com.br

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Jürgen Habermas é um filósofo e sociólogo alemão representante da segunda geração da Escola de Frankfurt.

O objetivo central de seu pensamento consiste na caracterização das sociedades contemporâneas como Figura 25: Habermas aos 75 anos sociedades racionalizadas herdeiras da razão instr umental oriunda do Iluminismo. Ao tratar da razão instrumental, Habermas tem em mente a razão técnico-científica que direciona as ciências e as técnicas para o alcance de resultados, apresentados como espetaculares e miraculosos, isto é, ao invés de fazer das ciências e das técnicas um meio para a emancipação dos seres humanos, a razão instrumental as utiliza como meio de dominação. O sistema político que favoreceu o fortalecimento dessa forma de racionalidade é o capitalista. Com o predomínio do capitalismo, o crescimento da produtividade do trabalho exigiu o recurso a novas técnicas e tecnologias, de modo que as sociedades contemporâneas se encontram cada vez mais submetidas às regras da racionalidade instrumental. Nesse contexto, a intenção de Habermas, seguindo a crítica de seus antecessores da Escola de Frankfurt, é tentar denunciar as contradições inerentes ao núcleo das sociedades modernas. Em particular, Habermas queria explicar a contradição entre o que eles prometiam (como vida, liberdade e felicidade) e o que, na realidade, ofereciam (o controle do pensamento humano.) Para Habermas, o mundo tecnicizado, dominado basicamente pelas preocupações relativas ao desenvolvimento descontrolado da economia, favorece para que a política deixe de ser entendida como o conjunto das atividades relacionadas à vida prática para se constituir como o lugar da mera administração de questões que envolvem a técnica. A conseqüência disso, conforme a crítica de Habermas, é que o mundo contemporâneo se encontra num processo crescente de despolitização.

Escola de Frankfurt: o termo escola de Frankfurt refere-se a um grupo de intelectuais que desenvolveram uma concepção crítica das sociedades modernas guiadas pela ideologia científica, mais conhecido como cientificismo. O cientificismo fundamentase na crença de que a ciência possui plenos poderes de conhecer tudo, e de fato conhece tudo, e é a explicação causal das leis da realidade tal como esta é em si mesma. Esses intelectuais estavam associados ao Instituto de Pesquisa Social vinculado à Universidade de Frankfurt, criado em 1923. Seus representantes foram Max Horkheim, Theodor Adorno, Walter Benjamin, Herbert Marcuse e Jürgem Habermas que pode ser considerado o herdeiro intelectual da Escola de Frankfurt na atualidade.

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DICAS

Para saber mais sobre a razão instrumental e a ideologia científica, consultar Marilena Chauí, Convite à filosofia, p. 278286.

Na medida em que a atividade do Estado é dirigida para a estabilidade e o crescimento do sistema econômico, a política assume um caráter negativo peculiar: ela visa eliminar as disfunções e evitar os riscos que ameacem o sistema, portanto não para a realização de objetivos práticos, mas para a solução de questões técnicas. (HABERMAS, 1980, p.325). Do ponto de vista político, o contexto do capitalismo avançado é caracterizado pela necessidade do Estado ser legitimado mediante um sistema de democracia formal, no qual é difundida a lealdade das massas que não percebe sua submissão a uma ideologia tecnocrata que comanda ideologicamente os meios de comunicações para atender seus próprios interesses, mascarados de pretensos interesses universais. Contudo, o capitalismo, hoje, não necessita mais exclusivamente da força do trabalho; a velha relação entre capitalista e proletário cede lugar a um Estado que equilibra o jogo de interesses e privilégios adotando uma política de distribuição compensatória. Assim, ...a ideologia também mudou: a ciência passou a ter um uso ideológico praticamente imbatível, pois em sua extensão a ideologia técnicocientífica não é só justificadora de interesses e opressora, como também impede a própria espécie de se emancipar. (ARAÚJO, 1998, p. 190.). Um dos grandes empecilhos para a emancipação humana, segundo Habermas, consiste no enfraquecimento da Ação Comunicativa, uma das principais teorias desenvolvidas em seu pensamento. Introduzida pela primeira vez na obra Teoria da ação comunicativa, publicada em 1981. A teoria da Ação Comunicativa compreende a comunicação livre, racional e crítica entre os indivíduos. Para Habermas a linguagem serve como garantia da democracia, uma vez que a própria democracia pressupõe a compreensão de interesses mútuos e o alcance de um consenso. A Ação Comunicativa é apontada por Habermas como uma alternativa à razão instrumental e superação da razão iluminista que, aprisionada na lógica instrumental, não conseguiu levar adiante o projeto emancipatório da modernidade. Assim, para Habermas, o esgotamento da racionalidade livre está relacionado à grande limitação dos espaços comunicativos que as sociedades modernas desenvolveram, nos quais se privilegiou o agir estratégico e instrumental em detrimento do espaço dialógico, onde os planos de ação são discutidos por diversos atores, visando chegar a um entendimento razoável após intensas argumentações

PARA REFLETIR

Observem a política brasileira , que mediante a distribuição de bolsa família e bolsa escola tenta compensar os efeitos gerados pelo sistema capitalista, e como diz Plínio de Arruda Sampaio Jr, professor do Instituto de economia da Universidade de Campinas – UNICAMP – SP quando as causas dos , problemas sociais não são atacadas temos apenas uma política compensatória. Nesse sentido, os planos da política compensatória ao invés de ser temporária, mantêm as pessoas dependentes desse tipo de política. (Cf. entrevista do professor Plínio no site www.pucrs/mj/entrevista09-2005.php)

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compreensíveis a todos. Com o enfraquecimento do agir comunicativo, as relações políticas tornam-se meras questões de cunho administrativo. As relações sociais são legitimadas mediante a ideologia da civilização técnica que controla a massa despolitizada. No entanto, a massa despolitizada necessita de algo que legitime de forma visível essa despolitização, aí entram a ciência e a técnica que atuam como ideologia, utilizando o argumento do positivismo, que muito contribuiu para a supervalorização da tecnologia, como ilustra a tirinha abaixo: A personagem Susanita é um exemplo de uma postura guiada
Fonte: www.mundodosfilosofos.com.br

DICAS

Em relação ao tema da massa despolitizada, procure ler o texto de Bertolt Brecht intitulado “O analfabeto político”, acessando o endereço eletrônico www.apgunspfranca.hpg.co m.br/anafalbeto.htm.

GLOSSÁRIO
Figura 26: Tirinha da Mafalda/ Ciência e Tecnologia

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pela ideologia da ciência, pois não questiona a validade do progresso científico e técnico. Ela faz parte de uma grande massa que acredita na ação técnico-científica como um benefício, pois produz crescimento econômico e o sistema social depende desse crescimento. O crescimento econômico passa a ser encarado como um fator essencial no direcionamento do sistema social e a política passa a focalizar as necessidades funcionais provenientes de questões que se restringem ao nível econômico. Desse modo, o agir comunicativo fica cada vez mais reduzido ao agir racional dos sistemas guiados pela máquina e pela tecnocracia. Ao invés dos indivíduos exercerem a interatividade e a capacidade de discutir criticamente o sistema de normas que vigora na sociedade, aparecem os comportamentos condicionados cujo guia são as ideologias da civilização técnica que “...subtrai a autocompreensão da sociedade tanto do sistema de referências do agir comunicativo como dos conceitos de interação simbolicamente mediatizadas, substituindo-as por um modelo científico” (HABERMAS, 1980, p. 330) pautado na crença do progresso e na evolução do conhecimento que, um dia, explicarão totalmente a realidade e permitirão manipulá-la tecnicamente, sem limites para a ação humana. O problema que Habermas percebe nesse modelo científico é que grande parte dos cientistas modernos concebem o conhecimento como crença verdadeira justificada e assim a transmite para a sociedade que a recebe sem questioná-la.

Positivismo: o positivismo é uma corrente filosófica que teve como precursor o filósofo francês Auguste Comte. A principal característica do positivismo é a romantização da ciência, sua devoção como único guia da vida individual e social do homem, único conhecimento, única moral, capaz de assegurar o progresso da humanidade.

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4.4.2 Habermas e a Ação Comunicativa Refletindo um pouco mais acerca da crítica de Habermas a respeito da razão instrumental, é importante salientar que ele não está criticando a razão instrumental como tal, o que ele propõe é a compreensão de como os indivíduos se apropriam dela. Nesse sentido, a Teoria da Ação Comunicativa construída por Habermas pressupõe a linguagem como meio dos sujeitos trocarem atos da fala entre si e compreenderem o atual contexto em que vivem. A partir da Teoria da Ação Comunicativa pode-se desenvolver uma nova possibilidade de transformação social que, para o autor, deverá vir da construção de novos discursos sobre os conceitos conservadores, como por exemplo, o de cunho positivista – que via no progresso e na ciência uma evolução permanente. Trata-se de uma nova racionalidade, entendida como disposição dos sujeitos capazes de linguagem e de ação, de trocas lingüísticas intersubjetivas que proporcionem a integração entre o mundo visado objetivamente (o mundo social das normas) e o mundo das vivências pessoais. Temos nessa proposta, a presença do paradigma da intersubjetividade que possibilita a liberdade comunicativa guiada por razões e argumentações justificadas, legitimadas e, acima de tudo, criticáveis, que permitem aos participantes da comunicação entenderem entre si acerca de algo sobre o mundo. A Teoria da Ação comunicativa de Habermas pode ser entendida como uma contribuição às sugestões do pragmatismo, que reivindica uma discussão filosófica voltada para ações sociais concretas. No encalço da virada pragmática, em que a linguagem passa a ser considerada atos da fala, Habermas enfatiza a linguagem não só como o instrumento mais apropriado para mediar as relações entre o mundo social das normas e as vivências pessoais, mas também como ela própria sendo ação. Em outras palavras, a comunicação lingüística, o diálogo sem coações externas favorece, portanto, uma perspectiva de construção de novas relações a partir de sujeitos autônomos e competentes, que são capazes de discutir e avaliar as regras sociais e, com isso, revitalizar a própria sociedade. Podemos dizer que a questão mais relevante na teoria da ação comunicativa habermasiana é o pressuposto de que, todos os membros da sociedade têm condições e direito de participar do diálogo necessário para repensar e reconstruir as leis que regem a sociedade, através da busca argumentativa, e isto implica processos de comunicação através dos quais se questiona o mundo envolvido pelo sistema técnico-instrumental . Na obra Teoria da ação comunicativa, Habermas enfatiza os propósitos ideais da comunicação, argumentando suas expectativas consensuais em relação à filosofia. De acordo com seus pressupostos, a filosofia deve ser posicionada numa base democratizadora de entendimentos per formativos, engendrados por deliberações argumentativas, de forma a nivelar os conceitos racionais às ações

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Intersubjetividade: entendese a comunicação das consciências individuais, umas com outras, efetuando-se sob o fundo da reciprocidade.

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cotidianas. Nessa perspectiva, Habermas não está propondo uma nova elaboração de uma ciência e de uma técnica e, sim, de um agir comunicativo resultante do próprio contexto do sistema técnicoinstrumental. Contudo, é preciso haver uma fundamentação guiada pela racionalidade explicativa da filosofia, com o propósito de combater todas as formas de dominação ilegítimas, completando, assim, a tarefa que a razão iluminista começou e não deu conta de prosseguir. Tarefa de proporcionar ao homem a emancipação que, no projeto inicial do iluminismo, denominava-se a maioridade da razão, o esclarecimento. Para Habermas, a filosofia deve ser a principal intérprete da tradição e da cultura, permitindo, por meio da comunicação, o entendimento mútuo e necessário voltado aos interesses da vida em sua totalidade e não para apoiar um conjunto doutrinário de verdades intemporais, absolutas e inquestionáveis. Enfim, o que Habermas sinaliza é a urgência de libertar o conhecimento de seu papel meramente reprodutor de decisões técnicas e Fonte: www.mundodosfilosofos.com.br monitoradas. Nesse sentido, com Habermas podemos aprender que o sistema técnico-científico é o paradigma de nossa época, mas é preciso, antes de tudo, compreendêlo pela crítica histórica e filosófica que analisa de que modo e por quais meios esse paradigma se legitimou e desenvolveu suas forças. Assim, a Figura 27: Cena dos Filme ação comunicativa ou interação Tempos Modernos social, além de contribuir para um diagnóstico de nosso tempo, pode ser também um caminho interessante e produtivo. Mas para que isso aconteça, como observa Rezende, a ação comunicativa “...precisaria ser 'descomprimida' para que pudesse instaurar-se uma situação de fala nãodeformada entre os homens” ( 1992, p. 218). 4.4.3 A Teoria da Ação Comunicativa e a Educação Diante do que foi exposto, podemos perguntar: de que forma a Teoria da Ação Comunicativa proposta por Habermas pode contribuir para uma educação voltada para a emancipação dos sujeitos? Antes de respondermos essa pergunta, é preciso enfatizar que o modelo de conhecimento baseado na perspectiva da razão instrumental promoveu uma educação com estilo “pedagogizador”, que se resume a instruir, reproduzir um tipo de conhecimento que não é relevante para as reais necessidades do aluno, como questiona a personagem Mafalda: Essa postura de educação está a serviço de uma sociedade

DICAS

Para refletir mais sobre as críticas de Habermas à modernidade, assista ao filme Tempos Modernos, de Charlie Chaplin.

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mercadológica e tecnocrática. Daí as propostas pedagógicas estarem direcionadas a uma aplicação de técnicas a um sujeito, o aluno, tratado meramente como um objeto a ser conhecido e treinado para atender as exigências do mercado. Esse modelo de educação tem sido pensado como um dos maiores desafios da contemporaneidade, que vem tentando superar o estilo “pedagogizador” da educação. Partindo daquele pressuposto de Habermas de que potencialmente todos os membros de uma sociedade têm condições de exercitar sua capacidade comunicativa, faz-se necessário perguntar se a educação tem estimulado essa capacidade. Digamos que, lentamente, ela vem se constituindo sob um novo discurso pautado pela transformação.
Fonte: www.clubedamafalda.blogspot.com

Figura 28: Tirinha da Mafalda / Professora

Mas ainda caminha sob a sombra do modelo “pedagogizador”, uma vez que não basta somente mudar o discurso, é preciso efetivar os discursos mediante a ação comunicativa. No Brasil, os desafios são ainda maiores, porém contornáveis se forem adotados políticas educacionais adequadas. Para inverter o modelo de educação pautado pelo estilo “pedagogizador”, torna-se necessário fazermos propostas para uma educação mais consistente e comprometida com uma efetiva emancipação do sujeito. Dessa forma, acreditamos que uma prática pedagógica associada à Teoria da Ação Comunicativa proposta por Habermas pode contribuir para um pensar crítico em prol de uma educação voltada para a formação do sujeito emancipado, sensível e ético. Embora Habermas não tenha elaborado uma Filosofia da Educação, podemos identificar em seu pensamento uma visão a respeito da educação. As idéias habermasianas a respeito da linguagem, do conhecimento e da ética podem abrir novas perspectivas para a educação em termos de uma filosofia da educação que possa suscitar nos sujeitos dotados de competência interativa a capacidade de questionar o sistema de normas que vigora na sociedade. A partir da Teoria da Ação Comunicativa, pode-se conceber o espaço da escola, como o lugar de exercitar a intersubjetividade entre aluno/professor/escola/família e comunidade, com o intuito de discutir os rumos da sociedade, isto é, a partir do momento em que os indivíduos se perceberem como sujeitos e atores sociais, poderão pensar que a sociedade pode ser de outra maneira, e agir de outra maneira, refletindo

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sobre os problemas da sociedade, interpretando, participando, dialogando, enfim, buscando o consenso em torno dos interesses comuns. A prática da intersubjetividade segundo a proposta da Teoria da Ação Comunicativa permite a conciliação de dois mundos: o mundo do sistema e o mundo da vida, onde a teoria e a prática estão interligadas através de ações concretas, numa dinâmica comunicativa entre os atores envolvidos visando novas racionalidades. Nesse sentido, um modelo de educação calcado na intersubjetividade é o mais apto para a construção de pessoas realmente esclarecidas, criativas e autônomas. Entretanto, como observa Araújo,
...não consideramos que diálogo, intersubjetividade, modelo comunicativo, etc, bastem. Será preciso mostrar seus pressupostos teóricos, as implicações decorrentes e, principalmente, como ele pode ser aplicado , aliviando as dificuldades pelas quais passa nossa sociedade, sendo o papel da educação central para compreender essas dificuldades e propor mudanças. Esse papel é complexo, e, evidentemente, a própria e d u c a ç ã o , especialmente a educação formal, escolar, precisa ser revista com urgência (ARAÚJO, 2002, p. 76) .

Ao falarmos de uma educação guiada pela intersubjetividade, temos em vista a valorização social, política, econômica e ética de uma reflexão sobre os rumos da educação na complexidade das sociedades contemporâneas. Nesse sentido, a tarefa da educação é desafiar essas complexidades mediante o agir comunicativo, A educação deve contribuir significativamente com o processo de desenvolvimento do aluno a partir da interpretação e análise crítica dos fenômenos culturais do seu cotidiano. Levando-os ao exercício de uma prática de saber construtivo à sua vida. Nesse processo interpretativo crítico, o educador e os educandos devem discutir aquilo que é pré-estabelecido como certo, errado, bom, ruim, melhor, pior. Nesse sentido, a filosofia passa a ser requisitada pelo seu papel crítico e cultural de reconstrução permanente da realidade, uma vez que não faz mais sentido a busca por certezas permanentes. A escola deve levar em consideração as mudanças que ocorrem na sociedade, discutindo inclusive, o modelo técnico-científico pautado pela razão instrumental, no sentido de preparar o educando para lidar com os fenômenos que dele surgem, como por exemplo, a globalização, a crise econômica e a política de mercado. Assim, a prática da intersubjetividade no campo da educação supera o modelo “pedagogizador” ao produzir indivíduos mais livres, autônomos, capazes de avaliar seus atos à luz dos acontecimentos, à luz das normas sociais legítimas e legitimadas pelos processos jurídicos e políticos, usando suas próprias cabeças, e tendo propósitos lúcidos e sinceros, abertos à crítica.

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4.4.4 O Neo-pragmatismo de Richard Rorty Que nada nos defina. Que nada nos sujeite. Que a liberdade seja. a nossa própria substância. (Simone Beauvoir) Richard Rorty, falecido recentemente em 08 de junho de 2007, foi um filósofo norte-americano que se intitulou neo-pragmatista. A questão da liberdade como critério essencial para o agir humano no mundo foi a questão central de seu pensamento. Engajado na virada lingüística que pressupõe uma linguagem pragmática, Rorty compreende a linguagem inserida na contingência do mundo. A continência, segundo o filósofo americano, é um elemento primordial para o conhecimento produtivo, sujeito à transformação em detrimento de toda tentativa em controlar o futuro a partir de certezas que a teoria busca em suas escavações do passado. É no pragmatismo de Jonh Dewey e Willam James que Rorty buscou inspiração para se opor à filosofia de cunho sistemático, isto é, Rorty procura sublinhar que a busca epistemológica da essência da ciência é um trabalho infrutífero. Toda investigação científica ou moral, segundo ele, deve consistir em uma deliberação a respeito das Fgura 29: Richard Rorty vantagens relativas das múltiplas alternativas disponíveis no momento. Para Rorty, a filosofia sistemática, à medida que tenta encontrar uma verdade absoluta fora da história e fora da linguagem, procurando constituir-se como uma disciplina fundacional do saber, capaz de atingir a essência da realidade, não contribui para um saber realmente construtivo que atenda às necessidades humanas. No campo da epistemologia, Rorty considerou que o problema mente/corpo é um falso problema que deve ser revisto e transformado mediante a crítica do poderoso edifício do cogito de Descartes. Desde Descartes, o que se almeja é obter certezas. Posso ter certeza de meu conhecimento de 'azul' ou de 'substância', de 'pensamento'? O modelo prevalecente em filosofia passou a ser a busca de certeza, um problema epistemológico, e não mais a busca de sabedoria (ARAÚJO, 1998). Nessa busca por certeza, Descartes recria o dualismo platônico. Na versão cartesiana, o dualismo é o sistema filosófico ou doutrina que admite como explicação primeira do mundo e da vida, a existência de dois
Fonte: www.mundodosfilosofos.com.br

DICAS

Richard Rorty é um dos maiores pensadores da atualidade. Seu compromisso com os ideais humanitários das democracias liberais é inequívoco e uma fonte de inspiração para a invenção de mundos futuros.

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princípios, de duas substâncias ou duas realidades irredutíveis entre si, irreconciliáveis, incapazes de uma síntese final. Como mostra a figura abaixo: Na contramão dessa tendência, Rorty (assim como já havia Fonte: www.mundodosfilosofos.com.br defendido Dewey) entende que a filosofia e a ciência devem estar desobrigadas da busca da certeza, uma vez que o pragmatismo nada deveria dizer sobre a natureza da verdade. Desse modo, Rorty compreende o conhecimento não como uma relação entre mentes e objetos e sim como conhecimento pautado pela linguagem que requer conversação entre os interlocutores. Nessa conversação, ao invés de uma certeza advinda de uma relação ou acesso privilegiado da mente Figura 30: Dualismo, apresentado em obra de Descartes com o objeto, tem-se uma vitória argumentativa, isto é, o conhecimento se dá entre interlocutores trocando atos lingüísticos, num exercício de prática social. A filosofia de cunho sistemático, argumenta Rorty, é incapaz de atingir o conhecimento absoluto da realidade. Segundo suas reflexões, a filosofia sistemática deve ser substituída por um novo paradigma de filosofia. O pensamento filosófico deve levar as pessoas a questionar os motivos de se filosofar, ao invés de levar à aceitação de um programa filosófico pré-estabelecido nos moldes do pensamento sistemático. Adotando o pragmatismo como instrumento teórico e programático, Rorty, assim como Habermas, acredita que se não soubermos o que fazer com as verdades que surgem de nossas experiências, não estaremos preparados para a vida produtiva em comunidade, não poderemos nem mesmo produzir atos de fala validáveis que correspondam às nossas vivências. Nesse sentido, pode-se dizer que o pragmatismo de Rorty propõe o abandono de uma filosofia que já não cumpre os objetivos a que se propôs em favor de uma pós-filosofia em que a preocupação pela objetividade dê lugar à preocupação pela solidariedade. O tema da solidariedade em Rorty está associado ao da esperança social, uma espécie de otimismo quanto ao nosso destino comum. A filosofia desprendida da tendência sistemática (herdeira da metafísica, defensora de uma verdade que habita um lugar desconhecido, pronta para ser descoberta) permite ao filósofo abandonar o improdutivo trabalho de fundamentar metafisicamente ou epistemologicamente sua crença. Dessa maneira, o filósofo pode gastar sua energia na busca de transformar seu comportamento com relação ao

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Virada lingüística: A virada lingüística foi um movimento que ocorreu no começo do séc. XX, a qual se seguiu a virada pragmática da linguagem poucas décadas depois. Nesse contexto, a linguagem é entendida como uma ferramenta e não mais como imagem do mundo ou representação de uma realidade a priori do mundo. Desse modo, pela virada pragmática, a certeza cedeu lugar a asserções sujeitas à revisão permanente. Contingente: Continente designa o que se pode conceber como podendo ser ou não ser. Essa maneira de pensar o conhecimento se afasta da metafísica, cuja visão de conhecimento é de cunho essencialista em que se pretende atingir o ser imutável e eterno. Essa forma de conhecimento pretende elevar-se acima da experiência humana no mundo.

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REFERÊNCIAS

ARAÚJO, Inês Lacerda. Introdução à filosofia da ciência. 2. ed. Curitiba/PR: Editora da UFPR, 1998. ARAÚJO, Inês Lacerda. Da “pedagogização” à educação: acerca de algumas contribuições de Foucault e Habermas para a filosofia da educação. In. Revista Educacional, Curitiba, v. 3, n 7, p. 75-88/dez 2002. BUZZI, Arcângelo R. Filosofia para principiantes: a existência humana no mundo. 9ª ed. Petrópolis/RJ: Vozes, 1998. DURANT, Will. A história da filosofia. São Paulo: Nova Cultural, 1996. DEWEY, John. Vida e Educação. Trad. Anísio Teixeira. São Paulo:Companhia Editora Nacional, 1959. HABERMAS, Jürgen. O futuro da natureza humana. Trad. Karina Jannini. São Paulo: Martins Fontes, 2004. HABERMAS, Jürgen. A inclusão do outro. Trad. George Sperber e Paulo Astor Soethe. São Paulo: Loyola, 2002. HABERMAS, Jürgen. Consciência moral e agir comunicativo. Trad. Guido A. de Almeida. Rio de janeiro: Tempo brasileiro, 2003. HABERMAS, Jürgen. Técnica e ciência enquanto ideologia. Trad. José Lino Grünewal. São Paulo: Abril Cultural, 1980. (Col.Os pensadores.) JAPIASSU, Hilton e MARCONDES, Danilo. Dicionário básico de filosofia. 4. ed. Rio de Janeiro: Zahar, 2005. PUTNAM, Ruth Anna. 'Pragmatismo'. In: CANTO-SPERBER (ORG.) Dicionário de ética e filosofia moral. São Leopoldo/RS: Ed. Unisinos, 2003. ed. Trad. Álvaro Cunha. São Paulo: Paulus, 1991. REZENDE, Antônio. (org. ) Curso de Filsofia. Rio de Janeiro: Zahar, 1992. RORTY, Richard. Contingência, Ironia e Solidariedade. Trad. Nuno Ferreira da Fonseca. Lisboa: Presença, 1992. RORTY, Richard. Ensaios sobre Heidegger e outros. Trad. Marco Antônio Casanova. Rio de Janeiro: Relume Dumará, 1999. STROH, Guy W. A filosofia americana: uma introdução (de Edwards a Dewey). Trad. de Jamir Martins. São Paulo: Editora Cultrix, 1968.

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Sites Consultados ANDRADE, Carlos Drumond de. Verdade. Disponível em < http://www.memoriaviva.com.br /drumond/index2.htm.> BRECHT, Bertold. O analfabeto político. Disponível em <http://www.apgunspfranca.hpg.com.br> CARVALHO, Olavo de. O imbecil coletivo: atualidades inculturais b r a s i l e i r a s . D i s p o n í v e l e m <http://www.olavodecarvalho.org/livros/peirce.htm>. SAMPAIO JR., Plínio de Arruda. Entrevista. Disponível em <www.pucrs/mj/entrevista-09-2005.php>

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VÍDEOS SUGERIDOS PARA DEBATE

Filme: Escola da vida. O ator Ryan Reynolds interpreta o professor D'Angelo. Conhecido entre os alunos pelo nome de Sr. D. , o jovem mestre, nas aulas de História, sempre recria o cenário da experiência dos acontecimentos históricos. Filme: Julian Pó: o contador de mentiras. O filme mostra de um modo interessante como a crença ingênua pode levar os homens ao absurdo. Filme: Tempos modernos Trata-se do último filme mudo de Chaplin, que focaliza a vida urbana nos Estados Unidos nos anos 30, imediatamente após a crise de 1929, quando a depressão atingiu toda sociedade norte-americana, levando grande parte da população ao desemprego e à fome. A figura central do filme é Carlitos, o personagem clássico de Chaplin, que ao conseguir emprego numa grande indústria, transforma-se em líder grevista conhecendo uma jovem, por quem se apaixona. O filme focaliza a vida do homem na sociedade industrial caracterizada pela produção com base no sistema de linha de montagem e especialização do trabalho. É uma crítica à "modernidade" e ao capitalismo representado pelo modelo de industrialização, onde o operário é engolido pelo poder do capital e perseguido por suas idéias "subversivas". Filme: Sociedade dos poetas mortos o filme mostra as relações de um professor e ex-aluno de Welton Academy, vivido pelo ator Robin Willams, com uma turma de adolescentes cheios de sonhos e vontade de viver intensamente. Entretanto, encontram-se inseridos em um sistema acadêmico rígido e autoritário que não permite outras formas de expressão como a poesia, o teatro e a música.

Sites pesquisados Site do professor da Paulo Ghiraldelli Jr. que contém ótimos artigos sobre o Pragmatismo. http://www.olavodecarvalho.org/livros/peirce.htm Site do Prof. Olavo de Carvalho que discute vários tópicos da Filosofia associados à realidade brasileira.

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5.1 INTRODUÇÃO

UNIDADE 5

A CONTRIBUIÇÃO DO PROJETO FILOSÓFICO PARA A TEORIA E A PRÁTICA DA EDUCAÇÃO NA ATUALIDADE

Afinal, em que consiste o estudo da Filosofia da Educação? Antes de tudo, vale lembrar que a Filosofia tem como objeto de estudo o homem. Assim, em tudo o que diz respeito à existência humana, aí se encontra a Filosofia. Há que se considerar, todavia, que a vida do homem submete-se a múltiplos aspectos, que nela interferem e a influenciam: o cultural, o social, o político, o econômico – somente para ficar com as evidências. É nesses espaços ocupados pelo homem que a educação se realiza, traduzida em práticas educativas. E o que é educação? Não existe “uma educação”, mas “várias educações”, que ocorrem em diferentes contextos: nas ruas, nas escolas, nos hospitais, nas favelas, enfim, em cada ambiente do convívio humano. É a partir desses vários contextos educacionais que vamos estudar, na quinta unidade, os problemas impostos pela educação e o modo como o homem, através de um pensamento crítico-filosófico, procura resolver as diversas situações e melhorar o seu contexto social.

5.2 A EDUCAÇÃO NO SÉCULO XXI
Fonte:http://falalivre.files.wordpress.com

Figura 31: Tempos Modernos

O século XXI, que se iniciou em 2001, trouxe, dentre muitas, mudanças como as inovações tecnológicas e as novas formas de comunicação, encurtando o tempo, espaço e lugares entre os indivíduos inseridos na aldeia global.

PARA REFLETIR
Quais são os valores que você prega? Um valor pode ser mais importante do que sua próprio vida! Muitos preferem morrer a perder a própria honra. E você?

A mídia, representada por jornais, rádios, televisão, a todo momento constrói um novo jeito de ser, pensar e agir. As ciências, em suas várias tendências, a cada momento produz conhecimento novo, exigindo de cada um de nós que adaptemos aos novos tempos na família, na escola, na universidade, nas relações de trabalho. Nesse sentido, os valores que alicerçam a vida na sociedade são modificados a todo instante, a toda hora. Valores que antes eram transmitidos de geração a geração e que iam sendo modificados de maneira lenta, progressiva, processual, já não têm mais lugar na vida social, nestes novos tempos. Tudo fica velho, obsoleto. Perdemos nosso eixo, nosso lugar, nosso tempo, nosso espaço. Estamos sem rumo, sem direção e não sabemos como e a quem recorrer. Pressionado pelas novas exigências e mudanças

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na sociedade e nas instituições que a sustentam, o homem não tem mais tempo para seus filhos, amigos e para si próprio. É nesse ambiente de perda de sentido nas instituições e nas organizaçoes sociais que recorremos às contribuições da Filosofia da Educação. Mas, afinal, em que consiste o estudo da Filosofia da Educação? Antes de mais nada, vale lembrar que a Filosofia tem como objeto de estudo o homem. Assim, em tudo o que diz respeito a existência humana, aí se encontra a Filosofia. Há que se considerar, todavia, que a vida do homem submete-se a múltiplos aspectos, que nela interferem e a influenciam: o cultural, o social, o político, o econômico – somente para ficar com as evidências. É nesses espaços ocupados pelo homem que Fonte: www.geat.com.br se realiza a Educação, traduzida em práticas educativas. E o que é educação? Para Brandão (1980), não existe “uma educação”, mas “várias educações”, que ocorrem em diferentes contextos: nas ruas, nas escolas, nos hospitais, nas favelas, enfim, em cada ambiente do convívio humano. Eis, assim, um panorama que remete à questão supra: em que consiste, pois, o estudo da Filosofia da Educação?
Figura 32: Catapulta

Na verdade, ela preocupa-se com a problemática educacional que ocorre em todos os segmentos da sociedade pois trata-se, com efeito, de Filosofia da Educação e não simplesmente de Filosofia [porque neste caso a filosofia se esvaziaria]; não também da Educação sem postura reflexiva [porque neste caso a Educação não seria um processo intencionalmente conduzido] (SAVIANI, 1984, p. 35). Sendo assim, ambas estão relacionadas. A Filosofia oferece a reflexão para auxiliar nos problemas educacionais que desafiam educadores, políticos, pais e a sociedade, como um todo. De outro lado, a Educação é entendida num conceito amplo, oferece à Filosofia problemas que se tornam cada vez mais complexos, inesperados e incertos como a miséria, a fome, a violência, a corrupção, o individualismo, a concorrência, a perda dos valores, a exclusão social e o analfabetismo. Conforme

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discussão anterior, apesar dos avanços da ciência, das novas tecnologias, exigindo o novo “perfil” da sociedade de um modo geral, persistem os velhos problemas acima citados, orientando e/desorientando a conduta e a educação do cidadão. Para esses problemas, que na verdade são históricos e desafiam a atualidade, a Filosofia da Educação contribui com um projeto filosófico. A palavra “projeto” vem do termo latim “projectu”, que significa lançar adiante, plano, intento, designo (FERREIRA, 1976, p.144). Nesse sentido, o projeto filosófico para a educação da atualidade visa tentar recuperar a falta de rumo e direção que a sociedade vem sofrendo, dadas as exigências dos novos tempos, em que tudo se torna mer cadoria, ou seja, pr oduto descartável e com prazo de validade. A título de ilustração, os produtos eletrônicos, a TV, o celular, o vídeo, tudo vira produto descartável. É contra essa lógica que persiste e insiste em fazer da própria vida do homem um produto descartável que a Filosofia da Educação procura problematizar e dar outro sentido, outra finalidade. Mas, antes, tendo em vista que a idéia de Educação que vimos Figura 33: Revolução Francesa discutindo até o momento é bastante ampla e abrangente, torna-se necessário entender que ela se realiza em três modalidades diferentes na sociedade: a) Educação informal – é o tipo de educação assistemática que não tem uma intenção, uma finalidade. Ela ocorre de forma espontânea na família, nos bairros, na rua, através da mídia etc. b) Educação formal – é o tipo de educação sistematizada que tem uma intenção, uma finalidade. Ela ocorre nas instituições: escola, universidade. c) Educação não-formal – é aquela que tem uma intenção de educar, porém em outros ambientes educativos. No caso específico deste estudo, tratar-se-á de forma específica a educação formal, pois ela tem uma intenção, um rumo e orienta uma ou várias práticas educativas nas instituições educacionais. Contudo, não se desconsideramos as influências e intercâmbios que exercem umas nas outras. Nessa perspectiva, a Filosofia da Educação contribui com alguns questionamentos: considerando as exigências do século XXI, que tipo de homem a sociedade está educando – o homem “overnigth”, que muda seus valores, seus comportamentos da noite para o dia? Quem educa
Fonte: www.colegiosaofrancisco.com.br

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OVERNIGHT: Indica as aplicações financeiras feitas no openmarket em um dia para ser resgatado no dia seguinte (dia útil seguinte). São também conhecidas simplesmente como Over

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quem e com qual finalidade? Quem pode / deve ser educado? A quem interessa que a educação seja de tal tipo e não de outro? Este último questionamento é, de certa forma, crucial para um projeto filosófico. Na verdade, podem-se antecipar várias interpretações que a seguinte afirmação nos reservaria: o quê, a quem e como ensinar dependem do “perfil” de cada ser humano que se pretende formar, que modelo de ser humano se tem em mente. Entretanto, é preciso lembrar o que já foi afirmado e concebido pelos pedagogos em diferentes épocas e contextos: todo processo, ou fenômeno, ou modelo educacional é determinado e condicionado pelos aspectos sociais, políticos, econômicos e históricos nos quais se desenvolve. Isso quer dizer que, em cada período histórico da humanidade, alguns perfis foram estabelecidos e pensados, para serem alcançados por meio da educação. A título de ilustração, veja-se como a imagem ideal de homem foi criada em diferentes momentos históricos.
? Na Revolução Francesa, a imagem ideal foi a formação do homem livre, igual e Fonte: http://i6.photobucket.com fraterno. ?o e d u c a d o r Pa r a Froebel, a imagem ideal do homem consiste em sua imagem criadora. ? Para Hebart, a imagem

ideal é a do homem moral. é p o c a contemporânea, prevalece a pluralidade de imagem ideal.
? A

Figura 34: Horizonte

Como se pode perceber, a cada momento histórico, de acordo com as necessidades da época, pedagogos tentaram dar respostas aos problemas educacionais para o contexto que viveram. Por isso, criaram imagens ideais ou “perfis” que deveriam ser conquistados (pelo menos no plano ideal) para aquele momento. Reflita: Qual é a imagem ideal que a sociedade global quer construir/desconstruir no século XXI? Qual é o papel e/ou função da educação nesse contexto? Retomando o que foi dito acima, são essas imagens ideais que a Teoria da Educação procurou sustentar, representando diferentes épocas em que surgiram, e, como se pode observar no dia-a-dia, ainda se sentem os seus reflexos, com mais intensidade de umas, de outras menos. Advêm daí, duas idéias relevantes para a presente discussão: a primeira é a de que toda prática educativa tem uma dimensão social; a segunda é que, mesmo

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sendo reflexo das imagens ideais de épocas anteriores, elas não deixam de existir, ou seja, não perdem sua validade, não podem ser superadas totalmente pelas teorias que chegam depois. O fato que aqui interessa destacar é que o momento atual alimenta a impressão de que tudo fica velho, obsoleto, descartável, daí a necessidade de se amparar na Filosofia da Educação. Diferentemente das descobertas científicas que vão tornando tudo antigo, as teorias educacionais, de uma certa forma, no todo ou em parte, continuam atuais – mesmo Fonte: www.cdcc.sc.usp.br que em deter minados momentos históricos se tenha a sensação de descontinuidade. Elas continuam presentes, mas tentando responder: o que é o ser humano? É dessa pergunta que surgem as imagens ideais da educação, historicamente situada. Entretanto, a idéia que perpassa todo ambiente educativo na sociedade de Figura 35: Platão um modo geral é a de que estamos atrasados e ou ultrapassados. Na universidade, na comunidade e na comunidade escolar, a idéia comum é a de considerar tradicional o profissional que não acompanha as “novidades” dos novos tempos. Mas, afinal, se perdemos a referência/experiência de nossos pais, a referência/teoria de pedagogos que deixaram experiências/vivências ainda válidas nos tempos atuais, o que fazer, então? Temos saída? Qual é o caminho e rumo a seguir? Tentando responder as questões colocadas, vale lembrar que é perigoso afirmar, a princípio, que toda organização educativa foi ou é autoritária, artificial ou falsa. E, com esse olhar para trás, na história, naquilo que foi dito e pensado em diferentes contextos deve-se resgatar algumas concepções de mundo e sociedade, ainda válidas para os dias atuais. Acrescenta-se, ainda, que a educação também é sempre um projeto, é um horizonte, algo sempre à frente, enquanto a “realidade” é variável e cheia de contradições e interesses, os mais diversos. É por isso que a realidade caminha devagar, de forma lenta, posto que a educação é um conceito mais ou menos abstrato. O que se tem de concreto são as pessoas (nossos avós, nossos pais, você, eu e nós) com seu jeito de ser, seus sonhos, alegrias e tristezas. São os seres humanos que herdam do meio

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O esquema abaixo elucida as três concepções
Tabela 1:

Concepção Homem Concepção essencialista

Teoria do Conhecimento Empirismo

Modelo de Escolas Tradicional, tecnicista Humanismo, anti-autoritário, nova, espontânea Escola progressista, sócio-política, modelos dinâmicos de participação

Concepção Naturalista

Racionalismo

Concepção Histórico-Social

Interacionismo

GLOSSÁRIO

B GC
E

A

F

Segue-se o que cada uma dessas concepções propõem. Na concepção essencialista, que compreende o período da Antiguidade até a Idade Média, o homem tem uma natureza fixa, imutável, que orienta os valores e suas ações, e a busca da perfeição é um ideal a ser atingido. A base de toda teoria educacional encontra-se em Platão, Aristóteles e Santo Agostinho. A teoria e/ou corrente filosófica de conhecimento é o empirismo. O sujeito recebe as influências do Fonte: www.unicamp.br mundo externo. Para ilustrar como esse processo ocorre, vale lembrar que é muito comum ouvirmos de nossos pais: É de pequeno que se torce o pepino, ou seja, os adultos vão moldando as crianças desde pequenas através do processo educativo. Pois bem, essa corrente filosófica influencia diretamente a Escola Tradicional. Na verdade, o Figura 36: Dermeval Saviani professor é o centro e o modelo a ser seguido pelos alunos. É através da transmissão de valores, signos, comportamentos que os alunos vão aprender um tipo de comportamento para adaptar à vida adulta, na organização social. Daí, a imitação, a cópia, a memorização e o modelo a ser seguido. Com relação à concepção naturalista, ocorre uma revolução na forma de compreender o conhecimento. Esse processo ocorre com as grandes revoluções científicas, e o homem passa a ser o centro de toda essa mudança; pode, doravante, interferir no mundo externo, já que faz parte da natureza. A teoria do conhecimento deste período é o racionalismo, ou seja, é a razão que orienta as ações do homem. A título de

Dialética: Método de conhecimento, arte de discutir, modo de conceber a realidade como processo dinâmico e evolutivo

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exemplo, também é muito comum ouvirmos de nossos pais: Pau que nasce torto morre torto. Esse tipo de Fonte: www.planetaeducacao.com.br conhecimento, calcado numa visão naturalista de homem, vai influenciar o modelo de Escola Nova. Nesse caso, o aluno é o centro do processo ensino, e o professor é um orientador. É através do aprender-a-aprender, ou seja, agindo no ambiente educativo, que as crianças aprendem. É também neste tipo de escola Figura 37: Escola Tradicional que a ênfase recai nas diferenças individuais das crianças. Os testes de inteligência também são utilizados para descobrir quem são alunos mais inteligentes, e serviram, durante muito tempo, para classificar os alunos na organização das turmas nas escolas. Você conhece alguma escola que utiliza esses testes ou outras formas para organizar as turmas boas e as turmas fracas? Continuando, tem-se a terceira concepção, denominada Histórico-Social. Essa concepção avança em relação às duas anteriores. Nela a concepção de homem não é fixa, imutável, nem se orienta na sua natureza individual. Na concepção Histórico-Social, a visão de homem é a de um ser integral em sua capacidade individual, espiritual e em suas necessidades concretas de existência/sobrevivência. É o modo dialético de viver e pensar num contexto político, social e econômico. O tipo de conhecimento é o interacionista, ou seja, a vida do homem está relacionada com suas condições materiais de existência e o processo produtivo vigente. Essa teoria foi desenvolvida a partir do século XIX, com a filosofia de Hegel (1770-1831) e Karl Marx (1818-1883). Ela vai influenciar a escola progressista. Nesse modelo de escola, a relação aluno e professor é de construção do conhecimento. Ambos podem aprender e ensinar. A construção do conhecimento parte da realidade dos alunos da escola, da sociedade, para voltar a ela modificada (SAVIANI, 1980). Esse processo caracteriza-se pela participação coletiva dos sujeitos envolvidos. Nessa direção, é importante destacar alguns teóricos da educação brasileira que contribuíram e vêm contribuindo para a Filosofia da Educação, na perspectiva Histórico-Crítica: Paulo Freire, Demerval Saviani, Marilena Chauí, dentre outros. Cabe, ainda, ressaltar que o momento atual é considerado, por alguns autores, como pós-moderno. Nesse caso, estaríamos vivenciando uma quarta revolução na área do conhecimento e das teorias educacionais, na perspectiva dos filósofos americanos Richard Rorty e

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Donald Davidson (GIRALDELLI JR., 2006, p.2). Entretanto, não se propõe, aqui, aprofundar essa nova revolução colocada pelo autor, devido a seu caráter polêmico e controverso no meio acadêmico e intelectual. Alguns autores pós-modernos consideram que o modelo de conhecimento da modernidade ainda não se esgotou, e outros acreditam que sim. No entanto, já se percebe algo de “novo” exigindo mudanças radicais no jeito de ser e de pensar das pessoas. Entretanto, é preciso cautela. O discurso da mudança está presente em todas as áreas onde ocorre o processo educativo: nas empresas, nos hospitais, nas universidades, nas escolas, nos meios de comunicação; mas, que tipo de mudança? A favor de quem ou contra quem se deve mudar? Como se registrou na introdução, nós, seres humanos, estamos sem rumo, sem eixo, sem direção. Acreditamos que tudo o que foi construído historicamente pela ação concreta dos homens deve ser jogado no eixo da história. No entanto, o método dialético é um instrumento que pode ajudar-nos a contrapor-nos ao pensamento único de concepção de vida baseado no presentismo, onde o “antes” e o “depois” pouco importam. Apenas o “agora” é provisoriamente “real” e logo se desfaz. É nessa perspectiva de um projeto filosófico de emancipação do homem que discutiremos a questão da política e da estética como um processo de libertação criadora do homem na sociedade. 5.3 ESTÉTICA Desde as sociedades primais , o homem tem buscado formas de se fazer ver e sentir pelo espaço que habita. Independente do processo sóciohistórico-cultural vivenciado, procurou formas de compreender e dar sentido à sua existência. A arte foi e é um dos contornos desenvolvidos e utilizadas pelo homem para se ver e se fazer visto, para sentir e externar suas emoções e sentimentos. Em diferentes épocas, a arte foi um canal de expressão humana, seja numa pintura no interior de uma caverna no Paleolítico ou por meio de uma intervenção imagética urbana, a arte expressa a busca humana em traçar relações consigo mesmo, com os seus, com a natureza e com o que se apresenta como mistério. Desta forma, ocupa um lugar privilegiado na experiência humana. Quando a segregação racial e cultural ou mesmo a desigualdade econômica separa povos e modos distintos de percepção, esta expressão humana tem o poder de alcançar o homem em sua intimidade e unificá-lo pelo sentimento ao aproximar os “diferentes” a exemplo da união entre brancos e negros pelo samba brasileiro, pelo blues, ou o rock'roll americano. Através da arte, o homem atribui sentido à realidade e transforma o vivido em objeto de conhecimento, realizando uma transformação simbólica do mundo. O artista, através da sua obra, cria um mundo outro – mais

PARA REFLETIR
Os homens sempre fizeram arte preocupando-se com algo mais que seu valor pragmático; por exemplo, pelo prazer que proporciona, porque seduz ou comunica algo de nós. Nestor Garcia Canclini

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intenso, mais significativo - por cima da realidade imediata. É claro que esse mundo outro criado pelo artista nasce da sua cultura, da sua experiência de vida, das suas idéias, da visão de mundo que possui e que são expressos em objetos concretos. Pela arte, a visão de mundo é dita de outro modo, através de símbolos e da criação - a partir de informações e elementos retirados do mundo – de signos especiais. Por meio destes, a realidade é vislumbrada de outra maneira, pois tais signos, compostos pelo artista, fogem à convenção dos conceitos e operam uma transfiguração do mundo ante nossa sensibilidade sendo, então, capazes de liberar nossas emoções. É o que promove a poesia, a dança, a música, a pintura e outras expressões artísticas que ao serem captadas pela intuição do homem violam a obrigatoriedade racional de compreender o mundo. A possibilidade de conhecer a realidade pela arte torna-a atraente, encantadora e fascinante, disponível a novas des-cobertas e possível de re-significações. Neste sentido, é eterna e estimulante, pois instiga a dúvida, a curiosidade e a admiração, sensações essenciais para a busca do conhecimento. Ao transformar experiências de vida em objetos de conhecimento, o artista cria linguagens que fogem à lógica racional desafiando a inteligência e provocando sensibilidades. O conhecimento presente na obra de arte não se des-vela pela razão, mas pelo sentir humano, pelas emoções que habitualmente encontram-se presas na vida prática e imediata. Considerando que o ser humano não é apenas razão, isto é, que possui dimensões nem sempre viabilizadas pelo pragmatismo do capitalismo, podemos afirmar que a arte, se valorizada e incentivada pode colaborar na construção de um homem crítico e reflexivo. Um homem apto a desenvolver ações éticas e a rejeitar atitudes contrárias à vida. Se uma obra de arte é capaz de provocar sensações sublimes também é capaz de gerar sentimentos de ódio e crueldade além, é claro, de também retratálos. No entanto, neste texto, priorizaremos a função reveladora da arte, a possibilidade de pela obra artística obter a apreensão do mundo e adquirir conhecimentos. Mas, como conhecer através de uma obra de arte? Como chegar ao conhecimento que ela domina? Esse exercício não é fácil, exige disponibilidade e treino da sensibilidade, melhor, exige educação: a educação estética.

5.4 EDUCAÇÃO ESTÉTICA

Tradução da palavra grega aesthesis, que significa conhecimento sensorial, experiência, sensibilidade, Estética é toda busca filosófica que tem como objeto a arte e o belo. Na filosofia moderna e contemporânea, as investigações em torno desses objetos coincidem diferentemente da filosofia grega onde eram considerados distintos e independentes.

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A partir do século XVIII, as noções de arte e belo mostram-se atreladas, como objetos de uma única investigação em função do conceito de gosto, compreendido como capacidade de discernir o belo, tanto dentro quanto fora da arte. A noção de estética nos séculos XVIII e XIX pressupunha que a arte é produto da sensibilidade, da imaginação e inspiração do artista e que sua finalidade é a contemplação, isto é, a busca do belo pelo artista e, o julgamento do valor de beleza por aquele que a contempla. Entretanto, o gosto deixa de ser critério de apreciação da arte. Esta passa a ser vista como expressão de emoções e desejos, experiência vivida e simbólica, atividade criadora, transformação simbólica do mundo, interpretação e crítica da realidade social. A educação estética se a p r e s e n t a , n a contemporaneidade, como uma necessidade, sobretudo, em sociedades onde a violência se encerra no padrão de normalidade. No entanto, deve-se esclarecer que a educação estética não significa educar para o belo, pois este quase sempre está ligado a gostos relativos aos padrões de beleza vigentes e dominantes. A palavra estética refere-se ao sensível, ao perceptível, ao sensual; falar em educação estética, portanto, é falar em educação da sensibilidade.
Fonte: www.mundodosfilosofos.com.br

Figura 38: O “Abaporu” de Tarsila de Amaral, artista brasileira que pela sua imaginação procurava representar as lendas e o folclore brasileiro.

Na cultura ocidental, onde os processos de conhecimentos estão cada vez mais racionalizados pela mecanização, a sensibilidade é tratada como uma dimensão secundária e pouco relevante não sendo reconhecida como uma dimensão humana natural que caracteriza a espécie humana. No mundo globalizado, marcado pela racionalidade tecnocientífica, a sensibilidade é tida como serva da razão, como matéria prima para realizações cognitivas como: ir à lua, controlar e dominar as máquinas, fazer guerra. Por natureza, somos seres estéticos, portanto, a educação estética não se limita a regular nosso comportamento segundo os padrões estabelecidos e dominantes de gosto e, sim, ao desenvolvimento e aperfeiçoamento de uma dimensão essencial à existência efetiva e afetiva. Neste sentido, o estético não é desnecessário e fugaz, é o campo onde a experiência humana alcança seu supremo grau de realização pois tudo o que vemos e percebemos é naturalmente sensível e o nosso ser não somente percebe, mas também sente.

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Para uma educação da sensibilidade que valorize a ética, deve-se inicialmente reconhecer a multiplicidade da espécie humana, em todas as suas dimensões e universos culturais. Assim, não há como afirmar um modelo de beleza como universal. Cada ser humano é uma singularidade e são infinitas as formas de dizer e sentir o mundo. Não é tolerável, para o bem viver, o estabelecimento de hegemonias axiológicas. Qualquer que seja a hegemonia, ela só retrata dominação, prepotência e arrogância de uns sobre outros. Uma educação estética, portanto, deve ter como elemento fundante a diversidade, pois toda forma de ser no mundo é um modo de ser sensível. Em consonância com a diversidade humana, a educação estética se torna também educação ética e uma vez priorizada na escola pode combater a violência cada vez mais forte neste espaço social. Existem indivíduos que não aceitam a Cidadania, não conseguem perceber a relação direta entre os deveres e os direitos. A ausência desta percepção resulta no não-compromisso, no não-envolvimento com a família, com o trabalho, com o outro levando a um estado de “inadaptação” social. A não acomodação social produz reações violentas e situações de conflito, gera um mal estar social imenso onde a inverdade reina soberana. São situações que a escola tem dificuldades para lidar. Como, então, incitar o desenvolvimento de um ser estético e, conseqüentemente, ético, num espaço cada vez mais violento como o espaço escolar? Primeiramente é preciso conscientizar o docente da sua importância como mediador no processo ensino-aprendizagem no sentido de que ele ultrapasse as limitações mercadológicas vigentes e desenvolva em si mesmo a sensibilidade e a autonomia. Porque somos seres sensíveis e singulares, precisamos aprender a ser além das imposições do mercado se queremos cultivar em nossos alunos valores humanos que não dependem das oscilações do mesmo, mas valores ligados à vontade de viver bem com os outros. Conscientizado, o docente terá condições psico-afetivas para estimular vivências necessárias ao desenvolvimento da Cidadania bem como poderá motivar os educandos e a comunidade a participar da resolução de problemas. Tais ações, entre outras questões, requer suscetibilidade, criatividade e uma consciência educada esteticamente.

5.5 POLÍTICA

A epígrafe acima indica a relevância da política como atividade que diz respeito à vida pública e nos convida a refletir sobre ela. No dia-adia empregamos a palavra política em formas que não dizem respeito ao seu sentido fundamental. Uma delas é a sua identificação com a politicagem, identificação esta que retrata o desalento social frente às “ações políticas” dos homens públicos, aqueles escolhidos pelo voto direto.

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PARA REFLETIR

A desconfiança gerada pelos atos dos políticos - em sua maioria desprovidos de compromisso social – se transforma em repúdio e, conseqüentemente, no não exercício da Cidadania, e as conseqüências de tais atitudes são, para o povo, desastrosas e duradouras. É justamente o desinteresse político que reforça e legitima as ações imorais praticadas por homens públicos tão largamente anunciadas nos meios de comunicação. Faz-se necessário estar atento à política desenvolvida pelos representantes do povo, faz-se necessário participar das decisões que comprometem a vida de todos. Para tanto, é imprescindível o despertar para a política a fim de que a cobrança pelo exercício ético seja mais efetiva. Mas o que é política? É uma atividade do governo? Uma profissão? É ação coletiva? Na verdade, podemos tomar a política como a arte de governar, de gerir os destinos da cidade. Etimologicamente, política vem de pólis, (“cidade”, em grego). A teoria política grega está voltada para a busca de elementos que tornem possível o bom governo. A associação entre ética e política é evidente na teoria grega, pois para a efetivação de um bom governo, isto é, de um governo é necessário um bom governante. Os gregos da época clássica se organizaram em comunidades autônomas compostas de homens livres e iguais em poderes e responsabilidades. O espaço da pólis era comum e público, incluía os costumes, as leis, os templos, os deuses, a administração, o comércio e a ágora, praça onde se debatia e se deliberava sobre todos os assuntos. Na pólis grega existiu, talvez, a única democracia direta da história, seus habitantes exerciam funções públicas em rodízio e em suas assembléias; na ágora, decidiam livremente os destinos coletivos. A finalidade de tudo era o cumprimento do Bem, entendido como princípio de harmonia do Kósmos. Entretanto, a democracia grega teve suas lacunas. Os gregos eram possuidores de escravos, geralmente não gregos vencidos em guerras. E em relação a estes, não se comportavam do mesmo modo que se comportavam com os homens livres. Com os escravos, o grego procedia como despotés (senhor de escravos). Isso significa que, fora dos negócios da pólis, as relações entre os gregos eram marcadas pela desigualdade entre quem tem poder e quem está privado dele. Com a decadência da civilização grega e a consolidação do Império Romano, a idéia de que o homem se realiza como tal na pólis foi substituída pela idéia de que as relações sociais são constituídas por relações de poder. Organizar e gerir uma instituição, seja ela qual for, envolve questões de poder, e discutir política quase sempre é referir-se ao poder. Outra questão, então, se apresenta como imprescindível para uma melhor compreensão sobre política. O que é poder? Qual é a sua legitimidade? Qual o seu fundamento? O poder não é um ser, mas uma relação, é a capacidade de agir, de produzir efeitos sobre indivíduos ou grupos humanos. Envolve Potência (possibilidade não atualizada de mandar e se fazer obedecer), Força

Os homens nascem e permanecem livres e iguais em direitos. A finalidade de toda associação política é a conservação dos direitos naturais e imprescritíveis do homem. Esses direitos são: a liberdade, a prosperidade, a segurança e a resistência à opressão. Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão (1789 – França)

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(meios adequados que garantem o exercício da Potência) e Dominação( o exercício atualizado da ordem que impõe a obediência consentida ou não). Nesse sentido, pode-se considerar o exemplo das relações de poder entre um sindicato e o governo. Um sindicato tem poder em potência de obrigar o governo a atender uma exigência, uma vez que pode movimentar seus membros para uma greve. Mas, somente quando a greve está organizada é que o sindicato irá contar com esse meio de força para obter o acolhimento de sua reivindicação. O poder, então, se configura em ordem – obediência. Se alguém manda, alguém deve obedecer. Se alguém é instituído de poder, é porque alguém investiu poder, portanto, deixou de têlo. Neste sentido, são várias as formas de poder, e uma delas é o poder do Estado que desde a modernidade se configurou como instância do poder político, do administrativo e, como instância de monopólio legítimo da força. Mas, a força física não é uma condição suficiente para a manutenção da ordem, pois o poder precisa ser legítimo e, na nossa história, encontramos várias formas de legitimação. No Estado teocrático, o poder é convalidado pela vontade divina, nas monarquias, a legitimação vem da tradição, na aristocracia vem dos melhores (ricos, nobres, elite do saber) e na democracia, vem do consenso, da vontade do povo. Historicamente, o ideal democrático se destacou como algo que deve ser obrigatoriamente realizado. A democracia é uma das mais importantes ideologias européias, estreitamente atrelada aos ideais utópicos concebidos pela filosofia de Rousseau e proclamados pela Revolução Francesa de 1789. Nessa utopia rousseauniana a liberdade é concebida como ato da razão, é universal e moral não visando a satisfação particular. A partir do século XVIII , a utopia democrática esteve presente em todos os movimentos políticos, ou como ideal verdadeiro ou como um discurso de sedução. Os que defendem um programa político liberal o justificam como meio para alcançar a democracia, e os que defendem um programa político socialista também o justificam como meio para alcançar a democracia. Isso demonstra que o ideal democrático aparece na história com roupas diferentes e como algo que deve ser efetivamente concretizado. Assim, é colocado como um valor eterno e como patrimônio da humanidade. O princípio de valor que toda sociedade democrática deve ter é que todo poder emana do povo e em seu nome é exercido. Esse princípio tem sido reconhecido em todas as constituições políticas dos Estados modernos, a própria idéia de constituição política é essencialmente democrática. Mas será que a idéia democrática é uma realidade? Segundo Chauí (1980, p.156), no conceito de democracia deve estar implícito as idéias de conflito, abertura e rotatividade. Democracia supõe heterogeneidade, divergências, dissensos e, a partir dos conflitos – não no sentido pejorativo - uma sociedade democrática cresce, pois aprender a conviver e coexistir com os diferentes é um grande exercício

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ético. Democracia indica abertura no sentido de que as informações devem circular livremente para que todos tenham acesso à cultura e à sua compreensão. Numa democracia é imprescindível a rotatividade, no Estado democrático o lugar do poder é vazio, sem donos, e todos os setores sociais devem ser legitimamente representados. Ora, para que realmente uma democracia exista é relevante a criação de mecanismos que a efetive, e um mecanismo essencial na construção de seres democráticos certamente é a educação. A consciência democrática é formada mediante um trabalho de politização contrário ao vício da passividade. A passividade espelha o exagerado individualismo cultivado pelo modo de produção capitalista que dissemina a idéia de felicidade como um projeto somente alcançável pelo consumo excessivo. Uma educação política, portanto, seria a des-construção de ideologias que re-afirmam o consumismo como projeto de vida. É preciso vislumbrar a educação como formação para a cidadania e da cidadania. A educação em seu sentido mais profundo se realiza não apenas no acesso de informações, mas, primordialmente, na produção do conhecimento: pensar o que ainda não foi pensado, dizer o que ainda não foi dito. O trabalho do pensamento des-constrói no imaginário social idéias de violência social, econômica, política e cultural, uma vez que traduz criatividade. Orientando-se nesta perspectiva, a atividade educacional se realiza como negação da realidade dada, pois estimula o senso crítico, estético e ético.

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REFERÊNCIAS

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http://www.cdcc.sc.usp.br/ciencia/artigos/art_26/proporcaoimagem/plata o.jpg - visitado em 25 de setembro de 2008 http://www.planetaeducacao.com.br/novo/imagens/artigos/editorial/O_q ue_e_-Educacao_02.jpg - visitado em 25 de setembro de 2008 http://www.unicamp.br/unicamp/unicamp_hoje/ju/julho2006/fotosju331online/ju331pg03d.jpg - visitado em 25 de setembro de 2008

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RESUMO

1- A pergunta é o ponto de partida do ato de filosofar 2- O surgimento da filosofia é algo tipicamente antropológico. Só o homem pergunta, só o homem responde. 3- Quando falamos em pensamento, estamos mencionando aquilo que é produzido pela própria razão, entendida pelos gregos como logos, aquilo que nos faz colocar em xeque a ordem das coisas. 4- A virtude era considerada um modo de o homem mostrar sua superioridade em todos os sentidos, inclusive na vida pública, nos negócios da cidade em prol da coletividade. 5- A importância de Platão e Aristóteles não reside somente no que podemos entender como pioneirismo e exclusividade na abordagem do assunto, pois na cultura grega arcaica já havia indícios de uma visão educacional que nos servirá como ponto de partida para a compreensão do problema do conhecimento e da ontologia. 6- O ponto de partida da reflexão humeana está em considerar que todo conhecimento que se refere ao mundo começaria com a experiência fundando-se na percepção 7- A subjetividade em Descartes alcança um status, um grau de autonomia e liberdade para com a realidade exterior tornando-se, então, o modo privilegiado para pensar o sujeito e também o mundo. 8- O contexto da reflexão kantiana seria o século XVIII, marcado por duas ciências que apresentavam resultados indiscutíveis para a humanidade: matemática e física. 9- Ao contrário da matemática e da física, que buscavam conhecer os seus objetos junto à experiência, a metafísica tentaria conhecer algo que ultrapassa a experiência. 10- Temos, já no séc. V a.C, o filósofo Aristóteles afirmando que o homem é um “animal político” por natureza e, portanto, não pode prescindir, ou seja, não pode abrir mão da presença de outros homens para viver 11- o Pragmatismo é um movimento filosófico que tem como característica principal a valorização da 'prática' em oposição à 'teoria' 12- Para Dewey o papel da Filosofia pragmática enquanto instrumentalismo é o de contribuir para o desenvolvimento científico e moral dos homens. E não há como pensar esses dois campos de modo separado. 13- Do ponto de vista político, o contexto do capitalismo avançado é caracterizado pela necessidade do Estado ser legitimado mediante um

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sistema de democracia formal, no qual é difundida a lealdade das massas que não percebe sua submissão a uma ideologia tecnocrata que comanda ideologicamente os meios de comunicações para atender seus próprios interesses mascarados de pretensos interesses universais 14- Antes de tudo, vale lembrar que a Filosofia tem como objeto de estudo o homem. Assim, em tudo o que diz respeito à existência humana, aí se encontra a Filosofia. 15- Diferentemente das descobertas científicas que vão tornando tudo antigo, as teorias educacionais, de certa forma, no todo ou em parte, continuam atuais – mesmo que em determinados momentos históricos se tenha a sensação de descontinuidade. Elas continuam presentes, mas tentando responder: O que é o ser humano? 16- Na concepção essencialista, que compreende o período da Antiguidade até a Idade Média, o homem tem uma natureza fixa, imutável, que orienta os valores e suas ações, e a busca da perfeição é um ideal a ser atingido. 17- A educação estética se apresenta, na contemporaneidade, como uma necessidade, sobretudo, em sociedades onde a violência se encerra no padrão de normalidade. 18- Na cultura ocidental, onde os processos de conhecimentos estão cada vez mais racionalizados pela mecanização, a sensibilidade é tratada como uma dimensão secundária e pouco relevante não sendo reconhecida como uma dimensão humana natural que caracteriza a espécie humana.

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ATIVIDADES DE APRENDIZAGEM
1– Faça uma interpretação do Mito da Caverna, de Platão, levando em consideração sobretudo o dualismo “mundo sensível e mundo inteligível” e a relação entre conhecimento e ignorância. 2– Aprendemos que a filosofia nasce do ato de perguntar, de questionar sobre as coisas. Sendo assim, descreva sobre a ocupação dos primeiros filósofos e suas preocupações. 3- A partir da visão grega de educação, explique a diferença entre as concepções de Platão e Aristóteles sobre a Educação. 4- Explique a frase do texto: “um modo específico de compreender a nós mesmos no mundo se dá pela compreensão do nosso ser, da nossa essência, daquilo que somos verdadeiramente”. 5- Marque somente a alternativa correta. Para Descartes, o conhecimento não está mais gravado no mundo. Isso significa que: a) ( ) está dado na consciência do sujeito pensante. b) ( ) está dado nas verdades determinadas pela Igreja. c) ( ) está dado na experiência. d) ( ) está dado nas verdades mitológicas. 6- O filósofo Charles Sanders Peirce foi o primeiro a utilizar o termo Pragmatismo. Sua teoria está resumida na chamada “regra pragmática”. Marque a alternativa que explica a “regra pragmática. a) ( ) Para compreender o verdadeiro significado das idéias será preciso refletir sobre os efeitos práticos causados pelas idéias quando as mesmas são aplicadas na realidade concreta. b) ( ) Para compreender o verdadeiro significado das idéias será necessário comparar essas idéias com outras teorias de outros filósofos. c) ( ) Para compreender o verdadeiro significado das idéias é necessário comprová-la matematicamente, ou seja, através de cálculos matemáticos. d) ( ) Para compreender o verdadeiro significado das idéias será preciso analisar quais as intenções do autor de tais idéias. e) ( ) Para compreender o verdadeiro significado das idéias é necessário refletir sobre o período da história em que tais idéias se inseriam. 7- A respeito do pensamento de Habermas e Rorty marque V para as

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questões verdadeiras e F para as questões falsas. a) ( ) Habermas e Rorty entendem que a linguagem filosófica deve ser eleita como a linguagem mais preferencial para os indivíduos exercitar sua autonomia e sua criatividade. b) ( ) A Teoria da Ação Comunicativa de Habermas está relacionada com virada lingüística ao reivindicar uma linguagem pragmática constituída a partir de ações sociais concretas. c) ( ) Podemos dizer que Habermas, assim como Rorty concebe a metáfora como imprescindível para a ampliação e multiplicação dos conceitos d) ( ) A intersubjetividade é indicada por Habermas como um possível paradigma para constituir uma educação pedagogizadora , que proporcione uma relação interativa entre professor/aluno/família/ comunidade. e) ( ) Evidentemente, a Teoria da Ação comunicativa de Habermas visa o ensino profissionalizante, o qual prepara o educando para argumentar , criticar e agir na sociedade . 8- Marque somente a alternativa correta: O filósofo William James afirma que as idéias devem ser avaliadas a partir de sua: a) ( ) UTILIDADE. Ele acredita que as idéias são válidas apenas se forem úteis na vida dos indivíduos. b) ( ) BELEZA. Ele acredita que as idéias são válidas apenas se tornarem a vida mais bela. c) ( ) CLAREZA. Ele acredita que as idéias são válidas apenas se os homens compreenderem totalmente o seu significado. d) ( ) ETICIDADE. Ele acredita que as idéias são válidas apenas se apresentarem conteúdos éticos. e) ( ) JUDICIDADE. Ele acredita que as idéias são válidas apenas se forem idéias justas. 9-Com relação à filosofia de John Dewey, marque V para as questões verdadeiras e F para as questões falsas. a) ( ) A filosofia deweyana foi chamada de instrumentalista porque o próprio Dewey acreditava que as idéias eram como instrumentos para serem utilizados em auxílio dos homens em suas experiências de vida b) ( ) Dewey não acredita que a educação possa contribuir para a qualidade de vida dos homens. Isso porque os homens já nascem com um destino traçado e nada pode ser mudado em suas vidas. c) ( ) A filosofia de Dewey propõe que a Educação não leve em conta os aspectos morais e éticos dos indivíduos e desenvolva apenas o conhecimento científico que é mais importante.

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d) ( ) Os indivíduos devem ser educados para buscar apenas os bens que eles consideram úteis para si mesmos. e) ( ) Dewey acredita que o desenvolvimento do conhecimento científico deve promover o desenvolvimento dos valores morais e éticos de uma sociedade. 10-“Um artista só pode exprimir a experiência daquilo que seu tempo e suas condições sociais tem para oferecer” ( Fischer). Por essa razão... a- ( ) o artista nem sempre trabalha em favor da sociedade. b- ( ) a subjetividade de um artista consiste em que sua experiência não seja igual a dos homens do seu tempo. c- ( ) a arte capacita o homem a compreender a realidade, o ajuda a suportá-la e a transformá-la. d- ( ) a arte é apenas uma realidade subjetiva e nunca uma realidade social.

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REFERÊNCIAS

BIBLIOGRAFIA BÁSICA ABBAGNANO, N. História da Filosofia. 14v. Lisboa: Presença, 1978. ANDERY, M. A. et al. Para compreender a ciência: uma perspectiva histórica. Rio de Janeiro/São Paulo: Espaço e Tempo/EDUC, 1988. BOCHENSKI, I. M. A Filosofia contemporânea ocidental. São Paulo: EPU/EDUSP 1975. , BIBLIOGRARIA COMPLEMENTAR ARAÚJO, Inês Lacerda. da “pedagogização” à educação: acerca de algumas contribuições de Foucault e Habermas para a filosofia da educação. In. Revista Educacional, Curitiba, v. 3, n 7, p. 75-88/dez 2002. BUZZI, Arcângelo R. Filosofia para principiantes: a existência humana no mundo. 9. ed. Petrópolis/RJ: Vozes, 1998. CHAUÍ, Marilena. Convite à filosofia. 6. ed. São Paulo: Ática, 1995. DEWEY, John. Vida e Educação. Trad. Anísio Teixeira. São Paulo:Companhia Editora Nacional, 1959. HABERMAS, Jürgen. A inclusão do outro. Trad. George Sperber e Paulo Astor Soethe. São Paulo: Loyola, 2002. JAPIASSU, Hilton e MARCONDES, Danilo. Dicionário básico de filosofia. 4. ed. Rio de Janeiro: Zahar, 2005. REALE, Giovanni e ANTISERI, Dário. História da filosofia. 4.ed. v. III Trad. Álvaro Cunha. São Paulo: Paulus, 1991. REZENDE, Antônio. (org.) Curso de Filosofia. Rio de Janeiro: Zahar, 1992.

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AGENDA DO ACADÊMICO
COORDENADOR Nome:______________________________________________________________________ Telefone: ____________________ Correio eletrônico: _______________________________ 1º PERÍODO Introdução à Educação a Distância Professor:____________________________________________________________________ Telefone: ____________________ Correio eletrônico: _______________________________ Iniciação Científica Professor:____________________________________________________________________ Telefone: ____________________ Correio eletrônico: _______________________________ Filosofia da Educação Professor:____________________________________________________________________ Telefone: ____________________ Correio eletrônico: _______________________________ TUTOR A DISTÂNCIA. Nome:______________________________________________________________________ Telefone: ____________________ Correio eletrônico: _______________________________ TUTOR PRESENCIAL Nome:______________________________________________________________________ Telefone: ____________________ Correio eletrônico: _______________________________

____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________

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