ORGANIZAÇÃO JURÍDICA DA PEQUENA EMPRESA

AUTOR: MÁRCIO GUIMARÃES COLABORAÇÃO: MÁRCIA BARROSO

3ª EDIÇÃO

ROTEIRO DE CURSO 2010.1

Organização jurídica da pequena empresa

Sumário

AUlA 01: SOCIEDADES NãO-PERSONIfICADAS E SOCIEDADES PERSONIfICADAS ..................................................................................3 AUlAS 02, 03 E 04: REUNIãO COm ClIENTE PARA ElAbORAçãO DO CONTRATO SOCIAl .......................................................................23 AUlA 05: INfORmAlIDADE NO SETOR EmPRESARIAl .......................................................................................................................36 AUlAS 06 E 07: mODElOS SOCIETáRIOS DE ATUAçãO EmPRESARIAl PARA A PEqUENA E méDIA EmPRESA ..........................................55 AUlA 08: A OPçãO PElO mODElO SOCIEDADE lImITADA Em CONTRAPONTO AO mODElO SOCIEDADE POR AçõES .................................73 AUlAS 09, 10 E 11: SER SóCIO DE UmA SOCIEDADE lImITADA ...........................................................................................................82 AUlA 12: A ClASSIfICAçãO DA SOCIEDADE lImITADA ......................................................................................................................92 AUlAS 13 E 14: O fINANCIAmENTO DA SOCIEDADE lImITADA ......................................................................................................... 104 AUlA 15: mECANISmOS DE fORmAçãO DA vONTADE SOCIAl E SUA fISCAlIzAçãO .......................................................................... 118 AUlA 16: DIREITO DE RETIRADA. APURAçãO DE hAvERES. bAlANçO DE DETERmINAçãO................................................................. 129 AUlA 17: DIREçãO DAS ATIvIDADES EmPRESARIAIS ...................................................................................................................... 135 AUlA 18: fORmAS DE ExPURgAR O SóCIO INDESEjADO ................................................................................................................. 149 AUlA 19: A UTIlIzAçãO DA SOCIEDADE lImITADA COmO ESTRATégIA SOCIETáRIA PARA gRANDES OPERAçõES ................................ 158

ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa

AUlA 01: SOCIEDADES NÃO-PERSONIfICADAS E SOCIEDADES PERSONIfICADAS

Aprendemos que o Empresário e a Sociedade Empresária estão sujeitos ao registro a cargo das Juntas Comerciais e as Sociedades Simples no Cartório de Registro Civil das Pessoas Jurídicas. O registro “desvincula” a sociedade da pessoa de seus sócios, atribuindolhe personalidade jurídica, além de conferir autenticidade, segurança e validade aos atos jurídicos pertinentes à sociedade, sendo a publicação destes atos elemento essencial para salvaguardar o interesse de terceiros. Nesta aula discutiremos a leitura do(s) seguinte(s) capítulo(s): – ALMEIDA, José Gabriel Assis de. A noção jurídica de empresa. In Revista de Informação Legislativa Revista de informação legislativa, v.36, n.143, p.211-229, jul./set.,1999 (anexo I) – REQUIÃO, Rubens. Curso de Direito Comercial, 1º volume, 26 edição – São Paulo: Saraiva, 2005; Nrsº 29 a 36-. Págs: 49 a 61; – MARTINS, Fran. Curso de Direito Comercial: empresa comercial, empresários individuais, sociedades comerciais, fundo de comércio/ ed.rev. e atual. - Rio de Janeiro, Forense, 2002; Capítulo Primeiro (sub-itens: I a IV). Págs: 1 a 54; – BORBA, José Edwaldo Tavares. Direito Societário – 7º ed. rev. atual. – Rio de Janeiro: Renovar, 2001; Capítulo I. Págs: 1 a 8; – CAMPINHO, Sérgio. O Direito da Empresa à luz do novo Código Civil – 6º edição revista e atualizada conforme a Lei 11.101/05, Rio de Janeiro: Renovar, 2005; Capítulos 1 e 2. Págs: 1 a 29; – NEGRÃO, Ricardo. Manual de Direito Comercial e de Empresa, vol.1. 4º edição. São Paulo: Saraiva, 2005; Capítulos 1 a 4. Págs: 1 a 58.

Leitura CompLementar: – Páginas 142 a 170 (não-personificadas) e 171 a 204 (Simples) e 238 a 256 (Nome Coletivo) e 257 a 281 (Comandita Simples) dos Comentários ao Código Civil Brasileiro. Do Direito de Empresa (arts. 996 a 1.087), vol. IX. Newton Lucca, Rogério Monteiro, J.A. Penalva Santos e Paulo Penalva Santos. Forense: Rio de Janeiro/2005. – RIZZARDO, Arnaldo. Direito de Empresa. 2 ed. Rio de Janeiro: Forense, 2007, capítulo I; – CORREIA, Antônio de Arruda Ferrer. Lições de direito comercial. Coimbra: Universidade de Coimbra, 1973; – CHULIA, Francisco Vicent. Compendio crítico de Derecho Mercantil. Barcelona. Librería Bosch, 1986; – FERREIRA, Waldemar. Tratado de sociedades mercantis. Rio de Janeiro: Editora Nacional de Direito, 1958; – GOWER, L.C.B. and PRETINCE, D. D. Gower´s principles of modern company law. Londres: Sweet & Maxwell, 1992;

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Lei nº 556/1850.

FGV DIREITO RIO

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as quais eram divididas em “civis” e “comerciais”. Todavia. Ademais. não tornando ilícito o contrato de sociedade estabelecido entre as partes que atenda às formalidades legais. • Sociedade em Comandita Simples • Sociedade em Comandita por Ações. Sociedades em conta de participação Caso: Utilização da Sociedade em Conta de Participação no cenário atual. Se a sociedade tivesse como objeto a prática de “atos de comércio”. o registro não terá a finalidade de definir quem será ou não empresário. Yves. à sociedade em comum (art. – MENDONÇA. seria uma sociedade civil. conforme veremos a seguir: sociedades não personificadas. Para o exercício do ato simples e o ato de empresa. serão aplicáveis. a sociedade não formalizou seu registro no órgão competente (Registro Público de Empresas Mercantis – Junta Comercial ou Cartório de Registro Civil das Pessoas Jurídicas – RCPJ). a legislação brasileira prevê outras formas legais de sociedades – personificadas e não personificadas. ambos do Código Civil de 2002. Neste “as normas da sociedade simples.986)”. como foi analisado em Teoria Geral da Empresa. X. 9ª edição. • Sociedade em Nome Coletivo. Renovar/2004. Droit de affaires. – BORBa. conforme previsão expressa nos artigos 45 e 985. J. portanto. josé Edwaldo Tavares Borba in Direito societário. Crítica a terminologia adotada pelo Código Civil. Tratado de direito comercial brasileiro. O registro no RCPJ ou na JUCERJA – Junta Comercial do Estado do Rio de Janeiro será necessário para que a sociedade adquira personalidade jurídica. subsidiariamente. 2 FGV DIREITO RIO 4 . ementário de temas: – – – – – Sociedades Não-Personificadas: • Sociedade em Comum • Sociedade em Conta de Participação Sociedades personificadas: • Sociedade Simples. apenas a falta de atribuição de personalidade. Rio de Janeiro: Freitas Bastos. Hoje. guardados os limites da compatibilidade. 2 vols. 1945. pg. seria uma sociedade comercial. a terminologia utilizada para classificação de sociedades é: “simples” e “empresária”. A ausência do registro do ato constitutivo tem por efeito. embora possa ser constituída mediante instrumento escrito (ato constitutivo: contrato social). Direito Comercial e Direito Civil foram formalmente unificados e a teoria dos atos de comércio foi revogada. Com o advento do Código Civil de 2002. caso contrário. 67. Carvalho de. os modelos societários mais utilizados são: Sociedade Limitada e a Sociedade Anônima. roteiro de auLa: O Código Comercial1 era o texto legal que regulamentava as sociedades. 1986. Paris: Economica. pois.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa – GUYON. A pessoa do sócio não se diferencia da personalidade da sociedade.

A sociedade é dita personificada quando está legalmente constituída e registrada no órgão competente. caso esta ostente os requisitos para que seja considerada como tal. Sociedade Simples art. 997 a 1. a atividade prevista no objeto social é exercida apenas pelo sócio ostensivo. Eventual ação de interesse da sociedade deverá ser proposta pelos sócios. pelo seu caráter não-empresarial. podendo o contrato social dispor sobre a subsidiariedade (primeiro alcança-se a sociedade e.993).ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa sentido. os sócios participantes não “aparecem”. trabalho etc). embora seja conhecida como “sociedade”. Por faltar-lhe personalidade jurídica não possui“nome empresarial” (artigo 1. os sócios participantes possuem apenas responsabilidade interna. 991 a 996 sociedades personificadas. Possui patrimônio especial formado por bens e dívidas da sociedade. ilimitadamente. imóvel. mas participam dos resultados obtidos com os negócios realizados pelo sócio ostensivo. devendo o contrato prever a maneira como cada um irá contribuir (dinheiro. Somente o sócio ostensivo se obriga. de forma proporcional à participação no capital social. perante terceiros. em seu próprio nome e sob sua exclusiva responsabilidade. deve ser inscrita no Cartório de registro Civil das Pessoas Jurídicas-rCPJ.162). todos os sócios respondem solidária e ilimitadamente pelas obrigações sociais (art.150 do Código Civil estabelecem que a sociedade adquire personalidade jurídica com a inscrição de seus atos constitutivos em registro próprio e na forma da lei. voltada para o trabalho intelectual. Sociedade em Comum2 (antiga: Sociedade Irregular ou de Fato) art. mas não tem ativa. Sociedades Personificadas Constituída exclusivamente para a atividade não empresária. podendo adicionar uma expressão de fantasia. 986 a 990 Sociedade em Conta de Participação art. perante terceiros. Sociedade de pessoas com natureza contratual e que. A partir desse momento. a responsabilidade dos sócios é ilimitada. podemos considerar uma sociedade sem registro como sendo empresária. passando a ser chamada de pessoa jurídica. O Código Civil trouxe duas hipóteses de sociedade sem personalidade jurídica: Sociedades Não Personificadas trata-se de hipótese bastante comum. 990) desde logo é preciso assinalar que. Os artigos 45. para os pequenos negócios. para atividades sem estrutura organizacional.038 FGV DIREITO RIO 5 . tem capacidade processual passiva. a figura dos sócios é separada da sociedade que se torna capaz de exercer direitos e assumir obrigações em seu nome. 985 e 1. adotará uma “denominação”. cuja prática não constitua elemento de empresa. que deverá se correlacionar com o seu objeto social. sendo uma forma contratual que antecede à inscrição dos atos constitutivos em registro competente. caso esta não possua bens suficientes para adimplir sua obrigação. na verdade é reconhecida pela doutrina como “contrato de participação” e nem mesmo a inscrição dos atos constitutivos em registro competente lhe conferirá personalidade jurídica (art. poderse-ia alcançar o sócio) e os sócios responderão.

muitos autores.) e constituída através de um Estatuto. como tal compreendidos aqueles responsáveis pela fundação da companhia. 1. como o Prof. consideram a sociedade limitada um modelo “misto” de sociedade uma vez que em caso de omissão. a limitação ultrapassa a quota do sócio. evidenciando a vontade de constituir uma sociedade.092 Será sempre “empresária” (art..ú.982.039 a Nome Coletivo 1. a personalidade jurídica da sociedade surgiria com a affectio societatis e não com arquivamento. que deverá vir acompanhado da expressão “sociedade 1. atlas. o capital social é dividido em quotas e não pode ser constituído com prestação de serviço. perante a sociedade. quando mantêm a titularidade os acionistas presentes no estatuto social (Companhia Fechada). ilimitada e solidariamente pelas obrigações sociais4.a. neste caso. o sócio obriga-se a integralizar suas quotas (responsabilidade pessoal). supletivamente. 6 7 a elaboração do ato constitutivo da sociedade anônima será através de “uma ata de assembléia na qual se ajustam as normas de seu estatuto social (e não contrato social). lei o capital social divide-se em ações. por obrigações assumidas pela sociedade. Em regra. não adota firma social9 e sim uma denominação composta por qualquer vocábulo ligado a art. responsáveis solidária e ilimitadamente pelas obrigações sociais. um reconhecimento mútuo obrigatório. Ricardo in manual de Direito comercial e de Empresa. sempre.384. são paulo/2005. Sua característica principal é a existência de duas categorias de sócios. trata-se de uma sociedade de pessoas5. que poderão ser negociadas no 6.045 a 1. devidamente discriminados no contrato social: Comanditados: somente pessoas naturais. a responsabilidade dos sócios (acionistas) é limitada ao valor das ações subscritas ou adquiridas. Entendemos que não há como identificar uma sociedade que não seja uma pessoa jurídica de direito privado13. nem a definição de direitos e deveres recíprocos. somente farão parte os nomes dos sócios diretores ou administradores. perante terceiros. pg.089 anônima” (na forma abreviada: “S. pois se é sociedade como não terá personalidade? Neste sentido.. interpretaram o dispositivo entendendo que a sociedade estará criada no momento em que as partes se unirem.044 os sócios. alguns doutrinadores. uma vez não integralizado. não há mesmo. optando por esta.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa Sociedade em art. responderão os sócio. Poderá adotar estrutura de denominação ou firma. 5 Sociedade em Comandita por art. todos os sócios serão solidariamente responsáveis pela integralização de todo o capital social.. a responsabilidade dos sócios é limitada à integralização do capital social.”) ou “Companhia” (na forma abreviada: “Cia”). o capital social é dividido em ações. Sociedade limitada art. originária ou derivadamente. Comanditários – obrigados apenas pelo valor de suas quotas. no qual os acionistas não são sequer nomeados e qualificados. não respondendo. esta última. Não podem administrar a sociedade nem ter o nome incluído na firma social. Ricardo negrão. 282 a ações11 284 da lei 6. via de conseqüência. ela não é sociedade de pessoas. Sérgio Campinho. A expressão “sociedade não personificada” é contraditória. solidária em razão de responderem todos os sócios pelo que faltar para total satisfação dos credores sociais”.) e constituída através de um Estatuto7 (e não contrato social). no início da denominação10. Há instituidores. saraiva. Em outras palavras. 1. portanto.982. 3 4 a responsabilidade será “ilimitada porque ultrapassa os limites do patrimônio social quando este é insuficiente. art.090 a 1. pelas regras das sociedades anônimas”. somente o arquivamento acarretará no seu nascimento14..404/76 Crítica à terminologia adotada. regese pelas normas da sociedade simples e.ú. não tendo relevância a pessoa de seus sócios8. p. nEGRãO. 1. É uma sociedade de capital.” mamEDE. a sociedade existiria mesmo sem o arquivamento de seus atos constitutivos (sociedade não personificada). Gladston in Direito societário: sociedades simples e Empresárias. 1.052 a 1. respondendo os acionistas apenas pelo valor das ações subscritas ou adquiridas (responsabilidade limitada).342. acompanhado da expressão “e companhia”. O Código Civil estabelece que a sociedade não personificada é aquela sem personalidade jurídica. e acionistas que vão aderindo ao empreendimento. já que essa é a natureza jurídica das sociedades. são pessoas naturais (art. o administrador será pessoa natural que pode ou não fazer parte do quadro societário. pg. perante terceiros. pelo que faltar. adotará uma “firma social” formada pelo nome de um ou alguns dos sócios. diretor ou administrador (que será obrigatoriamente sócio) responderá subsidiária e ilimitadamente pelas obrigações sociais12. Com isso. embora de forma subsidiária3. serão solidariamente responsáveis6.088 e sua atividade. FGV DIREITO RIO 6 . nem de capital. Por isso. Esgotado o patrimônio da sociedade. sendo uma forma de garantia para os credores.087 Sociedade anônima Será sempre “empresária” (art. 1.039) e respondem. Sociedade em Comandita Simples art. são paulo/2004. obrigatoriamente. como o prof.051 a sociedade responde em primeiro plano pelas obrigações assumidas em seu nome.1.404/76 mercado (Companhia aberta) ou não. p. porém.

o conteúdo e o alcance de institutos. não contam com garantias subsidiárias por parte dos acionistas. que contratam com a sociedade. arts.” – Recurso Especial 168028-SP19. cit. são exatamente aqueles referidos implicitamente pela Carta Maior. cumprida a obrigação principal dos sócios de concorrer com sua parte para o capital. para base de suas operações apenas o patrimônio da sociedade. o STJ decidiu que na SCP somente o sócio ostensivo que se obriga perante terceiros por todas as obrigações e operações sociais. sendo que este “patrimônio especial” será atingido pelas dívidas da sociedade. O problema é que o Código Civil passou a considerála “sociedade”. que poderá ser alcançado primeiro pelo credor conforme estabelece o art. Rio de janeiro/2002. inclusive. dispõe de sócios de responsabilidade ilimitada. Forense. o Código Civil regulamenta as relações entre pessoas naturais e jurídicas sob o amparo da Constituição Federal.233. Neste sentido. o modelo de responsabilidade subsidiária para ela. atribuiu-lhe a condição de sujeito passivo da obrigação tributária. Fran in curso de Direito comercial. Sua equiparação à pessoa jurídica para fins fiscais ocorreu com o Decreto-Lei 2303/8616. Esse dispositivo estabelece que a norma tributária “não pode alterar a definição. pois essa inclusão nada mais é que uma homenagem. Mas como foi criado um modelo de responsabilidade se a sociedade não existe? Essa é a questão. a SCP não era considerada contribuinte para o FISCO. FGV DIREITO RIO 7 . 10 josé Edwaldo Tavares Borba entende se tratar de sociedade de responsabilidade mista. que são os diretores e administradores”. no rol previsto no art. já aceitavam a idéia da inexistência da personalidade jurídica das SCP. Mas não podemos falar em “patrimônio da sociedade” porque o patrimônio é inerente à personalidade e como não existe sociedade não há personalidade! O que a sociedade em comum possui é um “patrimônio afetado” (patrimônio de afetação). 143. Os terceiros. Até o ano de 1986. 110 do CTN que é a norma de integração dos institutos de Direito Privado e Direito Tributário. 990. o STJ decidiu que “não há falar em citação de sociedade em conta de participação que não tem personalidade jurídica e nem existência perante terceiros. a retirada dos mesmos do organismo social não tem influência sobre esse. para evitar confusão com a sociedade em nome coletivo. sem que isso descaracterize a denominação transformando-a em firma. 44. além dos sócios de responsabilidade limitada. hoje identificada como “sociedade em comum”. quanto à personalidade jurídica. Op. que apenas assumem o compromisso de integralizar as importâncias relativas às ações que adquirirem ou subscreverem. maRTIns. “as sociedades anônimas são consideradas sociedades de capital pois vivem em função deste.091 §1º). que diante da omissão dos artigos do Código Comercial. tomando assim. Ato contínuo. pg. 11 12 Em havendo mais de um diretor ou administrador a responsabilidade será solidária (art.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa A sociedade de que trata o artigo 986 é a sociedade irregular ou de fato. esquecendo-se. pg. Em relação à personalidade jurídica estabelecia que a SCP “não está sujeita às formalidades prescritas para a formação das outras sociedades. Apesar de não constar.11017 do CTN. Os conteúdos e conceitos dos institutos previstos no Código Civil. não podendo sofrer alteração pela norma tributária. 8 9 O nome empresarial poderá ser composto pelo nome do fundador ou de pessoa relevante para a companhia. por outro lado. regulamentavam a sociedade em conta de participação de uma forma relativamente vaga. não merecendo atenção especial a pessoa dos sócios. 1. “uma vez que. traçando. II do código civil. Essa responsabilidade nunca pode ser atribuída ao sócio participante. 28ª edição. Essa a razão de se dizer que as pessoas dos sócios não são levados em consideração na existência das sociedades anônimas”. o art. ora revogados. em sua maioria. do art. os Tribunais. sociedades em conta de participação – sCp. Este “benefício de ordem” caracteriza o modelo de responsabilidade subsidiária que faculta às partes estabelecer o que deverá ser alcançado primeiro numa eventual execução. Decorre esse fato da responsabilidade limitada dos sócios. Os artigos 325 a 32815 do Código Comercial. que sequer é conhecido daqueles com os quais a sociedade contrata. pois a sociedade se constitui em função do capital. expressamente. 988 estabelece que os bens da Sociedade em Comum gozam de proteção especial. 45 e 985 do código civil. conceitos e formas de direito privado”. 13 14 art. a legislação tributária vislumbrou o caminho mais lucrativo para os cofres públicos. Mesmo antes do advento do Código Civil de 2002. porém. Vejamos alguns julgados (a íntegra dos acórdãos está disponível ao final – jurisprudência): – Recurso Especial 474404-PR18. e pode provar-se por todo o gênero de provas admitidas nos contratos comerciais”.

327 – na mesma sociedade o sócio-gerente responsabiliza todos os fundos sociais.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa O Código Civil de 2002 estabeleceu. 328 – no caso de quebrar ou falir o sócio-gerente. Não há violação aos artigos 458. sem firma social. trabalhando um. na forma do art. art. e 535 do Código de Processo Civil quando o Acórdão recorrido está amplamente fundamentado. em uma ou mais operações de comércio determinadas. Por exercer com exclusividade a atividade constituída no objeto social. esta sociedade não está sujeita às formalidades prescritas para a formação das outras sociedades. assim. A hipótese dos investidores tornarem-se sócios da Limitada está totalmente descartada uma vez que eles não querem ser sócios de ninguém. Tanto a sociedade limitada quanto os investidores não se “conhecem”. que a SCP não tem e não pode adquirir personalidade jurídica. então apelante. se o terceiro com quem tratou ignorava a existência da sociedade. e pode provar-se por todo o gênero de provas admitidas nos contratos comerciais. uma vez que não provem que o dito terceiro tinha conhecimento. NOMEAÇÃO DE LIQUIDANTE. alguns ou todos. as sociedades em conta de participação. acidental. contratando em seu nome. Na SCP. está passando por uma grave crise financeira. para lucro comum. Conferiu-lhe uma forma jurídica à disposição de empreendedores para a exploração de atividades cuja obrigação econômica seja de apenas um dos sócios (sócio ostensivo) perante terceiros. Como seu principal credor é o FISCO. o sócio ostensivo é o único que se obriga para com terceiro. Pergunta-se: a) Como o grupo de investidores poderia investir na malharia. 326 – na sociedade em conta de participação. Na seara tributária a idéia de considerar a SCP “personificada” permanece. alcançando a demanda tal e qual posta pelo autor. é o sócio ostensivo quem se obriga perante terceiros. Leis Orgânicas do Distrito Federal e dos municípios. art. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. expressamente. além de sua contribuição (normalmente através da prestação de serviços). 7º do Decreto-Lei 2303/8620. se valendo dos outros ramos do direito em caso de omissão. 17 FGV DIREITO RIO 8 . antes da quebra. na apuração dos resultados dessas sociedades. CITAÇÃO DA SOCIEDADE CONSTITUÍDA. 1. 2. há mais de 20 anos atuando no mercado interno. com os fundos pertencentes a quaisquer das mesmas contas. salvo o direito dos sócios prejudicados contra o sócio-gerente. não consegue tomar empréstimo junto a instituições financeiras e seus 05 sócios já começam a se desesperar. da existência da sociedade em conta de participação. o sócio João é apresentado a um grupo de quatro investidores que tem um grande capital disponível e que está disposto a investi-lo no setor produtivo. O sócio ostensivo que realiza as operações (obtendo lucro ou prejuízo). momentânea ou anônima. trabalho etc) e participam dos resultados. serão observadas as normas aplicáveis às demais pessoas jurídicas. ainda que os outros sócios mostrem que esses fundos lhes pertencem. assumindo o papel de sujeito passivo das obrigações principais e acessórias. art 7º Equiparam-se a pessoas jurídicas. Não há falar em citação da sociedade em conta de participação. muito embora não tenha know-how em malharias. para os efeitos da legislação do imposto de renda. cuja rentabilidade eles acreditam? Como se daria esse procedimento? b) Na hipótese da criação de uma SCP. imóvel. 15 JurisprudênCia. Durante um jantar de negócios. INDENIZAÇÃO. em seu nome individual para o fim social. O sócio ostensivo. dos Estados. 325 – quando duas ou mais pessoas. a SCP é pessoa jurídica para fins tributários e um contrato para o direito empresarial. a associação toma o nome de sociedade em conta de participação. os sócios participantes contribuem para a formação de um “patrimônio especial”. que não tem personalidade jurídica. os outros sócios ficam unicamente obrigados para com o mesmo sócio por todos os resultados das transações e obrigações sociais empreendidas nos termos precisos do contrato. II. quem seriam o sócio ostensivo? art. 16 constituições Federal. na forma prevista no contrato (com dinheiro. mas têm objetivos em comum. parágrafo único. é lícito ao terceiro com quem houver tratado saldar todas as contas que com ele tiver. sendo ao menos uma comerciante. tampouco figurar como sócios. posto que abertas sejam debaixo de distintas designações. nem existência perante terceiros. A questão restou solucionada com base na assertiva de que o direito tributário pode traçar conceitos próprios. DISSOLUÇÃO. art. SOCIEDADE EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO. pratica todas as operações oriundas do objeto social. assim como na tributação dos lucros apurados e dos distribuídos. em nenhuma circunstância. ainda mesmo que seja por obrigações pessoais. ele é o único com legitimidade para adquirir direitos e contrair obrigações. se reúnem. Caso gerador: CONFECÇÃO MALHA FINA LTDA.

para fins tributários. SEGUNDA TURMA. DJ 22. que o exame dessa inferência obriga esta instância especial a revolver os elementos probatórios insertos nos autos e. Ministro CESAR ASFOR ROCHA. (REsp 474. do liquidante. julgado em 04. 213).10.06. Ministro CARLOS ALBERTO MENEZES DIREITO.08. 18 (REsp 168. seja discutível tanto a dissolução judicial quanto a existência de liquidação e partilha. TERCEIRA TURMA.2001. por conseguinte. julgado em 07. Dessa forma. ministro cEsaR asFOR ROcHa.2001 p. – Ancorados em doutos ensinamentos doutrinários. Sobreleva notar.10. ministro caRLOs aLBERTO mEnEzEs DIREITO. constata-se que a Corte ordinária.2001 p.10. a sociedade em conta de participação não possuía capacidade tributária passiva. 2. Rel. (REsp 168. desde logo.08. no períodobase de 1981. 5. nunca o sócio participante ou oculto que nem é conhecido dos terceiros nem com estes nada trata. a sociedade em conta de participação não era equiparada. 172).03. Recurso especial não conhecido. consignou que “o fisco não logrou demonstrar ter havido efetiva transferência de resultado da sócia ostensiva para a sócia participante. Justifica-se a nomeação. embora no caso de sociedade em conta de participação. à pessoa jurídica. SOCIEDADE EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO. 326). RESPONSABILIDADE PARA COM TERCEIROS. Rel. exercício de 1982.12. TERcEIRa TuRma. (REsp 193690/PR. Rel.028/SP. julgado em 07. em razão do contrato social. Na sociedade em conta de participação o sócio ostensivo é quem se obriga para com terceiros pelos resultados das transações e das obrigações sociais.704/PR. porque ausente recurso da parte interessada. realizadas ou empreendidas em decorrência da sociedade.2002. transferência do resultado que se pretende tributar. embasada no conjunto probatório encartado nos autos. 326) 19 neste sentido: REsp 193690/ pR (vide jurisprudência). (REsp 474.028/sp.704/pR.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa 3. se o tributo em discussão data de 1981. julgado em 17. Rel. Recurso conhecido e provido.303. Dj 22. quaRTa TuRma. que demonstram a animosidade existente.2003 p. Dj 10. ou não. Afastando as instâncias ordinárias a indenização por falta de prova. SÓCIO OSTENSIVO. 213) COMERCIAL.2002. a que alude o auto de infração” (fl. – No pertinente a ter havido. 210) – grifamos. 7 deste Sodalício a qual estabelece que “a pretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial”. julgado em 17.2001. 20 FGV DIREITO RIO 9 .03. DJ 07. aspectos que não podem ser examinados.2003 p. diante da realidade dos autos. TRIBUTÁRIO – IMPOSTO DE RENDA – SOCIEDADE EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO – AUSÊNCIA DE CAPACIDADE TRIBUTÁRIA PASSIVA À ÉPOCA DA EXIGÊNCIA DO TRIBUTO – ALEGADA TRANSFERÊNCIA DO RESULTADO DA SÓCIA OSTENSIVA PARA A SÓCIA OCULTA – CORTE DE ORIGEM QUE AFIRMA QUE ESSA PARTICULARIDADE NÃO FOI COMPROVADA PELO FISCO – RECURSO ESPECIAL NÃO CONHECIDO. 4. uma vez que até o advento do Decreto-lei n. resta evidente que os argumentos expendidos pela União Federal não possuem a força de abalar os fundamentos do r. voto condutor. Ministro FRANCIULLI NETTO. DJ 10.2002. Hipótese de exploração de flat em condomínio.2002 p.12. Rel. – Recurso especial não conhecido. de 1986. não tem consistência o pedido de extinção do processo ao argumento de que teria a sentença considerado o pedido inepto. afrontar a jurisprudência sedimentada por meio da Súmula n. QUARTA TURMA.

desde que o sócio requerente comprove a existência da sociedade ainda que por prova oral. b) as em conta de participação. julgue o item seguinte. c) Com exceção daquele que contratou pela sociedade. PROVA CONCURSO PúBLICO/MG . neste caso. 25º EXAME DE ORDEM – SEÇÃO DO RIO DE JANEIRO – 2ª FASE – DIREITO COMERCIAL. As sociedades não personificadas são: a) as simples. 5 – O que diferencia a sociedade comum das sociedades personificadas. O Código Civil deu personalidade às sociedades informais. apesar de responderem solidária e ilimitadamente pelas obrigações sociais. a aplicação do benefício de ordem. assinale a alternativa INCORRETA. destacando. PROVA DISCURSIVA. c) as em comum.JUIZ FEDERAL . gozam de benefício de ordem. b) Está sujeita a falência. de instrumento celebrado entre os sócios. e qual a abrangência da responsabilidade dos sócios da sociedade comum em ralação às obrigações sociais.2006 93ª Questão: Assinale a alternativa inteiramente correta. 67. 1. Responda justificadamente. 3 – É correta a afirmação de que o registro dos atos constitutivos das sociedades não personificadas no órgão competente produzirá o mesmo efeito em relação a cada uma delas? Responda justificadamente PROVA CONCURSO PúBLICO/3ª REGIÃO .ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa Questões de ConCurso PROVA DO CONCURSO PARA JUIZ DO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SERGIPE – Aplicação: 01/02/04. no Cartório de Títulos e Documentos.JUIZ . PROVA DISCURSIVA. às quais passou a classificar como sociedade comum. 28º EXAME DE ORDEM – SEÇÃO DO RIO DE JANEIRO – 2ª FASE – DIREITO COMERCIAL. No que tange às alterações introduzidas. os demais sócios. FGV DIREITO RIO 10 . d) É possível sua dissolução judicial. O Código Civil de 2002 alterou parcialmente a estrutura de classificação das sociedades estabelecida no Código Comercial de 1850. d) somente a alternativa “a” está incorreta. a) A sua existência pode ser comprovada pela transcrição.2008 61ª Questão: Quanto a uma sociedade em comum que explora o ramo da prestação de serviços mecânicos.

3. essencialmente ligadas à exploração da terra – eram regidos pelo direito civil. A adaptação das sociedades à transição normativa.e da unirio – universidade federal do estado do rio de Janeiro advogado no rio de Janeiro(brasil) e em Lisboa(portugal) sumário A transição de um direito dos comerciantes para um direito de empresas. Por outro lado.2 Argumentos a favor da não aplicação das novas regras. Assim. 3. era inegável que a atividade industrial tinha – e tem – similitudes com a atividade comercial. 3. nem com o clero e nem com os servos. os comerciantes constituíam uma categoria social à parte. mas sim a transformação dos produtos. nasceu o problema do enquadramento jurídico desta atividade.3. os comerciantes – e as atividades – eram regidos pelo direito comercial.4. No entanto. Com efeito.XIX). O direito comercial surgiu assim como um sistema separado do regime normal. Já a nobreza e o clero – e as suas atividades.3. Assim. além de díspares. 3. 3.1 A modificação das regras do jogo societário.3 A alteração das regras societárias face ao direito adquirido e ao ato jurídico perfeito. as normas existentes eram escassas. com o surgimento e o desenvolvimento da indústria( principalmente a partir do séc. Seriam as atividades industriais atividades comerciais? A resposta era negativa. Argumentos a favor da aplicação das novas regras. FGV DIREITO RIO 11 . A situação da sociedade que não se adaptou ao Código Civil de 2002 a transição de um direito de comerciantes para um direito de empresas O direito comercial surgiu na Idade Média. por um lado. Ademais. Para tanto. mas negar o mesmo direito a uma indústria que fabricava vagões para trens. Com efeito. 3.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa Anexo I apontamentos sobre o regime geraL das soCiedades no brasiL José gabriel assis de almeida doutor em direito pela université panthéon assas – paris ii professor da uerJ. pois na atividade industrial não está presente a intermediação. aplicável às relações jurídicas em geral. a diversidade das normas existentes entre os diferentes feudos era incompatível com a expansão da atividade comercial. 3.universidade do estado do rio de Janeiro.3. 2. Cabe esclarecer que esta dicotomia correspondia também a uma dicotomia social e até política. a atividade industrial não podia corresponder à definição de ato de comércio. A unificação dos regimes das sociedades. em razão da necessidade dos comerciantes criarem um sistema normativo que atendesse às necessidades das suas atividades. pois não havia uma preocupação dos titulares dos poderes(senhores feudais e clero) em sistematizar a regulamentação da atividade comercial. que não se misturava nem com a nobreza.2 A aplicação das novas regras às sociedades. parecei um despropósito permitir que uma pequena mercearia pudesse impetrar concordata.

Por exemplo.Lei 8078/90-. ou seja. atualmente. uma feição objetiva. Este código nasceu fundado na figura do comerciante. também de 1850. a Consolidação das Leis do Trabalho. no art. principalmente a partir da segunda metade do séc. Apesar de revogado no final do séc. que até hoje regulamenta a maioria das relações trabalhistas de emprego no Brasil define. salvo os de corretagem. “empregador como a empresa individual ou coletiva. mas sim do exercício da atividade comercial. não há qualquer menção à qualidade comercial ou civil do empregador. assalaria e dirige a prestação pessoal do serviço. nas ciências econômicas. de 1807. XIX. a noção de atividade comercial. pudesse falir. Esta opção ia em sentido contrário do Código de Comércio francês. ao definir o fornecedor do produto ou serviço já não faz qualquer distinção em razão do caráter FGV DIREITO RIO 12 . tanto as atividades comerciais. Com o desenvolvimento e a modernização econômica. assumindo os riscos da atividade econômica admite. como a unidade de produção ou circulação de riqueza. desde 1850. fazia a distinção entre o direito comercial e o direito civil. que – na linha da abolição dos privilégios e tendo criado a liberdade de indústria e comércio – assentava o direito comercial no ato de comércio. Ou seja. mesmo não matriculado. Esta unificação legislativa do regime jurídico das diferentes atividades acentou-se em épocas mais recentes. o regulamento 737 continuou a influenciar. o Brasil adotou um código comercial que cuidava das relações comerciais. durante muitos e muitos anos. fazia da mercancia a sua profissão habitual. de 1943. a idéia de empresa. matriculado em um dos tribunais do Império. o regulamento 737. Com a aceleração do progresso econômico e o desenvolvimento econômico surgiu. através do exercício da atividade de cunho econômico. Nesse sentido.4 “como todo aquele que. Com efeito. uma parte importante da atividade econômica consiste na prestação de serviços que. que. XX. isso porque. tradicionalmente. por exemplo. era quem delineava os contornos dos atos de comércio. sendo apenas relevante que o mesmo exerça atividade econômica”. Deste modo. normas de enquadramento da atividade econômica que não levavam em consideração a distinção entre a atividade comercial e a não comercial. tornou-se inelutável a unificação do regime de todas as atividades econômicas. começaram a aparecer. definindo o âmbito de aplicação do direito comercial sob o ponto de vista subjetivo. o fato de admitir-se que o comerciante. atribuindo-lhe. sob o ponto de vista do comerciante”. definido no art. ou seja. enquadram-se mal na definição de atividade comercial. como as atividades civis de caráter econômico(nomeadamente as atividades industriais e as atividades de prestação de serviços destituídos de caráter de intermediação) passaram a estar submetidas ao mesmo regime.XX. que passou a ser mera presunção de comercialidade. afastou por completo o caráter constitutivo da matrícula. Assim. A este fenômeno não é estranho o fato de os Tribunais de Império terem sido abolidos e ter-se admitido que a qualidade de comerciante não decorria da matrícula do mesmo. de forma cada vez mais freqüente. Assim.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa A inadequação da dicotomia entre o direito comercial e o direito civil ficou ainda mais evidente com o crescimento do setor dos serviços no decorrer do séc. O direito brasileiro.2. o Brasil passou a conhecer o mesmo fenômeno de ruptura da dicotomia entre direito comercial e direito civil. assim. o direito empresarial. O Código Comercial de 1850 não definia o ato de comércio. Assim. O Código de Defesa do Consumidor.

mais uma vez. construção. A noção de atividade empresária veio recobrir todas as atividades de caráter econômico. com a consagração a noção de empresário. ainda que temporariamente. sociedade em FGV DIREITO RIO 13 . curiosamente. esta unificação deu-se. a unificação do regime das sociedades Esta unificação do regime das atividades. criação. etc. não sendo comerciantes. E essas infrações decorrem todas do exercício de uma atividade econômica. nacional ou estrangeira. exercem uma atividade econômica organizada. As sociedades comerciais eram as sociedades dos tipos previstos no Código Comercial de 1850 – sociedade em nome coletivo. exportação. nos termos do art. veio consagrar a unificação do regime jurídico dos agentes econômicos. nas relações de consumo. bem como quaisquer associações de entidades de pessoas. Aliás. é imprestável para definir a aplicação do direito da concorrência.15. Na verdade. a mesma aplica-se a todos que. Com efeito.15 da referida lei.20 da mesma Lei 8884/94 que define as infrações. Portanto. Para o CDC não é relevante saber se o fornecedor é comerciante ou não.3 deste diploma legal define o fornecedor da seguinte forma: “Fornecedor é toda pessoa física ou jurídica. transformação. possam praticar atos restritivos de concorrência. o art. na unificação do regime dos empresários coletivos. ao estabelecer que: “Considera-se empresário quem exerce profissionalmente atividade econômica organizada para a produção ou circulação de bens ou de serviços”.15 da Lei 8884/94 – Lei de Defesa da Concorrência: “Esta Lei aplica-se às pessoas físicas ou jurídicas de direito público ou privado. comerciantes e não comerciantes estão sujeitos ao mesmo regime. No mesmo. Assim. caput. O Código Civil de 2002. quais sejam: as sociedades comerciais e as sociedades civis. O art. distribuição ou comercialização de produtos ou prestação de serviços” O ponto manifestamente relevante da definição de fornecedor é. bem como os entes despersonalizados que desenvolvem atividade de produção. constituídas de fato ou de direito. a sociedade em comandita simples. no art. mesmo que exerçam atividade sob o regime de monopólio legal” O art. por si só. de uma forma ou de outra.966.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa comercial ou não da atividade desenvolvida.15 é claro. Deste modo. o art. a distribuição. Na definição do destinatário a comercialidade é irrelevante. pública ou privada. importação. ou seja. mas apenas se o fornecedor coloca um produto ou serviço no mercado de consumo. com a possibilidade das sociedades civis adotarem a forma comercial e com a modificação do regime de registro das sociedades comerciais. A natureza comercial ou não do fornecedor é nitidamente relevante. tradicionalmente. traduziu-se também na unificação do regime das sociedades. antes da promulgação do novo Código Civil. Portanto. com ou sem personalidade jurídica. tanto são empresários os comerciantes quanto aqueles que. no Brasil existiam dois tipos de sociedade. O fornecedor define-se em virtude do exercício dessa atividade econômica. No Brasil. para a Lei 8884/94 é irrelevante se o agente é um comerciante ou não comerciante. montagem. o alcance da norma é dado pelo art. o exercício de atividade de natureza econômica: a produção. a importação.

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conta de participação, e a sociedade de capital e indústria – a sociedade por quotas de responsabilidade limitada – regida pelo Decreto 3708/19- e as sociedades por ações – sociedade anônima e sociedade em comandita por ações – previstas na Lei 6404/76. As sociedades civis eram as sociedades do tipo previsto no art.1363 e seguintes do Código Civil de 1916. A qualidade comercial ou civil da sociedade era dada em razão da atividade exercida pela sociedade. Dessa forma, se a sociedade era comercial, a sociedade deveria revestir um tipo comercial, ao passo que, se a atividade era não comercial, a sociedade deveria revestir o tipo civil. No entanto, o art.1364 do Código Civil permitia às sociedades civis adotarem um tipo comercial. Desta forma, caso a sociedade civil opta-se por um tipo comercial, a estrutura da sociedade civil passava a reger-se pelas normas de direito comercial, mantendo-se, porém, como sociedades civis no tocante à atividade. As diferentes possibilidades estão representadas no quadro abaixo, vejamos:
Situação 1 Sociedade de tipo civil Exercício de atividade civil Sociedade civil Situação 2 Sociedade de tipo comercial Exercício de atividade civil Sociedade civil Situação 3 Sociedade de tipo comercial Exercício de atividade comercial Sociedade comercial

Deste modo, já a partir de 1916, havia um esbatimento da distinção entre sociedades civis e sociedades comerciais – pelo menos quanto à forma – pois aa sociedades civis podiam adotar um tipo comercial. Esta distinção entre sociedades civis e comerciais atenuou-se mais ainda em 1994. Até 1994, as sociedades civis (seja as da situação 1, seja as da situação 2) tinham os seus atos constitutivos registrados no Registro Civil das Pessoas Jurídicas. Por seu lado, as sociedades comerciais (isto é, as da situação 3) tinham os seus atos constitutivos arquivados na Junta Comercial. Entretanto, a Lei 8934/94, no art.1, determinou que fossem arquivados na Junta Comercial: a) os contratos sociais das sociedades comerciais (situação 3); b) os contratos sociais das sociedades civis, com forma comercial (situação 2). Portanto, as sociedades comerciais, e uma parte das sociedades civis, passaram a estar sujeitas ao mesmo regime de registro. Com a promulgação e a entrada em vigor do novo Código Civil, o regime societário brasileiro ficou profundamente alterado. Aliás, o ano de 2002 trouxe duas grandes novidades: a entrada em vigor da lei 10303/01, que modificou a Lei das Sociedades por Ações e a promulgação do novo Código Civil. Um dos principais pontos desta alteração é a substituição da dicotomia do regime societário entre sociedades comerciais e sociedades civis, pelo regime de: a) associações; b) sociedades simples; c) sociedades empresárias.
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A distinção entre cada uma destas categorias é a seguinte: a) a sociedade empresária é a que exerce profissionalmente uma atividade econômica organizada para a produção ou circulação de bens ou serviços (por ex.: o caso de uma sociedade fabricante de automóveis); b) a sociedade simples é a que exerce uma atividade intelectual, de natureza científica, literária ou artística, ainda que haja emprego de auxiliares (por ex.: uma sociedade de profissionais liberais – médicos) c) a associação tem fins não econômicos (por ex.: uma associação recreativa ou cultural). Além desta distinção, cabe assinalar que o novo Código Civil criou as seguintes sociedades:
Regime anterior sociedades Comerciais Sociedade em nome coletivo Sociedade em comandita simples Sociedade em conta de participação Sociedade irregular ou de fato Sociedade por quotas de responsabilidade limitada Sociedade de capital e indústria sociedades Civis sociedade Civil Regime do NCC sociedades empresárias Sociedade em nome coletivo Sociedade em comandita simples Sociedade em conta de particicpação Sociedade em comum Sociedade limitada abolida sociedades não empresárias sociedade simples

Portanto, com o novo Código Civil passa a existir um regime único para as sociedades. Não há mais distinção entre sociedades civis e sociedades comerciais. As sociedades que exercem atividade econômica passam a estar todas submetidas ao mesmo regime. Há, portanto, uma unificação do direito societário brasileiro. Esta unificação é ainda reforçada pelo fato do NCC determinar a regência supletiva das regras sobre as sociedades simples, para todas as demais sociedades. Na verdade, as variações vão ocorrer dentro desse regime único, consoante o tipo de atividade – empresarial ou não empresarial – que será exercido.

a adaptação das sociedades à transição normativa No momento da entrada em vigor do Código Civil de 2002 haviam sido constituídas, no Brasil, entre 1985 e 2001, mais de 3.900.000 (três milhões e novecentos mil) sociedades por quotas de responsabilidade limitadas no Brasil. No mesmo período, haviam sido constituídas cerca de 17.000 (dezessete mil) sociedades anônimas1. Portanto, quando da transição de um quadro normativo para o outro, estava em causa um universo gigantesco de sociedades, sociedades estas com características muito diferentes. Por exemplo, as sociedades limitadas cobrem uma grande variedade de atividades de tamanhos diferentes, desde o pequeno comércio da padaria, da mercadoria, do açougue, do

1 V. site www.dnrc.gov.br, acessado em 28.04.07

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restaurante, até à indústria de médio porte, em alguns casos a indústria também de grande porte e cobrem também as sociedades “holding” de grupos financeiros, indústrias e etc. Neste aspecto uma das questões interessantes do Código Civil de 2002 é, precisamente, a necessidade de ter uma norma que seja ao mesmo tempo geral, para cuidar de todas as sociedades limitadas, e ao mesmo tempo uma norma que seja suficientemente precisa ou específica para cuidar dos diferentes problemas de cada molde, de cada tipo de sociedade limitada. Quando da entrada em vigor do Código Civil de 2002 houve uma grande resistência, como é natural em todas as mudanças. O Código Civil de 2002 sofreu forte rejeição, pois o Código Civil veio provocar uma profunda mudança nas regras então vigentes para a atividade societária2. Com efeito, além de abolir o conceito de sociedade comercial e criar o conceito de sociedade empresária, conforme visto no item 2 acima, o Código Civil modificou substancialmente as regras de constituição e funcionamento das sociedades, em especial das sociedades limitadas, das sociedades em nome coletivo, das sociedades em comandita e das sociedades em conta de participação e criou as novas figuras das sociedades em comum e das sociedades simples3. Como se passa a demonstrar, o Código Civil de 2002 não apenas trouxe novas regras, mas essas novas regras afetam os direitos dos sócios, cabendo então examinar como tratar essas modificações à luz da Constituição da República que protege o ato jurídico perfeito e o direito adquirido.

a modificação das regras do jogo societário Sem querer entrar no detalhe de todas as mudanças, há algumas que merecem destaque, pis são as mais relevantes. Entre elas está, certamente, a forma das deliberações sociais. O novo Código Civil institui a assembléia geral e a reunião dos sócios, e faz desaparecer um pouco aquele estado de “deliberação permanente” que há num determinado tipo de sociedade limitada. Trata-se, no caso, das sociedades de grande proximidade, com poucos sócios que se dedicam diuturnamente à atividade empresária. Esses sócios não realizam reuniões formais de sócios e muito menos assembléias gerais. Os sócios encontram-se diariamente, trabalham em conjunto e vivem naquilo que poderia ser chamada assembléia geral ou reunião de sócios permanente. Uma segunda mudança diz respeito à periodicidade das reuniões e assembléias gerais. No regime anterior ao Código Civil de 2002 não havia uma periodicidade estabelecida. Os sócios podiam reunir-se a qualquer momento ou poderiam nunca se reunirem formalmente. O Código Civil de 2002, no art.1071, inc.I, criou a obrigação de pelo menos uma reunião anual para tomar as contas dos administradores e aprovar o balanço. Uma terceira mudança – e que talvez seja a mais importante – dizem respeito aos quoruns de deliberação. Anteriormente, as regras eram muito simples: As deliberações sociais – independentemente da matéria – eram tomadas pelo voto dos sócios que representavam cinqüenta por cento mais um do capital social. Após o Código Civil de 2002, as deliberações passam a ter uma multiplicidade de quoruns. Por exemplo, (i) quorum de cem por cento do capital social para designar o ad-

Basicamente as bem conhecidas e experimentadas disposições do código comercial de 1850 e do decreto 3708/19, disposições cuja longevidade é de salientar num país como o Brasil em que as leis são revogadas e novas leis são promulgadas a uma velocidade vertiginosa.
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as sociedades anônimas e as sociedades em comandita por ações tiveram as suas regras preservadas, pois estão submetidas ao disposto na Lei 6404/76 os arts.1080 e 1090 do código civil estabeleceram a continuação da regência daquela lei especial.
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Houve também uma mudança no modo de desempate das deliberações sociais. o art. mas por cabeça (em caso de empate de votos por correspondência ao capital social. quando o capital social ainda não estiver totalmente integralizado. era possível sustentar a existência de quotas preferenciais com fundamento em dois pontos: (i) o decreto 3708 não fazia menção à totalidade do capital social. Acresce que a enumeração dos quoruns de deliberação no art. Deste modo. a sociedade por quotas de responsabilidade limitada podia adotar institutos próprios da sociedade anônima. as partes não têm mais a possibilidade de dispor sobre percentuais. (ii) por força do art. No antigo regime o desempate era pela sorte.. fusão. produzidos após a vigência deste Código. aos preceitos dele se subordinam. ao contrário do que era admitido no regime do Código Comercial de 1850 e do decreto 3708. [. Isto significa que. a deliberação que prevalecia.. quando o capital já está integralizado. é que a solução será dada por decisão judicial). (i) quorum de três quartos do capital social para alterar o contrato social e deliberar sobre transformação.. o desempate já não é mais pela sorte. ou seja. Por outro lado. A conseqüência de todos estes dispositivos é que as novas regras (inclusive os percentuais de deliberação) aplicam-se às sociedades constituídas antes da entrada em vigor do FGV DIREITO RIO 17 . Finalmente. Cabe então perguntar como é que se faz a transição entre estes dois regimes? Algumas pistas são dadas pelo próprio Código Civil.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa ministrador não sócio. ao estabelecer os quoruns de deliberação faz sempre referência à totalidade do capital social e não à totalidade do capital social votante. para as associações e fundações. incorporação e cisão da sociedade. sociedades e fundações constituídas na forma das leis anteriores terão prazo de um ano. (iii) quorum de dois terços do capital social para nomear o administrador não sócio. [.. a constituição do ato e os requisitos de validade para a constituição do ato são os da época em que o ato foi praticado. tais como as ações preferenciais. dando cogência ao conteúdo deste artigo. desde logo. De acordo com o Código Civil de 2002. Já os efeitos do ato após a entrada em vigor do novo Código Civil passam a ser os efeitos atribuídos pelo novo Código Civil. Em seguida. pelo Código Civil de 2002. em caso de empate. foram extintas as quotas preferenciais sem direito a voto. Ou seja. as alterações do contrato social serão realizadas de acordo com os percentuais de deliberação estabelecidos no próprio Código Civil. os votos serão contados por número de sócios. o art.] mas os seus efeitos. no período de adaptação das sociedades ao novo Código Civil. Este prazo foi prorrogado para as sociedades por mais um ano e. (iv) quorum de dois terços do capital social para destituir o administrador que é sócio da sociedade e que foi nomeado administrador no contrato social. só se o empate persistir.18 do decreto 3708. 2031 determina que as associações. na medida em que o Código Civil de 2002. o artigo 2035 segundo o qual: “A validade dos negócios e demais atos jurídicos constituídos antes da entrada em vigor deste Código obedece ao disposto nas leis anteriores. era escolhida por sorteio. a aplicação das novas regras às sociedades Em primeiro lugar. a partir da vigência do Código Civil para adaptar-se às disposições deste Código Civil. Anteriormente. por mais dois anos.1076 do novo Código Civil é expressa.]” Ou seja. a conclusão é clara: Existe uma diferença entre o regime anterior e o regime do novo Código Civil. 2033 determina que as modificações dos atos constitutivos das sociedades regem-se.

Os sócios controladores que não tomaram cuidado de alterar o contrato social antes da entrada em vigor do novo Código Civil. Assim. cumpre examinar se a aplicação do Código Civil de 2002 às sociedades já existentes não viola o ato jurídico perfeito e o direito adquirido. todos os que não aproveitaram o período da “vacatio legis” para modificar antecipadamente o contrato social. mudava a sede da sociedade. nomeava gerentes. Assim. tem mais de 1/3 do capital social e tiver sido nomeado administrador no contrato social. inclusive quanto às deliberações que devem ocorrer para adaptar essas sociedades ao novo Código Civil. concordar com a sua destituição).ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa Código Civil de 2002. Até janeiro de 2004. já não pode mais alterar o contrato social. perderam o controle da sociedade. se o administrador é também sócio. destituía gerentes. Deste modo. com a entrada em vigor do novo Código Civil houve uma “usurpação” do controle das sociedades limitadas para todos os sócios que tinham entre cinqüenta a setenta e cinco por cento. este sócio-administrador somente poderá ser destituído se ele. o sócio titular de quotas representativas de cinqüenta por cento do capital social mais uma fração tinha assegurado o controle da sociedade. deliberava aumento do capital social e etc. perderam o controle sobre a sociedade. O ato jurídico perfeito é a regra que preserva os pressupostos de validade da constituição do ato (no caso das sociedades. alterava o objeto social. ambos garantidos pela Constituição da República. Em virtude da regra do ato jurídico per- 4 Os sócios que tinham até cinqüenta por cento do capital social não tinham o controle da sociedade e os sócios que tinham mais de setenta e cinco por cento do capital social continuam a ter a maioria dos direitos de controle. neste caso. a constituição da sociedade rege-se pela lei em vigor ao tempo do ato constitutivo. constituído sobre a égide da lei anterior. tendo produzido seus efeitos sobre a égide dessa lei anterior.1 Argumentos a favor da não aplicação das novas regras Face a esta situação. já não pode mais destituir um administrador (em especial. 1054 e 997 relativos ao ato constitutivo de sociedades limitadas não se aplicam ao ato constitutivo de uma sociedade limitada constituída antes da entrada em vigor do novo Código Civil. O direito adquirido é aquele que. Com efeito. O ato jurídico perfeito pode ser definido como um ato consumado sob a égide da lei anterior. No dia da entrada em vigor do novo Código Civil de 2002. o ato de constituição das sociedades). dá ao seu titular o direito de exercê-lo em momento futuro. FGV DIREITO RIO 18 . para criar algumas cláusulas e algumas alternativas que assegurassem o controle. a alteração das regras societárias face ao ato jurídico perfeito e ao direito adquirido 3. Deste modo. O impacto destas regras é enorme num determinado tipo de sociedade. Este sócio alterava sozinho o contrato social. Este sócio.3. a sociedade que mais sofreu com a entrada em vigor do novo Código Civil é aquela sociedade controlada por sócios titulares de quotas representativas entre cinqüenta a setenta e cinco por cento do capital social4. este sócio – que havia adormecido na noite anterior como controlador da sociedade – acordou sem mais qualquer poder de controle sobre a sociedade. sócio-administrador. os requisitos dos arts. sozinho.

essa lei nova passa a ter retroatividade. Na medida em que estes novos quoruns representam a aplicação de uma nova lei. que se a lei nova alcançar efeitos futuros de contratos celebrados anteriormente a ela. relativa aos quoruns de deliberação das sociedades limitadas no novo Código Civil. FGV DIREITO RIO 19 . segundo o qual “a lei não prejudicará o direito adquirido.XXXVI. em virtude do ato jurídico perfeito e do direito adquirido).997 do Código Civil proibir a sociedade entre cônjuges casados sob o regime da comunhão universal de bens. da Constituição. precisamente. essa lei será retroativa (ainda que seja um caso de retroatividade mínima. proferido na Ação Direta de Inconstitucionalidade 493/0 do Distrito Federal.5. os direitos dos sócios perante a sociedade e os direitos dos sócios perante os outros sócios continuariam a ser regidos pelas normas anteriores ao novo Código Civil.5. em 25/06/92. Ou seja. No sentido de que o Código Civil de 2002 não se aplica às sociedades já existentes à época da sua entrada em vigor há dois fortes argumentos. O disposto no art. Neste acórdão.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa feito. a sociedade preenchia os requisitos de validade. porque vai interferir na causa que é um ato ou fato ocorrido no passado). e essa retroatividade viola o art.5. Por exemplo. o regime de responsabilidade dos sócios perante terceiros. A primeira é a da sociedade constituída – antes do novo Código Civil – entre marido e mulher. inc. Assim. Por outro lado. da Constituição aplica-se a toda e qualquer lei infraconstitucional. o ato jurídico perfeito e a coisa julgada”. se a lei nova for aplicada aos efeitos futuros do contrato. por maioria. inc. é possível ir mais longe e distinguir entre as regras procedimentais (que seriam de aplicação imediata) e as regras substantivas (que tratam de direitos substanciais e que não seriam de aplicação imediata. as regras substanciais não seriam modificadas pelo Código Civil de 2002. Portanto. da Constituição da República. XXXVI. casados sob o regime de comunhão universal de bens. O segundo argumento é um importante acórdão do Supremo Tribunal Federal. todas as regras relativas aos direitos e deveres dos sócios. este quoruns também deixariam de ser aplicados. o Supremo Tribunal Federal decidiu. talvez as mais candentes com relação ao ato constitutivo. os quoruns de deliberação seriam os da lei anterior. Esta regra pode-se aplicar a duas situações. o art. aos efeitos de um contrato celebrado anteriormente a ela. seriam procedimentais as regras relativas à convocação dos sócios para as deliberações e as regras relativas às formalidades de tomada de posse dos administradores. Ou seja.XXXVI. Na época em que a sociedade foi constituída. Por um lado. inc. A segunda situação é. estas regras do novo Código Civil aplicar-se-iam mesmo às sociedades constituídas no regime anterior. essa sociedade poderia continuar a existir. sem qualquer distinção entre norma de direito público (cogente) e norma de direito privado (eventualmente supletiva). Inclusive. Já a regra do direito adquirido determina que os efeitos futuros do contrato social regem-se também pela lei anterior ao novo Código Civil. o ato constitutivo desta sociedade rege-se pelas regras anteriores (Código Comercial de 1850 e decreto 3708). Portanto. apesar do art. Assim. os direitos dos sócios perante terceiros.

inclusive. a propósito de contribuições previdenciárias e de benefícios previdenciários.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa 3. Por outro lado. seja ele o mil réis. depois da primeira Guerra mundial. ou seja. Recentemente. a mesma deve continuar a existir. de 31 de agosto de 2000. 105. conforme demonstram os exemplos a seguir: • Seria possível invocar o direito adquirido para permitir que a sociedade continuasse a exercer uma atividade prevista no seu objeto social (portanto uma cláusula contratual). foi abolida pelo novo Código Civil. um caso prático. da Constituição. onde por acórdão datado de 31 de maio de 1985. (ii) o exercício dessa atividade decorre de uma cláusula contratual fundamental. por força do ato jurídico perfeito e do direito adquirido? • Há. ao contrário do que sucede com a caderneta de poupança não tem natureza contratual. 5 FGV DIREITO RIO 20 . vejamos: A sociedade de capital e indústria. O mesmo Supremo Tribunal Federal já disso.3. (v) portanto. assim é de aplicar-se a ele a firme jurisprudência desta corte no sentido de que não há direito adquirido a regime jurídico”. efeitos futuros de situações pretéritas. a favor da aplicação do Código Civil de 2002 às sociedades existentes à época da sua entrada em vigor. por causa da alsácia-Lorena. Uma primeira oportunidade foi no Recurso Extraordinário nr. tendo então sido promulgada uma lei francesa de sociedade por quotas para resolver o problema. que o direito adquirido não é absoluto e que há possibilidade de se aplicar uma lei nova a situações pretéritas.2034 do novo Código Civil determina que a liquidação das pessoas jurídicas.855. conseqüentemente. talvez caiba minimizar a aplicação do art. pois não há sentido considerar uma atividade ilícita e permitir que a mesma continue a ser exercida. isto é. a propósito da correção e ao expurgo da correção monetária do FGTS. o Supremo Tribunal Federal disse o seguinte: “O FGTS. o cruzeiro velho ou a indexação pelo salário mínimo. em diferentes oportunidades. o pagamento se fará sempre na moeda definida pela lei no dia de pagamento”. e na França não existia uma lei de sociedade por quotas. o Supremo Tribunal Federal disse que: “não há direito adquirido a um determinado padrão monetário pretérito. poderiam os sócios arguir que: (i) o contrato social contém esse objeto social. a sociedade e os sócios têm o direito adquirido à continuação do exercício dessa atividade? • Outro exemplo: Se for suprimido um tipo societário. de uma maneira pragmática.137. é possível argumentar em sentido contrário. naquela região constituíram-se várias sociedades por quotas de responsabilidade. mas sim estatutária por decorrer de lei e por ela ser disciplinado. quando tal atividade se tornasse proibida por lei? • Se o Estado promulga uma lei segundo a qual determinada atividade não pode mais ser exercida no Brasil. as sociedades por quotas de responsabilidade limitada foram introduzidas na França. prevista no Código Comercial. 226. Se as regras procedimentais do novo Código Civil aplicam-se imediatamente – conforme visto acima – por que razão o art. surge uma outra questão curiosa. antes da primeira Guerra mundial. Face a estes dois acórdãos do Supremo Tribunal Federal.2 Argumentos a favor da aplicação das novas regras No entanto.5. (iv) o exercício dessa atividade era legal no momento da constituição da sociedade. (iii) a sociedade foi constituída para o exercício dessa atividade. As sociedades de capital e indústria anteriores podem continuar a existir ou devem ser dissolvidas ou transformadas em um dos tipos previstos no novo Código Civil5? A resposta parece ser negativa. já iniciada no mo- Este é um problema que não é unicamente brasileiro. a alsácia-Lorena foi incorporada à França no final da primeira Guerra mundial. será que os sócios podem sustentar que tendo a sociedade se constituído sob o regime da lei anterior. no acórdão proferido no Recurso Especial No. inc. com fundamento no direito adquirido. a alsácia-Lorena era parte da alemanha e na alemanha já existia uma lei criando as sociedades por quotas de responsabilidade limitada. XXXVI.

ainda. é possível sustentar que os quoruns de deliberação FGV DIREITO RIO 21 . à nova lei. como já afirmou o Supremo Tribunal Federal a propósito do FGTS. faz-se sob o regime da lei anterior e não sob o regime do novo Código? Face a estes diversos exemplos. O primeiro é que o novo Código Civil deve aplicar-se imediatamente às sociedades já existentes. O primeiro argumento é que é possível aplicar o novo Código Civil porque o novo Código Civil expressamente menciona a sua aplicação. Todavia. esse regime jurídico foi alterado pelo novo Código Civil. há alguns bons argumentos a favor da aplicação do Código Civil de 2002 às sociedades anteriormente constituídas e a favor da necessidade dessa adaptação dos contratos sociais destas sociedades. O segundo argumento – também de ordem prática – é que quando a Lei 6404/76 que reformou integralmente as regras sobre sociedades anônimas entrou em vigor. quais os efeitos daquele direito de voto e quais são as modalidades do exercício desse direito de voto. isto é. Neste termos. produzidos após a vigência deste Código. obedece ao disposto nas leis anteriores. a um regime jurídico. como o direito de voto vai ser manifestado. Ou seja. no prazo de um ano. constituídos antes da entrada em vigor deste Código. Na verdade. sem que obstáculos fossem suscitados. outros pontos que merecem alguma reflexão. as disposições transitórias também determinavam a adequação dos estatutos das sociedades anônimas então existentes. neste caso concreto. salvo se houver sido prevista pelas partes determinada forma de execução”. é possível afirmar que. dentro das novas disposições legais. [.. desaparece um regime jurídico e surge um outro regime jurídico. dois argumentos de ordem prática (e não. A conseqüência do Código Civil de 2002 é que o direito de voto será exercido de acordo com um novo quadro legislativo. em razão da parte final do art. pelo que os sócios e as sociedades têm que se adaptar a esse novo regime jurídico. conclui-se que não é possível ir tão longe a ponto de dizer que – apoiadas no ato jurídico perfeito e no direito adquirido – as sociedades podem continuar a atuar sob o regime jurídico anterior e que não é preciso fazer a adaptação dos contratos sociais. regime jurídico esse que era garantido pelo Código Comercial de 1850 e pelo decreto 3708. Conseqüentemente. Deste modo.. Assim. aos preceitos dele se subordinam.2035. Não existe nenhum dispositivo que prive o sócio do direito de voto nas deliberações sociais. o sócio tem o direito de voto e continua tendo direito de voto no novo Código Civil.] mas os seus efeitos. propriamente. se o contrato social contiver cláusula neste sentido. O segundo ponto é que nem os sócios nem as sociedades têm direito. não obstante os direitos adquiridos. dois argumentos de ordem jurídica). Há. os sócios haviam seguido um determinado regime jurídico para as sociedades por quotas de responsabilidade limitada. E essa adequação foi realizada. porque ele não modifica os direitos dos sócios.2035 do novo Código Civil. os sócios inseriram no contrato uma cláusula específica prevendo a execução do direito de voto. segundo o qual “A validade dos negócios e demais atos jurídicos. E primeiro lugar. se o contrato social contém uma cláusula indicando que as deliberações dos sócios devem ser tomadas por um determinado percentual do capital social.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa mento da entrada do novo Código Civil. mas apenas as modalidades do exercício do direito dos sócios. Uma exceção a aplicação imediata do novo Código Civil esta prevista no final do art.

15 do decreto 3708. estava determinada no art.986 a 990 do novo Código Civil. a prática demonstra que a maioria dos contratos sociais não contém cláusula relativa às deliberações. pois esta regra. com algumas conseqüências importantes como a responsabilidade solidária e ilimitada dos sócios. e não obstante as diversas considerações apresentadas. Entretanto. ainda que indiretamente.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa do novo Código Civil não se aplicam à sociedade. a sociedade torna-se uma sociedade em comum. A sociedade passa então a reger-se pelos arts. a situação da sociedade que não se adaptou ao Código Civil de 2002 Para finalizar cabe agora examinar o que acontece à sociedade que não adaptou o seu contrato social ao novo Código Civil. Neste caso. Ou seja. porque o contrato social contém uma cláusula determinando que as deliberações sejam tomadas pelo voto dos sócios titulares da maioria do capital social. os sócios passam a responder perante terceiros ilimitadamente e solidariamente pelas dívidas da sociedade. parece não valer a pena correr o risco de a sociedade regular ser transformada em sociedade comum. Sendo esta a conseqüência. FGV DIREITO RIO 22 . uma vez que o registro da sociedade perde a sua validade e um registro não válido equivale a um registro inexistente.

roteiro de auLa: O Plano de Negócios21 é um documento que visa transformar idéias em situações concretas. – Orientação para elaboração do contrato social: Providências preliminares. Esse levantamento torna possível gerar um diferencial competitivo. Ao optar pela elaboração de um Plano de Negócio.aspx 21 as perguntas deverão ser criadas. por exemplo: – Qual atividade que os sócios gostariam de desenvolver? – Qual a experiência e conhecimento sobre a atividade que os sócios têm? Compreender os fatores externos e internos que afetam (ou poderão afetar) diretamente o desempenho da sociedade é muito importante para o sucesso do negócio. 22 FGV DIREITO RIO 23 . Daremos enfoque na análise prévia e planejamento adequado antes da constituição de uma sociedade. estratégias de marketing. sebraesp. planejamento financeiro e tudo mais que for relevante para iniciar um negócio específico ou ampliar um já existente. ementário de temas: – Elaboração do “Plano de Negócio”. oferecer o produto ou serviço certo no momento propício e bem atendê-los após a venda. seja por meio da atividade individual ou coletiva. – Regência supletiva pelas normas das sociedades por ações. sindicatos e outras entidades setoriais. empresa é outra. adaptadas e modificadas conforme a realidade do negócio. público alvo.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa AUlAS 02. antes da elaboração do contrato social. Recomenda-se que os sócios busquem informações relevantes do seu negócio em jornais. Nele estarão registrados o objetivo do negócio. Algumas perguntas22 são fundamentais na hora de elaborar o Plano de Negócios. O passo a passo para a elaboração do plano de negócios pode ser encontrado no link: http://www. diminuindo os riscos do insucesso. 03 E 04: REUNIÃO COM ClIENtE PARA ElAbORAÇÃO DO CONtRAtO SOCIAl Nas aulas seguintes aprenderemos sobre a importância da orientação empresarial através do fornecimento de princípios básicos para quem pretende montar um negócio. – Onde abrir o negócio e qual o espaço necessário? Os sócios terão uma noção prévia do funcionamento do negócio do ponto de vista mercadológico e saberão quais exigências terão que atender para a sua instalação. revistas e publicações profissionais/técnicas.com. com eficiência e eficácia.br/principal/ abrindo%20seu%20negócio/or ientaçõescriação%20de%20em presas/passos_elaboracao_plano_negocio. os sócios terão a idéia de negócio devidamente analisada. riscos. – Cláusulas obrigatórias e facultativas. – Texto I: Lei não prevê permanência de herdeiros nas Limitadas. – Texto II: Família é uma coisa. – Qual será o público alvo e como conquistar o mercado? Permite conhecer e entender as necessidades dos clientes. que tem no contrato social o instrumento que representa o entendimento dos sócios quanto aos seus direitos e deveres com vistas à realização do objeto social.

mais os lucros reinvestidos na sociedade. ou seja.br 24 as instruções estão disponíveis no site do sEBRaE. para um consumidor individualmente”. profissão. data de nascimento (se solteiro). – solteiro menor de 18 anos: (art. que veremos a seguir. Unidade Federativa e CEP).687).000. constar também do preâmbulo a expressão “ASSISTIDO POR”.690. como calcular o Retorno do Investimento? Investimento é todo o capital aplicado na empresa. parte do investimento deve ser “devolvida” e essa devolução acontece quando a sociedade gera o lucro. pela mãe ou tutor. documento de identidade. facilidade de acesso.br/canalexecutivo/artigosc. preço. 28 código de Trânsito Brasileiro. naturalidade.000. município. o “passo a passo” para a abertura de uma sociedade. consultor de marketing. seja o capital social inicial. em aula.667) ou sob o regime de separação obrigatória de bens (art. 997.dnrc. CC/2002): – maior de 16 anos – deve ser assistido pelo pai.00 Lucro Líquido mensal: R$ 2. 1. 1. Qualificação completa dos sócios: (art.com.br O art. 977 do código civil de 2002 trouxe uma vedação quanto à convivência da affectio societatis e da affectio maritalis quando nesta última os cônjuges forem casados sob o regime de comunhão universal de bens (art. domicílio e residência (tipo e nome do logradouro. I. na aula 02. número. Quais são os fatores críticos de sucesso do negócio? Quanto e que tipo de recursos será necessário para o empreendimento? Não existem limites ou regras para o valor que deve ser utilizado de capital próprio para investimentos. mesmo. do CC/2002) PESSOA FÍSICA (rectius NATURAL): nome completo. sempre é bom avaliar bem as alternativas.00 prazo de retorno: 40 meses Fonte: www.sebraesp. seu número. constar também do preâmbulo a expressão “REPRESENTADO POR” e a qualificação completa dos representantes. carteira de identidade profissional. nº do CPF.24 Qual a documentação necessária? Além do contrato social. qualidade no atendimento. Exemplo: Investimento total: R$ 80. pela mãe ou tutor.gov. órgão expedidor e UF onde foi emitida (documentos válidos como identidade: carteira de identidade. certificado de reservista. – menor de 16 anos – deve ser representado pelo pai. Carteira de Trabalho e Previdência Social. se existem linhas de crédito e incentivos (Municipal. A escolha de recursos próprios e de terceiros.com.uol. o cliente contribuirá para a excelência na elaboração do contrato social além de dispor de um documento que o ajudará a acompanhar a evolução do seu negócio. e a qualificação completa do(s) assistente(s). nacionalidade. acabamento. mais os aumentos (aporte) de capital adicional. 1. O cliente deve ser orientado para preparar um Plano de Negócios e de como fazê-lo. pois não precisa ser profissional experiente para tanto25. regime de bens (se casado).00 Investimento total: R$ 80. 1. analisaremos. Ao apresentar o Plano de Negócios. 25 26 27 Fonte: www. estado civil27. a oferta de produtos e de serviços para nichos específicos de mercado ou. deve levar em consideração àqueles que permitam sempre melhores margens de ganho.23 Escolha de fornecedores e pesquisa de concorrentes? Identificar quantos concorrentes estão oferecendo o mesmo produto e/ou serviço.000.000. Mensalmente. a taxa de rentabilidade do investimento é calculada da seguinte forma: Lucro Líquido dividido pelo Investimento.503/9728). já estudamos. Estadual ou Federal).5 % ao mês O prazo de retorno do investimento realizado é calculado da seguinte forma: Investimento dividido pelo Lucro Líquido. forma de arrumação de produtos nas prateleiras e/ou divulgação do serviço etc. carlos pougy. cada qual com as críticas cabíveis26. FGV DIREITO RIO 24 . A partir dos itens elencados pelo Departamento Nacional de Registro do Comércio. bairro/distrito.00 Taxa de rentabilidade: 2. Disponível em: http://www2.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa – – – – – “através de ações dirigidas. Exemplo: Lucro Líquido mensal: R$ 2. Qual a previsão de retorno para o investimento? O principal indicador para acompanhar a viabilidade do negócio é o retorno do investimento. Carteira Nacional de Habilitação – modelo com base na Lei nº 9.htm 23 orientação para elaboração de contrato de sociedade Limitada. atentando para qualidade.

997. Endereço comercial da sede e de filiais declaradas: (art. que pode ter valor desigual. 5629. PESSOA JURÍDICA: nome empresarial. CC/2002) – não pode conter as expressões “ME” ou “EPP”. nos respectivos atos constitutivos. 997. sem que dos mesmos conste: I – a declaração precisa e detalhada do seu objeto. 997. e se sediada no Brasil. 4. 3. inclusive das filiais declaradas. II. – procurador: constar do preâmbulo.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa – se emancipado (maior 16 anos) constar da qualificação a forma da emancipação. 56. 5. b) mencionar o valor nominal de cada quota. qualificação completa dos representantes da empresa no ato. a prova da emancipação (art. 2. transformação. por exemplo). número. do CC/2002). CC/2002) – sócio domiciliado no exterior: nomear procurador no Brasil. CC/2002) a) indicação numérica e por extenso do total do capital social. art. em separado. com poderes para receber citação. – sociedade limitada. anteriormente registrado. que deverá ser obedecido. limpeza. CC/2002) Tipo e nome do logradouro. devendo conter sua declaração precisa e detalhada. FGV DIREITO RIO 25 . 9º) Obs. Nome empresarial: (art. III – o nome por extenso e qualificação de cada um dos sócios acionistas. II – o capital de cada sócio e a forma e prazo de sua realização. incorporação ou agrupamento de empresas. (art. taxativo. 976. endereço completo da sede. VII – o número. feita antes o registro no Registro Público no caso de outorga pelos pais ou por sentença. UF e CEP. – sociedade anônima. arquivando. juntado ao processo o respectivo instrumento de mandato”. – não pode ser idêntico ou semelhante a nome já protegido isto é. bairro/distrito. fusão. bem como quaisquer alterações. por instrumento público. IV – o local da sede e respectivo endereço. V – os nomes dos diretores por extenso e respectiva qualificação. CC/2002) Diz respeito à atividade que será desenvolvida. – sociedade em comandita por ações. município. escolhendo-se o tipo societário que melhor se apresenta para a situação de fato: – sociedade simples. 1. I da Lei nº 8. (art. 6. VI – o prazo de duração da sociedade. após o nome e qualificação completa do sócio: “REPRESENTADO POR SEU PROCURADOR. mencionando gênero (indústria. – sociedade em comandita simples.884/9430). I. com poderes específicos. complemento. espécie e valor das ações. – a composição do nome deve observar as regras gerais e as próprias do tipo escolhido (firma social ou denominação). III e IV. (art. Objeto social: (art. NOME E QUALIFICAÇÃO COMPLETA. comércio ou serviços) e espécie (calçados. roupas infantis. II. O Código Civil apresenta um rol.158. NIRE (número de identificação do registro de empresas) ou número atribuído no Cartório de Registro Civil das Pessoas Jurídicas e o nº do CNPJ (Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas). 29 30 Lei que trata da prevenção e da repressão às infrações contra a ordem econômica e transformou o conselho administrativo de Defesa Econômica – caDE em autarquia. – sociedade em nome coletivo. Sócio Analfabeto: também o nome e a qualificação completa do procurador constituído. II e art. Indicação do tipo jurídico da sociedade. 997. as juntas comerciais ou órgãos correspondentes nos Estados não poderão arquivar quaisquer atos relativos à constituição. Capital social (art. 997.

CC/2002) c) sócio menor – somente se emancipado.028 e 1. se determinado. o ingresso de herdeiros poderá acontecer se não houver cláusula contratual que impeça. e. para representar a sociedade. (art. 7. caso não se ajuste esta indicação em ato separado31. para terceiros que contratarem com a sociedade. número de matrícula no Registro de Imóveis e autorização do cônjuge no instrumento contratual com a referência pertinente.061. os herdeiros desconhecem ou não estão interessados e assumem o negócio gerando confusão e prejuízo. CC/2002) Indicar o prazo de duração indeterminado ou determinado (neste caso indicar o início e o fim da sociedade).063 e 1. 1.060. 31 O administrador não sócio. art. Indicar o prazo de gestão. 997.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa c) mencionar o total de quota(s) de cada sócio. Cessão de quotas. suas atribuições e limites de poderes. caracterizando uma sociedade de capital. não admitindo a transferência das quotas àquele estranho à sociedade (exceto se houver unanimidade dos sócios autorizando-a no instrumento de cessão). 1.052. CC/2002) A responsabilidade dos sócios. salvo se o regime de bens for o de separação absoluta. 1. Administração: (art.031. sob pena da nomeação perder a validade (art. d) estrangeiro. 1. 8. De outra forma.056. e) se houver sócio menor.064 todos do CC/2002) a) Designar pessoa(s) naturais. além da permissão para usar o nome empresarial. FGV DIREITO RIO 26 . (artigos 1. ou seja. Muitas vezes. II. (artigos 1. 1. 1. 1. Falecimento/interdição de sócio.062. apresentar a carteira de identidade com o visto permanente. art. 997. seguindo a orientação do Código Civil. poderão estabelecer que a transferência das quotas se dará independentemente da vontade dos sócios ou.061. CC/2002) Eis um dos casos que denotam a importância da cláusula que dispõe sobre a cessão de quotas. 9. CC/2002) Optando os sócios por garantir à sociedade característica típica “de pessoas”.062). art. Responsabilidade dos sócios: (art. definir um percentual limite de sócios que deverão anuir com o ato de cessão.003 e 1. o capital deverá estar totalmente integralizado. 11. 10. f ) integralização com bem imóvel: descrição e identificação do imóvel. a sociedade tem que continuar. da mesma forma. b) O contrato pode estabelecer a designação de administrador NÃO sócio. deverá firmar termo de posse no livro de ata da administração. deve ser mencionada no contrato social para um melhor esclarecimento e conhecimento de todos os sócios que da sociedade façam parte e. se o capital não estiver integralizado e de no mínimo dois terços. no prazo de até 30 dias da data de sua designação. designado em ato separado. apesar de redundante. d) declarar a forma e o prazo de integralização do capital. sua área. Prazo de duração da sociedade: (art. VI. poderão estabelecer no contrato social vedação ao ingresso de terceiros. dados relativos a sua titulação. Dependerá de aprovação unânime dos sócios. pois a responsabilidade dos sócios decorre do texto legal. Na falta de um dos sócios (seja pela interdição ou pelo falecimento). se a intenção dos sócios for constituir uma sociedade onde a pessoa do sócio não tem relevância para sua formação. se totalmente integralizado.

CC/2002). Na dúvida quanto à veracidade da assinatura aposta.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa 12. do Dec.066. 853. 1.. (art. art.031.078. FGV DIREITO RIO 27 . 16. 1o. 53. Lei 9. É da essência do ato de constituição de sociedade empresária a participação nos lucros e nas perdas por cada um dos sócios. 1. 13. a não inclusão destas em nada impede o arquivamento do contrato social no registro competente.) III – os atos constitutivos e os de transformação de sociedades mercantis. em destaque o Direito dos Contratos. CC/2002). e) instituição de conselho fiscal38.. CC/2002). (art. Orientação do item 1. Eis alguns exemplos de cláusulas facultativas: a) conseqüências em caso de retirada ou exclusão de sócio34. art. não podem ser arquivados: (. CC/2002) e a referência ao julgamento das contas no primeiro quadrimestre seguinte ao término do exercício social pelos sócios (art. 53. 1.. CC/2002). seguindo à risca o princípio constitucional da livre iniciativa33. pelo fato de não serem obrigatórias. elas são a verdadeira expressão da vontade dos sócios.) e) o nome empresarial. com a reprodução de seus nomes. Foro: indicar o domicílio onde se exercitem e cumpram os direitos e obrigações deles resultantes. notadamente às normas do Direito das Obrigações. 14. c) previsão de regência supletiva da sociedade pelas normas da sociedade anônima36. 17.053. 18.2. III. com endereço completo. Como cláusulas facultativas. CC/2002) e à colocação destes documentos à disposição dos sócios não administradores. (. 1.784/99).. para a elaboração do inventário. e foro. art. Participação dos sócios nos lucros e perdas: indicação da participação proporcional dos sócios nos lucros se outro ajuste não for estipulado.085.072. 1. Inserir cláusulas facultativas desejadas. do balanço patrimonial e do balanço do resultado econômico (art. Cláusula de inexistência de impedimento para o(s) administrador(es) se não apresentada esta declaração em separado. d) autorização para que a pessoa não sócia exerça a função de administrador37.27 do manual de atos de Registro de sociedade Limitada. se deles não constarem os seguintes requisitos. f ) regras referentes às reuniões de sócios39. o município da sede. Os exemplos acima não esgotam o ajuste de outras cláusulas que podem ser adicionadas ao contrato social. pelo sócio e seu assistente. o ato será assinado. Não é necessário o reconhecimento das firmas dos sócios41. 1. b) regras acerca da administração da sociedade35. Local e data (dia. o ato será assinado pelo representante do sócio. DEVERÁ a Junta Comercial EXIGIR o RECONHECIMENTO DE FIRMA (Lei no 9. sendo vedada a atribuição da totalidade a apenas um deles. 1. 997. 1013. 1. e32.800/96) OU cláusula compromissória elegendo a Arbitragem para dirimir litígios relativos a direitos patrimoniais disponíveis (art. (art. art. aprovado pela In 98/2003 (DnRc). até trinta dias antes da reunião ou da assembléia de sócios. IV e 170 da constituição Federal de 1988. bem como os endereços completos das filiais declaradas. art. além de outros exigidos em lei: (. – sócio maior de 16 e menor de 18 anos. Obs: sócio menor de 16 anos.065.. conjuntamente. Data de encerramento do exercício social: indicar a data do término de cada exercício. 15. g) exclusão de sócios por justa causa40. 1. 1. parágrafo único. Vll. 1. no entanto. (art.078. art. Assinatura dos sócios ou dos seus procuradores no fecho do contrato social.. desde que submetam-se aos princípios gerais de Direito. 34 35 36 37 38 39 40 41 art.307/96 e art. mês e ano).) 33 artigos 1º.011.061. 32 art. ao abranger as cláusulas que determinam as matérias contratadas pelos sócios livremente e que irão adequar a sociedade de acordo com suas particularidades. § 1º.

regência supletiva pelas normas das sociedades por ações Os 35 artigos (1.087) que tratam da sociedade do tipo Limitada. publicidade. 20. os sócios poderão adequar o contrato social e. órgão expedidor e UF48. 48 autores: alexandre Ferreira de assumpção alves e maurício moreira mendonça de menezes. 1º da Lei nº 8.. Assim. art. aplica-se o disposto no art. quando visados por advogados.) § 2º não se aplica às microempresas e às empresas de pequeno porte o disposto no § 2º do art.(. da Lei nº 8. de forma legível. ao asseverar que o método é “supletivo”. Visto de advogado: visto/assinatura de advogado. A propósito do tema. ou o art. alguns enunciados aprovados na III Jornada de Direito Civil estabelecem que: Enunciado 21749: Com a regência supletiva da sociedade limitada pela lei das sociedades por ações. aprovado pela In 98/2003 (DnRc). Lei 8. será exercido em todo o território nacional.404/76.053 do CC.934/9447). 1. inciso I46. Rubricar as demais folhas não assinadas.. autenticidade. assim. A aplicação de um ou outro diploma legal dependerá da vontade dos sócios que será reduzida a termo no contrato social. 997 a 1038) e da Lei da Sociedade por Ações (Lei n° 6. segurança e eficácia aos atos jurídicos das empresas mercantis. se o voto não tiver prevalecido. 42 art. e até mesmo aconselhável. 1053. § 3º.1º.. art. com a indicação do nome e do número de inscrição na OAB/Seccional (o visto é dispensado para o contrato social de microempresa e de empresa de pequeno porte). poderão ser lançadas com indicação do nome do signatário. de 4 de julho de 1994. 1. Nos demais casos. ela não é empresarial e a responsabilidade dos sócios é ilimitada.. em seus dispositivos abrangem vários temas. algumas críticas são feitas. para resolvê-lo aplicarse-ão as normas da sociedade simples previstas no Código Civil ou da Lei 6.1 do manual de atos de Registro de sociedade Limitada. permite uma saída para os sócios afastarem a aplicação supletiva das normas da sociedade simples. pois.(. 9º. A justificativa para este posicionamento encontra-se nos pontos de afinidade entre a sociedade limitada e a sociedade anônima. 21. por extenso. se o voto proferido foi decisivo para a aprovação da deliberação..404/76 e não pelas regras das sociedades simples. 187 (abuso do direito).906.906/9443 e art. 1º. com as seguintes finalidades: I – dar garantia. § 3º da Lei 6. 47 Orientação do item 1. § 2º42. que. sob pena de nulidade. por órgãos federais e estaduais. 9º.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa 19.2. 45 46 nova Lei do simples. emendas ou entrelinhas sem expressa ressalva dos sócios.052 a 1.404/76) à sociedade limitada em caso de omissão. (.. e do número de identidade. quando o “assunto” não estiver previsto nos artigos que integram o capítulo das Limitadas e o contrato social for omisso.. 49 FGV DIREITO RIO 28 .27. o sócio que participar de deliberação na qual tenha interesse em contrário ao da sociedade. 1º O Registro público de Empresas mercantis e atividades afins. a subsidiariedade. (art. No caso da regência supletiva pelas normas da sociedade simples.) Lei de Registro público de Empresas mercantis e atividades afins.ú. do art. Assinatura das testemunhas: Não são obrigatórias as assinaturas das testemunhas. A possibilidade é clara na redação do p. nos órgãos competentes. 1º. embora a sociedade simples tenha natureza contratual. Seu ato constitutivo é arquivado no Registro Civil de Pessoas Jurídicas enquanto que a Limitada tem o ato constitutivo registrado na Junta Comercial. será suprida pela Lei 6. A Assembléia de Sócios e o Conselho Fiscal são exemplos de institutos e estruturas que aparecem igualmente nas Limitadas e nas Anônimas.010..404/76. eventual omissão própria do capítulo das Limitadas. Observação: o documento não pode conter rasuras. submetidos a registro na forma desta lei.404/76. só podem ser admitidos a registro. entretanto. que o contrato preveja a aplicação supletiva de algumas regras próprias das sociedades simples e outras das sociedades anônimas. aplicar-se-á o disposto no art. 115.) § 2º Os atos e contratos constitutivos de pessoas jurídicas. de forma sistêmica. ainda. O parágrafo único do art. entre eles a aplicação das normas da sociedade simples (arts. são atividades privativas de advocacia: (. (art. É possível. da Lei Complementar 123/200645). quando prevê a possibilidade da regência supletiva pela Lei 6. afastando. parágrafo 2º44.) 43 44 Estatuto da advocacia. professores uERj. subordinado às normas gerais prescritas nesta lei. Diante desta opção.

na ausência das normas sobre sociedades limitadas. DIREITO COMERCIAL – DISSOLUÇÃO DE SOCIEDADE POR QUOTAS DE RESPONSABILIDADE LIMITADA – QUEBRA DA AFFECTIO SOCIETATIS – RECURSO DO EX-CÔNJUGE COMO TERCEIRA INTERESSADA – ILEGITIMIDADE. INDEPENDE DE DILAÇÃO PROBATÓRIA. 51 FGV DIREITO RIO 29 . Diante do caso: 1. 2. Demonstrada a quebra da affectio societatis. Enunciado 22351: O parágrafo único do art. QUE APESAR DE CERCADA POR CONTROVÉRSIA JURÍDICA. existe alguma cláusula especial que deva ser inserida no contrato social? JurisprudênCia. 50 autor: alfredo de assis Gonçalves neto. RESGUARDADA A MEAÇÃO DA EX-MULHER POR MEDIDA ACAUTELATÓRIA DE SEPARAÇÃO DE CORPOS E ARROLAMENTO DE BENS. Des. HOMOLOGAÇÃO DO ESBOÇO DE PARTILHA. autor: alcir Luiz coelho. DECLARAÇÃO DE INEFICÁCIA DOS NEGÓCIOS JURÍDICOS SUBJACENTES À SEPARAÇÃO DO CASAL. professor Titular da uFpR. DIVERGÊNCIA. AÇÃO DE PARTILHA JUDICIAL POR DISSOLUÇÃO DA SOCIEDADE CONJUGAL. como uma forma de evitar conflitos familiares. PROCESSO CIVIL. não se aplica a sociedade limitada na hipótese de regência supletiva pelas regras das sociedades simples. Caso gerador.053 não significa a aplicação em bloco da Lei 6. 23.03. por não ser ela sócia. REGIME DE COMUNHÃO UNIVERSAL DE BENS. tanto as regras das sociedades simples quanto as das sociedades anônimas.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa Enunciado 22250: O artigo 997. ainda que as quotas da sociedade sejam objeto da partilha judicial. impõe-se a dissolução da sociedade com a designação do liquidante. jul. entre outras: – restrição à cessão de quotas.404/76 ou do disposto sobre a sociedade simples. – ter os mecanismos de funcionamento dos conselhos fiscal e de administração.2004). A ex-mulher não tem legitimidade para ingressar na ação de dissolução de sociedade da qual era sócio o seu ex-marido. 10ª Câmara Cível.001. José Geraldo Antonio. HAVIDOS EM FRAUDE À MEAÇÃO.º 2004. (grifo nosso) (Apelação Cível n. juiz Federal sj/Rj. COMPETÊNCIA DO JUÍZO DE FAMÍLIA PARA APRECIAR A QUESTÃO. ALIENAÇÃO FRAUDULENTA DE AÇÕES ORDINÁRIAS NOMINATIVAS DA EMPRESA APÓS SEPARAÇÃO DE FATO. V. Improvimento dos recursos. HOMOLOGAÇÃO DO ESBOÇO DE PARTILHA. 1. INVENTÁRIO DE BENS POR SEPARAÇÃO JUDICIAL. O contrato social pode adotar. – obrigatoriedade de distribuição do lucro aos sócios. TJ/RJ. indique o tipo societário. Um grupo de 10 pessoas da mesma família decide constituir uma sociedade com as seguintes características.03051.

apesar de não mais se referir a “executado”. diz. Relatora: DES. p. para deixar a decisão sobre sua ad-missão a critério dos sócios remanescentes. ou qualquer outra alternativa que melhor reflita e atenda aos interesses da sociedade e seus sócios”. a exemplo da ação de inventário por separação judicial combinada com partilha. diz a advogada. É o que afirma a ad-vogada Fabiana Seccomandi Anitablian do escritório Braga&Marafon Consultores e Advogados. REJEITADAS AS PRELIMINARES À UNANIMIDADE”. UNÂNIME. texto i: Lei não prevê permanência de herdeiros nas Limitadas52 Cláusula no contrato da sociedade tem que contemplar sucessores. assevera a especialista. Para Fabiana “o contrato social deve ter cláusula expressa prevendo o ingresso dos herdeiros na sociedade”. o valor deve ser calculado tomando por base a situação patrimonial da sociedade e pago em dinheiro no prazo de 90 dias”.várias as formas através das quais se pode prejudicar o cônjuge ou a companheira com atos praticados sob o manto pseudo-protetivo da empresa”. Outro ponto importante ressaltado por Fabiana diz respeito ao critério de apuração do valor a ser pago aos herdeiros. em geral. seus herdeiros continuem nos negócios”. a18. “No silêncio do contrato. Decisão: DAR PARCIAL PROVIMENTO A AMBOS OS RECURSOS. 2ª Turma Cível do Tribunal de Justiça do Distrito Federal. admitindo a discussão de prova documental a respeito de fatos incontroversos. NANCY ANDRIGHI em 18/10/1999).ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa I – a ação de inventário por separação judicial é o leito próprio para apreciação de questões jurídicas surgidas após a separação de fato do casal. podendo ser suscitada e discutida a qualquer tempo e grau de jurisdição. “A questão surge se o sócio pretende que. não podendo ser interpretado ampliativamente para alcançar a execução de toda ordem emanada do poder judiciário. Entretanto.. mas solução de natureza doutrinária e jurisprudencial. e comportando incidente processual quanto aos efeitos jurídicos dos negócios entabulados pelo cônjuge varão à revelia da cônjuge virago. suas quotas serão liquidadas e os respectivos valores pagos aos herdeiros. em face da preclusão pro judicato. desde que não seja renovada perante o mesmo grau de jurisdição. o artigo 1.028 do novo diploma legal estabelece que se o contrato nada dispuser sobre a sucessão do sócio falecido. mas sim a “devedor”. Segundo ela. Muito tem se falado a respeito das alterações nos contratos sociais que o novo Código Civil (NCC) determinou. mas tão somente aquelas derivadas nas ações de execução estrito sensu. por ato atentatório à dignidade da justiça. (grifo nosso) (APC-5246299/DF. a questão dos herdeiros nas sociedades limitadas foi esquecida. Segundo ela a “regra legal não é conveniente para a grande maioria das empresas. o julgador deve ser preocupar em trilhar “caminhos para se chegar a decisões que fujam ao ‘faz de conta’. após sua morte.. que muitas vezes possuem um patrimônio Fonte: GazETa mERcanTIL de 12/04/04. II – a competência em razão da matéria é pressuposto de validade da relação processual. que não é matéria fática de alta indagação. “O contrato social deve ser cuidadosamente redigido no que diz respeito à situação dos herdeiros na sociedade. IV – por serem “. seja para dispor sobre o ingresso automático dos mesmos. de ordem pública. tem seu campo de incidência nas ações de execução. 600 do código de processo civil. por: Gláucia de abreu andrade/são paulo. no caso de liquidação das quotas do sócio falecido. III – a sanção prevista no art. 52 FGV DIREITO RIO 30 .

não pode ela subsistir. Portobello e Gerdau. Ela ainda lembra que o cônjuge também é herdeiro. dos 300 maiores grupos privados nacionais 265 tem controle ou gestão familiar.” Eduardo Calazans. Fabiana afirma que entre seus clientes a solução quanto ao prazo de pagamento aos herdeiros têm sido resolvida com a adoção de uma cláusula que o estipula como sendo em até 24 meses. à data da resolução. segundo o “Balanço Anual” da “Gazeta Mercantil”. e este fato deve ser considerado na elaboração do contrato social ou no planeja-mento sucessório. no entanto. afirma que “deve haver vontade mútua tanto dos sócios quanto dos herdeiros. é necessário que seja feito um balanço especial para auferir o valor real das quotas a que os herdeiros do sócio falecido têm direito. empresa é outra53: Para consultor. também ressalta que quando o contrato social não prevê a permanência dos herdeiros. no prazo de noventa dias a partir da liquidação”. que atua nesse segmento desde 1975 e atende empresas do porte de Votorantim.br/2003/ nov/23/1ger. diz que “não sendo possível ou não existindo interes-se dos herdeiros ou dos sócios remanescentes.uol. Sadia. por: martín Fernandez http://an. verificada em balanço especialmente levantado. professor da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP). Fabiana diz que em uma sociedade de dois no caso de falecimento de um e não ingressando nenhum herdeiro. o remanescente tem o prazo de seis meses para recompor o quadro societário. segundo o novo Código Civil. finaliza. salvo disposição contratual em contrário. texto ii: família é uma coisa. a empresa pode não ter bens materiais. mas não têm caixa para saldar a dívida com os herdeiros num prazo tão curto”. Na mesma linha de raciocínio do advogado Álvaro Villaça.” “O levantamento do valor das quotas não pode ser feito pelo valor nominal para que não haja enriquecimento indevido dos só-cios remanescentes”. Nesse levantamento tem que se verificar a situação atual da empresa. Segundo ele “o legislador ao dispor sobre a permanência ou não na sociedade quis preservar a vontade de constituir e manter uma sociedade e sem a qual.htm (acesso em 19/01/06). nas sociedades de pessoas. a advogada Cristina de Andrade Salvador. a não ser que o contrato social estipule em contrário”. “É possível estabelecer no contrato o critério por avaliação a mercado feita por peritos em laudos econômicos”. No Brasil. Fundador da Bernhoeft Consultoria. lembra o professor Villaça. Joinville – O melhor negócio do mundo não resiste a uma briga de família ou a uma encrenca entre sócios. Por exemplo. 53 FGV DIREITO RIO 31 . Fonte: portal an (a notícia). do escritório Miguel Neto Advogados. “Em regra a quota liquidada será paga em dinheiro. como no caso das ‘grifes’ cujo valor pode ser de milhões. para que estes últimos ingressem na sociedade em substituição ao sócio falecido. O advogado Álvaro Villaça Azevedo. o valor de seus haveres será apurado e liquidado com base na situação patrimonial da sociedade. “tem que se considerar o valor imaterial. Renato diz que não há motivos para forçar os filhos a assumirem os negócios da família.com.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa elevado. melhores sócios são aqueles que não dependem diretamente das relações de parentesco. A frase do consultor Renato Bernhoeft resume os motivos de seu trabalho: preparar empresas familiares para seu momento mais traumático: a sucessão.” Eduardo Calazans acrescenta que a disposição contratual quanto ao prazo para liquidação é essencial. também do Miguel Neto. acrescenta.

árabes e outros. O que é ser sócio? Eu gosto de responder com coisas práticas: o fundador da Bombril – cujos FGV DIREITO RIO 32 . E a maioria das empresas familiares. Quando a gente pensa numa empresa. que cria. cana-de-açücar e também na área de metalurgia. ou o filho de imigrante.. a empresa é outra. buscando nisso uma solução para os problemas familiares. Porque os melhores sócios são aqueles que não dependem diretamente dos negócios da família”. Um dos contingentes mais recentes com presença forte são os japoneses – que tiveram um fluxo migratório mais tardio. Mercado significa clientes. E aí surgem algumas questões a serem discutidas. no sentido de acomodar a família. digamos.” Leia a seguir os principais trechos da entrevista: A Notícia – Qual é o maior erro das empresas familiares? Renato Bernhoeft – É tentar utilizar a empresa para resolver questões familiares. Estou falando do Brasil. sobretudo no Sul. O empreendedor aqui. Com negócios pessoais.. Os portugueses notadamente na área de panificação e supermercados. metal-mecânica.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa “O ideal é que se mostre outros caminhos para os sucessores. que começou um negócio com muito trabalho. O perfil do empreendedor brasileiro. tem uma característica muito particular que é enxergar oportunidades onde todo mundo vê problemas. afirmou. Porque esses três indivíduos. Porque eles cresceram vendo o pai agindo como dono: fazendo e desfazendo. fornecedores e concorrentes. é italiana. Essa é a característica de como começam quase todos os negócios no Brasil. Essas figuras são extremamente autoritárias de maneira geral. é só para dar dinheiro a advogados. E o erro muito comum que se comete nas empresas familiares – tanto entre as pequenas quanto nas médias e grandes – é o empreendedor. vão herdar esse empreendimento. com muito esforço. educado. não do Sul. é um pai. Bernhoeft – Exatamente. de vez em quando lá um sócio. antes de ser isso. três filhos. para ser sócio. mas dividido em três. quando muito ele e a esposa. E o que acontece? Na primeira geração tem essa figura forte. com negócios minúsculos. AN – Que começaram com negócios pequenos. E eles vão herdar não uma empresa. depois judeus. São duas coisas diferentes: a família é uma coisa. Em terceiro vêm os alemães. O modelo do fundador muitas vezes não serve. muitas vezes usar essa empresa para acomodar os filhos. que empreende. E é curioso porque as colônias se concentram em alguns segmentos. pequenos mesmo. Depois disso. Então ele é intuitivo. sabe que ela só terá sucesso se for voltada para o mercado. “E é sempre melhor que as decisões sobre sucessão em empresas familiares sejam tomadas com os fundadores ainda vivos. logo vai acabar a figura do dono. AN – E como se faz essa separação? Bernhoeft – É evidente que é difícil separar. começa dessa forma: com um imigrante ou filho de imigrante. É aí que começam os problemas. muito determinadas e esta é a forma como começaram. AN – E quando a sucessão vira um problema? Bernhoeft – Essas pessoas tem muito essa característica de fazer um negócio para a família. não se aplica ao resto da família. às vezes ele age mais com o chapéu de pai que com o chapéu de empresário. esforçado. mas sim uma participação. Porque suas decisões não valem nada depois que morrem. Vão deixar de ser apenas irmãos para ser sócios. é um patriarca. portanto. que começa um processo sozinho. O fundador em geral é uma figura empreendedora. Se essa mesma pessoa tem. que não se escolheram como irmãos. do ponto de vista da origem. o fundador. porque o empreendedor. Os italianos no agrobusiness. O segundo maior contingente é português. para atender seus clientes. mandando e desmandando. Vão receber o mesmo patrimônio. AN – Quais? Bernhoeft – A primeira é que a maioria deles não foi criado. é o imigrante.

AN – O ideal é que haja esse afastamento. É muito melhor que seu filho faça medicina. Não é por aí! Uma família empresária tem que olhar o negócio como empreendimento. Ele está bem. Só que os lucros. É um brilhante cineasta (dirigiu “Central do Brasil”). porque ao não depender da empresa. se torne um bom médico e ao mesmo tempo sócio da empresa. Porque na medida em que ele faz outra coisa e é bem sucedido. Se isso não acontecer. E assim eles podem cobrar com mais tranqüilidade os resultados daqueles que assumiram os negócios.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa filhos eram três e também brigaram e perderam a empresa – numa das cartas deixou um recado muito interessante. Então antes de empurrar os filhos para faculdades de administração e economia. as preferências dos pais – isso repercute e impacta -.. Então é muito culpa dessa conduta familiar. Os pais querem que os filhos façam administração. E quem tem sócio tem patrão”. se afastem dos negócios. é nessa história de contratar profissionais e tirar a família do comando. procurem se entender. Eu dou sempre o exemplo do Waltinho Moreira Salles. Os filhos casam. porque aí vai virar uma guerra. porque não depende tão diretamente. AN – Por que isso acontece? Bernhoeft – Por várias razões: os pais tentam proteger os filhos dos problemas que eles próprios tiveram de enfrentar. vocês vão ser sócios. Cada nova geração tem que agregar valor àquele patrimônio. meu irmão não entende nada”. AN – O ideal é tirar a família? Bernhoeft – Uma coisa importante nesse processo. E aí há dificuldades no processo de sucessão. Existem alguns problemas: a disputa pelo poder. então? Bernhoeft – Os filhos não podem pensar que assumir os negócios da família é a única opção de vida. ele não vai encher o saco do irmão Pedro – que assumiu o banco. é melhor mostrar outros caminhos. ele agrega valor ao negócio. Que dizia algo assim: “Filhos. a rentabilidade das empresas não crescem na mesma proporção. e a idéia de que o patrimônio vai dar para todo mundo. melhor acionista ele vai ser. e que hoje quando muito conservam algum patrimônio imobiliário. Que quase sempre é errada: uma coisa é pai distribuindo a mesada para filho e outra são três pessoas metendo a mão na botija. Não precisamos sair de Santa Catarina ou de Joinville para conhecer exemplos de famílias que eram ricas. e é herdeiro do Unibanco. É muito comum os pais falarem: “não quero que eles passem pelo que eu passei”. E às vezes é melhor que os filhos façam outra coisa. Porque a cada nova geração aumenta a demanda por liquidez. acaba.. Não como um lugar onde se vai empregar todo mundo. têm seus próprios filhos e querem manter o mesmo padrão de vida. AN – A solução passa por educação? Bernhoeft – Essa expressão que você usou é muito adequada: o problema é de educação mesmo. Existe uma tendência dos pais de achar que os filhos vão se entender e isso dificilmente acontece. economia. Quanto mais brilhante cineasta ele for. milionárias até. É completamente diferente. AN – E como equacionar essas questões? Bernhoeft – Ou as pessoas fazem a empresa crescer na mesma proporção – o que é muito difícil – ou então devem ir diminuindo seu grau de dependência do negócio. Então a partir da segunda geração começa a haver uma pulverização da propriedade. Porque quando sentar na mesa do conselho do banco. e coisas do gênero. agrega valor. Isso é educar a família para que ela seja uma família empresária. acomodar todo mundo. “Ah. Se não ele acaba. em que se fala muito sobretudo no mundo acadêmico. Porque se tem uma coisa que as pessoas não gostam é de dar satisfação. vocês não vão ser donos. FGV DIREITO RIO 33 . busquem seus próprios caminhos.

ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa AN – E o que é ser uma família empresária no Brasil!? Bernhoeft – Em primeiro lugar o Brasil é um país de uma população miserável. ele fez para si. FGV DIREITO RIO 34 . dizem uns. Mentira. Outra questão é estabelecer entre os herdeiros um sucessor.934/1994). E que essa escolha seja feita entre eles. Simples assim. Mas ele. essas coisas. E a terceira coisa é a empresa. Então tentamos reunir todo mundo para uma sensiblização. porque eles interferem sim. e não o sonho do pai. “Ah. AN – É comum o pai dizer que foi abandonado? Bernhoeft – Demais. seu mercado. vai durar até o dia em que ele morrer. concorrentes etc. que é o que está em jogo. Os filhos não só não querem assumir os negócios da família como não querem nem herdá-los. clientes. AN – E o risco de ficar sem herdeiro? Bernhoeft – Vende-se o negócio. E só. O segundo componente é o de você vai criar uma sociedade com alguém que você não escolheu para ser seu sócio. tem que tomar cuidado para não se confundir com o empresário. que é sempre uma figura muito forte. baseada em três pontos: a família. oras. vende-se o negócio. Fundadores costumam dizer que fizeram a empresa para os filhos. administrativamente. de que o dinheiro não lhe dá o direito de fazer e desfazer. AN – O que faz uma consultoria de empresas familiares? Bernhoeft – No Brasil. é um instrumento que ajuda muito. De preferência com a presença de genros e noras. segundo o “Balanço Anual” da “Gazeta Mercantil”. Isso faz parte do processo de formação de uma família empresária. E depois o trabalho de criar conselhos. Outro ponto é que os herdeiros tenham um acordo societário: um conjunto de regras que estabeleçam direitos e deveres. mas meus filhos casaram em regime de separação de bens”. Ele não fez. E quando não há sucessor.EXAME DE ORDEM . Porque se for uma escolha do pai. mas as funções por elas exercidas são de natureza federal. fazemos uma entrevista com cada membro envolvido. porque há muito sentimento e ressentimento. Outra coisa importante é descobrir qual é o seu sonho. por exemplo: critérios de entrada e saída de membros da família na empresa. a) As Juntas Comerciais estão. que tem uma das piores distribuições de renda no mundo. o que é um grande mérito. A primeira fase consiste numa reunião geral com a família. E tem que ter consciência disso e de algumas coisas: de que o dinheiro acaba. Depois. do fundador. com a comunidade. fornecedores. de criar condições para que as empresas sigam sendo bem administradas. de que tem que ter o compromisso de responsabilidade social com o País. como pai. dos 300 maiores grupos privados nacionais 265 tem controle ou gestão familiar. que é uma instituição complexa.DEZEMBRO/2006 22ª Questão: Sobre a Lei do Registro de Empresas Mercantis e Atividades Afins (Lei no 8. subordinadas ao governo da unidade federativa de sua jurisdição. refiro-me ao pai e à mãe. E quando eu digo pai. Na Alemanha está acontecendo muito isso. Então o primeiro passo é uma reunião geral. Quem nasce numa família empresária já é um privilegiado. Mas não com separação de idéias. Nosso trabalho é com essas empresas. assinale a assertiva correta. Questões de ConCurso PROVA OAB/RS .

(B) A sociedade empresária que não proceder a qualquer arquivamento no período de 5 anos consecutivos deverá comunicar à Junta Comercial que deseja manter-se em funcionamento. (C) Os atos levados a arquivamento nas Juntas Comerciais são dispensados de reconhecimento de firma. (D) Não pode ser arquivada a alteração do contrato social depois de findo o prazo nele fixado. por transcrição no Cartório de Registro de Imóveis. Assinale a afirmativa falsa. deliberarem prorrogá-lo por prazo indeterminado.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa b) A consulta aos assentamentos existentes nas Juntas Comerciais bem como a obtenção das respectivas certidões serão possíveis apenas diante de prova do interesse do requerente. tais atos podem ser realizados tanto pelo Departamento Nacional de Registro do Comércio quanto pelas Juntas Comerciais. d) Todo ato. c) Os atos praticados pelos órgãos de Registro de Empresas são matrícula. sem oposição de qualquer deles. documento ou instrumento apresentado a arquivamento perante a Junta Comercial será objeto de exame em que se aferirá a veracidade das informações prestadas pelo empresário. 129º EXAME DE ORDEM/SP – PROVA 1ª FASE – TIPO 1 – DIREITO COMERCIAL. FGV DIREITO RIO 35 . será o documento hábil para a transferência. sob pena do cancelamento de seu registro e a conseqüente perda da proteção ao nome empresarial. (A) A certidão dos atos de constituição e de alteração de sociedade empresária. 47. salvo se os sócios. exceto quando se tratar de procuração. do bem imóvel que o subscritor tiver contribuído para a formação ou aumento do capital social. arquivamento e autenticação. passada pela Junta Comercial.

– Notícias relacionadas. presente ao debate. a lentidão do Judiciário e a impunidade. roteiro de auLa: sexta-feira. é ínfimo: 0. Patrícia Tavares. a burocracia dos procedimentos. De acordo com o presidente do Etco. Patrícia Tavares alertou. declara presidente da ETCO em Fórum de Debates do Ministério Público de Pernambuco O Estado brasileiro deixa de arrecadar cerca R$ 6 bilhões devido à sonegação fiscal no setor de combustíveis. Foi o que declarou o presidente do Instituto Brasileiro de Ética Concorrencial (Etco). após o trânsito em julgado do processo administrativo. A coordenadora do Centro de Apoio Operacional às Promotorias de Combate à Sonegação Fiscal. afirmou. cerveja. ou seja. as causas da concorrência desleal são quatro: a carga tributária elevada. Francisco Sales de Albuquerque. além de auditores da SEFAZ. durante o Fórum de Debates Promotor de Justiça Roberto Lyra. que. no Brasil. “O STF alega que o Ministério Público só pode ingressar com uma ação penal contra os sonegadores.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa AUlA 05: INfORMAlIDADE NO SEtOR EMPRESARIAl ementário de temas: – A informalidade em vários setores da economia. incapacitando o incremento do PIB per capita”. 27 de agosto Emerson Kapaz defende ética na concorrência empresarial “A concorrência desleal é decorrente da elevada carga tributária. FGV DIREITO RIO 36 . Participaram do evento o Procurador-Geral de Justiça. Mozart Siqueira. – TEXTO I – A dura vida do empreendedor. através de parcerias e forças-tarefa com os governos. Promotores e Procuradores de Justiça. em que o instituto fornece informações técnicas e bancos de dados. Para Kapaz. da lentidão do Judiciário e da impunidade”. dificultando a ação dos Promotores”.5% ao ano. sobre a importância da revisão do posicionamento do Supremo Tribunal Federal em relação às ações impetradas pelo MPPE. hoje (27). ressaltou que a informalidade é um dos principais afrontes à concorrência leal e prejudica os pequenos comerciantes. O ETCO visa colaborar com o combate à concorrência desleal. – Lei Complementar 123/2006. da burocracia dos procedimentos. fumo e refrigerantes. – TEXTO IV – Economia “Invisível”. o secretário da Fazenda de Pernambuco. ainda. só esses referidos setores representam 30% de toda a arrecadação de ICMS no país. Kapaz acrescentou que tal prática “impede o crescimento sustentado da economia e contamina o setor formal. Emerson Kapaz. – TEXTO II – Fantasma assusta até empresas que já fecharam as portas. – TEXTO III – Informalidade. quando não couber mais recurso.

a questão da informalidade foi apresentada de forma ampla. de 69. (http://www. em 99. da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) e de pesquisas do setor informal.92%.63%. No estado. pg. em 2004.gov. Segundo o pesquisador Marcelo Néri. Dessa forma. “A carga [que incide sobre o setor produtivo] é injusta e cobrada de forma errada”. Outra causa da concorrência desleal.43%. mantido pela corrupção e pelo crime organizado. A reportagem começa informando ao leitor sobre os R$ 4. – Concessionária de energia elétrica (“gatos” = instalações ilegais). Essas reformas estruturais. Sem essa mudança.39%.2% tinham registro de pequena empresa em 2003. é a tributação sobre o setor produtivo. Kapaz também defendeu uma “mudança de cultura a favor da ética”. contra 14.72% das empresas tinham CNPJ em 2003. em estudo apresentado na reportagem do O Globo. em 93. movimento posto ao do resto do país. 16.4%. de 2 de janeiro de 2001. a formalidade caiu de 64. conforme texto a seguir: Ao analisar o número de contribuintes da Previdência Social no estado. O inteiro teor da reportagem pode ser acessado no site: http://oglobo.pe. Kapaz defendeu mudanças estruturais para trazer de volta ao mercado formal as empresas que atuam na informalidade. enfatizou. Só7. Apenas 8. todas as bases de formalidade caíram à metade entre 1997 e 2003. mas reconheceu que essa mudança é um trabalho de longo prazo. Por fim. em 2004. Na Região Metropolitana do Rio. – “Informalidade fundiária” (inadimplência no pagamento do IPTU ou pela situação irregular do imóvel).globo. corremos o risco da criação de um Estado paralelo.br/arquivo/imprensa/noticias/2004_agosto/27_emerson. dado observado no primeiro semestre deste ano. concluiu que a formalidade no mercado de trabalho fluminense caiu entre 1997 e 2003. – DETRAN (falta de pagamento de multas e IPVA). 16.asp O cnpj substituiu o cGc-mF (cadastro Geral de contribuintes do ministério da Fazenda) através da Instrução normativa sRF nº 2.htm) Em matéria veiculada no jornal O Globo54.4 bilhões que o Estado do Rio de Janeiro deixa de arrecadar a cada ano com a prática da informalidade em setores como: – FISCO (pirataria/sonegação de ICMS).28% tinham o CGC55.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa Devido à atuação da Promotoria de Combate à Sonegação Fiscal. Em 1997. o presidente do Instituto ETCO considerou “fundamental ao setor empresarial” a capacidade de investigação por parte do Ministério Público. E na cidade do Rio.mp. para ele. o pesquisador Marcelo Néri. ou seja. para 62. ela era de 63.62% em 97. – Os números de formalidade das micro e pequenas empresas são alarmantes. os encargos sociais crescentes sem a contrapartida dos serviços levam à informalidade. 54 “O rombo da informalidade” – O Globo em 25/06/2006.98%. devem englobar mudanças na legislação trabalhista e redução da carga tributária. a arrecadação no setor de álcool aumentou em um mês 170%. e 60.com/jornal/rio/284415620. 55 FGV DIREITO RIO 37 . abrangendo vários setores da economia. Néri usou como critério a contribuição previdenciária a fim de poder cruzar dados do Censo. para Kapaz. – Serviços como de operadoras de TV a cabo (ligações clandestinas). ligado à Fundação Getúlio Vargas (FGV). preencheram a declaração de Imposto de Renda em 2003. do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre). em parceria com a Secretaria da Fazenda de Pernambuco e a Polícia Militar. segundo Kapaz.46% em 97. segundo dados atualizados do Censo. contra 27. questionada por setores do governo e do Judiciário. o número de empresas (RECTIUS: sociedades empresárias) sem registro oficial aumentou. – CEDAE (furto de água). Apenas 14.

Ao contrário do que se pensa. Ela reflete o jeitinho brasileiro. Grande nas favelas. Nos bairros de alta renda. mas sem oferecer os serviços em contrapartida. Dados atualizados do Censo mostram que nelas ele chega a 19. salário baixo. A proliferação delas cria mais informalidade. há uma “série de precariedades na vida trabalhista das favelas: desemprego alto.” Jornal O Globo – infográficos. Até porque a pessoa que mora na favela tem “gato” de luz. A informalidade. ela pode conseguir abrir crediário. não tem escritura. De acordo com o pesquisador. é o desemprego. passa a seu uma saída – conclui. Tenta-se cobrar impostos. título de propriedade não é a regra. mesmo. FGV DIREITO RIO 38 . Uma das formas encontradas para driblar o pagamento dos impostos e encargos trabalhistas é se associar a uma cooperativa.1%. em todos os setores. não consegue provar endereço. Mas as pessoas buscam ter relação com o estado em outros setores da vida. a taxa cai para 9. Com carteira assinada. não é a favela que tem a maior informalidade previdenciária: – É simples: na favela.1%. jornada puxada”: Mas o mais forte é a falta de presença do Estado.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa A informalidade está associada a encargos fiscais crescentes sem que haja benefícios sociais em contrapartida. diz Néri. existe uma quase total informalidade fundiária.

mesmo ganhando até um pouco menos. — É importante não se esquecer das pressões de uma sociedade consumista. do Ibre. Além disso. corrupção. água. O estudo ficará a cargo do pesquisador Aloísio Campello. Emerson reconhece que prender camelô é ineficiente: — É enxugar gelo. para facilitar o acesso do consumidor de baixa renda. Serão cruzados dados desde 1995 para uma avaliação trimestral da evolução da informalidade. a maioria vai preferir ter acesso a isso e aos direitos. é fácil. condenar o uso de produtos piratas: — As pessoas não têm acesso a emprego com carteira assinada. Sylvia Vergara tem outras ponderações sobre as causas da informalidade. há consumidores. inclusive de grife. com surpreendente destaque para os de classe média e alta. o jornal O Globo traz o artigo “Estudo sobre a economia subterrânea”56. sem pagar impostos — diz o professor. pg. Se lhe derem essa opção. seu DVD. E faz gato da TV a cabo. se eles podem roubar. Recorrer à informalidade é o dia-a-dia de 20% a 25% da população. que tinha uma banca de 15 dos melhores advogados e quase conseguiu hábeascorpus no Supremo para se livrar da cadeia. presidente do Instituto Etco. sem punição. sobre a economia subterrânea. Isso é artigo em extinção. sua TV. — A informalidade tem implicações mais profundas do que parece.17 FGV DIREITO RIO 39 . ávidos por comprar e imersos numa frouxidão de valores. Uma pessoa de renda baixa tem lá seu celular. — Um exemplo da força do Estado pirata é o (megacontrabandista) Lao Kim Chong. Para ela. TV a cabo para os pobres. É preciso que o mercado se aproxime da renda das pessoas para conter a informalidade. por que eu não posso?” Não se pode nem falar mais em marginalidade para esse tipo de comportamento. que começa a ser publicado periodicamente ainda este ano. professor da Uerj. 56 O Globo de 26/06/2006. endereço. ‘É uma espécie de busca tortuosa por cidadania’ Professora da Escola Brasileira de Administração Pública da FGV. os exemplos que vêm dos governantes não ajudam a interromper o ciclo: — As pessoas pensam: “Ah. há direito a assistência técnica. para quem tem renda para consumir. mortes por disputas entre quadrilhas de contrabandistas e financiamento de campanhas de políticos que contribuem para a manutenção do status quo — diz Emerson Capaz. sem receber entregas. sofrendo discriminação. Trata-se de uma cadeia que sustenta um verdadeiro Estado pirata. sem contrato. É cada vez mais a regra. Justiça lenta. Ninguém quer ficar à margem. que apela o tempo todo para a compra de bens. É uma espécie de busca tortuosa por cidadania — diz. a seguir: “A necessidade de estudar detalhadamente a extensão da informalidade no país levou o Instituto Brasileiro de Ética Concorrencial (Etco) a contratar a Fundação Getúlio Vargas para elaborar um estudo permanente. O sociólogo defende a proliferação de programas que estimulem a adesão de consumidores de baixa renda. com propinas. burocracia e impunidade. Em troca de pagar. Para o sociólogo Inácio Cano. Tem que atacar a logística e ter em mente que a pirataria e o contrabando têm quatro pilares: alta carga tributária. — Que se expandam os programas de eletricidade.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa Ainda na matéria sobre a informalidade. poderiam fazer linhas populares que tivessem a sua marca. que moram em favelas. Como é que ela não se põe à margem? Consumindo piratas. As empresas.

além de estabelecer um amplo programa de agilização e simplificação de procedimentos e a integração das ações dos órgãos e entidades públicas.4 milhões. O restante da lei passou a vigorar a partir do dia 1º de janeiro de 2008 com exceção de itens que ainda dependem de regulamentação posterior. Lei geraL das miCro e peQuenas empresas – LC 123/2006.º 9. passarão a vigorar em 1º de julho de 200758. já as que se encontram enquadradas no simples e que não se manifestarem até o fim do mês. Uma das novidades do PL é a dispensa das certidões negativas para o fechamento de empresas. — Toda a conscientização e toda a fiscalização não serão eficazes se a indústria não se comprometer a criar linhas de produtos mais populares — alerta Alexandre Cruz.529/2006. a geração de 2 milhões a 3 milhões de empregos formais. do Fórum Contra a Pirataria. o novo regime engloba o Icms (estados) e o Iss (municípios). O super simples (Lei complementar nº. estaduais e municipais. prevê a unificação e simplificação de impostos federais. e pequenas empresas que ganham de R$ 240 mil a R$ 2. Microempresas. pL 6529/2006.529/2006 pretende combater a demora no processo de abertura e fechamento de sociedades empresárias. csL e contribuição previdencial patronal). até R$ 2. a burocracia traz complicações que provocam demora e muita dor de cabeça para os ex-sócios.57 Com o objetivo de simplificar e diminuir a burocracia. sempre foram (e continuam sendo) os maiores obstáculos para a abertura de novos negócios. e n.00. pIs. que substitui o simples. quanto para fins do tratamento tributário. Há um rol de vedações. que estabelece normas gerais relativas ao tratamento diferenciado e favorecido a ser dispensado às microempresas e empresas de pequeno porte no âmbito da União. e as pequenas empresas. 57 58 a postergação da parte tributária ocorreu porque Estados e a Receita Federal alegaram que não haveria tempo hábil para desenvolver o sistema de arrecadação. Em 14 de dezembro de 2006. tanto para fins do Estatuto. 123/06). A unificação e simplificação tributária. Só precisa de meios para isso”. revogando as Leis n. reduzindo praticamente à metade os prazos para tramitação de processos nas juntas comerciais. IpI. fica impossibilitado de fechar a sociedade diante de tal exigência (aspecto negativo). A burocracia e a falta de união das juntas comerciais. como a exigência de certidões negativas.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa Entidade apóia lançamento de linha popular por grifes Nesse ponto. b) sociedades cujo capital participe outra pessoa jurídica. porém.000. proJeto de Lei 6. serão automaticamente enquadradas no super simples. dos Estados. c) pessoas jurídicas cujo sócio ou titular seja administrador ou equiparado de outra pessoa jurídica com fins lucrativos. e dá outras providências.º 9. são aquelas que faturam até R$ 240 mil por ano. desde que a receita bruta global ultrapasse o limite R$ 2. todo mundo quer ter o produto original. para o administrador honesto que discute as dívidas da sociedade na justiça. está tramitando o PL 6. para microempresas que faturam até R$ 240 mil por ano. O novo regime tributário entra em vigor a partir do dia 1º de julho e as empresas têm até o dia 31 para optar pelo regime.529/2006 que cria a REDESIM — Rede Nacional para a Simplificação do Registro e da Legalização de Empresas e Negócios. com isso. para a realização dos registros da atividade empresária de que trata em seu contexto. Até para o fechamento (vide Texto II).841/99 (atual Estatuto da Micro e Pequena Empresa).400. além dos seis tributos e contribuições federais (IRpj. — No fundo. Cano encontra apoio até em representantes da indústria pirateada. principais pontos da Lei. O PL 6. cria a Rede nacional para a simplificação do Registro e da Legalização de Empresas e negócios – REDEsIm. dentre essas vedações. A expectativa do governo é que a lei permita a criação ou formalização de 1 milhão de empresas e.4 milhões por ano. cofins. pois de um lado dificulta a fraude (aspecto positivo). Esta exigência sempre gerou muita polêmica. que já eram incluídos no simples. Estabelece diretrizes para a simplificação e integração do processo de registro e legalização de empresários e de pessoas jurídicas. do Distrito Federal e dos Municípios. foi sancionada a Nova Lei do Simples. FGV DIREITO RIO 40 . podemos citar: a) pessoas jurídicas constituídas como cooperativas (exceto as de consumo). para a abertura e o fechamento de sociedades empresárias.317/96 (que trata do Simples Federal).

A renúncia fiscal prevista é de R$ 5. da COFINS. cria condições para desburocratizar a abertura e o fechamento de empresas.000. 59 FGV DIREITO RIO 41 . pequena. seu registro será simplificado e livre de taxas e emolumentos. No caso do setor de serviços. independentemente da receita bruta por ele auferida no mês. a previsão é que a lei beneficie cerca de 11 milhões de empreendedores.59 teXto i – a dura vida do empreendedor60 Estudo do mostra que o Brasil lidera a lista dos países que criam maiores dificuldades para abrir uma empresa. conforme parágrafo primeiro do artigo 18-A da LC 123/2006. CSL e INSS). no Brasil. seguro por acidente de trabalho e licença-maternidade. permite a entrada de novos setores econômicos no simples nacional e cria duas novas personalidades jurídicas. comparecer em Entre as medidas. sapateiros e artesãos com receita bruta anual de até R$ 36 mil e que optarem pelo simples nacional. as alíquotas são 50% maiores que as cobradas no comércio. de até R$ 36. Alíquotas: No comércio. e do INSS patronal. No entanto.4 bilhões ao ano. tendo esta última criado a figurado Microempreendedor individual – MEI. média ou grande. 966 da Lei no 10. Novos setores: A Lei Geral como foi aprovada no Congresso permite que novos setores entrem no sistema de arrecadação especial.” Portanto. Abrir uma empresa.65. É um dos grandes obstáculos para que pequenos negócios entrem na economia formal. optante pelo Simples Nacional e que não esteja impedido de optar pela sistemática prevista neste artigo. Cofins.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa Como principais pontos da lei. considera-se MEI o empresário individual que tenha auferido receita bruta. é como participar de uma gincana. Ele poderá optar pelo recolhimento dos impostos e contribuições abrangidos pelo Simples Nacional em valores fixos mensais (aprox. de 2008). com a lei. que vai vigorar a partir e 1º de julho também de 2009. o trabalhador poderá se aposentar apenas por idade (60 anos para mulher e 65 para homens). que hoje equivale a R$ 45. o empreendedor passa a ter direito à aposentadoria por idade ou por invalidez.000. Os documentos serão entregues em um único órgão que repassará os dados para os outros. (. academias de ginástica e de dança e empresas que atuem na área de produção cultural e cinematográfica. destacamos: Tributação: A lei unifica e simplifica a arrecadação de seis impostos e contribuições federais (IRPJ.406. podem se inscrever como mEI empreendedores como costureiras. R$ 50. a família também tem direito à pensão por morte do segurado e auxílio-reclusão. cuja vigência iniciar-se-á em 01/07/2009: “Art. Menos burocracia: A Lei Geral garante maior rapidez na abertura de empresas. O tempo mínimo de contribuição são 15 anos. no ano-calendário anterior.. o mEI retém 8% do salário pago e complementa com mais 3% para o Inss do trabalhador. da CSLL.00). Ele ainda passa a integrar o cadastro nacional de pessoa jurídica (cnpj). a nova lei possibilita resolver problemas reclamados pelo segmento relativos à cobrança de Icms.00. e não por tempo de contribuição. de segurança e vigilância sanitária será feita de forma simplificada.3 milhões de informais no país. entra em vigor no dia 1º de janeiro de 2009.) § 1o Para os efeitos desta Lei. além do ICMS (Estados) e ISS (municípios) a partir de 1º de julho. considera-se MEI o empresário individual a que se refere o art. Entre eles estão os operadores autônomos de transportes de passageiros. A alíquota atual (2006) é de 20%. Não estará sujeito à incidência do IRPJ. É importante ressaltar que a Lei Complementar 123/2006 sofreu alterações de acordo com a LC 127/2007 e LC 128/2008. do PIS. poderá ter conta bancária e outros benefícios como acesso a linhas de financiamento especiais com juros reduzidos e participação nas licitações públicas. O registro da empresa será único e servirá para todas as esferas de governo. Formalizado como mEI. as alíquotas variam de 4% a 11% de acordo com o faturamento. Há um acréscimo de meio ponto percentual para as indústrias. IPI. no ano-calendário anterior. escolas de línguas. Autônomos: Os autônomos farão o recolhimento de apenas 11% para o INSS (Instituto Nacional do Seguro Social). o microempreendedor Individual (mEI) e a sociedade de propósito Específico (spE). sancionada sem vetos. de 10 de janeiro de 2002 – Código Civil. A parte de fiscalização ambiental.00 (trinta e seis mil reais).. que tenha auferido receita bruta. se tiver empregado. a lei. os microempreendedores individuais ficam isentos de praticamente todos os tributos. 18-A. Compras públicas: As micro e pequenas empresas passam a ter prioridade em compras governamentais de até R$ 80 mil. só o público-alvo do microempreendedor Individual compreende os 10. É preciso ter disposição para cumprir cerca de 17 procedimentos. do IPI. de até R$ 36. Eles também podem ter até um empregado. as empresas de montagem de stand em feiras. mais R$ 1 de Icms (comércio e indústria) ou R$ 5 de Iss (serviços). (Incluído pela Lei Complementar nº 128. exceto o mEI. PIS. pagam apenas valor fixo mensal de 11% do salário-mínimo de Inss para aposentadoria pessoal.

Burocracia Os contadores são as figuras que mais conhecem o duro dia-a-dia das filas da burocracia. No evento foram debatidas experiências internacionais de desburocratização e iniciativas locais bem-sucedidas. O primeiro passo foi a realização de um workshop em maio. Também foram esboçadas sugestões de atuação em nível federal. além de esperar uma média de 155 dias para abrir as portas. em matéria de demora para a abertura de uma empresa. a legislação foi feita com foco em cada um dos órgãos envolvidos. Para fechar uma empresa brasileira são necessários 10 anos. e de implementar soluções que minimizem o martírio de potenciais empreendedores. um grupo de trabalho do governo federal. Um processo em fase final de deferimento pode retornar ao ponto inicial se uma assinatura tiver algum detalhe diferente da que consta na carteira de identidade. entre 133 países pesquisados.3 anos. Segundo ele.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa até 15 órgãos do governo. Na Austrália. sendo integrado por representantes da união. às 01:04horas. quando foi criado o Ministério da Desburocratização (leia o quadro na página ao lado). indica que qualquer mortal interessado em abrir um empreendimento no Brasil tem de desembolsar. no Maranhão. como é o caso de São Luís. um estudo realizado pelo Banco Mundial esse ano. É o segundo processo mais lento do mundo. 274 dólares em taxas e tributos. e nos Estados Unidos são necessários cinco dias. embora em algumas capitais o problema esteja minimizado. Assim. http://www. O levantamento aponta que o Brasil ocupa o sexto lugar. Agora. Em Brasília. 60 FGV DIREITO RIO 42 . denominado Doing Business (fazendo negócios). ou ainda se houver qualquer pequena rasura ou termo incorreto. por exemplo. O microempreendedor Individual não precisará apresentar contabilidade ou nota Fiscal. da empresa de contabilidade Welmaso. No caso do Brasil o cenário foi a cidade de São Paulo. em dois dias se abre um negócio. de Brasília.tactus. “As exigências são repetitivas e falta orientação para o empreendedor”. ter tempo e dinheiro de sobra. mas também devido a inúmeros imprevistos que normalmente acontecem no meio do caminho. “A sensação é de que a cada ano fica mais difícil abrir um negócio. reunindo membros do governo federal e outros setores envolvidos no processo em instâncias estaduais e municipais. sem uma visão geral do processo e sem pensar no cliente. por baixo. que é de 49 dias. E precisa esperar que se cumpra cada etapa para iniciar outra. afirma Carlos Gastaldoni. O périplo é longo não apenas por envolver várias etapas a serem cumpridas. A situação da capital paulista é emblemática e reflete muito do que acontece ao longo do território. com 11. costumamos gastar de 40 a 60 dias para cadastrar uma empresa e outros 3 a 4 meses para que ela possa funcionar”. A burocracia é um dos motivos da alta taxa de informalidade dos negócios no país. acesso em 19 de janeiro de 2009.com. O estudo do Banco Mundial leva em conta a realidade dos principais centros financeiros de cada país. hoje na casa dos 40% do Produto Interno Bruto (PIB). está incumbido de realizar um diagnóstico dos principais entraves no registro empresarial. de Brasília. O tempo gasto nos trâmites burocráticos é o triplo da média mundial. bastando uma declaração anual. Revista Desafios do Desenvolvimento – IpEa – setembro/2004. também criado com a nova lei. exceto se vender ou prestar serviço para pessoa jurídica. br/?cat=8&paged=2. Indústria e Comércio Exterior (MDIC). comenta o contador Leo Arksy. Perde apenas para a Índia. secretário de Desenvolvimento da Produção do MDIC e coordenador do grupo de trabalho. estados e municípios. de acordo com o Banco Mundial. Grande parte da demora deve-se ao fato de que os órgãos responsáveis por autorizar o registro não conversam entre si. As dificuldades enfrentadas pelos empreendedores brasileiros não ocupavam a agenda pública desde o final da década de 1980. O registro do mEI será regulamentado pelo comitê Gestor da Rede nacional para a simplificação do Registro e da Legalização de Empresas e negócios (Redesim). A questão é importante porque impacta a pauta de crescimento sustentável do Brasil a longo prazo. capitaneado pelo Ministério do Desenvolvimento. por exemplo. por clarissa Furtado. onde é possível abrir um empreendimento em seis dias. o potencial empresário tem de fornecer os mesmos dados e documentos a cada um deles. Para se ter uma idéia da dimensão do problema da burocracia nesse campo.

o que facilita a comparação de informações brasileiras com dados mundiais. O empreendedor se compromete a enviar. Depois que a Receita Federal realizou. em 2003. formal ou informalmente. por correio. por exemplo. a utilizam e. de um total de 640 empreendedores informais do estado de São Paulo. “Mas não adianta esperar que o Estado sozinho conduza o processo de mudanças. no Canadá. O Brasil passou de sétimo colocado. porém. foram assinados dois protocolos estabelecendo metas e compromissos para viabilizar o projeto. No ano passado. Em São Paulo.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa Segundo um estudo do Instituto Análise de Ribeirão Preto. ao grupo de trabalho interministerial.5% não pensavam em legalizar suas atividades por causa das dificuldades burocráticas. O número de empreendedores no país é crescente. O Sebrae. alerta o cientista político Sérgio Abranches. por isso. Entidades representativas do público empresarial já estão se movimentando nesse sentido. sobre o nível da atividade empreendedora em todos os continentes. criada em 1994 e atualizada em 2002. o cadastro único ainda está longe de se tornar realidade. Ela torna possível o uso de um mesmo código de atividade em todo o país e viabiliza o cadastro único. A criação de um cadastro único de empresas. é possível obter o registro. redefinindo o Estatuto das Micro e Pequenas Empresas e fazendo outras propostas. Paulo Ricardo de Souza Cardoso. em julho. um único documento: o contrato social da empresa. A entrada única de dados cadastrais é a regra. a Federação Nacional das Empresas de Serviços Contábeis (Fenacon) e o Conselho Federal de Contabilidade (CFC) já definiram essa demanda como a principal em sua pauta de reivindicações. na pesquisa Global Entrepreneurship Monitor. a ser apresentando ao Congresso ainda em 2004.5% devido ao tempo gasto no processo. inclusive. por exemplo. terá de ser aprovada uma nova lei que possibilite o cadastro único”. A unificação das informações fiscais é. e também a inclusão do tema na lista de medidas da nova Política Industrial. A adoção de um código único de classificação econômica de empresas é outra medida fundamental para a viabilização do projeto. aprovada na Reforma Tributária do ano passado. O argumento explica a ênfase especial ao tema pedido pelo ministro Luiz Fernando Furlan. que também já admite o preenchimento de formulários pela internet. realizado no final do ano passado a pedido do Ministério da Fazenda. em 2002. “Temos disparidades nas regras locais e também na estrutura tecnológica. A Classificação Nacional de Atividade Econômica (CNAE – Fiscal). do MDIC. por exemplo. No Brasil. Nem todas as cidades.6% devido ao alto custo financeiro e 18. 21. A pressão da sociedade é fundamental”. elaborou um ante projeto de lei. feita pela London Business School. 24. 12. embora esteja previsto em lei. um encontro de administradores tributários. naquelas em FGV DIREITO RIO 43 . O Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae). Assim. Interessados no assunto não faltam. foi sendo paulatinamente usada pelos diversos ministérios. O conceito one stop shop (algo como loja de parada única) já funciona em vários países desenvolvidos. uma exigência da Emenda Constitucional 42. Ainda está apenas no plano da discussão. A classificação segue o padrão da Organização das Nações Unidas. Segundo o coordenador-geral de fiscalização da Receita. o registro de empresa é regulado por lei estadual e. estados e municípios terão até 30 de setembro para apresentar um diagnóstico da situação e o que seria necessário para a unificação. reunindo informações da Receita Federal e das secretarias de fazenda estaduais e municipais é o desejo daqueles que defendem um processo menos complexo na constituição de empresas no Brasil. para o 6º lugar. explica.9% da população estava envolvida em alguma ação empreendedora. em apenas dois dias.

sugere o presidente do CFC. com o apoio do Sebrae. da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional. Em Brasília houve casos em que. deveriam ser criadas classificações mais precisas das atividades de acordo com o risco potencial que elas oferecem para a sociedade. Isso facilitaria a concessão dos alvarás de funcionamento e serviria para orientar a necessidade de fiscalizações e licenças específicas. Fiscalização Qual seria uma possível solução? Para André Spínola. “É preciso unificar as regras”. Além do cadastro único existem outros problemas. A falta de fiscais em muitas cidades adia a vistoria. foram criadas em dez cidades. falta uniformidade. as fiscalizações se concentrariam nos negócios em que há. Os processos de fechamento ou alteração das condições jurídicas são compostos por rituais ainda mais cansativos. Mas questões complexas muitas vezes são resolvidas com soluções marcadas pela simplicidade. Faltam informações sistematizadas e de fácil compreensão sobre o procedimento a ser adotado pelos interessados em abrir empresas. O prazo de dez anos citado pelo Banco Mundial para dar baixa de um estabelecimento é conseqüência. consultor de tributos e desburocratização do Sebrae. A redução do prazo de abertura e encerramento de empresas no Brasil ainda vai demorar. enquanto outras elencam até seis. a firma poderia iniciar suas atividades mais rapidamente. Não é apenas o nascimento de um empreendimento que envolve tantos meandros. que reúnem escritórios dos órgãos envolvidos no registro num único local. Enquanto as mudanças estruturais não aparecem. se tudo correr bem. Como se não bastasse o tortuoso caminho até a obtenção do registro da empresa. O empresário daria baixa na Junta Comercial e avisaria aos órgãos envolvido que cobrariam eventuais dívidas. serão precisos pelo menos três ou quatro anos. sobretudo. de fato. Uma alternativa para resolver o problema seria a eliminação de todas essas certidões. principalmente porque as regras variam de cidade para cidade. Dessa forma. o corpo de bombeiros e a vigilância sanitária. José Martonio Alves Coelho. Unificação de códigos O código da CNAE também poderia ser usado para cruzamento com as atividades listadas nos planos diretores das cidades. Na esfera federal. as Centrais Fáceis. em grande medida. da exigência de certidões negativas pelo Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS). Outra hipótese seria dar ciência ao empreendedor de todas as obrigações a cumprir em relação à segurança da atividade. uma cooperação entre os governos. para agilizar o processo. investimentos em informatização e. a necessidade de uma vistoria ambiental com base no código. O Sebrae tem desempenhado um papel importante nessa área. por exemplo. o empreendedor teve de ir ao corpo de bombeiros com seu próprio carro para buscar o técnico. Na cidade de São Paulo está sendo elaborado um software que determinará. os futuros empresários precisam munir-se de persistência para conseguir autorizações de funcionamento das instâncias locais. 120 são gastos nos procedimentos de fiscalização e vistoria pra a obtenção das licenças vinculadas ao alvará de funcionamento. Assim. Dos 152 dias registrados no estudo do Banco Mundial. Contando com aprovações de projetos de lei no Congresso. quase óbvias. já que faltam viaturas. como a prefeitura. FGV DIREITO RIO 44 . Ele assinaria um termo de responsabilidade comprometendo-se a executá-las em determinado período de tempo. da Receita Federal e do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS). de estado para estado. perigo de acidentes. cogita-se que o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) poderia coordenar uma central de codificação de atividades econômicas. Na Receita Federal o padrão é o uso dos quatro primeiros números. Algunas aplicam os três primeiros algarismos da classificação.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa que já é empregada.

– O problema no fechamento de uma empresa é que você é responsável por problemas junto ao INSS e ao Fundo de Garantia. 61 FGV DIREITO RIO 45 . 60 Vale lembrar que as alterações sofridas pela Lei complementar 123/2006. que muitas vezes não dependem de você para que sejam resolvidos – afirma o preside do Sebrae/RS. 44 anos. – Isso acontece seguidamente. a complexidade do procedimento para fechá-la também é considerado um obstáculo ao desenvolvimento de novas companhias. o volume de documentos exigidos e falhas na engrenagem burocrática elevam o tempo mínimo para extinguir o empreendimento a vários meses. como as outras certidões que atestam a ausência de dívidas junto a órgãos governamentais têm prazo de validade para serem apresentadas. à geração de empregos e uma fonte de gastos inúteis por parte da sociedade. explica que os sócios tiveram de esperar a conclusão de um processo de venda do negócio para formalizar sua dissolução. O pior é que. voltará a percorrer as repartições para depois apresentar a papelada à Junta Comercial com o pedido de baixa. fechá-la é um tarefa extenuante para os empreendedores.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa teXto ii – fantasma assusta até empresas que já fecharam as portas60 Se abrir uma empresa é uma empreitada difícil no Brasil. A contabilista da firma. Mas não é fácil – diz Magda. estaduais e federais pode elevar o tempo necessário para extinguir uma firma a nada menos do que 10 anos. Agora. 11 de dezembro de 2005. preciso provar com uma pilha de comprovantes que esta dívida não existe para obter a certidão negativa de débito. não consigo entender como ainda vivemos às voltas com formulários e carimbos – lamenta Magda. Ainda assim. não conseguiu uma das muitas certidões necessárias para dar prosseguimento ao processo porque uma falha de comunicação entre os computadores da Caixa Econômica Federal e do INSS aponta uma dívida inexistente. Ela lamenta que. por exemplo. – Às vezes. provocadas pela Lc 128/2008. Assim. na Região Metropolitana. a contabilista enfrenta há mais de um mês o pesadelo da burocracia. no papel. Fonte: jornal zero Hora. ela provavelmente terá de recomeçar do zero e obtê-las novamente. já não tem funcionários há quatro anos. tenho vontade de jogar tudo para o alto – confessa a contabilista. O vaivém de certidões e formulários exigidos por repartições municipais. Uma empresa de reforma de carrocerias de Guaíba. Magda Gattini. continua existindo. Resolvido este impasse. mesmo que a empresa seja obrigada por lei a apresentar relatórios mensais e anuais sobre pagamento de ICMS. Até agora. o Brasil se equipara somente ao Chade e à Índia neste quesito – onde o processo também chega a uma década em caso de falência. por exemplo. Assim como as dificuldades para abrir uma empresa. também tiveram por objetivo facilitar a abertura e fechamento das empresas iniciadas pelo microempreendedor individual. Flávio Sabbadini. por exemplo. Mesmo quando uma empresa não tem credores. está com toda a documentação em dia e não apresenta débito com o INSS. – Na era da informática.61 Conforme o estudo do Banco Mundial sobre o ambiente para negócios em todo o mundo. todos os comprovantes tenham de ser novamente verificados.

> São simplificados os procedimentos de embarque e desembarque nos aeroportos. e de gratificação de produtividade. > No início dos anos 90. o projeto de descentralização volta à carga. busca uma vantagem e não um direito. com o poder sendo transferido para as províncias. – Em 1979. presidente do Instituto Brasileiro de Direito Administrativo e pesquisador Associado na Universidade de Oxford (EUA) FGV DIREITO RIO 46 . novas medidas de maior impacto são adotadas no âmbito do Programa Federal de Desregulamentação. o programa é recriado. Para o Instituto Hélio Beltrão – batizado com o nome do ex-ministro da Desburocratização – as medidas abaixo foram tentativas de reduzir a burocracia do Estado: – Do fim da monarquia até 1930. – O recrudescimento do regime militar. de 1937 a 1945. presidente do Instituto Hélio Beltrão (IHB) e página do IHB na Internet Por que o Brasil patina? – Há forte vocação à centralização administrativa. a partir de 1946. Fonte: João Geraldo Piquet Carneiro. tenta dar agilidade e eficiência ao serviço público. socialmente controláveis. São criados os concursos públicos nacionais e autarquias dotadas de autonomia gerencial e financeira – primeira tentativa estruturada de descentralização administrativa. é criada a Comissão de Reforma Administrativa. delega competências e reforça a autonomia da administração indireta. que dificulta o planejamento de longo prazo – O Estado volta sua arrecadação para seu próprio financiamento. compromete o projeto de descentralização administrativa. aperfeiçoados a emissão de passaportes e a revogação de mais de 100 mil decretos superados e desnecessários. apesar de autoritário. que seria implementada três anos mais tarde. o processo político caminha no rumo da descentralização política. em 1969. ao buscar um serviço público. – O Estado Novo. – Partidarização excessiva do governo. general João Batista Figueiredo. > Formalismo jurídico idealiza as instituições a partir de uma visão estritamente legal. exigência da Emenda Constitucional 19. – Os primeiros anos da Reforma Administrativa enfatizam a desburocratização administrativa. – Nos anos 2000. dedicando-se prioritariamente a disseminar os conceitos de desburocratização. – Falta de fixação de metas de desempenho.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa No Brasil. – Perfil autoritário da administração pública. cria o Programa Nacional de Desburocratização que seria tocado pelo Ministério da Desburocratização. – O Programa Nacional de Desburocratização perdeu ênfase no final da década de 80. mas reduz o ímpeto da modernização administrativa do Estado. – Duas inovações importantes tiveram a sua gênese com a criação do programa: o Estatuto da Microempresa e os Juizados de Pequenas Causas. que mais tarde se transformam nos Juizados Especiais. Parte-se do princípio de que o cidadão. O último dos presidentes militares. até hoje não levada a sério. – Inexistência de um código específico de Defesa do Usuário de Serviços Públicos. > Existe uma relação de desconfiança no relacionamento do governo com a sociedade e com o cidadão. – Em 1964. promove a descentralização política. – A redemocratização. durante o primeiro governo militar. criando um ciclo vicioso Fontes:Instituto Hélio Beltrão Juarez Freitas professor de Direito PUCRS e da UFRGS.

9 milhões de pessoas: 86% pertenciam a trabalhadores autônomos e 14% tinham até cinco empregados.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa teXto iii – informalidade61 Esta edição da “Desafios” traça um amplo panorama da perigosa expansão da economia informal no Brasil. vendem cigarros e remédios falsificados. o crescimento da informalidade no Brasil resulta de uma re-acomodação da economia. Saiba por que isso é um problema e o que se está fazendo para resolvê-lo.8% do total dos empregos em 2002. Nada menos do que 52. Em contrapartida. entre 69. o setor de serviços teve a sua participação aumentada de 35.6% dos brasileiros que praticam alguma atividade remunerada gravitam em ambientes informais. As estimativas indicam que nesse ambiente circulem de 10% a 15% do Produto Interno Bruto (PIB). barraqueiros. São também os diplomados que dão consultoria ou atuam como personal trainers. Alguns resvalam para a ilegalidade. Tem de tudo no mundo da informalidade. especialmente nas regiões metropolitanas.1 milhões de trabalhadores que recebiam algum tipo de pagamento. Há grande curiosidade a respeito dos resultados: será que o universo informal continua em expansão? Segundo Lauro Ramos. Nos infográficos abaixo mostramos.9% dos empregos do IBGE.7% para 42. O Brasil é um dos campeões nesse território. donos de fábricas de fundo de quintal. Isso ocorreu porque a Revista Desafios do Desenvolvimento – IpEa – novembro/2004 – Edição 4. Em 1991. São camelôs.5 milhões de empresas informais. por andréa Wolffenbüttel. Em 2002 eram 36. brasil dividido. Mais da metade dos trabalhadores brasileiros vive na informalidade. escapar das armadilhas da burocracia e do pagamento de impostos. e dentro delas no setor de serviços. Procuram sobreviver no improviso. pesquisador do Ipea e especialista em mercado de trabalho. Em 2002 a indústria era responsável por apenas 15. O problema é crescente. em números. Os dados estão em estudos do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) feitos com base em informações do Instututo Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). CDs piratas ou uma miríade de coloridos badulaques que enfeitam as ruas de qualquer cidade. a indústria respondia por 22. quem está migrando para a informalidade. Eles habitam um mundo de tons cinzentos. quais os setores que mais lidam com esse tipo de mão-de-obra e quais as maiores dificuldades enfrentadas pelos que querem operar dentro da formalidade. 61 FGV DIREITO RIO 47 . Em dezembro será divulgado um novo levantamento com as mesmas características. Uma pesquisa feita pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) em 1997 revelou a existência de 9.2% das vagas de trabalho nas regiões metropolitanas (conforme a Pesquisa Mensal de Emprego). ocupando 12.3 milhões de pessoas.

que ostenta um índice de apenas 9%. segurança ou alimentação. FGV DIREITO RIO 48 . “Embora tenha ocorrido um significativo aumento da informalidade ao longo da década de 1990. Qual sua perspectiva de futuro? Permanecer como estão. Pesquisa feita pelo Sebrae em fevereiro (de 2004). O menor nível de informalidade é o do setor de veículos automotores. diz Ramos. no centro Rio de Janeiro. apenas 17% dos trabalhadores sem carteira tinham mais de 11 anos de escolaridade e em 2000 essa proporção subiu para 26%. Ajuda o pai na loja de material de limpeza que a família tem numa garagem do Jardim Nakamura. Cuidando da sobrevivência a cada dia. 36. Em 2002 já eram 36% (veja tabela ao lado).2%). quando o pai perdeu o emprego. Nela descobre-se que há gente de todo o tipo nesse lado pouco conhecido da economia brasileira. pois a carga tributária no Brasil passou de 25% do PIB em 1992 para 34. que passou de 53.6% em 2002.2% das respostas). por essa via. Que a riqueza é imensa. Depois vêm as barreiras burocráticas (15. Ao mesmo tempo. Da mesma forma o vendedor de cocos que atua bem em frente à antiga sede do Ministério do Trabalho. Goiás. Um estudo da consultoria McKinsey publicado em junho revela que o maior grau de informalidade está no setor agro-pecuário. Leandro Dias de Oliveira é um estudante de 17 anos de idade. O levantamento foi feito com base nos dados da Pesquisa Nacional por Amostras de Domicílio (Pnad) de 2002. Sobram razões para a definição do inimigo principal. já atraiu 2. os diferenciais de salários observados entre os trabalhadores formais e informais caíram de forma expressiva”.6%) e a falta de acesso ao crédito (9. Há mais. 90% da mão-de-obra não têm vínculo empregatício. Cursa o segundo ano do ensino médio e não pensa em fazer faculdade. Sem alternativa.4% em 2002. a se confirmarem as projeções feitas pelo Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT). Leandro e seu pai manipulam produtos químicos em galões sem qualquer segurança. na zona sul da capital paulista. E que pertencer ou não ao segmento informal não é necessariamente uma opção. O Sistema Simples. O negócio foi aberto há oito anos.11% em 2003 e. muitas para empresas de serviços de limpeza. Do lado dos trabalhadores existe um descasamento entre as contribuições para a Previdência e os benefícios potenciais que o sistema previdenciário oferece. Já no setor de serviços houve uma pequena queda no grau de informalidade. implantado em 1996. junto a 1. Em 1992.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa indústria deu um salto de produtividade e passou a produzir mais com menos gente. A dona da pequena confecção em Jaraguá. não teve alternativa senão ficar na informalidade por não conseguir cumprir as regras para a abertura de uma empresa. também é nele que se registra o maior crescimento da informalidade. Mais instigante ainda é a pesquisa dos casos concretos.8 milhões de microempresas para a lado formal da economia.049 empresas informais. mas apenas ter conseguido escapar. arcar com os pesados encargos tributários ou desvendar uma complexa legislação entronizada sobre a Consolidação das Leis Trabalhistas – um cartapácio com 985 artigos que tem de 61 anos de idade. pode não ter escolhido essa atividade. aponta que a principal causa para permanecerem nessa condição é a elevada carga tributária (75. A investigação dos números é reveladora. Ali. 33% da mão-de-obra industrial era composta por trabalhadores sem carteira assinada ou por pessoas que trabalhavam por conta própria. que facilitou a abertura de empresas. terceirizou atividades.5% em 1992 para 52. de uma época de penúria depois de entrar para a lista de cortes de uma indústria qualquer. fechará 2004 na marca dos 38% do PIB. Os dados de Ramos indicam que o setor industrial não apenas está empregando menos. O aumento da escolaridade dos trabalhadores sem carteira assinada pode ser uma explicação para a aproximação dos rendimentos: em 1984.

Uma das alternativas é cobrar mais do setor que já paga impostos como manda o figurino – o que tira oxigênio da economia. professor titular do Departamento de Economia da Pontifícia Universidade Católica (PUC) do Rio de Janeiro. Neste caso. porque uma empresa não investe na capacitação de um trabalhador que não tem vínculo com seu negócio – o que numa perspectiva mais larga prejudica a competitividade da economia do país como um todo. os trabalhadores informais têm direito a assistência médica e a aposentadoria – uma despesa que está sendo coberta por um número cada vez menor de trabalhadores e empresas formais. Também está associada a empreendimentos ligados ao contrabando ou à falsificação. a opção pela informalidade está relacionada ao alto custo do cumprimento das leis. pois terá direito a receber uma aposentadoria correspondente ao mínimo quando chegar aos 65 anos de idade quer tenha sido registrado em carteira quer não. E de qualquer maneira tem acesso ao Sistema Único de Saúde. onde as regras mudam. pesquisador do Ipea. a sociedade não se sente suficientemente convencida de que deve enquadrar o informal. “A segunda visão identifica várias vantagens em uma pessoa optar por ser informal. A perda de arrecadação tributária e previdenciária é apenas uma das conseqüências fiscais danosas da informalidade. Segundo o economista José Márcio Camargo. a informalidade tem raízes em coisas que o Estado deixou de fazer”. A busca de soluções para o problema é uma tarefa do governo e da sociedade e o primeiro passo para cumpri-la é identificar suas causas.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa Menos oxigênio. o trabalhador não se interessa pelo registro em carteira. diz Ricardo Tortorella. A ela faltaram oportunidades. explica Ricardo Paes de Barros. Exigências de controle de qualidade ou padrões fitossanitários também são um vigoroso incentivo para reforçar o terreno da informalidade. O custo total da folha de pagamentos pode chegar a 70% da receita bruta para uma pequena confecção formalizada enquanto não passa de 3% na indústria automobilística. FGV DIREITO RIO 49 . acredita que o problema se resolve arrumando as leis e combatendo a burla à legislação. Finalmente. economista e consultor da Unidade de Políticas Públicas do Sebrae Nacional. Deixa de ter direito ao seguro desemprego. Em terceiro lugar porque empresas e pessoas que vivem na informalidade não pagam impostos. Para ganhar alguma vantagem competitiva. como educação. Depois. Não tem direito a férias. o custo relativo da assistência à saúde e da segurança no trabalho é muito mais pesado para as pequenas empresas. mas não precisa abrir mão de uma parte de sua receita em favor da Previdência Social. especialmente se recebe salário perto do mínimo. Em conjunturas de retração da oferta de trabalho os próprios funcionários se tornam cúmplices do processo. perante uma legislação não muito boa. que estimula as empresas menos produtivas a permanecer na informalidade. o Estado tem de buscar reforço de caixa. diz Barros. é cada vez mais comum a opção pela informalidade para não cumprir exigências trabalhistas. acesso ao crédito ou até mesmo herança familiar. Aceitam vínculos sem carteira assinada ou através de cooperativas. o sujeito que emprega o dumping ou algum outro recurso ilícito”. A informalidade é um problema para o país por várias razões. E também porque embora não contribuam. Da mesma forma. Diante da evasão. décimo terceiro salário nem Fundo de Garantia por Tempo de Serviço. Quem defende esta visão. previdenciárias ou relacionadas à segurança do trabalho. “Existem duas visões sobre o setor informal. A primeira delas parece entendê-lo como a utilização de recursos ilícitos. Primeiro porque quem trabalha sem registro vive sem qualquer rede de proteção. o que prejudica as contas públicas e dificulta investimentos necessários para o bem comum. ao seguro acidente de trabalho e ao seguro maternidade. De acordo com o relatório da McKinsey. “O pequeno empresário não paga os encargos trabalhistas porque eles pesam relativamente mais em seu faturamento do que no de uma grande empresa”.

esta nova lei apresenta um problema estrutural preocupante: condena as empresas a permanecerem pequenas. Ao anunciar as medidas. Isso porque dependem de negociações das empresas com sindicatos. quase 8% do faturamento setorial. de acordos coletivos e da apresentação de farta documentação para os fiscais do Ministério do Trabalho. quem tem uma empresa calcula de antemão o valor do descanso semanal remunerado. sem a intervenção FGV DIREITO RIO 50 .ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa Justiça. na medida que estabelece um teto de faturamento para os que pretendam gozar dos benefícios. lembra Armando Castelar. movimentou cerca de 1. que instituiu o banco de horas e contratos temporários já não foi tão bem sucedida. Entretanto. da situação é o envolvimento com atividades ilegais ou semi-legais. o décimo terceiro salário. é que assim como o Simples. funcionando como um inibidor do crescimento. evitam riscos como multas trabalhistas ou sanitárias”.3 bilhão de reais. que “fica mais barato correr da polícia do que cumprir as exigências formais”.601 de 1998. de acordo com a Associação Brasileira da Indústria do Vestuário (Abravest). por exemplo. com menores encargos trabalhistas. por mais mudanças que haja no projeto original. Na opinião de Camargo. para abrir uma empresa. Um processo de livre negociação entre sindicatos setoriais ou regionais fixaria os salários. Nos cálculos do setor farmacêutico. “até porque se o empregado recorre à Justiça sempre é possível fazer um acordo e conseguir um desconto”. diz Ramos. a atividade cinzenta fatura cerca de três bilhões de reais ao ano. “O banco de horas deu certo nas grandes empresas. segundo as contas dos fabricantes legais. podem ser considerados um fracasso. A face mais perversa. Só depois estabelece o salário dos trabalhadores. 20% dos medicamentos vendidos no país são falsificados e podem colocar em risco a vida dos usuários – um negócio de cerca de três bilhões de reais ao ano. A rota da simplicidade foi escolhida pelo governo federal ao propor ao Congresso um regime especial para empresas com faturamento de até 36 mil reais por ano. Do lado dos pequenos empresários. deverá incluir a redução de encargos tributários e facilitar os trâmites burocráticos para empresas de menor porte. a questão estará na ordem do dia. “Nos momentos de recuperação econômica. já incorporando todos os atributos atuais. A venda de cigarros falsificados ou contrabandeados. que teve sucesso justamente por sua descomplicação. diz Ramos. pesquisador do Ipea. E quando a proposta governamental for debatida no Congresso. o projeto anunciado em setembro é um avanço na rota da formalização da economia. A tendência à informalidade é maior nas épocas de aperto. de forma a compensar os gastos”. onde foi usado para evitar demissões nos períodos de recessão”. A questão.9 bilhão de reais em 2001 (ou 25% do faturamento do setor formal) e o governo deixou de arrecadar 1. só o fato de o assunto estar sendo ventilado já é um avanço. não pagar os direitos trabalhistas e seus respectivos encargos sai mais barato. A tentativa de flexibilizar a legislação trabalhista com a Lei 9. Especial. “Hoje. Também é preciso simplificar as leis trabalhistas e reduzir os impostos que pesam sobre empreendimentos com outras dimensões. férias e possíveis custos indenizatórios. A linha geral das mudanças foi anunciada num evento. como lembra Castelar. Já os contratos especiais. no final de setembro. quando os empresários aceitam correr maior risco porque não conseguem fazer face aos encargos formais. Ele acha que a flexibilização das leis não deve diferenciar empresas pelo tamanho. e por que não dizer perigosa. No segmento de vestuário. como aponta o economista José Pastore. mas até o final de outubro nada tinha sido dito a respeito do detalhamento das medidas e nem sobre o conteúdo do Projeto de Lei Complementar. O resultado. mas definir um arcabouço em que a livre negociação seja a pedra de toque. o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reconheceu. Um dos movimentos consistentes para enfrentar o problema foi o lançamento do Simples. mas não é suficiente.

Como se vê. “também exige mudanças nas regras para abertura e fechamento de empresas e a modernização dos controles governamentais”. diz. Ao reduzir os encargos sobre as remunerações. também é irredutível quanto à flexibilização dos direitos adquiridos. mas não abrem mão de direitos como o abono sobre o valor das férias e o décimo terceiro salário. o Peru implementou um programa que o destaca entre os países em desenvolvimento. que passariam a negociar também com as pequenas e médias empresas”. Para ele uma das saídas seria passar a cobrar os encargos da Previdência Social sobre o faturamento e não sobre os salários. Tortorella. empresários e governo. FGV DIREITO RIO 51 . A Espanha optou por atacar a frente fiscal. ou regras de segurança de trabalho. Exigências como a garantia de assistência à saúde.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa da Justiça do Trabalho. presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT). A economia brasileira ganhará. Além de criar um cadastro tributário único para unificar as três esferas do poder. um empreendedor leva em média 155 dias para legalizar seu negócio. é a principal causa da informalidade. Resumo da ópera: elevação de 75% da arrecadação junto às empresas de micro e pequeno porte. o que viabilizou a abertura de um negócio em apenas um dia (antes eram necessários 300). A multa de 40% sobre o valor do Fundo de Garantia de Tempo de Serviço (FGTS) pode ser objeto de negociação. outra conseqüência será a simplificação do processamento da folha de pagamento. é favorável a um regime trabalhista especial para as empresas de menor porte. Criou uma poderosa base de dados unificada. A Rússia escolheu como prioridade o combate à sonegação e à corrupção. com redução do custo da operação de 1. Segundo o estudo da McKinsey. a tendência é de que elas busquem aumentar a sua eficiência e produtividade. A luta contra a informalidade. que impediam a formalização. foco setorial. Ao definir que a “exclusão econômica da parcela mais pobre da população” era devida à dificuldade para abrir empresas e à intensa burocracia. e não os direitos trabalhistas. Se o Brasil conseguir atrair mais empresas para a formalidade. do Sebrae. são quatro os requisitos para uma iniciativa desse porte ser bem sucedida: “prioridade governamental. A estimativa da McKinsey é de que o PIB brasileiro poderia crescer dois pontos percentuais por ano se apenas 20% das empresas que atualmente estão na informalidade fossem incorporadas à economia formal. Experiências de outros países mostram o impacto positivo de programas consistentes de combate à informalidade. com uma substancial redução de custos para cada participante. do Ministério do Trabalho e do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).2 mil dólares para 174 dólares. Portugal elegeu a luta contra a informalidade como o principal componente de sua agenda de reformas para colocar o padrão nacional de produtividade na média dos países da União Européia. As centrais sindicais até aceitam discutir. coordenação e transição”. Reforma. Não houve consenso na negociação da reforma trabalhista no Fórum Nacional do Trabalho. Segundo Paulo Pereira da Silva. poderiam ficar por conta de associações. e responsabilização. simplificou a tributação para micro e pequenos empreendimentos e criou de um órgão central para combater a evasão fiscal. os resultados podem ser compensadores. No Brasil. Presidente da Força Sindical. a carga tributária. Requisitos. diz. Luiz Marinho. será necessário integrar as bases de dados da Secretaria da Receita Federal. reduzindo seus custos. que reúne trabalhadores. O registro de empresas foi unificado. O resultado seria “o fortalecimento dos sindicatos. reformas estruturais.

br/fsp/dinheiro/ fi2005200502. receita média do setor caiu 19. menos firmas eram lucrativas -73% obtiveram lucro. por pedro soares. afirma. a renda sobe para R$ 753. folha. 98% são considerados informais.62 Dos empreendimentos com até cinco pessoas.htm 62 FGV DIREITO RIO 52 . ao passar de R$ 374 em 1997 para R$ 363 em 2003.7% a mais do que em 1997. os dados mostram que as pessoas permanecem muito tempo no setor informal: 31% das pessoas que tinham seu negócio estavam na informalidade havia mais de dez anos -apenas 12% possuíam o empreendimento havia menos de um ano.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa teXto iV – eConomia “inVisÍVeL”. Os empreendimentos informais empregam um quarto dos trabalhadores das áreas urbanas no Brasil. por sua vez. disse ela.com.1% a mais do que em 1997). Em 2003. e a renda das firmas e pessoas que estão nesse segmento também caiu no período. empregadores e empregados) caiu 3%. um faturamento de R$ 17.uol. que inclui também pessoas ocupadas informalmente em firmas que são regulares. Fonte: http://www1. em 2003. a situação ficou ainda mais difícil. Empresa informal tem 1/4 dos trabalhadores. e sim na sua grande capacidade de acolher trabalhadores. “A economia informal é importante porque cria oportunidade de trabalho para pessoas que poderiam estar pressionando ainda mais o mercado formal. ou 98% do total de empresas com até cinco pessoas ocupadas (10. diz IBGE. São Paulo concentrava o maior número de empresas informais: 25% do total. ocupam 13. em parceria com o Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas). mas o setor perdeu participação no PIB (Produto Interno Bruto) entre 1997 e 2003 -de 8% para 6%-. A alta foi proporcionalmente maior do que a expansão no período do total de pessoas ocupadas nas cidades: 4%. ainda assim 14.336 milhões de firmas (9. Em 2003. e os programas de transferência de renda do governo. chefe da Coordenação de Emprego e Rendimento do IBGE. a economia informal abriga 10.861 milhões de pessoas -7. Juntas. Para Luís Carlos Barbosa. o mercado informal vive um período de saturação.4% menos do que em 1997 -R$ 20. 12. Folha Online – Da sucursal do Rio em 20/05/2005. divulgada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Regionalmente.525 milhões). um conceito mais amplo e mais difundido.4% menor do que em 1997 (R$ 880). mas sua “maior importância” econômica não é na geração de riqueza.754 entre 97 e 2003 -uma retração de 19. contra 93% seis anos antes. Apesar do recuo de ganhos e rendimentos. com forte concorrência entre os empreendedores e poucos clientes. As firmas informais.590 bilhões. apareciam Minas Gerais (10.7%. Na seqüência.7% entre 97 e 2003.070 bilhões. Pelos dados do instituto. Para Angela Jorge.2%) e Rio (8. do outro”. diretor-técnico do Sebrae.183 para R$ 1. de um lado. Segundo o IBGE. o rendimento médio dos trabalhadores do setor informal (conta própria. e não o trabalho informal. Tal retrato foi revelado pela pesquisa Economia Informal Urbana. Já a receita média mensal das firmas informais caiu de R$ 2. com a crise econômica e a retração do consumo.4%). Se considerados só os empregadores. todas as empresas informais (aquelas que têm de uma a cinco pessoas trabalhando e não separam sua contabilidade da do dono do empreendimento) geravam mensalmente. a economia informal perdeu espaço no PIB. O IBGE pesquisou empreendimentos informais.

Para Barbosa. Em 2002 (último dado disponível). que já detêm 95% do mercado.br/folha/dinheiro/ult91u96456.mj. é fundamental que os governos das nações civilizadas. 10% empregados sem carteira assinada. suas chances de diversificação e expansão. de acordo com o IBGE. o contrabando e o comércio clandestino de armas.” Quase todas as pequenas empresas brasileiras são informais. bem como seus povos e setores produtivos.com. o roubo de cargas.2 bilhão. A indústria do tabaco teve prejuízo de US$ 1. Porém 7.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa Por conta própria. 88% não tinham constituição jurídica -ou seja. O estudo feito em parceria com o Sebrae traça um retrato da informalidade no país. segundo dados divulgados hoje pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) na Ecinf 2003 (Economia Informal Urbana). Aquele trabalhador que desenvolve sozinho o seu negócio. Um dado da pesquisa mostra o vínculo entre empresa informal e família: só 65% das atividades produtivas eram desenvolvidas fora do domicílio. de 20/junho/2005. Fonte: http://www1. presidente do conselho da câmara americana de comércio – amcham. Helio magalhães. em geral mulheres ou filhos do dono da empresa. 6% empregados com carteira assinada e 5% não-remunerados -ajudantes sem salário. com CNPJ. no Rio. não existiam legalmente. ampliando o seu acesso ao crédito e. unam esforços no combate à pirataria. é o projeto de lei em tramitação no Congresso que cria a pré-empresa. asp?id=16 63 Folha Online. do Sebrae. A grande maioria (95%) das firmas tinha apenas um único proprietário. diz ibge.63 “Somente no Brasil a pirataria foi responsável por perdas de R$ 30 bilhões em 2004. notÍCias reLaCionadas. diz o Sebrae.uol. As gravadoras perderam US$ 300 milhões e assistem ao avanço crescente das cópias falsas. conseqüentemente. A cadeia produtiva do cinema foi surrupiada em US$ 130 milhões.br/ combatepirataria/showartgs.5 milhões de empresas formais. facilitando a instalação de firmas com faturamento de até R$ 36 mil ao ano. existam outras duas informais. diz ele. Fonte: http://www. por: janaIna LaGE.64 A economia informal responde quase pela totalidade das pequenas empresas brasileiras.gov. que transcende as fronteiras da legalidade em todos os continentes. Um passo significativo para aumentar a formalização. em 19/05/2005. para cada empresa regular.shtml 89 FGV DIREITO RIO 53 . é maioria entre os informais: 69% do total de pessoas ocupadas no setor em 2003. o ideal seria que todas essas firmas se tornassem legais. os assaltos a bancos e seqüestros. O restante dos trabalhadores dos empreendimentos informais se distribui da seguinte forma: 10% eram empregadores. Trecho do artigo de autoria do Dr. Essas são estatísticas sombrias de uma atividade tão criminosa quanto o tráfico de drogas. assalto às empresas e às pessoas. O Sebrae estima que. havia cerca de 4. Trata-se de um problema efetivamente grave.4 milhões de empresas nem haviam tentado se regularizar em 2003. folha. o chamado “conta-própria”. segundo o IBGE. Do total de empresas informais. Custos elevados dos registros e impostos e a pesada burocracia para a abertura de uma empresa são os principais entraves apontados pelos empreendedores que pretendem regularizar sua situação. O Ministério da Justiça revela números assustadores. O setor de software enfrentou quebra de US$ 400 milhões. Assim. sem ter registro no CNPJ (Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica).

65 FOLHa OnLInE – Da sucursal do Rio em 20 de maio de 2005. Desse total. Fonte: http://www1.uol.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa O número de pequenas empresas no país alcança 10. empregados com e sem carteira de trabalho assinada e trabalhadores não-remunerados. Existem também 5% de não-remunerados. As empresas informais empregam cerca de 13 milhões de pessoas. houve um crescimento de 9% no número de empresas informais. Pela metodologia da pesquisa do IBGE. ele vende balas nos ônibus pelo bairro de Copacabana.335 milhões de empresas.. Pelos critérios do IBGE. Os trabalhadores por conta própria e os autônomos estão nesse universo. 10% são empregadores e 6% trabalham com carteira assinada. Outro grande contingente de empresas informais (27. é informal. se não tiver sistema de contabilidade próprio. É o caso de filhos que trabalham com os pais no preparo de alimentos para vender em barracas ou feiras. Os camelôs propriamente ditos somavam 711. só o de alimentação.htm FGV DIREITO RIO 54 . a maior parte dos ocupados informais era migrante: 55% não nasceram na cidade na qual trabalhavam. A mulher e os seis filhos também se mudaram e hoje moram com ele.br/fsp/dinheiro/ fi2005200508. Mas uma pessoa que trabalha sem carteira assinada para uma empresa formal não está no universo da pesquisa.3%) funciona no domicílio do dono do negócio. A pesquisa também mostra que em 2003 a economia informal gerou R$ 17. que há dois anos vende cangas e batas nas praias do Rio.6%). empresa informal é aquela que não tem um sistema de contas claramente separado das contas da família e emprega de uma até cinco pessoas. o camelô é exclusivamente o trabalhador por conta própria ou empregador que desenvolve seu trabalho na rua e está enquadrado em dois setores: comércio e serviços -neste caso.3%) ou na casa do cliente (27. Camelôs são apenas 7% do setor informal65 O camelô. 10% são empregados sem carteira assinada. Grande parte das vagas criadas no setor informal pertence a trabalhadores por conta própria (69%). por exemplo. Gonçalves não sabe quanto recebe por mês: “Vou vendendo e quando preciso compro mais”. Ganha de R$ 350 a R$ 400 mensais. Gabriel Marcos Gonçalves. 98% fazem parte do setor informal.825 empreendedores em 2003. mas. saiu do interior da Bahia para “passar uns dias” na cidade e acabou ficando. A firma (RECTIUS: sociedade) pode até ter CNPJ (Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica). o equivalente a 10. em 1997.. ou 6. com sua barraca montada numa movimentada rua de comércio popular.525 milhões --foram consideradas nesse caso as empresas não-agrícolas.com. embora 83% deles morassem na localidade havia pelo menos cinco anos. O número de postos de trabalho cresceu 8% neste período. incluindo trabalhadores por conta própria. é talvez o personagem mais comum quando se pensa em um empreendimento informal. pequenos empregadores.9% do total de empresas informais. A maior parcela das firmas informais no país está instalada em lojas ou oficinas (20. 25. folha. Em relação à última edição da pesquisa. é um trabalhador por conta própria no comércio.) Flávio Lopes Ferreira. 49.6 bilhões de receita média mensal e respondeu por um quarto das contratações de trabalhadores nãoagrícolas no país. Sem nunca ter trabalhado no mercado formal. Além de estar principalmente no comércio. Mas não é. (. incluindo empregados e pequenos empregadores.

Diante desta realidade. e competência para atingir o objetivo traçado.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa AUlAS 06 E 07: MODElOS SOCIEtáRIOS DE AtUAÇÃO EMPRESARIAl PARA A PEQUENA E MéDIA EMPRESA Muitas pessoas pensam em “abrir o próprio negócio” vislumbrando uma liberdade e tranqüilidade que não tiveram quando eram empregados. ementário de temas: – – – – – Empresário Individual Sociedade em Conta de Participação Fundo de Investimento Imobiliário – FII Sociedade Limitada Texto: As Sociedades em Nome Coletivo e em Conta de Participação como Estratégias de Negócios. sejam eles investidores ou participativos (ou empreendedores). 7ª edição. ter um empreendimento exige sacrifícios. Nesta aula discutiremos a leitura do(s) seguinte(s) capítulo(s): – Páginas 357 a 398 (LTDA) e 479 e 480 (SCP) do Curso de Direito Comercial. nacionalidade. 968. Forense: Rio de Janeiro/2005. Do Direito de Empresa (arts. para fins de inscrição do empresário individual.000/99. roteiro de auLa: Aprendemos que quando a empresa é titularizada por uma pessoa natural. Da mesma forma. FGV DIREITO RIO 55 . A figura do empresário não se confunde com a dos sócios ou acionistas de sociedade empresária. a informação do seu nome civil. portanto. conforme expresso no art. além de capacidade para assumir riscos e desafios. J. Na verdade. IX. bem como será de curial importância a escolha do melhor “modelo societário” (rectius: modelo empresarial) para o desempenho de suas atividades.A. José Edwaldo Tavares Borba. Rogério Monteiro. com a colaboração de familiares e/ou de auxiliares.º 3. tem-se a figura do empresário individual caracterizado pelos elementos constantes no art. como já vimos nas aulas anteriores. Penalva Santos e Paulo Penalva Santos. Saraiva: São Paulo/2004. 9ª edição. Renovar/2004. Newton Lucca. vol. – Páginas 93 a 112 (SCP e LTDA) do Direito Societário. não há que tipificá-lo de “pessoa jurídica”. 966 além do requisito especial do exercício da atividade em nome próprio – quando muito. I que estabelece. necessário se faz que os que se prestam a tanto tenham noção dos riscos e dificuldades que enfrentarão. obrigado a inscrever-se na Receita Federal para obter o CNPJ – Cadastro Nacional de Pessoas 66 Decreto n. O empresário – pessoa natural. Fábio Ulhoa Coelho. apesar do mesmo tratamento fiscal que lhe é conferido66. Leitura CompLementar: – Páginas 159 a 170 dos Comentários ao Código Civil Brasileiro.087). domicílio e estado civil. 996 a 1. é equiparado à pessoa jurídica e.

o empresário individual irregular: a) não tem legitimidade ativa para requerer o pedido de falência do seu devedor71. pois os credores terão garantias contra eventual inadimplemento do empresário.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa Jurídicas. Agravo retido. O exercício da atividade empresária pressupõe o registro correspondente. Cabral da Silva”. norma sobre o registro público de empresas mercantis e atividades afins. “João C. se quiser. do cpc). 1. julgado em 28/06/2005.832/RO. vimos que a indicação da atividade é providência que se impõe. VI. praticamente. Recurso parcialmente conhecido e. o dispositivo do art. com todos os seus bens presentes e futuros.156. portanto. Desta forma. não é cabível o agravo retido. (REsp 594. Assim. Ministra NANCY ANDRIGHI. “J. 70 art. Recurso especial.Empresário individual é a própria pessoa física ou natural. .Em ação rescisória. cpc – “art. A falta de inscrição no Registro de Empresas coloca o Empresário “à margem das prerrogativas plenas previstas nas inúmeras leis que regulamentam sua atividade70” e implica sanções que lhe podem ser aplicadas em virtude do exercício irregular da atividade. DJ 01/08/2005 p. 48 da Lei n. O Superior Tribunal de Justiça confirmou esta orientação no Recurso Especial 594. Ação rescisória. . nos termos do art. Invalidade. quando os bens não podem ser penhorados mesmo que relativamente valiosos e prescindíveis. Esta será composta pelo seu nome civil. Embargos de declaração. . contradição ou obscuridade. salvo as restrições estabelecidas em lei”.156 do CC67. o que se afigurará como incentivo. impõe-se uma conduta prudente e extremamente cautelosa na administração da empresa. feito na forma da Lei n. Nesse sentido. incabível a ação rescisória.832-RO: Processual civil. respondendo os seus bens pelas obrigações que assumiu. . ele responde com todos os seus bens presentes e futuros (sempre no limite das forças do seu patrimônio) pelas obrigações contraídas no exercício da atividade68. o empresário só poderá adotar a espécie: firma individual.Não se conhece do recurso especial na parte em que se encontra deficientemente fundamentado. O empresário opera sob firma constituída por seu nome. como também. nesta parte. tenham uso presente e sejam vinculados ao exercício legítimo dessa profissão. 68 69 É o caso da impenhorabilidade de máquinas. 72 FGV DIREITO RIO 56 . tanto abreviá-lo.150 do Código Civil de 2002. considerando que o patrimônio da empresa individual e da pessoa física. Inválido. ou seja. 1. Doação. da Silva”. Patrimônio do empresário individual e da pessoa física. 591. TERCEIRA TURMA. com base nos princípios da veracidade e novidade.934/94. vol. . para o cumprimento de suas obrigações. Tema controvertido. nada mais são que a mesma realidade. Existem bens que podem ser excluídos da esfera de ação do credor por se considerarem essenciais à atividade do empresário69. 97. b) não tem legitimidade ativa para pleitear sua recuperação judicial72. os tributos incidentes serão os mesmos existentes para as sociedades. sendo-lhe facultado.Se o alegado erro foi objeto de controvérsia na formação do acórdão. Ricardo in manual de Direito comercial e de Empresa. saraiva/2005. “João Cabral da Silva Motores”. No tocante ao nome empresarial. adicionar o ramo de atividade a que se destina. completo ou abreviado. 649. O sistema de responsabilidade do Empresário é PATRIMONIAL.Indispensável a outorga uxória para efeitos de doação.101/2005. 71 art. 1. Exemplos: “João Cabral da Silva”.” como estudado no primeiro módulo de Direito Empresarial (Teoria Geral da Empresa). utensílios e instrumentos necessários ou úteis ao exercício de profissão (art. Rel. mas é certo que alguma parte do estabelecimento empresarial será alcançada. quer civis quer comerciais. mas desde que sejam necessários e úteis à profissão do executado. da decisão unipessoal que causar gravame a parte. provido. ao empresário individual.101/2005.º 11. designação mais precisa da sua pessoa ou do gênero de atividade. Erro de fato.º 8.1. aditando-lhe. c) não conseguirá enquadrar-se como microempresa e dispor dos benefícios previstos na legislação própria. respeitando-se. Violação a literal disposição de lei. 443) 67 “Art. faz com que muitos empreendedores busquem outro modelo empresarial (sociedades) a fim de evitar tal situação de confusão patrimonial. nEGRãO. impedido de “crescer demais”. o negócio jurídico celebrado. Inviabilidade. Este regramento legal confere segurança às relações jurídicas na ordem econômica. § 1º da Lei n. ambos referentes ao sistema de registro do nome empresarial.º 11. pg180. estando. O devedor responde. Ausência de outorga uxória. Não demonstração da omissão. porém. assim.

uma sociedade não personificada. denominou sociedade”76 – ou. com isso. podendo enquadrar-se no SIMPLES. assim como. uma sociedade que não preenche alguma das condições previstas em edital de licitação. Outras desvantagens em ser “Empresário Individual”. § 31 da constituição da República.666/93. pela doutrina. empregados. optam por celebrar um contrato de sociedade em conta de participação. preferem ficar ocultas (não aparecer). saraiva/2005.302. pg. – Pode haver dificuldades para conseguir prazo para faturamento junto aos fornecedores.74 Ao sugerir para o cliente a modalidade “Empresário Individual”. ficará dependente de fornecedores. 7ª edição. bancos. 991 a 996. geralmente. – Facilidade para a dissolução da empresa (“baixa no seu registro” como empresário.º 8. III. Pessoas com recursos disponíveis e que desejam investir numa atividade empresarial. pois o objeto do contrato tem que ser lícito – art. que. O Empresário precisa ter conhecimento e capacidade para administrar seu negócio com efetividade. mas sim um contrato. 73 74 art. sociedade em conta de participação – arts. Importante frisar que para o negócio ser bem sucedido não depende só de sacrifícios e da vontade de ganhar dinheiro. clientes. ele terá menos tempo disponível para a família. pg. deve-se ter em mente que ser Empresário significa lidar com desafios. no mesmo sentido: Ricardo negrão in manual de Direito comercial e de Empresa. durante um bom tempo ele não ouvirá a expressão “tirar férias”. 9ª edição. sem se tornarem sócios. do governo etc. 104. sendo impossibilitado de contratar com o Poder Público. uma vez que viabiliza composições entre partes que objetivam determinado negócio.94. deixando-as livres para outras empreitadas ou mesmo servindo para manter uma das partes (sócio participante) no anonimato. Entre algumas vantagens de ser Empresário Individual estão: – Os custos iniciais para a abertura do negócio são relativamente pequenos. apenas a boa intenção não será suficiente. na junta comercial). saraiva/2004. impropriamente.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa d) não poderá participar de licitações públicas73. como econômicos. 195. pg. f ) não conseguirá seu registro no Cadastro de Contribuintes da Seguridade Social. josé Edwaldo Tavares Borba in Direito societário. são: – Seus bens pessoais ficarão comprometidos e serão alcançados por obrigações contraídas no exercício da atividade empresarial – A firma individual é intransferível por tratar-se do próprio nome civil do Empresário (“a pessoa natural não é passível de alienação”). embora constituída mediante art. – Pode haver restrição para a obtenção de créditos junto às instruções financeiras. celebra com outra o contrato de participação onde unirão esforços para alcançar o fim determinado. a causa deste anonimato não pode ser ilícita. Esta “sociedade” merece destaque. entre outros. riscos e sacrifícios. – Possui total autonomia administrativa e participação integral nos lucros. II e III da Lei n. um contrato “que o legislador. por isso.479. o Código Civil a elenca como modelo societário) e a Sociedade Limitada – LTDA. 75 Existem pessoas que desejam investir em operações de risco e. 28. Renovar/2004. 76 Fábio ulhoa coelho in curso de Direito comercial. FGV DIREITO RIO 57 . pois dependerá dele o empenho para atingir as metas traçadas. mas de competência e inúmeros fatores externos. A Sociedade em Conta de Participação – SCP – é considerada. como denomina o Código Civil. e) não conseguirá seu registro no Cadastro de Contribuintes Fiscais – CNPJ. II do código civil. – Vantagens fiscais por tratar-se de microempresa. Exigirá muitas horas diárias de trabalho. 4ª edição. mas isto apenas por conveniência ou oportunidade75. Cumpre agora analisarmos os modelos de sociedades mais utilizados para pequenas e médias empresas: a Sociedade em Conta de Participação – SCP (apesar de não ser um modelo societário. e como as decisões do negócio são tomadas pelo Empresário.

ostensivo e participante. O arquivamento pode ser feito. mesmo assim. Admitindo o registro como forma de evitar que o sócio participante seja confundido com “sócio” de uma sociedade em comum (leia-se: responsabilidade ilimitada). As partes possuem a seguinte denominação: a) Sócio participante/investidor (antigo sócio oculto do Código Comercial – art. e embora não possa administrar a sociedade. no sentido de que “embora não obrigatoriamente.a. 82 in Direito societário.087). b) Sócio ostensivo (empreendedor) – é aquele que se obriga perante terceiros sendo sua responsabilidade ilimitada. “trabalho”. O sócio participante não contrata com ninguém. pois. pode ser provada por quaisquer dos meios admitidos em direito e. IX. 77 78 art. pg. A forma de contribuição dos sócios. 9ª edição. e providenciar o respectivo arquivamento no Registro de Empresas. em seu nome individual78 e sob sua exclusiva responsabilidade. os sócios participantes só devem explicações ou responsabilidades perante o sócio ostensivo. devem os participantes. o sócio participante79. e. orienta o Prof. como não tem personalidade jurídica. mesmo que seu ato constitutivo seja arquivado em órgão competente. nos termos do contrato. salvo no caso de participar ativamente nas negociações com terceiros. contratar a conta de participação por escrito. “e”... este eventual registro não confere personalidade jurídica a SCP. não pode usar razão ou denominação social. os seus atos possam vir a ser conhecidos de terceiros”81. 161. mesmo as que optarem pelo registro não alcançarão o status de personalidade jurídica. O sócio participante poderá ser mais de uma pessoa natural e/ou jurídica. não formalizou o arquivamento do seu ato constitutivo em registro competente. Do Direito de Empresa (arts. Forense: Rio de janeiro/2005.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa instrumento escrito. j. vol. sendo certo que. 992 do código civil. José Edwaldo Tavares Borba. 32. imóvel. foi rejeitada por Carvalho Mendonça.934/94)82”. Desta forma. entendendo estes autores que “por não ser clandestina ou propriamente secreta. em sócio oculto. para não se exporem a elevados riscos. mesmo que o contrato por alguma razão venha a ser registrado. se tomar parte nas relações do sócio ostensivo com terceiros. Cunha Gonçalves e José Eunápio Borges. responderá solidariamente com ele no negócio que interveio. 325) – é aquele que se obriga exclusivamente ao sócio ostensivo.º 8. 993 do código civil. 996 a 1. A possibilidade de levar a registro o contrato de participação. Contudo. Renovar/2004. 79 80 81 art. penalva santos in comentários ao código civil Brasileiro. uma vez que ela tem que ser efetiva. como o direito comercial aduzia. parágrafo único do art. legalmente. Sua constituição independe de qualquer formalidade e pode provar-se por todos os meios de direito77 e. Portanto.95. da Lei n. exclusivamente perante este. pg. importância do registro. O sócio ostensivo é quem exerce a atividade constitutiva do objeto social.) deve estar prevista no instrumento contratual. afigurando-se. II. Vimos então que a SCP independe de qualquer formalidade legal para sua constituição. FGV DIREITO RIO 58 . 991 – código civil. terá sempre direito de fiscalizar sua gestão80. Ele deve prestar contas perante os demais sócios ocultos. participando os demais dos resultados correspondentes. somente entre os “sócios” produzirá efeitos jurídicos (não tendo força contra terceiros). para o negócio (dinheiro. obriga-se perante terceiro tão-somente o sócio ostensivo. porém admitida por Pontes de Miranda. pois qualquer ato de interesse do empresário é passível de arquivamento na Junta Comercial (art. não lhe será atribuída personalidade jurídica.

APELACAO SOCIEDADE EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO. 2007. art. obedecendo ao rito da lei processual civil. MILTON FERNANDES DE SOUZA . 994 §2º do código civil. com a devida apuração dos haveres. o artigo 995 confere uma “certa proteção” ao sócio participante que.1-A sociedade em conta de participação é contrato associativo no qual existem as figuras do sócio ostensivo e do sócio oculto ou participante.001. seja em relação aos lucros auferidos.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa Havendo a falência do sócio ostensivo (sendo ele sociedade empresária) acarretará na dissolução da “sociedade” e a liquidação da respectiva conta. IMPOSSIBILIDADE. LIQUIDAÇÃO. assumir os riscos do empreendimento junto a terceiros.fazenda. seguem decisões administrativas da Secretaria da Receita Federal87: SOCIEDADE EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO. subsidiariamente e no que com ela for compatível. desaparece a plausibilidade do direito invocado. no processo de falência. FERDINALDO DO NASCIMENTO .gov. A liquidação da sociedade em conta de participação. compete a participação nos resultados da exploração do objeto.101/05 (Lei de Recuperação da Empresa – LRE) 85 86 art. o disposto para a sociedade simples. 996 do Código Civil. seja em relação ao patrimônio especial.. No sistema de locação conjunta denominada de pool hoteleiro. cujo saldo constituirá crédito quirografário83. sem. artigo Único: (. e a sua liquidação rege-se pelas normas relativas à prestação de contas. apesar de não ter poder de mando. apresentação da declaração de rendimentos e recolhimento do imposto devido pela sociedade em conta de participação86. incabível é a devolução dos valores investidos pelo sócio participante sem que haja a dissolução da sociedade. Confiram-se.Julgamento: 13/11/2007 .001. DISSOLUÇÃO E DIVISÃO DE BENS. 994 §3º do código civil. RECURSOS CONHECIDOS E DESPROVIDOS. através de sua liquidação. Julgada improcedente a ação principal. 83. Quanto à resolução de questões não previstas no contrato.. CAUTELAR INOMINADA. Já na hipótese de falência do sócio participante. destituídos de qualquer privilégio ou preferência (sendo crédito sem garantia.2-Desta forma.3-E ao sócio oculto ou participante. na forma da lei processual. sendo responsável pelo recolhimento aDI sRF 14/2004. é pago depois dos créditos privilegiados e daqueles que têm garantias reais84). na qualidade de sócia ostensiva. poderá decidir quanto ao ingresso de novos sócios em havendo cláusula contratual neste sentido.QUINTA CAMARA CIVEL 83 84 art. em nome individual e sob sua responsabilidade. o objeto definido no contrato de participação. cessando os efeitos da liminar concedida. 2007.DECIMA NONA CAMARA CIVEL. DES. Sobre o assunto. Ao sócio ostensivo compete a responsabilidade pela apuração dos resultados. Inteligência do artigo 808. aplica-se. que geralmente é o prestador de capital. Sentenças que se mantém. em que a administradora (empresa hoteleira) é a sócia ostensiva. observando-se as normas relativas à prestação de contas. DISSOLUÇÃO.25419 – APELACAO. de acordo com o art. contudo.51470 . NECESSIDADE. III do CPC. ou seja. No que se refere à alteração do quadro societário. htm FGV DIREITO RIO 59 .Julgamento: 10/07/2007 . reger-se-á pelas normas relativas à prestação de contas. duas decisãões do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro: SOCIEDADE POR CONTA DE PARTICIPAÇÃO. constitui-se uma sociedade em conta de participação. o ato constitutivo ficará sujeito às normas que regulam os efeitos da falência nos contratos bilaterais do falido85. nesse sentido. 87 Disponível em: http://decisoes. PEDIDOS IMPROCEDENTES. VI da Lei 11. a exemplo do que ocorre com a sociedade em comum. a responsável pelo recolhimento do imposto e das contribuições devidas pela scp.br/netahtml/ decisoes/decw/pesquisasOL. DES. sem prejuízo do recolhimento do imposto e das contribuições incidentes sobre suas próprias receitas ou resultados.2-Ao sócio ostensivo compete explorar.) § 4º É a administradora (empresa hoteleira).

é contribuinte do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ). de 25. domiciliado no país ou no exterior. a responsabilidade pelos tributos e contribuições sociais devidos pela SCP. 991 do CC). a título de exemplo. ii) que o sócio oculto reconheceu o resultado obtido em sua declaração de rendimentos. (Solução de Consulta 27. 149. Publicado no DOU em: 22. na apuração dos resultados dessas sociedades. 10º Os lucros ou dividendos calculados com base nos resultados apurados a partir do mês de janeiro de 1996. de 25. presumido ou arbitrado. II. 10º da Lei n. Uma vez distribuídos. 148. da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). Data da Sessão: 22/08/2001). Assim sendo.02.º 9.2006 -1ª RF) SOCIEDADE EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO – Os resultados da sociedade em conta de participação devem ser apurados em separado dos da própria pessoa jurídica que é o sócio ostensivo.000/99 (RIR/99) art.249/95)90.2000) Continuando na seara tributária. esta operação é apenas uma fração FGV DIREITO RIO 60 . podemos citar uma SCP constituída com o objetivo de lucro comum. fundo de investimento imobiliário – fii. (Recurso: 125570.J. Câmara / ACÓRDÃO 108-06. Recurso provido em parte. que por sua vez já deverá ter pago os tributos pertinentes à empresa. Apesar de expressiva. Da mesma forma. O sócio ostensivo assume. os rendimentos provenientes da distribuição de lucro serão isentos e não tributáveis. 254. Recorrida/interessado: DRJ-SÃO PAULO/SP. iii) deve ser reconhecido o direito do sócio ostensivo excluir da incidência do imposto a parcela de lucros atribuída aquele sócio.06. enquanto perdurar um parcelamento anterior no CNPJ do sócio ostensivo.2006 -8ª RF). há vedação à concessão de um novo parcelamento. A expressão “mercado de capitais” costuma ser diretamente associada à compra e venda de ações em bolsas de valores. Neste sentido. (Solução de Consulta 3. os lucros deverão estar tributados na contabilidade do sócio ostensivo. não ficarão sujeitos à incidência do imposto de renda na fonte. da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins)89. pagos ou creditados pelas pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real. as sociedades em conta de participação são equiparadas às pessoas jurídicas. ou seja. A SCP é equiparada às pessoas jurídicas pela legislação do Imposto de Renda88. pessoa física ou jurídica. PARCELAMENTO. para locação conjunta de unidades imobiliárias denominado de “pool hoteleiro”. os rendimentos recebidos pelo sócio participante em decorrência da locação da unidade imobiliária (ou qualquer outra forma de distribuição de lucros). assim como na tributação dos lucros apurados e dos distribuídos. Decreto 3. nem integrarão a base de cálculo do imposto de renda do beneficiário. serão observadas as normas aplicáveis às pessoas jurídicas em geral e o disposto no art. SÉTIMA CÂMARA – 1º CONSELHO DE CONTRIBUINTES. onde a administradora (incorporadora) é a sócia ostensiva e os proprietários das quotas referentes às unidades imobiliárias são os sócios participantes. em decorrência de previsão legal (art. uma vez que essa tributação já ocorreu dentro da Sociedade em Conta de Participação (leia-se: sócio ostensivo). e como tal. 88 ato Declaratório Interpretativo (aDI) sRF 14/2004 – Dispõe sobre a tributação das atividades do sistema de locação conjunta de unidades imobiliárias denominado de pool hoteleiro.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa dos tributos segundo as normas aplicáveis às pessoas jurídicas em geral.01. Assim.R. são isentos de tributação (art. seja o mesmo decorrente de autuações próprias ou da SCP. seguem as normas gerais aplicáveis aos pagamentos efetuados por pessoa jurídica aos seus sócios. art.P. – SOCIEDADE EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO – Provado nos autos: i) que no contrato celebrado entre as partes constam elementos que caracterizam a sociedade em conta de participação. Recurso provido por unanimidade.134 em 07.08. SOCIEDADE EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO.2000. transcrevemos a seguinte decisão administrativa: Ementa: I. (1º Conselho de Contribuintes / 8ª. 89 90 art.

Na diferenciação entre investir em um Fundo de Investimento Imobiliário ou de Renda Fixa temos que este paga IR regressivo de 22. ele deve ser pessoa natural. onde o investidor paga uma alíquota de 27. na aquisição de imóveis prontos. Há ainda outro atrativo: é possível vender parte das quotas sem precisar mexer no investimento total. os FII’s. se um investidor possuir R$ 100 mil aplicados diretamente num imóvel e necessitar de R$ 20 mil para fazer comprar um carro. 92 n. ele precisará vender o imóvel. são veículos de investimento coletivo formados a partir da captação de recursos por meio do sistema de distribuição de valores mobiliários. especialista da coinvalores. Os FII’s são regulamentados pela Comissão de Valores Mobiliários – CVM. nem todos os FII estão listados em Bolsa. a isenção de IR (conforme o caso) e a maior liquidez.ex. (fonte: IsTO É Dinheiro em 12/01/2006). tanto no preço dos papéis quanto no pagamento de dividendos. ou seja. que é determinada pelas características do FII. da Instrução CVM nº 205/94 e regras posteriores. da Lei nº 9. da venda das quotas ou. aos quotistas. na dissolução do fundo com a venda dos seus ativos e distribuição proporcional do patrimônio aos quotistas. para o investidor usufruir da isenção do imposto. Para quem não quer se envolver diretamente na administração do investimento e pretende alguma segurança. O investimento em ações requer muita disciplina. se no final de 6 meses o fundo não tiver vendido as quotas para realização do empreendimento. No entanto a CVM não garante que o investimento seja seguro ou rentável. a comercialização depende da existência de compradores e vendedores dispostos a negociar. 93 FGV DIREITO RIO 61 . instrumentos financeiros. explica sérgio Belleza. as vantagens são.a. Assim. O estudo de viabilidade econômica deve ser feito pelo próprio investidor a partir dos dados do prospecto de lançamento das quotas. de Renda Variável paga 15% de IR com isenção até 20 mil/mês. “a bolsa é a porta de saída mais eficiente para o investidor que queira se desfazer do investimento. como a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) e a Sociedade Operadora do Mercado de Ativos (Soma). Além disso. que isentou a alíquota de 20% de Imposto de Renda. Os recursos provenientes podem ser aplicados no desenvolvimento de empreendimentos imobiliários. para posterior alienação. já que as negociações destas quotas no mercado secundário ocorrem num ambiente pouco transparente: o mercado de balcão. Criados em junho de 1993.. com o limite mínimo de 50 quotistas. locação ou arrendamento. é o local “onde se opera com ativos. sem dúvida.668/93. O prospecto.5% sobre o valor dos aluguéis e indiscutivelmente possuem menor liquidez do que os fundos. que estava em aplicação financeira. O retorno do capital investido se dá através da distribuição de resultados. p. ou no investimento em projetos que viabilizem o acesso à habitação e serviços.5% a 15% sobre o ganho dependendo do prazo da aplicação. cada investidor não pode deter mais de 10% das cotas ou dos rendimentos totais do fundo. pois é a única forma de ele ter certeza de que o preço é justo”. ou. É a CVM que verifica se o fundo cumpre as normas legais para sua existência. terá que devolver o dinheiro. p. pegar a quantia estipulada (20 mil) e então escolher outra forma de investir os R$ 91 Também conhecido como “over-the-counter”.779/99. dentro das normas legais e de autoregulação previstas em lei e regulamentos” (Dicionário de Finanças do site da BOVEspa).a. os fundos imobiliários são uma boa opção. e.ex. o fundo imobiliário tem que estar listado em Bolsa93. que autoriza seu funcionamento e faz o acompanhamento de seus demonstrativos financeiros. quando for o caso. os FII’s se tornaram mais atraentes. que é verificado pela CVM. deve ter informações econômicas suficientes para a tomada de decisão do investidor. em mercado de balcão91 onde a negociação não gira somente em torno de ações de sociedades de capital aberto. pois o investidor precisa acompanhar de perto se aquela sociedade em que investiu está dando o retorno esperado. títulos e valores mobiliários não negociados em bolsas. Em relação a investir diretamente em um imóvel. a definição do valor da quota se dá em razão da sua atratividade. Porém. na construção de imóveis. nos termos da Lei nº 8. não permite resgate das quotas92. Com a aprovação da “MP do Bem” transformada na Lei 11. a aprovação da “mp do Bem” serviu de estímulo para que as administradoras de FII coloquem seus produtos no Bolsa.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa dos papéis que podem ser negociados em mercados organizados.196/05. É um fundo fechado. n.

a negociação para a venda de quotas tem que ser realizada no mercado secundário. os FLAT’s. Para os investidores de menor porte. as negociações (compra e venda) de quotas do FII Torre Almirante. tendo sido planejado e construído com a mais alta tecnologia. apesar de os FII’s terem suas carteiras de investimentos constituídas por imóveis ou por direitos relacionados a imóveis. O reajuste do aluguel é anual. A distribuição primária. dividida em três tranches. Assim como os FII’s. O FII Torre Almirante foi lançado em 21 de junho de 2004. e – HYBRID REIT’s: Misturam as duas estratégias (híbridos). um imóvel localizado na Avenida Almirante Barroso nº. ou seja. Os rendimentos são pagos até o 10º dia útil de cada mês. com aplicação mínima de R$ 1. o administrador. com a venda de todas as 104. 96 O mercado secundário corresponde à negociação de títulos e valores mobiliários onde os investidores compram e vendem ativos entre si. títulos imobiliários. Também são isentos do pagamento de alguns impostos. no centro do Rio de Janeiro. o FII tenha maior liquidez. Embora. – MORTGAGE REIT’s: Formados por hipotecas e outros tipos de financiamentos concedidos a compradores de imóveis. Entretanto. Se esses R$ 100 mil estiverem aplicados num fundo imobiliário. Os rendimentos provenientes do aluguel do imóvel são rateados entre os quotistas e distribuídos mensalmente. em especial. os REIT’s são condomínios que agregam recursos para investir na área imobiliária.asp. A rentabilidade para os investidores virá dos aluguéis pagos pela locatária ao Fundo. pelo conceito de tipo de investimento: – EQUITY REIT’s: São aqueles que investem em imóveis. elevado grau de transparência. O cliente acompanhará os seus rendimentos nos extratos mensais enviados pela CBLC – Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia.caixa.a. somente. depois de deduzidas as despesas de responsabilidade do fundo. geralmente voltados para a renda. Essa negociação é realizada na Bolsa de Valores de são paulo (BOVEspa). Investir na aquisição de imóveis é uma tradição brasileira possível. a Petróleo Brasileiro S. Nos Estados Unidos. não tem compromisso de garantir recompra das quotas. Tem como lastro o Edifício Torre Almirante. analisaremos o caso do investimento em FII’s do setor hoteleiro.3% da área bruta locável do imóvel. gov. com base no IGP-M. FGV DIREITO RIO 62 . pois como os FII são “fundos fechados”. comparado a um imóvel. os FII’s são conhecidos como REIT (Real Estate Investment Trust) e foram criados na década de 60. Para elucidar o disposto acima. claro que o investidor poderá encontrar dificuldade para a venda de suas quotas. portanto. depois de encerrada a emissão primária. podendo ter em suas carteiras imóveis. Em setembro de 2004. que será administrado pelo Banco Ourinvest S/A. podemos citar dois exemplos: – Fundo de Investimento Imobiliário Torre Almirante95. 94 95 Fonte: http://www.700 quotas disponíveis. Representam a maioria do mercado. os FII’s significam a possibilidade de entrar no mercado imobiliário devido à pulverização do valor do empreendimento em quotas vendidas a preços acessíveis. a partir daí. renováveis pelo mesmo período. Na cidade do Rio de Janeiro. onde corretores negociam as quotas em nome dos quotistas dispostos a vender ou comprar. ambiente “mega Bolsa”. ele poderá negociar algumas de suas quotas em quantidade suficiente para alcançar o valor desejado94. ela não é imediata. O prédio possui 36 andares. a propriedade de quotas não confere aos seus titulares a propriedade sobre os imóveis que integram o patrimônio do Fundo ou sobre fração ideal específica destes imóveis.br/voce/produtos/fundos_de_investimento/fundos_imobiliarios/asp/torre_almirante. através de leilões (call) no ambiente Mega Bolsa da BOVESPA – Bolsa de Valores de São Paulo. O mercado secundário96 teve início em 07/06/2005. entre outros.000. que é uma instituição financeira. entre eles o Imposto de Renda. 81. passaram a ser realizadas diariamente.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa 80 mil restantes. Estas classes têm grande parte de seus investimentos concentrada nesses ativos.A. foi concluída em 16/05/2005. n.00. – PETROBRAS firmou contrato para locação de 99. etc. para as classes A e B. possuindo. pelo prazo de 60 meses. mobilizando bilhões. São classificados em três tipos. hipotecas.

7º e 8º da Lei 5. Isso porque o rendimento é sempre rateado entre os proprietários das quotas. que. A promessa de venda de bens a varejo mediante oferta pública e com recebimento antecipado. 101 Em face da propaganda. 33. dependente de prévia autorização do Banco Central. em localização privilegiada. sem prévia autorização nos termos dos arts. Os proprietários das quotas dividem os custos e os lucros. assim. podendo superar de 50% a 100% o valor da locação residencial. ficando a cargo do sócio ostensivo a responsabilidade pelos custos dessa conversão. parcial ou 100 Isso acontece porque as unidades são “vistas” como um só grupo e a receita de cada investidor vem do índice de ocupação de todo o conjunto. muitas pessoas procuram incorporadoras no intuito de adquirir um flat para residir (e não alugar = investimento). é possível comprar um bom flat. parágrafo único. onde proíbe a atividade irregular em questão.768.070. atividade essa integralmente regulamentada por legislação específica. art. de 20 de dezembro de 1971. de modo a preservar o poder de compra dessas parcelas. na verdade.. e 33 da Lei 8. O tamanho médio dos flat’s acompanha o dos quartos de hotel. sujeita os responsáveis às sanções previstas na Lei n.º 8. conferindo ao investidor maior rentabilidade. A comprovação dessa prática por pessoas. ou III – dissolver os grupos já formados. com a nova redação dada pela Lei n. constitui-se de práticas abusivas rotineiras de mercado..06. e todos recebem pela média de ocupação do empreendimento. entre 28 m² e 30 m².609. Um outro problema enfrentado. é o capital a ser liberado pelo sócio ostensivo para o cumprimento do fim social. que tenha como público-alvo o cliente que se hospeda por pouco tempo. carecem de amparo legal. que objetivem a aquisição de bens de qualquer natureza. levadas a cabo por sócio ostensivo de sociedade em conta de participação.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa Adquirindo quotas de um fundo de investimento imobiliário. Os preços dos aluguéis de flat normalmente são elevados. editou o Comunicado BCB nº 9.177. fundo mútuo e outras formas associativas assemelhadas. O problema é que muitas incorporadoras não informam ao interessado que aquele imóvel faz parte de um fundo imobiliário e que. que chega a 19% ou mais do valor da prestação. de seguro. ele não estará adquirindo a propriedade do imóvel. Os sócios participantes também pagam um percentual. 7° e 8° da Lei n° 5. será exercida pelo Banco central do Brasil. fazendo crer que se trata de um fundo imobiliário. elas funcionam como uma espécie de “consórcio”. até que. haja vista a desnecessidade da escritura de compra e venda. e é fundamental que tenham bons serviços e estruturas modernas. no que se refere às operações conhecidas como consórcio.. de fundo de reserva. despesas gerais e taxa de administração. Na prática acontece assim: mediante a celebração de contratos denominados “Instrumento Particular de Adesão à Sociedade por Conta de Participação”. dependendo da localização do imóvel e da infra-estrutura de serviços e lazer. são transferidas ao Banco central do Brasil as atribuições previstas nos arts. de 20 de dezembro de 1971. segundo as seguintes alternativas: I – solicitar ao Banco central do Brasil autorização para administrar grupos de consórcio. transferindo-os para administradoras de consórcio autorizadas pelo Banco central do Brasil. reduz-se o risco de perdas com desocupação ou inadimplência e garante-se um retorno. naturais ou jurídicas. mas garantida. O lucro da aplicação é proveniente do aluguel do imóvel.º 5. de 1 de março de 1991.177/91.691/88. no prazo prometido. talvez menos expressivo – considerando o desconto com o pagamento de impostos. o investidor passa a ter uma receita mensal variável. constituição e funcionamento de grupos organizados por meio de sociedades em conta de participação e que visam a aquisição de bens. para a formação de um fundo social mediante o pagamento de prestações com valor pré-estabelecido. consiste na formação de “Sociedades em Conta de Participação”. na verdade. a fiscalização das operações mencionadas neste artigo. que é dividido entre os investidores. a partir de 1° de maio de 1991. Como o fundo é formado por um sistema de quotas. Com isso. não importando se uma unidade específica foi ou não ocupada. 102 FGV DIREITO RIO 63 . descobre que nada vai receber e. inclusive a aplicação de penalidades. II – converter os grupos já formados para a modalidade de consórcio de imóveis. Dessa forma. Esse fundo. infelizmente. a incorporadora. inclusive.2002101. de 12. em vez de vender os apartamentos. que fere de morte os direitos do consumidor e. de 7 de dezembro de 2001. Vislumbrando a facilidade na “aquisição” do flat e não se importando com a sua metragem. esclarecemos que tais práticas. verifica que entrou em uma sociedade em conta de participação e não terá ressarcimento do que pagou. fogem da fiscalização do Banco Central. o sócio ostensivo capta recursos financeiros dos consumidores (que são os sócios participantes). 33102 da Lei n. ao ler o contrato. por um valor bem inferior ao preço de um apartamento. informamos que as empresas que vêm arregimentando grupos para as operações acima configuradas deverão regularizar sua situação de imediato. mas como oficialmente são sociedades em conta de participação. embutido na prestação mensal. coloca várias quotas à disposição dos investidores. consoante o disposto na circular 3.768. não autorizadas a funcionar conforme o art. a título de taxa de admissão e de administração. garantindo-se os direitos dos atuais participantes aos valores já desembolsados.º 7. O consumidor paga várias prestações. para captação antecipada de poupança popular destinada à aquisição. construção ou reforma de imóveis ou de outros bens. Em verdade. mesmo que o seu flat não tenha sido usado em determinado mês100.768/71103.

708 de 1919 encontra-se revogado pelo Código Civil de 2002 que trouxe profundas mudanças para as sociedades limitadas108.º 3.. pg.. responsabilidade limitada ao fundo com que concorreu. – Com a falência do sócio ostensivo. O legislador brasileiro. b) proibição de realizar tais operações durante o prazo de até dois anos.100. sancionou lei semelhante. Seguindo este modelo. 107 108 inclusive a nova expressão: “sociedade limitada” e não mais “sociedade por quotas de responsabilidade limitada”. também. 328 do código comercial). que deverá ser habilitado no passivo falimentar105. 105 Entendemos como desvantagem apesar de na legislação comercial (art. 9ª edição. em 1892. mediante autorização do comitê. as contribuições do sócio oculto serviam para o pagamento de credores. inciso II. ir contra um bem afetado à SCP (haja vista não existir separação entre o patrimônio do sócio ostensivo e da SCP perante terceiros). Algumas vantagens na constituição de uma Sociedade em Conta de Participação. responsabilidade de cada sócio pelo valor da quota subscrita e responsabilidade subsidiária e solidária de todos pelo pagamento da quota não integralizada. sem prévia autorização. – Falta de instrumento escrito e de publicidade não a desnaturam. do respectivo preço.708/19. Com base nas private companies inglesas. 117. o Decreto n. E como desvantagens: – Possibilidade de um credor do sócio ostensivo. baseou-se no modelo português quando.º 3. – Pode ter caráter permanente. A partir de então. a aplicação das penalidades previstas nesta lei não exclui a responsabilidade e as sanções de natureza civil e penal. Apesar de resumir-se em 18 artigos. configura atividade abarcada pela norma do artigo 7. 7º: a) multa de até cem por cento das importâncias previstas em contrato.º 5. uma legislação supletiva das omissões do contrato social”107. que invocava expressamente. aplicáveis separada ou cumulativamente: (. prometer publicamente realizar operações regidas por esta Lei.768/71. assim. visto que somente o montante investido na composição do capital social seria alcançado por terceiros.. adquirindo. a título de taxa ou despesa de administração. o sócio oculto não poderia nem se habilitar na falência como credor. ao comerciante era garantida a não afetação de seu patrimônio particular por dívidas contraídas pela sociedade. por meio do Decreto n. – Responsabilidade apenas do sócio ostensivo. nas sanções previstas neste artigo quem. que necessitavam garantir seu patrimônio pessoal de forma que não fosse alcançado por dívidas da sociedade. criou um tipo societário intermediário entre a sociedade de capital e a de pessoas106. deverão adequar-se à nova legislação através do seu contrato social bem como cumprir uma série de exigências antes aplicáveis somente às Sociedades por Ações. art 17.. a realização de operações regidas por esta Lei. Ou seja. 12. josé Edwaldo Tavares Borba in Direito societário. sujeita os infratores às seguintes sanções. com a falência do sócio ostensivo.708/19 foi bastante criticado pela doutrina “e tinha na lei das sociedades anônimas. art. o que tornava a sua interpretação e aplicação muito flexíveis. qualquer saldo apurado em favor do sócio participante terá a natureza de crédito quirografário. 106 É a chamada: Gesellschaft mit Beschänkter haftung. nos têrmos das respectivas legislações. As sociedades limitadas que já existem. em 1901. recebidas ou a receber. da precitada Lei n. FGV DIREITO RIO 64 . A criação da sociedade por quotas de responsabilidade limitada atendeu aos interesses dos comerciantes da época. Portugal. introduziu em nosso ordenamento jurídico as sociedades por quotas de responsabilidade limitada. Incorre. – Mobilidade no ingresso e saída dos sócios. 103 104 art. nela prevendo um capital e valor mínimo de cada quota. diferente de uma Sociedade de Propósito Específico – SPE.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa total. o contrato não se resolverá de pleno direito pois como estará sujeito às normas da Lei 11. que é constituída para a realização de um negócio determinado e se extingue após a consecução. são: – Facilidade em atrair sócios capitalistas que não desejam “aparecer”.) II – nos casos a que se refere o art. O Decreto nº 3. Os contratos bilaterais não se resolvem pela falência e podem ser cumpridos pelo administrador judicial se o cumprimento reduzir ou evitar o aumento do passivo da massa falida ou for necessário à manutenção e preservação de seus ativos. em desacordo com as normas aplicáveis. haverá a possibilidade do Administrador mantê-lo104. – Com a falência do sócio participante. Renovar/2004. o legislador alemão. parágrafo único.º.101/05 (LRE). SOCIEDADES LIMITADAS. – Possibilidade de o sócio participante contribuir para o negócio com mão-de-obra e/ ou conhecimento técnico.

4. aproveitando que estas não estão submetidas ao regime de publicidade. mas que merecem um exame com um pouco mais de atenção.346. 109 Fonte: http://www.: necessidade de aprovação anual do balanço. fechamento do capital e transformação de sociedades anônimas em limitadas. sendo as Sociedades Limitadas responsáveis por 98.288 (51.br 111 FGV DIREITO RIO 65 .3%) são Sociedades Limitadas e 20. este chega a 4. com o respectivo registro na Junta Comercial ou no Registro Civil de Pessoas Jurídicas). 4.731. na forma original ou mediante o processo de aquisição do controle de companhias abertas. Segundo dados estatísticos do DNRC – Departamento Nacional de Registro do Comércio109. – Apesar das modificações inseridas pelo Código Civil de 2002 que engessou a sociedade limitada.569. Tratam-se fundamentalmente das sociedades em nome coletivo e das sociedades em conta de participação. Por ser uma estrutura societária sem muita complexidade e com baixo custo de manutenção. pois lhe é vedada a emissão de valores mobiliários para captação de recursos no mercado. através de empréstimos bancários.com. Algumas vantagens na constituição de uma Sociedade Limitada: – Modelo societário é conhecido da doutrina e da jurisprudência com boa fonte de direito para solução das controvérsias. cooperativas: 21.dnrc. no período de 1985 a 2005. dos 8. sua estrutura é pouco complexa e de baixo custo para manutenção. acarretando em despesas próprias para a atenção de tais regras (ex. pois são excelentes veículos para a concretização de negócios.2%) são referentes à atividade de Empresário. – Estrutura ao alvedrio das regras de direito societário. outros tipos: 4.534. a Sociedade Limitada é aquela que tem seu capital dividido em quotas e na qual a responsabilidade dos sócios é limitada ao valor de suas quotas. 1.257 (48. em regra. – Tipo societário viável também para grandes empresas.ibcbrasil. – A movimentação de ingresso e saída de sócios não é simples. segundo o qual os credores de um dos sócios não podem promover a liquidação da(s) quota(s) deste sócio enquanto a sociedade estiver em vigor. E como desvantagens: – Não tem muita facilidade de financiamento de suas atividades.080 (0.1%110 dos registros. e cujo nome empresarial deve necessariamente constar o termo “limitada” ou sua abreviação “ltda”. No entanto. As sociedades em nome coletivo apresentam como novidades o fato de somente pessoas naturais poderem ser sócias e a exigência que os seus administradores (gerentes.602.043 do Código Civil. Analisando somente o registro de sociedades. 1. sendo solidária.22%) são Sociedades Anônimas. – A responsabilidade dos sócios é limitada ao montante do capital social.9% e as demais. a principal novidade das sociedades em nome coletivo encontra-se no art. gov. na terminologia anterior ao Código Civil) sejam também pessoas naturais. teXto: as soCiedades em nome CoLetiVo e em Conta de partiCipação Como estratégias de negóCios. Sobre os negócios é compartilhada pelos sócios.300.890 registros realizados.br sociedade anônima: 20.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa Em linhas gerais.111 Há alguns modelos societários – mantidos pelo Código Civil de 2002 – que costumam passar despercebidos. a sociedade limitada é a forma jurídica mais utilizada para atuação da pequena e média empresa.915.080. 110 autor: josé Gabriel assis de almeida – 25/nov/2005 – Fonte: www. enquanto não integralizado o capital social. O acesso ao crédito se dará.

Preventivamente. no seio do patrimônio do sócio ostensivo. 1. seguro e não burocrático de captar recursos ou distribuir resultados.043 do Código Civil. 1. em regime de comodato ou locação. em obediência ao disposto no art. sendo todos os negócios com terceiros realizados sob o nome do sócio(s) ostensivo(s). Enquanto isso. Neste caso. Assim. Caso o novo empreendimento venha a ser mal sucedido e – seja por que motivo for – os credores consigam responsabilizar o empresário. 994 do Código Civil. as contribuições do(s) sócio(s) participante(s) e do sócio(s) ostensivo(s) irão constituir um patrimônio especial. deles podendo usufruir o empresário. os terceiros credores do sócio ostensivo (ainda que por créditos estranhos à atividade desenvolvida pelo sócio ostensivo em prol da sociedade em conta de participação) poderão penhorar e promover a alienação desse patrimônio especial. é fácil vislumbrar a seguinte situação: Um empresário deseja se lançar num novo empreendimento. por exemplo) para atuar como sócia ostensiva. esta especialidade patrimonial não é oponível a terceiros. para posterior pagamento dos credores. da sociedade em nome coletivo. considera esse empreendimento incerto. e integraliza o que subscreveu transferindo a esta sociedade os seus bens pessoais que pretende preservar. 1. pela sociedade. encontrarão no ativo do empresário quotas da sociedade em nome coletivo. no Cartório do Registro Civil das Pessoas Jurídicas ou no Cartório de Registro de Títulos e Documentos. Assim. devendo aguardar o término – que o empresário terá o cuidado de fixar a longuíssimo prazo. ao estabelecer a exceção acima mencionada (impossibilidade de liquidação da quota do sócio a pedido dos credores particulares deste sócio) implica que a(s) quota(s) do sócio devedor estão a salvo da ação dos credores. tendo um sócio uma dívida particular. Contudo. não desejando arriscar o seu patrimônio pessoal. a sociedade em conta de participação não está sujeita a inscrição no Registro Público de Empresas Mercantis. Com os ativos que não se encontram na sociedade em nome coletivo. por razões diversas. No entanto. o empresário – antes de dar início ao novo empreendimento – constitui uma sociedade simples sob a forma em nome coletivo. Essa liquidação significa que. Ou seja. a sua parte na sociedade será apurada e o valor correspondente à mesma será depositado judicialmente. FGV DIREITO RIO 66 . A regra do art. os credores não poderão promover a liquidação dessas quotas. no ativo do empresário. o empresário constitui então uma sociedade limitada ou uma sociedade anônima através da qual irá realizar o novo empreendimento. recebendo as contribuições dos sócios participantes. A sociedade em conta de participação é composta por um ou mais sócios ostensivos e por um ou mais sócios participantes.026 do mesmo Código segundo o qual os credores de um dos sócios podem requerer judicialmente a liquidação da(s) quota(s) do sócio. Esta sociedade não constitui uma nova pessoa jurídica.043 do Código Civil. Deste modo. os bens pessoais serão substituídos por quotas da sociedade em nome coletivo. subscreve o capital da mesma. Já a sociedade em conta de participação é um meio rápido. os bens transferidos à sociedade em nome coletivo permanecem intactos. Mais ainda. sendo em seguida o devedor excluído da sociedade.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa Esta regra é uma exceção ao disposto no art. uma forma de solucionar este obstáculo é constituir uma sociedade de propósito específico (sob a forma de sociedade limitada. a sociedade em conta de participação tem duas grandes vantagens: (i) a celeridade de sua constituição e (ii) o sócio participante não é conhecido por terceiros. Nos termos do art. No entanto.

os sócios respondiam pessoalmente. xxxx Uma delas diz respeito à sociedade em nome coletivo. isso porque. E. certamente. pelo NCC. uma leitura atenta do texto legal. Para tanto. Este tipo societário ficou um pouco esquecido com o advento das sociedades por quotas de responsabilidade limitada (agora denominadas. na formalização das relações jurídicas existentes entre uma instituição de ensino (sócia ostensiva) e os professores (sócios participantes). nesse período. em razão das dívidas da sociedade.g. determina o art. A maior utilidade das sociedades em nome coletivo. ainda que essa responsabilidade fosse solidária. os lucros apurados por sociedades em nome coletivo brasileiras e distribuídos aos sócios domiciliados em certos países. José gabriel assis de almeida sócio de J. em comandita e de capital e indústria. Assim. na construção e administração de um shopping center. de forma ilimitada e subsidiária. dos sócios nada mais poderia ser exigido. Na sociedade em nome coletivo. a sociedade por quotas de responsabilidade limitada apresentava uma enorme vantagem em comparação com a sociedade em nome coletivo. pelas dívidas contraídas pela sociedade perante terceiros. Desta forma. assis de almeida & associados – advogados doutor em direito pela universidade de paris ii professor adjunto da uerJ e da uni-rio O novo Código Civil têm inúmeros detratores e críticos. uma vez integralizada a totalidade do capital social. as sociedades em nome coletivo continuaram a serem constituídas. os sócios somente respondiam. pelas dívidas da sociedade. As breves notas aqui lançadas são apenas um alerta para que os empresários e executivos possam compreender que o direito – através de mecanismos perfeitamente legais e legítimos – permite viabilizar diversos negócios. perante terceiros. principalmente na parte relativa ao Direito de Empresa. por exemplo. de sociedades limitadas). qual seja: a limitação da responsabilidade dos sócios perante terceiros. no Brasil. no período entre 1985 e 2001 foram constituídas. também apelidado de “Constituição do Cidadão Comum” revela que o NCC tem também diversas agradáveis surpresas. 3.043 que: “O credor particular de sócio FGV DIREITO RIO 67 . eram considerados – pelas legislações desses países – como rendimentos não sujeitos a tributação. Assim. No entanto. durante muitos anos a Gillete do Brasil adotou a forma de sociedade em nome coletivo. era o aproveitamento dos benefícios fiscais. teXto 2: as bahamas são aQui: as soCiedades em nome CoLetiVo e o noVo Código CiViL. Já nas sociedades por quotas de responsabilidade limitada.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa A sociedade em conta de participação pode ser utilizada para negócios tão diferentes quanto para assegurar a participação de terceiros (sócios participantes) na exploração de uma jazida mineral. Ocorre que o NCC conferiu uma nova vantagem – e das mais importantes – à sociedade em nome coletivo. até o montante total do capital social. o novo Código Civil tem inúmeros defeitos.1. No entanto.500 sociedades de tipo em nome coletivo. Tanto é que as estatísticas do DNRC (Departamento Nacional de Registro de Comércio) indicam que.

titular de uma quota. certamente tentarão. Isto significa que as quotas do sócio de uma sociedade em nome coletivo não podem ser penhoradas. Por outro lado. o mercado de balcão organizado da Bovespa. notÍCias reLaCionadas. o interesse dos demais sócios e da própria sociedade em serem preservados da intervenção de terceiros. o NCC acabou por resolver um conflito de interesses> Por um lado. mês anterior à isenção. A solução do NCC foi em favor do interesse dos demais sócios e da própria sociedade. via desconsideração da personalidade jurídica ou outro instrumento de efeito equivalente. na medida em que. de maneira que. antes de dissolver-se a sociedade. então. Esta regra impõe. Portanto. o interesse dos credores particulares do sócio em receber o seu crédito. após esgotado o patrimônio da sociedade limitada. penhorarem a parte dos haveres sociais que for atribuída ao sócio da referida sociedade em nome coletivo. os quais deverão verificar. um maior rigor aos credores. ano 2 – n° 4 – abril/2006. Este dispositivo cria um interessante e importante instrumento para a preservação do patrimônio. reservando a parte que irá investir no empreendimento. os bens pessoais do empreendedor estarão protegidos sob a titularidade da sociedade em nome coletivo. quota essa que. então. sócio. os credores dessa sociedade. antes de se lançar num negócio. antes de conceder o crédito. da qual o empreendedor é. 112 FGV DIREITO RIO 68 . do que senão aguardarem uma eventual dissolução e liquidação dessa sociedade em nome coletivo. Negociação no mercado secundário aumenta após a isenção do Imposto de Renda A negociação de cotas de Fundos de Investimento Imobiliário (FII) aumentou de forma significativa desde que os ganhos obtidos com essa forma de aplicação tornaram-se isentos do Imposto de Renda (IR). esses bens do empreendedor consistirão apenas numa quota da sociedade em nome coletivo. nada mais restará aos credores do sócio em questão. credores particular de um sócio. por força do art. qual (quais) a (s) participações societárias do devedor. a título de integralização do capital social dessa sociedade em nome coletivo. o empreendedor poderá constituir uma sociedade em nome coletivo. fundos imobiliários ganham liquidez112.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa não pode. uma outra sociedade. foram realizados 229 negócios com cotas de fundos no Soma. Em fevereiro Fonte: Bfix – Boletim do mercado de Renda Fixa. Os credores particulares do sócio serão obrigados a aguardarem a dissolução e liquidação da sociedade em nome coletivo para só. Nesta sociedade limitada. para a realização do empreendimento.1. pretender a liquidação da quota do devedor”. No entanto. o empreendedor constituirá. O FII é considerado renda variável e é negociado no Mega Bolsa. Se os negócios da sociedade limitada correrem desfavoravelmente e esta vir a falir. Após regularmente constituída a sociedade em nome coletivo e transferido o patrimônio pessoal. por sua vez. Com efeito. em virtude de dívidas pessoais contraídas por esse sócio. penhorar os bens pessoais dos sócios da sociedade limitada. o empreendedor investirá a parte do seu patrimônio destinada ao empreendimento. isto é. provavelmente uma sociedade limitada. Em outubro de 2005.042 do NCC é impenhorável. este transferirá à sociedade em nome coletivo o seu patrimônio pessoal. xxxxx Com este dispositivo. assim. pelos credores desse sócio.

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passado, o número de negócios nesse ambiente alcançou 294 e, em março (até o dia 20), ficou em 223. O volume financeiro também registrou alta expressiva: de R$ 8,7 milhões em outubro para R$ 13,7 milhões em fevereiro e R$ 7,1 milhões até 20 de março. Dos 64 fundos do mercado, 17 são registrados na Bolsa. O benefício tributário vale para as pessoas físicas que obtiverem ganhos em aplicações feitas em FII com pelo menos 50 cotistas, e cujas cotas sejam negociadas no mercado secundário (na Bolsa ou no mercado de balcão organizado). Os resultados alcançados pelos FII em 2005 e as perspectivas para o mercado financeiro imobiliário foram temas da 3ª Reunião de Fundos Imobiliários realizada pela Apimec-SP e pela Bovespa, no dia 23 de março. “Estamos promovendo esforços para a divulgação e o aprimoramento dos fundos imobiliários para trazer mais transparência e liquidez ao mercado secundário”, afirmou o superintendente-geral da Bovespa, Gilberto Mifano. Alguns pontos da legislação ainda precisam ser aprimorados, afirmou Rodrigo Machado, diretor do Brazilian Group. Dentre eles, a necessidade de reformulação da Instrução CVM 205/94, que regulamentou os fundos; a possibilidade de as quotas de FII servirem para que os bancos captadores de poupança cumpram a exigibilidades de poupança; e o fim do enquadramento das quotas de FII como investimento em imóveis por parte dos fundos de pensão. JurisprudênCia. DUPLICATA. EMISSÃO POR FORNECEDORA DE MOBILIÁRIO CONTRA O PROPRIETÁRIO DE UNIDADE AUTÔNOMA DE EDIFÍCIO. SOCIEDADE EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO. RESPONSABILIDADE PERANTE TERCEIROS. SÓCIO OSTENSIVO. “Na sociedade em conta de participação o sócio ostensivo é quem se obriga para com terceiros pelos resultados das transações e das obrigações sociais, realizadas ou empreendidas em decorrência da sociedade, nunca o sócio participante ou oculto que nem é conhecido dos terceiros nem com estes nada trata. ” (REsp nº 168.028-SP). Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, provido. (REsp 192.603/SP, Rel. Ministro BARROS MONTEIRO, QUARTA TURMA, julgado em 15.04.2004, DJ 01.07.2004 p. 197). SOCIEDADE EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. DISSOLUÇÃO. NOMEAÇÃO DE LIQUIDANTE. CITAÇÃO DA SOCIEDADE CONSTITUÍDA. INDENIZAÇÃO. 1. Não há violação aos artigos 458, II, e 535 do Código de Processo Civil quando o Acórdão recorrido está amplamente fundamentado, alcançando a demanda tal e qual posta pelo autor, então apelante. 2. Não há falar em citação da sociedade em conta de participação, que não tem personalidade jurídica, nem existência perante terceiros. 3. Afastando as instâncias ordinárias a indenização por falta de prova, não tem consistência o pedido de extinção do processo ao argumento de que teria a sentença, considerado o pedido inepto. 4. Justifica-se a nomeação, desde logo, do liquidante, diante da realidade dos autos, que demonstram a animosidade existente, embora no caso de sociedade em conta de participação, seja discutível tanto a dissolução judicial quanto a existência de liquidação e partilha, aspectos que não podem ser examinados, porque ausente recurso da parte interessada.
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5. Recurso especial não conhecido. (REsp 474.704/PR, Rel. Ministro CARLOS ALBERTO MENEZES DIREITO, TERCEIRA TURMA, julgado em 17.12.2002, DJ 10.03.2003 p. 213). grifamos Conflito de Competência. Ação de Procedimento Sumário Declaratório de Negócio Jurídico c/c Devolução de Quantia Paga e Indenização. Procedência do Conflito. Sociedade em Conta de Participação que não é considerada sociedade empresária. Competência das Varas Cíveis. Conflito que se conhece e se acolhe, declarando-se a competência do Juízo Suscitado, ou seja, o da 16º Vara Cível da Comarca da Capital. (2005.008.00464 – Conflito de Competência – Des. Renato Simoni – Julgamento: 29/11/2005 – Nona Câmara Cível. TJ/RJ). grifamos TRIBUTÁRIO. Negócio Fiduciário. Imposto de Transmissão Inter Vivos - ITBI. Transferência de Imóvel Para Constituição de Fundo de Investimento Imobiliário. Incidência do Tributo. Os fundos de Investimentos Imobiliários, conforme determina a própria Lei nº 8.668/93, são desprovidos de personalidade jurídica, razão pela qual o imóvel dado para a constituição do fundo é transferido para a Instituição Administradora em caráter fiduciário. Tal operação não se encontra ao abrigo da imunidade tributária prevista no art.156, § 2º, I da Constituição Federal por não ser possível falar em constituição de patrimônio de pessoa jurídica em realização de seu capital social. O que essa lei chama de quotas está distante do que se entende por cota social. O titular de quotas do Fundo de Investimento Imobiliário não tem a mesma relação de participação que haveria entre sócio e sociedade. As tais quotas estão mais próximas em sua natureza das ações, já que são negociadas em ambiente de Bolsa de Valores. Contudo, não se pode conceber analogia entre um Fundo despersonalizado e uma Sociedade Anônima, constituída nos estritos moldes da Lei 6.404/76. Ainda que se ultrapassasse esse argumento, o pleito de imunidade sucumbiria à norma contida na parte final do mesmo inciso I, do §2º, do art. 156, da Constituição. Observa-se que a imunidade não alcança aqueles que realizam capital com transmissão de bens imóveis, quando é constatada como atividade preponderante do adquirente a compra e venda desses bens ou direitos, locação de bens imóveis ou arrendamento mercantil. Como foi exaustivamente demonstrado na peça inicial, o escopo da constituição de um Fundo Imobiliário é justamente esse tipo de atividade, ou seja, investir em imóveis comerciais e industriais de alto padrão de acabamento, destinados à locação de longo prazo. São as chamadas operações built to suit (construir para servir), que se pode traduzir pela construção de um imóvel segundo especificações expressas do inquilino. Assim sendo, tanto por um fundamento, quanto por outro, não se constata a tênue possibilidade de a apelante ser alcançada pelo benefício da imunidade conferida pela Constituição. Desprovimento do recurso. (2003.001.26635 - APELACAO CIVEL. DES. SERGIO CAVALIERI FILHO - Julgamento: 05/02/2004 - SEGUNDA CAMARA CIVEL. TJ/RJ) Questões de ConCurso 29º EXAME DE ORDEM – SEÇÃO DO RIO DE JANEIRO – 1ª FASE – DIREITO COMERCIAL. PROVA OBJETIVA. 40 – A inscrição do contrato social no órgão competente confere capacidade jurídica às sociedades, exceto à: a) Sociedade em comum;
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b) Sociedade simples; c) Sociedade em nome coletivo; d) Sociedade em conta de participação. 27º EXAME DE ORDEM – SEÇÃO DO RIO DE JANEIRO – 2ª FASE – DIREITO COMERCIAL. PROVA DISCURSIVA. 6 – Comente a pertinência da presente afirmação: “À luz do artigo 985 da Lei 10406/2002 (Código Civil), o registro do contrato social de uma sociedade em conta de participação confere-lhe, a partir de então, personalidade jurídica, sendo que os atos anteriores ao registro somente produzem efeitos entre os sócios, não podendo, contudo, a falta de registro ser oposta a terceiros.” 26º EXAME DE ORDEM – SEÇÃO DO RIO DE JANEIRO – 2ª FASE – DIREITO COMERCIAL. PROVA DISCURSIVA. 6 – A e B são sócios em uma sociedade limitada (Ltda) e pretendem participar de uma sociedade em nome coletivo. Caso não desejem fazê-lo em seus próprios nomes, podem A e B colocar a sua sociedade limitada para figurar como sócia na sociedade em nome coletivo da qual querem tomar parte? Justifique e indique o(s) dispositivo(s) legal(is) pertinente(s). 126º EXAME DE ORDEM – SEÇÃO DE SÃO PAULO – 1ª FASE – DIREITO COMERCIAL. PROVA TIPO 1. 47. A liquidação de uma sociedade em conta de participação (A) é regida pelas normas relativas à prestação de contas. (B) se dá somente por decisão judicial. (C) será eficaz apenas quando arquivada no registro de comércio. (D) exige aprovação em assembléia especialmente convocada para essa finalidade. PROVA OAB/MG - EXAME DE ORDEM - ABRIL/2006 94ª Questão: Assinale a alternativa INCORRETA: a) A Sociedade em Nome Coletivo somente pode ter como sócios pessoas físicas; b) A Sociedade em Conta de Participação adquire personalidade jurídica com o registro no órgão próprio; c) Na Sociedade em Comandita Simples a responsabilidade dos sócios em relação às obrigações sociais depende da categoria por eles ocupada no quadro societário; d) A Sociedade em Comandita por ações pode adotar firma ou denominação social, apesar de sua proximidade com a Sociedade Anônima.

PROVA CONCURSO PúBLICO/4ª REGIÃO JF - JUIZ FEDERAL JANEIRO/2008 76ª Questão: Dadas as assertivas abaixo, assinalar a alternativa correta quanto à empresa, ao empresário e às sociedades simples e às empresárias. I. A empresa é uma atividade exercida pelo empresário, não pressupondo a existência de uma sociedade, podendo ser desenvolvida pelo empresário unipessoal. II. A sociedade simples distingue-se da sociedade empresária, pois naquela inexiste
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a) Estão corretas apenas as assertivas I e IV. III. d) Estão corretas todas as assertivas. IV. Há identidade entre os conceitos de empresário e sócio da sociedade. sendo a sociedade cooperativa um de seus exemplos.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa uma organização de bens materiais e imateriais (intelectuais) e recursos humanos. c) Estão corretas apenas as assertivas I. II e III. voltados para a produção sistemática da riqueza. b) Estão corretas apenas as assertivas II e III. Podem ser empresários os menores de 18 anos. FGV DIREITO RIO 72 .

A Sociedade Anônima é um instrumento jurídico muito importante para a economia. 1º da Lei nº 6. Fábio Ulhoa Coelho. conferindo mobilidade e liquidez ao capital investido. tem. 5ª edição.I. São Paulo/2005. – Classificação: Companhia Aberta e Companhia Fechada – breves comentários. Saraiva. São Paulo/2004. – Páginas 130 a 132 do O Direito de empresa à luz do novo Código Civil.404/76 determina expressamente que. atraindo principalmente a pequena e a média empresa por sua forma e constituição simplificada e a limitação da responsabilidade dos sócios. Vol.A. Ricardo Negrão. Essa sociedade de capital permite aos sócios negociarem livremente seus títulos.A. Sérgio Campinho. a responsabilidade dos sócios também é limitada ao capital social tendo em vista que o art. pois permite a captação de investimento na poupança popular para a aplicação em grandes empreendimentos. seu eventual prejuízo é adstrito ao valor pago pelos títulos no mercado de ações. como Sociedade Limitada. FGV DIREITO RIO 73 .113 Assim. Leitura CompLementar – Páginas 358 a 360 do Manual de Direito Comercial e de Empresa.II. ementário de temas – Sociedade Limitada – Sociedade Anônima – breves comentários – Diferenças: LTDA e S. Renovar/2005. Vol. roteiro de auLa A sociedade por quota de responsabilidade limitada. – Por que utilizar a S. nesta espécie societária. 113 na sociedade anônima. o capital é dividido em ações nas quais a responsabilidade dos sócios é limitada ao preço de emissão das ações subscritas ou adquiridas. e por que utilizar a LTDA. desde sua criação até os dias atuais. 7ª edição. sem a necessidade de consentimento dos demais sócios. ou seja. Saraiva. uma enorme aceitação no meio empresarial. 4ª edição. sem que o investidor se responsabilize pessoalmente pelos negócios da companhia. Nesta aula discutiremos a leitura do(s) seguinte(s) capítulo(s): – Páginas 357 a 372 do Curso de Direito Comercial. vimos que as sociedades limitadas representam hoje a grande maioria das sociedades registradas em nosso país. sobretudo em virtude de dois fatores: a garantia dos sócios contra os indesejáveis efeitos patrimoniais que ocorriam nas sociedades ilimitadas do antigo Código Comercial e a simplificada forma de sua constituição (ao contrário da estrutura complexa das sociedades por ações).ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa AUlA 08: A OPÇÃO PElO MODElO SOCIEDADE lIMItADA EM CONtRAPONtO AO MODElO SOCIEDADE POR AÇõES Na aula passada.

º 6.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa diferenças entre Ltda e s.404/1976. exigem uma alta soma de recursos. Enquanto que na sociedade limitada. § 2º nenhuma distribuição pública de valores mobiliários será efetivada no mercado sem prévio registro na comissão de Valores mobiliários. saraiva/2004. considera-se aberta a companhia cujos valores mobiliários estejam admitidos à negociação na bolsa ou no mercado de balcão. à sociedade anônima não coube escolha. Quando de pessoas. é importante mencionar que enquanto foi conferida à sociedade limitada a opção de utilizar firma social ou denominação como nome empresarial. Já o modelo da Sociedade Limitada pode ser amplamente utilizado. Vol. No que se refere à responsabilidade dos sócios. e sim. segundo as espécies e classes dos valores mobiliários por ela emitidos negociados no mercado. será classificada como uma “Companhia Fechada”. art. Lei n. sem negociação em bolsa de valores ou mercado de balcão. há uma diferença relevante. Enquanto que o Código Civil apresenta uma estrutura mais simples para a sociedade limitada. uma vez que no Brasil a Sociedade Unipessoal só é admitida como exceção. 4º para os efeitos desta Lei.º 6. não tendo maior relevância a pessoa do sócio. depende de um mecanismo jurídico que viabilize a captação deles junto aos investidores em geral117”. Assim. a Lei nº 6. O modelo da Sociedade Anônima é interessante para grandes empreendimentos que suportem a estrutura exigida pela lei. por sua vez.385/1976. a companhia é aberta ou fechada conforme os valores mobiliários de sua emissão estejam ou não admitidos à negociação no mercado de valores mobiliários. a. 117 FGV DIREITO RIO 74 . A sociedade pode ser de pessoas ou de capitais. por isso. 7ª ed. art. aos resultados econômicos que ela pode gerar. o sócio responde pela integralização do capital social (não importa o valor de sua cota. o importante é o objeto social. pág. § 3º a comissão de Valores mobiliários poderá classificar as companhias abertas em categorias. Essa situação é muito comum como já vimos no caso do “sócio de palha”. será classificada como uma “Companhia Aberta114” e será submetida ao controle e fiscalização da Comissão de Valores Mobiliários – CVM115. até a formada por vários sócios e movimentando valores elevados. cabe ressaltar que existem diferenças na estrutura de ambas. Se a sociedade anônima pretender negociar suas ações no mercado de valores mobiliários (mercado aberto ao público). 114 Do contrário. e especificará as normas sobre companhias abertas aplicáveis a cada categoria. A sociedade limitada pode adequar o seu contrato social com característica de sociedade de pessoas ou de capital. A forma de “capital aberto” é fundamental para as sociedades que desejam negociar na Bolsa de Valores e que tenham como grande objetivo a captação de recursos financeiros.II. se os títulos de uma sociedade anônima circulam de forma restrita. na Sociedade Anônima o sócio só responde pelo valor das ações que subscreveu. só responderá pelo que se obrigou.66. Nas palavras de Fábio Ulhoa Coelho: “Há atividades econômicas que. Por fim. § 1º somente os valores mobiliários de emissão de companhia registrada na comissão de Valores mobiliários podem ser negociados no mercado de valores mobiliários. Lei n. as companhias de capital aberto são aquelas de maior porte116 ou que desejam captação maior de recursos. onde o interesse dos sócios não está voltado para a sociedade em si.404/1976 traz inúmeras exigências para o funcionamento das Sociedades Anônimas. Além disso. 22. pelo seu porte. enquanto que na Sociedade Anônima não haverá possibilidade de escolha. 115 116 O custo para cumprir as formalidades exigidas em lei para o ingresso e permanência da companhia com suas ações no mercado é bastante alto. in curso de Direito comercial. o sócio se obriga pelo valor total constante no contrato social). valoriza a qualidade pessoal do sócio. que acabam por dificultar sua criação e administração. desde a composta por dois sócios e com baixo faturamento. a Limitada também pode se apresentar como subterfúgio para o Empresário Individual. e a exploração delas. Por outro lado. Já na sociedade de capital. Geralmente. será sempre de capital. devendo esta ser identificada sempre por denominação. não importa o valor total constante no Estatuto.

mas sim a “devedor”. de ordem pública.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa Caso H. sendo o preço estipulado com base no último balanço aprovado. FGV DIREITO RIO 75 . cujas ações são de propriedade. e comportando incidente processual quanto aos efeitos jurídicos dos negócios entabulados pelo cônjuge varão à revelia do cônjuge virago.A. em sua maioria. INDEPENDE DE DILAÇÃO PROBATÓRIA. INVENTÁRIO DE BENS POR SEPARAÇÃO JUDICIAL. COMPETÊNCIA DO JUÍZO DE FAMÍLIA PARA APRECIAR A QUESTÃO. por ato atentatório à dignidade da Justiça. RESGUARDADA A MEAÇÃO DA EX-MULHER POR MEDIDA ACAUTELATÓRIA DE SEPARAÇÃO DE CORPOS E ARROLAMENTO DE BENS. aduzindo que o ingresso de terceiros deverá ser autorizado pelos demais acionistas. 600 do código de processo civil.Stern. DECLARAÇÃO DE INEFICÁCIA DOS NEGÓCIOS JURÍDICOS SUBJACENTES À SEPARAÇÃO DO CASAL. DIVERGÊNCIA. não podendo ser interpretado ampliativamente para alcançar a execução de toda ordem emanada do Poder Judiciário. a exemplo da ação de inventário por separação judicial combinada com partilha. III . QUE APESAR DE CERCADA POR CONTROVÉRSIA JURÍDICA. inclusive.a sanção prevista no art. I . HOMOLOGAÇÃO DO ESBOÇO DE PARTILHA. terá o ex-cônjuge direito a ingressar no quadro societário da H. admitindo a discussão de prova documental a respeito de fatos incontroversos. da família Stern. a) O mecanismo é suficiente? b) E se o modelo societário adotado fosse de uma sociedade limitada? A solução seria a mesma? c) Na hipótese de separação de um dos acionistas. HAVIDOS EM FRAUDE À MEAÇÃO. podendo ser suscitada e discutida a qualquer tempo e grau de jurisdição. em geral.a competência em razão da matéria é pressuposto de validade da relação processual. II . HOMOLOGAÇÃO DO ESBOÇO DE PARTILHA. O estatuto social traça um mecanismo para evitar o ingresso de estranhos no quadro societário sem a anuência dos demais acionistas. em face da preclusão pro judicato. é uma sociedade anônima de capital fechado.a ação de inventário por separação judicial é o leito próprio para apreciação de questões jurídicas surgidas após a separação de fato do casal. controlá-la? JurisprudênCia PROCESSO CIVIL. restando disposto que deverão ser oferecidas as ações do retirante aos demais acionistas. desde que não seja renovada perante o mesmo grau de jurisdição. mas tão somente aquelas derivadas nas ações de execução estrito sensu. AÇÃO DE PARTILHA JUDICIAL POR DISSOLUÇÃO DA SOCIEDADE CONJUGAL. podendo. ALIENAÇÃO FRAUDULENTA DE AÇÕES ORDINÁRIAS NOMINATIVAS DA EMPRESA APÓS SEPARAÇÃO DE FATO.Stern Comércio e Indústria S. mas solução de natureza doutrinária e jurisprudencial. REGIME DE COMUNHÃO UNIVERSAL DE BENS. Da mesma forma tratam do exercício do direito de retirada. tem seu campo de incidência nas ações de execução. que não é matéria fática de alta indagação. apesar de não mais se referir a “executado”.

Somente às 18h30 ela faria a entrada triunfal na sede da empresa. 2ª Turma Cível do Tribunal de Justiça do Distrito Federal. Helena dispensou o almoço. Helena Abib Rezende acordou às 9 horas na sexta-feira 30 de abril para enfrentar uma jornada inesquecível. com medo de uma liminar de última hora”. onde os produtos da marca mineira Rezende tinham forte penetração. “Litígios predatórios reduzem grandes patrimônios a pó”. o ex-marido. assumir a gestão e o controle acionário da Granja Rezende. estavam em jogo uma fortuna avaliada em R$ 436 milhões e o controle acionário da Granja Rezende. Até lá. a Granja Rezende foi incorporada pela saDIa. ganham fortunas e transformam o divórcio num tormento para as empresas. a saDIa adquiriu 90% das ações da Granja Rezende s. com 42% das ações. em especial na região centro-Oeste.com/ edic/19990712/soci1. um dos maiores grupos alimentícios do país. (APC-5246299/DF. Disputas prolongadas também geram fortunas para advogados. DJ 16/02/2000 p. Em 2002. Hoje ela controla um grupo de 4 mil funcionários e faturamento previsto de R$ 1 bilhão em 2002.. peritos e consultores. os demais 10% ficaram com a Fundação Rezende. ex-funcionária pública. autor do livro Quando o Amor Acaba na Justiça. recorda-se. Aos 57 anos. No caso Rezende. acabava de se tornar controladora do grupo. Tomou o café com leite e torradas.globo.várias as formas através das quais se pode prejudicar o cônjuge ou a companheira com atos praticados sob o manto pseudo-protetivo da empresa”. Depois de esperar duas décadas por uma sentença favorável. instalada numa sala de diretoria. Estava pronta para embarcar rumo a Uberlândia. Disponível em: http://epoca. patrimônio estimado em R$ 185 milhões – quatro vezes o que recebeu a princesa Diana ao se divorciar do príncipe Charles. na companhia de dois advogados.000. a opção mais próxima em seu guarda-roupa do que seria o figurino de uma executiva. suspendendo-o do cargo de diretor-presidente da empresa. três meses depois.por serem “.a.htm 118 no final de 1999. a dona de casa mineira. cuja pensão alimentícia é de R$ 571. alerta o advogado Luiz Fernando Gevaerd. o julgador deve ser preocupar em trilhar “caminhos para se chegar a decisões que fujam ao ‘faz de conta”. O valor da transação foi de R$ 134.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa IV . por Eliane Trindade. No vôo. O próximo embate ocorrerá em setembro. Naquela tarde. Só então abriram-se as portas do negócio milionário para a ex-mulher. 20). a nova diretoria tentará conseguir capital de giro e prorrogar empréstimos de curto prazo com os credores. encarou uma ducha rápida e não teve dúvidas na hora de escolher o que vestir: um conjunto bege... Ansiava pelo lance decisivo de uma batalha judicial que começara 25 anos antes.000. Helena enfrentou o vaivém das liminares nos últimos três anos. UNÂNIME. A Justiça ainda aplicou multa de R$ 72 milhões a Alfredo Rezende. foi um importante passo para a expansão dos negócios da saDIa no país. A escalada foi áspera. com o julgamento do último recurso de Alfredo. 119 FGV DIREITO RIO 76 . Chegou ao topo do ranking das partilhas de bens no Brasil.00 (cento e trinta e quatro milhões de reais). Decisão: DAR PARCIAL PROVIMENTO A AMBOS OS RECURSOS. as custas do processo superam R$ 70 milhões119. REJEITADAS AS PRELIMINARES À UNANIMIDADE”. NANCY ANDRIGHI em 18/10/1999. notÍCias reLaCionadas Lucros e perdas do desamor118 mulheres enfrentam ex-maridos nos tribunais. Por volta das 21 horas. com sede em uberlândia. até a 5a Vara de Família em Brasília garantir-lhe a tutela antecipada das ações. o maior dos quais é o Banco do Brasil. saiu vitoriosa da assembléia de acionistas. criada e administrada ao longo dos últimos 39 anos pelo empresário Alfredo Júlio Rezende. Os três deixaram Brasília ao meio-dia. Grifamos. Relatora: DES. Fonte: Revista Época. “Passei a tarde inteira bebendo cafezinho e fumando.

abastecida de muita raiva. Há três semanas. era. Com um sorriso malicioso. Calculou o custo de uma doméstica e de uma babá ao longo de três décadas. considerado um dos empresários do século. uma usina de cifras estratosféricas. na mansão no Lago Sul em Brasília. Lorna partiu para o ataque com uma calculadora na mão. na época da quebradeira do Bamerindus. E assim por diante. A pretexto de FGV DIREITO RIO 77 .fazendas. Mais US$ 1. Achou miserável a recompensa financeira pelos anos de dedicação a casa. Nos finais de semana. A ex do executivo da GE fez escola. o Bamerindus sofreu intervenção e acabou vendido ao HSBC.1 milhões. “A do BC e agora a dele para cima de mim!” Estimam-se em R$ 30 milhões as sobras da fortuna de Andrade Vieira. além de amargar a condição de sem-banco. Tânia roubou o espetáculo. tem nos calcanhares uma ex-mulher. “Eu confirmo”. ela pode destituir diretores. “Não quero ver o nosso patrimônio desviado para terceiros”. Os divórcios entraram na pauta das grandes empresas. Na quinta-feira. imóveis. lembrando-se dos tempos de vacas gordas. Acrescentou os ganhos médios que teria conseguido caso se dedicasse à carreira de professora de Música. os Andrade Vieira estão longe de uma solução amigável. sem folga. compareceu sem convite à CPI dos Bancos. contas no Brasil e no exterior. Pedro Malan. Começam a compreender os labirintos da Justiça e colocam em cena uma categoria de causar calafrios ao mundo dos negócios: a esposa corporativa. ex-ministro e ex-dono do Bamerindus. as ex-mulheres parecem dispostas a tudo para proteger o quinhão. Tânia avoca direitos sobre o que restou do patrimônio do ex-marido. aparteou em voz alta quando um senador perguntou se Andrade Vieira mantivera contatos com Marcos Malan. ela vai brigar pela divisão de R$ 15 milhões. abandonada em conseqüência do casamento. esbraveja. indigna-se. A General Electric. Menos tímidas que suas mães e avós. depois da perda do banco e da indisponibilidade de parte do patrimônio. A aparição intempestiva deixou o depoente trêmulo e os senadores constrangidos. Lorna e Gary resolveram duelar depois de 32 anos de casamento. para assistir ao depoimento do marido. Até os jantares oferecidos ao presidente Fernando Henrique. “Eu o ajudava 24 horas por dia. Tânia faz mistério. Diante de um batalhão de advogados. vender participações a grupos rivais e tumultuar conselhos de administração. José Eduardo Andrade Vieira. irmão do ministro da Fazenda. Emagreceram: em 1997. não chegou a balançar diante da esposa corporativa.segundo homem da empresa e provável substituto do todo-poderoso Jack Welch.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa Quando a roupa suja começa a ser lavada em público. não pretende renunciar aos bens que escaparam à intervenção do Banco Central. “Eu enfrentei duas intervenções!”. Chegou a US$ 2. A precisão dos cálculos e dos argumentos convenceu o juiz: Lorna levou US$ 22 milhões. recebia os convidados dele para jantares e reuniões. enumera Tânia Vieira. ela não concordou em receber os US$ 8 milhões oferecidos pelo ex. Na condição de sócia. preparava recepções. uma das maiores empresas do mundo. atendia a telefones. uma secretária-executiva”.alusão a supostas namoradas do ex-banqueiro. viu-se no meio do embate matrimonial entre Lorna e Gary Wendt . O império General Electric. Separados de fato há um ano. Retirada a parte que cabe aos filhos. enfim. aos filhos e à preparação de impecáveis recepções para executivos e clientes. Tânia semeia ressentimentos e colhe notoriedade. Depois de 24 anos de casamento e quatro filhos. corrige: “Terceiras” . a sangria financeira é inevitável.5 milhão. computando horas extras devotadas aos negócios dele. os advogados de Tânia ingressaram no fórum de Curitiba com o pedido de separação e estão prontos para a guerra. Um seminário realizado há dez dias em São Paulo reuniu uma platéia de 150 homens de negócios. serão incluídos entre as provas. mas seus advogados estão levantando tudo . mas fortunas menores não resistem à infiltração dos ódios conjugais.

O romantismo latino atrapalha tudo”. é a criação de holdings para administrar o patrimônio pessoal de sócios e herdeiros. não são partilháveis. de São Paulo. O melhor é prevenir”. contratado por Chiquinho Scarpa para defendê-lo das garras esmaltadas da ex-mulher. FGV DIREITO RIO 78 . de Família e Sucessões. à frente de um tradicional escritório especializado em Direito de Família.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa discorrer sobre o tema Proteção de Bens. Seu colega carioca Luiz Fernando Gevaerd vai mais longe. A futura esposa queria casar-se em regime de comunhão universal.” Os brasileiros bem aquinhoados começam a sintonizar uma tendência comum entre americanos e europeus: a adoção do pacto pré-nupcial. representante de Tina. resume Neves. restou à ex-condessa brigar por pensão alimentícia. deverá sair a primeira decisão sobre o caso. só faltou fazer voto de pobreza antes do novo casamento. dividir é martírio e subtrair uma compulsão. parte do fantástico patrimônio imobiliário da família. coisa de Primeiro Mundo. Nem sempre paraísos fiscais resolvem a pendenga. somar é possível. “Chiquinho chegou com o documento quando os convites já estavam distribuídos e o vestido de noiva pronto”. “Perdi um tempo precioso que nenhum juiz poderá devolver”. sugere a ricos e pobres encarar de frente o lado material do casamento. “As pessoas se esquecem que casamento é uma comunhão de afetos e interesses. na Área Societária. freqüente nos grandes grupos econômicos. diz o advogado Taltíbio Araújo. não dá para falar em separações de bens. Tenta faturar algum por conta própria: lançou o livro A Condessa que Virou Princesa. Conhece de cor a aritmética do coração: quando existe amor. vendido a R$ 9. Mora numa bela mansão em Brasília. choraminga. maior feira de informática do país. constata. no segundo matrimônio. Outra saída. “O pacto foi assinado sob pressão.” jura Carola. Os dois formalizaram um pacto. tenta provar na Justiça que ele enviou ao exterior uma fortuna de R$ 16 milhões. Em agosto. que angariou milhões de dólares e driblou um clássico golpe do baú. Anna Elmira luta com dois cunhados pela parte do patrimônio que caberia ao finado – algo em torno de R$ 100 milhões. Tina Bauer. “Ela quer metade do que Max deixou de declarar”. “Ainda é tabu no Brasil falar em pacto. com quem viveu por seis anos. dono da Fenasoft. num paraíso fiscal. o advogado paulista Newton Oliveira Neves forneceu exemplos práticos de como salvar empresas de ataques especulativos do mercado matrimonial. diz. explica o advogado Marco Antônio Fanuchi. cujas ações são incomunicáveis. “Criar a holding é uma forma de proteger os bens em futuras relações”. Pede R$ 100 mil por mês. Carola. em Florianópolis. O caso se arrasta em fóruns de Brasília e Minas Gerais. cujo escritório realiza uma dezena de reestruturações societárias por ano. irrita-se. “Os acordos tornam-se quase impossíveis”. quer continuar morando no apartamento em bairro nobre de São Paulo e retomar o carro importado. que há 26 anos briga com os cunhados pelo espólio do marido. O papel não evitou a baixaria no desenlace. O advogado Sérgio Marques da Cruz Filho. Entre os casos mencionados aparece o de um comerciante de sucesso (Neves omitiu seu nome). O empresário antecipou a partilha de 50% dos bens para os filhos e transferiu a outra metade do patrimônio para uma empresa off-shore. Fausto Salomão ilustra a lentidão da Justiça nas partilhas. Sua história foi lembrada pelo senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) na sessão de abertura da CPI do Judiciário. Quando bate o ódio. “No auge do amor. O caso da viúva Anna Elmira.90 o exemplar. Prova disso é a separação de Max Gonçalves. Ou seja. lembra o advogado. Tributária. Sem nada em seu nome. bem em frente ao Centro Comercial Gilberto Salomão. Sem direitos sobre os bens dos Scarpa. “Teria escrito um épico se contasse toda a minha vida”. pouco antes do matrimônio principesco. A briga vai se estender por décadas.

um caso rumoroso envolve o clã dos Matarazzo. estimada em R$ 175 milhões. Quando ainda era instrutor de natação. Após a separação. Aconselhado pela advogada Priscila Corrêa da Fonseca. A ex-namorada deve ser uma aplicada discípula de Ivana Trump. Uma ex-namorada entrou com uma ação de partilha. Thierry Roussel. não escapou incólume. É um caso raro de generosidade pós-separação. Morreu em 1988. Seu último companheiro. a mais cara no Brasil até o caso Rezende. Mesmo assim. No Brasil. Os boatos não tardaram. casou-se no ano passado com Carlos Madrulha. filha do armador grego Aristóteles Onassis. A herdeira do império. Fique com tudo”. Madrulha deixa claro: casou-se com separação de bens. Hábil operador de influências políticas. Ao se separar do milionário americano Donald Trump. Maria Pia. FGV DIREITO RIO 79 . ficou milionário e separou-se. Outra herdeira célebre. Para afastar qualquer suspeita de interesse. o ex-senador abriu de novo a carteira. tornou-se um bilhete premiado nas mãos de ex-maridos. estimativas de algumas das partilhas mais caras e rumorosas dos últimos anos. acabou seu quarto matrimônio no final dos anos 80. Colocadas nos pratos de uma balança. acumulou US$ 73 milhões só em presentes oferecidos depois de cada briga do casal. ela terá tudo”. placar milionário No Brasil e no mundo. À frente de três holdings e de um patrimônio de R$ 1 bilhão. Suas ações estão a salvo. Gilberto Miranda se resguarda. com base na nova lei da união estável. Rafael Lopez-Cambil. Golpe do baú não é prerrogativa feminina. levou 50% dos negócios dela. prima de Chiquinho. Ele teria ameaçado revelar segredos comerciais do conglomerado.. Acusou o ex-marido Roberto Calmon Barreto de tentar extorquir US$ 2 milhões. o pintor Pablo Picasso. o ex-marido.. “Enquanto tiver dinheiro. vocifera. Miranda aceitou casar-se com separação total de bens. as tradições dos Scarpa valem menos que o baú do novo-rico. e o ex-senador Gilberto Miranda. em clima de denúncia. a loura cobriu-se de diamantes e deu a receita infalível para um divórcio milionário: “Não fique com raiva. Bem-sucedida empresária do ramo de cosméticos e administradora do espólio do pai. referindo-se à partilha entre Iza e o banqueiro Júlio Bozano. “O meu acordo saiu mais caro do que o do Bozano”. Queria também metade das obras de arte que ela herdara. garante Miranda. a mais temida nos fóruns de Família. A apresentadora Ana Maria Braga. seu guarda-costas. Barreto negou tudo. levou dinheiro suficiente para ficar à toa até hoje”. Paloma Picasso tornou-se uma legítima representante das vítimas da ganância conjugal. aos 38 anos. celebrado em 1976 entre Analícia Scarpa. ela pagou a conta depois de 20 anos de convivência. completa.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa A família Scarpa ostenta um caso anterior e bem-sucedido de pacto pré-nupcial. mais raros. dona de um dos maiores salários da televisão. Casada em separação de bens. Analícia não tem do que reclamar: continua a desfrutar dos milhões do pai de suas duas filhas. Christina Onassis. Maridos também mordem. Não conseguiu. Maria Pia não cedeu às pressões do marido e ainda o acusou de manter um romance com a arrumadeira da mansão. “Aquela v. há casos em que ricas ex-mulheres pagam a conta.

R$ 2. Partilhas concluídas: Iza x Júlio Bozano . d) sociedades limitadas. d) A sociedade anônima não mais existe desde vigência do atual Código Civil.US$ 80 milhões Marianne x Kenny Roggers .US$ 50 milhões Diana x Príncipe Charles .US$ 26 milhões Lorna x Gary Wendt . seu capital é dividido em ações suscetíveis de transferência. não tendo a relevância a pessoa de seus detentores”. b) sociedades anônimas.US$ 60 milhões Ivana x Donald Trump . c) sociedades em comandita simples. b) A sociedade anônima é sociedade empresária.R$ 45 milhões Gláucia x Ipoty Ioschpe . ou seja. PROVA CONCURSO PúBLICO/MG . c) A sociedade anônima é regida pelo Código Civil.US$ 112 milhões Cindy x Kevin Costner .US$ 22 milhões Jerry Hall x Mick Jagger .PROCURADOR DO MUNICÍPIO JUNHO/2008 67ª Questão: É CORRETO afirmar que são sempre sociedades simples: a) cooperativas.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa no brasiL.US$ 50 milhões Demi Moore x Bruce Willis .R$ 185 milhões no mundo. Esta definição se aplica à : A) Sociedade em nome coletivo FGV DIREITO RIO 80 . 22) “Sociedade de capital constituída por frações com titularidade móvel e impessoal.5 milhões Helena x Alfredo Rezende .R$ 175 milhões Lisiane x Sérgio Prosdócimo .R$ 17 milhões Edna x Olacyr de Moraes .US$ 150 milhões Questões de ConCurso PROVA OAB/MG .R$ 78 milhões Evelyn x Daniel Ioschpe .EXAME DE ORDEM .AGOSTO/2007 73ª Questão: Marque a alternativa CORRETA. CONCURSO PARA JUIZ DO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO ESPÍRITO SANTO (2003). Partilhas concluídas: Amy Irving x Steven Spielberg . a) A sociedade anônima é sociedade não personificada.

ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa B) Sociedade anônima C) Sociedade limitada D) Sociedade em comandita simples E) Sociedade de capital e indústria FGV DIREITO RIO 81 .

– Texto: “A morte da limitada. não dependendo da aprovação dos demais. Leitura CompLementar – Capítulos 15 e 16 do Manual de Direito Comercial e de Empresa. os sócios irão compor o instrumento pelo qual a pessoa jurídica irá se estabelecer. Renovar: Rio de Janeiro/2004. Saraiva: São Paulo/2005. obviamente. Já nas sociedades de capital o que ocorre é o inverso. esta última. Ricardo Negrão. – Ingresso e Retirada. Aprendemos que nas sociedades de pessoas. 10 E 11: SER SóCIO DE UMA SOCIEDADE lIMItADA Em virtude da atribuição de personalidade anotada no art. a pessoa do sócio é mais importante que a contribuição material que este realiza para a sociedade. Saraiva/2004. tão somente. – Páginas 99 a 107 do Direito Societário. No caso da sociedade limitada. Saraiva: São Paulo/2005. José Edwaldo Tavares Borba. proprietários de quotas ou ações da sociedade. Neste caso. Assim. Nestas aulas discutiremos a leitura do(s) seguinte(s) capítulo(s): – Páginas 350 a 360 e 374 a 378 do Manual de Direito Comercial e de Empresa. seu ato constitutivo FGV DIREITO RIO 82 . – As vantagens e desvantagens. com capacidade para adquirir direitos. a cessão da participação societária dependerá da anuência dos demais sócios. Fábio Ulhoa Coelho. o sócio pode alienar sua participação societária a quem quer que seja. Ricardo Negrão. o Fisco e a Justiça”. não se confundindo com a pessoa de seus sócios que são. a pessoa do sócio é irrelevante para a empresa explorada pela sociedade. ou seja. dependerá da aceitação dos outros sócios. Mediante um acordo de vontade. – Deveres e Direitos. 7ª edição. 44 do Código Civil. – Mecanismos de responsabilidade do sócio. o ingresso do sócio na sociedade. diretamente. deve ter capacidade para exercer os atos da vida civil (exceções na forma da lei).ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa AUlAS 09. contrair obrigações e ser titular de patrimônio próprio. roteiro A denominação de “sócio” é usada para nomear o membro da sociedade empresária que pode ser pessoa jurídica ou pessoa natural. a sociedade é compreendida como pessoa jurídica de direito privado (sujeito de direito). cujos interesses podem ser. – Páginas 357 a 370 e 398 a 419 do Curso de Direito Comercial. afetados. ementário de temas – Ser sócio de uma sociedade limitada.

Nesses casos. ou mesmo realização de operações societárias. 1. 129 art. para cuja prática concorreram com a administração da sociedade.055. Renovar/2004. 9ª edição. poderá exercer o direito de retirada. saraiva/2004. art. Com a desconsideração. a responsabilidade de cada sócio é restrita ao valor de suas quotas. desde que expressamente aprovada por ele123. Uma vez integralizado o capital social. – RESPONSABILIDADE PESSOAL DO SÓCIO: a) Por violação do dever de lealdade: O sócio responde por perdas e danos se aprovar alguma operação de interesse contrário ao da sociedade122. solidariamente. efetivamente. 1. 125 126 BORBa. pág. dnrc. FGV DIREITO RIO 83 .31.gov. cisão. d) Pela superavaliação de bens conferidos à sociedade para integralização do capital social125. celebração dos mais variados contratos empresariais. alguns envolvendo elevado grau de sofisticação jurídica. deverá preocupar-se em aferir o patrimônio da pessoa jurídica. – DIREITO DE RETIRADA: O sócio que não tem mais vontade de continuar na sociedade pode negociar suas quotas com os outros sócios ou junto a terceiros.responsabilidade pessoal e solidariamente124. – LIMITAÇÃO EXPRESSA: É necessária a inserção do termo limitada (ou abreviado “Ltda.080 do código civil. 121 art. 50 do código civil. mas todos respondem solidariamente pela integralização do capital social” e não apenas por suas quotas. “na sociedade limitada. ao contratar com a sociedade limitada. Inexistindo oposição de sócio com mais de ¼ do capital social129 e resolvendo a questão referente ao valor da quota. 7ª edição.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa denomina-se “contrato social” e seus sócios são chamados de “sócios-quotistas” uma vez que a contribuição para a formação do capital social recebe o nome de “quota”. De acordo com o art. e) Responsabilidade ilimitada nos casos de DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA127: A limitação da responsabilidade não traduz a falta de responsabilidade dos sócios. formaliza-se no contrato a substituição do sócio. 1. denominado também recesso ou dissidência.158 §3º do código civil.br art.052. Fábio in curso de Direito comercial. por meio da aquisição de quotas que se fará mediante uma alteração contratual. trazendo maior normatização e menor flexibilidade para as limitadas. 1. perante credores. caso contrário.057 do código civil. A retirada é o direito do sócio se des- 120 98.” ) no nome empresarial. b) Por participação em deliberação infringente do contrato social ou da lei. c) Na qualidade de Administrador . 1.9% dos registros de sociedades. sob pena da responsabilidade ilimitada121. – DISSOLUÇÃO PARCIAL. Assim. a sociedade limitada tem poucos sócios. respondem solidariamente pelo que faltar. os sócios ficam liberados de qualquer responsabilidade. e participam do dia-a-dia do negócio. “Muitas vezes. Entra o cessionário e sai o que cedeu as quotas. visto vez que. §1º do código civil. esta é a sua garantia.016 e 1. estes são de uma mesma família ou conhecidos. pág. Caso não consiga negociar suas quotas. como as de incorporação. uLHOa cOELHO.010 §3º do código civil. “Os sócios responderão. Normalmente. fusão. pela diferença entre o valor estimado e os parâmetros de mercado”126.017 do código civil.105. os interesses dos credores ou terceiros são indevidamente frustrados por manipulação na constituição de pessoas jurídicas. 122 123 124 art. entre elas: – RESPONSABILIDADE LIMITADA DOS SÓCIOS: desde que integralizado o capital social por eles subscrito. Fonte: http://www. o terceiro. o Código Civil prevê algumas formalidades. 127 128 art. Diante do grande número de sociedades limitadas registradas no país120. josé Edwaldo Tavares in Direito societário. 1. 1. os sócios respondem pessoal e ilimitadamente pelas dívidas sociais decorrente do ato ilícito. a consideração da autonomia da pessoa jurídica importa a impossibilidade de correção da fraude ou do abuso128”. tomando todas as decisões para o desenvolvimento da empresa sem muita formalidade. art. O ingresso do sócio na sociedade também poderá ocorrer durante a existência da pessoa jurídica.

será um balanço empresarial. b) Sendo a sociedade por prazo determinado e com regência supletiva pelas normas da sociedade simples.. 4º139 dever dos sócios Ao ingressar na sociedade. com seus bens pessoais.) III . e despesas. ou seja. O titular da firma individual e os sócios das empresas por cotas de responsabilidade limitada respondem solidariamente. tem o dever de integralizar a quota subscrita do capital social. 1. 135 art. gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa ligar dos vínculos que o une aos demais sócios e à sociedade. Consagra a regra do “recesso imotivado” na sociedade por prazo indeterminado. Desta forma. • Lei n. o direito de retirada só pode acontecer de “forma motivada”. previstas em leis especiais: • Código Tributário Nacional: art. Os acionistas controladores. 131 132 133 134 art. ou aprovada a participação da limitada em incorporação ou fusão131. apurados de acordo com o contrato social ou. 136 art. de alguma forma.031 do Código Civil. XX da constituição Federal da República de 1988. com seus bens pessoais. 13137. Isto é exemplo do mecanismo dos atos de constituição de pessoa jurídica.) § 5° Também poderá ser desconsiderada a pessoa jurídica sempre que sua personalidade for. art. respondem solidariamente com este nos atos em que intervierem ou pelas omissões de que forem responsáveis: (. 134. são pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei. estado de insolvência.620/1993 (altera dispositivos da legislação previdenciária) : art. 134. 130 art. na forma do art. a qualquer tempo. quanto ao inadimplemento das obrigações para com a seguridade social. 28. O juiz poderá desconsiderar a personalidade jurídica da sociedade quando. O exercício do direito de retirada (ou recesso) assegura ao sócio retirante o recebimento de seus haveres. encerramento ou inatividade da pessoa jurídica provocados por má administração. chamado de “balanço especial de determinação” e deverá levar em consideração o patrimônio empresarial da sociedade. adotando perfil capitalista. – DELIBERAÇÕES DOS SÓCIOS133 Exceções à regra da responsabilidade limitada dos sócios. houver abuso de direito. infração da lei. • Lei n. em outras palavras. III135. art.) VII .884/1994 (dispõe sobre a prevenção e a repressão às infrações contra a ordem econômica): art 18138. no silêncio deste.. nos casos de impossibilidade de exigência do cumprimento da obrigação principal pelo contribuinte. 13. em juízo.. para exercer o direito de retirada deverá ser comprovada judicialmente a “justa causa” (não cabe a dissolução parcial por retirada imotivada). (.078/1990 (Código de Política Nacional das Relações de Consumo): art. por ato unilateral de vontade... O sócio que não cumpre seu dever de integralizar a quota é chamado de sócio remisso140 e poderá ser cobrado pela sociedade. os administradores.077 do código civil. contrato social ou estatutos: (. parágrafo único. • Lei n. Trata-se da aplicação do princípio constitucional130 que proíbe qualquer pessoa de ser compelida a associar-se ou permanecer associada. Em se tratando da sociedade limitada com regência supletiva pelas normas da sociedade por ações. o sócio contrai a obrigação de “investir”. ou expulso.os sócios. nos termos do compromisso contratual assumido junto aos demais sócios. a) O art. fato ou ato ilícito ou violação dos estatutos ou contrato social. deduzidas as quantias correspondentes aos juros de mora. c) O “recesso motivado” cabe sempre que o sócio minoritário discorda de deliberação da maioria. mediante prévia notificação aos demais sócios com antecedência de 60 dias.085 do código civil. No caso da sociedade decidir por expulsá-lo. no caso de liquidação de sociedade de pessoas..072 do código civil. 5º. 1. em detrimento do consumidor.º 8. pelos débitos junto à seguridade social. • Lei n.. 135. por dolo ou culpa. 28136. Não há. 1. assim.º 8. – EXPULSÃO DE SÓCIO132 – LIQUIDAÇÃO DOS HAVERES: será apurada por meio de balanço especial.º 8. cláusula penal expressamente prevista no contrato social. caso tenha sido alterado o contrato contra a sua vontade.605/1998 (dispõe sobre as sanções penais e administrativas derivadas de condutas e atividades lesivas ao meio ambiente): art. negociação. 137 FGV DIREITO RIO 84 . VII134 e 135.029 está inserido no capítulo das sociedades simples e aplica-se à sociedade limitada em não havendo disposição contratual em sentido contrário (regência supletiva pelas normas da sociedade simples).os diretores. os gerentes e os diretores respondem solidariamente e subsidiariamente. excesso de poder. 1. que envolve elementos incorpóreos ou imateriais do fundo de empresa. a desconsideração também será efetivada quando houver falência. reservas sociais etc. seja na sua formação ou numa já constituída. art. art. deve restituir ao remisso as entradas feitas. obstáculo ao ressarcimento de prejuízos causados aos consumidores. 1.º 9. assegura ao sócio o direito de retirar-se.

192) art.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa O sócio também terá responsabilidade para com a sociedade e para com a coletividade por ela alcançada. (REsp 831. situações que acarretam a responsabilidade subsidiária dos representantes da sociedade. 4º poderá ser desconsiderada a pessoa jurídica sempre que sua personalidade for obstáculo ao ressarcimento de prejuízos causados à qualidade do meio ambiente. a sociedade não tem bens suficientes para a satisfação da obrigação. Caso gerador Camila é credora da Moto Racing Ltda. infração da lei. os sócios adquirem direitos inerentes a esta condição. a personalidade jurídica do responsável por infração da ordem econômica poderá ser desconsiderada quando houver da parte deste abuso de direito. você é procurado por Daniel. Desse modo. a desconsideração também será efetivada quando houver falência. DE SITUAÇÃO QUE ACARRETA A RESPONSABILIDADE SUBSIDIÁRIA DOS SÓCIOS. os mecanismos especiais de fiscalização da administração e hipóteses de retirada. DJ 30. contribuir para as deliberações sociais e retirar-se da sociedade. excesso de poder.000. direitos do sócio Por participarem do capital social. estado de insolvência. RESPONSABILIZAÇÃO PESSOAL. Min. Segundo a jurisprudência do STJ. a simples falta de pagamento do tributo e a inexistência de bens penhoráveis no patrimônio da devedora (sociedade por quotas de responsabilidade limitada) não configuram. Intentada ação de execução. Analisando o quadro societário. 20. 18. pois ela não deve ser assim visualizada. aos ditames da função social da empresa. Pablo é o administrador da sociedade. por si sós. 140 art. Qual será a consulta? c) Daniel terá direito a receber algo? d) Caso Daniel não tenha integralizado o valor referente as suas quotas. nem em tese. 2. na quantia de R$ 120. fixando residência em Matchu Pitchu. Rel. FGV DIREITO RIO 85 .004 do código civil. Daniel se apaixona por uma senhora de nacionalidade paraguaia e resolve se mudar para o Peru. Artur (30%) e Daniel (30%). POR SI SÓ. com a proposição de que sua atual paixão está disposta a pagar o que for para vê-lo livre de todas as suas obrigações no Brasil. PROCESSUAL CIVIL.2006. EXECUÇÃO FISCAL. Primeira Turma.00. 139 art. Em virtude dessa decisão. encerramento ou inatividade da pessoa jurídica provocados por má administração.06.06.2006 p. julg. Não pode tratar “como a minha empresa”. NEM EM TESE. é o contrato social que defini como se dará a distribuição dos lucros. 1. O capital social da sociedade é de R$ 100. extremamente importante à manutenção e desenvolvimento da economia. Recurso especial a que se dá provimento. assim. SÓCIO-GERENTE. 1. Neste caso. verifica-se que os sócios Pablo.000. NÃO-CONFIGURAÇÃO. atendendo. fato ou ato ilícito ou violação dos estatutos ou contrato social.00. Artur e Daniel têm participação no capital social da seguinte forma: Pablo (40%). parcialmente integralizado. comunica que não pretende mais permanecer associado. como por exemplo: participar do resultado social. a) Camila poderá alcançar o patrimônio pessoal dos sócios? b) Nessa mesma sociedade. haverá direito de reembolso de suas quotas? 138 JurisprudênCia TRIBUTÁRIO. mas sim como um foco irradiador de riquezas.380/SP. Teori Albino Zavascki. fiscalizar a gestão da empresa.

3. Eliana Calmon.2004. 200) DIREITO EMPRESARIAL E PROCESSUAL CIVIL.06. 2. desaparecendo sem deixar nova direção é presumivelmente considerada como desativada ou irregularmente extinta. julg. 117) RECURSO ESPECIAL. ADMINISTRAÇÃO DA SOCIEDADE EMPRESÁRIA.04. 25. Humberto Gomes de Barros. 3. Terceira Turma. 2. Quando a sociedade por cotas de responsabilidade limitada dissolve-se irregularmente. A empresa que deixa de funcionar no endereço indicado no contrato social arquivado na junta comercial. Rel. ou subsidiária. 1. Normalmente.2006 p. Rel. INCISO III. ESTADO DE SÓCIO. (REsp 757.08. Rel. OU SUBSIDIÁRIA.611/MA.2006. não é lícita a penhora das quotas sociais em execução movida contra a pessoa jurídica. A desconsideração da personalidade jurídica é artifício destinado à profilaxia e terapêutica da fraude à lei.05. Por isso. INVENTÁRIO. DO CTN. II. – Salvo em hipóteses taxativamente previstas em lei. II. Min. (REsp 537. RECURSO ESPECIAL – DÍVIDA DE SOCIEDADE LIMITADA – EXECUÇÃO FRUSTRADA – REDIRECIONAMENTO AOS BENS DE SÓCIO – ARTS. Imposição da responsabilidade solidária. estabelecida nos Arts. o patrimônio dos sócios não responde por dívidas da sociedade. Recurso especial conhecido e provido.2004 p. 135. 592. EXECUÇÃO. p/ Acórdão Min. DJ 12. 05.081/TO. – A transmissão da herança não implica a transmissão do estado de sócio. Tais artigos contêm norma em branco. 20. Nancy Andrighi. Segunda Turma. – A solução de controvérsias a respeito dos efeitos da cessão mortis causa de quotas na administração da sociedade empresária é matéria estranha ao Juízo do inventário.039/PR. PREVISTA EM LEI. julg. CESSÃO DE QUOTAS CAUSA MORTIS. E 596 DO CPC – RESPONSABILIZAÇÃO SECUNDÁRIA. e 596 do CPC.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa PROCESSO CIVIL E TRIBUTÁRIO – EXECUÇÃO FISCAL – SÓCIO GERENTE – REDIRECIONAMENTO – INTERPRETAÇÃO DO ART. 230). 1. 592. FGV DIREITO RIO 86 . 4. os bens do sócio não respondem por dívidas da sociedade. DÍVIDA DA SOCIEDADE DE RESPONSABILIDADE LIMITADA. julg. Apenas em casos previstos em lei deve ser aplicada a responsabilização secundária. PENHORA DAS QUOTAS SOCIAIS. Min. Terceira Turma. Min. Não podem – e não devem – ser aplicados de forma solitária. Por isso é que em ambos existe a expressão “nos termos da lei”. Min. Recurso especial provido. Humberto Gomes De Barros.2006. INEXISTÊNCIA DE QUALQUER HIPÓTESE QUE AUTORIZE A CONFUSÃO DOS PATRIMÔNIOS.2006. DJ 15. autorizando-se o redirecionamento. vinculada a outro texto legal. julg. PERTENCENTES AOS SÓCIOS. QUE EXIGE SITUAÇÃO ESPECÍFICA. DJ 23. Terceira Turma.08. 4. Rel. IMPOSSIBILIDADE. DJ 02. (REsp 800. impõe-se a responsabilidade tributária do sócio gerente.06.2006 p. Rel.04. Francisco Peçanha Martins. (REsp 401. 06.04.2006 p.865/SP. 482).

Em que pese o débito ter sido constituído pelo sócio majoritário da apelada. §§1º e 3º. 6. Sergio Lucio Cruz – Julgamento: 01/02/2006 – Décima Quinta Câmara Cível. Des.O balanço especial deve refletir um levantamento contemporâneo. (2005. incluindo os bens corpóreos e incorpóreos. (2006. a empresa poderá ser preservada atuando o sócio remanescente. a morte de um dos sócios não acarreta sua dissolução da sociedade. EM RAZÃO DE DIVIDA CONTRAÌDA PELO DE CUJUS. 4. e não os da empresa da qual era sócio. em hipótese alguma o imóvel deixará de pertencer à empresa apelada Não se pode confundir a pessoa jurídica da empresa. do qual não fez parte a recorrida. embora a matéria seja de direito e de fato. já que os bens da sociedade por cotas de responsabilidade limitada não se comunicam com os adquiridos pela pessoa física de seus sócios. nem partilha dos seus bens. se a dívida foi contraída pelo falecido. pelo contrato social. 8.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa DIREITO DE EMPRESA. liquidar-se-á com base nos valores reais da situação patrimonial da sociedade à data da resolução . A este último só faz jus o sócio que se dedicar à administração social. do CC/2002. grifamos EMBARGOS DE TERCEIRO. que o contrato social não pode nulificar ou obstruir. TJ/RJ). Assim. RECESSO DO SÓCIO MINORITÁRIO. autorizando o julgamento do mérito da causa . a fase instrutória já se encerrou. pois o que se está executando é o acordo firmado entre aquele e o ora apelante. são seus bens que devem garantir a execução.Princípio da causa madura para julgamento. Antonio Saldanha Palheiro – Julgamento: 06/06/2006 – Quinta Câmara Cível. 5. Tem ela impostergável direito de recesso.Vedada a estipulação contratual que exclua qualquer sócio de participar dos lucros e das perdas – artigo 288 do Código Comercial e 1008 do Código Civil de 2002.artigo 1031 do CC/ 2002. e.Não há que se confundir lucro com pro labore. aproximando-se do resultado que poderia ser obtido com a dissolução total. IV. 1. UNIPESSOALIDADE INCIDENTAL TEMPORÁRIA. TEORIA DA PRESERVAÇÃO DA EMPRESA.artigo 515. verificado em balanço especial. e não da empresa apelada.A quebra da affectio societatis. No caso. DISSOLUÇÃO PARCIAL COM APURAÇÃO DE HAVERES. 2.A apelante não está obrigada a permanecer associada contra sua vontade. da qual o espólio detém cotas. do CPC. Desprovimento do recurso. 7. TJ/RJ). SOCIEDADE POR COTA DE RESPONSABILIDADE LIMITADA CONSTITUÍDA POR DOIS SÓCIOS.52831 – Apelação Cível. como empresário individual. não pode a penhora recair sobre bem dessa. conseqüentemente. POSSIBILIDADE.18077 – Apelação Cível.001. PENHORA DE BEM IMÓVEL PERTENCENTE À EMPRESA DA QUAL O FALECIDO ERA SÓCIO MAJORITÁRIO. EXECUÇÃO PROMOVIDA CONTRA ESPÓLIO. Provimento do recurso. SENTENÇA DE IMPROCEDÊNCIA. como condição de existência do contrato de sociedade. sem prejuízo de encetar uma nova sociedade para desenvolver a empresa no prazo da lei – artigo 1033. com a pessoa de seu falecido sócio.Pretendendo-se a dissolução parcial da sociedade. se. grifamos FGV DIREITO RIO 87 . ADUZINDO A IMPOSSIBILIDADE DA DISSOLUÇÃO PARCIAL DE SOCIEDADE COMPOSTA POR APENAS DOIS SÓCIOS. o valor das quotas. Comprovado está que a dívida é do Espólio. ainda que provisoriamente.No caso. 3. legitima a dissolução parcial da pessoa jurídica.001. Des.

Outra forma de correr riscos menores está na escolha de um tipo societário no qual a responsabilidade do sócio seja limitada. mesmo os minoritários. As micros. que tornaria responsáveis pelas dívidas tributárias não somente os administradores faltosos.quem diria! . Toma o que pode e não dá nada em troca.. já era. deveriam acatar a construção da limitada tal como definidos pelo legislador. arrostando todos os perigos. Então elas são oneradas até mais do que deveriam. Na minha família se alguém resolver abrir uma empresa eu vou procurar interditá-lo por prodigalidade. Micros.708/19. os outros ramos do direito. Poucas empresas passam dos cinco anos de vida e um número bem menor delas chega a completar dez anos. mas também os sócios. tendo passado a exigir uma formalidade antes desnecessária. Mas cuidado.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa teXto: a morte da Limitada. Para isto elas foram criadas. segundo a CLT. agora a cargo do NCC. quem responde pelas obrigações trabalhistas é o “empregador” (artigo 2º). Mas a bendita da “desconsideração” também foi descoberta pelos advogados dos empregados e acolhida festivamente pelos tribunais Gazeta mercantil em 30. quanto mais fazerem planejamento fiscal. o Novo Código Civil (NCC) mudou o regime anterior. Mas se existe uma vocação irresistível para ser empresário. Para o empresário (individual) existe o favor do bem de família. Os perigos não são poucos. pequenas e médias empresas optam pela sociedade limitada que tem um custo mais barato e na qual a responsabilidade máxima corresponde ao montante do capital social.o de uma responsabilidade limitada. não sendo encontrados bens no patrimônio da sociedade. Ora.03. pelo menos ele teria o direito de minimizar o seu risco. na falta de norma específica. o que se dá pela escolha de um mecanismo de exploração da atividade mercantil que permitisse salvar uma parte do patrimônio no caso da perda da empresa. o regime jurídico deste deve ser remetido para as normas que cuidam do tipo societário correspondente.2004. iniciam uma empresa mercantil. O “peixe” foi bem vendido ao Judiciário e de lá para cá. Um dia alguém no Fisco ouviu falar de uma tal de “desconsideração da personalidade jurídica”. Veja-se que o perfil jurídico das limitadas era dado pelo Decreto 3. Quem dormir no ponto. Isto geraria segurança e certeza no exercício da atividade econômica privada. sendo-lhe penoso até mesmo pagar um contador que cuide de sua escrita. por Haroldo malheiros Duclerc Verçosa (mestre. o fisCo e a Justiça141 Significativa parte da economia gira em torno da iniciativa privada. Ledo engano! Em primeiro lugar os empresários têm um sócio que é um verdadeiro “encosto”.. o regime das limitadas seria justamente . 141 FGV DIREITO RIO 88 . pequenas e médias empresas mal conseguem sobreviver. basta agitar a varinha mágica da desconsideração que os sócios são apanhados na rede tal peixes em aquário. Legal & jurisprudência. Desta maneira. A Justiça do Trabalho também veio a trilhar o mesmo caminho da desconsideração da personalidade jurídica. Veja-se que. ao cuidar da responsabilidade pessoal dos sócios. Doutor em Direito comercial e professor da Faculdade de Direito da usp). por ignorância dos seus direitos. Vou ficar com o exemplo dos empresários e das sociedades empresárias (os antigos comerciantes individuais e as sociedades comerciais) que separam uma parte do seu patrimônio e. o Fisco. Como a CLT não inclui sócio como empregador. salvaguardando os bens mínimos necessários a uma vida com razoável dignidade. que corresponde a um patrimônio separado dentro do patrimônio geral. há louco para tudo. Bastaria aos sócios cuidar que o capital da sociedade estivesse sempre integralizado para que não sofressem qualquer tipo de responsabilidade patrimonial. Bem. Mas não é somente isto.

ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa trabalhistas. o sócio pelo simples fato de ser sócio não é responsável tributário.que a sociedade foi utilizada indevidamente. Por sua vez.em uma presunção absoluta na Justiça do Trabalho . O direito. artigos 158 a 167). A idéia acima sempre permeou a boa doutrina e a melhor jurisprudência. Este é o limite de atuação da sociedade no mundo do direito. Basta que. verificada na liquidação de sociedade. sem qualquer fundamento. artigos 102 a 113 e NCC. FGV DIREITO RIO 89 . É a mesma coisa que abrir as entranhas da galinha dos ovos de ouro e pegar o que ali encontrar. ao referir-se ao “abuso da personalidade jurídica”. o artigo 135 estabelece que os administradores ou representantes da pessoa jurídica respondem diante de atos praticados com excesso de poderes ou infração da lei. por meio dos seus órgãos. a sociedade não pague ou não indique bens à penhora para ter lugar a desconsideração imediatamente. Mas também neste campo tem operado fartamente a desconsideração da personalidade jurídica às vezes tão somente pelo fato de que um sócio tem participação mínima no capital. até mesmo a sua morte como instrumento apto ao exercício da empresa mercantil. ao invés de deixar que ela ponha um ovo por dia. na análise do caso concreto poderia determinar o não reconhecimento da personalidade jurídica. no CTN existe apenas uma menção à responsabilidade dos sócios no artigo 134. Este é o espírito da nova Lei de Falências. E o NCC a acatou claramente no artigo 50. pois tal criação jurídica foi reconhecida como instrumental ou finalística. tendo-se como parâmetro o objeto social estabelecido no contrato social. citada. indicando a presença de uma sociedade mercantil . que são anuláveis (CCiB. Na verdade. quando vier a ocorrer “desvio de finalidade ou confusão patrimonial”. As “soluções” acima referidas nos dois campos do direito acabaram por levar a sociedade limitada a um completo descrédito. Isto que dizer que a personalidade jurídica deveria ater-se ao regime estabelecido pelo direito. Mas vale preservar uma empresa com um pouco de sacrifício de todos do que privilegiar alguns extinguindo uma unidade produtiva. Não ter bens para pagar significa . quando não há distinção efetiva entre o patrimônio da sociedade e o dos sócios ou de algum deles. o que seria prova de simulação no disfarce de um comerciante individual em sociedade. Era uma doutrina que “levantava o véu da sociedade” sempre que a personalidade jurídica concedida pelo legislador fosse utilizada de forma inadequada. Estas têm um tratamento próprio na qualidade de defeitos do ato jurídico. a desconsideração da personalidade jurídica não é e nem nunca foi uma panacéia para salvar credores. contrato social ou estatutos. Desvio de finalidade consiste justamente na utilização da sociedade para fins estranhos à sua criação. Portanto. matando-a. Confusão patrimonial dá-se.que. portanto. É só pedir. locupletando-se alguém por trás dela à custa dos empregados e de outros credores. Os juízes precisam começar a pensar na eficiência de suas decisões dentro de um horizonte macroeconômico. efetivamente exercesse uma atividade econômica distribuindo aos sócios os lucros correspondentes. Quanto ao Direito Tributário. A teoria da desconsideração da personalidade jurídica não inclui a simulação e a fraude. por sua vez. Estas hipóteses somente são suscetíveis de realização por quem administra a sociedade e não por quem seja somente sócio. E com a “penhora on line” a festa ficou completa.

assinale a assertiva correta.DEZEMBRO/2007 22ª Questão: Joaquim Silva e José Xavier constituem uma sociedade limitada para que esta exerça a atividade empresarial de venda de materiais de construção. e não havendo previsão contratual a respeito. 22º EXAME DA ORDEM DOS ADVOGADOS DO RIO DE JANEIRO . a sociedade realiza a contratação de empregados e aluga uma loja em área de grande movimento de pedestres. FGV DIREITO RIO 90 . TIPO 1.EXAME DE ORDEM . seus haveres sociais serão pagos de acordo com o critério do valor. apurado em balanço especial. 4 .PROVA OBJETIVA. uma vez esgotado o patrimônio desta. Resolvendo-se o vínculo de um sócio com a sociedade empresária de que faz parte. 45.PROVA DISCURSIVA. (A) patrimonial de suas quotas na data da resolução. (B) econômico de suas quotas à data da resolução.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa Questões de ConCurso 125º EXAME DA ORDEM DOS ADVOGADOS DE SÃO PAULO . além de estabelecer relação com uma rede de fornecedores. deverá fazer-se de outra forma? Fundamente a resposta. Para desenvolver sua atividade. DIREITO COMERCIAL. apurado em perícia judicial. na hipótese de retirada ou exclusão de sócio. seus haveres serão pagos com base no último balanço levantado. 2ª FASE. conforme a cotação em bolsa de valores. 2ª Prova Específica. é acolhível a alegação do retirante ou excluído de que a apuração. teve seus atos constitutivos devidamente arquivados perante a Junta Comercial. apurado em balanço especial. (D) econômico de suas quotas na data do efetivo pagamento. DIREITO COMERCIAL. (C) patrimonial de suas quotas na data do efetivo pagamento. d) Joaquim Silva e José Xavier são empresários. enquanto não estiver esgotado. que adota o nome empresarial Ferragem Inconfidência Ltda. c) Esta sociedade adquiriu personalidade jurídica no momento em que os sócios assinaram o contrato social. a) O patrimônio de Ferragem Inconfidência Ltda. 2ª QUESTÃO: Dispondo o contrato social que. Sobre este caso.. por não expressar o último balanço a realidade patrimonial da empresa.O sócio de responsabilidade ilimitada que tenha sido admitido na sociedade por cessão de sócio retirante responde solidariamente com o cedente pelas obrigações existentes à época da cessão? XXXIX CONCURSO PARA INGRESSO NA MAGISTRATURA DE CARREIRA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO. b) O patrimônio pessoal de Joaquim e José pode ser usado para a satisfação de quaisquer débitos contraídos pela sociedade. A sociedade. (VALOR: UM PONTO E MEIO). PROVA OAB/RS . responderá pela satisfação de todos e quaisquer débitos contraídos pela sociedade.

bem como as reservas de capital que seriam volumosas. ? E as reservas de capital. novo ponto comercial. assim: Devem prevalecer os valores do último balanço. como a exclusividade de comercialização de produtos famosos. EXAMINADOR: DES. novo ponto comercial. Indaga-se. a coerência da decisão e não apenas o resultado apresentado. FGV DIREITO RIO 91 . a apuração da respectiva quota atenderia o valor do último balanço. levando-se em conta a própria evolução positiva da empresa no mercado. devendo haver avaliação. Prevê o contrato social que. como. a exclusividade adquirida para venda de produtos. inclusive levando-se em conta certos bens imateriais adquiridos no curso da atividade da empresa. ou se calcula o valor da quota social. porém. no caso em que ocorra a retirada de sócios. ERNANE FIDELIS. etc. Questão 2. nos moldes contratuais.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa CONCURSO PARA INGRESSO NA MAGISTRATURA DO ESTADO DE MINAS GERAIS (2003/2004) – PROVA SUBJETIVA DE DIREITO COMERCIAL. por exemplo. incluem-se na apuração de haveres? Observação: Esta questão tem o objetivo de avaliar o senso jurídico do candidato. por deliberação da maioria. O excluído provou. que os valores convencionais do balanço eram bem inferiores à realidade e pretendeu que a apuração se fizesse pelo efetivo valor patrimonial da empresa e não apenas pelo escritural. OBJETIVA.

mas sem atender às complexas formalidades destas. o aspecto relevante é objeto da sociedade (visão capitalista) e não a figura do sócio. Sua criação é. Saraiva: São Paulo/2005. 7ª edição. • holding. tendo como regra. 7ª edição.366. recente e decorre da iniciativa de parlamentares. Aprendemos que as sociedades “de pessoas” são aquelas nas quais a pessoa do sócio se reveste de extrema relevância. nem se sujeitar à prévia autorização governamental”142.“affectio societatis” pessoal. já a sociedade anônima. Renovar/2005. a alienação de ações não pode ficar adstrita à anuência dos demais sócios. 5ª edição. Já nas sociedades “de capitais”. “na medida em que eventual limitação estatutária à circulação de ações não 142 cOELHO. Fabio ulhoa in curso de Direito comercial. pág. saraiva/2004.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa AUlA 12: A ClASSIfICAÇÃO DA SOCIEDADE lIMItADA “A sociedade limitada – anteriormente chamada sociedade por quotas de responsabilidade limitada – tem uma história pequena e pobre. diante de sua natureza capitalista. FGV DIREITO RIO 92 . será sempre “de pessoas”. a livre participação societária e a facilidade de se verificar uma grande mutabilidade dos sócios. Vol. Ricardo Negrão. Nesta. Leitura CompLementar – Páginas 149 a 154 e 266 a 275 de O Direito de Empresa à luz do novo Código Civil. • simples e empresária. ementário de temas – A classificação da sociedade limitada como: • de pessoas e de capital.II. que queriam beneficiar-se. portanto. – Páginas 367 a 378 do Curso de Direito Comercial vol. A sociedade simples. uma vez que sua constituição baseia-se no relacionamento e vínculo existentes entre os sócios . roteiro de auLa “de pessoas” e “de capital”. na exploração de atividade econômica. Nesta aula discutiremos a leitura do(s) seguinte(s) capítulo(s): – Páginas 358 a 360 do Manual de Direito Comercial e de Empresa. mesmo no caso das companhias fechadas. para atender ao interesse aos pequenos e médios empreendedores. Saraiva: São Paulo/2004. Fabio Ulhoa Coelho. em relação às demais sociedades. da limitação da responsabilidade típica das anônimas.II. • nacional e estrangeira. por exemplo. será sempre “de capital”. Sérgio Campinho.

com as regras das sociedades anônimas (art. As sociedades estrangeiras são constituídas e organizadas em conformidade com a legislação do país de origem onde mantém sua sede 143 144 145 cOELHO. do Código Civil. atendimentos e consultas por outros médicos. 1. 1.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa poderia significar a sujeição da venda destas à anuência dos outros acionistas. uma vez que o art. todas direcionadas à “cessão de quotas”: a) morte de sócio (sucessão). basicamente.142 do código civil. sendo a vontade dos sócios. contudo não podem se estabelecer no Brasil sem a autorização do Poder Executivo Federal146. expressa através das cláusulas do contrato social. 997 e seguintes do CC). No máximo. Este exemplo é típico de uma sociedade simples. 146 FGV DIREITO RIO 93 . 1º da Instrução normativa n° 81 de 25. a limitada como uma sociedade “de pessoas”.cit. A atividade intelectual será elemento de empresa quando estiver absorvida pela estrutura organizacional da sociedade empresária e fará parte dos fatores de produção. A sociedade limitada poderá se “apresentar” como SOCIEDADE LIMITADA SIMPLES ou SOCIEDADE LIMITADA EMPRESÁRIA. se não houver oposição de titulares de mais de um quarto do capital social”. que a definirá como sociedade “de pessoas” ou “de capital”.053 CC). ela não possui sempre a mesma natureza. conforme art. mas que poderá adotar o modelo “LIMITADA” ou “SIMPLES” (art. Importante lembrar que se não for possível definir qual a natureza da sociedade limitada. total ou parcialmente. “o sócio pode ceder sua quota. 966 do código civil. através de consultas particulares. independentemente de audiência dos outros. Seus atos constitutivos são arquivados na Junta Comercial (art. a menos que o contrato social disponha de forma diferente. nacional e estrangeira A personalidade jurídica da sociedade estrangeira145 é reconhecida conforme dispõe o art. mesmo após a análise do ato constitutivo. que é diferente do direito de aprovar ou vetar a alienação das ações. em regra. ela será considerada como “de pessoas”. como veremos a seguir: Vejamos o caso de dois médicos que se unem e montam um consultório para. mão de obra e organização. por meio de requerimento dirigido ao ministério do Desenvolvimento. supletivamente. juntamente com o capital. aplicação de vacinas e outros serviços ao público em geral. neste caso será chamada de “simples pura”. a quem seja sócio. art.057 do Código Civil estabelece que. o estatuto da sociedade anônima fechada pode prever o direito de preferência. em função dos atributos pessoais do eventual adquirente”143.99. a atividade intelectual estará absorvida pela estrutura organizacional. b) alienação de quotas e c) penhora de quotas. conceituando. São três. in fine. Esta sociedade será empresária e poderá adotar o modelo “LIMITADA” com as regras da sociedade simples ou. Op. 45. protocolado no Departamento nacional de Registro do comércio – DnRc. as cláusulas do contrato social que dispõem sobre a natureza da sociedade. pág.134 a 1. Continuando com o exemplo dos médicos. constituindo o elemento de empresa144.09. Indústria e comércio Exterior. 1. simples e empresária Na sociedade limitada empresária. arts.370. se o consultório oferecer também exames clínicos laboratoriais.150). configurando o elemento de empresa. No caso da sociedade limitada. 1. explorarem atividade intelectual relacionada aos seus conhecimentos científicos na área médica. ou a estranho. os sócios exercem profissionalmente atividade econômica organizada para a produção ou circulação de bens ou de serviços.

148 arts.134). Diante da rigidez nas formalidades previstas para a sociedade estrangeira além da delonga para sua autorização. residentes na Rússia. 1. 98 e 99 da Lei n. deverá apresentar os seguintes documentos: I . Nessa seara. 7º qualquer alteração que a sociedade mercantil estrangeira autorizada a funcionar no país faça no seu contrato ou estatuto. pois.141 do código civil e Instrução normativa n° 81/99 do DnRc.138 do código civil.guia de recolhimento do preço do serviço. 84 – inciso IV da constituição Federal de 1988. organização e funcionamento. As sociedades estrangeiras podem operar no Brasil: – atuando de forma direta. as organizações destinadas a fins de interesse coletivo. dependendo de autorização. regendo-se pelas normas deste país148. elas são consideradas inviáveis para investimento. por meio de coligada ou joint-ventures.134 a 1. desde que devidamente autorizada pelo Poder Executivo brasileiro (art. Este tema causou polêmica no meio art. protocolizado no Departamento nacional de Registro do comércio . c) na hipótese de integralização de quotas em bens. 1. Entre as características da sociedade limitada. 1. art. – atuando de forma indireta. Lei de Introdução ao código civil (Decreto-lei 4. 11.139 do Código Civil e art. agências ou estabelecimentos de sociedade anônima estrangeira.º IN 81/99 do DNRC151.627/40. obedecem à lei do Estado em que se constituírem. normalmente.404/76. ressalvadas as hipóteses legais em que vigoram restrições e impedimentos (veremos logo abaixo algumas restrições). art. 1.815/80 – Estatuto do Estrangeiro. ficando sujeitas à lei brasileira.126 a 1. 1.133 do código civil. 149 150 na forma do art.657/42): art. ter no Brasil filiais. 1. dependerá de aprovação do Governo Federal e.requerimento ao ministro de Estado do Desenvolvimento.DnRc. os mesmos deverão ter sido regularmente importados. conforme dispositivo do art. § 1º não poderão. algumas são específicas para sócios residentes no exterior: a) devem nomear um procurador residente no Brasil que se responsabilize perante as autoridades locais pela sua participação152. FGV DIREITO RIO 94 .141.134). – como sociedade anônima. ou. É indiferente a nacionalidade e o domicílio dos sócios e acionistas (mesmo de seus controladores). Em caso de modificações de quaisquer condições e em caso de modificação dos atos constitutivos da matriz.134 do Código Civil. mediante processo de nacionalização.º 6. como as sociedades e as fundações. uma vez instalada no Brasil. como já vimos. 64 e seguintes do Decreto-Lei n° 2. por sócios brasileiros e residentes no Brasil. registrada e com sede em Portugal. mas devem nomear a tal fim um administrador residente no Brasil153. a sociedade limitada é a preferida dos investidores estrangeiros. arts. deverá desenvolver suas atividades atendendo especificamente as condições estabelecidas no decreto que a autorizou. a origem do capital (desde que lícita). Será nacional a sociedade constituída com capital de origem árabe. possui simples estrutura. haveria uma suposta proibição à participação de sociedades estrangeiras em sociedades limitadas brasileiras. Será estrangeira a sociedade constituída com capital de origem brasileira. As sociedades nacionais149 são as organizadas e registradas em conformidade com a lei brasileira. 7. filiais. 300 da Lei n° 6. solicitando a devida aprovação. mas com sede administrativa no Brasil e segundo as leis brasileiras. um novo decreto de autorização deve ser requerido – art. – como acionista de sociedade anônima brasileira (parte final do art. Indústria e comércio. polêmica (in)justificada Em função do art. por meio de sucursais150.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa administrativa. A sociedade estrangeira. 151 152 153 art. o quê gera menos despesas se comparadas às sociedades anônimas. por sócios chineses. por parte dos investidores estrangeiros. art. agências ou estabelecimentos antes de serem os atos constitutivos aprovados pelo Governo brasileiro. entretanto. 1. com a sede de sua administração no Brasil e seus negócios jurídicos realizados em obediência aos ditames legais brasileiros. constituída por sociedade empresária. II . para produzir efeitos no território brasileiro.ato de deliberação que promoveu a alteração. b) não podem exercer a administração da sociedade. e III . para tanto. 1.

os artigos 60 e 64 a 72 do Decreto Lei 2. que aliás passam a denominar-se apenas sociedades limitadas. No dia 11 de Janeiro de 2003. Disponível em: http://www. a antiga Lei das Sociedades por Ações.º 126/03 . da sociedade brasileira. a atuação das sociedades estrangeiras no Brasil estava regulada apenas por duas normas. o NCC veio regulamentar a atuação das sociedades estrangeiras parecer jurídico n.br/pareceres/arquivos/pa126. a mudança diz respeito aos direitos e deveres do investidor estrangeiro. empresas devidamente organizadas e existentes segundo as leis brasileiras não podem. facil. Agora. reconheceu a viabilidade de ser constituída uma sociedade limitada que tenha pessoa jurídica estrangeira como sócia.657 de 1942). a atual Lei das Sociedades por Ações.404/76. das sociedades limitadas (designação do NCC para as sociedades por quotas de responsabilidade limitada).dnrc. Estas mudanças dizem respeito a dois aspectos fundamentais. Uma vez que o investimento estrangeiro se realiza sobretudo através da participação do investidor. as regras relativas à possibilidade de participação de sociedades estrangeiras. por meio do Parecer Jurídico 126/03154.DnRc: Ingresso de sócia pessoa jurídica estrangeira em sociedade limitada. enquanto sócio. novo Código Civil brasileiro (Lei 10. no mesmo período. a Lei de Introdução ao Código Civil (Decreto-Lei 4.795 sociedades anônimas). sem contar o fato de que novas limitadas não poderiam ser criadas tendo sociedades estrangeiras como sócias. Estas mudanças afetam sobretudo as sociedades por quotas. enquanto sócias. Legitimidade de representação. Por outro lado. de responsabilidade limitada. o tipo societário seja o de sociedade anônima”.832. de ora em diante NCC) entrou em vigor. dentre os princípios traçados pela Constituição Federal. O principal argumento do DNRC é de ordem constitucional: “De mais a mais. em determinadas atividades. será sobre este tipo de sociedades que a presente análise será realizada (a título de esclarecimento. salvo os casos especiais. A segunda. de sociedades brasileiras. foram constituídas apenas 17.406 de 2002. de sociedades brasileiras. O NCC traz profundas mudanças no regime das sociedades.627 de 1940. O presente texto visa analisar essas mudanças do ponto de vista do impacto que podem ter para os investidores estrangeiros. onde a lei especialmente requerer que.pdf 154 FGV DIREITO RIO 95 . A primeira. Até agora.178 sociedades limitadas no Brasil enquanto que. Lisboa (portugal) e paris (frança) doutor em direito pela universidade de paris ii professor da uni-rio e da univ. como regra geral.gov. nada impede que uma empresa estrangeira participe de uma sociedade constituída no País.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa jurídico até que o DNRC. de sociedades no Brasil. administração por pessoa natural. Possibilidade de participação de sociedades estrangeiras. inúmeras sociedades estrangeiras existentes poderiam ser consideradas em situação irregular. sofrer qualquer discriminação fundada na nacionalidade de seus sócios. mantidos em vigor pela Lei 6. cabe lembrar que entre 1985 e 2001 foram constituídas 3. que são titulares de uma participação no capital social. Portanto. Candido mendes Introdução. teXto: o noVo Código CiViL e as soCiedades estrangeiras José gabriel assis de almeida sócio de siqueira Castro – advogados e advogado inscrito no rio de Janeiro e são paulo (brasil). enquanto sócio. enquanto sócias. Se tal proibição existisse. no Brasil. Por um lado.

do NCC. não teria sentido fazer referência.627.627 de 1940. uma nova cláusula estabelecendo que o regime da participação da sociedade estrangeira. agências. 64 do Decreto-Lei 2. nas sociedades por quotas. a redação deste artigo tem que ser examinada com prudência. é preciso levar em consideração que a referência às sociedades anônimas explica-se. o art. na nova terminologia do NCC) e nos demais tipos societários. Cabe frisar que a aplicação supletiva será apenas no que concerne ao regime da participação da sociedade estrangeira. 64 do Decreto-Lei 2.” Uma primeira leitura do art. apesar do teor do art. de responsabilidade limitada ou ainda enquanto sócias de outros tipos societários. enquanto sócia. 1. cabe esclarecer que o art. Ora. no contrato social da sociedade brasileira. à participação das sociedades estrangeiras. enquanto sócia. contida no art. o art. adquirindo uma participação no capital social de sociedade brasileira. na qualidade de sócia.627. no Brasil. enquanto sócias. ainda que por estabelecimentos subordinados. 1. além das sociedades anônimas. Com o NCC. no capital da sociedade brasileira. ficaria excluída a participação da sociedade estrangeira. de incluir. ou por filiais. Deste modo. ressalvados os casos expressos em lei. estará sujeito ao regime da Lei das Sociedades por Ações. qualquer que seja o seu objeto. e portanto restrita às sociedades anônimas – numa norma mais geral. Inobstante o que fica exposto. 1. Houve a reprodução quase literal da regra – contida no art.053. um manifesto lapso legislativo. ou estabelecimentos que as representem. na vida da sociedade brasileira. pelo fato deste Decreto-Lei cuidar apenas das sociedades anônimas. portanto. Esta aplicação supletiva da Lei das Sociedades por Ações às sociedades limitadas é possível por força do art. sem autorização do Poder Executivo. pois o NCC deveria simplesmente referir a possibilidade da sociedade estrangeira atuar. o que simplesmente ocorreu foi uma má técnica legislativa. como sócias. 1. de 1940. Assim. para evitar uma eventual contestação. além da sociedade anônima. No entanto. de sociedades por quotas. As principais mudanças introduzidas pelo NCC nos direitos e deveres do investidor esFGV DIREITO RIO 96 . estipulava: “As sociedades anônimas ou companhias estrangeiras. Em primeiro lugar. ser acionistas de sociedade anônima brasileira.134 do NCC indica que o mesmo parece limitar a participação da sociedade estrangeira. Em segundo lugar. de sociedades anônimas. sem qualquer modificação da natureza ou das características da sociedade limitada. podendo todavia. por si mesmas. não pode.134 do NCC está assim redigido: “A sociedade estrangeira. que cuida de outros tipos de sociedades. simplesmente. 64 do Decreto-Lei 2. no regime do Decreto-Lei 2.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa no Brasil. parágrafo único. de sociedade brasileira de qualquer tipo. é recomendável que as sociedades estrangeiras que investiram no Brasil. enquanto sócia. qualquer que seja o seu objeto. sem autorização do Governo Federal. podendo.627. sucursais. funcionar no País. ressalvados os casos expressos em lei. no Decreto-Lei 2. ser acionista de sociedade anônima brasileira. Trata-se.134 é quase a transcrição da regra anterior. Conteúdo da participação do investidor estrangeiro. todavia. uma sociedade estrangeira somente poderia ser sócia. de responsabilidade limitada (sociedades limitadas. e não apenas de sociedade anônima brasileira.627. no período que se seguiu a 1940 jamais foi impedida a participação das sociedades estrangeiras (seja sob a forma de sociedades anônimas seja sob outras formas). Isto porque o NCC cuida de outros tipos societários. Assim.”. em outras sociedades. Com efeito. Houve. às sociedades anônimas. funcionar no País. Com efeito. não podem. no Brasil. 64 do Decreto-Lei 2.627. tomem uma simples precaução.

a sua situação não se modifica no que diz respeito à alteração do contrato social. ela passa a ter acesso a essa nomeação. para o investidor estrangeiro. etc. Aliás.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa trangeiro nas sociedades limitadas brasileiras dizem respeito a dois pontos importantes. entre outros pontos. é importante salientar que o NCC modificou. Outro ponto relevante. é importante salientar que qualquer alteração do contrato social passa a necessitar da aprovação dos sócios titulares de 3/4 do capital social. a situação não se modifica. autorizar a cessão das quotas. como administrador da sociedade brasileira. se houver um aumento do seu capital social sem haver imediata integralização ou se a sociedade for constituída sem que o seu capital social seja totalmente liberado. No regime do NCC. nomear os gerentes. que é normalmente uma sociedade estrangeira. O NCC exige a designação por deliberação da totalidade dos sócios (quando o capital social não estiver integralizado) ou por deliberação de sócios que representem 2/3 do capital social (quando o capital social estiver integralizado). No tocante às deliberações sociais. O(s) sócio(s) titular(es) de 50% + 1 do capital social era(m) titular(es) do controle da sociedade. sócia administradora) e de recorrer ao mecanismo da gerência por delegação. poderá estar impedida de. diz respeito às deliberações para a designação de administradores não sócios. uma pessoa que não seja sócia. o quorum das deliberações. Esta situação interessa bastante às sociedades estrangeiras. administrador da sociedade. Assim. No regime do NCC. No regime anterior ao NCC. o investidor estrangeiro adquire novos poderes na sociedade brasileira. sob este ponto de vista. consoante as deliberações. (iii) a supressão do regime da gerência por delegação. Assim. pois a sua colaboração é necessária para a modificação do contrato social. o investidor estrangeiro poderá nomear. Quanto à administração das sociedades. As únicas exigências são (i) que esta pessoa seja uma pessoa física e (ii) que esta pessoa física seja residente e domiciliada no Brasil. O resultado desta nova regra. o investidor estangeiro corre o risco de – se não tomar as medidas adequadas – perder o controle da sociedade brasileira. é importante frisar que o NCC estabelece o quorum de 2/3 do capital social para a destituição de sócio que seja nomeado. dependendo da sua participação no capital social. A administração da sociedade brasileira e as deliberações sociais. varia consoante a participação do mesmo no capital social da sociedade brasileira. sozinha. Assim. cabia a esse(s) sócio(s) alterar(em) o contrato social (aumentar ou reduzir o capital social). Se o investidor estrangeiro é titular de 50% ou menos e de mais de 25% do capital social. as principais mudanças são (i) a supressão da obrigatoriedade da gerência ser exercida apenas pelos sócios. o NCC implica na desnecessidade de figurar no contrato social como sóciagerente (agora. Ainda no campo das deliberações relativas à administração da sociedade. pois a nomeação do administrador não sócio dependerá da concordância dos sócios que sejam titulares de 2/3 do capital social da sociedade brasileira. a sociedade estrangeira. Se o mesmo é atualmente titular de 75% ou mais do capital social. Se o mesmo é atualmente titular de um percentual maior do que 50% e menor do que 75%. Se o investidor estrangeiro é titular de menos de 25% do capital social. no contrato social. Por outro lado. se a sociedade estrangeira não tiver a maioria do capital social. a nomeação de um administrador dependerá da concordância de todos os sócios. o quorum das deliberações sociais foi modificado e varia. havia apenas um quorum de deliberação. Deste modo. nomear o administrador. é preciso FGV DIREITO RIO 97 . para o investidor estrangeiro. Consequentemente. (ii) a exigência de que os gerentes (agora denominados administradores) sejam pessoas físicas.

Temos. Conclusão. conforme a situação motivadora de sua criação. sem necessidade de oitiva dos sócios e/ou acionistas minoritários. O NCC determina que as sociedades atualmente existentes procedam à adaptação dos seus contratos sociais até 10 de janeiro de 2004. como sociedade simples ou empresária. em função da facilidade no manejo de suas regras. e) Enxugamento das estruturas ociosas das sociedades controladas e descentralização de alguns trabalhos. proceder à adaptação dos contratos sociais.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa ter cautela no caso de uma sociedade brasileira que tenha como sócios. assim. a sociedade que é controlada por outra. dentro do grupo. apenas. O enquadramento da “holding pura”. enquanto a holding é a sociedade que controla. ela é chamada de Holding Mista ou impura. § 3º da Lei nº 6. 2º. ou para beneficiar-se de incentivos fiscais”. FGV DIREITO RIO 98 . por outro lado. sociedade holding Aprendemos que a previsão legal da sociedade holding está no art. Sharp Júnior: “Do enquadramento da holding pura como sociedade simples resulta na sua inscrição no cartório do registro civil de pessoas jurí- 155 n.404/1976. chama-se subsidiária. haverá a preferência pela forma “limitada”. com os clientes. que estabelece que a “companhia pode ter por objeto participar de outras sociedades. das quais participem os investidores estrangeiros. ela exercer a exploração de alguma atividade empresarial. uma pessoa física residente no Brasil. e resolver o problema da participação das sociedades estrangeiras. Podemos elencar como algumas vantagens da sociedade holding o seguinte: a) Concentração do poder econômico do controlador na holding. enquanto sócias. com possibilidade de redução de despesas operacionais. Deste modo. Neste caso. Seu interesse é a produtividade de suas “controladas” e eficácia da administração dos negócios. vejamos alguns entendimentos: Para o Prof. a holding tem uma visão voltada para dentro. de sociedades brasileiras.a. uma sociedade estrangeira titular do restante do capital social. a participação é facultada como meio de realizar o objeto social. b) Flexibilidade e agilidade na transferência e alocação de recursos. ela é chamada de Holding Pura. Quando o objeto social da holding for somente a participação no capital de outras sociedades. criar os mecanismos necessários para garantir a harmonia nas sociedades brasileiras. é importante aproveitar este prazo para. Enquanto as sociedades das quais participa estão “preocupadas” com as tendências do mercado. podendo adotar a forma de Limitada ou de Sociedade Anônima. mais uma vez. por um lado. ainda que não prevista no estatuto. Quando. Ronald A. d) Maior poder de negociação na obtenção de recursos financeiros e nos negócios com terceiros. A holding não só poderá obter financiamentos externos como também agir como provedora de investimentos para atender às necessidades das controladas. f ) Vantagens tributárias e centralização das decisões financeiras. é tema ainda muito discutido na doutrina. com a concorrência e com outros problemas externos. a possibilidade de constituir uma sociedade cujo objeto social seja. a participação em outras sociedades em níveis suficientes para controlá-las155. além da participação no capital de outras sociedades. agindo em parceria visando novas oportunidades. c) Solucionar problemas referentes à sucessão (herança) e partilha (divórcio). titular de mais de 33% do capital social e.

com. Sérgio Campinho158 enfatiza a classificação das holdings como sociedades empresárias em virtude da atividade profissional dessas sociedades: “A organização e o caráter profissional da atividade seriam. O professor conclui dizendo que “a holding pura terá sempre natureza de sociedade simples. então.053. Na opinião de José Edwaldo Tavares Borba157: “se as sociedades controladas são empresárias. Isso é o que basta para afastar tal sociedade do regime próprio da Simples. Invencionices sobre o novo código civil.150 do NCC) e na insubmissão à falência. contudo. Ronald Sharp no sentido de classificar como sociedade simples a “holding pura”. por lhe faltar a idéia de estabelecimento e quiçá de patrimônio comercial. por afinidade.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa dicas (art. em si mesma. mas para o âmbito interno caracterizado pelas relações societárias. se a holding pura adotar a forma de sociedade anônima ou organizar-se consoante o modelo de ASQUINI. Teresina. Disponível em: http://www. apenas em parte. direcionando suas atividades não ao mercado.irtdpjbrasil. os advogados Márcio Tadeu Guimarães Nunes e Felipe Demori Claudino. devendo. titularidade. ainda que se possa questionar seu objeto. alienação e controle de participações societárias. fazendo presente. n. a holding que as controla encontra-se envolvida. O Prof. de uma sociedade destinada a organizar e controlar participações societárias pressupõe estrutura fortíssima. as quais têm o mais amplo espectro. Em artigo publicado no jornal Gazeta Mercantil160. pág. uma vez que estará constantemente agindo como sócia. Anote-se. de forma indireta. o ilustre Prof. destaca o entendimento do Prof. sustentaram que a “holding pura pode ser definida como a sociedade cujos escopos principais são a aquisição. 2003. vez que a holding os tem como principal atividade e razão da sua própria existência como vértice de uma estrutura de controle (cf. indo desde as microempresas ou de pequeno porte até gigantescas sociedades que atuam como holding. mar. artigo 2º. exigido pelo caput do art. mas ao processo de insolvência civil”. passa a ser sociedade empresária. 157 in O Direito de Empresa à luz do novo código civil. 1. 158 REaLE. ganhar idêntica condição de sociedade empresária”.49. 7. 966 do Código Civil. do NCC). uma vez que sua atividade-fim não é a produção ou a circulação de bens ou de serviços. a “empresa de papel”. Na opinião do jurista Miguel Reale “é preciso lembrar que o maior número das sociedades empresárias é formado pelas sociedades por quotas de responsabilidade limitadas. parágrafos 1º e 2º combinado com o artigo 243 parágrafo 2º. ou seja.” E concluem o artigo entendendo não haver “motivo sério para classificar a holding pura como Simples. pág.htm in Direito societário – 9ª ed. em seu livro Sociedades Limitadas. Mais forte fica o argumento caso a holding pura esteja regulada pelas regras supletivas da Lei 6. Corroborando com o entendimento acima. em que só estão presentes os perfis subjetivo e objetivo. Disponível em: <http://jus2. controladora até mesmo de poderosos grupos econômicos e financeiros. Jorge Lobo.404/76 combinado com o artigo 1. Direito de Empresa. parágrafo único.404/76 (LSA). posto que a participação em outras sociedades também é forma de em- 156 in “a holding pura como sociedade simples”. bem como ausentes os perfis funcional e corporativo. miguel. Também são econômicas porque visam a administrar e a agregar valor à carteira de participações societárias. este. a. destarte. O raciocínio desenvolvido se deu com base na ausência de um mínimo de organização econômica. ambos da Lei 6. como entidade de regência de uma rede de sociedades.39. os elementos reveladores da atividade empresarial”. inclusive. acesso em: 15 mar.2005. naquelas mesmas atividades.br/doutrina/texto. o elemento de empresa da parte final do parágrafo único do artigo 966 do NCC. salvo se for constituída sob a forma de sociedade por ações”156. 63. inclusive anônimas159”. Gazeta mercantil em 02. 160 FGV DIREITO RIO 99 . quando menos. 2006 159 a holding pura como sociedade empresária.br/Holding. O direito comparado (exemplo Itália) confirma este entendimento reafirmando a presunção de profissionalismo e de viés econômico em estruturas de controle como as que reveladas pelas holdings puras.com.03. Tais escopos são exercidos com profissionalismo. que. uol. jus navigandi. A existência. Renovar/2005. asp?id=3820>.

que satisfaçam as mesmas exigências. vários anos depois. – Dispor de quaisquer das suas participações no prazo de um ano após a sua aquisição. a sul pela França e a oeste e norte pela Bélgica. A SGPS não pode se dedicar às seguintes operações: – Compra de bens imobiliários. como também a gestão e desenvolvimento da dita participação. como também não há exigência quanto a publicação da composição da carteira de participações da holding. ou se o comprador for uma sociedade controlada pela SGPS. para. a menos que por meio de troca. – Efetuar empréstimos. No contrato social deve constar. exclusivamente.” a sociedade holding no mundo Portugal Em Portugal. procurando exercer o seu controle tendo em vista a gestão. limitado a leste pela alemanha. – Participação no capital de novas sociedades constituídas. coordenação e racionalização das suas várias atividades. os quais administra e explora exclusivamente pela concessão de licenças. o Decreto-Lei nº 495 de 30 de Dezembro de 1988. salvo se para sociedades nas quais tem interesse de controle ou é acionista. de forma expressa. para além dos seus próprios escritórios ou instalações. Luxemburgo161 A sociedade holding em Luxemburgo recebe o nome de “Holding 1929” e possui regime especial definido em lei sob a forma de uma sociedade anônima (Société Anonyme). a gestão de uma carteira de participações noutras empresas. 161 pequeno país da Europa Ocidental. na sua fase inicial e de arranque. Uma SGPS pode ser constituída como “sociedade anônima” ou “sociedade por quotas” e está sujeita a algumas restrições. ao passo que a regra geral é a de que a sociedade seja empresária. sem tomar direta ou indiretamente parte na condução do negócio das sociedades controladas. Nenhuma condição é imposta acerca da nacionalidade ou residência relativamente aos diretores e administradores.000 Euros. Exige-se capital mínimo realizado de aproximadamente 31. ou de escritórios ou instalações das sociedades nas quais detém participação. Aplicações tradicionais de uma sociedade holding em Luxemburgo: – Aquisição de participações em outras sociedades. FGV DIREITO RIO 100 . como meio indireto de desenvolvimento de uma atividade econômica. O objeto social será a aquisição de qualquer forma de participação em outra sociedade em Luxemburgo ou em sociedades estrangeiras. que o objeto da SGPS é. A principal delas relaciona-se com o objeto social. estabeleceu um novo tipo de sociedade. em fase de lançamento no mercado. – Participação em sociedades detentoras de patentes cuja carteira de ações inclua recursos intangíveis. ou onde os procedimentos para a disposição sejam investidos noutras participações. a chamada: “Sociedade Gestora de Participações Sociais” – SGPS. buscando o interesse de investidores privados. vender as ações tão pronto as sociedades estejam suficientemente bem conhecidas entre o público. subscrevendo as ações de um empreendimento ou projeto recente.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa presa e diante do fato de que o NCC reservou às Simples o caráter de exceção ao fenômeno empresarial (até porque é como tipo facultativo ou como regime jurídico subsidiário que a Simples agoniza nos poucos países que ainda a adotam).

– Capital acionário: US$ 1. que pode ter um número ilimitado de acionistas cujos bens pessoais estão. obrigações e responsabilidades dos “members” são estipulados no seu “Operating agreement”. como o Estado Americano das grandes Corporações. face às dívidas da mesma.wikipedia.162 comparada a nossa sociedade por ações.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa – Entrada no capital de sociedades de investimento com a finalidade de criar e administrar em seu próprio nome uma carteira de títulos transferíveis para um ou mais indivíduos privados conforme os princípios de gestão privada (o risco é distribuído geograficamente e entre vários setores). protegidos em caso de eventuais ações judiciais contra a sociedade. geralmente. que são denominados “members”. Os direitos. citados como precedentes em Tribunais de outros estados americanos. locais ou estrangeiras. Exemplos de sociedades em Delaware/EUA: – MEI Holding Inc. o valor do risco para os membros de uma LLc está limitado ao valor da sua contribuição em termos de Investimento na LLc. os Estatutos planificam os traços gerais do modo de funcionamento e gestão da LLc. (subsidiária da “Matsushita Electric Industrial Co. em conformidade com Estatutos Estatuais aplicáveis. Não existe qualquer imposto sobre as vendas em Delaware. dedicado à legislação societária. comparada a nossa sociedade Limitada. mesmo que poucos aí possuam qualquer estrutura em termos de vendas ou fabricação. independentemente do volume de negócios. o Delaware é um dos maiores centros bancários dos Estados Unidos. 164 165 Fonte: http://www. ou mesmo falência. ou empresa em nome individual. transferência de interesses numa LLc e sua liquidação. os bens pessoais de um membro de uma LLc estão completamente for a do alcance dos credores da sociedade (negócio). Mais de 200 mil empresas e companhias estão sediadas no Estado. org/wiki/Delaware Delaware/EUA “Apesar de sua pequena extensão territorial. Ao longo dos anos. é uma estrutura corporativa mais formal.panasonic.. quando devidamente estruturados. distinta dos seus sócios. Isto acontece graças à leis estaduais que dão benefícios fiscais para empresas que decidem instalarem suas sedes no Estado. À parte do tema fiscal. mais conhecida por sua marca Panasonic). de grande ou pequena dimensão. incluindo muitas que operam primariamente fora do Delaware. mais de 300.000 empresas estão registradas em Delaware. e poucos dos seus membros chegaram mesmo a visitar o Estado de Delaware. Ltd”. atraindo diversas companhias. É particularmente satisfatório para a gestão centralizada de recursos familiares. Delaware também possui uma forte indústria petroquímica”. as cláusulas deste contrato social são extremamente importantes. imposto sobre propriedade ou imposto sobre rendimentos referentes a sociedades constituídas em Delaware. Apenas existe a obrigatoriedade de pagamento de uma taxa anual de US$ 200. – Atividade principal: Investimentos de negócios. Isto significa que. 162 Fonte: http://pt. Este fato deu ao Estado o cognome de The Land of FreeTax Shopping (A Terra Sem Impostos Comerciais). Por causa disso. ausente qualquer tipo de garantia pessoal. – Sede da empresa: Delaware. Corporações e LLC’s não necessitam de manter qualquer conta bancária ou sede social em Delaware. escolhem Delaware devido à sua estrutura legal favorável. quer para Corporações ou LLC’s. a responsabilidade do acionista é limitada ao valor da sua participação de capital na corporação.com. particularmente em casos de sucessão e detenção de propriedade. tal como os acionistas de uma corporação tipo “c” ou “s”. Atualmente. – Data da incorporação: Junho de 1995. Situação Geral em 31 de dezembro da 2005165.a sp?a1=Imprensa&a2=notici as&a3=8 FGV DIREITO RIO 101 . Delaware é um grande centro financeiro. Deste modo. desde que devidamente representadas por um agente oficial registrado que as represente. Esta proteção em termos de responsabilidade é usufruto de todos os membros. Muitas sociedades internacionais. e reputação. e nada mais. 163 Várias Corporações163 e LLC’s164. desde que não operem dentro do próprio estado. uma vez que podem ter um impacto direto na forma como a LLc ou os seus membros possam a vir ser tributados para efeitos de impostos federais. o Tribunal de Delaware (Delaware Chancery Court) julgou vários casos de gestão empresarial que são.br/detalhe_noticia. interessadas em negociar com os EUA e outras jurisdições. e US$ 35 para o caso das Corporações. por muitas vezes. nome que se confere ao contrato social. EUA. quer pelos seus membros ou não-membros. a LLc tem personalidade jurídica própria. optam por DELAWARE como sede social e base para os seus negócios. que é fixa e deve ser paga ao Estado de Delaware. estabilidade. em que os donos do negócio ficam pessoalmente solidários com a empresa. Delaware é o único estado Norte Americano com um sistema judicial especial. ao contrario de uma parceria “partnership” comercial. os membros de uma LLc têm a mesma proteção em termos de responsabilidade limitada. para o caso das LLC’s.

processamento. no Tribunal de Falências do Distrito de Delaware/EUA.Quinta Câmara Cível – Tribunal de Justiça do RJ). Des. Independentemente da séria controvérsia sobre a natureza . transporte e distribuição ficou complicada para a sociedade. (constituída de acordo com as leis do Estado de Delaware e com sede em San Rafael/CA).capital ou pessoa . – Adobe Systems Inc. (2004. Sociedade por Cotas de Responsabilidade Limitada. para toda a Europa. (constituída de acordo com as leis do Estado de Delaware e com sede em San Jose/CA). – Autodesk Inc. Para melhorar a situação. grifamos. (constituída de acordo com as leis do Estado de Delaware e com sede em San Francisco/CA). – Macromedia Inc.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa – Acionistas (% participação acionária) Matsushita Electric Industrial Co. os seus administradores. a AOLA e algumas de suas subsidiárias apresentaram um pedido voluntário de concordata. (100%). – GE Engine Services Distribution.da sociedade por cotas de responsabilidade limitada. Com o passar dos anos. – GE Energy Products. – America Online Latin America. Gestão. Inc. Inc.Julgamento: 25/05/2004 . Milton Fernandes De Souza . conforme o Capítulo 11 (“Chapter 11”) do Código de Falências dos Estados Unidos. Qual seria a forma mais eficaz da sociedade estrangeira participar dos negócios? JurisprudênCia SOCIEDADE POR COTAS DE RESPONSABILIDADE LIMITADA. DEVERES E RESPONSABILIDADE DO DIRETOR. (AOLA): em 24 de junho de 2005. Os administradores lhe procuram para saber: 1. Caso gerador A sociedade Agricultura Extração Ltda. Inc. Inc. que já pensa em exportar seus produtos para a Europa e EUA. LLC – GE Fanuc Automation Corporation – GE Information Services. como proceder diante do crescimento do negócio? 2. – General Electric Capital Services. as administrações do plantio. Ltd. FGV DIREITO RIO 102 . uma sociedade com sede em Portugal apresenta proposta com o intuito de transportar e distribuir parte da produção da Agricultura Extração Ltda. como o de qualquer outra sociedade. Prestação de Contas. tem como objeto social o cultivo de soja e trigo na pequena cidade de Serrinha dos Grãos. têm o dever jurídico de prestar contas dos seus atos de gestão ao demais sócios.001. OBRIGACAO DE PRESTAR CONTAS. no Estado do Paraná. Inc.Apelação Cível. – GE Engine Services.10270 .. – GE Energy Parts Inc.

Recurso da parte ré provido Segundo apelo provido. prevê expressamente a facultatividade de adesão de empresas. Não detém legitimidade para a cobrança de contribuição sindical de empresa ¨holding¨ de indústrias o Sindicato que tem por fim congregar unicamente atividades ou categorias comerciais. quanto aos atos ou operações praticados no Brasil. TIPO 1. PROVA DISCURSIVA . para tanto. EMPRESA ¨HOLDING¨ DE INDÚSTRIAS. DIREITO COMERCIAL 87. editado após a CF/88. estará sujeita às leis e aos tribunais brasileiros. a atividade preponderante da empresa participada.Há alguma exigência legal para que uma sociedade estrangeira possa funcionar como tal no País? FGV DIREITO RIO 103 . PROVA DE SELEÇÃO. se o estatuto social. levando-se em conta. Relator: Roque Joaquim Volkweiss. por unanimidade. 3 . como filiadas. prejudicado o primeiro. funcionar no País. como tais devem elas ser enquadradas. (C) para conceder a autorização. Julgado em 19/06/2002). sem autorização do Poder Executivo. é correto afirmar que: (A) depois de autorizada pelo Poder Executivo. através de estabelecimentos subordinados. Tribunal de Justiça do RS. A respeito da sociedade estrangeira. Ademais. deve impor condições convenientes à defesa dos interesses nacionais. obrigatoriamente. 22º EXAME DE ORDEM – SEÇÃO DO RIO DE JANEIRO. o Poder Executivo. Primeira Câmara Cível. 2ª FASE. descabe a imposição. (B) poderá.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa CONTRIBUIÇÃO SINDICAL. (Apelação Cível Nº 70002205755. Questões de ConCurso 178º CONCURSO DE INGRESSO NA MAGISTRATURA DO ESTADO DE SÃO PAULO (2006). Por objetivarem participações societárias somente em indústrias. (D) a sociedade estrangeira autorizada poderá iniciar suas atividades antes de inscrita no registro próprio do lugar em que se deva estabelecer.DIREITO COMERCIAL. grifamos. para fins sindicais.

a “affectio societatis” e a “participação nos lucros e nas perdas”. O Direito da Empresa à luz do novo Código Civil – 6º edição revista e atualizada conforme a Lei 11.123. 2005. José Edwaldo Tavares Borba. são paulo/1961. – Diferença: capital social e patrimônio. – Dívida do sócio com terceiro e Penhora de quotas. Nesse sentido. 166 in Tratado de Direito comercial – vol. Curso de Direito Comercial. 4º edição.101/05. Págs: 156 a 192. Rubens.166 formação do capital social Nas palavras do Prof. Capítulo 21. ao menos aproximadamente. Rio de Janeiro: Renovar. volume 2: direito de empresa – 10º ed. juntamente com a “pluralidade de sócios”. Págs: 398 a 402. Renovar/2004. Fábio Konder Comparato. – Organização em quotas. 9 ª edição.3. – Ação de integralização de capital social para cobrança do sócio remisso. como se fora a representação de algo indisponível”. Págs: 361 a 366 e 371 a 374. Ricardo. ver. Leitura CompLementar – REQUIÃO. deverá ser apresentado. Sérgio. Nas palavras do Prof. 2005. – CAMPINHO. FGV DIREITO RIO 104 . Waldemar Ferreira: “Cumpre aos organizadores da sociedade calcular. Capítulo 29. – NEGRÃO. 26 edição – São Paulo: Saraiva. e atual. o montante do capital de que ela necessitará para exercer sua atividade e produzir os lucros.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa AUlAS 13 E 14: O fINANCIAMENtO DA SOCIEDADE lIMItADA Nesta aula discutiremos a leitura do(s) seguinte(s) capítulo(s): – Páginas 113 a 124 e 205 a 206 do Direito Societário. 1º volume. saraiva. 2005.934/94 e sua interpretação restritiva. O capital social representa o referencial que os sócios consideraram dever a sociedade possuir para dar conta dos objetivos ajustados no contrato social. pg. Págs: 401 a 407 e 497 a 506. “esse valor deve permanecer intocado enquanto durar a sociedade. – São Paulo: Saraiva. Nrs. o capital social é “o valor dos bens que os sócios integram à sociedade. 225 a 227 e 262 a 266. 64 da Lei nº 8. vol. – COELHO. no balanço social. Manual de Direito Comercial e de Empresa. ementário de temas – Formação do capital social. roteiro Vimos que a constituição do capital social é elemento formador do Contrato Social. que constituem o objetivo de quantos dela co-participarem. – O art.1. Curso de Direito Comercial. para servir de garantia última dos credores sociais”. São Paulo: Saraiva. O professor explica que. Capítulo 7. e para o qual tenha cada sócio possibilidade financeira de contribuir”. Fábio Ulhoa. – Aumento e redução do capital social. 2007 . na coluna do passivo e considerado “passivo inexigível” uma vez que não corresponde a qualquer dívida social.

º 8. O parágrafo segundo do art. A legislação portuguesa adota o “capital mínimo”173.000. a saber178: a) cessão a quem seja sócio: independentemente de audiência de outros. como já aprendemos.055.000.000 Euros e não pode ser constituída por um número de sócios inferior a 5.00 cada uma – sócio C: 2. sendo considerada a menor fração em que o capital é dividido. assim como a alemã.000 Euros. a lei não define o valor do capital mínimo.055.1.)167 entretanto. art. por exemplo.00 – sócio B: 1 quota com valor de R$ 35. a outorga uxória ou marital”169. cabendo uma ou diversas a cada sócio. 170 segundo a Resolução nº 2607/99 do Banco central do Brasil. 173 174 código civil. entre outras. não poderão possuir capital social integralizado inferior a R$ 7. a descrição e identificação do imóvel. 172 sociedade por quotas: capital social mínimo de 5. as seguintes formações: – sócio A: 1 quota com valor de R$ 40. igualdade ou desigualdade das quotas174. III e IV in manual de Direito comercial e de Empresa. quando necessária. O contrato social vai dispor sobre a CESSÃO DE QUOTAS. pg. donde surge a responsabilidade de cada um. por um número inteiro.500.000. VII quando exige. Não se fixou qualquer obrigação de proporcionalidade na cessão. p.00 – sócio C: 1 quota com valor de R$ 25. 171 as sociedades seguradoras autorizadas a operar no Brasil no grupamento dos seguros de ramos elementares. em sendo ele omisso. bem como o número da matrícula no Registro Imobiliário e.000 quotas com valor de R$ 10. para provar sua participação na sociedade o sócio precisará de uma via do contrato social. como táxi aéreo170. ou seja. as securitárias172 e outras. a partir do qual iniciará sua existência e funcionamento. 1. restrita ao valor de suas quotas (embora respondam solidariamente pela integralização do capital social). obrigatoriamente. assim. salvo quando a lei o dispense. Forense.00 cada uma – sócio B: 3. O capital social divide-se em quotas. estes bens devem ser avaliados e o valor expresso em moeda corrente. art. será igual ao valor do capital social estipulado no contrato. Quantidade. diferentemente da ação. O capital social será a demonstração da “força” da sociedade. aplicável às empresas de táxi aéreo ou de serviço aéreo especializado. em moeda nacional168.a. Fonte: Associação Empresarial de Portugal.000 Euros.500 quotas com valor de R$ 10. poderemos ter. por exemplo. somente o registro escritural. um documento especial”176. com natureza jurídica de bem móvel. as bancárias171.000. O valor do capital social será estipulado pelos sócios. instituições financeiras e outras instituições autorizadas a operar por referido órgão devem possuir um valor mínimo de capital social integralizado. de acordo com a Resolução nº 73 do conselho nacional de seguros privados.293. quando houver um pedido de empréstimo bancário o primeiro item a ser analisado pelo gerente será o valor do capital social. nem de exigir-se o consentimento dos demais sócios. 168 169 art.00 ou – sócio A: 4.056. que é o titular da totalidade do capital social mínimo de 5. individualmente. para representar as quotas. o Código Civil prevê duas situações. 167 n. 175 176 in curso de Direito comercial. o qual somente será exigido para a constituição de sociedades empresárias que se dediquem a determinadas atividades. sua área. – sociedade unipessoal por quotas: constituída por um único sócio. veda a prestação de serviços como elemento formador do capital social na sociedade Limitada.00 cada uma O Prof. 15. saraiva: são paulo/2005. – sociedade anônima: valor nominal mínimo do capital é de 50. São subscritas pelos sócios em proporções iguais ou desiguais. As quotas são indivisíveis. pessoa singular ou coletiva.00. Fran Martins explica que. sendo certo que numa sociedade com capital social de R$ 100. portaria nº190/Gc-5/2001 (Dac) que aprova as Instruções Reguladoras para autorização e funcionamento de empresas de táxi aéreo e de serviço aéreo especializado e dá outras providências.000. os direitos dela decorrentes somente poderão ser exercidos pelo representante designado pelos condôminos.934/94 sobre a incorporação de imóveis à sociedade. O Prof. italiana e francesa.00175. iguais ou desiguais. Rio de janeiro/2002. “havendo co-proprietários. O somatório do valor das quotas.000. no caso de bancos comerciais. são definidas com liberdade pelo contrato social. A divisão do capital social se dá por meio de quotas. ou pelo inventariante no caso de espólio (art. dados relativos a sua titularização.ex. 35.a.500 quotas com valor de R$ 10. incorpóreos. este valor é de R$ 17. n. Ricardo Negrão destaca uma novidade trazida pela Lei n. “além da designação do capital social no contrato levado a registro. FGV DIREITO RIO 105 . será fixado pelo Dac através de regulamentação específica. §1º)”177. móveis ou imóveis etc. “não há.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa Assim temos que é necessário definir no contrato social o valor a ser investido na sociedade por cada sócio e que irá compor o seu patrimônio de base. que serão sempre representadas. 1. 997. 28ª edição. de acordo com o porte das atividades a serem desenvolvidas pela sociedade. No Brasil.200. que está disposta no art. valor..00. A formação do capital social pode se consistir em dinheiro e outros bens (corpóreos. O valor do capital social mínimo.

verifica-se que a participação dos sócios no capital social indicará a relação de poder de cada um. e reduzindo-se com os prejuízos que se forem acumulados”180. 997. ¾ das quotas. um certo número de quotas ou ações para constituição do capital social. sendo vedada. é de extrema importância a existência de uma cláusula prevendo a continuidade da sociedade em razão da morte de um dos sócios.094: a contribuição do sócio exclusivamente em prestação de serviços é permitida nas sociedades cooperativas (art. que a cessão de quotas se dará independentemente do consentimento dos demais sócios. 183 subscrição é a promessa de integralização. nem consentimento para a venda a terceiros. que se afigura com importante instituto. Por outro lado. crescendo na medida em que esta realize operações lucrativas. 983. quando definirem as cláusulas sociais.007 e 1. in Direito societário. querendo os sócios garantir características típicas das sociedades de pessoas. A cessão de quotas será eficaz quanto à sociedade e terceiros. I) e nas sociedades simples propriamente ditas (art. eis que afetará o movimento de ingresso e saída de sócios. Leciona José Edwaldo Tavares Borba. 1. expressamente. 1.006. a propósito o enunciado n° 206 aprovado na III jornada de Direito civil. salvo convenção em contrário. a vedação da cessão de quotas para terceiros. O capital social é o fundo originário e essencial da sociedade fixado através da soma da contribuição dos sócios – é uma expressão numérica. O capital não se modifica no diaa-dia da empresa – a realidade não o afeta. 1. em moeda corrente. o ativo começa a se modificar. 981. 180 181 código civil. Integralizar é ato de alienação. É vedada contribuição que consista em prestação de serviços. art. apenas. Destarte. A falta desta previsão poderá acarretar o ingresso de herdeiros que não estejam interessados ou que prejudiquem o negócio. em relação à cessão de quotas.094. aumento e diminuição do capital social Vimos que o capital “é a expressão. Ao integralizar183 o capital social. 9ª edição. dos contingentes trazidos pelos sócios para a formação da arca communis. enquanto o patrimônio é real e dinâmico. 1. se os sócios quiserem empreender uma sociedade de capital. 1. 1. a integralização é o pagamento feito pelo sócio à sociedade. pois se trata de uma cifra contábil. cuja contribuição consista em serviços. Renovar: Rio de janeiro 2004. O sócio.057 p. art. quando subscrevem184 se comprometem a integralizar. Renovar/2004.055. Não havendo interesse de nenhum dos sócios. a partir da averbação do respectivo instrumento subscrito pelos sócios179. Quando a sociedade inicia suas atividades. assumem o compromisso com a sociedade de adquirir. bem como o passivo. sob pena de ser privado de seus lucros e dela excluído. poderão estabelecer em cláusula contratual. 178 179 art. em determinado prazo. o que é permitida. poderão estabelecer. ou seja. principal obrigação do sócio. a contribuição em serviço181 (trabalho). 2ª parte”.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa b) cessão a estranhos: dependerá da anuência de um quorum de 75 (setenta e cinco). O patrimônio encontra-se sujeito ao sucesso ou insucesso da sociedade. art. pensar sempre na possibilidade de um terceiro vir a adquirir o controle por meio da cessão de quotas. O patrimônio social é o patrimônio da sociedade no sentido econômico. ou seja. josé Edwaldo in Direito societário.006. passivo e patrimônio líquido) seja o capital social. 184 FGV DIREITO RIO 106 . na sociedade simples182. pág. Da mesma forma. o conjunto de bens (dinheiro e outros). isto é. O capital social pode ser constituído com dinheiro ou bens. mas tudo o que a sociedade possui e venha a possuir durante a sua existência. 983. os sócios pagam à vista pelas quotas ou ações.057 do cc. notadamente. haveria ainda a possibilidade da tomada das quotas pela própria sociedade. 182 código civil. do acervo de bens indispensáveis 177 TaVaREs BORBa.113. pois dívidas são necessárias para alavancagem da empresa. Com o início das atividades. promovida pelo cjF/sTj dispõe nesse sentido: “arts. pg.a. é o mesmo que pagar. incluindo-se as dívidas (passivo). Assim. compreendendo não apenas o capital social. Devem assim. §2º.único do código civil. 9 ª edição. empregar-se em atividade estranha à sociedade. que o “capital é um valor formal e estático.63. diferença: capital social e patrimônio. ou seja. não pode. é comum que o único item encontrado em seu patrimônio (ativo. no momento da elaboração do contrato social ou mesmo em suas alterações. n. com influência nas deliberações sociais. 1.

. José Edwaldo Tavares Borba ensina que: “esse aumento envolverá o ingresso de novos recursos quando decorrer de subscrição.3. 1. em recursos ou lucros acumulados que os sócios deliberam incorporar ao capital. A deliberação para a redução do capital social deve ser feita em Assembléia ou Reunião especialmente convocada para tal fim. 1. 1. são chamadas de bonificações”189. são paulo/1961. ou dispensandose prestações ainda devidas (que eventualmente estariam faltando para integralizar a “quota parte”).185 Por se tratar de uma cifra. assim recebidas. §1º c/c art. se não ocorrer. perante a Junta Comercial. V do código civil. desde que os sócios detentores de pelo menos 75% do capital social assim o desejem e sendo necessária. O art. a redução deve ser realizada restituindo-se parte do valor das quotas aos sócios. do valor nominal das quotas. O capital social pode ser aumentado mediante decisão (em assembléia ou reunião). ação de integralização de capital social para cobrança do sócio remisso.071. com diminuição proporcional. está prevista no art. São as seguintes hipóteses190: a) Se houver perdas irreparáveis depois de estar integralizado.082. devendo a Ata correspondente ser publicada em jornal de grande circulação ou em Diário Oficial. poderá exercer o direito de preferência sobre até trinta por cento do aumento deliberado” in manual do Direito comercial e de Empresa. pág. Continua o professor. a respectiva alteração no contrato social.084. Esses lucros e reservas foram gerados pela própria sociedade e poderiam ter sido distribuídos. Já a redução do capital social. 1. da Ata e da alteração do contrato social. 186 Ricardo negrão esclarece que o direito de preferência dos sócios na aquisição das novas quotas é proporcional às suas quotas.082 do Código Civil que afirma ser possível descapitalizar a sociedade quando o capital social for excessivo em relação ao objeto social. explicando que uma outra hipótese de aumento de capital “é a que se funda em recursos da própria sociedade. 187 188 189 190 Op cit. ambos do código civil.081 do Código Civil dispõe sobre a possibilidade do capital social ser aumentado. subscrevem as quotas de capital com as quais participarão do negócio e assumem a obrigação de integralizá-las.152. dependerá da juntada das publicações previstas no art. ¾ do capital social186. 1. a redução deve ser realizada com a diminuição proporcional do valor nominal das quotas. 191 O arquivamento da deliberação com fundamento no art. A decisão de incorporá-los ao capital é uma opção. O capital social também pode ser reduzido. pg. “se o sócio detiver trinta por cento do capital social integralizado. 1.076. e somente poderá ser efetivado após o decurso do prazo de 90 dias da publicação. pág. O prof. no mínimo. Essas cotas. Os sócios terão 30 dias para exercer o direito de preferência na aquisição das novas quotas187. é possível estipular-se um valor maior ou menor como suficiente para que a sociedade continue realizando seus fins. com aprovação de. 1. sem qualquer desembolso recebem novas cotas proporcionais a sua participação no capital. tornando-se efetiva a partir da averbação na Junta Comercial da alteração contratual que a tenha aprovado. saraiva/2005. da sociedade”. II do código civil. também. contribuir com recursos para o capital da sociedade. desde que não ocorra impugnação de credor quirografário da sociedade. ou seja. FGV DIREITO RIO 107 . poderá a sociedade formalizar a diminuição através do registro. ou seja. a morte do sócio com o pagamento dos haveres aos herdeiros e a exclusão do sócio com o pagamento dos seus haveres também são situações que podem acarretar em redução de capital. Este aumento pode concretizar-se através de aporte de novos valores como o desembolso por parte dos sócios ou mesmo por terceiros. ou b) Se o capital social for excessivo em relação ao objeto da sociedade191. saraiva. cabendo aos sócios subscritores transferir novos bens à sociedade”188. ou seja. Em ambos os casos (aumento ou redução). para tanto. §1º. Quando os sócios assinam o contrato social para constituição da sociedade limitada. eventuais credores terão o prazo de 90 (noventa) dias para impugnar a decisão. 64 Op. os sócios.. art. Neste caso. o capital social deve estar totalmente integralizado mediante a correspondente modificação do contrato. 185 FERREIRa.cit. Waldemar in Tratado de Direito comercial – vol. em ambas as situações. A partir da publicação.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa ao exercício da atividade mercantil (sic) . ou se for provado o pagamento da dívida ou o depósito judicial do respectivo valor.372. I c/c art. Nesse caso.122.

decorrentes de decisão judicial. A sociedade (e não os sócios) poderá cobrar em juízo o que for devido pelo sócio remisso. Nesse sentido. temos que é obrigação fundamental e indispensável de cada sócio a integralização da sua quota de capital. na hipótese de algum sócio não cumprir com sua integralização.) IV . em existindo parte do capital social ainda não integralizada. esta obrigação não precisa ser realizada imediatamente (à vista). em regra.” O sócio que não cumpre com a obrigação de integralizar sua quota (ou quotas) dentro do prazo. 1. 1. ou expulsá-lo192. particular ou público. cabendo ação de regresso contra o sócio que efetivamente não integralizou sua parte. os outros sócios podem. Vimos então que a efetiva responsabilidade de cada sócio é pela integralização de sua quota. não integralizada a quota de sócio remisso. para o cumprimento de suas obrigações.” “Art. em regra. excluindo o primitivo titular e devolvendo-lhe o que houver pago. É recomendável que no contrato social haja uma cláusula fixando o tempo e a forma para a realização desse pagamento (a prazo). A sociedade constitui-se mediante contrato escrito.004. e aquele que deixar de fazê-lo. deduzidos os juros da mora.004 do Código Civil responderá. em se tratando de uma sociedade limitada. sendo certo que para essa última hipótese necessária se fará a presença de justa causa. porém. Neste sentido. tomá-la para si ou transferi-la a terceiros. além de cláusulas estipuladas pelas partes. sem prejuízo do disposto no art. Os sócios são obrigados. nos trinta dias seguintes ao da notificação pela sociedade. responderá perante esta pelo dano emergente da mora. que. Hipóteses como a exclusão de sócio e o acionista (S. 591 do Código de Processo Civil estabelece o princípio básico segundo o qual “o devedor responde.A. mas todos respondem solidariamente pela integralização do capital social.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa Assim. 1. 997.004 e seu parágrafo único. mencionará: (. é chamado de sócio remisso e. pelo dano emergente da mora. temos os seguintes artigos do Código Civil: “Art. ser objeto de penhora para efeito de pagamento de obrigações vinculadas àquele. as quotas integram o patrimônio do sócio e poderiam. responderá de forma solidária com os demais. os sócios responderão solidariamente pela quantia que falta para completar o capital social. o art. Porém. o patrimônio pessoal dos sócios não responde por dívidas da sociedade.a quota de cada sócio no capital social. a responsabilidade de cada sócio é restrita ao valor de suas quotas. Portanto. 1. as prestações estabelecidas no contrato mais as despesas FGV DIREITO RIO 108 . entretanto. dívida do sócio com terceiro e penhora de Quotas Na condição de bem móvel..058. 1.” “Art.. com todos os seus bens presentes e futuros. na forma do art. salvo as restrições estabelecidas em lei”. e o modo de realizá-la. não podendo ser utilizada a inadimplência como via oblíqua para afastar sócios indesejáveis. perante a sociedade.) remisso serão objeto de estudo futuro. 192 código civil. nunca foi pacífico o entendimento de que as quotas sociais são penhoráveis por dívida particular do sócio. às contribuições estabelecidas no contrato social. Na sociedade limitada. caso o capital social esteja totalmente integralizado.052. na forma e prazo previstos. Entretanto. art.

026. 1. natureza a que se subordina a sociedade limitada”199. sobre (I) os dividendos do devedor (II) os haveres 193 apud. Em posição contrária aos demais doutrinadores. 1º. em benefício da coletividade. apesar do Código Civil não dispor sobre a matéria “possibilidade de penhora das quotas” sociais por dívida particular de sócio. a quota somente será penhorável se “houver no contrato social cláusula pela qual possa ser ela cessível a terceiro. 199 200 Op. Entretanto. pág. E conclui criticando a doutrina que admite a penhora pura e simples de quotas do sócio em execução de dívidas particulares.cit. ainda que esta esteja em regime de concordata preventiva. parágrafo único e art. 194 195 196 Op. Este dispositivo estabelece a possibilidade da execução recair. considerava absurda a aplicação irrestrita dos preceitos da Lei das Sociedades Anônimas à sociedade limitada. sérgio Op. com o ingresso compulsório de terceiro não sócio.se de capital ou de pessoas. mas também porque. onde na ementa se lê: “responde o devedor com todos os seus bens.cit.cit. quando o caráter que quiseram impor à sociedade seria o personalista.026. havendo limitação à sua livre transferência. vedando a livre cessão de quotas”196. entende que. Vol. 114. seguindo entendimento de Cunha Peixoto193. 1. não havendo lei que exclua da execução as quotas do sócio em sociedade de responsabilidade limitada”. pág. in as sociedades limitadas e os direitos de terceiros. Renovar/2005. Ricardo Negrão198. legitimar-se-ia a penhora.365. pág. presentes ou futuros. ao tratar da matéria no capítulo correspondente. apurar os haveres do sócio insolvente para. o professor reconhece que não se pode “desconsiderar os nefastos efeitos que a arrematação das quotas em hasta pública poderia vir a provocar na affectio societatis. campInHO. como fonte de produção e de riquezas. incidir a penhora”197. Sérgio Campinho. pág. cumprindo. Ed. apesar da jurisprudência. onde na ementa se encontra: “É possível a penhora de cotas pertencentes ao sócio de sociedade de responsabilidade limitada. sem a anuência dos demais companheiros”. O Prof.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa O Prof. 1. Op.º 34. “não pode a relação interna estabelecida entre os sócios obstar o exercício de um direito por parte do terceiro-credor.031). 197 198 Op. admitida expressamente pela lei a excussão de parcela do capital social em sociedade intuitu personae – como é a sociedade simples –. pág. tendo os demais sócios que prostradamente assistir a admissão de um novo consorte. 201 FGV DIREITO RIO 109 . “em sua inteireza. em execução por dívida sua. e não da sociedade. parte da doutrina entende que o cerne da questão está no entendimento que se tenha da natureza jurídica da sociedade limitada . posição fundamentada em decisão do sTj no REsp.º 34. pág. o Prof. a quem se tem exaltado como instrumento necessário ao bem comum. são paulo/1995. negarse-ia a penhora”200. in Direito de Empresa á luz do novo código civil. do contrário.343.345. Ou seja. sendo aplicável.cit. Vimos então que. com a apuração de seus haveres. Nas palavras do professor é inconcebível: “considerar a cota equiparável às ações e transmudar os termos de processo de execução de forma a torná-lo um modo de transferência da cota-ação das mãos do devedor para as do credor”194. não somente em razão da omissão do legislador.175.cit. que se veria impedido de excutir as quotas do sócio-devedor. para o cumprimento de suas obrigações. além de. Rubens Requião. alternativamente. in curso de Direito comercial. a matéria é regulada no capítulo das sociedades simples (art. VEREDIcTum – Diretório acadêmico afonso arinos – unirio. o regime imposto pelo Código Civil impõe a liquidação da quota do sócio em virtude de dívida particular.73. não há qualquer óbice para sua aplicação no campo societário tipicamente de capital ou misto. Requião. Esta posição já foi a adotada pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do Recurso Extraordinário n. conforme ensina José Gabriel Assis de Almeida201: “O regime imposto pelo NCC está no art. saraiva. considerar inadmissível que “se prejudique a empresa.882-5/RS.680/RS e pelo Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial n. sérgio campinho. conforme verifica-se nas ementas transcritas em “jurisprudência”. “caso fosse concebida a livre cessão das quotas.195” Para o prof. no caso. para a sociedade limitada.” E no REsp 21.223/pR. colocando aquele em injusta desvantagem em relação a este último”. 5 ª edição. pág. Essa penhora não terá cabimento nas sociedades de pessoas.179. sobre os valores encontrados. Para o Prof. Entretanto. 22ª edição. José Edwaldo Tavares Borba entende que “a insolvência do sócio levará os credores à pretensão de penhorar suas quotas na sociedade.177. novembro/2004.430/mG.

primeiro deverá o credor esgotar todos os demais bens que integram o patrimônio do sócio-devedor.11. Essa vedação.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa do devedor. mas sempre. mas tal exceção. 64 da Lei n.99. pois incompatível com a sua estrutura. os contratos de investimento coletivos.026 criou um benefício de ordem. j. derivada do texto do art. dentre outros. o Conselho Superior da Magistratura do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo. dos bens com que o subscritor tiver contribuído para a formação ou aumento do capital social. da sociedade. como é o caso do art. no caso concreto. 1. os dividendos e os haveres do sócio-devedor”. o art. ou seja. deve ser interpretada de modo restritivo. Somente após esgotados os demais bens do patrimônio do sócio-devedor é que o credor poderá indicar. por força do disposto no art. às sociedade anônimas. diferentemente. havendo dação em pagamento.934/94. Ou seja. somente será possível o registro imobiliário das certidões referidas nas hipóteses em que ocorrer aumento de capital social (com integralização de bens imóveis).Capital. os bônus de subscrição. A emissão de valores mobiliários será restrita. nesses casos. parágrafo único. por transcrição no registro público competente. mas sim decorrente de extinção da pessoa jurídica. Neste caso. Rel. passada pelas juntas comerciais em que foram arquivados. a Lei cuida da transferência do bem imóvel com que o subscritor tiver contribuído para a formação ou aumento do capital social. já se decidiu: ‘Admitese a utilização de instrumento particular com o fim de materializar a conferência de bens pelos sócios para integralizar o capital social. Nigro Conceição). uma outra importante inovação no regime do NCC. independentemente da natureza e localização destes bens. 202 203 Valores mobiliários são títulos de investimentos negociados por uma sociedade anônima. 1. portanto.031 acima citado. perante o registrador. Há. Des. da pessoa jurídica para o sócio. 1. Tal dispositivo legal permite a utilização de certidão expedida pela Junta Comercial. possibilitar a alienação de direitos reais incidentes sobre imóveis. constituí uma das grandes diferenças entre estes tipos societários e poderá ser fundamental para a escolha do tipo societário mais adequado para determinados negócios. em favor da sociedade.934/1994. não estando a hipótese dentro da exceção do art. O artigo 2º da Lei 6385/76 relaciona diversos valores mobiliários. A grande novidade é que a liquidação da quota implica. do sócio devedor. Neste sentindo. 64 da Lei nº 8. 64. art. Além disso. E na espécie. será o documento hábil para a transferência. invariavelmente. como título hábil para. FGV DIREITO RIO 110 .934/94. a quota só é penhorável na insuficiência de outros bens. 28. Destarte. o título de transferência somente se viabilizaria se materializado por instrumento público. ainda. para sua redução ou dissolução” (Ap. esta deverá se formalizar por escritura pública. 64 da Lei nº 8. 64 da Lei nº 8. de 18. os haveres serão apurados na forma do art. extraída dos atos constitutivos ou de sua alteração. Noutras palavras. Assim.10. requerendo a liquidação da quota do sócio-devedor. entendeu que “normas excepcionais.934. como objeto da execução.94.9710/1 . nº 63. É que o art. A certidão passada pela Junta Comercial é documento hábil para a transferência de bem do sócio para a sociedade e.º 8. não podemos deixar de salientar que a sociedade limitada não poderá obter financiamento para suas atividades através da emissão de valores mobiliários203.934/1994 e sua interpretação restritiva Segundo a sistemática contida no artigo 64202 da Lei 8. a transmissão se opera de forma inversa. Assim. na exclusão. como por exemplo. Não é possível interpretar extensivamente tal norma para abranger os casos em que houver redução do capital social ou mesmo extinção da sociedade. as ações. Cív. a certidão dos atos de constituição e de alteração de sociedades mercantis. embora não esteja expressa. as partes beneficiárias.030. para a composição ou o aumento do capital social e nunca. as debêntures. merecem interpretação restritiva. o imóvel não tem finalidade de integralização do capital da sociedade (formação ou aumento do capital social). a propósito do falecimento de sócio.

stj. representativas do capital social de uma sociedade limitada de pessoas. resolve adquirir uma geladeira em 36 vezes. Desse modo. §1° do Código Civil. Ultrapassado esse prazo. às 03:25horas. Devido a sua inadimplência. FGV DIREITO RIO 111 .ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa Com efeito. ausente a integralização. quando estiverem atuando como se fossem companhias abertas. à Comissão de Valores Mobiliários – CVM. num frio e chuvoso final de semana. é necessário a outorga conjugal? e) É devido o imposto de transmissão de bens imóveis (ITBI)? Os sócios Izan e Fabião efetuaram a subscrição de suas quotas para integralização em 6 meses.br/ portal_stj/publicacao/engine.gov.055.area=398&tmp. wsp?tmp. (tecnologia da informação). acabava se empolgando e adquirindo outros bens. Caso gerador i Isabela Gama. cujo objeto será a prestação de serviços de consultoria empresarial para empreendimentos na área de T. qual será o seu parecer? Caso gerador ii. Procurada por Isabela. mas isso não significa concluir que as sociedades anônimas fechadas e as limitadas não possam ser autuadas e multadas pela referida agência. Os sócios concordam com o preço. Os amigos de longa data Padilha. receosos com o a regra inserta no art. via de conseqüência. A cada mês que se dirigia à loja para pagar a prestação. a sociedade credora ingressa com ação de execução em face de Isabela e é realizada a penhora de quotas de sua propriedade. aquelas que possuem o registro na CVM.. indicado por Padilha. resolvem constituir uma sociedade limitada denominada de Bernardo’s Empreendimentos e Participações Ltda. temos dois grandes exemplos: a sociedade limitada Avestruz Máster204 e a Fazendas Reunidas Boi Gordo S/A (sociedade anônima fechada). agência reguladora do mercado de capitais. Izan e Fabião. qual deve ser a medida adotada? JurisprudênCia RECURSO EXTRAORDINÁRIO. 1. as dívidas foram se avolumando a um ponto que Isabela não mais conseguiu satisfazer as suas obrigações. trocando o carnê por outro e. acesso em 19 de janeiro de 2008.I. para imóvel. Padilha diz ser o proprietário de uma sala que servirá de escritório para o desenvolvimento da empresa. 204 http://www. aumentando o valor das parcelas. Para tanto. Nesse sentido. compete fiscalizar as sociedades anônimas abertas. todavia. para fins de precaução. INALIENABILIDADE OU IMPENHORABILIDADE DE QUOTAS DA SOCIEDADE LIMITADA. ou seja. texto=86413. QUANDO EXISTE CLÁUSULA A RESPEITO NO CONTRATO SOCIAL. bombardeada por diversos anúncios de uma grande rede de eletrodomésticos. pretendendo integralizar sua parte no capital social com o referido bem imóvel. lhe procuram com as seguintes questões: a) Qual deve ser a forma de integralização do capital com o bem imóvel? b) É necessária a realização de escritura pública? c) O instrumento que efetivar a integralização deve ser levado ao Registro Imobiliário? d) Sendo Padilha casado. QUANDO DELE NÃO SE CONHECE.

julgado em 14. Precedentes. Relator Min. Deve-se apenas facultar à sociedade. grifamos. 241). cláusula impediente. As cotas sociais podem ser penhoradas.05. A penhora não acarreta a inclusão de novo sócio. ou então.119 do estatuto processual civil. em consonância com os artigos 1. conceder-se a ela e aos demais sócios a preferência na aquisição das cotas. de modo que.04. como já acolhido em precedente da Corte. arts. PROCESSO CIVIL.1. Julgamento em 27/01/1958.2001 p. III . DJ 12. DJ 10. 2. Rel. cumpre respeitar a vontade societária. TERCEIRA TURMA. asseverou o acórdão recorrido não ter o recorrente se desobrigado do ônus da sua prova.2006 p. Ministro CARLOS ALBERTO MENEZES DIREITO. TERCEIRA TURMA. em princípio. SOCIEDADE DE RESPONSABILIDADE LIMITADA. 1. Rel. se o recorrente não se desincumbiu do ônus de comprovar a expressão econômica daqueles que pretendia dar em substituição aos já penhorados. 3. são penhoráveis.117. remir o bem ou concederse a ela e aos demais sócios a preferência na aquisição das cotas. SOCIEDADE POR COTAS DE RESPONSABILIDADE LIMITADA.117. DJ 29.2006. Recurso especial não conhecido. preservando-se a afectio societatis.2000. TERCEIRA TURMA. Ministro CASTRO FILHO. à mingua de qualquer previsão legal. NELSON HUNGRIA.Ademais.186).747/DF. DESATENDIMENTO DA GRADAÇÃO LEGAL. EXECUÇÃO.No que se refere à alegação de que os demais sócios do empreendimento são contrários à venda das cotas. Recurso conhecido e provido. As quotas. “eis que sequer juntou aos autos cópia do mesmo”. grifamos. Ministro CARLOS ALBERTO MENEZES DIREITO.11. na qualidade de terceira interessada. superar essa conclusão demandaria incursão no acervo fático-probatório da causa. que restaria comprometida com a participação de um estranho não desejado. INDEFERIMENTO DE PEDIDO DE SUBSTITUIÇÃO. o que é vedado em âmbito de especial (Súmula 7/STJ). sendo ainda essa iniciativa vedada pelo contrato social. a tanto por tanto (CPC. remir a execução. devendo ser “facultado à sociedade.947/MG. (REsp 234. I . 1. CONTROVÉRSIA DOUTRINÁRIA E JURISPRUDENCIAL. grifamos.2002 p.02.12. considerando que não há vedação legal para tanto e que o contrato não pode impor vedação que a lei não criou. (REsp 712. (REsp 148. NÃO COMPROVAÇÃO DA EXPRESSÃO ECONÔMICA.04. FGV DIREITO RIO 112 . esta não pode ser admitida como válida. julgado em 15.119)”.02. II . 113). PRIMEIRA TURMA. Havendo. a possibilidade de remir a execução. DJ 29. 1.118 e 1. grifamos.118 e 1. DÍVIDA DE SÓCIO. Recurso especial não conhecido. ÔNUS DO DEVEDOR.391/MG. PENHORA DE QUOTAS. PENHORA DE COTAS DE SOCIEDADE DE RESPONSABILIDADE LIMITADA.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa (RE 34. Rel.680/RS. entretanto. PENHORA DAS COTAS SOCIAIS. a despeito de haver restrição contratual à alienação das cotas. na qualidade de terceira interessada. pouco importando a restrição contratual. julgado em 21.2000.Descabe o conhecimento do especial quanto ao pedido de relativização da ordem de gradação dos bens indicados à penhora.1958).

DECIMA SEGUNDA CAMARA CIVEL. PENHORA DE BEM IMÓVEL PERTENCENTE À EMPRESA DA QUAL O FALECIDO ERA SÓCIO MAJORITÁRIO.2006. pois o que se está executando é o acordo firmado entre aquele e o ora apelante. a morte de um dos sócios não acarreta sua dissolução da sociedade. ARROLAMENTO DE BENS DE SOCIEDADE.07916 . Assim. Comprovado está que a dívida é do Espólio.Julgamento: 13/09/2005 . pelo cumprimento de suas obrigações.C. O artigo 591 do C. PENHORA DAS QUOTAS SOCIAIS. Hipótese em que o contrato veda a cessão a estranhos.. em hipótese alguma o imóvel deixará de pertencer à empresa apelada Não se pode confundir a pessoa jurídica da empresa. Impenhorabilidade reconhecida. TERCEIRA TURMA.002. torna os bens adquiridos para tal finalidade econômica de propriedade da sociedade. pelo contrato social. não pode a penhora recair sobre bem dessa. Agravo que se conhece. O fato do contrato de compra e venda dos bens encontrar-se em nome da. INEXISTÊNCIA DE QUALQUER HIPÓTESE QUE AUTORIZE A CONFUSÃO DOS PATRIMÔNIOS. RECURSO ESPECIAL.1993. com todos os seus bens. HUMBERTO GOMES DE BARROS.AGRAVO DE INSTRUMENTO. Por isso. seja em virtude de proibição expressa. (REsp 34.06. nem partilha dos seus bens. julgado em 20.15. EXECUÇÃO PROMOVIDA CONTRA ESPÓLIO. do qual não fez parte a recorrida. DES. AGRAVO DE INSTRUMENTO. POSSIBILIDADE. de seu contexto. TJ/RJ) – grifamos. O fato de terem os sócios integralizado o capital social no momento da constituição da sociedade.06. DJ 12. se. grifamos. DJ 09. que a sociedade foi constituída “intuitu personae”. já que os bens da sociedade por cotas de responsabilidade limitada não se comunicam com os adquiridos pela pessoa física de seus sócios. MIN. não é lícita a penhora das quotas sociais em execução movida contra a pessoa jurídica. com a pessoa de seu falecido sócio.1993 p. – Salvo em hipóteses taxativamente previstas em lei. A proibição de alienar as cotas pode derivar do contrato. Entre elas se compreende a resultante do disposto no artigo 64. (2005. TERCEIRA TURMA. da qual o espólio detém cotas. conseqüentemente. NOMEAÇÃO DE SÓCIO COMO FIEL DEPOSITÁRIO. se a FGV DIREITO RIO 113 . Ministro EDUARDO RIBEIRO.P. e. EMBARGOS DE TERCEIRO. PERTENCENTES AOS SÓCIOS. EM RAZÃO DE DIVIDA CONTRAÌDA PELO DE CUJUS. julgado em 30.230). 482). dispondo que o devedor responde. HENRIQUE MAGALHAES DE ALMEIDA . I do mesmo Código que afirma impenhoráveis os bens inalienáveis.882/RS. mas a que. o patrimônio dos sócios não responde por dívidas da sociedade. Rel. (REsp 757.PENHORABILIDADE DAS COTAS DO CAPITAL SOCIAL. e não da empresa apelada.2006 p.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa SOCIEDADE POR COTAS DE RESPONSABILIDADE LIMITADA .04. se nega provimento. IMPOSSIBILIDADE. EXECUÇÃO. DÍVIDA DA SOCIEDADE DE RESPONSABILIDADE LIMITADA. ressalva as restrições estabelecidas em lei. Em que pese o débito ter sido constituído pelo sócio majoritário da apelada. Rel.08.865/SP. seja quando se possa concluir. agravante não a torna proprietária exclusiva dos bens se estes foram empregados na sociedade e se o capital social foi totalmente integralizado. salvo consentimento expresso de todos os demais sócios. grifamos.

Des.SEÇÃO DE SÃO PAULO.DEZEMBRO/2007 81ª Questão: Sobre o Capital social da sociedade limitada: a) é admitida a sua formação com base em prestação de serviços pelos sócios a favor da sociedade. foi contraída pelo falecido. (D) não pode ser negociada em bolsa de valores. Desprovimento do recurso. (B) depende da aprovação de metade dos sócios presentes em reunião. e não os da empresa da qual era sócio. depende da deliberação dos sócios a aprovação das contas da administração.EXAME DE ORDEM .001.SEÇÃO DO RIO DE JANEIRO.Décima Quinta Câmara Cível. PROVA OBJETIVA. 49.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa dívida. PROVA OBJETIVA.Julgamento: 01/02/2006 . b) É nula a estipulação contratual que exclua qualquer sócio de participar dos lucros e das perdas. (C) depende da aprovação de metade do capital social. 1ª FASE. Direito Comercial 47 . (D) depende da aprovação de 3/4 do capital social. Questões de ConCursos 24º EXAME DE ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL . 128º EXAME DE ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL . dos seus atos constitutivos. 42.SEÇÃO DE SÃO PAULO. desde que autorizada a abertura do capital da sociedade empresária.52831 . enquanto não tiver o seu capital totalmente integralizado. Sergio Lucio Cruz . desde que autorizada pela Assembléia Geral dos sócios. TJ/RJ). (C) não pode ser negociada em bolsa de valores. 1ª FASE. FGV DIREITO RIO 114 . (2005. ainda que representado por propriedade rural.Apelação Cível. (B) pode ser negociada em bolsa de valores. PROVA OAB/MG . c) Na sociedade limitada empresária. A quota de capital de uma sociedade empresária (A) pode ser negociada em bolsa de valores. d) Em nenhuma hipótese a sociedade limitada empresária poderá reduzir o seu capital 124º EXAME DE ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL . Na omissão do contrato social. assinale a alternativa INCORRETA: a) A sociedade adquire personalidade jurídica com a inscrição. PROVA OBJETIVA. VERSÃO 1. a cessão de quotas entre sócios de uma sociedade limitada (A) é livre. no registro próprio e na forma da lei. são seus bens que devem garantir a execução. grifamos.Com relação às sociedades personificadas. b) é admitida a sua formação por bem imóvel. 1ª FASE.

c) nas sociedades de responsabilidade limitada o sócio responde pelas obrigações existentes no momento do ingresso e pela integralização de sua cota a partir daí. a qualquer título. b) pode perder as cotas adquiridas. anualmente. d) o sócio que pagou sua participação no capital social com bem imóvel responde solidariamente com a sociedade pela exata estimação do seu valor pelo prazo de dois anos. c) nas sociedades de responsabilidade limitada o sócio responde pelas obrigações existentes no momento do ingresso e pela integralização de sua cota a partir daí.DEZEMBRO/2007 24ª Questão: Tratando-se de sociedade limitada.AGOSTO/2006 81ª Questão: Ainda quanto à responsabilidade ordinária dos sócios é correto afirmar que: a) nas sociedades de responsabilidade ilimitada o sócio que nela ingressa mediante aumento do capital social responde somente pelas obrigações a partir de seu ingresso. o sócio remisso: a) pode ser cobrado pela via da ação executiva. quando tais lucros ou quantias se distribuírem com prejuízo do capital. independentemente de audiência dos outros sócios. quando feita em ato separado.EXAME DE ORDEM . c) A remuneração dos membros do conselho fiscal instituído será fixada. d) nas sociedades de responsabilidade limitada o sócio cotista dissidente não responde após o registro da alteração de sua retirada.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa c) todos os sócios respondem subsidiariamente em relação à sociedade pela exata estimação do valor do bem imóvel que compõem o capital social pelo prazo de dois anos. FGV DIREITO RIO 115 . salvo quando autorizadas pelo contrato. PROVA OAB/DF . a) Os sócios serão obrigados à reposição dos lucros e das quantias retiradas. total ou parcialmente. a quem seja sócio. assinale a assertiva incorreta. d) Depende da deliberação dos sócios a designação dos administradores.EXAME DE ORDEM .ABRIL/2008 77ª Questão: Na sociedade limitada. pela assembléia dos sócios que os eleger. o sócio pode ceder sua quota. d) responde sozinho perante credores por dívidas da sociedade.EXAME DE ORDEM . b) nas sociedades de responsabilidade ilimitada os sócios que se retiram ficam obrigados pelas obrigações contraídas até o momento da despedida por um período de dois anos a partir do arquivamento da alteração contratual . b) Na omissão do contrato. sem direito de receber de volta o que houver pago. PROVA OAB/RS . PROVA OAB/MG .

EXAME DE ORDEM . com relação à formação do capital social e sua divisão em quotas. d) O capital social não pode ser reduzido. deduzidos os juros da mora. o sócio pode ceder sua quota. c) Na sociedade limitada. c) Pela exata estimação de bens conferidos ao capital social respondem solidariamente todos os sócios. PROVA OAB/RJ . os direitos a ela inerentes somente podem ser exercidos pelo condômino representante ou pelo inventariante do espólio do sócio falecido. os outros sócios podem. d) Na sociedade limitada. excluindo o primitivo titular e devolvendo-lhe o que houver pago. total ou parcialmente. b) No caso de condomínio de quota. d) Para a formação do capital social é permitida contribuição que consista em prestação de serviços. mesmo após integralizado. iguais e desiguais. não pode a sociedade reduzir o capital. havendo omissão do contrato. apenas.DEZEMBRO/2006 31º EXAME DE ORDEM RJ 56ª Questão: Em relação à diminuição do capital social de uma sociedade limitada. contados da data da publicação da ata de assembléia que aprovou a redução. não integralizada totalmente a quota de sócio remisso. salvo se houver perdas irreparáveis para a sociedade. total ou parcialmente.ABRIL/2006 95ª Questão: Assinale a alternativa CORRETA: a) Sócio remisso é aquele que não cumpre o dever de integralizar sua parcela no capital social. b) A redução somente se tornará eficaz se não for impugnada no prazo de 90 (noventa) dias. a) O capital social divide-se em quotas. b) Na sociedade limitada. a responsabilidade de cada sócio é restrita ao valor de suas quotas e os sócios que já integralizaram as suas quotas apenas respondem subsidiariamente pela integralização do capital social. somente a quem seja sócio.EXAME DE ORDEM . as prestações estabelecidas no contrato mais as despesas. até o prazo de 5 anos da data do registro da sociedade.EXAME DE ORDEM . cabendo uma ou diversas a cada sócio. PROVA OAB/RS . assinale a assertiva incorreta. podemos afirmar que: a) Salvo expressa previsão no contrato social. tomá-la para si ou transferi-la a terceiros. c) A redução do capital social pode ser feita sem modificação do contrato.ABRIL/2006 24ª Questão: Nas sociedades limitadas. FGV DIREITO RIO 116 .ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa PROVA OAB/MG .

FGV DIREITO RIO 117 .Uma sociedade limitada possui quinze sócios. 2ª FASE. 2ª QUESTÃO (VALOR: TRÊS PONTOS): Que opções têm os sócios da sociedade limitada em relação ao sócio remisso? (VALOR: UM PONTO E MEIO). 27º EXAME DE ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL .JUIZ . 29º EXAME DE ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL . c) Na sociedade empresária limitada. os quais representam um quinto do capital social.SEÇÃO DO RIO DE JANEIRO. De que forma estes sócios minoritários podem assegurar a defesa de seus direitos? Aponte o fundamento legal. 2ª Prova Específica.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa PROVA CONCURSO PúBLICO/MG . compete ao conselho de administração autorizar. b) O patrimônio social líquido corresponde à totalidade de ativos da sociedade deduzido o capital social. 4 . Direito Comercial. XXXIX CONCURSO PARA INGRESSO NA MAGISTRATURA DE CARREIRA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO. sendo doze majoritários e três minoritários. assinale a alternativa CORRETA. defina qual é a natureza jurídica da cota. se o estatuto não dispuser em contrário. PROVA DISCURSIVA. a alienação de bens do ativo permanente.2007 59ª Questão: Quanto às sociedades. 4 .No capital social de uma sociedade limitada empresária.2ª FASE. a) O patrimônio social não pode ser inferior ao capital social. d) Nas sociedades anônimas. o capital social pode ser integralizado com a prestação de serviços.PROVA DISCURSIVA .SEÇÃO DO RIO DE JANEIRO .

retirar-se da sociedade.430. ou melhor. 205 206 in manual de Direito comercial e de Empresa. as sociedades limitadas (então chamadas de sociedades por quotas de responsabilidade limitada) eram reguladas pelo Código Comercial e. obrigados às prestações correspondentes às quotas respectivas. conforme disposição do art. pág. e as explicitamente indicou no art. Saraiva/2004. 1. Ficam. Sérgio Campinho.º 3. porém. A reunião ou assembléia de sócios é o órgão máximo da sociedade. 204 roteiro de auLa Já aprendemos que antes do advento do novo Código Civil. em atenção ao direito dos minoritários e com a possibilidade de abuso por parte do majoritário. desde logo.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa AUlA 15: MECANISMOS DE fORMAÇÃO DA vONtADE SOCIAl E SUA fISCAlIZAÇÃO Nesta aula discutiremos a leitura do(s) seguinte(s) capítulo(s): – Páginas 368 a 371 do Manual de Direito Comercial e de Empresa.068) e para estabelecer a remuneração do contabilista assistente (art. sendo permitindo ao sócio que divergisse (da maioria). vol. Há outras situações que. Renovar: Rio de Janeiro/2004. não foram mencionadas naquele dispositivo e que. assiste aos sócios que divergirem da alteração do contrato social a faculdade de se retirarem da sociedade.708/1919205. Nas palavras do Prof. 9ª edição. computado pela forma prescrita no artigo nº.4ª edição. Fábio ulhoa in curso de Direito comercial. é o cérebro da cOELHO. onde está localizado o poder de deliberar. ou seja.370. FGV DIREITO RIO 118 . “a vontade do sócio ou dos sócios titulares de mais da metade do capital social era suficiente para qualquer deliberação”204. Saraiva: São Paulo/2005. pelo Decreto nº 3. igualmente. na proporção do último balanço aprovado. Ricardo Negrão. a exigência de os sócios reuniremse em assembléia. 1. 1.a maioria dos sócios não tem faculdade de entrar em operações diversas das convencionadas no contrato sem o consentimento unânime de todos os sócios. – Páginas 424 a 432 do Curso de Direito Comercial. contudo. dependem de deliberação dos sócios. ementário de temas – Assembléias e Reuniões – Conselho Fiscal 203 art. 5ª edição Renovar/2005. especificamente. “o rol do art. 15 do Decreto n. Fábio Ulhoa Coelho. definiu a necessidade de se alcançar uma maioria qualificada para aprovação de diversas matérias e deliberação colegiada em reunião ou assembléia. 1. nos mais casos todos os negócios sociais serão decididos pelo voto da maioria.070. na parte em que essas prestações forem necessárias para pagamento das obrigações contraídas. parágrafo único)”206. 486. 7ª edição. como por exemplo. saraiva/2004. 7ª edição.4ª edição. em suma. O Código Civil. dada sua especificidade.708 de 10 de janeiro de 1919. – Páginas 122 a 125 do Direito Societário. de tomar decisões. o art.I .071 não é taxativo. Vol. pág. saraiva: são paulo/2005. para eleger e fixar remuneração dos membros do conselho fiscal (art. Leitura CompLementar – Páginas 242 a 255 de O Direito de Empresa à luz do Novo Código Civil. até à data do registro definitivo da modificação do estatuto social. 331203 do Código Comercial estabelecia o princípio da maioria. 331 .I . art. obtendo o reembolso da quantia correspondente ao seu capital. 15. No tocante a disciplina das deliberações dos sócios.071. Ricardo Negrão. José Edwaldo Tavares Borba.

Aos sócios dissidentes caberá o direito de recesso. pode estabelecer regras diferentes das previstas na lei para a validade da assembléia dos sócios. de forma excepcional.074 do código civil. art.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa sociedade. em sua maioria. Na prática. trás como novidade o registro da ata dos trabalhos e deliberações em livro específico (Livro de Atas). 1. como veremos a seguir. a convocação é dever legal do administrador que também pode ser realizada pelos sócios e pelo conselho fiscal (se houver). convocação (competência e modo). conforme esteja previsto no contrato social. O Prof. A assembléia se instala com a presença de ¾ do capital social. se o número de sócios for superior a 10 (dez)210.)”216. FGV DIREITO RIO 119 .072. O art.072. poderá optar pela forma de assembléia para suas deliberações sociais. 208 209 art. 5ª edição Renovar/2005.072. pág. Fábio Ulhoa Coelho217 esclarece que “se o contrato social estabelece que as deliberações dos sócios sobre as matérias do art. data. do local. §3º do código civil. ele pode estabelecer regras próprias sobre a sua periodicidade. contudo.073. sendo permitido ao sócio ser representado por outro sócio ou advogado com mandato específico. Serão sempre em assembléia. art. 1. sendo certo.154 do NCC. juntamente com a ata215. A ata deve ser assinada pelos membros da mesa e pelos sócios participantes da assembléia. e com qualquer número em segunda. 217 218 Op. o Prof. como já tratado na aula 10. reunião ou assembléia deve ser convocada atendendo ao dispositivo do art. Como adverte Modesto Carvalhosa. Sérgio Campinho211 leciona que esta “competência primária é conferida ao órgão de administração da sociedade. No tocante às regras formais pertinentes às assembléias serem aplicadas às reuniões. no mesmo sentido: sérgio campinho. 1. devendo. saraiva/2003. 212 art. ser oposto a terceiro (artigo 1. Ressalte-se que. ficam dispensadas se todos os sócios comparecerem ou se declararem cientes. 1. 1. 207 art. 211 para Ricardo negrão. 214 215 216 art.429.152. Uma vez aprovada determinada deliberação. in comentários ao código civil – parte Especial – Do Direito de Empresa – vol. §1º do código civil. “é importante a apresentação da ata de assembléia ou reunião ordinária a arquivamento e averbação. As deliberações sociais podem ser alcançadas. não seria conveniente em virtude do maior formalismo. nos casos específicos em lei208.071 do Código Civil serão adotadas em reunião. §3º do código civil. ser evitado pelas sociedades limitadas que. outro órgão ou pessoas à convocação do encontro de sócio”212. hora e ordem do dia214. 213 art. 13. que deve ser obedecida por todos207. Assim não sendo. Assim. para Fábio ulhoa coelho. também. Até então resta evidenciado que o mecanismo de deliberação social em assembléia é dotado de formalidade. pág.077 do código civil.078. contudo. por escrito. mesmo a sociedade limitada constituída com menos de 10 (dez) sócios. Contudo. §5º do código civil. é a partir daí. legitimando. que o ato sujeito a registro não pode. entretanto a lei prevê também a realização de reunião ou assembléia de sócios. a competência dos sócios e do conselho fiscal é concorrente. 1. As formalidades para a convocação213. assim. que se contará o prazo prescricional de dois anos para se anular a aprovação do balanço patrimonial e o de resultado econômico previsto no parágrafo 4º do artigo 1. 1.075. e não da data de sua realização. em primeira convocação. poderão os sócios e o Conselho Fiscal – se tiver sido instalado – fazer a convocação para reunião ou assembléia na forma estabelecida pelo artigo 1. §2º do código civil. devendo o instrumento ser levado a registro. §1º do Código Civil. pois. 1. A competência para a convocação de reunião ou assembléia é do administrador. 210 in O Direito de Empresa à luz do novo código civil.152. já que estas se aplicam apenas quando omisso o contrato social”218. quorum de instalação.246.cit. a soma das vontades dos sócios torna-se uma única vontade – a vontade social. em documento por escrito209. 1. como publicação em jornais. e encaminhada a registro nos 20 dias subseqüentes. 1. portanto. I e II do Código Civil. curso e registro de trabalhos. antes do cumprimento das respectivas formalidades. é de pequeno porte. § 3º do Código Civil. por unanimidade.072. que irá gerar custo e risco de nulidade. a lei estabelece uma competência secundária.

fusão. “a liberdade contratual. por exemplo: a) uma sociedade com poucos sócios e com grande concentração de capital nas mãos de apenas um.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa Vimos. 219 220 art. não se prevendo nenhuma outra matéria exigindo um quorum qualificado para deliberar. ou seja. DElIbERAÇõES NO NOvO CóDIGO CIvIl Deliberação Quorum Necessário Para Aprovação unanimidade: 100% do Capital Social Nomeação de administrador não sócio. aprovação do plano de recuperação judicial ou extrajudicial.078 do cc. que era a flexibilidade normativa”219. com vistas às peculiaridades da sociedade e ao pólo a ser protegido (do majoritário ou do minoritário). os sócios poderão prever no contrato social quoruns mais específicos. nos quatro meses seguintes ao término do exercício social. 1. direito a eleição em separado de um integrante e seu 1/5 do Capital Social: 20% do Capital suplente no Conselho Fiscal. como o prazo menor para o pagamento de apuração de haveres. in Direito societário. representando os minoritários. poderá se prever um prazo mais longo para o pagamento dos haveres. que o Código Civil definiu a necessidade de se alcançar uma maioria qualificada para aprovação de diversas matérias. transformação societária não prevista no ato constitutivo. mas em ato separado. que estabelecem maiorias especiais para diversas situações. Na prática. dissolução 3/4 do Capital Social: 75% do Capital da sociedade. quando o capital não tiver sido integralizado. nomeação e ½ +1 dos presentes a convocação destituição dos liquidantes e o julgamento de suas contas. que antes prevalecia. se o Conselho for instituído no Contrato Social. 2/3 do Capital Social: 67% do Capital Nomeação. incorporação. Esta “gigantesca revolução” recebeu duras críticas do Prof. FGV DIREITO RIO 120 . destituição de sócio nomeado administrador no Contrato Social. pois o que a lei estabeleceu foram os parâmetros mínimos de votos favoráveis. b) de outro lado. foi substituída por normas legais imperativas. os quoruns são necessários para as deliberações sociais.123. pág. 9ª edição. ½ +1 do Capital Social: 51% do Capital aprovação de contas da administração. José Edwaldo Tavares Borba uma vez que. unanimidade: 100% do Capital Social alteração do Contrato Social. quebrando-se o principal mérito da sociedade limitada. seja realizada uma reunião ou assembléia para aprovação das contas da administração e deliberação de demais assuntos. estabelecer quorum superior ao montante de quotas do majoritário para o maior número de situações possível. sendo interesse evitar um rápido e grande desfalque na sociedade. Apesar da crítica. porque detentor da maioria do capital social. e nunca para menor. se o contrato não exigir maioria mais elevada. trata-se de norma imperativa. sua destituição e o modo de remuneração ½ +1 do Capital Social: 51% do Capital do(s) administrador(es) não feita em contrato. cessação do estado de liquidação. Nomeação de administrador não sócio desde que o capital 2/3 do Capital Social: 67% do Capital já esteja integralizado. Renovar: Rio de janeiro/2004. o controle da lei deve ser o limite. denominada de reunião ou assembléia anual ordinária220. sendo interesse deixar ampla liberdade ao sócio controlador. Com isso. coarcta-se a autonomia da vontade. sendo somente possível modificá-los para maior. A nova sistemática introduzida pelo Código Civil de 2002 fará com que. ou. pelo menos uma vez ao ano. então.

ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa

Convém destacar que a sociedade limitada poderá ter órgãos para a administração da sociedade, como por exemplo, o Conselho de Administração e Diretoria, bem como comitês de assessoramento, financeiro e executivo. Além disso, nada impede que a sociedade limitada faça uso do acordo de quotistas231, adotando-se as regras do artigo 118 da Lei 6404/76. Confira-se o texto232: Acordo de Quotistas - Importante ferramenta empresarial O Acordo de Quotistas é um contrato particular efetivado entre os sócios de uma sociedade limitada, que estabelece normas de conduta, obrigações e responsabilidades na gestão societária, as quais deverão ser cumpridas por todos os contratantes. Sua legalidade funda-se na possibilidade conferida pelo art. 997 c.c. art. 1.054, ambos do Código Civil, aos sócios em constituir entre si regras especiais para a regência da sociedade limitada. Vejamos:
“Art. 997. A sociedade constitui-se mediante contrato escrito, particular ou público, que, além de cláusulas estipuladas pelas partes (...). (...). Art. 1.054. O contrato mencionará, no que couber, as indicações do art. 997, e, se for o caso, a firma social”. (grifamos).

Neste acordo, situações como os limites da administração, eleição de administrador, função de cada sócio e/ou administrador, forma de cessão de quotas, quorum de votação, procedimentos e forma de pagamentos das quotas em caso de exclusão, liquidação, morte e outros, serão detalhadamente definidos, facilitando a administração. Outra importante função deste Acordo é o fato dele tratar de especial ferramenta para Planejamento Sucessório, pois estabelece regras ditadas pelos interessados quanto a comunicabilidade de quotas e bens, o usufruto, a doação, o ingresso de herdeiros e sucessores, o conselho de administração, o conselho familiar, os casos de arbitragem e outros pontos que se fizerem necessários dependendo da característica empresarial e familiar. Conclui-se, portanto, que sua função principal é harmonizar as decisões sociais, dando uma maior tranqüilidade aos sócios, evitando desconfortos eventuais que possam surgir, enfim, assegura aos sócios e administradores maior segurança para administrar situações conflituosas de maneira lícita, bem como facilitar a sucessão patrimonial e o papel dos herdeiros na sociedade. No que se refere a validade do acordo de quotista, é importante ressaltar que os ajustes conveniados vinculam “os sócios signatários nas suas relações diretas e pessoais, porque não inválidos, podendo invocar suas disposições específicas uns contra outros [1]”. Porém, para que produzam efeitos perante terceiros, isto é, aqueles não firmaram o pacto separado, sócios ou não sócios, os ditos ajustes devem estar em total acordo com as disposições do contrato social (art. 997, parágrafo único, do Código Civil). Diante disso, é incontestável a importância do Acordo de Quotistas, bem como o Código Civil não mais deixa dúvidas sobre sua legalidade e validade ao prevê-lo expressamente em seu art. 997, parágrafo único, de aplicação ao regime das sociedades limitadas por força do art. 1.054 do mesmo diploma legal. [1]CAMPINHO, Sérgio. O direito de empresa à luz do novo Código Civil, 2ª edição, Renovar, Rio de Janeiro, 2003, p. 89.

O Enunciado de nº 384 elaborado durante a IV jornada de Direito civil traz uma interpretação sobre o uso do acordo de acionistas interessante para as holdings que são sociedades limitadas. Ele estabelece que “é admissível o acordo de sócios, por aplicação analógica das normas relativas às sociedades por ações pertinentes ao acordo de acionistas”.
231 232 http://www.flp. c o m . b r / n o t i c i a s _ zo o m . php?urlId=604acesso em 19 de janeiro de 2009, às 03:31horas.

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o Conselho fiscal na sociedade limitada Uma outra novidade prevista no Código Civil de 2002 é a possibilidade da sociedade limitada, por meio do contrato social, instituir um conselho fiscal. Explica-se esta faculdade das sociedades limitadas em virtude da grande maioria delas ser constituída de atividades de pequeno e médio, com um número reduzido de sócios e cuja administração é exercida por todos221 (ou quase todos). Uma vez estabelecido, o conselho fiscal deve funcionar de forma permanente, pois ou existe e funciona, ou, simplesmente não existe – diferente do que ocorre com a sociedade por ações222. Ele deve ser composto por três ou mais membros e respectivos suplentes, sócios ou não, residentes no Brasil223. O exercício do cargo é de um ano e em cada assembléia anual deverão ser escolhidos os membros do conselho fiscal e fixados seus honorários224. Os membros do conselho fiscal respondem solidariamente perante a sociedade e os terceiros prejudicados, por culpa no desempenho de suas funções. Seus deveres estão elencados no art. 1.069 do Código Civil. É vedado o exercício das funções de conselheiro, não podendo do Conselho fazer parte, àqueles listados no art. 1.066 §1º do Código Civil225. No intuito de esclarecer o porquê do membro da administração da sociedade ou de controlada por ela, não poder fazer do conselho fiscal, o Prof. Ricardo Negrão explica que “o conselho fiscal é órgão que deve manter-se independente da administração que fiscaliza, daí a razão pela qual os membros da administração não podem participar desses atos, sob pena de se confundirem numa só pessoa sua, execução e fiscalização, tornando-se órgão meramente referendário e, portanto, dispensável”.

221 n.a. como a finalidade básica do conselho fiscal é fiscalizar a administração, seria incompatível sua existência numa sociedade onde todos os sócios são administradores.

Caso gerador Igor Mosso, Izan, Orlando e Camila e mais dez pessoas são sócias de uma sociedade limitada, cujo objeto é a reparação de aeronaves. Igor, além de ser administrador da sociedade, cuidando de todos os negócios, especialmente a importação das peças de reposição, é detentor de 52% do capital social. Os sócios Izan, Orlando e Camila estão preocupados porque desde a entrada em vigor do Código Civil de 2002, a sociedade não promoveu a alteração do seu contrato social, tampouco realizou as reuniões anuais para aprovação das contas da administração. Esses sócios justificam sua preocupação no fato de que todas as vezes que foram tratar do assunto com Igor, esse alega que tudo está perfeito, e ainda lhes lembra que compete a ele deliberar sobre as contas e adotar as providências societárias, por ser ele o majoritário. Qual é o seu parecer?

Lei 6.404/1969. art. 161. a companhia terá um conselho fiscal e o estatuto disporá sobre seu funcionamento, de modo permanente ou nos exercícios sociais em que for instalado a pedido de acionistas.
222 223 224 225

art. 1.066 do código civil. art. 1.068 do código civil.

JurisprudênCia A legitimidade para convocação de reunião ou assembléia, foi objeto de decisão do STJ no Recurso Especial nº 493.297/SP (abaixo), que reconheceu a validade de reunião convocada por sócio de sociedade limitada detentor de 50% do capital social. Embora a

art. 1.011, §1º. “além das pessoas impedidas por lei especial, os condenados a pena que vede, ainda que temporariamente, o acesso a cargos públicos; ou por crime falimentar, de prevaricação, peita ou suborno, concussão, peculato; ou contra a economia popular, contra o sistema financeiro nacional, contra as normas de defesa da concorrência, contra as relações de consumo, a fé pública ou a propriedade, enquanto perdurarem os efeitos da condenação”. art. 1.066, §1º. “...os membros dos demais órgãos da sociedade ou de outra por ela controlada, os empregados de quaisquer delas ou dos respectivos administradores, o cônjuge ou parente destes até o terceiro grau”.

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decisão seja fundamentada no Decreto n.º 3.708/1919, o acórdão menciona o artigo 1.073, I do Código Civil de 2002. SOCIEDADE DE RESPONSABILIDADE LIMITADA. ASSEMBLÉIA. CONVOCAÇÃO. Legalidade da convocação feita por sócio titular de 50% do capital social, mediante notificação com dez dias de antecedência, para assembléia a se realizar na sede de uma das empresas coligadas. Recurso não conhecido. (REsp 493.297/SP, Rel. MIN. RUY ROSADO DE AGUIAR, QUARTA TURMA, julgado em 24.06.2003, DJ 01.09.2003 p. 298). O inteiro teor do acórdão referente ao REsp 493.297/SP segue transcrito com destaque nos trechos mais importantes : RELATÓRIO O MINISTRO RUY ROSADO DE AGUIAR: Gonzallo Gallardo Diaz agravou da r. decisão que, nos autos da ação cautelar ajuizada por Juan José Campos Alonso e José Paz Vasquez, deferiu liminar impedindo o agravante de convocar reuniões extraordinárias de sociedade limitada para resolução de assuntos do interesse da sociedade empresarial. A egrégia Terceira Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça de São Paulo deu provimento ao agravo, nos termos da seguinte ementa: “Sociedade Limitada. No silêncio do contrato e do Decreto-Lei 3708⁄1919, admite-se a iniciativa do sócio detentor de 50% do capital social para a convocação de reunião ou assembléia de sócios (como já autorizado no novo Código Civil, art. 1.073, I), por se tratar de proposição do interesse da sobrevida da sociedade comprometida pela ruptura da affectio societatis. Não incidência da Lei 6404⁄76. Provimento para cassar a decisão que suspendeu a convocação” (fl. 379).” Rejeitados os embargos declaratórios, os agravados interpuseram recurso especial (art. 105, III, a, da CF), alegando violação aos arts. 18 do Decreto-Lei 3708⁄19; 128 do CPC; 123, 124, caput e parágrafos 1º e 2º, e 243 da Lei 6404⁄76. Sustentam irregularidades e, conseqüentemente ilegalidades quanto: a) à competência para a convocação da reunião extraordinária; b) ao local escolhido para a realização da reunião; c) à ausência de publicação de anúncio, bem como de tratar-se ou não de primeira ou segunda convocação. Alegam que o v. acórdão, ao conceder direito ao recorrido de realizar reunião, desrespeitou os limites da lide, “pois como efeito da cassação da medida liminar, bastaria a declaração de que o ora recorrido poderia realizar nova notificação extrajudicial, sem a observância das formalidades previstas pela Lei das S⁄As, amparado na decisão provisoriamente favorável ao então agravante, cabendo a este, logicamente, providenciar a devida notificação extrajudicial”. Dizem que “a determinação legal de aplicabilidade subsidiária das normas da sociedade anônima para suprir as omissões do capítulo das limitadas afasta inteiramente a aplicação das normas da sociedade simples, conferindo um mínimo de garantia aos direitos dos sócios”. Pedem a reforma do v. aresto recorrido para que seja restabelecida a liminar. Admitido o recurso, com as contra-razões, vieram-me os autos. É o relatório.
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391). uma vez que o rigorismo formal contido no ensinamento transcrito nas razões é apropriado para as sociedades anônimas. a solução decorreu do exame da matéria de fato. o r. não podem ser inteiramente obedecidas no caso dos autos. É preciso regular os atos da sociedade de forma simples e segura. nem todos têm condições de influir. sem o requinte da intensa publicidade que se exige nas anônimas. sobre a competência para a convocação de assembléia geral. o tema relacionado com a disposição contratual. Transcrevo do bem lançado voto do Dr. 123 da Lei das S⁄A. acórdão acentuou a existência do direito do sócio minoritário de convocar a assembléia. Tocante ao local escolhido para a realização da assembléia. quem delibera. que se divorciam apenas na personificação legal” (fl. Ed. sobre a existência de um grupo de empresas coligadas.Estudo comparativo. Julgou-se suficiente a prévia convocação. e na parte aplicável. A regra do art. reconhecendo que as empresas “são almas gêmeas.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa VOTO O MINISTRO RUY ROSADO DE AGUIAR (Relator): 1. 3. 3708⁄19. pelas razões expostas. Ocorre que o r. acerca do processo de convocação: “A reunião ou assembléia de quotistas . Observo que sobre isso foi invocado julgamento anterior do mesmo Tribunal. Desse modo. p. Confira-se a posição de Egberto Lacerda Teixeira (Sociedades Limitadas e Anônimas no Brasileiro . é ele. próprias das sociedades por ações. Aquele que titulariza um décimo das quotas. com sua vontade ou entendimento. 18 do Dec. Nesse ponto. 4.é indispensável na vida das sociedades limitadas. mas deve realizar-se para FGV DIREITO RIO 124 . depois de analisar o silêncio do Decreto nº 3708⁄1919. Enio Zuliani: “Excesso de formalismo poderá colocar em risco a dinâmica empresarial e comprometer a organização administrativa. o que não se justificava no caso dos autos. numa sociedade em que os outros dois sócios têm 45% cada. 13). p. É o que afirma Fábio Ulhoa Coelho (Curso de Direito Comercial. No que diz com a alegada violação ao art. Ed.como expressão substancial e não formal de deliberação coletiva . Isto porque o direito de participação do sócio na sociedade é correspondente ao seu capital social ou mede-se o seu poder de acordo com o grau de seu investimento”. 416): “A extensão do direito de participar das deliberações sociais é proporcionar à quota do sócio no capital social. 2. embora os sócios devam ser consultados nas decisões mais importantes da sociedade. volume 2. portanto. A falta de publicação de anúncio não é causa a justificar o conhecimento e o provimento do recurso. o que justificava a indicação do endereço de uma delas. em caso de divergência entre estes últimos. Saraiva. uma vez que desatendida a sua determinação de aplicar as disposições da Lei 6404⁄76 no que não foi regulado pelo estatuto social. acórdão recorrido bem explicou as razões pelas quais a formalidade para as decisões assembleares. 1987. a respeito do exercício da gerência. quando divergentes os sócios majoritários”. a despeito de sua pequena participação societária. Essa reunião ou assembléia não se reveste da solenidade das assembléias anônimas. 243 da Lei das S⁄A não foi pré-questionada. O primeiro argumento exposto pelos recorrentes reside na ofensa ao art. não pode ser aqui revisto. delibera sozinho. Saraiva. O sócio que contribui com mais da metade do capital social. no conteúdo destas. 2001. considerando a negativa a tal direito uma indevida restrição ao sócio detentor de 50% das quotas. com o prazo razoável de dez dias úteis. terá a incumbência do desempate. neste sentido.

387⁄391). obviamente. A reunião deve realizar-se na sede da sociedade. 128 do CPC não foi examinado no julgamento da apelação. Ensaio sobre a sociedade de responsabilidade limitada. declaração de dividendos. 309. pois. A regra supletiva do art. Faltou. Ministro-Relator. A convocação se fez de forma regular e da deliberação poderá resultar a alteração do contrato social por decisão majoritária. o Sr. com razoável antecedência. E a reunião convocada é de vital importância para o destino e preservação da sociedade. com presença de expressivos contingentes minoritários que não podem ficar à mercê do capricho das maiorias ou dos administradores.213-4). O art. O silêncio do Decreto nº 3708⁄19 talvez se explique pelo caráter fechado. DISSOLUÇÃO DE SOCIEDADE. Sálvio de Figueiredo Teixeira e Cesar Asfor Rocha votaram com o Sr. Ministro Barros Monteiro. correção monetária do capital realizado. É o voto. Ausente. opostos para outro fim. São Paulo. o requisito da convocação por editais publicados na imprensa oficial e diária. 1977. Ocorre.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa apreciação dos atos fundamentais da vida social. 5. o necessário prequestionamento. não conhecer do recurso. nem objeto dos embargos de declaração. 160)” (fls. exatamente porque a alteração do contrato de sociedade de responsabilidade limitada pode ser feita. § 1º.” O agravante declinou os assuntos em pauta e os contratos sociais não descredenciam sua iniciativa. ocasionalmente. 1940. relatados e discutidos estes autos. na conformidade dos votos e das notas taquigráficas a seguir. p. acordam os Ministros da QUARTA TURMA do Superior Tribunal de Justiça. consentimento dos demais. Aldir Passarinho Junior. Saraiva. pela vontade de sócios. Incide a Súmula 7⁄STJ. da Lei 6404⁄76. mas reforça-se a conveniência do aviso pessoal dirigido ao endereço registrado do sócio. AÇÃO CAUTELAR E ORDINÁRIA DE IMISSÃO NA POSSE DE LIQUIDANTE DA EMPRESA. íntimo. das pequenas sociedades limitadas do seu tempo. A affectio societatis é um estado comprometido e a prova maior da divergência reside na notificação anterior para exercício de preferência (mantida pelo julgamento do AgIn. deve orientar-se nesse particular: oito dias de antecedência na primeira convocação e cinco dias na segunda. para habilitar sócio a convocar reunião. de modo que não seria lógico exigir. 24 de junho de 2003(Data do Julgamento). nos termos do voto do Sr. conforme admite Rubens Requião em parecer publicado na obra ‘Aspectos Modernos de Direito Comercial’. se outro local não for designado contratualmente. FGV DIREITO RIO 125 . 124. ACÓRDÃO Vistos. Daí a necessidade de disciplinar o modo de realização de reuniões coletivas (ainda que para assinatura de instrumentos de alteração do contrato social) de modo a resguardar os interesses dos sócios. que representem a maioria do capital social (Sylvio Marcondes Machado. p. Os Srs. particularmente os relativos à discussão e aprovação do balanço. Ministro-Relator. Ministros Fernando Gonçalves. todavia. Ed. eleição de gerentes etc. Dispensa-se. QUOTAS DE SOCIEDADE LIMITADA. Brasília (DF). por unanimidade. 232. que nos dias atuais há vultosos interesses envolvidos nas sociedades limitadas.

FGV DIREITO RIO 126 . confirmada em sede de agravo. Uma sociedade pode ter ou não conselho fiscal.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa É de todo irregular a convocação apenas dos sócios majoritários para Assembléia que decide a dissolução da sociedade por quotas. Relator: Ana Maria Nedel Scalzilli. grifamos. 45.1ª FASE. SEÇÃO DE SÃO PAULO . APELAÇÃO NÃO CONHECIDA. Falta de interesse recursal. 1.PROVA 1ª FASE . a lei exige como “quorum” mínimo para que a deliberação dos sócios seja tomada: a) Os votos correspondentes a mais da metade do Capital Social. No referente a esse conselho. a) A destituição do administrador de sociedade empresária exige a deliberação de sócios cujos votos representem mais da metade do capital social. 39 . Liminar de imissão de posse indeferida. pelo menos trimestralmente. É dever dos membros do conselho fiscal examinar. b) A maioria dos votos dos presentes à Assembléia Geral. deixando de comunicar a realização do ato e de oportunizar aos minoritários o direito de preferência na aquisição nas cotas remanescentes. Julgado em 25/11/2004). DIREITO COMERCIAL. (CORRETA) 2. Quinta Câmara Cível.Na modificação de um contrato social de uma sociedade limitada. PROVA OBJETIVA . bem como dos sócios titulares da maioria das quotas que compõem o capital social. (Apelação Cível Nº 70007326689.TIPO 2. d) A unanimidade dos votos dos cotistas integrantes do Capital Social. c) O uso da firma ou denominação social é privativa dos administradores que tenham os necessários poderes. d) A existência de conselho fiscal é facultativo nas sociedades empresárias e obrigatória nas sociedades por ações de capital aberto. julgue os itens que se seguem. Questões de ConCursos 28º EXAME DE ORDEM. 127º EXAME DE ORDEM. SEÇÃO DO RIO DE JANEIRO . Tribunal de Justiça do RS. conforme defina o contrato social. c) Os votos correspondentes a 3/4 (três quartos) do Capital Social. Assinale a afirmativa INCORRETA. o estado do caixa da sociedade. b) É livre a cessão de quotas de capital se não houver oposição de titulares de mais de ¼ (um quarto) do capital social. 69.DIREITO COMERCIAL. Uma inovação trazida pelo Código Civil para as sociedades limitadas foi a previsão de constituição de conselho fiscal. PROVA DO CONCURSO PARA JUIZ DO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SERGIPE (01/02/04).

sob a firma social Silva & Souza Comércio de Bebidas Limitada. PROVA OAB/RJ .ABRIL/2007 32º EXAME DE ORDEM RJ 87ª Questão: Na omissão do contrato social. O contrato social é omisso sobre essa hipótese. Com relação a essa situação hipotética. b) Caso Alberto tivesse optado por ceder suas quotas a terceiro estranho à sociedade. 3.EXAME DE ORDEM . independentemente de averbação no respectivo órgão de registro. Alberto resolveu alienar suas quotas a Carlos. se o número de sócios for superior a dez. b) o contrato social não pode conter previsão admitindo a administração da sociedade por aquele que dela não seja sócio. a sociedade poderá continuar suas atividades sob sua firma original. c) é oponível a terceiros na data da averbação do instrumento correspondente.EXAME DE ORDEM . somente nas hipóteses de que a sociedade deva deliberar sobre a aprovação das contas dos administradores. de acordo com o Código Civil.MARÇO/2005 12ª Questão: Nas sociedades limitadas: a) o sócio pode integralizar as cotas que subscrever prestando serviços à sociedade.AGOSTO/2007 86ª Questão: Os irmãos João Silva e Carlos Silva constituíram sociedade limitada com Alberto Souza.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa PROVA DO CONCURSO PARA JUIZ DO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO PARANÁ (2003). poderia fazê-lo. para modificar o contrato social. d) De acordo com o Código Civil. Alberto só poderá ceder suas quotas a Carlos se João não se opuser. PROVA OAB/BR . desde que não houvesse oposição de titulares de mais de um quarto do capital social. c) as omissões do contrato social são. d) só é válida se for assegurada aos demais sócios a preferência de adquirir as quotas em idênticas condições às oferecidas pelo sócio adquirente. nomeação dos gerentes e prestação de contas destes. assinale a opção correta. em regra. 4. 2. PROVA OAB/MG . e sair da sociedade. b) é eficaz quanto à sociedade na data da celebração do contrato de cessão. a) A cessão das quotas de Alberto opera efeitos perante terceiros desde o momento em que for aperfeiçoada. Nas sociedades limitadas. Após algum tempo. a cessão de quotas da sociedade limitada de um sócio para outro sócio da mesma sociedade a) depende da audiência prévia dos demais sócios para se aperfeiçoar.EXAME DE ORDEM . a deliberação dos sócios em assembléia é obrigatória 1. supridas pela Lei das Sociedades por Ações. c) Após a alienação das quotas de Alberto. desde que firmada por todos os sócios. para aquelas que se beneficiem de tratamento tributário favorecido para micro e pequenas empresas. FGV DIREITO RIO 127 .

c) A sociedade pode ser administrada por uma ou mais pessoas designadas no contrato social. SEÇÃO DO RIO DE JANEIRO .DIREITO COMERCIAL. se essa for a vontade dos sócios. a qualquer pessoa. assinale a assertiva correta. b) Na omissão do contrato social.AGOSTO/2006 19ª Questão: Sobre as sociedades empresárias que adotam a forma societária de uma limitada. tanto por decisão da assembléia. necessariamente sócios. a) A aprovação das contas da administração depende da deliberação dos sócios em reunião ou assembléia. o conselho fiscal é órgão obrigatório na sociedade limitada? Justifique a resposta. As deliberações infringentes do contrato social ou da lei tornam ilimitada a responsabilidade dos sócios que expressamente as aprovaram.Nos termos do Novo Código Civil. FGV DIREITO RIO 128 . independentemente de audiência dos outros sócios. 3 .EXAME DE ORDEM . d) O Código Civil veda a instituição de conselho fiscal nas sociedades limitadas. o sócio pode ceder sua quota. Poderá ser instituído. PROVA DISCURSIVA .ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa d) não é obrigatória a constituição de conselho fiscal. total ou parcialmente. 23º EXAME DE ORDEM. quanto por previsão do contrato social.2ª FASE. PROVA OAB/RS .

são paulo/2004. 9ª edição.434. denominado também de recesso ou dissidência”226. pg. – Páginas 438 a 439 (credores do sócio e patrimônio social) e 492 a 497 (recesso do sócio e cessão de quotas) do Curso de Direito Comercial vol I. APURAÇÃO DE hAvERES. Leitura CompLementar. pois apresenta um conflito de perspectivas relevantes para o Direito: de um lado temos os direitos e interesses da coletividade que poderão ser prejudicados pela descapitalização decorrente da liquidação cOELHO.155. este “direito é inerente à titularidade de quotas sociais. FGV DIREITO RIO 129 . 02. Renovar/2005. Saraiva. saraiva. O direito de retirada é um “tema juridicamente tormentoso”227. 8ª edição.) de O Direito de Empresa à luz do Novo Código Civil. atlas. Portanto. – Páginas 71 a 76 (apuração de haveres) e 130 a 131(direito de recesso) do Direito Societário. Ricardo Negrão. representando a maioria do capital social. São Paulo/2003. 226 227 mamEDE. somente é possível se prevista contratualmente a “justa causa”. Renovar/2004. José Edwaldo Tavares Borba. quando a maioria dos outros sócios assim decidir. – Páginas 119 a 121(apuração dos haveres da Simples) e 203 a 206 (Ltda) e 216 a 221(apuração dos haveres da Ltda. pg. Saraiva: São Paulo/2005..ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa AUlA 16: DIREItO DE REtIRADA. bAlANÇO DE DEtERMINAÇÃO Na aula passada. ementário de temas: – Princípio constitucional da livre associação. Caso contrário. 5ª edição. Rubens Requião. roteiro de auLa: Analogamente à exclusão de sócio. Fábio ulhoa in curso de Direito comercial vol. o sócio só poderá ser excluído por via judicial em decorrência da prática de atos de inegável gravidade para com a sociedade e. – Forma de apuração dos haveres: balanço de determinação (jurisprudência e artigos do Código Civil). – Sociedade por prazo determinado e Sociedade por prazo indeterminado. Gladston in Direito societário: sociedades simples e Empresária. Sérgio Campinho. todo sócio que não tem mais a vontade de continuar na sociedade poderá retirar-se dela. vimos que a exclusão de sócio por decisão dos demais sócios. são paulo/2004. 25ª edição. – Direito de recesso. a retirada é uma forma de dissolução parcial do vínculo societário. nesta auLa disCutiremos a Leitura do(s) seguinte(s) CapÍtuLo(s): – Páginas 314 a 315 (Simples) e 377 a 378 (Ltda) do Manual de Direito Comercial e de Empresa.

por exemplo. 5º. 136. 219 do código civil. a retirada do sócio pode ser obtida em Juízo. em regra.077. será permitida a utilização do disposto no art.. de 2001) a) liquidez. ocasionando desencaixe financeiro para a sociedade. ou certificado que a represente.a. não havendo acordo. o sócio dissidente informará aos demais sócio sua vontade de retirar-se da sociedade. o sócio que se obrigou a permanecer na sociedade por tempo determinado.. somente terá direito de retirada o titular de ações de espécie ou classe prejudicadas. não terá direito de retirada o titular de ação de espécie ou classe que tenha liquidez e dispersão no mercado. quando a espécie ou classe de ação. Via de conseqüência.029 do Código Civil. neste caso. art. campInHO. 1. 137233)”. ao retirar-se. o sócio descontente com a deliberação deve. 45). esforçar-se para alienar suas quotas e não se retirar.404/76. 5ª edição. obriga os signatários229 a honrarem com as cláusulas que foram livremente pactuadas entre eles. 228 art. sérgio in O Direito de Empresa à luz do novo código civil.ninguém poderá ser compelido a associar-se ou a permanecer associado. Através de uma notificação230 (judicial ou extrajudicial) aos demais sócios. Se a sociedade for de prazo determinado. se tratar de qualquer modificação do contrato social. Nas deliberações sociais da sociedade. Neste sentido. na deliberação social que aprovou a modificação do contrato social. 1. XX da Constituição da República228. o sócio não poderá se desvincular sem a concordância dos demais sócios. 1. ao estabelecer distinção do direito de recesso para o caso da sociedade contratada por prazo determinado e para o caso da sociedade contratada por prazo indeterminado. deve adimplir tal ajuste. estão os direitos e interesses do sócio. Assim. deve haver um consenso entre sócio retirante e sócios remanescentes no tocante a apuração de haveres e outros valores. a maioria comandará quais decisões serão tomadas (princípio da maioria – participação societária com direito de voto).. mediante reembolso do valor das suas ações (art. e (Redação dada pela Lei nº 10.303. variando de acordo com a duração da sociedade conforme dispõe o art.. 136 dá ao acionista dissidente o direito de retirar-se da companhia. por outro lado. O art. Portanto. Renovar/2005. 1. Em caso de divergência. a lei limita as hipóteses de recesso232 (Lei 6. sem distinção de qualquer natureza.029 do código civil.303. Este dispositivo vai de encontro ao que se defende na doutrina. A retirada do sócio pode ocorrer em diversas situações.nos casos dos incisos I e II do art. n. Em se tratando de sociedade de capitais. art.) XX . Em havendo o reconhecimento judicial de uma “justa causa” (denúncia motivada). onde vige o princípio de que ninguém é obrigado a ficar preso a uma sociedade por toda a sua vida. definido pela comissão de Valores mobiliários. 231 232 art. como tal.077 do Código Civil prevê a possibilidade de retirada de forma ampla. integre índice geral representativo de carteira de valores mobiliários admitido à negociação no mercado de valores mobiliários. 5º Todos são iguais perante a lei. a sociedade controladora ou outras sociedades sob seu controle detiverem menos da metade 233 FGV DIREITO RIO 130 .. à segurança e à propriedade. o que pode comprometer o desenvolvimento das suas atividades (função social da empresa). Nas sociedades por prazo indeterminado. os direitos e interesses da minoria vencida. com a apuração dos haveres e de outros direitos previstos no contrato social. à liberdade. à igualdade. 229 230 art. A outra possibilidade do exercício do direito de retirada tem por base o princípio da maioria. O aspecto positivo do art. bastando ao minoritário a resignação com as decisões ou então o exercício do direito de recesso. não implicando tal fato em dissolução da sociedade. de 2001) b) dispersão. de 1997) II . considerando-se haver: (Redação dada pela Lei nº 10. Aprendemos que o contrato social é um negócio jurídico e. quando o acionista controlador. caso o sócio não pretenda continuar na sociedade poderá alienar suas quotas (a cessão de quotas é livre). por aquele que votou contra a operação e foi vencido.nos casos dos incisos IV e V do art.pg 205. a aprovação das matérias previstas nos incisos I a VI e IX do art. que goza da proteção constitucional referente à liberdade de associação prevista no art. com antecedência mínima de 60 dias231. garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no país a inviolabilidade do direito à vida. enquanto não vencido o prazo fixado para a duração da sociedade (denúncia imotivada).029 (quando a sociedade for contratada por prazo indeterminado) – retirada imotivada. “sendo levada em consideração para sua criação e funcionamento a capacidade de contribuições dos sócios para a formação do capital social. 136.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa das quotas do sócio retirante. o sócio retirante deverá ajuizar ação para aquele fim. nos termos seguintes: (.077 do Código Civil está em reconhecer o direito de recesso do minoritário (ou da minoria). dando a entender. de 2001) I . (Incluído pela Lei nº 9. serão protegidos pela regra do art. 1. 1. observadas as seguintes normas: (Redação dada pela Lei nº 10.457. A natureza capitalista da sociedade de intuito per capitae relega a figura do sócio a um plano secundário.303. pois o direito de retirada deve ser a exceção para evitar a “indústria do recesso”. no Brasil ou no exterior. o sócio terá apurado seus haveres. após a notificação. 137. que prevê apenas a saída do sócio da sociedade. o direito de retirada é corolário da natureza contratual das sociedades.

1031 do Código Civil. (Incluída pela Lei nº 10. mamEDE. a apuração do valor das quotas do sócio retirante se faz.no caso do inciso IX do art. na dissolução surge um novo órgão.. enquanto na apuração de haveres a relação se desenvolve entre o sócio e a sociedade. os demais sócios poderão adquirir ou alienar aquelas quotas. salvo quando o patrimônio cindido for vertido para sociedade cuja atividade preponderante coincida com a decorrente do objeto social da sociedade cindida. Todos esses itens são extremamente valiosos.. da espécie ou classe de ação.303. Toda vez que um sócio sai da sociedade. de 2001). de 2001) a) mudança do objeto social. atlas. a “briga” ficará em torno da apuração dos haveres.o prazo para o dissidente de deliberação de assembléia especial (art. 1. Nesse contexto. a discussão se dará em torno da APURAÇÃO DE HAVERES.303. KNOW-HOW. 136.303. são paulo/2004. podendo ser objeto de impugnação quando demonstrada a sua ilicitude ou abusividade. pg. o sócio fará jus à liquidação da sua quota (ou quotas). faz-se necessária a apuração dos seus haveres.o reembolso da ação deve ser reclamado à companhia no prazo de 30 (trinta) dias contado da publicação da ata da assembléia-geral. RH. de 2001) b) redução do dividendo obrigatório. o sócio dissidente poderá exercer o direito de recesso nos trinta dias subseqüentes à reunião que deliberou sobre a modificação do contrato social. ou (Incluída pela Lei nº 10. imotivada ou exclusão. mas somente do vínculo de um dos sócios.303. onde poucas pessoas trabalham. salvo disposição em contrário do contrato social. de 2001) III . ou seja. porque foi expulso ou porque ele se retirou. De acordo com o art. para tanto. de 2001) V .. na forma prevista no contrato social. haja vista a livre manifestação da vontade das partes. levando-se em consideração os valores prováveis de liquidação dos bens componentes do patrimônio da sociedade à data da resolução234. o Enunciado da súmula nº 265 do supremo Tribunal Federal estabelece que “na apuração de haveres não prevalece o balanço não aprovado pelo sócio falecido. Entretanto. Diante dessa situação.303. (Incluída pela Lei nº 10. Porém. mantendo-se a sociedade. somente haverá direito de retirada se a cisão implicar: (Redação dada pela Lei nº 10. prioritariamente.166. o parágrafo segundo do art. para se chegar ao quinhão do sócio que se retirou. o liquidante.303.031 do Código Civil. por se tratar de direito inerente à condição de sócio. traduzindo o valor real de quanto “vale” a participação societária no mercado. Mas. Além disso. serão necessários dois procedimentos: a determinação do patrimônio da sociedade e a definição do quinhão correspondente a cada um dos sócios.o pagamento do reembolso somente poderá ser exigido após a observância do disposto no § 3o e. (Redação dada pela Lei nº 10. Gladston in Direito societário: sociedades simples e Empresária. pois não mais existe a contribuição que justificava a existência das quotas.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa Assim. Realizado o pagamento ao ex-sócio.000.303. de 2001) c) participação em grupo de sociedades. não há escrituração do valor que se aproxime à realidade. § 1o) será contado da publicação da respectiva ata. motivado o Judiciário. esta verificação física e contábil. de 2001) VI .000. em outras palavras. a regra para a apuração de haveres é a de que seja realizado um balanço especial de determinação – também chamado de “balanço empresarial”. mantendo íntegro o capital social. como já estudamos. Uma vez definido o valor a ser recebido a título de apuração dos haveres. (Incluído pela Lei nº 10.. deverá conter todos os direitos e deveres que “comportem expressão pecuniária”235. O sócio que saiu vai dizer que quer receber R$ 100. em princípio deve ser operada a redução do capital social na proporção das quotas que ele possuía. quanto deve valer? É quase impossível de se mensurar pois. excluído ou que se retirou”. Com a retirada do sócio – motivada. (Redação dada pela Lei nº 10.303. estabelece que o mesmo deve ser pago no prazo de 90 dias contados da liquidação da quota. a estipulação contratual não é intocável. 136. da ratificação da deliberação pela assembléia-geral.00 e a sociedade vai dizer que pagará R$ 10. seja porque ele é remisso. Exemplo: um site como o “GOOGLE”. Neste caso.00. 235 FGV DIREITO RIO 131 . LOGÍSTICA. deverá determinar a aplicação da regra geral com a apuração dos haveres verificada através de um “balanço especialmente levantado”. não há dissolução da sociedade. de 2001) IV . O balanço empresarial e o contábil possuem discrepâncias. 234 neste sentido. contabilmente. quando há realmente a possibilidade do exercício do direito de recesso. se for o caso. ferindo a garantia constitucional do direito à propriedade. A apuração de haveres diferencia-se da liquidação por se tratar da dissolução do vínculo de um sócio em relação à sociedade. Pode-se dizer que o balanço contábil “ficou para trás” no âmbito empresarial porque não contempla a MARCA. (Redação dada pela Lei nº 10. Normalmente a discrepância é de 80% a 90% porque a sociedade vai querer pagar com base no balanço contábil e o sócio vai querer receber com base no balanço empresarial. ESTRATÉGICA.

617/AM.221/PR. apenas apreciando-se tal tema desfavoravelmente ao mesmo. Ministro HUMBERTO GOMES DE BARROS. Dissídio não configurado.04. com base no último balanço patrimonial aprovado antes da ruptura social. ART. gerando. Apavorado com a violência do Rio de Janeiro. Rel.08.2005 p. 3. (REsp 646.10.2005. TERCEIRA TURMA. (REsp 130. discute-se o critério de apuração dos seus haveres. 373. e não. . DJ 30. Ari resolve retira-se da sociedade. I. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL NÃO CARACTERIZADA. DJ 14.708/1919. admite-se que a apuração dos haveres se faça pelo levantamento concreto do patrimônio empresarial. Ari Mendes e seus 03 irmãos são sócios da Pizzaria MASSAS E COMESTÍVEIS LTDA.Quando o sócio exerce o direito de retirada de sociedade limitada por tempo indeterminado.A data-base para apuração dos haveres coincide com o momento em que o sócio manifestar vontade de se retirar da sociedade limitada estabelecida por tempo indeterminado. RECURSO ESPECIAL. V. portanto. Não se configura coisa julgada se na ação anterior o sócio excluído buscava a anulação do ato que o excluiu. Ari poderá exercer o direito de retirada? b) Havendo anuência dos sócios para a cessão das quotas de Ari. 324) – grifamos. e na presente demanda. julgado em 19. Pergunta-se: a) Sabendo que a sociedade foi contratada por prazo indeterminado. IV. PREQUESTIONAMENTO DEFICIENTE. a questão se modifica? c) E se fosse uma sociedade contratada por prazo determinado de 80 (oitenta) anos? JurisprudênCia: COMERCIAL E PROCESSUAL CIVIL. tornado irreversível o seu afastamento da sociedade. MOMENTO. RETIRADA DO SÓCIO. Cada sócio é detentor de 25% do capital social que já se encontra integralizado. CRITÉRIO DE LEVANTAMENTO PATRIMONIAL. EXEGESE. 303) – grifamos.11. AÇÃO DE APURAÇÃO DE HAVERES.2005 p. julgado em 18.2005 p. Afastado o sócio minoritário por desavenças com os demais. a sentença apenas declara a dissolução parcial. APURAÇÃO DE HAVERES. DIREITO SOCIETÁRIO.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa Caso gerador. Rel. incluído o fundo de comércio. Recurso especial conhecido e provido. p/ Acórdão Ministra NANCY ANDRIGHI. QUARTA TURMA. III. 15. DISSOLUÇÃO PARCIAL DE SOCIEDADE LIMITADA POR TEMPO INDETERMINADO.05. FGV DIREITO RIO 132 . COISA JULGADA NÃO IDENTIFICADA. Rel. REPDJ 08. Ministro ALDIR PASSARINHO JUNIOR. . Deficiência de prequestionamento a impedir o exame do especial em toda a sua extensão. efeitos ex tunc.2005. II. DECRETO N. Recurso especial não conhecido. exclusivamente.

681-PR. DISSOLUÇÃO. levando em conta.650/RJ. REsp 515. Iniciada a liquidação para apuração dos haveres. não pode ser fracionada para efeito de ação rescisória.A sentença é una. CONTAGEM. Tal aresto não diverge de outro que. dentre outras. o juiz deferiu perícia. SENTENÇA. Não se pode falar. julgada procedente. julgado em 10/6/2003. (EREsp 332. O acórdão recorrido entendeu que houve violação ao disposto no art. DJ 09. decisão que. II . PRAZO. para atribuir a cada sócio a quantia que mais se aproxime do valor real de sua quota.2003 p. no caso há uma demora na realização dos atos judiciais de avaliação. definindo que seria realizado balanço com a realidade da empresa em 31/12/1990 (último balanço antes da retirada) e a apuração do fundo de comércio pela média dos últimos oito anos (1991 a 1998). 471 do CPC.05. 165) – grifamos. em trânsito em julgado parcial. na hipótese.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa PROCESSUAL – EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA – SÓCIO – SOCIEDADE . Rel. o escopo visado pela citação da pessoa jurídica. Decisão. I . proferiu outra decisão.O prazo para ajuizar ação rescisória é contado a partir do trânsito em julgado da decisão no último recurso interposto. Min. Precedente da Corte Especial (ERESP 404. pois. Balanço de Determinação STJ – INFO 176 SOCIEDADE COMERCIAL. CORTE ESPECIAL. os fatos supervenientes. 342) PROCESSUAL CIVIL. Acórdão que afirma serem inconfundíveis a pessoa do sócio e sociedade por ele integrada. A Turma proveu o REsp para restabelecer a decisão agravada.681/PR. PAGAMENTO DE HAVERES. pela apuração da realidade da empresa. houve trânsito em julgado. determinou a forma de apuração dos haveres dos sócios retirantes. (grifamos) EMENTA: DISSOLUÇÃO DE SOCIEDADE COMERCIAL.2003. determinando outro balanço especial em 31/12/1999 e o fundo de comércio pelo preço de mercado na mesma data. apurado pela média dos últimos oito anos (1992 a 1999). e como tal.2003 p. Apuração de haveres. Rel. julgado em 07. UNICIDADE. com a retirada dos sócios demandantes.AÇÃO DE DISSOLUÇÃO PARCIAL – CITAÇÃO DA PESSOA JURÍDICA.06. de incumbência do juiz. ainda. TRÂNSITO EM JULGADO.06.777-DF). pois se trata de simples providência. FGV DIREITO RIO 133 . AÇÃO RESCISÓRIA. Em 2000. Rel. APURAÇÃO DOS HAVERES. DJ 22. Ministro RUY ROSADO DE AGUIAR. sobre o período a apurar na perícia encarregada de avaliar o patrimônio da empresa. uma vez que cabe ao juiz encontrar a justa partilha a cada um dos sócios de acordo com suas quotas. 471 do CPC. sob o fundamento de que todos seus sócios cotistas integraram o processo alcançou. não ofende o disposto no art. julgado em 10. (REsp 515. dispensa a citação da pessoa jurídica. mas se deixou de definir o tempo a ser considerado para apuração dos haveres. A alteração da anterior decisão. em 1999. em ação de dissolução parcial de sociedade. QUARTA TURMA. Em ação de dissolução parcial de sociedade comercial. Ruy Rosado. DISSOLUÇÃO PARCIAL DE SOCIEDADE COMERCIAL. entendendo que a alteração da decisão anterior sobre o período de apuração da perícia para avaliação do patrimônio da empresa não ofendeu o artigo citado.09.2003. Recurso conhecido e provido. Ministro HUMBERTO GOMES DE BARROS.

não registrada no INPI a referida marca. deliberou a mudança de seu objeto social.Declarando o perito judicial que mencionou a marca HSM como componente de fundo de comércio.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa III . (B) econômico de suas quotas à data da resolução. (C) patrimonial de suas quotas na data do efetivo pagamento. (B) poderá exercer o direito de retirada. Merovides (A) não poderá exercer o direito de retirada.09. Merovides. apurado em balanço especial. 45. na hipótese de retirada ou exclusão de sócio. deverá fazer-se de outra forma? Fundamente a resposta. Questões de ConCursos Com gabarito ofiCiaL. (VALOR: UM PONTO E MEIO) . art. apurado em perícia judicial.2005. A Assembléia Geral Extraordinária da Companhia Brasileira de Secos e Molhados. seus haveres sociais serão pagos de acordo com o critério do valor (A) patrimonial de suas quotas na data da resolução. (D) econômico de suas quotas na data do efetivo pagamento. sociedade anônima fechada. direito a ela não teria o sócio-retirante.476/GO. Rel. (D) só poderia exercer o direito de retirada se a companhia fosse aberta. (REsp 453. 125º EXAME DE ORDEM – SEÇÃO SÃO PAULO . não há como se fazer ilação para afirmar que.Para que a ação rescisória seja acolhida por violação a dispositivo de lei (CPC. por não expressar o último balanço a realidade patrimonial da empresa. Resolvendo-se o vínculo de um sócio com a sociedade empresária de que faz parte. DJ 12. (C) só poderia exercer o direito de retirada se tivesse comparecido à assembléia. Dispondo o contrato social que.1ª FASE . 485. IV .Recurso especial conhecido e provido para cassar o acórdão proferido na ação rescisória. TERCEIRA TURMA. 46. VI . não compareceu à assembléia e discorda da alteração. a apuração de haveres no caso de sócio retirante deve ser feita como se de dissolução total se tratasse. XXXIX CONCURSO PARA INGRESSO NA MAGISTRATURA DE CARREIRA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO. V . conforme a cotação em bolsa de valores. evitando locupletamento indevido dos sócios remanescentes.DIREITO COMERCIAL. apurado em balanço especial. FGV DIREITO RIO 134 . V) é preciso que a norma legal tida como ofendida tenha sofrido violação em sua literalidade.Na dissolução de sociedade comercial. acionista detentor de 10% (dez por cento) de ações preferenciais sem direito de voto. julgado em 01.12. 2ª Prova Específica. 369) – grifamos. seus haveres serão pagos com base no último balanço levantado. e não havendo previsão contratual a respeito. Ministro ANTÔNIO DE PÁDUA RIBEIRO. é acolhível a alegação do retirante ou excluído de que a apuração.2005 p. PROVA OBJETIVA. Precedentes.

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AUlA 17: DIREÇÃO DAS AtIvIDADES EMPRESARIAIS
Nesta aula discutiremos a leitura do(s) seguinte(s) capítulo(s): – Páginas 366 a 367 do Manual de Direito Comercial e de Empresa. Vol.I .4ª edição. Ricardo Negrão. Saraiva: São Paulo/2005. – Páginas 222 a 238 de O Direito de Empresa à luz do Novo Código Civil. Sérgio Campinho. 5ª edição Renovar/2005.

Leitura CompLementar – Páginas 446 a 451 do Curso de Direito Comercial. Fábio Ulhoa Coelho. 7ª edição. Saraiva/2004. – Páginas 107 a 112 do Direito Societário. 9ª edição. José Edwaldo Tavares Borba. Renovar: Rio de Janeiro/2004.

ementário de temas – Administração ou Diretoria. – Conselho de Administração. – Deveres do administrador. – Órbita de poder. – Responsabilidade do administrador. – Teoria Ultra Vires x Teoria da Aparência. – Projeção da responsabilidade do administrador em outros campos do Direito. – PL 2426/2003.

roteiro de auLa Sabemos que a pessoa jurídica não possui corpo físico capaz de concretizar os atos necessários à realização de seu objetivo. A sua vontade (alcançada na assembléia ou na reunião) será materializada por uma ou mais pessoas. As pessoas que exteriorizam a vontade da sociedade são chamadas de administradores (ou diretores). Elas atuam como se fosse a própria sociedade, praticam atos em nome da sociedade, pois que esta última não age de per si. Quando o administrador ou diretor assina um cheque ou negocia uma operação, quem está agindo (praticando o ato de empresa) é a sociedade e não o administrador. Foi exatamente por essa razão que PONTES DE MIRANDA, com base na teoria orgânica236, sustentou que a pessoa jurídica não podia ser representada pelo seu órgão administrativo, como dispunha o art. 17 do Código Civil de 1916237, pois este nada mais é do que um membro do todo. O ato do órgão é, na verdade, ato da própria pessoa jurídica. Não haveria, portanto, representação, mas sim uma PRESENTAÇÃO, sendo o Administrador verdadeiro PRESENTANTE da sociedade.

236 a teoria orgânica ou da realidade objetiva prega que junto a pessoas naturais, que são realidades físicas, existem os organismos sociais, constituídos pelas pessoas jurídicas, as quais têm existência e vontade próprias, distintas da de seus membros, tendo por finalidade a realização de seus objetivos sociais.

“as pessoas jurídicas serão representadas, ativa e passivamente, nos atos judiciais e extrajudiciais, por quem os respectivos estatutos designarem, ou, não o designando, pelos seus diretores”.
237

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Nas palavras de Pontes de Miranda que introduziu a terminologia no Direito Privado Brasileiro:
“De ordinário, nos atos da vida, cada um pratica, por si, os atos que hão de influir, ativa ou passivamente, na sua esfera jurídica. Os efeitos resultam de atos em que o agente é presente; pois que os pratica, por ato positivo ou negativo. A regra é a presentação, em que ninguém faz o papel de outrem, isto é, em que ninguém representa” 238. “Quando o órgão da pessoa jurídica pratica o ato, que há de entrar no mundo jurídico como ato da pessoa jurídica, não há representação, mas presentação. O ato do órgão não entra, no mundo jurídico, como ato da pessoa, que é órgão, ou das pessoas que compõe o órgão. Entra no mundo jurídico como ato da pessoa jurídica, porque o ato do órgão é ato seu.” 239

Nesse sentido, acerca da natureza jurídica da Administração da sociedade, uma parte da doutrina entende tratar-se de simples mandato - teoria da representação. Nossa lei filiou-se à teoria orgânica ao “estabelecer no art. 1.018 clara distinção entre a função do administrador e a do mandatário”. (Ricardo Negrão in Manual de Direito Comercial e de Empresa. Saraiva/2005). Da mesma forma, o Prof. José Edwaldo Tavares Borba entende que “o administrador é órgão da sociedade, não se confundindo, pois, com o procurador. Este, por força de um mandato, representa a sociedade num âmbito restrito dos poderes que lhe forem conferidos”. (in Direito Societário, Renovar/2004). Por fim, entendendo que o órgão da sociedade não representa, mas presenta, conclui Pontes de Miranda:
“O órgão da pessoa jurídica não é representante legal. A pessoa jurídica não é incapaz. O poder de presentação, que ele tem, provém da capacidade mesma da pessoa jurídica; por isso mesmo, é dentro e segundo o que se determinou no ato constitutivo, ou nas deliberações posteriores. A presentação é judicial ou extrajudicial (art.17 CC/1916)” 240.

Vimos então que o administrador (ou diretor) integra o órgão da sociedade chamado de Administração (ou Diretoria) que, no plano interno, administra a empresa, e, externamente, manifesta a vontade da pessoa jurídica. O contrato social deve designar quem tem poderes para presentar a sociedade, bem como os limites desses poderes. Pode o contrato social designar indiscriminadamente todos os sócios para presentar a sociedade. Disso não decorre, porém, que os sócios que ingressem após a criação da sociedade, na qualidade de cessionários ou sucessores de sócio administrador, sejam também administradores241. Deverá existir disposição expressa na alteração contratual ou em instrumento apartado, para agirem como tais. Importante, pois, que o contrato distribua as funções e atribua os poderes de administração, evitando-se, assim, a prática de atos em excesso pelos mesmos por falta de discriminação explícita das suas funções. O Código Civil trás relevante inovação quando estabelece a possibilidade de terceiros serem administradores de sociedade limitada, o que antes ocorria somente nas sociedades anônimas242. Assim, a sociedade limitada poderá ter como administrador, pessoa que não seja sócio (se o contrato social assim o permitir). A designação dessas pessoas, porém, depende de

238

Tratado de Direito privado – Tomo III – 3ª edição – Rio de janeiro/1970. p. 231.
239 240

Op.cit. p. 233.

Tratado de Direito privado – Tomo I – 4ª edição – Revista dos Tribunais/1977. p.412. art. 1.060, parágrafo único do código civil.
241 242 Lei 6.404/76. art. 146. poderão ser eleitos para membros dos órgãos de administração pessoas naturais, devendo os membros do conselho de administração ser acionistas e os diretores residentes no País, acionistas ou não. (Redação dada pela Lei nº 10.194, de 2001). grifamos

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aprovação unânime dos sócios, no caso do capital social, ainda não estar integralizado, ou de 2/3 (dois terços) se já houver a integralização (art. 1.061). Verifica-se que o legislador deixou ao critério dos sócios tal regramento. Optando por uma sociedade limitada com um perfil mais conservador de administração, conservará em seu poder a administração (não prevendo no contrato social a administração por não-sócio). Querendo imprimir um perfil profissionalizante da administração, onde terceiros podem administrá-la, deverá haver previsão contratual expressa neste sentido. O administrador não-sócio, designado em ato separado, deverá firmar termo de posse no livro de atas da administração, no prazo de até trinta dias da data de sua designação, sob pena da nomeação perder a validade. Tanto a nomeação quanto a destituição ou renúncia do administrador devem ser averbadas no prazo de dez dias seguintes a cada ato, no registro competente (art. 1.063). Cabe ao administrador, ao término de cada exercício social, proceder à elaboração do inventário, do balanço patrimonial e do balanço de resultado econômico, com observância das regras contidas nos artigos 1.186, 1.187, 1.188 e 1.189 do Código Civil. Outra novidade do Código Civil diz respeito à expressão “sócio-gerente” que foi substituída por administrador ou diretor, haja vista a sociedade limitada poder ser gerida também por não-sócios (anteriormente a condição de sócio era obrigatória) e, a expressão “gerente”, hoje, ser sinônimo de “preposto243” (conforme dispositivo do art. 1.172), não trazendo similitude com o antigo sócio-gerente. Quoruns para nomeação e destituição do administrador Como visto na aula 16, existem quoruns mínimos estabelecidos no Código Civil de 2002, que devem ser observados. O contrato social poderá dispor de quoruns diferenciados, porém sempre respeitando esse mínimo previsto na lei. Para eleição e destituição de administradores das sociedades limitadas, o quorum previsto no Código Civil vai variar em função do administrador ser ou não sócio. No caso do contrato social prever a possibilidade de administrador não-sócio, o quorum para elegê-los vai variar conforme a integralização do capital social: a) capital social totalmente integralizado: por deliberação de 2/3 do capital social. b) capital social não integralizado: por unanimidade. (art. 1.061). Para a nomeação e destituição do administrador não-sócio designado em ato separado, serão necessários votos correspondentes a mais da metade do capital social (art. 1.076, II c/c art. 1.071, II e III). Para a destituição de administrador sócio, será necessária a aprovação de, no mínimo, 2/3 do capital social, salvo estipulação contratual diversa (art. 1.063 §1º). Neste caso, a disposição do quorum poderá atender aos interesses dos sócios uma vez que a lei permite a estipulação de quorum distinto ao legalmente estabelecido. administrador pessoa Jurídica A questão sobre a possibilidade de pessoa jurídica ser administradora de sociedade foi muito debatida na vigência do Decreto nº 3.708/1919. De forma indireta, o Código Civil veio sanar tal impasse segundo os termos dos artigos 997, VI e 1.062 §2º. Portanto, embora a sociedade possa ser constituída e tenha no seu

243

n.a. Está no exercício da empresa, mas não é detentor de poderes de direção.

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que não poderá ser superior a 3 (três) anos. § 1º O conselho de administração é órgão de deliberação colegiada. 248 Lei n. indicar os deveres do administrador nas sociedades anônimas. saraiva/2005. à sociedade limitada. Quando o legislador quis distinguir. bastando que “os sócios façam a previsão no contrato social. não cabe ao intérprete distinguir. a Lei nº 6.o modo de substituição dos conselheiros.366. criado por lei ou pelo estatuto.076. Renovar: Rio de janeiro/2004. eleitos pela assembléia-geral e por ela destituíveis a qualquer tempo. semelhante ao existente nas sociedades anônimas249. em eleição direta. art. no mínimo. p. uma vez que.º 6. escolhidos pelo voto destes. firmou orientação quanto ao impedimento da pessoa jurídica para ser administradora. parágrafo único. organizada pela empresa. Seu funcionamento é exclusivamente interno sendo despido de poderes executivos. mestre em Direito Empresarial pela ucam. pessoas naturais244. passam a ter deveres e direitos inerentes às suas funções. José Edwaldo Tavares Borba entende que “administradores poderão ser pessoas naturais ou pessoas jurídicas. e o processo de escolha e substituição do presidente do conselho pela assembléia ou pelo próprio conselho.º 126 de 2003. ser a qualquer tempo implantado (artigo 1. o contrato social pode estipular a existência de órgãos administrativos auxiliares. 1. podendo o estatuto estabelecer quorum qualificado para certas deliberações. a diretoria desta sociedade será composta de administradores. 139. em conjunto com as entidades sindicais que os representem. 247 in Direito societário. pág. Em posição minoritária247. 138. quando houve por bem o enunciado n° 66 dirimir o problema de forma enfática. 140. 4ª ed.o número de conselheiros. No entanto.404/1976. 244 n. São eles: no mesmo sentido: Ricardo negrão in manual de Direito comercial e de Empresa. professor de Direito Empresarial da Escola de Direito RIO da FGV. desde que especifique as matérias.gov. A regra da sociedade simples não se aplica subsidiariamente. art. para tornar a administração privativa de pessoas naturais. constituído somente por sócios que. é legalmente possível. 245 manual de atos de registro de sociedade Limitada. Se ele não tem sua gênesis contemporânea à celebração do contrato de sociedade. 1.062: a teor do § 2º do art.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa quadro societário somente pessoas jurídicas. o Prof.br 246 Neste sentido. que se refere a “uma ou mais pessoas”. IV . as atribuições e poderes conferidos por lei aos órgãos de administração não podem ser outorgados a outro órgão.º 6. a presente questão começou a suscitar dúvidas. 997. Da mesma forma. O estatuto poderá prever a participação no conselho de representantes dos empregados. de forma geral. conforme dispuser o estatuto.404/1976).062 do Código Civil. V)250”. indistintamente”. tão complexos quanto aos da sociedade anônima.o prazo de gestão. III . também. obrigatoriamente. destaca-se o seguinte posicionamento: “Ressalte-se por oportuno. da seguinte forma: Art. II .248” Conselho de administração A sociedade limitada pode apresentar um volume grande de negócios. 1. além do conselho fiscal. no Parecer n. A criação de um conselho de administração na sociedade limitada. O conselho de administração será composto por. § 2º as companhias abertas e as de capital autorizado terão. mediante deliberação de sócio ou sócios representantes de. uma vez nomeados.404/1976 dispensa uma seção própria para. ¾ do capital. 9ª edição. 249 FGV DIREITO RIO 138 .as normas sobre convocação. Neste caso. a administração da companhia competirá. como o fez em relação à sociedade simples.a. onde o legislador não distinguiu (art. que deliberará por maioria de votos.º 98 de 2003246. 1. autor do enunciado márcio souza Guimarães. vol.011 do Código Civil. 997 e § 2º do art. de representação e de administração (art. no art. VI). 138 §1º da Lei n. ou o máximo e mínimo permitidos.060. nesse caso.062) não mais é admitida a administração da sociedade limitada por pessoa jurídica”. mais amplamente. conselho de administração. que diante da nova sistemática estabelecida pelo Código Civil (art. sendo a representação da companhia privativa dos diretores. I c/c artigo 1. I. que devem ser aplicáveis a qualquer pessoa incumbida de administrar bens ou interesses alheios251. no mínimo. ao conselho de administração e à diretoria. resumindo-se ao dever de diligência e probidade. instalação e funcionamento do conselho. Disponível em: www. ou somente à diretoria.dnrc.071. poderá. devendo o estatuto estabelecer: I . o administrador só pode ser pessoa natural245. esta regra é válida para qualquer tipo de sociedade.107. O conselho de administração é um órgão Colegiado e deliberativo. deveres do administrador Os deveres do administrador estão previstos. permitida a reeleição.054 c/c o art. o Departamento Nacional de Registro do Comércio – DNRC. 1. 1. art. por meio da Instrução Normativa n. tanto que esta dispõe de norma própria. fê-lo expressamente (art. 3 (três) membros. Na I Jornada de Direito Civil.

155254 da Lei nº 6. como regra para analisar a responsabilidade dos administradores. qualquer modalidade de vantagem pessoal. Havendo conflito de interesses. FGV DIREITO RIO 139 . art.242. direta ou indireta. Parece contraditório com o dever de sigilo. os mesmos deveres que os demais. 1. numa determinada operação. refletida e desinteressada. 250 campInHO.442.404/1976. § 4º O conselho de administração ou a diretoria podem autorizar a prática de atos gratuitos razoáveis em benefício dos empregados ou da comunidade de que participe a empresa. numa tradução livre do inglês. – Dever de Informar: disposto no art. ainda que para defesa do interesse dos que o elegeram. tomar por empréstimo recursos ou bens da companhia. Law A recent Delaware Supreme Court decision may have undermined cases against directors and officers of companies for actions they take just before they file for bankruptcy. em proveito próprio. tendo em vista suas responsabilidades sociais. Oportuno discutir. ou usar. Em suma. considerando-se que estas tenham sido tomadas de maneira informada. visando à obtenção de vantagens. pág. A referida teoria. deixar de aproveitar oportunidades de negócio de interesse da companhia. 252 art. – Conflito de interesses: disposto no art. Fábio ulhoa in curso de Direito comercial. com ou sem prejuízo para a companhia. § 3º as importâncias recebidas com infração ao disposto na alínea c do § 2º pertencerão à companhia. § 2° É vedado ao administrador: a) praticar ato de liberalidade à custa da companhia. em benefício próprio ou de outrem. se será possível responsabilizar o administrador pela deepening insolvency ou agravamento pela situação de crise econômica-financeira259. em razão do exercício de seu cargo. pelos danos gerados em conseqüência de um prolongamento artificial de uma sociedade empresária em grave crise sem que haja ativos suficientes e fluxo de caixa para pagar seus credores. A própria lei coibe os atos de liberalidade que possam prejudicar a sociedade ou que não sejam do interesse social. a referida teoria não protegerá o administrador negligente. Satisfazer às exigências do bem público e a função social da empresa são objetivos que também devem pautar as atitudes daqueles que efetivamente realizarão o objeto social. para si ou para outrem. faltar a esses deveres. 5ª edição Renovar/2005. tem por objetivo blindar o administrador contra interferências do Poder Judiciário e do órgão regulador quanto às suas decisões. também conhecida em nosso país como “Regra da Decisão Negocial”. – Desvio de Poder: disposto nos parágrafos do art.404/1976. The court ruled last month that creditors of a Delaware corporation that is insolvent or in the so-called “zone of insolvency” have no right to assert direct claims for breach of fiduciary duty against its directors. cuja aplicação no Brasil vem sendo aplicada pelo Poder Judiciário e pela Comissão de Valores Mobiliários258. de sociedade em que tenha interesse. 154253 da Lei nº 6. Em razão da função que ocupa. entre o administrador e a sociedade. – Dever de Lealdade e Sigilo: disposto no art. 251 cOELHO. 156256 da Lei nº 6. os seus bens. no entanto ambos se complementam uma vez que o sigilo refere-se a pessoas especificas e o dever de informar aparece em uma série de dispositivos que visam obrigar o administrador a dar publicidade aos negócios da sociedade que poderão influenciar investidores e mercado.usar. O administrador deve atuar com zelo e aplicar métodos. a teoria do Business Judgment rule257. ou de terceiros.404/1976 e no art. 253 254 art. 154 § 1º. não podendo.404/76. c) receber de terceiros. sendo-lhe vedado: I . para com a companhia.404/1976. O direito societário norte-americano adota.017 do Código Civil. serviços ou crédito. II . satisfeitas as exigências do bem público e da função social da empresa.011 do Código Civil. Sobre o tema: Ruling Makes Bankruptcy Suits Harder • United States • 06/25/2007 • U. b) sem prévia autorização da assembléia-geral ou do conselho de administração.S. Some lawyers believe the decision eliminates the threat of suits that seek to recover from directors for actions they took shortly before bankruptcy. limitando os poderes da administração. o administrador não pode se utilizar (proveito próprio ou de terceiros) das informações privilegiadas que obtém em virtude de sua atividade e que ainda não foram repassadas ao mercado. O administrador deve exercer as atribuições que a lei e o estatuto lhe conferem para lograr os fins e no interesse da companhia. O administrador deve servir com lealdade à companhia e manter reserva sobre os seus negócios. saraiva/2004. teorias e atos próprios a fim de realizar o objeto social. neste ponto.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa – Dever de Diligência: disposto no art. 7ª edição. pág. sem autorização estatutária ou da assembléia-geral. – Dever Ético-Social: disposto no caput do art.. 154252 da Lei nº 6. as oportunidades comerciais de que tenha conhecimento em razão do exercício de seu cargo.omitir-se no exercício ou proteção de direitos da companhia ou. 154. O administrador eleito por grupo ou classe de acionistas tem. é vedado ao administrador intervir tanto na operação como nas deliberações que tomarem os demais administradores. 1. sérgio in O Direito de Empresa à luz do novo código civil. 155. 157255 da Lei nº 6. such as increasing the company’s debt or signing major contracts with creditors.

In bankruptcies. lawyers have been testing claims and damages theories involving the duties of a company’s directors as a company nears bankruptcy or enters the zone of insolvency and “deepening insolvency. c) os benefícios ou vantagens. can support a deepening-insolvency claim under Pennsylvania law. ao administrador de companhia aberta.. Ala. the bankruptcy trustee filed a lawsuit in Alabama state court against the company’s directors. sendo-lhe vedado valer-se da informação para obter. O administrador de companhia aberta deve declarar. Harold Ruttenberg. § 2º O administrador deve zelar para que a violação do disposto no § 1º não possa ocorrer através de subordinados ou terceiros de sua confiança. § 3º a pessoa prejudicada em compra e venda de valores mobiliários.S. Gary Seitz Ch. tem direito de haver do infrator indenização por perdas e danos. No. In bankruptcy courts and state courts. For example. § 1º cumpre. Clearwire Holdings Inc. o número de ações. Many are now pointing to the May 18 Delaware Supreme Court decision in the North American Catholic case as a significant milestone in the zone-of-insolvency debate.C. Cases involving zone-of-insolvency and deepeninginsolvency issues have been a developing trend in the past several years. not negligence. In re CitX Corp. para si ou para outrem. Ernst & Young LLP..3d 672 (3d Cir. but the pendulum has recently shifted. shoe retailer Just For Feet Inc. 157. Court decisions opened the door to such claims a few years ago. obtida em razão do cargo e capaz de influir de modo ponderável na cotação de valores mobiliários.adquirir. or are actually insolvent. Despite the popularity of the theories. said that companies nearing insolvency must still safeguard creditors’ interests to avoid lawsuits. Rob Gheewalla. if they exist.).5 million settlement with outside directors reached in March in a separate suit against directors of bankrupt Birmingham. diretamente ou através de outras pessoas.). bem ou direito que sabe necessário à companhia. 2006). it’s incumbent upon trustees to pursue claims against directors. which had agreed to buy the foundation’s Federal Communications Commission-approved licenses for microwave signal transmission to build a national wireless Internet network.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa The case was filed by “putative creditor” North American Catholic Educational Programming Foundation Inc. a menos que ao contratar já conhecesse a informação. b) as opções de compra de ações que tiver contratado ou exercido no exercício anterior. controladas ou do mesmo grupo. Charles R. bankruptcy.. a 3rd U. Circuit Court of Appeals decision in 2006 said that only fraud. vantagem mediante compra ou venda de valores mobiliários. courts have been inconsistent on whether zone of insolvency and deepening insolvency are causes of action or a fact pattern. que tenha recebido ou esteja recebendo da companhia e de sociedades coligadas. officers. ou que esta tencione adquirir... against three directors of the Delaware corporation. fraud and related claims for the company’s actions as it neared bankruptcy or entered the zone of insolvency. ao firmar o termo de posse. In the Just For Feet Inc. 7 Trustee v. for the benefit of creditors and shareholders.). North American Catholic Educational Programming Foundation Inc. para revender com lucro. com a finalidade de auferir vantagem. ademais.. shuts the door on director liability in those circumstances. 06-521 (Del. que tiver adquirido ou alienado. indiretas ou complementares. Later in 2006.” Lawyers disagree about whether the recent Delaware Supreme Court decision rejecting direct creditor claims for breach of fiduciary duty when companies enter the zone of insolvency. 255 art. Ala. § 1º O administrador de companhia aberta é obrigado a revelar à assembléia-geral ordinária. Inc. and the settlement shows that zone-of-insolvency theories are alive and well. ou do mesmo grupo. FGV DIREITO RIO 140 . de que seja titular. Del. contratada com infração do disposto nos §§ 1° e 2°. para si ou para outrem. 906 A. Some have claimed that Just For Feet could have been reorganized in a healthy way that preserved a substantial amount of value. v. Courts have also been inconsistent. The trustee said that the defendants’ decisions to ignore expert advice to file a Chapter 11 restructuring and conceal the company’s shaky financial status for two years led to a $90 million fire-sale liquidation of the company’s assets. opções de compra de ações e debêntures conversíveis em ações. Ct. guardar sigilo sobre qualquer informação que ainda não tenha sido divulgada para conhecimento do mercado. de emissão da companhia e de sociedades controladas ou do mesmo grupo.2d 168 (New Castle Co.” but it has been said to refer to when a company nears insolvency or is at the point at which it can’t pay its debts. The Delaware Supreme Court upheld a Delaware court of chancery decision that dismissed a putative creditor’s case against three directors of wireless Internet company Clea- III .. Trenwick America Litigation Trust v. Detweiler Hersey & Associates P. Cir. Goldstein. Chapter 7 Trustee for Just For Feet Inc. v. There is no legal definition of “zone of insolvency. No. a Delaware court of chancery rejected deepening insolvency as an independent cause of action under Delaware law. no exercício anterior. 01-06833 (Jefferson Co. But a lawyer involved in a $41. accounting firm and independent auditors for breaches of fiduciary duty. por qualquer pessoa que a ela tenha tido acesso. a pedido de acionistas que representem 5% (cinco por cento) ou mais do capital social: a) o número dos valores mobiliários de emissão da companhia ou de sociedades controladas. bônus de subscrição. § 4º É vedada a utilização de informação relevante ainda não divulgada.. 448 F. no mercado de valores mobiliários. Ch.

às 04:20horas. § 3º a revelação dos atos ou fatos de que trata este artigo só poderá ser utilizada no legítimo interesse da companhia ou do acionista. http://www. a pedido de qualquer acionista. as a matter of law. p. a esta e às bolsas de valores ou entidades do mercado de balcão organizado nas quais os valores mobiliários de emissão da companhia estejam admitidos à negociação.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa rwire Holdings Inc. acesso em 19 de janeiro de 2009. § 2º Os esclarecimentos prestados pelo administrador poderão. se for o caso. for breaches of fiduciary duty while the company was in the zone of insolvency or insolvent. a pedido dos administradores.015 do Código Civil. eis alguns exemplos: – concessão de garantias em nome da sociedade em favor de terceiros sem contrapartida que a beneficie: desvia a sociedade do seu objetivo de obter lucros.. que possa influir. na decisão dos investidores do mercado de vender ou comprar valores mobiliários emitidos pela companhia. no sentido da realização do objeto social. to assert direct claims for breach of fiduciary duty against its directors. e fornecidos por cópia aos solicitantes. § 5º Os administradores poderão recusar-se a prestar a informação (§ 1º.ex. autenticados pela mesa da assembléia. nos termos e na forma determinados pela comissão de Valores mobiliários. isto porque. – alienação de bens imóveis. Existem atos de gestão que são. do contrário. e) quaisquer atos ou fatos relevantes nas atividades da companhia. ou por iniciativa própria. poderes do administrador Os administradores ou diretores decidem e executam os negócios da sociedade limitada agindo. d) as condições dos contratos de trabalho que tenham sido firmados pela companhia com os diretores e empregados de alto nível. ou deixar de divulgá-la (§ 4º). servir de residência temporária para algum diretor em trânsito. a inclusão de uma cláusula no contrato social obrigando aos administradores prestarem caução. o Prof.” wrote Justice Randy Holland. – usar bens da sociedade em nome próprio ou permitir que terceiro o faça. The court said that creditors of a Delaware corporation that is insolvent or in the zone of insolvency “have no right. a praticar todos os atos pertinentes à gestão da sociedade260. an insurance company receiver or a creditor’s committee. exceto se o bem fizer parte de um conjunto de direitos que a sociedade pode proporcionar para seus diretores. O citado professor também menciona. 1. not by individual creditors. Many such lawsuits are already filed as derivative cases on behalf of a corporation by a bankruptcy trustee.” Hollin said. “It doesn’t take away the zone-of-insolvency issues. os administradores são autorizados – na forma do art. but it doesn’t mean zone-of-insolvency issues are dead. cabendo à comissão de Valores mobiliários. tradicionalmente. em regra. Hollin said. alínea e). como forma de garantir uma administração diligente. said Hollin of Powell Trachtman. ser reduzidos a escrito. decidir sobre a prestação de informação e responsabilizar os administradores. Diante de tão amplos poderes. usar o cartão de crédito corporativo para fins sociais. as modificações em suas posições acionárias na companhia. “Recognizing that directors of an insolvent corporation owe direct fiduciary duties to creditors would create uncertainty for directors who have a fiduciary duty to exercise their business judgment in the best interest of the insolvent corporation. “It says they’ve got to be brought in a derivative manner on behalf of the corporation. Sérgio Campinho destaca ser de bom alvitre a elaboração de cláusula contratual estabelecendo restrições aos atos de gestão. limitados nos contratos sociais.com/en/news/2652. § 4º Os administradores da companhia aberta são obrigados a comunicar imediatamente à bolsa de valores e a divulgar pela imprensa qualquer deliberação da assembléia-geral ou dos órgãos de administração da companhia.” While insolvent companies could face derivative suits. de qualquer acionista. respondendo os solicitantes pelos abusos que praticarem. se entenderem que sua revelação porá em risco interesse legítimo da companhia. § 6º Os administradores da companhia aberta deverão informar imediatamente. the Delaware Supreme Court didn’t directly discuss whether companies in the amorphous zone of insolvency could also face derivative claims. de modo ponderável. ter direito a um esquema de segurança etc. FGV DIREITO RIO 141 .lexuniversal. ou fato relevante ocorrido nos seus negócios. Esta garantia somente seria “levantada” após a aprovação das últimas contas apresentadas pelo administrador que estivesse deixando o cargo261. The Delaware decision erases the threat of direct claims by creditors against directors.

provando-se que era conhecida do terceiro. pois. quando ultrapassar os atos regulares da gestão. conforme dispositivo do art. mas sim a determinação de que o administrador é o responsável pelo adimplemento da obrigação.cvm. como informações. como a acepção da palavra indica. o administrador somente pode contratar com a companhia em condições razoáveis ou eqüitativas. acesso em 19 de janeiro de 2009.asp. nas sociedades limitadas. Dessa forma. 257 “Em razão da regra da decisão negocial. compelida ao pagamento para. estes atos vincularão apenas à sociedade que ficará obrigada a satisfazer as obrigações contraídas pelo administrador (teoria organicista).se a limitação de poderes estiver inscrita ou averbada no registro próprio da sociedade.br/Investidor/ juridico/060912nota. É vedado ao administrador intervir em qualquer operação social em que tiver interesse conflitante com o da companhia. da pratica de atos ilícitos. será responsável sempre que agir com dolo ou culpa. Há.gov. as normas previstas para as sociedades por ações serão aplicáveis. estando. dispondo que todos os atos praticados pelo administrador. o administrador deve seguir os seguintes princípios: (i) Decisão informada: a decisão informada é aquela na qual os administradores basearam-se nas informações razoavelmente necessárias para tomá-la.asp. bem como na deliberação que a respeito tomarem os demais administradores. (ii) Decisão refletida: a decisão refletida é aquela tomada depois da análise 258 FGV DIREITO RIO 142 . § 1º ainda que observado o disposto neste artigo. caberá ao 256 art. com a força exclusiva do seu patrimônio. não a sua invalidação. na aparência do ato praticado pelo administrador. confira-se: http://www. essa última.tratando-se de operação evidentemente estranha aos negócios da sociedade. na proporção em que participem das perdas sociais. A base da teoria da aparência consiste. podemos concluir que deve ser analisada a prática do ato. No Brasil. é claro no sentido da responsabilização pessoal do administrador perante terceiros em qualquer uma das seguintes situações: I . todavia. Conjugado com o indigitado dispositivo legal. § 2º O negócio contratado com infração do disposto no § 1º é anulável. teoria ultra Vires A teoria dos atos ultra vires tem origem inglesa. mas sim o próprio administrador. poder-se-á perquirir sobre a possibilidade do terceiro credor cobrar da sociedade. Dispõe o art. 158 da Lei nº 6. não é necessária a contratação de um banco de investimento para a avaliação de uma operação. 158 da Lei 6. Se o administrador de uma escola adquire um helicóptero. salvo cláusula de responsabilidade solidária (artigos 1. caso seja inadimplida uma das parcelas. sendo a conseqüência da prática de tais atos. para utilizar a regra da decisão negocial. como veremos a seguir.016 do Código Civil que os administradores respondem solidariamente perante a sociedade e perante terceiros prejudicados por culpa no desempenho de suas funções.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa responsabilidades do administrador A responsabilidade dos administradores decorre. III . situações em que o administrador age excedendo os poderes que lhe foram conferidos pela sociedade. todavia. inclusive desrespeitando vedações contratuais expressas. Como o administrador age em nome da sociedade limitada. o administrador será o responsável pelo pagamento da obrigação. análises e memorandos dos diretores e outros funcionários. Para melhor compreensão da responsabilidade dos administradores. mesmo que dentro das limitações de competência previstas no contrato/estatuto. seriam acoimados de nulos. em regra. utilizar. de forma a ultrapassar a sua órbita de poderes. II .404/1976. nesses casos. 927 do Código Civil. Em ambos os casos. dependendo da disposição contratual262. cumprindo-lhe cientificá-los do seu impedimento e fazer consignar. Nestes casos o parágrafo único.com. Assim. devemos analisar as regras insertas no art. acesso em 19 de janeiro de 2009. se os bens da sociedade não cobrirem as dívidas. Assim.015 do Código Civil. tal teoria tem sido utilizada por alguns doutrinadores para explicar a teoria da responsabilidade do administrador. após. bovespa. podem os administradores. bem como de terceiros contratados. em ata de reunião do conselho de administração ou da diretoria. a aparência indica ao credor que o “adquirente” não é a sociedade que explora a escola.br/port/ inqueritos/2007/rordinario/ inqueritos/05_15_21-04. do art.024). às 03:58horas.023 e 1. Ou então. os sócios responderão pelo saldo. a natureza e extensão do seu interesse. de forma abusiva ou excessiva de poderes (abuso de poder e excesso de poder). o poder judiciário americano preocupa-se apenas com o processo que levou à decisão e não com o seu mérito. 1. 156. e o administrador interessado será obrigado a transferir para a companhia as vantagens que dele tiver auferido. 1.404/76 e art. entretanto. exercer o direito de regresso em face do administrador. sempre que praticar os atos de gestão dentro dos limites da atribuição de competência e poder. idênticas às que prevalecem no mercado ou em que a companhia contrataria com terceiros. podemos dizer que estamos diante de uma nova teoria dos atos ultra vires. A solução do problema se dará com base na teoria da aparência. na cVm: http://www.

em cotejo com a documentação que fundamenta o negócio. uma forma de responsabilidade por substituição. haverá a transferência do débito em nome do contribuinte. Op. admite a desconsideração da pessoa jurídica “sempre que sua personalidade for obstáculo ao ressarcimento de prejuízos causados à qualidade do meio ambiente”. art. a decisão negocial que a ele levou pode ser considerada refletida.) III . é importante ressaltar que tais regras não fazem com que os administradores sejam responsáveis pelo pagamento de tais débitos. que respondem solidariamente. – Previdência Social: O empregador.228. depois. – Trabalhista: Os arts. com excesso de poderes ou infração de lei. e (iii) Decisão desinteressada: a decisão desinteressada é aquela que não resulta em benefício pecuniário ao administrador. encaminhando-se. exclusivamente para o responsável.729/1965265) e de apropriação indébita (Decreto-Lei nº 2. ou então. http://www. Entretanto. Ressalte-se que o art. Além disso.620/1993267 e da remansosa jurisprudência dos tribunais. aplicamse os standards do dever de lealdade (duty of loyalty)”. p. pág. sócios e diretores. 1. são pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei. resultante de atos praticados.cit. o credor poderá cobrar diretamente da sociedade para que. Recolher as contribuições da Previdência Social e não repassá-las ao INSS configura crime de sonegação fiscal (Lei nº 4. alegando que. 2009. que explora a escola. Novamente. das diferentes alternativas ou possíveis conseqüências ou. A jurisprudência trabalhista ainda é vacilante sobre o tema.) Direito societário – Desafios atuais – são paulo: quartier Latin. in casTRO. a Lei nº 9.605/1998268 prevê a responsabilização penal da pessoa jurídica pela prática de delitos ambientais e funciona não apenas para punir. 50 do Código Civil. como tal considerado o titular da empresa (individual ou coletiva). tenha o administrador decidido não analisar esse negócio. pelos responsáveis. 260 261 262 263 Op. III263 é o não pagamento da obrigação principal pelo contribuinte. 259 É obrigatória a leitura do seguinte artigo: “Deveres dos administradores de sociedades Empresárias em Dificuldade Econômica-Financeira: a Teoria da Deepening Insolvency no Brasil” escrito por Leonardo santos de aragão. 135 do CTN não é caso de desconsideração da personalidade jurídica. 135.br/port/ inqueritos/2007/rordinario/ inqueritos/05_15_21-04. na forma da Lei nº 8. ainda. O mesmo diploma legal. monteiro de & aRaGãO. acesso em 19 de janeiro de 2009. Além do dispositivo constitucional.os diretores. o instituto da desconsideração da personalidade jurídica art. 178/185. mas como forma de prevenção. a teoria da aparência. onde o responsável passa a figurar no pólo passivo de uma relação jurídica com o FISCO. aplicando-se. quando o administrador tem interesse na decisão. é também responsável legal pela arrecadação das contribuições dos seus empregados.. além de ser contribuinte (segurado obrigatório). 225 da Constituição da República conferiu especial relevo à questão ambiental. FGV DIREITO RIO 143 . Com isso. será obrigado a cobrar do administrador. algumas vezes. gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. projeção da responsabilidade do administrador em outros campos do direito: – Código Tributário Nacional: a hipótese de incidência do art. Pela teoria da aparência. tal como ocorre com relação aos tributos.. destinando um capítulo inteiro a sua proteção. Rodrigo R. pág.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa credor a cobrança apenas em face do administrador (pessoa natural) e não da sociedade. asp. 135.cit.053 do código civil. que o substitui.cvm. haja o regresso. em seu art. ao elevar o meio-ambiente à categoria de bem jurídico tutelado autonomamente. O autor do PL justifica a proposição. mesmo que deixe de analisar um negócio. desta feita. no entanto. custe o que custar”. salvo nas hipóteses de fraude. disciplinando a declaração judicial de desconsideração da personalidade jurídica. 2° e 10 da CLT firmam a responsabilidade da empresa pelos débitos trabalhistas.gov. contrato social ou estatutos: (. Esse conceito vem sendo expandido para incluir benefícios que não sejam diretos para o administrador ou para instituições e empresas ligadas a ele. caso. não é caso para a desconsideração da personalidade jurídica e sim de substituição legal tributária. pL 3401/2008269 Encontra-se em tramitação o PL 3401/2008 que regulamenta o disposto no art. – Ambiental: O art. 4º. embora só recentemente tenha sido introduzido na legislação brasileira. informadamente. é. contrato social ou estatutos. para o perigoso rumo da máxima de que “alguém deve pagar.848/1940 – Código Penal266). Leonardo santos de (coord.228.

com sede em Feliz/PR. a ”RS” comunica a Couros e Outros Ltda. em proveito próprio e não da sociedade (“RS”). ou de seu órgão colegiado. Waltinho tomou todas as cautelas necessárias. assim como o endereço para a entrega na sede da “RS”. direta ou indiretamente ligados à mesma. os dados fiscais são sempre os mesmos. CULPABILIDADE COMO RESPONSABILIDADE SOCIAL.500. Waltinho recebe um pedido de Alfredo no valor de R$ 4. ATUAÇÃO DOS ADMINISTRADORES EM NOME E PROVEITO DA PESSOA JURÍDICA. mas com o passar dos anos.00 e R$ 5. PENAS ADAPTADAS À NATUREZA JURÍDICA DO ENTE COLETIVO. porém. No início de dezembro. Caso gerador A sociedade RS Sapatos e Bolsas Ltda. e há mais de cinco anos faz seus pedidos mensais. 265 art. informação que deva ser produzida a agentes das pessoas jurídicas de direito público interno. e multa. tenham praticado ou concorrido para a prática da sonegação fiscal. com a intenção de eximir-se. 267 JurisprudênCia CRIMINAL.00. os quais foram devidamente pagos no vencimento. CAPACIDADE DE AÇÃO. O valor dos pedidos oscila entre R$ 3. os gerentes e os diretores respondem solidariamente e subsidiariamente. nos casos em que a infração seja cometida por decisão de seu representante legal ou contratual. de modo permanente ou eventual. total ou parcialmente.000. POSSIBILIDADE. no endereço indicado para essa entrega. parágrafo único. a responsabilidade das pessoas jurídicas não exclui a das pessoas físicas. o juiz lhes facultará o prévio exercício do contraditório. CRIME AMBIENTAL PRATICADO POR PESSOA JURÍDICA. com o vendedor Waltinho. Nesse sentido.. que “Alfredo” havia sido despedido dias antes de fazer o último pedido ao “Waltinho”. justamente. a “RS” estava alugando o espaço na área de produção de uma outra fábrica que ficava. art 6º quando se trata de pessoa jurídica. com os mesmo dados fiscais. para ser entregue em outro endereço. os administradores. Além disso. parágrafo único. De quem é a obrigação de pagar o título e por quê? art 1º constitui crime de sonegação fiscal: I . co-autoras ou partícipes do mesmo fato. art. A justificativa de Alfredo era que. 13. no interesse ou benefício da sua entidade. PREVISÃO CONSTITUCIONAL REGULAMENTADA POR LEI FEDERAL.gov. no prazo e forma legal ou convencional: pena . Waltinho não perde tempo.prestar declaração falsa ou omitir. porque a compra foi feita por pessoa não autorizada. antes de declarar que os efeitos de certas e determinadas obrigações sejam estendidos aos bens dos administradores ou sócios da pessoa jurídica. Os acionistas controladores.reclusão.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa vem sendo utilizado com um certo açodamento e desconhecimento das verdadeiras razões que autorizam um magistrado a declarar a desconsideração da personalidade jurídica. com seus bens pessoais. a responsabilidade penal pelas infrações previstas nesta Lei será de todos os que. pelos débitos junto à seguridade social. do pagamento de tributos. 266 art. art. EXISTÊNCIA JURÍDICA. os canhotos das notas fiscais e dos talões de pedido sempre voltavam assinados e carimbados pelo chefe da expedição da “RS”. tem 20 anos de mercado capixaba. será vedada a extensão dos efeitos de obrigações da pessoa jurídica aos bens particulares de sócio e/ou de administrador que não tenha praticado ato abusivo da personalidade.camara. 168-a. Alfredo Matias é o diretor de compras da “RS”. Pergunta-se: 1. mediante desvio de finalidade ou confusão patrimonial. No início. passou a aceitar os pedidos de Alfredo por telefone e/ou por e-mail. taxas e quaisquer adicionais devidos por lei. civil e penalmente conforme o disposto nesta Lei. em virtude da demanda de Natal. 3º as pessoas jurídicas serão responsabilizadas administrativa. pessoalmente. autoras. total ou parcialmente. aduzindo.000. Sacada a duplicata correspondente à venda do couro. RESPONSABILIZAÇÃO PENAL DO ENTE COLETIVO. RECURSO PROVIDO. FORMA DE PREVENÇÃO DE DANOS AO MEIO-AMBIENTE. por dolo ou culpa. que não aceitará o título nem o pagará. OPÇÃO POLÍTICA DO LEGISLADOR. de 2 (dois) a 5 (cinco) anos. com seus bens pessoais. Seu principal fornecedor de couro é a Couros e Outros Ltda. em detrimento dos credores da pessoa jurídica ou em proveito próprio. ainda. Além disso.00.br. CO-RESPONSABILIDADE. quanto ao inadimplemento das obrigações para com a seguridade social. e “tira o pedido”. indicando como local para a entrega o último endereço fornecido por Alfredo. O titular da firma individual e os sócios das empresas por cotas de responsabilidade limitada respondem solidariamente. 4º poderá ser desconsiderada a pessoa jurídica sempre que sua personalidade for obstáculo ao ressarcimento de prejuízos causados à qualidade do meio ambiente 268 269 Disponível em: www. Deixar de repassar à previdência social as contribuições recolhidas dos contribuintes. concedendo-lhes o prazo de dez dias para produção de suas defesas. FGV DIREITO RIO 144 .

(REsp 564960/SC. passou a prever. e a culpabilidade da pessoa jurídica. como forma não apenas de punição das condutas lesivas ao meio-ambiente. todas adaptadas à sua natureza jurídica. decorrente de sua atividade lesiva. QUINTA TURMA. através de lançamento de resíduos. de serem culpáveis e de sofrerem penalidades. XI. II.2005 p. poderá vir a praticar condutas típicas e. foi denunciada por crime ambiental. restritivas de direitos. a possibilidade de penalização criminal das pessoas jurídicas por danos ao meio-ambiente. de forma inequívoca. A imputação penal às pessoas jurídicas encontra barreiras na suposta incapacidade de praticarem uma ação de relevância penal. A desconsideração da pessoa Jurídica para o fim. A co-participação prevê que todos os envolvidos no evento delituoso serão responsabilizados na medida se sua culpabilidade. VI. A Lei ambiental. desconsiderando a pessoa jurídica da devedora. neste contexto.e uma jurídica. tais como. A atuação do colegiado em nome e proveito da pessoa jurídica é a própria vontade da empresa. óleo. V. A culpabilidade. portanto. X. XII.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa I. Decisão deste órgão fracionário em Agravo de Instrumento que considerou legítimo o ato judicial que. Rel. A Lei Ambiental previu para as pessoas jurídicas penas autônomas de multas. de alcançar a penhora de bens de sócio da sociedade tem cabimento nos casos de desvio das finalidades sociais. o qual se passou como representante da sociedade em nome de quem celebrou FGV DIREITO RIO 145 .06. resultantes da atividade do estabelecimento comercial. a pessoa jurídica deve ser beneficiária direta ou indiretamente pela conduta praticada por decisão do seu representante legal ou contratual ou de seu órgão colegiado. Se a pessoa jurídica tem existência própria no ordenamento jurídico e pratica atos no meio social através da atuação de seus administradores. ser passível de responsabilização penal. A responsabilização penal da pessoa jurídica pela prática de delitos ambientais advém de uma escolha política. limita-se à vontade do seu administrador ao agir em seu nome e proveito. “De qualquer modo. liquidação forçada e desconsideração da pessoa jurídica. EMBARGOS DO DEVEDOR .” IX. juntamente com dois administradores. é a responsabilidade social. de prestação de serviços à comunidade.. Ministro GILSON DIPP.PENHORA DE BENS PESSOAIS DO SÓCIO. no conceito moderno.”. julgado em 02.DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE DE PESSOA JURÍDICA . nos termos do voto do Relator. lodo. grifamos. de ato ilícito ou de excesso de poder.06. A denúncia oferecida contra a pessoa jurídica de direito privado deve ser acolhida. consubstanciado em causar poluição em leito de um rio. mandou recaísse a penhora sobre bem pessoal do sócio. 331). pois é incontroversa a existência de duas pessoas distintas: uma física . IV. III. XIII. VII. Hipótese em que pessoa jurídica de direito privado.2005. VIII. Não há ofensa ao princípio constitucional de que “nenhuma pena passará da pessoa do condenado. A pessoa jurídica só pode ser responsabilizada quando houver intervenção de uma pessoa física.. graxas. cada qual recebendo a punição de forma individualizada. mas como forma mesmo de prevenção geral e especial. DJ 13.que de qualquer forma contribui para a prática do delito . areia e produtos químicos. diante de sua legitimidade para figurar no pólo passivo da relação processual-penal. Recurso provido. havendo prova da prática de abuso de direito. que atua em nome e em benefício do ente moral. regulamentando preceito constitucional.

Questões outras que podem ser examinadas em qualquer tempo ou que se ressentem da produção de prova idônea Ausência do dolo processual autorizador da aplicação da pena por litigância de má fé e. (2003. Uma das conseqüências dessa distinção é que o administrador nomeado em contrato (A) deve ser sócio. grifamos obs. PROVA OBJETIVA . 125º EXAME DE ORDEM. (D) prescinde de autorização dos sócios para a prática de atos. SEÇÃO SÃO PAULO.VERSÃO 1. d) 3/4 do capital. c) 1/2 do capital. b) 1/4 do capital. 44. DIREITO COMERCIAL.1ª FASE. (C) depende de quorum de nomeação diferenciado. DIREITO COMERCIAL. no mínimo: a) 2/3 do capital. cuja ata foi arquivada na Junta Comercial.DES. (C) no regular exercício de suas atribuições e seu ato é considerado válido e eficaz. 123º EXAME DE ORDEM. praticou ato de gestão contrariando expressamente decisão tomada em reunião de sócios. regida subsidiariamente pelas regras da sociedade simples. Recurso provido parcialmente. PAULO GUSTAVO HORTA . SEÇÃO SÃO PAULO . Nessa qualidade. recebeu dinheiro para quitar dívida da sociedade e depositou o cheque em favor de outra sociedade da qual ele e sua mulher eram os únicos sócios. SEÇÃO DO RIO DE JANEIRO .PROVA 1ª FASE . TJ/RJ).DIREITO COMERCIAL. arbitramento dos honorários de advogado. já estando integralizado o capital social.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa contrato de constituição de sociedade em conta de Participação.QUINTA CAMARA CIVEL.TIPO 1. Na íntegra do acórdão há menção à teoria ultra vires.001. (D) no regular exercício de suas atribuições. Prejuízos causados à sócia oculta reconhecido por sentença judicial. (B) tem poderes irrevogáveis.14192 . mas seu ato é considerado válido e eficaz. 42. 38 .APELACAO CIVEL . (B) com excesso de poderes e essa circunstância pode ser oposta a terceiros. Questões de ConCurso 29º EXAME DE ORDEM. Epaminondas é administrador não sócio de sociedade limitada. a designação deles dependerá da aprovação dos sócios que representem. FGV DIREITO RIO 146 . O administrador das sociedades limitadas pode ser nomeado no contrato social ou por ato separado. PROVA OBJETIVA .Julgamento: 12/08/2003 .Na sociedade limitada. se o contrato permitir administradores não sócios. mas responde perante os sócios por eventuais prejuízos. Epaminondas agiu: (A) com excesso de poderes.

a administração da sociedade somente pode ser exercida por sócio e mediante designação no contrato social. b) a sociedade somente pode praticar atos que estejam expressa ou implicitamente compreendidos no seu objeto. Prova OAB/RJ . A propósito dessa situação. na sociedade limitada. Assinale a alternativa CORRETA a) Na sociedade em conta de participação. b) Na sociedade limitada cujo capital esteja totalmente integralizado. assinale a opção que apresenta uma resposta correta à referida consulta. se o sócio participante tomar parte com o sócio ostensivo. FGV DIREITO RIO 147 . com partes iguais no capital. sob pena de ineficácia do ato em relação à sociedade. D) A administração pode ser exercida por pessoa jurídica desde que a mesma não seja sócio. TIPO 1. nenhuma responsabilidade possuem os sócios que adotarem deliberação contrária ao contrato social. responde solidariamente com este pelas obrigações em que intervier. não podendo haver divisão para fins de transferência.Abril/2007 32º Exame de Ordem RJ 83ª Questão: De acordo com a teoria dos atos ultra vires. 91. C) Somente pessoa natural pode administrar a sociedade limitada. desde que estabelecida no contrato social. PROVA DE SELEÇÃO. (B) é permitida a administração da empresa por não-sócios. o sócio ostensivo responde perante terceiros. Prova OAB/RJ . inclusive pessoa jurídica. é correto afirmar que: (A) a administração da empresa somente pode ser exercida por um dos sócios. d) A quota social. nas relações com terceiros. ser administrada por pessoa jurídica não sócia.Exame de Ordem .Outubro/2007 33º Exame de Ordem RJ 90ª Questão: Considere que um advogado seja consultado sobre a possibilidade de uma sociedade limitada formada por dois sócios. um deles pessoa natural e o outro pessoa jurídica.Exame de Ordem . c) Na sociedade limitada. DIREITO COMERCIAL. Com base na legislação vigente que trata das Sociedades Limitadas. mesmo que o contrato social não disponha sobre o assunto. entretanto. B) A nomeação de administrador pessoa jurídica só é válida se a mesma for sócio. A) Não há impedimento à nomeação de não sócio como administrador. a) os atos praticados pelo administrador com excesso de poderes são sempre imputáveis à sociedade. é sempre indivisível. PROVA PREAMBULAR – 07/05/2006. 36. sendo proibido figurar o nome de um ou mais sócios. (C) é permitida a contribuição de sócios por meio de prestação de serviços.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa 178º CONCURSO DE INGRESSO NA MAGISTRATURA DO ESTADO DE SÃO PAULO (2006). (D) a denominação social deve designar o propósito da sociedade. CONCURSO PúBLICO PARA PROVIMENTO DE CARGOS DE JUIZ SUBSTITUTO DO ESTADO DO PARANÁ.

que isenta a pessoa jurídica da responsabilidade por atos praticados em seu nome. c) é defeso aos sócios pactuar no contrato social a dissolução total da sociedade caso esta não atinja patamares mínimos de lucro. PROVA OAB/DF . mas estranho a seu objeto? Por quê? FGV DIREITO RIO 148 . 1ª QUESTÃO: Fica a sociedade limitada validamente vinculada ao negócio praticado por seu administrador. atinge as sociedades cujo contrato social é omisso quanto ao regime supletivo. em seu nome. PROVA PRELIMINAR.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa c) no silêncio do contrato social. o administrador somente pode praticar atos de gestão previamente autorizados pelos sócios.ABRIL/2006 80ª Questão: Segundo o Código Civil. em caso de omissão. d) aos sócios compete definir o regime supletivo da sociedade que será. o das S/A. é correta a assertiva sobre as Sociedades Limitadas: a) a teoria do ato ultra vires. b) a responsabilidade de sócios-gerentes das sociedades limitadas não poderá ser solidária com a sociedade. d) a prática de qualquer ato estranho ao objeto depende de aprovação de sócios representando a maioria absoluta do capital social. 21ª QUESTÃO Qual o significado dos atos ultra vires na gerência das sociedades? XXXVIII CONCURSO PARA INGRESSO NA MAGISTRATURA DE CARREIRA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO.EXAME DE ORDEM . DIREITO EMPRESARIAL. DIREITO COMERCIAL. IX CONCURSO PúBLICO PARA PROVIMENTO DE CARGOS DE JUIZ FEDERAL SUBSTITUTO NA 2ª REGIÃO.

A tolerância nasce de um acordo e dura enquanto dura o acordo.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa AUlA 18: fORMAS DE ExPURGAR O SóCIO INDESEJADO “Como modo de ser em relação ao outro.) do Manual de Direito Comercial e de Empresa. prepotência. – Liquidação de quotas. não pretende qualquer reciprocidade: a serenidade é uma disposição em relação aos outros que não precisa ser correspondida para se revelar em toda a sua dimensão. – “Justa causa” – Procedimento extrajudicial de exclusão do sócio. mas. – Páginas 207 a 221 de O Direito de Empresa à luz do Novo Código Civil. não é apenas isto. p. Renovar/2005. a serenidade resvala no território da tolerância e do respeito pelas idéias e pelos modos de viver dos outros. unesp/2002. Uma situação de tolerância existe quando um tolera o outro. A serenidade é um dom sem limites preestabelecidos e obrigatórios”267.. José Edwaldo Tavares Borba. não há um estado de tolerância. o dinheiro e/ou bens que cada sócio se obrigou a entregar para a constituição do capital social se transmite. Fabio Ulhoa Coelho. O sereno não pede. Saraiva: São Paulo/2005.II. Se eu o tolero e você não me tolera. Cito Kant: ‘Todo homem tem o direito de exigir o respeito dos próprios semelhantes e reciprocamente estar obrigado ele próprio a respeitar os demais’. Renovar/2004. Aprendemos que o capital social é dividido em quotas ou ações e sua formação consiste no somatório das contribuições que cada sócio realiza (integraliza) ou promete realizar (subscreve). Assim. Ricardo Negrão. Sérgio Campinho. 42-43. No entanto. uma vez organizada a sociedade. 7ª edição. ementário de temas – Exclusão de sócio remisso. Passa-se o mesmo com o respeito. FGV DIREITO RIO 149 . Tradução de marco aurélio nogueira.I. Nesta aula discutiremos a leitura do(s) seguinte(s) capítulo(s): – Páginas 331 a 333 (SIMPLES) 374 a 377 (LTDA. A tolerância é recíproca: para que exista tolerância é preciso que se esteja ao menos em dois. 267 BOBBIO. deixando de pertencer ao sócio para se incorporar o patrimônio da sociedade. ao contrário. se o indivíduo sereno é tolerante e respeitoso.. Saraiva: São Paulo/2004. – Exclusão de Pleno Direito. 9ª edição. – Procedimento judicial de exclusão do sócio. Leitura CompLementar – Páginas 415 a 419 (expulsão do sócio) do Curso de Direito Comercial vol. – Páginas 38 a 40 e 125 e 126 do Direito Societário. norberto in Elogio da serenidade e outros escritos morais. vol. 5ª edição.

se caracteriza pela “reunião das partes e a comunhão de escopo que caracterizam a sociedade”274. que pura e simplesmente não integraliza suas quotas. pág. 5ª edição. e inovou ao permitir a possibilidade de um ou mais sócios serem excluídos pela maioria (mais da metade do capital social). que já constava do Decreto nº 3. Nesse sentido. subscrito por duas testemunhas. ao final). pág. estará constituído legalmente em mora. 273 Enunciado 62 (cjF): com a exclusão do sócio remisso.085 do código civil. O Código Civil faculta à sociedade optar pela transferência das quotas do sócio remisso para os sócios restantes ou para terceiros. em regra. ao contrário. deve corroborar-se à justa causa. conforme dispõe o art. como preceituado pelos tribunais. como ensinou Tullio Ascarelli. in Ensaios e pareceres.. mas sim sócio da sociedade. assim. 7º. que. afigurando-se. deduzindo os juros da mora e mais prestações estabelecidas no contrato e as despesas. respeito à disciplina da sua nulidade ou art. A denominada Ação de Integralização de Capital nada mais é do que uma ação de execução. a interpretação do Supremo Tribunal Federal e do Superior Tribunal de Justiça não admite que o sócio. 289 do código comercial poderão os outros sócios preferir a exclusão do sócio remisso. ponha em risco o desenvolvimento da empresa e sua função social.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa roteiro de auLa É notório que as relações entre os sócios nem sempre transcorrem de forma tranqüila. a lei criou instrumentos jurídicos que permitem a sociedade continuar sua atividade. cujo título executivo é o contrato social. n. risco financeiro ao desenvolvimento da empresa271. O sócio inadimplente “estará sujeito a notificação premonitória da sociedade. Mediante uma Ação de Integralização de Capital a sociedade poderá “cobrar” o sócio remisso. além disso.affectio societatis. obriga-se a restituir os valores que o sócio excluído tiver integralizado273. que. 272 campInHO. O conceito de “justa causa” no âmbito do Direito Societário surge com a natureza do contrato social (plurilateral). seus herdeiros ou sucessores a soma devida pelas suas quotas ou preferindo a sua exclusão. sérgio in O Direito de Empresa à luz do novo código civil. incidindo em violação grave ao dever primordial do sócio. a plurilateralidade do contrato de sociedade levará a resolução somente em relação ao sócio inadimplente. com concessão do prazo de trinta dias para adimplir suas obrigações. no pólo ativo da ação. 1. Lembre-se de que ninguém é sócio de ninguém. com efeito. não afetando o contrato entre os demais. e conseqüentemente para a formação da base patrimonial da sociedade. Neste sentido. Transcorrido o prazo. indispensável a colaboração entre todos os sócios . No caso de quebra da affectio societatis. figurando – a própria sociedade. pagando ao proprietário primitivo as entradas por ele realizadas. Temos então.a. Renovar/2005. esses últimos. deve-se dar com base em balanço especial. poderão os outros sócios tomar a si as quotas anuladas ou transferi-las a estranhos.97. É o que ensina Tullio Ascarelli: “A peculiaridade de maior relevo do contrato plurilateral diz.030 do código civil. também. seja expulso. expulsando um ou mais de seus membros. a forma de reembolso das suas quotas. Os outros sócios não serão autores porque estão ligados à sociedade e não entre si (a natureza do ato constitutivo da sociedade é de contrato plurilateral). em qualquer das hipóteses. após algumas deduções. que pode restar comprometida quando um dos sócios torna-se remisso. têm no capital desta a principal (e muitas vezes única) garantia. que é contribuir para o capital social. ou. saraiva. Em qualquer caso do art. Mesmo no caso de expulsão do sócio remisso. são paulo/1952. o Código Civil manteve a única previsão de exclusão de sócio. 268 269 270 271 art. os terceiros que negociam com a sociedade. 1. sendo impossível cobrar amigavelmente do sócio. a presença de um sócio remisso . tanto por via contratual: quando colocarem “em risco a continuidade da empresa. 1. realizado na data da exclusão. por intuito pessoal. 274 FGV DIREITO RIO 150 . por incapacidade superveniente270”.708/1919268. sendo assim. sendo. gerando. que exista cláusula contratual dispondo sobre “justa causa” (vide Jurisprudência. em virtude de atos de inegável gravidade”269. ainda. como uma das hipóteses em que se admitirá a exclusão do sócio.004)272. devendo responder perante a sociedade pelo dano dela decorrente” (artigo 1.168. comum os desentendimentos. como por via judicial: quando praticarem “falta grave no cumprimento de suas obrigações.aquele que subscreveu quotas e não integralizou dentro do prazo pactuado.058. É necessário. art. Atento a esta situação. como um dos mais importantes pilares de todas as sociedades.

pág. quando o estado de tolerância deixa de estar presente. aprovado na I jornada de Direito civil.275 O novo Código Civil chancelou em seu texto a previsão jurisprudencial da “justa causa” como quebra da affectio societatis276. 1. uma vez que depende de deliberação por sócios que representem mais da metade do capital social.030 do Código Civil. não tendo o majoritário. é uma forma de proteger os sócios minoritários de eventuais desmandos dos sócios majoritários e está prevista no art. 277 278 Op. o mecanismo previsto no parágrafo único do art. Explica o autor. o estado de prepotência.085 do Código Civil permite a exclusão extrajudicial de sócio caso estejam presentes os seguintes requisitos: a) deliberação por sócios que representem mais da metade do capital social. acarretando o desajuste que gera o conflito e configura. quando o assunto for a deliberação sobre a sua exclusão. No mesmo sentido. deixando patente que somente em relação ao minoritário a exclusão pode se dar de forma extrajudicial.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa anulação que pode respeitar a adesão de uma entre as partes não afetando o contrato no seu conjunto”. entre os sócios. pág. já traçada pela jurisprudência. estimulando o enfrentamento dos querelantes. O Enunciado nº 67. 1. sem as garantias. o Prof. b) ato de inegável gravidade que esteja colocando em risco a continuidade da empresa. com prazo razoável para a defesa do sócio “acusado”. com vasta experiência em atuações judiciais e extrajudiciais em contendas societárias que “a realização de assembléia ou reunião em nada contribuirá para o aprimoramento do instituto da exclusão. promovida pelo centro de Estudos judiciários do cjF em 2002. Ao revés. 1. Poderia ser argumentado que se trata da maioria do capital votante.085 acarretará em empecilho a sua efetivação.085.085 está inserido na seção VII. as seguranças e fatores inibidores que o processo judicial assegura àquele que deseja exercer o seu direito de defesa278”. 1. procedimento extrajudicial de exclusão do sócio O artigo 1.cit. A exclusão extrajudicial por justa causa somente pode se dar para sócios minoritários. procedimento judicial de exclusão do sócio A possibilidade de exclusão de sócio pela via judicial. ciente o acusado em tempo hábil para permitir o comparecimento e exercício do direito de defesa”. mas apenas para dissolução (parcial) da sociedade”. conforme argumentou o Dr. Assim. dispõe que: “a quebra do “affectio societatis” não é causa para a exclusão do sócio minoritário. Sérgio Campinho critica a necessidade de convocação de reunião ou assembléia com a presença do excluído a fim de garantir-lhe o direito ao devido processo legal e ao contraditório.208. basta haver previsão de exclusão por justa causa no contrato social para que a exclusão possa ser tomada extrajudicialmente277. Reportando-nos a nota de abertura dessa aula – texto de Roberto Bobbio. portanto. surge. o art. da “justa causa” para exclusão de sócio. como veremos a seguir. que dispõe sobre a exclusão ser “deliberada em reunião ou assembléia especialmente convocada para esse fim.168. FGV DIREITO RIO 151 . Miguel Reale (autor do Código Civil). O procedimento para a exclusão extrajudicial está previsto no parágrafo único daquele artigo. o direito de votar. Todavia. A exclusão de sócio majoritário somente poderá se dar de forma judicial e atendendo aos requisitos do artigo 1. c) previsão no contrato social permitindo a exclusão extrajudicial por justa causa. n. bastando citar a previsão de realização de reunião só para tal deliberação. conforme previsto no art.a.030 do Código Civil.cit. sob o título “Da resolução da sociedade em relação a sócios minoritários”. Apesar do novo Código Civil ter contemplado a previsão. 275 276 Op. será mais uma fonte de perpetração de disputas. a justa causa.

como resultado da formação da massa falida ou massa insolvente. a regra geral do citado artigo será 279 n. a incapacidade dos demais pode ser absoluta ou relativa. Liquidação de quotas Com a retirada do sócio da sociedade. os limites da curatela. 1. processadas no juízo da execução coletiva (falência). afeta-se à condição de sócio o direito patrimonial disposto no art. 1.030 do Código Civil.030. A ação é de conhecimento e tramitará pelo rito ordinário. referido no artigo. com caráter pessoal. a ensejar a quebra da affectio societatis. 1. a sociedade não pode deixar de efetivá-la. o pedido de exclusão deverá ser formulado por aquele ou aqueles que detenham. computados pela participação no capital social. pessoa natural ou jurídica (sociedade simples. o inadimplemento das obrigações assumidas no contrato plurilateral de sociedade. o que configura. A incapacidade superveniente pode se dar com a interdição de sócio280 e também com o fato do sócio. que tem um de seus membros impedido de continuar exercendo a medicina em virtude da cassação de sua licença. por razões alheias a sua vontade. se opera independente da vontade dos sócios283. podendo ser expulso da sociedade. Assim. pois é impositiva. sendo excluído o percentual correspondente ao sócio que se pretende excluir (ele não participa da votação. justificando. onde a atuação pessoal do sócio é imprescindível para a realização do objeto social. sob pena de configuração de voto conflitante). a exclusão com base na “justa causa”. e não pelos próprios sócios. cooperativa e outras) que tenha sido declarada insolvente282. seguindo os parâmetros previstos no contrato social.772 do código civil prescreve: “pronunciada a interdição das pessoas a que se referem os incisos III e IV do art. conforme o decreto de interdição (art. Esse tipo de exclusão ocorre de pleno direito. e 170. tendo a sociedade como autora e o sócio que se pretende excluir como réu. exclusão de pleno direito Será excluído de pleno direito da sociedade o sócio empresário (pessoa jurídica) que tiver sua falência decretada281. segunda parte do parágrafo único do código civil. Quando a realização do objeto social depender de determinada condição pessoal do sócio (ou sócios) e ele não puder mais realizá-la. 282 n. 9º. A outra hipótese para a propositura da Ação de Exclusão. nos termos do art. por tratar-se de exclusão determinada por sentença judicial. II da Constituição da República. retirada motivada ou imotivada. e não por cabeça. 283 284 art. não colaborar mais com os outros sócios na realização da empresa.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa O termo “falta grave”. como também o será o sócio não empresário.030. pois assim se afere a disposição de poderes entre os sócios. como o fundamento para a exclusão de pleno direito é a proteção dos interesses de terceiros. No silêncio do contrato. são absolutamente incapazes (art. 5º.767.782”. 280 Os destituídos do necessário discernimento para a prática de atos da vida civil. O art. sendo a liquidação das quotas do sócio em questão284. 281 art. 1. sendo necessária a concordância da maioria absoluta dos sócios. É o caso de uma sociedade de médicos.031 do código civil. o juiz assinará. 1. XXII. se o sócio que se pretende excluir detém 90% do capital social279. assim como os que não podem exprimir sua vontade. seja por exclusão. morte. 3º). portanto. assim. no mínimo. art. como vimos anteriormente. 1. III). faz-se necessário liquidar o valor de sua quota (ou quotas). ou seja.031 do Código Civil dispõe que a liquidação se fará. Este sócio será alcançado pela incapacidade superveniente. primeira parte do parágrafo único do código civil. esta medida aplica-se inclusive ao majoritário. O artigo 1. A propositura da Ação de Exclusão será objeto de deliberação. como pode parecer. que poderão circunscrever-se às restrições constantes do art. 1. segundo o estado ou o desenvolvimento mental do interdito.a. Essa possibilidade legal deve ser interpretada restritivamente e só será aplicável à sociedade com características “de pessoas”.a. é a incapacidade superveniente do sócio. pode ser considerado como sinônimo de “ato de inegável gravidade”. FGV DIREITO RIO 152 . Em qualquer dessas hipóteses. entende-se ocorrida a exclusão por incapacidade superveniente. 6% do capital social.

Caso gerador Christiano. 1. por exemplo. portanto. havendo a respectiva distribuição de quotas entre os sócios ou. a data da resolução. todas essas notas continham a assinatura de Christiano e o número do cheque emitido para pagá-las (frise-se que os cheques eram da conta corrente da sociedade).031.ex. Enfim. com destino o patrimônio da sociedade. Nesse ponto.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa aplicada e a liquidação da quota (ou quotas) será no percentual que tiver sido efetivamente integralizada. Estranhamente. Christiano é o sócio majoritário com 40% do capital social e o restante dos sócios participa com 20%. sempre administrou a sociedade. ou seu valor poderá ser complementado pelos sócios que permanecerem na sociedade. os sócios devem estipular no contrato social. Luciana. sozinho. Diante da flexibilidade disposta no art. Christiano. Ao fazer uma limpeza nas gavetas do escritório da loja. a praxe. não pode o contrato estipular que a apuração dos haveres se dará com base no último balanço contábil aprovado. cada um. recursos humanos etc. p. buscar um terceiro (s) para ingressar como sócio (s). a forma como desejam que se proceda a liquidação das quotas sociais. dentro de um prazo que atenda ao critério da razoabilidade285. ainda. FGV DIREITO RIO 153 . devendo ser pago o valor referente às quotas.: a marca. ele poderia participar desta reunião? d) Optando pela expulsão de Christiano. ele brigou dentro da loja com um fornecedor e quando o sócio Bernardo chegou para separá-los. verificada em balanço especialmente levantado. Em outras palavras: a apuração dos haveres se fará com base em valores reais. excluindo-se o valor da quota liquidada. impondo sua condição de sócio majoritário. tendo por base a situação patrimonial da sociedade. o know-how. tem o dever de votar na reunião de deliberação específica para a sua exclusão? e) Existe algum valor a ser recebido pelo sócio excluído? Terá alguma diferença se esse sócio não tiver subscrito as suas quotas? f ) O contrato social poderá dispor qual será a forma de reembolso das quotas daquele sócio? Poderá ser por meio de um parcelamento em 50 meses? 285 n. Como não existe cláusula contratual referente à administração da sociedade. sendo certo que as regras contábeis não contemplam diversos itens de extrema validade.a. Bernardo e Gabriel são sócios de uma sociedade limitada que tem como objeto a venda de quadros e espelhos. os demais sócios vêm percebendo uma alteração no comportamento de Christiano. Pergunta-se: a) Christiano poderia administrar a sociedade. muito menos indicando o administrador. e não apenas em valores contábeis. Lembrando que esta disposição deve garantir ao sócio excluído (ou retirante) o recebimento de justo valor pelas suas quotas. como. ele como sócio majoritário. sob pena de enriquecimento ilícito dos demais sócios mediante o confisco indireto da propriedade do sócio excluído (ou retirante). porém não seria razoável um parcelamento de 50 anos. Luciana encontrou algumas notas fiscais emitidas em nome da sociedade. porém indicando produtos que jamais foram vendidos por ela. indicando. foi xingado e recebeu alguns socos de Christiano. O pagamento dos haveres poderá ser parcelado. que o prazo de 12 meses é um prazo razoável. Recentemente. Contudo. a exclusão ou a retirada de um dos sócios poderá acarretar na redução do capital social. sozinho? b) A expulsão de Christiano é juridicamente possível? c) Os sócios pretendem se reunir para tomar alguma atitude em face de Christiano.

sessão de 13. NOMEAÇÃO DE LIQUIDANTE.10. Esta Terceira Turma tem reiterados precedentes no sentido de que na “dissolução de sociedade de responsabilidade limitada.. no entanto. pág. TERCEIRA TURMA. SENTENÇA QUE HOMOLOGA A APURAÇÃO DE HAVERES DETERMINANDO O PAGAMENTO RESPECTIVO EM 90 DIAS. Rel. PRECEDENTES.423/AL. PEDIDO DE SÓCIOS MINORITÁRIOS.) por outro lado. FGV DIREITO RIO 154 .222-BA. resguardando-se inclusive o direito de defesa do excluído.2006 p. Os interesses econômicos e de natureza moral devem ficar devidamente esclarecidos. grifamos AÇÃO ORDINÁRIA DE DISSOLUÇÃO PARCIAL DE SOCIEDADE. Relator o Senhor Ministro Waldemar Zveiter. Ministro CARLOS ALBERTO MENEZES DIREITO.915/SP. Ministro HUMBERTO GOMES DE BARROS.88.. TERCEIRA TURMA. ou ainda por motivo da quebra da affectio societatis. evitando-se. assiste o direito de retirada. essa linha de entendimento tem por escopo preservar o quantum devido ao sócio retirante. (RESP 453. para o resguardo de eventual injustiça é que se admite a ação anulatória da deliberação tomada pela sociedade e a reparação a que fará jus o excluído. assegurando-se a garantia do contraditório. É de se ponderar. NO MÁXIMO. Com isso. diante das circunstâncias de fato do caso. o locupletamento indevido da sociedade ou sócios remanescentes em detrimento dos retirantes” (REsp nº 38. para supervisionar e fiscalizar o processo. julgado em 08. no caso de sócio retirante ou pré-morto. a nomeação de liquidante. não padece a dúvida de que é possível a exclusão de sócio independentemente de cláusula contratual. DISSOLUÇÃO INTEGRAL E LIQUIDAÇÃO DE SOCIEDADE POR QUOTAS DE RESPONSABILIDADE LIMITADA. COMERCIAL. 200). a apuração de haveres. (REsp 315. julgado em 06. ARGUMENTOS QUE CONDUZEM. RECURSO ESPECIAL. por deliberação majoritária dos cotistas. 1. de outro modo.160/ SP. A estes sócios. desde que haja justa causa para o ato.2001. grifamos DISSOLUÇÃO PARCIAL DE SOCIEDADE POR QUOTAS. insatisfeitos com a administração da sociedade. Rel. fundada em justa causa.(. pode ficar sujeita ao controle jurisdicional em termos de valoração jurídica. Recurso especial conhecido. DJ 04. 1. publicado na RTJ nº 128.04. segundo a jurisprudência do STJ. que deve ser medido com justiça. que a exclusão. 886) . como medida grave.grifamos. com a devida apuração de haveres. DJ 15. não agride nenhum dispositivo de lei federal. 352). sem a representação legal da sociedade. IMPROCEDÊNCIA DA PRETENSÃO. Julga-se improcedente o pedido de dissolução integral e liquidação da sociedade se requerido por sócios minoritários sem razões robustas. 2. mas desprovido. À DISSOLUÇÃO PARCIAL.2006. DJ de 13/12/93).02.” (RE 115. COM A SAÍDA DOS DISSIDENTES E APURAÇÃO DOS HAVERES. que demonstrem no mínimo o desvio da finalidade social.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa JurisprudênCia “Diante da grave providência – exclusão de sócio. há de fazer-se como de dissolução total se tratasse posto que.2002 p. 2.12.05.

TJ/RJ) AGRAVO DE INSTRUMENTO.APELACAO CIVEL. FGV DIREITO RIO 155 . Revelia. mas que no momento da Apelação. Ação Ordinária visando a exclusão de sócio de sociedade empresarial.11911 .ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa Valores alegadamente adiantados pela empresa ao sócio excluído já computados no laudo pericial. Beligerância e agressão verbal do réu-sócio que se pretende seja excluído. O contrato de sociedade é contrato sinallagmatico plurilaterale. também aqui valendo o interesse social. quantidade essa que deverá ser atualizada apenas até a data da citação (agosto/2002).SEGUNDA CAMARA CIVEL.218 do laudo pericial).001. A decisão monocrática não é teratológica ou contrária à prova dos autos.01 UFIR’s (fls. mais conhecido como elo de colaboração ativa entre os sócios. razão pela qual deve ser homologado o valor equivalente a 429. Equívoco da sentença quando dispôs que o valor deve ser corrigido a partir de janeiro/2003. estando de acordo com o Enunciado nº 7 deste Tribunal. Desintegração da affectio societatis. Pedido de parcelamento da quantia devida. DES. Decisão que se mantém. Sentença que julga procedente o pedido de exclusão e determina a apuração de haveres que se confirma. AÇÃO CAUTELAR VISANDO O AFASTAMENTO E EXCLUSÃO DE SÓCIO. portanto. Presunção de veracidade dos fatos alegados pelos autores. com a responsabilidade. DES.APELACAO CIVEL.grifamos. Provimento do apelo neste particular apenas. GALDINO SIQUEIRA NETTO Julgamento: 28/06/2006 . tendo tido a empresa tempo suficiente para efetuar uma reserva para tal finalidade. Impossibilidade tendo em vista que a ação foi proposta há quatro anos. inclusive agilizando e corrigindo. sendo certo que a parte das cotas sociais do sócio afastado será judicialmente apurada e não se mostra sob risco. Honorários periciais. este não merece ser acolhido. DES. onde o elemento fundamental é o escopo ou objetivo comum. Prazo da resposta não esgotado.PRIMEIRA CAMARA CIVEL. sendo certo que o apelado foi beneficiado com a gratuidade de justiça a ela deferida. não havendo nenhuma disposição contratual neste sentido. TJ/RJ) . Elemento indispensável à harmonia entre os sócios. Quanto ao pedido de ser determinada a prestação de caução. MARIA AUGUSTA VAZ .002. JDS.43209 . grifamos. além do fato de que o apelado não pode ser obrigado a receber seus haveres de forma parcelada. Quando presente na sociedade situações que demonstram a atuação do sócio em desacordo com o dever de colaboração a que está submetido affectio societatis . de arcar com tal despesa. Réu que alega ter juntado contestação e documentos na carta precatória. (2006. Nos autos há elementos a demonstrar que o afastamento do agravante da gerência administrativa da sociedade. Juntada de contestação. CRISTINA TEREZA GAULIA .Julgamento: 19/08/2003 . sponte propria eventuais equívocos cometidos.DECIMA QUINTA CAMARA CIVEL. Possibilidade de juntar-se a resposta tempestivamente. decorreu da má-gestão administrativa.Julgamento: 01/02/2006 .manifesta se acha justa causa a autorizar sua exclusão da sociedade. (2005. Uma vez inadimplido. eis que tal valor já havia sido corrigido pelo perito até maio/2005. Má-fé processual. As partes têm dever de proceder com lealdade no processo. estará habilitada a Sociedade a excluir o sócio Inadimplente fundamentada na prevalência do interesse social sobre o individual. no juízo deprecante. inexistente nas demais espécies contratuais. TJ/RJ).06722 . para ser mantido o íntegro princípio da preservação da empresa.945. Documentos comprobatórios trazidos aos autos pelos autores. Equívoco no endereçamento com ciência do Advogado do Réu.AGRAVO DE INSTRUMENTO. Omissão do Advogado que resta inerte. (2003. somente junta a cópia da contestação desacompanhada de qualquer documento. Apelantes condenados nos ônus da sucumbência.001.

Sexta Câmara Cível. A despedida de sócio. no sentido de que a maioria do capital social pode excluir um sócio diante da impossibilidade de conviver com ele. b) é matéria sem previsão legal.EXAME DE ORDEM . inexiste sociedade de um sócio só. Relator: Cacildo de Andrade Xavier. (2005. a pessoa jurídica por eles até então formada.Julgamento: 17/05/2005 . DES. Seja no direito privado anterior. não importa em dano moral in re ipsa. grifamos Questões de ConCurso PROVA OAB/MG .SEGUNDA CAMARA CIVEL.001. e não havendo previsão contratual a respeito. AÇÃO CAUTELAR INOMINADA. IMPOSSIBILIDADE.10522 . seus haveres sociais serão pagos de acordo com o critério do valor FGV DIREITO RIO 156 . Julgado em 02/06/2004) . (Agravo de Instrumento Nº 70007363153.grifamos. Na Assembléia Geral realizada após a publicação do acórdão referente ao agravo regimental. DIREITO COMERCIAL. de modo que. AGRAVO PROVIDO. ora agravante. com ou sem justa causa. Sentença de procedência. depois de não provido o dos réus. as sócias não declinam eventual justa causa para a destituição do sócio (gerente). procedida pelo sócio dito remanescente. O artigo 1. à despedida de seu único sócio.DEZEMBRO/2007 82ª Questão: A exclusão extrajudicial de sócio de sociedade limitada: a) é admitida no Código Civil de 2002. Resolvendo-se o vínculo de um sócio com a sociedade empresária de que faz parte. Apuração de haveres em processo formal de liquidação de sociedade (artigo 1. Provimento parcial do recurso do autor. 45. que só admite a exclusão judicial. razão por que não há como considerar a hipótese de destituição do agravante pelo fato de as outras sócias possuírem 2/3 do capital social. extinta estava. d) pode se fazer à revelia do sócio cuja exclusão se pretende. ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL SECÇÃO SÃO PAULO 125º EXAME DE ORDEM .ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa AGRAVO DE INSTRUMENTO. seja no atual.1ª fase. do Código de Processo Civil) que não pode se ver substituída por apuração unilateral e particular.218. Tribunal de Justiça do RS. ao proceder o sócio detentor da maioria do capital social. desde então. desde que existem previsão no contrato social de exclusão extrajudicial por justa causa e observado o direito de defesa do sócio cuja exclusão se pretende.062 do CC não revoga a disposição do artigo 1. MAURICIO CALDAS LOPES . VII. Dano moral.APELACAO CIVEL. c) é modalidade de exclusão de sócio afastada por expressa disposição do Código Civil de 2002. sem justa causa embora. DESTITUIÇÃO DE SÓCIO SEM JUSTA CAUSA. Ordinária de dissolução de sociedade por cotas de responsabilidade limitada. definida na jurisprudência. proposta por sócio despedido.019 do mesmo diploma legal. conforme prevê o contrato social da empresa. TJ/RJ).

2ª Prova Específica. (D) econômico de suas quotas na data do efetivo pagamento. FGV DIREITO RIO 157 . conforme a cotação em bolsa de valores. (B) econômico de suas quotas à data da resolução. apurado em balanço especial.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa (A) patrimonial de suas quotas na data da resolução. apurado em balanço especial. apurado em perícia judicial. Que opções têm os sócios da sociedade limitada em relação ao sócio remisso? (VALOR: UM PONTO E MEIO). XXXIX CONCURSO PARA INGRESSO NA MAGISTRATURA DE CARREIRA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO . (C) patrimonial de suas quotas na data do efetivo pagamento.

em 1997. Uma vez constituída de personalidade jurídica.E.P. a partir da realização da oferta pública inicial de ações da companhia. a Gafisa foi fundada em 1954 no Rio de janeiro.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa AUlA 19: A UtIlIZAÇÃO DA SOCIEDADE lIMItADA COMO EStRAtéGIA SOCIEtáRIA PARA GRANDES OPERAÇõES Nesta aula discutiremos a leitura do seguinte capítulo: – Páginas 517 a 519 (S. Decidida a expandir sua área de atuação e se tornar uma companhia nacional. já faz algum tempo que o caráter intuito personae não domina esse cenário de forma absoluta e.mz-ir. ou até mesmo para desenvolver um projeto da controladora. a SPE vem sendo largamente aceita em nosso ordenamento jurídico. passou a se chamar Gafisa s.a. O início de 2006 foi marcado pela entrada da Gafisa no novo mercado de governança corporativa da Bovespa. constitui uma Sociedade de Propósito Específico – SPE. flats e shoppings centers. sociedade de propósito específico – spe Tem origem em instituto tipicamente norte-americano. companhia norte-americana líder em investimentos no setor imobiliário na américa Latina e que pertence ao Equity Group Investments (LLc). normalmente. Tomemos como exemplo a GAFISA288. Renovar: Rio de Janeiro/2004. na forma de sociedade limitada. a Gafisa oferece aos seus investidores maior transparência e mais segurança e contribui para o aumento da credibilidade do mercado acionário brasileiro. cumprido esse projeto. 287 288 a Gafisa s. em 2004 a Gafisa criou a Diretoria de novos negócios para cuidar exclusivamente de novos. Normalmente.). S.gafisa. comandado por samuel zell. São nada mais nada 286 citamos como exemplo a sociedade holding. – Texto: A Joint Venture e a Sociedade de Propósito Específico. já marcadas para morrer. a sociedade limitada era utilizada por pequenas e médias empresas. por meio do qual duas ou mais pessoas naturais e/ou jurídicas agregam suas habilidades. uma das empresas líderes no ranking das maiores construtoras e incorporadoras do segmento residencial no Brasil. adquire direitos e contrai obrigações decorrentes da realização do empreendimento para o qual foi constituída.a. companhia líder brasileira na construção e incorporação de bens imóveis que. sob o nome de Gomes almeida Fernandes. para executar objetivos específicos e determinados.pdf#search=%22gafisa%20protocolo%22. também têm sido utilizadas para grandes operações. Acessar o documento disponibilizado no site: http://www. podendo. inclusive. ser acionada em juízo. para a estruturação de negócios. Na opinião do prof. br/InsTITucIOnaL/ FGV DIREITO RIO 158 .) e 521 a 524 (joint venture) do Direito Societário. a partir de uma associação com a Gp Investimentos. 9ª edição. Em 2005. estabeleceuse no mercado desenvolvendo mais de 900 empreendimentos. Fonte: http://www. recursos financeiros. a joint venture. com mais esse passo. o seu destino é a liquidação. Apesar de não ter regulamentação especial no Brasil e não representar um modelo ou tipo de sociedade.A. historicamente. Seja de forma isolada ou na participação em “grupos” societários286 ou mesmo em associação com outras sociedades287. José Edwaldo Tavares Borba. ementário de temas – Sociedade de Propósito Específico – SPE. – Joint Venture. tecnológicos e industriais. Nascem. sob uma das formas societárias previstas no ordenamento pátrio (Ltdas. – Semelhanças e Diferenças entre a sociedade limitada e a sociedade anônima. na sua maioria de caráter familiar ou restrita a sócios que já se conheciam antes de constituí-la. edifícios comerciais.. roteiro de auLa Aprendemos que. que representam cerca de 10 milhões de metros quadrados de área construída. para cada empreendimento seu. com o objetivo da facilitar a administração de seus negócios.com/gafisa/admin/arquivos/ GAFISA_CVM_PROTOCOLOS_20050627_port.com. tais sociedades. a SPE. entre condomínios residenciais de alto luxo. citamos como exemplo as joint ventures. com sede em são paulo e operações em outras cidades do país. uma SPE nasce para prestar um serviço a sua controladora. tornou-se a Gafisa Imobiliária e. a Gafisa recebeu um importante acionista: a Equity International properties (EIp). José Edwaldo Tavares Borba.s etc. ao final da década de 80. Porém. onde duas ou mais sociedades agregam seus esforços para desenvolver um negócio em conjunto. para cumprir uma simples etapa de um projeto. entre outros.

informou a Reuters. A Nokia informou que a reorganização das atividades de suporte não terá impacto no número de empregados291. A decisão de separar as empresas. pág. portanto. 9ª edição. Destacamos alguns exemplos de integração de esforços para a constituição de uma joint venture: Em 1987. com 60 mil funcionários. Desde o começo. A Nokia informou que vai reorganizar sua divisão de suporte a clientes empresariais e transferir dois mil funcionários excedentes para a planejada joint-venture com a alemã Siemens . . FGV DIREITO RIO 159 .518. o seu conhecimento de mercado. um aspecto de risco. 9ª edição. o processo de associação ou Joint Venture passa pelas seguintes fases: fASES PrEParaçÃo AtIvIDADES .Preparação da Proposta de associação . abordaGEM NEGoCIaçÃo EXECuçÃo in Direito societário. detalhes jurídicos. próprio e típico dos novos negócios. Volkswagen e Ford anunciaram um acordo que surpreendeu o mercado latino-americano. formando a quarta maior empresa do mundo no segmento. uma combinação de habilidades e competências por parte de seus integrantes. e sem qualquer interesse particular capaz de justificá-la como empresa289. a sua competência gerencial. pág. Renovar: Rio de janeiro/2004. Há.acompanhamento dos elementos negociais.assessoria na elaboração dos contratos de compra e venda e acordos entre sócios. o que permitiria que a associação Nokia Siemens Networks começasse a operar no início de 2007.busca de sinergias e benefícios que a transação trará para os envolvidos . elas formaram um gigante teoricamente imbatível no mercado. Nas palavras do prof. Joint Venture A formação de uma joint-venture se dá por intermédio de um acordo de associação entre duas ou mais sociedades. Renovar: Rio de janeiro/2004.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa menos do que uma sociedade-escrava. 289 in Direito societário.avaliação de duas ou mais pessoas naturais e/ou jurídicas. . a AUTOLATINA.Negociação das avaliações e valores envolvidos. cada um trazendo o seu know-how específico.assessoria. 290 291 Fonte: Valor Econômico em 05/09/2006.521. . Na época. em junho.apresentação genérica para os novos sócios . a missão não era das mais fáceis. ocasião em que os sistemas de informação passaram a ser específicos a cada uma delas. José Edwaldo Tavares Borba.Contato com os potenciais sócios . para a criação de uma nova entidade que geralmente executa um trabalho que está além do domínio normal das sociedades originais. igualmente. “há. a fusão de suas unidades de equipamentos para redes de telecomunicações.Sugestão da estratégia de associação ou Joint Venture . As duas companhias acertaram. foi tomada no final de 1994 e efetivou-se em março de 1995. pois deviam alcançar resultados e convencer diversos públicos em diferentes países. . dissolvendo a AUTOLATINA. Visando compartilhar custos e potencializar os pontos fortes de cada empresa. contábeis e fiscais da operação . as empresas informaram que a Nokia contribuiria com 20 mil empregados e a Siemens com o restante para a formação da nova companhia. num somatório de aptidões capaz de conferir à sociedade condições efetivas de êxito”290.disponibilização de uma cópia da Proposta de associação. o que permite a expansão da atuação de todas. As duas empresas esperam receber aprovações para a fusão das unidades neste ano.assinatura de um termo de confidencialidade . sem vida própria. Normalmente.

as duas formas societárias são equivalentes. Uma vantagem da sociedade anônima sobre a sociedade limitada é o fato de. uma vez que inexiste a obrigatoriedade de publicação de balanço. 176 e parágrafos). tipos FGV DIREITO RIO 160 . um grau próximo de complexidade. atualmente. Não pode haver negociação dos valores mobiliários. que vem a ser uma forma de tributação simplificada.º 9. com posterior arquivamento da ata correspondente na Junta Comercial. há a obrigatoriedade de publicação dos balanços e demais demonstrações financeiras (art. 1. a mobilização dos sócios nas sociedades anônimas fica facilitada devido a desnecessidade de arquivo em órgão competente das alterações do quadro societário.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa semelhanças e diferenças entre a sociedade limitada e a sociedade anônima Em vista das modificações ocorridas na legislação societária com a entrada em vigor do Código Civil de 2002. aberta ou fechada (valores mobiliários de sua emissão não admitidos à negociação no mercado de valores mobiliários). apresentam. na primeira. tanto a sociedade limitada. devem obedecer às normas vigentes. veda expressamente a entrada de pessoa jurídica constituída sob a forma de sociedade por ações. Nas sociedades anônimas. convocada para este fim ao menos uma vez por ano (art. agilizando a administração da sociedade e reduzindo custos e burocracia. As maiores vantagens da sociedade limitada sobre a sociedade anônima estão na desnecessidade da primeira de manter um Conselho Fiscal e possibilidade de dispensa da assembléia se todos os sócios deliberarem por escrito as matérias das reuniões (ou assembléias) anuais de sócio. Tanto a sociedade limitada como a sociedade anônima. quais sejam: a sociedade limitada e a sociedade anônima. Estudo Comparativo ASPECtO limite da responsabilidade dos Sócios denominação S/A limitada ao preço de emissão das ações subscritas ou adquiridas. Na sociedade limitada. Contudo. a operação somente pode ser formalizada por meio de alteração contratual arquivada no órgão competente. Todavia. a admissão ou saída de sócio poder ser feita com a simples transferência no Livro de Transferência de Ações ou na Conta Corrente de Ações. da Lei n. com leve vantagem para as sociedades limitadas. 9º. a sociedade terá nome empresarial seguido da expressão “ltda”. a aprovação das demonstrações financeiras é feita em assembléia ou reunião. O art. o que limita a publicidade do nome dos sócios neste registro público.317/1996. se faz relevante o estudo comparativo entre os dois principais tipos societários utilizados no Brasil. No que concerne à responsabilidade do administrador. a sociedade será designada por denominação acompanhada das expressões “companhia” ou “sociedade anônima”. Na sociedade limitada. sem necessidade de alteração contratual. e os livros e documentos exigidos e de controle são em menor quantidade. como a sociedade anônima. ltDA limitada ao valor do capital social. uma das desvantagens da sociedade anônima é a impossibilidade de enquadramento no SIMPLES. inciso III. Do ponto de vista contábil. principalmente quanto à burocracia necessária para sua manutenção. em especial ao engessamento sofrido pela sociedade limitada.078).

Mínimo de 3 e máximo de 5 membros. sem necessidade de alteração Comercial ou rCPJ. auditoria nos balanços Não há previsão. um direito de preferência para os demais acionistas na aquisição Partes beneficiárias. salvo para efeito de transferência a entrada pode se dar se não houver oposição de 75% (setenta e cinco por cento) do capital social Não há possibilidade Forma de divisão do Capital Indivisibilidade a ação é indivisível em relação à companhia o estatuto da companhia fechada pode impor limitações à circulação das ações representativas de seu capital. mais suplentes em igual número. Violação dos deveres de diligência Menos de 10 sócios . deverá ter o livro de registro de ações Nominativas. estabelecendo. por exemplo. além dos regulares da prática comercial. livro de atas e Pareceres do Conselho Fiscal e o livro de atas da assembléia. os livros de atas das reuniões do Conselho de administração. por escrito. e de atas das reuniões de diretoria e o livro de atas e Pareceres do Conselho Fiscal Conselho de administração (acionistas) e diretoria (acionistas ou não) o acionista controlador responde pelos danos causados por atos praticados com abuso de poder assembléia Geral Ingresso de novos sócios Emissão de títulos livros obrigatórios além dos regulares da prática comercial. deverá ter o livro de atas da administração. uma ou mais pessoas Não há possibilidade diretoria Conselho de administração Mínimo de 2 acionistas. Junta Comercial ou rCPJ. o livro de “transferência de ações Nominativas”.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa Forma de Constituição registro Entrada e Saída de Sócio Estatuto Junta Comercial Contrato Social. se houver. o livro de atas das assembléias Gerais. quando houver. Mínimo de 3 membros. sobre a matéria que seria seu objeto. contratual ações Quotas a quota é indivisível em relação à sociedade.reunião 10 sócios ou mais – assembléia. Mínimo de 3 acionistas. o livro de Presença dos acionistas. administração responsabilidade da administração Órgão deliberativo máximo dispensa da assembléia administrador (sócio ou não) o sócio administrador responde da mesma forma. Podem ser dispensadas se todos os sócios decidirem. Conselho Fiscal Facultativo. obrigatória apenas nas companhias abertas Não é obrigatório. Simples transferência nas ações em livro alteração Contratual arquivada na Junta próprio para isso. obrigatória apenas nas de capital aberto obrigatório (funcionamento permanente ou facultativo). mais suplentes em igual número. debêntures e bônus de subscrição e ações. desnecessário FGV DIREITO RIO 161 .

tem sido definido como a partnership for a single business. Assim. organizada para a execução de um único e isolado empreendimento lucrativo. numa restrita margem de escolha. por ocasião da discussão e edição da lei 6. consórcio contratual que se traduz na “conjugação de aptidões e recursos empresariais de duas ou mais sociedades”. Daí o estudo que se faz do consórcio no capítulo das sociedades por ações. dinheiro. se alia à empresa ali estabelecida para aproveitar-lhe as habilidades e conhecimentos bem como própria organização já consolidada. usualmente.. Haverá substancial economia de custos e diminuição de riscos com incremento de capacidade operacional. não são questões diretamente ligadas ou derivadas das sociedades por ações. o contrato social pode estipular a existência de órgãos administrativos auxiliares. o característico de ambas as espécies é a “especificidade da exploração de determinada atividade de natureza empresarial. além do conselho fiscal. assim como o consórcio de pessoas jurídicas. Neste caso. Ed Saraiva. mediante a constituição de uma nova companhia com o objetivo específico de levar avante o empreendimento comum”. destacando-o na seção que examina a concentração econômica de empresas. com a ressalva que estas não têm tratamento legal completo no Brasil. estudo por rubens edmundo requião. teXto A Joint Venture e a Sociedade de Propósito Específico. desejoso de explorá-la em determinado local. pela qual se objetiva a concentração de esforços combinados com a redução de risco empresarial. conceito que se amplia como “uma modalidade de partnership temporária. 1. em estrutura física.998. que a SPE ou a joint venture será possível levando-se em consideração a pretensão dos sócios que a constituírem. habilidades e conhecimentos com o propósito de FGV DIREITO RIO 162 . em Comentários à Lei de Sociedades Anônimas (vol II. preferiu tratar o tema do consórcio no espaço desta lei. apoiados nos dados aqui levantados. esforços. Modesto Carvalhosa. dada a semelhança entre elas. ou seja. tão complexos quanto aos da sociedade anônima. pag 344) refere a existência de: a) – joint venture agreement ..404/76. de curta duração. às vezes pesadamente. levado por questão de oportunidade do processo legislativo. oriundo do direito americano. b) – joint venture corporation..ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa A sociedade limitada poderá apresentar um volume grande de negócios. no qual se mantém “a autonomia das consorciadas. industrial ou de comercialização. de lado a lado. em que o detentor de tecnologia especial. a opção por uma dessas formas societárias. por exemplo. ou seja. O mesmo fenômeno ocorre com a joint venture e a sociedade de propósito específico. de duração limitada.. A Joint venture.” O instituto. embora não necessariamente. a “conjugação de aptidões e recursos empresariais de duas ou mais sociedades. Trata-se de uma associação de pessoas que combinam seus bens. O traço da atividade é a cooperação empresária. A joint venture e a sociedade de propósito específico. O legislador. o que impõe critérios subjetivos para decisão. como ocorre nos casos mais comuns. mas inibido pelo desconhecimento de peculiaridades do mercado alvo e pela necessidade de investir. Segundo o autor. O instituto da joint venture é resultado da criatividade empresarial e não encontra tipificação na legislação brasileira. que nomeiam o administrador do consórcio (operator). Trata-se de ação de empreendedor.”.

o domínio de uma técnica ou habilidade.”. Mas para preservar a pureza do instituto. 4ª Edição.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa executar uma única operação negocial lucrativa (Len Yong Smith e ou. pág.p 360). pois se a um é conveniente explorar determinado mercado usando o domínio que sobre ele tem a outra parte. para chegar à estruturas mais pesadas. então sócias. O controle da joint venture tem natureza peculiar. Se adotada a técnica da formação de uma nova pessoa jurídica. de fornecimento. a habilidade. o teste de mercado ou de lançamento de um novo produto e o estudo de sua evolução imediata e a reação de consumidores. de transferência de tecnologia. criando sistema de freios e contra pesos por via da distribuição de atribuições administrativas. além daqueles acima mencionados. O objeto será determinado pelo interesse das partes.. Na modalidade contratual. já surge outro fator a condicionar o comportamento das partes. não haverá administração especializada. Wilson de Souza Campos Batalha (A nova Lei das S/A. A questão é de conveniência comercial ou operacional. que orienta o comportamento das partes é o talento. Os participantes das joint venture serão pessoas jurídicas. de modo a evitar a preponderância de uma sobre a outra. 225). em qualquer de suas formas. O objeto da “joint venture”. Não é usual. deverão que adotar técnicas que equilibrem o exercício do poder dentro da sociedade. as partes.. como a sociedade anônima. apud Modesto Carvalhosa. Ltr. No regime da joint venture contratual haverá. 1998. os co-ventures realizam uma pluralidade de atos que. Da última hipótese descrita. que é a composição do capital social e os reflexos patrimoniais e de poder que dele surgem. qualificado por negócio específico e com prazo determinado quase sempre. sua matriz histórica. O habitual é pequeno número de interessados. No conceito da joint venture sobressai o fato de que nenhum dos participantes terá preponderância sobre o outro. mantém sua própria individualidade econômica e jurídica. Business Law.. a realização de trabalho ou obra específico. A penetração em mercado desconhecido para uma das partes. cit. inclusive as empresas públicas e sociedades de economia mista. já que o elemento central. mas nada impede a presença de um grupo mais amplo. por exemplo. nova ou não. as partes devem defini-lo. sem limitação do número de sujeitos ativos. será sempre restrito. ou por um deles com poderes suficientes para gerir o negócio. a extinção também deverá estar prevista FGV DIREITO RIO 163 . Se meramente contratual. que conduz a formação do negócio. Na modalidade associativa. A administração da joint venture variará em razão da forma adotada. são alguns dos exemplos coletados pela experiência para descrever o campo de ação do instituto. no mínimo. surge a sociedade de propósito específico. Dado característico da joint venture é o prazo determinado. sem confluir em uma atividade diretamente imputável a um sujeito distinto dos contratantes. acentua que “ao contrário das partnerships. Admite simples contratos de colaboração. a começar pela sociedade em conta de participação. mas nada impede que pessoa física participe de tal tipo de empreendimento. pois os consorciados mantêm sua personalidade jurídica e autonomia patrimonial e negocial. de qualquer espécie. a esta haverá o interesse que agregar à sua linha de atuação mais uma atividade. Não se deve olvidar que os participantes terão objetivos convergentes. de assistência técnica até a organização de sociedades. equilíbrio entre as partes e a administração terá que ser conduzida por ambos os contratantes. por exemplo. ob. aglutinador. seja indicando data especial ou a consumação do objeto do contrato. conclusão a que se chega observando as definições correntes no direito americano. embora funcionalmente vinculados à realização de interesse comum. É visível que a forma da “joint venture” é indefinida. focalizando a modalidade contratual da joint venture.

formada nos termos do art. ao menos no que concerne aos registros. A disposição se dirige ao administrador público. traduzida pela sociedade de propósito específico. como prevista no art. 8. 251 da Lei 6. é motivo de preocupação do legislador. A Lei nº 6. A cessão do contrato ou de obrigações dele derivadas. no inglês special purpose company ou special purpose consortium. e poderá assumir a condição de companhia aberta. Para que exista. inciso III. atributos e habilidades pessoais das partes. O contrato tem natureza intuitu personae. no caso. seja na modalidade contratual. 997 assinala que a sociedade constitui-se mediante contrato escrito. particular ou público. Penetrará em qualquer dos modelos de sociedade existentes.934/94. determinando o § 2º do mesmo artigo que “O estatuto social definirá o objeto de modo preciso e completo”. no art. Tal perspectiva deve levar ao segregamento da contabilidade dos atos relativos à joint venture. com o acerto de contas final. a capacidade de atuação de seus administradores. O legislador exige precisão na designação do objeto. segundo o tipo social adotado. a joint venture não implica em solidariedade dos participantes. proíbe o arquivamento do ato constitutivo de sociedade em que não conste a “declaração precisa de seu objeto”.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa no ato constitutivo.404/76 representa um caminho natural para a especialização do objeto social. permitindo a operação da sociedade de propósito específico. as obrigações das partes devem ser liquidadas. afim de que se distanciem da atividade pessoal das partes. como se vê na Lei nº. As alterações subjetivas. a sub-rogação pessoal não são autorizadas na joint venture. dependerão de consenso das partes. comprovado mediante compromisso de constituição de consórcio. 8. Surgem em leis esparsas algumas regras. os limites impostos a estes e aos sócios. visto que se trava em razão das qualidades. que pouco a pouco vão traçando o perfil do instituto. no art.102 e seguintes do Código Civil. A autonomia das partes será completa. seja na modalidade associativa.404/76. art. 35. a sua legitimidade para a prática de certos atos. geralmente de aplicação restrita. no caso. que mencionará o objeto da sociedade. no art. procede-se a sua liquidação. em certos casos então. O Código Civil de 2002. de modo a evitar a necessidade de alterar o contrato social ou estatuto a cada momento em que surgir uma oportunidade de negócio não contemplada expressamente no objeto social. O objeto social. 33. Sociedade de propósito específico. a segunda modalidade. completado o período de atuação da sociedade. Mas nem sempre é o que ocorre. Surge. O advento do instituto no Brasil ocorreu no ambiente dos contratos públicos. autorizando-o a permitir a participação na licitação de consórcios de empresas. a responsabilidade dos mesmos no caso de transgressão daqueles. por indução da lei. 2º estabelece que pode ser objeto da companhia qualquer empresa de fim lucrativo. A sociedade de propósito específico. A subsidiária integral. como será o caso de se adotar a forma da sociedade em comandita simples. portanto. 1. a ser implantado FGV DIREITO RIO 164 . e não representa um modelo ou tipo de sociedade. ou na lei das sociedades por ações. Por ele se definirá a atividade da sociedade. sendo comum a indicação de atividade genéricas. Na falta de previsão legal específica. A Lei nº. Na hipótese da joint venture institucional. a necessidade de especialização absoluta. No primeiro caso. a solidariedade deverá estar determinada no próprio contrato instituidor. encerrada a joint venture. no modo mais apropriado às expectativas dos sócios. ressalvada a sociedade em nome coletivo (na qual se proíbe sócios pessoas jurídicas no regime do Código Civil de 2002 e desde que se admita que a sociedade de propósito específico não possa ser formada por pessoas naturais). não tem regulação especial no Brasil.666/93.

A Lei Nº. com vantagem daquela representar maior estabilidade. tidas como instrumento necessário à implantação de grandes projetos relativos à infra-estrutura econômica do Brasil. em substituição do consórcio despersonalizado. que regula as concessões de serviços públicos. após o concurso. permite melhor fiscalização por parte do concedente. Existe a possibilidade de emissão de ações “golden share”. para celebração deste. que era levado a registro. entre a sociedade e seus sócios. no caso de inadimplemento de contrato de financiamento. pode impor um determinado tipo de sociedade além de condições especiais. A administração pública não poderá ser titular da maioria do capital votante da sociedade de propósito específico. O tratamento legal das sociedades de propósito específico em nada difere das situações corriqueiras encontradas na legislação. bem como a falência do empresário e da sociedade empresária. Procedia-se. em evolução natural. que regula a recuperação judicial e extra judicial. devendo obedecer a regras de governança corporativa. mas se admite que instituições financeiras sob controle estatal eventualmente assumam o controle. Além de determinar a constituição da sociedade de propósito específico incumbida de implantar e gerir o objeto da parceria. O art. cit. 9º dessa lei estabelece algumas regras sobre a técnica ora estudada. Haverá a presença de uma pessoa jurídica especializada. A pessoa jurídica. concedendo à autoridade o poder de controle sobre as deliberações relativas a certas matérias. regulamentou as chamadas “parcerias público privadas”. as responsabilidades dos controladores e dos administradores. A Lei nº. os recursos e as aptidões. pag 355). incluí. FGV DIREITO RIO 165 . O agente público. Tal situação acabou respaldada pela Lei nº. O passo seguinte. no edital do concurso público. a constituição de sociedade de propósito específico para adjudicar. a qual autoriza a participação de um consórcio na fase da concorrência.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa definitivamente se adjudicado o pacto. adotando contabilidade e demonstrações financeiras padronizadas. seguido da formação da pessoa jurídica no caso de adjudicação. em pagamento dos créditos. de 31 de dezembro de 2. 11. a formação definitiva do consorcio. no caso das parcerias público privada. patrimônio. a exigência de constituição de empresa especializada. 11. A transferência do controle de sociedade de propósito específico dependerá de autorização da Administração. “A administração pública evolui para a exigência de constituição de uma sociedade que pudesse nitidamente separar os capitais. 50.079. como um dos meios de recuperação judicial. conforme o que for previsto no edital e no contrato. operações e contabilidade. ou a própria lei que exigir a formação da sociedade de propósito específico. deixando mais nítida a responsabilidade da empresa concessionária e de seus sócios componentes.101 de 9 de fevereiro de 2. As regras que regem o relacionamento entre os sócios. segregando obrigações. serão as estudadas nas várias modalidades associativas previstas no direito brasileiro para as empresas com finalidade lucrativa. no art. como ensina Modesto Carvalhosa (op. tendo em conta o programa ditado pela referida lei.074/95. foi dado pelo agente público que fazia constar. 9. XVI. que refujam ao tipo padrão do modo associativo. ainda. entre a sociedade e terceiros. com valores mobiliários admitidos a negociação no mercado. os ativos do devedor.004. a lei citada permite que esta sociedade assuma a condição de companhia aberta. uma vez adjudicado o contrato. no edital. voltada unicamente para a execução do contrato público celebrado”. dado que os contratos de concessão públicos são muito complexos e celebrados com prazos muito longos.005. riscos.

FGV DIREITO RIO 166 . pós-Graduado em Direito privado pela universidade Federal Fluminense. professor da pós-Graduação em Direito Empresarial da Fundação Getúlio Vargas.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa jUAN lUIz SOUzA vAzqUEz promotor de justiça-Rj. mestrando em Direito Econômico pela universidade cândido mendes . professor de Direito Empresarial da Escola da magistratura do Rio de janeiro.Rj.

ORGANIZAÇÃO JURÍDICA DA PEQUENA EMPRESA FICHA TÉCNICA Fundação Getulio Vargas Carlos Ivan Simonsen Leal PRESIDENTE FGV DIREITO RIO Joaquim Falcão DIRETOR Fernando Penteado Sérgio Guerra VICE-DIRETOR DA GRADUAÇÃO VICE-DIRETOR DE PÓS-GRADUAÇÃO Luiz Roberto Ayoub Ronaldo Lemos PROFESSOR COORDENADOR DO PROGRAMA DE CAPACITAÇÃO EM PODER JUDICIÁRIO COORDENADOR CENTRO DE TECNOLOGIA E SOCIEDADE Evandro Menezes De Carvalho COORDENADOR DA GRADUAÇÃO Rogério Barcelos Alves COORDENADOR DE METODOLOGIA E MATERIAL DIDÁTICO Lígia Fabris e Thiago Bottino do Amaral Wania Torres COORDENADORES DO NÚCLEO DE PRÁTICA JURÍDICA COORDENADORA DE SECRETARIA DE GRADUAÇÃO Diogo Pinheiro Milena Brant COORDENADOR DE FINANÇAS COORDENADORA DE MARKETING ESTRATÉGICO E PLANEJAMENTO FGV DIREITO RIO 167 .

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