ORGANIZAÇÃO JURÍDICA DA PEQUENA EMPRESA

AUTOR: MÁRCIO GUIMARÃES COLABORAÇÃO: MÁRCIA BARROSO

3ª EDIÇÃO

ROTEIRO DE CURSO 2010.1

Organização jurídica da pequena empresa

Sumário

AUlA 01: SOCIEDADES NãO-PERSONIfICADAS E SOCIEDADES PERSONIfICADAS ..................................................................................3 AUlAS 02, 03 E 04: REUNIãO COm ClIENTE PARA ElAbORAçãO DO CONTRATO SOCIAl .......................................................................23 AUlA 05: INfORmAlIDADE NO SETOR EmPRESARIAl .......................................................................................................................36 AUlAS 06 E 07: mODElOS SOCIETáRIOS DE ATUAçãO EmPRESARIAl PARA A PEqUENA E méDIA EmPRESA ..........................................55 AUlA 08: A OPçãO PElO mODElO SOCIEDADE lImITADA Em CONTRAPONTO AO mODElO SOCIEDADE POR AçõES .................................73 AUlAS 09, 10 E 11: SER SóCIO DE UmA SOCIEDADE lImITADA ...........................................................................................................82 AUlA 12: A ClASSIfICAçãO DA SOCIEDADE lImITADA ......................................................................................................................92 AUlAS 13 E 14: O fINANCIAmENTO DA SOCIEDADE lImITADA ......................................................................................................... 104 AUlA 15: mECANISmOS DE fORmAçãO DA vONTADE SOCIAl E SUA fISCAlIzAçãO .......................................................................... 118 AUlA 16: DIREITO DE RETIRADA. APURAçãO DE hAvERES. bAlANçO DE DETERmINAçãO................................................................. 129 AUlA 17: DIREçãO DAS ATIvIDADES EmPRESARIAIS ...................................................................................................................... 135 AUlA 18: fORmAS DE ExPURgAR O SóCIO INDESEjADO ................................................................................................................. 149 AUlA 19: A UTIlIzAçãO DA SOCIEDADE lImITADA COmO ESTRATégIA SOCIETáRIA PARA gRANDES OPERAçõES ................................ 158

ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa

AUlA 01: SOCIEDADES NÃO-PERSONIfICADAS E SOCIEDADES PERSONIfICADAS

Aprendemos que o Empresário e a Sociedade Empresária estão sujeitos ao registro a cargo das Juntas Comerciais e as Sociedades Simples no Cartório de Registro Civil das Pessoas Jurídicas. O registro “desvincula” a sociedade da pessoa de seus sócios, atribuindolhe personalidade jurídica, além de conferir autenticidade, segurança e validade aos atos jurídicos pertinentes à sociedade, sendo a publicação destes atos elemento essencial para salvaguardar o interesse de terceiros. Nesta aula discutiremos a leitura do(s) seguinte(s) capítulo(s): – ALMEIDA, José Gabriel Assis de. A noção jurídica de empresa. In Revista de Informação Legislativa Revista de informação legislativa, v.36, n.143, p.211-229, jul./set.,1999 (anexo I) – REQUIÃO, Rubens. Curso de Direito Comercial, 1º volume, 26 edição – São Paulo: Saraiva, 2005; Nrsº 29 a 36-. Págs: 49 a 61; – MARTINS, Fran. Curso de Direito Comercial: empresa comercial, empresários individuais, sociedades comerciais, fundo de comércio/ ed.rev. e atual. - Rio de Janeiro, Forense, 2002; Capítulo Primeiro (sub-itens: I a IV). Págs: 1 a 54; – BORBA, José Edwaldo Tavares. Direito Societário – 7º ed. rev. atual. – Rio de Janeiro: Renovar, 2001; Capítulo I. Págs: 1 a 8; – CAMPINHO, Sérgio. O Direito da Empresa à luz do novo Código Civil – 6º edição revista e atualizada conforme a Lei 11.101/05, Rio de Janeiro: Renovar, 2005; Capítulos 1 e 2. Págs: 1 a 29; – NEGRÃO, Ricardo. Manual de Direito Comercial e de Empresa, vol.1. 4º edição. São Paulo: Saraiva, 2005; Capítulos 1 a 4. Págs: 1 a 58.

Leitura CompLementar: – Páginas 142 a 170 (não-personificadas) e 171 a 204 (Simples) e 238 a 256 (Nome Coletivo) e 257 a 281 (Comandita Simples) dos Comentários ao Código Civil Brasileiro. Do Direito de Empresa (arts. 996 a 1.087), vol. IX. Newton Lucca, Rogério Monteiro, J.A. Penalva Santos e Paulo Penalva Santos. Forense: Rio de Janeiro/2005. – RIZZARDO, Arnaldo. Direito de Empresa. 2 ed. Rio de Janeiro: Forense, 2007, capítulo I; – CORREIA, Antônio de Arruda Ferrer. Lições de direito comercial. Coimbra: Universidade de Coimbra, 1973; – CHULIA, Francisco Vicent. Compendio crítico de Derecho Mercantil. Barcelona. Librería Bosch, 1986; – FERREIRA, Waldemar. Tratado de sociedades mercantis. Rio de Janeiro: Editora Nacional de Direito, 1958; – GOWER, L.C.B. and PRETINCE, D. D. Gower´s principles of modern company law. Londres: Sweet & Maxwell, 1992;

1

Lei nº 556/1850.

FGV DIREITO RIO

3

– MENDONÇA. conforme previsão expressa nos artigos 45 e 985. Ademais. Todavia. Com o advento do Código Civil de 2002. Crítica a terminologia adotada pelo Código Civil. pg. • Sociedade em Comandita Simples • Sociedade em Comandita por Ações. Renovar/2004. 1986. conforme veremos a seguir: sociedades não personificadas. 2 FGV DIREITO RIO 4 . – BORBa. a legislação brasileira prevê outras formas legais de sociedades – personificadas e não personificadas. Rio de Janeiro: Freitas Bastos. • Sociedade em Nome Coletivo. A pessoa do sócio não se diferencia da personalidade da sociedade. à sociedade em comum (art. roteiro de auLa: O Código Comercial1 era o texto legal que regulamentava as sociedades. não tornando ilícito o contrato de sociedade estabelecido entre as partes que atenda às formalidades legais. A ausência do registro do ato constitutivo tem por efeito. serão aplicáveis. J. embora possa ser constituída mediante instrumento escrito (ato constitutivo: contrato social). Tratado de direito comercial brasileiro. Para o exercício do ato simples e o ato de empresa. caso contrário. portanto. guardados os limites da compatibilidade. o registro não terá a finalidade de definir quem será ou não empresário. seria uma sociedade civil. 2 vols. subsidiariamente. Carvalho de. Droit de affaires. Hoje. 67. a sociedade não formalizou seu registro no órgão competente (Registro Público de Empresas Mercantis – Junta Comercial ou Cartório de Registro Civil das Pessoas Jurídicas – RCPJ). X. seria uma sociedade comercial. pois. as quais eram divididas em “civis” e “comerciais”. como foi analisado em Teoria Geral da Empresa. Paris: Economica. Neste “as normas da sociedade simples. apenas a falta de atribuição de personalidade. Sociedades em conta de participação Caso: Utilização da Sociedade em Conta de Participação no cenário atual. 1945. Direito Comercial e Direito Civil foram formalmente unificados e a teoria dos atos de comércio foi revogada.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa – GUYON. 9ª edição. O registro no RCPJ ou na JUCERJA – Junta Comercial do Estado do Rio de Janeiro será necessário para que a sociedade adquira personalidade jurídica. josé Edwaldo Tavares Borba in Direito societário. a terminologia utilizada para classificação de sociedades é: “simples” e “empresária”. ementário de temas: – – – – – Sociedades Não-Personificadas: • Sociedade em Comum • Sociedade em Conta de Participação Sociedades personificadas: • Sociedade Simples. Yves. os modelos societários mais utilizados são: Sociedade Limitada e a Sociedade Anônima. Se a sociedade tivesse como objeto a prática de “atos de comércio”. ambos do Código Civil de 2002.986)”.

Eventual ação de interesse da sociedade deverá ser proposta pelos sócios. perante terceiros. ilimitadamente. a atividade prevista no objeto social é exercida apenas pelo sócio ostensivo. sendo uma forma contratual que antecede à inscrição dos atos constitutivos em registro competente. passando a ser chamada de pessoa jurídica. de forma proporcional à participação no capital social. Sociedade em Comum2 (antiga: Sociedade Irregular ou de Fato) art. A partir desse momento. 986 a 990 Sociedade em Conta de Participação art. podendo adicionar uma expressão de fantasia. na verdade é reconhecida pela doutrina como “contrato de participação” e nem mesmo a inscrição dos atos constitutivos em registro competente lhe conferirá personalidade jurídica (art. os sócios participantes não “aparecem”. adotará uma “denominação”. Possui patrimônio especial formado por bens e dívidas da sociedade. 997 a 1. pelo seu caráter não-empresarial. imóvel. em seu próprio nome e sob sua exclusiva responsabilidade. que deverá se correlacionar com o seu objeto social. 985 e 1. tem capacidade processual passiva. devendo o contrato prever a maneira como cada um irá contribuir (dinheiro. a responsabilidade dos sócios é ilimitada. mas não tem ativa. deve ser inscrita no Cartório de registro Civil das Pessoas Jurídicas-rCPJ. cuja prática não constitua elemento de empresa. Somente o sócio ostensivo se obriga. poderse-ia alcançar o sócio) e os sócios responderão. Sociedade de pessoas com natureza contratual e que. Sociedades Personificadas Constituída exclusivamente para a atividade não empresária. caso esta não possua bens suficientes para adimplir sua obrigação.162). 991 a 996 sociedades personificadas. Os artigos 45. trabalho etc). O Código Civil trouxe duas hipóteses de sociedade sem personalidade jurídica: Sociedades Não Personificadas trata-se de hipótese bastante comum.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa sentido. para atividades sem estrutura organizacional. perante terceiros. mas participam dos resultados obtidos com os negócios realizados pelo sócio ostensivo.038 FGV DIREITO RIO 5 . A sociedade é dita personificada quando está legalmente constituída e registrada no órgão competente. Por faltar-lhe personalidade jurídica não possui“nome empresarial” (artigo 1.993). podemos considerar uma sociedade sem registro como sendo empresária. caso esta ostente os requisitos para que seja considerada como tal. para os pequenos negócios. Sociedade Simples art. podendo o contrato social dispor sobre a subsidiariedade (primeiro alcança-se a sociedade e. todos os sócios respondem solidária e ilimitadamente pelas obrigações sociais (art. voltada para o trabalho intelectual. embora seja conhecida como “sociedade”. os sócios participantes possuem apenas responsabilidade interna.150 do Código Civil estabelecem que a sociedade adquire personalidade jurídica com a inscrição de seus atos constitutivos em registro próprio e na forma da lei. a figura dos sócios é separada da sociedade que se torna capaz de exercer direitos e assumir obrigações em seu nome. 990) desde logo é preciso assinalar que.

somente o arquivamento acarretará no seu nascimento14. 282 a ações11 284 da lei 6. muitos autores.092 Será sempre “empresária” (art. serão solidariamente responsáveis6. Poderá adotar estrutura de denominação ou firma. não adota firma social9 e sim uma denominação composta por qualquer vocábulo ligado a art. p. 1. Em outras palavras. saraiva.051 a sociedade responde em primeiro plano pelas obrigações assumidas em seu nome. no qual os acionistas não são sequer nomeados e qualificados. todos os sócios serão solidariamente responsáveis pela integralização de todo o capital social.404/76 mercado (Companhia aberta) ou não. nem de capital. o administrador será pessoa natural que pode ou não fazer parte do quadro societário. não tendo relevância a pessoa de seus sócios8. como o prof. embora de forma subsidiária3. Não podem administrar a sociedade nem ter o nome incluído na firma social. responderão os sócio. Por isso.044 os sócios. nEGRãO. 1. sendo uma forma de garantia para os credores. art.. obrigatoriamente. FGV DIREITO RIO 6 .045 a 1. portanto. nem a definição de direitos e deveres recíprocos. adotará uma “firma social” formada pelo nome de um ou alguns dos sócios.ú. 1.342. somente farão parte os nomes dos sócios diretores ou administradores. 1. originária ou derivadamente. evidenciando a vontade de constituir uma sociedade. não respondendo. uma vez não integralizado. ela não é sociedade de pessoas. regese pelas normas da sociedade simples e. Ricardo negrão.” mamEDE. 6 7 a elaboração do ato constitutivo da sociedade anônima será através de “uma ata de assembléia na qual se ajustam as normas de seu estatuto social (e não contrato social).052 a 1.a.404/76 Crítica à terminologia adotada.089 anônima” (na forma abreviada: “S. já que essa é a natureza jurídica das sociedades.087 Sociedade anônima Será sempre “empresária” (art. pg. porém. A expressão “sociedade não personificada” é contraditória. a limitação ultrapassa a quota do sócio. Sociedade limitada art. por obrigações assumidas pela sociedade. pg.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa Sociedade em art. esta última. sempre. são paulo/2005. alguns doutrinadores. Comanditários – obrigados apenas pelo valor de suas quotas. um reconhecimento mútuo obrigatório. O Código Civil estabelece que a sociedade não personificada é aquela sem personalidade jurídica.088 e sua atividade. o capital social é dividido em ações. a sociedade existiria mesmo sem o arquivamento de seus atos constitutivos (sociedade não personificada).”) ou “Companhia” (na forma abreviada: “Cia”). Gladston in Direito societário: sociedades simples e Empresárias. que poderão ser negociadas no 6. supletivamente.1. perante terceiros. solidária em razão de responderem todos os sócios pelo que faltar para total satisfação dos credores sociais”. como o Prof. pelas regras das sociedades anônimas”. devidamente discriminados no contrato social: Comanditados: somente pessoas naturais.982. pelo que faltar. no início da denominação10. como tal compreendidos aqueles responsáveis pela fundação da companhia. ilimitada e solidariamente pelas obrigações sociais4. acompanhado da expressão “e companhia”.090 a 1. não há mesmo. a responsabilidade dos sócios (acionistas) é limitada ao valor das ações subscritas ou adquiridas. que deverá vir acompanhado da expressão “sociedade 1.039) e respondem. Esgotado o patrimônio da sociedade. Sociedade em Comandita Simples art.. neste caso.. Há instituidores. são paulo/2004. responsáveis solidária e ilimitadamente pelas obrigações sociais. Entendemos que não há como identificar uma sociedade que não seja uma pessoa jurídica de direito privado13. consideram a sociedade limitada um modelo “misto” de sociedade uma vez que em caso de omissão. lei o capital social divide-se em ações. a responsabilidade dos sócios é limitada à integralização do capital social. trata-se de uma sociedade de pessoas5. 1. e acionistas que vão aderindo ao empreendimento.384. Sérgio Campinho. a personalidade jurídica da sociedade surgiria com a affectio societatis e não com arquivamento. pois se é sociedade como não terá personalidade? Neste sentido. atlas. perante a sociedade. diretor ou administrador (que será obrigatoriamente sócio) responderá subsidiária e ilimitadamente pelas obrigações sociais12.) e constituída através de um Estatuto. interpretaram o dispositivo entendendo que a sociedade estará criada no momento em que as partes se unirem. quando mantêm a titularidade os acionistas presentes no estatuto social (Companhia Fechada). Sua característica principal é a existência de duas categorias de sócios. Ricardo in manual de Direito comercial e de Empresa. respondendo os acionistas apenas pelo valor das ações subscritas ou adquiridas (responsabilidade limitada). p. 5 Sociedade em Comandita por art.ú.039 a Nome Coletivo 1. o sócio obriga-se a integralizar suas quotas (responsabilidade pessoal). são pessoas naturais (art. 3 4 a responsabilidade será “ilimitada porque ultrapassa os limites do patrimônio social quando este é insuficiente. É uma sociedade de capital. perante terceiros.) e constituída através de um Estatuto7 (e não contrato social). optando por esta. Em regra.. Com isso. via de conseqüência. o capital social é dividido em quotas e não pode ser constituído com prestação de serviço.982.

“uma vez que. pg. Essa a razão de se dizer que as pessoas dos sócios não são levados em consideração na existência das sociedades anônimas”. ora revogados. que poderá ser alcançado primeiro pelo credor conforme estabelece o art. são exatamente aqueles referidos implicitamente pela Carta Maior. o STJ decidiu que na SCP somente o sócio ostensivo que se obriga perante terceiros por todas as obrigações e operações sociais. II do código civil.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa A sociedade de que trata o artigo 986 é a sociedade irregular ou de fato. 110 do CTN que é a norma de integração dos institutos de Direito Privado e Direito Tributário. 28ª edição. O problema é que o Código Civil passou a considerála “sociedade”. Op. pois a sociedade se constitui em função do capital. 8 9 O nome empresarial poderá ser composto pelo nome do fundador ou de pessoa relevante para a companhia. traçando. regulamentavam a sociedade em conta de participação de uma forma relativamente vaga. Decorre esse fato da responsabilidade limitada dos sócios. Essa responsabilidade nunca pode ser atribuída ao sócio participante. 45 e 985 do código civil. no rol previsto no art. do art. em sua maioria. atribuiu-lhe a condição de sujeito passivo da obrigação tributária. sem que isso descaracterize a denominação transformando-a em firma. a legislação tributária vislumbrou o caminho mais lucrativo para os cofres públicos. porém. Os terceiros. 143. o modelo de responsabilidade subsidiária para ela. conceitos e formas de direito privado”. 10 josé Edwaldo Tavares Borba entende se tratar de sociedade de responsabilidade mista. 11 12 Em havendo mais de um diretor ou administrador a responsabilidade será solidária (art. os Tribunais. quanto à personalidade jurídica. Fran in curso de Direito comercial. Vejamos alguns julgados (a íntegra dos acórdãos está disponível ao final – jurisprudência): – Recurso Especial 474404-PR18. não podendo sofrer alteração pela norma tributária. que contratam com a sociedade. o art. Neste sentido.233. a retirada dos mesmos do organismo social não tem influência sobre esse. Apesar de não constar. 1. e pode provar-se por todo o gênero de provas admitidas nos contratos comerciais”. Em relação à personalidade jurídica estabelecia que a SCP “não está sujeita às formalidades prescritas para a formação das outras sociedades. Forense. o Código Civil regulamenta as relações entre pessoas naturais e jurídicas sob o amparo da Constituição Federal. não contam com garantias subsidiárias por parte dos acionistas. expressamente. Sua equiparação à pessoa jurídica para fins fiscais ocorreu com o Decreto-Lei 2303/8616. a SCP não era considerada contribuinte para o FISCO. Mas como foi criado um modelo de responsabilidade se a sociedade não existe? Essa é a questão. “as sociedades anônimas são consideradas sociedades de capital pois vivem em função deste. hoje identificada como “sociedade em comum”. o STJ decidiu que “não há falar em citação de sociedade em conta de participação que não tem personalidade jurídica e nem existência perante terceiros. 988 estabelece que os bens da Sociedade em Comum gozam de proteção especial. maRTIns. pois essa inclusão nada mais é que uma homenagem. 13 14 art. 44. cumprida a obrigação principal dos sócios de concorrer com sua parte para o capital. por outro lado.11017 do CTN. Rio de janeiro/2002. sendo que este “patrimônio especial” será atingido pelas dívidas da sociedade. FGV DIREITO RIO 7 . sociedades em conta de participação – sCp. esquecendo-se. Os conteúdos e conceitos dos institutos previstos no Código Civil. para base de suas operações apenas o patrimônio da sociedade. que apenas assumem o compromisso de integralizar as importâncias relativas às ações que adquirirem ou subscreverem.091 §1º). dispõe de sócios de responsabilidade ilimitada. 990. Esse dispositivo estabelece que a norma tributária “não pode alterar a definição. inclusive. não merecendo atenção especial a pessoa dos sócios. já aceitavam a idéia da inexistência da personalidade jurídica das SCP.” – Recurso Especial 168028-SP19. tomando assim. que são os diretores e administradores”. o conteúdo e o alcance de institutos. Mesmo antes do advento do Código Civil de 2002. cit. Ato contínuo. além dos sócios de responsabilidade limitada. Este “benefício de ordem” caracteriza o modelo de responsabilidade subsidiária que faculta às partes estabelecer o que deverá ser alcançado primeiro numa eventual execução. Mas não podemos falar em “patrimônio da sociedade” porque o patrimônio é inerente à personalidade e como não existe sociedade não há personalidade! O que a sociedade em comum possui é um “patrimônio afetado” (patrimônio de afetação). Até o ano de 1986. que sequer é conhecido daqueles com os quais a sociedade contrata. para evitar confusão com a sociedade em nome coletivo. arts. Os artigos 325 a 32815 do Código Comercial. pg. que diante da omissão dos artigos do Código Comercial.

Não há falar em citação da sociedade em conta de participação. em seu nome individual para o fim social. pratica todas as operações oriundas do objeto social. momentânea ou anônima. o sócio João é apresentado a um grupo de quatro investidores que tem um grande capital disponível e que está disposto a investi-lo no setor produtivo. não consegue tomar empréstimo junto a instituições financeiras e seus 05 sócios já começam a se desesperar. 2. a SCP é pessoa jurídica para fins tributários e um contrato para o direito empresarial. uma vez que não provem que o dito terceiro tinha conhecimento. se valendo dos outros ramos do direito em caso de omissão. o sócio ostensivo é o único que se obriga para com terceiro. Não há violação aos artigos 458. art 7º Equiparam-se a pessoas jurídicas. sendo ao menos uma comerciante. Tanto a sociedade limitada quanto os investidores não se “conhecem”. ainda mesmo que seja por obrigações pessoais. Na seara tributária a idéia de considerar a SCP “personificada” permanece. se reúnem. é lícito ao terceiro com quem houver tratado saldar todas as contas que com ele tiver. salvo o direito dos sócios prejudicados contra o sócio-gerente. para os efeitos da legislação do imposto de renda. em uma ou mais operações de comércio determinadas. quem seriam o sócio ostensivo? art. 325 – quando duas ou mais pessoas. e 535 do Código de Processo Civil quando o Acórdão recorrido está amplamente fundamentado. ele é o único com legitimidade para adquirir direitos e contrair obrigações. os sócios participantes contribuem para a formação de um “patrimônio especial”. Caso gerador: CONFECÇÃO MALHA FINA LTDA. as sociedades em conta de participação. Na SCP. 328 – no caso de quebrar ou falir o sócio-gerente. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Leis Orgânicas do Distrito Federal e dos municípios. ainda que os outros sócios mostrem que esses fundos lhes pertencem. assim como na tributação dos lucros apurados e dos distribuídos. 16 constituições Federal. alguns ou todos. sem firma social. a associação toma o nome de sociedade em conta de participação. serão observadas as normas aplicáveis às demais pessoas jurídicas. na forma do art. Durante um jantar de negócios. Conferiu-lhe uma forma jurídica à disposição de empreendedores para a exploração de atividades cuja obrigação econômica seja de apenas um dos sócios (sócio ostensivo) perante terceiros. os outros sócios ficam unicamente obrigados para com o mesmo sócio por todos os resultados das transações e obrigações sociais empreendidas nos termos precisos do contrato. DISSOLUÇÃO. que não tem personalidade jurídica. cuja rentabilidade eles acreditam? Como se daria esse procedimento? b) Na hipótese da criação de uma SCP. e pode provar-se por todo o gênero de provas admitidas nos contratos comerciais. mas têm objetivos em comum. A questão restou solucionada com base na assertiva de que o direito tributário pode traçar conceitos próprios. posto que abertas sejam debaixo de distintas designações. que a SCP não tem e não pode adquirir personalidade jurídica. trabalhando um. acidental. assim. 7º do Decreto-Lei 2303/8620. nem existência perante terceiros. trabalho etc) e participam dos resultados. NOMEAÇÃO DE LIQUIDANTE. tampouco figurar como sócios. CITAÇÃO DA SOCIEDADE CONSTITUÍDA. então apelante. A hipótese dos investidores tornarem-se sócios da Limitada está totalmente descartada uma vez que eles não querem ser sócios de ninguém. está passando por uma grave crise financeira. assumindo o papel de sujeito passivo das obrigações principais e acessórias. imóvel. INDENIZAÇÃO. na apuração dos resultados dessas sociedades. art. dos Estados. na forma prevista no contrato (com dinheiro. 17 FGV DIREITO RIO 8 . 327 – na mesma sociedade o sócio-gerente responsabiliza todos os fundos sociais.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa O Código Civil de 2002 estabeleceu. 15 JurisprudênCia. SOCIEDADE EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO. II. expressamente. com os fundos pertencentes a quaisquer das mesmas contas. antes da quebra. Por exercer com exclusividade a atividade constituída no objeto social. muito embora não tenha know-how em malharias. em nenhuma circunstância. é o sócio ostensivo quem se obriga perante terceiros. há mais de 20 anos atuando no mercado interno. esta sociedade não está sujeita às formalidades prescritas para a formação das outras sociedades. contratando em seu nome. além de sua contribuição (normalmente através da prestação de serviços). 326 – na sociedade em conta de participação. Como seu principal credor é o FISCO. alcançando a demanda tal e qual posta pelo autor. O sócio ostensivo. da existência da sociedade em conta de participação. 1. parágrafo único. art. Pergunta-se: a) Como o grupo de investidores poderia investir na malharia. O sócio ostensivo que realiza as operações (obtendo lucro ou prejuízo). para lucro comum. art. se o terceiro com quem tratou ignorava a existência da sociedade.

se o tributo em discussão data de 1981. por conseguinte. 2.2001. 7 deste Sodalício a qual estabelece que “a pretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial”.10. TERcEIRa TuRma. Ministro CARLOS ALBERTO MENEZES DIREITO. Rel. TERCEIRA TURMA.03. 210) – grifamos. uma vez que até o advento do Decreto-lei n.028/sp. julgado em 17. ou não.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa 3.2001 p. 5.704/PR. julgado em 07. Dj 22.08. julgado em 04. constata-se que a Corte ordinária. SEGUNDA TURMA.2003 p. porque ausente recurso da parte interessada.12.10. Na sociedade em conta de participação o sócio ostensivo é quem se obriga para com terceiros pelos resultados das transações e das obrigações sociais. nunca o sócio participante ou oculto que nem é conhecido dos terceiros nem com estes nada trata. Rel. 20 FGV DIREITO RIO 9 .2002 p. Recurso conhecido e provido. SOCIEDADE EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO. desde logo.2001.2003 p. ministro caRLOs aLBERTO mEnEzEs DIREITO. 4. RESPONSABILIDADE PARA COM TERCEIROS. aspectos que não podem ser examinados. julgado em 07. que demonstram a animosidade existente. (REsp 474. Ministro FRANCIULLI NETTO. Rel. a sociedade em conta de participação não possuía capacidade tributária passiva. quaRTa TuRma. 18 (REsp 168. Justifica-se a nomeação. (REsp 193690/PR.03. de 1986.028/SP. voto condutor. DJ 07. 326). a que alude o auto de infração” (fl.2002. QUARTA TURMA.06.2002. julgado em 17. Ministro CESAR ASFOR ROCHA. 172). exercício de 1982. (REsp 474. Sobreleva notar. 213) COMERCIAL. 326) 19 neste sentido: REsp 193690/ pR (vide jurisprudência). para fins tributários.2002. não tem consistência o pedido de extinção do processo ao argumento de que teria a sentença considerado o pedido inepto. SÓCIO OSTENSIVO.303. DJ 10. consignou que “o fisco não logrou demonstrar ter havido efetiva transferência de resultado da sócia ostensiva para a sócia participante.10. (REsp 168. Rel. no períodobase de 1981. transferência do resultado que se pretende tributar. embasada no conjunto probatório encartado nos autos. DJ 22. – No pertinente a ter havido. TRIBUTÁRIO – IMPOSTO DE RENDA – SOCIEDADE EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO – AUSÊNCIA DE CAPACIDADE TRIBUTÁRIA PASSIVA À ÉPOCA DA EXIGÊNCIA DO TRIBUTO – ALEGADA TRANSFERÊNCIA DO RESULTADO DA SÓCIA OSTENSIVA PARA A SÓCIA OCULTA – CORTE DE ORIGEM QUE AFIRMA QUE ESSA PARTICULARIDADE NÃO FOI COMPROVADA PELO FISCO – RECURSO ESPECIAL NÃO CONHECIDO. do liquidante.12. Rel. que o exame dessa inferência obriga esta instância especial a revolver os elementos probatórios insertos nos autos e. – Recurso especial não conhecido. a sociedade em conta de participação não era equiparada. Recurso especial não conhecido.08. 213). afrontar a jurisprudência sedimentada por meio da Súmula n. Dj 10. Hipótese de exploração de flat em condomínio. à pessoa jurídica. seja discutível tanto a dissolução judicial quanto a existência de liquidação e partilha. em razão do contrato social. Dessa forma.2001 p. diante da realidade dos autos. – Ancorados em doutos ensinamentos doutrinários.704/pR. realizadas ou empreendidas em decorrência da sociedade. resta evidente que os argumentos expendidos pela União Federal não possuem a força de abalar os fundamentos do r. Afastando as instâncias ordinárias a indenização por falta de prova. embora no caso de sociedade em conta de participação. ministro cEsaR asFOR ROcHa.

67. PROVA CONCURSO PúBLICO/MG . c) as em comum. Responda justificadamente.2008 61ª Questão: Quanto a uma sociedade em comum que explora o ramo da prestação de serviços mecânicos. a aplicação do benefício de ordem. 28º EXAME DE ORDEM – SEÇÃO DO RIO DE JANEIRO – 2ª FASE – DIREITO COMERCIAL. às quais passou a classificar como sociedade comum. b) Está sujeita a falência. b) as em conta de participação. As sociedades não personificadas são: a) as simples. O Código Civil deu personalidade às sociedades informais. julgue o item seguinte. e qual a abrangência da responsabilidade dos sócios da sociedade comum em ralação às obrigações sociais. destacando. PROVA DISCURSIVA. d) É possível sua dissolução judicial. apesar de responderem solidária e ilimitadamente pelas obrigações sociais. desde que o sócio requerente comprove a existência da sociedade ainda que por prova oral.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa Questões de ConCurso PROVA DO CONCURSO PARA JUIZ DO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SERGIPE – Aplicação: 01/02/04. No que tange às alterações introduzidas. neste caso.JUIZ FEDERAL . d) somente a alternativa “a” está incorreta. de instrumento celebrado entre os sócios. assinale a alternativa INCORRETA. FGV DIREITO RIO 10 .JUIZ . O Código Civil de 2002 alterou parcialmente a estrutura de classificação das sociedades estabelecida no Código Comercial de 1850. PROVA DISCURSIVA. 25º EXAME DE ORDEM – SEÇÃO DO RIO DE JANEIRO – 2ª FASE – DIREITO COMERCIAL. 3 – É correta a afirmação de que o registro dos atos constitutivos das sociedades não personificadas no órgão competente produzirá o mesmo efeito em relação a cada uma delas? Responda justificadamente PROVA CONCURSO PúBLICO/3ª REGIÃO . os demais sócios. 1. no Cartório de Títulos e Documentos.2006 93ª Questão: Assinale a alternativa inteiramente correta. a) A sua existência pode ser comprovada pela transcrição. gozam de benefício de ordem. c) Com exceção daquele que contratou pela sociedade. 5 – O que diferencia a sociedade comum das sociedades personificadas.

mas negar o mesmo direito a uma indústria que fabricava vagões para trens.4. Seriam as atividades industriais atividades comerciais? A resposta era negativa. 3. Para tanto. Ademais. 3. O direito comercial surgiu assim como um sistema separado do regime normal. nasceu o problema do enquadramento jurídico desta atividade.e da unirio – universidade federal do estado do rio de Janeiro advogado no rio de Janeiro(brasil) e em Lisboa(portugal) sumário A transição de um direito dos comerciantes para um direito de empresas. Já a nobreza e o clero – e as suas atividades. No entanto.3 A alteração das regras societárias face ao direito adquirido e ao ato jurídico perfeito. pois na atividade industrial não está presente a intermediação. 3.1 A modificação das regras do jogo societário.3. 2. em razão da necessidade dos comerciantes criarem um sistema normativo que atendesse às necessidades das suas atividades. parecei um despropósito permitir que uma pequena mercearia pudesse impetrar concordata. os comerciantes constituíam uma categoria social à parte. além de díspares. pois não havia uma preocupação dos titulares dos poderes(senhores feudais e clero) em sistematizar a regulamentação da atividade comercial. A unificação dos regimes das sociedades. 3. a diversidade das normas existentes entre os diferentes feudos era incompatível com a expansão da atividade comercial. Com efeito. Assim. era inegável que a atividade industrial tinha – e tem – similitudes com a atividade comercial. os comerciantes – e as atividades – eram regidos pelo direito comercial. Assim. nem com o clero e nem com os servos.2 A aplicação das novas regras às sociedades. A situação da sociedade que não se adaptou ao Código Civil de 2002 a transição de um direito de comerciantes para um direito de empresas O direito comercial surgiu na Idade Média.3.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa Anexo I apontamentos sobre o regime geraL das soCiedades no brasiL José gabriel assis de almeida doutor em direito pela université panthéon assas – paris ii professor da uerJ. que não se misturava nem com a nobreza.universidade do estado do rio de Janeiro. com o surgimento e o desenvolvimento da indústria( principalmente a partir do séc.2 Argumentos a favor da não aplicação das novas regras. a atividade industrial não podia corresponder à definição de ato de comércio. Com efeito. 3. por um lado. FGV DIREITO RIO 11 . Por outro lado. Cabe esclarecer que esta dicotomia correspondia também a uma dicotomia social e até política.XIX). mas sim a transformação dos produtos. aplicável às relações jurídicas em geral. A adaptação das sociedades à transição normativa. Argumentos a favor da aplicação das novas regras. essencialmente ligadas à exploração da terra – eram regidos pelo direito civil.3. 3. 3. as normas existentes eram escassas.

que passou a ser mera presunção de comercialidade. era quem delineava os contornos dos atos de comércio. ou seja. O Código Comercial de 1850 não definia o ato de comércio. sob o ponto de vista do comerciante”. assalaria e dirige a prestação pessoal do serviço. normas de enquadramento da atividade econômica que não levavam em consideração a distinção entre a atividade comercial e a não comercial.4 “como todo aquele que. “empregador como a empresa individual ou coletiva. principalmente a partir da segunda metade do séc. Por exemplo. Esta opção ia em sentido contrário do Código de Comércio francês. o Brasil adotou um código comercial que cuidava das relações comerciais. Este código nasceu fundado na figura do comerciante. no art. assim. atribuindo-lhe. por exemplo. pudesse falir. Assim. ao definir o fornecedor do produto ou serviço já não faz qualquer distinção em razão do caráter FGV DIREITO RIO 12 . como a unidade de produção ou circulação de riqueza. XX. fazia a distinção entre o direito comercial e o direito civil.Lei 8078/90-. afastou por completo o caráter constitutivo da matrícula. Apesar de revogado no final do séc. nas ciências econômicas. definindo o âmbito de aplicação do direito comercial sob o ponto de vista subjetivo. através do exercício da atividade de cunho econômico. começaram a aparecer. O Código de Defesa do Consumidor. a noção de atividade comercial. tornou-se inelutável a unificação do regime de todas as atividades econômicas. Com o desenvolvimento e a modernização econômica. assumindo os riscos da atividade econômica admite. tradicionalmente. o regulamento 737 continuou a influenciar. de 1943. definido no art. XIX. ou seja. Deste modo. A este fenômeno não é estranho o fato de os Tribunais de Império terem sido abolidos e ter-se admitido que a qualidade de comerciante não decorria da matrícula do mesmo. a idéia de empresa. matriculado em um dos tribunais do Império. a Consolidação das Leis do Trabalho. fazia da mercancia a sua profissão habitual. o direito empresarial. atualmente. que. mesmo não matriculado. o Brasil passou a conhecer o mesmo fenômeno de ruptura da dicotomia entre direito comercial e direito civil. mas sim do exercício da atividade comercial. desde 1850. que – na linha da abolição dos privilégios e tendo criado a liberdade de indústria e comércio – assentava o direito comercial no ato de comércio.XX. Com efeito. Nesse sentido. de forma cada vez mais freqüente. também de 1850. Ou seja. Assim. Assim. uma parte importante da atividade econômica consiste na prestação de serviços que. uma feição objetiva. tanto as atividades comerciais. isso porque. o fato de admitir-se que o comerciante.2. Esta unificação legislativa do regime jurídico das diferentes atividades acentou-se em épocas mais recentes. enquadram-se mal na definição de atividade comercial. salvo os de corretagem. O direito brasileiro. não há qualquer menção à qualidade comercial ou civil do empregador. como as atividades civis de caráter econômico(nomeadamente as atividades industriais e as atividades de prestação de serviços destituídos de caráter de intermediação) passaram a estar submetidas ao mesmo regime. de 1807. que até hoje regulamenta a maioria das relações trabalhistas de emprego no Brasil define. Com a aceleração do progresso econômico e o desenvolvimento econômico surgiu. durante muitos e muitos anos. sendo apenas relevante que o mesmo exerça atividade econômica”. o regulamento 737.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa A inadequação da dicotomia entre o direito comercial e o direito civil ficou ainda mais evidente com o crescimento do setor dos serviços no decorrer do séc.

Na verdade. nos termos do art. constituídas de fato ou de direito. exportação. etc. por si só. o exercício de atividade de natureza econômica: a produção. com a possibilidade das sociedades civis adotarem a forma comercial e com a modificação do regime de registro das sociedades comerciais. O art.3 deste diploma legal define o fornecedor da seguinte forma: “Fornecedor é toda pessoa física ou jurídica. antes da promulgação do novo Código Civil. sociedade em FGV DIREITO RIO 13 . distribuição ou comercialização de produtos ou prestação de serviços” O ponto manifestamente relevante da definição de fornecedor é. A noção de atividade empresária veio recobrir todas as atividades de caráter econômico. mesmo que exerçam atividade sob o regime de monopólio legal” O art. bem como os entes despersonalizados que desenvolvem atividade de produção. Assim. é imprestável para definir a aplicação do direito da concorrência. Deste modo. construção. caput. o art. mais uma vez.15 da Lei 8884/94 – Lei de Defesa da Concorrência: “Esta Lei aplica-se às pessoas físicas ou jurídicas de direito público ou privado. com a consagração a noção de empresário. Portanto. com ou sem personalidade jurídica. Aliás. ainda que temporariamente. para a Lei 8884/94 é irrelevante se o agente é um comerciante ou não comerciante. o art. na unificação do regime dos empresários coletivos. esta unificação deu-se. No Brasil. possam praticar atos restritivos de concorrência. No mesmo. curiosamente. transformação. de uma forma ou de outra. O fornecedor define-se em virtude do exercício dessa atividade econômica. a sociedade em comandita simples.20 da mesma Lei 8884/94 que define as infrações. ao estabelecer que: “Considera-se empresário quem exerce profissionalmente atividade econômica organizada para a produção ou circulação de bens ou de serviços”. no Brasil existiam dois tipos de sociedade. a importação. Portanto. traduziu-se também na unificação do regime das sociedades. nas relações de consumo. bem como quaisquer associações de entidades de pessoas. comerciantes e não comerciantes estão sujeitos ao mesmo regime. pública ou privada. o alcance da norma é dado pelo art. não sendo comerciantes. exercem uma atividade econômica organizada. Com efeito. mas apenas se o fornecedor coloca um produto ou serviço no mercado de consumo. tradicionalmente. no art. ou seja.15.15 é claro. Para o CDC não é relevante saber se o fornecedor é comerciante ou não. montagem. a distribuição. a unificação do regime das sociedades Esta unificação do regime das atividades. quais sejam: as sociedades comerciais e as sociedades civis.15 da referida lei. Na definição do destinatário a comercialidade é irrelevante. nacional ou estrangeira.966. A natureza comercial ou não do fornecedor é nitidamente relevante. criação.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa comercial ou não da atividade desenvolvida. veio consagrar a unificação do regime jurídico dos agentes econômicos. O Código Civil de 2002. tanto são empresários os comerciantes quanto aqueles que. a mesma aplica-se a todos que. As sociedades comerciais eram as sociedades dos tipos previstos no Código Comercial de 1850 – sociedade em nome coletivo. E essas infrações decorrem todas do exercício de uma atividade econômica. importação.

ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa

conta de participação, e a sociedade de capital e indústria – a sociedade por quotas de responsabilidade limitada – regida pelo Decreto 3708/19- e as sociedades por ações – sociedade anônima e sociedade em comandita por ações – previstas na Lei 6404/76. As sociedades civis eram as sociedades do tipo previsto no art.1363 e seguintes do Código Civil de 1916. A qualidade comercial ou civil da sociedade era dada em razão da atividade exercida pela sociedade. Dessa forma, se a sociedade era comercial, a sociedade deveria revestir um tipo comercial, ao passo que, se a atividade era não comercial, a sociedade deveria revestir o tipo civil. No entanto, o art.1364 do Código Civil permitia às sociedades civis adotarem um tipo comercial. Desta forma, caso a sociedade civil opta-se por um tipo comercial, a estrutura da sociedade civil passava a reger-se pelas normas de direito comercial, mantendo-se, porém, como sociedades civis no tocante à atividade. As diferentes possibilidades estão representadas no quadro abaixo, vejamos:
Situação 1 Sociedade de tipo civil Exercício de atividade civil Sociedade civil Situação 2 Sociedade de tipo comercial Exercício de atividade civil Sociedade civil Situação 3 Sociedade de tipo comercial Exercício de atividade comercial Sociedade comercial

Deste modo, já a partir de 1916, havia um esbatimento da distinção entre sociedades civis e sociedades comerciais – pelo menos quanto à forma – pois aa sociedades civis podiam adotar um tipo comercial. Esta distinção entre sociedades civis e comerciais atenuou-se mais ainda em 1994. Até 1994, as sociedades civis (seja as da situação 1, seja as da situação 2) tinham os seus atos constitutivos registrados no Registro Civil das Pessoas Jurídicas. Por seu lado, as sociedades comerciais (isto é, as da situação 3) tinham os seus atos constitutivos arquivados na Junta Comercial. Entretanto, a Lei 8934/94, no art.1, determinou que fossem arquivados na Junta Comercial: a) os contratos sociais das sociedades comerciais (situação 3); b) os contratos sociais das sociedades civis, com forma comercial (situação 2). Portanto, as sociedades comerciais, e uma parte das sociedades civis, passaram a estar sujeitas ao mesmo regime de registro. Com a promulgação e a entrada em vigor do novo Código Civil, o regime societário brasileiro ficou profundamente alterado. Aliás, o ano de 2002 trouxe duas grandes novidades: a entrada em vigor da lei 10303/01, que modificou a Lei das Sociedades por Ações e a promulgação do novo Código Civil. Um dos principais pontos desta alteração é a substituição da dicotomia do regime societário entre sociedades comerciais e sociedades civis, pelo regime de: a) associações; b) sociedades simples; c) sociedades empresárias.
FGV DIREITO RIO 14

ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa

A distinção entre cada uma destas categorias é a seguinte: a) a sociedade empresária é a que exerce profissionalmente uma atividade econômica organizada para a produção ou circulação de bens ou serviços (por ex.: o caso de uma sociedade fabricante de automóveis); b) a sociedade simples é a que exerce uma atividade intelectual, de natureza científica, literária ou artística, ainda que haja emprego de auxiliares (por ex.: uma sociedade de profissionais liberais – médicos) c) a associação tem fins não econômicos (por ex.: uma associação recreativa ou cultural). Além desta distinção, cabe assinalar que o novo Código Civil criou as seguintes sociedades:
Regime anterior sociedades Comerciais Sociedade em nome coletivo Sociedade em comandita simples Sociedade em conta de participação Sociedade irregular ou de fato Sociedade por quotas de responsabilidade limitada Sociedade de capital e indústria sociedades Civis sociedade Civil Regime do NCC sociedades empresárias Sociedade em nome coletivo Sociedade em comandita simples Sociedade em conta de particicpação Sociedade em comum Sociedade limitada abolida sociedades não empresárias sociedade simples

Portanto, com o novo Código Civil passa a existir um regime único para as sociedades. Não há mais distinção entre sociedades civis e sociedades comerciais. As sociedades que exercem atividade econômica passam a estar todas submetidas ao mesmo regime. Há, portanto, uma unificação do direito societário brasileiro. Esta unificação é ainda reforçada pelo fato do NCC determinar a regência supletiva das regras sobre as sociedades simples, para todas as demais sociedades. Na verdade, as variações vão ocorrer dentro desse regime único, consoante o tipo de atividade – empresarial ou não empresarial – que será exercido.

a adaptação das sociedades à transição normativa No momento da entrada em vigor do Código Civil de 2002 haviam sido constituídas, no Brasil, entre 1985 e 2001, mais de 3.900.000 (três milhões e novecentos mil) sociedades por quotas de responsabilidade limitadas no Brasil. No mesmo período, haviam sido constituídas cerca de 17.000 (dezessete mil) sociedades anônimas1. Portanto, quando da transição de um quadro normativo para o outro, estava em causa um universo gigantesco de sociedades, sociedades estas com características muito diferentes. Por exemplo, as sociedades limitadas cobrem uma grande variedade de atividades de tamanhos diferentes, desde o pequeno comércio da padaria, da mercadoria, do açougue, do

1 V. site www.dnrc.gov.br, acessado em 28.04.07

FGV DIREITO RIO

15

ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa

restaurante, até à indústria de médio porte, em alguns casos a indústria também de grande porte e cobrem também as sociedades “holding” de grupos financeiros, indústrias e etc. Neste aspecto uma das questões interessantes do Código Civil de 2002 é, precisamente, a necessidade de ter uma norma que seja ao mesmo tempo geral, para cuidar de todas as sociedades limitadas, e ao mesmo tempo uma norma que seja suficientemente precisa ou específica para cuidar dos diferentes problemas de cada molde, de cada tipo de sociedade limitada. Quando da entrada em vigor do Código Civil de 2002 houve uma grande resistência, como é natural em todas as mudanças. O Código Civil de 2002 sofreu forte rejeição, pois o Código Civil veio provocar uma profunda mudança nas regras então vigentes para a atividade societária2. Com efeito, além de abolir o conceito de sociedade comercial e criar o conceito de sociedade empresária, conforme visto no item 2 acima, o Código Civil modificou substancialmente as regras de constituição e funcionamento das sociedades, em especial das sociedades limitadas, das sociedades em nome coletivo, das sociedades em comandita e das sociedades em conta de participação e criou as novas figuras das sociedades em comum e das sociedades simples3. Como se passa a demonstrar, o Código Civil de 2002 não apenas trouxe novas regras, mas essas novas regras afetam os direitos dos sócios, cabendo então examinar como tratar essas modificações à luz da Constituição da República que protege o ato jurídico perfeito e o direito adquirido.

a modificação das regras do jogo societário Sem querer entrar no detalhe de todas as mudanças, há algumas que merecem destaque, pis são as mais relevantes. Entre elas está, certamente, a forma das deliberações sociais. O novo Código Civil institui a assembléia geral e a reunião dos sócios, e faz desaparecer um pouco aquele estado de “deliberação permanente” que há num determinado tipo de sociedade limitada. Trata-se, no caso, das sociedades de grande proximidade, com poucos sócios que se dedicam diuturnamente à atividade empresária. Esses sócios não realizam reuniões formais de sócios e muito menos assembléias gerais. Os sócios encontram-se diariamente, trabalham em conjunto e vivem naquilo que poderia ser chamada assembléia geral ou reunião de sócios permanente. Uma segunda mudança diz respeito à periodicidade das reuniões e assembléias gerais. No regime anterior ao Código Civil de 2002 não havia uma periodicidade estabelecida. Os sócios podiam reunir-se a qualquer momento ou poderiam nunca se reunirem formalmente. O Código Civil de 2002, no art.1071, inc.I, criou a obrigação de pelo menos uma reunião anual para tomar as contas dos administradores e aprovar o balanço. Uma terceira mudança – e que talvez seja a mais importante – dizem respeito aos quoruns de deliberação. Anteriormente, as regras eram muito simples: As deliberações sociais – independentemente da matéria – eram tomadas pelo voto dos sócios que representavam cinqüenta por cento mais um do capital social. Após o Código Civil de 2002, as deliberações passam a ter uma multiplicidade de quoruns. Por exemplo, (i) quorum de cem por cento do capital social para designar o ad-

Basicamente as bem conhecidas e experimentadas disposições do código comercial de 1850 e do decreto 3708/19, disposições cuja longevidade é de salientar num país como o Brasil em que as leis são revogadas e novas leis são promulgadas a uma velocidade vertiginosa.
2

as sociedades anônimas e as sociedades em comandita por ações tiveram as suas regras preservadas, pois estão submetidas ao disposto na Lei 6404/76 os arts.1080 e 1090 do código civil estabeleceram a continuação da regência daquela lei especial.
3

FGV DIREITO RIO

16

o art.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa ministrador não sócio. Deste modo. produzidos após a vigência deste Código. as alterações do contrato social serão realizadas de acordo com os percentuais de deliberação estabelecidos no próprio Código Civil. por mais dois anos. quando o capital social ainda não estiver totalmente integralizado. incorporação e cisão da sociedade. Este prazo foi prorrogado para as sociedades por mais um ano e. mas por cabeça (em caso de empate de votos por correspondência ao capital social. a aplicação das novas regras às sociedades Em primeiro lugar. ao estabelecer os quoruns de deliberação faz sempre referência à totalidade do capital social e não à totalidade do capital social votante. Finalmente. (iv) quorum de dois terços do capital social para destituir o administrador que é sócio da sociedade e que foi nomeado administrador no contrato social. 2031 determina que as associações. a conclusão é clara: Existe uma diferença entre o regime anterior e o regime do novo Código Civil. a constituição do ato e os requisitos de validade para a constituição do ato são os da época em que o ato foi praticado.1076 do novo Código Civil é expressa. Houve também uma mudança no modo de desempate das deliberações sociais. o art.18 do decreto 3708. era escolhida por sorteio. na medida em que o Código Civil de 2002. pelo Código Civil de 2002. A conseqüência de todos estes dispositivos é que as novas regras (inclusive os percentuais de deliberação) aplicam-se às sociedades constituídas antes da entrada em vigor do FGV DIREITO RIO 17 . Em seguida. desde logo. No antigo regime o desempate era pela sorte.. (ii) por força do art.] mas os seus efeitos. no período de adaptação das sociedades ao novo Código Civil. era possível sustentar a existência de quotas preferenciais com fundamento em dois pontos: (i) o decreto 3708 não fazia menção à totalidade do capital social. Acresce que a enumeração dos quoruns de deliberação no art. é que a solução será dada por decisão judicial). a deliberação que prevalecia. em caso de empate. 2033 determina que as modificações dos atos constitutivos das sociedades regem-se. a partir da vigência do Código Civil para adaptar-se às disposições deste Código Civil. para as associações e fundações. Anteriormente. (iii) quorum de dois terços do capital social para nomear o administrador não sócio. aos preceitos dele se subordinam. ou seja. só se o empate persistir. os votos serão contados por número de sócios. quando o capital já está integralizado. foram extintas as quotas preferenciais sem direito a voto. [. Isto significa que.. dando cogência ao conteúdo deste artigo. as partes não têm mais a possibilidade de dispor sobre percentuais. (i) quorum de três quartos do capital social para alterar o contrato social e deliberar sobre transformação.]” Ou seja. Por outro lado. o artigo 2035 segundo o qual: “A validade dos negócios e demais atos jurídicos constituídos antes da entrada em vigor deste Código obedece ao disposto nas leis anteriores.. ao contrário do que era admitido no regime do Código Comercial de 1850 e do decreto 3708. Cabe então perguntar como é que se faz a transição entre estes dois regimes? Algumas pistas são dadas pelo próprio Código Civil. fusão. De acordo com o Código Civil de 2002. a sociedade por quotas de responsabilidade limitada podia adotar institutos próprios da sociedade anônima. Ou seja. sociedades e fundações constituídas na forma das leis anteriores terão prazo de um ano.. o desempate já não é mais pela sorte. tais como as ações preferenciais. [. Já os efeitos do ato após a entrada em vigor do novo Código Civil passam a ser os efeitos atribuídos pelo novo Código Civil.

constituído sobre a égide da lei anterior. inclusive quanto às deliberações que devem ocorrer para adaptar essas sociedades ao novo Código Civil. todos os que não aproveitaram o período da “vacatio legis” para modificar antecipadamente o contrato social. a alteração das regras societárias face ao ato jurídico perfeito e ao direito adquirido 3. Assim. concordar com a sua destituição). destituía gerentes. Deste modo. No dia da entrada em vigor do novo Código Civil de 2002. Este sócio. Deste modo. deliberava aumento do capital social e etc. tendo produzido seus efeitos sobre a égide dessa lei anterior. para criar algumas cláusulas e algumas alternativas que assegurassem o controle. o sócio titular de quotas representativas de cinqüenta por cento do capital social mais uma fração tinha assegurado o controle da sociedade. O impacto destas regras é enorme num determinado tipo de sociedade.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa Código Civil de 2002. Até janeiro de 2004. já não pode mais destituir um administrador (em especial. Com efeito. este sócio-administrador somente poderá ser destituído se ele. a constituição da sociedade rege-se pela lei em vigor ao tempo do ato constitutivo. dá ao seu titular o direito de exercê-lo em momento futuro. tem mais de 1/3 do capital social e tiver sido nomeado administrador no contrato social. nomeava gerentes. Os sócios controladores que não tomaram cuidado de alterar o contrato social antes da entrada em vigor do novo Código Civil.1 Argumentos a favor da não aplicação das novas regras Face a esta situação. já não pode mais alterar o contrato social. sozinho. O direito adquirido é aquele que. Este sócio alterava sozinho o contrato social. alterava o objeto social. perderam o controle da sociedade.3. os requisitos dos arts. ambos garantidos pela Constituição da República. Em virtude da regra do ato jurídico per- 4 Os sócios que tinham até cinqüenta por cento do capital social não tinham o controle da sociedade e os sócios que tinham mais de setenta e cinco por cento do capital social continuam a ter a maioria dos direitos de controle. 1054 e 997 relativos ao ato constitutivo de sociedades limitadas não se aplicam ao ato constitutivo de uma sociedade limitada constituída antes da entrada em vigor do novo Código Civil. mudava a sede da sociedade. Assim. sócio-administrador. cumpre examinar se a aplicação do Código Civil de 2002 às sociedades já existentes não viola o ato jurídico perfeito e o direito adquirido. a sociedade que mais sofreu com a entrada em vigor do novo Código Civil é aquela sociedade controlada por sócios titulares de quotas representativas entre cinqüenta a setenta e cinco por cento do capital social4. O ato jurídico perfeito pode ser definido como um ato consumado sob a égide da lei anterior. o ato de constituição das sociedades). se o administrador é também sócio. O ato jurídico perfeito é a regra que preserva os pressupostos de validade da constituição do ato (no caso das sociedades. com a entrada em vigor do novo Código Civil houve uma “usurpação” do controle das sociedades limitadas para todos os sócios que tinham entre cinqüenta a setenta e cinco por cento. neste caso. perderam o controle sobre a sociedade. este sócio – que havia adormecido na noite anterior como controlador da sociedade – acordou sem mais qualquer poder de controle sobre a sociedade. FGV DIREITO RIO 18 .

5. casados sob o regime de comunhão universal de bens. O segundo argumento é um importante acórdão do Supremo Tribunal Federal.5. essa sociedade poderia continuar a existir. Por um lado. inc. o ato jurídico perfeito e a coisa julgada”. A primeira é a da sociedade constituída – antes do novo Código Civil – entre marido e mulher. os direitos dos sócios perante a sociedade e os direitos dos sócios perante os outros sócios continuariam a ser regidos pelas normas anteriores ao novo Código Civil. A segunda situação é. aos efeitos de um contrato celebrado anteriormente a ela. apesar do art. da Constituição da República. em virtude do ato jurídico perfeito e do direito adquirido).ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa feito. todas as regras relativas aos direitos e deveres dos sócios. Assim. porque vai interferir na causa que é um ato ou fato ocorrido no passado). Ou seja.XXXVI. as regras substanciais não seriam modificadas pelo Código Civil de 2002. em 25/06/92. relativa aos quoruns de deliberação das sociedades limitadas no novo Código Civil. o ato constitutivo desta sociedade rege-se pelas regras anteriores (Código Comercial de 1850 e decreto 3708). é possível ir mais longe e distinguir entre as regras procedimentais (que seriam de aplicação imediata) e as regras substantivas (que tratam de direitos substanciais e que não seriam de aplicação imediata. o Supremo Tribunal Federal decidiu. Inclusive. essa lei será retroativa (ainda que seja um caso de retroatividade mínima. proferido na Ação Direta de Inconstitucionalidade 493/0 do Distrito Federal. inc. segundo o qual “a lei não prejudicará o direito adquirido. talvez as mais candentes com relação ao ato constitutivo. XXXVI. o regime de responsabilidade dos sócios perante terceiros. Por outro lado. os direitos dos sócios perante terceiros. Portanto. se a lei nova for aplicada aos efeitos futuros do contrato. inc. sem qualquer distinção entre norma de direito público (cogente) e norma de direito privado (eventualmente supletiva). seriam procedimentais as regras relativas à convocação dos sócios para as deliberações e as regras relativas às formalidades de tomada de posse dos administradores.XXXVI. Já a regra do direito adquirido determina que os efeitos futuros do contrato social regem-se também pela lei anterior ao novo Código Civil. Neste acórdão. estas regras do novo Código Civil aplicar-se-iam mesmo às sociedades constituídas no regime anterior. Portanto. precisamente. Por exemplo. que se a lei nova alcançar efeitos futuros de contratos celebrados anteriormente a ela. FGV DIREITO RIO 19 . Assim. Ou seja. este quoruns também deixariam de ser aplicados.5. Esta regra pode-se aplicar a duas situações. Na época em que a sociedade foi constituída. O disposto no art. os quoruns de deliberação seriam os da lei anterior. por maioria. a sociedade preenchia os requisitos de validade. No sentido de que o Código Civil de 2002 não se aplica às sociedades já existentes à época da sua entrada em vigor há dois fortes argumentos. essa lei nova passa a ter retroatividade. e essa retroatividade viola o art.997 do Código Civil proibir a sociedade entre cônjuges casados sob o regime da comunhão universal de bens. da Constituição aplica-se a toda e qualquer lei infraconstitucional. Na medida em que estes novos quoruns representam a aplicação de uma nova lei. da Constituição. o art.

de uma maneira pragmática. e na França não existia uma lei de sociedade por quotas. naquela região constituíram-se várias sociedades por quotas de responsabilidade. depois da primeira Guerra mundial. (v) portanto. conforme demonstram os exemplos a seguir: • Seria possível invocar o direito adquirido para permitir que a sociedade continuasse a exercer uma atividade prevista no seu objeto social (portanto uma cláusula contratual). pois não há sentido considerar uma atividade ilícita e permitir que a mesma continue a ser exercida. isto é.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa 3. Uma primeira oportunidade foi no Recurso Extraordinário nr. de 31 de agosto de 2000.137. da Constituição. antes da primeira Guerra mundial.3. O mesmo Supremo Tribunal Federal já disso. a alsácia-Lorena era parte da alemanha e na alemanha já existia uma lei criando as sociedades por quotas de responsabilidade limitada. 105. no acórdão proferido no Recurso Especial No. um caso prático. assim é de aplicar-se a ele a firme jurisprudência desta corte no sentido de que não há direito adquirido a regime jurídico”. a mesma deve continuar a existir. prevista no Código Comercial. efeitos futuros de situações pretéritas. Face a estes dois acórdãos do Supremo Tribunal Federal.855. (ii) o exercício dessa atividade decorre de uma cláusula contratual fundamental. poderiam os sócios arguir que: (i) o contrato social contém esse objeto social.2 Argumentos a favor da aplicação das novas regras No entanto. que o direito adquirido não é absoluto e que há possibilidade de se aplicar uma lei nova a situações pretéritas. a propósito de contribuições previdenciárias e de benefícios previdenciários. já iniciada no mo- Este é um problema que não é unicamente brasileiro. inclusive. a sociedade e os sócios têm o direito adquirido à continuação do exercício dessa atividade? • Outro exemplo: Se for suprimido um tipo societário.5. quando tal atividade se tornasse proibida por lei? • Se o Estado promulga uma lei segundo a qual determinada atividade não pode mais ser exercida no Brasil. inc. talvez caiba minimizar a aplicação do art. vejamos: A sociedade de capital e indústria. por força do ato jurídico perfeito e do direito adquirido? • Há. 5 FGV DIREITO RIO 20 . mas sim estatutária por decorrer de lei e por ela ser disciplinado. a favor da aplicação do Código Civil de 2002 às sociedades existentes à época da sua entrada em vigor. ou seja.2034 do novo Código Civil determina que a liquidação das pessoas jurídicas. Por outro lado. foi abolida pelo novo Código Civil. o cruzeiro velho ou a indexação pelo salário mínimo. Se as regras procedimentais do novo Código Civil aplicam-se imediatamente – conforme visto acima – por que razão o art. (iii) a sociedade foi constituída para o exercício dessa atividade. a propósito da correção e ao expurgo da correção monetária do FGTS. XXXVI. as sociedades por quotas de responsabilidade limitada foram introduzidas na França. com fundamento no direito adquirido. ao contrário do que sucede com a caderneta de poupança não tem natureza contratual. seja ele o mil réis. 226. surge uma outra questão curiosa. em diferentes oportunidades. será que os sócios podem sustentar que tendo a sociedade se constituído sob o regime da lei anterior. onde por acórdão datado de 31 de maio de 1985. o pagamento se fará sempre na moeda definida pela lei no dia de pagamento”. tendo então sido promulgada uma lei francesa de sociedade por quotas para resolver o problema. por causa da alsácia-Lorena. é possível argumentar em sentido contrário. conseqüentemente. As sociedades de capital e indústria anteriores podem continuar a existir ou devem ser dissolvidas ou transformadas em um dos tipos previstos no novo Código Civil5? A resposta parece ser negativa. Recentemente. a alsácia-Lorena foi incorporada à França no final da primeira Guerra mundial. o Supremo Tribunal Federal disse que: “não há direito adquirido a um determinado padrão monetário pretérito. (iv) o exercício dessa atividade era legal no momento da constituição da sociedade. o Supremo Tribunal Federal disse o seguinte: “O FGTS.

produzidos após a vigência deste Código.2035 do novo Código Civil. é possível afirmar que. Ou seja. E primeiro lugar.. Deste modo. porque ele não modifica os direitos dos sócios. O primeiro argumento é que é possível aplicar o novo Código Civil porque o novo Código Civil expressamente menciona a sua aplicação. regime jurídico esse que era garantido pelo Código Comercial de 1850 e pelo decreto 3708. Conseqüentemente. A conseqüência do Código Civil de 2002 é que o direito de voto será exercido de acordo com um novo quadro legislativo. mas apenas as modalidades do exercício do direito dos sócios. os sócios haviam seguido um determinado regime jurídico para as sociedades por quotas de responsabilidade limitada. O segundo ponto é que nem os sócios nem as sociedades têm direito. [. ainda. Não existe nenhum dispositivo que prive o sócio do direito de voto nas deliberações sociais. à nova lei. Há. O segundo argumento – também de ordem prática – é que quando a Lei 6404/76 que reformou integralmente as regras sobre sociedades anônimas entrou em vigor. Uma exceção a aplicação imediata do novo Código Civil esta prevista no final do art. constituídos antes da entrada em vigor deste Código. isto é. O primeiro é que o novo Código Civil deve aplicar-se imediatamente às sociedades já existentes. pelo que os sócios e as sociedades têm que se adaptar a esse novo regime jurídico. obedece ao disposto nas leis anteriores.2035. quais os efeitos daquele direito de voto e quais são as modalidades do exercício desse direito de voto. segundo o qual “A validade dos negócios e demais atos jurídicos. dois argumentos de ordem jurídica). o sócio tem o direito de voto e continua tendo direito de voto no novo Código Civil. propriamente. como já afirmou o Supremo Tribunal Federal a propósito do FGTS.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa mento da entrada do novo Código Civil. os sócios inseriram no contrato uma cláusula específica prevendo a execução do direito de voto. é possível sustentar que os quoruns de deliberação FGV DIREITO RIO 21 . E essa adequação foi realizada. há alguns bons argumentos a favor da aplicação do Código Civil de 2002 às sociedades anteriormente constituídas e a favor da necessidade dessa adaptação dos contratos sociais destas sociedades. em razão da parte final do art. se o contrato social contém uma cláusula indicando que as deliberações dos sócios devem ser tomadas por um determinado percentual do capital social. salvo se houver sido prevista pelas partes determinada forma de execução”. esse regime jurídico foi alterado pelo novo Código Civil. se o contrato social contiver cláusula neste sentido.] mas os seus efeitos. aos preceitos dele se subordinam. dois argumentos de ordem prática (e não. Na verdade. outros pontos que merecem alguma reflexão. faz-se sob o regime da lei anterior e não sob o regime do novo Código? Face a estes diversos exemplos. sem que obstáculos fossem suscitados. não obstante os direitos adquiridos. neste caso concreto. Neste termos. Todavia. a um regime jurídico. como o direito de voto vai ser manifestado. Assim. as disposições transitórias também determinavam a adequação dos estatutos das sociedades anônimas então existentes.. conclui-se que não é possível ir tão longe a ponto de dizer que – apoiadas no ato jurídico perfeito e no direito adquirido – as sociedades podem continuar a atuar sob o regime jurídico anterior e que não é preciso fazer a adaptação dos contratos sociais. desaparece um regime jurídico e surge um outro regime jurídico. no prazo de um ano. dentro das novas disposições legais.

pois esta regra.15 do decreto 3708. Ou seja. a sociedade torna-se uma sociedade em comum. parece não valer a pena correr o risco de a sociedade regular ser transformada em sociedade comum. uma vez que o registro da sociedade perde a sua validade e um registro não válido equivale a um registro inexistente. com algumas conseqüências importantes como a responsabilidade solidária e ilimitada dos sócios.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa do novo Código Civil não se aplicam à sociedade. A sociedade passa então a reger-se pelos arts. e não obstante as diversas considerações apresentadas. Entretanto. os sócios passam a responder perante terceiros ilimitadamente e solidariamente pelas dívidas da sociedade. a prática demonstra que a maioria dos contratos sociais não contém cláusula relativa às deliberações. Sendo esta a conseqüência. estava determinada no art. Neste caso. FGV DIREITO RIO 22 .986 a 990 do novo Código Civil. porque o contrato social contém uma cláusula determinando que as deliberações sejam tomadas pelo voto dos sócios titulares da maioria do capital social. ainda que indiretamente. a situação da sociedade que não se adaptou ao Código Civil de 2002 Para finalizar cabe agora examinar o que acontece à sociedade que não adaptou o seu contrato social ao novo Código Civil.

estratégias de marketing. – Qual será o público alvo e como conquistar o mercado? Permite conhecer e entender as necessidades dos clientes. por exemplo: – Qual atividade que os sócios gostariam de desenvolver? – Qual a experiência e conhecimento sobre a atividade que os sócios têm? Compreender os fatores externos e internos que afetam (ou poderão afetar) diretamente o desempenho da sociedade é muito importante para o sucesso do negócio. diminuindo os riscos do insucesso. Daremos enfoque na análise prévia e planejamento adequado antes da constituição de uma sociedade. O passo a passo para a elaboração do plano de negócios pode ser encontrado no link: http://www. com eficiência e eficácia. – Texto I: Lei não prevê permanência de herdeiros nas Limitadas. – Texto II: Família é uma coisa. Recomenda-se que os sócios busquem informações relevantes do seu negócio em jornais. – Cláusulas obrigatórias e facultativas. – Orientação para elaboração do contrato social: Providências preliminares. planejamento financeiro e tudo mais que for relevante para iniciar um negócio específico ou ampliar um já existente. Algumas perguntas22 são fundamentais na hora de elaborar o Plano de Negócios. os sócios terão a idéia de negócio devidamente analisada. que tem no contrato social o instrumento que representa o entendimento dos sócios quanto aos seus direitos e deveres com vistas à realização do objeto social. adaptadas e modificadas conforme a realidade do negócio. roteiro de auLa: O Plano de Negócios21 é um documento que visa transformar idéias em situações concretas.com.aspx 21 as perguntas deverão ser criadas. Nele estarão registrados o objetivo do negócio. antes da elaboração do contrato social. oferecer o produto ou serviço certo no momento propício e bem atendê-los após a venda. – Onde abrir o negócio e qual o espaço necessário? Os sócios terão uma noção prévia do funcionamento do negócio do ponto de vista mercadológico e saberão quais exigências terão que atender para a sua instalação. Esse levantamento torna possível gerar um diferencial competitivo. público alvo. empresa é outra. ementário de temas: – Elaboração do “Plano de Negócio”. 22 FGV DIREITO RIO 23 . – Regência supletiva pelas normas das sociedades por ações. riscos. Ao optar pela elaboração de um Plano de Negócio. seja por meio da atividade individual ou coletiva. sebraesp. sindicatos e outras entidades setoriais.br/principal/ abrindo%20seu%20negócio/or ientaçõescriação%20de%20em presas/passos_elaboracao_plano_negocio.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa AUlAS 02. revistas e publicações profissionais/técnicas. 03 E 04: REUNIÃO COM ClIENtE PARA ElAbORAÇÃO DO CONtRAtO SOCIAl Nas aulas seguintes aprenderemos sobre a importância da orientação empresarial através do fornecimento de princípios básicos para quem pretende montar um negócio.

Quais são os fatores críticos de sucesso do negócio? Quanto e que tipo de recursos será necessário para o empreendimento? Não existem limites ou regras para o valor que deve ser utilizado de capital próprio para investimentos. nº do CPF. a taxa de rentabilidade do investimento é calculada da seguinte forma: Lucro Líquido dividido pelo Investimento.00 prazo de retorno: 40 meses Fonte: www.503/9728). Unidade Federativa e CEP). forma de arrumação de produtos nas prateleiras e/ou divulgação do serviço etc. mais os aumentos (aporte) de capital adicional. cada qual com as críticas cabíveis26. pela mãe ou tutor. mesmo. 25 26 27 Fonte: www.htm 23 orientação para elaboração de contrato de sociedade Limitada. bairro/distrito. A partir dos itens elencados pelo Departamento Nacional de Registro do Comércio. Disponível em: http://www2. acabamento.br/canalexecutivo/artigosc.gov. sempre é bom avaliar bem as alternativas. atentando para qualidade.br O art. constar também do preâmbulo a expressão “ASSISTIDO POR”.000. constar também do preâmbulo a expressão “REPRESENTADO POR” e a qualificação completa dos representantes. Exemplo: Lucro Líquido mensal: R$ 2. 1.000. ou seja.dnrc. 977 do código civil de 2002 trouxe uma vedação quanto à convivência da affectio societatis e da affectio maritalis quando nesta última os cônjuges forem casados sob o regime de comunhão universal de bens (art. pois não precisa ser profissional experiente para tanto25. seu número. profissão.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa – – – – – “através de ações dirigidas. data de nascimento (se solteiro). pela mãe ou tutor. carlos pougy. o “passo a passo” para a abertura de uma sociedade. que veremos a seguir.23 Escolha de fornecedores e pesquisa de concorrentes? Identificar quantos concorrentes estão oferecendo o mesmo produto e/ou serviço. qualidade no atendimento. deve levar em consideração àqueles que permitam sempre melhores margens de ganho. 1.667) ou sob o regime de separação obrigatória de bens (art. domicílio e residência (tipo e nome do logradouro.687). 1. e a qualificação completa do(s) assistente(s). Estadual ou Federal). consultor de marketing.690. naturalidade. O cliente deve ser orientado para preparar um Plano de Negócios e de como fazê-lo. na aula 02. para um consumidor individualmente”. 1.00 Investimento total: R$ 80. – solteiro menor de 18 anos: (art. A escolha de recursos próprios e de terceiros. Qual a previsão de retorno para o investimento? O principal indicador para acompanhar a viabilidade do negócio é o retorno do investimento. Ao apresentar o Plano de Negócios. o cliente contribuirá para a excelência na elaboração do contrato social além de dispor de um documento que o ajudará a acompanhar a evolução do seu negócio. do CC/2002) PESSOA FÍSICA (rectius NATURAL): nome completo. regime de bens (se casado).uol. seja o capital social inicial. nacionalidade.000. Carteira Nacional de Habilitação – modelo com base na Lei nº 9.00 Taxa de rentabilidade: 2. se existem linhas de crédito e incentivos (Municipal. Exemplo: Investimento total: R$ 80. em aula.com. facilidade de acesso. documento de identidade. – menor de 16 anos – deve ser representado pelo pai. já estudamos. preço. município. I. estado civil27. analisaremos. carteira de identidade profissional. Mensalmente.sebraesp. Qualificação completa dos sócios: (art. certificado de reservista. a oferta de produtos e de serviços para nichos específicos de mercado ou. parte do investimento deve ser “devolvida” e essa devolução acontece quando a sociedade gera o lucro. órgão expedidor e UF onde foi emitida (documentos válidos como identidade: carteira de identidade.5 % ao mês O prazo de retorno do investimento realizado é calculado da seguinte forma: Investimento dividido pelo Lucro Líquido. 28 código de Trânsito Brasileiro.br 24 as instruções estão disponíveis no site do sEBRaE. CC/2002): – maior de 16 anos – deve ser assistido pelo pai.24 Qual a documentação necessária? Além do contrato social.000. como calcular o Retorno do Investimento? Investimento é todo o capital aplicado na empresa. número. Carteira de Trabalho e Previdência Social. 997. mais os lucros reinvestidos na sociedade.com.00 Lucro Líquido mensal: R$ 2. FGV DIREITO RIO 24 .

Capital social (art. (art. após o nome e qualificação completa do sócio: “REPRESENTADO POR SEU PROCURADOR. – sociedade limitada. 997. CC/2002) a) indicação numérica e por extenso do total do capital social.884/9430).158. I da Lei nº 8. b) mencionar o valor nominal de cada quota. CC/2002) – sócio domiciliado no exterior: nomear procurador no Brasil. 9º) Obs. Indicação do tipo jurídico da sociedade. 2. VI – o prazo de duração da sociedade. a prova da emancipação (art. CC/2002) Tipo e nome do logradouro. por exemplo). fusão. II – o capital de cada sócio e a forma e prazo de sua realização. transformação. do CC/2002). art. por instrumento público. 997. 997. incorporação ou agrupamento de empresas. – sociedade em comandita simples. Sócio Analfabeto: também o nome e a qualificação completa do procurador constituído. feita antes o registro no Registro Público no caso de outorga pelos pais ou por sentença. Nome empresarial: (art. 5. com poderes específicos. – sociedade em comandita por ações. 976. bem como quaisquer alterações. endereço completo da sede. IV – o local da sede e respectivo endereço. 29 30 Lei que trata da prevenção e da repressão às infrações contra a ordem econômica e transformou o conselho administrativo de Defesa Econômica – caDE em autarquia. 3. V – os nomes dos diretores por extenso e respectiva qualificação. CC/2002) Diz respeito à atividade que será desenvolvida. que deverá ser obedecido. roupas infantis. qualificação completa dos representantes da empresa no ato. inclusive das filiais declaradas. (art.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa – se emancipado (maior 16 anos) constar da qualificação a forma da emancipação. município. (art. – a composição do nome deve observar as regras gerais e as próprias do tipo escolhido (firma social ou denominação). Objeto social: (art. UF e CEP. 4. – procurador: constar do preâmbulo. VII – o número. CC/2002) – não pode conter as expressões “ME” ou “EPP”. 997. as juntas comerciais ou órgãos correspondentes nos Estados não poderão arquivar quaisquer atos relativos à constituição. arquivando. juntado ao processo o respectivo instrumento de mandato”. em separado. PESSOA JURÍDICA: nome empresarial. – não pode ser idêntico ou semelhante a nome já protegido isto é. e se sediada no Brasil. NIRE (número de identificação do registro de empresas) ou número atribuído no Cartório de Registro Civil das Pessoas Jurídicas e o nº do CNPJ (Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas). III – o nome por extenso e qualificação de cada um dos sócios acionistas. espécie e valor das ações. O Código Civil apresenta um rol. complemento. número. comércio ou serviços) e espécie (calçados. anteriormente registrado. sem que dos mesmos conste: I – a declaração precisa e detalhada do seu objeto. 56. NOME E QUALIFICAÇÃO COMPLETA. escolhendo-se o tipo societário que melhor se apresenta para a situação de fato: – sociedade simples. taxativo. III e IV. 5629. – sociedade em nome coletivo. limpeza. 1. que pode ter valor desigual. – sociedade anônima. II e art. II. Endereço comercial da sede e de filiais declaradas: (art. bairro/distrito. I. FGV DIREITO RIO 25 . mencionando gênero (indústria. 6. devendo conter sua declaração precisa e detalhada. com poderes para receber citação. II. nos respectivos atos constitutivos. 997.

para terceiros que contratarem com a sociedade. caracterizando uma sociedade de capital. suas atribuições e limites de poderes. Na falta de um dos sócios (seja pela interdição ou pelo falecimento). 1. Indicar o prazo de gestão. CC/2002) c) sócio menor – somente se emancipado. se o capital não estiver integralizado e de no mínimo dois terços. definir um percentual limite de sócios que deverão anuir com o ato de cessão. se a intenção dos sócios for constituir uma sociedade onde a pessoa do sócio não tem relevância para sua formação. 31 O administrador não sócio. apesar de redundante. Administração: (art. Falecimento/interdição de sócio. número de matrícula no Registro de Imóveis e autorização do cônjuge no instrumento contratual com a referência pertinente. (art. d) estrangeiro.003 e 1. apresentar a carteira de identidade com o visto permanente.063 e 1.028 e 1. além da permissão para usar o nome empresarial. CC/2002) Indicar o prazo de duração indeterminado ou determinado (neste caso indicar o início e o fim da sociedade). CC/2002) A responsabilidade dos sócios. poderão estabelecer que a transferência das quotas se dará independentemente da vontade dos sócios ou.056. 8.062. 997. o ingresso de herdeiros poderá acontecer se não houver cláusula contratual que impeça. sob pena da nomeação perder a validade (art. art. designado em ato separado. 1. se determinado. FGV DIREITO RIO 26 . da mesma forma. deverá firmar termo de posse no livro de ata da administração. sua área.031. os herdeiros desconhecem ou não estão interessados e assumem o negócio gerando confusão e prejuízo. De outra forma. 1. não admitindo a transferência das quotas àquele estranho à sociedade (exceto se houver unanimidade dos sócios autorizando-a no instrumento de cessão). 1. deve ser mencionada no contrato social para um melhor esclarecimento e conhecimento de todos os sócios que da sociedade façam parte e. Muitas vezes. Responsabilidade dos sócios: (art. pois a responsabilidade dos sócios decorre do texto legal. 1. (artigos 1. e. o capital deverá estar totalmente integralizado. a sociedade tem que continuar. 7. art. 11. Dependerá de aprovação unânime dos sócios. art. poderão estabelecer no contrato social vedação ao ingresso de terceiros. para representar a sociedade.062). 9. d) declarar a forma e o prazo de integralização do capital. salvo se o regime de bens for o de separação absoluta. 1. se totalmente integralizado. CC/2002) Eis um dos casos que denotam a importância da cláusula que dispõe sobre a cessão de quotas.061.061. dados relativos a sua titulação. seguindo a orientação do Código Civil. (artigos 1. e) se houver sócio menor. caso não se ajuste esta indicação em ato separado31. f ) integralização com bem imóvel: descrição e identificação do imóvel.052. b) O contrato pode estabelecer a designação de administrador NÃO sócio. 10. VI. ou seja.060. II. 997. no prazo de até 30 dias da data de sua designação. 1. CC/2002) Optando os sócios por garantir à sociedade característica típica “de pessoas”.064 todos do CC/2002) a) Designar pessoa(s) naturais.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa c) mencionar o total de quota(s) de cada sócio. Prazo de duração da sociedade: (art. Cessão de quotas.

(art. art. Local e data (dia. CC/2002). até trinta dias antes da reunião ou da assembléia de sócios.2. CC/2002). a não inclusão destas em nada impede o arquivamento do contrato social no registro competente. no entanto. não podem ser arquivados: (. com endereço completo. art. Assinatura dos sócios ou dos seus procuradores no fecho do contrato social. 18. 53.. se deles não constarem os seguintes requisitos. g) exclusão de sócios por justa causa40. ao abranger as cláusulas que determinam as matérias contratadas pelos sócios livremente e que irão adequar a sociedade de acordo com suas particularidades. Lei 9. 1. c) previsão de regência supletiva da sociedade pelas normas da sociedade anônima36.800/96) OU cláusula compromissória elegendo a Arbitragem para dirimir litígios relativos a direitos patrimoniais disponíveis (art. CC/2002) e a referência ao julgamento das contas no primeiro quadrimestre seguinte ao término do exercício social pelos sócios (art. III. 1.. 1. Obs: sócio menor de 16 anos.. o ato será assinado pelo representante do sócio. e32. 853.307/96 e art. seguindo à risca o princípio constitucional da livre iniciativa33. 1. notadamente às normas do Direito das Obrigações. pelo sócio e seu assistente. 17. o ato será assinado. Cláusula de inexistência de impedimento para o(s) administrador(es) se não apresentada esta declaração em separado. 1. em destaque o Direito dos Contratos. art. 1. (art. mês e ano).27 do manual de atos de Registro de sociedade Limitada. – sócio maior de 16 e menor de 18 anos. Como cláusulas facultativas. art. Orientação do item 1. 32 art. Os exemplos acima não esgotam o ajuste de outras cláusulas que podem ser adicionadas ao contrato social. do Dec. 997. conjuntamente.061. art.) e) o nome empresarial. 1013. sendo vedada a atribuição da totalidade a apenas um deles. parágrafo único. desde que submetam-se aos princípios gerais de Direito. É da essência do ato de constituição de sociedade empresária a participação nos lucros e nas perdas por cada um dos sócios. 34 35 36 37 38 39 40 41 art.066.031.) III – os atos constitutivos e os de transformação de sociedades mercantis. e foro. FGV DIREITO RIO 27 .) 33 artigos 1º. CC/2002) e à colocação destes documentos à disposição dos sócios não administradores. com a reprodução de seus nomes. CC/2002). 53. DEVERÁ a Junta Comercial EXIGIR o RECONHECIMENTO DE FIRMA (Lei no 9. d) autorização para que a pessoa não sócia exerça a função de administrador37. Na dúvida quanto à veracidade da assinatura aposta. 15. 1. além de outros exigidos em lei: (. 1o. b) regras acerca da administração da sociedade35. Não é necessário o reconhecimento das firmas dos sócios41. 1. (..085.072.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa 12. 14.011.065. bem como os endereços completos das filiais declaradas.784/99). f ) regras referentes às reuniões de sócios39. IV e 170 da constituição Federal de 1988. § 1º. para a elaboração do inventário. do balanço patrimonial e do balanço do resultado econômico (art. 1. Vll. art.078. Participação dos sócios nos lucros e perdas: indicação da participação proporcional dos sócios nos lucros se outro ajuste não for estipulado. (art. Foro: indicar o domicílio onde se exercitem e cumpram os direitos e obrigações deles resultantes. aprovado pela In 98/2003 (DnRc). 1. Data de encerramento do exercício social: indicar a data do término de cada exercício... o município da sede. elas são a verdadeira expressão da vontade dos sócios. 1.078. Eis alguns exemplos de cláusulas facultativas: a) conseqüências em caso de retirada ou exclusão de sócio34. 13. 16. pelo fato de não serem obrigatórias. CC/2002). Inserir cláusulas facultativas desejadas.053. e) instituição de conselho fiscal38. (art.

A Assembléia de Sócios e o Conselho Fiscal são exemplos de institutos e estruturas que aparecem igualmente nas Limitadas e nas Anônimas. pois. ao asseverar que o método é “supletivo”. 9º. 20.. algumas críticas são feitas. § 2º42. entretanto.1º.2. Diante desta opção.) Lei de Registro público de Empresas mercantis e atividades afins. (. 1053. emendas ou entrelinhas sem expressa ressalva dos sócios. Nos demais casos. sob pena de nulidade. 21. alguns enunciados aprovados na III Jornada de Direito Civil estabelecem que: Enunciado 21749: Com a regência supletiva da sociedade limitada pela lei das sociedades por ações. 187 (abuso do direito). entre eles a aplicação das normas da sociedade simples (arts. poderão ser lançadas com indicação do nome do signatário. Assinatura das testemunhas: Não são obrigatórias as assinaturas das testemunhas.404/76 e não pelas regras das sociedades simples.. aplica-se o disposto no art. aplicar-se-á o disposto no art.ú. 45 46 nova Lei do simples.(. § 3º.906. 42 art. 9º. de forma sistêmica. eventual omissão própria do capítulo das Limitadas. 1º.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa 19. para resolvê-lo aplicarse-ão as normas da sociedade simples previstas no Código Civil ou da Lei 6. da Lei Complementar 123/200645). da Lei nº 8.. com a indicação do nome e do número de inscrição na OAB/Seccional (o visto é dispensado para o contrato social de microempresa e de empresa de pequeno porte). o sócio que participar de deliberação na qual tenha interesse em contrário ao da sociedade. se o voto não tiver prevalecido.. A justificativa para este posicionamento encontra-se nos pontos de afinidade entre a sociedade limitada e a sociedade anônima. quando visados por advogados.) 43 44 Estatuto da advocacia.010. (art. a subsidiariedade. art. Seu ato constitutivo é arquivado no Registro Civil de Pessoas Jurídicas enquanto que a Limitada tem o ato constitutivo registrado na Junta Comercial. e até mesmo aconselhável..(. 997 a 1038) e da Lei da Sociedade por Ações (Lei n° 6.053 do CC. ainda.052 a 1. só podem ser admitidos a registro. os sócios poderão adequar o contrato social e.27. que o contrato preveja a aplicação supletiva de algumas regras próprias das sociedades simples e outras das sociedades anônimas. segurança e eficácia aos atos jurídicos das empresas mercantis. inciso I46. publicidade. É possível. 48 autores: alexandre Ferreira de assumpção alves e maurício moreira mendonça de menezes. Rubricar as demais folhas não assinadas. que.. são atividades privativas de advocacia: (. será exercido em todo o território nacional.934/9447). § 3º da Lei 6. 47 Orientação do item 1. e do número de identidade.404/76. 49 FGV DIREITO RIO 28 . com as seguintes finalidades: I – dar garantia. (art.087) que tratam da sociedade do tipo Limitada. 1º. 1. embora a sociedade simples tenha natureza contratual. se o voto proferido foi decisivo para a aprovação da deliberação. regência supletiva pelas normas das sociedades por ações Os 35 artigos (1. 1. quando prevê a possibilidade da regência supletiva pela Lei 6. quando o “assunto” não estiver previsto nos artigos que integram o capítulo das Limitadas e o contrato social for omisso. O parágrafo único do art. ou o art. Observação: o documento não pode conter rasuras.. art. 115. afastando. de 4 de julho de 1994. permite uma saída para os sócios afastarem a aplicação supletiva das normas da sociedade simples. professores uERj.1 do manual de atos de Registro de sociedade Limitada.) § 2º não se aplica às microempresas e às empresas de pequeno porte o disposto no § 2º do art.) § 2º Os atos e contratos constitutivos de pessoas jurídicas. Visto de advogado: visto/assinatura de advogado.404/76. por extenso. órgão expedidor e UF48. por órgãos federais e estaduais. assim. parágrafo 2º44. aprovado pela In 98/2003 (DnRc). A propósito do tema. submetidos a registro na forma desta lei.404/76) à sociedade limitada em caso de omissão. A possibilidade é clara na redação do p. 1º da Lei nº 8. A aplicação de um ou outro diploma legal dependerá da vontade dos sócios que será reduzida a termo no contrato social.. será suprida pela Lei 6. 1º O Registro público de Empresas mercantis e atividades afins.906/9443 e art.404/76. em seus dispositivos abrangem vários temas. subordinado às normas gerais prescritas nesta lei. autenticidade. ela não é empresarial e a responsabilidade dos sócios é ilimitada. Assim. Lei 8. do art. nos órgãos competentes. No caso da regência supletiva pelas normas da sociedade simples. de forma legível.

na ausência das normas sobre sociedades limitadas. ainda que as quotas da sociedade sejam objeto da partilha judicial. impõe-se a dissolução da sociedade com a designação do liquidante. jul. juiz Federal sj/Rj. 1. Um grupo de 10 pessoas da mesma família decide constituir uma sociedade com as seguintes características. HAVIDOS EM FRAUDE À MEAÇÃO. Diante do caso: 1. indique o tipo societário. COMPETÊNCIA DO JUÍZO DE FAMÍLIA PARA APRECIAR A QUESTÃO. como uma forma de evitar conflitos familiares. não se aplica a sociedade limitada na hipótese de regência supletiva pelas regras das sociedades simples. INDEPENDE DE DILAÇÃO PROBATÓRIA. professor Titular da uFpR.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa Enunciado 22250: O artigo 997. Des. TJ/RJ.03. Enunciado 22351: O parágrafo único do art.º 2004. HOMOLOGAÇÃO DO ESBOÇO DE PARTILHA. – ter os mecanismos de funcionamento dos conselhos fiscal e de administração.404/76 ou do disposto sobre a sociedade simples. INVENTÁRIO DE BENS POR SEPARAÇÃO JUDICIAL. HOMOLOGAÇÃO DO ESBOÇO DE PARTILHA. 2. José Geraldo Antonio. RESGUARDADA A MEAÇÃO DA EX-MULHER POR MEDIDA ACAUTELATÓRIA DE SEPARAÇÃO DE CORPOS E ARROLAMENTO DE BENS. A ex-mulher não tem legitimidade para ingressar na ação de dissolução de sociedade da qual era sócio o seu ex-marido.03051. por não ser ela sócia.2004). 10ª Câmara Cível. ALIENAÇÃO FRAUDULENTA DE AÇÕES ORDINÁRIAS NOMINATIVAS DA EMPRESA APÓS SEPARAÇÃO DE FATO. (grifo nosso) (Apelação Cível n. Caso gerador. existe alguma cláusula especial que deva ser inserida no contrato social? JurisprudênCia. DIVERGÊNCIA. autor: alcir Luiz coelho. REGIME DE COMUNHÃO UNIVERSAL DE BENS. – obrigatoriedade de distribuição do lucro aos sócios. O contrato social pode adotar. 23. 51 FGV DIREITO RIO 29 . Demonstrada a quebra da affectio societatis. Improvimento dos recursos. V. AÇÃO DE PARTILHA JUDICIAL POR DISSOLUÇÃO DA SOCIEDADE CONJUGAL. QUE APESAR DE CERCADA POR CONTROVÉRSIA JURÍDICA. entre outras: – restrição à cessão de quotas. DECLARAÇÃO DE INEFICÁCIA DOS NEGÓCIOS JURÍDICOS SUBJACENTES À SEPARAÇÃO DO CASAL.053 não significa a aplicação em bloco da Lei 6. DIREITO COMERCIAL – DISSOLUÇÃO DE SOCIEDADE POR QUOTAS DE RESPONSABILIDADE LIMITADA – QUEBRA DA AFFECTIO SOCIETATIS – RECURSO DO EX-CÔNJUGE COMO TERCEIRA INTERESSADA – ILEGITIMIDADE. 50 autor: alfredo de assis Gonçalves neto. PROCESSO CIVIL.001. tanto as regras das sociedades simples quanto as das sociedades anônimas.

em face da preclusão pro judicato. após sua morte. o julgador deve ser preocupar em trilhar “caminhos para se chegar a decisões que fujam ao ‘faz de conta’. seus herdeiros continuem nos negócios”. que muitas vezes possuem um patrimônio Fonte: GazETa mERcanTIL de 12/04/04. apesar de não mais se referir a “executado”. 2ª Turma Cível do Tribunal de Justiça do Distrito Federal. para deixar a decisão sobre sua ad-missão a critério dos sócios remanescentes.várias as formas através das quais se pode prejudicar o cônjuge ou a companheira com atos praticados sob o manto pseudo-protetivo da empresa”.028 do novo diploma legal estabelece que se o contrato nada dispuser sobre a sucessão do sócio falecido. não podendo ser interpretado ampliativamente para alcançar a execução de toda ordem emanada do poder judiciário. É o que afirma a ad-vogada Fabiana Seccomandi Anitablian do escritório Braga&Marafon Consultores e Advogados. mas tão somente aquelas derivadas nas ações de execução estrito sensu. Entretanto. Segundo ela a “regra legal não é conveniente para a grande maioria das empresas. Decisão: DAR PARCIAL PROVIMENTO A AMBOS OS RECURSOS. “No silêncio do contrato. podendo ser suscitada e discutida a qualquer tempo e grau de jurisdição. III – a sanção prevista no art. o artigo 1. assevera a especialista. tem seu campo de incidência nas ações de execução. “A questão surge se o sócio pretende que. desde que não seja renovada perante o mesmo grau de jurisdição. “O contrato social deve ser cuidadosamente redigido no que diz respeito à situação dos herdeiros na sociedade. seja para dispor sobre o ingresso automático dos mesmos. NANCY ANDRIGHI em 18/10/1999). 52 FGV DIREITO RIO 30 . a18. ou qualquer outra alternativa que melhor reflita e atenda aos interesses da sociedade e seus sócios”. p. mas solução de natureza doutrinária e jurisprudencial. por: Gláucia de abreu andrade/são paulo. Muito tem se falado a respeito das alterações nos contratos sociais que o novo Código Civil (NCC) determinou. em geral. a exemplo da ação de inventário por separação judicial combinada com partilha. e comportando incidente processual quanto aos efeitos jurídicos dos negócios entabulados pelo cônjuge varão à revelia da cônjuge virago. que não é matéria fática de alta indagação. suas quotas serão liquidadas e os respectivos valores pagos aos herdeiros. Segundo ela. por ato atentatório à dignidade da justiça.. 600 do código de processo civil. diz a advogada. II – a competência em razão da matéria é pressuposto de validade da relação processual. texto i: Lei não prevê permanência de herdeiros nas Limitadas52 Cláusula no contrato da sociedade tem que contemplar sucessores. no caso de liquidação das quotas do sócio falecido.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa I – a ação de inventário por separação judicial é o leito próprio para apreciação de questões jurídicas surgidas após a separação de fato do casal.. (grifo nosso) (APC-5246299/DF. UNÂNIME. diz. Outro ponto importante ressaltado por Fabiana diz respeito ao critério de apuração do valor a ser pago aos herdeiros. o valor deve ser calculado tomando por base a situação patrimonial da sociedade e pago em dinheiro no prazo de 90 dias”. a questão dos herdeiros nas sociedades limitadas foi esquecida. IV – por serem “. mas sim a “devedor”. Relatora: DES. admitindo a discussão de prova documental a respeito de fatos incontroversos. Para Fabiana “o contrato social deve ter cláusula expressa prevendo o ingresso dos herdeiros na sociedade”. REJEITADAS AS PRELIMINARES À UNANIMIDADE”. de ordem pública.

” “O levantamento do valor das quotas não pode ser feito pelo valor nominal para que não haja enriquecimento indevido dos só-cios remanescentes”. Ela ainda lembra que o cônjuge também é herdeiro. a não ser que o contrato social estipule em contrário”. segundo o novo Código Civil. no prazo de noventa dias a partir da liquidação”. 53 FGV DIREITO RIO 31 . “tem que se considerar o valor imaterial. e este fato deve ser considerado na elaboração do contrato social ou no planeja-mento sucessório. lembra o professor Villaça. também do Miguel Neto. a empresa pode não ter bens materiais. O advogado Álvaro Villaça Azevedo. diz que “não sendo possível ou não existindo interes-se dos herdeiros ou dos sócios remanescentes. finaliza. dos 300 maiores grupos privados nacionais 265 tem controle ou gestão familiar.htm (acesso em 19/01/06). No Brasil. a advogada Cristina de Andrade Salvador. Sadia. afirma que “deve haver vontade mútua tanto dos sócios quanto dos herdeiros. para que estes últimos ingressem na sociedade em substituição ao sócio falecido. Joinville – O melhor negócio do mundo não resiste a uma briga de família ou a uma encrenca entre sócios. A frase do consultor Renato Bernhoeft resume os motivos de seu trabalho: preparar empresas familiares para seu momento mais traumático: a sucessão.” Eduardo Calazans acrescenta que a disposição contratual quanto ao prazo para liquidação é essencial. “Em regra a quota liquidada será paga em dinheiro. Fundador da Bernhoeft Consultoria. por: martín Fernandez http://an. o remanescente tem o prazo de seis meses para recompor o quadro societário. mas não têm caixa para saldar a dívida com os herdeiros num prazo tão curto”. professor da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP).ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa elevado. Na mesma linha de raciocínio do advogado Álvaro Villaça. empresa é outra53: Para consultor. verificada em balanço especialmente levantado. é necessário que seja feito um balanço especial para auferir o valor real das quotas a que os herdeiros do sócio falecido têm direito. acrescenta.com. Fonte: portal an (a notícia). também ressalta que quando o contrato social não prevê a permanência dos herdeiros. Segundo ele “o legislador ao dispor sobre a permanência ou não na sociedade quis preservar a vontade de constituir e manter uma sociedade e sem a qual. “É possível estabelecer no contrato o critério por avaliação a mercado feita por peritos em laudos econômicos”. Renato diz que não há motivos para forçar os filhos a assumirem os negócios da família.br/2003/ nov/23/1ger.uol. do escritório Miguel Neto Advogados. o valor de seus haveres será apurado e liquidado com base na situação patrimonial da sociedade. Por exemplo. à data da resolução. salvo disposição contratual em contrário.” Eduardo Calazans. Portobello e Gerdau. que atua nesse segmento desde 1975 e atende empresas do porte de Votorantim. Fabiana afirma que entre seus clientes a solução quanto ao prazo de pagamento aos herdeiros têm sido resolvida com a adoção de uma cláusula que o estipula como sendo em até 24 meses. Nesse levantamento tem que se verificar a situação atual da empresa. segundo o “Balanço Anual” da “Gazeta Mercantil”. no entanto. nas sociedades de pessoas. Fabiana diz que em uma sociedade de dois no caso de falecimento de um e não ingressando nenhum herdeiro. texto ii: família é uma coisa. como no caso das ‘grifes’ cujo valor pode ser de milhões. não pode ela subsistir. melhores sócios são aqueles que não dependem diretamente das relações de parentesco.

a empresa é outra. Porque eles cresceram vendo o pai agindo como dono: fazendo e desfazendo.. Em terceiro vêm os alemães. E a maioria das empresas familiares. Porque suas decisões não valem nada depois que morrem. Porque os melhores sócios são aqueles que não dependem diretamente dos negócios da família”. Porque esses três indivíduos. Depois disso. O segundo maior contingente é português. sobretudo no Sul. Um dos contingentes mais recentes com presença forte são os japoneses – que tiveram um fluxo migratório mais tardio. Os portugueses notadamente na área de panificação e supermercados. não do Sul.. portanto. com negócios minúsculos.” Leia a seguir os principais trechos da entrevista: A Notícia – Qual é o maior erro das empresas familiares? Renato Bernhoeft – É tentar utilizar a empresa para resolver questões familiares. é só para dar dinheiro a advogados. vão herdar esse empreendimento. sabe que ela só terá sucesso se for voltada para o mercado. logo vai acabar a figura do dono. no sentido de acomodar a família. que não se escolheram como irmãos. Os italianos no agrobusiness. porque o empreendedor. Se essa mesma pessoa tem. cana-de-açücar e também na área de metalurgia. quando muito ele e a esposa. é um pai. E aí surgem algumas questões a serem discutidas. AN – E como se faz essa separação? Bernhoeft – É evidente que é difícil separar. Vão deixar de ser apenas irmãos para ser sócios. Com negócios pessoais.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa “O ideal é que se mostre outros caminhos para os sucessores. mas sim uma participação. antes de ser isso. Bernhoeft – Exatamente. de vez em quando lá um sócio. buscando nisso uma solução para os problemas familiares. com muito esforço. São duas coisas diferentes: a família é uma coisa. mas dividido em três. muito determinadas e esta é a forma como começaram. começa dessa forma: com um imigrante ou filho de imigrante. AN – E quando a sucessão vira um problema? Bernhoeft – Essas pessoas tem muito essa característica de fazer um negócio para a família. Essas figuras são extremamente autoritárias de maneira geral. três filhos. E o erro muito comum que se comete nas empresas familiares – tanto entre as pequenas quanto nas médias e grandes – é o empreendedor. O que é ser sócio? Eu gosto de responder com coisas práticas: o fundador da Bombril – cujos FGV DIREITO RIO 32 . ou o filho de imigrante. O fundador em geral é uma figura empreendedora. não se aplica ao resto da família. É aí que começam os problemas. que empreende. árabes e outros. educado. metal-mecânica. E o que acontece? Na primeira geração tem essa figura forte. digamos. que começou um negócio com muito trabalho. Então ele é intuitivo. que começa um processo sozinho. muitas vezes usar essa empresa para acomodar os filhos. AN – Que começaram com negócios pequenos. O perfil do empreendedor brasileiro. E é curioso porque as colônias se concentram em alguns segmentos. AN – Quais? Bernhoeft – A primeira é que a maioria deles não foi criado. E eles vão herdar não uma empresa. Estou falando do Brasil. do ponto de vista da origem. fornecedores e concorrentes. o fundador. para ser sócio. Essa é a característica de como começam quase todos os negócios no Brasil. às vezes ele age mais com o chapéu de pai que com o chapéu de empresário. é um patriarca. “E é sempre melhor que as decisões sobre sucessão em empresas familiares sejam tomadas com os fundadores ainda vivos. O empreendedor aqui. é o imigrante. mandando e desmandando. tem uma característica muito particular que é enxergar oportunidades onde todo mundo vê problemas. que cria. Mercado significa clientes. depois judeus. O modelo do fundador muitas vezes não serve. esforçado. para atender seus clientes. Quando a gente pensa numa empresa. afirmou. pequenos mesmo. Vão receber o mesmo patrimônio. é italiana.

Então antes de empurrar os filhos para faculdades de administração e economia. Eu dou sempre o exemplo do Waltinho Moreira Salles.. É muito melhor que seu filho faça medicina. em que se fala muito sobretudo no mundo acadêmico. Que quase sempre é errada: uma coisa é pai distribuindo a mesada para filho e outra são três pessoas metendo a mão na botija. Que dizia algo assim: “Filhos. Existe uma tendência dos pais de achar que os filhos vão se entender e isso dificilmente acontece. E quem tem sócio tem patrão”. Então é muito culpa dessa conduta familiar. Não é por aí! Uma família empresária tem que olhar o negócio como empreendimento. Porque na medida em que ele faz outra coisa e é bem sucedido. AN – E como equacionar essas questões? Bernhoeft – Ou as pessoas fazem a empresa crescer na mesma proporção – o que é muito difícil – ou então devem ir diminuindo seu grau de dependência do negócio. se afastem dos negócios. é melhor mostrar outros caminhos. e a idéia de que o patrimônio vai dar para todo mundo. ele agrega valor ao negócio. Os filhos casam. então? Bernhoeft – Os filhos não podem pensar que assumir os negócios da família é a única opção de vida. acomodar todo mundo. vocês não vão ser donos. e coisas do gênero. “Ah. Não precisamos sair de Santa Catarina ou de Joinville para conhecer exemplos de famílias que eram ricas. Só que os lucros. Ele está bem. Então a partir da segunda geração começa a haver uma pulverização da propriedade. ele não vai encher o saco do irmão Pedro – que assumiu o banco. Não como um lugar onde se vai empregar todo mundo. meu irmão não entende nada”. Porque quando sentar na mesa do conselho do banco. Existem alguns problemas: a disputa pelo poder. se torne um bom médico e ao mesmo tempo sócio da empresa. Quanto mais brilhante cineasta ele for.. AN – O ideal é tirar a família? Bernhoeft – Uma coisa importante nesse processo. Isso é educar a família para que ela seja uma família empresária. porque aí vai virar uma guerra. a rentabilidade das empresas não crescem na mesma proporção. E às vezes é melhor que os filhos façam outra coisa. e é herdeiro do Unibanco. procurem se entender. É completamente diferente. vocês vão ser sócios. Se isso não acontecer. E aí há dificuldades no processo de sucessão. e que hoje quando muito conservam algum patrimônio imobiliário. FGV DIREITO RIO 33 . é nessa história de contratar profissionais e tirar a família do comando. Os pais querem que os filhos façam administração. AN – O ideal é que haja esse afastamento. agrega valor. têm seus próprios filhos e querem manter o mesmo padrão de vida. milionárias até. AN – A solução passa por educação? Bernhoeft – Essa expressão que você usou é muito adequada: o problema é de educação mesmo. busquem seus próprios caminhos. porque ao não depender da empresa. AN – Por que isso acontece? Bernhoeft – Por várias razões: os pais tentam proteger os filhos dos problemas que eles próprios tiveram de enfrentar. melhor acionista ele vai ser. Cada nova geração tem que agregar valor àquele patrimônio. Porque a cada nova geração aumenta a demanda por liquidez. Porque se tem uma coisa que as pessoas não gostam é de dar satisfação. Se não ele acaba. acaba. economia. E assim eles podem cobrar com mais tranqüilidade os resultados daqueles que assumiram os negócios. as preferências dos pais – isso repercute e impacta -. porque não depende tão diretamente. É muito comum os pais falarem: “não quero que eles passem pelo que eu passei”.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa filhos eram três e também brigaram e perderam a empresa – numa das cartas deixou um recado muito interessante. É um brilhante cineasta (dirigiu “Central do Brasil”).

que é o que está em jogo. O segundo componente é o de você vai criar uma sociedade com alguém que você não escolheu para ser seu sócio. Nosso trabalho é com essas empresas.EXAME DE ORDEM . E só. refiro-me ao pai e à mãe. mas meus filhos casaram em regime de separação de bens”. fornecedores. Mentira. E a terceira coisa é a empresa. E tem que ter consciência disso e de algumas coisas: de que o dinheiro acaba. vende-se o negócio. Mas ele. Porque se for uma escolha do pai. por exemplo: critérios de entrada e saída de membros da família na empresa. Outra questão é estabelecer entre os herdeiros um sucessor. E depois o trabalho de criar conselhos. porque há muito sentimento e ressentimento. tem que tomar cuidado para não se confundir com o empresário. porque eles interferem sim.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa AN – E o que é ser uma família empresária no Brasil!? Bernhoeft – Em primeiro lugar o Brasil é um país de uma população miserável. fazemos uma entrevista com cada membro envolvido. clientes. E quando não há sucessor. oras. AN – É comum o pai dizer que foi abandonado? Bernhoeft – Demais. Outra coisa importante é descobrir qual é o seu sonho. e não o sonho do pai. de criar condições para que as empresas sigam sendo bem administradas. assinale a assertiva correta. FGV DIREITO RIO 34 . dizem uns. AN – E o risco de ficar sem herdeiro? Bernhoeft – Vende-se o negócio. AN – O que faz uma consultoria de empresas familiares? Bernhoeft – No Brasil. Então tentamos reunir todo mundo para uma sensiblização. que tem uma das piores distribuições de renda no mundo. Quem nasce numa família empresária já é um privilegiado. como pai. Então o primeiro passo é uma reunião geral. o que é um grande mérito. essas coisas. dos 300 maiores grupos privados nacionais 265 tem controle ou gestão familiar. com a comunidade.DEZEMBRO/2006 22ª Questão: Sobre a Lei do Registro de Empresas Mercantis e Atividades Afins (Lei no 8. ele fez para si. Simples assim. Questões de ConCurso PROVA OAB/RS . de que tem que ter o compromisso de responsabilidade social com o País. E que essa escolha seja feita entre eles. subordinadas ao governo da unidade federativa de sua jurisdição. Fundadores costumam dizer que fizeram a empresa para os filhos. Na Alemanha está acontecendo muito isso. Outro ponto é que os herdeiros tenham um acordo societário: um conjunto de regras que estabeleçam direitos e deveres. do fundador. De preferência com a presença de genros e noras. que é sempre uma figura muito forte. a) As Juntas Comerciais estão. Isso faz parte do processo de formação de uma família empresária. Depois. que é uma instituição complexa.934/1994). é um instrumento que ajuda muito. concorrentes etc. de que o dinheiro não lhe dá o direito de fazer e desfazer. A primeira fase consiste numa reunião geral com a família. seu mercado. Os filhos não só não querem assumir os negócios da família como não querem nem herdá-los. administrativamente. “Ah. Ele não fez. mas as funções por elas exercidas são de natureza federal. baseada em três pontos: a família. Mas não com separação de idéias. vai durar até o dia em que ele morrer. segundo o “Balanço Anual” da “Gazeta Mercantil”. E quando eu digo pai.

d) Todo ato. salvo se os sócios. tais atos podem ser realizados tanto pelo Departamento Nacional de Registro do Comércio quanto pelas Juntas Comerciais. será o documento hábil para a transferência. (D) Não pode ser arquivada a alteração do contrato social depois de findo o prazo nele fixado. do bem imóvel que o subscritor tiver contribuído para a formação ou aumento do capital social. FGV DIREITO RIO 35 . arquivamento e autenticação. exceto quando se tratar de procuração. deliberarem prorrogá-lo por prazo indeterminado. 129º EXAME DE ORDEM/SP – PROVA 1ª FASE – TIPO 1 – DIREITO COMERCIAL. passada pela Junta Comercial. sem oposição de qualquer deles.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa b) A consulta aos assentamentos existentes nas Juntas Comerciais bem como a obtenção das respectivas certidões serão possíveis apenas diante de prova do interesse do requerente. por transcrição no Cartório de Registro de Imóveis. (C) Os atos levados a arquivamento nas Juntas Comerciais são dispensados de reconhecimento de firma. (A) A certidão dos atos de constituição e de alteração de sociedade empresária. c) Os atos praticados pelos órgãos de Registro de Empresas são matrícula. (B) A sociedade empresária que não proceder a qualquer arquivamento no período de 5 anos consecutivos deverá comunicar à Junta Comercial que deseja manter-se em funcionamento. sob pena do cancelamento de seu registro e a conseqüente perda da proteção ao nome empresarial. 47. Assinale a afirmativa falsa. documento ou instrumento apresentado a arquivamento perante a Junta Comercial será objeto de exame em que se aferirá a veracidade das informações prestadas pelo empresário.

A coordenadora do Centro de Apoio Operacional às Promotorias de Combate à Sonegação Fiscal. sobre a importância da revisão do posicionamento do Supremo Tribunal Federal em relação às ações impetradas pelo MPPE. afirmou. – TEXTO II – Fantasma assusta até empresas que já fecharam as portas. O ETCO visa colaborar com o combate à concorrência desleal. cerveja. Mozart Siqueira. Kapaz acrescentou que tal prática “impede o crescimento sustentado da economia e contamina o setor formal. presente ao debate. que. De acordo com o presidente do Etco. fumo e refrigerantes. hoje (27). Participaram do evento o Procurador-Geral de Justiça.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa AUlA 05: INfORMAlIDADE NO SEtOR EMPRESARIAl ementário de temas: – A informalidade em vários setores da economia. Patrícia Tavares alertou. através de parcerias e forças-tarefa com os governos. FGV DIREITO RIO 36 . 27 de agosto Emerson Kapaz defende ética na concorrência empresarial “A concorrência desleal é decorrente da elevada carga tributária. declara presidente da ETCO em Fórum de Debates do Ministério Público de Pernambuco O Estado brasileiro deixa de arrecadar cerca R$ 6 bilhões devido à sonegação fiscal no setor de combustíveis. em que o instituto fornece informações técnicas e bancos de dados. – Notícias relacionadas. Emerson Kapaz. ou seja. Foi o que declarou o presidente do Instituto Brasileiro de Ética Concorrencial (Etco). Para Kapaz. da burocracia dos procedimentos. roteiro de auLa: sexta-feira. as causas da concorrência desleal são quatro: a carga tributária elevada. a burocracia dos procedimentos. – TEXTO III – Informalidade. – TEXTO IV – Economia “Invisível”. Promotores e Procuradores de Justiça. incapacitando o incremento do PIB per capita”. Patrícia Tavares. Francisco Sales de Albuquerque. “O STF alega que o Ministério Público só pode ingressar com uma ação penal contra os sonegadores. a lentidão do Judiciário e a impunidade. ainda. da lentidão do Judiciário e da impunidade”. após o trânsito em julgado do processo administrativo. quando não couber mais recurso. – Lei Complementar 123/2006.5% ao ano. além de auditores da SEFAZ. no Brasil. só esses referidos setores representam 30% de toda a arrecadação de ICMS no país. dificultando a ação dos Promotores”. o secretário da Fazenda de Pernambuco. é ínfimo: 0. durante o Fórum de Debates Promotor de Justiça Roberto Lyra. – TEXTO I – A dura vida do empreendedor. ressaltou que a informalidade é um dos principais afrontes à concorrência leal e prejudica os pequenos comerciantes.

98%. Em 1997. 16.asp O cnpj substituiu o cGc-mF (cadastro Geral de contribuintes do ministério da Fazenda) através da Instrução normativa sRF nº 2.39%. da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) e de pesquisas do setor informal. em 2004. segundo Kapaz. é a tributação sobre o setor produtivo. conforme texto a seguir: Ao analisar o número de contribuintes da Previdência Social no estado.4 bilhões que o Estado do Rio de Janeiro deixa de arrecadar a cada ano com a prática da informalidade em setores como: – FISCO (pirataria/sonegação de ICMS). Só7. do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre). o número de empresas (RECTIUS: sociedades empresárias) sem registro oficial aumentou. Dessa forma. E na cidade do Rio. abrangendo vários setores da economia. a formalidade caiu de 64. 16. dado observado no primeiro semestre deste ano. e 60. Sem essa mudança. 55 FGV DIREITO RIO 37 . em 93. A reportagem começa informando ao leitor sobre os R$ 4. corremos o risco da criação de um Estado paralelo. Outra causa da concorrência desleal.62% em 97. Apenas 8. – “Informalidade fundiária” (inadimplência no pagamento do IPTU ou pela situação irregular do imóvel). preencheram a declaração de Imposto de Renda em 2003. movimento posto ao do resto do país. ou seja. Néri usou como critério a contribuição previdenciária a fim de poder cruzar dados do Censo. – DETRAN (falta de pagamento de multas e IPVA). para 62. de 2 de janeiro de 2001.pe. o pesquisador Marcelo Néri. contra 14. concluiu que a formalidade no mercado de trabalho fluminense caiu entre 1997 e 2003.43%.gov. em 99. em estudo apresentado na reportagem do O Globo. – Serviços como de operadoras de TV a cabo (ligações clandestinas). (http://www. – Os números de formalidade das micro e pequenas empresas são alarmantes. No estado. O inteiro teor da reportagem pode ser acessado no site: http://oglobo. Kapaz também defendeu uma “mudança de cultura a favor da ética”. questionada por setores do governo e do Judiciário.72% das empresas tinham CNPJ em 2003. Na Região Metropolitana do Rio. o presidente do Instituto ETCO considerou “fundamental ao setor empresarial” a capacidade de investigação por parte do Ministério Público. – CEDAE (furto de água).globo. Essas reformas estruturais.htm) Em matéria veiculada no jornal O Globo54.4%. os encargos sociais crescentes sem a contrapartida dos serviços levam à informalidade.63%. em parceria com a Secretaria da Fazenda de Pernambuco e a Polícia Militar. de 69.92%. em 2004. devem englobar mudanças na legislação trabalhista e redução da carga tributária. contra 27. mas reconheceu que essa mudança é um trabalho de longo prazo. para Kapaz. a questão da informalidade foi apresentada de forma ampla. “A carga [que incide sobre o setor produtivo] é injusta e cobrada de forma errada”. Por fim. ligado à Fundação Getúlio Vargas (FGV).2% tinham registro de pequena empresa em 2003.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa Devido à atuação da Promotoria de Combate à Sonegação Fiscal. a arrecadação no setor de álcool aumentou em um mês 170%.46% em 97. – Concessionária de energia elétrica (“gatos” = instalações ilegais). segundo dados atualizados do Censo. Kapaz defendeu mudanças estruturais para trazer de volta ao mercado formal as empresas que atuam na informalidade. todas as bases de formalidade caíram à metade entre 1997 e 2003. mantido pela corrupção e pelo crime organizado.com/jornal/rio/284415620. Segundo o pesquisador Marcelo Néri.mp. para ele.28% tinham o CGC55. enfatizou.br/arquivo/imprensa/noticias/2004_agosto/27_emerson. ela era de 63. 54 “O rombo da informalidade” – O Globo em 25/06/2006. pg. Apenas 14.

FGV DIREITO RIO 38 . Dados atualizados do Censo mostram que nelas ele chega a 19. passa a seu uma saída – conclui. Mas as pessoas buscam ter relação com o estado em outros setores da vida. em todos os setores. Uma das formas encontradas para driblar o pagamento dos impostos e encargos trabalhistas é se associar a uma cooperativa. Grande nas favelas. diz Néri. Ela reflete o jeitinho brasileiro. A informalidade.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa A informalidade está associada a encargos fiscais crescentes sem que haja benefícios sociais em contrapartida. não é a favela que tem a maior informalidade previdenciária: – É simples: na favela.1%. Ao contrário do que se pensa. Com carteira assinada. mesmo. há uma “série de precariedades na vida trabalhista das favelas: desemprego alto. jornada puxada”: Mas o mais forte é a falta de presença do Estado. Até porque a pessoa que mora na favela tem “gato” de luz. a taxa cai para 9. A proliferação delas cria mais informalidade. é o desemprego. De acordo com o pesquisador. Tenta-se cobrar impostos. existe uma quase total informalidade fundiária. salário baixo.” Jornal O Globo – infográficos. não consegue provar endereço. mas sem oferecer os serviços em contrapartida.1%. ela pode conseguir abrir crediário. título de propriedade não é a regra. Nos bairros de alta renda. não tem escritura.

condenar o uso de produtos piratas: — As pessoas não têm acesso a emprego com carteira assinada. Serão cruzados dados desde 1995 para uma avaliação trimestral da evolução da informalidade. que começa a ser publicado periodicamente ainda este ano. ‘É uma espécie de busca tortuosa por cidadania’ Professora da Escola Brasileira de Administração Pública da FGV. inclusive de grife. ávidos por comprar e imersos numa frouxidão de valores. mortes por disputas entre quadrilhas de contrabandistas e financiamento de campanhas de políticos que contribuem para a manutenção do status quo — diz Emerson Capaz. sobre a economia subterrânea. os exemplos que vêm dos governantes não ajudam a interromper o ciclo: — As pessoas pensam: “Ah. burocracia e impunidade. o jornal O Globo traz o artigo “Estudo sobre a economia subterrânea”56.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa Ainda na matéria sobre a informalidade. 56 O Globo de 26/06/2006. há direito a assistência técnica. Isso é artigo em extinção. pg. — Um exemplo da força do Estado pirata é o (megacontrabandista) Lao Kim Chong. professor da Uerj. Trata-se de uma cadeia que sustenta um verdadeiro Estado pirata. que tinha uma banca de 15 dos melhores advogados e quase conseguiu hábeascorpus no Supremo para se livrar da cadeia. — É importante não se esquecer das pressões de uma sociedade consumista. Recorrer à informalidade é o dia-a-dia de 20% a 25% da população. sem punição. com surpreendente destaque para os de classe média e alta. se eles podem roubar. É cada vez mais a regra. mesmo ganhando até um pouco menos. O estudo ficará a cargo do pesquisador Aloísio Campello. seu DVD. que apela o tempo todo para a compra de bens. para quem tem renda para consumir. Se lhe derem essa opção. Ninguém quer ficar à margem. a seguir: “A necessidade de estudar detalhadamente a extensão da informalidade no país levou o Instituto Brasileiro de Ética Concorrencial (Etco) a contratar a Fundação Getúlio Vargas para elaborar um estudo permanente. sua TV. E faz gato da TV a cabo. TV a cabo para os pobres. Para ela. Como é que ela não se põe à margem? Consumindo piratas. corrupção. para facilitar o acesso do consumidor de baixa renda. Em troca de pagar. sem contrato. É preciso que o mercado se aproxime da renda das pessoas para conter a informalidade. Justiça lenta. Para o sociólogo Inácio Cano.17 FGV DIREITO RIO 39 . água. O sociólogo defende a proliferação de programas que estimulem a adesão de consumidores de baixa renda. Tem que atacar a logística e ter em mente que a pirataria e o contrabando têm quatro pilares: alta carga tributária. com propinas. a maioria vai preferir ter acesso a isso e aos direitos. — Que se expandam os programas de eletricidade. Sylvia Vergara tem outras ponderações sobre as causas da informalidade. sofrendo discriminação. sem pagar impostos — diz o professor. por que eu não posso?” Não se pode nem falar mais em marginalidade para esse tipo de comportamento. Uma pessoa de renda baixa tem lá seu celular. presidente do Instituto Etco. — A informalidade tem implicações mais profundas do que parece. As empresas. há consumidores. É uma espécie de busca tortuosa por cidadania — diz. poderiam fazer linhas populares que tivessem a sua marca. endereço. que moram em favelas. Além disso. sem receber entregas. Emerson reconhece que prender camelô é ineficiente: — É enxugar gelo. é fácil. do Ibre.

123/06). como a exigência de certidões negativas. além dos seis tributos e contribuições federais (IRpj. O super simples (Lei complementar nº.º 9. do Distrito Federal e dos Municípios.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa Entidade apóia lançamento de linha popular por grifes Nesse ponto. — No fundo. Estabelece diretrizes para a simplificação e integração do processo de registro e legalização de empresários e de pessoas jurídicas.529/2006 que cria a REDESIM — Rede Nacional para a Simplificação do Registro e da Legalização de Empresas e Negócios. — Toda a conscientização e toda a fiscalização não serão eficazes se a indústria não se comprometer a criar linhas de produtos mais populares — alerta Alexandre Cruz. proJeto de Lei 6. Só precisa de meios para isso”. até R$ 2.317/96 (que trata do Simples Federal). Lei geraL das miCro e peQuenas empresas – LC 123/2006.529/2006 pretende combater a demora no processo de abertura e fechamento de sociedades empresárias. cria a Rede nacional para a simplificação do Registro e da Legalização de Empresas e negócios – REDEsIm. a burocracia traz complicações que provocam demora e muita dor de cabeça para os ex-sócios. são aquelas que faturam até R$ 240 mil por ano. do Fórum Contra a Pirataria. Esta exigência sempre gerou muita polêmica. Microempresas.4 milhões por ano. e n. dos Estados. sempre foram (e continuam sendo) os maiores obstáculos para a abertura de novos negócios. que substitui o simples. estaduais e municipais. para a abertura e o fechamento de sociedades empresárias. reduzindo praticamente à metade os prazos para tramitação de processos nas juntas comerciais. A expectativa do governo é que a lei permita a criação ou formalização de 1 milhão de empresas e. revogando as Leis n. a geração de 2 milhões a 3 milhões de empregos formais. pIs.º 9. e as pequenas empresas. está tramitando o PL 6. pois de um lado dificulta a fraude (aspecto positivo). tanto para fins do Estatuto. csL e contribuição previdencial patronal). b) sociedades cujo capital participe outra pessoa jurídica. Cano encontra apoio até em representantes da indústria pirateada. Em 14 de dezembro de 2006. serão automaticamente enquadradas no super simples. além de estabelecer um amplo programa de agilização e simplificação de procedimentos e a integração das ações dos órgãos e entidades públicas. já as que se encontram enquadradas no simples e que não se manifestarem até o fim do mês. cofins.841/99 (atual Estatuto da Micro e Pequena Empresa). 57 58 a postergação da parte tributária ocorreu porque Estados e a Receita Federal alegaram que não haveria tempo hábil para desenvolver o sistema de arrecadação. que estabelece normas gerais relativas ao tratamento diferenciado e favorecido a ser dispensado às microempresas e empresas de pequeno porte no âmbito da União. passarão a vigorar em 1º de julho de 200758. c) pessoas jurídicas cujo sócio ou titular seja administrador ou equiparado de outra pessoa jurídica com fins lucrativos. FGV DIREITO RIO 40 .529/2006. o novo regime engloba o Icms (estados) e o Iss (municípios). com isso. A unificação e simplificação tributária. foi sancionada a Nova Lei do Simples. todo mundo quer ter o produto original.000. e dá outras providências. pL 6529/2006. IpI.57 Com o objetivo de simplificar e diminuir a burocracia.00. principais pontos da Lei. e pequenas empresas que ganham de R$ 240 mil a R$ 2. fica impossibilitado de fechar a sociedade diante de tal exigência (aspecto negativo). O novo regime tributário entra em vigor a partir do dia 1º de julho e as empresas têm até o dia 31 para optar pelo regime. O PL 6. desde que a receita bruta global ultrapasse o limite R$ 2. quanto para fins do tratamento tributário. porém. A burocracia e a falta de união das juntas comerciais. O restante da lei passou a vigorar a partir do dia 1º de janeiro de 2008 com exceção de itens que ainda dependem de regulamentação posterior. Até para o fechamento (vide Texto II). prevê a unificação e simplificação de impostos federais. para a realização dos registros da atividade empresária de que trata em seu contexto. que já eram incluídos no simples. dentre essas vedações. Uma das novidades do PL é a dispensa das certidões negativas para o fechamento de empresas. Há um rol de vedações.400.4 milhões. para microempresas que faturam até R$ 240 mil por ano. podemos citar: a) pessoas jurídicas constituídas como cooperativas (exceto as de consumo). para o administrador honesto que discute as dívidas da sociedade na justiça.

conforme parágrafo primeiro do artigo 18-A da LC 123/2006. podem se inscrever como mEI empreendedores como costureiras. de até R$ 36. Formalizado como mEI.. cuja vigência iniciar-se-á em 01/07/2009: “Art. destacamos: Tributação: A lei unifica e simplifica a arrecadação de seis impostos e contribuições federais (IRPJ. de até R$ 36. escolas de línguas. de segurança e vigilância sanitária será feita de forma simplificada. só o público-alvo do microempreendedor Individual compreende os 10. o microempreendedor Individual (mEI) e a sociedade de propósito Específico (spE). no ano-calendário anterior. a previsão é que a lei beneficie cerca de 11 milhões de empreendedores.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa Como principais pontos da lei. (Incluído pela Lei Complementar nº 128. É preciso ter disposição para cumprir cerca de 17 procedimentos. comparecer em Entre as medidas.3 milhões de informais no país.65.000. 59 FGV DIREITO RIO 41 . que vai vigorar a partir e 1º de julho também de 2009. as alíquotas são 50% maiores que as cobradas no comércio. É importante ressaltar que a Lei Complementar 123/2006 sofreu alterações de acordo com a LC 127/2007 e LC 128/2008. No caso do setor de serviços. mais R$ 1 de Icms (comércio e indústria) ou R$ 5 de Iss (serviços). Abrir uma empresa. A renúncia fiscal prevista é de R$ 5. Não estará sujeito à incidência do IRPJ. a nova lei possibilita resolver problemas reclamados pelo segmento relativos à cobrança de Icms.. Alíquotas: No comércio.4 bilhões ao ano. Compras públicas: As micro e pequenas empresas passam a ter prioridade em compras governamentais de até R$ 80 mil. considera-se MEI o empresário individual a que se refere o art. IPI. O tempo mínimo de contribuição são 15 anos. Os documentos serão entregues em um único órgão que repassará os dados para os outros. É um dos grandes obstáculos para que pequenos negócios entrem na economia formal. que tenha auferido receita bruta. academias de ginástica e de dança e empresas que atuem na área de produção cultural e cinematográfica. (. Menos burocracia: A Lei Geral garante maior rapidez na abertura de empresas. e não por tempo de contribuição. sancionada sem vetos. o mEI retém 8% do salário pago e complementa com mais 3% para o Inss do trabalhador. Eles também podem ter até um empregado.” Portanto. Ele ainda passa a integrar o cadastro nacional de pessoa jurídica (cnpj). as empresas de montagem de stand em feiras. Há um acréscimo de meio ponto percentual para as indústrias. pagam apenas valor fixo mensal de 11% do salário-mínimo de Inss para aposentadoria pessoal. Novos setores: A Lei Geral como foi aprovada no Congresso permite que novos setores entrem no sistema de arrecadação especial. cria condições para desburocratizar a abertura e o fechamento de empresas. A alíquota atual (2006) é de 20%. poderá ter conta bancária e outros benefícios como acesso a linhas de financiamento especiais com juros reduzidos e participação nas licitações públicas. 18-A.) § 1o Para os efeitos desta Lei. do PIS. com a lei. optante pelo Simples Nacional e que não esteja impedido de optar pela sistemática prevista neste artigo. média ou grande. tendo esta última criado a figurado Microempreendedor individual – MEI.406.59 teXto i – a dura vida do empreendedor60 Estudo do mostra que o Brasil lidera a lista dos países que criam maiores dificuldades para abrir uma empresa. no Brasil. sapateiros e artesãos com receita bruta anual de até R$ 36 mil e que optarem pelo simples nacional. entra em vigor no dia 1º de janeiro de 2009.00). No entanto. o trabalhador poderá se aposentar apenas por idade (60 anos para mulher e 65 para homens). no ano-calendário anterior. de 10 de janeiro de 2002 – Código Civil. a família também tem direito à pensão por morte do segurado e auxílio-reclusão. independentemente da receita bruta por ele auferida no mês. Autônomos: Os autônomos farão o recolhimento de apenas 11% para o INSS (Instituto Nacional do Seguro Social). e do INSS patronal.000. pequena. além do ICMS (Estados) e ISS (municípios) a partir de 1º de julho. a lei. o empreendedor passa a ter direito à aposentadoria por idade ou por invalidez. exceto o mEI. Entre eles estão os operadores autônomos de transportes de passageiros. do IPI. os microempreendedores individuais ficam isentos de praticamente todos os tributos. Ele poderá optar pelo recolhimento dos impostos e contribuições abrangidos pelo Simples Nacional em valores fixos mensais (aprox. A parte de fiscalização ambiental. permite a entrada de novos setores econômicos no simples nacional e cria duas novas personalidades jurídicas. da CSLL.00. PIS. R$ 50. da COFINS. seguro por acidente de trabalho e licença-maternidade. O registro da empresa será único e servirá para todas as esferas de governo. as alíquotas variam de 4% a 11% de acordo com o faturamento. Cofins. se tiver empregado. seu registro será simplificado e livre de taxas e emolumentos. CSL e INSS). de 2008). que hoje equivale a R$ 45. é como participar de uma gincana.00 (trinta e seis mil reais). considera-se MEI o empresário individual que tenha auferido receita bruta. 966 da Lei no 10.

No caso do Brasil o cenário foi a cidade de São Paulo. bastando uma declaração anual. por clarissa Furtado. entre 133 países pesquisados. e nos Estados Unidos são necessários cinco dias. Grande parte da demora deve-se ao fato de que os órgãos responsáveis por autorizar o registro não conversam entre si. da empresa de contabilidade Welmaso. além de esperar uma média de 155 dias para abrir as portas. Segundo ele. quando foi criado o Ministério da Desburocratização (leia o quadro na página ao lado). As dificuldades enfrentadas pelos empreendedores brasileiros não ocupavam a agenda pública desde o final da década de 1980. às 01:04horas. “As exigências são repetitivas e falta orientação para o empreendedor”. O microempreendedor Individual não precisará apresentar contabilidade ou nota Fiscal. Também foram esboçadas sugestões de atuação em nível federal. Em Brasília. de Brasília. que é de 49 dias. comenta o contador Leo Arksy. Para fechar uma empresa brasileira são necessários 10 anos. de acordo com o Banco Mundial. exceto se vender ou prestar serviço para pessoa jurídica. br/?cat=8&paged=2. Indústria e Comércio Exterior (MDIC). está incumbido de realizar um diagnóstico dos principais entraves no registro empresarial. No evento foram debatidas experiências internacionais de desburocratização e iniciativas locais bem-sucedidas. E precisa esperar que se cumpra cada etapa para iniciar outra. O estudo do Banco Mundial leva em conta a realidade dos principais centros financeiros de cada país. em matéria de demora para a abertura de uma empresa. capitaneado pelo Ministério do Desenvolvimento. É o segundo processo mais lento do mundo. secretário de Desenvolvimento da Produção do MDIC e coordenador do grupo de trabalho. onde é possível abrir um empreendimento em seis dias.tactus. Um processo em fase final de deferimento pode retornar ao ponto inicial se uma assinatura tiver algum detalhe diferente da que consta na carteira de identidade. 60 FGV DIREITO RIO 42 . Assim. de Brasília. O périplo é longo não apenas por envolver várias etapas a serem cumpridas. costumamos gastar de 40 a 60 dias para cadastrar uma empresa e outros 3 a 4 meses para que ela possa funcionar”. com 11. por exemplo. por exemplo. o potencial empresário tem de fornecer os mesmos dados e documentos a cada um deles. um grupo de trabalho do governo federal. hoje na casa dos 40% do Produto Interno Bruto (PIB). acesso em 19 de janeiro de 2009. sendo integrado por representantes da união. Na Austrália. http://www. Perde apenas para a Índia.com. no Maranhão. “A sensação é de que a cada ano fica mais difícil abrir um negócio. por baixo. A situação da capital paulista é emblemática e reflete muito do que acontece ao longo do território. denominado Doing Business (fazendo negócios). afirma Carlos Gastaldoni. reunindo membros do governo federal e outros setores envolvidos no processo em instâncias estaduais e municipais. a legislação foi feita com foco em cada um dos órgãos envolvidos. indica que qualquer mortal interessado em abrir um empreendimento no Brasil tem de desembolsar. O tempo gasto nos trâmites burocráticos é o triplo da média mundial. A questão é importante porque impacta a pauta de crescimento sustentável do Brasil a longo prazo. O primeiro passo foi a realização de um workshop em maio. ou ainda se houver qualquer pequena rasura ou termo incorreto. em dois dias se abre um negócio.3 anos. mas também devido a inúmeros imprevistos que normalmente acontecem no meio do caminho. Para se ter uma idéia da dimensão do problema da burocracia nesse campo. Revista Desafios do Desenvolvimento – IpEa – setembro/2004. como é o caso de São Luís. ter tempo e dinheiro de sobra. 274 dólares em taxas e tributos. embora em algumas capitais o problema esteja minimizado. um estudo realizado pelo Banco Mundial esse ano. estados e municípios. A burocracia é um dos motivos da alta taxa de informalidade dos negócios no país.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa até 15 órgãos do governo. O registro do mEI será regulamentado pelo comitê Gestor da Rede nacional para a simplificação do Registro e da Legalização de Empresas e negócios (Redesim). Burocracia Os contadores são as figuras que mais conhecem o duro dia-a-dia das filas da burocracia. O levantamento aponta que o Brasil ocupa o sexto lugar. sem uma visão geral do processo e sem pensar no cliente. Agora. também criado com a nova lei. e de implementar soluções que minimizem o martírio de potenciais empreendedores.

Assim. O Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae). feita pela London Business School. é possível obter o registro. redefinindo o Estatuto das Micro e Pequenas Empresas e fazendo outras propostas. Depois que a Receita Federal realizou. O conceito one stop shop (algo como loja de parada única) já funciona em vários países desenvolvidos. Interessados no assunto não faltam. O empreendedor se compromete a enviar. no Canadá. por correio. em julho. de um total de 640 empreendedores informais do estado de São Paulo.9% da população estava envolvida em alguma ação empreendedora. por exemplo. O argumento explica a ênfase especial ao tema pedido pelo ministro Luiz Fernando Furlan. Paulo Ricardo de Souza Cardoso. realizado no final do ano passado a pedido do Ministério da Fazenda. A unificação das informações fiscais é. O Sebrae. A adoção de um código único de classificação econômica de empresas é outra medida fundamental para a viabilização do projeto. No Brasil. por exemplo. “Temos disparidades nas regras locais e também na estrutura tecnológica. ao grupo de trabalho interministerial. Ainda está apenas no plano da discussão. 12. Ela torna possível o uso de um mesmo código de atividade em todo o país e viabiliza o cadastro único. reunindo informações da Receita Federal e das secretarias de fazenda estaduais e municipais é o desejo daqueles que defendem um processo menos complexo na constituição de empresas no Brasil. a Federação Nacional das Empresas de Serviços Contábeis (Fenacon) e o Conselho Federal de Contabilidade (CFC) já definiram essa demanda como a principal em sua pauta de reivindicações. explica. aprovada na Reforma Tributária do ano passado. O Brasil passou de sétimo colocado.5% não pensavam em legalizar suas atividades por causa das dificuldades burocráticas. a ser apresentando ao Congresso ainda em 2004. o registro de empresa é regulado por lei estadual e. A pressão da sociedade é fundamental”. em 2002. A entrada única de dados cadastrais é a regra. sobre o nível da atividade empreendedora em todos os continentes. Entidades representativas do público empresarial já estão se movimentando nesse sentido. Em São Paulo. estados e municípios terão até 30 de setembro para apresentar um diagnóstico da situação e o que seria necessário para a unificação. a utilizam e. porém. inclusive.5% devido ao tempo gasto no processo. O número de empreendedores no país é crescente. um único documento: o contrato social da empresa. o que facilita a comparação de informações brasileiras com dados mundiais. foram assinados dois protocolos estabelecendo metas e compromissos para viabilizar o projeto. No ano passado. em 2003.6% devido ao alto custo financeiro e 18. Segundo o coordenador-geral de fiscalização da Receita. na pesquisa Global Entrepreneurship Monitor. foi sendo paulatinamente usada pelos diversos ministérios. A classificação segue o padrão da Organização das Nações Unidas. A criação de um cadastro único de empresas. em apenas dois dias. naquelas em FGV DIREITO RIO 43 . elaborou um ante projeto de lei.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa Segundo um estudo do Instituto Análise de Ribeirão Preto. “Mas não adianta esperar que o Estado sozinho conduza o processo de mudanças. e também a inclusão do tema na lista de medidas da nova Política Industrial. do MDIC. A Classificação Nacional de Atividade Econômica (CNAE – Fiscal). formal ou informalmente. por exemplo. 24. uma exigência da Emenda Constitucional 42. Nem todas as cidades. o cadastro único ainda está longe de se tornar realidade. por isso. embora esteja previsto em lei. terá de ser aprovada uma nova lei que possibilite o cadastro único”. 21. criada em 1994 e atualizada em 2002. que também já admite o preenchimento de formulários pela internet. alerta o cientista político Sérgio Abranches. um encontro de administradores tributários. para o 6º lugar.

Como se não bastasse o tortuoso caminho até a obtenção do registro da empresa. Isso facilitaria a concessão dos alvarás de funcionamento e serviria para orientar a necessidade de fiscalizações e licenças específicas.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa que já é empregada. 120 são gastos nos procedimentos de fiscalização e vistoria pra a obtenção das licenças vinculadas ao alvará de funcionamento. Na Receita Federal o padrão é o uso dos quatro primeiros números. da exigência de certidões negativas pelo Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS). o corpo de bombeiros e a vigilância sanitária. FGV DIREITO RIO 44 . Faltam informações sistematizadas e de fácil compreensão sobre o procedimento a ser adotado pelos interessados em abrir empresas. O Sebrae tem desempenhado um papel importante nessa área. Enquanto as mudanças estruturais não aparecem. Em Brasília houve casos em que. por exemplo. Unificação de códigos O código da CNAE também poderia ser usado para cruzamento com as atividades listadas nos planos diretores das cidades. que reúnem escritórios dos órgãos envolvidos no registro num único local. “É preciso unificar as regras”. Na esfera federal. os futuros empresários precisam munir-se de persistência para conseguir autorizações de funcionamento das instâncias locais. Dessa forma. Os processos de fechamento ou alteração das condições jurídicas são compostos por rituais ainda mais cansativos. Contando com aprovações de projetos de lei no Congresso. Algunas aplicam os três primeiros algarismos da classificação. perigo de acidentes. A falta de fiscais em muitas cidades adia a vistoria. sugere o presidente do CFC. se tudo correr bem. Na cidade de São Paulo está sendo elaborado um software que determinará. da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional. foram criadas em dez cidades. de fato. Mas questões complexas muitas vezes são resolvidas com soluções marcadas pela simplicidade. como a prefeitura. Outra hipótese seria dar ciência ao empreendedor de todas as obrigações a cumprir em relação à segurança da atividade. já que faltam viaturas. em grande medida. da Receita Federal e do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS). O prazo de dez anos citado pelo Banco Mundial para dar baixa de um estabelecimento é conseqüência. enquanto outras elencam até seis. serão precisos pelo menos três ou quatro anos. as Centrais Fáceis. investimentos em informatização e. uma cooperação entre os governos. as fiscalizações se concentrariam nos negócios em que há. Não é apenas o nascimento de um empreendimento que envolve tantos meandros. Dos 152 dias registrados no estudo do Banco Mundial. falta uniformidade. a necessidade de uma vistoria ambiental com base no código. o empreendedor teve de ir ao corpo de bombeiros com seu próprio carro para buscar o técnico. a firma poderia iniciar suas atividades mais rapidamente. para agilizar o processo. Além do cadastro único existem outros problemas. quase óbvias. Ele assinaria um termo de responsabilidade comprometendo-se a executá-las em determinado período de tempo. principalmente porque as regras variam de cidade para cidade. sobretudo. O empresário daria baixa na Junta Comercial e avisaria aos órgãos envolvido que cobrariam eventuais dívidas. consultor de tributos e desburocratização do Sebrae. cogita-se que o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) poderia coordenar uma central de codificação de atividades econômicas. Uma alternativa para resolver o problema seria a eliminação de todas essas certidões. com o apoio do Sebrae. deveriam ser criadas classificações mais precisas das atividades de acordo com o risco potencial que elas oferecem para a sociedade. Fiscalização Qual seria uma possível solução? Para André Spínola. de estado para estado. José Martonio Alves Coelho. Assim. A redução do prazo de abertura e encerramento de empresas no Brasil ainda vai demorar.

Magda Gattini. Assim como as dificuldades para abrir uma empresa. – O problema no fechamento de uma empresa é que você é responsável por problemas junto ao INSS e ao Fundo de Garantia. que muitas vezes não dependem de você para que sejam resolvidos – afirma o preside do Sebrae/RS. – Isso acontece seguidamente. provocadas pela Lc 128/2008. A contabilista da firma. 61 FGV DIREITO RIO 45 . já não tem funcionários há quatro anos. Ainda assim. voltará a percorrer as repartições para depois apresentar a papelada à Junta Comercial com o pedido de baixa. também tiveram por objetivo facilitar a abertura e fechamento das empresas iniciadas pelo microempreendedor individual. Até agora. explica que os sócios tiveram de esperar a conclusão de um processo de venda do negócio para formalizar sua dissolução. preciso provar com uma pilha de comprovantes que esta dívida não existe para obter a certidão negativa de débito. O pior é que. 60 Vale lembrar que as alterações sofridas pela Lei complementar 123/2006. Assim. está com toda a documentação em dia e não apresenta débito com o INSS.61 Conforme o estudo do Banco Mundial sobre o ambiente para negócios em todo o mundo. no papel. à geração de empregos e uma fonte de gastos inúteis por parte da sociedade. não conseguiu uma das muitas certidões necessárias para dar prosseguimento ao processo porque uma falha de comunicação entre os computadores da Caixa Econômica Federal e do INSS aponta uma dívida inexistente. estaduais e federais pode elevar o tempo necessário para extinguir uma firma a nada menos do que 10 anos. O vaivém de certidões e formulários exigidos por repartições municipais. – Na era da informática. continua existindo. ela provavelmente terá de recomeçar do zero e obtê-las novamente. por exemplo. 11 de dezembro de 2005. a complexidade do procedimento para fechá-la também é considerado um obstáculo ao desenvolvimento de novas companhias. não consigo entender como ainda vivemos às voltas com formulários e carimbos – lamenta Magda. por exemplo. Mesmo quando uma empresa não tem credores. fechá-la é um tarefa extenuante para os empreendedores. Ela lamenta que. Resolvido este impasse. na Região Metropolitana. 44 anos. por exemplo. a contabilista enfrenta há mais de um mês o pesadelo da burocracia. como as outras certidões que atestam a ausência de dívidas junto a órgãos governamentais têm prazo de validade para serem apresentadas. Mas não é fácil – diz Magda. Fonte: jornal zero Hora. mesmo que a empresa seja obrigada por lei a apresentar relatórios mensais e anuais sobre pagamento de ICMS. Agora. tenho vontade de jogar tudo para o alto – confessa a contabilista. Flávio Sabbadini.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa teXto ii – fantasma assusta até empresas que já fecharam as portas60 Se abrir uma empresa é uma empreitada difícil no Brasil. o volume de documentos exigidos e falhas na engrenagem burocrática elevam o tempo mínimo para extinguir o empreendimento a vários meses. Uma empresa de reforma de carrocerias de Guaíba. o Brasil se equipara somente ao Chade e à Índia neste quesito – onde o processo também chega a uma década em caso de falência. todos os comprovantes tenham de ser novamente verificados. – Às vezes.

com o poder sendo transferido para as províncias. que mais tarde se transformam nos Juizados Especiais. – Inexistência de um código específico de Defesa do Usuário de Serviços Públicos. apesar de autoritário. em 1969. até hoje não levada a sério. é criada a Comissão de Reforma Administrativa. – Em 1979. o projeto de descentralização volta à carga. – Falta de fixação de metas de desempenho. Para o Instituto Hélio Beltrão – batizado com o nome do ex-ministro da Desburocratização – as medidas abaixo foram tentativas de reduzir a burocracia do Estado: – Do fim da monarquia até 1930. promove a descentralização política. novas medidas de maior impacto são adotadas no âmbito do Programa Federal de Desregulamentação. o programa é recriado. dedicando-se prioritariamente a disseminar os conceitos de desburocratização. Parte-se do princípio de que o cidadão. mas reduz o ímpeto da modernização administrativa do Estado. general João Batista Figueiredo. e de gratificação de produtividade. São criados os concursos públicos nacionais e autarquias dotadas de autonomia gerencial e financeira – primeira tentativa estruturada de descentralização administrativa. Fonte: João Geraldo Piquet Carneiro.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa No Brasil. durante o primeiro governo militar. – Perfil autoritário da administração pública. – O recrudescimento do regime militar. compromete o projeto de descentralização administrativa. – Em 1964. > Formalismo jurídico idealiza as instituições a partir de uma visão estritamente legal. socialmente controláveis. O último dos presidentes militares. busca uma vantagem e não um direito. > No início dos anos 90. cria o Programa Nacional de Desburocratização que seria tocado pelo Ministério da Desburocratização. – O Estado Novo. exigência da Emenda Constitucional 19. o processo político caminha no rumo da descentralização política. delega competências e reforça a autonomia da administração indireta. tenta dar agilidade e eficiência ao serviço público. – Partidarização excessiva do governo. – O Programa Nacional de Desburocratização perdeu ênfase no final da década de 80. presidente do Instituto Brasileiro de Direito Administrativo e pesquisador Associado na Universidade de Oxford (EUA) FGV DIREITO RIO 46 . que dificulta o planejamento de longo prazo – O Estado volta sua arrecadação para seu próprio financiamento. – A redemocratização. – Nos anos 2000. – Duas inovações importantes tiveram a sua gênese com a criação do programa: o Estatuto da Microempresa e os Juizados de Pequenas Causas. aperfeiçoados a emissão de passaportes e a revogação de mais de 100 mil decretos superados e desnecessários. – Os primeiros anos da Reforma Administrativa enfatizam a desburocratização administrativa. presidente do Instituto Hélio Beltrão (IHB) e página do IHB na Internet Por que o Brasil patina? – Há forte vocação à centralização administrativa. criando um ciclo vicioso Fontes:Instituto Hélio Beltrão Juarez Freitas professor de Direito PUCRS e da UFRGS. de 1937 a 1945. ao buscar um serviço público. a partir de 1946. > Existe uma relação de desconfiança no relacionamento do governo com a sociedade e com o cidadão. que seria implementada três anos mais tarde. > São simplificados os procedimentos de embarque e desembarque nos aeroportos.

2% das vagas de trabalho nas regiões metropolitanas (conforme a Pesquisa Mensal de Emprego). O problema é crescente. Uma pesquisa feita pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) em 1997 revelou a existência de 9. em números. quais os setores que mais lidam com esse tipo de mão-de-obra e quais as maiores dificuldades enfrentadas pelos que querem operar dentro da formalidade. quem está migrando para a informalidade. Mais da metade dos trabalhadores brasileiros vive na informalidade.9% dos empregos do IBGE. Em 2002 a indústria era responsável por apenas 15. Nos infográficos abaixo mostramos.5 milhões de empresas informais. ocupando 12. entre 69. Os dados estão em estudos do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) feitos com base em informações do Instututo Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).1 milhões de trabalhadores que recebiam algum tipo de pagamento. Em contrapartida. donos de fábricas de fundo de quintal. escapar das armadilhas da burocracia e do pagamento de impostos. Há grande curiosidade a respeito dos resultados: será que o universo informal continua em expansão? Segundo Lauro Ramos. São também os diplomados que dão consultoria ou atuam como personal trainers. a indústria respondia por 22.3 milhões de pessoas. e dentro delas no setor de serviços. Nada menos do que 52. Em 1991. Tem de tudo no mundo da informalidade. brasil dividido.7% para 42. Eles habitam um mundo de tons cinzentos.6% dos brasileiros que praticam alguma atividade remunerada gravitam em ambientes informais. por andréa Wolffenbüttel. especialmente nas regiões metropolitanas. 61 FGV DIREITO RIO 47 .9 milhões de pessoas: 86% pertenciam a trabalhadores autônomos e 14% tinham até cinco empregados. O Brasil é um dos campeões nesse território. barraqueiros. pesquisador do Ipea e especialista em mercado de trabalho. As estimativas indicam que nesse ambiente circulem de 10% a 15% do Produto Interno Bruto (PIB). o crescimento da informalidade no Brasil resulta de uma re-acomodação da economia. Procuram sobreviver no improviso. Saiba por que isso é um problema e o que se está fazendo para resolvê-lo. Em dezembro será divulgado um novo levantamento com as mesmas características. Em 2002 eram 36. Isso ocorreu porque a Revista Desafios do Desenvolvimento – IpEa – novembro/2004 – Edição 4. São camelôs.8% do total dos empregos em 2002. vendem cigarros e remédios falsificados.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa teXto iii – informalidade61 Esta edição da “Desafios” traça um amplo panorama da perigosa expansão da economia informal no Brasil. o setor de serviços teve a sua participação aumentada de 35. CDs piratas ou uma miríade de coloridos badulaques que enfeitam as ruas de qualquer cidade. Alguns resvalam para a ilegalidade.

na zona sul da capital paulista. a se confirmarem as projeções feitas pelo Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT).5% em 1992 para 52. que passou de 53. 33% da mão-de-obra industrial era composta por trabalhadores sem carteira assinada ou por pessoas que trabalhavam por conta própria. terceirizou atividades.2%). Ali. O Sistema Simples. Goiás. no centro Rio de Janeiro.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa indústria deu um salto de produtividade e passou a produzir mais com menos gente. O menor nível de informalidade é o do setor de veículos automotores.2% das respostas). A investigação dos números é reveladora. FGV DIREITO RIO 48 . Da mesma forma o vendedor de cocos que atua bem em frente à antiga sede do Ministério do Trabalho.8 milhões de microempresas para a lado formal da economia. Há mais. Leandro e seu pai manipulam produtos químicos em galões sem qualquer segurança. junto a 1. Ajuda o pai na loja de material de limpeza que a família tem numa garagem do Jardim Nakamura. Sem alternativa. Os dados de Ramos indicam que o setor industrial não apenas está empregando menos. E que pertencer ou não ao segmento informal não é necessariamente uma opção. diz Ramos. também é nele que se registra o maior crescimento da informalidade. Cuidando da sobrevivência a cada dia.049 empresas informais. “Embora tenha ocorrido um significativo aumento da informalidade ao longo da década de 1990. mas apenas ter conseguido escapar. fechará 2004 na marca dos 38% do PIB. segurança ou alimentação. não teve alternativa senão ficar na informalidade por não conseguir cumprir as regras para a abertura de uma empresa. Cursa o segundo ano do ensino médio e não pensa em fazer faculdade. apenas 17% dos trabalhadores sem carteira tinham mais de 11 anos de escolaridade e em 2000 essa proporção subiu para 26%. de uma época de penúria depois de entrar para a lista de cortes de uma indústria qualquer. 36. 90% da mão-de-obra não têm vínculo empregatício. Em 1992. Nela descobre-se que há gente de todo o tipo nesse lado pouco conhecido da economia brasileira. pois a carga tributária no Brasil passou de 25% do PIB em 1992 para 34. Pesquisa feita pelo Sebrae em fevereiro (de 2004). Qual sua perspectiva de futuro? Permanecer como estão. pode não ter escolhido essa atividade. Que a riqueza é imensa. que facilitou a abertura de empresas. Do lado dos trabalhadores existe um descasamento entre as contribuições para a Previdência e os benefícios potenciais que o sistema previdenciário oferece. muitas para empresas de serviços de limpeza. Depois vêm as barreiras burocráticas (15. Um estudo da consultoria McKinsey publicado em junho revela que o maior grau de informalidade está no setor agro-pecuário.11% em 2003 e.4% em 2002. quando o pai perdeu o emprego. arcar com os pesados encargos tributários ou desvendar uma complexa legislação entronizada sobre a Consolidação das Leis Trabalhistas – um cartapácio com 985 artigos que tem de 61 anos de idade.6%) e a falta de acesso ao crédito (9. os diferenciais de salários observados entre os trabalhadores formais e informais caíram de forma expressiva”.6% em 2002. que ostenta um índice de apenas 9%. aponta que a principal causa para permanecerem nessa condição é a elevada carga tributária (75. A dona da pequena confecção em Jaraguá. implantado em 1996. Mais instigante ainda é a pesquisa dos casos concretos. Em 2002 já eram 36% (veja tabela ao lado). Leandro Dias de Oliveira é um estudante de 17 anos de idade. Ao mesmo tempo. por essa via. Sobram razões para a definição do inimigo principal. O negócio foi aberto há oito anos. O levantamento foi feito com base nos dados da Pesquisa Nacional por Amostras de Domicílio (Pnad) de 2002. já atraiu 2. Já no setor de serviços houve uma pequena queda no grau de informalidade. O aumento da escolaridade dos trabalhadores sem carteira assinada pode ser uma explicação para a aproximação dos rendimentos: em 1984.

pois terá direito a receber uma aposentadoria correspondente ao mínimo quando chegar aos 65 anos de idade quer tenha sido registrado em carteira quer não. que estimula as empresas menos produtivas a permanecer na informalidade. Aceitam vínculos sem carteira assinada ou através de cooperativas. A primeira delas parece entendê-lo como a utilização de recursos ilícitos. O custo total da folha de pagamentos pode chegar a 70% da receita bruta para uma pequena confecção formalizada enquanto não passa de 3% na indústria automobilística. A perda de arrecadação tributária e previdenciária é apenas uma das conseqüências fiscais danosas da informalidade. o que prejudica as contas públicas e dificulta investimentos necessários para o bem comum. a informalidade tem raízes em coisas que o Estado deixou de fazer”. Exigências de controle de qualidade ou padrões fitossanitários também são um vigoroso incentivo para reforçar o terreno da informalidade. Neste caso. especialmente se recebe salário perto do mínimo. Quem defende esta visão. “A segunda visão identifica várias vantagens em uma pessoa optar por ser informal. décimo terceiro salário nem Fundo de Garantia por Tempo de Serviço. os trabalhadores informais têm direito a assistência médica e a aposentadoria – uma despesa que está sendo coberta por um número cada vez menor de trabalhadores e empresas formais. pesquisador do Ipea. “O pequeno empresário não paga os encargos trabalhistas porque eles pesam relativamente mais em seu faturamento do que no de uma grande empresa”. explica Ricardo Paes de Barros. o sujeito que emprega o dumping ou algum outro recurso ilícito”. diz Barros. E de qualquer maneira tem acesso ao Sistema Único de Saúde. A informalidade é um problema para o país por várias razões. ao seguro acidente de trabalho e ao seguro maternidade. FGV DIREITO RIO 49 . Deixa de ter direito ao seguro desemprego. Da mesma forma. “Existem duas visões sobre o setor informal. porque uma empresa não investe na capacitação de um trabalhador que não tem vínculo com seu negócio – o que numa perspectiva mais larga prejudica a competitividade da economia do país como um todo. acredita que o problema se resolve arrumando as leis e combatendo a burla à legislação. é cada vez mais comum a opção pela informalidade para não cumprir exigências trabalhistas. De acordo com o relatório da McKinsey. acesso ao crédito ou até mesmo herança familiar. mas não precisa abrir mão de uma parte de sua receita em favor da Previdência Social. a opção pela informalidade está relacionada ao alto custo do cumprimento das leis. Não tem direito a férias. a sociedade não se sente suficientemente convencida de que deve enquadrar o informal. economista e consultor da Unidade de Políticas Públicas do Sebrae Nacional. Primeiro porque quem trabalha sem registro vive sem qualquer rede de proteção. como educação.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa Menos oxigênio. A ela faltaram oportunidades. perante uma legislação não muito boa. Para ganhar alguma vantagem competitiva. o Estado tem de buscar reforço de caixa. Também está associada a empreendimentos ligados ao contrabando ou à falsificação. Diante da evasão. onde as regras mudam. A busca de soluções para o problema é uma tarefa do governo e da sociedade e o primeiro passo para cumpri-la é identificar suas causas. Uma das alternativas é cobrar mais do setor que já paga impostos como manda o figurino – o que tira oxigênio da economia. E também porque embora não contribuam. Em conjunturas de retração da oferta de trabalho os próprios funcionários se tornam cúmplices do processo. professor titular do Departamento de Economia da Pontifícia Universidade Católica (PUC) do Rio de Janeiro. diz Ricardo Tortorella. o custo relativo da assistência à saúde e da segurança no trabalho é muito mais pesado para as pequenas empresas. Segundo o economista José Márcio Camargo. Em terceiro lugar porque empresas e pessoas que vivem na informalidade não pagam impostos. previdenciárias ou relacionadas à segurança do trabalho. o trabalhador não se interessa pelo registro em carteira. Finalmente. Depois.

o projeto anunciado em setembro é um avanço na rota da formalização da economia. podem ser considerados um fracasso. A tentativa de flexibilizar a legislação trabalhista com a Lei 9. Só depois estabelece o salário dos trabalhadores. já incorporando todos os atributos atuais. e por que não dizer perigosa. esta nova lei apresenta um problema estrutural preocupante: condena as empresas a permanecerem pequenas. o décimo terceiro salário. Isso porque dependem de negociações das empresas com sindicatos. O resultado. quem tem uma empresa calcula de antemão o valor do descanso semanal remunerado. Do lado dos pequenos empresários. que “fica mais barato correr da polícia do que cumprir as exigências formais”. Especial. de acordo com a Associação Brasileira da Indústria do Vestuário (Abravest). Um processo de livre negociação entre sindicatos setoriais ou regionais fixaria os salários. Nos cálculos do setor farmacêutico. Ele acha que a flexibilização das leis não deve diferenciar empresas pelo tamanho. que instituiu o banco de horas e contratos temporários já não foi tão bem sucedida. Ao anunciar as medidas. Na opinião de Camargo. segundo as contas dos fabricantes legais. A linha geral das mudanças foi anunciada num evento. “O banco de horas deu certo nas grandes empresas. por mais mudanças que haja no projeto original. só o fato de o assunto estar sendo ventilado já é um avanço. A tendência à informalidade é maior nas épocas de aperto. Um dos movimentos consistentes para enfrentar o problema foi o lançamento do Simples. deverá incluir a redução de encargos tributários e facilitar os trâmites burocráticos para empresas de menor porte. de forma a compensar os gastos”.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa Justiça. funcionando como um inibidor do crescimento. A face mais perversa. mas não é suficiente. “Hoje. A venda de cigarros falsificados ou contrabandeados. “até porque se o empregado recorre à Justiça sempre é possível fazer um acordo e conseguir um desconto”. A questão. para abrir uma empresa. a atividade cinzenta fatura cerca de três bilhões de reais ao ano. 20% dos medicamentos vendidos no país são falsificados e podem colocar em risco a vida dos usuários – um negócio de cerca de três bilhões de reais ao ano. No segmento de vestuário. não pagar os direitos trabalhistas e seus respectivos encargos sai mais barato. é que assim como o Simples. Entretanto. quase 8% do faturamento setorial. que teve sucesso justamente por sua descomplicação. pesquisador do Ipea. Também é preciso simplificar as leis trabalhistas e reduzir os impostos que pesam sobre empreendimentos com outras dimensões. diz Ramos. da situação é o envolvimento com atividades ilegais ou semi-legais. na medida que estabelece um teto de faturamento para os que pretendam gozar dos benefícios. mas definir um arcabouço em que a livre negociação seja a pedra de toque. como aponta o economista José Pastore. no final de setembro. de acordos coletivos e da apresentação de farta documentação para os fiscais do Ministério do Trabalho. onde foi usado para evitar demissões nos períodos de recessão”. diz Ramos. sem a intervenção FGV DIREITO RIO 50 . o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reconheceu. lembra Armando Castelar. evitam riscos como multas trabalhistas ou sanitárias”. com menores encargos trabalhistas. férias e possíveis custos indenizatórios. mas até o final de outubro nada tinha sido dito a respeito do detalhamento das medidas e nem sobre o conteúdo do Projeto de Lei Complementar. quando os empresários aceitam correr maior risco porque não conseguem fazer face aos encargos formais. A rota da simplicidade foi escolhida pelo governo federal ao propor ao Congresso um regime especial para empresas com faturamento de até 36 mil reais por ano. por exemplo. Já os contratos especiais. movimentou cerca de 1.3 bilhão de reais. como lembra Castelar.9 bilhão de reais em 2001 (ou 25% do faturamento do setor formal) e o governo deixou de arrecadar 1. a questão estará na ordem do dia. E quando a proposta governamental for debatida no Congresso. “Nos momentos de recuperação econômica.601 de 1998.

é favorável a um regime trabalhista especial para as empresas de menor porte. diz. mas não abrem mão de direitos como o abono sobre o valor das férias e o décimo terceiro salário.2 mil dólares para 174 dólares. Portugal elegeu a luta contra a informalidade como o principal componente de sua agenda de reformas para colocar o padrão nacional de produtividade na média dos países da União Européia. Luiz Marinho. Requisitos. FGV DIREITO RIO 51 . Criou uma poderosa base de dados unificada. reduzindo seus custos. poderiam ficar por conta de associações. Se o Brasil conseguir atrair mais empresas para a formalidade. Não houve consenso na negociação da reforma trabalhista no Fórum Nacional do Trabalho. a carga tributária. o que viabilizou a abertura de um negócio em apenas um dia (antes eram necessários 300). será necessário integrar as bases de dados da Secretaria da Receita Federal. A Rússia escolheu como prioridade o combate à sonegação e à corrupção. Como se vê. O registro de empresas foi unificado. A economia brasileira ganhará. A multa de 40% sobre o valor do Fundo de Garantia de Tempo de Serviço (FGTS) pode ser objeto de negociação. empresários e governo. outra conseqüência será a simplificação do processamento da folha de pagamento. Resumo da ópera: elevação de 75% da arrecadação junto às empresas de micro e pequeno porte. Ao definir que a “exclusão econômica da parcela mais pobre da população” era devida à dificuldade para abrir empresas e à intensa burocracia. Reforma. diz. presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT). foco setorial. e não os direitos trabalhistas. Segundo Paulo Pereira da Silva. do Ministério do Trabalho e do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). e responsabilização. Experiências de outros países mostram o impacto positivo de programas consistentes de combate à informalidade. Ao reduzir os encargos sobre as remunerações. é a principal causa da informalidade. também é irredutível quanto à flexibilização dos direitos adquiridos. No Brasil. a tendência é de que elas busquem aumentar a sua eficiência e produtividade. reformas estruturais. Presidente da Força Sindical. com uma substancial redução de custos para cada participante.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa da Justiça do Trabalho. “também exige mudanças nas regras para abertura e fechamento de empresas e a modernização dos controles governamentais”. o Peru implementou um programa que o destaca entre os países em desenvolvimento. A Espanha optou por atacar a frente fiscal. simplificou a tributação para micro e pequenos empreendimentos e criou de um órgão central para combater a evasão fiscal. As centrais sindicais até aceitam discutir. os resultados podem ser compensadores. A estimativa da McKinsey é de que o PIB brasileiro poderia crescer dois pontos percentuais por ano se apenas 20% das empresas que atualmente estão na informalidade fossem incorporadas à economia formal. coordenação e transição”. com redução do custo da operação de 1. O resultado seria “o fortalecimento dos sindicatos. Além de criar um cadastro tributário único para unificar as três esferas do poder. A luta contra a informalidade. do Sebrae. Segundo o estudo da McKinsey. que passariam a negociar também com as pequenas e médias empresas”. Exigências como a garantia de assistência à saúde. um empreendedor leva em média 155 dias para legalizar seu negócio. que reúne trabalhadores. ou regras de segurança de trabalho. Tortorella. Para ele uma das saídas seria passar a cobrar os encargos da Previdência Social sobre o faturamento e não sobre os salários. que impediam a formalização. são quatro os requisitos para uma iniciativa desse porte ser bem sucedida: “prioridade governamental.

ocupam 13. Regionalmente.4% menor do que em 1997 (R$ 880).070 bilhões. apareciam Minas Gerais (10. diz IBGE. do outro”. contra 93% seis anos antes. e não o trabalho informal. a renda sobe para R$ 753. a situação ficou ainda mais difícil.861 milhões de pessoas -7. em 2003. 98% são considerados informais. Empresa informal tem 1/4 dos trabalhadores.7% entre 97 e 2003.4%). Fonte: http://www1. Em 2003. empregadores e empregados) caiu 3%. disse ela. o mercado informal vive um período de saturação. divulgada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Para Angela Jorge. São Paulo concentrava o maior número de empresas informais: 25% do total. Apesar do recuo de ganhos e rendimentos. de um lado. “A economia informal é importante porque cria oportunidade de trabalho para pessoas que poderiam estar pressionando ainda mais o mercado formal. chefe da Coordenação de Emprego e Rendimento do IBGE. ao passar de R$ 374 em 1997 para R$ 363 em 2003. A alta foi proporcionalmente maior do que a expansão no período do total de pessoas ocupadas nas cidades: 4%. Já a receita média mensal das firmas informais caiu de R$ 2. menos firmas eram lucrativas -73% obtiveram lucro.7% a mais do que em 1997. afirma.com. a economia informal abriga 10.uol. Os empreendimentos informais empregam um quarto dos trabalhadores das áreas urbanas no Brasil. Se considerados só os empregadores. um faturamento de R$ 17. por pedro soares. Folha Online – Da sucursal do Rio em 20/05/2005. mas sua “maior importância” econômica não é na geração de riqueza.4% menos do que em 1997 -R$ 20. Pelos dados do instituto. o rendimento médio dos trabalhadores do setor informal (conta própria. Tal retrato foi revelado pela pesquisa Economia Informal Urbana.htm 62 FGV DIREITO RIO 52 .2%) e Rio (8. ou 98% do total de empresas com até cinco pessoas ocupadas (10. e a renda das firmas e pessoas que estão nesse segmento também caiu no período.525 milhões). 12. os dados mostram que as pessoas permanecem muito tempo no setor informal: 31% das pessoas que tinham seu negócio estavam na informalidade havia mais de dez anos -apenas 12% possuíam o empreendimento havia menos de um ano. em parceria com o Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas).ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa teXto iV – eConomia “inVisÍVeL”. ainda assim 14. e sim na sua grande capacidade de acolher trabalhadores.183 para R$ 1. Para Luís Carlos Barbosa.br/fsp/dinheiro/ fi2005200502. diretor-técnico do Sebrae.754 entre 97 e 2003 -uma retração de 19.62 Dos empreendimentos com até cinco pessoas. com a crise econômica e a retração do consumo. que inclui também pessoas ocupadas informalmente em firmas que são regulares. receita média do setor caiu 19. a economia informal perdeu espaço no PIB. Em 2003. todas as empresas informais (aquelas que têm de uma a cinco pessoas trabalhando e não separam sua contabilidade da do dono do empreendimento) geravam mensalmente. Segundo o IBGE. com forte concorrência entre os empreendedores e poucos clientes. mas o setor perdeu participação no PIB (Produto Interno Bruto) entre 1997 e 2003 -de 8% para 6%-. O IBGE pesquisou empreendimentos informais.1% a mais do que em 1997). por sua vez.590 bilhões. e os programas de transferência de renda do governo. um conceito mais amplo e mais difundido. As firmas informais. Na seqüência.7%.336 milhões de firmas (9. Juntas. folha.

não existiam legalmente. os assaltos a bancos e seqüestros. Para Barbosa.shtml 89 FGV DIREITO RIO 53 . 6% empregados com carteira assinada e 5% não-remunerados -ajudantes sem salário. assalto às empresas e às pessoas. unam esforços no combate à pirataria.” Quase todas as pequenas empresas brasileiras são informais.mj.com. folha.gov. Trecho do artigo de autoria do Dr. é fundamental que os governos das nações civilizadas. o contrabando e o comércio clandestino de armas. Em 2002 (último dado disponível). As gravadoras perderam US$ 300 milhões e assistem ao avanço crescente das cópias falsas.br/ combatepirataria/showartgs.64 A economia informal responde quase pela totalidade das pequenas empresas brasileiras. é maioria entre os informais: 69% do total de pessoas ocupadas no setor em 2003. A indústria do tabaco teve prejuízo de US$ 1. bem como seus povos e setores produtivos. O Ministério da Justiça revela números assustadores. 88% não tinham constituição jurídica -ou seja. suas chances de diversificação e expansão. O estudo feito em parceria com o Sebrae traça um retrato da informalidade no país. O setor de software enfrentou quebra de US$ 400 milhões. ampliando o seu acesso ao crédito e. facilitando a instalação de firmas com faturamento de até R$ 36 mil ao ano. existam outras duas informais. Aquele trabalhador que desenvolve sozinho o seu negócio.uol. O restante dos trabalhadores dos empreendimentos informais se distribui da seguinte forma: 10% eram empregadores. Um passo significativo para aumentar a formalização. diz ibge. de acordo com o IBGE.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa Por conta própria. Um dado da pesquisa mostra o vínculo entre empresa informal e família: só 65% das atividades produtivas eram desenvolvidas fora do domicílio. A grande maioria (95%) das firmas tinha apenas um único proprietário. que transcende as fronteiras da legalidade em todos os continentes. Porém 7. Essas são estatísticas sombrias de uma atividade tão criminosa quanto o tráfico de drogas. do Sebrae.2 bilhão. no Rio. segundo dados divulgados hoje pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) na Ecinf 2003 (Economia Informal Urbana). sem ter registro no CNPJ (Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica). que já detêm 95% do mercado.5 milhões de empresas formais. diz o Sebrae. asp?id=16 63 Folha Online. em geral mulheres ou filhos do dono da empresa. Do total de empresas informais.63 “Somente no Brasil a pirataria foi responsável por perdas de R$ 30 bilhões em 2004. Fonte: http://www. Helio magalhães. conseqüentemente. para cada empresa regular. por: janaIna LaGE. O Sebrae estima que. com CNPJ. presidente do conselho da câmara americana de comércio – amcham. 10% empregados sem carteira assinada.4 milhões de empresas nem haviam tentado se regularizar em 2003. o ideal seria que todas essas firmas se tornassem legais.br/folha/dinheiro/ult91u96456. o chamado “conta-própria”. Trata-se de um problema efetivamente grave. havia cerca de 4. o roubo de cargas. A cadeia produtiva do cinema foi surrupiada em US$ 130 milhões. é o projeto de lei em tramitação no Congresso que cria a pré-empresa. notÍCias reLaCionadas. em 19/05/2005. segundo o IBGE. diz ele. Custos elevados dos registros e impostos e a pesada burocracia para a abertura de uma empresa são os principais entraves apontados pelos empreendedores que pretendem regularizar sua situação. Fonte: http://www1. de 20/junho/2005. Assim.

houve um crescimento de 9% no número de empresas informais.. que há dois anos vende cangas e batas nas praias do Rio. 49. Existem também 5% de não-remunerados.) Flávio Lopes Ferreira.3%) ou na casa do cliente (27. em 1997. (.525 milhões --foram consideradas nesse caso as empresas não-agrícolas. Pela metodologia da pesquisa do IBGE. As empresas informais empregam cerca de 13 milhões de pessoas. é informal.com. 25. 98% fazem parte do setor informal. O número de postos de trabalho cresceu 8% neste período. ele vende balas nos ônibus pelo bairro de Copacabana.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa O número de pequenas empresas no país alcança 10. o camelô é exclusivamente o trabalhador por conta própria ou empregador que desenvolve seu trabalho na rua e está enquadrado em dois setores: comércio e serviços -neste caso.825 empreendedores em 2003. 10% são empregadores e 6% trabalham com carteira assinada. Gonçalves não sabe quanto recebe por mês: “Vou vendendo e quando preciso compro mais”. com sua barraca montada numa movimentada rua de comércio popular. Sem nunca ter trabalhado no mercado formal. folha. por exemplo. Camelôs são apenas 7% do setor informal65 O camelô. empregados com e sem carteira de trabalho assinada e trabalhadores não-remunerados.9% do total de empresas informais. A pesquisa também mostra que em 2003 a economia informal gerou R$ 17. Outro grande contingente de empresas informais (27. Em relação à última edição da pesquisa. a maior parte dos ocupados informais era migrante: 55% não nasceram na cidade na qual trabalhavam. Fonte: http://www1. 65 FOLHa OnLInE – Da sucursal do Rio em 20 de maio de 2005.335 milhões de empresas. saiu do interior da Bahia para “passar uns dias” na cidade e acabou ficando. pequenos empregadores. A firma (RECTIUS: sociedade) pode até ter CNPJ (Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica). Mas não é. Além de estar principalmente no comércio.br/fsp/dinheiro/ fi2005200508.3%) funciona no domicílio do dono do negócio. só o de alimentação. embora 83% deles morassem na localidade havia pelo menos cinco anos. 10% são empregados sem carteira assinada. Ganha de R$ 350 a R$ 400 mensais. Desse total. é um trabalhador por conta própria no comércio.uol. A maior parcela das firmas informais no país está instalada em lojas ou oficinas (20. empresa informal é aquela que não tem um sistema de contas claramente separado das contas da família e emprega de uma até cinco pessoas. é talvez o personagem mais comum quando se pensa em um empreendimento informal. mas. É o caso de filhos que trabalham com os pais no preparo de alimentos para vender em barracas ou feiras. A mulher e os seis filhos também se mudaram e hoje moram com ele. Gabriel Marcos Gonçalves. Pelos critérios do IBGE.6%).. incluindo empregados e pequenos empregadores. Grande parte das vagas criadas no setor informal pertence a trabalhadores por conta própria (69%). Mas uma pessoa que trabalha sem carteira assinada para uma empresa formal não está no universo da pesquisa. Os camelôs propriamente ditos somavam 711. se não tiver sistema de contabilidade próprio.6 bilhões de receita média mensal e respondeu por um quarto das contratações de trabalhadores nãoagrícolas no país. o equivalente a 10.htm FGV DIREITO RIO 54 . ou 6. incluindo trabalhadores por conta própria. Os trabalhadores por conta própria e os autônomos estão nesse universo.

tem-se a figura do empresário individual caracterizado pelos elementos constantes no art. portanto.000/99. conforme expresso no art. para fins de inscrição do empresário individual. Penalva Santos e Paulo Penalva Santos.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa AUlAS 06 E 07: MODElOS SOCIEtáRIOS DE AtUAÇÃO EMPRESARIAl PARA A PEQUENA E MéDIA EMPRESA Muitas pessoas pensam em “abrir o próprio negócio” vislumbrando uma liberdade e tranqüilidade que não tiveram quando eram empregados. com a colaboração de familiares e/ou de auxiliares. obrigado a inscrever-se na Receita Federal para obter o CNPJ – Cadastro Nacional de Pessoas 66 Decreto n.A. Do Direito de Empresa (arts. Leitura CompLementar: – Páginas 159 a 170 dos Comentários ao Código Civil Brasileiro. além de capacidade para assumir riscos e desafios. 9ª edição. bem como será de curial importância a escolha do melhor “modelo societário” (rectius: modelo empresarial) para o desempenho de suas atividades. – Páginas 93 a 112 (SCP e LTDA) do Direito Societário. sejam eles investidores ou participativos (ou empreendedores).087). 966 além do requisito especial do exercício da atividade em nome próprio – quando muito. e competência para atingir o objetivo traçado. Saraiva: São Paulo/2004. Newton Lucca. Diante desta realidade. nacionalidade. necessário se faz que os que se prestam a tanto tenham noção dos riscos e dificuldades que enfrentarão. Nesta aula discutiremos a leitura do(s) seguinte(s) capítulo(s): – Páginas 357 a 398 (LTDA) e 479 e 480 (SCP) do Curso de Direito Comercial. é equiparado à pessoa jurídica e. 996 a 1. vol. J. IX. Rogério Monteiro. José Edwaldo Tavares Borba. Fábio Ulhoa Coelho. a informação do seu nome civil. O empresário – pessoa natural. 968. não há que tipificá-lo de “pessoa jurídica”. Na verdade. Da mesma forma. A figura do empresário não se confunde com a dos sócios ou acionistas de sociedade empresária.º 3. ter um empreendimento exige sacrifícios. 7ª edição. I que estabelece. Forense: Rio de Janeiro/2005. roteiro de auLa: Aprendemos que quando a empresa é titularizada por uma pessoa natural. apesar do mesmo tratamento fiscal que lhe é conferido66. FGV DIREITO RIO 55 . domicílio e estado civil. Renovar/2004. ementário de temas: – – – – – Empresário Individual Sociedade em Conta de Participação Fundo de Investimento Imobiliário – FII Sociedade Limitada Texto: As Sociedades em Nome Coletivo e em Conta de Participação como Estratégias de Negócios. como já vimos nas aulas anteriores.

o dispositivo do art. 97. . para o cumprimento de suas obrigações. O sistema de responsabilidade do Empresário é PATRIMONIAL. 48 da Lei n. adicionar o ramo de atividade a que se destina. tenham uso presente e sejam vinculados ao exercício legítimo dessa profissão.150 do Código Civil de 2002. praticamente. faz com que muitos empreendedores busquem outro modelo empresarial (sociedades) a fim de evitar tal situação de confusão patrimonial. Ausência de outorga uxória. saraiva/2005. quer civis quer comerciais. o que se afigurará como incentivo. Erro de fato. 72 FGV DIREITO RIO 56 . nEGRãO.156. nada mais são que a mesma realidade. b) não tem legitimidade ativa para pleitear sua recuperação judicial72. O Superior Tribunal de Justiça confirmou esta orientação no Recurso Especial 594. o negócio jurídico celebrado. O exercício da atividade empresária pressupõe o registro correspondente. .ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa Jurídicas. não é cabível o agravo retido. Rel. cpc – “art. Violação a literal disposição de lei. ele responde com todos os seus bens presentes e futuros (sempre no limite das forças do seu patrimônio) pelas obrigações contraídas no exercício da atividade68. quando os bens não podem ser penhorados mesmo que relativamente valiosos e prescindíveis.Não se conhece do recurso especial na parte em que se encontra deficientemente fundamentado. incabível a ação rescisória. O devedor responde. Ricardo in manual de Direito comercial e de Empresa.832-RO: Processual civil. designação mais precisa da sua pessoa ou do gênero de atividade. . A falta de inscrição no Registro de Empresas coloca o Empresário “à margem das prerrogativas plenas previstas nas inúmeras leis que regulamentam sua atividade70” e implica sanções que lhe podem ser aplicadas em virtude do exercício irregular da atividade. TERCEIRA TURMA. o empresário só poderá adotar a espécie: firma individual. sendo-lhe facultado. assim. nesta parte.º 11. ou seja. Tema controvertido.Em ação rescisória. pg180. VI. Recurso parcialmente conhecido e. ambos referentes ao sistema de registro do nome empresarial. impõe-se uma conduta prudente e extremamente cautelosa na administração da empresa. c) não conseguirá enquadrar-se como microempresa e dispor dos benefícios previstos na legislação própria. mas desde que sejam necessários e úteis à profissão do executado. Cabral da Silva”. 443) 67 “Art. portanto. tanto abreviá-lo. feito na forma da Lei n.101/2005. ao empresário individual. . provido. Agravo retido. vimos que a indicação da atividade é providência que se impõe. vol. da Silva”. respondendo os seus bens pelas obrigações que assumiu.º 8. 70 art. Exemplos: “João Cabral da Silva”. mas é certo que alguma parte do estabelecimento empresarial será alcançada.156 do CC67.101/2005. (REsp 594. Ministra NANCY ANDRIGHI. os tributos incidentes serão os mesmos existentes para as sociedades. julgado em 28/06/2005. impedido de “crescer demais”.1. com base nos princípios da veracidade e novidade.” como estudado no primeiro módulo de Direito Empresarial (Teoria Geral da Empresa). “João C. 71 art. Recurso especial. § 1º da Lei n. como também. 1.832/RO. No tocante ao nome empresarial. porém. norma sobre o registro público de empresas mercantis e atividades afins. 649. com todos os seus bens presentes e futuros. do cpc). Inviabilidade. O empresário opera sob firma constituída por seu nome. 68 69 É o caso da impenhorabilidade de máquinas. o empresário individual irregular: a) não tem legitimidade ativa para requerer o pedido de falência do seu devedor71. “J.º 11. Inválido. nos termos do art.934/94. 1.Indispensável a outorga uxória para efeitos de doação. contradição ou obscuridade. 591. utensílios e instrumentos necessários ou úteis ao exercício de profissão (art. Assim.Empresário individual é a própria pessoa física ou natural. Não demonstração da omissão. . pois os credores terão garantias contra eventual inadimplemento do empresário. estando. Esta será composta pelo seu nome civil. Este regramento legal confere segurança às relações jurídicas na ordem econômica. Patrimônio do empresário individual e da pessoa física. se quiser.Se o alegado erro foi objeto de controvérsia na formação do acórdão. Existem bens que podem ser excluídos da esfera de ação do credor por se considerarem essenciais à atividade do empresário69. Desta forma. Doação. Embargos de declaração. aditando-lhe. Ação rescisória. Nesse sentido. respeitando-se. da decisão unipessoal que causar gravame a parte. considerando que o patrimônio da empresa individual e da pessoa física. DJ 01/08/2005 p. “João Cabral da Silva Motores”. Invalidade. salvo as restrições estabelecidas em lei”. completo ou abreviado. 1.

pois dependerá dele o empenho para atingir as metas traçadas. podendo enquadrar-se no SIMPLES. geralmente. II do código civil. como econômicos. 7ª edição. a causa deste anonimato não pode ser ilícita. mas sim um contrato. riscos e sacrifícios. FGV DIREITO RIO 57 . Exigirá muitas horas diárias de trabalho.º 8. apenas a boa intenção não será suficiente. Entre algumas vantagens de ser Empresário Individual estão: – Os custos iniciais para a abertura do negócio são relativamente pequenos.666/93. 991 a 996. pg. pg. – Possui total autonomia administrativa e participação integral nos lucros. saraiva/2004. 73 74 art. como denomina o Código Civil. III.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa d) não poderá participar de licitações públicas73. O Empresário precisa ter conhecimento e capacidade para administrar seu negócio com efetividade. um contrato “que o legislador. f ) não conseguirá seu registro no Cadastro de Contribuintes da Seguridade Social. preferem ficar ocultas (não aparecer). – Vantagens fiscais por tratar-se de microempresa. – Pode haver restrição para a obtenção de créditos junto às instruções financeiras. que. ficará dependente de fornecedores. entre outros. Pessoas com recursos disponíveis e que desejam investir numa atividade empresarial. 76 Fábio ulhoa coelho in curso de Direito comercial. e) não conseguirá seu registro no Cadastro de Contribuintes Fiscais – CNPJ. saraiva/2005. pg.74 Ao sugerir para o cliente a modalidade “Empresário Individual”. no mesmo sentido: Ricardo negrão in manual de Direito comercial e de Empresa. 104. § 31 da constituição da República. – Pode haver dificuldades para conseguir prazo para faturamento junto aos fornecedores.94. denominou sociedade”76 – ou. josé Edwaldo Tavares Borba in Direito societário. 28. 75 Existem pessoas que desejam investir em operações de risco e. ele terá menos tempo disponível para a família. Renovar/2004. pois o objeto do contrato tem que ser lícito – art. optam por celebrar um contrato de sociedade em conta de participação.302. pela doutrina. – Facilidade para a dissolução da empresa (“baixa no seu registro” como empresário. o Código Civil a elenca como modelo societário) e a Sociedade Limitada – LTDA. deve-se ter em mente que ser Empresário significa lidar com desafios. assim como. com isso. sendo impossibilitado de contratar com o Poder Público. embora constituída mediante art. 4ª edição. bancos. A Sociedade em Conta de Participação – SCP – é considerada. uma vez que viabiliza composições entre partes que objetivam determinado negócio. sociedade em conta de participação – arts. do governo etc. na junta comercial). uma sociedade que não preenche alguma das condições previstas em edital de licitação. 9ª edição. impropriamente. por isso. celebra com outra o contrato de participação onde unirão esforços para alcançar o fim determinado. 195. clientes. Esta “sociedade” merece destaque. Outras desvantagens em ser “Empresário Individual”. empregados. durante um bom tempo ele não ouvirá a expressão “tirar férias”. sem se tornarem sócios. mas isto apenas por conveniência ou oportunidade75. deixando-as livres para outras empreitadas ou mesmo servindo para manter uma das partes (sócio participante) no anonimato. Cumpre agora analisarmos os modelos de sociedades mais utilizados para pequenas e médias empresas: a Sociedade em Conta de Participação – SCP (apesar de não ser um modelo societário. mas de competência e inúmeros fatores externos. e como as decisões do negócio são tomadas pelo Empresário. Importante frisar que para o negócio ser bem sucedido não depende só de sacrifícios e da vontade de ganhar dinheiro. são: – Seus bens pessoais ficarão comprometidos e serão alcançados por obrigações contraídas no exercício da atividade empresarial – A firma individual é intransferível por tratar-se do próprio nome civil do Empresário (“a pessoa natural não é passível de alienação”). II e III da Lei n.479. uma sociedade não personificada.

no sentido de que “embora não obrigatoriamente. da Lei n. 325) – é aquele que se obriga exclusivamente ao sócio ostensivo. para o negócio (dinheiro. pg.a. O sócio ostensivo é quem exerce a atividade constitutiva do objeto social. imóvel. porém admitida por Pontes de Miranda. As partes possuem a seguinte denominação: a) Sócio participante/investidor (antigo sócio oculto do Código Comercial – art. Desta forma. A forma de contribuição dos sócios. Cunha Gonçalves e José Eunápio Borges. pois. O arquivamento pode ser feito. penalva santos in comentários ao código civil Brasileiro. como o direito comercial aduzia. não formalizou o arquivamento do seu ato constitutivo em registro competente. 9ª edição. pg. mesmo que seu ato constitutivo seja arquivado em órgão competente. contratar a conta de participação por escrito. Sua constituição independe de qualquer formalidade e pode provar-se por todos os meios de direito77 e. nos termos do contrato. “e”. Contudo. afigurando-se. entendendo estes autores que “por não ser clandestina ou propriamente secreta. e embora não possa administrar a sociedade. em seu nome individual78 e sob sua exclusiva responsabilidade. para não se exporem a elevados riscos. orienta o Prof. 32. IX. j. importância do registro. não pode usar razão ou denominação social. devem os participantes. b) Sócio ostensivo (empreendedor) – é aquele que se obriga perante terceiros sendo sua responsabilidade ilimitada. 79 80 81 art. O sócio participante poderá ser mais de uma pessoa natural e/ou jurídica. Renovar/2004.934/94)82”.º 8. mesmo que o contrato por alguma razão venha a ser registrado. obriga-se perante terceiro tão-somente o sócio ostensivo.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa instrumento escrito. não lhe será atribuída personalidade jurídica. foi rejeitada por Carvalho Mendonça. pode ser provada por quaisquer dos meios admitidos em direito e. em sócio oculto.95. mesmo as que optarem pelo registro não alcançarão o status de personalidade jurídica. uma vez que ela tem que ser efetiva. 991 – código civil. O sócio participante não contrata com ninguém.. o sócio participante79. terá sempre direito de fiscalizar sua gestão80. pois qualquer ato de interesse do empresário é passível de arquivamento na Junta Comercial (art. como não tem personalidade jurídica. 77 78 art. este eventual registro não confere personalidade jurídica a SCP. “trabalho”. Portanto. responderá solidariamente com ele no negócio que interveio. e providenciar o respectivo arquivamento no Registro de Empresas.087). mesmo assim. A possibilidade de levar a registro o contrato de participação. parágrafo único do art. participando os demais dos resultados correspondentes. sendo certo que. 996 a 1. Forense: Rio de janeiro/2005. 161. 993 do código civil. FGV DIREITO RIO 58 . 82 in Direito societário. Do Direito de Empresa (arts. somente entre os “sócios” produzirá efeitos jurídicos (não tendo força contra terceiros). e. exclusivamente perante este. os sócios participantes só devem explicações ou responsabilidades perante o sócio ostensivo. Ele deve prestar contas perante os demais sócios ocultos. se tomar parte nas relações do sócio ostensivo com terceiros. os seus atos possam vir a ser conhecidos de terceiros”81. ostensivo e participante. 992 do código civil..) deve estar prevista no instrumento contratual. Admitindo o registro como forma de evitar que o sócio participante seja confundido com “sócio” de uma sociedade em comum (leia-se: responsabilidade ilimitada). Vimos então que a SCP independe de qualquer formalidade legal para sua constituição. salvo no caso de participar ativamente nas negociações com terceiros. II. legalmente. José Edwaldo Tavares Borba. vol.

83. CAUTELAR INOMINADA. art.fazenda. artigo Único: (. reger-se-á pelas normas relativas à prestação de contas. observando-se as normas relativas à prestação de contas. III do CPC. nesse sentido. duas decisãões do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro: SOCIEDADE POR CONTA DE PARTICIPAÇÃO.2-Ao sócio ostensivo compete explorar.APELACAO SOCIEDADE EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO. cessando os efeitos da liminar concedida. DISSOLUÇÃO. o disposto para a sociedade simples. o ato constitutivo ficará sujeito às normas que regulam os efeitos da falência nos contratos bilaterais do falido85. apesar de não ter poder de mando. é pago depois dos créditos privilegiados e daqueles que têm garantias reais84). RECURSOS CONHECIDOS E DESPROVIDOS. subsidiariamente e no que com ela for compatível.. seguem decisões administrativas da Secretaria da Receita Federal87: SOCIEDADE EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO. contudo. que geralmente é o prestador de capital. compete a participação nos resultados da exploração do objeto. sem.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa Havendo a falência do sócio ostensivo (sendo ele sociedade empresária) acarretará na dissolução da “sociedade” e a liquidação da respectiva conta. 994 §2º do código civil. Julgada improcedente a ação principal. apresentação da declaração de rendimentos e recolhimento do imposto devido pela sociedade em conta de participação86. MILTON FERNANDES DE SOUZA . 2007. Sobre o assunto. incabível é a devolução dos valores investidos pelo sócio participante sem que haja a dissolução da sociedade.001. DES. 2007. 87 Disponível em: http://decisoes. e a sua liquidação rege-se pelas normas relativas à prestação de contas. Inteligência do artigo 808. 994 §3º do código civil.. através de sua liquidação. em que a administradora (empresa hoteleira) é a sócia ostensiva. destituídos de qualquer privilégio ou preferência (sendo crédito sem garantia.gov.51470 . na qualidade de sócia ostensiva. no processo de falência. Quanto à resolução de questões não previstas no contrato. poderá decidir quanto ao ingresso de novos sócios em havendo cláusula contratual neste sentido.) § 4º É a administradora (empresa hoteleira). Sentenças que se mantém.QUINTA CAMARA CIVEL 83 84 art. FERDINALDO DO NASCIMENTO .3-E ao sócio oculto ou participante.Julgamento: 10/07/2007 . htm FGV DIREITO RIO 59 . a responsável pelo recolhimento do imposto e das contribuições devidas pela scp. LIQUIDAÇÃO.br/netahtml/ decisoes/decw/pesquisasOL. a exemplo do que ocorre com a sociedade em comum. DISSOLUÇÃO E DIVISÃO DE BENS. 996 do Código Civil. Ao sócio ostensivo compete a responsabilidade pela apuração dos resultados. Já na hipótese de falência do sócio participante. seja em relação ao patrimônio especial.2-Desta forma.101/05 (Lei de Recuperação da Empresa – LRE) 85 86 art. No que se refere à alteração do quadro societário. de acordo com o art. seja em relação aos lucros auferidos. PEDIDOS IMPROCEDENTES. aplica-se. desaparece a plausibilidade do direito invocado. na forma da lei processual. IMPOSSIBILIDADE. A liquidação da sociedade em conta de participação. em nome individual e sob sua responsabilidade. DES.001. VI da Lei 11. assumir os riscos do empreendimento junto a terceiros. obedecendo ao rito da lei processual civil.Julgamento: 13/11/2007 . constitui-se uma sociedade em conta de participação. o artigo 995 confere uma “certa proteção” ao sócio participante que. sem prejuízo do recolhimento do imposto e das contribuições incidentes sobre suas próprias receitas ou resultados. Confiram-se. sendo responsável pelo recolhimento aDI sRF 14/2004.25419 – APELACAO. No sistema de locação conjunta denominada de pool hoteleiro.DECIMA NONA CAMARA CIVEL. o objeto definido no contrato de participação.1-A sociedade em conta de participação é contrato associativo no qual existem as figuras do sócio ostensivo e do sócio oculto ou participante. cujo saldo constituirá crédito quirografário83. NECESSIDADE. com a devida apuração dos haveres. ou seja.

ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa dos tributos segundo as normas aplicáveis às pessoas jurídicas em geral. 88 ato Declaratório Interpretativo (aDI) sRF 14/2004 – Dispõe sobre a tributação das atividades do sistema de locação conjunta de unidades imobiliárias denominado de pool hoteleiro. Decreto 3. fundo de investimento imobiliário – fii.06.000/99 (RIR/99) art. esta operação é apenas uma fração FGV DIREITO RIO 60 .134 em 07. presumido ou arbitrado.249/95)90. da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins)89. Apesar de expressiva. Câmara / ACÓRDÃO 108-06. 89 90 art.º 9.01. Recurso provido por unanimidade. A SCP é equiparada às pessoas jurídicas pela legislação do Imposto de Renda88. não ficarão sujeitos à incidência do imposto de renda na fonte. seja o mesmo decorrente de autuações próprias ou da SCP. 148. são isentos de tributação (art. podemos citar uma SCP constituída com o objetivo de lucro comum. uma vez que essa tributação já ocorreu dentro da Sociedade em Conta de Participação (leia-se: sócio ostensivo).P. SÉTIMA CÂMARA – 1º CONSELHO DE CONTRIBUINTES.08. domiciliado no país ou no exterior. na apuração dos resultados dessas sociedades. Data da Sessão: 22/08/2001). II. Da mesma forma. A expressão “mercado de capitais” costuma ser diretamente associada à compra e venda de ações em bolsas de valores. ii) que o sócio oculto reconheceu o resultado obtido em sua declaração de rendimentos. 10º Os lucros ou dividendos calculados com base nos resultados apurados a partir do mês de janeiro de 1996. Neste sentido. O sócio ostensivo assume.R. seguem as normas gerais aplicáveis aos pagamentos efetuados por pessoa jurídica aos seus sócios.J. (Recurso: 125570. Recurso provido em parte. assim como na tributação dos lucros apurados e dos distribuídos. a título de exemplo. pagos ou creditados pelas pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real. pessoa física ou jurídica. 10º da Lei n. de 25. 991 do CC). as sociedades em conta de participação são equiparadas às pessoas jurídicas. e como tal. é contribuinte do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ). transcrevemos a seguinte decisão administrativa: Ementa: I. enquanto perdurar um parcelamento anterior no CNPJ do sócio ostensivo. nem integrarão a base de cálculo do imposto de renda do beneficiário. os lucros deverão estar tributados na contabilidade do sócio ostensivo. Assim sendo. da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). SOCIEDADE EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO. Assim. PARCELAMENTO. há vedação à concessão de um novo parcelamento. (Solução de Consulta 3. onde a administradora (incorporadora) é a sócia ostensiva e os proprietários das quotas referentes às unidades imobiliárias são os sócios participantes. para locação conjunta de unidades imobiliárias denominado de “pool hoteleiro”. a responsabilidade pelos tributos e contribuições sociais devidos pela SCP. 149. 254.2006 -1ª RF) SOCIEDADE EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO – Os resultados da sociedade em conta de participação devem ser apurados em separado dos da própria pessoa jurídica que é o sócio ostensivo. Publicado no DOU em: 22. serão observadas as normas aplicáveis às pessoas jurídicas em geral e o disposto no art. de 25. os rendimentos provenientes da distribuição de lucro serão isentos e não tributáveis. – SOCIEDADE EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO – Provado nos autos: i) que no contrato celebrado entre as partes constam elementos que caracterizam a sociedade em conta de participação.2006 -8ª RF). (Solução de Consulta 27. iii) deve ser reconhecido o direito do sócio ostensivo excluir da incidência do imposto a parcela de lucros atribuída aquele sócio. (1º Conselho de Contribuintes / 8ª. em decorrência de previsão legal (art. Recorrida/interessado: DRJ-SÃO PAULO/SP.2000) Continuando na seara tributária.02. Uma vez distribuídos. que por sua vez já deverá ter pago os tributos pertinentes à empresa.2000. os rendimentos recebidos pelo sócio participante em decorrência da locação da unidade imobiliária (ou qualquer outra forma de distribuição de lucros). art. ou seja.

(fonte: IsTO É Dinheiro em 12/01/2006). O estudo de viabilidade econômica deve ser feito pelo próprio investidor a partir dos dados do prospecto de lançamento das quotas.ex. ou. são veículos de investimento coletivo formados a partir da captação de recursos por meio do sistema de distribuição de valores mobiliários. a isenção de IR (conforme o caso) e a maior liquidez. O investimento em ações requer muita disciplina. aos quotistas. tanto no preço dos papéis quanto no pagamento de dividendos. ou seja. ele deve ser pessoa natural. p.5% sobre o valor dos aluguéis e indiscutivelmente possuem menor liquidez do que os fundos. terá que devolver o dinheiro. não permite resgate das quotas92. pegar a quantia estipulada (20 mil) e então escolher outra forma de investir os R$ 91 Também conhecido como “over-the-counter”.5% a 15% sobre o ganho dependendo do prazo da aplicação. com o limite mínimo de 50 quotistas. instrumentos financeiros. os FII’s. Com a aprovação da “MP do Bem” transformada na Lei 11. O prospecto. 93 FGV DIREITO RIO 61 ..668/93. Os recursos provenientes podem ser aplicados no desenvolvimento de empreendimentos imobiliários.ex. Assim. para o investidor usufruir da isenção do imposto. de Renda Variável paga 15% de IR com isenção até 20 mil/mês. n. explica sérgio Belleza. é o local “onde se opera com ativos. ele precisará vender o imóvel. a aprovação da “mp do Bem” serviu de estímulo para que as administradoras de FII coloquem seus produtos no Bolsa. Para quem não quer se envolver diretamente na administração do investimento e pretende alguma segurança. que é determinada pelas características do FII.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa dos papéis que podem ser negociados em mercados organizados. 92 n. Há ainda outro atrativo: é possível vender parte das quotas sem precisar mexer no investimento total. a comercialização depende da existência de compradores e vendedores dispostos a negociar. No entanto a CVM não garante que o investimento seja seguro ou rentável. na construção de imóveis. O retorno do capital investido se dá através da distribuição de resultados. se um investidor possuir R$ 100 mil aplicados diretamente num imóvel e necessitar de R$ 20 mil para fazer comprar um carro. É um fundo fechado. da venda das quotas ou. que isentou a alíquota de 20% de Imposto de Renda. sem dúvida. os FII’s se tornaram mais atraentes. nem todos os FII estão listados em Bolsa. Em relação a investir diretamente em um imóvel. quando for o caso. onde o investidor paga uma alíquota de 27. ou no investimento em projetos que viabilizem o acesso à habitação e serviços. p. na dissolução do fundo com a venda dos seus ativos e distribuição proporcional do patrimônio aos quotistas.779/99. deve ter informações econômicas suficientes para a tomada de decisão do investidor. se no final de 6 meses o fundo não tiver vendido as quotas para realização do empreendimento. Porém. da Instrução CVM nº 205/94 e regras posteriores. as vantagens são. dentro das normas legais e de autoregulação previstas em lei e regulamentos” (Dicionário de Finanças do site da BOVEspa).a. o fundo imobiliário tem que estar listado em Bolsa93.a. e. para posterior alienação. Criados em junho de 1993. como a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) e a Sociedade Operadora do Mercado de Ativos (Soma). que é verificado pela CVM. títulos e valores mobiliários não negociados em bolsas. os fundos imobiliários são uma boa opção. É a CVM que verifica se o fundo cumpre as normas legais para sua existência. que autoriza seu funcionamento e faz o acompanhamento de seus demonstrativos financeiros. “a bolsa é a porta de saída mais eficiente para o investidor que queira se desfazer do investimento. da Lei nº 9. já que as negociações destas quotas no mercado secundário ocorrem num ambiente pouco transparente: o mercado de balcão. locação ou arrendamento. que estava em aplicação financeira. pois o investidor precisa acompanhar de perto se aquela sociedade em que investiu está dando o retorno esperado. Na diferenciação entre investir em um Fundo de Investimento Imobiliário ou de Renda Fixa temos que este paga IR regressivo de 22.196/05. cada investidor não pode deter mais de 10% das cotas ou dos rendimentos totais do fundo. a definição do valor da quota se dá em razão da sua atratividade. Além disso. pois é a única forma de ele ter certeza de que o preço é justo”. Os FII’s são regulamentados pela Comissão de Valores Mobiliários – CVM. especialista da coinvalores. na aquisição de imóveis prontos. em mercado de balcão91 onde a negociação não gira somente em torno de ações de sociedades de capital aberto. nos termos da Lei nº 8.

os FII’s são conhecidos como REIT (Real Estate Investment Trust) e foram criados na década de 60. podemos citar dois exemplos: – Fundo de Investimento Imobiliário Torre Almirante95. comparado a um imóvel. apesar de os FII’s terem suas carteiras de investimentos constituídas por imóveis ou por direitos relacionados a imóveis. onde corretores negociam as quotas em nome dos quotistas dispostos a vender ou comprar. a negociação para a venda de quotas tem que ser realizada no mercado secundário. FGV DIREITO RIO 62 . Nos Estados Unidos. com base no IGP-M. entre eles o Imposto de Renda. pelo conceito de tipo de investimento: – EQUITY REIT’s: São aqueles que investem em imóveis. um imóvel localizado na Avenida Almirante Barroso nº. a propriedade de quotas não confere aos seus titulares a propriedade sobre os imóveis que integram o patrimônio do Fundo ou sobre fração ideal específica destes imóveis. pois como os FII são “fundos fechados”. no centro do Rio de Janeiro. que é uma instituição financeira. a Petróleo Brasileiro S. e – HYBRID REIT’s: Misturam as duas estratégias (híbridos). Na cidade do Rio de Janeiro. dividida em três tranches. Assim como os FII’s. passaram a ser realizadas diariamente. o administrador. Os rendimentos provenientes do aluguel do imóvel são rateados entre os quotistas e distribuídos mensalmente. não tem compromisso de garantir recompra das quotas. Estas classes têm grande parte de seus investimentos concentrada nesses ativos. O FII Torre Almirante foi lançado em 21 de junho de 2004. ou seja. – PETROBRAS firmou contrato para locação de 99. entre outros. títulos imobiliários. Os rendimentos são pagos até o 10º dia útil de cada mês. O mercado secundário96 teve início em 07/06/2005.asp. analisaremos o caso do investimento em FII’s do setor hoteleiro. A distribuição primária.A.00. tendo sido planejado e construído com a mais alta tecnologia. gov. Se esses R$ 100 mil estiverem aplicados num fundo imobiliário. ela não é imediata. para as classes A e B. as negociações (compra e venda) de quotas do FII Torre Almirante. elevado grau de transparência. geralmente voltados para a renda.caixa. os FLAT’s. 81. em especial. portanto. foi concluída em 16/05/2005. Essa negociação é realizada na Bolsa de Valores de são paulo (BOVEspa). O prédio possui 36 andares. depois de encerrada a emissão primária. O reajuste do aluguel é anual. São classificados em três tipos. – MORTGAGE REIT’s: Formados por hipotecas e outros tipos de financiamentos concedidos a compradores de imóveis. somente. mobilizando bilhões. ambiente “mega Bolsa”. depois de deduzidas as despesas de responsabilidade do fundo. os REIT’s são condomínios que agregam recursos para investir na área imobiliária. hipotecas. 94 95 Fonte: http://www. Para elucidar o disposto acima.3% da área bruta locável do imóvel.br/voce/produtos/fundos_de_investimento/fundos_imobiliarios/asp/torre_almirante. O cliente acompanhará os seus rendimentos nos extratos mensais enviados pela CBLC – Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa 80 mil restantes. Investir na aquisição de imóveis é uma tradição brasileira possível. que será administrado pelo Banco Ourinvest S/A. possuindo. 96 O mercado secundário corresponde à negociação de títulos e valores mobiliários onde os investidores compram e vendem ativos entre si. o FII tenha maior liquidez. n. renováveis pelo mesmo período. podendo ter em suas carteiras imóveis. pelo prazo de 60 meses. os FII’s significam a possibilidade de entrar no mercado imobiliário devido à pulverização do valor do empreendimento em quotas vendidas a preços acessíveis. Representam a maioria do mercado. Em setembro de 2004. com aplicação mínima de R$ 1. Tem como lastro o Edifício Torre Almirante. através de leilões (call) no ambiente Mega Bolsa da BOVESPA – Bolsa de Valores de São Paulo. claro que o investidor poderá encontrar dificuldade para a venda de suas quotas. com a venda de todas as 104. Para os investidores de menor porte.000. Também são isentos do pagamento de alguns impostos. A rentabilidade para os investidores virá dos aluguéis pagos pela locatária ao Fundo. Entretanto. Embora. a partir daí. ele poderá negociar algumas de suas quotas em quantidade suficiente para alcançar o valor desejado94.a. etc.700 quotas disponíveis.

ou III – dissolver os grupos já formados. entre 28 m² e 30 m². carecem de amparo legal. não importando se uma unidade específica foi ou não ocupada. na verdade. parcial ou 100 Isso acontece porque as unidades são “vistas” como um só grupo e a receita de cada investidor vem do índice de ocupação de todo o conjunto. editou o Comunicado BCB nº 9. naturais ou jurídicas.177. consoante o disposto na circular 3. mas como oficialmente são sociedades em conta de participação. muitas pessoas procuram incorporadoras no intuito de adquirir um flat para residir (e não alugar = investimento). haja vista a desnecessidade da escritura de compra e venda. a partir de 1° de maio de 1991. será exercida pelo Banco central do Brasil. de seguro. despesas gerais e taxa de administração. sujeita os responsáveis às sanções previstas na Lei n. de 12. A comprovação dessa prática por pessoas. descobre que nada vai receber e. fazendo crer que se trata de um fundo imobiliário. constituição e funcionamento de grupos organizados por meio de sociedades em conta de participação e que visam a aquisição de bens. 33102 da Lei n. Como o fundo é formado por um sistema de quotas. Isso porque o rendimento é sempre rateado entre os proprietários das quotas.. dependente de prévia autorização do Banco Central. O lucro da aplicação é proveniente do aluguel do imóvel. de modo a preservar o poder de compra dessas parcelas. Em verdade. onde proíbe a atividade irregular em questão. parágrafo único.768/71103.º 8. podendo superar de 50% a 100% o valor da locação residencial. que. não autorizadas a funcionar conforme o art. fogem da fiscalização do Banco Central. inclusive a aplicação de penalidades. que é dividido entre os investidores. mesmo que o seu flat não tenha sido usado em determinado mês100..2002101. 101 Em face da propaganda.. embutido na prestação mensal. construção ou reforma de imóveis ou de outros bens. mas garantida. A promessa de venda de bens a varejo mediante oferta pública e com recebimento antecipado. que objetivem a aquisição de bens de qualquer natureza. o sócio ostensivo capta recursos financeiros dos consumidores (que são os sócios participantes). o investidor passa a ter uma receita mensal variável. é o capital a ser liberado pelo sócio ostensivo para o cumprimento do fim social.691/88. em vez de vender os apartamentos. infelizmente. inclusive. garantindo-se os direitos dos atuais participantes aos valores já desembolsados. ficando a cargo do sócio ostensivo a responsabilidade pelos custos dessa conversão. 7° e 8° da Lei n° 5. para a formação de um fundo social mediante o pagamento de prestações com valor pré-estabelecido. em localização privilegiada. reduz-se o risco de perdas com desocupação ou inadimplência e garante-se um retorno. que chega a 19% ou mais do valor da prestação. e é fundamental que tenham bons serviços e estruturas modernas. de 20 de dezembro de 1971. verifica que entrou em uma sociedade em conta de participação e não terá ressarcimento do que pagou. Os sócios participantes também pagam um percentual. e todos recebem pela média de ocupação do empreendimento. Os proprietários das quotas dividem os custos e os lucros. de fundo de reserva. Vislumbrando a facilidade na “aquisição” do flat e não se importando com a sua metragem. ao ler o contrato. coloca várias quotas à disposição dos investidores.06. Na prática acontece assim: mediante a celebração de contratos denominados “Instrumento Particular de Adesão à Sociedade por Conta de Participação”. a fiscalização das operações mencionadas neste artigo. a título de taxa de admissão e de administração. consiste na formação de “Sociedades em Conta de Participação”. de 1 de março de 1991. talvez menos expressivo – considerando o desconto com o pagamento de impostos. esclarecemos que tais práticas. Os preços dos aluguéis de flat normalmente são elevados. Um outro problema enfrentado. e 33 da Lei 8. Dessa forma. no que se refere às operações conhecidas como consórcio. são transferidas ao Banco central do Brasil as atribuições previstas nos arts. de 20 de dezembro de 1971. para captação antecipada de poupança popular destinada à aquisição. é possível comprar um bom flat. até que. dependendo da localização do imóvel e da infra-estrutura de serviços e lazer. de 7 de dezembro de 2001. a incorporadora. O tamanho médio dos flat’s acompanha o dos quartos de hotel. sem prévia autorização nos termos dos arts. fundo mútuo e outras formas associativas assemelhadas. ele não estará adquirindo a propriedade do imóvel.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa Adquirindo quotas de um fundo de investimento imobiliário. segundo as seguintes alternativas: I – solicitar ao Banco central do Brasil autorização para administrar grupos de consórcio. assim. transferindo-os para administradoras de consórcio autorizadas pelo Banco central do Brasil. levadas a cabo por sócio ostensivo de sociedade em conta de participação.768. elas funcionam como uma espécie de “consórcio”. O consumidor paga várias prestações. 7º e 8º da Lei 5. conferindo ao investidor maior rentabilidade. 102 FGV DIREITO RIO 63 .º 5. Esse fundo. art.177/91. constitui-se de práticas abusivas rotineiras de mercado. informamos que as empresas que vêm arregimentando grupos para as operações acima configuradas deverão regularizar sua situação de imediato. O problema é que muitas incorporadoras não informam ao interessado que aquele imóvel faz parte de um fundo imobiliário e que. II – converter os grupos já formados para a modalidade de consórcio de imóveis. na verdade.º 7. com a nova redação dada pela Lei n.070. 33. Com isso.768.609. por um valor bem inferior ao preço de um apartamento. no prazo prometido. que fere de morte os direitos do consumidor e. atividade essa integralmente regulamentada por legislação específica. que tenha como público-alvo o cliente que se hospeda por pouco tempo.

Portugal.100. 7º: a) multa de até cem por cento das importâncias previstas em contrato. baseou-se no modelo português quando. nas sanções previstas neste artigo quem. qualquer saldo apurado em favor do sócio participante terá a natureza de crédito quirografário. o Decreto n. – Mobilidade no ingresso e saída dos sócios. O Decreto nº 3. 9ª edição. E como desvantagens: – Possibilidade de um credor do sócio ostensivo. a realização de operações regidas por esta Lei. recebidas ou a receber. criou um tipo societário intermediário entre a sociedade de capital e a de pessoas106. responsabilidade de cada sócio pelo valor da quota subscrita e responsabilidade subsidiária e solidária de todos pelo pagamento da quota não integralizada. em 1892. o que tornava a sua interpretação e aplicação muito flexíveis. em 1901. Seguindo este modelo. josé Edwaldo Tavares Borba in Direito societário. 106 É a chamada: Gesellschaft mit Beschänkter haftung. parágrafo único. A criação da sociedade por quotas de responsabilidade limitada atendeu aos interesses dos comerciantes da época. também. pg.º 3. prometer publicamente realizar operações regidas por esta Lei. A partir de então. introduziu em nosso ordenamento jurídico as sociedades por quotas de responsabilidade limitada. responsabilidade limitada ao fundo com que concorreu. art. nos têrmos das respectivas legislações. com a falência do sócio ostensivo. O legislador brasileiro. da precitada Lei n. aplicáveis separada ou cumulativamente: (. que necessitavam garantir seu patrimônio pessoal de forma que não fosse alcançado por dívidas da sociedade.. o contrato não se resolverá de pleno direito pois como estará sujeito às normas da Lei 11. As sociedades limitadas que já existem.768/71. – Responsabilidade apenas do sócio ostensivo.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa total. a aplicação das penalidades previstas nesta lei não exclui a responsabilidade e as sanções de natureza civil e penal. uma legislação supletiva das omissões do contrato social”107. por meio do Decreto n.º 3. – Com a falência do sócio participante. em desacordo com as normas aplicáveis. adquirindo. o legislador alemão.708 de 1919 encontra-se revogado pelo Código Civil de 2002 que trouxe profundas mudanças para as sociedades limitadas108. 12. – Falta de instrumento escrito e de publicidade não a desnaturam. haverá a possibilidade do Administrador mantê-lo104.708/19. – Pode ter caráter permanente. – Possibilidade de o sócio participante contribuir para o negócio com mão-de-obra e/ ou conhecimento técnico. art 17. mediante autorização do comitê. diferente de uma Sociedade de Propósito Específico – SPE.. ao comerciante era garantida a não afetação de seu patrimônio particular por dívidas contraídas pela sociedade. b) proibição de realizar tais operações durante o prazo de até dois anos.. ir contra um bem afetado à SCP (haja vista não existir separação entre o patrimônio do sócio ostensivo e da SCP perante terceiros). 328 do código comercial).. 103 104 art.º. nela prevendo um capital e valor mínimo de cada quota. – Com a falência do sócio ostensivo. sujeita os infratores às seguintes sanções. FGV DIREITO RIO 64 . Com base nas private companies inglesas.101/05 (LRE).708/19 foi bastante criticado pela doutrina “e tinha na lei das sociedades anônimas. que é constituída para a realização de um negócio determinado e se extingue após a consecução. 117. SOCIEDADES LIMITADAS. visto que somente o montante investido na composição do capital social seria alcançado por terceiros. são: – Facilidade em atrair sócios capitalistas que não desejam “aparecer”. sancionou lei semelhante. Incorre. que deverá ser habilitado no passivo falimentar105.) II – nos casos a que se refere o art. Algumas vantagens na constituição de uma Sociedade em Conta de Participação. Os contratos bilaterais não se resolvem pela falência e podem ser cumpridos pelo administrador judicial se o cumprimento reduzir ou evitar o aumento do passivo da massa falida ou for necessário à manutenção e preservação de seus ativos. Apesar de resumir-se em 18 artigos. assim. inciso II. 107 108 inclusive a nova expressão: “sociedade limitada” e não mais “sociedade por quotas de responsabilidade limitada”. Renovar/2004. deverão adequar-se à nova legislação através do seu contrato social bem como cumprir uma série de exigências antes aplicáveis somente às Sociedades por Ações. a título de taxa ou despesa de administração.º 5. configura atividade abarcada pela norma do artigo 7. Ou seja. o sócio oculto não poderia nem se habilitar na falência como credor. sem prévia autorização. 105 Entendemos como desvantagem apesar de na legislação comercial (art. as contribuições do sócio oculto serviam para o pagamento de credores. que invocava expressamente. do respectivo preço.

534. enquanto não integralizado o capital social. no período de 1985 a 2005. através de empréstimos bancários. cooperativas: 21. com o respectivo registro na Junta Comercial ou no Registro Civil de Pessoas Jurídicas). – A responsabilidade dos sócios é limitada ao montante do capital social. dos 8. e cujo nome empresarial deve necessariamente constar o termo “limitada” ou sua abreviação “ltda”. No entanto.br sociedade anônima: 20. a Sociedade Limitada é aquela que tem seu capital dividido em quotas e na qual a responsabilidade dos sócios é limitada ao valor de suas quotas. aproveitando que estas não estão submetidas ao regime de publicidade.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa Em linhas gerais. E como desvantagens: – Não tem muita facilidade de financiamento de suas atividades. 1. – Apesar das modificações inseridas pelo Código Civil de 2002 que engessou a sociedade limitada. fechamento do capital e transformação de sociedades anônimas em limitadas.com. As sociedades em nome coletivo apresentam como novidades o fato de somente pessoas naturais poderem ser sócias e a exigência que os seus administradores (gerentes.043 do Código Civil. a principal novidade das sociedades em nome coletivo encontra-se no art. em regra. acarretando em despesas próprias para a atenção de tais regras (ex. 109 Fonte: http://www.300. 110 autor: josé Gabriel assis de almeida – 25/nov/2005 – Fonte: www. – A movimentação de ingresso e saída de sócios não é simples.dnrc. gov.ibcbrasil. teXto: as soCiedades em nome CoLetiVo e em Conta de partiCipação Como estratégias de negóCios.1%110 dos registros. sua estrutura é pouco complexa e de baixo custo para manutenção.22%) são Sociedades Anônimas. sendo solidária.569. este chega a 4. pois são excelentes veículos para a concretização de negócios. na forma original ou mediante o processo de aquisição do controle de companhias abertas.080.915.890 registros realizados. Algumas vantagens na constituição de uma Sociedade Limitada: – Modelo societário é conhecido da doutrina e da jurisprudência com boa fonte de direito para solução das controvérsias.346. Segundo dados estatísticos do DNRC – Departamento Nacional de Registro do Comércio109. – Tipo societário viável também para grandes empresas. pois lhe é vedada a emissão de valores mobiliários para captação de recursos no mercado. na terminologia anterior ao Código Civil) sejam também pessoas naturais.2%) são referentes à atividade de Empresário.080 (0.731.111 Há alguns modelos societários – mantidos pelo Código Civil de 2002 – que costumam passar despercebidos. O acesso ao crédito se dará. Por ser uma estrutura societária sem muita complexidade e com baixo custo de manutenção. outros tipos: 4. a sociedade limitada é a forma jurídica mais utilizada para atuação da pequena e média empresa.br 111 FGV DIREITO RIO 65 . – Estrutura ao alvedrio das regras de direito societário. 1.602.288 (51.: necessidade de aprovação anual do balanço. segundo o qual os credores de um dos sócios não podem promover a liquidação da(s) quota(s) deste sócio enquanto a sociedade estiver em vigor. sendo as Sociedades Limitadas responsáveis por 98.9% e as demais.257 (48. Tratam-se fundamentalmente das sociedades em nome coletivo e das sociedades em conta de participação. mas que merecem um exame com um pouco mais de atenção. Analisando somente o registro de sociedades. 4. Sobre os negócios é compartilhada pelos sócios.3%) são Sociedades Limitadas e 20. 4.

Ou seja. é fácil vislumbrar a seguinte situação: Um empresário deseja se lançar num novo empreendimento. Nos termos do art. subscreve o capital da mesma. 994 do Código Civil. devendo aguardar o término – que o empresário terá o cuidado de fixar a longuíssimo prazo. Mais ainda. Deste modo. pela sociedade. da sociedade em nome coletivo. A regra do art. encontrarão no ativo do empresário quotas da sociedade em nome coletivo. a sua parte na sociedade será apurada e o valor correspondente à mesma será depositado judicialmente. os bens pessoais serão substituídos por quotas da sociedade em nome coletivo. 1. por razões diversas. as contribuições do(s) sócio(s) participante(s) e do sócio(s) ostensivo(s) irão constituir um patrimônio especial. a sociedade em conta de participação não está sujeita a inscrição no Registro Público de Empresas Mercantis. deles podendo usufruir o empresário. Essa liquidação significa que. Assim. sendo em seguida o devedor excluído da sociedade. no ativo do empresário.043 do Código Civil. seguro e não burocrático de captar recursos ou distribuir resultados. recebendo as contribuições dos sócios participantes. 1. os terceiros credores do sócio ostensivo (ainda que por créditos estranhos à atividade desenvolvida pelo sócio ostensivo em prol da sociedade em conta de participação) poderão penhorar e promover a alienação desse patrimônio especial. em obediência ao disposto no art. Esta sociedade não constitui uma nova pessoa jurídica. a sociedade em conta de participação tem duas grandes vantagens: (i) a celeridade de sua constituição e (ii) o sócio participante não é conhecido por terceiros. no seio do patrimônio do sócio ostensivo. Enquanto isso. FGV DIREITO RIO 66 . No entanto. em regime de comodato ou locação. o empresário constitui então uma sociedade limitada ou uma sociedade anônima através da qual irá realizar o novo empreendimento. ao estabelecer a exceção acima mencionada (impossibilidade de liquidação da quota do sócio a pedido dos credores particulares deste sócio) implica que a(s) quota(s) do sócio devedor estão a salvo da ação dos credores. uma forma de solucionar este obstáculo é constituir uma sociedade de propósito específico (sob a forma de sociedade limitada. 1. no Cartório do Registro Civil das Pessoas Jurídicas ou no Cartório de Registro de Títulos e Documentos. tendo um sócio uma dívida particular. não desejando arriscar o seu patrimônio pessoal. No entanto. por exemplo) para atuar como sócia ostensiva. e integraliza o que subscreveu transferindo a esta sociedade os seus bens pessoais que pretende preservar. A sociedade em conta de participação é composta por um ou mais sócios ostensivos e por um ou mais sócios participantes. o empresário – antes de dar início ao novo empreendimento – constitui uma sociedade simples sob a forma em nome coletivo. considera esse empreendimento incerto. os credores não poderão promover a liquidação dessas quotas. Já a sociedade em conta de participação é um meio rápido. esta especialidade patrimonial não é oponível a terceiros.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa Esta regra é uma exceção ao disposto no art. Assim. para posterior pagamento dos credores. Com os ativos que não se encontram na sociedade em nome coletivo.026 do mesmo Código segundo o qual os credores de um dos sócios podem requerer judicialmente a liquidação da(s) quota(s) do sócio. Preventivamente. sendo todos os negócios com terceiros realizados sob o nome do sócio(s) ostensivo(s).043 do Código Civil. Caso o novo empreendimento venha a ser mal sucedido e – seja por que motivo for – os credores consigam responsabilizar o empresário. os bens transferidos à sociedade em nome coletivo permanecem intactos. Contudo. Neste caso.

Na sociedade em nome coletivo.1. era o aproveitamento dos benefícios fiscais. na construção e administração de um shopping center. qual seja: a limitação da responsabilidade dos sócios perante terceiros. em razão das dívidas da sociedade.g. assis de almeida & associados – advogados doutor em direito pela universidade de paris ii professor adjunto da uerJ e da uni-rio O novo Código Civil têm inúmeros detratores e críticos. em comandita e de capital e indústria. por exemplo.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa A sociedade em conta de participação pode ser utilizada para negócios tão diferentes quanto para assegurar a participação de terceiros (sócios participantes) na exploração de uma jazida mineral. José gabriel assis de almeida sócio de J. xxxx Uma delas diz respeito à sociedade em nome coletivo. dos sócios nada mais poderia ser exigido. durante muitos anos a Gillete do Brasil adotou a forma de sociedade em nome coletivo. No entanto. principalmente na parte relativa ao Direito de Empresa. Já nas sociedades por quotas de responsabilidade limitada. de sociedades limitadas). os lucros apurados por sociedades em nome coletivo brasileiras e distribuídos aos sócios domiciliados em certos países. pelas dívidas da sociedade. no Brasil. determina o art. eram considerados – pelas legislações desses países – como rendimentos não sujeitos a tributação. As breves notas aqui lançadas são apenas um alerta para que os empresários e executivos possam compreender que o direito – através de mecanismos perfeitamente legais e legítimos – permite viabilizar diversos negócios. até o montante total do capital social. de forma ilimitada e subsidiária. na formalização das relações jurídicas existentes entre uma instituição de ensino (sócia ostensiva) e os professores (sócios participantes). Assim. nesse período. perante terceiros. Assim. Ocorre que o NCC conferiu uma nova vantagem – e das mais importantes – à sociedade em nome coletivo. A maior utilidade das sociedades em nome coletivo. a sociedade por quotas de responsabilidade limitada apresentava uma enorme vantagem em comparação com a sociedade em nome coletivo. uma leitura atenta do texto legal.500 sociedades de tipo em nome coletivo. Desta forma. os sócios somente respondiam. pelas dívidas contraídas pela sociedade perante terceiros. no período entre 1985 e 2001 foram constituídas. Tanto é que as estatísticas do DNRC (Departamento Nacional de Registro de Comércio) indicam que. as sociedades em nome coletivo continuaram a serem constituídas. ainda que essa responsabilidade fosse solidária. pelo NCC. o novo Código Civil tem inúmeros defeitos. os sócios respondiam pessoalmente. teXto 2: as bahamas são aQui: as soCiedades em nome CoLetiVo e o noVo Código CiViL. 3.043 que: “O credor particular de sócio FGV DIREITO RIO 67 . uma vez integralizada a totalidade do capital social. certamente. Este tipo societário ficou um pouco esquecido com o advento das sociedades por quotas de responsabilidade limitada (agora denominadas. isso porque. No entanto. Para tanto. também apelidado de “Constituição do Cidadão Comum” revela que o NCC tem também diversas agradáveis surpresas. E.

Em outubro de 2005. No entanto. este transferirá à sociedade em nome coletivo o seu patrimônio pessoal. antes de conceder o crédito. A solução do NCC foi em favor do interesse dos demais sócios e da própria sociedade. do que senão aguardarem uma eventual dissolução e liquidação dessa sociedade em nome coletivo. o empreendedor constituirá. o interesse dos demais sócios e da própria sociedade em serem preservados da intervenção de terceiros.042 do NCC é impenhorável. a título de integralização do capital social dessa sociedade em nome coletivo. certamente tentarão. na medida em que. reservando a parte que irá investir no empreendimento. o NCC acabou por resolver um conflito de interesses> Por um lado. sócio. então. o mercado de balcão organizado da Bovespa. O FII é considerado renda variável e é negociado no Mega Bolsa. por força do art. notÍCias reLaCionadas. Os credores particulares do sócio serão obrigados a aguardarem a dissolução e liquidação da sociedade em nome coletivo para só. o empreendedor investirá a parte do seu patrimônio destinada ao empreendimento. 112 FGV DIREITO RIO 68 . nada mais restará aos credores do sócio em questão. penhorarem a parte dos haveres sociais que for atribuída ao sócio da referida sociedade em nome coletivo. Portanto. os quais deverão verificar. os credores dessa sociedade. Nesta sociedade limitada. então. pelos credores desse sócio. um maior rigor aos credores. foram realizados 229 negócios com cotas de fundos no Soma. isto é. Isto significa que as quotas do sócio de uma sociedade em nome coletivo não podem ser penhoradas. mês anterior à isenção. Esta regra impõe. por sua vez. para a realização do empreendimento. Após regularmente constituída a sociedade em nome coletivo e transferido o patrimônio pessoal.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa não pode.1. após esgotado o patrimônio da sociedade limitada. Este dispositivo cria um interessante e importante instrumento para a preservação do patrimônio. uma outra sociedade. xxxxx Com este dispositivo. Negociação no mercado secundário aumenta após a isenção do Imposto de Renda A negociação de cotas de Fundos de Investimento Imobiliário (FII) aumentou de forma significativa desde que os ganhos obtidos com essa forma de aplicação tornaram-se isentos do Imposto de Renda (IR). antes de se lançar num negócio. antes de dissolver-se a sociedade. qual (quais) a (s) participações societárias do devedor. Em fevereiro Fonte: Bfix – Boletim do mercado de Renda Fixa. de maneira que. esses bens do empreendedor consistirão apenas numa quota da sociedade em nome coletivo. da qual o empreendedor é. provavelmente uma sociedade limitada. o interesse dos credores particulares do sócio em receber o seu crédito. o empreendedor poderá constituir uma sociedade em nome coletivo. em virtude de dívidas pessoais contraídas por esse sócio. credores particular de um sócio. Por outro lado. penhorar os bens pessoais dos sócios da sociedade limitada. assim. via desconsideração da personalidade jurídica ou outro instrumento de efeito equivalente. ano 2 – n° 4 – abril/2006. Com efeito. pretender a liquidação da quota do devedor”. quota essa que. titular de uma quota. Se os negócios da sociedade limitada correrem desfavoravelmente e esta vir a falir. fundos imobiliários ganham liquidez112. os bens pessoais do empreendedor estarão protegidos sob a titularidade da sociedade em nome coletivo.

ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa

passado, o número de negócios nesse ambiente alcançou 294 e, em março (até o dia 20), ficou em 223. O volume financeiro também registrou alta expressiva: de R$ 8,7 milhões em outubro para R$ 13,7 milhões em fevereiro e R$ 7,1 milhões até 20 de março. Dos 64 fundos do mercado, 17 são registrados na Bolsa. O benefício tributário vale para as pessoas físicas que obtiverem ganhos em aplicações feitas em FII com pelo menos 50 cotistas, e cujas cotas sejam negociadas no mercado secundário (na Bolsa ou no mercado de balcão organizado). Os resultados alcançados pelos FII em 2005 e as perspectivas para o mercado financeiro imobiliário foram temas da 3ª Reunião de Fundos Imobiliários realizada pela Apimec-SP e pela Bovespa, no dia 23 de março. “Estamos promovendo esforços para a divulgação e o aprimoramento dos fundos imobiliários para trazer mais transparência e liquidez ao mercado secundário”, afirmou o superintendente-geral da Bovespa, Gilberto Mifano. Alguns pontos da legislação ainda precisam ser aprimorados, afirmou Rodrigo Machado, diretor do Brazilian Group. Dentre eles, a necessidade de reformulação da Instrução CVM 205/94, que regulamentou os fundos; a possibilidade de as quotas de FII servirem para que os bancos captadores de poupança cumpram a exigibilidades de poupança; e o fim do enquadramento das quotas de FII como investimento em imóveis por parte dos fundos de pensão. JurisprudênCia. DUPLICATA. EMISSÃO POR FORNECEDORA DE MOBILIÁRIO CONTRA O PROPRIETÁRIO DE UNIDADE AUTÔNOMA DE EDIFÍCIO. SOCIEDADE EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO. RESPONSABILIDADE PERANTE TERCEIROS. SÓCIO OSTENSIVO. “Na sociedade em conta de participação o sócio ostensivo é quem se obriga para com terceiros pelos resultados das transações e das obrigações sociais, realizadas ou empreendidas em decorrência da sociedade, nunca o sócio participante ou oculto que nem é conhecido dos terceiros nem com estes nada trata. ” (REsp nº 168.028-SP). Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, provido. (REsp 192.603/SP, Rel. Ministro BARROS MONTEIRO, QUARTA TURMA, julgado em 15.04.2004, DJ 01.07.2004 p. 197). SOCIEDADE EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. DISSOLUÇÃO. NOMEAÇÃO DE LIQUIDANTE. CITAÇÃO DA SOCIEDADE CONSTITUÍDA. INDENIZAÇÃO. 1. Não há violação aos artigos 458, II, e 535 do Código de Processo Civil quando o Acórdão recorrido está amplamente fundamentado, alcançando a demanda tal e qual posta pelo autor, então apelante. 2. Não há falar em citação da sociedade em conta de participação, que não tem personalidade jurídica, nem existência perante terceiros. 3. Afastando as instâncias ordinárias a indenização por falta de prova, não tem consistência o pedido de extinção do processo ao argumento de que teria a sentença, considerado o pedido inepto. 4. Justifica-se a nomeação, desde logo, do liquidante, diante da realidade dos autos, que demonstram a animosidade existente, embora no caso de sociedade em conta de participação, seja discutível tanto a dissolução judicial quanto a existência de liquidação e partilha, aspectos que não podem ser examinados, porque ausente recurso da parte interessada.
FGV DIREITO RIO 69

ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa

5. Recurso especial não conhecido. (REsp 474.704/PR, Rel. Ministro CARLOS ALBERTO MENEZES DIREITO, TERCEIRA TURMA, julgado em 17.12.2002, DJ 10.03.2003 p. 213). grifamos Conflito de Competência. Ação de Procedimento Sumário Declaratório de Negócio Jurídico c/c Devolução de Quantia Paga e Indenização. Procedência do Conflito. Sociedade em Conta de Participação que não é considerada sociedade empresária. Competência das Varas Cíveis. Conflito que se conhece e se acolhe, declarando-se a competência do Juízo Suscitado, ou seja, o da 16º Vara Cível da Comarca da Capital. (2005.008.00464 – Conflito de Competência – Des. Renato Simoni – Julgamento: 29/11/2005 – Nona Câmara Cível. TJ/RJ). grifamos TRIBUTÁRIO. Negócio Fiduciário. Imposto de Transmissão Inter Vivos - ITBI. Transferência de Imóvel Para Constituição de Fundo de Investimento Imobiliário. Incidência do Tributo. Os fundos de Investimentos Imobiliários, conforme determina a própria Lei nº 8.668/93, são desprovidos de personalidade jurídica, razão pela qual o imóvel dado para a constituição do fundo é transferido para a Instituição Administradora em caráter fiduciário. Tal operação não se encontra ao abrigo da imunidade tributária prevista no art.156, § 2º, I da Constituição Federal por não ser possível falar em constituição de patrimônio de pessoa jurídica em realização de seu capital social. O que essa lei chama de quotas está distante do que se entende por cota social. O titular de quotas do Fundo de Investimento Imobiliário não tem a mesma relação de participação que haveria entre sócio e sociedade. As tais quotas estão mais próximas em sua natureza das ações, já que são negociadas em ambiente de Bolsa de Valores. Contudo, não se pode conceber analogia entre um Fundo despersonalizado e uma Sociedade Anônima, constituída nos estritos moldes da Lei 6.404/76. Ainda que se ultrapassasse esse argumento, o pleito de imunidade sucumbiria à norma contida na parte final do mesmo inciso I, do §2º, do art. 156, da Constituição. Observa-se que a imunidade não alcança aqueles que realizam capital com transmissão de bens imóveis, quando é constatada como atividade preponderante do adquirente a compra e venda desses bens ou direitos, locação de bens imóveis ou arrendamento mercantil. Como foi exaustivamente demonstrado na peça inicial, o escopo da constituição de um Fundo Imobiliário é justamente esse tipo de atividade, ou seja, investir em imóveis comerciais e industriais de alto padrão de acabamento, destinados à locação de longo prazo. São as chamadas operações built to suit (construir para servir), que se pode traduzir pela construção de um imóvel segundo especificações expressas do inquilino. Assim sendo, tanto por um fundamento, quanto por outro, não se constata a tênue possibilidade de a apelante ser alcançada pelo benefício da imunidade conferida pela Constituição. Desprovimento do recurso. (2003.001.26635 - APELACAO CIVEL. DES. SERGIO CAVALIERI FILHO - Julgamento: 05/02/2004 - SEGUNDA CAMARA CIVEL. TJ/RJ) Questões de ConCurso 29º EXAME DE ORDEM – SEÇÃO DO RIO DE JANEIRO – 1ª FASE – DIREITO COMERCIAL. PROVA OBJETIVA. 40 – A inscrição do contrato social no órgão competente confere capacidade jurídica às sociedades, exceto à: a) Sociedade em comum;
FGV DIREITO RIO 70

ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa

b) Sociedade simples; c) Sociedade em nome coletivo; d) Sociedade em conta de participação. 27º EXAME DE ORDEM – SEÇÃO DO RIO DE JANEIRO – 2ª FASE – DIREITO COMERCIAL. PROVA DISCURSIVA. 6 – Comente a pertinência da presente afirmação: “À luz do artigo 985 da Lei 10406/2002 (Código Civil), o registro do contrato social de uma sociedade em conta de participação confere-lhe, a partir de então, personalidade jurídica, sendo que os atos anteriores ao registro somente produzem efeitos entre os sócios, não podendo, contudo, a falta de registro ser oposta a terceiros.” 26º EXAME DE ORDEM – SEÇÃO DO RIO DE JANEIRO – 2ª FASE – DIREITO COMERCIAL. PROVA DISCURSIVA. 6 – A e B são sócios em uma sociedade limitada (Ltda) e pretendem participar de uma sociedade em nome coletivo. Caso não desejem fazê-lo em seus próprios nomes, podem A e B colocar a sua sociedade limitada para figurar como sócia na sociedade em nome coletivo da qual querem tomar parte? Justifique e indique o(s) dispositivo(s) legal(is) pertinente(s). 126º EXAME DE ORDEM – SEÇÃO DE SÃO PAULO – 1ª FASE – DIREITO COMERCIAL. PROVA TIPO 1. 47. A liquidação de uma sociedade em conta de participação (A) é regida pelas normas relativas à prestação de contas. (B) se dá somente por decisão judicial. (C) será eficaz apenas quando arquivada no registro de comércio. (D) exige aprovação em assembléia especialmente convocada para essa finalidade. PROVA OAB/MG - EXAME DE ORDEM - ABRIL/2006 94ª Questão: Assinale a alternativa INCORRETA: a) A Sociedade em Nome Coletivo somente pode ter como sócios pessoas físicas; b) A Sociedade em Conta de Participação adquire personalidade jurídica com o registro no órgão próprio; c) Na Sociedade em Comandita Simples a responsabilidade dos sócios em relação às obrigações sociais depende da categoria por eles ocupada no quadro societário; d) A Sociedade em Comandita por ações pode adotar firma ou denominação social, apesar de sua proximidade com a Sociedade Anônima.

PROVA CONCURSO PúBLICO/4ª REGIÃO JF - JUIZ FEDERAL JANEIRO/2008 76ª Questão: Dadas as assertivas abaixo, assinalar a alternativa correta quanto à empresa, ao empresário e às sociedades simples e às empresárias. I. A empresa é uma atividade exercida pelo empresário, não pressupondo a existência de uma sociedade, podendo ser desenvolvida pelo empresário unipessoal. II. A sociedade simples distingue-se da sociedade empresária, pois naquela inexiste
FGV DIREITO RIO 71

Podem ser empresários os menores de 18 anos. d) Estão corretas todas as assertivas. a) Estão corretas apenas as assertivas I e IV. II e III. voltados para a produção sistemática da riqueza. Há identidade entre os conceitos de empresário e sócio da sociedade. FGV DIREITO RIO 72 . III. b) Estão corretas apenas as assertivas II e III.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa uma organização de bens materiais e imateriais (intelectuais) e recursos humanos. sendo a sociedade cooperativa um de seus exemplos. IV. c) Estão corretas apenas as assertivas I.

Fábio Ulhoa Coelho. 1º da Lei nº 6. – Por que utilizar a S. São Paulo/2005. 5ª edição. pois permite a captação de investimento na poupança popular para a aplicação em grandes empreendimentos.I.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa AUlA 08: A OPÇÃO PElO MODElO SOCIEDADE lIMItADA EM CONtRAPONtO AO MODElO SOCIEDADE POR AÇõES Na aula passada. tem. roteiro de auLa A sociedade por quota de responsabilidade limitada.A. Vol.404/76 determina expressamente que. 7ª edição. 113 na sociedade anônima. ementário de temas – Sociedade Limitada – Sociedade Anônima – breves comentários – Diferenças: LTDA e S. seu eventual prejuízo é adstrito ao valor pago pelos títulos no mercado de ações. Sérgio Campinho. Renovar/2005. o capital é dividido em ações nas quais a responsabilidade dos sócios é limitada ao preço de emissão das ações subscritas ou adquiridas. sem que o investidor se responsabilize pessoalmente pelos negócios da companhia. ou seja. a responsabilidade dos sócios também é limitada ao capital social tendo em vista que o art. FGV DIREITO RIO 73 . 4ª edição. Ricardo Negrão. – Classificação: Companhia Aberta e Companhia Fechada – breves comentários.II. Leitura CompLementar – Páginas 358 a 360 do Manual de Direito Comercial e de Empresa. nesta espécie societária. desde sua criação até os dias atuais. A Sociedade Anônima é um instrumento jurídico muito importante para a economia. sem a necessidade de consentimento dos demais sócios. sobretudo em virtude de dois fatores: a garantia dos sócios contra os indesejáveis efeitos patrimoniais que ocorriam nas sociedades ilimitadas do antigo Código Comercial e a simplificada forma de sua constituição (ao contrário da estrutura complexa das sociedades por ações). Vol. Saraiva.113 Assim. Saraiva. Essa sociedade de capital permite aos sócios negociarem livremente seus títulos. São Paulo/2004.A. como Sociedade Limitada. – Páginas 130 a 132 do O Direito de empresa à luz do novo Código Civil. vimos que as sociedades limitadas representam hoje a grande maioria das sociedades registradas em nosso país. e por que utilizar a LTDA. uma enorme aceitação no meio empresarial. conferindo mobilidade e liquidez ao capital investido. Nesta aula discutiremos a leitura do(s) seguinte(s) capítulo(s): – Páginas 357 a 372 do Curso de Direito Comercial. atraindo principalmente a pequena e a média empresa por sua forma e constituição simplificada e a limitação da responsabilidade dos sócios.

Quando de pessoas. Além disso. a Limitada também pode se apresentar como subterfúgio para o Empresário Individual. será classificada como uma “Companhia Aberta114” e será submetida ao controle e fiscalização da Comissão de Valores Mobiliários – CVM115. o sócio responde pela integralização do capital social (não importa o valor de sua cota. não importa o valor total constante no Estatuto. 7ª ed. 4º para os efeitos desta Lei. à sociedade anônima não coube escolha. pelo seu porte. aos resultados econômicos que ela pode gerar.66. § 1º somente os valores mobiliários de emissão de companhia registrada na comissão de Valores mobiliários podem ser negociados no mercado de valores mobiliários. 22. o sócio se obriga pelo valor total constante no contrato social). cabe ressaltar que existem diferenças na estrutura de ambas. considera-se aberta a companhia cujos valores mobiliários estejam admitidos à negociação na bolsa ou no mercado de balcão. até a formada por vários sócios e movimentando valores elevados. No que se refere à responsabilidade dos sócios. desde a composta por dois sócios e com baixo faturamento. 117 FGV DIREITO RIO 74 . Lei n. Enquanto que o Código Civil apresenta uma estrutura mais simples para a sociedade limitada. enquanto que na Sociedade Anônima não haverá possibilidade de escolha. e especificará as normas sobre companhias abertas aplicáveis a cada categoria. na Sociedade Anônima o sócio só responde pelo valor das ações que subscreveu.404/1976 traz inúmeras exigências para o funcionamento das Sociedades Anônimas.º 6.II. A sociedade limitada pode adequar o seu contrato social com característica de sociedade de pessoas ou de capital. há uma diferença relevante. A sociedade pode ser de pessoas ou de capitais. Por outro lado. a companhia é aberta ou fechada conforme os valores mobiliários de sua emissão estejam ou não admitidos à negociação no mercado de valores mobiliários. exigem uma alta soma de recursos. se os títulos de uma sociedade anônima circulam de forma restrita. § 3º a comissão de Valores mobiliários poderá classificar as companhias abertas em categorias.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa diferenças entre Ltda e s. será classificada como uma “Companhia Fechada”. 114 Do contrário. Nas palavras de Fábio Ulhoa Coelho: “Há atividades econômicas que. por sua vez. § 2º nenhuma distribuição pública de valores mobiliários será efetivada no mercado sem prévio registro na comissão de Valores mobiliários. sem negociação em bolsa de valores ou mercado de balcão. será sempre de capital. saraiva/2004. a Lei nº 6. e a exploração delas. e sim. Já o modelo da Sociedade Limitada pode ser amplamente utilizado. uma vez que no Brasil a Sociedade Unipessoal só é admitida como exceção.º 6. Se a sociedade anônima pretender negociar suas ações no mercado de valores mobiliários (mercado aberto ao público). é importante mencionar que enquanto foi conferida à sociedade limitada a opção de utilizar firma social ou denominação como nome empresarial. não tendo maior relevância a pessoa do sócio. por isso.385/1976. O modelo da Sociedade Anônima é interessante para grandes empreendimentos que suportem a estrutura exigida pela lei. in curso de Direito comercial. as companhias de capital aberto são aquelas de maior porte116 ou que desejam captação maior de recursos. a. valoriza a qualidade pessoal do sócio. Enquanto que na sociedade limitada. Vol. Geralmente. pág. A forma de “capital aberto” é fundamental para as sociedades que desejam negociar na Bolsa de Valores e que tenham como grande objetivo a captação de recursos financeiros. devendo esta ser identificada sempre por denominação. o importante é o objeto social. que acabam por dificultar sua criação e administração. Lei n. Essa situação é muito comum como já vimos no caso do “sócio de palha”. onde o interesse dos sócios não está voltado para a sociedade em si. só responderá pelo que se obrigou. depende de um mecanismo jurídico que viabilize a captação deles junto aos investidores em geral117”. art. Por fim. 115 116 O custo para cumprir as formalidades exigidas em lei para o ingresso e permanência da companhia com suas ações no mercado é bastante alto. Assim. art. Já na sociedade de capital.404/1976. segundo as espécies e classes dos valores mobiliários por ela emitidos negociados no mercado.

600 do código de processo civil. HAVIDOS EM FRAUDE À MEAÇÃO. a exemplo da ação de inventário por separação judicial combinada com partilha. sendo o preço estipulado com base no último balanço aprovado.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa Caso H. Da mesma forma tratam do exercício do direito de retirada. O estatuto social traça um mecanismo para evitar o ingresso de estranhos no quadro societário sem a anuência dos demais acionistas. tem seu campo de incidência nas ações de execução. apesar de não mais se referir a “executado”. HOMOLOGAÇÃO DO ESBOÇO DE PARTILHA. II .a competência em razão da matéria é pressuposto de validade da relação processual. em geral. a) O mecanismo é suficiente? b) E se o modelo societário adotado fosse de uma sociedade limitada? A solução seria a mesma? c) Na hipótese de separação de um dos acionistas. COMPETÊNCIA DO JUÍZO DE FAMÍLIA PARA APRECIAR A QUESTÃO.a ação de inventário por separação judicial é o leito próprio para apreciação de questões jurídicas surgidas após a separação de fato do casal. que não é matéria fática de alta indagação.Stern Comércio e Indústria S. podendo ser suscitada e discutida a qualquer tempo e grau de jurisdição.a sanção prevista no art.A. FGV DIREITO RIO 75 . desde que não seja renovada perante o mesmo grau de jurisdição. REGIME DE COMUNHÃO UNIVERSAL DE BENS. e comportando incidente processual quanto aos efeitos jurídicos dos negócios entabulados pelo cônjuge varão à revelia do cônjuge virago. III . aduzindo que o ingresso de terceiros deverá ser autorizado pelos demais acionistas. inclusive. ALIENAÇÃO FRAUDULENTA DE AÇÕES ORDINÁRIAS NOMINATIVAS DA EMPRESA APÓS SEPARAÇÃO DE FATO. QUE APESAR DE CERCADA POR CONTROVÉRSIA JURÍDICA. podendo. INDEPENDE DE DILAÇÃO PROBATÓRIA. INVENTÁRIO DE BENS POR SEPARAÇÃO JUDICIAL. mas sim a “devedor”. DIVERGÊNCIA. em face da preclusão pro judicato. é uma sociedade anônima de capital fechado. restando disposto que deverão ser oferecidas as ações do retirante aos demais acionistas. HOMOLOGAÇÃO DO ESBOÇO DE PARTILHA. controlá-la? JurisprudênCia PROCESSO CIVIL. por ato atentatório à dignidade da Justiça. DECLARAÇÃO DE INEFICÁCIA DOS NEGÓCIOS JURÍDICOS SUBJACENTES À SEPARAÇÃO DO CASAL. de ordem pública. RESGUARDADA A MEAÇÃO DA EX-MULHER POR MEDIDA ACAUTELATÓRIA DE SEPARAÇÃO DE CORPOS E ARROLAMENTO DE BENS. mas tão somente aquelas derivadas nas ações de execução estrito sensu. em sua maioria. admitindo a discussão de prova documental a respeito de fatos incontroversos.Stern. cujas ações são de propriedade. não podendo ser interpretado ampliativamente para alcançar a execução de toda ordem emanada do Poder Judiciário. AÇÃO DE PARTILHA JUDICIAL POR DISSOLUÇÃO DA SOCIEDADE CONJUGAL. terá o ex-cônjuge direito a ingressar no quadro societário da H. da família Stern. I . mas solução de natureza doutrinária e jurisprudencial.

00 (cento e trinta e quatro milhões de reais). o julgador deve ser preocupar em trilhar “caminhos para se chegar a decisões que fujam ao ‘faz de conta”. um dos maiores grupos alimentícios do país.a. em especial na região centro-Oeste. Naquela tarde. três meses depois. as custas do processo superam R$ 70 milhões119. acabava de se tornar controladora do grupo. Relatora: DES. A Justiça ainda aplicou multa de R$ 72 milhões a Alfredo Rezende. REJEITADAS AS PRELIMINARES À UNANIMIDADE”. os demais 10% ficaram com a Fundação Rezende.por serem “.000. cuja pensão alimentícia é de R$ 571. Helena enfrentou o vaivém das liminares nos últimos três anos. Disputas prolongadas também geram fortunas para advogados. patrimônio estimado em R$ 185 milhões – quatro vezes o que recebeu a princesa Diana ao se divorciar do príncipe Charles. suspendendo-o do cargo de diretor-presidente da empresa. a Granja Rezende foi incorporada pela saDIa.. com 42% das ações. A escalada foi áspera. até a 5a Vara de Família em Brasília garantir-lhe a tutela antecipada das ações. Chegou ao topo do ranking das partilhas de bens no Brasil. alerta o advogado Luiz Fernando Gevaerd.. Até lá. peritos e consultores. instalada numa sala de diretoria. Ansiava pelo lance decisivo de uma batalha judicial que começara 25 anos antes.. O próximo embate ocorrerá em setembro. Em 2002. notÍCias reLaCionadas Lucros e perdas do desamor118 mulheres enfrentam ex-maridos nos tribunais. a nova diretoria tentará conseguir capital de giro e prorrogar empréstimos de curto prazo com os credores. ex-funcionária pública. Depois de esperar duas décadas por uma sentença favorável. DJ 16/02/2000 p. saiu vitoriosa da assembléia de acionistas. na companhia de dois advogados. Aos 57 anos. Helena dispensou o almoço. No caso Rezende. (APC-5246299/DF. encarou uma ducha rápida e não teve dúvidas na hora de escolher o que vestir: um conjunto bege. Grifamos. Decisão: DAR PARCIAL PROVIMENTO A AMBOS OS RECURSOS. Estava pronta para embarcar rumo a Uberlândia. Tomou o café com leite e torradas. 119 FGV DIREITO RIO 76 . Somente às 18h30 ela faria a entrada triunfal na sede da empresa.várias as formas através das quais se pode prejudicar o cônjuge ou a companheira com atos praticados sob o manto pseudo-protetivo da empresa”.000. Helena Abib Rezende acordou às 9 horas na sexta-feira 30 de abril para enfrentar uma jornada inesquecível. Por volta das 21 horas. o ex-marido. estavam em jogo uma fortuna avaliada em R$ 436 milhões e o controle acionário da Granja Rezende. 2ª Turma Cível do Tribunal de Justiça do Distrito Federal. a saDIa adquiriu 90% das ações da Granja Rezende s. com medo de uma liminar de última hora”. Disponível em: http://epoca.com/ edic/19990712/soci1.htm 118 no final de 1999. Só então abriram-se as portas do negócio milionário para a ex-mulher. com o julgamento do último recurso de Alfredo. Hoje ela controla um grupo de 4 mil funcionários e faturamento previsto de R$ 1 bilhão em 2002. criada e administrada ao longo dos últimos 39 anos pelo empresário Alfredo Júlio Rezende. “Litígios predatórios reduzem grandes patrimônios a pó”. No vôo. por Eliane Trindade. Fonte: Revista Época. NANCY ANDRIGHI em 18/10/1999. “Passei a tarde inteira bebendo cafezinho e fumando. a opção mais próxima em seu guarda-roupa do que seria o figurino de uma executiva. ganham fortunas e transformam o divórcio num tormento para as empresas. onde os produtos da marca mineira Rezende tinham forte penetração. UNÂNIME. foi um importante passo para a expansão dos negócios da saDIa no país. assumir a gestão e o controle acionário da Granja Rezende. Os três deixaram Brasília ao meio-dia. O valor da transação foi de R$ 134. a dona de casa mineira. recorda-se.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa IV . 20). autor do livro Quando o Amor Acaba na Justiça. o maior dos quais é o Banco do Brasil.globo. com sede em uberlândia.

Pedro Malan. Tânia faz mistério. aparteou em voz alta quando um senador perguntou se Andrade Vieira mantivera contatos com Marcos Malan. Um seminário realizado há dez dias em São Paulo reuniu uma platéia de 150 homens de negócios. A aparição intempestiva deixou o depoente trêmulo e os senadores constrangidos. os advogados de Tânia ingressaram no fórum de Curitiba com o pedido de separação e estão prontos para a guerra. serão incluídos entre as provas. Lorna e Gary resolveram duelar depois de 32 anos de casamento. Os divórcios entraram na pauta das grandes empresas. para assistir ao depoimento do marido. lembrando-se dos tempos de vacas gordas. uma secretária-executiva”. A precisão dos cálculos e dos argumentos convenceu o juiz: Lorna levou US$ 22 milhões. Tânia semeia ressentimentos e colhe notoriedade. o Bamerindus sofreu intervenção e acabou vendido ao HSBC. compareceu sem convite à CPI dos Bancos. não pretende renunciar aos bens que escaparam à intervenção do Banco Central. a sangria financeira é inevitável. enumera Tânia Vieira. Na quinta-feira. Diante de um batalhão de advogados. atendia a telefones. Nos finais de semana.alusão a supostas namoradas do ex-banqueiro. Com um sorriso malicioso. “Não quero ver o nosso patrimônio desviado para terceiros”. Tânia avoca direitos sobre o que restou do patrimônio do ex-marido. A pretexto de FGV DIREITO RIO 77 . José Eduardo Andrade Vieira. não chegou a balançar diante da esposa corporativa. A General Electric. ela vai brigar pela divisão de R$ 15 milhões.segundo homem da empresa e provável substituto do todo-poderoso Jack Welch. Começam a compreender os labirintos da Justiça e colocam em cena uma categoria de causar calafrios ao mundo dos negócios: a esposa corporativa. corrige: “Terceiras” . os Andrade Vieira estão longe de uma solução amigável. imóveis. preparava recepções. mas fortunas menores não resistem à infiltração dos ódios conjugais.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa Quando a roupa suja começa a ser lavada em público.5 milhão. tem nos calcanhares uma ex-mulher. indigna-se. depois da perda do banco e da indisponibilidade de parte do patrimônio. A ex do executivo da GE fez escola. Mais US$ 1. Lorna partiu para o ataque com uma calculadora na mão. recebia os convidados dele para jantares e reuniões. ex-ministro e ex-dono do Bamerindus. viu-se no meio do embate matrimonial entre Lorna e Gary Wendt . sem folga. computando horas extras devotadas aos negócios dele. as ex-mulheres parecem dispostas a tudo para proteger o quinhão. Há três semanas. Separados de fato há um ano. Tânia roubou o espetáculo.fazendas. Calculou o custo de uma doméstica e de uma babá ao longo de três décadas. ela não concordou em receber os US$ 8 milhões oferecidos pelo ex. contas no Brasil e no exterior. enfim. E assim por diante. Emagreceram: em 1997. Retirada a parte que cabe aos filhos. vender participações a grupos rivais e tumultuar conselhos de administração. Achou miserável a recompensa financeira pelos anos de dedicação a casa. esbraveja. na mansão no Lago Sul em Brasília. Acrescentou os ganhos médios que teria conseguido caso se dedicasse à carreira de professora de Música. aos filhos e à preparação de impecáveis recepções para executivos e clientes. “A do BC e agora a dele para cima de mim!” Estimam-se em R$ 30 milhões as sobras da fortuna de Andrade Vieira. “Eu enfrentei duas intervenções!”. Depois de 24 anos de casamento e quatro filhos. uma usina de cifras estratosféricas. na época da quebradeira do Bamerindus. Na condição de sócia. “Eu o ajudava 24 horas por dia. uma das maiores empresas do mundo. O império General Electric. irmão do ministro da Fazenda. abastecida de muita raiva. Chegou a US$ 2. era. Menos tímidas que suas mães e avós. Até os jantares oferecidos ao presidente Fernando Henrique. além de amargar a condição de sem-banco. ela pode destituir diretores.1 milhões. “Eu confirmo”. considerado um dos empresários do século. mas seus advogados estão levantando tudo . abandonada em conseqüência do casamento.

o advogado paulista Newton Oliveira Neves forneceu exemplos práticos de como salvar empresas de ataques especulativos do mercado matrimonial. que há 26 anos briga com os cunhados pelo espólio do marido. na Área Societária. com quem viveu por seis anos. cujo escritório realiza uma dezena de reestruturações societárias por ano. “Teria escrito um épico se contasse toda a minha vida”. Tenta faturar algum por conta própria: lançou o livro A Condessa que Virou Princesa. A briga vai se estender por décadas. Mora numa bela mansão em Brasília. “Os acordos tornam-se quase impossíveis”. irrita-se. deverá sair a primeira decisão sobre o caso. coisa de Primeiro Mundo. O caso da viúva Anna Elmira. O romantismo latino atrapalha tudo”. freqüente nos grandes grupos econômicos. Conhece de cor a aritmética do coração: quando existe amor. O papel não evitou a baixaria no desenlace. Os dois formalizaram um pacto. choraminga. resume Neves. O melhor é prevenir”. Quando bate o ódio. “Perdi um tempo precioso que nenhum juiz poderá devolver”. Carola. contratado por Chiquinho Scarpa para defendê-lo das garras esmaltadas da ex-mulher. Anna Elmira luta com dois cunhados pela parte do patrimônio que caberia ao finado – algo em torno de R$ 100 milhões. maior feira de informática do país. Seu colega carioca Luiz Fernando Gevaerd vai mais longe. em Florianópolis. Ou seja.” Os brasileiros bem aquinhoados começam a sintonizar uma tendência comum entre americanos e europeus: a adoção do pacto pré-nupcial. parte do fantástico patrimônio imobiliário da família.90 o exemplar. diz. “O pacto foi assinado sob pressão.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa discorrer sobre o tema Proteção de Bens. não dá para falar em separações de bens. “Ainda é tabu no Brasil falar em pacto. restou à ex-condessa brigar por pensão alimentícia. bem em frente ao Centro Comercial Gilberto Salomão. O caso se arrasta em fóruns de Brasília e Minas Gerais. O advogado Sérgio Marques da Cruz Filho. à frente de um tradicional escritório especializado em Direito de Família.” jura Carola. Em agosto. diz o advogado Taltíbio Araújo. Fausto Salomão ilustra a lentidão da Justiça nas partilhas. Pede R$ 100 mil por mês. O empresário antecipou a partilha de 50% dos bens para os filhos e transferiu a outra metade do patrimônio para uma empresa off-shore. Nem sempre paraísos fiscais resolvem a pendenga. “As pessoas se esquecem que casamento é uma comunhão de afetos e interesses. quer continuar morando no apartamento em bairro nobre de São Paulo e retomar o carro importado. “Ela quer metade do que Max deixou de declarar”. Sem nada em seu nome. que angariou milhões de dólares e driblou um clássico golpe do baú. “Criar a holding é uma forma de proteger os bens em futuras relações”. só faltou fazer voto de pobreza antes do novo casamento. Sem direitos sobre os bens dos Scarpa. FGV DIREITO RIO 78 . dividir é martírio e subtrair uma compulsão. num paraíso fiscal. Tributária. sugere a ricos e pobres encarar de frente o lado material do casamento. Outra saída. é a criação de holdings para administrar o patrimônio pessoal de sócios e herdeiros. de São Paulo. de Família e Sucessões. não são partilháveis. representante de Tina. explica o advogado Marco Antônio Fanuchi. Entre os casos mencionados aparece o de um comerciante de sucesso (Neves omitiu seu nome). “Chiquinho chegou com o documento quando os convites já estavam distribuídos e o vestido de noiva pronto”. somar é possível. pouco antes do matrimônio principesco. dono da Fenasoft. Prova disso é a separação de Max Gonçalves. A futura esposa queria casar-se em regime de comunhão universal. lembra o advogado. vendido a R$ 9. Tina Bauer. constata. cujas ações são incomunicáveis. Sua história foi lembrada pelo senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) na sessão de abertura da CPI do Judiciário. tenta provar na Justiça que ele enviou ao exterior uma fortuna de R$ 16 milhões. no segundo matrimônio. “No auge do amor.

placar milionário No Brasil e no mundo. Madrulha deixa claro: casou-se com separação de bens. Miranda aceitou casar-se com separação total de bens. há casos em que ricas ex-mulheres pagam a conta. casou-se no ano passado com Carlos Madrulha. Fique com tudo”. A herdeira do império. estimada em R$ 175 milhões. completa. No Brasil. Christina Onassis. A ex-namorada deve ser uma aplicada discípula de Ivana Trump. tornou-se um bilhete premiado nas mãos de ex-maridos. ficou milionário e separou-se. Maria Pia. Aconselhado pela advogada Priscila Corrêa da Fonseca. Morreu em 1988. Golpe do baú não é prerrogativa feminina. referindo-se à partilha entre Iza e o banqueiro Júlio Bozano. vocifera. Para afastar qualquer suspeita de interesse. Após a separação. e o ex-senador Gilberto Miranda. acabou seu quarto matrimônio no final dos anos 80. Ao se separar do milionário americano Donald Trump. Os boatos não tardaram. em clima de denúncia. Ele teria ameaçado revelar segredos comerciais do conglomerado.. “Aquela v. Mesmo assim. Gilberto Miranda se resguarda. “Enquanto tiver dinheiro. Quando ainda era instrutor de natação. Seu último companheiro. Uma ex-namorada entrou com uma ação de partilha. com base na nova lei da união estável. Maridos também mordem. Bem-sucedida empresária do ramo de cosméticos e administradora do espólio do pai. um caso rumoroso envolve o clã dos Matarazzo. o ex-marido. o pintor Pablo Picasso. aos 38 anos. Barreto negou tudo. o ex-senador abriu de novo a carteira. estimativas de algumas das partilhas mais caras e rumorosas dos últimos anos. mais raros. a mais temida nos fóruns de Família. não escapou incólume. acumulou US$ 73 milhões só em presentes oferecidos depois de cada briga do casal. garante Miranda. levou 50% dos negócios dela. a loura cobriu-se de diamantes e deu a receita infalível para um divórcio milionário: “Não fique com raiva. Casada em separação de bens. seu guarda-costas. Analícia não tem do que reclamar: continua a desfrutar dos milhões do pai de suas duas filhas. Não conseguiu. dona de um dos maiores salários da televisão. Suas ações estão a salvo. À frente de três holdings e de um patrimônio de R$ 1 bilhão. celebrado em 1976 entre Analícia Scarpa. filha do armador grego Aristóteles Onassis. Outra herdeira célebre. “O meu acordo saiu mais caro do que o do Bozano”.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa A família Scarpa ostenta um caso anterior e bem-sucedido de pacto pré-nupcial. Maria Pia não cedeu às pressões do marido e ainda o acusou de manter um romance com a arrumadeira da mansão. FGV DIREITO RIO 79 . Paloma Picasso tornou-se uma legítima representante das vítimas da ganância conjugal. Colocadas nos pratos de uma balança. Queria também metade das obras de arte que ela herdara. ela terá tudo”. levou dinheiro suficiente para ficar à toa até hoje”.. Hábil operador de influências políticas. Acusou o ex-marido Roberto Calmon Barreto de tentar extorquir US$ 2 milhões. a mais cara no Brasil até o caso Rezende. A apresentadora Ana Maria Braga. as tradições dos Scarpa valem menos que o baú do novo-rico. Rafael Lopez-Cambil. Thierry Roussel. É um caso raro de generosidade pós-separação. ela pagou a conta depois de 20 anos de convivência. prima de Chiquinho.

d) A sociedade anônima não mais existe desde vigência do atual Código Civil. Partilhas concluídas: Iza x Júlio Bozano . c) sociedades em comandita simples.US$ 150 milhões Questões de ConCurso PROVA OAB/MG . b) sociedades anônimas.R$ 175 milhões Lisiane x Sérgio Prosdócimo . não tendo a relevância a pessoa de seus detentores”.R$ 17 milhões Edna x Olacyr de Moraes . PROVA CONCURSO PúBLICO/MG . 22) “Sociedade de capital constituída por frações com titularidade móvel e impessoal.US$ 80 milhões Marianne x Kenny Roggers .R$ 185 milhões no mundo.R$ 78 milhões Evelyn x Daniel Ioschpe .US$ 112 milhões Cindy x Kevin Costner .US$ 26 milhões Lorna x Gary Wendt .PROCURADOR DO MUNICÍPIO JUNHO/2008 67ª Questão: É CORRETO afirmar que são sempre sociedades simples: a) cooperativas.EXAME DE ORDEM . Partilhas concluídas: Amy Irving x Steven Spielberg .ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa no brasiL. ou seja.US$ 50 milhões Demi Moore x Bruce Willis . c) A sociedade anônima é regida pelo Código Civil.R$ 45 milhões Gláucia x Ipoty Ioschpe .5 milhões Helena x Alfredo Rezende .US$ 22 milhões Jerry Hall x Mick Jagger . Esta definição se aplica à : A) Sociedade em nome coletivo FGV DIREITO RIO 80 .AGOSTO/2007 73ª Questão: Marque a alternativa CORRETA. CONCURSO PARA JUIZ DO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO ESPÍRITO SANTO (2003).R$ 2.US$ 60 milhões Ivana x Donald Trump .US$ 50 milhões Diana x Príncipe Charles . a) A sociedade anônima é sociedade não personificada. seu capital é dividido em ações suscetíveis de transferência. d) sociedades limitadas. b) A sociedade anônima é sociedade empresária.

ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa B) Sociedade anônima C) Sociedade limitada D) Sociedade em comandita simples E) Sociedade de capital e indústria FGV DIREITO RIO 81 .

Saraiva: São Paulo/2005. – As vantagens e desvantagens. ementário de temas – Ser sócio de uma sociedade limitada. 10 E 11: SER SóCIO DE UMA SOCIEDADE lIMItADA Em virtude da atribuição de personalidade anotada no art. Leitura CompLementar – Capítulos 15 e 16 do Manual de Direito Comercial e de Empresa. – Páginas 99 a 107 do Direito Societário. Neste caso. Saraiva/2004. não se confundindo com a pessoa de seus sócios que são. Saraiva: São Paulo/2005. Já nas sociedades de capital o que ocorre é o inverso. Aprendemos que nas sociedades de pessoas. Renovar: Rio de Janeiro/2004. seu ato constitutivo FGV DIREITO RIO 82 . proprietários de quotas ou ações da sociedade. os sócios irão compor o instrumento pelo qual a pessoa jurídica irá se estabelecer. Fábio Ulhoa Coelho. não dependendo da aprovação dos demais. afetados. Mediante um acordo de vontade. o Fisco e a Justiça”. Nestas aulas discutiremos a leitura do(s) seguinte(s) capítulo(s): – Páginas 350 a 360 e 374 a 378 do Manual de Direito Comercial e de Empresa. ou seja. deve ter capacidade para exercer os atos da vida civil (exceções na forma da lei). – Texto: “A morte da limitada. – Ingresso e Retirada. a pessoa do sócio é mais importante que a contribuição material que este realiza para a sociedade. roteiro A denominação de “sócio” é usada para nomear o membro da sociedade empresária que pode ser pessoa jurídica ou pessoa natural. Ricardo Negrão. 44 do Código Civil. No caso da sociedade limitada.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa AUlAS 09. a pessoa do sócio é irrelevante para a empresa explorada pela sociedade. cujos interesses podem ser. dependerá da aceitação dos outros sócios. José Edwaldo Tavares Borba. a cessão da participação societária dependerá da anuência dos demais sócios. tão somente. – Deveres e Direitos. esta última. Ricardo Negrão. obviamente. – Mecanismos de responsabilidade do sócio. a sociedade é compreendida como pessoa jurídica de direito privado (sujeito de direito). Assim. diretamente. – Páginas 357 a 370 e 398 a 419 do Curso de Direito Comercial. contrair obrigações e ser titular de patrimônio próprio. com capacidade para adquirir direitos. 7ª edição. o ingresso do sócio na sociedade. o sócio pode alienar sua participação societária a quem quer que seja.

ou mesmo realização de operações societárias.9% dos registros de sociedades. Entra o cessionário e sai o que cedeu as quotas.016 e 1.080 do código civil. celebração dos mais variados contratos empresariais. 1. 1. Fábio in curso de Direito comercial.” ) no nome empresarial. “Muitas vezes. saraiva/2004. a responsabilidade de cada sócio é restrita ao valor de suas quotas. 1. 1. cisão. como as de incorporação. denominado também recesso ou dissidência. visto vez que. desde que expressamente aprovada por ele123. – DISSOLUÇÃO PARCIAL. – LIMITAÇÃO EXPRESSA: É necessária a inserção do termo limitada (ou abreviado “Ltda. sob pena da responsabilidade ilimitada121. formaliza-se no contrato a substituição do sócio.gov. Uma vez integralizado o capital social.br art. art. §1º do código civil. Caso não consiga negociar suas quotas.052. trazendo maior normatização e menor flexibilidade para as limitadas. Assim.responsabilidade pessoal e solidariamente124. A retirada é o direito do sócio se des- 120 98. e participam do dia-a-dia do negócio. 1. – DIREITO DE RETIRADA: O sócio que não tem mais vontade de continuar na sociedade pode negociar suas quotas com os outros sócios ou junto a terceiros. e) Responsabilidade ilimitada nos casos de DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA127: A limitação da responsabilidade não traduz a falta de responsabilidade dos sócios. pág.057 do código civil. Nesses casos.158 §3º do código civil. a consideração da autonomia da pessoa jurídica importa a impossibilidade de correção da fraude ou do abuso128”. 121 art. mas todos respondem solidariamente pela integralização do capital social” e não apenas por suas quotas. os sócios respondem pessoal e ilimitadamente pelas dívidas sociais decorrente do ato ilícito. entre elas: – RESPONSABILIDADE LIMITADA DOS SÓCIOS: desde que integralizado o capital social por eles subscrito. Diante do grande número de sociedades limitadas registradas no país120.010 §3º do código civil. FGV DIREITO RIO 83 . b) Por participação em deliberação infringente do contrato social ou da lei. Inexistindo oposição de sócio com mais de ¼ do capital social129 e resolvendo a questão referente ao valor da quota. esta é a sua garantia. pág. Normalmente. os sócios ficam liberados de qualquer responsabilidade. 7ª edição. De acordo com o art. Com a desconsideração. 122 123 124 art.017 do código civil. por meio da aquisição de quotas que se fará mediante uma alteração contratual. solidariamente. “na sociedade limitada. para cuja prática concorreram com a administração da sociedade. uLHOa cOELHO. poderá exercer o direito de retirada. caso contrário. deverá preocupar-se em aferir o patrimônio da pessoa jurídica.055. O ingresso do sócio na sociedade também poderá ocorrer durante a existência da pessoa jurídica. c) Na qualidade de Administrador . 125 126 BORBa. 1. estes são de uma mesma família ou conhecidos. “Os sócios responderão. perante credores. 127 128 art. efetivamente. a sociedade limitada tem poucos sócios. o terceiro. Fonte: http://www.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa denomina-se “contrato social” e seus sócios são chamados de “sócios-quotistas” uma vez que a contribuição para a formação do capital social recebe o nome de “quota”. 129 art. pela diferença entre o valor estimado e os parâmetros de mercado”126. alguns envolvendo elevado grau de sofisticação jurídica. ao contratar com a sociedade limitada. os interesses dos credores ou terceiros são indevidamente frustrados por manipulação na constituição de pessoas jurídicas. art. Renovar/2004. 9ª edição. dnrc. 50 do código civil. – RESPONSABILIDADE PESSOAL DO SÓCIO: a) Por violação do dever de lealdade: O sócio responde por perdas e danos se aprovar alguma operação de interesse contrário ao da sociedade122. respondem solidariamente pelo que faltar. 1. d) Pela superavaliação de bens conferidos à sociedade para integralização do capital social125. o Código Civil prevê algumas formalidades.31. tomando todas as decisões para o desenvolvimento da empresa sem muita formalidade.105. josé Edwaldo Tavares in Direito societário. fusão.

a desconsideração também será efetivada quando houver falência. que envolve elementos incorpóreos ou imateriais do fundo de empresa. 1. 5º. por ato unilateral de vontade. são pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei. parágrafo único. Desta forma. a qualquer tempo. VII134 e 135.os diretores.º 8. de alguma forma.620/1993 (altera dispositivos da legislação previdenciária) : art. pelos débitos junto à seguridade social.085 do código civil. os administradores...031 do Código Civil. III135. No caso da sociedade decidir por expulsá-lo. 135 art. art.) III .029 está inserido no capítulo das sociedades simples e aplica-se à sociedade limitada em não havendo disposição contratual em sentido contrário (regência supletiva pelas normas da sociedade simples). negociação. infração da lei. no silêncio deste. e despesas.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa ligar dos vínculos que o une aos demais sócios e à sociedade. ou seja. o sócio contrai a obrigação de “investir”. estado de insolvência. caso tenha sido alterado o contrato contra a sua vontade.º 8.072 do código civil. para exercer o direito de retirada deverá ser comprovada judicialmente a “justa causa” (não cabe a dissolução parcial por retirada imotivada). com seus bens pessoais.077 do código civil. • Lei n. 134. gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado.078/1990 (Código de Política Nacional das Relações de Consumo): art. Não há.) § 5° Também poderá ser desconsiderada a pessoa jurídica sempre que sua personalidade for. apurados de acordo com o contrato social ou. 4º139 dever dos sócios Ao ingressar na sociedade.. art. b) Sendo a sociedade por prazo determinado e com regência supletiva pelas normas da sociedade simples. art. O exercício do direito de retirada (ou recesso) assegura ao sócio retirante o recebimento de seus haveres. 13. • Lei n. • Lei n. fato ou ato ilícito ou violação dos estatutos ou contrato social. 1. previstas em leis especiais: • Código Tributário Nacional: art. O titular da firma individual e os sócios das empresas por cotas de responsabilidade limitada respondem solidariamente. houver abuso de direito. 131 132 133 134 art. 134.º 9. Os acionistas controladores. obstáculo ao ressarcimento de prejuízos causados aos consumidores. 1.. 1.. 28. reservas sociais etc. Em se tratando da sociedade limitada com regência supletiva pelas normas da sociedade por ações. 1. 28136. ou expulso. 135. deve restituir ao remisso as entradas feitas. no caso de liquidação de sociedade de pessoas. assegura ao sócio o direito de retirar-se. deduzidas as quantias correspondentes aos juros de mora. assim.) VII . respondem solidariamente com este nos atos em que intervierem ou pelas omissões de que forem responsáveis: (. em outras palavras. com seus bens pessoais. Consagra a regra do “recesso imotivado” na sociedade por prazo indeterminado. encerramento ou inatividade da pessoa jurídica provocados por má administração. O sócio que não cumpre seu dever de integralizar a quota é chamado de sócio remisso140 e poderá ser cobrado pela sociedade. XX da constituição Federal da República de 1988. ou aprovada a participação da limitada em incorporação ou fusão131. o direito de retirada só pode acontecer de “forma motivada”. em juízo. • Lei n. cláusula penal expressamente prevista no contrato social. os gerentes e os diretores respondem solidariamente e subsidiariamente. O juiz poderá desconsiderar a personalidade jurídica da sociedade quando. nos termos do compromisso contratual assumido junto aos demais sócios. a) O art. chamado de “balanço especial de determinação” e deverá levar em consideração o patrimônio empresarial da sociedade.605/1998 (dispõe sobre as sanções penais e administrativas derivadas de condutas e atividades lesivas ao meio ambiente): art. por dolo ou culpa. excesso de poder. – DELIBERAÇÕES DOS SÓCIOS133 Exceções à regra da responsabilidade limitada dos sócios. Trata-se da aplicação do princípio constitucional130 que proíbe qualquer pessoa de ser compelida a associar-se ou permanecer associada. 13137. 136 art. nos casos de impossibilidade de exigência do cumprimento da obrigação principal pelo contribuinte.884/1994 (dispõe sobre a prevenção e a repressão às infrações contra a ordem econômica): art 18138. art. adotando perfil capitalista. seja na sua formação ou numa já constituída. 130 art. – EXPULSÃO DE SÓCIO132 – LIQUIDAÇÃO DOS HAVERES: será apurada por meio de balanço especial. Isto é exemplo do mecanismo dos atos de constituição de pessoa jurídica.os sócios.. 137 FGV DIREITO RIO 84 . na forma do art. c) O “recesso motivado” cabe sempre que o sócio minoritário discorda de deliberação da maioria. será um balanço empresarial. mediante prévia notificação aos demais sócios com antecedência de 60 dias. tem o dever de integralizar a quota subscrita do capital social.. (. contrato social ou estatutos: (. em detrimento do consumidor. quanto ao inadimplemento das obrigações para com a seguridade social.º 8.

parcialmente integralizado. RESPONSABILIZAÇÃO PESSOAL. EXECUÇÃO FISCAL. contribuir para as deliberações sociais e retirar-se da sociedade. SÓCIO-GERENTE. Recurso especial a que se dá provimento.000. Min. mas sim como um foco irradiador de riquezas. 1. Artur e Daniel têm participação no capital social da seguinte forma: Pablo (40%). nem em tese. excesso de poder.2006 p.000.2006. verifica-se que os sócios Pablo. DJ 30. 140 art. Neste caso. com a proposição de que sua atual paixão está disposta a pagar o que for para vê-lo livre de todas as suas obrigações no Brasil. fato ou ato ilícito ou violação dos estatutos ou contrato social.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa O sócio também terá responsabilidade para com a sociedade e para com a coletividade por ela alcançada. Segundo a jurisprudência do STJ. extremamente importante à manutenção e desenvolvimento da economia. você é procurado por Daniel. estado de insolvência. encerramento ou inatividade da pessoa jurídica provocados por má administração. situações que acarretam a responsabilidade subsidiária dos representantes da sociedade. Qual será a consulta? c) Daniel terá direito a receber algo? d) Caso Daniel não tenha integralizado o valor referente as suas quotas. 4º poderá ser desconsiderada a pessoa jurídica sempre que sua personalidade for obstáculo ao ressarcimento de prejuízos causados à qualidade do meio ambiente.00. direitos do sócio Por participarem do capital social.06. 18.00.004 do código civil. Intentada ação de execução. é o contrato social que defini como se dará a distribuição dos lucros. NÃO-CONFIGURAÇÃO. Desse modo. Daniel se apaixona por uma senhora de nacionalidade paraguaia e resolve se mudar para o Peru. aos ditames da função social da empresa. Primeira Turma. fixando residência em Matchu Pitchu. pois ela não deve ser assim visualizada. 139 art. os sócios adquirem direitos inerentes a esta condição. Caso gerador Camila é credora da Moto Racing Ltda. a simples falta de pagamento do tributo e a inexistência de bens penhoráveis no patrimônio da devedora (sociedade por quotas de responsabilidade limitada) não configuram. 192) art. na quantia de R$ 120. julg. Rel. Em virtude dessa decisão. fiscalizar a gestão da empresa. Pablo é o administrador da sociedade. a sociedade não tem bens suficientes para a satisfação da obrigação. como por exemplo: participar do resultado social. Analisando o quadro societário. os mecanismos especiais de fiscalização da administração e hipóteses de retirada. haverá direito de reembolso de suas quotas? 138 JurisprudênCia TRIBUTÁRIO. assim. Teori Albino Zavascki. POR SI SÓ. O capital social da sociedade é de R$ 100. a personalidade jurídica do responsável por infração da ordem econômica poderá ser desconsiderada quando houver da parte deste abuso de direito. NEM EM TESE. por si sós. Artur (30%) e Daniel (30%).380/SP. a) Camila poderá alcançar o patrimônio pessoal dos sócios? b) Nessa mesma sociedade. PROCESSUAL CIVIL. (REsp 831. Não pode tratar “como a minha empresa”. infração da lei. 20. DE SITUAÇÃO QUE ACARRETA A RESPONSABILIDADE SUBSIDIÁRIA DOS SÓCIOS. comunica que não pretende mais permanecer associado. 1. FGV DIREITO RIO 85 .06. a desconsideração também será efetivada quando houver falência. atendendo. 2.

(REsp 800.2006. Francisco Peçanha Martins.04. DJ 12. 1.611/MA. 2. Quando a sociedade por cotas de responsabilidade limitada dissolve-se irregularmente. DO CTN. Recurso especial conhecido e provido. Não podem – e não devem – ser aplicados de forma solitária. CESSÃO DE QUOTAS CAUSA MORTIS. Min. DÍVIDA DA SOCIEDADE DE RESPONSABILIDADE LIMITADA. PREVISTA EM LEI.865/SP. INVENTÁRIO.04. Terceira Turma.2006 p. INCISO III. 25. II. RECURSO ESPECIAL – DÍVIDA DE SOCIEDADE LIMITADA – EXECUÇÃO FRUSTRADA – REDIRECIONAMENTO AOS BENS DE SÓCIO – ARTS. p/ Acórdão Min. E 596 DO CPC – RESPONSABILIZAÇÃO SECUNDÁRIA. Eliana Calmon. Rel. julg. 135.2006. 05. Min. Normalmente. Apenas em casos previstos em lei deve ser aplicada a responsabilização secundária. e 596 do CPC. INEXISTÊNCIA DE QUALQUER HIPÓTESE QUE AUTORIZE A CONFUSÃO DOS PATRIMÔNIOS.08. OU SUBSIDIÁRIA.039/PR.081/TO. Imposição da responsabilidade solidária.2006. Terceira Turma. o patrimônio dos sócios não responde por dívidas da sociedade. autorizando-se o redirecionamento. DJ 02. (REsp 757.2006 p. Segunda Turma. 3. 230). DJ 15. EXECUÇÃO. II. Por isso é que em ambos existe a expressão “nos termos da lei”. Terceira Turma. 1. 06. Rel. Humberto Gomes de Barros. julg. IMPOSSIBILIDADE. 4.06.2004. Humberto Gomes De Barros. Min. (REsp 537. Nancy Andrighi. QUE EXIGE SITUAÇÃO ESPECÍFICA. – Salvo em hipóteses taxativamente previstas em lei. impõe-se a responsabilidade tributária do sócio gerente. ADMINISTRAÇÃO DA SOCIEDADE EMPRESÁRIA.2006 p. 200) DIREITO EMPRESARIAL E PROCESSUAL CIVIL. (REsp 401. 117) RECURSO ESPECIAL. 3. vinculada a outro texto legal.08.2004 p. desaparecendo sem deixar nova direção é presumivelmente considerada como desativada ou irregularmente extinta. Rel.06.04. ESTADO DE SÓCIO. 592. FGV DIREITO RIO 86 . – A transmissão da herança não implica a transmissão do estado de sócio. os bens do sócio não respondem por dívidas da sociedade. – A solução de controvérsias a respeito dos efeitos da cessão mortis causa de quotas na administração da sociedade empresária é matéria estranha ao Juízo do inventário. 592. não é lícita a penhora das quotas sociais em execução movida contra a pessoa jurídica. Por isso. 482).05. 2. Min. PERTENCENTES AOS SÓCIOS. Rel. estabelecida nos Arts. Recurso especial provido. Tais artigos contêm norma em branco. PENHORA DAS QUOTAS SOCIAIS.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa PROCESSO CIVIL E TRIBUTÁRIO – EXECUÇÃO FISCAL – SÓCIO GERENTE – REDIRECIONAMENTO – INTERPRETAÇÃO DO ART. Rel. julg. 4. 20. A desconsideração da personalidade jurídica é artifício destinado à profilaxia e terapêutica da fraude à lei. ou subsidiária. A empresa que deixa de funcionar no endereço indicado no contrato social arquivado na junta comercial. DJ 23. julg.

do qual não fez parte a recorrida. conseqüentemente. 4. EM RAZÃO DE DIVIDA CONTRAÌDA PELO DE CUJUS. No caso. não pode a penhora recair sobre bem dessa. como empresário individual. Tem ela impostergável direito de recesso. ADUZINDO A IMPOSSIBILIDADE DA DISSOLUÇÃO PARCIAL DE SOCIEDADE COMPOSTA POR APENAS DOIS SÓCIOS. se a dívida foi contraída pelo falecido. §§1º e 3º. como condição de existência do contrato de sociedade. TJ/RJ). Assim. são seus bens que devem garantir a execução. EXECUÇÃO PROMOVIDA CONTRA ESPÓLIO.Princípio da causa madura para julgamento. do CPC.A quebra da affectio societatis. ainda que provisoriamente. incluindo os bens corpóreos e incorpóreos. já que os bens da sociedade por cotas de responsabilidade limitada não se comunicam com os adquiridos pela pessoa física de seus sócios. Sergio Lucio Cruz – Julgamento: 01/02/2006 – Décima Quinta Câmara Cível. Antonio Saldanha Palheiro – Julgamento: 06/06/2006 – Quinta Câmara Cível. sem prejuízo de encetar uma nova sociedade para desenvolver a empresa no prazo da lei – artigo 1033. 8.Vedada a estipulação contratual que exclua qualquer sócio de participar dos lucros e das perdas – artigo 288 do Código Comercial e 1008 do Código Civil de 2002. UNIPESSOALIDADE INCIDENTAL TEMPORÁRIA. aproximando-se do resultado que poderia ser obtido com a dissolução total. e não da empresa apelada. pelo contrato social.artigo 1031 do CC/ 2002. 3. com a pessoa de seu falecido sócio. SOCIEDADE POR COTA DE RESPONSABILIDADE LIMITADA CONSTITUÍDA POR DOIS SÓCIOS. 6. em hipótese alguma o imóvel deixará de pertencer à empresa apelada Não se pode confundir a pessoa jurídica da empresa. a morte de um dos sócios não acarreta sua dissolução da sociedade. (2005. DISSOLUÇÃO PARCIAL COM APURAÇÃO DE HAVERES. a fase instrutória já se encerrou. (2006. PENHORA DE BEM IMÓVEL PERTENCENTE À EMPRESA DA QUAL O FALECIDO ERA SÓCIO MAJORITÁRIO. nem partilha dos seus bens. grifamos FGV DIREITO RIO 87 . e não os da empresa da qual era sócio. SENTENÇA DE IMPROCEDÊNCIA.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa DIREITO DE EMPRESA. RECESSO DO SÓCIO MINORITÁRIO. 5. da qual o espólio detém cotas.001. Desprovimento do recurso. 7. do CC/2002. Des. e. 2.artigo 515.No caso. grifamos EMBARGOS DE TERCEIRO. 1. A este último só faz jus o sócio que se dedicar à administração social.001. Des. que o contrato social não pode nulificar ou obstruir. TEORIA DA PRESERVAÇÃO DA EMPRESA. Comprovado está que a dívida é do Espólio. se. Provimento do recurso.18077 – Apelação Cível.52831 – Apelação Cível. IV. pois o que se está executando é o acordo firmado entre aquele e o ora apelante. liquidar-se-á com base nos valores reais da situação patrimonial da sociedade à data da resolução . POSSIBILIDADE. Em que pese o débito ter sido constituído pelo sócio majoritário da apelada. embora a matéria seja de direito e de fato. legitima a dissolução parcial da pessoa jurídica.A apelante não está obrigada a permanecer associada contra sua vontade.O balanço especial deve refletir um levantamento contemporâneo. o valor das quotas.Não há que se confundir lucro com pro labore. TJ/RJ).Pretendendo-se a dissolução parcial da sociedade. autorizando o julgamento do mérito da causa . a empresa poderá ser preservada atuando o sócio remanescente. verificado em balanço especial.

2004. Mas se existe uma vocação irresistível para ser empresário. Ora. por ignorância dos seus direitos.. o Fisco. Na minha família se alguém resolver abrir uma empresa eu vou procurar interditá-lo por prodigalidade. mas também os sócios. os outros ramos do direito. há louco para tudo. iniciam uma empresa mercantil. Bem. Mas não é somente isto. Como a CLT não inclui sócio como empregador. Então elas são oneradas até mais do que deveriam. o regime das limitadas seria justamente . ao cuidar da responsabilidade pessoal dos sócios. por Haroldo malheiros Duclerc Verçosa (mestre. Toma o que pode e não dá nada em troca. O “peixe” foi bem vendido ao Judiciário e de lá para cá.quem diria! . Micros. na falta de norma específica. agora a cargo do NCC. Legal & jurisprudência. sendo-lhe penoso até mesmo pagar um contador que cuide de sua escrita. segundo a CLT. que tornaria responsáveis pelas dívidas tributárias não somente os administradores faltosos. Doutor em Direito comercial e professor da Faculdade de Direito da usp). pequenas e médias empresas mal conseguem sobreviver. Os perigos não são poucos.. Outra forma de correr riscos menores está na escolha de um tipo societário no qual a responsabilidade do sócio seja limitada. arrostando todos os perigos. Mas cuidado.708/19. quanto mais fazerem planejamento fiscal. Poucas empresas passam dos cinco anos de vida e um número bem menor delas chega a completar dez anos. Um dia alguém no Fisco ouviu falar de uma tal de “desconsideração da personalidade jurídica”. Bastaria aos sócios cuidar que o capital da sociedade estivesse sempre integralizado para que não sofressem qualquer tipo de responsabilidade patrimonial. o regime jurídico deste deve ser remetido para as normas que cuidam do tipo societário correspondente. quem responde pelas obrigações trabalhistas é o “empregador” (artigo 2º). deveriam acatar a construção da limitada tal como definidos pelo legislador. Ledo engano! Em primeiro lugar os empresários têm um sócio que é um verdadeiro “encosto”. Veja-se que.03. Isto geraria segurança e certeza no exercício da atividade econômica privada. 141 FGV DIREITO RIO 88 .o de uma responsabilidade limitada. pelo menos ele teria o direito de minimizar o seu risco. Para o empresário (individual) existe o favor do bem de família. o fisCo e a Justiça141 Significativa parte da economia gira em torno da iniciativa privada. basta agitar a varinha mágica da desconsideração que os sócios são apanhados na rede tal peixes em aquário.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa teXto: a morte da Limitada. A Justiça do Trabalho também veio a trilhar o mesmo caminho da desconsideração da personalidade jurídica. o que se dá pela escolha de um mecanismo de exploração da atividade mercantil que permitisse salvar uma parte do patrimônio no caso da perda da empresa. As micros. Mas a bendita da “desconsideração” também foi descoberta pelos advogados dos empregados e acolhida festivamente pelos tribunais Gazeta mercantil em 30. Desta maneira. não sendo encontrados bens no patrimônio da sociedade. Veja-se que o perfil jurídico das limitadas era dado pelo Decreto 3. já era. pequenas e médias empresas optam pela sociedade limitada que tem um custo mais barato e na qual a responsabilidade máxima corresponde ao montante do capital social. mesmo os minoritários. salvaguardando os bens mínimos necessários a uma vida com razoável dignidade. Para isto elas foram criadas. o Novo Código Civil (NCC) mudou o regime anterior. que corresponde a um patrimônio separado dentro do patrimônio geral. Quem dormir no ponto. Vou ficar com o exemplo dos empresários e das sociedades empresárias (os antigos comerciantes individuais e as sociedades comerciais) que separam uma parte do seu patrimônio e. tendo passado a exigir uma formalidade antes desnecessária.

Desvio de finalidade consiste justamente na utilização da sociedade para fins estranhos à sua criação. ao referir-se ao “abuso da personalidade jurídica”. Este é o espírito da nova Lei de Falências. Quanto ao Direito Tributário. Mas vale preservar uma empresa com um pouco de sacrifício de todos do que privilegiar alguns extinguindo uma unidade produtiva. Portanto. Basta que. até mesmo a sua morte como instrumento apto ao exercício da empresa mercantil. o que seria prova de simulação no disfarce de um comerciante individual em sociedade. contrato social ou estatutos. o sócio pelo simples fato de ser sócio não é responsável tributário. Era uma doutrina que “levantava o véu da sociedade” sempre que a personalidade jurídica concedida pelo legislador fosse utilizada de forma inadequada. que são anuláveis (CCiB. pois tal criação jurídica foi reconhecida como instrumental ou finalística. tendo-se como parâmetro o objeto social estabelecido no contrato social. A teoria da desconsideração da personalidade jurídica não inclui a simulação e a fraude. locupletando-se alguém por trás dela à custa dos empregados e de outros credores. Estas têm um tratamento próprio na qualidade de defeitos do ato jurídico. O direito.que a sociedade foi utilizada indevidamente. verificada na liquidação de sociedade. matando-a. Isto que dizer que a personalidade jurídica deveria ater-se ao regime estabelecido pelo direito. citada. a desconsideração da personalidade jurídica não é e nem nunca foi uma panacéia para salvar credores. Mas também neste campo tem operado fartamente a desconsideração da personalidade jurídica às vezes tão somente pelo fato de que um sócio tem participação mínima no capital. artigos 102 a 113 e NCC. É só pedir. por sua vez. Confusão patrimonial dá-se. a sociedade não pague ou não indique bens à penhora para ter lugar a desconsideração imediatamente. Estas hipóteses somente são suscetíveis de realização por quem administra a sociedade e não por quem seja somente sócio. A idéia acima sempre permeou a boa doutrina e a melhor jurisprudência.em uma presunção absoluta na Justiça do Trabalho . portanto. Este é o limite de atuação da sociedade no mundo do direito.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa trabalhistas. o artigo 135 estabelece que os administradores ou representantes da pessoa jurídica respondem diante de atos praticados com excesso de poderes ou infração da lei. É a mesma coisa que abrir as entranhas da galinha dos ovos de ouro e pegar o que ali encontrar. ao invés de deixar que ela ponha um ovo por dia. no CTN existe apenas uma menção à responsabilidade dos sócios no artigo 134. FGV DIREITO RIO 89 . por meio dos seus órgãos. Por sua vez. indicando a presença de uma sociedade mercantil .que. quando vier a ocorrer “desvio de finalidade ou confusão patrimonial”. E o NCC a acatou claramente no artigo 50. artigos 158 a 167). As “soluções” acima referidas nos dois campos do direito acabaram por levar a sociedade limitada a um completo descrédito. Não ter bens para pagar significa . Na verdade. Os juízes precisam começar a pensar na eficiência de suas decisões dentro de um horizonte macroeconômico. quando não há distinção efetiva entre o patrimônio da sociedade e o dos sócios ou de algum deles. na análise do caso concreto poderia determinar o não reconhecimento da personalidade jurídica. efetivamente exercesse uma atividade econômica distribuindo aos sócios os lucros correspondentes. E com a “penhora on line” a festa ficou completa. sem qualquer fundamento.

conforme a cotação em bolsa de valores. 4 . enquanto não estiver esgotado.PROVA DISCURSIVA. apurado em balanço especial. (D) econômico de suas quotas na data do efetivo pagamento. b) O patrimônio pessoal de Joaquim e José pode ser usado para a satisfação de quaisquer débitos contraídos pela sociedade. é acolhível a alegação do retirante ou excluído de que a apuração. deverá fazer-se de outra forma? Fundamente a resposta. responderá pela satisfação de todos e quaisquer débitos contraídos pela sociedade. TIPO 1. e não havendo previsão contratual a respeito. na hipótese de retirada ou exclusão de sócio.PROVA OBJETIVA. teve seus atos constitutivos devidamente arquivados perante a Junta Comercial. 22º EXAME DA ORDEM DOS ADVOGADOS DO RIO DE JANEIRO . por não expressar o último balanço a realidade patrimonial da empresa. assinale a assertiva correta. que adota o nome empresarial Ferragem Inconfidência Ltda. Para desenvolver sua atividade. seus haveres serão pagos com base no último balanço levantado. a) O patrimônio de Ferragem Inconfidência Ltda. uma vez esgotado o patrimônio desta.EXAME DE ORDEM . Sobre este caso. 2ª QUESTÃO: Dispondo o contrato social que. apurado em perícia judicial. 2ª FASE. além de estabelecer relação com uma rede de fornecedores. d) Joaquim Silva e José Xavier são empresários. c) Esta sociedade adquiriu personalidade jurídica no momento em que os sócios assinaram o contrato social. 45. Resolvendo-se o vínculo de um sócio com a sociedade empresária de que faz parte.. a sociedade realiza a contratação de empregados e aluga uma loja em área de grande movimento de pedestres. DIREITO COMERCIAL. A sociedade. seus haveres sociais serão pagos de acordo com o critério do valor. (A) patrimonial de suas quotas na data da resolução.O sócio de responsabilidade ilimitada que tenha sido admitido na sociedade por cessão de sócio retirante responde solidariamente com o cedente pelas obrigações existentes à época da cessão? XXXIX CONCURSO PARA INGRESSO NA MAGISTRATURA DE CARREIRA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO. PROVA OAB/RS . DIREITO COMERCIAL. (VALOR: UM PONTO E MEIO). (B) econômico de suas quotas à data da resolução. apurado em balanço especial. FGV DIREITO RIO 90 . (C) patrimonial de suas quotas na data do efetivo pagamento.DEZEMBRO/2007 22ª Questão: Joaquim Silva e José Xavier constituem uma sociedade limitada para que esta exerça a atividade empresarial de venda de materiais de construção.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa Questões de ConCurso 125º EXAME DA ORDEM DOS ADVOGADOS DE SÃO PAULO . 2ª Prova Específica.

no caso em que ocorra a retirada de sócios. a apuração da respectiva quota atenderia o valor do último balanço. levando-se em conta a própria evolução positiva da empresa no mercado. ou se calcula o valor da quota social. inclusive levando-se em conta certos bens imateriais adquiridos no curso da atividade da empresa. OBJETIVA. Indaga-se. ? E as reservas de capital. a coerência da decisão e não apenas o resultado apresentado. bem como as reservas de capital que seriam volumosas.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa CONCURSO PARA INGRESSO NA MAGISTRATURA DO ESTADO DE MINAS GERAIS (2003/2004) – PROVA SUBJETIVA DE DIREITO COMERCIAL. nos moldes contratuais. que os valores convencionais do balanço eram bem inferiores à realidade e pretendeu que a apuração se fizesse pelo efetivo valor patrimonial da empresa e não apenas pelo escritural. Prevê o contrato social que. por exemplo. como a exclusividade de comercialização de produtos famosos. assim: Devem prevalecer os valores do último balanço. incluem-se na apuração de haveres? Observação: Esta questão tem o objetivo de avaliar o senso jurídico do candidato. como. por deliberação da maioria. devendo haver avaliação. a exclusividade adquirida para venda de produtos. novo ponto comercial. novo ponto comercial. EXAMINADOR: DES. O excluído provou. etc. ERNANE FIDELIS. Questão 2. FGV DIREITO RIO 91 . porém.

recente e decorre da iniciativa de parlamentares. nem se sujeitar à prévia autorização governamental”142. Fabio ulhoa in curso de Direito comercial. Nesta. tendo como regra. • nacional e estrangeira. 7ª edição. saraiva/2004.II. por exemplo. • simples e empresária. diante de sua natureza capitalista. FGV DIREITO RIO 92 . para atender ao interesse aos pequenos e médios empreendedores.II.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa AUlA 12: A ClASSIfICAÇÃO DA SOCIEDADE lIMItADA “A sociedade limitada – anteriormente chamada sociedade por quotas de responsabilidade limitada – tem uma história pequena e pobre. será sempre “de pessoas”. na exploração de atividade econômica. Fabio Ulhoa Coelho. mesmo no caso das companhias fechadas. • holding. – Páginas 367 a 378 do Curso de Direito Comercial vol. da limitação da responsabilidade típica das anônimas.“affectio societatis” pessoal. que queriam beneficiar-se. será sempre “de capital”. Sérgio Campinho. mas sem atender às complexas formalidades destas. a alienação de ações não pode ficar adstrita à anuência dos demais sócios. Nesta aula discutiremos a leitura do(s) seguinte(s) capítulo(s): – Páginas 358 a 360 do Manual de Direito Comercial e de Empresa. ementário de temas – A classificação da sociedade limitada como: • de pessoas e de capital. Saraiva: São Paulo/2004. roteiro de auLa “de pessoas” e “de capital”. já a sociedade anônima. portanto. Renovar/2005. pág. Sua criação é. Ricardo Negrão. Vol. 7ª edição. A sociedade simples. Aprendemos que as sociedades “de pessoas” são aquelas nas quais a pessoa do sócio se reveste de extrema relevância. uma vez que sua constituição baseia-se no relacionamento e vínculo existentes entre os sócios . Saraiva: São Paulo/2005. Já nas sociedades “de capitais”. 5ª edição. Leitura CompLementar – Páginas 149 a 154 e 266 a 275 de O Direito de Empresa à luz do novo Código Civil. o aspecto relevante é objeto da sociedade (visão capitalista) e não a figura do sócio. “na medida em que eventual limitação estatutária à circulação de ações não 142 cOELHO.366. a livre participação societária e a facilidade de se verificar uma grande mutabilidade dos sócios. em relação às demais sociedades.

057 do Código Civil estabelece que. a menos que o contrato social disponha de forma diferente.370. as cláusulas do contrato social que dispõem sobre a natureza da sociedade. expressa através das cláusulas do contrato social.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa poderia significar a sujeição da venda destas à anuência dos outros acionistas. A sociedade limitada poderá se “apresentar” como SOCIEDADE LIMITADA SIMPLES ou SOCIEDADE LIMITADA EMPRESÁRIA. que é diferente do direito de aprovar ou vetar a alienação das ações. a atividade intelectual estará absorvida pela estrutura organizacional. por meio de requerimento dirigido ao ministério do Desenvolvimento. mas que poderá adotar o modelo “LIMITADA” ou “SIMPLES” (art. em regra. aplicação de vacinas e outros serviços ao público em geral. Importante lembrar que se não for possível definir qual a natureza da sociedade limitada. simples e empresária Na sociedade limitada empresária. 966 do código civil. com as regras das sociedades anônimas (art. in fine. Esta sociedade será empresária e poderá adotar o modelo “LIMITADA” com as regras da sociedade simples ou. o estatuto da sociedade anônima fechada pode prever o direito de preferência. Indústria e comércio Exterior. uma vez que o art. se o consultório oferecer também exames clínicos laboratoriais.09. ou a estranho. ela não possui sempre a mesma natureza. todas direcionadas à “cessão de quotas”: a) morte de sócio (sucessão). Este exemplo é típico de uma sociedade simples. conceituando. protocolado no Departamento nacional de Registro do comércio – DnRc. do Código Civil. No caso da sociedade limitada. constituindo o elemento de empresa144. Seus atos constitutivos são arquivados na Junta Comercial (art. 1.142 do código civil.134 a 1. arts. os sócios exercem profissionalmente atividade econômica organizada para a produção ou circulação de bens ou de serviços. 997 e seguintes do CC). A atividade intelectual será elemento de empresa quando estiver absorvida pela estrutura organizacional da sociedade empresária e fará parte dos fatores de produção. São três. neste caso será chamada de “simples pura”. explorarem atividade intelectual relacionada aos seus conhecimentos científicos na área médica. em função dos atributos pessoais do eventual adquirente”143. basicamente. ela será considerada como “de pessoas”. se não houver oposição de titulares de mais de um quarto do capital social”. que a definirá como sociedade “de pessoas” ou “de capital”. “o sócio pode ceder sua quota. através de consultas particulares. mesmo após a análise do ato constitutivo. b) alienação de quotas e c) penhora de quotas.150). nacional e estrangeira A personalidade jurídica da sociedade estrangeira145 é reconhecida conforme dispõe o art. a limitada como uma sociedade “de pessoas”. mão de obra e organização. 1º da Instrução normativa n° 81 de 25. como veremos a seguir: Vejamos o caso de dois médicos que se unem e montam um consultório para. total ou parcialmente. juntamente com o capital. 1. 45.99.cit. conforme art. art. pág. 1. No máximo. Op. contudo não podem se estabelecer no Brasil sem a autorização do Poder Executivo Federal146. sendo a vontade dos sócios. configurando o elemento de empresa. As sociedades estrangeiras são constituídas e organizadas em conformidade com a legislação do país de origem onde mantém sua sede 143 144 145 cOELHO. a quem seja sócio. Continuando com o exemplo dos médicos. 1. independentemente de audiência dos outros.053 CC). supletivamente. atendimentos e consultas por outros médicos. 146 FGV DIREITO RIO 93 .

1.guia de recolhimento do preço do serviço. arts. 7. mas com sede administrativa no Brasil e segundo as leis brasileiras. As sociedades estrangeiras podem operar no Brasil: – atuando de forma direta. É indiferente a nacionalidade e o domicílio dos sócios e acionistas (mesmo de seus controladores). o quê gera menos despesas se comparadas às sociedades anônimas.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa administrativa. para produzir efeitos no território brasileiro. deverá desenvolver suas atividades atendendo especificamente as condições estabelecidas no decreto que a autorizou.815/80 – Estatuto do Estrangeiro. agências ou estabelecimentos de sociedade anônima estrangeira.requerimento ao ministro de Estado do Desenvolvimento. 1. As sociedades nacionais149 são as organizadas e registradas em conformidade com a lei brasileira.141. – atuando de forma indireta. Indústria e comércio.134 do Código Civil. com a sede de sua administração no Brasil e seus negócios jurídicos realizados em obediência aos ditames legais brasileiros.134). FGV DIREITO RIO 94 . art. uma vez instalada no Brasil. registrada e com sede em Portugal. por parte dos investidores estrangeiros. 1. normalmente.ato de deliberação que promoveu a alteração. ou.º IN 81/99 do DNRC151. 11. por sócios brasileiros e residentes no Brasil. desde que devidamente autorizada pelo Poder Executivo brasileiro (art.657/42): art. ficando sujeitas à lei brasileira. Entre as características da sociedade limitada. 149 150 na forma do art. 1.133 do código civil. conforme dispositivo do art.134). Diante da rigidez nas formalidades previstas para a sociedade estrangeira além da delonga para sua autorização. para tanto. polêmica (in)justificada Em função do art. ressalvadas as hipóteses legais em que vigoram restrições e impedimentos (veremos logo abaixo algumas restrições). os mesmos deverão ter sido regularmente importados. dependendo de autorização. como as sociedades e as fundações. 1. obedecem à lei do Estado em que se constituírem. por meio de sucursais150. Será estrangeira a sociedade constituída com capital de origem brasileira.141 do código civil e Instrução normativa n° 81/99 do DnRc. art.139 do Código Civil e art. 98 e 99 da Lei n. como já vimos.DnRc. 7º qualquer alteração que a sociedade mercantil estrangeira autorizada a funcionar no país faça no seu contrato ou estatuto. 1. 84 – inciso IV da constituição Federal de 1988. – como sociedade anônima. b) não podem exercer a administração da sociedade.º 6. ter no Brasil filiais. mas devem nomear a tal fim um administrador residente no Brasil153. possui simples estrutura. regendo-se pelas normas deste país148.138 do código civil. as organizações destinadas a fins de interesse coletivo. c) na hipótese de integralização de quotas em bens. por sócios chineses. e III . Em caso de modificações de quaisquer condições e em caso de modificação dos atos constitutivos da matriz. 148 arts.627/40. organização e funcionamento. haveria uma suposta proibição à participação de sociedades estrangeiras em sociedades limitadas brasileiras. um novo decreto de autorização deve ser requerido – art. entretanto. 64 e seguintes do Decreto-Lei n° 2. algumas são específicas para sócios residentes no exterior: a) devem nomear um procurador residente no Brasil que se responsabilize perante as autoridades locais pela sua participação152. a sociedade limitada é a preferida dos investidores estrangeiros. constituída por sociedade empresária. Nessa seara. pois. 1. Este tema causou polêmica no meio art. protocolizado no Departamento nacional de Registro do comércio . – como acionista de sociedade anônima brasileira (parte final do art.134 a 1. a origem do capital (desde que lícita). II . A sociedade estrangeira. 300 da Lei n° 6. filiais. por meio de coligada ou joint-ventures.126 a 1. art. deverá apresentar os seguintes documentos: I . solicitando a devida aprovação. 151 152 153 art. Será nacional a sociedade constituída com capital de origem árabe.404/76. elas são consideradas inviáveis para investimento. dependerá de aprovação do Governo Federal e. residentes na Rússia. § 1º não poderão. mediante processo de nacionalização. 1. Lei de Introdução ao código civil (Decreto-lei 4. agências ou estabelecimentos antes de serem os atos constitutivos aprovados pelo Governo brasileiro.

No dia 11 de Janeiro de 2003. Legitimidade de representação.pdf 154 FGV DIREITO RIO 95 . o tipo societário seja o de sociedade anônima”. mantidos em vigor pela Lei 6. no mesmo período. novo Código Civil brasileiro (Lei 10.br/pareceres/arquivos/pa126. a atuação das sociedades estrangeiras no Brasil estava regulada apenas por duas normas. Uma vez que o investimento estrangeiro se realiza sobretudo através da participação do investidor.795 sociedades anônimas). Possibilidade de participação de sociedades estrangeiras.406 de 2002. Até agora. de sociedades no Brasil.657 de 1942). Por um lado. inúmeras sociedades estrangeiras existentes poderiam ser consideradas em situação irregular. Se tal proibição existisse. de ora em diante NCC) entrou em vigor. nada impede que uma empresa estrangeira participe de uma sociedade constituída no País. onde a lei especialmente requerer que. foram constituídas apenas 17. será sobre este tipo de sociedades que a presente análise será realizada (a título de esclarecimento. das sociedades limitadas (designação do NCC para as sociedades por quotas de responsabilidade limitada). empresas devidamente organizadas e existentes segundo as leis brasileiras não podem. a atual Lei das Sociedades por Ações. a mudança diz respeito aos direitos e deveres do investidor estrangeiro. que aliás passam a denominar-se apenas sociedades limitadas. a Lei de Introdução ao Código Civil (Decreto-Lei 4.gov. O NCC traz profundas mudanças no regime das sociedades. sofrer qualquer discriminação fundada na nacionalidade de seus sócios.178 sociedades limitadas no Brasil enquanto que. Lisboa (portugal) e paris (frança) doutor em direito pela universidade de paris ii professor da uni-rio e da univ.627 de 1940.404/76. enquanto sócias. o NCC veio regulamentar a atuação das sociedades estrangeiras parecer jurídico n. A segunda. de responsabilidade limitada. teXto: o noVo Código CiViL e as soCiedades estrangeiras José gabriel assis de almeida sócio de siqueira Castro – advogados e advogado inscrito no rio de Janeiro e são paulo (brasil). Agora. Portanto. administração por pessoa natural. a antiga Lei das Sociedades por Ações. Estas mudanças afetam sobretudo as sociedades por quotas. como regra geral.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa jurídico até que o DNRC. enquanto sócio. Disponível em: http://www. que são titulares de uma participação no capital social. de sociedades brasileiras. em determinadas atividades. dentre os princípios traçados pela Constituição Federal. sem contar o fato de que novas limitadas não poderiam ser criadas tendo sociedades estrangeiras como sócias. O presente texto visa analisar essas mudanças do ponto de vista do impacto que podem ter para os investidores estrangeiros. os artigos 60 e 64 a 72 do Decreto Lei 2.dnrc. por meio do Parecer Jurídico 126/03154. da sociedade brasileira. de sociedades brasileiras.832. O principal argumento do DNRC é de ordem constitucional: “De mais a mais. facil. salvo os casos especiais. no Brasil. cabe lembrar que entre 1985 e 2001 foram constituídas 3. as regras relativas à possibilidade de participação de sociedades estrangeiras.DnRc: Ingresso de sócia pessoa jurídica estrangeira em sociedade limitada. enquanto sócias. Candido mendes Introdução. enquanto sócio. A primeira. Por outro lado.º 126/03 . Estas mudanças dizem respeito a dois aspectos fundamentais. reconheceu a viabilidade de ser constituída uma sociedade limitada que tenha pessoa jurídica estrangeira como sócia.

simplesmente.627. pois o NCC deveria simplesmente referir a possibilidade da sociedade estrangeira atuar. Trata-se. no contrato social da sociedade brasileira. à participação das sociedades estrangeiras. é recomendável que as sociedades estrangeiras que investiram no Brasil. como sócias. qualquer que seja o seu objeto. no Brasil. funcionar no País. No entanto. de sociedade brasileira de qualquer tipo. de responsabilidade limitada (sociedades limitadas.627. Assim. funcionar no País. Assim. Com efeito. todavia. nas sociedades por quotas. 1.053. a redação deste artigo tem que ser examinada com prudência. Houve a reprodução quase literal da regra – contida no art. Em segundo lugar.”. no Brasil. pelo fato deste Decreto-Lei cuidar apenas das sociedades anônimas. 1. uma sociedade estrangeira somente poderia ser sócia. 64 do Decreto-Lei 2. enquanto sócias. cabe esclarecer que o art.627.134 é quase a transcrição da regra anterior. podendo.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa no Brasil. Com o NCC. Ora. de responsabilidade limitada ou ainda enquanto sócias de outros tipos societários. ainda que por estabelecimentos subordinados. 64 do Decreto-Lei 2. parágrafo único. na vida da sociedade brasileira. além da sociedade anônima. Inobstante o que fica exposto. As principais mudanças introduzidas pelo NCC nos direitos e deveres do investidor esFGV DIREITO RIO 96 .627. qualquer que seja o seu objeto. para evitar uma eventual contestação. não podem. do NCC. de incluir. ser acionista de sociedade anônima brasileira. é preciso levar em consideração que a referência às sociedades anônimas explica-se. contida no art. ser acionistas de sociedade anônima brasileira. Em primeiro lugar. ressalvados os casos expressos em lei. de 1940. não pode. enquanto sócia. ressalvados os casos expressos em lei. 1.627. e não apenas de sociedade anônima brasileira. podendo todavia. adquirindo uma participação no capital social de sociedade brasileira. apesar do teor do art. no capital da sociedade brasileira. sem autorização do Poder Executivo. Deste modo.627 de 1940. uma nova cláusula estabelecendo que o regime da participação da sociedade estrangeira. 64 do Decreto-Lei 2. de sociedades anônimas. e portanto restrita às sociedades anônimas – numa norma mais geral. ou por filiais. no Decreto-Lei 2. Esta aplicação supletiva da Lei das Sociedades por Ações às sociedades limitadas é possível por força do art. na nova terminologia do NCC) e nos demais tipos societários. enquanto sócia. às sociedades anônimas. tomem uma simples precaução.134 do NCC está assim redigido: “A sociedade estrangeira. no período que se seguiu a 1940 jamais foi impedida a participação das sociedades estrangeiras (seja sob a forma de sociedades anônimas seja sob outras formas). estará sujeito ao regime da Lei das Sociedades por Ações. Isto porque o NCC cuida de outros tipos societários. de sociedades por quotas. ficaria excluída a participação da sociedade estrangeira. enquanto sócia. um manifesto lapso legislativo. não teria sentido fazer referência. Conteúdo da participação do investidor estrangeiro. no regime do Decreto-Lei 2. o que simplesmente ocorreu foi uma má técnica legislativa. estipulava: “As sociedades anônimas ou companhias estrangeiras. o art.134 do NCC indica que o mesmo parece limitar a participação da sociedade estrangeira. 1. Houve. ou estabelecimentos que as representem. sucursais. Cabe frisar que a aplicação supletiva será apenas no que concerne ao regime da participação da sociedade estrangeira. na qualidade de sócia. Com efeito. sem autorização do Governo Federal.” Uma primeira leitura do art. por si mesmas. além das sociedades anônimas. 64 do Decreto-Lei 2. agências. o art. que cuida de outros tipos de sociedades. em outras sociedades. sem qualquer modificação da natureza ou das características da sociedade limitada. portanto.

Se o investidor estrangeiro é titular de menos de 25% do capital social. Por outro lado. para o investidor estrangeiro. autorizar a cessão das quotas. o quorum das deliberações sociais foi modificado e varia. o investidor estrangeiro poderá nomear. no contrato social. para o investidor estrangeiro. etc.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa trangeiro nas sociedades limitadas brasileiras dizem respeito a dois pontos importantes. é importante frisar que o NCC estabelece o quorum de 2/3 do capital social para a destituição de sócio que seja nomeado. dependendo da sua participação no capital social. consoante as deliberações. (iii) a supressão do regime da gerência por delegação. sob este ponto de vista. pois a sua colaboração é necessária para a modificação do contrato social. o quorum das deliberações. Se o mesmo é atualmente titular de um percentual maior do que 50% e menor do que 75%. ela passa a ter acesso a essa nomeação. a situação não se modifica. Quanto à administração das sociedades. No regime do NCC. O NCC exige a designação por deliberação da totalidade dos sócios (quando o capital social não estiver integralizado) ou por deliberação de sócios que representem 2/3 do capital social (quando o capital social estiver integralizado). a nomeação de um administrador dependerá da concordância de todos os sócios. O(s) sócio(s) titular(es) de 50% + 1 do capital social era(m) titular(es) do controle da sociedade. a sociedade estrangeira. o NCC implica na desnecessidade de figurar no contrato social como sóciagerente (agora. Aliás. que é normalmente uma sociedade estrangeira. (ii) a exigência de que os gerentes (agora denominados administradores) sejam pessoas físicas. nomear os gerentes. administrador da sociedade. se a sociedade estrangeira não tiver a maioria do capital social. havia apenas um quorum de deliberação. Assim. poderá estar impedida de. pois a nomeação do administrador não sócio dependerá da concordância dos sócios que sejam titulares de 2/3 do capital social da sociedade brasileira. Ainda no campo das deliberações relativas à administração da sociedade. Esta situação interessa bastante às sociedades estrangeiras. cabia a esse(s) sócio(s) alterar(em) o contrato social (aumentar ou reduzir o capital social). o investidor estangeiro corre o risco de – se não tomar as medidas adequadas – perder o controle da sociedade brasileira. No regime anterior ao NCC. entre outros pontos. No tocante às deliberações sociais. se houver um aumento do seu capital social sem haver imediata integralização ou se a sociedade for constituída sem que o seu capital social seja totalmente liberado. a sua situação não se modifica no que diz respeito à alteração do contrato social. nomear o administrador. Assim. sozinha. como administrador da sociedade brasileira. No regime do NCC. A administração da sociedade brasileira e as deliberações sociais. Se o investidor estrangeiro é titular de 50% ou menos e de mais de 25% do capital social. as principais mudanças são (i) a supressão da obrigatoriedade da gerência ser exercida apenas pelos sócios. é importante salientar que qualquer alteração do contrato social passa a necessitar da aprovação dos sócios titulares de 3/4 do capital social. varia consoante a participação do mesmo no capital social da sociedade brasileira. Assim. Outro ponto relevante. sócia administradora) e de recorrer ao mecanismo da gerência por delegação. uma pessoa que não seja sócia. O resultado desta nova regra. é importante salientar que o NCC modificou. Se o mesmo é atualmente titular de 75% ou mais do capital social. diz respeito às deliberações para a designação de administradores não sócios. o investidor estrangeiro adquire novos poderes na sociedade brasileira. As únicas exigências são (i) que esta pessoa seja uma pessoa física e (ii) que esta pessoa física seja residente e domiciliada no Brasil. Deste modo. Consequentemente. é preciso FGV DIREITO RIO 97 .

proceder à adaptação dos contratos sociais. sem necessidade de oitiva dos sócios e/ou acionistas minoritários. ou para beneficiar-se de incentivos fiscais”. A holding não só poderá obter financiamentos externos como também agir como provedora de investimentos para atender às necessidades das controladas. Seu interesse é a produtividade de suas “controladas” e eficácia da administração dos negócios. por outro lado. O NCC determina que as sociedades atualmente existentes procedam à adaptação dos seus contratos sociais até 10 de janeiro de 2004. como sociedade simples ou empresária. Ronald A. Neste caso. chama-se subsidiária. apenas. FGV DIREITO RIO 98 . § 3º da Lei nº 6. é tema ainda muito discutido na doutrina. ela é chamada de Holding Mista ou impura. criar os mecanismos necessários para garantir a harmonia nas sociedades brasileiras.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa ter cautela no caso de uma sociedade brasileira que tenha como sócios. das quais participem os investidores estrangeiros. conforme a situação motivadora de sua criação. com a concorrência e com outros problemas externos. Conclusão. que estabelece que a “companhia pode ter por objeto participar de outras sociedades. por um lado. Podemos elencar como algumas vantagens da sociedade holding o seguinte: a) Concentração do poder econômico do controlador na holding. uma sociedade estrangeira titular do restante do capital social. a holding tem uma visão voltada para dentro. a sociedade que é controlada por outra. vejamos alguns entendimentos: Para o Prof. O enquadramento da “holding pura”. enquanto a holding é a sociedade que controla. Quando. d) Maior poder de negociação na obtenção de recursos financeiros e nos negócios com terceiros. agindo em parceria visando novas oportunidades. a participação em outras sociedades em níveis suficientes para controlá-las155. e) Enxugamento das estruturas ociosas das sociedades controladas e descentralização de alguns trabalhos. com possibilidade de redução de despesas operacionais. ainda que não prevista no estatuto. podendo adotar a forma de Limitada ou de Sociedade Anônima. de sociedades brasileiras. Quando o objeto social da holding for somente a participação no capital de outras sociedades. Sharp Júnior: “Do enquadramento da holding pura como sociedade simples resulta na sua inscrição no cartório do registro civil de pessoas jurí- 155 n. Temos. f ) Vantagens tributárias e centralização das decisões financeiras. ela é chamada de Holding Pura. dentro do grupo. b) Flexibilidade e agilidade na transferência e alocação de recursos. haverá a preferência pela forma “limitada”. Enquanto as sociedades das quais participa estão “preocupadas” com as tendências do mercado. em função da facilidade no manejo de suas regras.a. 2º. assim. mais uma vez.404/1976. ela exercer a exploração de alguma atividade empresarial. uma pessoa física residente no Brasil. titular de mais de 33% do capital social e. e resolver o problema da participação das sociedades estrangeiras. sociedade holding Aprendemos que a previsão legal da sociedade holding está no art. Deste modo. c) Solucionar problemas referentes à sucessão (herança) e partilha (divórcio). é importante aproveitar este prazo para. a participação é facultada como meio de realizar o objeto social. além da participação no capital de outras sociedades. a possibilidade de constituir uma sociedade cujo objeto social seja. com os clientes. enquanto sócias.

Na opinião de José Edwaldo Tavares Borba157: “se as sociedades controladas são empresárias. inclusive anônimas159”. Ronald Sharp no sentido de classificar como sociedade simples a “holding pura”. Gazeta mercantil em 02. o ilustre Prof. 966 do Código Civil. Renovar/2005. com. mas para o âmbito interno caracterizado pelas relações societárias. O professor conclui dizendo que “a holding pura terá sempre natureza de sociedade simples.404/76 combinado com o artigo 1. inclusive. Disponível em: http://www. 1. ainda que se possa questionar seu objeto. ou seja. 160 FGV DIREITO RIO 99 . salvo se for constituída sob a forma de sociedade por ações”156. Direito de Empresa. por lhe faltar a idéia de estabelecimento e quiçá de patrimônio comercial. os advogados Márcio Tadeu Guimarães Nunes e Felipe Demori Claudino. acesso em: 15 mar. Corroborando com o entendimento acima. por afinidade. que. a holding que as controla encontra-se envolvida. alienação e controle de participações societárias.htm in Direito societário – 9ª ed. Isso é o que basta para afastar tal sociedade do regime próprio da Simples. uol.053. Anote-se. como entidade de regência de uma rede de sociedades. este. se a holding pura adotar a forma de sociedade anônima ou organizar-se consoante o modelo de ASQUINI. ambos da Lei 6.br/doutrina/texto. quando menos. em si mesma. exigido pelo caput do art. do NCC). 63.404/76 (LSA). uma vez que estará constantemente agindo como sócia.irtdpjbrasil. O direito comparado (exemplo Itália) confirma este entendimento reafirmando a presunção de profissionalismo e de viés econômico em estruturas de controle como as que reveladas pelas holdings puras. Jorge Lobo. em que só estão presentes os perfis subjetivo e objetivo. posto que a participação em outras sociedades também é forma de em- 156 in “a holding pura como sociedade simples”. Sérgio Campinho158 enfatiza a classificação das holdings como sociedades empresárias em virtude da atividade profissional dessas sociedades: “A organização e o caráter profissional da atividade seriam. Tais escopos são exercidos com profissionalismo. Invencionices sobre o novo código civil. O raciocínio desenvolvido se deu com base na ausência de um mínimo de organização econômica. então. devendo. de uma sociedade destinada a organizar e controlar participações societárias pressupõe estrutura fortíssima. 2006 159 a holding pura como sociedade empresária.br/Holding. titularidade. n. vez que a holding os tem como principal atividade e razão da sua própria existência como vértice de uma estrutura de controle (cf. 157 in O Direito de Empresa à luz do novo código civil. de forma indireta. o elemento de empresa da parte final do parágrafo único do artigo 966 do NCC. miguel. indo desde as microempresas ou de pequeno porte até gigantescas sociedades que atuam como holding. ganhar idêntica condição de sociedade empresária”. bem como ausentes os perfis funcional e corporativo. 2003. a “empresa de papel”. direcionando suas atividades não ao mercado. uma vez que sua atividade-fim não é a produção ou a circulação de bens ou de serviços. artigo 2º. contudo. as quais têm o mais amplo espectro. 158 REaLE. fazendo presente.49. Na opinião do jurista Miguel Reale “é preciso lembrar que o maior número das sociedades empresárias é formado pelas sociedades por quotas de responsabilidade limitadas.39. Também são econômicas porque visam a administrar e a agregar valor à carteira de participações societárias. mas ao processo de insolvência civil”. passa a ser sociedade empresária. 7. sustentaram que a “holding pura pode ser definida como a sociedade cujos escopos principais são a aquisição. apenas em parte.03. A existência.com. jus navigandi. O Prof. asp?id=3820>. Teresina. naquelas mesmas atividades. mar.2005.150 do NCC) e na insubmissão à falência. controladora até mesmo de poderosos grupos econômicos e financeiros. pág.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa dicas (art. Mais forte fica o argumento caso a holding pura esteja regulada pelas regras supletivas da Lei 6. os elementos reveladores da atividade empresarial”. pág.” E concluem o artigo entendendo não haver “motivo sério para classificar a holding pura como Simples. parágrafo único. Disponível em: <http://jus2. destarte. a. destaca o entendimento do Prof. Em artigo publicado no jornal Gazeta Mercantil160. em seu livro Sociedades Limitadas. parágrafos 1º e 2º combinado com o artigo 243 parágrafo 2º.

A SGPS não pode se dedicar às seguintes operações: – Compra de bens imobiliários. que satisfaçam as mesmas exigências. como também não há exigência quanto a publicação da composição da carteira de participações da holding. FGV DIREITO RIO 100 .ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa presa e diante do fato de que o NCC reservou às Simples o caráter de exceção ao fenômeno empresarial (até porque é como tipo facultativo ou como regime jurídico subsidiário que a Simples agoniza nos poucos países que ainda a adotam). ou onde os procedimentos para a disposição sejam investidos noutras participações. como meio indireto de desenvolvimento de uma atividade econômica. para além dos seus próprios escritórios ou instalações. a gestão de uma carteira de participações noutras empresas. – Participação no capital de novas sociedades constituídas. – Efetuar empréstimos.000 Euros. salvo se para sociedades nas quais tem interesse de controle ou é acionista. O objeto social será a aquisição de qualquer forma de participação em outra sociedade em Luxemburgo ou em sociedades estrangeiras. a chamada: “Sociedade Gestora de Participações Sociais” – SGPS. o Decreto-Lei nº 495 de 30 de Dezembro de 1988. Exige-se capital mínimo realizado de aproximadamente 31. que o objeto da SGPS é. de forma expressa. como também a gestão e desenvolvimento da dita participação. Uma SGPS pode ser constituída como “sociedade anônima” ou “sociedade por quotas” e está sujeita a algumas restrições. em fase de lançamento no mercado. Luxemburgo161 A sociedade holding em Luxemburgo recebe o nome de “Holding 1929” e possui regime especial definido em lei sob a forma de uma sociedade anônima (Société Anonyme). A principal delas relaciona-se com o objeto social. – Dispor de quaisquer das suas participações no prazo de um ano após a sua aquisição. buscando o interesse de investidores privados. a sul pela França e a oeste e norte pela Bélgica. coordenação e racionalização das suas várias atividades. procurando exercer o seu controle tendo em vista a gestão.” a sociedade holding no mundo Portugal Em Portugal. na sua fase inicial e de arranque. a menos que por meio de troca. – Participação em sociedades detentoras de patentes cuja carteira de ações inclua recursos intangíveis. ao passo que a regra geral é a de que a sociedade seja empresária. No contrato social deve constar. sem tomar direta ou indiretamente parte na condução do negócio das sociedades controladas. para. 161 pequeno país da Europa Ocidental. ou de escritórios ou instalações das sociedades nas quais detém participação. os quais administra e explora exclusivamente pela concessão de licenças. vários anos depois. subscrevendo as ações de um empreendimento ou projeto recente. Nenhuma condição é imposta acerca da nacionalidade ou residência relativamente aos diretores e administradores. Aplicações tradicionais de uma sociedade holding em Luxemburgo: – Aquisição de participações em outras sociedades. limitado a leste pela alemanha. vender as ações tão pronto as sociedades estejam suficientemente bem conhecidas entre o público. exclusivamente. ou se o comprador for uma sociedade controlada pela SGPS. estabeleceu um novo tipo de sociedade.

Este fato deu ao Estado o cognome de The Land of FreeTax Shopping (A Terra Sem Impostos Comerciais). 163 Várias Corporações163 e LLC’s164.. e reputação. que é fixa e deve ser paga ao Estado de Delaware. ausente qualquer tipo de garantia pessoal. e poucos dos seus membros chegaram mesmo a visitar o Estado de Delaware.000 empresas estão registradas em Delaware. ou empresa em nome individual. uma vez que podem ter um impacto direto na forma como a LLc ou os seus membros possam a vir ser tributados para efeitos de impostos federais. citados como precedentes em Tribunais de outros estados americanos.wikipedia.panasonic. Mais de 200 mil empresas e companhias estão sediadas no Estado. quer pelos seus membros ou não-membros. Isto significa que. Deste modo. (subsidiária da “Matsushita Electric Industrial Co. protegidos em caso de eventuais ações judiciais contra a sociedade. o Tribunal de Delaware (Delaware Chancery Court) julgou vários casos de gestão empresarial que são. distinta dos seus sócios.a sp?a1=Imprensa&a2=notici as&a3=8 FGV DIREITO RIO 101 . À parte do tema fiscal. particularmente em casos de sucessão e detenção de propriedade. escolhem Delaware devido à sua estrutura legal favorável.br/detalhe_noticia. – Capital acionário: US$ 1. imposto sobre propriedade ou imposto sobre rendimentos referentes a sociedades constituídas em Delaware. as cláusulas deste contrato social são extremamente importantes. o Delaware é um dos maiores centros bancários dos Estados Unidos. quando devidamente estruturados. mesmo que poucos aí possuam qualquer estrutura em termos de vendas ou fabricação. 162 Fonte: http://pt. Exemplos de sociedades em Delaware/EUA: – MEI Holding Inc. em que os donos do negócio ficam pessoalmente solidários com a empresa. atraindo diversas companhias. Esta proteção em termos de responsabilidade é usufruto de todos os membros.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa – Entrada no capital de sociedades de investimento com a finalidade de criar e administrar em seu próprio nome uma carteira de títulos transferíveis para um ou mais indivíduos privados conforme os princípios de gestão privada (o risco é distribuído geograficamente e entre vários setores). dedicado à legislação societária. Delaware é um grande centro financeiro. os bens pessoais de um membro de uma LLc estão completamente for a do alcance dos credores da sociedade (negócio). Isto acontece graças à leis estaduais que dão benefícios fiscais para empresas que decidem instalarem suas sedes no Estado. interessadas em negociar com os EUA e outras jurisdições. Os direitos. por muitas vezes. que pode ter um número ilimitado de acionistas cujos bens pessoais estão. incluindo muitas que operam primariamente fora do Delaware. Por causa disso. 164 165 Fonte: http://www. transferência de interesses numa LLc e sua liquidação. Apenas existe a obrigatoriedade de pagamento de uma taxa anual de US$ 200. Corporações e LLC’s não necessitam de manter qualquer conta bancária ou sede social em Delaware. os Estatutos planificam os traços gerais do modo de funcionamento e gestão da LLc. os membros de uma LLc têm a mesma proteção em termos de responsabilidade limitada. a LLc tem personalidade jurídica própria.162 comparada a nossa sociedade por ações. de grande ou pequena dimensão. a responsabilidade do acionista é limitada ao valor da sua participação de capital na corporação. locais ou estrangeiras. optam por DELAWARE como sede social e base para os seus negócios. e US$ 35 para o caso das Corporações. mais de 300. geralmente. org/wiki/Delaware Delaware/EUA “Apesar de sua pequena extensão territorial. e nada mais. É particularmente satisfatório para a gestão centralizada de recursos familiares. desde que devidamente representadas por um agente oficial registrado que as represente. Situação Geral em 31 de dezembro da 2005165. face às dívidas da mesma. Delaware também possui uma forte indústria petroquímica”. – Data da incorporação: Junho de 1995. o valor do risco para os membros de uma LLc está limitado ao valor da sua contribuição em termos de Investimento na LLc. quer para Corporações ou LLC’s. nome que se confere ao contrato social. é uma estrutura corporativa mais formal. Ao longo dos anos. mais conhecida por sua marca Panasonic). para o caso das LLC’s. comparada a nossa sociedade Limitada. como o Estado Americano das grandes Corporações. independentemente do volume de negócios. Não existe qualquer imposto sobre as vendas em Delaware. em conformidade com Estatutos Estatuais aplicáveis. estabilidade. EUA. Muitas sociedades internacionais. obrigações e responsabilidades dos “members” são estipulados no seu “Operating agreement”. – Sede da empresa: Delaware. tal como os acionistas de uma corporação tipo “c” ou “s”. que são denominados “members”. desde que não operem dentro do próprio estado.com. Ltd”. Delaware é o único estado Norte Americano com um sistema judicial especial. ao contrario de uma parceria “partnership” comercial. Atualmente. – Atividade principal: Investimentos de negócios. ou mesmo falência.

10270 . – GE Energy Parts Inc. – General Electric Capital Services. (constituída de acordo com as leis do Estado de Delaware e com sede em San Francisco/CA).Julgamento: 25/05/2004 . DEVERES E RESPONSABILIDADE DO DIRETOR. (constituída de acordo com as leis do Estado de Delaware e com sede em San Rafael/CA). Os administradores lhe procuram para saber: 1. Gestão. Independentemente da séria controvérsia sobre a natureza . Milton Fernandes De Souza . Para melhorar a situação. Ltd. grifamos. como o de qualquer outra sociedade. Inc. para toda a Europa. Inc. transporte e distribuição ficou complicada para a sociedade. – GE Engine Services.capital ou pessoa . as administrações do plantio. Inc. – America Online Latin America. Caso gerador A sociedade Agricultura Extração Ltda. – Adobe Systems Inc.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa – Acionistas (% participação acionária) Matsushita Electric Industrial Co. Sociedade por Cotas de Responsabilidade Limitada. – GE Engine Services Distribution..Quinta Câmara Cível – Tribunal de Justiça do RJ). OBRIGACAO DE PRESTAR CONTAS. LLC – GE Fanuc Automation Corporation – GE Information Services. têm o dever jurídico de prestar contas dos seus atos de gestão ao demais sócios. tem como objeto social o cultivo de soja e trigo na pequena cidade de Serrinha dos Grãos. – Autodesk Inc. conforme o Capítulo 11 (“Chapter 11”) do Código de Falências dos Estados Unidos. como proceder diante do crescimento do negócio? 2. – GE Energy Products. processamento. – Macromedia Inc. Prestação de Contas.001. no Tribunal de Falências do Distrito de Delaware/EUA. Com o passar dos anos. (AOLA): em 24 de junho de 2005. (2004. os seus administradores. Inc. Inc. FGV DIREITO RIO 102 . que já pensa em exportar seus produtos para a Europa e EUA. no Estado do Paraná. (constituída de acordo com as leis do Estado de Delaware e com sede em San Jose/CA). Qual seria a forma mais eficaz da sociedade estrangeira participar dos negócios? JurisprudênCia SOCIEDADE POR COTAS DE RESPONSABILIDADE LIMITADA. a AOLA e algumas de suas subsidiárias apresentaram um pedido voluntário de concordata.Apelação Cível. uma sociedade com sede em Portugal apresenta proposta com o intuito de transportar e distribuir parte da produção da Agricultura Extração Ltda. (100%).da sociedade por cotas de responsabilidade limitada. Des.

a atividade preponderante da empresa participada. 3 .ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa CONTRIBUIÇÃO SINDICAL. obrigatoriamente. prevê expressamente a facultatividade de adesão de empresas. para fins sindicais. quanto aos atos ou operações praticados no Brasil. como tais devem elas ser enquadradas. (B) poderá. DIREITO COMERCIAL 87. descabe a imposição. se o estatuto social. Julgado em 19/06/2002). Primeira Câmara Cível. grifamos. 2ª FASE. Ademais. levando-se em conta. estará sujeita às leis e aos tribunais brasileiros. EMPRESA ¨HOLDING¨ DE INDÚSTRIAS. A respeito da sociedade estrangeira. prejudicado o primeiro. (Apelação Cível Nº 70002205755. deve impor condições convenientes à defesa dos interesses nacionais. 22º EXAME DE ORDEM – SEÇÃO DO RIO DE JANEIRO. editado após a CF/88. (C) para conceder a autorização. Por objetivarem participações societárias somente em indústrias. o Poder Executivo. (D) a sociedade estrangeira autorizada poderá iniciar suas atividades antes de inscrita no registro próprio do lugar em que se deva estabelecer. Relator: Roque Joaquim Volkweiss. como filiadas. TIPO 1. sem autorização do Poder Executivo. Tribunal de Justiça do RS. Recurso da parte ré provido Segundo apelo provido. PROVA DISCURSIVA . Questões de ConCurso 178º CONCURSO DE INGRESSO NA MAGISTRATURA DO ESTADO DE SÃO PAULO (2006). Não detém legitimidade para a cobrança de contribuição sindical de empresa ¨holding¨ de indústrias o Sindicato que tem por fim congregar unicamente atividades ou categorias comerciais. PROVA DE SELEÇÃO. é correto afirmar que: (A) depois de autorizada pelo Poder Executivo.Há alguma exigência legal para que uma sociedade estrangeira possa funcionar como tal no País? FGV DIREITO RIO 103 . por unanimidade. para tanto. funcionar no País.DIREITO COMERCIAL. através de estabelecimentos subordinados.

Renovar/2004. e para o qual tenha cada sócio possibilidade financeira de contribuir”. ao menos aproximadamente. O Direito da Empresa à luz do novo Código Civil – 6º edição revista e atualizada conforme a Lei 11. Nas palavras do Prof.1. Waldemar Ferreira: “Cumpre aos organizadores da sociedade calcular. Fábio Konder Comparato. Ricardo. – Diferença: capital social e patrimônio. 26 edição – São Paulo: Saraiva. “esse valor deve permanecer intocado enquanto durar a sociedade.123. Capítulo 29. – CAMPINHO. – São Paulo: Saraiva.934/94 e sua interpretação restritiva.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa AUlAS 13 E 14: O fINANCIAMENtO DA SOCIEDADE lIMItADA Nesta aula discutiremos a leitura do(s) seguinte(s) capítulo(s): – Páginas 113 a 124 e 205 a 206 do Direito Societário. O professor explica que. Capítulo 7. – Dívida do sócio com terceiro e Penhora de quotas. Rio de Janeiro: Renovar. vol. Sérgio. Curso de Direito Comercial. São Paulo: Saraiva. – Ação de integralização de capital social para cobrança do sócio remisso. volume 2: direito de empresa – 10º ed. juntamente com a “pluralidade de sócios”. O capital social representa o referencial que os sócios consideraram dever a sociedade possuir para dar conta dos objetivos ajustados no contrato social. Págs: 156 a 192. Manual de Direito Comercial e de Empresa.166 formação do capital social Nas palavras do Prof. Págs: 401 a 407 e 497 a 506. Curso de Direito Comercial. Págs: 398 a 402. – O art. 4º edição. roteiro Vimos que a constituição do capital social é elemento formador do Contrato Social. – Aumento e redução do capital social. o capital social é “o valor dos bens que os sócios integram à sociedade. 2005. a “affectio societatis” e a “participação nos lucros e nas perdas”. – COELHO. 2005. pg. 64 da Lei nº 8. Nrs. Capítulo 21. para servir de garantia última dos credores sociais”. ver. Rubens. são paulo/1961.3. saraiva. – NEGRÃO. 2005.101/05. na coluna do passivo e considerado “passivo inexigível” uma vez que não corresponde a qualquer dívida social. e atual. Nesse sentido. 9 ª edição. deverá ser apresentado. José Edwaldo Tavares Borba. Leitura CompLementar – REQUIÃO. 1º volume. 166 in Tratado de Direito comercial – vol. 225 a 227 e 262 a 266. o montante do capital de que ela necessitará para exercer sua atividade e produzir os lucros. ementário de temas – Formação do capital social. como se fora a representação de algo indisponível”. – Organização em quotas. Fábio Ulhoa. que constituem o objetivo de quantos dela co-participarem. no balanço social. Págs: 361 a 366 e 371 a 374. FGV DIREITO RIO 104 . 2007 .

1.00.000 Euros e não pode ser constituída por um número de sócios inferior a 5. Fran Martins explica que.000. As quotas são indivisíveis. no caso de bancos comerciais. 168 169 art.500 quotas com valor de R$ 10. por exemplo. o Código Civil prevê duas situações. a descrição e identificação do imóvel. em moeda nacional168. quando houver um pedido de empréstimo bancário o primeiro item a ser analisado pelo gerente será o valor do capital social. 1. FGV DIREITO RIO 105 . O valor do capital social mínimo. Ricardo Negrão destaca uma novidade trazida pela Lei n. III e IV in manual de Direito comercial e de Empresa. móveis ou imóveis etc.a. sua área. entre outras.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa Assim temos que é necessário definir no contrato social o valor a ser investido na sociedade por cada sócio e que irá compor o seu patrimônio de base. “além da designação do capital social no contrato levado a registro. O capital social divide-se em quotas. veda a prestação de serviços como elemento formador do capital social na sociedade Limitada. que está disposta no art. a saber178: a) cessão a quem seja sócio: independentemente de audiência de outros. assim como a alemã.00 cada uma – sócio B: 3. por exemplo.000. as bancárias171. art. Não se fixou qualquer obrigação de proporcionalidade na cessão. VII quando exige. diferentemente da ação.500 quotas com valor de R$ 10. as seguintes formações: – sócio A: 1 quota com valor de R$ 40. incorpóreos. somente o registro escritural. sendo certo que numa sociedade com capital social de R$ 100. 170 segundo a Resolução nº 2607/99 do Banco central do Brasil. a lei não define o valor do capital mínimo. dados relativos a sua titularização. ou seja.a. pessoa singular ou coletiva.00 cada uma O Prof. de acordo com o porte das atividades a serem desenvolvidas pela sociedade. O contrato social vai dispor sobre a CESSÃO DE QUOTAS. 35. O capital social será a demonstração da “força” da sociedade. portaria nº190/Gc-5/2001 (Dac) que aprova as Instruções Reguladoras para autorização e funcionamento de empresas de táxi aéreo e de serviço aéreo especializado e dá outras providências. como já aprendemos.056. 172 sociedade por quotas: capital social mínimo de 5. Quantidade. pg. assim. que serão sempre representadas. a partir do qual iniciará sua existência e funcionamento. o qual somente será exigido para a constituição de sociedades empresárias que se dediquem a determinadas atividades. A legislação portuguesa adota o “capital mínimo”173. poderemos ter.00 – sócio B: 1 quota com valor de R$ 35.000. 173 174 código civil. nem de exigir-se o consentimento dos demais sócios. – sociedade unipessoal por quotas: constituída por um único sócio. 15. com natureza jurídica de bem móvel.º 8. 171 as sociedades seguradoras autorizadas a operar no Brasil no grupamento dos seguros de ramos elementares.)167 entretanto. por um número inteiro. para provar sua participação na sociedade o sócio precisará de uma via do contrato social.934/94 sobre a incorporação de imóveis à sociedade.00.00 ou – sócio A: 4.055. 997. obrigatoriamente. este valor é de R$ 17.500.ex. será fixado pelo Dac através de regulamentação específica.000. para representar as quotas.293. “não há. ou pelo inventariante no caso de espólio (art. iguais ou desiguais. – sociedade anônima: valor nominal mínimo do capital é de 50..000 Euros. sendo considerada a menor fração em que o capital é dividido. aplicável às empresas de táxi aéreo ou de serviço aéreo especializado.055. São subscritas pelos sócios em proporções iguais ou desiguais. italiana e francesa. como táxi aéreo170. os direitos dela decorrentes somente poderão ser exercidos pelo representante designado pelos condôminos. instituições financeiras e outras instituições autorizadas a operar por referido órgão devem possuir um valor mínimo de capital social integralizado. O Prof. um documento especial”176. será igual ao valor do capital social estipulado no contrato. A formação do capital social pode se consistir em dinheiro e outros bens (corpóreos. Rio de janeiro/2002. Fonte: Associação Empresarial de Portugal. 28ª edição. art. donde surge a responsabilidade de cada um.00175.200. que é o titular da totalidade do capital social mínimo de 5.000. saraiva: são paulo/2005. valor. restrita ao valor de suas quotas (embora respondam solidariamente pela integralização do capital social). individualmente. 175 176 in curso de Direito comercial. O somatório do valor das quotas. A divisão do capital social se dá por meio de quotas. igualdade ou desigualdade das quotas174. O valor do capital social será estipulado pelos sócios.000 quotas com valor de R$ 10. cabendo uma ou diversas a cada sócio.00 cada uma – sócio C: 2. em sendo ele omisso. de acordo com a Resolução nº 73 do conselho nacional de seguros privados. salvo quando a lei o dispense. No Brasil. não poderão possuir capital social integralizado inferior a R$ 7. são definidas com liberdade pelo contrato social. Forense.000. a outorga uxória ou marital”169. quando necessária.000 Euros. “havendo co-proprietários. n. 167 n. O parágrafo segundo do art. estes bens devem ser avaliados e o valor expresso em moeda corrente.1. p. bem como o número da matrícula no Registro Imobiliário e.00 – sócio C: 1 quota com valor de R$ 25. as securitárias172 e outras. §1º)”177.

querendo os sócios garantir características típicas das sociedades de pessoas. sob pena de ser privado de seus lucros e dela excluído. 1. n. ou seja. 983. a vedação da cessão de quotas para terceiros. promovida pelo cjF/sTj dispõe nesse sentido: “arts. crescendo na medida em que esta realize operações lucrativas. pg. mas tudo o que a sociedade possui e venha a possuir durante a sua existência. passivo e patrimônio líquido) seja o capital social. não pode. eis que afetará o movimento de ingresso e saída de sócios. 1. salvo convenção em contrário. dos contingentes trazidos pelos sócios para a formação da arca communis. incluindo-se as dívidas (passivo). nem consentimento para a venda a terceiros. a integralização é o pagamento feito pelo sócio à sociedade. 1. 1. A cessão de quotas será eficaz quanto à sociedade e terceiros. Leciona José Edwaldo Tavares Borba. verifica-se que a participação dos sócios no capital social indicará a relação de poder de cada um.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa b) cessão a estranhos: dependerá da anuência de um quorum de 75 (setenta e cinco).094. é de extrema importância a existência de uma cláusula prevendo a continuidade da sociedade em razão da morte de um dos sócios. 9ª edição. I) e nas sociedades simples propriamente ditas (art. §2º. pág. Destarte.006. sendo vedada. é comum que o único item encontrado em seu patrimônio (ativo. Renovar/2004.único do código civil. A falta desta previsão poderá acarretar o ingresso de herdeiros que não estejam interessados ou que prejudiquem o negócio. É vedada contribuição que consista em prestação de serviços. 9 ª edição. a partir da averbação do respectivo instrumento subscrito pelos sócios179.113. diferença: capital social e patrimônio. em relação à cessão de quotas. art.a. aumento e diminuição do capital social Vimos que o capital “é a expressão. quando subscrevem184 se comprometem a integralizar. Ao integralizar183 o capital social. 1. O sócio. pensar sempre na possibilidade de um terceiro vir a adquirir o controle por meio da cessão de quotas.007 e 1. Da mesma forma. 981. que o “capital é um valor formal e estático. no momento da elaboração do contrato social ou mesmo em suas alterações. compreendendo não apenas o capital social. empregar-se em atividade estranha à sociedade. e reduzindo-se com os prejuízos que se forem acumulados”180. 180 181 código civil. art. a contribuição em serviço181 (trabalho). ou seja. art. com influência nas deliberações sociais. se os sócios quiserem empreender uma sociedade de capital.094: a contribuição do sócio exclusivamente em prestação de serviços é permitida nas sociedades cooperativas (art. que a cessão de quotas se dará independentemente do consentimento dos demais sócios. Assim. 983. poderão estabelecer. josé Edwaldo in Direito societário. haveria ainda a possibilidade da tomada das quotas pela própria sociedade. O patrimônio encontra-se sujeito ao sucesso ou insucesso da sociedade. expressamente.057 do cc. a propósito o enunciado n° 206 aprovado na III jornada de Direito civil. in Direito societário. um certo número de quotas ou ações para constituição do capital social. Com o início das atividades. O patrimônio social é o patrimônio da sociedade no sentido econômico. apenas. notadamente.63. poderão estabelecer em cláusula contratual. O capital social pode ser constituído com dinheiro ou bens. principal obrigação do sócio. que se afigura com importante instituto. 184 FGV DIREITO RIO 106 . 178 179 art. Quando a sociedade inicia suas atividades. Integralizar é ato de alienação. em moeda corrente. isto é.055. o ativo começa a se modificar. Devem assim. do acervo de bens indispensáveis 177 TaVaREs BORBa.006. é o mesmo que pagar. cuja contribuição consista em serviços. 1. na sociedade simples182. ¾ das quotas. ou seja. assumem o compromisso com a sociedade de adquirir. 997. Por outro lado. o conjunto de bens (dinheiro e outros). os sócios pagam à vista pelas quotas ou ações. O capital social é o fundo originário e essencial da sociedade fixado através da soma da contribuição dos sócios – é uma expressão numérica. enquanto o patrimônio é real e dinâmico. 2ª parte”. Não havendo interesse de nenhum dos sócios. 1.057 p. pois se trata de uma cifra contábil. 183 subscrição é a promessa de integralização. em determinado prazo. pois dívidas são necessárias para alavancagem da empresa. o que é permitida. O capital não se modifica no diaa-dia da empresa – a realidade não o afeta. bem como o passivo. 182 código civil. Renovar: Rio de janeiro 2004. quando definirem as cláusulas sociais.

Em ambos os casos (aumento ou redução). devendo a Ata correspondente ser publicada em jornal de grande circulação ou em Diário Oficial.084. Já a redução do capital social. O art. FGV DIREITO RIO 107 . A deliberação para a redução do capital social deve ser feita em Assembléia ou Reunião especialmente convocada para tal fim. a morte do sócio com o pagamento dos haveres aos herdeiros e a exclusão do sócio com o pagamento dos seus haveres também são situações que podem acarretar em redução de capital. da Ata e da alteração do contrato social. “se o sócio detiver trinta por cento do capital social integralizado. Essas cotas. O capital social também pode ser reduzido. §1º. os sócios..3. pág. e somente poderá ser efetivado após o decurso do prazo de 90 dias da publicação. poderá a sociedade formalizar a diminuição através do registro. com aprovação de. II do código civil. O prof. José Edwaldo Tavares Borba ensina que: “esse aumento envolverá o ingresso de novos recursos quando decorrer de subscrição. 1. 1.076. V do código civil.081 do Código Civil dispõe sobre a possibilidade do capital social ser aumentado. dependerá da juntada das publicações previstas no art. Quando os sócios assinam o contrato social para constituição da sociedade limitada. art. é possível estipular-se um valor maior ou menor como suficiente para que a sociedade continue realizando seus fins. subscrevem as quotas de capital com as quais participarão do negócio e assumem a obrigação de integralizá-las. 191 O arquivamento da deliberação com fundamento no art. Nesse caso. com diminuição proporcional. ação de integralização de capital social para cobrança do sócio remisso.. ou dispensandose prestações ainda devidas (que eventualmente estariam faltando para integralizar a “quota parte”). cabendo aos sócios subscritores transferir novos bens à sociedade”188. desde que os sócios detentores de pelo menos 75% do capital social assim o desejem e sendo necessária. A partir da publicação. pg.082. I c/c art. Waldemar in Tratado de Direito comercial – vol. são chamadas de bonificações”189. também. 187 188 189 190 Op cit. em ambas as situações. Esses lucros e reservas foram gerados pela própria sociedade e poderiam ter sido distribuídos. desde que não ocorra impugnação de credor quirografário da sociedade. o capital social deve estar totalmente integralizado mediante a correspondente modificação do contrato. pág. Este aumento pode concretizar-se através de aporte de novos valores como o desembolso por parte dos sócios ou mesmo por terceiros. São as seguintes hipóteses190: a) Se houver perdas irreparáveis depois de estar integralizado. a respectiva alteração no contrato social.372. tornando-se efetiva a partir da averbação na Junta Comercial da alteração contratual que a tenha aprovado. 186 Ricardo negrão esclarece que o direito de preferência dos sócios na aquisição das novas quotas é proporcional às suas quotas. contribuir com recursos para o capital da sociedade. 185 FERREIRa.152. se não ocorrer. 1. ambos do código civil. do valor nominal das quotas. a redução deve ser realizada com a diminuição proporcional do valor nominal das quotas. 64 Op. no mínimo. sem qualquer desembolso recebem novas cotas proporcionais a sua participação no capital. O capital social pode ser aumentado mediante decisão (em assembléia ou reunião). §1º c/c art. 1.071.122. Neste caso. Continua o professor. está prevista no art. explicando que uma outra hipótese de aumento de capital “é a que se funda em recursos da própria sociedade.185 Por se tratar de uma cifra. poderá exercer o direito de preferência sobre até trinta por cento do aumento deliberado” in manual do Direito comercial e de Empresa. saraiva/2005. para tanto. ¾ do capital social186. saraiva.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa ao exercício da atividade mercantil (sic) .082 do Código Civil que afirma ser possível descapitalizar a sociedade quando o capital social for excessivo em relação ao objeto social. ou seja. assim recebidas. da sociedade”. eventuais credores terão o prazo de 90 (noventa) dias para impugnar a decisão. ou se for provado o pagamento da dívida ou o depósito judicial do respectivo valor. Os sócios terão 30 dias para exercer o direito de preferência na aquisição das novas quotas187. ou seja. a redução deve ser realizada restituindo-se parte do valor das quotas aos sócios. ou b) Se o capital social for excessivo em relação ao objeto da sociedade191. são paulo/1961. 1. 1. ou seja. perante a Junta Comercial. A decisão de incorporá-los ao capital é uma opção. em recursos ou lucros acumulados que os sócios deliberam incorporar ao capital. 1.cit.

temos os seguintes artigos do Código Civil: “Art. nos trinta dias seguintes ao da notificação pela sociedade. A sociedade constitui-se mediante contrato escrito. Vimos então que a efetiva responsabilidade de cada sócio é pela integralização de sua quota. Neste sentido.004 do Código Civil responderá. Os sócios são obrigados. o patrimônio pessoal dos sócios não responde por dívidas da sociedade.004. às contribuições estabelecidas no contrato social. Portanto. excluindo o primitivo titular e devolvendo-lhe o que houver pago.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa Assim. art. 1. particular ou público. ser objeto de penhora para efeito de pagamento de obrigações vinculadas àquele. além de cláusulas estipuladas pelas partes. A sociedade (e não os sócios) poderá cobrar em juízo o que for devido pelo sócio remisso. os sócios responderão solidariamente pela quantia que falta para completar o capital social. É recomendável que no contrato social haja uma cláusula fixando o tempo e a forma para a realização desse pagamento (a prazo). mas todos respondem solidariamente pela integralização do capital social. salvo as restrições estabelecidas em lei”. Hipóteses como a exclusão de sócio e o acionista (S. em regra.. 997. 1.A. dívida do sócio com terceiro e penhora de Quotas Na condição de bem móvel. temos que é obrigação fundamental e indispensável de cada sócio a integralização da sua quota de capital. porém. sem prejuízo do disposto no art. 1. e o modo de realizá-la. cabendo ação de regresso contra o sócio que efetivamente não integralizou sua parte. que.” “Art. o art. em se tratando de uma sociedade limitada. na forma do art. 591 do Código de Processo Civil estabelece o princípio básico segundo o qual “o devedor responde. as quotas integram o patrimônio do sócio e poderiam. mencionará: (.” O sócio que não cumpre com a obrigação de integralizar sua quota (ou quotas) dentro do prazo. 1. para o cumprimento de suas obrigações. 1. Nesse sentido.a quota de cada sócio no capital social. tomá-la para si ou transferi-la a terceiros. Entretanto. com todos os seus bens presentes e futuros. perante a sociedade. as prestações estabelecidas no contrato mais as despesas FGV DIREITO RIO 108 . os outros sócios podem. responderá de forma solidária com os demais. esta obrigação não precisa ser realizada imediatamente (à vista). e aquele que deixar de fazê-lo.004 e seu parágrafo único. pelo dano emergente da mora. a responsabilidade de cada sócio é restrita ao valor de suas quotas. decorrentes de decisão judicial.052.) remisso serão objeto de estudo futuro.” “Art. em existindo parte do capital social ainda não integralizada. ou expulsá-lo192. Porém. na forma e prazo previstos.058. é chamado de sócio remisso e. Na sociedade limitada. nunca foi pacífico o entendimento de que as quotas sociais são penhoráveis por dívida particular do sócio. caso o capital social esteja totalmente integralizado. sendo certo que para essa última hipótese necessária se fará a presença de justa causa. em regra. na hipótese de algum sócio não cumprir com sua integralização. 192 código civil.) IV . entretanto. responderá perante esta pelo dano emergente da mora. não integralizada a quota de sócio remisso. não podendo ser utilizada a inadimplência como via oblíqua para afastar sócios indesejáveis. deduzidos os juros da mora..

73. para a sociedade limitada. 1º. Ed. além de. parte da doutrina entende que o cerne da questão está no entendimento que se tenha da natureza jurídica da sociedade limitada .177. como fonte de produção e de riquezas. vedando a livre cessão de quotas”196. Em posição contrária aos demais doutrinadores. 199 200 Op. o Prof. para o cumprimento de suas obrigações. in as sociedades limitadas e os direitos de terceiros.026. in curso de Direito comercial. Essa penhora não terá cabimento nas sociedades de pessoas.031).ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa O Prof. em execução por dívida sua. considerava absurda a aplicação irrestrita dos preceitos da Lei das Sociedades Anônimas à sociedade limitada.223/pR. do contrário. 5 ª edição. “não pode a relação interna estabelecida entre os sócios obstar o exercício de um direito por parte do terceiro-credor. pág. 201 FGV DIREITO RIO 109 .º 34. onde na ementa se lê: “responde o devedor com todos os seus bens. a quem se tem exaltado como instrumento necessário ao bem comum. a matéria é regulada no capítulo das sociedades simples (art. incidir a penhora”197. admitida expressamente pela lei a excussão de parcela do capital social em sociedade intuitu personae – como é a sociedade simples –. sérgio Op. Entretanto. em benefício da coletividade. 22ª edição. VEREDIcTum – Diretório acadêmico afonso arinos – unirio. campInHO. pág. pág. negarse-ia a penhora”200. o professor reconhece que não se pode “desconsiderar os nefastos efeitos que a arrematação das quotas em hasta pública poderia vir a provocar na affectio societatis. havendo limitação à sua livre transferência. “caso fosse concebida a livre cessão das quotas. sérgio campinho. sendo aplicável. sem a anuência dos demais companheiros”. 197 198 Op. a quota somente será penhorável se “houver no contrato social cláusula pela qual possa ser ela cessível a terceiro.º 34. 114. entende que.” E no REsp 21. que se veria impedido de excutir as quotas do sócio-devedor. E conclui criticando a doutrina que admite a penhora pura e simples de quotas do sócio em execução de dívidas particulares. quando o caráter que quiseram impor à sociedade seria o personalista.cit. pág. 1. Renovar/2005. Entretanto. onde na ementa se encontra: “É possível a penhora de cotas pertencentes ao sócio de sociedade de responsabilidade limitada.680/RS e pelo Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial n. o regime imposto pelo Código Civil impõe a liquidação da quota do sócio em virtude de dívida particular. apurar os haveres do sócio insolvente para.cit. posição fundamentada em decisão do sTj no REsp.175. são paulo/1995. in Direito de Empresa á luz do novo código civil. Para o Prof. considerar inadmissível que “se prejudique a empresa. pág. natureza a que se subordina a sociedade limitada”199.se de capital ou de pessoas. Rubens Requião. não há qualquer óbice para sua aplicação no campo societário tipicamente de capital ou misto. colocando aquele em injusta desvantagem em relação a este último”.345.882-5/RS. 1.365. “em sua inteireza. Requião. Este dispositivo estabelece a possibilidade da execução recair. com a apuração de seus haveres. Sérgio Campinho. pág. tendo os demais sócios que prostradamente assistir a admissão de um novo consorte. sobre (I) os dividendos do devedor (II) os haveres 193 apud. e não da sociedade. conforme verifica-se nas ementas transcritas em “jurisprudência”.343. legitimar-se-ia a penhora. Esta posição já foi a adotada pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do Recurso Extraordinário n. com o ingresso compulsório de terceiro não sócio. ainda que esta esteja em regime de concordata preventiva. ao tratar da matéria no capítulo correspondente. seguindo entendimento de Cunha Peixoto193. 1. Op. no caso. apesar do Código Civil não dispor sobre a matéria “possibilidade de penhora das quotas” sociais por dívida particular de sócio. conforme ensina José Gabriel Assis de Almeida201: “O regime imposto pelo NCC está no art. sobre os valores encontrados. saraiva. Vol. não somente em razão da omissão do legislador. Ou seja. Nas palavras do professor é inconcebível: “considerar a cota equiparável às ações e transmudar os termos de processo de execução de forma a torná-lo um modo de transferência da cota-ação das mãos do devedor para as do credor”194. pág. mas também porque. não havendo lei que exclua da execução as quotas do sócio em sociedade de responsabilidade limitada”. presentes ou futuros. José Edwaldo Tavares Borba entende que “a insolvência do sócio levará os credores à pretensão de penhorar suas quotas na sociedade.cit. 194 195 196 Op. Ricardo Negrão198. O Prof.cit. Vimos então que. parágrafo único e art.026.195” Para o prof.cit. novembro/2004. alternativamente.430/mG.179. cumprindo. apesar da jurisprudência.

64 da Lei n. Não é possível interpretar extensivamente tal norma para abranger os casos em que houver redução do capital social ou mesmo extinção da sociedade. 1. A emissão de valores mobiliários será restrita. parágrafo único. ou seja.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa do devedor. extraída dos atos constitutivos ou de sua alteração. j. as partes beneficiárias. FGV DIREITO RIO 110 . Cív. passada pelas juntas comerciais em que foram arquivados.934. o título de transferência somente se viabilizaria se materializado por instrumento público.10. não estando a hipótese dentro da exceção do art. diferentemente.934/94.030. Rel. o imóvel não tem finalidade de integralização do capital da sociedade (formação ou aumento do capital social). não podemos deixar de salientar que a sociedade limitada não poderá obter financiamento para suas atividades através da emissão de valores mobiliários203. os haveres serão apurados na forma do art. uma outra importante inovação no regime do NCC. do sócio devedor. O artigo 2º da Lei 6385/76 relaciona diversos valores mobiliários.031 acima citado. esta deverá se formalizar por escritura pública. derivada do texto do art. 202 203 Valores mobiliários são títulos de investimentos negociados por uma sociedade anônima. deve ser interpretada de modo restritivo. a certidão dos atos de constituição e de alteração de sociedades mercantis. perante o registrador. Assim. Nigro Conceição). Há. Des.026 criou um benefício de ordem. os bônus de subscrição. Destarte. como é o caso do art. por força do disposto no art. 64 da Lei nº 8. É que o art.9710/1 .º 8. E na espécie. os contratos de investimento coletivos. Ou seja. 1. a quota só é penhorável na insuficiência de outros bens. portanto. Além disso. Noutras palavras. dos bens com que o subscritor tiver contribuído para a formação ou aumento do capital social. 1. requerendo a liquidação da quota do sócio-devedor. para a composição ou o aumento do capital social e nunca. 64. dentre outros.94. da pessoa jurídica para o sócio. somente será possível o registro imobiliário das certidões referidas nas hipóteses em que ocorrer aumento de capital social (com integralização de bens imóveis).934/94. mas sim decorrente de extinção da pessoa jurídica. 28. o Conselho Superior da Magistratura do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo. em favor da sociedade. primeiro deverá o credor esgotar todos os demais bens que integram o patrimônio do sócio-devedor.Capital.934/1994. ainda. como título hábil para. mas sempre. merecem interpretação restritiva. já se decidiu: ‘Admitese a utilização de instrumento particular com o fim de materializar a conferência de bens pelos sócios para integralizar o capital social. como por exemplo. Neste sentindo. pois incompatível com a sua estrutura. será o documento hábil para a transferência. nesses casos. possibilitar a alienação de direitos reais incidentes sobre imóveis. os dividendos e os haveres do sócio-devedor”. na exclusão. as ações. invariavelmente. Essa vedação. embora não esteja expressa. entendeu que “normas excepcionais. Assim. por transcrição no registro público competente. Somente após esgotados os demais bens do patrimônio do sócio-devedor é que o credor poderá indicar. a propósito do falecimento de sócio. Tal dispositivo legal permite a utilização de certidão expedida pela Junta Comercial.11. no caso concreto. A certidão passada pela Junta Comercial é documento hábil para a transferência de bem do sócio para a sociedade e. Neste caso. às sociedade anônimas. a Lei cuida da transferência do bem imóvel com que o subscritor tiver contribuído para a formação ou aumento do capital social.99. as debêntures. nº 63. a transmissão se opera de forma inversa. da sociedade. como objeto da execução. de 18. 64 da Lei nº 8. constituí uma das grandes diferenças entre estes tipos societários e poderá ser fundamental para a escolha do tipo societário mais adequado para determinados negócios.934/1994 e sua interpretação restritiva Segundo a sistemática contida no artigo 64202 da Lei 8. para sua redução ou dissolução” (Ap. art. mas tal exceção. havendo dação em pagamento. o art. 64 da Lei nº 8. A grande novidade é que a liquidação da quota implica. independentemente da natureza e localização destes bens.

representativas do capital social de uma sociedade limitada de pessoas. qual será o seu parecer? Caso gerador ii. Nesse sentido. receosos com o a regra inserta no art. indicado por Padilha. temos dois grandes exemplos: a sociedade limitada Avestruz Máster204 e a Fazendas Reunidas Boi Gordo S/A (sociedade anônima fechada). acabava se empolgando e adquirindo outros bens. mas isso não significa concluir que as sociedades anônimas fechadas e as limitadas não possam ser autuadas e multadas pela referida agência. às 03:25horas. (tecnologia da informação). aumentando o valor das parcelas.I.stj. agência reguladora do mercado de capitais. qual deve ser a medida adotada? JurisprudênCia RECURSO EXTRAORDINÁRIO. Ultrapassado esse prazo. Os sócios concordam com o preço. lhe procuram com as seguintes questões: a) Qual deve ser a forma de integralização do capital com o bem imóvel? b) É necessária a realização de escritura pública? c) O instrumento que efetivar a integralização deve ser levado ao Registro Imobiliário? d) Sendo Padilha casado. FGV DIREITO RIO 111 . pretendendo integralizar sua parte no capital social com o referido bem imóvel. wsp?tmp. num frio e chuvoso final de semana. 1. bombardeada por diversos anúncios de uma grande rede de eletrodomésticos. aquelas que possuem o registro na CVM.055. para fins de precaução. Izan e Fabião. para imóvel. Os amigos de longa data Padilha. Para tanto. 204 http://www. à Comissão de Valores Mobiliários – CVM. resolvem constituir uma sociedade limitada denominada de Bernardo’s Empreendimentos e Participações Ltda. QUANDO DELE NÃO SE CONHECE. quando estiverem atuando como se fossem companhias abertas. resolve adquirir uma geladeira em 36 vezes. as dívidas foram se avolumando a um ponto que Isabela não mais conseguiu satisfazer as suas obrigações. via de conseqüência. compete fiscalizar as sociedades anônimas abertas. Caso gerador i Isabela Gama. a sociedade credora ingressa com ação de execução em face de Isabela e é realizada a penhora de quotas de sua propriedade.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa Com efeito. QUANDO EXISTE CLÁUSULA A RESPEITO NO CONTRATO SOCIAL. INALIENABILIDADE OU IMPENHORABILIDADE DE QUOTAS DA SOCIEDADE LIMITADA. acesso em 19 de janeiro de 2008. ausente a integralização. todavia.br/ portal_stj/publicacao/engine. §1° do Código Civil.area=398&tmp.. Devido a sua inadimplência. texto=86413. trocando o carnê por outro e. Desse modo.gov. é necessário a outorga conjugal? e) É devido o imposto de transmissão de bens imóveis (ITBI)? Os sócios Izan e Fabião efetuaram a subscrição de suas quotas para integralização em 6 meses. A cada mês que se dirigia à loja para pagar a prestação. ou seja. cujo objeto será a prestação de serviços de consultoria empresarial para empreendimentos na área de T. Procurada por Isabela. Padilha diz ser o proprietário de uma sala que servirá de escritório para o desenvolvimento da empresa.

1. DJ 29. PENHORA DE COTAS DE SOCIEDADE DE RESPONSABILIDADE LIMITADA. se o recorrente não se desincumbiu do ônus de comprovar a expressão econômica daqueles que pretendia dar em substituição aos já penhorados. cláusula impediente. preservando-se a afectio societatis. 2. a despeito de haver restrição contratual à alienação das cotas. As quotas. na qualidade de terceira interessada. Recurso especial não conhecido.Ademais. 1. Julgamento em 27/01/1958. à mingua de qualquer previsão legal.2006. As cotas sociais podem ser penhoradas. DJ 29. grifamos.No que se refere à alegação de que os demais sócios do empreendimento são contrários à venda das cotas. (REsp 234. 113). NÃO COMPROVAÇÃO DA EXPRESSÃO ECONÔMICA. Recurso especial não conhecido. grifamos.2000.04. II . PENHORA DE QUOTAS. asseverou o acórdão recorrido não ter o recorrente se desobrigado do ônus da sua prova. DÍVIDA DE SÓCIO. Ministro CARLOS ALBERTO MENEZES DIREITO. como já acolhido em precedente da Corte. julgado em 21. EXECUÇÃO. remir o bem ou concederse a ela e aos demais sócios a preferência na aquisição das cotas. DJ 12.119 do estatuto processual civil. ÔNUS DO DEVEDOR.05. em princípio. que restaria comprometida com a participação de um estranho não desejado. grifamos. devendo ser “facultado à sociedade.04. Rel. Rel. em consonância com os artigos 1. de modo que. são penhoráveis.2001 p.118 e 1. o que é vedado em âmbito de especial (Súmula 7/STJ).02. a tanto por tanto (CPC. INDEFERIMENTO DE PEDIDO DE SUBSTITUIÇÃO. (REsp 148. considerando que não há vedação legal para tanto e que o contrato não pode impor vedação que a lei não criou. pouco importando a restrição contratual. Deve-se apenas facultar à sociedade.1.118 e 1. DESATENDIMENTO DA GRADAÇÃO LEGAL.186). remir a execução. A penhora não acarreta a inclusão de novo sócio.947/MG. esta não pode ser admitida como válida. grifamos. SOCIEDADE POR COTAS DE RESPONSABILIDADE LIMITADA. SOCIEDADE DE RESPONSABILIDADE LIMITADA. NELSON HUNGRIA. sendo ainda essa iniciativa vedada pelo contrato social. a possibilidade de remir a execução.680/RS. TERCEIRA TURMA.11. Relator Min. PROCESSO CIVIL. superar essa conclusão demandaria incursão no acervo fático-probatório da causa. cumpre respeitar a vontade societária. Recurso conhecido e provido. Rel.117.747/DF. CONTROVÉRSIA DOUTRINÁRIA E JURISPRUDENCIAL. (REsp 712.1958). conceder-se a ela e aos demais sócios a preferência na aquisição das cotas. na qualidade de terceira interessada.2006 p. PRIMEIRA TURMA. entretanto. 3. julgado em 15. Ministro CARLOS ALBERTO MENEZES DIREITO. I . 241).119)”. Ministro CASTRO FILHO.391/MG.Descabe o conhecimento do especial quanto ao pedido de relativização da ordem de gradação dos bens indicados à penhora. PENHORA DAS COTAS SOCIAIS. “eis que sequer juntou aos autos cópia do mesmo”. julgado em 14. FGV DIREITO RIO 112 .12. ou então. III .ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa (RE 34. Precedentes. arts. TERCEIRA TURMA. Havendo.2000.117. 1.02. TERCEIRA TURMA. DJ 10.2002 p.

06.. RECURSO ESPECIAL. Rel. dispondo que o devedor responde. que a sociedade foi constituída “intuitu personae”.06. Ministro EDUARDO RIBEIRO. Em que pese o débito ter sido constituído pelo sócio majoritário da apelada.230).PENHORABILIDADE DAS COTAS DO CAPITAL SOCIAL.07916 . TERCEIRA TURMA. já que os bens da sociedade por cotas de responsabilidade limitada não se comunicam com os adquiridos pela pessoa física de seus sócios. O fato de terem os sócios integralizado o capital social no momento da constituição da sociedade. pelo contrato social. seja em virtude de proibição expressa.C. Hipótese em que o contrato veda a cessão a estranhos.1993.DECIMA SEGUNDA CAMARA CIVEL. NOMEAÇÃO DE SÓCIO COMO FIEL DEPOSITÁRIO. Impenhorabilidade reconhecida. salvo consentimento expresso de todos os demais sócios. com a pessoa de seu falecido sócio. não pode a penhora recair sobre bem dessa. TJ/RJ) – grifamos. Agravo que se conhece. grifamos. grifamos. se nega provimento. (REsp 34. o patrimônio dos sócios não responde por dívidas da sociedade. e não da empresa apelada. se a FGV DIREITO RIO 113 . IMPOSSIBILIDADE.865/SP.Julgamento: 13/09/2005 . conseqüentemente. DJ 09. julgado em 20. – Salvo em hipóteses taxativamente previstas em lei. ressalva as restrições estabelecidas em lei. Rel. (REsp 757. PENHORA DE BEM IMÓVEL PERTENCENTE À EMPRESA DA QUAL O FALECIDO ERA SÓCIO MAJORITÁRIO. I do mesmo Código que afirma impenhoráveis os bens inalienáveis. de seu contexto. 482). agravante não a torna proprietária exclusiva dos bens se estes foram empregados na sociedade e se o capital social foi totalmente integralizado. pois o que se está executando é o acordo firmado entre aquele e o ora apelante. se. O fato do contrato de compra e venda dos bens encontrar-se em nome da. PERTENCENTES AOS SÓCIOS. Por isso. com todos os seus bens.P. seja quando se possa concluir.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa SOCIEDADE POR COTAS DE RESPONSABILIDADE LIMITADA . pelo cumprimento de suas obrigações. torna os bens adquiridos para tal finalidade econômica de propriedade da sociedade. INEXISTÊNCIA DE QUALQUER HIPÓTESE QUE AUTORIZE A CONFUSÃO DOS PATRIMÔNIOS. A proibição de alienar as cotas pode derivar do contrato. PENHORA DAS QUOTAS SOCIAIS. julgado em 30. EMBARGOS DE TERCEIRO. (2005. em hipótese alguma o imóvel deixará de pertencer à empresa apelada Não se pode confundir a pessoa jurídica da empresa. TERCEIRA TURMA. AGRAVO DE INSTRUMENTO. do qual não fez parte a recorrida. DJ 12. HUMBERTO GOMES DE BARROS.2006.04. Assim. O artigo 591 do C. DES. EXECUÇÃO PROMOVIDA CONTRA ESPÓLIO.1993 p. Entre elas se compreende a resultante do disposto no artigo 64. POSSIBILIDADE.15. a morte de um dos sócios não acarreta sua dissolução da sociedade.882/RS. DÍVIDA DA SOCIEDADE DE RESPONSABILIDADE LIMITADA. HENRIQUE MAGALHAES DE ALMEIDA .AGRAVO DE INSTRUMENTO. ARROLAMENTO DE BENS DE SOCIEDADE. EM RAZÃO DE DIVIDA CONTRAÌDA PELO DE CUJUS. EXECUÇÃO. MIN. da qual o espólio detém cotas. mas a que. e. não é lícita a penhora das quotas sociais em execução movida contra a pessoa jurídica.2006 p.08. nem partilha dos seus bens. Comprovado está que a dívida é do Espólio.002.

(2005. PROVA OAB/MG .SEÇÃO DO RIO DE JANEIRO. Direito Comercial 47 . A quota de capital de uma sociedade empresária (A) pode ser negociada em bolsa de valores. (B) pode ser negociada em bolsa de valores. desde que autorizada a abertura do capital da sociedade empresária.001. e não os da empresa da qual era sócio. (B) depende da aprovação de metade dos sócios presentes em reunião. (C) não pode ser negociada em bolsa de valores.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa dívida. foi contraída pelo falecido. Na omissão do contrato social. b) É nula a estipulação contratual que exclua qualquer sócio de participar dos lucros e das perdas. FGV DIREITO RIO 114 . Des. dos seus atos constitutivos. Desprovimento do recurso. Sergio Lucio Cruz .52831 . 49. (D) depende da aprovação de 3/4 do capital social. d) Em nenhuma hipótese a sociedade limitada empresária poderá reduzir o seu capital 124º EXAME DE ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL .Décima Quinta Câmara Cível. 42. no registro próprio e na forma da lei. 1ª FASE. 128º EXAME DE ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL . a cessão de quotas entre sócios de uma sociedade limitada (A) é livre. 1ª FASE. assinale a alternativa INCORRETA: a) A sociedade adquire personalidade jurídica com a inscrição. enquanto não tiver o seu capital totalmente integralizado. 1ª FASE.Com relação às sociedades personificadas. c) Na sociedade limitada empresária. TJ/RJ).SEÇÃO DE SÃO PAULO.Julgamento: 01/02/2006 . PROVA OBJETIVA. b) é admitida a sua formação por bem imóvel. (C) depende da aprovação de metade do capital social. grifamos. VERSÃO 1.DEZEMBRO/2007 81ª Questão: Sobre o Capital social da sociedade limitada: a) é admitida a sua formação com base em prestação de serviços pelos sócios a favor da sociedade. depende da deliberação dos sócios a aprovação das contas da administração. PROVA OBJETIVA. desde que autorizada pela Assembléia Geral dos sócios. Questões de ConCursos 24º EXAME DE ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL .Apelação Cível. são seus bens que devem garantir a execução. PROVA OBJETIVA.SEÇÃO DE SÃO PAULO. ainda que representado por propriedade rural.EXAME DE ORDEM . (D) não pode ser negociada em bolsa de valores.

d) nas sociedades de responsabilidade limitada o sócio cotista dissidente não responde após o registro da alteração de sua retirada.DEZEMBRO/2007 24ª Questão: Tratando-se de sociedade limitada. d) responde sozinho perante credores por dívidas da sociedade. PROVA OAB/DF .ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa c) todos os sócios respondem subsidiariamente em relação à sociedade pela exata estimação do valor do bem imóvel que compõem o capital social pelo prazo de dois anos. d) o sócio que pagou sua participação no capital social com bem imóvel responde solidariamente com a sociedade pela exata estimação do seu valor pelo prazo de dois anos.EXAME DE ORDEM . c) nas sociedades de responsabilidade limitada o sócio responde pelas obrigações existentes no momento do ingresso e pela integralização de sua cota a partir daí. d) Depende da deliberação dos sócios a designação dos administradores. b) pode perder as cotas adquiridas. pela assembléia dos sócios que os eleger. c) A remuneração dos membros do conselho fiscal instituído será fixada.ABRIL/2008 77ª Questão: Na sociedade limitada. quando tais lucros ou quantias se distribuírem com prejuízo do capital. o sócio remisso: a) pode ser cobrado pela via da ação executiva. PROVA OAB/MG . o sócio pode ceder sua quota. independentemente de audiência dos outros sócios. c) nas sociedades de responsabilidade limitada o sócio responde pelas obrigações existentes no momento do ingresso e pela integralização de sua cota a partir daí. total ou parcialmente.EXAME DE ORDEM . a qualquer título. FGV DIREITO RIO 115 . a) Os sócios serão obrigados à reposição dos lucros e das quantias retiradas. assinale a assertiva incorreta.AGOSTO/2006 81ª Questão: Ainda quanto à responsabilidade ordinária dos sócios é correto afirmar que: a) nas sociedades de responsabilidade ilimitada o sócio que nela ingressa mediante aumento do capital social responde somente pelas obrigações a partir de seu ingresso. anualmente. PROVA OAB/RS . b) Na omissão do contrato.EXAME DE ORDEM . a quem seja sócio. b) nas sociedades de responsabilidade ilimitada os sócios que se retiram ficam obrigados pelas obrigações contraídas até o momento da despedida por um período de dois anos a partir do arquivamento da alteração contratual . salvo quando autorizadas pelo contrato. quando feita em ato separado. sem direito de receber de volta o que houver pago.

ABRIL/2006 24ª Questão: Nas sociedades limitadas. os direitos a ela inerentes somente podem ser exercidos pelo condômino representante ou pelo inventariante do espólio do sócio falecido. a responsabilidade de cada sócio é restrita ao valor de suas quotas e os sócios que já integralizaram as suas quotas apenas respondem subsidiariamente pela integralização do capital social. apenas. b) A redução somente se tornará eficaz se não for impugnada no prazo de 90 (noventa) dias.EXAME DE ORDEM . total ou parcialmente. b) Na sociedade limitada. c) Na sociedade limitada. havendo omissão do contrato. c) Pela exata estimação de bens conferidos ao capital social respondem solidariamente todos os sócios. b) No caso de condomínio de quota. as prestações estabelecidas no contrato mais as despesas. assinale a assertiva incorreta. d) Na sociedade limitada. o sócio pode ceder sua quota. tomá-la para si ou transferi-la a terceiros. PROVA OAB/RS . salvo se houver perdas irreparáveis para a sociedade. não pode a sociedade reduzir o capital. PROVA OAB/RJ . até o prazo de 5 anos da data do registro da sociedade. excluindo o primitivo titular e devolvendo-lhe o que houver pago. iguais e desiguais. c) A redução do capital social pode ser feita sem modificação do contrato.ABRIL/2006 95ª Questão: Assinale a alternativa CORRETA: a) Sócio remisso é aquele que não cumpre o dever de integralizar sua parcela no capital social.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa PROVA OAB/MG . FGV DIREITO RIO 116 . mesmo após integralizado.EXAME DE ORDEM . cabendo uma ou diversas a cada sócio. contados da data da publicação da ata de assembléia que aprovou a redução. os outros sócios podem. deduzidos os juros da mora.EXAME DE ORDEM . total ou parcialmente. a) O capital social divide-se em quotas. podemos afirmar que: a) Salvo expressa previsão no contrato social. não integralizada totalmente a quota de sócio remisso.DEZEMBRO/2006 31º EXAME DE ORDEM RJ 56ª Questão: Em relação à diminuição do capital social de uma sociedade limitada. somente a quem seja sócio. d) Para a formação do capital social é permitida contribuição que consista em prestação de serviços. com relação à formação do capital social e sua divisão em quotas. d) O capital social não pode ser reduzido.

2ª FASE.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa PROVA CONCURSO PúBLICO/MG . defina qual é a natureza jurídica da cota. o capital social pode ser integralizado com a prestação de serviços. 4 . b) O patrimônio social líquido corresponde à totalidade de ativos da sociedade deduzido o capital social. c) Na sociedade empresária limitada. a alienação de bens do ativo permanente. 2ª Prova Específica.SEÇÃO DO RIO DE JANEIRO. FGV DIREITO RIO 117 .Uma sociedade limitada possui quinze sócios. compete ao conselho de administração autorizar.PROVA DISCURSIVA . se o estatuto não dispuser em contrário. os quais representam um quinto do capital social. sendo doze majoritários e três minoritários.2007 59ª Questão: Quanto às sociedades. 2ª FASE.JUIZ . PROVA DISCURSIVA. XXXIX CONCURSO PARA INGRESSO NA MAGISTRATURA DE CARREIRA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO. De que forma estes sócios minoritários podem assegurar a defesa de seus direitos? Aponte o fundamento legal. 29º EXAME DE ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL . 27º EXAME DE ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL .SEÇÃO DO RIO DE JANEIRO . Direito Comercial. a) O patrimônio social não pode ser inferior ao capital social. 2ª QUESTÃO (VALOR: TRÊS PONTOS): Que opções têm os sócios da sociedade limitada em relação ao sócio remisso? (VALOR: UM PONTO E MEIO). 4 . assinale a alternativa CORRETA. d) Nas sociedades anônimas.No capital social de uma sociedade limitada empresária.

em atenção ao direito dos minoritários e com a possibilidade de abuso por parte do majoritário. 486.708/1919205.370. obrigados às prestações correspondentes às quotas respectivas.º 3. para eleger e fixar remuneração dos membros do conselho fiscal (art. Vol. igualmente. Fábio ulhoa in curso de Direito comercial. ou melhor. e as explicitamente indicou no art. O Código Civil. onde está localizado o poder de deliberar. 5ª edição Renovar/2005. o art. Saraiva/2004. “a vontade do sócio ou dos sócios titulares de mais da metade do capital social era suficiente para qualquer deliberação”204. Ficam. como por exemplo.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa AUlA 15: MECANISMOS DE fORMAÇÃO DA vONtADE SOCIAl E SUA fISCAlIZAÇÃO Nesta aula discutiremos a leitura do(s) seguinte(s) capítulo(s): – Páginas 368 a 371 do Manual de Direito Comercial e de Empresa.I . ementário de temas – Assembléias e Reuniões – Conselho Fiscal 203 art. as sociedades limitadas (então chamadas de sociedades por quotas de responsabilidade limitada) eram reguladas pelo Código Comercial e. 7ª edição. 9ª edição.4ª edição. 15 do Decreto n. A reunião ou assembléia de sócios é o órgão máximo da sociedade.I . computado pela forma prescrita no artigo nº. Ricardo Negrão.708 de 10 de janeiro de 1919. art. obtendo o reembolso da quantia correspondente ao seu capital. dada sua especificidade. de tomar decisões. pág. Ricardo Negrão. a exigência de os sócios reuniremse em assembléia.a maioria dos sócios não tem faculdade de entrar em operações diversas das convencionadas no contrato sem o consentimento unânime de todos os sócios. Saraiva: São Paulo/2005. pág. conforme disposição do art. dependem de deliberação dos sócios. sendo permitindo ao sócio que divergisse (da maioria). porém. pelo Decreto nº 3. Nas palavras do Prof. Há outras situações que. 1.068) e para estabelecer a remuneração do contabilista assistente (art. 331 . na parte em que essas prestações forem necessárias para pagamento das obrigações contraídas. retirar-se da sociedade. 1. – Páginas 424 a 432 do Curso de Direito Comercial. na proporção do último balanço aprovado. – Páginas 122 a 125 do Direito Societário. assiste aos sócios que divergirem da alteração do contrato social a faculdade de se retirarem da sociedade. especificamente. saraiva/2004. definiu a necessidade de se alcançar uma maioria qualificada para aprovação de diversas matérias e deliberação colegiada em reunião ou assembléia.071. No tocante a disciplina das deliberações dos sócios.430.4ª edição. José Edwaldo Tavares Borba. FGV DIREITO RIO 118 . vol. saraiva: são paulo/2005. nos mais casos todos os negócios sociais serão decididos pelo voto da maioria. 15. 1. ou seja. Leitura CompLementar – Páginas 242 a 255 de O Direito de Empresa à luz do Novo Código Civil. parágrafo único)”206. “o rol do art. Fábio Ulhoa Coelho. 205 206 in manual de Direito comercial e de Empresa. contudo.071 não é taxativo. não foram mencionadas naquele dispositivo e que. 1. Renovar: Rio de Janeiro/2004. até à data do registro definitivo da modificação do estatuto social. 7ª edição. 331203 do Código Comercial estabelecia o princípio da maioria. Sérgio Campinho. 204 roteiro de auLa Já aprendemos que antes do advento do novo Código Civil.070. em suma. desde logo. é o cérebro da cOELHO.

1.071 do Código Civil serão adotadas em reunião. No tocante às regras formais pertinentes às assembléias serem aplicadas às reuniões. trás como novidade o registro da ata dos trabalhos e deliberações em livro específico (Livro de Atas). 1. FGV DIREITO RIO 119 . pág. Uma vez aprovada determinada deliberação. §5º do código civil.073. para Fábio ulhoa coelho.074 do código civil. sendo certo. A ata deve ser assinada pelos membros da mesa e pelos sócios participantes da assembléia. pág. contudo. o Prof. que o ato sujeito a registro não pode. Até então resta evidenciado que o mecanismo de deliberação social em assembléia é dotado de formalidade. §2º do código civil. 211 para Ricardo negrão.077 do código civil. Contudo. contudo. hora e ordem do dia214.152. Na prática. nos casos específicos em lei208. outro órgão ou pessoas à convocação do encontro de sócio”212. devendo. art. antes do cumprimento das respectivas formalidades. convocação (competência e modo). 213 art. 217 218 Op.075. Fábio Ulhoa Coelho217 esclarece que “se o contrato social estabelece que as deliberações dos sócios sobre as matérias do art. curso e registro de trabalhos. poderá optar pela forma de assembléia para suas deliberações sociais. Ressalte-se que. portanto. 1. 1. se o número de sócios for superior a 10 (dez)210. entretanto a lei prevê também a realização de reunião ou assembléia de sócios. quorum de instalação.078. pode estabelecer regras diferentes das previstas na lei para a validade da assembléia dos sócios. em documento por escrito209. O Prof. juntamente com a ata215. como já tratado na aula 10. § 3º do Código Civil. em sua maioria. por escrito. 1. 1. I e II do Código Civil. e encaminhada a registro nos 20 dias subseqüentes. a competência dos sócios e do conselho fiscal é concorrente.cit. in comentários ao código civil – parte Especial – Do Direito de Empresa – vol. As deliberações sociais podem ser alcançadas. legitimando. ele pode estabelecer regras próprias sobre a sua periodicidade. Sérgio Campinho211 leciona que esta “competência primária é conferida ao órgão de administração da sociedade. conforme esteja previsto no contrato social. §3º do código civil. como publicação em jornais. que irá gerar custo e risco de nulidade. 1. O art. pois. 5ª edição Renovar/2005. como veremos a seguir. mesmo a sociedade limitada constituída com menos de 10 (dez) sócios. e não da data de sua realização. 210 in O Direito de Empresa à luz do novo código civil. já que estas se aplicam apenas quando omisso o contrato social”218. As formalidades para a convocação213. §1º do Código Civil. 208 209 art.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa sociedade. A assembléia se instala com a presença de ¾ do capital social. é de pequeno porte. 1. §1º do código civil. Como adverte Modesto Carvalhosa. data. 1. reunião ou assembléia deve ser convocada atendendo ao dispositivo do art.072. 1. assim. devendo o instrumento ser levado a registro.072. saraiva/2003. art. de forma excepcional. no mesmo sentido: sérgio campinho.246. 212 art. “é importante a apresentação da ata de assembléia ou reunião ordinária a arquivamento e averbação. a convocação é dever legal do administrador que também pode ser realizada pelos sócios e pelo conselho fiscal (se houver).152. A competência para a convocação de reunião ou assembléia é do administrador.429. ser evitado pelas sociedades limitadas que. a soma das vontades dos sócios torna-se uma única vontade – a vontade social. ficam dispensadas se todos os sócios comparecerem ou se declararem cientes.)”216. que deve ser obedecida por todos207.154 do NCC. ser oposto a terceiro (artigo 1. 214 215 216 art. §3º do código civil. em primeira convocação. sendo permitido ao sócio ser representado por outro sócio ou advogado com mandato específico.072. 207 art. do local. Assim. Assim não sendo. também. que se contará o prazo prescricional de dois anos para se anular a aprovação do balanço patrimonial e o de resultado econômico previsto no parágrafo 4º do artigo 1. e com qualquer número em segunda. é a partir daí. por unanimidade. 13. a lei estabelece uma competência secundária. Serão sempre em assembléia.072. não seria conveniente em virtude do maior formalismo. Aos sócios dissidentes caberá o direito de recesso. poderão os sócios e o Conselho Fiscal – se tiver sido instalado – fazer a convocação para reunião ou assembléia na forma estabelecida pelo artigo 1.

se o Conselho for instituído no Contrato Social. 2/3 do Capital Social: 67% do Capital Nomeação. fusão. sendo somente possível modificá-los para maior. porque detentor da maioria do capital social. dissolução 3/4 do Capital Social: 75% do Capital da sociedade. os quoruns são necessários para as deliberações sociais. e nunca para menor. denominada de reunião ou assembléia anual ordinária220. Apesar da crítica. poderá se prever um prazo mais longo para o pagamento dos haveres. se o contrato não exigir maioria mais elevada. seja realizada uma reunião ou assembléia para aprovação das contas da administração e deliberação de demais assuntos. aprovação do plano de recuperação judicial ou extrajudicial. incorporação. nos quatro meses seguintes ao término do exercício social. transformação societária não prevista no ato constitutivo. por exemplo: a) uma sociedade com poucos sócios e com grande concentração de capital nas mãos de apenas um. cessação do estado de liquidação. então. ou seja. trata-se de norma imperativa.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa Vimos. direito a eleição em separado de um integrante e seu 1/5 do Capital Social: 20% do Capital suplente no Conselho Fiscal. A nova sistemática introduzida pelo Código Civil de 2002 fará com que. sua destituição e o modo de remuneração ½ +1 do Capital Social: 51% do Capital do(s) administrador(es) não feita em contrato. estabelecer quorum superior ao montante de quotas do majoritário para o maior número de situações possível. b) de outro lado. sendo interesse evitar um rápido e grande desfalque na sociedade. Nomeação de administrador não sócio desde que o capital 2/3 do Capital Social: 67% do Capital já esteja integralizado. in Direito societário. destituição de sócio nomeado administrador no Contrato Social. unanimidade: 100% do Capital Social alteração do Contrato Social. José Edwaldo Tavares Borba uma vez que. pelo menos uma vez ao ano. quebrando-se o principal mérito da sociedade limitada. que era a flexibilidade normativa”219. sendo interesse deixar ampla liberdade ao sócio controlador. “a liberdade contratual. 9ª edição. Com isso. 219 220 art. coarcta-se a autonomia da vontade. pois o que a lei estabeleceu foram os parâmetros mínimos de votos favoráveis. o controle da lei deve ser o limite. com vistas às peculiaridades da sociedade e ao pólo a ser protegido (do majoritário ou do minoritário). Renovar: Rio de janeiro/2004. os sócios poderão prever no contrato social quoruns mais específicos. que antes prevalecia. mas em ato separado. DElIbERAÇõES NO NOvO CóDIGO CIvIl Deliberação Quorum Necessário Para Aprovação unanimidade: 100% do Capital Social Nomeação de administrador não sócio. representando os minoritários. ½ +1 do Capital Social: 51% do Capital aprovação de contas da administração. Esta “gigantesca revolução” recebeu duras críticas do Prof. 1. Na prática. pág. como o prazo menor para o pagamento de apuração de haveres.123. que estabelecem maiorias especiais para diversas situações. nomeação e ½ +1 dos presentes a convocação destituição dos liquidantes e o julgamento de suas contas. FGV DIREITO RIO 120 . que o Código Civil definiu a necessidade de se alcançar uma maioria qualificada para aprovação de diversas matérias. ou.078 do cc. foi substituída por normas legais imperativas. não se prevendo nenhuma outra matéria exigindo um quorum qualificado para deliberar. quando o capital não tiver sido integralizado.

ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa

Convém destacar que a sociedade limitada poderá ter órgãos para a administração da sociedade, como por exemplo, o Conselho de Administração e Diretoria, bem como comitês de assessoramento, financeiro e executivo. Além disso, nada impede que a sociedade limitada faça uso do acordo de quotistas231, adotando-se as regras do artigo 118 da Lei 6404/76. Confira-se o texto232: Acordo de Quotistas - Importante ferramenta empresarial O Acordo de Quotistas é um contrato particular efetivado entre os sócios de uma sociedade limitada, que estabelece normas de conduta, obrigações e responsabilidades na gestão societária, as quais deverão ser cumpridas por todos os contratantes. Sua legalidade funda-se na possibilidade conferida pelo art. 997 c.c. art. 1.054, ambos do Código Civil, aos sócios em constituir entre si regras especiais para a regência da sociedade limitada. Vejamos:
“Art. 997. A sociedade constitui-se mediante contrato escrito, particular ou público, que, além de cláusulas estipuladas pelas partes (...). (...). Art. 1.054. O contrato mencionará, no que couber, as indicações do art. 997, e, se for o caso, a firma social”. (grifamos).

Neste acordo, situações como os limites da administração, eleição de administrador, função de cada sócio e/ou administrador, forma de cessão de quotas, quorum de votação, procedimentos e forma de pagamentos das quotas em caso de exclusão, liquidação, morte e outros, serão detalhadamente definidos, facilitando a administração. Outra importante função deste Acordo é o fato dele tratar de especial ferramenta para Planejamento Sucessório, pois estabelece regras ditadas pelos interessados quanto a comunicabilidade de quotas e bens, o usufruto, a doação, o ingresso de herdeiros e sucessores, o conselho de administração, o conselho familiar, os casos de arbitragem e outros pontos que se fizerem necessários dependendo da característica empresarial e familiar. Conclui-se, portanto, que sua função principal é harmonizar as decisões sociais, dando uma maior tranqüilidade aos sócios, evitando desconfortos eventuais que possam surgir, enfim, assegura aos sócios e administradores maior segurança para administrar situações conflituosas de maneira lícita, bem como facilitar a sucessão patrimonial e o papel dos herdeiros na sociedade. No que se refere a validade do acordo de quotista, é importante ressaltar que os ajustes conveniados vinculam “os sócios signatários nas suas relações diretas e pessoais, porque não inválidos, podendo invocar suas disposições específicas uns contra outros [1]”. Porém, para que produzam efeitos perante terceiros, isto é, aqueles não firmaram o pacto separado, sócios ou não sócios, os ditos ajustes devem estar em total acordo com as disposições do contrato social (art. 997, parágrafo único, do Código Civil). Diante disso, é incontestável a importância do Acordo de Quotistas, bem como o Código Civil não mais deixa dúvidas sobre sua legalidade e validade ao prevê-lo expressamente em seu art. 997, parágrafo único, de aplicação ao regime das sociedades limitadas por força do art. 1.054 do mesmo diploma legal. [1]CAMPINHO, Sérgio. O direito de empresa à luz do novo Código Civil, 2ª edição, Renovar, Rio de Janeiro, 2003, p. 89.

O Enunciado de nº 384 elaborado durante a IV jornada de Direito civil traz uma interpretação sobre o uso do acordo de acionistas interessante para as holdings que são sociedades limitadas. Ele estabelece que “é admissível o acordo de sócios, por aplicação analógica das normas relativas às sociedades por ações pertinentes ao acordo de acionistas”.
231 232 http://www.flp. c o m . b r / n o t i c i a s _ zo o m . php?urlId=604acesso em 19 de janeiro de 2009, às 03:31horas.

FGV DIREITO RIO

121

ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa

o Conselho fiscal na sociedade limitada Uma outra novidade prevista no Código Civil de 2002 é a possibilidade da sociedade limitada, por meio do contrato social, instituir um conselho fiscal. Explica-se esta faculdade das sociedades limitadas em virtude da grande maioria delas ser constituída de atividades de pequeno e médio, com um número reduzido de sócios e cuja administração é exercida por todos221 (ou quase todos). Uma vez estabelecido, o conselho fiscal deve funcionar de forma permanente, pois ou existe e funciona, ou, simplesmente não existe – diferente do que ocorre com a sociedade por ações222. Ele deve ser composto por três ou mais membros e respectivos suplentes, sócios ou não, residentes no Brasil223. O exercício do cargo é de um ano e em cada assembléia anual deverão ser escolhidos os membros do conselho fiscal e fixados seus honorários224. Os membros do conselho fiscal respondem solidariamente perante a sociedade e os terceiros prejudicados, por culpa no desempenho de suas funções. Seus deveres estão elencados no art. 1.069 do Código Civil. É vedado o exercício das funções de conselheiro, não podendo do Conselho fazer parte, àqueles listados no art. 1.066 §1º do Código Civil225. No intuito de esclarecer o porquê do membro da administração da sociedade ou de controlada por ela, não poder fazer do conselho fiscal, o Prof. Ricardo Negrão explica que “o conselho fiscal é órgão que deve manter-se independente da administração que fiscaliza, daí a razão pela qual os membros da administração não podem participar desses atos, sob pena de se confundirem numa só pessoa sua, execução e fiscalização, tornando-se órgão meramente referendário e, portanto, dispensável”.

221 n.a. como a finalidade básica do conselho fiscal é fiscalizar a administração, seria incompatível sua existência numa sociedade onde todos os sócios são administradores.

Caso gerador Igor Mosso, Izan, Orlando e Camila e mais dez pessoas são sócias de uma sociedade limitada, cujo objeto é a reparação de aeronaves. Igor, além de ser administrador da sociedade, cuidando de todos os negócios, especialmente a importação das peças de reposição, é detentor de 52% do capital social. Os sócios Izan, Orlando e Camila estão preocupados porque desde a entrada em vigor do Código Civil de 2002, a sociedade não promoveu a alteração do seu contrato social, tampouco realizou as reuniões anuais para aprovação das contas da administração. Esses sócios justificam sua preocupação no fato de que todas as vezes que foram tratar do assunto com Igor, esse alega que tudo está perfeito, e ainda lhes lembra que compete a ele deliberar sobre as contas e adotar as providências societárias, por ser ele o majoritário. Qual é o seu parecer?

Lei 6.404/1969. art. 161. a companhia terá um conselho fiscal e o estatuto disporá sobre seu funcionamento, de modo permanente ou nos exercícios sociais em que for instalado a pedido de acionistas.
222 223 224 225

art. 1.066 do código civil. art. 1.068 do código civil.

JurisprudênCia A legitimidade para convocação de reunião ou assembléia, foi objeto de decisão do STJ no Recurso Especial nº 493.297/SP (abaixo), que reconheceu a validade de reunião convocada por sócio de sociedade limitada detentor de 50% do capital social. Embora a

art. 1.011, §1º. “além das pessoas impedidas por lei especial, os condenados a pena que vede, ainda que temporariamente, o acesso a cargos públicos; ou por crime falimentar, de prevaricação, peita ou suborno, concussão, peculato; ou contra a economia popular, contra o sistema financeiro nacional, contra as normas de defesa da concorrência, contra as relações de consumo, a fé pública ou a propriedade, enquanto perdurarem os efeitos da condenação”. art. 1.066, §1º. “...os membros dos demais órgãos da sociedade ou de outra por ela controlada, os empregados de quaisquer delas ou dos respectivos administradores, o cônjuge ou parente destes até o terceiro grau”.

FGV DIREITO RIO

122

ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa

decisão seja fundamentada no Decreto n.º 3.708/1919, o acórdão menciona o artigo 1.073, I do Código Civil de 2002. SOCIEDADE DE RESPONSABILIDADE LIMITADA. ASSEMBLÉIA. CONVOCAÇÃO. Legalidade da convocação feita por sócio titular de 50% do capital social, mediante notificação com dez dias de antecedência, para assembléia a se realizar na sede de uma das empresas coligadas. Recurso não conhecido. (REsp 493.297/SP, Rel. MIN. RUY ROSADO DE AGUIAR, QUARTA TURMA, julgado em 24.06.2003, DJ 01.09.2003 p. 298). O inteiro teor do acórdão referente ao REsp 493.297/SP segue transcrito com destaque nos trechos mais importantes : RELATÓRIO O MINISTRO RUY ROSADO DE AGUIAR: Gonzallo Gallardo Diaz agravou da r. decisão que, nos autos da ação cautelar ajuizada por Juan José Campos Alonso e José Paz Vasquez, deferiu liminar impedindo o agravante de convocar reuniões extraordinárias de sociedade limitada para resolução de assuntos do interesse da sociedade empresarial. A egrégia Terceira Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça de São Paulo deu provimento ao agravo, nos termos da seguinte ementa: “Sociedade Limitada. No silêncio do contrato e do Decreto-Lei 3708⁄1919, admite-se a iniciativa do sócio detentor de 50% do capital social para a convocação de reunião ou assembléia de sócios (como já autorizado no novo Código Civil, art. 1.073, I), por se tratar de proposição do interesse da sobrevida da sociedade comprometida pela ruptura da affectio societatis. Não incidência da Lei 6404⁄76. Provimento para cassar a decisão que suspendeu a convocação” (fl. 379).” Rejeitados os embargos declaratórios, os agravados interpuseram recurso especial (art. 105, III, a, da CF), alegando violação aos arts. 18 do Decreto-Lei 3708⁄19; 128 do CPC; 123, 124, caput e parágrafos 1º e 2º, e 243 da Lei 6404⁄76. Sustentam irregularidades e, conseqüentemente ilegalidades quanto: a) à competência para a convocação da reunião extraordinária; b) ao local escolhido para a realização da reunião; c) à ausência de publicação de anúncio, bem como de tratar-se ou não de primeira ou segunda convocação. Alegam que o v. acórdão, ao conceder direito ao recorrido de realizar reunião, desrespeitou os limites da lide, “pois como efeito da cassação da medida liminar, bastaria a declaração de que o ora recorrido poderia realizar nova notificação extrajudicial, sem a observância das formalidades previstas pela Lei das S⁄As, amparado na decisão provisoriamente favorável ao então agravante, cabendo a este, logicamente, providenciar a devida notificação extrajudicial”. Dizem que “a determinação legal de aplicabilidade subsidiária das normas da sociedade anônima para suprir as omissões do capítulo das limitadas afasta inteiramente a aplicação das normas da sociedade simples, conferindo um mínimo de garantia aos direitos dos sócios”. Pedem a reforma do v. aresto recorrido para que seja restabelecida a liminar. Admitido o recurso, com as contra-razões, vieram-me os autos. É o relatório.
FGV DIREITO RIO 123

mas deve realizar-se para FGV DIREITO RIO 124 . Julgou-se suficiente a prévia convocação. acórdão acentuou a existência do direito do sócio minoritário de convocar a assembléia. 416): “A extensão do direito de participar das deliberações sociais é proporcionar à quota do sócio no capital social. Tocante ao local escolhido para a realização da assembléia. delibera sozinho. não pode ser aqui revisto. 3. 13). depois de analisar o silêncio do Decreto nº 3708⁄1919. o que justificava a indicação do endereço de uma delas. 123 da Lei das S⁄A. Nesse ponto. próprias das sociedades por ações. Transcrevo do bem lançado voto do Dr. que se divorciam apenas na personificação legal” (fl. Desse modo. neste sentido. Essa reunião ou assembléia não se reveste da solenidade das assembléias anônimas. 18 do Dec. o tema relacionado com a disposição contratual. volume 2. p. Observo que sobre isso foi invocado julgamento anterior do mesmo Tribunal. e na parte aplicável. nem todos têm condições de influir. quando divergentes os sócios majoritários”. Ed. o r. terá a incumbência do desempate. numa sociedade em que os outros dois sócios têm 45% cada. Saraiva. acerca do processo de convocação: “A reunião ou assembléia de quotistas . a solução decorreu do exame da matéria de fato. É o que afirma Fábio Ulhoa Coelho (Curso de Direito Comercial. pelas razões expostas. 2001. é ele. uma vez que desatendida a sua determinação de aplicar as disposições da Lei 6404⁄76 no que não foi regulado pelo estatuto social. acórdão recorrido bem explicou as razões pelas quais a formalidade para as decisões assembleares.Estudo comparativo. 4. quem delibera. reconhecendo que as empresas “são almas gêmeas.como expressão substancial e não formal de deliberação coletiva . No que diz com a alegada violação ao art.é indispensável na vida das sociedades limitadas. p. portanto. A falta de publicação de anúncio não é causa a justificar o conhecimento e o provimento do recurso. 3708⁄19. O primeiro argumento exposto pelos recorrentes reside na ofensa ao art. não podem ser inteiramente obedecidas no caso dos autos. Ocorre que o r. com o prazo razoável de dez dias úteis. sobre a competência para a convocação de assembléia geral. A regra do art. a despeito de sua pequena participação societária. no conteúdo destas. É preciso regular os atos da sociedade de forma simples e segura. Saraiva. O sócio que contribui com mais da metade do capital social. 2. sobre a existência de um grupo de empresas coligadas. em caso de divergência entre estes últimos. Ed. 391). uma vez que o rigorismo formal contido no ensinamento transcrito nas razões é apropriado para as sociedades anônimas. Aquele que titulariza um décimo das quotas. Enio Zuliani: “Excesso de formalismo poderá colocar em risco a dinâmica empresarial e comprometer a organização administrativa.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa VOTO O MINISTRO RUY ROSADO DE AGUIAR (Relator): 1. a respeito do exercício da gerência. com sua vontade ou entendimento. Confira-se a posição de Egberto Lacerda Teixeira (Sociedades Limitadas e Anônimas no Brasileiro . 1987. embora os sócios devam ser consultados nas decisões mais importantes da sociedade. sem o requinte da intensa publicidade que se exige nas anônimas. o que não se justificava no caso dos autos. 243 da Lei das S⁄A não foi pré-questionada. considerando a negativa a tal direito uma indevida restrição ao sócio detentor de 50% das quotas. Isto porque o direito de participação do sócio na sociedade é correspondente ao seu capital social ou mede-se o seu poder de acordo com o grau de seu investimento”.

Ministro Barros Monteiro. O art. das pequenas sociedades limitadas do seu tempo. se outro local não for designado contratualmente.” O agravante declinou os assuntos em pauta e os contratos sociais não descredenciam sua iniciativa. ocasionalmente. É o voto. ACÓRDÃO Vistos. A affectio societatis é um estado comprometido e a prova maior da divergência reside na notificação anterior para exercício de preferência (mantida pelo julgamento do AgIn. acordam os Ministros da QUARTA TURMA do Superior Tribunal de Justiça. E a reunião convocada é de vital importância para o destino e preservação da sociedade. 128 do CPC não foi examinado no julgamento da apelação. na conformidade dos votos e das notas taquigráficas a seguir. Faltou. A convocação se fez de forma regular e da deliberação poderá resultar a alteração do contrato social por decisão majoritária. § 1º. São Paulo. 232. com presença de expressivos contingentes minoritários que não podem ficar à mercê do capricho das maiorias ou dos administradores. AÇÃO CAUTELAR E ORDINÁRIA DE IMISSÃO NA POSSE DE LIQUIDANTE DA EMPRESA. de modo que não seria lógico exigir. mas reforça-se a conveniência do aviso pessoal dirigido ao endereço registrado do sócio. nos termos do voto do Sr. não conhecer do recurso. Dispensa-se. da Lei 6404⁄76.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa apreciação dos atos fundamentais da vida social. Ministro-Relator. 309. todavia. Ed. eleição de gerentes etc. A reunião deve realizar-se na sede da sociedade. o necessário prequestionamento. obviamente. nem objeto dos embargos de declaração. 124. DISSOLUÇÃO DE SOCIEDADE. 387⁄391). 24 de junho de 2003(Data do Julgamento). A regra supletiva do art. Sálvio de Figueiredo Teixeira e Cesar Asfor Rocha votaram com o Sr. FGV DIREITO RIO 125 . com razoável antecedência. O silêncio do Decreto nº 3708⁄19 talvez se explique pelo caráter fechado. p. Os Srs. particularmente os relativos à discussão e aprovação do balanço. Ministro-Relator. Brasília (DF). p. 1977. Ensaio sobre a sociedade de responsabilidade limitada. exatamente porque a alteração do contrato de sociedade de responsabilidade limitada pode ser feita. que nos dias atuais há vultosos interesses envolvidos nas sociedades limitadas. declaração de dividendos. o Sr. Ministros Fernando Gonçalves. pela vontade de sócios. Daí a necessidade de disciplinar o modo de realização de reuniões coletivas (ainda que para assinatura de instrumentos de alteração do contrato social) de modo a resguardar os interesses dos sócios. por unanimidade. Aldir Passarinho Junior. QUOTAS DE SOCIEDADE LIMITADA. relatados e discutidos estes autos. consentimento dos demais. Saraiva. conforme admite Rubens Requião em parecer publicado na obra ‘Aspectos Modernos de Direito Comercial’. 1940. 160)” (fls. Incide a Súmula 7⁄STJ. Ausente. o requisito da convocação por editais publicados na imprensa oficial e diária. correção monetária do capital realizado. opostos para outro fim. Ocorre. para habilitar sócio a convocar reunião.213-4). 5. íntimo. que representem a maioria do capital social (Sylvio Marcondes Machado. deve orientar-se nesse particular: oito dias de antecedência na primeira convocação e cinco dias na segunda. pois.

(CORRETA) 2. 1. a lei exige como “quorum” mínimo para que a deliberação dos sócios seja tomada: a) Os votos correspondentes a mais da metade do Capital Social. DIREITO COMERCIAL. c) O uso da firma ou denominação social é privativa dos administradores que tenham os necessários poderes. pelo menos trimestralmente. Questões de ConCursos 28º EXAME DE ORDEM. FGV DIREITO RIO 126 . (Apelação Cível Nº 70007326689.PROVA 1ª FASE . confirmada em sede de agravo. No referente a esse conselho. PROVA DO CONCURSO PARA JUIZ DO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SERGIPE (01/02/04). Tribunal de Justiça do RS. SEÇÃO DE SÃO PAULO . Uma inovação trazida pelo Código Civil para as sociedades limitadas foi a previsão de constituição de conselho fiscal. Julgado em 25/11/2004). É dever dos membros do conselho fiscal examinar. c) Os votos correspondentes a 3/4 (três quartos) do Capital Social. APELAÇÃO NÃO CONHECIDA. d) A unanimidade dos votos dos cotistas integrantes do Capital Social. SEÇÃO DO RIO DE JANEIRO . a) A destituição do administrador de sociedade empresária exige a deliberação de sócios cujos votos representem mais da metade do capital social. Uma sociedade pode ter ou não conselho fiscal.1ª FASE. 45.DIREITO COMERCIAL. Relator: Ana Maria Nedel Scalzilli. Liminar de imissão de posse indeferida. 69. conforme defina o contrato social. grifamos.TIPO 2. Assinale a afirmativa INCORRETA. Falta de interesse recursal. 127º EXAME DE ORDEM. julgue os itens que se seguem. b) A maioria dos votos dos presentes à Assembléia Geral. d) A existência de conselho fiscal é facultativo nas sociedades empresárias e obrigatória nas sociedades por ações de capital aberto. PROVA OBJETIVA . Quinta Câmara Cível. b) É livre a cessão de quotas de capital se não houver oposição de titulares de mais de ¼ (um quarto) do capital social.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa É de todo irregular a convocação apenas dos sócios majoritários para Assembléia que decide a dissolução da sociedade por quotas. bem como dos sócios titulares da maioria das quotas que compõem o capital social.Na modificação de um contrato social de uma sociedade limitada. 39 . deixando de comunicar a realização do ato e de oportunizar aos minoritários o direito de preferência na aquisição nas cotas remanescentes. o estado do caixa da sociedade.

independentemente de averbação no respectivo órgão de registro. 4. 2. de acordo com o Código Civil. PROVA OAB/BR . desde que firmada por todos os sócios. d) De acordo com o Código Civil. PROVA OAB/MG . FGV DIREITO RIO 127 . sob a firma social Silva & Souza Comércio de Bebidas Limitada. supridas pela Lei das Sociedades por Ações. b) Caso Alberto tivesse optado por ceder suas quotas a terceiro estranho à sociedade. nomeação dos gerentes e prestação de contas destes. Alberto resolveu alienar suas quotas a Carlos. 3. para modificar o contrato social. Alberto só poderá ceder suas quotas a Carlos se João não se opuser. em regra. Após algum tempo. e sair da sociedade.AGOSTO/2007 86ª Questão: Os irmãos João Silva e Carlos Silva constituíram sociedade limitada com Alberto Souza.ABRIL/2007 32º EXAME DE ORDEM RJ 87ª Questão: Na omissão do contrato social.EXAME DE ORDEM .ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa PROVA DO CONCURSO PARA JUIZ DO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO PARANÁ (2003). O contrato social é omisso sobre essa hipótese. a sociedade poderá continuar suas atividades sob sua firma original. a cessão de quotas da sociedade limitada de um sócio para outro sócio da mesma sociedade a) depende da audiência prévia dos demais sócios para se aperfeiçoar. assinale a opção correta. para aquelas que se beneficiem de tratamento tributário favorecido para micro e pequenas empresas. a) A cessão das quotas de Alberto opera efeitos perante terceiros desde o momento em que for aperfeiçoada. b) é eficaz quanto à sociedade na data da celebração do contrato de cessão. a deliberação dos sócios em assembléia é obrigatória 1. d) só é válida se for assegurada aos demais sócios a preferência de adquirir as quotas em idênticas condições às oferecidas pelo sócio adquirente. somente nas hipóteses de que a sociedade deva deliberar sobre a aprovação das contas dos administradores. desde que não houvesse oposição de titulares de mais de um quarto do capital social. Com relação a essa situação hipotética. PROVA OAB/RJ . poderia fazê-lo. b) o contrato social não pode conter previsão admitindo a administração da sociedade por aquele que dela não seja sócio. se o número de sócios for superior a dez. c) é oponível a terceiros na data da averbação do instrumento correspondente. Nas sociedades limitadas.MARÇO/2005 12ª Questão: Nas sociedades limitadas: a) o sócio pode integralizar as cotas que subscrever prestando serviços à sociedade. c) Após a alienação das quotas de Alberto.EXAME DE ORDEM .EXAME DE ORDEM . c) as omissões do contrato social são.

EXAME DE ORDEM . c) A sociedade pode ser administrada por uma ou mais pessoas designadas no contrato social. b) Na omissão do contrato social. o sócio pode ceder sua quota. SEÇÃO DO RIO DE JANEIRO . total ou parcialmente.Nos termos do Novo Código Civil. a qualquer pessoa. tanto por decisão da assembléia. 23º EXAME DE ORDEM. o conselho fiscal é órgão obrigatório na sociedade limitada? Justifique a resposta.AGOSTO/2006 19ª Questão: Sobre as sociedades empresárias que adotam a forma societária de uma limitada. Poderá ser instituído.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa d) não é obrigatória a constituição de conselho fiscal. As deliberações infringentes do contrato social ou da lei tornam ilimitada a responsabilidade dos sócios que expressamente as aprovaram. necessariamente sócios. quanto por previsão do contrato social. assinale a assertiva correta.DIREITO COMERCIAL. 3 . independentemente de audiência dos outros sócios.2ª FASE. se essa for a vontade dos sócios. PROVA OAB/RS . FGV DIREITO RIO 128 . a) A aprovação das contas da administração depende da deliberação dos sócios em reunião ou assembléia. d) O Código Civil veda a instituição de conselho fiscal nas sociedades limitadas. PROVA DISCURSIVA .

Leitura CompLementar.155. pg. 02. 5ª edição. 9ª edição.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa AUlA 16: DIREItO DE REtIRADA. são paulo/2004. vimos que a exclusão de sócio por decisão dos demais sócios.) de O Direito de Empresa à luz do Novo Código Civil. o sócio só poderá ser excluído por via judicial em decorrência da prática de atos de inegável gravidade para com a sociedade e. Sérgio Campinho. todo sócio que não tem mais a vontade de continuar na sociedade poderá retirar-se dela. representando a maioria do capital social. este “direito é inerente à titularidade de quotas sociais. nesta auLa disCutiremos a Leitura do(s) seguinte(s) CapÍtuLo(s): – Páginas 314 a 315 (Simples) e 377 a 378 (Ltda) do Manual de Direito Comercial e de Empresa. atlas. Ricardo Negrão. saraiva. Saraiva: São Paulo/2005. ementário de temas: – Princípio constitucional da livre associação. – Forma de apuração dos haveres: balanço de determinação (jurisprudência e artigos do Código Civil).434. – Páginas 438 a 439 (credores do sócio e patrimônio social) e 492 a 497 (recesso do sócio e cessão de quotas) do Curso de Direito Comercial vol I. bAlANÇO DE DEtERMINAÇÃO Na aula passada. Fábio ulhoa in curso de Direito comercial vol. 226 227 mamEDE. FGV DIREITO RIO 129 . – Páginas 119 a 121(apuração dos haveres da Simples) e 203 a 206 (Ltda) e 216 a 221(apuração dos haveres da Ltda. 25ª edição. denominado também de recesso ou dissidência”226. Caso contrário. pg. – Sociedade por prazo determinado e Sociedade por prazo indeterminado. Portanto. O direito de retirada é um “tema juridicamente tormentoso”227. pois apresenta um conflito de perspectivas relevantes para o Direito: de um lado temos os direitos e interesses da coletividade que poderão ser prejudicados pela descapitalização decorrente da liquidação cOELHO. 8ª edição. – Páginas 71 a 76 (apuração de haveres) e 130 a 131(direito de recesso) do Direito Societário. Gladston in Direito societário: sociedades simples e Empresária. somente é possível se prevista contratualmente a “justa causa”. – Direito de recesso. Saraiva. José Edwaldo Tavares Borba. quando a maioria dos outros sócios assim decidir. roteiro de auLa: Analogamente à exclusão de sócio. a retirada é uma forma de dissolução parcial do vínculo societário.. são paulo/2004. Renovar/2005. Rubens Requião. APURAÇÃO DE hAvERES. Renovar/2004. São Paulo/2003.

ao estabelecer distinção do direito de recesso para o caso da sociedade contratada por prazo determinado e para o caso da sociedade contratada por prazo indeterminado. a retirada do sócio pode ser obtida em Juízo. Em havendo o reconhecimento judicial de uma “justa causa” (denúncia motivada). “sendo levada em consideração para sua criação e funcionamento a capacidade de contribuições dos sócios para a formação do capital social... definido pela comissão de Valores mobiliários. deve haver um consenso entre sócio retirante e sócios remanescentes no tocante a apuração de haveres e outros valores. A outra possibilidade do exercício do direito de retirada tem por base o princípio da maioria.404/76. 137. de 1997) II . caso o sócio não pretenda continuar na sociedade poderá alienar suas quotas (a cessão de quotas é livre). campInHO. obriga os signatários229 a honrarem com as cláusulas que foram livremente pactuadas entre eles. pois o direito de retirada deve ser a exceção para evitar a “indústria do recesso”. 1.nos casos dos incisos IV e V do art. 1. 136. o sócio descontente com a deliberação deve. a aprovação das matérias previstas nos incisos I a VI e IX do art. onde vige o princípio de que ninguém é obrigado a ficar preso a uma sociedade por toda a sua vida. por outro lado. a maioria comandará quais decisões serão tomadas (princípio da maioria – participação societária com direito de voto). quando a espécie ou classe de ação. Via de conseqüência. (Incluído pela Lei nº 9. a lei limita as hipóteses de recesso232 (Lei 6.077.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa das quotas do sócio retirante.. que goza da proteção constitucional referente à liberdade de associação prevista no art. Nas deliberações sociais da sociedade.303. Este dispositivo vai de encontro ao que se defende na doutrina. estão os direitos e interesses do sócio.nos casos dos incisos I e II do art.077 do Código Civil está em reconhecer o direito de recesso do minoritário (ou da minoria). esforçar-se para alienar suas quotas e não se retirar. neste caso. à segurança e à propriedade. mediante reembolso do valor das suas ações (art. à liberdade. garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no país a inviolabilidade do direito à vida. observadas as seguintes normas: (Redação dada pela Lei nº 10.303. ocasionando desencaixe financeiro para a sociedade. art. 229 230 art. de 2001) I . A retirada do sócio pode ocorrer em diversas situações. não havendo acordo. sem distinção de qualquer natureza. após a notificação. dando a entender. 137233)”. como tal. com a apuração dos haveres e de outros direitos previstos no contrato social. 1. 136 dá ao acionista dissidente o direito de retirar-se da companhia. enquanto não vencido o prazo fixado para a duração da sociedade (denúncia imotivada).pg 205.303. A natureza capitalista da sociedade de intuito per capitae relega a figura do sócio a um plano secundário. ou certificado que a represente. não implicando tal fato em dissolução da sociedade. 5º. Em caso de divergência. o que pode comprometer o desenvolvimento das suas atividades (função social da empresa). 231 232 art. 1. somente terá direito de retirada o titular de ações de espécie ou classe prejudicadas. integre índice geral representativo de carteira de valores mobiliários admitido à negociação no mercado de valores mobiliários. O art. Portanto. Através de uma notificação230 (judicial ou extrajudicial) aos demais sócios. O aspecto positivo do art. por aquele que votou contra a operação e foi vencido. de 2001) b) dispersão. sérgio in O Direito de Empresa à luz do novo código civil. 219 do código civil. por exemplo. Se a sociedade for de prazo determinado. n. 136. Em se tratando de sociedade de capitais. art.029 do código civil. Aprendemos que o contrato social é um negócio jurídico e. 228 art. variando de acordo com a duração da sociedade conforme dispõe o art. nos termos seguintes: (. 5º Todos são iguais perante a lei. 45). Renovar/2005. à igualdade. o sócio dissidente informará aos demais sócio sua vontade de retirar-se da sociedade. não terá direito de retirada o titular de ação de espécie ou classe que tenha liquidez e dispersão no mercado. com antecedência mínima de 60 dias231. a sociedade controladora ou outras sociedades sob seu controle detiverem menos da metade 233 FGV DIREITO RIO 130 .029 (quando a sociedade for contratada por prazo indeterminado) – retirada imotivada. no Brasil ou no exterior. na deliberação social que aprovou a modificação do contrato social. quando o acionista controlador. XX da Constituição da República228. o sócio que se obrigou a permanecer na sociedade por tempo determinado. Neste sentido. se tratar de qualquer modificação do contrato social. o direito de retirada é corolário da natureza contratual das sociedades. considerando-se haver: (Redação dada pela Lei nº 10. em regra. 5ª edição. Nas sociedades por prazo indeterminado. deve adimplir tal ajuste. o sócio não poderá se desvincular sem a concordância dos demais sócios. o sócio retirante deverá ajuizar ação para aquele fim. os direitos e interesses da minoria vencida. serão protegidos pela regra do art. Assim..) XX .029 do Código Civil. de 2001) a) liquidez. será permitida a utilização do disposto no art. e (Redação dada pela Lei nº 10. bastando ao minoritário a resignação com as decisões ou então o exercício do direito de recesso.ninguém poderá ser compelido a associar-se ou a permanecer associado.a.457. ao retirar-se.077 do Código Civil prevê a possibilidade de retirada de forma ampla.. 1. o sócio terá apurado seus haveres. 1. que prevê apenas a saída do sócio da sociedade.

faz-se necessária a apuração dos seus haveres. Exemplo: um site como o “GOOGLE”. ou (Incluída pela Lei nº 10. para se chegar ao quinhão do sócio que se retirou.no caso do inciso IX do art. a discussão se dará em torno da APURAÇÃO DE HAVERES. (Redação dada pela Lei nº 10. mantendo-se a sociedade. Normalmente a discrepância é de 80% a 90% porque a sociedade vai querer pagar com base no balanço contábil e o sócio vai querer receber com base no balanço empresarial. levando-se em consideração os valores prováveis de liquidação dos bens componentes do patrimônio da sociedade à data da resolução234. o parágrafo segundo do art. enquanto na apuração de haveres a relação se desenvolve entre o sócio e a sociedade. RH. atlas. mamEDE. Com a retirada do sócio – motivada. haja vista a livre manifestação da vontade das partes. onde poucas pessoas trabalham.303. de 2001) VI .303. Nesse contexto. os demais sócios poderão adquirir ou alienar aquelas quotas. estabelece que o mesmo deve ser pago no prazo de 90 dias contados da liquidação da quota. (Incluído pela Lei nº 10. quanto deve valer? É quase impossível de se mensurar pois.. mas somente do vínculo de um dos sócios. serão necessários dois procedimentos: a determinação do patrimônio da sociedade e a definição do quinhão correspondente a cada um dos sócios.o pagamento do reembolso somente poderá ser exigido após a observância do disposto no § 3o e. De acordo com o art. são paulo/2004. (Incluída pela Lei nº 10. 234 neste sentido. porque foi expulso ou porque ele se retirou. deverá conter todos os direitos e deveres que “comportem expressão pecuniária”235. Mas. da espécie ou classe de ação. o sócio dissidente poderá exercer o direito de recesso nos trinta dias subseqüentes à reunião que deliberou sobre a modificação do contrato social. mantendo íntegro o capital social. Neste caso. o sócio fará jus à liquidação da sua quota (ou quotas). (Redação dada pela Lei nº 10.031 do Código Civil. quando há realmente a possibilidade do exercício do direito de recesso. Todos esses itens são extremamente valiosos..000. Gladston in Direito societário: sociedades simples e Empresária. salvo quando o patrimônio cindido for vertido para sociedade cuja atividade preponderante coincida com a decorrente do objeto social da sociedade cindida. o Enunciado da súmula nº 265 do supremo Tribunal Federal estabelece que “na apuração de haveres não prevalece o balanço não aprovado pelo sócio falecido. somente haverá direito de retirada se a cisão implicar: (Redação dada pela Lei nº 10. contabilmente. não há dissolução da sociedade. em princípio deve ser operada a redução do capital social na proporção das quotas que ele possuía. de 2001). pois não mais existe a contribuição que justificava a existência das quotas. 136.303.303.303. LOGÍSTICA.166. O balanço empresarial e o contábil possuem discrepâncias. salvo disposição em contrário do contrato social. 235 FGV DIREITO RIO 131 . como já estudamos.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa Assim. ferindo a garantia constitucional do direito à propriedade. traduzindo o valor real de quanto “vale” a participação societária no mercado. para tanto. (Redação dada pela Lei nº 10. § 1o) será contado da publicação da respectiva ata. de 2001) b) redução do dividendo obrigatório. Porém. A apuração de haveres diferencia-se da liquidação por se tratar da dissolução do vínculo de um sócio em relação à sociedade.o reembolso da ação deve ser reclamado à companhia no prazo de 30 (trinta) dias contado da publicação da ata da assembléia-geral. não há escrituração do valor que se aproxime à realidade. da ratificação da deliberação pela assembléia-geral. a regra para a apuração de haveres é a de que seja realizado um balanço especial de determinação – também chamado de “balanço empresarial”. (Incluída pela Lei nº 10.. Além disso. Pode-se dizer que o balanço contábil “ficou para trás” no âmbito empresarial porque não contempla a MARCA. por se tratar de direito inerente à condição de sócio.o prazo para o dissidente de deliberação de assembléia especial (art.303. pg. a “briga” ficará em torno da apuração dos haveres. excluído ou que se retirou”. 1.00. deverá determinar a aplicação da regra geral com a apuração dos haveres verificada através de um “balanço especialmente levantado”. na forma prevista no contrato social. de 2001) IV . Diante dessa situação. de 2001) V .000. 1031 do Código Civil.303. podendo ser objeto de impugnação quando demonstrada a sua ilicitude ou abusividade.. a estipulação contratual não é intocável. Entretanto.00 e a sociedade vai dizer que pagará R$ 10. esta verificação física e contábil. ou seja. seja porque ele é remisso. KNOW-HOW. se for o caso. imotivada ou exclusão. de 2001) III . na dissolução surge um novo órgão. motivado o Judiciário. prioritariamente. em outras palavras. ESTRATÉGICA. de 2001) c) participação em grupo de sociedades. de 2001) a) mudança do objeto social.303. Toda vez que um sócio sai da sociedade. Uma vez definido o valor a ser recebido a título de apuração dos haveres. a apuração do valor das quotas do sócio retirante se faz. O sócio que saiu vai dizer que quer receber R$ 100. o liquidante. 136. Realizado o pagamento ao ex-sócio.

Quando o sócio exerce o direito de retirada de sociedade limitada por tempo indeterminado. Ari poderá exercer o direito de retirada? b) Havendo anuência dos sócios para a cessão das quotas de Ari. Recurso especial não conhecido. RETIRADA DO SÓCIO.A data-base para apuração dos haveres coincide com o momento em que o sócio manifestar vontade de se retirar da sociedade limitada estabelecida por tempo indeterminado.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa Caso gerador. . IV. 303) – grifamos. TERCEIRA TURMA. . julgado em 19. Cada sócio é detentor de 25% do capital social que já se encontra integralizado. DJ 30. Deficiência de prequestionamento a impedir o exame do especial em toda a sua extensão. Dissídio não configurado.221/PR.708/1919. admite-se que a apuração dos haveres se faça pelo levantamento concreto do patrimônio empresarial. (REsp 130. 15. COISA JULGADA NÃO IDENTIFICADA. Ari Mendes e seus 03 irmãos são sócios da Pizzaria MASSAS E COMESTÍVEIS LTDA. 3. REPDJ 08. Ministro HUMBERTO GOMES DE BARROS. RECURSO ESPECIAL. tornado irreversível o seu afastamento da sociedade. Ari resolve retira-se da sociedade.04. III. MOMENTO. incluído o fundo de comércio. apenas apreciando-se tal tema desfavoravelmente ao mesmo. DECRETO N. I.05. Rel. DIREITO SOCIETÁRIO.2005 p. AÇÃO DE APURAÇÃO DE HAVERES. Pergunta-se: a) Sabendo que a sociedade foi contratada por prazo indeterminado.2005 p. gerando. e na presente demanda. com base no último balanço patrimonial aprovado antes da ruptura social. Rel.2005 p. Recurso especial conhecido e provido. efeitos ex tunc. PREQUESTIONAMENTO DEFICIENTE. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL NÃO CARACTERIZADA. exclusivamente.2005. e não. APURAÇÃO DE HAVERES. 324) – grifamos.2005.11. DISSOLUÇÃO PARCIAL DE SOCIEDADE LIMITADA POR TEMPO INDETERMINADO.10. FGV DIREITO RIO 132 . CRITÉRIO DE LEVANTAMENTO PATRIMONIAL. DJ 14. 373. Afastado o sócio minoritário por desavenças com os demais.617/AM. V. ART. Rel. II. discute-se o critério de apuração dos seus haveres. julgado em 18. a questão se modifica? c) E se fosse uma sociedade contratada por prazo determinado de 80 (oitenta) anos? JurisprudênCia: COMERCIAL E PROCESSUAL CIVIL. a sentença apenas declara a dissolução parcial. Não se configura coisa julgada se na ação anterior o sócio excluído buscava a anulação do ato que o excluiu. (REsp 646. p/ Acórdão Ministra NANCY ANDRIGHI. Ministro ALDIR PASSARINHO JUNIOR. Apavorado com a violência do Rio de Janeiro. QUARTA TURMA.08. portanto. EXEGESE.

dentre outras. pois. Acórdão que afirma serem inconfundíveis a pessoa do sócio e sociedade por ele integrada. O acórdão recorrido entendeu que houve violação ao disposto no art. Decisão. (REsp 515.06. 342) PROCESSUAL CIVIL.681-PR.2003 p. o escopo visado pela citação da pessoa jurídica. UNICIDADE. QUARTA TURMA. os fatos supervenientes. houve trânsito em julgado. sobre o período a apurar na perícia encarregada de avaliar o patrimônio da empresa.650/RJ. Tal aresto não diverge de outro que. Ruy Rosado.05. A Turma proveu o REsp para restabelecer a decisão agravada. determinando outro balanço especial em 31/12/1999 e o fundo de comércio pelo preço de mercado na mesma data. levando em conta. DJ 09. Iniciada a liquidação para apuração dos haveres. julgado em 10. pois se trata de simples providência. PRAZO. CONTAGEM. decisão que. Ministro RUY ROSADO DE AGUIAR.06. Recurso conhecido e provido. proferiu outra decisão. em trânsito em julgado parcial. no caso há uma demora na realização dos atos judiciais de avaliação. ainda. em ação de dissolução parcial de sociedade. DISSOLUÇÃO. CORTE ESPECIAL. sob o fundamento de que todos seus sócios cotistas integraram o processo alcançou. com a retirada dos sócios demandantes.A sentença é una. julgada procedente. de incumbência do juiz.2003. 471 do CPC. DISSOLUÇÃO PARCIAL DE SOCIEDADE COMERCIAL. pela apuração da realidade da empresa. não pode ser fracionada para efeito de ação rescisória. Rel. entendendo que a alteração da decisão anterior sobre o período de apuração da perícia para avaliação do patrimônio da empresa não ofendeu o artigo citado. (grifamos) EMENTA: DISSOLUÇÃO DE SOCIEDADE COMERCIAL. dispensa a citação da pessoa jurídica. APURAÇÃO DOS HAVERES. Não se pode falar. Ministro HUMBERTO GOMES DE BARROS. DJ 22. Balanço de Determinação STJ – INFO 176 SOCIEDADE COMERCIAL. Rel.O prazo para ajuizar ação rescisória é contado a partir do trânsito em julgado da decisão no último recurso interposto.2003. para atribuir a cada sócio a quantia que mais se aproxime do valor real de sua quota. Apuração de haveres. SENTENÇA. AÇÃO RESCISÓRIA.09. (EREsp 332. FGV DIREITO RIO 133 .2003 p. PAGAMENTO DE HAVERES. TRÂNSITO EM JULGADO.681/PR.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa PROCESSUAL – EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA – SÓCIO – SOCIEDADE . Em ação de dissolução parcial de sociedade comercial. determinou a forma de apuração dos haveres dos sócios retirantes. não ofende o disposto no art. apurado pela média dos últimos oito anos (1992 a 1999). Precedente da Corte Especial (ERESP 404. julgado em 10/6/2003. Em 2000. o juiz deferiu perícia. Min. uma vez que cabe ao juiz encontrar a justa partilha a cada um dos sócios de acordo com suas quotas. Rel. na hipótese.777-DF). 471 do CPC. II . julgado em 07. em 1999. A alteração da anterior decisão.AÇÃO DE DISSOLUÇÃO PARCIAL – CITAÇÃO DA PESSOA JURÍDICA. e como tal. 165) – grifamos. definindo que seria realizado balanço com a realidade da empresa em 31/12/1990 (último balanço antes da retirada) e a apuração do fundo de comércio pela média dos últimos oito anos (1991 a 1998). I . REsp 515. mas se deixou de definir o tempo a ser considerado para apuração dos haveres.

FGV DIREITO RIO 134 . não registrada no INPI a referida marca. (C) patrimonial de suas quotas na data do efetivo pagamento. apurado em perícia judicial. (B) econômico de suas quotas à data da resolução.2005.1ª FASE .12. TERCEIRA TURMA. conforme a cotação em bolsa de valores. (C) só poderia exercer o direito de retirada se tivesse comparecido à assembléia. 125º EXAME DE ORDEM – SEÇÃO SÃO PAULO . deliberou a mudança de seu objeto social. (B) poderá exercer o direito de retirada. Dispondo o contrato social que. Merovides (A) não poderá exercer o direito de retirada. Merovides. julgado em 01.2005 p. seus haveres sociais serão pagos de acordo com o critério do valor (A) patrimonial de suas quotas na data da resolução.476/GO.Para que a ação rescisória seja acolhida por violação a dispositivo de lei (CPC. (D) só poderia exercer o direito de retirada se a companhia fosse aberta.Declarando o perito judicial que mencionou a marca HSM como componente de fundo de comércio. seus haveres serão pagos com base no último balanço levantado. 46. art. apurado em balanço especial. não compareceu à assembléia e discorda da alteração. (REsp 453. deverá fazer-se de outra forma? Fundamente a resposta. IV . Questões de ConCursos Com gabarito ofiCiaL. Ministro ANTÔNIO DE PÁDUA RIBEIRO. 2ª Prova Específica. Rel. 369) – grifamos. acionista detentor de 10% (dez por cento) de ações preferenciais sem direito de voto. V) é preciso que a norma legal tida como ofendida tenha sofrido violação em sua literalidade. e não havendo previsão contratual a respeito.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa III . por não expressar o último balanço a realidade patrimonial da empresa. A Assembléia Geral Extraordinária da Companhia Brasileira de Secos e Molhados. sociedade anônima fechada. direito a ela não teria o sócio-retirante.DIREITO COMERCIAL. PROVA OBJETIVA.09. é acolhível a alegação do retirante ou excluído de que a apuração. Resolvendo-se o vínculo de um sócio com a sociedade empresária de que faz parte. na hipótese de retirada ou exclusão de sócio. 45. não há como se fazer ilação para afirmar que. evitando locupletamento indevido dos sócios remanescentes. (VALOR: UM PONTO E MEIO) . VI . 485. DJ 12.Na dissolução de sociedade comercial. (D) econômico de suas quotas na data do efetivo pagamento. apurado em balanço especial. Precedentes. XXXIX CONCURSO PARA INGRESSO NA MAGISTRATURA DE CARREIRA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO.Recurso especial conhecido e provido para cassar o acórdão proferido na ação rescisória. a apuração de haveres no caso de sócio retirante deve ser feita como se de dissolução total se tratasse. V .

ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa

AUlA 17: DIREÇÃO DAS AtIvIDADES EMPRESARIAIS
Nesta aula discutiremos a leitura do(s) seguinte(s) capítulo(s): – Páginas 366 a 367 do Manual de Direito Comercial e de Empresa. Vol.I .4ª edição. Ricardo Negrão. Saraiva: São Paulo/2005. – Páginas 222 a 238 de O Direito de Empresa à luz do Novo Código Civil. Sérgio Campinho. 5ª edição Renovar/2005.

Leitura CompLementar – Páginas 446 a 451 do Curso de Direito Comercial. Fábio Ulhoa Coelho. 7ª edição. Saraiva/2004. – Páginas 107 a 112 do Direito Societário. 9ª edição. José Edwaldo Tavares Borba. Renovar: Rio de Janeiro/2004.

ementário de temas – Administração ou Diretoria. – Conselho de Administração. – Deveres do administrador. – Órbita de poder. – Responsabilidade do administrador. – Teoria Ultra Vires x Teoria da Aparência. – Projeção da responsabilidade do administrador em outros campos do Direito. – PL 2426/2003.

roteiro de auLa Sabemos que a pessoa jurídica não possui corpo físico capaz de concretizar os atos necessários à realização de seu objetivo. A sua vontade (alcançada na assembléia ou na reunião) será materializada por uma ou mais pessoas. As pessoas que exteriorizam a vontade da sociedade são chamadas de administradores (ou diretores). Elas atuam como se fosse a própria sociedade, praticam atos em nome da sociedade, pois que esta última não age de per si. Quando o administrador ou diretor assina um cheque ou negocia uma operação, quem está agindo (praticando o ato de empresa) é a sociedade e não o administrador. Foi exatamente por essa razão que PONTES DE MIRANDA, com base na teoria orgânica236, sustentou que a pessoa jurídica não podia ser representada pelo seu órgão administrativo, como dispunha o art. 17 do Código Civil de 1916237, pois este nada mais é do que um membro do todo. O ato do órgão é, na verdade, ato da própria pessoa jurídica. Não haveria, portanto, representação, mas sim uma PRESENTAÇÃO, sendo o Administrador verdadeiro PRESENTANTE da sociedade.

236 a teoria orgânica ou da realidade objetiva prega que junto a pessoas naturais, que são realidades físicas, existem os organismos sociais, constituídos pelas pessoas jurídicas, as quais têm existência e vontade próprias, distintas da de seus membros, tendo por finalidade a realização de seus objetivos sociais.

“as pessoas jurídicas serão representadas, ativa e passivamente, nos atos judiciais e extrajudiciais, por quem os respectivos estatutos designarem, ou, não o designando, pelos seus diretores”.
237

FGV DIREITO RIO

135

ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa

Nas palavras de Pontes de Miranda que introduziu a terminologia no Direito Privado Brasileiro:
“De ordinário, nos atos da vida, cada um pratica, por si, os atos que hão de influir, ativa ou passivamente, na sua esfera jurídica. Os efeitos resultam de atos em que o agente é presente; pois que os pratica, por ato positivo ou negativo. A regra é a presentação, em que ninguém faz o papel de outrem, isto é, em que ninguém representa” 238. “Quando o órgão da pessoa jurídica pratica o ato, que há de entrar no mundo jurídico como ato da pessoa jurídica, não há representação, mas presentação. O ato do órgão não entra, no mundo jurídico, como ato da pessoa, que é órgão, ou das pessoas que compõe o órgão. Entra no mundo jurídico como ato da pessoa jurídica, porque o ato do órgão é ato seu.” 239

Nesse sentido, acerca da natureza jurídica da Administração da sociedade, uma parte da doutrina entende tratar-se de simples mandato - teoria da representação. Nossa lei filiou-se à teoria orgânica ao “estabelecer no art. 1.018 clara distinção entre a função do administrador e a do mandatário”. (Ricardo Negrão in Manual de Direito Comercial e de Empresa. Saraiva/2005). Da mesma forma, o Prof. José Edwaldo Tavares Borba entende que “o administrador é órgão da sociedade, não se confundindo, pois, com o procurador. Este, por força de um mandato, representa a sociedade num âmbito restrito dos poderes que lhe forem conferidos”. (in Direito Societário, Renovar/2004). Por fim, entendendo que o órgão da sociedade não representa, mas presenta, conclui Pontes de Miranda:
“O órgão da pessoa jurídica não é representante legal. A pessoa jurídica não é incapaz. O poder de presentação, que ele tem, provém da capacidade mesma da pessoa jurídica; por isso mesmo, é dentro e segundo o que se determinou no ato constitutivo, ou nas deliberações posteriores. A presentação é judicial ou extrajudicial (art.17 CC/1916)” 240.

Vimos então que o administrador (ou diretor) integra o órgão da sociedade chamado de Administração (ou Diretoria) que, no plano interno, administra a empresa, e, externamente, manifesta a vontade da pessoa jurídica. O contrato social deve designar quem tem poderes para presentar a sociedade, bem como os limites desses poderes. Pode o contrato social designar indiscriminadamente todos os sócios para presentar a sociedade. Disso não decorre, porém, que os sócios que ingressem após a criação da sociedade, na qualidade de cessionários ou sucessores de sócio administrador, sejam também administradores241. Deverá existir disposição expressa na alteração contratual ou em instrumento apartado, para agirem como tais. Importante, pois, que o contrato distribua as funções e atribua os poderes de administração, evitando-se, assim, a prática de atos em excesso pelos mesmos por falta de discriminação explícita das suas funções. O Código Civil trás relevante inovação quando estabelece a possibilidade de terceiros serem administradores de sociedade limitada, o que antes ocorria somente nas sociedades anônimas242. Assim, a sociedade limitada poderá ter como administrador, pessoa que não seja sócio (se o contrato social assim o permitir). A designação dessas pessoas, porém, depende de

238

Tratado de Direito privado – Tomo III – 3ª edição – Rio de janeiro/1970. p. 231.
239 240

Op.cit. p. 233.

Tratado de Direito privado – Tomo I – 4ª edição – Revista dos Tribunais/1977. p.412. art. 1.060, parágrafo único do código civil.
241 242 Lei 6.404/76. art. 146. poderão ser eleitos para membros dos órgãos de administração pessoas naturais, devendo os membros do conselho de administração ser acionistas e os diretores residentes no País, acionistas ou não. (Redação dada pela Lei nº 10.194, de 2001). grifamos

FGV DIREITO RIO

136

ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa

aprovação unânime dos sócios, no caso do capital social, ainda não estar integralizado, ou de 2/3 (dois terços) se já houver a integralização (art. 1.061). Verifica-se que o legislador deixou ao critério dos sócios tal regramento. Optando por uma sociedade limitada com um perfil mais conservador de administração, conservará em seu poder a administração (não prevendo no contrato social a administração por não-sócio). Querendo imprimir um perfil profissionalizante da administração, onde terceiros podem administrá-la, deverá haver previsão contratual expressa neste sentido. O administrador não-sócio, designado em ato separado, deverá firmar termo de posse no livro de atas da administração, no prazo de até trinta dias da data de sua designação, sob pena da nomeação perder a validade. Tanto a nomeação quanto a destituição ou renúncia do administrador devem ser averbadas no prazo de dez dias seguintes a cada ato, no registro competente (art. 1.063). Cabe ao administrador, ao término de cada exercício social, proceder à elaboração do inventário, do balanço patrimonial e do balanço de resultado econômico, com observância das regras contidas nos artigos 1.186, 1.187, 1.188 e 1.189 do Código Civil. Outra novidade do Código Civil diz respeito à expressão “sócio-gerente” que foi substituída por administrador ou diretor, haja vista a sociedade limitada poder ser gerida também por não-sócios (anteriormente a condição de sócio era obrigatória) e, a expressão “gerente”, hoje, ser sinônimo de “preposto243” (conforme dispositivo do art. 1.172), não trazendo similitude com o antigo sócio-gerente. Quoruns para nomeação e destituição do administrador Como visto na aula 16, existem quoruns mínimos estabelecidos no Código Civil de 2002, que devem ser observados. O contrato social poderá dispor de quoruns diferenciados, porém sempre respeitando esse mínimo previsto na lei. Para eleição e destituição de administradores das sociedades limitadas, o quorum previsto no Código Civil vai variar em função do administrador ser ou não sócio. No caso do contrato social prever a possibilidade de administrador não-sócio, o quorum para elegê-los vai variar conforme a integralização do capital social: a) capital social totalmente integralizado: por deliberação de 2/3 do capital social. b) capital social não integralizado: por unanimidade. (art. 1.061). Para a nomeação e destituição do administrador não-sócio designado em ato separado, serão necessários votos correspondentes a mais da metade do capital social (art. 1.076, II c/c art. 1.071, II e III). Para a destituição de administrador sócio, será necessária a aprovação de, no mínimo, 2/3 do capital social, salvo estipulação contratual diversa (art. 1.063 §1º). Neste caso, a disposição do quorum poderá atender aos interesses dos sócios uma vez que a lei permite a estipulação de quorum distinto ao legalmente estabelecido. administrador pessoa Jurídica A questão sobre a possibilidade de pessoa jurídica ser administradora de sociedade foi muito debatida na vigência do Decreto nº 3.708/1919. De forma indireta, o Código Civil veio sanar tal impasse segundo os termos dos artigos 997, VI e 1.062 §2º. Portanto, embora a sociedade possa ser constituída e tenha no seu

243

n.a. Está no exercício da empresa, mas não é detentor de poderes de direção.

FGV DIREITO RIO

137

deveres do administrador Os deveres do administrador estão previstos. passam a ter deveres e direitos inerentes às suas funções. mediante deliberação de sócio ou sócios representantes de. Renovar: Rio de janeiro/2004. professor de Direito Empresarial da Escola de Direito RIO da FGV.a. uma vez nomeados. onde o legislador não distinguiu (art. o contrato social pode estipular a existência de órgãos administrativos auxiliares.as normas sobre convocação.º 98 de 2003246. 138 §1º da Lei n. art. a administração da companhia competirá. o administrador só pode ser pessoa natural245. não cabe ao intérprete distinguir. o Prof. desde que especifique as matérias. No entanto.366. ou somente à diretoria. de representação e de administração (art. VI).076. destaca-se o seguinte posicionamento: “Ressalte-se por oportuno. 245 manual de atos de registro de sociedade Limitada. tão complexos quanto aos da sociedade anônima. no mínimo.o prazo de gestão. uma vez que. pág. Neste caso. 3 (três) membros. Na I Jornada de Direito Civil. Se ele não tem sua gênesis contemporânea à celebração do contrato de sociedade.o número de conselheiros. é legalmente possível. 138. que deliberará por maioria de votos. resumindo-se ao dever de diligência e probidade. Em posição minoritária247. 140. saraiva/2005. poderá. organizada pela empresa. também. 248 Lei n. 997. 1. tanto que esta dispõe de norma própria. devendo o estatuto estabelecer: I . escolhidos pelo voto destes.107. 4ª ed.060. em eleição direta.011 do Código Civil. ou o máximo e mínimo permitidos. de forma geral. O estatuto poderá prever a participação no conselho de representantes dos empregados.gov. vol. pessoas naturais244. A regra da sociedade simples não se aplica subsidiariamente. para tornar a administração privativa de pessoas naturais. o Departamento Nacional de Registro do Comércio – DNRC. § 2º as companhias abertas e as de capital autorizado terão. obrigatoriamente. esta regra é válida para qualquer tipo de sociedade. mestre em Direito Empresarial pela ucam. ser a qualquer tempo implantado (artigo 1.br 246 Neste sentido. que não poderá ser superior a 3 (três) anos. indistintamente”. 244 n. art. as atribuições e poderes conferidos por lei aos órgãos de administração não podem ser outorgados a outro órgão. indicar os deveres do administrador nas sociedades anônimas. mais amplamente. 997 e § 2º do art. fê-lo expressamente (art. quando houve por bem o enunciado n° 66 dirimir o problema de forma enfática. V)250”.062 do Código Civil.º 6. parágrafo único. conselho de administração. em conjunto com as entidades sindicais que os representem. 9ª edição. 249 FGV DIREITO RIO 138 . permitida a reeleição. São eles: no mesmo sentido: Ricardo negrão in manual de Direito comercial e de Empresa.404/1976. 139. criado por lei ou pelo estatuto. podendo o estatuto estabelecer quorum qualificado para certas deliberações.404/1976). como o fez em relação à sociedade simples. O conselho de administração é um órgão Colegiado e deliberativo.248” Conselho de administração A sociedade limitada pode apresentar um volume grande de negócios. 1. II .062: a teor do § 2º do art. sendo a representação da companhia privativa dos diretores. Disponível em: www. bastando que “os sócios façam a previsão no contrato social. § 1º O conselho de administração é órgão de deliberação colegiada.º 6. O conselho de administração será composto por. III . a presente questão começou a suscitar dúvidas. 247 in Direito societário. IV . p. 1. constituído somente por sócios que. 1.062) não mais é admitida a administração da sociedade limitada por pessoa jurídica”. nesse caso. ao conselho de administração e à diretoria. no Parecer n. que se refere a “uma ou mais pessoas”. A criação de um conselho de administração na sociedade limitada. que devem ser aplicáveis a qualquer pessoa incumbida de administrar bens ou interesses alheios251. I c/c artigo 1. Quando o legislador quis distinguir.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa quadro societário somente pessoas jurídicas. Da mesma forma.071. da seguinte forma: Art.dnrc. a diretoria desta sociedade será composta de administradores. instalação e funcionamento do conselho. 1. a Lei nº 6. por meio da Instrução Normativa n. art. além do conselho fiscal.º 126 de 2003.404/1976 dispensa uma seção própria para. 1. ¾ do capital. Seu funcionamento é exclusivamente interno sendo despido de poderes executivos. e o processo de escolha e substituição do presidente do conselho pela assembléia ou pelo próprio conselho. autor do enunciado márcio souza Guimarães. eleitos pela assembléia-geral e por ela destituíveis a qualquer tempo.054 c/c o art. que diante da nova sistemática estabelecida pelo Código Civil (art. semelhante ao existente nas sociedades anônimas249.o modo de substituição dos conselheiros. firmou orientação quanto ao impedimento da pessoa jurídica para ser administradora. conforme dispuser o estatuto. no mínimo. José Edwaldo Tavares Borba entende que “administradores poderão ser pessoas naturais ou pessoas jurídicas. à sociedade limitada. no art. I.

como regra para analisar a responsabilidade dos administradores. também conhecida em nosso país como “Regra da Decisão Negocial”.404/1976. 157255 da Lei nº 6. Fábio ulhoa in curso de Direito comercial. se será possível responsabilizar o administrador pela deepening insolvency ou agravamento pela situação de crise econômica-financeira259.usar. pelos danos gerados em conseqüência de um prolongamento artificial de uma sociedade empresária em grave crise sem que haja ativos suficientes e fluxo de caixa para pagar seus credores. para si ou para outrem. considerando-se que estas tenham sido tomadas de maneira informada. 155. – Dever de Informar: disposto no art. saraiva/2004. tem por objetivo blindar o administrador contra interferências do Poder Judiciário e do órgão regulador quanto às suas decisões. os mesmos deveres que os demais. Em suma. sérgio in O Direito de Empresa à luz do novo código civil. tendo em vista suas responsabilidades sociais. 252 art. Havendo conflito de interesses. II . § 3º as importâncias recebidas com infração ao disposto na alínea c do § 2º pertencerão à companhia. em benefício próprio ou de outrem. 7ª edição. é vedado ao administrador intervir tanto na operação como nas deliberações que tomarem os demais administradores. direta ou indireta. cuja aplicação no Brasil vem sendo aplicada pelo Poder Judiciário e pela Comissão de Valores Mobiliários258. O direito societário norte-americano adota.. 1. Satisfazer às exigências do bem público e a função social da empresa são objetivos que também devem pautar as atitudes daqueles que efetivamente realizarão o objeto social.S. Parece contraditório com o dever de sigilo. numa tradução livre do inglês. 156256 da Lei nº 6. numa determinada operação.omitir-se no exercício ou proteção de direitos da companhia ou. 155254 da Lei nº 6.404/1976 e no art. Some lawyers believe the decision eliminates the threat of suits that seek to recover from directors for actions they took shortly before bankruptcy. teorias e atos próprios a fim de realizar o objeto social. sem autorização estatutária ou da assembléia-geral. 154253 da Lei nº 6. tomar por empréstimo recursos ou bens da companhia. a referida teoria não protegerá o administrador negligente. 154 § 1º.011 do Código Civil. art. 1. faltar a esses deveres. pág. – Dever Ético-Social: disposto no caput do art. 154. 250 campInHO.404/76. – Conflito de interesses: disposto no art.404/1976. A referida teoria. O administrador deve atuar com zelo e aplicar métodos. A própria lei coibe os atos de liberalidade que possam prejudicar a sociedade ou que não sejam do interesse social. Em razão da função que ocupa. a teoria do Business Judgment rule257. em razão do exercício de seu cargo. Oportuno discutir. § 2° É vedado ao administrador: a) praticar ato de liberalidade à custa da companhia.442. O administrador eleito por grupo ou classe de acionistas tem. b) sem prévia autorização da assembléia-geral ou do conselho de administração. 253 254 art. de sociedade em que tenha interesse.404/1976. ainda que para defesa do interesse dos que o elegeram. visando à obtenção de vantagens. neste ponto. 154252 da Lei nº 6. The court ruled last month that creditors of a Delaware corporation that is insolvent or in the so-called “zone of insolvency” have no right to assert direct claims for breach of fiduciary duty against its directors. ou de terceiros. 5ª edição Renovar/2005. os seus bens. no entanto ambos se complementam uma vez que o sigilo refere-se a pessoas especificas e o dever de informar aparece em uma série de dispositivos que visam obrigar o administrador a dar publicidade aos negócios da sociedade que poderão influenciar investidores e mercado. c) receber de terceiros. – Dever de Lealdade e Sigilo: disposto no art.017 do Código Civil. such as increasing the company’s debt or signing major contracts with creditors. não podendo. limitando os poderes da administração. qualquer modalidade de vantagem pessoal. o administrador não pode se utilizar (proveito próprio ou de terceiros) das informações privilegiadas que obtém em virtude de sua atividade e que ainda não foram repassadas ao mercado. com ou sem prejuízo para a companhia. em proveito próprio. ou usar. Sobre o tema: Ruling Makes Bankruptcy Suits Harder • United States • 06/25/2007 • U. deixar de aproveitar oportunidades de negócio de interesse da companhia. 251 cOELHO. entre o administrador e a sociedade.242. satisfeitas as exigências do bem público e da função social da empresa. O administrador deve servir com lealdade à companhia e manter reserva sobre os seus negócios. sendo-lhe vedado: I . Law A recent Delaware Supreme Court decision may have undermined cases against directors and officers of companies for actions they take just before they file for bankruptcy. pág. serviços ou crédito. refletida e desinteressada.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa – Dever de Diligência: disposto no art. as oportunidades comerciais de que tenha conhecimento em razão do exercício de seu cargo. § 4º O conselho de administração ou a diretoria podem autorizar a prática de atos gratuitos razoáveis em benefício dos empregados ou da comunidade de que participe a empresa. FGV DIREITO RIO 139 . O administrador deve exercer as atribuições que a lei e o estatuto lhe conferem para lograr os fins e no interesse da companhia. – Desvio de Poder: disposto nos parágrafos do art. para com a companhia.

. it’s incumbent upon trustees to pursue claims against directors.. diretamente ou através de outras pessoas. Clearwire Holdings Inc. Detweiler Hersey & Associates P.). No.3d 672 (3d Cir. Ct.. 01-06833 (Jefferson Co. Cir. can support a deepening-insolvency claim under Pennsylvania law. Inc. obtida em razão do cargo e capaz de influir de modo ponderável na cotação de valores mobiliários. ou que esta tencione adquirir. § 2º O administrador deve zelar para que a violação do disposto no § 1º não possa ocorrer através de subordinados ou terceiros de sua confiança. ao firmar o termo de posse. 2006). tem direito de haver do infrator indenização por perdas e danos. against three directors of the Delaware corporation. 06-521 (Del. which had agreed to buy the foundation’s Federal Communications Commission-approved licenses for microwave signal transmission to build a national wireless Internet network.” but it has been said to refer to when a company nears insolvency or is at the point at which it can’t pay its debts. North American Catholic Educational Programming Foundation Inc. v. or are actually insolvent. 448 F. c) os benefícios ou vantagens.C. § 4º É vedada a utilização de informação relevante ainda não divulgada. que tiver adquirido ou alienado. para si ou para outrem. The Delaware Supreme Court upheld a Delaware court of chancery decision that dismissed a putative creditor’s case against three directors of wireless Internet company Clea- III . de emissão da companhia e de sociedades controladas ou do mesmo grupo. Goldstein. indiretas ou complementares.5 million settlement with outside directors reached in March in a separate suit against directors of bankrupt Birmingham.. § 1º O administrador de companhia aberta é obrigado a revelar à assembléia-geral ordinária. Harold Ruttenberg. bônus de subscrição. Some have claimed that Just For Feet could have been reorganized in a healthy way that preserved a substantial amount of value. Gary Seitz Ch. Ala.S. shoe retailer Just For Feet Inc. Courts have also been inconsistent. and the settlement shows that zone-of-insolvency theories are alive and well. courts have been inconsistent on whether zone of insolvency and deepening insolvency are causes of action or a fact pattern. But a lawyer involved in a $41. vantagem mediante compra ou venda de valores mobiliários. ao administrador de companhia aberta. opções de compra de ações e debêntures conversíveis em ações. o número de ações. bem ou direito que sabe necessário à companhia. Cases involving zone-of-insolvency and deepeninginsolvency issues have been a developing trend in the past several years. lawyers have been testing claims and damages theories involving the duties of a company’s directors as a company nears bankruptcy or enters the zone of insolvency and “deepening insolvency. para revender com lucro.. O administrador de companhia aberta deve declarar. que tenha recebido ou esteja recebendo da companhia e de sociedades coligadas. b) as opções de compra de ações que tiver contratado ou exercido no exercício anterior. For example. controladas ou do mesmo grupo. said that companies nearing insolvency must still safeguard creditors’ interests to avoid lawsuits. sendo-lhe vedado valer-se da informação para obter. FGV DIREITO RIO 140 . Ch. the bankruptcy trustee filed a lawsuit in Alabama state court against the company’s directors. § 1º cumpre. de que seja titular.. shuts the door on director liability in those circumstances. The trustee said that the defendants’ decisions to ignore expert advice to file a Chapter 11 restructuring and conceal the company’s shaky financial status for two years led to a $90 million fire-sale liquidation of the company’s assets. Court decisions opened the door to such claims a few years ago. There is no legal definition of “zone of insolvency. Ala. Circuit Court of Appeals decision in 2006 said that only fraud.. In bankruptcies. para si ou para outrem. Ernst & Young LLP. a Delaware court of chancery rejected deepening insolvency as an independent cause of action under Delaware law. no exercício anterior. accounting firm and independent auditors for breaches of fiduciary duty. Later in 2006. if they exist. Charles R. Chapter 7 Trustee for Just For Feet Inc. not negligence. a 3rd U. Trenwick America Litigation Trust v. ademais. v. guardar sigilo sobre qualquer informação que ainda não tenha sido divulgada para conhecimento do mercado. por qualquer pessoa que a ela tenha tido acesso. In the Just For Feet Inc.” Lawyers disagree about whether the recent Delaware Supreme Court decision rejecting direct creditor claims for breach of fiduciary duty when companies enter the zone of insolvency. a pedido de acionistas que representem 5% (cinco por cento) ou mais do capital social: a) o número dos valores mobiliários de emissão da companhia ou de sociedades controladas. com a finalidade de auferir vantagem. 255 art.).). fraud and related claims for the company’s actions as it neared bankruptcy or entered the zone of insolvency.adquirir. but the pendulum has recently shifted. Despite the popularity of the theories. Del. 906 A. no mercado de valores mobiliários. ou do mesmo grupo..ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa The case was filed by “putative creditor” North American Catholic Educational Programming Foundation Inc.2d 168 (New Castle Co. In re CitX Corp. 157. officers. a menos que ao contratar já conhecesse a informação. § 3º a pessoa prejudicada em compra e venda de valores mobiliários. In bankruptcy courts and state courts. Many are now pointing to the May 18 Delaware Supreme Court decision in the North American Catholic case as a significant milestone in the zone-of-insolvency debate. for the benefit of creditors and shareholders. 7 Trustee v. Rob Gheewalla. bankruptcy. contratada com infração do disposto nos §§ 1° e 2°. No.

as modificações em suas posições acionárias na companhia. FGV DIREITO RIO 141 . servir de residência temporária para algum diretor em trânsito.” Hollin said. ou deixar de divulgá-la (§ 4º). ou fato relevante ocorrido nos seus negócios. que possa influir. respondendo os solicitantes pelos abusos que praticarem. as a matter of law. acesso em 19 de janeiro de 2009. como forma de garantir uma administração diligente.015 do Código Civil. a inclusão de uma cláusula no contrato social obrigando aos administradores prestarem caução. às 04:20horas. o Prof. an insurance company receiver or a creditor’s committee. autenticados pela mesa da assembléia. Existem atos de gestão que são.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa rwire Holdings Inc. Many such lawsuits are already filed as derivative cases on behalf of a corporation by a bankruptcy trustee. e) quaisquer atos ou fatos relevantes nas atividades da companhia. alínea e).” While insolvent companies could face derivative suits. The Delaware decision erases the threat of direct claims by creditors against directors. § 3º a revelação dos atos ou fatos de que trata este artigo só poderá ser utilizada no legítimo interesse da companhia ou do acionista. to assert direct claims for breach of fiduciary duty against its directors. limitados nos contratos sociais. “It says they’ve got to be brought in a derivative manner on behalf of the corporation. do contrário. de modo ponderável. a praticar todos os atos pertinentes à gestão da sociedade260. se entenderem que sua revelação porá em risco interesse legítimo da companhia. ter direito a um esquema de segurança etc. nos termos e na forma determinados pela comissão de Valores mobiliários. said Hollin of Powell Trachtman. for breaches of fiduciary duty while the company was in the zone of insolvency or insolvent. se for o caso. cabendo à comissão de Valores mobiliários. de qualquer acionista. em regra. a pedido de qualquer acionista. 1. § 6º Os administradores da companhia aberta deverão informar imediatamente.ex. tradicionalmente. The court said that creditors of a Delaware corporation that is insolvent or in the zone of insolvency “have no right. d) as condições dos contratos de trabalho que tenham sido firmados pela companhia com os diretores e empregados de alto nível.lexuniversal. ou por iniciativa própria.” wrote Justice Randy Holland. “Recognizing that directors of an insolvent corporation owe direct fiduciary duties to creditors would create uncertainty for directors who have a fiduciary duty to exercise their business judgment in the best interest of the insolvent corporation. but it doesn’t mean zone-of-insolvency issues are dead. a esta e às bolsas de valores ou entidades do mercado de balcão organizado nas quais os valores mobiliários de emissão da companhia estejam admitidos à negociação. “It doesn’t take away the zone-of-insolvency issues. poderes do administrador Os administradores ou diretores decidem e executam os negócios da sociedade limitada agindo. § 5º Os administradores poderão recusar-se a prestar a informação (§ 1º. no sentido da realização do objeto social. Hollin said. p. Sérgio Campinho destaca ser de bom alvitre a elaboração de cláusula contratual estabelecendo restrições aos atos de gestão. os administradores são autorizados – na forma do art. exceto se o bem fizer parte de um conjunto de direitos que a sociedade pode proporcionar para seus diretores. Esta garantia somente seria “levantada” após a aprovação das últimas contas apresentadas pelo administrador que estivesse deixando o cargo261. § 4º Os administradores da companhia aberta são obrigados a comunicar imediatamente à bolsa de valores e a divulgar pela imprensa qualquer deliberação da assembléia-geral ou dos órgãos de administração da companhia. na decisão dos investidores do mercado de vender ou comprar valores mobiliários emitidos pela companhia. ser reduzidos a escrito.com/en/news/2652. e fornecidos por cópia aos solicitantes. decidir sobre a prestação de informação e responsabilizar os administradores.. Diante de tão amplos poderes. O citado professor também menciona. eis alguns exemplos: – concessão de garantias em nome da sociedade em favor de terceiros sem contrapartida que a beneficie: desvia a sociedade do seu objetivo de obter lucros. the Delaware Supreme Court didn’t directly discuss whether companies in the amorphous zone of insolvency could also face derivative claims. isto porque. – usar bens da sociedade em nome próprio ou permitir que terceiro o faça. – alienação de bens imóveis. § 2º Os esclarecimentos prestados pelo administrador poderão. usar o cartão de crédito corporativo para fins sociais. http://www. a pedido dos administradores. not by individual creditors.

nesses casos. de forma a ultrapassar a sua órbita de poderes. Para melhor compreensão da responsabilidade dos administradores. caberá ao 256 art. bem como na deliberação que a respeito tomarem os demais administradores. situações em que o administrador age excedendo os poderes que lhe foram conferidos pela sociedade. bovespa. 1. o administrador deve seguir os seguintes princípios: (i) Decisão informada: a decisão informada é aquela na qual os administradores basearam-se nas informações razoavelmente necessárias para tomá-la. as normas previstas para as sociedades por ações serão aplicáveis. estando. teoria ultra Vires A teoria dos atos ultra vires tem origem inglesa. Conjugado com o indigitado dispositivo legal. § 2º O negócio contratado com infração do disposto no § 1º é anulável. na aparência do ato praticado pelo administrador.cvm. idênticas às que prevalecem no mercado ou em que a companhia contrataria com terceiros. podemos dizer que estamos diante de uma nova teoria dos atos ultra vires. (ii) Decisão refletida: a decisão refletida é aquela tomada depois da análise 258 FGV DIREITO RIO 142 . não a sua invalidação. a aparência indica ao credor que o “adquirente” não é a sociedade que explora a escola. 927 do Código Civil.024). Como o administrador age em nome da sociedade limitada. da pratica de atos ilícitos.br/Investidor/ juridico/060912nota. conforme dispositivo do art. No Brasil. devemos analisar as regras insertas no art. II . pois. III .asp. § 1º ainda que observado o disposto neste artigo. dispondo que todos os atos praticados pelo administrador. Assim. às 03:58horas. do art. podemos concluir que deve ser analisada a prática do ato. podem os administradores. todavia. na cVm: http://www. 158 da Lei 6. 158 da Lei nº 6. caso seja inadimplida uma das parcelas. 156. confira-se: http://www.gov. bem como de terceiros contratados.404/1976. entretanto. na proporção em que participem das perdas sociais. dependendo da disposição contratual262. compelida ao pagamento para. Dessa forma. acesso em 19 de janeiro de 2009. Dispõe o art. exercer o direito de regresso em face do administrador. sempre que praticar os atos de gestão dentro dos limites da atribuição de competência e poder. é claro no sentido da responsabilização pessoal do administrador perante terceiros em qualquer uma das seguintes situações: I . acesso em 19 de janeiro de 2009. a natureza e extensão do seu interesse.015 do Código Civil.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa responsabilidades do administrador A responsabilidade dos administradores decorre. se os bens da sociedade não cobrirem as dívidas. 1. quando ultrapassar os atos regulares da gestão. como informações. o poder judiciário americano preocupa-se apenas com o processo que levou à decisão e não com o seu mérito. salvo cláusula de responsabilidade solidária (artigos 1. estes atos vincularão apenas à sociedade que ficará obrigada a satisfazer as obrigações contraídas pelo administrador (teoria organicista). será responsável sempre que agir com dolo ou culpa. de forma abusiva ou excessiva de poderes (abuso de poder e excesso de poder). com a força exclusiva do seu patrimônio.provando-se que era conhecida do terceiro. mas sim o próprio administrador. todavia.tratando-se de operação evidentemente estranha aos negócios da sociedade. essa última. após. não é necessária a contratação de um banco de investimento para a avaliação de uma operação.asp. como veremos a seguir. 257 “Em razão da regra da decisão negocial. É vedado ao administrador intervir em qualquer operação social em que tiver interesse conflitante com o da companhia. Em ambos os casos. nas sociedades limitadas. utilizar. o administrador somente pode contratar com a companhia em condições razoáveis ou eqüitativas. Nestes casos o parágrafo único.br/port/ inqueritos/2007/rordinario/ inqueritos/05_15_21-04. os sócios responderão pelo saldo. tal teoria tem sido utilizada por alguns doutrinadores para explicar a teoria da responsabilidade do administrador. análises e memorandos dos diretores e outros funcionários. poder-se-á perquirir sobre a possibilidade do terceiro credor cobrar da sociedade.se a limitação de poderes estiver inscrita ou averbada no registro próprio da sociedade. mas sim a determinação de que o administrador é o responsável pelo adimplemento da obrigação. sendo a conseqüência da prática de tais atos.016 do Código Civil que os administradores respondem solidariamente perante a sociedade e perante terceiros prejudicados por culpa no desempenho de suas funções.404/76 e art.023 e 1. A base da teoria da aparência consiste. seriam acoimados de nulos. Há. em ata de reunião do conselho de administração ou da diretoria.com. Ou então. em regra. como a acepção da palavra indica. Se o administrador de uma escola adquire um helicóptero. e o administrador interessado será obrigado a transferir para a companhia as vantagens que dele tiver auferido. para utilizar a regra da decisão negocial. A solução do problema se dará com base na teoria da aparência. inclusive desrespeitando vedações contratuais expressas. o administrador será o responsável pelo pagamento da obrigação. mesmo que dentro das limitações de competência previstas no contrato/estatuto. Assim. cumprindo-lhe cientificá-los do seu impedimento e fazer consignar.

não é caso para a desconsideração da personalidade jurídica e sim de substituição legal tributária. desta feita. http://www.053 do código civil. uma forma de responsabilidade por substituição. tenha o administrador decidido não analisar esse negócio.cit. Recolher as contribuições da Previdência Social e não repassá-las ao INSS configura crime de sonegação fiscal (Lei nº 4. são pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei. mas como forma de prevenção. Com isso. – Trabalhista: Os arts. é importante ressaltar que tais regras não fazem com que os administradores sejam responsáveis pelo pagamento de tais débitos. acesso em 19 de janeiro de 2009. encaminhando-se. que respondem solidariamente. ainda. exclusivamente para o responsável. e (iii) Decisão desinteressada: a decisão desinteressada é aquela que não resulta em benefício pecuniário ao administrador. Novamente. – Previdência Social: O empregador. das diferentes alternativas ou possíveis conseqüências ou. informadamente.605/1998268 prevê a responsabilização penal da pessoa jurídica pela prática de delitos ambientais e funciona não apenas para punir. ao elevar o meio-ambiente à categoria de bem jurídico tutelado autonomamente..228.br/port/ inqueritos/2007/rordinario/ inqueritos/05_15_21-04.. 178/185.cit. o credor poderá cobrar diretamente da sociedade para que. 50 do Código Civil. 135. pelos responsáveis. A jurisprudência trabalhista ainda é vacilante sobre o tema. além de ser contribuinte (segurado obrigatório). art. a teoria da aparência. Esse conceito vem sendo expandido para incluir benefícios que não sejam diretos para o administrador ou para instituições e empresas ligadas a ele. Leonardo santos de (coord. contrato social ou estatutos: (. é também responsável legal pela arrecadação das contribuições dos seus empregados. 135 do CTN não é caso de desconsideração da personalidade jurídica.) Direito societário – Desafios atuais – são paulo: quartier Latin. alegando que. o instituto da desconsideração da personalidade jurídica art.) III . III263 é o não pagamento da obrigação principal pelo contribuinte. contrato social ou estatutos. disciplinando a declaração judicial de desconsideração da personalidade jurídica. Pela teoria da aparência. na forma da Lei nº 8. haja o regresso. como tal considerado o titular da empresa (individual ou coletiva). 2009.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa credor a cobrança apenas em face do administrador (pessoa natural) e não da sociedade. 4º. que o substitui. é. Op. 260 261 262 263 Op. quando o administrador tem interesse na decisão. a Lei nº 9.228. FGV DIREITO RIO 143 . 135. O mesmo diploma legal. Rodrigo R. 225 da Constituição da República conferiu especial relevo à questão ambiental. admite a desconsideração da pessoa jurídica “sempre que sua personalidade for obstáculo ao ressarcimento de prejuízos causados à qualidade do meio ambiente”.729/1965265) e de apropriação indébita (Decreto-Lei nº 2. haverá a transferência do débito em nome do contribuinte. aplicando-se. destinando um capítulo inteiro a sua proteção. salvo nas hipóteses de fraude.os diretores. para o perigoso rumo da máxima de que “alguém deve pagar. Ressalte-se que o art. projeção da responsabilidade do administrador em outros campos do direito: – Código Tributário Nacional: a hipótese de incidência do art. – Ambiental: O art. mesmo que deixe de analisar um negócio. sócios e diretores. com excesso de poderes ou infração de lei. 259 É obrigatória a leitura do seguinte artigo: “Deveres dos administradores de sociedades Empresárias em Dificuldade Econômica-Financeira: a Teoria da Deepening Insolvency no Brasil” escrito por Leonardo santos de aragão. tal como ocorre com relação aos tributos. custe o que custar”. caso. depois.cvm. monteiro de & aRaGãO. aplicamse os standards do dever de lealdade (duty of loyalty)”. pL 3401/2008269 Encontra-se em tramitação o PL 3401/2008 que regulamenta o disposto no art. algumas vezes. a decisão negocial que a ele levou pode ser considerada refletida.620/1993267 e da remansosa jurisprudência dos tribunais. que explora a escola. no entanto. onde o responsável passa a figurar no pólo passivo de uma relação jurídica com o FISCO. em cotejo com a documentação que fundamenta o negócio.848/1940 – Código Penal266). in casTRO. resultante de atos praticados.gov. pág. 1. O autor do PL justifica a proposição. p. 2° e 10 da CLT firmam a responsabilidade da empresa pelos débitos trabalhistas. ou então. será obrigado a cobrar do administrador. pág. Além do dispositivo constitucional. Entretanto. em seu art. gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Além disso. embora só recentemente tenha sido introduzido na legislação brasileira. asp.

do pagamento de tributos. para ser entregue em outro endereço. em proveito próprio e não da sociedade (“RS”). com seus bens pessoais. Deixar de repassar à previdência social as contribuições recolhidas dos contribuintes. e multa. 267 JurisprudênCia CRIMINAL. PENAS ADAPTADAS À NATUREZA JURÍDICA DO ENTE COLETIVO. Nesse sentido. Alfredo Matias é o diretor de compras da “RS”. no prazo e forma legal ou convencional: pena . em virtude da demanda de Natal. informação que deva ser produzida a agentes das pessoas jurídicas de direito público interno.00. de modo permanente ou eventual. e há mais de cinco anos faz seus pedidos mensais. Seu principal fornecedor de couro é a Couros e Outros Ltda. a “RS” estava alugando o espaço na área de produção de uma outra fábrica que ficava. Pergunta-se: 1. mediante desvio de finalidade ou confusão patrimonial. RESPONSABILIZAÇÃO PENAL DO ENTE COLETIVO. 13. nos casos em que a infração seja cometida por decisão de seu representante legal ou contratual. e “tira o pedido”. os dados fiscais são sempre os mesmos. CRIME AMBIENTAL PRATICADO POR PESSOA JURÍDICA. RECURSO PROVIDO. antes de declarar que os efeitos de certas e determinadas obrigações sejam estendidos aos bens dos administradores ou sócios da pessoa jurídica. porém. a responsabilidade das pessoas jurídicas não exclui a das pessoas físicas. EXISTÊNCIA JURÍDICA. será vedada a extensão dos efeitos de obrigações da pessoa jurídica aos bens particulares de sócio e/ou de administrador que não tenha praticado ato abusivo da personalidade. ou de seu órgão colegiado. OPÇÃO POLÍTICA DO LEGISLADOR. co-autoras ou partícipes do mesmo fato. Além disso. CO-RESPONSABILIDADE. art. Os acionistas controladores. o juiz lhes facultará o prévio exercício do contraditório. Waltinho não perde tempo.000. com sede em Feliz/PR.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa vem sendo utilizado com um certo açodamento e desconhecimento das verdadeiras razões que autorizam um magistrado a declarar a desconsideração da personalidade jurídica. taxas e quaisquer adicionais devidos por lei. art 6º quando se trata de pessoa jurídica. os gerentes e os diretores respondem solidariamente e subsidiariamente.00. ATUAÇÃO DOS ADMINISTRADORES EM NOME E PROVEITO DA PESSOA JURÍDICA. justamente. autoras. O valor dos pedidos oscila entre R$ 3. Caso gerador A sociedade RS Sapatos e Bolsas Ltda. 168-a. quanto ao inadimplemento das obrigações para com a seguridade social. Além disso. porque a compra foi feita por pessoa não autorizada. 3º as pessoas jurídicas serão responsabilizadas administrativa. os administradores. art. FGV DIREITO RIO 144 . total ou parcialmente.gov. direta ou indiretamente ligados à mesma. 266 art. os quais foram devidamente pagos no vencimento. os canhotos das notas fiscais e dos talões de pedido sempre voltavam assinados e carimbados pelo chefe da expedição da “RS”.reclusão. pelos débitos junto à seguridade social. POSSIBILIDADE. FORMA DE PREVENÇÃO DE DANOS AO MEIO-AMBIENTE.camara. com seus bens pessoais. por dolo ou culpa.000. que não aceitará o título nem o pagará. que “Alfredo” havia sido despedido dias antes de fazer o último pedido ao “Waltinho”. A justificativa de Alfredo era que.500. passou a aceitar os pedidos de Alfredo por telefone e/ou por e-mail. Waltinho tomou todas as cautelas necessárias. PREVISÃO CONSTITUCIONAL REGULAMENTADA POR LEI FEDERAL. parágrafo único. Sacada a duplicata correspondente à venda do couro. tenham praticado ou concorrido para a prática da sonegação fiscal. No início de dezembro.. com a intenção de eximir-se. Waltinho recebe um pedido de Alfredo no valor de R$ 4. ainda. de 2 (dois) a 5 (cinco) anos. no interesse ou benefício da sua entidade. 265 art. com os mesmo dados fiscais. CULPABILIDADE COMO RESPONSABILIDADE SOCIAL. indicando como local para a entrega o último endereço fornecido por Alfredo. No início.prestar declaração falsa ou omitir. pessoalmente. O titular da firma individual e os sócios das empresas por cotas de responsabilidade limitada respondem solidariamente.br. CAPACIDADE DE AÇÃO. aduzindo. De quem é a obrigação de pagar o título e por quê? art 1º constitui crime de sonegação fiscal: I . a ”RS” comunica a Couros e Outros Ltda. com o vendedor Waltinho. no endereço indicado para essa entrega.00 e R$ 5. concedendo-lhes o prazo de dez dias para produção de suas defesas. mas com o passar dos anos. civil e penalmente conforme o disposto nesta Lei. 4º poderá ser desconsiderada a pessoa jurídica sempre que sua personalidade for obstáculo ao ressarcimento de prejuízos causados à qualidade do meio ambiente 268 269 Disponível em: www. total ou parcialmente. tem 20 anos de mercado capixaba. em detrimento dos credores da pessoa jurídica ou em proveito próprio. assim como o endereço para a entrega na sede da “RS”. parágrafo único. a responsabilidade penal pelas infrações previstas nesta Lei será de todos os que.

portanto. passou a prever. X. VII. A atuação do colegiado em nome e proveito da pessoa jurídica é a própria vontade da empresa. através de lançamento de resíduos.06. neste contexto. julgado em 02. “De qualquer modo. A co-participação prevê que todos os envolvidos no evento delituoso serão responsabilizados na medida se sua culpabilidade. que atua em nome e em benefício do ente moral. cada qual recebendo a punição de forma individualizada. V. A desconsideração da pessoa Jurídica para o fim. II.”. Hipótese em que pessoa jurídica de direito privado.2005.06. limita-se à vontade do seu administrador ao agir em seu nome e proveito. III. A responsabilização penal da pessoa jurídica pela prática de delitos ambientais advém de uma escolha política.. lodo. a pessoa jurídica deve ser beneficiária direta ou indiretamente pela conduta praticada por decisão do seu representante legal ou contratual ou de seu órgão colegiado.. consubstanciado em causar poluição em leito de um rio. QUINTA TURMA. é a responsabilidade social. VIII. Decisão deste órgão fracionário em Agravo de Instrumento que considerou legítimo o ato judicial que. A Lei ambiental. Se a pessoa jurídica tem existência própria no ordenamento jurídico e pratica atos no meio social através da atuação de seus administradores. todas adaptadas à sua natureza jurídica.que de qualquer forma contribui para a prática do delito . XIII. mandou recaísse a penhora sobre bem pessoal do sócio. havendo prova da prática de abuso de direito. Recurso provido. de forma inequívoca. Rel.e uma jurídica. mas como forma mesmo de prevenção geral e especial. A imputação penal às pessoas jurídicas encontra barreiras na suposta incapacidade de praticarem uma ação de relevância penal. juntamente com dois administradores. Não há ofensa ao princípio constitucional de que “nenhuma pena passará da pessoa do condenado.DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE DE PESSOA JURÍDICA . e a culpabilidade da pessoa jurídica. Ministro GILSON DIPP. A culpabilidade. graxas. de alcançar a penhora de bens de sócio da sociedade tem cabimento nos casos de desvio das finalidades sociais. o qual se passou como representante da sociedade em nome de quem celebrou FGV DIREITO RIO 145 . no conceito moderno. pois é incontroversa a existência de duas pessoas distintas: uma física .ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa I. liquidação forçada e desconsideração da pessoa jurídica. A Lei Ambiental previu para as pessoas jurídicas penas autônomas de multas. XI. EMBARGOS DO DEVEDOR . como forma não apenas de punição das condutas lesivas ao meio-ambiente. areia e produtos químicos. A pessoa jurídica só pode ser responsabilizada quando houver intervenção de uma pessoa física. A denúncia oferecida contra a pessoa jurídica de direito privado deve ser acolhida. DJ 13.PENHORA DE BENS PESSOAIS DO SÓCIO. XII. foi denunciada por crime ambiental. VI. a possibilidade de penalização criminal das pessoas jurídicas por danos ao meio-ambiente. 331). desconsiderando a pessoa jurídica da devedora. decorrente de sua atividade lesiva. de ato ilícito ou de excesso de poder. regulamentando preceito constitucional. poderá vir a praticar condutas típicas e.” IX. restritivas de direitos. ser passível de responsabilização penal. tais como. (REsp 564960/SC. IV. resultantes da atividade do estabelecimento comercial. diante de sua legitimidade para figurar no pólo passivo da relação processual-penal. grifamos. de prestação de serviços à comunidade. nos termos do voto do Relator. de serem culpáveis e de sofrerem penalidades.2005 p. óleo.

(B) com excesso de poderes e essa circunstância pode ser oposta a terceiros. d) 3/4 do capital.1ª FASE. Prejuízos causados à sócia oculta reconhecido por sentença judicial. praticou ato de gestão contrariando expressamente decisão tomada em reunião de sócios. (D) prescinde de autorização dos sócios para a prática de atos. cuja ata foi arquivada na Junta Comercial. 42. 125º EXAME DE ORDEM.Na sociedade limitada. PAULO GUSTAVO HORTA . b) 1/4 do capital. Uma das conseqüências dessa distinção é que o administrador nomeado em contrato (A) deve ser sócio. Epaminondas agiu: (A) com excesso de poderes. Questões de ConCurso 29º EXAME DE ORDEM. se o contrato permitir administradores não sócios. SEÇÃO SÃO PAULO. Na íntegra do acórdão há menção à teoria ultra vires. FGV DIREITO RIO 146 . DIREITO COMERCIAL.QUINTA CAMARA CIVEL.PROVA 1ª FASE . PROVA OBJETIVA . mas seu ato é considerado válido e eficaz. mas responde perante os sócios por eventuais prejuízos.VERSÃO 1.Julgamento: 12/08/2003 . (C) depende de quorum de nomeação diferenciado. (B) tem poderes irrevogáveis. (2003. (D) no regular exercício de suas atribuições. no mínimo: a) 2/3 do capital.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa contrato de constituição de sociedade em conta de Participação. TJ/RJ). 123º EXAME DE ORDEM.14192 . Epaminondas é administrador não sócio de sociedade limitada. 38 .001. recebeu dinheiro para quitar dívida da sociedade e depositou o cheque em favor de outra sociedade da qual ele e sua mulher eram os únicos sócios. O administrador das sociedades limitadas pode ser nomeado no contrato social ou por ato separado.TIPO 1. já estando integralizado o capital social. regida subsidiariamente pelas regras da sociedade simples. Questões outras que podem ser examinadas em qualquer tempo ou que se ressentem da produção de prova idônea Ausência do dolo processual autorizador da aplicação da pena por litigância de má fé e. Recurso provido parcialmente. c) 1/2 do capital.DES. SEÇÃO SÃO PAULO . a designação deles dependerá da aprovação dos sócios que representem. Nessa qualidade. (C) no regular exercício de suas atribuições e seu ato é considerado válido e eficaz.DIREITO COMERCIAL. SEÇÃO DO RIO DE JANEIRO . grifamos obs. DIREITO COMERCIAL. 44. arbitramento dos honorários de advogado. PROVA OBJETIVA .APELACAO CIVEL .

Assinale a alternativa CORRETA a) Na sociedade em conta de participação. C) Somente pessoa natural pode administrar a sociedade limitada.Exame de Ordem . na sociedade limitada. A) Não há impedimento à nomeação de não sócio como administrador. entretanto. sob pena de ineficácia do ato em relação à sociedade. A propósito dessa situação. DIREITO COMERCIAL. o sócio ostensivo responde perante terceiros. (B) é permitida a administração da empresa por não-sócios. c) Na sociedade limitada.Outubro/2007 33º Exame de Ordem RJ 90ª Questão: Considere que um advogado seja consultado sobre a possibilidade de uma sociedade limitada formada por dois sócios.Abril/2007 32º Exame de Ordem RJ 83ª Questão: De acordo com a teoria dos atos ultra vires. b) Na sociedade limitada cujo capital esteja totalmente integralizado. não podendo haver divisão para fins de transferência. b) a sociedade somente pode praticar atos que estejam expressa ou implicitamente compreendidos no seu objeto. FGV DIREITO RIO 147 . assinale a opção que apresenta uma resposta correta à referida consulta. Prova OAB/RJ . sendo proibido figurar o nome de um ou mais sócios. Com base na legislação vigente que trata das Sociedades Limitadas. ser administrada por pessoa jurídica não sócia. TIPO 1. nas relações com terceiros. responde solidariamente com este pelas obrigações em que intervier. nenhuma responsabilidade possuem os sócios que adotarem deliberação contrária ao contrato social. 91. PROVA DE SELEÇÃO. (C) é permitida a contribuição de sócios por meio de prestação de serviços. é sempre indivisível. é correto afirmar que: (A) a administração da empresa somente pode ser exercida por um dos sócios.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa 178º CONCURSO DE INGRESSO NA MAGISTRATURA DO ESTADO DE SÃO PAULO (2006). B) A nomeação de administrador pessoa jurídica só é válida se a mesma for sócio. a administração da sociedade somente pode ser exercida por sócio e mediante designação no contrato social. (D) a denominação social deve designar o propósito da sociedade. Prova OAB/RJ . PROVA PREAMBULAR – 07/05/2006. CONCURSO PúBLICO PARA PROVIMENTO DE CARGOS DE JUIZ SUBSTITUTO DO ESTADO DO PARANÁ. 36. com partes iguais no capital. d) A quota social. um deles pessoa natural e o outro pessoa jurídica.Exame de Ordem . inclusive pessoa jurídica. mesmo que o contrato social não disponha sobre o assunto. se o sócio participante tomar parte com o sócio ostensivo. D) A administração pode ser exercida por pessoa jurídica desde que a mesma não seja sócio. desde que estabelecida no contrato social. a) os atos praticados pelo administrador com excesso de poderes são sempre imputáveis à sociedade.

b) a responsabilidade de sócios-gerentes das sociedades limitadas não poderá ser solidária com a sociedade. o das S/A. IX CONCURSO PúBLICO PARA PROVIMENTO DE CARGOS DE JUIZ FEDERAL SUBSTITUTO NA 2ª REGIÃO. DIREITO COMERCIAL. é correta a assertiva sobre as Sociedades Limitadas: a) a teoria do ato ultra vires. c) é defeso aos sócios pactuar no contrato social a dissolução total da sociedade caso esta não atinja patamares mínimos de lucro.ABRIL/2006 80ª Questão: Segundo o Código Civil. d) aos sócios compete definir o regime supletivo da sociedade que será. em seu nome. PROVA OAB/DF . d) a prática de qualquer ato estranho ao objeto depende de aprovação de sócios representando a maioria absoluta do capital social. mas estranho a seu objeto? Por quê? FGV DIREITO RIO 148 . 1ª QUESTÃO: Fica a sociedade limitada validamente vinculada ao negócio praticado por seu administrador.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa c) no silêncio do contrato social. DIREITO EMPRESARIAL. 21ª QUESTÃO Qual o significado dos atos ultra vires na gerência das sociedades? XXXVIII CONCURSO PARA INGRESSO NA MAGISTRATURA DE CARREIRA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO. PROVA PRELIMINAR.EXAME DE ORDEM . o administrador somente pode praticar atos de gestão previamente autorizados pelos sócios. que isenta a pessoa jurídica da responsabilidade por atos praticados em seu nome. atinge as sociedades cujo contrato social é omisso quanto ao regime supletivo. em caso de omissão.

ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa AUlA 18: fORMAS DE ExPURGAR O SóCIO INDESEJADO “Como modo de ser em relação ao outro. não há um estado de tolerância. Renovar/2004. norberto in Elogio da serenidade e outros escritos morais. Renovar/2005. Assim. Uma situação de tolerância existe quando um tolera o outro.. – Liquidação de quotas. Se eu o tolero e você não me tolera. Sérgio Campinho. A tolerância é recíproca: para que exista tolerância é preciso que se esteja ao menos em dois. uma vez organizada a sociedade. Ricardo Negrão. Passa-se o mesmo com o respeito. 267 BOBBIO. Nesta aula discutiremos a leitura do(s) seguinte(s) capítulo(s): – Páginas 331 a 333 (SIMPLES) 374 a 377 (LTDA. – Páginas 38 a 40 e 125 e 126 do Direito Societário. Cito Kant: ‘Todo homem tem o direito de exigir o respeito dos próprios semelhantes e reciprocamente estar obrigado ele próprio a respeitar os demais’. ementário de temas – Exclusão de sócio remisso. No entanto. Tradução de marco aurélio nogueira. 5ª edição. FGV DIREITO RIO 149 . se o indivíduo sereno é tolerante e respeitoso.I. Saraiva: São Paulo/2005.. – Páginas 207 a 221 de O Direito de Empresa à luz do Novo Código Civil. 7ª edição. mas. Saraiva: São Paulo/2004. a serenidade resvala no território da tolerância e do respeito pelas idéias e pelos modos de viver dos outros. – “Justa causa” – Procedimento extrajudicial de exclusão do sócio. deixando de pertencer ao sócio para se incorporar o patrimônio da sociedade. 42-43. A tolerância nasce de um acordo e dura enquanto dura o acordo. unesp/2002. A serenidade é um dom sem limites preestabelecidos e obrigatórios”267. 9ª edição. vol.II. ao contrário. O sereno não pede. prepotência. Aprendemos que o capital social é dividido em quotas ou ações e sua formação consiste no somatório das contribuições que cada sócio realiza (integraliza) ou promete realizar (subscreve). – Exclusão de Pleno Direito. – Procedimento judicial de exclusão do sócio. o dinheiro e/ou bens que cada sócio se obrigou a entregar para a constituição do capital social se transmite. Fabio Ulhoa Coelho. José Edwaldo Tavares Borba. p. não é apenas isto.) do Manual de Direito Comercial e de Empresa. Leitura CompLementar – Páginas 415 a 419 (expulsão do sócio) do Curso de Direito Comercial vol. não pretende qualquer reciprocidade: a serenidade é uma disposição em relação aos outros que não precisa ser correspondida para se revelar em toda a sua dimensão.

273 Enunciado 62 (cjF): com a exclusão do sócio remisso. ou. sendo assim. art. em regra. pág. conforme dispõe o art. Mediante uma Ação de Integralização de Capital a sociedade poderá “cobrar” o sócio remisso. que é contribuir para o capital social. não afetando o contrato entre os demais. sérgio in O Direito de Empresa à luz do novo código civil. cujo título executivo é o contrato social. Nesse sentido. No caso de quebra da affectio societatis. 272 campInHO. saraiva. afigurando-se. também. que pura e simplesmente não integraliza suas quotas. in Ensaios e pareceres. estará constituído legalmente em mora. que já constava do Decreto nº 3. expulsando um ou mais de seus membros. como um dos mais importantes pilares de todas as sociedades..ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa roteiro de auLa É notório que as relações entre os sócios nem sempre transcorrem de forma tranqüila.004)272. se caracteriza pela “reunião das partes e a comunhão de escopo que caracterizam a sociedade”274. n. A denominada Ação de Integralização de Capital nada mais é do que uma ação de execução. Mesmo no caso de expulsão do sócio remisso. em qualquer das hipóteses. além disso. com efeito. pagando ao proprietário primitivo as entradas por ele realizadas. risco financeiro ao desenvolvimento da empresa271.affectio societatis. comum os desentendimentos. 268 269 270 271 art.085 do código civil. deduzindo os juros da mora e mais prestações estabelecidas no contrato e as despesas.708/1919268. poderão os outros sócios tomar a si as quotas anuladas ou transferi-las a estranhos. seus herdeiros ou sucessores a soma devida pelas suas quotas ou preferindo a sua exclusão. sendo. mas sim sócio da sociedade. deve corroborar-se à justa causa.030 do código civil. pág. sendo impossível cobrar amigavelmente do sócio. a presença de um sócio remisso . a interpretação do Supremo Tribunal Federal e do Superior Tribunal de Justiça não admite que o sócio. ao final). realizado na data da exclusão. respeito à disciplina da sua nulidade ou art. Os outros sócios não serão autores porque estão ligados à sociedade e não entre si (a natureza do ato constitutivo da sociedade é de contrato plurilateral). a plurilateralidade do contrato de sociedade levará a resolução somente em relação ao sócio inadimplente. ao contrário. incidindo em violação grave ao dever primordial do sócio. indispensável a colaboração entre todos os sócios . Transcorrido o prazo. devendo responder perante a sociedade pelo dano dela decorrente” (artigo 1. e conseqüentemente para a formação da base patrimonial da sociedade. que. como ensinou Tullio Ascarelli. O sócio inadimplente “estará sujeito a notificação premonitória da sociedade. tanto por via contratual: quando colocarem “em risco a continuidade da empresa. como uma das hipóteses em que se admitirá a exclusão do sócio. esses últimos. que exista cláusula contratual dispondo sobre “justa causa” (vide Jurisprudência. que pode restar comprometida quando um dos sócios torna-se remisso. figurando – a própria sociedade. É o que ensina Tullio Ascarelli: “A peculiaridade de maior relevo do contrato plurilateral diz. por incapacidade superveniente270”. 274 FGV DIREITO RIO 150 . Neste sentido. são paulo/1952. É necessário.a. O conceito de “justa causa” no âmbito do Direito Societário surge com a natureza do contrato social (plurilateral). o Código Civil manteve a única previsão de exclusão de sócio. deve-se dar com base em balanço especial. gerando. como preceituado pelos tribunais. 1. têm no capital desta a principal (e muitas vezes única) garantia. 5ª edição. que.058. em virtude de atos de inegável gravidade”269. 289 do código comercial poderão os outros sócios preferir a exclusão do sócio remisso. como por via judicial: quando praticarem “falta grave no cumprimento de suas obrigações. 1. com concessão do prazo de trinta dias para adimplir suas obrigações. Em qualquer caso do art. os terceiros que negociam com a sociedade. 1. O Código Civil faculta à sociedade optar pela transferência das quotas do sócio remisso para os sócios restantes ou para terceiros. Lembre-se de que ninguém é sócio de ninguém.97. a lei criou instrumentos jurídicos que permitem a sociedade continuar sua atividade. e inovou ao permitir a possibilidade de um ou mais sócios serem excluídos pela maioria (mais da metade do capital social).aquele que subscreveu quotas e não integralizou dentro do prazo pactuado. subscrito por duas testemunhas. após algumas deduções. seja expulso. obriga-se a restituir os valores que o sócio excluído tiver integralizado273. Atento a esta situação. ponha em risco o desenvolvimento da empresa e sua função social.168. Temos então. ainda. por intuito pessoal. a forma de reembolso das suas quotas. 7º. assim. Renovar/2005. no pólo ativo da ação.

quando o assunto for a deliberação sobre a sua exclusão. conforme previsto no art. Miguel Reale (autor do Código Civil). sem as garantias. o estado de prepotência.030 do Código Civil. surge. uma vez que depende de deliberação por sócios que representem mais da metade do capital social. conforme argumentou o Dr. sob o título “Da resolução da sociedade em relação a sócios minoritários”.cit. mas apenas para dissolução (parcial) da sociedade”. A exclusão de sócio majoritário somente poderá se dar de forma judicial e atendendo aos requisitos do artigo 1. n. a justa causa. procedimento judicial de exclusão do sócio A possibilidade de exclusão de sócio pela via judicial. bastando citar a previsão de realização de reunião só para tal deliberação. b) ato de inegável gravidade que esteja colocando em risco a continuidade da empresa. 1. será mais uma fonte de perpetração de disputas. deixando patente que somente em relação ao minoritário a exclusão pode se dar de forma extrajudicial.085 acarretará em empecilho a sua efetivação.cit.085 do Código Civil permite a exclusão extrajudicial de sócio caso estejam presentes os seguintes requisitos: a) deliberação por sócios que representem mais da metade do capital social. Assim. Reportando-nos a nota de abertura dessa aula – texto de Roberto Bobbio. quando o estado de tolerância deixa de estar presente. já traçada pela jurisprudência. pág. as seguranças e fatores inibidores que o processo judicial assegura àquele que deseja exercer o seu direito de defesa278”.085 está inserido na seção VII. 1. Sérgio Campinho critica a necessidade de convocação de reunião ou assembléia com a presença do excluído a fim de garantir-lhe o direito ao devido processo legal e ao contraditório.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa anulação que pode respeitar a adesão de uma entre as partes não afetando o contrato no seu conjunto”. dispõe que: “a quebra do “affectio societatis” não é causa para a exclusão do sócio minoritário. acarretando o desajuste que gera o conflito e configura. No mesmo sentido. como veremos a seguir. ciente o acusado em tempo hábil para permitir o comparecimento e exercício do direito de defesa”. é uma forma de proteger os sócios minoritários de eventuais desmandos dos sócios majoritários e está prevista no art. entre os sócios.275 O novo Código Civil chancelou em seu texto a previsão jurisprudencial da “justa causa” como quebra da affectio societatis276. 1. aprovado na I jornada de Direito civil. O Enunciado nº 67. não tendo o majoritário. 275 276 Op. que dispõe sobre a exclusão ser “deliberada em reunião ou assembléia especialmente convocada para esse fim. promovida pelo centro de Estudos judiciários do cjF em 2002. com prazo razoável para a defesa do sócio “acusado”. Todavia. da “justa causa” para exclusão de sócio.030 do Código Civil.a. o mecanismo previsto no parágrafo único do art. o direito de votar. Explica o autor. A exclusão extrajudicial por justa causa somente pode se dar para sócios minoritários. Ao revés. FGV DIREITO RIO 151 . basta haver previsão de exclusão por justa causa no contrato social para que a exclusão possa ser tomada extrajudicialmente277. O procedimento para a exclusão extrajudicial está previsto no parágrafo único daquele artigo.168. 277 278 Op. com vasta experiência em atuações judiciais e extrajudiciais em contendas societárias que “a realização de assembléia ou reunião em nada contribuirá para o aprimoramento do instituto da exclusão. Apesar do novo Código Civil ter contemplado a previsão. procedimento extrajudicial de exclusão do sócio O artigo 1. portanto. o art. c) previsão no contrato social permitindo a exclusão extrajudicial por justa causa. o Prof. Poderia ser argumentado que se trata da maioria do capital votante.085.208. estimulando o enfrentamento dos querelantes. pág. 1.

sendo a liquidação das quotas do sócio em questão284. A outra hipótese para a propositura da Ação de Exclusão. A incapacidade superveniente pode se dar com a interdição de sócio280 e também com o fato do sócio.031 do Código Civil dispõe que a liquidação se fará. retirada motivada ou imotivada. nos termos do art. III). Em qualquer dessas hipóteses. Este sócio será alcançado pela incapacidade superveniente. ou seja.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa O termo “falta grave”. art. pois assim se afere a disposição de poderes entre os sócios. É o caso de uma sociedade de médicos. se opera independente da vontade dos sócios283. morte. é a incapacidade superveniente do sócio.772 do código civil prescreve: “pronunciada a interdição das pessoas a que se referem os incisos III e IV do art. Quando a realização do objeto social depender de determinada condição pessoal do sócio (ou sócios) e ele não puder mais realizá-la. 280 Os destituídos do necessário discernimento para a prática de atos da vida civil. pois é impositiva. 281 art. não colaborar mais com os outros sócios na realização da empresa. como também o será o sócio não empresário. por tratar-se de exclusão determinada por sentença judicial. 1. 1.030. exclusão de pleno direito Será excluído de pleno direito da sociedade o sócio empresário (pessoa jurídica) que tiver sua falência decretada281. seja por exclusão. 5º. e não pelos próprios sócios. segundo o estado ou o desenvolvimento mental do interdito.030. A ação é de conhecimento e tramitará pelo rito ordinário. referido no artigo. A propositura da Ação de Exclusão será objeto de deliberação. são absolutamente incapazes (art. o inadimplemento das obrigações assumidas no contrato plurilateral de sociedade. faz-se necessário liquidar o valor de sua quota (ou quotas). 1. primeira parte do parágrafo único do código civil.a. 3º). XXII. a regra geral do citado artigo será 279 n. como o fundamento para a exclusão de pleno direito é a proteção dos interesses de terceiros. com caráter pessoal. O artigo 1. a ensejar a quebra da affectio societatis. pessoa natural ou jurídica (sociedade simples. justificando. II da Constituição da República. e 170. como vimos anteriormente. a sociedade não pode deixar de efetivá-la. que poderão circunscrever-se às restrições constantes do art. como resultado da formação da massa falida ou massa insolvente. assim como os que não podem exprimir sua vontade.031 do código civil. os limites da curatela. 1. 282 n. por razões alheias a sua vontade. o que configura. o pedido de exclusão deverá ser formulado por aquele ou aqueles que detenham. FGV DIREITO RIO 152 . 283 284 art.030 do Código Civil. a exclusão com base na “justa causa”. 1. segunda parte do parágrafo único do código civil. 1. O art.767. Liquidação de quotas Com a retirada do sócio da sociedade. que tem um de seus membros impedido de continuar exercendo a medicina em virtude da cassação de sua licença. podendo ser expulso da sociedade. entende-se ocorrida a exclusão por incapacidade superveniente. Assim. esta medida aplica-se inclusive ao majoritário. sob pena de configuração de voto conflitante). afeta-se à condição de sócio o direito patrimonial disposto no art.782”. assim. cooperativa e outras) que tenha sido declarada insolvente282. 1. No silêncio do contrato. conforme o decreto de interdição (art. seguindo os parâmetros previstos no contrato social. portanto. Esse tipo de exclusão ocorre de pleno direito. como pode parecer. sendo excluído o percentual correspondente ao sócio que se pretende excluir (ele não participa da votação. onde a atuação pessoal do sócio é imprescindível para a realização do objeto social. e não por cabeça. tendo a sociedade como autora e o sócio que se pretende excluir como réu. Essa possibilidade legal deve ser interpretada restritivamente e só será aplicável à sociedade com características “de pessoas”. no mínimo. sendo necessária a concordância da maioria absoluta dos sócios. o juiz assinará. 6% do capital social. pode ser considerado como sinônimo de “ato de inegável gravidade”. computados pela participação no capital social. a incapacidade dos demais pode ser absoluta ou relativa.a. se o sócio que se pretende excluir detém 90% do capital social279. 9º. processadas no juízo da execução coletiva (falência).

O pagamento dos haveres poderá ser parcelado. havendo a respectiva distribuição de quotas entre os sócios ou.a. dentro de um prazo que atenda ao critério da razoabilidade285. a praxe. Enfim. a exclusão ou a retirada de um dos sócios poderá acarretar na redução do capital social. indicando. ele brigou dentro da loja com um fornecedor e quando o sócio Bernardo chegou para separá-los. tendo por base a situação patrimonial da sociedade.: a marca. Como não existe cláusula contratual referente à administração da sociedade. sempre administrou a sociedade. Lembrando que esta disposição deve garantir ao sócio excluído (ou retirante) o recebimento de justo valor pelas suas quotas. Christiano. devendo ser pago o valor referente às quotas. Caso gerador Christiano. foi xingado e recebeu alguns socos de Christiano. Luciana. como. cada um. por exemplo. a forma como desejam que se proceda a liquidação das quotas sociais. os demais sócios vêm percebendo uma alteração no comportamento de Christiano. Diante da flexibilidade disposta no art.ex. que o prazo de 12 meses é um prazo razoável. todas essas notas continham a assinatura de Christiano e o número do cheque emitido para pagá-las (frise-se que os cheques eram da conta corrente da sociedade). Estranhamente. ainda. com destino o patrimônio da sociedade. verificada em balanço especialmente levantado.031. Recentemente. ele poderia participar desta reunião? d) Optando pela expulsão de Christiano. excluindo-se o valor da quota liquidada. Em outras palavras: a apuração dos haveres se fará com base em valores reais. porém indicando produtos que jamais foram vendidos por ela. buscar um terceiro (s) para ingressar como sócio (s). Ao fazer uma limpeza nas gavetas do escritório da loja. sozinho? b) A expulsão de Christiano é juridicamente possível? c) Os sócios pretendem se reunir para tomar alguma atitude em face de Christiano. tem o dever de votar na reunião de deliberação específica para a sua exclusão? e) Existe algum valor a ser recebido pelo sócio excluído? Terá alguma diferença se esse sócio não tiver subscrito as suas quotas? f ) O contrato social poderá dispor qual será a forma de reembolso das quotas daquele sócio? Poderá ser por meio de um parcelamento em 50 meses? 285 n. a data da resolução. portanto. sendo certo que as regras contábeis não contemplam diversos itens de extrema validade. FGV DIREITO RIO 153 . Contudo. porém não seria razoável um parcelamento de 50 anos. Pergunta-se: a) Christiano poderia administrar a sociedade. sob pena de enriquecimento ilícito dos demais sócios mediante o confisco indireto da propriedade do sócio excluído (ou retirante). e não apenas em valores contábeis. muito menos indicando o administrador. o know-how. sozinho. não pode o contrato estipular que a apuração dos haveres se dará com base no último balanço contábil aprovado. p. os sócios devem estipular no contrato social. recursos humanos etc. Bernardo e Gabriel são sócios de uma sociedade limitada que tem como objeto a venda de quadros e espelhos. ou seu valor poderá ser complementado pelos sócios que permanecerem na sociedade. ele como sócio majoritário. impondo sua condição de sócio majoritário. Christiano é o sócio majoritário com 40% do capital social e o restante dos sócios participa com 20%. Nesse ponto.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa aplicada e a liquidação da quota (ou quotas) será no percentual que tiver sido efetivamente integralizada. Luciana encontrou algumas notas fiscais emitidas em nome da sociedade. 1.

não agride nenhum dispositivo de lei federal. 886) . Recurso especial conhecido. TERCEIRA TURMA. que demonstrem no mínimo o desvio da finalidade social. SENTENÇA QUE HOMOLOGA A APURAÇÃO DE HAVERES DETERMINANDO O PAGAMENTO RESPECTIVO EM 90 DIAS. no entanto. Ministro HUMBERTO GOMES DE BARROS. assegurando-se a garantia do contraditório.05.. no caso de sócio retirante ou pré-morto. não padece a dúvida de que é possível a exclusão de sócio independentemente de cláusula contratual. ou ainda por motivo da quebra da affectio societatis.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa JurisprudênCia “Diante da grave providência – exclusão de sócio.2001. Ministro CARLOS ALBERTO MENEZES DIREITO. Esta Terceira Turma tem reiterados precedentes no sentido de que na “dissolução de sociedade de responsabilidade limitada. de outro modo. 200). 1. Com isso. o locupletamento indevido da sociedade ou sócios remanescentes em detrimento dos retirantes” (REsp nº 38. 1. há de fazer-se como de dissolução total se tratasse posto que. NO MÁXIMO. COMERCIAL.2002 p.. É de se ponderar. por deliberação majoritária dos cotistas. pode ficar sujeita ao controle jurisdicional em termos de valoração jurídica. PRECEDENTES. DJ 04. segundo a jurisprudência do STJ. Os interesses econômicos e de natureza moral devem ficar devidamente esclarecidos. a nomeação de liquidante.222-BA. sessão de 13. COM A SAÍDA DOS DISSIDENTES E APURAÇÃO DOS HAVERES. Julga-se improcedente o pedido de dissolução integral e liquidação da sociedade se requerido por sócios minoritários sem razões robustas. fundada em justa causa. publicado na RTJ nº 128. A estes sócios. FGV DIREITO RIO 154 .160/ SP. que a exclusão. IMPROCEDÊNCIA DA PRETENSÃO. ARGUMENTOS QUE CONDUZEM. Relator o Senhor Ministro Waldemar Zveiter.04. grifamos AÇÃO ORDINÁRIA DE DISSOLUÇÃO PARCIAL DE SOCIEDADE. grifamos DISSOLUÇÃO PARCIAL DE SOCIEDADE POR QUOTAS.2006 p. desde que haja justa causa para o ato.02.10. para o resguardo de eventual injustiça é que se admite a ação anulatória da deliberação tomada pela sociedade e a reparação a que fará jus o excluído.2006. que deve ser medido com justiça. Rel. diante das circunstâncias de fato do caso. insatisfeitos com a administração da sociedade. (REsp 315. como medida grave.” (RE 115. DJ 15. DISSOLUÇÃO INTEGRAL E LIQUIDAÇÃO DE SOCIEDADE POR QUOTAS DE RESPONSABILIDADE LIMITADA. NOMEAÇÃO DE LIQUIDANTE. RECURSO ESPECIAL. (RESP 453.423/AL. essa linha de entendimento tem por escopo preservar o quantum devido ao sócio retirante.) por outro lado. evitando-se. para supervisionar e fiscalizar o processo. julgado em 06. com a devida apuração de haveres. 2.(.88. resguardando-se inclusive o direito de defesa do excluído. mas desprovido. Rel. sem a representação legal da sociedade. a apuração de haveres. PEDIDO DE SÓCIOS MINORITÁRIOS. DJ de 13/12/93).grifamos. TERCEIRA TURMA. julgado em 08.12.915/SP. assiste o direito de retirada. pág. 2. 352). À DISSOLUÇÃO PARCIAL.

decorreu da má-gestão administrativa. Beligerância e agressão verbal do réu-sócio que se pretende seja excluído. eis que tal valor já havia sido corrigido pelo perito até maio/2005. Equívoco da sentença quando dispôs que o valor deve ser corrigido a partir de janeiro/2003. quantidade essa que deverá ser atualizada apenas até a data da citação (agosto/2002). Quando presente na sociedade situações que demonstram a atuação do sócio em desacordo com o dever de colaboração a que está submetido affectio societatis . inclusive agilizando e corrigindo.grifamos. Apelantes condenados nos ônus da sucumbência.11911 .manifesta se acha justa causa a autorizar sua exclusão da sociedade. Ação Ordinária visando a exclusão de sócio de sociedade empresarial.01 UFIR’s (fls.Julgamento: 01/02/2006 . portanto.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa Valores alegadamente adiantados pela empresa ao sócio excluído já computados no laudo pericial. Prazo da resposta não esgotado.001. Decisão que se mantém.Julgamento: 19/08/2003 . TJ/RJ).001. (2006. estando de acordo com o Enunciado nº 7 deste Tribunal. (2005. A decisão monocrática não é teratológica ou contrária à prova dos autos. inexistente nas demais espécies contratuais.SEGUNDA CAMARA CIVEL.002.APELACAO CIVEL. sendo certo que a parte das cotas sociais do sócio afastado será judicialmente apurada e não se mostra sob risco. Pedido de parcelamento da quantia devida. para ser mantido o íntegro princípio da preservação da empresa. Omissão do Advogado que resta inerte. Quanto ao pedido de ser determinada a prestação de caução. Revelia. GALDINO SIQUEIRA NETTO Julgamento: 28/06/2006 . este não merece ser acolhido.218 do laudo pericial). não havendo nenhuma disposição contratual neste sentido. Honorários periciais. além do fato de que o apelado não pode ser obrigado a receber seus haveres de forma parcelada. As partes têm dever de proceder com lealdade no processo. sendo certo que o apelado foi beneficiado com a gratuidade de justiça a ela deferida. onde o elemento fundamental é o escopo ou objetivo comum. DES. Provimento do apelo neste particular apenas. mas que no momento da Apelação.06722 . Sentença que julga procedente o pedido de exclusão e determina a apuração de haveres que se confirma. Impossibilidade tendo em vista que a ação foi proposta há quatro anos.APELACAO CIVEL. TJ/RJ) AGRAVO DE INSTRUMENTO. Presunção de veracidade dos fatos alegados pelos autores. MARIA AUGUSTA VAZ . no juízo deprecante. grifamos.43209 .PRIMEIRA CAMARA CIVEL. razão pela qual deve ser homologado o valor equivalente a 429. FGV DIREITO RIO 155 .AGRAVO DE INSTRUMENTO. Juntada de contestação. JDS. mais conhecido como elo de colaboração ativa entre os sócios.945. tendo tido a empresa tempo suficiente para efetuar uma reserva para tal finalidade. CRISTINA TEREZA GAULIA .DECIMA QUINTA CAMARA CIVEL. Documentos comprobatórios trazidos aos autos pelos autores. Elemento indispensável à harmonia entre os sócios. DES. AÇÃO CAUTELAR VISANDO O AFASTAMENTO E EXCLUSÃO DE SÓCIO. Equívoco no endereçamento com ciência do Advogado do Réu. Uma vez inadimplido. Desintegração da affectio societatis. também aqui valendo o interesse social. Má-fé processual. TJ/RJ) . DES. Nos autos há elementos a demonstrar que o afastamento do agravante da gerência administrativa da sociedade. O contrato de sociedade é contrato sinallagmatico plurilaterale. Réu que alega ter juntado contestação e documentos na carta precatória. com a responsabilidade. (2003. Possibilidade de juntar-se a resposta tempestivamente. sponte propria eventuais equívocos cometidos. somente junta a cópia da contestação desacompanhada de qualquer documento. de arcar com tal despesa. estará habilitada a Sociedade a excluir o sócio Inadimplente fundamentada na prevalência do interesse social sobre o individual.

c) é modalidade de exclusão de sócio afastada por expressa disposição do Código Civil de 2002. razão por que não há como considerar a hipótese de destituição do agravante pelo fato de as outras sócias possuírem 2/3 do capital social. no sentido de que a maioria do capital social pode excluir um sócio diante da impossibilidade de conviver com ele. AÇÃO CAUTELAR INOMINADA.001.062 do CC não revoga a disposição do artigo 1. procedida pelo sócio dito remanescente. Julgado em 02/06/2004) . sem justa causa embora. Sentença de procedência.10522 . desde que existem previsão no contrato social de exclusão extrajudicial por justa causa e observado o direito de defesa do sócio cuja exclusão se pretende. não importa em dano moral in re ipsa. (Agravo de Instrumento Nº 70007363153. extinta estava. DES. definida na jurisprudência.EXAME DE ORDEM . MAURICIO CALDAS LOPES . Na Assembléia Geral realizada após a publicação do acórdão referente ao agravo regimental. AGRAVO PROVIDO. b) é matéria sem previsão legal. 45. Provimento parcial do recurso do autor. ao proceder o sócio detentor da maioria do capital social. inexiste sociedade de um sócio só.Julgamento: 17/05/2005 . Ordinária de dissolução de sociedade por cotas de responsabilidade limitada. Seja no direito privado anterior. TJ/RJ). ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL SECÇÃO SÃO PAULO 125º EXAME DE ORDEM . Apuração de haveres em processo formal de liquidação de sociedade (artigo 1.1ª fase. seus haveres sociais serão pagos de acordo com o critério do valor FGV DIREITO RIO 156 . e não havendo previsão contratual a respeito.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa AGRAVO DE INSTRUMENTO. que só admite a exclusão judicial. Relator: Cacildo de Andrade Xavier. seja no atual. Sexta Câmara Cível. grifamos Questões de ConCurso PROVA OAB/MG . depois de não provido o dos réus. Resolvendo-se o vínculo de um sócio com a sociedade empresária de que faz parte.DEZEMBRO/2007 82ª Questão: A exclusão extrajudicial de sócio de sociedade limitada: a) é admitida no Código Civil de 2002. A despedida de sócio.grifamos. de modo que. DESTITUIÇÃO DE SÓCIO SEM JUSTA CAUSA. VII. conforme prevê o contrato social da empresa. d) pode se fazer à revelia do sócio cuja exclusão se pretende.SEGUNDA CAMARA CIVEL. ora agravante. IMPOSSIBILIDADE. à despedida de seu único sócio. DIREITO COMERCIAL. proposta por sócio despedido. Dano moral.218. Tribunal de Justiça do RS. com ou sem justa causa. desde então. O artigo 1.APELACAO CIVEL. (2005.019 do mesmo diploma legal. as sócias não declinam eventual justa causa para a destituição do sócio (gerente). a pessoa jurídica por eles até então formada. do Código de Processo Civil) que não pode se ver substituída por apuração unilateral e particular.

conforme a cotação em bolsa de valores. apurado em balanço especial. FGV DIREITO RIO 157 . Que opções têm os sócios da sociedade limitada em relação ao sócio remisso? (VALOR: UM PONTO E MEIO). (B) econômico de suas quotas à data da resolução.2ª Prova Específica. apurado em perícia judicial. apurado em balanço especial. (D) econômico de suas quotas na data do efetivo pagamento.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa (A) patrimonial de suas quotas na data da resolução. (C) patrimonial de suas quotas na data do efetivo pagamento. XXXIX CONCURSO PARA INGRESSO NA MAGISTRATURA DE CARREIRA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO .

roteiro de auLa Aprendemos que. constitui uma Sociedade de Propósito Específico – SPE.). comandado por samuel zell. Apesar de não ter regulamentação especial no Brasil e não representar um modelo ou tipo de sociedade. para cada empreendimento seu. Tomemos como exemplo a GAFISA288. tornou-se a Gafisa Imobiliária e. sociedade de propósito específico – spe Tem origem em instituto tipicamente norte-americano. em 2004 a Gafisa criou a Diretoria de novos negócios para cuidar exclusivamente de novos. companhia norte-americana líder em investimentos no setor imobiliário na américa Latina e que pertence ao Equity Group Investments (LLc). 287 288 a Gafisa s. ou até mesmo para desenvolver um projeto da controladora. a SPE vem sendo largamente aceita em nosso ordenamento jurídico. a Gafisa oferece aos seus investidores maior transparência e mais segurança e contribui para o aumento da credibilidade do mercado acionário brasileiro. recursos financeiros. estabeleceuse no mercado desenvolvendo mais de 900 empreendimentos. companhia líder brasileira na construção e incorporação de bens imóveis que. adquire direitos e contrai obrigações decorrentes da realização do empreendimento para o qual foi constituída. tecnológicos e industriais.A. a Gafisa recebeu um importante acionista: a Equity International properties (EIp). edifícios comerciais. já faz algum tempo que o caráter intuito personae não domina esse cenário de forma absoluta e.) e 521 a 524 (joint venture) do Direito Societário. uma das empresas líderes no ranking das maiores construtoras e incorporadoras do segmento residencial no Brasil. para cumprir uma simples etapa de um projeto. já marcadas para morrer.P.mz-ir. – Joint Venture. cumprido esse projeto.com. a sociedade limitada era utilizada por pequenas e médias empresas.a. a partir de uma associação com a Gp Investimentos. a partir da realização da oferta pública inicial de ações da companhia. José Edwaldo Tavares Borba. ementário de temas – Sociedade de Propósito Específico – SPE. inclusive. O início de 2006 foi marcado pela entrada da Gafisa no novo mercado de governança corporativa da Bovespa.gafisa. em 1997. na forma de sociedade limitada. Normalmente. historicamente. com mais esse passo. Uma vez constituída de personalidade jurídica. S. que representam cerca de 10 milhões de metros quadrados de área construída. br/InsTITucIOnaL/ FGV DIREITO RIO 158 . Na opinião do prof. José Edwaldo Tavares Borba. a joint venture. flats e shoppings centers. com o objetivo da facilitar a administração de seus negócios.a. podendo. passou a se chamar Gafisa s. sob o nome de Gomes almeida Fernandes.pdf#search=%22gafisa%20protocolo%22. Acessar o documento disponibilizado no site: http://www. Nascem. onde duas ou mais sociedades agregam seus esforços para desenvolver um negócio em conjunto. entre condomínios residenciais de alto luxo. o seu destino é a liquidação. citamos como exemplo as joint ventures. 9ª edição.E. uma SPE nasce para prestar um serviço a sua controladora. com sede em são paulo e operações em outras cidades do país. para executar objetivos específicos e determinados. entre outros. para a estruturação de negócios. a SPE. também têm sido utilizadas para grandes operações.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa AUlA 19: A UtIlIZAÇÃO DA SOCIEDADE lIMItADA COMO EStRAtéGIA SOCIEtáRIA PARA GRANDES OPERAÇõES Nesta aula discutiremos a leitura do seguinte capítulo: – Páginas 517 a 519 (S. – Semelhanças e Diferenças entre a sociedade limitada e a sociedade anônima. tais sociedades. por meio do qual duas ou mais pessoas naturais e/ou jurídicas agregam suas habilidades. a Gafisa foi fundada em 1954 no Rio de janeiro. Porém. Seja de forma isolada ou na participação em “grupos” societários286 ou mesmo em associação com outras sociedades287. na sua maioria de caráter familiar ou restrita a sócios que já se conheciam antes de constituí-la. Renovar: Rio de Janeiro/2004. São nada mais nada 286 citamos como exemplo a sociedade holding..s etc. sob uma das formas societárias previstas no ordenamento pátrio (Ltdas. Fonte: http://www. Decidida a expandir sua área de atuação e se tornar uma companhia nacional. Em 2005.com/gafisa/admin/arquivos/ GAFISA_CVM_PROTOCOLOS_20050627_port. ao final da década de 80. ser acionada em juízo. – Texto: A Joint Venture e a Sociedade de Propósito Específico. normalmente.

informou a Reuters. “há. o processo de associação ou Joint Venture passa pelas seguintes fases: fASES PrEParaçÃo AtIvIDADES . uma combinação de habilidades e competências por parte de seus integrantes. foi tomada no final de 1994 e efetivou-se em março de 1995. portanto. Nas palavras do prof. FGV DIREITO RIO 159 .521. Na época. 9ª edição. a sua competência gerencial. . Volkswagen e Ford anunciaram um acordo que surpreendeu o mercado latino-americano. Há. num somatório de aptidões capaz de conferir à sociedade condições efetivas de êxito”290. para a criação de uma nova entidade que geralmente executa um trabalho que está além do domínio normal das sociedades originais. As duas companhias acertaram. . a fusão de suas unidades de equipamentos para redes de telecomunicações. 9ª edição. e sem qualquer interesse particular capaz de justificá-la como empresa289. A decisão de separar as empresas.Negociação das avaliações e valores envolvidos.disponibilização de uma cópia da Proposta de associação. dissolvendo a AUTOLATINA. o que permitiria que a associação Nokia Siemens Networks começasse a operar no início de 2007. formando a quarta maior empresa do mundo no segmento. ocasião em que os sistemas de informação passaram a ser específicos a cada uma delas. com 60 mil funcionários. elas formaram um gigante teoricamente imbatível no mercado.assessoria na elaboração dos contratos de compra e venda e acordos entre sócios.avaliação de duas ou mais pessoas naturais e/ou jurídicas. José Edwaldo Tavares Borba. pois deviam alcançar resultados e convencer diversos públicos em diferentes países. Joint Venture A formação de uma joint-venture se dá por intermédio de um acordo de associação entre duas ou mais sociedades.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa menos do que uma sociedade-escrava. a AUTOLATINA. próprio e típico dos novos negócios. . Normalmente. abordaGEM NEGoCIaçÃo EXECuçÃo in Direito societário. em junho.Sugestão da estratégia de associação ou Joint Venture . cada um trazendo o seu know-how específico.busca de sinergias e benefícios que a transação trará para os envolvidos . sem vida própria. um aspecto de risco. a missão não era das mais fáceis. A Nokia informou que a reorganização das atividades de suporte não terá impacto no número de empregados291. pág. pág. A Nokia informou que vai reorganizar sua divisão de suporte a clientes empresariais e transferir dois mil funcionários excedentes para a planejada joint-venture com a alemã Siemens . contábeis e fiscais da operação . detalhes jurídicos.assinatura de um termo de confidencialidade .Preparação da Proposta de associação . Renovar: Rio de janeiro/2004. As duas empresas esperam receber aprovações para a fusão das unidades neste ano. Destacamos alguns exemplos de integração de esforços para a constituição de uma joint venture: Em 1987. o que permite a expansão da atuação de todas. . as empresas informaram que a Nokia contribuiria com 20 mil empregados e a Siemens com o restante para a formação da nova companhia. Renovar: Rio de janeiro/2004.acompanhamento dos elementos negociais. 289 in Direito societário.518.Contato com os potenciais sócios . 290 291 Fonte: Valor Econômico em 05/09/2006. o seu conhecimento de mercado. Desde o começo.assessoria. igualmente. Visando compartilhar custos e potencializar os pontos fortes de cada empresa.apresentação genérica para os novos sócios .

ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa semelhanças e diferenças entre a sociedade limitada e a sociedade anônima Em vista das modificações ocorridas na legislação societária com a entrada em vigor do Código Civil de 2002. No que concerne à responsabilidade do administrador. Nas sociedades anônimas. tanto a sociedade limitada. e os livros e documentos exigidos e de controle são em menor quantidade.078). como a sociedade anônima. uma vez que inexiste a obrigatoriedade de publicação de balanço. inciso III. Do ponto de vista contábil. devem obedecer às normas vigentes. Tanto a sociedade limitada como a sociedade anônima. as duas formas societárias são equivalentes. 1. que vem a ser uma forma de tributação simplificada. com leve vantagem para as sociedades limitadas. da Lei n.º 9. Não pode haver negociação dos valores mobiliários. a sociedade terá nome empresarial seguido da expressão “ltda”. com posterior arquivamento da ata correspondente na Junta Comercial. um grau próximo de complexidade. convocada para este fim ao menos uma vez por ano (art. 176 e parágrafos).317/1996. o que limita a publicidade do nome dos sócios neste registro público. 9º. a operação somente pode ser formalizada por meio de alteração contratual arquivada no órgão competente. quais sejam: a sociedade limitada e a sociedade anônima. apresentam. se faz relevante o estudo comparativo entre os dois principais tipos societários utilizados no Brasil. aberta ou fechada (valores mobiliários de sua emissão não admitidos à negociação no mercado de valores mobiliários). a sociedade será designada por denominação acompanhada das expressões “companhia” ou “sociedade anônima”. Todavia. agilizando a administração da sociedade e reduzindo custos e burocracia. tipos FGV DIREITO RIO 160 . Na sociedade limitada. na primeira. ltDA limitada ao valor do capital social. a admissão ou saída de sócio poder ser feita com a simples transferência no Livro de Transferência de Ações ou na Conta Corrente de Ações. Contudo. As maiores vantagens da sociedade limitada sobre a sociedade anônima estão na desnecessidade da primeira de manter um Conselho Fiscal e possibilidade de dispensa da assembléia se todos os sócios deliberarem por escrito as matérias das reuniões (ou assembléias) anuais de sócio. Uma vantagem da sociedade anônima sobre a sociedade limitada é o fato de. uma das desvantagens da sociedade anônima é a impossibilidade de enquadramento no SIMPLES. Estudo Comparativo ASPECtO limite da responsabilidade dos Sócios denominação S/A limitada ao preço de emissão das ações subscritas ou adquiridas. principalmente quanto à burocracia necessária para sua manutenção. há a obrigatoriedade de publicação dos balanços e demais demonstrações financeiras (art. O art. a mobilização dos sócios nas sociedades anônimas fica facilitada devido a desnecessidade de arquivo em órgão competente das alterações do quadro societário. sem necessidade de alteração contratual. atualmente. Na sociedade limitada. em especial ao engessamento sofrido pela sociedade limitada. veda expressamente a entrada de pessoa jurídica constituída sob a forma de sociedade por ações. a aprovação das demonstrações financeiras é feita em assembléia ou reunião.

por escrito. o livro de “transferência de ações Nominativas”. debêntures e bônus de subscrição e ações. Simples transferência nas ações em livro alteração Contratual arquivada na Junta próprio para isso. o livro de atas das assembléias Gerais. estabelecendo. auditoria nos balanços Não há previsão. e de atas das reuniões de diretoria e o livro de atas e Pareceres do Conselho Fiscal Conselho de administração (acionistas) e diretoria (acionistas ou não) o acionista controlador responde pelos danos causados por atos praticados com abuso de poder assembléia Geral Ingresso de novos sócios Emissão de títulos livros obrigatórios além dos regulares da prática comercial. Violação dos deveres de diligência Menos de 10 sócios .ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa Forma de Constituição registro Entrada e Saída de Sócio Estatuto Junta Comercial Contrato Social. desnecessário FGV DIREITO RIO 161 . Junta Comercial ou rCPJ. sem necessidade de alteração Comercial ou rCPJ. os livros de atas das reuniões do Conselho de administração. salvo para efeito de transferência a entrada pode se dar se não houver oposição de 75% (setenta e cinco por cento) do capital social Não há possibilidade Forma de divisão do Capital Indivisibilidade a ação é indivisível em relação à companhia o estatuto da companhia fechada pode impor limitações à circulação das ações representativas de seu capital. Mínimo de 3 membros. sobre a matéria que seria seu objeto. mais suplentes em igual número. obrigatória apenas nas companhias abertas Não é obrigatório. um direito de preferência para os demais acionistas na aquisição Partes beneficiárias. contratual ações Quotas a quota é indivisível em relação à sociedade. por exemplo. deverá ter o livro de atas da administração. uma ou mais pessoas Não há possibilidade diretoria Conselho de administração Mínimo de 2 acionistas. administração responsabilidade da administração Órgão deliberativo máximo dispensa da assembléia administrador (sócio ou não) o sócio administrador responde da mesma forma. Podem ser dispensadas se todos os sócios decidirem. se houver. mais suplentes em igual número. deverá ter o livro de registro de ações Nominativas. Mínimo de 3 acionistas. Conselho Fiscal Facultativo. obrigatória apenas nas de capital aberto obrigatório (funcionamento permanente ou facultativo). livro de atas e Pareceres do Conselho Fiscal e o livro de atas da assembléia. além dos regulares da prática comercial. quando houver. o livro de Presença dos acionistas.reunião 10 sócios ou mais – assembléia. Mínimo de 3 e máximo de 5 membros.

Trata-se de ação de empreendedor.” O instituto. se alia à empresa ali estabelecida para aproveitar-lhe as habilidades e conhecimentos bem como própria organização já consolidada. numa restrita margem de escolha. pag 344) refere a existência de: a) – joint venture agreement . 1.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa A sociedade limitada poderá apresentar um volume grande de negócios. às vezes pesadamente. que a SPE ou a joint venture será possível levando-se em consideração a pretensão dos sócios que a constituírem. preferiu tratar o tema do consórcio no espaço desta lei. mediante a constituição de uma nova companhia com o objetivo específico de levar avante o empreendimento comum”. industrial ou de comercialização. usualmente. A Joint venture. em que o detentor de tecnologia especial. O legislador. com a ressalva que estas não têm tratamento legal completo no Brasil. b) – joint venture corporation. de lado a lado. em Comentários à Lei de Sociedades Anônimas (vol II. dinheiro. que nomeiam o administrador do consórcio (operator). por exemplo.. em estrutura física. a opção por uma dessas formas societárias. Daí o estudo que se faz do consórcio no capítulo das sociedades por ações. ou seja.. habilidades e conhecimentos com o propósito de FGV DIREITO RIO 162 . Assim. Neste caso. o que impõe critérios subjetivos para decisão. assim como o consórcio de pessoas jurídicas. tem sido definido como a partnership for a single business. apoiados nos dados aqui levantados. embora não necessariamente. por ocasião da discussão e edição da lei 6. conceito que se amplia como “uma modalidade de partnership temporária. o contrato social pode estipular a existência de órgãos administrativos auxiliares. oriundo do direito americano. esforços. A joint venture e a sociedade de propósito específico. desejoso de explorá-la em determinado local. o característico de ambas as espécies é a “especificidade da exploração de determinada atividade de natureza empresarial. ou seja. Segundo o autor. estudo por rubens edmundo requião. no qual se mantém “a autonomia das consorciadas. levado por questão de oportunidade do processo legislativo. O mesmo fenômeno ocorre com a joint venture e a sociedade de propósito específico. como ocorre nos casos mais comuns. de curta duração. O traço da atividade é a cooperação empresária.. de duração limitada. dada a semelhança entre elas. consórcio contratual que se traduz na “conjugação de aptidões e recursos empresariais de duas ou mais sociedades”. Trata-se de uma associação de pessoas que combinam seus bens.998. teXto A Joint Venture e a Sociedade de Propósito Específico.. organizada para a execução de um único e isolado empreendimento lucrativo. Ed Saraiva. mas inibido pelo desconhecimento de peculiaridades do mercado alvo e pela necessidade de investir. não são questões diretamente ligadas ou derivadas das sociedades por ações. Haverá substancial economia de custos e diminuição de riscos com incremento de capacidade operacional. pela qual se objetiva a concentração de esforços combinados com a redução de risco empresarial. além do conselho fiscal. Modesto Carvalhosa. a “conjugação de aptidões e recursos empresariais de duas ou mais sociedades.404/76. O instituto da joint venture é resultado da criatividade empresarial e não encontra tipificação na legislação brasileira. tão complexos quanto aos da sociedade anônima.”. destacando-o na seção que examina a concentração econômica de empresas.

O habitual é pequeno número de interessados. nova ou não. a habilidade. aglutinador. que orienta o comportamento das partes é o talento.”. Os participantes das joint venture serão pessoas jurídicas. os co-ventures realizam uma pluralidade de atos que. Se adotada a técnica da formação de uma nova pessoa jurídica. 1998. deverão que adotar técnicas que equilibrem o exercício do poder dentro da sociedade. não haverá administração especializada. as partes devem defini-lo. acentua que “ao contrário das partnerships. ou por um deles com poderes suficientes para gerir o negócio. então sócias. 225). de qualquer espécie. Admite simples contratos de colaboração. A penetração em mercado desconhecido para uma das partes. A questão é de conveniência comercial ou operacional. qualificado por negócio específico e com prazo determinado quase sempre. Business Law. equilíbrio entre as partes e a administração terá que ser conduzida por ambos os contratantes. No conceito da joint venture sobressai o fato de que nenhum dos participantes terá preponderância sobre o outro. embora funcionalmente vinculados à realização de interesse comum. cit. pois se a um é conveniente explorar determinado mercado usando o domínio que sobre ele tem a outra parte. É visível que a forma da “joint venture” é indefinida. de fornecimento. seja indicando data especial ou a consumação do objeto do contrato. já surge outro fator a condicionar o comportamento das partes. focalizando a modalidade contratual da joint venture. são alguns dos exemplos coletados pela experiência para descrever o campo de ação do instituto. como a sociedade anônima. Ltr. sem confluir em uma atividade diretamente imputável a um sujeito distinto dos contratantes. no mínimo. A administração da joint venture variará em razão da forma adotada. O controle da joint venture tem natureza peculiar. ob. que é a composição do capital social e os reflexos patrimoniais e de poder que dele surgem. o teste de mercado ou de lançamento de um novo produto e o estudo de sua evolução imediata e a reação de consumidores. a começar pela sociedade em conta de participação. a extinção também deverá estar prevista FGV DIREITO RIO 163 . de transferência de tecnologia. as partes. além daqueles acima mencionados. mas nada impede que pessoa física participe de tal tipo de empreendimento. será sempre restrito. o domínio de uma técnica ou habilidade. por exemplo. surge a sociedade de propósito específico. mantém sua própria individualidade econômica e jurídica. para chegar à estruturas mais pesadas. Wilson de Souza Campos Batalha (A nova Lei das S/A. por exemplo. No regime da joint venture contratual haverá. já que o elemento central. em qualquer de suas formas. Na modalidade contratual. Não se deve olvidar que os participantes terão objetivos convergentes. Na modalidade associativa. a realização de trabalho ou obra específico.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa executar uma única operação negocial lucrativa (Len Yong Smith e ou. 4ª Edição. sem limitação do número de sujeitos ativos. pág. Mas para preservar a pureza do instituto. criando sistema de freios e contra pesos por via da distribuição de atribuições administrativas. O objeto da “joint venture”. inclusive as empresas públicas e sociedades de economia mista.p 360).. a esta haverá o interesse que agregar à sua linha de atuação mais uma atividade. sua matriz histórica.. Não é usual. Da última hipótese descrita. que conduz a formação do negócio. Se meramente contratual. O objeto será determinado pelo interesse das partes. mas nada impede a presença de um grupo mais amplo.. Dado característico da joint venture é o prazo determinado. de assistência técnica até a organização de sociedades. pois os consorciados mantêm sua personalidade jurídica e autonomia patrimonial e negocial. apud Modesto Carvalhosa. conclusão a que se chega observando as definições correntes no direito americano. de modo a evitar a preponderância de uma sobre a outra.

As alterações subjetivas. inciso III. ressalvada a sociedade em nome coletivo (na qual se proíbe sócios pessoas jurídicas no regime do Código Civil de 2002 e desde que se admita que a sociedade de propósito específico não possa ser formada por pessoas naturais). procede-se a sua liquidação. Penetrará em qualquer dos modelos de sociedade existentes. A disposição se dirige ao administrador público. O advento do instituto no Brasil ocorreu no ambiente dos contratos públicos. as obrigações das partes devem ser liquidadas. permitindo a operação da sociedade de propósito específico. O legislador exige precisão na designação do objeto. e poderá assumir a condição de companhia aberta. no art. seja na modalidade associativa. A subsidiária integral. A cessão do contrato ou de obrigações dele derivadas. a ser implantado FGV DIREITO RIO 164 . Na hipótese da joint venture institucional. a joint venture não implica em solidariedade dos participantes. 35. A sociedade de propósito específico. 8. No primeiro caso. autorizando-o a permitir a participação na licitação de consórcios de empresas. e não representa um modelo ou tipo de sociedade. atributos e habilidades pessoais das partes. art. afim de que se distanciem da atividade pessoal das partes. no caso. a sua legitimidade para a prática de certos atos. proíbe o arquivamento do ato constitutivo de sociedade em que não conste a “declaração precisa de seu objeto”. Sociedade de propósito específico. formada nos termos do art. portanto. Mas nem sempre é o que ocorre. O Código Civil de 2002. Tal perspectiva deve levar ao segregamento da contabilidade dos atos relativos à joint venture. 1. no modo mais apropriado às expectativas dos sócios. 33. que pouco a pouco vão traçando o perfil do instituto. particular ou público. traduzida pela sociedade de propósito específico.102 e seguintes do Código Civil. completado o período de atuação da sociedade.934/94. 2º estabelece que pode ser objeto da companhia qualquer empresa de fim lucrativo. a capacidade de atuação de seus administradores. em certos casos então. seja na modalidade contratual. no inglês special purpose company ou special purpose consortium. Por ele se definirá a atividade da sociedade. de modo a evitar a necessidade de alterar o contrato social ou estatuto a cada momento em que surgir uma oportunidade de negócio não contemplada expressamente no objeto social. 251 da Lei 6. com o acerto de contas final. não tem regulação especial no Brasil. A Lei nº. O contrato tem natureza intuitu personae. a sub-rogação pessoal não são autorizadas na joint venture. ou na lei das sociedades por ações. A autonomia das partes será completa. O objeto social. 8. que mencionará o objeto da sociedade. a segunda modalidade. como se vê na Lei nº. A Lei nº 6. visto que se trava em razão das qualidades. comprovado mediante compromisso de constituição de consórcio. 997 assinala que a sociedade constitui-se mediante contrato escrito. Para que exista. Surgem em leis esparsas algumas regras. como será o caso de se adotar a forma da sociedade em comandita simples. ao menos no que concerne aos registros. segundo o tipo social adotado. dependerão de consenso das partes. a necessidade de especialização absoluta. é motivo de preocupação do legislador. no caso. determinando o § 2º do mesmo artigo que “O estatuto social definirá o objeto de modo preciso e completo”. por indução da lei. no art.404/76. sendo comum a indicação de atividade genéricas. os limites impostos a estes e aos sócios. encerrada a joint venture. Na falta de previsão legal específica. Surge.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa no ato constitutivo. a solidariedade deverá estar determinada no próprio contrato instituidor.404/76 representa um caminho natural para a especialização do objeto social.666/93. no art. a responsabilidade dos mesmos no caso de transgressão daqueles. geralmente de aplicação restrita. como prevista no art.

dado que os contratos de concessão públicos são muito complexos e celebrados com prazos muito longos. Procedia-se. que regula as concessões de serviços públicos. pode impor um determinado tipo de sociedade além de condições especiais. regulamentou as chamadas “parcerias público privadas”.101 de 9 de fevereiro de 2. “A administração pública evolui para a exigência de constituição de uma sociedade que pudesse nitidamente separar os capitais. no caso das parcerias público privada. operações e contabilidade. no art. ainda. em substituição do consórcio despersonalizado.074/95. O tratamento legal das sociedades de propósito específico em nada difere das situações corriqueiras encontradas na legislação. os recursos e as aptidões. tendo em conta o programa ditado pela referida lei. Existe a possibilidade de emissão de ações “golden share”. conforme o que for previsto no edital e no contrato. XVI. A Lei Nº. 50. uma vez adjudicado o contrato. que regula a recuperação judicial e extra judicial. como ensina Modesto Carvalhosa (op. como um dos meios de recuperação judicial. após o concurso. voltada unicamente para a execução do contrato público celebrado”. FGV DIREITO RIO 165 . O passo seguinte. As regras que regem o relacionamento entre os sócios.005.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa definitivamente se adjudicado o pacto. para celebração deste. com vantagem daquela representar maior estabilidade. a qual autoriza a participação de um consórcio na fase da concorrência. incluí.079. entre a sociedade e seus sócios. adotando contabilidade e demonstrações financeiras padronizadas. concedendo à autoridade o poder de controle sobre as deliberações relativas a certas matérias. que refujam ao tipo padrão do modo associativo. mas se admite que instituições financeiras sob controle estatal eventualmente assumam o controle. de 31 de dezembro de 2. bem como a falência do empresário e da sociedade empresária. no caso de inadimplemento de contrato de financiamento. Tal situação acabou respaldada pela Lei nº. a formação definitiva do consorcio. A Lei nº. 11. os ativos do devedor. cit. O art. devendo obedecer a regras de governança corporativa. Haverá a presença de uma pessoa jurídica especializada. tidas como instrumento necessário à implantação de grandes projetos relativos à infra-estrutura econômica do Brasil. riscos. Além de determinar a constituição da sociedade de propósito específico incumbida de implantar e gerir o objeto da parceria. O agente público. a constituição de sociedade de propósito específico para adjudicar. segregando obrigações. as responsabilidades dos controladores e dos administradores. 9. A transferência do controle de sociedade de propósito específico dependerá de autorização da Administração. com valores mobiliários admitidos a negociação no mercado. foi dado pelo agente público que fazia constar. permite melhor fiscalização por parte do concedente. a lei citada permite que esta sociedade assuma a condição de companhia aberta. a exigência de constituição de empresa especializada. que era levado a registro. no edital do concurso público. em pagamento dos créditos. A administração pública não poderá ser titular da maioria do capital votante da sociedade de propósito específico.004. 9º dessa lei estabelece algumas regras sobre a técnica ora estudada. ou a própria lei que exigir a formação da sociedade de propósito específico. pag 355). seguido da formação da pessoa jurídica no caso de adjudicação. entre a sociedade e terceiros. em evolução natural. patrimônio. no edital. serão as estudadas nas várias modalidades associativas previstas no direito brasileiro para as empresas com finalidade lucrativa. A pessoa jurídica. 11. deixando mais nítida a responsabilidade da empresa concessionária e de seus sócios componentes.

Rj. pós-Graduado em Direito privado pela universidade Federal Fluminense.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa jUAN lUIz SOUzA vAzqUEz promotor de justiça-Rj. professor da pós-Graduação em Direito Empresarial da Fundação Getúlio Vargas. professor de Direito Empresarial da Escola da magistratura do Rio de janeiro. mestrando em Direito Econômico pela universidade cândido mendes . FGV DIREITO RIO 166 .

ORGANIZAÇÃO JURÍDICA DA PEQUENA EMPRESA FICHA TÉCNICA Fundação Getulio Vargas Carlos Ivan Simonsen Leal PRESIDENTE FGV DIREITO RIO Joaquim Falcão DIRETOR Fernando Penteado Sérgio Guerra VICE-DIRETOR DA GRADUAÇÃO VICE-DIRETOR DE PÓS-GRADUAÇÃO Luiz Roberto Ayoub Ronaldo Lemos PROFESSOR COORDENADOR DO PROGRAMA DE CAPACITAÇÃO EM PODER JUDICIÁRIO COORDENADOR CENTRO DE TECNOLOGIA E SOCIEDADE Evandro Menezes De Carvalho COORDENADOR DA GRADUAÇÃO Rogério Barcelos Alves COORDENADOR DE METODOLOGIA E MATERIAL DIDÁTICO Lígia Fabris e Thiago Bottino do Amaral Wania Torres COORDENADORES DO NÚCLEO DE PRÁTICA JURÍDICA COORDENADORA DE SECRETARIA DE GRADUAÇÃO Diogo Pinheiro Milena Brant COORDENADOR DE FINANÇAS COORDENADORA DE MARKETING ESTRATÉGICO E PLANEJAMENTO FGV DIREITO RIO 167 .

Sign up to vote on this title
UsefulNot useful