P. 1
Organização_Jurídica_da_Pequena_Empresa

Organização_Jurídica_da_Pequena_Empresa

5.0

|Views: 442|Likes:
Publicado porCristiano Oliveira

More info:

Published by: Cristiano Oliveira on Aug 16, 2011
Direitos Autorais:Attribution Non-commercial

Availability:

Read on Scribd mobile: iPhone, iPad and Android.
download as PDF, TXT or read online from Scribd
See more
See less

05/19/2015

pdf

text

original

ORGANIZAÇÃO JURÍDICA DA PEQUENA EMPRESA

AUTOR: MÁRCIO GUIMARÃES COLABORAÇÃO: MÁRCIA BARROSO

3ª EDIÇÃO

ROTEIRO DE CURSO 2010.1

Organização jurídica da pequena empresa

Sumário

AUlA 01: SOCIEDADES NãO-PERSONIfICADAS E SOCIEDADES PERSONIfICADAS ..................................................................................3 AUlAS 02, 03 E 04: REUNIãO COm ClIENTE PARA ElAbORAçãO DO CONTRATO SOCIAl .......................................................................23 AUlA 05: INfORmAlIDADE NO SETOR EmPRESARIAl .......................................................................................................................36 AUlAS 06 E 07: mODElOS SOCIETáRIOS DE ATUAçãO EmPRESARIAl PARA A PEqUENA E méDIA EmPRESA ..........................................55 AUlA 08: A OPçãO PElO mODElO SOCIEDADE lImITADA Em CONTRAPONTO AO mODElO SOCIEDADE POR AçõES .................................73 AUlAS 09, 10 E 11: SER SóCIO DE UmA SOCIEDADE lImITADA ...........................................................................................................82 AUlA 12: A ClASSIfICAçãO DA SOCIEDADE lImITADA ......................................................................................................................92 AUlAS 13 E 14: O fINANCIAmENTO DA SOCIEDADE lImITADA ......................................................................................................... 104 AUlA 15: mECANISmOS DE fORmAçãO DA vONTADE SOCIAl E SUA fISCAlIzAçãO .......................................................................... 118 AUlA 16: DIREITO DE RETIRADA. APURAçãO DE hAvERES. bAlANçO DE DETERmINAçãO................................................................. 129 AUlA 17: DIREçãO DAS ATIvIDADES EmPRESARIAIS ...................................................................................................................... 135 AUlA 18: fORmAS DE ExPURgAR O SóCIO INDESEjADO ................................................................................................................. 149 AUlA 19: A UTIlIzAçãO DA SOCIEDADE lImITADA COmO ESTRATégIA SOCIETáRIA PARA gRANDES OPERAçõES ................................ 158

ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa

AUlA 01: SOCIEDADES NÃO-PERSONIfICADAS E SOCIEDADES PERSONIfICADAS

Aprendemos que o Empresário e a Sociedade Empresária estão sujeitos ao registro a cargo das Juntas Comerciais e as Sociedades Simples no Cartório de Registro Civil das Pessoas Jurídicas. O registro “desvincula” a sociedade da pessoa de seus sócios, atribuindolhe personalidade jurídica, além de conferir autenticidade, segurança e validade aos atos jurídicos pertinentes à sociedade, sendo a publicação destes atos elemento essencial para salvaguardar o interesse de terceiros. Nesta aula discutiremos a leitura do(s) seguinte(s) capítulo(s): – ALMEIDA, José Gabriel Assis de. A noção jurídica de empresa. In Revista de Informação Legislativa Revista de informação legislativa, v.36, n.143, p.211-229, jul./set.,1999 (anexo I) – REQUIÃO, Rubens. Curso de Direito Comercial, 1º volume, 26 edição – São Paulo: Saraiva, 2005; Nrsº 29 a 36-. Págs: 49 a 61; – MARTINS, Fran. Curso de Direito Comercial: empresa comercial, empresários individuais, sociedades comerciais, fundo de comércio/ ed.rev. e atual. - Rio de Janeiro, Forense, 2002; Capítulo Primeiro (sub-itens: I a IV). Págs: 1 a 54; – BORBA, José Edwaldo Tavares. Direito Societário – 7º ed. rev. atual. – Rio de Janeiro: Renovar, 2001; Capítulo I. Págs: 1 a 8; – CAMPINHO, Sérgio. O Direito da Empresa à luz do novo Código Civil – 6º edição revista e atualizada conforme a Lei 11.101/05, Rio de Janeiro: Renovar, 2005; Capítulos 1 e 2. Págs: 1 a 29; – NEGRÃO, Ricardo. Manual de Direito Comercial e de Empresa, vol.1. 4º edição. São Paulo: Saraiva, 2005; Capítulos 1 a 4. Págs: 1 a 58.

Leitura CompLementar: – Páginas 142 a 170 (não-personificadas) e 171 a 204 (Simples) e 238 a 256 (Nome Coletivo) e 257 a 281 (Comandita Simples) dos Comentários ao Código Civil Brasileiro. Do Direito de Empresa (arts. 996 a 1.087), vol. IX. Newton Lucca, Rogério Monteiro, J.A. Penalva Santos e Paulo Penalva Santos. Forense: Rio de Janeiro/2005. – RIZZARDO, Arnaldo. Direito de Empresa. 2 ed. Rio de Janeiro: Forense, 2007, capítulo I; – CORREIA, Antônio de Arruda Ferrer. Lições de direito comercial. Coimbra: Universidade de Coimbra, 1973; – CHULIA, Francisco Vicent. Compendio crítico de Derecho Mercantil. Barcelona. Librería Bosch, 1986; – FERREIRA, Waldemar. Tratado de sociedades mercantis. Rio de Janeiro: Editora Nacional de Direito, 1958; – GOWER, L.C.B. and PRETINCE, D. D. Gower´s principles of modern company law. Londres: Sweet & Maxwell, 1992;

1

Lei nº 556/1850.

FGV DIREITO RIO

3

guardados os limites da compatibilidade. • Sociedade em Nome Coletivo. como foi analisado em Teoria Geral da Empresa. à sociedade em comum (art. Tratado de direito comercial brasileiro. A ausência do registro do ato constitutivo tem por efeito. Hoje. roteiro de auLa: O Código Comercial1 era o texto legal que regulamentava as sociedades. X. Se a sociedade tivesse como objeto a prática de “atos de comércio”. Com o advento do Código Civil de 2002. Sociedades em conta de participação Caso: Utilização da Sociedade em Conta de Participação no cenário atual. a sociedade não formalizou seu registro no órgão competente (Registro Público de Empresas Mercantis – Junta Comercial ou Cartório de Registro Civil das Pessoas Jurídicas – RCPJ). Todavia. Paris: Economica. 67. subsidiariamente. Para o exercício do ato simples e o ato de empresa. – BORBa. • Sociedade em Comandita Simples • Sociedade em Comandita por Ações. pois. portanto. ambos do Código Civil de 2002.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa – GUYON. seria uma sociedade comercial. Renovar/2004. conforme veremos a seguir: sociedades não personificadas. 2 vols. apenas a falta de atribuição de personalidade. A pessoa do sócio não se diferencia da personalidade da sociedade. caso contrário. Ademais. O registro no RCPJ ou na JUCERJA – Junta Comercial do Estado do Rio de Janeiro será necessário para que a sociedade adquira personalidade jurídica. não tornando ilícito o contrato de sociedade estabelecido entre as partes que atenda às formalidades legais. josé Edwaldo Tavares Borba in Direito societário. Yves. o registro não terá a finalidade de definir quem será ou não empresário. Droit de affaires.986)”. seria uma sociedade civil. Direito Comercial e Direito Civil foram formalmente unificados e a teoria dos atos de comércio foi revogada. as quais eram divididas em “civis” e “comerciais”. Rio de Janeiro: Freitas Bastos. Carvalho de. a legislação brasileira prevê outras formas legais de sociedades – personificadas e não personificadas. embora possa ser constituída mediante instrumento escrito (ato constitutivo: contrato social). conforme previsão expressa nos artigos 45 e 985. serão aplicáveis. 1945. J. ementário de temas: – – – – – Sociedades Não-Personificadas: • Sociedade em Comum • Sociedade em Conta de Participação Sociedades personificadas: • Sociedade Simples. – MENDONÇA. a terminologia utilizada para classificação de sociedades é: “simples” e “empresária”. Crítica a terminologia adotada pelo Código Civil. 9ª edição. Neste “as normas da sociedade simples. os modelos societários mais utilizados são: Sociedade Limitada e a Sociedade Anônima. 1986. 2 FGV DIREITO RIO 4 . pg.

para os pequenos negócios. mas participam dos resultados obtidos com os negócios realizados pelo sócio ostensivo. de forma proporcional à participação no capital social. podendo adicionar uma expressão de fantasia. Sociedade de pessoas com natureza contratual e que. A partir desse momento. Os artigos 45. na verdade é reconhecida pela doutrina como “contrato de participação” e nem mesmo a inscrição dos atos constitutivos em registro competente lhe conferirá personalidade jurídica (art. os sócios participantes não “aparecem”. Sociedade Simples art. cuja prática não constitua elemento de empresa. devendo o contrato prever a maneira como cada um irá contribuir (dinheiro. podendo o contrato social dispor sobre a subsidiariedade (primeiro alcança-se a sociedade e. todos os sócios respondem solidária e ilimitadamente pelas obrigações sociais (art. perante terceiros.038 FGV DIREITO RIO 5 . 997 a 1. pelo seu caráter não-empresarial.150 do Código Civil estabelecem que a sociedade adquire personalidade jurídica com a inscrição de seus atos constitutivos em registro próprio e na forma da lei. 986 a 990 Sociedade em Conta de Participação art. para atividades sem estrutura organizacional. a figura dos sócios é separada da sociedade que se torna capaz de exercer direitos e assumir obrigações em seu nome. os sócios participantes possuem apenas responsabilidade interna. poderse-ia alcançar o sócio) e os sócios responderão. caso esta não possua bens suficientes para adimplir sua obrigação. caso esta ostente os requisitos para que seja considerada como tal. a atividade prevista no objeto social é exercida apenas pelo sócio ostensivo. perante terceiros. trabalho etc). tem capacidade processual passiva. Sociedades Personificadas Constituída exclusivamente para a atividade não empresária. voltada para o trabalho intelectual.993). que deverá se correlacionar com o seu objeto social. embora seja conhecida como “sociedade”. Por faltar-lhe personalidade jurídica não possui“nome empresarial” (artigo 1. mas não tem ativa. 985 e 1. Eventual ação de interesse da sociedade deverá ser proposta pelos sócios. deve ser inscrita no Cartório de registro Civil das Pessoas Jurídicas-rCPJ. Somente o sócio ostensivo se obriga.162). imóvel. O Código Civil trouxe duas hipóteses de sociedade sem personalidade jurídica: Sociedades Não Personificadas trata-se de hipótese bastante comum. Possui patrimônio especial formado por bens e dívidas da sociedade. 991 a 996 sociedades personificadas. 990) desde logo é preciso assinalar que. sendo uma forma contratual que antecede à inscrição dos atos constitutivos em registro competente. adotará uma “denominação”. em seu próprio nome e sob sua exclusiva responsabilidade. podemos considerar uma sociedade sem registro como sendo empresária.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa sentido. A sociedade é dita personificada quando está legalmente constituída e registrada no órgão competente. Sociedade em Comum2 (antiga: Sociedade Irregular ou de Fato) art. ilimitadamente. passando a ser chamada de pessoa jurídica. a responsabilidade dos sócios é ilimitada.

) e constituída através de um Estatuto7 (e não contrato social). adotará uma “firma social” formada pelo nome de um ou alguns dos sócios. perante terceiros. 1.” mamEDE. a responsabilidade dos sócios é limitada à integralização do capital social.384. trata-se de uma sociedade de pessoas5. devidamente discriminados no contrato social: Comanditados: somente pessoas naturais. diretor ou administrador (que será obrigatoriamente sócio) responderá subsidiária e ilimitadamente pelas obrigações sociais12. 282 a ações11 284 da lei 6.ú. interpretaram o dispositivo entendendo que a sociedade estará criada no momento em que as partes se unirem. Em outras palavras.045 a 1. como o prof. pelas regras das sociedades anônimas”. o administrador será pessoa natural que pode ou não fazer parte do quadro societário. Há instituidores.. portanto. É uma sociedade de capital. FGV DIREITO RIO 6 . Por isso. uma vez não integralizado.. embora de forma subsidiária3. no início da denominação10. serão solidariamente responsáveis6. o capital social é dividido em ações. são paulo/2004. esta última. Comanditários – obrigados apenas pelo valor de suas quotas. obrigatoriamente. o sócio obriga-se a integralizar suas quotas (responsabilidade pessoal). neste caso. originária ou derivadamente. art.. saraiva. Não podem administrar a sociedade nem ter o nome incluído na firma social. evidenciando a vontade de constituir uma sociedade. p. todos os sócios serão solidariamente responsáveis pela integralização de todo o capital social. Sociedade em Comandita Simples art. p.051 a sociedade responde em primeiro plano pelas obrigações assumidas em seu nome.044 os sócios. 1. ela não é sociedade de pessoas. como tal compreendidos aqueles responsáveis pela fundação da companhia. pois se é sociedade como não terá personalidade? Neste sentido.088 e sua atividade. pelo que faltar. Sociedade limitada art. somente o arquivamento acarretará no seu nascimento14. acompanhado da expressão “e companhia”. são paulo/2005. o capital social é dividido em quotas e não pode ser constituído com prestação de serviço. Ricardo in manual de Direito comercial e de Empresa. não adota firma social9 e sim uma denominação composta por qualquer vocábulo ligado a art. um reconhecimento mútuo obrigatório. como o Prof. Com isso.. atlas. lei o capital social divide-se em ações. A expressão “sociedade não personificada” é contraditória. não há mesmo.982. 5 Sociedade em Comandita por art. Em regra.404/76 Crítica à terminologia adotada. a sociedade existiria mesmo sem o arquivamento de seus atos constitutivos (sociedade não personificada). optando por esta. O Código Civil estabelece que a sociedade não personificada é aquela sem personalidade jurídica. perante a sociedade. quando mantêm a titularidade os acionistas presentes no estatuto social (Companhia Fechada). já que essa é a natureza jurídica das sociedades. 1. respondendo os acionistas apenas pelo valor das ações subscritas ou adquiridas (responsabilidade limitada). Poderá adotar estrutura de denominação ou firma. pg. 3 4 a responsabilidade será “ilimitada porque ultrapassa os limites do patrimônio social quando este é insuficiente.”) ou “Companhia” (na forma abreviada: “Cia”). a responsabilidade dos sócios (acionistas) é limitada ao valor das ações subscritas ou adquiridas. responderão os sócio.087 Sociedade anônima Será sempre “empresária” (art.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa Sociedade em art.ú. a personalidade jurídica da sociedade surgiria com a affectio societatis e não com arquivamento. consideram a sociedade limitada um modelo “misto” de sociedade uma vez que em caso de omissão. Sérgio Campinho. não tendo relevância a pessoa de seus sócios8. não respondendo.982. Sua característica principal é a existência de duas categorias de sócios. sempre.052 a 1.089 anônima” (na forma abreviada: “S. 6 7 a elaboração do ato constitutivo da sociedade anônima será através de “uma ata de assembléia na qual se ajustam as normas de seu estatuto social (e não contrato social).) e constituída através de um Estatuto. no qual os acionistas não são sequer nomeados e qualificados.039) e respondem.092 Será sempre “empresária” (art. nEGRãO. muitos autores. responsáveis solidária e ilimitadamente pelas obrigações sociais. via de conseqüência.039 a Nome Coletivo 1. regese pelas normas da sociedade simples e. e acionistas que vão aderindo ao empreendimento. sendo uma forma de garantia para os credores. 1.1. ilimitada e solidariamente pelas obrigações sociais4. que poderão ser negociadas no 6. alguns doutrinadores. porém. perante terceiros. Esgotado o patrimônio da sociedade.090 a 1. nem de capital. nem a definição de direitos e deveres recíprocos.a. Ricardo negrão. que deverá vir acompanhado da expressão “sociedade 1.404/76 mercado (Companhia aberta) ou não.342. Entendemos que não há como identificar uma sociedade que não seja uma pessoa jurídica de direito privado13. a limitação ultrapassa a quota do sócio. pg. supletivamente. são pessoas naturais (art. por obrigações assumidas pela sociedade. solidária em razão de responderem todos os sócios pelo que faltar para total satisfação dos credores sociais”. 1. Gladston in Direito societário: sociedades simples e Empresárias. somente farão parte os nomes dos sócios diretores ou administradores.

143. inclusive. expressamente. 13 14 art. a retirada dos mesmos do organismo social não tem influência sobre esse. a legislação tributária vislumbrou o caminho mais lucrativo para os cofres públicos. 8 9 O nome empresarial poderá ser composto pelo nome do fundador ou de pessoa relevante para a companhia. Mesmo antes do advento do Código Civil de 2002.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa A sociedade de que trata o artigo 986 é a sociedade irregular ou de fato. esquecendo-se. e pode provar-se por todo o gênero de provas admitidas nos contratos comerciais”. 28ª edição. cit. traçando.” – Recurso Especial 168028-SP19. para base de suas operações apenas o patrimônio da sociedade. quanto à personalidade jurídica. 45 e 985 do código civil. tomando assim. Em relação à personalidade jurídica estabelecia que a SCP “não está sujeita às formalidades prescritas para a formação das outras sociedades. ora revogados. FGV DIREITO RIO 7 . maRTIns. 1. “as sociedades anônimas são consideradas sociedades de capital pois vivem em função deste. Apesar de não constar. pois a sociedade se constitui em função do capital. 11 12 Em havendo mais de um diretor ou administrador a responsabilidade será solidária (art. o STJ decidiu que na SCP somente o sócio ostensivo que se obriga perante terceiros por todas as obrigações e operações sociais. no rol previsto no art. arts. Sua equiparação à pessoa jurídica para fins fiscais ocorreu com o Decreto-Lei 2303/8616. sociedades em conta de participação – sCp. além dos sócios de responsabilidade limitada. Os conteúdos e conceitos dos institutos previstos no Código Civil. 10 josé Edwaldo Tavares Borba entende se tratar de sociedade de responsabilidade mista. Forense. regulamentavam a sociedade em conta de participação de uma forma relativamente vaga. 44. 988 estabelece que os bens da Sociedade em Comum gozam de proteção especial.11017 do CTN. do art. Op. dispõe de sócios de responsabilidade ilimitada. cumprida a obrigação principal dos sócios de concorrer com sua parte para o capital. Até o ano de 1986. Os artigos 325 a 32815 do Código Comercial. Mas não podemos falar em “patrimônio da sociedade” porque o patrimônio é inerente à personalidade e como não existe sociedade não há personalidade! O que a sociedade em comum possui é um “patrimônio afetado” (patrimônio de afetação). Vejamos alguns julgados (a íntegra dos acórdãos está disponível ao final – jurisprudência): – Recurso Especial 474404-PR18. 990. o Código Civil regulamenta as relações entre pessoas naturais e jurídicas sob o amparo da Constituição Federal. a SCP não era considerada contribuinte para o FISCO. o STJ decidiu que “não há falar em citação de sociedade em conta de participação que não tem personalidade jurídica e nem existência perante terceiros. O problema é que o Código Civil passou a considerála “sociedade”. porém. Neste sentido. “uma vez que. Decorre esse fato da responsabilidade limitada dos sócios. não contam com garantias subsidiárias por parte dos acionistas. não podendo sofrer alteração pela norma tributária. que são os diretores e administradores”. II do código civil. pois essa inclusão nada mais é que uma homenagem. o modelo de responsabilidade subsidiária para ela. Essa a razão de se dizer que as pessoas dos sócios não são levados em consideração na existência das sociedades anônimas”. Rio de janeiro/2002. sendo que este “patrimônio especial” será atingido pelas dívidas da sociedade. os Tribunais.233. são exatamente aqueles referidos implicitamente pela Carta Maior. sem que isso descaracterize a denominação transformando-a em firma. Esse dispositivo estabelece que a norma tributária “não pode alterar a definição. que diante da omissão dos artigos do Código Comercial. conceitos e formas de direito privado”. que poderá ser alcançado primeiro pelo credor conforme estabelece o art. pg. não merecendo atenção especial a pessoa dos sócios. Os terceiros. o conteúdo e o alcance de institutos. que contratam com a sociedade. em sua maioria. pg. Fran in curso de Direito comercial. que apenas assumem o compromisso de integralizar as importâncias relativas às ações que adquirirem ou subscreverem. para evitar confusão com a sociedade em nome coletivo. o art. Essa responsabilidade nunca pode ser atribuída ao sócio participante. atribuiu-lhe a condição de sujeito passivo da obrigação tributária. Ato contínuo. por outro lado. Este “benefício de ordem” caracteriza o modelo de responsabilidade subsidiária que faculta às partes estabelecer o que deverá ser alcançado primeiro numa eventual execução.091 §1º). já aceitavam a idéia da inexistência da personalidade jurídica das SCP. que sequer é conhecido daqueles com os quais a sociedade contrata. Mas como foi criado um modelo de responsabilidade se a sociedade não existe? Essa é a questão. 110 do CTN que é a norma de integração dos institutos de Direito Privado e Direito Tributário. hoje identificada como “sociedade em comum”.

na forma prevista no contrato (com dinheiro. que a SCP não tem e não pode adquirir personalidade jurídica. trabalhando um. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. os sócios participantes contribuem para a formação de um “patrimônio especial”. além de sua contribuição (normalmente através da prestação de serviços). com os fundos pertencentes a quaisquer das mesmas contas. se valendo dos outros ramos do direito em caso de omissão. então apelante. muito embora não tenha know-how em malharias. posto que abertas sejam debaixo de distintas designações. alguns ou todos. e pode provar-se por todo o gênero de provas admitidas nos contratos comerciais. 15 JurisprudênCia. Durante um jantar de negócios. 327 – na mesma sociedade o sócio-gerente responsabiliza todos os fundos sociais. salvo o direito dos sócios prejudicados contra o sócio-gerente. 328 – no caso de quebrar ou falir o sócio-gerente. esta sociedade não está sujeita às formalidades prescritas para a formação das outras sociedades. que não tem personalidade jurídica. antes da quebra. é lícito ao terceiro com quem houver tratado saldar todas as contas que com ele tiver. A questão restou solucionada com base na assertiva de que o direito tributário pode traçar conceitos próprios. nem existência perante terceiros. na forma do art. sendo ao menos uma comerciante. sem firma social. serão observadas as normas aplicáveis às demais pessoas jurídicas. 326 – na sociedade em conta de participação. imóvel. para lucro comum. alcançando a demanda tal e qual posta pelo autor. para os efeitos da legislação do imposto de renda. Na seara tributária a idéia de considerar a SCP “personificada” permanece. pratica todas as operações oriundas do objeto social. cuja rentabilidade eles acreditam? Como se daria esse procedimento? b) Na hipótese da criação de uma SCP. momentânea ou anônima. a associação toma o nome de sociedade em conta de participação. contratando em seu nome. 17 FGV DIREITO RIO 8 . art. CITAÇÃO DA SOCIEDADE CONSTITUÍDA. 7º do Decreto-Lei 2303/8620. está passando por uma grave crise financeira. e 535 do Código de Processo Civil quando o Acórdão recorrido está amplamente fundamentado. os outros sócios ficam unicamente obrigados para com o mesmo sócio por todos os resultados das transações e obrigações sociais empreendidas nos termos precisos do contrato. tampouco figurar como sócios. acidental. em uma ou mais operações de comércio determinadas. O sócio ostensivo que realiza as operações (obtendo lucro ou prejuízo). assim como na tributação dos lucros apurados e dos distribuídos. não consegue tomar empréstimo junto a instituições financeiras e seus 05 sócios já começam a se desesperar. Não há violação aos artigos 458. Leis Orgânicas do Distrito Federal e dos municípios. ainda que os outros sócios mostrem que esses fundos lhes pertencem. é o sócio ostensivo quem se obriga perante terceiros. se reúnem. assumindo o papel de sujeito passivo das obrigações principais e acessórias. o sócio João é apresentado a um grupo de quatro investidores que tem um grande capital disponível e que está disposto a investi-lo no setor produtivo. 325 – quando duas ou mais pessoas. Como seu principal credor é o FISCO. Não há falar em citação da sociedade em conta de participação. assim. Pergunta-se: a) Como o grupo de investidores poderia investir na malharia. ainda mesmo que seja por obrigações pessoais. mas têm objetivos em comum. em nenhuma circunstância. a SCP é pessoa jurídica para fins tributários e um contrato para o direito empresarial. quem seriam o sócio ostensivo? art. Por exercer com exclusividade a atividade constituída no objeto social. há mais de 20 anos atuando no mercado interno.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa O Código Civil de 2002 estabeleceu. 2. art. DISSOLUÇÃO. ele é o único com legitimidade para adquirir direitos e contrair obrigações. expressamente. trabalho etc) e participam dos resultados. uma vez que não provem que o dito terceiro tinha conhecimento. O sócio ostensivo. da existência da sociedade em conta de participação. na apuração dos resultados dessas sociedades. II. 1. parágrafo único. A hipótese dos investidores tornarem-se sócios da Limitada está totalmente descartada uma vez que eles não querem ser sócios de ninguém. Na SCP. SOCIEDADE EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO. art 7º Equiparam-se a pessoas jurídicas. as sociedades em conta de participação. em seu nome individual para o fim social. Tanto a sociedade limitada quanto os investidores não se “conhecem”. dos Estados. o sócio ostensivo é o único que se obriga para com terceiro. 16 constituições Federal. INDENIZAÇÃO. NOMEAÇÃO DE LIQUIDANTE. art. se o terceiro com quem tratou ignorava a existência da sociedade. Conferiu-lhe uma forma jurídica à disposição de empreendedores para a exploração de atividades cuja obrigação econômica seja de apenas um dos sócios (sócio ostensivo) perante terceiros. Caso gerador: CONFECÇÃO MALHA FINA LTDA.

à pessoa jurídica. Rel. embasada no conjunto probatório encartado nos autos. diante da realidade dos autos.08.10. Rel. a sociedade em conta de participação não era equiparada.06.03. no períodobase de 1981. transferência do resultado que se pretende tributar. voto condutor. 18 (REsp 168. Na sociedade em conta de participação o sócio ostensivo é quem se obriga para com terceiros pelos resultados das transações e das obrigações sociais. 172). Hipótese de exploração de flat em condomínio. – Recurso especial não conhecido. porque ausente recurso da parte interessada.028/sp. QUARTA TURMA. que demonstram a animosidade existente. consignou que “o fisco não logrou demonstrar ter havido efetiva transferência de resultado da sócia ostensiva para a sócia participante. 213). Justifica-se a nomeação.2002. de 1986. DJ 07. (REsp 474. SOCIEDADE EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO. julgado em 07. para fins tributários.2001 p.03. Recurso especial não conhecido. do liquidante.2001 p.10. DJ 22.2002. Ministro CESAR ASFOR ROCHA. 5. 326) 19 neste sentido: REsp 193690/ pR (vide jurisprudência). 2. que o exame dessa inferência obriga esta instância especial a revolver os elementos probatórios insertos nos autos e. julgado em 17.12. (REsp 168. Ministro CARLOS ALBERTO MENEZES DIREITO. DJ 10. exercício de 1982. resta evidente que os argumentos expendidos pela União Federal não possuem a força de abalar os fundamentos do r. (REsp 193690/PR.704/PR. Rel. por conseguinte.12. julgado em 17.2002. SEGUNDA TURMA. Sobreleva notar. não tem consistência o pedido de extinção do processo ao argumento de que teria a sentença considerado o pedido inepto.028/SP. se o tributo em discussão data de 1981. desde logo. aspectos que não podem ser examinados. julgado em 04. SÓCIO OSTENSIVO. constata-se que a Corte ordinária. – No pertinente a ter havido. ou não. nunca o sócio participante ou oculto que nem é conhecido dos terceiros nem com estes nada trata. Ministro FRANCIULLI NETTO. realizadas ou empreendidas em decorrência da sociedade.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa 3. – Ancorados em doutos ensinamentos doutrinários. em razão do contrato social. RESPONSABILIDADE PARA COM TERCEIROS. (REsp 474. 326). seja discutível tanto a dissolução judicial quanto a existência de liquidação e partilha.2003 p. Dj 10. ministro cEsaR asFOR ROcHa.10. 4. 210) – grifamos. Dj 22. TERCEIRA TURMA. Afastando as instâncias ordinárias a indenização por falta de prova. 7 deste Sodalício a qual estabelece que “a pretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial”. Recurso conhecido e provido. afrontar a jurisprudência sedimentada por meio da Súmula n.08. julgado em 07.2001.2002 p.2001. TRIBUTÁRIO – IMPOSTO DE RENDA – SOCIEDADE EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO – AUSÊNCIA DE CAPACIDADE TRIBUTÁRIA PASSIVA À ÉPOCA DA EXIGÊNCIA DO TRIBUTO – ALEGADA TRANSFERÊNCIA DO RESULTADO DA SÓCIA OSTENSIVA PARA A SÓCIA OCULTA – CORTE DE ORIGEM QUE AFIRMA QUE ESSA PARTICULARIDADE NÃO FOI COMPROVADA PELO FISCO – RECURSO ESPECIAL NÃO CONHECIDO. 213) COMERCIAL. Rel. uma vez que até o advento do Decreto-lei n. 20 FGV DIREITO RIO 9 . TERcEIRa TuRma. a sociedade em conta de participação não possuía capacidade tributária passiva. a que alude o auto de infração” (fl. quaRTa TuRma.704/pR. ministro caRLOs aLBERTO mEnEzEs DIREITO. Rel.303. Dessa forma. embora no caso de sociedade em conta de participação.2003 p.

b) as em conta de participação.2008 61ª Questão: Quanto a uma sociedade em comum que explora o ramo da prestação de serviços mecânicos. 1. c) as em comum. julgue o item seguinte. d) É possível sua dissolução judicial. As sociedades não personificadas são: a) as simples. 5 – O que diferencia a sociedade comum das sociedades personificadas.2006 93ª Questão: Assinale a alternativa inteiramente correta. destacando. desde que o sócio requerente comprove a existência da sociedade ainda que por prova oral. 25º EXAME DE ORDEM – SEÇÃO DO RIO DE JANEIRO – 2ª FASE – DIREITO COMERCIAL. e qual a abrangência da responsabilidade dos sócios da sociedade comum em ralação às obrigações sociais.JUIZ . Responda justificadamente. no Cartório de Títulos e Documentos. a aplicação do benefício de ordem. 28º EXAME DE ORDEM – SEÇÃO DO RIO DE JANEIRO – 2ª FASE – DIREITO COMERCIAL. neste caso. PROVA DISCURSIVA. de instrumento celebrado entre os sócios. gozam de benefício de ordem. O Código Civil deu personalidade às sociedades informais.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa Questões de ConCurso PROVA DO CONCURSO PARA JUIZ DO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SERGIPE – Aplicação: 01/02/04. às quais passou a classificar como sociedade comum. No que tange às alterações introduzidas. 67. PROVA DISCURSIVA. assinale a alternativa INCORRETA. b) Está sujeita a falência. FGV DIREITO RIO 10 . 3 – É correta a afirmação de que o registro dos atos constitutivos das sociedades não personificadas no órgão competente produzirá o mesmo efeito em relação a cada uma delas? Responda justificadamente PROVA CONCURSO PúBLICO/3ª REGIÃO . O Código Civil de 2002 alterou parcialmente a estrutura de classificação das sociedades estabelecida no Código Comercial de 1850. apesar de responderem solidária e ilimitadamente pelas obrigações sociais. os demais sócios. d) somente a alternativa “a” está incorreta.JUIZ FEDERAL . a) A sua existência pode ser comprovada pela transcrição. PROVA CONCURSO PúBLICO/MG . c) Com exceção daquele que contratou pela sociedade.

os comerciantes constituíam uma categoria social à parte. 3.1 A modificação das regras do jogo societário.XIX). 3. Ademais.2 A aplicação das novas regras às sociedades. as normas existentes eram escassas. por um lado.e da unirio – universidade federal do estado do rio de Janeiro advogado no rio de Janeiro(brasil) e em Lisboa(portugal) sumário A transição de um direito dos comerciantes para um direito de empresas.universidade do estado do rio de Janeiro. os comerciantes – e as atividades – eram regidos pelo direito comercial. parecei um despropósito permitir que uma pequena mercearia pudesse impetrar concordata. com o surgimento e o desenvolvimento da indústria( principalmente a partir do séc.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa Anexo I apontamentos sobre o regime geraL das soCiedades no brasiL José gabriel assis de almeida doutor em direito pela université panthéon assas – paris ii professor da uerJ.2 Argumentos a favor da não aplicação das novas regras.3.3 A alteração das regras societárias face ao direito adquirido e ao ato jurídico perfeito. 3. A situação da sociedade que não se adaptou ao Código Civil de 2002 a transição de um direito de comerciantes para um direito de empresas O direito comercial surgiu na Idade Média. O direito comercial surgiu assim como um sistema separado do regime normal. a atividade industrial não podia corresponder à definição de ato de comércio. Já a nobreza e o clero – e as suas atividades. No entanto. 3. Argumentos a favor da aplicação das novas regras. nem com o clero e nem com os servos. essencialmente ligadas à exploração da terra – eram regidos pelo direito civil. mas negar o mesmo direito a uma indústria que fabricava vagões para trens. que não se misturava nem com a nobreza. 3. nasceu o problema do enquadramento jurídico desta atividade. a diversidade das normas existentes entre os diferentes feudos era incompatível com a expansão da atividade comercial. era inegável que a atividade industrial tinha – e tem – similitudes com a atividade comercial. Para tanto. 3.3.4. mas sim a transformação dos produtos. Com efeito. em razão da necessidade dos comerciantes criarem um sistema normativo que atendesse às necessidades das suas atividades.3. 2. FGV DIREITO RIO 11 . pois não havia uma preocupação dos titulares dos poderes(senhores feudais e clero) em sistematizar a regulamentação da atividade comercial. A adaptação das sociedades à transição normativa. A unificação dos regimes das sociedades. Seriam as atividades industriais atividades comerciais? A resposta era negativa. pois na atividade industrial não está presente a intermediação. Com efeito. Assim. além de díspares. Cabe esclarecer que esta dicotomia correspondia também a uma dicotomia social e até política. aplicável às relações jurídicas em geral. Assim. Por outro lado. 3.

O direito brasileiro. Nesse sentido. principalmente a partir da segunda metade do séc. de 1807. era quem delineava os contornos dos atos de comércio. normas de enquadramento da atividade econômica que não levavam em consideração a distinção entre a atividade comercial e a não comercial. nas ciências econômicas. de 1943. de forma cada vez mais freqüente. uma feição objetiva. ou seja. que até hoje regulamenta a maioria das relações trabalhistas de emprego no Brasil define. ao definir o fornecedor do produto ou serviço já não faz qualquer distinção em razão do caráter FGV DIREITO RIO 12 . mesmo não matriculado. definindo o âmbito de aplicação do direito comercial sob o ponto de vista subjetivo. Deste modo. no art. fazia a distinção entre o direito comercial e o direito civil. Com efeito.2. sob o ponto de vista do comerciante”. definido no art. atualmente. que – na linha da abolição dos privilégios e tendo criado a liberdade de indústria e comércio – assentava o direito comercial no ato de comércio. uma parte importante da atividade econômica consiste na prestação de serviços que. que passou a ser mera presunção de comercialidade. tanto as atividades comerciais. Assim. mas sim do exercício da atividade comercial. afastou por completo o caráter constitutivo da matrícula. não há qualquer menção à qualidade comercial ou civil do empregador. Apesar de revogado no final do séc. assim.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa A inadequação da dicotomia entre o direito comercial e o direito civil ficou ainda mais evidente com o crescimento do setor dos serviços no decorrer do séc. O Código Comercial de 1850 não definia o ato de comércio. Assim.XX. a Consolidação das Leis do Trabalho. enquadram-se mal na definição de atividade comercial. Esta unificação legislativa do regime jurídico das diferentes atividades acentou-se em épocas mais recentes. o regulamento 737. sendo apenas relevante que o mesmo exerça atividade econômica”. Com a aceleração do progresso econômico e o desenvolvimento econômico surgiu. matriculado em um dos tribunais do Império. Por exemplo. tradicionalmente. o Brasil passou a conhecer o mesmo fenômeno de ruptura da dicotomia entre direito comercial e direito civil. pudesse falir. também de 1850. salvo os de corretagem. o direito empresarial. que. a noção de atividade comercial. desde 1850. por exemplo. fazia da mercancia a sua profissão habitual.Lei 8078/90-. como as atividades civis de caráter econômico(nomeadamente as atividades industriais e as atividades de prestação de serviços destituídos de caráter de intermediação) passaram a estar submetidas ao mesmo regime. durante muitos e muitos anos. Este código nasceu fundado na figura do comerciante. começaram a aparecer. o Brasil adotou um código comercial que cuidava das relações comerciais.4 “como todo aquele que. atribuindo-lhe. tornou-se inelutável a unificação do regime de todas as atividades econômicas. O Código de Defesa do Consumidor. como a unidade de produção ou circulação de riqueza. isso porque. XIX. Assim. a idéia de empresa. “empregador como a empresa individual ou coletiva. Esta opção ia em sentido contrário do Código de Comércio francês. assalaria e dirige a prestação pessoal do serviço. o fato de admitir-se que o comerciante. XX. o regulamento 737 continuou a influenciar. A este fenômeno não é estranho o fato de os Tribunais de Império terem sido abolidos e ter-se admitido que a qualidade de comerciante não decorria da matrícula do mesmo. ou seja. através do exercício da atividade de cunho econômico. Ou seja. assumindo os riscos da atividade econômica admite. Com o desenvolvimento e a modernização econômica.

15 da referida lei. o exercício de atividade de natureza econômica: a produção. não sendo comerciantes. de uma forma ou de outra.15. ou seja.15 é claro. exportação. importação. o art. traduziu-se também na unificação do regime das sociedades. sociedade em FGV DIREITO RIO 13 . veio consagrar a unificação do regime jurídico dos agentes econômicos. etc. ao estabelecer que: “Considera-se empresário quem exerce profissionalmente atividade econômica organizada para a produção ou circulação de bens ou de serviços”. Com efeito. a distribuição. a importação. Deste modo. com a consagração a noção de empresário. o alcance da norma é dado pelo art. Para o CDC não é relevante saber se o fornecedor é comerciante ou não. no Brasil existiam dois tipos de sociedade. pública ou privada. a unificação do regime das sociedades Esta unificação do regime das atividades.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa comercial ou não da atividade desenvolvida. no art. No mesmo.15 da Lei 8884/94 – Lei de Defesa da Concorrência: “Esta Lei aplica-se às pessoas físicas ou jurídicas de direito público ou privado. a mesma aplica-se a todos que. E essas infrações decorrem todas do exercício de uma atividade econômica.20 da mesma Lei 8884/94 que define as infrações. nas relações de consumo. Na definição do destinatário a comercialidade é irrelevante. bem como os entes despersonalizados que desenvolvem atividade de produção. Aliás. Portanto. criação. Assim. Portanto. é imprestável para definir a aplicação do direito da concorrência. exercem uma atividade econômica organizada. As sociedades comerciais eram as sociedades dos tipos previstos no Código Comercial de 1850 – sociedade em nome coletivo. mas apenas se o fornecedor coloca um produto ou serviço no mercado de consumo. O fornecedor define-se em virtude do exercício dessa atividade econômica. curiosamente. No Brasil. o art. com a possibilidade das sociedades civis adotarem a forma comercial e com a modificação do regime de registro das sociedades comerciais. a sociedade em comandita simples. O art. esta unificação deu-se. mesmo que exerçam atividade sob o regime de monopólio legal” O art. possam praticar atos restritivos de concorrência. nacional ou estrangeira. mais uma vez. quais sejam: as sociedades comerciais e as sociedades civis. A noção de atividade empresária veio recobrir todas as atividades de caráter econômico. na unificação do regime dos empresários coletivos. ainda que temporariamente. distribuição ou comercialização de produtos ou prestação de serviços” O ponto manifestamente relevante da definição de fornecedor é. O Código Civil de 2002. montagem. para a Lei 8884/94 é irrelevante se o agente é um comerciante ou não comerciante. com ou sem personalidade jurídica. por si só.3 deste diploma legal define o fornecedor da seguinte forma: “Fornecedor é toda pessoa física ou jurídica. transformação. tanto são empresários os comerciantes quanto aqueles que. construção. constituídas de fato ou de direito. A natureza comercial ou não do fornecedor é nitidamente relevante. antes da promulgação do novo Código Civil.966. Na verdade. caput. nos termos do art. comerciantes e não comerciantes estão sujeitos ao mesmo regime. bem como quaisquer associações de entidades de pessoas. tradicionalmente.

ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa

conta de participação, e a sociedade de capital e indústria – a sociedade por quotas de responsabilidade limitada – regida pelo Decreto 3708/19- e as sociedades por ações – sociedade anônima e sociedade em comandita por ações – previstas na Lei 6404/76. As sociedades civis eram as sociedades do tipo previsto no art.1363 e seguintes do Código Civil de 1916. A qualidade comercial ou civil da sociedade era dada em razão da atividade exercida pela sociedade. Dessa forma, se a sociedade era comercial, a sociedade deveria revestir um tipo comercial, ao passo que, se a atividade era não comercial, a sociedade deveria revestir o tipo civil. No entanto, o art.1364 do Código Civil permitia às sociedades civis adotarem um tipo comercial. Desta forma, caso a sociedade civil opta-se por um tipo comercial, a estrutura da sociedade civil passava a reger-se pelas normas de direito comercial, mantendo-se, porém, como sociedades civis no tocante à atividade. As diferentes possibilidades estão representadas no quadro abaixo, vejamos:
Situação 1 Sociedade de tipo civil Exercício de atividade civil Sociedade civil Situação 2 Sociedade de tipo comercial Exercício de atividade civil Sociedade civil Situação 3 Sociedade de tipo comercial Exercício de atividade comercial Sociedade comercial

Deste modo, já a partir de 1916, havia um esbatimento da distinção entre sociedades civis e sociedades comerciais – pelo menos quanto à forma – pois aa sociedades civis podiam adotar um tipo comercial. Esta distinção entre sociedades civis e comerciais atenuou-se mais ainda em 1994. Até 1994, as sociedades civis (seja as da situação 1, seja as da situação 2) tinham os seus atos constitutivos registrados no Registro Civil das Pessoas Jurídicas. Por seu lado, as sociedades comerciais (isto é, as da situação 3) tinham os seus atos constitutivos arquivados na Junta Comercial. Entretanto, a Lei 8934/94, no art.1, determinou que fossem arquivados na Junta Comercial: a) os contratos sociais das sociedades comerciais (situação 3); b) os contratos sociais das sociedades civis, com forma comercial (situação 2). Portanto, as sociedades comerciais, e uma parte das sociedades civis, passaram a estar sujeitas ao mesmo regime de registro. Com a promulgação e a entrada em vigor do novo Código Civil, o regime societário brasileiro ficou profundamente alterado. Aliás, o ano de 2002 trouxe duas grandes novidades: a entrada em vigor da lei 10303/01, que modificou a Lei das Sociedades por Ações e a promulgação do novo Código Civil. Um dos principais pontos desta alteração é a substituição da dicotomia do regime societário entre sociedades comerciais e sociedades civis, pelo regime de: a) associações; b) sociedades simples; c) sociedades empresárias.
FGV DIREITO RIO 14

ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa

A distinção entre cada uma destas categorias é a seguinte: a) a sociedade empresária é a que exerce profissionalmente uma atividade econômica organizada para a produção ou circulação de bens ou serviços (por ex.: o caso de uma sociedade fabricante de automóveis); b) a sociedade simples é a que exerce uma atividade intelectual, de natureza científica, literária ou artística, ainda que haja emprego de auxiliares (por ex.: uma sociedade de profissionais liberais – médicos) c) a associação tem fins não econômicos (por ex.: uma associação recreativa ou cultural). Além desta distinção, cabe assinalar que o novo Código Civil criou as seguintes sociedades:
Regime anterior sociedades Comerciais Sociedade em nome coletivo Sociedade em comandita simples Sociedade em conta de participação Sociedade irregular ou de fato Sociedade por quotas de responsabilidade limitada Sociedade de capital e indústria sociedades Civis sociedade Civil Regime do NCC sociedades empresárias Sociedade em nome coletivo Sociedade em comandita simples Sociedade em conta de particicpação Sociedade em comum Sociedade limitada abolida sociedades não empresárias sociedade simples

Portanto, com o novo Código Civil passa a existir um regime único para as sociedades. Não há mais distinção entre sociedades civis e sociedades comerciais. As sociedades que exercem atividade econômica passam a estar todas submetidas ao mesmo regime. Há, portanto, uma unificação do direito societário brasileiro. Esta unificação é ainda reforçada pelo fato do NCC determinar a regência supletiva das regras sobre as sociedades simples, para todas as demais sociedades. Na verdade, as variações vão ocorrer dentro desse regime único, consoante o tipo de atividade – empresarial ou não empresarial – que será exercido.

a adaptação das sociedades à transição normativa No momento da entrada em vigor do Código Civil de 2002 haviam sido constituídas, no Brasil, entre 1985 e 2001, mais de 3.900.000 (três milhões e novecentos mil) sociedades por quotas de responsabilidade limitadas no Brasil. No mesmo período, haviam sido constituídas cerca de 17.000 (dezessete mil) sociedades anônimas1. Portanto, quando da transição de um quadro normativo para o outro, estava em causa um universo gigantesco de sociedades, sociedades estas com características muito diferentes. Por exemplo, as sociedades limitadas cobrem uma grande variedade de atividades de tamanhos diferentes, desde o pequeno comércio da padaria, da mercadoria, do açougue, do

1 V. site www.dnrc.gov.br, acessado em 28.04.07

FGV DIREITO RIO

15

ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa

restaurante, até à indústria de médio porte, em alguns casos a indústria também de grande porte e cobrem também as sociedades “holding” de grupos financeiros, indústrias e etc. Neste aspecto uma das questões interessantes do Código Civil de 2002 é, precisamente, a necessidade de ter uma norma que seja ao mesmo tempo geral, para cuidar de todas as sociedades limitadas, e ao mesmo tempo uma norma que seja suficientemente precisa ou específica para cuidar dos diferentes problemas de cada molde, de cada tipo de sociedade limitada. Quando da entrada em vigor do Código Civil de 2002 houve uma grande resistência, como é natural em todas as mudanças. O Código Civil de 2002 sofreu forte rejeição, pois o Código Civil veio provocar uma profunda mudança nas regras então vigentes para a atividade societária2. Com efeito, além de abolir o conceito de sociedade comercial e criar o conceito de sociedade empresária, conforme visto no item 2 acima, o Código Civil modificou substancialmente as regras de constituição e funcionamento das sociedades, em especial das sociedades limitadas, das sociedades em nome coletivo, das sociedades em comandita e das sociedades em conta de participação e criou as novas figuras das sociedades em comum e das sociedades simples3. Como se passa a demonstrar, o Código Civil de 2002 não apenas trouxe novas regras, mas essas novas regras afetam os direitos dos sócios, cabendo então examinar como tratar essas modificações à luz da Constituição da República que protege o ato jurídico perfeito e o direito adquirido.

a modificação das regras do jogo societário Sem querer entrar no detalhe de todas as mudanças, há algumas que merecem destaque, pis são as mais relevantes. Entre elas está, certamente, a forma das deliberações sociais. O novo Código Civil institui a assembléia geral e a reunião dos sócios, e faz desaparecer um pouco aquele estado de “deliberação permanente” que há num determinado tipo de sociedade limitada. Trata-se, no caso, das sociedades de grande proximidade, com poucos sócios que se dedicam diuturnamente à atividade empresária. Esses sócios não realizam reuniões formais de sócios e muito menos assembléias gerais. Os sócios encontram-se diariamente, trabalham em conjunto e vivem naquilo que poderia ser chamada assembléia geral ou reunião de sócios permanente. Uma segunda mudança diz respeito à periodicidade das reuniões e assembléias gerais. No regime anterior ao Código Civil de 2002 não havia uma periodicidade estabelecida. Os sócios podiam reunir-se a qualquer momento ou poderiam nunca se reunirem formalmente. O Código Civil de 2002, no art.1071, inc.I, criou a obrigação de pelo menos uma reunião anual para tomar as contas dos administradores e aprovar o balanço. Uma terceira mudança – e que talvez seja a mais importante – dizem respeito aos quoruns de deliberação. Anteriormente, as regras eram muito simples: As deliberações sociais – independentemente da matéria – eram tomadas pelo voto dos sócios que representavam cinqüenta por cento mais um do capital social. Após o Código Civil de 2002, as deliberações passam a ter uma multiplicidade de quoruns. Por exemplo, (i) quorum de cem por cento do capital social para designar o ad-

Basicamente as bem conhecidas e experimentadas disposições do código comercial de 1850 e do decreto 3708/19, disposições cuja longevidade é de salientar num país como o Brasil em que as leis são revogadas e novas leis são promulgadas a uma velocidade vertiginosa.
2

as sociedades anônimas e as sociedades em comandita por ações tiveram as suas regras preservadas, pois estão submetidas ao disposto na Lei 6404/76 os arts.1080 e 1090 do código civil estabeleceram a continuação da regência daquela lei especial.
3

FGV DIREITO RIO

16

o art. era possível sustentar a existência de quotas preferenciais com fundamento em dois pontos: (i) o decreto 3708 não fazia menção à totalidade do capital social.]” Ou seja. incorporação e cisão da sociedade. tais como as ações preferenciais. a deliberação que prevalecia. (ii) por força do art. a conclusão é clara: Existe uma diferença entre o regime anterior e o regime do novo Código Civil.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa ministrador não sócio. é que a solução será dada por decisão judicial). Cabe então perguntar como é que se faz a transição entre estes dois regimes? Algumas pistas são dadas pelo próprio Código Civil. quando o capital social ainda não estiver totalmente integralizado. no período de adaptação das sociedades ao novo Código Civil. o artigo 2035 segundo o qual: “A validade dos negócios e demais atos jurídicos constituídos antes da entrada em vigor deste Código obedece ao disposto nas leis anteriores. No antigo regime o desempate era pela sorte. Ou seja. as partes não têm mais a possibilidade de dispor sobre percentuais. Por outro lado. ao estabelecer os quoruns de deliberação faz sempre referência à totalidade do capital social e não à totalidade do capital social votante. produzidos após a vigência deste Código. a constituição do ato e os requisitos de validade para a constituição do ato são os da época em que o ato foi praticado. na medida em que o Código Civil de 2002. o art.18 do decreto 3708. sociedades e fundações constituídas na forma das leis anteriores terão prazo de um ano. foram extintas as quotas preferenciais sem direito a voto. para as associações e fundações. em caso de empate. era escolhida por sorteio.. a sociedade por quotas de responsabilidade limitada podia adotar institutos próprios da sociedade anônima. o desempate já não é mais pela sorte. Houve também uma mudança no modo de desempate das deliberações sociais. Anteriormente. fusão. aos preceitos dele se subordinam.1076 do novo Código Civil é expressa. pelo Código Civil de 2002. 2033 determina que as modificações dos atos constitutivos das sociedades regem-se. A conseqüência de todos estes dispositivos é que as novas regras (inclusive os percentuais de deliberação) aplicam-se às sociedades constituídas antes da entrada em vigor do FGV DIREITO RIO 17 . Acresce que a enumeração dos quoruns de deliberação no art. quando o capital já está integralizado. Finalmente. dando cogência ao conteúdo deste artigo. Isto significa que. os votos serão contados por número de sócios. (i) quorum de três quartos do capital social para alterar o contrato social e deliberar sobre transformação. a aplicação das novas regras às sociedades Em primeiro lugar. a partir da vigência do Código Civil para adaptar-se às disposições deste Código Civil. só se o empate persistir. [. [. Já os efeitos do ato após a entrada em vigor do novo Código Civil passam a ser os efeitos atribuídos pelo novo Código Civil. mas por cabeça (em caso de empate de votos por correspondência ao capital social. ou seja. (iii) quorum de dois terços do capital social para nomear o administrador não sócio.] mas os seus efeitos. (iv) quorum de dois terços do capital social para destituir o administrador que é sócio da sociedade e que foi nomeado administrador no contrato social. Este prazo foi prorrogado para as sociedades por mais um ano e.. ao contrário do que era admitido no regime do Código Comercial de 1850 e do decreto 3708... Deste modo. Em seguida. desde logo. De acordo com o Código Civil de 2002. as alterações do contrato social serão realizadas de acordo com os percentuais de deliberação estabelecidos no próprio Código Civil. por mais dois anos. 2031 determina que as associações.

FGV DIREITO RIO 18 . a constituição da sociedade rege-se pela lei em vigor ao tempo do ato constitutivo. Deste modo. sócio-administrador. a alteração das regras societárias face ao ato jurídico perfeito e ao direito adquirido 3. já não pode mais alterar o contrato social. Este sócio alterava sozinho o contrato social.3.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa Código Civil de 2002. já não pode mais destituir um administrador (em especial. os requisitos dos arts. este sócio-administrador somente poderá ser destituído se ele. o ato de constituição das sociedades). tem mais de 1/3 do capital social e tiver sido nomeado administrador no contrato social.1 Argumentos a favor da não aplicação das novas regras Face a esta situação. No dia da entrada em vigor do novo Código Civil de 2002. O ato jurídico perfeito pode ser definido como um ato consumado sob a égide da lei anterior. para criar algumas cláusulas e algumas alternativas que assegurassem o controle. Com efeito. Até janeiro de 2004. Assim. alterava o objeto social. cumpre examinar se a aplicação do Código Civil de 2002 às sociedades já existentes não viola o ato jurídico perfeito e o direito adquirido. perderam o controle da sociedade. O direito adquirido é aquele que. Deste modo. tendo produzido seus efeitos sobre a égide dessa lei anterior. 1054 e 997 relativos ao ato constitutivo de sociedades limitadas não se aplicam ao ato constitutivo de uma sociedade limitada constituída antes da entrada em vigor do novo Código Civil. ambos garantidos pela Constituição da República. mudava a sede da sociedade. perderam o controle sobre a sociedade. todos os que não aproveitaram o período da “vacatio legis” para modificar antecipadamente o contrato social. nomeava gerentes. o sócio titular de quotas representativas de cinqüenta por cento do capital social mais uma fração tinha assegurado o controle da sociedade. Em virtude da regra do ato jurídico per- 4 Os sócios que tinham até cinqüenta por cento do capital social não tinham o controle da sociedade e os sócios que tinham mais de setenta e cinco por cento do capital social continuam a ter a maioria dos direitos de controle. deliberava aumento do capital social e etc. Os sócios controladores que não tomaram cuidado de alterar o contrato social antes da entrada em vigor do novo Código Civil. a sociedade que mais sofreu com a entrada em vigor do novo Código Civil é aquela sociedade controlada por sócios titulares de quotas representativas entre cinqüenta a setenta e cinco por cento do capital social4. concordar com a sua destituição). dá ao seu titular o direito de exercê-lo em momento futuro. se o administrador é também sócio. O impacto destas regras é enorme num determinado tipo de sociedade. com a entrada em vigor do novo Código Civil houve uma “usurpação” do controle das sociedades limitadas para todos os sócios que tinham entre cinqüenta a setenta e cinco por cento. O ato jurídico perfeito é a regra que preserva os pressupostos de validade da constituição do ato (no caso das sociedades. sozinho. neste caso. destituía gerentes. este sócio – que havia adormecido na noite anterior como controlador da sociedade – acordou sem mais qualquer poder de controle sobre a sociedade. Este sócio. Assim. inclusive quanto às deliberações que devem ocorrer para adaptar essas sociedades ao novo Código Civil. constituído sobre a égide da lei anterior.

o Supremo Tribunal Federal decidiu. todas as regras relativas aos direitos e deveres dos sócios. Assim. a sociedade preenchia os requisitos de validade. inc. é possível ir mais longe e distinguir entre as regras procedimentais (que seriam de aplicação imediata) e as regras substantivas (que tratam de direitos substanciais e que não seriam de aplicação imediata. inc. FGV DIREITO RIO 19 . segundo o qual “a lei não prejudicará o direito adquirido. Na medida em que estes novos quoruns representam a aplicação de uma nova lei. o regime de responsabilidade dos sócios perante terceiros. talvez as mais candentes com relação ao ato constitutivo. Assim. No sentido de que o Código Civil de 2002 não se aplica às sociedades já existentes à época da sua entrada em vigor há dois fortes argumentos. em virtude do ato jurídico perfeito e do direito adquirido). precisamente. Portanto. o ato jurídico perfeito e a coisa julgada”. casados sob o regime de comunhão universal de bens. Inclusive. em 25/06/92. este quoruns também deixariam de ser aplicados. se a lei nova for aplicada aos efeitos futuros do contrato. o ato constitutivo desta sociedade rege-se pelas regras anteriores (Código Comercial de 1850 e decreto 3708). os direitos dos sócios perante terceiros. apesar do art. essa lei nova passa a ter retroatividade.XXXVI. os direitos dos sócios perante a sociedade e os direitos dos sócios perante os outros sócios continuariam a ser regidos pelas normas anteriores ao novo Código Civil. por maioria. O disposto no art.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa feito. estas regras do novo Código Civil aplicar-se-iam mesmo às sociedades constituídas no regime anterior. da Constituição da República. XXXVI. proferido na Ação Direta de Inconstitucionalidade 493/0 do Distrito Federal. essa lei será retroativa (ainda que seja um caso de retroatividade mínima. A primeira é a da sociedade constituída – antes do novo Código Civil – entre marido e mulher. Já a regra do direito adquirido determina que os efeitos futuros do contrato social regem-se também pela lei anterior ao novo Código Civil. inc. Ou seja. Na época em que a sociedade foi constituída. e essa retroatividade viola o art. essa sociedade poderia continuar a existir. da Constituição aplica-se a toda e qualquer lei infraconstitucional. as regras substanciais não seriam modificadas pelo Código Civil de 2002.5. Portanto. da Constituição.5. sem qualquer distinção entre norma de direito público (cogente) e norma de direito privado (eventualmente supletiva). relativa aos quoruns de deliberação das sociedades limitadas no novo Código Civil. Ou seja. que se a lei nova alcançar efeitos futuros de contratos celebrados anteriormente a ela. os quoruns de deliberação seriam os da lei anterior. aos efeitos de um contrato celebrado anteriormente a ela. Por exemplo. Neste acórdão. Por um lado. Esta regra pode-se aplicar a duas situações.5. A segunda situação é. seriam procedimentais as regras relativas à convocação dos sócios para as deliberações e as regras relativas às formalidades de tomada de posse dos administradores.XXXVI. porque vai interferir na causa que é um ato ou fato ocorrido no passado).997 do Código Civil proibir a sociedade entre cônjuges casados sob o regime da comunhão universal de bens. Por outro lado. O segundo argumento é um importante acórdão do Supremo Tribunal Federal. o art.

o pagamento se fará sempre na moeda definida pela lei no dia de pagamento”. por força do ato jurídico perfeito e do direito adquirido? • Há. e na França não existia uma lei de sociedade por quotas. 226. em diferentes oportunidades. 105. a favor da aplicação do Código Civil de 2002 às sociedades existentes à época da sua entrada em vigor. de 31 de agosto de 2000. Se as regras procedimentais do novo Código Civil aplicam-se imediatamente – conforme visto acima – por que razão o art. da Constituição. Recentemente. quando tal atividade se tornasse proibida por lei? • Se o Estado promulga uma lei segundo a qual determinada atividade não pode mais ser exercida no Brasil. inclusive. a propósito de contribuições previdenciárias e de benefícios previdenciários. onde por acórdão datado de 31 de maio de 1985. é possível argumentar em sentido contrário. As sociedades de capital e indústria anteriores podem continuar a existir ou devem ser dissolvidas ou transformadas em um dos tipos previstos no novo Código Civil5? A resposta parece ser negativa. ou seja. talvez caiba minimizar a aplicação do art. de uma maneira pragmática. a propósito da correção e ao expurgo da correção monetária do FGTS. a alsácia-Lorena foi incorporada à França no final da primeira Guerra mundial. seja ele o mil réis. inc. um caso prático.2034 do novo Código Civil determina que a liquidação das pessoas jurídicas. (iv) o exercício dessa atividade era legal no momento da constituição da sociedade. surge uma outra questão curiosa. mas sim estatutária por decorrer de lei e por ela ser disciplinado. o Supremo Tribunal Federal disse que: “não há direito adquirido a um determinado padrão monetário pretérito. pois não há sentido considerar uma atividade ilícita e permitir que a mesma continue a ser exercida. antes da primeira Guerra mundial. tendo então sido promulgada uma lei francesa de sociedade por quotas para resolver o problema. será que os sócios podem sustentar que tendo a sociedade se constituído sob o regime da lei anterior. isto é. (ii) o exercício dessa atividade decorre de uma cláusula contratual fundamental. vejamos: A sociedade de capital e indústria.3. efeitos futuros de situações pretéritas. foi abolida pelo novo Código Civil. conforme demonstram os exemplos a seguir: • Seria possível invocar o direito adquirido para permitir que a sociedade continuasse a exercer uma atividade prevista no seu objeto social (portanto uma cláusula contratual). já iniciada no mo- Este é um problema que não é unicamente brasileiro. conseqüentemente.2 Argumentos a favor da aplicação das novas regras No entanto. (iii) a sociedade foi constituída para o exercício dessa atividade. Uma primeira oportunidade foi no Recurso Extraordinário nr. prevista no Código Comercial. a mesma deve continuar a existir. o cruzeiro velho ou a indexação pelo salário mínimo. no acórdão proferido no Recurso Especial No. ao contrário do que sucede com a caderneta de poupança não tem natureza contratual. com fundamento no direito adquirido. (v) portanto. O mesmo Supremo Tribunal Federal já disso. o Supremo Tribunal Federal disse o seguinte: “O FGTS.137. Face a estes dois acórdãos do Supremo Tribunal Federal. assim é de aplicar-se a ele a firme jurisprudência desta corte no sentido de que não há direito adquirido a regime jurídico”. depois da primeira Guerra mundial. a sociedade e os sócios têm o direito adquirido à continuação do exercício dessa atividade? • Outro exemplo: Se for suprimido um tipo societário. naquela região constituíram-se várias sociedades por quotas de responsabilidade.5. por causa da alsácia-Lorena. 5 FGV DIREITO RIO 20 . Por outro lado. as sociedades por quotas de responsabilidade limitada foram introduzidas na França.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa 3. a alsácia-Lorena era parte da alemanha e na alemanha já existia uma lei criando as sociedades por quotas de responsabilidade limitada.855. poderiam os sócios arguir que: (i) o contrato social contém esse objeto social. XXXVI. que o direito adquirido não é absoluto e que há possibilidade de se aplicar uma lei nova a situações pretéritas.

segundo o qual “A validade dos negócios e demais atos jurídicos. à nova lei. dentro das novas disposições legais. o sócio tem o direito de voto e continua tendo direito de voto no novo Código Civil. Não existe nenhum dispositivo que prive o sócio do direito de voto nas deliberações sociais.. O primeiro argumento é que é possível aplicar o novo Código Civil porque o novo Código Civil expressamente menciona a sua aplicação. as disposições transitórias também determinavam a adequação dos estatutos das sociedades anônimas então existentes. E primeiro lugar. quais os efeitos daquele direito de voto e quais são as modalidades do exercício desse direito de voto. dois argumentos de ordem prática (e não. O primeiro é que o novo Código Civil deve aplicar-se imediatamente às sociedades já existentes. se o contrato social contém uma cláusula indicando que as deliberações dos sócios devem ser tomadas por um determinado percentual do capital social. conclui-se que não é possível ir tão longe a ponto de dizer que – apoiadas no ato jurídico perfeito e no direito adquirido – as sociedades podem continuar a atuar sob o regime jurídico anterior e que não é preciso fazer a adaptação dos contratos sociais. O segundo ponto é que nem os sócios nem as sociedades têm direito. Todavia. constituídos antes da entrada em vigor deste Código. desaparece um regime jurídico e surge um outro regime jurídico. como o direito de voto vai ser manifestado. no prazo de um ano. regime jurídico esse que era garantido pelo Código Comercial de 1850 e pelo decreto 3708. é possível sustentar que os quoruns de deliberação FGV DIREITO RIO 21 . a um regime jurídico. dois argumentos de ordem jurídica). salvo se houver sido prevista pelas partes determinada forma de execução”. pelo que os sócios e as sociedades têm que se adaptar a esse novo regime jurídico. outros pontos que merecem alguma reflexão. em razão da parte final do art. se o contrato social contiver cláusula neste sentido. Há. Na verdade. não obstante os direitos adquiridos. Ou seja.2035. [. Neste termos.2035 do novo Código Civil.] mas os seus efeitos. ainda. os sócios inseriram no contrato uma cláusula específica prevendo a execução do direito de voto. A conseqüência do Código Civil de 2002 é que o direito de voto será exercido de acordo com um novo quadro legislativo. os sócios haviam seguido um determinado regime jurídico para as sociedades por quotas de responsabilidade limitada. é possível afirmar que. isto é. Deste modo. O segundo argumento – também de ordem prática – é que quando a Lei 6404/76 que reformou integralmente as regras sobre sociedades anônimas entrou em vigor. Assim. obedece ao disposto nas leis anteriores. Uma exceção a aplicação imediata do novo Código Civil esta prevista no final do art. E essa adequação foi realizada. produzidos após a vigência deste Código. porque ele não modifica os direitos dos sócios. neste caso concreto.. aos preceitos dele se subordinam. esse regime jurídico foi alterado pelo novo Código Civil. propriamente.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa mento da entrada do novo Código Civil. Conseqüentemente. mas apenas as modalidades do exercício do direito dos sócios. sem que obstáculos fossem suscitados. como já afirmou o Supremo Tribunal Federal a propósito do FGTS. faz-se sob o regime da lei anterior e não sob o regime do novo Código? Face a estes diversos exemplos. há alguns bons argumentos a favor da aplicação do Código Civil de 2002 às sociedades anteriormente constituídas e a favor da necessidade dessa adaptação dos contratos sociais destas sociedades.

ainda que indiretamente. Entretanto.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa do novo Código Civil não se aplicam à sociedade. a situação da sociedade que não se adaptou ao Código Civil de 2002 Para finalizar cabe agora examinar o que acontece à sociedade que não adaptou o seu contrato social ao novo Código Civil.15 do decreto 3708. Ou seja. a prática demonstra que a maioria dos contratos sociais não contém cláusula relativa às deliberações. estava determinada no art. Neste caso. os sócios passam a responder perante terceiros ilimitadamente e solidariamente pelas dívidas da sociedade. e não obstante as diversas considerações apresentadas. a sociedade torna-se uma sociedade em comum. uma vez que o registro da sociedade perde a sua validade e um registro não válido equivale a um registro inexistente. parece não valer a pena correr o risco de a sociedade regular ser transformada em sociedade comum. A sociedade passa então a reger-se pelos arts. FGV DIREITO RIO 22 . Sendo esta a conseqüência. pois esta regra. com algumas conseqüências importantes como a responsabilidade solidária e ilimitada dos sócios.986 a 990 do novo Código Civil. porque o contrato social contém uma cláusula determinando que as deliberações sejam tomadas pelo voto dos sócios titulares da maioria do capital social.

– Texto I: Lei não prevê permanência de herdeiros nas Limitadas. oferecer o produto ou serviço certo no momento propício e bem atendê-los após a venda. planejamento financeiro e tudo mais que for relevante para iniciar um negócio específico ou ampliar um já existente. – Qual será o público alvo e como conquistar o mercado? Permite conhecer e entender as necessidades dos clientes. Ao optar pela elaboração de um Plano de Negócio. Recomenda-se que os sócios busquem informações relevantes do seu negócio em jornais. com eficiência e eficácia. estratégias de marketing. os sócios terão a idéia de negócio devidamente analisada.com. 03 E 04: REUNIÃO COM ClIENtE PARA ElAbORAÇÃO DO CONtRAtO SOCIAl Nas aulas seguintes aprenderemos sobre a importância da orientação empresarial através do fornecimento de princípios básicos para quem pretende montar um negócio. por exemplo: – Qual atividade que os sócios gostariam de desenvolver? – Qual a experiência e conhecimento sobre a atividade que os sócios têm? Compreender os fatores externos e internos que afetam (ou poderão afetar) diretamente o desempenho da sociedade é muito importante para o sucesso do negócio. sebraesp.br/principal/ abrindo%20seu%20negócio/or ientaçõescriação%20de%20em presas/passos_elaboracao_plano_negocio. adaptadas e modificadas conforme a realidade do negócio. Esse levantamento torna possível gerar um diferencial competitivo. seja por meio da atividade individual ou coletiva. O passo a passo para a elaboração do plano de negócios pode ser encontrado no link: http://www. – Texto II: Família é uma coisa. – Orientação para elaboração do contrato social: Providências preliminares. roteiro de auLa: O Plano de Negócios21 é um documento que visa transformar idéias em situações concretas. sindicatos e outras entidades setoriais. que tem no contrato social o instrumento que representa o entendimento dos sócios quanto aos seus direitos e deveres com vistas à realização do objeto social. ementário de temas: – Elaboração do “Plano de Negócio”. – Regência supletiva pelas normas das sociedades por ações. 22 FGV DIREITO RIO 23 . público alvo. empresa é outra. Nele estarão registrados o objetivo do negócio.aspx 21 as perguntas deverão ser criadas. antes da elaboração do contrato social.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa AUlAS 02. diminuindo os riscos do insucesso. – Onde abrir o negócio e qual o espaço necessário? Os sócios terão uma noção prévia do funcionamento do negócio do ponto de vista mercadológico e saberão quais exigências terão que atender para a sua instalação. riscos. revistas e publicações profissionais/técnicas. Algumas perguntas22 são fundamentais na hora de elaborar o Plano de Negócios. – Cláusulas obrigatórias e facultativas. Daremos enfoque na análise prévia e planejamento adequado antes da constituição de uma sociedade.

667) ou sob o regime de separação obrigatória de bens (art. mais os aumentos (aporte) de capital adicional. qualidade no atendimento. para um consumidor individualmente”. Carteira Nacional de Habilitação – modelo com base na Lei nº 9. constar também do preâmbulo a expressão “ASSISTIDO POR”. nacionalidade.687). pela mãe ou tutor. que veremos a seguir. em aula. do CC/2002) PESSOA FÍSICA (rectius NATURAL): nome completo. o cliente contribuirá para a excelência na elaboração do contrato social além de dispor de um documento que o ajudará a acompanhar a evolução do seu negócio. cada qual com as críticas cabíveis26.htm 23 orientação para elaboração de contrato de sociedade Limitada. 1.000. nº do CPF.gov. mais os lucros reinvestidos na sociedade. pois não precisa ser profissional experiente para tanto25.com. Qualificação completa dos sócios: (art. mesmo. profissão. a oferta de produtos e de serviços para nichos específicos de mercado ou.00 Investimento total: R$ 80. preço. o “passo a passo” para a abertura de uma sociedade. ou seja. 1. 997. – menor de 16 anos – deve ser representado pelo pai. deve levar em consideração àqueles que permitam sempre melhores margens de ganho. regime de bens (se casado). Unidade Federativa e CEP). Quais são os fatores críticos de sucesso do negócio? Quanto e que tipo de recursos será necessário para o empreendimento? Não existem limites ou regras para o valor que deve ser utilizado de capital próprio para investimentos.br/canalexecutivo/artigosc. Estadual ou Federal).000. como calcular o Retorno do Investimento? Investimento é todo o capital aplicado na empresa.br 24 as instruções estão disponíveis no site do sEBRaE. pela mãe ou tutor. parte do investimento deve ser “devolvida” e essa devolução acontece quando a sociedade gera o lucro. analisaremos. Exemplo: Lucro Líquido mensal: R$ 2.com. carteira de identidade profissional.000. a taxa de rentabilidade do investimento é calculada da seguinte forma: Lucro Líquido dividido pelo Investimento. Exemplo: Investimento total: R$ 80. A escolha de recursos próprios e de terceiros. Disponível em: http://www2. – solteiro menor de 18 anos: (art. 25 26 27 Fonte: www. estado civil27. data de nascimento (se solteiro). sempre é bom avaliar bem as alternativas.00 Taxa de rentabilidade: 2.690. 28 código de Trânsito Brasileiro. e a qualificação completa do(s) assistente(s). 1.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa – – – – – “através de ações dirigidas.br O art. O cliente deve ser orientado para preparar um Plano de Negócios e de como fazê-lo.503/9728).uol. já estudamos. seu número.00 Lucro Líquido mensal: R$ 2. se existem linhas de crédito e incentivos (Municipal. forma de arrumação de produtos nas prateleiras e/ou divulgação do serviço etc. 1. município.00 prazo de retorno: 40 meses Fonte: www. certificado de reservista. 977 do código civil de 2002 trouxe uma vedação quanto à convivência da affectio societatis e da affectio maritalis quando nesta última os cônjuges forem casados sob o regime de comunhão universal de bens (art. FGV DIREITO RIO 24 . Qual a previsão de retorno para o investimento? O principal indicador para acompanhar a viabilidade do negócio é o retorno do investimento.23 Escolha de fornecedores e pesquisa de concorrentes? Identificar quantos concorrentes estão oferecendo o mesmo produto e/ou serviço. documento de identidade. CC/2002): – maior de 16 anos – deve ser assistido pelo pai. bairro/distrito. consultor de marketing.5 % ao mês O prazo de retorno do investimento realizado é calculado da seguinte forma: Investimento dividido pelo Lucro Líquido. facilidade de acesso. seja o capital social inicial.24 Qual a documentação necessária? Além do contrato social.000. na aula 02. carlos pougy. Ao apresentar o Plano de Negócios. órgão expedidor e UF onde foi emitida (documentos válidos como identidade: carteira de identidade. Carteira de Trabalho e Previdência Social.sebraesp. número. domicílio e residência (tipo e nome do logradouro.dnrc. I. Mensalmente. A partir dos itens elencados pelo Departamento Nacional de Registro do Comércio. atentando para qualidade. constar também do preâmbulo a expressão “REPRESENTADO POR” e a qualificação completa dos representantes. naturalidade. acabamento.

incorporação ou agrupamento de empresas. 3. 997. Capital social (art. endereço completo da sede. Sócio Analfabeto: também o nome e a qualificação completa do procurador constituído. a prova da emancipação (art. CC/2002) Tipo e nome do logradouro. – sociedade anônima. art. e se sediada no Brasil. complemento. 997. roupas infantis. bem como quaisquer alterações. – procurador: constar do preâmbulo.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa – se emancipado (maior 16 anos) constar da qualificação a forma da emancipação. 29 30 Lei que trata da prevenção e da repressão às infrações contra a ordem econômica e transformou o conselho administrativo de Defesa Econômica – caDE em autarquia. 997. 56. CC/2002) Diz respeito à atividade que será desenvolvida. – sociedade em nome coletivo. feita antes o registro no Registro Público no caso de outorga pelos pais ou por sentença. arquivando. por instrumento público. – a composição do nome deve observar as regras gerais e as próprias do tipo escolhido (firma social ou denominação). anteriormente registrado. III – o nome por extenso e qualificação de cada um dos sócios acionistas. em separado. 6. do CC/2002). as juntas comerciais ou órgãos correspondentes nos Estados não poderão arquivar quaisquer atos relativos à constituição. – sociedade em comandita por ações. I. 9º) Obs. IV – o local da sede e respectivo endereço. espécie e valor das ações. UF e CEP. 997. 1. NOME E QUALIFICAÇÃO COMPLETA. III e IV. após o nome e qualificação completa do sócio: “REPRESENTADO POR SEU PROCURADOR. b) mencionar o valor nominal de cada quota. II.884/9430).158. taxativo. I da Lei nº 8. II. 5629. Indicação do tipo jurídico da sociedade. por exemplo). II e art. NIRE (número de identificação do registro de empresas) ou número atribuído no Cartório de Registro Civil das Pessoas Jurídicas e o nº do CNPJ (Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas). bairro/distrito. que deverá ser obedecido. 2. (art. com poderes para receber citação. escolhendo-se o tipo societário que melhor se apresenta para a situação de fato: – sociedade simples. limpeza. município. (art. número. inclusive das filiais declaradas. 4. fusão. com poderes específicos. Objeto social: (art. nos respectivos atos constitutivos. transformação. V – os nomes dos diretores por extenso e respectiva qualificação. devendo conter sua declaração precisa e detalhada. – sociedade em comandita simples. 997. 976. – não pode ser idêntico ou semelhante a nome já protegido isto é. (art. FGV DIREITO RIO 25 . – sociedade limitada. Endereço comercial da sede e de filiais declaradas: (art. CC/2002) a) indicação numérica e por extenso do total do capital social. VI – o prazo de duração da sociedade. que pode ter valor desigual. 5. juntado ao processo o respectivo instrumento de mandato”. PESSOA JURÍDICA: nome empresarial. CC/2002) – não pode conter as expressões “ME” ou “EPP”. O Código Civil apresenta um rol. CC/2002) – sócio domiciliado no exterior: nomear procurador no Brasil. mencionando gênero (indústria. qualificação completa dos representantes da empresa no ato. sem que dos mesmos conste: I – a declaração precisa e detalhada do seu objeto. Nome empresarial: (art. II – o capital de cada sócio e a forma e prazo de sua realização. comércio ou serviços) e espécie (calçados. VII – o número.

CC/2002) Optando os sócios por garantir à sociedade característica típica “de pessoas”. 9. Cessão de quotas. deve ser mencionada no contrato social para um melhor esclarecimento e conhecimento de todos os sócios que da sociedade façam parte e. se a intenção dos sócios for constituir uma sociedade onde a pessoa do sócio não tem relevância para sua formação. 1.056. salvo se o regime de bens for o de separação absoluta. para terceiros que contratarem com a sociedade. se o capital não estiver integralizado e de no mínimo dois terços. se determinado.003 e 1.062. CC/2002) Indicar o prazo de duração indeterminado ou determinado (neste caso indicar o início e o fim da sociedade). 10. II. caso não se ajuste esta indicação em ato separado31.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa c) mencionar o total de quota(s) de cada sócio.061. b) O contrato pode estabelecer a designação de administrador NÃO sócio.062). pois a responsabilidade dos sócios decorre do texto legal. dados relativos a sua titulação. e. 1. d) declarar a forma e o prazo de integralização do capital.063 e 1. sua área.028 e 1. não admitindo a transferência das quotas àquele estranho à sociedade (exceto se houver unanimidade dos sócios autorizando-a no instrumento de cessão). além da permissão para usar o nome empresarial. d) estrangeiro.061. ou seja. CC/2002) A responsabilidade dos sócios.052. poderão estabelecer que a transferência das quotas se dará independentemente da vontade dos sócios ou. Muitas vezes. art. 1. 1. os herdeiros desconhecem ou não estão interessados e assumem o negócio gerando confusão e prejuízo. FGV DIREITO RIO 26 . o capital deverá estar totalmente integralizado. 1. (artigos 1. a sociedade tem que continuar. 7. para representar a sociedade. número de matrícula no Registro de Imóveis e autorização do cônjuge no instrumento contratual com a referência pertinente. o ingresso de herdeiros poderá acontecer se não houver cláusula contratual que impeça. f ) integralização com bem imóvel: descrição e identificação do imóvel. Prazo de duração da sociedade: (art. 31 O administrador não sócio. 8. no prazo de até 30 dias da data de sua designação.064 todos do CC/2002) a) Designar pessoa(s) naturais. suas atribuições e limites de poderes. da mesma forma. (artigos 1. 11. Administração: (art. 1. apesar de redundante. art. se totalmente integralizado. Dependerá de aprovação unânime dos sócios. designado em ato separado. deverá firmar termo de posse no livro de ata da administração. VI. e) se houver sócio menor.060. (art. CC/2002) Eis um dos casos que denotam a importância da cláusula que dispõe sobre a cessão de quotas. 997. sob pena da nomeação perder a validade (art. Responsabilidade dos sócios: (art. art.031. poderão estabelecer no contrato social vedação ao ingresso de terceiros. definir um percentual limite de sócios que deverão anuir com o ato de cessão. CC/2002) c) sócio menor – somente se emancipado. caracterizando uma sociedade de capital. De outra forma. Falecimento/interdição de sócio. 1. apresentar a carteira de identidade com o visto permanente. Indicar o prazo de gestão. Na falta de um dos sócios (seja pela interdição ou pelo falecimento). seguindo a orientação do Código Civil. 997.

É da essência do ato de constituição de sociedade empresária a participação nos lucros e nas perdas por cada um dos sócios. Orientação do item 1.784/99). em destaque o Direito dos Contratos. 32 art. (art. além de outros exigidos em lei: (. 17. e32. 1o. 1. até trinta dias antes da reunião ou da assembléia de sócios. para a elaboração do inventário. Os exemplos acima não esgotam o ajuste de outras cláusulas que podem ser adicionadas ao contrato social. III. 1. 13. o ato será assinado pelo representante do sócio.) e) o nome empresarial. CC/2002). 997. Foro: indicar o domicílio onde se exercitem e cumpram os direitos e obrigações deles resultantes. art. 14. 1.2.. CC/2002) e à colocação destes documentos à disposição dos sócios não administradores. Obs: sócio menor de 16 anos. CC/2002). Lei 9.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa 12. com a reprodução de seus nomes. 1. Como cláusulas facultativas. Data de encerramento do exercício social: indicar a data do término de cada exercício. pelo sócio e seu assistente. CC/2002). 1. conjuntamente.307/96 e art. 1. parágrafo único. aprovado pela In 98/2003 (DnRc). (art. 1. do balanço patrimonial e do balanço do resultado econômico (art. d) autorização para que a pessoa não sócia exerça a função de administrador37. 53.078. 1. Vll. 1. 34 35 36 37 38 39 40 41 art. Assinatura dos sócios ou dos seus procuradores no fecho do contrato social. c) previsão de regência supletiva da sociedade pelas normas da sociedade anônima36. art. Cláusula de inexistência de impedimento para o(s) administrador(es) se não apresentada esta declaração em separado. 15. CC/2002). a não inclusão destas em nada impede o arquivamento do contrato social no registro competente. f ) regras referentes às reuniões de sócios39. 1. FGV DIREITO RIO 27 . e foro. elas são a verdadeira expressão da vontade dos sócios. art. desde que submetam-se aos princípios gerais de Direito. com endereço completo. art.. Local e data (dia. do Dec. – sócio maior de 16 e menor de 18 anos. 53.. seguindo à risca o princípio constitucional da livre iniciativa33. bem como os endereços completos das filiais declaradas. g) exclusão de sócios por justa causa40. pelo fato de não serem obrigatórias. art. 1. o município da sede. 16. não podem ser arquivados: (.078.800/96) OU cláusula compromissória elegendo a Arbitragem para dirimir litígios relativos a direitos patrimoniais disponíveis (art.. DEVERÁ a Junta Comercial EXIGIR o RECONHECIMENTO DE FIRMA (Lei no 9.011. Eis alguns exemplos de cláusulas facultativas: a) conseqüências em caso de retirada ou exclusão de sócio34. 1013. se deles não constarem os seguintes requisitos. CC/2002) e a referência ao julgamento das contas no primeiro quadrimestre seguinte ao término do exercício social pelos sócios (art.085.) 33 artigos 1º.031. (. sendo vedada a atribuição da totalidade a apenas um deles.072. mês e ano). ao abranger as cláusulas que determinam as matérias contratadas pelos sócios livremente e que irão adequar a sociedade de acordo com suas particularidades.053. art. Inserir cláusulas facultativas desejadas. § 1º.065. o ato será assinado...27 do manual de atos de Registro de sociedade Limitada. e) instituição de conselho fiscal38. Participação dos sócios nos lucros e perdas: indicação da participação proporcional dos sócios nos lucros se outro ajuste não for estipulado. Na dúvida quanto à veracidade da assinatura aposta. 853. (art.061. Não é necessário o reconhecimento das firmas dos sócios41. notadamente às normas do Direito das Obrigações. b) regras acerca da administração da sociedade35.) III – os atos constitutivos e os de transformação de sociedades mercantis. no entanto. 18.066. (art. IV e 170 da constituição Federal de 1988.

É possível.. emendas ou entrelinhas sem expressa ressalva dos sócios.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa 19. afastando. de 4 de julho de 1994. autenticidade.(. eventual omissão própria do capítulo das Limitadas. o sócio que participar de deliberação na qual tenha interesse em contrário ao da sociedade. 1º O Registro público de Empresas mercantis e atividades afins. órgão expedidor e UF48. 187 (abuso do direito). da Lei nº 8. A aplicação de um ou outro diploma legal dependerá da vontade dos sócios que será reduzida a termo no contrato social. se o voto não tiver prevalecido. subordinado às normas gerais prescritas nesta lei. em seus dispositivos abrangem vários temas. A Assembléia de Sócios e o Conselho Fiscal são exemplos de institutos e estruturas que aparecem igualmente nas Limitadas e nas Anônimas. (art. 9º. 1053. por órgãos federais e estaduais. publicidade.1 do manual de atos de Registro de sociedade Limitada. e do número de identidade. por extenso. sob pena de nulidade.934/9447). quando prevê a possibilidade da regência supletiva pela Lei 6. Assinatura das testemunhas: Não são obrigatórias as assinaturas das testemunhas. Assim. 1º. de forma legível. entre eles a aplicação das normas da sociedade simples (arts..087) que tratam da sociedade do tipo Limitada. 997 a 1038) e da Lei da Sociedade por Ações (Lei n° 6. para resolvê-lo aplicarse-ão as normas da sociedade simples previstas no Código Civil ou da Lei 6. 47 Orientação do item 1.) § 2º Os atos e contratos constitutivos de pessoas jurídicas. aplicar-se-á o disposto no art. No caso da regência supletiva pelas normas da sociedade simples. Nos demais casos. Lei 8. aplica-se o disposto no art. 1. quando o “assunto” não estiver previsto nos artigos que integram o capítulo das Limitadas e o contrato social for omisso. regência supletiva pelas normas das sociedades por ações Os 35 artigos (1. permite uma saída para os sócios afastarem a aplicação supletiva das normas da sociedade simples. Visto de advogado: visto/assinatura de advogado. ao asseverar que o método é “supletivo”.906. § 3º. que o contrato preveja a aplicação supletiva de algumas regras próprias das sociedades simples e outras das sociedades anônimas. 42 art. embora a sociedade simples tenha natureza contratual.. A justificativa para este posicionamento encontra-se nos pontos de afinidade entre a sociedade limitada e a sociedade anônima. do art. 21. segurança e eficácia aos atos jurídicos das empresas mercantis. 48 autores: alexandre Ferreira de assumpção alves e maurício moreira mendonça de menezes. 1. entretanto. (art.404/76 e não pelas regras das sociedades simples. parágrafo 2º44..1º. de forma sistêmica.010. os sócios poderão adequar o contrato social e.) Lei de Registro público de Empresas mercantis e atividades afins. que.. são atividades privativas de advocacia: (. 49 FGV DIREITO RIO 28 .. O parágrafo único do art. alguns enunciados aprovados na III Jornada de Direito Civil estabelecem que: Enunciado 21749: Com a regência supletiva da sociedade limitada pela lei das sociedades por ações. 9º. poderão ser lançadas com indicação do nome do signatário..ú. a subsidiariedade. Observação: o documento não pode conter rasuras. 1º.27. da Lei Complementar 123/200645).. algumas críticas são feitas. A propósito do tema. 45 46 nova Lei do simples.404/76. § 3º da Lei 6. A possibilidade é clara na redação do p. (.404/76.(. ou o art.053 do CC. quando visados por advogados. pois.404/76. art. 20. nos órgãos competentes.052 a 1. inciso I46. só podem ser admitidos a registro. se o voto proferido foi decisivo para a aprovação da deliberação.404/76) à sociedade limitada em caso de omissão. Diante desta opção. Rubricar as demais folhas não assinadas. submetidos a registro na forma desta lei. com as seguintes finalidades: I – dar garantia.2. art. será exercido em todo o território nacional. aprovado pela In 98/2003 (DnRc). assim. § 2º42. Seu ato constitutivo é arquivado no Registro Civil de Pessoas Jurídicas enquanto que a Limitada tem o ato constitutivo registrado na Junta Comercial.) § 2º não se aplica às microempresas e às empresas de pequeno porte o disposto no § 2º do art. e até mesmo aconselhável.) 43 44 Estatuto da advocacia. com a indicação do nome e do número de inscrição na OAB/Seccional (o visto é dispensado para o contrato social de microempresa e de empresa de pequeno porte). 1º da Lei nº 8. ela não é empresarial e a responsabilidade dos sócios é ilimitada. ainda. será suprida pela Lei 6.906/9443 e art. 115. professores uERj.

juiz Federal sj/Rj. indique o tipo societário. ainda que as quotas da sociedade sejam objeto da partilha judicial. TJ/RJ. autor: alcir Luiz coelho. existe alguma cláusula especial que deva ser inserida no contrato social? JurisprudênCia. A ex-mulher não tem legitimidade para ingressar na ação de dissolução de sociedade da qual era sócio o seu ex-marido.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa Enunciado 22250: O artigo 997. INDEPENDE DE DILAÇÃO PROBATÓRIA.2004).001. Enunciado 22351: O parágrafo único do art. por não ser ela sócia. AÇÃO DE PARTILHA JUDICIAL POR DISSOLUÇÃO DA SOCIEDADE CONJUGAL. 51 FGV DIREITO RIO 29 . ALIENAÇÃO FRAUDULENTA DE AÇÕES ORDINÁRIAS NOMINATIVAS DA EMPRESA APÓS SEPARAÇÃO DE FATO. REGIME DE COMUNHÃO UNIVERSAL DE BENS.03. não se aplica a sociedade limitada na hipótese de regência supletiva pelas regras das sociedades simples. HAVIDOS EM FRAUDE À MEAÇÃO. 10ª Câmara Cível. entre outras: – restrição à cessão de quotas. 23. Diante do caso: 1. Caso gerador. Demonstrada a quebra da affectio societatis. 2. QUE APESAR DE CERCADA POR CONTROVÉRSIA JURÍDICA. como uma forma de evitar conflitos familiares. – ter os mecanismos de funcionamento dos conselhos fiscal e de administração. V. impõe-se a dissolução da sociedade com a designação do liquidante. HOMOLOGAÇÃO DO ESBOÇO DE PARTILHA.º 2004. – obrigatoriedade de distribuição do lucro aos sócios. na ausência das normas sobre sociedades limitadas.03051. DIREITO COMERCIAL – DISSOLUÇÃO DE SOCIEDADE POR QUOTAS DE RESPONSABILIDADE LIMITADA – QUEBRA DA AFFECTIO SOCIETATIS – RECURSO DO EX-CÔNJUGE COMO TERCEIRA INTERESSADA – ILEGITIMIDADE. jul. Um grupo de 10 pessoas da mesma família decide constituir uma sociedade com as seguintes características. José Geraldo Antonio. 50 autor: alfredo de assis Gonçalves neto. Des. DECLARAÇÃO DE INEFICÁCIA DOS NEGÓCIOS JURÍDICOS SUBJACENTES À SEPARAÇÃO DO CASAL.404/76 ou do disposto sobre a sociedade simples.053 não significa a aplicação em bloco da Lei 6. DIVERGÊNCIA. O contrato social pode adotar. INVENTÁRIO DE BENS POR SEPARAÇÃO JUDICIAL. Improvimento dos recursos. PROCESSO CIVIL. professor Titular da uFpR. RESGUARDADA A MEAÇÃO DA EX-MULHER POR MEDIDA ACAUTELATÓRIA DE SEPARAÇÃO DE CORPOS E ARROLAMENTO DE BENS. COMPETÊNCIA DO JUÍZO DE FAMÍLIA PARA APRECIAR A QUESTÃO. (grifo nosso) (Apelação Cível n. 1. tanto as regras das sociedades simples quanto as das sociedades anônimas. HOMOLOGAÇÃO DO ESBOÇO DE PARTILHA.

e comportando incidente processual quanto aos efeitos jurídicos dos negócios entabulados pelo cônjuge varão à revelia da cônjuge virago.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa I – a ação de inventário por separação judicial é o leito próprio para apreciação de questões jurídicas surgidas após a separação de fato do casal. assevera a especialista. apesar de não mais se referir a “executado”. no caso de liquidação das quotas do sócio falecido. texto i: Lei não prevê permanência de herdeiros nas Limitadas52 Cláusula no contrato da sociedade tem que contemplar sucessores. II – a competência em razão da matéria é pressuposto de validade da relação processual. Segundo ela a “regra legal não é conveniente para a grande maioria das empresas. tem seu campo de incidência nas ações de execução. mas sim a “devedor”.028 do novo diploma legal estabelece que se o contrato nada dispuser sobre a sucessão do sócio falecido. “A questão surge se o sócio pretende que. seus herdeiros continuem nos negócios”.várias as formas através das quais se pode prejudicar o cônjuge ou a companheira com atos praticados sob o manto pseudo-protetivo da empresa”. Segundo ela. a exemplo da ação de inventário por separação judicial combinada com partilha. Decisão: DAR PARCIAL PROVIMENTO A AMBOS OS RECURSOS. suas quotas serão liquidadas e os respectivos valores pagos aos herdeiros. É o que afirma a ad-vogada Fabiana Seccomandi Anitablian do escritório Braga&Marafon Consultores e Advogados. mas tão somente aquelas derivadas nas ações de execução estrito sensu.. para deixar a decisão sobre sua ad-missão a critério dos sócios remanescentes. que muitas vezes possuem um patrimônio Fonte: GazETa mERcanTIL de 12/04/04. por: Gláucia de abreu andrade/são paulo. IV – por serem “. após sua morte. em geral. Outro ponto importante ressaltado por Fabiana diz respeito ao critério de apuração do valor a ser pago aos herdeiros. 52 FGV DIREITO RIO 30 . p. diz. “O contrato social deve ser cuidadosamente redigido no que diz respeito à situação dos herdeiros na sociedade. que não é matéria fática de alta indagação. o julgador deve ser preocupar em trilhar “caminhos para se chegar a decisões que fujam ao ‘faz de conta’. Relatora: DES. UNÂNIME. Muito tem se falado a respeito das alterações nos contratos sociais que o novo Código Civil (NCC) determinou. desde que não seja renovada perante o mesmo grau de jurisdição. NANCY ANDRIGHI em 18/10/1999). o valor deve ser calculado tomando por base a situação patrimonial da sociedade e pago em dinheiro no prazo de 90 dias”. 600 do código de processo civil. diz a advogada. podendo ser suscitada e discutida a qualquer tempo e grau de jurisdição. o artigo 1.. Para Fabiana “o contrato social deve ter cláusula expressa prevendo o ingresso dos herdeiros na sociedade”. mas solução de natureza doutrinária e jurisprudencial. em face da preclusão pro judicato. seja para dispor sobre o ingresso automático dos mesmos. 2ª Turma Cível do Tribunal de Justiça do Distrito Federal. REJEITADAS AS PRELIMINARES À UNANIMIDADE”. Entretanto. a18. por ato atentatório à dignidade da justiça. admitindo a discussão de prova documental a respeito de fatos incontroversos. a questão dos herdeiros nas sociedades limitadas foi esquecida. de ordem pública. não podendo ser interpretado ampliativamente para alcançar a execução de toda ordem emanada do poder judiciário. III – a sanção prevista no art. “No silêncio do contrato. ou qualquer outra alternativa que melhor reflita e atenda aos interesses da sociedade e seus sócios”. (grifo nosso) (APC-5246299/DF.

à data da resolução.” Eduardo Calazans. como no caso das ‘grifes’ cujo valor pode ser de milhões. acrescenta. no entanto. o remanescente tem o prazo de seis meses para recompor o quadro societário. Renato diz que não há motivos para forçar os filhos a assumirem os negócios da família. e este fato deve ser considerado na elaboração do contrato social ou no planeja-mento sucessório. diz que “não sendo possível ou não existindo interes-se dos herdeiros ou dos sócios remanescentes. empresa é outra53: Para consultor. Portobello e Gerdau. salvo disposição contratual em contrário. é necessário que seja feito um balanço especial para auferir o valor real das quotas a que os herdeiros do sócio falecido têm direito. “É possível estabelecer no contrato o critério por avaliação a mercado feita por peritos em laudos econômicos”.com. afirma que “deve haver vontade mútua tanto dos sócios quanto dos herdeiros. Fabiana diz que em uma sociedade de dois no caso de falecimento de um e não ingressando nenhum herdeiro. A frase do consultor Renato Bernhoeft resume os motivos de seu trabalho: preparar empresas familiares para seu momento mais traumático: a sucessão. Nesse levantamento tem que se verificar a situação atual da empresa. segundo o “Balanço Anual” da “Gazeta Mercantil”. no prazo de noventa dias a partir da liquidação”. O advogado Álvaro Villaça Azevedo. Segundo ele “o legislador ao dispor sobre a permanência ou não na sociedade quis preservar a vontade de constituir e manter uma sociedade e sem a qual. Joinville – O melhor negócio do mundo não resiste a uma briga de família ou a uma encrenca entre sócios. que atua nesse segmento desde 1975 e atende empresas do porte de Votorantim. Sadia. melhores sócios são aqueles que não dependem diretamente das relações de parentesco. por: martín Fernandez http://an. não pode ela subsistir. “Em regra a quota liquidada será paga em dinheiro. a não ser que o contrato social estipule em contrário”. Fonte: portal an (a notícia). verificada em balanço especialmente levantado. para que estes últimos ingressem na sociedade em substituição ao sócio falecido. mas não têm caixa para saldar a dívida com os herdeiros num prazo tão curto”. finaliza. segundo o novo Código Civil.” “O levantamento do valor das quotas não pode ser feito pelo valor nominal para que não haja enriquecimento indevido dos só-cios remanescentes”. também ressalta que quando o contrato social não prevê a permanência dos herdeiros. Na mesma linha de raciocínio do advogado Álvaro Villaça. professor da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP).uol. a empresa pode não ter bens materiais. Fabiana afirma que entre seus clientes a solução quanto ao prazo de pagamento aos herdeiros têm sido resolvida com a adoção de uma cláusula que o estipula como sendo em até 24 meses. 53 FGV DIREITO RIO 31 . Por exemplo. nas sociedades de pessoas.htm (acesso em 19/01/06). a advogada Cristina de Andrade Salvador. também do Miguel Neto. texto ii: família é uma coisa. “tem que se considerar o valor imaterial.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa elevado. No Brasil.” Eduardo Calazans acrescenta que a disposição contratual quanto ao prazo para liquidação é essencial.br/2003/ nov/23/1ger. Fundador da Bernhoeft Consultoria. dos 300 maiores grupos privados nacionais 265 tem controle ou gestão familiar. Ela ainda lembra que o cônjuge também é herdeiro. lembra o professor Villaça. o valor de seus haveres será apurado e liquidado com base na situação patrimonial da sociedade. do escritório Miguel Neto Advogados.

para ser sócio. muito determinadas e esta é a forma como começaram. o fundador. tem uma característica muito particular que é enxergar oportunidades onde todo mundo vê problemas. O modelo do fundador muitas vezes não serve. Vão receber o mesmo patrimônio. AN – E quando a sucessão vira um problema? Bernhoeft – Essas pessoas tem muito essa característica de fazer um negócio para a família. muitas vezes usar essa empresa para acomodar os filhos. é o imigrante. Essas figuras são extremamente autoritárias de maneira geral. é um pai. Porque esses três indivíduos. Porque eles cresceram vendo o pai agindo como dono: fazendo e desfazendo. árabes e outros. Os italianos no agrobusiness. E é curioso porque as colônias se concentram em alguns segmentos. metal-mecânica. depois judeus. sabe que ela só terá sucesso se for voltada para o mercado. E o erro muito comum que se comete nas empresas familiares – tanto entre as pequenas quanto nas médias e grandes – é o empreendedor. Um dos contingentes mais recentes com presença forte são os japoneses – que tiveram um fluxo migratório mais tardio. sobretudo no Sul. E eles vão herdar não uma empresa. O perfil do empreendedor brasileiro. mas dividido em três. AN – Que começaram com negócios pequenos. Bernhoeft – Exatamente. mas sim uma participação. afirmou. vão herdar esse empreendimento. E a maioria das empresas familiares. ou o filho de imigrante. começa dessa forma: com um imigrante ou filho de imigrante. Depois disso. educado. Se essa mesma pessoa tem.. não se aplica ao resto da família. que cria. E aí surgem algumas questões a serem discutidas. que começou um negócio com muito trabalho. mandando e desmandando. Em terceiro vêm os alemães. O segundo maior contingente é português. Os portugueses notadamente na área de panificação e supermercados. quando muito ele e a esposa. Porque suas decisões não valem nada depois que morrem. três filhos.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa “O ideal é que se mostre outros caminhos para os sucessores. “E é sempre melhor que as decisões sobre sucessão em empresas familiares sejam tomadas com os fundadores ainda vivos. que não se escolheram como irmãos.” Leia a seguir os principais trechos da entrevista: A Notícia – Qual é o maior erro das empresas familiares? Renato Bernhoeft – É tentar utilizar a empresa para resolver questões familiares.. portanto. Vão deixar de ser apenas irmãos para ser sócios. Porque os melhores sócios são aqueles que não dependem diretamente dos negócios da família”. que empreende. do ponto de vista da origem. com muito esforço. pequenos mesmo. É aí que começam os problemas. é italiana. E o que acontece? Na primeira geração tem essa figura forte. às vezes ele age mais com o chapéu de pai que com o chapéu de empresário. fornecedores e concorrentes. Então ele é intuitivo. não do Sul. porque o empreendedor. O que é ser sócio? Eu gosto de responder com coisas práticas: o fundador da Bombril – cujos FGV DIREITO RIO 32 . que começa um processo sozinho. buscando nisso uma solução para os problemas familiares. Com negócios pessoais. esforçado. com negócios minúsculos. digamos. São duas coisas diferentes: a família é uma coisa. logo vai acabar a figura do dono. O empreendedor aqui. no sentido de acomodar a família. O fundador em geral é uma figura empreendedora. é um patriarca. AN – Quais? Bernhoeft – A primeira é que a maioria deles não foi criado. AN – E como se faz essa separação? Bernhoeft – É evidente que é difícil separar. antes de ser isso. a empresa é outra. cana-de-açücar e também na área de metalurgia. Quando a gente pensa numa empresa. Mercado significa clientes. Essa é a característica de como começam quase todos os negócios no Brasil. para atender seus clientes. é só para dar dinheiro a advogados. de vez em quando lá um sócio. Estou falando do Brasil.

se afastem dos negócios. Os pais querem que os filhos façam administração. ele não vai encher o saco do irmão Pedro – que assumiu o banco. “Ah. AN – A solução passa por educação? Bernhoeft – Essa expressão que você usou é muito adequada: o problema é de educação mesmo. agrega valor. meu irmão não entende nada”. é melhor mostrar outros caminhos. Porque na medida em que ele faz outra coisa e é bem sucedido. milionárias até. AN – Por que isso acontece? Bernhoeft – Por várias razões: os pais tentam proteger os filhos dos problemas que eles próprios tiveram de enfrentar. AN – E como equacionar essas questões? Bernhoeft – Ou as pessoas fazem a empresa crescer na mesma proporção – o que é muito difícil – ou então devem ir diminuindo seu grau de dependência do negócio. melhor acionista ele vai ser. É muito melhor que seu filho faça medicina. porque ao não depender da empresa. têm seus próprios filhos e querem manter o mesmo padrão de vida. Existe uma tendência dos pais de achar que os filhos vão se entender e isso dificilmente acontece. então? Bernhoeft – Os filhos não podem pensar que assumir os negócios da família é a única opção de vida. e que hoje quando muito conservam algum patrimônio imobiliário. as preferências dos pais – isso repercute e impacta -. Se isso não acontecer. Ele está bem. e a idéia de que o patrimônio vai dar para todo mundo. é nessa história de contratar profissionais e tirar a família do comando. FGV DIREITO RIO 33 . procurem se entender. e é herdeiro do Unibanco. Porque a cada nova geração aumenta a demanda por liquidez. É um brilhante cineasta (dirigiu “Central do Brasil”). Então é muito culpa dessa conduta familiar. a rentabilidade das empresas não crescem na mesma proporção. Porque se tem uma coisa que as pessoas não gostam é de dar satisfação. economia. Os filhos casam. E assim eles podem cobrar com mais tranqüilidade os resultados daqueles que assumiram os negócios. AN – O ideal é tirar a família? Bernhoeft – Uma coisa importante nesse processo. acomodar todo mundo.. Cada nova geração tem que agregar valor àquele patrimônio. Porque quando sentar na mesa do conselho do banco. Quanto mais brilhante cineasta ele for. Eu dou sempre o exemplo do Waltinho Moreira Salles.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa filhos eram três e também brigaram e perderam a empresa – numa das cartas deixou um recado muito interessante. Existem alguns problemas: a disputa pelo poder. É completamente diferente. Só que os lucros. Então a partir da segunda geração começa a haver uma pulverização da propriedade. Que dizia algo assim: “Filhos. AN – O ideal é que haja esse afastamento. Isso é educar a família para que ela seja uma família empresária. E quem tem sócio tem patrão”. Que quase sempre é errada: uma coisa é pai distribuindo a mesada para filho e outra são três pessoas metendo a mão na botija. ele agrega valor ao negócio. Então antes de empurrar os filhos para faculdades de administração e economia. se torne um bom médico e ao mesmo tempo sócio da empresa. Se não ele acaba. porque não depende tão diretamente. vocês vão ser sócios. Não é por aí! Uma família empresária tem que olhar o negócio como empreendimento. E às vezes é melhor que os filhos façam outra coisa. É muito comum os pais falarem: “não quero que eles passem pelo que eu passei”.. porque aí vai virar uma guerra. Não precisamos sair de Santa Catarina ou de Joinville para conhecer exemplos de famílias que eram ricas. acaba. E aí há dificuldades no processo de sucessão. busquem seus próprios caminhos. Não como um lugar onde se vai empregar todo mundo. e coisas do gênero. vocês não vão ser donos. em que se fala muito sobretudo no mundo acadêmico.

AN – E o risco de ficar sem herdeiro? Bernhoeft – Vende-se o negócio. segundo o “Balanço Anual” da “Gazeta Mercantil”. Nosso trabalho é com essas empresas. porque eles interferem sim. Mas ele. oras. Quem nasce numa família empresária já é um privilegiado. de que tem que ter o compromisso de responsabilidade social com o País. ele fez para si. E quando eu digo pai. e não o sonho do pai. Outra coisa importante é descobrir qual é o seu sonho. De preferência com a presença de genros e noras. assinale a assertiva correta. essas coisas. do fundador. vende-se o negócio. Então tentamos reunir todo mundo para uma sensiblização. Ele não fez. dizem uns. dos 300 maiores grupos privados nacionais 265 tem controle ou gestão familiar. E depois o trabalho de criar conselhos. Outro ponto é que os herdeiros tenham um acordo societário: um conjunto de regras que estabeleçam direitos e deveres. Na Alemanha está acontecendo muito isso. Questões de ConCurso PROVA OAB/RS . AN – É comum o pai dizer que foi abandonado? Bernhoeft – Demais. de que o dinheiro não lhe dá o direito de fazer e desfazer. “Ah. Então o primeiro passo é uma reunião geral. Isso faz parte do processo de formação de uma família empresária. tem que tomar cuidado para não se confundir com o empresário. que tem uma das piores distribuições de renda no mundo. O segundo componente é o de você vai criar uma sociedade com alguém que você não escolheu para ser seu sócio. Depois. E quando não há sucessor. concorrentes etc.EXAME DE ORDEM .ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa AN – E o que é ser uma família empresária no Brasil!? Bernhoeft – Em primeiro lugar o Brasil é um país de uma população miserável. Outra questão é estabelecer entre os herdeiros um sucessor.DEZEMBRO/2006 22ª Questão: Sobre a Lei do Registro de Empresas Mercantis e Atividades Afins (Lei no 8. E que essa escolha seja feita entre eles.934/1994). AN – O que faz uma consultoria de empresas familiares? Bernhoeft – No Brasil. fornecedores. baseada em três pontos: a família. por exemplo: critérios de entrada e saída de membros da família na empresa. Mentira. que é uma instituição complexa. com a comunidade. Fundadores costumam dizer que fizeram a empresa para os filhos. de criar condições para que as empresas sigam sendo bem administradas. E tem que ter consciência disso e de algumas coisas: de que o dinheiro acaba. vai durar até o dia em que ele morrer. administrativamente. é um instrumento que ajuda muito. subordinadas ao governo da unidade federativa de sua jurisdição. E a terceira coisa é a empresa. mas meus filhos casaram em regime de separação de bens”. fazemos uma entrevista com cada membro envolvido. Porque se for uma escolha do pai. que é sempre uma figura muito forte. como pai. A primeira fase consiste numa reunião geral com a família. a) As Juntas Comerciais estão. mas as funções por elas exercidas são de natureza federal. clientes. que é o que está em jogo. Mas não com separação de idéias. seu mercado. refiro-me ao pai e à mãe. Simples assim. porque há muito sentimento e ressentimento. Os filhos não só não querem assumir os negócios da família como não querem nem herdá-los. o que é um grande mérito. FGV DIREITO RIO 34 . E só.

do bem imóvel que o subscritor tiver contribuído para a formação ou aumento do capital social.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa b) A consulta aos assentamentos existentes nas Juntas Comerciais bem como a obtenção das respectivas certidões serão possíveis apenas diante de prova do interesse do requerente. será o documento hábil para a transferência. (B) A sociedade empresária que não proceder a qualquer arquivamento no período de 5 anos consecutivos deverá comunicar à Junta Comercial que deseja manter-se em funcionamento. deliberarem prorrogá-lo por prazo indeterminado. Assinale a afirmativa falsa. salvo se os sócios. FGV DIREITO RIO 35 . tais atos podem ser realizados tanto pelo Departamento Nacional de Registro do Comércio quanto pelas Juntas Comerciais. 47. (A) A certidão dos atos de constituição e de alteração de sociedade empresária. documento ou instrumento apresentado a arquivamento perante a Junta Comercial será objeto de exame em que se aferirá a veracidade das informações prestadas pelo empresário. passada pela Junta Comercial. sob pena do cancelamento de seu registro e a conseqüente perda da proteção ao nome empresarial. arquivamento e autenticação. (D) Não pode ser arquivada a alteração do contrato social depois de findo o prazo nele fixado. d) Todo ato. exceto quando se tratar de procuração. c) Os atos praticados pelos órgãos de Registro de Empresas são matrícula. (C) Os atos levados a arquivamento nas Juntas Comerciais são dispensados de reconhecimento de firma. 129º EXAME DE ORDEM/SP – PROVA 1ª FASE – TIPO 1 – DIREITO COMERCIAL. por transcrição no Cartório de Registro de Imóveis. sem oposição de qualquer deles.

afirmou. durante o Fórum de Debates Promotor de Justiça Roberto Lyra. A coordenadora do Centro de Apoio Operacional às Promotorias de Combate à Sonegação Fiscal. a lentidão do Judiciário e a impunidade. – Notícias relacionadas. 27 de agosto Emerson Kapaz defende ética na concorrência empresarial “A concorrência desleal é decorrente da elevada carga tributária. De acordo com o presidente do Etco. Participaram do evento o Procurador-Geral de Justiça. Promotores e Procuradores de Justiça. a burocracia dos procedimentos. após o trânsito em julgado do processo administrativo. incapacitando o incremento do PIB per capita”. declara presidente da ETCO em Fórum de Debates do Ministério Público de Pernambuco O Estado brasileiro deixa de arrecadar cerca R$ 6 bilhões devido à sonegação fiscal no setor de combustíveis. roteiro de auLa: sexta-feira. em que o instituto fornece informações técnicas e bancos de dados. FGV DIREITO RIO 36 . as causas da concorrência desleal são quatro: a carga tributária elevada. Foi o que declarou o presidente do Instituto Brasileiro de Ética Concorrencial (Etco). que. ressaltou que a informalidade é um dos principais afrontes à concorrência leal e prejudica os pequenos comerciantes. no Brasil. é ínfimo: 0. presente ao debate. – TEXTO I – A dura vida do empreendedor. – TEXTO IV – Economia “Invisível”.5% ao ano. ainda. – Lei Complementar 123/2006. através de parcerias e forças-tarefa com os governos. fumo e refrigerantes. só esses referidos setores representam 30% de toda a arrecadação de ICMS no país. ou seja. Kapaz acrescentou que tal prática “impede o crescimento sustentado da economia e contamina o setor formal. Francisco Sales de Albuquerque. O ETCO visa colaborar com o combate à concorrência desleal. da burocracia dos procedimentos. – TEXTO II – Fantasma assusta até empresas que já fecharam as portas. da lentidão do Judiciário e da impunidade”. dificultando a ação dos Promotores”. sobre a importância da revisão do posicionamento do Supremo Tribunal Federal em relação às ações impetradas pelo MPPE. Patrícia Tavares alertou. “O STF alega que o Ministério Público só pode ingressar com uma ação penal contra os sonegadores. quando não couber mais recurso. cerveja. Mozart Siqueira. Patrícia Tavares. Para Kapaz. o secretário da Fazenda de Pernambuco.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa AUlA 05: INfORMAlIDADE NO SEtOR EMPRESARIAl ementário de temas: – A informalidade em vários setores da economia. além de auditores da SEFAZ. Emerson Kapaz. hoje (27). – TEXTO III – Informalidade.

é a tributação sobre o setor produtivo. a formalidade caiu de 64. em 2004. o número de empresas (RECTIUS: sociedades empresárias) sem registro oficial aumentou. o pesquisador Marcelo Néri.28% tinham o CGC55. – Concessionária de energia elétrica (“gatos” = instalações ilegais).92%. ou seja. Apenas 8. Sem essa mudança. Dessa forma.gov. 16. – DETRAN (falta de pagamento de multas e IPVA).br/arquivo/imprensa/noticias/2004_agosto/27_emerson. para Kapaz. 55 FGV DIREITO RIO 37 . “A carga [que incide sobre o setor produtivo] é injusta e cobrada de forma errada”. enfatizou.com/jornal/rio/284415620.98%. ligado à Fundação Getúlio Vargas (FGV). em 99.pe.72% das empresas tinham CNPJ em 2003. – Os números de formalidade das micro e pequenas empresas são alarmantes. – CEDAE (furto de água). Segundo o pesquisador Marcelo Néri. O inteiro teor da reportagem pode ser acessado no site: http://oglobo. 54 “O rombo da informalidade” – O Globo em 25/06/2006. os encargos sociais crescentes sem a contrapartida dos serviços levam à informalidade. todas as bases de formalidade caíram à metade entre 1997 e 2003. a questão da informalidade foi apresentada de forma ampla. contra 14. Por fim. – Serviços como de operadoras de TV a cabo (ligações clandestinas). Apenas 14. dado observado no primeiro semestre deste ano. (http://www. em estudo apresentado na reportagem do O Globo. de 69. e 60. preencheram a declaração de Imposto de Renda em 2003.mp.62% em 97.4%. para 62.2% tinham registro de pequena empresa em 2003. pg. Néri usou como critério a contribuição previdenciária a fim de poder cruzar dados do Censo.globo. Essas reformas estruturais.asp O cnpj substituiu o cGc-mF (cadastro Geral de contribuintes do ministério da Fazenda) através da Instrução normativa sRF nº 2. em parceria com a Secretaria da Fazenda de Pernambuco e a Polícia Militar. para ele.4 bilhões que o Estado do Rio de Janeiro deixa de arrecadar a cada ano com a prática da informalidade em setores como: – FISCO (pirataria/sonegação de ICMS).46% em 97. Em 1997. questionada por setores do governo e do Judiciário. No estado. movimento posto ao do resto do país. 16. E na cidade do Rio. segundo dados atualizados do Censo. mantido pela corrupção e pelo crime organizado. ela era de 63. contra 27.63%. o presidente do Instituto ETCO considerou “fundamental ao setor empresarial” a capacidade de investigação por parte do Ministério Público. em 2004. – “Informalidade fundiária” (inadimplência no pagamento do IPTU ou pela situação irregular do imóvel). devem englobar mudanças na legislação trabalhista e redução da carga tributária. abrangendo vários setores da economia. Kapaz também defendeu uma “mudança de cultura a favor da ética”. concluiu que a formalidade no mercado de trabalho fluminense caiu entre 1997 e 2003. do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre). Só7. Outra causa da concorrência desleal.43%. corremos o risco da criação de um Estado paralelo. segundo Kapaz. a arrecadação no setor de álcool aumentou em um mês 170%.htm) Em matéria veiculada no jornal O Globo54. em 93. A reportagem começa informando ao leitor sobre os R$ 4. conforme texto a seguir: Ao analisar o número de contribuintes da Previdência Social no estado.39%. da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) e de pesquisas do setor informal. de 2 de janeiro de 2001. Kapaz defendeu mudanças estruturais para trazer de volta ao mercado formal as empresas que atuam na informalidade. Na Região Metropolitana do Rio. mas reconheceu que essa mudança é um trabalho de longo prazo.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa Devido à atuação da Promotoria de Combate à Sonegação Fiscal.

há uma “série de precariedades na vida trabalhista das favelas: desemprego alto. mas sem oferecer os serviços em contrapartida. existe uma quase total informalidade fundiária. A proliferação delas cria mais informalidade. diz Néri. não tem escritura. passa a seu uma saída – conclui. A informalidade. Uma das formas encontradas para driblar o pagamento dos impostos e encargos trabalhistas é se associar a uma cooperativa. não consegue provar endereço.” Jornal O Globo – infográficos. mesmo. Ao contrário do que se pensa. De acordo com o pesquisador. Tenta-se cobrar impostos. Até porque a pessoa que mora na favela tem “gato” de luz. Dados atualizados do Censo mostram que nelas ele chega a 19. não é a favela que tem a maior informalidade previdenciária: – É simples: na favela. Com carteira assinada. Ela reflete o jeitinho brasileiro. a taxa cai para 9.1%. é o desemprego. Grande nas favelas. Nos bairros de alta renda.1%. título de propriedade não é a regra. em todos os setores.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa A informalidade está associada a encargos fiscais crescentes sem que haja benefícios sociais em contrapartida. ela pode conseguir abrir crediário. salário baixo. FGV DIREITO RIO 38 . jornada puxada”: Mas o mais forte é a falta de presença do Estado. Mas as pessoas buscam ter relação com o estado em outros setores da vida.

a maioria vai preferir ter acesso a isso e aos direitos. ávidos por comprar e imersos numa frouxidão de valores. os exemplos que vêm dos governantes não ajudam a interromper o ciclo: — As pessoas pensam: “Ah. 56 O Globo de 26/06/2006. endereço. que apela o tempo todo para a compra de bens. o jornal O Globo traz o artigo “Estudo sobre a economia subterrânea”56. é fácil. Uma pessoa de renda baixa tem lá seu celular. Isso é artigo em extinção. professor da Uerj. que tinha uma banca de 15 dos melhores advogados e quase conseguiu hábeascorpus no Supremo para se livrar da cadeia. — A informalidade tem implicações mais profundas do que parece. Ninguém quer ficar à margem. com surpreendente destaque para os de classe média e alta. Recorrer à informalidade é o dia-a-dia de 20% a 25% da população. corrupção. seu DVD. pg. Serão cruzados dados desde 1995 para uma avaliação trimestral da evolução da informalidade. Se lhe derem essa opção. sem contrato. inclusive de grife. condenar o uso de produtos piratas: — As pessoas não têm acesso a emprego com carteira assinada. mortes por disputas entre quadrilhas de contrabandistas e financiamento de campanhas de políticos que contribuem para a manutenção do status quo — diz Emerson Capaz. Em troca de pagar. com propinas. há consumidores. Para ela.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa Ainda na matéria sobre a informalidade. É uma espécie de busca tortuosa por cidadania — diz. TV a cabo para os pobres.17 FGV DIREITO RIO 39 . água. É preciso que o mercado se aproxime da renda das pessoas para conter a informalidade. Como é que ela não se põe à margem? Consumindo piratas. do Ibre. — É importante não se esquecer das pressões de uma sociedade consumista. O sociólogo defende a proliferação de programas que estimulem a adesão de consumidores de baixa renda. sem pagar impostos — diz o professor. ‘É uma espécie de busca tortuosa por cidadania’ Professora da Escola Brasileira de Administração Pública da FGV. — Que se expandam os programas de eletricidade. Justiça lenta. para quem tem renda para consumir. Sylvia Vergara tem outras ponderações sobre as causas da informalidade. que moram em favelas. Trata-se de uma cadeia que sustenta um verdadeiro Estado pirata. Para o sociólogo Inácio Cano. que começa a ser publicado periodicamente ainda este ano. sobre a economia subterrânea. sem receber entregas. sua TV. há direito a assistência técnica. sem punição. para facilitar o acesso do consumidor de baixa renda. Além disso. — Um exemplo da força do Estado pirata é o (megacontrabandista) Lao Kim Chong. O estudo ficará a cargo do pesquisador Aloísio Campello. Emerson reconhece que prender camelô é ineficiente: — É enxugar gelo. É cada vez mais a regra. burocracia e impunidade. Tem que atacar a logística e ter em mente que a pirataria e o contrabando têm quatro pilares: alta carga tributária. As empresas. a seguir: “A necessidade de estudar detalhadamente a extensão da informalidade no país levou o Instituto Brasileiro de Ética Concorrencial (Etco) a contratar a Fundação Getúlio Vargas para elaborar um estudo permanente. presidente do Instituto Etco. E faz gato da TV a cabo. por que eu não posso?” Não se pode nem falar mais em marginalidade para esse tipo de comportamento. sofrendo discriminação. mesmo ganhando até um pouco menos. poderiam fazer linhas populares que tivessem a sua marca. se eles podem roubar.

e dá outras providências. Microempresas. está tramitando o PL 6. desde que a receita bruta global ultrapasse o limite R$ 2. revogando as Leis n. sempre foram (e continuam sendo) os maiores obstáculos para a abertura de novos negócios. o novo regime engloba o Icms (estados) e o Iss (municípios). Uma das novidades do PL é a dispensa das certidões negativas para o fechamento de empresas. principais pontos da Lei. 57 58 a postergação da parte tributária ocorreu porque Estados e a Receita Federal alegaram que não haveria tempo hábil para desenvolver o sistema de arrecadação.000. O restante da lei passou a vigorar a partir do dia 1º de janeiro de 2008 com exceção de itens que ainda dependem de regulamentação posterior. b) sociedades cujo capital participe outra pessoa jurídica. Há um rol de vedações. dentre essas vedações. Em 14 de dezembro de 2006. podemos citar: a) pessoas jurídicas constituídas como cooperativas (exceto as de consumo). são aquelas que faturam até R$ 240 mil por ano.4 milhões por ano. csL e contribuição previdencial patronal).529/2006 que cria a REDESIM — Rede Nacional para a Simplificação do Registro e da Legalização de Empresas e Negócios. — No fundo.º 9. A expectativa do governo é que a lei permita a criação ou formalização de 1 milhão de empresas e.00. Estabelece diretrizes para a simplificação e integração do processo de registro e legalização de empresários e de pessoas jurídicas.529/2006 pretende combater a demora no processo de abertura e fechamento de sociedades empresárias. do Fórum Contra a Pirataria. serão automaticamente enquadradas no super simples. que estabelece normas gerais relativas ao tratamento diferenciado e favorecido a ser dispensado às microempresas e empresas de pequeno porte no âmbito da União. dos Estados. e n. além de estabelecer um amplo programa de agilização e simplificação de procedimentos e a integração das ações dos órgãos e entidades públicas. tanto para fins do Estatuto. O super simples (Lei complementar nº. foi sancionada a Nova Lei do Simples. cofins. como a exigência de certidões negativas. c) pessoas jurídicas cujo sócio ou titular seja administrador ou equiparado de outra pessoa jurídica com fins lucrativos. reduzindo praticamente à metade os prazos para tramitação de processos nas juntas comerciais. para a realização dos registros da atividade empresária de que trata em seu contexto. já as que se encontram enquadradas no simples e que não se manifestarem até o fim do mês. Cano encontra apoio até em representantes da indústria pirateada.841/99 (atual Estatuto da Micro e Pequena Empresa). com isso.529/2006.57 Com o objetivo de simplificar e diminuir a burocracia. do Distrito Federal e dos Municípios.317/96 (que trata do Simples Federal). fica impossibilitado de fechar a sociedade diante de tal exigência (aspecto negativo).º 9. que substitui o simples. além dos seis tributos e contribuições federais (IRpj. para a abertura e o fechamento de sociedades empresárias. A burocracia e a falta de união das juntas comerciais. e as pequenas empresas.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa Entidade apóia lançamento de linha popular por grifes Nesse ponto. Só precisa de meios para isso”. proJeto de Lei 6. Lei geraL das miCro e peQuenas empresas – LC 123/2006. pIs. e pequenas empresas que ganham de R$ 240 mil a R$ 2. a geração de 2 milhões a 3 milhões de empregos formais.400. porém. passarão a vigorar em 1º de julho de 200758. O novo regime tributário entra em vigor a partir do dia 1º de julho e as empresas têm até o dia 31 para optar pelo regime. a burocracia traz complicações que provocam demora e muita dor de cabeça para os ex-sócios. cria a Rede nacional para a simplificação do Registro e da Legalização de Empresas e negócios – REDEsIm. O PL 6. estaduais e municipais. que já eram incluídos no simples. todo mundo quer ter o produto original. IpI. para o administrador honesto que discute as dívidas da sociedade na justiça. — Toda a conscientização e toda a fiscalização não serão eficazes se a indústria não se comprometer a criar linhas de produtos mais populares — alerta Alexandre Cruz. A unificação e simplificação tributária. para microempresas que faturam até R$ 240 mil por ano. prevê a unificação e simplificação de impostos federais. FGV DIREITO RIO 40 . quanto para fins do tratamento tributário. pL 6529/2006.4 milhões. até R$ 2. 123/06). pois de um lado dificulta a fraude (aspecto positivo). Esta exigência sempre gerou muita polêmica. Até para o fechamento (vide Texto II).

sancionada sem vetos. IPI. No entanto.3 milhões de informais no país. de até R$ 36. É um dos grandes obstáculos para que pequenos negócios entrem na economia formal. do PIS. escolas de línguas. PIS. as alíquotas variam de 4% a 11% de acordo com o faturamento. só o público-alvo do microempreendedor Individual compreende os 10. de até R$ 36. Alíquotas: No comércio. Autônomos: Os autônomos farão o recolhimento de apenas 11% para o INSS (Instituto Nacional do Seguro Social). que vai vigorar a partir e 1º de julho também de 2009. as alíquotas são 50% maiores que as cobradas no comércio. que tenha auferido receita bruta. A alíquota atual (2006) é de 20%.00 (trinta e seis mil reais). Ele ainda passa a integrar o cadastro nacional de pessoa jurídica (cnpj). a previsão é que a lei beneficie cerca de 11 milhões de empreendedores. no Brasil. CSL e INSS). O tempo mínimo de contribuição são 15 anos. de segurança e vigilância sanitária será feita de forma simplificada. cuja vigência iniciar-se-á em 01/07/2009: “Art. É preciso ter disposição para cumprir cerca de 17 procedimentos. O registro da empresa será único e servirá para todas as esferas de governo. seu registro será simplificado e livre de taxas e emolumentos. Novos setores: A Lei Geral como foi aprovada no Congresso permite que novos setores entrem no sistema de arrecadação especial. considera-se MEI o empresário individual a que se refere o art. média ou grande. a lei. Ele poderá optar pelo recolhimento dos impostos e contribuições abrangidos pelo Simples Nacional em valores fixos mensais (aprox. conforme parágrafo primeiro do artigo 18-A da LC 123/2006.59 teXto i – a dura vida do empreendedor60 Estudo do mostra que o Brasil lidera a lista dos países que criam maiores dificuldades para abrir uma empresa. além do ICMS (Estados) e ISS (municípios) a partir de 1º de julho. com a lei. Os documentos serão entregues em um único órgão que repassará os dados para os outros. no ano-calendário anterior. tendo esta última criado a figurado Microempreendedor individual – MEI. entra em vigor no dia 1º de janeiro de 2009. 59 FGV DIREITO RIO 41 .65. cria condições para desburocratizar a abertura e o fechamento de empresas. Formalizado como mEI. Eles também podem ter até um empregado. poderá ter conta bancária e outros benefícios como acesso a linhas de financiamento especiais com juros reduzidos e participação nas licitações públicas. Compras públicas: As micro e pequenas empresas passam a ter prioridade em compras governamentais de até R$ 80 mil. É importante ressaltar que a Lei Complementar 123/2006 sofreu alterações de acordo com a LC 127/2007 e LC 128/2008. comparecer em Entre as medidas. destacamos: Tributação: A lei unifica e simplifica a arrecadação de seis impostos e contribuições federais (IRPJ.00. e não por tempo de contribuição. de 10 de janeiro de 2002 – Código Civil. (. Abrir uma empresa.4 bilhões ao ano.000. a nova lei possibilita resolver problemas reclamados pelo segmento relativos à cobrança de Icms.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa Como principais pontos da lei. e do INSS patronal. Entre eles estão os operadores autônomos de transportes de passageiros. 18-A. A renúncia fiscal prevista é de R$ 5. sapateiros e artesãos com receita bruta anual de até R$ 36 mil e que optarem pelo simples nacional. (Incluído pela Lei Complementar nº 128. a família também tem direito à pensão por morte do segurado e auxílio-reclusão. R$ 50. Não estará sujeito à incidência do IRPJ. Cofins. considera-se MEI o empresário individual que tenha auferido receita bruta. o mEI retém 8% do salário pago e complementa com mais 3% para o Inss do trabalhador. da COFINS. o empreendedor passa a ter direito à aposentadoria por idade ou por invalidez. é como participar de uma gincana. independentemente da receita bruta por ele auferida no mês. seguro por acidente de trabalho e licença-maternidade. da CSLL.” Portanto. mais R$ 1 de Icms (comércio e indústria) ou R$ 5 de Iss (serviços). as empresas de montagem de stand em feiras. academias de ginástica e de dança e empresas que atuem na área de produção cultural e cinematográfica. A parte de fiscalização ambiental. do IPI.. o trabalhador poderá se aposentar apenas por idade (60 anos para mulher e 65 para homens).) § 1o Para os efeitos desta Lei.. de 2008).406. pequena. Menos burocracia: A Lei Geral garante maior rapidez na abertura de empresas. Há um acréscimo de meio ponto percentual para as indústrias. podem se inscrever como mEI empreendedores como costureiras. no ano-calendário anterior. se tiver empregado. o microempreendedor Individual (mEI) e a sociedade de propósito Específico (spE).00). permite a entrada de novos setores econômicos no simples nacional e cria duas novas personalidades jurídicas. 966 da Lei no 10.000. exceto o mEI. que hoje equivale a R$ 45. pagam apenas valor fixo mensal de 11% do salário-mínimo de Inss para aposentadoria pessoal. optante pelo Simples Nacional e que não esteja impedido de optar pela sistemática prevista neste artigo. os microempreendedores individuais ficam isentos de praticamente todos os tributos. No caso do setor de serviços.

de Brasília. por clarissa Furtado. E precisa esperar que se cumpra cada etapa para iniciar outra. Também foram esboçadas sugestões de atuação em nível federal. Na Austrália. O registro do mEI será regulamentado pelo comitê Gestor da Rede nacional para a simplificação do Registro e da Legalização de Empresas e negócios (Redesim). denominado Doing Business (fazendo negócios).com. quando foi criado o Ministério da Desburocratização (leia o quadro na página ao lado). Grande parte da demora deve-se ao fato de que os órgãos responsáveis por autorizar o registro não conversam entre si. As dificuldades enfrentadas pelos empreendedores brasileiros não ocupavam a agenda pública desde o final da década de 1980. 274 dólares em taxas e tributos. um grupo de trabalho do governo federal. Em Brasília. por exemplo. A burocracia é um dos motivos da alta taxa de informalidade dos negócios no país. A situação da capital paulista é emblemática e reflete muito do que acontece ao longo do território. A questão é importante porque impacta a pauta de crescimento sustentável do Brasil a longo prazo. Para se ter uma idéia da dimensão do problema da burocracia nesse campo. em dois dias se abre um negócio. O périplo é longo não apenas por envolver várias etapas a serem cumpridas. a legislação foi feita com foco em cada um dos órgãos envolvidos. também criado com a nova lei. capitaneado pelo Ministério do Desenvolvimento. da empresa de contabilidade Welmaso. que é de 49 dias. por exemplo. estados e municípios. O microempreendedor Individual não precisará apresentar contabilidade ou nota Fiscal. um estudo realizado pelo Banco Mundial esse ano. embora em algumas capitais o problema esteja minimizado. acesso em 19 de janeiro de 2009. em matéria de demora para a abertura de uma empresa. “As exigências são repetitivas e falta orientação para o empreendedor”. O primeiro passo foi a realização de um workshop em maio. como é o caso de São Luís. e nos Estados Unidos são necessários cinco dias. com 11. ter tempo e dinheiro de sobra. Revista Desafios do Desenvolvimento – IpEa – setembro/2004. Assim. Perde apenas para a Índia. costumamos gastar de 40 a 60 dias para cadastrar uma empresa e outros 3 a 4 meses para que ela possa funcionar”. É o segundo processo mais lento do mundo. reunindo membros do governo federal e outros setores envolvidos no processo em instâncias estaduais e municipais. No caso do Brasil o cenário foi a cidade de São Paulo. entre 133 países pesquisados. Indústria e Comércio Exterior (MDIC). de acordo com o Banco Mundial. no Maranhão. hoje na casa dos 40% do Produto Interno Bruto (PIB). indica que qualquer mortal interessado em abrir um empreendimento no Brasil tem de desembolsar. 60 FGV DIREITO RIO 42 . às 01:04horas. Para fechar uma empresa brasileira são necessários 10 anos. além de esperar uma média de 155 dias para abrir as portas. exceto se vender ou prestar serviço para pessoa jurídica. br/?cat=8&paged=2. afirma Carlos Gastaldoni. Segundo ele. comenta o contador Leo Arksy. O estudo do Banco Mundial leva em conta a realidade dos principais centros financeiros de cada país. O tempo gasto nos trâmites burocráticos é o triplo da média mundial. o potencial empresário tem de fornecer os mesmos dados e documentos a cada um deles. http://www. mas também devido a inúmeros imprevistos que normalmente acontecem no meio do caminho. por baixo. ou ainda se houver qualquer pequena rasura ou termo incorreto. No evento foram debatidas experiências internacionais de desburocratização e iniciativas locais bem-sucedidas. secretário de Desenvolvimento da Produção do MDIC e coordenador do grupo de trabalho.3 anos. Um processo em fase final de deferimento pode retornar ao ponto inicial se uma assinatura tiver algum detalhe diferente da que consta na carteira de identidade. de Brasília. onde é possível abrir um empreendimento em seis dias. “A sensação é de que a cada ano fica mais difícil abrir um negócio. Burocracia Os contadores são as figuras que mais conhecem o duro dia-a-dia das filas da burocracia. O levantamento aponta que o Brasil ocupa o sexto lugar.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa até 15 órgãos do governo. está incumbido de realizar um diagnóstico dos principais entraves no registro empresarial. e de implementar soluções que minimizem o martírio de potenciais empreendedores.tactus. bastando uma declaração anual. sem uma visão geral do processo e sem pensar no cliente. sendo integrado por representantes da união. Agora.

A criação de um cadastro único de empresas. Assim. no Canadá. Ainda está apenas no plano da discussão. O número de empreendedores no país é crescente. feita pela London Business School. a ser apresentando ao Congresso ainda em 2004.5% devido ao tempo gasto no processo. 24. Entidades representativas do público empresarial já estão se movimentando nesse sentido. O conceito one stop shop (algo como loja de parada única) já funciona em vários países desenvolvidos.5% não pensavam em legalizar suas atividades por causa das dificuldades burocráticas. Depois que a Receita Federal realizou. redefinindo o Estatuto das Micro e Pequenas Empresas e fazendo outras propostas. A classificação segue o padrão da Organização das Nações Unidas. a utilizam e. para o 6º lugar. por exemplo. elaborou um ante projeto de lei. reunindo informações da Receita Federal e das secretarias de fazenda estaduais e municipais é o desejo daqueles que defendem um processo menos complexo na constituição de empresas no Brasil. em 2003. alerta o cientista político Sérgio Abranches.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa Segundo um estudo do Instituto Análise de Ribeirão Preto. A adoção de um código único de classificação econômica de empresas é outra medida fundamental para a viabilização do projeto.6% devido ao alto custo financeiro e 18. que também já admite o preenchimento de formulários pela internet. explica. Interessados no assunto não faltam. em julho. A entrada única de dados cadastrais é a regra. No ano passado. embora esteja previsto em lei. uma exigência da Emenda Constitucional 42. aprovada na Reforma Tributária do ano passado. formal ou informalmente. um encontro de administradores tributários. O Brasil passou de sétimo colocado. por exemplo. por isso. “Mas não adianta esperar que o Estado sozinho conduza o processo de mudanças. Nem todas as cidades. naquelas em FGV DIREITO RIO 43 . O Sebrae. em 2002. de um total de 640 empreendedores informais do estado de São Paulo. 12. estados e municípios terão até 30 de setembro para apresentar um diagnóstico da situação e o que seria necessário para a unificação. ao grupo de trabalho interministerial. O argumento explica a ênfase especial ao tema pedido pelo ministro Luiz Fernando Furlan. o registro de empresa é regulado por lei estadual e. 21. e também a inclusão do tema na lista de medidas da nova Política Industrial. Paulo Ricardo de Souza Cardoso. o cadastro único ainda está longe de se tornar realidade. por exemplo. A Classificação Nacional de Atividade Econômica (CNAE – Fiscal). No Brasil. a Federação Nacional das Empresas de Serviços Contábeis (Fenacon) e o Conselho Federal de Contabilidade (CFC) já definiram essa demanda como a principal em sua pauta de reivindicações.9% da população estava envolvida em alguma ação empreendedora. O empreendedor se compromete a enviar. em apenas dois dias. criada em 1994 e atualizada em 2002. realizado no final do ano passado a pedido do Ministério da Fazenda. Segundo o coordenador-geral de fiscalização da Receita. Em São Paulo. o que facilita a comparação de informações brasileiras com dados mundiais. foram assinados dois protocolos estabelecendo metas e compromissos para viabilizar o projeto. A unificação das informações fiscais é. na pesquisa Global Entrepreneurship Monitor. Ela torna possível o uso de um mesmo código de atividade em todo o país e viabiliza o cadastro único. um único documento: o contrato social da empresa. foi sendo paulatinamente usada pelos diversos ministérios. do MDIC. A pressão da sociedade é fundamental”. por correio. porém. terá de ser aprovada uma nova lei que possibilite o cadastro único”. “Temos disparidades nas regras locais e também na estrutura tecnológica. inclusive. é possível obter o registro. O Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae). sobre o nível da atividade empreendedora em todos os continentes.

serão precisos pelo menos três ou quatro anos. Faltam informações sistematizadas e de fácil compreensão sobre o procedimento a ser adotado pelos interessados em abrir empresas. Assim. em grande medida. como a prefeitura. Como se não bastasse o tortuoso caminho até a obtenção do registro da empresa. a necessidade de uma vistoria ambiental com base no código. já que faltam viaturas. o empreendedor teve de ir ao corpo de bombeiros com seu próprio carro para buscar o técnico. da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional. se tudo correr bem. Na Receita Federal o padrão é o uso dos quatro primeiros números. O prazo de dez anos citado pelo Banco Mundial para dar baixa de um estabelecimento é conseqüência. Outra hipótese seria dar ciência ao empreendedor de todas as obrigações a cumprir em relação à segurança da atividade. O empresário daria baixa na Junta Comercial e avisaria aos órgãos envolvido que cobrariam eventuais dívidas. Na cidade de São Paulo está sendo elaborado um software que determinará. Algunas aplicam os três primeiros algarismos da classificação. sobretudo. Os processos de fechamento ou alteração das condições jurídicas são compostos por rituais ainda mais cansativos. Dos 152 dias registrados no estudo do Banco Mundial.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa que já é empregada. enquanto outras elencam até seis. Contando com aprovações de projetos de lei no Congresso. o corpo de bombeiros e a vigilância sanitária. Unificação de códigos O código da CNAE também poderia ser usado para cruzamento com as atividades listadas nos planos diretores das cidades. a firma poderia iniciar suas atividades mais rapidamente. FGV DIREITO RIO 44 . os futuros empresários precisam munir-se de persistência para conseguir autorizações de funcionamento das instâncias locais. Na esfera federal. de estado para estado. com o apoio do Sebrae. as Centrais Fáceis. Não é apenas o nascimento de um empreendimento que envolve tantos meandros. cogita-se que o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) poderia coordenar uma central de codificação de atividades econômicas. deveriam ser criadas classificações mais precisas das atividades de acordo com o risco potencial que elas oferecem para a sociedade. quase óbvias. Isso facilitaria a concessão dos alvarás de funcionamento e serviria para orientar a necessidade de fiscalizações e licenças específicas. Dessa forma. uma cooperação entre os governos. de fato. 120 são gastos nos procedimentos de fiscalização e vistoria pra a obtenção das licenças vinculadas ao alvará de funcionamento. foram criadas em dez cidades. as fiscalizações se concentrariam nos negócios em que há. perigo de acidentes. José Martonio Alves Coelho. que reúnem escritórios dos órgãos envolvidos no registro num único local. A falta de fiscais em muitas cidades adia a vistoria. Ele assinaria um termo de responsabilidade comprometendo-se a executá-las em determinado período de tempo. consultor de tributos e desburocratização do Sebrae. principalmente porque as regras variam de cidade para cidade. para agilizar o processo. da Receita Federal e do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS). O Sebrae tem desempenhado um papel importante nessa área. Mas questões complexas muitas vezes são resolvidas com soluções marcadas pela simplicidade. Em Brasília houve casos em que. sugere o presidente do CFC. Além do cadastro único existem outros problemas. “É preciso unificar as regras”. por exemplo. falta uniformidade. da exigência de certidões negativas pelo Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS). A redução do prazo de abertura e encerramento de empresas no Brasil ainda vai demorar. Enquanto as mudanças estruturais não aparecem. Uma alternativa para resolver o problema seria a eliminação de todas essas certidões. investimentos em informatização e. Fiscalização Qual seria uma possível solução? Para André Spínola.

Agora. à geração de empregos e uma fonte de gastos inúteis por parte da sociedade. Flávio Sabbadini. continua existindo. 11 de dezembro de 2005. – Às vezes. preciso provar com uma pilha de comprovantes que esta dívida não existe para obter a certidão negativa de débito. mesmo que a empresa seja obrigada por lei a apresentar relatórios mensais e anuais sobre pagamento de ICMS. Ela lamenta que. Resolvido este impasse. A contabilista da firma. Uma empresa de reforma de carrocerias de Guaíba. está com toda a documentação em dia e não apresenta débito com o INSS. – O problema no fechamento de uma empresa é que você é responsável por problemas junto ao INSS e ao Fundo de Garantia. por exemplo. Até agora. Mesmo quando uma empresa não tem credores. já não tem funcionários há quatro anos. 60 Vale lembrar que as alterações sofridas pela Lei complementar 123/2006. 61 FGV DIREITO RIO 45 . a complexidade do procedimento para fechá-la também é considerado um obstáculo ao desenvolvimento de novas companhias. Ainda assim. no papel. tenho vontade de jogar tudo para o alto – confessa a contabilista. que muitas vezes não dependem de você para que sejam resolvidos – afirma o preside do Sebrae/RS. na Região Metropolitana. o volume de documentos exigidos e falhas na engrenagem burocrática elevam o tempo mínimo para extinguir o empreendimento a vários meses. Magda Gattini. – Isso acontece seguidamente. como as outras certidões que atestam a ausência de dívidas junto a órgãos governamentais têm prazo de validade para serem apresentadas. Mas não é fácil – diz Magda. por exemplo. voltará a percorrer as repartições para depois apresentar a papelada à Junta Comercial com o pedido de baixa. o Brasil se equipara somente ao Chade e à Índia neste quesito – onde o processo também chega a uma década em caso de falência. explica que os sócios tiveram de esperar a conclusão de um processo de venda do negócio para formalizar sua dissolução. 44 anos. todos os comprovantes tenham de ser novamente verificados. fechá-la é um tarefa extenuante para os empreendedores. provocadas pela Lc 128/2008. também tiveram por objetivo facilitar a abertura e fechamento das empresas iniciadas pelo microempreendedor individual. Fonte: jornal zero Hora. O pior é que. estaduais e federais pode elevar o tempo necessário para extinguir uma firma a nada menos do que 10 anos. ela provavelmente terá de recomeçar do zero e obtê-las novamente. O vaivém de certidões e formulários exigidos por repartições municipais. a contabilista enfrenta há mais de um mês o pesadelo da burocracia. não consigo entender como ainda vivemos às voltas com formulários e carimbos – lamenta Magda. Assim como as dificuldades para abrir uma empresa. por exemplo. Assim.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa teXto ii – fantasma assusta até empresas que já fecharam as portas60 Se abrir uma empresa é uma empreitada difícil no Brasil. não conseguiu uma das muitas certidões necessárias para dar prosseguimento ao processo porque uma falha de comunicação entre os computadores da Caixa Econômica Federal e do INSS aponta uma dívida inexistente.61 Conforme o estudo do Banco Mundial sobre o ambiente para negócios em todo o mundo. – Na era da informática.

– Os primeiros anos da Reforma Administrativa enfatizam a desburocratização administrativa. tenta dar agilidade e eficiência ao serviço público. – O Programa Nacional de Desburocratização perdeu ênfase no final da década de 80. cria o Programa Nacional de Desburocratização que seria tocado pelo Ministério da Desburocratização. – Perfil autoritário da administração pública. – Inexistência de um código específico de Defesa do Usuário de Serviços Públicos. em 1969. > Formalismo jurídico idealiza as instituições a partir de uma visão estritamente legal. delega competências e reforça a autonomia da administração indireta. presidente do Instituto Hélio Beltrão (IHB) e página do IHB na Internet Por que o Brasil patina? – Há forte vocação à centralização administrativa. o projeto de descentralização volta à carga. > Existe uma relação de desconfiança no relacionamento do governo com a sociedade e com o cidadão. socialmente controláveis. Fonte: João Geraldo Piquet Carneiro. que seria implementada três anos mais tarde. o programa é recriado. mas reduz o ímpeto da modernização administrativa do Estado. – Partidarização excessiva do governo. criando um ciclo vicioso Fontes:Instituto Hélio Beltrão Juarez Freitas professor de Direito PUCRS e da UFRGS. a partir de 1946. aperfeiçoados a emissão de passaportes e a revogação de mais de 100 mil decretos superados e desnecessários. busca uma vantagem e não um direito. exigência da Emenda Constitucional 19. compromete o projeto de descentralização administrativa. dedicando-se prioritariamente a disseminar os conceitos de desburocratização. novas medidas de maior impacto são adotadas no âmbito do Programa Federal de Desregulamentação. O último dos presidentes militares. – Nos anos 2000. – O recrudescimento do regime militar. durante o primeiro governo militar. – A redemocratização. Parte-se do princípio de que o cidadão. > São simplificados os procedimentos de embarque e desembarque nos aeroportos. até hoje não levada a sério. São criados os concursos públicos nacionais e autarquias dotadas de autonomia gerencial e financeira – primeira tentativa estruturada de descentralização administrativa. – O Estado Novo. promove a descentralização política. é criada a Comissão de Reforma Administrativa. – Em 1964. o processo político caminha no rumo da descentralização política.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa No Brasil. > No início dos anos 90. apesar de autoritário. Para o Instituto Hélio Beltrão – batizado com o nome do ex-ministro da Desburocratização – as medidas abaixo foram tentativas de reduzir a burocracia do Estado: – Do fim da monarquia até 1930. – Duas inovações importantes tiveram a sua gênese com a criação do programa: o Estatuto da Microempresa e os Juizados de Pequenas Causas. de 1937 a 1945. que dificulta o planejamento de longo prazo – O Estado volta sua arrecadação para seu próprio financiamento. e de gratificação de produtividade. ao buscar um serviço público. general João Batista Figueiredo. – Falta de fixação de metas de desempenho. com o poder sendo transferido para as províncias. presidente do Instituto Brasileiro de Direito Administrativo e pesquisador Associado na Universidade de Oxford (EUA) FGV DIREITO RIO 46 . que mais tarde se transformam nos Juizados Especiais. – Em 1979.

1 milhões de trabalhadores que recebiam algum tipo de pagamento. a indústria respondia por 22. Nos infográficos abaixo mostramos. As estimativas indicam que nesse ambiente circulem de 10% a 15% do Produto Interno Bruto (PIB). Há grande curiosidade a respeito dos resultados: será que o universo informal continua em expansão? Segundo Lauro Ramos. quais os setores que mais lidam com esse tipo de mão-de-obra e quais as maiores dificuldades enfrentadas pelos que querem operar dentro da formalidade.9% dos empregos do IBGE. ocupando 12. São também os diplomados que dão consultoria ou atuam como personal trainers. Em 2002 eram 36. Em dezembro será divulgado um novo levantamento com as mesmas características. O problema é crescente. Uma pesquisa feita pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) em 1997 revelou a existência de 9. São camelôs. pesquisador do Ipea e especialista em mercado de trabalho.7% para 42. barraqueiros. especialmente nas regiões metropolitanas. o crescimento da informalidade no Brasil resulta de uma re-acomodação da economia. Isso ocorreu porque a Revista Desafios do Desenvolvimento – IpEa – novembro/2004 – Edição 4. CDs piratas ou uma miríade de coloridos badulaques que enfeitam as ruas de qualquer cidade.3 milhões de pessoas. por andréa Wolffenbüttel. Nada menos do que 52. Alguns resvalam para a ilegalidade. entre 69. quem está migrando para a informalidade. vendem cigarros e remédios falsificados. e dentro delas no setor de serviços. escapar das armadilhas da burocracia e do pagamento de impostos. Em 1991. 61 FGV DIREITO RIO 47 .5 milhões de empresas informais. Em contrapartida. Procuram sobreviver no improviso.2% das vagas de trabalho nas regiões metropolitanas (conforme a Pesquisa Mensal de Emprego). O Brasil é um dos campeões nesse território. donos de fábricas de fundo de quintal. o setor de serviços teve a sua participação aumentada de 35. brasil dividido. em números. Tem de tudo no mundo da informalidade. Mais da metade dos trabalhadores brasileiros vive na informalidade.8% do total dos empregos em 2002. Os dados estão em estudos do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) feitos com base em informações do Instututo Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Saiba por que isso é um problema e o que se está fazendo para resolvê-lo.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa teXto iii – informalidade61 Esta edição da “Desafios” traça um amplo panorama da perigosa expansão da economia informal no Brasil. Eles habitam um mundo de tons cinzentos. Em 2002 a indústria era responsável por apenas 15.9 milhões de pessoas: 86% pertenciam a trabalhadores autônomos e 14% tinham até cinco empregados.6% dos brasileiros que praticam alguma atividade remunerada gravitam em ambientes informais.

36. pois a carga tributária no Brasil passou de 25% do PIB em 1992 para 34. Há mais. fechará 2004 na marca dos 38% do PIB. Goiás. A dona da pequena confecção em Jaraguá. Leandro e seu pai manipulam produtos químicos em galões sem qualquer segurança. apenas 17% dos trabalhadores sem carteira tinham mais de 11 anos de escolaridade e em 2000 essa proporção subiu para 26%. segurança ou alimentação.2% das respostas). que ostenta um índice de apenas 9%. arcar com os pesados encargos tributários ou desvendar uma complexa legislação entronizada sobre a Consolidação das Leis Trabalhistas – um cartapácio com 985 artigos que tem de 61 anos de idade. O Sistema Simples.6%) e a falta de acesso ao crédito (9. Qual sua perspectiva de futuro? Permanecer como estão. Em 2002 já eram 36% (veja tabela ao lado). junto a 1.049 empresas informais. Do lado dos trabalhadores existe um descasamento entre as contribuições para a Previdência e os benefícios potenciais que o sistema previdenciário oferece. no centro Rio de Janeiro. A investigação dos números é reveladora. também é nele que se registra o maior crescimento da informalidade. Da mesma forma o vendedor de cocos que atua bem em frente à antiga sede do Ministério do Trabalho. 33% da mão-de-obra industrial era composta por trabalhadores sem carteira assinada ou por pessoas que trabalhavam por conta própria. na zona sul da capital paulista. O levantamento foi feito com base nos dados da Pesquisa Nacional por Amostras de Domicílio (Pnad) de 2002. pode não ter escolhido essa atividade. não teve alternativa senão ficar na informalidade por não conseguir cumprir as regras para a abertura de uma empresa. Ali.2%). 90% da mão-de-obra não têm vínculo empregatício. que facilitou a abertura de empresas. Nela descobre-se que há gente de todo o tipo nesse lado pouco conhecido da economia brasileira. O menor nível de informalidade é o do setor de veículos automotores. aponta que a principal causa para permanecerem nessa condição é a elevada carga tributária (75. os diferenciais de salários observados entre os trabalhadores formais e informais caíram de forma expressiva”. Sobram razões para a definição do inimigo principal. Leandro Dias de Oliveira é um estudante de 17 anos de idade. já atraiu 2. de uma época de penúria depois de entrar para a lista de cortes de uma indústria qualquer. Ajuda o pai na loja de material de limpeza que a família tem numa garagem do Jardim Nakamura. Pesquisa feita pelo Sebrae em fevereiro (de 2004). por essa via. Cursa o segundo ano do ensino médio e não pensa em fazer faculdade. Ao mesmo tempo. quando o pai perdeu o emprego. Mais instigante ainda é a pesquisa dos casos concretos. Cuidando da sobrevivência a cada dia. Em 1992. O aumento da escolaridade dos trabalhadores sem carteira assinada pode ser uma explicação para a aproximação dos rendimentos: em 1984.11% em 2003 e.5% em 1992 para 52. O negócio foi aberto há oito anos. que passou de 53. Os dados de Ramos indicam que o setor industrial não apenas está empregando menos. Que a riqueza é imensa. terceirizou atividades. E que pertencer ou não ao segmento informal não é necessariamente uma opção. Já no setor de serviços houve uma pequena queda no grau de informalidade. “Embora tenha ocorrido um significativo aumento da informalidade ao longo da década de 1990.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa indústria deu um salto de produtividade e passou a produzir mais com menos gente. FGV DIREITO RIO 48 .8 milhões de microempresas para a lado formal da economia. muitas para empresas de serviços de limpeza. implantado em 1996. Depois vêm as barreiras burocráticas (15.4% em 2002. Sem alternativa.6% em 2002. diz Ramos. Um estudo da consultoria McKinsey publicado em junho revela que o maior grau de informalidade está no setor agro-pecuário. mas apenas ter conseguido escapar. a se confirmarem as projeções feitas pelo Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT).

acredita que o problema se resolve arrumando as leis e combatendo a burla à legislação. Em terceiro lugar porque empresas e pessoas que vivem na informalidade não pagam impostos. A perda de arrecadação tributária e previdenciária é apenas uma das conseqüências fiscais danosas da informalidade. E também porque embora não contribuam. A informalidade é um problema para o país por várias razões. mas não precisa abrir mão de uma parte de sua receita em favor da Previdência Social. “Existem duas visões sobre o setor informal. Não tem direito a férias. especialmente se recebe salário perto do mínimo. O custo total da folha de pagamentos pode chegar a 70% da receita bruta para uma pequena confecção formalizada enquanto não passa de 3% na indústria automobilística. acesso ao crédito ou até mesmo herança familiar. explica Ricardo Paes de Barros. o Estado tem de buscar reforço de caixa. ao seguro acidente de trabalho e ao seguro maternidade. A primeira delas parece entendê-lo como a utilização de recursos ilícitos. a informalidade tem raízes em coisas que o Estado deixou de fazer”. o que prejudica as contas públicas e dificulta investimentos necessários para o bem comum. pois terá direito a receber uma aposentadoria correspondente ao mínimo quando chegar aos 65 anos de idade quer tenha sido registrado em carteira quer não. diz Ricardo Tortorella. Diante da evasão. previdenciárias ou relacionadas à segurança do trabalho. “O pequeno empresário não paga os encargos trabalhistas porque eles pesam relativamente mais em seu faturamento do que no de uma grande empresa”. Da mesma forma. porque uma empresa não investe na capacitação de um trabalhador que não tem vínculo com seu negócio – o que numa perspectiva mais larga prejudica a competitividade da economia do país como um todo. Em conjunturas de retração da oferta de trabalho os próprios funcionários se tornam cúmplices do processo. A busca de soluções para o problema é uma tarefa do governo e da sociedade e o primeiro passo para cumpri-la é identificar suas causas. FGV DIREITO RIO 49 . o sujeito que emprega o dumping ou algum outro recurso ilícito”. Finalmente. Aceitam vínculos sem carteira assinada ou através de cooperativas. os trabalhadores informais têm direito a assistência médica e a aposentadoria – uma despesa que está sendo coberta por um número cada vez menor de trabalhadores e empresas formais. “A segunda visão identifica várias vantagens em uma pessoa optar por ser informal. Quem defende esta visão. Primeiro porque quem trabalha sem registro vive sem qualquer rede de proteção. perante uma legislação não muito boa. a sociedade não se sente suficientemente convencida de que deve enquadrar o informal. Para ganhar alguma vantagem competitiva. A ela faltaram oportunidades. De acordo com o relatório da McKinsey. E de qualquer maneira tem acesso ao Sistema Único de Saúde. Depois. que estimula as empresas menos produtivas a permanecer na informalidade. pesquisador do Ipea. professor titular do Departamento de Economia da Pontifícia Universidade Católica (PUC) do Rio de Janeiro. Segundo o economista José Márcio Camargo. onde as regras mudam. como educação. Neste caso. o custo relativo da assistência à saúde e da segurança no trabalho é muito mais pesado para as pequenas empresas. economista e consultor da Unidade de Políticas Públicas do Sebrae Nacional. o trabalhador não se interessa pelo registro em carteira. diz Barros.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa Menos oxigênio. a opção pela informalidade está relacionada ao alto custo do cumprimento das leis. décimo terceiro salário nem Fundo de Garantia por Tempo de Serviço. Deixa de ter direito ao seguro desemprego. Também está associada a empreendimentos ligados ao contrabando ou à falsificação. é cada vez mais comum a opção pela informalidade para não cumprir exigências trabalhistas. Uma das alternativas é cobrar mais do setor que já paga impostos como manda o figurino – o que tira oxigênio da economia. Exigências de controle de qualidade ou padrões fitossanitários também são um vigoroso incentivo para reforçar o terreno da informalidade.

por exemplo. Um processo de livre negociação entre sindicatos setoriais ou regionais fixaria os salários. que “fica mais barato correr da polícia do que cumprir as exigências formais”.3 bilhão de reais. mas definir um arcabouço em que a livre negociação seja a pedra de toque. quem tem uma empresa calcula de antemão o valor do descanso semanal remunerado. Isso porque dependem de negociações das empresas com sindicatos. “até porque se o empregado recorre à Justiça sempre é possível fazer um acordo e conseguir um desconto”. com menores encargos trabalhistas. Também é preciso simplificar as leis trabalhistas e reduzir os impostos que pesam sobre empreendimentos com outras dimensões. e por que não dizer perigosa. Especial. Só depois estabelece o salário dos trabalhadores. “Hoje.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa Justiça. diz Ramos. A tendência à informalidade é maior nas épocas de aperto. o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reconheceu. A face mais perversa. quase 8% do faturamento setorial.601 de 1998. E quando a proposta governamental for debatida no Congresso. Nos cálculos do setor farmacêutico. na medida que estabelece um teto de faturamento para os que pretendam gozar dos benefícios. Do lado dos pequenos empresários. segundo as contas dos fabricantes legais. “O banco de horas deu certo nas grandes empresas. de forma a compensar os gastos”. para abrir uma empresa. que teve sucesso justamente por sua descomplicação. o décimo terceiro salário. mas não é suficiente. já incorporando todos os atributos atuais. podem ser considerados um fracasso. funcionando como um inibidor do crescimento. Ao anunciar as medidas. no final de setembro. a questão estará na ordem do dia. sem a intervenção FGV DIREITO RIO 50 . a atividade cinzenta fatura cerca de três bilhões de reais ao ano. evitam riscos como multas trabalhistas ou sanitárias”. No segmento de vestuário. da situação é o envolvimento com atividades ilegais ou semi-legais. “Nos momentos de recuperação econômica. diz Ramos. 20% dos medicamentos vendidos no país são falsificados e podem colocar em risco a vida dos usuários – um negócio de cerca de três bilhões de reais ao ano. A linha geral das mudanças foi anunciada num evento. lembra Armando Castelar. A questão. de acordos coletivos e da apresentação de farta documentação para os fiscais do Ministério do Trabalho. de acordo com a Associação Brasileira da Indústria do Vestuário (Abravest). Entretanto. é que assim como o Simples. esta nova lei apresenta um problema estrutural preocupante: condena as empresas a permanecerem pequenas. A tentativa de flexibilizar a legislação trabalhista com a Lei 9.9 bilhão de reais em 2001 (ou 25% do faturamento do setor formal) e o governo deixou de arrecadar 1. quando os empresários aceitam correr maior risco porque não conseguem fazer face aos encargos formais. movimentou cerca de 1. Um dos movimentos consistentes para enfrentar o problema foi o lançamento do Simples. Na opinião de Camargo. O resultado. mas até o final de outubro nada tinha sido dito a respeito do detalhamento das medidas e nem sobre o conteúdo do Projeto de Lei Complementar. A rota da simplicidade foi escolhida pelo governo federal ao propor ao Congresso um regime especial para empresas com faturamento de até 36 mil reais por ano. Ele acha que a flexibilização das leis não deve diferenciar empresas pelo tamanho. por mais mudanças que haja no projeto original. como aponta o economista José Pastore. que instituiu o banco de horas e contratos temporários já não foi tão bem sucedida. férias e possíveis custos indenizatórios. onde foi usado para evitar demissões nos períodos de recessão”. Já os contratos especiais. só o fato de o assunto estar sendo ventilado já é um avanço. pesquisador do Ipea. o projeto anunciado em setembro é um avanço na rota da formalização da economia. como lembra Castelar. A venda de cigarros falsificados ou contrabandeados. não pagar os direitos trabalhistas e seus respectivos encargos sai mais barato. deverá incluir a redução de encargos tributários e facilitar os trâmites burocráticos para empresas de menor porte.

a carga tributária. O resultado seria “o fortalecimento dos sindicatos. e não os direitos trabalhistas. Exigências como a garantia de assistência à saúde. O registro de empresas foi unificado. Requisitos. do Sebrae. com redução do custo da operação de 1. Não houve consenso na negociação da reforma trabalhista no Fórum Nacional do Trabalho. simplificou a tributação para micro e pequenos empreendimentos e criou de um órgão central para combater a evasão fiscal. Segundo Paulo Pereira da Silva. A estimativa da McKinsey é de que o PIB brasileiro poderia crescer dois pontos percentuais por ano se apenas 20% das empresas que atualmente estão na informalidade fossem incorporadas à economia formal. Ao definir que a “exclusão econômica da parcela mais pobre da população” era devida à dificuldade para abrir empresas e à intensa burocracia. do Ministério do Trabalho e do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).2 mil dólares para 174 dólares. Luiz Marinho. Tortorella. o que viabilizou a abertura de um negócio em apenas um dia (antes eram necessários 300). outra conseqüência será a simplificação do processamento da folha de pagamento. Experiências de outros países mostram o impacto positivo de programas consistentes de combate à informalidade. Presidente da Força Sindical. A luta contra a informalidade. os resultados podem ser compensadores. Ao reduzir os encargos sobre as remunerações. Se o Brasil conseguir atrair mais empresas para a formalidade. também é irredutível quanto à flexibilização dos direitos adquiridos. reformas estruturais. presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT). Para ele uma das saídas seria passar a cobrar os encargos da Previdência Social sobre o faturamento e não sobre os salários.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa da Justiça do Trabalho. que impediam a formalização. será necessário integrar as bases de dados da Secretaria da Receita Federal. são quatro os requisitos para uma iniciativa desse porte ser bem sucedida: “prioridade governamental. que reúne trabalhadores. diz. poderiam ficar por conta de associações. A multa de 40% sobre o valor do Fundo de Garantia de Tempo de Serviço (FGTS) pode ser objeto de negociação. Segundo o estudo da McKinsey. um empreendedor leva em média 155 dias para legalizar seu negócio. A Rússia escolheu como prioridade o combate à sonegação e à corrupção. o Peru implementou um programa que o destaca entre os países em desenvolvimento. é favorável a um regime trabalhista especial para as empresas de menor porte. Como se vê. Reforma. Resumo da ópera: elevação de 75% da arrecadação junto às empresas de micro e pequeno porte. ou regras de segurança de trabalho. A Espanha optou por atacar a frente fiscal. diz. “também exige mudanças nas regras para abertura e fechamento de empresas e a modernização dos controles governamentais”. a tendência é de que elas busquem aumentar a sua eficiência e produtividade. foco setorial. reduzindo seus custos. Além de criar um cadastro tributário único para unificar as três esferas do poder. e responsabilização. é a principal causa da informalidade. No Brasil. que passariam a negociar também com as pequenas e médias empresas”. mas não abrem mão de direitos como o abono sobre o valor das férias e o décimo terceiro salário. A economia brasileira ganhará. coordenação e transição”. com uma substancial redução de custos para cada participante. As centrais sindicais até aceitam discutir. empresários e governo. Portugal elegeu a luta contra a informalidade como o principal componente de sua agenda de reformas para colocar o padrão nacional de produtividade na média dos países da União Européia. FGV DIREITO RIO 51 . Criou uma poderosa base de dados unificada.

o rendimento médio dos trabalhadores do setor informal (conta própria. Já a receita média mensal das firmas informais caiu de R$ 2. do outro”.336 milhões de firmas (9. diretor-técnico do Sebrae. ainda assim 14. chefe da Coordenação de Emprego e Rendimento do IBGE. que inclui também pessoas ocupadas informalmente em firmas que são regulares.7% entre 97 e 2003.183 para R$ 1. os dados mostram que as pessoas permanecem muito tempo no setor informal: 31% das pessoas que tinham seu negócio estavam na informalidade havia mais de dez anos -apenas 12% possuíam o empreendimento havia menos de um ano. folha. 12. a renda sobe para R$ 753. a situação ficou ainda mais difícil. Em 2003. em 2003. ao passar de R$ 374 em 1997 para R$ 363 em 2003. Para Luís Carlos Barbosa.861 milhões de pessoas -7. Para Angela Jorge. e a renda das firmas e pessoas que estão nesse segmento também caiu no período.uol. Empresa informal tem 1/4 dos trabalhadores. Segundo o IBGE. Os empreendimentos informais empregam um quarto dos trabalhadores das áreas urbanas no Brasil.070 bilhões. empregadores e empregados) caiu 3%. São Paulo concentrava o maior número de empresas informais: 25% do total. O IBGE pesquisou empreendimentos informais. com forte concorrência entre os empreendedores e poucos clientes.7%. mas o setor perdeu participação no PIB (Produto Interno Bruto) entre 1997 e 2003 -de 8% para 6%-. 98% são considerados informais. As firmas informais. receita média do setor caiu 19. Tal retrato foi revelado pela pesquisa Economia Informal Urbana. a economia informal perdeu espaço no PIB. A alta foi proporcionalmente maior do que a expansão no período do total de pessoas ocupadas nas cidades: 4%. “A economia informal é importante porque cria oportunidade de trabalho para pessoas que poderiam estar pressionando ainda mais o mercado formal.525 milhões). por sua vez.62 Dos empreendimentos com até cinco pessoas. Regionalmente. Pelos dados do instituto. e não o trabalho informal. Fonte: http://www1. contra 93% seis anos antes. em parceria com o Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas). Se considerados só os empregadores. um faturamento de R$ 17. com a crise econômica e a retração do consumo.br/fsp/dinheiro/ fi2005200502.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa teXto iV – eConomia “inVisÍVeL”.2%) e Rio (8. mas sua “maior importância” econômica não é na geração de riqueza. de um lado. menos firmas eram lucrativas -73% obtiveram lucro. Apesar do recuo de ganhos e rendimentos. Na seqüência. afirma. Folha Online – Da sucursal do Rio em 20/05/2005.7% a mais do que em 1997. e sim na sua grande capacidade de acolher trabalhadores. diz IBGE.htm 62 FGV DIREITO RIO 52 . Em 2003. um conceito mais amplo e mais difundido.590 bilhões. por pedro soares. a economia informal abriga 10. todas as empresas informais (aquelas que têm de uma a cinco pessoas trabalhando e não separam sua contabilidade da do dono do empreendimento) geravam mensalmente.1% a mais do que em 1997). apareciam Minas Gerais (10.4% menor do que em 1997 (R$ 880).4%).4% menos do que em 1997 -R$ 20.754 entre 97 e 2003 -uma retração de 19.com. ou 98% do total de empresas com até cinco pessoas ocupadas (10. e os programas de transferência de renda do governo. Juntas. o mercado informal vive um período de saturação. ocupam 13. disse ela. divulgada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

mj.gov. Trata-se de um problema efetivamente grave.5 milhões de empresas formais. o roubo de cargas. asp?id=16 63 Folha Online. Porém 7. com CNPJ. A grande maioria (95%) das firmas tinha apenas um único proprietário. Custos elevados dos registros e impostos e a pesada burocracia para a abertura de uma empresa são os principais entraves apontados pelos empreendedores que pretendem regularizar sua situação. folha. em 19/05/2005. O restante dos trabalhadores dos empreendimentos informais se distribui da seguinte forma: 10% eram empregadores. do Sebrae. diz o Sebrae. ampliando o seu acesso ao crédito e. Helio magalhães. Em 2002 (último dado disponível). Fonte: http://www. o ideal seria que todas essas firmas se tornassem legais. os assaltos a bancos e seqüestros. diz ibge. O setor de software enfrentou quebra de US$ 400 milhões. suas chances de diversificação e expansão. diz ele. o chamado “conta-própria”. presidente do conselho da câmara americana de comércio – amcham. é maioria entre os informais: 69% do total de pessoas ocupadas no setor em 2003. por: janaIna LaGE.4 milhões de empresas nem haviam tentado se regularizar em 2003. Do total de empresas informais. A cadeia produtiva do cinema foi surrupiada em US$ 130 milhões.63 “Somente no Brasil a pirataria foi responsável por perdas de R$ 30 bilhões em 2004. sem ter registro no CNPJ (Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica).br/folha/dinheiro/ult91u96456. o contrabando e o comércio clandestino de armas. Trecho do artigo de autoria do Dr.64 A economia informal responde quase pela totalidade das pequenas empresas brasileiras. que já detêm 95% do mercado.uol. 6% empregados com carteira assinada e 5% não-remunerados -ajudantes sem salário. havia cerca de 4. para cada empresa regular. que transcende as fronteiras da legalidade em todos os continentes. Um dado da pesquisa mostra o vínculo entre empresa informal e família: só 65% das atividades produtivas eram desenvolvidas fora do domicílio. conseqüentemente.shtml 89 FGV DIREITO RIO 53 . notÍCias reLaCionadas. Fonte: http://www1. é fundamental que os governos das nações civilizadas.” Quase todas as pequenas empresas brasileiras são informais. A indústria do tabaco teve prejuízo de US$ 1. O Ministério da Justiça revela números assustadores. de 20/junho/2005. As gravadoras perderam US$ 300 milhões e assistem ao avanço crescente das cópias falsas. bem como seus povos e setores produtivos. no Rio. 10% empregados sem carteira assinada. Para Barbosa. Assim. O estudo feito em parceria com o Sebrae traça um retrato da informalidade no país. segundo o IBGE. é o projeto de lei em tramitação no Congresso que cria a pré-empresa.br/ combatepirataria/showartgs. assalto às empresas e às pessoas. Um passo significativo para aumentar a formalização. Aquele trabalhador que desenvolve sozinho o seu negócio. existam outras duas informais. de acordo com o IBGE.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa Por conta própria. O Sebrae estima que. unam esforços no combate à pirataria. não existiam legalmente. segundo dados divulgados hoje pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) na Ecinf 2003 (Economia Informal Urbana). 88% não tinham constituição jurídica -ou seja. Essas são estatísticas sombrias de uma atividade tão criminosa quanto o tráfico de drogas. em geral mulheres ou filhos do dono da empresa.com.2 bilhão. facilitando a instalação de firmas com faturamento de até R$ 36 mil ao ano.

embora 83% deles morassem na localidade havia pelo menos cinco anos. 98% fazem parte do setor informal.com. 10% são empregados sem carteira assinada. Grande parte das vagas criadas no setor informal pertence a trabalhadores por conta própria (69%). só o de alimentação. o equivalente a 10. incluindo empregados e pequenos empregadores.825 empreendedores em 2003.uol. se não tiver sistema de contabilidade próprio. 25. saiu do interior da Bahia para “passar uns dias” na cidade e acabou ficando. Ganha de R$ 350 a R$ 400 mensais. Pelos critérios do IBGE. Gonçalves não sabe quanto recebe por mês: “Vou vendendo e quando preciso compro mais”. pequenos empregadores. empregados com e sem carteira de trabalho assinada e trabalhadores não-remunerados. Pela metodologia da pesquisa do IBGE. 10% são empregadores e 6% trabalham com carteira assinada. Sem nunca ter trabalhado no mercado formal. A maior parcela das firmas informais no país está instalada em lojas ou oficinas (20. folha. É o caso de filhos que trabalham com os pais no preparo de alimentos para vender em barracas ou feiras.3%) funciona no domicílio do dono do negócio. com sua barraca montada numa movimentada rua de comércio popular.3%) ou na casa do cliente (27. por exemplo. A firma (RECTIUS: sociedade) pode até ter CNPJ (Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica).htm FGV DIREITO RIO 54 . Os trabalhadores por conta própria e os autônomos estão nesse universo. ou 6. houve um crescimento de 9% no número de empresas informais.9% do total de empresas informais.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa O número de pequenas empresas no país alcança 10. empresa informal é aquela que não tem um sistema de contas claramente separado das contas da família e emprega de uma até cinco pessoas. Em relação à última edição da pesquisa. ele vende balas nos ônibus pelo bairro de Copacabana.335 milhões de empresas. (. Fonte: http://www1.) Flávio Lopes Ferreira. A mulher e os seis filhos também se mudaram e hoje moram com ele. Camelôs são apenas 7% do setor informal65 O camelô.. a maior parte dos ocupados informais era migrante: 55% não nasceram na cidade na qual trabalhavam. Mas uma pessoa que trabalha sem carteira assinada para uma empresa formal não está no universo da pesquisa. incluindo trabalhadores por conta própria. A pesquisa também mostra que em 2003 a economia informal gerou R$ 17..6%). 49. O número de postos de trabalho cresceu 8% neste período. Além de estar principalmente no comércio. As empresas informais empregam cerca de 13 milhões de pessoas. Mas não é. Outro grande contingente de empresas informais (27. o camelô é exclusivamente o trabalhador por conta própria ou empregador que desenvolve seu trabalho na rua e está enquadrado em dois setores: comércio e serviços -neste caso. Desse total. Gabriel Marcos Gonçalves. 65 FOLHa OnLInE – Da sucursal do Rio em 20 de maio de 2005.525 milhões --foram consideradas nesse caso as empresas não-agrícolas.br/fsp/dinheiro/ fi2005200508. em 1997. Os camelôs propriamente ditos somavam 711. Existem também 5% de não-remunerados. mas. é talvez o personagem mais comum quando se pensa em um empreendimento informal. que há dois anos vende cangas e batas nas praias do Rio. é um trabalhador por conta própria no comércio.6 bilhões de receita média mensal e respondeu por um quarto das contratações de trabalhadores nãoagrícolas no país. é informal.

– Páginas 93 a 112 (SCP e LTDA) do Direito Societário. Saraiva: São Paulo/2004. apesar do mesmo tratamento fiscal que lhe é conferido66. I que estabelece. J. ementário de temas: – – – – – Empresário Individual Sociedade em Conta de Participação Fundo de Investimento Imobiliário – FII Sociedade Limitada Texto: As Sociedades em Nome Coletivo e em Conta de Participação como Estratégias de Negócios. José Edwaldo Tavares Borba. é equiparado à pessoa jurídica e. Diante desta realidade. Penalva Santos e Paulo Penalva Santos. conforme expresso no art. Renovar/2004. portanto. com a colaboração de familiares e/ou de auxiliares. Newton Lucca. Leitura CompLementar: – Páginas 159 a 170 dos Comentários ao Código Civil Brasileiro. nacionalidade. domicílio e estado civil. necessário se faz que os que se prestam a tanto tenham noção dos riscos e dificuldades que enfrentarão. ter um empreendimento exige sacrifícios. IX.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa AUlAS 06 E 07: MODElOS SOCIEtáRIOS DE AtUAÇÃO EMPRESARIAl PARA A PEQUENA E MéDIA EMPRESA Muitas pessoas pensam em “abrir o próprio negócio” vislumbrando uma liberdade e tranqüilidade que não tiveram quando eram empregados. Nesta aula discutiremos a leitura do(s) seguinte(s) capítulo(s): – Páginas 357 a 398 (LTDA) e 479 e 480 (SCP) do Curso de Direito Comercial. Fábio Ulhoa Coelho. a informação do seu nome civil.A. 968. 996 a 1. Da mesma forma. 9ª edição. Rogério Monteiro. obrigado a inscrever-se na Receita Federal para obter o CNPJ – Cadastro Nacional de Pessoas 66 Decreto n. Forense: Rio de Janeiro/2005.000/99. vol. roteiro de auLa: Aprendemos que quando a empresa é titularizada por uma pessoa natural. bem como será de curial importância a escolha do melhor “modelo societário” (rectius: modelo empresarial) para o desempenho de suas atividades. Do Direito de Empresa (arts. A figura do empresário não se confunde com a dos sócios ou acionistas de sociedade empresária. e competência para atingir o objetivo traçado. 7ª edição. tem-se a figura do empresário individual caracterizado pelos elementos constantes no art. não há que tipificá-lo de “pessoa jurídica”. sejam eles investidores ou participativos (ou empreendedores).º 3. Na verdade. como já vimos nas aulas anteriores. FGV DIREITO RIO 55 .087). O empresário – pessoa natural. além de capacidade para assumir riscos e desafios. para fins de inscrição do empresário individual. 966 além do requisito especial do exercício da atividade em nome próprio – quando muito.

Indispensável a outorga uxória para efeitos de doação. aditando-lhe. o empresário só poderá adotar a espécie: firma individual. c) não conseguirá enquadrar-se como microempresa e dispor dos benefícios previstos na legislação própria. “J. impõe-se uma conduta prudente e extremamente cautelosa na administração da empresa. saraiva/2005. § 1º da Lei n. Violação a literal disposição de lei. respeitando-se. quer civis quer comerciais. VI. Não demonstração da omissão. do cpc). . 591. Recurso parcialmente conhecido e. salvo as restrições estabelecidas em lei”.1. O sistema de responsabilidade do Empresário é PATRIMONIAL. ambos referentes ao sistema de registro do nome empresarial. quando os bens não podem ser penhorados mesmo que relativamente valiosos e prescindíveis. 649. Ausência de outorga uxória. com base nos princípios da veracidade e novidade. utensílios e instrumentos necessários ou úteis ao exercício de profissão (art. TERCEIRA TURMA.156. O exercício da atividade empresária pressupõe o registro correspondente. mas é certo que alguma parte do estabelecimento empresarial será alcançada. o que se afigurará como incentivo. . para o cumprimento de suas obrigações.º 11. ele responde com todos os seus bens presentes e futuros (sempre no limite das forças do seu patrimônio) pelas obrigações contraídas no exercício da atividade68. Esta será composta pelo seu nome civil.150 do Código Civil de 2002. o empresário individual irregular: a) não tem legitimidade ativa para requerer o pedido de falência do seu devedor71. da decisão unipessoal que causar gravame a parte. portanto. O Superior Tribunal de Justiça confirmou esta orientação no Recurso Especial 594. Doação. contradição ou obscuridade. ou seja. tenham uso presente e sejam vinculados ao exercício legítimo dessa profissão. impedido de “crescer demais”. Cabral da Silva”. “João Cabral da Silva Motores”. 68 69 É o caso da impenhorabilidade de máquinas.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa Jurídicas. vol. No tocante ao nome empresarial. Inválido. 97. como também. Este regramento legal confere segurança às relações jurídicas na ordem econômica. 1. com todos os seus bens presentes e futuros. faz com que muitos empreendedores busquem outro modelo empresarial (sociedades) a fim de evitar tal situação de confusão patrimonial.º 8. julgado em 28/06/2005. “João C. o dispositivo do art. O devedor responde. os tributos incidentes serão os mesmos existentes para as sociedades. 70 art. praticamente. Patrimônio do empresário individual e da pessoa física. da Silva”. nesta parte. Recurso especial. ao empresário individual. . 72 FGV DIREITO RIO 56 . mas desde que sejam necessários e úteis à profissão do executado. O empresário opera sob firma constituída por seu nome. nEGRãO.Em ação rescisória. 71 art. Ministra NANCY ANDRIGHI. Inviabilidade. DJ 01/08/2005 p. 443) 67 “Art. 1.934/94. não é cabível o agravo retido. Ação rescisória.832-RO: Processual civil.832/RO. considerando que o patrimônio da empresa individual e da pessoa física. A falta de inscrição no Registro de Empresas coloca o Empresário “à margem das prerrogativas plenas previstas nas inúmeras leis que regulamentam sua atividade70” e implica sanções que lhe podem ser aplicadas em virtude do exercício irregular da atividade. Desta forma. Nesse sentido. o negócio jurídico celebrado. cpc – “art. pois os credores terão garantias contra eventual inadimplemento do empresário. (REsp 594. 48 da Lei n. Existem bens que podem ser excluídos da esfera de ação do credor por se considerarem essenciais à atividade do empresário69. Embargos de declaração. pg180. assim. . nos termos do art.º 11. nada mais são que a mesma realidade. respondendo os seus bens pelas obrigações que assumiu.Não se conhece do recurso especial na parte em que se encontra deficientemente fundamentado. provido. vimos que a indicação da atividade é providência que se impõe. estando. feito na forma da Lei n. adicionar o ramo de atividade a que se destina. Exemplos: “João Cabral da Silva”. b) não tem legitimidade ativa para pleitear sua recuperação judicial72.” como estudado no primeiro módulo de Direito Empresarial (Teoria Geral da Empresa). designação mais precisa da sua pessoa ou do gênero de atividade. Rel. Assim. Tema controvertido. Ricardo in manual de Direito comercial e de Empresa. sendo-lhe facultado.101/2005. norma sobre o registro público de empresas mercantis e atividades afins. Invalidade. completo ou abreviado. 1. Agravo retido. . se quiser.Se o alegado erro foi objeto de controvérsia na formação do acórdão. tanto abreviá-lo. incabível a ação rescisória.Empresário individual é a própria pessoa física ou natural. porém. Erro de fato.101/2005.156 do CC67.

195. – Facilidade para a dissolução da empresa (“baixa no seu registro” como empresário. II do código civil. Pessoas com recursos disponíveis e que desejam investir numa atividade empresarial. entre outros. pg. que. impropriamente. FGV DIREITO RIO 57 . sendo impossibilitado de contratar com o Poder Público. são: – Seus bens pessoais ficarão comprometidos e serão alcançados por obrigações contraídas no exercício da atividade empresarial – A firma individual é intransferível por tratar-se do próprio nome civil do Empresário (“a pessoa natural não é passível de alienação”). Exigirá muitas horas diárias de trabalho. sem se tornarem sócios. – Possui total autonomia administrativa e participação integral nos lucros. pg. sociedade em conta de participação – arts. Outras desvantagens em ser “Empresário Individual”. por isso. optam por celebrar um contrato de sociedade em conta de participação. uma vez que viabiliza composições entre partes que objetivam determinado negócio. clientes. Entre algumas vantagens de ser Empresário Individual estão: – Os custos iniciais para a abertura do negócio são relativamente pequenos. 991 a 996. saraiva/2005. A Sociedade em Conta de Participação – SCP – é considerada. denominou sociedade”76 – ou. mas sim um contrato. embora constituída mediante art. com isso. saraiva/2004. como denomina o Código Civil. 9ª edição. e) não conseguirá seu registro no Cadastro de Contribuintes Fiscais – CNPJ. uma sociedade não personificada. e como as decisões do negócio são tomadas pelo Empresário. 4ª edição. podendo enquadrar-se no SIMPLES. O Empresário precisa ter conhecimento e capacidade para administrar seu negócio com efetividade. preferem ficar ocultas (não aparecer).479. do governo etc. um contrato “que o legislador.94. pg. 75 Existem pessoas que desejam investir em operações de risco e. II e III da Lei n. ele terá menos tempo disponível para a família.º 8. bancos. uma sociedade que não preenche alguma das condições previstas em edital de licitação. na junta comercial). pela doutrina.74 Ao sugerir para o cliente a modalidade “Empresário Individual”. no mesmo sentido: Ricardo negrão in manual de Direito comercial e de Empresa. pois dependerá dele o empenho para atingir as metas traçadas. 7ª edição. geralmente.302. como econômicos. celebra com outra o contrato de participação onde unirão esforços para alcançar o fim determinado. apenas a boa intenção não será suficiente. riscos e sacrifícios. pois o objeto do contrato tem que ser lícito – art. mas de competência e inúmeros fatores externos. deve-se ter em mente que ser Empresário significa lidar com desafios. f ) não conseguirá seu registro no Cadastro de Contribuintes da Seguridade Social. – Pode haver restrição para a obtenção de créditos junto às instruções financeiras. Cumpre agora analisarmos os modelos de sociedades mais utilizados para pequenas e médias empresas: a Sociedade em Conta de Participação – SCP (apesar de não ser um modelo societário. III. Renovar/2004.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa d) não poderá participar de licitações públicas73. ficará dependente de fornecedores. Esta “sociedade” merece destaque. – Pode haver dificuldades para conseguir prazo para faturamento junto aos fornecedores. § 31 da constituição da República. durante um bom tempo ele não ouvirá a expressão “tirar férias”. 76 Fábio ulhoa coelho in curso de Direito comercial. assim como. 104.666/93. Importante frisar que para o negócio ser bem sucedido não depende só de sacrifícios e da vontade de ganhar dinheiro. empregados. o Código Civil a elenca como modelo societário) e a Sociedade Limitada – LTDA. a causa deste anonimato não pode ser ilícita. 73 74 art. mas isto apenas por conveniência ou oportunidade75. 28. josé Edwaldo Tavares Borba in Direito societário. – Vantagens fiscais por tratar-se de microempresa. deixando-as livres para outras empreitadas ou mesmo servindo para manter uma das partes (sócio participante) no anonimato.

O arquivamento pode ser feito. responderá solidariamente com ele no negócio que interveio. Ele deve prestar contas perante os demais sócios ocultos. 9ª edição. os sócios participantes só devem explicações ou responsabilidades perante o sócio ostensivo. As partes possuem a seguinte denominação: a) Sócio participante/investidor (antigo sócio oculto do Código Comercial – art. pg. contratar a conta de participação por escrito. A possibilidade de levar a registro o contrato de participação. afigurando-se. Cunha Gonçalves e José Eunápio Borges. e providenciar o respectivo arquivamento no Registro de Empresas. em sócio oculto. 325) – é aquele que se obriga exclusivamente ao sócio ostensivo. O sócio ostensivo é quem exerce a atividade constitutiva do objeto social. no sentido de que “embora não obrigatoriamente. orienta o Prof. 32. não lhe será atribuída personalidade jurídica. participando os demais dos resultados correspondentes. não formalizou o arquivamento do seu ato constitutivo em registro competente. nos termos do contrato. Contudo. 993 do código civil. da Lei n.a. devem os participantes. como o direito comercial aduzia. se tomar parte nas relações do sócio ostensivo com terceiros. exclusivamente perante este. em seu nome individual78 e sob sua exclusiva responsabilidade. e embora não possa administrar a sociedade. porém admitida por Pontes de Miranda. 161. imóvel. José Edwaldo Tavares Borba. mesmo que seu ato constitutivo seja arquivado em órgão competente. mesmo assim. como não tem personalidade jurídica. “trabalho”. Portanto. O sócio participante poderá ser mais de uma pessoa natural e/ou jurídica. importância do registro. para o negócio (dinheiro.. Admitindo o registro como forma de evitar que o sócio participante seja confundido com “sócio” de uma sociedade em comum (leia-se: responsabilidade ilimitada). salvo no caso de participar ativamente nas negociações com terceiros. pois qualquer ato de interesse do empresário é passível de arquivamento na Junta Comercial (art. 79 80 81 art.) deve estar prevista no instrumento contratual. obriga-se perante terceiro tão-somente o sócio ostensivo. Renovar/2004. O sócio participante não contrata com ninguém. Forense: Rio de janeiro/2005. Desta forma. IX. pg. parágrafo único do art. os seus atos possam vir a ser conhecidos de terceiros”81. 996 a 1. vol. 992 do código civil. pode ser provada por quaisquer dos meios admitidos em direito e. pois.95. penalva santos in comentários ao código civil Brasileiro. o sócio participante79. A forma de contribuição dos sócios. entendendo estes autores que “por não ser clandestina ou propriamente secreta. sendo certo que. Sua constituição independe de qualquer formalidade e pode provar-se por todos os meios de direito77 e. mesmo que o contrato por alguma razão venha a ser registrado. foi rejeitada por Carvalho Mendonça. II. para não se exporem a elevados riscos. uma vez que ela tem que ser efetiva. b) Sócio ostensivo (empreendedor) – é aquele que se obriga perante terceiros sendo sua responsabilidade ilimitada. 991 – código civil. e.934/94)82”. ostensivo e participante. Do Direito de Empresa (arts. 77 78 art.087).º 8. mesmo as que optarem pelo registro não alcançarão o status de personalidade jurídica. somente entre os “sócios” produzirá efeitos jurídicos (não tendo força contra terceiros). legalmente.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa instrumento escrito. Vimos então que a SCP independe de qualquer formalidade legal para sua constituição. 82 in Direito societário. este eventual registro não confere personalidade jurídica a SCP. j. terá sempre direito de fiscalizar sua gestão80.. “e”. não pode usar razão ou denominação social. FGV DIREITO RIO 58 .

83.3-E ao sócio oculto ou participante. A liquidação da sociedade em conta de participação. Confiram-se. assumir os riscos do empreendimento junto a terceiros. htm FGV DIREITO RIO 59 . DES.. aplica-se. 996 do Código Civil. VI da Lei 11. destituídos de qualquer privilégio ou preferência (sendo crédito sem garantia. DISSOLUÇÃO E DIVISÃO DE BENS. Sentenças que se mantém. apresentação da declaração de rendimentos e recolhimento do imposto devido pela sociedade em conta de participação86. de acordo com o art. no processo de falência. PEDIDOS IMPROCEDENTES. DES.DECIMA NONA CAMARA CIVEL. seja em relação ao patrimônio especial.001. Já na hipótese de falência do sócio participante. MILTON FERNANDES DE SOUZA . seguem decisões administrativas da Secretaria da Receita Federal87: SOCIEDADE EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO. NECESSIDADE. o objeto definido no contrato de participação. a responsável pelo recolhimento do imposto e das contribuições devidas pela scp. poderá decidir quanto ao ingresso de novos sócios em havendo cláusula contratual neste sentido.101/05 (Lei de Recuperação da Empresa – LRE) 85 86 art.1-A sociedade em conta de participação é contrato associativo no qual existem as figuras do sócio ostensivo e do sócio oculto ou participante.) § 4º É a administradora (empresa hoteleira). observando-se as normas relativas à prestação de contas. 2007.Julgamento: 10/07/2007 . incabível é a devolução dos valores investidos pelo sócio participante sem que haja a dissolução da sociedade. artigo Único: (. FERDINALDO DO NASCIMENTO .2-Ao sócio ostensivo compete explorar. em que a administradora (empresa hoteleira) é a sócia ostensiva. compete a participação nos resultados da exploração do objeto. Sobre o assunto. constitui-se uma sociedade em conta de participação.2-Desta forma. cujo saldo constituirá crédito quirografário83. 2007. sendo responsável pelo recolhimento aDI sRF 14/2004. III do CPC. IMPOSSIBILIDADE. seja em relação aos lucros auferidos.APELACAO SOCIEDADE EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO.fazenda. No sistema de locação conjunta denominada de pool hoteleiro.QUINTA CAMARA CIVEL 83 84 art. LIQUIDAÇÃO. Inteligência do artigo 808. No que se refere à alteração do quadro societário. o disposto para a sociedade simples.gov.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa Havendo a falência do sócio ostensivo (sendo ele sociedade empresária) acarretará na dissolução da “sociedade” e a liquidação da respectiva conta.25419 – APELACAO. 87 Disponível em: http://decisoes.001. desaparece a plausibilidade do direito invocado. nesse sentido. com a devida apuração dos haveres.51470 . Ao sócio ostensivo compete a responsabilidade pela apuração dos resultados. o ato constitutivo ficará sujeito às normas que regulam os efeitos da falência nos contratos bilaterais do falido85. cessando os efeitos da liminar concedida.Julgamento: 13/11/2007 . o artigo 995 confere uma “certa proteção” ao sócio participante que.br/netahtml/ decisoes/decw/pesquisasOL. na qualidade de sócia ostensiva. reger-se-á pelas normas relativas à prestação de contas. 994 §3º do código civil. a exemplo do que ocorre com a sociedade em comum. é pago depois dos créditos privilegiados e daqueles que têm garantias reais84). contudo. DISSOLUÇÃO. que geralmente é o prestador de capital. e a sua liquidação rege-se pelas normas relativas à prestação de contas. Quanto à resolução de questões não previstas no contrato. através de sua liquidação. na forma da lei processual. art. subsidiariamente e no que com ela for compatível. apesar de não ter poder de mando. duas decisãões do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro: SOCIEDADE POR CONTA DE PARTICIPAÇÃO. em nome individual e sob sua responsabilidade.. CAUTELAR INOMINADA. sem. ou seja. obedecendo ao rito da lei processual civil. 994 §2º do código civil. Julgada improcedente a ação principal. sem prejuízo do recolhimento do imposto e das contribuições incidentes sobre suas próprias receitas ou resultados. RECURSOS CONHECIDOS E DESPROVIDOS.

02. as sociedades em conta de participação são equiparadas às pessoas jurídicas. os rendimentos recebidos pelo sócio participante em decorrência da locação da unidade imobiliária (ou qualquer outra forma de distribuição de lucros). II. 10º da Lei n.08. – SOCIEDADE EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO – Provado nos autos: i) que no contrato celebrado entre as partes constam elementos que caracterizam a sociedade em conta de participação. A SCP é equiparada às pessoas jurídicas pela legislação do Imposto de Renda88. (Recurso: 125570. assim como na tributação dos lucros apurados e dos distribuídos. Recorrida/interessado: DRJ-SÃO PAULO/SP. serão observadas as normas aplicáveis às pessoas jurídicas em geral e o disposto no art. 10º Os lucros ou dividendos calculados com base nos resultados apurados a partir do mês de janeiro de 1996. (Solução de Consulta 27. A expressão “mercado de capitais” costuma ser diretamente associada à compra e venda de ações em bolsas de valores. 89 90 art. há vedação à concessão de um novo parcelamento.06. seja o mesmo decorrente de autuações próprias ou da SCP. Apesar de expressiva. os lucros deverão estar tributados na contabilidade do sócio ostensivo. a título de exemplo. para locação conjunta de unidades imobiliárias denominado de “pool hoteleiro”. SÉTIMA CÂMARA – 1º CONSELHO DE CONTRIBUINTES. ou seja. que por sua vez já deverá ter pago os tributos pertinentes à empresa. 149. a responsabilidade pelos tributos e contribuições sociais devidos pela SCP. art. seguem as normas gerais aplicáveis aos pagamentos efetuados por pessoa jurídica aos seus sócios. de 25.R.249/95)90. iii) deve ser reconhecido o direito do sócio ostensivo excluir da incidência do imposto a parcela de lucros atribuída aquele sócio. uma vez que essa tributação já ocorreu dentro da Sociedade em Conta de Participação (leia-se: sócio ostensivo). da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL).º 9. 88 ato Declaratório Interpretativo (aDI) sRF 14/2004 – Dispõe sobre a tributação das atividades do sistema de locação conjunta de unidades imobiliárias denominado de pool hoteleiro. e como tal. domiciliado no país ou no exterior.2000. Recurso provido em parte.2000) Continuando na seara tributária. nem integrarão a base de cálculo do imposto de renda do beneficiário. Decreto 3. Câmara / ACÓRDÃO 108-06. Da mesma forma. são isentos de tributação (art. os rendimentos provenientes da distribuição de lucro serão isentos e não tributáveis. ii) que o sócio oculto reconheceu o resultado obtido em sua declaração de rendimentos.P. não ficarão sujeitos à incidência do imposto de renda na fonte. (Solução de Consulta 3.134 em 07. fundo de investimento imobiliário – fii. Neste sentido.2006 -8ª RF). presumido ou arbitrado.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa dos tributos segundo as normas aplicáveis às pessoas jurídicas em geral. (1º Conselho de Contribuintes / 8ª. 991 do CC).000/99 (RIR/99) art. podemos citar uma SCP constituída com o objetivo de lucro comum. transcrevemos a seguinte decisão administrativa: Ementa: I.01. da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins)89. Publicado no DOU em: 22. O sócio ostensivo assume. é contribuinte do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ). 148. na apuração dos resultados dessas sociedades. SOCIEDADE EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO. enquanto perdurar um parcelamento anterior no CNPJ do sócio ostensivo.J. Recurso provido por unanimidade. em decorrência de previsão legal (art. 254. PARCELAMENTO. Assim sendo.2006 -1ª RF) SOCIEDADE EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO – Os resultados da sociedade em conta de participação devem ser apurados em separado dos da própria pessoa jurídica que é o sócio ostensivo. Uma vez distribuídos. de 25. Data da Sessão: 22/08/2001). onde a administradora (incorporadora) é a sócia ostensiva e os proprietários das quotas referentes às unidades imobiliárias são os sócios participantes. pagos ou creditados pelas pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real. pessoa física ou jurídica. esta operação é apenas uma fração FGV DIREITO RIO 60 . Assim.

os FII’s se tornaram mais atraentes. É a CVM que verifica se o fundo cumpre as normas legais para sua existência. se um investidor possuir R$ 100 mil aplicados diretamente num imóvel e necessitar de R$ 20 mil para fazer comprar um carro. p. é o local “onde se opera com ativos. da venda das quotas ou. e. “a bolsa é a porta de saída mais eficiente para o investidor que queira se desfazer do investimento.a. onde o investidor paga uma alíquota de 27. que é verificado pela CVM. cada investidor não pode deter mais de 10% das cotas ou dos rendimentos totais do fundo. a comercialização depende da existência de compradores e vendedores dispostos a negociar. que isentou a alíquota de 20% de Imposto de Renda. os fundos imobiliários são uma boa opção. pois o investidor precisa acompanhar de perto se aquela sociedade em que investiu está dando o retorno esperado. Para quem não quer se envolver diretamente na administração do investimento e pretende alguma segurança. ou seja. ele precisará vender o imóvel. os FII’s. Além disso. ele deve ser pessoa natural. n. na construção de imóveis.. da Instrução CVM nº 205/94 e regras posteriores.ex.5% sobre o valor dos aluguéis e indiscutivelmente possuem menor liquidez do que os fundos. Em relação a investir diretamente em um imóvel. O retorno do capital investido se dá através da distribuição de resultados. deve ter informações econômicas suficientes para a tomada de decisão do investidor. especialista da coinvalores. pegar a quantia estipulada (20 mil) e então escolher outra forma de investir os R$ 91 Também conhecido como “over-the-counter”. aos quotistas. na aquisição de imóveis prontos. (fonte: IsTO É Dinheiro em 12/01/2006). tanto no preço dos papéis quanto no pagamento de dividendos. sem dúvida. 92 n. Os FII’s são regulamentados pela Comissão de Valores Mobiliários – CVM. ou no investimento em projetos que viabilizem o acesso à habitação e serviços. nos termos da Lei nº 8.a. explica sérgio Belleza. que autoriza seu funcionamento e faz o acompanhamento de seus demonstrativos financeiros. Porém. o fundo imobiliário tem que estar listado em Bolsa93. Assim. Há ainda outro atrativo: é possível vender parte das quotas sem precisar mexer no investimento total.ex. No entanto a CVM não garante que o investimento seja seguro ou rentável. da Lei nº 9. em mercado de balcão91 onde a negociação não gira somente em torno de ações de sociedades de capital aberto. títulos e valores mobiliários não negociados em bolsas. as vantagens são. ou. que estava em aplicação financeira. Criados em junho de 1993. terá que devolver o dinheiro. O prospecto. Os recursos provenientes podem ser aplicados no desenvolvimento de empreendimentos imobiliários.779/99. já que as negociações destas quotas no mercado secundário ocorrem num ambiente pouco transparente: o mercado de balcão. O estudo de viabilidade econômica deve ser feito pelo próprio investidor a partir dos dados do prospecto de lançamento das quotas. 93 FGV DIREITO RIO 61 . Com a aprovação da “MP do Bem” transformada na Lei 11. como a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) e a Sociedade Operadora do Mercado de Ativos (Soma).668/93. nem todos os FII estão listados em Bolsa. dentro das normas legais e de autoregulação previstas em lei e regulamentos” (Dicionário de Finanças do site da BOVEspa). para posterior alienação.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa dos papéis que podem ser negociados em mercados organizados. a isenção de IR (conforme o caso) e a maior liquidez. a definição do valor da quota se dá em razão da sua atratividade.196/05. pois é a única forma de ele ter certeza de que o preço é justo”. É um fundo fechado. locação ou arrendamento. quando for o caso. Na diferenciação entre investir em um Fundo de Investimento Imobiliário ou de Renda Fixa temos que este paga IR regressivo de 22. de Renda Variável paga 15% de IR com isenção até 20 mil/mês. não permite resgate das quotas92.5% a 15% sobre o ganho dependendo do prazo da aplicação. na dissolução do fundo com a venda dos seus ativos e distribuição proporcional do patrimônio aos quotistas. a aprovação da “mp do Bem” serviu de estímulo para que as administradoras de FII coloquem seus produtos no Bolsa. são veículos de investimento coletivo formados a partir da captação de recursos por meio do sistema de distribuição de valores mobiliários. que é determinada pelas características do FII. se no final de 6 meses o fundo não tiver vendido as quotas para realização do empreendimento. para o investidor usufruir da isenção do imposto. com o limite mínimo de 50 quotistas. O investimento em ações requer muita disciplina. instrumentos financeiros. p.

os FLAT’s. passaram a ser realizadas diariamente. renováveis pelo mesmo período.3% da área bruta locável do imóvel.caixa. com base no IGP-M. A rentabilidade para os investidores virá dos aluguéis pagos pela locatária ao Fundo. A distribuição primária. os REIT’s são condomínios que agregam recursos para investir na área imobiliária. hipotecas. 81. O mercado secundário96 teve início em 07/06/2005. O FII Torre Almirante foi lançado em 21 de junho de 2004.br/voce/produtos/fundos_de_investimento/fundos_imobiliarios/asp/torre_almirante. apesar de os FII’s terem suas carteiras de investimentos constituídas por imóveis ou por direitos relacionados a imóveis.00. 94 95 Fonte: http://www. com a venda de todas as 104. O prédio possui 36 andares. Embora. podendo ter em suas carteiras imóveis. geralmente voltados para a renda. ambiente “mega Bolsa”. Nos Estados Unidos. que será administrado pelo Banco Ourinvest S/A. Para os investidores de menor porte.000. Tem como lastro o Edifício Torre Almirante. FGV DIREITO RIO 62 . Na cidade do Rio de Janeiro.asp. Representam a maioria do mercado. 96 O mercado secundário corresponde à negociação de títulos e valores mobiliários onde os investidores compram e vendem ativos entre si. depois de deduzidas as despesas de responsabilidade do fundo. a propriedade de quotas não confere aos seus titulares a propriedade sobre os imóveis que integram o patrimônio do Fundo ou sobre fração ideal específica destes imóveis. os FII’s significam a possibilidade de entrar no mercado imobiliário devido à pulverização do valor do empreendimento em quotas vendidas a preços acessíveis. o FII tenha maior liquidez. para as classes A e B. dividida em três tranches. ela não é imediata. somente. foi concluída em 16/05/2005. gov. Também são isentos do pagamento de alguns impostos. Entretanto. não tem compromisso de garantir recompra das quotas. Os rendimentos são pagos até o 10º dia útil de cada mês. as negociações (compra e venda) de quotas do FII Torre Almirante. pelo conceito de tipo de investimento: – EQUITY REIT’s: São aqueles que investem em imóveis. com aplicação mínima de R$ 1. n. elevado grau de transparência. a partir daí. Assim como os FII’s. ele poderá negociar algumas de suas quotas em quantidade suficiente para alcançar o valor desejado94. – PETROBRAS firmou contrato para locação de 99. – MORTGAGE REIT’s: Formados por hipotecas e outros tipos de financiamentos concedidos a compradores de imóveis. onde corretores negociam as quotas em nome dos quotistas dispostos a vender ou comprar. os FII’s são conhecidos como REIT (Real Estate Investment Trust) e foram criados na década de 60. a Petróleo Brasileiro S. títulos imobiliários. a negociação para a venda de quotas tem que ser realizada no mercado secundário. Se esses R$ 100 mil estiverem aplicados num fundo imobiliário. o administrador. mobilizando bilhões.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa 80 mil restantes. claro que o investidor poderá encontrar dificuldade para a venda de suas quotas.a. Para elucidar o disposto acima. depois de encerrada a emissão primária.700 quotas disponíveis. São classificados em três tipos. Em setembro de 2004. O cliente acompanhará os seus rendimentos nos extratos mensais enviados pela CBLC – Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia. Essa negociação é realizada na Bolsa de Valores de são paulo (BOVEspa).A. através de leilões (call) no ambiente Mega Bolsa da BOVESPA – Bolsa de Valores de São Paulo. entre outros. possuindo. pelo prazo de 60 meses. pois como os FII são “fundos fechados”. comparado a um imóvel. portanto. que é uma instituição financeira. tendo sido planejado e construído com a mais alta tecnologia. Estas classes têm grande parte de seus investimentos concentrada nesses ativos. em especial. Os rendimentos provenientes do aluguel do imóvel são rateados entre os quotistas e distribuídos mensalmente. no centro do Rio de Janeiro. entre eles o Imposto de Renda. etc. analisaremos o caso do investimento em FII’s do setor hoteleiro. e – HYBRID REIT’s: Misturam as duas estratégias (híbridos). Investir na aquisição de imóveis é uma tradição brasileira possível. podemos citar dois exemplos: – Fundo de Investimento Imobiliário Torre Almirante95. ou seja. O reajuste do aluguel é anual. um imóvel localizado na Avenida Almirante Barroso nº.

070. e todos recebem pela média de ocupação do empreendimento. ao ler o contrato. o investidor passa a ter uma receita mensal variável. de 12. Dessa forma. de 7 de dezembro de 2001..768/71103. de seguro. constituição e funcionamento de grupos organizados por meio de sociedades em conta de participação e que visam a aquisição de bens.177. na verdade. são transferidas ao Banco central do Brasil as atribuições previstas nos arts. coloca várias quotas à disposição dos investidores. 7° e 8° da Lei n° 5. art. O tamanho médio dos flat’s acompanha o dos quartos de hotel. 33102 da Lei n. na verdade. transferindo-os para administradoras de consórcio autorizadas pelo Banco central do Brasil. Como o fundo é formado por um sistema de quotas. O lucro da aplicação é proveniente do aluguel do imóvel. O consumidor paga várias prestações. mas como oficialmente são sociedades em conta de participação. Isso porque o rendimento é sempre rateado entre os proprietários das quotas. A comprovação dessa prática por pessoas. e é fundamental que tenham bons serviços e estruturas modernas. parcial ou 100 Isso acontece porque as unidades são “vistas” como um só grupo e a receita de cada investidor vem do índice de ocupação de todo o conjunto. talvez menos expressivo – considerando o desconto com o pagamento de impostos. em localização privilegiada. não autorizadas a funcionar conforme o art. descobre que nada vai receber e. de 20 de dezembro de 1971. não importando se uma unidade específica foi ou não ocupada. garantindo-se os direitos dos atuais participantes aos valores já desembolsados. sujeita os responsáveis às sanções previstas na Lei n.768. informamos que as empresas que vêm arregimentando grupos para as operações acima configuradas deverão regularizar sua situação de imediato. que chega a 19% ou mais do valor da prestação.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa Adquirindo quotas de um fundo de investimento imobiliário. atividade essa integralmente regulamentada por legislação específica. 102 FGV DIREITO RIO 63 . mesmo que o seu flat não tenha sido usado em determinado mês100. elas funcionam como uma espécie de “consórcio”. haja vista a desnecessidade da escritura de compra e venda. mas garantida. consoante o disposto na circular 3.06. embutido na prestação mensal.º 7. fazendo crer que se trata de um fundo imobiliário. dependente de prévia autorização do Banco Central. no que se refere às operações conhecidas como consórcio.. 33. editou o Comunicado BCB nº 9. de 20 de dezembro de 1971. em vez de vender os apartamentos. conferindo ao investidor maior rentabilidade. inclusive a aplicação de penalidades. para captação antecipada de poupança popular destinada à aquisição. Com isso. 101 Em face da propaganda. constitui-se de práticas abusivas rotineiras de mercado. Um outro problema enfrentado. dependendo da localização do imóvel e da infra-estrutura de serviços e lazer. é o capital a ser liberado pelo sócio ostensivo para o cumprimento do fim social. naturais ou jurídicas. o sócio ostensivo capta recursos financeiros dos consumidores (que são os sócios participantes). carecem de amparo legal. por um valor bem inferior ao preço de um apartamento. será exercida pelo Banco central do Brasil. a fiscalização das operações mencionadas neste artigo.2002101. que objetivem a aquisição de bens de qualquer natureza. Vislumbrando a facilidade na “aquisição” do flat e não se importando com a sua metragem. é possível comprar um bom flat.609. 7º e 8º da Lei 5. Os proprietários das quotas dividem os custos e os lucros. ele não estará adquirindo a propriedade do imóvel. O problema é que muitas incorporadoras não informam ao interessado que aquele imóvel faz parte de um fundo imobiliário e que.768. até que. a título de taxa de admissão e de administração. reduz-se o risco de perdas com desocupação ou inadimplência e garante-se um retorno. de modo a preservar o poder de compra dessas parcelas. parágrafo único. muitas pessoas procuram incorporadoras no intuito de adquirir um flat para residir (e não alugar = investimento). fundo mútuo e outras formas associativas assemelhadas. de fundo de reserva. Em verdade. de 1 de março de 1991. ou III – dissolver os grupos já formados. verifica que entrou em uma sociedade em conta de participação e não terá ressarcimento do que pagou. segundo as seguintes alternativas: I – solicitar ao Banco central do Brasil autorização para administrar grupos de consórcio. com a nova redação dada pela Lei n. Os preços dos aluguéis de flat normalmente são elevados. entre 28 m² e 30 m². inclusive. Os sócios participantes também pagam um percentual. a partir de 1° de maio de 1991. no prazo prometido. fogem da fiscalização do Banco Central. infelizmente. Esse fundo.º 8. e 33 da Lei 8.. a incorporadora. que fere de morte os direitos do consumidor e.177/91. despesas gerais e taxa de administração. Na prática acontece assim: mediante a celebração de contratos denominados “Instrumento Particular de Adesão à Sociedade por Conta de Participação”.º 5. que tenha como público-alvo o cliente que se hospeda por pouco tempo. ficando a cargo do sócio ostensivo a responsabilidade pelos custos dessa conversão. sem prévia autorização nos termos dos arts. A promessa de venda de bens a varejo mediante oferta pública e com recebimento antecipado. esclarecemos que tais práticas. assim. que. consiste na formação de “Sociedades em Conta de Participação”. que é dividido entre os investidores. onde proíbe a atividade irregular em questão. II – converter os grupos já formados para a modalidade de consórcio de imóveis. podendo superar de 50% a 100% o valor da locação residencial. para a formação de um fundo social mediante o pagamento de prestações com valor pré-estabelecido.691/88. construção ou reforma de imóveis ou de outros bens. levadas a cabo por sócio ostensivo de sociedade em conta de participação.

ao comerciante era garantida a não afetação de seu patrimônio particular por dívidas contraídas pela sociedade.708/19.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa total. o contrato não se resolverá de pleno direito pois como estará sujeito às normas da Lei 11. prometer publicamente realizar operações regidas por esta Lei. sujeita os infratores às seguintes sanções. criou um tipo societário intermediário entre a sociedade de capital e a de pessoas106.. que é constituída para a realização de um negócio determinado e se extingue após a consecução. A partir de então. ir contra um bem afetado à SCP (haja vista não existir separação entre o patrimônio do sócio ostensivo e da SCP perante terceiros). – Mobilidade no ingresso e saída dos sócios. 328 do código comercial). uma legislação supletiva das omissões do contrato social”107. SOCIEDADES LIMITADAS. em 1892. responsabilidade limitada ao fundo com que concorreu. haverá a possibilidade do Administrador mantê-lo104.. 103 104 art. qualquer saldo apurado em favor do sócio participante terá a natureza de crédito quirografário. Seguindo este modelo. Incorre.101/05 (LRE). por meio do Decreto n. aplicáveis separada ou cumulativamente: (. FGV DIREITO RIO 64 . – Com a falência do sócio participante. que necessitavam garantir seu patrimônio pessoal de forma que não fosse alcançado por dívidas da sociedade.º 5. assim. Renovar/2004. a aplicação das penalidades previstas nesta lei não exclui a responsabilidade e as sanções de natureza civil e penal.º. art. Portugal. Algumas vantagens na constituição de uma Sociedade em Conta de Participação. com a falência do sócio ostensivo. – Falta de instrumento escrito e de publicidade não a desnaturam. inciso II. 105 Entendemos como desvantagem apesar de na legislação comercial (art.768/71. a realização de operações regidas por esta Lei. josé Edwaldo Tavares Borba in Direito societário. 7º: a) multa de até cem por cento das importâncias previstas em contrato.100. pg. – Com a falência do sócio ostensivo. baseou-se no modelo português quando. deverão adequar-se à nova legislação através do seu contrato social bem como cumprir uma série de exigências antes aplicáveis somente às Sociedades por Ações. o legislador alemão.º 3. sem prévia autorização. Ou seja. Apesar de resumir-se em 18 artigos. – Possibilidade de o sócio participante contribuir para o negócio com mão-de-obra e/ ou conhecimento técnico. responsabilidade de cada sócio pelo valor da quota subscrita e responsabilidade subsidiária e solidária de todos pelo pagamento da quota não integralizada.708 de 1919 encontra-se revogado pelo Código Civil de 2002 que trouxe profundas mudanças para as sociedades limitadas108.708/19 foi bastante criticado pela doutrina “e tinha na lei das sociedades anônimas. 9ª edição. são: – Facilidade em atrair sócios capitalistas que não desejam “aparecer”.) II – nos casos a que se refere o art. nas sanções previstas neste artigo quem. mediante autorização do comitê. art 17. Com base nas private companies inglesas. adquirindo. sancionou lei semelhante. também. O Decreto nº 3. as contribuições do sócio oculto serviam para o pagamento de credores. introduziu em nosso ordenamento jurídico as sociedades por quotas de responsabilidade limitada. – Pode ter caráter permanente.. o sócio oculto não poderia nem se habilitar na falência como credor. – Responsabilidade apenas do sócio ostensivo. do respectivo preço. 117. nos têrmos das respectivas legislações. A criação da sociedade por quotas de responsabilidade limitada atendeu aos interesses dos comerciantes da época. nela prevendo um capital e valor mínimo de cada quota. configura atividade abarcada pela norma do artigo 7. o que tornava a sua interpretação e aplicação muito flexíveis. o Decreto n. recebidas ou a receber. b) proibição de realizar tais operações durante o prazo de até dois anos. E como desvantagens: – Possibilidade de um credor do sócio ostensivo. O legislador brasileiro. que invocava expressamente. em desacordo com as normas aplicáveis. diferente de uma Sociedade de Propósito Específico – SPE. a título de taxa ou despesa de administração. Os contratos bilaterais não se resolvem pela falência e podem ser cumpridos pelo administrador judicial se o cumprimento reduzir ou evitar o aumento do passivo da massa falida ou for necessário à manutenção e preservação de seus ativos. 12. em 1901. 106 É a chamada: Gesellschaft mit Beschänkter haftung. 107 108 inclusive a nova expressão: “sociedade limitada” e não mais “sociedade por quotas de responsabilidade limitada”.º 3.. que deverá ser habilitado no passivo falimentar105. da precitada Lei n. As sociedades limitadas que já existem. parágrafo único. visto que somente o montante investido na composição do capital social seria alcançado por terceiros.

O acesso ao crédito se dará. com o respectivo registro na Junta Comercial ou no Registro Civil de Pessoas Jurídicas). pois lhe é vedada a emissão de valores mobiliários para captação de recursos no mercado. 109 Fonte: http://www. Por ser uma estrutura societária sem muita complexidade e com baixo custo de manutenção.731.ibcbrasil.602. enquanto não integralizado o capital social. Algumas vantagens na constituição de uma Sociedade Limitada: – Modelo societário é conhecido da doutrina e da jurisprudência com boa fonte de direito para solução das controvérsias. na forma original ou mediante o processo de aquisição do controle de companhias abertas. As sociedades em nome coletivo apresentam como novidades o fato de somente pessoas naturais poderem ser sócias e a exigência que os seus administradores (gerentes.22%) são Sociedades Anônimas. fechamento do capital e transformação de sociedades anônimas em limitadas.257 (48. – Apesar das modificações inseridas pelo Código Civil de 2002 que engessou a sociedade limitada. sendo as Sociedades Limitadas responsáveis por 98. em regra.346.com.1%110 dos registros.2%) são referentes à atividade de Empresário. Tratam-se fundamentalmente das sociedades em nome coletivo e das sociedades em conta de participação. Segundo dados estatísticos do DNRC – Departamento Nacional de Registro do Comércio109. no período de 1985 a 2005. através de empréstimos bancários. – Estrutura ao alvedrio das regras de direito societário.915.043 do Código Civil. acarretando em despesas próprias para a atenção de tais regras (ex. Sobre os negócios é compartilhada pelos sócios. 1. segundo o qual os credores de um dos sócios não podem promover a liquidação da(s) quota(s) deste sócio enquanto a sociedade estiver em vigor. a principal novidade das sociedades em nome coletivo encontra-se no art. 4. sua estrutura é pouco complexa e de baixo custo para manutenção. 4. – A responsabilidade dos sócios é limitada ao montante do capital social.br 111 FGV DIREITO RIO 65 .3%) são Sociedades Limitadas e 20. sendo solidária. aproveitando que estas não estão submetidas ao regime de publicidade.9% e as demais.dnrc. teXto: as soCiedades em nome CoLetiVo e em Conta de partiCipação Como estratégias de negóCios.890 registros realizados. outros tipos: 4. na terminologia anterior ao Código Civil) sejam também pessoas naturais. cooperativas: 21. E como desvantagens: – Não tem muita facilidade de financiamento de suas atividades.080. a Sociedade Limitada é aquela que tem seu capital dividido em quotas e na qual a responsabilidade dos sócios é limitada ao valor de suas quotas. gov.111 Há alguns modelos societários – mantidos pelo Código Civil de 2002 – que costumam passar despercebidos. pois são excelentes veículos para a concretização de negócios. dos 8. e cujo nome empresarial deve necessariamente constar o termo “limitada” ou sua abreviação “ltda”. – A movimentação de ingresso e saída de sócios não é simples.534.288 (51. Analisando somente o registro de sociedades.: necessidade de aprovação anual do balanço.300. – Tipo societário viável também para grandes empresas. mas que merecem um exame com um pouco mais de atenção. este chega a 4.br sociedade anônima: 20.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa Em linhas gerais. a sociedade limitada é a forma jurídica mais utilizada para atuação da pequena e média empresa.569. 1. No entanto.080 (0. 110 autor: josé Gabriel assis de almeida – 25/nov/2005 – Fonte: www.

devendo aguardar o término – que o empresário terá o cuidado de fixar a longuíssimo prazo. Nos termos do art. da sociedade em nome coletivo. pela sociedade. tendo um sócio uma dívida particular. Essa liquidação significa que. FGV DIREITO RIO 66 . Deste modo. Assim. no Cartório do Registro Civil das Pessoas Jurídicas ou no Cartório de Registro de Títulos e Documentos. Ou seja. os bens transferidos à sociedade em nome coletivo permanecem intactos. as contribuições do(s) sócio(s) participante(s) e do sócio(s) ostensivo(s) irão constituir um patrimônio especial. seguro e não burocrático de captar recursos ou distribuir resultados. os credores não poderão promover a liquidação dessas quotas. a sociedade em conta de participação tem duas grandes vantagens: (i) a celeridade de sua constituição e (ii) o sócio participante não é conhecido por terceiros.026 do mesmo Código segundo o qual os credores de um dos sócios podem requerer judicialmente a liquidação da(s) quota(s) do sócio. por exemplo) para atuar como sócia ostensiva.043 do Código Civil. o empresário – antes de dar início ao novo empreendimento – constitui uma sociedade simples sob a forma em nome coletivo. sendo todos os negócios com terceiros realizados sob o nome do sócio(s) ostensivo(s). em regime de comodato ou locação. 1. em obediência ao disposto no art. Enquanto isso. os bens pessoais serão substituídos por quotas da sociedade em nome coletivo. esta especialidade patrimonial não é oponível a terceiros. os terceiros credores do sócio ostensivo (ainda que por créditos estranhos à atividade desenvolvida pelo sócio ostensivo em prol da sociedade em conta de participação) poderão penhorar e promover a alienação desse patrimônio especial. Neste caso. deles podendo usufruir o empresário. e integraliza o que subscreveu transferindo a esta sociedade os seus bens pessoais que pretende preservar. considera esse empreendimento incerto. No entanto. Assim. encontrarão no ativo do empresário quotas da sociedade em nome coletivo. Mais ainda. Já a sociedade em conta de participação é um meio rápido. sendo em seguida o devedor excluído da sociedade. 1. Esta sociedade não constitui uma nova pessoa jurídica. no ativo do empresário. subscreve o capital da mesma. ao estabelecer a exceção acima mencionada (impossibilidade de liquidação da quota do sócio a pedido dos credores particulares deste sócio) implica que a(s) quota(s) do sócio devedor estão a salvo da ação dos credores. a sociedade em conta de participação não está sujeita a inscrição no Registro Público de Empresas Mercantis. por razões diversas. é fácil vislumbrar a seguinte situação: Um empresário deseja se lançar num novo empreendimento. uma forma de solucionar este obstáculo é constituir uma sociedade de propósito específico (sob a forma de sociedade limitada.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa Esta regra é uma exceção ao disposto no art. Com os ativos que não se encontram na sociedade em nome coletivo. A regra do art.043 do Código Civil. não desejando arriscar o seu patrimônio pessoal. A sociedade em conta de participação é composta por um ou mais sócios ostensivos e por um ou mais sócios participantes. No entanto. 994 do Código Civil. 1. Contudo. recebendo as contribuições dos sócios participantes. o empresário constitui então uma sociedade limitada ou uma sociedade anônima através da qual irá realizar o novo empreendimento. para posterior pagamento dos credores. no seio do patrimônio do sócio ostensivo. a sua parte na sociedade será apurada e o valor correspondente à mesma será depositado judicialmente. Caso o novo empreendimento venha a ser mal sucedido e – seja por que motivo for – os credores consigam responsabilizar o empresário. Preventivamente.

nesse período. No entanto. pelas dívidas da sociedade. em razão das dívidas da sociedade.1. ainda que essa responsabilidade fosse solidária. isso porque. Para tanto. uma vez integralizada a totalidade do capital social. o novo Código Civil tem inúmeros defeitos. determina o art. pelas dívidas contraídas pela sociedade perante terceiros. A maior utilidade das sociedades em nome coletivo. os lucros apurados por sociedades em nome coletivo brasileiras e distribuídos aos sócios domiciliados em certos países. durante muitos anos a Gillete do Brasil adotou a forma de sociedade em nome coletivo. 3. no período entre 1985 e 2001 foram constituídas. os sócios respondiam pessoalmente. eram considerados – pelas legislações desses países – como rendimentos não sujeitos a tributação. Desta forma. Já nas sociedades por quotas de responsabilidade limitada. era o aproveitamento dos benefícios fiscais.g. Na sociedade em nome coletivo. teXto 2: as bahamas são aQui: as soCiedades em nome CoLetiVo e o noVo Código CiViL. uma leitura atenta do texto legal. principalmente na parte relativa ao Direito de Empresa. No entanto. xxxx Uma delas diz respeito à sociedade em nome coletivo. na construção e administração de um shopping center. dos sócios nada mais poderia ser exigido.500 sociedades de tipo em nome coletivo. também apelidado de “Constituição do Cidadão Comum” revela que o NCC tem também diversas agradáveis surpresas. Tanto é que as estatísticas do DNRC (Departamento Nacional de Registro de Comércio) indicam que. José gabriel assis de almeida sócio de J.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa A sociedade em conta de participação pode ser utilizada para negócios tão diferentes quanto para assegurar a participação de terceiros (sócios participantes) na exploração de uma jazida mineral. na formalização das relações jurídicas existentes entre uma instituição de ensino (sócia ostensiva) e os professores (sócios participantes). Ocorre que o NCC conferiu uma nova vantagem – e das mais importantes – à sociedade em nome coletivo. em comandita e de capital e indústria. Este tipo societário ficou um pouco esquecido com o advento das sociedades por quotas de responsabilidade limitada (agora denominadas. no Brasil. os sócios somente respondiam. por exemplo. pelo NCC. As breves notas aqui lançadas são apenas um alerta para que os empresários e executivos possam compreender que o direito – através de mecanismos perfeitamente legais e legítimos – permite viabilizar diversos negócios. E. Assim. qual seja: a limitação da responsabilidade dos sócios perante terceiros. de sociedades limitadas).043 que: “O credor particular de sócio FGV DIREITO RIO 67 . de forma ilimitada e subsidiária. perante terceiros. certamente. as sociedades em nome coletivo continuaram a serem constituídas. assis de almeida & associados – advogados doutor em direito pela universidade de paris ii professor adjunto da uerJ e da uni-rio O novo Código Civil têm inúmeros detratores e críticos. a sociedade por quotas de responsabilidade limitada apresentava uma enorme vantagem em comparação com a sociedade em nome coletivo. até o montante total do capital social. Assim.

Nesta sociedade limitada. na medida em que. este transferirá à sociedade em nome coletivo o seu patrimônio pessoal. fundos imobiliários ganham liquidez112. da qual o empreendedor é. esses bens do empreendedor consistirão apenas numa quota da sociedade em nome coletivo. Portanto. credores particular de um sócio. 112 FGV DIREITO RIO 68 . o mercado de balcão organizado da Bovespa. Se os negócios da sociedade limitada correrem desfavoravelmente e esta vir a falir. titular de uma quota. foram realizados 229 negócios com cotas de fundos no Soma. um maior rigor aos credores. o interesse dos demais sócios e da própria sociedade em serem preservados da intervenção de terceiros. penhorar os bens pessoais dos sócios da sociedade limitada. então. notÍCias reLaCionadas. para a realização do empreendimento. penhorarem a parte dos haveres sociais que for atribuída ao sócio da referida sociedade em nome coletivo. após esgotado o patrimônio da sociedade limitada. xxxxx Com este dispositivo. Por outro lado. A solução do NCC foi em favor do interesse dos demais sócios e da própria sociedade. pretender a liquidação da quota do devedor”. então. antes de conceder o crédito. reservando a parte que irá investir no empreendimento. do que senão aguardarem uma eventual dissolução e liquidação dessa sociedade em nome coletivo. os credores dessa sociedade. isto é. mês anterior à isenção. Negociação no mercado secundário aumenta após a isenção do Imposto de Renda A negociação de cotas de Fundos de Investimento Imobiliário (FII) aumentou de forma significativa desde que os ganhos obtidos com essa forma de aplicação tornaram-se isentos do Imposto de Renda (IR). Este dispositivo cria um interessante e importante instrumento para a preservação do patrimônio. O FII é considerado renda variável e é negociado no Mega Bolsa. Esta regra impõe. o empreendedor poderá constituir uma sociedade em nome coletivo. por sua vez.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa não pode. certamente tentarão. qual (quais) a (s) participações societárias do devedor. os bens pessoais do empreendedor estarão protegidos sob a titularidade da sociedade em nome coletivo. em virtude de dívidas pessoais contraídas por esse sócio. o empreendedor investirá a parte do seu patrimônio destinada ao empreendimento. quota essa que. ano 2 – n° 4 – abril/2006. o NCC acabou por resolver um conflito de interesses> Por um lado. os quais deverão verificar. Em fevereiro Fonte: Bfix – Boletim do mercado de Renda Fixa. nada mais restará aos credores do sócio em questão. Os credores particulares do sócio serão obrigados a aguardarem a dissolução e liquidação da sociedade em nome coletivo para só. o empreendedor constituirá. de maneira que.042 do NCC é impenhorável. assim. via desconsideração da personalidade jurídica ou outro instrumento de efeito equivalente. antes de dissolver-se a sociedade. sócio. Com efeito. Em outubro de 2005. Isto significa que as quotas do sócio de uma sociedade em nome coletivo não podem ser penhoradas. pelos credores desse sócio. Após regularmente constituída a sociedade em nome coletivo e transferido o patrimônio pessoal. antes de se lançar num negócio. o interesse dos credores particulares do sócio em receber o seu crédito. No entanto. provavelmente uma sociedade limitada. a título de integralização do capital social dessa sociedade em nome coletivo.1. uma outra sociedade. por força do art.

ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa

passado, o número de negócios nesse ambiente alcançou 294 e, em março (até o dia 20), ficou em 223. O volume financeiro também registrou alta expressiva: de R$ 8,7 milhões em outubro para R$ 13,7 milhões em fevereiro e R$ 7,1 milhões até 20 de março. Dos 64 fundos do mercado, 17 são registrados na Bolsa. O benefício tributário vale para as pessoas físicas que obtiverem ganhos em aplicações feitas em FII com pelo menos 50 cotistas, e cujas cotas sejam negociadas no mercado secundário (na Bolsa ou no mercado de balcão organizado). Os resultados alcançados pelos FII em 2005 e as perspectivas para o mercado financeiro imobiliário foram temas da 3ª Reunião de Fundos Imobiliários realizada pela Apimec-SP e pela Bovespa, no dia 23 de março. “Estamos promovendo esforços para a divulgação e o aprimoramento dos fundos imobiliários para trazer mais transparência e liquidez ao mercado secundário”, afirmou o superintendente-geral da Bovespa, Gilberto Mifano. Alguns pontos da legislação ainda precisam ser aprimorados, afirmou Rodrigo Machado, diretor do Brazilian Group. Dentre eles, a necessidade de reformulação da Instrução CVM 205/94, que regulamentou os fundos; a possibilidade de as quotas de FII servirem para que os bancos captadores de poupança cumpram a exigibilidades de poupança; e o fim do enquadramento das quotas de FII como investimento em imóveis por parte dos fundos de pensão. JurisprudênCia. DUPLICATA. EMISSÃO POR FORNECEDORA DE MOBILIÁRIO CONTRA O PROPRIETÁRIO DE UNIDADE AUTÔNOMA DE EDIFÍCIO. SOCIEDADE EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO. RESPONSABILIDADE PERANTE TERCEIROS. SÓCIO OSTENSIVO. “Na sociedade em conta de participação o sócio ostensivo é quem se obriga para com terceiros pelos resultados das transações e das obrigações sociais, realizadas ou empreendidas em decorrência da sociedade, nunca o sócio participante ou oculto que nem é conhecido dos terceiros nem com estes nada trata. ” (REsp nº 168.028-SP). Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, provido. (REsp 192.603/SP, Rel. Ministro BARROS MONTEIRO, QUARTA TURMA, julgado em 15.04.2004, DJ 01.07.2004 p. 197). SOCIEDADE EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. DISSOLUÇÃO. NOMEAÇÃO DE LIQUIDANTE. CITAÇÃO DA SOCIEDADE CONSTITUÍDA. INDENIZAÇÃO. 1. Não há violação aos artigos 458, II, e 535 do Código de Processo Civil quando o Acórdão recorrido está amplamente fundamentado, alcançando a demanda tal e qual posta pelo autor, então apelante. 2. Não há falar em citação da sociedade em conta de participação, que não tem personalidade jurídica, nem existência perante terceiros. 3. Afastando as instâncias ordinárias a indenização por falta de prova, não tem consistência o pedido de extinção do processo ao argumento de que teria a sentença, considerado o pedido inepto. 4. Justifica-se a nomeação, desde logo, do liquidante, diante da realidade dos autos, que demonstram a animosidade existente, embora no caso de sociedade em conta de participação, seja discutível tanto a dissolução judicial quanto a existência de liquidação e partilha, aspectos que não podem ser examinados, porque ausente recurso da parte interessada.
FGV DIREITO RIO 69

ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa

5. Recurso especial não conhecido. (REsp 474.704/PR, Rel. Ministro CARLOS ALBERTO MENEZES DIREITO, TERCEIRA TURMA, julgado em 17.12.2002, DJ 10.03.2003 p. 213). grifamos Conflito de Competência. Ação de Procedimento Sumário Declaratório de Negócio Jurídico c/c Devolução de Quantia Paga e Indenização. Procedência do Conflito. Sociedade em Conta de Participação que não é considerada sociedade empresária. Competência das Varas Cíveis. Conflito que se conhece e se acolhe, declarando-se a competência do Juízo Suscitado, ou seja, o da 16º Vara Cível da Comarca da Capital. (2005.008.00464 – Conflito de Competência – Des. Renato Simoni – Julgamento: 29/11/2005 – Nona Câmara Cível. TJ/RJ). grifamos TRIBUTÁRIO. Negócio Fiduciário. Imposto de Transmissão Inter Vivos - ITBI. Transferência de Imóvel Para Constituição de Fundo de Investimento Imobiliário. Incidência do Tributo. Os fundos de Investimentos Imobiliários, conforme determina a própria Lei nº 8.668/93, são desprovidos de personalidade jurídica, razão pela qual o imóvel dado para a constituição do fundo é transferido para a Instituição Administradora em caráter fiduciário. Tal operação não se encontra ao abrigo da imunidade tributária prevista no art.156, § 2º, I da Constituição Federal por não ser possível falar em constituição de patrimônio de pessoa jurídica em realização de seu capital social. O que essa lei chama de quotas está distante do que se entende por cota social. O titular de quotas do Fundo de Investimento Imobiliário não tem a mesma relação de participação que haveria entre sócio e sociedade. As tais quotas estão mais próximas em sua natureza das ações, já que são negociadas em ambiente de Bolsa de Valores. Contudo, não se pode conceber analogia entre um Fundo despersonalizado e uma Sociedade Anônima, constituída nos estritos moldes da Lei 6.404/76. Ainda que se ultrapassasse esse argumento, o pleito de imunidade sucumbiria à norma contida na parte final do mesmo inciso I, do §2º, do art. 156, da Constituição. Observa-se que a imunidade não alcança aqueles que realizam capital com transmissão de bens imóveis, quando é constatada como atividade preponderante do adquirente a compra e venda desses bens ou direitos, locação de bens imóveis ou arrendamento mercantil. Como foi exaustivamente demonstrado na peça inicial, o escopo da constituição de um Fundo Imobiliário é justamente esse tipo de atividade, ou seja, investir em imóveis comerciais e industriais de alto padrão de acabamento, destinados à locação de longo prazo. São as chamadas operações built to suit (construir para servir), que se pode traduzir pela construção de um imóvel segundo especificações expressas do inquilino. Assim sendo, tanto por um fundamento, quanto por outro, não se constata a tênue possibilidade de a apelante ser alcançada pelo benefício da imunidade conferida pela Constituição. Desprovimento do recurso. (2003.001.26635 - APELACAO CIVEL. DES. SERGIO CAVALIERI FILHO - Julgamento: 05/02/2004 - SEGUNDA CAMARA CIVEL. TJ/RJ) Questões de ConCurso 29º EXAME DE ORDEM – SEÇÃO DO RIO DE JANEIRO – 1ª FASE – DIREITO COMERCIAL. PROVA OBJETIVA. 40 – A inscrição do contrato social no órgão competente confere capacidade jurídica às sociedades, exceto à: a) Sociedade em comum;
FGV DIREITO RIO 70

ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa

b) Sociedade simples; c) Sociedade em nome coletivo; d) Sociedade em conta de participação. 27º EXAME DE ORDEM – SEÇÃO DO RIO DE JANEIRO – 2ª FASE – DIREITO COMERCIAL. PROVA DISCURSIVA. 6 – Comente a pertinência da presente afirmação: “À luz do artigo 985 da Lei 10406/2002 (Código Civil), o registro do contrato social de uma sociedade em conta de participação confere-lhe, a partir de então, personalidade jurídica, sendo que os atos anteriores ao registro somente produzem efeitos entre os sócios, não podendo, contudo, a falta de registro ser oposta a terceiros.” 26º EXAME DE ORDEM – SEÇÃO DO RIO DE JANEIRO – 2ª FASE – DIREITO COMERCIAL. PROVA DISCURSIVA. 6 – A e B são sócios em uma sociedade limitada (Ltda) e pretendem participar de uma sociedade em nome coletivo. Caso não desejem fazê-lo em seus próprios nomes, podem A e B colocar a sua sociedade limitada para figurar como sócia na sociedade em nome coletivo da qual querem tomar parte? Justifique e indique o(s) dispositivo(s) legal(is) pertinente(s). 126º EXAME DE ORDEM – SEÇÃO DE SÃO PAULO – 1ª FASE – DIREITO COMERCIAL. PROVA TIPO 1. 47. A liquidação de uma sociedade em conta de participação (A) é regida pelas normas relativas à prestação de contas. (B) se dá somente por decisão judicial. (C) será eficaz apenas quando arquivada no registro de comércio. (D) exige aprovação em assembléia especialmente convocada para essa finalidade. PROVA OAB/MG - EXAME DE ORDEM - ABRIL/2006 94ª Questão: Assinale a alternativa INCORRETA: a) A Sociedade em Nome Coletivo somente pode ter como sócios pessoas físicas; b) A Sociedade em Conta de Participação adquire personalidade jurídica com o registro no órgão próprio; c) Na Sociedade em Comandita Simples a responsabilidade dos sócios em relação às obrigações sociais depende da categoria por eles ocupada no quadro societário; d) A Sociedade em Comandita por ações pode adotar firma ou denominação social, apesar de sua proximidade com a Sociedade Anônima.

PROVA CONCURSO PúBLICO/4ª REGIÃO JF - JUIZ FEDERAL JANEIRO/2008 76ª Questão: Dadas as assertivas abaixo, assinalar a alternativa correta quanto à empresa, ao empresário e às sociedades simples e às empresárias. I. A empresa é uma atividade exercida pelo empresário, não pressupondo a existência de uma sociedade, podendo ser desenvolvida pelo empresário unipessoal. II. A sociedade simples distingue-se da sociedade empresária, pois naquela inexiste
FGV DIREITO RIO 71

IV. III. FGV DIREITO RIO 72 . II e III. Podem ser empresários os menores de 18 anos. sendo a sociedade cooperativa um de seus exemplos. b) Estão corretas apenas as assertivas II e III.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa uma organização de bens materiais e imateriais (intelectuais) e recursos humanos. Há identidade entre os conceitos de empresário e sócio da sociedade. d) Estão corretas todas as assertivas. c) Estão corretas apenas as assertivas I. a) Estão corretas apenas as assertivas I e IV. voltados para a produção sistemática da riqueza.

e por que utilizar a LTDA. sem a necessidade de consentimento dos demais sócios.I. uma enorme aceitação no meio empresarial. – Páginas 130 a 132 do O Direito de empresa à luz do novo Código Civil. seu eventual prejuízo é adstrito ao valor pago pelos títulos no mercado de ações. – Por que utilizar a S. Saraiva. – Classificação: Companhia Aberta e Companhia Fechada – breves comentários. a responsabilidade dos sócios também é limitada ao capital social tendo em vista que o art. São Paulo/2004. Essa sociedade de capital permite aos sócios negociarem livremente seus títulos. Fábio Ulhoa Coelho. Vol. como Sociedade Limitada. Nesta aula discutiremos a leitura do(s) seguinte(s) capítulo(s): – Páginas 357 a 372 do Curso de Direito Comercial.404/76 determina expressamente que. o capital é dividido em ações nas quais a responsabilidade dos sócios é limitada ao preço de emissão das ações subscritas ou adquiridas. sobretudo em virtude de dois fatores: a garantia dos sócios contra os indesejáveis efeitos patrimoniais que ocorriam nas sociedades ilimitadas do antigo Código Comercial e a simplificada forma de sua constituição (ao contrário da estrutura complexa das sociedades por ações). 1º da Lei nº 6. vimos que as sociedades limitadas representam hoje a grande maioria das sociedades registradas em nosso país.II. Vol. conferindo mobilidade e liquidez ao capital investido. Leitura CompLementar – Páginas 358 a 360 do Manual de Direito Comercial e de Empresa. ou seja. tem. Renovar/2005. atraindo principalmente a pequena e a média empresa por sua forma e constituição simplificada e a limitação da responsabilidade dos sócios. 4ª edição. 5ª edição.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa AUlA 08: A OPÇÃO PElO MODElO SOCIEDADE lIMItADA EM CONtRAPONtO AO MODElO SOCIEDADE POR AÇõES Na aula passada.A. Ricardo Negrão. São Paulo/2005. nesta espécie societária. A Sociedade Anônima é um instrumento jurídico muito importante para a economia. pois permite a captação de investimento na poupança popular para a aplicação em grandes empreendimentos. 7ª edição. Sérgio Campinho. sem que o investidor se responsabilize pessoalmente pelos negócios da companhia. desde sua criação até os dias atuais.A. FGV DIREITO RIO 73 . 113 na sociedade anônima. ementário de temas – Sociedade Limitada – Sociedade Anônima – breves comentários – Diferenças: LTDA e S.113 Assim. Saraiva. roteiro de auLa A sociedade por quota de responsabilidade limitada.

Lei n. segundo as espécies e classes dos valores mobiliários por ela emitidos negociados no mercado. A sociedade limitada pode adequar o seu contrato social com característica de sociedade de pessoas ou de capital. § 2º nenhuma distribuição pública de valores mobiliários será efetivada no mercado sem prévio registro na comissão de Valores mobiliários. considera-se aberta a companhia cujos valores mobiliários estejam admitidos à negociação na bolsa ou no mercado de balcão. a Lei nº 6.º 6. Se a sociedade anônima pretender negociar suas ações no mercado de valores mobiliários (mercado aberto ao público). e especificará as normas sobre companhias abertas aplicáveis a cada categoria. aos resultados econômicos que ela pode gerar. até a formada por vários sócios e movimentando valores elevados. depende de um mecanismo jurídico que viabilize a captação deles junto aos investidores em geral117”.II. é importante mencionar que enquanto foi conferida à sociedade limitada a opção de utilizar firma social ou denominação como nome empresarial. a. Além disso. só responderá pelo que se obrigou. na Sociedade Anônima o sócio só responde pelo valor das ações que subscreveu. exigem uma alta soma de recursos. será classificada como uma “Companhia Aberta114” e será submetida ao controle e fiscalização da Comissão de Valores Mobiliários – CVM115. e a exploração delas. § 1º somente os valores mobiliários de emissão de companhia registrada na comissão de Valores mobiliários podem ser negociados no mercado de valores mobiliários. Por fim. onde o interesse dos sócios não está voltado para a sociedade em si. sem negociação em bolsa de valores ou mercado de balcão. por isso. por sua vez. Vol. Enquanto que na sociedade limitada. A sociedade pode ser de pessoas ou de capitais. e sim. Assim. as companhias de capital aberto são aquelas de maior porte116 ou que desejam captação maior de recursos. pelo seu porte.385/1976.66. devendo esta ser identificada sempre por denominação. Essa situação é muito comum como já vimos no caso do “sócio de palha”. Quando de pessoas. 115 116 O custo para cumprir as formalidades exigidas em lei para o ingresso e permanência da companhia com suas ações no mercado é bastante alto. No que se refere à responsabilidade dos sócios. a companhia é aberta ou fechada conforme os valores mobiliários de sua emissão estejam ou não admitidos à negociação no mercado de valores mobiliários.404/1976 traz inúmeras exigências para o funcionamento das Sociedades Anônimas. o sócio responde pela integralização do capital social (não importa o valor de sua cota. saraiva/2004. uma vez que no Brasil a Sociedade Unipessoal só é admitida como exceção. o importante é o objeto social. 114 Do contrário. in curso de Direito comercial. à sociedade anônima não coube escolha. Geralmente. 4º para os efeitos desta Lei. Já na sociedade de capital. A forma de “capital aberto” é fundamental para as sociedades que desejam negociar na Bolsa de Valores e que tenham como grande objetivo a captação de recursos financeiros. 117 FGV DIREITO RIO 74 . cabe ressaltar que existem diferenças na estrutura de ambas. desde a composta por dois sócios e com baixo faturamento. 22. será sempre de capital. há uma diferença relevante. O modelo da Sociedade Anônima é interessante para grandes empreendimentos que suportem a estrutura exigida pela lei. não importa o valor total constante no Estatuto. § 3º a comissão de Valores mobiliários poderá classificar as companhias abertas em categorias. art. que acabam por dificultar sua criação e administração. Enquanto que o Código Civil apresenta uma estrutura mais simples para a sociedade limitada. art. se os títulos de uma sociedade anônima circulam de forma restrita.º 6. Por outro lado. 7ª ed.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa diferenças entre Ltda e s. não tendo maior relevância a pessoa do sócio. Lei n. valoriza a qualidade pessoal do sócio. pág. Já o modelo da Sociedade Limitada pode ser amplamente utilizado. a Limitada também pode se apresentar como subterfúgio para o Empresário Individual.404/1976. enquanto que na Sociedade Anônima não haverá possibilidade de escolha. Nas palavras de Fábio Ulhoa Coelho: “Há atividades econômicas que. será classificada como uma “Companhia Fechada”. o sócio se obriga pelo valor total constante no contrato social).

ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa Caso H. HOMOLOGAÇÃO DO ESBOÇO DE PARTILHA. em sua maioria. tem seu campo de incidência nas ações de execução. mas solução de natureza doutrinária e jurisprudencial. ALIENAÇÃO FRAUDULENTA DE AÇÕES ORDINÁRIAS NOMINATIVAS DA EMPRESA APÓS SEPARAÇÃO DE FATO. COMPETÊNCIA DO JUÍZO DE FAMÍLIA PARA APRECIAR A QUESTÃO. aduzindo que o ingresso de terceiros deverá ser autorizado pelos demais acionistas. INDEPENDE DE DILAÇÃO PROBATÓRIA. RESGUARDADA A MEAÇÃO DA EX-MULHER POR MEDIDA ACAUTELATÓRIA DE SEPARAÇÃO DE CORPOS E ARROLAMENTO DE BENS. a exemplo da ação de inventário por separação judicial combinada com partilha. DIVERGÊNCIA. O estatuto social traça um mecanismo para evitar o ingresso de estranhos no quadro societário sem a anuência dos demais acionistas. HOMOLOGAÇÃO DO ESBOÇO DE PARTILHA.A. a) O mecanismo é suficiente? b) E se o modelo societário adotado fosse de uma sociedade limitada? A solução seria a mesma? c) Na hipótese de separação de um dos acionistas. AÇÃO DE PARTILHA JUDICIAL POR DISSOLUÇÃO DA SOCIEDADE CONJUGAL. da família Stern.a ação de inventário por separação judicial é o leito próprio para apreciação de questões jurídicas surgidas após a separação de fato do casal. inclusive. FGV DIREITO RIO 75 . mas tão somente aquelas derivadas nas ações de execução estrito sensu. 600 do código de processo civil.a sanção prevista no art. por ato atentatório à dignidade da Justiça.Stern. sendo o preço estipulado com base no último balanço aprovado. REGIME DE COMUNHÃO UNIVERSAL DE BENS. III . e comportando incidente processual quanto aos efeitos jurídicos dos negócios entabulados pelo cônjuge varão à revelia do cônjuge virago. podendo ser suscitada e discutida a qualquer tempo e grau de jurisdição. que não é matéria fática de alta indagação. podendo. cujas ações são de propriedade. não podendo ser interpretado ampliativamente para alcançar a execução de toda ordem emanada do Poder Judiciário. QUE APESAR DE CERCADA POR CONTROVÉRSIA JURÍDICA. em face da preclusão pro judicato. restando disposto que deverão ser oferecidas as ações do retirante aos demais acionistas. controlá-la? JurisprudênCia PROCESSO CIVIL. II . DECLARAÇÃO DE INEFICÁCIA DOS NEGÓCIOS JURÍDICOS SUBJACENTES À SEPARAÇÃO DO CASAL. apesar de não mais se referir a “executado”.a competência em razão da matéria é pressuposto de validade da relação processual. I . mas sim a “devedor”. Da mesma forma tratam do exercício do direito de retirada.Stern Comércio e Indústria S. INVENTÁRIO DE BENS POR SEPARAÇÃO JUDICIAL. terá o ex-cônjuge direito a ingressar no quadro societário da H. é uma sociedade anônima de capital fechado. desde que não seja renovada perante o mesmo grau de jurisdição. admitindo a discussão de prova documental a respeito de fatos incontroversos. HAVIDOS EM FRAUDE À MEAÇÃO. de ordem pública. em geral.

00 (cento e trinta e quatro milhões de reais).htm 118 no final de 1999. Por volta das 21 horas. alerta o advogado Luiz Fernando Gevaerd.com/ edic/19990712/soci1. UNÂNIME. Disputas prolongadas também geram fortunas para advogados. as custas do processo superam R$ 70 milhões119. Os três deixaram Brasília ao meio-dia. cuja pensão alimentícia é de R$ 571. Tomou o café com leite e torradas. Ansiava pelo lance decisivo de uma batalha judicial que começara 25 anos antes.por serem “..000. ganham fortunas e transformam o divórcio num tormento para as empresas. acabava de se tornar controladora do grupo. a Granja Rezende foi incorporada pela saDIa. patrimônio estimado em R$ 185 milhões – quatro vezes o que recebeu a princesa Diana ao se divorciar do príncipe Charles.a. Helena enfrentou o vaivém das liminares nos últimos três anos. foi um importante passo para a expansão dos negócios da saDIa no país. A escalada foi áspera. peritos e consultores. Estava pronta para embarcar rumo a Uberlândia. NANCY ANDRIGHI em 18/10/1999. A Justiça ainda aplicou multa de R$ 72 milhões a Alfredo Rezende. um dos maiores grupos alimentícios do país. Naquela tarde. onde os produtos da marca mineira Rezende tinham forte penetração. (APC-5246299/DF. Disponível em: http://epoca. No caso Rezende. a nova diretoria tentará conseguir capital de giro e prorrogar empréstimos de curto prazo com os credores. com sede em uberlândia. a dona de casa mineira. criada e administrada ao longo dos últimos 39 anos pelo empresário Alfredo Júlio Rezende. autor do livro Quando o Amor Acaba na Justiça. com 42% das ações. por Eliane Trindade. 2ª Turma Cível do Tribunal de Justiça do Distrito Federal. os demais 10% ficaram com a Fundação Rezende. Hoje ela controla um grupo de 4 mil funcionários e faturamento previsto de R$ 1 bilhão em 2002. três meses depois. “Passei a tarde inteira bebendo cafezinho e fumando. Grifamos. a saDIa adquiriu 90% das ações da Granja Rezende s. O valor da transação foi de R$ 134. REJEITADAS AS PRELIMINARES À UNANIMIDADE”. Decisão: DAR PARCIAL PROVIMENTO A AMBOS OS RECURSOS. Chegou ao topo do ranking das partilhas de bens no Brasil. Fonte: Revista Época. instalada numa sala de diretoria..000. até a 5a Vara de Família em Brasília garantir-lhe a tutela antecipada das ações. notÍCias reLaCionadas Lucros e perdas do desamor118 mulheres enfrentam ex-maridos nos tribunais. o ex-marido. encarou uma ducha rápida e não teve dúvidas na hora de escolher o que vestir: um conjunto bege. a opção mais próxima em seu guarda-roupa do que seria o figurino de uma executiva. na companhia de dois advogados. No vôo. assumir a gestão e o controle acionário da Granja Rezende. ex-funcionária pública. o julgador deve ser preocupar em trilhar “caminhos para se chegar a decisões que fujam ao ‘faz de conta”. saiu vitoriosa da assembléia de acionistas. O próximo embate ocorrerá em setembro. o maior dos quais é o Banco do Brasil. Helena dispensou o almoço. Só então abriram-se as portas do negócio milionário para a ex-mulher. Até lá.. 119 FGV DIREITO RIO 76 . Helena Abib Rezende acordou às 9 horas na sexta-feira 30 de abril para enfrentar uma jornada inesquecível. Somente às 18h30 ela faria a entrada triunfal na sede da empresa. recorda-se. suspendendo-o do cargo de diretor-presidente da empresa. DJ 16/02/2000 p. Em 2002.várias as formas através das quais se pode prejudicar o cônjuge ou a companheira com atos praticados sob o manto pseudo-protetivo da empresa”. em especial na região centro-Oeste. 20). Aos 57 anos. “Litígios predatórios reduzem grandes patrimônios a pó”. estavam em jogo uma fortuna avaliada em R$ 436 milhões e o controle acionário da Granja Rezende. com o julgamento do último recurso de Alfredo. Depois de esperar duas décadas por uma sentença favorável.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa IV . com medo de uma liminar de última hora”.globo. Relatora: DES.

“Não quero ver o nosso patrimônio desviado para terceiros”.5 milhão. Lorna partiu para o ataque com uma calculadora na mão. “Eu enfrentei duas intervenções!”. E assim por diante. mas fortunas menores não resistem à infiltração dos ódios conjugais. Mais US$ 1. os Andrade Vieira estão longe de uma solução amigável. José Eduardo Andrade Vieira. compareceu sem convite à CPI dos Bancos. preparava recepções. ela não concordou em receber os US$ 8 milhões oferecidos pelo ex. Um seminário realizado há dez dias em São Paulo reuniu uma platéia de 150 homens de negócios.1 milhões. Diante de um batalhão de advogados. ela vai brigar pela divisão de R$ 15 milhões. Nos finais de semana. computando horas extras devotadas aos negócios dele. atendia a telefones. a sangria financeira é inevitável. abastecida de muita raiva. Acrescentou os ganhos médios que teria conseguido caso se dedicasse à carreira de professora de Música.fazendas. serão incluídos entre as provas. não chegou a balançar diante da esposa corporativa. enfim. tem nos calcanhares uma ex-mulher. Separados de fato há um ano. vender participações a grupos rivais e tumultuar conselhos de administração. enumera Tânia Vieira. na mansão no Lago Sul em Brasília. Retirada a parte que cabe aos filhos. Até os jantares oferecidos ao presidente Fernando Henrique. irmão do ministro da Fazenda. Chegou a US$ 2. indigna-se. aos filhos e à preparação de impecáveis recepções para executivos e clientes. Na condição de sócia. corrige: “Terceiras” . além de amargar a condição de sem-banco. Tânia semeia ressentimentos e colhe notoriedade. para assistir ao depoimento do marido. Há três semanas. A ex do executivo da GE fez escola. “A do BC e agora a dele para cima de mim!” Estimam-se em R$ 30 milhões as sobras da fortuna de Andrade Vieira. ex-ministro e ex-dono do Bamerindus. viu-se no meio do embate matrimonial entre Lorna e Gary Wendt . Na quinta-feira. Os divórcios entraram na pauta das grandes empresas. Tânia roubou o espetáculo. Calculou o custo de uma doméstica e de uma babá ao longo de três décadas. Lorna e Gary resolveram duelar depois de 32 anos de casamento. uma das maiores empresas do mundo. “Eu confirmo”. imóveis. sem folga. aparteou em voz alta quando um senador perguntou se Andrade Vieira mantivera contatos com Marcos Malan. Pedro Malan. ela pode destituir diretores. Depois de 24 anos de casamento e quatro filhos. Achou miserável a recompensa financeira pelos anos de dedicação a casa. recebia os convidados dele para jantares e reuniões. não pretende renunciar aos bens que escaparam à intervenção do Banco Central. A General Electric. Emagreceram: em 1997. esbraveja. Tânia avoca direitos sobre o que restou do patrimônio do ex-marido. lembrando-se dos tempos de vacas gordas. na época da quebradeira do Bamerindus. “Eu o ajudava 24 horas por dia. A precisão dos cálculos e dos argumentos convenceu o juiz: Lorna levou US$ 22 milhões. mas seus advogados estão levantando tudo . contas no Brasil e no exterior. os advogados de Tânia ingressaram no fórum de Curitiba com o pedido de separação e estão prontos para a guerra. era. abandonada em conseqüência do casamento. A pretexto de FGV DIREITO RIO 77 . o Bamerindus sofreu intervenção e acabou vendido ao HSBC. as ex-mulheres parecem dispostas a tudo para proteger o quinhão. O império General Electric. Menos tímidas que suas mães e avós.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa Quando a roupa suja começa a ser lavada em público. depois da perda do banco e da indisponibilidade de parte do patrimônio.segundo homem da empresa e provável substituto do todo-poderoso Jack Welch. uma secretária-executiva”. Com um sorriso malicioso.alusão a supostas namoradas do ex-banqueiro. uma usina de cifras estratosféricas. A aparição intempestiva deixou o depoente trêmulo e os senadores constrangidos. Começam a compreender os labirintos da Justiça e colocam em cena uma categoria de causar calafrios ao mundo dos negócios: a esposa corporativa. Tânia faz mistério. considerado um dos empresários do século.

” jura Carola. restou à ex-condessa brigar por pensão alimentícia. O caso da viúva Anna Elmira. O advogado Sérgio Marques da Cruz Filho. Pede R$ 100 mil por mês. Em agosto. o advogado paulista Newton Oliveira Neves forneceu exemplos práticos de como salvar empresas de ataques especulativos do mercado matrimonial. não dá para falar em separações de bens. representante de Tina. cujo escritório realiza uma dezena de reestruturações societárias por ano. diz. FGV DIREITO RIO 78 . que angariou milhões de dólares e driblou um clássico golpe do baú. diz o advogado Taltíbio Araújo. Ou seja. Entre os casos mencionados aparece o de um comerciante de sucesso (Neves omitiu seu nome). Tina Bauer. é a criação de holdings para administrar o patrimônio pessoal de sócios e herdeiros.90 o exemplar. Seu colega carioca Luiz Fernando Gevaerd vai mais longe. com quem viveu por seis anos. Quando bate o ódio. dono da Fenasoft. contratado por Chiquinho Scarpa para defendê-lo das garras esmaltadas da ex-mulher. lembra o advogado. vendido a R$ 9. A futura esposa queria casar-se em regime de comunhão universal. coisa de Primeiro Mundo. Tributária. de São Paulo.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa discorrer sobre o tema Proteção de Bens. Sua história foi lembrada pelo senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) na sessão de abertura da CPI do Judiciário. Carola. O empresário antecipou a partilha de 50% dos bens para os filhos e transferiu a outra metade do patrimônio para uma empresa off-shore. sugere a ricos e pobres encarar de frente o lado material do casamento. “Os acordos tornam-se quase impossíveis”. Sem nada em seu nome. pouco antes do matrimônio principesco. que há 26 anos briga com os cunhados pelo espólio do marido. explica o advogado Marco Antônio Fanuchi. Sem direitos sobre os bens dos Scarpa. choraminga. Nem sempre paraísos fiscais resolvem a pendenga. “Teria escrito um épico se contasse toda a minha vida”. O romantismo latino atrapalha tudo”. freqüente nos grandes grupos econômicos. Anna Elmira luta com dois cunhados pela parte do patrimônio que caberia ao finado – algo em torno de R$ 100 milhões. “Ainda é tabu no Brasil falar em pacto. Outra saída. maior feira de informática do país. Prova disso é a separação de Max Gonçalves. Tenta faturar algum por conta própria: lançou o livro A Condessa que Virou Princesa. Conhece de cor a aritmética do coração: quando existe amor. “No auge do amor. somar é possível. O melhor é prevenir”. à frente de um tradicional escritório especializado em Direito de Família. Mora numa bela mansão em Brasília. não são partilháveis.” Os brasileiros bem aquinhoados começam a sintonizar uma tendência comum entre americanos e europeus: a adoção do pacto pré-nupcial. A briga vai se estender por décadas. “Ela quer metade do que Max deixou de declarar”. O papel não evitou a baixaria no desenlace. no segundo matrimônio. bem em frente ao Centro Comercial Gilberto Salomão. O caso se arrasta em fóruns de Brasília e Minas Gerais. “Criar a holding é uma forma de proteger os bens em futuras relações”. cujas ações são incomunicáveis. resume Neves. irrita-se. constata. tenta provar na Justiça que ele enviou ao exterior uma fortuna de R$ 16 milhões. “Chiquinho chegou com o documento quando os convites já estavam distribuídos e o vestido de noiva pronto”. “O pacto foi assinado sob pressão. na Área Societária. “Perdi um tempo precioso que nenhum juiz poderá devolver”. deverá sair a primeira decisão sobre o caso. de Família e Sucessões. Os dois formalizaram um pacto. em Florianópolis. parte do fantástico patrimônio imobiliário da família. quer continuar morando no apartamento em bairro nobre de São Paulo e retomar o carro importado. dividir é martírio e subtrair uma compulsão. Fausto Salomão ilustra a lentidão da Justiça nas partilhas. só faltou fazer voto de pobreza antes do novo casamento. “As pessoas se esquecem que casamento é uma comunhão de afetos e interesses. num paraíso fiscal.

acumulou US$ 73 milhões só em presentes oferecidos depois de cada briga do casal. Gilberto Miranda se resguarda. a loura cobriu-se de diamantes e deu a receita infalível para um divórcio milionário: “Não fique com raiva. e o ex-senador Gilberto Miranda. aos 38 anos. Quando ainda era instrutor de natação. Uma ex-namorada entrou com uma ação de partilha. vocifera. levou 50% dos negócios dela. o ex-senador abriu de novo a carteira. prima de Chiquinho. um caso rumoroso envolve o clã dos Matarazzo. No Brasil. “Enquanto tiver dinheiro. É um caso raro de generosidade pós-separação. Fique com tudo”. tornou-se um bilhete premiado nas mãos de ex-maridos. completa. Seu último companheiro. Suas ações estão a salvo. Os boatos não tardaram. Christina Onassis. as tradições dos Scarpa valem menos que o baú do novo-rico. Queria também metade das obras de arte que ela herdara. Barreto negou tudo. À frente de três holdings e de um patrimônio de R$ 1 bilhão. ficou milionário e separou-se. “Aquela v. Não conseguiu.. garante Miranda. Após a separação. A herdeira do império. Madrulha deixa claro: casou-se com separação de bens. não escapou incólume. placar milionário No Brasil e no mundo. em clima de denúncia. A apresentadora Ana Maria Braga. Analícia não tem do que reclamar: continua a desfrutar dos milhões do pai de suas duas filhas. ela pagou a conta depois de 20 anos de convivência. acabou seu quarto matrimônio no final dos anos 80. estimada em R$ 175 milhões. Para afastar qualquer suspeita de interesse. mais raros. Maria Pia. celebrado em 1976 entre Analícia Scarpa. o ex-marido. Mesmo assim. seu guarda-costas. Ao se separar do milionário americano Donald Trump. Ele teria ameaçado revelar segredos comerciais do conglomerado. Hábil operador de influências políticas. o pintor Pablo Picasso. “O meu acordo saiu mais caro do que o do Bozano”. Thierry Roussel. referindo-se à partilha entre Iza e o banqueiro Júlio Bozano. estimativas de algumas das partilhas mais caras e rumorosas dos últimos anos. com base na nova lei da união estável. há casos em que ricas ex-mulheres pagam a conta. Morreu em 1988. Aconselhado pela advogada Priscila Corrêa da Fonseca. Maria Pia não cedeu às pressões do marido e ainda o acusou de manter um romance com a arrumadeira da mansão. Casada em separação de bens. Bem-sucedida empresária do ramo de cosméticos e administradora do espólio do pai. a mais cara no Brasil até o caso Rezende. Golpe do baú não é prerrogativa feminina. filha do armador grego Aristóteles Onassis.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa A família Scarpa ostenta um caso anterior e bem-sucedido de pacto pré-nupcial. casou-se no ano passado com Carlos Madrulha. a mais temida nos fóruns de Família. ela terá tudo”. Outra herdeira célebre. Miranda aceitou casar-se com separação total de bens. Maridos também mordem. Paloma Picasso tornou-se uma legítima representante das vítimas da ganância conjugal. A ex-namorada deve ser uma aplicada discípula de Ivana Trump.. FGV DIREITO RIO 79 . Rafael Lopez-Cambil. Colocadas nos pratos de uma balança. levou dinheiro suficiente para ficar à toa até hoje”. dona de um dos maiores salários da televisão. Acusou o ex-marido Roberto Calmon Barreto de tentar extorquir US$ 2 milhões.

Partilhas concluídas: Amy Irving x Steven Spielberg .US$ 112 milhões Cindy x Kevin Costner . Esta definição se aplica à : A) Sociedade em nome coletivo FGV DIREITO RIO 80 .US$ 50 milhões Demi Moore x Bruce Willis . não tendo a relevância a pessoa de seus detentores”.R$ 45 milhões Gláucia x Ipoty Ioschpe .US$ 150 milhões Questões de ConCurso PROVA OAB/MG .R$ 175 milhões Lisiane x Sérgio Prosdócimo .PROCURADOR DO MUNICÍPIO JUNHO/2008 67ª Questão: É CORRETO afirmar que são sempre sociedades simples: a) cooperativas.R$ 185 milhões no mundo. a) A sociedade anônima é sociedade não personificada.R$ 17 milhões Edna x Olacyr de Moraes .US$ 50 milhões Diana x Príncipe Charles . c) sociedades em comandita simples.5 milhões Helena x Alfredo Rezende .US$ 26 milhões Lorna x Gary Wendt .R$ 2. d) sociedades limitadas.US$ 60 milhões Ivana x Donald Trump . b) sociedades anônimas. c) A sociedade anônima é regida pelo Código Civil.AGOSTO/2007 73ª Questão: Marque a alternativa CORRETA.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa no brasiL.US$ 22 milhões Jerry Hall x Mick Jagger . PROVA CONCURSO PúBLICO/MG . seu capital é dividido em ações suscetíveis de transferência. ou seja.R$ 78 milhões Evelyn x Daniel Ioschpe . 22) “Sociedade de capital constituída por frações com titularidade móvel e impessoal. b) A sociedade anônima é sociedade empresária. Partilhas concluídas: Iza x Júlio Bozano .US$ 80 milhões Marianne x Kenny Roggers . CONCURSO PARA JUIZ DO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO ESPÍRITO SANTO (2003). d) A sociedade anônima não mais existe desde vigência do atual Código Civil.EXAME DE ORDEM .

ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa B) Sociedade anônima C) Sociedade limitada D) Sociedade em comandita simples E) Sociedade de capital e indústria FGV DIREITO RIO 81 .

deve ter capacidade para exercer os atos da vida civil (exceções na forma da lei). dependerá da aceitação dos outros sócios. os sócios irão compor o instrumento pelo qual a pessoa jurídica irá se estabelecer. No caso da sociedade limitada. roteiro A denominação de “sócio” é usada para nomear o membro da sociedade empresária que pode ser pessoa jurídica ou pessoa natural. Leitura CompLementar – Capítulos 15 e 16 do Manual de Direito Comercial e de Empresa. o Fisco e a Justiça”. seu ato constitutivo FGV DIREITO RIO 82 . o sócio pode alienar sua participação societária a quem quer que seja. a cessão da participação societária dependerá da anuência dos demais sócios. 44 do Código Civil. Mediante um acordo de vontade. Renovar: Rio de Janeiro/2004. não dependendo da aprovação dos demais. Saraiva: São Paulo/2005. Ricardo Negrão. obviamente. a sociedade é compreendida como pessoa jurídica de direito privado (sujeito de direito). tão somente. Ricardo Negrão. José Edwaldo Tavares Borba. Nestas aulas discutiremos a leitura do(s) seguinte(s) capítulo(s): – Páginas 350 a 360 e 374 a 378 do Manual de Direito Comercial e de Empresa. 10 E 11: SER SóCIO DE UMA SOCIEDADE lIMItADA Em virtude da atribuição de personalidade anotada no art. – Deveres e Direitos. Saraiva: São Paulo/2005. Assim.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa AUlAS 09. Já nas sociedades de capital o que ocorre é o inverso. diretamente. cujos interesses podem ser. a pessoa do sócio é mais importante que a contribuição material que este realiza para a sociedade. – Mecanismos de responsabilidade do sócio. proprietários de quotas ou ações da sociedade. não se confundindo com a pessoa de seus sócios que são. – Páginas 357 a 370 e 398 a 419 do Curso de Direito Comercial. Saraiva/2004. Neste caso. – Páginas 99 a 107 do Direito Societário. esta última. afetados. – Ingresso e Retirada. Aprendemos que nas sociedades de pessoas. o ingresso do sócio na sociedade. – Texto: “A morte da limitada. – As vantagens e desvantagens. com capacidade para adquirir direitos. 7ª edição. contrair obrigações e ser titular de patrimônio próprio. a pessoa do sócio é irrelevante para a empresa explorada pela sociedade. ementário de temas – Ser sócio de uma sociedade limitada. ou seja. Fábio Ulhoa Coelho.

saraiva/2004. “na sociedade limitada. Uma vez integralizado o capital social. perante credores. os sócios ficam liberados de qualquer responsabilidade.052. denominado também recesso ou dissidência. e participam do dia-a-dia do negócio. 1. dnrc. d) Pela superavaliação de bens conferidos à sociedade para integralização do capital social125. 125 126 BORBa. 121 art. c) Na qualidade de Administrador . “Os sócios responderão. Entra o cessionário e sai o que cedeu as quotas. tomando todas as decisões para o desenvolvimento da empresa sem muita formalidade.9% dos registros de sociedades. estes são de uma mesma família ou conhecidos.gov.” ) no nome empresarial. Renovar/2004. 1. poderá exercer o direito de retirada.31. respondem solidariamente pelo que faltar. celebração dos mais variados contratos empresariais.016 e 1. 122 123 124 art. 50 do código civil. b) Por participação em deliberação infringente do contrato social ou da lei. Fábio in curso de Direito comercial. entre elas: – RESPONSABILIDADE LIMITADA DOS SÓCIOS: desde que integralizado o capital social por eles subscrito. mas todos respondem solidariamente pela integralização do capital social” e não apenas por suas quotas. pela diferença entre o valor estimado e os parâmetros de mercado”126. 1. De acordo com o art. – DISSOLUÇÃO PARCIAL. FGV DIREITO RIO 83 . deverá preocupar-se em aferir o patrimônio da pessoa jurídica.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa denomina-se “contrato social” e seus sócios são chamados de “sócios-quotistas” uma vez que a contribuição para a formação do capital social recebe o nome de “quota”. art. Inexistindo oposição de sócio com mais de ¼ do capital social129 e resolvendo a questão referente ao valor da quota.br art. como as de incorporação. – RESPONSABILIDADE PESSOAL DO SÓCIO: a) Por violação do dever de lealdade: O sócio responde por perdas e danos se aprovar alguma operação de interesse contrário ao da sociedade122. 7ª edição. 1. sob pena da responsabilidade ilimitada121. efetivamente. visto vez que.057 do código civil. 1.010 §3º do código civil.080 do código civil. a consideração da autonomia da pessoa jurídica importa a impossibilidade de correção da fraude ou do abuso128”. Normalmente. fusão. esta é a sua garantia. 129 art. 1.responsabilidade pessoal e solidariamente124. A retirada é o direito do sócio se des- 120 98. cisão. ao contratar com a sociedade limitada. – DIREITO DE RETIRADA: O sócio que não tem mais vontade de continuar na sociedade pode negociar suas quotas com os outros sócios ou junto a terceiros. Com a desconsideração. desde que expressamente aprovada por ele123. Caso não consiga negociar suas quotas. “Muitas vezes.055. para cuja prática concorreram com a administração da sociedade. josé Edwaldo Tavares in Direito societário. o Código Civil prevê algumas formalidades. os interesses dos credores ou terceiros são indevidamente frustrados por manipulação na constituição de pessoas jurídicas.017 do código civil. pág.158 §3º do código civil. Fonte: http://www. e) Responsabilidade ilimitada nos casos de DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA127: A limitação da responsabilidade não traduz a falta de responsabilidade dos sócios. O ingresso do sócio na sociedade também poderá ocorrer durante a existência da pessoa jurídica. os sócios respondem pessoal e ilimitadamente pelas dívidas sociais decorrente do ato ilícito. a sociedade limitada tem poucos sócios. §1º do código civil. o terceiro. Assim. por meio da aquisição de quotas que se fará mediante uma alteração contratual. a responsabilidade de cada sócio é restrita ao valor de suas quotas. 1. ou mesmo realização de operações societárias. 9ª edição. solidariamente. trazendo maior normatização e menor flexibilidade para as limitadas.105. Nesses casos. Diante do grande número de sociedades limitadas registradas no país120. 127 128 art. caso contrário. pág. art. alguns envolvendo elevado grau de sofisticação jurídica. uLHOa cOELHO. – LIMITAÇÃO EXPRESSA: É necessária a inserção do termo limitada (ou abreviado “Ltda. formaliza-se no contrato a substituição do sócio.

078/1990 (Código de Política Nacional das Relações de Consumo): art. negociação.º 8. nos termos do compromisso contratual assumido junto aos demais sócios. de alguma forma. chamado de “balanço especial de determinação” e deverá levar em consideração o patrimônio empresarial da sociedade. – DELIBERAÇÕES DOS SÓCIOS133 Exceções à regra da responsabilidade limitada dos sócios.031 do Código Civil.) VII . parágrafo único. são pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei. ou expulso. Não há. na forma do art. assim. 134. respondem solidariamente com este nos atos em que intervierem ou pelas omissões de que forem responsáveis: (. 28136. 136 art. c) O “recesso motivado” cabe sempre que o sócio minoritário discorda de deliberação da maioria. cláusula penal expressamente prevista no contrato social. 28. a qualquer tempo. estado de insolvência. em juízo.. Em se tratando da sociedade limitada com regência supletiva pelas normas da sociedade por ações. 131 132 133 134 art. em detrimento do consumidor. O sócio que não cumpre seu dever de integralizar a quota é chamado de sócio remisso140 e poderá ser cobrado pela sociedade. 13. VII134 e 135. 130 art.. No caso da sociedade decidir por expulsá-lo. houver abuso de direito.. • Lei n. 1. infração da lei. III135.º 9. Os acionistas controladores.085 do código civil. O juiz poderá desconsiderar a personalidade jurídica da sociedade quando. XX da constituição Federal da República de 1988. fato ou ato ilícito ou violação dos estatutos ou contrato social. pelos débitos junto à seguridade social. 1. • Lei n. mediante prévia notificação aos demais sócios com antecedência de 60 dias..620/1993 (altera dispositivos da legislação previdenciária) : art. O exercício do direito de retirada (ou recesso) assegura ao sócio retirante o recebimento de seus haveres.072 do código civil. será um balanço empresarial. a desconsideração também será efetivada quando houver falência.. para exercer o direito de retirada deverá ser comprovada judicialmente a “justa causa” (não cabe a dissolução parcial por retirada imotivada). ou aprovada a participação da limitada em incorporação ou fusão131. os gerentes e os diretores respondem solidariamente e subsidiariamente.605/1998 (dispõe sobre as sanções penais e administrativas derivadas de condutas e atividades lesivas ao meio ambiente): art. deve restituir ao remisso as entradas feitas. por ato unilateral de vontade. excesso de poder. – EXPULSÃO DE SÓCIO132 – LIQUIDAÇÃO DOS HAVERES: será apurada por meio de balanço especial. Consagra a regra do “recesso imotivado” na sociedade por prazo indeterminado. caso tenha sido alterado o contrato contra a sua vontade.) III . deduzidas as quantias correspondentes aos juros de mora.. adotando perfil capitalista. 135.os sócios. com seus bens pessoais.º 8. apurados de acordo com o contrato social ou. que envolve elementos incorpóreos ou imateriais do fundo de empresa. • Lei n. art. (. gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. 1. por dolo ou culpa. • Lei n.os diretores. o sócio contrai a obrigação de “investir”. assegura ao sócio o direito de retirar-se. 1. 137 FGV DIREITO RIO 84 .029 está inserido no capítulo das sociedades simples e aplica-se à sociedade limitada em não havendo disposição contratual em sentido contrário (regência supletiva pelas normas da sociedade simples). 1. Desta forma. 135 art. seja na sua formação ou numa já constituída. Isto é exemplo do mecanismo dos atos de constituição de pessoa jurídica. encerramento ou inatividade da pessoa jurídica provocados por má administração. Trata-se da aplicação do princípio constitucional130 que proíbe qualquer pessoa de ser compelida a associar-se ou permanecer associada.) § 5° Também poderá ser desconsiderada a pessoa jurídica sempre que sua personalidade for. b) Sendo a sociedade por prazo determinado e com regência supletiva pelas normas da sociedade simples. a) O art. o direito de retirada só pode acontecer de “forma motivada”. art. com seus bens pessoais. nos casos de impossibilidade de exigência do cumprimento da obrigação principal pelo contribuinte. 134. 13137. em outras palavras.884/1994 (dispõe sobre a prevenção e a repressão às infrações contra a ordem econômica): art 18138. 5º. quanto ao inadimplemento das obrigações para com a seguridade social. no silêncio deste.. no caso de liquidação de sociedade de pessoas.º 8.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa ligar dos vínculos que o une aos demais sócios e à sociedade. previstas em leis especiais: • Código Tributário Nacional: art. obstáculo ao ressarcimento de prejuízos causados aos consumidores. ou seja. e despesas. reservas sociais etc. contrato social ou estatutos: (. tem o dever de integralizar a quota subscrita do capital social.077 do código civil. art. O titular da firma individual e os sócios das empresas por cotas de responsabilidade limitada respondem solidariamente. art. os administradores. 4º139 dever dos sócios Ao ingressar na sociedade.

1. por si sós. extremamente importante à manutenção e desenvolvimento da economia. Caso gerador Camila é credora da Moto Racing Ltda. estado de insolvência. os sócios adquirem direitos inerentes a esta condição. Daniel se apaixona por uma senhora de nacionalidade paraguaia e resolve se mudar para o Peru. parcialmente integralizado. Primeira Turma. pois ela não deve ser assim visualizada. a personalidade jurídica do responsável por infração da ordem econômica poderá ser desconsiderada quando houver da parte deste abuso de direito. NÃO-CONFIGURAÇÃO. fixando residência em Matchu Pitchu. 192) art. a desconsideração também será efetivada quando houver falência.000.06. Segundo a jurisprudência do STJ. a) Camila poderá alcançar o patrimônio pessoal dos sócios? b) Nessa mesma sociedade. a sociedade não tem bens suficientes para a satisfação da obrigação. com a proposição de que sua atual paixão está disposta a pagar o que for para vê-lo livre de todas as suas obrigações no Brasil. RESPONSABILIZAÇÃO PESSOAL. Min. 20. Desse modo. Não pode tratar “como a minha empresa”. haverá direito de reembolso de suas quotas? 138 JurisprudênCia TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. 1. NEM EM TESE. 139 art. 18. 4º poderá ser desconsiderada a pessoa jurídica sempre que sua personalidade for obstáculo ao ressarcimento de prejuízos causados à qualidade do meio ambiente. Em virtude dessa decisão.380/SP. POR SI SÓ. DJ 30. SÓCIO-GERENTE. julg. encerramento ou inatividade da pessoa jurídica provocados por má administração. verifica-se que os sócios Pablo. fato ou ato ilícito ou violação dos estatutos ou contrato social. FGV DIREITO RIO 85 . é o contrato social que defini como se dará a distribuição dos lucros. direitos do sócio Por participarem do capital social. Recurso especial a que se dá provimento. 140 art. aos ditames da função social da empresa. fiscalizar a gestão da empresa. 2.2006. O capital social da sociedade é de R$ 100. mas sim como um foco irradiador de riquezas. você é procurado por Daniel. na quantia de R$ 120. (REsp 831.06. atendendo. os mecanismos especiais de fiscalização da administração e hipóteses de retirada. Intentada ação de execução. Teori Albino Zavascki. como por exemplo: participar do resultado social.000. excesso de poder. Rel.00. DE SITUAÇÃO QUE ACARRETA A RESPONSABILIDADE SUBSIDIÁRIA DOS SÓCIOS. Neste caso. EXECUÇÃO FISCAL. Artur (30%) e Daniel (30%).004 do código civil.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa O sócio também terá responsabilidade para com a sociedade e para com a coletividade por ela alcançada. Qual será a consulta? c) Daniel terá direito a receber algo? d) Caso Daniel não tenha integralizado o valor referente as suas quotas. contribuir para as deliberações sociais e retirar-se da sociedade. infração da lei. situações que acarretam a responsabilidade subsidiária dos representantes da sociedade. comunica que não pretende mais permanecer associado.2006 p. a simples falta de pagamento do tributo e a inexistência de bens penhoráveis no patrimônio da devedora (sociedade por quotas de responsabilidade limitada) não configuram. nem em tese. assim. Pablo é o administrador da sociedade. Analisando o quadro societário. Artur e Daniel têm participação no capital social da seguinte forma: Pablo (40%).00.

081/TO. (REsp 757. julg. 592. DJ 02. – A solução de controvérsias a respeito dos efeitos da cessão mortis causa de quotas na administração da sociedade empresária é matéria estranha ao Juízo do inventário. Não podem – e não devem – ser aplicados de forma solitária. II.04. QUE EXIGE SITUAÇÃO ESPECÍFICA. Min. julg. 2. A desconsideração da personalidade jurídica é artifício destinado à profilaxia e terapêutica da fraude à lei. PENHORA DAS QUOTAS SOCIAIS. DJ 23. 482). DO CTN. 200) DIREITO EMPRESARIAL E PROCESSUAL CIVIL. Terceira Turma. desaparecendo sem deixar nova direção é presumivelmente considerada como desativada ou irregularmente extinta.039/PR. Recurso especial conhecido e provido.611/MA. (REsp 800. p/ Acórdão Min. DJ 12.08. Por isso é que em ambos existe a expressão “nos termos da lei”. A empresa que deixa de funcionar no endereço indicado no contrato social arquivado na junta comercial. INEXISTÊNCIA DE QUALQUER HIPÓTESE QUE AUTORIZE A CONFUSÃO DOS PATRIMÔNIOS. IMPOSSIBILIDADE.04. Quando a sociedade por cotas de responsabilidade limitada dissolve-se irregularmente. (REsp 401. Humberto Gomes De Barros. o patrimônio dos sócios não responde por dívidas da sociedade. 25. PERTENCENTES AOS SÓCIOS. 05. 20. ADMINISTRAÇÃO DA SOCIEDADE EMPRESÁRIA. Rel. Min. 3. julg. 2. Rel.2004 p. 06. Terceira Turma. Rel.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa PROCESSO CIVIL E TRIBUTÁRIO – EXECUÇÃO FISCAL – SÓCIO GERENTE – REDIRECIONAMENTO – INTERPRETAÇÃO DO ART. 117) RECURSO ESPECIAL.2004. Terceira Turma. Recurso especial provido. EXECUÇÃO. ESTADO DE SÓCIO. Segunda Turma. os bens do sócio não respondem por dívidas da sociedade. E 596 DO CPC – RESPONSABILIZAÇÃO SECUNDÁRIA. Apenas em casos previstos em lei deve ser aplicada a responsabilização secundária.08.865/SP. FGV DIREITO RIO 86 . OU SUBSIDIÁRIA. ou subsidiária. 1. – Salvo em hipóteses taxativamente previstas em lei. autorizando-se o redirecionamento. impõe-se a responsabilidade tributária do sócio gerente. INCISO III. Francisco Peçanha Martins. Humberto Gomes de Barros. Min.2006. INVENTÁRIO. Min. Eliana Calmon. CESSÃO DE QUOTAS CAUSA MORTIS. II. 135. e 596 do CPC.2006 p. DJ 15.05.2006. 4. PREVISTA EM LEI. Tais artigos contêm norma em branco.04. Por isso. julg.06. não é lícita a penhora das quotas sociais em execução movida contra a pessoa jurídica. DÍVIDA DA SOCIEDADE DE RESPONSABILIDADE LIMITADA. (REsp 537. 230). RECURSO ESPECIAL – DÍVIDA DE SOCIEDADE LIMITADA – EXECUÇÃO FRUSTRADA – REDIRECIONAMENTO AOS BENS DE SÓCIO – ARTS.2006. 592. Nancy Andrighi. vinculada a outro texto legal. Normalmente. Imposição da responsabilidade solidária.2006 p. Rel. 1.06.2006 p. estabelecida nos Arts. – A transmissão da herança não implica a transmissão do estado de sócio. 3. Rel. 4.

Comprovado está que a dívida é do Espólio. DISSOLUÇÃO PARCIAL COM APURAÇÃO DE HAVERES. como condição de existência do contrato de sociedade. sem prejuízo de encetar uma nova sociedade para desenvolver a empresa no prazo da lei – artigo 1033. ADUZINDO A IMPOSSIBILIDADE DA DISSOLUÇÃO PARCIAL DE SOCIEDADE COMPOSTA POR APENAS DOIS SÓCIOS. pelo contrato social. liquidar-se-á com base nos valores reais da situação patrimonial da sociedade à data da resolução .artigo 1031 do CC/ 2002. Em que pese o débito ter sido constituído pelo sócio majoritário da apelada. 3. Assim. TJ/RJ). verificado em balanço especial.52831 – Apelação Cível. Sergio Lucio Cruz – Julgamento: 01/02/2006 – Décima Quinta Câmara Cível. POSSIBILIDADE. em hipótese alguma o imóvel deixará de pertencer à empresa apelada Não se pode confundir a pessoa jurídica da empresa. Des. No caso. nem partilha dos seus bens.A quebra da affectio societatis. RECESSO DO SÓCIO MINORITÁRIO.18077 – Apelação Cível. EXECUÇÃO PROMOVIDA CONTRA ESPÓLIO.Vedada a estipulação contratual que exclua qualquer sócio de participar dos lucros e das perdas – artigo 288 do Código Comercial e 1008 do Código Civil de 2002. a fase instrutória já se encerrou.001. Desprovimento do recurso.A apelante não está obrigada a permanecer associada contra sua vontade. (2005. do CPC.Princípio da causa madura para julgamento. Des. 8. do qual não fez parte a recorrida. SENTENÇA DE IMPROCEDÊNCIA. aproximando-se do resultado que poderia ser obtido com a dissolução total. o valor das quotas. Antonio Saldanha Palheiro – Julgamento: 06/06/2006 – Quinta Câmara Cível. 1. A este último só faz jus o sócio que se dedicar à administração social. grifamos EMBARGOS DE TERCEIRO. autorizando o julgamento do mérito da causa . incluindo os bens corpóreos e incorpóreos. TEORIA DA PRESERVAÇÃO DA EMPRESA.001. UNIPESSOALIDADE INCIDENTAL TEMPORÁRIA.O balanço especial deve refletir um levantamento contemporâneo. se a dívida foi contraída pelo falecido.Pretendendo-se a dissolução parcial da sociedade. e não da empresa apelada. IV. pois o que se está executando é o acordo firmado entre aquele e o ora apelante. se. (2006. e não os da empresa da qual era sócio. legitima a dissolução parcial da pessoa jurídica. como empresário individual. 2.Não há que se confundir lucro com pro labore. 7. já que os bens da sociedade por cotas de responsabilidade limitada não se comunicam com os adquiridos pela pessoa física de seus sócios. PENHORA DE BEM IMÓVEL PERTENCENTE À EMPRESA DA QUAL O FALECIDO ERA SÓCIO MAJORITÁRIO. não pode a penhora recair sobre bem dessa. do CC/2002. da qual o espólio detém cotas. são seus bens que devem garantir a execução. ainda que provisoriamente. 6. que o contrato social não pode nulificar ou obstruir.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa DIREITO DE EMPRESA. com a pessoa de seu falecido sócio. 4. SOCIEDADE POR COTA DE RESPONSABILIDADE LIMITADA CONSTITUÍDA POR DOIS SÓCIOS. TJ/RJ). §§1º e 3º. 5. Provimento do recurso. a empresa poderá ser preservada atuando o sócio remanescente.artigo 515.No caso. embora a matéria seja de direito e de fato. a morte de um dos sócios não acarreta sua dissolução da sociedade. grifamos FGV DIREITO RIO 87 . EM RAZÃO DE DIVIDA CONTRAÌDA PELO DE CUJUS. e. Tem ela impostergável direito de recesso. conseqüentemente.

Ledo engano! Em primeiro lugar os empresários têm um sócio que é um verdadeiro “encosto”. mas também os sócios. Então elas são oneradas até mais do que deveriam. iniciam uma empresa mercantil.. Toma o que pode e não dá nada em troca. já era. sendo-lhe penoso até mesmo pagar um contador que cuide de sua escrita. Mas a bendita da “desconsideração” também foi descoberta pelos advogados dos empregados e acolhida festivamente pelos tribunais Gazeta mercantil em 30. pelo menos ele teria o direito de minimizar o seu risco.quem diria! .ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa teXto: a morte da Limitada. Micros. Vou ficar com o exemplo dos empresários e das sociedades empresárias (os antigos comerciantes individuais e as sociedades comerciais) que separam uma parte do seu patrimônio e. Quem dormir no ponto.03. Bastaria aos sócios cuidar que o capital da sociedade estivesse sempre integralizado para que não sofressem qualquer tipo de responsabilidade patrimonial. pequenas e médias empresas mal conseguem sobreviver. há louco para tudo. na falta de norma específica. Para o empresário (individual) existe o favor do bem de família. pequenas e médias empresas optam pela sociedade limitada que tem um custo mais barato e na qual a responsabilidade máxima corresponde ao montante do capital social. o Novo Código Civil (NCC) mudou o regime anterior. agora a cargo do NCC. Mas cuidado. arrostando todos os perigos. Veja-se que. A Justiça do Trabalho também veio a trilhar o mesmo caminho da desconsideração da personalidade jurídica. Como a CLT não inclui sócio como empregador. Na minha família se alguém resolver abrir uma empresa eu vou procurar interditá-lo por prodigalidade. Doutor em Direito comercial e professor da Faculdade de Direito da usp). deveriam acatar a construção da limitada tal como definidos pelo legislador. o regime das limitadas seria justamente . mesmo os minoritários. que tornaria responsáveis pelas dívidas tributárias não somente os administradores faltosos. segundo a CLT. Bem. Veja-se que o perfil jurídico das limitadas era dado pelo Decreto 3. o que se dá pela escolha de um mecanismo de exploração da atividade mercantil que permitisse salvar uma parte do patrimônio no caso da perda da empresa. os outros ramos do direito. Isto geraria segurança e certeza no exercício da atividade econômica privada. Poucas empresas passam dos cinco anos de vida e um número bem menor delas chega a completar dez anos.708/19. Um dia alguém no Fisco ouviu falar de uma tal de “desconsideração da personalidade jurídica”. ao cuidar da responsabilidade pessoal dos sócios. salvaguardando os bens mínimos necessários a uma vida com razoável dignidade. 141 FGV DIREITO RIO 88 . Mas não é somente isto. não sendo encontrados bens no patrimônio da sociedade. O “peixe” foi bem vendido ao Judiciário e de lá para cá. o fisCo e a Justiça141 Significativa parte da economia gira em torno da iniciativa privada. Os perigos não são poucos. o Fisco. Para isto elas foram criadas. Legal & jurisprudência. Mas se existe uma vocação irresistível para ser empresário. o regime jurídico deste deve ser remetido para as normas que cuidam do tipo societário correspondente. Ora. As micros. por Haroldo malheiros Duclerc Verçosa (mestre. por ignorância dos seus direitos. quem responde pelas obrigações trabalhistas é o “empregador” (artigo 2º).2004. quanto mais fazerem planejamento fiscal. que corresponde a um patrimônio separado dentro do patrimônio geral.. basta agitar a varinha mágica da desconsideração que os sócios são apanhados na rede tal peixes em aquário. Desta maneira. Outra forma de correr riscos menores está na escolha de um tipo societário no qual a responsabilidade do sócio seja limitada. tendo passado a exigir uma formalidade antes desnecessária.o de uma responsabilidade limitada.

E o NCC a acatou claramente no artigo 50. FGV DIREITO RIO 89 . no CTN existe apenas uma menção à responsabilidade dos sócios no artigo 134. Era uma doutrina que “levantava o véu da sociedade” sempre que a personalidade jurídica concedida pelo legislador fosse utilizada de forma inadequada. na análise do caso concreto poderia determinar o não reconhecimento da personalidade jurídica. Este é o limite de atuação da sociedade no mundo do direito. Portanto. Quanto ao Direito Tributário. que são anuláveis (CCiB. a desconsideração da personalidade jurídica não é e nem nunca foi uma panacéia para salvar credores. artigos 102 a 113 e NCC. Estas têm um tratamento próprio na qualidade de defeitos do ato jurídico. até mesmo a sua morte como instrumento apto ao exercício da empresa mercantil. É a mesma coisa que abrir as entranhas da galinha dos ovos de ouro e pegar o que ali encontrar. verificada na liquidação de sociedade. quando não há distinção efetiva entre o patrimônio da sociedade e o dos sócios ou de algum deles. contrato social ou estatutos. ao referir-se ao “abuso da personalidade jurídica”. As “soluções” acima referidas nos dois campos do direito acabaram por levar a sociedade limitada a um completo descrédito. Não ter bens para pagar significa . Mas também neste campo tem operado fartamente a desconsideração da personalidade jurídica às vezes tão somente pelo fato de que um sócio tem participação mínima no capital. o que seria prova de simulação no disfarce de um comerciante individual em sociedade.em uma presunção absoluta na Justiça do Trabalho .ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa trabalhistas. artigos 158 a 167). por meio dos seus órgãos. o sócio pelo simples fato de ser sócio não é responsável tributário. Estas hipóteses somente são suscetíveis de realização por quem administra a sociedade e não por quem seja somente sócio. o artigo 135 estabelece que os administradores ou representantes da pessoa jurídica respondem diante de atos praticados com excesso de poderes ou infração da lei. portanto. ao invés de deixar que ela ponha um ovo por dia. E com a “penhora on line” a festa ficou completa. Isto que dizer que a personalidade jurídica deveria ater-se ao regime estabelecido pelo direito. por sua vez. Desvio de finalidade consiste justamente na utilização da sociedade para fins estranhos à sua criação. a sociedade não pague ou não indique bens à penhora para ter lugar a desconsideração imediatamente. Confusão patrimonial dá-se.que a sociedade foi utilizada indevidamente. pois tal criação jurídica foi reconhecida como instrumental ou finalística. citada. tendo-se como parâmetro o objeto social estabelecido no contrato social. Basta que. sem qualquer fundamento. A teoria da desconsideração da personalidade jurídica não inclui a simulação e a fraude. O direito.que. matando-a. Na verdade. quando vier a ocorrer “desvio de finalidade ou confusão patrimonial”. Este é o espírito da nova Lei de Falências. locupletando-se alguém por trás dela à custa dos empregados e de outros credores. A idéia acima sempre permeou a boa doutrina e a melhor jurisprudência. Por sua vez. efetivamente exercesse uma atividade econômica distribuindo aos sócios os lucros correspondentes. É só pedir. Mas vale preservar uma empresa com um pouco de sacrifício de todos do que privilegiar alguns extinguindo uma unidade produtiva. indicando a presença de uma sociedade mercantil . Os juízes precisam começar a pensar na eficiência de suas decisões dentro de um horizonte macroeconômico.

2ª QUESTÃO: Dispondo o contrato social que. 45. TIPO 1. uma vez esgotado o patrimônio desta.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa Questões de ConCurso 125º EXAME DA ORDEM DOS ADVOGADOS DE SÃO PAULO .O sócio de responsabilidade ilimitada que tenha sido admitido na sociedade por cessão de sócio retirante responde solidariamente com o cedente pelas obrigações existentes à época da cessão? XXXIX CONCURSO PARA INGRESSO NA MAGISTRATURA DE CARREIRA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO. que adota o nome empresarial Ferragem Inconfidência Ltda.EXAME DE ORDEM .. enquanto não estiver esgotado. conforme a cotação em bolsa de valores. a) O patrimônio de Ferragem Inconfidência Ltda.PROVA OBJETIVA. FGV DIREITO RIO 90 . responderá pela satisfação de todos e quaisquer débitos contraídos pela sociedade. é acolhível a alegação do retirante ou excluído de que a apuração. além de estabelecer relação com uma rede de fornecedores. (B) econômico de suas quotas à data da resolução. 2ª Prova Específica. 22º EXAME DA ORDEM DOS ADVOGADOS DO RIO DE JANEIRO . apurado em balanço especial. a sociedade realiza a contratação de empregados e aluga uma loja em área de grande movimento de pedestres.PROVA DISCURSIVA. 2ª FASE. 4 . (A) patrimonial de suas quotas na data da resolução. b) O patrimônio pessoal de Joaquim e José pode ser usado para a satisfação de quaisquer débitos contraídos pela sociedade. seus haveres serão pagos com base no último balanço levantado. por não expressar o último balanço a realidade patrimonial da empresa. e não havendo previsão contratual a respeito. Para desenvolver sua atividade. deverá fazer-se de outra forma? Fundamente a resposta. na hipótese de retirada ou exclusão de sócio. assinale a assertiva correta. PROVA OAB/RS . DIREITO COMERCIAL. DIREITO COMERCIAL. Sobre este caso. apurado em perícia judicial. teve seus atos constitutivos devidamente arquivados perante a Junta Comercial. A sociedade. (C) patrimonial de suas quotas na data do efetivo pagamento. apurado em balanço especial.DEZEMBRO/2007 22ª Questão: Joaquim Silva e José Xavier constituem uma sociedade limitada para que esta exerça a atividade empresarial de venda de materiais de construção. seus haveres sociais serão pagos de acordo com o critério do valor. (D) econômico de suas quotas na data do efetivo pagamento. Resolvendo-se o vínculo de um sócio com a sociedade empresária de que faz parte. d) Joaquim Silva e José Xavier são empresários. (VALOR: UM PONTO E MEIO). c) Esta sociedade adquiriu personalidade jurídica no momento em que os sócios assinaram o contrato social.

Indaga-se. a coerência da decisão e não apenas o resultado apresentado. FGV DIREITO RIO 91 . Prevê o contrato social que. levando-se em conta a própria evolução positiva da empresa no mercado. inclusive levando-se em conta certos bens imateriais adquiridos no curso da atividade da empresa. a exclusividade adquirida para venda de produtos. que os valores convencionais do balanço eram bem inferiores à realidade e pretendeu que a apuração se fizesse pelo efetivo valor patrimonial da empresa e não apenas pelo escritural. como. a apuração da respectiva quota atenderia o valor do último balanço. assim: Devem prevalecer os valores do último balanço. O excluído provou. incluem-se na apuração de haveres? Observação: Esta questão tem o objetivo de avaliar o senso jurídico do candidato. ERNANE FIDELIS. ou se calcula o valor da quota social. Questão 2. por deliberação da maioria. como a exclusividade de comercialização de produtos famosos. etc. no caso em que ocorra a retirada de sócios. por exemplo. novo ponto comercial. ? E as reservas de capital. OBJETIVA. bem como as reservas de capital que seriam volumosas. nos moldes contratuais. devendo haver avaliação. novo ponto comercial. porém. EXAMINADOR: DES.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa CONCURSO PARA INGRESSO NA MAGISTRATURA DO ESTADO DE MINAS GERAIS (2003/2004) – PROVA SUBJETIVA DE DIREITO COMERCIAL.

a livre participação societária e a facilidade de se verificar uma grande mutabilidade dos sócios. Nesta aula discutiremos a leitura do(s) seguinte(s) capítulo(s): – Páginas 358 a 360 do Manual de Direito Comercial e de Empresa. será sempre “de pessoas”. Ricardo Negrão. 7ª edição.II. saraiva/2004. a alienação de ações não pode ficar adstrita à anuência dos demais sócios.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa AUlA 12: A ClASSIfICAÇÃO DA SOCIEDADE lIMItADA “A sociedade limitada – anteriormente chamada sociedade por quotas de responsabilidade limitada – tem uma história pequena e pobre. que queriam beneficiar-se. diante de sua natureza capitalista. por exemplo. • nacional e estrangeira. uma vez que sua constituição baseia-se no relacionamento e vínculo existentes entre os sócios . nem se sujeitar à prévia autorização governamental”142. Renovar/2005. Fabio ulhoa in curso de Direito comercial. • holding. tendo como regra. para atender ao interesse aos pequenos e médios empreendedores. pág. Nesta. 5ª edição. Vol. ementário de temas – A classificação da sociedade limitada como: • de pessoas e de capital. mas sem atender às complexas formalidades destas. na exploração de atividade econômica. o aspecto relevante é objeto da sociedade (visão capitalista) e não a figura do sócio. será sempre “de capital”.366. • simples e empresária. já a sociedade anônima. recente e decorre da iniciativa de parlamentares. Leitura CompLementar – Páginas 149 a 154 e 266 a 275 de O Direito de Empresa à luz do novo Código Civil. roteiro de auLa “de pessoas” e “de capital”. mesmo no caso das companhias fechadas. Já nas sociedades “de capitais”. 7ª edição. A sociedade simples.“affectio societatis” pessoal. Sérgio Campinho. “na medida em que eventual limitação estatutária à circulação de ações não 142 cOELHO. em relação às demais sociedades. portanto.II. Saraiva: São Paulo/2005. Saraiva: São Paulo/2004. Sua criação é. FGV DIREITO RIO 92 . da limitação da responsabilidade típica das anônimas. Aprendemos que as sociedades “de pessoas” são aquelas nas quais a pessoa do sócio se reveste de extrema relevância. – Páginas 367 a 378 do Curso de Direito Comercial vol. Fabio Ulhoa Coelho.

aplicação de vacinas e outros serviços ao público em geral. arts.cit. total ou parcialmente. pág.134 a 1. 1. conceituando. juntamente com o capital. a quem seja sócio. constituindo o elemento de empresa144. No caso da sociedade limitada. 1. contudo não podem se estabelecer no Brasil sem a autorização do Poder Executivo Federal146.057 do Código Civil estabelece que. 146 FGV DIREITO RIO 93 . in fine. “o sócio pode ceder sua quota. as cláusulas do contrato social que dispõem sobre a natureza da sociedade.370. sendo a vontade dos sócios. que a definirá como sociedade “de pessoas” ou “de capital”. conforme art. Op. b) alienação de quotas e c) penhora de quotas. que é diferente do direito de aprovar ou vetar a alienação das ações. ou a estranho. 1.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa poderia significar a sujeição da venda destas à anuência dos outros acionistas. São três.142 do código civil. ela será considerada como “de pessoas”. em função dos atributos pessoais do eventual adquirente”143.150).053 CC). simples e empresária Na sociedade limitada empresária. os sócios exercem profissionalmente atividade econômica organizada para a produção ou circulação de bens ou de serviços. As sociedades estrangeiras são constituídas e organizadas em conformidade com a legislação do país de origem onde mantém sua sede 143 144 145 cOELHO. em regra. atendimentos e consultas por outros médicos. Indústria e comércio Exterior. 45. Seus atos constitutivos são arquivados na Junta Comercial (art. por meio de requerimento dirigido ao ministério do Desenvolvimento. se o consultório oferecer também exames clínicos laboratoriais. basicamente. como veremos a seguir: Vejamos o caso de dois médicos que se unem e montam um consultório para. com as regras das sociedades anônimas (art. neste caso será chamada de “simples pura”. 997 e seguintes do CC). a limitada como uma sociedade “de pessoas”.99. A atividade intelectual será elemento de empresa quando estiver absorvida pela estrutura organizacional da sociedade empresária e fará parte dos fatores de produção. supletivamente. se não houver oposição de titulares de mais de um quarto do capital social”. ela não possui sempre a mesma natureza. No máximo. Esta sociedade será empresária e poderá adotar o modelo “LIMITADA” com as regras da sociedade simples ou. uma vez que o art. art. do Código Civil. o estatuto da sociedade anônima fechada pode prever o direito de preferência. todas direcionadas à “cessão de quotas”: a) morte de sócio (sucessão). protocolado no Departamento nacional de Registro do comércio – DnRc. mesmo após a análise do ato constitutivo. mas que poderá adotar o modelo “LIMITADA” ou “SIMPLES” (art. expressa através das cláusulas do contrato social. 1. A sociedade limitada poderá se “apresentar” como SOCIEDADE LIMITADA SIMPLES ou SOCIEDADE LIMITADA EMPRESÁRIA. através de consultas particulares. independentemente de audiência dos outros. Continuando com o exemplo dos médicos.09. a atividade intelectual estará absorvida pela estrutura organizacional. explorarem atividade intelectual relacionada aos seus conhecimentos científicos na área médica. a menos que o contrato social disponha de forma diferente. mão de obra e organização. configurando o elemento de empresa. Importante lembrar que se não for possível definir qual a natureza da sociedade limitada. 1º da Instrução normativa n° 81 de 25. 966 do código civil. Este exemplo é típico de uma sociedade simples. nacional e estrangeira A personalidade jurídica da sociedade estrangeira145 é reconhecida conforme dispõe o art.

regendo-se pelas normas deste país148. 1. 7º qualquer alteração que a sociedade mercantil estrangeira autorizada a funcionar no país faça no seu contrato ou estatuto. § 1º não poderão. Em caso de modificações de quaisquer condições e em caso de modificação dos atos constitutivos da matriz. – como acionista de sociedade anônima brasileira (parte final do art. agências ou estabelecimentos de sociedade anônima estrangeira.138 do código civil. mas com sede administrativa no Brasil e segundo as leis brasileiras.657/42): art. como as sociedades e as fundações. constituída por sociedade empresária.627/40. haveria uma suposta proibição à participação de sociedades estrangeiras em sociedades limitadas brasileiras. por parte dos investidores estrangeiros. ou. Indústria e comércio. pois. solicitando a devida aprovação. registrada e com sede em Portugal.141 do código civil e Instrução normativa n° 81/99 do DnRc. mas devem nomear a tal fim um administrador residente no Brasil153. e III .guia de recolhimento do preço do serviço. normalmente. 149 150 na forma do art.º 6. Será nacional a sociedade constituída com capital de origem árabe.404/76. Entre as características da sociedade limitada. por meio de coligada ou joint-ventures.º IN 81/99 do DNRC151. possui simples estrutura. 151 152 153 art.134 a 1.requerimento ao ministro de Estado do Desenvolvimento. uma vez instalada no Brasil. 1. um novo decreto de autorização deve ser requerido – art. a origem do capital (desde que lícita). 1. 98 e 99 da Lei n. 300 da Lei n° 6. filiais. ter no Brasil filiais. 84 – inciso IV da constituição Federal de 1988. – atuando de forma indireta. residentes na Rússia. arts. Este tema causou polêmica no meio art. c) na hipótese de integralização de quotas em bens. 1.ato de deliberação que promoveu a alteração. Lei de Introdução ao código civil (Decreto-lei 4. 1. 148 arts. com a sede de sua administração no Brasil e seus negócios jurídicos realizados em obediência aos ditames legais brasileiros. FGV DIREITO RIO 94 .126 a 1.815/80 – Estatuto do Estrangeiro. art. 7. para produzir efeitos no território brasileiro.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa administrativa. mediante processo de nacionalização. o quê gera menos despesas se comparadas às sociedades anônimas.139 do Código Civil e art. – como sociedade anônima. desde que devidamente autorizada pelo Poder Executivo brasileiro (art. dependendo de autorização.133 do código civil. Diante da rigidez nas formalidades previstas para a sociedade estrangeira além da delonga para sua autorização. para tanto. por sócios brasileiros e residentes no Brasil. as organizações destinadas a fins de interesse coletivo. protocolizado no Departamento nacional de Registro do comércio . 1. deverá apresentar os seguintes documentos: I . por sócios chineses. obedecem à lei do Estado em que se constituírem. É indiferente a nacionalidade e o domicílio dos sócios e acionistas (mesmo de seus controladores). como já vimos. dependerá de aprovação do Governo Federal e.134 do Código Civil. 64 e seguintes do Decreto-Lei n° 2. 1.134). polêmica (in)justificada Em função do art.DnRc. entretanto. II . art. conforme dispositivo do art. b) não podem exercer a administração da sociedade. art. 11.141. Será estrangeira a sociedade constituída com capital de origem brasileira. ressalvadas as hipóteses legais em que vigoram restrições e impedimentos (veremos logo abaixo algumas restrições). As sociedades nacionais149 são as organizadas e registradas em conformidade com a lei brasileira. os mesmos deverão ter sido regularmente importados. As sociedades estrangeiras podem operar no Brasil: – atuando de forma direta.134). algumas são específicas para sócios residentes no exterior: a) devem nomear um procurador residente no Brasil que se responsabilize perante as autoridades locais pela sua participação152. organização e funcionamento. A sociedade estrangeira. Nessa seara. ficando sujeitas à lei brasileira. por meio de sucursais150. deverá desenvolver suas atividades atendendo especificamente as condições estabelecidas no decreto que a autorizou. a sociedade limitada é a preferida dos investidores estrangeiros. agências ou estabelecimentos antes de serem os atos constitutivos aprovados pelo Governo brasileiro. 1. elas são consideradas inviáveis para investimento.

Se tal proibição existisse. no Brasil. O NCC traz profundas mudanças no regime das sociedades. de sociedades brasileiras. sofrer qualquer discriminação fundada na nacionalidade de seus sócios. a mudança diz respeito aos direitos e deveres do investidor estrangeiro. salvo os casos especiais. enquanto sócias. que aliás passam a denominar-se apenas sociedades limitadas. mantidos em vigor pela Lei 6. enquanto sócio.627 de 1940. Lisboa (portugal) e paris (frança) doutor em direito pela universidade de paris ii professor da uni-rio e da univ. onde a lei especialmente requerer que. administração por pessoa natural. facil. cabe lembrar que entre 1985 e 2001 foram constituídas 3. o tipo societário seja o de sociedade anônima”. das sociedades limitadas (designação do NCC para as sociedades por quotas de responsabilidade limitada).dnrc.657 de 1942). foram constituídas apenas 17. no mesmo período.832. Possibilidade de participação de sociedades estrangeiras. Portanto. a antiga Lei das Sociedades por Ações.404/76.gov. empresas devidamente organizadas e existentes segundo as leis brasileiras não podem. sem contar o fato de que novas limitadas não poderiam ser criadas tendo sociedades estrangeiras como sócias.DnRc: Ingresso de sócia pessoa jurídica estrangeira em sociedade limitada. a Lei de Introdução ao Código Civil (Decreto-Lei 4. Estas mudanças dizem respeito a dois aspectos fundamentais. O principal argumento do DNRC é de ordem constitucional: “De mais a mais. as regras relativas à possibilidade de participação de sociedades estrangeiras. enquanto sócio. inúmeras sociedades estrangeiras existentes poderiam ser consideradas em situação irregular. da sociedade brasileira. em determinadas atividades.406 de 2002. nada impede que uma empresa estrangeira participe de uma sociedade constituída no País. A segunda.br/pareceres/arquivos/pa126. Legitimidade de representação. os artigos 60 e 64 a 72 do Decreto Lei 2. Por um lado. novo Código Civil brasileiro (Lei 10.795 sociedades anônimas). reconheceu a viabilidade de ser constituída uma sociedade limitada que tenha pessoa jurídica estrangeira como sócia. dentre os princípios traçados pela Constituição Federal. Disponível em: http://www. O presente texto visa analisar essas mudanças do ponto de vista do impacto que podem ter para os investidores estrangeiros. de sociedades brasileiras. Agora.178 sociedades limitadas no Brasil enquanto que. que são titulares de uma participação no capital social. enquanto sócias. por meio do Parecer Jurídico 126/03154. Estas mudanças afetam sobretudo as sociedades por quotas. Até agora. A primeira. como regra geral. de responsabilidade limitada. teXto: o noVo Código CiViL e as soCiedades estrangeiras José gabriel assis de almeida sócio de siqueira Castro – advogados e advogado inscrito no rio de Janeiro e são paulo (brasil).º 126/03 . Por outro lado. Candido mendes Introdução. de ora em diante NCC) entrou em vigor.pdf 154 FGV DIREITO RIO 95 . a atual Lei das Sociedades por Ações.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa jurídico até que o DNRC. Uma vez que o investimento estrangeiro se realiza sobretudo através da participação do investidor. a atuação das sociedades estrangeiras no Brasil estava regulada apenas por duas normas. será sobre este tipo de sociedades que a presente análise será realizada (a título de esclarecimento. de sociedades no Brasil. No dia 11 de Janeiro de 2003. o NCC veio regulamentar a atuação das sociedades estrangeiras parecer jurídico n.

funcionar no País. o art. pelo fato deste Decreto-Lei cuidar apenas das sociedades anônimas. é recomendável que as sociedades estrangeiras que investiram no Brasil. para evitar uma eventual contestação. Ora. apesar do teor do art. não pode. sucursais. não podem. o que simplesmente ocorreu foi uma má técnica legislativa. 1. enquanto sócia. sem autorização do Poder Executivo. enquanto sócias. Isto porque o NCC cuida de outros tipos societários. enquanto sócia. além da sociedade anônima. todavia. por si mesmas. estipulava: “As sociedades anônimas ou companhias estrangeiras. nas sociedades por quotas. às sociedades anônimas. no contrato social da sociedade brasileira. parágrafo único. no capital da sociedade brasileira.627. qualquer que seja o seu objeto. em outras sociedades. ser acionistas de sociedade anônima brasileira. não teria sentido fazer referência. Conteúdo da participação do investidor estrangeiro. cabe esclarecer que o art. Em primeiro lugar. contida no art.627 de 1940.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa no Brasil. No entanto.627. no Decreto-Lei 2. 1.134 do NCC indica que o mesmo parece limitar a participação da sociedade estrangeira. ficaria excluída a participação da sociedade estrangeira. adquirindo uma participação no capital social de sociedade brasileira. Cabe frisar que a aplicação supletiva será apenas no que concerne ao regime da participação da sociedade estrangeira. podendo todavia. Houve a reprodução quase literal da regra – contida no art. Com o NCC.134 do NCC está assim redigido: “A sociedade estrangeira. a redação deste artigo tem que ser examinada com prudência. no Brasil. ser acionista de sociedade anônima brasileira. na vida da sociedade brasileira. ou por filiais. no período que se seguiu a 1940 jamais foi impedida a participação das sociedades estrangeiras (seja sob a forma de sociedades anônimas seja sob outras formas). além das sociedades anônimas. estará sujeito ao regime da Lei das Sociedades por Ações. As principais mudanças introduzidas pelo NCC nos direitos e deveres do investidor esFGV DIREITO RIO 96 . e não apenas de sociedade anônima brasileira. uma sociedade estrangeira somente poderia ser sócia. Esta aplicação supletiva da Lei das Sociedades por Ações às sociedades limitadas é possível por força do art. ainda que por estabelecimentos subordinados. enquanto sócia.627. de sociedades por quotas. é preciso levar em consideração que a referência às sociedades anônimas explica-se. o art. sem qualquer modificação da natureza ou das características da sociedade limitada.627. de responsabilidade limitada ou ainda enquanto sócias de outros tipos societários. 64 do Decreto-Lei 2.” Uma primeira leitura do art. de sociedades anônimas. Com efeito. Com efeito. que cuida de outros tipos de sociedades. 1. qualquer que seja o seu objeto. podendo. portanto. pois o NCC deveria simplesmente referir a possibilidade da sociedade estrangeira atuar. no Brasil. 1. do NCC. Assim. tomem uma simples precaução. simplesmente. e portanto restrita às sociedades anônimas – numa norma mais geral. agências. ressalvados os casos expressos em lei. 64 do Decreto-Lei 2. na qualidade de sócia. Trata-se. uma nova cláusula estabelecendo que o regime da participação da sociedade estrangeira. ou estabelecimentos que as representem. um manifesto lapso legislativo. Houve. de incluir. no regime do Decreto-Lei 2. de sociedade brasileira de qualquer tipo. sem autorização do Governo Federal. ressalvados os casos expressos em lei. Deste modo. Inobstante o que fica exposto. como sócias. Em segundo lugar. de responsabilidade limitada (sociedades limitadas.053. 64 do Decreto-Lei 2.627. Assim.”.134 é quase a transcrição da regra anterior. funcionar no País. na nova terminologia do NCC) e nos demais tipos societários. à participação das sociedades estrangeiras. 64 do Decreto-Lei 2. de 1940.

Aliás. o investidor estrangeiro adquire novos poderes na sociedade brasileira. a sua situação não se modifica no que diz respeito à alteração do contrato social. Consequentemente. (ii) a exigência de que os gerentes (agora denominados administradores) sejam pessoas físicas. diz respeito às deliberações para a designação de administradores não sócios. No regime do NCC. nomear o administrador. no contrato social. para o investidor estrangeiro. sob este ponto de vista. ela passa a ter acesso a essa nomeação. o quorum das deliberações sociais foi modificado e varia. Se o investidor estrangeiro é titular de menos de 25% do capital social. cabia a esse(s) sócio(s) alterar(em) o contrato social (aumentar ou reduzir o capital social). nomear os gerentes. como administrador da sociedade brasileira. pois a nomeação do administrador não sócio dependerá da concordância dos sócios que sejam titulares de 2/3 do capital social da sociedade brasileira. pois a sua colaboração é necessária para a modificação do contrato social. Outro ponto relevante. as principais mudanças são (i) a supressão da obrigatoriedade da gerência ser exercida apenas pelos sócios. As únicas exigências são (i) que esta pessoa seja uma pessoa física e (ii) que esta pessoa física seja residente e domiciliada no Brasil. é preciso FGV DIREITO RIO 97 . No regime anterior ao NCC. o quorum das deliberações. No tocante às deliberações sociais. o investidor estangeiro corre o risco de – se não tomar as medidas adequadas – perder o controle da sociedade brasileira. havia apenas um quorum de deliberação. se a sociedade estrangeira não tiver a maioria do capital social.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa trangeiro nas sociedades limitadas brasileiras dizem respeito a dois pontos importantes. sozinha. varia consoante a participação do mesmo no capital social da sociedade brasileira. Se o investidor estrangeiro é titular de 50% ou menos e de mais de 25% do capital social. O NCC exige a designação por deliberação da totalidade dos sócios (quando o capital social não estiver integralizado) ou por deliberação de sócios que representem 2/3 do capital social (quando o capital social estiver integralizado). a nomeação de um administrador dependerá da concordância de todos os sócios. Deste modo. No regime do NCC. (iii) a supressão do regime da gerência por delegação. a situação não se modifica. dependendo da sua participação no capital social. Esta situação interessa bastante às sociedades estrangeiras. Assim. Se o mesmo é atualmente titular de 75% ou mais do capital social. se houver um aumento do seu capital social sem haver imediata integralização ou se a sociedade for constituída sem que o seu capital social seja totalmente liberado. o investidor estrangeiro poderá nomear. consoante as deliberações. poderá estar impedida de. O resultado desta nova regra. entre outros pontos. é importante frisar que o NCC estabelece o quorum de 2/3 do capital social para a destituição de sócio que seja nomeado. sócia administradora) e de recorrer ao mecanismo da gerência por delegação. o NCC implica na desnecessidade de figurar no contrato social como sóciagerente (agora. Assim. Por outro lado. etc. é importante salientar que o NCC modificou. a sociedade estrangeira. Se o mesmo é atualmente titular de um percentual maior do que 50% e menor do que 75%. que é normalmente uma sociedade estrangeira. Assim. Quanto à administração das sociedades. é importante salientar que qualquer alteração do contrato social passa a necessitar da aprovação dos sócios titulares de 3/4 do capital social. administrador da sociedade. para o investidor estrangeiro. O(s) sócio(s) titular(es) de 50% + 1 do capital social era(m) titular(es) do controle da sociedade. Ainda no campo das deliberações relativas à administração da sociedade. uma pessoa que não seja sócia. autorizar a cessão das quotas. A administração da sociedade brasileira e as deliberações sociais.

sem necessidade de oitiva dos sócios e/ou acionistas minoritários. d) Maior poder de negociação na obtenção de recursos financeiros e nos negócios com terceiros. agindo em parceria visando novas oportunidades. apenas. é tema ainda muito discutido na doutrina. das quais participem os investidores estrangeiros. chama-se subsidiária. Conclusão. § 3º da Lei nº 6. por um lado. e resolver o problema da participação das sociedades estrangeiras. O NCC determina que as sociedades atualmente existentes procedam à adaptação dos seus contratos sociais até 10 de janeiro de 2004. Podemos elencar como algumas vantagens da sociedade holding o seguinte: a) Concentração do poder econômico do controlador na holding. conforme a situação motivadora de sua criação. mais uma vez.404/1976. criar os mecanismos necessários para garantir a harmonia nas sociedades brasileiras. Seu interesse é a produtividade de suas “controladas” e eficácia da administração dos negócios. Enquanto as sociedades das quais participa estão “preocupadas” com as tendências do mercado. com a concorrência e com outros problemas externos. ela é chamada de Holding Mista ou impura. além da participação no capital de outras sociedades. ela exercer a exploração de alguma atividade empresarial. a possibilidade de constituir uma sociedade cujo objeto social seja. Sharp Júnior: “Do enquadramento da holding pura como sociedade simples resulta na sua inscrição no cartório do registro civil de pessoas jurí- 155 n. titular de mais de 33% do capital social e. FGV DIREITO RIO 98 . proceder à adaptação dos contratos sociais. uma pessoa física residente no Brasil. que estabelece que a “companhia pode ter por objeto participar de outras sociedades. enquanto sócias. ou para beneficiar-se de incentivos fiscais”. uma sociedade estrangeira titular do restante do capital social. com possibilidade de redução de despesas operacionais. a participação em outras sociedades em níveis suficientes para controlá-las155. sociedade holding Aprendemos que a previsão legal da sociedade holding está no art. c) Solucionar problemas referentes à sucessão (herança) e partilha (divórcio). e) Enxugamento das estruturas ociosas das sociedades controladas e descentralização de alguns trabalhos. a holding tem uma visão voltada para dentro. em função da facilidade no manejo de suas regras. Deste modo. haverá a preferência pela forma “limitada”. 2º. dentro do grupo. de sociedades brasileiras. ainda que não prevista no estatuto. assim. com os clientes. é importante aproveitar este prazo para. Neste caso. f ) Vantagens tributárias e centralização das decisões financeiras. a participação é facultada como meio de realizar o objeto social.a. como sociedade simples ou empresária. Quando o objeto social da holding for somente a participação no capital de outras sociedades.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa ter cautela no caso de uma sociedade brasileira que tenha como sócios. ela é chamada de Holding Pura. b) Flexibilidade e agilidade na transferência e alocação de recursos. podendo adotar a forma de Limitada ou de Sociedade Anônima. enquanto a holding é a sociedade que controla. Quando. vejamos alguns entendimentos: Para o Prof. Temos. a sociedade que é controlada por outra. Ronald A. por outro lado. A holding não só poderá obter financiamentos externos como também agir como provedora de investimentos para atender às necessidades das controladas. O enquadramento da “holding pura”.

parágrafo único. por lhe faltar a idéia de estabelecimento e quiçá de patrimônio comercial. Tais escopos são exercidos com profissionalismo. indo desde as microempresas ou de pequeno porte até gigantescas sociedades que atuam como holding. exigido pelo caput do art. O Prof. apenas em parte. Teresina. ainda que se possa questionar seu objeto. 1. alienação e controle de participações societárias. direcionando suas atividades não ao mercado. ambos da Lei 6. ou seja. n. titularidade. Jorge Lobo.2005.03. Também são econômicas porque visam a administrar e a agregar valor à carteira de participações societárias. como entidade de regência de uma rede de sociedades. Corroborando com o entendimento acima. Direito de Empresa.br/doutrina/texto. Anote-se. o elemento de empresa da parte final do parágrafo único do artigo 966 do NCC. bem como ausentes os perfis funcional e corporativo. Na opinião do jurista Miguel Reale “é preciso lembrar que o maior número das sociedades empresárias é formado pelas sociedades por quotas de responsabilidade limitadas. de uma sociedade destinada a organizar e controlar participações societárias pressupõe estrutura fortíssima.053.150 do NCC) e na insubmissão à falência. salvo se for constituída sob a forma de sociedade por ações”156. vez que a holding os tem como principal atividade e razão da sua própria existência como vértice de uma estrutura de controle (cf. acesso em: 15 mar. artigo 2º. posto que a participação em outras sociedades também é forma de em- 156 in “a holding pura como sociedade simples”. devendo. Disponível em: http://www. pág. Mais forte fica o argumento caso a holding pura esteja regulada pelas regras supletivas da Lei 6. de forma indireta. a. fazendo presente. ganhar idêntica condição de sociedade empresária”.39. 966 do Código Civil. 158 REaLE. se a holding pura adotar a forma de sociedade anônima ou organizar-se consoante o modelo de ASQUINI. Invencionices sobre o novo código civil. Renovar/2005. Na opinião de José Edwaldo Tavares Borba157: “se as sociedades controladas são empresárias. a “empresa de papel”.com. com. inclusive. 157 in O Direito de Empresa à luz do novo código civil. os advogados Márcio Tadeu Guimarães Nunes e Felipe Demori Claudino. que.irtdpjbrasil. Sérgio Campinho158 enfatiza a classificação das holdings como sociedades empresárias em virtude da atividade profissional dessas sociedades: “A organização e o caráter profissional da atividade seriam.49. inclusive anônimas159”. pág. O professor conclui dizendo que “a holding pura terá sempre natureza de sociedade simples. os elementos reveladores da atividade empresarial”. Ronald Sharp no sentido de classificar como sociedade simples a “holding pura”. destarte. Isso é o que basta para afastar tal sociedade do regime próprio da Simples. quando menos.br/Holding. mar. uma vez que estará constantemente agindo como sócia.” E concluem o artigo entendendo não haver “motivo sério para classificar a holding pura como Simples. em seu livro Sociedades Limitadas.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa dicas (art. 63. 160 FGV DIREITO RIO 99 . 2003. mas para o âmbito interno caracterizado pelas relações societárias. miguel. destaca o entendimento do Prof. 7. a holding que as controla encontra-se envolvida.404/76 combinado com o artigo 1. controladora até mesmo de poderosos grupos econômicos e financeiros. do NCC). naquelas mesmas atividades. O raciocínio desenvolvido se deu com base na ausência de um mínimo de organização econômica. sustentaram que a “holding pura pode ser definida como a sociedade cujos escopos principais são a aquisição. asp?id=3820>. uma vez que sua atividade-fim não é a produção ou a circulação de bens ou de serviços. uol. Em artigo publicado no jornal Gazeta Mercantil160. por afinidade. jus navigandi. em que só estão presentes os perfis subjetivo e objetivo. em si mesma.404/76 (LSA).htm in Direito societário – 9ª ed. Disponível em: <http://jus2. parágrafos 1º e 2º combinado com o artigo 243 parágrafo 2º. A existência. passa a ser sociedade empresária. contudo. então. mas ao processo de insolvência civil”. este. o ilustre Prof. 2006 159 a holding pura como sociedade empresária. as quais têm o mais amplo espectro. O direito comparado (exemplo Itália) confirma este entendimento reafirmando a presunção de profissionalismo e de viés econômico em estruturas de controle como as que reveladas pelas holdings puras. Gazeta mercantil em 02.

na sua fase inicial e de arranque. como também não há exigência quanto a publicação da composição da carteira de participações da holding. Exige-se capital mínimo realizado de aproximadamente 31. a gestão de uma carteira de participações noutras empresas. exclusivamente. ou se o comprador for uma sociedade controlada pela SGPS. – Participação em sociedades detentoras de patentes cuja carteira de ações inclua recursos intangíveis. para além dos seus próprios escritórios ou instalações. como também a gestão e desenvolvimento da dita participação. estabeleceu um novo tipo de sociedade. ou onde os procedimentos para a disposição sejam investidos noutras participações. Aplicações tradicionais de uma sociedade holding em Luxemburgo: – Aquisição de participações em outras sociedades. sem tomar direta ou indiretamente parte na condução do negócio das sociedades controladas. ou de escritórios ou instalações das sociedades nas quais detém participação. que satisfaçam as mesmas exigências. Luxemburgo161 A sociedade holding em Luxemburgo recebe o nome de “Holding 1929” e possui regime especial definido em lei sob a forma de uma sociedade anônima (Société Anonyme). a sul pela França e a oeste e norte pela Bélgica. – Efetuar empréstimos. – Participação no capital de novas sociedades constituídas. A SGPS não pode se dedicar às seguintes operações: – Compra de bens imobiliários. Nenhuma condição é imposta acerca da nacionalidade ou residência relativamente aos diretores e administradores. salvo se para sociedades nas quais tem interesse de controle ou é acionista. procurando exercer o seu controle tendo em vista a gestão. o Decreto-Lei nº 495 de 30 de Dezembro de 1988. 161 pequeno país da Europa Ocidental. buscando o interesse de investidores privados. coordenação e racionalização das suas várias atividades. vários anos depois. em fase de lançamento no mercado. – Dispor de quaisquer das suas participações no prazo de um ano após a sua aquisição. FGV DIREITO RIO 100 . No contrato social deve constar. a menos que por meio de troca. de forma expressa. a chamada: “Sociedade Gestora de Participações Sociais” – SGPS. ao passo que a regra geral é a de que a sociedade seja empresária.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa presa e diante do fato de que o NCC reservou às Simples o caráter de exceção ao fenômeno empresarial (até porque é como tipo facultativo ou como regime jurídico subsidiário que a Simples agoniza nos poucos países que ainda a adotam). A principal delas relaciona-se com o objeto social. os quais administra e explora exclusivamente pela concessão de licenças. vender as ações tão pronto as sociedades estejam suficientemente bem conhecidas entre o público.” a sociedade holding no mundo Portugal Em Portugal. Uma SGPS pode ser constituída como “sociedade anônima” ou “sociedade por quotas” e está sujeita a algumas restrições. subscrevendo as ações de um empreendimento ou projeto recente. como meio indireto de desenvolvimento de uma atividade econômica. que o objeto da SGPS é. O objeto social será a aquisição de qualquer forma de participação em outra sociedade em Luxemburgo ou em sociedades estrangeiras. limitado a leste pela alemanha. para.000 Euros.

o Delaware é um dos maiores centros bancários dos Estados Unidos. desde que devidamente representadas por um agente oficial registrado que as represente. – Data da incorporação: Junho de 1995. org/wiki/Delaware Delaware/EUA “Apesar de sua pequena extensão territorial. o valor do risco para os membros de uma LLc está limitado ao valor da sua contribuição em termos de Investimento na LLc. EUA. mais de 300. Delaware também possui uma forte indústria petroquímica”. Delaware é o único estado Norte Americano com um sistema judicial especial. Atualmente. os bens pessoais de um membro de uma LLc estão completamente for a do alcance dos credores da sociedade (negócio). 164 165 Fonte: http://www.br/detalhe_noticia. À parte do tema fiscal. Os direitos. Isto significa que. transferência de interesses numa LLc e sua liquidação. que são denominados “members”. os Estatutos planificam os traços gerais do modo de funcionamento e gestão da LLc. é uma estrutura corporativa mais formal. em que os donos do negócio ficam pessoalmente solidários com a empresa. a LLc tem personalidade jurídica própria. e nada mais. optam por DELAWARE como sede social e base para os seus negócios. Isto acontece graças à leis estaduais que dão benefícios fiscais para empresas que decidem instalarem suas sedes no Estado. de grande ou pequena dimensão. distinta dos seus sócios. – Sede da empresa: Delaware. ausente qualquer tipo de garantia pessoal. o Tribunal de Delaware (Delaware Chancery Court) julgou vários casos de gestão empresarial que são. interessadas em negociar com os EUA e outras jurisdições.162 comparada a nossa sociedade por ações. e poucos dos seus membros chegaram mesmo a visitar o Estado de Delaware. uma vez que podem ter um impacto direto na forma como a LLc ou os seus membros possam a vir ser tributados para efeitos de impostos federais. que é fixa e deve ser paga ao Estado de Delaware. (subsidiária da “Matsushita Electric Industrial Co. que pode ter um número ilimitado de acionistas cujos bens pessoais estão. 163 Várias Corporações163 e LLC’s164. mesmo que poucos aí possuam qualquer estrutura em termos de vendas ou fabricação. a responsabilidade do acionista é limitada ao valor da sua participação de capital na corporação. Apenas existe a obrigatoriedade de pagamento de uma taxa anual de US$ 200. Corporações e LLC’s não necessitam de manter qualquer conta bancária ou sede social em Delaware.wikipedia. independentemente do volume de negócios. Este fato deu ao Estado o cognome de The Land of FreeTax Shopping (A Terra Sem Impostos Comerciais). – Capital acionário: US$ 1. dedicado à legislação societária. – Atividade principal: Investimentos de negócios. quer pelos seus membros ou não-membros.a sp?a1=Imprensa&a2=notici as&a3=8 FGV DIREITO RIO 101 . os membros de uma LLc têm a mesma proteção em termos de responsabilidade limitada. incluindo muitas que operam primariamente fora do Delaware. Ltd”.com. nome que se confere ao contrato social. Muitas sociedades internacionais. desde que não operem dentro do próprio estado. como o Estado Americano das grandes Corporações.000 empresas estão registradas em Delaware. as cláusulas deste contrato social são extremamente importantes. para o caso das LLC’s. ao contrario de uma parceria “partnership” comercial. citados como precedentes em Tribunais de outros estados americanos. Ao longo dos anos. Por causa disso. Exemplos de sociedades em Delaware/EUA: – MEI Holding Inc.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa – Entrada no capital de sociedades de investimento com a finalidade de criar e administrar em seu próprio nome uma carteira de títulos transferíveis para um ou mais indivíduos privados conforme os princípios de gestão privada (o risco é distribuído geograficamente e entre vários setores). quer para Corporações ou LLC’s. mais conhecida por sua marca Panasonic). ou mesmo falência. atraindo diversas companhias. locais ou estrangeiras. escolhem Delaware devido à sua estrutura legal favorável. tal como os acionistas de uma corporação tipo “c” ou “s”. ou empresa em nome individual. particularmente em casos de sucessão e detenção de propriedade. e US$ 35 para o caso das Corporações. 162 Fonte: http://pt. Situação Geral em 31 de dezembro da 2005165.panasonic. Não existe qualquer imposto sobre as vendas em Delaware. em conformidade com Estatutos Estatuais aplicáveis. É particularmente satisfatório para a gestão centralizada de recursos familiares. obrigações e responsabilidades dos “members” são estipulados no seu “Operating agreement”. estabilidade. comparada a nossa sociedade Limitada. por muitas vezes. face às dívidas da mesma. geralmente. Mais de 200 mil empresas e companhias estão sediadas no Estado. Esta proteção em termos de responsabilidade é usufruto de todos os membros. imposto sobre propriedade ou imposto sobre rendimentos referentes a sociedades constituídas em Delaware. protegidos em caso de eventuais ações judiciais contra a sociedade. Deste modo.. quando devidamente estruturados. e reputação. Delaware é um grande centro financeiro.

as administrações do plantio. Inc. (AOLA): em 24 de junho de 2005. Caso gerador A sociedade Agricultura Extração Ltda. como o de qualquer outra sociedade. no Tribunal de Falências do Distrito de Delaware/EUA. – Adobe Systems Inc. Para melhorar a situação. processamento. – GE Engine Services Distribution. (constituída de acordo com as leis do Estado de Delaware e com sede em San Francisco/CA). conforme o Capítulo 11 (“Chapter 11”) do Código de Falências dos Estados Unidos. tem como objeto social o cultivo de soja e trigo na pequena cidade de Serrinha dos Grãos. Inc.. (constituída de acordo com as leis do Estado de Delaware e com sede em San Rafael/CA). LLC – GE Fanuc Automation Corporation – GE Information Services. Sociedade por Cotas de Responsabilidade Limitada. – GE Engine Services. – Autodesk Inc. Os administradores lhe procuram para saber: 1. – GE Energy Parts Inc. Gestão.Apelação Cível. FGV DIREITO RIO 102 . que já pensa em exportar seus produtos para a Europa e EUA. como proceder diante do crescimento do negócio? 2.10270 . no Estado do Paraná. Inc.capital ou pessoa . Ltd. grifamos. – Macromedia Inc. (2004. Independentemente da séria controvérsia sobre a natureza .da sociedade por cotas de responsabilidade limitada. a AOLA e algumas de suas subsidiárias apresentaram um pedido voluntário de concordata. têm o dever jurídico de prestar contas dos seus atos de gestão ao demais sócios. (constituída de acordo com as leis do Estado de Delaware e com sede em San Jose/CA). (100%). os seus administradores. – America Online Latin America.Quinta Câmara Cível – Tribunal de Justiça do RJ).001.Julgamento: 25/05/2004 . Prestação de Contas. – GE Energy Products.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa – Acionistas (% participação acionária) Matsushita Electric Industrial Co. para toda a Europa. Inc. Des. Com o passar dos anos. OBRIGACAO DE PRESTAR CONTAS. Milton Fernandes De Souza . Inc. – General Electric Capital Services. uma sociedade com sede em Portugal apresenta proposta com o intuito de transportar e distribuir parte da produção da Agricultura Extração Ltda. transporte e distribuição ficou complicada para a sociedade. Qual seria a forma mais eficaz da sociedade estrangeira participar dos negócios? JurisprudênCia SOCIEDADE POR COTAS DE RESPONSABILIDADE LIMITADA. DEVERES E RESPONSABILIDADE DO DIRETOR.

Recurso da parte ré provido Segundo apelo provido.Há alguma exigência legal para que uma sociedade estrangeira possa funcionar como tal no País? FGV DIREITO RIO 103 . PROVA DISCURSIVA . descabe a imposição. Ademais. é correto afirmar que: (A) depois de autorizada pelo Poder Executivo. para tanto. Relator: Roque Joaquim Volkweiss. deve impor condições convenientes à defesa dos interesses nacionais. Não detém legitimidade para a cobrança de contribuição sindical de empresa ¨holding¨ de indústrias o Sindicato que tem por fim congregar unicamente atividades ou categorias comerciais.DIREITO COMERCIAL. PROVA DE SELEÇÃO. editado após a CF/88. A respeito da sociedade estrangeira.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa CONTRIBUIÇÃO SINDICAL. estará sujeita às leis e aos tribunais brasileiros. grifamos. através de estabelecimentos subordinados. obrigatoriamente. por unanimidade. se o estatuto social. quanto aos atos ou operações praticados no Brasil. 3 . como tais devem elas ser enquadradas. como filiadas. (Apelação Cível Nº 70002205755. para fins sindicais. (D) a sociedade estrangeira autorizada poderá iniciar suas atividades antes de inscrita no registro próprio do lugar em que se deva estabelecer. 2ª FASE. prevê expressamente a facultatividade de adesão de empresas. o Poder Executivo. 22º EXAME DE ORDEM – SEÇÃO DO RIO DE JANEIRO. TIPO 1. a atividade preponderante da empresa participada. Por objetivarem participações societárias somente em indústrias. Julgado em 19/06/2002). Tribunal de Justiça do RS. DIREITO COMERCIAL 87. sem autorização do Poder Executivo. (C) para conceder a autorização. EMPRESA ¨HOLDING¨ DE INDÚSTRIAS. prejudicado o primeiro. funcionar no País. levando-se em conta. Primeira Câmara Cível. Questões de ConCurso 178º CONCURSO DE INGRESSO NA MAGISTRATURA DO ESTADO DE SÃO PAULO (2006). (B) poderá.

o montante do capital de que ela necessitará para exercer sua atividade e produzir os lucros. Págs: 401 a 407 e 497 a 506. 2007 . 2005. – NEGRÃO. FGV DIREITO RIO 104 . – Aumento e redução do capital social. 26 edição – São Paulo: Saraiva. Curso de Direito Comercial. como se fora a representação de algo indisponível”. – São Paulo: Saraiva.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa AUlAS 13 E 14: O fINANCIAMENtO DA SOCIEDADE lIMItADA Nesta aula discutiremos a leitura do(s) seguinte(s) capítulo(s): – Páginas 113 a 124 e 205 a 206 do Direito Societário. roteiro Vimos que a constituição do capital social é elemento formador do Contrato Social. volume 2: direito de empresa – 10º ed. 2005. – O art. Págs: 398 a 402. Waldemar Ferreira: “Cumpre aos organizadores da sociedade calcular. 64 da Lei nº 8. O capital social representa o referencial que os sócios consideraram dever a sociedade possuir para dar conta dos objetivos ajustados no contrato social. Leitura CompLementar – REQUIÃO.934/94 e sua interpretação restritiva. 166 in Tratado de Direito comercial – vol. 4º edição. – CAMPINHO. Rubens. – Organização em quotas. Rio de Janeiro: Renovar. ver.1. Ricardo. Págs: 156 a 192. Nas palavras do Prof. vol. deverá ser apresentado. Fábio Konder Comparato. Renovar/2004. Págs: 361 a 366 e 371 a 374. – COELHO.123. José Edwaldo Tavares Borba. O Direito da Empresa à luz do novo Código Civil – 6º edição revista e atualizada conforme a Lei 11. 2005. são paulo/1961. pg. Nesse sentido. juntamente com a “pluralidade de sócios”. – Diferença: capital social e patrimônio. e atual. saraiva. Capítulo 21. ementário de temas – Formação do capital social. para servir de garantia última dos credores sociais”. Capítulo 29. – Dívida do sócio com terceiro e Penhora de quotas. o capital social é “o valor dos bens que os sócios integram à sociedade. Manual de Direito Comercial e de Empresa. Capítulo 7. e para o qual tenha cada sócio possibilidade financeira de contribuir”. que constituem o objetivo de quantos dela co-participarem. São Paulo: Saraiva. O professor explica que. na coluna do passivo e considerado “passivo inexigível” uma vez que não corresponde a qualquer dívida social. Sérgio. Nrs. ao menos aproximadamente. Curso de Direito Comercial. no balanço social. 1º volume. 9 ª edição.3. 225 a 227 e 262 a 266.101/05. Fábio Ulhoa. – Ação de integralização de capital social para cobrança do sócio remisso. a “affectio societatis” e a “participação nos lucros e nas perdas”. “esse valor deve permanecer intocado enquanto durar a sociedade.166 formação do capital social Nas palavras do Prof.

sendo certo que numa sociedade com capital social de R$ 100. em moeda nacional168. 35.500. 175 176 in curso de Direito comercial. Fonte: Associação Empresarial de Portugal. somente o registro escritural. quando houver um pedido de empréstimo bancário o primeiro item a ser analisado pelo gerente será o valor do capital social.000. No Brasil. valor. para provar sua participação na sociedade o sócio precisará de uma via do contrato social. ou pelo inventariante no caso de espólio (art. 170 segundo a Resolução nº 2607/99 do Banco central do Brasil. igualdade ou desigualdade das quotas174. §1º)”177. 997. por um número inteiro.055. O somatório do valor das quotas. a lei não define o valor do capital mínimo.00 ou – sócio A: 4.00 cada uma – sócio C: 2.ex. incorpóreos.a. são definidas com liberdade pelo contrato social.200. em sendo ele omisso.00.000 Euros. nem de exigir-se o consentimento dos demais sócios. restrita ao valor de suas quotas (embora respondam solidariamente pela integralização do capital social).00 – sócio C: 1 quota com valor de R$ 25. assim.)167 entretanto. como táxi aéreo170. ou seja. O Prof. pessoa singular ou coletiva.00 – sócio B: 1 quota com valor de R$ 35. as securitárias172 e outras.000.000 quotas com valor de R$ 10. sua área. individualmente. o Código Civil prevê duas situações. de acordo com a Resolução nº 73 do conselho nacional de seguros privados. n.000. 1. iguais ou desiguais. de acordo com o porte das atividades a serem desenvolvidas pela sociedade. será fixado pelo Dac através de regulamentação específica. instituições financeiras e outras instituições autorizadas a operar por referido órgão devem possuir um valor mínimo de capital social integralizado.000. Ricardo Negrão destaca uma novidade trazida pela Lei n.a. 28ª edição. “havendo co-proprietários. – sociedade unipessoal por quotas: constituída por um único sócio. FGV DIREITO RIO 105 . São subscritas pelos sócios em proporções iguais ou desiguais. as seguintes formações: – sócio A: 1 quota com valor de R$ 40. 168 169 art. O contrato social vai dispor sobre a CESSÃO DE QUOTAS. – sociedade anônima: valor nominal mínimo do capital é de 50. pg. cabendo uma ou diversas a cada sócio.. não poderão possuir capital social integralizado inferior a R$ 7.500 quotas com valor de R$ 10.000 Euros e não pode ser constituída por um número de sócios inferior a 5. assim como a alemã. 15.934/94 sobre a incorporação de imóveis à sociedade. italiana e francesa. aplicável às empresas de táxi aéreo ou de serviço aéreo especializado.00175. A divisão do capital social se dá por meio de quotas. Quantidade. O capital social divide-se em quotas. por exemplo. O valor do capital social mínimo. o qual somente será exigido para a constituição de sociedades empresárias que se dediquem a determinadas atividades. “não há.055. 172 sociedade por quotas: capital social mínimo de 5. que é o titular da totalidade do capital social mínimo de 5.000 Euros. móveis ou imóveis etc.1. sendo considerada a menor fração em que o capital é dividido. no caso de bancos comerciais. que serão sempre representadas. O capital social será a demonstração da “força” da sociedade. saraiva: são paulo/2005.000.00 cada uma – sócio B: 3. entre outras. dados relativos a sua titularização. este valor é de R$ 17. para representar as quotas. a partir do qual iniciará sua existência e funcionamento. art. obrigatoriamente. a outorga uxória ou marital”169. “além da designação do capital social no contrato levado a registro. a saber178: a) cessão a quem seja sócio: independentemente de audiência de outros. a descrição e identificação do imóvel. por exemplo.000. salvo quando a lei o dispense. art. Rio de janeiro/2002. bem como o número da matrícula no Registro Imobiliário e. 171 as sociedades seguradoras autorizadas a operar no Brasil no grupamento dos seguros de ramos elementares. estes bens devem ser avaliados e o valor expresso em moeda corrente. III e IV in manual de Direito comercial e de Empresa. A formação do capital social pode se consistir em dinheiro e outros bens (corpóreos. quando necessária.500 quotas com valor de R$ 10. 173 174 código civil. um documento especial”176.293.056. diferentemente da ação. veda a prestação de serviços como elemento formador do capital social na sociedade Limitada. as bancárias171. O valor do capital social será estipulado pelos sócios. Não se fixou qualquer obrigação de proporcionalidade na cessão. os direitos dela decorrentes somente poderão ser exercidos pelo representante designado pelos condôminos. poderemos ter. O parágrafo segundo do art. será igual ao valor do capital social estipulado no contrato. Forense. p. A legislação portuguesa adota o “capital mínimo”173.00. com natureza jurídica de bem móvel. como já aprendemos. As quotas são indivisíveis. 167 n.º 8.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa Assim temos que é necessário definir no contrato social o valor a ser investido na sociedade por cada sócio e que irá compor o seu patrimônio de base. que está disposta no art. Fran Martins explica que. VII quando exige. 1. donde surge a responsabilidade de cada um. portaria nº190/Gc-5/2001 (Dac) que aprova as Instruções Reguladoras para autorização e funcionamento de empresas de táxi aéreo e de serviço aéreo especializado e dá outras providências.00 cada uma O Prof.

O capital social pode ser constituído com dinheiro ou bens. 983. Não havendo interesse de nenhum dos sócios. 981. quando subscrevem184 se comprometem a integralizar. nem consentimento para a venda a terceiros. expressamente. que se afigura com importante instituto.113. em determinado prazo. haveria ainda a possibilidade da tomada das quotas pela própria sociedade. 178 179 art. art.006. quando definirem as cláusulas sociais.094: a contribuição do sócio exclusivamente em prestação de serviços é permitida nas sociedades cooperativas (art. O patrimônio social é o patrimônio da sociedade no sentido econômico. a vedação da cessão de quotas para terceiros. passivo e patrimônio líquido) seja o capital social. Com o início das atividades. compreendendo não apenas o capital social. poderão estabelecer em cláusula contratual. um certo número de quotas ou ações para constituição do capital social. o que é permitida. Quando a sociedade inicia suas atividades. 997. a propósito o enunciado n° 206 aprovado na III jornada de Direito civil. in Direito societário. eis que afetará o movimento de ingresso e saída de sócios. Renovar/2004.094. sendo vedada. ou seja. dos contingentes trazidos pelos sócios para a formação da arca communis. josé Edwaldo in Direito societário. ou seja. crescendo na medida em que esta realize operações lucrativas.007 e 1. os sócios pagam à vista pelas quotas ou ações. na sociedade simples182. 1. A falta desta previsão poderá acarretar o ingresso de herdeiros que não estejam interessados ou que prejudiquem o negócio. Integralizar é ato de alienação. é comum que o único item encontrado em seu patrimônio (ativo. 182 código civil. O capital social é o fundo originário e essencial da sociedade fixado através da soma da contribuição dos sócios – é uma expressão numérica. 9 ª edição.055. a partir da averbação do respectivo instrumento subscrito pelos sócios179. Devem assim. bem como o passivo. pois dívidas são necessárias para alavancagem da empresa. Ao integralizar183 o capital social. pg. pensar sempre na possibilidade de um terceiro vir a adquirir o controle por meio da cessão de quotas. é de extrema importância a existência de uma cláusula prevendo a continuidade da sociedade em razão da morte de um dos sócios. cuja contribuição consista em serviços. em relação à cessão de quotas. sob pena de ser privado de seus lucros e dela excluído. que a cessão de quotas se dará independentemente do consentimento dos demais sócios. empregar-se em atividade estranha à sociedade. é o mesmo que pagar. O capital não se modifica no diaa-dia da empresa – a realidade não o afeta. 1. o ativo começa a se modificar. I) e nas sociedades simples propriamente ditas (art. a contribuição em serviço181 (trabalho). com influência nas deliberações sociais. 9ª edição. principal obrigação do sócio. promovida pelo cjF/sTj dispõe nesse sentido: “arts. 1. 1. 184 FGV DIREITO RIO 106 . apenas. em moeda corrente. O patrimônio encontra-se sujeito ao sucesso ou insucesso da sociedade. 1. assumem o compromisso com a sociedade de adquirir. art. diferença: capital social e patrimônio. O sócio.057 do cc. pois se trata de uma cifra contábil. poderão estabelecer. ou seja. 1. que o “capital é um valor formal e estático. a integralização é o pagamento feito pelo sócio à sociedade. 180 181 código civil.057 p.a. Da mesma forma. mas tudo o que a sociedade possui e venha a possuir durante a sua existência. Por outro lado. querendo os sócios garantir características típicas das sociedades de pessoas. se os sócios quiserem empreender uma sociedade de capital. enquanto o patrimônio é real e dinâmico. n. art. §2º. pág.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa b) cessão a estranhos: dependerá da anuência de um quorum de 75 (setenta e cinco). notadamente. incluindo-se as dívidas (passivo). 1. Leciona José Edwaldo Tavares Borba.63. 983. Renovar: Rio de janeiro 2004. salvo convenção em contrário. 2ª parte”. isto é. ¾ das quotas.006. o conjunto de bens (dinheiro e outros).único do código civil. no momento da elaboração do contrato social ou mesmo em suas alterações. aumento e diminuição do capital social Vimos que o capital “é a expressão. verifica-se que a participação dos sócios no capital social indicará a relação de poder de cada um. 183 subscrição é a promessa de integralização. Assim. É vedada contribuição que consista em prestação de serviços. Destarte. e reduzindo-se com os prejuízos que se forem acumulados”180. do acervo de bens indispensáveis 177 TaVaREs BORBa. não pode. A cessão de quotas será eficaz quanto à sociedade e terceiros.

para tanto.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa ao exercício da atividade mercantil (sic) . pág. Os sócios terão 30 dias para exercer o direito de preferência na aquisição das novas quotas187. 1. 185 FERREIRa. Quando os sócios assinam o contrato social para constituição da sociedade limitada. explicando que uma outra hipótese de aumento de capital “é a que se funda em recursos da própria sociedade.084. o capital social deve estar totalmente integralizado mediante a correspondente modificação do contrato. poderá exercer o direito de preferência sobre até trinta por cento do aumento deliberado” in manual do Direito comercial e de Empresa. a redução deve ser realizada com a diminuição proporcional do valor nominal das quotas.152. V do código civil. sem qualquer desembolso recebem novas cotas proporcionais a sua participação no capital. assim recebidas. 187 188 189 190 Op cit.082. São as seguintes hipóteses190: a) Se houver perdas irreparáveis depois de estar integralizado. os sócios. está prevista no art. ou se for provado o pagamento da dívida ou o depósito judicial do respectivo valor. 1.372. tornando-se efetiva a partir da averbação na Junta Comercial da alteração contratual que a tenha aprovado. §1º. Já a redução do capital social.cit. II do código civil. perante a Junta Comercial.3. Esses lucros e reservas foram gerados pela própria sociedade e poderiam ter sido distribuídos.. Nesse caso.081 do Código Civil dispõe sobre a possibilidade do capital social ser aumentado. O prof. se não ocorrer. e somente poderá ser efetivado após o decurso do prazo de 90 dias da publicação. são paulo/1961. Continua o professor. §1º c/c art. “se o sócio detiver trinta por cento do capital social integralizado. ambos do código civil. O capital social também pode ser reduzido.122. A decisão de incorporá-los ao capital é uma opção. subscrevem as quotas de capital com as quais participarão do negócio e assumem a obrigação de integralizá-las.185 Por se tratar de uma cifra. em ambas as situações. 1. 1. saraiva.076. ação de integralização de capital social para cobrança do sócio remisso. ou seja. FGV DIREITO RIO 107 . pág. ou seja. desde que os sócios detentores de pelo menos 75% do capital social assim o desejem e sendo necessária. a respectiva alteração no contrato social. Em ambos os casos (aumento ou redução). Este aumento pode concretizar-se através de aporte de novos valores como o desembolso por parte dos sócios ou mesmo por terceiros. também. é possível estipular-se um valor maior ou menor como suficiente para que a sociedade continue realizando seus fins. Waldemar in Tratado de Direito comercial – vol. 186 Ricardo negrão esclarece que o direito de preferência dos sócios na aquisição das novas quotas é proporcional às suas quotas. eventuais credores terão o prazo de 90 (noventa) dias para impugnar a decisão. no mínimo. da sociedade”. do valor nominal das quotas. ou b) Se o capital social for excessivo em relação ao objeto da sociedade191. 191 O arquivamento da deliberação com fundamento no art. 1. a morte do sócio com o pagamento dos haveres aos herdeiros e a exclusão do sócio com o pagamento dos seus haveres também são situações que podem acarretar em redução de capital.071. em recursos ou lucros acumulados que os sócios deliberam incorporar ao capital. 64 Op. dependerá da juntada das publicações previstas no art. desde que não ocorra impugnação de credor quirografário da sociedade. pg. I c/c art. O capital social pode ser aumentado mediante decisão (em assembléia ou reunião). com aprovação de. Essas cotas. A partir da publicação. poderá a sociedade formalizar a diminuição através do registro. saraiva/2005. ¾ do capital social186. Neste caso. contribuir com recursos para o capital da sociedade. cabendo aos sócios subscritores transferir novos bens à sociedade”188. com diminuição proporcional. ou dispensandose prestações ainda devidas (que eventualmente estariam faltando para integralizar a “quota parte”). José Edwaldo Tavares Borba ensina que: “esse aumento envolverá o ingresso de novos recursos quando decorrer de subscrição. ou seja.082 do Código Civil que afirma ser possível descapitalizar a sociedade quando o capital social for excessivo em relação ao objeto social. a redução deve ser realizada restituindo-se parte do valor das quotas aos sócios. A deliberação para a redução do capital social deve ser feita em Assembléia ou Reunião especialmente convocada para tal fim. da Ata e da alteração do contrato social. art. 1. 1.. O art. devendo a Ata correspondente ser publicada em jornal de grande circulação ou em Diário Oficial. são chamadas de bonificações”189.

Os sócios são obrigados. 591 do Código de Processo Civil estabelece o princípio básico segundo o qual “o devedor responde.004 do Código Civil responderá. particular ou público. além de cláusulas estipuladas pelas partes.. sem prejuízo do disposto no art. às contribuições estabelecidas no contrato social. o art. as quotas integram o patrimônio do sócio e poderiam. responderá de forma solidária com os demais.” “Art. responderá perante esta pelo dano emergente da mora.052. 1.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa Assim. em existindo parte do capital social ainda não integralizada. nunca foi pacífico o entendimento de que as quotas sociais são penhoráveis por dívida particular do sócio. 1. tomá-la para si ou transferi-la a terceiros. Na sociedade limitada. os outros sócios podem. não podendo ser utilizada a inadimplência como via oblíqua para afastar sócios indesejáveis. dívida do sócio com terceiro e penhora de Quotas Na condição de bem móvel. A sociedade constitui-se mediante contrato escrito.” “Art. Vimos então que a efetiva responsabilidade de cada sócio é pela integralização de sua quota.004 e seu parágrafo único. não integralizada a quota de sócio remisso. 1. 1. com todos os seus bens presentes e futuros. em regra. excluindo o primitivo titular e devolvendo-lhe o que houver pago. decorrentes de decisão judicial. e o modo de realizá-la. Neste sentido. Porém.a quota de cada sócio no capital social.) IV . os sócios responderão solidariamente pela quantia que falta para completar o capital social. cabendo ação de regresso contra o sócio que efetivamente não integralizou sua parte. 192 código civil. temos que é obrigação fundamental e indispensável de cada sócio a integralização da sua quota de capital. perante a sociedade.) remisso serão objeto de estudo futuro.058. 1. A sociedade (e não os sócios) poderá cobrar em juízo o que for devido pelo sócio remisso. Entretanto. as prestações estabelecidas no contrato mais as despesas FGV DIREITO RIO 108 . ser objeto de penhora para efeito de pagamento de obrigações vinculadas àquele. na forma e prazo previstos. deduzidos os juros da mora. porém. mas todos respondem solidariamente pela integralização do capital social.004. mencionará: (. e aquele que deixar de fazê-lo. entretanto. art. em regra. o patrimônio pessoal dos sócios não responde por dívidas da sociedade. é chamado de sócio remisso e.. caso o capital social esteja totalmente integralizado. na hipótese de algum sócio não cumprir com sua integralização. sendo certo que para essa última hipótese necessária se fará a presença de justa causa. Nesse sentido. esta obrigação não precisa ser realizada imediatamente (à vista).” O sócio que não cumpre com a obrigação de integralizar sua quota (ou quotas) dentro do prazo. Hipóteses como a exclusão de sócio e o acionista (S. que. em se tratando de uma sociedade limitada. na forma do art. para o cumprimento de suas obrigações. pelo dano emergente da mora.A. É recomendável que no contrato social haja uma cláusula fixando o tempo e a forma para a realização desse pagamento (a prazo). nos trinta dias seguintes ao da notificação pela sociedade. salvo as restrições estabelecidas em lei”. temos os seguintes artigos do Código Civil: “Art. 997. ou expulsá-lo192. Portanto. a responsabilidade de cada sócio é restrita ao valor de suas quotas.

“não pode a relação interna estabelecida entre os sócios obstar o exercício de um direito por parte do terceiro-credor. e não da sociedade. negarse-ia a penhora”200. Sérgio Campinho.882-5/RS. 199 200 Op. não havendo lei que exclua da execução as quotas do sócio em sociedade de responsabilidade limitada”. VEREDIcTum – Diretório acadêmico afonso arinos – unirio. sobre (I) os dividendos do devedor (II) os haveres 193 apud.º 34. 5 ª edição. conforme verifica-se nas ementas transcritas em “jurisprudência”. do contrário. incidir a penhora”197.430/mG.177. havendo limitação à sua livre transferência. apesar do Código Civil não dispor sobre a matéria “possibilidade de penhora das quotas” sociais por dívida particular de sócio. Requião. O Prof. a matéria é regulada no capítulo das sociedades simples (art. para a sociedade limitada. Entretanto. Ricardo Negrão198. além de. parágrafo único e art.026.se de capital ou de pessoas. 1. onde na ementa se lê: “responde o devedor com todos os seus bens. Vol.º 34. Para o Prof. o regime imposto pelo Código Civil impõe a liquidação da quota do sócio em virtude de dívida particular.179. in Direito de Empresa á luz do novo código civil. Este dispositivo estabelece a possibilidade da execução recair. considerar inadmissível que “se prejudique a empresa. 22ª edição. posição fundamentada em decisão do sTj no REsp.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa O Prof.175. apurar os haveres do sócio insolvente para. Renovar/2005. vedando a livre cessão de quotas”196. colocando aquele em injusta desvantagem em relação a este último”.026. 114. 201 FGV DIREITO RIO 109 . pág. não há qualquer óbice para sua aplicação no campo societário tipicamente de capital ou misto. “caso fosse concebida a livre cessão das quotas. quando o caráter que quiseram impor à sociedade seria o personalista. no caso. sendo aplicável. in as sociedades limitadas e os direitos de terceiros. mas também porque.680/RS e pelo Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial n. saraiva. José Edwaldo Tavares Borba entende que “a insolvência do sócio levará os credores à pretensão de penhorar suas quotas na sociedade. o professor reconhece que não se pode “desconsiderar os nefastos efeitos que a arrematação das quotas em hasta pública poderia vir a provocar na affectio societatis. são paulo/1995. Essa penhora não terá cabimento nas sociedades de pessoas. sérgio campinho. considerava absurda a aplicação irrestrita dos preceitos da Lei das Sociedades Anônimas à sociedade limitada. 1º.345. Ou seja. pág. Vimos então que. Op. novembro/2004.343. a quem se tem exaltado como instrumento necessário ao bem comum. que se veria impedido de excutir as quotas do sócio-devedor. entende que. sérgio Op. em benefício da coletividade. parte da doutrina entende que o cerne da questão está no entendimento que se tenha da natureza jurídica da sociedade limitada . 197 198 Op. Nas palavras do professor é inconcebível: “considerar a cota equiparável às ações e transmudar os termos de processo de execução de forma a torná-lo um modo de transferência da cota-ação das mãos do devedor para as do credor”194. como fonte de produção e de riquezas.cit. Entretanto. cumprindo. com o ingresso compulsório de terceiro não sócio. em execução por dívida sua. Ed. legitimar-se-ia a penhora. pág. E conclui criticando a doutrina que admite a penhora pura e simples de quotas do sócio em execução de dívidas particulares. ao tratar da matéria no capítulo correspondente. alternativamente. pág.365. com a apuração de seus haveres. 1.223/pR. in curso de Direito comercial. 194 195 196 Op.cit. seguindo entendimento de Cunha Peixoto193.195” Para o prof. não somente em razão da omissão do legislador. apesar da jurisprudência.73. Rubens Requião. presentes ou futuros.” E no REsp 21. campInHO.031). “em sua inteireza. Esta posição já foi a adotada pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do Recurso Extraordinário n. pág. sem a anuência dos demais companheiros”. 1. o Prof.cit. para o cumprimento de suas obrigações. a quota somente será penhorável se “houver no contrato social cláusula pela qual possa ser ela cessível a terceiro. conforme ensina José Gabriel Assis de Almeida201: “O regime imposto pelo NCC está no art. onde na ementa se encontra: “É possível a penhora de cotas pertencentes ao sócio de sociedade de responsabilidade limitada. natureza a que se subordina a sociedade limitada”199. ainda que esta esteja em regime de concordata preventiva. pág.cit. tendo os demais sócios que prostradamente assistir a admissão de um novo consorte. pág. Em posição contrária aos demais doutrinadores. sobre os valores encontrados. admitida expressamente pela lei a excussão de parcela do capital social em sociedade intuitu personae – como é a sociedade simples –.cit.

parágrafo único. nesses casos. O artigo 2º da Lei 6385/76 relaciona diversos valores mobiliários. dentre outros. não podemos deixar de salientar que a sociedade limitada não poderá obter financiamento para suas atividades através da emissão de valores mobiliários203. ou seja. deve ser interpretada de modo restritivo. por força do disposto no art. no caso concreto. por transcrição no registro público competente. Assim. esta deverá se formalizar por escritura pública. Tal dispositivo legal permite a utilização de certidão expedida pela Junta Comercial. Não é possível interpretar extensivamente tal norma para abranger os casos em que houver redução do capital social ou mesmo extinção da sociedade. as debêntures. o art. 64. independentemente da natureza e localização destes bens. 28.11. ainda. o título de transferência somente se viabilizaria se materializado por instrumento público. os contratos de investimento coletivos. requerendo a liquidação da quota do sócio-devedor. j. Além disso. Nigro Conceição). A emissão de valores mobiliários será restrita. passada pelas juntas comerciais em que foram arquivados. como é o caso do art.934. Noutras palavras. embora não esteja expressa. primeiro deverá o credor esgotar todos os demais bens que integram o patrimônio do sócio-devedor.10. 202 203 Valores mobiliários são títulos de investimentos negociados por uma sociedade anônima. como título hábil para. extraída dos atos constitutivos ou de sua alteração. pois incompatível com a sua estrutura. merecem interpretação restritiva. do sócio devedor. da pessoa jurídica para o sócio.030. mas sempre. Rel. E na espécie. uma outra importante inovação no regime do NCC. a Lei cuida da transferência do bem imóvel com que o subscritor tiver contribuído para a formação ou aumento do capital social. Neste caso. possibilitar a alienação de direitos reais incidentes sobre imóveis. não estando a hipótese dentro da exceção do art. os bônus de subscrição. será o documento hábil para a transferência. às sociedade anônimas. na exclusão. Des.934/94. dos bens com que o subscritor tiver contribuído para a formação ou aumento do capital social.026 criou um benefício de ordem. Há.031 acima citado. mas tal exceção.9710/1 . Ou seja. A grande novidade é que a liquidação da quota implica. o Conselho Superior da Magistratura do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo. havendo dação em pagamento. 64 da Lei n. a quota só é penhorável na insuficiência de outros bens. as ações. perante o registrador.934/94. a transmissão se opera de forma inversa. entendeu que “normas excepcionais. somente será possível o registro imobiliário das certidões referidas nas hipóteses em que ocorrer aumento de capital social (com integralização de bens imóveis).º 8. diferentemente. Neste sentindo. 1. É que o art. 1. o imóvel não tem finalidade de integralização do capital da sociedade (formação ou aumento do capital social). para a composição ou o aumento do capital social e nunca. 1. já se decidiu: ‘Admitese a utilização de instrumento particular com o fim de materializar a conferência de bens pelos sócios para integralizar o capital social. Somente após esgotados os demais bens do patrimônio do sócio-devedor é que o credor poderá indicar. invariavelmente. nº 63. a certidão dos atos de constituição e de alteração de sociedades mercantis. FGV DIREITO RIO 110 . 64 da Lei nº 8. Essa vedação.934/1994 e sua interpretação restritiva Segundo a sistemática contida no artigo 64202 da Lei 8.99. como objeto da execução. 64 da Lei nº 8. Destarte. A certidão passada pela Junta Comercial é documento hábil para a transferência de bem do sócio para a sociedade e. Cív. para sua redução ou dissolução” (Ap. 64 da Lei nº 8. mas sim decorrente de extinção da pessoa jurídica. os haveres serão apurados na forma do art. os dividendos e os haveres do sócio-devedor”. portanto. derivada do texto do art. de 18. as partes beneficiárias.94. em favor da sociedade. constituí uma das grandes diferenças entre estes tipos societários e poderá ser fundamental para a escolha do tipo societário mais adequado para determinados negócios. art. a propósito do falecimento de sócio. Assim. como por exemplo.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa do devedor. da sociedade.934/1994.Capital.

indicado por Padilha. cujo objeto será a prestação de serviços de consultoria empresarial para empreendimentos na área de T. Caso gerador i Isabela Gama. para imóvel. ausente a integralização. Procurada por Isabela. (tecnologia da informação). quando estiverem atuando como se fossem companhias abertas. 204 http://www. via de conseqüência. pretendendo integralizar sua parte no capital social com o referido bem imóvel. Os amigos de longa data Padilha. §1° do Código Civil.055. a sociedade credora ingressa com ação de execução em face de Isabela e é realizada a penhora de quotas de sua propriedade. aquelas que possuem o registro na CVM. para fins de precaução. ou seja. Nesse sentido. receosos com o a regra inserta no art. temos dois grandes exemplos: a sociedade limitada Avestruz Máster204 e a Fazendas Reunidas Boi Gordo S/A (sociedade anônima fechada). à Comissão de Valores Mobiliários – CVM. Para tanto. acesso em 19 de janeiro de 2008. num frio e chuvoso final de semana. todavia. às 03:25horas. aumentando o valor das parcelas. mas isso não significa concluir que as sociedades anônimas fechadas e as limitadas não possam ser autuadas e multadas pela referida agência.br/ portal_stj/publicacao/engine. bombardeada por diversos anúncios de uma grande rede de eletrodomésticos. QUANDO DELE NÃO SE CONHECE. Padilha diz ser o proprietário de uma sala que servirá de escritório para o desenvolvimento da empresa. representativas do capital social de uma sociedade limitada de pessoas. INALIENABILIDADE OU IMPENHORABILIDADE DE QUOTAS DA SOCIEDADE LIMITADA. texto=86413. Izan e Fabião.area=398&tmp. acabava se empolgando e adquirindo outros bens. QUANDO EXISTE CLÁUSULA A RESPEITO NO CONTRATO SOCIAL. Os sócios concordam com o preço. trocando o carnê por outro e. agência reguladora do mercado de capitais. FGV DIREITO RIO 111 .stj. qual deve ser a medida adotada? JurisprudênCia RECURSO EXTRAORDINÁRIO. A cada mês que se dirigia à loja para pagar a prestação. qual será o seu parecer? Caso gerador ii.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa Com efeito. Desse modo. Ultrapassado esse prazo. é necessário a outorga conjugal? e) É devido o imposto de transmissão de bens imóveis (ITBI)? Os sócios Izan e Fabião efetuaram a subscrição de suas quotas para integralização em 6 meses.I. wsp?tmp. resolvem constituir uma sociedade limitada denominada de Bernardo’s Empreendimentos e Participações Ltda. lhe procuram com as seguintes questões: a) Qual deve ser a forma de integralização do capital com o bem imóvel? b) É necessária a realização de escritura pública? c) O instrumento que efetivar a integralização deve ser levado ao Registro Imobiliário? d) Sendo Padilha casado. 1. resolve adquirir uma geladeira em 36 vezes.gov. compete fiscalizar as sociedades anônimas abertas.. as dívidas foram se avolumando a um ponto que Isabela não mais conseguiu satisfazer as suas obrigações. Devido a sua inadimplência.

117. 241). sendo ainda essa iniciativa vedada pelo contrato social. PENHORA DAS COTAS SOCIAIS. remir a execução. grifamos. 3. o que é vedado em âmbito de especial (Súmula 7/STJ). julgado em 14. As cotas sociais podem ser penhoradas. I .02. remir o bem ou concederse a ela e aos demais sócios a preferência na aquisição das cotas.02. PENHORA DE COTAS DE SOCIEDADE DE RESPONSABILIDADE LIMITADA. NÃO COMPROVAÇÃO DA EXPRESSÃO ECONÔMICA.119 do estatuto processual civil. DESATENDIMENTO DA GRADAÇÃO LEGAL. devendo ser “facultado à sociedade. Rel. asseverou o acórdão recorrido não ter o recorrente se desobrigado do ônus da sua prova. arts. PENHORA DE QUOTAS. SOCIEDADE DE RESPONSABILIDADE LIMITADA. considerando que não há vedação legal para tanto e que o contrato não pode impor vedação que a lei não criou. preservando-se a afectio societatis.119)”.11.1958). Rel.2006 p. TERCEIRA TURMA. julgado em 15.117.1.2002 p.680/RS. se o recorrente não se desincumbiu do ônus de comprovar a expressão econômica daqueles que pretendia dar em substituição aos já penhorados. SOCIEDADE POR COTAS DE RESPONSABILIDADE LIMITADA. A penhora não acarreta a inclusão de novo sócio. que restaria comprometida com a participação de um estranho não desejado. Recurso conhecido e provido. Deve-se apenas facultar à sociedade.05. grifamos. Recurso especial não conhecido.12.391/MG. DJ 29. Ministro CASTRO FILHO. TERCEIRA TURMA.2000.2000. conceder-se a ela e aos demais sócios a preferência na aquisição das cotas. a possibilidade de remir a execução. (REsp 148. (REsp 234.2006. grifamos. como já acolhido em precedente da Corte. CONTROVÉRSIA DOUTRINÁRIA E JURISPRUDENCIAL. “eis que sequer juntou aos autos cópia do mesmo”. TERCEIRA TURMA. pouco importando a restrição contratual. são penhoráveis.04. grifamos. Havendo.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa (RE 34. PROCESSO CIVIL. esta não pode ser admitida como válida. a tanto por tanto (CPC. superar essa conclusão demandaria incursão no acervo fático-probatório da causa. NELSON HUNGRIA.Ademais.No que se refere à alegação de que os demais sócios do empreendimento são contrários à venda das cotas. em princípio.186). 113). 1.747/DF. FGV DIREITO RIO 112 . PRIMEIRA TURMA. Relator Min. na qualidade de terceira interessada. ÔNUS DO DEVEDOR. As quotas. DJ 29. 2. Julgamento em 27/01/1958. ou então. Precedentes.2001 p. a despeito de haver restrição contratual à alienação das cotas. julgado em 21. em consonância com os artigos 1.04. EXECUÇÃO. (REsp 712. INDEFERIMENTO DE PEDIDO DE SUBSTITUIÇÃO. à mingua de qualquer previsão legal. Ministro CARLOS ALBERTO MENEZES DIREITO. DÍVIDA DE SÓCIO. 1. Ministro CARLOS ALBERTO MENEZES DIREITO.118 e 1. DJ 10. Recurso especial não conhecido.947/MG. III . entretanto. Rel. cláusula impediente. na qualidade de terceira interessada. DJ 12.Descabe o conhecimento do especial quanto ao pedido de relativização da ordem de gradação dos bens indicados à penhora. II .118 e 1. 1. cumpre respeitar a vontade societária. de modo que.

2006 p. em hipótese alguma o imóvel deixará de pertencer à empresa apelada Não se pode confundir a pessoa jurídica da empresa. EXECUÇÃO.06. (REsp 34. julgado em 30.08.P. HUMBERTO GOMES DE BARROS. a morte de um dos sócios não acarreta sua dissolução da sociedade. agravante não a torna proprietária exclusiva dos bens se estes foram empregados na sociedade e se o capital social foi totalmente integralizado. EMBARGOS DE TERCEIRO. TERCEIRA TURMA.1993 p. ARROLAMENTO DE BENS DE SOCIEDADE.Julgamento: 13/09/2005 . Rel. EM RAZÃO DE DIVIDA CONTRAÌDA PELO DE CUJUS.DECIMA SEGUNDA CAMARA CIVEL. PENHORA DE BEM IMÓVEL PERTENCENTE À EMPRESA DA QUAL O FALECIDO ERA SÓCIO MAJORITÁRIO.. O fato de terem os sócios integralizado o capital social no momento da constituição da sociedade. nem partilha dos seus bens. TERCEIRA TURMA. Em que pese o débito ter sido constituído pelo sócio majoritário da apelada. de seu contexto. (2005. o patrimônio dos sócios não responde por dívidas da sociedade. ressalva as restrições estabelecidas em lei. DJ 12. (REsp 757. DES.07916 .865/SP. RECURSO ESPECIAL. Comprovado está que a dívida é do Espólio.PENHORABILIDADE DAS COTAS DO CAPITAL SOCIAL. MIN.04.2006. conseqüentemente.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa SOCIEDADE POR COTAS DE RESPONSABILIDADE LIMITADA . 482). com todos os seus bens. IMPOSSIBILIDADE. pelo contrato social. Hipótese em que o contrato veda a cessão a estranhos. com a pessoa de seu falecido sócio. torna os bens adquiridos para tal finalidade econômica de propriedade da sociedade. Agravo que se conhece.15. DJ 09. pelo cumprimento de suas obrigações. O artigo 591 do C. já que os bens da sociedade por cotas de responsabilidade limitada não se comunicam com os adquiridos pela pessoa física de seus sócios. I do mesmo Código que afirma impenhoráveis os bens inalienáveis. Impenhorabilidade reconhecida. PERTENCENTES AOS SÓCIOS. mas a que. POSSIBILIDADE. se a FGV DIREITO RIO 113 . seja quando se possa concluir.002. e. Assim.1993. DÍVIDA DA SOCIEDADE DE RESPONSABILIDADE LIMITADA.882/RS.C. que a sociedade foi constituída “intuitu personae”. Ministro EDUARDO RIBEIRO. – Salvo em hipóteses taxativamente previstas em lei. Por isso. não pode a penhora recair sobre bem dessa. PENHORA DAS QUOTAS SOCIAIS. A proibição de alienar as cotas pode derivar do contrato. AGRAVO DE INSTRUMENTO. grifamos. NOMEAÇÃO DE SÓCIO COMO FIEL DEPOSITÁRIO. se. da qual o espólio detém cotas. do qual não fez parte a recorrida. TJ/RJ) – grifamos. Rel. pois o que se está executando é o acordo firmado entre aquele e o ora apelante. e não da empresa apelada. INEXISTÊNCIA DE QUALQUER HIPÓTESE QUE AUTORIZE A CONFUSÃO DOS PATRIMÔNIOS. seja em virtude de proibição expressa.230). não é lícita a penhora das quotas sociais em execução movida contra a pessoa jurídica. grifamos. Entre elas se compreende a resultante do disposto no artigo 64. EXECUÇÃO PROMOVIDA CONTRA ESPÓLIO. se nega provimento.AGRAVO DE INSTRUMENTO. julgado em 20.06. dispondo que o devedor responde. HENRIQUE MAGALHAES DE ALMEIDA . salvo consentimento expresso de todos os demais sócios. O fato do contrato de compra e venda dos bens encontrar-se em nome da.

no registro próprio e na forma da lei. VERSÃO 1. Desprovimento do recurso. dos seus atos constitutivos. enquanto não tiver o seu capital totalmente integralizado. desde que autorizada pela Assembléia Geral dos sócios. b) é admitida a sua formação por bem imóvel. são seus bens que devem garantir a execução. c) Na sociedade limitada empresária. A quota de capital de uma sociedade empresária (A) pode ser negociada em bolsa de valores. (B) depende da aprovação de metade dos sócios presentes em reunião. PROVA OBJETIVA. 42. (D) depende da aprovação de 3/4 do capital social. b) É nula a estipulação contratual que exclua qualquer sócio de participar dos lucros e das perdas. foi contraída pelo falecido.SEÇÃO DE SÃO PAULO.DEZEMBRO/2007 81ª Questão: Sobre o Capital social da sociedade limitada: a) é admitida a sua formação com base em prestação de serviços pelos sócios a favor da sociedade. (B) pode ser negociada em bolsa de valores. 49.Apelação Cível. FGV DIREITO RIO 114 . desde que autorizada a abertura do capital da sociedade empresária.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa dívida. Questões de ConCursos 24º EXAME DE ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL . d) Em nenhuma hipótese a sociedade limitada empresária poderá reduzir o seu capital 124º EXAME DE ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL .001.Julgamento: 01/02/2006 . TJ/RJ). Na omissão do contrato social.SEÇÃO DE SÃO PAULO. e não os da empresa da qual era sócio. Sergio Lucio Cruz . PROVA OAB/MG . (D) não pode ser negociada em bolsa de valores.EXAME DE ORDEM . Des. a cessão de quotas entre sócios de uma sociedade limitada (A) é livre. Direito Comercial 47 . grifamos. assinale a alternativa INCORRETA: a) A sociedade adquire personalidade jurídica com a inscrição. 1ª FASE. ainda que representado por propriedade rural.Décima Quinta Câmara Cível. PROVA OBJETIVA. (C) não pode ser negociada em bolsa de valores.52831 . (2005. depende da deliberação dos sócios a aprovação das contas da administração. PROVA OBJETIVA. 128º EXAME DE ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL .SEÇÃO DO RIO DE JANEIRO. 1ª FASE.Com relação às sociedades personificadas. 1ª FASE. (C) depende da aprovação de metade do capital social.

a quem seja sócio. b) nas sociedades de responsabilidade ilimitada os sócios que se retiram ficam obrigados pelas obrigações contraídas até o momento da despedida por um período de dois anos a partir do arquivamento da alteração contratual .ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa c) todos os sócios respondem subsidiariamente em relação à sociedade pela exata estimação do valor do bem imóvel que compõem o capital social pelo prazo de dois anos. quando feita em ato separado.EXAME DE ORDEM . d) Depende da deliberação dos sócios a designação dos administradores. a) Os sócios serão obrigados à reposição dos lucros e das quantias retiradas.DEZEMBRO/2007 24ª Questão: Tratando-se de sociedade limitada. a qualquer título. quando tais lucros ou quantias se distribuírem com prejuízo do capital. b) Na omissão do contrato. PROVA OAB/DF . anualmente.AGOSTO/2006 81ª Questão: Ainda quanto à responsabilidade ordinária dos sócios é correto afirmar que: a) nas sociedades de responsabilidade ilimitada o sócio que nela ingressa mediante aumento do capital social responde somente pelas obrigações a partir de seu ingresso. d) o sócio que pagou sua participação no capital social com bem imóvel responde solidariamente com a sociedade pela exata estimação do seu valor pelo prazo de dois anos. c) nas sociedades de responsabilidade limitada o sócio responde pelas obrigações existentes no momento do ingresso e pela integralização de sua cota a partir daí.ABRIL/2008 77ª Questão: Na sociedade limitada. independentemente de audiência dos outros sócios. salvo quando autorizadas pelo contrato.EXAME DE ORDEM . sem direito de receber de volta o que houver pago. PROVA OAB/RS . assinale a assertiva incorreta.EXAME DE ORDEM . c) A remuneração dos membros do conselho fiscal instituído será fixada. c) nas sociedades de responsabilidade limitada o sócio responde pelas obrigações existentes no momento do ingresso e pela integralização de sua cota a partir daí. b) pode perder as cotas adquiridas. d) responde sozinho perante credores por dívidas da sociedade. o sócio pode ceder sua quota. total ou parcialmente. PROVA OAB/MG . FGV DIREITO RIO 115 . d) nas sociedades de responsabilidade limitada o sócio cotista dissidente não responde após o registro da alteração de sua retirada. o sócio remisso: a) pode ser cobrado pela via da ação executiva. pela assembléia dos sócios que os eleger.

total ou parcialmente. d) O capital social não pode ser reduzido. b) Na sociedade limitada. podemos afirmar que: a) Salvo expressa previsão no contrato social. os outros sócios podem. c) Pela exata estimação de bens conferidos ao capital social respondem solidariamente todos os sócios. FGV DIREITO RIO 116 .ABRIL/2006 24ª Questão: Nas sociedades limitadas. os direitos a ela inerentes somente podem ser exercidos pelo condômino representante ou pelo inventariante do espólio do sócio falecido. a) O capital social divide-se em quotas.EXAME DE ORDEM . PROVA OAB/RJ .EXAME DE ORDEM .ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa PROVA OAB/MG . com relação à formação do capital social e sua divisão em quotas. contados da data da publicação da ata de assembléia que aprovou a redução. assinale a assertiva incorreta. c) Na sociedade limitada. não pode a sociedade reduzir o capital. c) A redução do capital social pode ser feita sem modificação do contrato. d) Para a formação do capital social é permitida contribuição que consista em prestação de serviços. iguais e desiguais. havendo omissão do contrato. tomá-la para si ou transferi-la a terceiros. até o prazo de 5 anos da data do registro da sociedade. as prestações estabelecidas no contrato mais as despesas. d) Na sociedade limitada. apenas. deduzidos os juros da mora. cabendo uma ou diversas a cada sócio. o sócio pode ceder sua quota. salvo se houver perdas irreparáveis para a sociedade.EXAME DE ORDEM . total ou parcialmente. a responsabilidade de cada sócio é restrita ao valor de suas quotas e os sócios que já integralizaram as suas quotas apenas respondem subsidiariamente pela integralização do capital social.ABRIL/2006 95ª Questão: Assinale a alternativa CORRETA: a) Sócio remisso é aquele que não cumpre o dever de integralizar sua parcela no capital social. PROVA OAB/RS . somente a quem seja sócio. mesmo após integralizado. não integralizada totalmente a quota de sócio remisso. b) A redução somente se tornará eficaz se não for impugnada no prazo de 90 (noventa) dias.DEZEMBRO/2006 31º EXAME DE ORDEM RJ 56ª Questão: Em relação à diminuição do capital social de uma sociedade limitada. b) No caso de condomínio de quota. excluindo o primitivo titular e devolvendo-lhe o que houver pago.

a alienação de bens do ativo permanente.SEÇÃO DO RIO DE JANEIRO. De que forma estes sócios minoritários podem assegurar a defesa de seus direitos? Aponte o fundamento legal. 2ª QUESTÃO (VALOR: TRÊS PONTOS): Que opções têm os sócios da sociedade limitada em relação ao sócio remisso? (VALOR: UM PONTO E MEIO). 2ª FASE. 4 . os quais representam um quinto do capital social.Uma sociedade limitada possui quinze sócios.SEÇÃO DO RIO DE JANEIRO . 4 . d) Nas sociedades anônimas. 2ª Prova Específica. PROVA DISCURSIVA. se o estatuto não dispuser em contrário.2007 59ª Questão: Quanto às sociedades. a) O patrimônio social não pode ser inferior ao capital social. 27º EXAME DE ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL . b) O patrimônio social líquido corresponde à totalidade de ativos da sociedade deduzido o capital social. defina qual é a natureza jurídica da cota. compete ao conselho de administração autorizar. assinale a alternativa CORRETA. FGV DIREITO RIO 117 .JUIZ . o capital social pode ser integralizado com a prestação de serviços. 29º EXAME DE ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL .No capital social de uma sociedade limitada empresária. XXXIX CONCURSO PARA INGRESSO NA MAGISTRATURA DE CARREIRA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO. sendo doze majoritários e três minoritários.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa PROVA CONCURSO PúBLICO/MG . Direito Comercial. c) Na sociedade empresária limitada.PROVA DISCURSIVA .2ª FASE.

204 roteiro de auLa Já aprendemos que antes do advento do novo Código Civil. Ricardo Negrão. dada sua especificidade. Ricardo Negrão. Leitura CompLementar – Páginas 242 a 255 de O Direito de Empresa à luz do Novo Código Civil. Vol. 7ª edição. 9ª edição. como por exemplo. 331 . pág. 15 do Decreto n. retirar-se da sociedade. em suma. 1. a exigência de os sócios reuniremse em assembléia. na parte em que essas prestações forem necessárias para pagamento das obrigações contraídas. 1. Fábio Ulhoa Coelho. saraiva/2004. Ficam. e as explicitamente indicou no art. pág. 15. A reunião ou assembléia de sócios é o órgão máximo da sociedade. Nas palavras do Prof. 7ª edição. ementário de temas – Assembléias e Reuniões – Conselho Fiscal 203 art.071 não é taxativo.I . vol.370. No tocante a disciplina das deliberações dos sócios. desde logo.º 3. 1.430. na proporção do último balanço aprovado. igualmente. 1. parágrafo único)”206. computado pela forma prescrita no artigo nº. sendo permitindo ao sócio que divergisse (da maioria). de tomar decisões. Renovar: Rio de Janeiro/2004. contudo. ou melhor. O Código Civil. obrigados às prestações correspondentes às quotas respectivas. porém. “a vontade do sócio ou dos sócios titulares de mais da metade do capital social era suficiente para qualquer deliberação”204. – Páginas 424 a 432 do Curso de Direito Comercial.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa AUlA 15: MECANISMOS DE fORMAÇÃO DA vONtADE SOCIAl E SUA fISCAlIZAÇÃO Nesta aula discutiremos a leitura do(s) seguinte(s) capítulo(s): – Páginas 368 a 371 do Manual de Direito Comercial e de Empresa. especificamente. art. dependem de deliberação dos sócios. assiste aos sócios que divergirem da alteração do contrato social a faculdade de se retirarem da sociedade. 5ª edição Renovar/2005.068) e para estabelecer a remuneração do contabilista assistente (art.708 de 10 de janeiro de 1919. 331203 do Código Comercial estabelecia o princípio da maioria. onde está localizado o poder de deliberar. “o rol do art.I . conforme disposição do art. Sérgio Campinho. Fábio ulhoa in curso de Direito comercial. Saraiva/2004. as sociedades limitadas (então chamadas de sociedades por quotas de responsabilidade limitada) eram reguladas pelo Código Comercial e. é o cérebro da cOELHO. saraiva: são paulo/2005. até à data do registro definitivo da modificação do estatuto social.4ª edição. 486.708/1919205.a maioria dos sócios não tem faculdade de entrar em operações diversas das convencionadas no contrato sem o consentimento unânime de todos os sócios. não foram mencionadas naquele dispositivo e que. nos mais casos todos os negócios sociais serão decididos pelo voto da maioria.071. obtendo o reembolso da quantia correspondente ao seu capital. José Edwaldo Tavares Borba. ou seja. – Páginas 122 a 125 do Direito Societário. 205 206 in manual de Direito comercial e de Empresa.4ª edição. para eleger e fixar remuneração dos membros do conselho fiscal (art. FGV DIREITO RIO 118 .070. definiu a necessidade de se alcançar uma maioria qualificada para aprovação de diversas matérias e deliberação colegiada em reunião ou assembléia. Saraiva: São Paulo/2005. pelo Decreto nº 3. o art. Há outras situações que. em atenção ao direito dos minoritários e com a possibilidade de abuso por parte do majoritário.

por unanimidade.246. 1.078. quorum de instalação. Sérgio Campinho211 leciona que esta “competência primária é conferida ao órgão de administração da sociedade. §2º do código civil. ser evitado pelas sociedades limitadas que. Ressalte-se que. No tocante às regras formais pertinentes às assembléias serem aplicadas às reuniões. do local. que o ato sujeito a registro não pode. pode estabelecer regras diferentes das previstas na lei para a validade da assembléia dos sócios. FGV DIREITO RIO 119 . Contudo. reunião ou assembléia deve ser convocada atendendo ao dispositivo do art. assim. 1. no mesmo sentido: sérgio campinho. em primeira convocação.074 do código civil. 207 art. sendo permitido ao sócio ser representado por outro sócio ou advogado com mandato específico. a soma das vontades dos sócios torna-se uma única vontade – a vontade social. entretanto a lei prevê também a realização de reunião ou assembléia de sócios. art. ficam dispensadas se todos os sócios comparecerem ou se declararem cientes. 1. 217 218 Op. 1. A assembléia se instala com a presença de ¾ do capital social. A ata deve ser assinada pelos membros da mesa e pelos sócios participantes da assembléia. 1.072. As deliberações sociais podem ser alcançadas. 210 in O Direito de Empresa à luz do novo código civil. Assim não sendo. §3º do código civil. o Prof.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa sociedade. Como adverte Modesto Carvalhosa. A competência para a convocação de reunião ou assembléia é do administrador. Até então resta evidenciado que o mecanismo de deliberação social em assembléia é dotado de formalidade.152. 214 215 216 art. 5ª edição Renovar/2005. 212 art. conforme esteja previsto no contrato social. trás como novidade o registro da ata dos trabalhos e deliberações em livro específico (Livro de Atas). data. e encaminhada a registro nos 20 dias subseqüentes. pág.073. e com qualquer número em segunda. Assim.071 do Código Civil serão adotadas em reunião. antes do cumprimento das respectivas formalidades. Aos sócios dissidentes caberá o direito de recesso. que irá gerar custo e risco de nulidade. 1. poderá optar pela forma de assembléia para suas deliberações sociais. Na prática.072. de forma excepcional. a competência dos sócios e do conselho fiscal é concorrente. sendo certo. se o número de sócios for superior a 10 (dez)210. também. pois. em documento por escrito209. em sua maioria. por escrito. O art. in comentários ao código civil – parte Especial – Do Direito de Empresa – vol.154 do NCC. contudo. a convocação é dever legal do administrador que também pode ser realizada pelos sócios e pelo conselho fiscal (se houver). mesmo a sociedade limitada constituída com menos de 10 (dez) sócios. “é importante a apresentação da ata de assembléia ou reunião ordinária a arquivamento e averbação.cit. Serão sempre em assembléia. como veremos a seguir. 13.)”216. 1. devendo.077 do código civil. 213 art. já que estas se aplicam apenas quando omisso o contrato social”218. curso e registro de trabalhos. outro órgão ou pessoas à convocação do encontro de sócio”212. para Fábio ulhoa coelho. I e II do Código Civil. não seria conveniente em virtude do maior formalismo.152. § 3º do Código Civil. que se contará o prazo prescricional de dois anos para se anular a aprovação do balanço patrimonial e o de resultado econômico previsto no parágrafo 4º do artigo 1. saraiva/2003. juntamente com a ata215. §1º do Código Civil.429.072. e não da data de sua realização. contudo. 1. poderão os sócios e o Conselho Fiscal – se tiver sido instalado – fazer a convocação para reunião ou assembléia na forma estabelecida pelo artigo 1. §3º do código civil. art. ser oposto a terceiro (artigo 1. legitimando. Fábio Ulhoa Coelho217 esclarece que “se o contrato social estabelece que as deliberações dos sócios sobre as matérias do art. portanto. O Prof. Uma vez aprovada determinada deliberação. ele pode estabelecer regras próprias sobre a sua periodicidade. 1. como publicação em jornais. nos casos específicos em lei208. hora e ordem do dia214. devendo o instrumento ser levado a registro. convocação (competência e modo). a lei estabelece uma competência secundária. é a partir daí. 208 209 art. §5º do código civil. como já tratado na aula 10. 1.075. As formalidades para a convocação213.072. pág. é de pequeno porte. 211 para Ricardo negrão. §1º do código civil. que deve ser obedecida por todos207.

sendo interesse evitar um rápido e grande desfalque na sociedade. pois o que a lei estabeleceu foram os parâmetros mínimos de votos favoráveis. os quoruns são necessários para as deliberações sociais. que estabelecem maiorias especiais para diversas situações. Apesar da crítica. 9ª edição. quando o capital não tiver sido integralizado. fusão. que antes prevalecia. DElIbERAÇõES NO NOvO CóDIGO CIvIl Deliberação Quorum Necessário Para Aprovação unanimidade: 100% do Capital Social Nomeação de administrador não sócio. A nova sistemática introduzida pelo Código Civil de 2002 fará com que. como o prazo menor para o pagamento de apuração de haveres. b) de outro lado. Na prática. ou. transformação societária não prevista no ato constitutivo. unanimidade: 100% do Capital Social alteração do Contrato Social. ½ +1 do Capital Social: 51% do Capital aprovação de contas da administração. porque detentor da maioria do capital social. cessação do estado de liquidação. “a liberdade contratual. que era a flexibilidade normativa”219. dissolução 3/4 do Capital Social: 75% do Capital da sociedade. os sócios poderão prever no contrato social quoruns mais específicos. José Edwaldo Tavares Borba uma vez que. Esta “gigantesca revolução” recebeu duras críticas do Prof. in Direito societário. incorporação.123. Com isso. nos quatro meses seguintes ao término do exercício social. trata-se de norma imperativa.078 do cc. estabelecer quorum superior ao montante de quotas do majoritário para o maior número de situações possível. e nunca para menor. direito a eleição em separado de um integrante e seu 1/5 do Capital Social: 20% do Capital suplente no Conselho Fiscal. Renovar: Rio de janeiro/2004. sendo interesse deixar ampla liberdade ao sócio controlador. pelo menos uma vez ao ano. sendo somente possível modificá-los para maior. não se prevendo nenhuma outra matéria exigindo um quorum qualificado para deliberar. sua destituição e o modo de remuneração ½ +1 do Capital Social: 51% do Capital do(s) administrador(es) não feita em contrato. FGV DIREITO RIO 120 . denominada de reunião ou assembléia anual ordinária220. o controle da lei deve ser o limite. pág. ou seja. mas em ato separado. Nomeação de administrador não sócio desde que o capital 2/3 do Capital Social: 67% do Capital já esteja integralizado. poderá se prever um prazo mais longo para o pagamento dos haveres. nomeação e ½ +1 dos presentes a convocação destituição dos liquidantes e o julgamento de suas contas. que o Código Civil definiu a necessidade de se alcançar uma maioria qualificada para aprovação de diversas matérias. destituição de sócio nomeado administrador no Contrato Social. com vistas às peculiaridades da sociedade e ao pólo a ser protegido (do majoritário ou do minoritário). 1. seja realizada uma reunião ou assembléia para aprovação das contas da administração e deliberação de demais assuntos. por exemplo: a) uma sociedade com poucos sócios e com grande concentração de capital nas mãos de apenas um. se o Conselho for instituído no Contrato Social. 2/3 do Capital Social: 67% do Capital Nomeação. foi substituída por normas legais imperativas.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa Vimos. se o contrato não exigir maioria mais elevada. então. coarcta-se a autonomia da vontade. 219 220 art. representando os minoritários. aprovação do plano de recuperação judicial ou extrajudicial. quebrando-se o principal mérito da sociedade limitada.

ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa

Convém destacar que a sociedade limitada poderá ter órgãos para a administração da sociedade, como por exemplo, o Conselho de Administração e Diretoria, bem como comitês de assessoramento, financeiro e executivo. Além disso, nada impede que a sociedade limitada faça uso do acordo de quotistas231, adotando-se as regras do artigo 118 da Lei 6404/76. Confira-se o texto232: Acordo de Quotistas - Importante ferramenta empresarial O Acordo de Quotistas é um contrato particular efetivado entre os sócios de uma sociedade limitada, que estabelece normas de conduta, obrigações e responsabilidades na gestão societária, as quais deverão ser cumpridas por todos os contratantes. Sua legalidade funda-se na possibilidade conferida pelo art. 997 c.c. art. 1.054, ambos do Código Civil, aos sócios em constituir entre si regras especiais para a regência da sociedade limitada. Vejamos:
“Art. 997. A sociedade constitui-se mediante contrato escrito, particular ou público, que, além de cláusulas estipuladas pelas partes (...). (...). Art. 1.054. O contrato mencionará, no que couber, as indicações do art. 997, e, se for o caso, a firma social”. (grifamos).

Neste acordo, situações como os limites da administração, eleição de administrador, função de cada sócio e/ou administrador, forma de cessão de quotas, quorum de votação, procedimentos e forma de pagamentos das quotas em caso de exclusão, liquidação, morte e outros, serão detalhadamente definidos, facilitando a administração. Outra importante função deste Acordo é o fato dele tratar de especial ferramenta para Planejamento Sucessório, pois estabelece regras ditadas pelos interessados quanto a comunicabilidade de quotas e bens, o usufruto, a doação, o ingresso de herdeiros e sucessores, o conselho de administração, o conselho familiar, os casos de arbitragem e outros pontos que se fizerem necessários dependendo da característica empresarial e familiar. Conclui-se, portanto, que sua função principal é harmonizar as decisões sociais, dando uma maior tranqüilidade aos sócios, evitando desconfortos eventuais que possam surgir, enfim, assegura aos sócios e administradores maior segurança para administrar situações conflituosas de maneira lícita, bem como facilitar a sucessão patrimonial e o papel dos herdeiros na sociedade. No que se refere a validade do acordo de quotista, é importante ressaltar que os ajustes conveniados vinculam “os sócios signatários nas suas relações diretas e pessoais, porque não inválidos, podendo invocar suas disposições específicas uns contra outros [1]”. Porém, para que produzam efeitos perante terceiros, isto é, aqueles não firmaram o pacto separado, sócios ou não sócios, os ditos ajustes devem estar em total acordo com as disposições do contrato social (art. 997, parágrafo único, do Código Civil). Diante disso, é incontestável a importância do Acordo de Quotistas, bem como o Código Civil não mais deixa dúvidas sobre sua legalidade e validade ao prevê-lo expressamente em seu art. 997, parágrafo único, de aplicação ao regime das sociedades limitadas por força do art. 1.054 do mesmo diploma legal. [1]CAMPINHO, Sérgio. O direito de empresa à luz do novo Código Civil, 2ª edição, Renovar, Rio de Janeiro, 2003, p. 89.

O Enunciado de nº 384 elaborado durante a IV jornada de Direito civil traz uma interpretação sobre o uso do acordo de acionistas interessante para as holdings que são sociedades limitadas. Ele estabelece que “é admissível o acordo de sócios, por aplicação analógica das normas relativas às sociedades por ações pertinentes ao acordo de acionistas”.
231 232 http://www.flp. c o m . b r / n o t i c i a s _ zo o m . php?urlId=604acesso em 19 de janeiro de 2009, às 03:31horas.

FGV DIREITO RIO

121

ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa

o Conselho fiscal na sociedade limitada Uma outra novidade prevista no Código Civil de 2002 é a possibilidade da sociedade limitada, por meio do contrato social, instituir um conselho fiscal. Explica-se esta faculdade das sociedades limitadas em virtude da grande maioria delas ser constituída de atividades de pequeno e médio, com um número reduzido de sócios e cuja administração é exercida por todos221 (ou quase todos). Uma vez estabelecido, o conselho fiscal deve funcionar de forma permanente, pois ou existe e funciona, ou, simplesmente não existe – diferente do que ocorre com a sociedade por ações222. Ele deve ser composto por três ou mais membros e respectivos suplentes, sócios ou não, residentes no Brasil223. O exercício do cargo é de um ano e em cada assembléia anual deverão ser escolhidos os membros do conselho fiscal e fixados seus honorários224. Os membros do conselho fiscal respondem solidariamente perante a sociedade e os terceiros prejudicados, por culpa no desempenho de suas funções. Seus deveres estão elencados no art. 1.069 do Código Civil. É vedado o exercício das funções de conselheiro, não podendo do Conselho fazer parte, àqueles listados no art. 1.066 §1º do Código Civil225. No intuito de esclarecer o porquê do membro da administração da sociedade ou de controlada por ela, não poder fazer do conselho fiscal, o Prof. Ricardo Negrão explica que “o conselho fiscal é órgão que deve manter-se independente da administração que fiscaliza, daí a razão pela qual os membros da administração não podem participar desses atos, sob pena de se confundirem numa só pessoa sua, execução e fiscalização, tornando-se órgão meramente referendário e, portanto, dispensável”.

221 n.a. como a finalidade básica do conselho fiscal é fiscalizar a administração, seria incompatível sua existência numa sociedade onde todos os sócios são administradores.

Caso gerador Igor Mosso, Izan, Orlando e Camila e mais dez pessoas são sócias de uma sociedade limitada, cujo objeto é a reparação de aeronaves. Igor, além de ser administrador da sociedade, cuidando de todos os negócios, especialmente a importação das peças de reposição, é detentor de 52% do capital social. Os sócios Izan, Orlando e Camila estão preocupados porque desde a entrada em vigor do Código Civil de 2002, a sociedade não promoveu a alteração do seu contrato social, tampouco realizou as reuniões anuais para aprovação das contas da administração. Esses sócios justificam sua preocupação no fato de que todas as vezes que foram tratar do assunto com Igor, esse alega que tudo está perfeito, e ainda lhes lembra que compete a ele deliberar sobre as contas e adotar as providências societárias, por ser ele o majoritário. Qual é o seu parecer?

Lei 6.404/1969. art. 161. a companhia terá um conselho fiscal e o estatuto disporá sobre seu funcionamento, de modo permanente ou nos exercícios sociais em que for instalado a pedido de acionistas.
222 223 224 225

art. 1.066 do código civil. art. 1.068 do código civil.

JurisprudênCia A legitimidade para convocação de reunião ou assembléia, foi objeto de decisão do STJ no Recurso Especial nº 493.297/SP (abaixo), que reconheceu a validade de reunião convocada por sócio de sociedade limitada detentor de 50% do capital social. Embora a

art. 1.011, §1º. “além das pessoas impedidas por lei especial, os condenados a pena que vede, ainda que temporariamente, o acesso a cargos públicos; ou por crime falimentar, de prevaricação, peita ou suborno, concussão, peculato; ou contra a economia popular, contra o sistema financeiro nacional, contra as normas de defesa da concorrência, contra as relações de consumo, a fé pública ou a propriedade, enquanto perdurarem os efeitos da condenação”. art. 1.066, §1º. “...os membros dos demais órgãos da sociedade ou de outra por ela controlada, os empregados de quaisquer delas ou dos respectivos administradores, o cônjuge ou parente destes até o terceiro grau”.

FGV DIREITO RIO

122

ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa

decisão seja fundamentada no Decreto n.º 3.708/1919, o acórdão menciona o artigo 1.073, I do Código Civil de 2002. SOCIEDADE DE RESPONSABILIDADE LIMITADA. ASSEMBLÉIA. CONVOCAÇÃO. Legalidade da convocação feita por sócio titular de 50% do capital social, mediante notificação com dez dias de antecedência, para assembléia a se realizar na sede de uma das empresas coligadas. Recurso não conhecido. (REsp 493.297/SP, Rel. MIN. RUY ROSADO DE AGUIAR, QUARTA TURMA, julgado em 24.06.2003, DJ 01.09.2003 p. 298). O inteiro teor do acórdão referente ao REsp 493.297/SP segue transcrito com destaque nos trechos mais importantes : RELATÓRIO O MINISTRO RUY ROSADO DE AGUIAR: Gonzallo Gallardo Diaz agravou da r. decisão que, nos autos da ação cautelar ajuizada por Juan José Campos Alonso e José Paz Vasquez, deferiu liminar impedindo o agravante de convocar reuniões extraordinárias de sociedade limitada para resolução de assuntos do interesse da sociedade empresarial. A egrégia Terceira Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça de São Paulo deu provimento ao agravo, nos termos da seguinte ementa: “Sociedade Limitada. No silêncio do contrato e do Decreto-Lei 3708⁄1919, admite-se a iniciativa do sócio detentor de 50% do capital social para a convocação de reunião ou assembléia de sócios (como já autorizado no novo Código Civil, art. 1.073, I), por se tratar de proposição do interesse da sobrevida da sociedade comprometida pela ruptura da affectio societatis. Não incidência da Lei 6404⁄76. Provimento para cassar a decisão que suspendeu a convocação” (fl. 379).” Rejeitados os embargos declaratórios, os agravados interpuseram recurso especial (art. 105, III, a, da CF), alegando violação aos arts. 18 do Decreto-Lei 3708⁄19; 128 do CPC; 123, 124, caput e parágrafos 1º e 2º, e 243 da Lei 6404⁄76. Sustentam irregularidades e, conseqüentemente ilegalidades quanto: a) à competência para a convocação da reunião extraordinária; b) ao local escolhido para a realização da reunião; c) à ausência de publicação de anúncio, bem como de tratar-se ou não de primeira ou segunda convocação. Alegam que o v. acórdão, ao conceder direito ao recorrido de realizar reunião, desrespeitou os limites da lide, “pois como efeito da cassação da medida liminar, bastaria a declaração de que o ora recorrido poderia realizar nova notificação extrajudicial, sem a observância das formalidades previstas pela Lei das S⁄As, amparado na decisão provisoriamente favorável ao então agravante, cabendo a este, logicamente, providenciar a devida notificação extrajudicial”. Dizem que “a determinação legal de aplicabilidade subsidiária das normas da sociedade anônima para suprir as omissões do capítulo das limitadas afasta inteiramente a aplicação das normas da sociedade simples, conferindo um mínimo de garantia aos direitos dos sócios”. Pedem a reforma do v. aresto recorrido para que seja restabelecida a liminar. Admitido o recurso, com as contra-razões, vieram-me os autos. É o relatório.
FGV DIREITO RIO 123

mas deve realizar-se para FGV DIREITO RIO 124 . Tocante ao local escolhido para a realização da assembléia. Desse modo. pelas razões expostas. e na parte aplicável. acerca do processo de convocação: “A reunião ou assembléia de quotistas . É preciso regular os atos da sociedade de forma simples e segura. p. p. acórdão recorrido bem explicou as razões pelas quais a formalidade para as decisões assembleares. 2001. Julgou-se suficiente a prévia convocação. a despeito de sua pequena participação societária. o r. Ocorre que o r. A falta de publicação de anúncio não é causa a justificar o conhecimento e o provimento do recurso. Confira-se a posição de Egberto Lacerda Teixeira (Sociedades Limitadas e Anônimas no Brasileiro . embora os sócios devam ser consultados nas decisões mais importantes da sociedade.como expressão substancial e não formal de deliberação coletiva . próprias das sociedades por ações. nem todos têm condições de influir. Saraiva. uma vez que desatendida a sua determinação de aplicar as disposições da Lei 6404⁄76 no que não foi regulado pelo estatuto social. Aquele que titulariza um décimo das quotas. volume 2. quem delibera. A regra do art. 123 da Lei das S⁄A. Nesse ponto. 3708⁄19. considerando a negativa a tal direito uma indevida restrição ao sócio detentor de 50% das quotas. 391). não pode ser aqui revisto. depois de analisar o silêncio do Decreto nº 3708⁄1919. 1987. Observo que sobre isso foi invocado julgamento anterior do mesmo Tribunal. a solução decorreu do exame da matéria de fato. reconhecendo que as empresas “são almas gêmeas. sobre a existência de um grupo de empresas coligadas. O sócio que contribui com mais da metade do capital social. 416): “A extensão do direito de participar das deliberações sociais é proporcionar à quota do sócio no capital social. acórdão acentuou a existência do direito do sócio minoritário de convocar a assembléia. no conteúdo destas. portanto. No que diz com a alegada violação ao art. Ed. 243 da Lei das S⁄A não foi pré-questionada. que se divorciam apenas na personificação legal” (fl. uma vez que o rigorismo formal contido no ensinamento transcrito nas razões é apropriado para as sociedades anônimas.Estudo comparativo. Saraiva. Transcrevo do bem lançado voto do Dr. O primeiro argumento exposto pelos recorrentes reside na ofensa ao art. em caso de divergência entre estes últimos. neste sentido. 18 do Dec. o que não se justificava no caso dos autos. o tema relacionado com a disposição contratual. 3. com sua vontade ou entendimento. é ele. delibera sozinho. Ed. o que justificava a indicação do endereço de uma delas.é indispensável na vida das sociedades limitadas. não podem ser inteiramente obedecidas no caso dos autos. sobre a competência para a convocação de assembléia geral. Essa reunião ou assembléia não se reveste da solenidade das assembléias anônimas. 13). a respeito do exercício da gerência. É o que afirma Fábio Ulhoa Coelho (Curso de Direito Comercial. Isto porque o direito de participação do sócio na sociedade é correspondente ao seu capital social ou mede-se o seu poder de acordo com o grau de seu investimento”. Enio Zuliani: “Excesso de formalismo poderá colocar em risco a dinâmica empresarial e comprometer a organização administrativa.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa VOTO O MINISTRO RUY ROSADO DE AGUIAR (Relator): 1. sem o requinte da intensa publicidade que se exige nas anônimas. numa sociedade em que os outros dois sócios têm 45% cada. terá a incumbência do desempate. 4. quando divergentes os sócios majoritários”. 2. com o prazo razoável de dez dias úteis.

” O agravante declinou os assuntos em pauta e os contratos sociais não descredenciam sua iniciativa. correção monetária do capital realizado. Dispensa-se. O art. Ocorre. 5. 387⁄391). p. AÇÃO CAUTELAR E ORDINÁRIA DE IMISSÃO NA POSSE DE LIQUIDANTE DA EMPRESA.213-4). Daí a necessidade de disciplinar o modo de realização de reuniões coletivas (ainda que para assinatura de instrumentos de alteração do contrato social) de modo a resguardar os interesses dos sócios. Ministros Fernando Gonçalves. por unanimidade. todavia. A reunião deve realizar-se na sede da sociedade. QUOTAS DE SOCIEDADE LIMITADA. nem objeto dos embargos de declaração. conforme admite Rubens Requião em parecer publicado na obra ‘Aspectos Modernos de Direito Comercial’. p. Ministro Barros Monteiro. pois. das pequenas sociedades limitadas do seu tempo. Sálvio de Figueiredo Teixeira e Cesar Asfor Rocha votaram com o Sr. íntimo. eleição de gerentes etc. 160)” (fls. É o voto. FGV DIREITO RIO 125 . com razoável antecedência. deve orientar-se nesse particular: oito dias de antecedência na primeira convocação e cinco dias na segunda. que nos dias atuais há vultosos interesses envolvidos nas sociedades limitadas. não conhecer do recurso. 309. nos termos do voto do Sr. ocasionalmente. 128 do CPC não foi examinado no julgamento da apelação. Ausente. E a reunião convocada é de vital importância para o destino e preservação da sociedade. 232. Os Srs. Ministro-Relator. que representem a maioria do capital social (Sylvio Marcondes Machado. pela vontade de sócios. A regra supletiva do art. Faltou. Incide a Súmula 7⁄STJ. 1940. Brasília (DF). Ed. de modo que não seria lógico exigir. Aldir Passarinho Junior. o Sr.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa apreciação dos atos fundamentais da vida social. A affectio societatis é um estado comprometido e a prova maior da divergência reside na notificação anterior para exercício de preferência (mantida pelo julgamento do AgIn. mas reforça-se a conveniência do aviso pessoal dirigido ao endereço registrado do sócio. com presença de expressivos contingentes minoritários que não podem ficar à mercê do capricho das maiorias ou dos administradores. particularmente os relativos à discussão e aprovação do balanço. 24 de junho de 2003(Data do Julgamento). o necessário prequestionamento. Ministro-Relator. 1977. para habilitar sócio a convocar reunião. 124. consentimento dos demais. DISSOLUÇÃO DE SOCIEDADE. § 1º. exatamente porque a alteração do contrato de sociedade de responsabilidade limitada pode ser feita. acordam os Ministros da QUARTA TURMA do Superior Tribunal de Justiça. obviamente. São Paulo. na conformidade dos votos e das notas taquigráficas a seguir. declaração de dividendos. Ensaio sobre a sociedade de responsabilidade limitada. ACÓRDÃO Vistos. se outro local não for designado contratualmente. A convocação se fez de forma regular e da deliberação poderá resultar a alteração do contrato social por decisão majoritária. o requisito da convocação por editais publicados na imprensa oficial e diária. da Lei 6404⁄76. opostos para outro fim. Saraiva. relatados e discutidos estes autos. O silêncio do Decreto nº 3708⁄19 talvez se explique pelo caráter fechado.

FGV DIREITO RIO 126 .1ª FASE. bem como dos sócios titulares da maioria das quotas que compõem o capital social. a) A destituição do administrador de sociedade empresária exige a deliberação de sócios cujos votos representem mais da metade do capital social. PROVA DO CONCURSO PARA JUIZ DO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SERGIPE (01/02/04). b) A maioria dos votos dos presentes à Assembléia Geral. Assinale a afirmativa INCORRETA. Relator: Ana Maria Nedel Scalzilli. c) O uso da firma ou denominação social é privativa dos administradores que tenham os necessários poderes.PROVA 1ª FASE . 45. confirmada em sede de agravo.DIREITO COMERCIAL. conforme defina o contrato social. 69. grifamos. d) A existência de conselho fiscal é facultativo nas sociedades empresárias e obrigatória nas sociedades por ações de capital aberto.TIPO 2. o estado do caixa da sociedade.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa É de todo irregular a convocação apenas dos sócios majoritários para Assembléia que decide a dissolução da sociedade por quotas. No referente a esse conselho. Uma inovação trazida pelo Código Civil para as sociedades limitadas foi a previsão de constituição de conselho fiscal. (Apelação Cível Nº 70007326689. É dever dos membros do conselho fiscal examinar. Julgado em 25/11/2004). DIREITO COMERCIAL. 39 . 1. deixando de comunicar a realização do ato e de oportunizar aos minoritários o direito de preferência na aquisição nas cotas remanescentes. SEÇÃO DO RIO DE JANEIRO . 127º EXAME DE ORDEM. pelo menos trimestralmente. PROVA OBJETIVA .Na modificação de um contrato social de uma sociedade limitada. d) A unanimidade dos votos dos cotistas integrantes do Capital Social. Uma sociedade pode ter ou não conselho fiscal. Questões de ConCursos 28º EXAME DE ORDEM. Liminar de imissão de posse indeferida. (CORRETA) 2. a lei exige como “quorum” mínimo para que a deliberação dos sócios seja tomada: a) Os votos correspondentes a mais da metade do Capital Social. APELAÇÃO NÃO CONHECIDA. c) Os votos correspondentes a 3/4 (três quartos) do Capital Social. Quinta Câmara Cível. Tribunal de Justiça do RS. SEÇÃO DE SÃO PAULO . b) É livre a cessão de quotas de capital se não houver oposição de titulares de mais de ¼ (um quarto) do capital social. julgue os itens que se seguem. Falta de interesse recursal.

c) Após a alienação das quotas de Alberto. em regra.ABRIL/2007 32º EXAME DE ORDEM RJ 87ª Questão: Na omissão do contrato social. 2. sob a firma social Silva & Souza Comércio de Bebidas Limitada. Com relação a essa situação hipotética. b) o contrato social não pode conter previsão admitindo a administração da sociedade por aquele que dela não seja sócio.MARÇO/2005 12ª Questão: Nas sociedades limitadas: a) o sócio pode integralizar as cotas que subscrever prestando serviços à sociedade. a sociedade poderá continuar suas atividades sob sua firma original. desde que não houvesse oposição de titulares de mais de um quarto do capital social. PROVA OAB/BR . Alberto só poderá ceder suas quotas a Carlos se João não se opuser. somente nas hipóteses de que a sociedade deva deliberar sobre a aprovação das contas dos administradores.EXAME DE ORDEM . se o número de sócios for superior a dez. O contrato social é omisso sobre essa hipótese. b) é eficaz quanto à sociedade na data da celebração do contrato de cessão. nomeação dos gerentes e prestação de contas destes. c) as omissões do contrato social são. de acordo com o Código Civil. para modificar o contrato social. PROVA OAB/RJ . d) só é válida se for assegurada aos demais sócios a preferência de adquirir as quotas em idênticas condições às oferecidas pelo sócio adquirente. a cessão de quotas da sociedade limitada de um sócio para outro sócio da mesma sociedade a) depende da audiência prévia dos demais sócios para se aperfeiçoar. 3. d) De acordo com o Código Civil. Alberto resolveu alienar suas quotas a Carlos. Após algum tempo. independentemente de averbação no respectivo órgão de registro. supridas pela Lei das Sociedades por Ações. PROVA OAB/MG . b) Caso Alberto tivesse optado por ceder suas quotas a terceiro estranho à sociedade. a) A cessão das quotas de Alberto opera efeitos perante terceiros desde o momento em que for aperfeiçoada.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa PROVA DO CONCURSO PARA JUIZ DO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO PARANÁ (2003).AGOSTO/2007 86ª Questão: Os irmãos João Silva e Carlos Silva constituíram sociedade limitada com Alberto Souza. c) é oponível a terceiros na data da averbação do instrumento correspondente. desde que firmada por todos os sócios. Nas sociedades limitadas. poderia fazê-lo.EXAME DE ORDEM . assinale a opção correta. e sair da sociedade. para aquelas que se beneficiem de tratamento tributário favorecido para micro e pequenas empresas. 4.EXAME DE ORDEM . a deliberação dos sócios em assembléia é obrigatória 1. FGV DIREITO RIO 127 .

assinale a assertiva correta. a qualquer pessoa. 3 . se essa for a vontade dos sócios. total ou parcialmente. b) Na omissão do contrato social. c) A sociedade pode ser administrada por uma ou mais pessoas designadas no contrato social. FGV DIREITO RIO 128 . PROVA DISCURSIVA . tanto por decisão da assembléia. Poderá ser instituído.2ª FASE. PROVA OAB/RS . a) A aprovação das contas da administração depende da deliberação dos sócios em reunião ou assembléia. As deliberações infringentes do contrato social ou da lei tornam ilimitada a responsabilidade dos sócios que expressamente as aprovaram. quanto por previsão do contrato social. 23º EXAME DE ORDEM.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa d) não é obrigatória a constituição de conselho fiscal. necessariamente sócios.DIREITO COMERCIAL. SEÇÃO DO RIO DE JANEIRO . d) O Código Civil veda a instituição de conselho fiscal nas sociedades limitadas.AGOSTO/2006 19ª Questão: Sobre as sociedades empresárias que adotam a forma societária de uma limitada. independentemente de audiência dos outros sócios.EXAME DE ORDEM . o conselho fiscal é órgão obrigatório na sociedade limitada? Justifique a resposta. o sócio pode ceder sua quota.Nos termos do Novo Código Civil.

9ª edição. O direito de retirada é um “tema juridicamente tormentoso”227. 02.434. este “direito é inerente à titularidade de quotas sociais. 5ª edição. Ricardo Negrão. – Forma de apuração dos haveres: balanço de determinação (jurisprudência e artigos do Código Civil).. 8ª edição. somente é possível se prevista contratualmente a “justa causa”. FGV DIREITO RIO 129 . APURAÇÃO DE hAvERES. são paulo/2004. Leitura CompLementar. Renovar/2004. todo sócio que não tem mais a vontade de continuar na sociedade poderá retirar-se dela. atlas. pg. José Edwaldo Tavares Borba. a retirada é uma forma de dissolução parcial do vínculo societário. quando a maioria dos outros sócios assim decidir. Renovar/2005. pois apresenta um conflito de perspectivas relevantes para o Direito: de um lado temos os direitos e interesses da coletividade que poderão ser prejudicados pela descapitalização decorrente da liquidação cOELHO. Gladston in Direito societário: sociedades simples e Empresária. saraiva. ementário de temas: – Princípio constitucional da livre associação. são paulo/2004. – Páginas 119 a 121(apuração dos haveres da Simples) e 203 a 206 (Ltda) e 216 a 221(apuração dos haveres da Ltda. Portanto. Sérgio Campinho. o sócio só poderá ser excluído por via judicial em decorrência da prática de atos de inegável gravidade para com a sociedade e. – Direito de recesso. roteiro de auLa: Analogamente à exclusão de sócio. denominado também de recesso ou dissidência”226. Saraiva: São Paulo/2005. representando a maioria do capital social. Rubens Requião. Fábio ulhoa in curso de Direito comercial vol. Saraiva.) de O Direito de Empresa à luz do Novo Código Civil. vimos que a exclusão de sócio por decisão dos demais sócios. pg. Caso contrário. – Páginas 438 a 439 (credores do sócio e patrimônio social) e 492 a 497 (recesso do sócio e cessão de quotas) do Curso de Direito Comercial vol I. 25ª edição.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa AUlA 16: DIREItO DE REtIRADA. – Sociedade por prazo determinado e Sociedade por prazo indeterminado. – Páginas 71 a 76 (apuração de haveres) e 130 a 131(direito de recesso) do Direito Societário. bAlANÇO DE DEtERMINAÇÃO Na aula passada. São Paulo/2003. nesta auLa disCutiremos a Leitura do(s) seguinte(s) CapÍtuLo(s): – Páginas 314 a 315 (Simples) e 377 a 378 (Ltda) do Manual de Direito Comercial e de Empresa.155. 226 227 mamEDE.

de 1997) II . não havendo acordo. caso o sócio não pretenda continuar na sociedade poderá alienar suas quotas (a cessão de quotas é livre).. ao retirar-se. que goza da proteção constitucional referente à liberdade de associação prevista no art. ao estabelecer distinção do direito de recesso para o caso da sociedade contratada por prazo determinado e para o caso da sociedade contratada por prazo indeterminado. o direito de retirada é corolário da natureza contratual das sociedades. 5º. 219 do código civil. por outro lado. Neste sentido. A natureza capitalista da sociedade de intuito per capitae relega a figura do sócio a um plano secundário. 45). nos termos seguintes: (. Em havendo o reconhecimento judicial de uma “justa causa” (denúncia motivada). à liberdade. não implicando tal fato em dissolução da sociedade. variando de acordo com a duração da sociedade conforme dispõe o art.nos casos dos incisos IV e V do art. Nas deliberações sociais da sociedade.029 do Código Civil. enquanto não vencido o prazo fixado para a duração da sociedade (denúncia imotivada).077. sem distinção de qualquer natureza. A outra possibilidade do exercício do direito de retirada tem por base o princípio da maioria. esforçar-se para alienar suas quotas e não se retirar. o sócio que se obrigou a permanecer na sociedade por tempo determinado. e (Redação dada pela Lei nº 10. se tratar de qualquer modificação do contrato social. definido pela comissão de Valores mobiliários. 1.nos casos dos incisos I e II do art. de 2001) b) dispersão. garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no país a inviolabilidade do direito à vida.029 do código civil. ocasionando desencaixe financeiro para a sociedade. (Incluído pela Lei nº 9. Assim. art. o sócio terá apurado seus haveres. XX da Constituição da República228. deve haver um consenso entre sócio retirante e sócios remanescentes no tocante a apuração de haveres e outros valores. o sócio descontente com a deliberação deve.303. considerando-se haver: (Redação dada pela Lei nº 10. Nas sociedades por prazo indeterminado. de 2001) I . os direitos e interesses da minoria vencida. que prevê apenas a saída do sócio da sociedade.077 do Código Civil está em reconhecer o direito de recesso do minoritário (ou da minoria). 1. 136.404/76. dando a entender. Através de uma notificação230 (judicial ou extrajudicial) aos demais sócios. 136 dá ao acionista dissidente o direito de retirar-se da companhia. como tal. o sócio não poderá se desvincular sem a concordância dos demais sócios. 137.. 1. à segurança e à propriedade. 1. campInHO. sérgio in O Direito de Empresa à luz do novo código civil. O aspecto positivo do art. 229 230 art. 1. “sendo levada em consideração para sua criação e funcionamento a capacidade de contribuições dos sócios para a formação do capital social. estão os direitos e interesses do sócio. Portanto.. de 2001) a) liquidez.303. a sociedade controladora ou outras sociedades sob seu controle detiverem menos da metade 233 FGV DIREITO RIO 130 . Em caso de divergência. Renovar/2005. ou certificado que a represente. à igualdade. na deliberação social que aprovou a modificação do contrato social. Aprendemos que o contrato social é um negócio jurídico e. a maioria comandará quais decisões serão tomadas (princípio da maioria – participação societária com direito de voto). por aquele que votou contra a operação e foi vencido. Este dispositivo vai de encontro ao que se defende na doutrina. quando o acionista controlador. 136. deve adimplir tal ajuste. integre índice geral representativo de carteira de valores mobiliários admitido à negociação no mercado de valores mobiliários. 5º Todos são iguais perante a lei. por exemplo. quando a espécie ou classe de ação. no Brasil ou no exterior. observadas as seguintes normas: (Redação dada pela Lei nº 10. 228 art. Via de conseqüência. a aprovação das matérias previstas nos incisos I a VI e IX do art. o sócio retirante deverá ajuizar ação para aquele fim. neste caso. Se a sociedade for de prazo determinado.029 (quando a sociedade for contratada por prazo indeterminado) – retirada imotivada.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa das quotas do sócio retirante.ninguém poderá ser compelido a associar-se ou a permanecer associado. a retirada do sócio pode ser obtida em Juízo.a. com a apuração dos haveres e de outros direitos previstos no contrato social. 137233)”. A retirada do sócio pode ocorrer em diversas situações. com antecedência mínima de 60 dias231.077 do Código Civil prevê a possibilidade de retirada de forma ampla..457. não terá direito de retirada o titular de ação de espécie ou classe que tenha liquidez e dispersão no mercado.303. 231 232 art. será permitida a utilização do disposto no art. 1. pois o direito de retirada deve ser a exceção para evitar a “indústria do recesso”. após a notificação. bastando ao minoritário a resignação com as decisões ou então o exercício do direito de recesso.pg 205. a lei limita as hipóteses de recesso232 (Lei 6. 5ª edição.) XX . em regra. n. Em se tratando de sociedade de capitais. serão protegidos pela regra do art. obriga os signatários229 a honrarem com as cláusulas que foram livremente pactuadas entre eles. somente terá direito de retirada o titular de ações de espécie ou classe prejudicadas. onde vige o princípio de que ninguém é obrigado a ficar preso a uma sociedade por toda a sua vida. mediante reembolso do valor das suas ações (art. art. O art. o que pode comprometer o desenvolvimento das suas atividades (função social da empresa).. o sócio dissidente informará aos demais sócio sua vontade de retirar-se da sociedade.

303. (Redação dada pela Lei nº 10. Com a retirada do sócio – motivada. de 2001) b) redução do dividendo obrigatório.000. da espécie ou classe de ação. de 2001) c) participação em grupo de sociedades. atlas. da ratificação da deliberação pela assembléia-geral. (Redação dada pela Lei nº 10. onde poucas pessoas trabalham. contabilmente. se for o caso. de 2001) V . 234 neste sentido. traduzindo o valor real de quanto “vale” a participação societária no mercado. mantendo-se a sociedade. ESTRATÉGICA.. Pode-se dizer que o balanço contábil “ficou para trás” no âmbito empresarial porque não contempla a MARCA. a discussão se dará em torno da APURAÇÃO DE HAVERES. levando-se em consideração os valores prováveis de liquidação dos bens componentes do patrimônio da sociedade à data da resolução234.no caso do inciso IX do art.303. (Incluída pela Lei nº 10. em princípio deve ser operada a redução do capital social na proporção das quotas que ele possuía. o parágrafo segundo do art. 1.303. 235 FGV DIREITO RIO 131 . quando há realmente a possibilidade do exercício do direito de recesso. faz-se necessária a apuração dos seus haveres. são paulo/2004. 1031 do Código Civil. a “briga” ficará em torno da apuração dos haveres. mamEDE.303. o Enunciado da súmula nº 265 do supremo Tribunal Federal estabelece que “na apuração de haveres não prevalece o balanço não aprovado pelo sócio falecido. mantendo íntegro o capital social.303. 136.. pois não mais existe a contribuição que justificava a existência das quotas.000.303. por se tratar de direito inerente à condição de sócio. esta verificação física e contábil.o pagamento do reembolso somente poderá ser exigido após a observância do disposto no § 3o e. haja vista a livre manifestação da vontade das partes. em outras palavras.303. Nesse contexto. Toda vez que um sócio sai da sociedade.031 do Código Civil. 136. não há escrituração do valor que se aproxime à realidade. Normalmente a discrepância é de 80% a 90% porque a sociedade vai querer pagar com base no balanço contábil e o sócio vai querer receber com base no balanço empresarial. podendo ser objeto de impugnação quando demonstrada a sua ilicitude ou abusividade. Além disso. De acordo com o art. Exemplo: um site como o “GOOGLE”. quanto deve valer? É quase impossível de se mensurar pois. na dissolução surge um novo órgão. LOGÍSTICA. enquanto na apuração de haveres a relação se desenvolve entre o sócio e a sociedade. Diante dessa situação. o sócio dissidente poderá exercer o direito de recesso nos trinta dias subseqüentes à reunião que deliberou sobre a modificação do contrato social. o sócio fará jus à liquidação da sua quota (ou quotas).ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa Assim. § 1o) será contado da publicação da respectiva ata.. para tanto. para se chegar ao quinhão do sócio que se retirou. O balanço empresarial e o contábil possuem discrepâncias. Todos esses itens são extremamente valiosos. deverá conter todos os direitos e deveres que “comportem expressão pecuniária”235. a estipulação contratual não é intocável. salvo disposição em contrário do contrato social. como já estudamos. prioritariamente. estabelece que o mesmo deve ser pago no prazo de 90 dias contados da liquidação da quota. Uma vez definido o valor a ser recebido a título de apuração dos haveres. seja porque ele é remisso. ou (Incluída pela Lei nº 10. de 2001) III . salvo quando o patrimônio cindido for vertido para sociedade cuja atividade preponderante coincida com a decorrente do objeto social da sociedade cindida. a apuração do valor das quotas do sócio retirante se faz. na forma prevista no contrato social. RH.. excluído ou que se retirou”. Mas. ou seja. Entretanto. Porém. mas somente do vínculo de um dos sócios.00 e a sociedade vai dizer que pagará R$ 10. serão necessários dois procedimentos: a determinação do patrimônio da sociedade e a definição do quinhão correspondente a cada um dos sócios. ferindo a garantia constitucional do direito à propriedade. Realizado o pagamento ao ex-sócio. de 2001).o prazo para o dissidente de deliberação de assembléia especial (art. somente haverá direito de retirada se a cisão implicar: (Redação dada pela Lei nº 10. de 2001) a) mudança do objeto social. (Incluída pela Lei nº 10. A apuração de haveres diferencia-se da liquidação por se tratar da dissolução do vínculo de um sócio em relação à sociedade. de 2001) VI .303. o liquidante. pg. motivado o Judiciário. a regra para a apuração de haveres é a de que seja realizado um balanço especial de determinação – também chamado de “balanço empresarial”. (Redação dada pela Lei nº 10. KNOW-HOW. porque foi expulso ou porque ele se retirou. O sócio que saiu vai dizer que quer receber R$ 100. Neste caso.o reembolso da ação deve ser reclamado à companhia no prazo de 30 (trinta) dias contado da publicação da ata da assembléia-geral. de 2001) IV . (Incluído pela Lei nº 10. imotivada ou exclusão. Gladston in Direito societário: sociedades simples e Empresária. deverá determinar a aplicação da regra geral com a apuração dos haveres verificada através de um “balanço especialmente levantado”. os demais sócios poderão adquirir ou alienar aquelas quotas.00. não há dissolução da sociedade.166.

3.2005 p. Apavorado com a violência do Rio de Janeiro. REPDJ 08. p/ Acórdão Ministra NANCY ANDRIGHI.2005 p. DJ 30. ART. 15. 373. apenas apreciando-se tal tema desfavoravelmente ao mesmo. tornado irreversível o seu afastamento da sociedade. Não se configura coisa julgada se na ação anterior o sócio excluído buscava a anulação do ato que o excluiu. PREQUESTIONAMENTO DEFICIENTE.708/1919. portanto.08. a questão se modifica? c) E se fosse uma sociedade contratada por prazo determinado de 80 (oitenta) anos? JurisprudênCia: COMERCIAL E PROCESSUAL CIVIL. DISSOLUÇÃO PARCIAL DE SOCIEDADE LIMITADA POR TEMPO INDETERMINADO. 324) – grifamos. Ministro HUMBERTO GOMES DE BARROS. efeitos ex tunc.10. 303) – grifamos. (REsp 130. Cada sócio é detentor de 25% do capital social que já se encontra integralizado. Ministro ALDIR PASSARINHO JUNIOR.Quando o sócio exerce o direito de retirada de sociedade limitada por tempo indeterminado. QUARTA TURMA. APURAÇÃO DE HAVERES. Ari poderá exercer o direito de retirada? b) Havendo anuência dos sócios para a cessão das quotas de Ari. .11.A data-base para apuração dos haveres coincide com o momento em que o sócio manifestar vontade de se retirar da sociedade limitada estabelecida por tempo indeterminado. Rel. Rel. exclusivamente. MOMENTO. CRITÉRIO DE LEVANTAMENTO PATRIMONIAL.2005 p. Rel. Pergunta-se: a) Sabendo que a sociedade foi contratada por prazo indeterminado.2005. Ari resolve retira-se da sociedade. com base no último balanço patrimonial aprovado antes da ruptura social. DJ 14. III. Recurso especial não conhecido. II. e na presente demanda. Afastado o sócio minoritário por desavenças com os demais. DECRETO N. Recurso especial conhecido e provido. TERCEIRA TURMA. EXEGESE. admite-se que a apuração dos haveres se faça pelo levantamento concreto do patrimônio empresarial. incluído o fundo de comércio.04. DIREITO SOCIETÁRIO. gerando. (REsp 646. e não.2005. FGV DIREITO RIO 132 . . I. V. Dissídio não configurado. Deficiência de prequestionamento a impedir o exame do especial em toda a sua extensão. julgado em 18. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL NÃO CARACTERIZADA. a sentença apenas declara a dissolução parcial. IV. AÇÃO DE APURAÇÃO DE HAVERES. julgado em 19. discute-se o critério de apuração dos seus haveres. RECURSO ESPECIAL.617/AM.221/PR. RETIRADA DO SÓCIO.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa Caso gerador. COISA JULGADA NÃO IDENTIFICADA.05. Ari Mendes e seus 03 irmãos são sócios da Pizzaria MASSAS E COMESTÍVEIS LTDA.

Ministro RUY ROSADO DE AGUIAR. julgado em 10/6/2003. UNICIDADE. 471 do CPC.A sentença é una. o escopo visado pela citação da pessoa jurídica. SENTENÇA. pela apuração da realidade da empresa. dispensa a citação da pessoa jurídica. Ruy Rosado. TRÂNSITO EM JULGADO. determinou a forma de apuração dos haveres dos sócios retirantes. CONTAGEM. 165) – grifamos. julgado em 10. sob o fundamento de que todos seus sócios cotistas integraram o processo alcançou. mas se deixou de definir o tempo a ser considerado para apuração dos haveres. sobre o período a apurar na perícia encarregada de avaliar o patrimônio da empresa. O acórdão recorrido entendeu que houve violação ao disposto no art. (REsp 515. decisão que. (EREsp 332. Tal aresto não diverge de outro que. de incumbência do juiz. os fatos supervenientes.2003. DISSOLUÇÃO PARCIAL DE SOCIEDADE COMERCIAL. Em ação de dissolução parcial de sociedade comercial.05.06. pois se trata de simples providência. Recurso conhecido e provido.777-DF). julgada procedente. julgado em 07. entendendo que a alteração da decisão anterior sobre o período de apuração da perícia para avaliação do patrimônio da empresa não ofendeu o artigo citado. pois. apurado pela média dos últimos oito anos (1992 a 1999).2003 p. no caso há uma demora na realização dos atos judiciais de avaliação. PAGAMENTO DE HAVERES. e como tal. DJ 22. DJ 09.09. não pode ser fracionada para efeito de ação rescisória. definindo que seria realizado balanço com a realidade da empresa em 31/12/1990 (último balanço antes da retirada) e a apuração do fundo de comércio pela média dos últimos oito anos (1991 a 1998).650/RJ. em trânsito em julgado parcial. Balanço de Determinação STJ – INFO 176 SOCIEDADE COMERCIAL. QUARTA TURMA. Decisão.2003. não ofende o disposto no art.681-PR. Rel. II . proferiu outra decisão. Não se pode falar. Ministro HUMBERTO GOMES DE BARROS. PRAZO. AÇÃO RESCISÓRIA. uma vez que cabe ao juiz encontrar a justa partilha a cada um dos sócios de acordo com suas quotas.AÇÃO DE DISSOLUÇÃO PARCIAL – CITAÇÃO DA PESSOA JURÍDICA.2003 p. Min.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa PROCESSUAL – EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA – SÓCIO – SOCIEDADE . na hipótese. Em 2000. Rel. A Turma proveu o REsp para restabelecer a decisão agravada. 471 do CPC. CORTE ESPECIAL. o juiz deferiu perícia. DISSOLUÇÃO. APURAÇÃO DOS HAVERES. FGV DIREITO RIO 133 . I . para atribuir a cada sócio a quantia que mais se aproxime do valor real de sua quota. Iniciada a liquidação para apuração dos haveres. REsp 515.06. em ação de dissolução parcial de sociedade. determinando outro balanço especial em 31/12/1999 e o fundo de comércio pelo preço de mercado na mesma data. ainda. houve trânsito em julgado. (grifamos) EMENTA: DISSOLUÇÃO DE SOCIEDADE COMERCIAL. Acórdão que afirma serem inconfundíveis a pessoa do sócio e sociedade por ele integrada.O prazo para ajuizar ação rescisória é contado a partir do trânsito em julgado da decisão no último recurso interposto. A alteração da anterior decisão. Apuração de haveres. com a retirada dos sócios demandantes. Precedente da Corte Especial (ERESP 404. Rel.681/PR. dentre outras. levando em conta. em 1999. 342) PROCESSUAL CIVIL.

deverá fazer-se de outra forma? Fundamente a resposta. FGV DIREITO RIO 134 . direito a ela não teria o sócio-retirante. julgado em 01.476/GO. por não expressar o último balanço a realidade patrimonial da empresa. VI . XXXIX CONCURSO PARA INGRESSO NA MAGISTRATURA DE CARREIRA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO. V) é preciso que a norma legal tida como ofendida tenha sofrido violação em sua literalidade. 2ª Prova Específica. (C) só poderia exercer o direito de retirada se tivesse comparecido à assembléia. na hipótese de retirada ou exclusão de sócio. (B) poderá exercer o direito de retirada. não compareceu à assembléia e discorda da alteração. e não havendo previsão contratual a respeito. Dispondo o contrato social que. PROVA OBJETIVA. (C) patrimonial de suas quotas na data do efetivo pagamento. art. não registrada no INPI a referida marca. apurado em perícia judicial.DIREITO COMERCIAL. não há como se fazer ilação para afirmar que. sociedade anônima fechada.Para que a ação rescisória seja acolhida por violação a dispositivo de lei (CPC. (D) só poderia exercer o direito de retirada se a companhia fosse aberta. deliberou a mudança de seu objeto social.09. Precedentes. é acolhível a alegação do retirante ou excluído de que a apuração. Merovides (A) não poderá exercer o direito de retirada. DJ 12.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa III . seus haveres sociais serão pagos de acordo com o critério do valor (A) patrimonial de suas quotas na data da resolução. Ministro ANTÔNIO DE PÁDUA RIBEIRO. 45. V . apurado em balanço especial. a apuração de haveres no caso de sócio retirante deve ser feita como se de dissolução total se tratasse.12. Resolvendo-se o vínculo de um sócio com a sociedade empresária de que faz parte. Merovides. Rel. Questões de ConCursos Com gabarito ofiCiaL. (B) econômico de suas quotas à data da resolução. TERCEIRA TURMA.1ª FASE . 46. evitando locupletamento indevido dos sócios remanescentes. seus haveres serão pagos com base no último balanço levantado. IV . (D) econômico de suas quotas na data do efetivo pagamento. (VALOR: UM PONTO E MEIO) .2005.2005 p.Na dissolução de sociedade comercial. A Assembléia Geral Extraordinária da Companhia Brasileira de Secos e Molhados.Declarando o perito judicial que mencionou a marca HSM como componente de fundo de comércio. 369) – grifamos.Recurso especial conhecido e provido para cassar o acórdão proferido na ação rescisória. apurado em balanço especial. conforme a cotação em bolsa de valores. (REsp 453. 485. 125º EXAME DE ORDEM – SEÇÃO SÃO PAULO . acionista detentor de 10% (dez por cento) de ações preferenciais sem direito de voto.

ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa

AUlA 17: DIREÇÃO DAS AtIvIDADES EMPRESARIAIS
Nesta aula discutiremos a leitura do(s) seguinte(s) capítulo(s): – Páginas 366 a 367 do Manual de Direito Comercial e de Empresa. Vol.I .4ª edição. Ricardo Negrão. Saraiva: São Paulo/2005. – Páginas 222 a 238 de O Direito de Empresa à luz do Novo Código Civil. Sérgio Campinho. 5ª edição Renovar/2005.

Leitura CompLementar – Páginas 446 a 451 do Curso de Direito Comercial. Fábio Ulhoa Coelho. 7ª edição. Saraiva/2004. – Páginas 107 a 112 do Direito Societário. 9ª edição. José Edwaldo Tavares Borba. Renovar: Rio de Janeiro/2004.

ementário de temas – Administração ou Diretoria. – Conselho de Administração. – Deveres do administrador. – Órbita de poder. – Responsabilidade do administrador. – Teoria Ultra Vires x Teoria da Aparência. – Projeção da responsabilidade do administrador em outros campos do Direito. – PL 2426/2003.

roteiro de auLa Sabemos que a pessoa jurídica não possui corpo físico capaz de concretizar os atos necessários à realização de seu objetivo. A sua vontade (alcançada na assembléia ou na reunião) será materializada por uma ou mais pessoas. As pessoas que exteriorizam a vontade da sociedade são chamadas de administradores (ou diretores). Elas atuam como se fosse a própria sociedade, praticam atos em nome da sociedade, pois que esta última não age de per si. Quando o administrador ou diretor assina um cheque ou negocia uma operação, quem está agindo (praticando o ato de empresa) é a sociedade e não o administrador. Foi exatamente por essa razão que PONTES DE MIRANDA, com base na teoria orgânica236, sustentou que a pessoa jurídica não podia ser representada pelo seu órgão administrativo, como dispunha o art. 17 do Código Civil de 1916237, pois este nada mais é do que um membro do todo. O ato do órgão é, na verdade, ato da própria pessoa jurídica. Não haveria, portanto, representação, mas sim uma PRESENTAÇÃO, sendo o Administrador verdadeiro PRESENTANTE da sociedade.

236 a teoria orgânica ou da realidade objetiva prega que junto a pessoas naturais, que são realidades físicas, existem os organismos sociais, constituídos pelas pessoas jurídicas, as quais têm existência e vontade próprias, distintas da de seus membros, tendo por finalidade a realização de seus objetivos sociais.

“as pessoas jurídicas serão representadas, ativa e passivamente, nos atos judiciais e extrajudiciais, por quem os respectivos estatutos designarem, ou, não o designando, pelos seus diretores”.
237

FGV DIREITO RIO

135

ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa

Nas palavras de Pontes de Miranda que introduziu a terminologia no Direito Privado Brasileiro:
“De ordinário, nos atos da vida, cada um pratica, por si, os atos que hão de influir, ativa ou passivamente, na sua esfera jurídica. Os efeitos resultam de atos em que o agente é presente; pois que os pratica, por ato positivo ou negativo. A regra é a presentação, em que ninguém faz o papel de outrem, isto é, em que ninguém representa” 238. “Quando o órgão da pessoa jurídica pratica o ato, que há de entrar no mundo jurídico como ato da pessoa jurídica, não há representação, mas presentação. O ato do órgão não entra, no mundo jurídico, como ato da pessoa, que é órgão, ou das pessoas que compõe o órgão. Entra no mundo jurídico como ato da pessoa jurídica, porque o ato do órgão é ato seu.” 239

Nesse sentido, acerca da natureza jurídica da Administração da sociedade, uma parte da doutrina entende tratar-se de simples mandato - teoria da representação. Nossa lei filiou-se à teoria orgânica ao “estabelecer no art. 1.018 clara distinção entre a função do administrador e a do mandatário”. (Ricardo Negrão in Manual de Direito Comercial e de Empresa. Saraiva/2005). Da mesma forma, o Prof. José Edwaldo Tavares Borba entende que “o administrador é órgão da sociedade, não se confundindo, pois, com o procurador. Este, por força de um mandato, representa a sociedade num âmbito restrito dos poderes que lhe forem conferidos”. (in Direito Societário, Renovar/2004). Por fim, entendendo que o órgão da sociedade não representa, mas presenta, conclui Pontes de Miranda:
“O órgão da pessoa jurídica não é representante legal. A pessoa jurídica não é incapaz. O poder de presentação, que ele tem, provém da capacidade mesma da pessoa jurídica; por isso mesmo, é dentro e segundo o que se determinou no ato constitutivo, ou nas deliberações posteriores. A presentação é judicial ou extrajudicial (art.17 CC/1916)” 240.

Vimos então que o administrador (ou diretor) integra o órgão da sociedade chamado de Administração (ou Diretoria) que, no plano interno, administra a empresa, e, externamente, manifesta a vontade da pessoa jurídica. O contrato social deve designar quem tem poderes para presentar a sociedade, bem como os limites desses poderes. Pode o contrato social designar indiscriminadamente todos os sócios para presentar a sociedade. Disso não decorre, porém, que os sócios que ingressem após a criação da sociedade, na qualidade de cessionários ou sucessores de sócio administrador, sejam também administradores241. Deverá existir disposição expressa na alteração contratual ou em instrumento apartado, para agirem como tais. Importante, pois, que o contrato distribua as funções e atribua os poderes de administração, evitando-se, assim, a prática de atos em excesso pelos mesmos por falta de discriminação explícita das suas funções. O Código Civil trás relevante inovação quando estabelece a possibilidade de terceiros serem administradores de sociedade limitada, o que antes ocorria somente nas sociedades anônimas242. Assim, a sociedade limitada poderá ter como administrador, pessoa que não seja sócio (se o contrato social assim o permitir). A designação dessas pessoas, porém, depende de

238

Tratado de Direito privado – Tomo III – 3ª edição – Rio de janeiro/1970. p. 231.
239 240

Op.cit. p. 233.

Tratado de Direito privado – Tomo I – 4ª edição – Revista dos Tribunais/1977. p.412. art. 1.060, parágrafo único do código civil.
241 242 Lei 6.404/76. art. 146. poderão ser eleitos para membros dos órgãos de administração pessoas naturais, devendo os membros do conselho de administração ser acionistas e os diretores residentes no País, acionistas ou não. (Redação dada pela Lei nº 10.194, de 2001). grifamos

FGV DIREITO RIO

136

ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa

aprovação unânime dos sócios, no caso do capital social, ainda não estar integralizado, ou de 2/3 (dois terços) se já houver a integralização (art. 1.061). Verifica-se que o legislador deixou ao critério dos sócios tal regramento. Optando por uma sociedade limitada com um perfil mais conservador de administração, conservará em seu poder a administração (não prevendo no contrato social a administração por não-sócio). Querendo imprimir um perfil profissionalizante da administração, onde terceiros podem administrá-la, deverá haver previsão contratual expressa neste sentido. O administrador não-sócio, designado em ato separado, deverá firmar termo de posse no livro de atas da administração, no prazo de até trinta dias da data de sua designação, sob pena da nomeação perder a validade. Tanto a nomeação quanto a destituição ou renúncia do administrador devem ser averbadas no prazo de dez dias seguintes a cada ato, no registro competente (art. 1.063). Cabe ao administrador, ao término de cada exercício social, proceder à elaboração do inventário, do balanço patrimonial e do balanço de resultado econômico, com observância das regras contidas nos artigos 1.186, 1.187, 1.188 e 1.189 do Código Civil. Outra novidade do Código Civil diz respeito à expressão “sócio-gerente” que foi substituída por administrador ou diretor, haja vista a sociedade limitada poder ser gerida também por não-sócios (anteriormente a condição de sócio era obrigatória) e, a expressão “gerente”, hoje, ser sinônimo de “preposto243” (conforme dispositivo do art. 1.172), não trazendo similitude com o antigo sócio-gerente. Quoruns para nomeação e destituição do administrador Como visto na aula 16, existem quoruns mínimos estabelecidos no Código Civil de 2002, que devem ser observados. O contrato social poderá dispor de quoruns diferenciados, porém sempre respeitando esse mínimo previsto na lei. Para eleição e destituição de administradores das sociedades limitadas, o quorum previsto no Código Civil vai variar em função do administrador ser ou não sócio. No caso do contrato social prever a possibilidade de administrador não-sócio, o quorum para elegê-los vai variar conforme a integralização do capital social: a) capital social totalmente integralizado: por deliberação de 2/3 do capital social. b) capital social não integralizado: por unanimidade. (art. 1.061). Para a nomeação e destituição do administrador não-sócio designado em ato separado, serão necessários votos correspondentes a mais da metade do capital social (art. 1.076, II c/c art. 1.071, II e III). Para a destituição de administrador sócio, será necessária a aprovação de, no mínimo, 2/3 do capital social, salvo estipulação contratual diversa (art. 1.063 §1º). Neste caso, a disposição do quorum poderá atender aos interesses dos sócios uma vez que a lei permite a estipulação de quorum distinto ao legalmente estabelecido. administrador pessoa Jurídica A questão sobre a possibilidade de pessoa jurídica ser administradora de sociedade foi muito debatida na vigência do Decreto nº 3.708/1919. De forma indireta, o Código Civil veio sanar tal impasse segundo os termos dos artigos 997, VI e 1.062 §2º. Portanto, embora a sociedade possa ser constituída e tenha no seu

243

n.a. Está no exercício da empresa, mas não é detentor de poderes de direção.

FGV DIREITO RIO

137

de forma geral. art. obrigatoriamente.404/1976.404/1976). deveres do administrador Os deveres do administrador estão previstos. para tornar a administração privativa de pessoas naturais.o número de conselheiros. O conselho de administração será composto por. firmou orientação quanto ao impedimento da pessoa jurídica para ser administradora. onde o legislador não distinguiu (art. § 2º as companhias abertas e as de capital autorizado terão. Da mesma forma.º 6. 997 e § 2º do art. o contrato social pode estipular a existência de órgãos administrativos auxiliares. quando houve por bem o enunciado n° 66 dirimir o problema de forma enfática.404/1976 dispensa uma seção própria para. Quando o legislador quis distinguir. fê-lo expressamente (art. III . professor de Direito Empresarial da Escola de Direito RIO da FGV. 138 §1º da Lei n.º 126 de 2003.dnrc. I c/c artigo 1. que diante da nova sistemática estabelecida pelo Código Civil (art.º 98 de 2003246.o prazo de gestão. que se refere a “uma ou mais pessoas”. 1. IV . nesse caso. 249 FGV DIREITO RIO 138 . 1. I. 140. A regra da sociedade simples não se aplica subsidiariamente.gov. devendo o estatuto estabelecer: I . é legalmente possível. Se ele não tem sua gênesis contemporânea à celebração do contrato de sociedade. tanto que esta dispõe de norma própria. escolhidos pelo voto destes.248” Conselho de administração A sociedade limitada pode apresentar um volume grande de negócios. 3 (três) membros. à sociedade limitada. semelhante ao existente nas sociedades anônimas249. criado por lei ou pelo estatuto. mais amplamente. O estatuto poderá prever a participação no conselho de representantes dos empregados.076. mediante deliberação de sócio ou sócios representantes de. 9ª edição. uma vez que. e o processo de escolha e substituição do presidente do conselho pela assembléia ou pelo próprio conselho. no art. o Departamento Nacional de Registro do Comércio – DNRC. desde que especifique as matérias. Renovar: Rio de janeiro/2004. Seu funcionamento é exclusivamente interno sendo despido de poderes executivos. passam a ter deveres e direitos inerentes às suas funções.062) não mais é admitida a administração da sociedade limitada por pessoa jurídica”.071. a diretoria desta sociedade será composta de administradores. o Prof. O conselho de administração é um órgão Colegiado e deliberativo. instalação e funcionamento do conselho. tão complexos quanto aos da sociedade anônima. ou somente à diretoria. 4ª ed. o administrador só pode ser pessoa natural245. autor do enunciado márcio souza Guimarães. pág.011 do Código Civil. parágrafo único. conforme dispuser o estatuto. ¾ do capital. Na I Jornada de Direito Civil. permitida a reeleição. por meio da Instrução Normativa n. que deliberará por maioria de votos. não cabe ao intérprete distinguir. além do conselho fiscal. a Lei nº 6. V)250”. no Parecer n. como o fez em relação à sociedade simples. saraiva/2005. em eleição direta.366.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa quadro societário somente pessoas jurídicas. 1. 139. uma vez nomeados.br 246 Neste sentido.060. a presente questão começou a suscitar dúvidas. Neste caso. que não poderá ser superior a 3 (três) anos. p. podendo o estatuto estabelecer quorum qualificado para certas deliberações. ser a qualquer tempo implantado (artigo 1.107. ao conselho de administração e à diretoria. pessoas naturais244. art. em conjunto com as entidades sindicais que os representem. 1. no mínimo. conselho de administração. poderá.a. destaca-se o seguinte posicionamento: “Ressalte-se por oportuno.062 do Código Civil. da seguinte forma: Art. as atribuições e poderes conferidos por lei aos órgãos de administração não podem ser outorgados a outro órgão. no mínimo. constituído somente por sócios que. 138. José Edwaldo Tavares Borba entende que “administradores poderão ser pessoas naturais ou pessoas jurídicas.as normas sobre convocação. 245 manual de atos de registro de sociedade Limitada. eleitos pela assembléia-geral e por ela destituíveis a qualquer tempo. mestre em Direito Empresarial pela ucam. 997.o modo de substituição dos conselheiros. 248 Lei n. VI). 247 in Direito societário. sendo a representação da companhia privativa dos diretores. indistintamente”. 1. 1. II .054 c/c o art. ou o máximo e mínimo permitidos. também.062: a teor do § 2º do art. que devem ser aplicáveis a qualquer pessoa incumbida de administrar bens ou interesses alheios251. 244 n. indicar os deveres do administrador nas sociedades anônimas. A criação de um conselho de administração na sociedade limitada. de representação e de administração (art. São eles: no mesmo sentido: Ricardo negrão in manual de Direito comercial e de Empresa. No entanto. § 1º O conselho de administração é órgão de deliberação colegiada. esta regra é válida para qualquer tipo de sociedade. a administração da companhia competirá. vol. Em posição minoritária247. bastando que “os sócios façam a previsão no contrato social. Disponível em: www. resumindo-se ao dever de diligência e probidade. organizada pela empresa.º 6. art.

com ou sem prejuízo para a companhia. não podendo. 7ª edição. cuja aplicação no Brasil vem sendo aplicada pelo Poder Judiciário e pela Comissão de Valores Mobiliários258. pág. § 4º O conselho de administração ou a diretoria podem autorizar a prática de atos gratuitos razoáveis em benefício dos empregados ou da comunidade de que participe a empresa.404/76. Law A recent Delaware Supreme Court decision may have undermined cases against directors and officers of companies for actions they take just before they file for bankruptcy. os seus bens.usar. numa tradução livre do inglês. ou de terceiros. o administrador não pode se utilizar (proveito próprio ou de terceiros) das informações privilegiadas que obtém em virtude de sua atividade e que ainda não foram repassadas ao mercado.. O administrador eleito por grupo ou classe de acionistas tem. a teoria do Business Judgment rule257.404/1976. também conhecida em nosso país como “Regra da Decisão Negocial”. deixar de aproveitar oportunidades de negócio de interesse da companhia. numa determinada operação. sem autorização estatutária ou da assembléia-geral. visando à obtenção de vantagens. se será possível responsabilizar o administrador pela deepening insolvency ou agravamento pela situação de crise econômica-financeira259.S. Em suma. O direito societário norte-americano adota. 155.404/1976. II . Havendo conflito de interesses. tendo em vista suas responsabilidades sociais. refletida e desinteressada. 1. O administrador deve atuar com zelo e aplicar métodos. c) receber de terceiros. 155254 da Lei nº 6. A própria lei coibe os atos de liberalidade que possam prejudicar a sociedade ou que não sejam do interesse social. em benefício próprio ou de outrem. em proveito próprio. a referida teoria não protegerá o administrador negligente.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa – Dever de Diligência: disposto no art.404/1976. sendo-lhe vedado: I . neste ponto. no entanto ambos se complementam uma vez que o sigilo refere-se a pessoas especificas e o dever de informar aparece em uma série de dispositivos que visam obrigar o administrador a dar publicidade aos negócios da sociedade que poderão influenciar investidores e mercado. entre o administrador e a sociedade. pelos danos gerados em conseqüência de um prolongamento artificial de uma sociedade empresária em grave crise sem que haja ativos suficientes e fluxo de caixa para pagar seus credores. 154252 da Lei nº 6. serviços ou crédito. as oportunidades comerciais de que tenha conhecimento em razão do exercício de seu cargo.404/1976 e no art. sérgio in O Direito de Empresa à luz do novo código civil. Some lawyers believe the decision eliminates the threat of suits that seek to recover from directors for actions they took shortly before bankruptcy. – Conflito de interesses: disposto no art.017 do Código Civil. 154253 da Lei nº 6. O administrador deve exercer as atribuições que a lei e o estatuto lhe conferem para lograr os fins e no interesse da companhia. para com a companhia. pág. qualquer modalidade de vantagem pessoal. considerando-se que estas tenham sido tomadas de maneira informada. 156256 da Lei nº 6. tem por objetivo blindar o administrador contra interferências do Poder Judiciário e do órgão regulador quanto às suas decisões. – Dever de Lealdade e Sigilo: disposto no art.omitir-se no exercício ou proteção de direitos da companhia ou. FGV DIREITO RIO 139 . 253 254 art. b) sem prévia autorização da assembléia-geral ou do conselho de administração. ainda que para defesa do interesse dos que o elegeram. teorias e atos próprios a fim de realizar o objeto social. tomar por empréstimo recursos ou bens da companhia. Parece contraditório com o dever de sigilo. 154. – Dever Ético-Social: disposto no caput do art. – Dever de Informar: disposto no art. Fábio ulhoa in curso de Direito comercial. A referida teoria. para si ou para outrem. 154 § 1º. such as increasing the company’s debt or signing major contracts with creditors. Sobre o tema: Ruling Makes Bankruptcy Suits Harder • United States • 06/25/2007 • U. direta ou indireta. de sociedade em que tenha interesse. em razão do exercício de seu cargo. 252 art. 157255 da Lei nº 6. § 3º as importâncias recebidas com infração ao disposto na alínea c do § 2º pertencerão à companhia. os mesmos deveres que os demais. ou usar. 251 cOELHO. O administrador deve servir com lealdade à companhia e manter reserva sobre os seus negócios. Satisfazer às exigências do bem público e a função social da empresa são objetivos que também devem pautar as atitudes daqueles que efetivamente realizarão o objeto social.011 do Código Civil. saraiva/2004. art. limitando os poderes da administração. 5ª edição Renovar/2005. 250 campInHO. 1.442. como regra para analisar a responsabilidade dos administradores. – Desvio de Poder: disposto nos parágrafos do art. Oportuno discutir.242. Em razão da função que ocupa. satisfeitas as exigências do bem público e da função social da empresa. § 2° É vedado ao administrador: a) praticar ato de liberalidade à custa da companhia. faltar a esses deveres. The court ruled last month that creditors of a Delaware corporation that is insolvent or in the so-called “zone of insolvency” have no right to assert direct claims for breach of fiduciary duty against its directors. é vedado ao administrador intervir tanto na operação como nas deliberações que tomarem os demais administradores.

Trenwick America Litigation Trust v. ademais. Inc. can support a deepening-insolvency claim under Pennsylvania law. que tenha recebido ou esteja recebendo da companhia e de sociedades coligadas. shuts the door on director liability in those circumstances. if they exist. o número de ações. FGV DIREITO RIO 140 . but the pendulum has recently shifted. a pedido de acionistas que representem 5% (cinco por cento) ou mais do capital social: a) o número dos valores mobiliários de emissão da companhia ou de sociedades controladas.5 million settlement with outside directors reached in March in a separate suit against directors of bankrupt Birmingham.S. fraud and related claims for the company’s actions as it neared bankruptcy or entered the zone of insolvency. and the settlement shows that zone-of-insolvency theories are alive and well. No. 448 F. a menos que ao contratar já conhecesse a informação. 906 A. ou do mesmo grupo.). opções de compra de ações e debêntures conversíveis em ações. contratada com infração do disposto nos §§ 1° e 2°. not negligence. bankruptcy. Ch. § 2º O administrador deve zelar para que a violação do disposto no § 1º não possa ocorrer através de subordinados ou terceiros de sua confiança. no mercado de valores mobiliários. officers. § 4º É vedada a utilização de informação relevante ainda não divulgada. sendo-lhe vedado valer-se da informação para obter. Courts have also been inconsistent. courts have been inconsistent on whether zone of insolvency and deepening insolvency are causes of action or a fact pattern. § 1º O administrador de companhia aberta é obrigado a revelar à assembléia-geral ordinária. tem direito de haver do infrator indenização por perdas e danos. b) as opções de compra de ações que tiver contratado ou exercido no exercício anterior. ou que esta tencione adquirir. In bankruptcies. Harold Ruttenberg. diretamente ou através de outras pessoas.). said that companies nearing insolvency must still safeguard creditors’ interests to avoid lawsuits. No. guardar sigilo sobre qualquer informação que ainda não tenha sido divulgada para conhecimento do mercado. para si ou para outrem.. para si ou para outrem. Ala. accounting firm and independent auditors for breaches of fiduciary duty. Detweiler Hersey & Associates P. de emissão da companhia e de sociedades controladas ou do mesmo grupo. ao firmar o termo de posse. which had agreed to buy the foundation’s Federal Communications Commission-approved licenses for microwave signal transmission to build a national wireless Internet network. The Delaware Supreme Court upheld a Delaware court of chancery decision that dismissed a putative creditor’s case against three directors of wireless Internet company Clea- III .. bônus de subscrição. 255 art. § 3º a pessoa prejudicada em compra e venda de valores mobiliários. Gary Seitz Ch. para revender com lucro. bem ou direito que sabe necessário à companhia. 157. que tiver adquirido ou alienado. § 1º cumpre.. or are actually insolvent.adquirir. Ala. Some have claimed that Just For Feet could have been reorganized in a healthy way that preserved a substantial amount of value. Court decisions opened the door to such claims a few years ago. v. Cir. controladas ou do mesmo grupo. For example. indiretas ou complementares. The trustee said that the defendants’ decisions to ignore expert advice to file a Chapter 11 restructuring and conceal the company’s shaky financial status for two years led to a $90 million fire-sale liquidation of the company’s assets.” Lawyers disagree about whether the recent Delaware Supreme Court decision rejecting direct creditor claims for breach of fiduciary duty when companies enter the zone of insolvency. a 3rd U. Rob Gheewalla. no exercício anterior. But a lawyer involved in a $41. it’s incumbent upon trustees to pursue claims against directors.. v. O administrador de companhia aberta deve declarar. c) os benefícios ou vantagens. de que seja titular... lawyers have been testing claims and damages theories involving the duties of a company’s directors as a company nears bankruptcy or enters the zone of insolvency and “deepening insolvency. a Delaware court of chancery rejected deepening insolvency as an independent cause of action under Delaware law.). ao administrador de companhia aberta. In bankruptcy courts and state courts.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa The case was filed by “putative creditor” North American Catholic Educational Programming Foundation Inc. Chapter 7 Trustee for Just For Feet Inc. por qualquer pessoa que a ela tenha tido acesso. 06-521 (Del. Later in 2006. In re CitX Corp.. 7 Trustee v..C. Goldstein. Cases involving zone-of-insolvency and deepeninginsolvency issues have been a developing trend in the past several years. Many are now pointing to the May 18 Delaware Supreme Court decision in the North American Catholic case as a significant milestone in the zone-of-insolvency debate. North American Catholic Educational Programming Foundation Inc. vantagem mediante compra ou venda de valores mobiliários.3d 672 (3d Cir. Charles R. for the benefit of creditors and shareholders. against three directors of the Delaware corporation. Del. the bankruptcy trustee filed a lawsuit in Alabama state court against the company’s directors. 01-06833 (Jefferson Co. com a finalidade de auferir vantagem. Clearwire Holdings Inc. In the Just For Feet Inc.” but it has been said to refer to when a company nears insolvency or is at the point at which it can’t pay its debts.2d 168 (New Castle Co. shoe retailer Just For Feet Inc. 2006). Circuit Court of Appeals decision in 2006 said that only fraud. There is no legal definition of “zone of insolvency. obtida em razão do cargo e capaz de influir de modo ponderável na cotação de valores mobiliários. Ct. Despite the popularity of the theories. Ernst & Young LLP.

1. Hollin said. the Delaware Supreme Court didn’t directly discuss whether companies in the amorphous zone of insolvency could also face derivative claims. nos termos e na forma determinados pela comissão de Valores mobiliários. às 04:20horas. de modo ponderável. – usar bens da sociedade em nome próprio ou permitir que terceiro o faça. cabendo à comissão de Valores mobiliários. as a matter of law. tradicionalmente. for breaches of fiduciary duty while the company was in the zone of insolvency or insolvent. but it doesn’t mean zone-of-insolvency issues are dead. o Prof. ou fato relevante ocorrido nos seus negócios. a pedido dos administradores. “It doesn’t take away the zone-of-insolvency issues. e) quaisquer atos ou fatos relevantes nas atividades da companhia. p. poderes do administrador Os administradores ou diretores decidem e executam os negócios da sociedade limitada agindo. to assert direct claims for breach of fiduciary duty against its directors. Esta garantia somente seria “levantada” após a aprovação das últimas contas apresentadas pelo administrador que estivesse deixando o cargo261. os administradores são autorizados – na forma do art. “It says they’ve got to be brought in a derivative manner on behalf of the corporation. e fornecidos por cópia aos solicitantes. servir de residência temporária para algum diretor em trânsito. Sérgio Campinho destaca ser de bom alvitre a elaboração de cláusula contratual estabelecendo restrições aos atos de gestão. usar o cartão de crédito corporativo para fins sociais. autenticados pela mesa da assembléia. a esta e às bolsas de valores ou entidades do mercado de balcão organizado nas quais os valores mobiliários de emissão da companhia estejam admitidos à negociação. na decisão dos investidores do mercado de vender ou comprar valores mobiliários emitidos pela companhia. de qualquer acionista. a pedido de qualquer acionista.. decidir sobre a prestação de informação e responsabilizar os administradores. Many such lawsuits are already filed as derivative cases on behalf of a corporation by a bankruptcy trustee.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa rwire Holdings Inc.lexuniversal. exceto se o bem fizer parte de um conjunto de direitos que a sociedade pode proporcionar para seus diretores. respondendo os solicitantes pelos abusos que praticarem. acesso em 19 de janeiro de 2009. ser reduzidos a escrito. no sentido da realização do objeto social. § 3º a revelação dos atos ou fatos de que trata este artigo só poderá ser utilizada no legítimo interesse da companhia ou do acionista. isto porque.com/en/news/2652. ou deixar de divulgá-la (§ 4º). not by individual creditors. FGV DIREITO RIO 141 . a inclusão de uma cláusula no contrato social obrigando aos administradores prestarem caução. ou por iniciativa própria. § 2º Os esclarecimentos prestados pelo administrador poderão.” While insolvent companies could face derivative suits. Diante de tão amplos poderes. limitados nos contratos sociais.ex. Existem atos de gestão que são. do contrário. The court said that creditors of a Delaware corporation that is insolvent or in the zone of insolvency “have no right. The Delaware decision erases the threat of direct claims by creditors against directors. eis alguns exemplos: – concessão de garantias em nome da sociedade em favor de terceiros sem contrapartida que a beneficie: desvia a sociedade do seu objetivo de obter lucros. § 4º Os administradores da companhia aberta são obrigados a comunicar imediatamente à bolsa de valores e a divulgar pela imprensa qualquer deliberação da assembléia-geral ou dos órgãos de administração da companhia. d) as condições dos contratos de trabalho que tenham sido firmados pela companhia com os diretores e empregados de alto nível.015 do Código Civil. a praticar todos os atos pertinentes à gestão da sociedade260. que possa influir. http://www. como forma de garantir uma administração diligente. § 6º Os administradores da companhia aberta deverão informar imediatamente. § 5º Os administradores poderão recusar-se a prestar a informação (§ 1º. “Recognizing that directors of an insolvent corporation owe direct fiduciary duties to creditors would create uncertainty for directors who have a fiduciary duty to exercise their business judgment in the best interest of the insolvent corporation. O citado professor também menciona. se for o caso.” Hollin said. se entenderem que sua revelação porá em risco interesse legítimo da companhia. an insurance company receiver or a creditor’s committee. ter direito a um esquema de segurança etc. em regra.” wrote Justice Randy Holland. said Hollin of Powell Trachtman. alínea e). – alienação de bens imóveis. as modificações em suas posições acionárias na companhia.

158 da Lei nº 6. o administrador somente pode contratar com a companhia em condições razoáveis ou eqüitativas. de forma a ultrapassar a sua órbita de poderes. No Brasil. após. poder-se-á perquirir sobre a possibilidade do terceiro credor cobrar da sociedade. não a sua invalidação. dispondo que todos os atos praticados pelo administrador. cumprindo-lhe cientificá-los do seu impedimento e fazer consignar. mesmo que dentro das limitações de competência previstas no contrato/estatuto. podemos dizer que estamos diante de uma nova teoria dos atos ultra vires. 1. teoria ultra Vires A teoria dos atos ultra vires tem origem inglesa. Dispõe o art. com a força exclusiva do seu patrimônio. para utilizar a regra da decisão negocial. sempre que praticar os atos de gestão dentro dos limites da atribuição de competência e poder. sendo a conseqüência da prática de tais atos. como a acepção da palavra indica. mas sim a determinação de que o administrador é o responsável pelo adimplemento da obrigação. 158 da Lei 6. e o administrador interessado será obrigado a transferir para a companhia as vantagens que dele tiver auferido. Como o administrador age em nome da sociedade limitada. a natureza e extensão do seu interesse.se a limitação de poderes estiver inscrita ou averbada no registro próprio da sociedade.com. estes atos vincularão apenas à sociedade que ficará obrigada a satisfazer as obrigações contraídas pelo administrador (teoria organicista). Para melhor compreensão da responsabilidade dos administradores.asp. Há.tratando-se de operação evidentemente estranha aos negócios da sociedade.015 do Código Civil. a aparência indica ao credor que o “adquirente” não é a sociedade que explora a escola. II . não é necessária a contratação de um banco de investimento para a avaliação de uma operação. podemos concluir que deve ser analisada a prática do ato. da pratica de atos ilícitos. É vedado ao administrador intervir em qualquer operação social em que tiver interesse conflitante com o da companhia.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa responsabilidades do administrador A responsabilidade dos administradores decorre. situações em que o administrador age excedendo os poderes que lhe foram conferidos pela sociedade. § 1º ainda que observado o disposto neste artigo. o administrador será o responsável pelo pagamento da obrigação. estando. acesso em 19 de janeiro de 2009.016 do Código Civil que os administradores respondem solidariamente perante a sociedade e perante terceiros prejudicados por culpa no desempenho de suas funções. (ii) Decisão refletida: a decisão refletida é aquela tomada depois da análise 258 FGV DIREITO RIO 142 . na aparência do ato praticado pelo administrador. se os bens da sociedade não cobrirem as dívidas. do art. 156. Assim. Em ambos os casos. como informações. Se o administrador de uma escola adquire um helicóptero. Assim. Ou então. entretanto. III . pois.asp. na cVm: http://www. as normas previstas para as sociedades por ações serão aplicáveis. em regra. nas sociedades limitadas. podem os administradores.gov. 257 “Em razão da regra da decisão negocial. dependendo da disposição contratual262. na proporção em que participem das perdas sociais. todavia. Nestes casos o parágrafo único.br/port/ inqueritos/2007/rordinario/ inqueritos/05_15_21-04. tal teoria tem sido utilizada por alguns doutrinadores para explicar a teoria da responsabilidade do administrador. os sócios responderão pelo saldo.024). 1. idênticas às que prevalecem no mercado ou em que a companhia contrataria com terceiros. A solução do problema se dará com base na teoria da aparência. 927 do Código Civil. caso seja inadimplida uma das parcelas. análises e memorandos dos diretores e outros funcionários.404/76 e art. conforme dispositivo do art.023 e 1. utilizar. de forma abusiva ou excessiva de poderes (abuso de poder e excesso de poder). A base da teoria da aparência consiste. inclusive desrespeitando vedações contratuais expressas. mas sim o próprio administrador. seriam acoimados de nulos. será responsável sempre que agir com dolo ou culpa. confira-se: http://www.cvm. caberá ao 256 art. como veremos a seguir. salvo cláusula de responsabilidade solidária (artigos 1. compelida ao pagamento para. todavia.provando-se que era conhecida do terceiro. às 03:58horas. em ata de reunião do conselho de administração ou da diretoria. o administrador deve seguir os seguintes princípios: (i) Decisão informada: a decisão informada é aquela na qual os administradores basearam-se nas informações razoavelmente necessárias para tomá-la. bovespa. é claro no sentido da responsabilização pessoal do administrador perante terceiros em qualquer uma das seguintes situações: I . bem como de terceiros contratados. o poder judiciário americano preocupa-se apenas com o processo que levou à decisão e não com o seu mérito. essa última.404/1976. Dessa forma. nesses casos. acesso em 19 de janeiro de 2009.br/Investidor/ juridico/060912nota. § 2º O negócio contratado com infração do disposto no § 1º é anulável. quando ultrapassar os atos regulares da gestão. Conjugado com o indigitado dispositivo legal. exercer o direito de regresso em face do administrador. bem como na deliberação que a respeito tomarem os demais administradores. devemos analisar as regras insertas no art.

Além disso. Entretanto. – Ambiental: O art..br/port/ inqueritos/2007/rordinario/ inqueritos/05_15_21-04. O mesmo diploma legal. aplicamse os standards do dever de lealdade (duty of loyalty)”. FGV DIREITO RIO 143 .228. acesso em 19 de janeiro de 2009.053 do código civil. Leonardo santos de (coord. que o substitui. depois. em cotejo com a documentação que fundamenta o negócio. 178/185. resultante de atos praticados. uma forma de responsabilidade por substituição. monteiro de & aRaGãO.) Direito societário – Desafios atuais – são paulo: quartier Latin. que explora a escola. no entanto. 135. a Lei nº 9. além de ser contribuinte (segurado obrigatório). custe o que custar”. exclusivamente para o responsável.. alegando que.cvm. 225 da Constituição da República conferiu especial relevo à questão ambiental. p. admite a desconsideração da pessoa jurídica “sempre que sua personalidade for obstáculo ao ressarcimento de prejuízos causados à qualidade do meio ambiente”. gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado.cit. embora só recentemente tenha sido introduzido na legislação brasileira. algumas vezes. encaminhando-se. – Trabalhista: Os arts. pelos responsáveis. 260 261 262 263 Op. para o perigoso rumo da máxima de que “alguém deve pagar. será obrigado a cobrar do administrador. Op. que respondem solidariamente. Além do dispositivo constitucional. salvo nas hipóteses de fraude.620/1993267 e da remansosa jurisprudência dos tribunais. asp. sócios e diretores. e (iii) Decisão desinteressada: a decisão desinteressada é aquela que não resulta em benefício pecuniário ao administrador. tal como ocorre com relação aos tributos. a decisão negocial que a ele levou pode ser considerada refletida. 135 do CTN não é caso de desconsideração da personalidade jurídica. é também responsável legal pela arrecadação das contribuições dos seus empregados. desta feita. in casTRO. – Previdência Social: O empregador. disciplinando a declaração judicial de desconsideração da personalidade jurídica. ou então. ao elevar o meio-ambiente à categoria de bem jurídico tutelado autonomamente. 259 É obrigatória a leitura do seguinte artigo: “Deveres dos administradores de sociedades Empresárias em Dificuldade Econômica-Financeira: a Teoria da Deepening Insolvency no Brasil” escrito por Leonardo santos de aragão.) III . na forma da Lei nº 8. o instituto da desconsideração da personalidade jurídica art. 2009. pág. é importante ressaltar que tais regras não fazem com que os administradores sejam responsáveis pelo pagamento de tais débitos. ainda. o credor poderá cobrar diretamente da sociedade para que. haja o regresso. destinando um capítulo inteiro a sua proteção. Rodrigo R. art. como tal considerado o titular da empresa (individual ou coletiva). contrato social ou estatutos: (. em seu art. 135. não é caso para a desconsideração da personalidade jurídica e sim de substituição legal tributária.gov. O autor do PL justifica a proposição. Novamente. mas como forma de prevenção. quando o administrador tem interesse na decisão. projeção da responsabilidade do administrador em outros campos do direito: – Código Tributário Nacional: a hipótese de incidência do art. a teoria da aparência. III263 é o não pagamento da obrigação principal pelo contribuinte. contrato social ou estatutos. A jurisprudência trabalhista ainda é vacilante sobre o tema. pág. http://www.729/1965265) e de apropriação indébita (Decreto-Lei nº 2.605/1998268 prevê a responsabilização penal da pessoa jurídica pela prática de delitos ambientais e funciona não apenas para punir. com excesso de poderes ou infração de lei. das diferentes alternativas ou possíveis conseqüências ou. são pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei. mesmo que deixe de analisar um negócio. Com isso. Pela teoria da aparência. 2° e 10 da CLT firmam a responsabilidade da empresa pelos débitos trabalhistas. Recolher as contribuições da Previdência Social e não repassá-las ao INSS configura crime de sonegação fiscal (Lei nº 4. 1.848/1940 – Código Penal266). informadamente. é.cit. 4º. aplicando-se.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa credor a cobrança apenas em face do administrador (pessoa natural) e não da sociedade.228. tenha o administrador decidido não analisar esse negócio. Esse conceito vem sendo expandido para incluir benefícios que não sejam diretos para o administrador ou para instituições e empresas ligadas a ele. 50 do Código Civil. Ressalte-se que o art. haverá a transferência do débito em nome do contribuinte. onde o responsável passa a figurar no pólo passivo de uma relação jurídica com o FISCO. pL 3401/2008269 Encontra-se em tramitação o PL 3401/2008 que regulamenta o disposto no art.os diretores. caso.

A justificativa de Alfredo era que.00.reclusão. no prazo e forma legal ou convencional: pena . RECURSO PROVIDO. Seu principal fornecedor de couro é a Couros e Outros Ltda. e há mais de cinco anos faz seus pedidos mensais. art. concedendo-lhes o prazo de dez dias para produção de suas defesas. ATUAÇÃO DOS ADMINISTRADORES EM NOME E PROVEITO DA PESSOA JURÍDICA. Waltinho recebe um pedido de Alfredo no valor de R$ 4. PENAS ADAPTADAS À NATUREZA JURÍDICA DO ENTE COLETIVO. No início de dezembro.000. indicando como local para a entrega o último endereço fornecido por Alfredo. no endereço indicado para essa entrega.00 e R$ 5. do pagamento de tributos. com sede em Feliz/PR. Além disso. CRIME AMBIENTAL PRATICADO POR PESSOA JURÍDICA. total ou parcialmente. os quais foram devidamente pagos no vencimento. o juiz lhes facultará o prévio exercício do contraditório. os gerentes e os diretores respondem solidariamente e subsidiariamente. os administradores. de 2 (dois) a 5 (cinco) anos.gov. pessoalmente. por dolo ou culpa. assim como o endereço para a entrega na sede da “RS”. mas com o passar dos anos. e multa. que “Alfredo” havia sido despedido dias antes de fazer o último pedido ao “Waltinho”. O titular da firma individual e os sócios das empresas por cotas de responsabilidade limitada respondem solidariamente. com os mesmo dados fiscais.. ou de seu órgão colegiado. Sacada a duplicata correspondente à venda do couro. ainda. a responsabilidade penal pelas infrações previstas nesta Lei será de todos os que. 266 art. De quem é a obrigação de pagar o título e por quê? art 1º constitui crime de sonegação fiscal: I .prestar declaração falsa ou omitir. tenham praticado ou concorrido para a prática da sonegação fiscal. tem 20 anos de mercado capixaba. Waltinho não perde tempo. será vedada a extensão dos efeitos de obrigações da pessoa jurídica aos bens particulares de sócio e/ou de administrador que não tenha praticado ato abusivo da personalidade. 267 JurisprudênCia CRIMINAL. em proveito próprio e não da sociedade (“RS”). FORMA DE PREVENÇÃO DE DANOS AO MEIO-AMBIENTE. porque a compra foi feita por pessoa não autorizada. PREVISÃO CONSTITUCIONAL REGULAMENTADA POR LEI FEDERAL. RESPONSABILIZAÇÃO PENAL DO ENTE COLETIVO. os canhotos das notas fiscais e dos talões de pedido sempre voltavam assinados e carimbados pelo chefe da expedição da “RS”. quanto ao inadimplemento das obrigações para com a seguridade social.br. O valor dos pedidos oscila entre R$ 3. a “RS” estava alugando o espaço na área de produção de uma outra fábrica que ficava. Além disso. para ser entregue em outro endereço. 3º as pessoas jurídicas serão responsabilizadas administrativa. que não aceitará o título nem o pagará. os dados fiscais são sempre os mesmos. civil e penalmente conforme o disposto nesta Lei. com seus bens pessoais. a ”RS” comunica a Couros e Outros Ltda.camara. porém. POSSIBILIDADE. art 6º quando se trata de pessoa jurídica. Caso gerador A sociedade RS Sapatos e Bolsas Ltda. nos casos em que a infração seja cometida por decisão de seu representante legal ou contratual. 13. autoras. FGV DIREITO RIO 144 . pelos débitos junto à seguridade social.500. em virtude da demanda de Natal. no interesse ou benefício da sua entidade. parágrafo único. com o vendedor Waltinho. Pergunta-se: 1. com a intenção de eximir-se. co-autoras ou partícipes do mesmo fato. Os acionistas controladores. Alfredo Matias é o diretor de compras da “RS”. EXISTÊNCIA JURÍDICA. de modo permanente ou eventual.000. parágrafo único. 168-a. OPÇÃO POLÍTICA DO LEGISLADOR. direta ou indiretamente ligados à mesma. passou a aceitar os pedidos de Alfredo por telefone e/ou por e-mail. 265 art. aduzindo. Waltinho tomou todas as cautelas necessárias. total ou parcialmente.00. a responsabilidade das pessoas jurídicas não exclui a das pessoas físicas. Nesse sentido. CO-RESPONSABILIDADE.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa vem sendo utilizado com um certo açodamento e desconhecimento das verdadeiras razões que autorizam um magistrado a declarar a desconsideração da personalidade jurídica. No início. CAPACIDADE DE AÇÃO. com seus bens pessoais. informação que deva ser produzida a agentes das pessoas jurídicas de direito público interno. e “tira o pedido”. CULPABILIDADE COMO RESPONSABILIDADE SOCIAL. justamente. em detrimento dos credores da pessoa jurídica ou em proveito próprio. 4º poderá ser desconsiderada a pessoa jurídica sempre que sua personalidade for obstáculo ao ressarcimento de prejuízos causados à qualidade do meio ambiente 268 269 Disponível em: www. taxas e quaisquer adicionais devidos por lei. art. mediante desvio de finalidade ou confusão patrimonial. Deixar de repassar à previdência social as contribuições recolhidas dos contribuintes. antes de declarar que os efeitos de certas e determinadas obrigações sejam estendidos aos bens dos administradores ou sócios da pessoa jurídica.

X. EMBARGOS DO DEVEDOR . A responsabilização penal da pessoa jurídica pela prática de delitos ambientais advém de uma escolha política. Ministro GILSON DIPP. foi denunciada por crime ambiental. desconsiderando a pessoa jurídica da devedora. graxas.2005. resultantes da atividade do estabelecimento comercial. A culpabilidade. através de lançamento de resíduos. a pessoa jurídica deve ser beneficiária direta ou indiretamente pela conduta praticada por decisão do seu representante legal ou contratual ou de seu órgão colegiado. de prestação de serviços à comunidade. limita-se à vontade do seu administrador ao agir em seu nome e proveito.que de qualquer forma contribui para a prática do delito . A pessoa jurídica só pode ser responsabilizada quando houver intervenção de uma pessoa física. VII. (REsp 564960/SC.” IX.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa I. areia e produtos químicos. A Lei Ambiental previu para as pessoas jurídicas penas autônomas de multas. de forma inequívoca. Hipótese em que pessoa jurídica de direito privado. “De qualquer modo.06. nos termos do voto do Relator. no conceito moderno. A Lei ambiental. Não há ofensa ao princípio constitucional de que “nenhuma pena passará da pessoa do condenado. XIII. A denúncia oferecida contra a pessoa jurídica de direito privado deve ser acolhida. VI. V. de serem culpáveis e de sofrerem penalidades. restritivas de direitos. II. lodo. Recurso provido.e uma jurídica. 331). o qual se passou como representante da sociedade em nome de quem celebrou FGV DIREITO RIO 145 . regulamentando preceito constitucional. mas como forma mesmo de prevenção geral e especial..PENHORA DE BENS PESSOAIS DO SÓCIO. A co-participação prevê que todos os envolvidos no evento delituoso serão responsabilizados na medida se sua culpabilidade. e a culpabilidade da pessoa jurídica. mandou recaísse a penhora sobre bem pessoal do sócio. portanto. grifamos. Se a pessoa jurídica tem existência própria no ordenamento jurídico e pratica atos no meio social através da atuação de seus administradores. de alcançar a penhora de bens de sócio da sociedade tem cabimento nos casos de desvio das finalidades sociais. DJ 13. como forma não apenas de punição das condutas lesivas ao meio-ambiente. diante de sua legitimidade para figurar no pólo passivo da relação processual-penal. juntamente com dois administradores.”. VIII. III. pois é incontroversa a existência de duas pessoas distintas: uma física . neste contexto. QUINTA TURMA. consubstanciado em causar poluição em leito de um rio.DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE DE PESSOA JURÍDICA . a possibilidade de penalização criminal das pessoas jurídicas por danos ao meio-ambiente. cada qual recebendo a punição de forma individualizada. de ato ilícito ou de excesso de poder. poderá vir a praticar condutas típicas e. tais como. todas adaptadas à sua natureza jurídica. A atuação do colegiado em nome e proveito da pessoa jurídica é a própria vontade da empresa. havendo prova da prática de abuso de direito. liquidação forçada e desconsideração da pessoa jurídica. XII.. é a responsabilidade social. A desconsideração da pessoa Jurídica para o fim. Rel. IV. óleo. A imputação penal às pessoas jurídicas encontra barreiras na suposta incapacidade de praticarem uma ação de relevância penal.2005 p. ser passível de responsabilização penal. passou a prever. XI. decorrente de sua atividade lesiva.06. que atua em nome e em benefício do ente moral. Decisão deste órgão fracionário em Agravo de Instrumento que considerou legítimo o ato judicial que. julgado em 02.

SEÇÃO SÃO PAULO . recebeu dinheiro para quitar dívida da sociedade e depositou o cheque em favor de outra sociedade da qual ele e sua mulher eram os únicos sócios. Recurso provido parcialmente. cuja ata foi arquivada na Junta Comercial. praticou ato de gestão contrariando expressamente decisão tomada em reunião de sócios. (D) prescinde de autorização dos sócios para a prática de atos. PAULO GUSTAVO HORTA . arbitramento dos honorários de advogado. Na íntegra do acórdão há menção à teoria ultra vires. (B) tem poderes irrevogáveis. TJ/RJ). DIREITO COMERCIAL. d) 3/4 do capital. (2003. Questões de ConCurso 29º EXAME DE ORDEM.14192 . Questões outras que podem ser examinadas em qualquer tempo ou que se ressentem da produção de prova idônea Ausência do dolo processual autorizador da aplicação da pena por litigância de má fé e.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa contrato de constituição de sociedade em conta de Participação. mas seu ato é considerado válido e eficaz.DIREITO COMERCIAL. c) 1/2 do capital. Nessa qualidade. DIREITO COMERCIAL.APELACAO CIVEL . SEÇÃO SÃO PAULO. 44. a designação deles dependerá da aprovação dos sócios que representem. regida subsidiariamente pelas regras da sociedade simples.TIPO 1. Prejuízos causados à sócia oculta reconhecido por sentença judicial. FGV DIREITO RIO 146 . (B) com excesso de poderes e essa circunstância pode ser oposta a terceiros.VERSÃO 1. 125º EXAME DE ORDEM. no mínimo: a) 2/3 do capital.001.PROVA 1ª FASE . 38 . Epaminondas agiu: (A) com excesso de poderes. 123º EXAME DE ORDEM. (C) depende de quorum de nomeação diferenciado.DES. mas responde perante os sócios por eventuais prejuízos. PROVA OBJETIVA . Uma das conseqüências dessa distinção é que o administrador nomeado em contrato (A) deve ser sócio. (C) no regular exercício de suas atribuições e seu ato é considerado válido e eficaz. já estando integralizado o capital social. SEÇÃO DO RIO DE JANEIRO . se o contrato permitir administradores não sócios.1ª FASE.Julgamento: 12/08/2003 .Na sociedade limitada. PROVA OBJETIVA . grifamos obs. (D) no regular exercício de suas atribuições. O administrador das sociedades limitadas pode ser nomeado no contrato social ou por ato separado. Epaminondas é administrador não sócio de sociedade limitada. 42.QUINTA CAMARA CIVEL. b) 1/4 do capital.

mesmo que o contrato social não disponha sobre o assunto.Exame de Ordem . (D) a denominação social deve designar o propósito da sociedade. na sociedade limitada. c) Na sociedade limitada. não podendo haver divisão para fins de transferência. D) A administração pode ser exercida por pessoa jurídica desde que a mesma não seja sócio. assinale a opção que apresenta uma resposta correta à referida consulta. é correto afirmar que: (A) a administração da empresa somente pode ser exercida por um dos sócios. desde que estabelecida no contrato social. Com base na legislação vigente que trata das Sociedades Limitadas. nas relações com terceiros. a) os atos praticados pelo administrador com excesso de poderes são sempre imputáveis à sociedade. responde solidariamente com este pelas obrigações em que intervier. PROVA PREAMBULAR – 07/05/2006.Outubro/2007 33º Exame de Ordem RJ 90ª Questão: Considere que um advogado seja consultado sobre a possibilidade de uma sociedade limitada formada por dois sócios. C) Somente pessoa natural pode administrar a sociedade limitada.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa 178º CONCURSO DE INGRESSO NA MAGISTRATURA DO ESTADO DE SÃO PAULO (2006). CONCURSO PúBLICO PARA PROVIMENTO DE CARGOS DE JUIZ SUBSTITUTO DO ESTADO DO PARANÁ. nenhuma responsabilidade possuem os sócios que adotarem deliberação contrária ao contrato social. B) A nomeação de administrador pessoa jurídica só é válida se a mesma for sócio. sendo proibido figurar o nome de um ou mais sócios. Prova OAB/RJ . d) A quota social. 36. um deles pessoa natural e o outro pessoa jurídica. 91. PROVA DE SELEÇÃO. b) Na sociedade limitada cujo capital esteja totalmente integralizado. b) a sociedade somente pode praticar atos que estejam expressa ou implicitamente compreendidos no seu objeto. se o sócio participante tomar parte com o sócio ostensivo. A) Não há impedimento à nomeação de não sócio como administrador.Abril/2007 32º Exame de Ordem RJ 83ª Questão: De acordo com a teoria dos atos ultra vires. o sócio ostensivo responde perante terceiros. TIPO 1. é sempre indivisível. com partes iguais no capital. sob pena de ineficácia do ato em relação à sociedade. inclusive pessoa jurídica. (B) é permitida a administração da empresa por não-sócios. Assinale a alternativa CORRETA a) Na sociedade em conta de participação. ser administrada por pessoa jurídica não sócia. FGV DIREITO RIO 147 .Exame de Ordem . (C) é permitida a contribuição de sócios por meio de prestação de serviços. DIREITO COMERCIAL. Prova OAB/RJ . A propósito dessa situação. entretanto. a administração da sociedade somente pode ser exercida por sócio e mediante designação no contrato social.

21ª QUESTÃO Qual o significado dos atos ultra vires na gerência das sociedades? XXXVIII CONCURSO PARA INGRESSO NA MAGISTRATURA DE CARREIRA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO. b) a responsabilidade de sócios-gerentes das sociedades limitadas não poderá ser solidária com a sociedade. o das S/A. o administrador somente pode praticar atos de gestão previamente autorizados pelos sócios. c) é defeso aos sócios pactuar no contrato social a dissolução total da sociedade caso esta não atinja patamares mínimos de lucro. IX CONCURSO PúBLICO PARA PROVIMENTO DE CARGOS DE JUIZ FEDERAL SUBSTITUTO NA 2ª REGIÃO. DIREITO EMPRESARIAL. atinge as sociedades cujo contrato social é omisso quanto ao regime supletivo. PROVA OAB/DF . DIREITO COMERCIAL. em caso de omissão. PROVA PRELIMINAR.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa c) no silêncio do contrato social.EXAME DE ORDEM . que isenta a pessoa jurídica da responsabilidade por atos praticados em seu nome.ABRIL/2006 80ª Questão: Segundo o Código Civil. d) a prática de qualquer ato estranho ao objeto depende de aprovação de sócios representando a maioria absoluta do capital social. é correta a assertiva sobre as Sociedades Limitadas: a) a teoria do ato ultra vires. 1ª QUESTÃO: Fica a sociedade limitada validamente vinculada ao negócio praticado por seu administrador. mas estranho a seu objeto? Por quê? FGV DIREITO RIO 148 . d) aos sócios compete definir o regime supletivo da sociedade que será. em seu nome.

O sereno não pede. mas.. Se eu o tolero e você não me tolera. Uma situação de tolerância existe quando um tolera o outro. Assim. não há um estado de tolerância. 42-43. Renovar/2005. não é apenas isto. p. José Edwaldo Tavares Borba. deixando de pertencer ao sócio para se incorporar o patrimônio da sociedade. – “Justa causa” – Procedimento extrajudicial de exclusão do sócio. 7ª edição. Leitura CompLementar – Páginas 415 a 419 (expulsão do sócio) do Curso de Direito Comercial vol. 267 BOBBIO. Saraiva: São Paulo/2005. prepotência.II. No entanto. Aprendemos que o capital social é dividido em quotas ou ações e sua formação consiste no somatório das contribuições que cada sócio realiza (integraliza) ou promete realizar (subscreve). Ricardo Negrão. A tolerância nasce de um acordo e dura enquanto dura o acordo. ementário de temas – Exclusão de sócio remisso.) do Manual de Direito Comercial e de Empresa. se o indivíduo sereno é tolerante e respeitoso. 9ª edição. A tolerância é recíproca: para que exista tolerância é preciso que se esteja ao menos em dois. – Páginas 207 a 221 de O Direito de Empresa à luz do Novo Código Civil. uma vez organizada a sociedade. norberto in Elogio da serenidade e outros escritos morais. Renovar/2004. ao contrário. Nesta aula discutiremos a leitura do(s) seguinte(s) capítulo(s): – Páginas 331 a 333 (SIMPLES) 374 a 377 (LTDA.I. Saraiva: São Paulo/2004. Fabio Ulhoa Coelho.. – Liquidação de quotas. vol. A serenidade é um dom sem limites preestabelecidos e obrigatórios”267. Tradução de marco aurélio nogueira. Sérgio Campinho. – Páginas 38 a 40 e 125 e 126 do Direito Societário.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa AUlA 18: fORMAS DE ExPURGAR O SóCIO INDESEJADO “Como modo de ser em relação ao outro. FGV DIREITO RIO 149 . Cito Kant: ‘Todo homem tem o direito de exigir o respeito dos próprios semelhantes e reciprocamente estar obrigado ele próprio a respeitar os demais’. 5ª edição. – Procedimento judicial de exclusão do sócio. Passa-se o mesmo com o respeito. o dinheiro e/ou bens que cada sócio se obrigou a entregar para a constituição do capital social se transmite. unesp/2002. a serenidade resvala no território da tolerância e do respeito pelas idéias e pelos modos de viver dos outros. – Exclusão de Pleno Direito. não pretende qualquer reciprocidade: a serenidade é uma disposição em relação aos outros que não precisa ser correspondida para se revelar em toda a sua dimensão.

O sócio inadimplente “estará sujeito a notificação premonitória da sociedade. 273 Enunciado 62 (cjF): com a exclusão do sócio remisso. como uma das hipóteses em que se admitirá a exclusão do sócio. como ensinou Tullio Ascarelli. em qualquer das hipóteses. ao final). a lei criou instrumentos jurídicos que permitem a sociedade continuar sua atividade. como por via judicial: quando praticarem “falta grave no cumprimento de suas obrigações. tanto por via contratual: quando colocarem “em risco a continuidade da empresa. Transcorrido o prazo. saraiva. incidindo em violação grave ao dever primordial do sócio. pág. gerando. sendo impossível cobrar amigavelmente do sócio. no pólo ativo da ação. comum os desentendimentos. 7º. a forma de reembolso das suas quotas.168. Atento a esta situação.97.004)272. seja expulso. Em qualquer caso do art. deve-se dar com base em balanço especial. estará constituído legalmente em mora. risco financeiro ao desenvolvimento da empresa271. 1. obriga-se a restituir os valores que o sócio excluído tiver integralizado273. a plurilateralidade do contrato de sociedade levará a resolução somente em relação ao sócio inadimplente. pág. ponha em risco o desenvolvimento da empresa e sua função social. e conseqüentemente para a formação da base patrimonial da sociedade. mas sim sócio da sociedade. n. que pura e simplesmente não integraliza suas quotas. com efeito. além disso. que. por intuito pessoal. 268 269 270 271 art. No caso de quebra da affectio societatis. como um dos mais importantes pilares de todas as sociedades. respeito à disciplina da sua nulidade ou art. deduzindo os juros da mora e mais prestações estabelecidas no contrato e as despesas. Nesse sentido. Temos então..058. figurando – a própria sociedade. 272 campInHO. que exista cláusula contratual dispondo sobre “justa causa” (vide Jurisprudência. ainda. que é contribuir para o capital social. cujo título executivo é o contrato social. É necessário. O Código Civil faculta à sociedade optar pela transferência das quotas do sócio remisso para os sócios restantes ou para terceiros. a interpretação do Supremo Tribunal Federal e do Superior Tribunal de Justiça não admite que o sócio. 274 FGV DIREITO RIO 150 . 289 do código comercial poderão os outros sócios preferir a exclusão do sócio remisso. pagando ao proprietário primitivo as entradas por ele realizadas. Lembre-se de que ninguém é sócio de ninguém.affectio societatis. que. subscrito por duas testemunhas. que pode restar comprometida quando um dos sócios torna-se remisso. 1. É o que ensina Tullio Ascarelli: “A peculiaridade de maior relevo do contrato plurilateral diz. realizado na data da exclusão. o Código Civil manteve a única previsão de exclusão de sócio. sendo. os terceiros que negociam com a sociedade. têm no capital desta a principal (e muitas vezes única) garantia. indispensável a colaboração entre todos os sócios .085 do código civil.a. expulsando um ou mais de seus membros. Neste sentido. Renovar/2005. O conceito de “justa causa” no âmbito do Direito Societário surge com a natureza do contrato social (plurilateral). e inovou ao permitir a possibilidade de um ou mais sócios serem excluídos pela maioria (mais da metade do capital social). conforme dispõe o art. como preceituado pelos tribunais. sérgio in O Direito de Empresa à luz do novo código civil.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa roteiro de auLa É notório que as relações entre os sócios nem sempre transcorrem de forma tranqüila. A denominada Ação de Integralização de Capital nada mais é do que uma ação de execução. ou. devendo responder perante a sociedade pelo dano dela decorrente” (artigo 1. in Ensaios e pareceres. após algumas deduções. Mediante uma Ação de Integralização de Capital a sociedade poderá “cobrar” o sócio remisso. art. Os outros sócios não serão autores porque estão ligados à sociedade e não entre si (a natureza do ato constitutivo da sociedade é de contrato plurilateral). esses últimos. seus herdeiros ou sucessores a soma devida pelas suas quotas ou preferindo a sua exclusão. a presença de um sócio remisso . 1. também. com concessão do prazo de trinta dias para adimplir suas obrigações. afigurando-se. Mesmo no caso de expulsão do sócio remisso. em virtude de atos de inegável gravidade”269. poderão os outros sócios tomar a si as quotas anuladas ou transferi-las a estranhos. assim. por incapacidade superveniente270”. ao contrário. deve corroborar-se à justa causa. 5ª edição. sendo assim. não afetando o contrato entre os demais.708/1919268. que já constava do Decreto nº 3.030 do código civil.aquele que subscreveu quotas e não integralizou dentro do prazo pactuado. em regra. são paulo/1952. se caracteriza pela “reunião das partes e a comunhão de escopo que caracterizam a sociedade”274.

basta haver previsão de exclusão por justa causa no contrato social para que a exclusão possa ser tomada extrajudicialmente277. que dispõe sobre a exclusão ser “deliberada em reunião ou assembléia especialmente convocada para esse fim. ciente o acusado em tempo hábil para permitir o comparecimento e exercício do direito de defesa”. c) previsão no contrato social permitindo a exclusão extrajudicial por justa causa. Todavia. pág. uma vez que depende de deliberação por sócios que representem mais da metade do capital social. quando o estado de tolerância deixa de estar presente. n. o art.085 acarretará em empecilho a sua efetivação. Reportando-nos a nota de abertura dessa aula – texto de Roberto Bobbio.030 do Código Civil.030 do Código Civil. bastando citar a previsão de realização de reunião só para tal deliberação. FGV DIREITO RIO 151 . o direito de votar. mas apenas para dissolução (parcial) da sociedade”. Miguel Reale (autor do Código Civil). as seguranças e fatores inibidores que o processo judicial assegura àquele que deseja exercer o seu direito de defesa278”. procedimento extrajudicial de exclusão do sócio O artigo 1. como veremos a seguir.a.085 do Código Civil permite a exclusão extrajudicial de sócio caso estejam presentes os seguintes requisitos: a) deliberação por sócios que representem mais da metade do capital social. pág. será mais uma fonte de perpetração de disputas. Ao revés. 1. O procedimento para a exclusão extrajudicial está previsto no parágrafo único daquele artigo. 277 278 Op. 1. conforme argumentou o Dr. Assim. 1.275 O novo Código Civil chancelou em seu texto a previsão jurisprudencial da “justa causa” como quebra da affectio societatis276. A exclusão de sócio majoritário somente poderá se dar de forma judicial e atendendo aos requisitos do artigo 1. da “justa causa” para exclusão de sócio.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa anulação que pode respeitar a adesão de uma entre as partes não afetando o contrato no seu conjunto”. aprovado na I jornada de Direito civil. 1. é uma forma de proteger os sócios minoritários de eventuais desmandos dos sócios majoritários e está prevista no art. b) ato de inegável gravidade que esteja colocando em risco a continuidade da empresa. conforme previsto no art. Sérgio Campinho critica a necessidade de convocação de reunião ou assembléia com a presença do excluído a fim de garantir-lhe o direito ao devido processo legal e ao contraditório. não tendo o majoritário.208. portanto. Explica o autor. a justa causa. o Prof.085 está inserido na seção VII. deixando patente que somente em relação ao minoritário a exclusão pode se dar de forma extrajudicial.085. A exclusão extrajudicial por justa causa somente pode se dar para sócios minoritários. procedimento judicial de exclusão do sócio A possibilidade de exclusão de sócio pela via judicial. com prazo razoável para a defesa do sócio “acusado”. já traçada pela jurisprudência. surge. Apesar do novo Código Civil ter contemplado a previsão. promovida pelo centro de Estudos judiciários do cjF em 2002. O Enunciado nº 67. acarretando o desajuste que gera o conflito e configura.168. sob o título “Da resolução da sociedade em relação a sócios minoritários”. estimulando o enfrentamento dos querelantes. No mesmo sentido. sem as garantias. Poderia ser argumentado que se trata da maioria do capital votante. entre os sócios. quando o assunto for a deliberação sobre a sua exclusão. com vasta experiência em atuações judiciais e extrajudiciais em contendas societárias que “a realização de assembléia ou reunião em nada contribuirá para o aprimoramento do instituto da exclusão. 275 276 Op. o estado de prepotência.cit. o mecanismo previsto no parágrafo único do art. dispõe que: “a quebra do “affectio societatis” não é causa para a exclusão do sócio minoritário.cit.

processadas no juízo da execução coletiva (falência). a sociedade não pode deixar de efetivá-la. no mínimo. Quando a realização do objeto social depender de determinada condição pessoal do sócio (ou sócios) e ele não puder mais realizá-la. por razões alheias a sua vontade. como resultado da formação da massa falida ou massa insolvente. 1. 9º. a exclusão com base na “justa causa”. ou seja. podendo ser expulso da sociedade. Em qualquer dessas hipóteses. seja por exclusão. computados pela participação no capital social. Este sócio será alcançado pela incapacidade superveniente. sob pena de configuração de voto conflitante). A propositura da Ação de Exclusão será objeto de deliberação. II da Constituição da República. pois é impositiva. sendo necessária a concordância da maioria absoluta dos sócios. pode ser considerado como sinônimo de “ato de inegável gravidade”. tendo a sociedade como autora e o sócio que se pretende excluir como réu. 6% do capital social. o pedido de exclusão deverá ser formulado por aquele ou aqueles que detenham. XXII. cooperativa e outras) que tenha sido declarada insolvente282. a regra geral do citado artigo será 279 n. assim. conforme o decreto de interdição (art. A outra hipótese para a propositura da Ação de Exclusão. não colaborar mais com os outros sócios na realização da empresa. O art. por tratar-se de exclusão determinada por sentença judicial.767. pessoa natural ou jurídica (sociedade simples. 1. FGV DIREITO RIO 152 . segunda parte do parágrafo único do código civil.031 do código civil. como pode parecer. são absolutamente incapazes (art.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa O termo “falta grave”. A ação é de conhecimento e tramitará pelo rito ordinário. é a incapacidade superveniente do sócio. sendo a liquidação das quotas do sócio em questão284. O artigo 1.a. 1. o inadimplemento das obrigações assumidas no contrato plurilateral de sociedade. A incapacidade superveniente pode se dar com a interdição de sócio280 e também com o fato do sócio. art. nos termos do art. e 170. 1. Liquidação de quotas Com a retirada do sócio da sociedade.030 do Código Civil. a incapacidade dos demais pode ser absoluta ou relativa. o juiz assinará. 5º. retirada motivada ou imotivada.030. se o sócio que se pretende excluir detém 90% do capital social279. os limites da curatela. 1. 1. seguindo os parâmetros previstos no contrato social.030. esta medida aplica-se inclusive ao majoritário. se opera independente da vontade dos sócios283. primeira parte do parágrafo único do código civil. afeta-se à condição de sócio o direito patrimonial disposto no art. 281 art.031 do Código Civil dispõe que a liquidação se fará. assim como os que não podem exprimir sua vontade. e não pelos próprios sócios. como vimos anteriormente. exclusão de pleno direito Será excluído de pleno direito da sociedade o sócio empresário (pessoa jurídica) que tiver sua falência decretada281. 3º). faz-se necessário liquidar o valor de sua quota (ou quotas). referido no artigo. onde a atuação pessoal do sócio é imprescindível para a realização do objeto social. entende-se ocorrida a exclusão por incapacidade superveniente. que poderão circunscrever-se às restrições constantes do art. É o caso de uma sociedade de médicos. justificando. a ensejar a quebra da affectio societatis. Assim. 1.772 do código civil prescreve: “pronunciada a interdição das pessoas a que se referem os incisos III e IV do art. 280 Os destituídos do necessário discernimento para a prática de atos da vida civil.a. portanto. 283 284 art. morte. com caráter pessoal. e não por cabeça. No silêncio do contrato. segundo o estado ou o desenvolvimento mental do interdito. Essa possibilidade legal deve ser interpretada restritivamente e só será aplicável à sociedade com características “de pessoas”. como também o será o sócio não empresário.782”. III). Esse tipo de exclusão ocorre de pleno direito. como o fundamento para a exclusão de pleno direito é a proteção dos interesses de terceiros. que tem um de seus membros impedido de continuar exercendo a medicina em virtude da cassação de sua licença. 282 n. sendo excluído o percentual correspondente ao sócio que se pretende excluir (ele não participa da votação. o que configura. pois assim se afere a disposição de poderes entre os sócios.

Christiano. muito menos indicando o administrador.031. que o prazo de 12 meses é um prazo razoável. porém indicando produtos que jamais foram vendidos por ela. porém não seria razoável um parcelamento de 50 anos. p. os demais sócios vêm percebendo uma alteração no comportamento de Christiano. a exclusão ou a retirada de um dos sócios poderá acarretar na redução do capital social. excluindo-se o valor da quota liquidada. Como não existe cláusula contratual referente à administração da sociedade. Bernardo e Gabriel são sócios de uma sociedade limitada que tem como objeto a venda de quadros e espelhos. Nesse ponto. com destino o patrimônio da sociedade. verificada em balanço especialmente levantado. Caso gerador Christiano. tem o dever de votar na reunião de deliberação específica para a sua exclusão? e) Existe algum valor a ser recebido pelo sócio excluído? Terá alguma diferença se esse sócio não tiver subscrito as suas quotas? f ) O contrato social poderá dispor qual será a forma de reembolso das quotas daquele sócio? Poderá ser por meio de um parcelamento em 50 meses? 285 n.a. ele como sócio majoritário. o know-how. ele poderia participar desta reunião? d) Optando pela expulsão de Christiano. a forma como desejam que se proceda a liquidação das quotas sociais. Estranhamente.: a marca. foi xingado e recebeu alguns socos de Christiano. por exemplo. como. Christiano é o sócio majoritário com 40% do capital social e o restante dos sócios participa com 20%. havendo a respectiva distribuição de quotas entre os sócios ou. ou seu valor poderá ser complementado pelos sócios que permanecerem na sociedade. dentro de um prazo que atenda ao critério da razoabilidade285. e não apenas em valores contábeis. a data da resolução. 1. sob pena de enriquecimento ilícito dos demais sócios mediante o confisco indireto da propriedade do sócio excluído (ou retirante). Pergunta-se: a) Christiano poderia administrar a sociedade. Lembrando que esta disposição deve garantir ao sócio excluído (ou retirante) o recebimento de justo valor pelas suas quotas. ainda. todas essas notas continham a assinatura de Christiano e o número do cheque emitido para pagá-las (frise-se que os cheques eram da conta corrente da sociedade). cada um. Em outras palavras: a apuração dos haveres se fará com base em valores reais. O pagamento dos haveres poderá ser parcelado. devendo ser pago o valor referente às quotas. os sócios devem estipular no contrato social. buscar um terceiro (s) para ingressar como sócio (s). Enfim. recursos humanos etc. sozinho. Ao fazer uma limpeza nas gavetas do escritório da loja. sozinho? b) A expulsão de Christiano é juridicamente possível? c) Os sócios pretendem se reunir para tomar alguma atitude em face de Christiano. Recentemente. impondo sua condição de sócio majoritário. sendo certo que as regras contábeis não contemplam diversos itens de extrema validade. Luciana encontrou algumas notas fiscais emitidas em nome da sociedade. não pode o contrato estipular que a apuração dos haveres se dará com base no último balanço contábil aprovado. Contudo. tendo por base a situação patrimonial da sociedade. Diante da flexibilidade disposta no art. a praxe. sempre administrou a sociedade. ele brigou dentro da loja com um fornecedor e quando o sócio Bernardo chegou para separá-los.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa aplicada e a liquidação da quota (ou quotas) será no percentual que tiver sido efetivamente integralizada.ex. FGV DIREITO RIO 153 . portanto. indicando. Luciana.

1. Rel. NOMEAÇÃO DE LIQUIDANTE.2001. (RESP 453. no caso de sócio retirante ou pré-morto. que deve ser medido com justiça. Esta Terceira Turma tem reiterados precedentes no sentido de que na “dissolução de sociedade de responsabilidade limitada. a apuração de haveres. evitando-se. DJ 15. julgado em 06.grifamos. É de se ponderar. há de fazer-se como de dissolução total se tratasse posto que. Ministro HUMBERTO GOMES DE BARROS.. não padece a dúvida de que é possível a exclusão de sócio independentemente de cláusula contratual.222-BA. ARGUMENTOS QUE CONDUZEM. pág. resguardando-se inclusive o direito de defesa do excluído. 2.2006. pode ficar sujeita ao controle jurisdicional em termos de valoração jurídica. Recurso especial conhecido.423/AL.160/ SP. mas desprovido. TERCEIRA TURMA.02. PEDIDO DE SÓCIOS MINORITÁRIOS. 886) . FGV DIREITO RIO 154 . julgado em 08. grifamos AÇÃO ORDINÁRIA DE DISSOLUÇÃO PARCIAL DE SOCIEDADE. segundo a jurisprudência do STJ. A estes sócios. TERCEIRA TURMA. Ministro CARLOS ALBERTO MENEZES DIREITO. sem a representação legal da sociedade. diante das circunstâncias de fato do caso. fundada em justa causa. 1. NO MÁXIMO.” (RE 115. para o resguardo de eventual injustiça é que se admite a ação anulatória da deliberação tomada pela sociedade e a reparação a que fará jus o excluído. Os interesses econômicos e de natureza moral devem ficar devidamente esclarecidos. 200).(.2002 p. que a exclusão. não agride nenhum dispositivo de lei federal. RECURSO ESPECIAL. DJ de 13/12/93). DISSOLUÇÃO INTEGRAL E LIQUIDAÇÃO DE SOCIEDADE POR QUOTAS DE RESPONSABILIDADE LIMITADA. o locupletamento indevido da sociedade ou sócios remanescentes em detrimento dos retirantes” (REsp nº 38. sessão de 13. assiste o direito de retirada. PRECEDENTES. que demonstrem no mínimo o desvio da finalidade social. 352).88. COMERCIAL.04. Relator o Senhor Ministro Waldemar Zveiter. por deliberação majoritária dos cotistas. DJ 04. (REsp 315.915/SP. SENTENÇA QUE HOMOLOGA A APURAÇÃO DE HAVERES DETERMINANDO O PAGAMENTO RESPECTIVO EM 90 DIAS. publicado na RTJ nº 128.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa JurisprudênCia “Diante da grave providência – exclusão de sócio. no entanto. como medida grave. de outro modo.) por outro lado.12..10. COM A SAÍDA DOS DISSIDENTES E APURAÇÃO DOS HAVERES. À DISSOLUÇÃO PARCIAL. para supervisionar e fiscalizar o processo. grifamos DISSOLUÇÃO PARCIAL DE SOCIEDADE POR QUOTAS. Julga-se improcedente o pedido de dissolução integral e liquidação da sociedade se requerido por sócios minoritários sem razões robustas. essa linha de entendimento tem por escopo preservar o quantum devido ao sócio retirante. 2. a nomeação de liquidante. IMPROCEDÊNCIA DA PRETENSÃO. ou ainda por motivo da quebra da affectio societatis. insatisfeitos com a administração da sociedade.05. desde que haja justa causa para o ato. Rel. com a devida apuração de haveres. assegurando-se a garantia do contraditório. Com isso.2006 p.

decorreu da má-gestão administrativa. As partes têm dever de proceder com lealdade no processo. Presunção de veracidade dos fatos alegados pelos autores. TJ/RJ).218 do laudo pericial). Prazo da resposta não esgotado. para ser mantido o íntegro princípio da preservação da empresa. Possibilidade de juntar-se a resposta tempestivamente.Julgamento: 01/02/2006 . estará habilitada a Sociedade a excluir o sócio Inadimplente fundamentada na prevalência do interesse social sobre o individual. tendo tido a empresa tempo suficiente para efetuar uma reserva para tal finalidade.SEGUNDA CAMARA CIVEL. Revelia. Documentos comprobatórios trazidos aos autos pelos autores. JDS. GALDINO SIQUEIRA NETTO Julgamento: 28/06/2006 .PRIMEIRA CAMARA CIVEL.manifesta se acha justa causa a autorizar sua exclusão da sociedade. Apelantes condenados nos ônus da sucumbência.43209 .grifamos. mas que no momento da Apelação. sponte propria eventuais equívocos cometidos. Honorários periciais. Quando presente na sociedade situações que demonstram a atuação do sócio em desacordo com o dever de colaboração a que está submetido affectio societatis . Réu que alega ter juntado contestação e documentos na carta precatória. Provimento do apelo neste particular apenas. além do fato de que o apelado não pode ser obrigado a receber seus haveres de forma parcelada. Decisão que se mantém. Impossibilidade tendo em vista que a ação foi proposta há quatro anos. TJ/RJ) AGRAVO DE INSTRUMENTO. Equívoco da sentença quando dispôs que o valor deve ser corrigido a partir de janeiro/2003. Ação Ordinária visando a exclusão de sócio de sociedade empresarial. Nos autos há elementos a demonstrar que o afastamento do agravante da gerência administrativa da sociedade. Omissão do Advogado que resta inerte. mais conhecido como elo de colaboração ativa entre os sócios.Julgamento: 19/08/2003 . CRISTINA TEREZA GAULIA . com a responsabilidade. TJ/RJ) . este não merece ser acolhido. Quanto ao pedido de ser determinada a prestação de caução. Má-fé processual.06722 . DES. Elemento indispensável à harmonia entre os sócios. portanto.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa Valores alegadamente adiantados pela empresa ao sócio excluído já computados no laudo pericial. no juízo deprecante. (2005. Juntada de contestação. DES. razão pela qual deve ser homologado o valor equivalente a 429. Desintegração da affectio societatis. Sentença que julga procedente o pedido de exclusão e determina a apuração de haveres que se confirma. também aqui valendo o interesse social. grifamos. FGV DIREITO RIO 155 . eis que tal valor já havia sido corrigido pelo perito até maio/2005. inclusive agilizando e corrigindo. Pedido de parcelamento da quantia devida.01 UFIR’s (fls.DECIMA QUINTA CAMARA CIVEL. sendo certo que a parte das cotas sociais do sócio afastado será judicialmente apurada e não se mostra sob risco. AÇÃO CAUTELAR VISANDO O AFASTAMENTO E EXCLUSÃO DE SÓCIO. DES. inexistente nas demais espécies contratuais. não havendo nenhuma disposição contratual neste sentido. de arcar com tal despesa. quantidade essa que deverá ser atualizada apenas até a data da citação (agosto/2002).002.APELACAO CIVEL. Beligerância e agressão verbal do réu-sócio que se pretende seja excluído. estando de acordo com o Enunciado nº 7 deste Tribunal. sendo certo que o apelado foi beneficiado com a gratuidade de justiça a ela deferida. Uma vez inadimplido.001. MARIA AUGUSTA VAZ .945. O contrato de sociedade é contrato sinallagmatico plurilaterale. A decisão monocrática não é teratológica ou contrária à prova dos autos.APELACAO CIVEL.11911 .AGRAVO DE INSTRUMENTO. Equívoco no endereçamento com ciência do Advogado do Réu. somente junta a cópia da contestação desacompanhada de qualquer documento. (2006.001. (2003. onde o elemento fundamental é o escopo ou objetivo comum.

depois de não provido o dos réus. IMPOSSIBILIDADE. AÇÃO CAUTELAR INOMINADA. que só admite a exclusão judicial. procedida pelo sócio dito remanescente. Tribunal de Justiça do RS. Ordinária de dissolução de sociedade por cotas de responsabilidade limitada.218.Julgamento: 17/05/2005 . à despedida de seu único sócio. Seja no direito privado anterior.EXAME DE ORDEM . inexiste sociedade de um sócio só. DIREITO COMERCIAL. 45. Apuração de haveres em processo formal de liquidação de sociedade (artigo 1.001. AGRAVO PROVIDO. Resolvendo-se o vínculo de um sócio com a sociedade empresária de que faz parte. a pessoa jurídica por eles até então formada. Julgado em 02/06/2004) . Sexta Câmara Cível. (2005. seus haveres sociais serão pagos de acordo com o critério do valor FGV DIREITO RIO 156 . grifamos Questões de ConCurso PROVA OAB/MG . O artigo 1. Relator: Cacildo de Andrade Xavier.1ª fase. ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL SECÇÃO SÃO PAULO 125º EXAME DE ORDEM . de modo que. definida na jurisprudência. razão por que não há como considerar a hipótese de destituição do agravante pelo fato de as outras sócias possuírem 2/3 do capital social. no sentido de que a maioria do capital social pode excluir um sócio diante da impossibilidade de conviver com ele.grifamos. desde então. MAURICIO CALDAS LOPES . VII. DES.062 do CC não revoga a disposição do artigo 1. extinta estava. com ou sem justa causa. não importa em dano moral in re ipsa. DESTITUIÇÃO DE SÓCIO SEM JUSTA CAUSA. desde que existem previsão no contrato social de exclusão extrajudicial por justa causa e observado o direito de defesa do sócio cuja exclusão se pretende. c) é modalidade de exclusão de sócio afastada por expressa disposição do Código Civil de 2002. do Código de Processo Civil) que não pode se ver substituída por apuração unilateral e particular. Na Assembléia Geral realizada após a publicação do acórdão referente ao agravo regimental.019 do mesmo diploma legal. proposta por sócio despedido. conforme prevê o contrato social da empresa. A despedida de sócio. d) pode se fazer à revelia do sócio cuja exclusão se pretende. Sentença de procedência. as sócias não declinam eventual justa causa para a destituição do sócio (gerente).APELACAO CIVEL. (Agravo de Instrumento Nº 70007363153. TJ/RJ). seja no atual. b) é matéria sem previsão legal. ao proceder o sócio detentor da maioria do capital social. sem justa causa embora. ora agravante.10522 . e não havendo previsão contratual a respeito.SEGUNDA CAMARA CIVEL.DEZEMBRO/2007 82ª Questão: A exclusão extrajudicial de sócio de sociedade limitada: a) é admitida no Código Civil de 2002.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa AGRAVO DE INSTRUMENTO. Provimento parcial do recurso do autor. Dano moral.

XXXIX CONCURSO PARA INGRESSO NA MAGISTRATURA DE CARREIRA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO . FGV DIREITO RIO 157 .ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa (A) patrimonial de suas quotas na data da resolução. apurado em balanço especial. conforme a cotação em bolsa de valores. apurado em balanço especial. (D) econômico de suas quotas na data do efetivo pagamento. apurado em perícia judicial. Que opções têm os sócios da sociedade limitada em relação ao sócio remisso? (VALOR: UM PONTO E MEIO). (B) econômico de suas quotas à data da resolução. (C) patrimonial de suas quotas na data do efetivo pagamento.2ª Prova Específica.

Na opinião do prof. a sociedade limitada era utilizada por pequenas e médias empresas. – Texto: A Joint Venture e a Sociedade de Propósito Específico.s etc. que representam cerca de 10 milhões de metros quadrados de área construída. ser acionada em juízo. historicamente. Decidida a expandir sua área de atuação e se tornar uma companhia nacional. citamos como exemplo as joint ventures. passou a se chamar Gafisa s. a partir de uma associação com a Gp Investimentos. José Edwaldo Tavares Borba. comandado por samuel zell. – Joint Venture. José Edwaldo Tavares Borba. adquire direitos e contrai obrigações decorrentes da realização do empreendimento para o qual foi constituída. a Gafisa recebeu um importante acionista: a Equity International properties (EIp).pdf#search=%22gafisa%20protocolo%22. a SPE.A. Porém. O início de 2006 foi marcado pela entrada da Gafisa no novo mercado de governança corporativa da Bovespa.E. também têm sido utilizadas para grandes operações. para cada empreendimento seu. São nada mais nada 286 citamos como exemplo a sociedade holding. onde duas ou mais sociedades agregam seus esforços para desenvolver um negócio em conjunto.gafisa.) e 521 a 524 (joint venture) do Direito Societário. Acessar o documento disponibilizado no site: http://www. o seu destino é a liquidação. Em 2005. para executar objetivos específicos e determinados. na forma de sociedade limitada.). com mais esse passo. Nascem. para cumprir uma simples etapa de um projeto. entre outros. sob uma das formas societárias previstas no ordenamento pátrio (Ltdas. com o objetivo da facilitar a administração de seus negócios.com. companhia líder brasileira na construção e incorporação de bens imóveis que. a Gafisa foi fundada em 1954 no Rio de janeiro. Renovar: Rio de Janeiro/2004. tais sociedades. uma das empresas líderes no ranking das maiores construtoras e incorporadoras do segmento residencial no Brasil. sob o nome de Gomes almeida Fernandes. em 1997.a. companhia norte-americana líder em investimentos no setor imobiliário na américa Latina e que pertence ao Equity Group Investments (LLc). já faz algum tempo que o caráter intuito personae não domina esse cenário de forma absoluta e. a joint venture. para a estruturação de negócios.a. Tomemos como exemplo a GAFISA288. roteiro de auLa Aprendemos que. uma SPE nasce para prestar um serviço a sua controladora. normalmente. sociedade de propósito específico – spe Tem origem em instituto tipicamente norte-americano. podendo. a SPE vem sendo largamente aceita em nosso ordenamento jurídico. entre condomínios residenciais de alto luxo. edifícios comerciais.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa AUlA 19: A UtIlIZAÇÃO DA SOCIEDADE lIMItADA COMO EStRAtéGIA SOCIEtáRIA PARA GRANDES OPERAÇõES Nesta aula discutiremos a leitura do seguinte capítulo: – Páginas 517 a 519 (S. na sua maioria de caráter familiar ou restrita a sócios que já se conheciam antes de constituí-la. S. a partir da realização da oferta pública inicial de ações da companhia. Seja de forma isolada ou na participação em “grupos” societários286 ou mesmo em associação com outras sociedades287. Uma vez constituída de personalidade jurídica. tornou-se a Gafisa Imobiliária e. Normalmente. a Gafisa oferece aos seus investidores maior transparência e mais segurança e contribui para o aumento da credibilidade do mercado acionário brasileiro. cumprido esse projeto.P. em 2004 a Gafisa criou a Diretoria de novos negócios para cuidar exclusivamente de novos. Fonte: http://www. ementário de temas – Sociedade de Propósito Específico – SPE.com/gafisa/admin/arquivos/ GAFISA_CVM_PROTOCOLOS_20050627_port. br/InsTITucIOnaL/ FGV DIREITO RIO 158 . 287 288 a Gafisa s. ao final da década de 80. com sede em são paulo e operações em outras cidades do país.mz-ir. flats e shoppings centers. ou até mesmo para desenvolver um projeto da controladora.. já marcadas para morrer. estabeleceuse no mercado desenvolvendo mais de 900 empreendimentos. constitui uma Sociedade de Propósito Específico – SPE. – Semelhanças e Diferenças entre a sociedade limitada e a sociedade anônima. tecnológicos e industriais. recursos financeiros. inclusive. Apesar de não ter regulamentação especial no Brasil e não representar um modelo ou tipo de sociedade. por meio do qual duas ou mais pessoas naturais e/ou jurídicas agregam suas habilidades. 9ª edição.

assessoria na elaboração dos contratos de compra e venda e acordos entre sócios. cada um trazendo o seu know-how específico.assessoria. o que permite a expansão da atuação de todas. ocasião em que os sistemas de informação passaram a ser específicos a cada uma delas. Na época. As duas empresas esperam receber aprovações para a fusão das unidades neste ano.disponibilização de uma cópia da Proposta de associação. Volkswagen e Ford anunciaram um acordo que surpreendeu o mercado latino-americano. Desde o começo. abordaGEM NEGoCIaçÃo EXECuçÃo in Direito societário. um aspecto de risco. A Nokia informou que vai reorganizar sua divisão de suporte a clientes empresariais e transferir dois mil funcionários excedentes para a planejada joint-venture com a alemã Siemens .acompanhamento dos elementos negociais. FGV DIREITO RIO 159 .apresentação genérica para os novos sócios . Há. as empresas informaram que a Nokia contribuiria com 20 mil empregados e a Siemens com o restante para a formação da nova companhia.busca de sinergias e benefícios que a transação trará para os envolvidos . dissolvendo a AUTOLATINA. portanto. próprio e típico dos novos negócios. 9ª edição. a sua competência gerencial.avaliação de duas ou mais pessoas naturais e/ou jurídicas. sem vida própria.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa menos do que uma sociedade-escrava. José Edwaldo Tavares Borba. num somatório de aptidões capaz de conferir à sociedade condições efetivas de êxito”290. igualmente. . pois deviam alcançar resultados e convencer diversos públicos em diferentes países. elas formaram um gigante teoricamente imbatível no mercado. a AUTOLATINA.Sugestão da estratégia de associação ou Joint Venture . foi tomada no final de 1994 e efetivou-se em março de 1995. As duas companhias acertaram.Contato com os potenciais sócios .Preparação da Proposta de associação . A Nokia informou que a reorganização das atividades de suporte não terá impacto no número de empregados291. Visando compartilhar custos e potencializar os pontos fortes de cada empresa. 9ª edição. informou a Reuters. a missão não era das mais fáceis. “há. pág. . Joint Venture A formação de uma joint-venture se dá por intermédio de um acordo de associação entre duas ou mais sociedades. em junho. 289 in Direito societário. Normalmente. formando a quarta maior empresa do mundo no segmento.assinatura de um termo de confidencialidade . e sem qualquer interesse particular capaz de justificá-la como empresa289. para a criação de uma nova entidade que geralmente executa um trabalho que está além do domínio normal das sociedades originais. com 60 mil funcionários. Renovar: Rio de janeiro/2004. Nas palavras do prof.518. A decisão de separar as empresas. uma combinação de habilidades e competências por parte de seus integrantes. Renovar: Rio de janeiro/2004.521. Destacamos alguns exemplos de integração de esforços para a constituição de uma joint venture: Em 1987.Negociação das avaliações e valores envolvidos. o seu conhecimento de mercado. contábeis e fiscais da operação . a fusão de suas unidades de equipamentos para redes de telecomunicações. o que permitiria que a associação Nokia Siemens Networks começasse a operar no início de 2007. pág. detalhes jurídicos. . . 290 291 Fonte: Valor Econômico em 05/09/2006. o processo de associação ou Joint Venture passa pelas seguintes fases: fASES PrEParaçÃo AtIvIDADES .

devem obedecer às normas vigentes. as duas formas societárias são equivalentes. há a obrigatoriedade de publicação dos balanços e demais demonstrações financeiras (art. aberta ou fechada (valores mobiliários de sua emissão não admitidos à negociação no mercado de valores mobiliários). Nas sociedades anônimas. o que limita a publicidade do nome dos sócios neste registro público. um grau próximo de complexidade. principalmente quanto à burocracia necessária para sua manutenção. inciso III. Uma vantagem da sociedade anônima sobre a sociedade limitada é o fato de. quais sejam: a sociedade limitada e a sociedade anônima. 1. uma vez que inexiste a obrigatoriedade de publicação de balanço.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa semelhanças e diferenças entre a sociedade limitada e a sociedade anônima Em vista das modificações ocorridas na legislação societária com a entrada em vigor do Código Civil de 2002. Não pode haver negociação dos valores mobiliários. em especial ao engessamento sofrido pela sociedade limitada. com leve vantagem para as sociedades limitadas. tipos FGV DIREITO RIO 160 . como a sociedade anônima. a sociedade será designada por denominação acompanhada das expressões “companhia” ou “sociedade anônima”. tanto a sociedade limitada. da Lei n. se faz relevante o estudo comparativo entre os dois principais tipos societários utilizados no Brasil. ltDA limitada ao valor do capital social. a operação somente pode ser formalizada por meio de alteração contratual arquivada no órgão competente.º 9. Do ponto de vista contábil. Estudo Comparativo ASPECtO limite da responsabilidade dos Sócios denominação S/A limitada ao preço de emissão das ações subscritas ou adquiridas. apresentam. No que concerne à responsabilidade do administrador. Na sociedade limitada. na primeira.317/1996. Todavia. uma das desvantagens da sociedade anônima é a impossibilidade de enquadramento no SIMPLES. Contudo. 176 e parágrafos). com posterior arquivamento da ata correspondente na Junta Comercial. a admissão ou saída de sócio poder ser feita com a simples transferência no Livro de Transferência de Ações ou na Conta Corrente de Ações. a sociedade terá nome empresarial seguido da expressão “ltda”. Tanto a sociedade limitada como a sociedade anônima. agilizando a administração da sociedade e reduzindo custos e burocracia. Na sociedade limitada. a aprovação das demonstrações financeiras é feita em assembléia ou reunião.078). atualmente. veda expressamente a entrada de pessoa jurídica constituída sob a forma de sociedade por ações. sem necessidade de alteração contratual. 9º. a mobilização dos sócios nas sociedades anônimas fica facilitada devido a desnecessidade de arquivo em órgão competente das alterações do quadro societário. convocada para este fim ao menos uma vez por ano (art. e os livros e documentos exigidos e de controle são em menor quantidade. As maiores vantagens da sociedade limitada sobre a sociedade anônima estão na desnecessidade da primeira de manter um Conselho Fiscal e possibilidade de dispensa da assembléia se todos os sócios deliberarem por escrito as matérias das reuniões (ou assembléias) anuais de sócio. que vem a ser uma forma de tributação simplificada. O art.

o livro de Presença dos acionistas. sobre a matéria que seria seu objeto. se houver. auditoria nos balanços Não há previsão. mais suplentes em igual número. estabelecendo. contratual ações Quotas a quota é indivisível em relação à sociedade. obrigatória apenas nas de capital aberto obrigatório (funcionamento permanente ou facultativo). por exemplo. os livros de atas das reuniões do Conselho de administração. deverá ter o livro de atas da administração. livro de atas e Pareceres do Conselho Fiscal e o livro de atas da assembléia. desnecessário FGV DIREITO RIO 161 . Simples transferência nas ações em livro alteração Contratual arquivada na Junta próprio para isso. e de atas das reuniões de diretoria e o livro de atas e Pareceres do Conselho Fiscal Conselho de administração (acionistas) e diretoria (acionistas ou não) o acionista controlador responde pelos danos causados por atos praticados com abuso de poder assembléia Geral Ingresso de novos sócios Emissão de títulos livros obrigatórios além dos regulares da prática comercial. um direito de preferência para os demais acionistas na aquisição Partes beneficiárias. mais suplentes em igual número.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa Forma de Constituição registro Entrada e Saída de Sócio Estatuto Junta Comercial Contrato Social. Mínimo de 3 acionistas. debêntures e bônus de subscrição e ações. Mínimo de 3 membros. além dos regulares da prática comercial. por escrito. Podem ser dispensadas se todos os sócios decidirem. sem necessidade de alteração Comercial ou rCPJ. Junta Comercial ou rCPJ.reunião 10 sócios ou mais – assembléia. uma ou mais pessoas Não há possibilidade diretoria Conselho de administração Mínimo de 2 acionistas. Violação dos deveres de diligência Menos de 10 sócios . obrigatória apenas nas companhias abertas Não é obrigatório. salvo para efeito de transferência a entrada pode se dar se não houver oposição de 75% (setenta e cinco por cento) do capital social Não há possibilidade Forma de divisão do Capital Indivisibilidade a ação é indivisível em relação à companhia o estatuto da companhia fechada pode impor limitações à circulação das ações representativas de seu capital. administração responsabilidade da administração Órgão deliberativo máximo dispensa da assembléia administrador (sócio ou não) o sócio administrador responde da mesma forma. quando houver. o livro de atas das assembléias Gerais. Mínimo de 3 e máximo de 5 membros. Conselho Fiscal Facultativo. o livro de “transferência de ações Nominativas”. deverá ter o livro de registro de ações Nominativas.

não são questões diretamente ligadas ou derivadas das sociedades por ações. mas inibido pelo desconhecimento de peculiaridades do mercado alvo e pela necessidade de investir. por ocasião da discussão e edição da lei 6. usualmente. industrial ou de comercialização. Assim. teXto A Joint Venture e a Sociedade de Propósito Específico. A Joint venture. Modesto Carvalhosa. oriundo do direito americano. preferiu tratar o tema do consórcio no espaço desta lei. tem sido definido como a partnership for a single business. o característico de ambas as espécies é a “especificidade da exploração de determinada atividade de natureza empresarial. Haverá substancial economia de custos e diminuição de riscos com incremento de capacidade operacional.998. Daí o estudo que se faz do consórcio no capítulo das sociedades por ações. assim como o consórcio de pessoas jurídicas. que nomeiam o administrador do consórcio (operator). tão complexos quanto aos da sociedade anônima. A joint venture e a sociedade de propósito específico. O mesmo fenômeno ocorre com a joint venture e a sociedade de propósito específico. Trata-se de uma associação de pessoas que combinam seus bens. pela qual se objetiva a concentração de esforços combinados com a redução de risco empresarial. Ed Saraiva.” O instituto. com a ressalva que estas não têm tratamento legal completo no Brasil. Segundo o autor. por exemplo.. apoiados nos dados aqui levantados. organizada para a execução de um único e isolado empreendimento lucrativo. ou seja. pag 344) refere a existência de: a) – joint venture agreement .. às vezes pesadamente. em Comentários à Lei de Sociedades Anônimas (vol II. ou seja. de duração limitada. b) – joint venture corporation. consórcio contratual que se traduz na “conjugação de aptidões e recursos empresariais de duas ou mais sociedades”. de lado a lado. mediante a constituição de uma nova companhia com o objetivo específico de levar avante o empreendimento comum”. como ocorre nos casos mais comuns. desejoso de explorá-la em determinado local. levado por questão de oportunidade do processo legislativo.404/76. o contrato social pode estipular a existência de órgãos administrativos auxiliares. no qual se mantém “a autonomia das consorciadas. se alia à empresa ali estabelecida para aproveitar-lhe as habilidades e conhecimentos bem como própria organização já consolidada. de curta duração. esforços. Neste caso. habilidades e conhecimentos com o propósito de FGV DIREITO RIO 162 . destacando-o na seção que examina a concentração econômica de empresas. dada a semelhança entre elas. em estrutura física. 1. dinheiro. O instituto da joint venture é resultado da criatividade empresarial e não encontra tipificação na legislação brasileira. além do conselho fiscal. numa restrita margem de escolha.”. a opção por uma dessas formas societárias. o que impõe critérios subjetivos para decisão. estudo por rubens edmundo requião.. Trata-se de ação de empreendedor. O traço da atividade é a cooperação empresária. O legislador.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa A sociedade limitada poderá apresentar um volume grande de negócios. em que o detentor de tecnologia especial. a “conjugação de aptidões e recursos empresariais de duas ou mais sociedades. embora não necessariamente. conceito que se amplia como “uma modalidade de partnership temporária.. que a SPE ou a joint venture será possível levando-se em consideração a pretensão dos sócios que a constituírem.

aglutinador. pois os consorciados mantêm sua personalidade jurídica e autonomia patrimonial e negocial. são alguns dos exemplos coletados pela experiência para descrever o campo de ação do instituto. a extinção também deverá estar prevista FGV DIREITO RIO 163 . nova ou não. não haverá administração especializada. que orienta o comportamento das partes é o talento. O habitual é pequeno número de interessados.p 360).. a realização de trabalho ou obra específico. pág. No regime da joint venture contratual haverá. mas nada impede a presença de um grupo mais amplo.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa executar uma única operação negocial lucrativa (Len Yong Smith e ou. criando sistema de freios e contra pesos por via da distribuição de atribuições administrativas. ou por um deles com poderes suficientes para gerir o negócio. cit. sua matriz histórica. Não é usual. 225). A penetração em mercado desconhecido para uma das partes. Mas para preservar a pureza do instituto. por exemplo. sem limitação do número de sujeitos ativos. Os participantes das joint venture serão pessoas jurídicas. que conduz a formação do negócio. já que o elemento central. por exemplo. apud Modesto Carvalhosa. Admite simples contratos de colaboração. No conceito da joint venture sobressai o fato de que nenhum dos participantes terá preponderância sobre o outro. 1998. focalizando a modalidade contratual da joint venture.”. de assistência técnica até a organização de sociedades. Não se deve olvidar que os participantes terão objetivos convergentes. de qualquer espécie. O objeto da “joint venture”. de transferência de tecnologia. já surge outro fator a condicionar o comportamento das partes. equilíbrio entre as partes e a administração terá que ser conduzida por ambos os contratantes. mas nada impede que pessoa física participe de tal tipo de empreendimento. qualificado por negócio específico e com prazo determinado quase sempre. Ltr. no mínimo. Wilson de Souza Campos Batalha (A nova Lei das S/A. Dado característico da joint venture é o prazo determinado. Da última hipótese descrita. de fornecimento. Na modalidade contratual. A administração da joint venture variará em razão da forma adotada. 4ª Edição. É visível que a forma da “joint venture” é indefinida. a habilidade. acentua que “ao contrário das partnerships. Na modalidade associativa. as partes devem defini-lo.. para chegar à estruturas mais pesadas. Business Law. então sócias. que é a composição do capital social e os reflexos patrimoniais e de poder que dele surgem. embora funcionalmente vinculados à realização de interesse comum. a esta haverá o interesse que agregar à sua linha de atuação mais uma atividade. seja indicando data especial ou a consumação do objeto do contrato. surge a sociedade de propósito específico. de modo a evitar a preponderância de uma sobre a outra. em qualquer de suas formas.. ob. será sempre restrito. O objeto será determinado pelo interesse das partes. A questão é de conveniência comercial ou operacional. os co-ventures realizam uma pluralidade de atos que. como a sociedade anônima. sem confluir em uma atividade diretamente imputável a um sujeito distinto dos contratantes. as partes. mantém sua própria individualidade econômica e jurídica. Se adotada a técnica da formação de uma nova pessoa jurídica. deverão que adotar técnicas que equilibrem o exercício do poder dentro da sociedade. pois se a um é conveniente explorar determinado mercado usando o domínio que sobre ele tem a outra parte. Se meramente contratual. O controle da joint venture tem natureza peculiar. conclusão a que se chega observando as definições correntes no direito americano. o teste de mercado ou de lançamento de um novo produto e o estudo de sua evolução imediata e a reação de consumidores. o domínio de uma técnica ou habilidade. além daqueles acima mencionados. a começar pela sociedade em conta de participação. inclusive as empresas públicas e sociedades de economia mista.

O contrato tem natureza intuitu personae. segundo o tipo social adotado. inciso III. 8. sendo comum a indicação de atividade genéricas. no art. Na falta de previsão legal específica. Penetrará em qualquer dos modelos de sociedade existentes. como será o caso de se adotar a forma da sociedade em comandita simples. e poderá assumir a condição de companhia aberta. Surge. dependerão de consenso das partes. portanto. por indução da lei. traduzida pela sociedade de propósito específico. como prevista no art. A subsidiária integral. no art. Sociedade de propósito específico. é motivo de preocupação do legislador. proíbe o arquivamento do ato constitutivo de sociedade em que não conste a “declaração precisa de seu objeto”. 1.666/93. ou na lei das sociedades por ações. O Código Civil de 2002. a segunda modalidade.934/94. 997 assinala que a sociedade constitui-se mediante contrato escrito. no caso. O objeto social. seja na modalidade associativa. 33. determinando o § 2º do mesmo artigo que “O estatuto social definirá o objeto de modo preciso e completo”. a responsabilidade dos mesmos no caso de transgressão daqueles. os limites impostos a estes e aos sócios. no caso. visto que se trava em razão das qualidades.102 e seguintes do Código Civil. seja na modalidade contratual. as obrigações das partes devem ser liquidadas. encerrada a joint venture. Mas nem sempre é o que ocorre. formada nos termos do art. Na hipótese da joint venture institucional. As alterações subjetivas. atributos e habilidades pessoais das partes. no modo mais apropriado às expectativas dos sócios. completado o período de atuação da sociedade. 2º estabelece que pode ser objeto da companhia qualquer empresa de fim lucrativo. O legislador exige precisão na designação do objeto. 35. a joint venture não implica em solidariedade dos participantes. e não representa um modelo ou tipo de sociedade. O advento do instituto no Brasil ocorreu no ambiente dos contratos públicos. como se vê na Lei nº. A cessão do contrato ou de obrigações dele derivadas. A autonomia das partes será completa. A Lei nº. no inglês special purpose company ou special purpose consortium. a sub-rogação pessoal não são autorizadas na joint venture. Tal perspectiva deve levar ao segregamento da contabilidade dos atos relativos à joint venture. A sociedade de propósito específico. A Lei nº 6. a ser implantado FGV DIREITO RIO 164 . Por ele se definirá a atividade da sociedade. Surgem em leis esparsas algumas regras. de modo a evitar a necessidade de alterar o contrato social ou estatuto a cada momento em que surgir uma oportunidade de negócio não contemplada expressamente no objeto social.404/76 representa um caminho natural para a especialização do objeto social. ao menos no que concerne aos registros. que pouco a pouco vão traçando o perfil do instituto. art. que mencionará o objeto da sociedade.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa no ato constitutivo. não tem regulação especial no Brasil. afim de que se distanciem da atividade pessoal das partes. em certos casos então.404/76. permitindo a operação da sociedade de propósito específico. procede-se a sua liquidação. comprovado mediante compromisso de constituição de consórcio. ressalvada a sociedade em nome coletivo (na qual se proíbe sócios pessoas jurídicas no regime do Código Civil de 2002 e desde que se admita que a sociedade de propósito específico não possa ser formada por pessoas naturais). No primeiro caso. a necessidade de especialização absoluta. 8. com o acerto de contas final. Para que exista. a sua legitimidade para a prática de certos atos. no art. autorizando-o a permitir a participação na licitação de consórcios de empresas. particular ou público. A disposição se dirige ao administrador público. a solidariedade deverá estar determinada no próprio contrato instituidor. a capacidade de atuação de seus administradores. geralmente de aplicação restrita. 251 da Lei 6.

As regras que regem o relacionamento entre os sócios. bem como a falência do empresário e da sociedade empresária. os recursos e as aptidões. a lei citada permite que esta sociedade assuma a condição de companhia aberta. incluí. pode impor um determinado tipo de sociedade além de condições especiais. que regula as concessões de serviços públicos. no caso de inadimplemento de contrato de financiamento. que refujam ao tipo padrão do modo associativo. devendo obedecer a regras de governança corporativa. a constituição de sociedade de propósito específico para adjudicar. Procedia-se. regulamentou as chamadas “parcerias público privadas”. Existe a possibilidade de emissão de ações “golden share”. tendo em conta o programa ditado pela referida lei. O tratamento legal das sociedades de propósito específico em nada difere das situações corriqueiras encontradas na legislação. em pagamento dos créditos. operações e contabilidade. ou a própria lei que exigir a formação da sociedade de propósito específico. Tal situação acabou respaldada pela Lei nº. 11. concedendo à autoridade o poder de controle sobre as deliberações relativas a certas matérias. os ativos do devedor. no caso das parcerias público privada. no art. entre a sociedade e seus sócios. as responsabilidades dos controladores e dos administradores. em substituição do consórcio despersonalizado. com valores mobiliários admitidos a negociação no mercado.005. após o concurso. que regula a recuperação judicial e extra judicial. no edital. uma vez adjudicado o contrato. permite melhor fiscalização por parte do concedente. 11. entre a sociedade e terceiros. a formação definitiva do consorcio. A transferência do controle de sociedade de propósito específico dependerá de autorização da Administração. A pessoa jurídica. a exigência de constituição de empresa especializada. mas se admite que instituições financeiras sob controle estatal eventualmente assumam o controle. segregando obrigações. Haverá a presença de uma pessoa jurídica especializada. conforme o que for previsto no edital e no contrato. para celebração deste. como um dos meios de recuperação judicial.074/95. 9. A Lei nº. A administração pública não poderá ser titular da maioria do capital votante da sociedade de propósito específico.101 de 9 de fevereiro de 2.004. 9º dessa lei estabelece algumas regras sobre a técnica ora estudada. pag 355). O agente público. serão as estudadas nas várias modalidades associativas previstas no direito brasileiro para as empresas com finalidade lucrativa. a qual autoriza a participação de um consórcio na fase da concorrência. deixando mais nítida a responsabilidade da empresa concessionária e de seus sócios componentes. patrimônio. O art. O passo seguinte. XVI.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa definitivamente se adjudicado o pacto. tidas como instrumento necessário à implantação de grandes projetos relativos à infra-estrutura econômica do Brasil. que era levado a registro. de 31 de dezembro de 2. “A administração pública evolui para a exigência de constituição de uma sociedade que pudesse nitidamente separar os capitais. seguido da formação da pessoa jurídica no caso de adjudicação. como ensina Modesto Carvalhosa (op. com vantagem daquela representar maior estabilidade. cit.079. no edital do concurso público. Além de determinar a constituição da sociedade de propósito específico incumbida de implantar e gerir o objeto da parceria. dado que os contratos de concessão públicos são muito complexos e celebrados com prazos muito longos. voltada unicamente para a execução do contrato público celebrado”. ainda. 50. foi dado pelo agente público que fazia constar. A Lei Nº. adotando contabilidade e demonstrações financeiras padronizadas. FGV DIREITO RIO 165 . riscos. em evolução natural.

Rj.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa jUAN lUIz SOUzA vAzqUEz promotor de justiça-Rj. professor de Direito Empresarial da Escola da magistratura do Rio de janeiro. pós-Graduado em Direito privado pela universidade Federal Fluminense. professor da pós-Graduação em Direito Empresarial da Fundação Getúlio Vargas. mestrando em Direito Econômico pela universidade cândido mendes . FGV DIREITO RIO 166 .

ORGANIZAÇÃO JURÍDICA DA PEQUENA EMPRESA FICHA TÉCNICA Fundação Getulio Vargas Carlos Ivan Simonsen Leal PRESIDENTE FGV DIREITO RIO Joaquim Falcão DIRETOR Fernando Penteado Sérgio Guerra VICE-DIRETOR DA GRADUAÇÃO VICE-DIRETOR DE PÓS-GRADUAÇÃO Luiz Roberto Ayoub Ronaldo Lemos PROFESSOR COORDENADOR DO PROGRAMA DE CAPACITAÇÃO EM PODER JUDICIÁRIO COORDENADOR CENTRO DE TECNOLOGIA E SOCIEDADE Evandro Menezes De Carvalho COORDENADOR DA GRADUAÇÃO Rogério Barcelos Alves COORDENADOR DE METODOLOGIA E MATERIAL DIDÁTICO Lígia Fabris e Thiago Bottino do Amaral Wania Torres COORDENADORES DO NÚCLEO DE PRÁTICA JURÍDICA COORDENADORA DE SECRETARIA DE GRADUAÇÃO Diogo Pinheiro Milena Brant COORDENADOR DE FINANÇAS COORDENADORA DE MARKETING ESTRATÉGICO E PLANEJAMENTO FGV DIREITO RIO 167 .

You're Reading a Free Preview

Descarregar
scribd
/*********** DO NOT ALTER ANYTHING BELOW THIS LINE ! ************/ var s_code=s.t();if(s_code)document.write(s_code)//-->