ORGANIZAÇÃO JURÍDICA DA PEQUENA EMPRESA

AUTOR: MÁRCIO GUIMARÃES COLABORAÇÃO: MÁRCIA BARROSO

3ª EDIÇÃO

ROTEIRO DE CURSO 2010.1

Organização jurídica da pequena empresa

Sumário

AUlA 01: SOCIEDADES NãO-PERSONIfICADAS E SOCIEDADES PERSONIfICADAS ..................................................................................3 AUlAS 02, 03 E 04: REUNIãO COm ClIENTE PARA ElAbORAçãO DO CONTRATO SOCIAl .......................................................................23 AUlA 05: INfORmAlIDADE NO SETOR EmPRESARIAl .......................................................................................................................36 AUlAS 06 E 07: mODElOS SOCIETáRIOS DE ATUAçãO EmPRESARIAl PARA A PEqUENA E méDIA EmPRESA ..........................................55 AUlA 08: A OPçãO PElO mODElO SOCIEDADE lImITADA Em CONTRAPONTO AO mODElO SOCIEDADE POR AçõES .................................73 AUlAS 09, 10 E 11: SER SóCIO DE UmA SOCIEDADE lImITADA ...........................................................................................................82 AUlA 12: A ClASSIfICAçãO DA SOCIEDADE lImITADA ......................................................................................................................92 AUlAS 13 E 14: O fINANCIAmENTO DA SOCIEDADE lImITADA ......................................................................................................... 104 AUlA 15: mECANISmOS DE fORmAçãO DA vONTADE SOCIAl E SUA fISCAlIzAçãO .......................................................................... 118 AUlA 16: DIREITO DE RETIRADA. APURAçãO DE hAvERES. bAlANçO DE DETERmINAçãO................................................................. 129 AUlA 17: DIREçãO DAS ATIvIDADES EmPRESARIAIS ...................................................................................................................... 135 AUlA 18: fORmAS DE ExPURgAR O SóCIO INDESEjADO ................................................................................................................. 149 AUlA 19: A UTIlIzAçãO DA SOCIEDADE lImITADA COmO ESTRATégIA SOCIETáRIA PARA gRANDES OPERAçõES ................................ 158

ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa

AUlA 01: SOCIEDADES NÃO-PERSONIfICADAS E SOCIEDADES PERSONIfICADAS

Aprendemos que o Empresário e a Sociedade Empresária estão sujeitos ao registro a cargo das Juntas Comerciais e as Sociedades Simples no Cartório de Registro Civil das Pessoas Jurídicas. O registro “desvincula” a sociedade da pessoa de seus sócios, atribuindolhe personalidade jurídica, além de conferir autenticidade, segurança e validade aos atos jurídicos pertinentes à sociedade, sendo a publicação destes atos elemento essencial para salvaguardar o interesse de terceiros. Nesta aula discutiremos a leitura do(s) seguinte(s) capítulo(s): – ALMEIDA, José Gabriel Assis de. A noção jurídica de empresa. In Revista de Informação Legislativa Revista de informação legislativa, v.36, n.143, p.211-229, jul./set.,1999 (anexo I) – REQUIÃO, Rubens. Curso de Direito Comercial, 1º volume, 26 edição – São Paulo: Saraiva, 2005; Nrsº 29 a 36-. Págs: 49 a 61; – MARTINS, Fran. Curso de Direito Comercial: empresa comercial, empresários individuais, sociedades comerciais, fundo de comércio/ ed.rev. e atual. - Rio de Janeiro, Forense, 2002; Capítulo Primeiro (sub-itens: I a IV). Págs: 1 a 54; – BORBA, José Edwaldo Tavares. Direito Societário – 7º ed. rev. atual. – Rio de Janeiro: Renovar, 2001; Capítulo I. Págs: 1 a 8; – CAMPINHO, Sérgio. O Direito da Empresa à luz do novo Código Civil – 6º edição revista e atualizada conforme a Lei 11.101/05, Rio de Janeiro: Renovar, 2005; Capítulos 1 e 2. Págs: 1 a 29; – NEGRÃO, Ricardo. Manual de Direito Comercial e de Empresa, vol.1. 4º edição. São Paulo: Saraiva, 2005; Capítulos 1 a 4. Págs: 1 a 58.

Leitura CompLementar: – Páginas 142 a 170 (não-personificadas) e 171 a 204 (Simples) e 238 a 256 (Nome Coletivo) e 257 a 281 (Comandita Simples) dos Comentários ao Código Civil Brasileiro. Do Direito de Empresa (arts. 996 a 1.087), vol. IX. Newton Lucca, Rogério Monteiro, J.A. Penalva Santos e Paulo Penalva Santos. Forense: Rio de Janeiro/2005. – RIZZARDO, Arnaldo. Direito de Empresa. 2 ed. Rio de Janeiro: Forense, 2007, capítulo I; – CORREIA, Antônio de Arruda Ferrer. Lições de direito comercial. Coimbra: Universidade de Coimbra, 1973; – CHULIA, Francisco Vicent. Compendio crítico de Derecho Mercantil. Barcelona. Librería Bosch, 1986; – FERREIRA, Waldemar. Tratado de sociedades mercantis. Rio de Janeiro: Editora Nacional de Direito, 1958; – GOWER, L.C.B. and PRETINCE, D. D. Gower´s principles of modern company law. Londres: Sweet & Maxwell, 1992;

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Lei nº 556/1850.

FGV DIREITO RIO

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Todavia. caso contrário. embora possa ser constituída mediante instrumento escrito (ato constitutivo: contrato social). A pessoa do sócio não se diferencia da personalidade da sociedade. pois. 2 FGV DIREITO RIO 4 . seria uma sociedade comercial. O registro no RCPJ ou na JUCERJA – Junta Comercial do Estado do Rio de Janeiro será necessário para que a sociedade adquira personalidade jurídica. Rio de Janeiro: Freitas Bastos. serão aplicáveis. não tornando ilícito o contrato de sociedade estabelecido entre as partes que atenda às formalidades legais. – BORBa. ambos do Código Civil de 2002. o registro não terá a finalidade de definir quem será ou não empresário. apenas a falta de atribuição de personalidade. josé Edwaldo Tavares Borba in Direito societário. guardados os limites da compatibilidade. Hoje. • Sociedade em Nome Coletivo. Neste “as normas da sociedade simples. X. A ausência do registro do ato constitutivo tem por efeito. a legislação brasileira prevê outras formas legais de sociedades – personificadas e não personificadas. Ademais. 2 vols.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa – GUYON. roteiro de auLa: O Código Comercial1 era o texto legal que regulamentava as sociedades. como foi analisado em Teoria Geral da Empresa. a terminologia utilizada para classificação de sociedades é: “simples” e “empresária”. Paris: Economica. Carvalho de. a sociedade não formalizou seu registro no órgão competente (Registro Público de Empresas Mercantis – Junta Comercial ou Cartório de Registro Civil das Pessoas Jurídicas – RCPJ). Direito Comercial e Direito Civil foram formalmente unificados e a teoria dos atos de comércio foi revogada. 1986. J. Renovar/2004. conforme previsão expressa nos artigos 45 e 985. Com o advento do Código Civil de 2002.986)”. – MENDONÇA. ementário de temas: – – – – – Sociedades Não-Personificadas: • Sociedade em Comum • Sociedade em Conta de Participação Sociedades personificadas: • Sociedade Simples. 9ª edição. 1945. seria uma sociedade civil. Sociedades em conta de participação Caso: Utilização da Sociedade em Conta de Participação no cenário atual. à sociedade em comum (art. subsidiariamente. portanto. Tratado de direito comercial brasileiro. pg. 67. conforme veremos a seguir: sociedades não personificadas. as quais eram divididas em “civis” e “comerciais”. os modelos societários mais utilizados são: Sociedade Limitada e a Sociedade Anônima. Droit de affaires. Para o exercício do ato simples e o ato de empresa. Crítica a terminologia adotada pelo Código Civil. Se a sociedade tivesse como objeto a prática de “atos de comércio”. • Sociedade em Comandita Simples • Sociedade em Comandita por Ações. Yves.

deve ser inscrita no Cartório de registro Civil das Pessoas Jurídicas-rCPJ. para os pequenos negócios. adotará uma “denominação”. A partir desse momento. 986 a 990 Sociedade em Conta de Participação art. embora seja conhecida como “sociedade”. podemos considerar uma sociedade sem registro como sendo empresária. podendo adicionar uma expressão de fantasia.150 do Código Civil estabelecem que a sociedade adquire personalidade jurídica com a inscrição de seus atos constitutivos em registro próprio e na forma da lei. imóvel. a figura dos sócios é separada da sociedade que se torna capaz de exercer direitos e assumir obrigações em seu nome. a responsabilidade dos sócios é ilimitada. voltada para o trabalho intelectual.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa sentido. caso esta não possua bens suficientes para adimplir sua obrigação. Eventual ação de interesse da sociedade deverá ser proposta pelos sócios. passando a ser chamada de pessoa jurídica. Sociedade em Comum2 (antiga: Sociedade Irregular ou de Fato) art.162). tem capacidade processual passiva. na verdade é reconhecida pela doutrina como “contrato de participação” e nem mesmo a inscrição dos atos constitutivos em registro competente lhe conferirá personalidade jurídica (art. para atividades sem estrutura organizacional. devendo o contrato prever a maneira como cada um irá contribuir (dinheiro. Sociedades Personificadas Constituída exclusivamente para a atividade não empresária. caso esta ostente os requisitos para que seja considerada como tal. cuja prática não constitua elemento de empresa. 990) desde logo é preciso assinalar que. perante terceiros. os sócios participantes não “aparecem”. mas não tem ativa. Somente o sócio ostensivo se obriga. Sociedade de pessoas com natureza contratual e que. O Código Civil trouxe duas hipóteses de sociedade sem personalidade jurídica: Sociedades Não Personificadas trata-se de hipótese bastante comum. Os artigos 45. 985 e 1. Por faltar-lhe personalidade jurídica não possui“nome empresarial” (artigo 1. em seu próprio nome e sob sua exclusiva responsabilidade.038 FGV DIREITO RIO 5 . Possui patrimônio especial formado por bens e dívidas da sociedade. pelo seu caráter não-empresarial. todos os sócios respondem solidária e ilimitadamente pelas obrigações sociais (art. poderse-ia alcançar o sócio) e os sócios responderão. Sociedade Simples art. podendo o contrato social dispor sobre a subsidiariedade (primeiro alcança-se a sociedade e. 991 a 996 sociedades personificadas. mas participam dos resultados obtidos com os negócios realizados pelo sócio ostensivo. os sócios participantes possuem apenas responsabilidade interna. perante terceiros. A sociedade é dita personificada quando está legalmente constituída e registrada no órgão competente. sendo uma forma contratual que antecede à inscrição dos atos constitutivos em registro competente.993). a atividade prevista no objeto social é exercida apenas pelo sócio ostensivo. ilimitadamente. 997 a 1. que deverá se correlacionar com o seu objeto social. de forma proporcional à participação no capital social. trabalho etc).

. Por isso. são pessoas naturais (art.088 e sua atividade. a sociedade existiria mesmo sem o arquivamento de seus atos constitutivos (sociedade não personificada). não tendo relevância a pessoa de seus sócios8. perante terceiros. Ricardo in manual de Direito comercial e de Empresa. 1. Há instituidores. um reconhecimento mútuo obrigatório. optando por esta. Entendemos que não há como identificar uma sociedade que não seja uma pessoa jurídica de direito privado13.052 a 1. como tal compreendidos aqueles responsáveis pela fundação da companhia.) e constituída através de um Estatuto7 (e não contrato social). evidenciando a vontade de constituir uma sociedade. que poderão ser negociadas no 6. são paulo/2004. serão solidariamente responsáveis6.. somente o arquivamento acarretará no seu nascimento14. como o prof. uma vez não integralizado. como o Prof. devidamente discriminados no contrato social: Comanditados: somente pessoas naturais. nem a definição de direitos e deveres recíprocos. no qual os acionistas não são sequer nomeados e qualificados. ela não é sociedade de pessoas. interpretaram o dispositivo entendendo que a sociedade estará criada no momento em que as partes se unirem.1.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa Sociedade em art.342. consideram a sociedade limitada um modelo “misto” de sociedade uma vez que em caso de omissão. p.039 a Nome Coletivo 1. não adota firma social9 e sim uma denominação composta por qualquer vocábulo ligado a art. ilimitada e solidariamente pelas obrigações sociais4. o capital social é dividido em ações. o administrador será pessoa natural que pode ou não fazer parte do quadro societário.045 a 1.087 Sociedade anônima Será sempre “empresária” (art.) e constituída através de um Estatuto. É uma sociedade de capital.”) ou “Companhia” (na forma abreviada: “Cia”). 282 a ações11 284 da lei 6. 1.039) e respondem.982. p. sendo uma forma de garantia para os credores. perante a sociedade.” mamEDE. nEGRãO.a. Comanditários – obrigados apenas pelo valor de suas quotas. e acionistas que vão aderindo ao empreendimento. FGV DIREITO RIO 6 . não há mesmo.. a responsabilidade dos sócios é limitada à integralização do capital social.ú. Sua característica principal é a existência de duas categorias de sócios. pg. neste caso. solidária em razão de responderem todos os sócios pelo que faltar para total satisfação dos credores sociais”. 3 4 a responsabilidade será “ilimitada porque ultrapassa os limites do patrimônio social quando este é insuficiente. pois se é sociedade como não terá personalidade? Neste sentido. diretor ou administrador (que será obrigatoriamente sócio) responderá subsidiária e ilimitadamente pelas obrigações sociais12. regese pelas normas da sociedade simples e. responderão os sócio.404/76 Crítica à terminologia adotada.051 a sociedade responde em primeiro plano pelas obrigações assumidas em seu nome. obrigatoriamente. a limitação ultrapassa a quota do sócio. adotará uma “firma social” formada pelo nome de um ou alguns dos sócios. embora de forma subsidiária3. portanto. o capital social é dividido em quotas e não pode ser constituído com prestação de serviço.044 os sócios. porém. Não podem administrar a sociedade nem ter o nome incluído na firma social.982. o sócio obriga-se a integralizar suas quotas (responsabilidade pessoal).384.089 anônima” (na forma abreviada: “S. por obrigações assumidas pela sociedade. no início da denominação10. supletivamente. Sociedade limitada art.ú. acompanhado da expressão “e companhia”. pelo que faltar. somente farão parte os nomes dos sócios diretores ou administradores.404/76 mercado (Companhia aberta) ou não. a responsabilidade dos sócios (acionistas) é limitada ao valor das ações subscritas ou adquiridas. todos os sócios serão solidariamente responsáveis pela integralização de todo o capital social. pg. art. Sérgio Campinho. Em outras palavras. 6 7 a elaboração do ato constitutivo da sociedade anônima será através de “uma ata de assembléia na qual se ajustam as normas de seu estatuto social (e não contrato social). alguns doutrinadores. lei o capital social divide-se em ações. são paulo/2005. Poderá adotar estrutura de denominação ou firma. quando mantêm a titularidade os acionistas presentes no estatuto social (Companhia Fechada). 5 Sociedade em Comandita por art.092 Será sempre “empresária” (art. Em regra. 1. responsáveis solidária e ilimitadamente pelas obrigações sociais. O Código Civil estabelece que a sociedade não personificada é aquela sem personalidade jurídica. originária ou derivadamente. trata-se de uma sociedade de pessoas5. saraiva. a personalidade jurídica da sociedade surgiria com a affectio societatis e não com arquivamento. sempre. pelas regras das sociedades anônimas”. respondendo os acionistas apenas pelo valor das ações subscritas ou adquiridas (responsabilidade limitada). via de conseqüência. Ricardo negrão. já que essa é a natureza jurídica das sociedades. 1. atlas. não respondendo. que deverá vir acompanhado da expressão “sociedade 1. perante terceiros. muitos autores. Com isso.090 a 1. Sociedade em Comandita Simples art. 1.. esta última. Esgotado o patrimônio da sociedade. Gladston in Direito societário: sociedades simples e Empresárias. A expressão “sociedade não personificada” é contraditória. nem de capital.

110 do CTN que é a norma de integração dos institutos de Direito Privado e Direito Tributário. em sua maioria. expressamente. Mas como foi criado um modelo de responsabilidade se a sociedade não existe? Essa é a questão. por outro lado. Decorre esse fato da responsabilidade limitada dos sócios. 990. Em relação à personalidade jurídica estabelecia que a SCP “não está sujeita às formalidades prescritas para a formação das outras sociedades. 13 14 art. Essa responsabilidade nunca pode ser atribuída ao sócio participante. FGV DIREITO RIO 7 . II do código civil. o STJ decidiu que “não há falar em citação de sociedade em conta de participação que não tem personalidade jurídica e nem existência perante terceiros. O problema é que o Código Civil passou a considerála “sociedade”. Esse dispositivo estabelece que a norma tributária “não pode alterar a definição. regulamentavam a sociedade em conta de participação de uma forma relativamente vaga. Fran in curso de Direito comercial. Os artigos 325 a 32815 do Código Comercial. a legislação tributária vislumbrou o caminho mais lucrativo para os cofres públicos. Forense. 45 e 985 do código civil. quanto à personalidade jurídica. 11 12 Em havendo mais de um diretor ou administrador a responsabilidade será solidária (art. 143. e pode provar-se por todo o gênero de provas admitidas nos contratos comerciais”. esquecendo-se. cit. para base de suas operações apenas o patrimônio da sociedade. Rio de janeiro/2002. Op. não podendo sofrer alteração pela norma tributária. arts. que contratam com a sociedade.” – Recurso Especial 168028-SP19. Apesar de não constar. pois essa inclusão nada mais é que uma homenagem. o Código Civil regulamenta as relações entre pessoas naturais e jurídicas sob o amparo da Constituição Federal. Neste sentido. “as sociedades anônimas são consideradas sociedades de capital pois vivem em função deste. 44. são exatamente aqueles referidos implicitamente pela Carta Maior. sem que isso descaracterize a denominação transformando-a em firma. que sequer é conhecido daqueles com os quais a sociedade contrata.091 §1º). tomando assim. Vejamos alguns julgados (a íntegra dos acórdãos está disponível ao final – jurisprudência): – Recurso Especial 474404-PR18. 28ª edição. inclusive. Mesmo antes do advento do Código Civil de 2002. Sua equiparação à pessoa jurídica para fins fiscais ocorreu com o Decreto-Lei 2303/8616. conceitos e formas de direito privado”. do art. a SCP não era considerada contribuinte para o FISCO. “uma vez que. Este “benefício de ordem” caracteriza o modelo de responsabilidade subsidiária que faculta às partes estabelecer o que deverá ser alcançado primeiro numa eventual execução. no rol previsto no art. o modelo de responsabilidade subsidiária para ela. Até o ano de 1986. sociedades em conta de participação – sCp. pois a sociedade se constitui em função do capital. Ato contínuo. 988 estabelece que os bens da Sociedade em Comum gozam de proteção especial. Os conteúdos e conceitos dos institutos previstos no Código Civil. a retirada dos mesmos do organismo social não tem influência sobre esse. porém. atribuiu-lhe a condição de sujeito passivo da obrigação tributária. traçando.11017 do CTN. Mas não podemos falar em “patrimônio da sociedade” porque o patrimônio é inerente à personalidade e como não existe sociedade não há personalidade! O que a sociedade em comum possui é um “patrimônio afetado” (patrimônio de afetação). hoje identificada como “sociedade em comum”. pg. ora revogados. já aceitavam a idéia da inexistência da personalidade jurídica das SCP. não contam com garantias subsidiárias por parte dos acionistas. cumprida a obrigação principal dos sócios de concorrer com sua parte para o capital. que diante da omissão dos artigos do Código Comercial. 10 josé Edwaldo Tavares Borba entende se tratar de sociedade de responsabilidade mista. que poderá ser alcançado primeiro pelo credor conforme estabelece o art. dispõe de sócios de responsabilidade ilimitada. que são os diretores e administradores”. Essa a razão de se dizer que as pessoas dos sócios não são levados em consideração na existência das sociedades anônimas”. além dos sócios de responsabilidade limitada. que apenas assumem o compromisso de integralizar as importâncias relativas às ações que adquirirem ou subscreverem. não merecendo atenção especial a pessoa dos sócios.233. o STJ decidiu que na SCP somente o sócio ostensivo que se obriga perante terceiros por todas as obrigações e operações sociais. 1. 8 9 O nome empresarial poderá ser composto pelo nome do fundador ou de pessoa relevante para a companhia.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa A sociedade de que trata o artigo 986 é a sociedade irregular ou de fato. o art. Os terceiros. para evitar confusão com a sociedade em nome coletivo. o conteúdo e o alcance de institutos. maRTIns. os Tribunais. pg. sendo que este “patrimônio especial” será atingido pelas dívidas da sociedade.

e pode provar-se por todo o gênero de provas admitidas nos contratos comerciais. e 535 do Código de Processo Civil quando o Acórdão recorrido está amplamente fundamentado. acidental. quem seriam o sócio ostensivo? art. art. muito embora não tenha know-how em malharias.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa O Código Civil de 2002 estabeleceu. art. da existência da sociedade em conta de participação. II. NOMEAÇÃO DE LIQUIDANTE. o sócio João é apresentado a um grupo de quatro investidores que tem um grande capital disponível e que está disposto a investi-lo no setor produtivo. 1. expressamente. Leis Orgânicas do Distrito Federal e dos municípios. então apelante. para lucro comum. se reúnem. é lícito ao terceiro com quem houver tratado saldar todas as contas que com ele tiver. na apuração dos resultados dessas sociedades. dos Estados. trabalho etc) e participam dos resultados. Caso gerador: CONFECÇÃO MALHA FINA LTDA. A questão restou solucionada com base na assertiva de que o direito tributário pode traçar conceitos próprios. a SCP é pessoa jurídica para fins tributários e um contrato para o direito empresarial. Na SCP. sem firma social. assim. alguns ou todos. para os efeitos da legislação do imposto de renda. art 7º Equiparam-se a pessoas jurídicas. Por exercer com exclusividade a atividade constituída no objeto social. em nenhuma circunstância. uma vez que não provem que o dito terceiro tinha conhecimento. que a SCP não tem e não pode adquirir personalidade jurídica. ainda que os outros sócios mostrem que esses fundos lhes pertencem. ainda mesmo que seja por obrigações pessoais. serão observadas as normas aplicáveis às demais pessoas jurídicas. há mais de 20 anos atuando no mercado interno. Tanto a sociedade limitada quanto os investidores não se “conhecem”. as sociedades em conta de participação. imóvel. com os fundos pertencentes a quaisquer das mesmas contas. mas têm objetivos em comum. DISSOLUÇÃO. assumindo o papel de sujeito passivo das obrigações principais e acessórias. 325 – quando duas ou mais pessoas. alcançando a demanda tal e qual posta pelo autor. em uma ou mais operações de comércio determinadas. SOCIEDADE EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO. 17 FGV DIREITO RIO 8 . o sócio ostensivo é o único que se obriga para com terceiro. 16 constituições Federal. na forma do art. art. A hipótese dos investidores tornarem-se sócios da Limitada está totalmente descartada uma vez que eles não querem ser sócios de ninguém. sendo ao menos uma comerciante. momentânea ou anônima. esta sociedade não está sujeita às formalidades prescritas para a formação das outras sociedades. CITAÇÃO DA SOCIEDADE CONSTITUÍDA. 327 – na mesma sociedade o sócio-gerente responsabiliza todos os fundos sociais. 7º do Decreto-Lei 2303/8620. tampouco figurar como sócios. na forma prevista no contrato (com dinheiro. contratando em seu nome. Não há violação aos artigos 458. O sócio ostensivo que realiza as operações (obtendo lucro ou prejuízo). que não tem personalidade jurídica. Durante um jantar de negócios. O sócio ostensivo. está passando por uma grave crise financeira. em seu nome individual para o fim social. Como seu principal credor é o FISCO. nem existência perante terceiros. Pergunta-se: a) Como o grupo de investidores poderia investir na malharia. ele é o único com legitimidade para adquirir direitos e contrair obrigações. Na seara tributária a idéia de considerar a SCP “personificada” permanece. 326 – na sociedade em conta de participação. se o terceiro com quem tratou ignorava a existência da sociedade. 15 JurisprudênCia. trabalhando um. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. parágrafo único. Conferiu-lhe uma forma jurídica à disposição de empreendedores para a exploração de atividades cuja obrigação econômica seja de apenas um dos sócios (sócio ostensivo) perante terceiros. é o sócio ostensivo quem se obriga perante terceiros. cuja rentabilidade eles acreditam? Como se daria esse procedimento? b) Na hipótese da criação de uma SCP. salvo o direito dos sócios prejudicados contra o sócio-gerente. além de sua contribuição (normalmente através da prestação de serviços). os sócios participantes contribuem para a formação de um “patrimônio especial”. 2. 328 – no caso de quebrar ou falir o sócio-gerente. Não há falar em citação da sociedade em conta de participação. não consegue tomar empréstimo junto a instituições financeiras e seus 05 sócios já começam a se desesperar. se valendo dos outros ramos do direito em caso de omissão. posto que abertas sejam debaixo de distintas designações. os outros sócios ficam unicamente obrigados para com o mesmo sócio por todos os resultados das transações e obrigações sociais empreendidas nos termos precisos do contrato. antes da quebra. a associação toma o nome de sociedade em conta de participação. assim como na tributação dos lucros apurados e dos distribuídos. pratica todas as operações oriundas do objeto social. INDENIZAÇÃO.

ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa 3. 213). Sobreleva notar.10. (REsp 474. Justifica-se a nomeação. 326).2002. a que alude o auto de infração” (fl.03. RESPONSABILIDADE PARA COM TERCEIROS. Afastando as instâncias ordinárias a indenização por falta de prova. resta evidente que os argumentos expendidos pela União Federal não possuem a força de abalar os fundamentos do r. uma vez que até o advento do Decreto-lei n. julgado em 17. DJ 22. 4. Recurso conhecido e provido. 18 (REsp 168. (REsp 193690/PR. TERCEIRA TURMA.08.2002 p. à pessoa jurídica.03. 20 FGV DIREITO RIO 9 . Hipótese de exploração de flat em condomínio. – Recurso especial não conhecido. (REsp 474.08. ministro caRLOs aLBERTO mEnEzEs DIREITO.2003 p. diante da realidade dos autos. que demonstram a animosidade existente. QUARTA TURMA. Dessa forma. julgado em 07.10. quaRTa TuRma. do liquidante. Ministro CESAR ASFOR ROCHA. (REsp 168. aspectos que não podem ser examinados. 172). exercício de 1982.028/SP.028/sp. a sociedade em conta de participação não possuía capacidade tributária passiva. 326) 19 neste sentido: REsp 193690/ pR (vide jurisprudência).06. Ministro CARLOS ALBERTO MENEZES DIREITO. transferência do resultado que se pretende tributar. realizadas ou empreendidas em decorrência da sociedade. em razão do contrato social. julgado em 04. por conseguinte. SEGUNDA TURMA. 5. DJ 07. de 1986. – No pertinente a ter havido. que o exame dessa inferência obriga esta instância especial a revolver os elementos probatórios insertos nos autos e. voto condutor. porque ausente recurso da parte interessada. ministro cEsaR asFOR ROcHa. Rel. constata-se que a Corte ordinária. Na sociedade em conta de participação o sócio ostensivo é quem se obriga para com terceiros pelos resultados das transações e das obrigações sociais.12.2001. no períodobase de 1981. TERcEIRa TuRma. para fins tributários. afrontar a jurisprudência sedimentada por meio da Súmula n. – Ancorados em doutos ensinamentos doutrinários.10.303. 7 deste Sodalício a qual estabelece que “a pretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial”. Rel. nunca o sócio participante ou oculto que nem é conhecido dos terceiros nem com estes nada trata. julgado em 17. Rel. embora no caso de sociedade em conta de participação.2001. ou não. 2. TRIBUTÁRIO – IMPOSTO DE RENDA – SOCIEDADE EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO – AUSÊNCIA DE CAPACIDADE TRIBUTÁRIA PASSIVA À ÉPOCA DA EXIGÊNCIA DO TRIBUTO – ALEGADA TRANSFERÊNCIA DO RESULTADO DA SÓCIA OSTENSIVA PARA A SÓCIA OCULTA – CORTE DE ORIGEM QUE AFIRMA QUE ESSA PARTICULARIDADE NÃO FOI COMPROVADA PELO FISCO – RECURSO ESPECIAL NÃO CONHECIDO. Ministro FRANCIULLI NETTO. desde logo.2002. Rel. embasada no conjunto probatório encartado nos autos. não tem consistência o pedido de extinção do processo ao argumento de que teria a sentença considerado o pedido inepto.2002. DJ 10. Recurso especial não conhecido.704/PR. Rel. Dj 10. julgado em 07. a sociedade em conta de participação não era equiparada. consignou que “o fisco não logrou demonstrar ter havido efetiva transferência de resultado da sócia ostensiva para a sócia participante.2001 p.12.704/pR.2001 p. seja discutível tanto a dissolução judicial quanto a existência de liquidação e partilha. 210) – grifamos. se o tributo em discussão data de 1981.2003 p. SÓCIO OSTENSIVO. SOCIEDADE EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO. Dj 22. 213) COMERCIAL.

os demais sócios. 28º EXAME DE ORDEM – SEÇÃO DO RIO DE JANEIRO – 2ª FASE – DIREITO COMERCIAL. 25º EXAME DE ORDEM – SEÇÃO DO RIO DE JANEIRO – 2ª FASE – DIREITO COMERCIAL. PROVA CONCURSO PúBLICO/MG .ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa Questões de ConCurso PROVA DO CONCURSO PARA JUIZ DO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SERGIPE – Aplicação: 01/02/04.2006 93ª Questão: Assinale a alternativa inteiramente correta. de instrumento celebrado entre os sócios. Responda justificadamente. 67. a) A sua existência pode ser comprovada pela transcrição. apesar de responderem solidária e ilimitadamente pelas obrigações sociais. d) É possível sua dissolução judicial. desde que o sócio requerente comprove a existência da sociedade ainda que por prova oral. 1. assinale a alternativa INCORRETA. no Cartório de Títulos e Documentos. b) as em conta de participação. neste caso. destacando. PROVA DISCURSIVA. às quais passou a classificar como sociedade comum. No que tange às alterações introduzidas. d) somente a alternativa “a” está incorreta. julgue o item seguinte. c) as em comum. FGV DIREITO RIO 10 .JUIZ . e qual a abrangência da responsabilidade dos sócios da sociedade comum em ralação às obrigações sociais. PROVA DISCURSIVA. 5 – O que diferencia a sociedade comum das sociedades personificadas. b) Está sujeita a falência. O Código Civil de 2002 alterou parcialmente a estrutura de classificação das sociedades estabelecida no Código Comercial de 1850.JUIZ FEDERAL . gozam de benefício de ordem. O Código Civil deu personalidade às sociedades informais. 3 – É correta a afirmação de que o registro dos atos constitutivos das sociedades não personificadas no órgão competente produzirá o mesmo efeito em relação a cada uma delas? Responda justificadamente PROVA CONCURSO PúBLICO/3ª REGIÃO . a aplicação do benefício de ordem. c) Com exceção daquele que contratou pela sociedade. As sociedades não personificadas são: a) as simples.2008 61ª Questão: Quanto a uma sociedade em comum que explora o ramo da prestação de serviços mecânicos.

3. mas sim a transformação dos produtos. 3.3. os comerciantes – e as atividades – eram regidos pelo direito comercial. 2.3. A situação da sociedade que não se adaptou ao Código Civil de 2002 a transição de um direito de comerciantes para um direito de empresas O direito comercial surgiu na Idade Média. os comerciantes constituíam uma categoria social à parte. 3. era inegável que a atividade industrial tinha – e tem – similitudes com a atividade comercial. FGV DIREITO RIO 11 . A unificação dos regimes das sociedades. em razão da necessidade dos comerciantes criarem um sistema normativo que atendesse às necessidades das suas atividades. 3.4.universidade do estado do rio de Janeiro. que não se misturava nem com a nobreza. Seriam as atividades industriais atividades comerciais? A resposta era negativa. a diversidade das normas existentes entre os diferentes feudos era incompatível com a expansão da atividade comercial. 3. Para tanto. Já a nobreza e o clero – e as suas atividades. Assim.e da unirio – universidade federal do estado do rio de Janeiro advogado no rio de Janeiro(brasil) e em Lisboa(portugal) sumário A transição de um direito dos comerciantes para um direito de empresas. No entanto. essencialmente ligadas à exploração da terra – eram regidos pelo direito civil. mas negar o mesmo direito a uma indústria que fabricava vagões para trens. Por outro lado. Com efeito. além de díspares. pois não havia uma preocupação dos titulares dos poderes(senhores feudais e clero) em sistematizar a regulamentação da atividade comercial. aplicável às relações jurídicas em geral. com o surgimento e o desenvolvimento da indústria( principalmente a partir do séc. 3. O direito comercial surgiu assim como um sistema separado do regime normal. a atividade industrial não podia corresponder à definição de ato de comércio. parecei um despropósito permitir que uma pequena mercearia pudesse impetrar concordata. 3.2 A aplicação das novas regras às sociedades.2 Argumentos a favor da não aplicação das novas regras.3 A alteração das regras societárias face ao direito adquirido e ao ato jurídico perfeito. Cabe esclarecer que esta dicotomia correspondia também a uma dicotomia social e até política. pois na atividade industrial não está presente a intermediação. Com efeito. as normas existentes eram escassas. nem com o clero e nem com os servos. 3.1 A modificação das regras do jogo societário. Assim. nasceu o problema do enquadramento jurídico desta atividade.XIX).ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa Anexo I apontamentos sobre o regime geraL das soCiedades no brasiL José gabriel assis de almeida doutor em direito pela université panthéon assas – paris ii professor da uerJ. Ademais. por um lado. Argumentos a favor da aplicação das novas regras. A adaptação das sociedades à transição normativa.

enquadram-se mal na definição de atividade comercial. A este fenômeno não é estranho o fato de os Tribunais de Império terem sido abolidos e ter-se admitido que a qualidade de comerciante não decorria da matrícula do mesmo. Com a aceleração do progresso econômico e o desenvolvimento econômico surgiu. uma feição objetiva. “empregador como a empresa individual ou coletiva. O Código de Defesa do Consumidor. o regulamento 737 continuou a influenciar. de forma cada vez mais freqüente. que passou a ser mera presunção de comercialidade. que – na linha da abolição dos privilégios e tendo criado a liberdade de indústria e comércio – assentava o direito comercial no ato de comércio. através do exercício da atividade de cunho econômico. matriculado em um dos tribunais do Império. como as atividades civis de caráter econômico(nomeadamente as atividades industriais e as atividades de prestação de serviços destituídos de caráter de intermediação) passaram a estar submetidas ao mesmo regime. assumindo os riscos da atividade econômica admite. Ou seja. de 1943. fazia da mercancia a sua profissão habitual. sob o ponto de vista do comerciante”. atribuindo-lhe. mesmo não matriculado.Lei 8078/90-. Apesar de revogado no final do séc. Esta unificação legislativa do regime jurídico das diferentes atividades acentou-se em épocas mais recentes. tradicionalmente.XX. fazia a distinção entre o direito comercial e o direito civil. pudesse falir. Esta opção ia em sentido contrário do Código de Comércio francês. o regulamento 737. assalaria e dirige a prestação pessoal do serviço. nas ciências econômicas. o fato de admitir-se que o comerciante. a noção de atividade comercial. O direito brasileiro. Assim. Este código nasceu fundado na figura do comerciante. mas sim do exercício da atividade comercial. definido no art. o Brasil adotou um código comercial que cuidava das relações comerciais. como a unidade de produção ou circulação de riqueza. que. a idéia de empresa. isso porque. no art. desde 1850. durante muitos e muitos anos. atualmente. XIX. por exemplo. Assim. começaram a aparecer. ou seja. não há qualquer menção à qualidade comercial ou civil do empregador. era quem delineava os contornos dos atos de comércio. o direito empresarial. principalmente a partir da segunda metade do séc. assim. que até hoje regulamenta a maioria das relações trabalhistas de emprego no Brasil define. Deste modo. o Brasil passou a conhecer o mesmo fenômeno de ruptura da dicotomia entre direito comercial e direito civil. salvo os de corretagem.2. uma parte importante da atividade econômica consiste na prestação de serviços que.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa A inadequação da dicotomia entre o direito comercial e o direito civil ficou ainda mais evidente com o crescimento do setor dos serviços no decorrer do séc. O Código Comercial de 1850 não definia o ato de comércio. definindo o âmbito de aplicação do direito comercial sob o ponto de vista subjetivo. a Consolidação das Leis do Trabalho. Com o desenvolvimento e a modernização econômica. ou seja. Nesse sentido.4 “como todo aquele que. tanto as atividades comerciais. Assim. afastou por completo o caráter constitutivo da matrícula. de 1807. Com efeito. ao definir o fornecedor do produto ou serviço já não faz qualquer distinção em razão do caráter FGV DIREITO RIO 12 . tornou-se inelutável a unificação do regime de todas as atividades econômicas. XX. também de 1850. normas de enquadramento da atividade econômica que não levavam em consideração a distinção entre a atividade comercial e a não comercial. sendo apenas relevante que o mesmo exerça atividade econômica”. Por exemplo.

constituídas de fato ou de direito. Deste modo. nos termos do art. Assim. no Brasil existiam dois tipos de sociedade. bem como os entes despersonalizados que desenvolvem atividade de produção. não sendo comerciantes. traduziu-se também na unificação do regime das sociedades. distribuição ou comercialização de produtos ou prestação de serviços” O ponto manifestamente relevante da definição de fornecedor é. Para o CDC não é relevante saber se o fornecedor é comerciante ou não. Na definição do destinatário a comercialidade é irrelevante. O Código Civil de 2002. tanto são empresários os comerciantes quanto aqueles que.15 é claro. nas relações de consumo. Aliás. Com efeito. a importação. ainda que temporariamente.15. ou seja. sociedade em FGV DIREITO RIO 13 . a distribuição. mesmo que exerçam atividade sob o regime de monopólio legal” O art. curiosamente. O art. a mesma aplica-se a todos que. possam praticar atos restritivos de concorrência. quais sejam: as sociedades comerciais e as sociedades civis. tradicionalmente. o art. Na verdade. na unificação do regime dos empresários coletivos. exercem uma atividade econômica organizada. a sociedade em comandita simples. no art. O fornecedor define-se em virtude do exercício dessa atividade econômica. nacional ou estrangeira. Portanto. criação.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa comercial ou não da atividade desenvolvida. para a Lei 8884/94 é irrelevante se o agente é um comerciante ou não comerciante. é imprestável para definir a aplicação do direito da concorrência. construção. importação.15 da Lei 8884/94 – Lei de Defesa da Concorrência: “Esta Lei aplica-se às pessoas físicas ou jurídicas de direito público ou privado. No mesmo. comerciantes e não comerciantes estão sujeitos ao mesmo regime. veio consagrar a unificação do regime jurídico dos agentes econômicos.966. o art. com ou sem personalidade jurídica. a unificação do regime das sociedades Esta unificação do regime das atividades. o exercício de atividade de natureza econômica: a produção. o alcance da norma é dado pelo art. A natureza comercial ou não do fornecedor é nitidamente relevante. pública ou privada. mas apenas se o fornecedor coloca um produto ou serviço no mercado de consumo.15 da referida lei. esta unificação deu-se. Portanto. com a consagração a noção de empresário. transformação. etc. ao estabelecer que: “Considera-se empresário quem exerce profissionalmente atividade econômica organizada para a produção ou circulação de bens ou de serviços”. caput. montagem. mais uma vez. com a possibilidade das sociedades civis adotarem a forma comercial e com a modificação do regime de registro das sociedades comerciais.20 da mesma Lei 8884/94 que define as infrações. exportação. de uma forma ou de outra.3 deste diploma legal define o fornecedor da seguinte forma: “Fornecedor é toda pessoa física ou jurídica. antes da promulgação do novo Código Civil. bem como quaisquer associações de entidades de pessoas. As sociedades comerciais eram as sociedades dos tipos previstos no Código Comercial de 1850 – sociedade em nome coletivo. por si só. A noção de atividade empresária veio recobrir todas as atividades de caráter econômico. E essas infrações decorrem todas do exercício de uma atividade econômica. No Brasil.

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conta de participação, e a sociedade de capital e indústria – a sociedade por quotas de responsabilidade limitada – regida pelo Decreto 3708/19- e as sociedades por ações – sociedade anônima e sociedade em comandita por ações – previstas na Lei 6404/76. As sociedades civis eram as sociedades do tipo previsto no art.1363 e seguintes do Código Civil de 1916. A qualidade comercial ou civil da sociedade era dada em razão da atividade exercida pela sociedade. Dessa forma, se a sociedade era comercial, a sociedade deveria revestir um tipo comercial, ao passo que, se a atividade era não comercial, a sociedade deveria revestir o tipo civil. No entanto, o art.1364 do Código Civil permitia às sociedades civis adotarem um tipo comercial. Desta forma, caso a sociedade civil opta-se por um tipo comercial, a estrutura da sociedade civil passava a reger-se pelas normas de direito comercial, mantendo-se, porém, como sociedades civis no tocante à atividade. As diferentes possibilidades estão representadas no quadro abaixo, vejamos:
Situação 1 Sociedade de tipo civil Exercício de atividade civil Sociedade civil Situação 2 Sociedade de tipo comercial Exercício de atividade civil Sociedade civil Situação 3 Sociedade de tipo comercial Exercício de atividade comercial Sociedade comercial

Deste modo, já a partir de 1916, havia um esbatimento da distinção entre sociedades civis e sociedades comerciais – pelo menos quanto à forma – pois aa sociedades civis podiam adotar um tipo comercial. Esta distinção entre sociedades civis e comerciais atenuou-se mais ainda em 1994. Até 1994, as sociedades civis (seja as da situação 1, seja as da situação 2) tinham os seus atos constitutivos registrados no Registro Civil das Pessoas Jurídicas. Por seu lado, as sociedades comerciais (isto é, as da situação 3) tinham os seus atos constitutivos arquivados na Junta Comercial. Entretanto, a Lei 8934/94, no art.1, determinou que fossem arquivados na Junta Comercial: a) os contratos sociais das sociedades comerciais (situação 3); b) os contratos sociais das sociedades civis, com forma comercial (situação 2). Portanto, as sociedades comerciais, e uma parte das sociedades civis, passaram a estar sujeitas ao mesmo regime de registro. Com a promulgação e a entrada em vigor do novo Código Civil, o regime societário brasileiro ficou profundamente alterado. Aliás, o ano de 2002 trouxe duas grandes novidades: a entrada em vigor da lei 10303/01, que modificou a Lei das Sociedades por Ações e a promulgação do novo Código Civil. Um dos principais pontos desta alteração é a substituição da dicotomia do regime societário entre sociedades comerciais e sociedades civis, pelo regime de: a) associações; b) sociedades simples; c) sociedades empresárias.
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A distinção entre cada uma destas categorias é a seguinte: a) a sociedade empresária é a que exerce profissionalmente uma atividade econômica organizada para a produção ou circulação de bens ou serviços (por ex.: o caso de uma sociedade fabricante de automóveis); b) a sociedade simples é a que exerce uma atividade intelectual, de natureza científica, literária ou artística, ainda que haja emprego de auxiliares (por ex.: uma sociedade de profissionais liberais – médicos) c) a associação tem fins não econômicos (por ex.: uma associação recreativa ou cultural). Além desta distinção, cabe assinalar que o novo Código Civil criou as seguintes sociedades:
Regime anterior sociedades Comerciais Sociedade em nome coletivo Sociedade em comandita simples Sociedade em conta de participação Sociedade irregular ou de fato Sociedade por quotas de responsabilidade limitada Sociedade de capital e indústria sociedades Civis sociedade Civil Regime do NCC sociedades empresárias Sociedade em nome coletivo Sociedade em comandita simples Sociedade em conta de particicpação Sociedade em comum Sociedade limitada abolida sociedades não empresárias sociedade simples

Portanto, com o novo Código Civil passa a existir um regime único para as sociedades. Não há mais distinção entre sociedades civis e sociedades comerciais. As sociedades que exercem atividade econômica passam a estar todas submetidas ao mesmo regime. Há, portanto, uma unificação do direito societário brasileiro. Esta unificação é ainda reforçada pelo fato do NCC determinar a regência supletiva das regras sobre as sociedades simples, para todas as demais sociedades. Na verdade, as variações vão ocorrer dentro desse regime único, consoante o tipo de atividade – empresarial ou não empresarial – que será exercido.

a adaptação das sociedades à transição normativa No momento da entrada em vigor do Código Civil de 2002 haviam sido constituídas, no Brasil, entre 1985 e 2001, mais de 3.900.000 (três milhões e novecentos mil) sociedades por quotas de responsabilidade limitadas no Brasil. No mesmo período, haviam sido constituídas cerca de 17.000 (dezessete mil) sociedades anônimas1. Portanto, quando da transição de um quadro normativo para o outro, estava em causa um universo gigantesco de sociedades, sociedades estas com características muito diferentes. Por exemplo, as sociedades limitadas cobrem uma grande variedade de atividades de tamanhos diferentes, desde o pequeno comércio da padaria, da mercadoria, do açougue, do

1 V. site www.dnrc.gov.br, acessado em 28.04.07

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restaurante, até à indústria de médio porte, em alguns casos a indústria também de grande porte e cobrem também as sociedades “holding” de grupos financeiros, indústrias e etc. Neste aspecto uma das questões interessantes do Código Civil de 2002 é, precisamente, a necessidade de ter uma norma que seja ao mesmo tempo geral, para cuidar de todas as sociedades limitadas, e ao mesmo tempo uma norma que seja suficientemente precisa ou específica para cuidar dos diferentes problemas de cada molde, de cada tipo de sociedade limitada. Quando da entrada em vigor do Código Civil de 2002 houve uma grande resistência, como é natural em todas as mudanças. O Código Civil de 2002 sofreu forte rejeição, pois o Código Civil veio provocar uma profunda mudança nas regras então vigentes para a atividade societária2. Com efeito, além de abolir o conceito de sociedade comercial e criar o conceito de sociedade empresária, conforme visto no item 2 acima, o Código Civil modificou substancialmente as regras de constituição e funcionamento das sociedades, em especial das sociedades limitadas, das sociedades em nome coletivo, das sociedades em comandita e das sociedades em conta de participação e criou as novas figuras das sociedades em comum e das sociedades simples3. Como se passa a demonstrar, o Código Civil de 2002 não apenas trouxe novas regras, mas essas novas regras afetam os direitos dos sócios, cabendo então examinar como tratar essas modificações à luz da Constituição da República que protege o ato jurídico perfeito e o direito adquirido.

a modificação das regras do jogo societário Sem querer entrar no detalhe de todas as mudanças, há algumas que merecem destaque, pis são as mais relevantes. Entre elas está, certamente, a forma das deliberações sociais. O novo Código Civil institui a assembléia geral e a reunião dos sócios, e faz desaparecer um pouco aquele estado de “deliberação permanente” que há num determinado tipo de sociedade limitada. Trata-se, no caso, das sociedades de grande proximidade, com poucos sócios que se dedicam diuturnamente à atividade empresária. Esses sócios não realizam reuniões formais de sócios e muito menos assembléias gerais. Os sócios encontram-se diariamente, trabalham em conjunto e vivem naquilo que poderia ser chamada assembléia geral ou reunião de sócios permanente. Uma segunda mudança diz respeito à periodicidade das reuniões e assembléias gerais. No regime anterior ao Código Civil de 2002 não havia uma periodicidade estabelecida. Os sócios podiam reunir-se a qualquer momento ou poderiam nunca se reunirem formalmente. O Código Civil de 2002, no art.1071, inc.I, criou a obrigação de pelo menos uma reunião anual para tomar as contas dos administradores e aprovar o balanço. Uma terceira mudança – e que talvez seja a mais importante – dizem respeito aos quoruns de deliberação. Anteriormente, as regras eram muito simples: As deliberações sociais – independentemente da matéria – eram tomadas pelo voto dos sócios que representavam cinqüenta por cento mais um do capital social. Após o Código Civil de 2002, as deliberações passam a ter uma multiplicidade de quoruns. Por exemplo, (i) quorum de cem por cento do capital social para designar o ad-

Basicamente as bem conhecidas e experimentadas disposições do código comercial de 1850 e do decreto 3708/19, disposições cuja longevidade é de salientar num país como o Brasil em que as leis são revogadas e novas leis são promulgadas a uma velocidade vertiginosa.
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as sociedades anônimas e as sociedades em comandita por ações tiveram as suas regras preservadas, pois estão submetidas ao disposto na Lei 6404/76 os arts.1080 e 1090 do código civil estabeleceram a continuação da regência daquela lei especial.
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por mais dois anos. [. Este prazo foi prorrogado para as sociedades por mais um ano e. era possível sustentar a existência de quotas preferenciais com fundamento em dois pontos: (i) o decreto 3708 não fazia menção à totalidade do capital social.. a conclusão é clara: Existe uma diferença entre o regime anterior e o regime do novo Código Civil. o art. Já os efeitos do ato após a entrada em vigor do novo Código Civil passam a ser os efeitos atribuídos pelo novo Código Civil.18 do decreto 3708. o desempate já não é mais pela sorte. (iii) quorum de dois terços do capital social para nomear o administrador não sócio. 2031 determina que as associações. foram extintas as quotas preferenciais sem direito a voto. era escolhida por sorteio. é que a solução será dada por decisão judicial).ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa ministrador não sócio. a deliberação que prevalecia. Ou seja. incorporação e cisão da sociedade. 2033 determina que as modificações dos atos constitutivos das sociedades regem-se.. tais como as ações preferenciais. pelo Código Civil de 2002. Houve também uma mudança no modo de desempate das deliberações sociais. aos preceitos dele se subordinam. a aplicação das novas regras às sociedades Em primeiro lugar. em caso de empate. as alterações do contrato social serão realizadas de acordo com os percentuais de deliberação estabelecidos no próprio Código Civil. ao contrário do que era admitido no regime do Código Comercial de 1850 e do decreto 3708. Em seguida. a constituição do ato e os requisitos de validade para a constituição do ato são os da época em que o ato foi praticado. Isto significa que. (iv) quorum de dois terços do capital social para destituir o administrador que é sócio da sociedade e que foi nomeado administrador no contrato social. (ii) por força do art. quando o capital já está integralizado. Acresce que a enumeração dos quoruns de deliberação no art. Finalmente. o artigo 2035 segundo o qual: “A validade dos negócios e demais atos jurídicos constituídos antes da entrada em vigor deste Código obedece ao disposto nas leis anteriores.]” Ou seja. No antigo regime o desempate era pela sorte. para as associações e fundações.. na medida em que o Código Civil de 2002. [. De acordo com o Código Civil de 2002. Cabe então perguntar como é que se faz a transição entre estes dois regimes? Algumas pistas são dadas pelo próprio Código Civil. Deste modo.. A conseqüência de todos estes dispositivos é que as novas regras (inclusive os percentuais de deliberação) aplicam-se às sociedades constituídas antes da entrada em vigor do FGV DIREITO RIO 17 . a sociedade por quotas de responsabilidade limitada podia adotar institutos próprios da sociedade anônima. as partes não têm mais a possibilidade de dispor sobre percentuais.] mas os seus efeitos. quando o capital social ainda não estiver totalmente integralizado. desde logo. os votos serão contados por número de sócios. (i) quorum de três quartos do capital social para alterar o contrato social e deliberar sobre transformação. só se o empate persistir. no período de adaptação das sociedades ao novo Código Civil.1076 do novo Código Civil é expressa. Anteriormente. dando cogência ao conteúdo deste artigo. produzidos após a vigência deste Código. fusão. sociedades e fundações constituídas na forma das leis anteriores terão prazo de um ano. o art. ao estabelecer os quoruns de deliberação faz sempre referência à totalidade do capital social e não à totalidade do capital social votante. ou seja. a partir da vigência do Código Civil para adaptar-se às disposições deste Código Civil. Por outro lado. mas por cabeça (em caso de empate de votos por correspondência ao capital social.

este sócio-administrador somente poderá ser destituído se ele. Assim. Deste modo. FGV DIREITO RIO 18 . Até janeiro de 2004. Este sócio. Com efeito. No dia da entrada em vigor do novo Código Civil de 2002. 1054 e 997 relativos ao ato constitutivo de sociedades limitadas não se aplicam ao ato constitutivo de uma sociedade limitada constituída antes da entrada em vigor do novo Código Civil. todos os que não aproveitaram o período da “vacatio legis” para modificar antecipadamente o contrato social. constituído sobre a égide da lei anterior. destituía gerentes. O impacto destas regras é enorme num determinado tipo de sociedade. concordar com a sua destituição). O direito adquirido é aquele que.3. este sócio – que havia adormecido na noite anterior como controlador da sociedade – acordou sem mais qualquer poder de controle sobre a sociedade. Este sócio alterava sozinho o contrato social. para criar algumas cláusulas e algumas alternativas que assegurassem o controle. sócio-administrador. a constituição da sociedade rege-se pela lei em vigor ao tempo do ato constitutivo. já não pode mais alterar o contrato social.1 Argumentos a favor da não aplicação das novas regras Face a esta situação. tendo produzido seus efeitos sobre a égide dessa lei anterior. sozinho. Em virtude da regra do ato jurídico per- 4 Os sócios que tinham até cinqüenta por cento do capital social não tinham o controle da sociedade e os sócios que tinham mais de setenta e cinco por cento do capital social continuam a ter a maioria dos direitos de controle. Assim. cumpre examinar se a aplicação do Código Civil de 2002 às sociedades já existentes não viola o ato jurídico perfeito e o direito adquirido. O ato jurídico perfeito é a regra que preserva os pressupostos de validade da constituição do ato (no caso das sociedades. o ato de constituição das sociedades). se o administrador é também sócio. nomeava gerentes. O ato jurídico perfeito pode ser definido como um ato consumado sob a égide da lei anterior. mudava a sede da sociedade. perderam o controle sobre a sociedade. já não pode mais destituir um administrador (em especial. os requisitos dos arts. ambos garantidos pela Constituição da República. Os sócios controladores que não tomaram cuidado de alterar o contrato social antes da entrada em vigor do novo Código Civil. tem mais de 1/3 do capital social e tiver sido nomeado administrador no contrato social. inclusive quanto às deliberações que devem ocorrer para adaptar essas sociedades ao novo Código Civil. com a entrada em vigor do novo Código Civil houve uma “usurpação” do controle das sociedades limitadas para todos os sócios que tinham entre cinqüenta a setenta e cinco por cento. deliberava aumento do capital social e etc. o sócio titular de quotas representativas de cinqüenta por cento do capital social mais uma fração tinha assegurado o controle da sociedade. a sociedade que mais sofreu com a entrada em vigor do novo Código Civil é aquela sociedade controlada por sócios titulares de quotas representativas entre cinqüenta a setenta e cinco por cento do capital social4. perderam o controle da sociedade. alterava o objeto social. dá ao seu titular o direito de exercê-lo em momento futuro.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa Código Civil de 2002. a alteração das regras societárias face ao ato jurídico perfeito e ao direito adquirido 3. neste caso. Deste modo.

o art. XXXVI. talvez as mais candentes com relação ao ato constitutivo. e essa retroatividade viola o art. Portanto. No sentido de que o Código Civil de 2002 não se aplica às sociedades já existentes à época da sua entrada em vigor há dois fortes argumentos. precisamente.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa feito. da Constituição aplica-se a toda e qualquer lei infraconstitucional. segundo o qual “a lei não prejudicará o direito adquirido. os direitos dos sócios perante a sociedade e os direitos dos sócios perante os outros sócios continuariam a ser regidos pelas normas anteriores ao novo Código Civil. se a lei nova for aplicada aos efeitos futuros do contrato. em 25/06/92. da Constituição da República. inc. proferido na Ação Direta de Inconstitucionalidade 493/0 do Distrito Federal. apesar do art. Portanto. essa lei será retroativa (ainda que seja um caso de retroatividade mínima. Assim. as regras substanciais não seriam modificadas pelo Código Civil de 2002. Neste acórdão. FGV DIREITO RIO 19 . Inclusive. Esta regra pode-se aplicar a duas situações. A primeira é a da sociedade constituída – antes do novo Código Civil – entre marido e mulher. os direitos dos sócios perante terceiros.5. Por outro lado. este quoruns também deixariam de ser aplicados.5. Na medida em que estes novos quoruns representam a aplicação de uma nova lei. seriam procedimentais as regras relativas à convocação dos sócios para as deliberações e as regras relativas às formalidades de tomada de posse dos administradores. casados sob o regime de comunhão universal de bens. em virtude do ato jurídico perfeito e do direito adquirido). Ou seja. é possível ir mais longe e distinguir entre as regras procedimentais (que seriam de aplicação imediata) e as regras substantivas (que tratam de direitos substanciais e que não seriam de aplicação imediata. sem qualquer distinção entre norma de direito público (cogente) e norma de direito privado (eventualmente supletiva). estas regras do novo Código Civil aplicar-se-iam mesmo às sociedades constituídas no regime anterior. essa sociedade poderia continuar a existir. por maioria. essa lei nova passa a ter retroatividade.XXXVI. inc. O segundo argumento é um importante acórdão do Supremo Tribunal Federal. inc. aos efeitos de um contrato celebrado anteriormente a ela. Ou seja. da Constituição. que se a lei nova alcançar efeitos futuros de contratos celebrados anteriormente a ela.5. O disposto no art. Já a regra do direito adquirido determina que os efeitos futuros do contrato social regem-se também pela lei anterior ao novo Código Civil. todas as regras relativas aos direitos e deveres dos sócios. Na época em que a sociedade foi constituída. A segunda situação é.XXXVI. os quoruns de deliberação seriam os da lei anterior. relativa aos quoruns de deliberação das sociedades limitadas no novo Código Civil. o ato jurídico perfeito e a coisa julgada”. o Supremo Tribunal Federal decidiu. Assim. a sociedade preenchia os requisitos de validade. o ato constitutivo desta sociedade rege-se pelas regras anteriores (Código Comercial de 1850 e decreto 3708). o regime de responsabilidade dos sócios perante terceiros. porque vai interferir na causa que é um ato ou fato ocorrido no passado). Por um lado. Por exemplo.997 do Código Civil proibir a sociedade entre cônjuges casados sob o regime da comunhão universal de bens.

no acórdão proferido no Recurso Especial No. e na França não existia uma lei de sociedade por quotas. Por outro lado. conforme demonstram os exemplos a seguir: • Seria possível invocar o direito adquirido para permitir que a sociedade continuasse a exercer uma atividade prevista no seu objeto social (portanto uma cláusula contratual).3.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa 3. O mesmo Supremo Tribunal Federal já disso. (iii) a sociedade foi constituída para o exercício dessa atividade. já iniciada no mo- Este é um problema que não é unicamente brasileiro. (v) portanto. prevista no Código Comercial. o Supremo Tribunal Federal disse o seguinte: “O FGTS. com fundamento no direito adquirido. por força do ato jurídico perfeito e do direito adquirido? • Há.5. Se as regras procedimentais do novo Código Civil aplicam-se imediatamente – conforme visto acima – por que razão o art. o Supremo Tribunal Federal disse que: “não há direito adquirido a um determinado padrão monetário pretérito. efeitos futuros de situações pretéritas. assim é de aplicar-se a ele a firme jurisprudência desta corte no sentido de que não há direito adquirido a regime jurídico”. a alsácia-Lorena foi incorporada à França no final da primeira Guerra mundial. XXXVI. (iv) o exercício dessa atividade era legal no momento da constituição da sociedade. seja ele o mil réis. (ii) o exercício dessa atividade decorre de uma cláusula contratual fundamental. 105. naquela região constituíram-se várias sociedades por quotas de responsabilidade. As sociedades de capital e indústria anteriores podem continuar a existir ou devem ser dissolvidas ou transformadas em um dos tipos previstos no novo Código Civil5? A resposta parece ser negativa. Face a estes dois acórdãos do Supremo Tribunal Federal. mas sim estatutária por decorrer de lei e por ela ser disciplinado. isto é. a favor da aplicação do Código Civil de 2002 às sociedades existentes à época da sua entrada em vigor. surge uma outra questão curiosa. a mesma deve continuar a existir. Uma primeira oportunidade foi no Recurso Extraordinário nr. em diferentes oportunidades. foi abolida pelo novo Código Civil.137.2034 do novo Código Civil determina que a liquidação das pessoas jurídicas.2 Argumentos a favor da aplicação das novas regras No entanto. o cruzeiro velho ou a indexação pelo salário mínimo. ou seja. Recentemente. ao contrário do que sucede com a caderneta de poupança não tem natureza contratual. o pagamento se fará sempre na moeda definida pela lei no dia de pagamento”. a alsácia-Lorena era parte da alemanha e na alemanha já existia uma lei criando as sociedades por quotas de responsabilidade limitada. vejamos: A sociedade de capital e indústria. de uma maneira pragmática. inc. tendo então sido promulgada uma lei francesa de sociedade por quotas para resolver o problema. pois não há sentido considerar uma atividade ilícita e permitir que a mesma continue a ser exercida.855. inclusive. talvez caiba minimizar a aplicação do art. será que os sócios podem sustentar que tendo a sociedade se constituído sob o regime da lei anterior. a propósito de contribuições previdenciárias e de benefícios previdenciários. é possível argumentar em sentido contrário. que o direito adquirido não é absoluto e que há possibilidade de se aplicar uma lei nova a situações pretéritas. 5 FGV DIREITO RIO 20 . a propósito da correção e ao expurgo da correção monetária do FGTS. antes da primeira Guerra mundial. a sociedade e os sócios têm o direito adquirido à continuação do exercício dessa atividade? • Outro exemplo: Se for suprimido um tipo societário. poderiam os sócios arguir que: (i) o contrato social contém esse objeto social. depois da primeira Guerra mundial. de 31 de agosto de 2000. por causa da alsácia-Lorena. da Constituição. quando tal atividade se tornasse proibida por lei? • Se o Estado promulga uma lei segundo a qual determinada atividade não pode mais ser exercida no Brasil. onde por acórdão datado de 31 de maio de 1985. 226. conseqüentemente. as sociedades por quotas de responsabilidade limitada foram introduzidas na França. um caso prático.

E essa adequação foi realizada. produzidos após a vigência deste Código. constituídos antes da entrada em vigor deste Código. Conseqüentemente. esse regime jurídico foi alterado pelo novo Código Civil.] mas os seus efeitos. Ou seja. desaparece um regime jurídico e surge um outro regime jurídico. os sócios inseriram no contrato uma cláusula específica prevendo a execução do direito de voto. é possível afirmar que. [. o sócio tem o direito de voto e continua tendo direito de voto no novo Código Civil.2035 do novo Código Civil. outros pontos que merecem alguma reflexão. Há. ainda. Na verdade. dois argumentos de ordem jurídica). as disposições transitórias também determinavam a adequação dos estatutos das sociedades anônimas então existentes. conclui-se que não é possível ir tão longe a ponto de dizer que – apoiadas no ato jurídico perfeito e no direito adquirido – as sociedades podem continuar a atuar sob o regime jurídico anterior e que não é preciso fazer a adaptação dos contratos sociais.. à nova lei. O segundo ponto é que nem os sócios nem as sociedades têm direito. como já afirmou o Supremo Tribunal Federal a propósito do FGTS. neste caso concreto. não obstante os direitos adquiridos. dentro das novas disposições legais.. quais os efeitos daquele direito de voto e quais são as modalidades do exercício desse direito de voto. há alguns bons argumentos a favor da aplicação do Código Civil de 2002 às sociedades anteriormente constituídas e a favor da necessidade dessa adaptação dos contratos sociais destas sociedades. Todavia. a um regime jurídico. E primeiro lugar. é possível sustentar que os quoruns de deliberação FGV DIREITO RIO 21 . pelo que os sócios e as sociedades têm que se adaptar a esse novo regime jurídico. dois argumentos de ordem prática (e não. Neste termos. se o contrato social contém uma cláusula indicando que as deliberações dos sócios devem ser tomadas por um determinado percentual do capital social. segundo o qual “A validade dos negócios e demais atos jurídicos. aos preceitos dele se subordinam. sem que obstáculos fossem suscitados.2035. propriamente. Deste modo. O segundo argumento – também de ordem prática – é que quando a Lei 6404/76 que reformou integralmente as regras sobre sociedades anônimas entrou em vigor. faz-se sob o regime da lei anterior e não sob o regime do novo Código? Face a estes diversos exemplos. os sócios haviam seguido um determinado regime jurídico para as sociedades por quotas de responsabilidade limitada. Uma exceção a aplicação imediata do novo Código Civil esta prevista no final do art. A conseqüência do Código Civil de 2002 é que o direito de voto será exercido de acordo com um novo quadro legislativo.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa mento da entrada do novo Código Civil. O primeiro é que o novo Código Civil deve aplicar-se imediatamente às sociedades já existentes. regime jurídico esse que era garantido pelo Código Comercial de 1850 e pelo decreto 3708. como o direito de voto vai ser manifestado. Não existe nenhum dispositivo que prive o sócio do direito de voto nas deliberações sociais. Assim. salvo se houver sido prevista pelas partes determinada forma de execução”. se o contrato social contiver cláusula neste sentido. O primeiro argumento é que é possível aplicar o novo Código Civil porque o novo Código Civil expressamente menciona a sua aplicação. isto é. porque ele não modifica os direitos dos sócios. mas apenas as modalidades do exercício do direito dos sócios. no prazo de um ano. em razão da parte final do art. obedece ao disposto nas leis anteriores.

pois esta regra.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa do novo Código Civil não se aplicam à sociedade.986 a 990 do novo Código Civil. ainda que indiretamente. a sociedade torna-se uma sociedade em comum. com algumas conseqüências importantes como a responsabilidade solidária e ilimitada dos sócios. os sócios passam a responder perante terceiros ilimitadamente e solidariamente pelas dívidas da sociedade. Ou seja. uma vez que o registro da sociedade perde a sua validade e um registro não válido equivale a um registro inexistente. Entretanto. a situação da sociedade que não se adaptou ao Código Civil de 2002 Para finalizar cabe agora examinar o que acontece à sociedade que não adaptou o seu contrato social ao novo Código Civil. porque o contrato social contém uma cláusula determinando que as deliberações sejam tomadas pelo voto dos sócios titulares da maioria do capital social. Sendo esta a conseqüência. e não obstante as diversas considerações apresentadas. a prática demonstra que a maioria dos contratos sociais não contém cláusula relativa às deliberações. A sociedade passa então a reger-se pelos arts. Neste caso. parece não valer a pena correr o risco de a sociedade regular ser transformada em sociedade comum.15 do decreto 3708. FGV DIREITO RIO 22 . estava determinada no art.

Nele estarão registrados o objetivo do negócio. 03 E 04: REUNIÃO COM ClIENtE PARA ElAbORAÇÃO DO CONtRAtO SOCIAl Nas aulas seguintes aprenderemos sobre a importância da orientação empresarial através do fornecimento de princípios básicos para quem pretende montar um negócio. – Onde abrir o negócio e qual o espaço necessário? Os sócios terão uma noção prévia do funcionamento do negócio do ponto de vista mercadológico e saberão quais exigências terão que atender para a sua instalação. estratégias de marketing. Recomenda-se que os sócios busquem informações relevantes do seu negócio em jornais. 22 FGV DIREITO RIO 23 . riscos. Esse levantamento torna possível gerar um diferencial competitivo. seja por meio da atividade individual ou coletiva. Algumas perguntas22 são fundamentais na hora de elaborar o Plano de Negócios. diminuindo os riscos do insucesso. Daremos enfoque na análise prévia e planejamento adequado antes da constituição de uma sociedade. – Texto II: Família é uma coisa. ementário de temas: – Elaboração do “Plano de Negócio”. – Regência supletiva pelas normas das sociedades por ações. planejamento financeiro e tudo mais que for relevante para iniciar um negócio específico ou ampliar um já existente. roteiro de auLa: O Plano de Negócios21 é um documento que visa transformar idéias em situações concretas.com. – Orientação para elaboração do contrato social: Providências preliminares. oferecer o produto ou serviço certo no momento propício e bem atendê-los após a venda.aspx 21 as perguntas deverão ser criadas. Ao optar pela elaboração de um Plano de Negócio.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa AUlAS 02. sebraesp. antes da elaboração do contrato social. público alvo. – Cláusulas obrigatórias e facultativas. os sócios terão a idéia de negócio devidamente analisada.br/principal/ abrindo%20seu%20negócio/or ientaçõescriação%20de%20em presas/passos_elaboracao_plano_negocio. com eficiência e eficácia. empresa é outra. que tem no contrato social o instrumento que representa o entendimento dos sócios quanto aos seus direitos e deveres com vistas à realização do objeto social. – Texto I: Lei não prevê permanência de herdeiros nas Limitadas. sindicatos e outras entidades setoriais. O passo a passo para a elaboração do plano de negócios pode ser encontrado no link: http://www. adaptadas e modificadas conforme a realidade do negócio. por exemplo: – Qual atividade que os sócios gostariam de desenvolver? – Qual a experiência e conhecimento sobre a atividade que os sócios têm? Compreender os fatores externos e internos que afetam (ou poderão afetar) diretamente o desempenho da sociedade é muito importante para o sucesso do negócio. – Qual será o público alvo e como conquistar o mercado? Permite conhecer e entender as necessidades dos clientes. revistas e publicações profissionais/técnicas.

o “passo a passo” para a abertura de uma sociedade. Ao apresentar o Plano de Negócios. carteira de identidade profissional.24 Qual a documentação necessária? Além do contrato social. consultor de marketing.htm 23 orientação para elaboração de contrato de sociedade Limitada. Carteira de Trabalho e Previdência Social. 997.00 Lucro Líquido mensal: R$ 2. ou seja. do CC/2002) PESSOA FÍSICA (rectius NATURAL): nome completo. Exemplo: Investimento total: R$ 80. pela mãe ou tutor.23 Escolha de fornecedores e pesquisa de concorrentes? Identificar quantos concorrentes estão oferecendo o mesmo produto e/ou serviço. 977 do código civil de 2002 trouxe uma vedação quanto à convivência da affectio societatis e da affectio maritalis quando nesta última os cônjuges forem casados sob o regime de comunhão universal de bens (art.uol. mesmo. deve levar em consideração àqueles que permitam sempre melhores margens de ganho. 1. se existem linhas de crédito e incentivos (Municipal.00 Investimento total: R$ 80. seu número. na aula 02. domicílio e residência (tipo e nome do logradouro.br 24 as instruções estão disponíveis no site do sEBRaE. preço. que veremos a seguir. e a qualificação completa do(s) assistente(s). número.com. constar também do preâmbulo a expressão “REPRESENTADO POR” e a qualificação completa dos representantes. Quais são os fatores críticos de sucesso do negócio? Quanto e que tipo de recursos será necessário para o empreendimento? Não existem limites ou regras para o valor que deve ser utilizado de capital próprio para investimentos.000. atentando para qualidade. data de nascimento (se solteiro). 1.br O art. mais os aumentos (aporte) de capital adicional. já estudamos. forma de arrumação de produtos nas prateleiras e/ou divulgação do serviço etc. profissão. nacionalidade. a taxa de rentabilidade do investimento é calculada da seguinte forma: Lucro Líquido dividido pelo Investimento.667) ou sob o regime de separação obrigatória de bens (art. bairro/distrito. naturalidade. constar também do preâmbulo a expressão “ASSISTIDO POR”. facilidade de acesso. FGV DIREITO RIO 24 .690.dnrc. Carteira Nacional de Habilitação – modelo com base na Lei nº 9.com. como calcular o Retorno do Investimento? Investimento é todo o capital aplicado na empresa. carlos pougy. documento de identidade. certificado de reservista. em aula. nº do CPF. Estadual ou Federal). CC/2002): – maior de 16 anos – deve ser assistido pelo pai. Qualificação completa dos sócios: (art.5 % ao mês O prazo de retorno do investimento realizado é calculado da seguinte forma: Investimento dividido pelo Lucro Líquido. 28 código de Trânsito Brasileiro. A escolha de recursos próprios e de terceiros. pois não precisa ser profissional experiente para tanto25. estado civil27. acabamento. órgão expedidor e UF onde foi emitida (documentos válidos como identidade: carteira de identidade. – solteiro menor de 18 anos: (art. Exemplo: Lucro Líquido mensal: R$ 2. Qual a previsão de retorno para o investimento? O principal indicador para acompanhar a viabilidade do negócio é o retorno do investimento.gov.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa – – – – – “através de ações dirigidas. Unidade Federativa e CEP). analisaremos. pela mãe ou tutor. sempre é bom avaliar bem as alternativas. Disponível em: http://www2. 1.sebraesp.br/canalexecutivo/artigosc.000.000. – menor de 16 anos – deve ser representado pelo pai. parte do investimento deve ser “devolvida” e essa devolução acontece quando a sociedade gera o lucro.503/9728). regime de bens (se casado).000. município.00 prazo de retorno: 40 meses Fonte: www. Mensalmente.00 Taxa de rentabilidade: 2. cada qual com as críticas cabíveis26. I. 1.687). A partir dos itens elencados pelo Departamento Nacional de Registro do Comércio. a oferta de produtos e de serviços para nichos específicos de mercado ou. o cliente contribuirá para a excelência na elaboração do contrato social além de dispor de um documento que o ajudará a acompanhar a evolução do seu negócio. O cliente deve ser orientado para preparar um Plano de Negócios e de como fazê-lo. para um consumidor individualmente”. 25 26 27 Fonte: www. seja o capital social inicial. qualidade no atendimento. mais os lucros reinvestidos na sociedade.

VI – o prazo de duração da sociedade. sem que dos mesmos conste: I – a declaração precisa e detalhada do seu objeto. Objeto social: (art. feita antes o registro no Registro Público no caso de outorga pelos pais ou por sentença. 5629. V – os nomes dos diretores por extenso e respectiva qualificação. roupas infantis. 997. – sociedade limitada. 9º) Obs. 1. III – o nome por extenso e qualificação de cada um dos sócios acionistas. com poderes específicos. 997. I. – sociedade anônima. CC/2002) a) indicação numérica e por extenso do total do capital social. – sociedade em comandita simples. as juntas comerciais ou órgãos correspondentes nos Estados não poderão arquivar quaisquer atos relativos à constituição. bairro/distrito. fusão. CC/2002) Tipo e nome do logradouro.158. que pode ter valor desigual. – sociedade em comandita por ações. III e IV. comércio ou serviços) e espécie (calçados. a prova da emancipação (art. b) mencionar o valor nominal de cada quota. CC/2002) – não pode conter as expressões “ME” ou “EPP”. taxativo. PESSOA JURÍDICA: nome empresarial. incorporação ou agrupamento de empresas. II – o capital de cada sócio e a forma e prazo de sua realização. II. 3. que deverá ser obedecido. 56. devendo conter sua declaração precisa e detalhada. II e art. número. com poderes para receber citação. – procurador: constar do preâmbulo. nos respectivos atos constitutivos. (art. Sócio Analfabeto: também o nome e a qualificação completa do procurador constituído. limpeza. por exemplo). complemento. 6. e se sediada no Brasil. 997. 4. 5. qualificação completa dos representantes da empresa no ato. 2. NOME E QUALIFICAÇÃO COMPLETA. 976. CC/2002) Diz respeito à atividade que será desenvolvida. O Código Civil apresenta um rol. (art. FGV DIREITO RIO 25 . do CC/2002). Endereço comercial da sede e de filiais declaradas: (art. arquivando. NIRE (número de identificação do registro de empresas) ou número atribuído no Cartório de Registro Civil das Pessoas Jurídicas e o nº do CNPJ (Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas). 997. por instrumento público. Capital social (art. mencionando gênero (indústria. município. IV – o local da sede e respectivo endereço. Nome empresarial: (art. (art. Indicação do tipo jurídico da sociedade. espécie e valor das ações. 997. I da Lei nº 8. escolhendo-se o tipo societário que melhor se apresenta para a situação de fato: – sociedade simples. II.884/9430). VII – o número. 29 30 Lei que trata da prevenção e da repressão às infrações contra a ordem econômica e transformou o conselho administrativo de Defesa Econômica – caDE em autarquia. – a composição do nome deve observar as regras gerais e as próprias do tipo escolhido (firma social ou denominação). art. anteriormente registrado. CC/2002) – sócio domiciliado no exterior: nomear procurador no Brasil. endereço completo da sede. – sociedade em nome coletivo. UF e CEP. transformação. após o nome e qualificação completa do sócio: “REPRESENTADO POR SEU PROCURADOR. juntado ao processo o respectivo instrumento de mandato”. inclusive das filiais declaradas.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa – se emancipado (maior 16 anos) constar da qualificação a forma da emancipação. em separado. bem como quaisquer alterações. – não pode ser idêntico ou semelhante a nome já protegido isto é.

061.061.056. (artigos 1.060. 1. dados relativos a sua titulação. o ingresso de herdeiros poderá acontecer se não houver cláusula contratual que impeça. 8. 1. se totalmente integralizado. Administração: (art. d) estrangeiro. 997. no prazo de até 30 dias da data de sua designação. pois a responsabilidade dos sócios decorre do texto legal. Cessão de quotas. CC/2002) c) sócio menor – somente se emancipado. para terceiros que contratarem com a sociedade. 1. CC/2002) Indicar o prazo de duração indeterminado ou determinado (neste caso indicar o início e o fim da sociedade). 997. número de matrícula no Registro de Imóveis e autorização do cônjuge no instrumento contratual com a referência pertinente.063 e 1.062). se determinado. VI. apesar de redundante. CC/2002) A responsabilidade dos sócios. art. para representar a sociedade.064 todos do CC/2002) a) Designar pessoa(s) naturais. art.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa c) mencionar o total de quota(s) de cada sócio. caracterizando uma sociedade de capital. se o capital não estiver integralizado e de no mínimo dois terços. e.031. a sociedade tem que continuar. De outra forma. FGV DIREITO RIO 26 . Muitas vezes. 10. b) O contrato pode estabelecer a designação de administrador NÃO sócio. Indicar o prazo de gestão. d) declarar a forma e o prazo de integralização do capital. 1. (artigos 1. f ) integralização com bem imóvel: descrição e identificação do imóvel. 7. sua área. 31 O administrador não sócio. salvo se o regime de bens for o de separação absoluta. apresentar a carteira de identidade com o visto permanente.062.052. Falecimento/interdição de sócio. Dependerá de aprovação unânime dos sócios. definir um percentual limite de sócios que deverão anuir com o ato de cessão.003 e 1. 9. seguindo a orientação do Código Civil. ou seja. CC/2002) Eis um dos casos que denotam a importância da cláusula que dispõe sobre a cessão de quotas. deve ser mencionada no contrato social para um melhor esclarecimento e conhecimento de todos os sócios que da sociedade façam parte e. o capital deverá estar totalmente integralizado. 1. não admitindo a transferência das quotas àquele estranho à sociedade (exceto se houver unanimidade dos sócios autorizando-a no instrumento de cessão).028 e 1. sob pena da nomeação perder a validade (art. 11. poderão estabelecer que a transferência das quotas se dará independentemente da vontade dos sócios ou. 1. suas atribuições e limites de poderes. deverá firmar termo de posse no livro de ata da administração. os herdeiros desconhecem ou não estão interessados e assumem o negócio gerando confusão e prejuízo. art. designado em ato separado. CC/2002) Optando os sócios por garantir à sociedade característica típica “de pessoas”. se a intenção dos sócios for constituir uma sociedade onde a pessoa do sócio não tem relevância para sua formação. além da permissão para usar o nome empresarial. II. Prazo de duração da sociedade: (art. da mesma forma. e) se houver sócio menor. poderão estabelecer no contrato social vedação ao ingresso de terceiros. caso não se ajuste esta indicação em ato separado31. Na falta de um dos sócios (seja pela interdição ou pelo falecimento). Responsabilidade dos sócios: (art. 1. (art.

Obs: sócio menor de 16 anos. aprovado pela In 98/2003 (DnRc).307/96 e art. não podem ser arquivados: (. 1. do Dec.. CC/2002) e à colocação destes documentos à disposição dos sócios não administradores. § 1º. a não inclusão destas em nada impede o arquivamento do contrato social no registro competente. Local e data (dia. (art. 1. art. DEVERÁ a Junta Comercial EXIGIR o RECONHECIMENTO DE FIRMA (Lei no 9. Vll. art. 1. (art. 1. 1..061.. bem como os endereços completos das filiais declaradas. Inserir cláusulas facultativas desejadas. além de outros exigidos em lei: (.27 do manual de atos de Registro de sociedade Limitada. (art. mês e ano). 34 35 36 37 38 39 40 41 art. e) instituição de conselho fiscal38.078.800/96) OU cláusula compromissória elegendo a Arbitragem para dirimir litígios relativos a direitos patrimoniais disponíveis (art. 13.) e) o nome empresarial. pelo fato de não serem obrigatórias.784/99).085.011. 997. 1. no entanto. (art. art. desde que submetam-se aos princípios gerais de Direito. Os exemplos acima não esgotam o ajuste de outras cláusulas que podem ser adicionadas ao contrato social. Foro: indicar o domicílio onde se exercitem e cumpram os direitos e obrigações deles resultantes. até trinta dias antes da reunião ou da assembléia de sócios. do balanço patrimonial e do balanço do resultado econômico (art. 1. 853. Orientação do item 1. 1o. art. Assinatura dos sócios ou dos seus procuradores no fecho do contrato social. IV e 170 da constituição Federal de 1988. 53. em destaque o Direito dos Contratos.031. art. CC/2002). 53. b) regras acerca da administração da sociedade35. CC/2002). seguindo à risca o princípio constitucional da livre iniciativa33. g) exclusão de sócios por justa causa40. com endereço completo. ao abranger as cláusulas que determinam as matérias contratadas pelos sócios livremente e que irão adequar a sociedade de acordo com suas particularidades. FGV DIREITO RIO 27 .) III – os atos constitutivos e os de transformação de sociedades mercantis. Não é necessário o reconhecimento das firmas dos sócios41. 32 art. CC/2002) e a referência ao julgamento das contas no primeiro quadrimestre seguinte ao término do exercício social pelos sócios (art. f ) regras referentes às reuniões de sócios39. 1013.) 33 artigos 1º. 1. Participação dos sócios nos lucros e perdas: indicação da participação proporcional dos sócios nos lucros se outro ajuste não for estipulado. d) autorização para que a pessoa não sócia exerça a função de administrador37. III. 17. 15. Na dúvida quanto à veracidade da assinatura aposta. 1. (. Como cláusulas facultativas. – sócio maior de 16 e menor de 18 anos. o município da sede. notadamente às normas do Direito das Obrigações. 1.072. art. o ato será assinado. Eis alguns exemplos de cláusulas facultativas: a) conseqüências em caso de retirada ou exclusão de sócio34. CC/2002).ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa 12. Lei 9. pelo sócio e seu assistente.. sendo vedada a atribuição da totalidade a apenas um deles. Cláusula de inexistência de impedimento para o(s) administrador(es) se não apresentada esta declaração em separado. parágrafo único.2. Data de encerramento do exercício social: indicar a data do término de cada exercício. É da essência do ato de constituição de sociedade empresária a participação nos lucros e nas perdas por cada um dos sócios. se deles não constarem os seguintes requisitos. CC/2002). o ato será assinado pelo representante do sócio.. com a reprodução de seus nomes. e32. c) previsão de regência supletiva da sociedade pelas normas da sociedade anônima36. 1. 16.053.066. e foro.078.065. 18. para a elaboração do inventário. conjuntamente. 14.. elas são a verdadeira expressão da vontade dos sócios.

ela não é empresarial e a responsabilidade dos sócios é ilimitada. Assinatura das testemunhas: Não são obrigatórias as assinaturas das testemunhas.404/76. No caso da regência supletiva pelas normas da sociedade simples.404/76) à sociedade limitada em caso de omissão. quando prevê a possibilidade da regência supletiva pela Lei 6. § 3º da Lei 6. aprovado pela In 98/2003 (DnRc). O parágrafo único do art. Nos demais casos. se o voto não tiver prevalecido.052 a 1. se o voto proferido foi decisivo para a aprovação da deliberação. 48 autores: alexandre Ferreira de assumpção alves e maurício moreira mendonça de menezes. publicidade. será suprida pela Lei 6. o sócio que participar de deliberação na qual tenha interesse em contrário ao da sociedade.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa 19. É possível. 47 Orientação do item 1.. os sócios poderão adequar o contrato social e. permite uma saída para os sócios afastarem a aplicação supletiva das normas da sociedade simples. 1º da Lei nº 8. emendas ou entrelinhas sem expressa ressalva dos sócios. 9º. ou o art. do art. 187 (abuso do direito). 42 art. assim. 1º O Registro público de Empresas mercantis e atividades afins. de 4 de julho de 1994. § 3º. A aplicação de um ou outro diploma legal dependerá da vontade dos sócios que será reduzida a termo no contrato social. eventual omissão própria do capítulo das Limitadas. ainda. A propósito do tema. a subsidiariedade.) § 2º não se aplica às microempresas e às empresas de pequeno porte o disposto no § 2º do art. 115.. (art. parágrafo 2º44.2. da Lei nº 8.. submetidos a registro na forma desta lei. Seu ato constitutivo é arquivado no Registro Civil de Pessoas Jurídicas enquanto que a Limitada tem o ato constitutivo registrado na Junta Comercial. de forma sistêmica. em seus dispositivos abrangem vários temas. segurança e eficácia aos atos jurídicos das empresas mercantis. por extenso. que o contrato preveja a aplicação supletiva de algumas regras próprias das sociedades simples e outras das sociedades anônimas. 1º. e do número de identidade. quando o “assunto” não estiver previsto nos artigos que integram o capítulo das Limitadas e o contrato social for omisso. art. regência supletiva pelas normas das sociedades por ações Os 35 artigos (1.404/76. A Assembléia de Sócios e o Conselho Fiscal são exemplos de institutos e estruturas que aparecem igualmente nas Limitadas e nas Anônimas. Visto de advogado: visto/assinatura de advogado. sob pena de nulidade. afastando.053 do CC.1 do manual de atos de Registro de sociedade Limitada.) § 2º Os atos e contratos constitutivos de pessoas jurídicas. com a indicação do nome e do número de inscrição na OAB/Seccional (o visto é dispensado para o contrato social de microempresa e de empresa de pequeno porte). aplica-se o disposto no art. subordinado às normas gerais prescritas nesta lei. só podem ser admitidos a registro. pois.(. A justificativa para este posicionamento encontra-se nos pontos de afinidade entre a sociedade limitada e a sociedade anônima. por órgãos federais e estaduais. são atividades privativas de advocacia: (. Rubricar as demais folhas não assinadas. art. será exercido em todo o território nacional.. (. entre eles a aplicação das normas da sociedade simples (arts. ao asseverar que o método é “supletivo”. embora a sociedade simples tenha natureza contratual. aplicar-se-á o disposto no art.27. professores uERj. algumas críticas são feitas. 1. com as seguintes finalidades: I – dar garantia. 997 a 1038) e da Lei da Sociedade por Ações (Lei n° 6. 1º.) Lei de Registro público de Empresas mercantis e atividades afins.. Assim.906/9443 e art.934/9447).. 20. entretanto.) 43 44 Estatuto da advocacia. 1.(. 21. Observação: o documento não pode conter rasuras. e até mesmo aconselhável. § 2º42. que. alguns enunciados aprovados na III Jornada de Direito Civil estabelecem que: Enunciado 21749: Com a regência supletiva da sociedade limitada pela lei das sociedades por ações. poderão ser lançadas com indicação do nome do signatário. para resolvê-lo aplicarse-ão as normas da sociedade simples previstas no Código Civil ou da Lei 6. (art. de forma legível. quando visados por advogados. inciso I46. A possibilidade é clara na redação do p. da Lei Complementar 123/200645). autenticidade.. Lei 8. 1053.ú. nos órgãos competentes.1º.087) que tratam da sociedade do tipo Limitada.906. 9º. órgão expedidor e UF48..404/76 e não pelas regras das sociedades simples. Diante desta opção.010.404/76. 45 46 nova Lei do simples. 49 FGV DIREITO RIO 28 .

DIVERGÊNCIA. juiz Federal sj/Rj. TJ/RJ.2004). Caso gerador. – obrigatoriedade de distribuição do lucro aos sócios. O contrato social pode adotar.03. INVENTÁRIO DE BENS POR SEPARAÇÃO JUDICIAL. ainda que as quotas da sociedade sejam objeto da partilha judicial. 10ª Câmara Cível. (grifo nosso) (Apelação Cível n. Diante do caso: 1. na ausência das normas sobre sociedades limitadas. como uma forma de evitar conflitos familiares.º 2004. – ter os mecanismos de funcionamento dos conselhos fiscal e de administração. DIREITO COMERCIAL – DISSOLUÇÃO DE SOCIEDADE POR QUOTAS DE RESPONSABILIDADE LIMITADA – QUEBRA DA AFFECTIO SOCIETATIS – RECURSO DO EX-CÔNJUGE COMO TERCEIRA INTERESSADA – ILEGITIMIDADE.03051. RESGUARDADA A MEAÇÃO DA EX-MULHER POR MEDIDA ACAUTELATÓRIA DE SEPARAÇÃO DE CORPOS E ARROLAMENTO DE BENS. indique o tipo societário. HOMOLOGAÇÃO DO ESBOÇO DE PARTILHA. José Geraldo Antonio. Enunciado 22351: O parágrafo único do art. entre outras: – restrição à cessão de quotas. existe alguma cláusula especial que deva ser inserida no contrato social? JurisprudênCia.404/76 ou do disposto sobre a sociedade simples. INDEPENDE DE DILAÇÃO PROBATÓRIA. Demonstrada a quebra da affectio societatis. ALIENAÇÃO FRAUDULENTA DE AÇÕES ORDINÁRIAS NOMINATIVAS DA EMPRESA APÓS SEPARAÇÃO DE FATO. Improvimento dos recursos. 51 FGV DIREITO RIO 29 . 50 autor: alfredo de assis Gonçalves neto. AÇÃO DE PARTILHA JUDICIAL POR DISSOLUÇÃO DA SOCIEDADE CONJUGAL. PROCESSO CIVIL. 2. REGIME DE COMUNHÃO UNIVERSAL DE BENS. COMPETÊNCIA DO JUÍZO DE FAMÍLIA PARA APRECIAR A QUESTÃO. autor: alcir Luiz coelho. DECLARAÇÃO DE INEFICÁCIA DOS NEGÓCIOS JURÍDICOS SUBJACENTES À SEPARAÇÃO DO CASAL. HOMOLOGAÇÃO DO ESBOÇO DE PARTILHA.053 não significa a aplicação em bloco da Lei 6. HAVIDOS EM FRAUDE À MEAÇÃO. 1. por não ser ela sócia.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa Enunciado 22250: O artigo 997. tanto as regras das sociedades simples quanto as das sociedades anônimas. impõe-se a dissolução da sociedade com a designação do liquidante. V. Des. QUE APESAR DE CERCADA POR CONTROVÉRSIA JURÍDICA.001. professor Titular da uFpR. jul. 23. Um grupo de 10 pessoas da mesma família decide constituir uma sociedade com as seguintes características. não se aplica a sociedade limitada na hipótese de regência supletiva pelas regras das sociedades simples. A ex-mulher não tem legitimidade para ingressar na ação de dissolução de sociedade da qual era sócio o seu ex-marido.

em face da preclusão pro judicato. 600 do código de processo civil. Segundo ela. admitindo a discussão de prova documental a respeito de fatos incontroversos.028 do novo diploma legal estabelece que se o contrato nada dispuser sobre a sucessão do sócio falecido. Para Fabiana “o contrato social deve ter cláusula expressa prevendo o ingresso dos herdeiros na sociedade”. Entretanto. para deixar a decisão sobre sua ad-missão a critério dos sócios remanescentes. por: Gláucia de abreu andrade/são paulo.várias as formas através das quais se pode prejudicar o cônjuge ou a companheira com atos praticados sob o manto pseudo-protetivo da empresa”. por ato atentatório à dignidade da justiça. UNÂNIME. que não é matéria fática de alta indagação. mas solução de natureza doutrinária e jurisprudencial. em geral. assevera a especialista. 2ª Turma Cível do Tribunal de Justiça do Distrito Federal.. seja para dispor sobre o ingresso automático dos mesmos. mas sim a “devedor”. o valor deve ser calculado tomando por base a situação patrimonial da sociedade e pago em dinheiro no prazo de 90 dias”. NANCY ANDRIGHI em 18/10/1999). III – a sanção prevista no art. mas tão somente aquelas derivadas nas ações de execução estrito sensu. Segundo ela a “regra legal não é conveniente para a grande maioria das empresas. diz. desde que não seja renovada perante o mesmo grau de jurisdição. Muito tem se falado a respeito das alterações nos contratos sociais que o novo Código Civil (NCC) determinou. de ordem pública. “No silêncio do contrato. o artigo 1. o julgador deve ser preocupar em trilhar “caminhos para se chegar a decisões que fujam ao ‘faz de conta’. p. IV – por serem “.. tem seu campo de incidência nas ações de execução. que muitas vezes possuem um patrimônio Fonte: GazETa mERcanTIL de 12/04/04. “O contrato social deve ser cuidadosamente redigido no que diz respeito à situação dos herdeiros na sociedade. (grifo nosso) (APC-5246299/DF. ou qualquer outra alternativa que melhor reflita e atenda aos interesses da sociedade e seus sócios”. a18. podendo ser suscitada e discutida a qualquer tempo e grau de jurisdição. seus herdeiros continuem nos negócios”. Relatora: DES. II – a competência em razão da matéria é pressuposto de validade da relação processual. após sua morte. a questão dos herdeiros nas sociedades limitadas foi esquecida. texto i: Lei não prevê permanência de herdeiros nas Limitadas52 Cláusula no contrato da sociedade tem que contemplar sucessores. apesar de não mais se referir a “executado”. no caso de liquidação das quotas do sócio falecido. diz a advogada. e comportando incidente processual quanto aos efeitos jurídicos dos negócios entabulados pelo cônjuge varão à revelia da cônjuge virago. REJEITADAS AS PRELIMINARES À UNANIMIDADE”. Decisão: DAR PARCIAL PROVIMENTO A AMBOS OS RECURSOS.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa I – a ação de inventário por separação judicial é o leito próprio para apreciação de questões jurídicas surgidas após a separação de fato do casal. a exemplo da ação de inventário por separação judicial combinada com partilha. não podendo ser interpretado ampliativamente para alcançar a execução de toda ordem emanada do poder judiciário. 52 FGV DIREITO RIO 30 . suas quotas serão liquidadas e os respectivos valores pagos aos herdeiros. Outro ponto importante ressaltado por Fabiana diz respeito ao critério de apuração do valor a ser pago aos herdeiros. “A questão surge se o sócio pretende que. É o que afirma a ad-vogada Fabiana Seccomandi Anitablian do escritório Braga&Marafon Consultores e Advogados.

Fabiana diz que em uma sociedade de dois no caso de falecimento de um e não ingressando nenhum herdeiro.com.” Eduardo Calazans. Fabiana afirma que entre seus clientes a solução quanto ao prazo de pagamento aos herdeiros têm sido resolvida com a adoção de uma cláusula que o estipula como sendo em até 24 meses. salvo disposição contratual em contrário. o valor de seus haveres será apurado e liquidado com base na situação patrimonial da sociedade. por: martín Fernandez http://an. No Brasil. segundo o novo Código Civil. que atua nesse segmento desde 1975 e atende empresas do porte de Votorantim. Nesse levantamento tem que se verificar a situação atual da empresa. Segundo ele “o legislador ao dispor sobre a permanência ou não na sociedade quis preservar a vontade de constituir e manter uma sociedade e sem a qual. “Em regra a quota liquidada será paga em dinheiro.htm (acesso em 19/01/06). não pode ela subsistir. Fundador da Bernhoeft Consultoria. Na mesma linha de raciocínio do advogado Álvaro Villaça. afirma que “deve haver vontade mútua tanto dos sócios quanto dos herdeiros. Renato diz que não há motivos para forçar os filhos a assumirem os negócios da família. diz que “não sendo possível ou não existindo interes-se dos herdeiros ou dos sócios remanescentes. Por exemplo. O advogado Álvaro Villaça Azevedo. nas sociedades de pessoas. para que estes últimos ingressem na sociedade em substituição ao sócio falecido. 53 FGV DIREITO RIO 31 . lembra o professor Villaça. mas não têm caixa para saldar a dívida com os herdeiros num prazo tão curto”. “tem que se considerar o valor imaterial. também ressalta que quando o contrato social não prevê a permanência dos herdeiros. acrescenta. no prazo de noventa dias a partir da liquidação”. A frase do consultor Renato Bernhoeft resume os motivos de seu trabalho: preparar empresas familiares para seu momento mais traumático: a sucessão. a advogada Cristina de Andrade Salvador.uol. empresa é outra53: Para consultor. Portobello e Gerdau. do escritório Miguel Neto Advogados. segundo o “Balanço Anual” da “Gazeta Mercantil”.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa elevado. Sadia.br/2003/ nov/23/1ger. melhores sócios são aqueles que não dependem diretamente das relações de parentesco. também do Miguel Neto. finaliza. no entanto. é necessário que seja feito um balanço especial para auferir o valor real das quotas a que os herdeiros do sócio falecido têm direito. à data da resolução. Fonte: portal an (a notícia). texto ii: família é uma coisa. Joinville – O melhor negócio do mundo não resiste a uma briga de família ou a uma encrenca entre sócios. dos 300 maiores grupos privados nacionais 265 tem controle ou gestão familiar. verificada em balanço especialmente levantado. o remanescente tem o prazo de seis meses para recompor o quadro societário. e este fato deve ser considerado na elaboração do contrato social ou no planeja-mento sucessório. Ela ainda lembra que o cônjuge também é herdeiro.” Eduardo Calazans acrescenta que a disposição contratual quanto ao prazo para liquidação é essencial.” “O levantamento do valor das quotas não pode ser feito pelo valor nominal para que não haja enriquecimento indevido dos só-cios remanescentes”. a empresa pode não ter bens materiais. professor da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP). “É possível estabelecer no contrato o critério por avaliação a mercado feita por peritos em laudos econômicos”. como no caso das ‘grifes’ cujo valor pode ser de milhões. a não ser que o contrato social estipule em contrário”.

sobretudo no Sul. às vezes ele age mais com o chapéu de pai que com o chapéu de empresário. buscando nisso uma solução para os problemas familiares. sabe que ela só terá sucesso se for voltada para o mercado.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa “O ideal é que se mostre outros caminhos para os sucessores. ou o filho de imigrante. Porque esses três indivíduos. Os italianos no agrobusiness. O perfil do empreendedor brasileiro. quando muito ele e a esposa. porque o empreendedor. com negócios minúsculos. Porque os melhores sócios são aqueles que não dependem diretamente dos negócios da família”. para ser sócio. AN – Que começaram com negócios pequenos. E é curioso porque as colônias se concentram em alguns segmentos. metal-mecânica. muito determinadas e esta é a forma como começaram. O segundo maior contingente é português. portanto. “E é sempre melhor que as decisões sobre sucessão em empresas familiares sejam tomadas com os fundadores ainda vivos. O fundador em geral é uma figura empreendedora. é o imigrante. mas sim uma participação. que empreende. de vez em quando lá um sócio. esforçado. tem uma característica muito particular que é enxergar oportunidades onde todo mundo vê problemas. O modelo do fundador muitas vezes não serve. E a maioria das empresas familiares.. Porque suas decisões não valem nada depois que morrem. E eles vão herdar não uma empresa. AN – E quando a sucessão vira um problema? Bernhoeft – Essas pessoas tem muito essa característica de fazer um negócio para a família. Vão receber o mesmo patrimônio. Quando a gente pensa numa empresa. Essa é a característica de como começam quase todos os negócios no Brasil. muitas vezes usar essa empresa para acomodar os filhos. o fundador. Um dos contingentes mais recentes com presença forte são os japoneses – que tiveram um fluxo migratório mais tardio. é um patriarca. O que é ser sócio? Eu gosto de responder com coisas práticas: o fundador da Bombril – cujos FGV DIREITO RIO 32 . não se aplica ao resto da família. São duas coisas diferentes: a família é uma coisa. fornecedores e concorrentes. O empreendedor aqui. Essas figuras são extremamente autoritárias de maneira geral. depois judeus. do ponto de vista da origem. que começou um negócio com muito trabalho. pequenos mesmo. começa dessa forma: com um imigrante ou filho de imigrante. antes de ser isso. digamos. Mercado significa clientes. árabes e outros. Bernhoeft – Exatamente. é um pai. vão herdar esse empreendimento. AN – E como se faz essa separação? Bernhoeft – É evidente que é difícil separar. Então ele é intuitivo. é só para dar dinheiro a advogados. com muito esforço. AN – Quais? Bernhoeft – A primeira é que a maioria deles não foi criado. para atender seus clientes. Se essa mesma pessoa tem. que não se escolheram como irmãos. educado. no sentido de acomodar a família. Os portugueses notadamente na área de panificação e supermercados. Com negócios pessoais.. a empresa é outra. E o que acontece? Na primeira geração tem essa figura forte. Em terceiro vêm os alemães. logo vai acabar a figura do dono. E o erro muito comum que se comete nas empresas familiares – tanto entre as pequenas quanto nas médias e grandes – é o empreendedor. Estou falando do Brasil. é italiana. Depois disso. não do Sul. cana-de-açücar e também na área de metalurgia. que começa um processo sozinho. afirmou. Porque eles cresceram vendo o pai agindo como dono: fazendo e desfazendo. mas dividido em três. mandando e desmandando. É aí que começam os problemas. três filhos. Vão deixar de ser apenas irmãos para ser sócios. que cria. E aí surgem algumas questões a serem discutidas.” Leia a seguir os principais trechos da entrevista: A Notícia – Qual é o maior erro das empresas familiares? Renato Bernhoeft – É tentar utilizar a empresa para resolver questões familiares.

AN – A solução passa por educação? Bernhoeft – Essa expressão que você usou é muito adequada: o problema é de educação mesmo. é melhor mostrar outros caminhos. E assim eles podem cobrar com mais tranqüilidade os resultados daqueles que assumiram os negócios. É um brilhante cineasta (dirigiu “Central do Brasil”). Porque a cada nova geração aumenta a demanda por liquidez. procurem se entender. a rentabilidade das empresas não crescem na mesma proporção. porque não depende tão diretamente. e coisas do gênero. acaba.. milionárias até. porque ao não depender da empresa. é nessa história de contratar profissionais e tirar a família do comando. vocês não vão ser donos. e a idéia de que o patrimônio vai dar para todo mundo.. Se não ele acaba. agrega valor. meu irmão não entende nada”. É muito comum os pais falarem: “não quero que eles passem pelo que eu passei”. acomodar todo mundo. Eu dou sempre o exemplo do Waltinho Moreira Salles. Cada nova geração tem que agregar valor àquele patrimônio. Que quase sempre é errada: uma coisa é pai distribuindo a mesada para filho e outra são três pessoas metendo a mão na botija. vocês vão ser sócios. E quem tem sócio tem patrão”. melhor acionista ele vai ser. têm seus próprios filhos e querem manter o mesmo padrão de vida. É muito melhor que seu filho faça medicina. AN – E como equacionar essas questões? Bernhoeft – Ou as pessoas fazem a empresa crescer na mesma proporção – o que é muito difícil – ou então devem ir diminuindo seu grau de dependência do negócio. Que dizia algo assim: “Filhos. Porque se tem uma coisa que as pessoas não gostam é de dar satisfação. Isso é educar a família para que ela seja uma família empresária. Quanto mais brilhante cineasta ele for. Existe uma tendência dos pais de achar que os filhos vão se entender e isso dificilmente acontece. economia. então? Bernhoeft – Os filhos não podem pensar que assumir os negócios da família é a única opção de vida. Não como um lugar onde se vai empregar todo mundo. busquem seus próprios caminhos. AN – O ideal é tirar a família? Bernhoeft – Uma coisa importante nesse processo. Ele está bem. Se isso não acontecer. Os filhos casam. Então a partir da segunda geração começa a haver uma pulverização da propriedade. Porque quando sentar na mesa do conselho do banco. Existem alguns problemas: a disputa pelo poder. “Ah. E aí há dificuldades no processo de sucessão. se afastem dos negócios. É completamente diferente. AN – Por que isso acontece? Bernhoeft – Por várias razões: os pais tentam proteger os filhos dos problemas que eles próprios tiveram de enfrentar. as preferências dos pais – isso repercute e impacta -. FGV DIREITO RIO 33 . se torne um bom médico e ao mesmo tempo sócio da empresa. Os pais querem que os filhos façam administração. ele agrega valor ao negócio. ele não vai encher o saco do irmão Pedro – que assumiu o banco. Então é muito culpa dessa conduta familiar. Então antes de empurrar os filhos para faculdades de administração e economia. Só que os lucros. e é herdeiro do Unibanco. Não precisamos sair de Santa Catarina ou de Joinville para conhecer exemplos de famílias que eram ricas. Porque na medida em que ele faz outra coisa e é bem sucedido. AN – O ideal é que haja esse afastamento. e que hoje quando muito conservam algum patrimônio imobiliário.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa filhos eram três e também brigaram e perderam a empresa – numa das cartas deixou um recado muito interessante. E às vezes é melhor que os filhos façam outra coisa. Não é por aí! Uma família empresária tem que olhar o negócio como empreendimento. porque aí vai virar uma guerra. em que se fala muito sobretudo no mundo acadêmico.

E quando eu digo pai. E que essa escolha seja feita entre eles. Mentira. vai durar até o dia em que ele morrer. A primeira fase consiste numa reunião geral com a família. refiro-me ao pai e à mãe. mas as funções por elas exercidas são de natureza federal. Outro ponto é que os herdeiros tenham um acordo societário: um conjunto de regras que estabeleçam direitos e deveres. é um instrumento que ajuda muito. AN – É comum o pai dizer que foi abandonado? Bernhoeft – Demais. Simples assim. de criar condições para que as empresas sigam sendo bem administradas. fazemos uma entrevista com cada membro envolvido. ele fez para si. fornecedores. E quando não há sucessor. AN – E o risco de ficar sem herdeiro? Bernhoeft – Vende-se o negócio. Mas não com separação de idéias. E tem que ter consciência disso e de algumas coisas: de que o dinheiro acaba. porque há muito sentimento e ressentimento. Então o primeiro passo é uma reunião geral. Outra coisa importante é descobrir qual é o seu sonho. porque eles interferem sim. oras. de que o dinheiro não lhe dá o direito de fazer e desfazer. segundo o “Balanço Anual” da “Gazeta Mercantil”. AN – O que faz uma consultoria de empresas familiares? Bernhoeft – No Brasil. Porque se for uma escolha do pai. Na Alemanha está acontecendo muito isso. Fundadores costumam dizer que fizeram a empresa para os filhos. de que tem que ter o compromisso de responsabilidade social com o País. Nosso trabalho é com essas empresas. baseada em três pontos: a família. E a terceira coisa é a empresa. com a comunidade. Depois. Ele não fez. administrativamente. que é uma instituição complexa.EXAME DE ORDEM . concorrentes etc. que é o que está em jogo. Outra questão é estabelecer entre os herdeiros um sucessor. Os filhos não só não querem assumir os negócios da família como não querem nem herdá-los. E só. vende-se o negócio. mas meus filhos casaram em regime de separação de bens”. Mas ele. por exemplo: critérios de entrada e saída de membros da família na empresa. que tem uma das piores distribuições de renda no mundo. a) As Juntas Comerciais estão. e não o sonho do pai. Quem nasce numa família empresária já é um privilegiado. O segundo componente é o de você vai criar uma sociedade com alguém que você não escolheu para ser seu sócio. que é sempre uma figura muito forte. Então tentamos reunir todo mundo para uma sensiblização.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa AN – E o que é ser uma família empresária no Brasil!? Bernhoeft – Em primeiro lugar o Brasil é um país de uma população miserável. seu mercado. E depois o trabalho de criar conselhos. FGV DIREITO RIO 34 . subordinadas ao governo da unidade federativa de sua jurisdição. como pai. “Ah. De preferência com a presença de genros e noras.DEZEMBRO/2006 22ª Questão: Sobre a Lei do Registro de Empresas Mercantis e Atividades Afins (Lei no 8.934/1994). Questões de ConCurso PROVA OAB/RS . dizem uns. essas coisas. o que é um grande mérito. Isso faz parte do processo de formação de uma família empresária. clientes. assinale a assertiva correta. tem que tomar cuidado para não se confundir com o empresário. dos 300 maiores grupos privados nacionais 265 tem controle ou gestão familiar. do fundador.

(C) Os atos levados a arquivamento nas Juntas Comerciais são dispensados de reconhecimento de firma. sob pena do cancelamento de seu registro e a conseqüente perda da proteção ao nome empresarial. do bem imóvel que o subscritor tiver contribuído para a formação ou aumento do capital social. 129º EXAME DE ORDEM/SP – PROVA 1ª FASE – TIPO 1 – DIREITO COMERCIAL. documento ou instrumento apresentado a arquivamento perante a Junta Comercial será objeto de exame em que se aferirá a veracidade das informações prestadas pelo empresário. deliberarem prorrogá-lo por prazo indeterminado. (D) Não pode ser arquivada a alteração do contrato social depois de findo o prazo nele fixado. salvo se os sócios. (B) A sociedade empresária que não proceder a qualquer arquivamento no período de 5 anos consecutivos deverá comunicar à Junta Comercial que deseja manter-se em funcionamento. passada pela Junta Comercial. c) Os atos praticados pelos órgãos de Registro de Empresas são matrícula.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa b) A consulta aos assentamentos existentes nas Juntas Comerciais bem como a obtenção das respectivas certidões serão possíveis apenas diante de prova do interesse do requerente. exceto quando se tratar de procuração. FGV DIREITO RIO 35 . d) Todo ato. sem oposição de qualquer deles. será o documento hábil para a transferência. tais atos podem ser realizados tanto pelo Departamento Nacional de Registro do Comércio quanto pelas Juntas Comerciais. (A) A certidão dos atos de constituição e de alteração de sociedade empresária. por transcrição no Cartório de Registro de Imóveis. arquivamento e autenticação. 47. Assinale a afirmativa falsa.

Francisco Sales de Albuquerque. ressaltou que a informalidade é um dos principais afrontes à concorrência leal e prejudica os pequenos comerciantes. em que o instituto fornece informações técnicas e bancos de dados. – TEXTO III – Informalidade. sobre a importância da revisão do posicionamento do Supremo Tribunal Federal em relação às ações impetradas pelo MPPE. “O STF alega que o Ministério Público só pode ingressar com uma ação penal contra os sonegadores. – Notícias relacionadas. presente ao debate. Foi o que declarou o presidente do Instituto Brasileiro de Ética Concorrencial (Etco). 27 de agosto Emerson Kapaz defende ética na concorrência empresarial “A concorrência desleal é decorrente da elevada carga tributária. ou seja. cerveja. Mozart Siqueira.5% ao ano. as causas da concorrência desleal são quatro: a carga tributária elevada. De acordo com o presidente do Etco. além de auditores da SEFAZ. – TEXTO II – Fantasma assusta até empresas que já fecharam as portas. fumo e refrigerantes. através de parcerias e forças-tarefa com os governos. – TEXTO I – A dura vida do empreendedor. o secretário da Fazenda de Pernambuco. A coordenadora do Centro de Apoio Operacional às Promotorias de Combate à Sonegação Fiscal. – TEXTO IV – Economia “Invisível”. Kapaz acrescentou que tal prática “impede o crescimento sustentado da economia e contamina o setor formal. hoje (27). no Brasil. afirmou. Participaram do evento o Procurador-Geral de Justiça.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa AUlA 05: INfORMAlIDADE NO SEtOR EMPRESARIAl ementário de temas: – A informalidade em vários setores da economia. Para Kapaz. roteiro de auLa: sexta-feira. dificultando a ação dos Promotores”. O ETCO visa colaborar com o combate à concorrência desleal. FGV DIREITO RIO 36 . incapacitando o incremento do PIB per capita”. – Lei Complementar 123/2006. a burocracia dos procedimentos. da burocracia dos procedimentos. da lentidão do Judiciário e da impunidade”. declara presidente da ETCO em Fórum de Debates do Ministério Público de Pernambuco O Estado brasileiro deixa de arrecadar cerca R$ 6 bilhões devido à sonegação fiscal no setor de combustíveis. quando não couber mais recurso. após o trânsito em julgado do processo administrativo. ainda. que. Patrícia Tavares. Emerson Kapaz. Promotores e Procuradores de Justiça. é ínfimo: 0. a lentidão do Judiciário e a impunidade. durante o Fórum de Debates Promotor de Justiça Roberto Lyra. Patrícia Tavares alertou. só esses referidos setores representam 30% de toda a arrecadação de ICMS no país.

ligado à Fundação Getúlio Vargas (FGV). em estudo apresentado na reportagem do O Globo. – Serviços como de operadoras de TV a cabo (ligações clandestinas). abrangendo vários setores da economia. Apenas 14. 16. devem englobar mudanças na legislação trabalhista e redução da carga tributária. a questão da informalidade foi apresentada de forma ampla. Kapaz também defendeu uma “mudança de cultura a favor da ética”. – CEDAE (furto de água). em 2004. o número de empresas (RECTIUS: sociedades empresárias) sem registro oficial aumentou.46% em 97. questionada por setores do governo e do Judiciário.mp. preencheram a declaração de Imposto de Renda em 2003.39%. em 93. Por fim. movimento posto ao do resto do país. dado observado no primeiro semestre deste ano. 55 FGV DIREITO RIO 37 . Na Região Metropolitana do Rio.2% tinham registro de pequena empresa em 2003. Só7. Essas reformas estruturais.72% das empresas tinham CNPJ em 2003. para ele. mas reconheceu que essa mudança é um trabalho de longo prazo. – Concessionária de energia elétrica (“gatos” = instalações ilegais). segundo Kapaz. mantido pela corrupção e pelo crime organizado.63%. – Os números de formalidade das micro e pequenas empresas são alarmantes. pg.4 bilhões que o Estado do Rio de Janeiro deixa de arrecadar a cada ano com a prática da informalidade em setores como: – FISCO (pirataria/sonegação de ICMS). “A carga [que incide sobre o setor produtivo] é injusta e cobrada de forma errada”. é a tributação sobre o setor produtivo. da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) e de pesquisas do setor informal. do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre).globo. ou seja. Néri usou como critério a contribuição previdenciária a fim de poder cruzar dados do Censo. em parceria com a Secretaria da Fazenda de Pernambuco e a Polícia Militar. A reportagem começa informando ao leitor sobre os R$ 4. o presidente do Instituto ETCO considerou “fundamental ao setor empresarial” a capacidade de investigação por parte do Ministério Público. e 60. Segundo o pesquisador Marcelo Néri. para 62. Apenas 8. ela era de 63.gov. Sem essa mudança. 54 “O rombo da informalidade” – O Globo em 25/06/2006. concluiu que a formalidade no mercado de trabalho fluminense caiu entre 1997 e 2003. – “Informalidade fundiária” (inadimplência no pagamento do IPTU ou pela situação irregular do imóvel). O inteiro teor da reportagem pode ser acessado no site: http://oglobo. (http://www.asp O cnpj substituiu o cGc-mF (cadastro Geral de contribuintes do ministério da Fazenda) através da Instrução normativa sRF nº 2. E na cidade do Rio. de 69. Dessa forma. segundo dados atualizados do Censo. contra 27. Outra causa da concorrência desleal. enfatizou.com/jornal/rio/284415620. o pesquisador Marcelo Néri. Kapaz defendeu mudanças estruturais para trazer de volta ao mercado formal as empresas que atuam na informalidade. – DETRAN (falta de pagamento de multas e IPVA).92%. a arrecadação no setor de álcool aumentou em um mês 170%. em 99. para Kapaz. contra 14. todas as bases de formalidade caíram à metade entre 1997 e 2003. a formalidade caiu de 64. corremos o risco da criação de um Estado paralelo.62% em 97. Em 1997.htm) Em matéria veiculada no jornal O Globo54. em 2004. No estado. conforme texto a seguir: Ao analisar o número de contribuintes da Previdência Social no estado.98%. os encargos sociais crescentes sem a contrapartida dos serviços levam à informalidade.pe.4%. 16.br/arquivo/imprensa/noticias/2004_agosto/27_emerson.43%.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa Devido à atuação da Promotoria de Combate à Sonegação Fiscal.28% tinham o CGC55. de 2 de janeiro de 2001.

não é a favela que tem a maior informalidade previdenciária: – É simples: na favela. não tem escritura. é o desemprego. Com carteira assinada. não consegue provar endereço. Mas as pessoas buscam ter relação com o estado em outros setores da vida. Dados atualizados do Censo mostram que nelas ele chega a 19. salário baixo. Uma das formas encontradas para driblar o pagamento dos impostos e encargos trabalhistas é se associar a uma cooperativa. existe uma quase total informalidade fundiária. a taxa cai para 9. De acordo com o pesquisador. diz Néri. há uma “série de precariedades na vida trabalhista das favelas: desemprego alto. em todos os setores. Grande nas favelas. Tenta-se cobrar impostos. Nos bairros de alta renda.” Jornal O Globo – infográficos. mesmo.1%. A proliferação delas cria mais informalidade. Ela reflete o jeitinho brasileiro.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa A informalidade está associada a encargos fiscais crescentes sem que haja benefícios sociais em contrapartida. ela pode conseguir abrir crediário. Ao contrário do que se pensa. passa a seu uma saída – conclui. FGV DIREITO RIO 38 . mas sem oferecer os serviços em contrapartida. título de propriedade não é a regra. A informalidade. jornada puxada”: Mas o mais forte é a falta de presença do Estado.1%. Até porque a pessoa que mora na favela tem “gato” de luz.

para facilitar o acesso do consumidor de baixa renda. Tem que atacar a logística e ter em mente que a pirataria e o contrabando têm quatro pilares: alta carga tributária. ávidos por comprar e imersos numa frouxidão de valores. por que eu não posso?” Não se pode nem falar mais em marginalidade para esse tipo de comportamento. para quem tem renda para consumir. do Ibre. sua TV. É cada vez mais a regra. há consumidores. a maioria vai preferir ter acesso a isso e aos direitos. endereço. É preciso que o mercado se aproxime da renda das pessoas para conter a informalidade.17 FGV DIREITO RIO 39 . se eles podem roubar. sem receber entregas. há direito a assistência técnica. O sociólogo defende a proliferação de programas que estimulem a adesão de consumidores de baixa renda. Serão cruzados dados desde 1995 para uma avaliação trimestral da evolução da informalidade. seu DVD. sem punição. Como é que ela não se põe à margem? Consumindo piratas. — Um exemplo da força do Estado pirata é o (megacontrabandista) Lao Kim Chong. presidente do Instituto Etco. Para o sociólogo Inácio Cano. o jornal O Globo traz o artigo “Estudo sobre a economia subterrânea”56. Isso é artigo em extinção. Ninguém quer ficar à margem. os exemplos que vêm dos governantes não ajudam a interromper o ciclo: — As pessoas pensam: “Ah. Emerson reconhece que prender camelô é ineficiente: — É enxugar gelo. Trata-se de uma cadeia que sustenta um verdadeiro Estado pirata. sem contrato. condenar o uso de produtos piratas: — As pessoas não têm acesso a emprego com carteira assinada. — Que se expandam os programas de eletricidade. é fácil. E faz gato da TV a cabo. pg.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa Ainda na matéria sobre a informalidade. mortes por disputas entre quadrilhas de contrabandistas e financiamento de campanhas de políticos que contribuem para a manutenção do status quo — diz Emerson Capaz. É uma espécie de busca tortuosa por cidadania — diz. ‘É uma espécie de busca tortuosa por cidadania’ Professora da Escola Brasileira de Administração Pública da FGV. 56 O Globo de 26/06/2006. professor da Uerj. burocracia e impunidade. As empresas. que apela o tempo todo para a compra de bens. TV a cabo para os pobres. sofrendo discriminação. que tinha uma banca de 15 dos melhores advogados e quase conseguiu hábeascorpus no Supremo para se livrar da cadeia. Se lhe derem essa opção. água. Uma pessoa de renda baixa tem lá seu celular. — É importante não se esquecer das pressões de uma sociedade consumista. a seguir: “A necessidade de estudar detalhadamente a extensão da informalidade no país levou o Instituto Brasileiro de Ética Concorrencial (Etco) a contratar a Fundação Getúlio Vargas para elaborar um estudo permanente. sobre a economia subterrânea. corrupção. que começa a ser publicado periodicamente ainda este ano. inclusive de grife. Além disso. mesmo ganhando até um pouco menos. com propinas. com surpreendente destaque para os de classe média e alta. Recorrer à informalidade é o dia-a-dia de 20% a 25% da população. Sylvia Vergara tem outras ponderações sobre as causas da informalidade. O estudo ficará a cargo do pesquisador Aloísio Campello. que moram em favelas. Para ela. Em troca de pagar. Justiça lenta. — A informalidade tem implicações mais profundas do que parece. poderiam fazer linhas populares que tivessem a sua marca. sem pagar impostos — diz o professor.

O PL 6. para a abertura e o fechamento de sociedades empresárias. com isso. e as pequenas empresas. que já eram incluídos no simples. do Distrito Federal e dos Municípios.841/99 (atual Estatuto da Micro e Pequena Empresa).4 milhões por ano. fica impossibilitado de fechar a sociedade diante de tal exigência (aspecto negativo). para o administrador honesto que discute as dívidas da sociedade na justiça. Em 14 de dezembro de 2006. foi sancionada a Nova Lei do Simples. Microempresas. reduzindo praticamente à metade os prazos para tramitação de processos nas juntas comerciais. são aquelas que faturam até R$ 240 mil por ano. prevê a unificação e simplificação de impostos federais. O restante da lei passou a vigorar a partir do dia 1º de janeiro de 2008 com exceção de itens que ainda dependem de regulamentação posterior. cofins. Cano encontra apoio até em representantes da indústria pirateada.57 Com o objetivo de simplificar e diminuir a burocracia. tanto para fins do Estatuto. que substitui o simples. como a exigência de certidões negativas. dos Estados. IpI. cria a Rede nacional para a simplificação do Registro e da Legalização de Empresas e negócios – REDEsIm.529/2006 que cria a REDESIM — Rede Nacional para a Simplificação do Registro e da Legalização de Empresas e Negócios. além dos seis tributos e contribuições federais (IRpj. pIs. FGV DIREITO RIO 40 . que estabelece normas gerais relativas ao tratamento diferenciado e favorecido a ser dispensado às microempresas e empresas de pequeno porte no âmbito da União. e dá outras providências. passarão a vigorar em 1º de julho de 200758.4 milhões. até R$ 2. pois de um lado dificulta a fraude (aspecto positivo). Há um rol de vedações. e pequenas empresas que ganham de R$ 240 mil a R$ 2. A expectativa do governo é que a lei permita a criação ou formalização de 1 milhão de empresas e. proJeto de Lei 6. Esta exigência sempre gerou muita polêmica. A burocracia e a falta de união das juntas comerciais. c) pessoas jurídicas cujo sócio ou titular seja administrador ou equiparado de outra pessoa jurídica com fins lucrativos. O super simples (Lei complementar nº.º 9. csL e contribuição previdencial patronal). Só precisa de meios para isso”. podemos citar: a) pessoas jurídicas constituídas como cooperativas (exceto as de consumo). Estabelece diretrizes para a simplificação e integração do processo de registro e legalização de empresários e de pessoas jurídicas. Uma das novidades do PL é a dispensa das certidões negativas para o fechamento de empresas.00. dentre essas vedações. — No fundo. estaduais e municipais. 123/06). e n.400. está tramitando o PL 6. já as que se encontram enquadradas no simples e que não se manifestarem até o fim do mês. revogando as Leis n. quanto para fins do tratamento tributário. a geração de 2 milhões a 3 milhões de empregos formais. Lei geraL das miCro e peQuenas empresas – LC 123/2006.000. O novo regime tributário entra em vigor a partir do dia 1º de julho e as empresas têm até o dia 31 para optar pelo regime. principais pontos da Lei. além de estabelecer um amplo programa de agilização e simplificação de procedimentos e a integração das ações dos órgãos e entidades públicas. do Fórum Contra a Pirataria. o novo regime engloba o Icms (estados) e o Iss (municípios).529/2006 pretende combater a demora no processo de abertura e fechamento de sociedades empresárias. b) sociedades cujo capital participe outra pessoa jurídica. Até para o fechamento (vide Texto II).317/96 (que trata do Simples Federal). — Toda a conscientização e toda a fiscalização não serão eficazes se a indústria não se comprometer a criar linhas de produtos mais populares — alerta Alexandre Cruz. serão automaticamente enquadradas no super simples. sempre foram (e continuam sendo) os maiores obstáculos para a abertura de novos negócios.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa Entidade apóia lançamento de linha popular por grifes Nesse ponto.529/2006. a burocracia traz complicações que provocam demora e muita dor de cabeça para os ex-sócios. para a realização dos registros da atividade empresária de que trata em seu contexto. A unificação e simplificação tributária. para microempresas que faturam até R$ 240 mil por ano. pL 6529/2006. porém. desde que a receita bruta global ultrapasse o limite R$ 2. 57 58 a postergação da parte tributária ocorreu porque Estados e a Receita Federal alegaram que não haveria tempo hábil para desenvolver o sistema de arrecadação. todo mundo quer ter o produto original.º 9.

da CSLL. Não estará sujeito à incidência do IRPJ. tendo esta última criado a figurado Microempreendedor individual – MEI. é como participar de uma gincana. as empresas de montagem de stand em feiras. CSL e INSS).00). 966 da Lei no 10. pagam apenas valor fixo mensal de 11% do salário-mínimo de Inss para aposentadoria pessoal. considera-se MEI o empresário individual a que se refere o art. a família também tem direito à pensão por morte do segurado e auxílio-reclusão.4 bilhões ao ano. (. Os documentos serão entregues em um único órgão que repassará os dados para os outros.406. podem se inscrever como mEI empreendedores como costureiras. que vai vigorar a partir e 1º de julho também de 2009. de até R$ 36. mais R$ 1 de Icms (comércio e indústria) ou R$ 5 de Iss (serviços). considera-se MEI o empresário individual que tenha auferido receita bruta. e não por tempo de contribuição. de 2008). escolas de línguas. R$ 50. pequena. no ano-calendário anterior. que hoje equivale a R$ 45. que tenha auferido receita bruta. comparecer em Entre as medidas. o mEI retém 8% do salário pago e complementa com mais 3% para o Inss do trabalhador. da COFINS. de até R$ 36. só o público-alvo do microempreendedor Individual compreende os 10.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa Como principais pontos da lei. no ano-calendário anterior. conforme parágrafo primeiro do artigo 18-A da LC 123/2006. Abrir uma empresa.65. poderá ter conta bancária e outros benefícios como acesso a linhas de financiamento especiais com juros reduzidos e participação nas licitações públicas. destacamos: Tributação: A lei unifica e simplifica a arrecadação de seis impostos e contribuições federais (IRPJ. média ou grande. além do ICMS (Estados) e ISS (municípios) a partir de 1º de julho.” Portanto... seu registro será simplificado e livre de taxas e emolumentos. a lei. de 10 de janeiro de 2002 – Código Civil. o microempreendedor Individual (mEI) e a sociedade de propósito Específico (spE). optante pelo Simples Nacional e que não esteja impedido de optar pela sistemática prevista neste artigo. permite a entrada de novos setores econômicos no simples nacional e cria duas novas personalidades jurídicas. do PIS. academias de ginástica e de dança e empresas que atuem na área de produção cultural e cinematográfica. A parte de fiscalização ambiental.000. IPI.00. sancionada sem vetos. Entre eles estão os operadores autônomos de transportes de passageiros. o empreendedor passa a ter direito à aposentadoria por idade ou por invalidez. É importante ressaltar que a Lei Complementar 123/2006 sofreu alterações de acordo com a LC 127/2007 e LC 128/2008. A alíquota atual (2006) é de 20%. de segurança e vigilância sanitária será feita de forma simplificada. Ele poderá optar pelo recolhimento dos impostos e contribuições abrangidos pelo Simples Nacional em valores fixos mensais (aprox.59 teXto i – a dura vida do empreendedor60 Estudo do mostra que o Brasil lidera a lista dos países que criam maiores dificuldades para abrir uma empresa. A renúncia fiscal prevista é de R$ 5. Novos setores: A Lei Geral como foi aprovada no Congresso permite que novos setores entrem no sistema de arrecadação especial. a previsão é que a lei beneficie cerca de 11 milhões de empreendedores. os microempreendedores individuais ficam isentos de praticamente todos os tributos. sapateiros e artesãos com receita bruta anual de até R$ 36 mil e que optarem pelo simples nacional. o trabalhador poderá se aposentar apenas por idade (60 anos para mulher e 65 para homens). O tempo mínimo de contribuição são 15 anos. Menos burocracia: A Lei Geral garante maior rapidez na abertura de empresas. se tiver empregado. No entanto. 18-A. Autônomos: Os autônomos farão o recolhimento de apenas 11% para o INSS (Instituto Nacional do Seguro Social). O registro da empresa será único e servirá para todas as esferas de governo. cria condições para desburocratizar a abertura e o fechamento de empresas. a nova lei possibilita resolver problemas reclamados pelo segmento relativos à cobrança de Icms. do IPI. entra em vigor no dia 1º de janeiro de 2009. exceto o mEI.000.) § 1o Para os efeitos desta Lei. as alíquotas são 50% maiores que as cobradas no comércio. É um dos grandes obstáculos para que pequenos negócios entrem na economia formal. independentemente da receita bruta por ele auferida no mês. Há um acréscimo de meio ponto percentual para as indústrias. Eles também podem ter até um empregado. Alíquotas: No comércio. no Brasil. No caso do setor de serviços. É preciso ter disposição para cumprir cerca de 17 procedimentos. 59 FGV DIREITO RIO 41 . Ele ainda passa a integrar o cadastro nacional de pessoa jurídica (cnpj). Cofins. e do INSS patronal. com a lei. Formalizado como mEI. cuja vigência iniciar-se-á em 01/07/2009: “Art.3 milhões de informais no país. as alíquotas variam de 4% a 11% de acordo com o faturamento.00 (trinta e seis mil reais). seguro por acidente de trabalho e licença-maternidade. Compras públicas: As micro e pequenas empresas passam a ter prioridade em compras governamentais de até R$ 80 mil. PIS. (Incluído pela Lei Complementar nº 128.

também criado com a nova lei. como é o caso de São Luís. Grande parte da demora deve-se ao fato de que os órgãos responsáveis por autorizar o registro não conversam entre si. com 11. Burocracia Os contadores são as figuras que mais conhecem o duro dia-a-dia das filas da burocracia.com. reunindo membros do governo federal e outros setores envolvidos no processo em instâncias estaduais e municipais. No evento foram debatidas experiências internacionais de desburocratização e iniciativas locais bem-sucedidas. costumamos gastar de 40 a 60 dias para cadastrar uma empresa e outros 3 a 4 meses para que ela possa funcionar”. sem uma visão geral do processo e sem pensar no cliente. a legislação foi feita com foco em cada um dos órgãos envolvidos. 60 FGV DIREITO RIO 42 . de Brasília. Segundo ele. mas também devido a inúmeros imprevistos que normalmente acontecem no meio do caminho. por exemplo. secretário de Desenvolvimento da Produção do MDIC e coordenador do grupo de trabalho. A questão é importante porque impacta a pauta de crescimento sustentável do Brasil a longo prazo. embora em algumas capitais o problema esteja minimizado. da empresa de contabilidade Welmaso. onde é possível abrir um empreendimento em seis dias. Também foram esboçadas sugestões de atuação em nível federal. Indústria e Comércio Exterior (MDIC). bastando uma declaração anual. quando foi criado o Ministério da Desburocratização (leia o quadro na página ao lado). o potencial empresário tem de fornecer os mesmos dados e documentos a cada um deles. um grupo de trabalho do governo federal. Assim. e nos Estados Unidos são necessários cinco dias. em matéria de demora para a abertura de uma empresa. Para se ter uma idéia da dimensão do problema da burocracia nesse campo. por baixo. O primeiro passo foi a realização de um workshop em maio. entre 133 países pesquisados. E precisa esperar que se cumpra cada etapa para iniciar outra. que é de 49 dias. http://www. afirma Carlos Gastaldoni. Em Brasília. exceto se vender ou prestar serviço para pessoa jurídica. “A sensação é de que a cada ano fica mais difícil abrir um negócio. hoje na casa dos 40% do Produto Interno Bruto (PIB). “As exigências são repetitivas e falta orientação para o empreendedor”. por clarissa Furtado. de Brasília. no Maranhão. comenta o contador Leo Arksy. denominado Doing Business (fazendo negócios). br/?cat=8&paged=2. sendo integrado por representantes da união. O périplo é longo não apenas por envolver várias etapas a serem cumpridas. ou ainda se houver qualquer pequena rasura ou termo incorreto. Revista Desafios do Desenvolvimento – IpEa – setembro/2004. às 01:04horas. um estudo realizado pelo Banco Mundial esse ano.tactus. Agora. estados e municípios. além de esperar uma média de 155 dias para abrir as portas. de acordo com o Banco Mundial. acesso em 19 de janeiro de 2009. capitaneado pelo Ministério do Desenvolvimento. É o segundo processo mais lento do mundo. por exemplo. A situação da capital paulista é emblemática e reflete muito do que acontece ao longo do território. O tempo gasto nos trâmites burocráticos é o triplo da média mundial. ter tempo e dinheiro de sobra. Um processo em fase final de deferimento pode retornar ao ponto inicial se uma assinatura tiver algum detalhe diferente da que consta na carteira de identidade. em dois dias se abre um negócio.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa até 15 órgãos do governo. Na Austrália. O estudo do Banco Mundial leva em conta a realidade dos principais centros financeiros de cada país. A burocracia é um dos motivos da alta taxa de informalidade dos negócios no país. O registro do mEI será regulamentado pelo comitê Gestor da Rede nacional para a simplificação do Registro e da Legalização de Empresas e negócios (Redesim). 274 dólares em taxas e tributos. O levantamento aponta que o Brasil ocupa o sexto lugar. As dificuldades enfrentadas pelos empreendedores brasileiros não ocupavam a agenda pública desde o final da década de 1980.3 anos. indica que qualquer mortal interessado em abrir um empreendimento no Brasil tem de desembolsar. está incumbido de realizar um diagnóstico dos principais entraves no registro empresarial. O microempreendedor Individual não precisará apresentar contabilidade ou nota Fiscal. No caso do Brasil o cenário foi a cidade de São Paulo. Perde apenas para a Índia. e de implementar soluções que minimizem o martírio de potenciais empreendedores. Para fechar uma empresa brasileira são necessários 10 anos.

a Federação Nacional das Empresas de Serviços Contábeis (Fenacon) e o Conselho Federal de Contabilidade (CFC) já definiram essa demanda como a principal em sua pauta de reivindicações. um único documento: o contrato social da empresa. 21. O empreendedor se compromete a enviar.5% devido ao tempo gasto no processo. alerta o cientista político Sérgio Abranches. embora esteja previsto em lei. Em São Paulo. terá de ser aprovada uma nova lei que possibilite o cadastro único”. O Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae). por exemplo. em 2003. A Classificação Nacional de Atividade Econômica (CNAE – Fiscal). de um total de 640 empreendedores informais do estado de São Paulo. no Canadá. O argumento explica a ênfase especial ao tema pedido pelo ministro Luiz Fernando Furlan. o registro de empresa é regulado por lei estadual e. A pressão da sociedade é fundamental”. feita pela London Business School. O Brasil passou de sétimo colocado. estados e municípios terão até 30 de setembro para apresentar um diagnóstico da situação e o que seria necessário para a unificação. sobre o nível da atividade empreendedora em todos os continentes. do MDIC. Assim.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa Segundo um estudo do Instituto Análise de Ribeirão Preto. A adoção de um código único de classificação econômica de empresas é outra medida fundamental para a viabilização do projeto.6% devido ao alto custo financeiro e 18. “Mas não adianta esperar que o Estado sozinho conduza o processo de mudanças. para o 6º lugar. foi sendo paulatinamente usada pelos diversos ministérios. um encontro de administradores tributários. uma exigência da Emenda Constitucional 42. Nem todas as cidades. O conceito one stop shop (algo como loja de parada única) já funciona em vários países desenvolvidos. Ela torna possível o uso de um mesmo código de atividade em todo o país e viabiliza o cadastro único. O número de empreendedores no país é crescente. elaborou um ante projeto de lei. o que facilita a comparação de informações brasileiras com dados mundiais. foram assinados dois protocolos estabelecendo metas e compromissos para viabilizar o projeto. criada em 1994 e atualizada em 2002. realizado no final do ano passado a pedido do Ministério da Fazenda. 12. 24. No Brasil. No ano passado. que também já admite o preenchimento de formulários pela internet. por exemplo. na pesquisa Global Entrepreneurship Monitor. e também a inclusão do tema na lista de medidas da nova Política Industrial. inclusive. por isso. redefinindo o Estatuto das Micro e Pequenas Empresas e fazendo outras propostas. Segundo o coordenador-geral de fiscalização da Receita. A classificação segue o padrão da Organização das Nações Unidas. em 2002. porém. formal ou informalmente. Entidades representativas do público empresarial já estão se movimentando nesse sentido. “Temos disparidades nas regras locais e também na estrutura tecnológica.9% da população estava envolvida em alguma ação empreendedora. O Sebrae. por correio. ao grupo de trabalho interministerial. em apenas dois dias. explica. A criação de um cadastro único de empresas.5% não pensavam em legalizar suas atividades por causa das dificuldades burocráticas. a ser apresentando ao Congresso ainda em 2004. Paulo Ricardo de Souza Cardoso. Ainda está apenas no plano da discussão. por exemplo. reunindo informações da Receita Federal e das secretarias de fazenda estaduais e municipais é o desejo daqueles que defendem um processo menos complexo na constituição de empresas no Brasil. aprovada na Reforma Tributária do ano passado. Interessados no assunto não faltam. em julho. o cadastro único ainda está longe de se tornar realidade. naquelas em FGV DIREITO RIO 43 . A entrada única de dados cadastrais é a regra. Depois que a Receita Federal realizou. é possível obter o registro. a utilizam e. A unificação das informações fiscais é.

perigo de acidentes. em grande medida. já que faltam viaturas. Na cidade de São Paulo está sendo elaborado um software que determinará. de estado para estado. cogita-se que o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) poderia coordenar uma central de codificação de atividades econômicas. sobretudo. Fiscalização Qual seria uma possível solução? Para André Spínola. a firma poderia iniciar suas atividades mais rapidamente. A redução do prazo de abertura e encerramento de empresas no Brasil ainda vai demorar. Além do cadastro único existem outros problemas. Enquanto as mudanças estruturais não aparecem. para agilizar o processo. Outra hipótese seria dar ciência ao empreendedor de todas as obrigações a cumprir em relação à segurança da atividade. consultor de tributos e desburocratização do Sebrae. FGV DIREITO RIO 44 . da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional. enquanto outras elencam até seis. Mas questões complexas muitas vezes são resolvidas com soluções marcadas pela simplicidade. Uma alternativa para resolver o problema seria a eliminação de todas essas certidões. O Sebrae tem desempenhado um papel importante nessa área. por exemplo.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa que já é empregada. serão precisos pelo menos três ou quatro anos. Os processos de fechamento ou alteração das condições jurídicas são compostos por rituais ainda mais cansativos. Ele assinaria um termo de responsabilidade comprometendo-se a executá-las em determinado período de tempo. “É preciso unificar as regras”. O empresário daria baixa na Junta Comercial e avisaria aos órgãos envolvido que cobrariam eventuais dívidas. 120 são gastos nos procedimentos de fiscalização e vistoria pra a obtenção das licenças vinculadas ao alvará de funcionamento. Não é apenas o nascimento de um empreendimento que envolve tantos meandros. Como se não bastasse o tortuoso caminho até a obtenção do registro da empresa. Dos 152 dias registrados no estudo do Banco Mundial. Na Receita Federal o padrão é o uso dos quatro primeiros números. principalmente porque as regras variam de cidade para cidade. deveriam ser criadas classificações mais precisas das atividades de acordo com o risco potencial que elas oferecem para a sociedade. Isso facilitaria a concessão dos alvarás de funcionamento e serviria para orientar a necessidade de fiscalizações e licenças específicas. Em Brasília houve casos em que. Dessa forma. Faltam informações sistematizadas e de fácil compreensão sobre o procedimento a ser adotado pelos interessados em abrir empresas. investimentos em informatização e. o corpo de bombeiros e a vigilância sanitária. da exigência de certidões negativas pelo Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS). Contando com aprovações de projetos de lei no Congresso. quase óbvias. com o apoio do Sebrae. Assim. o empreendedor teve de ir ao corpo de bombeiros com seu próprio carro para buscar o técnico. Algunas aplicam os três primeiros algarismos da classificação. as Centrais Fáceis. as fiscalizações se concentrariam nos negócios em que há. os futuros empresários precisam munir-se de persistência para conseguir autorizações de funcionamento das instâncias locais. a necessidade de uma vistoria ambiental com base no código. Na esfera federal. A falta de fiscais em muitas cidades adia a vistoria. Unificação de códigos O código da CNAE também poderia ser usado para cruzamento com as atividades listadas nos planos diretores das cidades. que reúnem escritórios dos órgãos envolvidos no registro num único local. falta uniformidade. da Receita Federal e do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS). foram criadas em dez cidades. de fato. se tudo correr bem. como a prefeitura. José Martonio Alves Coelho. sugere o presidente do CFC. O prazo de dez anos citado pelo Banco Mundial para dar baixa de um estabelecimento é conseqüência. uma cooperação entre os governos.

– Isso acontece seguidamente. Ela lamenta que. todos os comprovantes tenham de ser novamente verificados. 11 de dezembro de 2005. 61 FGV DIREITO RIO 45 . por exemplo. que muitas vezes não dependem de você para que sejam resolvidos – afirma o preside do Sebrae/RS. – O problema no fechamento de uma empresa é que você é responsável por problemas junto ao INSS e ao Fundo de Garantia. não consigo entender como ainda vivemos às voltas com formulários e carimbos – lamenta Magda. – Na era da informática. Agora. o volume de documentos exigidos e falhas na engrenagem burocrática elevam o tempo mínimo para extinguir o empreendimento a vários meses. na Região Metropolitana. 60 Vale lembrar que as alterações sofridas pela Lei complementar 123/2006. Flávio Sabbadini. continua existindo. A contabilista da firma. Uma empresa de reforma de carrocerias de Guaíba. estaduais e federais pode elevar o tempo necessário para extinguir uma firma a nada menos do que 10 anos. a complexidade do procedimento para fechá-la também é considerado um obstáculo ao desenvolvimento de novas companhias. Até agora. 44 anos. no papel. Fonte: jornal zero Hora. ela provavelmente terá de recomeçar do zero e obtê-las novamente. já não tem funcionários há quatro anos. Ainda assim. a contabilista enfrenta há mais de um mês o pesadelo da burocracia. preciso provar com uma pilha de comprovantes que esta dívida não existe para obter a certidão negativa de débito.61 Conforme o estudo do Banco Mundial sobre o ambiente para negócios em todo o mundo. não conseguiu uma das muitas certidões necessárias para dar prosseguimento ao processo porque uma falha de comunicação entre os computadores da Caixa Econômica Federal e do INSS aponta uma dívida inexistente. provocadas pela Lc 128/2008. Mas não é fácil – diz Magda. está com toda a documentação em dia e não apresenta débito com o INSS. mesmo que a empresa seja obrigada por lei a apresentar relatórios mensais e anuais sobre pagamento de ICMS.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa teXto ii – fantasma assusta até empresas que já fecharam as portas60 Se abrir uma empresa é uma empreitada difícil no Brasil. o Brasil se equipara somente ao Chade e à Índia neste quesito – onde o processo também chega a uma década em caso de falência. Magda Gattini. como as outras certidões que atestam a ausência de dívidas junto a órgãos governamentais têm prazo de validade para serem apresentadas. tenho vontade de jogar tudo para o alto – confessa a contabilista. voltará a percorrer as repartições para depois apresentar a papelada à Junta Comercial com o pedido de baixa. fechá-la é um tarefa extenuante para os empreendedores. também tiveram por objetivo facilitar a abertura e fechamento das empresas iniciadas pelo microempreendedor individual. O vaivém de certidões e formulários exigidos por repartições municipais. Mesmo quando uma empresa não tem credores. – Às vezes. Resolvido este impasse. por exemplo. Assim. Assim como as dificuldades para abrir uma empresa. por exemplo. O pior é que. explica que os sócios tiveram de esperar a conclusão de um processo de venda do negócio para formalizar sua dissolução. à geração de empregos e uma fonte de gastos inúteis por parte da sociedade.

o projeto de descentralização volta à carga. a partir de 1946. São criados os concursos públicos nacionais e autarquias dotadas de autonomia gerencial e financeira – primeira tentativa estruturada de descentralização administrativa. – Em 1964. até hoje não levada a sério. cria o Programa Nacional de Desburocratização que seria tocado pelo Ministério da Desburocratização. – Inexistência de um código específico de Defesa do Usuário de Serviços Públicos. – Nos anos 2000. ao buscar um serviço público. – Partidarização excessiva do governo. e de gratificação de produtividade. é criada a Comissão de Reforma Administrativa. > No início dos anos 90. busca uma vantagem e não um direito. mas reduz o ímpeto da modernização administrativa do Estado. o programa é recriado. de 1937 a 1945. dedicando-se prioritariamente a disseminar os conceitos de desburocratização. durante o primeiro governo militar. aperfeiçoados a emissão de passaportes e a revogação de mais de 100 mil decretos superados e desnecessários. general João Batista Figueiredo. Para o Instituto Hélio Beltrão – batizado com o nome do ex-ministro da Desburocratização – as medidas abaixo foram tentativas de reduzir a burocracia do Estado: – Do fim da monarquia até 1930. promove a descentralização política. presidente do Instituto Brasileiro de Direito Administrativo e pesquisador Associado na Universidade de Oxford (EUA) FGV DIREITO RIO 46 . – O Estado Novo. – O recrudescimento do regime militar. que seria implementada três anos mais tarde. exigência da Emenda Constitucional 19. em 1969. – O Programa Nacional de Desburocratização perdeu ênfase no final da década de 80. apesar de autoritário. – Falta de fixação de metas de desempenho. presidente do Instituto Hélio Beltrão (IHB) e página do IHB na Internet Por que o Brasil patina? – Há forte vocação à centralização administrativa. – A redemocratização. que dificulta o planejamento de longo prazo – O Estado volta sua arrecadação para seu próprio financiamento. tenta dar agilidade e eficiência ao serviço público. que mais tarde se transformam nos Juizados Especiais. delega competências e reforça a autonomia da administração indireta. Fonte: João Geraldo Piquet Carneiro. > Formalismo jurídico idealiza as instituições a partir de uma visão estritamente legal. com o poder sendo transferido para as províncias. Parte-se do princípio de que o cidadão. compromete o projeto de descentralização administrativa. > Existe uma relação de desconfiança no relacionamento do governo com a sociedade e com o cidadão. > São simplificados os procedimentos de embarque e desembarque nos aeroportos. novas medidas de maior impacto são adotadas no âmbito do Programa Federal de Desregulamentação. – Em 1979.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa No Brasil. o processo político caminha no rumo da descentralização política. socialmente controláveis. – Perfil autoritário da administração pública. O último dos presidentes militares. – Duas inovações importantes tiveram a sua gênese com a criação do programa: o Estatuto da Microempresa e os Juizados de Pequenas Causas. criando um ciclo vicioso Fontes:Instituto Hélio Beltrão Juarez Freitas professor de Direito PUCRS e da UFRGS. – Os primeiros anos da Reforma Administrativa enfatizam a desburocratização administrativa.

Saiba por que isso é um problema e o que se está fazendo para resolvê-lo.6% dos brasileiros que praticam alguma atividade remunerada gravitam em ambientes informais. especialmente nas regiões metropolitanas. Eles habitam um mundo de tons cinzentos. barraqueiros. ocupando 12. vendem cigarros e remédios falsificados. As estimativas indicam que nesse ambiente circulem de 10% a 15% do Produto Interno Bruto (PIB).1 milhões de trabalhadores que recebiam algum tipo de pagamento. donos de fábricas de fundo de quintal. 61 FGV DIREITO RIO 47 .9% dos empregos do IBGE. e dentro delas no setor de serviços. Isso ocorreu porque a Revista Desafios do Desenvolvimento – IpEa – novembro/2004 – Edição 4. Nos infográficos abaixo mostramos.9 milhões de pessoas: 86% pertenciam a trabalhadores autônomos e 14% tinham até cinco empregados. o setor de serviços teve a sua participação aumentada de 35. CDs piratas ou uma miríade de coloridos badulaques que enfeitam as ruas de qualquer cidade.3 milhões de pessoas. Em contrapartida. escapar das armadilhas da burocracia e do pagamento de impostos.2% das vagas de trabalho nas regiões metropolitanas (conforme a Pesquisa Mensal de Emprego). Há grande curiosidade a respeito dos resultados: será que o universo informal continua em expansão? Segundo Lauro Ramos. a indústria respondia por 22. o crescimento da informalidade no Brasil resulta de uma re-acomodação da economia. Em 2002 a indústria era responsável por apenas 15. Em 2002 eram 36. Uma pesquisa feita pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) em 1997 revelou a existência de 9. Tem de tudo no mundo da informalidade.8% do total dos empregos em 2002.5 milhões de empresas informais. Nada menos do que 52.7% para 42. O problema é crescente. São também os diplomados que dão consultoria ou atuam como personal trainers. Mais da metade dos trabalhadores brasileiros vive na informalidade. entre 69. Procuram sobreviver no improviso. em números.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa teXto iii – informalidade61 Esta edição da “Desafios” traça um amplo panorama da perigosa expansão da economia informal no Brasil. pesquisador do Ipea e especialista em mercado de trabalho. São camelôs. O Brasil é um dos campeões nesse território. Em dezembro será divulgado um novo levantamento com as mesmas características. brasil dividido. quem está migrando para a informalidade. Os dados estão em estudos do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) feitos com base em informações do Instututo Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). por andréa Wolffenbüttel. quais os setores que mais lidam com esse tipo de mão-de-obra e quais as maiores dificuldades enfrentadas pelos que querem operar dentro da formalidade. Alguns resvalam para a ilegalidade. Em 1991.

6%) e a falta de acesso ao crédito (9. Depois vêm as barreiras burocráticas (15. Os dados de Ramos indicam que o setor industrial não apenas está empregando menos. Ajuda o pai na loja de material de limpeza que a família tem numa garagem do Jardim Nakamura. Leandro Dias de Oliveira é um estudante de 17 anos de idade. Sobram razões para a definição do inimigo principal. na zona sul da capital paulista. Em 2002 já eram 36% (veja tabela ao lado). A investigação dos números é reveladora. Que a riqueza é imensa.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa indústria deu um salto de produtividade e passou a produzir mais com menos gente. Da mesma forma o vendedor de cocos que atua bem em frente à antiga sede do Ministério do Trabalho. Há mais. Mais instigante ainda é a pesquisa dos casos concretos. arcar com os pesados encargos tributários ou desvendar uma complexa legislação entronizada sobre a Consolidação das Leis Trabalhistas – um cartapácio com 985 artigos que tem de 61 anos de idade. Pesquisa feita pelo Sebrae em fevereiro (de 2004). pois a carga tributária no Brasil passou de 25% do PIB em 1992 para 34. não teve alternativa senão ficar na informalidade por não conseguir cumprir as regras para a abertura de uma empresa. junto a 1. FGV DIREITO RIO 48 .8 milhões de microempresas para a lado formal da economia.11% em 2003 e. Ao mesmo tempo. Cursa o segundo ano do ensino médio e não pensa em fazer faculdade. fechará 2004 na marca dos 38% do PIB. pode não ter escolhido essa atividade. Nela descobre-se que há gente de todo o tipo nesse lado pouco conhecido da economia brasileira. 36.6% em 2002. Leandro e seu pai manipulam produtos químicos em galões sem qualquer segurança. aponta que a principal causa para permanecerem nessa condição é a elevada carga tributária (75. quando o pai perdeu o emprego. por essa via.5% em 1992 para 52. segurança ou alimentação.049 empresas informais. muitas para empresas de serviços de limpeza.4% em 2002. Cuidando da sobrevivência a cada dia. O menor nível de informalidade é o do setor de veículos automotores. O aumento da escolaridade dos trabalhadores sem carteira assinada pode ser uma explicação para a aproximação dos rendimentos: em 1984. implantado em 1996. apenas 17% dos trabalhadores sem carteira tinham mais de 11 anos de escolaridade e em 2000 essa proporção subiu para 26%. O negócio foi aberto há oito anos. os diferenciais de salários observados entre os trabalhadores formais e informais caíram de forma expressiva”. mas apenas ter conseguido escapar. Um estudo da consultoria McKinsey publicado em junho revela que o maior grau de informalidade está no setor agro-pecuário. O Sistema Simples. “Embora tenha ocorrido um significativo aumento da informalidade ao longo da década de 1990. E que pertencer ou não ao segmento informal não é necessariamente uma opção. A dona da pequena confecção em Jaraguá. já atraiu 2. Em 1992. que passou de 53. Goiás. no centro Rio de Janeiro. a se confirmarem as projeções feitas pelo Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT). Sem alternativa. O levantamento foi feito com base nos dados da Pesquisa Nacional por Amostras de Domicílio (Pnad) de 2002. de uma época de penúria depois de entrar para a lista de cortes de uma indústria qualquer. 33% da mão-de-obra industrial era composta por trabalhadores sem carteira assinada ou por pessoas que trabalhavam por conta própria. que facilitou a abertura de empresas. terceirizou atividades.2% das respostas).2%). também é nele que se registra o maior crescimento da informalidade. diz Ramos. que ostenta um índice de apenas 9%. Já no setor de serviços houve uma pequena queda no grau de informalidade. 90% da mão-de-obra não têm vínculo empregatício. Do lado dos trabalhadores existe um descasamento entre as contribuições para a Previdência e os benefícios potenciais que o sistema previdenciário oferece. Ali. Qual sua perspectiva de futuro? Permanecer como estão.

a sociedade não se sente suficientemente convencida de que deve enquadrar o informal. especialmente se recebe salário perto do mínimo. “A segunda visão identifica várias vantagens em uma pessoa optar por ser informal. professor titular do Departamento de Economia da Pontifícia Universidade Católica (PUC) do Rio de Janeiro. Deixa de ter direito ao seguro desemprego. Quem defende esta visão. pesquisador do Ipea. Exigências de controle de qualidade ou padrões fitossanitários também são um vigoroso incentivo para reforçar o terreno da informalidade. De acordo com o relatório da McKinsey. perante uma legislação não muito boa. A ela faltaram oportunidades. diz Ricardo Tortorella. Finalmente. previdenciárias ou relacionadas à segurança do trabalho. o que prejudica as contas públicas e dificulta investimentos necessários para o bem comum. FGV DIREITO RIO 49 . acredita que o problema se resolve arrumando as leis e combatendo a burla à legislação. o custo relativo da assistência à saúde e da segurança no trabalho é muito mais pesado para as pequenas empresas. O custo total da folha de pagamentos pode chegar a 70% da receita bruta para uma pequena confecção formalizada enquanto não passa de 3% na indústria automobilística. onde as regras mudam. Em terceiro lugar porque empresas e pessoas que vivem na informalidade não pagam impostos. Em conjunturas de retração da oferta de trabalho os próprios funcionários se tornam cúmplices do processo. E também porque embora não contribuam. o trabalhador não se interessa pelo registro em carteira. Para ganhar alguma vantagem competitiva. Neste caso. porque uma empresa não investe na capacitação de um trabalhador que não tem vínculo com seu negócio – o que numa perspectiva mais larga prejudica a competitividade da economia do país como um todo. é cada vez mais comum a opção pela informalidade para não cumprir exigências trabalhistas. a opção pela informalidade está relacionada ao alto custo do cumprimento das leis. como educação. explica Ricardo Paes de Barros. Primeiro porque quem trabalha sem registro vive sem qualquer rede de proteção. o Estado tem de buscar reforço de caixa. A primeira delas parece entendê-lo como a utilização de recursos ilícitos. Depois.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa Menos oxigênio. diz Barros. “O pequeno empresário não paga os encargos trabalhistas porque eles pesam relativamente mais em seu faturamento do que no de uma grande empresa”. que estimula as empresas menos produtivas a permanecer na informalidade. os trabalhadores informais têm direito a assistência médica e a aposentadoria – uma despesa que está sendo coberta por um número cada vez menor de trabalhadores e empresas formais. ao seguro acidente de trabalho e ao seguro maternidade. Aceitam vínculos sem carteira assinada ou através de cooperativas. acesso ao crédito ou até mesmo herança familiar. pois terá direito a receber uma aposentadoria correspondente ao mínimo quando chegar aos 65 anos de idade quer tenha sido registrado em carteira quer não. o sujeito que emprega o dumping ou algum outro recurso ilícito”. a informalidade tem raízes em coisas que o Estado deixou de fazer”. Uma das alternativas é cobrar mais do setor que já paga impostos como manda o figurino – o que tira oxigênio da economia. Diante da evasão. economista e consultor da Unidade de Políticas Públicas do Sebrae Nacional. E de qualquer maneira tem acesso ao Sistema Único de Saúde. Não tem direito a férias. A perda de arrecadação tributária e previdenciária é apenas uma das conseqüências fiscais danosas da informalidade. Segundo o economista José Márcio Camargo. Também está associada a empreendimentos ligados ao contrabando ou à falsificação. Da mesma forma. A busca de soluções para o problema é uma tarefa do governo e da sociedade e o primeiro passo para cumpri-la é identificar suas causas. mas não precisa abrir mão de uma parte de sua receita em favor da Previdência Social. décimo terceiro salário nem Fundo de Garantia por Tempo de Serviço. “Existem duas visões sobre o setor informal. A informalidade é um problema para o país por várias razões.

sem a intervenção FGV DIREITO RIO 50 . quem tem uma empresa calcula de antemão o valor do descanso semanal remunerado. funcionando como um inibidor do crescimento. A face mais perversa. “Nos momentos de recuperação econômica. de acordo com a Associação Brasileira da Indústria do Vestuário (Abravest). Também é preciso simplificar as leis trabalhistas e reduzir os impostos que pesam sobre empreendimentos com outras dimensões. quando os empresários aceitam correr maior risco porque não conseguem fazer face aos encargos formais. para abrir uma empresa. por mais mudanças que haja no projeto original.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa Justiça. “O banco de horas deu certo nas grandes empresas. é que assim como o Simples. Um processo de livre negociação entre sindicatos setoriais ou regionais fixaria os salários.601 de 1998. A venda de cigarros falsificados ou contrabandeados. Já os contratos especiais. 20% dos medicamentos vendidos no país são falsificados e podem colocar em risco a vida dos usuários – um negócio de cerca de três bilhões de reais ao ano. E quando a proposta governamental for debatida no Congresso. e por que não dizer perigosa. mas não é suficiente. deverá incluir a redução de encargos tributários e facilitar os trâmites burocráticos para empresas de menor porte. de forma a compensar os gastos”. a atividade cinzenta fatura cerca de três bilhões de reais ao ano. A tendência à informalidade é maior nas épocas de aperto. mas até o final de outubro nada tinha sido dito a respeito do detalhamento das medidas e nem sobre o conteúdo do Projeto de Lei Complementar. onde foi usado para evitar demissões nos períodos de recessão”. da situação é o envolvimento com atividades ilegais ou semi-legais. A questão. “Hoje. esta nova lei apresenta um problema estrutural preocupante: condena as empresas a permanecerem pequenas. férias e possíveis custos indenizatórios. diz Ramos. Ele acha que a flexibilização das leis não deve diferenciar empresas pelo tamanho. na medida que estabelece um teto de faturamento para os que pretendam gozar dos benefícios. que “fica mais barato correr da polícia do que cumprir as exigências formais”. já incorporando todos os atributos atuais. que teve sucesso justamente por sua descomplicação. diz Ramos. pesquisador do Ipea. não pagar os direitos trabalhistas e seus respectivos encargos sai mais barato. Nos cálculos do setor farmacêutico. como lembra Castelar. quase 8% do faturamento setorial. o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reconheceu. mas definir um arcabouço em que a livre negociação seja a pedra de toque. A tentativa de flexibilizar a legislação trabalhista com a Lei 9. A linha geral das mudanças foi anunciada num evento. “até porque se o empregado recorre à Justiça sempre é possível fazer um acordo e conseguir um desconto”.9 bilhão de reais em 2001 (ou 25% do faturamento do setor formal) e o governo deixou de arrecadar 1. com menores encargos trabalhistas. a questão estará na ordem do dia. Só depois estabelece o salário dos trabalhadores. Isso porque dependem de negociações das empresas com sindicatos. Na opinião de Camargo. evitam riscos como multas trabalhistas ou sanitárias”. de acordos coletivos e da apresentação de farta documentação para os fiscais do Ministério do Trabalho. só o fato de o assunto estar sendo ventilado já é um avanço. A rota da simplicidade foi escolhida pelo governo federal ao propor ao Congresso um regime especial para empresas com faturamento de até 36 mil reais por ano. No segmento de vestuário. podem ser considerados um fracasso. que instituiu o banco de horas e contratos temporários já não foi tão bem sucedida. Ao anunciar as medidas. como aponta o economista José Pastore. o projeto anunciado em setembro é um avanço na rota da formalização da economia. segundo as contas dos fabricantes legais. no final de setembro. Entretanto. o décimo terceiro salário. por exemplo. Do lado dos pequenos empresários. lembra Armando Castelar.3 bilhão de reais. O resultado. Especial. movimentou cerca de 1. Um dos movimentos consistentes para enfrentar o problema foi o lançamento do Simples.

Luiz Marinho. Ao reduzir os encargos sobre as remunerações. Além de criar um cadastro tributário único para unificar as três esferas do poder. Para ele uma das saídas seria passar a cobrar os encargos da Previdência Social sobre o faturamento e não sobre os salários. mas não abrem mão de direitos como o abono sobre o valor das férias e o décimo terceiro salário. o Peru implementou um programa que o destaca entre os países em desenvolvimento. que reúne trabalhadores. Criou uma poderosa base de dados unificada. Resumo da ópera: elevação de 75% da arrecadação junto às empresas de micro e pequeno porte. Se o Brasil conseguir atrair mais empresas para a formalidade. e não os direitos trabalhistas. simplificou a tributação para micro e pequenos empreendimentos e criou de um órgão central para combater a evasão fiscal. e responsabilização. Experiências de outros países mostram o impacto positivo de programas consistentes de combate à informalidade. diz. No Brasil. Como se vê. foco setorial. A multa de 40% sobre o valor do Fundo de Garantia de Tempo de Serviço (FGTS) pode ser objeto de negociação. do Ministério do Trabalho e do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). O resultado seria “o fortalecimento dos sindicatos. a tendência é de que elas busquem aumentar a sua eficiência e produtividade. Segundo Paulo Pereira da Silva.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa da Justiça do Trabalho. A economia brasileira ganhará. que impediam a formalização. com uma substancial redução de custos para cada participante. diz. O registro de empresas foi unificado. reformas estruturais. do Sebrae. Não houve consenso na negociação da reforma trabalhista no Fórum Nacional do Trabalho. As centrais sindicais até aceitam discutir. A Rússia escolheu como prioridade o combate à sonegação e à corrupção. FGV DIREITO RIO 51 . Reforma. Segundo o estudo da McKinsey. os resultados podem ser compensadores. A luta contra a informalidade. também é irredutível quanto à flexibilização dos direitos adquiridos. um empreendedor leva em média 155 dias para legalizar seu negócio. com redução do custo da operação de 1. Tortorella. são quatro os requisitos para uma iniciativa desse porte ser bem sucedida: “prioridade governamental. a carga tributária. outra conseqüência será a simplificação do processamento da folha de pagamento. Requisitos. A Espanha optou por atacar a frente fiscal. poderiam ficar por conta de associações. é a principal causa da informalidade. A estimativa da McKinsey é de que o PIB brasileiro poderia crescer dois pontos percentuais por ano se apenas 20% das empresas que atualmente estão na informalidade fossem incorporadas à economia formal. empresários e governo. coordenação e transição”. Exigências como a garantia de assistência à saúde. Portugal elegeu a luta contra a informalidade como o principal componente de sua agenda de reformas para colocar o padrão nacional de produtividade na média dos países da União Européia.2 mil dólares para 174 dólares. será necessário integrar as bases de dados da Secretaria da Receita Federal. ou regras de segurança de trabalho. presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT). “também exige mudanças nas regras para abertura e fechamento de empresas e a modernização dos controles governamentais”. Ao definir que a “exclusão econômica da parcela mais pobre da população” era devida à dificuldade para abrir empresas e à intensa burocracia. Presidente da Força Sindical. que passariam a negociar também com as pequenas e médias empresas”. é favorável a um regime trabalhista especial para as empresas de menor porte. o que viabilizou a abertura de um negócio em apenas um dia (antes eram necessários 300). reduzindo seus custos.

“A economia informal é importante porque cria oportunidade de trabalho para pessoas que poderiam estar pressionando ainda mais o mercado formal. e os programas de transferência de renda do governo. e não o trabalho informal.336 milhões de firmas (9. em 2003. com forte concorrência entre os empreendedores e poucos clientes. A alta foi proporcionalmente maior do que a expansão no período do total de pessoas ocupadas nas cidades: 4%. Tal retrato foi revelado pela pesquisa Economia Informal Urbana. Os empreendimentos informais empregam um quarto dos trabalhadores das áreas urbanas no Brasil. a renda sobe para R$ 753. contra 93% seis anos antes. disse ela. Em 2003. Para Angela Jorge.754 entre 97 e 2003 -uma retração de 19. receita média do setor caiu 19.183 para R$ 1.1% a mais do que em 1997).7% a mais do que em 1997. As firmas informais. Juntas. 12.7%. Regionalmente.uol. Pelos dados do instituto. de um lado. por sua vez. diz IBGE. a economia informal abriga 10. Apesar do recuo de ganhos e rendimentos. um faturamento de R$ 17.4% menos do que em 1997 -R$ 20. a situação ficou ainda mais difícil. Segundo o IBGE. Se considerados só os empregadores. folha. empregadores e empregados) caiu 3%.590 bilhões. Já a receita média mensal das firmas informais caiu de R$ 2. divulgada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).br/fsp/dinheiro/ fi2005200502. menos firmas eram lucrativas -73% obtiveram lucro. diretor-técnico do Sebrae. afirma.com. ainda assim 14. o mercado informal vive um período de saturação. em parceria com o Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas).861 milhões de pessoas -7. Em 2003. Na seqüência. Fonte: http://www1. Empresa informal tem 1/4 dos trabalhadores. com a crise econômica e a retração do consumo.525 milhões).4%).7% entre 97 e 2003. ocupam 13. por pedro soares. mas sua “maior importância” econômica não é na geração de riqueza.4% menor do que em 1997 (R$ 880). os dados mostram que as pessoas permanecem muito tempo no setor informal: 31% das pessoas que tinham seu negócio estavam na informalidade havia mais de dez anos -apenas 12% possuíam o empreendimento havia menos de um ano. Folha Online – Da sucursal do Rio em 20/05/2005.htm 62 FGV DIREITO RIO 52 . a economia informal perdeu espaço no PIB. O IBGE pesquisou empreendimentos informais. todas as empresas informais (aquelas que têm de uma a cinco pessoas trabalhando e não separam sua contabilidade da do dono do empreendimento) geravam mensalmente. mas o setor perdeu participação no PIB (Produto Interno Bruto) entre 1997 e 2003 -de 8% para 6%-. e a renda das firmas e pessoas que estão nesse segmento também caiu no período. um conceito mais amplo e mais difundido. do outro”. Para Luís Carlos Barbosa. São Paulo concentrava o maior número de empresas informais: 25% do total. 98% são considerados informais. o rendimento médio dos trabalhadores do setor informal (conta própria.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa teXto iV – eConomia “inVisÍVeL”. apareciam Minas Gerais (10. ou 98% do total de empresas com até cinco pessoas ocupadas (10. que inclui também pessoas ocupadas informalmente em firmas que são regulares.2%) e Rio (8. chefe da Coordenação de Emprego e Rendimento do IBGE.62 Dos empreendimentos com até cinco pessoas.070 bilhões. e sim na sua grande capacidade de acolher trabalhadores. ao passar de R$ 374 em 1997 para R$ 363 em 2003.

br/folha/dinheiro/ult91u96456. 10% empregados sem carteira assinada. segundo dados divulgados hoje pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) na Ecinf 2003 (Economia Informal Urbana). A indústria do tabaco teve prejuízo de US$ 1. notÍCias reLaCionadas. o ideal seria que todas essas firmas se tornassem legais. presidente do conselho da câmara americana de comércio – amcham. conseqüentemente. O Sebrae estima que.63 “Somente no Brasil a pirataria foi responsável por perdas de R$ 30 bilhões em 2004. que transcende as fronteiras da legalidade em todos os continentes. do Sebrae. O estudo feito em parceria com o Sebrae traça um retrato da informalidade no país. por: janaIna LaGE. Aquele trabalhador que desenvolve sozinho o seu negócio. As gravadoras perderam US$ 300 milhões e assistem ao avanço crescente das cópias falsas. suas chances de diversificação e expansão.5 milhões de empresas formais. assalto às empresas e às pessoas.64 A economia informal responde quase pela totalidade das pequenas empresas brasileiras. Do total de empresas informais. Um passo significativo para aumentar a formalização. Porém 7. O restante dos trabalhadores dos empreendimentos informais se distribui da seguinte forma: 10% eram empregadores. 88% não tinham constituição jurídica -ou seja. Essas são estatísticas sombrias de uma atividade tão criminosa quanto o tráfico de drogas. de 20/junho/2005. Para Barbosa. Helio magalhães.4 milhões de empresas nem haviam tentado se regularizar em 2003. Custos elevados dos registros e impostos e a pesada burocracia para a abertura de uma empresa são os principais entraves apontados pelos empreendedores que pretendem regularizar sua situação.br/ combatepirataria/showartgs. com CNPJ. é maioria entre os informais: 69% do total de pessoas ocupadas no setor em 2003. segundo o IBGE. não existiam legalmente. para cada empresa regular.gov. o contrabando e o comércio clandestino de armas. diz ibge.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa Por conta própria. A grande maioria (95%) das firmas tinha apenas um único proprietário. que já detêm 95% do mercado. Um dado da pesquisa mostra o vínculo entre empresa informal e família: só 65% das atividades produtivas eram desenvolvidas fora do domicílio.shtml 89 FGV DIREITO RIO 53 . unam esforços no combate à pirataria. O setor de software enfrentou quebra de US$ 400 milhões. é fundamental que os governos das nações civilizadas. folha. é o projeto de lei em tramitação no Congresso que cria a pré-empresa. A cadeia produtiva do cinema foi surrupiada em US$ 130 milhões. os assaltos a bancos e seqüestros.uol. o chamado “conta-própria”. de acordo com o IBGE.” Quase todas as pequenas empresas brasileiras são informais.mj. Assim. ampliando o seu acesso ao crédito e. existam outras duas informais. no Rio.com. em geral mulheres ou filhos do dono da empresa. Trecho do artigo de autoria do Dr. facilitando a instalação de firmas com faturamento de até R$ 36 mil ao ano.2 bilhão. havia cerca de 4. sem ter registro no CNPJ (Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica). em 19/05/2005. diz o Sebrae. Fonte: http://www1. Fonte: http://www. asp?id=16 63 Folha Online. o roubo de cargas. Trata-se de um problema efetivamente grave. 6% empregados com carteira assinada e 5% não-remunerados -ajudantes sem salário. bem como seus povos e setores produtivos. O Ministério da Justiça revela números assustadores. Em 2002 (último dado disponível). diz ele.

mas. folha. o equivalente a 10. 65 FOLHa OnLInE – Da sucursal do Rio em 20 de maio de 2005.825 empreendedores em 2003. Além de estar principalmente no comércio. Mas não é.htm FGV DIREITO RIO 54 . A mulher e os seis filhos também se mudaram e hoje moram com ele. Ganha de R$ 350 a R$ 400 mensais.525 milhões --foram consideradas nesse caso as empresas não-agrícolas. o camelô é exclusivamente o trabalhador por conta própria ou empregador que desenvolve seu trabalho na rua e está enquadrado em dois setores: comércio e serviços -neste caso. Outro grande contingente de empresas informais (27. Existem também 5% de não-remunerados. houve um crescimento de 9% no número de empresas informais. embora 83% deles morassem na localidade havia pelo menos cinco anos. É o caso de filhos que trabalham com os pais no preparo de alimentos para vender em barracas ou feiras. incluindo empregados e pequenos empregadores. O número de postos de trabalho cresceu 8% neste período.335 milhões de empresas. empresa informal é aquela que não tem um sistema de contas claramente separado das contas da família e emprega de uma até cinco pessoas. A maior parcela das firmas informais no país está instalada em lojas ou oficinas (20. ou 6. (. saiu do interior da Bahia para “passar uns dias” na cidade e acabou ficando.6 bilhões de receita média mensal e respondeu por um quarto das contratações de trabalhadores nãoagrícolas no país. Os trabalhadores por conta própria e os autônomos estão nesse universo. é informal. As empresas informais empregam cerca de 13 milhões de pessoas. Pela metodologia da pesquisa do IBGE. em 1997.. incluindo trabalhadores por conta própria. só o de alimentação. a maior parte dos ocupados informais era migrante: 55% não nasceram na cidade na qual trabalhavam. Pelos critérios do IBGE.com. Os camelôs propriamente ditos somavam 711.) Flávio Lopes Ferreira.3%) funciona no domicílio do dono do negócio. Desse total. 10% são empregadores e 6% trabalham com carteira assinada. Fonte: http://www1. 10% são empregados sem carteira assinada. 49. A firma (RECTIUS: sociedade) pode até ter CNPJ (Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica). Grande parte das vagas criadas no setor informal pertence a trabalhadores por conta própria (69%). 25. Gonçalves não sabe quanto recebe por mês: “Vou vendendo e quando preciso compro mais”. 98% fazem parte do setor informal. Gabriel Marcos Gonçalves. pequenos empregadores. Camelôs são apenas 7% do setor informal65 O camelô.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa O número de pequenas empresas no país alcança 10. se não tiver sistema de contabilidade próprio.9% do total de empresas informais. é talvez o personagem mais comum quando se pensa em um empreendimento informal. Em relação à última edição da pesquisa. A pesquisa também mostra que em 2003 a economia informal gerou R$ 17. empregados com e sem carteira de trabalho assinada e trabalhadores não-remunerados.6%).uol.3%) ou na casa do cliente (27. Sem nunca ter trabalhado no mercado formal. Mas uma pessoa que trabalha sem carteira assinada para uma empresa formal não está no universo da pesquisa. que há dois anos vende cangas e batas nas praias do Rio. ele vende balas nos ônibus pelo bairro de Copacabana. com sua barraca montada numa movimentada rua de comércio popular.br/fsp/dinheiro/ fi2005200508.. por exemplo. é um trabalhador por conta própria no comércio.

Leitura CompLementar: – Páginas 159 a 170 dos Comentários ao Código Civil Brasileiro. I que estabelece. Nesta aula discutiremos a leitura do(s) seguinte(s) capítulo(s): – Páginas 357 a 398 (LTDA) e 479 e 480 (SCP) do Curso de Direito Comercial. O empresário – pessoa natural. como já vimos nas aulas anteriores. 966 além do requisito especial do exercício da atividade em nome próprio – quando muito. IX. Fábio Ulhoa Coelho. 7ª edição. e competência para atingir o objetivo traçado. obrigado a inscrever-se na Receita Federal para obter o CNPJ – Cadastro Nacional de Pessoas 66 Decreto n. 968.A. 996 a 1.000/99.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa AUlAS 06 E 07: MODElOS SOCIEtáRIOS DE AtUAÇÃO EMPRESARIAl PARA A PEQUENA E MéDIA EMPRESA Muitas pessoas pensam em “abrir o próprio negócio” vislumbrando uma liberdade e tranqüilidade que não tiveram quando eram empregados. conforme expresso no art. Penalva Santos e Paulo Penalva Santos. José Edwaldo Tavares Borba. Newton Lucca. além de capacidade para assumir riscos e desafios. A figura do empresário não se confunde com a dos sócios ou acionistas de sociedade empresária. Saraiva: São Paulo/2004. sejam eles investidores ou participativos (ou empreendedores). 9ª edição. apesar do mesmo tratamento fiscal que lhe é conferido66. ter um empreendimento exige sacrifícios. é equiparado à pessoa jurídica e. vol. Rogério Monteiro.º 3. Forense: Rio de Janeiro/2005. para fins de inscrição do empresário individual. Diante desta realidade. Renovar/2004. nacionalidade. portanto. com a colaboração de familiares e/ou de auxiliares. Na verdade. tem-se a figura do empresário individual caracterizado pelos elementos constantes no art. – Páginas 93 a 112 (SCP e LTDA) do Direito Societário. domicílio e estado civil. bem como será de curial importância a escolha do melhor “modelo societário” (rectius: modelo empresarial) para o desempenho de suas atividades. Do Direito de Empresa (arts. necessário se faz que os que se prestam a tanto tenham noção dos riscos e dificuldades que enfrentarão.087). a informação do seu nome civil. roteiro de auLa: Aprendemos que quando a empresa é titularizada por uma pessoa natural. ementário de temas: – – – – – Empresário Individual Sociedade em Conta de Participação Fundo de Investimento Imobiliário – FII Sociedade Limitada Texto: As Sociedades em Nome Coletivo e em Conta de Participação como Estratégias de Negócios. Da mesma forma. FGV DIREITO RIO 55 . J. não há que tipificá-lo de “pessoa jurídica”.

O empresário opera sob firma constituída por seu nome. Inviabilidade. do cpc).Empresário individual é a própria pessoa física ou natural. porém. nesta parte. 591. . 68 69 É o caso da impenhorabilidade de máquinas. Patrimônio do empresário individual e da pessoa física. c) não conseguirá enquadrar-se como microempresa e dispor dos benefícios previstos na legislação própria.934/94. completo ou abreviado. . nEGRãO. faz com que muitos empreendedores busquem outro modelo empresarial (sociedades) a fim de evitar tal situação de confusão patrimonial. Embargos de declaração. § 1º da Lei n. para o cumprimento de suas obrigações. da Silva”. o que se afigurará como incentivo. 71 art.º 11.º 11. não é cabível o agravo retido. Existem bens que podem ser excluídos da esfera de ação do credor por se considerarem essenciais à atividade do empresário69. norma sobre o registro público de empresas mercantis e atividades afins. sendo-lhe facultado. ele responde com todos os seus bens presentes e futuros (sempre no limite das forças do seu patrimônio) pelas obrigações contraídas no exercício da atividade68. Agravo retido. 72 FGV DIREITO RIO 56 . se quiser.101/2005.832/RO. “J. ao empresário individual. ou seja.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa Jurídicas.1. Nesse sentido. saraiva/2005. Ausência de outorga uxória. respeitando-se. Assim. aditando-lhe. portanto. A falta de inscrição no Registro de Empresas coloca o Empresário “à margem das prerrogativas plenas previstas nas inúmeras leis que regulamentam sua atividade70” e implica sanções que lhe podem ser aplicadas em virtude do exercício irregular da atividade. o empresário só poderá adotar a espécie: firma individual. Recurso especial. quer civis quer comerciais. vol. impedido de “crescer demais”. cpc – “art. o empresário individual irregular: a) não tem legitimidade ativa para requerer o pedido de falência do seu devedor71. salvo as restrições estabelecidas em lei”. respondendo os seus bens pelas obrigações que assumiu. o dispositivo do art. incabível a ação rescisória. Rel. Cabral da Silva”. vimos que a indicação da atividade é providência que se impõe. feito na forma da Lei n. No tocante ao nome empresarial. 443) 67 “Art. Tema controvertido. Violação a literal disposição de lei.º 8. contradição ou obscuridade. tenham uso presente e sejam vinculados ao exercício legítimo dessa profissão. O sistema de responsabilidade do Empresário é PATRIMONIAL. Este regramento legal confere segurança às relações jurídicas na ordem econômica. pois os credores terão garantias contra eventual inadimplemento do empresário.832-RO: Processual civil. Desta forma. os tributos incidentes serão os mesmos existentes para as sociedades. provido. como também. designação mais precisa da sua pessoa ou do gênero de atividade. DJ 01/08/2005 p. praticamente. Ricardo in manual de Direito comercial e de Empresa. com base nos princípios da veracidade e novidade. O devedor responde. Não demonstração da omissão. utensílios e instrumentos necessários ou úteis ao exercício de profissão (art. b) não tem legitimidade ativa para pleitear sua recuperação judicial72. nada mais são que a mesma realidade. pg180. Erro de fato. Esta será composta pelo seu nome civil.101/2005. . mas desde que sejam necessários e úteis à profissão do executado. VI. . . O exercício da atividade empresária pressupõe o registro correspondente.” como estudado no primeiro módulo de Direito Empresarial (Teoria Geral da Empresa). impõe-se uma conduta prudente e extremamente cautelosa na administração da empresa.150 do Código Civil de 2002. Ministra NANCY ANDRIGHI. 97. ambos referentes ao sistema de registro do nome empresarial.156. adicionar o ramo de atividade a que se destina. 70 art.Indispensável a outorga uxória para efeitos de doação. 1. (REsp 594. Recurso parcialmente conhecido e. assim. 649. O Superior Tribunal de Justiça confirmou esta orientação no Recurso Especial 594. quando os bens não podem ser penhorados mesmo que relativamente valiosos e prescindíveis. Doação. Invalidade. com todos os seus bens presentes e futuros. mas é certo que alguma parte do estabelecimento empresarial será alcançada. 48 da Lei n.Se o alegado erro foi objeto de controvérsia na formação do acórdão. 1. da decisão unipessoal que causar gravame a parte. o negócio jurídico celebrado. TERCEIRA TURMA. “João C. 1. julgado em 28/06/2005. estando. Inválido.156 do CC67. considerando que o patrimônio da empresa individual e da pessoa física. Exemplos: “João Cabral da Silva”. tanto abreviá-lo.Não se conhece do recurso especial na parte em que se encontra deficientemente fundamentado. Ação rescisória.Em ação rescisória. “João Cabral da Silva Motores”. nos termos do art.

deve-se ter em mente que ser Empresário significa lidar com desafios. como denomina o Código Civil. 7ª edição. saraiva/2005. – Pode haver dificuldades para conseguir prazo para faturamento junto aos fornecedores. bancos.74 Ao sugerir para o cliente a modalidade “Empresário Individual”. Outras desvantagens em ser “Empresário Individual”. apenas a boa intenção não será suficiente. 28. sociedade em conta de participação – arts. mas isto apenas por conveniência ou oportunidade75. pois dependerá dele o empenho para atingir as metas traçadas. optam por celebrar um contrato de sociedade em conta de participação. ficará dependente de fornecedores. Renovar/2004. II do código civil. com isso.479. denominou sociedade”76 – ou. celebra com outra o contrato de participação onde unirão esforços para alcançar o fim determinado. – Vantagens fiscais por tratar-se de microempresa. podendo enquadrar-se no SIMPLES. a causa deste anonimato não pode ser ilícita. josé Edwaldo Tavares Borba in Direito societário. empregados.º 8. 9ª edição. pois o objeto do contrato tem que ser lícito – art. mas de competência e inúmeros fatores externos. mas sim um contrato.666/93. deixando-as livres para outras empreitadas ou mesmo servindo para manter uma das partes (sócio participante) no anonimato. como econômicos. II e III da Lei n. uma sociedade não personificada. no mesmo sentido: Ricardo negrão in manual de Direito comercial e de Empresa. 76 Fábio ulhoa coelho in curso de Direito comercial. são: – Seus bens pessoais ficarão comprometidos e serão alcançados por obrigações contraídas no exercício da atividade empresarial – A firma individual é intransferível por tratar-se do próprio nome civil do Empresário (“a pessoa natural não é passível de alienação”). – Possui total autonomia administrativa e participação integral nos lucros. f ) não conseguirá seu registro no Cadastro de Contribuintes da Seguridade Social. Importante frisar que para o negócio ser bem sucedido não depende só de sacrifícios e da vontade de ganhar dinheiro. uma vez que viabiliza composições entre partes que objetivam determinado negócio. Esta “sociedade” merece destaque. pg. Cumpre agora analisarmos os modelos de sociedades mais utilizados para pequenas e médias empresas: a Sociedade em Conta de Participação – SCP (apesar de não ser um modelo societário. geralmente. – Facilidade para a dissolução da empresa (“baixa no seu registro” como empresário. pg. por isso. sendo impossibilitado de contratar com o Poder Público. durante um bom tempo ele não ouvirá a expressão “tirar férias”. preferem ficar ocultas (não aparecer). entre outros. 991 a 996. Pessoas com recursos disponíveis e que desejam investir numa atividade empresarial. o Código Civil a elenca como modelo societário) e a Sociedade Limitada – LTDA. III.94. do governo etc. embora constituída mediante art. pg. riscos e sacrifícios. § 31 da constituição da República. ele terá menos tempo disponível para a família. na junta comercial). 73 74 art. e como as decisões do negócio são tomadas pelo Empresário. clientes. – Pode haver restrição para a obtenção de créditos junto às instruções financeiras.302. 75 Existem pessoas que desejam investir em operações de risco e. Entre algumas vantagens de ser Empresário Individual estão: – Os custos iniciais para a abertura do negócio são relativamente pequenos. Exigirá muitas horas diárias de trabalho. uma sociedade que não preenche alguma das condições previstas em edital de licitação. um contrato “que o legislador. 195. saraiva/2004. A Sociedade em Conta de Participação – SCP – é considerada. e) não conseguirá seu registro no Cadastro de Contribuintes Fiscais – CNPJ. que. FGV DIREITO RIO 57 . O Empresário precisa ter conhecimento e capacidade para administrar seu negócio com efetividade.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa d) não poderá participar de licitações públicas73. sem se tornarem sócios. assim como. pela doutrina. 4ª edição. 104. impropriamente.

Admitindo o registro como forma de evitar que o sócio participante seja confundido com “sócio” de uma sociedade em comum (leia-se: responsabilidade ilimitada). se tomar parte nas relações do sócio ostensivo com terceiros. O sócio participante não contrata com ninguém. mesmo as que optarem pelo registro não alcançarão o status de personalidade jurídica. Contudo. nos termos do contrato. Ele deve prestar contas perante os demais sócios ocultos.934/94)82”. O arquivamento pode ser feito. II. pois.. importância do registro. não formalizou o arquivamento do seu ato constitutivo em registro competente. não lhe será atribuída personalidade jurídica. e embora não possa administrar a sociedade. Forense: Rio de janeiro/2005. não pode usar razão ou denominação social. em seu nome individual78 e sob sua exclusiva responsabilidade. O sócio participante poderá ser mais de uma pessoa natural e/ou jurídica. e.95. Sua constituição independe de qualquer formalidade e pode provar-se por todos os meios de direito77 e. 82 in Direito societário. como o direito comercial aduzia. devem os participantes. parágrafo único do art. José Edwaldo Tavares Borba. j. “e”. Do Direito de Empresa (arts. os sócios participantes só devem explicações ou responsabilidades perante o sócio ostensivo. para o negócio (dinheiro. salvo no caso de participar ativamente nas negociações com terceiros. O sócio ostensivo é quem exerce a atividade constitutiva do objeto social. pois qualquer ato de interesse do empresário é passível de arquivamento na Junta Comercial (art. uma vez que ela tem que ser efetiva. “trabalho”. A forma de contribuição dos sócios. Renovar/2004. da Lei n. mesmo que o contrato por alguma razão venha a ser registrado.a. e providenciar o respectivo arquivamento no Registro de Empresas. b) Sócio ostensivo (empreendedor) – é aquele que se obriga perante terceiros sendo sua responsabilidade ilimitada. contratar a conta de participação por escrito. Vimos então que a SCP independe de qualquer formalidade legal para sua constituição. para não se exporem a elevados riscos.º 8. exclusivamente perante este. 161. imóvel. sendo certo que. 996 a 1. 992 do código civil. responderá solidariamente com ele no negócio que interveio. em sócio oculto. ostensivo e participante. IX.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa instrumento escrito. 79 80 81 art. mesmo que seu ato constitutivo seja arquivado em órgão competente. vol. pode ser provada por quaisquer dos meios admitidos em direito e.) deve estar prevista no instrumento contratual.087). no sentido de que “embora não obrigatoriamente. 325) – é aquele que se obriga exclusivamente ao sócio ostensivo. legalmente. terá sempre direito de fiscalizar sua gestão80. Desta forma. 77 78 art.. 32. participando os demais dos resultados correspondentes. porém admitida por Pontes de Miranda. foi rejeitada por Carvalho Mendonça. orienta o Prof. obriga-se perante terceiro tão-somente o sócio ostensivo. As partes possuem a seguinte denominação: a) Sócio participante/investidor (antigo sócio oculto do Código Comercial – art. 991 – código civil. este eventual registro não confere personalidade jurídica a SCP. 9ª edição. mesmo assim. FGV DIREITO RIO 58 . A possibilidade de levar a registro o contrato de participação. os seus atos possam vir a ser conhecidos de terceiros”81. como não tem personalidade jurídica. afigurando-se. 993 do código civil. Portanto. penalva santos in comentários ao código civil Brasileiro. pg. Cunha Gonçalves e José Eunápio Borges. entendendo estes autores que “por não ser clandestina ou propriamente secreta. pg. somente entre os “sócios” produzirá efeitos jurídicos (não tendo força contra terceiros). o sócio participante79.

na qualidade de sócia ostensiva. na forma da lei processual. destituídos de qualquer privilégio ou preferência (sendo crédito sem garantia. DES. DISSOLUÇÃO E DIVISÃO DE BENS. o ato constitutivo ficará sujeito às normas que regulam os efeitos da falência nos contratos bilaterais do falido85. Já na hipótese de falência do sócio participante. VI da Lei 11. no processo de falência. compete a participação nos resultados da exploração do objeto.101/05 (Lei de Recuperação da Empresa – LRE) 85 86 art. reger-se-á pelas normas relativas à prestação de contas. No sistema de locação conjunta denominada de pool hoteleiro. através de sua liquidação. FERDINALDO DO NASCIMENTO . assumir os riscos do empreendimento junto a terceiros. 83.. de acordo com o art. Ao sócio ostensivo compete a responsabilidade pela apuração dos resultados. A liquidação da sociedade em conta de participação. em nome individual e sob sua responsabilidade. 994 §3º do código civil. 2007. 996 do Código Civil.3-E ao sócio oculto ou participante. 2007. cujo saldo constituirá crédito quirografário83. observando-se as normas relativas à prestação de contas. MILTON FERNANDES DE SOUZA .DECIMA NONA CAMARA CIVEL. artigo Único: (. ou seja. e a sua liquidação rege-se pelas normas relativas à prestação de contas. é pago depois dos créditos privilegiados e daqueles que têm garantias reais84). a exemplo do que ocorre com a sociedade em comum.) § 4º É a administradora (empresa hoteleira).APELACAO SOCIEDADE EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO. 994 §2º do código civil.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa Havendo a falência do sócio ostensivo (sendo ele sociedade empresária) acarretará na dissolução da “sociedade” e a liquidação da respectiva conta.001. com a devida apuração dos haveres. RECURSOS CONHECIDOS E DESPROVIDOS. nesse sentido. obedecendo ao rito da lei processual civil. seguem decisões administrativas da Secretaria da Receita Federal87: SOCIEDADE EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO. Inteligência do artigo 808. sem.Julgamento: 10/07/2007 . Quanto à resolução de questões não previstas no contrato.fazenda. 87 Disponível em: http://decisoes. Julgada improcedente a ação principal. seja em relação aos lucros auferidos. duas decisãões do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro: SOCIEDADE POR CONTA DE PARTICIPAÇÃO. a responsável pelo recolhimento do imposto e das contribuições devidas pela scp. Sobre o assunto. sendo responsável pelo recolhimento aDI sRF 14/2004.1-A sociedade em conta de participação é contrato associativo no qual existem as figuras do sócio ostensivo e do sócio oculto ou participante. em que a administradora (empresa hoteleira) é a sócia ostensiva.Julgamento: 13/11/2007 .001. aplica-se. PEDIDOS IMPROCEDENTES. constitui-se uma sociedade em conta de participação. incabível é a devolução dos valores investidos pelo sócio participante sem que haja a dissolução da sociedade.2-Desta forma. IMPOSSIBILIDADE. subsidiariamente e no que com ela for compatível.br/netahtml/ decisoes/decw/pesquisasOL. apesar de não ter poder de mando.51470 . o disposto para a sociedade simples. o objeto definido no contrato de participação. o artigo 995 confere uma “certa proteção” ao sócio participante que. NECESSIDADE. sem prejuízo do recolhimento do imposto e das contribuições incidentes sobre suas próprias receitas ou resultados. poderá decidir quanto ao ingresso de novos sócios em havendo cláusula contratual neste sentido.QUINTA CAMARA CIVEL 83 84 art. apresentação da declaração de rendimentos e recolhimento do imposto devido pela sociedade em conta de participação86. art. seja em relação ao patrimônio especial.. LIQUIDAÇÃO. desaparece a plausibilidade do direito invocado. cessando os efeitos da liminar concedida. Sentenças que se mantém. III do CPC. htm FGV DIREITO RIO 59 . DES. Confiram-se.gov. No que se refere à alteração do quadro societário.2-Ao sócio ostensivo compete explorar. DISSOLUÇÃO.25419 – APELACAO. CAUTELAR INOMINADA. que geralmente é o prestador de capital. contudo.

2000.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa dos tributos segundo as normas aplicáveis às pessoas jurídicas em geral. de 25. Neste sentido. são isentos de tributação (art. esta operação é apenas uma fração FGV DIREITO RIO 60 . iii) deve ser reconhecido o direito do sócio ostensivo excluir da incidência do imposto a parcela de lucros atribuída aquele sócio. Recurso provido por unanimidade. presumido ou arbitrado.º 9. A SCP é equiparada às pessoas jurídicas pela legislação do Imposto de Renda88. de 25. e como tal. ii) que o sócio oculto reconheceu o resultado obtido em sua declaração de rendimentos. transcrevemos a seguinte decisão administrativa: Ementa: I. seguem as normas gerais aplicáveis aos pagamentos efetuados por pessoa jurídica aos seus sócios. Recorrida/interessado: DRJ-SÃO PAULO/SP. as sociedades em conta de participação são equiparadas às pessoas jurídicas. 991 do CC).R.01. PARCELAMENTO. 89 90 art. Da mesma forma. art.08. os lucros deverão estar tributados na contabilidade do sócio ostensivo. SOCIEDADE EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO. (Solução de Consulta 3. pessoa física ou jurídica. enquanto perdurar um parcelamento anterior no CNPJ do sócio ostensivo. O sócio ostensivo assume. uma vez que essa tributação já ocorreu dentro da Sociedade em Conta de Participação (leia-se: sócio ostensivo). Câmara / ACÓRDÃO 108-06. é contribuinte do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ).02. serão observadas as normas aplicáveis às pessoas jurídicas em geral e o disposto no art.P. (Recurso: 125570.2000) Continuando na seara tributária. Apesar de expressiva. – SOCIEDADE EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO – Provado nos autos: i) que no contrato celebrado entre as partes constam elementos que caracterizam a sociedade em conta de participação. (Solução de Consulta 27. a responsabilidade pelos tributos e contribuições sociais devidos pela SCP. 148. há vedação à concessão de um novo parcelamento. pagos ou creditados pelas pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real. Publicado no DOU em: 22. Recurso provido em parte. para locação conjunta de unidades imobiliárias denominado de “pool hoteleiro”. onde a administradora (incorporadora) é a sócia ostensiva e os proprietários das quotas referentes às unidades imobiliárias são os sócios participantes. Data da Sessão: 22/08/2001). os rendimentos provenientes da distribuição de lucro serão isentos e não tributáveis. que por sua vez já deverá ter pago os tributos pertinentes à empresa. (1º Conselho de Contribuintes / 8ª.2006 -8ª RF). Assim sendo. 149. 10º Os lucros ou dividendos calculados com base nos resultados apurados a partir do mês de janeiro de 1996. em decorrência de previsão legal (art. da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins)89.000/99 (RIR/99) art. na apuração dos resultados dessas sociedades.249/95)90. A expressão “mercado de capitais” costuma ser diretamente associada à compra e venda de ações em bolsas de valores.J. II.134 em 07. da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL).2006 -1ª RF) SOCIEDADE EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO – Os resultados da sociedade em conta de participação devem ser apurados em separado dos da própria pessoa jurídica que é o sócio ostensivo. 10º da Lei n. nem integrarão a base de cálculo do imposto de renda do beneficiário. domiciliado no país ou no exterior. a título de exemplo.06. ou seja. SÉTIMA CÂMARA – 1º CONSELHO DE CONTRIBUINTES. os rendimentos recebidos pelo sócio participante em decorrência da locação da unidade imobiliária (ou qualquer outra forma de distribuição de lucros). 88 ato Declaratório Interpretativo (aDI) sRF 14/2004 – Dispõe sobre a tributação das atividades do sistema de locação conjunta de unidades imobiliárias denominado de pool hoteleiro. não ficarão sujeitos à incidência do imposto de renda na fonte. seja o mesmo decorrente de autuações próprias ou da SCP. Uma vez distribuídos. fundo de investimento imobiliário – fii. Decreto 3. assim como na tributação dos lucros apurados e dos distribuídos. podemos citar uma SCP constituída com o objetivo de lucro comum. Assim. 254.

são veículos de investimento coletivo formados a partir da captação de recursos por meio do sistema de distribuição de valores mobiliários. a aprovação da “mp do Bem” serviu de estímulo para que as administradoras de FII coloquem seus produtos no Bolsa. tanto no preço dos papéis quanto no pagamento de dividendos. ou no investimento em projetos que viabilizem o acesso à habitação e serviços. pois é a única forma de ele ter certeza de que o preço é justo”. da Lei nº 9. a isenção de IR (conforme o caso) e a maior liquidez. e.196/05. os FII’s. que autoriza seu funcionamento e faz o acompanhamento de seus demonstrativos financeiros. explica sérgio Belleza. pois o investidor precisa acompanhar de perto se aquela sociedade em que investiu está dando o retorno esperado. O investimento em ações requer muita disciplina. é o local “onde se opera com ativos. cada investidor não pode deter mais de 10% das cotas ou dos rendimentos totais do fundo. ou seja. locação ou arrendamento.779/99. na construção de imóveis. ele precisará vender o imóvel. instrumentos financeiros. se no final de 6 meses o fundo não tiver vendido as quotas para realização do empreendimento. que é determinada pelas características do FII. os FII’s se tornaram mais atraentes. (fonte: IsTO É Dinheiro em 12/01/2006). p. a definição do valor da quota se dá em razão da sua atratividade. títulos e valores mobiliários não negociados em bolsas. ou. p.a.668/93. que é verificado pela CVM.ex. Em relação a investir diretamente em um imóvel. Com a aprovação da “MP do Bem” transformada na Lei 11. deve ter informações econômicas suficientes para a tomada de decisão do investidor. sem dúvida. terá que devolver o dinheiro. Criados em junho de 1993. já que as negociações destas quotas no mercado secundário ocorrem num ambiente pouco transparente: o mercado de balcão. Os FII’s são regulamentados pela Comissão de Valores Mobiliários – CVM. O retorno do capital investido se dá através da distribuição de resultados. No entanto a CVM não garante que o investimento seja seguro ou rentável. aos quotistas.ex. 93 FGV DIREITO RIO 61 . Além disso. não permite resgate das quotas92. com o limite mínimo de 50 quotistas. que estava em aplicação financeira. onde o investidor paga uma alíquota de 27. em mercado de balcão91 onde a negociação não gira somente em torno de ações de sociedades de capital aberto. pegar a quantia estipulada (20 mil) e então escolher outra forma de investir os R$ 91 Também conhecido como “over-the-counter”. da Instrução CVM nº 205/94 e regras posteriores. É a CVM que verifica se o fundo cumpre as normas legais para sua existência. Porém. na dissolução do fundo com a venda dos seus ativos e distribuição proporcional do patrimônio aos quotistas. É um fundo fechado. Os recursos provenientes podem ser aplicados no desenvolvimento de empreendimentos imobiliários. os fundos imobiliários são uma boa opção. o fundo imobiliário tem que estar listado em Bolsa93.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa dos papéis que podem ser negociados em mercados organizados. que isentou a alíquota de 20% de Imposto de Renda. O prospecto. da venda das quotas ou.. dentro das normas legais e de autoregulação previstas em lei e regulamentos” (Dicionário de Finanças do site da BOVEspa). especialista da coinvalores.a. para o investidor usufruir da isenção do imposto. ele deve ser pessoa natural. nos termos da Lei nº 8. na aquisição de imóveis prontos. Há ainda outro atrativo: é possível vender parte das quotas sem precisar mexer no investimento total. Na diferenciação entre investir em um Fundo de Investimento Imobiliário ou de Renda Fixa temos que este paga IR regressivo de 22. nem todos os FII estão listados em Bolsa. 92 n. como a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) e a Sociedade Operadora do Mercado de Ativos (Soma). quando for o caso.5% sobre o valor dos aluguéis e indiscutivelmente possuem menor liquidez do que os fundos. de Renda Variável paga 15% de IR com isenção até 20 mil/mês. para posterior alienação. Assim. a comercialização depende da existência de compradores e vendedores dispostos a negociar. O estudo de viabilidade econômica deve ser feito pelo próprio investidor a partir dos dados do prospecto de lançamento das quotas. Para quem não quer se envolver diretamente na administração do investimento e pretende alguma segurança. “a bolsa é a porta de saída mais eficiente para o investidor que queira se desfazer do investimento.5% a 15% sobre o ganho dependendo do prazo da aplicação. as vantagens são. n. se um investidor possuir R$ 100 mil aplicados diretamente num imóvel e necessitar de R$ 20 mil para fazer comprar um carro.

podemos citar dois exemplos: – Fundo de Investimento Imobiliário Torre Almirante95. depois de deduzidas as despesas de responsabilidade do fundo. no centro do Rio de Janeiro. onde corretores negociam as quotas em nome dos quotistas dispostos a vender ou comprar. apesar de os FII’s terem suas carteiras de investimentos constituídas por imóveis ou por direitos relacionados a imóveis. com a venda de todas as 104. FGV DIREITO RIO 62 . comparado a um imóvel.00. A rentabilidade para os investidores virá dos aluguéis pagos pela locatária ao Fundo. pelo prazo de 60 meses. Estas classes têm grande parte de seus investimentos concentrada nesses ativos. geralmente voltados para a renda. pelo conceito de tipo de investimento: – EQUITY REIT’s: São aqueles que investem em imóveis. Os rendimentos são pagos até o 10º dia útil de cada mês. os FII’s são conhecidos como REIT (Real Estate Investment Trust) e foram criados na década de 60. São classificados em três tipos. O reajuste do aluguel é anual. a partir daí. renováveis pelo mesmo período. e – HYBRID REIT’s: Misturam as duas estratégias (híbridos). Tem como lastro o Edifício Torre Almirante. portanto. Para os investidores de menor porte.700 quotas disponíveis.caixa. a Petróleo Brasileiro S. os REIT’s são condomínios que agregam recursos para investir na área imobiliária. em especial. depois de encerrada a emissão primária. Para elucidar o disposto acima. A distribuição primária. O FII Torre Almirante foi lançado em 21 de junho de 2004. podendo ter em suas carteiras imóveis.a. O prédio possui 36 andares. Os rendimentos provenientes do aluguel do imóvel são rateados entre os quotistas e distribuídos mensalmente. com aplicação mínima de R$ 1. Essa negociação é realizada na Bolsa de Valores de são paulo (BOVEspa). a propriedade de quotas não confere aos seus titulares a propriedade sobre os imóveis que integram o patrimônio do Fundo ou sobre fração ideal específica destes imóveis. – PETROBRAS firmou contrato para locação de 99. o FII tenha maior liquidez. Assim como os FII’s. – MORTGAGE REIT’s: Formados por hipotecas e outros tipos de financiamentos concedidos a compradores de imóveis. os FII’s significam a possibilidade de entrar no mercado imobiliário devido à pulverização do valor do empreendimento em quotas vendidas a preços acessíveis. Em setembro de 2004.A. os FLAT’s. entre outros. ele poderá negociar algumas de suas quotas em quantidade suficiente para alcançar o valor desejado94.asp. elevado grau de transparência. passaram a ser realizadas diariamente. pois como os FII são “fundos fechados”. analisaremos o caso do investimento em FII’s do setor hoteleiro.br/voce/produtos/fundos_de_investimento/fundos_imobiliarios/asp/torre_almirante. foi concluída em 16/05/2005. Embora. que será administrado pelo Banco Ourinvest S/A. ela não é imediata. O cliente acompanhará os seus rendimentos nos extratos mensais enviados pela CBLC – Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia. um imóvel localizado na Avenida Almirante Barroso nº. com base no IGP-M. somente. dividida em três tranches. ambiente “mega Bolsa”. não tem compromisso de garantir recompra das quotas. Representam a maioria do mercado. 94 95 Fonte: http://www. as negociações (compra e venda) de quotas do FII Torre Almirante. Investir na aquisição de imóveis é uma tradição brasileira possível. etc. Entretanto. 96 O mercado secundário corresponde à negociação de títulos e valores mobiliários onde os investidores compram e vendem ativos entre si.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa 80 mil restantes. que é uma instituição financeira. ou seja. entre eles o Imposto de Renda. possuindo. n. o administrador. a negociação para a venda de quotas tem que ser realizada no mercado secundário. 81. Na cidade do Rio de Janeiro. Também são isentos do pagamento de alguns impostos. hipotecas. títulos imobiliários. O mercado secundário96 teve início em 07/06/2005. para as classes A e B. claro que o investidor poderá encontrar dificuldade para a venda de suas quotas.000. gov. mobilizando bilhões. Se esses R$ 100 mil estiverem aplicados num fundo imobiliário. tendo sido planejado e construído com a mais alta tecnologia. através de leilões (call) no ambiente Mega Bolsa da BOVESPA – Bolsa de Valores de São Paulo. Nos Estados Unidos.3% da área bruta locável do imóvel.

O lucro da aplicação é proveniente do aluguel do imóvel. informamos que as empresas que vêm arregimentando grupos para as operações acima configuradas deverão regularizar sua situação de imediato. que tenha como público-alvo o cliente que se hospeda por pouco tempo.. em vez de vender os apartamentos. a título de taxa de admissão e de administração. construção ou reforma de imóveis ou de outros bens. Os sócios participantes também pagam um percentual. de 1 de março de 1991. transferindo-os para administradoras de consórcio autorizadas pelo Banco central do Brasil. até que. de modo a preservar o poder de compra dessas parcelas. descobre que nada vai receber e. fazendo crer que se trata de um fundo imobiliário.768/71103. coloca várias quotas à disposição dos investidores. é possível comprar um bom flat. e todos recebem pela média de ocupação do empreendimento. para a formação de um fundo social mediante o pagamento de prestações com valor pré-estabelecido. 33102 da Lei n. mas garantida. que objetivem a aquisição de bens de qualquer natureza. Com isso.177/91. muitas pessoas procuram incorporadoras no intuito de adquirir um flat para residir (e não alugar = investimento). que chega a 19% ou mais do valor da prestação.º 8. que fere de morte os direitos do consumidor e. Na prática acontece assim: mediante a celebração de contratos denominados “Instrumento Particular de Adesão à Sociedade por Conta de Participação”. O consumidor paga várias prestações.768. parcial ou 100 Isso acontece porque as unidades são “vistas” como um só grupo e a receita de cada investidor vem do índice de ocupação de todo o conjunto. mesmo que o seu flat não tenha sido usado em determinado mês100. mas como oficialmente são sociedades em conta de participação. é o capital a ser liberado pelo sócio ostensivo para o cumprimento do fim social. será exercida pelo Banco central do Brasil. ficando a cargo do sócio ostensivo a responsabilidade pelos custos dessa conversão. de 20 de dezembro de 1971. consiste na formação de “Sociedades em Conta de Participação”. dependendo da localização do imóvel e da infra-estrutura de serviços e lazer. dependente de prévia autorização do Banco Central. verifica que entrou em uma sociedade em conta de participação e não terá ressarcimento do que pagou. e é fundamental que tenham bons serviços e estruturas modernas.609. 7º e 8º da Lei 5. consoante o disposto na circular 3. constituição e funcionamento de grupos organizados por meio de sociedades em conta de participação e que visam a aquisição de bens. segundo as seguintes alternativas: I – solicitar ao Banco central do Brasil autorização para administrar grupos de consórcio. conferindo ao investidor maior rentabilidade. podendo superar de 50% a 100% o valor da locação residencial. fundo mútuo e outras formas associativas assemelhadas.06. assim. 101 Em face da propaganda.177. reduz-se o risco de perdas com desocupação ou inadimplência e garante-se um retorno. ele não estará adquirindo a propriedade do imóvel.. Como o fundo é formado por um sistema de quotas. ou III – dissolver os grupos já formados. Isso porque o rendimento é sempre rateado entre os proprietários das quotas. haja vista a desnecessidade da escritura de compra e venda. 7° e 8° da Lei n° 5. são transferidas ao Banco central do Brasil as atribuições previstas nos arts. carecem de amparo legal. levadas a cabo por sócio ostensivo de sociedade em conta de participação. art. despesas gerais e taxa de administração. entre 28 m² e 30 m². II – converter os grupos já formados para a modalidade de consórcio de imóveis. Vislumbrando a facilidade na “aquisição” do flat e não se importando com a sua metragem. inclusive a aplicação de penalidades. na verdade. de 12.º 7. para captação antecipada de poupança popular destinada à aquisição. em localização privilegiada. naturais ou jurídicas. fogem da fiscalização do Banco Central. não importando se uma unidade específica foi ou não ocupada. de fundo de reserva. elas funcionam como uma espécie de “consórcio”. a partir de 1° de maio de 1991. O tamanho médio dos flat’s acompanha o dos quartos de hotel. na verdade. o sócio ostensivo capta recursos financeiros dos consumidores (que são os sócios participantes). por um valor bem inferior ao preço de um apartamento. sujeita os responsáveis às sanções previstas na Lei n. editou o Comunicado BCB nº 9.2002101.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa Adquirindo quotas de um fundo de investimento imobiliário.768. com a nova redação dada pela Lei n. garantindo-se os direitos dos atuais participantes aos valores já desembolsados. A promessa de venda de bens a varejo mediante oferta pública e com recebimento antecipado. Esse fundo.691/88. 33. A comprovação dessa prática por pessoas. que. inclusive. 102 FGV DIREITO RIO 63 . Os proprietários das quotas dividem os custos e os lucros.070. Em verdade. no que se refere às operações conhecidas como consórcio. Os preços dos aluguéis de flat normalmente são elevados. ao ler o contrato. talvez menos expressivo – considerando o desconto com o pagamento de impostos. no prazo prometido. o investidor passa a ter uma receita mensal variável. parágrafo único. que é dividido entre os investidores. a fiscalização das operações mencionadas neste artigo. onde proíbe a atividade irregular em questão. Dessa forma. de 20 de dezembro de 1971.. atividade essa integralmente regulamentada por legislação específica. sem prévia autorização nos termos dos arts. a incorporadora. infelizmente. Um outro problema enfrentado. constitui-se de práticas abusivas rotineiras de mercado. O problema é que muitas incorporadoras não informam ao interessado que aquele imóvel faz parte de um fundo imobiliário e que. de 7 de dezembro de 2001. não autorizadas a funcionar conforme o art. de seguro.º 5. e 33 da Lei 8. embutido na prestação mensal. esclarecemos que tais práticas.

A partir de então. deverão adequar-se à nova legislação através do seu contrato social bem como cumprir uma série de exigências antes aplicáveis somente às Sociedades por Ações. prometer publicamente realizar operações regidas por esta Lei. nas sanções previstas neste artigo quem.. – Possibilidade de o sócio participante contribuir para o negócio com mão-de-obra e/ ou conhecimento técnico.. – Mobilidade no ingresso e saída dos sócios.101/05 (LRE). parágrafo único. sem prévia autorização. – Responsabilidade apenas do sócio ostensivo. 9ª edição. por meio do Decreto n. – Pode ter caráter permanente.708/19. que é constituída para a realização de um negócio determinado e se extingue após a consecução.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa total. 105 Entendemos como desvantagem apesar de na legislação comercial (art. Ou seja. O Decreto nº 3. pg. a título de taxa ou despesa de administração. da precitada Lei n. a aplicação das penalidades previstas nesta lei não exclui a responsabilidade e as sanções de natureza civil e penal. Incorre. são: – Facilidade em atrair sócios capitalistas que não desejam “aparecer”. Seguindo este modelo. adquirindo. nos têrmos das respectivas legislações. josé Edwaldo Tavares Borba in Direito societário.. inciso II. A criação da sociedade por quotas de responsabilidade limitada atendeu aos interesses dos comerciantes da época. o sócio oculto não poderia nem se habilitar na falência como credor. 106 É a chamada: Gesellschaft mit Beschänkter haftung. criou um tipo societário intermediário entre a sociedade de capital e a de pessoas106. SOCIEDADES LIMITADAS. sancionou lei semelhante.768/71.100. uma legislação supletiva das omissões do contrato social”107. Renovar/2004. o Decreto n.708/19 foi bastante criticado pela doutrina “e tinha na lei das sociedades anônimas. em 1892. Com base nas private companies inglesas.º 3. art. diferente de uma Sociedade de Propósito Específico – SPE. Os contratos bilaterais não se resolvem pela falência e podem ser cumpridos pelo administrador judicial se o cumprimento reduzir ou evitar o aumento do passivo da massa falida ou for necessário à manutenção e preservação de seus ativos. – Com a falência do sócio participante. mediante autorização do comitê. FGV DIREITO RIO 64 .. nela prevendo um capital e valor mínimo de cada quota. assim. recebidas ou a receber.º 5. ir contra um bem afetado à SCP (haja vista não existir separação entre o patrimônio do sócio ostensivo e da SCP perante terceiros). 328 do código comercial). que invocava expressamente. Portugal. O legislador brasileiro. responsabilidade limitada ao fundo com que concorreu.º 3. art 17. b) proibição de realizar tais operações durante o prazo de até dois anos. – Falta de instrumento escrito e de publicidade não a desnaturam.º.708 de 1919 encontra-se revogado pelo Código Civil de 2002 que trouxe profundas mudanças para as sociedades limitadas108. também. 107 108 inclusive a nova expressão: “sociedade limitada” e não mais “sociedade por quotas de responsabilidade limitada”. em desacordo com as normas aplicáveis. 103 104 art. As sociedades limitadas que já existem. as contribuições do sócio oculto serviam para o pagamento de credores. que deverá ser habilitado no passivo falimentar105. ao comerciante era garantida a não afetação de seu patrimônio particular por dívidas contraídas pela sociedade. do respectivo preço. Algumas vantagens na constituição de uma Sociedade em Conta de Participação. com a falência do sócio ostensivo. qualquer saldo apurado em favor do sócio participante terá a natureza de crédito quirografário. a realização de operações regidas por esta Lei. 117. que necessitavam garantir seu patrimônio pessoal de forma que não fosse alcançado por dívidas da sociedade. em 1901. 12. – Com a falência do sócio ostensivo. responsabilidade de cada sócio pelo valor da quota subscrita e responsabilidade subsidiária e solidária de todos pelo pagamento da quota não integralizada. visto que somente o montante investido na composição do capital social seria alcançado por terceiros. E como desvantagens: – Possibilidade de um credor do sócio ostensivo. o que tornava a sua interpretação e aplicação muito flexíveis. baseou-se no modelo português quando. 7º: a) multa de até cem por cento das importâncias previstas em contrato. introduziu em nosso ordenamento jurídico as sociedades por quotas de responsabilidade limitada. o contrato não se resolverá de pleno direito pois como estará sujeito às normas da Lei 11. configura atividade abarcada pela norma do artigo 7. sujeita os infratores às seguintes sanções. aplicáveis separada ou cumulativamente: (. o legislador alemão. haverá a possibilidade do Administrador mantê-lo104.) II – nos casos a que se refere o art. Apesar de resumir-se em 18 artigos.

No entanto. no período de 1985 a 2005.22%) são Sociedades Anônimas.dnrc. gov. segundo o qual os credores de um dos sócios não podem promover a liquidação da(s) quota(s) deste sócio enquanto a sociedade estiver em vigor. pois são excelentes veículos para a concretização de negócios.257 (48. pois lhe é vedada a emissão de valores mobiliários para captação de recursos no mercado. 1. fechamento do capital e transformação de sociedades anônimas em limitadas. outros tipos: 4.915. Por ser uma estrutura societária sem muita complexidade e com baixo custo de manutenção. Analisando somente o registro de sociedades.890 registros realizados.9% e as demais. Sobre os negócios é compartilhada pelos sócios. 109 Fonte: http://www. 1. sendo solidária. este chega a 4.1%110 dos registros.288 (51.080. O acesso ao crédito se dará. sua estrutura é pouco complexa e de baixo custo para manutenção. acarretando em despesas próprias para a atenção de tais regras (ex. na forma original ou mediante o processo de aquisição do controle de companhias abertas. sendo as Sociedades Limitadas responsáveis por 98.com.ibcbrasil. 4. e cujo nome empresarial deve necessariamente constar o termo “limitada” ou sua abreviação “ltda”. em regra. – A responsabilidade dos sócios é limitada ao montante do capital social.346. teXto: as soCiedades em nome CoLetiVo e em Conta de partiCipação Como estratégias de negóCios. mas que merecem um exame com um pouco mais de atenção. 110 autor: josé Gabriel assis de almeida – 25/nov/2005 – Fonte: www.731.043 do Código Civil.569. As sociedades em nome coletivo apresentam como novidades o fato de somente pessoas naturais poderem ser sócias e a exigência que os seus administradores (gerentes. dos 8.br sociedade anônima: 20.602.2%) são referentes à atividade de Empresário. cooperativas: 21. enquanto não integralizado o capital social. – A movimentação de ingresso e saída de sócios não é simples.3%) são Sociedades Limitadas e 20. através de empréstimos bancários. a Sociedade Limitada é aquela que tem seu capital dividido em quotas e na qual a responsabilidade dos sócios é limitada ao valor de suas quotas.br 111 FGV DIREITO RIO 65 . – Tipo societário viável também para grandes empresas. aproveitando que estas não estão submetidas ao regime de publicidade.300. Segundo dados estatísticos do DNRC – Departamento Nacional de Registro do Comércio109.080 (0.111 Há alguns modelos societários – mantidos pelo Código Civil de 2002 – que costumam passar despercebidos. na terminologia anterior ao Código Civil) sejam também pessoas naturais.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa Em linhas gerais. 4. a principal novidade das sociedades em nome coletivo encontra-se no art.: necessidade de aprovação anual do balanço. Tratam-se fundamentalmente das sociedades em nome coletivo e das sociedades em conta de participação.534. E como desvantagens: – Não tem muita facilidade de financiamento de suas atividades. Algumas vantagens na constituição de uma Sociedade Limitada: – Modelo societário é conhecido da doutrina e da jurisprudência com boa fonte de direito para solução das controvérsias. – Apesar das modificações inseridas pelo Código Civil de 2002 que engessou a sociedade limitada. a sociedade limitada é a forma jurídica mais utilizada para atuação da pequena e média empresa. com o respectivo registro na Junta Comercial ou no Registro Civil de Pessoas Jurídicas). – Estrutura ao alvedrio das regras de direito societário.

043 do Código Civil. a sociedade em conta de participação tem duas grandes vantagens: (i) a celeridade de sua constituição e (ii) o sócio participante não é conhecido por terceiros. 1. Esta sociedade não constitui uma nova pessoa jurídica. as contribuições do(s) sócio(s) participante(s) e do sócio(s) ostensivo(s) irão constituir um patrimônio especial. encontrarão no ativo do empresário quotas da sociedade em nome coletivo. Caso o novo empreendimento venha a ser mal sucedido e – seja por que motivo for – os credores consigam responsabilizar o empresário.043 do Código Civil. Com os ativos que não se encontram na sociedade em nome coletivo. o empresário constitui então uma sociedade limitada ou uma sociedade anônima através da qual irá realizar o novo empreendimento. é fácil vislumbrar a seguinte situação: Um empresário deseja se lançar num novo empreendimento. tendo um sócio uma dívida particular. no ativo do empresário. para posterior pagamento dos credores. A sociedade em conta de participação é composta por um ou mais sócios ostensivos e por um ou mais sócios participantes. A regra do art. no Cartório do Registro Civil das Pessoas Jurídicas ou no Cartório de Registro de Títulos e Documentos. sendo todos os negócios com terceiros realizados sob o nome do sócio(s) ostensivo(s). ao estabelecer a exceção acima mencionada (impossibilidade de liquidação da quota do sócio a pedido dos credores particulares deste sócio) implica que a(s) quota(s) do sócio devedor estão a salvo da ação dos credores.026 do mesmo Código segundo o qual os credores de um dos sócios podem requerer judicialmente a liquidação da(s) quota(s) do sócio. Essa liquidação significa que. sendo em seguida o devedor excluído da sociedade. Assim. Enquanto isso. os bens pessoais serão substituídos por quotas da sociedade em nome coletivo. Mais ainda. seguro e não burocrático de captar recursos ou distribuir resultados. por exemplo) para atuar como sócia ostensiva. Nos termos do art. subscreve o capital da mesma. o empresário – antes de dar início ao novo empreendimento – constitui uma sociedade simples sob a forma em nome coletivo. os bens transferidos à sociedade em nome coletivo permanecem intactos.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa Esta regra é uma exceção ao disposto no art. por razões diversas. da sociedade em nome coletivo. Ou seja. No entanto. no seio do patrimônio do sócio ostensivo. FGV DIREITO RIO 66 . pela sociedade. os credores não poderão promover a liquidação dessas quotas. devendo aguardar o término – que o empresário terá o cuidado de fixar a longuíssimo prazo. deles podendo usufruir o empresário. No entanto. 1. e integraliza o que subscreveu transferindo a esta sociedade os seus bens pessoais que pretende preservar. 1. Preventivamente. esta especialidade patrimonial não é oponível a terceiros. os terceiros credores do sócio ostensivo (ainda que por créditos estranhos à atividade desenvolvida pelo sócio ostensivo em prol da sociedade em conta de participação) poderão penhorar e promover a alienação desse patrimônio especial. 994 do Código Civil. não desejando arriscar o seu patrimônio pessoal. considera esse empreendimento incerto. Deste modo. em regime de comodato ou locação. Neste caso. Contudo. uma forma de solucionar este obstáculo é constituir uma sociedade de propósito específico (sob a forma de sociedade limitada. recebendo as contribuições dos sócios participantes. Assim. a sua parte na sociedade será apurada e o valor correspondente à mesma será depositado judicialmente. a sociedade em conta de participação não está sujeita a inscrição no Registro Público de Empresas Mercantis. Já a sociedade em conta de participação é um meio rápido. em obediência ao disposto no art.

certamente. perante terceiros. José gabriel assis de almeida sócio de J. determina o art. ainda que essa responsabilidade fosse solidária. Este tipo societário ficou um pouco esquecido com o advento das sociedades por quotas de responsabilidade limitada (agora denominadas. os sócios respondiam pessoalmente. em razão das dívidas da sociedade. eram considerados – pelas legislações desses países – como rendimentos não sujeitos a tributação. na formalização das relações jurídicas existentes entre uma instituição de ensino (sócia ostensiva) e os professores (sócios participantes). Já nas sociedades por quotas de responsabilidade limitada. as sociedades em nome coletivo continuaram a serem constituídas. pelo NCC.g. teXto 2: as bahamas são aQui: as soCiedades em nome CoLetiVo e o noVo Código CiViL. pelas dívidas da sociedade. Ocorre que o NCC conferiu uma nova vantagem – e das mais importantes – à sociedade em nome coletivo. Desta forma. Na sociedade em nome coletivo. E. xxxx Uma delas diz respeito à sociedade em nome coletivo. principalmente na parte relativa ao Direito de Empresa.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa A sociedade em conta de participação pode ser utilizada para negócios tão diferentes quanto para assegurar a participação de terceiros (sócios participantes) na exploração de uma jazida mineral. dos sócios nada mais poderia ser exigido. no período entre 1985 e 2001 foram constituídas. No entanto. assis de almeida & associados – advogados doutor em direito pela universidade de paris ii professor adjunto da uerJ e da uni-rio O novo Código Civil têm inúmeros detratores e críticos. No entanto. os sócios somente respondiam. os lucros apurados por sociedades em nome coletivo brasileiras e distribuídos aos sócios domiciliados em certos países. uma leitura atenta do texto legal. de sociedades limitadas). Para tanto. uma vez integralizada a totalidade do capital social. em comandita e de capital e indústria. o novo Código Civil tem inúmeros defeitos. Tanto é que as estatísticas do DNRC (Departamento Nacional de Registro de Comércio) indicam que. até o montante total do capital social. a sociedade por quotas de responsabilidade limitada apresentava uma enorme vantagem em comparação com a sociedade em nome coletivo. era o aproveitamento dos benefícios fiscais. isso porque. durante muitos anos a Gillete do Brasil adotou a forma de sociedade em nome coletivo.1. pelas dívidas contraídas pela sociedade perante terceiros. também apelidado de “Constituição do Cidadão Comum” revela que o NCC tem também diversas agradáveis surpresas. por exemplo. nesse período. de forma ilimitada e subsidiária.043 que: “O credor particular de sócio FGV DIREITO RIO 67 . qual seja: a limitação da responsabilidade dos sócios perante terceiros. As breves notas aqui lançadas são apenas um alerta para que os empresários e executivos possam compreender que o direito – através de mecanismos perfeitamente legais e legítimos – permite viabilizar diversos negócios. no Brasil. Assim. Assim. 3. na construção e administração de um shopping center.500 sociedades de tipo em nome coletivo. A maior utilidade das sociedades em nome coletivo.

qual (quais) a (s) participações societárias do devedor. nada mais restará aos credores do sócio em questão.042 do NCC é impenhorável. o empreendedor constituirá. Após regularmente constituída a sociedade em nome coletivo e transferido o patrimônio pessoal. o mercado de balcão organizado da Bovespa. titular de uma quota. A solução do NCC foi em favor do interesse dos demais sócios e da própria sociedade. por sua vez. Os credores particulares do sócio serão obrigados a aguardarem a dissolução e liquidação da sociedade em nome coletivo para só. Por outro lado. sócio. o empreendedor poderá constituir uma sociedade em nome coletivo. Portanto. os bens pessoais do empreendedor estarão protegidos sob a titularidade da sociedade em nome coletivo. credores particular de um sócio. Negociação no mercado secundário aumenta após a isenção do Imposto de Renda A negociação de cotas de Fundos de Investimento Imobiliário (FII) aumentou de forma significativa desde que os ganhos obtidos com essa forma de aplicação tornaram-se isentos do Imposto de Renda (IR). então. Este dispositivo cria um interessante e importante instrumento para a preservação do patrimônio.1. antes de conceder o crédito. em virtude de dívidas pessoais contraídas por esse sócio. esses bens do empreendedor consistirão apenas numa quota da sociedade em nome coletivo. o NCC acabou por resolver um conflito de interesses> Por um lado. foram realizados 229 negócios com cotas de fundos no Soma. O FII é considerado renda variável e é negociado no Mega Bolsa. fundos imobiliários ganham liquidez112. da qual o empreendedor é. o interesse dos credores particulares do sócio em receber o seu crédito. provavelmente uma sociedade limitada. este transferirá à sociedade em nome coletivo o seu patrimônio pessoal. Isto significa que as quotas do sócio de uma sociedade em nome coletivo não podem ser penhoradas. pretender a liquidação da quota do devedor”. quota essa que. penhorarem a parte dos haveres sociais que for atribuída ao sócio da referida sociedade em nome coletivo. uma outra sociedade. um maior rigor aos credores. do que senão aguardarem uma eventual dissolução e liquidação dessa sociedade em nome coletivo. os quais deverão verificar. após esgotado o patrimônio da sociedade limitada. a título de integralização do capital social dessa sociedade em nome coletivo. por força do art. reservando a parte que irá investir no empreendimento. xxxxx Com este dispositivo. Se os negócios da sociedade limitada correrem desfavoravelmente e esta vir a falir. mês anterior à isenção. então. Com efeito. pelos credores desse sócio. Nesta sociedade limitada.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa não pode. penhorar os bens pessoais dos sócios da sociedade limitada. antes de se lançar num negócio. No entanto. para a realização do empreendimento. certamente tentarão. de maneira que. Em outubro de 2005. o empreendedor investirá a parte do seu patrimônio destinada ao empreendimento. Em fevereiro Fonte: Bfix – Boletim do mercado de Renda Fixa. o interesse dos demais sócios e da própria sociedade em serem preservados da intervenção de terceiros. notÍCias reLaCionadas. assim. os credores dessa sociedade. 112 FGV DIREITO RIO 68 . Esta regra impõe. via desconsideração da personalidade jurídica ou outro instrumento de efeito equivalente. na medida em que. antes de dissolver-se a sociedade. ano 2 – n° 4 – abril/2006. isto é.

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passado, o número de negócios nesse ambiente alcançou 294 e, em março (até o dia 20), ficou em 223. O volume financeiro também registrou alta expressiva: de R$ 8,7 milhões em outubro para R$ 13,7 milhões em fevereiro e R$ 7,1 milhões até 20 de março. Dos 64 fundos do mercado, 17 são registrados na Bolsa. O benefício tributário vale para as pessoas físicas que obtiverem ganhos em aplicações feitas em FII com pelo menos 50 cotistas, e cujas cotas sejam negociadas no mercado secundário (na Bolsa ou no mercado de balcão organizado). Os resultados alcançados pelos FII em 2005 e as perspectivas para o mercado financeiro imobiliário foram temas da 3ª Reunião de Fundos Imobiliários realizada pela Apimec-SP e pela Bovespa, no dia 23 de março. “Estamos promovendo esforços para a divulgação e o aprimoramento dos fundos imobiliários para trazer mais transparência e liquidez ao mercado secundário”, afirmou o superintendente-geral da Bovespa, Gilberto Mifano. Alguns pontos da legislação ainda precisam ser aprimorados, afirmou Rodrigo Machado, diretor do Brazilian Group. Dentre eles, a necessidade de reformulação da Instrução CVM 205/94, que regulamentou os fundos; a possibilidade de as quotas de FII servirem para que os bancos captadores de poupança cumpram a exigibilidades de poupança; e o fim do enquadramento das quotas de FII como investimento em imóveis por parte dos fundos de pensão. JurisprudênCia. DUPLICATA. EMISSÃO POR FORNECEDORA DE MOBILIÁRIO CONTRA O PROPRIETÁRIO DE UNIDADE AUTÔNOMA DE EDIFÍCIO. SOCIEDADE EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO. RESPONSABILIDADE PERANTE TERCEIROS. SÓCIO OSTENSIVO. “Na sociedade em conta de participação o sócio ostensivo é quem se obriga para com terceiros pelos resultados das transações e das obrigações sociais, realizadas ou empreendidas em decorrência da sociedade, nunca o sócio participante ou oculto que nem é conhecido dos terceiros nem com estes nada trata. ” (REsp nº 168.028-SP). Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, provido. (REsp 192.603/SP, Rel. Ministro BARROS MONTEIRO, QUARTA TURMA, julgado em 15.04.2004, DJ 01.07.2004 p. 197). SOCIEDADE EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. DISSOLUÇÃO. NOMEAÇÃO DE LIQUIDANTE. CITAÇÃO DA SOCIEDADE CONSTITUÍDA. INDENIZAÇÃO. 1. Não há violação aos artigos 458, II, e 535 do Código de Processo Civil quando o Acórdão recorrido está amplamente fundamentado, alcançando a demanda tal e qual posta pelo autor, então apelante. 2. Não há falar em citação da sociedade em conta de participação, que não tem personalidade jurídica, nem existência perante terceiros. 3. Afastando as instâncias ordinárias a indenização por falta de prova, não tem consistência o pedido de extinção do processo ao argumento de que teria a sentença, considerado o pedido inepto. 4. Justifica-se a nomeação, desde logo, do liquidante, diante da realidade dos autos, que demonstram a animosidade existente, embora no caso de sociedade em conta de participação, seja discutível tanto a dissolução judicial quanto a existência de liquidação e partilha, aspectos que não podem ser examinados, porque ausente recurso da parte interessada.
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5. Recurso especial não conhecido. (REsp 474.704/PR, Rel. Ministro CARLOS ALBERTO MENEZES DIREITO, TERCEIRA TURMA, julgado em 17.12.2002, DJ 10.03.2003 p. 213). grifamos Conflito de Competência. Ação de Procedimento Sumário Declaratório de Negócio Jurídico c/c Devolução de Quantia Paga e Indenização. Procedência do Conflito. Sociedade em Conta de Participação que não é considerada sociedade empresária. Competência das Varas Cíveis. Conflito que se conhece e se acolhe, declarando-se a competência do Juízo Suscitado, ou seja, o da 16º Vara Cível da Comarca da Capital. (2005.008.00464 – Conflito de Competência – Des. Renato Simoni – Julgamento: 29/11/2005 – Nona Câmara Cível. TJ/RJ). grifamos TRIBUTÁRIO. Negócio Fiduciário. Imposto de Transmissão Inter Vivos - ITBI. Transferência de Imóvel Para Constituição de Fundo de Investimento Imobiliário. Incidência do Tributo. Os fundos de Investimentos Imobiliários, conforme determina a própria Lei nº 8.668/93, são desprovidos de personalidade jurídica, razão pela qual o imóvel dado para a constituição do fundo é transferido para a Instituição Administradora em caráter fiduciário. Tal operação não se encontra ao abrigo da imunidade tributária prevista no art.156, § 2º, I da Constituição Federal por não ser possível falar em constituição de patrimônio de pessoa jurídica em realização de seu capital social. O que essa lei chama de quotas está distante do que se entende por cota social. O titular de quotas do Fundo de Investimento Imobiliário não tem a mesma relação de participação que haveria entre sócio e sociedade. As tais quotas estão mais próximas em sua natureza das ações, já que são negociadas em ambiente de Bolsa de Valores. Contudo, não se pode conceber analogia entre um Fundo despersonalizado e uma Sociedade Anônima, constituída nos estritos moldes da Lei 6.404/76. Ainda que se ultrapassasse esse argumento, o pleito de imunidade sucumbiria à norma contida na parte final do mesmo inciso I, do §2º, do art. 156, da Constituição. Observa-se que a imunidade não alcança aqueles que realizam capital com transmissão de bens imóveis, quando é constatada como atividade preponderante do adquirente a compra e venda desses bens ou direitos, locação de bens imóveis ou arrendamento mercantil. Como foi exaustivamente demonstrado na peça inicial, o escopo da constituição de um Fundo Imobiliário é justamente esse tipo de atividade, ou seja, investir em imóveis comerciais e industriais de alto padrão de acabamento, destinados à locação de longo prazo. São as chamadas operações built to suit (construir para servir), que se pode traduzir pela construção de um imóvel segundo especificações expressas do inquilino. Assim sendo, tanto por um fundamento, quanto por outro, não se constata a tênue possibilidade de a apelante ser alcançada pelo benefício da imunidade conferida pela Constituição. Desprovimento do recurso. (2003.001.26635 - APELACAO CIVEL. DES. SERGIO CAVALIERI FILHO - Julgamento: 05/02/2004 - SEGUNDA CAMARA CIVEL. TJ/RJ) Questões de ConCurso 29º EXAME DE ORDEM – SEÇÃO DO RIO DE JANEIRO – 1ª FASE – DIREITO COMERCIAL. PROVA OBJETIVA. 40 – A inscrição do contrato social no órgão competente confere capacidade jurídica às sociedades, exceto à: a) Sociedade em comum;
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b) Sociedade simples; c) Sociedade em nome coletivo; d) Sociedade em conta de participação. 27º EXAME DE ORDEM – SEÇÃO DO RIO DE JANEIRO – 2ª FASE – DIREITO COMERCIAL. PROVA DISCURSIVA. 6 – Comente a pertinência da presente afirmação: “À luz do artigo 985 da Lei 10406/2002 (Código Civil), o registro do contrato social de uma sociedade em conta de participação confere-lhe, a partir de então, personalidade jurídica, sendo que os atos anteriores ao registro somente produzem efeitos entre os sócios, não podendo, contudo, a falta de registro ser oposta a terceiros.” 26º EXAME DE ORDEM – SEÇÃO DO RIO DE JANEIRO – 2ª FASE – DIREITO COMERCIAL. PROVA DISCURSIVA. 6 – A e B são sócios em uma sociedade limitada (Ltda) e pretendem participar de uma sociedade em nome coletivo. Caso não desejem fazê-lo em seus próprios nomes, podem A e B colocar a sua sociedade limitada para figurar como sócia na sociedade em nome coletivo da qual querem tomar parte? Justifique e indique o(s) dispositivo(s) legal(is) pertinente(s). 126º EXAME DE ORDEM – SEÇÃO DE SÃO PAULO – 1ª FASE – DIREITO COMERCIAL. PROVA TIPO 1. 47. A liquidação de uma sociedade em conta de participação (A) é regida pelas normas relativas à prestação de contas. (B) se dá somente por decisão judicial. (C) será eficaz apenas quando arquivada no registro de comércio. (D) exige aprovação em assembléia especialmente convocada para essa finalidade. PROVA OAB/MG - EXAME DE ORDEM - ABRIL/2006 94ª Questão: Assinale a alternativa INCORRETA: a) A Sociedade em Nome Coletivo somente pode ter como sócios pessoas físicas; b) A Sociedade em Conta de Participação adquire personalidade jurídica com o registro no órgão próprio; c) Na Sociedade em Comandita Simples a responsabilidade dos sócios em relação às obrigações sociais depende da categoria por eles ocupada no quadro societário; d) A Sociedade em Comandita por ações pode adotar firma ou denominação social, apesar de sua proximidade com a Sociedade Anônima.

PROVA CONCURSO PúBLICO/4ª REGIÃO JF - JUIZ FEDERAL JANEIRO/2008 76ª Questão: Dadas as assertivas abaixo, assinalar a alternativa correta quanto à empresa, ao empresário e às sociedades simples e às empresárias. I. A empresa é uma atividade exercida pelo empresário, não pressupondo a existência de uma sociedade, podendo ser desenvolvida pelo empresário unipessoal. II. A sociedade simples distingue-se da sociedade empresária, pois naquela inexiste
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II e III. III. a) Estão corretas apenas as assertivas I e IV.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa uma organização de bens materiais e imateriais (intelectuais) e recursos humanos. d) Estão corretas todas as assertivas. Podem ser empresários os menores de 18 anos. voltados para a produção sistemática da riqueza. c) Estão corretas apenas as assertivas I. sendo a sociedade cooperativa um de seus exemplos. IV. FGV DIREITO RIO 72 . b) Estão corretas apenas as assertivas II e III. Há identidade entre os conceitos de empresário e sócio da sociedade.

roteiro de auLa A sociedade por quota de responsabilidade limitada. Nesta aula discutiremos a leitura do(s) seguinte(s) capítulo(s): – Páginas 357 a 372 do Curso de Direito Comercial.II. 4ª edição.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa AUlA 08: A OPÇÃO PElO MODElO SOCIEDADE lIMItADA EM CONtRAPONtO AO MODElO SOCIEDADE POR AÇõES Na aula passada. atraindo principalmente a pequena e a média empresa por sua forma e constituição simplificada e a limitação da responsabilidade dos sócios. – Por que utilizar a S.404/76 determina expressamente que. Saraiva. A Sociedade Anônima é um instrumento jurídico muito importante para a economia. São Paulo/2004. ou seja. São Paulo/2005. conferindo mobilidade e liquidez ao capital investido. Vol. sobretudo em virtude de dois fatores: a garantia dos sócios contra os indesejáveis efeitos patrimoniais que ocorriam nas sociedades ilimitadas do antigo Código Comercial e a simplificada forma de sua constituição (ao contrário da estrutura complexa das sociedades por ações). 7ª edição. vimos que as sociedades limitadas representam hoje a grande maioria das sociedades registradas em nosso país. desde sua criação até os dias atuais. Essa sociedade de capital permite aos sócios negociarem livremente seus títulos. 113 na sociedade anônima.A. pois permite a captação de investimento na poupança popular para a aplicação em grandes empreendimentos.113 Assim. Leitura CompLementar – Páginas 358 a 360 do Manual de Direito Comercial e de Empresa. Saraiva. como Sociedade Limitada. Vol.A. Fábio Ulhoa Coelho. e por que utilizar a LTDA. uma enorme aceitação no meio empresarial. o capital é dividido em ações nas quais a responsabilidade dos sócios é limitada ao preço de emissão das ações subscritas ou adquiridas. FGV DIREITO RIO 73 . – Páginas 130 a 132 do O Direito de empresa à luz do novo Código Civil. – Classificação: Companhia Aberta e Companhia Fechada – breves comentários. sem que o investidor se responsabilize pessoalmente pelos negócios da companhia. Renovar/2005. nesta espécie societária.I. Sérgio Campinho. ementário de temas – Sociedade Limitada – Sociedade Anônima – breves comentários – Diferenças: LTDA e S. 5ª edição. tem. 1º da Lei nº 6. sem a necessidade de consentimento dos demais sócios. seu eventual prejuízo é adstrito ao valor pago pelos títulos no mercado de ações. Ricardo Negrão. a responsabilidade dos sócios também é limitada ao capital social tendo em vista que o art.

Essa situação é muito comum como já vimos no caso do “sócio de palha”. exigem uma alta soma de recursos. enquanto que na Sociedade Anônima não haverá possibilidade de escolha. Por outro lado. uma vez que no Brasil a Sociedade Unipessoal só é admitida como exceção. a Limitada também pode se apresentar como subterfúgio para o Empresário Individual. será classificada como uma “Companhia Aberta114” e será submetida ao controle e fiscalização da Comissão de Valores Mobiliários – CVM115. 117 FGV DIREITO RIO 74 . a. Geralmente. § 1º somente os valores mobiliários de emissão de companhia registrada na comissão de Valores mobiliários podem ser negociados no mercado de valores mobiliários. A sociedade limitada pode adequar o seu contrato social com característica de sociedade de pessoas ou de capital. Se a sociedade anônima pretender negociar suas ações no mercado de valores mobiliários (mercado aberto ao público). in curso de Direito comercial. art. Já na sociedade de capital. não importa o valor total constante no Estatuto. desde a composta por dois sócios e com baixo faturamento. 22.404/1976 traz inúmeras exigências para o funcionamento das Sociedades Anônimas. se os títulos de uma sociedade anônima circulam de forma restrita. será sempre de capital. Assim. 7ª ed.404/1976. até a formada por vários sócios e movimentando valores elevados. art. e especificará as normas sobre companhias abertas aplicáveis a cada categoria. por sua vez.II. que acabam por dificultar sua criação e administração. Por fim. sem negociação em bolsa de valores ou mercado de balcão. onde o interesse dos sócios não está voltado para a sociedade em si. Enquanto que na sociedade limitada. há uma diferença relevante. pelo seu porte. pág. 4º para os efeitos desta Lei. cabe ressaltar que existem diferenças na estrutura de ambas. e a exploração delas. depende de um mecanismo jurídico que viabilize a captação deles junto aos investidores em geral117”. as companhias de capital aberto são aquelas de maior porte116 ou que desejam captação maior de recursos. e sim. 115 116 O custo para cumprir as formalidades exigidas em lei para o ingresso e permanência da companhia com suas ações no mercado é bastante alto. Nas palavras de Fábio Ulhoa Coelho: “Há atividades econômicas que. o sócio se obriga pelo valor total constante no contrato social). é importante mencionar que enquanto foi conferida à sociedade limitada a opção de utilizar firma social ou denominação como nome empresarial.66. § 3º a comissão de Valores mobiliários poderá classificar as companhias abertas em categorias. A sociedade pode ser de pessoas ou de capitais. 114 Do contrário.º 6. Quando de pessoas. Além disso.385/1976. o sócio responde pela integralização do capital social (não importa o valor de sua cota. No que se refere à responsabilidade dos sócios. O modelo da Sociedade Anônima é interessante para grandes empreendimentos que suportem a estrutura exigida pela lei.º 6. será classificada como uma “Companhia Fechada”. valoriza a qualidade pessoal do sócio. não tendo maior relevância a pessoa do sócio. Já o modelo da Sociedade Limitada pode ser amplamente utilizado. aos resultados econômicos que ela pode gerar. Lei n. segundo as espécies e classes dos valores mobiliários por ela emitidos negociados no mercado. devendo esta ser identificada sempre por denominação. o importante é o objeto social. considera-se aberta a companhia cujos valores mobiliários estejam admitidos à negociação na bolsa ou no mercado de balcão. A forma de “capital aberto” é fundamental para as sociedades que desejam negociar na Bolsa de Valores e que tenham como grande objetivo a captação de recursos financeiros. a Lei nº 6. Enquanto que o Código Civil apresenta uma estrutura mais simples para a sociedade limitada. saraiva/2004. à sociedade anônima não coube escolha.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa diferenças entre Ltda e s. na Sociedade Anônima o sócio só responde pelo valor das ações que subscreveu. Lei n. por isso. a companhia é aberta ou fechada conforme os valores mobiliários de sua emissão estejam ou não admitidos à negociação no mercado de valores mobiliários. § 2º nenhuma distribuição pública de valores mobiliários será efetivada no mercado sem prévio registro na comissão de Valores mobiliários. Vol. só responderá pelo que se obrigou.

terá o ex-cônjuge direito a ingressar no quadro societário da H. a) O mecanismo é suficiente? b) E se o modelo societário adotado fosse de uma sociedade limitada? A solução seria a mesma? c) Na hipótese de separação de um dos acionistas.Stern. apesar de não mais se referir a “executado”. da família Stern. mas sim a “devedor”.Stern Comércio e Indústria S.a ação de inventário por separação judicial é o leito próprio para apreciação de questões jurídicas surgidas após a separação de fato do casal. DECLARAÇÃO DE INEFICÁCIA DOS NEGÓCIOS JURÍDICOS SUBJACENTES À SEPARAÇÃO DO CASAL. QUE APESAR DE CERCADA POR CONTROVÉRSIA JURÍDICA.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa Caso H. HOMOLOGAÇÃO DO ESBOÇO DE PARTILHA.A. REGIME DE COMUNHÃO UNIVERSAL DE BENS. e comportando incidente processual quanto aos efeitos jurídicos dos negócios entabulados pelo cônjuge varão à revelia do cônjuge virago. em face da preclusão pro judicato. é uma sociedade anônima de capital fechado. 600 do código de processo civil. FGV DIREITO RIO 75 . RESGUARDADA A MEAÇÃO DA EX-MULHER POR MEDIDA ACAUTELATÓRIA DE SEPARAÇÃO DE CORPOS E ARROLAMENTO DE BENS. III . em sua maioria. mas solução de natureza doutrinária e jurisprudencial. admitindo a discussão de prova documental a respeito de fatos incontroversos. aduzindo que o ingresso de terceiros deverá ser autorizado pelos demais acionistas. mas tão somente aquelas derivadas nas ações de execução estrito sensu. desde que não seja renovada perante o mesmo grau de jurisdição. de ordem pública. HAVIDOS EM FRAUDE À MEAÇÃO. DIVERGÊNCIA. por ato atentatório à dignidade da Justiça. em geral. O estatuto social traça um mecanismo para evitar o ingresso de estranhos no quadro societário sem a anuência dos demais acionistas. podendo. a exemplo da ação de inventário por separação judicial combinada com partilha. I . que não é matéria fática de alta indagação. podendo ser suscitada e discutida a qualquer tempo e grau de jurisdição. restando disposto que deverão ser oferecidas as ações do retirante aos demais acionistas. ALIENAÇÃO FRAUDULENTA DE AÇÕES ORDINÁRIAS NOMINATIVAS DA EMPRESA APÓS SEPARAÇÃO DE FATO. HOMOLOGAÇÃO DO ESBOÇO DE PARTILHA.a sanção prevista no art. INVENTÁRIO DE BENS POR SEPARAÇÃO JUDICIAL. sendo o preço estipulado com base no último balanço aprovado. Da mesma forma tratam do exercício do direito de retirada. cujas ações são de propriedade.a competência em razão da matéria é pressuposto de validade da relação processual. COMPETÊNCIA DO JUÍZO DE FAMÍLIA PARA APRECIAR A QUESTÃO. AÇÃO DE PARTILHA JUDICIAL POR DISSOLUÇÃO DA SOCIEDADE CONJUGAL. tem seu campo de incidência nas ações de execução. inclusive. não podendo ser interpretado ampliativamente para alcançar a execução de toda ordem emanada do Poder Judiciário. INDEPENDE DE DILAÇÃO PROBATÓRIA. II . controlá-la? JurisprudênCia PROCESSO CIVIL.

alerta o advogado Luiz Fernando Gevaerd. 2ª Turma Cível do Tribunal de Justiça do Distrito Federal. Os três deixaram Brasília ao meio-dia. o maior dos quais é o Banco do Brasil. recorda-se. o ex-marido. Por volta das 21 horas. “Passei a tarde inteira bebendo cafezinho e fumando. o julgador deve ser preocupar em trilhar “caminhos para se chegar a decisões que fujam ao ‘faz de conta”. “Litígios predatórios reduzem grandes patrimônios a pó”. O valor da transação foi de R$ 134. Estava pronta para embarcar rumo a Uberlândia. Helena Abib Rezende acordou às 9 horas na sexta-feira 30 de abril para enfrentar uma jornada inesquecível. Grifamos. Hoje ela controla um grupo de 4 mil funcionários e faturamento previsto de R$ 1 bilhão em 2002. em especial na região centro-Oeste. patrimônio estimado em R$ 185 milhões – quatro vezes o que recebeu a princesa Diana ao se divorciar do príncipe Charles. três meses depois. encarou uma ducha rápida e não teve dúvidas na hora de escolher o que vestir: um conjunto bege. estavam em jogo uma fortuna avaliada em R$ 436 milhões e o controle acionário da Granja Rezende. assumir a gestão e o controle acionário da Granja Rezende. instalada numa sala de diretoria. Naquela tarde. notÍCias reLaCionadas Lucros e perdas do desamor118 mulheres enfrentam ex-maridos nos tribunais.000.várias as formas através das quais se pode prejudicar o cônjuge ou a companheira com atos praticados sob o manto pseudo-protetivo da empresa”. A escalada foi áspera. UNÂNIME. No caso Rezende. 119 FGV DIREITO RIO 76 . um dos maiores grupos alimentícios do país. com sede em uberlândia.000. a dona de casa mineira. a Granja Rezende foi incorporada pela saDIa. saiu vitoriosa da assembléia de acionistas. Só então abriram-se as portas do negócio milionário para a ex-mulher.a.00 (cento e trinta e quatro milhões de reais). Decisão: DAR PARCIAL PROVIMENTO A AMBOS OS RECURSOS. acabava de se tornar controladora do grupo. Em 2002. Depois de esperar duas décadas por uma sentença favorável. na companhia de dois advogados. Helena dispensou o almoço. peritos e consultores. Ansiava pelo lance decisivo de uma batalha judicial que começara 25 anos antes. onde os produtos da marca mineira Rezende tinham forte penetração. Aos 57 anos. Fonte: Revista Época. cuja pensão alimentícia é de R$ 571. a saDIa adquiriu 90% das ações da Granja Rezende s. ganham fortunas e transformam o divórcio num tormento para as empresas. os demais 10% ficaram com a Fundação Rezende. ex-funcionária pública. a opção mais próxima em seu guarda-roupa do que seria o figurino de uma executiva.. Até lá. Helena enfrentou o vaivém das liminares nos últimos três anos. Chegou ao topo do ranking das partilhas de bens no Brasil. A Justiça ainda aplicou multa de R$ 72 milhões a Alfredo Rezende. com medo de uma liminar de última hora”.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa IV . Relatora: DES. REJEITADAS AS PRELIMINARES À UNANIMIDADE”.com/ edic/19990712/soci1. as custas do processo superam R$ 70 milhões119. (APC-5246299/DF.globo. até a 5a Vara de Família em Brasília garantir-lhe a tutela antecipada das ações. NANCY ANDRIGHI em 18/10/1999. criada e administrada ao longo dos últimos 39 anos pelo empresário Alfredo Júlio Rezende. suspendendo-o do cargo de diretor-presidente da empresa. Disponível em: http://epoca. DJ 16/02/2000 p. foi um importante passo para a expansão dos negócios da saDIa no país. 20). por Eliane Trindade. Disputas prolongadas também geram fortunas para advogados. No vôo. Somente às 18h30 ela faria a entrada triunfal na sede da empresa.por serem “. O próximo embate ocorrerá em setembro... a nova diretoria tentará conseguir capital de giro e prorrogar empréstimos de curto prazo com os credores. Tomou o café com leite e torradas. com 42% das ações. com o julgamento do último recurso de Alfredo. autor do livro Quando o Amor Acaba na Justiça.htm 118 no final de 1999.

ex-ministro e ex-dono do Bamerindus. uma das maiores empresas do mundo. na época da quebradeira do Bamerindus. Lorna partiu para o ataque com uma calculadora na mão. os Andrade Vieira estão longe de uma solução amigável. Acrescentou os ganhos médios que teria conseguido caso se dedicasse à carreira de professora de Música. Pedro Malan. as ex-mulheres parecem dispostas a tudo para proteger o quinhão. aos filhos e à preparação de impecáveis recepções para executivos e clientes. Os divórcios entraram na pauta das grandes empresas. Chegou a US$ 2. vender participações a grupos rivais e tumultuar conselhos de administração. lembrando-se dos tempos de vacas gordas. “Eu confirmo”. Tânia semeia ressentimentos e colhe notoriedade. os advogados de Tânia ingressaram no fórum de Curitiba com o pedido de separação e estão prontos para a guerra. serão incluídos entre as provas. Até os jantares oferecidos ao presidente Fernando Henrique. E assim por diante. enfim. José Eduardo Andrade Vieira. Começam a compreender os labirintos da Justiça e colocam em cena uma categoria de causar calafrios ao mundo dos negócios: a esposa corporativa. Lorna e Gary resolveram duelar depois de 32 anos de casamento. uma usina de cifras estratosféricas. O império General Electric. a sangria financeira é inevitável. irmão do ministro da Fazenda. considerado um dos empresários do século.fazendas. Diante de um batalhão de advogados. computando horas extras devotadas aos negócios dele. mas fortunas menores não resistem à infiltração dos ódios conjugais. Menos tímidas que suas mães e avós. ela vai brigar pela divisão de R$ 15 milhões. “Eu enfrentei duas intervenções!”. Um seminário realizado há dez dias em São Paulo reuniu uma platéia de 150 homens de negócios. “Eu o ajudava 24 horas por dia. Separados de fato há um ano. A pretexto de FGV DIREITO RIO 77 . contas no Brasil e no exterior.5 milhão. A General Electric. aparteou em voz alta quando um senador perguntou se Andrade Vieira mantivera contatos com Marcos Malan. Tânia roubou o espetáculo. Na quinta-feira. viu-se no meio do embate matrimonial entre Lorna e Gary Wendt . A ex do executivo da GE fez escola. não chegou a balançar diante da esposa corporativa. esbraveja. indigna-se. para assistir ao depoimento do marido. depois da perda do banco e da indisponibilidade de parte do patrimônio. além de amargar a condição de sem-banco. era. Nos finais de semana. ela pode destituir diretores. ela não concordou em receber os US$ 8 milhões oferecidos pelo ex.alusão a supostas namoradas do ex-banqueiro. Depois de 24 anos de casamento e quatro filhos. mas seus advogados estão levantando tudo . Tânia faz mistério. não pretende renunciar aos bens que escaparam à intervenção do Banco Central. uma secretária-executiva”. recebia os convidados dele para jantares e reuniões. Retirada a parte que cabe aos filhos. “A do BC e agora a dele para cima de mim!” Estimam-se em R$ 30 milhões as sobras da fortuna de Andrade Vieira.1 milhões. A aparição intempestiva deixou o depoente trêmulo e os senadores constrangidos. A precisão dos cálculos e dos argumentos convenceu o juiz: Lorna levou US$ 22 milhões. preparava recepções. corrige: “Terceiras” . abastecida de muita raiva. imóveis.segundo homem da empresa e provável substituto do todo-poderoso Jack Welch. sem folga. Há três semanas.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa Quando a roupa suja começa a ser lavada em público. Calculou o custo de uma doméstica e de uma babá ao longo de três décadas. Emagreceram: em 1997. enumera Tânia Vieira. o Bamerindus sofreu intervenção e acabou vendido ao HSBC. abandonada em conseqüência do casamento. compareceu sem convite à CPI dos Bancos. atendia a telefones. Na condição de sócia. “Não quero ver o nosso patrimônio desviado para terceiros”. Com um sorriso malicioso. Achou miserável a recompensa financeira pelos anos de dedicação a casa. tem nos calcanhares uma ex-mulher. Tânia avoca direitos sobre o que restou do patrimônio do ex-marido. na mansão no Lago Sul em Brasília. Mais US$ 1.

Carola. freqüente nos grandes grupos econômicos.” jura Carola. o advogado paulista Newton Oliveira Neves forneceu exemplos práticos de como salvar empresas de ataques especulativos do mercado matrimonial. “Criar a holding é uma forma de proteger os bens em futuras relações”. diz. quer continuar morando no apartamento em bairro nobre de São Paulo e retomar o carro importado. “Perdi um tempo precioso que nenhum juiz poderá devolver”. resume Neves. num paraíso fiscal. A futura esposa queria casar-se em regime de comunhão universal. que angariou milhões de dólares e driblou um clássico golpe do baú. O empresário antecipou a partilha de 50% dos bens para os filhos e transferiu a outra metade do patrimônio para uma empresa off-shore. cujo escritório realiza uma dezena de reestruturações societárias por ano. na Área Societária. Prova disso é a separação de Max Gonçalves. O melhor é prevenir”. Sua história foi lembrada pelo senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) na sessão de abertura da CPI do Judiciário. “Ainda é tabu no Brasil falar em pacto. tenta provar na Justiça que ele enviou ao exterior uma fortuna de R$ 16 milhões. Em agosto.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa discorrer sobre o tema Proteção de Bens. “No auge do amor. “Os acordos tornam-se quase impossíveis”. de São Paulo. “As pessoas se esquecem que casamento é uma comunhão de afetos e interesses. Nem sempre paraísos fiscais resolvem a pendenga. “Chiquinho chegou com o documento quando os convites já estavam distribuídos e o vestido de noiva pronto”. Seu colega carioca Luiz Fernando Gevaerd vai mais longe. FGV DIREITO RIO 78 . O romantismo latino atrapalha tudo”. dono da Fenasoft. Tenta faturar algum por conta própria: lançou o livro A Condessa que Virou Princesa. Pede R$ 100 mil por mês. cujas ações são incomunicáveis. constata. de Família e Sucessões. “Ela quer metade do que Max deixou de declarar”. Sem direitos sobre os bens dos Scarpa. A briga vai se estender por décadas. lembra o advogado. “Teria escrito um épico se contasse toda a minha vida”. só faltou fazer voto de pobreza antes do novo casamento. é a criação de holdings para administrar o patrimônio pessoal de sócios e herdeiros.” Os brasileiros bem aquinhoados começam a sintonizar uma tendência comum entre americanos e europeus: a adoção do pacto pré-nupcial. O caso se arrasta em fóruns de Brasília e Minas Gerais. somar é possível. que há 26 anos briga com os cunhados pelo espólio do marido. explica o advogado Marco Antônio Fanuchi. Ou seja. Entre os casos mencionados aparece o de um comerciante de sucesso (Neves omitiu seu nome). O advogado Sérgio Marques da Cruz Filho. pouco antes do matrimônio principesco. Fausto Salomão ilustra a lentidão da Justiça nas partilhas. Outra saída. bem em frente ao Centro Comercial Gilberto Salomão. Tina Bauer. Tributária. “O pacto foi assinado sob pressão. choraminga. Anna Elmira luta com dois cunhados pela parte do patrimônio que caberia ao finado – algo em torno de R$ 100 milhões. representante de Tina. contratado por Chiquinho Scarpa para defendê-lo das garras esmaltadas da ex-mulher. maior feira de informática do país. O papel não evitou a baixaria no desenlace. à frente de um tradicional escritório especializado em Direito de Família. Mora numa bela mansão em Brasília. dividir é martírio e subtrair uma compulsão. parte do fantástico patrimônio imobiliário da família. vendido a R$ 9. sugere a ricos e pobres encarar de frente o lado material do casamento. em Florianópolis. com quem viveu por seis anos. não dá para falar em separações de bens. no segundo matrimônio. restou à ex-condessa brigar por pensão alimentícia. diz o advogado Taltíbio Araújo. não são partilháveis. Quando bate o ódio.90 o exemplar. deverá sair a primeira decisão sobre o caso. Conhece de cor a aritmética do coração: quando existe amor. O caso da viúva Anna Elmira. Sem nada em seu nome. Os dois formalizaram um pacto. irrita-se. coisa de Primeiro Mundo.

. À frente de três holdings e de um patrimônio de R$ 1 bilhão. A apresentadora Ana Maria Braga. Christina Onassis. casou-se no ano passado com Carlos Madrulha. completa. Casada em separação de bens. seu guarda-costas. FGV DIREITO RIO 79 . Thierry Roussel. Maridos também mordem. um caso rumoroso envolve o clã dos Matarazzo. No Brasil. levou 50% dos negócios dela. ela pagou a conta depois de 20 anos de convivência. mais raros. Ele teria ameaçado revelar segredos comerciais do conglomerado. Miranda aceitou casar-se com separação total de bens. Hábil operador de influências políticas. com base na nova lei da união estável. acumulou US$ 73 milhões só em presentes oferecidos depois de cada briga do casal. dona de um dos maiores salários da televisão. o ex-marido. Maria Pia. vocifera. Colocadas nos pratos de uma balança. Quando ainda era instrutor de natação. referindo-se à partilha entre Iza e o banqueiro Júlio Bozano. Seu último companheiro. Suas ações estão a salvo. as tradições dos Scarpa valem menos que o baú do novo-rico. A herdeira do império. Morreu em 1988. estimativas de algumas das partilhas mais caras e rumorosas dos últimos anos. Gilberto Miranda se resguarda. Para afastar qualquer suspeita de interesse. “Aquela v. Acusou o ex-marido Roberto Calmon Barreto de tentar extorquir US$ 2 milhões. Mesmo assim. Após a separação. Paloma Picasso tornou-se uma legítima representante das vítimas da ganância conjugal. não escapou incólume. Não conseguiu.. Outra herdeira célebre. tornou-se um bilhete premiado nas mãos de ex-maridos. placar milionário No Brasil e no mundo.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa A família Scarpa ostenta um caso anterior e bem-sucedido de pacto pré-nupcial. A ex-namorada deve ser uma aplicada discípula de Ivana Trump. Queria também metade das obras de arte que ela herdara. garante Miranda. o pintor Pablo Picasso. Bem-sucedida empresária do ramo de cosméticos e administradora do espólio do pai. “O meu acordo saiu mais caro do que o do Bozano”. filha do armador grego Aristóteles Onassis. a loura cobriu-se de diamantes e deu a receita infalível para um divórcio milionário: “Não fique com raiva. a mais temida nos fóruns de Família. Barreto negou tudo. ela terá tudo”. É um caso raro de generosidade pós-separação. aos 38 anos. e o ex-senador Gilberto Miranda. “Enquanto tiver dinheiro. acabou seu quarto matrimônio no final dos anos 80. levou dinheiro suficiente para ficar à toa até hoje”. em clima de denúncia. a mais cara no Brasil até o caso Rezende. Rafael Lopez-Cambil. estimada em R$ 175 milhões. Analícia não tem do que reclamar: continua a desfrutar dos milhões do pai de suas duas filhas. Ao se separar do milionário americano Donald Trump. Golpe do baú não é prerrogativa feminina. Madrulha deixa claro: casou-se com separação de bens. Os boatos não tardaram. prima de Chiquinho. o ex-senador abriu de novo a carteira. Uma ex-namorada entrou com uma ação de partilha. há casos em que ricas ex-mulheres pagam a conta. Maria Pia não cedeu às pressões do marido e ainda o acusou de manter um romance com a arrumadeira da mansão. Fique com tudo”. Aconselhado pela advogada Priscila Corrêa da Fonseca. celebrado em 1976 entre Analícia Scarpa. ficou milionário e separou-se.

seu capital é dividido em ações suscetíveis de transferência.R$ 2.R$ 78 milhões Evelyn x Daniel Ioschpe . 22) “Sociedade de capital constituída por frações com titularidade móvel e impessoal.US$ 60 milhões Ivana x Donald Trump . ou seja. c) sociedades em comandita simples.R$ 185 milhões no mundo.PROCURADOR DO MUNICÍPIO JUNHO/2008 67ª Questão: É CORRETO afirmar que são sempre sociedades simples: a) cooperativas.R$ 175 milhões Lisiane x Sérgio Prosdócimo . c) A sociedade anônima é regida pelo Código Civil.US$ 50 milhões Demi Moore x Bruce Willis . CONCURSO PARA JUIZ DO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO ESPÍRITO SANTO (2003). PROVA CONCURSO PúBLICO/MG .R$ 17 milhões Edna x Olacyr de Moraes . d) sociedades limitadas. Partilhas concluídas: Iza x Júlio Bozano .US$ 112 milhões Cindy x Kevin Costner .ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa no brasiL.EXAME DE ORDEM .US$ 150 milhões Questões de ConCurso PROVA OAB/MG .US$ 26 milhões Lorna x Gary Wendt . não tendo a relevância a pessoa de seus detentores”. b) A sociedade anônima é sociedade empresária. Esta definição se aplica à : A) Sociedade em nome coletivo FGV DIREITO RIO 80 . Partilhas concluídas: Amy Irving x Steven Spielberg .AGOSTO/2007 73ª Questão: Marque a alternativa CORRETA.5 milhões Helena x Alfredo Rezende .R$ 45 milhões Gláucia x Ipoty Ioschpe . b) sociedades anônimas.US$ 50 milhões Diana x Príncipe Charles .US$ 80 milhões Marianne x Kenny Roggers .US$ 22 milhões Jerry Hall x Mick Jagger . a) A sociedade anônima é sociedade não personificada. d) A sociedade anônima não mais existe desde vigência do atual Código Civil.

ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa B) Sociedade anônima C) Sociedade limitada D) Sociedade em comandita simples E) Sociedade de capital e indústria FGV DIREITO RIO 81 .

o ingresso do sócio na sociedade. a cessão da participação societária dependerá da anuência dos demais sócios. No caso da sociedade limitada. não se confundindo com a pessoa de seus sócios que são. Fábio Ulhoa Coelho. Mediante um acordo de vontade. com capacidade para adquirir direitos. esta última. 7ª edição. seu ato constitutivo FGV DIREITO RIO 82 . a sociedade é compreendida como pessoa jurídica de direito privado (sujeito de direito). os sócios irão compor o instrumento pelo qual a pessoa jurídica irá se estabelecer. Neste caso. ementário de temas – Ser sócio de uma sociedade limitada. José Edwaldo Tavares Borba. não dependendo da aprovação dos demais. – Mecanismos de responsabilidade do sócio. deve ter capacidade para exercer os atos da vida civil (exceções na forma da lei). diretamente. Já nas sociedades de capital o que ocorre é o inverso. Nestas aulas discutiremos a leitura do(s) seguinte(s) capítulo(s): – Páginas 350 a 360 e 374 a 378 do Manual de Direito Comercial e de Empresa. 44 do Código Civil. 10 E 11: SER SóCIO DE UMA SOCIEDADE lIMItADA Em virtude da atribuição de personalidade anotada no art. – Texto: “A morte da limitada. – Páginas 357 a 370 e 398 a 419 do Curso de Direito Comercial. contrair obrigações e ser titular de patrimônio próprio. dependerá da aceitação dos outros sócios. – Ingresso e Retirada. cujos interesses podem ser. tão somente. Leitura CompLementar – Capítulos 15 e 16 do Manual de Direito Comercial e de Empresa. Aprendemos que nas sociedades de pessoas. Saraiva/2004. a pessoa do sócio é mais importante que a contribuição material que este realiza para a sociedade. afetados. proprietários de quotas ou ações da sociedade. Ricardo Negrão. Saraiva: São Paulo/2005. o Fisco e a Justiça”. roteiro A denominação de “sócio” é usada para nomear o membro da sociedade empresária que pode ser pessoa jurídica ou pessoa natural. Saraiva: São Paulo/2005. Ricardo Negrão. Renovar: Rio de Janeiro/2004. – Páginas 99 a 107 do Direito Societário. – Deveres e Direitos.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa AUlAS 09. a pessoa do sócio é irrelevante para a empresa explorada pela sociedade. obviamente. o sócio pode alienar sua participação societária a quem quer que seja. ou seja. Assim. – As vantagens e desvantagens.

b) Por participação em deliberação infringente do contrato social ou da lei. trazendo maior normatização e menor flexibilidade para as limitadas. o terceiro. pág. caso contrário. os interesses dos credores ou terceiros são indevidamente frustrados por manipulação na constituição de pessoas jurídicas. Caso não consiga negociar suas quotas. respondem solidariamente pelo que faltar.gov. Entra o cessionário e sai o que cedeu as quotas. uLHOa cOELHO. O ingresso do sócio na sociedade também poderá ocorrer durante a existência da pessoa jurídica. FGV DIREITO RIO 83 .052. ou mesmo realização de operações societárias.br art.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa denomina-se “contrato social” e seus sócios são chamados de “sócios-quotistas” uma vez que a contribuição para a formação do capital social recebe o nome de “quota”. dnrc. Assim. alguns envolvendo elevado grau de sofisticação jurídica. josé Edwaldo Tavares in Direito societário. os sócios ficam liberados de qualquer responsabilidade. entre elas: – RESPONSABILIDADE LIMITADA DOS SÓCIOS: desde que integralizado o capital social por eles subscrito. 125 126 BORBa. 1. 1. “na sociedade limitada. – DIREITO DE RETIRADA: O sócio que não tem mais vontade de continuar na sociedade pode negociar suas quotas com os outros sócios ou junto a terceiros. como as de incorporação. Nesses casos.017 do código civil. tomando todas as decisões para o desenvolvimento da empresa sem muita formalidade. art.31. A retirada é o direito do sócio se des- 120 98. – LIMITAÇÃO EXPRESSA: É necessária a inserção do termo limitada (ou abreviado “Ltda. Renovar/2004. Fonte: http://www. Inexistindo oposição de sócio com mais de ¼ do capital social129 e resolvendo a questão referente ao valor da quota. 1. pela diferença entre o valor estimado e os parâmetros de mercado”126. 1. perante credores. sob pena da responsabilidade ilimitada121.158 §3º do código civil. 9ª edição. 1. 50 do código civil. poderá exercer o direito de retirada. mas todos respondem solidariamente pela integralização do capital social” e não apenas por suas quotas.105. os sócios respondem pessoal e ilimitadamente pelas dívidas sociais decorrente do ato ilícito. a responsabilidade de cada sócio é restrita ao valor de suas quotas. deverá preocupar-se em aferir o patrimônio da pessoa jurídica.010 §3º do código civil. Fábio in curso de Direito comercial. efetivamente. formaliza-se no contrato a substituição do sócio. e) Responsabilidade ilimitada nos casos de DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA127: A limitação da responsabilidade não traduz a falta de responsabilidade dos sócios. “Muitas vezes.” ) no nome empresarial. pág. o Código Civil prevê algumas formalidades. §1º do código civil. ao contratar com a sociedade limitada. 129 art. 122 123 124 art. esta é a sua garantia. a sociedade limitada tem poucos sócios. desde que expressamente aprovada por ele123. Diante do grande número de sociedades limitadas registradas no país120. estes são de uma mesma família ou conhecidos. 7ª edição. 127 128 art. d) Pela superavaliação de bens conferidos à sociedade para integralização do capital social125. a consideração da autonomia da pessoa jurídica importa a impossibilidade de correção da fraude ou do abuso128”. fusão. solidariamente. Uma vez integralizado o capital social.016 e 1. Normalmente.080 do código civil. celebração dos mais variados contratos empresariais. – RESPONSABILIDADE PESSOAL DO SÓCIO: a) Por violação do dever de lealdade: O sócio responde por perdas e danos se aprovar alguma operação de interesse contrário ao da sociedade122. “Os sócios responderão.responsabilidade pessoal e solidariamente124. 1.9% dos registros de sociedades.057 do código civil. visto vez que. De acordo com o art. e participam do dia-a-dia do negócio. cisão. – DISSOLUÇÃO PARCIAL.055. 1. denominado também recesso ou dissidência. para cuja prática concorreram com a administração da sociedade. saraiva/2004. por meio da aquisição de quotas que se fará mediante uma alteração contratual. Com a desconsideração. c) Na qualidade de Administrador . art. 121 art.

.029 está inserido no capítulo das sociedades simples e aplica-se à sociedade limitada em não havendo disposição contratual em sentido contrário (regência supletiva pelas normas da sociedade simples).. 5º. nos casos de impossibilidade de exigência do cumprimento da obrigação principal pelo contribuinte. Isto é exemplo do mecanismo dos atos de constituição de pessoa jurídica. na forma do art. gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. O exercício do direito de retirada (ou recesso) assegura ao sócio retirante o recebimento de seus haveres. art. 134. ou seja. O titular da firma individual e os sócios das empresas por cotas de responsabilidade limitada respondem solidariamente. quanto ao inadimplemento das obrigações para com a seguridade social. art. 136 art. art. são pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei. 1. o sócio contrai a obrigação de “investir”.. apurados de acordo com o contrato social ou. o direito de retirada só pode acontecer de “forma motivada”. previstas em leis especiais: • Código Tributário Nacional: art. contrato social ou estatutos: (. infração da lei. VII134 e 135. cláusula penal expressamente prevista no contrato social. com seus bens pessoais. 134. 4º139 dever dos sócios Ao ingressar na sociedade. Trata-se da aplicação do princípio constitucional130 que proíbe qualquer pessoa de ser compelida a associar-se ou permanecer associada. fato ou ato ilícito ou violação dos estatutos ou contrato social. para exercer o direito de retirada deverá ser comprovada judicialmente a “justa causa” (não cabe a dissolução parcial por retirada imotivada). a qualquer tempo. 131 132 133 134 art.) § 5° Também poderá ser desconsiderada a pessoa jurídica sempre que sua personalidade for. em outras palavras. • Lei n. por ato unilateral de vontade. (. 1.031 do Código Civil.085 do código civil. 130 art. caso tenha sido alterado o contrato contra a sua vontade.º 8. ou aprovada a participação da limitada em incorporação ou fusão131. houver abuso de direito. 13137. negociação. assim. no caso de liquidação de sociedade de pessoas. art. de alguma forma. 13. seja na sua formação ou numa já constituída. O juiz poderá desconsiderar a personalidade jurídica da sociedade quando. assegura ao sócio o direito de retirar-se. com seus bens pessoais. que envolve elementos incorpóreos ou imateriais do fundo de empresa. deve restituir ao remisso as entradas feitas. – DELIBERAÇÕES DOS SÓCIOS133 Exceções à regra da responsabilidade limitada dos sócios.) VII . excesso de poder. no silêncio deste. encerramento ou inatividade da pessoa jurídica provocados por má administração. a desconsideração também será efetivada quando houver falência..os sócios.. Em se tratando da sociedade limitada com regência supletiva pelas normas da sociedade por ações. reservas sociais etc. os administradores.072 do código civil. Consagra a regra do “recesso imotivado” na sociedade por prazo indeterminado.. 1.º 8. • Lei n. pelos débitos junto à seguridade social.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa ligar dos vínculos que o une aos demais sócios e à sociedade. Os acionistas controladores. 135.. 137 FGV DIREITO RIO 84 . mediante prévia notificação aos demais sócios com antecedência de 60 dias. XX da constituição Federal da República de 1988. • Lei n. ou expulso.884/1994 (dispõe sobre a prevenção e a repressão às infrações contra a ordem econômica): art 18138. parágrafo único. os gerentes e os diretores respondem solidariamente e subsidiariamente. c) O “recesso motivado” cabe sempre que o sócio minoritário discorda de deliberação da maioria. chamado de “balanço especial de determinação” e deverá levar em consideração o patrimônio empresarial da sociedade. e despesas. – EXPULSÃO DE SÓCIO132 – LIQUIDAÇÃO DOS HAVERES: será apurada por meio de balanço especial. estado de insolvência. 1. Não há. • Lei n.605/1998 (dispõe sobre as sanções penais e administrativas derivadas de condutas e atividades lesivas ao meio ambiente): art. III135.077 do código civil. a) O art.º 8. obstáculo ao ressarcimento de prejuízos causados aos consumidores. nos termos do compromisso contratual assumido junto aos demais sócios. 28. será um balanço empresarial. b) Sendo a sociedade por prazo determinado e com regência supletiva pelas normas da sociedade simples. tem o dever de integralizar a quota subscrita do capital social. No caso da sociedade decidir por expulsá-lo. Desta forma.) III . deduzidas as quantias correspondentes aos juros de mora. 1. 135 art. por dolo ou culpa.078/1990 (Código de Política Nacional das Relações de Consumo): art. 28136.º 9.620/1993 (altera dispositivos da legislação previdenciária) : art. O sócio que não cumpre seu dever de integralizar a quota é chamado de sócio remisso140 e poderá ser cobrado pela sociedade.os diretores. respondem solidariamente com este nos atos em que intervierem ou pelas omissões de que forem responsáveis: (. em detrimento do consumidor. adotando perfil capitalista. em juízo.

ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa O sócio também terá responsabilidade para com a sociedade e para com a coletividade por ela alcançada. Artur (30%) e Daniel (30%). com a proposição de que sua atual paixão está disposta a pagar o que for para vê-lo livre de todas as suas obrigações no Brasil. 192) art.00.000. os mecanismos especiais de fiscalização da administração e hipóteses de retirada.06. DJ 30. POR SI SÓ. julg. a sociedade não tem bens suficientes para a satisfação da obrigação. 4º poderá ser desconsiderada a pessoa jurídica sempre que sua personalidade for obstáculo ao ressarcimento de prejuízos causados à qualidade do meio ambiente. nem em tese. haverá direito de reembolso de suas quotas? 138 JurisprudênCia TRIBUTÁRIO. Recurso especial a que se dá provimento. 2. é o contrato social que defini como se dará a distribuição dos lucros. infração da lei. assim.2006. comunica que não pretende mais permanecer associado. 18. Neste caso. a personalidade jurídica do responsável por infração da ordem econômica poderá ser desconsiderada quando houver da parte deste abuso de direito. RESPONSABILIZAÇÃO PESSOAL. situações que acarretam a responsabilidade subsidiária dos representantes da sociedade. Segundo a jurisprudência do STJ. Rel. 1.06. aos ditames da função social da empresa.380/SP. Pablo é o administrador da sociedade. encerramento ou inatividade da pessoa jurídica provocados por má administração. fato ou ato ilícito ou violação dos estatutos ou contrato social. Intentada ação de execução. como por exemplo: participar do resultado social. Artur e Daniel têm participação no capital social da seguinte forma: Pablo (40%). excesso de poder. 139 art. Teori Albino Zavascki. fiscalizar a gestão da empresa. verifica-se que os sócios Pablo. pois ela não deve ser assim visualizada. EXECUÇÃO FISCAL. estado de insolvência. Daniel se apaixona por uma senhora de nacionalidade paraguaia e resolve se mudar para o Peru. os sócios adquirem direitos inerentes a esta condição. Primeira Turma. direitos do sócio Por participarem do capital social. Caso gerador Camila é credora da Moto Racing Ltda. FGV DIREITO RIO 85 . Em virtude dessa decisão. atendendo. a desconsideração também será efetivada quando houver falência.004 do código civil. mas sim como um foco irradiador de riquezas. a) Camila poderá alcançar o patrimônio pessoal dos sócios? b) Nessa mesma sociedade. na quantia de R$ 120. Min. 1. por si sós. NÃO-CONFIGURAÇÃO.2006 p. parcialmente integralizado. você é procurado por Daniel. PROCESSUAL CIVIL. 20. Desse modo. a simples falta de pagamento do tributo e a inexistência de bens penhoráveis no patrimônio da devedora (sociedade por quotas de responsabilidade limitada) não configuram. (REsp 831. Analisando o quadro societário. Não pode tratar “como a minha empresa”. NEM EM TESE.000.00. Qual será a consulta? c) Daniel terá direito a receber algo? d) Caso Daniel não tenha integralizado o valor referente as suas quotas. contribuir para as deliberações sociais e retirar-se da sociedade. 140 art. SÓCIO-GERENTE. fixando residência em Matchu Pitchu. O capital social da sociedade é de R$ 100. DE SITUAÇÃO QUE ACARRETA A RESPONSABILIDADE SUBSIDIÁRIA DOS SÓCIOS. extremamente importante à manutenção e desenvolvimento da economia.

Apenas em casos previstos em lei deve ser aplicada a responsabilização secundária. não é lícita a penhora das quotas sociais em execução movida contra a pessoa jurídica. PERTENCENTES AOS SÓCIOS. Por isso. PENHORA DAS QUOTAS SOCIAIS. Recurso especial conhecido e provido. os bens do sócio não respondem por dívidas da sociedade. E 596 DO CPC – RESPONSABILIZAÇÃO SECUNDÁRIA.611/MA. Recurso especial provido. 05. DJ 15. II. – Salvo em hipóteses taxativamente previstas em lei.04. e 596 do CPC.04. Humberto Gomes De Barros.2006 p. DÍVIDA DA SOCIEDADE DE RESPONSABILIDADE LIMITADA. Rel. 4. Tais artigos contêm norma em branco. II. 200) DIREITO EMPRESARIAL E PROCESSUAL CIVIL. 1. Francisco Peçanha Martins. Terceira Turma. autorizando-se o redirecionamento.06.081/TO.2006.04.06. 117) RECURSO ESPECIAL. PREVISTA EM LEI.2006. (REsp 401. p/ Acórdão Min. DO CTN. Rel. Imposição da responsabilidade solidária. Rel.2004. INCISO III.2006. QUE EXIGE SITUAÇÃO ESPECÍFICA. 230). ESTADO DE SÓCIO. ou subsidiária.08.2004 p. 4. Min. A empresa que deixa de funcionar no endereço indicado no contrato social arquivado na junta comercial. julg. julg. Por isso é que em ambos existe a expressão “nos termos da lei”. – A transmissão da herança não implica a transmissão do estado de sócio. Segunda Turma. 3. (REsp 800. Min. o patrimônio dos sócios não responde por dívidas da sociedade. Nancy Andrighi. Rel. (REsp 757. 2. julg.865/SP. estabelecida nos Arts. INEXISTÊNCIA DE QUALQUER HIPÓTESE QUE AUTORIZE A CONFUSÃO DOS PATRIMÔNIOS.2006 p. Eliana Calmon. 1. DJ 02. (REsp 537. 2. DJ 12. DJ 23.2006 p. 135. Terceira Turma. CESSÃO DE QUOTAS CAUSA MORTIS. RECURSO ESPECIAL – DÍVIDA DE SOCIEDADE LIMITADA – EXECUÇÃO FRUSTRADA – REDIRECIONAMENTO AOS BENS DE SÓCIO – ARTS. Normalmente.08. Não podem – e não devem – ser aplicados de forma solitária. 592. OU SUBSIDIÁRIA. A desconsideração da personalidade jurídica é artifício destinado à profilaxia e terapêutica da fraude à lei. Quando a sociedade por cotas de responsabilidade limitada dissolve-se irregularmente. Min. julg.039/PR. – A solução de controvérsias a respeito dos efeitos da cessão mortis causa de quotas na administração da sociedade empresária é matéria estranha ao Juízo do inventário. INVENTÁRIO. Rel. 482). 25. Terceira Turma. EXECUÇÃO. ADMINISTRAÇÃO DA SOCIEDADE EMPRESÁRIA. Min. Humberto Gomes de Barros. impõe-se a responsabilidade tributária do sócio gerente. 592. vinculada a outro texto legal. 3. desaparecendo sem deixar nova direção é presumivelmente considerada como desativada ou irregularmente extinta.05. IMPOSSIBILIDADE. 20.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa PROCESSO CIVIL E TRIBUTÁRIO – EXECUÇÃO FISCAL – SÓCIO GERENTE – REDIRECIONAMENTO – INTERPRETAÇÃO DO ART. FGV DIREITO RIO 86 . 06.

pois o que se está executando é o acordo firmado entre aquele e o ora apelante. não pode a penhora recair sobre bem dessa.Pretendendo-se a dissolução parcial da sociedade.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa DIREITO DE EMPRESA. que o contrato social não pode nulificar ou obstruir. já que os bens da sociedade por cotas de responsabilidade limitada não se comunicam com os adquiridos pela pessoa física de seus sócios. da qual o espólio detém cotas.No caso.Princípio da causa madura para julgamento. TEORIA DA PRESERVAÇÃO DA EMPRESA. 2. são seus bens que devem garantir a execução. e não da empresa apelada.Não há que se confundir lucro com pro labore. a empresa poderá ser preservada atuando o sócio remanescente.Vedada a estipulação contratual que exclua qualquer sócio de participar dos lucros e das perdas – artigo 288 do Código Comercial e 1008 do Código Civil de 2002. POSSIBILIDADE. e não os da empresa da qual era sócio.O balanço especial deve refletir um levantamento contemporâneo. conseqüentemente.artigo 515. Tem ela impostergável direito de recesso. Em que pese o débito ter sido constituído pelo sócio majoritário da apelada.A apelante não está obrigada a permanecer associada contra sua vontade.A quebra da affectio societatis.001. DISSOLUÇÃO PARCIAL COM APURAÇÃO DE HAVERES. 1. a fase instrutória já se encerrou. 5. TJ/RJ). em hipótese alguma o imóvel deixará de pertencer à empresa apelada Não se pode confundir a pessoa jurídica da empresa. o valor das quotas.52831 – Apelação Cível. aproximando-se do resultado que poderia ser obtido com a dissolução total. UNIPESSOALIDADE INCIDENTAL TEMPORÁRIA. SENTENÇA DE IMPROCEDÊNCIA. 8. Assim. sem prejuízo de encetar uma nova sociedade para desenvolver a empresa no prazo da lei – artigo 1033. §§1º e 3º. se. como empresário individual. (2006. PENHORA DE BEM IMÓVEL PERTENCENTE À EMPRESA DA QUAL O FALECIDO ERA SÓCIO MAJORITÁRIO. ainda que provisoriamente. 3. legitima a dissolução parcial da pessoa jurídica. nem partilha dos seus bens. e. Provimento do recurso. Sergio Lucio Cruz – Julgamento: 01/02/2006 – Décima Quinta Câmara Cível. SOCIEDADE POR COTA DE RESPONSABILIDADE LIMITADA CONSTITUÍDA POR DOIS SÓCIOS. Comprovado está que a dívida é do Espólio. do qual não fez parte a recorrida. Desprovimento do recurso. EM RAZÃO DE DIVIDA CONTRAÌDA PELO DE CUJUS. grifamos FGV DIREITO RIO 87 . Des. autorizando o julgamento do mérito da causa .artigo 1031 do CC/ 2002. do CC/2002. ADUZINDO A IMPOSSIBILIDADE DA DISSOLUÇÃO PARCIAL DE SOCIEDADE COMPOSTA POR APENAS DOIS SÓCIOS. A este último só faz jus o sócio que se dedicar à administração social. do CPC. liquidar-se-á com base nos valores reais da situação patrimonial da sociedade à data da resolução . IV. com a pessoa de seu falecido sócio. Des. EXECUÇÃO PROMOVIDA CONTRA ESPÓLIO. como condição de existência do contrato de sociedade. incluindo os bens corpóreos e incorpóreos. se a dívida foi contraída pelo falecido. (2005. Antonio Saldanha Palheiro – Julgamento: 06/06/2006 – Quinta Câmara Cível.18077 – Apelação Cível. TJ/RJ). embora a matéria seja de direito e de fato. 7. grifamos EMBARGOS DE TERCEIRO. 6. No caso. verificado em balanço especial. 4. pelo contrato social. RECESSO DO SÓCIO MINORITÁRIO.001. a morte de um dos sócios não acarreta sua dissolução da sociedade.

Os perigos não são poucos. Quem dormir no ponto. o regime das limitadas seria justamente . Vou ficar com o exemplo dos empresários e das sociedades empresárias (os antigos comerciantes individuais e as sociedades comerciais) que separam uma parte do seu patrimônio e.. o que se dá pela escolha de um mecanismo de exploração da atividade mercantil que permitisse salvar uma parte do patrimônio no caso da perda da empresa. Mas se existe uma vocação irresistível para ser empresário. Um dia alguém no Fisco ouviu falar de uma tal de “desconsideração da personalidade jurídica”. Legal & jurisprudência. Para o empresário (individual) existe o favor do bem de família.2004.708/19. Então elas são oneradas até mais do que deveriam. que tornaria responsáveis pelas dívidas tributárias não somente os administradores faltosos. A Justiça do Trabalho também veio a trilhar o mesmo caminho da desconsideração da personalidade jurídica. sendo-lhe penoso até mesmo pagar um contador que cuide de sua escrita. Bem. há louco para tudo. Ledo engano! Em primeiro lugar os empresários têm um sócio que é um verdadeiro “encosto”. mesmo os minoritários. por ignorância dos seus direitos. basta agitar a varinha mágica da desconsideração que os sócios são apanhados na rede tal peixes em aquário. As micros. Doutor em Direito comercial e professor da Faculdade de Direito da usp). mas também os sócios. Veja-se que. segundo a CLT. já era. pequenas e médias empresas mal conseguem sobreviver. Como a CLT não inclui sócio como empregador. Ora. na falta de norma específica. Para isto elas foram criadas. deveriam acatar a construção da limitada tal como definidos pelo legislador. ao cuidar da responsabilidade pessoal dos sócios. Mas cuidado. Mas a bendita da “desconsideração” também foi descoberta pelos advogados dos empregados e acolhida festivamente pelos tribunais Gazeta mercantil em 30.o de uma responsabilidade limitada. Micros. Poucas empresas passam dos cinco anos de vida e um número bem menor delas chega a completar dez anos. não sendo encontrados bens no patrimônio da sociedade.03. Outra forma de correr riscos menores está na escolha de um tipo societário no qual a responsabilidade do sócio seja limitada. Isto geraria segurança e certeza no exercício da atividade econômica privada. Veja-se que o perfil jurídico das limitadas era dado pelo Decreto 3. Toma o que pode e não dá nada em troca.. arrostando todos os perigos. Bastaria aos sócios cuidar que o capital da sociedade estivesse sempre integralizado para que não sofressem qualquer tipo de responsabilidade patrimonial. Mas não é somente isto. o Novo Código Civil (NCC) mudou o regime anterior. quem responde pelas obrigações trabalhistas é o “empregador” (artigo 2º). pequenas e médias empresas optam pela sociedade limitada que tem um custo mais barato e na qual a responsabilidade máxima corresponde ao montante do capital social. pelo menos ele teria o direito de minimizar o seu risco. 141 FGV DIREITO RIO 88 .quem diria! . O “peixe” foi bem vendido ao Judiciário e de lá para cá. Desta maneira. que corresponde a um patrimônio separado dentro do patrimônio geral. agora a cargo do NCC. os outros ramos do direito. iniciam uma empresa mercantil. Na minha família se alguém resolver abrir uma empresa eu vou procurar interditá-lo por prodigalidade. por Haroldo malheiros Duclerc Verçosa (mestre. quanto mais fazerem planejamento fiscal. o Fisco. tendo passado a exigir uma formalidade antes desnecessária. o fisCo e a Justiça141 Significativa parte da economia gira em torno da iniciativa privada. salvaguardando os bens mínimos necessários a uma vida com razoável dignidade. o regime jurídico deste deve ser remetido para as normas que cuidam do tipo societário correspondente.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa teXto: a morte da Limitada.

Era uma doutrina que “levantava o véu da sociedade” sempre que a personalidade jurídica concedida pelo legislador fosse utilizada de forma inadequada. citada. pois tal criação jurídica foi reconhecida como instrumental ou finalística. contrato social ou estatutos. Portanto. Não ter bens para pagar significa . Os juízes precisam começar a pensar na eficiência de suas decisões dentro de um horizonte macroeconômico. que são anuláveis (CCiB. O direito. ao invés de deixar que ela ponha um ovo por dia. Este é o limite de atuação da sociedade no mundo do direito. Mas também neste campo tem operado fartamente a desconsideração da personalidade jurídica às vezes tão somente pelo fato de que um sócio tem participação mínima no capital. É a mesma coisa que abrir as entranhas da galinha dos ovos de ouro e pegar o que ali encontrar. a desconsideração da personalidade jurídica não é e nem nunca foi uma panacéia para salvar credores. As “soluções” acima referidas nos dois campos do direito acabaram por levar a sociedade limitada a um completo descrédito. portanto. ao referir-se ao “abuso da personalidade jurídica”. Na verdade. artigos 158 a 167). Confusão patrimonial dá-se. Mas vale preservar uma empresa com um pouco de sacrifício de todos do que privilegiar alguns extinguindo uma unidade produtiva. no CTN existe apenas uma menção à responsabilidade dos sócios no artigo 134. Isto que dizer que a personalidade jurídica deveria ater-se ao regime estabelecido pelo direito. Este é o espírito da nova Lei de Falências. por meio dos seus órgãos. verificada na liquidação de sociedade. a sociedade não pague ou não indique bens à penhora para ter lugar a desconsideração imediatamente. o sócio pelo simples fato de ser sócio não é responsável tributário. E com a “penhora on line” a festa ficou completa. Estas hipóteses somente são suscetíveis de realização por quem administra a sociedade e não por quem seja somente sócio. locupletando-se alguém por trás dela à custa dos empregados e de outros credores. tendo-se como parâmetro o objeto social estabelecido no contrato social.em uma presunção absoluta na Justiça do Trabalho . A teoria da desconsideração da personalidade jurídica não inclui a simulação e a fraude. quando não há distinção efetiva entre o patrimônio da sociedade e o dos sócios ou de algum deles. Desvio de finalidade consiste justamente na utilização da sociedade para fins estranhos à sua criação. por sua vez. na análise do caso concreto poderia determinar o não reconhecimento da personalidade jurídica. FGV DIREITO RIO 89 . matando-a. o artigo 135 estabelece que os administradores ou representantes da pessoa jurídica respondem diante de atos praticados com excesso de poderes ou infração da lei. É só pedir. E o NCC a acatou claramente no artigo 50.que. Quanto ao Direito Tributário. o que seria prova de simulação no disfarce de um comerciante individual em sociedade. quando vier a ocorrer “desvio de finalidade ou confusão patrimonial”. indicando a presença de uma sociedade mercantil . Por sua vez. Estas têm um tratamento próprio na qualidade de defeitos do ato jurídico. sem qualquer fundamento. até mesmo a sua morte como instrumento apto ao exercício da empresa mercantil.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa trabalhistas. efetivamente exercesse uma atividade econômica distribuindo aos sócios os lucros correspondentes. A idéia acima sempre permeou a boa doutrina e a melhor jurisprudência. Basta que.que a sociedade foi utilizada indevidamente. artigos 102 a 113 e NCC.

Resolvendo-se o vínculo de um sócio com a sociedade empresária de que faz parte. na hipótese de retirada ou exclusão de sócio. a sociedade realiza a contratação de empregados e aluga uma loja em área de grande movimento de pedestres. 2ª Prova Específica.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa Questões de ConCurso 125º EXAME DA ORDEM DOS ADVOGADOS DE SÃO PAULO . apurado em balanço especial. (B) econômico de suas quotas à data da resolução.PROVA DISCURSIVA. e não havendo previsão contratual a respeito. (VALOR: UM PONTO E MEIO). deverá fazer-se de outra forma? Fundamente a resposta. PROVA OAB/RS . seus haveres serão pagos com base no último balanço levantado.. (A) patrimonial de suas quotas na data da resolução. FGV DIREITO RIO 90 . teve seus atos constitutivos devidamente arquivados perante a Junta Comercial. apurado em balanço especial. 22º EXAME DA ORDEM DOS ADVOGADOS DO RIO DE JANEIRO . 2ª QUESTÃO: Dispondo o contrato social que.O sócio de responsabilidade ilimitada que tenha sido admitido na sociedade por cessão de sócio retirante responde solidariamente com o cedente pelas obrigações existentes à época da cessão? XXXIX CONCURSO PARA INGRESSO NA MAGISTRATURA DE CARREIRA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO. além de estabelecer relação com uma rede de fornecedores. Sobre este caso. uma vez esgotado o patrimônio desta. assinale a assertiva correta. apurado em perícia judicial. c) Esta sociedade adquiriu personalidade jurídica no momento em que os sócios assinaram o contrato social.PROVA OBJETIVA.EXAME DE ORDEM . b) O patrimônio pessoal de Joaquim e José pode ser usado para a satisfação de quaisquer débitos contraídos pela sociedade. DIREITO COMERCIAL. conforme a cotação em bolsa de valores. d) Joaquim Silva e José Xavier são empresários. a) O patrimônio de Ferragem Inconfidência Ltda. 2ª FASE. Para desenvolver sua atividade. que adota o nome empresarial Ferragem Inconfidência Ltda. TIPO 1. 4 . (D) econômico de suas quotas na data do efetivo pagamento. responderá pela satisfação de todos e quaisquer débitos contraídos pela sociedade. DIREITO COMERCIAL. é acolhível a alegação do retirante ou excluído de que a apuração. enquanto não estiver esgotado. seus haveres sociais serão pagos de acordo com o critério do valor. A sociedade. 45. (C) patrimonial de suas quotas na data do efetivo pagamento. por não expressar o último balanço a realidade patrimonial da empresa.DEZEMBRO/2007 22ª Questão: Joaquim Silva e José Xavier constituem uma sociedade limitada para que esta exerça a atividade empresarial de venda de materiais de construção.

que os valores convencionais do balanço eram bem inferiores à realidade e pretendeu que a apuração se fizesse pelo efetivo valor patrimonial da empresa e não apenas pelo escritural. bem como as reservas de capital que seriam volumosas. incluem-se na apuração de haveres? Observação: Esta questão tem o objetivo de avaliar o senso jurídico do candidato. ou se calcula o valor da quota social. OBJETIVA. por exemplo. EXAMINADOR: DES. no caso em que ocorra a retirada de sócios. Indaga-se. a exclusividade adquirida para venda de produtos. devendo haver avaliação. assim: Devem prevalecer os valores do último balanço. novo ponto comercial. O excluído provou. porém.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa CONCURSO PARA INGRESSO NA MAGISTRATURA DO ESTADO DE MINAS GERAIS (2003/2004) – PROVA SUBJETIVA DE DIREITO COMERCIAL. novo ponto comercial. a coerência da decisão e não apenas o resultado apresentado. inclusive levando-se em conta certos bens imateriais adquiridos no curso da atividade da empresa. nos moldes contratuais. ERNANE FIDELIS. como a exclusividade de comercialização de produtos famosos. ? E as reservas de capital. como. FGV DIREITO RIO 91 . etc. a apuração da respectiva quota atenderia o valor do último balanço. Prevê o contrato social que. por deliberação da maioria. Questão 2. levando-se em conta a própria evolução positiva da empresa no mercado.

a livre participação societária e a facilidade de se verificar uma grande mutabilidade dos sócios. • nacional e estrangeira. ementário de temas – A classificação da sociedade limitada como: • de pessoas e de capital. Nesta. da limitação da responsabilidade típica das anônimas. pág. FGV DIREITO RIO 92 . Vol. em relação às demais sociedades. saraiva/2004. que queriam beneficiar-se. mas sem atender às complexas formalidades destas. Sua criação é. já a sociedade anônima. Fabio ulhoa in curso de Direito comercial. o aspecto relevante é objeto da sociedade (visão capitalista) e não a figura do sócio. Nesta aula discutiremos a leitura do(s) seguinte(s) capítulo(s): – Páginas 358 a 360 do Manual de Direito Comercial e de Empresa. na exploração de atividade econômica. roteiro de auLa “de pessoas” e “de capital”.“affectio societatis” pessoal. Leitura CompLementar – Páginas 149 a 154 e 266 a 275 de O Direito de Empresa à luz do novo Código Civil. será sempre “de pessoas”. mesmo no caso das companhias fechadas. – Páginas 367 a 378 do Curso de Direito Comercial vol.366. 7ª edição. Aprendemos que as sociedades “de pessoas” são aquelas nas quais a pessoa do sócio se reveste de extrema relevância. a alienação de ações não pode ficar adstrita à anuência dos demais sócios. uma vez que sua constituição baseia-se no relacionamento e vínculo existentes entre os sócios . Já nas sociedades “de capitais”. nem se sujeitar à prévia autorização governamental”142. para atender ao interesse aos pequenos e médios empreendedores. Sérgio Campinho. Fabio Ulhoa Coelho.II. por exemplo. Renovar/2005. portanto. recente e decorre da iniciativa de parlamentares. Saraiva: São Paulo/2004. tendo como regra. Saraiva: São Paulo/2005. diante de sua natureza capitalista. será sempre “de capital”. Ricardo Negrão. “na medida em que eventual limitação estatutária à circulação de ações não 142 cOELHO. • simples e empresária. 5ª edição.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa AUlA 12: A ClASSIfICAÇÃO DA SOCIEDADE lIMItADA “A sociedade limitada – anteriormente chamada sociedade por quotas de responsabilidade limitada – tem uma história pequena e pobre.II. A sociedade simples. 7ª edição. • holding.

mão de obra e organização. supletivamente. conforme art. uma vez que o art. expressa através das cláusulas do contrato social. o estatuto da sociedade anônima fechada pode prever o direito de preferência.370.134 a 1. 966 do código civil. por meio de requerimento dirigido ao ministério do Desenvolvimento. No máximo. aplicação de vacinas e outros serviços ao público em geral.99. todas direcionadas à “cessão de quotas”: a) morte de sócio (sucessão). ela não possui sempre a mesma natureza. a atividade intelectual estará absorvida pela estrutura organizacional. 146 FGV DIREITO RIO 93 . pág. 997 e seguintes do CC). Op. mesmo após a análise do ato constitutivo. No caso da sociedade limitada.cit. 45. A atividade intelectual será elemento de empresa quando estiver absorvida pela estrutura organizacional da sociedade empresária e fará parte dos fatores de produção. constituindo o elemento de empresa144. a quem seja sócio. 1º da Instrução normativa n° 81 de 25. como veremos a seguir: Vejamos o caso de dois médicos que se unem e montam um consultório para. Esta sociedade será empresária e poderá adotar o modelo “LIMITADA” com as regras da sociedade simples ou. As sociedades estrangeiras são constituídas e organizadas em conformidade com a legislação do país de origem onde mantém sua sede 143 144 145 cOELHO. Este exemplo é típico de uma sociedade simples. explorarem atividade intelectual relacionada aos seus conhecimentos científicos na área médica. basicamente. Indústria e comércio Exterior. 1. conceituando. “o sócio pode ceder sua quota. através de consultas particulares. se o consultório oferecer também exames clínicos laboratoriais. neste caso será chamada de “simples pura”.053 CC). b) alienação de quotas e c) penhora de quotas. 1. atendimentos e consultas por outros médicos. mas que poderá adotar o modelo “LIMITADA” ou “SIMPLES” (art. as cláusulas do contrato social que dispõem sobre a natureza da sociedade. contudo não podem se estabelecer no Brasil sem a autorização do Poder Executivo Federal146.09. se não houver oposição de titulares de mais de um quarto do capital social”. protocolado no Departamento nacional de Registro do comércio – DnRc. 1. independentemente de audiência dos outros. em função dos atributos pessoais do eventual adquirente”143. configurando o elemento de empresa. a limitada como uma sociedade “de pessoas”. arts. que a definirá como sociedade “de pessoas” ou “de capital”. Continuando com o exemplo dos médicos.057 do Código Civil estabelece que. simples e empresária Na sociedade limitada empresária. in fine. A sociedade limitada poderá se “apresentar” como SOCIEDADE LIMITADA SIMPLES ou SOCIEDADE LIMITADA EMPRESÁRIA. São três. em regra. com as regras das sociedades anônimas (art. total ou parcialmente. que é diferente do direito de aprovar ou vetar a alienação das ações. sendo a vontade dos sócios. Seus atos constitutivos são arquivados na Junta Comercial (art. juntamente com o capital. do Código Civil.142 do código civil.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa poderia significar a sujeição da venda destas à anuência dos outros acionistas.150). nacional e estrangeira A personalidade jurídica da sociedade estrangeira145 é reconhecida conforme dispõe o art. Importante lembrar que se não for possível definir qual a natureza da sociedade limitada. a menos que o contrato social disponha de forma diferente. art. 1. ou a estranho. ela será considerada como “de pessoas”. os sócios exercem profissionalmente atividade econômica organizada para a produção ou circulação de bens ou de serviços.

815/80 – Estatuto do Estrangeiro. organização e funcionamento.º IN 81/99 do DNRC151. regendo-se pelas normas deste país148. desde que devidamente autorizada pelo Poder Executivo brasileiro (art. Em caso de modificações de quaisquer condições e em caso de modificação dos atos constitutivos da matriz. 151 152 153 art. algumas são específicas para sócios residentes no exterior: a) devem nomear um procurador residente no Brasil que se responsabilize perante as autoridades locais pela sua participação152.141.134). mas com sede administrativa no Brasil e segundo as leis brasileiras. entretanto. com a sede de sua administração no Brasil e seus negócios jurídicos realizados em obediência aos ditames legais brasileiros.DnRc. pois. FGV DIREITO RIO 94 .126 a 1. Será nacional a sociedade constituída com capital de origem árabe.ato de deliberação que promoveu a alteração. art. elas são consideradas inviáveis para investimento. As sociedades nacionais149 são as organizadas e registradas em conformidade com a lei brasileira. para tanto. 1. a origem do capital (desde que lícita).627/40. 84 – inciso IV da constituição Federal de 1988. o quê gera menos despesas se comparadas às sociedades anônimas. b) não podem exercer a administração da sociedade. deverá apresentar os seguintes documentos: I . conforme dispositivo do art. c) na hipótese de integralização de quotas em bens. residentes na Rússia. – como sociedade anônima. uma vez instalada no Brasil. como as sociedades e as fundações. constituída por sociedade empresária. § 1º não poderão. É indiferente a nacionalidade e o domicílio dos sócios e acionistas (mesmo de seus controladores). normalmente. 300 da Lei n° 6. – como acionista de sociedade anônima brasileira (parte final do art. 149 150 na forma do art. por sócios brasileiros e residentes no Brasil. solicitando a devida aprovação. Nessa seara. 148 arts. Este tema causou polêmica no meio art. 11.134). para produzir efeitos no território brasileiro. possui simples estrutura. as organizações destinadas a fins de interesse coletivo. mas devem nomear a tal fim um administrador residente no Brasil153.139 do Código Civil e art.134 do Código Civil. por sócios chineses. art. mediante processo de nacionalização.404/76. Diante da rigidez nas formalidades previstas para a sociedade estrangeira além da delonga para sua autorização. por meio de coligada ou joint-ventures.º 6. por meio de sucursais150. dependerá de aprovação do Governo Federal e. polêmica (in)justificada Em função do art. ressalvadas as hipóteses legais em que vigoram restrições e impedimentos (veremos logo abaixo algumas restrições). 7. Lei de Introdução ao código civil (Decreto-lei 4.138 do código civil. um novo decreto de autorização deve ser requerido – art. 1. filiais. agências ou estabelecimentos de sociedade anônima estrangeira. protocolizado no Departamento nacional de Registro do comércio . 1.134 a 1.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa administrativa. 64 e seguintes do Decreto-Lei n° 2. e III . 1. deverá desenvolver suas atividades atendendo especificamente as condições estabelecidas no decreto que a autorizou.guia de recolhimento do preço do serviço. haveria uma suposta proibição à participação de sociedades estrangeiras em sociedades limitadas brasileiras. a sociedade limitada é a preferida dos investidores estrangeiros.141 do código civil e Instrução normativa n° 81/99 do DnRc. 7º qualquer alteração que a sociedade mercantil estrangeira autorizada a funcionar no país faça no seu contrato ou estatuto. registrada e com sede em Portugal.133 do código civil. agências ou estabelecimentos antes de serem os atos constitutivos aprovados pelo Governo brasileiro. 1. 1. dependendo de autorização. 98 e 99 da Lei n. ou. por parte dos investidores estrangeiros. ter no Brasil filiais. Entre as características da sociedade limitada. 1. As sociedades estrangeiras podem operar no Brasil: – atuando de forma direta.requerimento ao ministro de Estado do Desenvolvimento. obedecem à lei do Estado em que se constituírem. arts. A sociedade estrangeira. os mesmos deverão ter sido regularmente importados. como já vimos. – atuando de forma indireta. Será estrangeira a sociedade constituída com capital de origem brasileira. art. 1.657/42): art. ficando sujeitas à lei brasileira. Indústria e comércio. II .

DnRc: Ingresso de sócia pessoa jurídica estrangeira em sociedade limitada.pdf 154 FGV DIREITO RIO 95 . o tipo societário seja o de sociedade anônima”. reconheceu a viabilidade de ser constituída uma sociedade limitada que tenha pessoa jurídica estrangeira como sócia. será sobre este tipo de sociedades que a presente análise será realizada (a título de esclarecimento. sem contar o fato de que novas limitadas não poderiam ser criadas tendo sociedades estrangeiras como sócias. enquanto sócias. Portanto. facil. Se tal proibição existisse. de responsabilidade limitada. administração por pessoa natural. de ora em diante NCC) entrou em vigor.º 126/03 . No dia 11 de Janeiro de 2003. mantidos em vigor pela Lei 6.gov. de sociedades brasileiras. Lisboa (portugal) e paris (frança) doutor em direito pela universidade de paris ii professor da uni-rio e da univ. os artigos 60 e 64 a 72 do Decreto Lei 2. O presente texto visa analisar essas mudanças do ponto de vista do impacto que podem ter para os investidores estrangeiros. no mesmo período.406 de 2002. enquanto sócio. a mudança diz respeito aos direitos e deveres do investidor estrangeiro. da sociedade brasileira. dentre os princípios traçados pela Constituição Federal. novo Código Civil brasileiro (Lei 10. enquanto sócio. das sociedades limitadas (designação do NCC para as sociedades por quotas de responsabilidade limitada).404/76. teXto: o noVo Código CiViL e as soCiedades estrangeiras José gabriel assis de almeida sócio de siqueira Castro – advogados e advogado inscrito no rio de Janeiro e são paulo (brasil).br/pareceres/arquivos/pa126. O principal argumento do DNRC é de ordem constitucional: “De mais a mais.dnrc. Até agora.795 sociedades anônimas). Por outro lado. que são titulares de uma participação no capital social. cabe lembrar que entre 1985 e 2001 foram constituídas 3. Agora. a atuação das sociedades estrangeiras no Brasil estava regulada apenas por duas normas. em determinadas atividades. salvo os casos especiais.178 sociedades limitadas no Brasil enquanto que. Por um lado. de sociedades brasileiras. a atual Lei das Sociedades por Ações.657 de 1942). foram constituídas apenas 17.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa jurídico até que o DNRC. Estas mudanças dizem respeito a dois aspectos fundamentais. de sociedades no Brasil. enquanto sócias. O NCC traz profundas mudanças no regime das sociedades. Legitimidade de representação. sofrer qualquer discriminação fundada na nacionalidade de seus sócios. no Brasil. Possibilidade de participação de sociedades estrangeiras. empresas devidamente organizadas e existentes segundo as leis brasileiras não podem. inúmeras sociedades estrangeiras existentes poderiam ser consideradas em situação irregular.832. por meio do Parecer Jurídico 126/03154. nada impede que uma empresa estrangeira participe de uma sociedade constituída no País. a Lei de Introdução ao Código Civil (Decreto-Lei 4. A segunda. Uma vez que o investimento estrangeiro se realiza sobretudo através da participação do investidor. que aliás passam a denominar-se apenas sociedades limitadas. como regra geral. o NCC veio regulamentar a atuação das sociedades estrangeiras parecer jurídico n. A primeira. as regras relativas à possibilidade de participação de sociedades estrangeiras. onde a lei especialmente requerer que.627 de 1940. Disponível em: http://www. Candido mendes Introdução. a antiga Lei das Sociedades por Ações. Estas mudanças afetam sobretudo as sociedades por quotas.

no capital da sociedade brasileira. ressalvados os casos expressos em lei.”. o que simplesmente ocorreu foi uma má técnica legislativa. pelo fato deste Decreto-Lei cuidar apenas das sociedades anônimas. sucursais. No entanto. parágrafo único. Deste modo. ressalvados os casos expressos em lei. Houve a reprodução quase literal da regra – contida no art. 1. é recomendável que as sociedades estrangeiras que investiram no Brasil. funcionar no País. 1. ainda que por estabelecimentos subordinados. Trata-se. não podem. sem autorização do Poder Executivo. no regime do Decreto-Lei 2. Com efeito. 64 do Decreto-Lei 2. no Brasil. no período que se seguiu a 1940 jamais foi impedida a participação das sociedades estrangeiras (seja sob a forma de sociedades anônimas seja sob outras formas). para evitar uma eventual contestação. estará sujeito ao regime da Lei das Sociedades por Ações.134 é quase a transcrição da regra anterior. contida no art. é preciso levar em consideração que a referência às sociedades anônimas explica-se. pois o NCC deveria simplesmente referir a possibilidade da sociedade estrangeira atuar. portanto.627 de 1940. além da sociedade anônima. 64 do Decreto-Lei 2. Em segundo lugar. à participação das sociedades estrangeiras. ser acionista de sociedade anônima brasileira. Assim. o art. uma nova cláusula estabelecendo que o regime da participação da sociedade estrangeira. enquanto sócia. tomem uma simples precaução. na vida da sociedade brasileira. 64 do Decreto-Lei 2. em outras sociedades. podendo. não pode. o art. enquanto sócia. e não apenas de sociedade anônima brasileira. Com efeito.627.627. de sociedades por quotas. Em primeiro lugar.627. sem autorização do Governo Federal. adquirindo uma participação no capital social de sociedade brasileira. Cabe frisar que a aplicação supletiva será apenas no que concerne ao regime da participação da sociedade estrangeira. 1. funcionar no País. de incluir.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa no Brasil. Inobstante o que fica exposto. Ora. de sociedades anônimas. não teria sentido fazer referência. uma sociedade estrangeira somente poderia ser sócia. cabe esclarecer que o art. estipulava: “As sociedades anônimas ou companhias estrangeiras. do NCC. como sócias. ou por filiais. além das sociedades anônimas. ficaria excluída a participação da sociedade estrangeira. apesar do teor do art. As principais mudanças introduzidas pelo NCC nos direitos e deveres do investidor esFGV DIREITO RIO 96 . Isto porque o NCC cuida de outros tipos societários. no contrato social da sociedade brasileira.134 do NCC está assim redigido: “A sociedade estrangeira. Conteúdo da participação do investidor estrangeiro. de responsabilidade limitada (sociedades limitadas. às sociedades anônimas. todavia.627. de responsabilidade limitada ou ainda enquanto sócias de outros tipos societários.053. um manifesto lapso legislativo. nas sociedades por quotas. na qualidade de sócia. Houve. na nova terminologia do NCC) e nos demais tipos societários. no Decreto-Lei 2.” Uma primeira leitura do art. enquanto sócias. Esta aplicação supletiva da Lei das Sociedades por Ações às sociedades limitadas é possível por força do art. por si mesmas. e portanto restrita às sociedades anônimas – numa norma mais geral. podendo todavia. 64 do Decreto-Lei 2. a redação deste artigo tem que ser examinada com prudência. Com o NCC. qualquer que seja o seu objeto. enquanto sócia. no Brasil. qualquer que seja o seu objeto.134 do NCC indica que o mesmo parece limitar a participação da sociedade estrangeira. ser acionistas de sociedade anônima brasileira. sem qualquer modificação da natureza ou das características da sociedade limitada. 1. ou estabelecimentos que as representem. que cuida de outros tipos de sociedades. de sociedade brasileira de qualquer tipo.627. de 1940. Assim. agências. simplesmente.

se a sociedade estrangeira não tiver a maioria do capital social. é importante frisar que o NCC estabelece o quorum de 2/3 do capital social para a destituição de sócio que seja nomeado. se houver um aumento do seu capital social sem haver imediata integralização ou se a sociedade for constituída sem que o seu capital social seja totalmente liberado.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa trangeiro nas sociedades limitadas brasileiras dizem respeito a dois pontos importantes. O resultado desta nova regra. o investidor estrangeiro adquire novos poderes na sociedade brasileira. a situação não se modifica. o quorum das deliberações sociais foi modificado e varia. Esta situação interessa bastante às sociedades estrangeiras. cabia a esse(s) sócio(s) alterar(em) o contrato social (aumentar ou reduzir o capital social). Se o mesmo é atualmente titular de 75% ou mais do capital social. Outro ponto relevante. sob este ponto de vista. etc. Consequentemente. as principais mudanças são (i) a supressão da obrigatoriedade da gerência ser exercida apenas pelos sócios. No tocante às deliberações sociais. poderá estar impedida de. No regime do NCC. o quorum das deliberações. Se o mesmo é atualmente titular de um percentual maior do que 50% e menor do que 75%. Assim. que é normalmente uma sociedade estrangeira. O(s) sócio(s) titular(es) de 50% + 1 do capital social era(m) titular(es) do controle da sociedade. (ii) a exigência de que os gerentes (agora denominados administradores) sejam pessoas físicas. Assim. nomear o administrador. consoante as deliberações. Quanto à administração das sociedades. (iii) a supressão do regime da gerência por delegação. para o investidor estrangeiro. é importante salientar que qualquer alteração do contrato social passa a necessitar da aprovação dos sócios titulares de 3/4 do capital social. o investidor estangeiro corre o risco de – se não tomar as medidas adequadas – perder o controle da sociedade brasileira. como administrador da sociedade brasileira. uma pessoa que não seja sócia. Se o investidor estrangeiro é titular de menos de 25% do capital social. O NCC exige a designação por deliberação da totalidade dos sócios (quando o capital social não estiver integralizado) ou por deliberação de sócios que representem 2/3 do capital social (quando o capital social estiver integralizado). sozinha. Ainda no campo das deliberações relativas à administração da sociedade. Se o investidor estrangeiro é titular de 50% ou menos e de mais de 25% do capital social. A administração da sociedade brasileira e as deliberações sociais. para o investidor estrangeiro. No regime do NCC. o investidor estrangeiro poderá nomear. o NCC implica na desnecessidade de figurar no contrato social como sóciagerente (agora. Aliás. pois a sua colaboração é necessária para a modificação do contrato social. autorizar a cessão das quotas. As únicas exigências são (i) que esta pessoa seja uma pessoa física e (ii) que esta pessoa física seja residente e domiciliada no Brasil. dependendo da sua participação no capital social. é preciso FGV DIREITO RIO 97 . pois a nomeação do administrador não sócio dependerá da concordância dos sócios que sejam titulares de 2/3 do capital social da sociedade brasileira. Por outro lado. no contrato social. havia apenas um quorum de deliberação. Deste modo. diz respeito às deliberações para a designação de administradores não sócios. a sua situação não se modifica no que diz respeito à alteração do contrato social. sócia administradora) e de recorrer ao mecanismo da gerência por delegação. nomear os gerentes. é importante salientar que o NCC modificou. ela passa a ter acesso a essa nomeação. No regime anterior ao NCC. a nomeação de um administrador dependerá da concordância de todos os sócios. a sociedade estrangeira. varia consoante a participação do mesmo no capital social da sociedade brasileira. entre outros pontos. administrador da sociedade. Assim.

podendo adotar a forma de Limitada ou de Sociedade Anônima. das quais participem os investidores estrangeiros.404/1976. O NCC determina que as sociedades atualmente existentes procedam à adaptação dos seus contratos sociais até 10 de janeiro de 2004. chama-se subsidiária. é tema ainda muito discutido na doutrina. a possibilidade de constituir uma sociedade cujo objeto social seja. Ronald A. proceder à adaptação dos contratos sociais. vejamos alguns entendimentos: Para o Prof. a sociedade que é controlada por outra. Temos. FGV DIREITO RIO 98 . Quando o objeto social da holding for somente a participação no capital de outras sociedades. a participação em outras sociedades em níveis suficientes para controlá-las155. e resolver o problema da participação das sociedades estrangeiras. 2º. assim. Conclusão. b) Flexibilidade e agilidade na transferência e alocação de recursos. ainda que não prevista no estatuto. enquanto sócias. com possibilidade de redução de despesas operacionais. conforme a situação motivadora de sua criação. ela exercer a exploração de alguma atividade empresarial.a. haverá a preferência pela forma “limitada”. criar os mecanismos necessários para garantir a harmonia nas sociedades brasileiras. por um lado. por outro lado. Neste caso. enquanto a holding é a sociedade que controla. ela é chamada de Holding Pura. ela é chamada de Holding Mista ou impura. mais uma vez. como sociedade simples ou empresária. que estabelece que a “companhia pode ter por objeto participar de outras sociedades. A holding não só poderá obter financiamentos externos como também agir como provedora de investimentos para atender às necessidades das controladas. com a concorrência e com outros problemas externos. § 3º da Lei nº 6. dentro do grupo. além da participação no capital de outras sociedades. de sociedades brasileiras. Sharp Júnior: “Do enquadramento da holding pura como sociedade simples resulta na sua inscrição no cartório do registro civil de pessoas jurí- 155 n. Deste modo. uma pessoa física residente no Brasil. Enquanto as sociedades das quais participa estão “preocupadas” com as tendências do mercado. f ) Vantagens tributárias e centralização das decisões financeiras. é importante aproveitar este prazo para. agindo em parceria visando novas oportunidades. a holding tem uma visão voltada para dentro. uma sociedade estrangeira titular do restante do capital social. Seu interesse é a produtividade de suas “controladas” e eficácia da administração dos negócios. titular de mais de 33% do capital social e. O enquadramento da “holding pura”. apenas. e) Enxugamento das estruturas ociosas das sociedades controladas e descentralização de alguns trabalhos. ou para beneficiar-se de incentivos fiscais”. sem necessidade de oitiva dos sócios e/ou acionistas minoritários. c) Solucionar problemas referentes à sucessão (herança) e partilha (divórcio). Quando. com os clientes. sociedade holding Aprendemos que a previsão legal da sociedade holding está no art. Podemos elencar como algumas vantagens da sociedade holding o seguinte: a) Concentração do poder econômico do controlador na holding. em função da facilidade no manejo de suas regras.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa ter cautela no caso de uma sociedade brasileira que tenha como sócios. a participação é facultada como meio de realizar o objeto social. d) Maior poder de negociação na obtenção de recursos financeiros e nos negócios com terceiros.

bem como ausentes os perfis funcional e corporativo. O professor conclui dizendo que “a holding pura terá sempre natureza de sociedade simples. de forma indireta. controladora até mesmo de poderosos grupos econômicos e financeiros. os advogados Márcio Tadeu Guimarães Nunes e Felipe Demori Claudino. asp?id=3820>. n. em si mesma. O raciocínio desenvolvido se deu com base na ausência de um mínimo de organização econômica. Sérgio Campinho158 enfatiza a classificação das holdings como sociedades empresárias em virtude da atividade profissional dessas sociedades: “A organização e o caráter profissional da atividade seriam. a holding que as controla encontra-se envolvida. devendo. 158 REaLE. mas ao processo de insolvência civil”. 2003. Jorge Lobo. Renovar/2005. destaca o entendimento do Prof. Isso é o que basta para afastar tal sociedade do regime próprio da Simples. Invencionices sobre o novo código civil. o ilustre Prof. sustentaram que a “holding pura pode ser definida como a sociedade cujos escopos principais são a aquisição. mas para o âmbito interno caracterizado pelas relações societárias. Mais forte fica o argumento caso a holding pura esteja regulada pelas regras supletivas da Lei 6. exigido pelo caput do art.404/76 combinado com o artigo 1. destarte. Teresina.2005. apenas em parte. Ronald Sharp no sentido de classificar como sociedade simples a “holding pura”. ou seja. pág. fazendo presente. de uma sociedade destinada a organizar e controlar participações societárias pressupõe estrutura fortíssima.150 do NCC) e na insubmissão à falência. inclusive anônimas159”. os elementos reveladores da atividade empresarial”. Anote-se. do NCC). 63.49. ainda que se possa questionar seu objeto. ambos da Lei 6. as quais têm o mais amplo espectro.03. 160 FGV DIREITO RIO 99 . direcionando suas atividades não ao mercado. Disponível em: http://www. O direito comparado (exemplo Itália) confirma este entendimento reafirmando a presunção de profissionalismo e de viés econômico em estruturas de controle como as que reveladas pelas holdings puras. este. uol. indo desde as microempresas ou de pequeno porte até gigantescas sociedades que atuam como holding. quando menos. 1. mar. em seu livro Sociedades Limitadas. 2006 159 a holding pura como sociedade empresária. com. Também são econômicas porque visam a administrar e a agregar valor à carteira de participações societárias.39.htm in Direito societário – 9ª ed. como entidade de regência de uma rede de sociedades. artigo 2º. parágrafo único. naquelas mesmas atividades.br/Holding.” E concluem o artigo entendendo não haver “motivo sério para classificar a holding pura como Simples. Tais escopos são exercidos com profissionalismo. 966 do Código Civil. ganhar idêntica condição de sociedade empresária”. parágrafos 1º e 2º combinado com o artigo 243 parágrafo 2º. acesso em: 15 mar. 157 in O Direito de Empresa à luz do novo código civil.com. salvo se for constituída sob a forma de sociedade por ações”156. uma vez que estará constantemente agindo como sócia. o elemento de empresa da parte final do parágrafo único do artigo 966 do NCC. que.br/doutrina/texto.053. A existência. Gazeta mercantil em 02. Corroborando com o entendimento acima. alienação e controle de participações societárias. vez que a holding os tem como principal atividade e razão da sua própria existência como vértice de uma estrutura de controle (cf. Em artigo publicado no jornal Gazeta Mercantil160. inclusive. passa a ser sociedade empresária. Disponível em: <http://jus2. contudo. a “empresa de papel”. Na opinião de José Edwaldo Tavares Borba157: “se as sociedades controladas são empresárias.404/76 (LSA).ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa dicas (art. 7. miguel. posto que a participação em outras sociedades também é forma de em- 156 in “a holding pura como sociedade simples”. em que só estão presentes os perfis subjetivo e objetivo. Na opinião do jurista Miguel Reale “é preciso lembrar que o maior número das sociedades empresárias é formado pelas sociedades por quotas de responsabilidade limitadas.irtdpjbrasil. por afinidade. jus navigandi. Direito de Empresa. O Prof. se a holding pura adotar a forma de sociedade anônima ou organizar-se consoante o modelo de ASQUINI. a. por lhe faltar a idéia de estabelecimento e quiçá de patrimônio comercial. pág. então. uma vez que sua atividade-fim não é a produção ou a circulação de bens ou de serviços. titularidade.

ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa presa e diante do fato de que o NCC reservou às Simples o caráter de exceção ao fenômeno empresarial (até porque é como tipo facultativo ou como regime jurídico subsidiário que a Simples agoniza nos poucos países que ainda a adotam). o Decreto-Lei nº 495 de 30 de Dezembro de 1988. para. a sul pela França e a oeste e norte pela Bélgica. exclusivamente. Aplicações tradicionais de uma sociedade holding em Luxemburgo: – Aquisição de participações em outras sociedades. ao passo que a regra geral é a de que a sociedade seja empresária. – Participação no capital de novas sociedades constituídas. a gestão de uma carteira de participações noutras empresas.” a sociedade holding no mundo Portugal Em Portugal. os quais administra e explora exclusivamente pela concessão de licenças. Luxemburgo161 A sociedade holding em Luxemburgo recebe o nome de “Holding 1929” e possui regime especial definido em lei sob a forma de uma sociedade anônima (Société Anonyme). de forma expressa. subscrevendo as ações de um empreendimento ou projeto recente. ou se o comprador for uma sociedade controlada pela SGPS. – Efetuar empréstimos. a menos que por meio de troca. que o objeto da SGPS é. limitado a leste pela alemanha. A principal delas relaciona-se com o objeto social.000 Euros. A SGPS não pode se dedicar às seguintes operações: – Compra de bens imobiliários. sem tomar direta ou indiretamente parte na condução do negócio das sociedades controladas. ou onde os procedimentos para a disposição sejam investidos noutras participações. Nenhuma condição é imposta acerca da nacionalidade ou residência relativamente aos diretores e administradores. 161 pequeno país da Europa Ocidental. ou de escritórios ou instalações das sociedades nas quais detém participação. Exige-se capital mínimo realizado de aproximadamente 31. procurando exercer o seu controle tendo em vista a gestão. como também a gestão e desenvolvimento da dita participação. – Dispor de quaisquer das suas participações no prazo de um ano após a sua aquisição. em fase de lançamento no mercado. na sua fase inicial e de arranque. vários anos depois. buscando o interesse de investidores privados. vender as ações tão pronto as sociedades estejam suficientemente bem conhecidas entre o público. que satisfaçam as mesmas exigências. estabeleceu um novo tipo de sociedade. coordenação e racionalização das suas várias atividades. como meio indireto de desenvolvimento de uma atividade econômica. como também não há exigência quanto a publicação da composição da carteira de participações da holding. para além dos seus próprios escritórios ou instalações. salvo se para sociedades nas quais tem interesse de controle ou é acionista. No contrato social deve constar. Uma SGPS pode ser constituída como “sociedade anônima” ou “sociedade por quotas” e está sujeita a algumas restrições. O objeto social será a aquisição de qualquer forma de participação em outra sociedade em Luxemburgo ou em sociedades estrangeiras. a chamada: “Sociedade Gestora de Participações Sociais” – SGPS. – Participação em sociedades detentoras de patentes cuja carteira de ações inclua recursos intangíveis. FGV DIREITO RIO 100 .

os Estatutos planificam os traços gerais do modo de funcionamento e gestão da LLc. protegidos em caso de eventuais ações judiciais contra a sociedade. particularmente em casos de sucessão e detenção de propriedade. quer pelos seus membros ou não-membros. desde que não operem dentro do próprio estado. Exemplos de sociedades em Delaware/EUA: – MEI Holding Inc.. Não existe qualquer imposto sobre as vendas em Delaware. org/wiki/Delaware Delaware/EUA “Apesar de sua pequena extensão territorial. como o Estado Americano das grandes Corporações. 164 165 Fonte: http://www. para o caso das LLC’s.panasonic. mesmo que poucos aí possuam qualquer estrutura em termos de vendas ou fabricação. ausente qualquer tipo de garantia pessoal. Delaware é um grande centro financeiro. as cláusulas deste contrato social são extremamente importantes. geralmente. – Data da incorporação: Junho de 1995. transferência de interesses numa LLc e sua liquidação. e US$ 35 para o caso das Corporações. que é fixa e deve ser paga ao Estado de Delaware. independentemente do volume de negócios.br/detalhe_noticia. interessadas em negociar com os EUA e outras jurisdições. – Capital acionário: US$ 1. comparada a nossa sociedade Limitada. imposto sobre propriedade ou imposto sobre rendimentos referentes a sociedades constituídas em Delaware. Delaware também possui uma forte indústria petroquímica”. os bens pessoais de um membro de uma LLc estão completamente for a do alcance dos credores da sociedade (negócio). – Atividade principal: Investimentos de negócios. (subsidiária da “Matsushita Electric Industrial Co. Isto acontece graças à leis estaduais que dão benefícios fiscais para empresas que decidem instalarem suas sedes no Estado. EUA.com. citados como precedentes em Tribunais de outros estados americanos. face às dívidas da mesma. que pode ter um número ilimitado de acionistas cujos bens pessoais estão. e nada mais.162 comparada a nossa sociedade por ações. e poucos dos seus membros chegaram mesmo a visitar o Estado de Delaware. mais de 300. ou mesmo falência. em que os donos do negócio ficam pessoalmente solidários com a empresa. tal como os acionistas de uma corporação tipo “c” ou “s”. Por causa disso. Atualmente. estabilidade. e reputação. É particularmente satisfatório para a gestão centralizada de recursos familiares.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa – Entrada no capital de sociedades de investimento com a finalidade de criar e administrar em seu próprio nome uma carteira de títulos transferíveis para um ou mais indivíduos privados conforme os princípios de gestão privada (o risco é distribuído geograficamente e entre vários setores). desde que devidamente representadas por um agente oficial registrado que as represente. Isto significa que. incluindo muitas que operam primariamente fora do Delaware. Apenas existe a obrigatoriedade de pagamento de uma taxa anual de US$ 200. nome que se confere ao contrato social. Os direitos. Ao longo dos anos. atraindo diversas companhias.a sp?a1=Imprensa&a2=notici as&a3=8 FGV DIREITO RIO 101 . Corporações e LLC’s não necessitam de manter qualquer conta bancária ou sede social em Delaware. é uma estrutura corporativa mais formal. de grande ou pequena dimensão. a LLc tem personalidade jurídica própria. optam por DELAWARE como sede social e base para os seus negócios. Delaware é o único estado Norte Americano com um sistema judicial especial. 163 Várias Corporações163 e LLC’s164. escolhem Delaware devido à sua estrutura legal favorável. os membros de uma LLc têm a mesma proteção em termos de responsabilidade limitada. distinta dos seus sócios. Ltd”. obrigações e responsabilidades dos “members” são estipulados no seu “Operating agreement”. em conformidade com Estatutos Estatuais aplicáveis. o Tribunal de Delaware (Delaware Chancery Court) julgou vários casos de gestão empresarial que são. dedicado à legislação societária. que são denominados “members”. uma vez que podem ter um impacto direto na forma como a LLc ou os seus membros possam a vir ser tributados para efeitos de impostos federais. Muitas sociedades internacionais.wikipedia. quer para Corporações ou LLC’s. ou empresa em nome individual. a responsabilidade do acionista é limitada ao valor da sua participação de capital na corporação. o Delaware é um dos maiores centros bancários dos Estados Unidos. quando devidamente estruturados. 162 Fonte: http://pt.000 empresas estão registradas em Delaware. Esta proteção em termos de responsabilidade é usufruto de todos os membros. Mais de 200 mil empresas e companhias estão sediadas no Estado. ao contrario de uma parceria “partnership” comercial. por muitas vezes. mais conhecida por sua marca Panasonic). À parte do tema fiscal. Deste modo. Este fato deu ao Estado o cognome de The Land of FreeTax Shopping (A Terra Sem Impostos Comerciais). – Sede da empresa: Delaware. o valor do risco para os membros de uma LLc está limitado ao valor da sua contribuição em termos de Investimento na LLc. locais ou estrangeiras. Situação Geral em 31 de dezembro da 2005165.

no Tribunal de Falências do Distrito de Delaware/EUA. (constituída de acordo com as leis do Estado de Delaware e com sede em San Francisco/CA). uma sociedade com sede em Portugal apresenta proposta com o intuito de transportar e distribuir parte da produção da Agricultura Extração Ltda. Inc. os seus administradores. – General Electric Capital Services. – Macromedia Inc. – America Online Latin America. – GE Energy Products. Prestação de Contas. Com o passar dos anos. têm o dever jurídico de prestar contas dos seus atos de gestão ao demais sócios. Inc. tem como objeto social o cultivo de soja e trigo na pequena cidade de Serrinha dos Grãos. no Estado do Paraná. Sociedade por Cotas de Responsabilidade Limitada. como proceder diante do crescimento do negócio? 2. – GE Engine Services. processamento. – Adobe Systems Inc. (2004. LLC – GE Fanuc Automation Corporation – GE Information Services.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa – Acionistas (% participação acionária) Matsushita Electric Industrial Co. Para melhorar a situação.. que já pensa em exportar seus produtos para a Europa e EUA. (constituída de acordo com as leis do Estado de Delaware e com sede em San Jose/CA).Julgamento: 25/05/2004 . Independentemente da séria controvérsia sobre a natureza . Milton Fernandes De Souza . FGV DIREITO RIO 102 . Ltd. grifamos. OBRIGACAO DE PRESTAR CONTAS. Inc. – Autodesk Inc. (AOLA): em 24 de junho de 2005. transporte e distribuição ficou complicada para a sociedade. como o de qualquer outra sociedade. a AOLA e algumas de suas subsidiárias apresentaram um pedido voluntário de concordata. (constituída de acordo com as leis do Estado de Delaware e com sede em San Rafael/CA). DEVERES E RESPONSABILIDADE DO DIRETOR.Quinta Câmara Cível – Tribunal de Justiça do RJ). Inc.001. Caso gerador A sociedade Agricultura Extração Ltda. – GE Engine Services Distribution. – GE Energy Parts Inc. conforme o Capítulo 11 (“Chapter 11”) do Código de Falências dos Estados Unidos. Gestão. Qual seria a forma mais eficaz da sociedade estrangeira participar dos negócios? JurisprudênCia SOCIEDADE POR COTAS DE RESPONSABILIDADE LIMITADA.capital ou pessoa .10270 . as administrações do plantio. (100%). Inc.Apelação Cível. Os administradores lhe procuram para saber: 1. Des.da sociedade por cotas de responsabilidade limitada. para toda a Europa.

PROVA DISCURSIVA .ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa CONTRIBUIÇÃO SINDICAL. como tais devem elas ser enquadradas. editado após a CF/88. o Poder Executivo. estará sujeita às leis e aos tribunais brasileiros. Tribunal de Justiça do RS. a atividade preponderante da empresa participada. Relator: Roque Joaquim Volkweiss. Não detém legitimidade para a cobrança de contribuição sindical de empresa ¨holding¨ de indústrias o Sindicato que tem por fim congregar unicamente atividades ou categorias comerciais. 22º EXAME DE ORDEM – SEÇÃO DO RIO DE JANEIRO. (C) para conceder a autorização. através de estabelecimentos subordinados. (B) poderá. Recurso da parte ré provido Segundo apelo provido. 2ª FASE. descabe a imposição. deve impor condições convenientes à defesa dos interesses nacionais. Questões de ConCurso 178º CONCURSO DE INGRESSO NA MAGISTRATURA DO ESTADO DE SÃO PAULO (2006). obrigatoriamente. prevê expressamente a facultatividade de adesão de empresas. Por objetivarem participações societárias somente em indústrias. TIPO 1. Primeira Câmara Cível. (Apelação Cível Nº 70002205755. sem autorização do Poder Executivo.DIREITO COMERCIAL. Julgado em 19/06/2002). para fins sindicais. A respeito da sociedade estrangeira. é correto afirmar que: (A) depois de autorizada pelo Poder Executivo. levando-se em conta. prejudicado o primeiro. quanto aos atos ou operações praticados no Brasil. 3 .Há alguma exigência legal para que uma sociedade estrangeira possa funcionar como tal no País? FGV DIREITO RIO 103 . por unanimidade. para tanto. grifamos. DIREITO COMERCIAL 87. PROVA DE SELEÇÃO. se o estatuto social. como filiadas. (D) a sociedade estrangeira autorizada poderá iniciar suas atividades antes de inscrita no registro próprio do lugar em que se deva estabelecer. Ademais. funcionar no País. EMPRESA ¨HOLDING¨ DE INDÚSTRIAS.

O professor explica que. Manual de Direito Comercial e de Empresa. – Aumento e redução do capital social. 9 ª edição. 4º edição. ver.123. na coluna do passivo e considerado “passivo inexigível” uma vez que não corresponde a qualquer dívida social. O capital social representa o referencial que os sócios consideraram dever a sociedade possuir para dar conta dos objetivos ajustados no contrato social. Fábio Konder Comparato.1. 166 in Tratado de Direito comercial – vol. – COELHO. o montante do capital de que ela necessitará para exercer sua atividade e produzir os lucros. Curso de Direito Comercial. 1º volume. ao menos aproximadamente. Págs: 398 a 402. pg. – NEGRÃO. 225 a 227 e 262 a 266. – Diferença: capital social e patrimônio. e atual.166 formação do capital social Nas palavras do Prof. Págs: 156 a 192. Rio de Janeiro: Renovar. e para o qual tenha cada sócio possibilidade financeira de contribuir”.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa AUlAS 13 E 14: O fINANCIAMENtO DA SOCIEDADE lIMItADA Nesta aula discutiremos a leitura do(s) seguinte(s) capítulo(s): – Páginas 113 a 124 e 205 a 206 do Direito Societário. Leitura CompLementar – REQUIÃO. Capítulo 21. José Edwaldo Tavares Borba. Nas palavras do Prof. a “affectio societatis” e a “participação nos lucros e nas perdas”.3. o capital social é “o valor dos bens que os sócios integram à sociedade. Rubens. Págs: 401 a 407 e 497 a 506. no balanço social. Págs: 361 a 366 e 371 a 374. Nesse sentido. Curso de Direito Comercial.101/05. são paulo/1961. São Paulo: Saraiva.934/94 e sua interpretação restritiva. O Direito da Empresa à luz do novo Código Civil – 6º edição revista e atualizada conforme a Lei 11. FGV DIREITO RIO 104 . Capítulo 7. para servir de garantia última dos credores sociais”. Renovar/2004. juntamente com a “pluralidade de sócios”. 2005. deverá ser apresentado. como se fora a representação de algo indisponível”. – Ação de integralização de capital social para cobrança do sócio remisso. Ricardo. Capítulo 29. 2005. volume 2: direito de empresa – 10º ed. vol. ementário de temas – Formação do capital social. saraiva. – Organização em quotas. – O art. Nrs. Waldemar Ferreira: “Cumpre aos organizadores da sociedade calcular. 26 edição – São Paulo: Saraiva. 2007 . roteiro Vimos que a constituição do capital social é elemento formador do Contrato Social. – Dívida do sócio com terceiro e Penhora de quotas. – São Paulo: Saraiva. 2005. Fábio Ulhoa. Sérgio. 64 da Lei nº 8. – CAMPINHO. “esse valor deve permanecer intocado enquanto durar a sociedade. que constituem o objetivo de quantos dela co-participarem.

as seguintes formações: – sócio A: 1 quota com valor de R$ 40. 28ª edição. Rio de janeiro/2002. a partir do qual iniciará sua existência e funcionamento. 170 segundo a Resolução nº 2607/99 do Banco central do Brasil. móveis ou imóveis etc. n. Ricardo Negrão destaca uma novidade trazida pela Lei n. p.a. dados relativos a sua titularização. a saber178: a) cessão a quem seja sócio: independentemente de audiência de outros. 167 n. 1. A formação do capital social pode se consistir em dinheiro e outros bens (corpóreos. §1º)”177. quando necessária.)167 entretanto. com natureza jurídica de bem móvel. estes bens devem ser avaliados e o valor expresso em moeda corrente. como já aprendemos. para representar as quotas. veda a prestação de serviços como elemento formador do capital social na sociedade Limitada. “não há. VII quando exige.500 quotas com valor de R$ 10. “havendo co-proprietários. 1.a. 168 169 art. o qual somente será exigido para a constituição de sociedades empresárias que se dediquem a determinadas atividades.. que serão sempre representadas. somente o registro escritural. assim. os direitos dela decorrentes somente poderão ser exercidos pelo representante designado pelos condôminos. saraiva: são paulo/2005. 997. valor.1. FGV DIREITO RIO 105 . como táxi aéreo170. salvo quando a lei o dispense. as securitárias172 e outras. No Brasil. sua área. III e IV in manual de Direito comercial e de Empresa.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa Assim temos que é necessário definir no contrato social o valor a ser investido na sociedade por cada sócio e que irá compor o seu patrimônio de base. ou seja.00. O contrato social vai dispor sobre a CESSÃO DE QUOTAS. por exemplo. a outorga uxória ou marital”169. não poderão possuir capital social integralizado inferior a R$ 7.934/94 sobre a incorporação de imóveis à sociedade. O somatório do valor das quotas. diferentemente da ação.000. nem de exigir-se o consentimento dos demais sócios. no caso de bancos comerciais. igualdade ou desigualdade das quotas174. O valor do capital social mínimo.00 cada uma – sócio B: 3. 173 174 código civil. cabendo uma ou diversas a cada sócio. Fonte: Associação Empresarial de Portugal. entre outras.200. são definidas com liberdade pelo contrato social. pessoa singular ou coletiva. este valor é de R$ 17.056. O capital social será a demonstração da “força” da sociedade. Forense. individualmente. por um número inteiro.000 Euros.055. para provar sua participação na sociedade o sócio precisará de uma via do contrato social.00175. pg. São subscritas pelos sócios em proporções iguais ou desiguais. restrita ao valor de suas quotas (embora respondam solidariamente pela integralização do capital social). ou pelo inventariante no caso de espólio (art. em moeda nacional168. poderemos ter. portaria nº190/Gc-5/2001 (Dac) que aprova as Instruções Reguladoras para autorização e funcionamento de empresas de táxi aéreo e de serviço aéreo especializado e dá outras providências. 15. O Prof. A legislação portuguesa adota o “capital mínimo”173. Fran Martins explica que.00 – sócio C: 1 quota com valor de R$ 25.500. O parágrafo segundo do art. bem como o número da matrícula no Registro Imobiliário e. obrigatoriamente. art. por exemplo. A divisão do capital social se dá por meio de quotas.000 quotas com valor de R$ 10. Quantidade. será fixado pelo Dac através de regulamentação específica. O valor do capital social será estipulado pelos sócios. O capital social divide-se em quotas. assim como a alemã. quando houver um pedido de empréstimo bancário o primeiro item a ser analisado pelo gerente será o valor do capital social.000. incorpóreos. As quotas são indivisíveis.00. um documento especial”176.00 – sócio B: 1 quota com valor de R$ 35. as bancárias171. – sociedade unipessoal por quotas: constituída por um único sócio. “além da designação do capital social no contrato levado a registro. em sendo ele omisso. Não se fixou qualquer obrigação de proporcionalidade na cessão. 171 as sociedades seguradoras autorizadas a operar no Brasil no grupamento dos seguros de ramos elementares. que é o titular da totalidade do capital social mínimo de 5. a lei não define o valor do capital mínimo. 172 sociedade por quotas: capital social mínimo de 5. a descrição e identificação do imóvel. aplicável às empresas de táxi aéreo ou de serviço aéreo especializado. o Código Civil prevê duas situações. donde surge a responsabilidade de cada um. art. de acordo com a Resolução nº 73 do conselho nacional de seguros privados.000 Euros.000. instituições financeiras e outras instituições autorizadas a operar por referido órgão devem possuir um valor mínimo de capital social integralizado.ex. – sociedade anônima: valor nominal mínimo do capital é de 50. iguais ou desiguais. de acordo com o porte das atividades a serem desenvolvidas pela sociedade.º 8. que está disposta no art.000 Euros e não pode ser constituída por um número de sócios inferior a 5. 175 176 in curso de Direito comercial.000. sendo certo que numa sociedade com capital social de R$ 100.500 quotas com valor de R$ 10. 35.055.00 ou – sócio A: 4.000.000. será igual ao valor do capital social estipulado no contrato. italiana e francesa.293.00 cada uma O Prof. sendo considerada a menor fração em que o capital é dividido.00 cada uma – sócio C: 2.

O patrimônio encontra-se sujeito ao sucesso ou insucesso da sociedade. incluindo-se as dívidas (passivo). a vedação da cessão de quotas para terceiros. do acervo de bens indispensáveis 177 TaVaREs BORBa. 178 179 art. Por outro lado. querendo os sócios garantir características típicas das sociedades de pessoas. é de extrema importância a existência de uma cláusula prevendo a continuidade da sociedade em razão da morte de um dos sócios. aumento e diminuição do capital social Vimos que o capital “é a expressão. notadamente. com influência nas deliberações sociais. A cessão de quotas será eficaz quanto à sociedade e terceiros. bem como o passivo. 2ª parte”. Com o início das atividades. pois se trata de uma cifra contábil. em moeda corrente. 184 FGV DIREITO RIO 106 . verifica-se que a participação dos sócios no capital social indicará a relação de poder de cada um. sob pena de ser privado de seus lucros e dela excluído. n. 1. 9ª edição. quando subscrevem184 se comprometem a integralizar.113.057 p. os sócios pagam à vista pelas quotas ou ações. 183 subscrição é a promessa de integralização. que o “capital é um valor formal e estático. o que é permitida. §2º. crescendo na medida em que esta realize operações lucrativas. é o mesmo que pagar. Ao integralizar183 o capital social. a propósito o enunciado n° 206 aprovado na III jornada de Direito civil. em relação à cessão de quotas. no momento da elaboração do contrato social ou mesmo em suas alterações. art. na sociedade simples182.057 do cc.único do código civil. o conjunto de bens (dinheiro e outros). josé Edwaldo in Direito societário. I) e nas sociedades simples propriamente ditas (art. eis que afetará o movimento de ingresso e saída de sócios. É vedada contribuição que consista em prestação de serviços. 981. ou seja. cuja contribuição consista em serviços. 1. principal obrigação do sócio. O capital não se modifica no diaa-dia da empresa – a realidade não o afeta. pois dívidas são necessárias para alavancagem da empresa. Destarte. a partir da averbação do respectivo instrumento subscrito pelos sócios179. empregar-se em atividade estranha à sociedade. que a cessão de quotas se dará independentemente do consentimento dos demais sócios. Não havendo interesse de nenhum dos sócios. dos contingentes trazidos pelos sócios para a formação da arca communis.a. 997. se os sócios quiserem empreender uma sociedade de capital. Assim.006. O capital social pode ser constituído com dinheiro ou bens. apenas. poderão estabelecer. a contribuição em serviço181 (trabalho). e reduzindo-se com os prejuízos que se forem acumulados”180. promovida pelo cjF/sTj dispõe nesse sentido: “arts. Quando a sociedade inicia suas atividades. é comum que o único item encontrado em seu patrimônio (ativo.63. não pode. 1. 1. 180 181 código civil. in Direito societário. o ativo começa a se modificar. a integralização é o pagamento feito pelo sócio à sociedade. Devem assim. Integralizar é ato de alienação. em determinado prazo. ou seja. art. 1. pg. Leciona José Edwaldo Tavares Borba.007 e 1.094. haveria ainda a possibilidade da tomada das quotas pela própria sociedade. O sócio. Renovar: Rio de janeiro 2004. diferença: capital social e patrimônio. pensar sempre na possibilidade de um terceiro vir a adquirir o controle por meio da cessão de quotas. ou seja. O capital social é o fundo originário e essencial da sociedade fixado através da soma da contribuição dos sócios – é uma expressão numérica. Da mesma forma. isto é. quando definirem as cláusulas sociais. 9 ª edição. salvo convenção em contrário.006. nem consentimento para a venda a terceiros. ¾ das quotas. um certo número de quotas ou ações para constituição do capital social. 983. Renovar/2004. que se afigura com importante instituto. O patrimônio social é o patrimônio da sociedade no sentido econômico. 182 código civil. 1.094: a contribuição do sócio exclusivamente em prestação de serviços é permitida nas sociedades cooperativas (art.055. poderão estabelecer em cláusula contratual. art. enquanto o patrimônio é real e dinâmico. A falta desta previsão poderá acarretar o ingresso de herdeiros que não estejam interessados ou que prejudiquem o negócio.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa b) cessão a estranhos: dependerá da anuência de um quorum de 75 (setenta e cinco). compreendendo não apenas o capital social. assumem o compromisso com a sociedade de adquirir. 983. passivo e patrimônio líquido) seja o capital social. expressamente. sendo vedada. pág. mas tudo o que a sociedade possui e venha a possuir durante a sua existência. 1.

§1º c/c art. é possível estipular-se um valor maior ou menor como suficiente para que a sociedade continue realizando seus fins.081 do Código Civil dispõe sobre a possibilidade do capital social ser aumentado. devendo a Ata correspondente ser publicada em jornal de grande circulação ou em Diário Oficial.084. A partir da publicação. explicando que uma outra hipótese de aumento de capital “é a que se funda em recursos da própria sociedade. dependerá da juntada das publicações previstas no art. A decisão de incorporá-los ao capital é uma opção. 1.122. em recursos ou lucros acumulados que os sócios deliberam incorporar ao capital.185 Por se tratar de uma cifra. Em ambos os casos (aumento ou redução).152. da Ata e da alteração do contrato social. A deliberação para a redução do capital social deve ser feita em Assembléia ou Reunião especialmente convocada para tal fim. Esses lucros e reservas foram gerados pela própria sociedade e poderiam ter sido distribuídos. pág. ou b) Se o capital social for excessivo em relação ao objeto da sociedade191. ambos do código civil. Os sócios terão 30 dias para exercer o direito de preferência na aquisição das novas quotas187. o capital social deve estar totalmente integralizado mediante a correspondente modificação do contrato. os sócios. também. 185 FERREIRa..076. são chamadas de bonificações”189. eventuais credores terão o prazo de 90 (noventa) dias para impugnar a decisão. subscrevem as quotas de capital com as quais participarão do negócio e assumem a obrigação de integralizá-las. Continua o professor. O capital social pode ser aumentado mediante decisão (em assembléia ou reunião). da sociedade”. ou seja. art. saraiva/2005.082. está prevista no art. O art. FGV DIREITO RIO 107 . com aprovação de. saraiva. em ambas as situações. perante a Junta Comercial. ou seja.. Nesse caso. a redução deve ser realizada com a diminuição proporcional do valor nominal das quotas. para tanto.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa ao exercício da atividade mercantil (sic) . O prof. V do código civil. 191 O arquivamento da deliberação com fundamento no art.3. e somente poderá ser efetivado após o decurso do prazo de 90 dias da publicação. O capital social também pode ser reduzido. cabendo aos sócios subscritores transferir novos bens à sociedade”188. contribuir com recursos para o capital da sociedade. “se o sócio detiver trinta por cento do capital social integralizado. a respectiva alteração no contrato social. I c/c art. II do código civil. 1. 1.cit. poderá exercer o direito de preferência sobre até trinta por cento do aumento deliberado” in manual do Direito comercial e de Empresa. José Edwaldo Tavares Borba ensina que: “esse aumento envolverá o ingresso de novos recursos quando decorrer de subscrição. 64 Op. 1. ou se for provado o pagamento da dívida ou o depósito judicial do respectivo valor. desde que os sócios detentores de pelo menos 75% do capital social assim o desejem e sendo necessária. assim recebidas. 186 Ricardo negrão esclarece que o direito de preferência dos sócios na aquisição das novas quotas é proporcional às suas quotas. com diminuição proporcional.372. a redução deve ser realizada restituindo-se parte do valor das quotas aos sócios. do valor nominal das quotas. 1. pág. Neste caso. ou dispensandose prestações ainda devidas (que eventualmente estariam faltando para integralizar a “quota parte”). Waldemar in Tratado de Direito comercial – vol. no mínimo. 1. 1.071. 187 188 189 190 Op cit. Essas cotas. ação de integralização de capital social para cobrança do sócio remisso. ou seja. Já a redução do capital social. Quando os sócios assinam o contrato social para constituição da sociedade limitada. Este aumento pode concretizar-se através de aporte de novos valores como o desembolso por parte dos sócios ou mesmo por terceiros.082 do Código Civil que afirma ser possível descapitalizar a sociedade quando o capital social for excessivo em relação ao objeto social. desde que não ocorra impugnação de credor quirografário da sociedade. poderá a sociedade formalizar a diminuição através do registro. §1º. sem qualquer desembolso recebem novas cotas proporcionais a sua participação no capital. pg. são paulo/1961. São as seguintes hipóteses190: a) Se houver perdas irreparáveis depois de estar integralizado. se não ocorrer. a morte do sócio com o pagamento dos haveres aos herdeiros e a exclusão do sócio com o pagamento dos seus haveres também são situações que podem acarretar em redução de capital. tornando-se efetiva a partir da averbação na Junta Comercial da alteração contratual que a tenha aprovado. ¾ do capital social186.

esta obrigação não precisa ser realizada imediatamente (à vista).” “Art.004. salvo as restrições estabelecidas em lei”. os sócios responderão solidariamente pela quantia que falta para completar o capital social..A. e aquele que deixar de fazê-lo. pelo dano emergente da mora. as prestações estabelecidas no contrato mais as despesas FGV DIREITO RIO 108 . as quotas integram o patrimônio do sócio e poderiam. tomá-la para si ou transferi-la a terceiros.004 do Código Civil responderá. É recomendável que no contrato social haja uma cláusula fixando o tempo e a forma para a realização desse pagamento (a prazo). 1. 1. às contribuições estabelecidas no contrato social. que.. o art.” O sócio que não cumpre com a obrigação de integralizar sua quota (ou quotas) dentro do prazo. ser objeto de penhora para efeito de pagamento de obrigações vinculadas àquele.a quota de cada sócio no capital social. Nesse sentido. com todos os seus bens presentes e futuros. em se tratando de uma sociedade limitada. excluindo o primitivo titular e devolvendo-lhe o que houver pago. sendo certo que para essa última hipótese necessária se fará a presença de justa causa. Porém. não integralizada a quota de sócio remisso. responderá de forma solidária com os demais. responderá perante esta pelo dano emergente da mora. ou expulsá-lo192.) remisso serão objeto de estudo futuro. A sociedade constitui-se mediante contrato escrito. sem prejuízo do disposto no art. art.) IV . entretanto. temos os seguintes artigos do Código Civil: “Art. nos trinta dias seguintes ao da notificação pela sociedade. e o modo de realizá-la. Portanto. mas todos respondem solidariamente pela integralização do capital social. temos que é obrigação fundamental e indispensável de cada sócio a integralização da sua quota de capital. Na sociedade limitada.058.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa Assim. deduzidos os juros da mora. nunca foi pacífico o entendimento de que as quotas sociais são penhoráveis por dívida particular do sócio. A sociedade (e não os sócios) poderá cobrar em juízo o que for devido pelo sócio remisso. decorrentes de decisão judicial. mencionará: (.052. em regra. 591 do Código de Processo Civil estabelece o princípio básico segundo o qual “o devedor responde. em regra. porém. 1.004 e seu parágrafo único.” “Art. o patrimônio pessoal dos sócios não responde por dívidas da sociedade. não podendo ser utilizada a inadimplência como via oblíqua para afastar sócios indesejáveis. Neste sentido. na forma e prazo previstos. cabendo ação de regresso contra o sócio que efetivamente não integralizou sua parte. 1. a responsabilidade de cada sócio é restrita ao valor de suas quotas. Os sócios são obrigados. na forma do art. Hipóteses como a exclusão de sócio e o acionista (S. 997. 1. é chamado de sócio remisso e. para o cumprimento de suas obrigações. 192 código civil. caso o capital social esteja totalmente integralizado. em existindo parte do capital social ainda não integralizada. os outros sócios podem. além de cláusulas estipuladas pelas partes. Vimos então que a efetiva responsabilidade de cada sócio é pela integralização de sua quota. Entretanto. na hipótese de algum sócio não cumprir com sua integralização. perante a sociedade. particular ou público. dívida do sócio com terceiro e penhora de Quotas Na condição de bem móvel.

026. 194 195 196 Op. Ricardo Negrão198. como fonte de produção e de riquezas. Renovar/2005. “caso fosse concebida a livre cessão das quotas. presentes ou futuros.343. sobre os valores encontrados. sem a anuência dos demais companheiros”. em execução por dívida sua.430/mG.cit. havendo limitação à sua livre transferência. Ou seja. Requião. 201 FGV DIREITO RIO 109 . 197 198 Op. para a sociedade limitada.179. que se veria impedido de excutir as quotas do sócio-devedor.365. não havendo lei que exclua da execução as quotas do sócio em sociedade de responsabilidade limitada”. Entretanto. admitida expressamente pela lei a excussão de parcela do capital social em sociedade intuitu personae – como é a sociedade simples –. onde na ementa se encontra: “É possível a penhora de cotas pertencentes ao sócio de sociedade de responsabilidade limitada.031). a quota somente será penhorável se “houver no contrato social cláusula pela qual possa ser ela cessível a terceiro. apesar da jurisprudência.cit. sérgio campinho. Este dispositivo estabelece a possibilidade da execução recair. 22ª edição. Vol. saraiva. sérgio Op. E conclui criticando a doutrina que admite a penhora pura e simples de quotas do sócio em execução de dívidas particulares. seguindo entendimento de Cunha Peixoto193. pág. in as sociedades limitadas e os direitos de terceiros. sendo aplicável. pág. incidir a penhora”197.º 34. com a apuração de seus haveres.345. novembro/2004. o Prof. Esta posição já foi a adotada pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do Recurso Extraordinário n. 5 ª edição. considerar inadmissível que “se prejudique a empresa. Essa penhora não terá cabimento nas sociedades de pessoas.73. tendo os demais sócios que prostradamente assistir a admissão de um novo consorte. VEREDIcTum – Diretório acadêmico afonso arinos – unirio.cit. pág. apurar os haveres do sócio insolvente para. do contrário. considerava absurda a aplicação irrestrita dos preceitos da Lei das Sociedades Anônimas à sociedade limitada. Para o Prof.se de capital ou de pessoas. Rubens Requião. Sérgio Campinho. apesar do Código Civil não dispor sobre a matéria “possibilidade de penhora das quotas” sociais por dívida particular de sócio. não somente em razão da omissão do legislador. in Direito de Empresa á luz do novo código civil. Ed.º 34. 1.177.223/pR. com o ingresso compulsório de terceiro não sócio.cit. parte da doutrina entende que o cerne da questão está no entendimento que se tenha da natureza jurídica da sociedade limitada . alternativamente. ao tratar da matéria no capítulo correspondente. além de. pág. conforme verifica-se nas ementas transcritas em “jurisprudência”. Vimos então que. mas também porque. Nas palavras do professor é inconcebível: “considerar a cota equiparável às ações e transmudar os termos de processo de execução de forma a torná-lo um modo de transferência da cota-ação das mãos do devedor para as do credor”194. onde na ementa se lê: “responde o devedor com todos os seus bens.026. natureza a que se subordina a sociedade limitada”199. a quem se tem exaltado como instrumento necessário ao bem comum. são paulo/1995. conforme ensina José Gabriel Assis de Almeida201: “O regime imposto pelo NCC está no art. Entretanto. ainda que esta esteja em regime de concordata preventiva. “em sua inteireza. pág. sobre (I) os dividendos do devedor (II) os haveres 193 apud. pág. e não da sociedade. negarse-ia a penhora”200. vedando a livre cessão de quotas”196. não há qualquer óbice para sua aplicação no campo societário tipicamente de capital ou misto. O Prof. in curso de Direito comercial.680/RS e pelo Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial n. para o cumprimento de suas obrigações. entende que. Em posição contrária aos demais doutrinadores. a matéria é regulada no capítulo das sociedades simples (art.cit. legitimar-se-ia a penhora. “não pode a relação interna estabelecida entre os sócios obstar o exercício de um direito por parte do terceiro-credor. no caso.175. 1. em benefício da coletividade. posição fundamentada em decisão do sTj no REsp. cumprindo. campInHO. parágrafo único e art. o regime imposto pelo Código Civil impõe a liquidação da quota do sócio em virtude de dívida particular. Op. 114. quando o caráter que quiseram impor à sociedade seria o personalista. o professor reconhece que não se pode “desconsiderar os nefastos efeitos que a arrematação das quotas em hasta pública poderia vir a provocar na affectio societatis.195” Para o prof.” E no REsp 21. 1º. 199 200 Op. pág. José Edwaldo Tavares Borba entende que “a insolvência do sócio levará os credores à pretensão de penhorar suas quotas na sociedade.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa O Prof. colocando aquele em injusta desvantagem em relação a este último”. 1.882-5/RS.

às sociedade anônimas. Ou seja. entendeu que “normas excepcionais. j. Tal dispositivo legal permite a utilização de certidão expedida pela Junta Comercial. primeiro deverá o credor esgotar todos os demais bens que integram o patrimônio do sócio-devedor. 64. Des. os dividendos e os haveres do sócio-devedor”. Destarte. constituí uma das grandes diferenças entre estes tipos societários e poderá ser fundamental para a escolha do tipo societário mais adequado para determinados negócios. FGV DIREITO RIO 110 . 64 da Lei nº 8. Assim. da sociedade. perante o registrador.º 8. os haveres serão apurados na forma do art. Não é possível interpretar extensivamente tal norma para abranger os casos em que houver redução do capital social ou mesmo extinção da sociedade.030.934/1994. Neste caso. como objeto da execução.9710/1 . como por exemplo. mas tal exceção. esta deverá se formalizar por escritura pública. Somente após esgotados os demais bens do patrimônio do sócio-devedor é que o credor poderá indicar. O artigo 2º da Lei 6385/76 relaciona diversos valores mobiliários. possibilitar a alienação de direitos reais incidentes sobre imóveis.Capital. Assim. mas sempre. em favor da sociedade. E na espécie. Cív. Neste sentindo. embora não esteja expressa. derivada do texto do art. o imóvel não tem finalidade de integralização do capital da sociedade (formação ou aumento do capital social). de 18. Essa vedação. a Lei cuida da transferência do bem imóvel com que o subscritor tiver contribuído para a formação ou aumento do capital social. 64 da Lei nº 8. as ações. É que o art. 1. a transmissão se opera de forma inversa.031 acima citado. havendo dação em pagamento. na exclusão.11. mas sim decorrente de extinção da pessoa jurídica. Nigro Conceição).ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa do devedor. pois incompatível com a sua estrutura. será o documento hábil para a transferência. portanto. a certidão dos atos de constituição e de alteração de sociedades mercantis. 64 da Lei nº 8.934/94. invariavelmente. 64 da Lei n. Além disso. extraída dos atos constitutivos ou de sua alteração. A emissão de valores mobiliários será restrita. a quota só é penhorável na insuficiência de outros bens. os bônus de subscrição. ou seja. a propósito do falecimento de sócio.026 criou um benefício de ordem. somente será possível o registro imobiliário das certidões referidas nas hipóteses em que ocorrer aumento de capital social (com integralização de bens imóveis). o título de transferência somente se viabilizaria se materializado por instrumento público.10. o art.934/1994 e sua interpretação restritiva Segundo a sistemática contida no artigo 64202 da Lei 8. 1. 28. A grande novidade é que a liquidação da quota implica. da pessoa jurídica para o sócio. já se decidiu: ‘Admitese a utilização de instrumento particular com o fim de materializar a conferência de bens pelos sócios para integralizar o capital social. deve ser interpretada de modo restritivo. diferentemente. o Conselho Superior da Magistratura do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo. não estando a hipótese dentro da exceção do art. as debêntures. Noutras palavras. nº 63. do sócio devedor. 1. como título hábil para. por força do disposto no art. independentemente da natureza e localização destes bens.99. os contratos de investimento coletivos.934. ainda. como é o caso do art.934/94. requerendo a liquidação da quota do sócio-devedor. passada pelas juntas comerciais em que foram arquivados. uma outra importante inovação no regime do NCC.94. 202 203 Valores mobiliários são títulos de investimentos negociados por uma sociedade anônima. por transcrição no registro público competente. não podemos deixar de salientar que a sociedade limitada não poderá obter financiamento para suas atividades através da emissão de valores mobiliários203. no caso concreto. parágrafo único. Rel. dentre outros. dos bens com que o subscritor tiver contribuído para a formação ou aumento do capital social. para sua redução ou dissolução” (Ap. A certidão passada pela Junta Comercial é documento hábil para a transferência de bem do sócio para a sociedade e. art. merecem interpretação restritiva. Há. as partes beneficiárias. para a composição ou o aumento do capital social e nunca. nesses casos.

(tecnologia da informação). é necessário a outorga conjugal? e) É devido o imposto de transmissão de bens imóveis (ITBI)? Os sócios Izan e Fabião efetuaram a subscrição de suas quotas para integralização em 6 meses. §1° do Código Civil.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa Com efeito. Desse modo. agência reguladora do mercado de capitais. 1. às 03:25horas.area=398&tmp. Os sócios concordam com o preço. mas isso não significa concluir que as sociedades anônimas fechadas e as limitadas não possam ser autuadas e multadas pela referida agência. todavia. A cada mês que se dirigia à loja para pagar a prestação. para fins de precaução. QUANDO DELE NÃO SE CONHECE.I.stj. Caso gerador i Isabela Gama. 204 http://www. INALIENABILIDADE OU IMPENHORABILIDADE DE QUOTAS DA SOCIEDADE LIMITADA. Ultrapassado esse prazo. Os amigos de longa data Padilha. acesso em 19 de janeiro de 2008. aumentando o valor das parcelas. texto=86413. indicado por Padilha.055.br/ portal_stj/publicacao/engine. trocando o carnê por outro e. num frio e chuvoso final de semana.gov.. Padilha diz ser o proprietário de uma sala que servirá de escritório para o desenvolvimento da empresa. QUANDO EXISTE CLÁUSULA A RESPEITO NO CONTRATO SOCIAL. resolve adquirir uma geladeira em 36 vezes. Devido a sua inadimplência. para imóvel. compete fiscalizar as sociedades anônimas abertas. Para tanto. a sociedade credora ingressa com ação de execução em face de Isabela e é realizada a penhora de quotas de sua propriedade. ou seja. acabava se empolgando e adquirindo outros bens. pretendendo integralizar sua parte no capital social com o referido bem imóvel. via de conseqüência. resolvem constituir uma sociedade limitada denominada de Bernardo’s Empreendimentos e Participações Ltda. as dívidas foram se avolumando a um ponto que Isabela não mais conseguiu satisfazer as suas obrigações. receosos com o a regra inserta no art. qual será o seu parecer? Caso gerador ii. Procurada por Isabela. qual deve ser a medida adotada? JurisprudênCia RECURSO EXTRAORDINÁRIO. representativas do capital social de uma sociedade limitada de pessoas. ausente a integralização. à Comissão de Valores Mobiliários – CVM. FGV DIREITO RIO 111 . aquelas que possuem o registro na CVM. Izan e Fabião. wsp?tmp. temos dois grandes exemplos: a sociedade limitada Avestruz Máster204 e a Fazendas Reunidas Boi Gordo S/A (sociedade anônima fechada). lhe procuram com as seguintes questões: a) Qual deve ser a forma de integralização do capital com o bem imóvel? b) É necessária a realização de escritura pública? c) O instrumento que efetivar a integralização deve ser levado ao Registro Imobiliário? d) Sendo Padilha casado. quando estiverem atuando como se fossem companhias abertas. bombardeada por diversos anúncios de uma grande rede de eletrodomésticos. cujo objeto será a prestação de serviços de consultoria empresarial para empreendimentos na área de T. Nesse sentido.

PENHORA DE COTAS DE SOCIEDADE DE RESPONSABILIDADE LIMITADA.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa (RE 34. julgado em 15. Deve-se apenas facultar à sociedade.2006. DÍVIDA DE SÓCIO.1958). Rel. em consonância com os artigos 1. cláusula impediente. a tanto por tanto (CPC. Relator Min. 1. (REsp 148.119 do estatuto processual civil. como já acolhido em precedente da Corte. As cotas sociais podem ser penhoradas. TERCEIRA TURMA. 1. superar essa conclusão demandaria incursão no acervo fático-probatório da causa. a possibilidade de remir a execução. remir a execução. Recurso especial não conhecido.11. pouco importando a restrição contratual. Ministro CARLOS ALBERTO MENEZES DIREITO. se o recorrente não se desincumbiu do ônus de comprovar a expressão econômica daqueles que pretendia dar em substituição aos já penhorados. a despeito de haver restrição contratual à alienação das cotas. 3.117. DJ 10. NÃO COMPROVAÇÃO DA EXPRESSÃO ECONÔMICA. na qualidade de terceira interessada. PROCESSO CIVIL.12. que restaria comprometida com a participação de um estranho não desejado.2001 p. grifamos.2006 p. FGV DIREITO RIO 112 . Recurso especial não conhecido. Precedentes. Ministro CARLOS ALBERTO MENEZES DIREITO.391/MG. julgado em 14. II .118 e 1.119)”. conceder-se a ela e aos demais sócios a preferência na aquisição das cotas.04. As quotas. preservando-se a afectio societatis.04. grifamos. PENHORA DE QUOTAS. (REsp 712. asseverou o acórdão recorrido não ter o recorrente se desobrigado do ônus da sua prova. 241). A penhora não acarreta a inclusão de novo sócio. considerando que não há vedação legal para tanto e que o contrato não pode impor vedação que a lei não criou. Havendo. INDEFERIMENTO DE PEDIDO DE SUBSTITUIÇÃO. remir o bem ou concederse a ela e aos demais sócios a preferência na aquisição das cotas. entretanto.Descabe o conhecimento do especial quanto ao pedido de relativização da ordem de gradação dos bens indicados à penhora. grifamos. PRIMEIRA TURMA.02. EXECUÇÃO.Ademais.02. à mingua de qualquer previsão legal. SOCIEDADE DE RESPONSABILIDADE LIMITADA. DJ 29.05.186). de modo que.118 e 1. o que é vedado em âmbito de especial (Súmula 7/STJ).117. Ministro CASTRO FILHO. em princípio. Julgamento em 27/01/1958. DJ 12. julgado em 21. ÔNUS DO DEVEDOR. CONTROVÉRSIA DOUTRINÁRIA E JURISPRUDENCIAL.2000. 2. DJ 29. (REsp 234. são penhoráveis. “eis que sequer juntou aos autos cópia do mesmo”.947/MG. I .747/DF.2000. III . sendo ainda essa iniciativa vedada pelo contrato social. Recurso conhecido e provido.1.No que se refere à alegação de que os demais sócios do empreendimento são contrários à venda das cotas. na qualidade de terceira interessada. arts. SOCIEDADE POR COTAS DE RESPONSABILIDADE LIMITADA. 113). DESATENDIMENTO DA GRADAÇÃO LEGAL. esta não pode ser admitida como válida. PENHORA DAS COTAS SOCIAIS. cumpre respeitar a vontade societária. grifamos. devendo ser “facultado à sociedade. ou então. TERCEIRA TURMA.2002 p. TERCEIRA TURMA. Rel. 1. NELSON HUNGRIA. Rel.680/RS.

conseqüentemente. Rel. pelo contrato social.1993.Julgamento: 13/09/2005 . Por isso. DÍVIDA DA SOCIEDADE DE RESPONSABILIDADE LIMITADA. HUMBERTO GOMES DE BARROS. dispondo que o devedor responde. 482). (REsp 34.C. Agravo que se conhece. seja em virtude de proibição expressa.08. PENHORA DAS QUOTAS SOCIAIS. torna os bens adquiridos para tal finalidade econômica de propriedade da sociedade.DECIMA SEGUNDA CAMARA CIVEL. TERCEIRA TURMA. em hipótese alguma o imóvel deixará de pertencer à empresa apelada Não se pode confundir a pessoa jurídica da empresa. Impenhorabilidade reconhecida. agravante não a torna proprietária exclusiva dos bens se estes foram empregados na sociedade e se o capital social foi totalmente integralizado. EM RAZÃO DE DIVIDA CONTRAÌDA PELO DE CUJUS. Ministro EDUARDO RIBEIRO. PENHORA DE BEM IMÓVEL PERTENCENTE À EMPRESA DA QUAL O FALECIDO ERA SÓCIO MAJORITÁRIO.04. se nega provimento.. AGRAVO DE INSTRUMENTO. que a sociedade foi constituída “intuitu personae”.2006 p.P. não é lícita a penhora das quotas sociais em execução movida contra a pessoa jurídica. e. (REsp 757.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa SOCIEDADE POR COTAS DE RESPONSABILIDADE LIMITADA . RECURSO ESPECIAL. grifamos. – Salvo em hipóteses taxativamente previstas em lei. TERCEIRA TURMA. O fato de terem os sócios integralizado o capital social no momento da constituição da sociedade. INEXISTÊNCIA DE QUALQUER HIPÓTESE QUE AUTORIZE A CONFUSÃO DOS PATRIMÔNIOS. grifamos.865/SP. já que os bens da sociedade por cotas de responsabilidade limitada não se comunicam com os adquiridos pela pessoa física de seus sócios. Rel. EMBARGOS DE TERCEIRO. mas a que.07916 . DES. com a pessoa de seu falecido sócio.230). com todos os seus bens. EXECUÇÃO.002. MIN.1993 p.AGRAVO DE INSTRUMENTO. ARROLAMENTO DE BENS DE SOCIEDADE. da qual o espólio detém cotas. se a FGV DIREITO RIO 113 . ressalva as restrições estabelecidas em lei. de seu contexto. TJ/RJ) – grifamos.15. HENRIQUE MAGALHAES DE ALMEIDA . pelo cumprimento de suas obrigações. do qual não fez parte a recorrida. PERTENCENTES AOS SÓCIOS. I do mesmo Código que afirma impenhoráveis os bens inalienáveis. O fato do contrato de compra e venda dos bens encontrar-se em nome da. NOMEAÇÃO DE SÓCIO COMO FIEL DEPOSITÁRIO. (2005. O artigo 591 do C. Comprovado está que a dívida é do Espólio.882/RS. EXECUÇÃO PROMOVIDA CONTRA ESPÓLIO. se. não pode a penhora recair sobre bem dessa. Entre elas se compreende a resultante do disposto no artigo 64. julgado em 30. pois o que se está executando é o acordo firmado entre aquele e o ora apelante. Hipótese em que o contrato veda a cessão a estranhos.06. POSSIBILIDADE. o patrimônio dos sócios não responde por dívidas da sociedade.PENHORABILIDADE DAS COTAS DO CAPITAL SOCIAL. e não da empresa apelada.06.2006. salvo consentimento expresso de todos os demais sócios. a morte de um dos sócios não acarreta sua dissolução da sociedade. nem partilha dos seus bens. Assim. A proibição de alienar as cotas pode derivar do contrato. julgado em 20. seja quando se possa concluir. Em que pese o débito ter sido constituído pelo sócio majoritário da apelada. IMPOSSIBILIDADE. DJ 12. DJ 09.

depende da deliberação dos sócios a aprovação das contas da administração.Julgamento: 01/02/2006 . enquanto não tiver o seu capital totalmente integralizado. FGV DIREITO RIO 114 . TJ/RJ). Des. 42.52831 . grifamos. 49. b) É nula a estipulação contratual que exclua qualquer sócio de participar dos lucros e das perdas. 1ª FASE. a cessão de quotas entre sócios de uma sociedade limitada (A) é livre. desde que autorizada a abertura do capital da sociedade empresária. (2005. PROVA OBJETIVA. PROVA OBJETIVA. d) Em nenhuma hipótese a sociedade limitada empresária poderá reduzir o seu capital 124º EXAME DE ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL . (B) depende da aprovação de metade dos sócios presentes em reunião.001. (C) não pode ser negociada em bolsa de valores. ainda que representado por propriedade rural. (B) pode ser negociada em bolsa de valores. Sergio Lucio Cruz . 1ª FASE. (D) depende da aprovação de 3/4 do capital social.SEÇÃO DE SÃO PAULO. Direito Comercial 47 .DEZEMBRO/2007 81ª Questão: Sobre o Capital social da sociedade limitada: a) é admitida a sua formação com base em prestação de serviços pelos sócios a favor da sociedade. foi contraída pelo falecido. dos seus atos constitutivos. VERSÃO 1. e não os da empresa da qual era sócio. b) é admitida a sua formação por bem imóvel. Desprovimento do recurso. (D) não pode ser negociada em bolsa de valores. (C) depende da aprovação de metade do capital social. 1ª FASE.Apelação Cível. PROVA OAB/MG .EXAME DE ORDEM . desde que autorizada pela Assembléia Geral dos sócios. c) Na sociedade limitada empresária. PROVA OBJETIVA. A quota de capital de uma sociedade empresária (A) pode ser negociada em bolsa de valores. no registro próprio e na forma da lei. 128º EXAME DE ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL . são seus bens que devem garantir a execução. assinale a alternativa INCORRETA: a) A sociedade adquire personalidade jurídica com a inscrição.SEÇÃO DO RIO DE JANEIRO.Com relação às sociedades personificadas. Na omissão do contrato social.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa dívida.SEÇÃO DE SÃO PAULO.Décima Quinta Câmara Cível. Questões de ConCursos 24º EXAME DE ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL .

PROVA OAB/DF . sem direito de receber de volta o que houver pago. PROVA OAB/RS .ABRIL/2008 77ª Questão: Na sociedade limitada. o sócio pode ceder sua quota. d) responde sozinho perante credores por dívidas da sociedade. d) Depende da deliberação dos sócios a designação dos administradores. pela assembléia dos sócios que os eleger. assinale a assertiva incorreta. a qualquer título. d) nas sociedades de responsabilidade limitada o sócio cotista dissidente não responde após o registro da alteração de sua retirada. independentemente de audiência dos outros sócios. salvo quando autorizadas pelo contrato. b) Na omissão do contrato.EXAME DE ORDEM .EXAME DE ORDEM . o sócio remisso: a) pode ser cobrado pela via da ação executiva.AGOSTO/2006 81ª Questão: Ainda quanto à responsabilidade ordinária dos sócios é correto afirmar que: a) nas sociedades de responsabilidade ilimitada o sócio que nela ingressa mediante aumento do capital social responde somente pelas obrigações a partir de seu ingresso.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa c) todos os sócios respondem subsidiariamente em relação à sociedade pela exata estimação do valor do bem imóvel que compõem o capital social pelo prazo de dois anos. anualmente.DEZEMBRO/2007 24ª Questão: Tratando-se de sociedade limitada. quando feita em ato separado.EXAME DE ORDEM . c) nas sociedades de responsabilidade limitada o sócio responde pelas obrigações existentes no momento do ingresso e pela integralização de sua cota a partir daí. c) nas sociedades de responsabilidade limitada o sócio responde pelas obrigações existentes no momento do ingresso e pela integralização de sua cota a partir daí. c) A remuneração dos membros do conselho fiscal instituído será fixada. d) o sócio que pagou sua participação no capital social com bem imóvel responde solidariamente com a sociedade pela exata estimação do seu valor pelo prazo de dois anos. a quem seja sócio. b) nas sociedades de responsabilidade ilimitada os sócios que se retiram ficam obrigados pelas obrigações contraídas até o momento da despedida por um período de dois anos a partir do arquivamento da alteração contratual . b) pode perder as cotas adquiridas. PROVA OAB/MG . a) Os sócios serão obrigados à reposição dos lucros e das quantias retiradas. FGV DIREITO RIO 115 . quando tais lucros ou quantias se distribuírem com prejuízo do capital. total ou parcialmente.

tomá-la para si ou transferi-la a terceiros. os direitos a ela inerentes somente podem ser exercidos pelo condômino representante ou pelo inventariante do espólio do sócio falecido.DEZEMBRO/2006 31º EXAME DE ORDEM RJ 56ª Questão: Em relação à diminuição do capital social de uma sociedade limitada. c) Pela exata estimação de bens conferidos ao capital social respondem solidariamente todos os sócios. o sócio pode ceder sua quota. d) Na sociedade limitada. com relação à formação do capital social e sua divisão em quotas. iguais e desiguais.ABRIL/2006 95ª Questão: Assinale a alternativa CORRETA: a) Sócio remisso é aquele que não cumpre o dever de integralizar sua parcela no capital social. d) O capital social não pode ser reduzido. apenas. a) O capital social divide-se em quotas. total ou parcialmente. as prestações estabelecidas no contrato mais as despesas. havendo omissão do contrato. b) Na sociedade limitada.EXAME DE ORDEM . os outros sócios podem. não pode a sociedade reduzir o capital. excluindo o primitivo titular e devolvendo-lhe o que houver pago.ABRIL/2006 24ª Questão: Nas sociedades limitadas.EXAME DE ORDEM . c) A redução do capital social pode ser feita sem modificação do contrato.EXAME DE ORDEM . mesmo após integralizado. cabendo uma ou diversas a cada sócio. b) No caso de condomínio de quota. total ou parcialmente. b) A redução somente se tornará eficaz se não for impugnada no prazo de 90 (noventa) dias. FGV DIREITO RIO 116 . salvo se houver perdas irreparáveis para a sociedade. PROVA OAB/RS . c) Na sociedade limitada.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa PROVA OAB/MG . d) Para a formação do capital social é permitida contribuição que consista em prestação de serviços. contados da data da publicação da ata de assembléia que aprovou a redução. PROVA OAB/RJ . assinale a assertiva incorreta. não integralizada totalmente a quota de sócio remisso. a responsabilidade de cada sócio é restrita ao valor de suas quotas e os sócios que já integralizaram as suas quotas apenas respondem subsidiariamente pela integralização do capital social. podemos afirmar que: a) Salvo expressa previsão no contrato social. somente a quem seja sócio. deduzidos os juros da mora. até o prazo de 5 anos da data do registro da sociedade.

JUIZ .2ª FASE. defina qual é a natureza jurídica da cota. XXXIX CONCURSO PARA INGRESSO NA MAGISTRATURA DE CARREIRA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO. De que forma estes sócios minoritários podem assegurar a defesa de seus direitos? Aponte o fundamento legal. 4 . 2ª FASE. se o estatuto não dispuser em contrário. os quais representam um quinto do capital social. assinale a alternativa CORRETA.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa PROVA CONCURSO PúBLICO/MG . Direito Comercial. 27º EXAME DE ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL . sendo doze majoritários e três minoritários. b) O patrimônio social líquido corresponde à totalidade de ativos da sociedade deduzido o capital social. PROVA DISCURSIVA. FGV DIREITO RIO 117 . d) Nas sociedades anônimas. a) O patrimônio social não pode ser inferior ao capital social.2007 59ª Questão: Quanto às sociedades.SEÇÃO DO RIO DE JANEIRO.SEÇÃO DO RIO DE JANEIRO . 4 . 29º EXAME DE ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL . c) Na sociedade empresária limitada. 2ª QUESTÃO (VALOR: TRÊS PONTOS): Que opções têm os sócios da sociedade limitada em relação ao sócio remisso? (VALOR: UM PONTO E MEIO). a alienação de bens do ativo permanente.Uma sociedade limitada possui quinze sócios.PROVA DISCURSIVA .No capital social de uma sociedade limitada empresária. 2ª Prova Específica. compete ao conselho de administração autorizar. o capital social pode ser integralizado com a prestação de serviços.

parágrafo único)”206. dada sua especificidade. como por exemplo. pág. 1.068) e para estabelecer a remuneração do contabilista assistente (art. conforme disposição do art. 331203 do Código Comercial estabelecia o princípio da maioria. O Código Civil. e as explicitamente indicou no art. 15. assiste aos sócios que divergirem da alteração do contrato social a faculdade de se retirarem da sociedade. Vol.708 de 10 de janeiro de 1919. 1. Saraiva: São Paulo/2005. – Páginas 424 a 432 do Curso de Direito Comercial. “o rol do art. 5ª edição Renovar/2005.071. 7ª edição. 9ª edição. 204 roteiro de auLa Já aprendemos que antes do advento do novo Código Civil. ou melhor. 205 206 in manual de Direito comercial e de Empresa. obrigados às prestações correspondentes às quotas respectivas. o art. nos mais casos todos os negócios sociais serão decididos pelo voto da maioria. retirar-se da sociedade. Fábio ulhoa in curso de Direito comercial.430.I . a exigência de os sócios reuniremse em assembléia. pág. – Páginas 122 a 125 do Direito Societário. 1. onde está localizado o poder de deliberar.I .º 3. até à data do registro definitivo da modificação do estatuto social. Saraiva/2004. contudo.071 não é taxativo. desde logo. 15 do Decreto n. Há outras situações que. 1. sendo permitindo ao sócio que divergisse (da maioria). Sérgio Campinho. A reunião ou assembléia de sócios é o órgão máximo da sociedade. de tomar decisões. porém. igualmente.a maioria dos sócios não tem faculdade de entrar em operações diversas das convencionadas no contrato sem o consentimento unânime de todos os sócios. em atenção ao direito dos minoritários e com a possibilidade de abuso por parte do majoritário. Ricardo Negrão.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa AUlA 15: MECANISMOS DE fORMAÇÃO DA vONtADE SOCIAl E SUA fISCAlIZAÇÃO Nesta aula discutiremos a leitura do(s) seguinte(s) capítulo(s): – Páginas 368 a 371 do Manual de Direito Comercial e de Empresa. computado pela forma prescrita no artigo nº. especificamente.4ª edição. ou seja. “a vontade do sócio ou dos sócios titulares de mais da metade do capital social era suficiente para qualquer deliberação”204. saraiva: são paulo/2005. FGV DIREITO RIO 118 . é o cérebro da cOELHO. Ricardo Negrão. definiu a necessidade de se alcançar uma maioria qualificada para aprovação de diversas matérias e deliberação colegiada em reunião ou assembléia. em suma.070. Nas palavras do Prof. dependem de deliberação dos sócios. 486.370. na parte em que essas prestações forem necessárias para pagamento das obrigações contraídas. obtendo o reembolso da quantia correspondente ao seu capital. na proporção do último balanço aprovado. Renovar: Rio de Janeiro/2004. 7ª edição.708/1919205. vol. art. No tocante a disciplina das deliberações dos sócios. para eleger e fixar remuneração dos membros do conselho fiscal (art. Fábio Ulhoa Coelho. pelo Decreto nº 3. não foram mencionadas naquele dispositivo e que. as sociedades limitadas (então chamadas de sociedades por quotas de responsabilidade limitada) eram reguladas pelo Código Comercial e. Ficam. saraiva/2004. José Edwaldo Tavares Borba. ementário de temas – Assembléias e Reuniões – Conselho Fiscal 203 art. Leitura CompLementar – Páginas 242 a 255 de O Direito de Empresa à luz do Novo Código Civil. 331 .4ª edição.

As formalidades para a convocação213. assim. 210 in O Direito de Empresa à luz do novo código civil.154 do NCC.071 do Código Civil serão adotadas em reunião. Até então resta evidenciado que o mecanismo de deliberação social em assembléia é dotado de formalidade. 217 218 Op. Como adverte Modesto Carvalhosa.072.429. já que estas se aplicam apenas quando omisso o contrato social”218.073. a lei estabelece uma competência secundária. I e II do Código Civil. e não da data de sua realização. § 3º do Código Civil. trás como novidade o registro da ata dos trabalhos e deliberações em livro específico (Livro de Atas). 214 215 216 art. Contudo. ficam dispensadas se todos os sócios comparecerem ou se declararem cientes. §1º do código civil. devendo. 1. pág. não seria conveniente em virtude do maior formalismo. quorum de instalação. o Prof. em primeira convocação. in comentários ao código civil – parte Especial – Do Direito de Empresa – vol. como já tratado na aula 10. curso e registro de trabalhos. §3º do código civil. 1. pois. que deve ser obedecida por todos207. No tocante às regras formais pertinentes às assembléias serem aplicadas às reuniões. art. Assim não sendo. e com qualquer número em segunda.072. por escrito. no mesmo sentido: sérgio campinho. §2º do código civil. ser evitado pelas sociedades limitadas que. que irá gerar custo e risco de nulidade. As deliberações sociais podem ser alcançadas. 212 art. Na prática. 5ª edição Renovar/2005. art.078. poderá optar pela forma de assembléia para suas deliberações sociais. se o número de sócios for superior a 10 (dez)210. 208 209 art. juntamente com a ata215. 1. Ressalte-se que. portanto. nos casos específicos em lei208. que se contará o prazo prescricional de dois anos para se anular a aprovação do balanço patrimonial e o de resultado econômico previsto no parágrafo 4º do artigo 1. Sérgio Campinho211 leciona que esta “competência primária é conferida ao órgão de administração da sociedade. hora e ordem do dia214.077 do código civil. Uma vez aprovada determinada deliberação. convocação (competência e modo). também. A ata deve ser assinada pelos membros da mesa e pelos sócios participantes da assembléia. 213 art. é a partir daí. 1. como veremos a seguir. em sua maioria. data. 1. ser oposto a terceiro (artigo 1. FGV DIREITO RIO 119 . 207 art. 13.246. ele pode estabelecer regras próprias sobre a sua periodicidade. pode estabelecer regras diferentes das previstas na lei para a validade da assembléia dos sócios. conforme esteja previsto no contrato social. contudo. outro órgão ou pessoas à convocação do encontro de sócio”212. para Fábio ulhoa coelho. “é importante a apresentação da ata de assembléia ou reunião ordinária a arquivamento e averbação. A competência para a convocação de reunião ou assembléia é do administrador. em documento por escrito209. §1º do Código Civil. reunião ou assembléia deve ser convocada atendendo ao dispositivo do art. O art. §3º do código civil. que o ato sujeito a registro não pode. 1.075. a soma das vontades dos sócios torna-se uma única vontade – a vontade social. 211 para Ricardo negrão. mesmo a sociedade limitada constituída com menos de 10 (dez) sócios. como publicação em jornais. a convocação é dever legal do administrador que também pode ser realizada pelos sócios e pelo conselho fiscal (se houver).072. entretanto a lei prevê também a realização de reunião ou assembléia de sócios. legitimando.072. pág. A assembléia se instala com a presença de ¾ do capital social.cit. O Prof.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa sociedade. por unanimidade. Aos sócios dissidentes caberá o direito de recesso.152. §5º do código civil. poderão os sócios e o Conselho Fiscal – se tiver sido instalado – fazer a convocação para reunião ou assembléia na forma estabelecida pelo artigo 1. Assim. saraiva/2003. antes do cumprimento das respectivas formalidades. Fábio Ulhoa Coelho217 esclarece que “se o contrato social estabelece que as deliberações dos sócios sobre as matérias do art. 1.)”216. e encaminhada a registro nos 20 dias subseqüentes. 1.152. a competência dos sócios e do conselho fiscal é concorrente. Serão sempre em assembléia. do local. devendo o instrumento ser levado a registro. é de pequeno porte. sendo permitido ao sócio ser representado por outro sócio ou advogado com mandato específico. de forma excepcional. 1. 1. sendo certo. contudo.074 do código civil.

foi substituída por normas legais imperativas. Na prática. se o contrato não exigir maioria mais elevada. 2/3 do Capital Social: 67% do Capital Nomeação. pág. poderá se prever um prazo mais longo para o pagamento dos haveres. sua destituição e o modo de remuneração ½ +1 do Capital Social: 51% do Capital do(s) administrador(es) não feita em contrato. Com isso. com vistas às peculiaridades da sociedade e ao pólo a ser protegido (do majoritário ou do minoritário). 219 220 art. cessação do estado de liquidação. se o Conselho for instituído no Contrato Social. fusão. mas em ato separado. Esta “gigantesca revolução” recebeu duras críticas do Prof. denominada de reunião ou assembléia anual ordinária220. o controle da lei deve ser o limite. 1.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa Vimos. porque detentor da maioria do capital social. por exemplo: a) uma sociedade com poucos sócios e com grande concentração de capital nas mãos de apenas um. sendo interesse evitar um rápido e grande desfalque na sociedade. in Direito societário. e nunca para menor. Apesar da crítica. incorporação. 9ª edição. José Edwaldo Tavares Borba uma vez que. “a liberdade contratual. coarcta-se a autonomia da vontade. dissolução 3/4 do Capital Social: 75% do Capital da sociedade. ou. quebrando-se o principal mérito da sociedade limitada. pelo menos uma vez ao ano. Renovar: Rio de janeiro/2004. sendo interesse deixar ampla liberdade ao sócio controlador. como o prazo menor para o pagamento de apuração de haveres. que estabelecem maiorias especiais para diversas situações. os sócios poderão prever no contrato social quoruns mais específicos. FGV DIREITO RIO 120 . ou seja. que antes prevalecia. transformação societária não prevista no ato constitutivo. sendo somente possível modificá-los para maior.123. unanimidade: 100% do Capital Social alteração do Contrato Social. b) de outro lado. então. ½ +1 do Capital Social: 51% do Capital aprovação de contas da administração. representando os minoritários. não se prevendo nenhuma outra matéria exigindo um quorum qualificado para deliberar. estabelecer quorum superior ao montante de quotas do majoritário para o maior número de situações possível. Nomeação de administrador não sócio desde que o capital 2/3 do Capital Social: 67% do Capital já esteja integralizado. nos quatro meses seguintes ao término do exercício social. direito a eleição em separado de um integrante e seu 1/5 do Capital Social: 20% do Capital suplente no Conselho Fiscal. A nova sistemática introduzida pelo Código Civil de 2002 fará com que. que o Código Civil definiu a necessidade de se alcançar uma maioria qualificada para aprovação de diversas matérias. pois o que a lei estabeleceu foram os parâmetros mínimos de votos favoráveis.078 do cc. nomeação e ½ +1 dos presentes a convocação destituição dos liquidantes e o julgamento de suas contas. que era a flexibilidade normativa”219. destituição de sócio nomeado administrador no Contrato Social. aprovação do plano de recuperação judicial ou extrajudicial. quando o capital não tiver sido integralizado. os quoruns são necessários para as deliberações sociais. DElIbERAÇõES NO NOvO CóDIGO CIvIl Deliberação Quorum Necessário Para Aprovação unanimidade: 100% do Capital Social Nomeação de administrador não sócio. trata-se de norma imperativa. seja realizada uma reunião ou assembléia para aprovação das contas da administração e deliberação de demais assuntos.

ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa

Convém destacar que a sociedade limitada poderá ter órgãos para a administração da sociedade, como por exemplo, o Conselho de Administração e Diretoria, bem como comitês de assessoramento, financeiro e executivo. Além disso, nada impede que a sociedade limitada faça uso do acordo de quotistas231, adotando-se as regras do artigo 118 da Lei 6404/76. Confira-se o texto232: Acordo de Quotistas - Importante ferramenta empresarial O Acordo de Quotistas é um contrato particular efetivado entre os sócios de uma sociedade limitada, que estabelece normas de conduta, obrigações e responsabilidades na gestão societária, as quais deverão ser cumpridas por todos os contratantes. Sua legalidade funda-se na possibilidade conferida pelo art. 997 c.c. art. 1.054, ambos do Código Civil, aos sócios em constituir entre si regras especiais para a regência da sociedade limitada. Vejamos:
“Art. 997. A sociedade constitui-se mediante contrato escrito, particular ou público, que, além de cláusulas estipuladas pelas partes (...). (...). Art. 1.054. O contrato mencionará, no que couber, as indicações do art. 997, e, se for o caso, a firma social”. (grifamos).

Neste acordo, situações como os limites da administração, eleição de administrador, função de cada sócio e/ou administrador, forma de cessão de quotas, quorum de votação, procedimentos e forma de pagamentos das quotas em caso de exclusão, liquidação, morte e outros, serão detalhadamente definidos, facilitando a administração. Outra importante função deste Acordo é o fato dele tratar de especial ferramenta para Planejamento Sucessório, pois estabelece regras ditadas pelos interessados quanto a comunicabilidade de quotas e bens, o usufruto, a doação, o ingresso de herdeiros e sucessores, o conselho de administração, o conselho familiar, os casos de arbitragem e outros pontos que se fizerem necessários dependendo da característica empresarial e familiar. Conclui-se, portanto, que sua função principal é harmonizar as decisões sociais, dando uma maior tranqüilidade aos sócios, evitando desconfortos eventuais que possam surgir, enfim, assegura aos sócios e administradores maior segurança para administrar situações conflituosas de maneira lícita, bem como facilitar a sucessão patrimonial e o papel dos herdeiros na sociedade. No que se refere a validade do acordo de quotista, é importante ressaltar que os ajustes conveniados vinculam “os sócios signatários nas suas relações diretas e pessoais, porque não inválidos, podendo invocar suas disposições específicas uns contra outros [1]”. Porém, para que produzam efeitos perante terceiros, isto é, aqueles não firmaram o pacto separado, sócios ou não sócios, os ditos ajustes devem estar em total acordo com as disposições do contrato social (art. 997, parágrafo único, do Código Civil). Diante disso, é incontestável a importância do Acordo de Quotistas, bem como o Código Civil não mais deixa dúvidas sobre sua legalidade e validade ao prevê-lo expressamente em seu art. 997, parágrafo único, de aplicação ao regime das sociedades limitadas por força do art. 1.054 do mesmo diploma legal. [1]CAMPINHO, Sérgio. O direito de empresa à luz do novo Código Civil, 2ª edição, Renovar, Rio de Janeiro, 2003, p. 89.

O Enunciado de nº 384 elaborado durante a IV jornada de Direito civil traz uma interpretação sobre o uso do acordo de acionistas interessante para as holdings que são sociedades limitadas. Ele estabelece que “é admissível o acordo de sócios, por aplicação analógica das normas relativas às sociedades por ações pertinentes ao acordo de acionistas”.
231 232 http://www.flp. c o m . b r / n o t i c i a s _ zo o m . php?urlId=604acesso em 19 de janeiro de 2009, às 03:31horas.

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o Conselho fiscal na sociedade limitada Uma outra novidade prevista no Código Civil de 2002 é a possibilidade da sociedade limitada, por meio do contrato social, instituir um conselho fiscal. Explica-se esta faculdade das sociedades limitadas em virtude da grande maioria delas ser constituída de atividades de pequeno e médio, com um número reduzido de sócios e cuja administração é exercida por todos221 (ou quase todos). Uma vez estabelecido, o conselho fiscal deve funcionar de forma permanente, pois ou existe e funciona, ou, simplesmente não existe – diferente do que ocorre com a sociedade por ações222. Ele deve ser composto por três ou mais membros e respectivos suplentes, sócios ou não, residentes no Brasil223. O exercício do cargo é de um ano e em cada assembléia anual deverão ser escolhidos os membros do conselho fiscal e fixados seus honorários224. Os membros do conselho fiscal respondem solidariamente perante a sociedade e os terceiros prejudicados, por culpa no desempenho de suas funções. Seus deveres estão elencados no art. 1.069 do Código Civil. É vedado o exercício das funções de conselheiro, não podendo do Conselho fazer parte, àqueles listados no art. 1.066 §1º do Código Civil225. No intuito de esclarecer o porquê do membro da administração da sociedade ou de controlada por ela, não poder fazer do conselho fiscal, o Prof. Ricardo Negrão explica que “o conselho fiscal é órgão que deve manter-se independente da administração que fiscaliza, daí a razão pela qual os membros da administração não podem participar desses atos, sob pena de se confundirem numa só pessoa sua, execução e fiscalização, tornando-se órgão meramente referendário e, portanto, dispensável”.

221 n.a. como a finalidade básica do conselho fiscal é fiscalizar a administração, seria incompatível sua existência numa sociedade onde todos os sócios são administradores.

Caso gerador Igor Mosso, Izan, Orlando e Camila e mais dez pessoas são sócias de uma sociedade limitada, cujo objeto é a reparação de aeronaves. Igor, além de ser administrador da sociedade, cuidando de todos os negócios, especialmente a importação das peças de reposição, é detentor de 52% do capital social. Os sócios Izan, Orlando e Camila estão preocupados porque desde a entrada em vigor do Código Civil de 2002, a sociedade não promoveu a alteração do seu contrato social, tampouco realizou as reuniões anuais para aprovação das contas da administração. Esses sócios justificam sua preocupação no fato de que todas as vezes que foram tratar do assunto com Igor, esse alega que tudo está perfeito, e ainda lhes lembra que compete a ele deliberar sobre as contas e adotar as providências societárias, por ser ele o majoritário. Qual é o seu parecer?

Lei 6.404/1969. art. 161. a companhia terá um conselho fiscal e o estatuto disporá sobre seu funcionamento, de modo permanente ou nos exercícios sociais em que for instalado a pedido de acionistas.
222 223 224 225

art. 1.066 do código civil. art. 1.068 do código civil.

JurisprudênCia A legitimidade para convocação de reunião ou assembléia, foi objeto de decisão do STJ no Recurso Especial nº 493.297/SP (abaixo), que reconheceu a validade de reunião convocada por sócio de sociedade limitada detentor de 50% do capital social. Embora a

art. 1.011, §1º. “além das pessoas impedidas por lei especial, os condenados a pena que vede, ainda que temporariamente, o acesso a cargos públicos; ou por crime falimentar, de prevaricação, peita ou suborno, concussão, peculato; ou contra a economia popular, contra o sistema financeiro nacional, contra as normas de defesa da concorrência, contra as relações de consumo, a fé pública ou a propriedade, enquanto perdurarem os efeitos da condenação”. art. 1.066, §1º. “...os membros dos demais órgãos da sociedade ou de outra por ela controlada, os empregados de quaisquer delas ou dos respectivos administradores, o cônjuge ou parente destes até o terceiro grau”.

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decisão seja fundamentada no Decreto n.º 3.708/1919, o acórdão menciona o artigo 1.073, I do Código Civil de 2002. SOCIEDADE DE RESPONSABILIDADE LIMITADA. ASSEMBLÉIA. CONVOCAÇÃO. Legalidade da convocação feita por sócio titular de 50% do capital social, mediante notificação com dez dias de antecedência, para assembléia a se realizar na sede de uma das empresas coligadas. Recurso não conhecido. (REsp 493.297/SP, Rel. MIN. RUY ROSADO DE AGUIAR, QUARTA TURMA, julgado em 24.06.2003, DJ 01.09.2003 p. 298). O inteiro teor do acórdão referente ao REsp 493.297/SP segue transcrito com destaque nos trechos mais importantes : RELATÓRIO O MINISTRO RUY ROSADO DE AGUIAR: Gonzallo Gallardo Diaz agravou da r. decisão que, nos autos da ação cautelar ajuizada por Juan José Campos Alonso e José Paz Vasquez, deferiu liminar impedindo o agravante de convocar reuniões extraordinárias de sociedade limitada para resolução de assuntos do interesse da sociedade empresarial. A egrégia Terceira Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça de São Paulo deu provimento ao agravo, nos termos da seguinte ementa: “Sociedade Limitada. No silêncio do contrato e do Decreto-Lei 3708⁄1919, admite-se a iniciativa do sócio detentor de 50% do capital social para a convocação de reunião ou assembléia de sócios (como já autorizado no novo Código Civil, art. 1.073, I), por se tratar de proposição do interesse da sobrevida da sociedade comprometida pela ruptura da affectio societatis. Não incidência da Lei 6404⁄76. Provimento para cassar a decisão que suspendeu a convocação” (fl. 379).” Rejeitados os embargos declaratórios, os agravados interpuseram recurso especial (art. 105, III, a, da CF), alegando violação aos arts. 18 do Decreto-Lei 3708⁄19; 128 do CPC; 123, 124, caput e parágrafos 1º e 2º, e 243 da Lei 6404⁄76. Sustentam irregularidades e, conseqüentemente ilegalidades quanto: a) à competência para a convocação da reunião extraordinária; b) ao local escolhido para a realização da reunião; c) à ausência de publicação de anúncio, bem como de tratar-se ou não de primeira ou segunda convocação. Alegam que o v. acórdão, ao conceder direito ao recorrido de realizar reunião, desrespeitou os limites da lide, “pois como efeito da cassação da medida liminar, bastaria a declaração de que o ora recorrido poderia realizar nova notificação extrajudicial, sem a observância das formalidades previstas pela Lei das S⁄As, amparado na decisão provisoriamente favorável ao então agravante, cabendo a este, logicamente, providenciar a devida notificação extrajudicial”. Dizem que “a determinação legal de aplicabilidade subsidiária das normas da sociedade anônima para suprir as omissões do capítulo das limitadas afasta inteiramente a aplicação das normas da sociedade simples, conferindo um mínimo de garantia aos direitos dos sócios”. Pedem a reforma do v. aresto recorrido para que seja restabelecida a liminar. Admitido o recurso, com as contra-razões, vieram-me os autos. É o relatório.
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ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa VOTO O MINISTRO RUY ROSADO DE AGUIAR (Relator): 1. acórdão acentuou a existência do direito do sócio minoritário de convocar a assembléia. Saraiva. p. volume 2. depois de analisar o silêncio do Decreto nº 3708⁄1919. e na parte aplicável. Saraiva. Essa reunião ou assembléia não se reveste da solenidade das assembléias anônimas. quem delibera. O sócio que contribui com mais da metade do capital social. 13). A regra do art. Tocante ao local escolhido para a realização da assembléia. quando divergentes os sócios majoritários”. o r. sobre a competência para a convocação de assembléia geral. próprias das sociedades por ações. a respeito do exercício da gerência. com sua vontade ou entendimento. portanto. o tema relacionado com a disposição contratual. O primeiro argumento exposto pelos recorrentes reside na ofensa ao art. A falta de publicação de anúncio não é causa a justificar o conhecimento e o provimento do recurso. 123 da Lei das S⁄A. delibera sozinho. não podem ser inteiramente obedecidas no caso dos autos. sem o requinte da intensa publicidade que se exige nas anônimas. 1987. É preciso regular os atos da sociedade de forma simples e segura. Observo que sobre isso foi invocado julgamento anterior do mesmo Tribunal. a solução decorreu do exame da matéria de fato.Estudo comparativo. a despeito de sua pequena participação societária. 18 do Dec. 2001. mas deve realizar-se para FGV DIREITO RIO 124 .como expressão substancial e não formal de deliberação coletiva . Isto porque o direito de participação do sócio na sociedade é correspondente ao seu capital social ou mede-se o seu poder de acordo com o grau de seu investimento”. Julgou-se suficiente a prévia convocação. Confira-se a posição de Egberto Lacerda Teixeira (Sociedades Limitadas e Anônimas no Brasileiro . numa sociedade em que os outros dois sócios têm 45% cada. 2. 243 da Lei das S⁄A não foi pré-questionada. o que justificava a indicação do endereço de uma delas. nem todos têm condições de influir. neste sentido. Transcrevo do bem lançado voto do Dr. Nesse ponto. 3708⁄19. embora os sócios devam ser consultados nas decisões mais importantes da sociedade. 391). com o prazo razoável de dez dias úteis. sobre a existência de um grupo de empresas coligadas. acerca do processo de convocação: “A reunião ou assembléia de quotistas . No que diz com a alegada violação ao art. o que não se justificava no caso dos autos. 416): “A extensão do direito de participar das deliberações sociais é proporcionar à quota do sócio no capital social. p. que se divorciam apenas na personificação legal” (fl. Enio Zuliani: “Excesso de formalismo poderá colocar em risco a dinâmica empresarial e comprometer a organização administrativa. no conteúdo destas. considerando a negativa a tal direito uma indevida restrição ao sócio detentor de 50% das quotas. 4. Desse modo. 3. uma vez que desatendida a sua determinação de aplicar as disposições da Lei 6404⁄76 no que não foi regulado pelo estatuto social. Aquele que titulariza um décimo das quotas. Ocorre que o r. em caso de divergência entre estes últimos. terá a incumbência do desempate. Ed. pelas razões expostas.é indispensável na vida das sociedades limitadas. uma vez que o rigorismo formal contido no ensinamento transcrito nas razões é apropriado para as sociedades anônimas. não pode ser aqui revisto. Ed. É o que afirma Fábio Ulhoa Coelho (Curso de Direito Comercial. reconhecendo que as empresas “são almas gêmeas. é ele. acórdão recorrido bem explicou as razões pelas quais a formalidade para as decisões assembleares.

na conformidade dos votos e das notas taquigráficas a seguir. relatados e discutidos estes autos. Ministros Fernando Gonçalves. para habilitar sócio a convocar reunião. E a reunião convocada é de vital importância para o destino e preservação da sociedade. eleição de gerentes etc. da Lei 6404⁄76. o necessário prequestionamento. A regra supletiva do art. O art. ocasionalmente. que nos dias atuais há vultosos interesses envolvidos nas sociedades limitadas. AÇÃO CAUTELAR E ORDINÁRIA DE IMISSÃO NA POSSE DE LIQUIDANTE DA EMPRESA. declaração de dividendos. 124. 160)” (fls. pois. Ausente. A reunião deve realizar-se na sede da sociedade. ACÓRDÃO Vistos. das pequenas sociedades limitadas do seu tempo. todavia. Daí a necessidade de disciplinar o modo de realização de reuniões coletivas (ainda que para assinatura de instrumentos de alteração do contrato social) de modo a resguardar os interesses dos sócios. correção monetária do capital realizado. exatamente porque a alteração do contrato de sociedade de responsabilidade limitada pode ser feita. não conhecer do recurso. O silêncio do Decreto nº 3708⁄19 talvez se explique pelo caráter fechado. Os Srs. Sálvio de Figueiredo Teixeira e Cesar Asfor Rocha votaram com o Sr. A convocação se fez de forma regular e da deliberação poderá resultar a alteração do contrato social por decisão majoritária.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa apreciação dos atos fundamentais da vida social. Saraiva.213-4). Brasília (DF). de modo que não seria lógico exigir. FGV DIREITO RIO 125 . A affectio societatis é um estado comprometido e a prova maior da divergência reside na notificação anterior para exercício de preferência (mantida pelo julgamento do AgIn. acordam os Ministros da QUARTA TURMA do Superior Tribunal de Justiça. p. Ministro-Relator. o Sr. obviamente. opostos para outro fim. Aldir Passarinho Junior. 128 do CPC não foi examinado no julgamento da apelação. 387⁄391). Ministro-Relator. pela vontade de sócios. Ed. Incide a Súmula 7⁄STJ. com presença de expressivos contingentes minoritários que não podem ficar à mercê do capricho das maiorias ou dos administradores. deve orientar-se nesse particular: oito dias de antecedência na primeira convocação e cinco dias na segunda. São Paulo. p. consentimento dos demais. que representem a maioria do capital social (Sylvio Marcondes Machado. Ministro Barros Monteiro. Ocorre. conforme admite Rubens Requião em parecer publicado na obra ‘Aspectos Modernos de Direito Comercial’. 232. particularmente os relativos à discussão e aprovação do balanço. § 1º. 24 de junho de 2003(Data do Julgamento). nos termos do voto do Sr. por unanimidade. É o voto. 1977. 309. QUOTAS DE SOCIEDADE LIMITADA. 5. Ensaio sobre a sociedade de responsabilidade limitada. 1940. se outro local não for designado contratualmente. Dispensa-se.” O agravante declinou os assuntos em pauta e os contratos sociais não descredenciam sua iniciativa. íntimo. DISSOLUÇÃO DE SOCIEDADE. o requisito da convocação por editais publicados na imprensa oficial e diária. Faltou. com razoável antecedência. nem objeto dos embargos de declaração. mas reforça-se a conveniência do aviso pessoal dirigido ao endereço registrado do sócio.

d) A unanimidade dos votos dos cotistas integrantes do Capital Social. julgue os itens que se seguem. deixando de comunicar a realização do ato e de oportunizar aos minoritários o direito de preferência na aquisição nas cotas remanescentes. 45. DIREITO COMERCIAL. b) A maioria dos votos dos presentes à Assembléia Geral.DIREITO COMERCIAL. pelo menos trimestralmente. Falta de interesse recursal. Tribunal de Justiça do RS. É dever dos membros do conselho fiscal examinar. c) O uso da firma ou denominação social é privativa dos administradores que tenham os necessários poderes. PROVA DO CONCURSO PARA JUIZ DO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SERGIPE (01/02/04). o estado do caixa da sociedade. Questões de ConCursos 28º EXAME DE ORDEM. APELAÇÃO NÃO CONHECIDA. 1. Uma sociedade pode ter ou não conselho fiscal. SEÇÃO DE SÃO PAULO . bem como dos sócios titulares da maioria das quotas que compõem o capital social. No referente a esse conselho. Julgado em 25/11/2004). PROVA OBJETIVA . c) Os votos correspondentes a 3/4 (três quartos) do Capital Social.PROVA 1ª FASE . (CORRETA) 2. Uma inovação trazida pelo Código Civil para as sociedades limitadas foi a previsão de constituição de conselho fiscal. 127º EXAME DE ORDEM. (Apelação Cível Nº 70007326689. grifamos. d) A existência de conselho fiscal é facultativo nas sociedades empresárias e obrigatória nas sociedades por ações de capital aberto.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa É de todo irregular a convocação apenas dos sócios majoritários para Assembléia que decide a dissolução da sociedade por quotas.TIPO 2. a) A destituição do administrador de sociedade empresária exige a deliberação de sócios cujos votos representem mais da metade do capital social.1ª FASE. Quinta Câmara Cível. 39 . Liminar de imissão de posse indeferida. conforme defina o contrato social. FGV DIREITO RIO 126 . confirmada em sede de agravo. SEÇÃO DO RIO DE JANEIRO . b) É livre a cessão de quotas de capital se não houver oposição de titulares de mais de ¼ (um quarto) do capital social.Na modificação de um contrato social de uma sociedade limitada. Assinale a afirmativa INCORRETA. 69. Relator: Ana Maria Nedel Scalzilli. a lei exige como “quorum” mínimo para que a deliberação dos sócios seja tomada: a) Os votos correspondentes a mais da metade do Capital Social.

nomeação dos gerentes e prestação de contas destes. b) o contrato social não pode conter previsão admitindo a administração da sociedade por aquele que dela não seja sócio.EXAME DE ORDEM . c) é oponível a terceiros na data da averbação do instrumento correspondente.EXAME DE ORDEM . desde que não houvesse oposição de titulares de mais de um quarto do capital social.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa PROVA DO CONCURSO PARA JUIZ DO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO PARANÁ (2003). supridas pela Lei das Sociedades por Ações. PROVA OAB/RJ . a sociedade poderá continuar suas atividades sob sua firma original. Após algum tempo. c) as omissões do contrato social são. Com relação a essa situação hipotética. 2. poderia fazê-lo. sob a firma social Silva & Souza Comércio de Bebidas Limitada. assinale a opção correta. c) Após a alienação das quotas de Alberto.MARÇO/2005 12ª Questão: Nas sociedades limitadas: a) o sócio pode integralizar as cotas que subscrever prestando serviços à sociedade. PROVA OAB/BR .EXAME DE ORDEM . para aquelas que se beneficiem de tratamento tributário favorecido para micro e pequenas empresas. FGV DIREITO RIO 127 . Alberto só poderá ceder suas quotas a Carlos se João não se opuser.ABRIL/2007 32º EXAME DE ORDEM RJ 87ª Questão: Na omissão do contrato social. a) A cessão das quotas de Alberto opera efeitos perante terceiros desde o momento em que for aperfeiçoada. PROVA OAB/MG . independentemente de averbação no respectivo órgão de registro. Alberto resolveu alienar suas quotas a Carlos. b) Caso Alberto tivesse optado por ceder suas quotas a terceiro estranho à sociedade. O contrato social é omisso sobre essa hipótese.AGOSTO/2007 86ª Questão: Os irmãos João Silva e Carlos Silva constituíram sociedade limitada com Alberto Souza. somente nas hipóteses de que a sociedade deva deliberar sobre a aprovação das contas dos administradores. b) é eficaz quanto à sociedade na data da celebração do contrato de cessão. para modificar o contrato social. se o número de sócios for superior a dez. d) De acordo com o Código Civil. e sair da sociedade. de acordo com o Código Civil. 3. 4. d) só é válida se for assegurada aos demais sócios a preferência de adquirir as quotas em idênticas condições às oferecidas pelo sócio adquirente. a deliberação dos sócios em assembléia é obrigatória 1. desde que firmada por todos os sócios. a cessão de quotas da sociedade limitada de um sócio para outro sócio da mesma sociedade a) depende da audiência prévia dos demais sócios para se aperfeiçoar. em regra. Nas sociedades limitadas.

quanto por previsão do contrato social.2ª FASE. c) A sociedade pode ser administrada por uma ou mais pessoas designadas no contrato social.EXAME DE ORDEM . PROVA OAB/RS . o sócio pode ceder sua quota.Nos termos do Novo Código Civil.DIREITO COMERCIAL. a qualquer pessoa. o conselho fiscal é órgão obrigatório na sociedade limitada? Justifique a resposta. total ou parcialmente.AGOSTO/2006 19ª Questão: Sobre as sociedades empresárias que adotam a forma societária de uma limitada. As deliberações infringentes do contrato social ou da lei tornam ilimitada a responsabilidade dos sócios que expressamente as aprovaram. independentemente de audiência dos outros sócios. tanto por decisão da assembléia. 3 . d) O Código Civil veda a instituição de conselho fiscal nas sociedades limitadas. b) Na omissão do contrato social. SEÇÃO DO RIO DE JANEIRO . a) A aprovação das contas da administração depende da deliberação dos sócios em reunião ou assembléia. PROVA DISCURSIVA . necessariamente sócios.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa d) não é obrigatória a constituição de conselho fiscal. assinale a assertiva correta. 23º EXAME DE ORDEM. Poderá ser instituído. FGV DIREITO RIO 128 . se essa for a vontade dos sócios.

quando a maioria dos outros sócios assim decidir. Ricardo Negrão.) de O Direito de Empresa à luz do Novo Código Civil. São Paulo/2003. – Páginas 71 a 76 (apuração de haveres) e 130 a 131(direito de recesso) do Direito Societário. – Direito de recesso. pg. este “direito é inerente à titularidade de quotas sociais. Gladston in Direito societário: sociedades simples e Empresária. atlas. 226 227 mamEDE. 5ª edição. pois apresenta um conflito de perspectivas relevantes para o Direito: de um lado temos os direitos e interesses da coletividade que poderão ser prejudicados pela descapitalização decorrente da liquidação cOELHO. Portanto. Saraiva. são paulo/2004. o sócio só poderá ser excluído por via judicial em decorrência da prática de atos de inegável gravidade para com a sociedade e. – Páginas 438 a 439 (credores do sócio e patrimônio social) e 492 a 497 (recesso do sócio e cessão de quotas) do Curso de Direito Comercial vol I. 25ª edição. APURAÇÃO DE hAvERES. FGV DIREITO RIO 129 . Caso contrário. Sérgio Campinho. vimos que a exclusão de sócio por decisão dos demais sócios. Renovar/2004. são paulo/2004. 02. 8ª edição..155. 9ª edição. O direito de retirada é um “tema juridicamente tormentoso”227. ementário de temas: – Princípio constitucional da livre associação. nesta auLa disCutiremos a Leitura do(s) seguinte(s) CapÍtuLo(s): – Páginas 314 a 315 (Simples) e 377 a 378 (Ltda) do Manual de Direito Comercial e de Empresa. Fábio ulhoa in curso de Direito comercial vol. – Forma de apuração dos haveres: balanço de determinação (jurisprudência e artigos do Código Civil). a retirada é uma forma de dissolução parcial do vínculo societário. Rubens Requião. denominado também de recesso ou dissidência”226.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa AUlA 16: DIREItO DE REtIRADA. – Sociedade por prazo determinado e Sociedade por prazo indeterminado. todo sócio que não tem mais a vontade de continuar na sociedade poderá retirar-se dela. Saraiva: São Paulo/2005. pg. Renovar/2005. somente é possível se prevista contratualmente a “justa causa”. roteiro de auLa: Analogamente à exclusão de sócio. representando a maioria do capital social. bAlANÇO DE DEtERMINAÇÃO Na aula passada. José Edwaldo Tavares Borba. Leitura CompLementar. – Páginas 119 a 121(apuração dos haveres da Simples) e 203 a 206 (Ltda) e 216 a 221(apuração dos haveres da Ltda. saraiva.434.

Neste sentido. à segurança e à propriedade. 136 dá ao acionista dissidente o direito de retirar-se da companhia.. estão os direitos e interesses do sócio. o sócio dissidente informará aos demais sócio sua vontade de retirar-se da sociedade. art.pg 205. de 2001) a) liquidez. não terá direito de retirada o titular de ação de espécie ou classe que tenha liquidez e dispersão no mercado. 136. O aspecto positivo do art. por aquele que votou contra a operação e foi vencido. Este dispositivo vai de encontro ao que se defende na doutrina. sérgio in O Direito de Empresa à luz do novo código civil. o que pode comprometer o desenvolvimento das suas atividades (função social da empresa). campInHO. que goza da proteção constitucional referente à liberdade de associação prevista no art. à igualdade. Portanto. não implicando tal fato em dissolução da sociedade. 231 232 art. não havendo acordo.029 (quando a sociedade for contratada por prazo indeterminado) – retirada imotivada. (Incluído pela Lei nº 9. observadas as seguintes normas: (Redação dada pela Lei nº 10. quando a espécie ou classe de ação. 1. n. bastando ao minoritário a resignação com as decisões ou então o exercício do direito de recesso. A retirada do sócio pode ocorrer em diversas situações. de 2001) I . Nas deliberações sociais da sociedade. será permitida a utilização do disposto no art. por exemplo. ao estabelecer distinção do direito de recesso para o caso da sociedade contratada por prazo determinado e para o caso da sociedade contratada por prazo indeterminado. definido pela comissão de Valores mobiliários. ao retirar-se. como tal. 137233)”. a aprovação das matérias previstas nos incisos I a VI e IX do art. neste caso. os direitos e interesses da minoria vencida. com antecedência mínima de 60 dias231. e (Redação dada pela Lei nº 10. 1. a lei limita as hipóteses de recesso232 (Lei 6.404/76. 45). o sócio que se obrigou a permanecer na sociedade por tempo determinado. Em havendo o reconhecimento judicial de uma “justa causa” (denúncia motivada). serão protegidos pela regra do art. 1.303. no Brasil ou no exterior.. ou certificado que a represente.. obriga os signatários229 a honrarem com as cláusulas que foram livremente pactuadas entre eles. de 1997) II .) XX . XX da Constituição da República228. o sócio não poderá se desvincular sem a concordância dos demais sócios. garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no país a inviolabilidade do direito à vida. a retirada do sócio pode ser obtida em Juízo.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa das quotas do sócio retirante.. de 2001) b) dispersão. que prevê apenas a saída do sócio da sociedade.303. o sócio terá apurado seus haveres. deve haver um consenso entre sócio retirante e sócios remanescentes no tocante a apuração de haveres e outros valores. Aprendemos que o contrato social é um negócio jurídico e. A natureza capitalista da sociedade de intuito per capitae relega a figura do sócio a um plano secundário. por outro lado. 1. esforçar-se para alienar suas quotas e não se retirar. pois o direito de retirada deve ser a exceção para evitar a “indústria do recesso”. “sendo levada em consideração para sua criação e funcionamento a capacidade de contribuições dos sócios para a formação do capital social. Nas sociedades por prazo indeterminado.077 do Código Civil prevê a possibilidade de retirada de forma ampla. 1. dando a entender. 137. 1. sem distinção de qualquer natureza. caso o sócio não pretenda continuar na sociedade poderá alienar suas quotas (a cessão de quotas é livre). na deliberação social que aprovou a modificação do contrato social.nos casos dos incisos I e II do art.nos casos dos incisos IV e V do art. Através de uma notificação230 (judicial ou extrajudicial) aos demais sócios. O art. se tratar de qualquer modificação do contrato social. mediante reembolso do valor das suas ações (art. variando de acordo com a duração da sociedade conforme dispõe o art.077 do Código Civil está em reconhecer o direito de recesso do minoritário (ou da minoria). A outra possibilidade do exercício do direito de retirada tem por base o princípio da maioria. Em se tratando de sociedade de capitais. com a apuração dos haveres e de outros direitos previstos no contrato social.. 5ª edição. 136. 5º Todos são iguais perante a lei. nos termos seguintes: (. somente terá direito de retirada o titular de ações de espécie ou classe prejudicadas.029 do Código Civil. Assim. deve adimplir tal ajuste. art. à liberdade. em regra. o sócio retirante deverá ajuizar ação para aquele fim. Em caso de divergência. onde vige o princípio de que ninguém é obrigado a ficar preso a uma sociedade por toda a sua vida.457. 219 do código civil. integre índice geral representativo de carteira de valores mobiliários admitido à negociação no mercado de valores mobiliários. 5º. 229 230 art. Via de conseqüência. Renovar/2005. considerando-se haver: (Redação dada pela Lei nº 10. a sociedade controladora ou outras sociedades sob seu controle detiverem menos da metade 233 FGV DIREITO RIO 130 . 228 art.029 do código civil.303.a. o direito de retirada é corolário da natureza contratual das sociedades.ninguém poderá ser compelido a associar-se ou a permanecer associado. Se a sociedade for de prazo determinado. a maioria comandará quais decisões serão tomadas (princípio da maioria – participação societária com direito de voto). após a notificação.077. o sócio descontente com a deliberação deve. quando o acionista controlador. enquanto não vencido o prazo fixado para a duração da sociedade (denúncia imotivada). ocasionando desencaixe financeiro para a sociedade.

ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa Assim. porque foi expulso ou porque ele se retirou. mantendo íntegro o capital social. mamEDE.000.000.00.o pagamento do reembolso somente poderá ser exigido após a observância do disposto no § 3o e.303. a “briga” ficará em torno da apuração dos haveres. de 2001) IV . faz-se necessária a apuração dos seus haveres.o reembolso da ação deve ser reclamado à companhia no prazo de 30 (trinta) dias contado da publicação da ata da assembléia-geral. serão necessários dois procedimentos: a determinação do patrimônio da sociedade e a definição do quinhão correspondente a cada um dos sócios. quanto deve valer? É quase impossível de se mensurar pois. o sócio dissidente poderá exercer o direito de recesso nos trinta dias subseqüentes à reunião que deliberou sobre a modificação do contrato social. somente haverá direito de retirada se a cisão implicar: (Redação dada pela Lei nº 10. se for o caso. levando-se em consideração os valores prováveis de liquidação dos bens componentes do patrimônio da sociedade à data da resolução234. O sócio que saiu vai dizer que quer receber R$ 100.303. traduzindo o valor real de quanto “vale” a participação societária no mercado. Neste caso. não há escrituração do valor que se aproxime à realidade. Com a retirada do sócio – motivada. a discussão se dará em torno da APURAÇÃO DE HAVERES. esta verificação física e contábil. 1031 do Código Civil. (Redação dada pela Lei nº 10. mas somente do vínculo de um dos sócios. da espécie ou classe de ação. salvo quando o patrimônio cindido for vertido para sociedade cuja atividade preponderante coincida com a decorrente do objeto social da sociedade cindida.. prioritariamente. KNOW-HOW. De acordo com o art. Uma vez definido o valor a ser recebido a título de apuração dos haveres. a estipulação contratual não é intocável. ESTRATÉGICA. como já estudamos. 234 neste sentido. os demais sócios poderão adquirir ou alienar aquelas quotas. na dissolução surge um novo órgão. Todos esses itens são extremamente valiosos.303.303. imotivada ou exclusão. de 2001). de 2001) a) mudança do objeto social. (Redação dada pela Lei nº 10. LOGÍSTICA. Pode-se dizer que o balanço contábil “ficou para trás” no âmbito empresarial porque não contempla a MARCA. atlas. (Incluída pela Lei nº 10. Exemplo: um site como o “GOOGLE”. A apuração de haveres diferencia-se da liquidação por se tratar da dissolução do vínculo de um sócio em relação à sociedade. Entretanto. Diante dessa situação. RH.no caso do inciso IX do art. de 2001) VI . enquanto na apuração de haveres a relação se desenvolve entre o sócio e a sociedade. deverá conter todos os direitos e deveres que “comportem expressão pecuniária”235. a regra para a apuração de haveres é a de que seja realizado um balanço especial de determinação – também chamado de “balanço empresarial”. 136. O balanço empresarial e o contábil possuem discrepâncias. Realizado o pagamento ao ex-sócio. Porém. 235 FGV DIREITO RIO 131 . Nesse contexto. em outras palavras. ou seja. da ratificação da deliberação pela assembléia-geral. Mas. o sócio fará jus à liquidação da sua quota (ou quotas). Além disso. a apuração do valor das quotas do sócio retirante se faz.031 do Código Civil. o liquidante. Toda vez que um sócio sai da sociedade. salvo disposição em contrário do contrato social. por se tratar de direito inerente à condição de sócio. 136. contabilmente.303.. pg. pois não mais existe a contribuição que justificava a existência das quotas. em princípio deve ser operada a redução do capital social na proporção das quotas que ele possuía. motivado o Judiciário. de 2001) V . na forma prevista no contrato social. haja vista a livre manifestação da vontade das partes. não há dissolução da sociedade. o Enunciado da súmula nº 265 do supremo Tribunal Federal estabelece que “na apuração de haveres não prevalece o balanço não aprovado pelo sócio falecido. onde poucas pessoas trabalham.166. Normalmente a discrepância é de 80% a 90% porque a sociedade vai querer pagar com base no balanço contábil e o sócio vai querer receber com base no balanço empresarial.303. excluído ou que se retirou”. de 2001) b) redução do dividendo obrigatório.00 e a sociedade vai dizer que pagará R$ 10. § 1o) será contado da publicação da respectiva ata. de 2001) III . ou (Incluída pela Lei nº 10. estabelece que o mesmo deve ser pago no prazo de 90 dias contados da liquidação da quota.o prazo para o dissidente de deliberação de assembléia especial (art. 1. Gladston in Direito societário: sociedades simples e Empresária.303. para tanto. seja porque ele é remisso. quando há realmente a possibilidade do exercício do direito de recesso. são paulo/2004. (Incluída pela Lei nº 10. ferindo a garantia constitucional do direito à propriedade. (Redação dada pela Lei nº 10. (Incluído pela Lei nº 10. deverá determinar a aplicação da regra geral com a apuração dos haveres verificada através de um “balanço especialmente levantado”.. mantendo-se a sociedade. para se chegar ao quinhão do sócio que se retirou. de 2001) c) participação em grupo de sociedades.303.. podendo ser objeto de impugnação quando demonstrada a sua ilicitude ou abusividade. o parágrafo segundo do art.

708/1919.Quando o sócio exerce o direito de retirada de sociedade limitada por tempo indeterminado. e na presente demanda.A data-base para apuração dos haveres coincide com o momento em que o sócio manifestar vontade de se retirar da sociedade limitada estabelecida por tempo indeterminado. DECRETO N. I. 324) – grifamos. 15. DJ 14. Afastado o sócio minoritário por desavenças com os demais. ART. incluído o fundo de comércio. . portanto. Pergunta-se: a) Sabendo que a sociedade foi contratada por prazo indeterminado. Ari resolve retira-se da sociedade. PREQUESTIONAMENTO DEFICIENTE. REPDJ 08.2005. RECURSO ESPECIAL. 303) – grifamos. Ari poderá exercer o direito de retirada? b) Havendo anuência dos sócios para a cessão das quotas de Ari. com base no último balanço patrimonial aprovado antes da ruptura social. DISSOLUÇÃO PARCIAL DE SOCIEDADE LIMITADA POR TEMPO INDETERMINADO. Rel. Recurso especial não conhecido.2005. FGV DIREITO RIO 132 . discute-se o critério de apuração dos seus haveres. gerando. Ministro HUMBERTO GOMES DE BARROS. apenas apreciando-se tal tema desfavoravelmente ao mesmo. MOMENTO. p/ Acórdão Ministra NANCY ANDRIGHI. a questão se modifica? c) E se fosse uma sociedade contratada por prazo determinado de 80 (oitenta) anos? JurisprudênCia: COMERCIAL E PROCESSUAL CIVIL. e não. a sentença apenas declara a dissolução parcial. Dissídio não configurado. Recurso especial conhecido e provido. V. julgado em 19. 3. TERCEIRA TURMA.2005 p. (REsp 130. COISA JULGADA NÃO IDENTIFICADA. II. III.221/PR. Rel. exclusivamente. Ari Mendes e seus 03 irmãos são sócios da Pizzaria MASSAS E COMESTÍVEIS LTDA.05. julgado em 18.617/AM. Cada sócio é detentor de 25% do capital social que já se encontra integralizado.2005 p. .2005 p. Ministro ALDIR PASSARINHO JUNIOR.04. Apavorado com a violência do Rio de Janeiro. AÇÃO DE APURAÇÃO DE HAVERES.10. APURAÇÃO DE HAVERES. Deficiência de prequestionamento a impedir o exame do especial em toda a sua extensão. DJ 30. 373. (REsp 646.08.11.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa Caso gerador. Não se configura coisa julgada se na ação anterior o sócio excluído buscava a anulação do ato que o excluiu. tornado irreversível o seu afastamento da sociedade. EXEGESE. QUARTA TURMA. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL NÃO CARACTERIZADA. DIREITO SOCIETÁRIO. CRITÉRIO DE LEVANTAMENTO PATRIMONIAL. RETIRADA DO SÓCIO. efeitos ex tunc. IV. Rel. admite-se que a apuração dos haveres se faça pelo levantamento concreto do patrimônio empresarial.

pois. Acórdão que afirma serem inconfundíveis a pessoa do sócio e sociedade por ele integrada. DJ 09. II . Balanço de Determinação STJ – INFO 176 SOCIEDADE COMERCIAL. sob o fundamento de que todos seus sócios cotistas integraram o processo alcançou.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa PROCESSUAL – EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA – SÓCIO – SOCIEDADE .777-DF). (EREsp 332. FGV DIREITO RIO 133 .2003. Decisão. uma vez que cabe ao juiz encontrar a justa partilha a cada um dos sócios de acordo com suas quotas. pois se trata de simples providência. em 1999.650/RJ. no caso há uma demora na realização dos atos judiciais de avaliação. dentre outras. O acórdão recorrido entendeu que houve violação ao disposto no art. julgado em 07. PAGAMENTO DE HAVERES. CONTAGEM. Precedente da Corte Especial (ERESP 404. Rel.2003 p. Rel. 471 do CPC. definindo que seria realizado balanço com a realidade da empresa em 31/12/1990 (último balanço antes da retirada) e a apuração do fundo de comércio pela média dos últimos oito anos (1991 a 1998). APURAÇÃO DOS HAVERES.2003 p.05. DISSOLUÇÃO. levando em conta.2003. A Turma proveu o REsp para restabelecer a decisão agravada. para atribuir a cada sócio a quantia que mais se aproxime do valor real de sua quota. julgado em 10/6/2003. Ruy Rosado. (grifamos) EMENTA: DISSOLUÇÃO DE SOCIEDADE COMERCIAL. Apuração de haveres. TRÂNSITO EM JULGADO.681/PR. A alteração da anterior decisão.681-PR. (REsp 515. DISSOLUÇÃO PARCIAL DE SOCIEDADE COMERCIAL. determinou a forma de apuração dos haveres dos sócios retirantes. 471 do CPC. Não se pode falar. o juiz deferiu perícia. QUARTA TURMA. AÇÃO RESCISÓRIA. pela apuração da realidade da empresa. os fatos supervenientes. UNICIDADE. dispensa a citação da pessoa jurídica. DJ 22. proferiu outra decisão.A sentença é una. e como tal.06. 165) – grifamos. julgada procedente.06. Rel. decisão que. sobre o período a apurar na perícia encarregada de avaliar o patrimônio da empresa.AÇÃO DE DISSOLUÇÃO PARCIAL – CITAÇÃO DA PESSOA JURÍDICA. houve trânsito em julgado. julgado em 10.09. não ofende o disposto no art. em ação de dissolução parcial de sociedade. Min. na hipótese. Tal aresto não diverge de outro que. entendendo que a alteração da decisão anterior sobre o período de apuração da perícia para avaliação do patrimônio da empresa não ofendeu o artigo citado. o escopo visado pela citação da pessoa jurídica. em trânsito em julgado parcial. Recurso conhecido e provido. Iniciada a liquidação para apuração dos haveres. Em 2000. Ministro HUMBERTO GOMES DE BARROS. REsp 515. I . CORTE ESPECIAL. apurado pela média dos últimos oito anos (1992 a 1999). mas se deixou de definir o tempo a ser considerado para apuração dos haveres. PRAZO. com a retirada dos sócios demandantes. ainda. Em ação de dissolução parcial de sociedade comercial. não pode ser fracionada para efeito de ação rescisória. SENTENÇA. determinando outro balanço especial em 31/12/1999 e o fundo de comércio pelo preço de mercado na mesma data.O prazo para ajuizar ação rescisória é contado a partir do trânsito em julgado da decisão no último recurso interposto. Ministro RUY ROSADO DE AGUIAR. 342) PROCESSUAL CIVIL. de incumbência do juiz.

46. TERCEIRA TURMA. não registrada no INPI a referida marca. V) é preciso que a norma legal tida como ofendida tenha sofrido violação em sua literalidade. Ministro ANTÔNIO DE PÁDUA RIBEIRO.Declarando o perito judicial que mencionou a marca HSM como componente de fundo de comércio. apurado em balanço especial. seus haveres sociais serão pagos de acordo com o critério do valor (A) patrimonial de suas quotas na data da resolução. (D) econômico de suas quotas na data do efetivo pagamento. XXXIX CONCURSO PARA INGRESSO NA MAGISTRATURA DE CARREIRA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO. acionista detentor de 10% (dez por cento) de ações preferenciais sem direito de voto. PROVA OBJETIVA. a apuração de haveres no caso de sócio retirante deve ser feita como se de dissolução total se tratasse. (VALOR: UM PONTO E MEIO) .12. seus haveres serão pagos com base no último balanço levantado. julgado em 01.2005 p. (B) econômico de suas quotas à data da resolução. Resolvendo-se o vínculo de um sócio com a sociedade empresária de que faz parte. 369) – grifamos. e não havendo previsão contratual a respeito. 125º EXAME DE ORDEM – SEÇÃO SÃO PAULO .ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa III . (D) só poderia exercer o direito de retirada se a companhia fosse aberta. V . FGV DIREITO RIO 134 . art. apurado em perícia judicial. não compareceu à assembléia e discorda da alteração. Merovides (A) não poderá exercer o direito de retirada.DIREITO COMERCIAL. não há como se fazer ilação para afirmar que. IV . (C) só poderia exercer o direito de retirada se tivesse comparecido à assembléia. 45.Na dissolução de sociedade comercial.1ª FASE . 485.Para que a ação rescisória seja acolhida por violação a dispositivo de lei (CPC. VI . apurado em balanço especial. Merovides. é acolhível a alegação do retirante ou excluído de que a apuração. Precedentes. (B) poderá exercer o direito de retirada. 2ª Prova Específica. Questões de ConCursos Com gabarito ofiCiaL. sociedade anônima fechada. conforme a cotação em bolsa de valores. evitando locupletamento indevido dos sócios remanescentes. (REsp 453. (C) patrimonial de suas quotas na data do efetivo pagamento. direito a ela não teria o sócio-retirante.Recurso especial conhecido e provido para cassar o acórdão proferido na ação rescisória. por não expressar o último balanço a realidade patrimonial da empresa. A Assembléia Geral Extraordinária da Companhia Brasileira de Secos e Molhados. Rel. DJ 12. na hipótese de retirada ou exclusão de sócio.2005.476/GO. Dispondo o contrato social que. deliberou a mudança de seu objeto social.09. deverá fazer-se de outra forma? Fundamente a resposta.

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AUlA 17: DIREÇÃO DAS AtIvIDADES EMPRESARIAIS
Nesta aula discutiremos a leitura do(s) seguinte(s) capítulo(s): – Páginas 366 a 367 do Manual de Direito Comercial e de Empresa. Vol.I .4ª edição. Ricardo Negrão. Saraiva: São Paulo/2005. – Páginas 222 a 238 de O Direito de Empresa à luz do Novo Código Civil. Sérgio Campinho. 5ª edição Renovar/2005.

Leitura CompLementar – Páginas 446 a 451 do Curso de Direito Comercial. Fábio Ulhoa Coelho. 7ª edição. Saraiva/2004. – Páginas 107 a 112 do Direito Societário. 9ª edição. José Edwaldo Tavares Borba. Renovar: Rio de Janeiro/2004.

ementário de temas – Administração ou Diretoria. – Conselho de Administração. – Deveres do administrador. – Órbita de poder. – Responsabilidade do administrador. – Teoria Ultra Vires x Teoria da Aparência. – Projeção da responsabilidade do administrador em outros campos do Direito. – PL 2426/2003.

roteiro de auLa Sabemos que a pessoa jurídica não possui corpo físico capaz de concretizar os atos necessários à realização de seu objetivo. A sua vontade (alcançada na assembléia ou na reunião) será materializada por uma ou mais pessoas. As pessoas que exteriorizam a vontade da sociedade são chamadas de administradores (ou diretores). Elas atuam como se fosse a própria sociedade, praticam atos em nome da sociedade, pois que esta última não age de per si. Quando o administrador ou diretor assina um cheque ou negocia uma operação, quem está agindo (praticando o ato de empresa) é a sociedade e não o administrador. Foi exatamente por essa razão que PONTES DE MIRANDA, com base na teoria orgânica236, sustentou que a pessoa jurídica não podia ser representada pelo seu órgão administrativo, como dispunha o art. 17 do Código Civil de 1916237, pois este nada mais é do que um membro do todo. O ato do órgão é, na verdade, ato da própria pessoa jurídica. Não haveria, portanto, representação, mas sim uma PRESENTAÇÃO, sendo o Administrador verdadeiro PRESENTANTE da sociedade.

236 a teoria orgânica ou da realidade objetiva prega que junto a pessoas naturais, que são realidades físicas, existem os organismos sociais, constituídos pelas pessoas jurídicas, as quais têm existência e vontade próprias, distintas da de seus membros, tendo por finalidade a realização de seus objetivos sociais.

“as pessoas jurídicas serão representadas, ativa e passivamente, nos atos judiciais e extrajudiciais, por quem os respectivos estatutos designarem, ou, não o designando, pelos seus diretores”.
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Nas palavras de Pontes de Miranda que introduziu a terminologia no Direito Privado Brasileiro:
“De ordinário, nos atos da vida, cada um pratica, por si, os atos que hão de influir, ativa ou passivamente, na sua esfera jurídica. Os efeitos resultam de atos em que o agente é presente; pois que os pratica, por ato positivo ou negativo. A regra é a presentação, em que ninguém faz o papel de outrem, isto é, em que ninguém representa” 238. “Quando o órgão da pessoa jurídica pratica o ato, que há de entrar no mundo jurídico como ato da pessoa jurídica, não há representação, mas presentação. O ato do órgão não entra, no mundo jurídico, como ato da pessoa, que é órgão, ou das pessoas que compõe o órgão. Entra no mundo jurídico como ato da pessoa jurídica, porque o ato do órgão é ato seu.” 239

Nesse sentido, acerca da natureza jurídica da Administração da sociedade, uma parte da doutrina entende tratar-se de simples mandato - teoria da representação. Nossa lei filiou-se à teoria orgânica ao “estabelecer no art. 1.018 clara distinção entre a função do administrador e a do mandatário”. (Ricardo Negrão in Manual de Direito Comercial e de Empresa. Saraiva/2005). Da mesma forma, o Prof. José Edwaldo Tavares Borba entende que “o administrador é órgão da sociedade, não se confundindo, pois, com o procurador. Este, por força de um mandato, representa a sociedade num âmbito restrito dos poderes que lhe forem conferidos”. (in Direito Societário, Renovar/2004). Por fim, entendendo que o órgão da sociedade não representa, mas presenta, conclui Pontes de Miranda:
“O órgão da pessoa jurídica não é representante legal. A pessoa jurídica não é incapaz. O poder de presentação, que ele tem, provém da capacidade mesma da pessoa jurídica; por isso mesmo, é dentro e segundo o que se determinou no ato constitutivo, ou nas deliberações posteriores. A presentação é judicial ou extrajudicial (art.17 CC/1916)” 240.

Vimos então que o administrador (ou diretor) integra o órgão da sociedade chamado de Administração (ou Diretoria) que, no plano interno, administra a empresa, e, externamente, manifesta a vontade da pessoa jurídica. O contrato social deve designar quem tem poderes para presentar a sociedade, bem como os limites desses poderes. Pode o contrato social designar indiscriminadamente todos os sócios para presentar a sociedade. Disso não decorre, porém, que os sócios que ingressem após a criação da sociedade, na qualidade de cessionários ou sucessores de sócio administrador, sejam também administradores241. Deverá existir disposição expressa na alteração contratual ou em instrumento apartado, para agirem como tais. Importante, pois, que o contrato distribua as funções e atribua os poderes de administração, evitando-se, assim, a prática de atos em excesso pelos mesmos por falta de discriminação explícita das suas funções. O Código Civil trás relevante inovação quando estabelece a possibilidade de terceiros serem administradores de sociedade limitada, o que antes ocorria somente nas sociedades anônimas242. Assim, a sociedade limitada poderá ter como administrador, pessoa que não seja sócio (se o contrato social assim o permitir). A designação dessas pessoas, porém, depende de

238

Tratado de Direito privado – Tomo III – 3ª edição – Rio de janeiro/1970. p. 231.
239 240

Op.cit. p. 233.

Tratado de Direito privado – Tomo I – 4ª edição – Revista dos Tribunais/1977. p.412. art. 1.060, parágrafo único do código civil.
241 242 Lei 6.404/76. art. 146. poderão ser eleitos para membros dos órgãos de administração pessoas naturais, devendo os membros do conselho de administração ser acionistas e os diretores residentes no País, acionistas ou não. (Redação dada pela Lei nº 10.194, de 2001). grifamos

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aprovação unânime dos sócios, no caso do capital social, ainda não estar integralizado, ou de 2/3 (dois terços) se já houver a integralização (art. 1.061). Verifica-se que o legislador deixou ao critério dos sócios tal regramento. Optando por uma sociedade limitada com um perfil mais conservador de administração, conservará em seu poder a administração (não prevendo no contrato social a administração por não-sócio). Querendo imprimir um perfil profissionalizante da administração, onde terceiros podem administrá-la, deverá haver previsão contratual expressa neste sentido. O administrador não-sócio, designado em ato separado, deverá firmar termo de posse no livro de atas da administração, no prazo de até trinta dias da data de sua designação, sob pena da nomeação perder a validade. Tanto a nomeação quanto a destituição ou renúncia do administrador devem ser averbadas no prazo de dez dias seguintes a cada ato, no registro competente (art. 1.063). Cabe ao administrador, ao término de cada exercício social, proceder à elaboração do inventário, do balanço patrimonial e do balanço de resultado econômico, com observância das regras contidas nos artigos 1.186, 1.187, 1.188 e 1.189 do Código Civil. Outra novidade do Código Civil diz respeito à expressão “sócio-gerente” que foi substituída por administrador ou diretor, haja vista a sociedade limitada poder ser gerida também por não-sócios (anteriormente a condição de sócio era obrigatória) e, a expressão “gerente”, hoje, ser sinônimo de “preposto243” (conforme dispositivo do art. 1.172), não trazendo similitude com o antigo sócio-gerente. Quoruns para nomeação e destituição do administrador Como visto na aula 16, existem quoruns mínimos estabelecidos no Código Civil de 2002, que devem ser observados. O contrato social poderá dispor de quoruns diferenciados, porém sempre respeitando esse mínimo previsto na lei. Para eleição e destituição de administradores das sociedades limitadas, o quorum previsto no Código Civil vai variar em função do administrador ser ou não sócio. No caso do contrato social prever a possibilidade de administrador não-sócio, o quorum para elegê-los vai variar conforme a integralização do capital social: a) capital social totalmente integralizado: por deliberação de 2/3 do capital social. b) capital social não integralizado: por unanimidade. (art. 1.061). Para a nomeação e destituição do administrador não-sócio designado em ato separado, serão necessários votos correspondentes a mais da metade do capital social (art. 1.076, II c/c art. 1.071, II e III). Para a destituição de administrador sócio, será necessária a aprovação de, no mínimo, 2/3 do capital social, salvo estipulação contratual diversa (art. 1.063 §1º). Neste caso, a disposição do quorum poderá atender aos interesses dos sócios uma vez que a lei permite a estipulação de quorum distinto ao legalmente estabelecido. administrador pessoa Jurídica A questão sobre a possibilidade de pessoa jurídica ser administradora de sociedade foi muito debatida na vigência do Decreto nº 3.708/1919. De forma indireta, o Código Civil veio sanar tal impasse segundo os termos dos artigos 997, VI e 1.062 §2º. Portanto, embora a sociedade possa ser constituída e tenha no seu

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n.a. Está no exercício da empresa, mas não é detentor de poderes de direção.

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além do conselho fiscal. por meio da Instrução Normativa n. ¾ do capital. 249 FGV DIREITO RIO 138 . tanto que esta dispõe de norma própria.054 c/c o art. 248 Lei n. devendo o estatuto estabelecer: I . no mínimo.062) não mais é admitida a administração da sociedade limitada por pessoa jurídica”. o administrador só pode ser pessoa natural245. para tornar a administração privativa de pessoas naturais. saraiva/2005.107. que devem ser aplicáveis a qualquer pessoa incumbida de administrar bens ou interesses alheios251. constituído somente por sócios que. conselho de administração. VI). fê-lo expressamente (art. também. 3 (três) membros.076. 138. V)250”. Na I Jornada de Direito Civil. § 2º as companhias abertas e as de capital autorizado terão. A criação de um conselho de administração na sociedade limitada. José Edwaldo Tavares Borba entende que “administradores poderão ser pessoas naturais ou pessoas jurídicas. a presente questão começou a suscitar dúvidas. criado por lei ou pelo estatuto. IV . I. professor de Direito Empresarial da Escola de Direito RIO da FGV. que diante da nova sistemática estabelecida pelo Código Civil (art. mestre em Direito Empresarial pela ucam. pessoas naturais244. 1. O conselho de administração será composto por. podendo o estatuto estabelecer quorum qualificado para certas deliberações.dnrc. Da mesma forma. uma vez que.404/1976). no art. I c/c artigo 1. indicar os deveres do administrador nas sociedades anônimas. o Prof. a diretoria desta sociedade será composta de administradores. em eleição direta. O estatuto poderá prever a participação no conselho de representantes dos empregados.o número de conselheiros. 997. mediante deliberação de sócio ou sócios representantes de. a Lei nº 6. uma vez nomeados. é legalmente possível. Em posição minoritária247. pág. 244 n. quando houve por bem o enunciado n° 66 dirimir o problema de forma enfática. passam a ter deveres e direitos inerentes às suas funções.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa quadro societário somente pessoas jurídicas. vol. da seguinte forma: Art. mais amplamente. Disponível em: www. III . e o processo de escolha e substituição do presidente do conselho pela assembléia ou pelo próprio conselho. ser a qualquer tempo implantado (artigo 1.060.366. 4ª ed. São eles: no mesmo sentido: Ricardo negrão in manual de Direito comercial e de Empresa. organizada pela empresa. 1. art. Neste caso. ao conselho de administração e à diretoria. a administração da companhia competirá. Quando o legislador quis distinguir. em conjunto com as entidades sindicais que os representem. 9ª edição.º 6. 997 e § 2º do art.gov. à sociedade limitada. 245 manual de atos de registro de sociedade Limitada. o Departamento Nacional de Registro do Comércio – DNRC. no Parecer n.062 do Código Civil. indistintamente”. poderá. 139.o prazo de gestão. desde que especifique as matérias. p. no mínimo. não cabe ao intérprete distinguir. de forma geral. que não poderá ser superior a 3 (três) anos. de representação e de administração (art. instalação e funcionamento do conselho. que deliberará por maioria de votos. Se ele não tem sua gênesis contemporânea à celebração do contrato de sociedade. deveres do administrador Os deveres do administrador estão previstos. ou o máximo e mínimo permitidos. o contrato social pode estipular a existência de órgãos administrativos auxiliares.011 do Código Civil. nesse caso.as normas sobre convocação.o modo de substituição dos conselheiros. A regra da sociedade simples não se aplica subsidiariamente. 1. permitida a reeleição. ou somente à diretoria.071. eleitos pela assembléia-geral e por ela destituíveis a qualquer tempo. resumindo-se ao dever de diligência e probidade. sendo a representação da companhia privativa dos diretores. 247 in Direito societário. autor do enunciado márcio souza Guimarães. semelhante ao existente nas sociedades anônimas249. as atribuições e poderes conferidos por lei aos órgãos de administração não podem ser outorgados a outro órgão. 1. parágrafo único. O conselho de administração é um órgão Colegiado e deliberativo.248” Conselho de administração A sociedade limitada pode apresentar um volume grande de negócios. bastando que “os sócios façam a previsão no contrato social. II . obrigatoriamente.º 98 de 2003246. Renovar: Rio de janeiro/2004. como o fez em relação à sociedade simples. 1. destaca-se o seguinte posicionamento: “Ressalte-se por oportuno. No entanto. 140. escolhidos pelo voto destes. firmou orientação quanto ao impedimento da pessoa jurídica para ser administradora.404/1976.º 126 de 2003. tão complexos quanto aos da sociedade anônima. conforme dispuser o estatuto. Seu funcionamento é exclusivamente interno sendo despido de poderes executivos. onde o legislador não distinguiu (art. que se refere a “uma ou mais pessoas”. § 1º O conselho de administração é órgão de deliberação colegiada. esta regra é válida para qualquer tipo de sociedade.a.062: a teor do § 2º do art.º 6. art. 1. 138 §1º da Lei n.br 246 Neste sentido.404/1976 dispensa uma seção própria para. art.

considerando-se que estas tenham sido tomadas de maneira informada.404/1976. 251 cOELHO. cuja aplicação no Brasil vem sendo aplicada pelo Poder Judiciário e pela Comissão de Valores Mobiliários258. Em suma. 5ª edição Renovar/2005. limitando os poderes da administração. 1. neste ponto. pág. 253 254 art.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa – Dever de Diligência: disposto no art. para si ou para outrem. Havendo conflito de interesses. Fábio ulhoa in curso de Direito comercial. em proveito próprio. O administrador deve servir com lealdade à companhia e manter reserva sobre os seus negócios. § 3º as importâncias recebidas com infração ao disposto na alínea c do § 2º pertencerão à companhia. 154. no entanto ambos se complementam uma vez que o sigilo refere-se a pessoas especificas e o dever de informar aparece em uma série de dispositivos que visam obrigar o administrador a dar publicidade aos negócios da sociedade que poderão influenciar investidores e mercado. faltar a esses deveres. Oportuno discutir. numa determinada operação. Law A recent Delaware Supreme Court decision may have undermined cases against directors and officers of companies for actions they take just before they file for bankruptcy. O direito societário norte-americano adota. serviços ou crédito. a teoria do Business Judgment rule257. sendo-lhe vedado: I . 157255 da Lei nº 6.usar. c) receber de terceiros. § 4º O conselho de administração ou a diretoria podem autorizar a prática de atos gratuitos razoáveis em benefício dos empregados ou da comunidade de que participe a empresa. visando à obtenção de vantagens. também conhecida em nosso país como “Regra da Decisão Negocial”. com ou sem prejuízo para a companhia. 252 art. satisfeitas as exigências do bem público e da função social da empresa. O administrador deve atuar com zelo e aplicar métodos. os mesmos deveres que os demais. b) sem prévia autorização da assembléia-geral ou do conselho de administração. teorias e atos próprios a fim de realizar o objeto social. – Dever Ético-Social: disposto no caput do art. tem por objetivo blindar o administrador contra interferências do Poder Judiciário e do órgão regulador quanto às suas decisões.404/76. em benefício próprio ou de outrem. – Conflito de interesses: disposto no art. 155. Satisfazer às exigências do bem público e a função social da empresa são objetivos que também devem pautar as atitudes daqueles que efetivamente realizarão o objeto social. II . não podendo. § 2° É vedado ao administrador: a) praticar ato de liberalidade à custa da companhia. A própria lei coibe os atos de liberalidade que possam prejudicar a sociedade ou que não sejam do interesse social. refletida e desinteressada. 7ª edição. para com a companhia. Em razão da função que ocupa. – Dever de Lealdade e Sigilo: disposto no art. deixar de aproveitar oportunidades de negócio de interesse da companhia. ainda que para defesa do interesse dos que o elegeram. FGV DIREITO RIO 139 . 155254 da Lei nº 6. sérgio in O Direito de Empresa à luz do novo código civil. A referida teoria.017 do Código Civil. como regra para analisar a responsabilidade dos administradores.S. Parece contraditório com o dever de sigilo. 154 § 1º. pág. se será possível responsabilizar o administrador pela deepening insolvency ou agravamento pela situação de crise econômica-financeira259.242. The court ruled last month that creditors of a Delaware corporation that is insolvent or in the so-called “zone of insolvency” have no right to assert direct claims for breach of fiduciary duty against its directors. tomar por empréstimo recursos ou bens da companhia. os seus bens. 1. entre o administrador e a sociedade. 156256 da Lei nº 6. a referida teoria não protegerá o administrador negligente. as oportunidades comerciais de que tenha conhecimento em razão do exercício de seu cargo. O administrador eleito por grupo ou classe de acionistas tem. art. Sobre o tema: Ruling Makes Bankruptcy Suits Harder • United States • 06/25/2007 • U. de sociedade em que tenha interesse. ou usar. saraiva/2004. em razão do exercício de seu cargo. – Dever de Informar: disposto no art. tendo em vista suas responsabilidades sociais. direta ou indireta. o administrador não pode se utilizar (proveito próprio ou de terceiros) das informações privilegiadas que obtém em virtude de sua atividade e que ainda não foram repassadas ao mercado. 154253 da Lei nº 6. sem autorização estatutária ou da assembléia-geral.omitir-se no exercício ou proteção de direitos da companhia ou.404/1976. Some lawyers believe the decision eliminates the threat of suits that seek to recover from directors for actions they took shortly before bankruptcy.404/1976.011 do Código Civil. qualquer modalidade de vantagem pessoal.442. 154252 da Lei nº 6. such as increasing the company’s debt or signing major contracts with creditors. é vedado ao administrador intervir tanto na operação como nas deliberações que tomarem os demais administradores. – Desvio de Poder: disposto nos parágrafos do art. 250 campInHO. pelos danos gerados em conseqüência de um prolongamento artificial de uma sociedade empresária em grave crise sem que haja ativos suficientes e fluxo de caixa para pagar seus credores. ou de terceiros.. numa tradução livre do inglês.404/1976 e no art. O administrador deve exercer as atribuições que a lei e o estatuto lhe conferem para lograr os fins e no interesse da companhia.

Court decisions opened the door to such claims a few years ago. bankruptcy.” Lawyers disagree about whether the recent Delaware Supreme Court decision rejecting direct creditor claims for breach of fiduciary duty when companies enter the zone of insolvency.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa The case was filed by “putative creditor” North American Catholic Educational Programming Foundation Inc. 448 F. Cases involving zone-of-insolvency and deepeninginsolvency issues have been a developing trend in the past several years.). com a finalidade de auferir vantagem. 2006). But a lawyer involved in a $41. or are actually insolvent. c) os benefícios ou vantagens. para si ou para outrem. obtida em razão do cargo e capaz de influir de modo ponderável na cotação de valores mobiliários. Chapter 7 Trustee for Just For Feet Inc. Cir. No. the bankruptcy trustee filed a lawsuit in Alabama state court against the company’s directors. courts have been inconsistent on whether zone of insolvency and deepening insolvency are causes of action or a fact pattern. Detweiler Hersey & Associates P. Ala. ademais. ao firmar o termo de posse. guardar sigilo sobre qualquer informação que ainda não tenha sido divulgada para conhecimento do mercado. In bankruptcy courts and state courts. vantagem mediante compra ou venda de valores mobiliários.S. por qualquer pessoa que a ela tenha tido acesso. which had agreed to buy the foundation’s Federal Communications Commission-approved licenses for microwave signal transmission to build a national wireless Internet network. 906 A. For example. officers.). lawyers have been testing claims and damages theories involving the duties of a company’s directors as a company nears bankruptcy or enters the zone of insolvency and “deepening insolvency..C. Ct. de emissão da companhia e de sociedades controladas ou do mesmo grupo. § 2º O administrador deve zelar para que a violação do disposto no § 1º não possa ocorrer através de subordinados ou terceiros de sua confiança. contratada com infração do disposto nos §§ 1° e 2°. para si ou para outrem. que tenha recebido ou esteja recebendo da companhia e de sociedades coligadas.adquirir.. The Delaware Supreme Court upheld a Delaware court of chancery decision that dismissed a putative creditor’s case against three directors of wireless Internet company Clea- III . Trenwick America Litigation Trust v.. fraud and related claims for the company’s actions as it neared bankruptcy or entered the zone of insolvency. Ernst & Young LLP. no mercado de valores mobiliários. que tiver adquirido ou alienado. opções de compra de ações e debêntures conversíveis em ações. a menos que ao contratar já conhecesse a informação.. ou que esta tencione adquirir.” but it has been said to refer to when a company nears insolvency or is at the point at which it can’t pay its debts.3d 672 (3d Cir. There is no legal definition of “zone of insolvency. Some have claimed that Just For Feet could have been reorganized in a healthy way that preserved a substantial amount of value. The trustee said that the defendants’ decisions to ignore expert advice to file a Chapter 11 restructuring and conceal the company’s shaky financial status for two years led to a $90 million fire-sale liquidation of the company’s assets.). Inc. not negligence. Circuit Court of Appeals decision in 2006 said that only fraud. can support a deepening-insolvency claim under Pennsylvania law. bônus de subscrição. para revender com lucro. indiretas ou complementares. 255 art. diretamente ou através de outras pessoas. § 1º cumpre. Goldstein. shoe retailer Just For Feet Inc. b) as opções de compra de ações que tiver contratado ou exercido no exercício anterior. ou do mesmo grupo. North American Catholic Educational Programming Foundation Inc. said that companies nearing insolvency must still safeguard creditors’ interests to avoid lawsuits. Gary Seitz Ch. against three directors of the Delaware corporation. Ala.. No.. FGV DIREITO RIO 140 . 7 Trustee v. if they exist. 06-521 (Del. shuts the door on director liability in those circumstances. Despite the popularity of the theories. 01-06833 (Jefferson Co. de que seja titular. § 3º a pessoa prejudicada em compra e venda de valores mobiliários. O administrador de companhia aberta deve declarar. Harold Ruttenberg. § 1º O administrador de companhia aberta é obrigado a revelar à assembléia-geral ordinária. Clearwire Holdings Inc. 157. Charles R. a Delaware court of chancery rejected deepening insolvency as an independent cause of action under Delaware law. Rob Gheewalla.5 million settlement with outside directors reached in March in a separate suit against directors of bankrupt Birmingham. ao administrador de companhia aberta. and the settlement shows that zone-of-insolvency theories are alive and well. bem ou direito que sabe necessário à companhia. Del. a pedido de acionistas que representem 5% (cinco por cento) ou mais do capital social: a) o número dos valores mobiliários de emissão da companhia ou de sociedades controladas. it’s incumbent upon trustees to pursue claims against directors. but the pendulum has recently shifted. no exercício anterior.. Later in 2006. sendo-lhe vedado valer-se da informação para obter. v. Ch. accounting firm and independent auditors for breaches of fiduciary duty. tem direito de haver do infrator indenização por perdas e danos. a 3rd U. In re CitX Corp. o número de ações.2d 168 (New Castle Co.. In the Just For Feet Inc. Courts have also been inconsistent. In bankruptcies. § 4º É vedada a utilização de informação relevante ainda não divulgada. for the benefit of creditors and shareholders. Many are now pointing to the May 18 Delaware Supreme Court decision in the North American Catholic case as a significant milestone in the zone-of-insolvency debate. controladas ou do mesmo grupo. v.

§ 4º Os administradores da companhia aberta são obrigados a comunicar imediatamente à bolsa de valores e a divulgar pela imprensa qualquer deliberação da assembléia-geral ou dos órgãos de administração da companhia. ou fato relevante ocorrido nos seus negócios. os administradores são autorizados – na forma do art. ser reduzidos a escrito.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa rwire Holdings Inc. Esta garantia somente seria “levantada” após a aprovação das últimas contas apresentadas pelo administrador que estivesse deixando o cargo261. Existem atos de gestão que são. Hollin said. but it doesn’t mean zone-of-insolvency issues are dead. § 2º Os esclarecimentos prestados pelo administrador poderão. isto porque. not by individual creditors. to assert direct claims for breach of fiduciary duty against its directors.” wrote Justice Randy Holland. limitados nos contratos sociais. ou por iniciativa própria. respondendo os solicitantes pelos abusos que praticarem. Diante de tão amplos poderes. a pedido dos administradores. usar o cartão de crédito corporativo para fins sociais. Sérgio Campinho destaca ser de bom alvitre a elaboração de cláusula contratual estabelecendo restrições aos atos de gestão. nos termos e na forma determinados pela comissão de Valores mobiliários. The court said that creditors of a Delaware corporation that is insolvent or in the zone of insolvency “have no right. de modo ponderável.com/en/news/2652. autenticados pela mesa da assembléia. como forma de garantir uma administração diligente. que possa influir. – alienação de bens imóveis. “Recognizing that directors of an insolvent corporation owe direct fiduciary duties to creditors would create uncertainty for directors who have a fiduciary duty to exercise their business judgment in the best interest of the insolvent corporation. no sentido da realização do objeto social. na decisão dos investidores do mercado de vender ou comprar valores mobiliários emitidos pela companhia. § 6º Os administradores da companhia aberta deverão informar imediatamente. se for o caso. cabendo à comissão de Valores mobiliários. FGV DIREITO RIO 141 . a esta e às bolsas de valores ou entidades do mercado de balcão organizado nas quais os valores mobiliários de emissão da companhia estejam admitidos à negociação. as modificações em suas posições acionárias na companhia. tradicionalmente. as a matter of law. servir de residência temporária para algum diretor em trânsito.” Hollin said.ex. “It doesn’t take away the zone-of-insolvency issues. o Prof. poderes do administrador Os administradores ou diretores decidem e executam os negócios da sociedade limitada agindo. d) as condições dos contratos de trabalho que tenham sido firmados pela companhia com os diretores e empregados de alto nível. § 5º Os administradores poderão recusar-se a prestar a informação (§ 1º. a pedido de qualquer acionista. em regra. “It says they’ve got to be brought in a derivative manner on behalf of the corporation. e fornecidos por cópia aos solicitantes. de qualquer acionista. alínea e). said Hollin of Powell Trachtman. http://www. ou deixar de divulgá-la (§ 4º). se entenderem que sua revelação porá em risco interesse legítimo da companhia. § 3º a revelação dos atos ou fatos de que trata este artigo só poderá ser utilizada no legítimo interesse da companhia ou do acionista.” While insolvent companies could face derivative suits. decidir sobre a prestação de informação e responsabilizar os administradores. The Delaware decision erases the threat of direct claims by creditors against directors. e) quaisquer atos ou fatos relevantes nas atividades da companhia. 1.015 do Código Civil. a praticar todos os atos pertinentes à gestão da sociedade260. eis alguns exemplos: – concessão de garantias em nome da sociedade em favor de terceiros sem contrapartida que a beneficie: desvia a sociedade do seu objetivo de obter lucros. O citado professor também menciona. an insurance company receiver or a creditor’s committee. Many such lawsuits are already filed as derivative cases on behalf of a corporation by a bankruptcy trustee. p. ter direito a um esquema de segurança etc. às 04:20horas. acesso em 19 de janeiro de 2009. – usar bens da sociedade em nome próprio ou permitir que terceiro o faça. for breaches of fiduciary duty while the company was in the zone of insolvency or insolvent. do contrário. the Delaware Supreme Court didn’t directly discuss whether companies in the amorphous zone of insolvency could also face derivative claims. a inclusão de uma cláusula no contrato social obrigando aos administradores prestarem caução.lexuniversal.. exceto se o bem fizer parte de um conjunto de direitos que a sociedade pode proporcionar para seus diretores.

Em ambos os casos. de forma abusiva ou excessiva de poderes (abuso de poder e excesso de poder). devemos analisar as regras insertas no art. 158 da Lei 6. Se o administrador de uma escola adquire um helicóptero. bovespa. A solução do problema se dará com base na teoria da aparência. e o administrador interessado será obrigado a transferir para a companhia as vantagens que dele tiver auferido. bem como de terceiros contratados. Assim. estes atos vincularão apenas à sociedade que ficará obrigada a satisfazer as obrigações contraídas pelo administrador (teoria organicista). Nestes casos o parágrafo único. acesso em 19 de janeiro de 2009. o administrador somente pode contratar com a companhia em condições razoáveis ou eqüitativas. 158 da Lei nº 6. do art.asp. caberá ao 256 art. o poder judiciário americano preocupa-se apenas com o processo que levou à decisão e não com o seu mérito. todavia. não a sua invalidação. A base da teoria da aparência consiste.023 e 1. na proporção em que participem das perdas sociais. o administrador deve seguir os seguintes princípios: (i) Decisão informada: a decisão informada é aquela na qual os administradores basearam-se nas informações razoavelmente necessárias para tomá-la. da pratica de atos ilícitos.provando-se que era conhecida do terceiro. seriam acoimados de nulos. Dispõe o art. Ou então. podem os administradores. podemos concluir que deve ser analisada a prática do ato. acesso em 19 de janeiro de 2009. será responsável sempre que agir com dolo ou culpa. em regra. a natureza e extensão do seu interesse. como informações.016 do Código Civil que os administradores respondem solidariamente perante a sociedade e perante terceiros prejudicados por culpa no desempenho de suas funções. exercer o direito de regresso em face do administrador. mas sim a determinação de que o administrador é o responsável pelo adimplemento da obrigação. (ii) Decisão refletida: a decisão refletida é aquela tomada depois da análise 258 FGV DIREITO RIO 142 . na cVm: http://www. essa última. compelida ao pagamento para. de forma a ultrapassar a sua órbita de poderes. Como o administrador age em nome da sociedade limitada. § 2º O negócio contratado com infração do disposto no § 1º é anulável. inclusive desrespeitando vedações contratuais expressas. dependendo da disposição contratual262.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa responsabilidades do administrador A responsabilidade dos administradores decorre.015 do Código Civil. 927 do Código Civil.br/Investidor/ juridico/060912nota. podemos dizer que estamos diante de uma nova teoria dos atos ultra vires. com a força exclusiva do seu patrimônio. após.com. em ata de reunião do conselho de administração ou da diretoria. É vedado ao administrador intervir em qualquer operação social em que tiver interesse conflitante com o da companhia. 257 “Em razão da regra da decisão negocial. entretanto. cumprindo-lhe cientificá-los do seu impedimento e fazer consignar. se os bens da sociedade não cobrirem as dívidas. No Brasil. conforme dispositivo do art. teoria ultra Vires A teoria dos atos ultra vires tem origem inglesa. 156.404/76 e art.404/1976. quando ultrapassar os atos regulares da gestão. as normas previstas para as sociedades por ações serão aplicáveis. nas sociedades limitadas. análises e memorandos dos diretores e outros funcionários.tratando-se de operação evidentemente estranha aos negócios da sociedade. dispondo que todos os atos praticados pelo administrador. o administrador será o responsável pelo pagamento da obrigação.br/port/ inqueritos/2007/rordinario/ inqueritos/05_15_21-04. na aparência do ato praticado pelo administrador. Há. § 1º ainda que observado o disposto neste artigo. sempre que praticar os atos de gestão dentro dos limites da atribuição de competência e poder. como veremos a seguir.024). 1. pois. para utilizar a regra da decisão negocial. Dessa forma. sendo a conseqüência da prática de tais atos. III . bem como na deliberação que a respeito tomarem os demais administradores. 1. não é necessária a contratação de um banco de investimento para a avaliação de uma operação. é claro no sentido da responsabilização pessoal do administrador perante terceiros em qualquer uma das seguintes situações: I . a aparência indica ao credor que o “adquirente” não é a sociedade que explora a escola.gov. Para melhor compreensão da responsabilidade dos administradores. nesses casos. utilizar. salvo cláusula de responsabilidade solidária (artigos 1.cvm. caso seja inadimplida uma das parcelas. todavia. estando. mesmo que dentro das limitações de competência previstas no contrato/estatuto. II . às 03:58horas. situações em que o administrador age excedendo os poderes que lhe foram conferidos pela sociedade. os sócios responderão pelo saldo. como a acepção da palavra indica. Assim. idênticas às que prevalecem no mercado ou em que a companhia contrataria com terceiros.se a limitação de poderes estiver inscrita ou averbada no registro próprio da sociedade. tal teoria tem sido utilizada por alguns doutrinadores para explicar a teoria da responsabilidade do administrador. mas sim o próprio administrador. confira-se: http://www. poder-se-á perquirir sobre a possibilidade do terceiro credor cobrar da sociedade.asp. Conjugado com o indigitado dispositivo legal.

ou então. mas como forma de prevenção.848/1940 – Código Penal266). art. é também responsável legal pela arrecadação das contribuições dos seus empregados. não é caso para a desconsideração da personalidade jurídica e sim de substituição legal tributária.. resultante de atos praticados. embora só recentemente tenha sido introduzido na legislação brasileira. será obrigado a cobrar do administrador. caso. contrato social ou estatutos. alegando que. pág. asp. 178/185. ao elevar o meio-ambiente à categoria de bem jurídico tutelado autonomamente.gov. Pela teoria da aparência. sócios e diretores. no entanto. Esse conceito vem sendo expandido para incluir benefícios que não sejam diretos para o administrador ou para instituições e empresas ligadas a ele. pelos responsáveis. uma forma de responsabilidade por substituição. tal como ocorre com relação aos tributos. o credor poderá cobrar diretamente da sociedade para que. salvo nas hipóteses de fraude. in casTRO.. como tal considerado o titular da empresa (individual ou coletiva). gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. pág. – Trabalhista: Os arts. com excesso de poderes ou infração de lei. a Lei nº 9. O mesmo diploma legal.605/1998268 prevê a responsabilização penal da pessoa jurídica pela prática de delitos ambientais e funciona não apenas para punir. destinando um capítulo inteiro a sua proteção. projeção da responsabilidade do administrador em outros campos do direito: – Código Tributário Nacional: a hipótese de incidência do art. além de ser contribuinte (segurado obrigatório). 2009. em cotejo com a documentação que fundamenta o negócio. que explora a escola. a teoria da aparência. desta feita. 260 261 262 263 Op.053 do código civil. 259 É obrigatória a leitura do seguinte artigo: “Deveres dos administradores de sociedades Empresárias em Dificuldade Econômica-Financeira: a Teoria da Deepening Insolvency no Brasil” escrito por Leonardo santos de aragão. mesmo que deixe de analisar um negócio. exclusivamente para o responsável.729/1965265) e de apropriação indébita (Decreto-Lei nº 2. Leonardo santos de (coord. que respondem solidariamente.) III . 135.br/port/ inqueritos/2007/rordinario/ inqueritos/05_15_21-04. Entretanto. das diferentes alternativas ou possíveis conseqüências ou. Novamente. http://www.620/1993267 e da remansosa jurisprudência dos tribunais. Além disso. ainda. aplicando-se. aplicamse os standards do dever de lealdade (duty of loyalty)”. admite a desconsideração da pessoa jurídica “sempre que sua personalidade for obstáculo ao ressarcimento de prejuízos causados à qualidade do meio ambiente”. são pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei. – Previdência Social: O empregador.cvm. depois. onde o responsável passa a figurar no pólo passivo de uma relação jurídica com o FISCO. pL 3401/2008269 Encontra-se em tramitação o PL 3401/2008 que regulamenta o disposto no art. e (iii) Decisão desinteressada: a decisão desinteressada é aquela que não resulta em benefício pecuniário ao administrador.cit. haja o regresso. Op. 225 da Constituição da República conferiu especial relevo à questão ambiental. 2° e 10 da CLT firmam a responsabilidade da empresa pelos débitos trabalhistas.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa credor a cobrança apenas em face do administrador (pessoa natural) e não da sociedade. contrato social ou estatutos: (.os diretores. FGV DIREITO RIO 143 . a decisão negocial que a ele levou pode ser considerada refletida. na forma da Lei nº 8. que o substitui. algumas vezes. Com isso. para o perigoso rumo da máxima de que “alguém deve pagar. Rodrigo R. – Ambiental: O art. 135 do CTN não é caso de desconsideração da personalidade jurídica. 4º. disciplinando a declaração judicial de desconsideração da personalidade jurídica.228. Ressalte-se que o art.) Direito societário – Desafios atuais – são paulo: quartier Latin. A jurisprudência trabalhista ainda é vacilante sobre o tema. é. 1. Além do dispositivo constitucional. O autor do PL justifica a proposição. informadamente. 50 do Código Civil. p. o instituto da desconsideração da personalidade jurídica art. encaminhando-se. acesso em 19 de janeiro de 2009. em seu art.cit. III263 é o não pagamento da obrigação principal pelo contribuinte. haverá a transferência do débito em nome do contribuinte. Recolher as contribuições da Previdência Social e não repassá-las ao INSS configura crime de sonegação fiscal (Lei nº 4. quando o administrador tem interesse na decisão. tenha o administrador decidido não analisar esse negócio. 135.228. é importante ressaltar que tais regras não fazem com que os administradores sejam responsáveis pelo pagamento de tais débitos. monteiro de & aRaGãO. custe o que custar”.

Seu principal fornecedor de couro é a Couros e Outros Ltda. total ou parcialmente. os gerentes e os diretores respondem solidariamente e subsidiariamente.000. pessoalmente. tem 20 anos de mercado capixaba. justamente. ATUAÇÃO DOS ADMINISTRADORES EM NOME E PROVEITO DA PESSOA JURÍDICA. FORMA DE PREVENÇÃO DE DANOS AO MEIO-AMBIENTE. Alfredo Matias é o diretor de compras da “RS”. a “RS” estava alugando o espaço na área de produção de uma outra fábrica que ficava. para ser entregue em outro endereço. pelos débitos junto à seguridade social. Pergunta-se: 1. e multa. OPÇÃO POLÍTICA DO LEGISLADOR. art. com seus bens pessoais. EXISTÊNCIA JURÍDICA. 3º as pessoas jurídicas serão responsabilizadas administrativa. Nesse sentido.prestar declaração falsa ou omitir.00. quanto ao inadimplemento das obrigações para com a seguridade social.00 e R$ 5. os administradores. taxas e quaisquer adicionais devidos por lei. parágrafo único. ainda.br. ou de seu órgão colegiado. CO-RESPONSABILIDADE. POSSIBILIDADE. no prazo e forma legal ou convencional: pena . o juiz lhes facultará o prévio exercício do contraditório. em virtude da demanda de Natal. a responsabilidade penal pelas infrações previstas nesta Lei será de todos os que. CULPABILIDADE COMO RESPONSABILIDADE SOCIAL. Os acionistas controladores. com seus bens pessoais. FGV DIREITO RIO 144 . no interesse ou benefício da sua entidade. 266 art. civil e penalmente conforme o disposto nesta Lei. tenham praticado ou concorrido para a prática da sonegação fiscal. O valor dos pedidos oscila entre R$ 3. Deixar de repassar à previdência social as contribuições recolhidas dos contribuintes. que não aceitará o título nem o pagará. no endereço indicado para essa entrega. art 6º quando se trata de pessoa jurídica. com a intenção de eximir-se. do pagamento de tributos. a responsabilidade das pessoas jurídicas não exclui a das pessoas físicas.gov. os quais foram devidamente pagos no vencimento.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa vem sendo utilizado com um certo açodamento e desconhecimento das verdadeiras razões que autorizam um magistrado a declarar a desconsideração da personalidade jurídica. Caso gerador A sociedade RS Sapatos e Bolsas Ltda. Sacada a duplicata correspondente à venda do couro. antes de declarar que os efeitos de certas e determinadas obrigações sejam estendidos aos bens dos administradores ou sócios da pessoa jurídica. A justificativa de Alfredo era que. Além disso. 265 art. 267 JurisprudênCia CRIMINAL. mediante desvio de finalidade ou confusão patrimonial. Além disso. indicando como local para a entrega o último endereço fornecido por Alfredo. co-autoras ou partícipes do mesmo fato. O titular da firma individual e os sócios das empresas por cotas de responsabilidade limitada respondem solidariamente. No início de dezembro. com os mesmo dados fiscais. RESPONSABILIZAÇÃO PENAL DO ENTE COLETIVO. CRIME AMBIENTAL PRATICADO POR PESSOA JURÍDICA. com sede em Feliz/PR. por dolo ou culpa. com o vendedor Waltinho. de 2 (dois) a 5 (cinco) anos. No início. total ou parcialmente. RECURSO PROVIDO. que “Alfredo” havia sido despedido dias antes de fazer o último pedido ao “Waltinho”..00. e há mais de cinco anos faz seus pedidos mensais. Waltinho tomou todas as cautelas necessárias. CAPACIDADE DE AÇÃO. em detrimento dos credores da pessoa jurídica ou em proveito próprio. os canhotos das notas fiscais e dos talões de pedido sempre voltavam assinados e carimbados pelo chefe da expedição da “RS”. porém. 13. Waltinho recebe um pedido de Alfredo no valor de R$ 4. 168-a. PENAS ADAPTADAS À NATUREZA JURÍDICA DO ENTE COLETIVO. direta ou indiretamente ligados à mesma. autoras.camara. concedendo-lhes o prazo de dez dias para produção de suas defesas. 4º poderá ser desconsiderada a pessoa jurídica sempre que sua personalidade for obstáculo ao ressarcimento de prejuízos causados à qualidade do meio ambiente 268 269 Disponível em: www. parágrafo único. PREVISÃO CONSTITUCIONAL REGULAMENTADA POR LEI FEDERAL. mas com o passar dos anos. os dados fiscais são sempre os mesmos. nos casos em que a infração seja cometida por decisão de seu representante legal ou contratual. Waltinho não perde tempo. e “tira o pedido”. em proveito próprio e não da sociedade (“RS”).500. porque a compra foi feita por pessoa não autorizada. De quem é a obrigação de pagar o título e por quê? art 1º constitui crime de sonegação fiscal: I . art. informação que deva ser produzida a agentes das pessoas jurídicas de direito público interno.000. assim como o endereço para a entrega na sede da “RS”. a ”RS” comunica a Couros e Outros Ltda. será vedada a extensão dos efeitos de obrigações da pessoa jurídica aos bens particulares de sócio e/ou de administrador que não tenha praticado ato abusivo da personalidade. de modo permanente ou eventual. passou a aceitar os pedidos de Alfredo por telefone e/ou por e-mail.reclusão. aduzindo.

ser passível de responsabilização penal. A imputação penal às pessoas jurídicas encontra barreiras na suposta incapacidade de praticarem uma ação de relevância penal.. A atuação do colegiado em nome e proveito da pessoa jurídica é a própria vontade da empresa. neste contexto. portanto. mandou recaísse a penhora sobre bem pessoal do sócio. III. poderá vir a praticar condutas típicas e. juntamente com dois administradores.06. limita-se à vontade do seu administrador ao agir em seu nome e proveito. II. IV. cada qual recebendo a punição de forma individualizada. lodo. A Lei ambiental.”. A desconsideração da pessoa Jurídica para o fim. como forma não apenas de punição das condutas lesivas ao meio-ambiente. liquidação forçada e desconsideração da pessoa jurídica. EMBARGOS DO DEVEDOR . resultantes da atividade do estabelecimento comercial. XII.” IX. o qual se passou como representante da sociedade em nome de quem celebrou FGV DIREITO RIO 145 .2005 p. Ministro GILSON DIPP. julgado em 02.06. Rel. mas como forma mesmo de prevenção geral e especial. a pessoa jurídica deve ser beneficiária direta ou indiretamente pela conduta praticada por decisão do seu representante legal ou contratual ou de seu órgão colegiado. pois é incontroversa a existência de duas pessoas distintas: uma física . restritivas de direitos. 331). QUINTA TURMA. V. de ato ilícito ou de excesso de poder.DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE DE PESSOA JURÍDICA . X. Decisão deste órgão fracionário em Agravo de Instrumento que considerou legítimo o ato judicial que. óleo.e uma jurídica. diante de sua legitimidade para figurar no pólo passivo da relação processual-penal. graxas. areia e produtos químicos. A co-participação prevê que todos os envolvidos no evento delituoso serão responsabilizados na medida se sua culpabilidade. havendo prova da prática de abuso de direito. e a culpabilidade da pessoa jurídica. de forma inequívoca. nos termos do voto do Relator. A Lei Ambiental previu para as pessoas jurídicas penas autônomas de multas. todas adaptadas à sua natureza jurídica. Não há ofensa ao princípio constitucional de que “nenhuma pena passará da pessoa do condenado. XIII. A denúncia oferecida contra a pessoa jurídica de direito privado deve ser acolhida. foi denunciada por crime ambiental. Hipótese em que pessoa jurídica de direito privado. (REsp 564960/SC..PENHORA DE BENS PESSOAIS DO SÓCIO. XI. A culpabilidade. Recurso provido. tais como. é a responsabilidade social. de alcançar a penhora de bens de sócio da sociedade tem cabimento nos casos de desvio das finalidades sociais. passou a prever. de prestação de serviços à comunidade. desconsiderando a pessoa jurídica da devedora.que de qualquer forma contribui para a prática do delito . consubstanciado em causar poluição em leito de um rio.2005. de serem culpáveis e de sofrerem penalidades. regulamentando preceito constitucional. A pessoa jurídica só pode ser responsabilizada quando houver intervenção de uma pessoa física. a possibilidade de penalização criminal das pessoas jurídicas por danos ao meio-ambiente. decorrente de sua atividade lesiva. grifamos. através de lançamento de resíduos. que atua em nome e em benefício do ente moral. A responsabilização penal da pessoa jurídica pela prática de delitos ambientais advém de uma escolha política. VI. Se a pessoa jurídica tem existência própria no ordenamento jurídico e pratica atos no meio social através da atuação de seus administradores. VIII.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa I. no conceito moderno. “De qualquer modo. VII. DJ 13.

DIREITO COMERCIAL. já estando integralizado o capital social. 42. PROVA OBJETIVA .ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa contrato de constituição de sociedade em conta de Participação. (B) com excesso de poderes e essa circunstância pode ser oposta a terceiros.DIREITO COMERCIAL. recebeu dinheiro para quitar dívida da sociedade e depositou o cheque em favor de outra sociedade da qual ele e sua mulher eram os únicos sócios. Uma das conseqüências dessa distinção é que o administrador nomeado em contrato (A) deve ser sócio. PAULO GUSTAVO HORTA .APELACAO CIVEL . (B) tem poderes irrevogáveis. Questões de ConCurso 29º EXAME DE ORDEM. (C) no regular exercício de suas atribuições e seu ato é considerado válido e eficaz. Epaminondas agiu: (A) com excesso de poderes. d) 3/4 do capital. a designação deles dependerá da aprovação dos sócios que representem. b) 1/4 do capital. O administrador das sociedades limitadas pode ser nomeado no contrato social ou por ato separado. 44.001. 125º EXAME DE ORDEM. TJ/RJ). (D) prescinde de autorização dos sócios para a prática de atos. SEÇÃO DO RIO DE JANEIRO . c) 1/2 do capital. SEÇÃO SÃO PAULO . Nessa qualidade. SEÇÃO SÃO PAULO. grifamos obs.Julgamento: 12/08/2003 . Na íntegra do acórdão há menção à teoria ultra vires. Prejuízos causados à sócia oculta reconhecido por sentença judicial. Epaminondas é administrador não sócio de sociedade limitada. regida subsidiariamente pelas regras da sociedade simples. 38 .14192 .PROVA 1ª FASE . praticou ato de gestão contrariando expressamente decisão tomada em reunião de sócios. Recurso provido parcialmente. no mínimo: a) 2/3 do capital. DIREITO COMERCIAL.1ª FASE. se o contrato permitir administradores não sócios.DES. PROVA OBJETIVA .QUINTA CAMARA CIVEL. (2003. FGV DIREITO RIO 146 .VERSÃO 1. cuja ata foi arquivada na Junta Comercial. mas seu ato é considerado válido e eficaz.Na sociedade limitada. 123º EXAME DE ORDEM. arbitramento dos honorários de advogado. Questões outras que podem ser examinadas em qualquer tempo ou que se ressentem da produção de prova idônea Ausência do dolo processual autorizador da aplicação da pena por litigância de má fé e.TIPO 1. (C) depende de quorum de nomeação diferenciado. (D) no regular exercício de suas atribuições. mas responde perante os sócios por eventuais prejuízos.

FGV DIREITO RIO 147 . o sócio ostensivo responde perante terceiros.Outubro/2007 33º Exame de Ordem RJ 90ª Questão: Considere que um advogado seja consultado sobre a possibilidade de uma sociedade limitada formada por dois sócios. CONCURSO PúBLICO PARA PROVIMENTO DE CARGOS DE JUIZ SUBSTITUTO DO ESTADO DO PARANÁ. (B) é permitida a administração da empresa por não-sócios. C) Somente pessoa natural pode administrar a sociedade limitada.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa 178º CONCURSO DE INGRESSO NA MAGISTRATURA DO ESTADO DE SÃO PAULO (2006). desde que estabelecida no contrato social. Prova OAB/RJ . entretanto. se o sócio participante tomar parte com o sócio ostensivo. c) Na sociedade limitada. na sociedade limitada. Com base na legislação vigente que trata das Sociedades Limitadas. com partes iguais no capital. é sempre indivisível. nas relações com terceiros. assinale a opção que apresenta uma resposta correta à referida consulta. a) os atos praticados pelo administrador com excesso de poderes são sempre imputáveis à sociedade. responde solidariamente com este pelas obrigações em que intervier. Assinale a alternativa CORRETA a) Na sociedade em conta de participação. inclusive pessoa jurídica.Abril/2007 32º Exame de Ordem RJ 83ª Questão: De acordo com a teoria dos atos ultra vires. PROVA DE SELEÇÃO. ser administrada por pessoa jurídica não sócia. Prova OAB/RJ . b) a sociedade somente pode praticar atos que estejam expressa ou implicitamente compreendidos no seu objeto. a administração da sociedade somente pode ser exercida por sócio e mediante designação no contrato social.Exame de Ordem . d) A quota social. A) Não há impedimento à nomeação de não sócio como administrador. sob pena de ineficácia do ato em relação à sociedade. A propósito dessa situação. 36. é correto afirmar que: (A) a administração da empresa somente pode ser exercida por um dos sócios. 91. D) A administração pode ser exercida por pessoa jurídica desde que a mesma não seja sócio. b) Na sociedade limitada cujo capital esteja totalmente integralizado. B) A nomeação de administrador pessoa jurídica só é válida se a mesma for sócio. sendo proibido figurar o nome de um ou mais sócios. (D) a denominação social deve designar o propósito da sociedade. PROVA PREAMBULAR – 07/05/2006. nenhuma responsabilidade possuem os sócios que adotarem deliberação contrária ao contrato social. um deles pessoa natural e o outro pessoa jurídica.Exame de Ordem . não podendo haver divisão para fins de transferência. TIPO 1. (C) é permitida a contribuição de sócios por meio de prestação de serviços. mesmo que o contrato social não disponha sobre o assunto. DIREITO COMERCIAL.

b) a responsabilidade de sócios-gerentes das sociedades limitadas não poderá ser solidária com a sociedade. o administrador somente pode praticar atos de gestão previamente autorizados pelos sócios. PROVA OAB/DF . d) aos sócios compete definir o regime supletivo da sociedade que será. atinge as sociedades cujo contrato social é omisso quanto ao regime supletivo. em caso de omissão. 1ª QUESTÃO: Fica a sociedade limitada validamente vinculada ao negócio praticado por seu administrador. que isenta a pessoa jurídica da responsabilidade por atos praticados em seu nome. DIREITO COMERCIAL. d) a prática de qualquer ato estranho ao objeto depende de aprovação de sócios representando a maioria absoluta do capital social. mas estranho a seu objeto? Por quê? FGV DIREITO RIO 148 . em seu nome. o das S/A. IX CONCURSO PúBLICO PARA PROVIMENTO DE CARGOS DE JUIZ FEDERAL SUBSTITUTO NA 2ª REGIÃO. PROVA PRELIMINAR. 21ª QUESTÃO Qual o significado dos atos ultra vires na gerência das sociedades? XXXVIII CONCURSO PARA INGRESSO NA MAGISTRATURA DE CARREIRA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO. é correta a assertiva sobre as Sociedades Limitadas: a) a teoria do ato ultra vires.ABRIL/2006 80ª Questão: Segundo o Código Civil. DIREITO EMPRESARIAL. c) é defeso aos sócios pactuar no contrato social a dissolução total da sociedade caso esta não atinja patamares mínimos de lucro.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa c) no silêncio do contrato social.EXAME DE ORDEM .

deixando de pertencer ao sócio para se incorporar o patrimônio da sociedade.I.. Leitura CompLementar – Páginas 415 a 419 (expulsão do sócio) do Curso de Direito Comercial vol. A serenidade é um dom sem limites preestabelecidos e obrigatórios”267. Se eu o tolero e você não me tolera. Passa-se o mesmo com o respeito.) do Manual de Direito Comercial e de Empresa. Uma situação de tolerância existe quando um tolera o outro. – Páginas 207 a 221 de O Direito de Empresa à luz do Novo Código Civil. não há um estado de tolerância. ao contrário.II. norberto in Elogio da serenidade e outros escritos morais. ementário de temas – Exclusão de sócio remisso. Nesta aula discutiremos a leitura do(s) seguinte(s) capítulo(s): – Páginas 331 a 333 (SIMPLES) 374 a 377 (LTDA. o dinheiro e/ou bens que cada sócio se obrigou a entregar para a constituição do capital social se transmite. – “Justa causa” – Procedimento extrajudicial de exclusão do sócio. se o indivíduo sereno é tolerante e respeitoso. Saraiva: São Paulo/2005. não é apenas isto. – Exclusão de Pleno Direito.. 9ª edição. Sérgio Campinho. 7ª edição. No entanto. não pretende qualquer reciprocidade: a serenidade é uma disposição em relação aos outros que não precisa ser correspondida para se revelar em toda a sua dimensão. José Edwaldo Tavares Borba. 267 BOBBIO. uma vez organizada a sociedade. O sereno não pede. Ricardo Negrão. – Páginas 38 a 40 e 125 e 126 do Direito Societário. – Procedimento judicial de exclusão do sócio.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa AUlA 18: fORMAS DE ExPURGAR O SóCIO INDESEJADO “Como modo de ser em relação ao outro. p. Assim. Fabio Ulhoa Coelho. Renovar/2005. mas. – Liquidação de quotas. A tolerância nasce de um acordo e dura enquanto dura o acordo. prepotência. Saraiva: São Paulo/2004. Tradução de marco aurélio nogueira. 5ª edição. unesp/2002. Cito Kant: ‘Todo homem tem o direito de exigir o respeito dos próprios semelhantes e reciprocamente estar obrigado ele próprio a respeitar os demais’. Aprendemos que o capital social é dividido em quotas ou ações e sua formação consiste no somatório das contribuições que cada sócio realiza (integraliza) ou promete realizar (subscreve). A tolerância é recíproca: para que exista tolerância é preciso que se esteja ao menos em dois. Renovar/2004. a serenidade resvala no território da tolerância e do respeito pelas idéias e pelos modos de viver dos outros. FGV DIREITO RIO 149 . vol. 42-43.

expulsando um ou mais de seus membros. após algumas deduções. que exista cláusula contratual dispondo sobre “justa causa” (vide Jurisprudência. como uma das hipóteses em que se admitirá a exclusão do sócio. esses últimos. Neste sentido. No caso de quebra da affectio societatis. respeito à disciplina da sua nulidade ou art.97.030 do código civil. assim. sendo. ponha em risco o desenvolvimento da empresa e sua função social. que. É necessário. além disso. ou. por intuito pessoal. conforme dispõe o art. seus herdeiros ou sucessores a soma devida pelas suas quotas ou preferindo a sua exclusão. e conseqüentemente para a formação da base patrimonial da sociedade. tanto por via contratual: quando colocarem “em risco a continuidade da empresa.168. sendo assim. como um dos mais importantes pilares de todas as sociedades. subscrito por duas testemunhas. Em qualquer caso do art. que. saraiva. 272 campInHO. o Código Civil manteve a única previsão de exclusão de sócio. Renovar/2005. incidindo em violação grave ao dever primordial do sócio. a forma de reembolso das suas quotas. a lei criou instrumentos jurídicos que permitem a sociedade continuar sua atividade. 289 do código comercial poderão os outros sócios preferir a exclusão do sócio remisso. Transcorrido o prazo. a interpretação do Supremo Tribunal Federal e do Superior Tribunal de Justiça não admite que o sócio. por incapacidade superveniente270”.085 do código civil. estará constituído legalmente em mora. são paulo/1952. Temos então.058. a plurilateralidade do contrato de sociedade levará a resolução somente em relação ao sócio inadimplente. ainda.708/1919268.a. risco financeiro ao desenvolvimento da empresa271. sendo impossível cobrar amigavelmente do sócio. 273 Enunciado 62 (cjF): com a exclusão do sócio remisso. e inovou ao permitir a possibilidade de um ou mais sócios serem excluídos pela maioria (mais da metade do capital social). obriga-se a restituir os valores que o sócio excluído tiver integralizado273. pagando ao proprietário primitivo as entradas por ele realizadas. figurando – a própria sociedade. devendo responder perante a sociedade pelo dano dela decorrente” (artigo 1. no pólo ativo da ação. que já constava do Decreto nº 3. art. n. em virtude de atos de inegável gravidade”269. cujo título executivo é o contrato social.. com concessão do prazo de trinta dias para adimplir suas obrigações. mas sim sócio da sociedade. comum os desentendimentos. sérgio in O Direito de Empresa à luz do novo código civil.004)272. que pode restar comprometida quando um dos sócios torna-se remisso.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa roteiro de auLa É notório que as relações entre os sócios nem sempre transcorrem de forma tranqüila. realizado na data da exclusão. 274 FGV DIREITO RIO 150 . deduzindo os juros da mora e mais prestações estabelecidas no contrato e as despesas. in Ensaios e pareceres. também. É o que ensina Tullio Ascarelli: “A peculiaridade de maior relevo do contrato plurilateral diz. indispensável a colaboração entre todos os sócios . Os outros sócios não serão autores porque estão ligados à sociedade e não entre si (a natureza do ato constitutivo da sociedade é de contrato plurilateral). deve-se dar com base em balanço especial.aquele que subscreveu quotas e não integralizou dentro do prazo pactuado. pág. com efeito.affectio societatis. 1. 1. têm no capital desta a principal (e muitas vezes única) garantia. O conceito de “justa causa” no âmbito do Direito Societário surge com a natureza do contrato social (plurilateral). afigurando-se. como preceituado pelos tribunais. 1. que é contribuir para o capital social. Atento a esta situação. gerando. os terceiros que negociam com a sociedade. poderão os outros sócios tomar a si as quotas anuladas ou transferi-las a estranhos. ao final). como por via judicial: quando praticarem “falta grave no cumprimento de suas obrigações. Mediante uma Ação de Integralização de Capital a sociedade poderá “cobrar” o sócio remisso. que pura e simplesmente não integraliza suas quotas. O sócio inadimplente “estará sujeito a notificação premonitória da sociedade. deve corroborar-se à justa causa. em qualquer das hipóteses. O Código Civil faculta à sociedade optar pela transferência das quotas do sócio remisso para os sócios restantes ou para terceiros. Nesse sentido. ao contrário. A denominada Ação de Integralização de Capital nada mais é do que uma ação de execução. em regra. Mesmo no caso de expulsão do sócio remisso. a presença de um sócio remisso . se caracteriza pela “reunião das partes e a comunhão de escopo que caracterizam a sociedade”274. seja expulso. 268 269 270 271 art. 5ª edição. como ensinou Tullio Ascarelli. Lembre-se de que ninguém é sócio de ninguém. 7º. não afetando o contrato entre os demais. pág.

168. sob o título “Da resolução da sociedade em relação a sócios minoritários”. o direito de votar. mas apenas para dissolução (parcial) da sociedade”. será mais uma fonte de perpetração de disputas. b) ato de inegável gravidade que esteja colocando em risco a continuidade da empresa. quando o assunto for a deliberação sobre a sua exclusão. deixando patente que somente em relação ao minoritário a exclusão pode se dar de forma extrajudicial. aprovado na I jornada de Direito civil. bastando citar a previsão de realização de reunião só para tal deliberação. quando o estado de tolerância deixa de estar presente. o Prof. conforme previsto no art. No mesmo sentido. o mecanismo previsto no parágrafo único do art. Poderia ser argumentado que se trata da maioria do capital votante. as seguranças e fatores inibidores que o processo judicial assegura àquele que deseja exercer o seu direito de defesa278”. conforme argumentou o Dr. FGV DIREITO RIO 151 .085. promovida pelo centro de Estudos judiciários do cjF em 2002.cit. com prazo razoável para a defesa do sócio “acusado”. procedimento extrajudicial de exclusão do sócio O artigo 1. sem as garantias. dispõe que: “a quebra do “affectio societatis” não é causa para a exclusão do sócio minoritário. 277 278 Op. pág. Apesar do novo Código Civil ter contemplado a previsão.208. Sérgio Campinho critica a necessidade de convocação de reunião ou assembléia com a presença do excluído a fim de garantir-lhe o direito ao devido processo legal e ao contraditório.030 do Código Civil. é uma forma de proteger os sócios minoritários de eventuais desmandos dos sócios majoritários e está prevista no art. basta haver previsão de exclusão por justa causa no contrato social para que a exclusão possa ser tomada extrajudicialmente277. c) previsão no contrato social permitindo a exclusão extrajudicial por justa causa.030 do Código Civil.085 do Código Civil permite a exclusão extrajudicial de sócio caso estejam presentes os seguintes requisitos: a) deliberação por sócios que representem mais da metade do capital social. estimulando o enfrentamento dos querelantes. O Enunciado nº 67. 1. Miguel Reale (autor do Código Civil).275 O novo Código Civil chancelou em seu texto a previsão jurisprudencial da “justa causa” como quebra da affectio societatis276.085 acarretará em empecilho a sua efetivação. Assim. entre os sócios.cit. portanto. 275 276 Op. acarretando o desajuste que gera o conflito e configura. pág.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa anulação que pode respeitar a adesão de uma entre as partes não afetando o contrato no seu conjunto”.085 está inserido na seção VII. 1. ciente o acusado em tempo hábil para permitir o comparecimento e exercício do direito de defesa”. da “justa causa” para exclusão de sócio. o art.a. Explica o autor. Reportando-nos a nota de abertura dessa aula – texto de Roberto Bobbio. o estado de prepotência. A exclusão extrajudicial por justa causa somente pode se dar para sócios minoritários. surge. A exclusão de sócio majoritário somente poderá se dar de forma judicial e atendendo aos requisitos do artigo 1. já traçada pela jurisprudência. que dispõe sobre a exclusão ser “deliberada em reunião ou assembléia especialmente convocada para esse fim. uma vez que depende de deliberação por sócios que representem mais da metade do capital social. Ao revés. n. não tendo o majoritário. O procedimento para a exclusão extrajudicial está previsto no parágrafo único daquele artigo. a justa causa. como veremos a seguir. com vasta experiência em atuações judiciais e extrajudiciais em contendas societárias que “a realização de assembléia ou reunião em nada contribuirá para o aprimoramento do instituto da exclusão. 1. 1. Todavia. procedimento judicial de exclusão do sócio A possibilidade de exclusão de sócio pela via judicial.

como também o será o sócio não empresário.a.030 do Código Civil. o inadimplemento das obrigações assumidas no contrato plurilateral de sociedade. ou seja. 280 Os destituídos do necessário discernimento para a prática de atos da vida civil. e não por cabeça. Assim. que poderão circunscrever-se às restrições constantes do art. pois é impositiva. Liquidação de quotas Com a retirada do sócio da sociedade. e 170. sendo necessária a concordância da maioria absoluta dos sócios. tendo a sociedade como autora e o sócio que se pretende excluir como réu. pessoa natural ou jurídica (sociedade simples. morte. 1. 5º. XXII. 283 284 art.031 do código civil. 1.030. podendo ser expulso da sociedade. nos termos do art. a exclusão com base na “justa causa”. faz-se necessário liquidar o valor de sua quota (ou quotas). entende-se ocorrida a exclusão por incapacidade superveniente. 1. A incapacidade superveniente pode se dar com a interdição de sócio280 e também com o fato do sócio. como resultado da formação da massa falida ou massa insolvente. seguindo os parâmetros previstos no contrato social. art. afeta-se à condição de sócio o direito patrimonial disposto no art. assim como os que não podem exprimir sua vontade.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa O termo “falta grave”. 282 n. A ação é de conhecimento e tramitará pelo rito ordinário. por tratar-se de exclusão determinada por sentença judicial. sendo excluído o percentual correspondente ao sócio que se pretende excluir (ele não participa da votação.a.030. referido no artigo. o que configura. onde a atuação pessoal do sócio é imprescindível para a realização do objeto social.031 do Código Civil dispõe que a liquidação se fará. primeira parte do parágrafo único do código civil.772 do código civil prescreve: “pronunciada a interdição das pessoas a que se referem os incisos III e IV do art. os limites da curatela. computados pela participação no capital social. se opera independente da vontade dos sócios283.782”. o juiz assinará. segundo o estado ou o desenvolvimento mental do interdito. A propositura da Ação de Exclusão será objeto de deliberação. pode ser considerado como sinônimo de “ato de inegável gravidade”. III). são absolutamente incapazes (art. processadas no juízo da execução coletiva (falência). O art. é a incapacidade superveniente do sócio. cooperativa e outras) que tenha sido declarada insolvente282. 9º. como vimos anteriormente. É o caso de uma sociedade de médicos. O artigo 1. a incapacidade dos demais pode ser absoluta ou relativa. por razões alheias a sua vontade. 1. 6% do capital social. II da Constituição da República. o pedido de exclusão deverá ser formulado por aquele ou aqueles que detenham.767. Quando a realização do objeto social depender de determinada condição pessoal do sócio (ou sócios) e ele não puder mais realizá-la. segunda parte do parágrafo único do código civil. conforme o decreto de interdição (art. esta medida aplica-se inclusive ao majoritário. não colaborar mais com os outros sócios na realização da empresa. exclusão de pleno direito Será excluído de pleno direito da sociedade o sócio empresário (pessoa jurídica) que tiver sua falência decretada281. assim. No silêncio do contrato. 281 art. que tem um de seus membros impedido de continuar exercendo a medicina em virtude da cassação de sua licença. 1. seja por exclusão. no mínimo. com caráter pessoal. pois assim se afere a disposição de poderes entre os sócios. como pode parecer. sob pena de configuração de voto conflitante). sendo a liquidação das quotas do sócio em questão284. retirada motivada ou imotivada. portanto. se o sócio que se pretende excluir detém 90% do capital social279. 1. FGV DIREITO RIO 152 . e não pelos próprios sócios. 3º). A outra hipótese para a propositura da Ação de Exclusão. a ensejar a quebra da affectio societatis. a regra geral do citado artigo será 279 n. a sociedade não pode deixar de efetivá-la. 1. Em qualquer dessas hipóteses. justificando. Essa possibilidade legal deve ser interpretada restritivamente e só será aplicável à sociedade com características “de pessoas”. como o fundamento para a exclusão de pleno direito é a proteção dos interesses de terceiros. Este sócio será alcançado pela incapacidade superveniente. Esse tipo de exclusão ocorre de pleno direito.

p. ele brigou dentro da loja com um fornecedor e quando o sócio Bernardo chegou para separá-los. todas essas notas continham a assinatura de Christiano e o número do cheque emitido para pagá-las (frise-se que os cheques eram da conta corrente da sociedade). foi xingado e recebeu alguns socos de Christiano. ele poderia participar desta reunião? d) Optando pela expulsão de Christiano. FGV DIREITO RIO 153 . dentro de um prazo que atenda ao critério da razoabilidade285. ou seu valor poderá ser complementado pelos sócios que permanecerem na sociedade.031.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa aplicada e a liquidação da quota (ou quotas) será no percentual que tiver sido efetivamente integralizada. Diante da flexibilidade disposta no art. sob pena de enriquecimento ilícito dos demais sócios mediante o confisco indireto da propriedade do sócio excluído (ou retirante). ele como sócio majoritário. Luciana encontrou algumas notas fiscais emitidas em nome da sociedade. 1. Luciana. Ao fazer uma limpeza nas gavetas do escritório da loja. a data da resolução. sempre administrou a sociedade. Bernardo e Gabriel são sócios de uma sociedade limitada que tem como objeto a venda de quadros e espelhos. como. recursos humanos etc. O pagamento dos haveres poderá ser parcelado. Enfim. sozinho? b) A expulsão de Christiano é juridicamente possível? c) Os sócios pretendem se reunir para tomar alguma atitude em face de Christiano. excluindo-se o valor da quota liquidada. Caso gerador Christiano. Lembrando que esta disposição deve garantir ao sócio excluído (ou retirante) o recebimento de justo valor pelas suas quotas. buscar um terceiro (s) para ingressar como sócio (s). Como não existe cláusula contratual referente à administração da sociedade. com destino o patrimônio da sociedade. Nesse ponto. não pode o contrato estipular que a apuração dos haveres se dará com base no último balanço contábil aprovado. sendo certo que as regras contábeis não contemplam diversos itens de extrema validade. Christiano.ex. porém indicando produtos que jamais foram vendidos por ela. sozinho. porém não seria razoável um parcelamento de 50 anos. a praxe. os demais sócios vêm percebendo uma alteração no comportamento de Christiano. o know-how. Estranhamente.a. Em outras palavras: a apuração dos haveres se fará com base em valores reais. e não apenas em valores contábeis. devendo ser pago o valor referente às quotas. impondo sua condição de sócio majoritário. cada um. Christiano é o sócio majoritário com 40% do capital social e o restante dos sócios participa com 20%. tem o dever de votar na reunião de deliberação específica para a sua exclusão? e) Existe algum valor a ser recebido pelo sócio excluído? Terá alguma diferença se esse sócio não tiver subscrito as suas quotas? f ) O contrato social poderá dispor qual será a forma de reembolso das quotas daquele sócio? Poderá ser por meio de um parcelamento em 50 meses? 285 n. a exclusão ou a retirada de um dos sócios poderá acarretar na redução do capital social. que o prazo de 12 meses é um prazo razoável. os sócios devem estipular no contrato social. verificada em balanço especialmente levantado. indicando. a forma como desejam que se proceda a liquidação das quotas sociais.: a marca. havendo a respectiva distribuição de quotas entre os sócios ou. Contudo. portanto. Pergunta-se: a) Christiano poderia administrar a sociedade. muito menos indicando o administrador. por exemplo. Recentemente. ainda. tendo por base a situação patrimonial da sociedade.

Julga-se improcedente o pedido de dissolução integral e liquidação da sociedade se requerido por sócios minoritários sem razões robustas. fundada em justa causa. evitando-se. julgado em 06.2002 p. a apuração de haveres. DJ 15.02.2001. pág. ou ainda por motivo da quebra da affectio societatis.423/AL. há de fazer-se como de dissolução total se tratasse posto que.” (RE 115.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa JurisprudênCia “Diante da grave providência – exclusão de sócio. DJ 04. mas desprovido. DJ de 13/12/93). como medida grave. ARGUMENTOS QUE CONDUZEM. É de se ponderar. Ministro CARLOS ALBERTO MENEZES DIREITO. Os interesses econômicos e de natureza moral devem ficar devidamente esclarecidos. (RESP 453. 2. Recurso especial conhecido. Relator o Senhor Ministro Waldemar Zveiter. 352). Rel. 886) . diante das circunstâncias de fato do caso. DISSOLUÇÃO INTEGRAL E LIQUIDAÇÃO DE SOCIEDADE POR QUOTAS DE RESPONSABILIDADE LIMITADA. com a devida apuração de haveres. 1. TERCEIRA TURMA. resguardando-se inclusive o direito de defesa do excluído. grifamos AÇÃO ORDINÁRIA DE DISSOLUÇÃO PARCIAL DE SOCIEDADE. grifamos DISSOLUÇÃO PARCIAL DE SOCIEDADE POR QUOTAS.10.12. no caso de sócio retirante ou pré-morto. para supervisionar e fiscalizar o processo.88. pode ficar sujeita ao controle jurisdicional em termos de valoração jurídica. RECURSO ESPECIAL. desde que haja justa causa para o ato. TERCEIRA TURMA. (REsp 315.915/SP. SENTENÇA QUE HOMOLOGA A APURAÇÃO DE HAVERES DETERMINANDO O PAGAMENTO RESPECTIVO EM 90 DIAS.) por outro lado.2006 p. o locupletamento indevido da sociedade ou sócios remanescentes em detrimento dos retirantes” (REsp nº 38. publicado na RTJ nº 128. que a exclusão. não padece a dúvida de que é possível a exclusão de sócio independentemente de cláusula contratual.222-BA. de outro modo. 2.2006. por deliberação majoritária dos cotistas.05. FGV DIREITO RIO 154 . sessão de 13. COM A SAÍDA DOS DISSIDENTES E APURAÇÃO DOS HAVERES. 200).04.. PRECEDENTES. Com isso. A estes sócios. Rel. COMERCIAL. não agride nenhum dispositivo de lei federal. 1. que deve ser medido com justiça.(. segundo a jurisprudência do STJ.160/ SP. sem a representação legal da sociedade. NO MÁXIMO. Ministro HUMBERTO GOMES DE BARROS. para o resguardo de eventual injustiça é que se admite a ação anulatória da deliberação tomada pela sociedade e a reparação a que fará jus o excluído. Esta Terceira Turma tem reiterados precedentes no sentido de que na “dissolução de sociedade de responsabilidade limitada.. PEDIDO DE SÓCIOS MINORITÁRIOS.grifamos. À DISSOLUÇÃO PARCIAL. que demonstrem no mínimo o desvio da finalidade social. insatisfeitos com a administração da sociedade. a nomeação de liquidante. NOMEAÇÃO DE LIQUIDANTE. IMPROCEDÊNCIA DA PRETENSÃO. assegurando-se a garantia do contraditório. no entanto. assiste o direito de retirada. essa linha de entendimento tem por escopo preservar o quantum devido ao sócio retirante. julgado em 08.

Quanto ao pedido de ser determinada a prestação de caução. de arcar com tal despesa. Presunção de veracidade dos fatos alegados pelos autores. Revelia.Julgamento: 19/08/2003 . DES. com a responsabilidade. (2003. DES.APELACAO CIVEL. Beligerância e agressão verbal do réu-sócio que se pretende seja excluído.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa Valores alegadamente adiantados pela empresa ao sócio excluído já computados no laudo pericial. AÇÃO CAUTELAR VISANDO O AFASTAMENTO E EXCLUSÃO DE SÓCIO. Equívoco no endereçamento com ciência do Advogado do Réu. tendo tido a empresa tempo suficiente para efetuar uma reserva para tal finalidade. As partes têm dever de proceder com lealdade no processo. Pedido de parcelamento da quantia devida. sendo certo que a parte das cotas sociais do sócio afastado será judicialmente apurada e não se mostra sob risco.001.01 UFIR’s (fls. (2006.grifamos. além do fato de que o apelado não pode ser obrigado a receber seus haveres de forma parcelada. Nos autos há elementos a demonstrar que o afastamento do agravante da gerência administrativa da sociedade.001. Uma vez inadimplido. Quando presente na sociedade situações que demonstram a atuação do sócio em desacordo com o dever de colaboração a que está submetido affectio societatis . Réu que alega ter juntado contestação e documentos na carta precatória. não havendo nenhuma disposição contratual neste sentido. para ser mantido o íntegro princípio da preservação da empresa. Provimento do apelo neste particular apenas. Possibilidade de juntar-se a resposta tempestivamente. onde o elemento fundamental é o escopo ou objetivo comum.06722 . Equívoco da sentença quando dispôs que o valor deve ser corrigido a partir de janeiro/2003.945.002.DECIMA QUINTA CAMARA CIVEL. Ação Ordinária visando a exclusão de sócio de sociedade empresarial. decorreu da má-gestão administrativa.APELACAO CIVEL. FGV DIREITO RIO 155 . inclusive agilizando e corrigindo. MARIA AUGUSTA VAZ .PRIMEIRA CAMARA CIVEL. sponte propria eventuais equívocos cometidos. GALDINO SIQUEIRA NETTO Julgamento: 28/06/2006 . estará habilitada a Sociedade a excluir o sócio Inadimplente fundamentada na prevalência do interesse social sobre o individual. Sentença que julga procedente o pedido de exclusão e determina a apuração de haveres que se confirma. A decisão monocrática não é teratológica ou contrária à prova dos autos. Decisão que se mantém. Honorários periciais. Impossibilidade tendo em vista que a ação foi proposta há quatro anos. portanto.43209 . Documentos comprobatórios trazidos aos autos pelos autores. inexistente nas demais espécies contratuais. grifamos.SEGUNDA CAMARA CIVEL.AGRAVO DE INSTRUMENTO. mas que no momento da Apelação. O contrato de sociedade é contrato sinallagmatico plurilaterale. Desintegração da affectio societatis. DES. TJ/RJ) AGRAVO DE INSTRUMENTO. quantidade essa que deverá ser atualizada apenas até a data da citação (agosto/2002). TJ/RJ) . (2005. sendo certo que o apelado foi beneficiado com a gratuidade de justiça a ela deferida. no juízo deprecante. somente junta a cópia da contestação desacompanhada de qualquer documento.Julgamento: 01/02/2006 . Elemento indispensável à harmonia entre os sócios. Omissão do Advogado que resta inerte. mais conhecido como elo de colaboração ativa entre os sócios.218 do laudo pericial). este não merece ser acolhido. razão pela qual deve ser homologado o valor equivalente a 429.11911 . Apelantes condenados nos ônus da sucumbência.manifesta se acha justa causa a autorizar sua exclusão da sociedade. eis que tal valor já havia sido corrigido pelo perito até maio/2005. também aqui valendo o interesse social. CRISTINA TEREZA GAULIA . Juntada de contestação. Má-fé processual. TJ/RJ). JDS. estando de acordo com o Enunciado nº 7 deste Tribunal. Prazo da resposta não esgotado.

A despedida de sócio. definida na jurisprudência. inexiste sociedade de um sócio só. conforme prevê o contrato social da empresa. 45. Seja no direito privado anterior. Apuração de haveres em processo formal de liquidação de sociedade (artigo 1.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa AGRAVO DE INSTRUMENTO. VII.SEGUNDA CAMARA CIVEL. Julgado em 02/06/2004) . do Código de Processo Civil) que não pode se ver substituída por apuração unilateral e particular.DEZEMBRO/2007 82ª Questão: A exclusão extrajudicial de sócio de sociedade limitada: a) é admitida no Código Civil de 2002. ao proceder o sócio detentor da maioria do capital social. TJ/RJ).10522 . à despedida de seu único sócio.APELACAO CIVEL. que só admite a exclusão judicial. procedida pelo sócio dito remanescente. desde então. Resolvendo-se o vínculo de um sócio com a sociedade empresária de que faz parte. e não havendo previsão contratual a respeito. seus haveres sociais serão pagos de acordo com o critério do valor FGV DIREITO RIO 156 . Tribunal de Justiça do RS. Na Assembléia Geral realizada após a publicação do acórdão referente ao agravo regimental. Dano moral.001. b) é matéria sem previsão legal. DESTITUIÇÃO DE SÓCIO SEM JUSTA CAUSA. no sentido de que a maioria do capital social pode excluir um sócio diante da impossibilidade de conviver com ele. ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL SECÇÃO SÃO PAULO 125º EXAME DE ORDEM . desde que existem previsão no contrato social de exclusão extrajudicial por justa causa e observado o direito de defesa do sócio cuja exclusão se pretende.grifamos.062 do CC não revoga a disposição do artigo 1. (Agravo de Instrumento Nº 70007363153. AÇÃO CAUTELAR INOMINADA. as sócias não declinam eventual justa causa para a destituição do sócio (gerente). MAURICIO CALDAS LOPES .1ª fase. com ou sem justa causa. IMPOSSIBILIDADE. O artigo 1.019 do mesmo diploma legal. AGRAVO PROVIDO. a pessoa jurídica por eles até então formada. seja no atual. não importa em dano moral in re ipsa.EXAME DE ORDEM .Julgamento: 17/05/2005 . Ordinária de dissolução de sociedade por cotas de responsabilidade limitada. proposta por sócio despedido. depois de não provido o dos réus. razão por que não há como considerar a hipótese de destituição do agravante pelo fato de as outras sócias possuírem 2/3 do capital social. Sexta Câmara Cível. d) pode se fazer à revelia do sócio cuja exclusão se pretende. ora agravante. DIREITO COMERCIAL. de modo que. Provimento parcial do recurso do autor.218. Sentença de procedência. sem justa causa embora. (2005. c) é modalidade de exclusão de sócio afastada por expressa disposição do Código Civil de 2002. DES. extinta estava. Relator: Cacildo de Andrade Xavier. grifamos Questões de ConCurso PROVA OAB/MG .

apurado em balanço especial. Que opções têm os sócios da sociedade limitada em relação ao sócio remisso? (VALOR: UM PONTO E MEIO). (D) econômico de suas quotas na data do efetivo pagamento.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa (A) patrimonial de suas quotas na data da resolução. conforme a cotação em bolsa de valores. apurado em perícia judicial. (C) patrimonial de suas quotas na data do efetivo pagamento.2ª Prova Específica. apurado em balanço especial. (B) econômico de suas quotas à data da resolução. XXXIX CONCURSO PARA INGRESSO NA MAGISTRATURA DE CARREIRA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO . FGV DIREITO RIO 157 .

cumprido esse projeto. a Gafisa foi fundada em 1954 no Rio de janeiro. já marcadas para morrer. ser acionada em juízo.) e 521 a 524 (joint venture) do Direito Societário. normalmente. a partir da realização da oferta pública inicial de ações da companhia. sob o nome de Gomes almeida Fernandes. a joint venture. em 2004 a Gafisa criou a Diretoria de novos negócios para cuidar exclusivamente de novos. o seu destino é a liquidação. S. comandado por samuel zell. Fonte: http://www. sociedade de propósito específico – spe Tem origem em instituto tipicamente norte-americano.E. – Joint Venture. 9ª edição. a sociedade limitada era utilizada por pequenas e médias empresas. Normalmente. Na opinião do prof. – Texto: A Joint Venture e a Sociedade de Propósito Específico.com/gafisa/admin/arquivos/ GAFISA_CVM_PROTOCOLOS_20050627_port. citamos como exemplo as joint ventures.a. para a estruturação de negócios. com sede em são paulo e operações em outras cidades do país. – Semelhanças e Diferenças entre a sociedade limitada e a sociedade anônima. recursos financeiros. O início de 2006 foi marcado pela entrada da Gafisa no novo mercado de governança corporativa da Bovespa.a. Renovar: Rio de Janeiro/2004. que representam cerca de 10 milhões de metros quadrados de área construída. a SPE vem sendo largamente aceita em nosso ordenamento jurídico. entre condomínios residenciais de alto luxo. a SPE. uma das empresas líderes no ranking das maiores construtoras e incorporadoras do segmento residencial no Brasil. na sua maioria de caráter familiar ou restrita a sócios que já se conheciam antes de constituí-la. uma SPE nasce para prestar um serviço a sua controladora. passou a se chamar Gafisa s. para executar objetivos específicos e determinados. José Edwaldo Tavares Borba. ementário de temas – Sociedade de Propósito Específico – SPE. a partir de uma associação com a Gp Investimentos. a Gafisa recebeu um importante acionista: a Equity International properties (EIp). com mais esse passo.. Uma vez constituída de personalidade jurídica. Tomemos como exemplo a GAFISA288. flats e shoppings centers. onde duas ou mais sociedades agregam seus esforços para desenvolver um negócio em conjunto. podendo. tecnológicos e industriais.gafisa. São nada mais nada 286 citamos como exemplo a sociedade holding. ao final da década de 80. na forma de sociedade limitada. Nascem. historicamente. tornou-se a Gafisa Imobiliária e. entre outros. Apesar de não ter regulamentação especial no Brasil e não representar um modelo ou tipo de sociedade. Decidida a expandir sua área de atuação e se tornar uma companhia nacional. Porém. Em 2005. 287 288 a Gafisa s.P. também têm sido utilizadas para grandes operações. Seja de forma isolada ou na participação em “grupos” societários286 ou mesmo em associação com outras sociedades287. Acessar o documento disponibilizado no site: http://www. tais sociedades. inclusive. já faz algum tempo que o caráter intuito personae não domina esse cenário de forma absoluta e.). José Edwaldo Tavares Borba. estabeleceuse no mercado desenvolvendo mais de 900 empreendimentos. a Gafisa oferece aos seus investidores maior transparência e mais segurança e contribui para o aumento da credibilidade do mercado acionário brasileiro. companhia líder brasileira na construção e incorporação de bens imóveis que. constitui uma Sociedade de Propósito Específico – SPE.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa AUlA 19: A UtIlIZAÇÃO DA SOCIEDADE lIMItADA COMO EStRAtéGIA SOCIEtáRIA PARA GRANDES OPERAÇõES Nesta aula discutiremos a leitura do seguinte capítulo: – Páginas 517 a 519 (S. com o objetivo da facilitar a administração de seus negócios. ou até mesmo para desenvolver um projeto da controladora. br/InsTITucIOnaL/ FGV DIREITO RIO 158 .A.pdf#search=%22gafisa%20protocolo%22. em 1997.s etc. adquire direitos e contrai obrigações decorrentes da realização do empreendimento para o qual foi constituída. companhia norte-americana líder em investimentos no setor imobiliário na américa Latina e que pertence ao Equity Group Investments (LLc).com. para cumprir uma simples etapa de um projeto.mz-ir. por meio do qual duas ou mais pessoas naturais e/ou jurídicas agregam suas habilidades. edifícios comerciais. para cada empreendimento seu. roteiro de auLa Aprendemos que. sob uma das formas societárias previstas no ordenamento pátrio (Ltdas.

Visando compartilhar custos e potencializar os pontos fortes de cada empresa. sem vida própria. . o processo de associação ou Joint Venture passa pelas seguintes fases: fASES PrEParaçÃo AtIvIDADES . uma combinação de habilidades e competências por parte de seus integrantes. elas formaram um gigante teoricamente imbatível no mercado. As duas companhias acertaram. a fusão de suas unidades de equipamentos para redes de telecomunicações.acompanhamento dos elementos negociais. pág. contábeis e fiscais da operação . As duas empresas esperam receber aprovações para a fusão das unidades neste ano.apresentação genérica para os novos sócios .assessoria. . Na época. 9ª edição. portanto. pág. pois deviam alcançar resultados e convencer diversos públicos em diferentes países. Há. .disponibilização de uma cópia da Proposta de associação.Negociação das avaliações e valores envolvidos. A Nokia informou que a reorganização das atividades de suporte não terá impacto no número de empregados291. informou a Reuters. Joint Venture A formação de uma joint-venture se dá por intermédio de um acordo de associação entre duas ou mais sociedades. Normalmente. o que permitiria que a associação Nokia Siemens Networks começasse a operar no início de 2007.assinatura de um termo de confidencialidade . formando a quarta maior empresa do mundo no segmento. Volkswagen e Ford anunciaram um acordo que surpreendeu o mercado latino-americano. a sua competência gerencial. Desde o começo. o que permite a expansão da atuação de todas. . Renovar: Rio de janeiro/2004. José Edwaldo Tavares Borba. com 60 mil funcionários. para a criação de uma nova entidade que geralmente executa um trabalho que está além do domínio normal das sociedades originais.Sugestão da estratégia de associação ou Joint Venture . próprio e típico dos novos negócios.busca de sinergias e benefícios que a transação trará para os envolvidos . Renovar: Rio de janeiro/2004. foi tomada no final de 1994 e efetivou-se em março de 1995. 289 in Direito societário. igualmente. 290 291 Fonte: Valor Econômico em 05/09/2006. um aspecto de risco. as empresas informaram que a Nokia contribuiria com 20 mil empregados e a Siemens com o restante para a formação da nova companhia. abordaGEM NEGoCIaçÃo EXECuçÃo in Direito societário. Destacamos alguns exemplos de integração de esforços para a constituição de uma joint venture: Em 1987. 9ª edição. A decisão de separar as empresas.521. Nas palavras do prof.Contato com os potenciais sócios . “há.assessoria na elaboração dos contratos de compra e venda e acordos entre sócios.Preparação da Proposta de associação . dissolvendo a AUTOLATINA.avaliação de duas ou mais pessoas naturais e/ou jurídicas. ocasião em que os sistemas de informação passaram a ser específicos a cada uma delas.518. e sem qualquer interesse particular capaz de justificá-la como empresa289. cada um trazendo o seu know-how específico. em junho. FGV DIREITO RIO 159 .ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa menos do que uma sociedade-escrava. o seu conhecimento de mercado. A Nokia informou que vai reorganizar sua divisão de suporte a clientes empresariais e transferir dois mil funcionários excedentes para a planejada joint-venture com a alemã Siemens . detalhes jurídicos. a missão não era das mais fáceis. num somatório de aptidões capaz de conferir à sociedade condições efetivas de êxito”290. a AUTOLATINA.

as duas formas societárias são equivalentes. a admissão ou saída de sócio poder ser feita com a simples transferência no Livro de Transferência de Ações ou na Conta Corrente de Ações. a sociedade terá nome empresarial seguido da expressão “ltda”. Contudo. sem necessidade de alteração contratual. e os livros e documentos exigidos e de controle são em menor quantidade. da Lei n. com leve vantagem para as sociedades limitadas. As maiores vantagens da sociedade limitada sobre a sociedade anônima estão na desnecessidade da primeira de manter um Conselho Fiscal e possibilidade de dispensa da assembléia se todos os sócios deliberarem por escrito as matérias das reuniões (ou assembléias) anuais de sócio. na primeira. um grau próximo de complexidade. Do ponto de vista contábil. com posterior arquivamento da ata correspondente na Junta Comercial.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa semelhanças e diferenças entre a sociedade limitada e a sociedade anônima Em vista das modificações ocorridas na legislação societária com a entrada em vigor do Código Civil de 2002.º 9. apresentam.078). uma vez que inexiste a obrigatoriedade de publicação de balanço. como a sociedade anônima. O art. aberta ou fechada (valores mobiliários de sua emissão não admitidos à negociação no mercado de valores mobiliários). tanto a sociedade limitada. se faz relevante o estudo comparativo entre os dois principais tipos societários utilizados no Brasil. a aprovação das demonstrações financeiras é feita em assembléia ou reunião. Nas sociedades anônimas. agilizando a administração da sociedade e reduzindo custos e burocracia. a mobilização dos sócios nas sociedades anônimas fica facilitada devido a desnecessidade de arquivo em órgão competente das alterações do quadro societário. 176 e parágrafos). Todavia. o que limita a publicidade do nome dos sócios neste registro público.317/1996. No que concerne à responsabilidade do administrador. a operação somente pode ser formalizada por meio de alteração contratual arquivada no órgão competente. Na sociedade limitada. Estudo Comparativo ASPECtO limite da responsabilidade dos Sócios denominação S/A limitada ao preço de emissão das ações subscritas ou adquiridas. Tanto a sociedade limitada como a sociedade anônima. Na sociedade limitada. inciso III. que vem a ser uma forma de tributação simplificada. principalmente quanto à burocracia necessária para sua manutenção. quais sejam: a sociedade limitada e a sociedade anônima. veda expressamente a entrada de pessoa jurídica constituída sob a forma de sociedade por ações. 9º. uma das desvantagens da sociedade anônima é a impossibilidade de enquadramento no SIMPLES. devem obedecer às normas vigentes. a sociedade será designada por denominação acompanhada das expressões “companhia” ou “sociedade anônima”. atualmente. tipos FGV DIREITO RIO 160 . convocada para este fim ao menos uma vez por ano (art. em especial ao engessamento sofrido pela sociedade limitada. 1. ltDA limitada ao valor do capital social. há a obrigatoriedade de publicação dos balanços e demais demonstrações financeiras (art. Uma vantagem da sociedade anônima sobre a sociedade limitada é o fato de. Não pode haver negociação dos valores mobiliários.

obrigatória apenas nas companhias abertas Não é obrigatório. obrigatória apenas nas de capital aberto obrigatório (funcionamento permanente ou facultativo).reunião 10 sócios ou mais – assembléia. se houver. livro de atas e Pareceres do Conselho Fiscal e o livro de atas da assembléia.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa Forma de Constituição registro Entrada e Saída de Sócio Estatuto Junta Comercial Contrato Social. o livro de atas das assembléias Gerais. Simples transferência nas ações em livro alteração Contratual arquivada na Junta próprio para isso. auditoria nos balanços Não há previsão. mais suplentes em igual número. por escrito. desnecessário FGV DIREITO RIO 161 . e de atas das reuniões de diretoria e o livro de atas e Pareceres do Conselho Fiscal Conselho de administração (acionistas) e diretoria (acionistas ou não) o acionista controlador responde pelos danos causados por atos praticados com abuso de poder assembléia Geral Ingresso de novos sócios Emissão de títulos livros obrigatórios além dos regulares da prática comercial. o livro de “transferência de ações Nominativas”. sobre a matéria que seria seu objeto. Podem ser dispensadas se todos os sócios decidirem. Junta Comercial ou rCPJ. Conselho Fiscal Facultativo. Mínimo de 3 membros. uma ou mais pessoas Não há possibilidade diretoria Conselho de administração Mínimo de 2 acionistas. além dos regulares da prática comercial. por exemplo. debêntures e bônus de subscrição e ações. um direito de preferência para os demais acionistas na aquisição Partes beneficiárias. Mínimo de 3 acionistas. Violação dos deveres de diligência Menos de 10 sócios . administração responsabilidade da administração Órgão deliberativo máximo dispensa da assembléia administrador (sócio ou não) o sócio administrador responde da mesma forma. contratual ações Quotas a quota é indivisível em relação à sociedade. mais suplentes em igual número. deverá ter o livro de atas da administração. deverá ter o livro de registro de ações Nominativas. o livro de Presença dos acionistas. quando houver. estabelecendo. salvo para efeito de transferência a entrada pode se dar se não houver oposição de 75% (setenta e cinco por cento) do capital social Não há possibilidade Forma de divisão do Capital Indivisibilidade a ação é indivisível em relação à companhia o estatuto da companhia fechada pode impor limitações à circulação das ações representativas de seu capital. sem necessidade de alteração Comercial ou rCPJ. Mínimo de 3 e máximo de 5 membros. os livros de atas das reuniões do Conselho de administração.

o contrato social pode estipular a existência de órgãos administrativos auxiliares. teXto A Joint Venture e a Sociedade de Propósito Específico. que nomeiam o administrador do consórcio (operator). de lado a lado..”. dada a semelhança entre elas. oriundo do direito americano. levado por questão de oportunidade do processo legislativo. de duração limitada. com a ressalva que estas não têm tratamento legal completo no Brasil. Modesto Carvalhosa. consórcio contratual que se traduz na “conjugação de aptidões e recursos empresariais de duas ou mais sociedades”. às vezes pesadamente.” O instituto. industrial ou de comercialização.404/76. estudo por rubens edmundo requião. em que o detentor de tecnologia especial. Trata-se de uma associação de pessoas que combinam seus bens. mas inibido pelo desconhecimento de peculiaridades do mercado alvo e pela necessidade de investir. O mesmo fenômeno ocorre com a joint venture e a sociedade de propósito específico. tem sido definido como a partnership for a single business. esforços. apoiados nos dados aqui levantados. em Comentários à Lei de Sociedades Anônimas (vol II. no qual se mantém “a autonomia das consorciadas. em estrutura física. Trata-se de ação de empreendedor.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa A sociedade limitada poderá apresentar um volume grande de negócios.998. embora não necessariamente. O legislador. b) – joint venture corporation. como ocorre nos casos mais comuns. destacando-o na seção que examina a concentração econômica de empresas. que a SPE ou a joint venture será possível levando-se em consideração a pretensão dos sócios que a constituírem. Daí o estudo que se faz do consórcio no capítulo das sociedades por ações. por exemplo. tão complexos quanto aos da sociedade anônima.. dinheiro. O instituto da joint venture é resultado da criatividade empresarial e não encontra tipificação na legislação brasileira. o característico de ambas as espécies é a “especificidade da exploração de determinada atividade de natureza empresarial.. ou seja. pela qual se objetiva a concentração de esforços combinados com a redução de risco empresarial. além do conselho fiscal. A Joint venture. habilidades e conhecimentos com o propósito de FGV DIREITO RIO 162 . de curta duração. a opção por uma dessas formas societárias. assim como o consórcio de pessoas jurídicas. pag 344) refere a existência de: a) – joint venture agreement . a “conjugação de aptidões e recursos empresariais de duas ou mais sociedades. Neste caso. Ed Saraiva. Haverá substancial economia de custos e diminuição de riscos com incremento de capacidade operacional. por ocasião da discussão e edição da lei 6. conceito que se amplia como “uma modalidade de partnership temporária. usualmente. organizada para a execução de um único e isolado empreendimento lucrativo. o que impõe critérios subjetivos para decisão. não são questões diretamente ligadas ou derivadas das sociedades por ações.. O traço da atividade é a cooperação empresária. Assim. Segundo o autor. mediante a constituição de uma nova companhia com o objetivo específico de levar avante o empreendimento comum”. A joint venture e a sociedade de propósito específico. ou seja. se alia à empresa ali estabelecida para aproveitar-lhe as habilidades e conhecimentos bem como própria organização já consolidada. numa restrita margem de escolha. 1. desejoso de explorá-la em determinado local. preferiu tratar o tema do consórcio no espaço desta lei.

A administração da joint venture variará em razão da forma adotada. Mas para preservar a pureza do instituto.. Da última hipótese descrita. as partes devem defini-lo. Na modalidade associativa. Se meramente contratual. são alguns dos exemplos coletados pela experiência para descrever o campo de ação do instituto. A questão é de conveniência comercial ou operacional.”. Se adotada a técnica da formação de uma nova pessoa jurídica. O objeto da “joint venture”. já surge outro fator a condicionar o comportamento das partes. qualificado por negócio específico e com prazo determinado quase sempre. mas nada impede a presença de um grupo mais amplo. cit. sem limitação do número de sujeitos ativos. que é a composição do capital social e os reflexos patrimoniais e de poder que dele surgem. seja indicando data especial ou a consumação do objeto do contrato. de fornecimento. a habilidade. Wilson de Souza Campos Batalha (A nova Lei das S/A. criando sistema de freios e contra pesos por via da distribuição de atribuições administrativas. Não é usual. as partes. 225). a começar pela sociedade em conta de participação. No conceito da joint venture sobressai o fato de que nenhum dos participantes terá preponderância sobre o outro. sem confluir em uma atividade diretamente imputável a um sujeito distinto dos contratantes. inclusive as empresas públicas e sociedades de economia mista. pois os consorciados mantêm sua personalidade jurídica e autonomia patrimonial e negocial. já que o elemento central. equilíbrio entre as partes e a administração terá que ser conduzida por ambos os contratantes. de assistência técnica até a organização de sociedades.. Os participantes das joint venture serão pessoas jurídicas. então sócias. deverão que adotar técnicas que equilibrem o exercício do poder dentro da sociedade. ou por um deles com poderes suficientes para gerir o negócio. conclusão a que se chega observando as definições correntes no direito americano. a realização de trabalho ou obra específico. Dado característico da joint venture é o prazo determinado. aglutinador. embora funcionalmente vinculados à realização de interesse comum.p 360). acentua que “ao contrário das partnerships. que orienta o comportamento das partes é o talento. será sempre restrito. por exemplo. pois se a um é conveniente explorar determinado mercado usando o domínio que sobre ele tem a outra parte. para chegar à estruturas mais pesadas. de modo a evitar a preponderância de uma sobre a outra. como a sociedade anônima. em qualquer de suas formas. É visível que a forma da “joint venture” é indefinida. o domínio de uma técnica ou habilidade. No regime da joint venture contratual haverá. 4ª Edição. apud Modesto Carvalhosa. mantém sua própria individualidade econômica e jurídica. Business Law. Admite simples contratos de colaboração. nova ou não. focalizando a modalidade contratual da joint venture. 1998. ob. Na modalidade contratual. os co-ventures realizam uma pluralidade de atos que. Ltr. a extinção também deverá estar prevista FGV DIREITO RIO 163 . surge a sociedade de propósito específico. pág. de transferência de tecnologia. no mínimo. sua matriz histórica. o teste de mercado ou de lançamento de um novo produto e o estudo de sua evolução imediata e a reação de consumidores. O habitual é pequeno número de interessados. Não se deve olvidar que os participantes terão objetivos convergentes. que conduz a formação do negócio.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa executar uma única operação negocial lucrativa (Len Yong Smith e ou. não haverá administração especializada. O objeto será determinado pelo interesse das partes. a esta haverá o interesse que agregar à sua linha de atuação mais uma atividade. por exemplo. além daqueles acima mencionados. mas nada impede que pessoa física participe de tal tipo de empreendimento. de qualquer espécie.. A penetração em mercado desconhecido para uma das partes. O controle da joint venture tem natureza peculiar.

251 da Lei 6. Penetrará em qualquer dos modelos de sociedade existentes.102 e seguintes do Código Civil. que pouco a pouco vão traçando o perfil do instituto. Tal perspectiva deve levar ao segregamento da contabilidade dos atos relativos à joint venture. 997 assinala que a sociedade constitui-se mediante contrato escrito. O advento do instituto no Brasil ocorreu no ambiente dos contratos públicos. No primeiro caso. particular ou público. A sociedade de propósito específico. O legislador exige precisão na designação do objeto. sendo comum a indicação de atividade genéricas. Por ele se definirá a atividade da sociedade. Mas nem sempre é o que ocorre. Surgem em leis esparsas algumas regras. a ser implantado FGV DIREITO RIO 164 . em certos casos então. no art. A autonomia das partes será completa. formada nos termos do art. ao menos no que concerne aos registros. O contrato tem natureza intuitu personae. por indução da lei. Sociedade de propósito específico. comprovado mediante compromisso de constituição de consórcio. Na hipótese da joint venture institucional.934/94. Para que exista. no art. e não representa um modelo ou tipo de sociedade. no caso. permitindo a operação da sociedade de propósito específico.404/76. proíbe o arquivamento do ato constitutivo de sociedade em que não conste a “declaração precisa de seu objeto”. completado o período de atuação da sociedade. a responsabilidade dos mesmos no caso de transgressão daqueles. ou na lei das sociedades por ações. seja na modalidade associativa. traduzida pela sociedade de propósito específico.404/76 representa um caminho natural para a especialização do objeto social. Surge. afim de que se distanciem da atividade pessoal das partes. A cessão do contrato ou de obrigações dele derivadas. a sua legitimidade para a prática de certos atos. segundo o tipo social adotado. a segunda modalidade. autorizando-o a permitir a participação na licitação de consórcios de empresas. e poderá assumir a condição de companhia aberta. A Lei nº 6. 8. seja na modalidade contratual. encerrada a joint venture. A disposição se dirige ao administrador público. como prevista no art. no modo mais apropriado às expectativas dos sócios. Na falta de previsão legal específica. O objeto social. não tem regulação especial no Brasil. portanto. como se vê na Lei nº. ressalvada a sociedade em nome coletivo (na qual se proíbe sócios pessoas jurídicas no regime do Código Civil de 2002 e desde que se admita que a sociedade de propósito específico não possa ser formada por pessoas naturais). geralmente de aplicação restrita. 2º estabelece que pode ser objeto da companhia qualquer empresa de fim lucrativo. dependerão de consenso das partes. a necessidade de especialização absoluta. no caso. como será o caso de se adotar a forma da sociedade em comandita simples. atributos e habilidades pessoais das partes. a joint venture não implica em solidariedade dos participantes. a sub-rogação pessoal não são autorizadas na joint venture. art. visto que se trava em razão das qualidades. com o acerto de contas final.666/93. O Código Civil de 2002. de modo a evitar a necessidade de alterar o contrato social ou estatuto a cada momento em que surgir uma oportunidade de negócio não contemplada expressamente no objeto social. que mencionará o objeto da sociedade. as obrigações das partes devem ser liquidadas. a solidariedade deverá estar determinada no próprio contrato instituidor. a capacidade de atuação de seus administradores. A subsidiária integral.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa no ato constitutivo. é motivo de preocupação do legislador. As alterações subjetivas. no art. A Lei nº. inciso III. os limites impostos a estes e aos sócios. 1. 35. 8. no inglês special purpose company ou special purpose consortium. 33. determinando o § 2º do mesmo artigo que “O estatuto social definirá o objeto de modo preciso e completo”. procede-se a sua liquidação.

9.079. dado que os contratos de concessão públicos são muito complexos e celebrados com prazos muito longos. A pessoa jurídica. O passo seguinte. em substituição do consórcio despersonalizado. que regula a recuperação judicial e extra judicial. serão as estudadas nas várias modalidades associativas previstas no direito brasileiro para as empresas com finalidade lucrativa. de 31 de dezembro de 2. Além de determinar a constituição da sociedade de propósito específico incumbida de implantar e gerir o objeto da parceria. conforme o que for previsto no edital e no contrato. Procedia-se. O art. Existe a possibilidade de emissão de ações “golden share”. em pagamento dos créditos. As regras que regem o relacionamento entre os sócios. entre a sociedade e seus sócios. que regula as concessões de serviços públicos. 9º dessa lei estabelece algumas regras sobre a técnica ora estudada. riscos. no edital.005. seguido da formação da pessoa jurídica no caso de adjudicação. A transferência do controle de sociedade de propósito específico dependerá de autorização da Administração. a qual autoriza a participação de um consórcio na fase da concorrência. que refujam ao tipo padrão do modo associativo. os ativos do devedor. no caso de inadimplemento de contrato de financiamento. operações e contabilidade. entre a sociedade e terceiros. as responsabilidades dos controladores e dos administradores. com vantagem daquela representar maior estabilidade. no art. regulamentou as chamadas “parcerias público privadas”. concedendo à autoridade o poder de controle sobre as deliberações relativas a certas matérias. deixando mais nítida a responsabilidade da empresa concessionária e de seus sócios componentes. foi dado pelo agente público que fazia constar. permite melhor fiscalização por parte do concedente. bem como a falência do empresário e da sociedade empresária. pode impor um determinado tipo de sociedade além de condições especiais.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa definitivamente se adjudicado o pacto. FGV DIREITO RIO 165 . tidas como instrumento necessário à implantação de grandes projetos relativos à infra-estrutura econômica do Brasil. no caso das parcerias público privada. como ensina Modesto Carvalhosa (op. a exigência de constituição de empresa especializada. incluí. “A administração pública evolui para a exigência de constituição de uma sociedade que pudesse nitidamente separar os capitais. A Lei nº. os recursos e as aptidões. 11. 50. pag 355). Haverá a presença de uma pessoa jurídica especializada. no edital do concurso público. XVI. devendo obedecer a regras de governança corporativa. para celebração deste. A Lei Nº. O agente público. segregando obrigações. ainda. após o concurso. que era levado a registro. cit. ou a própria lei que exigir a formação da sociedade de propósito específico. em evolução natural. tendo em conta o programa ditado pela referida lei. O tratamento legal das sociedades de propósito específico em nada difere das situações corriqueiras encontradas na legislação.101 de 9 de fevereiro de 2.074/95. como um dos meios de recuperação judicial. adotando contabilidade e demonstrações financeiras padronizadas. mas se admite que instituições financeiras sob controle estatal eventualmente assumam o controle. uma vez adjudicado o contrato. A administração pública não poderá ser titular da maioria do capital votante da sociedade de propósito específico. patrimônio. voltada unicamente para a execução do contrato público celebrado”. a lei citada permite que esta sociedade assuma a condição de companhia aberta. a formação definitiva do consorcio. Tal situação acabou respaldada pela Lei nº. com valores mobiliários admitidos a negociação no mercado. 11.004. a constituição de sociedade de propósito específico para adjudicar.

professor de Direito Empresarial da Escola da magistratura do Rio de janeiro. mestrando em Direito Econômico pela universidade cândido mendes . pós-Graduado em Direito privado pela universidade Federal Fluminense.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa jUAN lUIz SOUzA vAzqUEz promotor de justiça-Rj. professor da pós-Graduação em Direito Empresarial da Fundação Getúlio Vargas. FGV DIREITO RIO 166 .Rj.

ORGANIZAÇÃO JURÍDICA DA PEQUENA EMPRESA FICHA TÉCNICA Fundação Getulio Vargas Carlos Ivan Simonsen Leal PRESIDENTE FGV DIREITO RIO Joaquim Falcão DIRETOR Fernando Penteado Sérgio Guerra VICE-DIRETOR DA GRADUAÇÃO VICE-DIRETOR DE PÓS-GRADUAÇÃO Luiz Roberto Ayoub Ronaldo Lemos PROFESSOR COORDENADOR DO PROGRAMA DE CAPACITAÇÃO EM PODER JUDICIÁRIO COORDENADOR CENTRO DE TECNOLOGIA E SOCIEDADE Evandro Menezes De Carvalho COORDENADOR DA GRADUAÇÃO Rogério Barcelos Alves COORDENADOR DE METODOLOGIA E MATERIAL DIDÁTICO Lígia Fabris e Thiago Bottino do Amaral Wania Torres COORDENADORES DO NÚCLEO DE PRÁTICA JURÍDICA COORDENADORA DE SECRETARIA DE GRADUAÇÃO Diogo Pinheiro Milena Brant COORDENADOR DE FINANÇAS COORDENADORA DE MARKETING ESTRATÉGICO E PLANEJAMENTO FGV DIREITO RIO 167 .

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