ORGANIZAÇÃO JURÍDICA DA PEQUENA EMPRESA

AUTOR: MÁRCIO GUIMARÃES COLABORAÇÃO: MÁRCIA BARROSO

3ª EDIÇÃO

ROTEIRO DE CURSO 2010.1

Organização jurídica da pequena empresa

Sumário

AUlA 01: SOCIEDADES NãO-PERSONIfICADAS E SOCIEDADES PERSONIfICADAS ..................................................................................3 AUlAS 02, 03 E 04: REUNIãO COm ClIENTE PARA ElAbORAçãO DO CONTRATO SOCIAl .......................................................................23 AUlA 05: INfORmAlIDADE NO SETOR EmPRESARIAl .......................................................................................................................36 AUlAS 06 E 07: mODElOS SOCIETáRIOS DE ATUAçãO EmPRESARIAl PARA A PEqUENA E méDIA EmPRESA ..........................................55 AUlA 08: A OPçãO PElO mODElO SOCIEDADE lImITADA Em CONTRAPONTO AO mODElO SOCIEDADE POR AçõES .................................73 AUlAS 09, 10 E 11: SER SóCIO DE UmA SOCIEDADE lImITADA ...........................................................................................................82 AUlA 12: A ClASSIfICAçãO DA SOCIEDADE lImITADA ......................................................................................................................92 AUlAS 13 E 14: O fINANCIAmENTO DA SOCIEDADE lImITADA ......................................................................................................... 104 AUlA 15: mECANISmOS DE fORmAçãO DA vONTADE SOCIAl E SUA fISCAlIzAçãO .......................................................................... 118 AUlA 16: DIREITO DE RETIRADA. APURAçãO DE hAvERES. bAlANçO DE DETERmINAçãO................................................................. 129 AUlA 17: DIREçãO DAS ATIvIDADES EmPRESARIAIS ...................................................................................................................... 135 AUlA 18: fORmAS DE ExPURgAR O SóCIO INDESEjADO ................................................................................................................. 149 AUlA 19: A UTIlIzAçãO DA SOCIEDADE lImITADA COmO ESTRATégIA SOCIETáRIA PARA gRANDES OPERAçõES ................................ 158

ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa

AUlA 01: SOCIEDADES NÃO-PERSONIfICADAS E SOCIEDADES PERSONIfICADAS

Aprendemos que o Empresário e a Sociedade Empresária estão sujeitos ao registro a cargo das Juntas Comerciais e as Sociedades Simples no Cartório de Registro Civil das Pessoas Jurídicas. O registro “desvincula” a sociedade da pessoa de seus sócios, atribuindolhe personalidade jurídica, além de conferir autenticidade, segurança e validade aos atos jurídicos pertinentes à sociedade, sendo a publicação destes atos elemento essencial para salvaguardar o interesse de terceiros. Nesta aula discutiremos a leitura do(s) seguinte(s) capítulo(s): – ALMEIDA, José Gabriel Assis de. A noção jurídica de empresa. In Revista de Informação Legislativa Revista de informação legislativa, v.36, n.143, p.211-229, jul./set.,1999 (anexo I) – REQUIÃO, Rubens. Curso de Direito Comercial, 1º volume, 26 edição – São Paulo: Saraiva, 2005; Nrsº 29 a 36-. Págs: 49 a 61; – MARTINS, Fran. Curso de Direito Comercial: empresa comercial, empresários individuais, sociedades comerciais, fundo de comércio/ ed.rev. e atual. - Rio de Janeiro, Forense, 2002; Capítulo Primeiro (sub-itens: I a IV). Págs: 1 a 54; – BORBA, José Edwaldo Tavares. Direito Societário – 7º ed. rev. atual. – Rio de Janeiro: Renovar, 2001; Capítulo I. Págs: 1 a 8; – CAMPINHO, Sérgio. O Direito da Empresa à luz do novo Código Civil – 6º edição revista e atualizada conforme a Lei 11.101/05, Rio de Janeiro: Renovar, 2005; Capítulos 1 e 2. Págs: 1 a 29; – NEGRÃO, Ricardo. Manual de Direito Comercial e de Empresa, vol.1. 4º edição. São Paulo: Saraiva, 2005; Capítulos 1 a 4. Págs: 1 a 58.

Leitura CompLementar: – Páginas 142 a 170 (não-personificadas) e 171 a 204 (Simples) e 238 a 256 (Nome Coletivo) e 257 a 281 (Comandita Simples) dos Comentários ao Código Civil Brasileiro. Do Direito de Empresa (arts. 996 a 1.087), vol. IX. Newton Lucca, Rogério Monteiro, J.A. Penalva Santos e Paulo Penalva Santos. Forense: Rio de Janeiro/2005. – RIZZARDO, Arnaldo. Direito de Empresa. 2 ed. Rio de Janeiro: Forense, 2007, capítulo I; – CORREIA, Antônio de Arruda Ferrer. Lições de direito comercial. Coimbra: Universidade de Coimbra, 1973; – CHULIA, Francisco Vicent. Compendio crítico de Derecho Mercantil. Barcelona. Librería Bosch, 1986; – FERREIRA, Waldemar. Tratado de sociedades mercantis. Rio de Janeiro: Editora Nacional de Direito, 1958; – GOWER, L.C.B. and PRETINCE, D. D. Gower´s principles of modern company law. Londres: Sweet & Maxwell, 1992;

1

Lei nº 556/1850.

FGV DIREITO RIO

3

não tornando ilícito o contrato de sociedade estabelecido entre as partes que atenda às formalidades legais. Tratado de direito comercial brasileiro. a legislação brasileira prevê outras formas legais de sociedades – personificadas e não personificadas. 2 FGV DIREITO RIO 4 . Carvalho de. portanto. – BORBa. Renovar/2004. ambos do Código Civil de 2002. seria uma sociedade comercial. Rio de Janeiro: Freitas Bastos. pg. embora possa ser constituída mediante instrumento escrito (ato constitutivo: contrato social). as quais eram divididas em “civis” e “comerciais”. Droit de affaires. • Sociedade em Nome Coletivo. Se a sociedade tivesse como objeto a prática de “atos de comércio”. A ausência do registro do ato constitutivo tem por efeito. Ademais. Paris: Economica. Crítica a terminologia adotada pelo Código Civil. Todavia. X. Direito Comercial e Direito Civil foram formalmente unificados e a teoria dos atos de comércio foi revogada. pois. o registro não terá a finalidade de definir quem será ou não empresário. 2 vols. à sociedade em comum (art. – MENDONÇA. conforme previsão expressa nos artigos 45 e 985.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa – GUYON. Neste “as normas da sociedade simples. 9ª edição. • Sociedade em Comandita Simples • Sociedade em Comandita por Ações. 67. como foi analisado em Teoria Geral da Empresa. Com o advento do Código Civil de 2002. A pessoa do sócio não se diferencia da personalidade da sociedade.986)”. Yves. ementário de temas: – – – – – Sociedades Não-Personificadas: • Sociedade em Comum • Sociedade em Conta de Participação Sociedades personificadas: • Sociedade Simples. Para o exercício do ato simples e o ato de empresa. O registro no RCPJ ou na JUCERJA – Junta Comercial do Estado do Rio de Janeiro será necessário para que a sociedade adquira personalidade jurídica. josé Edwaldo Tavares Borba in Direito societário. Sociedades em conta de participação Caso: Utilização da Sociedade em Conta de Participação no cenário atual. 1986. apenas a falta de atribuição de personalidade. a terminologia utilizada para classificação de sociedades é: “simples” e “empresária”. Hoje. caso contrário. serão aplicáveis. roteiro de auLa: O Código Comercial1 era o texto legal que regulamentava as sociedades. subsidiariamente. seria uma sociedade civil. J. a sociedade não formalizou seu registro no órgão competente (Registro Público de Empresas Mercantis – Junta Comercial ou Cartório de Registro Civil das Pessoas Jurídicas – RCPJ). guardados os limites da compatibilidade. os modelos societários mais utilizados são: Sociedade Limitada e a Sociedade Anônima. conforme veremos a seguir: sociedades não personificadas. 1945.

a figura dos sócios é separada da sociedade que se torna capaz de exercer direitos e assumir obrigações em seu nome.162).038 FGV DIREITO RIO 5 . embora seja conhecida como “sociedade”. A sociedade é dita personificada quando está legalmente constituída e registrada no órgão competente. adotará uma “denominação”. devendo o contrato prever a maneira como cada um irá contribuir (dinheiro. a responsabilidade dos sócios é ilimitada. que deverá se correlacionar com o seu objeto social. O Código Civil trouxe duas hipóteses de sociedade sem personalidade jurídica: Sociedades Não Personificadas trata-se de hipótese bastante comum. podendo adicionar uma expressão de fantasia. Sociedade em Comum2 (antiga: Sociedade Irregular ou de Fato) art.993). podemos considerar uma sociedade sem registro como sendo empresária. caso esta ostente os requisitos para que seja considerada como tal.150 do Código Civil estabelecem que a sociedade adquire personalidade jurídica com a inscrição de seus atos constitutivos em registro próprio e na forma da lei. voltada para o trabalho intelectual. a atividade prevista no objeto social é exercida apenas pelo sócio ostensivo. mas participam dos resultados obtidos com os negócios realizados pelo sócio ostensivo. 985 e 1. perante terceiros. podendo o contrato social dispor sobre a subsidiariedade (primeiro alcança-se a sociedade e. os sócios participantes não “aparecem”. trabalho etc). imóvel. para atividades sem estrutura organizacional. 991 a 996 sociedades personificadas. pelo seu caráter não-empresarial. 990) desde logo é preciso assinalar que. 997 a 1. ilimitadamente. Sociedade Simples art. Por faltar-lhe personalidade jurídica não possui“nome empresarial” (artigo 1. tem capacidade processual passiva. Sociedade de pessoas com natureza contratual e que. poderse-ia alcançar o sócio) e os sócios responderão. para os pequenos negócios. mas não tem ativa. em seu próprio nome e sob sua exclusiva responsabilidade. caso esta não possua bens suficientes para adimplir sua obrigação. sendo uma forma contratual que antecede à inscrição dos atos constitutivos em registro competente. Eventual ação de interesse da sociedade deverá ser proposta pelos sócios. A partir desse momento. os sócios participantes possuem apenas responsabilidade interna. cuja prática não constitua elemento de empresa.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa sentido. Sociedades Personificadas Constituída exclusivamente para a atividade não empresária. Possui patrimônio especial formado por bens e dívidas da sociedade. perante terceiros. Os artigos 45. todos os sócios respondem solidária e ilimitadamente pelas obrigações sociais (art. deve ser inscrita no Cartório de registro Civil das Pessoas Jurídicas-rCPJ. de forma proporcional à participação no capital social. 986 a 990 Sociedade em Conta de Participação art. na verdade é reconhecida pela doutrina como “contrato de participação” e nem mesmo a inscrição dos atos constitutivos em registro competente lhe conferirá personalidade jurídica (art. Somente o sócio ostensivo se obriga. passando a ser chamada de pessoa jurídica.

092 Será sempre “empresária” (art. serão solidariamente responsáveis6. sendo uma forma de garantia para os credores. muitos autores. 6 7 a elaboração do ato constitutivo da sociedade anônima será através de “uma ata de assembléia na qual se ajustam as normas de seu estatuto social (e não contrato social).982.. Comanditários – obrigados apenas pelo valor de suas quotas. somente farão parte os nomes dos sócios diretores ou administradores. uma vez não integralizado. porém. o sócio obriga-se a integralizar suas quotas (responsabilidade pessoal). quando mantêm a titularidade os acionistas presentes no estatuto social (Companhia Fechada). É uma sociedade de capital. são paulo/2004.a. art. p. 1. Sociedade limitada art..” mamEDE.052 a 1. a limitação ultrapassa a quota do sócio. Gladston in Direito societário: sociedades simples e Empresárias. adotará uma “firma social” formada pelo nome de um ou alguns dos sócios. Há instituidores. Em regra.982.) e constituída através de um Estatuto7 (e não contrato social). pg.ú. não há mesmo. no qual os acionistas não são sequer nomeados e qualificados. A expressão “sociedade não personificada” é contraditória. pg. nem a definição de direitos e deveres recíprocos. 1. a personalidade jurídica da sociedade surgiria com a affectio societatis e não com arquivamento. que poderão ser negociadas no 6. devidamente discriminados no contrato social: Comanditados: somente pessoas naturais. o capital social é dividido em ações. são pessoas naturais (art. esta última. Sociedade em Comandita Simples art. 282 a ações11 284 da lei 6. 3 4 a responsabilidade será “ilimitada porque ultrapassa os limites do patrimônio social quando este é insuficiente. Por isso.088 e sua atividade.089 anônima” (na forma abreviada: “S. a responsabilidade dos sócios (acionistas) é limitada ao valor das ações subscritas ou adquiridas. ilimitada e solidariamente pelas obrigações sociais4. pelo que faltar. sempre. obrigatoriamente. evidenciando a vontade de constituir uma sociedade. 1. Ricardo negrão. responderão os sócio. nem de capital. como o prof. Esgotado o patrimônio da sociedade. 5 Sociedade em Comandita por art. supletivamente. somente o arquivamento acarretará no seu nascimento14. originária ou derivadamente.1. são paulo/2005. como o Prof. interpretaram o dispositivo entendendo que a sociedade estará criada no momento em que as partes se unirem. a responsabilidade dos sócios é limitada à integralização do capital social..039) e respondem. FGV DIREITO RIO 6 . alguns doutrinadores. responsáveis solidária e ilimitadamente pelas obrigações sociais. 1. portanto. p. não adota firma social9 e sim uma denominação composta por qualquer vocábulo ligado a art.087 Sociedade anônima Será sempre “empresária” (art. não respondendo.039 a Nome Coletivo 1. regese pelas normas da sociedade simples e. o capital social é dividido em quotas e não pode ser constituído com prestação de serviço.”) ou “Companhia” (na forma abreviada: “Cia”). neste caso. Sua característica principal é a existência de duas categorias de sócios. perante terceiros.045 a 1. optando por esta. que deverá vir acompanhado da expressão “sociedade 1. 1. Sérgio Campinho. não tendo relevância a pessoa de seus sócios8. e acionistas que vão aderindo ao empreendimento. diretor ou administrador (que será obrigatoriamente sócio) responderá subsidiária e ilimitadamente pelas obrigações sociais12.404/76 mercado (Companhia aberta) ou não. atlas. O Código Civil estabelece que a sociedade não personificada é aquela sem personalidade jurídica. pelas regras das sociedades anônimas”. Ricardo in manual de Direito comercial e de Empresa. nEGRãO.384. saraiva. respondendo os acionistas apenas pelo valor das ações subscritas ou adquiridas (responsabilidade limitada). Poderá adotar estrutura de denominação ou firma.051 a sociedade responde em primeiro plano pelas obrigações assumidas em seu nome. no início da denominação10. solidária em razão de responderem todos os sócios pelo que faltar para total satisfação dos credores sociais”.044 os sócios.342. já que essa é a natureza jurídica das sociedades.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa Sociedade em art. Não podem administrar a sociedade nem ter o nome incluído na firma social. um reconhecimento mútuo obrigatório. a sociedade existiria mesmo sem o arquivamento de seus atos constitutivos (sociedade não personificada). consideram a sociedade limitada um modelo “misto” de sociedade uma vez que em caso de omissão. perante terceiros. lei o capital social divide-se em ações. Entendemos que não há como identificar uma sociedade que não seja uma pessoa jurídica de direito privado13. perante a sociedade.404/76 Crítica à terminologia adotada.ú. Em outras palavras.090 a 1. via de conseqüência. Com isso. por obrigações assumidas pela sociedade. trata-se de uma sociedade de pessoas5. o administrador será pessoa natural que pode ou não fazer parte do quadro societário. pois se é sociedade como não terá personalidade? Neste sentido. embora de forma subsidiária3. todos os sócios serão solidariamente responsáveis pela integralização de todo o capital social.. acompanhado da expressão “e companhia”.) e constituída através de um Estatuto. ela não é sociedade de pessoas. como tal compreendidos aqueles responsáveis pela fundação da companhia.

pg. pois a sociedade se constitui em função do capital. Os terceiros. 10 josé Edwaldo Tavares Borba entende se tratar de sociedade de responsabilidade mista. Essa responsabilidade nunca pode ser atribuída ao sócio participante. a retirada dos mesmos do organismo social não tem influência sobre esse. e pode provar-se por todo o gênero de provas admitidas nos contratos comerciais”. Mesmo antes do advento do Código Civil de 2002. Até o ano de 1986. sociedades em conta de participação – sCp.” – Recurso Especial 168028-SP19. são exatamente aqueles referidos implicitamente pela Carta Maior. 988 estabelece que os bens da Sociedade em Comum gozam de proteção especial. Decorre esse fato da responsabilidade limitada dos sócios. Fran in curso de Direito comercial. que apenas assumem o compromisso de integralizar as importâncias relativas às ações que adquirirem ou subscreverem. II do código civil. o conteúdo e o alcance de institutos. atribuiu-lhe a condição de sujeito passivo da obrigação tributária. o Código Civil regulamenta as relações entre pessoas naturais e jurídicas sob o amparo da Constituição Federal. Sua equiparação à pessoa jurídica para fins fiscais ocorreu com o Decreto-Lei 2303/8616. em sua maioria. Este “benefício de ordem” caracteriza o modelo de responsabilidade subsidiária que faculta às partes estabelecer o que deverá ser alcançado primeiro numa eventual execução. Vejamos alguns julgados (a íntegra dos acórdãos está disponível ao final – jurisprudência): – Recurso Especial 474404-PR18. Ato contínuo. a legislação tributária vislumbrou o caminho mais lucrativo para os cofres públicos. Os artigos 325 a 32815 do Código Comercial. pg. hoje identificada como “sociedade em comum”. sem que isso descaracterize a denominação transformando-a em firma. tomando assim. ora revogados. conceitos e formas de direito privado”. 11 12 Em havendo mais de um diretor ou administrador a responsabilidade será solidária (art. 28ª edição. no rol previsto no art. a SCP não era considerada contribuinte para o FISCO. regulamentavam a sociedade em conta de participação de uma forma relativamente vaga. Em relação à personalidade jurídica estabelecia que a SCP “não está sujeita às formalidades prescritas para a formação das outras sociedades. 44. Mas como foi criado um modelo de responsabilidade se a sociedade não existe? Essa é a questão. sendo que este “patrimônio especial” será atingido pelas dívidas da sociedade. inclusive. que contratam com a sociedade. quanto à personalidade jurídica. 110 do CTN que é a norma de integração dos institutos de Direito Privado e Direito Tributário. os Tribunais. não contam com garantias subsidiárias por parte dos acionistas.091 §1º). maRTIns. 143. Neste sentido. cit. 45 e 985 do código civil. expressamente. o art. para base de suas operações apenas o patrimônio da sociedade. O problema é que o Código Civil passou a considerála “sociedade”. cumprida a obrigação principal dos sócios de concorrer com sua parte para o capital. além dos sócios de responsabilidade limitada.11017 do CTN. dispõe de sócios de responsabilidade ilimitada. Apesar de não constar. já aceitavam a idéia da inexistência da personalidade jurídica das SCP. Esse dispositivo estabelece que a norma tributária “não pode alterar a definição. 990. Forense.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa A sociedade de que trata o artigo 986 é a sociedade irregular ou de fato. pois essa inclusão nada mais é que uma homenagem. porém. não merecendo atenção especial a pessoa dos sócios. esquecendo-se. 1. “as sociedades anônimas são consideradas sociedades de capital pois vivem em função deste. Mas não podemos falar em “patrimônio da sociedade” porque o patrimônio é inerente à personalidade e como não existe sociedade não há personalidade! O que a sociedade em comum possui é um “patrimônio afetado” (patrimônio de afetação). não podendo sofrer alteração pela norma tributária. o STJ decidiu que “não há falar em citação de sociedade em conta de participação que não tem personalidade jurídica e nem existência perante terceiros. do art. por outro lado. Os conteúdos e conceitos dos institutos previstos no Código Civil. 8 9 O nome empresarial poderá ser composto pelo nome do fundador ou de pessoa relevante para a companhia. arts. traçando. que diante da omissão dos artigos do Código Comercial. FGV DIREITO RIO 7 .233. “uma vez que. que sequer é conhecido daqueles com os quais a sociedade contrata. Essa a razão de se dizer que as pessoas dos sócios não são levados em consideração na existência das sociedades anônimas”. que são os diretores e administradores”. para evitar confusão com a sociedade em nome coletivo. o modelo de responsabilidade subsidiária para ela. Op. 13 14 art. que poderá ser alcançado primeiro pelo credor conforme estabelece o art. Rio de janeiro/2002. o STJ decidiu que na SCP somente o sócio ostensivo que se obriga perante terceiros por todas as obrigações e operações sociais.

que a SCP não tem e não pode adquirir personalidade jurídica. ainda mesmo que seja por obrigações pessoais. parágrafo único. O sócio ostensivo. não consegue tomar empréstimo junto a instituições financeiras e seus 05 sócios já começam a se desesperar. então apelante. Durante um jantar de negócios. serão observadas as normas aplicáveis às demais pessoas jurídicas. 16 constituições Federal. a associação toma o nome de sociedade em conta de participação. os sócios participantes contribuem para a formação de um “patrimônio especial”. art. Caso gerador: CONFECÇÃO MALHA FINA LTDA. para lucro comum. esta sociedade não está sujeita às formalidades prescritas para a formação das outras sociedades. trabalhando um. é o sócio ostensivo quem se obriga perante terceiros. 2. art 7º Equiparam-se a pessoas jurídicas. expressamente. Como seu principal credor é o FISCO. Não há falar em citação da sociedade em conta de participação. muito embora não tenha know-how em malharias. Tanto a sociedade limitada quanto os investidores não se “conhecem”. salvo o direito dos sócios prejudicados contra o sócio-gerente. 17 FGV DIREITO RIO 8 . para os efeitos da legislação do imposto de renda. Pergunta-se: a) Como o grupo de investidores poderia investir na malharia. se o terceiro com quem tratou ignorava a existência da sociedade. os outros sócios ficam unicamente obrigados para com o mesmo sócio por todos os resultados das transações e obrigações sociais empreendidas nos termos precisos do contrato. sem firma social. Não há violação aos artigos 458. assim. alguns ou todos. contratando em seu nome. Na SCP. na forma prevista no contrato (com dinheiro. Leis Orgânicas do Distrito Federal e dos municípios. posto que abertas sejam debaixo de distintas designações. NOMEAÇÃO DE LIQUIDANTE. dos Estados. assim como na tributação dos lucros apurados e dos distribuídos. uma vez que não provem que o dito terceiro tinha conhecimento. CITAÇÃO DA SOCIEDADE CONSTITUÍDA. 15 JurisprudênCia. trabalho etc) e participam dos resultados. assumindo o papel de sujeito passivo das obrigações principais e acessórias. nem existência perante terceiros. art. Por exercer com exclusividade a atividade constituída no objeto social. tampouco figurar como sócios. em seu nome individual para o fim social. além de sua contribuição (normalmente através da prestação de serviços). na apuração dos resultados dessas sociedades. acidental. em uma ou mais operações de comércio determinadas. há mais de 20 anos atuando no mercado interno. em nenhuma circunstância. 327 – na mesma sociedade o sócio-gerente responsabiliza todos os fundos sociais. da existência da sociedade em conta de participação. e pode provar-se por todo o gênero de provas admitidas nos contratos comerciais. 325 – quando duas ou mais pessoas. as sociedades em conta de participação. é lícito ao terceiro com quem houver tratado saldar todas as contas que com ele tiver. momentânea ou anônima. com os fundos pertencentes a quaisquer das mesmas contas. na forma do art. II. cuja rentabilidade eles acreditam? Como se daria esse procedimento? b) Na hipótese da criação de uma SCP. antes da quebra. 328 – no caso de quebrar ou falir o sócio-gerente. DISSOLUÇÃO. pratica todas as operações oriundas do objeto social. está passando por uma grave crise financeira. a SCP é pessoa jurídica para fins tributários e um contrato para o direito empresarial. Conferiu-lhe uma forma jurídica à disposição de empreendedores para a exploração de atividades cuja obrigação econômica seja de apenas um dos sócios (sócio ostensivo) perante terceiros. A hipótese dos investidores tornarem-se sócios da Limitada está totalmente descartada uma vez que eles não querem ser sócios de ninguém. e 535 do Código de Processo Civil quando o Acórdão recorrido está amplamente fundamentado. sendo ao menos uma comerciante.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa O Código Civil de 2002 estabeleceu. o sócio ostensivo é o único que se obriga para com terceiro. ainda que os outros sócios mostrem que esses fundos lhes pertencem. o sócio João é apresentado a um grupo de quatro investidores que tem um grande capital disponível e que está disposto a investi-lo no setor produtivo. alcançando a demanda tal e qual posta pelo autor. O sócio ostensivo que realiza as operações (obtendo lucro ou prejuízo). 1. 7º do Decreto-Lei 2303/8620. SOCIEDADE EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO. que não tem personalidade jurídica. imóvel. art. Na seara tributária a idéia de considerar a SCP “personificada” permanece. ele é o único com legitimidade para adquirir direitos e contrair obrigações. se valendo dos outros ramos do direito em caso de omissão. mas têm objetivos em comum. INDENIZAÇÃO. A questão restou solucionada com base na assertiva de que o direito tributário pode traçar conceitos próprios. quem seriam o sócio ostensivo? art. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. 326 – na sociedade em conta de participação. se reúnem.

10.2001.2002. embora no caso de sociedade em conta de participação. resta evidente que os argumentos expendidos pela União Federal não possuem a força de abalar os fundamentos do r.2003 p. Sobreleva notar. 213). SÓCIO OSTENSIVO. de 1986. ou não. constata-se que a Corte ordinária. exercício de 1982.12. afrontar a jurisprudência sedimentada por meio da Súmula n. Ministro FRANCIULLI NETTO. ministro cEsaR asFOR ROcHa.10. Na sociedade em conta de participação o sócio ostensivo é quem se obriga para com terceiros pelos resultados das transações e das obrigações sociais.10. 326). à pessoa jurídica. se o tributo em discussão data de 1981.2002.2001 p. que o exame dessa inferência obriga esta instância especial a revolver os elementos probatórios insertos nos autos e. Afastando as instâncias ordinárias a indenização por falta de prova. 213) COMERCIAL.03.028/sp. consignou que “o fisco não logrou demonstrar ter havido efetiva transferência de resultado da sócia ostensiva para a sócia participante. Rel. Rel. desde logo. diante da realidade dos autos. TERcEIRa TuRma. RESPONSABILIDADE PARA COM TERCEIROS. 4.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa 3. TERCEIRA TURMA.2003 p. Recurso conhecido e provido. 2. aspectos que não podem ser examinados. 7 deste Sodalício a qual estabelece que “a pretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial”. 210) – grifamos. embasada no conjunto probatório encartado nos autos. – No pertinente a ter havido.06. Dessa forma. QUARTA TURMA. seja discutível tanto a dissolução judicial quanto a existência de liquidação e partilha. a sociedade em conta de participação não era equiparada. DJ 22.303. uma vez que até o advento do Decreto-lei n. transferência do resultado que se pretende tributar. 326) 19 neste sentido: REsp 193690/ pR (vide jurisprudência). TRIBUTÁRIO – IMPOSTO DE RENDA – SOCIEDADE EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO – AUSÊNCIA DE CAPACIDADE TRIBUTÁRIA PASSIVA À ÉPOCA DA EXIGÊNCIA DO TRIBUTO – ALEGADA TRANSFERÊNCIA DO RESULTADO DA SÓCIA OSTENSIVA PARA A SÓCIA OCULTA – CORTE DE ORIGEM QUE AFIRMA QUE ESSA PARTICULARIDADE NÃO FOI COMPROVADA PELO FISCO – RECURSO ESPECIAL NÃO CONHECIDO. DJ 10. em razão do contrato social. – Recurso especial não conhecido. DJ 07.2001 p. a sociedade em conta de participação não possuía capacidade tributária passiva.704/PR. 5. SEGUNDA TURMA. Justifica-se a nomeação. Rel.704/pR. do liquidante. julgado em 07. 172). Ministro CESAR ASFOR ROCHA. (REsp 474. julgado em 07. no períodobase de 1981.12. ministro caRLOs aLBERTO mEnEzEs DIREITO. Dj 10. porque ausente recurso da parte interessada. julgado em 17.08. Ministro CARLOS ALBERTO MENEZES DIREITO. – Ancorados em doutos ensinamentos doutrinários.2002 p.2001. (REsp 474.08. Rel. (REsp 193690/PR.028/SP. julgado em 04. Recurso especial não conhecido. por conseguinte. Hipótese de exploração de flat em condomínio. Dj 22. Rel. julgado em 17. para fins tributários.2002. não tem consistência o pedido de extinção do processo ao argumento de que teria a sentença considerado o pedido inepto. 18 (REsp 168. que demonstram a animosidade existente. 20 FGV DIREITO RIO 9 . realizadas ou empreendidas em decorrência da sociedade. a que alude o auto de infração” (fl. voto condutor. quaRTa TuRma. nunca o sócio participante ou oculto que nem é conhecido dos terceiros nem com estes nada trata.03. SOCIEDADE EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO. (REsp 168.

c) as em comum. os demais sócios. 28º EXAME DE ORDEM – SEÇÃO DO RIO DE JANEIRO – 2ª FASE – DIREITO COMERCIAL. desde que o sócio requerente comprove a existência da sociedade ainda que por prova oral. neste caso. No que tange às alterações introduzidas. b) as em conta de participação. 5 – O que diferencia a sociedade comum das sociedades personificadas. c) Com exceção daquele que contratou pela sociedade. As sociedades não personificadas são: a) as simples. assinale a alternativa INCORRETA. 67. PROVA CONCURSO PúBLICO/MG . gozam de benefício de ordem. O Código Civil de 2002 alterou parcialmente a estrutura de classificação das sociedades estabelecida no Código Comercial de 1850. apesar de responderem solidária e ilimitadamente pelas obrigações sociais. de instrumento celebrado entre os sócios.2006 93ª Questão: Assinale a alternativa inteiramente correta. no Cartório de Títulos e Documentos. a aplicação do benefício de ordem. a) A sua existência pode ser comprovada pela transcrição. b) Está sujeita a falência. d) somente a alternativa “a” está incorreta. Responda justificadamente. FGV DIREITO RIO 10 . 3 – É correta a afirmação de que o registro dos atos constitutivos das sociedades não personificadas no órgão competente produzirá o mesmo efeito em relação a cada uma delas? Responda justificadamente PROVA CONCURSO PúBLICO/3ª REGIÃO .JUIZ . destacando. às quais passou a classificar como sociedade comum. 25º EXAME DE ORDEM – SEÇÃO DO RIO DE JANEIRO – 2ª FASE – DIREITO COMERCIAL. O Código Civil deu personalidade às sociedades informais. d) É possível sua dissolução judicial.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa Questões de ConCurso PROVA DO CONCURSO PARA JUIZ DO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SERGIPE – Aplicação: 01/02/04. PROVA DISCURSIVA. julgue o item seguinte. 1.2008 61ª Questão: Quanto a uma sociedade em comum que explora o ramo da prestação de serviços mecânicos. e qual a abrangência da responsabilidade dos sócios da sociedade comum em ralação às obrigações sociais.JUIZ FEDERAL . PROVA DISCURSIVA.

Já a nobreza e o clero – e as suas atividades.e da unirio – universidade federal do estado do rio de Janeiro advogado no rio de Janeiro(brasil) e em Lisboa(portugal) sumário A transição de um direito dos comerciantes para um direito de empresas.3. parecei um despropósito permitir que uma pequena mercearia pudesse impetrar concordata. com o surgimento e o desenvolvimento da indústria( principalmente a partir do séc. além de díspares. os comerciantes – e as atividades – eram regidos pelo direito comercial.3 A alteração das regras societárias face ao direito adquirido e ao ato jurídico perfeito. nem com o clero e nem com os servos. Assim. aplicável às relações jurídicas em geral.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa Anexo I apontamentos sobre o regime geraL das soCiedades no brasiL José gabriel assis de almeida doutor em direito pela université panthéon assas – paris ii professor da uerJ. 3. Para tanto.2 Argumentos a favor da não aplicação das novas regras.4. 2. Assim. Com efeito. O direito comercial surgiu assim como um sistema separado do regime normal.XIX). Argumentos a favor da aplicação das novas regras. em razão da necessidade dos comerciantes criarem um sistema normativo que atendesse às necessidades das suas atividades. 3. pois na atividade industrial não está presente a intermediação. Com efeito. Cabe esclarecer que esta dicotomia correspondia também a uma dicotomia social e até política.3. 3. A unificação dos regimes das sociedades. 3.1 A modificação das regras do jogo societário. A situação da sociedade que não se adaptou ao Código Civil de 2002 a transição de um direito de comerciantes para um direito de empresas O direito comercial surgiu na Idade Média.universidade do estado do rio de Janeiro. as normas existentes eram escassas. Seriam as atividades industriais atividades comerciais? A resposta era negativa.2 A aplicação das novas regras às sociedades. por um lado. pois não havia uma preocupação dos titulares dos poderes(senhores feudais e clero) em sistematizar a regulamentação da atividade comercial. FGV DIREITO RIO 11 . os comerciantes constituíam uma categoria social à parte. 3. Ademais. No entanto. 3.3. mas sim a transformação dos produtos. nasceu o problema do enquadramento jurídico desta atividade. essencialmente ligadas à exploração da terra – eram regidos pelo direito civil. Por outro lado. a atividade industrial não podia corresponder à definição de ato de comércio. 3. era inegável que a atividade industrial tinha – e tem – similitudes com a atividade comercial. que não se misturava nem com a nobreza. mas negar o mesmo direito a uma indústria que fabricava vagões para trens. a diversidade das normas existentes entre os diferentes feudos era incompatível com a expansão da atividade comercial. A adaptação das sociedades à transição normativa.

Lei 8078/90-. a noção de atividade comercial. Com efeito. o Brasil adotou um código comercial que cuidava das relações comerciais. mas sim do exercício da atividade comercial. tanto as atividades comerciais. pudesse falir. sob o ponto de vista do comerciante”.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa A inadequação da dicotomia entre o direito comercial e o direito civil ficou ainda mais evidente com o crescimento do setor dos serviços no decorrer do séc. Apesar de revogado no final do séc. a idéia de empresa. o direito empresarial. o regulamento 737. como as atividades civis de caráter econômico(nomeadamente as atividades industriais e as atividades de prestação de serviços destituídos de caráter de intermediação) passaram a estar submetidas ao mesmo regime. não há qualquer menção à qualidade comercial ou civil do empregador. que até hoje regulamenta a maioria das relações trabalhistas de emprego no Brasil define. ou seja. através do exercício da atividade de cunho econômico. de 1943. enquadram-se mal na definição de atividade comercial.4 “como todo aquele que. Assim. Nesse sentido.XX. também de 1850. o Brasil passou a conhecer o mesmo fenômeno de ruptura da dicotomia entre direito comercial e direito civil. “empregador como a empresa individual ou coletiva. A este fenômeno não é estranho o fato de os Tribunais de Império terem sido abolidos e ter-se admitido que a qualidade de comerciante não decorria da matrícula do mesmo. fazia a distinção entre o direito comercial e o direito civil. principalmente a partir da segunda metade do séc. de 1807. o regulamento 737 continuou a influenciar. Assim. ao definir o fornecedor do produto ou serviço já não faz qualquer distinção em razão do caráter FGV DIREITO RIO 12 . uma parte importante da atividade econômica consiste na prestação de serviços que. Deste modo. Assim. Por exemplo. Este código nasceu fundado na figura do comerciante. era quem delineava os contornos dos atos de comércio. desde 1850. atribuindo-lhe. começaram a aparecer. tradicionalmente. Ou seja. XIX. assalaria e dirige a prestação pessoal do serviço. assumindo os riscos da atividade econômica admite. a Consolidação das Leis do Trabalho. O Código Comercial de 1850 não definia o ato de comércio. sendo apenas relevante que o mesmo exerça atividade econômica”. O Código de Defesa do Consumidor. uma feição objetiva. normas de enquadramento da atividade econômica que não levavam em consideração a distinção entre a atividade comercial e a não comercial. tornou-se inelutável a unificação do regime de todas as atividades econômicas. definindo o âmbito de aplicação do direito comercial sob o ponto de vista subjetivo. Esta opção ia em sentido contrário do Código de Comércio francês. que. Com a aceleração do progresso econômico e o desenvolvimento econômico surgiu. atualmente. isso porque. por exemplo. afastou por completo o caráter constitutivo da matrícula.2. que – na linha da abolição dos privilégios e tendo criado a liberdade de indústria e comércio – assentava o direito comercial no ato de comércio. nas ciências econômicas. XX. definido no art. O direito brasileiro. fazia da mercancia a sua profissão habitual. Esta unificação legislativa do regime jurídico das diferentes atividades acentou-se em épocas mais recentes. o fato de admitir-se que o comerciante. matriculado em um dos tribunais do Império. assim. como a unidade de produção ou circulação de riqueza. ou seja. de forma cada vez mais freqüente. no art. Com o desenvolvimento e a modernização econômica. que passou a ser mera presunção de comercialidade. durante muitos e muitos anos. mesmo não matriculado. salvo os de corretagem.

E essas infrações decorrem todas do exercício de uma atividade econômica. a importação. exercem uma atividade econômica organizada. ainda que temporariamente. traduziu-se também na unificação do regime das sociedades. a distribuição. esta unificação deu-se. montagem. exportação. o art. Com efeito. O art. Portanto.20 da mesma Lei 8884/94 que define as infrações. o exercício de atividade de natureza econômica: a produção. A noção de atividade empresária veio recobrir todas as atividades de caráter econômico. ou seja. O Código Civil de 2002. pública ou privada. comerciantes e não comerciantes estão sujeitos ao mesmo regime. Portanto. com a consagração a noção de empresário. Para o CDC não é relevante saber se o fornecedor é comerciante ou não. de uma forma ou de outra. nas relações de consumo. sociedade em FGV DIREITO RIO 13 . distribuição ou comercialização de produtos ou prestação de serviços” O ponto manifestamente relevante da definição de fornecedor é. No Brasil. a mesma aplica-se a todos que. Assim. mais uma vez. bem como os entes despersonalizados que desenvolvem atividade de produção. curiosamente. veio consagrar a unificação do regime jurídico dos agentes econômicos. é imprestável para definir a aplicação do direito da concorrência. constituídas de fato ou de direito. no Brasil existiam dois tipos de sociedade. Na verdade.15.15 é claro. Na definição do destinatário a comercialidade é irrelevante. Aliás. no art. quais sejam: as sociedades comerciais e as sociedades civis. para a Lei 8884/94 é irrelevante se o agente é um comerciante ou não comerciante. ao estabelecer que: “Considera-se empresário quem exerce profissionalmente atividade econômica organizada para a produção ou circulação de bens ou de serviços”. mas apenas se o fornecedor coloca um produto ou serviço no mercado de consumo. transformação.15 da Lei 8884/94 – Lei de Defesa da Concorrência: “Esta Lei aplica-se às pessoas físicas ou jurídicas de direito público ou privado.966. caput. No mesmo. possam praticar atos restritivos de concorrência. não sendo comerciantes. o alcance da norma é dado pelo art. etc. importação. a unificação do regime das sociedades Esta unificação do regime das atividades. com ou sem personalidade jurídica.15 da referida lei.3 deste diploma legal define o fornecedor da seguinte forma: “Fornecedor é toda pessoa física ou jurídica. antes da promulgação do novo Código Civil. construção. bem como quaisquer associações de entidades de pessoas. As sociedades comerciais eram as sociedades dos tipos previstos no Código Comercial de 1850 – sociedade em nome coletivo. com a possibilidade das sociedades civis adotarem a forma comercial e com a modificação do regime de registro das sociedades comerciais. O fornecedor define-se em virtude do exercício dessa atividade econômica. nacional ou estrangeira. o art. A natureza comercial ou não do fornecedor é nitidamente relevante.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa comercial ou não da atividade desenvolvida. criação. tanto são empresários os comerciantes quanto aqueles que. a sociedade em comandita simples. mesmo que exerçam atividade sob o regime de monopólio legal” O art. tradicionalmente. por si só. na unificação do regime dos empresários coletivos. Deste modo. nos termos do art.

ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa

conta de participação, e a sociedade de capital e indústria – a sociedade por quotas de responsabilidade limitada – regida pelo Decreto 3708/19- e as sociedades por ações – sociedade anônima e sociedade em comandita por ações – previstas na Lei 6404/76. As sociedades civis eram as sociedades do tipo previsto no art.1363 e seguintes do Código Civil de 1916. A qualidade comercial ou civil da sociedade era dada em razão da atividade exercida pela sociedade. Dessa forma, se a sociedade era comercial, a sociedade deveria revestir um tipo comercial, ao passo que, se a atividade era não comercial, a sociedade deveria revestir o tipo civil. No entanto, o art.1364 do Código Civil permitia às sociedades civis adotarem um tipo comercial. Desta forma, caso a sociedade civil opta-se por um tipo comercial, a estrutura da sociedade civil passava a reger-se pelas normas de direito comercial, mantendo-se, porém, como sociedades civis no tocante à atividade. As diferentes possibilidades estão representadas no quadro abaixo, vejamos:
Situação 1 Sociedade de tipo civil Exercício de atividade civil Sociedade civil Situação 2 Sociedade de tipo comercial Exercício de atividade civil Sociedade civil Situação 3 Sociedade de tipo comercial Exercício de atividade comercial Sociedade comercial

Deste modo, já a partir de 1916, havia um esbatimento da distinção entre sociedades civis e sociedades comerciais – pelo menos quanto à forma – pois aa sociedades civis podiam adotar um tipo comercial. Esta distinção entre sociedades civis e comerciais atenuou-se mais ainda em 1994. Até 1994, as sociedades civis (seja as da situação 1, seja as da situação 2) tinham os seus atos constitutivos registrados no Registro Civil das Pessoas Jurídicas. Por seu lado, as sociedades comerciais (isto é, as da situação 3) tinham os seus atos constitutivos arquivados na Junta Comercial. Entretanto, a Lei 8934/94, no art.1, determinou que fossem arquivados na Junta Comercial: a) os contratos sociais das sociedades comerciais (situação 3); b) os contratos sociais das sociedades civis, com forma comercial (situação 2). Portanto, as sociedades comerciais, e uma parte das sociedades civis, passaram a estar sujeitas ao mesmo regime de registro. Com a promulgação e a entrada em vigor do novo Código Civil, o regime societário brasileiro ficou profundamente alterado. Aliás, o ano de 2002 trouxe duas grandes novidades: a entrada em vigor da lei 10303/01, que modificou a Lei das Sociedades por Ações e a promulgação do novo Código Civil. Um dos principais pontos desta alteração é a substituição da dicotomia do regime societário entre sociedades comerciais e sociedades civis, pelo regime de: a) associações; b) sociedades simples; c) sociedades empresárias.
FGV DIREITO RIO 14

ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa

A distinção entre cada uma destas categorias é a seguinte: a) a sociedade empresária é a que exerce profissionalmente uma atividade econômica organizada para a produção ou circulação de bens ou serviços (por ex.: o caso de uma sociedade fabricante de automóveis); b) a sociedade simples é a que exerce uma atividade intelectual, de natureza científica, literária ou artística, ainda que haja emprego de auxiliares (por ex.: uma sociedade de profissionais liberais – médicos) c) a associação tem fins não econômicos (por ex.: uma associação recreativa ou cultural). Além desta distinção, cabe assinalar que o novo Código Civil criou as seguintes sociedades:
Regime anterior sociedades Comerciais Sociedade em nome coletivo Sociedade em comandita simples Sociedade em conta de participação Sociedade irregular ou de fato Sociedade por quotas de responsabilidade limitada Sociedade de capital e indústria sociedades Civis sociedade Civil Regime do NCC sociedades empresárias Sociedade em nome coletivo Sociedade em comandita simples Sociedade em conta de particicpação Sociedade em comum Sociedade limitada abolida sociedades não empresárias sociedade simples

Portanto, com o novo Código Civil passa a existir um regime único para as sociedades. Não há mais distinção entre sociedades civis e sociedades comerciais. As sociedades que exercem atividade econômica passam a estar todas submetidas ao mesmo regime. Há, portanto, uma unificação do direito societário brasileiro. Esta unificação é ainda reforçada pelo fato do NCC determinar a regência supletiva das regras sobre as sociedades simples, para todas as demais sociedades. Na verdade, as variações vão ocorrer dentro desse regime único, consoante o tipo de atividade – empresarial ou não empresarial – que será exercido.

a adaptação das sociedades à transição normativa No momento da entrada em vigor do Código Civil de 2002 haviam sido constituídas, no Brasil, entre 1985 e 2001, mais de 3.900.000 (três milhões e novecentos mil) sociedades por quotas de responsabilidade limitadas no Brasil. No mesmo período, haviam sido constituídas cerca de 17.000 (dezessete mil) sociedades anônimas1. Portanto, quando da transição de um quadro normativo para o outro, estava em causa um universo gigantesco de sociedades, sociedades estas com características muito diferentes. Por exemplo, as sociedades limitadas cobrem uma grande variedade de atividades de tamanhos diferentes, desde o pequeno comércio da padaria, da mercadoria, do açougue, do

1 V. site www.dnrc.gov.br, acessado em 28.04.07

FGV DIREITO RIO

15

ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa

restaurante, até à indústria de médio porte, em alguns casos a indústria também de grande porte e cobrem também as sociedades “holding” de grupos financeiros, indústrias e etc. Neste aspecto uma das questões interessantes do Código Civil de 2002 é, precisamente, a necessidade de ter uma norma que seja ao mesmo tempo geral, para cuidar de todas as sociedades limitadas, e ao mesmo tempo uma norma que seja suficientemente precisa ou específica para cuidar dos diferentes problemas de cada molde, de cada tipo de sociedade limitada. Quando da entrada em vigor do Código Civil de 2002 houve uma grande resistência, como é natural em todas as mudanças. O Código Civil de 2002 sofreu forte rejeição, pois o Código Civil veio provocar uma profunda mudança nas regras então vigentes para a atividade societária2. Com efeito, além de abolir o conceito de sociedade comercial e criar o conceito de sociedade empresária, conforme visto no item 2 acima, o Código Civil modificou substancialmente as regras de constituição e funcionamento das sociedades, em especial das sociedades limitadas, das sociedades em nome coletivo, das sociedades em comandita e das sociedades em conta de participação e criou as novas figuras das sociedades em comum e das sociedades simples3. Como se passa a demonstrar, o Código Civil de 2002 não apenas trouxe novas regras, mas essas novas regras afetam os direitos dos sócios, cabendo então examinar como tratar essas modificações à luz da Constituição da República que protege o ato jurídico perfeito e o direito adquirido.

a modificação das regras do jogo societário Sem querer entrar no detalhe de todas as mudanças, há algumas que merecem destaque, pis são as mais relevantes. Entre elas está, certamente, a forma das deliberações sociais. O novo Código Civil institui a assembléia geral e a reunião dos sócios, e faz desaparecer um pouco aquele estado de “deliberação permanente” que há num determinado tipo de sociedade limitada. Trata-se, no caso, das sociedades de grande proximidade, com poucos sócios que se dedicam diuturnamente à atividade empresária. Esses sócios não realizam reuniões formais de sócios e muito menos assembléias gerais. Os sócios encontram-se diariamente, trabalham em conjunto e vivem naquilo que poderia ser chamada assembléia geral ou reunião de sócios permanente. Uma segunda mudança diz respeito à periodicidade das reuniões e assembléias gerais. No regime anterior ao Código Civil de 2002 não havia uma periodicidade estabelecida. Os sócios podiam reunir-se a qualquer momento ou poderiam nunca se reunirem formalmente. O Código Civil de 2002, no art.1071, inc.I, criou a obrigação de pelo menos uma reunião anual para tomar as contas dos administradores e aprovar o balanço. Uma terceira mudança – e que talvez seja a mais importante – dizem respeito aos quoruns de deliberação. Anteriormente, as regras eram muito simples: As deliberações sociais – independentemente da matéria – eram tomadas pelo voto dos sócios que representavam cinqüenta por cento mais um do capital social. Após o Código Civil de 2002, as deliberações passam a ter uma multiplicidade de quoruns. Por exemplo, (i) quorum de cem por cento do capital social para designar o ad-

Basicamente as bem conhecidas e experimentadas disposições do código comercial de 1850 e do decreto 3708/19, disposições cuja longevidade é de salientar num país como o Brasil em que as leis são revogadas e novas leis são promulgadas a uma velocidade vertiginosa.
2

as sociedades anônimas e as sociedades em comandita por ações tiveram as suas regras preservadas, pois estão submetidas ao disposto na Lei 6404/76 os arts.1080 e 1090 do código civil estabeleceram a continuação da regência daquela lei especial.
3

FGV DIREITO RIO

16

. 2033 determina que as modificações dos atos constitutivos das sociedades regem-se. (ii) por força do art. (iii) quorum de dois terços do capital social para nomear o administrador não sócio. o artigo 2035 segundo o qual: “A validade dos negócios e demais atos jurídicos constituídos antes da entrada em vigor deste Código obedece ao disposto nas leis anteriores. ao contrário do que era admitido no regime do Código Comercial de 1850 e do decreto 3708.1076 do novo Código Civil é expressa. Isto significa que. Este prazo foi prorrogado para as sociedades por mais um ano e. incorporação e cisão da sociedade. para as associações e fundações. ou seja. na medida em que o Código Civil de 2002.] mas os seus efeitos. Acresce que a enumeração dos quoruns de deliberação no art. ao estabelecer os quoruns de deliberação faz sempre referência à totalidade do capital social e não à totalidade do capital social votante. desde logo. a sociedade por quotas de responsabilidade limitada podia adotar institutos próprios da sociedade anônima. mas por cabeça (em caso de empate de votos por correspondência ao capital social. No antigo regime o desempate era pela sorte. foram extintas as quotas preferenciais sem direito a voto. [.. a constituição do ato e os requisitos de validade para a constituição do ato são os da época em que o ato foi praticado.]” Ou seja. Finalmente. tais como as ações preferenciais. o desempate já não é mais pela sorte. dando cogência ao conteúdo deste artigo. só se o empate persistir. as alterações do contrato social serão realizadas de acordo com os percentuais de deliberação estabelecidos no próprio Código Civil. o art.. Anteriormente. A conseqüência de todos estes dispositivos é que as novas regras (inclusive os percentuais de deliberação) aplicam-se às sociedades constituídas antes da entrada em vigor do FGV DIREITO RIO 17 . Já os efeitos do ato após a entrada em vigor do novo Código Civil passam a ser os efeitos atribuídos pelo novo Código Civil. a conclusão é clara: Existe uma diferença entre o regime anterior e o regime do novo Código Civil.. [. Deste modo. Por outro lado. os votos serão contados por número de sócios. pelo Código Civil de 2002. a aplicação das novas regras às sociedades Em primeiro lugar. Em seguida. no período de adaptação das sociedades ao novo Código Civil. De acordo com o Código Civil de 2002. aos preceitos dele se subordinam. fusão. Cabe então perguntar como é que se faz a transição entre estes dois regimes? Algumas pistas são dadas pelo próprio Código Civil. quando o capital social ainda não estiver totalmente integralizado. sociedades e fundações constituídas na forma das leis anteriores terão prazo de um ano. a partir da vigência do Código Civil para adaptar-se às disposições deste Código Civil. em caso de empate. por mais dois anos. Houve também uma mudança no modo de desempate das deliberações sociais. (iv) quorum de dois terços do capital social para destituir o administrador que é sócio da sociedade e que foi nomeado administrador no contrato social. a deliberação que prevalecia. Ou seja. é que a solução será dada por decisão judicial).18 do decreto 3708. era escolhida por sorteio. as partes não têm mais a possibilidade de dispor sobre percentuais. quando o capital já está integralizado. o art. (i) quorum de três quartos do capital social para alterar o contrato social e deliberar sobre transformação. produzidos após a vigência deste Código. era possível sustentar a existência de quotas preferenciais com fundamento em dois pontos: (i) o decreto 3708 não fazia menção à totalidade do capital social.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa ministrador não sócio. 2031 determina que as associações.

sozinho. já não pode mais destituir um administrador (em especial. O direito adquirido é aquele que. tendo produzido seus efeitos sobre a égide dessa lei anterior. este sócio-administrador somente poderá ser destituído se ele. O ato jurídico perfeito é a regra que preserva os pressupostos de validade da constituição do ato (no caso das sociedades. Assim. para criar algumas cláusulas e algumas alternativas que assegurassem o controle. deliberava aumento do capital social e etc. Este sócio.3. Com efeito. destituía gerentes. Em virtude da regra do ato jurídico per- 4 Os sócios que tinham até cinqüenta por cento do capital social não tinham o controle da sociedade e os sócios que tinham mais de setenta e cinco por cento do capital social continuam a ter a maioria dos direitos de controle. alterava o objeto social. ambos garantidos pela Constituição da República.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa Código Civil de 2002. Deste modo. dá ao seu titular o direito de exercê-lo em momento futuro. todos os que não aproveitaram o período da “vacatio legis” para modificar antecipadamente o contrato social. O ato jurídico perfeito pode ser definido como um ato consumado sob a égide da lei anterior. perderam o controle sobre a sociedade. Os sócios controladores que não tomaram cuidado de alterar o contrato social antes da entrada em vigor do novo Código Civil. o sócio titular de quotas representativas de cinqüenta por cento do capital social mais uma fração tinha assegurado o controle da sociedade. constituído sobre a égide da lei anterior. a constituição da sociedade rege-se pela lei em vigor ao tempo do ato constitutivo. o ato de constituição das sociedades). cumpre examinar se a aplicação do Código Civil de 2002 às sociedades já existentes não viola o ato jurídico perfeito e o direito adquirido. 1054 e 997 relativos ao ato constitutivo de sociedades limitadas não se aplicam ao ato constitutivo de uma sociedade limitada constituída antes da entrada em vigor do novo Código Civil. inclusive quanto às deliberações que devem ocorrer para adaptar essas sociedades ao novo Código Civil. neste caso. No dia da entrada em vigor do novo Código Civil de 2002. se o administrador é também sócio. Até janeiro de 2004. FGV DIREITO RIO 18 . tem mais de 1/3 do capital social e tiver sido nomeado administrador no contrato social. os requisitos dos arts. concordar com a sua destituição). a alteração das regras societárias face ao ato jurídico perfeito e ao direito adquirido 3. mudava a sede da sociedade.1 Argumentos a favor da não aplicação das novas regras Face a esta situação. este sócio – que havia adormecido na noite anterior como controlador da sociedade – acordou sem mais qualquer poder de controle sobre a sociedade. perderam o controle da sociedade. com a entrada em vigor do novo Código Civil houve uma “usurpação” do controle das sociedades limitadas para todos os sócios que tinham entre cinqüenta a setenta e cinco por cento. a sociedade que mais sofreu com a entrada em vigor do novo Código Civil é aquela sociedade controlada por sócios titulares de quotas representativas entre cinqüenta a setenta e cinco por cento do capital social4. sócio-administrador. Assim. já não pode mais alterar o contrato social. nomeava gerentes. Este sócio alterava sozinho o contrato social. O impacto destas regras é enorme num determinado tipo de sociedade. Deste modo.

A segunda situação é.997 do Código Civil proibir a sociedade entre cônjuges casados sob o regime da comunhão universal de bens. inc. Já a regra do direito adquirido determina que os efeitos futuros do contrato social regem-se também pela lei anterior ao novo Código Civil. proferido na Ação Direta de Inconstitucionalidade 493/0 do Distrito Federal. segundo o qual “a lei não prejudicará o direito adquirido. Por um lado.XXXVI. A primeira é a da sociedade constituída – antes do novo Código Civil – entre marido e mulher. talvez as mais candentes com relação ao ato constitutivo. as regras substanciais não seriam modificadas pelo Código Civil de 2002. o ato jurídico perfeito e a coisa julgada”. da Constituição da República. o ato constitutivo desta sociedade rege-se pelas regras anteriores (Código Comercial de 1850 e decreto 3708). O segundo argumento é um importante acórdão do Supremo Tribunal Federal. os quoruns de deliberação seriam os da lei anterior. inc. por maioria. relativa aos quoruns de deliberação das sociedades limitadas no novo Código Civil. Assim. inc. estas regras do novo Código Civil aplicar-se-iam mesmo às sociedades constituídas no regime anterior.5.5. Ou seja. Por exemplo. todas as regras relativas aos direitos e deveres dos sócios. a sociedade preenchia os requisitos de validade. em virtude do ato jurídico perfeito e do direito adquirido).5. que se a lei nova alcançar efeitos futuros de contratos celebrados anteriormente a ela. sem qualquer distinção entre norma de direito público (cogente) e norma de direito privado (eventualmente supletiva). da Constituição. essa lei nova passa a ter retroatividade. aos efeitos de um contrato celebrado anteriormente a ela. O disposto no art. os direitos dos sócios perante a sociedade e os direitos dos sócios perante os outros sócios continuariam a ser regidos pelas normas anteriores ao novo Código Civil. em 25/06/92. precisamente.XXXVI. o Supremo Tribunal Federal decidiu. essa sociedade poderia continuar a existir. se a lei nova for aplicada aos efeitos futuros do contrato. Na medida em que estes novos quoruns representam a aplicação de uma nova lei. essa lei será retroativa (ainda que seja um caso de retroatividade mínima. apesar do art. Assim. Inclusive. No sentido de que o Código Civil de 2002 não se aplica às sociedades já existentes à época da sua entrada em vigor há dois fortes argumentos. este quoruns também deixariam de ser aplicados.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa feito. o art. Por outro lado. da Constituição aplica-se a toda e qualquer lei infraconstitucional. e essa retroatividade viola o art. Portanto. XXXVI. casados sob o regime de comunhão universal de bens. é possível ir mais longe e distinguir entre as regras procedimentais (que seriam de aplicação imediata) e as regras substantivas (que tratam de direitos substanciais e que não seriam de aplicação imediata. seriam procedimentais as regras relativas à convocação dos sócios para as deliberações e as regras relativas às formalidades de tomada de posse dos administradores. FGV DIREITO RIO 19 . Esta regra pode-se aplicar a duas situações. Neste acórdão. Ou seja. Portanto. o regime de responsabilidade dos sócios perante terceiros. os direitos dos sócios perante terceiros. Na época em que a sociedade foi constituída. porque vai interferir na causa que é um ato ou fato ocorrido no passado).

por causa da alsácia-Lorena. mas sim estatutária por decorrer de lei e por ela ser disciplinado. o pagamento se fará sempre na moeda definida pela lei no dia de pagamento”. talvez caiba minimizar a aplicação do art. onde por acórdão datado de 31 de maio de 1985. 226. 5 FGV DIREITO RIO 20 . (v) portanto. a favor da aplicação do Código Civil de 2002 às sociedades existentes à época da sua entrada em vigor. de 31 de agosto de 2000.2034 do novo Código Civil determina que a liquidação das pessoas jurídicas. já iniciada no mo- Este é um problema que não é unicamente brasileiro. é possível argumentar em sentido contrário. XXXVI. a alsácia-Lorena foi incorporada à França no final da primeira Guerra mundial. a propósito de contribuições previdenciárias e de benefícios previdenciários. Recentemente. ao contrário do que sucede com a caderneta de poupança não tem natureza contratual. efeitos futuros de situações pretéritas. 105. conseqüentemente. foi abolida pelo novo Código Civil. (ii) o exercício dessa atividade decorre de uma cláusula contratual fundamental. conforme demonstram os exemplos a seguir: • Seria possível invocar o direito adquirido para permitir que a sociedade continuasse a exercer uma atividade prevista no seu objeto social (portanto uma cláusula contratual). isto é. em diferentes oportunidades. poderiam os sócios arguir que: (i) o contrato social contém esse objeto social. naquela região constituíram-se várias sociedades por quotas de responsabilidade.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa 3. um caso prático. e na França não existia uma lei de sociedade por quotas.5. antes da primeira Guerra mundial.137.2 Argumentos a favor da aplicação das novas regras No entanto. Face a estes dois acórdãos do Supremo Tribunal Federal. a alsácia-Lorena era parte da alemanha e na alemanha já existia uma lei criando as sociedades por quotas de responsabilidade limitada. As sociedades de capital e indústria anteriores podem continuar a existir ou devem ser dissolvidas ou transformadas em um dos tipos previstos no novo Código Civil5? A resposta parece ser negativa. (iv) o exercício dessa atividade era legal no momento da constituição da sociedade. Se as regras procedimentais do novo Código Civil aplicam-se imediatamente – conforme visto acima – por que razão o art. (iii) a sociedade foi constituída para o exercício dessa atividade. pois não há sentido considerar uma atividade ilícita e permitir que a mesma continue a ser exercida. depois da primeira Guerra mundial. seja ele o mil réis. as sociedades por quotas de responsabilidade limitada foram introduzidas na França. inclusive. quando tal atividade se tornasse proibida por lei? • Se o Estado promulga uma lei segundo a qual determinada atividade não pode mais ser exercida no Brasil. ou seja.855. de uma maneira pragmática. por força do ato jurídico perfeito e do direito adquirido? • Há.3. a sociedade e os sócios têm o direito adquirido à continuação do exercício dessa atividade? • Outro exemplo: Se for suprimido um tipo societário. no acórdão proferido no Recurso Especial No. será que os sócios podem sustentar que tendo a sociedade se constituído sob o regime da lei anterior. a mesma deve continuar a existir. da Constituição. o Supremo Tribunal Federal disse o seguinte: “O FGTS. inc. tendo então sido promulgada uma lei francesa de sociedade por quotas para resolver o problema. Por outro lado. surge uma outra questão curiosa. a propósito da correção e ao expurgo da correção monetária do FGTS. o cruzeiro velho ou a indexação pelo salário mínimo. assim é de aplicar-se a ele a firme jurisprudência desta corte no sentido de que não há direito adquirido a regime jurídico”. O mesmo Supremo Tribunal Federal já disso. o Supremo Tribunal Federal disse que: “não há direito adquirido a um determinado padrão monetário pretérito. com fundamento no direito adquirido. prevista no Código Comercial. Uma primeira oportunidade foi no Recurso Extraordinário nr. vejamos: A sociedade de capital e indústria. que o direito adquirido não é absoluto e que há possibilidade de se aplicar uma lei nova a situações pretéritas.

o sócio tem o direito de voto e continua tendo direito de voto no novo Código Civil. há alguns bons argumentos a favor da aplicação do Código Civil de 2002 às sociedades anteriormente constituídas e a favor da necessidade dessa adaptação dos contratos sociais destas sociedades. faz-se sob o regime da lei anterior e não sob o regime do novo Código? Face a estes diversos exemplos. dois argumentos de ordem prática (e não. E essa adequação foi realizada. aos preceitos dele se subordinam. como o direito de voto vai ser manifestado. obedece ao disposto nas leis anteriores. Neste termos. ainda. a um regime jurídico. é possível sustentar que os quoruns de deliberação FGV DIREITO RIO 21 . Uma exceção a aplicação imediata do novo Código Civil esta prevista no final do art. [. sem que obstáculos fossem suscitados.. desaparece um regime jurídico e surge um outro regime jurídico. produzidos após a vigência deste Código.2035 do novo Código Civil. Assim. Todavia. Deste modo.2035. O segundo argumento – também de ordem prática – é que quando a Lei 6404/76 que reformou integralmente as regras sobre sociedades anônimas entrou em vigor.. pelo que os sócios e as sociedades têm que se adaptar a esse novo regime jurídico. Na verdade. O segundo ponto é que nem os sócios nem as sociedades têm direito. mas apenas as modalidades do exercício do direito dos sócios. propriamente. esse regime jurídico foi alterado pelo novo Código Civil. Conseqüentemente. conclui-se que não é possível ir tão longe a ponto de dizer que – apoiadas no ato jurídico perfeito e no direito adquirido – as sociedades podem continuar a atuar sob o regime jurídico anterior e que não é preciso fazer a adaptação dos contratos sociais. salvo se houver sido prevista pelas partes determinada forma de execução”. constituídos antes da entrada em vigor deste Código. O primeiro argumento é que é possível aplicar o novo Código Civil porque o novo Código Civil expressamente menciona a sua aplicação. quais os efeitos daquele direito de voto e quais são as modalidades do exercício desse direito de voto. se o contrato social contém uma cláusula indicando que as deliberações dos sócios devem ser tomadas por um determinado percentual do capital social. como já afirmou o Supremo Tribunal Federal a propósito do FGTS. Não existe nenhum dispositivo que prive o sócio do direito de voto nas deliberações sociais. regime jurídico esse que era garantido pelo Código Comercial de 1850 e pelo decreto 3708. porque ele não modifica os direitos dos sócios. A conseqüência do Código Civil de 2002 é que o direito de voto será exercido de acordo com um novo quadro legislativo. dentro das novas disposições legais. as disposições transitórias também determinavam a adequação dos estatutos das sociedades anônimas então existentes. à nova lei. dois argumentos de ordem jurídica). se o contrato social contiver cláusula neste sentido. é possível afirmar que. não obstante os direitos adquiridos. outros pontos que merecem alguma reflexão. no prazo de um ano.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa mento da entrada do novo Código Civil. E primeiro lugar. O primeiro é que o novo Código Civil deve aplicar-se imediatamente às sociedades já existentes. isto é. Há. os sócios haviam seguido um determinado regime jurídico para as sociedades por quotas de responsabilidade limitada.] mas os seus efeitos. neste caso concreto. Ou seja. segundo o qual “A validade dos negócios e demais atos jurídicos. os sócios inseriram no contrato uma cláusula específica prevendo a execução do direito de voto. em razão da parte final do art.

uma vez que o registro da sociedade perde a sua validade e um registro não válido equivale a um registro inexistente.986 a 990 do novo Código Civil.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa do novo Código Civil não se aplicam à sociedade. e não obstante as diversas considerações apresentadas. FGV DIREITO RIO 22 . com algumas conseqüências importantes como a responsabilidade solidária e ilimitada dos sócios. porque o contrato social contém uma cláusula determinando que as deliberações sejam tomadas pelo voto dos sócios titulares da maioria do capital social. pois esta regra. parece não valer a pena correr o risco de a sociedade regular ser transformada em sociedade comum. a sociedade torna-se uma sociedade em comum. Entretanto. A sociedade passa então a reger-se pelos arts. Ou seja. a situação da sociedade que não se adaptou ao Código Civil de 2002 Para finalizar cabe agora examinar o que acontece à sociedade que não adaptou o seu contrato social ao novo Código Civil. ainda que indiretamente. estava determinada no art. os sócios passam a responder perante terceiros ilimitadamente e solidariamente pelas dívidas da sociedade.15 do decreto 3708. Sendo esta a conseqüência. a prática demonstra que a maioria dos contratos sociais não contém cláusula relativa às deliberações. Neste caso.

22 FGV DIREITO RIO 23 . antes da elaboração do contrato social. que tem no contrato social o instrumento que representa o entendimento dos sócios quanto aos seus direitos e deveres com vistas à realização do objeto social. Algumas perguntas22 são fundamentais na hora de elaborar o Plano de Negócios. por exemplo: – Qual atividade que os sócios gostariam de desenvolver? – Qual a experiência e conhecimento sobre a atividade que os sócios têm? Compreender os fatores externos e internos que afetam (ou poderão afetar) diretamente o desempenho da sociedade é muito importante para o sucesso do negócio. riscos. oferecer o produto ou serviço certo no momento propício e bem atendê-los após a venda. – Onde abrir o negócio e qual o espaço necessário? Os sócios terão uma noção prévia do funcionamento do negócio do ponto de vista mercadológico e saberão quais exigências terão que atender para a sua instalação. Recomenda-se que os sócios busquem informações relevantes do seu negócio em jornais. – Cláusulas obrigatórias e facultativas. Ao optar pela elaboração de um Plano de Negócio.aspx 21 as perguntas deverão ser criadas. empresa é outra.br/principal/ abrindo%20seu%20negócio/or ientaçõescriação%20de%20em presas/passos_elaboracao_plano_negocio. seja por meio da atividade individual ou coletiva. – Regência supletiva pelas normas das sociedades por ações. Daremos enfoque na análise prévia e planejamento adequado antes da constituição de uma sociedade. – Orientação para elaboração do contrato social: Providências preliminares. com eficiência e eficácia. – Texto I: Lei não prevê permanência de herdeiros nas Limitadas. ementário de temas: – Elaboração do “Plano de Negócio”. Esse levantamento torna possível gerar um diferencial competitivo. 03 E 04: REUNIÃO COM ClIENtE PARA ElAbORAÇÃO DO CONtRAtO SOCIAl Nas aulas seguintes aprenderemos sobre a importância da orientação empresarial através do fornecimento de princípios básicos para quem pretende montar um negócio. O passo a passo para a elaboração do plano de negócios pode ser encontrado no link: http://www. adaptadas e modificadas conforme a realidade do negócio. planejamento financeiro e tudo mais que for relevante para iniciar um negócio específico ou ampliar um já existente. Nele estarão registrados o objetivo do negócio. roteiro de auLa: O Plano de Negócios21 é um documento que visa transformar idéias em situações concretas.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa AUlAS 02. estratégias de marketing. diminuindo os riscos do insucesso.com. os sócios terão a idéia de negócio devidamente analisada. – Texto II: Família é uma coisa. sindicatos e outras entidades setoriais. público alvo. revistas e publicações profissionais/técnicas. sebraesp. – Qual será o público alvo e como conquistar o mercado? Permite conhecer e entender as necessidades dos clientes.

atentando para qualidade.com. facilidade de acesso. deve levar em consideração àqueles que permitam sempre melhores margens de ganho. analisaremos. seu número. Unidade Federativa e CEP). para um consumidor individualmente”. que veremos a seguir.dnrc. bairro/distrito. Carteira de Trabalho e Previdência Social. consultor de marketing. seja o capital social inicial.24 Qual a documentação necessária? Além do contrato social. A escolha de recursos próprios e de terceiros. a oferta de produtos e de serviços para nichos específicos de mercado ou. Exemplo: Lucro Líquido mensal: R$ 2. mesmo. Exemplo: Investimento total: R$ 80. O cliente deve ser orientado para preparar um Plano de Negócios e de como fazê-lo. CC/2002): – maior de 16 anos – deve ser assistido pelo pai.000. Disponível em: http://www2. pela mãe ou tutor. 977 do código civil de 2002 trouxe uma vedação quanto à convivência da affectio societatis e da affectio maritalis quando nesta última os cônjuges forem casados sob o regime de comunhão universal de bens (art.com. I.uol.667) ou sob o regime de separação obrigatória de bens (art. Mensalmente.000. Qual a previsão de retorno para o investimento? O principal indicador para acompanhar a viabilidade do negócio é o retorno do investimento. Quais são os fatores críticos de sucesso do negócio? Quanto e que tipo de recursos será necessário para o empreendimento? Não existem limites ou regras para o valor que deve ser utilizado de capital próprio para investimentos. do CC/2002) PESSOA FÍSICA (rectius NATURAL): nome completo. o “passo a passo” para a abertura de uma sociedade. 997. certificado de reservista. parte do investimento deve ser “devolvida” e essa devolução acontece quando a sociedade gera o lucro. número. constar também do preâmbulo a expressão “ASSISTIDO POR”. ou seja. e a qualificação completa do(s) assistente(s).00 prazo de retorno: 40 meses Fonte: www. já estudamos. sempre é bom avaliar bem as alternativas. 28 código de Trânsito Brasileiro. Estadual ou Federal). mais os aumentos (aporte) de capital adicional. mais os lucros reinvestidos na sociedade. preço. o cliente contribuirá para a excelência na elaboração do contrato social além de dispor de um documento que o ajudará a acompanhar a evolução do seu negócio. constar também do preâmbulo a expressão “REPRESENTADO POR” e a qualificação completa dos representantes. Carteira Nacional de Habilitação – modelo com base na Lei nº 9. acabamento. 25 26 27 Fonte: www.br 24 as instruções estão disponíveis no site do sEBRaE.00 Lucro Líquido mensal: R$ 2. A partir dos itens elencados pelo Departamento Nacional de Registro do Comércio. 1. pela mãe ou tutor. carteira de identidade profissional. pois não precisa ser profissional experiente para tanto25. naturalidade. 1.gov. como calcular o Retorno do Investimento? Investimento é todo o capital aplicado na empresa. 1. domicílio e residência (tipo e nome do logradouro. documento de identidade. estado civil27.htm 23 orientação para elaboração de contrato de sociedade Limitada. cada qual com as críticas cabíveis26.690.687).br/canalexecutivo/artigosc. Ao apresentar o Plano de Negócios.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa – – – – – “através de ações dirigidas.000. profissão. na aula 02.000. – solteiro menor de 18 anos: (art.00 Taxa de rentabilidade: 2. forma de arrumação de produtos nas prateleiras e/ou divulgação do serviço etc.00 Investimento total: R$ 80. regime de bens (se casado).br O art. carlos pougy.503/9728).23 Escolha de fornecedores e pesquisa de concorrentes? Identificar quantos concorrentes estão oferecendo o mesmo produto e/ou serviço. – menor de 16 anos – deve ser representado pelo pai.sebraesp. data de nascimento (se solteiro). qualidade no atendimento. 1. município. nacionalidade. nº do CPF. órgão expedidor e UF onde foi emitida (documentos válidos como identidade: carteira de identidade. Qualificação completa dos sócios: (art. se existem linhas de crédito e incentivos (Municipal. FGV DIREITO RIO 24 .5 % ao mês O prazo de retorno do investimento realizado é calculado da seguinte forma: Investimento dividido pelo Lucro Líquido. a taxa de rentabilidade do investimento é calculada da seguinte forma: Lucro Líquido dividido pelo Investimento. em aula.

que pode ter valor desigual. em separado. CC/2002) Tipo e nome do logradouro.884/9430). devendo conter sua declaração precisa e detalhada. – sociedade anônima. (art. com poderes específicos. por instrumento público. CC/2002) – não pode conter as expressões “ME” ou “EPP”. V – os nomes dos diretores por extenso e respectiva qualificação. 2. complemento. 997. arquivando. juntado ao processo o respectivo instrumento de mandato”. 4. qualificação completa dos representantes da empresa no ato. II. mencionando gênero (indústria. CC/2002) – sócio domiciliado no exterior: nomear procurador no Brasil. O Código Civil apresenta um rol. VI – o prazo de duração da sociedade. III – o nome por extenso e qualificação de cada um dos sócios acionistas. por exemplo). – sociedade limitada. CC/2002) a) indicação numérica e por extenso do total do capital social. art. I da Lei nº 8. NIRE (número de identificação do registro de empresas) ou número atribuído no Cartório de Registro Civil das Pessoas Jurídicas e o nº do CNPJ (Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas). feita antes o registro no Registro Público no caso de outorga pelos pais ou por sentença. Nome empresarial: (art. 997. – sociedade em nome coletivo. anteriormente registrado. 997. II. bem como quaisquer alterações. Sócio Analfabeto: também o nome e a qualificação completa do procurador constituído. CC/2002) Diz respeito à atividade que será desenvolvida. Capital social (art. UF e CEP. 3. – a composição do nome deve observar as regras gerais e as próprias do tipo escolhido (firma social ou denominação). transformação. bairro/distrito. – procurador: constar do preâmbulo.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa – se emancipado (maior 16 anos) constar da qualificação a forma da emancipação. nos respectivos atos constitutivos. Objeto social: (art. município. sem que dos mesmos conste: I – a declaração precisa e detalhada do seu objeto. b) mencionar o valor nominal de cada quota. PESSOA JURÍDICA: nome empresarial. II e art. limpeza. número. 997. 5629. 1. que deverá ser obedecido. fusão. (art. taxativo. – sociedade em comandita simples. após o nome e qualificação completa do sócio: “REPRESENTADO POR SEU PROCURADOR. e se sediada no Brasil. 976. 29 30 Lei que trata da prevenção e da repressão às infrações contra a ordem econômica e transformou o conselho administrativo de Defesa Econômica – caDE em autarquia. inclusive das filiais declaradas. 997. VII – o número. II – o capital de cada sócio e a forma e prazo de sua realização. 56. 6. 9º) Obs. NOME E QUALIFICAÇÃO COMPLETA. endereço completo da sede. Endereço comercial da sede e de filiais declaradas: (art. incorporação ou agrupamento de empresas. – não pode ser idêntico ou semelhante a nome já protegido isto é. III e IV. FGV DIREITO RIO 25 .158. escolhendo-se o tipo societário que melhor se apresenta para a situação de fato: – sociedade simples. as juntas comerciais ou órgãos correspondentes nos Estados não poderão arquivar quaisquer atos relativos à constituição. do CC/2002). I. a prova da emancipação (art. comércio ou serviços) e espécie (calçados. com poderes para receber citação. Indicação do tipo jurídico da sociedade. 5. (art. IV – o local da sede e respectivo endereço. espécie e valor das ações. – sociedade em comandita por ações. roupas infantis.

dados relativos a sua titulação. e. se determinado. caracterizando uma sociedade de capital. d) estrangeiro. 9. 1. art. Dependerá de aprovação unânime dos sócios. deverá firmar termo de posse no livro de ata da administração. FGV DIREITO RIO 26 . 1. sua área. VI. II.063 e 1. 11. art. 31 O administrador não sócio. art. d) declarar a forma e o prazo de integralização do capital. 1. suas atribuições e limites de poderes. 10.062. 1. Falecimento/interdição de sócio. designado em ato separado. apesar de redundante. se totalmente integralizado. sob pena da nomeação perder a validade (art. o ingresso de herdeiros poderá acontecer se não houver cláusula contratual que impeça. 1. Responsabilidade dos sócios: (art. caso não se ajuste esta indicação em ato separado31. definir um percentual limite de sócios que deverão anuir com o ato de cessão. CC/2002) c) sócio menor – somente se emancipado. CC/2002) Optando os sócios por garantir à sociedade característica típica “de pessoas”. CC/2002) A responsabilidade dos sócios.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa c) mencionar o total de quota(s) de cada sócio. (artigos 1. poderão estabelecer no contrato social vedação ao ingresso de terceiros. 1. CC/2002) Indicar o prazo de duração indeterminado ou determinado (neste caso indicar o início e o fim da sociedade). 1. Muitas vezes. ou seja.060. salvo se o regime de bens for o de separação absoluta. se a intenção dos sócios for constituir uma sociedade onde a pessoa do sócio não tem relevância para sua formação. (artigos 1. para terceiros que contratarem com a sociedade. Prazo de duração da sociedade: (art.061. no prazo de até 30 dias da data de sua designação. e) se houver sócio menor. os herdeiros desconhecem ou não estão interessados e assumem o negócio gerando confusão e prejuízo. não admitindo a transferência das quotas àquele estranho à sociedade (exceto se houver unanimidade dos sócios autorizando-a no instrumento de cessão). deve ser mencionada no contrato social para um melhor esclarecimento e conhecimento de todos os sócios que da sociedade façam parte e. Na falta de um dos sócios (seja pela interdição ou pelo falecimento). Indicar o prazo de gestão. f ) integralização com bem imóvel: descrição e identificação do imóvel. 997. b) O contrato pode estabelecer a designação de administrador NÃO sócio. seguindo a orientação do Código Civil. além da permissão para usar o nome empresarial. (art. Administração: (art.003 e 1. 8. pois a responsabilidade dos sócios decorre do texto legal.064 todos do CC/2002) a) Designar pessoa(s) naturais. 997.028 e 1. CC/2002) Eis um dos casos que denotam a importância da cláusula que dispõe sobre a cessão de quotas. para representar a sociedade.056. número de matrícula no Registro de Imóveis e autorização do cônjuge no instrumento contratual com a referência pertinente. da mesma forma. De outra forma. o capital deverá estar totalmente integralizado.061. a sociedade tem que continuar. se o capital não estiver integralizado e de no mínimo dois terços.031. Cessão de quotas. 7. apresentar a carteira de identidade com o visto permanente.062).052. poderão estabelecer que a transferência das quotas se dará independentemente da vontade dos sócios ou.

c) previsão de regência supletiva da sociedade pelas normas da sociedade anônima36. d) autorização para que a pessoa não sócia exerça a função de administrador37.) e) o nome empresarial. art. 32 art. o ato será assinado pelo representante do sócio.061. Os exemplos acima não esgotam o ajuste de outras cláusulas que podem ser adicionadas ao contrato social.. art. com a reprodução de seus nomes. desde que submetam-se aos princípios gerais de Direito. CC/2002) e à colocação destes documentos à disposição dos sócios não administradores. 853. sendo vedada a atribuição da totalidade a apenas um deles. 34 35 36 37 38 39 40 41 art. IV e 170 da constituição Federal de 1988. 16. É da essência do ato de constituição de sociedade empresária a participação nos lucros e nas perdas por cada um dos sócios. Inserir cláusulas facultativas desejadas. Na dúvida quanto à veracidade da assinatura aposta. Não é necessário o reconhecimento das firmas dos sócios41. FGV DIREITO RIO 27 . 1. o ato será assinado.2. (art.. III. não podem ser arquivados: (. do Dec.078. CC/2002). em destaque o Direito dos Contratos. 53. pelo sócio e seu assistente. 1. (art. 1.784/99). notadamente às normas do Direito das Obrigações. CC/2002).307/96 e art.031. g) exclusão de sócios por justa causa40. 997. além de outros exigidos em lei: (. f ) regras referentes às reuniões de sócios39.066.078. 13.053. (art. e32. (art.085. para a elaboração do inventário. 18. Como cláusulas facultativas. a não inclusão destas em nada impede o arquivamento do contrato social no registro competente.. Eis alguns exemplos de cláusulas facultativas: a) conseqüências em caso de retirada ou exclusão de sócio34.. elas são a verdadeira expressão da vontade dos sócios. no entanto. § 1º. Assinatura dos sócios ou dos seus procuradores no fecho do contrato social. 15. – sócio maior de 16 e menor de 18 anos. parágrafo único. do balanço patrimonial e do balanço do resultado econômico (art. Cláusula de inexistência de impedimento para o(s) administrador(es) se não apresentada esta declaração em separado. 1. 1. e) instituição de conselho fiscal38. 1. com endereço completo. CC/2002). e foro. seguindo à risca o princípio constitucional da livre iniciativa33. 1. Foro: indicar o domicílio onde se exercitem e cumpram os direitos e obrigações deles resultantes. CC/2002). art. (.011.065. DEVERÁ a Junta Comercial EXIGIR o RECONHECIMENTO DE FIRMA (Lei no 9. o município da sede. 17..27 do manual de atos de Registro de sociedade Limitada.) III – os atos constitutivos e os de transformação de sociedades mercantis. Local e data (dia. 1o. bem como os endereços completos das filiais declaradas. art. Data de encerramento do exercício social: indicar a data do término de cada exercício. b) regras acerca da administração da sociedade35. art. 1. Obs: sócio menor de 16 anos. ao abranger as cláusulas que determinam as matérias contratadas pelos sócios livremente e que irão adequar a sociedade de acordo com suas particularidades.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa 12. conjuntamente. 53. Orientação do item 1.) 33 artigos 1º.072. Lei 9. Participação dos sócios nos lucros e perdas: indicação da participação proporcional dos sócios nos lucros se outro ajuste não for estipulado. 1.800/96) OU cláusula compromissória elegendo a Arbitragem para dirimir litígios relativos a direitos patrimoniais disponíveis (art. CC/2002) e a referência ao julgamento das contas no primeiro quadrimestre seguinte ao término do exercício social pelos sócios (art. 1. Vll. 14. 1. mês e ano). 1013. até trinta dias antes da reunião ou da assembléia de sócios. se deles não constarem os seguintes requisitos. aprovado pela In 98/2003 (DnRc). pelo fato de não serem obrigatórias.. art.

) § 2º Os atos e contratos constitutivos de pessoas jurídicas.1 do manual de atos de Registro de sociedade Limitada. por extenso. (. segurança e eficácia aos atos jurídicos das empresas mercantis. se o voto proferido foi decisivo para a aprovação da deliberação. Lei 8. 1º da Lei nº 8. 49 FGV DIREITO RIO 28 . a subsidiariedade. 9º.. Assinatura das testemunhas: Não são obrigatórias as assinaturas das testemunhas.087) que tratam da sociedade do tipo Limitada.. só podem ser admitidos a registro. 48 autores: alexandre Ferreira de assumpção alves e maurício moreira mendonça de menezes.1º.010. será suprida pela Lei 6. da Lei nº 8. 997 a 1038) e da Lei da Sociedade por Ações (Lei n° 6. são atividades privativas de advocacia: (. Diante desta opção. 1. eventual omissão própria do capítulo das Limitadas. 1º O Registro público de Empresas mercantis e atividades afins.ú.) 43 44 Estatuto da advocacia. submetidos a registro na forma desta lei. Rubricar as demais folhas não assinadas. Visto de advogado: visto/assinatura de advogado. assim. o sócio que participar de deliberação na qual tenha interesse em contrário ao da sociedade. sob pena de nulidade. A justificativa para este posicionamento encontra-se nos pontos de afinidade entre a sociedade limitada e a sociedade anônima. de forma legível. 1053. e até mesmo aconselhável. A aplicação de um ou outro diploma legal dependerá da vontade dos sócios que será reduzida a termo no contrato social. 45 46 nova Lei do simples.) § 2º não se aplica às microempresas e às empresas de pequeno porte o disposto no § 2º do art. art. aprovado pela In 98/2003 (DnRc). No caso da regência supletiva pelas normas da sociedade simples. aplicar-se-á o disposto no art.(.052 a 1. 187 (abuso do direito). afastando. professores uERj. § 3º da Lei 6. ao asseverar que o método é “supletivo”.404/76) à sociedade limitada em caso de omissão. quando o “assunto” não estiver previsto nos artigos que integram o capítulo das Limitadas e o contrato social for omisso. 1º. órgão expedidor e UF48. É possível.2. pois. com a indicação do nome e do número de inscrição na OAB/Seccional (o visto é dispensado para o contrato social de microempresa e de empresa de pequeno porte). 20.404/76. que.934/9447). entre eles a aplicação das normas da sociedade simples (arts. Nos demais casos. A propósito do tema.404/76 e não pelas regras das sociedades simples. quando prevê a possibilidade da regência supletiva pela Lei 6. aplica-se o disposto no art. ou o art. da Lei Complementar 123/200645). inciso I46. em seus dispositivos abrangem vários temas. autenticidade. 21.. será exercido em todo o território nacional. nos órgãos competentes.27. subordinado às normas gerais prescritas nesta lei.) Lei de Registro público de Empresas mercantis e atividades afins. algumas críticas são feitas. 1º. (art. art. § 3º. e do número de identidade. do art. para resolvê-lo aplicarse-ão as normas da sociedade simples previstas no Código Civil ou da Lei 6.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa 19. Seu ato constitutivo é arquivado no Registro Civil de Pessoas Jurídicas enquanto que a Limitada tem o ato constitutivo registrado na Junta Comercial. publicidade. ela não é empresarial e a responsabilidade dos sócios é ilimitada. por órgãos federais e estaduais. de 4 de julho de 1994.404/76.(. 1. 47 Orientação do item 1. Assim. O parágrafo único do art. se o voto não tiver prevalecido.. que o contrato preveja a aplicação supletiva de algumas regras próprias das sociedades simples e outras das sociedades anônimas.906.. A Assembléia de Sócios e o Conselho Fiscal são exemplos de institutos e estruturas que aparecem igualmente nas Limitadas e nas Anônimas. permite uma saída para os sócios afastarem a aplicação supletiva das normas da sociedade simples. emendas ou entrelinhas sem expressa ressalva dos sócios. (art. 115. alguns enunciados aprovados na III Jornada de Direito Civil estabelecem que: Enunciado 21749: Com a regência supletiva da sociedade limitada pela lei das sociedades por ações.404/76. com as seguintes finalidades: I – dar garantia.. A possibilidade é clara na redação do p. embora a sociedade simples tenha natureza contratual. poderão ser lançadas com indicação do nome do signatário. Observação: o documento não pode conter rasuras. entretanto.906/9443 e art. os sócios poderão adequar o contrato social e.. 42 art. parágrafo 2º44. 9º.053 do CC. de forma sistêmica. quando visados por advogados. § 2º42.. ainda. regência supletiva pelas normas das sociedades por ações Os 35 artigos (1.

DECLARAÇÃO DE INEFICÁCIA DOS NEGÓCIOS JURÍDICOS SUBJACENTES À SEPARAÇÃO DO CASAL. DIREITO COMERCIAL – DISSOLUÇÃO DE SOCIEDADE POR QUOTAS DE RESPONSABILIDADE LIMITADA – QUEBRA DA AFFECTIO SOCIETATIS – RECURSO DO EX-CÔNJUGE COMO TERCEIRA INTERESSADA – ILEGITIMIDADE. 10ª Câmara Cível. entre outras: – restrição à cessão de quotas.2004). jul.º 2004. ALIENAÇÃO FRAUDULENTA DE AÇÕES ORDINÁRIAS NOMINATIVAS DA EMPRESA APÓS SEPARAÇÃO DE FATO. Enunciado 22351: O parágrafo único do art. – obrigatoriedade de distribuição do lucro aos sócios. José Geraldo Antonio. na ausência das normas sobre sociedades limitadas. AÇÃO DE PARTILHA JUDICIAL POR DISSOLUÇÃO DA SOCIEDADE CONJUGAL. Des.03051. – ter os mecanismos de funcionamento dos conselhos fiscal e de administração. DIVERGÊNCIA. 2. como uma forma de evitar conflitos familiares. professor Titular da uFpR. INVENTÁRIO DE BENS POR SEPARAÇÃO JUDICIAL. ainda que as quotas da sociedade sejam objeto da partilha judicial. Demonstrada a quebra da affectio societatis. REGIME DE COMUNHÃO UNIVERSAL DE BENS. RESGUARDADA A MEAÇÃO DA EX-MULHER POR MEDIDA ACAUTELATÓRIA DE SEPARAÇÃO DE CORPOS E ARROLAMENTO DE BENS. HOMOLOGAÇÃO DO ESBOÇO DE PARTILHA. INDEPENDE DE DILAÇÃO PROBATÓRIA.404/76 ou do disposto sobre a sociedade simples. impõe-se a dissolução da sociedade com a designação do liquidante.053 não significa a aplicação em bloco da Lei 6. Caso gerador. Improvimento dos recursos. PROCESSO CIVIL. 23. não se aplica a sociedade limitada na hipótese de regência supletiva pelas regras das sociedades simples. QUE APESAR DE CERCADA POR CONTROVÉRSIA JURÍDICA. juiz Federal sj/Rj. O contrato social pode adotar. HAVIDOS EM FRAUDE À MEAÇÃO. 1.03. indique o tipo societário. 51 FGV DIREITO RIO 29 . Diante do caso: 1. HOMOLOGAÇÃO DO ESBOÇO DE PARTILHA. V. TJ/RJ.001. autor: alcir Luiz coelho. tanto as regras das sociedades simples quanto as das sociedades anônimas. por não ser ela sócia. Um grupo de 10 pessoas da mesma família decide constituir uma sociedade com as seguintes características. 50 autor: alfredo de assis Gonçalves neto. A ex-mulher não tem legitimidade para ingressar na ação de dissolução de sociedade da qual era sócio o seu ex-marido. existe alguma cláusula especial que deva ser inserida no contrato social? JurisprudênCia.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa Enunciado 22250: O artigo 997. COMPETÊNCIA DO JUÍZO DE FAMÍLIA PARA APRECIAR A QUESTÃO. (grifo nosso) (Apelação Cível n.

600 do código de processo civil. que muitas vezes possuem um patrimônio Fonte: GazETa mERcanTIL de 12/04/04. III – a sanção prevista no art.várias as formas através das quais se pode prejudicar o cônjuge ou a companheira com atos praticados sob o manto pseudo-protetivo da empresa”. o valor deve ser calculado tomando por base a situação patrimonial da sociedade e pago em dinheiro no prazo de 90 dias”. É o que afirma a ad-vogada Fabiana Seccomandi Anitablian do escritório Braga&Marafon Consultores e Advogados. ou qualquer outra alternativa que melhor reflita e atenda aos interesses da sociedade e seus sócios”. a exemplo da ação de inventário por separação judicial combinada com partilha. seja para dispor sobre o ingresso automático dos mesmos. o artigo 1. que não é matéria fática de alta indagação. o julgador deve ser preocupar em trilhar “caminhos para se chegar a decisões que fujam ao ‘faz de conta’. suas quotas serão liquidadas e os respectivos valores pagos aos herdeiros. após sua morte. assevera a especialista. no caso de liquidação das quotas do sócio falecido. Segundo ela a “regra legal não é conveniente para a grande maioria das empresas.028 do novo diploma legal estabelece que se o contrato nada dispuser sobre a sucessão do sócio falecido. Entretanto. seus herdeiros continuem nos negócios”. Outro ponto importante ressaltado por Fabiana diz respeito ao critério de apuração do valor a ser pago aos herdeiros. a18. mas solução de natureza doutrinária e jurisprudencial. II – a competência em razão da matéria é pressuposto de validade da relação processual. podendo ser suscitada e discutida a qualquer tempo e grau de jurisdição. Segundo ela. UNÂNIME. por ato atentatório à dignidade da justiça. desde que não seja renovada perante o mesmo grau de jurisdição. tem seu campo de incidência nas ações de execução. “O contrato social deve ser cuidadosamente redigido no que diz respeito à situação dos herdeiros na sociedade. Muito tem se falado a respeito das alterações nos contratos sociais que o novo Código Civil (NCC) determinou. Para Fabiana “o contrato social deve ter cláusula expressa prevendo o ingresso dos herdeiros na sociedade”. diz. “No silêncio do contrato. texto i: Lei não prevê permanência de herdeiros nas Limitadas52 Cláusula no contrato da sociedade tem que contemplar sucessores. apesar de não mais se referir a “executado”. para deixar a decisão sobre sua ad-missão a critério dos sócios remanescentes. mas tão somente aquelas derivadas nas ações de execução estrito sensu. Relatora: DES. (grifo nosso) (APC-5246299/DF. por: Gláucia de abreu andrade/são paulo. “A questão surge se o sócio pretende que. não podendo ser interpretado ampliativamente para alcançar a execução de toda ordem emanada do poder judiciário. Decisão: DAR PARCIAL PROVIMENTO A AMBOS OS RECURSOS. p. a questão dos herdeiros nas sociedades limitadas foi esquecida. 2ª Turma Cível do Tribunal de Justiça do Distrito Federal.. de ordem pública. diz a advogada. REJEITADAS AS PRELIMINARES À UNANIMIDADE”. NANCY ANDRIGHI em 18/10/1999). 52 FGV DIREITO RIO 30 . em geral. mas sim a “devedor”. admitindo a discussão de prova documental a respeito de fatos incontroversos. em face da preclusão pro judicato. IV – por serem “. e comportando incidente processual quanto aos efeitos jurídicos dos negócios entabulados pelo cônjuge varão à revelia da cônjuge virago.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa I – a ação de inventário por separação judicial é o leito próprio para apreciação de questões jurídicas surgidas após a separação de fato do casal..

lembra o professor Villaça. empresa é outra53: Para consultor. Fabiana diz que em uma sociedade de dois no caso de falecimento de um e não ingressando nenhum herdeiro. 53 FGV DIREITO RIO 31 . nas sociedades de pessoas. A frase do consultor Renato Bernhoeft resume os motivos de seu trabalho: preparar empresas familiares para seu momento mais traumático: a sucessão. por: martín Fernandez http://an. texto ii: família é uma coisa. Ela ainda lembra que o cônjuge também é herdeiro. finaliza. mas não têm caixa para saldar a dívida com os herdeiros num prazo tão curto”. o remanescente tem o prazo de seis meses para recompor o quadro societário. No Brasil. “É possível estabelecer no contrato o critério por avaliação a mercado feita por peritos em laudos econômicos”.htm (acesso em 19/01/06). a advogada Cristina de Andrade Salvador.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa elevado. e este fato deve ser considerado na elaboração do contrato social ou no planeja-mento sucessório. no entanto.” Eduardo Calazans acrescenta que a disposição contratual quanto ao prazo para liquidação é essencial. afirma que “deve haver vontade mútua tanto dos sócios quanto dos herdeiros. a empresa pode não ter bens materiais. para que estes últimos ingressem na sociedade em substituição ao sócio falecido. não pode ela subsistir. “Em regra a quota liquidada será paga em dinheiro. O advogado Álvaro Villaça Azevedo. Portobello e Gerdau. “tem que se considerar o valor imaterial. que atua nesse segmento desde 1975 e atende empresas do porte de Votorantim. Segundo ele “o legislador ao dispor sobre a permanência ou não na sociedade quis preservar a vontade de constituir e manter uma sociedade e sem a qual.” Eduardo Calazans. é necessário que seja feito um balanço especial para auferir o valor real das quotas a que os herdeiros do sócio falecido têm direito. dos 300 maiores grupos privados nacionais 265 tem controle ou gestão familiar. também ressalta que quando o contrato social não prevê a permanência dos herdeiros.com. no prazo de noventa dias a partir da liquidação”. Sadia. Nesse levantamento tem que se verificar a situação atual da empresa. salvo disposição contratual em contrário. professor da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP). do escritório Miguel Neto Advogados.br/2003/ nov/23/1ger. como no caso das ‘grifes’ cujo valor pode ser de milhões. Fonte: portal an (a notícia). acrescenta. também do Miguel Neto. segundo o “Balanço Anual” da “Gazeta Mercantil”. melhores sócios são aqueles que não dependem diretamente das relações de parentesco. segundo o novo Código Civil. à data da resolução. Por exemplo. a não ser que o contrato social estipule em contrário”.” “O levantamento do valor das quotas não pode ser feito pelo valor nominal para que não haja enriquecimento indevido dos só-cios remanescentes”. o valor de seus haveres será apurado e liquidado com base na situação patrimonial da sociedade. Fundador da Bernhoeft Consultoria. Renato diz que não há motivos para forçar os filhos a assumirem os negócios da família. Fabiana afirma que entre seus clientes a solução quanto ao prazo de pagamento aos herdeiros têm sido resolvida com a adoção de uma cláusula que o estipula como sendo em até 24 meses. Joinville – O melhor negócio do mundo não resiste a uma briga de família ou a uma encrenca entre sócios. verificada em balanço especialmente levantado. Na mesma linha de raciocínio do advogado Álvaro Villaça.uol. diz que “não sendo possível ou não existindo interes-se dos herdeiros ou dos sócios remanescentes.

. de vez em quando lá um sócio. logo vai acabar a figura do dono. Quando a gente pensa numa empresa. que não se escolheram como irmãos. O modelo do fundador muitas vezes não serve. E é curioso porque as colônias se concentram em alguns segmentos. Então ele é intuitivo. São duas coisas diferentes: a família é uma coisa. educado. O segundo maior contingente é português. Essa é a característica de como começam quase todos os negócios no Brasil. não se aplica ao resto da família. muitas vezes usar essa empresa para acomodar os filhos. Com negócios pessoais.” Leia a seguir os principais trechos da entrevista: A Notícia – Qual é o maior erro das empresas familiares? Renato Bernhoeft – É tentar utilizar a empresa para resolver questões familiares. E eles vão herdar não uma empresa. porque o empreendedor. AN – Que começaram com negócios pequenos. é italiana. Estou falando do Brasil. do ponto de vista da origem. AN – E como se faz essa separação? Bernhoeft – É evidente que é difícil separar. buscando nisso uma solução para os problemas familiares. portanto. É aí que começam os problemas. O empreendedor aqui. Porque os melhores sócios são aqueles que não dependem diretamente dos negócios da família”. mas dividido em três. afirmou. “E é sempre melhor que as decisões sobre sucessão em empresas familiares sejam tomadas com os fundadores ainda vivos. mandando e desmandando. com negócios minúsculos. E o que acontece? Na primeira geração tem essa figura forte. ou o filho de imigrante. Os portugueses notadamente na área de panificação e supermercados. Em terceiro vêm os alemães. cana-de-açücar e também na área de metalurgia. às vezes ele age mais com o chapéu de pai que com o chapéu de empresário. O que é ser sócio? Eu gosto de responder com coisas práticas: o fundador da Bombril – cujos FGV DIREITO RIO 32 . que começa um processo sozinho. E o erro muito comum que se comete nas empresas familiares – tanto entre as pequenas quanto nas médias e grandes – é o empreendedor. não do Sul. vão herdar esse empreendimento. O perfil do empreendedor brasileiro. que começou um negócio com muito trabalho. mas sim uma participação. fornecedores e concorrentes. quando muito ele e a esposa. AN – Quais? Bernhoeft – A primeira é que a maioria deles não foi criado. para atender seus clientes. é um patriarca. o fundador. é só para dar dinheiro a advogados. Se essa mesma pessoa tem. três filhos. Depois disso. E aí surgem algumas questões a serem discutidas. que empreende. Porque eles cresceram vendo o pai agindo como dono: fazendo e desfazendo. Um dos contingentes mais recentes com presença forte são os japoneses – que tiveram um fluxo migratório mais tardio. O fundador em geral é uma figura empreendedora. muito determinadas e esta é a forma como começaram. no sentido de acomodar a família. depois judeus. para ser sócio. Os italianos no agrobusiness. Vão deixar de ser apenas irmãos para ser sócios. a empresa é outra. antes de ser isso. E a maioria das empresas familiares. sobretudo no Sul.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa “O ideal é que se mostre outros caminhos para os sucessores. esforçado. Essas figuras são extremamente autoritárias de maneira geral. com muito esforço. sabe que ela só terá sucesso se for voltada para o mercado. Vão receber o mesmo patrimônio. Porque suas decisões não valem nada depois que morrem. é o imigrante. AN – E quando a sucessão vira um problema? Bernhoeft – Essas pessoas tem muito essa característica de fazer um negócio para a família. metal-mecânica. digamos. que cria. pequenos mesmo. tem uma característica muito particular que é enxergar oportunidades onde todo mundo vê problemas.. Bernhoeft – Exatamente. é um pai. árabes e outros. Mercado significa clientes. começa dessa forma: com um imigrante ou filho de imigrante. Porque esses três indivíduos.

se torne um bom médico e ao mesmo tempo sócio da empresa. Então antes de empurrar os filhos para faculdades de administração e economia. Ele está bem. AN – A solução passa por educação? Bernhoeft – Essa expressão que você usou é muito adequada: o problema é de educação mesmo. Existe uma tendência dos pais de achar que os filhos vão se entender e isso dificilmente acontece. Só que os lucros. Que dizia algo assim: “Filhos. E assim eles podem cobrar com mais tranqüilidade os resultados daqueles que assumiram os negócios. busquem seus próprios caminhos. É completamente diferente. melhor acionista ele vai ser. procurem se entender.. é melhor mostrar outros caminhos. Porque na medida em que ele faz outra coisa e é bem sucedido. e coisas do gênero. Não como um lugar onde se vai empregar todo mundo. Se não ele acaba. Os filhos casam. Porque se tem uma coisa que as pessoas não gostam é de dar satisfação. AN – O ideal é tirar a família? Bernhoeft – Uma coisa importante nesse processo. se afastem dos negócios. “Ah. e a idéia de que o patrimônio vai dar para todo mundo. e é herdeiro do Unibanco. Não é por aí! Uma família empresária tem que olhar o negócio como empreendimento. acomodar todo mundo. Porque a cada nova geração aumenta a demanda por liquidez. Não precisamos sair de Santa Catarina ou de Joinville para conhecer exemplos de famílias que eram ricas. FGV DIREITO RIO 33 . é nessa história de contratar profissionais e tirar a família do comando. É muito melhor que seu filho faça medicina.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa filhos eram três e também brigaram e perderam a empresa – numa das cartas deixou um recado muito interessante. Quanto mais brilhante cineasta ele for. E às vezes é melhor que os filhos façam outra coisa. É um brilhante cineasta (dirigiu “Central do Brasil”). acaba. Que quase sempre é errada: uma coisa é pai distribuindo a mesada para filho e outra são três pessoas metendo a mão na botija. É muito comum os pais falarem: “não quero que eles passem pelo que eu passei”. porque não depende tão diretamente. agrega valor. Existem alguns problemas: a disputa pelo poder. E aí há dificuldades no processo de sucessão. e que hoje quando muito conservam algum patrimônio imobiliário. a rentabilidade das empresas não crescem na mesma proporção. têm seus próprios filhos e querem manter o mesmo padrão de vida. AN – E como equacionar essas questões? Bernhoeft – Ou as pessoas fazem a empresa crescer na mesma proporção – o que é muito difícil – ou então devem ir diminuindo seu grau de dependência do negócio. Os pais querem que os filhos façam administração. E quem tem sócio tem patrão”. Eu dou sempre o exemplo do Waltinho Moreira Salles. vocês não vão ser donos. economia. Então a partir da segunda geração começa a haver uma pulverização da propriedade. porque aí vai virar uma guerra. Se isso não acontecer. meu irmão não entende nada”. ele agrega valor ao negócio. Então é muito culpa dessa conduta familiar. AN – Por que isso acontece? Bernhoeft – Por várias razões: os pais tentam proteger os filhos dos problemas que eles próprios tiveram de enfrentar. Porque quando sentar na mesa do conselho do banco. ele não vai encher o saco do irmão Pedro – que assumiu o banco. Cada nova geração tem que agregar valor àquele patrimônio. vocês vão ser sócios. em que se fala muito sobretudo no mundo acadêmico. Isso é educar a família para que ela seja uma família empresária. porque ao não depender da empresa. então? Bernhoeft – Os filhos não podem pensar que assumir os negócios da família é a única opção de vida. milionárias até. as preferências dos pais – isso repercute e impacta -.. AN – O ideal é que haja esse afastamento.

administrativamente. E quando eu digo pai. essas coisas. Na Alemanha está acontecendo muito isso. AN – É comum o pai dizer que foi abandonado? Bernhoeft – Demais. o que é um grande mérito. Então tentamos reunir todo mundo para uma sensiblização. assinale a assertiva correta. Simples assim. Então o primeiro passo é uma reunião geral. que é uma instituição complexa. Outra questão é estabelecer entre os herdeiros um sucessor. FGV DIREITO RIO 34 . Isso faz parte do processo de formação de uma família empresária. seu mercado. Depois. Questões de ConCurso PROVA OAB/RS . De preferência com a presença de genros e noras. dos 300 maiores grupos privados nacionais 265 tem controle ou gestão familiar. Quem nasce numa família empresária já é um privilegiado. Ele não fez. E tem que ter consciência disso e de algumas coisas: de que o dinheiro acaba. AN – E o risco de ficar sem herdeiro? Bernhoeft – Vende-se o negócio. A primeira fase consiste numa reunião geral com a família. de que o dinheiro não lhe dá o direito de fazer e desfazer. de criar condições para que as empresas sigam sendo bem administradas. baseada em três pontos: a família. refiro-me ao pai e à mãe. “Ah. ele fez para si. e não o sonho do pai. Mas não com separação de idéias. E depois o trabalho de criar conselhos. Outro ponto é que os herdeiros tenham um acordo societário: um conjunto de regras que estabeleçam direitos e deveres. vai durar até o dia em que ele morrer. dizem uns. por exemplo: critérios de entrada e saída de membros da família na empresa. mas as funções por elas exercidas são de natureza federal. Porque se for uma escolha do pai. E quando não há sucessor. como pai. fornecedores. Outra coisa importante é descobrir qual é o seu sonho. segundo o “Balanço Anual” da “Gazeta Mercantil”.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa AN – E o que é ser uma família empresária no Brasil!? Bernhoeft – Em primeiro lugar o Brasil é um país de uma população miserável. mas meus filhos casaram em regime de separação de bens”.EXAME DE ORDEM . E só. de que tem que ter o compromisso de responsabilidade social com o País. Fundadores costumam dizer que fizeram a empresa para os filhos. Mentira. é um instrumento que ajuda muito. Os filhos não só não querem assumir os negócios da família como não querem nem herdá-los. com a comunidade. que é sempre uma figura muito forte. vende-se o negócio. AN – O que faz uma consultoria de empresas familiares? Bernhoeft – No Brasil. tem que tomar cuidado para não se confundir com o empresário.DEZEMBRO/2006 22ª Questão: Sobre a Lei do Registro de Empresas Mercantis e Atividades Afins (Lei no 8. E que essa escolha seja feita entre eles. do fundador. concorrentes etc. que tem uma das piores distribuições de renda no mundo. que é o que está em jogo. porque eles interferem sim. clientes. O segundo componente é o de você vai criar uma sociedade com alguém que você não escolheu para ser seu sócio. porque há muito sentimento e ressentimento. Mas ele. E a terceira coisa é a empresa. oras. fazemos uma entrevista com cada membro envolvido. subordinadas ao governo da unidade federativa de sua jurisdição. a) As Juntas Comerciais estão. Nosso trabalho é com essas empresas.934/1994).

salvo se os sócios. sem oposição de qualquer deles. arquivamento e autenticação. 129º EXAME DE ORDEM/SP – PROVA 1ª FASE – TIPO 1 – DIREITO COMERCIAL. será o documento hábil para a transferência. Assinale a afirmativa falsa. (C) Os atos levados a arquivamento nas Juntas Comerciais são dispensados de reconhecimento de firma. 47. tais atos podem ser realizados tanto pelo Departamento Nacional de Registro do Comércio quanto pelas Juntas Comerciais. (A) A certidão dos atos de constituição e de alteração de sociedade empresária. d) Todo ato. deliberarem prorrogá-lo por prazo indeterminado. exceto quando se tratar de procuração. c) Os atos praticados pelos órgãos de Registro de Empresas são matrícula.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa b) A consulta aos assentamentos existentes nas Juntas Comerciais bem como a obtenção das respectivas certidões serão possíveis apenas diante de prova do interesse do requerente. passada pela Junta Comercial. FGV DIREITO RIO 35 . (D) Não pode ser arquivada a alteração do contrato social depois de findo o prazo nele fixado. (B) A sociedade empresária que não proceder a qualquer arquivamento no período de 5 anos consecutivos deverá comunicar à Junta Comercial que deseja manter-se em funcionamento. sob pena do cancelamento de seu registro e a conseqüente perda da proteção ao nome empresarial. do bem imóvel que o subscritor tiver contribuído para a formação ou aumento do capital social. por transcrição no Cartório de Registro de Imóveis. documento ou instrumento apresentado a arquivamento perante a Junta Comercial será objeto de exame em que se aferirá a veracidade das informações prestadas pelo empresário.

roteiro de auLa: sexta-feira. fumo e refrigerantes. ressaltou que a informalidade é um dos principais afrontes à concorrência leal e prejudica os pequenos comerciantes. – TEXTO III – Informalidade. no Brasil. – TEXTO IV – Economia “Invisível”. 27 de agosto Emerson Kapaz defende ética na concorrência empresarial “A concorrência desleal é decorrente da elevada carga tributária. é ínfimo: 0. – Notícias relacionadas. da lentidão do Judiciário e da impunidade”. Emerson Kapaz. Kapaz acrescentou que tal prática “impede o crescimento sustentado da economia e contamina o setor formal. afirmou. Mozart Siqueira. durante o Fórum de Debates Promotor de Justiça Roberto Lyra. – Lei Complementar 123/2006. através de parcerias e forças-tarefa com os governos. quando não couber mais recurso. De acordo com o presidente do Etco.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa AUlA 05: INfORMAlIDADE NO SEtOR EMPRESARIAl ementário de temas: – A informalidade em vários setores da economia. hoje (27). Para Kapaz. FGV DIREITO RIO 36 . Promotores e Procuradores de Justiça. só esses referidos setores representam 30% de toda a arrecadação de ICMS no país. A coordenadora do Centro de Apoio Operacional às Promotorias de Combate à Sonegação Fiscal. as causas da concorrência desleal são quatro: a carga tributária elevada. declara presidente da ETCO em Fórum de Debates do Ministério Público de Pernambuco O Estado brasileiro deixa de arrecadar cerca R$ 6 bilhões devido à sonegação fiscal no setor de combustíveis. incapacitando o incremento do PIB per capita”. cerveja. sobre a importância da revisão do posicionamento do Supremo Tribunal Federal em relação às ações impetradas pelo MPPE. em que o instituto fornece informações técnicas e bancos de dados. a burocracia dos procedimentos. o secretário da Fazenda de Pernambuco. Foi o que declarou o presidente do Instituto Brasileiro de Ética Concorrencial (Etco). Patrícia Tavares.5% ao ano. O ETCO visa colaborar com o combate à concorrência desleal. além de auditores da SEFAZ. – TEXTO I – A dura vida do empreendedor. após o trânsito em julgado do processo administrativo. da burocracia dos procedimentos. presente ao debate. ou seja. dificultando a ação dos Promotores”. a lentidão do Judiciário e a impunidade. Patrícia Tavares alertou. Participaram do evento o Procurador-Geral de Justiça. Francisco Sales de Albuquerque. que. ainda. “O STF alega que o Ministério Público só pode ingressar com uma ação penal contra os sonegadores. – TEXTO II – Fantasma assusta até empresas que já fecharam as portas.

ela era de 63. concluiu que a formalidade no mercado de trabalho fluminense caiu entre 1997 e 2003. mas reconheceu que essa mudança é um trabalho de longo prazo. contra 14. corremos o risco da criação de um Estado paralelo. E na cidade do Rio. para ele. enfatizou. questionada por setores do governo e do Judiciário. 16.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa Devido à atuação da Promotoria de Combate à Sonegação Fiscal.62% em 97.4 bilhões que o Estado do Rio de Janeiro deixa de arrecadar a cada ano com a prática da informalidade em setores como: – FISCO (pirataria/sonegação de ICMS). 16.com/jornal/rio/284415620. O inteiro teor da reportagem pode ser acessado no site: http://oglobo. em 2004. os encargos sociais crescentes sem a contrapartida dos serviços levam à informalidade.92%.98%. Outra causa da concorrência desleal. A reportagem começa informando ao leitor sobre os R$ 4. segundo Kapaz. de 69. Sem essa mudança. em estudo apresentado na reportagem do O Globo.mp. Néri usou como critério a contribuição previdenciária a fim de poder cruzar dados do Censo. 55 FGV DIREITO RIO 37 . Apenas 14. Só7.htm) Em matéria veiculada no jornal O Globo54. em 93.pe. Na Região Metropolitana do Rio. (http://www. ou seja. – “Informalidade fundiária” (inadimplência no pagamento do IPTU ou pela situação irregular do imóvel). a questão da informalidade foi apresentada de forma ampla. Kapaz defendeu mudanças estruturais para trazer de volta ao mercado formal as empresas que atuam na informalidade. abrangendo vários setores da economia. conforme texto a seguir: Ao analisar o número de contribuintes da Previdência Social no estado. mantido pela corrupção e pelo crime organizado. é a tributação sobre o setor produtivo. 54 “O rombo da informalidade” – O Globo em 25/06/2006. “A carga [que incide sobre o setor produtivo] é injusta e cobrada de forma errada”. em parceria com a Secretaria da Fazenda de Pernambuco e a Polícia Militar.72% das empresas tinham CNPJ em 2003. do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre).br/arquivo/imprensa/noticias/2004_agosto/27_emerson. a formalidade caiu de 64.gov. pg.43%. em 2004. – CEDAE (furto de água). Por fim. movimento posto ao do resto do país. devem englobar mudanças na legislação trabalhista e redução da carga tributária. para Kapaz. contra 27.globo. – Serviços como de operadoras de TV a cabo (ligações clandestinas). Segundo o pesquisador Marcelo Néri. para 62. preencheram a declaração de Imposto de Renda em 2003. dado observado no primeiro semestre deste ano.2% tinham registro de pequena empresa em 2003. de 2 de janeiro de 2001.46% em 97. ligado à Fundação Getúlio Vargas (FGV). a arrecadação no setor de álcool aumentou em um mês 170%. – Os números de formalidade das micro e pequenas empresas são alarmantes. o pesquisador Marcelo Néri. segundo dados atualizados do Censo. Em 1997. Dessa forma. da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) e de pesquisas do setor informal. Kapaz também defendeu uma “mudança de cultura a favor da ética”.4%. em 99. – DETRAN (falta de pagamento de multas e IPVA). todas as bases de formalidade caíram à metade entre 1997 e 2003. – Concessionária de energia elétrica (“gatos” = instalações ilegais).63%. o presidente do Instituto ETCO considerou “fundamental ao setor empresarial” a capacidade de investigação por parte do Ministério Público.asp O cnpj substituiu o cGc-mF (cadastro Geral de contribuintes do ministério da Fazenda) através da Instrução normativa sRF nº 2. No estado. Apenas 8.28% tinham o CGC55.39%. Essas reformas estruturais. o número de empresas (RECTIUS: sociedades empresárias) sem registro oficial aumentou. e 60.

Com carteira assinada. Tenta-se cobrar impostos. é o desemprego. há uma “série de precariedades na vida trabalhista das favelas: desemprego alto. não é a favela que tem a maior informalidade previdenciária: – É simples: na favela. Nos bairros de alta renda. FGV DIREITO RIO 38 . diz Néri.” Jornal O Globo – infográficos. em todos os setores. jornada puxada”: Mas o mais forte é a falta de presença do Estado. Até porque a pessoa que mora na favela tem “gato” de luz. não tem escritura. De acordo com o pesquisador. Ela reflete o jeitinho brasileiro. passa a seu uma saída – conclui. mesmo. a taxa cai para 9. não consegue provar endereço. salário baixo. Ao contrário do que se pensa.1%.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa A informalidade está associada a encargos fiscais crescentes sem que haja benefícios sociais em contrapartida. título de propriedade não é a regra. mas sem oferecer os serviços em contrapartida. Mas as pessoas buscam ter relação com o estado em outros setores da vida. Dados atualizados do Censo mostram que nelas ele chega a 19. Uma das formas encontradas para driblar o pagamento dos impostos e encargos trabalhistas é se associar a uma cooperativa. A informalidade.1%. existe uma quase total informalidade fundiária. ela pode conseguir abrir crediário. Grande nas favelas. A proliferação delas cria mais informalidade.

Como é que ela não se põe à margem? Consumindo piratas. burocracia e impunidade. inclusive de grife. por que eu não posso?” Não se pode nem falar mais em marginalidade para esse tipo de comportamento. Serão cruzados dados desde 1995 para uma avaliação trimestral da evolução da informalidade. Justiça lenta. seu DVD. Para ela. a seguir: “A necessidade de estudar detalhadamente a extensão da informalidade no país levou o Instituto Brasileiro de Ética Concorrencial (Etco) a contratar a Fundação Getúlio Vargas para elaborar um estudo permanente.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa Ainda na matéria sobre a informalidade. sofrendo discriminação. Sylvia Vergara tem outras ponderações sobre as causas da informalidade. o jornal O Globo traz o artigo “Estudo sobre a economia subterrânea”56. há consumidores.17 FGV DIREITO RIO 39 . sem punição. Recorrer à informalidade é o dia-a-dia de 20% a 25% da população. que tinha uma banca de 15 dos melhores advogados e quase conseguiu hábeascorpus no Supremo para se livrar da cadeia. — É importante não se esquecer das pressões de uma sociedade consumista. é fácil. ‘É uma espécie de busca tortuosa por cidadania’ Professora da Escola Brasileira de Administração Pública da FGV. Além disso. presidente do Instituto Etco. que começa a ser publicado periodicamente ainda este ano. As empresas. que moram em favelas. sem contrato. Emerson reconhece que prender camelô é ineficiente: — É enxugar gelo. É uma espécie de busca tortuosa por cidadania — diz. para facilitar o acesso do consumidor de baixa renda. O estudo ficará a cargo do pesquisador Aloísio Campello. Para o sociólogo Inácio Cano. Trata-se de uma cadeia que sustenta um verdadeiro Estado pirata. Se lhe derem essa opção. pg. professor da Uerj. TV a cabo para os pobres. com surpreendente destaque para os de classe média e alta. há direito a assistência técnica. sobre a economia subterrânea. E faz gato da TV a cabo. condenar o uso de produtos piratas: — As pessoas não têm acesso a emprego com carteira assinada. a maioria vai preferir ter acesso a isso e aos direitos. Em troca de pagar. os exemplos que vêm dos governantes não ajudam a interromper o ciclo: — As pessoas pensam: “Ah. sem receber entregas. — A informalidade tem implicações mais profundas do que parece. poderiam fazer linhas populares que tivessem a sua marca. se eles podem roubar. sem pagar impostos — diz o professor. É cada vez mais a regra. É preciso que o mercado se aproxime da renda das pessoas para conter a informalidade. Ninguém quer ficar à margem. do Ibre. endereço. mortes por disputas entre quadrilhas de contrabandistas e financiamento de campanhas de políticos que contribuem para a manutenção do status quo — diz Emerson Capaz. que apela o tempo todo para a compra de bens. O sociólogo defende a proliferação de programas que estimulem a adesão de consumidores de baixa renda. corrupção. Tem que atacar a logística e ter em mente que a pirataria e o contrabando têm quatro pilares: alta carga tributária. para quem tem renda para consumir. água. Isso é artigo em extinção. Uma pessoa de renda baixa tem lá seu celular. sua TV. com propinas. mesmo ganhando até um pouco menos. ávidos por comprar e imersos numa frouxidão de valores. — Um exemplo da força do Estado pirata é o (megacontrabandista) Lao Kim Chong. — Que se expandam os programas de eletricidade. 56 O Globo de 26/06/2006.

A unificação e simplificação tributária. todo mundo quer ter o produto original. além dos seis tributos e contribuições federais (IRpj. já as que se encontram enquadradas no simples e que não se manifestarem até o fim do mês. para a abertura e o fechamento de sociedades empresárias. A burocracia e a falta de união das juntas comerciais. que substitui o simples.4 milhões. b) sociedades cujo capital participe outra pessoa jurídica. pL 6529/2006. são aquelas que faturam até R$ 240 mil por ano. e dá outras providências.529/2006 que cria a REDESIM — Rede Nacional para a Simplificação do Registro e da Legalização de Empresas e Negócios.841/99 (atual Estatuto da Micro e Pequena Empresa). 57 58 a postergação da parte tributária ocorreu porque Estados e a Receita Federal alegaram que não haveria tempo hábil para desenvolver o sistema de arrecadação. reduzindo praticamente à metade os prazos para tramitação de processos nas juntas comerciais. Esta exigência sempre gerou muita polêmica. 123/06). Lei geraL das miCro e peQuenas empresas – LC 123/2006. com isso. além de estabelecer um amplo programa de agilização e simplificação de procedimentos e a integração das ações dos órgãos e entidades públicas.00. porém.529/2006 pretende combater a demora no processo de abertura e fechamento de sociedades empresárias. cria a Rede nacional para a simplificação do Registro e da Legalização de Empresas e negócios – REDEsIm.4 milhões por ano. o novo regime engloba o Icms (estados) e o Iss (municípios). desde que a receita bruta global ultrapasse o limite R$ 2. que já eram incluídos no simples. Cano encontra apoio até em representantes da indústria pirateada.529/2006. serão automaticamente enquadradas no super simples. para microempresas que faturam até R$ 240 mil por ano. e pequenas empresas que ganham de R$ 240 mil a R$ 2. dos Estados. — Toda a conscientização e toda a fiscalização não serão eficazes se a indústria não se comprometer a criar linhas de produtos mais populares — alerta Alexandre Cruz. estaduais e municipais. e n. cofins. fica impossibilitado de fechar a sociedade diante de tal exigência (aspecto negativo). IpI. e as pequenas empresas. tanto para fins do Estatuto. como a exigência de certidões negativas. csL e contribuição previdencial patronal). O novo regime tributário entra em vigor a partir do dia 1º de julho e as empresas têm até o dia 31 para optar pelo regime. podemos citar: a) pessoas jurídicas constituídas como cooperativas (exceto as de consumo). que estabelece normas gerais relativas ao tratamento diferenciado e favorecido a ser dispensado às microempresas e empresas de pequeno porte no âmbito da União.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa Entidade apóia lançamento de linha popular por grifes Nesse ponto. — No fundo. está tramitando o PL 6. até R$ 2. a geração de 2 milhões a 3 milhões de empregos formais. para o administrador honesto que discute as dívidas da sociedade na justiça. O restante da lei passou a vigorar a partir do dia 1º de janeiro de 2008 com exceção de itens que ainda dependem de regulamentação posterior. O PL 6. sempre foram (e continuam sendo) os maiores obstáculos para a abertura de novos negócios.317/96 (que trata do Simples Federal). Uma das novidades do PL é a dispensa das certidões negativas para o fechamento de empresas. A expectativa do governo é que a lei permita a criação ou formalização de 1 milhão de empresas e. proJeto de Lei 6.000. revogando as Leis n. Em 14 de dezembro de 2006. pIs. foi sancionada a Nova Lei do Simples. FGV DIREITO RIO 40 . Até para o fechamento (vide Texto II). passarão a vigorar em 1º de julho de 200758. para a realização dos registros da atividade empresária de que trata em seu contexto.º 9. a burocracia traz complicações que provocam demora e muita dor de cabeça para os ex-sócios. dentre essas vedações. c) pessoas jurídicas cujo sócio ou titular seja administrador ou equiparado de outra pessoa jurídica com fins lucrativos.400. do Fórum Contra a Pirataria. do Distrito Federal e dos Municípios.º 9. O super simples (Lei complementar nº. pois de um lado dificulta a fraude (aspecto positivo). principais pontos da Lei. quanto para fins do tratamento tributário. Microempresas. Só precisa de meios para isso”. Estabelece diretrizes para a simplificação e integração do processo de registro e legalização de empresários e de pessoas jurídicas. prevê a unificação e simplificação de impostos federais.57 Com o objetivo de simplificar e diminuir a burocracia. Há um rol de vedações.

seguro por acidente de trabalho e licença-maternidade. O tempo mínimo de contribuição são 15 anos. É importante ressaltar que a Lei Complementar 123/2006 sofreu alterações de acordo com a LC 127/2007 e LC 128/2008. no ano-calendário anterior.00 (trinta e seis mil reais).4 bilhões ao ano. e do INSS patronal. Há um acréscimo de meio ponto percentual para as indústrias. de segurança e vigilância sanitária será feita de forma simplificada. Menos burocracia: A Lei Geral garante maior rapidez na abertura de empresas. seu registro será simplificado e livre de taxas e emolumentos. comparecer em Entre as medidas. Ele poderá optar pelo recolhimento dos impostos e contribuições abrangidos pelo Simples Nacional em valores fixos mensais (aprox. PIS.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa Como principais pontos da lei. cria condições para desburocratizar a abertura e o fechamento de empresas. No entanto. O registro da empresa será único e servirá para todas as esferas de governo. que vai vigorar a partir e 1º de julho também de 2009. poderá ter conta bancária e outros benefícios como acesso a linhas de financiamento especiais com juros reduzidos e participação nas licitações públicas. pequena. podem se inscrever como mEI empreendedores como costureiras. os microempreendedores individuais ficam isentos de praticamente todos os tributos. o mEI retém 8% do salário pago e complementa com mais 3% para o Inss do trabalhador. a família também tem direito à pensão por morte do segurado e auxílio-reclusão. entra em vigor no dia 1º de janeiro de 2009. só o público-alvo do microempreendedor Individual compreende os 10. com a lei. de 10 de janeiro de 2002 – Código Civil. destacamos: Tributação: A lei unifica e simplifica a arrecadação de seis impostos e contribuições federais (IRPJ. optante pelo Simples Nacional e que não esteja impedido de optar pela sistemática prevista neste artigo. se tiver empregado. considera-se MEI o empresário individual a que se refere o art. o trabalhador poderá se aposentar apenas por idade (60 anos para mulher e 65 para homens). de até R$ 36. Autônomos: Os autônomos farão o recolhimento de apenas 11% para o INSS (Instituto Nacional do Seguro Social). a previsão é que a lei beneficie cerca de 11 milhões de empreendedores. Não estará sujeito à incidência do IRPJ. as alíquotas variam de 4% a 11% de acordo com o faturamento. a nova lei possibilita resolver problemas reclamados pelo segmento relativos à cobrança de Icms.00. É preciso ter disposição para cumprir cerca de 17 procedimentos. mais R$ 1 de Icms (comércio e indústria) ou R$ 5 de Iss (serviços). a lei. sapateiros e artesãos com receita bruta anual de até R$ 36 mil e que optarem pelo simples nacional.000. e não por tempo de contribuição. de 2008). escolas de línguas. conforme parágrafo primeiro do artigo 18-A da LC 123/2006. as empresas de montagem de stand em feiras.000. cuja vigência iniciar-se-á em 01/07/2009: “Art. É um dos grandes obstáculos para que pequenos negócios entrem na economia formal.65.. pagam apenas valor fixo mensal de 11% do salário-mínimo de Inss para aposentadoria pessoal. exceto o mEI.” Portanto.) § 1o Para os efeitos desta Lei. No caso do setor de serviços. o empreendedor passa a ter direito à aposentadoria por idade ou por invalidez. da COFINS..00). A renúncia fiscal prevista é de R$ 5. Cofins. Abrir uma empresa. é como participar de uma gincana. tendo esta última criado a figurado Microempreendedor individual – MEI. (Incluído pela Lei Complementar nº 128. academias de ginástica e de dança e empresas que atuem na área de produção cultural e cinematográfica. média ou grande. além do ICMS (Estados) e ISS (municípios) a partir de 1º de julho. Os documentos serão entregues em um único órgão que repassará os dados para os outros. CSL e INSS). Novos setores: A Lei Geral como foi aprovada no Congresso permite que novos setores entrem no sistema de arrecadação especial. sancionada sem vetos.59 teXto i – a dura vida do empreendedor60 Estudo do mostra que o Brasil lidera a lista dos países que criam maiores dificuldades para abrir uma empresa. 966 da Lei no 10. R$ 50. IPI. do PIS. o microempreendedor Individual (mEI) e a sociedade de propósito Específico (spE). A parte de fiscalização ambiental. 18-A. Entre eles estão os operadores autônomos de transportes de passageiros. da CSLL.3 milhões de informais no país. no Brasil. Alíquotas: No comércio. no ano-calendário anterior. 59 FGV DIREITO RIO 41 . A alíquota atual (2006) é de 20%.406. que tenha auferido receita bruta. Formalizado como mEI. que hoje equivale a R$ 45. Ele ainda passa a integrar o cadastro nacional de pessoa jurídica (cnpj). Compras públicas: As micro e pequenas empresas passam a ter prioridade em compras governamentais de até R$ 80 mil. (. de até R$ 36. as alíquotas são 50% maiores que as cobradas no comércio. considera-se MEI o empresário individual que tenha auferido receita bruta. permite a entrada de novos setores econômicos no simples nacional e cria duas novas personalidades jurídicas. do IPI. Eles também podem ter até um empregado. independentemente da receita bruta por ele auferida no mês.

A questão é importante porque impacta a pauta de crescimento sustentável do Brasil a longo prazo. Indústria e Comércio Exterior (MDIC). 60 FGV DIREITO RIO 42 . O tempo gasto nos trâmites burocráticos é o triplo da média mundial. um grupo de trabalho do governo federal. em matéria de demora para a abertura de uma empresa. entre 133 países pesquisados. capitaneado pelo Ministério do Desenvolvimento. O levantamento aponta que o Brasil ocupa o sexto lugar. indica que qualquer mortal interessado em abrir um empreendimento no Brasil tem de desembolsar. secretário de Desenvolvimento da Produção do MDIC e coordenador do grupo de trabalho. estados e municípios. além de esperar uma média de 155 dias para abrir as portas. Segundo ele. mas também devido a inúmeros imprevistos que normalmente acontecem no meio do caminho.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa até 15 órgãos do governo. sendo integrado por representantes da união. às 01:04horas. por exemplo. ter tempo e dinheiro de sobra. http://www. ou ainda se houver qualquer pequena rasura ou termo incorreto. E precisa esperar que se cumpra cada etapa para iniciar outra. também criado com a nova lei. br/?cat=8&paged=2. está incumbido de realizar um diagnóstico dos principais entraves no registro empresarial. reunindo membros do governo federal e outros setores envolvidos no processo em instâncias estaduais e municipais. Para fechar uma empresa brasileira são necessários 10 anos. como é o caso de São Luís. de acordo com o Banco Mundial. sem uma visão geral do processo e sem pensar no cliente. da empresa de contabilidade Welmaso. No evento foram debatidas experiências internacionais de desburocratização e iniciativas locais bem-sucedidas. O registro do mEI será regulamentado pelo comitê Gestor da Rede nacional para a simplificação do Registro e da Legalização de Empresas e negócios (Redesim).com. Agora. As dificuldades enfrentadas pelos empreendedores brasileiros não ocupavam a agenda pública desde o final da década de 1980. Na Austrália. bastando uma declaração anual. denominado Doing Business (fazendo negócios). por exemplo. afirma Carlos Gastaldoni. hoje na casa dos 40% do Produto Interno Bruto (PIB). O primeiro passo foi a realização de um workshop em maio. embora em algumas capitais o problema esteja minimizado. Em Brasília. A situação da capital paulista é emblemática e reflete muito do que acontece ao longo do território. em dois dias se abre um negócio. “As exigências são repetitivas e falta orientação para o empreendedor”. Um processo em fase final de deferimento pode retornar ao ponto inicial se uma assinatura tiver algum detalhe diferente da que consta na carteira de identidade. Para se ter uma idéia da dimensão do problema da burocracia nesse campo. Perde apenas para a Índia. por clarissa Furtado. onde é possível abrir um empreendimento em seis dias. um estudo realizado pelo Banco Mundial esse ano. A burocracia é um dos motivos da alta taxa de informalidade dos negócios no país. que é de 49 dias. Grande parte da demora deve-se ao fato de que os órgãos responsáveis por autorizar o registro não conversam entre si. Assim. No caso do Brasil o cenário foi a cidade de São Paulo. a legislação foi feita com foco em cada um dos órgãos envolvidos. O estudo do Banco Mundial leva em conta a realidade dos principais centros financeiros de cada país. O microempreendedor Individual não precisará apresentar contabilidade ou nota Fiscal. e de implementar soluções que minimizem o martírio de potenciais empreendedores. 274 dólares em taxas e tributos. o potencial empresário tem de fornecer os mesmos dados e documentos a cada um deles. no Maranhão. com 11.3 anos. comenta o contador Leo Arksy. de Brasília. quando foi criado o Ministério da Desburocratização (leia o quadro na página ao lado). e nos Estados Unidos são necessários cinco dias. exceto se vender ou prestar serviço para pessoa jurídica. de Brasília. Revista Desafios do Desenvolvimento – IpEa – setembro/2004. “A sensação é de que a cada ano fica mais difícil abrir um negócio. acesso em 19 de janeiro de 2009. Burocracia Os contadores são as figuras que mais conhecem o duro dia-a-dia das filas da burocracia. costumamos gastar de 40 a 60 dias para cadastrar uma empresa e outros 3 a 4 meses para que ela possa funcionar”. Também foram esboçadas sugestões de atuação em nível federal.tactus. É o segundo processo mais lento do mundo. O périplo é longo não apenas por envolver várias etapas a serem cumpridas. por baixo.

feita pela London Business School. 21. a Federação Nacional das Empresas de Serviços Contábeis (Fenacon) e o Conselho Federal de Contabilidade (CFC) já definiram essa demanda como a principal em sua pauta de reivindicações. “Mas não adianta esperar que o Estado sozinho conduza o processo de mudanças. do MDIC. sobre o nível da atividade empreendedora em todos os continentes. O número de empreendedores no país é crescente. Nem todas as cidades. uma exigência da Emenda Constitucional 42. no Canadá. elaborou um ante projeto de lei. em apenas dois dias. Interessados no assunto não faltam.5% não pensavam em legalizar suas atividades por causa das dificuldades burocráticas. O conceito one stop shop (algo como loja de parada única) já funciona em vários países desenvolvidos. é possível obter o registro. O empreendedor se compromete a enviar. reunindo informações da Receita Federal e das secretarias de fazenda estaduais e municipais é o desejo daqueles que defendem um processo menos complexo na constituição de empresas no Brasil. foi sendo paulatinamente usada pelos diversos ministérios. naquelas em FGV DIREITO RIO 43 . em 2002. por correio. na pesquisa Global Entrepreneurship Monitor. 24. um encontro de administradores tributários. que também já admite o preenchimento de formulários pela internet. A Classificação Nacional de Atividade Econômica (CNAE – Fiscal). por isso. o registro de empresa é regulado por lei estadual e. O Brasil passou de sétimo colocado. Assim.6% devido ao alto custo financeiro e 18. O Sebrae. O argumento explica a ênfase especial ao tema pedido pelo ministro Luiz Fernando Furlan. por exemplo. A entrada única de dados cadastrais é a regra. o cadastro único ainda está longe de se tornar realidade. 12. Paulo Ricardo de Souza Cardoso. o que facilita a comparação de informações brasileiras com dados mundiais. terá de ser aprovada uma nova lei que possibilite o cadastro único”. A pressão da sociedade é fundamental”. No ano passado.9% da população estava envolvida em alguma ação empreendedora. A adoção de um código único de classificação econômica de empresas é outra medida fundamental para a viabilização do projeto. “Temos disparidades nas regras locais e também na estrutura tecnológica. por exemplo. redefinindo o Estatuto das Micro e Pequenas Empresas e fazendo outras propostas. a ser apresentando ao Congresso ainda em 2004. Segundo o coordenador-geral de fiscalização da Receita. No Brasil. A criação de um cadastro único de empresas. de um total de 640 empreendedores informais do estado de São Paulo. em 2003. realizado no final do ano passado a pedido do Ministério da Fazenda. um único documento: o contrato social da empresa. explica. aprovada na Reforma Tributária do ano passado. por exemplo.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa Segundo um estudo do Instituto Análise de Ribeirão Preto. Entidades representativas do público empresarial já estão se movimentando nesse sentido. Ela torna possível o uso de um mesmo código de atividade em todo o país e viabiliza o cadastro único. inclusive. Depois que a Receita Federal realizou. O Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae). alerta o cientista político Sérgio Abranches. foram assinados dois protocolos estabelecendo metas e compromissos para viabilizar o projeto. Ainda está apenas no plano da discussão.5% devido ao tempo gasto no processo. criada em 1994 e atualizada em 2002. formal ou informalmente. a utilizam e. e também a inclusão do tema na lista de medidas da nova Política Industrial. ao grupo de trabalho interministerial. A unificação das informações fiscais é. Em São Paulo. porém. para o 6º lugar. estados e municípios terão até 30 de setembro para apresentar um diagnóstico da situação e o que seria necessário para a unificação. embora esteja previsto em lei. A classificação segue o padrão da Organização das Nações Unidas. em julho.

120 são gastos nos procedimentos de fiscalização e vistoria pra a obtenção das licenças vinculadas ao alvará de funcionamento. O prazo de dez anos citado pelo Banco Mundial para dar baixa de um estabelecimento é conseqüência. Ele assinaria um termo de responsabilidade comprometendo-se a executá-las em determinado período de tempo. Enquanto as mudanças estruturais não aparecem. quase óbvias. da exigência de certidões negativas pelo Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS). Outra hipótese seria dar ciência ao empreendedor de todas as obrigações a cumprir em relação à segurança da atividade. Assim. para agilizar o processo. Na Receita Federal o padrão é o uso dos quatro primeiros números. os futuros empresários precisam munir-se de persistência para conseguir autorizações de funcionamento das instâncias locais. falta uniformidade. as fiscalizações se concentrariam nos negócios em que há. Os processos de fechamento ou alteração das condições jurídicas são compostos por rituais ainda mais cansativos. foram criadas em dez cidades. em grande medida. Dessa forma. consultor de tributos e desburocratização do Sebrae. o empreendedor teve de ir ao corpo de bombeiros com seu próprio carro para buscar o técnico. José Martonio Alves Coelho. Faltam informações sistematizadas e de fácil compreensão sobre o procedimento a ser adotado pelos interessados em abrir empresas. Fiscalização Qual seria uma possível solução? Para André Spínola. de fato. deveriam ser criadas classificações mais precisas das atividades de acordo com o risco potencial que elas oferecem para a sociedade. sobretudo. Na cidade de São Paulo está sendo elaborado um software que determinará. “É preciso unificar as regras”. já que faltam viaturas. Mas questões complexas muitas vezes são resolvidas com soluções marcadas pela simplicidade. Não é apenas o nascimento de um empreendimento que envolve tantos meandros. cogita-se que o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) poderia coordenar uma central de codificação de atividades econômicas. Dos 152 dias registrados no estudo do Banco Mundial. Unificação de códigos O código da CNAE também poderia ser usado para cruzamento com as atividades listadas nos planos diretores das cidades. principalmente porque as regras variam de cidade para cidade. O empresário daria baixa na Junta Comercial e avisaria aos órgãos envolvido que cobrariam eventuais dívidas. que reúnem escritórios dos órgãos envolvidos no registro num único local. Em Brasília houve casos em que. investimentos em informatização e.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa que já é empregada. uma cooperação entre os governos. enquanto outras elencam até seis. O Sebrae tem desempenhado um papel importante nessa área. Na esfera federal. a firma poderia iniciar suas atividades mais rapidamente. Contando com aprovações de projetos de lei no Congresso. A falta de fiscais em muitas cidades adia a vistoria. as Centrais Fáceis. FGV DIREITO RIO 44 . a necessidade de uma vistoria ambiental com base no código. o corpo de bombeiros e a vigilância sanitária. de estado para estado. A redução do prazo de abertura e encerramento de empresas no Brasil ainda vai demorar. da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional. serão precisos pelo menos três ou quatro anos. com o apoio do Sebrae. Algunas aplicam os três primeiros algarismos da classificação. como a prefeitura. Isso facilitaria a concessão dos alvarás de funcionamento e serviria para orientar a necessidade de fiscalizações e licenças específicas. sugere o presidente do CFC. se tudo correr bem. Como se não bastasse o tortuoso caminho até a obtenção do registro da empresa. perigo de acidentes. da Receita Federal e do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS). Uma alternativa para resolver o problema seria a eliminação de todas essas certidões. por exemplo. Além do cadastro único existem outros problemas.

ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa teXto ii – fantasma assusta até empresas que já fecharam as portas60 Se abrir uma empresa é uma empreitada difícil no Brasil. voltará a percorrer as repartições para depois apresentar a papelada à Junta Comercial com o pedido de baixa. Flávio Sabbadini. 44 anos. Ela lamenta que. não conseguiu uma das muitas certidões necessárias para dar prosseguimento ao processo porque uma falha de comunicação entre os computadores da Caixa Econômica Federal e do INSS aponta uma dívida inexistente. fechá-la é um tarefa extenuante para os empreendedores. Magda Gattini.61 Conforme o estudo do Banco Mundial sobre o ambiente para negócios em todo o mundo. ela provavelmente terá de recomeçar do zero e obtê-las novamente. por exemplo. à geração de empregos e uma fonte de gastos inúteis por parte da sociedade. 60 Vale lembrar que as alterações sofridas pela Lei complementar 123/2006. no papel. por exemplo. não consigo entender como ainda vivemos às voltas com formulários e carimbos – lamenta Magda. também tiveram por objetivo facilitar a abertura e fechamento das empresas iniciadas pelo microempreendedor individual. Assim. mesmo que a empresa seja obrigada por lei a apresentar relatórios mensais e anuais sobre pagamento de ICMS. Agora. explica que os sócios tiveram de esperar a conclusão de um processo de venda do negócio para formalizar sua dissolução. – Às vezes. já não tem funcionários há quatro anos. a contabilista enfrenta há mais de um mês o pesadelo da burocracia. o volume de documentos exigidos e falhas na engrenagem burocrática elevam o tempo mínimo para extinguir o empreendimento a vários meses. como as outras certidões que atestam a ausência de dívidas junto a órgãos governamentais têm prazo de validade para serem apresentadas. todos os comprovantes tenham de ser novamente verificados. 11 de dezembro de 2005. Mas não é fácil – diz Magda. que muitas vezes não dependem de você para que sejam resolvidos – afirma o preside do Sebrae/RS. provocadas pela Lc 128/2008. O pior é que. Até agora. tenho vontade de jogar tudo para o alto – confessa a contabilista. O vaivém de certidões e formulários exigidos por repartições municipais. Ainda assim. o Brasil se equipara somente ao Chade e à Índia neste quesito – onde o processo também chega a uma década em caso de falência. A contabilista da firma. – O problema no fechamento de uma empresa é que você é responsável por problemas junto ao INSS e ao Fundo de Garantia. está com toda a documentação em dia e não apresenta débito com o INSS. continua existindo. 61 FGV DIREITO RIO 45 . – Na era da informática. por exemplo. estaduais e federais pode elevar o tempo necessário para extinguir uma firma a nada menos do que 10 anos. Mesmo quando uma empresa não tem credores. Uma empresa de reforma de carrocerias de Guaíba. na Região Metropolitana. – Isso acontece seguidamente. Assim como as dificuldades para abrir uma empresa. Resolvido este impasse. Fonte: jornal zero Hora. a complexidade do procedimento para fechá-la também é considerado um obstáculo ao desenvolvimento de novas companhias. preciso provar com uma pilha de comprovantes que esta dívida não existe para obter a certidão negativa de débito.

> No início dos anos 90. Parte-se do princípio de que o cidadão. – O recrudescimento do regime militar. busca uma vantagem e não um direito. exigência da Emenda Constitucional 19. São criados os concursos públicos nacionais e autarquias dotadas de autonomia gerencial e financeira – primeira tentativa estruturada de descentralização administrativa. apesar de autoritário. – Os primeiros anos da Reforma Administrativa enfatizam a desburocratização administrativa. promove a descentralização política. criando um ciclo vicioso Fontes:Instituto Hélio Beltrão Juarez Freitas professor de Direito PUCRS e da UFRGS. delega competências e reforça a autonomia da administração indireta. durante o primeiro governo militar. > Formalismo jurídico idealiza as instituições a partir de uma visão estritamente legal. O último dos presidentes militares. – O Estado Novo. – Nos anos 2000. – Duas inovações importantes tiveram a sua gênese com a criação do programa: o Estatuto da Microempresa e os Juizados de Pequenas Causas. – A redemocratização. a partir de 1946. que seria implementada três anos mais tarde. presidente do Instituto Hélio Beltrão (IHB) e página do IHB na Internet Por que o Brasil patina? – Há forte vocação à centralização administrativa. – Em 1964. e de gratificação de produtividade. o projeto de descentralização volta à carga. mas reduz o ímpeto da modernização administrativa do Estado. ao buscar um serviço público. com o poder sendo transferido para as províncias. o programa é recriado. Fonte: João Geraldo Piquet Carneiro. Para o Instituto Hélio Beltrão – batizado com o nome do ex-ministro da Desburocratização – as medidas abaixo foram tentativas de reduzir a burocracia do Estado: – Do fim da monarquia até 1930. que mais tarde se transformam nos Juizados Especiais. – Partidarização excessiva do governo. que dificulta o planejamento de longo prazo – O Estado volta sua arrecadação para seu próprio financiamento. presidente do Instituto Brasileiro de Direito Administrativo e pesquisador Associado na Universidade de Oxford (EUA) FGV DIREITO RIO 46 . general João Batista Figueiredo. – Falta de fixação de metas de desempenho. socialmente controláveis. tenta dar agilidade e eficiência ao serviço público. o processo político caminha no rumo da descentralização política. de 1937 a 1945. – Inexistência de um código específico de Defesa do Usuário de Serviços Públicos. dedicando-se prioritariamente a disseminar os conceitos de desburocratização. até hoje não levada a sério. – Perfil autoritário da administração pública.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa No Brasil. novas medidas de maior impacto são adotadas no âmbito do Programa Federal de Desregulamentação. em 1969. cria o Programa Nacional de Desburocratização que seria tocado pelo Ministério da Desburocratização. é criada a Comissão de Reforma Administrativa. aperfeiçoados a emissão de passaportes e a revogação de mais de 100 mil decretos superados e desnecessários. > São simplificados os procedimentos de embarque e desembarque nos aeroportos. – O Programa Nacional de Desburocratização perdeu ênfase no final da década de 80. compromete o projeto de descentralização administrativa. > Existe uma relação de desconfiança no relacionamento do governo com a sociedade e com o cidadão. – Em 1979.

Nos infográficos abaixo mostramos. quais os setores que mais lidam com esse tipo de mão-de-obra e quais as maiores dificuldades enfrentadas pelos que querem operar dentro da formalidade. O problema é crescente. donos de fábricas de fundo de quintal. em números. Eles habitam um mundo de tons cinzentos. brasil dividido. Há grande curiosidade a respeito dos resultados: será que o universo informal continua em expansão? Segundo Lauro Ramos.3 milhões de pessoas. São também os diplomados que dão consultoria ou atuam como personal trainers. Procuram sobreviver no improviso. e dentro delas no setor de serviços. escapar das armadilhas da burocracia e do pagamento de impostos.8% do total dos empregos em 2002. Saiba por que isso é um problema e o que se está fazendo para resolvê-lo. Em 2002 eram 36. ocupando 12. Em 2002 a indústria era responsável por apenas 15. Mais da metade dos trabalhadores brasileiros vive na informalidade.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa teXto iii – informalidade61 Esta edição da “Desafios” traça um amplo panorama da perigosa expansão da economia informal no Brasil.7% para 42. entre 69. Isso ocorreu porque a Revista Desafios do Desenvolvimento – IpEa – novembro/2004 – Edição 4. O Brasil é um dos campeões nesse território.1 milhões de trabalhadores que recebiam algum tipo de pagamento. por andréa Wolffenbüttel. CDs piratas ou uma miríade de coloridos badulaques que enfeitam as ruas de qualquer cidade. Em 1991. o setor de serviços teve a sua participação aumentada de 35. a indústria respondia por 22.5 milhões de empresas informais. Alguns resvalam para a ilegalidade. Uma pesquisa feita pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) em 1997 revelou a existência de 9. pesquisador do Ipea e especialista em mercado de trabalho. barraqueiros. As estimativas indicam que nesse ambiente circulem de 10% a 15% do Produto Interno Bruto (PIB). o crescimento da informalidade no Brasil resulta de uma re-acomodação da economia. São camelôs. Nada menos do que 52. 61 FGV DIREITO RIO 47 . Em dezembro será divulgado um novo levantamento com as mesmas características.2% das vagas de trabalho nas regiões metropolitanas (conforme a Pesquisa Mensal de Emprego). Os dados estão em estudos do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) feitos com base em informações do Instututo Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). especialmente nas regiões metropolitanas. Tem de tudo no mundo da informalidade. vendem cigarros e remédios falsificados. quem está migrando para a informalidade.9 milhões de pessoas: 86% pertenciam a trabalhadores autônomos e 14% tinham até cinco empregados.6% dos brasileiros que praticam alguma atividade remunerada gravitam em ambientes informais.9% dos empregos do IBGE. Em contrapartida.

Do lado dos trabalhadores existe um descasamento entre as contribuições para a Previdência e os benefícios potenciais que o sistema previdenciário oferece. Um estudo da consultoria McKinsey publicado em junho revela que o maior grau de informalidade está no setor agro-pecuário. Ao mesmo tempo. Há mais. de uma época de penúria depois de entrar para a lista de cortes de uma indústria qualquer. Da mesma forma o vendedor de cocos que atua bem em frente à antiga sede do Ministério do Trabalho. terceirizou atividades.11% em 2003 e. “Embora tenha ocorrido um significativo aumento da informalidade ao longo da década de 1990. que passou de 53.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa indústria deu um salto de produtividade e passou a produzir mais com menos gente. Sobram razões para a definição do inimigo principal. A investigação dos números é reveladora. 33% da mão-de-obra industrial era composta por trabalhadores sem carteira assinada ou por pessoas que trabalhavam por conta própria. O menor nível de informalidade é o do setor de veículos automotores. Sem alternativa. fechará 2004 na marca dos 38% do PIB.4% em 2002. no centro Rio de Janeiro. segurança ou alimentação. 36. Depois vêm as barreiras burocráticas (15. diz Ramos. também é nele que se registra o maior crescimento da informalidade. 90% da mão-de-obra não têm vínculo empregatício. não teve alternativa senão ficar na informalidade por não conseguir cumprir as regras para a abertura de uma empresa. Leandro Dias de Oliveira é um estudante de 17 anos de idade. Em 1992.6%) e a falta de acesso ao crédito (9. A dona da pequena confecção em Jaraguá. na zona sul da capital paulista.2% das respostas). Os dados de Ramos indicam que o setor industrial não apenas está empregando menos. mas apenas ter conseguido escapar. O negócio foi aberto há oito anos. Ali. Nela descobre-se que há gente de todo o tipo nesse lado pouco conhecido da economia brasileira.2%). O Sistema Simples. apenas 17% dos trabalhadores sem carteira tinham mais de 11 anos de escolaridade e em 2000 essa proporção subiu para 26%. que facilitou a abertura de empresas. pode não ter escolhido essa atividade.6% em 2002. muitas para empresas de serviços de limpeza. Mais instigante ainda é a pesquisa dos casos concretos. Goiás. O aumento da escolaridade dos trabalhadores sem carteira assinada pode ser uma explicação para a aproximação dos rendimentos: em 1984. junto a 1. FGV DIREITO RIO 48 . os diferenciais de salários observados entre os trabalhadores formais e informais caíram de forma expressiva”. por essa via. Ajuda o pai na loja de material de limpeza que a família tem numa garagem do Jardim Nakamura. Cuidando da sobrevivência a cada dia. Leandro e seu pai manipulam produtos químicos em galões sem qualquer segurança. quando o pai perdeu o emprego. Cursa o segundo ano do ensino médio e não pensa em fazer faculdade. Pesquisa feita pelo Sebrae em fevereiro (de 2004).5% em 1992 para 52. O levantamento foi feito com base nos dados da Pesquisa Nacional por Amostras de Domicílio (Pnad) de 2002. implantado em 1996. Que a riqueza é imensa. pois a carga tributária no Brasil passou de 25% do PIB em 1992 para 34.8 milhões de microempresas para a lado formal da economia. aponta que a principal causa para permanecerem nessa condição é a elevada carga tributária (75. que ostenta um índice de apenas 9%. arcar com os pesados encargos tributários ou desvendar uma complexa legislação entronizada sobre a Consolidação das Leis Trabalhistas – um cartapácio com 985 artigos que tem de 61 anos de idade. Já no setor de serviços houve uma pequena queda no grau de informalidade. Em 2002 já eram 36% (veja tabela ao lado).049 empresas informais. a se confirmarem as projeções feitas pelo Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT). Qual sua perspectiva de futuro? Permanecer como estão. já atraiu 2. E que pertencer ou não ao segmento informal não é necessariamente uma opção.

A busca de soluções para o problema é uma tarefa do governo e da sociedade e o primeiro passo para cumpri-la é identificar suas causas. a opção pela informalidade está relacionada ao alto custo do cumprimento das leis. acredita que o problema se resolve arrumando as leis e combatendo a burla à legislação. Em terceiro lugar porque empresas e pessoas que vivem na informalidade não pagam impostos. A ela faltaram oportunidades. E também porque embora não contribuam. O custo total da folha de pagamentos pode chegar a 70% da receita bruta para uma pequena confecção formalizada enquanto não passa de 3% na indústria automobilística. ao seguro acidente de trabalho e ao seguro maternidade. Aceitam vínculos sem carteira assinada ou através de cooperativas. A perda de arrecadação tributária e previdenciária é apenas uma das conseqüências fiscais danosas da informalidade. porque uma empresa não investe na capacitação de um trabalhador que não tem vínculo com seu negócio – o que numa perspectiva mais larga prejudica a competitividade da economia do país como um todo. onde as regras mudam. Finalmente. especialmente se recebe salário perto do mínimo. Não tem direito a férias. perante uma legislação não muito boa. professor titular do Departamento de Economia da Pontifícia Universidade Católica (PUC) do Rio de Janeiro. “O pequeno empresário não paga os encargos trabalhistas porque eles pesam relativamente mais em seu faturamento do que no de uma grande empresa”. décimo terceiro salário nem Fundo de Garantia por Tempo de Serviço. explica Ricardo Paes de Barros. Segundo o economista José Márcio Camargo. os trabalhadores informais têm direito a assistência médica e a aposentadoria – uma despesa que está sendo coberta por um número cada vez menor de trabalhadores e empresas formais. Em conjunturas de retração da oferta de trabalho os próprios funcionários se tornam cúmplices do processo. o trabalhador não se interessa pelo registro em carteira. diz Ricardo Tortorella. o que prejudica as contas públicas e dificulta investimentos necessários para o bem comum. mas não precisa abrir mão de uma parte de sua receita em favor da Previdência Social. economista e consultor da Unidade de Políticas Públicas do Sebrae Nacional. Uma das alternativas é cobrar mais do setor que já paga impostos como manda o figurino – o que tira oxigênio da economia. De acordo com o relatório da McKinsey. que estimula as empresas menos produtivas a permanecer na informalidade. Exigências de controle de qualidade ou padrões fitossanitários também são um vigoroso incentivo para reforçar o terreno da informalidade. acesso ao crédito ou até mesmo herança familiar. pois terá direito a receber uma aposentadoria correspondente ao mínimo quando chegar aos 65 anos de idade quer tenha sido registrado em carteira quer não. Neste caso. o custo relativo da assistência à saúde e da segurança no trabalho é muito mais pesado para as pequenas empresas. Também está associada a empreendimentos ligados ao contrabando ou à falsificação. como educação. FGV DIREITO RIO 49 . o Estado tem de buscar reforço de caixa. E de qualquer maneira tem acesso ao Sistema Único de Saúde. Para ganhar alguma vantagem competitiva. Da mesma forma. diz Barros. A informalidade é um problema para o país por várias razões. Quem defende esta visão. é cada vez mais comum a opção pela informalidade para não cumprir exigências trabalhistas.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa Menos oxigênio. “Existem duas visões sobre o setor informal. a sociedade não se sente suficientemente convencida de que deve enquadrar o informal. Diante da evasão. pesquisador do Ipea. a informalidade tem raízes em coisas que o Estado deixou de fazer”. o sujeito que emprega o dumping ou algum outro recurso ilícito”. Primeiro porque quem trabalha sem registro vive sem qualquer rede de proteção. “A segunda visão identifica várias vantagens em uma pessoa optar por ser informal. previdenciárias ou relacionadas à segurança do trabalho. Depois. Deixa de ter direito ao seguro desemprego. A primeira delas parece entendê-lo como a utilização de recursos ilícitos.

da situação é o envolvimento com atividades ilegais ou semi-legais. com menores encargos trabalhistas. que “fica mais barato correr da polícia do que cumprir as exigências formais”. o projeto anunciado em setembro é um avanço na rota da formalização da economia.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa Justiça. Um processo de livre negociação entre sindicatos setoriais ou regionais fixaria os salários. no final de setembro. pesquisador do Ipea. podem ser considerados um fracasso. de forma a compensar os gastos”. E quando a proposta governamental for debatida no Congresso. de acordos coletivos e da apresentação de farta documentação para os fiscais do Ministério do Trabalho. por exemplo. “O banco de horas deu certo nas grandes empresas. mas até o final de outubro nada tinha sido dito a respeito do detalhamento das medidas e nem sobre o conteúdo do Projeto de Lei Complementar. Na opinião de Camargo. movimentou cerca de 1. O resultado. A tendência à informalidade é maior nas épocas de aperto. para abrir uma empresa. diz Ramos. 20% dos medicamentos vendidos no país são falsificados e podem colocar em risco a vida dos usuários – um negócio de cerca de três bilhões de reais ao ano. Entretanto. “Hoje. Do lado dos pequenos empresários. o décimo terceiro salário. quem tem uma empresa calcula de antemão o valor do descanso semanal remunerado. Especial. Isso porque dependem de negociações das empresas com sindicatos. Um dos movimentos consistentes para enfrentar o problema foi o lançamento do Simples. deverá incluir a redução de encargos tributários e facilitar os trâmites burocráticos para empresas de menor porte. que teve sucesso justamente por sua descomplicação. esta nova lei apresenta um problema estrutural preocupante: condena as empresas a permanecerem pequenas.601 de 1998. evitam riscos como multas trabalhistas ou sanitárias”. não pagar os direitos trabalhistas e seus respectivos encargos sai mais barato. sem a intervenção FGV DIREITO RIO 50 . como lembra Castelar. a questão estará na ordem do dia. férias e possíveis custos indenizatórios. Ao anunciar as medidas. segundo as contas dos fabricantes legais. quase 8% do faturamento setorial. “Nos momentos de recuperação econômica. Nos cálculos do setor farmacêutico. A face mais perversa. como aponta o economista José Pastore. diz Ramos. é que assim como o Simples. Também é preciso simplificar as leis trabalhistas e reduzir os impostos que pesam sobre empreendimentos com outras dimensões. onde foi usado para evitar demissões nos períodos de recessão”. lembra Armando Castelar. na medida que estabelece um teto de faturamento para os que pretendam gozar dos benefícios. já incorporando todos os atributos atuais. mas definir um arcabouço em que a livre negociação seja a pedra de toque. quando os empresários aceitam correr maior risco porque não conseguem fazer face aos encargos formais. mas não é suficiente. que instituiu o banco de horas e contratos temporários já não foi tão bem sucedida. Só depois estabelece o salário dos trabalhadores. No segmento de vestuário. de acordo com a Associação Brasileira da Indústria do Vestuário (Abravest). o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reconheceu. e por que não dizer perigosa. A venda de cigarros falsificados ou contrabandeados. a atividade cinzenta fatura cerca de três bilhões de reais ao ano. Já os contratos especiais.3 bilhão de reais. “até porque se o empregado recorre à Justiça sempre é possível fazer um acordo e conseguir um desconto”. A linha geral das mudanças foi anunciada num evento. Ele acha que a flexibilização das leis não deve diferenciar empresas pelo tamanho. só o fato de o assunto estar sendo ventilado já é um avanço. por mais mudanças que haja no projeto original. A questão. A rota da simplicidade foi escolhida pelo governo federal ao propor ao Congresso um regime especial para empresas com faturamento de até 36 mil reais por ano.9 bilhão de reais em 2001 (ou 25% do faturamento do setor formal) e o governo deixou de arrecadar 1. funcionando como um inibidor do crescimento. A tentativa de flexibilizar a legislação trabalhista com a Lei 9.

Segundo o estudo da McKinsey. do Ministério do Trabalho e do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). é a principal causa da informalidade. Luiz Marinho. poderiam ficar por conta de associações. Além de criar um cadastro tributário único para unificar as três esferas do poder. Ao reduzir os encargos sobre as remunerações. coordenação e transição”. foco setorial. Presidente da Força Sindical. A multa de 40% sobre o valor do Fundo de Garantia de Tempo de Serviço (FGTS) pode ser objeto de negociação. a tendência é de que elas busquem aumentar a sua eficiência e produtividade. presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT). reduzindo seus custos. Ao definir que a “exclusão econômica da parcela mais pobre da população” era devida à dificuldade para abrir empresas e à intensa burocracia. simplificou a tributação para micro e pequenos empreendimentos e criou de um órgão central para combater a evasão fiscal. o Peru implementou um programa que o destaca entre os países em desenvolvimento. A luta contra a informalidade. diz. “também exige mudanças nas regras para abertura e fechamento de empresas e a modernização dos controles governamentais”. Criou uma poderosa base de dados unificada. será necessário integrar as bases de dados da Secretaria da Receita Federal. e responsabilização.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa da Justiça do Trabalho. Para ele uma das saídas seria passar a cobrar os encargos da Previdência Social sobre o faturamento e não sobre os salários. que reúne trabalhadores. A estimativa da McKinsey é de que o PIB brasileiro poderia crescer dois pontos percentuais por ano se apenas 20% das empresas que atualmente estão na informalidade fossem incorporadas à economia formal. Tortorella. A economia brasileira ganhará. são quatro os requisitos para uma iniciativa desse porte ser bem sucedida: “prioridade governamental. Como se vê. ou regras de segurança de trabalho. os resultados podem ser compensadores. o que viabilizou a abertura de um negócio em apenas um dia (antes eram necessários 300). O registro de empresas foi unificado. Exigências como a garantia de assistência à saúde. com uma substancial redução de custos para cada participante. Resumo da ópera: elevação de 75% da arrecadação junto às empresas de micro e pequeno porte. que impediam a formalização. mas não abrem mão de direitos como o abono sobre o valor das férias e o décimo terceiro salário. e não os direitos trabalhistas. As centrais sindicais até aceitam discutir. a carga tributária. Se o Brasil conseguir atrair mais empresas para a formalidade. Requisitos. um empreendedor leva em média 155 dias para legalizar seu negócio. Experiências de outros países mostram o impacto positivo de programas consistentes de combate à informalidade. é favorável a um regime trabalhista especial para as empresas de menor porte. A Rússia escolheu como prioridade o combate à sonegação e à corrupção. O resultado seria “o fortalecimento dos sindicatos. A Espanha optou por atacar a frente fiscal. No Brasil. também é irredutível quanto à flexibilização dos direitos adquiridos. com redução do custo da operação de 1. reformas estruturais. Portugal elegeu a luta contra a informalidade como o principal componente de sua agenda de reformas para colocar o padrão nacional de produtividade na média dos países da União Européia. FGV DIREITO RIO 51 . Reforma. Segundo Paulo Pereira da Silva. do Sebrae. Não houve consenso na negociação da reforma trabalhista no Fórum Nacional do Trabalho. outra conseqüência será a simplificação do processamento da folha de pagamento. que passariam a negociar também com as pequenas e médias empresas”. diz.2 mil dólares para 174 dólares. empresários e governo.

12. menos firmas eram lucrativas -73% obtiveram lucro.com. ao passar de R$ 374 em 1997 para R$ 363 em 2003.htm 62 FGV DIREITO RIO 52 . a economia informal perdeu espaço no PIB.uol. Já a receita média mensal das firmas informais caiu de R$ 2. e os programas de transferência de renda do governo. Para Angela Jorge. folha. os dados mostram que as pessoas permanecem muito tempo no setor informal: 31% das pessoas que tinham seu negócio estavam na informalidade havia mais de dez anos -apenas 12% possuíam o empreendimento havia menos de um ano. a economia informal abriga 10. Juntas. Em 2003. disse ela.7%. Se considerados só os empregadores. o rendimento médio dos trabalhadores do setor informal (conta própria. mas o setor perdeu participação no PIB (Produto Interno Bruto) entre 1997 e 2003 -de 8% para 6%-.1% a mais do que em 1997). mas sua “maior importância” econômica não é na geração de riqueza. a situação ficou ainda mais difícil. ocupam 13. receita média do setor caiu 19. São Paulo concentrava o maior número de empresas informais: 25% do total. a renda sobe para R$ 753. Em 2003. Fonte: http://www1. 98% são considerados informais.4% menor do que em 1997 (R$ 880). “A economia informal é importante porque cria oportunidade de trabalho para pessoas que poderiam estar pressionando ainda mais o mercado formal. empregadores e empregados) caiu 3%.7% a mais do que em 1997. por pedro soares. do outro”.br/fsp/dinheiro/ fi2005200502. apareciam Minas Gerais (10. chefe da Coordenação de Emprego e Rendimento do IBGE. ainda assim 14. diz IBGE. Empresa informal tem 1/4 dos trabalhadores. por sua vez. Apesar do recuo de ganhos e rendimentos.861 milhões de pessoas -7.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa teXto iV – eConomia “inVisÍVeL”. todas as empresas informais (aquelas que têm de uma a cinco pessoas trabalhando e não separam sua contabilidade da do dono do empreendimento) geravam mensalmente. Para Luís Carlos Barbosa.7% entre 97 e 2003. em parceria com o Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas). Segundo o IBGE. contra 93% seis anos antes. e sim na sua grande capacidade de acolher trabalhadores. o mercado informal vive um período de saturação. O IBGE pesquisou empreendimentos informais.070 bilhões. Regionalmente. Os empreendimentos informais empregam um quarto dos trabalhadores das áreas urbanas no Brasil. diretor-técnico do Sebrae. e não o trabalho informal.4% menos do que em 1997 -R$ 20. um conceito mais amplo e mais difundido. com a crise econômica e a retração do consumo.525 milhões). Folha Online – Da sucursal do Rio em 20/05/2005.754 entre 97 e 2003 -uma retração de 19. um faturamento de R$ 17. As firmas informais.62 Dos empreendimentos com até cinco pessoas. afirma. Tal retrato foi revelado pela pesquisa Economia Informal Urbana. em 2003.183 para R$ 1.2%) e Rio (8. com forte concorrência entre os empreendedores e poucos clientes. divulgada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). e a renda das firmas e pessoas que estão nesse segmento também caiu no período. Na seqüência. A alta foi proporcionalmente maior do que a expansão no período do total de pessoas ocupadas nas cidades: 4%.4%).590 bilhões. Pelos dados do instituto.336 milhões de firmas (9. de um lado. ou 98% do total de empresas com até cinco pessoas ocupadas (10. que inclui também pessoas ocupadas informalmente em firmas que são regulares.

o contrabando e o comércio clandestino de armas. bem como seus povos e setores produtivos. Para Barbosa. do Sebrae. no Rio. presidente do conselho da câmara americana de comércio – amcham. ampliando o seu acesso ao crédito e. 88% não tinham constituição jurídica -ou seja. é fundamental que os governos das nações civilizadas.2 bilhão. 10% empregados sem carteira assinada. segundo o IBGE.5 milhões de empresas formais. Essas são estatísticas sombrias de uma atividade tão criminosa quanto o tráfico de drogas. O Sebrae estima que. Fonte: http://www1.br/ combatepirataria/showartgs. o roubo de cargas. As gravadoras perderam US$ 300 milhões e assistem ao avanço crescente das cópias falsas. os assaltos a bancos e seqüestros. Do total de empresas informais. O Ministério da Justiça revela números assustadores.com. Aquele trabalhador que desenvolve sozinho o seu negócio. Em 2002 (último dado disponível). conseqüentemente. suas chances de diversificação e expansão.mj. não existiam legalmente. em 19/05/2005. folha. que transcende as fronteiras da legalidade em todos os continentes. facilitando a instalação de firmas com faturamento de até R$ 36 mil ao ano. Fonte: http://www.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa Por conta própria. Helio magalhães. por: janaIna LaGE. asp?id=16 63 Folha Online. A indústria do tabaco teve prejuízo de US$ 1. para cada empresa regular. que já detêm 95% do mercado. O restante dos trabalhadores dos empreendimentos informais se distribui da seguinte forma: 10% eram empregadores. 6% empregados com carteira assinada e 5% não-remunerados -ajudantes sem salário. A grande maioria (95%) das firmas tinha apenas um único proprietário. é o projeto de lei em tramitação no Congresso que cria a pré-empresa. com CNPJ. O estudo feito em parceria com o Sebrae traça um retrato da informalidade no país. Trecho do artigo de autoria do Dr. unam esforços no combate à pirataria. diz ele. de acordo com o IBGE. A cadeia produtiva do cinema foi surrupiada em US$ 130 milhões. o ideal seria que todas essas firmas se tornassem legais.uol.63 “Somente no Brasil a pirataria foi responsável por perdas de R$ 30 bilhões em 2004.” Quase todas as pequenas empresas brasileiras são informais. o chamado “conta-própria”. Porém 7. O setor de software enfrentou quebra de US$ 400 milhões. Custos elevados dos registros e impostos e a pesada burocracia para a abertura de uma empresa são os principais entraves apontados pelos empreendedores que pretendem regularizar sua situação. diz ibge.br/folha/dinheiro/ult91u96456. havia cerca de 4. Trata-se de um problema efetivamente grave. Um passo significativo para aumentar a formalização. é maioria entre os informais: 69% do total de pessoas ocupadas no setor em 2003.4 milhões de empresas nem haviam tentado se regularizar em 2003. Assim. Um dado da pesquisa mostra o vínculo entre empresa informal e família: só 65% das atividades produtivas eram desenvolvidas fora do domicílio. diz o Sebrae. existam outras duas informais. em geral mulheres ou filhos do dono da empresa.shtml 89 FGV DIREITO RIO 53 . assalto às empresas e às pessoas. de 20/junho/2005. sem ter registro no CNPJ (Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica). notÍCias reLaCionadas.gov.64 A economia informal responde quase pela totalidade das pequenas empresas brasileiras. segundo dados divulgados hoje pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) na Ecinf 2003 (Economia Informal Urbana).

É o caso de filhos que trabalham com os pais no preparo de alimentos para vender em barracas ou feiras. embora 83% deles morassem na localidade havia pelo menos cinco anos.525 milhões --foram consideradas nesse caso as empresas não-agrícolas. A firma (RECTIUS: sociedade) pode até ter CNPJ (Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica). 25. 98% fazem parte do setor informal. Camelôs são apenas 7% do setor informal65 O camelô.. empresa informal é aquela que não tem um sistema de contas claramente separado das contas da família e emprega de uma até cinco pessoas. Gabriel Marcos Gonçalves. em 1997. Outro grande contingente de empresas informais (27. empregados com e sem carteira de trabalho assinada e trabalhadores não-remunerados. As empresas informais empregam cerca de 13 milhões de pessoas. Mas uma pessoa que trabalha sem carteira assinada para uma empresa formal não está no universo da pesquisa. Fonte: http://www1. é um trabalhador por conta própria no comércio. por exemplo. Os trabalhadores por conta própria e os autônomos estão nesse universo. mas.9% do total de empresas informais. ou 6.3%) funciona no domicílio do dono do negócio.335 milhões de empresas. o equivalente a 10. se não tiver sistema de contabilidade próprio. 10% são empregadores e 6% trabalham com carteira assinada. que há dois anos vende cangas e batas nas praias do Rio. é informal. 65 FOLHa OnLInE – Da sucursal do Rio em 20 de maio de 2005. o camelô é exclusivamente o trabalhador por conta própria ou empregador que desenvolve seu trabalho na rua e está enquadrado em dois setores: comércio e serviços -neste caso. Sem nunca ter trabalhado no mercado formal. Mas não é.6 bilhões de receita média mensal e respondeu por um quarto das contratações de trabalhadores nãoagrícolas no país. Existem também 5% de não-remunerados.825 empreendedores em 2003.6%). 49.br/fsp/dinheiro/ fi2005200508. A maior parcela das firmas informais no país está instalada em lojas ou oficinas (20.htm FGV DIREITO RIO 54 . ele vende balas nos ônibus pelo bairro de Copacabana.uol. folha. incluindo trabalhadores por conta própria. pequenos empregadores.. é talvez o personagem mais comum quando se pensa em um empreendimento informal. (. Em relação à última edição da pesquisa. Gonçalves não sabe quanto recebe por mês: “Vou vendendo e quando preciso compro mais”.) Flávio Lopes Ferreira. A mulher e os seis filhos também se mudaram e hoje moram com ele. incluindo empregados e pequenos empregadores. com sua barraca montada numa movimentada rua de comércio popular. Desse total. Pela metodologia da pesquisa do IBGE. houve um crescimento de 9% no número de empresas informais. 10% são empregados sem carteira assinada.3%) ou na casa do cliente (27. Além de estar principalmente no comércio.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa O número de pequenas empresas no país alcança 10. saiu do interior da Bahia para “passar uns dias” na cidade e acabou ficando. Ganha de R$ 350 a R$ 400 mensais. Os camelôs propriamente ditos somavam 711. A pesquisa também mostra que em 2003 a economia informal gerou R$ 17. Grande parte das vagas criadas no setor informal pertence a trabalhadores por conta própria (69%). O número de postos de trabalho cresceu 8% neste período. só o de alimentação. Pelos critérios do IBGE.com. a maior parte dos ocupados informais era migrante: 55% não nasceram na cidade na qual trabalhavam.

O empresário – pessoa natural. tem-se a figura do empresário individual caracterizado pelos elementos constantes no art. Do Direito de Empresa (arts. I que estabelece. Renovar/2004. 996 a 1. A figura do empresário não se confunde com a dos sócios ou acionistas de sociedade empresária. – Páginas 93 a 112 (SCP e LTDA) do Direito Societário. conforme expresso no art. bem como será de curial importância a escolha do melhor “modelo societário” (rectius: modelo empresarial) para o desempenho de suas atividades. Diante desta realidade. ter um empreendimento exige sacrifícios. Leitura CompLementar: – Páginas 159 a 170 dos Comentários ao Código Civil Brasileiro. 966 além do requisito especial do exercício da atividade em nome próprio – quando muito. Forense: Rio de Janeiro/2005. com a colaboração de familiares e/ou de auxiliares. necessário se faz que os que se prestam a tanto tenham noção dos riscos e dificuldades que enfrentarão. Newton Lucca. José Edwaldo Tavares Borba. Penalva Santos e Paulo Penalva Santos. 7ª edição. Saraiva: São Paulo/2004. 9ª edição. 968. apesar do mesmo tratamento fiscal que lhe é conferido66.º 3. Rogério Monteiro. sejam eles investidores ou participativos (ou empreendedores). vol. obrigado a inscrever-se na Receita Federal para obter o CNPJ – Cadastro Nacional de Pessoas 66 Decreto n. é equiparado à pessoa jurídica e. não há que tipificá-lo de “pessoa jurídica”. nacionalidade. e competência para atingir o objetivo traçado.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa AUlAS 06 E 07: MODElOS SOCIEtáRIOS DE AtUAÇÃO EMPRESARIAl PARA A PEQUENA E MéDIA EMPRESA Muitas pessoas pensam em “abrir o próprio negócio” vislumbrando uma liberdade e tranqüilidade que não tiveram quando eram empregados. além de capacidade para assumir riscos e desafios.A. Fábio Ulhoa Coelho. Da mesma forma. para fins de inscrição do empresário individual. roteiro de auLa: Aprendemos que quando a empresa é titularizada por uma pessoa natural.000/99.087). Na verdade. a informação do seu nome civil. ementário de temas: – – – – – Empresário Individual Sociedade em Conta de Participação Fundo de Investimento Imobiliário – FII Sociedade Limitada Texto: As Sociedades em Nome Coletivo e em Conta de Participação como Estratégias de Negócios. J. como já vimos nas aulas anteriores. IX. domicílio e estado civil. Nesta aula discutiremos a leitura do(s) seguinte(s) capítulo(s): – Páginas 357 a 398 (LTDA) e 479 e 480 (SCP) do Curso de Direito Comercial. portanto. FGV DIREITO RIO 55 .

designação mais precisa da sua pessoa ou do gênero de atividade. com base nos princípios da veracidade e novidade. VI. tenham uso presente e sejam vinculados ao exercício legítimo dessa profissão. 591. Inviabilidade. Exemplos: “João Cabral da Silva”. Agravo retido. Não demonstração da omissão. 1. nos termos do art. ambos referentes ao sistema de registro do nome empresarial. da decisão unipessoal que causar gravame a parte. faz com que muitos empreendedores busquem outro modelo empresarial (sociedades) a fim de evitar tal situação de confusão patrimonial. quer civis quer comerciais. Recurso especial. do cpc). Ausência de outorga uxória. O Superior Tribunal de Justiça confirmou esta orientação no Recurso Especial 594.Em ação rescisória. Ministra NANCY ANDRIGHI. DJ 01/08/2005 p. o dispositivo do art. não é cabível o agravo retido. nesta parte. Ricardo in manual de Direito comercial e de Empresa.1.156 do CC67. “João C. porém. A falta de inscrição no Registro de Empresas coloca o Empresário “à margem das prerrogativas plenas previstas nas inúmeras leis que regulamentam sua atividade70” e implica sanções que lhe podem ser aplicadas em virtude do exercício irregular da atividade. Desta forma. No tocante ao nome empresarial. o empresário só poderá adotar a espécie: firma individual. 70 art. norma sobre o registro público de empresas mercantis e atividades afins. O exercício da atividade empresária pressupõe o registro correspondente. mas é certo que alguma parte do estabelecimento empresarial será alcançada. . Esta será composta pelo seu nome civil.101/2005. Doação. completo ou abreviado. Erro de fato. . Violação a literal disposição de lei. o empresário individual irregular: a) não tem legitimidade ativa para requerer o pedido de falência do seu devedor71.º 8. .832-RO: Processual civil. vimos que a indicação da atividade é providência que se impõe. praticamente. 71 art. (REsp 594.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa Jurídicas. 48 da Lei n. Ação rescisória. Inválido. pois os credores terão garantias contra eventual inadimplemento do empresário. O sistema de responsabilidade do Empresário é PATRIMONIAL. utensílios e instrumentos necessários ou úteis ao exercício de profissão (art. impedido de “crescer demais”. b) não tem legitimidade ativa para pleitear sua recuperação judicial72. da Silva”. ou seja.Se o alegado erro foi objeto de controvérsia na formação do acórdão. o que se afigurará como incentivo. Cabral da Silva”. julgado em 28/06/2005.934/94. portanto.156. Rel. estando.832/RO. . sendo-lhe facultado. adicionar o ramo de atividade a que se destina. ele responde com todos os seus bens presentes e futuros (sempre no limite das forças do seu patrimônio) pelas obrigações contraídas no exercício da atividade68.101/2005. assim. saraiva/2005. pg180. contradição ou obscuridade.Indispensável a outorga uxória para efeitos de doação. “João Cabral da Silva Motores”. incabível a ação rescisória. nada mais são que a mesma realidade. Tema controvertido. 1.Não se conhece do recurso especial na parte em que se encontra deficientemente fundamentado. 649. 97. Assim. salvo as restrições estabelecidas em lei”. § 1º da Lei n. Patrimônio do empresário individual e da pessoa física. 443) 67 “Art. vol. ao empresário individual. Nesse sentido. quando os bens não podem ser penhorados mesmo que relativamente valiosos e prescindíveis. Embargos de declaração. 1. Este regramento legal confere segurança às relações jurídicas na ordem econômica. com todos os seus bens presentes e futuros.” como estudado no primeiro módulo de Direito Empresarial (Teoria Geral da Empresa). impõe-se uma conduta prudente e extremamente cautelosa na administração da empresa. tanto abreviá-lo. . Recurso parcialmente conhecido e. considerando que o patrimônio da empresa individual e da pessoa física. 68 69 É o caso da impenhorabilidade de máquinas. como também. cpc – “art. aditando-lhe. “J.Empresário individual é a própria pessoa física ou natural. O empresário opera sob firma constituída por seu nome. Existem bens que podem ser excluídos da esfera de ação do credor por se considerarem essenciais à atividade do empresário69. provido. feito na forma da Lei n. O devedor responde. o negócio jurídico celebrado. c) não conseguirá enquadrar-se como microempresa e dispor dos benefícios previstos na legislação própria.150 do Código Civil de 2002. nEGRãO. 72 FGV DIREITO RIO 56 . se quiser. respeitando-se. TERCEIRA TURMA. para o cumprimento de suas obrigações.º 11. Invalidade.º 11. os tributos incidentes serão os mesmos existentes para as sociedades. respondendo os seus bens pelas obrigações que assumiu. mas desde que sejam necessários e úteis à profissão do executado.

73 74 art. e como as decisões do negócio são tomadas pelo Empresário.94. denominou sociedade”76 – ou. uma vez que viabiliza composições entre partes que objetivam determinado negócio. 9ª edição. por isso. Cumpre agora analisarmos os modelos de sociedades mais utilizados para pequenas e médias empresas: a Sociedade em Conta de Participação – SCP (apesar de não ser um modelo societário. pois o objeto do contrato tem que ser lícito – art. FGV DIREITO RIO 57 . Renovar/2004. e) não conseguirá seu registro no Cadastro de Contribuintes Fiscais – CNPJ. o Código Civil a elenca como modelo societário) e a Sociedade Limitada – LTDA. sociedade em conta de participação – arts. entre outros. mas sim um contrato. apenas a boa intenção não será suficiente.479. ele terá menos tempo disponível para a família. assim como. – Possui total autonomia administrativa e participação integral nos lucros. com isso. preferem ficar ocultas (não aparecer). pela doutrina. III. mas isto apenas por conveniência ou oportunidade75. – Facilidade para a dissolução da empresa (“baixa no seu registro” como empresário. 195. pois dependerá dele o empenho para atingir as metas traçadas.74 Ao sugerir para o cliente a modalidade “Empresário Individual”. – Vantagens fiscais por tratar-se de microempresa. O Empresário precisa ter conhecimento e capacidade para administrar seu negócio com efetividade. § 31 da constituição da República. uma sociedade não personificada. deixando-as livres para outras empreitadas ou mesmo servindo para manter uma das partes (sócio participante) no anonimato. empregados. riscos e sacrifícios. impropriamente. pg. II e III da Lei n. – Pode haver dificuldades para conseguir prazo para faturamento junto aos fornecedores. a causa deste anonimato não pode ser ilícita. 991 a 996. pg. Importante frisar que para o negócio ser bem sucedido não depende só de sacrifícios e da vontade de ganhar dinheiro. mas de competência e inúmeros fatores externos.º 8. Entre algumas vantagens de ser Empresário Individual estão: – Os custos iniciais para a abertura do negócio são relativamente pequenos. II do código civil. 76 Fábio ulhoa coelho in curso de Direito comercial. – Pode haver restrição para a obtenção de créditos junto às instruções financeiras. f ) não conseguirá seu registro no Cadastro de Contribuintes da Seguridade Social.302. sem se tornarem sócios. na junta comercial). podendo enquadrar-se no SIMPLES. bancos.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa d) não poderá participar de licitações públicas73. Esta “sociedade” merece destaque. 4ª edição. geralmente. 104. um contrato “que o legislador. são: – Seus bens pessoais ficarão comprometidos e serão alcançados por obrigações contraídas no exercício da atividade empresarial – A firma individual é intransferível por tratar-se do próprio nome civil do Empresário (“a pessoa natural não é passível de alienação”). deve-se ter em mente que ser Empresário significa lidar com desafios. no mesmo sentido: Ricardo negrão in manual de Direito comercial e de Empresa. pg. Outras desvantagens em ser “Empresário Individual”. como denomina o Código Civil. do governo etc. 7ª edição. optam por celebrar um contrato de sociedade em conta de participação. saraiva/2004. ficará dependente de fornecedores. celebra com outra o contrato de participação onde unirão esforços para alcançar o fim determinado. uma sociedade que não preenche alguma das condições previstas em edital de licitação. 75 Existem pessoas que desejam investir em operações de risco e. clientes. como econômicos.666/93. durante um bom tempo ele não ouvirá a expressão “tirar férias”. sendo impossibilitado de contratar com o Poder Público. embora constituída mediante art. Exigirá muitas horas diárias de trabalho. saraiva/2005. que. Pessoas com recursos disponíveis e que desejam investir numa atividade empresarial. A Sociedade em Conta de Participação – SCP – é considerada. josé Edwaldo Tavares Borba in Direito societário. 28.

afigurando-se. O sócio ostensivo é quem exerce a atividade constitutiva do objeto social. Cunha Gonçalves e José Eunápio Borges. Ele deve prestar contas perante os demais sócios ocultos. obriga-se perante terceiro tão-somente o sócio ostensivo. não formalizou o arquivamento do seu ato constitutivo em registro competente. mesmo que o contrato por alguma razão venha a ser registrado. pois. Desta forma. 991 – código civil. 79 80 81 art. porém admitida por Pontes de Miranda. não lhe será atribuída personalidade jurídica.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa instrumento escrito. em sócio oculto. como não tem personalidade jurídica. responderá solidariamente com ele no negócio que interveio. O arquivamento pode ser feito. não pode usar razão ou denominação social.º 8. As partes possuem a seguinte denominação: a) Sócio participante/investidor (antigo sócio oculto do Código Comercial – art. exclusivamente perante este. vol. como o direito comercial aduzia. 993 do código civil. 82 in Direito societário. “e”. foi rejeitada por Carvalho Mendonça. A forma de contribuição dos sócios. pois qualquer ato de interesse do empresário é passível de arquivamento na Junta Comercial (art. 32. e providenciar o respectivo arquivamento no Registro de Empresas. o sócio participante79. A possibilidade de levar a registro o contrato de participação. para o negócio (dinheiro. e embora não possa administrar a sociedade. entendendo estes autores que “por não ser clandestina ou propriamente secreta. os seus atos possam vir a ser conhecidos de terceiros”81. orienta o Prof. Vimos então que a SCP independe de qualquer formalidade legal para sua constituição. 9ª edição. mesmo as que optarem pelo registro não alcançarão o status de personalidade jurídica. somente entre os “sócios” produzirá efeitos jurídicos (não tendo força contra terceiros). no sentido de que “embora não obrigatoriamente. II. IX. 996 a 1. “trabalho”. em seu nome individual78 e sob sua exclusiva responsabilidade. pg. imóvel. os sócios participantes só devem explicações ou responsabilidades perante o sócio ostensivo. terá sempre direito de fiscalizar sua gestão80. 77 78 art. b) Sócio ostensivo (empreendedor) – é aquele que se obriga perante terceiros sendo sua responsabilidade ilimitada.934/94)82”. uma vez que ela tem que ser efetiva. Sua constituição independe de qualquer formalidade e pode provar-se por todos os meios de direito77 e.a. O sócio participante poderá ser mais de uma pessoa natural e/ou jurídica. participando os demais dos resultados correspondentes.95. importância do registro. Forense: Rio de janeiro/2005. FGV DIREITO RIO 58 . Portanto. ostensivo e participante. José Edwaldo Tavares Borba. da Lei n. Renovar/2004. pode ser provada por quaisquer dos meios admitidos em direito e. Admitindo o registro como forma de evitar que o sócio participante seja confundido com “sócio” de uma sociedade em comum (leia-se: responsabilidade ilimitada). salvo no caso de participar ativamente nas negociações com terceiros. devem os participantes. sendo certo que. pg. penalva santos in comentários ao código civil Brasileiro. se tomar parte nas relações do sócio ostensivo com terceiros. 161. e. Contudo. este eventual registro não confere personalidade jurídica a SCP. j. para não se exporem a elevados riscos.) deve estar prevista no instrumento contratual. 992 do código civil. mesmo que seu ato constitutivo seja arquivado em órgão competente. O sócio participante não contrata com ninguém. contratar a conta de participação por escrito. legalmente. mesmo assim. Do Direito de Empresa (arts. 325) – é aquele que se obriga exclusivamente ao sócio ostensivo.087).. nos termos do contrato.. parágrafo único do art.

87 Disponível em: http://decisoes.APELACAO SOCIEDADE EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO. VI da Lei 11. Já na hipótese de falência do sócio participante. seja em relação aos lucros auferidos. na forma da lei processual. observando-se as normas relativas à prestação de contas.001. no processo de falência.br/netahtml/ decisoes/decw/pesquisasOL..gov.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa Havendo a falência do sócio ostensivo (sendo ele sociedade empresária) acarretará na dissolução da “sociedade” e a liquidação da respectiva conta. NECESSIDADE. incabível é a devolução dos valores investidos pelo sócio participante sem que haja a dissolução da sociedade.QUINTA CAMARA CIVEL 83 84 art. assumir os riscos do empreendimento junto a terceiros. a exemplo do que ocorre com a sociedade em comum. apresentação da declaração de rendimentos e recolhimento do imposto devido pela sociedade em conta de participação86. sem. htm FGV DIREITO RIO 59 . IMPOSSIBILIDADE. Inteligência do artigo 808. FERDINALDO DO NASCIMENTO . subsidiariamente e no que com ela for compatível. art.2-Desta forma.101/05 (Lei de Recuperação da Empresa – LRE) 85 86 art.25419 – APELACAO. na qualidade de sócia ostensiva. 994 §2º do código civil. PEDIDOS IMPROCEDENTES. Julgada improcedente a ação principal. DISSOLUÇÃO E DIVISÃO DE BENS.1-A sociedade em conta de participação é contrato associativo no qual existem as figuras do sócio ostensivo e do sócio oculto ou participante.) § 4º É a administradora (empresa hoteleira). DES.. desaparece a plausibilidade do direito invocado. A liquidação da sociedade em conta de participação.Julgamento: 10/07/2007 . 996 do Código Civil. MILTON FERNANDES DE SOUZA . No que se refere à alteração do quadro societário. e a sua liquidação rege-se pelas normas relativas à prestação de contas. LIQUIDAÇÃO. 994 §3º do código civil. a responsável pelo recolhimento do imposto e das contribuições devidas pela scp.Julgamento: 13/11/2007 . 2007.001. em que a administradora (empresa hoteleira) é a sócia ostensiva. seguem decisões administrativas da Secretaria da Receita Federal87: SOCIEDADE EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO. RECURSOS CONHECIDOS E DESPROVIDOS. contudo.fazenda.DECIMA NONA CAMARA CIVEL. ou seja. destituídos de qualquer privilégio ou preferência (sendo crédito sem garantia. o disposto para a sociedade simples. DISSOLUÇÃO. No sistema de locação conjunta denominada de pool hoteleiro. Sentenças que se mantém. Quanto à resolução de questões não previstas no contrato. sendo responsável pelo recolhimento aDI sRF 14/2004. constitui-se uma sociedade em conta de participação.51470 . aplica-se. III do CPC. reger-se-á pelas normas relativas à prestação de contas. Sobre o assunto. o ato constitutivo ficará sujeito às normas que regulam os efeitos da falência nos contratos bilaterais do falido85. apesar de não ter poder de mando. seja em relação ao patrimônio especial.2-Ao sócio ostensivo compete explorar. Ao sócio ostensivo compete a responsabilidade pela apuração dos resultados. 2007. nesse sentido. o objeto definido no contrato de participação. DES. artigo Único: (. sem prejuízo do recolhimento do imposto e das contribuições incidentes sobre suas próprias receitas ou resultados. obedecendo ao rito da lei processual civil. Confiram-se. cessando os efeitos da liminar concedida. com a devida apuração dos haveres.3-E ao sócio oculto ou participante. CAUTELAR INOMINADA. de acordo com o art. em nome individual e sob sua responsabilidade. através de sua liquidação. o artigo 995 confere uma “certa proteção” ao sócio participante que. é pago depois dos créditos privilegiados e daqueles que têm garantias reais84). 83. que geralmente é o prestador de capital. duas decisãões do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro: SOCIEDADE POR CONTA DE PARTICIPAÇÃO. compete a participação nos resultados da exploração do objeto. poderá decidir quanto ao ingresso de novos sócios em havendo cláusula contratual neste sentido. cujo saldo constituirá crédito quirografário83.

148. 89 90 art. de 25. SOCIEDADE EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO. Publicado no DOU em: 22.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa dos tributos segundo as normas aplicáveis às pessoas jurídicas em geral. podemos citar uma SCP constituída com o objetivo de lucro comum. O sócio ostensivo assume.249/95)90. esta operação é apenas uma fração FGV DIREITO RIO 60 . não ficarão sujeitos à incidência do imposto de renda na fonte. (Solução de Consulta 3. art. 149.J. Recorrida/interessado: DRJ-SÃO PAULO/SP. 991 do CC). fundo de investimento imobiliário – fii. nem integrarão a base de cálculo do imposto de renda do beneficiário.2006 -1ª RF) SOCIEDADE EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO – Os resultados da sociedade em conta de participação devem ser apurados em separado dos da própria pessoa jurídica que é o sócio ostensivo. Assim.000/99 (RIR/99) art. SÉTIMA CÂMARA – 1º CONSELHO DE CONTRIBUINTES.2000. (Solução de Consulta 27. os lucros deverão estar tributados na contabilidade do sócio ostensivo. há vedação à concessão de um novo parcelamento. pagos ou creditados pelas pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real. é contribuinte do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ).R. 88 ato Declaratório Interpretativo (aDI) sRF 14/2004 – Dispõe sobre a tributação das atividades do sistema de locação conjunta de unidades imobiliárias denominado de pool hoteleiro. onde a administradora (incorporadora) é a sócia ostensiva e os proprietários das quotas referentes às unidades imobiliárias são os sócios participantes. uma vez que essa tributação já ocorreu dentro da Sociedade em Conta de Participação (leia-se: sócio ostensivo). A expressão “mercado de capitais” costuma ser diretamente associada à compra e venda de ações em bolsas de valores. (1º Conselho de Contribuintes / 8ª. presumido ou arbitrado. seguem as normas gerais aplicáveis aos pagamentos efetuados por pessoa jurídica aos seus sócios. Recurso provido em parte. transcrevemos a seguinte decisão administrativa: Ementa: I. serão observadas as normas aplicáveis às pessoas jurídicas em geral e o disposto no art. ii) que o sócio oculto reconheceu o resultado obtido em sua declaração de rendimentos. os rendimentos provenientes da distribuição de lucro serão isentos e não tributáveis. 10º Os lucros ou dividendos calculados com base nos resultados apurados a partir do mês de janeiro de 1996. II. Uma vez distribuídos.2000) Continuando na seara tributária. são isentos de tributação (art. Decreto 3.º 9. na apuração dos resultados dessas sociedades. pessoa física ou jurídica. as sociedades em conta de participação são equiparadas às pessoas jurídicas. da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). A SCP é equiparada às pessoas jurídicas pela legislação do Imposto de Renda88. Câmara / ACÓRDÃO 108-06. de 25.P. PARCELAMENTO. domiciliado no país ou no exterior. a título de exemplo. os rendimentos recebidos pelo sócio participante em decorrência da locação da unidade imobiliária (ou qualquer outra forma de distribuição de lucros). 10º da Lei n. 254. e como tal. Neste sentido. Apesar de expressiva. Recurso provido por unanimidade. Da mesma forma. que por sua vez já deverá ter pago os tributos pertinentes à empresa.2006 -8ª RF).01. iii) deve ser reconhecido o direito do sócio ostensivo excluir da incidência do imposto a parcela de lucros atribuída aquele sócio. seja o mesmo decorrente de autuações próprias ou da SCP.134 em 07. enquanto perdurar um parcelamento anterior no CNPJ do sócio ostensivo. da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins)89. (Recurso: 125570. ou seja. para locação conjunta de unidades imobiliárias denominado de “pool hoteleiro”. Assim sendo.08.06. – SOCIEDADE EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO – Provado nos autos: i) que no contrato celebrado entre as partes constam elementos que caracterizam a sociedade em conta de participação.02. assim como na tributação dos lucros apurados e dos distribuídos. Data da Sessão: 22/08/2001). a responsabilidade pelos tributos e contribuições sociais devidos pela SCP. em decorrência de previsão legal (art.

ou no investimento em projetos que viabilizem o acesso à habitação e serviços. se no final de 6 meses o fundo não tiver vendido as quotas para realização do empreendimento. 92 n. aos quotistas. Além disso. No entanto a CVM não garante que o investimento seja seguro ou rentável. Os recursos provenientes podem ser aplicados no desenvolvimento de empreendimentos imobiliários.5% a 15% sobre o ganho dependendo do prazo da aplicação.ex. da Instrução CVM nº 205/94 e regras posteriores.. não permite resgate das quotas92. ele deve ser pessoa natural. a comercialização depende da existência de compradores e vendedores dispostos a negociar. a definição do valor da quota se dá em razão da sua atratividade. deve ter informações econômicas suficientes para a tomada de decisão do investidor. os fundos imobiliários são uma boa opção. explica sérgio Belleza. as vantagens são. pegar a quantia estipulada (20 mil) e então escolher outra forma de investir os R$ 91 Também conhecido como “over-the-counter”. O prospecto. Criados em junho de 1993. pois é a única forma de ele ter certeza de que o preço é justo”. em mercado de balcão91 onde a negociação não gira somente em torno de ações de sociedades de capital aberto. nos termos da Lei nº 8. o fundo imobiliário tem que estar listado em Bolsa93. Há ainda outro atrativo: é possível vender parte das quotas sem precisar mexer no investimento total. pois o investidor precisa acompanhar de perto se aquela sociedade em que investiu está dando o retorno esperado. é o local “onde se opera com ativos.a. da Lei nº 9. que estava em aplicação financeira. que é determinada pelas características do FII.196/05. ou seja. sem dúvida. que isentou a alíquota de 20% de Imposto de Renda. da venda das quotas ou. O estudo de viabilidade econômica deve ser feito pelo próprio investidor a partir dos dados do prospecto de lançamento das quotas. ele precisará vender o imóvel. “a bolsa é a porta de saída mais eficiente para o investidor que queira se desfazer do investimento. Para quem não quer se envolver diretamente na administração do investimento e pretende alguma segurança. de Renda Variável paga 15% de IR com isenção até 20 mil/mês. O investimento em ações requer muita disciplina. já que as negociações destas quotas no mercado secundário ocorrem num ambiente pouco transparente: o mercado de balcão. Em relação a investir diretamente em um imóvel. Assim. na aquisição de imóveis prontos. especialista da coinvalores.779/99. os FII’s. n. os FII’s se tornaram mais atraentes. locação ou arrendamento.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa dos papéis que podem ser negociados em mercados organizados. títulos e valores mobiliários não negociados em bolsas. p. cada investidor não pode deter mais de 10% das cotas ou dos rendimentos totais do fundo. quando for o caso. que é verificado pela CVM. instrumentos financeiros. dentro das normas legais e de autoregulação previstas em lei e regulamentos” (Dicionário de Finanças do site da BOVEspa). É a CVM que verifica se o fundo cumpre as normas legais para sua existência. com o limite mínimo de 50 quotistas.a. O retorno do capital investido se dá através da distribuição de resultados. na dissolução do fundo com a venda dos seus ativos e distribuição proporcional do patrimônio aos quotistas. nem todos os FII estão listados em Bolsa. a isenção de IR (conforme o caso) e a maior liquidez. e. Com a aprovação da “MP do Bem” transformada na Lei 11. É um fundo fechado. para o investidor usufruir da isenção do imposto. se um investidor possuir R$ 100 mil aplicados diretamente num imóvel e necessitar de R$ 20 mil para fazer comprar um carro. a aprovação da “mp do Bem” serviu de estímulo para que as administradoras de FII coloquem seus produtos no Bolsa. (fonte: IsTO É Dinheiro em 12/01/2006). são veículos de investimento coletivo formados a partir da captação de recursos por meio do sistema de distribuição de valores mobiliários.668/93. p. Os FII’s são regulamentados pela Comissão de Valores Mobiliários – CVM. como a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) e a Sociedade Operadora do Mercado de Ativos (Soma). ou. onde o investidor paga uma alíquota de 27. Na diferenciação entre investir em um Fundo de Investimento Imobiliário ou de Renda Fixa temos que este paga IR regressivo de 22. que autoriza seu funcionamento e faz o acompanhamento de seus demonstrativos financeiros.ex. terá que devolver o dinheiro. tanto no preço dos papéis quanto no pagamento de dividendos. Porém. para posterior alienação.5% sobre o valor dos aluguéis e indiscutivelmente possuem menor liquidez do que os fundos. na construção de imóveis. 93 FGV DIREITO RIO 61 .

através de leilões (call) no ambiente Mega Bolsa da BOVESPA – Bolsa de Valores de São Paulo. gov. 81. os FII’s significam a possibilidade de entrar no mercado imobiliário devido à pulverização do valor do empreendimento em quotas vendidas a preços acessíveis. A rentabilidade para os investidores virá dos aluguéis pagos pela locatária ao Fundo. mobilizando bilhões.caixa. apesar de os FII’s terem suas carteiras de investimentos constituídas por imóveis ou por direitos relacionados a imóveis.3% da área bruta locável do imóvel. Os rendimentos provenientes do aluguel do imóvel são rateados entre os quotistas e distribuídos mensalmente. comparado a um imóvel. ela não é imediata. portanto. claro que o investidor poderá encontrar dificuldade para a venda de suas quotas. com base no IGP-M. com a venda de todas as 104. 96 O mercado secundário corresponde à negociação de títulos e valores mobiliários onde os investidores compram e vendem ativos entre si.a. n. as negociações (compra e venda) de quotas do FII Torre Almirante. e – HYBRID REIT’s: Misturam as duas estratégias (híbridos).700 quotas disponíveis. Nos Estados Unidos. um imóvel localizado na Avenida Almirante Barroso nº. depois de deduzidas as despesas de responsabilidade do fundo. hipotecas. ele poderá negociar algumas de suas quotas em quantidade suficiente para alcançar o valor desejado94. o FII tenha maior liquidez. os FLAT’s. O mercado secundário96 teve início em 07/06/2005. São classificados em três tipos. possuindo. Tem como lastro o Edifício Torre Almirante. A distribuição primária.A. Se esses R$ 100 mil estiverem aplicados num fundo imobiliário. ou seja. com aplicação mínima de R$ 1.00.br/voce/produtos/fundos_de_investimento/fundos_imobiliarios/asp/torre_almirante. podendo ter em suas carteiras imóveis. títulos imobiliários. analisaremos o caso do investimento em FII’s do setor hoteleiro. Investir na aquisição de imóveis é uma tradição brasileira possível. O FII Torre Almirante foi lançado em 21 de junho de 2004. entre eles o Imposto de Renda. pelo prazo de 60 meses. Para os investidores de menor porte. entre outros. os FII’s são conhecidos como REIT (Real Estate Investment Trust) e foram criados na década de 60. os REIT’s são condomínios que agregam recursos para investir na área imobiliária. a propriedade de quotas não confere aos seus titulares a propriedade sobre os imóveis que integram o patrimônio do Fundo ou sobre fração ideal específica destes imóveis. Essa negociação é realizada na Bolsa de Valores de são paulo (BOVEspa). O prédio possui 36 andares.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa 80 mil restantes. em especial. Embora. tendo sido planejado e construído com a mais alta tecnologia. a partir daí. o administrador. renováveis pelo mesmo período. – MORTGAGE REIT’s: Formados por hipotecas e outros tipos de financiamentos concedidos a compradores de imóveis. FGV DIREITO RIO 62 . elevado grau de transparência. não tem compromisso de garantir recompra das quotas. no centro do Rio de Janeiro. O cliente acompanhará os seus rendimentos nos extratos mensais enviados pela CBLC – Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia. dividida em três tranches. somente. Em setembro de 2004. foi concluída em 16/05/2005.000. Entretanto. Os rendimentos são pagos até o 10º dia útil de cada mês. Representam a maioria do mercado. ambiente “mega Bolsa”. geralmente voltados para a renda. Assim como os FII’s. pelo conceito de tipo de investimento: – EQUITY REIT’s: São aqueles que investem em imóveis. onde corretores negociam as quotas em nome dos quotistas dispostos a vender ou comprar.asp. que será administrado pelo Banco Ourinvest S/A. que é uma instituição financeira. a negociação para a venda de quotas tem que ser realizada no mercado secundário. Também são isentos do pagamento de alguns impostos. a Petróleo Brasileiro S. Estas classes têm grande parte de seus investimentos concentrada nesses ativos. etc. pois como os FII são “fundos fechados”. passaram a ser realizadas diariamente. para as classes A e B. – PETROBRAS firmou contrato para locação de 99. Na cidade do Rio de Janeiro. 94 95 Fonte: http://www. O reajuste do aluguel é anual. podemos citar dois exemplos: – Fundo de Investimento Imobiliário Torre Almirante95. depois de encerrada a emissão primária. Para elucidar o disposto acima.

O problema é que muitas incorporadoras não informam ao interessado que aquele imóvel faz parte de um fundo imobiliário e que. Como o fundo é formado por um sistema de quotas. consiste na formação de “Sociedades em Conta de Participação”. que objetivem a aquisição de bens de qualquer natureza. Dessa forma. mas como oficialmente são sociedades em conta de participação..º 5. garantindo-se os direitos dos atuais participantes aos valores já desembolsados. Esse fundo. na verdade. levadas a cabo por sócio ostensivo de sociedade em conta de participação.º 7. verifica que entrou em uma sociedade em conta de participação e não terá ressarcimento do que pagou. ao ler o contrato. são transferidas ao Banco central do Brasil as atribuições previstas nos arts. que fere de morte os direitos do consumidor e. que. muitas pessoas procuram incorporadoras no intuito de adquirir um flat para residir (e não alugar = investimento). Isso porque o rendimento é sempre rateado entre os proprietários das quotas. não autorizadas a funcionar conforme o art. A comprovação dessa prática por pessoas. ou III – dissolver os grupos já formados. O consumidor paga várias prestações. 102 FGV DIREITO RIO 63 . consoante o disposto na circular 3. fazendo crer que se trata de um fundo imobiliário. é o capital a ser liberado pelo sócio ostensivo para o cumprimento do fim social. coloca várias quotas à disposição dos investidores. de 12. Com isso. mesmo que o seu flat não tenha sido usado em determinado mês100. que é dividido entre os investidores. talvez menos expressivo – considerando o desconto com o pagamento de impostos. em localização privilegiada. inclusive a aplicação de penalidades. no prazo prometido. embutido na prestação mensal. de 1 de março de 1991. parcial ou 100 Isso acontece porque as unidades são “vistas” como um só grupo e a receita de cada investidor vem do índice de ocupação de todo o conjunto. elas funcionam como uma espécie de “consórcio”. com a nova redação dada pela Lei n. dependente de prévia autorização do Banco Central. atividade essa integralmente regulamentada por legislação específica. Na prática acontece assim: mediante a celebração de contratos denominados “Instrumento Particular de Adesão à Sociedade por Conta de Participação”. para captação antecipada de poupança popular destinada à aquisição.2002101. até que. que tenha como público-alvo o cliente que se hospeda por pouco tempo. carecem de amparo legal. Em verdade. ele não estará adquirindo a propriedade do imóvel. em vez de vender os apartamentos. naturais ou jurídicas. inclusive. de seguro. e é fundamental que tenham bons serviços e estruturas modernas.06. reduz-se o risco de perdas com desocupação ou inadimplência e garante-se um retorno. onde proíbe a atividade irregular em questão. de fundo de reserva. de 7 de dezembro de 2001. constitui-se de práticas abusivas rotineiras de mercado. descobre que nada vai receber e. editou o Comunicado BCB nº 9. o sócio ostensivo capta recursos financeiros dos consumidores (que são os sócios participantes). O tamanho médio dos flat’s acompanha o dos quartos de hotel. II – converter os grupos já formados para a modalidade de consórcio de imóveis. 101 Em face da propaganda.768. O lucro da aplicação é proveniente do aluguel do imóvel.177/91. podendo superar de 50% a 100% o valor da locação residencial. entre 28 m² e 30 m². esclarecemos que tais práticas.070.691/88. parágrafo único.. na verdade. no que se refere às operações conhecidas como consórcio. a incorporadora. a partir de 1° de maio de 1991. o investidor passa a ter uma receita mensal variável. de 20 de dezembro de 1971. que chega a 19% ou mais do valor da prestação. segundo as seguintes alternativas: I – solicitar ao Banco central do Brasil autorização para administrar grupos de consórcio. dependendo da localização do imóvel e da infra-estrutura de serviços e lazer. a título de taxa de admissão e de administração. por um valor bem inferior ao preço de um apartamento. será exercida pelo Banco central do Brasil.177. sujeita os responsáveis às sanções previstas na Lei n. Os proprietários das quotas dividem os custos e os lucros. não importando se uma unidade específica foi ou não ocupada.768/71103. para a formação de um fundo social mediante o pagamento de prestações com valor pré-estabelecido. 33102 da Lei n. Vislumbrando a facilidade na “aquisição” do flat e não se importando com a sua metragem. haja vista a desnecessidade da escritura de compra e venda. A promessa de venda de bens a varejo mediante oferta pública e com recebimento antecipado.. assim. Um outro problema enfrentado. a fiscalização das operações mencionadas neste artigo. Os sócios participantes também pagam um percentual. mas garantida.609. informamos que as empresas que vêm arregimentando grupos para as operações acima configuradas deverão regularizar sua situação de imediato. despesas gerais e taxa de administração. fundo mútuo e outras formas associativas assemelhadas. é possível comprar um bom flat. e todos recebem pela média de ocupação do empreendimento. 7° e 8° da Lei n° 5. art. 7º e 8º da Lei 5. ficando a cargo do sócio ostensivo a responsabilidade pelos custos dessa conversão.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa Adquirindo quotas de um fundo de investimento imobiliário. de modo a preservar o poder de compra dessas parcelas. de 20 de dezembro de 1971. transferindo-os para administradoras de consórcio autorizadas pelo Banco central do Brasil. fogem da fiscalização do Banco Central. construção ou reforma de imóveis ou de outros bens.768. 33. constituição e funcionamento de grupos organizados por meio de sociedades em conta de participação e que visam a aquisição de bens. conferindo ao investidor maior rentabilidade. e 33 da Lei 8. sem prévia autorização nos termos dos arts. infelizmente. Os preços dos aluguéis de flat normalmente são elevados.º 8.

9ª edição. art 17. Incorre. deverão adequar-se à nova legislação através do seu contrato social bem como cumprir uma série de exigências antes aplicáveis somente às Sociedades por Ações. Com base nas private companies inglesas. – Responsabilidade apenas do sócio ostensivo.. que invocava expressamente..708/19 foi bastante criticado pela doutrina “e tinha na lei das sociedades anônimas. que é constituída para a realização de um negócio determinado e se extingue após a consecução. inciso II. pg. são: – Facilidade em atrair sócios capitalistas que não desejam “aparecer”. o contrato não se resolverá de pleno direito pois como estará sujeito às normas da Lei 11. o sócio oculto não poderia nem se habilitar na falência como credor. 12. A partir de então. recebidas ou a receber.º 5.º. nas sanções previstas neste artigo quem. 106 É a chamada: Gesellschaft mit Beschänkter haftung.708/19. nela prevendo um capital e valor mínimo de cada quota. haverá a possibilidade do Administrador mantê-lo104. assim. 107 108 inclusive a nova expressão: “sociedade limitada” e não mais “sociedade por quotas de responsabilidade limitada”. do respectivo preço. 328 do código comercial). – Com a falência do sócio ostensivo.768/71.708 de 1919 encontra-se revogado pelo Código Civil de 2002 que trouxe profundas mudanças para as sociedades limitadas108. configura atividade abarcada pela norma do artigo 7. aplicáveis separada ou cumulativamente: (. em desacordo com as normas aplicáveis. mediante autorização do comitê. criou um tipo societário intermediário entre a sociedade de capital e a de pessoas106. art.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa total. 103 104 art. Apesar de resumir-se em 18 artigos. – Com a falência do sócio participante. responsabilidade limitada ao fundo com que concorreu. visto que somente o montante investido na composição do capital social seria alcançado por terceiros. ir contra um bem afetado à SCP (haja vista não existir separação entre o patrimônio do sócio ostensivo e da SCP perante terceiros). uma legislação supletiva das omissões do contrato social”107. Os contratos bilaterais não se resolvem pela falência e podem ser cumpridos pelo administrador judicial se o cumprimento reduzir ou evitar o aumento do passivo da massa falida ou for necessário à manutenção e preservação de seus ativos. Portugal.º 3. da precitada Lei n.) II – nos casos a que se refere o art. a título de taxa ou despesa de administração. 7º: a) multa de até cem por cento das importâncias previstas em contrato. O Decreto nº 3. – Pode ter caráter permanente. que deverá ser habilitado no passivo falimentar105. que necessitavam garantir seu patrimônio pessoal de forma que não fosse alcançado por dívidas da sociedade. qualquer saldo apurado em favor do sócio participante terá a natureza de crédito quirografário. a aplicação das penalidades previstas nesta lei não exclui a responsabilidade e as sanções de natureza civil e penal. – Possibilidade de o sócio participante contribuir para o negócio com mão-de-obra e/ ou conhecimento técnico. Renovar/2004. ao comerciante era garantida a não afetação de seu patrimônio particular por dívidas contraídas pela sociedade. Ou seja.101/05 (LRE). por meio do Decreto n. as contribuições do sócio oculto serviam para o pagamento de credores. FGV DIREITO RIO 64 . sem prévia autorização. A criação da sociedade por quotas de responsabilidade limitada atendeu aos interesses dos comerciantes da época. introduziu em nosso ordenamento jurídico as sociedades por quotas de responsabilidade limitada. também. responsabilidade de cada sócio pelo valor da quota subscrita e responsabilidade subsidiária e solidária de todos pelo pagamento da quota não integralizada. E como desvantagens: – Possibilidade de um credor do sócio ostensivo. nos têrmos das respectivas legislações. SOCIEDADES LIMITADAS. o legislador alemão.100. parágrafo único. adquirindo. baseou-se no modelo português quando. a realização de operações regidas por esta Lei. com a falência do sócio ostensivo. O legislador brasileiro... b) proibição de realizar tais operações durante o prazo de até dois anos. Seguindo este modelo. 105 Entendemos como desvantagem apesar de na legislação comercial (art. em 1901. diferente de uma Sociedade de Propósito Específico – SPE. em 1892. o que tornava a sua interpretação e aplicação muito flexíveis. As sociedades limitadas que já existem. sancionou lei semelhante. josé Edwaldo Tavares Borba in Direito societário. 117. – Mobilidade no ingresso e saída dos sócios. Algumas vantagens na constituição de uma Sociedade em Conta de Participação. – Falta de instrumento escrito e de publicidade não a desnaturam. o Decreto n.º 3. prometer publicamente realizar operações regidas por esta Lei. sujeita os infratores às seguintes sanções.

ibcbrasil.080 (0.043 do Código Civil. no período de 1985 a 2005. As sociedades em nome coletivo apresentam como novidades o fato de somente pessoas naturais poderem ser sócias e a exigência que os seus administradores (gerentes. em regra. 1. fechamento do capital e transformação de sociedades anônimas em limitadas. na forma original ou mediante o processo de aquisição do controle de companhias abertas. Tratam-se fundamentalmente das sociedades em nome coletivo e das sociedades em conta de participação.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa Em linhas gerais. Analisando somente o registro de sociedades.257 (48.602. este chega a 4. Segundo dados estatísticos do DNRC – Departamento Nacional de Registro do Comércio109. a principal novidade das sociedades em nome coletivo encontra-se no art. enquanto não integralizado o capital social.731. com o respectivo registro na Junta Comercial ou no Registro Civil de Pessoas Jurídicas). 110 autor: josé Gabriel assis de almeida – 25/nov/2005 – Fonte: www. No entanto.: necessidade de aprovação anual do balanço.1%110 dos registros. teXto: as soCiedades em nome CoLetiVo e em Conta de partiCipação Como estratégias de negóCios.br 111 FGV DIREITO RIO 65 . e cujo nome empresarial deve necessariamente constar o termo “limitada” ou sua abreviação “ltda”.569. 109 Fonte: http://www. aproveitando que estas não estão submetidas ao regime de publicidade.br sociedade anônima: 20. Por ser uma estrutura societária sem muita complexidade e com baixo custo de manutenção. dos 8. 1. – Tipo societário viável também para grandes empresas.534. – A movimentação de ingresso e saída de sócios não é simples. O acesso ao crédito se dará.346. sua estrutura é pouco complexa e de baixo custo para manutenção. 4.288 (51. outros tipos: 4. segundo o qual os credores de um dos sócios não podem promover a liquidação da(s) quota(s) deste sócio enquanto a sociedade estiver em vigor. pois são excelentes veículos para a concretização de negócios. a Sociedade Limitada é aquela que tem seu capital dividido em quotas e na qual a responsabilidade dos sócios é limitada ao valor de suas quotas.com. sendo solidária. acarretando em despesas próprias para a atenção de tais regras (ex. 4. Sobre os negócios é compartilhada pelos sócios. Algumas vantagens na constituição de uma Sociedade Limitada: – Modelo societário é conhecido da doutrina e da jurisprudência com boa fonte de direito para solução das controvérsias. na terminologia anterior ao Código Civil) sejam também pessoas naturais.22%) são Sociedades Anônimas.9% e as demais. mas que merecem um exame com um pouco mais de atenção. – A responsabilidade dos sócios é limitada ao montante do capital social.3%) são Sociedades Limitadas e 20. pois lhe é vedada a emissão de valores mobiliários para captação de recursos no mercado. através de empréstimos bancários. E como desvantagens: – Não tem muita facilidade de financiamento de suas atividades. cooperativas: 21. sendo as Sociedades Limitadas responsáveis por 98. gov. a sociedade limitada é a forma jurídica mais utilizada para atuação da pequena e média empresa.2%) são referentes à atividade de Empresário.300. – Estrutura ao alvedrio das regras de direito societário.915.080. – Apesar das modificações inseridas pelo Código Civil de 2002 que engessou a sociedade limitada.111 Há alguns modelos societários – mantidos pelo Código Civil de 2002 – que costumam passar despercebidos.890 registros realizados.dnrc.

subscreve o capital da mesma. as contribuições do(s) sócio(s) participante(s) e do sócio(s) ostensivo(s) irão constituir um patrimônio especial. os bens pessoais serão substituídos por quotas da sociedade em nome coletivo. Mais ainda. No entanto. Neste caso. 1. considera esse empreendimento incerto. Caso o novo empreendimento venha a ser mal sucedido e – seja por que motivo for – os credores consigam responsabilizar o empresário. pela sociedade. A sociedade em conta de participação é composta por um ou mais sócios ostensivos e por um ou mais sócios participantes. e integraliza o que subscreveu transferindo a esta sociedade os seus bens pessoais que pretende preservar. Preventivamente. no seio do patrimônio do sócio ostensivo. Esta sociedade não constitui uma nova pessoa jurídica. o empresário constitui então uma sociedade limitada ou uma sociedade anônima através da qual irá realizar o novo empreendimento. não desejando arriscar o seu patrimônio pessoal. seguro e não burocrático de captar recursos ou distribuir resultados. no Cartório do Registro Civil das Pessoas Jurídicas ou no Cartório de Registro de Títulos e Documentos. sendo em seguida o devedor excluído da sociedade. deles podendo usufruir o empresário. é fácil vislumbrar a seguinte situação: Um empresário deseja se lançar num novo empreendimento. uma forma de solucionar este obstáculo é constituir uma sociedade de propósito específico (sob a forma de sociedade limitada. Contudo. A regra do art.026 do mesmo Código segundo o qual os credores de um dos sócios podem requerer judicialmente a liquidação da(s) quota(s) do sócio. a sociedade em conta de participação tem duas grandes vantagens: (i) a celeridade de sua constituição e (ii) o sócio participante não é conhecido por terceiros. recebendo as contribuições dos sócios participantes. devendo aguardar o término – que o empresário terá o cuidado de fixar a longuíssimo prazo. Nos termos do art. Assim. a sua parte na sociedade será apurada e o valor correspondente à mesma será depositado judicialmente. 1. no ativo do empresário. o empresário – antes de dar início ao novo empreendimento – constitui uma sociedade simples sob a forma em nome coletivo. a sociedade em conta de participação não está sujeita a inscrição no Registro Público de Empresas Mercantis. esta especialidade patrimonial não é oponível a terceiros. Assim. sendo todos os negócios com terceiros realizados sob o nome do sócio(s) ostensivo(s). Já a sociedade em conta de participação é um meio rápido. os bens transferidos à sociedade em nome coletivo permanecem intactos.043 do Código Civil. ao estabelecer a exceção acima mencionada (impossibilidade de liquidação da quota do sócio a pedido dos credores particulares deste sócio) implica que a(s) quota(s) do sócio devedor estão a salvo da ação dos credores. em obediência ao disposto no art. Deste modo. da sociedade em nome coletivo. tendo um sócio uma dívida particular. encontrarão no ativo do empresário quotas da sociedade em nome coletivo. por exemplo) para atuar como sócia ostensiva. os credores não poderão promover a liquidação dessas quotas. Enquanto isso. 994 do Código Civil. por razões diversas. FGV DIREITO RIO 66 . No entanto. os terceiros credores do sócio ostensivo (ainda que por créditos estranhos à atividade desenvolvida pelo sócio ostensivo em prol da sociedade em conta de participação) poderão penhorar e promover a alienação desse patrimônio especial.043 do Código Civil. 1. para posterior pagamento dos credores. Ou seja. em regime de comodato ou locação.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa Esta regra é uma exceção ao disposto no art. Essa liquidação significa que. Com os ativos que não se encontram na sociedade em nome coletivo.

o novo Código Civil tem inúmeros defeitos. 3. Assim.1. até o montante total do capital social. eram considerados – pelas legislações desses países – como rendimentos não sujeitos a tributação. A maior utilidade das sociedades em nome coletivo. em comandita e de capital e indústria. principalmente na parte relativa ao Direito de Empresa. de sociedades limitadas). perante terceiros.043 que: “O credor particular de sócio FGV DIREITO RIO 67 . de forma ilimitada e subsidiária. No entanto. Desta forma. em razão das dívidas da sociedade. Assim. teXto 2: as bahamas são aQui: as soCiedades em nome CoLetiVo e o noVo Código CiViL. a sociedade por quotas de responsabilidade limitada apresentava uma enorme vantagem em comparação com a sociedade em nome coletivo. E. Tanto é que as estatísticas do DNRC (Departamento Nacional de Registro de Comércio) indicam que. na construção e administração de um shopping center. pelo NCC. José gabriel assis de almeida sócio de J. isso porque. assis de almeida & associados – advogados doutor em direito pela universidade de paris ii professor adjunto da uerJ e da uni-rio O novo Código Civil têm inúmeros detratores e críticos. também apelidado de “Constituição do Cidadão Comum” revela que o NCC tem também diversas agradáveis surpresas. uma leitura atenta do texto legal. os sócios somente respondiam. era o aproveitamento dos benefícios fiscais. por exemplo. durante muitos anos a Gillete do Brasil adotou a forma de sociedade em nome coletivo. pelas dívidas da sociedade. na formalização das relações jurídicas existentes entre uma instituição de ensino (sócia ostensiva) e os professores (sócios participantes). os lucros apurados por sociedades em nome coletivo brasileiras e distribuídos aos sócios domiciliados em certos países. nesse período. No entanto. uma vez integralizada a totalidade do capital social. qual seja: a limitação da responsabilidade dos sócios perante terceiros. no Brasil. Já nas sociedades por quotas de responsabilidade limitada. certamente. Na sociedade em nome coletivo. Ocorre que o NCC conferiu uma nova vantagem – e das mais importantes – à sociedade em nome coletivo. os sócios respondiam pessoalmente. ainda que essa responsabilidade fosse solidária. Este tipo societário ficou um pouco esquecido com o advento das sociedades por quotas de responsabilidade limitada (agora denominadas. determina o art. no período entre 1985 e 2001 foram constituídas. as sociedades em nome coletivo continuaram a serem constituídas.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa A sociedade em conta de participação pode ser utilizada para negócios tão diferentes quanto para assegurar a participação de terceiros (sócios participantes) na exploração de uma jazida mineral. Para tanto.500 sociedades de tipo em nome coletivo. xxxx Uma delas diz respeito à sociedade em nome coletivo. pelas dívidas contraídas pela sociedade perante terceiros. As breves notas aqui lançadas são apenas um alerta para que os empresários e executivos possam compreender que o direito – através de mecanismos perfeitamente legais e legítimos – permite viabilizar diversos negócios.g. dos sócios nada mais poderia ser exigido.

os quais deverão verificar. para a realização do empreendimento. reservando a parte que irá investir no empreendimento.1. Portanto. na medida em que. xxxxx Com este dispositivo. da qual o empreendedor é. pelos credores desse sócio. o interesse dos credores particulares do sócio em receber o seu crédito.042 do NCC é impenhorável. Em outubro de 2005. pretender a liquidação da quota do devedor”. O FII é considerado renda variável e é negociado no Mega Bolsa. o empreendedor poderá constituir uma sociedade em nome coletivo. por sua vez. então. isto é. então. ano 2 – n° 4 – abril/2006. penhorar os bens pessoais dos sócios da sociedade limitada. este transferirá à sociedade em nome coletivo o seu patrimônio pessoal.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa não pode. Isto significa que as quotas do sócio de uma sociedade em nome coletivo não podem ser penhoradas. em virtude de dívidas pessoais contraídas por esse sócio. titular de uma quota. Nesta sociedade limitada. via desconsideração da personalidade jurídica ou outro instrumento de efeito equivalente. Este dispositivo cria um interessante e importante instrumento para a preservação do patrimônio. os credores dessa sociedade. fundos imobiliários ganham liquidez112. de maneira que. provavelmente uma sociedade limitada. o mercado de balcão organizado da Bovespa. o NCC acabou por resolver um conflito de interesses> Por um lado. Após regularmente constituída a sociedade em nome coletivo e transferido o patrimônio pessoal. o empreendedor investirá a parte do seu patrimônio destinada ao empreendimento. No entanto. esses bens do empreendedor consistirão apenas numa quota da sociedade em nome coletivo. um maior rigor aos credores. Com efeito. A solução do NCC foi em favor do interesse dos demais sócios e da própria sociedade. Por outro lado. sócio. por força do art. credores particular de um sócio. antes de dissolver-se a sociedade. mês anterior à isenção. quota essa que. nada mais restará aos credores do sócio em questão. após esgotado o patrimônio da sociedade limitada. Em fevereiro Fonte: Bfix – Boletim do mercado de Renda Fixa. foram realizados 229 negócios com cotas de fundos no Soma. os bens pessoais do empreendedor estarão protegidos sob a titularidade da sociedade em nome coletivo. notÍCias reLaCionadas. o interesse dos demais sócios e da própria sociedade em serem preservados da intervenção de terceiros. penhorarem a parte dos haveres sociais que for atribuída ao sócio da referida sociedade em nome coletivo. antes de conceder o crédito. certamente tentarão. 112 FGV DIREITO RIO 68 . Se os negócios da sociedade limitada correrem desfavoravelmente e esta vir a falir. Esta regra impõe. a título de integralização do capital social dessa sociedade em nome coletivo. assim. Negociação no mercado secundário aumenta após a isenção do Imposto de Renda A negociação de cotas de Fundos de Investimento Imobiliário (FII) aumentou de forma significativa desde que os ganhos obtidos com essa forma de aplicação tornaram-se isentos do Imposto de Renda (IR). qual (quais) a (s) participações societárias do devedor. Os credores particulares do sócio serão obrigados a aguardarem a dissolução e liquidação da sociedade em nome coletivo para só. antes de se lançar num negócio. uma outra sociedade. do que senão aguardarem uma eventual dissolução e liquidação dessa sociedade em nome coletivo. o empreendedor constituirá.

ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa

passado, o número de negócios nesse ambiente alcançou 294 e, em março (até o dia 20), ficou em 223. O volume financeiro também registrou alta expressiva: de R$ 8,7 milhões em outubro para R$ 13,7 milhões em fevereiro e R$ 7,1 milhões até 20 de março. Dos 64 fundos do mercado, 17 são registrados na Bolsa. O benefício tributário vale para as pessoas físicas que obtiverem ganhos em aplicações feitas em FII com pelo menos 50 cotistas, e cujas cotas sejam negociadas no mercado secundário (na Bolsa ou no mercado de balcão organizado). Os resultados alcançados pelos FII em 2005 e as perspectivas para o mercado financeiro imobiliário foram temas da 3ª Reunião de Fundos Imobiliários realizada pela Apimec-SP e pela Bovespa, no dia 23 de março. “Estamos promovendo esforços para a divulgação e o aprimoramento dos fundos imobiliários para trazer mais transparência e liquidez ao mercado secundário”, afirmou o superintendente-geral da Bovespa, Gilberto Mifano. Alguns pontos da legislação ainda precisam ser aprimorados, afirmou Rodrigo Machado, diretor do Brazilian Group. Dentre eles, a necessidade de reformulação da Instrução CVM 205/94, que regulamentou os fundos; a possibilidade de as quotas de FII servirem para que os bancos captadores de poupança cumpram a exigibilidades de poupança; e o fim do enquadramento das quotas de FII como investimento em imóveis por parte dos fundos de pensão. JurisprudênCia. DUPLICATA. EMISSÃO POR FORNECEDORA DE MOBILIÁRIO CONTRA O PROPRIETÁRIO DE UNIDADE AUTÔNOMA DE EDIFÍCIO. SOCIEDADE EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO. RESPONSABILIDADE PERANTE TERCEIROS. SÓCIO OSTENSIVO. “Na sociedade em conta de participação o sócio ostensivo é quem se obriga para com terceiros pelos resultados das transações e das obrigações sociais, realizadas ou empreendidas em decorrência da sociedade, nunca o sócio participante ou oculto que nem é conhecido dos terceiros nem com estes nada trata. ” (REsp nº 168.028-SP). Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, provido. (REsp 192.603/SP, Rel. Ministro BARROS MONTEIRO, QUARTA TURMA, julgado em 15.04.2004, DJ 01.07.2004 p. 197). SOCIEDADE EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. DISSOLUÇÃO. NOMEAÇÃO DE LIQUIDANTE. CITAÇÃO DA SOCIEDADE CONSTITUÍDA. INDENIZAÇÃO. 1. Não há violação aos artigos 458, II, e 535 do Código de Processo Civil quando o Acórdão recorrido está amplamente fundamentado, alcançando a demanda tal e qual posta pelo autor, então apelante. 2. Não há falar em citação da sociedade em conta de participação, que não tem personalidade jurídica, nem existência perante terceiros. 3. Afastando as instâncias ordinárias a indenização por falta de prova, não tem consistência o pedido de extinção do processo ao argumento de que teria a sentença, considerado o pedido inepto. 4. Justifica-se a nomeação, desde logo, do liquidante, diante da realidade dos autos, que demonstram a animosidade existente, embora no caso de sociedade em conta de participação, seja discutível tanto a dissolução judicial quanto a existência de liquidação e partilha, aspectos que não podem ser examinados, porque ausente recurso da parte interessada.
FGV DIREITO RIO 69

ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa

5. Recurso especial não conhecido. (REsp 474.704/PR, Rel. Ministro CARLOS ALBERTO MENEZES DIREITO, TERCEIRA TURMA, julgado em 17.12.2002, DJ 10.03.2003 p. 213). grifamos Conflito de Competência. Ação de Procedimento Sumário Declaratório de Negócio Jurídico c/c Devolução de Quantia Paga e Indenização. Procedência do Conflito. Sociedade em Conta de Participação que não é considerada sociedade empresária. Competência das Varas Cíveis. Conflito que se conhece e se acolhe, declarando-se a competência do Juízo Suscitado, ou seja, o da 16º Vara Cível da Comarca da Capital. (2005.008.00464 – Conflito de Competência – Des. Renato Simoni – Julgamento: 29/11/2005 – Nona Câmara Cível. TJ/RJ). grifamos TRIBUTÁRIO. Negócio Fiduciário. Imposto de Transmissão Inter Vivos - ITBI. Transferência de Imóvel Para Constituição de Fundo de Investimento Imobiliário. Incidência do Tributo. Os fundos de Investimentos Imobiliários, conforme determina a própria Lei nº 8.668/93, são desprovidos de personalidade jurídica, razão pela qual o imóvel dado para a constituição do fundo é transferido para a Instituição Administradora em caráter fiduciário. Tal operação não se encontra ao abrigo da imunidade tributária prevista no art.156, § 2º, I da Constituição Federal por não ser possível falar em constituição de patrimônio de pessoa jurídica em realização de seu capital social. O que essa lei chama de quotas está distante do que se entende por cota social. O titular de quotas do Fundo de Investimento Imobiliário não tem a mesma relação de participação que haveria entre sócio e sociedade. As tais quotas estão mais próximas em sua natureza das ações, já que são negociadas em ambiente de Bolsa de Valores. Contudo, não se pode conceber analogia entre um Fundo despersonalizado e uma Sociedade Anônima, constituída nos estritos moldes da Lei 6.404/76. Ainda que se ultrapassasse esse argumento, o pleito de imunidade sucumbiria à norma contida na parte final do mesmo inciso I, do §2º, do art. 156, da Constituição. Observa-se que a imunidade não alcança aqueles que realizam capital com transmissão de bens imóveis, quando é constatada como atividade preponderante do adquirente a compra e venda desses bens ou direitos, locação de bens imóveis ou arrendamento mercantil. Como foi exaustivamente demonstrado na peça inicial, o escopo da constituição de um Fundo Imobiliário é justamente esse tipo de atividade, ou seja, investir em imóveis comerciais e industriais de alto padrão de acabamento, destinados à locação de longo prazo. São as chamadas operações built to suit (construir para servir), que se pode traduzir pela construção de um imóvel segundo especificações expressas do inquilino. Assim sendo, tanto por um fundamento, quanto por outro, não se constata a tênue possibilidade de a apelante ser alcançada pelo benefício da imunidade conferida pela Constituição. Desprovimento do recurso. (2003.001.26635 - APELACAO CIVEL. DES. SERGIO CAVALIERI FILHO - Julgamento: 05/02/2004 - SEGUNDA CAMARA CIVEL. TJ/RJ) Questões de ConCurso 29º EXAME DE ORDEM – SEÇÃO DO RIO DE JANEIRO – 1ª FASE – DIREITO COMERCIAL. PROVA OBJETIVA. 40 – A inscrição do contrato social no órgão competente confere capacidade jurídica às sociedades, exceto à: a) Sociedade em comum;
FGV DIREITO RIO 70

ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa

b) Sociedade simples; c) Sociedade em nome coletivo; d) Sociedade em conta de participação. 27º EXAME DE ORDEM – SEÇÃO DO RIO DE JANEIRO – 2ª FASE – DIREITO COMERCIAL. PROVA DISCURSIVA. 6 – Comente a pertinência da presente afirmação: “À luz do artigo 985 da Lei 10406/2002 (Código Civil), o registro do contrato social de uma sociedade em conta de participação confere-lhe, a partir de então, personalidade jurídica, sendo que os atos anteriores ao registro somente produzem efeitos entre os sócios, não podendo, contudo, a falta de registro ser oposta a terceiros.” 26º EXAME DE ORDEM – SEÇÃO DO RIO DE JANEIRO – 2ª FASE – DIREITO COMERCIAL. PROVA DISCURSIVA. 6 – A e B são sócios em uma sociedade limitada (Ltda) e pretendem participar de uma sociedade em nome coletivo. Caso não desejem fazê-lo em seus próprios nomes, podem A e B colocar a sua sociedade limitada para figurar como sócia na sociedade em nome coletivo da qual querem tomar parte? Justifique e indique o(s) dispositivo(s) legal(is) pertinente(s). 126º EXAME DE ORDEM – SEÇÃO DE SÃO PAULO – 1ª FASE – DIREITO COMERCIAL. PROVA TIPO 1. 47. A liquidação de uma sociedade em conta de participação (A) é regida pelas normas relativas à prestação de contas. (B) se dá somente por decisão judicial. (C) será eficaz apenas quando arquivada no registro de comércio. (D) exige aprovação em assembléia especialmente convocada para essa finalidade. PROVA OAB/MG - EXAME DE ORDEM - ABRIL/2006 94ª Questão: Assinale a alternativa INCORRETA: a) A Sociedade em Nome Coletivo somente pode ter como sócios pessoas físicas; b) A Sociedade em Conta de Participação adquire personalidade jurídica com o registro no órgão próprio; c) Na Sociedade em Comandita Simples a responsabilidade dos sócios em relação às obrigações sociais depende da categoria por eles ocupada no quadro societário; d) A Sociedade em Comandita por ações pode adotar firma ou denominação social, apesar de sua proximidade com a Sociedade Anônima.

PROVA CONCURSO PúBLICO/4ª REGIÃO JF - JUIZ FEDERAL JANEIRO/2008 76ª Questão: Dadas as assertivas abaixo, assinalar a alternativa correta quanto à empresa, ao empresário e às sociedades simples e às empresárias. I. A empresa é uma atividade exercida pelo empresário, não pressupondo a existência de uma sociedade, podendo ser desenvolvida pelo empresário unipessoal. II. A sociedade simples distingue-se da sociedade empresária, pois naquela inexiste
FGV DIREITO RIO 71

ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa uma organização de bens materiais e imateriais (intelectuais) e recursos humanos. c) Estão corretas apenas as assertivas I. FGV DIREITO RIO 72 . II e III. Há identidade entre os conceitos de empresário e sócio da sociedade. b) Estão corretas apenas as assertivas II e III. d) Estão corretas todas as assertivas. voltados para a produção sistemática da riqueza. Podem ser empresários os menores de 18 anos. a) Estão corretas apenas as assertivas I e IV. IV. sendo a sociedade cooperativa um de seus exemplos. III.

Vol. ementário de temas – Sociedade Limitada – Sociedade Anônima – breves comentários – Diferenças: LTDA e S. ou seja. conferindo mobilidade e liquidez ao capital investido. Essa sociedade de capital permite aos sócios negociarem livremente seus títulos. Fábio Ulhoa Coelho.II. São Paulo/2004. Saraiva. Leitura CompLementar – Páginas 358 a 360 do Manual de Direito Comercial e de Empresa.A. Sérgio Campinho.I. 113 na sociedade anônima. vimos que as sociedades limitadas representam hoje a grande maioria das sociedades registradas em nosso país.404/76 determina expressamente que. nesta espécie societária. sobretudo em virtude de dois fatores: a garantia dos sócios contra os indesejáveis efeitos patrimoniais que ocorriam nas sociedades ilimitadas do antigo Código Comercial e a simplificada forma de sua constituição (ao contrário da estrutura complexa das sociedades por ações). a responsabilidade dos sócios também é limitada ao capital social tendo em vista que o art. pois permite a captação de investimento na poupança popular para a aplicação em grandes empreendimentos. Renovar/2005. o capital é dividido em ações nas quais a responsabilidade dos sócios é limitada ao preço de emissão das ações subscritas ou adquiridas. Vol. roteiro de auLa A sociedade por quota de responsabilidade limitada. desde sua criação até os dias atuais. Ricardo Negrão. atraindo principalmente a pequena e a média empresa por sua forma e constituição simplificada e a limitação da responsabilidade dos sócios.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa AUlA 08: A OPÇÃO PElO MODElO SOCIEDADE lIMItADA EM CONtRAPONtO AO MODElO SOCIEDADE POR AÇõES Na aula passada. – Páginas 130 a 132 do O Direito de empresa à luz do novo Código Civil. FGV DIREITO RIO 73 . 7ª edição. seu eventual prejuízo é adstrito ao valor pago pelos títulos no mercado de ações. como Sociedade Limitada. Saraiva. – Por que utilizar a S. tem.A. 1º da Lei nº 6. – Classificação: Companhia Aberta e Companhia Fechada – breves comentários. Nesta aula discutiremos a leitura do(s) seguinte(s) capítulo(s): – Páginas 357 a 372 do Curso de Direito Comercial. 5ª edição.113 Assim. São Paulo/2005. uma enorme aceitação no meio empresarial. 4ª edição. e por que utilizar a LTDA. sem a necessidade de consentimento dos demais sócios. sem que o investidor se responsabilize pessoalmente pelos negócios da companhia. A Sociedade Anônima é um instrumento jurídico muito importante para a economia.

art.404/1976 traz inúmeras exigências para o funcionamento das Sociedades Anônimas. desde a composta por dois sócios e com baixo faturamento. depende de um mecanismo jurídico que viabilize a captação deles junto aos investidores em geral117”. 114 Do contrário. Lei n. 117 FGV DIREITO RIO 74 . § 1º somente os valores mobiliários de emissão de companhia registrada na comissão de Valores mobiliários podem ser negociados no mercado de valores mobiliários. Enquanto que o Código Civil apresenta uma estrutura mais simples para a sociedade limitada. será classificada como uma “Companhia Fechada”. o sócio responde pela integralização do capital social (não importa o valor de sua cota. 22. e a exploração delas. considera-se aberta a companhia cujos valores mobiliários estejam admitidos à negociação na bolsa ou no mercado de balcão. 115 116 O custo para cumprir as formalidades exigidas em lei para o ingresso e permanência da companhia com suas ações no mercado é bastante alto. segundo as espécies e classes dos valores mobiliários por ela emitidos negociados no mercado. Lei n. Já na sociedade de capital. aos resultados econômicos que ela pode gerar. § 2º nenhuma distribuição pública de valores mobiliários será efetivada no mercado sem prévio registro na comissão de Valores mobiliários. A sociedade pode ser de pessoas ou de capitais. devendo esta ser identificada sempre por denominação. há uma diferença relevante.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa diferenças entre Ltda e s. Por outro lado. e sim. § 3º a comissão de Valores mobiliários poderá classificar as companhias abertas em categorias. o sócio se obriga pelo valor total constante no contrato social).385/1976. por sua vez. pág. que acabam por dificultar sua criação e administração. 4º para os efeitos desta Lei. Nas palavras de Fábio Ulhoa Coelho: “Há atividades econômicas que. não tendo maior relevância a pessoa do sócio. uma vez que no Brasil a Sociedade Unipessoal só é admitida como exceção.º 6. sem negociação em bolsa de valores ou mercado de balcão. cabe ressaltar que existem diferenças na estrutura de ambas. pelo seu porte.404/1976. é importante mencionar que enquanto foi conferida à sociedade limitada a opção de utilizar firma social ou denominação como nome empresarial. exigem uma alta soma de recursos. A sociedade limitada pode adequar o seu contrato social com característica de sociedade de pessoas ou de capital. Assim. Enquanto que na sociedade limitada. enquanto que na Sociedade Anônima não haverá possibilidade de escolha. 7ª ed. No que se refere à responsabilidade dos sócios. até a formada por vários sócios e movimentando valores elevados.º 6.II. por isso. in curso de Direito comercial. Essa situação é muito comum como já vimos no caso do “sócio de palha”. será sempre de capital. onde o interesse dos sócios não está voltado para a sociedade em si. Se a sociedade anônima pretender negociar suas ações no mercado de valores mobiliários (mercado aberto ao público). Já o modelo da Sociedade Limitada pode ser amplamente utilizado. Vol. Por fim. à sociedade anônima não coube escolha. se os títulos de uma sociedade anônima circulam de forma restrita. as companhias de capital aberto são aquelas de maior porte116 ou que desejam captação maior de recursos. O modelo da Sociedade Anônima é interessante para grandes empreendimentos que suportem a estrutura exigida pela lei. só responderá pelo que se obrigou. valoriza a qualidade pessoal do sócio. a. Além disso. não importa o valor total constante no Estatuto. a Limitada também pode se apresentar como subterfúgio para o Empresário Individual. e especificará as normas sobre companhias abertas aplicáveis a cada categoria. A forma de “capital aberto” é fundamental para as sociedades que desejam negociar na Bolsa de Valores e que tenham como grande objetivo a captação de recursos financeiros. art. Geralmente. na Sociedade Anônima o sócio só responde pelo valor das ações que subscreveu. a Lei nº 6. será classificada como uma “Companhia Aberta114” e será submetida ao controle e fiscalização da Comissão de Valores Mobiliários – CVM115. saraiva/2004. o importante é o objeto social. a companhia é aberta ou fechada conforme os valores mobiliários de sua emissão estejam ou não admitidos à negociação no mercado de valores mobiliários. Quando de pessoas.66.

podendo ser suscitada e discutida a qualquer tempo e grau de jurisdição. INVENTÁRIO DE BENS POR SEPARAÇÃO JUDICIAL. que não é matéria fática de alta indagação. 600 do código de processo civil. de ordem pública.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa Caso H. RESGUARDADA A MEAÇÃO DA EX-MULHER POR MEDIDA ACAUTELATÓRIA DE SEPARAÇÃO DE CORPOS E ARROLAMENTO DE BENS.a sanção prevista no art. mas sim a “devedor”.Stern Comércio e Indústria S.a ação de inventário por separação judicial é o leito próprio para apreciação de questões jurídicas surgidas após a separação de fato do casal. inclusive. a) O mecanismo é suficiente? b) E se o modelo societário adotado fosse de uma sociedade limitada? A solução seria a mesma? c) Na hipótese de separação de um dos acionistas. Da mesma forma tratam do exercício do direito de retirada. e comportando incidente processual quanto aos efeitos jurídicos dos negócios entabulados pelo cônjuge varão à revelia do cônjuge virago. é uma sociedade anônima de capital fechado. admitindo a discussão de prova documental a respeito de fatos incontroversos. FGV DIREITO RIO 75 . da família Stern. DECLARAÇÃO DE INEFICÁCIA DOS NEGÓCIOS JURÍDICOS SUBJACENTES À SEPARAÇÃO DO CASAL. por ato atentatório à dignidade da Justiça. desde que não seja renovada perante o mesmo grau de jurisdição. HOMOLOGAÇÃO DO ESBOÇO DE PARTILHA. podendo. restando disposto que deverão ser oferecidas as ações do retirante aos demais acionistas. QUE APESAR DE CERCADA POR CONTROVÉRSIA JURÍDICA. ALIENAÇÃO FRAUDULENTA DE AÇÕES ORDINÁRIAS NOMINATIVAS DA EMPRESA APÓS SEPARAÇÃO DE FATO. REGIME DE COMUNHÃO UNIVERSAL DE BENS. DIVERGÊNCIA. HAVIDOS EM FRAUDE À MEAÇÃO. a exemplo da ação de inventário por separação judicial combinada com partilha. apesar de não mais se referir a “executado”. I . INDEPENDE DE DILAÇÃO PROBATÓRIA. terá o ex-cônjuge direito a ingressar no quadro societário da H. tem seu campo de incidência nas ações de execução. mas tão somente aquelas derivadas nas ações de execução estrito sensu. em geral. O estatuto social traça um mecanismo para evitar o ingresso de estranhos no quadro societário sem a anuência dos demais acionistas.Stern. AÇÃO DE PARTILHA JUDICIAL POR DISSOLUÇÃO DA SOCIEDADE CONJUGAL. não podendo ser interpretado ampliativamente para alcançar a execução de toda ordem emanada do Poder Judiciário. mas solução de natureza doutrinária e jurisprudencial. em sua maioria. III . cujas ações são de propriedade.a competência em razão da matéria é pressuposto de validade da relação processual. aduzindo que o ingresso de terceiros deverá ser autorizado pelos demais acionistas. HOMOLOGAÇÃO DO ESBOÇO DE PARTILHA. sendo o preço estipulado com base no último balanço aprovado. controlá-la? JurisprudênCia PROCESSO CIVIL. II . COMPETÊNCIA DO JUÍZO DE FAMÍLIA PARA APRECIAR A QUESTÃO. em face da preclusão pro judicato.A.

três meses depois. “Passei a tarde inteira bebendo cafezinho e fumando. com sede em uberlândia.globo.várias as formas através das quais se pode prejudicar o cônjuge ou a companheira com atos praticados sob o manto pseudo-protetivo da empresa”. Tomou o café com leite e torradas. acabava de se tornar controladora do grupo..a. assumir a gestão e o controle acionário da Granja Rezende. ganham fortunas e transformam o divórcio num tormento para as empresas. DJ 16/02/2000 p. “Litígios predatórios reduzem grandes patrimônios a pó”. Depois de esperar duas décadas por uma sentença favorável. UNÂNIME. A Justiça ainda aplicou multa de R$ 72 milhões a Alfredo Rezende. O próximo embate ocorrerá em setembro. a saDIa adquiriu 90% das ações da Granja Rezende s. Hoje ela controla um grupo de 4 mil funcionários e faturamento previsto de R$ 1 bilhão em 2002. No caso Rezende. saiu vitoriosa da assembléia de acionistas. o maior dos quais é o Banco do Brasil. Os três deixaram Brasília ao meio-dia. a opção mais próxima em seu guarda-roupa do que seria o figurino de uma executiva. um dos maiores grupos alimentícios do país. suspendendo-o do cargo de diretor-presidente da empresa. Decisão: DAR PARCIAL PROVIMENTO A AMBOS OS RECURSOS.00 (cento e trinta e quatro milhões de reais). estavam em jogo uma fortuna avaliada em R$ 436 milhões e o controle acionário da Granja Rezende. as custas do processo superam R$ 70 milhões119. na companhia de dois advogados. ex-funcionária pública. Grifamos. encarou uma ducha rápida e não teve dúvidas na hora de escolher o que vestir: um conjunto bege. criada e administrada ao longo dos últimos 39 anos pelo empresário Alfredo Júlio Rezende. por Eliane Trindade.. Ansiava pelo lance decisivo de uma batalha judicial que começara 25 anos antes. Em 2002. peritos e consultores. REJEITADAS AS PRELIMINARES À UNANIMIDADE”. com 42% das ações. (APC-5246299/DF.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa IV . os demais 10% ficaram com a Fundação Rezende. instalada numa sala de diretoria. Chegou ao topo do ranking das partilhas de bens no Brasil. O valor da transação foi de R$ 134. a nova diretoria tentará conseguir capital de giro e prorrogar empréstimos de curto prazo com os credores. NANCY ANDRIGHI em 18/10/1999.000. em especial na região centro-Oeste. recorda-se. patrimônio estimado em R$ 185 milhões – quatro vezes o que recebeu a princesa Diana ao se divorciar do príncipe Charles. Somente às 18h30 ela faria a entrada triunfal na sede da empresa. autor do livro Quando o Amor Acaba na Justiça. 2ª Turma Cível do Tribunal de Justiça do Distrito Federal. notÍCias reLaCionadas Lucros e perdas do desamor118 mulheres enfrentam ex-maridos nos tribunais. 119 FGV DIREITO RIO 76 . com o julgamento do último recurso de Alfredo. o ex-marido. a Granja Rezende foi incorporada pela saDIa. Por volta das 21 horas. o julgador deve ser preocupar em trilhar “caminhos para se chegar a decisões que fujam ao ‘faz de conta”.000. Disputas prolongadas também geram fortunas para advogados.com/ edic/19990712/soci1.. onde os produtos da marca mineira Rezende tinham forte penetração. Helena Abib Rezende acordou às 9 horas na sexta-feira 30 de abril para enfrentar uma jornada inesquecível. Fonte: Revista Época. foi um importante passo para a expansão dos negócios da saDIa no país. Helena enfrentou o vaivém das liminares nos últimos três anos. alerta o advogado Luiz Fernando Gevaerd. No vôo. Disponível em: http://epoca. 20). Helena dispensou o almoço. Relatora: DES. A escalada foi áspera.por serem “. Estava pronta para embarcar rumo a Uberlândia. até a 5a Vara de Família em Brasília garantir-lhe a tutela antecipada das ações. Naquela tarde. Até lá. Aos 57 anos. com medo de uma liminar de última hora”.htm 118 no final de 1999. cuja pensão alimentícia é de R$ 571. Só então abriram-se as portas do negócio milionário para a ex-mulher. a dona de casa mineira.

“Eu o ajudava 24 horas por dia. além de amargar a condição de sem-banco.1 milhões. sem folga. Tânia roubou o espetáculo. era. recebia os convidados dele para jantares e reuniões. José Eduardo Andrade Vieira. E assim por diante. as ex-mulheres parecem dispostas a tudo para proteger o quinhão. ela vai brigar pela divisão de R$ 15 milhões.alusão a supostas namoradas do ex-banqueiro. Começam a compreender os labirintos da Justiça e colocam em cena uma categoria de causar calafrios ao mundo dos negócios: a esposa corporativa. Pedro Malan. Retirada a parte que cabe aos filhos. serão incluídos entre as provas. O império General Electric. A pretexto de FGV DIREITO RIO 77 . corrige: “Terceiras” . Nos finais de semana. A aparição intempestiva deixou o depoente trêmulo e os senadores constrangidos. “Não quero ver o nosso patrimônio desviado para terceiros”. abastecida de muita raiva. não pretende renunciar aos bens que escaparam à intervenção do Banco Central. uma das maiores empresas do mundo. Calculou o custo de uma doméstica e de uma babá ao longo de três décadas. enfim. compareceu sem convite à CPI dos Bancos. considerado um dos empresários do século. Tânia avoca direitos sobre o que restou do patrimônio do ex-marido. Emagreceram: em 1997. tem nos calcanhares uma ex-mulher. mas fortunas menores não resistem à infiltração dos ódios conjugais. Tânia faz mistério. Na condição de sócia. indigna-se. imóveis. enumera Tânia Vieira. Separados de fato há um ano. Chegou a US$ 2. ela pode destituir diretores. Um seminário realizado há dez dias em São Paulo reuniu uma platéia de 150 homens de negócios. A General Electric. para assistir ao depoimento do marido. Há três semanas. viu-se no meio do embate matrimonial entre Lorna e Gary Wendt . aparteou em voz alta quando um senador perguntou se Andrade Vieira mantivera contatos com Marcos Malan.fazendas.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa Quando a roupa suja começa a ser lavada em público. uma secretária-executiva”. A precisão dos cálculos e dos argumentos convenceu o juiz: Lorna levou US$ 22 milhões. preparava recepções. Lorna e Gary resolveram duelar depois de 32 anos de casamento. Depois de 24 anos de casamento e quatro filhos. vender participações a grupos rivais e tumultuar conselhos de administração. irmão do ministro da Fazenda. na mansão no Lago Sul em Brasília. contas no Brasil e no exterior. Acrescentou os ganhos médios que teria conseguido caso se dedicasse à carreira de professora de Música. A ex do executivo da GE fez escola. “A do BC e agora a dele para cima de mim!” Estimam-se em R$ 30 milhões as sobras da fortuna de Andrade Vieira. ex-ministro e ex-dono do Bamerindus. esbraveja. Tânia semeia ressentimentos e colhe notoriedade. mas seus advogados estão levantando tudo . computando horas extras devotadas aos negócios dele.segundo homem da empresa e provável substituto do todo-poderoso Jack Welch. não chegou a balançar diante da esposa corporativa. Os divórcios entraram na pauta das grandes empresas. na época da quebradeira do Bamerindus. atendia a telefones. Achou miserável a recompensa financeira pelos anos de dedicação a casa. abandonada em conseqüência do casamento. uma usina de cifras estratosféricas. ela não concordou em receber os US$ 8 milhões oferecidos pelo ex. Lorna partiu para o ataque com uma calculadora na mão. a sangria financeira é inevitável. Mais US$ 1. Menos tímidas que suas mães e avós. o Bamerindus sofreu intervenção e acabou vendido ao HSBC. aos filhos e à preparação de impecáveis recepções para executivos e clientes. lembrando-se dos tempos de vacas gordas.5 milhão. Com um sorriso malicioso. os advogados de Tânia ingressaram no fórum de Curitiba com o pedido de separação e estão prontos para a guerra. Na quinta-feira. os Andrade Vieira estão longe de uma solução amigável. “Eu enfrentei duas intervenções!”. depois da perda do banco e da indisponibilidade de parte do patrimônio. Até os jantares oferecidos ao presidente Fernando Henrique. Diante de um batalhão de advogados. “Eu confirmo”.

Em agosto. que angariou milhões de dólares e driblou um clássico golpe do baú. freqüente nos grandes grupos econômicos. O caso da viúva Anna Elmira. somar é possível. cujas ações são incomunicáveis. pouco antes do matrimônio principesco. “Criar a holding é uma forma de proteger os bens em futuras relações”. FGV DIREITO RIO 78 . Os dois formalizaram um pacto. Outra saída. dividir é martírio e subtrair uma compulsão. O empresário antecipou a partilha de 50% dos bens para os filhos e transferiu a outra metade do patrimônio para uma empresa off-shore. “Ela quer metade do que Max deixou de declarar”. bem em frente ao Centro Comercial Gilberto Salomão. explica o advogado Marco Antônio Fanuchi. restou à ex-condessa brigar por pensão alimentícia. A briga vai se estender por décadas. à frente de um tradicional escritório especializado em Direito de Família. O melhor é prevenir”. lembra o advogado. Mora numa bela mansão em Brasília. Sem direitos sobre os bens dos Scarpa. representante de Tina. coisa de Primeiro Mundo.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa discorrer sobre o tema Proteção de Bens. quer continuar morando no apartamento em bairro nobre de São Paulo e retomar o carro importado. Nem sempre paraísos fiscais resolvem a pendenga. O romantismo latino atrapalha tudo”. Entre os casos mencionados aparece o de um comerciante de sucesso (Neves omitiu seu nome). O caso se arrasta em fóruns de Brasília e Minas Gerais. parte do fantástico patrimônio imobiliário da família. Sua história foi lembrada pelo senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) na sessão de abertura da CPI do Judiciário. Sem nada em seu nome. constata. “Chiquinho chegou com o documento quando os convites já estavam distribuídos e o vestido de noiva pronto”. de Família e Sucessões. Tenta faturar algum por conta própria: lançou o livro A Condessa que Virou Princesa. Carola. “O pacto foi assinado sob pressão. resume Neves. A futura esposa queria casar-se em regime de comunhão universal. deverá sair a primeira decisão sobre o caso. “Os acordos tornam-se quase impossíveis”. o advogado paulista Newton Oliveira Neves forneceu exemplos práticos de como salvar empresas de ataques especulativos do mercado matrimonial. Tributária. “As pessoas se esquecem que casamento é uma comunhão de afetos e interesses. é a criação de holdings para administrar o patrimônio pessoal de sócios e herdeiros. diz.” jura Carola.” Os brasileiros bem aquinhoados começam a sintonizar uma tendência comum entre americanos e europeus: a adoção do pacto pré-nupcial. não são partilháveis. não dá para falar em separações de bens. irrita-se. Seu colega carioca Luiz Fernando Gevaerd vai mais longe. Tina Bauer. maior feira de informática do país. Ou seja. com quem viveu por seis anos. num paraíso fiscal. tenta provar na Justiça que ele enviou ao exterior uma fortuna de R$ 16 milhões. de São Paulo. Quando bate o ódio. no segundo matrimônio. que há 26 anos briga com os cunhados pelo espólio do marido. Pede R$ 100 mil por mês. “Perdi um tempo precioso que nenhum juiz poderá devolver”. sugere a ricos e pobres encarar de frente o lado material do casamento. dono da Fenasoft.90 o exemplar. só faltou fazer voto de pobreza antes do novo casamento. em Florianópolis. “Teria escrito um épico se contasse toda a minha vida”. “No auge do amor. “Ainda é tabu no Brasil falar em pacto. diz o advogado Taltíbio Araújo. O advogado Sérgio Marques da Cruz Filho. cujo escritório realiza uma dezena de reestruturações societárias por ano. Fausto Salomão ilustra a lentidão da Justiça nas partilhas. Conhece de cor a aritmética do coração: quando existe amor. vendido a R$ 9. choraminga. na Área Societária. Prova disso é a separação de Max Gonçalves. O papel não evitou a baixaria no desenlace. contratado por Chiquinho Scarpa para defendê-lo das garras esmaltadas da ex-mulher. Anna Elmira luta com dois cunhados pela parte do patrimônio que caberia ao finado – algo em torno de R$ 100 milhões.

Suas ações estão a salvo. Mesmo assim. Christina Onassis. levou 50% dos negócios dela. referindo-se à partilha entre Iza e o banqueiro Júlio Bozano. as tradições dos Scarpa valem menos que o baú do novo-rico. mais raros. Casada em separação de bens. Bem-sucedida empresária do ramo de cosméticos e administradora do espólio do pai. Ele teria ameaçado revelar segredos comerciais do conglomerado. Uma ex-namorada entrou com uma ação de partilha. levou dinheiro suficiente para ficar à toa até hoje”. Fique com tudo”. seu guarda-costas. o ex-marido. Ao se separar do milionário americano Donald Trump. Os boatos não tardaram. FGV DIREITO RIO 79 . o pintor Pablo Picasso. Miranda aceitou casar-se com separação total de bens. Analícia não tem do que reclamar: continua a desfrutar dos milhões do pai de suas duas filhas. Maria Pia não cedeu às pressões do marido e ainda o acusou de manter um romance com a arrumadeira da mansão. garante Miranda. a mais cara no Brasil até o caso Rezende. Quando ainda era instrutor de natação. Hábil operador de influências políticas. É um caso raro de generosidade pós-separação. acabou seu quarto matrimônio no final dos anos 80. não escapou incólume. casou-se no ano passado com Carlos Madrulha. Morreu em 1988. estimativas de algumas das partilhas mais caras e rumorosas dos últimos anos. placar milionário No Brasil e no mundo. Após a separação. “Enquanto tiver dinheiro.. com base na nova lei da união estável. em clima de denúncia. há casos em que ricas ex-mulheres pagam a conta. estimada em R$ 175 milhões. celebrado em 1976 entre Analícia Scarpa. A apresentadora Ana Maria Braga. Gilberto Miranda se resguarda. Maridos também mordem. Outra herdeira célebre. Golpe do baú não é prerrogativa feminina. Queria também metade das obras de arte que ela herdara. “O meu acordo saiu mais caro do que o do Bozano”. Rafael Lopez-Cambil. Não conseguiu. acumulou US$ 73 milhões só em presentes oferecidos depois de cada briga do casal. Paloma Picasso tornou-se uma legítima representante das vítimas da ganância conjugal. ela terá tudo”. o ex-senador abriu de novo a carteira. A herdeira do império. vocifera. A ex-namorada deve ser uma aplicada discípula de Ivana Trump. ficou milionário e separou-se. “Aquela v. Aconselhado pela advogada Priscila Corrêa da Fonseca. aos 38 anos. Seu último companheiro. Colocadas nos pratos de uma balança. dona de um dos maiores salários da televisão. tornou-se um bilhete premiado nas mãos de ex-maridos.. a mais temida nos fóruns de Família.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa A família Scarpa ostenta um caso anterior e bem-sucedido de pacto pré-nupcial. Acusou o ex-marido Roberto Calmon Barreto de tentar extorquir US$ 2 milhões. Maria Pia. a loura cobriu-se de diamantes e deu a receita infalível para um divórcio milionário: “Não fique com raiva. Thierry Roussel. À frente de três holdings e de um patrimônio de R$ 1 bilhão. Madrulha deixa claro: casou-se com separação de bens. um caso rumoroso envolve o clã dos Matarazzo. Barreto negou tudo. ela pagou a conta depois de 20 anos de convivência. filha do armador grego Aristóteles Onassis. completa. Para afastar qualquer suspeita de interesse. No Brasil. e o ex-senador Gilberto Miranda. prima de Chiquinho.

US$ 50 milhões Demi Moore x Bruce Willis . seu capital é dividido em ações suscetíveis de transferência. d) sociedades limitadas. c) sociedades em comandita simples.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa no brasiL. Esta definição se aplica à : A) Sociedade em nome coletivo FGV DIREITO RIO 80 .EXAME DE ORDEM . PROVA CONCURSO PúBLICO/MG .R$ 45 milhões Gláucia x Ipoty Ioschpe .R$ 185 milhões no mundo.R$ 2.US$ 60 milhões Ivana x Donald Trump . a) A sociedade anônima é sociedade não personificada.5 milhões Helena x Alfredo Rezende . c) A sociedade anônima é regida pelo Código Civil. d) A sociedade anônima não mais existe desde vigência do atual Código Civil.R$ 175 milhões Lisiane x Sérgio Prosdócimo . CONCURSO PARA JUIZ DO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO ESPÍRITO SANTO (2003).US$ 26 milhões Lorna x Gary Wendt .US$ 80 milhões Marianne x Kenny Roggers .US$ 22 milhões Jerry Hall x Mick Jagger .US$ 50 milhões Diana x Príncipe Charles . ou seja.US$ 150 milhões Questões de ConCurso PROVA OAB/MG . b) sociedades anônimas.AGOSTO/2007 73ª Questão: Marque a alternativa CORRETA. Partilhas concluídas: Iza x Júlio Bozano .R$ 17 milhões Edna x Olacyr de Moraes .R$ 78 milhões Evelyn x Daniel Ioschpe .US$ 112 milhões Cindy x Kevin Costner . não tendo a relevância a pessoa de seus detentores”. b) A sociedade anônima é sociedade empresária. 22) “Sociedade de capital constituída por frações com titularidade móvel e impessoal. Partilhas concluídas: Amy Irving x Steven Spielberg .PROCURADOR DO MUNICÍPIO JUNHO/2008 67ª Questão: É CORRETO afirmar que são sempre sociedades simples: a) cooperativas.

ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa B) Sociedade anônima C) Sociedade limitada D) Sociedade em comandita simples E) Sociedade de capital e indústria FGV DIREITO RIO 81 .

– As vantagens e desvantagens. Ricardo Negrão. cujos interesses podem ser. a pessoa do sócio é irrelevante para a empresa explorada pela sociedade. Renovar: Rio de Janeiro/2004. roteiro A denominação de “sócio” é usada para nomear o membro da sociedade empresária que pode ser pessoa jurídica ou pessoa natural. o ingresso do sócio na sociedade. obviamente. não se confundindo com a pessoa de seus sócios que são. Assim.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa AUlAS 09. 44 do Código Civil. José Edwaldo Tavares Borba. dependerá da aceitação dos outros sócios. tão somente. diretamente. não dependendo da aprovação dos demais. Nestas aulas discutiremos a leitura do(s) seguinte(s) capítulo(s): – Páginas 350 a 360 e 374 a 378 do Manual de Direito Comercial e de Empresa. os sócios irão compor o instrumento pelo qual a pessoa jurídica irá se estabelecer. proprietários de quotas ou ações da sociedade. – Texto: “A morte da limitada. com capacidade para adquirir direitos. Fábio Ulhoa Coelho. – Ingresso e Retirada. contrair obrigações e ser titular de patrimônio próprio. Ricardo Negrão. 10 E 11: SER SóCIO DE UMA SOCIEDADE lIMItADA Em virtude da atribuição de personalidade anotada no art. deve ter capacidade para exercer os atos da vida civil (exceções na forma da lei). Já nas sociedades de capital o que ocorre é o inverso. No caso da sociedade limitada. o Fisco e a Justiça”. a cessão da participação societária dependerá da anuência dos demais sócios. Neste caso. ou seja. Leitura CompLementar – Capítulos 15 e 16 do Manual de Direito Comercial e de Empresa. Saraiva/2004. Saraiva: São Paulo/2005. 7ª edição. afetados. – Páginas 357 a 370 e 398 a 419 do Curso de Direito Comercial. o sócio pode alienar sua participação societária a quem quer que seja. Aprendemos que nas sociedades de pessoas. a pessoa do sócio é mais importante que a contribuição material que este realiza para a sociedade. seu ato constitutivo FGV DIREITO RIO 82 . – Mecanismos de responsabilidade do sócio. – Páginas 99 a 107 do Direito Societário. – Deveres e Direitos. ementário de temas – Ser sócio de uma sociedade limitada. a sociedade é compreendida como pessoa jurídica de direito privado (sujeito de direito). esta última. Mediante um acordo de vontade. Saraiva: São Paulo/2005.

105. – LIMITAÇÃO EXPRESSA: É necessária a inserção do termo limitada (ou abreviado “Ltda. Diante do grande número de sociedades limitadas registradas no país120. 1.010 §3º do código civil. b) Por participação em deliberação infringente do contrato social ou da lei. d) Pela superavaliação de bens conferidos à sociedade para integralização do capital social125. o terceiro. A retirada é o direito do sócio se des- 120 98. Renovar/2004. formaliza-se no contrato a substituição do sócio. josé Edwaldo Tavares in Direito societário.gov. Nesses casos.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa denomina-se “contrato social” e seus sócios são chamados de “sócios-quotistas” uma vez que a contribuição para a formação do capital social recebe o nome de “quota”. cisão.080 do código civil. solidariamente.016 e 1. – RESPONSABILIDADE PESSOAL DO SÓCIO: a) Por violação do dever de lealdade: O sócio responde por perdas e danos se aprovar alguma operação de interesse contrário ao da sociedade122. denominado também recesso ou dissidência. art. art.br art. alguns envolvendo elevado grau de sofisticação jurídica. “Os sócios responderão. deverá preocupar-se em aferir o patrimônio da pessoa jurídica.158 §3º do código civil. Uma vez integralizado o capital social. O ingresso do sócio na sociedade também poderá ocorrer durante a existência da pessoa jurídica. Normalmente.responsabilidade pessoal e solidariamente124. 1. 1. fusão. saraiva/2004. estes são de uma mesma família ou conhecidos.9% dos registros de sociedades. o Código Civil prevê algumas formalidades. 7ª edição. pág. FGV DIREITO RIO 83 . 129 art. poderá exercer o direito de retirada. 1.” ) no nome empresarial. 121 art. pela diferença entre o valor estimado e os parâmetros de mercado”126. 1. ou mesmo realização de operações societárias. 1. 9ª edição.052. 125 126 BORBa. efetivamente. como as de incorporação. e participam do dia-a-dia do negócio. uLHOa cOELHO. Caso não consiga negociar suas quotas. a consideração da autonomia da pessoa jurídica importa a impossibilidade de correção da fraude ou do abuso128”. os sócios respondem pessoal e ilimitadamente pelas dívidas sociais decorrente do ato ilícito. “na sociedade limitada. Com a desconsideração. “Muitas vezes. a responsabilidade de cada sócio é restrita ao valor de suas quotas.057 do código civil. trazendo maior normatização e menor flexibilidade para as limitadas. – DISSOLUÇÃO PARCIAL. pág. 50 do código civil. Fonte: http://www. De acordo com o art. desde que expressamente aprovada por ele123. c) Na qualidade de Administrador . os interesses dos credores ou terceiros são indevidamente frustrados por manipulação na constituição de pessoas jurídicas. Inexistindo oposição de sócio com mais de ¼ do capital social129 e resolvendo a questão referente ao valor da quota. Assim. ao contratar com a sociedade limitada.017 do código civil. a sociedade limitada tem poucos sócios. 1. e) Responsabilidade ilimitada nos casos de DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA127: A limitação da responsabilidade não traduz a falta de responsabilidade dos sócios. 127 128 art. dnrc. entre elas: – RESPONSABILIDADE LIMITADA DOS SÓCIOS: desde que integralizado o capital social por eles subscrito. respondem solidariamente pelo que faltar. Fábio in curso de Direito comercial.055. tomando todas as decisões para o desenvolvimento da empresa sem muita formalidade. mas todos respondem solidariamente pela integralização do capital social” e não apenas por suas quotas. esta é a sua garantia. celebração dos mais variados contratos empresariais. – DIREITO DE RETIRADA: O sócio que não tem mais vontade de continuar na sociedade pode negociar suas quotas com os outros sócios ou junto a terceiros. os sócios ficam liberados de qualquer responsabilidade. perante credores. caso contrário.31. visto vez que. para cuja prática concorreram com a administração da sociedade. por meio da aquisição de quotas que se fará mediante uma alteração contratual. sob pena da responsabilidade ilimitada121. 122 123 124 art. §1º do código civil. Entra o cessionário e sai o que cedeu as quotas.

nos casos de impossibilidade de exigência do cumprimento da obrigação principal pelo contribuinte. parágrafo único. 1. tem o dever de integralizar a quota subscrita do capital social. c) O “recesso motivado” cabe sempre que o sócio minoritário discorda de deliberação da maioria. estado de insolvência. assegura ao sócio o direito de retirar-se. VII134 e 135. a qualquer tempo. o sócio contrai a obrigação de “investir”.884/1994 (dispõe sobre a prevenção e a repressão às infrações contra a ordem econômica): art 18138. 130 art. apurados de acordo com o contrato social ou. fato ou ato ilícito ou violação dos estatutos ou contrato social. O sócio que não cumpre seu dever de integralizar a quota é chamado de sócio remisso140 e poderá ser cobrado pela sociedade. 137 FGV DIREITO RIO 84 . O exercício do direito de retirada (ou recesso) assegura ao sócio retirante o recebimento de seus haveres. 28136. • Lei n. (. ou expulso. em juízo. Não há. previstas em leis especiais: • Código Tributário Nacional: art.º 8. a) O art. Consagra a regra do “recesso imotivado” na sociedade por prazo indeterminado. com seus bens pessoais. 28. seja na sua formação ou numa já constituída. Trata-se da aplicação do princípio constitucional130 que proíbe qualquer pessoa de ser compelida a associar-se ou permanecer associada. b) Sendo a sociedade por prazo determinado e com regência supletiva pelas normas da sociedade simples. Isto é exemplo do mecanismo dos atos de constituição de pessoa jurídica. 135 art.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa ligar dos vínculos que o une aos demais sócios e à sociedade. XX da constituição Federal da República de 1988. 5º. 13137.º 8.620/1993 (altera dispositivos da legislação previdenciária) : art. por dolo ou culpa. a desconsideração também será efetivada quando houver falência. • Lei n. o direito de retirada só pode acontecer de “forma motivada”. ou seja.. em detrimento do consumidor.) § 5° Também poderá ser desconsiderada a pessoa jurídica sempre que sua personalidade for. gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. de alguma forma. por ato unilateral de vontade. No caso da sociedade decidir por expulsá-lo. mediante prévia notificação aos demais sócios com antecedência de 60 dias. 1.os diretores. na forma do art. nos termos do compromisso contratual assumido junto aos demais sócios. Desta forma.. art. no caso de liquidação de sociedade de pessoas. negociação.os sócios. 131 132 133 134 art. contrato social ou estatutos: (. os administradores. reservas sociais etc.. adotando perfil capitalista.º 9.. 1. cláusula penal expressamente prevista no contrato social. chamado de “balanço especial de determinação” e deverá levar em consideração o patrimônio empresarial da sociedade.029 está inserido no capítulo das sociedades simples e aplica-se à sociedade limitada em não havendo disposição contratual em sentido contrário (regência supletiva pelas normas da sociedade simples). quanto ao inadimplemento das obrigações para com a seguridade social. art. deve restituir ao remisso as entradas feitas. 1.. • Lei n. art. 134.085 do código civil. Os acionistas controladores. pelos débitos junto à seguridade social.. e despesas. 1.031 do Código Civil. com seus bens pessoais. III135. – DELIBERAÇÕES DOS SÓCIOS133 Exceções à regra da responsabilidade limitada dos sócios. 135. infração da lei. O titular da firma individual e os sócios das empresas por cotas de responsabilidade limitada respondem solidariamente. em outras palavras. ou aprovada a participação da limitada em incorporação ou fusão131.) III . os gerentes e os diretores respondem solidariamente e subsidiariamente. excesso de poder. para exercer o direito de retirada deverá ser comprovada judicialmente a “justa causa” (não cabe a dissolução parcial por retirada imotivada).605/1998 (dispõe sobre as sanções penais e administrativas derivadas de condutas e atividades lesivas ao meio ambiente): art. art. respondem solidariamente com este nos atos em que intervierem ou pelas omissões de que forem responsáveis: (. 13. no silêncio deste. • Lei n. deduzidas as quantias correspondentes aos juros de mora. será um balanço empresarial.. encerramento ou inatividade da pessoa jurídica provocados por má administração. houver abuso de direito. Em se tratando da sociedade limitada com regência supletiva pelas normas da sociedade por ações. 134. assim. são pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei.078/1990 (Código de Política Nacional das Relações de Consumo): art. 4º139 dever dos sócios Ao ingressar na sociedade.) VII . 136 art. obstáculo ao ressarcimento de prejuízos causados aos consumidores. que envolve elementos incorpóreos ou imateriais do fundo de empresa.º 8.072 do código civil. O juiz poderá desconsiderar a personalidade jurídica da sociedade quando. – EXPULSÃO DE SÓCIO132 – LIQUIDAÇÃO DOS HAVERES: será apurada por meio de balanço especial.077 do código civil. caso tenha sido alterado o contrato contra a sua vontade.

nem em tese. 1. Caso gerador Camila é credora da Moto Racing Ltda.000. julg. Não pode tratar “como a minha empresa”. extremamente importante à manutenção e desenvolvimento da economia. 192) art. FGV DIREITO RIO 85 . por si sós. DE SITUAÇÃO QUE ACARRETA A RESPONSABILIDADE SUBSIDIÁRIA DOS SÓCIOS. excesso de poder. atendendo. parcialmente integralizado. fixando residência em Matchu Pitchu. (REsp 831. a desconsideração também será efetivada quando houver falência. situações que acarretam a responsabilidade subsidiária dos representantes da sociedade. DJ 30. Daniel se apaixona por uma senhora de nacionalidade paraguaia e resolve se mudar para o Peru. SÓCIO-GERENTE.00. estado de insolvência. 139 art. Recurso especial a que se dá provimento. mas sim como um foco irradiador de riquezas. RESPONSABILIZAÇÃO PESSOAL.004 do código civil.000. Primeira Turma. Neste caso. EXECUÇÃO FISCAL. Pablo é o administrador da sociedade. verifica-se que os sócios Pablo. Qual será a consulta? c) Daniel terá direito a receber algo? d) Caso Daniel não tenha integralizado o valor referente as suas quotas. os sócios adquirem direitos inerentes a esta condição. 18. 2. a personalidade jurídica do responsável por infração da ordem econômica poderá ser desconsiderada quando houver da parte deste abuso de direito. Em virtude dessa decisão. Intentada ação de execução. como por exemplo: participar do resultado social. Analisando o quadro societário.380/SP. 20. NEM EM TESE.06. assim. direitos do sócio Por participarem do capital social.00. PROCESSUAL CIVIL. 1. haverá direito de reembolso de suas quotas? 138 JurisprudênCia TRIBUTÁRIO. a sociedade não tem bens suficientes para a satisfação da obrigação. Rel. é o contrato social que defini como se dará a distribuição dos lucros. Artur (30%) e Daniel (30%). encerramento ou inatividade da pessoa jurídica provocados por má administração.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa O sócio também terá responsabilidade para com a sociedade e para com a coletividade por ela alcançada. pois ela não deve ser assim visualizada. infração da lei. aos ditames da função social da empresa. Teori Albino Zavascki. NÃO-CONFIGURAÇÃO.06.2006 p. O capital social da sociedade é de R$ 100. 140 art. Segundo a jurisprudência do STJ. Desse modo. fiscalizar a gestão da empresa. a simples falta de pagamento do tributo e a inexistência de bens penhoráveis no patrimônio da devedora (sociedade por quotas de responsabilidade limitada) não configuram. na quantia de R$ 120. POR SI SÓ. comunica que não pretende mais permanecer associado. com a proposição de que sua atual paixão está disposta a pagar o que for para vê-lo livre de todas as suas obrigações no Brasil. os mecanismos especiais de fiscalização da administração e hipóteses de retirada. fato ou ato ilícito ou violação dos estatutos ou contrato social. Artur e Daniel têm participação no capital social da seguinte forma: Pablo (40%). contribuir para as deliberações sociais e retirar-se da sociedade. Min. você é procurado por Daniel.2006. a) Camila poderá alcançar o patrimônio pessoal dos sócios? b) Nessa mesma sociedade. 4º poderá ser desconsiderada a pessoa jurídica sempre que sua personalidade for obstáculo ao ressarcimento de prejuízos causados à qualidade do meio ambiente.

Por isso. 1. estabelecida nos Arts. 2. impõe-se a responsabilidade tributária do sócio gerente. DJ 23. Humberto Gomes de Barros.2004 p. (REsp 800. julg. OU SUBSIDIÁRIA. 200) DIREITO EMPRESARIAL E PROCESSUAL CIVIL. 117) RECURSO ESPECIAL.865/SP.2006. – A transmissão da herança não implica a transmissão do estado de sócio. julg. (REsp 537. Normalmente. os bens do sócio não respondem por dívidas da sociedade. – Salvo em hipóteses taxativamente previstas em lei. autorizando-se o redirecionamento. Imposição da responsabilidade solidária. Recurso especial provido. e 596 do CPC.08. 2. E 596 DO CPC – RESPONSABILIZAÇÃO SECUNDÁRIA. ou subsidiária. 4. Min. DJ 02. Rel. DÍVIDA DA SOCIEDADE DE RESPONSABILIDADE LIMITADA. II.081/TO. Rel. Rel. Recurso especial conhecido e provido. julg. RECURSO ESPECIAL – DÍVIDA DE SOCIEDADE LIMITADA – EXECUÇÃO FRUSTRADA – REDIRECIONAMENTO AOS BENS DE SÓCIO – ARTS. Min.06. não é lícita a penhora das quotas sociais em execução movida contra a pessoa jurídica. desaparecendo sem deixar nova direção é presumivelmente considerada como desativada ou irregularmente extinta. Terceira Turma.2006 p.2004. Francisco Peçanha Martins. Por isso é que em ambos existe a expressão “nos termos da lei”. 135. DJ 15. 06. Não podem – e não devem – ser aplicados de forma solitária. QUE EXIGE SITUAÇÃO ESPECÍFICA. vinculada a outro texto legal. A empresa que deixa de funcionar no endereço indicado no contrato social arquivado na junta comercial.2006 p. Terceira Turma. p/ Acórdão Min. Nancy Andrighi. julg. FGV DIREITO RIO 86 . DJ 12.06. 3. PREVISTA EM LEI. (REsp 757.08. 05.039/PR. 1. PERTENCENTES AOS SÓCIOS. ESTADO DE SÓCIO. Terceira Turma.2006 p. INVENTÁRIO.04. – A solução de controvérsias a respeito dos efeitos da cessão mortis causa de quotas na administração da sociedade empresária é matéria estranha ao Juízo do inventário. (REsp 401.611/MA. DO CTN. PENHORA DAS QUOTAS SOCIAIS. 4.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa PROCESSO CIVIL E TRIBUTÁRIO – EXECUÇÃO FISCAL – SÓCIO GERENTE – REDIRECIONAMENTO – INTERPRETAÇÃO DO ART. Min. II. Tais artigos contêm norma em branco. 230). 3.05. 592.04. INEXISTÊNCIA DE QUALQUER HIPÓTESE QUE AUTORIZE A CONFUSÃO DOS PATRIMÔNIOS. Min. Segunda Turma. Quando a sociedade por cotas de responsabilidade limitada dissolve-se irregularmente. A desconsideração da personalidade jurídica é artifício destinado à profilaxia e terapêutica da fraude à lei. ADMINISTRAÇÃO DA SOCIEDADE EMPRESÁRIA.04. IMPOSSIBILIDADE. CESSÃO DE QUOTAS CAUSA MORTIS. Rel. Humberto Gomes De Barros. Apenas em casos previstos em lei deve ser aplicada a responsabilização secundária. Eliana Calmon. INCISO III.2006. o patrimônio dos sócios não responde por dívidas da sociedade. 482). 20. 592. Rel.2006. 25. EXECUÇÃO.

do CC/2002. conseqüentemente. pelo contrato social. a morte de um dos sócios não acarreta sua dissolução da sociedade. 4. Tem ela impostergável direito de recesso. aproximando-se do resultado que poderia ser obtido com a dissolução total. PENHORA DE BEM IMÓVEL PERTENCENTE À EMPRESA DA QUAL O FALECIDO ERA SÓCIO MAJORITÁRIO.artigo 1031 do CC/ 2002. SOCIEDADE POR COTA DE RESPONSABILIDADE LIMITADA CONSTITUÍDA POR DOIS SÓCIOS. UNIPESSOALIDADE INCIDENTAL TEMPORÁRIA. ainda que provisoriamente. Provimento do recurso. 6.Pretendendo-se a dissolução parcial da sociedade. 2. TJ/RJ). EXECUÇÃO PROMOVIDA CONTRA ESPÓLIO. e. Des.No caso. são seus bens que devem garantir a execução. No caso. Desprovimento do recurso. da qual o espólio detém cotas. grifamos FGV DIREITO RIO 87 .Não há que se confundir lucro com pro labore. DISSOLUÇÃO PARCIAL COM APURAÇÃO DE HAVERES.52831 – Apelação Cível.Vedada a estipulação contratual que exclua qualquer sócio de participar dos lucros e das perdas – artigo 288 do Código Comercial e 1008 do Código Civil de 2002. 1. se. em hipótese alguma o imóvel deixará de pertencer à empresa apelada Não se pode confundir a pessoa jurídica da empresa. EM RAZÃO DE DIVIDA CONTRAÌDA PELO DE CUJUS. do CPC. legitima a dissolução parcial da pessoa jurídica. incluindo os bens corpóreos e incorpóreos. Des. liquidar-se-á com base nos valores reais da situação patrimonial da sociedade à data da resolução . §§1º e 3º. se a dívida foi contraída pelo falecido. que o contrato social não pode nulificar ou obstruir. Em que pese o débito ter sido constituído pelo sócio majoritário da apelada. nem partilha dos seus bens. 8. como empresário individual. TJ/RJ).ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa DIREITO DE EMPRESA. verificado em balanço especial. IV. como condição de existência do contrato de sociedade. pois o que se está executando é o acordo firmado entre aquele e o ora apelante. e não os da empresa da qual era sócio. com a pessoa de seu falecido sócio.A apelante não está obrigada a permanecer associada contra sua vontade.001. Sergio Lucio Cruz – Julgamento: 01/02/2006 – Décima Quinta Câmara Cível.Princípio da causa madura para julgamento. ADUZINDO A IMPOSSIBILIDADE DA DISSOLUÇÃO PARCIAL DE SOCIEDADE COMPOSTA POR APENAS DOIS SÓCIOS. já que os bens da sociedade por cotas de responsabilidade limitada não se comunicam com os adquiridos pela pessoa física de seus sócios. a empresa poderá ser preservada atuando o sócio remanescente. Assim. do qual não fez parte a recorrida. (2006. POSSIBILIDADE. a fase instrutória já se encerrou. sem prejuízo de encetar uma nova sociedade para desenvolver a empresa no prazo da lei – artigo 1033. (2005. autorizando o julgamento do mérito da causa . não pode a penhora recair sobre bem dessa. e não da empresa apelada. TEORIA DA PRESERVAÇÃO DA EMPRESA. 7. Antonio Saldanha Palheiro – Julgamento: 06/06/2006 – Quinta Câmara Cível. 3.artigo 515.O balanço especial deve refletir um levantamento contemporâneo. o valor das quotas.18077 – Apelação Cível. A este último só faz jus o sócio que se dedicar à administração social. 5. RECESSO DO SÓCIO MINORITÁRIO.A quebra da affectio societatis. SENTENÇA DE IMPROCEDÊNCIA. grifamos EMBARGOS DE TERCEIRO.001. embora a matéria seja de direito e de fato. Comprovado está que a dívida é do Espólio.

o Fisco. Quem dormir no ponto. Micros.. o que se dá pela escolha de um mecanismo de exploração da atividade mercantil que permitisse salvar uma parte do patrimônio no caso da perda da empresa. Ledo engano! Em primeiro lugar os empresários têm um sócio que é um verdadeiro “encosto”. pelo menos ele teria o direito de minimizar o seu risco. Para isto elas foram criadas. o regime jurídico deste deve ser remetido para as normas que cuidam do tipo societário correspondente. por Haroldo malheiros Duclerc Verçosa (mestre.708/19. mas também os sócios. Mas cuidado.. deveriam acatar a construção da limitada tal como definidos pelo legislador. que tornaria responsáveis pelas dívidas tributárias não somente os administradores faltosos. Para o empresário (individual) existe o favor do bem de família. quem responde pelas obrigações trabalhistas é o “empregador” (artigo 2º). segundo a CLT.o de uma responsabilidade limitada. basta agitar a varinha mágica da desconsideração que os sócios são apanhados na rede tal peixes em aquário. Mas se existe uma vocação irresistível para ser empresário.quem diria! . já era. o fisCo e a Justiça141 Significativa parte da economia gira em torno da iniciativa privada. Os perigos não são poucos. Poucas empresas passam dos cinco anos de vida e um número bem menor delas chega a completar dez anos. agora a cargo do NCC.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa teXto: a morte da Limitada. O “peixe” foi bem vendido ao Judiciário e de lá para cá. mesmo os minoritários. tendo passado a exigir uma formalidade antes desnecessária. Bem. Legal & jurisprudência. o Novo Código Civil (NCC) mudou o regime anterior. sendo-lhe penoso até mesmo pagar um contador que cuide de sua escrita. pequenas e médias empresas mal conseguem sobreviver. por ignorância dos seus direitos. o regime das limitadas seria justamente . iniciam uma empresa mercantil. Um dia alguém no Fisco ouviu falar de uma tal de “desconsideração da personalidade jurídica”. arrostando todos os perigos. 141 FGV DIREITO RIO 88 . que corresponde a um patrimônio separado dentro do patrimônio geral. Doutor em Direito comercial e professor da Faculdade de Direito da usp). Bastaria aos sócios cuidar que o capital da sociedade estivesse sempre integralizado para que não sofressem qualquer tipo de responsabilidade patrimonial. Então elas são oneradas até mais do que deveriam. ao cuidar da responsabilidade pessoal dos sócios. pequenas e médias empresas optam pela sociedade limitada que tem um custo mais barato e na qual a responsabilidade máxima corresponde ao montante do capital social. A Justiça do Trabalho também veio a trilhar o mesmo caminho da desconsideração da personalidade jurídica. As micros. Mas não é somente isto. Como a CLT não inclui sócio como empregador. Veja-se que o perfil jurídico das limitadas era dado pelo Decreto 3. quanto mais fazerem planejamento fiscal. há louco para tudo. Ora. Toma o que pode e não dá nada em troca. Vou ficar com o exemplo dos empresários e das sociedades empresárias (os antigos comerciantes individuais e as sociedades comerciais) que separam uma parte do seu patrimônio e. Veja-se que. Na minha família se alguém resolver abrir uma empresa eu vou procurar interditá-lo por prodigalidade. Desta maneira. na falta de norma específica.2004. Isto geraria segurança e certeza no exercício da atividade econômica privada. não sendo encontrados bens no patrimônio da sociedade. Mas a bendita da “desconsideração” também foi descoberta pelos advogados dos empregados e acolhida festivamente pelos tribunais Gazeta mercantil em 30. Outra forma de correr riscos menores está na escolha de um tipo societário no qual a responsabilidade do sócio seja limitada. salvaguardando os bens mínimos necessários a uma vida com razoável dignidade.03. os outros ramos do direito.

Este é o espírito da nova Lei de Falências. Mas vale preservar uma empresa com um pouco de sacrifício de todos do que privilegiar alguns extinguindo uma unidade produtiva. o sócio pelo simples fato de ser sócio não é responsável tributário. artigos 102 a 113 e NCC. por sua vez. ao referir-se ao “abuso da personalidade jurídica”. quando vier a ocorrer “desvio de finalidade ou confusão patrimonial”. locupletando-se alguém por trás dela à custa dos empregados e de outros credores. Confusão patrimonial dá-se. FGV DIREITO RIO 89 . Basta que. Por sua vez. a sociedade não pague ou não indique bens à penhora para ter lugar a desconsideração imediatamente. E o NCC a acatou claramente no artigo 50. na análise do caso concreto poderia determinar o não reconhecimento da personalidade jurídica. Os juízes precisam começar a pensar na eficiência de suas decisões dentro de um horizonte macroeconômico. O direito. verificada na liquidação de sociedade. artigos 158 a 167). matando-a. Estas têm um tratamento próprio na qualidade de defeitos do ato jurídico. Estas hipóteses somente são suscetíveis de realização por quem administra a sociedade e não por quem seja somente sócio. sem qualquer fundamento. A idéia acima sempre permeou a boa doutrina e a melhor jurisprudência. citada. É só pedir. o que seria prova de simulação no disfarce de um comerciante individual em sociedade. Mas também neste campo tem operado fartamente a desconsideração da personalidade jurídica às vezes tão somente pelo fato de que um sócio tem participação mínima no capital. a desconsideração da personalidade jurídica não é e nem nunca foi uma panacéia para salvar credores. Era uma doutrina que “levantava o véu da sociedade” sempre que a personalidade jurídica concedida pelo legislador fosse utilizada de forma inadequada. Quanto ao Direito Tributário. contrato social ou estatutos. E com a “penhora on line” a festa ficou completa. até mesmo a sua morte como instrumento apto ao exercício da empresa mercantil.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa trabalhistas.que a sociedade foi utilizada indevidamente. efetivamente exercesse uma atividade econômica distribuindo aos sócios os lucros correspondentes. no CTN existe apenas uma menção à responsabilidade dos sócios no artigo 134.que. ao invés de deixar que ela ponha um ovo por dia. As “soluções” acima referidas nos dois campos do direito acabaram por levar a sociedade limitada a um completo descrédito. pois tal criação jurídica foi reconhecida como instrumental ou finalística. portanto. indicando a presença de uma sociedade mercantil . que são anuláveis (CCiB. tendo-se como parâmetro o objeto social estabelecido no contrato social. Na verdade. Não ter bens para pagar significa . É a mesma coisa que abrir as entranhas da galinha dos ovos de ouro e pegar o que ali encontrar. Isto que dizer que a personalidade jurídica deveria ater-se ao regime estabelecido pelo direito. por meio dos seus órgãos.em uma presunção absoluta na Justiça do Trabalho . Este é o limite de atuação da sociedade no mundo do direito. o artigo 135 estabelece que os administradores ou representantes da pessoa jurídica respondem diante de atos praticados com excesso de poderes ou infração da lei. quando não há distinção efetiva entre o patrimônio da sociedade e o dos sócios ou de algum deles. Portanto. A teoria da desconsideração da personalidade jurídica não inclui a simulação e a fraude. Desvio de finalidade consiste justamente na utilização da sociedade para fins estranhos à sua criação.

O sócio de responsabilidade ilimitada que tenha sido admitido na sociedade por cessão de sócio retirante responde solidariamente com o cedente pelas obrigações existentes à época da cessão? XXXIX CONCURSO PARA INGRESSO NA MAGISTRATURA DE CARREIRA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO. PROVA OAB/RS . apurado em balanço especial. Para desenvolver sua atividade. conforme a cotação em bolsa de valores. DIREITO COMERCIAL. apurado em balanço especial. além de estabelecer relação com uma rede de fornecedores. seus haveres serão pagos com base no último balanço levantado. 2ª QUESTÃO: Dispondo o contrato social que. Sobre este caso. 2ª Prova Específica. na hipótese de retirada ou exclusão de sócio. responderá pela satisfação de todos e quaisquer débitos contraídos pela sociedade. A sociedade. seus haveres sociais serão pagos de acordo com o critério do valor. teve seus atos constitutivos devidamente arquivados perante a Junta Comercial. assinale a assertiva correta.PROVA DISCURSIVA.. é acolhível a alegação do retirante ou excluído de que a apuração. (C) patrimonial de suas quotas na data do efetivo pagamento. (D) econômico de suas quotas na data do efetivo pagamento. que adota o nome empresarial Ferragem Inconfidência Ltda. d) Joaquim Silva e José Xavier são empresários. (VALOR: UM PONTO E MEIO). deverá fazer-se de outra forma? Fundamente a resposta. a) O patrimônio de Ferragem Inconfidência Ltda. FGV DIREITO RIO 90 . uma vez esgotado o patrimônio desta. TIPO 1. e não havendo previsão contratual a respeito.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa Questões de ConCurso 125º EXAME DA ORDEM DOS ADVOGADOS DE SÃO PAULO . c) Esta sociedade adquiriu personalidade jurídica no momento em que os sócios assinaram o contrato social. (A) patrimonial de suas quotas na data da resolução. 4 .PROVA OBJETIVA. por não expressar o último balanço a realidade patrimonial da empresa. a sociedade realiza a contratação de empregados e aluga uma loja em área de grande movimento de pedestres. 45. DIREITO COMERCIAL.EXAME DE ORDEM .DEZEMBRO/2007 22ª Questão: Joaquim Silva e José Xavier constituem uma sociedade limitada para que esta exerça a atividade empresarial de venda de materiais de construção. 22º EXAME DA ORDEM DOS ADVOGADOS DO RIO DE JANEIRO . enquanto não estiver esgotado. (B) econômico de suas quotas à data da resolução. b) O patrimônio pessoal de Joaquim e José pode ser usado para a satisfação de quaisquer débitos contraídos pela sociedade. 2ª FASE. apurado em perícia judicial. Resolvendo-se o vínculo de um sócio com a sociedade empresária de que faz parte.

EXAMINADOR: DES. O excluído provou. como. a exclusividade adquirida para venda de produtos. levando-se em conta a própria evolução positiva da empresa no mercado. a coerência da decisão e não apenas o resultado apresentado. como a exclusividade de comercialização de produtos famosos. que os valores convencionais do balanço eram bem inferiores à realidade e pretendeu que a apuração se fizesse pelo efetivo valor patrimonial da empresa e não apenas pelo escritural. devendo haver avaliação. ou se calcula o valor da quota social. por exemplo. novo ponto comercial. incluem-se na apuração de haveres? Observação: Esta questão tem o objetivo de avaliar o senso jurídico do candidato. FGV DIREITO RIO 91 . inclusive levando-se em conta certos bens imateriais adquiridos no curso da atividade da empresa. assim: Devem prevalecer os valores do último balanço. etc. no caso em que ocorra a retirada de sócios. a apuração da respectiva quota atenderia o valor do último balanço. Prevê o contrato social que. nos moldes contratuais.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa CONCURSO PARA INGRESSO NA MAGISTRATURA DO ESTADO DE MINAS GERAIS (2003/2004) – PROVA SUBJETIVA DE DIREITO COMERCIAL. ERNANE FIDELIS. Indaga-se. OBJETIVA. novo ponto comercial. porém. bem como as reservas de capital que seriam volumosas. Questão 2. por deliberação da maioria. ? E as reservas de capital.

será sempre “de pessoas”. Renovar/2005. Fabio ulhoa in curso de Direito comercial. pág. diante de sua natureza capitalista. Vol. Nesta. Saraiva: São Paulo/2005. Já nas sociedades “de capitais”. a alienação de ações não pode ficar adstrita à anuência dos demais sócios. na exploração de atividade econômica. roteiro de auLa “de pessoas” e “de capital”. o aspecto relevante é objeto da sociedade (visão capitalista) e não a figura do sócio. Fabio Ulhoa Coelho. para atender ao interesse aos pequenos e médios empreendedores. Leitura CompLementar – Páginas 149 a 154 e 266 a 275 de O Direito de Empresa à luz do novo Código Civil. 7ª edição.366. FGV DIREITO RIO 92 . Sérgio Campinho.“affectio societatis” pessoal. Aprendemos que as sociedades “de pessoas” são aquelas nas quais a pessoa do sócio se reveste de extrema relevância. mesmo no caso das companhias fechadas. por exemplo. 7ª edição. mas sem atender às complexas formalidades destas.II.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa AUlA 12: A ClASSIfICAÇÃO DA SOCIEDADE lIMItADA “A sociedade limitada – anteriormente chamada sociedade por quotas de responsabilidade limitada – tem uma história pequena e pobre. recente e decorre da iniciativa de parlamentares. • holding. nem se sujeitar à prévia autorização governamental”142. ementário de temas – A classificação da sociedade limitada como: • de pessoas e de capital. Sua criação é. a livre participação societária e a facilidade de se verificar uma grande mutabilidade dos sócios. • nacional e estrangeira. “na medida em que eventual limitação estatutária à circulação de ações não 142 cOELHO. será sempre “de capital”. tendo como regra. que queriam beneficiar-se. A sociedade simples. – Páginas 367 a 378 do Curso de Direito Comercial vol. • simples e empresária. já a sociedade anônima.II. em relação às demais sociedades. 5ª edição. da limitação da responsabilidade típica das anônimas. portanto. Saraiva: São Paulo/2004. Nesta aula discutiremos a leitura do(s) seguinte(s) capítulo(s): – Páginas 358 a 360 do Manual de Direito Comercial e de Empresa. saraiva/2004. uma vez que sua constituição baseia-se no relacionamento e vínculo existentes entre os sócios . Ricardo Negrão.

1. explorarem atividade intelectual relacionada aos seus conhecimentos científicos na área médica.134 a 1. em função dos atributos pessoais do eventual adquirente”143. a menos que o contrato social disponha de forma diferente. Seus atos constitutivos são arquivados na Junta Comercial (art. como veremos a seguir: Vejamos o caso de dois médicos que se unem e montam um consultório para. uma vez que o art.150). 45. No máximo. “o sócio pode ceder sua quota. contudo não podem se estabelecer no Brasil sem a autorização do Poder Executivo Federal146. ela será considerada como “de pessoas”. São três. os sócios exercem profissionalmente atividade econômica organizada para a produção ou circulação de bens ou de serviços. se o consultório oferecer também exames clínicos laboratoriais. aplicação de vacinas e outros serviços ao público em geral. Este exemplo é típico de uma sociedade simples. mas que poderá adotar o modelo “LIMITADA” ou “SIMPLES” (art. conceituando. 966 do código civil. do Código Civil. o estatuto da sociedade anônima fechada pode prever o direito de preferência. que é diferente do direito de aprovar ou vetar a alienação das ações. independentemente de audiência dos outros. ou a estranho. neste caso será chamada de “simples pura”. total ou parcialmente. 1. a limitada como uma sociedade “de pessoas”. a quem seja sócio. arts. a atividade intelectual estará absorvida pela estrutura organizacional. basicamente.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa poderia significar a sujeição da venda destas à anuência dos outros acionistas. 997 e seguintes do CC).142 do código civil. A sociedade limitada poderá se “apresentar” como SOCIEDADE LIMITADA SIMPLES ou SOCIEDADE LIMITADA EMPRESÁRIA. pág. No caso da sociedade limitada. Continuando com o exemplo dos médicos. constituindo o elemento de empresa144. mesmo após a análise do ato constitutivo. supletivamente. expressa através das cláusulas do contrato social. Esta sociedade será empresária e poderá adotar o modelo “LIMITADA” com as regras da sociedade simples ou. Importante lembrar que se não for possível definir qual a natureza da sociedade limitada. Indústria e comércio Exterior. sendo a vontade dos sócios. conforme art. em regra. configurando o elemento de empresa. através de consultas particulares. mão de obra e organização. se não houver oposição de titulares de mais de um quarto do capital social”. as cláusulas do contrato social que dispõem sobre a natureza da sociedade. art. 1º da Instrução normativa n° 81 de 25. que a definirá como sociedade “de pessoas” ou “de capital”.053 CC).cit. ela não possui sempre a mesma natureza.09. por meio de requerimento dirigido ao ministério do Desenvolvimento. simples e empresária Na sociedade limitada empresária. in fine.370. 146 FGV DIREITO RIO 93 . protocolado no Departamento nacional de Registro do comércio – DnRc. b) alienação de quotas e c) penhora de quotas. todas direcionadas à “cessão de quotas”: a) morte de sócio (sucessão). 1. A atividade intelectual será elemento de empresa quando estiver absorvida pela estrutura organizacional da sociedade empresária e fará parte dos fatores de produção. juntamente com o capital. Op. 1. nacional e estrangeira A personalidade jurídica da sociedade estrangeira145 é reconhecida conforme dispõe o art.057 do Código Civil estabelece que. As sociedades estrangeiras são constituídas e organizadas em conformidade com a legislação do país de origem onde mantém sua sede 143 144 145 cOELHO. atendimentos e consultas por outros médicos.99. com as regras das sociedades anônimas (art.

134 do Código Civil.627/40. art. Este tema causou polêmica no meio art.133 do código civil. por parte dos investidores estrangeiros.141. para produzir efeitos no território brasileiro. registrada e com sede em Portugal. ficando sujeitas à lei brasileira. polêmica (in)justificada Em função do art. Será estrangeira a sociedade constituída com capital de origem brasileira. 84 – inciso IV da constituição Federal de 1988.139 do Código Civil e art. – como acionista de sociedade anônima brasileira (parte final do art.404/76. agências ou estabelecimentos de sociedade anônima estrangeira. a sociedade limitada é a preferida dos investidores estrangeiros. solicitando a devida aprovação. dependendo de autorização. Entre as características da sociedade limitada. constituída por sociedade empresária. 149 150 na forma do art. por meio de coligada ou joint-ventures. protocolizado no Departamento nacional de Registro do comércio . dependerá de aprovação do Governo Federal e. 148 arts.º 6. obedecem à lei do Estado em que se constituírem. haveria uma suposta proibição à participação de sociedades estrangeiras em sociedades limitadas brasileiras. como já vimos. residentes na Rússia. 64 e seguintes do Decreto-Lei n° 2. 7º qualquer alteração que a sociedade mercantil estrangeira autorizada a funcionar no país faça no seu contrato ou estatuto. algumas são específicas para sócios residentes no exterior: a) devem nomear um procurador residente no Brasil que se responsabilize perante as autoridades locais pela sua participação152. deverá apresentar os seguintes documentos: I . organização e funcionamento. 11.134). 1. desde que devidamente autorizada pelo Poder Executivo brasileiro (art. § 1º não poderão. 1. 300 da Lei n° 6. 7. por sócios chineses. como as sociedades e as fundações. c) na hipótese de integralização de quotas em bens. 1.657/42): art. mediante processo de nacionalização. com a sede de sua administração no Brasil e seus negócios jurídicos realizados em obediência aos ditames legais brasileiros. art.815/80 – Estatuto do Estrangeiro. Indústria e comércio. possui simples estrutura. ter no Brasil filiais.141 do código civil e Instrução normativa n° 81/99 do DnRc. É indiferente a nacionalidade e o domicílio dos sócios e acionistas (mesmo de seus controladores). um novo decreto de autorização deve ser requerido – art. elas são consideradas inviáveis para investimento. b) não podem exercer a administração da sociedade. Será nacional a sociedade constituída com capital de origem árabe. Nessa seara. 1. o quê gera menos despesas se comparadas às sociedades anônimas. art. mas com sede administrativa no Brasil e segundo as leis brasileiras. agências ou estabelecimentos antes de serem os atos constitutivos aprovados pelo Governo brasileiro.requerimento ao ministro de Estado do Desenvolvimento.º IN 81/99 do DNRC151. – como sociedade anônima. e III . 98 e 99 da Lei n. deverá desenvolver suas atividades atendendo especificamente as condições estabelecidas no decreto que a autorizou. arts. os mesmos deverão ter sido regularmente importados. 1. pois. por meio de sucursais150. 151 152 153 art.DnRc.126 a 1. normalmente. entretanto. Diante da rigidez nas formalidades previstas para a sociedade estrangeira além da delonga para sua autorização. ou. para tanto. uma vez instalada no Brasil. conforme dispositivo do art. Em caso de modificações de quaisquer condições e em caso de modificação dos atos constitutivos da matriz. As sociedades nacionais149 são as organizadas e registradas em conformidade com a lei brasileira.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa administrativa. 1.134 a 1. FGV DIREITO RIO 94 . 1. As sociedades estrangeiras podem operar no Brasil: – atuando de forma direta. as organizações destinadas a fins de interesse coletivo.134). A sociedade estrangeira. – atuando de forma indireta. Lei de Introdução ao código civil (Decreto-lei 4. ressalvadas as hipóteses legais em que vigoram restrições e impedimentos (veremos logo abaixo algumas restrições). a origem do capital (desde que lícita). mas devem nomear a tal fim um administrador residente no Brasil153.138 do código civil. II .guia de recolhimento do preço do serviço.ato de deliberação que promoveu a alteração. por sócios brasileiros e residentes no Brasil. regendo-se pelas normas deste país148. 1. filiais.

627 de 1940. o NCC veio regulamentar a atuação das sociedades estrangeiras parecer jurídico n. Candido mendes Introdução. onde a lei especialmente requerer que. no Brasil. sofrer qualquer discriminação fundada na nacionalidade de seus sócios. O presente texto visa analisar essas mudanças do ponto de vista do impacto que podem ter para os investidores estrangeiros. o tipo societário seja o de sociedade anônima”. Se tal proibição existisse.DnRc: Ingresso de sócia pessoa jurídica estrangeira em sociedade limitada. teXto: o noVo Código CiViL e as soCiedades estrangeiras José gabriel assis de almeida sócio de siqueira Castro – advogados e advogado inscrito no rio de Janeiro e são paulo (brasil).832. salvo os casos especiais. a antiga Lei das Sociedades por Ações. novo Código Civil brasileiro (Lei 10. a mudança diz respeito aos direitos e deveres do investidor estrangeiro. empresas devidamente organizadas e existentes segundo as leis brasileiras não podem.406 de 2002. A segunda. enquanto sócio.º 126/03 . que aliás passam a denominar-se apenas sociedades limitadas. foram constituídas apenas 17. facil. reconheceu a viabilidade de ser constituída uma sociedade limitada que tenha pessoa jurídica estrangeira como sócia. Agora. sem contar o fato de que novas limitadas não poderiam ser criadas tendo sociedades estrangeiras como sócias. de ora em diante NCC) entrou em vigor. No dia 11 de Janeiro de 2003.795 sociedades anônimas). Uma vez que o investimento estrangeiro se realiza sobretudo através da participação do investidor. Por outro lado. enquanto sócias. Lisboa (portugal) e paris (frança) doutor em direito pela universidade de paris ii professor da uni-rio e da univ. inúmeras sociedades estrangeiras existentes poderiam ser consideradas em situação irregular.657 de 1942). dentre os princípios traçados pela Constituição Federal. Até agora. enquanto sócias. das sociedades limitadas (designação do NCC para as sociedades por quotas de responsabilidade limitada). Portanto. A primeira. de sociedades brasileiras.178 sociedades limitadas no Brasil enquanto que.br/pareceres/arquivos/pa126.pdf 154 FGV DIREITO RIO 95 . as regras relativas à possibilidade de participação de sociedades estrangeiras. os artigos 60 e 64 a 72 do Decreto Lei 2. de responsabilidade limitada. Legitimidade de representação. nada impede que uma empresa estrangeira participe de uma sociedade constituída no País. no mesmo período. a atual Lei das Sociedades por Ações. a Lei de Introdução ao Código Civil (Decreto-Lei 4. O NCC traz profundas mudanças no regime das sociedades. Possibilidade de participação de sociedades estrangeiras. será sobre este tipo de sociedades que a presente análise será realizada (a título de esclarecimento. mantidos em vigor pela Lei 6. em determinadas atividades. Por um lado. administração por pessoa natural.gov.404/76. O principal argumento do DNRC é de ordem constitucional: “De mais a mais. como regra geral. enquanto sócio. de sociedades no Brasil.dnrc. da sociedade brasileira. de sociedades brasileiras. que são titulares de uma participação no capital social. por meio do Parecer Jurídico 126/03154. Estas mudanças afetam sobretudo as sociedades por quotas. a atuação das sociedades estrangeiras no Brasil estava regulada apenas por duas normas.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa jurídico até que o DNRC. Estas mudanças dizem respeito a dois aspectos fundamentais. Disponível em: http://www. cabe lembrar que entre 1985 e 2001 foram constituídas 3.

ressalvados os casos expressos em lei. por si mesmas. enquanto sócias. 64 do Decreto-Lei 2. a redação deste artigo tem que ser examinada com prudência. Com efeito.” Uma primeira leitura do art. além da sociedade anônima. agências. pois o NCC deveria simplesmente referir a possibilidade da sociedade estrangeira atuar. o que simplesmente ocorreu foi uma má técnica legislativa. o art. apesar do teor do art. ser acionista de sociedade anônima brasileira. tomem uma simples precaução. funcionar no País. uma sociedade estrangeira somente poderia ser sócia. ser acionistas de sociedade anônima brasileira. Isto porque o NCC cuida de outros tipos societários. cabe esclarecer que o art. não teria sentido fazer referência. 1. e portanto restrita às sociedades anônimas – numa norma mais geral.053. no contrato social da sociedade brasileira. ou estabelecimentos que as representem. em outras sociedades. na qualidade de sócia. é preciso levar em consideração que a referência às sociedades anônimas explica-se. podendo todavia. Ora. Em segundo lugar. um manifesto lapso legislativo. ainda que por estabelecimentos subordinados. Deste modo. para evitar uma eventual contestação. Houve. enquanto sócia. no regime do Decreto-Lei 2.627 de 1940. que cuida de outros tipos de sociedades. o art. ou por filiais. 1. de responsabilidade limitada (sociedades limitadas. não podem. e não apenas de sociedade anônima brasileira. 1. 1. sem autorização do Governo Federal.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa no Brasil. no Brasil. ficaria excluída a participação da sociedade estrangeira.627. estipulava: “As sociedades anônimas ou companhias estrangeiras. além das sociedades anônimas. nas sociedades por quotas.134 é quase a transcrição da regra anterior. contida no art. Houve a reprodução quase literal da regra – contida no art. sem autorização do Poder Executivo. no Brasil. à participação das sociedades estrangeiras. podendo.134 do NCC indica que o mesmo parece limitar a participação da sociedade estrangeira. pelo fato deste Decreto-Lei cuidar apenas das sociedades anônimas.627. Assim. na vida da sociedade brasileira. de sociedades por quotas. Inobstante o que fica exposto. funcionar no País. de responsabilidade limitada ou ainda enquanto sócias de outros tipos societários. de sociedades anônimas. Conteúdo da participação do investidor estrangeiro. como sócias. Com o NCC. todavia. no capital da sociedade brasileira.627. estará sujeito ao regime da Lei das Sociedades por Ações.627. de sociedade brasileira de qualquer tipo. parágrafo único. não pode.627. enquanto sócia. 64 do Decreto-Lei 2. Cabe frisar que a aplicação supletiva será apenas no que concerne ao regime da participação da sociedade estrangeira.”. Com efeito. do NCC. Em primeiro lugar. Assim. 64 do Decreto-Lei 2. na nova terminologia do NCC) e nos demais tipos societários. no Decreto-Lei 2. portanto. sem qualquer modificação da natureza ou das características da sociedade limitada. Trata-se. ressalvados os casos expressos em lei. 64 do Decreto-Lei 2. qualquer que seja o seu objeto. de incluir. sucursais. uma nova cláusula estabelecendo que o regime da participação da sociedade estrangeira. adquirindo uma participação no capital social de sociedade brasileira.134 do NCC está assim redigido: “A sociedade estrangeira. simplesmente. enquanto sócia. No entanto. As principais mudanças introduzidas pelo NCC nos direitos e deveres do investidor esFGV DIREITO RIO 96 . no período que se seguiu a 1940 jamais foi impedida a participação das sociedades estrangeiras (seja sob a forma de sociedades anônimas seja sob outras formas). Esta aplicação supletiva da Lei das Sociedades por Ações às sociedades limitadas é possível por força do art. qualquer que seja o seu objeto. de 1940. às sociedades anônimas. é recomendável que as sociedades estrangeiras que investiram no Brasil.

cabia a esse(s) sócio(s) alterar(em) o contrato social (aumentar ou reduzir o capital social). que é normalmente uma sociedade estrangeira. consoante as deliberações. o investidor estrangeiro adquire novos poderes na sociedade brasileira. o investidor estangeiro corre o risco de – se não tomar as medidas adequadas – perder o controle da sociedade brasileira. o quorum das deliberações sociais foi modificado e varia. Quanto à administração das sociedades. sozinha. (ii) a exigência de que os gerentes (agora denominados administradores) sejam pessoas físicas. sob este ponto de vista. havia apenas um quorum de deliberação. Por outro lado. No regime do NCC. Deste modo. Aliás. é importante salientar que qualquer alteração do contrato social passa a necessitar da aprovação dos sócios titulares de 3/4 do capital social. No tocante às deliberações sociais. é preciso FGV DIREITO RIO 97 . Esta situação interessa bastante às sociedades estrangeiras. autorizar a cessão das quotas. para o investidor estrangeiro. Se o mesmo é atualmente titular de um percentual maior do que 50% e menor do que 75%. como administrador da sociedade brasileira. Outro ponto relevante. sócia administradora) e de recorrer ao mecanismo da gerência por delegação. dependendo da sua participação no capital social. A administração da sociedade brasileira e as deliberações sociais. a nomeação de um administrador dependerá da concordância de todos os sócios. administrador da sociedade. Assim. no contrato social. o NCC implica na desnecessidade de figurar no contrato social como sóciagerente (agora. pois a nomeação do administrador não sócio dependerá da concordância dos sócios que sejam titulares de 2/3 do capital social da sociedade brasileira. uma pessoa que não seja sócia. é importante salientar que o NCC modificou. é importante frisar que o NCC estabelece o quorum de 2/3 do capital social para a destituição de sócio que seja nomeado. O resultado desta nova regra. o investidor estrangeiro poderá nomear. o quorum das deliberações. Se o investidor estrangeiro é titular de 50% ou menos e de mais de 25% do capital social. a sociedade estrangeira. No regime anterior ao NCC. entre outros pontos. a sua situação não se modifica no que diz respeito à alteração do contrato social. diz respeito às deliberações para a designação de administradores não sócios. nomear os gerentes. pois a sua colaboração é necessária para a modificação do contrato social. Se o investidor estrangeiro é titular de menos de 25% do capital social. se houver um aumento do seu capital social sem haver imediata integralização ou se a sociedade for constituída sem que o seu capital social seja totalmente liberado. a situação não se modifica. se a sociedade estrangeira não tiver a maioria do capital social. Se o mesmo é atualmente titular de 75% ou mais do capital social. O(s) sócio(s) titular(es) de 50% + 1 do capital social era(m) titular(es) do controle da sociedade. as principais mudanças são (i) a supressão da obrigatoriedade da gerência ser exercida apenas pelos sócios. Ainda no campo das deliberações relativas à administração da sociedade. varia consoante a participação do mesmo no capital social da sociedade brasileira. Assim. No regime do NCC. O NCC exige a designação por deliberação da totalidade dos sócios (quando o capital social não estiver integralizado) ou por deliberação de sócios que representem 2/3 do capital social (quando o capital social estiver integralizado). Assim. para o investidor estrangeiro. ela passa a ter acesso a essa nomeação.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa trangeiro nas sociedades limitadas brasileiras dizem respeito a dois pontos importantes. nomear o administrador. Consequentemente. As únicas exigências são (i) que esta pessoa seja uma pessoa física e (ii) que esta pessoa física seja residente e domiciliada no Brasil. poderá estar impedida de. (iii) a supressão do regime da gerência por delegação. etc.

2º. uma sociedade estrangeira titular do restante do capital social. e resolver o problema da participação das sociedades estrangeiras.404/1976. conforme a situação motivadora de sua criação. com possibilidade de redução de despesas operacionais. agindo em parceria visando novas oportunidades. haverá a preferência pela forma “limitada”. enquanto sócias. FGV DIREITO RIO 98 . a participação em outras sociedades em níveis suficientes para controlá-las155. § 3º da Lei nº 6. além da participação no capital de outras sociedades. dentro do grupo. com os clientes. criar os mecanismos necessários para garantir a harmonia nas sociedades brasileiras. Quando o objeto social da holding for somente a participação no capital de outras sociedades. a holding tem uma visão voltada para dentro. sociedade holding Aprendemos que a previsão legal da sociedade holding está no art. enquanto a holding é a sociedade que controla. A holding não só poderá obter financiamentos externos como também agir como provedora de investimentos para atender às necessidades das controladas. a possibilidade de constituir uma sociedade cujo objeto social seja. Deste modo. é importante aproveitar este prazo para. f ) Vantagens tributárias e centralização das decisões financeiras. ainda que não prevista no estatuto. chama-se subsidiária. com a concorrência e com outros problemas externos. Podemos elencar como algumas vantagens da sociedade holding o seguinte: a) Concentração do poder econômico do controlador na holding. Temos. O enquadramento da “holding pura”.a. Enquanto as sociedades das quais participa estão “preocupadas” com as tendências do mercado. em função da facilidade no manejo de suas regras. ela é chamada de Holding Mista ou impura. de sociedades brasileiras. é tema ainda muito discutido na doutrina. podendo adotar a forma de Limitada ou de Sociedade Anônima. sem necessidade de oitiva dos sócios e/ou acionistas minoritários. Ronald A. uma pessoa física residente no Brasil. Quando. e) Enxugamento das estruturas ociosas das sociedades controladas e descentralização de alguns trabalhos. Seu interesse é a produtividade de suas “controladas” e eficácia da administração dos negócios. das quais participem os investidores estrangeiros. por um lado. a sociedade que é controlada por outra. c) Solucionar problemas referentes à sucessão (herança) e partilha (divórcio). d) Maior poder de negociação na obtenção de recursos financeiros e nos negócios com terceiros. vejamos alguns entendimentos: Para o Prof. a participação é facultada como meio de realizar o objeto social. titular de mais de 33% do capital social e. O NCC determina que as sociedades atualmente existentes procedam à adaptação dos seus contratos sociais até 10 de janeiro de 2004. Conclusão. mais uma vez. b) Flexibilidade e agilidade na transferência e alocação de recursos. que estabelece que a “companhia pode ter por objeto participar de outras sociedades. assim. ela exercer a exploração de alguma atividade empresarial. ela é chamada de Holding Pura. apenas. como sociedade simples ou empresária. proceder à adaptação dos contratos sociais. por outro lado.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa ter cautela no caso de uma sociedade brasileira que tenha como sócios. ou para beneficiar-se de incentivos fiscais”. Neste caso. Sharp Júnior: “Do enquadramento da holding pura como sociedade simples resulta na sua inscrição no cartório do registro civil de pessoas jurí- 155 n.

404/76 combinado com o artigo 1.053. inclusive anônimas159”. sustentaram que a “holding pura pode ser definida como a sociedade cujos escopos principais são a aquisição. ganhar idêntica condição de sociedade empresária”. Disponível em: <http://jus2. devendo.br/Holding.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa dicas (art. Teresina. posto que a participação em outras sociedades também é forma de em- 156 in “a holding pura como sociedade simples”. os elementos reveladores da atividade empresarial”. ou seja. pág. Corroborando com o entendimento acima. Tais escopos são exercidos com profissionalismo. asp?id=3820>. em si mesma. Em artigo publicado no jornal Gazeta Mercantil160. Direito de Empresa.2005. passa a ser sociedade empresária. controladora até mesmo de poderosos grupos econômicos e financeiros. Anote-se. uma vez que estará constantemente agindo como sócia. n. 160 FGV DIREITO RIO 99 .404/76 (LSA). salvo se for constituída sob a forma de sociedade por ações”156. 1. exigido pelo caput do art. jus navigandi. parágrafos 1º e 2º combinado com o artigo 243 parágrafo 2º. parágrafo único. destarte. fazendo presente. 157 in O Direito de Empresa à luz do novo código civil. Jorge Lobo. como entidade de regência de uma rede de sociedades. bem como ausentes os perfis funcional e corporativo. titularidade. de uma sociedade destinada a organizar e controlar participações societárias pressupõe estrutura fortíssima. a.39. Na opinião de José Edwaldo Tavares Borba157: “se as sociedades controladas são empresárias. com. a “empresa de papel”. em que só estão presentes os perfis subjetivo e objetivo. Na opinião do jurista Miguel Reale “é preciso lembrar que o maior número das sociedades empresárias é formado pelas sociedades por quotas de responsabilidade limitadas. 2006 159 a holding pura como sociedade empresária. naquelas mesmas atividades. uma vez que sua atividade-fim não é a produção ou a circulação de bens ou de serviços. contudo. mas ao processo de insolvência civil”.150 do NCC) e na insubmissão à falência. direcionando suas atividades não ao mercado. destaca o entendimento do Prof. Isso é o que basta para afastar tal sociedade do regime próprio da Simples. ainda que se possa questionar seu objeto. Também são econômicas porque visam a administrar e a agregar valor à carteira de participações societárias. O raciocínio desenvolvido se deu com base na ausência de um mínimo de organização econômica. vez que a holding os tem como principal atividade e razão da sua própria existência como vértice de uma estrutura de controle (cf. Ronald Sharp no sentido de classificar como sociedade simples a “holding pura”. inclusive. que. Sérgio Campinho158 enfatiza a classificação das holdings como sociedades empresárias em virtude da atividade profissional dessas sociedades: “A organização e o caráter profissional da atividade seriam.irtdpjbrasil. miguel. por lhe faltar a idéia de estabelecimento e quiçá de patrimônio comercial. A existência. indo desde as microempresas ou de pequeno porte até gigantescas sociedades que atuam como holding. uol. em seu livro Sociedades Limitadas. quando menos.br/doutrina/texto. acesso em: 15 mar.” E concluem o artigo entendendo não haver “motivo sério para classificar a holding pura como Simples. ambos da Lei 6. 158 REaLE. mas para o âmbito interno caracterizado pelas relações societárias. apenas em parte. o elemento de empresa da parte final do parágrafo único do artigo 966 do NCC. O Prof.49. o ilustre Prof. alienação e controle de participações societárias. este. 966 do Código Civil. mar.com. Gazeta mercantil em 02. 63. O professor conclui dizendo que “a holding pura terá sempre natureza de sociedade simples.htm in Direito societário – 9ª ed. então. de forma indireta. as quais têm o mais amplo espectro. Mais forte fica o argumento caso a holding pura esteja regulada pelas regras supletivas da Lei 6. Renovar/2005. os advogados Márcio Tadeu Guimarães Nunes e Felipe Demori Claudino. O direito comparado (exemplo Itália) confirma este entendimento reafirmando a presunção de profissionalismo e de viés econômico em estruturas de controle como as que reveladas pelas holdings puras.03. Disponível em: http://www. do NCC). se a holding pura adotar a forma de sociedade anônima ou organizar-se consoante o modelo de ASQUINI. pág. Invencionices sobre o novo código civil. 2003. 7. artigo 2º. por afinidade. a holding que as controla encontra-se envolvida.

buscando o interesse de investidores privados. O objeto social será a aquisição de qualquer forma de participação em outra sociedade em Luxemburgo ou em sociedades estrangeiras. Exige-se capital mínimo realizado de aproximadamente 31. vários anos depois. para. A principal delas relaciona-se com o objeto social. estabeleceu um novo tipo de sociedade. ou se o comprador for uma sociedade controlada pela SGPS.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa presa e diante do fato de que o NCC reservou às Simples o caráter de exceção ao fenômeno empresarial (até porque é como tipo facultativo ou como regime jurídico subsidiário que a Simples agoniza nos poucos países que ainda a adotam). sem tomar direta ou indiretamente parte na condução do negócio das sociedades controladas. que o objeto da SGPS é. em fase de lançamento no mercado.” a sociedade holding no mundo Portugal Em Portugal. – Dispor de quaisquer das suas participações no prazo de um ano após a sua aquisição. como meio indireto de desenvolvimento de uma atividade econômica. 161 pequeno país da Europa Ocidental. a gestão de uma carteira de participações noutras empresas. – Participação em sociedades detentoras de patentes cuja carteira de ações inclua recursos intangíveis. coordenação e racionalização das suas várias atividades.000 Euros. FGV DIREITO RIO 100 . a chamada: “Sociedade Gestora de Participações Sociais” – SGPS. A SGPS não pode se dedicar às seguintes operações: – Compra de bens imobiliários. procurando exercer o seu controle tendo em vista a gestão. Uma SGPS pode ser constituída como “sociedade anônima” ou “sociedade por quotas” e está sujeita a algumas restrições. ou onde os procedimentos para a disposição sejam investidos noutras participações. No contrato social deve constar. o Decreto-Lei nº 495 de 30 de Dezembro de 1988. Aplicações tradicionais de uma sociedade holding em Luxemburgo: – Aquisição de participações em outras sociedades. subscrevendo as ações de um empreendimento ou projeto recente. – Participação no capital de novas sociedades constituídas. Nenhuma condição é imposta acerca da nacionalidade ou residência relativamente aos diretores e administradores. a sul pela França e a oeste e norte pela Bélgica. exclusivamente. limitado a leste pela alemanha. Luxemburgo161 A sociedade holding em Luxemburgo recebe o nome de “Holding 1929” e possui regime especial definido em lei sob a forma de uma sociedade anônima (Société Anonyme). os quais administra e explora exclusivamente pela concessão de licenças. como também a gestão e desenvolvimento da dita participação. vender as ações tão pronto as sociedades estejam suficientemente bem conhecidas entre o público. na sua fase inicial e de arranque. para além dos seus próprios escritórios ou instalações. como também não há exigência quanto a publicação da composição da carteira de participações da holding. – Efetuar empréstimos. que satisfaçam as mesmas exigências. a menos que por meio de troca. ao passo que a regra geral é a de que a sociedade seja empresária. ou de escritórios ou instalações das sociedades nas quais detém participação. salvo se para sociedades nas quais tem interesse de controle ou é acionista. de forma expressa.

Delaware também possui uma forte indústria petroquímica”. a LLc tem personalidade jurídica própria. Esta proteção em termos de responsabilidade é usufruto de todos os membros. Não existe qualquer imposto sobre as vendas em Delaware. – Data da incorporação: Junho de 1995. Deste modo. 163 Várias Corporações163 e LLC’s164. quer para Corporações ou LLC’s. desde que não operem dentro do próprio estado.br/detalhe_noticia. Muitas sociedades internacionais. as cláusulas deste contrato social são extremamente importantes. desde que devidamente representadas por um agente oficial registrado que as represente. por muitas vezes.com. EUA. imposto sobre propriedade ou imposto sobre rendimentos referentes a sociedades constituídas em Delaware. Mais de 200 mil empresas e companhias estão sediadas no Estado. Delaware é um grande centro financeiro. atraindo diversas companhias. mais conhecida por sua marca Panasonic). transferência de interesses numa LLc e sua liquidação. Este fato deu ao Estado o cognome de The Land of FreeTax Shopping (A Terra Sem Impostos Comerciais). mais de 300. (subsidiária da “Matsushita Electric Industrial Co.wikipedia. Exemplos de sociedades em Delaware/EUA: – MEI Holding Inc.a sp?a1=Imprensa&a2=notici as&a3=8 FGV DIREITO RIO 101 .panasonic. e poucos dos seus membros chegaram mesmo a visitar o Estado de Delaware. 164 165 Fonte: http://www. e US$ 35 para o caso das Corporações.162 comparada a nossa sociedade por ações. Situação Geral em 31 de dezembro da 2005165. de grande ou pequena dimensão. os membros de uma LLc têm a mesma proteção em termos de responsabilidade limitada.. ou empresa em nome individual. É particularmente satisfatório para a gestão centralizada de recursos familiares. para o caso das LLC’s. distinta dos seus sócios. À parte do tema fiscal. org/wiki/Delaware Delaware/EUA “Apesar de sua pequena extensão territorial. que pode ter um número ilimitado de acionistas cujos bens pessoais estão. interessadas em negociar com os EUA e outras jurisdições. Delaware é o único estado Norte Americano com um sistema judicial especial. optam por DELAWARE como sede social e base para os seus negócios. Atualmente. em conformidade com Estatutos Estatuais aplicáveis. dedicado à legislação societária. os bens pessoais de um membro de uma LLc estão completamente for a do alcance dos credores da sociedade (negócio). incluindo muitas que operam primariamente fora do Delaware. Ao longo dos anos. o valor do risco para os membros de uma LLc está limitado ao valor da sua contribuição em termos de Investimento na LLc. os Estatutos planificam os traços gerais do modo de funcionamento e gestão da LLc. escolhem Delaware devido à sua estrutura legal favorável. ausente qualquer tipo de garantia pessoal. obrigações e responsabilidades dos “members” são estipulados no seu “Operating agreement”. nome que se confere ao contrato social. – Sede da empresa: Delaware. independentemente do volume de negócios. o Tribunal de Delaware (Delaware Chancery Court) julgou vários casos de gestão empresarial que são. que é fixa e deve ser paga ao Estado de Delaware. 162 Fonte: http://pt. – Atividade principal: Investimentos de negócios. Isto acontece graças à leis estaduais que dão benefícios fiscais para empresas que decidem instalarem suas sedes no Estado. locais ou estrangeiras. quando devidamente estruturados. Isto significa que. como o Estado Americano das grandes Corporações. e reputação.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa – Entrada no capital de sociedades de investimento com a finalidade de criar e administrar em seu próprio nome uma carteira de títulos transferíveis para um ou mais indivíduos privados conforme os princípios de gestão privada (o risco é distribuído geograficamente e entre vários setores). ao contrario de uma parceria “partnership” comercial. Por causa disso. que são denominados “members”. citados como precedentes em Tribunais de outros estados americanos. protegidos em caso de eventuais ações judiciais contra a sociedade. uma vez que podem ter um impacto direto na forma como a LLc ou os seus membros possam a vir ser tributados para efeitos de impostos federais.000 empresas estão registradas em Delaware. Ltd”. mesmo que poucos aí possuam qualquer estrutura em termos de vendas ou fabricação. é uma estrutura corporativa mais formal. comparada a nossa sociedade Limitada. quer pelos seus membros ou não-membros. face às dívidas da mesma. – Capital acionário: US$ 1. ou mesmo falência. particularmente em casos de sucessão e detenção de propriedade. Apenas existe a obrigatoriedade de pagamento de uma taxa anual de US$ 200. estabilidade. geralmente. e nada mais. tal como os acionistas de uma corporação tipo “c” ou “s”. o Delaware é um dos maiores centros bancários dos Estados Unidos. Os direitos. a responsabilidade do acionista é limitada ao valor da sua participação de capital na corporação. em que os donos do negócio ficam pessoalmente solidários com a empresa. Corporações e LLC’s não necessitam de manter qualquer conta bancária ou sede social em Delaware.

Inc. tem como objeto social o cultivo de soja e trigo na pequena cidade de Serrinha dos Grãos. Gestão. (constituída de acordo com as leis do Estado de Delaware e com sede em San Rafael/CA). Milton Fernandes De Souza . grifamos. (AOLA): em 24 de junho de 2005. Inc. conforme o Capítulo 11 (“Chapter 11”) do Código de Falências dos Estados Unidos.da sociedade por cotas de responsabilidade limitada. Independentemente da séria controvérsia sobre a natureza . Inc.001. uma sociedade com sede em Portugal apresenta proposta com o intuito de transportar e distribuir parte da produção da Agricultura Extração Ltda. processamento.10270 . transporte e distribuição ficou complicada para a sociedade. Caso gerador A sociedade Agricultura Extração Ltda. (constituída de acordo com as leis do Estado de Delaware e com sede em San Jose/CA). Sociedade por Cotas de Responsabilidade Limitada. Com o passar dos anos. – General Electric Capital Services. (100%).ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa – Acionistas (% participação acionária) Matsushita Electric Industrial Co. no Estado do Paraná. (constituída de acordo com as leis do Estado de Delaware e com sede em San Francisco/CA). que já pensa em exportar seus produtos para a Europa e EUA. DEVERES E RESPONSABILIDADE DO DIRETOR. – GE Energy Parts Inc.capital ou pessoa .Julgamento: 25/05/2004 . – GE Energy Products. (2004.. – Macromedia Inc. LLC – GE Fanuc Automation Corporation – GE Information Services. os seus administradores. – America Online Latin America. – Autodesk Inc. – GE Engine Services.Apelação Cível. como proceder diante do crescimento do negócio? 2. para toda a Europa. Des. Os administradores lhe procuram para saber: 1. Qual seria a forma mais eficaz da sociedade estrangeira participar dos negócios? JurisprudênCia SOCIEDADE POR COTAS DE RESPONSABILIDADE LIMITADA. FGV DIREITO RIO 102 . Ltd. Prestação de Contas. – GE Engine Services Distribution. Para melhorar a situação. – Adobe Systems Inc. Inc. no Tribunal de Falências do Distrito de Delaware/EUA. Inc.Quinta Câmara Cível – Tribunal de Justiça do RJ). as administrações do plantio. OBRIGACAO DE PRESTAR CONTAS. têm o dever jurídico de prestar contas dos seus atos de gestão ao demais sócios. a AOLA e algumas de suas subsidiárias apresentaram um pedido voluntário de concordata. como o de qualquer outra sociedade.

(C) para conceder a autorização. PROVA DE SELEÇÃO.DIREITO COMERCIAL. grifamos. Recurso da parte ré provido Segundo apelo provido. Tribunal de Justiça do RS. 22º EXAME DE ORDEM – SEÇÃO DO RIO DE JANEIRO. Julgado em 19/06/2002). EMPRESA ¨HOLDING¨ DE INDÚSTRIAS. sem autorização do Poder Executivo. funcionar no País. como filiadas. para fins sindicais. através de estabelecimentos subordinados. por unanimidade. obrigatoriamente. a atividade preponderante da empresa participada. DIREITO COMERCIAL 87. deve impor condições convenientes à defesa dos interesses nacionais. Não detém legitimidade para a cobrança de contribuição sindical de empresa ¨holding¨ de indústrias o Sindicato que tem por fim congregar unicamente atividades ou categorias comerciais. Por objetivarem participações societárias somente em indústrias. PROVA DISCURSIVA . editado após a CF/88. 3 .ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa CONTRIBUIÇÃO SINDICAL. como tais devem elas ser enquadradas. estará sujeita às leis e aos tribunais brasileiros. prevê expressamente a facultatividade de adesão de empresas. é correto afirmar que: (A) depois de autorizada pelo Poder Executivo. Primeira Câmara Cível. A respeito da sociedade estrangeira. (D) a sociedade estrangeira autorizada poderá iniciar suas atividades antes de inscrita no registro próprio do lugar em que se deva estabelecer. prejudicado o primeiro. Ademais. TIPO 1. (Apelação Cível Nº 70002205755.Há alguma exigência legal para que uma sociedade estrangeira possa funcionar como tal no País? FGV DIREITO RIO 103 . (B) poderá. o Poder Executivo. se o estatuto social. quanto aos atos ou operações praticados no Brasil. descabe a imposição. Relator: Roque Joaquim Volkweiss. levando-se em conta. Questões de ConCurso 178º CONCURSO DE INGRESSO NA MAGISTRATURA DO ESTADO DE SÃO PAULO (2006). 2ª FASE. para tanto.

José Edwaldo Tavares Borba. São Paulo: Saraiva. Curso de Direito Comercial. – O art.3. no balanço social. saraiva. – Dívida do sócio com terceiro e Penhora de quotas. Págs: 398 a 402. – Aumento e redução do capital social. – CAMPINHO. O capital social representa o referencial que os sócios consideraram dever a sociedade possuir para dar conta dos objetivos ajustados no contrato social. – Diferença: capital social e patrimônio. são paulo/1961. roteiro Vimos que a constituição do capital social é elemento formador do Contrato Social. – COELHO. e atual. o capital social é “o valor dos bens que os sócios integram à sociedade. Págs: 156 a 192.123.101/05. Nas palavras do Prof. Págs: 361 a 366 e 371 a 374. FGV DIREITO RIO 104 . “esse valor deve permanecer intocado enquanto durar a sociedade. 2007 . volume 2: direito de empresa – 10º ed. ao menos aproximadamente. Manual de Direito Comercial e de Empresa. 4º edição. O professor explica que. O Direito da Empresa à luz do novo Código Civil – 6º edição revista e atualizada conforme a Lei 11. – NEGRÃO. ver. Nrs. 26 edição – São Paulo: Saraiva. Nesse sentido. Págs: 401 a 407 e 497 a 506. como se fora a representação de algo indisponível”. – São Paulo: Saraiva. Capítulo 7. Leitura CompLementar – REQUIÃO. Renovar/2004. Capítulo 21. Waldemar Ferreira: “Cumpre aos organizadores da sociedade calcular.1. Rubens. o montante do capital de que ela necessitará para exercer sua atividade e produzir os lucros. 225 a 227 e 262 a 266. 64 da Lei nº 8. 166 in Tratado de Direito comercial – vol. 2005. Curso de Direito Comercial. para servir de garantia última dos credores sociais”.934/94 e sua interpretação restritiva. ementário de temas – Formação do capital social. 1º volume. que constituem o objetivo de quantos dela co-participarem. 9 ª edição. na coluna do passivo e considerado “passivo inexigível” uma vez que não corresponde a qualquer dívida social. – Ação de integralização de capital social para cobrança do sócio remisso. deverá ser apresentado. Fábio Ulhoa. Capítulo 29. e para o qual tenha cada sócio possibilidade financeira de contribuir”.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa AUlAS 13 E 14: O fINANCIAMENtO DA SOCIEDADE lIMItADA Nesta aula discutiremos a leitura do(s) seguinte(s) capítulo(s): – Páginas 113 a 124 e 205 a 206 do Direito Societário. Fábio Konder Comparato. 2005.166 formação do capital social Nas palavras do Prof. a “affectio societatis” e a “participação nos lucros e nas perdas”. 2005. Sérgio. juntamente com a “pluralidade de sócios”. Rio de Janeiro: Renovar. pg. vol. Ricardo. – Organização em quotas.

“além da designação do capital social no contrato levado a registro. O contrato social vai dispor sobre a CESSÃO DE QUOTAS. em sendo ele omisso. a descrição e identificação do imóvel.º 8. São subscritas pelos sócios em proporções iguais ou desiguais. 28ª edição. como já aprendemos. diferentemente da ação. A legislação portuguesa adota o “capital mínimo”173. sua área. que serão sempre representadas. iguais ou desiguais.ex. Rio de janeiro/2002. pg.000 Euros.00 cada uma O Prof.000. que é o titular da totalidade do capital social mínimo de 5. individualmente. O valor do capital social mínimo. italiana e francesa.200.a.00.00175. O valor do capital social será estipulado pelos sócios. os direitos dela decorrentes somente poderão ser exercidos pelo representante designado pelos condôminos. instituições financeiras e outras instituições autorizadas a operar por referido órgão devem possuir um valor mínimo de capital social integralizado. 168 169 art. 167 n.a.056. As quotas são indivisíveis. não poderão possuir capital social integralizado inferior a R$ 7. – sociedade unipessoal por quotas: constituída por um único sócio. Forense. ou seja. 172 sociedade por quotas: capital social mínimo de 5. O capital social será a demonstração da “força” da sociedade. n. 1. 997. 175 176 in curso de Direito comercial. quando houver um pedido de empréstimo bancário o primeiro item a ser analisado pelo gerente será o valor do capital social.500.000. 15. a saber178: a) cessão a quem seja sócio: independentemente de audiência de outros.00 – sócio B: 1 quota com valor de R$ 35. as bancárias171. dados relativos a sua titularização. “não há. saraiva: são paulo/2005.. com natureza jurídica de bem móvel. sendo considerada a menor fração em que o capital é dividido. O somatório do valor das quotas. a partir do qual iniciará sua existência e funcionamento. O parágrafo segundo do art. portaria nº190/Gc-5/2001 (Dac) que aprova as Instruções Reguladoras para autorização e funcionamento de empresas de táxi aéreo e de serviço aéreo especializado e dá outras providências. por exemplo. Ricardo Negrão destaca uma novidade trazida pela Lei n. assim como a alemã. poderemos ter.000. quando necessária. aplicável às empresas de táxi aéreo ou de serviço aéreo especializado. entre outras. A formação do capital social pode se consistir em dinheiro e outros bens (corpóreos. estes bens devem ser avaliados e o valor expresso em moeda corrente. o Código Civil prevê duas situações.00 – sócio C: 1 quota com valor de R$ 25. este valor é de R$ 17. as seguintes formações: – sócio A: 1 quota com valor de R$ 40. 35. nem de exigir-se o consentimento dos demais sócios.000 Euros e não pode ser constituída por um número de sócios inferior a 5. por um número inteiro. no caso de bancos comerciais.00 cada uma – sócio C: 2. art. No Brasil. valor. cabendo uma ou diversas a cada sócio. VII quando exige. para representar as quotas. 171 as sociedades seguradoras autorizadas a operar no Brasil no grupamento dos seguros de ramos elementares. O Prof.00. será fixado pelo Dac através de regulamentação específica.500 quotas com valor de R$ 10. obrigatoriamente.00 cada uma – sócio B: 3. para provar sua participação na sociedade o sócio precisará de uma via do contrato social. donde surge a responsabilidade de cada um.00 ou – sócio A: 4. igualdade ou desigualdade das quotas174. um documento especial”176. sendo certo que numa sociedade com capital social de R$ 100. a outorga uxória ou marital”169. por exemplo.000 quotas com valor de R$ 10. FGV DIREITO RIO 105 . – sociedade anônima: valor nominal mínimo do capital é de 50.000 Euros. A divisão do capital social se dá por meio de quotas. 173 174 código civil. bem como o número da matrícula no Registro Imobiliário e. de acordo com o porte das atividades a serem desenvolvidas pela sociedade. salvo quando a lei o dispense.)167 entretanto. art.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa Assim temos que é necessário definir no contrato social o valor a ser investido na sociedade por cada sócio e que irá compor o seu patrimônio de base.000. Fonte: Associação Empresarial de Portugal. o qual somente será exigido para a constituição de sociedades empresárias que se dediquem a determinadas atividades. Quantidade. ou pelo inventariante no caso de espólio (art.293. são definidas com liberdade pelo contrato social. §1º)”177. a lei não define o valor do capital mínimo. incorpóreos. de acordo com a Resolução nº 73 do conselho nacional de seguros privados. “havendo co-proprietários. 1. móveis ou imóveis etc. será igual ao valor do capital social estipulado no contrato.1. assim. Fran Martins explica que.000.934/94 sobre a incorporação de imóveis à sociedade.055.000. em moeda nacional168. veda a prestação de serviços como elemento formador do capital social na sociedade Limitada. Não se fixou qualquer obrigação de proporcionalidade na cessão. 170 segundo a Resolução nº 2607/99 do Banco central do Brasil. que está disposta no art. III e IV in manual de Direito comercial e de Empresa. p.500 quotas com valor de R$ 10. as securitárias172 e outras. somente o registro escritural. restrita ao valor de suas quotas (embora respondam solidariamente pela integralização do capital social). O capital social divide-se em quotas. como táxi aéreo170.055. pessoa singular ou coletiva.

em determinado prazo. eis que afetará o movimento de ingresso e saída de sócios. a contribuição em serviço181 (trabalho). Da mesma forma. Devem assim. aumento e diminuição do capital social Vimos que o capital “é a expressão. Com o início das atividades. 183 subscrição é a promessa de integralização. 184 FGV DIREITO RIO 106 .63. ou seja. apenas. promovida pelo cjF/sTj dispõe nesse sentido: “arts. os sócios pagam à vista pelas quotas ou ações.007 e 1. cuja contribuição consista em serviços. empregar-se em atividade estranha à sociedade. verifica-se que a participação dos sócios no capital social indicará a relação de poder de cada um. crescendo na medida em que esta realize operações lucrativas. 1. Destarte. sob pena de ser privado de seus lucros e dela excluído. bem como o passivo. ou seja. ou seja. diferença: capital social e patrimônio. a vedação da cessão de quotas para terceiros. é o mesmo que pagar. isto é. Quando a sociedade inicia suas atividades. O capital social pode ser constituído com dinheiro ou bens. a integralização é o pagamento feito pelo sócio à sociedade. pois se trata de uma cifra contábil. pg. que a cessão de quotas se dará independentemente do consentimento dos demais sócios. pensar sempre na possibilidade de um terceiro vir a adquirir o controle por meio da cessão de quotas. expressamente.055. O sócio. n. art. in Direito societário. Assim. a propósito o enunciado n° 206 aprovado na III jornada de Direito civil. 182 código civil. o ativo começa a se modificar. enquanto o patrimônio é real e dinâmico. em moeda corrente. notadamente. Não havendo interesse de nenhum dos sócios. o conjunto de bens (dinheiro e outros). querendo os sócios garantir características típicas das sociedades de pessoas. É vedada contribuição que consista em prestação de serviços.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa b) cessão a estranhos: dependerá da anuência de um quorum de 75 (setenta e cinco). no momento da elaboração do contrato social ou mesmo em suas alterações.a. nem consentimento para a venda a terceiros. mas tudo o que a sociedade possui e venha a possuir durante a sua existência. haveria ainda a possibilidade da tomada das quotas pela própria sociedade. a partir da averbação do respectivo instrumento subscrito pelos sócios179. 1. A falta desta previsão poderá acarretar o ingresso de herdeiros que não estejam interessados ou que prejudiquem o negócio. 1. é comum que o único item encontrado em seu patrimônio (ativo. poderão estabelecer. 1. 180 181 código civil. O patrimônio encontra-se sujeito ao sucesso ou insucesso da sociedade. um certo número de quotas ou ações para constituição do capital social. 981. passivo e patrimônio líquido) seja o capital social.057 p. não pode. art. 1. em relação à cessão de quotas. §2º. Renovar/2004. 9 ª edição. Leciona José Edwaldo Tavares Borba. 1. 178 179 art. e reduzindo-se com os prejuízos que se forem acumulados”180. O capital social é o fundo originário e essencial da sociedade fixado através da soma da contribuição dos sócios – é uma expressão numérica. sendo vedada.006.único do código civil.094. ¾ das quotas.113. poderão estabelecer em cláusula contratual. I) e nas sociedades simples propriamente ditas (art.006. é de extrema importância a existência de uma cláusula prevendo a continuidade da sociedade em razão da morte de um dos sócios. na sociedade simples182. principal obrigação do sócio. salvo convenção em contrário. dos contingentes trazidos pelos sócios para a formação da arca communis. do acervo de bens indispensáveis 177 TaVaREs BORBa. A cessão de quotas será eficaz quanto à sociedade e terceiros. josé Edwaldo in Direito societário. com influência nas deliberações sociais. se os sócios quiserem empreender uma sociedade de capital. o que é permitida. que se afigura com importante instituto. 2ª parte”. que o “capital é um valor formal e estático. 9ª edição. 997. 983. pois dívidas são necessárias para alavancagem da empresa. O capital não se modifica no diaa-dia da empresa – a realidade não o afeta. Por outro lado.094: a contribuição do sócio exclusivamente em prestação de serviços é permitida nas sociedades cooperativas (art. Integralizar é ato de alienação. O patrimônio social é o patrimônio da sociedade no sentido econômico. assumem o compromisso com a sociedade de adquirir. art. 1.057 do cc. quando subscrevem184 se comprometem a integralizar. 983. quando definirem as cláusulas sociais. compreendendo não apenas o capital social. pág. Ao integralizar183 o capital social. incluindo-se as dívidas (passivo). Renovar: Rio de janeiro 2004.

1. subscrevem as quotas de capital com as quais participarão do negócio e assumem a obrigação de integralizá-las. V do código civil. art. em recursos ou lucros acumulados que os sócios deliberam incorporar ao capital. 187 188 189 190 Op cit. a redução deve ser realizada restituindo-se parte do valor das quotas aos sócios. a morte do sócio com o pagamento dos haveres aos herdeiros e a exclusão do sócio com o pagamento dos seus haveres também são situações que podem acarretar em redução de capital. 1. Quando os sócios assinam o contrato social para constituição da sociedade limitada. dependerá da juntada das publicações previstas no art. 1. 191 O arquivamento da deliberação com fundamento no art. 1. devendo a Ata correspondente ser publicada em jornal de grande circulação ou em Diário Oficial. para tanto.082 do Código Civil que afirma ser possível descapitalizar a sociedade quando o capital social for excessivo em relação ao objeto social. ou seja. Waldemar in Tratado de Direito comercial – vol. a redução deve ser realizada com a diminuição proporcional do valor nominal das quotas. pg. O capital social também pode ser reduzido. ou dispensandose prestações ainda devidas (que eventualmente estariam faltando para integralizar a “quota parte”). com aprovação de..372.185 Por se tratar de uma cifra. A deliberação para a redução do capital social deve ser feita em Assembléia ou Reunião especialmente convocada para tal fim. perante a Junta Comercial. da Ata e da alteração do contrato social. Já a redução do capital social. o capital social deve estar totalmente integralizado mediante a correspondente modificação do contrato. saraiva. poderá a sociedade formalizar a diminuição através do registro. no mínimo. Os sócios terão 30 dias para exercer o direito de preferência na aquisição das novas quotas187. Nesse caso. está prevista no art. ou b) Se o capital social for excessivo em relação ao objeto da sociedade191. Esses lucros e reservas foram gerados pela própria sociedade e poderiam ter sido distribuídos. §1º. são chamadas de bonificações”189. ou seja. ambos do código civil. explicando que uma outra hipótese de aumento de capital “é a que se funda em recursos da própria sociedade.071. é possível estipular-se um valor maior ou menor como suficiente para que a sociedade continue realizando seus fins. 1. A partir da publicação. I c/c art.152. O capital social pode ser aumentado mediante decisão (em assembléia ou reunião). São as seguintes hipóteses190: a) Se houver perdas irreparáveis depois de estar integralizado. são paulo/1961. ação de integralização de capital social para cobrança do sócio remisso. da sociedade”. cabendo aos sócios subscritores transferir novos bens à sociedade”188. Neste caso. 1. com diminuição proporcional. desde que não ocorra impugnação de credor quirografário da sociedade.084.3. Continua o professor. poderá exercer o direito de preferência sobre até trinta por cento do aumento deliberado” in manual do Direito comercial e de Empresa. O art. §1º c/c art. também. 186 Ricardo negrão esclarece que o direito de preferência dos sócios na aquisição das novas quotas é proporcional às suas quotas. eventuais credores terão o prazo de 90 (noventa) dias para impugnar a decisão.. 64 Op.cit. ou seja. a respectiva alteração no contrato social. Este aumento pode concretizar-se através de aporte de novos valores como o desembolso por parte dos sócios ou mesmo por terceiros.122. 185 FERREIRa. FGV DIREITO RIO 107 .ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa ao exercício da atividade mercantil (sic) . em ambas as situações. pág. se não ocorrer. contribuir com recursos para o capital da sociedade. assim recebidas. sem qualquer desembolso recebem novas cotas proporcionais a sua participação no capital. Em ambos os casos (aumento ou redução).081 do Código Civil dispõe sobre a possibilidade do capital social ser aumentado. “se o sócio detiver trinta por cento do capital social integralizado. A decisão de incorporá-los ao capital é uma opção. do valor nominal das quotas. 1. saraiva/2005. Essas cotas. ou se for provado o pagamento da dívida ou o depósito judicial do respectivo valor. II do código civil. pág. e somente poderá ser efetivado após o decurso do prazo de 90 dias da publicação. desde que os sócios detentores de pelo menos 75% do capital social assim o desejem e sendo necessária. José Edwaldo Tavares Borba ensina que: “esse aumento envolverá o ingresso de novos recursos quando decorrer de subscrição. O prof. os sócios.082. tornando-se efetiva a partir da averbação na Junta Comercial da alteração contratual que a tenha aprovado. ¾ do capital social186.076.

Os sócios são obrigados. deduzidos os juros da mora. 1.) remisso serão objeto de estudo futuro.004 do Código Civil responderá. Nesse sentido. pelo dano emergente da mora. 192 código civil. mas todos respondem solidariamente pela integralização do capital social.058. na forma do art. e aquele que deixar de fazê-lo.052. na hipótese de algum sócio não cumprir com sua integralização. a responsabilidade de cada sócio é restrita ao valor de suas quotas. Vimos então que a efetiva responsabilidade de cada sócio é pela integralização de sua quota.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa Assim. É recomendável que no contrato social haja uma cláusula fixando o tempo e a forma para a realização desse pagamento (a prazo). sendo certo que para essa última hipótese necessária se fará a presença de justa causa. mencionará: (. sem prejuízo do disposto no art. responderá de forma solidária com os demais.. em regra. A sociedade (e não os sócios) poderá cobrar em juízo o que for devido pelo sócio remisso. e o modo de realizá-la.) IV . as prestações estabelecidas no contrato mais as despesas FGV DIREITO RIO 108 .a quota de cada sócio no capital social. caso o capital social esteja totalmente integralizado. 1. Entretanto. ou expulsá-lo192. particular ou público. Portanto.. as quotas integram o patrimônio do sócio e poderiam. não podendo ser utilizada a inadimplência como via oblíqua para afastar sócios indesejáveis. temos que é obrigação fundamental e indispensável de cada sócio a integralização da sua quota de capital. tomá-la para si ou transferi-la a terceiros. art. que. Hipóteses como a exclusão de sócio e o acionista (S. na forma e prazo previstos. nos trinta dias seguintes ao da notificação pela sociedade. cabendo ação de regresso contra o sócio que efetivamente não integralizou sua parte. nunca foi pacífico o entendimento de que as quotas sociais são penhoráveis por dívida particular do sócio. às contribuições estabelecidas no contrato social. o patrimônio pessoal dos sócios não responde por dívidas da sociedade. além de cláusulas estipuladas pelas partes.004. temos os seguintes artigos do Código Civil: “Art.” “Art. perante a sociedade. os outros sócios podem.A. porém. salvo as restrições estabelecidas em lei”. A sociedade constitui-se mediante contrato escrito.” “Art. Neste sentido. não integralizada a quota de sócio remisso. esta obrigação não precisa ser realizada imediatamente (à vista). Porém. responderá perante esta pelo dano emergente da mora. em existindo parte do capital social ainda não integralizada.004 e seu parágrafo único. Na sociedade limitada. é chamado de sócio remisso e. 1. decorrentes de decisão judicial. em se tratando de uma sociedade limitada. 1. os sócios responderão solidariamente pela quantia que falta para completar o capital social. 997. em regra. dívida do sócio com terceiro e penhora de Quotas Na condição de bem móvel. 591 do Código de Processo Civil estabelece o princípio básico segundo o qual “o devedor responde. o art. com todos os seus bens presentes e futuros. excluindo o primitivo titular e devolvendo-lhe o que houver pago. 1. para o cumprimento de suas obrigações. ser objeto de penhora para efeito de pagamento de obrigações vinculadas àquele.” O sócio que não cumpre com a obrigação de integralizar sua quota (ou quotas) dentro do prazo. entretanto.

223/pR. conforme verifica-se nas ementas transcritas em “jurisprudência”.179. Rubens Requião. vedando a livre cessão de quotas”196. considerar inadmissível que “se prejudique a empresa. em benefício da coletividade. pág. sérgio campinho.º 34. VEREDIcTum – Diretório acadêmico afonso arinos – unirio. pág.195” Para o prof. 1º. com o ingresso compulsório de terceiro não sócio. incidir a penhora”197.cit. in curso de Direito comercial. para o cumprimento de suas obrigações. 114.343.345. para a sociedade limitada. o professor reconhece que não se pode “desconsiderar os nefastos efeitos que a arrematação das quotas em hasta pública poderia vir a provocar na affectio societatis. pág. que se veria impedido de excutir as quotas do sócio-devedor. o Prof.026. no caso. cumprindo.º 34. tendo os demais sócios que prostradamente assistir a admissão de um novo consorte. O Prof. Nas palavras do professor é inconcebível: “considerar a cota equiparável às ações e transmudar os termos de processo de execução de forma a torná-lo um modo de transferência da cota-ação das mãos do devedor para as do credor”194. são paulo/1995.031). conforme ensina José Gabriel Assis de Almeida201: “O regime imposto pelo NCC está no art.680/RS e pelo Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial n. Vimos então que.177. e não da sociedade. alternativamente. 1. Renovar/2005. a quem se tem exaltado como instrumento necessário ao bem comum. apesar da jurisprudência.cit. campInHO. José Edwaldo Tavares Borba entende que “a insolvência do sócio levará os credores à pretensão de penhorar suas quotas na sociedade. natureza a que se subordina a sociedade limitada”199.cit. Ed. Ou seja. sérgio Op.882-5/RS. sobre os valores encontrados.026. quando o caráter que quiseram impor à sociedade seria o personalista. 1. Este dispositivo estabelece a possibilidade da execução recair. novembro/2004. ao tratar da matéria no capítulo correspondente. in Direito de Empresa á luz do novo código civil. havendo limitação à sua livre transferência. como fonte de produção e de riquezas. a matéria é regulada no capítulo das sociedades simples (art. considerava absurda a aplicação irrestrita dos preceitos da Lei das Sociedades Anônimas à sociedade limitada. ainda que esta esteja em regime de concordata preventiva. “em sua inteireza. legitimar-se-ia a penhora. negarse-ia a penhora”200. onde na ementa se encontra: “É possível a penhora de cotas pertencentes ao sócio de sociedade de responsabilidade limitada.175. não há qualquer óbice para sua aplicação no campo societário tipicamente de capital ou misto. Vol. em execução por dívida sua. Para o Prof. Ricardo Negrão198. 22ª edição. presentes ou futuros. Essa penhora não terá cabimento nas sociedades de pessoas. sobre (I) os dividendos do devedor (II) os haveres 193 apud. sem a anuência dos demais companheiros”. pág. o regime imposto pelo Código Civil impõe a liquidação da quota do sócio em virtude de dívida particular. seguindo entendimento de Cunha Peixoto193. além de.430/mG. saraiva. in as sociedades limitadas e os direitos de terceiros. Em posição contrária aos demais doutrinadores.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa O Prof. sendo aplicável. parte da doutrina entende que o cerne da questão está no entendimento que se tenha da natureza jurídica da sociedade limitada . do contrário.se de capital ou de pessoas. apesar do Código Civil não dispor sobre a matéria “possibilidade de penhora das quotas” sociais por dívida particular de sócio. Entretanto. Entretanto. Op.cit.73. parágrafo único e art. pág. 194 195 196 Op. Sérgio Campinho. mas também porque. pág. 201 FGV DIREITO RIO 109 . com a apuração de seus haveres. apurar os haveres do sócio insolvente para. admitida expressamente pela lei a excussão de parcela do capital social em sociedade intuitu personae – como é a sociedade simples –. “caso fosse concebida a livre cessão das quotas.” E no REsp 21. Requião. pág. “não pode a relação interna estabelecida entre os sócios obstar o exercício de um direito por parte do terceiro-credor. a quota somente será penhorável se “houver no contrato social cláusula pela qual possa ser ela cessível a terceiro. entende que. colocando aquele em injusta desvantagem em relação a este último”. onde na ementa se lê: “responde o devedor com todos os seus bens. 5 ª edição. 1. Esta posição já foi a adotada pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do Recurso Extraordinário n. 197 198 Op.365. 199 200 Op.cit. não havendo lei que exclua da execução as quotas do sócio em sociedade de responsabilidade limitada”. posição fundamentada em decisão do sTj no REsp. E conclui criticando a doutrina que admite a penhora pura e simples de quotas do sócio em execução de dívidas particulares. não somente em razão da omissão do legislador.

extraída dos atos constitutivos ou de sua alteração. A grande novidade é que a liquidação da quota implica. o imóvel não tem finalidade de integralização do capital da sociedade (formação ou aumento do capital social). Nigro Conceição).99. a quota só é penhorável na insuficiência de outros bens.934/1994. O artigo 2º da Lei 6385/76 relaciona diversos valores mobiliários. 1. dos bens com que o subscritor tiver contribuído para a formação ou aumento do capital social. Assim. a Lei cuida da transferência do bem imóvel com que o subscritor tiver contribuído para a formação ou aumento do capital social. em favor da sociedade. A certidão passada pela Junta Comercial é documento hábil para a transferência de bem do sócio para a sociedade e. Não é possível interpretar extensivamente tal norma para abranger os casos em que houver redução do capital social ou mesmo extinção da sociedade. Há. o Conselho Superior da Magistratura do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo.94.10. Assim.030. É que o art. constituí uma das grandes diferenças entre estes tipos societários e poderá ser fundamental para a escolha do tipo societário mais adequado para determinados negócios. merecem interpretação restritiva. pois incompatível com a sua estrutura. deve ser interpretada de modo restritivo. Somente após esgotados os demais bens do patrimônio do sócio-devedor é que o credor poderá indicar. Des. havendo dação em pagamento. Neste sentindo. às sociedade anônimas. não podemos deixar de salientar que a sociedade limitada não poderá obter financiamento para suas atividades através da emissão de valores mobiliários203. como título hábil para. será o documento hábil para a transferência. por transcrição no registro público competente. os dividendos e os haveres do sócio-devedor”. como por exemplo. por força do disposto no art. as partes beneficiárias. diferentemente. para a composição ou o aumento do capital social e nunca. 28. para sua redução ou dissolução” (Ap. Rel. 64 da Lei nº 8. como objeto da execução. passada pelas juntas comerciais em que foram arquivados. ou seja.934. mas sempre. Destarte. como é o caso do art. A emissão de valores mobiliários será restrita. da pessoa jurídica para o sócio. os haveres serão apurados na forma do art. Tal dispositivo legal permite a utilização de certidão expedida pela Junta Comercial. do sócio devedor. derivada do texto do art. 1. 1. requerendo a liquidação da quota do sócio-devedor. Cív. invariavelmente. mas tal exceção. perante o registrador. nº 63. as debêntures. os bônus de subscrição. nesses casos. não estando a hipótese dentro da exceção do art. somente será possível o registro imobiliário das certidões referidas nas hipóteses em que ocorrer aumento de capital social (com integralização de bens imóveis).Capital.934/94. Ou seja. parágrafo único.026 criou um benefício de ordem.934/1994 e sua interpretação restritiva Segundo a sistemática contida no artigo 64202 da Lei 8. os contratos de investimento coletivos.11. de 18. independentemente da natureza e localização destes bens. embora não esteja expressa. j.9710/1 .934/94. 202 203 Valores mobiliários são títulos de investimentos negociados por uma sociedade anônima. no caso concreto. na exclusão. a certidão dos atos de constituição e de alteração de sociedades mercantis. entendeu que “normas excepcionais.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa do devedor. as ações. dentre outros. já se decidiu: ‘Admitese a utilização de instrumento particular com o fim de materializar a conferência de bens pelos sócios para integralizar o capital social. o art. uma outra importante inovação no regime do NCC. primeiro deverá o credor esgotar todos os demais bens que integram o patrimônio do sócio-devedor. 64 da Lei n. o título de transferência somente se viabilizaria se materializado por instrumento público. Neste caso. art. portanto. Essa vedação. 64 da Lei nº 8.031 acima citado.º 8. da sociedade. Além disso. 64. Noutras palavras. FGV DIREITO RIO 110 . ainda. 64 da Lei nº 8. possibilitar a alienação de direitos reais incidentes sobre imóveis. E na espécie. mas sim decorrente de extinção da pessoa jurídica. a transmissão se opera de forma inversa. esta deverá se formalizar por escritura pública. a propósito do falecimento de sócio.

as dívidas foram se avolumando a um ponto que Isabela não mais conseguiu satisfazer as suas obrigações. acabava se empolgando e adquirindo outros bens. resolve adquirir uma geladeira em 36 vezes. wsp?tmp. para imóvel. a sociedade credora ingressa com ação de execução em face de Isabela e é realizada a penhora de quotas de sua propriedade.stj. QUANDO EXISTE CLÁUSULA A RESPEITO NO CONTRATO SOCIAL. aquelas que possuem o registro na CVM. Procurada por Isabela. agência reguladora do mercado de capitais. quando estiverem atuando como se fossem companhias abertas. Padilha diz ser o proprietário de uma sala que servirá de escritório para o desenvolvimento da empresa. INALIENABILIDADE OU IMPENHORABILIDADE DE QUOTAS DA SOCIEDADE LIMITADA. FGV DIREITO RIO 111 . Ultrapassado esse prazo. às 03:25horas.055.gov. mas isso não significa concluir que as sociedades anônimas fechadas e as limitadas não possam ser autuadas e multadas pela referida agência. para fins de precaução. Izan e Fabião. acesso em 19 de janeiro de 2008.area=398&tmp. trocando o carnê por outro e. Devido a sua inadimplência. resolvem constituir uma sociedade limitada denominada de Bernardo’s Empreendimentos e Participações Ltda. qual deve ser a medida adotada? JurisprudênCia RECURSO EXTRAORDINÁRIO. aumentando o valor das parcelas. Nesse sentido. pretendendo integralizar sua parte no capital social com o referido bem imóvel. num frio e chuvoso final de semana. Para tanto. bombardeada por diversos anúncios de uma grande rede de eletrodomésticos. texto=86413. compete fiscalizar as sociedades anônimas abertas. lhe procuram com as seguintes questões: a) Qual deve ser a forma de integralização do capital com o bem imóvel? b) É necessária a realização de escritura pública? c) O instrumento que efetivar a integralização deve ser levado ao Registro Imobiliário? d) Sendo Padilha casado. indicado por Padilha.br/ portal_stj/publicacao/engine. representativas do capital social de uma sociedade limitada de pessoas. receosos com o a regra inserta no art. qual será o seu parecer? Caso gerador ii. A cada mês que se dirigia à loja para pagar a prestação. ou seja. via de conseqüência. cujo objeto será a prestação de serviços de consultoria empresarial para empreendimentos na área de T. todavia. 204 http://www. §1° do Código Civil. à Comissão de Valores Mobiliários – CVM. Caso gerador i Isabela Gama.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa Com efeito. 1. Os amigos de longa data Padilha. Desse modo.I. QUANDO DELE NÃO SE CONHECE. (tecnologia da informação). Os sócios concordam com o preço.. temos dois grandes exemplos: a sociedade limitada Avestruz Máster204 e a Fazendas Reunidas Boi Gordo S/A (sociedade anônima fechada). é necessário a outorga conjugal? e) É devido o imposto de transmissão de bens imóveis (ITBI)? Os sócios Izan e Fabião efetuaram a subscrição de suas quotas para integralização em 6 meses. ausente a integralização.

3. Rel.04. Rel. NELSON HUNGRIA. esta não pode ser admitida como válida. Rel.Descabe o conhecimento do especial quanto ao pedido de relativização da ordem de gradação dos bens indicados à penhora. na qualidade de terceira interessada. II . ÔNUS DO DEVEDOR.2001 p. FGV DIREITO RIO 112 . I . grifamos.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa (RE 34.117. (REsp 234. Ministro CARLOS ALBERTO MENEZES DIREITO. Recurso especial não conhecido. Recurso conhecido e provido. ou então. julgado em 21. Precedentes. 1.747/DF. conceder-se a ela e aos demais sócios a preferência na aquisição das cotas. PENHORA DE QUOTAS. à mingua de qualquer previsão legal. DJ 29.1958). SOCIEDADE DE RESPONSABILIDADE LIMITADA. A penhora não acarreta a inclusão de novo sócio.2006 p.119)”.2000. pouco importando a restrição contratual. PRIMEIRA TURMA. remir a execução. se o recorrente não se desincumbiu do ônus de comprovar a expressão econômica daqueles que pretendia dar em substituição aos já penhorados. grifamos. 1. que restaria comprometida com a participação de um estranho não desejado. 2.118 e 1. Recurso especial não conhecido. As quotas. 241). preservando-se a afectio societatis. DJ 29.2000.05. TERCEIRA TURMA.680/RS. asseverou o acórdão recorrido não ter o recorrente se desobrigado do ônus da sua prova.186). grifamos. a tanto por tanto (CPC. cláusula impediente. CONTROVÉRSIA DOUTRINÁRIA E JURISPRUDENCIAL.2002 p. superar essa conclusão demandaria incursão no acervo fático-probatório da causa. devendo ser “facultado à sociedade. INDEFERIMENTO DE PEDIDO DE SUBSTITUIÇÃO. 1.391/MG. a despeito de haver restrição contratual à alienação das cotas. PROCESSO CIVIL.11. remir o bem ou concederse a ela e aos demais sócios a preferência na aquisição das cotas.117. considerando que não há vedação legal para tanto e que o contrato não pode impor vedação que a lei não criou.02. Julgamento em 27/01/1958. Ministro CARLOS ALBERTO MENEZES DIREITO. (REsp 148. Relator Min. EXECUÇÃO. III .118 e 1. DESATENDIMENTO DA GRADAÇÃO LEGAL. DÍVIDA DE SÓCIO.No que se refere à alegação de que os demais sócios do empreendimento são contrários à venda das cotas.119 do estatuto processual civil. a possibilidade de remir a execução. sendo ainda essa iniciativa vedada pelo contrato social.947/MG. 113). em princípio. julgado em 15. (REsp 712. cumpre respeitar a vontade societária. grifamos. TERCEIRA TURMA. de modo que. são penhoráveis. entretanto. o que é vedado em âmbito de especial (Súmula 7/STJ). DJ 10. na qualidade de terceira interessada. PENHORA DE COTAS DE SOCIEDADE DE RESPONSABILIDADE LIMITADA. julgado em 14. PENHORA DAS COTAS SOCIAIS. Havendo.12. DJ 12. Ministro CASTRO FILHO. TERCEIRA TURMA.1. As cotas sociais podem ser penhoradas.2006.04. em consonância com os artigos 1.Ademais.02. “eis que sequer juntou aos autos cópia do mesmo”. Deve-se apenas facultar à sociedade. arts. NÃO COMPROVAÇÃO DA EXPRESSÃO ECONÔMICA. SOCIEDADE POR COTAS DE RESPONSABILIDADE LIMITADA. como já acolhido em precedente da Corte.

julgado em 30. EXECUÇÃO. e. mas a que. DJ 12. DJ 09. TERCEIRA TURMA. se nega provimento. que a sociedade foi constituída “intuitu personae”.C.2006 p. Rel. TJ/RJ) – grifamos.AGRAVO DE INSTRUMENTO. julgado em 20. A proibição de alienar as cotas pode derivar do contrato. O fato do contrato de compra e venda dos bens encontrar-se em nome da.15. O fato de terem os sócios integralizado o capital social no momento da constituição da sociedade.DECIMA SEGUNDA CAMARA CIVEL. PENHORA DAS QUOTAS SOCIAIS. AGRAVO DE INSTRUMENTO. EXECUÇÃO PROMOVIDA CONTRA ESPÓLIO. Em que pese o débito ter sido constituído pelo sócio majoritário da apelada. Ministro EDUARDO RIBEIRO. se a FGV DIREITO RIO 113 . seja em virtude de proibição expressa.. MIN. INEXISTÊNCIA DE QUALQUER HIPÓTESE QUE AUTORIZE A CONFUSÃO DOS PATRIMÔNIOS. com a pessoa de seu falecido sócio. HENRIQUE MAGALHAES DE ALMEIDA .08.04. de seu contexto. não é lícita a penhora das quotas sociais em execução movida contra a pessoa jurídica. em hipótese alguma o imóvel deixará de pertencer à empresa apelada Não se pode confundir a pessoa jurídica da empresa. HUMBERTO GOMES DE BARROS. conseqüentemente.1993 p. salvo consentimento expresso de todos os demais sócios. e não da empresa apelada. pelo cumprimento de suas obrigações. Comprovado está que a dívida é do Espólio. Por isso. Impenhorabilidade reconhecida. (REsp 34.06.P. já que os bens da sociedade por cotas de responsabilidade limitada não se comunicam com os adquiridos pela pessoa física de seus sócios. grifamos. Assim. (REsp 757. pelo contrato social. grifamos. dispondo que o devedor responde. o patrimônio dos sócios não responde por dívidas da sociedade. pois o que se está executando é o acordo firmado entre aquele e o ora apelante. IMPOSSIBILIDADE. RECURSO ESPECIAL. seja quando se possa concluir. com todos os seus bens. TERCEIRA TURMA.06.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa SOCIEDADE POR COTAS DE RESPONSABILIDADE LIMITADA . Agravo que se conhece. DÍVIDA DA SOCIEDADE DE RESPONSABILIDADE LIMITADA. I do mesmo Código que afirma impenhoráveis os bens inalienáveis. do qual não fez parte a recorrida. ressalva as restrições estabelecidas em lei. EMBARGOS DE TERCEIRO.230).882/RS.Julgamento: 13/09/2005 . DES. Rel. – Salvo em hipóteses taxativamente previstas em lei. torna os bens adquiridos para tal finalidade econômica de propriedade da sociedade. da qual o espólio detém cotas. (2005. nem partilha dos seus bens.2006. POSSIBILIDADE. 482). agravante não a torna proprietária exclusiva dos bens se estes foram empregados na sociedade e se o capital social foi totalmente integralizado. NOMEAÇÃO DE SÓCIO COMO FIEL DEPOSITÁRIO.07916 . não pode a penhora recair sobre bem dessa.1993. EM RAZÃO DE DIVIDA CONTRAÌDA PELO DE CUJUS. Hipótese em que o contrato veda a cessão a estranhos. Entre elas se compreende a resultante do disposto no artigo 64. O artigo 591 do C. a morte de um dos sócios não acarreta sua dissolução da sociedade.865/SP. PERTENCENTES AOS SÓCIOS. PENHORA DE BEM IMÓVEL PERTENCENTE À EMPRESA DA QUAL O FALECIDO ERA SÓCIO MAJORITÁRIO. ARROLAMENTO DE BENS DE SOCIEDADE. se.002.PENHORABILIDADE DAS COTAS DO CAPITAL SOCIAL.

1ª FASE.52831 . foi contraída pelo falecido. ainda que representado por propriedade rural. (D) depende da aprovação de 3/4 do capital social. depende da deliberação dos sócios a aprovação das contas da administração. Na omissão do contrato social. 1ª FASE. PROVA OAB/MG . desde que autorizada a abertura do capital da sociedade empresária. (D) não pode ser negociada em bolsa de valores.SEÇÃO DO RIO DE JANEIRO. PROVA OBJETIVA.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa dívida.SEÇÃO DE SÃO PAULO.DEZEMBRO/2007 81ª Questão: Sobre o Capital social da sociedade limitada: a) é admitida a sua formação com base em prestação de serviços pelos sócios a favor da sociedade. (B) pode ser negociada em bolsa de valores. 128º EXAME DE ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL . TJ/RJ). VERSÃO 1. Desprovimento do recurso. (B) depende da aprovação de metade dos sócios presentes em reunião. desde que autorizada pela Assembléia Geral dos sócios. grifamos. c) Na sociedade limitada empresária.EXAME DE ORDEM . dos seus atos constitutivos.Com relação às sociedades personificadas. PROVA OBJETIVA. (C) depende da aprovação de metade do capital social. e não os da empresa da qual era sócio. são seus bens que devem garantir a execução.SEÇÃO DE SÃO PAULO. 49. PROVA OBJETIVA. Direito Comercial 47 . no registro próprio e na forma da lei. Sergio Lucio Cruz . assinale a alternativa INCORRETA: a) A sociedade adquire personalidade jurídica com a inscrição. FGV DIREITO RIO 114 .Julgamento: 01/02/2006 . Questões de ConCursos 24º EXAME DE ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL . 42. a cessão de quotas entre sócios de uma sociedade limitada (A) é livre. b) é admitida a sua formação por bem imóvel.Apelação Cível.001.Décima Quinta Câmara Cível. 1ª FASE. b) É nula a estipulação contratual que exclua qualquer sócio de participar dos lucros e das perdas. Des. (2005. (C) não pode ser negociada em bolsa de valores. d) Em nenhuma hipótese a sociedade limitada empresária poderá reduzir o seu capital 124º EXAME DE ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL . enquanto não tiver o seu capital totalmente integralizado. A quota de capital de uma sociedade empresária (A) pode ser negociada em bolsa de valores.

d) o sócio que pagou sua participação no capital social com bem imóvel responde solidariamente com a sociedade pela exata estimação do seu valor pelo prazo de dois anos. quando tais lucros ou quantias se distribuírem com prejuízo do capital.EXAME DE ORDEM . b) Na omissão do contrato. independentemente de audiência dos outros sócios. b) nas sociedades de responsabilidade ilimitada os sócios que se retiram ficam obrigados pelas obrigações contraídas até o momento da despedida por um período de dois anos a partir do arquivamento da alteração contratual . sem direito de receber de volta o que houver pago. o sócio remisso: a) pode ser cobrado pela via da ação executiva.EXAME DE ORDEM . a qualquer título. PROVA OAB/RS . a quem seja sócio. PROVA OAB/DF .ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa c) todos os sócios respondem subsidiariamente em relação à sociedade pela exata estimação do valor do bem imóvel que compõem o capital social pelo prazo de dois anos.ABRIL/2008 77ª Questão: Na sociedade limitada. c) nas sociedades de responsabilidade limitada o sócio responde pelas obrigações existentes no momento do ingresso e pela integralização de sua cota a partir daí. PROVA OAB/MG . FGV DIREITO RIO 115 . o sócio pode ceder sua quota. d) responde sozinho perante credores por dívidas da sociedade. c) A remuneração dos membros do conselho fiscal instituído será fixada. a) Os sócios serão obrigados à reposição dos lucros e das quantias retiradas. b) pode perder as cotas adquiridas.AGOSTO/2006 81ª Questão: Ainda quanto à responsabilidade ordinária dos sócios é correto afirmar que: a) nas sociedades de responsabilidade ilimitada o sócio que nela ingressa mediante aumento do capital social responde somente pelas obrigações a partir de seu ingresso. salvo quando autorizadas pelo contrato. assinale a assertiva incorreta. d) Depende da deliberação dos sócios a designação dos administradores. c) nas sociedades de responsabilidade limitada o sócio responde pelas obrigações existentes no momento do ingresso e pela integralização de sua cota a partir daí.DEZEMBRO/2007 24ª Questão: Tratando-se de sociedade limitada. d) nas sociedades de responsabilidade limitada o sócio cotista dissidente não responde após o registro da alteração de sua retirada. anualmente.EXAME DE ORDEM . quando feita em ato separado. pela assembléia dos sócios que os eleger. total ou parcialmente.

contados da data da publicação da ata de assembléia que aprovou a redução. b) No caso de condomínio de quota.ABRIL/2006 24ª Questão: Nas sociedades limitadas. assinale a assertiva incorreta. total ou parcialmente. c) Pela exata estimação de bens conferidos ao capital social respondem solidariamente todos os sócios.EXAME DE ORDEM . não pode a sociedade reduzir o capital. c) Na sociedade limitada.DEZEMBRO/2006 31º EXAME DE ORDEM RJ 56ª Questão: Em relação à diminuição do capital social de uma sociedade limitada. apenas. havendo omissão do contrato. tomá-la para si ou transferi-la a terceiros. total ou parcialmente. a responsabilidade de cada sócio é restrita ao valor de suas quotas e os sócios que já integralizaram as suas quotas apenas respondem subsidiariamente pela integralização do capital social. iguais e desiguais. FGV DIREITO RIO 116 . mesmo após integralizado. b) Na sociedade limitada. com relação à formação do capital social e sua divisão em quotas. PROVA OAB/RJ . deduzidos os juros da mora. os outros sócios podem. b) A redução somente se tornará eficaz se não for impugnada no prazo de 90 (noventa) dias.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa PROVA OAB/MG . não integralizada totalmente a quota de sócio remisso. d) Para a formação do capital social é permitida contribuição que consista em prestação de serviços. o sócio pode ceder sua quota. c) A redução do capital social pode ser feita sem modificação do contrato. excluindo o primitivo titular e devolvendo-lhe o que houver pago. a) O capital social divide-se em quotas.EXAME DE ORDEM .ABRIL/2006 95ª Questão: Assinale a alternativa CORRETA: a) Sócio remisso é aquele que não cumpre o dever de integralizar sua parcela no capital social. salvo se houver perdas irreparáveis para a sociedade. somente a quem seja sócio.EXAME DE ORDEM . PROVA OAB/RS . podemos afirmar que: a) Salvo expressa previsão no contrato social. até o prazo de 5 anos da data do registro da sociedade. d) Na sociedade limitada. cabendo uma ou diversas a cada sócio. d) O capital social não pode ser reduzido. os direitos a ela inerentes somente podem ser exercidos pelo condômino representante ou pelo inventariante do espólio do sócio falecido. as prestações estabelecidas no contrato mais as despesas.

Uma sociedade limitada possui quinze sócios. os quais representam um quinto do capital social. sendo doze majoritários e três minoritários. b) O patrimônio social líquido corresponde à totalidade de ativos da sociedade deduzido o capital social.2ª FASE. PROVA DISCURSIVA. se o estatuto não dispuser em contrário.SEÇÃO DO RIO DE JANEIRO . 2ª Prova Específica. compete ao conselho de administração autorizar. 4 . d) Nas sociedades anônimas. 27º EXAME DE ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL .2007 59ª Questão: Quanto às sociedades. a alienação de bens do ativo permanente. XXXIX CONCURSO PARA INGRESSO NA MAGISTRATURA DE CARREIRA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO. Direito Comercial.PROVA DISCURSIVA . De que forma estes sócios minoritários podem assegurar a defesa de seus direitos? Aponte o fundamento legal.SEÇÃO DO RIO DE JANEIRO. o capital social pode ser integralizado com a prestação de serviços. 4 . 29º EXAME DE ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL .ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa PROVA CONCURSO PúBLICO/MG . 2ª QUESTÃO (VALOR: TRÊS PONTOS): Que opções têm os sócios da sociedade limitada em relação ao sócio remisso? (VALOR: UM PONTO E MEIO). FGV DIREITO RIO 117 .No capital social de uma sociedade limitada empresária. assinale a alternativa CORRETA. defina qual é a natureza jurídica da cota. c) Na sociedade empresária limitada.JUIZ . 2ª FASE. a) O patrimônio social não pode ser inferior ao capital social.

7ª edição. computado pela forma prescrita no artigo nº. Fábio Ulhoa Coelho.4ª edição. – Páginas 424 a 432 do Curso de Direito Comercial.I . 1. onde está localizado o poder de deliberar. vol. Sérgio Campinho. José Edwaldo Tavares Borba. porém. ou seja.4ª edição. 15 do Decreto n. retirar-se da sociedade.068) e para estabelecer a remuneração do contabilista assistente (art. Saraiva/2004. “a vontade do sócio ou dos sócios titulares de mais da metade do capital social era suficiente para qualquer deliberação”204. ementário de temas – Assembléias e Reuniões – Conselho Fiscal 203 art. 7ª edição. na proporção do último balanço aprovado. como por exemplo.º 3. “o rol do art. 1. 331 . obtendo o reembolso da quantia correspondente ao seu capital. 9ª edição. contudo. conforme disposição do art. é o cérebro da cOELHO. 1. 15. dada sua especificidade. 205 206 in manual de Direito comercial e de Empresa. Fábio ulhoa in curso de Direito comercial. a exigência de os sócios reuniremse em assembléia.a maioria dos sócios não tem faculdade de entrar em operações diversas das convencionadas no contrato sem o consentimento unânime de todos os sócios.708/1919205. FGV DIREITO RIO 118 . igualmente.708 de 10 de janeiro de 1919. ou melhor. as sociedades limitadas (então chamadas de sociedades por quotas de responsabilidade limitada) eram reguladas pelo Código Comercial e. 5ª edição Renovar/2005. para eleger e fixar remuneração dos membros do conselho fiscal (art. A reunião ou assembléia de sócios é o órgão máximo da sociedade. Ricardo Negrão.430. Vol. de tomar decisões. definiu a necessidade de se alcançar uma maioria qualificada para aprovação de diversas matérias e deliberação colegiada em reunião ou assembléia. assiste aos sócios que divergirem da alteração do contrato social a faculdade de se retirarem da sociedade. especificamente. 204 roteiro de auLa Já aprendemos que antes do advento do novo Código Civil. desde logo.071.071 não é taxativo. 1. saraiva/2004.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa AUlA 15: MECANISMOS DE fORMAÇÃO DA vONtADE SOCIAl E SUA fISCAlIZAÇÃO Nesta aula discutiremos a leitura do(s) seguinte(s) capítulo(s): – Páginas 368 a 371 do Manual de Direito Comercial e de Empresa. Leitura CompLementar – Páginas 242 a 255 de O Direito de Empresa à luz do Novo Código Civil. Há outras situações que. pág. art. sendo permitindo ao sócio que divergisse (da maioria). saraiva: são paulo/2005. parágrafo único)”206. – Páginas 122 a 125 do Direito Societário.070. não foram mencionadas naquele dispositivo e que. em atenção ao direito dos minoritários e com a possibilidade de abuso por parte do majoritário.370. o art. nos mais casos todos os negócios sociais serão decididos pelo voto da maioria. Saraiva: São Paulo/2005. em suma. até à data do registro definitivo da modificação do estatuto social. Ficam. e as explicitamente indicou no art.I . Nas palavras do Prof. na parte em que essas prestações forem necessárias para pagamento das obrigações contraídas. O Código Civil. Renovar: Rio de Janeiro/2004. pág. obrigados às prestações correspondentes às quotas respectivas. pelo Decreto nº 3. Ricardo Negrão. No tocante a disciplina das deliberações dos sócios. 331203 do Código Comercial estabelecia o princípio da maioria. dependem de deliberação dos sócios. 486.

154 do NCC. O art. §1º do Código Civil.152. mesmo a sociedade limitada constituída com menos de 10 (dez) sócios.077 do código civil. poderá optar pela forma de assembléia para suas deliberações sociais. que o ato sujeito a registro não pode. poderão os sócios e o Conselho Fiscal – se tiver sido instalado – fazer a convocação para reunião ou assembléia na forma estabelecida pelo artigo 1. A assembléia se instala com a presença de ¾ do capital social. O Prof. “é importante a apresentação da ata de assembléia ou reunião ordinária a arquivamento e averbação. 1. 1. nos casos específicos em lei208. a competência dos sócios e do conselho fiscal é concorrente. por unanimidade.152. Até então resta evidenciado que o mecanismo de deliberação social em assembléia é dotado de formalidade.073. sendo certo.429. §2º do código civil. trás como novidade o registro da ata dos trabalhos e deliberações em livro específico (Livro de Atas). Uma vez aprovada determinada deliberação.cit. de forma excepcional.)”216. 1. ficam dispensadas se todos os sócios comparecerem ou se declararem cientes.072.072. legitimando.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa sociedade. Aos sócios dissidentes caberá o direito de recesso. §3º do código civil. 214 215 216 art. se o número de sócios for superior a 10 (dez)210. 210 in O Direito de Empresa à luz do novo código civil. a convocação é dever legal do administrador que também pode ser realizada pelos sócios e pelo conselho fiscal (se houver). como veremos a seguir. assim. conforme esteja previsto no contrato social. 217 218 Op. ser oposto a terceiro (artigo 1. sendo permitido ao sócio ser representado por outro sócio ou advogado com mandato específico. art. 213 art. como publicação em jornais. no mesmo sentido: sérgio campinho. 1.071 do Código Civil serão adotadas em reunião. FGV DIREITO RIO 119 . Ressalte-se que. 212 art.074 do código civil. contudo. 208 209 art. do local. Como adverte Modesto Carvalhosa. em primeira convocação. 5ª edição Renovar/2005. Serão sempre em assembléia.246. §1º do código civil. 13. Sérgio Campinho211 leciona que esta “competência primária é conferida ao órgão de administração da sociedade. § 3º do Código Civil. As deliberações sociais podem ser alcançadas.072. pode estabelecer regras diferentes das previstas na lei para a validade da assembléia dos sócios. outro órgão ou pessoas à convocação do encontro de sócio”212. §5º do código civil. a soma das vontades dos sócios torna-se uma única vontade – a vontade social. saraiva/2003. 1. juntamente com a ata215. também. pois. 1. 1. é a partir daí. Na prática. Assim não sendo.078. o Prof. portanto. e encaminhada a registro nos 20 dias subseqüentes.072. já que estas se aplicam apenas quando omisso o contrato social”218. 1. curso e registro de trabalhos. devendo. hora e ordem do dia214. a lei estabelece uma competência secundária. devendo o instrumento ser levado a registro. 1. em sua maioria. contudo. não seria conveniente em virtude do maior formalismo. pág. antes do cumprimento das respectivas formalidades. ser evitado pelas sociedades limitadas que. para Fábio ulhoa coelho. A ata deve ser assinada pelos membros da mesa e pelos sócios participantes da assembléia. quorum de instalação. Fábio Ulhoa Coelho217 esclarece que “se o contrato social estabelece que as deliberações dos sócios sobre as matérias do art. 211 para Ricardo negrão. §3º do código civil. que se contará o prazo prescricional de dois anos para se anular a aprovação do balanço patrimonial e o de resultado econômico previsto no parágrafo 4º do artigo 1. que irá gerar custo e risco de nulidade. No tocante às regras formais pertinentes às assembléias serem aplicadas às reuniões. e não da data de sua realização. como já tratado na aula 10. art. I e II do Código Civil. 207 art. e com qualquer número em segunda. in comentários ao código civil – parte Especial – Do Direito de Empresa – vol. em documento por escrito209. pág. por escrito. 1.075. Contudo. As formalidades para a convocação213. ele pode estabelecer regras próprias sobre a sua periodicidade. entretanto a lei prevê também a realização de reunião ou assembléia de sócios. que deve ser obedecida por todos207. reunião ou assembléia deve ser convocada atendendo ao dispositivo do art. A competência para a convocação de reunião ou assembléia é do administrador. é de pequeno porte. convocação (competência e modo). Assim. data.

direito a eleição em separado de um integrante e seu 1/5 do Capital Social: 20% do Capital suplente no Conselho Fiscal. FGV DIREITO RIO 120 . ou. que estabelecem maiorias especiais para diversas situações. Esta “gigantesca revolução” recebeu duras críticas do Prof. nos quatro meses seguintes ao término do exercício social. que era a flexibilidade normativa”219. como o prazo menor para o pagamento de apuração de haveres. 9ª edição. e nunca para menor. Nomeação de administrador não sócio desde que o capital 2/3 do Capital Social: 67% do Capital já esteja integralizado. DElIbERAÇõES NO NOvO CóDIGO CIvIl Deliberação Quorum Necessário Para Aprovação unanimidade: 100% do Capital Social Nomeação de administrador não sócio. unanimidade: 100% do Capital Social alteração do Contrato Social. fusão. quando o capital não tiver sido integralizado. in Direito societário. destituição de sócio nomeado administrador no Contrato Social.123. cessação do estado de liquidação. Renovar: Rio de janeiro/2004.078 do cc. sendo somente possível modificá-los para maior. A nova sistemática introduzida pelo Código Civil de 2002 fará com que. que antes prevalecia. pelo menos uma vez ao ano. pois o que a lei estabeleceu foram os parâmetros mínimos de votos favoráveis. os sócios poderão prever no contrato social quoruns mais específicos. sendo interesse evitar um rápido e grande desfalque na sociedade. Apesar da crítica. se o Conselho for instituído no Contrato Social. sendo interesse deixar ampla liberdade ao sócio controlador. dissolução 3/4 do Capital Social: 75% do Capital da sociedade. foi substituída por normas legais imperativas. representando os minoritários. estabelecer quorum superior ao montante de quotas do majoritário para o maior número de situações possível. “a liberdade contratual. José Edwaldo Tavares Borba uma vez que. porque detentor da maioria do capital social. denominada de reunião ou assembléia anual ordinária220.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa Vimos. então. coarcta-se a autonomia da vontade. sua destituição e o modo de remuneração ½ +1 do Capital Social: 51% do Capital do(s) administrador(es) não feita em contrato. ou seja. 219 220 art. os quoruns são necessários para as deliberações sociais. ½ +1 do Capital Social: 51% do Capital aprovação de contas da administração. que o Código Civil definiu a necessidade de se alcançar uma maioria qualificada para aprovação de diversas matérias. o controle da lei deve ser o limite. aprovação do plano de recuperação judicial ou extrajudicial. quebrando-se o principal mérito da sociedade limitada. Na prática. com vistas às peculiaridades da sociedade e ao pólo a ser protegido (do majoritário ou do minoritário). se o contrato não exigir maioria mais elevada. 1. Com isso. nomeação e ½ +1 dos presentes a convocação destituição dos liquidantes e o julgamento de suas contas. 2/3 do Capital Social: 67% do Capital Nomeação. b) de outro lado. trata-se de norma imperativa. pág. mas em ato separado. poderá se prever um prazo mais longo para o pagamento dos haveres. seja realizada uma reunião ou assembléia para aprovação das contas da administração e deliberação de demais assuntos. não se prevendo nenhuma outra matéria exigindo um quorum qualificado para deliberar. incorporação. transformação societária não prevista no ato constitutivo. por exemplo: a) uma sociedade com poucos sócios e com grande concentração de capital nas mãos de apenas um.

ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa

Convém destacar que a sociedade limitada poderá ter órgãos para a administração da sociedade, como por exemplo, o Conselho de Administração e Diretoria, bem como comitês de assessoramento, financeiro e executivo. Além disso, nada impede que a sociedade limitada faça uso do acordo de quotistas231, adotando-se as regras do artigo 118 da Lei 6404/76. Confira-se o texto232: Acordo de Quotistas - Importante ferramenta empresarial O Acordo de Quotistas é um contrato particular efetivado entre os sócios de uma sociedade limitada, que estabelece normas de conduta, obrigações e responsabilidades na gestão societária, as quais deverão ser cumpridas por todos os contratantes. Sua legalidade funda-se na possibilidade conferida pelo art. 997 c.c. art. 1.054, ambos do Código Civil, aos sócios em constituir entre si regras especiais para a regência da sociedade limitada. Vejamos:
“Art. 997. A sociedade constitui-se mediante contrato escrito, particular ou público, que, além de cláusulas estipuladas pelas partes (...). (...). Art. 1.054. O contrato mencionará, no que couber, as indicações do art. 997, e, se for o caso, a firma social”. (grifamos).

Neste acordo, situações como os limites da administração, eleição de administrador, função de cada sócio e/ou administrador, forma de cessão de quotas, quorum de votação, procedimentos e forma de pagamentos das quotas em caso de exclusão, liquidação, morte e outros, serão detalhadamente definidos, facilitando a administração. Outra importante função deste Acordo é o fato dele tratar de especial ferramenta para Planejamento Sucessório, pois estabelece regras ditadas pelos interessados quanto a comunicabilidade de quotas e bens, o usufruto, a doação, o ingresso de herdeiros e sucessores, o conselho de administração, o conselho familiar, os casos de arbitragem e outros pontos que se fizerem necessários dependendo da característica empresarial e familiar. Conclui-se, portanto, que sua função principal é harmonizar as decisões sociais, dando uma maior tranqüilidade aos sócios, evitando desconfortos eventuais que possam surgir, enfim, assegura aos sócios e administradores maior segurança para administrar situações conflituosas de maneira lícita, bem como facilitar a sucessão patrimonial e o papel dos herdeiros na sociedade. No que se refere a validade do acordo de quotista, é importante ressaltar que os ajustes conveniados vinculam “os sócios signatários nas suas relações diretas e pessoais, porque não inválidos, podendo invocar suas disposições específicas uns contra outros [1]”. Porém, para que produzam efeitos perante terceiros, isto é, aqueles não firmaram o pacto separado, sócios ou não sócios, os ditos ajustes devem estar em total acordo com as disposições do contrato social (art. 997, parágrafo único, do Código Civil). Diante disso, é incontestável a importância do Acordo de Quotistas, bem como o Código Civil não mais deixa dúvidas sobre sua legalidade e validade ao prevê-lo expressamente em seu art. 997, parágrafo único, de aplicação ao regime das sociedades limitadas por força do art. 1.054 do mesmo diploma legal. [1]CAMPINHO, Sérgio. O direito de empresa à luz do novo Código Civil, 2ª edição, Renovar, Rio de Janeiro, 2003, p. 89.

O Enunciado de nº 384 elaborado durante a IV jornada de Direito civil traz uma interpretação sobre o uso do acordo de acionistas interessante para as holdings que são sociedades limitadas. Ele estabelece que “é admissível o acordo de sócios, por aplicação analógica das normas relativas às sociedades por ações pertinentes ao acordo de acionistas”.
231 232 http://www.flp. c o m . b r / n o t i c i a s _ zo o m . php?urlId=604acesso em 19 de janeiro de 2009, às 03:31horas.

FGV DIREITO RIO

121

ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa

o Conselho fiscal na sociedade limitada Uma outra novidade prevista no Código Civil de 2002 é a possibilidade da sociedade limitada, por meio do contrato social, instituir um conselho fiscal. Explica-se esta faculdade das sociedades limitadas em virtude da grande maioria delas ser constituída de atividades de pequeno e médio, com um número reduzido de sócios e cuja administração é exercida por todos221 (ou quase todos). Uma vez estabelecido, o conselho fiscal deve funcionar de forma permanente, pois ou existe e funciona, ou, simplesmente não existe – diferente do que ocorre com a sociedade por ações222. Ele deve ser composto por três ou mais membros e respectivos suplentes, sócios ou não, residentes no Brasil223. O exercício do cargo é de um ano e em cada assembléia anual deverão ser escolhidos os membros do conselho fiscal e fixados seus honorários224. Os membros do conselho fiscal respondem solidariamente perante a sociedade e os terceiros prejudicados, por culpa no desempenho de suas funções. Seus deveres estão elencados no art. 1.069 do Código Civil. É vedado o exercício das funções de conselheiro, não podendo do Conselho fazer parte, àqueles listados no art. 1.066 §1º do Código Civil225. No intuito de esclarecer o porquê do membro da administração da sociedade ou de controlada por ela, não poder fazer do conselho fiscal, o Prof. Ricardo Negrão explica que “o conselho fiscal é órgão que deve manter-se independente da administração que fiscaliza, daí a razão pela qual os membros da administração não podem participar desses atos, sob pena de se confundirem numa só pessoa sua, execução e fiscalização, tornando-se órgão meramente referendário e, portanto, dispensável”.

221 n.a. como a finalidade básica do conselho fiscal é fiscalizar a administração, seria incompatível sua existência numa sociedade onde todos os sócios são administradores.

Caso gerador Igor Mosso, Izan, Orlando e Camila e mais dez pessoas são sócias de uma sociedade limitada, cujo objeto é a reparação de aeronaves. Igor, além de ser administrador da sociedade, cuidando de todos os negócios, especialmente a importação das peças de reposição, é detentor de 52% do capital social. Os sócios Izan, Orlando e Camila estão preocupados porque desde a entrada em vigor do Código Civil de 2002, a sociedade não promoveu a alteração do seu contrato social, tampouco realizou as reuniões anuais para aprovação das contas da administração. Esses sócios justificam sua preocupação no fato de que todas as vezes que foram tratar do assunto com Igor, esse alega que tudo está perfeito, e ainda lhes lembra que compete a ele deliberar sobre as contas e adotar as providências societárias, por ser ele o majoritário. Qual é o seu parecer?

Lei 6.404/1969. art. 161. a companhia terá um conselho fiscal e o estatuto disporá sobre seu funcionamento, de modo permanente ou nos exercícios sociais em que for instalado a pedido de acionistas.
222 223 224 225

art. 1.066 do código civil. art. 1.068 do código civil.

JurisprudênCia A legitimidade para convocação de reunião ou assembléia, foi objeto de decisão do STJ no Recurso Especial nº 493.297/SP (abaixo), que reconheceu a validade de reunião convocada por sócio de sociedade limitada detentor de 50% do capital social. Embora a

art. 1.011, §1º. “além das pessoas impedidas por lei especial, os condenados a pena que vede, ainda que temporariamente, o acesso a cargos públicos; ou por crime falimentar, de prevaricação, peita ou suborno, concussão, peculato; ou contra a economia popular, contra o sistema financeiro nacional, contra as normas de defesa da concorrência, contra as relações de consumo, a fé pública ou a propriedade, enquanto perdurarem os efeitos da condenação”. art. 1.066, §1º. “...os membros dos demais órgãos da sociedade ou de outra por ela controlada, os empregados de quaisquer delas ou dos respectivos administradores, o cônjuge ou parente destes até o terceiro grau”.

FGV DIREITO RIO

122

ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa

decisão seja fundamentada no Decreto n.º 3.708/1919, o acórdão menciona o artigo 1.073, I do Código Civil de 2002. SOCIEDADE DE RESPONSABILIDADE LIMITADA. ASSEMBLÉIA. CONVOCAÇÃO. Legalidade da convocação feita por sócio titular de 50% do capital social, mediante notificação com dez dias de antecedência, para assembléia a se realizar na sede de uma das empresas coligadas. Recurso não conhecido. (REsp 493.297/SP, Rel. MIN. RUY ROSADO DE AGUIAR, QUARTA TURMA, julgado em 24.06.2003, DJ 01.09.2003 p. 298). O inteiro teor do acórdão referente ao REsp 493.297/SP segue transcrito com destaque nos trechos mais importantes : RELATÓRIO O MINISTRO RUY ROSADO DE AGUIAR: Gonzallo Gallardo Diaz agravou da r. decisão que, nos autos da ação cautelar ajuizada por Juan José Campos Alonso e José Paz Vasquez, deferiu liminar impedindo o agravante de convocar reuniões extraordinárias de sociedade limitada para resolução de assuntos do interesse da sociedade empresarial. A egrégia Terceira Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça de São Paulo deu provimento ao agravo, nos termos da seguinte ementa: “Sociedade Limitada. No silêncio do contrato e do Decreto-Lei 3708⁄1919, admite-se a iniciativa do sócio detentor de 50% do capital social para a convocação de reunião ou assembléia de sócios (como já autorizado no novo Código Civil, art. 1.073, I), por se tratar de proposição do interesse da sobrevida da sociedade comprometida pela ruptura da affectio societatis. Não incidência da Lei 6404⁄76. Provimento para cassar a decisão que suspendeu a convocação” (fl. 379).” Rejeitados os embargos declaratórios, os agravados interpuseram recurso especial (art. 105, III, a, da CF), alegando violação aos arts. 18 do Decreto-Lei 3708⁄19; 128 do CPC; 123, 124, caput e parágrafos 1º e 2º, e 243 da Lei 6404⁄76. Sustentam irregularidades e, conseqüentemente ilegalidades quanto: a) à competência para a convocação da reunião extraordinária; b) ao local escolhido para a realização da reunião; c) à ausência de publicação de anúncio, bem como de tratar-se ou não de primeira ou segunda convocação. Alegam que o v. acórdão, ao conceder direito ao recorrido de realizar reunião, desrespeitou os limites da lide, “pois como efeito da cassação da medida liminar, bastaria a declaração de que o ora recorrido poderia realizar nova notificação extrajudicial, sem a observância das formalidades previstas pela Lei das S⁄As, amparado na decisão provisoriamente favorável ao então agravante, cabendo a este, logicamente, providenciar a devida notificação extrajudicial”. Dizem que “a determinação legal de aplicabilidade subsidiária das normas da sociedade anônima para suprir as omissões do capítulo das limitadas afasta inteiramente a aplicação das normas da sociedade simples, conferindo um mínimo de garantia aos direitos dos sócios”. Pedem a reforma do v. aresto recorrido para que seja restabelecida a liminar. Admitido o recurso, com as contra-razões, vieram-me os autos. É o relatório.
FGV DIREITO RIO 123

sobre a existência de um grupo de empresas coligadas. quem delibera. 2. O primeiro argumento exposto pelos recorrentes reside na ofensa ao art. Saraiva. Aquele que titulariza um décimo das quotas. acórdão acentuou a existência do direito do sócio minoritário de convocar a assembléia. 18 do Dec. a respeito do exercício da gerência. Ed. 243 da Lei das S⁄A não foi pré-questionada. No que diz com a alegada violação ao art. quando divergentes os sócios majoritários”. com sua vontade ou entendimento. A regra do art. mas deve realizar-se para FGV DIREITO RIO 124 . 391). Ocorre que o r. A falta de publicação de anúncio não é causa a justificar o conhecimento e o provimento do recurso. volume 2. neste sentido. sobre a competência para a convocação de assembléia geral. que se divorciam apenas na personificação legal” (fl.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa VOTO O MINISTRO RUY ROSADO DE AGUIAR (Relator): 1. É preciso regular os atos da sociedade de forma simples e segura. 3. É o que afirma Fábio Ulhoa Coelho (Curso de Direito Comercial.é indispensável na vida das sociedades limitadas.Estudo comparativo. 123 da Lei das S⁄A. pelas razões expostas. Desse modo. numa sociedade em que os outros dois sócios têm 45% cada. acórdão recorrido bem explicou as razões pelas quais a formalidade para as decisões assembleares. Confira-se a posição de Egberto Lacerda Teixeira (Sociedades Limitadas e Anônimas no Brasileiro . uma vez que o rigorismo formal contido no ensinamento transcrito nas razões é apropriado para as sociedades anônimas. p. Transcrevo do bem lançado voto do Dr. 13). 3708⁄19. 1987. acerca do processo de convocação: “A reunião ou assembléia de quotistas . próprias das sociedades por ações.como expressão substancial e não formal de deliberação coletiva . 416): “A extensão do direito de participar das deliberações sociais é proporcionar à quota do sócio no capital social. Saraiva. o tema relacionado com a disposição contratual. terá a incumbência do desempate. depois de analisar o silêncio do Decreto nº 3708⁄1919. 2001. nem todos têm condições de influir. O sócio que contribui com mais da metade do capital social. Tocante ao local escolhido para a realização da assembléia. Isto porque o direito de participação do sócio na sociedade é correspondente ao seu capital social ou mede-se o seu poder de acordo com o grau de seu investimento”. é ele. Ed. não pode ser aqui revisto. não podem ser inteiramente obedecidas no caso dos autos. a solução decorreu do exame da matéria de fato. uma vez que desatendida a sua determinação de aplicar as disposições da Lei 6404⁄76 no que não foi regulado pelo estatuto social. a despeito de sua pequena participação societária. Observo que sobre isso foi invocado julgamento anterior do mesmo Tribunal. Nesse ponto. considerando a negativa a tal direito uma indevida restrição ao sócio detentor de 50% das quotas. Enio Zuliani: “Excesso de formalismo poderá colocar em risco a dinâmica empresarial e comprometer a organização administrativa. embora os sócios devam ser consultados nas decisões mais importantes da sociedade. no conteúdo destas. Essa reunião ou assembléia não se reveste da solenidade das assembléias anônimas. delibera sozinho. p. portanto. e na parte aplicável. 4. reconhecendo que as empresas “são almas gêmeas. o r. sem o requinte da intensa publicidade que se exige nas anônimas. o que justificava a indicação do endereço de uma delas. com o prazo razoável de dez dias úteis. o que não se justificava no caso dos autos. Julgou-se suficiente a prévia convocação. em caso de divergência entre estes últimos.

Ministro-Relator. que representem a maioria do capital social (Sylvio Marcondes Machado. 1977. correção monetária do capital realizado. 387⁄391). 232. se outro local não for designado contratualmente. Ensaio sobre a sociedade de responsabilidade limitada. com razoável antecedência. Sálvio de Figueiredo Teixeira e Cesar Asfor Rocha votaram com o Sr. de modo que não seria lógico exigir. Ocorre. das pequenas sociedades limitadas do seu tempo.213-4). mas reforça-se a conveniência do aviso pessoal dirigido ao endereço registrado do sócio. exatamente porque a alteração do contrato de sociedade de responsabilidade limitada pode ser feita. Ministro-Relator. 124. obviamente. 160)” (fls. o necessário prequestionamento. pela vontade de sócios. Daí a necessidade de disciplinar o modo de realização de reuniões coletivas (ainda que para assinatura de instrumentos de alteração do contrato social) de modo a resguardar os interesses dos sócios. 5. relatados e discutidos estes autos. para habilitar sócio a convocar reunião. 1940. QUOTAS DE SOCIEDADE LIMITADA. todavia. 24 de junho de 2003(Data do Julgamento). 128 do CPC não foi examinado no julgamento da apelação. que nos dias atuais há vultosos interesses envolvidos nas sociedades limitadas. DISSOLUÇÃO DE SOCIEDADE. A reunião deve realizar-se na sede da sociedade. o requisito da convocação por editais publicados na imprensa oficial e diária. conforme admite Rubens Requião em parecer publicado na obra ‘Aspectos Modernos de Direito Comercial’. particularmente os relativos à discussão e aprovação do balanço. § 1º. O art. Brasília (DF). ACÓRDÃO Vistos. nem objeto dos embargos de declaração. O silêncio do Decreto nº 3708⁄19 talvez se explique pelo caráter fechado. por unanimidade. o Sr. pois. eleição de gerentes etc. p. Os Srs. Aldir Passarinho Junior. opostos para outro fim. 309. Saraiva.” O agravante declinou os assuntos em pauta e os contratos sociais não descredenciam sua iniciativa. Ministro Barros Monteiro. com presença de expressivos contingentes minoritários que não podem ficar à mercê do capricho das maiorias ou dos administradores. AÇÃO CAUTELAR E ORDINÁRIA DE IMISSÃO NA POSSE DE LIQUIDANTE DA EMPRESA. São Paulo. deve orientar-se nesse particular: oito dias de antecedência na primeira convocação e cinco dias na segunda. ocasionalmente. Faltou. íntimo. acordam os Ministros da QUARTA TURMA do Superior Tribunal de Justiça. Incide a Súmula 7⁄STJ. Ausente. nos termos do voto do Sr. na conformidade dos votos e das notas taquigráficas a seguir. declaração de dividendos. não conhecer do recurso. A regra supletiva do art. Dispensa-se. Ministros Fernando Gonçalves. É o voto.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa apreciação dos atos fundamentais da vida social. Ed. A affectio societatis é um estado comprometido e a prova maior da divergência reside na notificação anterior para exercício de preferência (mantida pelo julgamento do AgIn. E a reunião convocada é de vital importância para o destino e preservação da sociedade. A convocação se fez de forma regular e da deliberação poderá resultar a alteração do contrato social por decisão majoritária. da Lei 6404⁄76. consentimento dos demais. p. FGV DIREITO RIO 125 .

(Apelação Cível Nº 70007326689. bem como dos sócios titulares da maioria das quotas que compõem o capital social.Na modificação de um contrato social de uma sociedade limitada. 127º EXAME DE ORDEM. APELAÇÃO NÃO CONHECIDA. o estado do caixa da sociedade. deixando de comunicar a realização do ato e de oportunizar aos minoritários o direito de preferência na aquisição nas cotas remanescentes.TIPO 2. FGV DIREITO RIO 126 .DIREITO COMERCIAL. Julgado em 25/11/2004). grifamos. Questões de ConCursos 28º EXAME DE ORDEM. PROVA OBJETIVA . b) A maioria dos votos dos presentes à Assembléia Geral. No referente a esse conselho. Liminar de imissão de posse indeferida. b) É livre a cessão de quotas de capital se não houver oposição de titulares de mais de ¼ (um quarto) do capital social. SEÇÃO DE SÃO PAULO . É dever dos membros do conselho fiscal examinar. 45. SEÇÃO DO RIO DE JANEIRO . DIREITO COMERCIAL. Falta de interesse recursal. c) O uso da firma ou denominação social é privativa dos administradores que tenham os necessários poderes. a lei exige como “quorum” mínimo para que a deliberação dos sócios seja tomada: a) Os votos correspondentes a mais da metade do Capital Social. d) A existência de conselho fiscal é facultativo nas sociedades empresárias e obrigatória nas sociedades por ações de capital aberto. PROVA DO CONCURSO PARA JUIZ DO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SERGIPE (01/02/04). 1. Uma inovação trazida pelo Código Civil para as sociedades limitadas foi a previsão de constituição de conselho fiscal. Uma sociedade pode ter ou não conselho fiscal. 69. c) Os votos correspondentes a 3/4 (três quartos) do Capital Social. Relator: Ana Maria Nedel Scalzilli. conforme defina o contrato social.1ª FASE. confirmada em sede de agravo. (CORRETA) 2. julgue os itens que se seguem. a) A destituição do administrador de sociedade empresária exige a deliberação de sócios cujos votos representem mais da metade do capital social. d) A unanimidade dos votos dos cotistas integrantes do Capital Social. Quinta Câmara Cível.PROVA 1ª FASE . Tribunal de Justiça do RS.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa É de todo irregular a convocação apenas dos sócios majoritários para Assembléia que decide a dissolução da sociedade por quotas. 39 . pelo menos trimestralmente. Assinale a afirmativa INCORRETA.

d) só é válida se for assegurada aos demais sócios a preferência de adquirir as quotas em idênticas condições às oferecidas pelo sócio adquirente. Após algum tempo. FGV DIREITO RIO 127 . c) Após a alienação das quotas de Alberto. a) A cessão das quotas de Alberto opera efeitos perante terceiros desde o momento em que for aperfeiçoada. 3. d) De acordo com o Código Civil. somente nas hipóteses de que a sociedade deva deliberar sobre a aprovação das contas dos administradores. 4.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa PROVA DO CONCURSO PARA JUIZ DO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO PARANÁ (2003). a sociedade poderá continuar suas atividades sob sua firma original. b) é eficaz quanto à sociedade na data da celebração do contrato de cessão. PROVA OAB/RJ .MARÇO/2005 12ª Questão: Nas sociedades limitadas: a) o sócio pode integralizar as cotas que subscrever prestando serviços à sociedade. de acordo com o Código Civil. b) Caso Alberto tivesse optado por ceder suas quotas a terceiro estranho à sociedade. assinale a opção correta.EXAME DE ORDEM . Com relação a essa situação hipotética. para modificar o contrato social. c) as omissões do contrato social são. 2.AGOSTO/2007 86ª Questão: Os irmãos João Silva e Carlos Silva constituíram sociedade limitada com Alberto Souza.EXAME DE ORDEM . para aquelas que se beneficiem de tratamento tributário favorecido para micro e pequenas empresas. desde que não houvesse oposição de titulares de mais de um quarto do capital social. supridas pela Lei das Sociedades por Ações. em regra. Nas sociedades limitadas. b) o contrato social não pode conter previsão admitindo a administração da sociedade por aquele que dela não seja sócio. PROVA OAB/BR . se o número de sócios for superior a dez. independentemente de averbação no respectivo órgão de registro. a deliberação dos sócios em assembléia é obrigatória 1.EXAME DE ORDEM . Alberto só poderá ceder suas quotas a Carlos se João não se opuser. poderia fazê-lo.ABRIL/2007 32º EXAME DE ORDEM RJ 87ª Questão: Na omissão do contrato social. O contrato social é omisso sobre essa hipótese. desde que firmada por todos os sócios. nomeação dos gerentes e prestação de contas destes. e sair da sociedade. sob a firma social Silva & Souza Comércio de Bebidas Limitada. Alberto resolveu alienar suas quotas a Carlos. c) é oponível a terceiros na data da averbação do instrumento correspondente. a cessão de quotas da sociedade limitada de um sócio para outro sócio da mesma sociedade a) depende da audiência prévia dos demais sócios para se aperfeiçoar. PROVA OAB/MG .

ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa d) não é obrigatória a constituição de conselho fiscal. se essa for a vontade dos sócios.Nos termos do Novo Código Civil. assinale a assertiva correta. c) A sociedade pode ser administrada por uma ou mais pessoas designadas no contrato social. FGV DIREITO RIO 128 . PROVA OAB/RS .2ª FASE.DIREITO COMERCIAL. quanto por previsão do contrato social. PROVA DISCURSIVA . necessariamente sócios. Poderá ser instituído. 23º EXAME DE ORDEM. 3 . b) Na omissão do contrato social. o sócio pode ceder sua quota. a qualquer pessoa.EXAME DE ORDEM . As deliberações infringentes do contrato social ou da lei tornam ilimitada a responsabilidade dos sócios que expressamente as aprovaram. d) O Código Civil veda a instituição de conselho fiscal nas sociedades limitadas. tanto por decisão da assembléia. SEÇÃO DO RIO DE JANEIRO . o conselho fiscal é órgão obrigatório na sociedade limitada? Justifique a resposta. total ou parcialmente. a) A aprovação das contas da administração depende da deliberação dos sócios em reunião ou assembléia.AGOSTO/2006 19ª Questão: Sobre as sociedades empresárias que adotam a forma societária de uma limitada. independentemente de audiência dos outros sócios.

pois apresenta um conflito de perspectivas relevantes para o Direito: de um lado temos os direitos e interesses da coletividade que poderão ser prejudicados pela descapitalização decorrente da liquidação cOELHO. – Direito de recesso.) de O Direito de Empresa à luz do Novo Código Civil. a retirada é uma forma de dissolução parcial do vínculo societário.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa AUlA 16: DIREItO DE REtIRADA.155.434. Ricardo Negrão. Saraiva: São Paulo/2005. 25ª edição. Renovar/2004. Fábio ulhoa in curso de Direito comercial vol. este “direito é inerente à titularidade de quotas sociais. 02. – Forma de apuração dos haveres: balanço de determinação (jurisprudência e artigos do Código Civil). o sócio só poderá ser excluído por via judicial em decorrência da prática de atos de inegável gravidade para com a sociedade e. São Paulo/2003. roteiro de auLa: Analogamente à exclusão de sócio. APURAÇÃO DE hAvERES. são paulo/2004. – Páginas 71 a 76 (apuração de haveres) e 130 a 131(direito de recesso) do Direito Societário. saraiva. Rubens Requião. 9ª edição. nesta auLa disCutiremos a Leitura do(s) seguinte(s) CapÍtuLo(s): – Páginas 314 a 315 (Simples) e 377 a 378 (Ltda) do Manual de Direito Comercial e de Empresa. vimos que a exclusão de sócio por decisão dos demais sócios. 5ª edição. representando a maioria do capital social. 8ª edição. Caso contrário. Renovar/2005. são paulo/2004. Saraiva. – Páginas 119 a 121(apuração dos haveres da Simples) e 203 a 206 (Ltda) e 216 a 221(apuração dos haveres da Ltda. somente é possível se prevista contratualmente a “justa causa”. quando a maioria dos outros sócios assim decidir. atlas. Portanto. – Páginas 438 a 439 (credores do sócio e patrimônio social) e 492 a 497 (recesso do sócio e cessão de quotas) do Curso de Direito Comercial vol I. pg. Gladston in Direito societário: sociedades simples e Empresária. 226 227 mamEDE. Leitura CompLementar. denominado também de recesso ou dissidência”226. FGV DIREITO RIO 129 . Sérgio Campinho. todo sócio que não tem mais a vontade de continuar na sociedade poderá retirar-se dela. – Sociedade por prazo determinado e Sociedade por prazo indeterminado. ementário de temas: – Princípio constitucional da livre associação. José Edwaldo Tavares Borba. pg.. O direito de retirada é um “tema juridicamente tormentoso”227. bAlANÇO DE DEtERMINAÇÃO Na aula passada.

não implicando tal fato em dissolução da sociedade. garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no país a inviolabilidade do direito à vida. A retirada do sócio pode ocorrer em diversas situações. ao estabelecer distinção do direito de recesso para o caso da sociedade contratada por prazo determinado e para o caso da sociedade contratada por prazo indeterminado.. de 2001) b) dispersão. será permitida a utilização do disposto no art. a aprovação das matérias previstas nos incisos I a VI e IX do art. Nas deliberações sociais da sociedade. 136. que prevê apenas a saída do sócio da sociedade. mediante reembolso do valor das suas ações (art. n.. Renovar/2005.ninguém poderá ser compelido a associar-se ou a permanecer associado. somente terá direito de retirada o titular de ações de espécie ou classe prejudicadas.. o sócio que se obrigou a permanecer na sociedade por tempo determinado. de 2001) a) liquidez.077 do Código Civil prevê a possibilidade de retirada de forma ampla. com a apuração dos haveres e de outros direitos previstos no contrato social. Assim. caso o sócio não pretenda continuar na sociedade poderá alienar suas quotas (a cessão de quotas é livre). 5º. sérgio in O Direito de Empresa à luz do novo código civil. por exemplo. 1. com antecedência mínima de 60 dias231. Através de uma notificação230 (judicial ou extrajudicial) aos demais sócios. pois o direito de retirada deve ser a exceção para evitar a “indústria do recesso”. integre índice geral representativo de carteira de valores mobiliários admitido à negociação no mercado de valores mobiliários. na deliberação social que aprovou a modificação do contrato social. O aspecto positivo do art. 5ª edição. a retirada do sócio pode ser obtida em Juízo. (Incluído pela Lei nº 9. 228 art. dando a entender. não terá direito de retirada o titular de ação de espécie ou classe que tenha liquidez e dispersão no mercado. 229 230 art. 1. ocasionando desencaixe financeiro para a sociedade.303. não havendo acordo. após a notificação.. ou certificado que a represente.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa das quotas do sócio retirante. o direito de retirada é corolário da natureza contratual das sociedades. 137. Em havendo o reconhecimento judicial de uma “justa causa” (denúncia motivada). campInHO. o sócio descontente com a deliberação deve. sem distinção de qualquer natureza.029 do Código Civil. XX da Constituição da República228. a sociedade controladora ou outras sociedades sob seu controle detiverem menos da metade 233 FGV DIREITO RIO 130 . 1. considerando-se haver: (Redação dada pela Lei nº 10. “sendo levada em consideração para sua criação e funcionamento a capacidade de contribuições dos sócios para a formação do capital social. por aquele que votou contra a operação e foi vencido.457.nos casos dos incisos I e II do art. Neste sentido. quando a espécie ou classe de ação.a. à liberdade. se tratar de qualquer modificação do contrato social.029 do código civil. esforçar-se para alienar suas quotas e não se retirar. 5º Todos são iguais perante a lei. serão protegidos pela regra do art. em regra. A natureza capitalista da sociedade de intuito per capitae relega a figura do sócio a um plano secundário. de 1997) II .303. quando o acionista controlador. a maioria comandará quais decisões serão tomadas (princípio da maioria – participação societária com direito de voto). Este dispositivo vai de encontro ao que se defende na doutrina. Em caso de divergência. 136. Em se tratando de sociedade de capitais. deve haver um consenso entre sócio retirante e sócios remanescentes no tocante a apuração de haveres e outros valores. art. variando de acordo com a duração da sociedade conforme dispõe o art. estão os direitos e interesses do sócio. o que pode comprometer o desenvolvimento das suas atividades (função social da empresa). Aprendemos que o contrato social é um negócio jurídico e. o sócio terá apurado seus haveres.) XX . e (Redação dada pela Lei nº 10. 231 232 art. onde vige o princípio de que ninguém é obrigado a ficar preso a uma sociedade por toda a sua vida.077 do Código Civil está em reconhecer o direito de recesso do minoritário (ou da minoria).pg 205. enquanto não vencido o prazo fixado para a duração da sociedade (denúncia imotivada).404/76. o sócio retirante deverá ajuizar ação para aquele fim. à igualdade. como tal. art. 1. 136 dá ao acionista dissidente o direito de retirar-se da companhia.nos casos dos incisos IV e V do art. de 2001) I .303. 1. obriga os signatários229 a honrarem com as cláusulas que foram livremente pactuadas entre eles. que goza da proteção constitucional referente à liberdade de associação prevista no art. por outro lado. Portanto. O art. Via de conseqüência. definido pela comissão de Valores mobiliários. deve adimplir tal ajuste. 45). no Brasil ou no exterior. o sócio dissidente informará aos demais sócio sua vontade de retirar-se da sociedade. A outra possibilidade do exercício do direito de retirada tem por base o princípio da maioria. neste caso. à segurança e à propriedade. a lei limita as hipóteses de recesso232 (Lei 6. ao retirar-se. 1. bastando ao minoritário a resignação com as decisões ou então o exercício do direito de recesso. Nas sociedades por prazo indeterminado. os direitos e interesses da minoria vencida. 219 do código civil. nos termos seguintes: (. o sócio não poderá se desvincular sem a concordância dos demais sócios.. Se a sociedade for de prazo determinado. observadas as seguintes normas: (Redação dada pela Lei nº 10.029 (quando a sociedade for contratada por prazo indeterminado) – retirada imotivada.077. 137233)”.

303. os demais sócios poderão adquirir ou alienar aquelas quotas. mas somente do vínculo de um dos sócios. excluído ou que se retirou”.031 do Código Civil.. deverá determinar a aplicação da regra geral com a apuração dos haveres verificada através de um “balanço especialmente levantado”. de 2001) a) mudança do objeto social. RH. quanto deve valer? É quase impossível de se mensurar pois. A apuração de haveres diferencia-se da liquidação por se tratar da dissolução do vínculo de um sócio em relação à sociedade. não há dissolução da sociedade. para se chegar ao quinhão do sócio que se retirou. haja vista a livre manifestação da vontade das partes.000. faz-se necessária a apuração dos seus haveres.303. contabilmente.303. porque foi expulso ou porque ele se retirou. mamEDE. KNOW-HOW. o sócio dissidente poderá exercer o direito de recesso nos trinta dias subseqüentes à reunião que deliberou sobre a modificação do contrato social. na forma prevista no contrato social.303. da espécie ou classe de ação. em princípio deve ser operada a redução do capital social na proporção das quotas que ele possuía. ou (Incluída pela Lei nº 10. de 2001) IV . prioritariamente. da ratificação da deliberação pela assembléia-geral. deverá conter todos os direitos e deveres que “comportem expressão pecuniária”235. levando-se em consideração os valores prováveis de liquidação dos bens componentes do patrimônio da sociedade à data da resolução234. para tanto.00. De acordo com o art. o sócio fará jus à liquidação da sua quota (ou quotas). de 2001) V . 1. de 2001) c) participação em grupo de sociedades. 136. somente haverá direito de retirada se a cisão implicar: (Redação dada pela Lei nº 10. de 2001) b) redução do dividendo obrigatório. a regra para a apuração de haveres é a de que seja realizado um balanço especial de determinação – também chamado de “balanço empresarial”. de 2001). Normalmente a discrepância é de 80% a 90% porque a sociedade vai querer pagar com base no balanço contábil e o sócio vai querer receber com base no balanço empresarial. salvo quando o patrimônio cindido for vertido para sociedade cuja atividade preponderante coincida com a decorrente do objeto social da sociedade cindida.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa Assim. de 2001) III . 234 neste sentido. Entretanto. (Incluída pela Lei nº 10. o parágrafo segundo do art. mantendo íntegro o capital social. atlas. não há escrituração do valor que se aproxime à realidade. Mas. (Incluído pela Lei nº 10.166. Realizado o pagamento ao ex-sócio. O balanço empresarial e o contábil possuem discrepâncias. a estipulação contratual não é intocável. Uma vez definido o valor a ser recebido a título de apuração dos haveres. O sócio que saiu vai dizer que quer receber R$ 100. imotivada ou exclusão. LOGÍSTICA. a apuração do valor das quotas do sócio retirante se faz. Pode-se dizer que o balanço contábil “ficou para trás” no âmbito empresarial porque não contempla a MARCA. Diante dessa situação.o pagamento do reembolso somente poderá ser exigido após a observância do disposto no § 3o e. o Enunciado da súmula nº 265 do supremo Tribunal Federal estabelece que “na apuração de haveres não prevalece o balanço não aprovado pelo sócio falecido. se for o caso. (Redação dada pela Lei nº 10.303. motivado o Judiciário. 136.. a “briga” ficará em torno da apuração dos haveres. § 1o) será contado da publicação da respectiva ata. (Redação dada pela Lei nº 10.303. esta verificação física e contábil. 1031 do Código Civil. o liquidante. por se tratar de direito inerente à condição de sócio. seja porque ele é remisso. (Incluída pela Lei nº 10. Além disso. ferindo a garantia constitucional do direito à propriedade. como já estudamos. serão necessários dois procedimentos: a determinação do patrimônio da sociedade e a definição do quinhão correspondente a cada um dos sócios. ESTRATÉGICA. podendo ser objeto de impugnação quando demonstrada a sua ilicitude ou abusividade. 235 FGV DIREITO RIO 131 . Todos esses itens são extremamente valiosos. Porém. Toda vez que um sócio sai da sociedade. enquanto na apuração de haveres a relação se desenvolve entre o sócio e a sociedade. pois não mais existe a contribuição que justificava a existência das quotas.no caso do inciso IX do art. traduzindo o valor real de quanto “vale” a participação societária no mercado. salvo disposição em contrário do contrato social. Com a retirada do sócio – motivada. mantendo-se a sociedade.303. pg. de 2001) VI .000. quando há realmente a possibilidade do exercício do direito de recesso.00 e a sociedade vai dizer que pagará R$ 10. Nesse contexto. Gladston in Direito societário: sociedades simples e Empresária. ou seja.303. são paulo/2004. onde poucas pessoas trabalham. a discussão se dará em torno da APURAÇÃO DE HAVERES. Neste caso. em outras palavras. estabelece que o mesmo deve ser pago no prazo de 90 dias contados da liquidação da quota. na dissolução surge um novo órgão.o prazo para o dissidente de deliberação de assembléia especial (art.o reembolso da ação deve ser reclamado à companhia no prazo de 30 (trinta) dias contado da publicação da ata da assembléia-geral.. (Redação dada pela Lei nº 10. Exemplo: um site como o “GOOGLE”..

Não se configura coisa julgada se na ação anterior o sócio excluído buscava a anulação do ato que o excluiu. Ministro ALDIR PASSARINHO JUNIOR.2005 p. DISSOLUÇÃO PARCIAL DE SOCIEDADE LIMITADA POR TEMPO INDETERMINADO. apenas apreciando-se tal tema desfavoravelmente ao mesmo. FGV DIREITO RIO 132 . DIREITO SOCIETÁRIO. V. Apavorado com a violência do Rio de Janeiro.A data-base para apuração dos haveres coincide com o momento em que o sócio manifestar vontade de se retirar da sociedade limitada estabelecida por tempo indeterminado. REPDJ 08.05.Quando o sócio exerce o direito de retirada de sociedade limitada por tempo indeterminado. DJ 14. RECURSO ESPECIAL.617/AM. e não. efeitos ex tunc. Deficiência de prequestionamento a impedir o exame do especial em toda a sua extensão. IV. Dissídio não configurado. gerando. Ari Mendes e seus 03 irmãos são sócios da Pizzaria MASSAS E COMESTÍVEIS LTDA. (REsp 130. admite-se que a apuração dos haveres se faça pelo levantamento concreto do patrimônio empresarial. tornado irreversível o seu afastamento da sociedade.2005 p.10. (REsp 646. 303) – grifamos. Recurso especial conhecido e provido. DJ 30. COISA JULGADA NÃO IDENTIFICADA. 15.221/PR. julgado em 19. 3. . MOMENTO. incluído o fundo de comércio.2005. APURAÇÃO DE HAVERES. I. julgado em 18. PREQUESTIONAMENTO DEFICIENTE.04.2005 p. AÇÃO DE APURAÇÃO DE HAVERES. Afastado o sócio minoritário por desavenças com os demais.2005. p/ Acórdão Ministra NANCY ANDRIGHI.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa Caso gerador. portanto. 324) – grifamos. Ari poderá exercer o direito de retirada? b) Havendo anuência dos sócios para a cessão das quotas de Ari. Recurso especial não conhecido. ART.708/1919. Rel. discute-se o critério de apuração dos seus haveres. Ministro HUMBERTO GOMES DE BARROS. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL NÃO CARACTERIZADA. e na presente demanda.08. exclusivamente. com base no último balanço patrimonial aprovado antes da ruptura social. QUARTA TURMA. Rel. a questão se modifica? c) E se fosse uma sociedade contratada por prazo determinado de 80 (oitenta) anos? JurisprudênCia: COMERCIAL E PROCESSUAL CIVIL. RETIRADA DO SÓCIO. Cada sócio é detentor de 25% do capital social que já se encontra integralizado. EXEGESE. Rel. Ari resolve retira-se da sociedade. DECRETO N. II. . Pergunta-se: a) Sabendo que a sociedade foi contratada por prazo indeterminado. III.11. 373. CRITÉRIO DE LEVANTAMENTO PATRIMONIAL. a sentença apenas declara a dissolução parcial. TERCEIRA TURMA.

Não se pode falar. A alteração da anterior decisão. Apuração de haveres.05. não ofende o disposto no art. em 1999. levando em conta. em ação de dissolução parcial de sociedade. Balanço de Determinação STJ – INFO 176 SOCIEDADE COMERCIAL. DISSOLUÇÃO.681-PR. sobre o período a apurar na perícia encarregada de avaliar o patrimônio da empresa. AÇÃO RESCISÓRIA. não pode ser fracionada para efeito de ação rescisória. DJ 09. julgado em 07.AÇÃO DE DISSOLUÇÃO PARCIAL – CITAÇÃO DA PESSOA JURÍDICA. proferiu outra decisão. Decisão. em trânsito em julgado parcial. dentre outras.777-DF). determinando outro balanço especial em 31/12/1999 e o fundo de comércio pelo preço de mercado na mesma data.06. uma vez que cabe ao juiz encontrar a justa partilha a cada um dos sócios de acordo com suas quotas. Iniciada a liquidação para apuração dos haveres. FGV DIREITO RIO 133 . julgado em 10/6/2003.06. Min. julgada procedente.681/PR. (EREsp 332.A sentença é una. sob o fundamento de que todos seus sócios cotistas integraram o processo alcançou. DISSOLUÇÃO PARCIAL DE SOCIEDADE COMERCIAL. 165) – grifamos. APURAÇÃO DOS HAVERES. Em ação de dissolução parcial de sociedade comercial. ainda.2003 p. na hipótese. REsp 515. I . pela apuração da realidade da empresa. PAGAMENTO DE HAVERES. UNICIDADE. Tal aresto não diverge de outro que.09. O acórdão recorrido entendeu que houve violação ao disposto no art. determinou a forma de apuração dos haveres dos sócios retirantes. Precedente da Corte Especial (ERESP 404. o juiz deferiu perícia. dispensa a citação da pessoa jurídica.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa PROCESSUAL – EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA – SÓCIO – SOCIEDADE . Rel. Rel. e como tal. CORTE ESPECIAL.O prazo para ajuizar ação rescisória é contado a partir do trânsito em julgado da decisão no último recurso interposto.2003. Rel.2003 p. entendendo que a alteração da decisão anterior sobre o período de apuração da perícia para avaliação do patrimônio da empresa não ofendeu o artigo citado. (REsp 515. apurado pela média dos últimos oito anos (1992 a 1999). 471 do CPC. Ruy Rosado. Em 2000. QUARTA TURMA. CONTAGEM. 471 do CPC.2003. pois. definindo que seria realizado balanço com a realidade da empresa em 31/12/1990 (último balanço antes da retirada) e a apuração do fundo de comércio pela média dos últimos oito anos (1991 a 1998). de incumbência do juiz. para atribuir a cada sócio a quantia que mais se aproxime do valor real de sua quota. pois se trata de simples providência. A Turma proveu o REsp para restabelecer a decisão agravada. (grifamos) EMENTA: DISSOLUÇÃO DE SOCIEDADE COMERCIAL. II . Ministro RUY ROSADO DE AGUIAR. DJ 22. decisão que. no caso há uma demora na realização dos atos judiciais de avaliação.650/RJ. os fatos supervenientes. Recurso conhecido e provido. mas se deixou de definir o tempo a ser considerado para apuração dos haveres. PRAZO. com a retirada dos sócios demandantes. houve trânsito em julgado. o escopo visado pela citação da pessoa jurídica. julgado em 10. SENTENÇA. Acórdão que afirma serem inconfundíveis a pessoa do sócio e sociedade por ele integrada. 342) PROCESSUAL CIVIL. Ministro HUMBERTO GOMES DE BARROS. TRÂNSITO EM JULGADO.

(D) econômico de suas quotas na data do efetivo pagamento. Merovides.12. acionista detentor de 10% (dez por cento) de ações preferenciais sem direito de voto. julgado em 01.Para que a ação rescisória seja acolhida por violação a dispositivo de lei (CPC. 125º EXAME DE ORDEM – SEÇÃO SÃO PAULO . 45. apurado em balanço especial. 46.DIREITO COMERCIAL. 2ª Prova Específica.Na dissolução de sociedade comercial. (C) patrimonial de suas quotas na data do efetivo pagamento. seus haveres serão pagos com base no último balanço levantado. na hipótese de retirada ou exclusão de sócio. Precedentes. Merovides (A) não poderá exercer o direito de retirada. e não havendo previsão contratual a respeito. não registrada no INPI a referida marca. conforme a cotação em bolsa de valores.2005 p. apurado em balanço especial.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa III . DJ 12. VI .1ª FASE . sociedade anônima fechada. não compareceu à assembléia e discorda da alteração. (VALOR: UM PONTO E MEIO) . apurado em perícia judicial. (B) econômico de suas quotas à data da resolução. IV . TERCEIRA TURMA. (REsp 453. V . evitando locupletamento indevido dos sócios remanescentes. FGV DIREITO RIO 134 . (D) só poderia exercer o direito de retirada se a companhia fosse aberta. por não expressar o último balanço a realidade patrimonial da empresa. (C) só poderia exercer o direito de retirada se tivesse comparecido à assembléia. V) é preciso que a norma legal tida como ofendida tenha sofrido violação em sua literalidade. direito a ela não teria o sócio-retirante.Declarando o perito judicial que mencionou a marca HSM como componente de fundo de comércio. XXXIX CONCURSO PARA INGRESSO NA MAGISTRATURA DE CARREIRA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO. A Assembléia Geral Extraordinária da Companhia Brasileira de Secos e Molhados. Questões de ConCursos Com gabarito ofiCiaL. deverá fazer-se de outra forma? Fundamente a resposta.476/GO. deliberou a mudança de seu objeto social.09. não há como se fazer ilação para afirmar que. Ministro ANTÔNIO DE PÁDUA RIBEIRO. 369) – grifamos. PROVA OBJETIVA. a apuração de haveres no caso de sócio retirante deve ser feita como se de dissolução total se tratasse. 485. Resolvendo-se o vínculo de um sócio com a sociedade empresária de que faz parte. é acolhível a alegação do retirante ou excluído de que a apuração. seus haveres sociais serão pagos de acordo com o critério do valor (A) patrimonial de suas quotas na data da resolução. Rel.2005. (B) poderá exercer o direito de retirada.Recurso especial conhecido e provido para cassar o acórdão proferido na ação rescisória. art. Dispondo o contrato social que.

ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa

AUlA 17: DIREÇÃO DAS AtIvIDADES EMPRESARIAIS
Nesta aula discutiremos a leitura do(s) seguinte(s) capítulo(s): – Páginas 366 a 367 do Manual de Direito Comercial e de Empresa. Vol.I .4ª edição. Ricardo Negrão. Saraiva: São Paulo/2005. – Páginas 222 a 238 de O Direito de Empresa à luz do Novo Código Civil. Sérgio Campinho. 5ª edição Renovar/2005.

Leitura CompLementar – Páginas 446 a 451 do Curso de Direito Comercial. Fábio Ulhoa Coelho. 7ª edição. Saraiva/2004. – Páginas 107 a 112 do Direito Societário. 9ª edição. José Edwaldo Tavares Borba. Renovar: Rio de Janeiro/2004.

ementário de temas – Administração ou Diretoria. – Conselho de Administração. – Deveres do administrador. – Órbita de poder. – Responsabilidade do administrador. – Teoria Ultra Vires x Teoria da Aparência. – Projeção da responsabilidade do administrador em outros campos do Direito. – PL 2426/2003.

roteiro de auLa Sabemos que a pessoa jurídica não possui corpo físico capaz de concretizar os atos necessários à realização de seu objetivo. A sua vontade (alcançada na assembléia ou na reunião) será materializada por uma ou mais pessoas. As pessoas que exteriorizam a vontade da sociedade são chamadas de administradores (ou diretores). Elas atuam como se fosse a própria sociedade, praticam atos em nome da sociedade, pois que esta última não age de per si. Quando o administrador ou diretor assina um cheque ou negocia uma operação, quem está agindo (praticando o ato de empresa) é a sociedade e não o administrador. Foi exatamente por essa razão que PONTES DE MIRANDA, com base na teoria orgânica236, sustentou que a pessoa jurídica não podia ser representada pelo seu órgão administrativo, como dispunha o art. 17 do Código Civil de 1916237, pois este nada mais é do que um membro do todo. O ato do órgão é, na verdade, ato da própria pessoa jurídica. Não haveria, portanto, representação, mas sim uma PRESENTAÇÃO, sendo o Administrador verdadeiro PRESENTANTE da sociedade.

236 a teoria orgânica ou da realidade objetiva prega que junto a pessoas naturais, que são realidades físicas, existem os organismos sociais, constituídos pelas pessoas jurídicas, as quais têm existência e vontade próprias, distintas da de seus membros, tendo por finalidade a realização de seus objetivos sociais.

“as pessoas jurídicas serão representadas, ativa e passivamente, nos atos judiciais e extrajudiciais, por quem os respectivos estatutos designarem, ou, não o designando, pelos seus diretores”.
237

FGV DIREITO RIO

135

ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa

Nas palavras de Pontes de Miranda que introduziu a terminologia no Direito Privado Brasileiro:
“De ordinário, nos atos da vida, cada um pratica, por si, os atos que hão de influir, ativa ou passivamente, na sua esfera jurídica. Os efeitos resultam de atos em que o agente é presente; pois que os pratica, por ato positivo ou negativo. A regra é a presentação, em que ninguém faz o papel de outrem, isto é, em que ninguém representa” 238. “Quando o órgão da pessoa jurídica pratica o ato, que há de entrar no mundo jurídico como ato da pessoa jurídica, não há representação, mas presentação. O ato do órgão não entra, no mundo jurídico, como ato da pessoa, que é órgão, ou das pessoas que compõe o órgão. Entra no mundo jurídico como ato da pessoa jurídica, porque o ato do órgão é ato seu.” 239

Nesse sentido, acerca da natureza jurídica da Administração da sociedade, uma parte da doutrina entende tratar-se de simples mandato - teoria da representação. Nossa lei filiou-se à teoria orgânica ao “estabelecer no art. 1.018 clara distinção entre a função do administrador e a do mandatário”. (Ricardo Negrão in Manual de Direito Comercial e de Empresa. Saraiva/2005). Da mesma forma, o Prof. José Edwaldo Tavares Borba entende que “o administrador é órgão da sociedade, não se confundindo, pois, com o procurador. Este, por força de um mandato, representa a sociedade num âmbito restrito dos poderes que lhe forem conferidos”. (in Direito Societário, Renovar/2004). Por fim, entendendo que o órgão da sociedade não representa, mas presenta, conclui Pontes de Miranda:
“O órgão da pessoa jurídica não é representante legal. A pessoa jurídica não é incapaz. O poder de presentação, que ele tem, provém da capacidade mesma da pessoa jurídica; por isso mesmo, é dentro e segundo o que se determinou no ato constitutivo, ou nas deliberações posteriores. A presentação é judicial ou extrajudicial (art.17 CC/1916)” 240.

Vimos então que o administrador (ou diretor) integra o órgão da sociedade chamado de Administração (ou Diretoria) que, no plano interno, administra a empresa, e, externamente, manifesta a vontade da pessoa jurídica. O contrato social deve designar quem tem poderes para presentar a sociedade, bem como os limites desses poderes. Pode o contrato social designar indiscriminadamente todos os sócios para presentar a sociedade. Disso não decorre, porém, que os sócios que ingressem após a criação da sociedade, na qualidade de cessionários ou sucessores de sócio administrador, sejam também administradores241. Deverá existir disposição expressa na alteração contratual ou em instrumento apartado, para agirem como tais. Importante, pois, que o contrato distribua as funções e atribua os poderes de administração, evitando-se, assim, a prática de atos em excesso pelos mesmos por falta de discriminação explícita das suas funções. O Código Civil trás relevante inovação quando estabelece a possibilidade de terceiros serem administradores de sociedade limitada, o que antes ocorria somente nas sociedades anônimas242. Assim, a sociedade limitada poderá ter como administrador, pessoa que não seja sócio (se o contrato social assim o permitir). A designação dessas pessoas, porém, depende de

238

Tratado de Direito privado – Tomo III – 3ª edição – Rio de janeiro/1970. p. 231.
239 240

Op.cit. p. 233.

Tratado de Direito privado – Tomo I – 4ª edição – Revista dos Tribunais/1977. p.412. art. 1.060, parágrafo único do código civil.
241 242 Lei 6.404/76. art. 146. poderão ser eleitos para membros dos órgãos de administração pessoas naturais, devendo os membros do conselho de administração ser acionistas e os diretores residentes no País, acionistas ou não. (Redação dada pela Lei nº 10.194, de 2001). grifamos

FGV DIREITO RIO

136

ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa

aprovação unânime dos sócios, no caso do capital social, ainda não estar integralizado, ou de 2/3 (dois terços) se já houver a integralização (art. 1.061). Verifica-se que o legislador deixou ao critério dos sócios tal regramento. Optando por uma sociedade limitada com um perfil mais conservador de administração, conservará em seu poder a administração (não prevendo no contrato social a administração por não-sócio). Querendo imprimir um perfil profissionalizante da administração, onde terceiros podem administrá-la, deverá haver previsão contratual expressa neste sentido. O administrador não-sócio, designado em ato separado, deverá firmar termo de posse no livro de atas da administração, no prazo de até trinta dias da data de sua designação, sob pena da nomeação perder a validade. Tanto a nomeação quanto a destituição ou renúncia do administrador devem ser averbadas no prazo de dez dias seguintes a cada ato, no registro competente (art. 1.063). Cabe ao administrador, ao término de cada exercício social, proceder à elaboração do inventário, do balanço patrimonial e do balanço de resultado econômico, com observância das regras contidas nos artigos 1.186, 1.187, 1.188 e 1.189 do Código Civil. Outra novidade do Código Civil diz respeito à expressão “sócio-gerente” que foi substituída por administrador ou diretor, haja vista a sociedade limitada poder ser gerida também por não-sócios (anteriormente a condição de sócio era obrigatória) e, a expressão “gerente”, hoje, ser sinônimo de “preposto243” (conforme dispositivo do art. 1.172), não trazendo similitude com o antigo sócio-gerente. Quoruns para nomeação e destituição do administrador Como visto na aula 16, existem quoruns mínimos estabelecidos no Código Civil de 2002, que devem ser observados. O contrato social poderá dispor de quoruns diferenciados, porém sempre respeitando esse mínimo previsto na lei. Para eleição e destituição de administradores das sociedades limitadas, o quorum previsto no Código Civil vai variar em função do administrador ser ou não sócio. No caso do contrato social prever a possibilidade de administrador não-sócio, o quorum para elegê-los vai variar conforme a integralização do capital social: a) capital social totalmente integralizado: por deliberação de 2/3 do capital social. b) capital social não integralizado: por unanimidade. (art. 1.061). Para a nomeação e destituição do administrador não-sócio designado em ato separado, serão necessários votos correspondentes a mais da metade do capital social (art. 1.076, II c/c art. 1.071, II e III). Para a destituição de administrador sócio, será necessária a aprovação de, no mínimo, 2/3 do capital social, salvo estipulação contratual diversa (art. 1.063 §1º). Neste caso, a disposição do quorum poderá atender aos interesses dos sócios uma vez que a lei permite a estipulação de quorum distinto ao legalmente estabelecido. administrador pessoa Jurídica A questão sobre a possibilidade de pessoa jurídica ser administradora de sociedade foi muito debatida na vigência do Decreto nº 3.708/1919. De forma indireta, o Código Civil veio sanar tal impasse segundo os termos dos artigos 997, VI e 1.062 §2º. Portanto, embora a sociedade possa ser constituída e tenha no seu

243

n.a. Está no exercício da empresa, mas não é detentor de poderes de direção.

FGV DIREITO RIO

137

não cabe ao intérprete distinguir. no Parecer n. ou somente à diretoria. também. esta regra é válida para qualquer tipo de sociedade. o contrato social pode estipular a existência de órgãos administrativos auxiliares. como o fez em relação à sociedade simples. I c/c artigo 1.011 do Código Civil.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa quadro societário somente pessoas jurídicas.071. Se ele não tem sua gênesis contemporânea à celebração do contrato de sociedade. V)250”. de forma geral. bastando que “os sócios façam a previsão no contrato social. que diante da nova sistemática estabelecida pelo Código Civil (art. organizada pela empresa.404/1976. Renovar: Rio de janeiro/2004.060. ou o máximo e mínimo permitidos. Em posição minoritária247. art. as atribuições e poderes conferidos por lei aos órgãos de administração não podem ser outorgados a outro órgão. 139.366. art. 3 (três) membros. o Departamento Nacional de Registro do Comércio – DNRC. nesse caso. saraiva/2005. destaca-se o seguinte posicionamento: “Ressalte-se por oportuno. desde que especifique as matérias.107. constituído somente por sócios que. autor do enunciado márcio souza Guimarães. mais amplamente. professor de Direito Empresarial da Escola de Direito RIO da FGV. fê-lo expressamente (art. a administração da companhia competirá. quando houve por bem o enunciado n° 66 dirimir o problema de forma enfática.054 c/c o art. ao conselho de administração e à diretoria. Neste caso. 1. devendo o estatuto estabelecer: I . de representação e de administração (art. tão complexos quanto aos da sociedade anônima. Seu funcionamento é exclusivamente interno sendo despido de poderes executivos. IV .a. a presente questão começou a suscitar dúvidas. da seguinte forma: Art. no art. além do conselho fiscal. 138 §1º da Lei n. indistintamente”. 138. 140. podendo o estatuto estabelecer quorum qualificado para certas deliberações.o número de conselheiros. conforme dispuser o estatuto.br 246 Neste sentido. § 2º as companhias abertas e as de capital autorizado terão. 247 in Direito societário. art.º 126 de 2003. 248 Lei n.º 6. por meio da Instrução Normativa n. que devem ser aplicáveis a qualquer pessoa incumbida de administrar bens ou interesses alheios251. parágrafo único. criado por lei ou pelo estatuto. a diretoria desta sociedade será composta de administradores. 1.o prazo de gestão. e o processo de escolha e substituição do presidente do conselho pela assembléia ou pelo próprio conselho.as normas sobre convocação. mediante deliberação de sócio ou sócios representantes de. 244 n. 1.dnrc. II . Disponível em: www.gov. A criação de um conselho de administração na sociedade limitada. a Lei nº 6.404/1976). mestre em Direito Empresarial pela ucam. à sociedade limitada. 1. Da mesma forma. para tornar a administração privativa de pessoas naturais. obrigatoriamente.062 do Código Civil. que deliberará por maioria de votos. A regra da sociedade simples não se aplica subsidiariamente. p. escolhidos pelo voto destes. o administrador só pode ser pessoa natural245. uma vez que.062: a teor do § 2º do art. uma vez nomeados. O conselho de administração é um órgão Colegiado e deliberativo. I. em conjunto com as entidades sindicais que os representem. eleitos pela assembléia-geral e por ela destituíveis a qualquer tempo. 1. José Edwaldo Tavares Borba entende que “administradores poderão ser pessoas naturais ou pessoas jurídicas. Na I Jornada de Direito Civil. poderá. que se refere a “uma ou mais pessoas”.o modo de substituição dos conselheiros. passam a ter deveres e direitos inerentes às suas funções. vol. indicar os deveres do administrador nas sociedades anônimas. é legalmente possível. deveres do administrador Os deveres do administrador estão previstos. O estatuto poderá prever a participação no conselho de representantes dos empregados.º 6. 1.248” Conselho de administração A sociedade limitada pode apresentar um volume grande de negócios. pessoas naturais244.404/1976 dispensa uma seção própria para. 997. sendo a representação da companhia privativa dos diretores. que não poderá ser superior a 3 (três) anos. 9ª edição. No entanto. São eles: no mesmo sentido: Ricardo negrão in manual de Direito comercial e de Empresa. permitida a reeleição. pág. 249 FGV DIREITO RIO 138 . tanto que esta dispõe de norma própria. no mínimo. resumindo-se ao dever de diligência e probidade.076.062) não mais é admitida a administração da sociedade limitada por pessoa jurídica”. o Prof. firmou orientação quanto ao impedimento da pessoa jurídica para ser administradora. O conselho de administração será composto por.º 98 de 2003246. semelhante ao existente nas sociedades anônimas249. Quando o legislador quis distinguir. conselho de administração. 997 e § 2º do art. 245 manual de atos de registro de sociedade Limitada. no mínimo. ser a qualquer tempo implantado (artigo 1. § 1º O conselho de administração é órgão de deliberação colegiada. ¾ do capital. 4ª ed. onde o legislador não distinguiu (art. VI). III . instalação e funcionamento do conselho. em eleição direta.

442. tomar por empréstimo recursos ou bens da companhia. em benefício próprio ou de outrem. numa tradução livre do inglês. Havendo conflito de interesses. em proveito próprio. ou usar. os seus bens. os mesmos deveres que os demais. 7ª edição. – Conflito de interesses: disposto no art. 154 § 1º. Oportuno discutir. de sociedade em que tenha interesse.011 do Código Civil. serviços ou crédito. teorias e atos próprios a fim de realizar o objeto social. pelos danos gerados em conseqüência de um prolongamento artificial de uma sociedade empresária em grave crise sem que haja ativos suficientes e fluxo de caixa para pagar seus credores. Law A recent Delaware Supreme Court decision may have undermined cases against directors and officers of companies for actions they take just before they file for bankruptcy. O administrador eleito por grupo ou classe de acionistas tem. numa determinada operação. a referida teoria não protegerá o administrador negligente.S. 251 cOELHO. Satisfazer às exigências do bem público e a função social da empresa são objetivos que também devem pautar as atitudes daqueles que efetivamente realizarão o objeto social. Em razão da função que ocupa.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa – Dever de Diligência: disposto no art. visando à obtenção de vantagens. neste ponto. entre o administrador e a sociedade. b) sem prévia autorização da assembléia-geral ou do conselho de administração. – Desvio de Poder: disposto nos parágrafos do art.017 do Código Civil. a teoria do Business Judgment rule257. O administrador deve servir com lealdade à companhia e manter reserva sobre os seus negócios. art. c) receber de terceiros. O administrador deve atuar com zelo e aplicar métodos. tem por objetivo blindar o administrador contra interferências do Poder Judiciário e do órgão regulador quanto às suas decisões. Em suma. ou de terceiros. saraiva/2004. § 2° É vedado ao administrador: a) praticar ato de liberalidade à custa da companhia. such as increasing the company’s debt or signing major contracts with creditors. em razão do exercício de seu cargo. 252 art. com ou sem prejuízo para a companhia. qualquer modalidade de vantagem pessoal. A própria lei coibe os atos de liberalidade que possam prejudicar a sociedade ou que não sejam do interesse social. as oportunidades comerciais de que tenha conhecimento em razão do exercício de seu cargo. O administrador deve exercer as atribuições que a lei e o estatuto lhe conferem para lograr os fins e no interesse da companhia. refletida e desinteressada. 157255 da Lei nº 6. The court ruled last month that creditors of a Delaware corporation that is insolvent or in the so-called “zone of insolvency” have no right to assert direct claims for breach of fiduciary duty against its directors. – Dever de Lealdade e Sigilo: disposto no art. sérgio in O Direito de Empresa à luz do novo código civil. O direito societário norte-americano adota. cuja aplicação no Brasil vem sendo aplicada pelo Poder Judiciário e pela Comissão de Valores Mobiliários258.242. 155. A referida teoria.404/1976. considerando-se que estas tenham sido tomadas de maneira informada. direta ou indireta. não podendo. ainda que para defesa do interesse dos que o elegeram. 156256 da Lei nº 6. 1. pág. para com a companhia. no entanto ambos se complementam uma vez que o sigilo refere-se a pessoas especificas e o dever de informar aparece em uma série de dispositivos que visam obrigar o administrador a dar publicidade aos negócios da sociedade que poderão influenciar investidores e mercado. Some lawyers believe the decision eliminates the threat of suits that seek to recover from directors for actions they took shortly before bankruptcy. para si ou para outrem. sendo-lhe vedado: I .omitir-se no exercício ou proteção de direitos da companhia ou. 155254 da Lei nº 6. se será possível responsabilizar o administrador pela deepening insolvency ou agravamento pela situação de crise econômica-financeira259.404/1976. limitando os poderes da administração.404/1976 e no art. 253 254 art. § 4º O conselho de administração ou a diretoria podem autorizar a prática de atos gratuitos razoáveis em benefício dos empregados ou da comunidade de que participe a empresa. tendo em vista suas responsabilidades sociais. satisfeitas as exigências do bem público e da função social da empresa. Parece contraditório com o dever de sigilo. faltar a esses deveres. – Dever de Informar: disposto no art.usar. como regra para analisar a responsabilidade dos administradores.. o administrador não pode se utilizar (proveito próprio ou de terceiros) das informações privilegiadas que obtém em virtude de sua atividade e que ainda não foram repassadas ao mercado. 154252 da Lei nº 6. 5ª edição Renovar/2005. 1. – Dever Ético-Social: disposto no caput do art. 154. é vedado ao administrador intervir tanto na operação como nas deliberações que tomarem os demais administradores.404/1976. sem autorização estatutária ou da assembléia-geral. II . Fábio ulhoa in curso de Direito comercial. FGV DIREITO RIO 139 . pág. deixar de aproveitar oportunidades de negócio de interesse da companhia. § 3º as importâncias recebidas com infração ao disposto na alínea c do § 2º pertencerão à companhia. também conhecida em nosso país como “Regra da Decisão Negocial”. 154253 da Lei nº 6.404/76. 250 campInHO. Sobre o tema: Ruling Makes Bankruptcy Suits Harder • United States • 06/25/2007 • U.

not negligence. for the benefit of creditors and shareholders. de que seja titular. obtida em razão do cargo e capaz de influir de modo ponderável na cotação de valores mobiliários. Court decisions opened the door to such claims a few years ago. it’s incumbent upon trustees to pursue claims against directors. No. Later in 2006. Charles R. diretamente ou através de outras pessoas. Cases involving zone-of-insolvency and deepeninginsolvency issues have been a developing trend in the past several years. said that companies nearing insolvency must still safeguard creditors’ interests to avoid lawsuits. tem direito de haver do infrator indenização por perdas e danos. shuts the door on director liability in those circumstances.3d 672 (3d Cir. 7 Trustee v.C. North American Catholic Educational Programming Foundation Inc. de emissão da companhia e de sociedades controladas ou do mesmo grupo. para si ou para outrem. lawyers have been testing claims and damages theories involving the duties of a company’s directors as a company nears bankruptcy or enters the zone of insolvency and “deepening insolvency. In bankruptcies. § 3º a pessoa prejudicada em compra e venda de valores mobiliários. a Delaware court of chancery rejected deepening insolvency as an independent cause of action under Delaware law. que tiver adquirido ou alienado. para revender com lucro. Clearwire Holdings Inc. Ct. indiretas ou complementares. por qualquer pessoa que a ela tenha tido acesso.. Harold Ruttenberg. 2006). vantagem mediante compra ou venda de valores mobiliários. ademais. Ernst & Young LLP. contratada com infração do disposto nos §§ 1° e 2°. Gary Seitz Ch. can support a deepening-insolvency claim under Pennsylvania law. ao firmar o termo de posse.). bem ou direito que sabe necessário à companhia. 06-521 (Del. Detweiler Hersey & Associates P. Del. com a finalidade de auferir vantagem. In bankruptcy courts and state courts. Circuit Court of Appeals decision in 2006 said that only fraud.). In re CitX Corp. Chapter 7 Trustee for Just For Feet Inc. Ala. controladas ou do mesmo grupo. b) as opções de compra de ações que tiver contratado ou exercido no exercício anterior. Ch.. a 3rd U. O administrador de companhia aberta deve declarar. 01-06833 (Jefferson Co. Goldstein.. guardar sigilo sobre qualquer informação que ainda não tenha sido divulgada para conhecimento do mercado. no mercado de valores mobiliários. There is no legal definition of “zone of insolvency. a menos que ao contratar já conhecesse a informação. a pedido de acionistas que representem 5% (cinco por cento) ou mais do capital social: a) o número dos valores mobiliários de emissão da companhia ou de sociedades controladas. if they exist. Ala. shoe retailer Just For Feet Inc. v. v. Inc. Many are now pointing to the May 18 Delaware Supreme Court decision in the North American Catholic case as a significant milestone in the zone-of-insolvency debate. Courts have also been inconsistent. o número de ações.2d 168 (New Castle Co. 157.. sendo-lhe vedado valer-se da informação para obter. bankruptcy. but the pendulum has recently shifted. opções de compra de ações e debêntures conversíveis em ações.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa The case was filed by “putative creditor” North American Catholic Educational Programming Foundation Inc. and the settlement shows that zone-of-insolvency theories are alive and well. The trustee said that the defendants’ decisions to ignore expert advice to file a Chapter 11 restructuring and conceal the company’s shaky financial status for two years led to a $90 million fire-sale liquidation of the company’s assets... 448 F. ou do mesmo grupo. ou que esta tencione adquirir. The Delaware Supreme Court upheld a Delaware court of chancery decision that dismissed a putative creditor’s case against three directors of wireless Internet company Clea- III . § 2º O administrador deve zelar para que a violação do disposto no § 1º não possa ocorrer através de subordinados ou terceiros de sua confiança. § 1º cumpre.S.).. no exercício anterior. which had agreed to buy the foundation’s Federal Communications Commission-approved licenses for microwave signal transmission to build a national wireless Internet network. No. In the Just For Feet Inc.adquirir. § 4º É vedada a utilização de informação relevante ainda não divulgada. against three directors of the Delaware corporation. c) os benefícios ou vantagens.5 million settlement with outside directors reached in March in a separate suit against directors of bankrupt Birmingham. 255 art. or are actually insolvent. Some have claimed that Just For Feet could have been reorganized in a healthy way that preserved a substantial amount of value. Cir. Trenwick America Litigation Trust v. courts have been inconsistent on whether zone of insolvency and deepening insolvency are causes of action or a fact pattern. the bankruptcy trustee filed a lawsuit in Alabama state court against the company’s directors.. FGV DIREITO RIO 140 . officers. que tenha recebido ou esteja recebendo da companhia e de sociedades coligadas. para si ou para outrem. For example. fraud and related claims for the company’s actions as it neared bankruptcy or entered the zone of insolvency. § 1º O administrador de companhia aberta é obrigado a revelar à assembléia-geral ordinária. ao administrador de companhia aberta. But a lawyer involved in a $41. Despite the popularity of the theories. accounting firm and independent auditors for breaches of fiduciary duty. bônus de subscrição. 906 A.” Lawyers disagree about whether the recent Delaware Supreme Court decision rejecting direct creditor claims for breach of fiduciary duty when companies enter the zone of insolvency. Rob Gheewalla.” but it has been said to refer to when a company nears insolvency or is at the point at which it can’t pay its debts.

e fornecidos por cópia aos solicitantes. O citado professor também menciona. a inclusão de uma cláusula no contrato social obrigando aos administradores prestarem caução. no sentido da realização do objeto social. poderes do administrador Os administradores ou diretores decidem e executam os negócios da sociedade limitada agindo. como forma de garantir uma administração diligente. servir de residência temporária para algum diretor em trânsito.ex. alínea e). às 04:20horas. § 5º Os administradores poderão recusar-se a prestar a informação (§ 1º. Esta garantia somente seria “levantada” após a aprovação das últimas contas apresentadas pelo administrador que estivesse deixando o cargo261.” wrote Justice Randy Holland. said Hollin of Powell Trachtman. ter direito a um esquema de segurança etc. eis alguns exemplos: – concessão de garantias em nome da sociedade em favor de terceiros sem contrapartida que a beneficie: desvia a sociedade do seu objetivo de obter lucros. nos termos e na forma determinados pela comissão de Valores mobiliários. ser reduzidos a escrito. respondendo os solicitantes pelos abusos que praticarem. o Prof. de qualquer acionista.” While insolvent companies could face derivative suits. a pedido de qualquer acionista. decidir sobre a prestação de informação e responsabilizar os administradores.com/en/news/2652. “It says they’ve got to be brought in a derivative manner on behalf of the corporation. cabendo à comissão de Valores mobiliários. acesso em 19 de janeiro de 2009. § 2º Os esclarecimentos prestados pelo administrador poderão..015 do Código Civil. but it doesn’t mean zone-of-insolvency issues are dead. an insurance company receiver or a creditor’s committee. usar o cartão de crédito corporativo para fins sociais. a pedido dos administradores. FGV DIREITO RIO 141 . 1. to assert direct claims for breach of fiduciary duty against its directors. § 4º Os administradores da companhia aberta são obrigados a comunicar imediatamente à bolsa de valores e a divulgar pela imprensa qualquer deliberação da assembléia-geral ou dos órgãos de administração da companhia. Diante de tão amplos poderes. a praticar todos os atos pertinentes à gestão da sociedade260.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa rwire Holdings Inc. the Delaware Supreme Court didn’t directly discuss whether companies in the amorphous zone of insolvency could also face derivative claims. na decisão dos investidores do mercado de vender ou comprar valores mobiliários emitidos pela companhia. The court said that creditors of a Delaware corporation that is insolvent or in the zone of insolvency “have no right. The Delaware decision erases the threat of direct claims by creditors against directors. limitados nos contratos sociais. os administradores são autorizados – na forma do art. as modificações em suas posições acionárias na companhia. se entenderem que sua revelação porá em risco interesse legítimo da companhia. “Recognizing that directors of an insolvent corporation owe direct fiduciary duties to creditors would create uncertainty for directors who have a fiduciary duty to exercise their business judgment in the best interest of the insolvent corporation. tradicionalmente. d) as condições dos contratos de trabalho que tenham sido firmados pela companhia com os diretores e empregados de alto nível. – alienação de bens imóveis. e) quaisquer atos ou fatos relevantes nas atividades da companhia. “It doesn’t take away the zone-of-insolvency issues.lexuniversal. as a matter of law. § 3º a revelação dos atos ou fatos de que trata este artigo só poderá ser utilizada no legítimo interesse da companhia ou do acionista. § 6º Os administradores da companhia aberta deverão informar imediatamente. ou deixar de divulgá-la (§ 4º). de modo ponderável. isto porque. a esta e às bolsas de valores ou entidades do mercado de balcão organizado nas quais os valores mobiliários de emissão da companhia estejam admitidos à negociação. http://www. ou por iniciativa própria. que possa influir. do contrário. ou fato relevante ocorrido nos seus negócios. autenticados pela mesa da assembléia. not by individual creditors. p. exceto se o bem fizer parte de um conjunto de direitos que a sociedade pode proporcionar para seus diretores. Many such lawsuits are already filed as derivative cases on behalf of a corporation by a bankruptcy trustee. Hollin said. – usar bens da sociedade em nome próprio ou permitir que terceiro o faça. Existem atos de gestão que são. for breaches of fiduciary duty while the company was in the zone of insolvency or insolvent. se for o caso.” Hollin said. em regra. Sérgio Campinho destaca ser de bom alvitre a elaboração de cláusula contratual estabelecendo restrições aos atos de gestão.

927 do Código Civil. caso seja inadimplida uma das parcelas. os sócios responderão pelo saldo. sempre que praticar os atos de gestão dentro dos limites da atribuição de competência e poder. acesso em 19 de janeiro de 2009. não é necessária a contratação de um banco de investimento para a avaliação de uma operação. quando ultrapassar os atos regulares da gestão. com a força exclusiva do seu patrimônio. confira-se: http://www.br/port/ inqueritos/2007/rordinario/ inqueritos/05_15_21-04. nesses casos. Conjugado com o indigitado dispositivo legal.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa responsabilidades do administrador A responsabilidade dos administradores decorre. em regra. às 03:58horas. o administrador será o responsável pelo pagamento da obrigação. como informações. 156. essa última. § 1º ainda que observado o disposto neste artigo.cvm. salvo cláusula de responsabilidade solidária (artigos 1. o poder judiciário americano preocupa-se apenas com o processo que levou à decisão e não com o seu mérito. mas sim a determinação de que o administrador é o responsável pelo adimplemento da obrigação. estando. não a sua invalidação. caberá ao 256 art. estes atos vincularão apenas à sociedade que ficará obrigada a satisfazer as obrigações contraídas pelo administrador (teoria organicista). 158 da Lei 6. (ii) Decisão refletida: a decisão refletida é aquela tomada depois da análise 258 FGV DIREITO RIO 142 . No Brasil. Ou então. podemos concluir que deve ser analisada a prática do ato. compelida ao pagamento para. Dispõe o art. A base da teoria da aparência consiste. situações em que o administrador age excedendo os poderes que lhe foram conferidos pela sociedade. para utilizar a regra da decisão negocial. em ata de reunião do conselho de administração ou da diretoria.023 e 1. acesso em 19 de janeiro de 2009. Nestes casos o parágrafo único. Se o administrador de uma escola adquire um helicóptero. do art. como a acepção da palavra indica. todavia. II . se os bens da sociedade não cobrirem as dívidas. § 2º O negócio contratado com infração do disposto no § 1º é anulável. seriam acoimados de nulos. de forma abusiva ou excessiva de poderes (abuso de poder e excesso de poder).015 do Código Civil. análises e memorandos dos diretores e outros funcionários. as normas previstas para as sociedades por ações serão aplicáveis.provando-se que era conhecida do terceiro.br/Investidor/ juridico/060912nota.asp. o administrador deve seguir os seguintes princípios: (i) Decisão informada: a decisão informada é aquela na qual os administradores basearam-se nas informações razoavelmente necessárias para tomá-la. Há. inclusive desrespeitando vedações contratuais expressas. pois.024). da pratica de atos ilícitos. todavia. bem como de terceiros contratados. nas sociedades limitadas. 1. É vedado ao administrador intervir em qualquer operação social em que tiver interesse conflitante com o da companhia. Dessa forma. conforme dispositivo do art. o administrador somente pode contratar com a companhia em condições razoáveis ou eqüitativas. na aparência do ato praticado pelo administrador.tratando-se de operação evidentemente estranha aos negócios da sociedade. A solução do problema se dará com base na teoria da aparência. de forma a ultrapassar a sua órbita de poderes. na proporção em que participem das perdas sociais. após. dispondo que todos os atos praticados pelo administrador.404/76 e art. devemos analisar as regras insertas no art. a natureza e extensão do seu interesse.016 do Código Civil que os administradores respondem solidariamente perante a sociedade e perante terceiros prejudicados por culpa no desempenho de suas funções.gov. 1. Como o administrador age em nome da sociedade limitada. cumprindo-lhe cientificá-los do seu impedimento e fazer consignar.com. bem como na deliberação que a respeito tomarem os demais administradores. idênticas às que prevalecem no mercado ou em que a companhia contrataria com terceiros.404/1976. utilizar. sendo a conseqüência da prática de tais atos. exercer o direito de regresso em face do administrador. III . teoria ultra Vires A teoria dos atos ultra vires tem origem inglesa. Em ambos os casos. tal teoria tem sido utilizada por alguns doutrinadores para explicar a teoria da responsabilidade do administrador. Assim. como veremos a seguir. bovespa. dependendo da disposição contratual262. será responsável sempre que agir com dolo ou culpa. 257 “Em razão da regra da decisão negocial.asp. 158 da Lei nº 6. Assim. entretanto. podem os administradores.se a limitação de poderes estiver inscrita ou averbada no registro próprio da sociedade. mas sim o próprio administrador. Para melhor compreensão da responsabilidade dos administradores. na cVm: http://www. mesmo que dentro das limitações de competência previstas no contrato/estatuto. a aparência indica ao credor que o “adquirente” não é a sociedade que explora a escola. poder-se-á perquirir sobre a possibilidade do terceiro credor cobrar da sociedade. podemos dizer que estamos diante de uma nova teoria dos atos ultra vires. e o administrador interessado será obrigado a transferir para a companhia as vantagens que dele tiver auferido. é claro no sentido da responsabilização pessoal do administrador perante terceiros em qualquer uma das seguintes situações: I .

a Lei nº 9. custe o que custar”.) III . além de ser contribuinte (segurado obrigatório). 2009. 1. Rodrigo R. a decisão negocial que a ele levou pode ser considerada refletida. 259 É obrigatória a leitura do seguinte artigo: “Deveres dos administradores de sociedades Empresárias em Dificuldade Econômica-Financeira: a Teoria da Deepening Insolvency no Brasil” escrito por Leonardo santos de aragão. in casTRO.os diretores. em seu art. exclusivamente para o responsável.729/1965265) e de apropriação indébita (Decreto-Lei nº 2. FGV DIREITO RIO 143 .ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa credor a cobrança apenas em face do administrador (pessoa natural) e não da sociedade. Op. quando o administrador tem interesse na decisão. tal como ocorre com relação aos tributos. informadamente. – Trabalhista: Os arts. caso. Esse conceito vem sendo expandido para incluir benefícios que não sejam diretos para o administrador ou para instituições e empresas ligadas a ele. na forma da Lei nº 8. como tal considerado o titular da empresa (individual ou coletiva).053 do código civil. art.br/port/ inqueritos/2007/rordinario/ inqueritos/05_15_21-04. haja o regresso. pelos responsáveis. resultante de atos praticados.cvm. será obrigado a cobrar do administrador. mesmo que deixe de analisar um negócio. Pela teoria da aparência.) Direito societário – Desafios atuais – são paulo: quartier Latin. ainda. uma forma de responsabilidade por substituição. O mesmo diploma legal. Além do dispositivo constitucional. o instituto da desconsideração da personalidade jurídica art. no entanto. aplicando-se. pL 3401/2008269 Encontra-se em tramitação o PL 3401/2008 que regulamenta o disposto no art. depois. embora só recentemente tenha sido introduzido na legislação brasileira.. Recolher as contribuições da Previdência Social e não repassá-las ao INSS configura crime de sonegação fiscal (Lei nº 4.. sócios e diretores. contrato social ou estatutos. Além disso.605/1998268 prevê a responsabilização penal da pessoa jurídica pela prática de delitos ambientais e funciona não apenas para punir. são pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei. haverá a transferência do débito em nome do contribuinte. encaminhando-se. alegando que. gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. 4º. – Ambiental: O art. 178/185.848/1940 – Código Penal266). é também responsável legal pela arrecadação das contribuições dos seus empregados. Entretanto. para o perigoso rumo da máxima de que “alguém deve pagar. III263 é o não pagamento da obrigação principal pelo contribuinte. 260 261 262 263 Op. que respondem solidariamente. Ressalte-se que o art. não é caso para a desconsideração da personalidade jurídica e sim de substituição legal tributária.620/1993267 e da remansosa jurisprudência dos tribunais. e (iii) Decisão desinteressada: a decisão desinteressada é aquela que não resulta em benefício pecuniário ao administrador. pág.cit. 50 do Código Civil. salvo nas hipóteses de fraude. disciplinando a declaração judicial de desconsideração da personalidade jurídica. destinando um capítulo inteiro a sua proteção. p. é. O autor do PL justifica a proposição.228. que explora a escola. onde o responsável passa a figurar no pólo passivo de uma relação jurídica com o FISCO. em cotejo com a documentação que fundamenta o negócio. tenha o administrador decidido não analisar esse negócio. – Previdência Social: O empregador. a teoria da aparência. Com isso. 225 da Constituição da República conferiu especial relevo à questão ambiental. o credor poderá cobrar diretamente da sociedade para que. admite a desconsideração da pessoa jurídica “sempre que sua personalidade for obstáculo ao ressarcimento de prejuízos causados à qualidade do meio ambiente”. desta feita. das diferentes alternativas ou possíveis conseqüências ou. 135. ou então. algumas vezes. ao elevar o meio-ambiente à categoria de bem jurídico tutelado autonomamente. é importante ressaltar que tais regras não fazem com que os administradores sejam responsáveis pelo pagamento de tais débitos. asp. aplicamse os standards do dever de lealdade (duty of loyalty)”. Novamente. Leonardo santos de (coord. acesso em 19 de janeiro de 2009. com excesso de poderes ou infração de lei. 135. http://www. contrato social ou estatutos: (. monteiro de & aRaGãO. 135 do CTN não é caso de desconsideração da personalidade jurídica. 2° e 10 da CLT firmam a responsabilidade da empresa pelos débitos trabalhistas. projeção da responsabilidade do administrador em outros campos do direito: – Código Tributário Nacional: a hipótese de incidência do art. A jurisprudência trabalhista ainda é vacilante sobre o tema. mas como forma de prevenção.228.cit. pág.gov. que o substitui.

para ser entregue em outro endereço.gov. O valor dos pedidos oscila entre R$ 3. art. 266 art. CRIME AMBIENTAL PRATICADO POR PESSOA JURÍDICA.00. a ”RS” comunica a Couros e Outros Ltda. que não aceitará o título nem o pagará. De quem é a obrigação de pagar o título e por quê? art 1º constitui crime de sonegação fiscal: I . passou a aceitar os pedidos de Alfredo por telefone e/ou por e-mail. OPÇÃO POLÍTICA DO LEGISLADOR. Além disso.000. taxas e quaisquer adicionais devidos por lei. Caso gerador A sociedade RS Sapatos e Bolsas Ltda. a “RS” estava alugando o espaço na área de produção de uma outra fábrica que ficava. 265 art. de 2 (dois) a 5 (cinco) anos. justamente. os gerentes e os diretores respondem solidariamente e subsidiariamente. os quais foram devidamente pagos no vencimento. quanto ao inadimplemento das obrigações para com a seguridade social. RECURSO PROVIDO. com seus bens pessoais. No início de dezembro.00 e R$ 5. com seus bens pessoais. parágrafo único.500. total ou parcialmente. concedendo-lhes o prazo de dez dias para produção de suas defesas. em detrimento dos credores da pessoa jurídica ou em proveito próprio. tenham praticado ou concorrido para a prática da sonegação fiscal. com a intenção de eximir-se. co-autoras ou partícipes do mesmo fato. pessoalmente. ainda. tem 20 anos de mercado capixaba. civil e penalmente conforme o disposto nesta Lei. Nesse sentido. e “tira o pedido”. direta ou indiretamente ligados à mesma. POSSIBILIDADE. ATUAÇÃO DOS ADMINISTRADORES EM NOME E PROVEITO DA PESSOA JURÍDICA.. antes de declarar que os efeitos de certas e determinadas obrigações sejam estendidos aos bens dos administradores ou sócios da pessoa jurídica. com sede em Feliz/PR. Pergunta-se: 1. pelos débitos junto à seguridade social. será vedada a extensão dos efeitos de obrigações da pessoa jurídica aos bens particulares de sócio e/ou de administrador que não tenha praticado ato abusivo da personalidade. PREVISÃO CONSTITUCIONAL REGULAMENTADA POR LEI FEDERAL. com os mesmo dados fiscais. No início. CO-RESPONSABILIDADE. 3º as pessoas jurídicas serão responsabilizadas administrativa.00. do pagamento de tributos. que “Alfredo” havia sido despedido dias antes de fazer o último pedido ao “Waltinho”.br. os canhotos das notas fiscais e dos talões de pedido sempre voltavam assinados e carimbados pelo chefe da expedição da “RS”. os administradores. EXISTÊNCIA JURÍDICA.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa vem sendo utilizado com um certo açodamento e desconhecimento das verdadeiras razões que autorizam um magistrado a declarar a desconsideração da personalidade jurídica. a responsabilidade penal pelas infrações previstas nesta Lei será de todos os que. CULPABILIDADE COMO RESPONSABILIDADE SOCIAL. Waltinho recebe um pedido de Alfredo no valor de R$ 4. no endereço indicado para essa entrega.000. mas com o passar dos anos. nos casos em que a infração seja cometida por decisão de seu representante legal ou contratual. aduzindo. em virtude da demanda de Natal.reclusão. Deixar de repassar à previdência social as contribuições recolhidas dos contribuintes. 4º poderá ser desconsiderada a pessoa jurídica sempre que sua personalidade for obstáculo ao ressarcimento de prejuízos causados à qualidade do meio ambiente 268 269 Disponível em: www. Os acionistas controladores. a responsabilidade das pessoas jurídicas não exclui a das pessoas físicas. em proveito próprio e não da sociedade (“RS”). porque a compra foi feita por pessoa não autorizada. assim como o endereço para a entrega na sede da “RS”. 13. os dados fiscais são sempre os mesmos. indicando como local para a entrega o último endereço fornecido por Alfredo. no interesse ou benefício da sua entidade. CAPACIDADE DE AÇÃO. O titular da firma individual e os sócios das empresas por cotas de responsabilidade limitada respondem solidariamente. Seu principal fornecedor de couro é a Couros e Outros Ltda. 168-a. porém. total ou parcialmente. 267 JurisprudênCia CRIMINAL. art 6º quando se trata de pessoa jurídica.prestar declaração falsa ou omitir.camara. Além disso. e há mais de cinco anos faz seus pedidos mensais. FORMA DE PREVENÇÃO DE DANOS AO MEIO-AMBIENTE. art. com o vendedor Waltinho. por dolo ou culpa. Sacada a duplicata correspondente à venda do couro. ou de seu órgão colegiado. parágrafo único. mediante desvio de finalidade ou confusão patrimonial. informação que deva ser produzida a agentes das pessoas jurídicas de direito público interno. RESPONSABILIZAÇÃO PENAL DO ENTE COLETIVO. e multa. autoras. Alfredo Matias é o diretor de compras da “RS”. o juiz lhes facultará o prévio exercício do contraditório. Waltinho tomou todas as cautelas necessárias. PENAS ADAPTADAS À NATUREZA JURÍDICA DO ENTE COLETIVO. de modo permanente ou eventual. no prazo e forma legal ou convencional: pena . A justificativa de Alfredo era que. Waltinho não perde tempo. FGV DIREITO RIO 144 .

IV. a possibilidade de penalização criminal das pessoas jurídicas por danos ao meio-ambiente.. de forma inequívoca. lodo. Hipótese em que pessoa jurídica de direito privado.PENHORA DE BENS PESSOAIS DO SÓCIO.” IX. XIII. tais como. grifamos. DJ 13. a pessoa jurídica deve ser beneficiária direta ou indiretamente pela conduta praticada por decisão do seu representante legal ou contratual ou de seu órgão colegiado. XI. V. areia e produtos químicos. de ato ilícito ou de excesso de poder. graxas. de alcançar a penhora de bens de sócio da sociedade tem cabimento nos casos de desvio das finalidades sociais.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa I. Ministro GILSON DIPP. julgado em 02.DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE DE PESSOA JURÍDICA . A culpabilidade. 331). passou a prever. X. A co-participação prevê que todos os envolvidos no evento delituoso serão responsabilizados na medida se sua culpabilidade. neste contexto. EMBARGOS DO DEVEDOR . limita-se à vontade do seu administrador ao agir em seu nome e proveito. restritivas de direitos. Não há ofensa ao princípio constitucional de que “nenhuma pena passará da pessoa do condenado. pois é incontroversa a existência de duas pessoas distintas: uma física .que de qualquer forma contribui para a prática do delito . Recurso provido. resultantes da atividade do estabelecimento comercial. de prestação de serviços à comunidade. todas adaptadas à sua natureza jurídica. VII. VI. nos termos do voto do Relator. A denúncia oferecida contra a pessoa jurídica de direito privado deve ser acolhida. de serem culpáveis e de sofrerem penalidades. A Lei Ambiental previu para as pessoas jurídicas penas autônomas de multas. óleo. XII. A responsabilização penal da pessoa jurídica pela prática de delitos ambientais advém de uma escolha política. no conceito moderno. é a responsabilidade social. liquidação forçada e desconsideração da pessoa jurídica. cada qual recebendo a punição de forma individualizada. regulamentando preceito constitucional. juntamente com dois administradores. A atuação do colegiado em nome e proveito da pessoa jurídica é a própria vontade da empresa. e a culpabilidade da pessoa jurídica. o qual se passou como representante da sociedade em nome de quem celebrou FGV DIREITO RIO 145 . através de lançamento de resíduos. A imputação penal às pessoas jurídicas encontra barreiras na suposta incapacidade de praticarem uma ação de relevância penal.2005. A Lei ambiental. poderá vir a praticar condutas típicas e.. decorrente de sua atividade lesiva.e uma jurídica. mandou recaísse a penhora sobre bem pessoal do sócio. Rel. II. “De qualquer modo.”. A pessoa jurídica só pode ser responsabilizada quando houver intervenção de uma pessoa física. QUINTA TURMA. diante de sua legitimidade para figurar no pólo passivo da relação processual-penal.06. havendo prova da prática de abuso de direito. consubstanciado em causar poluição em leito de um rio. desconsiderando a pessoa jurídica da devedora. ser passível de responsabilização penal.2005 p. que atua em nome e em benefício do ente moral. III. Se a pessoa jurídica tem existência própria no ordenamento jurídico e pratica atos no meio social através da atuação de seus administradores.06. como forma não apenas de punição das condutas lesivas ao meio-ambiente. A desconsideração da pessoa Jurídica para o fim. portanto. VIII. foi denunciada por crime ambiental. mas como forma mesmo de prevenção geral e especial. (REsp 564960/SC. Decisão deste órgão fracionário em Agravo de Instrumento que considerou legítimo o ato judicial que.

grifamos obs. SEÇÃO SÃO PAULO . PAULO GUSTAVO HORTA . 42. Epaminondas é administrador não sócio de sociedade limitada. Recurso provido parcialmente. d) 3/4 do capital. Uma das conseqüências dessa distinção é que o administrador nomeado em contrato (A) deve ser sócio.DIREITO COMERCIAL. praticou ato de gestão contrariando expressamente decisão tomada em reunião de sócios. mas seu ato é considerado válido e eficaz. 125º EXAME DE ORDEM. no mínimo: a) 2/3 do capital. TJ/RJ).1ª FASE. (B) com excesso de poderes e essa circunstância pode ser oposta a terceiros.Na sociedade limitada. mas responde perante os sócios por eventuais prejuízos. DIREITO COMERCIAL. DIREITO COMERCIAL. (D) no regular exercício de suas atribuições. (D) prescinde de autorização dos sócios para a prática de atos. Prejuízos causados à sócia oculta reconhecido por sentença judicial. PROVA OBJETIVA . 38 .14192 . SEÇÃO SÃO PAULO. a designação deles dependerá da aprovação dos sócios que representem. 123º EXAME DE ORDEM. PROVA OBJETIVA . 44. regida subsidiariamente pelas regras da sociedade simples. Questões outras que podem ser examinadas em qualquer tempo ou que se ressentem da produção de prova idônea Ausência do dolo processual autorizador da aplicação da pena por litigância de má fé e. (C) no regular exercício de suas atribuições e seu ato é considerado válido e eficaz. Nessa qualidade.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa contrato de constituição de sociedade em conta de Participação. (B) tem poderes irrevogáveis. (2003.001. c) 1/2 do capital.VERSÃO 1.PROVA 1ª FASE . arbitramento dos honorários de advogado.QUINTA CAMARA CIVEL. se o contrato permitir administradores não sócios. (C) depende de quorum de nomeação diferenciado. FGV DIREITO RIO 146 . Questões de ConCurso 29º EXAME DE ORDEM. cuja ata foi arquivada na Junta Comercial.Julgamento: 12/08/2003 .APELACAO CIVEL . recebeu dinheiro para quitar dívida da sociedade e depositou o cheque em favor de outra sociedade da qual ele e sua mulher eram os únicos sócios. Epaminondas agiu: (A) com excesso de poderes. já estando integralizado o capital social.TIPO 1. SEÇÃO DO RIO DE JANEIRO .DES. b) 1/4 do capital. O administrador das sociedades limitadas pode ser nomeado no contrato social ou por ato separado. Na íntegra do acórdão há menção à teoria ultra vires.

na sociedade limitada.Exame de Ordem . a administração da sociedade somente pode ser exercida por sócio e mediante designação no contrato social. sob pena de ineficácia do ato em relação à sociedade. nenhuma responsabilidade possuem os sócios que adotarem deliberação contrária ao contrato social. inclusive pessoa jurídica. o sócio ostensivo responde perante terceiros. um deles pessoa natural e o outro pessoa jurídica. ser administrada por pessoa jurídica não sócia. D) A administração pode ser exercida por pessoa jurídica desde que a mesma não seja sócio. PROVA PREAMBULAR – 07/05/2006. DIREITO COMERCIAL. é correto afirmar que: (A) a administração da empresa somente pode ser exercida por um dos sócios. (D) a denominação social deve designar o propósito da sociedade. Assinale a alternativa CORRETA a) Na sociedade em conta de participação. desde que estabelecida no contrato social. A propósito dessa situação. se o sócio participante tomar parte com o sócio ostensivo. a) os atos praticados pelo administrador com excesso de poderes são sempre imputáveis à sociedade. PROVA DE SELEÇÃO. 91. b) a sociedade somente pode praticar atos que estejam expressa ou implicitamente compreendidos no seu objeto. C) Somente pessoa natural pode administrar a sociedade limitada. A) Não há impedimento à nomeação de não sócio como administrador. Prova OAB/RJ . não podendo haver divisão para fins de transferência.Outubro/2007 33º Exame de Ordem RJ 90ª Questão: Considere que um advogado seja consultado sobre a possibilidade de uma sociedade limitada formada por dois sócios. Com base na legislação vigente que trata das Sociedades Limitadas.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa 178º CONCURSO DE INGRESSO NA MAGISTRATURA DO ESTADO DE SÃO PAULO (2006). c) Na sociedade limitada. b) Na sociedade limitada cujo capital esteja totalmente integralizado. Prova OAB/RJ . B) A nomeação de administrador pessoa jurídica só é válida se a mesma for sócio.Abril/2007 32º Exame de Ordem RJ 83ª Questão: De acordo com a teoria dos atos ultra vires. FGV DIREITO RIO 147 . d) A quota social.Exame de Ordem . TIPO 1. (C) é permitida a contribuição de sócios por meio de prestação de serviços. mesmo que o contrato social não disponha sobre o assunto. 36. com partes iguais no capital. CONCURSO PúBLICO PARA PROVIMENTO DE CARGOS DE JUIZ SUBSTITUTO DO ESTADO DO PARANÁ. assinale a opção que apresenta uma resposta correta à referida consulta. é sempre indivisível. (B) é permitida a administração da empresa por não-sócios. responde solidariamente com este pelas obrigações em que intervier. sendo proibido figurar o nome de um ou mais sócios. nas relações com terceiros. entretanto.

o das S/A. mas estranho a seu objeto? Por quê? FGV DIREITO RIO 148 . em seu nome. 21ª QUESTÃO Qual o significado dos atos ultra vires na gerência das sociedades? XXXVIII CONCURSO PARA INGRESSO NA MAGISTRATURA DE CARREIRA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO. que isenta a pessoa jurídica da responsabilidade por atos praticados em seu nome. d) a prática de qualquer ato estranho ao objeto depende de aprovação de sócios representando a maioria absoluta do capital social. é correta a assertiva sobre as Sociedades Limitadas: a) a teoria do ato ultra vires. PROVA PRELIMINAR. IX CONCURSO PúBLICO PARA PROVIMENTO DE CARGOS DE JUIZ FEDERAL SUBSTITUTO NA 2ª REGIÃO. PROVA OAB/DF . o administrador somente pode praticar atos de gestão previamente autorizados pelos sócios.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa c) no silêncio do contrato social. c) é defeso aos sócios pactuar no contrato social a dissolução total da sociedade caso esta não atinja patamares mínimos de lucro. atinge as sociedades cujo contrato social é omisso quanto ao regime supletivo. DIREITO EMPRESARIAL. em caso de omissão.EXAME DE ORDEM . DIREITO COMERCIAL. d) aos sócios compete definir o regime supletivo da sociedade que será.ABRIL/2006 80ª Questão: Segundo o Código Civil. b) a responsabilidade de sócios-gerentes das sociedades limitadas não poderá ser solidária com a sociedade. 1ª QUESTÃO: Fica a sociedade limitada validamente vinculada ao negócio praticado por seu administrador.

norberto in Elogio da serenidade e outros escritos morais. 267 BOBBIO. – Liquidação de quotas. Fabio Ulhoa Coelho. 5ª edição. – “Justa causa” – Procedimento extrajudicial de exclusão do sócio.II. Renovar/2005. Leitura CompLementar – Páginas 415 a 419 (expulsão do sócio) do Curso de Direito Comercial vol. Tradução de marco aurélio nogueira. – Exclusão de Pleno Direito. unesp/2002.I. No entanto. se o indivíduo sereno é tolerante e respeitoso. 7ª edição.) do Manual de Direito Comercial e de Empresa. vol. a serenidade resvala no território da tolerância e do respeito pelas idéias e pelos modos de viver dos outros. – Páginas 207 a 221 de O Direito de Empresa à luz do Novo Código Civil. mas.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa AUlA 18: fORMAS DE ExPURGAR O SóCIO INDESEJADO “Como modo de ser em relação ao outro. A tolerância nasce de um acordo e dura enquanto dura o acordo. Assim. o dinheiro e/ou bens que cada sócio se obrigou a entregar para a constituição do capital social se transmite. não há um estado de tolerância. ementário de temas – Exclusão de sócio remisso. Passa-se o mesmo com o respeito. Nesta aula discutiremos a leitura do(s) seguinte(s) capítulo(s): – Páginas 331 a 333 (SIMPLES) 374 a 377 (LTDA. não pretende qualquer reciprocidade: a serenidade é uma disposição em relação aos outros que não precisa ser correspondida para se revelar em toda a sua dimensão. Uma situação de tolerância existe quando um tolera o outro. deixando de pertencer ao sócio para se incorporar o patrimônio da sociedade. A serenidade é um dom sem limites preestabelecidos e obrigatórios”267.. A tolerância é recíproca: para que exista tolerância é preciso que se esteja ao menos em dois. O sereno não pede. José Edwaldo Tavares Borba. ao contrário. uma vez organizada a sociedade. p. Saraiva: São Paulo/2005. Ricardo Negrão. Se eu o tolero e você não me tolera. Renovar/2004. Sérgio Campinho.. Aprendemos que o capital social é dividido em quotas ou ações e sua formação consiste no somatório das contribuições que cada sócio realiza (integraliza) ou promete realizar (subscreve). FGV DIREITO RIO 149 . – Páginas 38 a 40 e 125 e 126 do Direito Societário. prepotência. Cito Kant: ‘Todo homem tem o direito de exigir o respeito dos próprios semelhantes e reciprocamente estar obrigado ele próprio a respeitar os demais’. não é apenas isto. 42-43. Saraiva: São Paulo/2004. 9ª edição. – Procedimento judicial de exclusão do sócio.

Renovar/2005.aquele que subscreveu quotas e não integralizou dentro do prazo pactuado.. que.a.085 do código civil. ainda. conforme dispõe o art. e conseqüentemente para a formação da base patrimonial da sociedade. a lei criou instrumentos jurídicos que permitem a sociedade continuar sua atividade. 1. risco financeiro ao desenvolvimento da empresa271. Transcorrido o prazo. tanto por via contratual: quando colocarem “em risco a continuidade da empresa. n. Mediante uma Ação de Integralização de Capital a sociedade poderá “cobrar” o sócio remisso. gerando. realizado na data da exclusão. 268 269 270 271 art. É necessário. No caso de quebra da affectio societatis. como ensinou Tullio Ascarelli. a plurilateralidade do contrato de sociedade levará a resolução somente em relação ao sócio inadimplente. afigurando-se. que pode restar comprometida quando um dos sócios torna-se remisso. ou.168. saraiva. em virtude de atos de inegável gravidade”269. obriga-se a restituir os valores que o sócio excluído tiver integralizado273. in Ensaios e pareceres. por incapacidade superveniente270”. em regra. Nesse sentido. 289 do código comercial poderão os outros sócios preferir a exclusão do sócio remisso. figurando – a própria sociedade. Mesmo no caso de expulsão do sócio remisso. seja expulso. se caracteriza pela “reunião das partes e a comunhão de escopo que caracterizam a sociedade”274.030 do código civil. a interpretação do Supremo Tribunal Federal e do Superior Tribunal de Justiça não admite que o sócio.97. que já constava do Decreto nº 3. poderão os outros sócios tomar a si as quotas anuladas ou transferi-las a estranhos. Temos então. não afetando o contrato entre os demais. mas sim sócio da sociedade. deve corroborar-se à justa causa. Os outros sócios não serão autores porque estão ligados à sociedade e não entre si (a natureza do ato constitutivo da sociedade é de contrato plurilateral). 1. têm no capital desta a principal (e muitas vezes única) garantia. sendo.708/1919268.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa roteiro de auLa É notório que as relações entre os sócios nem sempre transcorrem de forma tranqüila. 5ª edição. Neste sentido. sendo assim. em qualquer das hipóteses. ao contrário. subscrito por duas testemunhas. 7º. incidindo em violação grave ao dever primordial do sócio. como preceituado pelos tribunais. Em qualquer caso do art. 273 Enunciado 62 (cjF): com a exclusão do sócio remisso. o Código Civil manteve a única previsão de exclusão de sócio. assim. É o que ensina Tullio Ascarelli: “A peculiaridade de maior relevo do contrato plurilateral diz. ponha em risco o desenvolvimento da empresa e sua função social. após algumas deduções. ao final). pagando ao proprietário primitivo as entradas por ele realizadas.058. 274 FGV DIREITO RIO 150 . deve-se dar com base em balanço especial. com efeito. os terceiros que negociam com a sociedade. como um dos mais importantes pilares de todas as sociedades. esses últimos. seus herdeiros ou sucessores a soma devida pelas suas quotas ou preferindo a sua exclusão. 1. a forma de reembolso das suas quotas. além disso. são paulo/1952. e inovou ao permitir a possibilidade de um ou mais sócios serem excluídos pela maioria (mais da metade do capital social). deduzindo os juros da mora e mais prestações estabelecidas no contrato e as despesas. O sócio inadimplente “estará sujeito a notificação premonitória da sociedade. no pólo ativo da ação. que exista cláusula contratual dispondo sobre “justa causa” (vide Jurisprudência. por intuito pessoal. Lembre-se de que ninguém é sócio de ninguém.affectio societatis. pág. como uma das hipóteses em que se admitirá a exclusão do sócio. art. O conceito de “justa causa” no âmbito do Direito Societário surge com a natureza do contrato social (plurilateral). que. também. pág. cujo título executivo é o contrato social. com concessão do prazo de trinta dias para adimplir suas obrigações. sendo impossível cobrar amigavelmente do sócio. indispensável a colaboração entre todos os sócios . que pura e simplesmente não integraliza suas quotas. O Código Civil faculta à sociedade optar pela transferência das quotas do sócio remisso para os sócios restantes ou para terceiros. comum os desentendimentos. 272 campInHO. expulsando um ou mais de seus membros.004)272. A denominada Ação de Integralização de Capital nada mais é do que uma ação de execução. sérgio in O Direito de Empresa à luz do novo código civil. que é contribuir para o capital social. respeito à disciplina da sua nulidade ou art. a presença de um sócio remisso . devendo responder perante a sociedade pelo dano dela decorrente” (artigo 1. Atento a esta situação. estará constituído legalmente em mora. como por via judicial: quando praticarem “falta grave no cumprimento de suas obrigações.

como veremos a seguir. já traçada pela jurisprudência. quando o assunto for a deliberação sobre a sua exclusão. entre os sócios. é uma forma de proteger os sócios minoritários de eventuais desmandos dos sócios majoritários e está prevista no art. deixando patente que somente em relação ao minoritário a exclusão pode se dar de forma extrajudicial. Todavia. Explica o autor. com prazo razoável para a defesa do sócio “acusado”.cit. 1. Assim.cit.085. conforme argumentou o Dr. FGV DIREITO RIO 151 . quando o estado de tolerância deixa de estar presente. a justa causa. o mecanismo previsto no parágrafo único do art. b) ato de inegável gravidade que esteja colocando em risco a continuidade da empresa. 1.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa anulação que pode respeitar a adesão de uma entre as partes não afetando o contrato no seu conjunto”. mas apenas para dissolução (parcial) da sociedade”. acarretando o desajuste que gera o conflito e configura. No mesmo sentido. o Prof. pág. estimulando o enfrentamento dos querelantes.208. aprovado na I jornada de Direito civil. 1. dispõe que: “a quebra do “affectio societatis” não é causa para a exclusão do sócio minoritário. o art. basta haver previsão de exclusão por justa causa no contrato social para que a exclusão possa ser tomada extrajudicialmente277. A exclusão de sócio majoritário somente poderá se dar de forma judicial e atendendo aos requisitos do artigo 1. A exclusão extrajudicial por justa causa somente pode se dar para sócios minoritários. 275 276 Op. 1. o direito de votar. sem as garantias.030 do Código Civil. Ao revés. não tendo o majoritário. n. com vasta experiência em atuações judiciais e extrajudiciais em contendas societárias que “a realização de assembléia ou reunião em nada contribuirá para o aprimoramento do instituto da exclusão. c) previsão no contrato social permitindo a exclusão extrajudicial por justa causa.a.168. uma vez que depende de deliberação por sócios que representem mais da metade do capital social. O procedimento para a exclusão extrajudicial está previsto no parágrafo único daquele artigo. da “justa causa” para exclusão de sócio.085 está inserido na seção VII. Miguel Reale (autor do Código Civil). Apesar do novo Código Civil ter contemplado a previsão.275 O novo Código Civil chancelou em seu texto a previsão jurisprudencial da “justa causa” como quebra da affectio societatis276. bastando citar a previsão de realização de reunião só para tal deliberação. conforme previsto no art.085 do Código Civil permite a exclusão extrajudicial de sócio caso estejam presentes os seguintes requisitos: a) deliberação por sócios que representem mais da metade do capital social. procedimento extrajudicial de exclusão do sócio O artigo 1. Poderia ser argumentado que se trata da maioria do capital votante. 277 278 Op. portanto.030 do Código Civil. Sérgio Campinho critica a necessidade de convocação de reunião ou assembléia com a presença do excluído a fim de garantir-lhe o direito ao devido processo legal e ao contraditório. surge. sob o título “Da resolução da sociedade em relação a sócios minoritários”. O Enunciado nº 67. Reportando-nos a nota de abertura dessa aula – texto de Roberto Bobbio.085 acarretará em empecilho a sua efetivação. as seguranças e fatores inibidores que o processo judicial assegura àquele que deseja exercer o seu direito de defesa278”. que dispõe sobre a exclusão ser “deliberada em reunião ou assembléia especialmente convocada para esse fim. o estado de prepotência. será mais uma fonte de perpetração de disputas. promovida pelo centro de Estudos judiciários do cjF em 2002. ciente o acusado em tempo hábil para permitir o comparecimento e exercício do direito de defesa”. procedimento judicial de exclusão do sócio A possibilidade de exclusão de sócio pela via judicial. pág.

e 170.a. justificando. processadas no juízo da execução coletiva (falência). No silêncio do contrato. seguindo os parâmetros previstos no contrato social. III). O artigo 1. portanto. entende-se ocorrida a exclusão por incapacidade superveniente. 280 Os destituídos do necessário discernimento para a prática de atos da vida civil. 283 284 art. Quando a realização do objeto social depender de determinada condição pessoal do sócio (ou sócios) e ele não puder mais realizá-la. 1. 281 art. 282 n.030. o inadimplemento das obrigações assumidas no contrato plurilateral de sociedade. se opera independente da vontade dos sócios283. II da Constituição da República. sendo a liquidação das quotas do sócio em questão284. com caráter pessoal. 1. é a incapacidade superveniente do sócio. tendo a sociedade como autora e o sócio que se pretende excluir como réu. cooperativa e outras) que tenha sido declarada insolvente282. A ação é de conhecimento e tramitará pelo rito ordinário. Em qualquer dessas hipóteses. FGV DIREITO RIO 152 . a sociedade não pode deixar de efetivá-la. podendo ser expulso da sociedade. primeira parte do parágrafo único do código civil. que poderão circunscrever-se às restrições constantes do art. como o fundamento para a exclusão de pleno direito é a proteção dos interesses de terceiros. A outra hipótese para a propositura da Ação de Exclusão. por tratar-se de exclusão determinada por sentença judicial. os limites da curatela. exclusão de pleno direito Será excluído de pleno direito da sociedade o sócio empresário (pessoa jurídica) que tiver sua falência decretada281. faz-se necessário liquidar o valor de sua quota (ou quotas). A incapacidade superveniente pode se dar com a interdição de sócio280 e também com o fato do sócio. Este sócio será alcançado pela incapacidade superveniente. morte. retirada motivada ou imotivada. nos termos do art. A propositura da Ação de Exclusão será objeto de deliberação. pode ser considerado como sinônimo de “ato de inegável gravidade”. assim como os que não podem exprimir sua vontade. no mínimo. pessoa natural ou jurídica (sociedade simples. como resultado da formação da massa falida ou massa insolvente. onde a atuação pessoal do sócio é imprescindível para a realização do objeto social. afeta-se à condição de sócio o direito patrimonial disposto no art. que tem um de seus membros impedido de continuar exercendo a medicina em virtude da cassação de sua licença.782”. como pode parecer.031 do código civil. como vimos anteriormente. sob pena de configuração de voto conflitante). são absolutamente incapazes (art. computados pela participação no capital social. se o sócio que se pretende excluir detém 90% do capital social279.767. 1. como também o será o sócio não empresário. 1. É o caso de uma sociedade de médicos. 1. XXII. 5º. pois assim se afere a disposição de poderes entre os sócios.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa O termo “falta grave”. o que configura. referido no artigo.772 do código civil prescreve: “pronunciada a interdição das pessoas a que se referem os incisos III e IV do art. segunda parte do parágrafo único do código civil. Assim. e não pelos próprios sócios. não colaborar mais com os outros sócios na realização da empresa. pois é impositiva.031 do Código Civil dispõe que a liquidação se fará. Essa possibilidade legal deve ser interpretada restritivamente e só será aplicável à sociedade com características “de pessoas”. o juiz assinará. 1.030 do Código Civil. sendo excluído o percentual correspondente ao sócio que se pretende excluir (ele não participa da votação. o pedido de exclusão deverá ser formulado por aquele ou aqueles que detenham. conforme o decreto de interdição (art.a. e não por cabeça. sendo necessária a concordância da maioria absoluta dos sócios. art. 3º). a ensejar a quebra da affectio societatis. Liquidação de quotas Com a retirada do sócio da sociedade. ou seja. Esse tipo de exclusão ocorre de pleno direito. 6% do capital social. seja por exclusão. a exclusão com base na “justa causa”. O art. a regra geral do citado artigo será 279 n. esta medida aplica-se inclusive ao majoritário. 1. segundo o estado ou o desenvolvimento mental do interdito. assim. por razões alheias a sua vontade. a incapacidade dos demais pode ser absoluta ou relativa.030. 9º.

sozinho? b) A expulsão de Christiano é juridicamente possível? c) Os sócios pretendem se reunir para tomar alguma atitude em face de Christiano. Ao fazer uma limpeza nas gavetas do escritório da loja. p. foi xingado e recebeu alguns socos de Christiano. porém não seria razoável um parcelamento de 50 anos. Recentemente. sempre administrou a sociedade.031. tendo por base a situação patrimonial da sociedade. Como não existe cláusula contratual referente à administração da sociedade. Diante da flexibilidade disposta no art. cada um. Pergunta-se: a) Christiano poderia administrar a sociedade. sob pena de enriquecimento ilícito dos demais sócios mediante o confisco indireto da propriedade do sócio excluído (ou retirante). a forma como desejam que se proceda a liquidação das quotas sociais. todas essas notas continham a assinatura de Christiano e o número do cheque emitido para pagá-las (frise-se que os cheques eram da conta corrente da sociedade). o know-how. com destino o patrimônio da sociedade. e não apenas em valores contábeis.a. Luciana encontrou algumas notas fiscais emitidas em nome da sociedade. ainda. os sócios devem estipular no contrato social.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa aplicada e a liquidação da quota (ou quotas) será no percentual que tiver sido efetivamente integralizada. recursos humanos etc. Enfim.ex. Contudo. por exemplo. que o prazo de 12 meses é um prazo razoável. devendo ser pago o valor referente às quotas. Christiano. ou seu valor poderá ser complementado pelos sócios que permanecerem na sociedade.: a marca. os demais sócios vêm percebendo uma alteração no comportamento de Christiano. muito menos indicando o administrador. como. sozinho. sendo certo que as regras contábeis não contemplam diversos itens de extrema validade. a data da resolução. portanto. havendo a respectiva distribuição de quotas entre os sócios ou. não pode o contrato estipular que a apuração dos haveres se dará com base no último balanço contábil aprovado. Bernardo e Gabriel são sócios de uma sociedade limitada que tem como objeto a venda de quadros e espelhos. ele poderia participar desta reunião? d) Optando pela expulsão de Christiano. Nesse ponto. indicando. FGV DIREITO RIO 153 . Estranhamente. 1. O pagamento dos haveres poderá ser parcelado. Lembrando que esta disposição deve garantir ao sócio excluído (ou retirante) o recebimento de justo valor pelas suas quotas. dentro de um prazo que atenda ao critério da razoabilidade285. a exclusão ou a retirada de um dos sócios poderá acarretar na redução do capital social. excluindo-se o valor da quota liquidada. porém indicando produtos que jamais foram vendidos por ela. Christiano é o sócio majoritário com 40% do capital social e o restante dos sócios participa com 20%. Caso gerador Christiano. Luciana. impondo sua condição de sócio majoritário. ele brigou dentro da loja com um fornecedor e quando o sócio Bernardo chegou para separá-los. tem o dever de votar na reunião de deliberação específica para a sua exclusão? e) Existe algum valor a ser recebido pelo sócio excluído? Terá alguma diferença se esse sócio não tiver subscrito as suas quotas? f ) O contrato social poderá dispor qual será a forma de reembolso das quotas daquele sócio? Poderá ser por meio de um parcelamento em 50 meses? 285 n. buscar um terceiro (s) para ingressar como sócio (s). a praxe. Em outras palavras: a apuração dos haveres se fará com base em valores reais. ele como sócio majoritário. verificada em balanço especialmente levantado.

de outro modo. (REsp 315.) por outro lado. ou ainda por motivo da quebra da affectio societatis. 1. julgado em 06. ARGUMENTOS QUE CONDUZEM. A estes sócios. DJ de 13/12/93).160/ SP. diante das circunstâncias de fato do caso. que deve ser medido com justiça. 352). FGV DIREITO RIO 154 . TERCEIRA TURMA. COMERCIAL. 886) . 1. pág. por deliberação majoritária dos cotistas. DJ 15. o locupletamento indevido da sociedade ou sócios remanescentes em detrimento dos retirantes” (REsp nº 38. Com isso.222-BA. sem a representação legal da sociedade.2006 p.” (RE 115. para supervisionar e fiscalizar o processo. como medida grave. NOMEAÇÃO DE LIQUIDANTE. pode ficar sujeita ao controle jurisdicional em termos de valoração jurídica. À DISSOLUÇÃO PARCIAL.02. segundo a jurisprudência do STJ.05. NO MÁXIMO. assiste o direito de retirada. PRECEDENTES. grifamos AÇÃO ORDINÁRIA DE DISSOLUÇÃO PARCIAL DE SOCIEDADE. Ministro CARLOS ALBERTO MENEZES DIREITO. insatisfeitos com a administração da sociedade. evitando-se. com a devida apuração de haveres.10. TERCEIRA TURMA. DJ 04. 200). (RESP 453. DISSOLUÇÃO INTEGRAL E LIQUIDAÇÃO DE SOCIEDADE POR QUOTAS DE RESPONSABILIDADE LIMITADA. publicado na RTJ nº 128. Relator o Senhor Ministro Waldemar Zveiter. não padece a dúvida de que é possível a exclusão de sócio independentemente de cláusula contratual. RECURSO ESPECIAL. a nomeação de liquidante.(. para o resguardo de eventual injustiça é que se admite a ação anulatória da deliberação tomada pela sociedade e a reparação a que fará jus o excluído.915/SP. É de se ponderar.grifamos. desde que haja justa causa para o ato. julgado em 08. Rel. COM A SAÍDA DOS DISSIDENTES E APURAÇÃO DOS HAVERES. PEDIDO DE SÓCIOS MINORITÁRIOS. que demonstrem no mínimo o desvio da finalidade social. SENTENÇA QUE HOMOLOGA A APURAÇÃO DE HAVERES DETERMINANDO O PAGAMENTO RESPECTIVO EM 90 DIAS.88. mas desprovido.2006. IMPROCEDÊNCIA DA PRETENSÃO. 2. resguardando-se inclusive o direito de defesa do excluído. Os interesses econômicos e de natureza moral devem ficar devidamente esclarecidos. Recurso especial conhecido. no entanto. fundada em justa causa.04. essa linha de entendimento tem por escopo preservar o quantum devido ao sócio retirante.423/AL. no caso de sócio retirante ou pré-morto. grifamos DISSOLUÇÃO PARCIAL DE SOCIEDADE POR QUOTAS. Ministro HUMBERTO GOMES DE BARROS. que a exclusão.12. Rel. assegurando-se a garantia do contraditório. sessão de 13. há de fazer-se como de dissolução total se tratasse posto que.. Julga-se improcedente o pedido de dissolução integral e liquidação da sociedade se requerido por sócios minoritários sem razões robustas..ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa JurisprudênCia “Diante da grave providência – exclusão de sócio. 2.2002 p. não agride nenhum dispositivo de lei federal. Esta Terceira Turma tem reiterados precedentes no sentido de que na “dissolução de sociedade de responsabilidade limitada.2001. a apuração de haveres.

APELACAO CIVEL. Quanto ao pedido de ser determinada a prestação de caução. Revelia.DECIMA QUINTA CAMARA CIVEL. As partes têm dever de proceder com lealdade no processo. além do fato de que o apelado não pode ser obrigado a receber seus haveres de forma parcelada. Presunção de veracidade dos fatos alegados pelos autores. Elemento indispensável à harmonia entre os sócios.01 UFIR’s (fls. eis que tal valor já havia sido corrigido pelo perito até maio/2005. portanto.Julgamento: 19/08/2003 .SEGUNDA CAMARA CIVEL. razão pela qual deve ser homologado o valor equivalente a 429. Provimento do apelo neste particular apenas. este não merece ser acolhido. Ação Ordinária visando a exclusão de sócio de sociedade empresarial.manifesta se acha justa causa a autorizar sua exclusão da sociedade. DES. mais conhecido como elo de colaboração ativa entre os sócios. tendo tido a empresa tempo suficiente para efetuar uma reserva para tal finalidade. Documentos comprobatórios trazidos aos autos pelos autores.218 do laudo pericial).11911 . Quando presente na sociedade situações que demonstram a atuação do sócio em desacordo com o dever de colaboração a que está submetido affectio societatis . sendo certo que o apelado foi beneficiado com a gratuidade de justiça a ela deferida. Pedido de parcelamento da quantia devida.945. AÇÃO CAUTELAR VISANDO O AFASTAMENTO E EXCLUSÃO DE SÓCIO. Impossibilidade tendo em vista que a ação foi proposta há quatro anos. Uma vez inadimplido.grifamos. Equívoco da sentença quando dispôs que o valor deve ser corrigido a partir de janeiro/2003. com a responsabilidade. DES. (2005.001. Réu que alega ter juntado contestação e documentos na carta precatória. não havendo nenhuma disposição contratual neste sentido. mas que no momento da Apelação. onde o elemento fundamental é o escopo ou objetivo comum.001. Desintegração da affectio societatis.PRIMEIRA CAMARA CIVEL. MARIA AUGUSTA VAZ .43209 . (2006. decorreu da má-gestão administrativa. Beligerância e agressão verbal do réu-sócio que se pretende seja excluído. para ser mantido o íntegro princípio da preservação da empresa. estará habilitada a Sociedade a excluir o sócio Inadimplente fundamentada na prevalência do interesse social sobre o individual.002. Nos autos há elementos a demonstrar que o afastamento do agravante da gerência administrativa da sociedade.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa Valores alegadamente adiantados pela empresa ao sócio excluído já computados no laudo pericial. Prazo da resposta não esgotado. Decisão que se mantém.AGRAVO DE INSTRUMENTO. Possibilidade de juntar-se a resposta tempestivamente.Julgamento: 01/02/2006 . DES. TJ/RJ). O contrato de sociedade é contrato sinallagmatico plurilaterale. quantidade essa que deverá ser atualizada apenas até a data da citação (agosto/2002). TJ/RJ) AGRAVO DE INSTRUMENTO. sendo certo que a parte das cotas sociais do sócio afastado será judicialmente apurada e não se mostra sob risco.APELACAO CIVEL. (2003. A decisão monocrática não é teratológica ou contrária à prova dos autos. JDS. estando de acordo com o Enunciado nº 7 deste Tribunal. no juízo deprecante. CRISTINA TEREZA GAULIA . Apelantes condenados nos ônus da sucumbência. TJ/RJ) . Honorários periciais. também aqui valendo o interesse social. de arcar com tal despesa. sponte propria eventuais equívocos cometidos. Equívoco no endereçamento com ciência do Advogado do Réu. Má-fé processual. grifamos. FGV DIREITO RIO 155 . inclusive agilizando e corrigindo. inexistente nas demais espécies contratuais. Omissão do Advogado que resta inerte.06722 . Sentença que julga procedente o pedido de exclusão e determina a apuração de haveres que se confirma. somente junta a cópia da contestação desacompanhada de qualquer documento. GALDINO SIQUEIRA NETTO Julgamento: 28/06/2006 . Juntada de contestação.

com ou sem justa causa. não importa em dano moral in re ipsa. A despedida de sócio.062 do CC não revoga a disposição do artigo 1. Tribunal de Justiça do RS. (2005. seus haveres sociais serão pagos de acordo com o critério do valor FGV DIREITO RIO 156 . Resolvendo-se o vínculo de um sócio com a sociedade empresária de que faz parte. Sexta Câmara Cível. desde então. MAURICIO CALDAS LOPES . Sentença de procedência. ao proceder o sócio detentor da maioria do capital social.1ª fase. que só admite a exclusão judicial. seja no atual. 45. inexiste sociedade de um sócio só.EXAME DE ORDEM . DES.DEZEMBRO/2007 82ª Questão: A exclusão extrajudicial de sócio de sociedade limitada: a) é admitida no Código Civil de 2002. O artigo 1. d) pode se fazer à revelia do sócio cuja exclusão se pretende. de modo que. Julgado em 02/06/2004) . conforme prevê o contrato social da empresa. DIREITO COMERCIAL. c) é modalidade de exclusão de sócio afastada por expressa disposição do Código Civil de 2002. Seja no direito privado anterior. procedida pelo sócio dito remanescente.grifamos.APELACAO CIVEL. sem justa causa embora. (Agravo de Instrumento Nº 70007363153. Provimento parcial do recurso do autor. DESTITUIÇÃO DE SÓCIO SEM JUSTA CAUSA. VII. e não havendo previsão contratual a respeito. TJ/RJ). Apuração de haveres em processo formal de liquidação de sociedade (artigo 1. à despedida de seu único sócio. a pessoa jurídica por eles até então formada.10522 .SEGUNDA CAMARA CIVEL. ora agravante. ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL SECÇÃO SÃO PAULO 125º EXAME DE ORDEM . as sócias não declinam eventual justa causa para a destituição do sócio (gerente). proposta por sócio despedido.Julgamento: 17/05/2005 . Relator: Cacildo de Andrade Xavier. do Código de Processo Civil) que não pode se ver substituída por apuração unilateral e particular. AGRAVO PROVIDO. b) é matéria sem previsão legal. extinta estava.001. Na Assembléia Geral realizada após a publicação do acórdão referente ao agravo regimental. no sentido de que a maioria do capital social pode excluir um sócio diante da impossibilidade de conviver com ele.019 do mesmo diploma legal. grifamos Questões de ConCurso PROVA OAB/MG . depois de não provido o dos réus. razão por que não há como considerar a hipótese de destituição do agravante pelo fato de as outras sócias possuírem 2/3 do capital social.218. Dano moral. desde que existem previsão no contrato social de exclusão extrajudicial por justa causa e observado o direito de defesa do sócio cuja exclusão se pretende. Ordinária de dissolução de sociedade por cotas de responsabilidade limitada.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa AGRAVO DE INSTRUMENTO. IMPOSSIBILIDADE. AÇÃO CAUTELAR INOMINADA. definida na jurisprudência.

2ª Prova Específica. Que opções têm os sócios da sociedade limitada em relação ao sócio remisso? (VALOR: UM PONTO E MEIO). XXXIX CONCURSO PARA INGRESSO NA MAGISTRATURA DE CARREIRA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO . (C) patrimonial de suas quotas na data do efetivo pagamento. FGV DIREITO RIO 157 .ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa (A) patrimonial de suas quotas na data da resolução. conforme a cotação em bolsa de valores. (D) econômico de suas quotas na data do efetivo pagamento. apurado em balanço especial. (B) econômico de suas quotas à data da resolução. apurado em balanço especial. apurado em perícia judicial.

constitui uma Sociedade de Propósito Específico – SPE. em 1997. São nada mais nada 286 citamos como exemplo a sociedade holding.P. para cada empreendimento seu. a partir da realização da oferta pública inicial de ações da companhia. entre condomínios residenciais de alto luxo. que representam cerca de 10 milhões de metros quadrados de área construída. para executar objetivos específicos e determinados. na forma de sociedade limitada. historicamente. Apesar de não ter regulamentação especial no Brasil e não representar um modelo ou tipo de sociedade.pdf#search=%22gafisa%20protocolo%22. edifícios comerciais. uma das empresas líderes no ranking das maiores construtoras e incorporadoras do segmento residencial no Brasil. passou a se chamar Gafisa s. companhia norte-americana líder em investimentos no setor imobiliário na américa Latina e que pertence ao Equity Group Investments (LLc). para a estruturação de negócios. ementário de temas – Sociedade de Propósito Específico – SPE. O início de 2006 foi marcado pela entrada da Gafisa no novo mercado de governança corporativa da Bovespa. flats e shoppings centers. José Edwaldo Tavares Borba. com sede em são paulo e operações em outras cidades do país. o seu destino é a liquidação. tecnológicos e industriais. para cumprir uma simples etapa de um projeto.mz-ir. tornou-se a Gafisa Imobiliária e. roteiro de auLa Aprendemos que. também têm sido utilizadas para grandes operações.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa AUlA 19: A UtIlIZAÇÃO DA SOCIEDADE lIMItADA COMO EStRAtéGIA SOCIEtáRIA PARA GRANDES OPERAÇõES Nesta aula discutiremos a leitura do seguinte capítulo: – Páginas 517 a 519 (S. estabeleceuse no mercado desenvolvendo mais de 900 empreendimentos. a Gafisa oferece aos seus investidores maior transparência e mais segurança e contribui para o aumento da credibilidade do mercado acionário brasileiro. a sociedade limitada era utilizada por pequenas e médias empresas. Renovar: Rio de Janeiro/2004. Acessar o documento disponibilizado no site: http://www. tais sociedades. 287 288 a Gafisa s. comandado por samuel zell.E. sob o nome de Gomes almeida Fernandes. adquire direitos e contrai obrigações decorrentes da realização do empreendimento para o qual foi constituída. a joint venture.) e 521 a 524 (joint venture) do Direito Societário. onde duas ou mais sociedades agregam seus esforços para desenvolver um negócio em conjunto. já marcadas para morrer. por meio do qual duas ou mais pessoas naturais e/ou jurídicas agregam suas habilidades. José Edwaldo Tavares Borba. a SPE. S. 9ª edição.A.com. cumprido esse projeto. inclusive. entre outros. uma SPE nasce para prestar um serviço a sua controladora. Decidida a expandir sua área de atuação e se tornar uma companhia nacional. já faz algum tempo que o caráter intuito personae não domina esse cenário de forma absoluta e. Uma vez constituída de personalidade jurídica. ao final da década de 80.. podendo. companhia líder brasileira na construção e incorporação de bens imóveis que. Na opinião do prof. com mais esse passo. Fonte: http://www. Nascem. sob uma das formas societárias previstas no ordenamento pátrio (Ltdas. normalmente. na sua maioria de caráter familiar ou restrita a sócios que já se conheciam antes de constituí-la. – Joint Venture. Normalmente. ser acionada em juízo. ou até mesmo para desenvolver um projeto da controladora.a. a SPE vem sendo largamente aceita em nosso ordenamento jurídico. sociedade de propósito específico – spe Tem origem em instituto tipicamente norte-americano. Porém. a Gafisa recebeu um importante acionista: a Equity International properties (EIp). Seja de forma isolada ou na participação em “grupos” societários286 ou mesmo em associação com outras sociedades287.s etc. a partir de uma associação com a Gp Investimentos.gafisa. Em 2005.a. citamos como exemplo as joint ventures.com/gafisa/admin/arquivos/ GAFISA_CVM_PROTOCOLOS_20050627_port. – Semelhanças e Diferenças entre a sociedade limitada e a sociedade anônima. Tomemos como exemplo a GAFISA288. a Gafisa foi fundada em 1954 no Rio de janeiro. em 2004 a Gafisa criou a Diretoria de novos negócios para cuidar exclusivamente de novos. com o objetivo da facilitar a administração de seus negócios. br/InsTITucIOnaL/ FGV DIREITO RIO 158 .). recursos financeiros. – Texto: A Joint Venture e a Sociedade de Propósito Específico.

assessoria na elaboração dos contratos de compra e venda e acordos entre sócios.disponibilização de uma cópia da Proposta de associação. Renovar: Rio de janeiro/2004. . para a criação de uma nova entidade que geralmente executa um trabalho que está além do domínio normal das sociedades originais.busca de sinergias e benefícios que a transação trará para os envolvidos . Joint Venture A formação de uma joint-venture se dá por intermédio de um acordo de associação entre duas ou mais sociedades. um aspecto de risco.Negociação das avaliações e valores envolvidos. Desde o começo. igualmente. 9ª edição.avaliação de duas ou mais pessoas naturais e/ou jurídicas. a sua competência gerencial. portanto.assessoria. pois deviam alcançar resultados e convencer diversos públicos em diferentes países. Destacamos alguns exemplos de integração de esforços para a constituição de uma joint venture: Em 1987.Sugestão da estratégia de associação ou Joint Venture .521. sem vida própria. informou a Reuters. ocasião em que os sistemas de informação passaram a ser específicos a cada uma delas. a missão não era das mais fáceis. .assinatura de um termo de confidencialidade . “há. a AUTOLATINA. 289 in Direito societário. Renovar: Rio de janeiro/2004. FGV DIREITO RIO 159 . e sem qualquer interesse particular capaz de justificá-la como empresa289. contábeis e fiscais da operação . Nas palavras do prof. A Nokia informou que vai reorganizar sua divisão de suporte a clientes empresariais e transferir dois mil funcionários excedentes para a planejada joint-venture com a alemã Siemens . o que permitiria que a associação Nokia Siemens Networks começasse a operar no início de 2007. 9ª edição. José Edwaldo Tavares Borba. cada um trazendo o seu know-how específico.Preparação da Proposta de associação . o que permite a expansão da atuação de todas. elas formaram um gigante teoricamente imbatível no mercado. detalhes jurídicos. com 60 mil funcionários. A decisão de separar as empresas. Normalmente. as empresas informaram que a Nokia contribuiria com 20 mil empregados e a Siemens com o restante para a formação da nova companhia. As duas empresas esperam receber aprovações para a fusão das unidades neste ano. o seu conhecimento de mercado.Contato com os potenciais sócios . . o processo de associação ou Joint Venture passa pelas seguintes fases: fASES PrEParaçÃo AtIvIDADES .apresentação genérica para os novos sócios . uma combinação de habilidades e competências por parte de seus integrantes. abordaGEM NEGoCIaçÃo EXECuçÃo in Direito societário. . próprio e típico dos novos negócios. pág. dissolvendo a AUTOLATINA. Há. formando a quarta maior empresa do mundo no segmento.acompanhamento dos elementos negociais. 290 291 Fonte: Valor Econômico em 05/09/2006. num somatório de aptidões capaz de conferir à sociedade condições efetivas de êxito”290. foi tomada no final de 1994 e efetivou-se em março de 1995. a fusão de suas unidades de equipamentos para redes de telecomunicações.518.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa menos do que uma sociedade-escrava. Visando compartilhar custos e potencializar os pontos fortes de cada empresa. As duas companhias acertaram. pág. em junho. Na época. A Nokia informou que a reorganização das atividades de suporte não terá impacto no número de empregados291. Volkswagen e Ford anunciaram um acordo que surpreendeu o mercado latino-americano.

em especial ao engessamento sofrido pela sociedade limitada. uma das desvantagens da sociedade anônima é a impossibilidade de enquadramento no SIMPLES. Do ponto de vista contábil. as duas formas societárias são equivalentes. convocada para este fim ao menos uma vez por ano (art. No que concerne à responsabilidade do administrador. a admissão ou saída de sócio poder ser feita com a simples transferência no Livro de Transferência de Ações ou na Conta Corrente de Ações.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa semelhanças e diferenças entre a sociedade limitada e a sociedade anônima Em vista das modificações ocorridas na legislação societária com a entrada em vigor do Código Civil de 2002. principalmente quanto à burocracia necessária para sua manutenção. se faz relevante o estudo comparativo entre os dois principais tipos societários utilizados no Brasil. Na sociedade limitada. tipos FGV DIREITO RIO 160 . atualmente.317/1996. Uma vantagem da sociedade anônima sobre a sociedade limitada é o fato de. veda expressamente a entrada de pessoa jurídica constituída sob a forma de sociedade por ações. o que limita a publicidade do nome dos sócios neste registro público. a mobilização dos sócios nas sociedades anônimas fica facilitada devido a desnecessidade de arquivo em órgão competente das alterações do quadro societário. a sociedade será designada por denominação acompanhada das expressões “companhia” ou “sociedade anônima”. como a sociedade anônima.º 9. Na sociedade limitada. O art. com leve vantagem para as sociedades limitadas. As maiores vantagens da sociedade limitada sobre a sociedade anônima estão na desnecessidade da primeira de manter um Conselho Fiscal e possibilidade de dispensa da assembléia se todos os sócios deliberarem por escrito as matérias das reuniões (ou assembléias) anuais de sócio.078). a aprovação das demonstrações financeiras é feita em assembléia ou reunião. inciso III. uma vez que inexiste a obrigatoriedade de publicação de balanço. Estudo Comparativo ASPECtO limite da responsabilidade dos Sócios denominação S/A limitada ao preço de emissão das ações subscritas ou adquiridas. devem obedecer às normas vigentes. Tanto a sociedade limitada como a sociedade anônima. apresentam. 1. Nas sociedades anônimas. com posterior arquivamento da ata correspondente na Junta Comercial. Contudo. da Lei n. Todavia. a sociedade terá nome empresarial seguido da expressão “ltda”. sem necessidade de alteração contratual. a operação somente pode ser formalizada por meio de alteração contratual arquivada no órgão competente. há a obrigatoriedade de publicação dos balanços e demais demonstrações financeiras (art. ltDA limitada ao valor do capital social. tanto a sociedade limitada. um grau próximo de complexidade. na primeira. 176 e parágrafos). e os livros e documentos exigidos e de controle são em menor quantidade. 9º. Não pode haver negociação dos valores mobiliários. quais sejam: a sociedade limitada e a sociedade anônima. que vem a ser uma forma de tributação simplificada. agilizando a administração da sociedade e reduzindo custos e burocracia. aberta ou fechada (valores mobiliários de sua emissão não admitidos à negociação no mercado de valores mobiliários).

Mínimo de 3 membros. mais suplentes em igual número. sobre a matéria que seria seu objeto. o livro de Presença dos acionistas. administração responsabilidade da administração Órgão deliberativo máximo dispensa da assembléia administrador (sócio ou não) o sócio administrador responde da mesma forma. salvo para efeito de transferência a entrada pode se dar se não houver oposição de 75% (setenta e cinco por cento) do capital social Não há possibilidade Forma de divisão do Capital Indivisibilidade a ação é indivisível em relação à companhia o estatuto da companhia fechada pode impor limitações à circulação das ações representativas de seu capital. estabelecendo. Podem ser dispensadas se todos os sócios decidirem. sem necessidade de alteração Comercial ou rCPJ. Mínimo de 3 e máximo de 5 membros. além dos regulares da prática comercial. o livro de atas das assembléias Gerais. se houver. Violação dos deveres de diligência Menos de 10 sócios . Junta Comercial ou rCPJ. por exemplo. o livro de “transferência de ações Nominativas”. um direito de preferência para os demais acionistas na aquisição Partes beneficiárias. por escrito.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa Forma de Constituição registro Entrada e Saída de Sócio Estatuto Junta Comercial Contrato Social. contratual ações Quotas a quota é indivisível em relação à sociedade. uma ou mais pessoas Não há possibilidade diretoria Conselho de administração Mínimo de 2 acionistas. Simples transferência nas ações em livro alteração Contratual arquivada na Junta próprio para isso. Mínimo de 3 acionistas. obrigatória apenas nas companhias abertas Não é obrigatório. livro de atas e Pareceres do Conselho Fiscal e o livro de atas da assembléia. e de atas das reuniões de diretoria e o livro de atas e Pareceres do Conselho Fiscal Conselho de administração (acionistas) e diretoria (acionistas ou não) o acionista controlador responde pelos danos causados por atos praticados com abuso de poder assembléia Geral Ingresso de novos sócios Emissão de títulos livros obrigatórios além dos regulares da prática comercial. quando houver. Conselho Fiscal Facultativo. desnecessário FGV DIREITO RIO 161 . debêntures e bônus de subscrição e ações.reunião 10 sócios ou mais – assembléia. auditoria nos balanços Não há previsão. obrigatória apenas nas de capital aberto obrigatório (funcionamento permanente ou facultativo). mais suplentes em igual número. os livros de atas das reuniões do Conselho de administração. deverá ter o livro de atas da administração. deverá ter o livro de registro de ações Nominativas.

de duração limitada. O mesmo fenômeno ocorre com a joint venture e a sociedade de propósito específico. desejoso de explorá-la em determinado local. A Joint venture. Assim. Trata-se de ação de empreendedor. que a SPE ou a joint venture será possível levando-se em consideração a pretensão dos sócios que a constituírem. Trata-se de uma associação de pessoas que combinam seus bens. às vezes pesadamente. b) – joint venture corporation. Segundo o autor. numa restrita margem de escolha.. ou seja. O legislador. embora não necessariamente. a “conjugação de aptidões e recursos empresariais de duas ou mais sociedades. destacando-o na seção que examina a concentração econômica de empresas. no qual se mantém “a autonomia das consorciadas. por exemplo. de curta duração. tão complexos quanto aos da sociedade anônima. habilidades e conhecimentos com o propósito de FGV DIREITO RIO 162 . por ocasião da discussão e edição da lei 6. como ocorre nos casos mais comuns. em que o detentor de tecnologia especial.. preferiu tratar o tema do consórcio no espaço desta lei. oriundo do direito americano.. a opção por uma dessas formas societárias.. levado por questão de oportunidade do processo legislativo.998. ou seja. o que impõe critérios subjetivos para decisão. pela qual se objetiva a concentração de esforços combinados com a redução de risco empresarial. se alia à empresa ali estabelecida para aproveitar-lhe as habilidades e conhecimentos bem como própria organização já consolidada. teXto A Joint Venture e a Sociedade de Propósito Específico. estudo por rubens edmundo requião. além do conselho fiscal. O instituto da joint venture é resultado da criatividade empresarial e não encontra tipificação na legislação brasileira. Daí o estudo que se faz do consórcio no capítulo das sociedades por ações. dinheiro. em estrutura física. Neste caso. esforços. usualmente. que nomeiam o administrador do consórcio (operator). conceito que se amplia como “uma modalidade de partnership temporária.” O instituto. pag 344) refere a existência de: a) – joint venture agreement . dada a semelhança entre elas. apoiados nos dados aqui levantados. 1. não são questões diretamente ligadas ou derivadas das sociedades por ações. organizada para a execução de um único e isolado empreendimento lucrativo. O traço da atividade é a cooperação empresária. o característico de ambas as espécies é a “especificidade da exploração de determinada atividade de natureza empresarial. Haverá substancial economia de custos e diminuição de riscos com incremento de capacidade operacional. consórcio contratual que se traduz na “conjugação de aptidões e recursos empresariais de duas ou mais sociedades”. o contrato social pode estipular a existência de órgãos administrativos auxiliares. A joint venture e a sociedade de propósito específico. assim como o consórcio de pessoas jurídicas. mediante a constituição de uma nova companhia com o objetivo específico de levar avante o empreendimento comum”.”. Modesto Carvalhosa. Ed Saraiva.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa A sociedade limitada poderá apresentar um volume grande de negócios.404/76. tem sido definido como a partnership for a single business. mas inibido pelo desconhecimento de peculiaridades do mercado alvo e pela necessidade de investir. com a ressalva que estas não têm tratamento legal completo no Brasil. em Comentários à Lei de Sociedades Anônimas (vol II. de lado a lado. industrial ou de comercialização.

Business Law. aglutinador. inclusive as empresas públicas e sociedades de economia mista. que orienta o comportamento das partes é o talento. já que o elemento central. o domínio de uma técnica ou habilidade. Dado característico da joint venture é o prazo determinado. acentua que “ao contrário das partnerships. como a sociedade anônima. No conceito da joint venture sobressai o fato de que nenhum dos participantes terá preponderância sobre o outro. pois os consorciados mantêm sua personalidade jurídica e autonomia patrimonial e negocial. pág. de assistência técnica até a organização de sociedades. deverão que adotar técnicas que equilibrem o exercício do poder dentro da sociedade. ou por um deles com poderes suficientes para gerir o negócio. Não se deve olvidar que os participantes terão objetivos convergentes. surge a sociedade de propósito específico. a esta haverá o interesse que agregar à sua linha de atuação mais uma atividade.. de fornecimento. de qualquer espécie. embora funcionalmente vinculados à realização de interesse comum. No regime da joint venture contratual haverá. Se meramente contratual. sem confluir em uma atividade diretamente imputável a um sujeito distinto dos contratantes. O habitual é pequeno número de interessados.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa executar uma única operação negocial lucrativa (Len Yong Smith e ou. mas nada impede que pessoa física participe de tal tipo de empreendimento. Na modalidade contratual. Mas para preservar a pureza do instituto. O objeto será determinado pelo interesse das partes. em qualquer de suas formas.. já surge outro fator a condicionar o comportamento das partes. as partes devem defini-lo. Admite simples contratos de colaboração. sua matriz histórica. no mínimo. então sócias. O objeto da “joint venture”. Os participantes das joint venture serão pessoas jurídicas. de transferência de tecnologia. cit. será sempre restrito. o teste de mercado ou de lançamento de um novo produto e o estudo de sua evolução imediata e a reação de consumidores. apud Modesto Carvalhosa. Se adotada a técnica da formação de uma nova pessoa jurídica. ob. O controle da joint venture tem natureza peculiar. a começar pela sociedade em conta de participação. nova ou não. É visível que a forma da “joint venture” é indefinida. sem limitação do número de sujeitos ativos. por exemplo. 1998. Não é usual. 225). A questão é de conveniência comercial ou operacional. as partes. de modo a evitar a preponderância de uma sobre a outra. mantém sua própria individualidade econômica e jurídica. que conduz a formação do negócio. não haverá administração especializada.p 360). além daqueles acima mencionados. os co-ventures realizam uma pluralidade de atos que. criando sistema de freios e contra pesos por via da distribuição de atribuições administrativas. equilíbrio entre as partes e a administração terá que ser conduzida por ambos os contratantes. qualificado por negócio específico e com prazo determinado quase sempre. focalizando a modalidade contratual da joint venture. pois se a um é conveniente explorar determinado mercado usando o domínio que sobre ele tem a outra parte. a habilidade. a extinção também deverá estar prevista FGV DIREITO RIO 163 . A penetração em mercado desconhecido para uma das partes. Na modalidade associativa. seja indicando data especial ou a consumação do objeto do contrato.”. mas nada impede a presença de um grupo mais amplo. conclusão a que se chega observando as definições correntes no direito americano. 4ª Edição. por exemplo. Ltr. A administração da joint venture variará em razão da forma adotada. são alguns dos exemplos coletados pela experiência para descrever o campo de ação do instituto.. Da última hipótese descrita. para chegar à estruturas mais pesadas. a realização de trabalho ou obra específico. Wilson de Souza Campos Batalha (A nova Lei das S/A. que é a composição do capital social e os reflexos patrimoniais e de poder que dele surgem.

A Lei nº 6.404/76 representa um caminho natural para a especialização do objeto social. a sub-rogação pessoal não são autorizadas na joint venture.666/93. O advento do instituto no Brasil ocorreu no ambiente dos contratos públicos. como prevista no art. a capacidade de atuação de seus administradores. de modo a evitar a necessidade de alterar o contrato social ou estatuto a cada momento em que surgir uma oportunidade de negócio não contemplada expressamente no objeto social. no art. e não representa um modelo ou tipo de sociedade. A autonomia das partes será completa. A sociedade de propósito específico. Penetrará em qualquer dos modelos de sociedade existentes. 251 da Lei 6. 1. inciso III. 33. 2º estabelece que pode ser objeto da companhia qualquer empresa de fim lucrativo. que pouco a pouco vão traçando o perfil do instituto. ressalvada a sociedade em nome coletivo (na qual se proíbe sócios pessoas jurídicas no regime do Código Civil de 2002 e desde que se admita que a sociedade de propósito específico não possa ser formada por pessoas naturais). A cessão do contrato ou de obrigações dele derivadas. 35. segundo o tipo social adotado. a sua legitimidade para a prática de certos atos. a segunda modalidade. Surgem em leis esparsas algumas regras. a solidariedade deverá estar determinada no próprio contrato instituidor. 997 assinala que a sociedade constitui-se mediante contrato escrito. com o acerto de contas final. a ser implantado FGV DIREITO RIO 164 . Na hipótese da joint venture institucional. Sociedade de propósito específico.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa no ato constitutivo. comprovado mediante compromisso de constituição de consórcio. 8. As alterações subjetivas. permitindo a operação da sociedade de propósito específico. Surge. completado o período de atuação da sociedade. as obrigações das partes devem ser liquidadas. ou na lei das sociedades por ações. particular ou público. portanto. a joint venture não implica em solidariedade dos participantes. Por ele se definirá a atividade da sociedade. O legislador exige precisão na designação do objeto. O objeto social. é motivo de preocupação do legislador. no modo mais apropriado às expectativas dos sócios. sendo comum a indicação de atividade genéricas. dependerão de consenso das partes. Tal perspectiva deve levar ao segregamento da contabilidade dos atos relativos à joint venture. por indução da lei. traduzida pela sociedade de propósito específico. ao menos no que concerne aos registros. seja na modalidade associativa. A Lei nº. A subsidiária integral. no caso. determinando o § 2º do mesmo artigo que “O estatuto social definirá o objeto de modo preciso e completo”. Para que exista. no art. e poderá assumir a condição de companhia aberta. no inglês special purpose company ou special purpose consortium. atributos e habilidades pessoais das partes. como se vê na Lei nº. visto que se trava em razão das qualidades. O Código Civil de 2002. Mas nem sempre é o que ocorre. proíbe o arquivamento do ato constitutivo de sociedade em que não conste a “declaração precisa de seu objeto”. A disposição se dirige ao administrador público. geralmente de aplicação restrita. a responsabilidade dos mesmos no caso de transgressão daqueles. Na falta de previsão legal específica.934/94. em certos casos então. encerrada a joint venture. 8. a necessidade de especialização absoluta. autorizando-o a permitir a participação na licitação de consórcios de empresas.102 e seguintes do Código Civil. no caso. formada nos termos do art. não tem regulação especial no Brasil. procede-se a sua liquidação. que mencionará o objeto da sociedade. no art. os limites impostos a estes e aos sócios. O contrato tem natureza intuitu personae. seja na modalidade contratual. art. afim de que se distanciem da atividade pessoal das partes. como será o caso de se adotar a forma da sociedade em comandita simples. No primeiro caso.404/76.

que era levado a registro. A transferência do controle de sociedade de propósito específico dependerá de autorização da Administração.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa definitivamente se adjudicado o pacto. “A administração pública evolui para a exigência de constituição de uma sociedade que pudesse nitidamente separar os capitais.005. no caso de inadimplemento de contrato de financiamento. após o concurso. bem como a falência do empresário e da sociedade empresária. a formação definitiva do consorcio. FGV DIREITO RIO 165 . entre a sociedade e terceiros. a lei citada permite que esta sociedade assuma a condição de companhia aberta. O art. A administração pública não poderá ser titular da maioria do capital votante da sociedade de propósito específico. voltada unicamente para a execução do contrato público celebrado”. 9. Existe a possibilidade de emissão de ações “golden share”. seguido da formação da pessoa jurídica no caso de adjudicação. Além de determinar a constituição da sociedade de propósito específico incumbida de implantar e gerir o objeto da parceria. O agente público. ou a própria lei que exigir a formação da sociedade de propósito específico. no edital. pode impor um determinado tipo de sociedade além de condições especiais. adotando contabilidade e demonstrações financeiras padronizadas. devendo obedecer a regras de governança corporativa. As regras que regem o relacionamento entre os sócios. permite melhor fiscalização por parte do concedente. que refujam ao tipo padrão do modo associativo. as responsabilidades dos controladores e dos administradores. XVI. uma vez adjudicado o contrato. como um dos meios de recuperação judicial. conforme o que for previsto no edital e no contrato. no caso das parcerias público privada. Procedia-se. os recursos e as aptidões. em pagamento dos créditos. a exigência de constituição de empresa especializada. tendo em conta o programa ditado pela referida lei. O tratamento legal das sociedades de propósito específico em nada difere das situações corriqueiras encontradas na legislação. patrimônio. com vantagem daquela representar maior estabilidade. a constituição de sociedade de propósito específico para adjudicar. ainda. serão as estudadas nas várias modalidades associativas previstas no direito brasileiro para as empresas com finalidade lucrativa. de 31 de dezembro de 2. operações e contabilidade.074/95. em substituição do consórcio despersonalizado. entre a sociedade e seus sócios. concedendo à autoridade o poder de controle sobre as deliberações relativas a certas matérias. foi dado pelo agente público que fazia constar. Tal situação acabou respaldada pela Lei nº. segregando obrigações.101 de 9 de fevereiro de 2. 11. mas se admite que instituições financeiras sob controle estatal eventualmente assumam o controle.004. os ativos do devedor. Haverá a presença de uma pessoa jurídica especializada. 9º dessa lei estabelece algumas regras sobre a técnica ora estudada. que regula a recuperação judicial e extra judicial. tidas como instrumento necessário à implantação de grandes projetos relativos à infra-estrutura econômica do Brasil. riscos.079. dado que os contratos de concessão públicos são muito complexos e celebrados com prazos muito longos. 50. A pessoa jurídica. cit. regulamentou as chamadas “parcerias público privadas”. a qual autoriza a participação de um consórcio na fase da concorrência. 11. com valores mobiliários admitidos a negociação no mercado. em evolução natural. A Lei Nº. deixando mais nítida a responsabilidade da empresa concessionária e de seus sócios componentes. no art. A Lei nº. como ensina Modesto Carvalhosa (op. pag 355). para celebração deste. no edital do concurso público. O passo seguinte. que regula as concessões de serviços públicos. incluí.

Rj. mestrando em Direito Econômico pela universidade cândido mendes .ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa jUAN lUIz SOUzA vAzqUEz promotor de justiça-Rj. professor da pós-Graduação em Direito Empresarial da Fundação Getúlio Vargas. pós-Graduado em Direito privado pela universidade Federal Fluminense. FGV DIREITO RIO 166 . professor de Direito Empresarial da Escola da magistratura do Rio de janeiro.

ORGANIZAÇÃO JURÍDICA DA PEQUENA EMPRESA FICHA TÉCNICA Fundação Getulio Vargas Carlos Ivan Simonsen Leal PRESIDENTE FGV DIREITO RIO Joaquim Falcão DIRETOR Fernando Penteado Sérgio Guerra VICE-DIRETOR DA GRADUAÇÃO VICE-DIRETOR DE PÓS-GRADUAÇÃO Luiz Roberto Ayoub Ronaldo Lemos PROFESSOR COORDENADOR DO PROGRAMA DE CAPACITAÇÃO EM PODER JUDICIÁRIO COORDENADOR CENTRO DE TECNOLOGIA E SOCIEDADE Evandro Menezes De Carvalho COORDENADOR DA GRADUAÇÃO Rogério Barcelos Alves COORDENADOR DE METODOLOGIA E MATERIAL DIDÁTICO Lígia Fabris e Thiago Bottino do Amaral Wania Torres COORDENADORES DO NÚCLEO DE PRÁTICA JURÍDICA COORDENADORA DE SECRETARIA DE GRADUAÇÃO Diogo Pinheiro Milena Brant COORDENADOR DE FINANÇAS COORDENADORA DE MARKETING ESTRATÉGICO E PLANEJAMENTO FGV DIREITO RIO 167 .