ORGANIZAÇÃO JURÍDICA DA PEQUENA EMPRESA

AUTOR: MÁRCIO GUIMARÃES COLABORAÇÃO: MÁRCIA BARROSO

3ª EDIÇÃO

ROTEIRO DE CURSO 2010.1

Organização jurídica da pequena empresa

Sumário

AUlA 01: SOCIEDADES NãO-PERSONIfICADAS E SOCIEDADES PERSONIfICADAS ..................................................................................3 AUlAS 02, 03 E 04: REUNIãO COm ClIENTE PARA ElAbORAçãO DO CONTRATO SOCIAl .......................................................................23 AUlA 05: INfORmAlIDADE NO SETOR EmPRESARIAl .......................................................................................................................36 AUlAS 06 E 07: mODElOS SOCIETáRIOS DE ATUAçãO EmPRESARIAl PARA A PEqUENA E méDIA EmPRESA ..........................................55 AUlA 08: A OPçãO PElO mODElO SOCIEDADE lImITADA Em CONTRAPONTO AO mODElO SOCIEDADE POR AçõES .................................73 AUlAS 09, 10 E 11: SER SóCIO DE UmA SOCIEDADE lImITADA ...........................................................................................................82 AUlA 12: A ClASSIfICAçãO DA SOCIEDADE lImITADA ......................................................................................................................92 AUlAS 13 E 14: O fINANCIAmENTO DA SOCIEDADE lImITADA ......................................................................................................... 104 AUlA 15: mECANISmOS DE fORmAçãO DA vONTADE SOCIAl E SUA fISCAlIzAçãO .......................................................................... 118 AUlA 16: DIREITO DE RETIRADA. APURAçãO DE hAvERES. bAlANçO DE DETERmINAçãO................................................................. 129 AUlA 17: DIREçãO DAS ATIvIDADES EmPRESARIAIS ...................................................................................................................... 135 AUlA 18: fORmAS DE ExPURgAR O SóCIO INDESEjADO ................................................................................................................. 149 AUlA 19: A UTIlIzAçãO DA SOCIEDADE lImITADA COmO ESTRATégIA SOCIETáRIA PARA gRANDES OPERAçõES ................................ 158

ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa

AUlA 01: SOCIEDADES NÃO-PERSONIfICADAS E SOCIEDADES PERSONIfICADAS

Aprendemos que o Empresário e a Sociedade Empresária estão sujeitos ao registro a cargo das Juntas Comerciais e as Sociedades Simples no Cartório de Registro Civil das Pessoas Jurídicas. O registro “desvincula” a sociedade da pessoa de seus sócios, atribuindolhe personalidade jurídica, além de conferir autenticidade, segurança e validade aos atos jurídicos pertinentes à sociedade, sendo a publicação destes atos elemento essencial para salvaguardar o interesse de terceiros. Nesta aula discutiremos a leitura do(s) seguinte(s) capítulo(s): – ALMEIDA, José Gabriel Assis de. A noção jurídica de empresa. In Revista de Informação Legislativa Revista de informação legislativa, v.36, n.143, p.211-229, jul./set.,1999 (anexo I) – REQUIÃO, Rubens. Curso de Direito Comercial, 1º volume, 26 edição – São Paulo: Saraiva, 2005; Nrsº 29 a 36-. Págs: 49 a 61; – MARTINS, Fran. Curso de Direito Comercial: empresa comercial, empresários individuais, sociedades comerciais, fundo de comércio/ ed.rev. e atual. - Rio de Janeiro, Forense, 2002; Capítulo Primeiro (sub-itens: I a IV). Págs: 1 a 54; – BORBA, José Edwaldo Tavares. Direito Societário – 7º ed. rev. atual. – Rio de Janeiro: Renovar, 2001; Capítulo I. Págs: 1 a 8; – CAMPINHO, Sérgio. O Direito da Empresa à luz do novo Código Civil – 6º edição revista e atualizada conforme a Lei 11.101/05, Rio de Janeiro: Renovar, 2005; Capítulos 1 e 2. Págs: 1 a 29; – NEGRÃO, Ricardo. Manual de Direito Comercial e de Empresa, vol.1. 4º edição. São Paulo: Saraiva, 2005; Capítulos 1 a 4. Págs: 1 a 58.

Leitura CompLementar: – Páginas 142 a 170 (não-personificadas) e 171 a 204 (Simples) e 238 a 256 (Nome Coletivo) e 257 a 281 (Comandita Simples) dos Comentários ao Código Civil Brasileiro. Do Direito de Empresa (arts. 996 a 1.087), vol. IX. Newton Lucca, Rogério Monteiro, J.A. Penalva Santos e Paulo Penalva Santos. Forense: Rio de Janeiro/2005. – RIZZARDO, Arnaldo. Direito de Empresa. 2 ed. Rio de Janeiro: Forense, 2007, capítulo I; – CORREIA, Antônio de Arruda Ferrer. Lições de direito comercial. Coimbra: Universidade de Coimbra, 1973; – CHULIA, Francisco Vicent. Compendio crítico de Derecho Mercantil. Barcelona. Librería Bosch, 1986; – FERREIRA, Waldemar. Tratado de sociedades mercantis. Rio de Janeiro: Editora Nacional de Direito, 1958; – GOWER, L.C.B. and PRETINCE, D. D. Gower´s principles of modern company law. Londres: Sweet & Maxwell, 1992;

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Lei nº 556/1850.

FGV DIREITO RIO

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embora possa ser constituída mediante instrumento escrito (ato constitutivo: contrato social). o registro não terá a finalidade de definir quem será ou não empresário. J. guardados os limites da compatibilidade. Carvalho de. A ausência do registro do ato constitutivo tem por efeito. • Sociedade em Comandita Simples • Sociedade em Comandita por Ações. Yves. Ademais. subsidiariamente. Crítica a terminologia adotada pelo Código Civil. ambos do Código Civil de 2002. Paris: Economica. os modelos societários mais utilizados são: Sociedade Limitada e a Sociedade Anônima. 9ª edição. 2 vols. 67. roteiro de auLa: O Código Comercial1 era o texto legal que regulamentava as sociedades. as quais eram divididas em “civis” e “comerciais”. Renovar/2004. – BORBa. caso contrário. O registro no RCPJ ou na JUCERJA – Junta Comercial do Estado do Rio de Janeiro será necessário para que a sociedade adquira personalidade jurídica. Sociedades em conta de participação Caso: Utilização da Sociedade em Conta de Participação no cenário atual. A pessoa do sócio não se diferencia da personalidade da sociedade. como foi analisado em Teoria Geral da Empresa. a legislação brasileira prevê outras formas legais de sociedades – personificadas e não personificadas. 2 FGV DIREITO RIO 4 . Todavia. – MENDONÇA. Se a sociedade tivesse como objeto a prática de “atos de comércio”. Rio de Janeiro: Freitas Bastos. à sociedade em comum (art. a terminologia utilizada para classificação de sociedades é: “simples” e “empresária”. Droit de affaires. conforme previsão expressa nos artigos 45 e 985. Tratado de direito comercial brasileiro. pg.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa – GUYON. serão aplicáveis. não tornando ilícito o contrato de sociedade estabelecido entre as partes que atenda às formalidades legais. • Sociedade em Nome Coletivo. Para o exercício do ato simples e o ato de empresa. josé Edwaldo Tavares Borba in Direito societário. 1986. ementário de temas: – – – – – Sociedades Não-Personificadas: • Sociedade em Comum • Sociedade em Conta de Participação Sociedades personificadas: • Sociedade Simples. Com o advento do Código Civil de 2002. X. seria uma sociedade civil. conforme veremos a seguir: sociedades não personificadas. Direito Comercial e Direito Civil foram formalmente unificados e a teoria dos atos de comércio foi revogada. seria uma sociedade comercial. a sociedade não formalizou seu registro no órgão competente (Registro Público de Empresas Mercantis – Junta Comercial ou Cartório de Registro Civil das Pessoas Jurídicas – RCPJ). 1945. apenas a falta de atribuição de personalidade. Neste “as normas da sociedade simples.986)”. Hoje. pois. portanto.

Sociedade em Comum2 (antiga: Sociedade Irregular ou de Fato) art. na verdade é reconhecida pela doutrina como “contrato de participação” e nem mesmo a inscrição dos atos constitutivos em registro competente lhe conferirá personalidade jurídica (art. mas participam dos resultados obtidos com os negócios realizados pelo sócio ostensivo. a figura dos sócios é separada da sociedade que se torna capaz de exercer direitos e assumir obrigações em seu nome. que deverá se correlacionar com o seu objeto social. A partir desse momento. devendo o contrato prever a maneira como cada um irá contribuir (dinheiro. ilimitadamente. para os pequenos negócios. perante terceiros. voltada para o trabalho intelectual. poderse-ia alcançar o sócio) e os sócios responderão. os sócios participantes possuem apenas responsabilidade interna. mas não tem ativa. Os artigos 45. Por faltar-lhe personalidade jurídica não possui“nome empresarial” (artigo 1. Possui patrimônio especial formado por bens e dívidas da sociedade. a responsabilidade dos sócios é ilimitada. embora seja conhecida como “sociedade”. a atividade prevista no objeto social é exercida apenas pelo sócio ostensivo. podendo adicionar uma expressão de fantasia. 990) desde logo é preciso assinalar que. 985 e 1. os sócios participantes não “aparecem”. trabalho etc).162). para atividades sem estrutura organizacional. podemos considerar uma sociedade sem registro como sendo empresária. O Código Civil trouxe duas hipóteses de sociedade sem personalidade jurídica: Sociedades Não Personificadas trata-se de hipótese bastante comum.038 FGV DIREITO RIO 5 . A sociedade é dita personificada quando está legalmente constituída e registrada no órgão competente. Sociedades Personificadas Constituída exclusivamente para a atividade não empresária. caso esta não possua bens suficientes para adimplir sua obrigação. todos os sócios respondem solidária e ilimitadamente pelas obrigações sociais (art. em seu próprio nome e sob sua exclusiva responsabilidade. 986 a 990 Sociedade em Conta de Participação art. passando a ser chamada de pessoa jurídica. Somente o sócio ostensivo se obriga. podendo o contrato social dispor sobre a subsidiariedade (primeiro alcança-se a sociedade e. deve ser inscrita no Cartório de registro Civil das Pessoas Jurídicas-rCPJ.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa sentido. imóvel. perante terceiros. de forma proporcional à participação no capital social. cuja prática não constitua elemento de empresa. tem capacidade processual passiva. sendo uma forma contratual que antecede à inscrição dos atos constitutivos em registro competente. Sociedade Simples art. caso esta ostente os requisitos para que seja considerada como tal.150 do Código Civil estabelecem que a sociedade adquire personalidade jurídica com a inscrição de seus atos constitutivos em registro próprio e na forma da lei. Sociedade de pessoas com natureza contratual e que. pelo seu caráter não-empresarial. 991 a 996 sociedades personificadas.993). Eventual ação de interesse da sociedade deverá ser proposta pelos sócios. adotará uma “denominação”. 997 a 1.

Não podem administrar a sociedade nem ter o nome incluído na firma social. são paulo/2005. quando mantêm a titularidade os acionistas presentes no estatuto social (Companhia Fechada). lei o capital social divide-se em ações. não tendo relevância a pessoa de seus sócios8.982.404/76 Crítica à terminologia adotada.404/76 mercado (Companhia aberta) ou não. e acionistas que vão aderindo ao empreendimento. nem a definição de direitos e deveres recíprocos. atlas. ilimitada e solidariamente pelas obrigações sociais4. 1.”) ou “Companhia” (na forma abreviada: “Cia”). somente o arquivamento acarretará no seu nascimento14. nem de capital. o capital social é dividido em quotas e não pode ser constituído com prestação de serviço. Ricardo in manual de Direito comercial e de Empresa. Gladston in Direito societário: sociedades simples e Empresárias. a limitação ultrapassa a quota do sócio. somente farão parte os nomes dos sócios diretores ou administradores. como o prof. FGV DIREITO RIO 6 . nEGRãO. Esgotado o patrimônio da sociedade.ú. 6 7 a elaboração do ato constitutivo da sociedade anônima será através de “uma ata de assembléia na qual se ajustam as normas de seu estatuto social (e não contrato social). regese pelas normas da sociedade simples e. O Código Civil estabelece que a sociedade não personificada é aquela sem personalidade jurídica. consideram a sociedade limitada um modelo “misto” de sociedade uma vez que em caso de omissão. p. não respondendo. responderão os sócio. o capital social é dividido em ações.052 a 1.982. uma vez não integralizado. 1. no qual os acionistas não são sequer nomeados e qualificados. obrigatoriamente. um reconhecimento mútuo obrigatório. alguns doutrinadores. esta última.) e constituída através de um Estatuto7 (e não contrato social). solidária em razão de responderem todos os sócios pelo que faltar para total satisfação dos credores sociais”.ú. pelo que faltar..ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa Sociedade em art. sempre.) e constituída através de um Estatuto.039) e respondem. responsáveis solidária e ilimitadamente pelas obrigações sociais.088 e sua atividade. É uma sociedade de capital. Há instituidores. Por isso. p.” mamEDE.. não adota firma social9 e sim uma denominação composta por qualquer vocábulo ligado a art. 1. pg. porém. 5 Sociedade em Comandita por art.1. Ricardo negrão. Em outras palavras. neste caso. não há mesmo.089 anônima” (na forma abreviada: “S. 1. ela não é sociedade de pessoas. perante terceiros. 3 4 a responsabilidade será “ilimitada porque ultrapassa os limites do patrimônio social quando este é insuficiente. Sérgio Campinho. muitos autores. art. A expressão “sociedade não personificada” é contraditória. perante terceiros.092 Será sempre “empresária” (art. a sociedade existiria mesmo sem o arquivamento de seus atos constitutivos (sociedade não personificada).384. serão solidariamente responsáveis6. interpretaram o dispositivo entendendo que a sociedade estará criada no momento em que as partes se unirem. Entendemos que não há como identificar uma sociedade que não seja uma pessoa jurídica de direito privado13. pois se é sociedade como não terá personalidade? Neste sentido. Poderá adotar estrutura de denominação ou firma. respondendo os acionistas apenas pelo valor das ações subscritas ou adquiridas (responsabilidade limitada). o sócio obriga-se a integralizar suas quotas (responsabilidade pessoal). evidenciando a vontade de constituir uma sociedade. devidamente discriminados no contrato social: Comanditados: somente pessoas naturais. optando por esta.044 os sócios. são paulo/2004. por obrigações assumidas pela sociedade. acompanhado da expressão “e companhia”. Sociedade limitada art. a responsabilidade dos sócios (acionistas) é limitada ao valor das ações subscritas ou adquiridas. que poderão ser negociadas no 6. no início da denominação10.. portanto. sendo uma forma de garantia para os credores. Com isso.090 a 1.045 a 1.087 Sociedade anônima Será sempre “empresária” (art. saraiva. via de conseqüência. Em regra. supletivamente. Sua característica principal é a existência de duas categorias de sócios.. como o Prof. são pessoas naturais (art. trata-se de uma sociedade de pessoas5. já que essa é a natureza jurídica das sociedades.342. o administrador será pessoa natural que pode ou não fazer parte do quadro societário. todos os sócios serão solidariamente responsáveis pela integralização de todo o capital social. a responsabilidade dos sócios é limitada à integralização do capital social.051 a sociedade responde em primeiro plano pelas obrigações assumidas em seu nome.039 a Nome Coletivo 1. diretor ou administrador (que será obrigatoriamente sócio) responderá subsidiária e ilimitadamente pelas obrigações sociais12. como tal compreendidos aqueles responsáveis pela fundação da companhia. 1. pelas regras das sociedades anônimas”. a personalidade jurídica da sociedade surgiria com a affectio societatis e não com arquivamento. pg.a. Comanditários – obrigados apenas pelo valor de suas quotas. embora de forma subsidiária3. 282 a ações11 284 da lei 6. originária ou derivadamente. que deverá vir acompanhado da expressão “sociedade 1. Sociedade em Comandita Simples art. adotará uma “firma social” formada pelo nome de um ou alguns dos sócios. perante a sociedade.

o Código Civil regulamenta as relações entre pessoas naturais e jurídicas sob o amparo da Constituição Federal. Os conteúdos e conceitos dos institutos previstos no Código Civil. 45 e 985 do código civil. que são os diretores e administradores”. Mesmo antes do advento do Código Civil de 2002. em sua maioria.11017 do CTN. sem que isso descaracterize a denominação transformando-a em firma. 110 do CTN que é a norma de integração dos institutos de Direito Privado e Direito Tributário. que contratam com a sociedade. a retirada dos mesmos do organismo social não tem influência sobre esse. Ato contínuo. não contam com garantias subsidiárias por parte dos acionistas. cumprida a obrigação principal dos sócios de concorrer com sua parte para o capital. traçando. a legislação tributária vislumbrou o caminho mais lucrativo para os cofres públicos.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa A sociedade de que trata o artigo 986 é a sociedade irregular ou de fato. Este “benefício de ordem” caracteriza o modelo de responsabilidade subsidiária que faculta às partes estabelecer o que deverá ser alcançado primeiro numa eventual execução. o art. que poderá ser alcançado primeiro pelo credor conforme estabelece o art. atribuiu-lhe a condição de sujeito passivo da obrigação tributária. não merecendo atenção especial a pessoa dos sócios. que diante da omissão dos artigos do Código Comercial. “uma vez que. para base de suas operações apenas o patrimônio da sociedade. tomando assim. 11 12 Em havendo mais de um diretor ou administrador a responsabilidade será solidária (art. 988 estabelece que os bens da Sociedade em Comum gozam de proteção especial. e pode provar-se por todo o gênero de provas admitidas nos contratos comerciais”. por outro lado. são exatamente aqueles referidos implicitamente pela Carta Maior. dispõe de sócios de responsabilidade ilimitada. além dos sócios de responsabilidade limitada. “as sociedades anônimas são consideradas sociedades de capital pois vivem em função deste. a SCP não era considerada contribuinte para o FISCO. Rio de janeiro/2002. 44. Esse dispositivo estabelece que a norma tributária “não pode alterar a definição. os Tribunais. pois essa inclusão nada mais é que uma homenagem. não podendo sofrer alteração pela norma tributária. Apesar de não constar. Sua equiparação à pessoa jurídica para fins fiscais ocorreu com o Decreto-Lei 2303/8616. 28ª edição. sociedades em conta de participação – sCp.233. cit. inclusive. Os terceiros. Até o ano de 1986. pois a sociedade se constitui em função do capital. no rol previsto no art. o modelo de responsabilidade subsidiária para ela. do art. ora revogados. II do código civil. que sequer é conhecido daqueles com os quais a sociedade contrata.091 §1º). Mas não podemos falar em “patrimônio da sociedade” porque o patrimônio é inerente à personalidade e como não existe sociedade não há personalidade! O que a sociedade em comum possui é um “patrimônio afetado” (patrimônio de afetação). o STJ decidiu que na SCP somente o sócio ostensivo que se obriga perante terceiros por todas as obrigações e operações sociais. 990. O problema é que o Código Civil passou a considerála “sociedade”. Vejamos alguns julgados (a íntegra dos acórdãos está disponível ao final – jurisprudência): – Recurso Especial 474404-PR18. esquecendo-se. arts. FGV DIREITO RIO 7 . Os artigos 325 a 32815 do Código Comercial. já aceitavam a idéia da inexistência da personalidade jurídica das SCP. hoje identificada como “sociedade em comum”. sendo que este “patrimônio especial” será atingido pelas dívidas da sociedade. regulamentavam a sociedade em conta de participação de uma forma relativamente vaga. Fran in curso de Direito comercial. para evitar confusão com a sociedade em nome coletivo. 8 9 O nome empresarial poderá ser composto pelo nome do fundador ou de pessoa relevante para a companhia. Forense. pg. porém. Decorre esse fato da responsabilidade limitada dos sócios. Op. pg. 10 josé Edwaldo Tavares Borba entende se tratar de sociedade de responsabilidade mista. 13 14 art. o conteúdo e o alcance de institutos. Em relação à personalidade jurídica estabelecia que a SCP “não está sujeita às formalidades prescritas para a formação das outras sociedades. maRTIns. Mas como foi criado um modelo de responsabilidade se a sociedade não existe? Essa é a questão. 143.” – Recurso Especial 168028-SP19. que apenas assumem o compromisso de integralizar as importâncias relativas às ações que adquirirem ou subscreverem. o STJ decidiu que “não há falar em citação de sociedade em conta de participação que não tem personalidade jurídica e nem existência perante terceiros. 1. Essa a razão de se dizer que as pessoas dos sócios não são levados em consideração na existência das sociedades anônimas”. conceitos e formas de direito privado”. quanto à personalidade jurídica. Essa responsabilidade nunca pode ser atribuída ao sócio participante. expressamente. Neste sentido.

Tanto a sociedade limitada quanto os investidores não se “conhecem”. CITAÇÃO DA SOCIEDADE CONSTITUÍDA. art. quem seriam o sócio ostensivo? art. imóvel. em nenhuma circunstância. da existência da sociedade em conta de participação. INDENIZAÇÃO. posto que abertas sejam debaixo de distintas designações. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. na apuração dos resultados dessas sociedades. para lucro comum. 328 – no caso de quebrar ou falir o sócio-gerente. sem firma social. O sócio ostensivo que realiza as operações (obtendo lucro ou prejuízo). a associação toma o nome de sociedade em conta de participação. ele é o único com legitimidade para adquirir direitos e contrair obrigações. nem existência perante terceiros. art 7º Equiparam-se a pessoas jurídicas. sendo ao menos uma comerciante. Leis Orgânicas do Distrito Federal e dos municípios. assumindo o papel de sujeito passivo das obrigações principais e acessórias. pratica todas as operações oriundas do objeto social. 7º do Decreto-Lei 2303/8620. as sociedades em conta de participação. esta sociedade não está sujeita às formalidades prescritas para a formação das outras sociedades. em seu nome individual para o fim social. 16 constituições Federal. antes da quebra. é o sócio ostensivo quem se obriga perante terceiros. Pergunta-se: a) Como o grupo de investidores poderia investir na malharia. A questão restou solucionada com base na assertiva de que o direito tributário pode traçar conceitos próprios. NOMEAÇÃO DE LIQUIDANTE. em uma ou mais operações de comércio determinadas. e 535 do Código de Processo Civil quando o Acórdão recorrido está amplamente fundamentado. os outros sócios ficam unicamente obrigados para com o mesmo sócio por todos os resultados das transações e obrigações sociais empreendidas nos termos precisos do contrato. 15 JurisprudênCia. assim. ainda mesmo que seja por obrigações pessoais. parágrafo único. Na seara tributária a idéia de considerar a SCP “personificada” permanece. Por exercer com exclusividade a atividade constituída no objeto social. tampouco figurar como sócios. assim como na tributação dos lucros apurados e dos distribuídos. os sócios participantes contribuem para a formação de um “patrimônio especial”. o sócio ostensivo é o único que se obriga para com terceiro. se reúnem. se valendo dos outros ramos do direito em caso de omissão. o sócio João é apresentado a um grupo de quatro investidores que tem um grande capital disponível e que está disposto a investi-lo no setor produtivo. trabalhando um. a SCP é pessoa jurídica para fins tributários e um contrato para o direito empresarial. na forma do art. é lícito ao terceiro com quem houver tratado saldar todas as contas que com ele tiver. na forma prevista no contrato (com dinheiro. está passando por uma grave crise financeira. contratando em seu nome. não consegue tomar empréstimo junto a instituições financeiras e seus 05 sócios já começam a se desesperar. Não há violação aos artigos 458. Caso gerador: CONFECÇÃO MALHA FINA LTDA. mas têm objetivos em comum. que não tem personalidade jurídica. salvo o direito dos sócios prejudicados contra o sócio-gerente. além de sua contribuição (normalmente através da prestação de serviços). então apelante. 326 – na sociedade em conta de participação. A hipótese dos investidores tornarem-se sócios da Limitada está totalmente descartada uma vez que eles não querem ser sócios de ninguém. dos Estados. ainda que os outros sócios mostrem que esses fundos lhes pertencem. SOCIEDADE EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO. com os fundos pertencentes a quaisquer das mesmas contas. que a SCP não tem e não pode adquirir personalidade jurídica. acidental.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa O Código Civil de 2002 estabeleceu. serão observadas as normas aplicáveis às demais pessoas jurídicas. alcançando a demanda tal e qual posta pelo autor. uma vez que não provem que o dito terceiro tinha conhecimento. Conferiu-lhe uma forma jurídica à disposição de empreendedores para a exploração de atividades cuja obrigação econômica seja de apenas um dos sócios (sócio ostensivo) perante terceiros. trabalho etc) e participam dos resultados. art. II. 2. Não há falar em citação da sociedade em conta de participação. se o terceiro com quem tratou ignorava a existência da sociedade. e pode provar-se por todo o gênero de provas admitidas nos contratos comerciais. Durante um jantar de negócios. alguns ou todos. para os efeitos da legislação do imposto de renda. 17 FGV DIREITO RIO 8 . 325 – quando duas ou mais pessoas. há mais de 20 anos atuando no mercado interno. momentânea ou anônima. art. DISSOLUÇÃO. Como seu principal credor é o FISCO. 327 – na mesma sociedade o sócio-gerente responsabiliza todos os fundos sociais. expressamente. muito embora não tenha know-how em malharias. O sócio ostensivo. 1. cuja rentabilidade eles acreditam? Como se daria esse procedimento? b) Na hipótese da criação de uma SCP. Na SCP.

704/pR. à pessoa jurídica. transferência do resultado que se pretende tributar. Hipótese de exploração de flat em condomínio. se o tributo em discussão data de 1981. 210) – grifamos.2002. por conseguinte. Justifica-se a nomeação. 20 FGV DIREITO RIO 9 . 2. 5. – Ancorados em doutos ensinamentos doutrinários. a que alude o auto de infração” (fl. de 1986. QUARTA TURMA.03.2002 p. julgado em 17. não tem consistência o pedido de extinção do processo ao argumento de que teria a sentença considerado o pedido inepto. Na sociedade em conta de participação o sócio ostensivo é quem se obriga para com terceiros pelos resultados das transações e das obrigações sociais.028/SP. Rel.08. DJ 22.2003 p. consignou que “o fisco não logrou demonstrar ter havido efetiva transferência de resultado da sócia ostensiva para a sócia participante.10. SÓCIO OSTENSIVO. porque ausente recurso da parte interessada. (REsp 474. nunca o sócio participante ou oculto que nem é conhecido dos terceiros nem com estes nada trata. resta evidente que os argumentos expendidos pela União Federal não possuem a força de abalar os fundamentos do r. Rel. TERCEIRA TURMA. aspectos que não podem ser examinados.10. ou não. Recurso especial não conhecido. quaRTa TuRma. 326) 19 neste sentido: REsp 193690/ pR (vide jurisprudência). SOCIEDADE EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO. que o exame dessa inferência obriga esta instância especial a revolver os elementos probatórios insertos nos autos e.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa 3.303.03.2001. no períodobase de 1981. que demonstram a animosidade existente. desde logo. do liquidante. SEGUNDA TURMA.2001 p. voto condutor. embora no caso de sociedade em conta de participação.2001 p. em razão do contrato social. ministro caRLOs aLBERTO mEnEzEs DIREITO. para fins tributários. (REsp 474.12. embasada no conjunto probatório encartado nos autos.12.06. realizadas ou empreendidas em decorrência da sociedade. ministro cEsaR asFOR ROcHa. Recurso conhecido e provido.2002. (REsp 168. – Recurso especial não conhecido. DJ 10. Sobreleva notar. a sociedade em conta de participação não possuía capacidade tributária passiva. Afastando as instâncias ordinárias a indenização por falta de prova. Dj 22. 4.2001. – No pertinente a ter havido. Rel. constata-se que a Corte ordinária. a sociedade em conta de participação não era equiparada. Rel.10. seja discutível tanto a dissolução judicial quanto a existência de liquidação e partilha. julgado em 07.08. 172).2002. julgado em 07. Rel. 213) COMERCIAL. 18 (REsp 168. (REsp 193690/PR. diante da realidade dos autos.704/PR. 213). afrontar a jurisprudência sedimentada por meio da Súmula n. uma vez que até o advento do Decreto-lei n. Dessa forma. julgado em 17.028/sp. Ministro CESAR ASFOR ROCHA. Ministro CARLOS ALBERTO MENEZES DIREITO. Dj 10. DJ 07. Ministro FRANCIULLI NETTO. TRIBUTÁRIO – IMPOSTO DE RENDA – SOCIEDADE EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO – AUSÊNCIA DE CAPACIDADE TRIBUTÁRIA PASSIVA À ÉPOCA DA EXIGÊNCIA DO TRIBUTO – ALEGADA TRANSFERÊNCIA DO RESULTADO DA SÓCIA OSTENSIVA PARA A SÓCIA OCULTA – CORTE DE ORIGEM QUE AFIRMA QUE ESSA PARTICULARIDADE NÃO FOI COMPROVADA PELO FISCO – RECURSO ESPECIAL NÃO CONHECIDO. 326). TERcEIRa TuRma. julgado em 04.2003 p. RESPONSABILIDADE PARA COM TERCEIROS. exercício de 1982. 7 deste Sodalício a qual estabelece que “a pretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial”.

PROVA DISCURSIVA. b) as em conta de participação. 28º EXAME DE ORDEM – SEÇÃO DO RIO DE JANEIRO – 2ª FASE – DIREITO COMERCIAL. às quais passou a classificar como sociedade comum. de instrumento celebrado entre os sócios. As sociedades não personificadas são: a) as simples. FGV DIREITO RIO 10 . 1.JUIZ . 3 – É correta a afirmação de que o registro dos atos constitutivos das sociedades não personificadas no órgão competente produzirá o mesmo efeito em relação a cada uma delas? Responda justificadamente PROVA CONCURSO PúBLICO/3ª REGIÃO . O Código Civil de 2002 alterou parcialmente a estrutura de classificação das sociedades estabelecida no Código Comercial de 1850. d) somente a alternativa “a” está incorreta. 5 – O que diferencia a sociedade comum das sociedades personificadas. apesar de responderem solidária e ilimitadamente pelas obrigações sociais.2008 61ª Questão: Quanto a uma sociedade em comum que explora o ramo da prestação de serviços mecânicos. e qual a abrangência da responsabilidade dos sócios da sociedade comum em ralação às obrigações sociais. desde que o sócio requerente comprove a existência da sociedade ainda que por prova oral. 25º EXAME DE ORDEM – SEÇÃO DO RIO DE JANEIRO – 2ª FASE – DIREITO COMERCIAL. gozam de benefício de ordem. neste caso.2006 93ª Questão: Assinale a alternativa inteiramente correta. c) as em comum. julgue o item seguinte. d) É possível sua dissolução judicial. assinale a alternativa INCORRETA. PROVA DISCURSIVA. c) Com exceção daquele que contratou pela sociedade.JUIZ FEDERAL . destacando. O Código Civil deu personalidade às sociedades informais.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa Questões de ConCurso PROVA DO CONCURSO PARA JUIZ DO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SERGIPE – Aplicação: 01/02/04. PROVA CONCURSO PúBLICO/MG . no Cartório de Títulos e Documentos. No que tange às alterações introduzidas. Responda justificadamente. a) A sua existência pode ser comprovada pela transcrição. a aplicação do benefício de ordem. os demais sócios. 67. b) Está sujeita a falência.

4. mas negar o mesmo direito a uma indústria que fabricava vagões para trens.universidade do estado do rio de Janeiro. 3. aplicável às relações jurídicas em geral. pois na atividade industrial não está presente a intermediação. 3.1 A modificação das regras do jogo societário. 2. nem com o clero e nem com os servos. a atividade industrial não podia corresponder à definição de ato de comércio. O direito comercial surgiu assim como um sistema separado do regime normal.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa Anexo I apontamentos sobre o regime geraL das soCiedades no brasiL José gabriel assis de almeida doutor em direito pela université panthéon assas – paris ii professor da uerJ. que não se misturava nem com a nobreza. Assim. Ademais. por um lado. os comerciantes – e as atividades – eram regidos pelo direito comercial.2 Argumentos a favor da não aplicação das novas regras. 3.2 A aplicação das novas regras às sociedades. 3. Assim. A adaptação das sociedades à transição normativa. Para tanto. 3. Argumentos a favor da aplicação das novas regras. Já a nobreza e o clero – e as suas atividades. parecei um despropósito permitir que uma pequena mercearia pudesse impetrar concordata.3. além de díspares.3. A situação da sociedade que não se adaptou ao Código Civil de 2002 a transição de um direito de comerciantes para um direito de empresas O direito comercial surgiu na Idade Média. Cabe esclarecer que esta dicotomia correspondia também a uma dicotomia social e até política. 3. Seriam as atividades industriais atividades comerciais? A resposta era negativa.e da unirio – universidade federal do estado do rio de Janeiro advogado no rio de Janeiro(brasil) e em Lisboa(portugal) sumário A transição de um direito dos comerciantes para um direito de empresas.XIX). com o surgimento e o desenvolvimento da indústria( principalmente a partir do séc. as normas existentes eram escassas. 3. No entanto. era inegável que a atividade industrial tinha – e tem – similitudes com a atividade comercial. mas sim a transformação dos produtos. a diversidade das normas existentes entre os diferentes feudos era incompatível com a expansão da atividade comercial. nasceu o problema do enquadramento jurídico desta atividade. Com efeito.3. essencialmente ligadas à exploração da terra – eram regidos pelo direito civil. em razão da necessidade dos comerciantes criarem um sistema normativo que atendesse às necessidades das suas atividades. Com efeito. pois não havia uma preocupação dos titulares dos poderes(senhores feudais e clero) em sistematizar a regulamentação da atividade comercial. A unificação dos regimes das sociedades.3 A alteração das regras societárias face ao direito adquirido e ao ato jurídico perfeito. os comerciantes constituíam uma categoria social à parte. Por outro lado. FGV DIREITO RIO 11 .

atualmente. a Consolidação das Leis do Trabalho. Por exemplo. Assim. ou seja. Este código nasceu fundado na figura do comerciante. “empregador como a empresa individual ou coletiva. atribuindo-lhe. definindo o âmbito de aplicação do direito comercial sob o ponto de vista subjetivo. o regulamento 737 continuou a influenciar. de forma cada vez mais freqüente. de 1807. como as atividades civis de caráter econômico(nomeadamente as atividades industriais e as atividades de prestação de serviços destituídos de caráter de intermediação) passaram a estar submetidas ao mesmo regime. que – na linha da abolição dos privilégios e tendo criado a liberdade de indústria e comércio – assentava o direito comercial no ato de comércio.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa A inadequação da dicotomia entre o direito comercial e o direito civil ficou ainda mais evidente com o crescimento do setor dos serviços no decorrer do séc. desde 1850. matriculado em um dos tribunais do Império. assumindo os riscos da atividade econômica admite. Assim. a idéia de empresa. também de 1850. XX. tradicionalmente. o fato de admitir-se que o comerciante. sob o ponto de vista do comerciante”. a noção de atividade comercial. fazia a distinção entre o direito comercial e o direito civil. O Código de Defesa do Consumidor. mesmo não matriculado. Ou seja. Com o desenvolvimento e a modernização econômica. através do exercício da atividade de cunho econômico. afastou por completo o caráter constitutivo da matrícula. que até hoje regulamenta a maioria das relações trabalhistas de emprego no Brasil define. Nesse sentido. no art. o Brasil adotou um código comercial que cuidava das relações comerciais. pudesse falir. enquadram-se mal na definição de atividade comercial. uma feição objetiva. Com efeito. por exemplo. salvo os de corretagem. principalmente a partir da segunda metade do séc.4 “como todo aquele que. começaram a aparecer. A este fenômeno não é estranho o fato de os Tribunais de Império terem sido abolidos e ter-se admitido que a qualidade de comerciante não decorria da matrícula do mesmo. Apesar de revogado no final do séc. o direito empresarial. Com a aceleração do progresso econômico e o desenvolvimento econômico surgiu.2. que passou a ser mera presunção de comercialidade. fazia da mercancia a sua profissão habitual. Esta unificação legislativa do regime jurídico das diferentes atividades acentou-se em épocas mais recentes. assim. assalaria e dirige a prestação pessoal do serviço. definido no art. ao definir o fornecedor do produto ou serviço já não faz qualquer distinção em razão do caráter FGV DIREITO RIO 12 . tanto as atividades comerciais. durante muitos e muitos anos. que. isso porque. mas sim do exercício da atividade comercial. XIX. não há qualquer menção à qualidade comercial ou civil do empregador. nas ciências econômicas. uma parte importante da atividade econômica consiste na prestação de serviços que. Assim. era quem delineava os contornos dos atos de comércio. O Código Comercial de 1850 não definia o ato de comércio.Lei 8078/90-. ou seja. normas de enquadramento da atividade econômica que não levavam em consideração a distinção entre a atividade comercial e a não comercial. tornou-se inelutável a unificação do regime de todas as atividades econômicas. O direito brasileiro. sendo apenas relevante que o mesmo exerça atividade econômica”. o Brasil passou a conhecer o mesmo fenômeno de ruptura da dicotomia entre direito comercial e direito civil. de 1943. Deste modo. Esta opção ia em sentido contrário do Código de Comércio francês. o regulamento 737. como a unidade de produção ou circulação de riqueza.XX.

No Brasil.966. mesmo que exerçam atividade sob o regime de monopólio legal” O art. As sociedades comerciais eram as sociedades dos tipos previstos no Código Comercial de 1850 – sociedade em nome coletivo. etc.15 da referida lei. criação. possam praticar atos restritivos de concorrência. Portanto. transformação. traduziu-se também na unificação do regime das sociedades. antes da promulgação do novo Código Civil. ainda que temporariamente. nas relações de consumo. O art. E essas infrações decorrem todas do exercício de uma atividade econômica.20 da mesma Lei 8884/94 que define as infrações. tradicionalmente. exportação. a importação. por si só. construção. no art. caput. Com efeito. o art. não sendo comerciantes. importação. veio consagrar a unificação do regime jurídico dos agentes econômicos. bem como quaisquer associações de entidades de pessoas. na unificação do regime dos empresários coletivos. pública ou privada. ao estabelecer que: “Considera-se empresário quem exerce profissionalmente atividade econômica organizada para a produção ou circulação de bens ou de serviços”. esta unificação deu-se. Aliás. Deste modo. tanto são empresários os comerciantes quanto aqueles que. o alcance da norma é dado pelo art.3 deste diploma legal define o fornecedor da seguinte forma: “Fornecedor é toda pessoa física ou jurídica. Assim. sociedade em FGV DIREITO RIO 13 . A noção de atividade empresária veio recobrir todas as atividades de caráter econômico. comerciantes e não comerciantes estão sujeitos ao mesmo regime. de uma forma ou de outra. Na definição do destinatário a comercialidade é irrelevante. no Brasil existiam dois tipos de sociedade. quais sejam: as sociedades comerciais e as sociedades civis. com a possibilidade das sociedades civis adotarem a forma comercial e com a modificação do regime de registro das sociedades comerciais. No mesmo. Portanto.15. para a Lei 8884/94 é irrelevante se o agente é um comerciante ou não comerciante. constituídas de fato ou de direito. a unificação do regime das sociedades Esta unificação do regime das atividades. Na verdade. distribuição ou comercialização de produtos ou prestação de serviços” O ponto manifestamente relevante da definição de fornecedor é. mais uma vez. a mesma aplica-se a todos que. a sociedade em comandita simples. bem como os entes despersonalizados que desenvolvem atividade de produção. O fornecedor define-se em virtude do exercício dessa atividade econômica. ou seja. a distribuição. A natureza comercial ou não do fornecedor é nitidamente relevante. exercem uma atividade econômica organizada. Para o CDC não é relevante saber se o fornecedor é comerciante ou não. mas apenas se o fornecedor coloca um produto ou serviço no mercado de consumo.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa comercial ou não da atividade desenvolvida. O Código Civil de 2002. com ou sem personalidade jurídica. com a consagração a noção de empresário. o exercício de atividade de natureza econômica: a produção. o art. é imprestável para definir a aplicação do direito da concorrência.15 da Lei 8884/94 – Lei de Defesa da Concorrência: “Esta Lei aplica-se às pessoas físicas ou jurídicas de direito público ou privado.15 é claro. nos termos do art. curiosamente. montagem. nacional ou estrangeira.

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conta de participação, e a sociedade de capital e indústria – a sociedade por quotas de responsabilidade limitada – regida pelo Decreto 3708/19- e as sociedades por ações – sociedade anônima e sociedade em comandita por ações – previstas na Lei 6404/76. As sociedades civis eram as sociedades do tipo previsto no art.1363 e seguintes do Código Civil de 1916. A qualidade comercial ou civil da sociedade era dada em razão da atividade exercida pela sociedade. Dessa forma, se a sociedade era comercial, a sociedade deveria revestir um tipo comercial, ao passo que, se a atividade era não comercial, a sociedade deveria revestir o tipo civil. No entanto, o art.1364 do Código Civil permitia às sociedades civis adotarem um tipo comercial. Desta forma, caso a sociedade civil opta-se por um tipo comercial, a estrutura da sociedade civil passava a reger-se pelas normas de direito comercial, mantendo-se, porém, como sociedades civis no tocante à atividade. As diferentes possibilidades estão representadas no quadro abaixo, vejamos:
Situação 1 Sociedade de tipo civil Exercício de atividade civil Sociedade civil Situação 2 Sociedade de tipo comercial Exercício de atividade civil Sociedade civil Situação 3 Sociedade de tipo comercial Exercício de atividade comercial Sociedade comercial

Deste modo, já a partir de 1916, havia um esbatimento da distinção entre sociedades civis e sociedades comerciais – pelo menos quanto à forma – pois aa sociedades civis podiam adotar um tipo comercial. Esta distinção entre sociedades civis e comerciais atenuou-se mais ainda em 1994. Até 1994, as sociedades civis (seja as da situação 1, seja as da situação 2) tinham os seus atos constitutivos registrados no Registro Civil das Pessoas Jurídicas. Por seu lado, as sociedades comerciais (isto é, as da situação 3) tinham os seus atos constitutivos arquivados na Junta Comercial. Entretanto, a Lei 8934/94, no art.1, determinou que fossem arquivados na Junta Comercial: a) os contratos sociais das sociedades comerciais (situação 3); b) os contratos sociais das sociedades civis, com forma comercial (situação 2). Portanto, as sociedades comerciais, e uma parte das sociedades civis, passaram a estar sujeitas ao mesmo regime de registro. Com a promulgação e a entrada em vigor do novo Código Civil, o regime societário brasileiro ficou profundamente alterado. Aliás, o ano de 2002 trouxe duas grandes novidades: a entrada em vigor da lei 10303/01, que modificou a Lei das Sociedades por Ações e a promulgação do novo Código Civil. Um dos principais pontos desta alteração é a substituição da dicotomia do regime societário entre sociedades comerciais e sociedades civis, pelo regime de: a) associações; b) sociedades simples; c) sociedades empresárias.
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A distinção entre cada uma destas categorias é a seguinte: a) a sociedade empresária é a que exerce profissionalmente uma atividade econômica organizada para a produção ou circulação de bens ou serviços (por ex.: o caso de uma sociedade fabricante de automóveis); b) a sociedade simples é a que exerce uma atividade intelectual, de natureza científica, literária ou artística, ainda que haja emprego de auxiliares (por ex.: uma sociedade de profissionais liberais – médicos) c) a associação tem fins não econômicos (por ex.: uma associação recreativa ou cultural). Além desta distinção, cabe assinalar que o novo Código Civil criou as seguintes sociedades:
Regime anterior sociedades Comerciais Sociedade em nome coletivo Sociedade em comandita simples Sociedade em conta de participação Sociedade irregular ou de fato Sociedade por quotas de responsabilidade limitada Sociedade de capital e indústria sociedades Civis sociedade Civil Regime do NCC sociedades empresárias Sociedade em nome coletivo Sociedade em comandita simples Sociedade em conta de particicpação Sociedade em comum Sociedade limitada abolida sociedades não empresárias sociedade simples

Portanto, com o novo Código Civil passa a existir um regime único para as sociedades. Não há mais distinção entre sociedades civis e sociedades comerciais. As sociedades que exercem atividade econômica passam a estar todas submetidas ao mesmo regime. Há, portanto, uma unificação do direito societário brasileiro. Esta unificação é ainda reforçada pelo fato do NCC determinar a regência supletiva das regras sobre as sociedades simples, para todas as demais sociedades. Na verdade, as variações vão ocorrer dentro desse regime único, consoante o tipo de atividade – empresarial ou não empresarial – que será exercido.

a adaptação das sociedades à transição normativa No momento da entrada em vigor do Código Civil de 2002 haviam sido constituídas, no Brasil, entre 1985 e 2001, mais de 3.900.000 (três milhões e novecentos mil) sociedades por quotas de responsabilidade limitadas no Brasil. No mesmo período, haviam sido constituídas cerca de 17.000 (dezessete mil) sociedades anônimas1. Portanto, quando da transição de um quadro normativo para o outro, estava em causa um universo gigantesco de sociedades, sociedades estas com características muito diferentes. Por exemplo, as sociedades limitadas cobrem uma grande variedade de atividades de tamanhos diferentes, desde o pequeno comércio da padaria, da mercadoria, do açougue, do

1 V. site www.dnrc.gov.br, acessado em 28.04.07

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restaurante, até à indústria de médio porte, em alguns casos a indústria também de grande porte e cobrem também as sociedades “holding” de grupos financeiros, indústrias e etc. Neste aspecto uma das questões interessantes do Código Civil de 2002 é, precisamente, a necessidade de ter uma norma que seja ao mesmo tempo geral, para cuidar de todas as sociedades limitadas, e ao mesmo tempo uma norma que seja suficientemente precisa ou específica para cuidar dos diferentes problemas de cada molde, de cada tipo de sociedade limitada. Quando da entrada em vigor do Código Civil de 2002 houve uma grande resistência, como é natural em todas as mudanças. O Código Civil de 2002 sofreu forte rejeição, pois o Código Civil veio provocar uma profunda mudança nas regras então vigentes para a atividade societária2. Com efeito, além de abolir o conceito de sociedade comercial e criar o conceito de sociedade empresária, conforme visto no item 2 acima, o Código Civil modificou substancialmente as regras de constituição e funcionamento das sociedades, em especial das sociedades limitadas, das sociedades em nome coletivo, das sociedades em comandita e das sociedades em conta de participação e criou as novas figuras das sociedades em comum e das sociedades simples3. Como se passa a demonstrar, o Código Civil de 2002 não apenas trouxe novas regras, mas essas novas regras afetam os direitos dos sócios, cabendo então examinar como tratar essas modificações à luz da Constituição da República que protege o ato jurídico perfeito e o direito adquirido.

a modificação das regras do jogo societário Sem querer entrar no detalhe de todas as mudanças, há algumas que merecem destaque, pis são as mais relevantes. Entre elas está, certamente, a forma das deliberações sociais. O novo Código Civil institui a assembléia geral e a reunião dos sócios, e faz desaparecer um pouco aquele estado de “deliberação permanente” que há num determinado tipo de sociedade limitada. Trata-se, no caso, das sociedades de grande proximidade, com poucos sócios que se dedicam diuturnamente à atividade empresária. Esses sócios não realizam reuniões formais de sócios e muito menos assembléias gerais. Os sócios encontram-se diariamente, trabalham em conjunto e vivem naquilo que poderia ser chamada assembléia geral ou reunião de sócios permanente. Uma segunda mudança diz respeito à periodicidade das reuniões e assembléias gerais. No regime anterior ao Código Civil de 2002 não havia uma periodicidade estabelecida. Os sócios podiam reunir-se a qualquer momento ou poderiam nunca se reunirem formalmente. O Código Civil de 2002, no art.1071, inc.I, criou a obrigação de pelo menos uma reunião anual para tomar as contas dos administradores e aprovar o balanço. Uma terceira mudança – e que talvez seja a mais importante – dizem respeito aos quoruns de deliberação. Anteriormente, as regras eram muito simples: As deliberações sociais – independentemente da matéria – eram tomadas pelo voto dos sócios que representavam cinqüenta por cento mais um do capital social. Após o Código Civil de 2002, as deliberações passam a ter uma multiplicidade de quoruns. Por exemplo, (i) quorum de cem por cento do capital social para designar o ad-

Basicamente as bem conhecidas e experimentadas disposições do código comercial de 1850 e do decreto 3708/19, disposições cuja longevidade é de salientar num país como o Brasil em que as leis são revogadas e novas leis são promulgadas a uma velocidade vertiginosa.
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as sociedades anônimas e as sociedades em comandita por ações tiveram as suas regras preservadas, pois estão submetidas ao disposto na Lei 6404/76 os arts.1080 e 1090 do código civil estabeleceram a continuação da regência daquela lei especial.
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incorporação e cisão da sociedade. a partir da vigência do Código Civil para adaptar-se às disposições deste Código Civil. (iii) quorum de dois terços do capital social para nomear o administrador não sócio. só se o empate persistir. o desempate já não é mais pela sorte. o art. Acresce que a enumeração dos quoruns de deliberação no art. pelo Código Civil de 2002. em caso de empate. sociedades e fundações constituídas na forma das leis anteriores terão prazo de um ano. a deliberação que prevalecia. A conseqüência de todos estes dispositivos é que as novas regras (inclusive os percentuais de deliberação) aplicam-se às sociedades constituídas antes da entrada em vigor do FGV DIREITO RIO 17 . a aplicação das novas regras às sociedades Em primeiro lugar. Cabe então perguntar como é que se faz a transição entre estes dois regimes? Algumas pistas são dadas pelo próprio Código Civil. [.1076 do novo Código Civil é expressa. Este prazo foi prorrogado para as sociedades por mais um ano e. a conclusão é clara: Existe uma diferença entre o regime anterior e o regime do novo Código Civil. na medida em que o Código Civil de 2002. 2033 determina que as modificações dos atos constitutivos das sociedades regem-se. a sociedade por quotas de responsabilidade limitada podia adotar institutos próprios da sociedade anônima. para as associações e fundações. 2031 determina que as associações. ao contrário do que era admitido no regime do Código Comercial de 1850 e do decreto 3708. desde logo.. Por outro lado. [. é que a solução será dada por decisão judicial). Isto significa que. De acordo com o Código Civil de 2002. mas por cabeça (em caso de empate de votos por correspondência ao capital social. Deste modo.. dando cogência ao conteúdo deste artigo. ou seja. produzidos após a vigência deste Código. Em seguida. (i) quorum de três quartos do capital social para alterar o contrato social e deliberar sobre transformação. Finalmente. as partes não têm mais a possibilidade de dispor sobre percentuais. era possível sustentar a existência de quotas preferenciais com fundamento em dois pontos: (i) o decreto 3708 não fazia menção à totalidade do capital social.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa ministrador não sócio. Anteriormente.] mas os seus efeitos. aos preceitos dele se subordinam. Ou seja. era escolhida por sorteio. ao estabelecer os quoruns de deliberação faz sempre referência à totalidade do capital social e não à totalidade do capital social votante.18 do decreto 3708. Houve também uma mudança no modo de desempate das deliberações sociais. a constituição do ato e os requisitos de validade para a constituição do ato são os da época em que o ato foi praticado.. quando o capital social ainda não estiver totalmente integralizado. quando o capital já está integralizado. Já os efeitos do ato após a entrada em vigor do novo Código Civil passam a ser os efeitos atribuídos pelo novo Código Civil. foram extintas as quotas preferenciais sem direito a voto. tais como as ações preferenciais. o artigo 2035 segundo o qual: “A validade dos negócios e demais atos jurídicos constituídos antes da entrada em vigor deste Código obedece ao disposto nas leis anteriores. as alterações do contrato social serão realizadas de acordo com os percentuais de deliberação estabelecidos no próprio Código Civil. no período de adaptação das sociedades ao novo Código Civil. fusão. (iv) quorum de dois terços do capital social para destituir o administrador que é sócio da sociedade e que foi nomeado administrador no contrato social..]” Ou seja. No antigo regime o desempate era pela sorte. (ii) por força do art. o art. por mais dois anos. os votos serão contados por número de sócios.

Assim. Em virtude da regra do ato jurídico per- 4 Os sócios que tinham até cinqüenta por cento do capital social não tinham o controle da sociedade e os sócios que tinham mais de setenta e cinco por cento do capital social continuam a ter a maioria dos direitos de controle. Este sócio. este sócio – que havia adormecido na noite anterior como controlador da sociedade – acordou sem mais qualquer poder de controle sobre a sociedade. se o administrador é também sócio. Deste modo. concordar com a sua destituição). todos os que não aproveitaram o período da “vacatio legis” para modificar antecipadamente o contrato social. O ato jurídico perfeito pode ser definido como um ato consumado sob a égide da lei anterior. Os sócios controladores que não tomaram cuidado de alterar o contrato social antes da entrada em vigor do novo Código Civil. cumpre examinar se a aplicação do Código Civil de 2002 às sociedades já existentes não viola o ato jurídico perfeito e o direito adquirido. tendo produzido seus efeitos sobre a égide dessa lei anterior. para criar algumas cláusulas e algumas alternativas que assegurassem o controle. este sócio-administrador somente poderá ser destituído se ele. o ato de constituição das sociedades). Até janeiro de 2004. Deste modo. alterava o objeto social. a constituição da sociedade rege-se pela lei em vigor ao tempo do ato constitutivo.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa Código Civil de 2002. Assim. 1054 e 997 relativos ao ato constitutivo de sociedades limitadas não se aplicam ao ato constitutivo de uma sociedade limitada constituída antes da entrada em vigor do novo Código Civil. Com efeito. O ato jurídico perfeito é a regra que preserva os pressupostos de validade da constituição do ato (no caso das sociedades. perderam o controle da sociedade. com a entrada em vigor do novo Código Civil houve uma “usurpação” do controle das sociedades limitadas para todos os sócios que tinham entre cinqüenta a setenta e cinco por cento. já não pode mais destituir um administrador (em especial.1 Argumentos a favor da não aplicação das novas regras Face a esta situação. Este sócio alterava sozinho o contrato social. destituía gerentes. perderam o controle sobre a sociedade. sócio-administrador.3. constituído sobre a égide da lei anterior. inclusive quanto às deliberações que devem ocorrer para adaptar essas sociedades ao novo Código Civil. a alteração das regras societárias face ao ato jurídico perfeito e ao direito adquirido 3. os requisitos dos arts. já não pode mais alterar o contrato social. mudava a sede da sociedade. neste caso. nomeava gerentes. ambos garantidos pela Constituição da República. No dia da entrada em vigor do novo Código Civil de 2002. sozinho. deliberava aumento do capital social e etc. o sócio titular de quotas representativas de cinqüenta por cento do capital social mais uma fração tinha assegurado o controle da sociedade. FGV DIREITO RIO 18 . dá ao seu titular o direito de exercê-lo em momento futuro. O direito adquirido é aquele que. a sociedade que mais sofreu com a entrada em vigor do novo Código Civil é aquela sociedade controlada por sócios titulares de quotas representativas entre cinqüenta a setenta e cinco por cento do capital social4. O impacto destas regras é enorme num determinado tipo de sociedade. tem mais de 1/3 do capital social e tiver sido nomeado administrador no contrato social.

inc. o art. aos efeitos de um contrato celebrado anteriormente a ela. se a lei nova for aplicada aos efeitos futuros do contrato. Neste acórdão. Portanto. estas regras do novo Código Civil aplicar-se-iam mesmo às sociedades constituídas no regime anterior. em virtude do ato jurídico perfeito e do direito adquirido). XXXVI. o Supremo Tribunal Federal decidiu.XXXVI. em 25/06/92. A primeira é a da sociedade constituída – antes do novo Código Civil – entre marido e mulher. essa lei nova passa a ter retroatividade. da Constituição da República. Por um lado. Já a regra do direito adquirido determina que os efeitos futuros do contrato social regem-se também pela lei anterior ao novo Código Civil. O segundo argumento é um importante acórdão do Supremo Tribunal Federal. a sociedade preenchia os requisitos de validade.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa feito. os direitos dos sócios perante a sociedade e os direitos dos sócios perante os outros sócios continuariam a ser regidos pelas normas anteriores ao novo Código Civil. casados sob o regime de comunhão universal de bens. o regime de responsabilidade dos sócios perante terceiros. o ato constitutivo desta sociedade rege-se pelas regras anteriores (Código Comercial de 1850 e decreto 3708). o ato jurídico perfeito e a coisa julgada”. este quoruns também deixariam de ser aplicados.997 do Código Civil proibir a sociedade entre cônjuges casados sob o regime da comunhão universal de bens. relativa aos quoruns de deliberação das sociedades limitadas no novo Código Civil. FGV DIREITO RIO 19 . Esta regra pode-se aplicar a duas situações. Ou seja. seriam procedimentais as regras relativas à convocação dos sócios para as deliberações e as regras relativas às formalidades de tomada de posse dos administradores. Na medida em que estes novos quoruns representam a aplicação de uma nova lei. porque vai interferir na causa que é um ato ou fato ocorrido no passado). segundo o qual “a lei não prejudicará o direito adquirido. as regras substanciais não seriam modificadas pelo Código Civil de 2002. essa sociedade poderia continuar a existir. Portanto.5. da Constituição. inc. inc. No sentido de que o Código Civil de 2002 não se aplica às sociedades já existentes à época da sua entrada em vigor há dois fortes argumentos. precisamente. apesar do art. Por outro lado. por maioria. Assim. os direitos dos sócios perante terceiros. Assim. e essa retroatividade viola o art. os quoruns de deliberação seriam os da lei anterior. O disposto no art. Na época em que a sociedade foi constituída. proferido na Ação Direta de Inconstitucionalidade 493/0 do Distrito Federal.5. Ou seja.XXXVI. que se a lei nova alcançar efeitos futuros de contratos celebrados anteriormente a ela. da Constituição aplica-se a toda e qualquer lei infraconstitucional. A segunda situação é. essa lei será retroativa (ainda que seja um caso de retroatividade mínima. Inclusive. Por exemplo. é possível ir mais longe e distinguir entre as regras procedimentais (que seriam de aplicação imediata) e as regras substantivas (que tratam de direitos substanciais e que não seriam de aplicação imediata.5. todas as regras relativas aos direitos e deveres dos sócios. talvez as mais candentes com relação ao ato constitutivo. sem qualquer distinção entre norma de direito público (cogente) e norma de direito privado (eventualmente supletiva).

Se as regras procedimentais do novo Código Civil aplicam-se imediatamente – conforme visto acima – por que razão o art. conforme demonstram os exemplos a seguir: • Seria possível invocar o direito adquirido para permitir que a sociedade continuasse a exercer uma atividade prevista no seu objeto social (portanto uma cláusula contratual). O mesmo Supremo Tribunal Federal já disso. pois não há sentido considerar uma atividade ilícita e permitir que a mesma continue a ser exercida. e na França não existia uma lei de sociedade por quotas. talvez caiba minimizar a aplicação do art. a propósito de contribuições previdenciárias e de benefícios previdenciários. de 31 de agosto de 2000. o pagamento se fará sempre na moeda definida pela lei no dia de pagamento”. antes da primeira Guerra mundial. mas sim estatutária por decorrer de lei e por ela ser disciplinado. efeitos futuros de situações pretéritas. 226. 5 FGV DIREITO RIO 20 . um caso prático. Uma primeira oportunidade foi no Recurso Extraordinário nr. poderiam os sócios arguir que: (i) o contrato social contém esse objeto social.2034 do novo Código Civil determina que a liquidação das pessoas jurídicas. inc. é possível argumentar em sentido contrário. a alsácia-Lorena foi incorporada à França no final da primeira Guerra mundial. prevista no Código Comercial. o Supremo Tribunal Federal disse o seguinte: “O FGTS.5. tendo então sido promulgada uma lei francesa de sociedade por quotas para resolver o problema. será que os sócios podem sustentar que tendo a sociedade se constituído sob o regime da lei anterior. foi abolida pelo novo Código Civil. de uma maneira pragmática. naquela região constituíram-se várias sociedades por quotas de responsabilidade. (iv) o exercício dessa atividade era legal no momento da constituição da sociedade. depois da primeira Guerra mundial. (iii) a sociedade foi constituída para o exercício dessa atividade. Face a estes dois acórdãos do Supremo Tribunal Federal.137. inclusive. a favor da aplicação do Código Civil de 2002 às sociedades existentes à época da sua entrada em vigor. a propósito da correção e ao expurgo da correção monetária do FGTS. conseqüentemente. (ii) o exercício dessa atividade decorre de uma cláusula contratual fundamental. Por outro lado. já iniciada no mo- Este é um problema que não é unicamente brasileiro. no acórdão proferido no Recurso Especial No.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa 3. o Supremo Tribunal Federal disse que: “não há direito adquirido a um determinado padrão monetário pretérito. o cruzeiro velho ou a indexação pelo salário mínimo. a sociedade e os sócios têm o direito adquirido à continuação do exercício dessa atividade? • Outro exemplo: Se for suprimido um tipo societário. da Constituição.2 Argumentos a favor da aplicação das novas regras No entanto.855. quando tal atividade se tornasse proibida por lei? • Se o Estado promulga uma lei segundo a qual determinada atividade não pode mais ser exercida no Brasil. onde por acórdão datado de 31 de maio de 1985. seja ele o mil réis. Recentemente. isto é. com fundamento no direito adquirido. por força do ato jurídico perfeito e do direito adquirido? • Há. XXXVI. a mesma deve continuar a existir.3. em diferentes oportunidades. a alsácia-Lorena era parte da alemanha e na alemanha já existia uma lei criando as sociedades por quotas de responsabilidade limitada. assim é de aplicar-se a ele a firme jurisprudência desta corte no sentido de que não há direito adquirido a regime jurídico”. (v) portanto. ou seja. surge uma outra questão curiosa. que o direito adquirido não é absoluto e que há possibilidade de se aplicar uma lei nova a situações pretéritas. as sociedades por quotas de responsabilidade limitada foram introduzidas na França. 105. As sociedades de capital e indústria anteriores podem continuar a existir ou devem ser dissolvidas ou transformadas em um dos tipos previstos no novo Código Civil5? A resposta parece ser negativa. por causa da alsácia-Lorena. vejamos: A sociedade de capital e indústria. ao contrário do que sucede com a caderneta de poupança não tem natureza contratual.

há alguns bons argumentos a favor da aplicação do Código Civil de 2002 às sociedades anteriormente constituídas e a favor da necessidade dessa adaptação dos contratos sociais destas sociedades. Deste modo. produzidos após a vigência deste Código. desaparece um regime jurídico e surge um outro regime jurídico. O primeiro é que o novo Código Civil deve aplicar-se imediatamente às sociedades já existentes. sem que obstáculos fossem suscitados. Não existe nenhum dispositivo que prive o sócio do direito de voto nas deliberações sociais.. faz-se sob o regime da lei anterior e não sob o regime do novo Código? Face a estes diversos exemplos. Há. Assim.] mas os seus efeitos. conclui-se que não é possível ir tão longe a ponto de dizer que – apoiadas no ato jurídico perfeito e no direito adquirido – as sociedades podem continuar a atuar sob o regime jurídico anterior e que não é preciso fazer a adaptação dos contratos sociais. como já afirmou o Supremo Tribunal Federal a propósito do FGTS. é possível afirmar que. quais os efeitos daquele direito de voto e quais são as modalidades do exercício desse direito de voto. esse regime jurídico foi alterado pelo novo Código Civil. Uma exceção a aplicação imediata do novo Código Civil esta prevista no final do art. a um regime jurídico. os sócios haviam seguido um determinado regime jurídico para as sociedades por quotas de responsabilidade limitada. O segundo ponto é que nem os sócios nem as sociedades têm direito. Conseqüentemente. o sócio tem o direito de voto e continua tendo direito de voto no novo Código Civil.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa mento da entrada do novo Código Civil. constituídos antes da entrada em vigor deste Código. [. pelo que os sócios e as sociedades têm que se adaptar a esse novo regime jurídico. porque ele não modifica os direitos dos sócios. O segundo argumento – também de ordem prática – é que quando a Lei 6404/76 que reformou integralmente as regras sobre sociedades anônimas entrou em vigor. dentro das novas disposições legais. propriamente. os sócios inseriram no contrato uma cláusula específica prevendo a execução do direito de voto. como o direito de voto vai ser manifestado. E essa adequação foi realizada. não obstante os direitos adquiridos. E primeiro lugar. neste caso concreto. salvo se houver sido prevista pelas partes determinada forma de execução”.2035 do novo Código Civil. isto é. dois argumentos de ordem jurídica). em razão da parte final do art. mas apenas as modalidades do exercício do direito dos sócios. A conseqüência do Código Civil de 2002 é que o direito de voto será exercido de acordo com um novo quadro legislativo. regime jurídico esse que era garantido pelo Código Comercial de 1850 e pelo decreto 3708. Todavia. dois argumentos de ordem prática (e não. aos preceitos dele se subordinam.. Ou seja. obedece ao disposto nas leis anteriores. é possível sustentar que os quoruns de deliberação FGV DIREITO RIO 21 . Na verdade. segundo o qual “A validade dos negócios e demais atos jurídicos.2035. no prazo de um ano. Neste termos. as disposições transitórias também determinavam a adequação dos estatutos das sociedades anônimas então existentes. se o contrato social contiver cláusula neste sentido. se o contrato social contém uma cláusula indicando que as deliberações dos sócios devem ser tomadas por um determinado percentual do capital social. ainda. à nova lei. outros pontos que merecem alguma reflexão. O primeiro argumento é que é possível aplicar o novo Código Civil porque o novo Código Civil expressamente menciona a sua aplicação.

ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa do novo Código Civil não se aplicam à sociedade. pois esta regra. Neste caso. estava determinada no art. porque o contrato social contém uma cláusula determinando que as deliberações sejam tomadas pelo voto dos sócios titulares da maioria do capital social. FGV DIREITO RIO 22 . Ou seja. parece não valer a pena correr o risco de a sociedade regular ser transformada em sociedade comum. A sociedade passa então a reger-se pelos arts.986 a 990 do novo Código Civil. a sociedade torna-se uma sociedade em comum. Sendo esta a conseqüência. ainda que indiretamente. com algumas conseqüências importantes como a responsabilidade solidária e ilimitada dos sócios. uma vez que o registro da sociedade perde a sua validade e um registro não válido equivale a um registro inexistente. a prática demonstra que a maioria dos contratos sociais não contém cláusula relativa às deliberações. e não obstante as diversas considerações apresentadas. a situação da sociedade que não se adaptou ao Código Civil de 2002 Para finalizar cabe agora examinar o que acontece à sociedade que não adaptou o seu contrato social ao novo Código Civil. Entretanto. os sócios passam a responder perante terceiros ilimitadamente e solidariamente pelas dívidas da sociedade.15 do decreto 3708.

Daremos enfoque na análise prévia e planejamento adequado antes da constituição de uma sociedade.aspx 21 as perguntas deverão ser criadas. riscos. revistas e publicações profissionais/técnicas. antes da elaboração do contrato social. Ao optar pela elaboração de um Plano de Negócio. – Qual será o público alvo e como conquistar o mercado? Permite conhecer e entender as necessidades dos clientes. os sócios terão a idéia de negócio devidamente analisada. – Regência supletiva pelas normas das sociedades por ações.com. sindicatos e outras entidades setoriais. estratégias de marketing. seja por meio da atividade individual ou coletiva. por exemplo: – Qual atividade que os sócios gostariam de desenvolver? – Qual a experiência e conhecimento sobre a atividade que os sócios têm? Compreender os fatores externos e internos que afetam (ou poderão afetar) diretamente o desempenho da sociedade é muito importante para o sucesso do negócio. – Texto II: Família é uma coisa. que tem no contrato social o instrumento que representa o entendimento dos sócios quanto aos seus direitos e deveres com vistas à realização do objeto social.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa AUlAS 02. Nele estarão registrados o objetivo do negócio. ementário de temas: – Elaboração do “Plano de Negócio”. – Onde abrir o negócio e qual o espaço necessário? Os sócios terão uma noção prévia do funcionamento do negócio do ponto de vista mercadológico e saberão quais exigências terão que atender para a sua instalação. Algumas perguntas22 são fundamentais na hora de elaborar o Plano de Negócios.br/principal/ abrindo%20seu%20negócio/or ientaçõescriação%20de%20em presas/passos_elaboracao_plano_negocio. Recomenda-se que os sócios busquem informações relevantes do seu negócio em jornais. roteiro de auLa: O Plano de Negócios21 é um documento que visa transformar idéias em situações concretas. 22 FGV DIREITO RIO 23 . sebraesp. – Texto I: Lei não prevê permanência de herdeiros nas Limitadas. público alvo. planejamento financeiro e tudo mais que for relevante para iniciar um negócio específico ou ampliar um já existente. – Cláusulas obrigatórias e facultativas. 03 E 04: REUNIÃO COM ClIENtE PARA ElAbORAÇÃO DO CONtRAtO SOCIAl Nas aulas seguintes aprenderemos sobre a importância da orientação empresarial através do fornecimento de princípios básicos para quem pretende montar um negócio. com eficiência e eficácia. diminuindo os riscos do insucesso. O passo a passo para a elaboração do plano de negócios pode ser encontrado no link: http://www. empresa é outra. – Orientação para elaboração do contrato social: Providências preliminares. oferecer o produto ou serviço certo no momento propício e bem atendê-los após a venda. Esse levantamento torna possível gerar um diferencial competitivo. adaptadas e modificadas conforme a realidade do negócio.

domicílio e residência (tipo e nome do logradouro. 977 do código civil de 2002 trouxe uma vedação quanto à convivência da affectio societatis e da affectio maritalis quando nesta última os cônjuges forem casados sob o regime de comunhão universal de bens (art. mais os lucros reinvestidos na sociedade. seu número. ou seja.000. Disponível em: http://www2. cada qual com as críticas cabíveis26. órgão expedidor e UF onde foi emitida (documentos válidos como identidade: carteira de identidade. – menor de 16 anos – deve ser representado pelo pai.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa – – – – – “através de ações dirigidas.com. acabamento. deve levar em consideração àqueles que permitam sempre melhores margens de ganho. 1. do CC/2002) PESSOA FÍSICA (rectius NATURAL): nome completo. na aula 02. o “passo a passo” para a abertura de uma sociedade. A escolha de recursos próprios e de terceiros. FGV DIREITO RIO 24 .htm 23 orientação para elaboração de contrato de sociedade Limitada. data de nascimento (se solteiro).000. Qual a previsão de retorno para o investimento? O principal indicador para acompanhar a viabilidade do negócio é o retorno do investimento.23 Escolha de fornecedores e pesquisa de concorrentes? Identificar quantos concorrentes estão oferecendo o mesmo produto e/ou serviço.br O art. 1.24 Qual a documentação necessária? Além do contrato social. 1. nacionalidade. Ao apresentar o Plano de Negócios. número.com. carlos pougy.dnrc. a oferta de produtos e de serviços para nichos específicos de mercado ou. Estadual ou Federal). parte do investimento deve ser “devolvida” e essa devolução acontece quando a sociedade gera o lucro. se existem linhas de crédito e incentivos (Municipal. sempre é bom avaliar bem as alternativas. preço. que veremos a seguir.667) ou sob o regime de separação obrigatória de bens (art. carteira de identidade profissional.5 % ao mês O prazo de retorno do investimento realizado é calculado da seguinte forma: Investimento dividido pelo Lucro Líquido. qualidade no atendimento.00 Investimento total: R$ 80. e a qualificação completa do(s) assistente(s). atentando para qualidade. para um consumidor individualmente”.000. estado civil27. documento de identidade. 1. Exemplo: Investimento total: R$ 80. nº do CPF. Unidade Federativa e CEP).503/9728).687). analisaremos.00 Lucro Líquido mensal: R$ 2. mesmo. pela mãe ou tutor. CC/2002): – maior de 16 anos – deve ser assistido pelo pai. 28 código de Trânsito Brasileiro. Exemplo: Lucro Líquido mensal: R$ 2. o cliente contribuirá para a excelência na elaboração do contrato social além de dispor de um documento que o ajudará a acompanhar a evolução do seu negócio. seja o capital social inicial. Qualificação completa dos sócios: (art.000.00 prazo de retorno: 40 meses Fonte: www.br 24 as instruções estão disponíveis no site do sEBRaE. em aula. constar também do preâmbulo a expressão “ASSISTIDO POR”. I. já estudamos.sebraesp. pois não precisa ser profissional experiente para tanto25.690. O cliente deve ser orientado para preparar um Plano de Negócios e de como fazê-lo. forma de arrumação de produtos nas prateleiras e/ou divulgação do serviço etc. como calcular o Retorno do Investimento? Investimento é todo o capital aplicado na empresa. Quais são os fatores críticos de sucesso do negócio? Quanto e que tipo de recursos será necessário para o empreendimento? Não existem limites ou regras para o valor que deve ser utilizado de capital próprio para investimentos.gov. facilidade de acesso. mais os aumentos (aporte) de capital adicional. – solteiro menor de 18 anos: (art. regime de bens (se casado). consultor de marketing.uol. Carteira Nacional de Habilitação – modelo com base na Lei nº 9.br/canalexecutivo/artigosc. a taxa de rentabilidade do investimento é calculada da seguinte forma: Lucro Líquido dividido pelo Investimento. Carteira de Trabalho e Previdência Social.00 Taxa de rentabilidade: 2. certificado de reservista. naturalidade. constar também do preâmbulo a expressão “REPRESENTADO POR” e a qualificação completa dos representantes. 25 26 27 Fonte: www. 997. bairro/distrito. município. profissão. A partir dos itens elencados pelo Departamento Nacional de Registro do Comércio. pela mãe ou tutor. Mensalmente.

e se sediada no Brasil. NIRE (número de identificação do registro de empresas) ou número atribuído no Cartório de Registro Civil das Pessoas Jurídicas e o nº do CNPJ (Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas). qualificação completa dos representantes da empresa no ato. por exemplo). CC/2002) Tipo e nome do logradouro. 6. – sociedade anônima. – sociedade em comandita simples. 5. mencionando gênero (indústria. PESSOA JURÍDICA: nome empresarial. que deverá ser obedecido. 4. II – o capital de cada sócio e a forma e prazo de sua realização. Sócio Analfabeto: também o nome e a qualificação completa do procurador constituído. Indicação do tipo jurídico da sociedade. Endereço comercial da sede e de filiais declaradas: (art. arquivando. espécie e valor das ações. VI – o prazo de duração da sociedade. bairro/distrito. II e art. III e IV. CC/2002) Diz respeito à atividade que será desenvolvida. 29 30 Lei que trata da prevenção e da repressão às infrações contra a ordem econômica e transformou o conselho administrativo de Defesa Econômica – caDE em autarquia. Nome empresarial: (art. Objeto social: (art. 997. que pode ter valor desigual. limpeza. em separado. com poderes específicos. CC/2002) – não pode conter as expressões “ME” ou “EPP”. taxativo. comércio ou serviços) e espécie (calçados. escolhendo-se o tipo societário que melhor se apresenta para a situação de fato: – sociedade simples.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa – se emancipado (maior 16 anos) constar da qualificação a forma da emancipação. roupas infantis. IV – o local da sede e respectivo endereço. 1. incorporação ou agrupamento de empresas. 976. UF e CEP. I. 997. – a composição do nome deve observar as regras gerais e as próprias do tipo escolhido (firma social ou denominação). V – os nomes dos diretores por extenso e respectiva qualificação.884/9430). após o nome e qualificação completa do sócio: “REPRESENTADO POR SEU PROCURADOR. (art. sem que dos mesmos conste: I – a declaração precisa e detalhada do seu objeto. transformação. b) mencionar o valor nominal de cada quota. 997. juntado ao processo o respectivo instrumento de mandato”. – procurador: constar do preâmbulo. nos respectivos atos constitutivos. CC/2002) a) indicação numérica e por extenso do total do capital social. – sociedade limitada. 997. VII – o número. II. do CC/2002). com poderes para receber citação. 3. endereço completo da sede. bem como quaisquer alterações. 2. (art. 9º) Obs. fusão. II. feita antes o registro no Registro Público no caso de outorga pelos pais ou por sentença. Capital social (art. 997. NOME E QUALIFICAÇÃO COMPLETA. número. anteriormente registrado. CC/2002) – sócio domiciliado no exterior: nomear procurador no Brasil. 5629. complemento. O Código Civil apresenta um rol.158. (art. FGV DIREITO RIO 25 . – sociedade em nome coletivo. I da Lei nº 8. art. por instrumento público. devendo conter sua declaração precisa e detalhada. a prova da emancipação (art. as juntas comerciais ou órgãos correspondentes nos Estados não poderão arquivar quaisquer atos relativos à constituição. 56. município. inclusive das filiais declaradas. – não pode ser idêntico ou semelhante a nome já protegido isto é. III – o nome por extenso e qualificação de cada um dos sócios acionistas. – sociedade em comandita por ações.

a sociedade tem que continuar. poderão estabelecer que a transferência das quotas se dará independentemente da vontade dos sócios ou. sua área. ou seja. art. VI.060. Dependerá de aprovação unânime dos sócios. definir um percentual limite de sócios que deverão anuir com o ato de cessão. suas atribuições e limites de poderes.063 e 1. 1. CC/2002) Eis um dos casos que denotam a importância da cláusula que dispõe sobre a cessão de quotas. apresentar a carteira de identidade com o visto permanente. 31 O administrador não sócio. CC/2002) Indicar o prazo de duração indeterminado ou determinado (neste caso indicar o início e o fim da sociedade). poderão estabelecer no contrato social vedação ao ingresso de terceiros. Na falta de um dos sócios (seja pela interdição ou pelo falecimento).064 todos do CC/2002) a) Designar pessoa(s) naturais. (art. deverá firmar termo de posse no livro de ata da administração. 1. f ) integralização com bem imóvel: descrição e identificação do imóvel. (artigos 1. 1. 1. 8. 1.052. 1. e) se houver sócio menor.003 e 1. Cessão de quotas. caracterizando uma sociedade de capital. além da permissão para usar o nome empresarial. número de matrícula no Registro de Imóveis e autorização do cônjuge no instrumento contratual com a referência pertinente. 997. Indicar o prazo de gestão. da mesma forma. caso não se ajuste esta indicação em ato separado31. art. CC/2002) A responsabilidade dos sócios.061. CC/2002) Optando os sócios por garantir à sociedade característica típica “de pessoas”.028 e 1. II.061. b) O contrato pode estabelecer a designação de administrador NÃO sócio. deve ser mencionada no contrato social para um melhor esclarecimento e conhecimento de todos os sócios que da sociedade façam parte e. 997. pois a responsabilidade dos sócios decorre do texto legal. 9. para terceiros que contratarem com a sociedade.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa c) mencionar o total de quota(s) de cada sócio. seguindo a orientação do Código Civil. d) estrangeiro. para representar a sociedade. art. d) declarar a forma e o prazo de integralização do capital. no prazo de até 30 dias da data de sua designação. designado em ato separado. se o capital não estiver integralizado e de no mínimo dois terços. dados relativos a sua titulação. Muitas vezes. o capital deverá estar totalmente integralizado. De outra forma.062. FGV DIREITO RIO 26 .031. Falecimento/interdição de sócio. CC/2002) c) sócio menor – somente se emancipado. os herdeiros desconhecem ou não estão interessados e assumem o negócio gerando confusão e prejuízo. se a intenção dos sócios for constituir uma sociedade onde a pessoa do sócio não tem relevância para sua formação. não admitindo a transferência das quotas àquele estranho à sociedade (exceto se houver unanimidade dos sócios autorizando-a no instrumento de cessão). sob pena da nomeação perder a validade (art. Responsabilidade dos sócios: (art. apesar de redundante. Prazo de duração da sociedade: (art. 7. o ingresso de herdeiros poderá acontecer se não houver cláusula contratual que impeça. salvo se o regime de bens for o de separação absoluta. Administração: (art. 1. 11. se determinado. 10. (artigos 1.062).056. e. se totalmente integralizado.

ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa 12. 1.053. g) exclusão de sócios por justa causa40. 1.) e) o nome empresarial. CC/2002) e a referência ao julgamento das contas no primeiro quadrimestre seguinte ao término do exercício social pelos sócios (art. CC/2002). do Dec. 15.072. 1o. art. CC/2002).031. 13. ao abranger as cláusulas que determinam as matérias contratadas pelos sócios livremente e que irão adequar a sociedade de acordo com suas particularidades.061. Eis alguns exemplos de cláusulas facultativas: a) conseqüências em caso de retirada ou exclusão de sócio34. § 1º. com a reprodução de seus nomes. art. d) autorização para que a pessoa não sócia exerça a função de administrador37. 1. CC/2002) e à colocação destes documentos à disposição dos sócios não administradores. e foro. Data de encerramento do exercício social: indicar a data do término de cada exercício. 1. (art.085. e32. 14. Orientação do item 1. Inserir cláusulas facultativas desejadas. (art.066. do balanço patrimonial e do balanço do resultado econômico (art. 53. bem como os endereços completos das filiais declaradas. 1. pelo fato de não serem obrigatórias. o ato será assinado. 1013.. Assinatura dos sócios ou dos seus procuradores no fecho do contrato social. não podem ser arquivados: (.. (art. Foro: indicar o domicílio onde se exercitem e cumpram os direitos e obrigações deles resultantes. É da essência do ato de constituição de sociedade empresária a participação nos lucros e nas perdas por cada um dos sócios. (. para a elaboração do inventário. FGV DIREITO RIO 27 .011. CC/2002). IV e 170 da constituição Federal de 1988. 853. até trinta dias antes da reunião ou da assembléia de sócios. art.) III – os atos constitutivos e os de transformação de sociedades mercantis.078. Vll. além de outros exigidos em lei: (.. desde que submetam-se aos princípios gerais de Direito. 1. Como cláusulas facultativas. conjuntamente. 1. 53. em destaque o Direito dos Contratos. c) previsão de regência supletiva da sociedade pelas normas da sociedade anônima36. no entanto.800/96) OU cláusula compromissória elegendo a Arbitragem para dirimir litígios relativos a direitos patrimoniais disponíveis (art. se deles não constarem os seguintes requisitos. 34 35 36 37 38 39 40 41 art. III. 1. o ato será assinado pelo representante do sócio. art. Na dúvida quanto à veracidade da assinatura aposta. Local e data (dia. 32 art. pelo sócio e seu assistente. – sócio maior de 16 e menor de 18 anos. elas são a verdadeira expressão da vontade dos sócios. art. parágrafo único.27 do manual de atos de Registro de sociedade Limitada. 18. Cláusula de inexistência de impedimento para o(s) administrador(es) se não apresentada esta declaração em separado..065. mês e ano). com endereço completo.784/99).. Obs: sócio menor de 16 anos. b) regras acerca da administração da sociedade35. DEVERÁ a Junta Comercial EXIGIR o RECONHECIMENTO DE FIRMA (Lei no 9. a não inclusão destas em nada impede o arquivamento do contrato social no registro competente.307/96 e art.078. (art. 1. 1. 17..) 33 artigos 1º. 16. aprovado pela In 98/2003 (DnRc). 997. CC/2002). art. notadamente às normas do Direito das Obrigações. 1.2. Lei 9. Os exemplos acima não esgotam o ajuste de outras cláusulas que podem ser adicionadas ao contrato social. e) instituição de conselho fiscal38. f ) regras referentes às reuniões de sócios39. Não é necessário o reconhecimento das firmas dos sócios41. o município da sede. Participação dos sócios nos lucros e perdas: indicação da participação proporcional dos sócios nos lucros se outro ajuste não for estipulado. sendo vedada a atribuição da totalidade a apenas um deles. seguindo à risca o princípio constitucional da livre iniciativa33.

são atividades privativas de advocacia: (.2. professores uERj. 187 (abuso do direito).087) que tratam da sociedade do tipo Limitada. por órgãos federais e estaduais. 9º. 9º. da Lei nº 8. ou o art. regência supletiva pelas normas das sociedades por ações Os 35 artigos (1. quando prevê a possibilidade da regência supletiva pela Lei 6. eventual omissão própria do capítulo das Limitadas. pois. de forma legível.404/76.... Diante desta opção. Visto de advogado: visto/assinatura de advogado. 1º da Lei nº 8. e até mesmo aconselhável. segurança e eficácia aos atos jurídicos das empresas mercantis.404/76 e não pelas regras das sociedades simples. 1º.906. É possível. art.404/76) à sociedade limitada em caso de omissão. quando visados por advogados. com as seguintes finalidades: I – dar garantia.010. sob pena de nulidade. ao asseverar que o método é “supletivo”. ela não é empresarial e a responsabilidade dos sócios é ilimitada.) § 2º não se aplica às microempresas e às empresas de pequeno porte o disposto no § 2º do art. emendas ou entrelinhas sem expressa ressalva dos sócios. os sócios poderão adequar o contrato social e. § 2º42. se o voto não tiver prevalecido.404/76.404/76. art. O parágrafo único do art. 1053.934/9447). 1º. 47 Orientação do item 1.1 do manual de atos de Registro de sociedade Limitada. órgão expedidor e UF48. Assinatura das testemunhas: Não são obrigatórias as assinaturas das testemunhas. do art.1º. a subsidiariedade. Observação: o documento não pode conter rasuras. nos órgãos competentes.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa 19.) 43 44 Estatuto da advocacia. 1. 20. o sócio que participar de deliberação na qual tenha interesse em contrário ao da sociedade.. A possibilidade é clara na redação do p.) § 2º Os atos e contratos constitutivos de pessoas jurídicas. se o voto proferido foi decisivo para a aprovação da deliberação. A justificativa para este posicionamento encontra-se nos pontos de afinidade entre a sociedade limitada e a sociedade anônima. poderão ser lançadas com indicação do nome do signatário. quando o “assunto” não estiver previsto nos artigos que integram o capítulo das Limitadas e o contrato social for omisso. aplicar-se-á o disposto no art. autenticidade. aplica-se o disposto no art.(. 115.) Lei de Registro público de Empresas mercantis e atividades afins. será exercido em todo o território nacional. aprovado pela In 98/2003 (DnRc). ainda. será suprida pela Lei 6. subordinado às normas gerais prescritas nesta lei. permite uma saída para os sócios afastarem a aplicação supletiva das normas da sociedade simples. embora a sociedade simples tenha natureza contratual. com a indicação do nome e do número de inscrição na OAB/Seccional (o visto é dispensado para o contrato social de microempresa e de empresa de pequeno porte). 45 46 nova Lei do simples. Lei 8. que o contrato preveja a aplicação supletiva de algumas regras próprias das sociedades simples e outras das sociedades anônimas. submetidos a registro na forma desta lei. (. afastando. § 3º da Lei 6. 1º O Registro público de Empresas mercantis e atividades afins. Seu ato constitutivo é arquivado no Registro Civil de Pessoas Jurídicas enquanto que a Limitada tem o ato constitutivo registrado na Junta Comercial. parágrafo 2º44. 48 autores: alexandre Ferreira de assumpção alves e maurício moreira mendonça de menezes. A propósito do tema. Nos demais casos. (art. Rubricar as demais folhas não assinadas. publicidade.. em seus dispositivos abrangem vários temas. assim. algumas críticas são feitas. para resolvê-lo aplicarse-ão as normas da sociedade simples previstas no Código Civil ou da Lei 6. No caso da regência supletiva pelas normas da sociedade simples. 1. Assim. só podem ser admitidos a registro. que. inciso I46. 997 a 1038) e da Lei da Sociedade por Ações (Lei n° 6.(. § 3º. da Lei Complementar 123/200645). e do número de identidade.052 a 1. por extenso. 42 art. A Assembléia de Sócios e o Conselho Fiscal são exemplos de institutos e estruturas que aparecem igualmente nas Limitadas e nas Anônimas.. 21. entretanto. de 4 de julho de 1994.ú.27. de forma sistêmica.. A aplicação de um ou outro diploma legal dependerá da vontade dos sócios que será reduzida a termo no contrato social.906/9443 e art.053 do CC. (art. alguns enunciados aprovados na III Jornada de Direito Civil estabelecem que: Enunciado 21749: Com a regência supletiva da sociedade limitada pela lei das sociedades por ações. 49 FGV DIREITO RIO 28 .. entre eles a aplicação das normas da sociedade simples (arts.

juiz Federal sj/Rj. professor Titular da uFpR. O contrato social pode adotar. RESGUARDADA A MEAÇÃO DA EX-MULHER POR MEDIDA ACAUTELATÓRIA DE SEPARAÇÃO DE CORPOS E ARROLAMENTO DE BENS. HAVIDOS EM FRAUDE À MEAÇÃO. tanto as regras das sociedades simples quanto as das sociedades anônimas. Um grupo de 10 pessoas da mesma família decide constituir uma sociedade com as seguintes características. INVENTÁRIO DE BENS POR SEPARAÇÃO JUDICIAL. REGIME DE COMUNHÃO UNIVERSAL DE BENS. HOMOLOGAÇÃO DO ESBOÇO DE PARTILHA. José Geraldo Antonio. DIREITO COMERCIAL – DISSOLUÇÃO DE SOCIEDADE POR QUOTAS DE RESPONSABILIDADE LIMITADA – QUEBRA DA AFFECTIO SOCIETATIS – RECURSO DO EX-CÔNJUGE COMO TERCEIRA INTERESSADA – ILEGITIMIDADE. Des. por não ser ela sócia. como uma forma de evitar conflitos familiares. HOMOLOGAÇÃO DO ESBOÇO DE PARTILHA. Caso gerador. 1. não se aplica a sociedade limitada na hipótese de regência supletiva pelas regras das sociedades simples. QUE APESAR DE CERCADA POR CONTROVÉRSIA JURÍDICA.001.º 2004. na ausência das normas sobre sociedades limitadas.404/76 ou do disposto sobre a sociedade simples. 2.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa Enunciado 22250: O artigo 997. indique o tipo societário. V. Demonstrada a quebra da affectio societatis.053 não significa a aplicação em bloco da Lei 6. ainda que as quotas da sociedade sejam objeto da partilha judicial. DIVERGÊNCIA.2004). TJ/RJ. ALIENAÇÃO FRAUDULENTA DE AÇÕES ORDINÁRIAS NOMINATIVAS DA EMPRESA APÓS SEPARAÇÃO DE FATO. AÇÃO DE PARTILHA JUDICIAL POR DISSOLUÇÃO DA SOCIEDADE CONJUGAL. PROCESSO CIVIL. COMPETÊNCIA DO JUÍZO DE FAMÍLIA PARA APRECIAR A QUESTÃO. – obrigatoriedade de distribuição do lucro aos sócios. – ter os mecanismos de funcionamento dos conselhos fiscal e de administração. 23. 10ª Câmara Cível. INDEPENDE DE DILAÇÃO PROBATÓRIA.03051. Enunciado 22351: O parágrafo único do art. (grifo nosso) (Apelação Cível n. autor: alcir Luiz coelho. entre outras: – restrição à cessão de quotas. Diante do caso: 1. 51 FGV DIREITO RIO 29 . impõe-se a dissolução da sociedade com a designação do liquidante. jul.03. A ex-mulher não tem legitimidade para ingressar na ação de dissolução de sociedade da qual era sócio o seu ex-marido. Improvimento dos recursos. 50 autor: alfredo de assis Gonçalves neto. DECLARAÇÃO DE INEFICÁCIA DOS NEGÓCIOS JURÍDICOS SUBJACENTES À SEPARAÇÃO DO CASAL. existe alguma cláusula especial que deva ser inserida no contrato social? JurisprudênCia.

admitindo a discussão de prova documental a respeito de fatos incontroversos.várias as formas através das quais se pode prejudicar o cônjuge ou a companheira com atos praticados sob o manto pseudo-protetivo da empresa”. (grifo nosso) (APC-5246299/DF. IV – por serem “. mas tão somente aquelas derivadas nas ações de execução estrito sensu. assevera a especialista. no caso de liquidação das quotas do sócio falecido. a questão dos herdeiros nas sociedades limitadas foi esquecida. diz a advogada. p. suas quotas serão liquidadas e os respectivos valores pagos aos herdeiros. 600 do código de processo civil. diz. Para Fabiana “o contrato social deve ter cláusula expressa prevendo o ingresso dos herdeiros na sociedade”. mas sim a “devedor”. texto i: Lei não prevê permanência de herdeiros nas Limitadas52 Cláusula no contrato da sociedade tem que contemplar sucessores. e comportando incidente processual quanto aos efeitos jurídicos dos negócios entabulados pelo cônjuge varão à revelia da cônjuge virago. que muitas vezes possuem um patrimônio Fonte: GazETa mERcanTIL de 12/04/04. o valor deve ser calculado tomando por base a situação patrimonial da sociedade e pago em dinheiro no prazo de 90 dias”. Outro ponto importante ressaltado por Fabiana diz respeito ao critério de apuração do valor a ser pago aos herdeiros. Muito tem se falado a respeito das alterações nos contratos sociais que o novo Código Civil (NCC) determinou.. não podendo ser interpretado ampliativamente para alcançar a execução de toda ordem emanada do poder judiciário. o julgador deve ser preocupar em trilhar “caminhos para se chegar a decisões que fujam ao ‘faz de conta’. 52 FGV DIREITO RIO 30 . de ordem pública. UNÂNIME. REJEITADAS AS PRELIMINARES À UNANIMIDADE”. Segundo ela. mas solução de natureza doutrinária e jurisprudencial. em face da preclusão pro judicato.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa I – a ação de inventário por separação judicial é o leito próprio para apreciação de questões jurídicas surgidas após a separação de fato do casal. É o que afirma a ad-vogada Fabiana Seccomandi Anitablian do escritório Braga&Marafon Consultores e Advogados. ou qualquer outra alternativa que melhor reflita e atenda aos interesses da sociedade e seus sócios”. a18. “A questão surge se o sócio pretende que. por ato atentatório à dignidade da justiça. que não é matéria fática de alta indagação. Entretanto. III – a sanção prevista no art. para deixar a decisão sobre sua ad-missão a critério dos sócios remanescentes. Relatora: DES.. seja para dispor sobre o ingresso automático dos mesmos. a exemplo da ação de inventário por separação judicial combinada com partilha. por: Gláucia de abreu andrade/são paulo. Segundo ela a “regra legal não é conveniente para a grande maioria das empresas. podendo ser suscitada e discutida a qualquer tempo e grau de jurisdição. apesar de não mais se referir a “executado”. em geral. 2ª Turma Cível do Tribunal de Justiça do Distrito Federal. após sua morte. desde que não seja renovada perante o mesmo grau de jurisdição.028 do novo diploma legal estabelece que se o contrato nada dispuser sobre a sucessão do sócio falecido. “O contrato social deve ser cuidadosamente redigido no que diz respeito à situação dos herdeiros na sociedade. “No silêncio do contrato. II – a competência em razão da matéria é pressuposto de validade da relação processual. NANCY ANDRIGHI em 18/10/1999). o artigo 1. tem seu campo de incidência nas ações de execução. Decisão: DAR PARCIAL PROVIMENTO A AMBOS OS RECURSOS. seus herdeiros continuem nos negócios”.

br/2003/ nov/23/1ger. texto ii: família é uma coisa. Por exemplo. salvo disposição contratual em contrário. Na mesma linha de raciocínio do advogado Álvaro Villaça. Fabiana afirma que entre seus clientes a solução quanto ao prazo de pagamento aos herdeiros têm sido resolvida com a adoção de uma cláusula que o estipula como sendo em até 24 meses. o remanescente tem o prazo de seis meses para recompor o quadro societário.” “O levantamento do valor das quotas não pode ser feito pelo valor nominal para que não haja enriquecimento indevido dos só-cios remanescentes”. não pode ela subsistir.uol. Renato diz que não há motivos para forçar os filhos a assumirem os negócios da família. Fabiana diz que em uma sociedade de dois no caso de falecimento de um e não ingressando nenhum herdeiro. nas sociedades de pessoas. a advogada Cristina de Andrade Salvador. Nesse levantamento tem que se verificar a situação atual da empresa. A frase do consultor Renato Bernhoeft resume os motivos de seu trabalho: preparar empresas familiares para seu momento mais traumático: a sucessão. como no caso das ‘grifes’ cujo valor pode ser de milhões. O advogado Álvaro Villaça Azevedo. Fundador da Bernhoeft Consultoria. empresa é outra53: Para consultor. lembra o professor Villaça. verificada em balanço especialmente levantado. diz que “não sendo possível ou não existindo interes-se dos herdeiros ou dos sócios remanescentes. 53 FGV DIREITO RIO 31 . a não ser que o contrato social estipule em contrário”. também do Miguel Neto. a empresa pode não ter bens materiais. mas não têm caixa para saldar a dívida com os herdeiros num prazo tão curto”. finaliza. é necessário que seja feito um balanço especial para auferir o valor real das quotas a que os herdeiros do sócio falecido têm direito. no prazo de noventa dias a partir da liquidação”. professor da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP). à data da resolução. “tem que se considerar o valor imaterial. Ela ainda lembra que o cônjuge também é herdeiro. e este fato deve ser considerado na elaboração do contrato social ou no planeja-mento sucessório. Portobello e Gerdau. Sadia. acrescenta.” Eduardo Calazans.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa elevado. Fonte: portal an (a notícia). no entanto. Segundo ele “o legislador ao dispor sobre a permanência ou não na sociedade quis preservar a vontade de constituir e manter uma sociedade e sem a qual. “É possível estabelecer no contrato o critério por avaliação a mercado feita por peritos em laudos econômicos”. No Brasil. que atua nesse segmento desde 1975 e atende empresas do porte de Votorantim. “Em regra a quota liquidada será paga em dinheiro. Joinville – O melhor negócio do mundo não resiste a uma briga de família ou a uma encrenca entre sócios. afirma que “deve haver vontade mútua tanto dos sócios quanto dos herdeiros. do escritório Miguel Neto Advogados. também ressalta que quando o contrato social não prevê a permanência dos herdeiros.com. segundo o “Balanço Anual” da “Gazeta Mercantil”. para que estes últimos ingressem na sociedade em substituição ao sócio falecido. segundo o novo Código Civil. dos 300 maiores grupos privados nacionais 265 tem controle ou gestão familiar. melhores sócios são aqueles que não dependem diretamente das relações de parentesco. o valor de seus haveres será apurado e liquidado com base na situação patrimonial da sociedade. por: martín Fernandez http://an.” Eduardo Calazans acrescenta que a disposição contratual quanto ao prazo para liquidação é essencial.htm (acesso em 19/01/06).

Essa é a característica de como começam quase todos os negócios no Brasil. é um pai. Bernhoeft – Exatamente. portanto. O empreendedor aqui. Os portugueses notadamente na área de panificação e supermercados. é o imigrante. Porque eles cresceram vendo o pai agindo como dono: fazendo e desfazendo. vão herdar esse empreendimento. às vezes ele age mais com o chapéu de pai que com o chapéu de empresário. AN – Que começaram com negócios pequenos. que não se escolheram como irmãos. que começa um processo sozinho. que cria. Se essa mesma pessoa tem. para atender seus clientes. Depois disso. Quando a gente pensa numa empresa. para ser sócio. mas dividido em três. O perfil do empreendedor brasileiro. O fundador em geral é uma figura empreendedora. logo vai acabar a figura do dono. afirmou. O que é ser sócio? Eu gosto de responder com coisas práticas: o fundador da Bombril – cujos FGV DIREITO RIO 32 . muitas vezes usar essa empresa para acomodar os filhos. ou o filho de imigrante. mandando e desmandando. E o erro muito comum que se comete nas empresas familiares – tanto entre as pequenas quanto nas médias e grandes – é o empreendedor. buscando nisso uma solução para os problemas familiares. do ponto de vista da origem. mas sim uma participação. E o que acontece? Na primeira geração tem essa figura forte. com muito esforço.” Leia a seguir os principais trechos da entrevista: A Notícia – Qual é o maior erro das empresas familiares? Renato Bernhoeft – É tentar utilizar a empresa para resolver questões familiares. Essas figuras são extremamente autoritárias de maneira geral. educado. Mercado significa clientes. começa dessa forma: com um imigrante ou filho de imigrante. Um dos contingentes mais recentes com presença forte são os japoneses – que tiveram um fluxo migratório mais tardio. a empresa é outra.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa “O ideal é que se mostre outros caminhos para os sucessores. cana-de-açücar e também na área de metalurgia. esforçado. porque o empreendedor. fornecedores e concorrentes. digamos. que empreende. Então ele é intuitivo. O segundo maior contingente é português. é um patriarca. Estou falando do Brasil. Porque suas decisões não valem nada depois que morrem.. Porque os melhores sócios são aqueles que não dependem diretamente dos negócios da família”. o fundador. Em terceiro vêm os alemães. São duas coisas diferentes: a família é uma coisa. E eles vão herdar não uma empresa. AN – E quando a sucessão vira um problema? Bernhoeft – Essas pessoas tem muito essa característica de fazer um negócio para a família.. de vez em quando lá um sócio. no sentido de acomodar a família. não se aplica ao resto da família. AN – Quais? Bernhoeft – A primeira é que a maioria deles não foi criado. Vão deixar de ser apenas irmãos para ser sócios. com negócios minúsculos. Porque esses três indivíduos. O modelo do fundador muitas vezes não serve. É aí que começam os problemas. é só para dar dinheiro a advogados. E é curioso porque as colônias se concentram em alguns segmentos. três filhos. E a maioria das empresas familiares. pequenos mesmo. E aí surgem algumas questões a serem discutidas. tem uma característica muito particular que é enxergar oportunidades onde todo mundo vê problemas. Vão receber o mesmo patrimônio. AN – E como se faz essa separação? Bernhoeft – É evidente que é difícil separar. que começou um negócio com muito trabalho. muito determinadas e esta é a forma como começaram. não do Sul. depois judeus. Com negócios pessoais. sobretudo no Sul. árabes e outros. sabe que ela só terá sucesso se for voltada para o mercado. Os italianos no agrobusiness. metal-mecânica. é italiana. antes de ser isso. “E é sempre melhor que as decisões sobre sucessão em empresas familiares sejam tomadas com os fundadores ainda vivos. quando muito ele e a esposa.

Eu dou sempre o exemplo do Waltinho Moreira Salles. e que hoje quando muito conservam algum patrimônio imobiliário. Se isso não acontecer. E assim eles podem cobrar com mais tranqüilidade os resultados daqueles que assumiram os negócios. Então a partir da segunda geração começa a haver uma pulverização da propriedade. FGV DIREITO RIO 33 . AN – Por que isso acontece? Bernhoeft – Por várias razões: os pais tentam proteger os filhos dos problemas que eles próprios tiveram de enfrentar. Que quase sempre é errada: uma coisa é pai distribuindo a mesada para filho e outra são três pessoas metendo a mão na botija. porque não depende tão diretamente. se torne um bom médico e ao mesmo tempo sócio da empresa. É um brilhante cineasta (dirigiu “Central do Brasil”). ele agrega valor ao negócio. Que dizia algo assim: “Filhos. é melhor mostrar outros caminhos. é nessa história de contratar profissionais e tirar a família do comando. acaba. a rentabilidade das empresas não crescem na mesma proporção. Existe uma tendência dos pais de achar que os filhos vão se entender e isso dificilmente acontece. E às vezes é melhor que os filhos façam outra coisa. porque aí vai virar uma guerra. Porque quando sentar na mesa do conselho do banco. melhor acionista ele vai ser. meu irmão não entende nada”. e é herdeiro do Unibanco.. Não é por aí! Uma família empresária tem que olhar o negócio como empreendimento. AN – E como equacionar essas questões? Bernhoeft – Ou as pessoas fazem a empresa crescer na mesma proporção – o que é muito difícil – ou então devem ir diminuindo seu grau de dependência do negócio. Cada nova geração tem que agregar valor àquele patrimônio.. vocês vão ser sócios. milionárias até. “Ah. Os filhos casam. AN – O ideal é tirar a família? Bernhoeft – Uma coisa importante nesse processo. então? Bernhoeft – Os filhos não podem pensar que assumir os negócios da família é a única opção de vida. Não precisamos sair de Santa Catarina ou de Joinville para conhecer exemplos de famílias que eram ricas. AN – A solução passa por educação? Bernhoeft – Essa expressão que você usou é muito adequada: o problema é de educação mesmo. vocês não vão ser donos. busquem seus próprios caminhos. Porque se tem uma coisa que as pessoas não gostam é de dar satisfação. acomodar todo mundo. Porque a cada nova geração aumenta a demanda por liquidez. Só que os lucros. AN – O ideal é que haja esse afastamento. porque ao não depender da empresa. Isso é educar a família para que ela seja uma família empresária. economia. e a idéia de que o patrimônio vai dar para todo mundo. procurem se entender. e coisas do gênero. em que se fala muito sobretudo no mundo acadêmico. Os pais querem que os filhos façam administração. Não como um lugar onde se vai empregar todo mundo. Existem alguns problemas: a disputa pelo poder. Se não ele acaba. É completamente diferente. Quanto mais brilhante cineasta ele for. se afastem dos negócios. Então antes de empurrar os filhos para faculdades de administração e economia. É muito comum os pais falarem: “não quero que eles passem pelo que eu passei”. ele não vai encher o saco do irmão Pedro – que assumiu o banco. Porque na medida em que ele faz outra coisa e é bem sucedido. as preferências dos pais – isso repercute e impacta -. Então é muito culpa dessa conduta familiar. E aí há dificuldades no processo de sucessão. têm seus próprios filhos e querem manter o mesmo padrão de vida. É muito melhor que seu filho faça medicina.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa filhos eram três e também brigaram e perderam a empresa – numa das cartas deixou um recado muito interessante. agrega valor. Ele está bem. E quem tem sócio tem patrão”.

que é uma instituição complexa. Porque se for uma escolha do pai. fazemos uma entrevista com cada membro envolvido. porque há muito sentimento e ressentimento. E quando eu digo pai. essas coisas. AN – É comum o pai dizer que foi abandonado? Bernhoeft – Demais. porque eles interferem sim. por exemplo: critérios de entrada e saída de membros da família na empresa. Questões de ConCurso PROVA OAB/RS . e não o sonho do pai. refiro-me ao pai e à mãe. que é sempre uma figura muito forte. Mas ele. De preferência com a presença de genros e noras. AN – O que faz uma consultoria de empresas familiares? Bernhoeft – No Brasil. a) As Juntas Comerciais estão.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa AN – E o que é ser uma família empresária no Brasil!? Bernhoeft – Em primeiro lugar o Brasil é um país de uma população miserável. E a terceira coisa é a empresa. fornecedores. “Ah. vai durar até o dia em que ele morrer. Ele não fez. Na Alemanha está acontecendo muito isso. E depois o trabalho de criar conselhos. Depois. Os filhos não só não querem assumir os negócios da família como não querem nem herdá-los. subordinadas ao governo da unidade federativa de sua jurisdição. baseada em três pontos: a família. E tem que ter consciência disso e de algumas coisas: de que o dinheiro acaba. Outra questão é estabelecer entre os herdeiros um sucessor. Outro ponto é que os herdeiros tenham um acordo societário: um conjunto de regras que estabeleçam direitos e deveres. Então o primeiro passo é uma reunião geral.EXAME DE ORDEM . Isso faz parte do processo de formação de uma família empresária. do fundador.934/1994). assinale a assertiva correta. Então tentamos reunir todo mundo para uma sensiblização. Nosso trabalho é com essas empresas. E que essa escolha seja feita entre eles. com a comunidade. concorrentes etc. ele fez para si. dizem uns. de que o dinheiro não lhe dá o direito de fazer e desfazer. mas as funções por elas exercidas são de natureza federal. segundo o “Balanço Anual” da “Gazeta Mercantil”. O segundo componente é o de você vai criar uma sociedade com alguém que você não escolheu para ser seu sócio. Quem nasce numa família empresária já é um privilegiado. Mentira. que é o que está em jogo. Simples assim. de que tem que ter o compromisso de responsabilidade social com o País. dos 300 maiores grupos privados nacionais 265 tem controle ou gestão familiar. seu mercado. A primeira fase consiste numa reunião geral com a família. de criar condições para que as empresas sigam sendo bem administradas. é um instrumento que ajuda muito. como pai. clientes. tem que tomar cuidado para não se confundir com o empresário.DEZEMBRO/2006 22ª Questão: Sobre a Lei do Registro de Empresas Mercantis e Atividades Afins (Lei no 8. Mas não com separação de idéias. o que é um grande mérito. Outra coisa importante é descobrir qual é o seu sonho. oras. que tem uma das piores distribuições de renda no mundo. vende-se o negócio. AN – E o risco de ficar sem herdeiro? Bernhoeft – Vende-se o negócio. mas meus filhos casaram em regime de separação de bens”. administrativamente. FGV DIREITO RIO 34 . E quando não há sucessor. E só. Fundadores costumam dizer que fizeram a empresa para os filhos.

(A) A certidão dos atos de constituição e de alteração de sociedade empresária. 129º EXAME DE ORDEM/SP – PROVA 1ª FASE – TIPO 1 – DIREITO COMERCIAL. do bem imóvel que o subscritor tiver contribuído para a formação ou aumento do capital social. sob pena do cancelamento de seu registro e a conseqüente perda da proteção ao nome empresarial. salvo se os sócios. 47. documento ou instrumento apresentado a arquivamento perante a Junta Comercial será objeto de exame em que se aferirá a veracidade das informações prestadas pelo empresário. (D) Não pode ser arquivada a alteração do contrato social depois de findo o prazo nele fixado. sem oposição de qualquer deles.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa b) A consulta aos assentamentos existentes nas Juntas Comerciais bem como a obtenção das respectivas certidões serão possíveis apenas diante de prova do interesse do requerente. tais atos podem ser realizados tanto pelo Departamento Nacional de Registro do Comércio quanto pelas Juntas Comerciais. Assinale a afirmativa falsa. d) Todo ato. c) Os atos praticados pelos órgãos de Registro de Empresas são matrícula. passada pela Junta Comercial. (B) A sociedade empresária que não proceder a qualquer arquivamento no período de 5 anos consecutivos deverá comunicar à Junta Comercial que deseja manter-se em funcionamento. será o documento hábil para a transferência. arquivamento e autenticação. FGV DIREITO RIO 35 . exceto quando se tratar de procuração. deliberarem prorrogá-lo por prazo indeterminado. por transcrição no Cartório de Registro de Imóveis. (C) Os atos levados a arquivamento nas Juntas Comerciais são dispensados de reconhecimento de firma.

Para Kapaz. – TEXTO III – Informalidade. A coordenadora do Centro de Apoio Operacional às Promotorias de Combate à Sonegação Fiscal. da lentidão do Judiciário e da impunidade”. é ínfimo: 0.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa AUlA 05: INfORMAlIDADE NO SEtOR EMPRESARIAl ementário de temas: – A informalidade em vários setores da economia. Emerson Kapaz. Kapaz acrescentou que tal prática “impede o crescimento sustentado da economia e contamina o setor formal. durante o Fórum de Debates Promotor de Justiça Roberto Lyra. as causas da concorrência desleal são quatro: a carga tributária elevada. ressaltou que a informalidade é um dos principais afrontes à concorrência leal e prejudica os pequenos comerciantes. o secretário da Fazenda de Pernambuco. Patrícia Tavares alertou. FGV DIREITO RIO 36 . sobre a importância da revisão do posicionamento do Supremo Tribunal Federal em relação às ações impetradas pelo MPPE. dificultando a ação dos Promotores”. O ETCO visa colaborar com o combate à concorrência desleal. – TEXTO IV – Economia “Invisível”. em que o instituto fornece informações técnicas e bancos de dados. Francisco Sales de Albuquerque. roteiro de auLa: sexta-feira. declara presidente da ETCO em Fórum de Debates do Ministério Público de Pernambuco O Estado brasileiro deixa de arrecadar cerca R$ 6 bilhões devido à sonegação fiscal no setor de combustíveis. fumo e refrigerantes. só esses referidos setores representam 30% de toda a arrecadação de ICMS no país. – Notícias relacionadas. 27 de agosto Emerson Kapaz defende ética na concorrência empresarial “A concorrência desleal é decorrente da elevada carga tributária. Participaram do evento o Procurador-Geral de Justiça. “O STF alega que o Ministério Público só pode ingressar com uma ação penal contra os sonegadores. incapacitando o incremento do PIB per capita”. cerveja. quando não couber mais recurso. que. a lentidão do Judiciário e a impunidade. Mozart Siqueira. a burocracia dos procedimentos. hoje (27). através de parcerias e forças-tarefa com os governos. – Lei Complementar 123/2006. Patrícia Tavares. Foi o que declarou o presidente do Instituto Brasileiro de Ética Concorrencial (Etco). ou seja. afirmou. no Brasil. ainda. De acordo com o presidente do Etco. da burocracia dos procedimentos.5% ao ano. presente ao debate. Promotores e Procuradores de Justiça. – TEXTO I – A dura vida do empreendedor. além de auditores da SEFAZ. após o trânsito em julgado do processo administrativo. – TEXTO II – Fantasma assusta até empresas que já fecharam as portas.

segundo Kapaz. o pesquisador Marcelo Néri. (http://www. corremos o risco da criação de um Estado paralelo. da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) e de pesquisas do setor informal. o presidente do Instituto ETCO considerou “fundamental ao setor empresarial” a capacidade de investigação por parte do Ministério Público.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa Devido à atuação da Promotoria de Combate à Sonegação Fiscal. para 62. dado observado no primeiro semestre deste ano.pe. Em 1997.43%.62% em 97. de 2 de janeiro de 2001. os encargos sociais crescentes sem a contrapartida dos serviços levam à informalidade.39%. do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre). para Kapaz. todas as bases de formalidade caíram à metade entre 1997 e 2003. – DETRAN (falta de pagamento de multas e IPVA). – Os números de formalidade das micro e pequenas empresas são alarmantes. Outra causa da concorrência desleal. preencheram a declaração de Imposto de Renda em 2003. Apenas 8. em 2004. conforme texto a seguir: Ao analisar o número de contribuintes da Previdência Social no estado. contra 27. A reportagem começa informando ao leitor sobre os R$ 4. abrangendo vários setores da economia. Sem essa mudança.4%. em 99.72% das empresas tinham CNPJ em 2003. em estudo apresentado na reportagem do O Globo. contra 14.98%. para ele. Por fim. e 60. 16. em parceria com a Secretaria da Fazenda de Pernambuco e a Polícia Militar. a questão da informalidade foi apresentada de forma ampla. a arrecadação no setor de álcool aumentou em um mês 170%. ela era de 63. devem englobar mudanças na legislação trabalhista e redução da carga tributária. Só7.92%. o número de empresas (RECTIUS: sociedades empresárias) sem registro oficial aumentou. Kapaz defendeu mudanças estruturais para trazer de volta ao mercado formal as empresas que atuam na informalidade. 55 FGV DIREITO RIO 37 .4 bilhões que o Estado do Rio de Janeiro deixa de arrecadar a cada ano com a prática da informalidade em setores como: – FISCO (pirataria/sonegação de ICMS). ou seja. 16. movimento posto ao do resto do país. O inteiro teor da reportagem pode ser acessado no site: http://oglobo. Dessa forma.28% tinham o CGC55. pg. Kapaz também defendeu uma “mudança de cultura a favor da ética”.com/jornal/rio/284415620. mantido pela corrupção e pelo crime organizado. Essas reformas estruturais. Na Região Metropolitana do Rio. E na cidade do Rio. enfatizou. No estado. ligado à Fundação Getúlio Vargas (FGV). em 93. Apenas 14. a formalidade caiu de 64. Segundo o pesquisador Marcelo Néri.63%.htm) Em matéria veiculada no jornal O Globo54.globo. 54 “O rombo da informalidade” – O Globo em 25/06/2006. “A carga [que incide sobre o setor produtivo] é injusta e cobrada de forma errada”. é a tributação sobre o setor produtivo. – CEDAE (furto de água). – Serviços como de operadoras de TV a cabo (ligações clandestinas). segundo dados atualizados do Censo.mp. questionada por setores do governo e do Judiciário. Néri usou como critério a contribuição previdenciária a fim de poder cruzar dados do Censo.2% tinham registro de pequena empresa em 2003. – “Informalidade fundiária” (inadimplência no pagamento do IPTU ou pela situação irregular do imóvel).asp O cnpj substituiu o cGc-mF (cadastro Geral de contribuintes do ministério da Fazenda) através da Instrução normativa sRF nº 2. em 2004. – Concessionária de energia elétrica (“gatos” = instalações ilegais).46% em 97. mas reconheceu que essa mudança é um trabalho de longo prazo.br/arquivo/imprensa/noticias/2004_agosto/27_emerson.gov. concluiu que a formalidade no mercado de trabalho fluminense caiu entre 1997 e 2003. de 69.

a taxa cai para 9. De acordo com o pesquisador. Dados atualizados do Censo mostram que nelas ele chega a 19. FGV DIREITO RIO 38 . título de propriedade não é a regra. não tem escritura. passa a seu uma saída – conclui. Com carteira assinada. há uma “série de precariedades na vida trabalhista das favelas: desemprego alto. ela pode conseguir abrir crediário. Mas as pessoas buscam ter relação com o estado em outros setores da vida. diz Néri.1%. não consegue provar endereço. existe uma quase total informalidade fundiária. Ao contrário do que se pensa. Grande nas favelas. jornada puxada”: Mas o mais forte é a falta de presença do Estado. Nos bairros de alta renda. mesmo. A proliferação delas cria mais informalidade. Até porque a pessoa que mora na favela tem “gato” de luz.1%. Tenta-se cobrar impostos. em todos os setores. não é a favela que tem a maior informalidade previdenciária: – É simples: na favela. é o desemprego. mas sem oferecer os serviços em contrapartida. salário baixo.” Jornal O Globo – infográficos. Uma das formas encontradas para driblar o pagamento dos impostos e encargos trabalhistas é se associar a uma cooperativa. Ela reflete o jeitinho brasileiro. A informalidade.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa A informalidade está associada a encargos fiscais crescentes sem que haja benefícios sociais em contrapartida.

sem receber entregas. Como é que ela não se põe à margem? Consumindo piratas. sem punição. Sylvia Vergara tem outras ponderações sobre as causas da informalidade. a seguir: “A necessidade de estudar detalhadamente a extensão da informalidade no país levou o Instituto Brasileiro de Ética Concorrencial (Etco) a contratar a Fundação Getúlio Vargas para elaborar um estudo permanente. que tinha uma banca de 15 dos melhores advogados e quase conseguiu hábeascorpus no Supremo para se livrar da cadeia. — É importante não se esquecer das pressões de uma sociedade consumista. — Que se expandam os programas de eletricidade. inclusive de grife. burocracia e impunidade. É uma espécie de busca tortuosa por cidadania — diz.17 FGV DIREITO RIO 39 . — A informalidade tem implicações mais profundas do que parece. há consumidores. Se lhe derem essa opção. As empresas. a maioria vai preferir ter acesso a isso e aos direitos. mesmo ganhando até um pouco menos. É cada vez mais a regra. que começa a ser publicado periodicamente ainda este ano. condenar o uso de produtos piratas: — As pessoas não têm acesso a emprego com carteira assinada. com propinas. Além disso. água.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa Ainda na matéria sobre a informalidade. há direito a assistência técnica. E faz gato da TV a cabo. O estudo ficará a cargo do pesquisador Aloísio Campello. pg. Justiça lenta. para quem tem renda para consumir. presidente do Instituto Etco. Serão cruzados dados desde 1995 para uma avaliação trimestral da evolução da informalidade. poderiam fazer linhas populares que tivessem a sua marca. sem pagar impostos — diz o professor. que apela o tempo todo para a compra de bens. do Ibre. É preciso que o mercado se aproxime da renda das pessoas para conter a informalidade. professor da Uerj. mortes por disputas entre quadrilhas de contrabandistas e financiamento de campanhas de políticos que contribuem para a manutenção do status quo — diz Emerson Capaz. 56 O Globo de 26/06/2006. com surpreendente destaque para os de classe média e alta. sofrendo discriminação. Para ela. endereço. o jornal O Globo traz o artigo “Estudo sobre a economia subterrânea”56. Tem que atacar a logística e ter em mente que a pirataria e o contrabando têm quatro pilares: alta carga tributária. Recorrer à informalidade é o dia-a-dia de 20% a 25% da população. por que eu não posso?” Não se pode nem falar mais em marginalidade para esse tipo de comportamento. Uma pessoa de renda baixa tem lá seu celular. corrupção. — Um exemplo da força do Estado pirata é o (megacontrabandista) Lao Kim Chong. Isso é artigo em extinção. O sociólogo defende a proliferação de programas que estimulem a adesão de consumidores de baixa renda. Para o sociólogo Inácio Cano. ‘É uma espécie de busca tortuosa por cidadania’ Professora da Escola Brasileira de Administração Pública da FGV. os exemplos que vêm dos governantes não ajudam a interromper o ciclo: — As pessoas pensam: “Ah. ávidos por comprar e imersos numa frouxidão de valores. Emerson reconhece que prender camelô é ineficiente: — É enxugar gelo. seu DVD. sua TV. que moram em favelas. para facilitar o acesso do consumidor de baixa renda. Trata-se de uma cadeia que sustenta um verdadeiro Estado pirata. Em troca de pagar. TV a cabo para os pobres. se eles podem roubar. Ninguém quer ficar à margem. sem contrato. é fácil. sobre a economia subterrânea.

são aquelas que faturam até R$ 240 mil por ano.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa Entidade apóia lançamento de linha popular por grifes Nesse ponto. A expectativa do governo é que a lei permita a criação ou formalização de 1 milhão de empresas e. o novo regime engloba o Icms (estados) e o Iss (municípios). como a exigência de certidões negativas. 123/06).400. Há um rol de vedações.57 Com o objetivo de simplificar e diminuir a burocracia. dentre essas vedações. csL e contribuição previdencial patronal). O novo regime tributário entra em vigor a partir do dia 1º de julho e as empresas têm até o dia 31 para optar pelo regime. O PL 6. pL 6529/2006. além dos seis tributos e contribuições federais (IRpj. O super simples (Lei complementar nº. está tramitando o PL 6. serão automaticamente enquadradas no super simples. c) pessoas jurídicas cujo sócio ou titular seja administrador ou equiparado de outra pessoa jurídica com fins lucrativos. principais pontos da Lei.841/99 (atual Estatuto da Micro e Pequena Empresa). O restante da lei passou a vigorar a partir do dia 1º de janeiro de 2008 com exceção de itens que ainda dependem de regulamentação posterior. além de estabelecer um amplo programa de agilização e simplificação de procedimentos e a integração das ações dos órgãos e entidades públicas. passarão a vigorar em 1º de julho de 200758. porém. cofins. e n. para o administrador honesto que discute as dívidas da sociedade na justiça. Até para o fechamento (vide Texto II). que estabelece normas gerais relativas ao tratamento diferenciado e favorecido a ser dispensado às microempresas e empresas de pequeno porte no âmbito da União. Lei geraL das miCro e peQuenas empresas – LC 123/2006. dos Estados. já as que se encontram enquadradas no simples e que não se manifestarem até o fim do mês. prevê a unificação e simplificação de impostos federais.º 9. e pequenas empresas que ganham de R$ 240 mil a R$ 2.529/2006 pretende combater a demora no processo de abertura e fechamento de sociedades empresárias. que substitui o simples. Uma das novidades do PL é a dispensa das certidões negativas para o fechamento de empresas.º 9. que já eram incluídos no simples. e as pequenas empresas.4 milhões. para a realização dos registros da atividade empresária de que trata em seu contexto. reduzindo praticamente à metade os prazos para tramitação de processos nas juntas comerciais. 57 58 a postergação da parte tributária ocorreu porque Estados e a Receita Federal alegaram que não haveria tempo hábil para desenvolver o sistema de arrecadação. tanto para fins do Estatuto. fica impossibilitado de fechar a sociedade diante de tal exigência (aspecto negativo). Estabelece diretrizes para a simplificação e integração do processo de registro e legalização de empresários e de pessoas jurídicas. revogando as Leis n.317/96 (que trata do Simples Federal). a geração de 2 milhões a 3 milhões de empregos formais.529/2006. Em 14 de dezembro de 2006. pois de um lado dificulta a fraude (aspecto positivo). podemos citar: a) pessoas jurídicas constituídas como cooperativas (exceto as de consumo). do Distrito Federal e dos Municípios. A unificação e simplificação tributária. e dá outras providências.4 milhões por ano. Só precisa de meios para isso”. do Fórum Contra a Pirataria. Esta exigência sempre gerou muita polêmica. foi sancionada a Nova Lei do Simples. A burocracia e a falta de união das juntas comerciais. b) sociedades cujo capital participe outra pessoa jurídica. — No fundo. todo mundo quer ter o produto original. proJeto de Lei 6. FGV DIREITO RIO 40 .000. até R$ 2. a burocracia traz complicações que provocam demora e muita dor de cabeça para os ex-sócios. quanto para fins do tratamento tributário. Microempresas. com isso.529/2006 que cria a REDESIM — Rede Nacional para a Simplificação do Registro e da Legalização de Empresas e Negócios. cria a Rede nacional para a simplificação do Registro e da Legalização de Empresas e negócios – REDEsIm. sempre foram (e continuam sendo) os maiores obstáculos para a abertura de novos negócios. estaduais e municipais. IpI. pIs. Cano encontra apoio até em representantes da indústria pirateada. — Toda a conscientização e toda a fiscalização não serão eficazes se a indústria não se comprometer a criar linhas de produtos mais populares — alerta Alexandre Cruz. para microempresas que faturam até R$ 240 mil por ano.00. para a abertura e o fechamento de sociedades empresárias. desde que a receita bruta global ultrapasse o limite R$ 2.

da COFINS. poderá ter conta bancária e outros benefícios como acesso a linhas de financiamento especiais com juros reduzidos e participação nas licitações públicas. considera-se MEI o empresário individual a que se refere o art. (. a previsão é que a lei beneficie cerca de 11 milhões de empreendedores. que vai vigorar a partir e 1º de julho também de 2009. academias de ginástica e de dança e empresas que atuem na área de produção cultural e cinematográfica. do PIS. pequena. do IPI. que tenha auferido receita bruta. permite a entrada de novos setores econômicos no simples nacional e cria duas novas personalidades jurídicas. os microempreendedores individuais ficam isentos de praticamente todos os tributos. Alíquotas: No comércio.00. independentemente da receita bruta por ele auferida no mês. é como participar de uma gincana. de 2008). A alíquota atual (2006) é de 20%. Autônomos: Os autônomos farão o recolhimento de apenas 11% para o INSS (Instituto Nacional do Seguro Social). Entre eles estão os operadores autônomos de transportes de passageiros.3 milhões de informais no país. R$ 50. no ano-calendário anterior. a família também tem direito à pensão por morte do segurado e auxílio-reclusão. É importante ressaltar que a Lei Complementar 123/2006 sofreu alterações de acordo com a LC 127/2007 e LC 128/2008.. podem se inscrever como mEI empreendedores como costureiras. o mEI retém 8% do salário pago e complementa com mais 3% para o Inss do trabalhador.406. e não por tempo de contribuição. 18-A. Formalizado como mEI. cuja vigência iniciar-se-á em 01/07/2009: “Art. Os documentos serão entregues em um único órgão que repassará os dados para os outros. no ano-calendário anterior. entra em vigor no dia 1º de janeiro de 2009. escolas de línguas.65. o trabalhador poderá se aposentar apenas por idade (60 anos para mulher e 65 para homens). PIS. IPI. além do ICMS (Estados) e ISS (municípios) a partir de 1º de julho.) § 1o Para os efeitos desta Lei. com a lei. sapateiros e artesãos com receita bruta anual de até R$ 36 mil e que optarem pelo simples nacional. a lei. só o público-alvo do microempreendedor Individual compreende os 10. de 10 de janeiro de 2002 – Código Civil. Compras públicas: As micro e pequenas empresas passam a ter prioridade em compras governamentais de até R$ 80 mil. as alíquotas são 50% maiores que as cobradas no comércio. comparecer em Entre as medidas. da CSLL. Cofins. que hoje equivale a R$ 45. Não estará sujeito à incidência do IRPJ. optante pelo Simples Nacional e que não esteja impedido de optar pela sistemática prevista neste artigo. o empreendedor passa a ter direito à aposentadoria por idade ou por invalidez.4 bilhões ao ano.” Portanto. exceto o mEI. considera-se MEI o empresário individual que tenha auferido receita bruta. a nova lei possibilita resolver problemas reclamados pelo segmento relativos à cobrança de Icms. A parte de fiscalização ambiental. Menos burocracia: A Lei Geral garante maior rapidez na abertura de empresas.. Ele poderá optar pelo recolhimento dos impostos e contribuições abrangidos pelo Simples Nacional em valores fixos mensais (aprox. média ou grande. Ele ainda passa a integrar o cadastro nacional de pessoa jurídica (cnpj).ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa Como principais pontos da lei. seguro por acidente de trabalho e licença-maternidade. o microempreendedor Individual (mEI) e a sociedade de propósito Específico (spE). no Brasil. É preciso ter disposição para cumprir cerca de 17 procedimentos. É um dos grandes obstáculos para que pequenos negócios entrem na economia formal. No entanto.000. as alíquotas variam de 4% a 11% de acordo com o faturamento. destacamos: Tributação: A lei unifica e simplifica a arrecadação de seis impostos e contribuições federais (IRPJ. A renúncia fiscal prevista é de R$ 5. CSL e INSS). mais R$ 1 de Icms (comércio e indústria) ou R$ 5 de Iss (serviços).00). sancionada sem vetos. Abrir uma empresa. conforme parágrafo primeiro do artigo 18-A da LC 123/2006. tendo esta última criado a figurado Microempreendedor individual – MEI. pagam apenas valor fixo mensal de 11% do salário-mínimo de Inss para aposentadoria pessoal. Novos setores: A Lei Geral como foi aprovada no Congresso permite que novos setores entrem no sistema de arrecadação especial.00 (trinta e seis mil reais). (Incluído pela Lei Complementar nº 128. O registro da empresa será único e servirá para todas as esferas de governo. No caso do setor de serviços. Eles também podem ter até um empregado. O tempo mínimo de contribuição são 15 anos.000. de segurança e vigilância sanitária será feita de forma simplificada. cria condições para desburocratizar a abertura e o fechamento de empresas. Há um acréscimo de meio ponto percentual para as indústrias. e do INSS patronal. as empresas de montagem de stand em feiras. 966 da Lei no 10. de até R$ 36. se tiver empregado. seu registro será simplificado e livre de taxas e emolumentos.59 teXto i – a dura vida do empreendedor60 Estudo do mostra que o Brasil lidera a lista dos países que criam maiores dificuldades para abrir uma empresa. de até R$ 36. 59 FGV DIREITO RIO 41 .

E precisa esperar que se cumpra cada etapa para iniciar outra. e de implementar soluções que minimizem o martírio de potenciais empreendedores. http://www.tactus. entre 133 países pesquisados. Revista Desafios do Desenvolvimento – IpEa – setembro/2004. além de esperar uma média de 155 dias para abrir as portas. que é de 49 dias. Indústria e Comércio Exterior (MDIC). O périplo é longo não apenas por envolver várias etapas a serem cumpridas. afirma Carlos Gastaldoni. está incumbido de realizar um diagnóstico dos principais entraves no registro empresarial. O levantamento aponta que o Brasil ocupa o sexto lugar. A questão é importante porque impacta a pauta de crescimento sustentável do Brasil a longo prazo. As dificuldades enfrentadas pelos empreendedores brasileiros não ocupavam a agenda pública desde o final da década de 1980. bastando uma declaração anual. acesso em 19 de janeiro de 2009. sem uma visão geral do processo e sem pensar no cliente. No caso do Brasil o cenário foi a cidade de São Paulo. “A sensação é de que a cada ano fica mais difícil abrir um negócio. “As exigências são repetitivas e falta orientação para o empreendedor”. embora em algumas capitais o problema esteja minimizado. em matéria de demora para a abertura de uma empresa. Para fechar uma empresa brasileira são necessários 10 anos. O primeiro passo foi a realização de um workshop em maio. da empresa de contabilidade Welmaso. br/?cat=8&paged=2. secretário de Desenvolvimento da Produção do MDIC e coordenador do grupo de trabalho. O tempo gasto nos trâmites burocráticos é o triplo da média mundial. mas também devido a inúmeros imprevistos que normalmente acontecem no meio do caminho. 274 dólares em taxas e tributos. É o segundo processo mais lento do mundo. O microempreendedor Individual não precisará apresentar contabilidade ou nota Fiscal. comenta o contador Leo Arksy. onde é possível abrir um empreendimento em seis dias. Um processo em fase final de deferimento pode retornar ao ponto inicial se uma assinatura tiver algum detalhe diferente da que consta na carteira de identidade. ou ainda se houver qualquer pequena rasura ou termo incorreto. Grande parte da demora deve-se ao fato de que os órgãos responsáveis por autorizar o registro não conversam entre si. reunindo membros do governo federal e outros setores envolvidos no processo em instâncias estaduais e municipais. de Brasília. Em Brasília. O registro do mEI será regulamentado pelo comitê Gestor da Rede nacional para a simplificação do Registro e da Legalização de Empresas e negócios (Redesim). e nos Estados Unidos são necessários cinco dias. 60 FGV DIREITO RIO 42 . de acordo com o Banco Mundial. A burocracia é um dos motivos da alta taxa de informalidade dos negócios no país.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa até 15 órgãos do governo. Assim. O estudo do Banco Mundial leva em conta a realidade dos principais centros financeiros de cada país. Segundo ele. com 11. um grupo de trabalho do governo federal. no Maranhão. o potencial empresário tem de fornecer os mesmos dados e documentos a cada um deles. a legislação foi feita com foco em cada um dos órgãos envolvidos. um estudo realizado pelo Banco Mundial esse ano.com. ter tempo e dinheiro de sobra. de Brasília. indica que qualquer mortal interessado em abrir um empreendimento no Brasil tem de desembolsar. No evento foram debatidas experiências internacionais de desburocratização e iniciativas locais bem-sucedidas. às 01:04horas. exceto se vender ou prestar serviço para pessoa jurídica. por clarissa Furtado. Para se ter uma idéia da dimensão do problema da burocracia nesse campo. por exemplo. Burocracia Os contadores são as figuras que mais conhecem o duro dia-a-dia das filas da burocracia. Na Austrália. Também foram esboçadas sugestões de atuação em nível federal. capitaneado pelo Ministério do Desenvolvimento. A situação da capital paulista é emblemática e reflete muito do que acontece ao longo do território. Agora. estados e municípios. em dois dias se abre um negócio. costumamos gastar de 40 a 60 dias para cadastrar uma empresa e outros 3 a 4 meses para que ela possa funcionar”. por baixo. por exemplo. Perde apenas para a Índia.3 anos. também criado com a nova lei. quando foi criado o Ministério da Desburocratização (leia o quadro na página ao lado). sendo integrado por representantes da união. hoje na casa dos 40% do Produto Interno Bruto (PIB). como é o caso de São Luís. denominado Doing Business (fazendo negócios).

a ser apresentando ao Congresso ainda em 2004. na pesquisa Global Entrepreneurship Monitor. embora esteja previsto em lei. a Federação Nacional das Empresas de Serviços Contábeis (Fenacon) e o Conselho Federal de Contabilidade (CFC) já definiram essa demanda como a principal em sua pauta de reivindicações. por isso. criada em 1994 e atualizada em 2002. Ela torna possível o uso de um mesmo código de atividade em todo o país e viabiliza o cadastro único. é possível obter o registro. O empreendedor se compromete a enviar. O número de empreendedores no país é crescente.9% da população estava envolvida em alguma ação empreendedora. de um total de 640 empreendedores informais do estado de São Paulo. A classificação segue o padrão da Organização das Nações Unidas. Assim. sobre o nível da atividade empreendedora em todos os continentes. o cadastro único ainda está longe de se tornar realidade. realizado no final do ano passado a pedido do Ministério da Fazenda. que também já admite o preenchimento de formulários pela internet. o registro de empresa é regulado por lei estadual e. em 2002. elaborou um ante projeto de lei. Interessados no assunto não faltam. Nem todas as cidades. em apenas dois dias. feita pela London Business School. e também a inclusão do tema na lista de medidas da nova Política Industrial. inclusive. A pressão da sociedade é fundamental”.6% devido ao alto custo financeiro e 18. uma exigência da Emenda Constitucional 42.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa Segundo um estudo do Instituto Análise de Ribeirão Preto. Segundo o coordenador-geral de fiscalização da Receita. porém. O conceito one stop shop (algo como loja de parada única) já funciona em vários países desenvolvidos. do MDIC. A Classificação Nacional de Atividade Econômica (CNAE – Fiscal). em 2003. naquelas em FGV DIREITO RIO 43 . A criação de um cadastro único de empresas. O Sebrae. para o 6º lugar. foi sendo paulatinamente usada pelos diversos ministérios.5% devido ao tempo gasto no processo. por exemplo. A entrada única de dados cadastrais é a regra. ao grupo de trabalho interministerial. Depois que a Receita Federal realizou. O Brasil passou de sétimo colocado. 24. O argumento explica a ênfase especial ao tema pedido pelo ministro Luiz Fernando Furlan. em julho. estados e municípios terão até 30 de setembro para apresentar um diagnóstico da situação e o que seria necessário para a unificação. Paulo Ricardo de Souza Cardoso. 12. por exemplo. No Brasil. Em São Paulo. “Temos disparidades nas regras locais e também na estrutura tecnológica. por exemplo. aprovada na Reforma Tributária do ano passado. o que facilita a comparação de informações brasileiras com dados mundiais.5% não pensavam em legalizar suas atividades por causa das dificuldades burocráticas. terá de ser aprovada uma nova lei que possibilite o cadastro único”. um único documento: o contrato social da empresa. reunindo informações da Receita Federal e das secretarias de fazenda estaduais e municipais é o desejo daqueles que defendem um processo menos complexo na constituição de empresas no Brasil. no Canadá. 21. alerta o cientista político Sérgio Abranches. formal ou informalmente. A adoção de um código único de classificação econômica de empresas é outra medida fundamental para a viabilização do projeto. “Mas não adianta esperar que o Estado sozinho conduza o processo de mudanças. Entidades representativas do público empresarial já estão se movimentando nesse sentido. por correio. um encontro de administradores tributários. redefinindo o Estatuto das Micro e Pequenas Empresas e fazendo outras propostas. No ano passado. O Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae). Ainda está apenas no plano da discussão. A unificação das informações fiscais é. a utilizam e. foram assinados dois protocolos estabelecendo metas e compromissos para viabilizar o projeto. explica.

Não é apenas o nascimento de um empreendimento que envolve tantos meandros. a firma poderia iniciar suas atividades mais rapidamente. serão precisos pelo menos três ou quatro anos. sugere o presidente do CFC. da exigência de certidões negativas pelo Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS). Mas questões complexas muitas vezes são resolvidas com soluções marcadas pela simplicidade. Faltam informações sistematizadas e de fácil compreensão sobre o procedimento a ser adotado pelos interessados em abrir empresas. já que faltam viaturas. Dessa forma. Os processos de fechamento ou alteração das condições jurídicas são compostos por rituais ainda mais cansativos. com o apoio do Sebrae. as fiscalizações se concentrariam nos negócios em que há. Na cidade de São Paulo está sendo elaborado um software que determinará. Algunas aplicam os três primeiros algarismos da classificação. cogita-se que o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) poderia coordenar uma central de codificação de atividades econômicas. Em Brasília houve casos em que. da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional. que reúnem escritórios dos órgãos envolvidos no registro num único local. 120 são gastos nos procedimentos de fiscalização e vistoria pra a obtenção das licenças vinculadas ao alvará de funcionamento. Na esfera federal. Como se não bastasse o tortuoso caminho até a obtenção do registro da empresa. FGV DIREITO RIO 44 . o empreendedor teve de ir ao corpo de bombeiros com seu próprio carro para buscar o técnico. para agilizar o processo. quase óbvias. de estado para estado. falta uniformidade. por exemplo. Dos 152 dias registrados no estudo do Banco Mundial. Ele assinaria um termo de responsabilidade comprometendo-se a executá-las em determinado período de tempo. principalmente porque as regras variam de cidade para cidade. O empresário daria baixa na Junta Comercial e avisaria aos órgãos envolvido que cobrariam eventuais dívidas. de fato. da Receita Federal e do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS). foram criadas em dez cidades. investimentos em informatização e. A falta de fiscais em muitas cidades adia a vistoria. os futuros empresários precisam munir-se de persistência para conseguir autorizações de funcionamento das instâncias locais. Unificação de códigos O código da CNAE também poderia ser usado para cruzamento com as atividades listadas nos planos diretores das cidades. Outra hipótese seria dar ciência ao empreendedor de todas as obrigações a cumprir em relação à segurança da atividade. Além do cadastro único existem outros problemas. as Centrais Fáceis. perigo de acidentes. Fiscalização Qual seria uma possível solução? Para André Spínola. deveriam ser criadas classificações mais precisas das atividades de acordo com o risco potencial que elas oferecem para a sociedade. “É preciso unificar as regras”. A redução do prazo de abertura e encerramento de empresas no Brasil ainda vai demorar. consultor de tributos e desburocratização do Sebrae. sobretudo. em grande medida. Contando com aprovações de projetos de lei no Congresso. Isso facilitaria a concessão dos alvarás de funcionamento e serviria para orientar a necessidade de fiscalizações e licenças específicas. Uma alternativa para resolver o problema seria a eliminação de todas essas certidões. como a prefeitura. a necessidade de uma vistoria ambiental com base no código. Assim.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa que já é empregada. O prazo de dez anos citado pelo Banco Mundial para dar baixa de um estabelecimento é conseqüência. enquanto outras elencam até seis. José Martonio Alves Coelho. Na Receita Federal o padrão é o uso dos quatro primeiros números. o corpo de bombeiros e a vigilância sanitária. Enquanto as mudanças estruturais não aparecem. se tudo correr bem. uma cooperação entre os governos. O Sebrae tem desempenhado um papel importante nessa área.

Mesmo quando uma empresa não tem credores. não conseguiu uma das muitas certidões necessárias para dar prosseguimento ao processo porque uma falha de comunicação entre os computadores da Caixa Econômica Federal e do INSS aponta uma dívida inexistente. Assim. já não tem funcionários há quatro anos. provocadas pela Lc 128/2008. Resolvido este impasse. Mas não é fácil – diz Magda. o Brasil se equipara somente ao Chade e à Índia neste quesito – onde o processo também chega a uma década em caso de falência. no papel. Uma empresa de reforma de carrocerias de Guaíba. por exemplo. Fonte: jornal zero Hora. o volume de documentos exigidos e falhas na engrenagem burocrática elevam o tempo mínimo para extinguir o empreendimento a vários meses. fechá-la é um tarefa extenuante para os empreendedores. ela provavelmente terá de recomeçar do zero e obtê-las novamente. também tiveram por objetivo facilitar a abertura e fechamento das empresas iniciadas pelo microempreendedor individual. O vaivém de certidões e formulários exigidos por repartições municipais. à geração de empregos e uma fonte de gastos inúteis por parte da sociedade. Ainda assim. tenho vontade de jogar tudo para o alto – confessa a contabilista.61 Conforme o estudo do Banco Mundial sobre o ambiente para negócios em todo o mundo. preciso provar com uma pilha de comprovantes que esta dívida não existe para obter a certidão negativa de débito. 61 FGV DIREITO RIO 45 . não consigo entender como ainda vivemos às voltas com formulários e carimbos – lamenta Magda. por exemplo. 11 de dezembro de 2005. está com toda a documentação em dia e não apresenta débito com o INSS. como as outras certidões que atestam a ausência de dívidas junto a órgãos governamentais têm prazo de validade para serem apresentadas. continua existindo.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa teXto ii – fantasma assusta até empresas que já fecharam as portas60 Se abrir uma empresa é uma empreitada difícil no Brasil. 44 anos. voltará a percorrer as repartições para depois apresentar a papelada à Junta Comercial com o pedido de baixa. Assim como as dificuldades para abrir uma empresa. O pior é que. que muitas vezes não dependem de você para que sejam resolvidos – afirma o preside do Sebrae/RS. todos os comprovantes tenham de ser novamente verificados. na Região Metropolitana. mesmo que a empresa seja obrigada por lei a apresentar relatórios mensais e anuais sobre pagamento de ICMS. a complexidade do procedimento para fechá-la também é considerado um obstáculo ao desenvolvimento de novas companhias. Agora. – Às vezes. estaduais e federais pode elevar o tempo necessário para extinguir uma firma a nada menos do que 10 anos. – Na era da informática. Ela lamenta que. – Isso acontece seguidamente. Até agora. explica que os sócios tiveram de esperar a conclusão de um processo de venda do negócio para formalizar sua dissolução. A contabilista da firma. Flávio Sabbadini. – O problema no fechamento de uma empresa é que você é responsável por problemas junto ao INSS e ao Fundo de Garantia. Magda Gattini. 60 Vale lembrar que as alterações sofridas pela Lei complementar 123/2006. a contabilista enfrenta há mais de um mês o pesadelo da burocracia. por exemplo.

– Em 1979. aperfeiçoados a emissão de passaportes e a revogação de mais de 100 mil decretos superados e desnecessários. São criados os concursos públicos nacionais e autarquias dotadas de autonomia gerencial e financeira – primeira tentativa estruturada de descentralização administrativa. exigência da Emenda Constitucional 19. > São simplificados os procedimentos de embarque e desembarque nos aeroportos. – Nos anos 2000. a partir de 1946. com o poder sendo transferido para as províncias. presidente do Instituto Brasileiro de Direito Administrativo e pesquisador Associado na Universidade de Oxford (EUA) FGV DIREITO RIO 46 . que mais tarde se transformam nos Juizados Especiais. o programa é recriado. presidente do Instituto Hélio Beltrão (IHB) e página do IHB na Internet Por que o Brasil patina? – Há forte vocação à centralização administrativa. dedicando-se prioritariamente a disseminar os conceitos de desburocratização. durante o primeiro governo militar. que dificulta o planejamento de longo prazo – O Estado volta sua arrecadação para seu próprio financiamento. – A redemocratização. O último dos presidentes militares. general João Batista Figueiredo. – Em 1964. promove a descentralização política. – Falta de fixação de metas de desempenho. Parte-se do princípio de que o cidadão.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa No Brasil. novas medidas de maior impacto são adotadas no âmbito do Programa Federal de Desregulamentação. apesar de autoritário. – Duas inovações importantes tiveram a sua gênese com a criação do programa: o Estatuto da Microempresa e os Juizados de Pequenas Causas. – O recrudescimento do regime militar. ao buscar um serviço público. – Perfil autoritário da administração pública. – Inexistência de um código específico de Defesa do Usuário de Serviços Públicos. o projeto de descentralização volta à carga. > Existe uma relação de desconfiança no relacionamento do governo com a sociedade e com o cidadão. e de gratificação de produtividade. criando um ciclo vicioso Fontes:Instituto Hélio Beltrão Juarez Freitas professor de Direito PUCRS e da UFRGS. mas reduz o ímpeto da modernização administrativa do Estado. compromete o projeto de descentralização administrativa. busca uma vantagem e não um direito. socialmente controláveis. Fonte: João Geraldo Piquet Carneiro. > Formalismo jurídico idealiza as instituições a partir de uma visão estritamente legal. > No início dos anos 90. o processo político caminha no rumo da descentralização política. de 1937 a 1945. é criada a Comissão de Reforma Administrativa. – O Estado Novo. tenta dar agilidade e eficiência ao serviço público. – O Programa Nacional de Desburocratização perdeu ênfase no final da década de 80. em 1969. que seria implementada três anos mais tarde. até hoje não levada a sério. – Partidarização excessiva do governo. Para o Instituto Hélio Beltrão – batizado com o nome do ex-ministro da Desburocratização – as medidas abaixo foram tentativas de reduzir a burocracia do Estado: – Do fim da monarquia até 1930. delega competências e reforça a autonomia da administração indireta. cria o Programa Nacional de Desburocratização que seria tocado pelo Ministério da Desburocratização. – Os primeiros anos da Reforma Administrativa enfatizam a desburocratização administrativa.

quem está migrando para a informalidade. especialmente nas regiões metropolitanas. As estimativas indicam que nesse ambiente circulem de 10% a 15% do Produto Interno Bruto (PIB). São também os diplomados que dão consultoria ou atuam como personal trainers. Isso ocorreu porque a Revista Desafios do Desenvolvimento – IpEa – novembro/2004 – Edição 4. vendem cigarros e remédios falsificados. brasil dividido. São camelôs. O problema é crescente. Em 2002 eram 36. donos de fábricas de fundo de quintal. quais os setores que mais lidam com esse tipo de mão-de-obra e quais as maiores dificuldades enfrentadas pelos que querem operar dentro da formalidade. por andréa Wolffenbüttel. escapar das armadilhas da burocracia e do pagamento de impostos.2% das vagas de trabalho nas regiões metropolitanas (conforme a Pesquisa Mensal de Emprego). e dentro delas no setor de serviços.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa teXto iii – informalidade61 Esta edição da “Desafios” traça um amplo panorama da perigosa expansão da economia informal no Brasil. pesquisador do Ipea e especialista em mercado de trabalho. o crescimento da informalidade no Brasil resulta de uma re-acomodação da economia. Saiba por que isso é um problema e o que se está fazendo para resolvê-lo.9% dos empregos do IBGE.8% do total dos empregos em 2002. Em 2002 a indústria era responsável por apenas 15. Em dezembro será divulgado um novo levantamento com as mesmas características. o setor de serviços teve a sua participação aumentada de 35. Tem de tudo no mundo da informalidade. Em contrapartida. 61 FGV DIREITO RIO 47 .5 milhões de empresas informais.7% para 42. entre 69.3 milhões de pessoas. ocupando 12. O Brasil é um dos campeões nesse território. a indústria respondia por 22. em números.6% dos brasileiros que praticam alguma atividade remunerada gravitam em ambientes informais. Procuram sobreviver no improviso. Mais da metade dos trabalhadores brasileiros vive na informalidade. barraqueiros. Há grande curiosidade a respeito dos resultados: será que o universo informal continua em expansão? Segundo Lauro Ramos. Eles habitam um mundo de tons cinzentos. Nos infográficos abaixo mostramos.1 milhões de trabalhadores que recebiam algum tipo de pagamento. Em 1991. Nada menos do que 52. Uma pesquisa feita pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) em 1997 revelou a existência de 9. CDs piratas ou uma miríade de coloridos badulaques que enfeitam as ruas de qualquer cidade.9 milhões de pessoas: 86% pertenciam a trabalhadores autônomos e 14% tinham até cinco empregados. Os dados estão em estudos do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) feitos com base em informações do Instututo Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Alguns resvalam para a ilegalidade.

terceirizou atividades. quando o pai perdeu o emprego. Goiás. 90% da mão-de-obra não têm vínculo empregatício. Depois vêm as barreiras burocráticas (15. que passou de 53. junto a 1. segurança ou alimentação. também é nele que se registra o maior crescimento da informalidade. arcar com os pesados encargos tributários ou desvendar uma complexa legislação entronizada sobre a Consolidação das Leis Trabalhistas – um cartapácio com 985 artigos que tem de 61 anos de idade. Sobram razões para a definição do inimigo principal. A dona da pequena confecção em Jaraguá. Mais instigante ainda é a pesquisa dos casos concretos. 36. na zona sul da capital paulista. O Sistema Simples. pois a carga tributária no Brasil passou de 25% do PIB em 1992 para 34.2% das respostas). de uma época de penúria depois de entrar para a lista de cortes de uma indústria qualquer.049 empresas informais. Ao mesmo tempo. por essa via. Ajuda o pai na loja de material de limpeza que a família tem numa garagem do Jardim Nakamura. que facilitou a abertura de empresas. no centro Rio de Janeiro. “Embora tenha ocorrido um significativo aumento da informalidade ao longo da década de 1990. que ostenta um índice de apenas 9%.6% em 2002. O levantamento foi feito com base nos dados da Pesquisa Nacional por Amostras de Domicílio (Pnad) de 2002. não teve alternativa senão ficar na informalidade por não conseguir cumprir as regras para a abertura de uma empresa. fechará 2004 na marca dos 38% do PIB. 33% da mão-de-obra industrial era composta por trabalhadores sem carteira assinada ou por pessoas que trabalhavam por conta própria. os diferenciais de salários observados entre os trabalhadores formais e informais caíram de forma expressiva”. Pesquisa feita pelo Sebrae em fevereiro (de 2004).5% em 1992 para 52. já atraiu 2. FGV DIREITO RIO 48 . a se confirmarem as projeções feitas pelo Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT). muitas para empresas de serviços de limpeza.11% em 2003 e. O menor nível de informalidade é o do setor de veículos automotores. O negócio foi aberto há oito anos. Um estudo da consultoria McKinsey publicado em junho revela que o maior grau de informalidade está no setor agro-pecuário. Sem alternativa. A investigação dos números é reveladora. apenas 17% dos trabalhadores sem carteira tinham mais de 11 anos de escolaridade e em 2000 essa proporção subiu para 26%. O aumento da escolaridade dos trabalhadores sem carteira assinada pode ser uma explicação para a aproximação dos rendimentos: em 1984. Nela descobre-se que há gente de todo o tipo nesse lado pouco conhecido da economia brasileira. Em 2002 já eram 36% (veja tabela ao lado). Cursa o segundo ano do ensino médio e não pensa em fazer faculdade. Há mais.2%). Já no setor de serviços houve uma pequena queda no grau de informalidade.6%) e a falta de acesso ao crédito (9.4% em 2002. mas apenas ter conseguido escapar.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa indústria deu um salto de produtividade e passou a produzir mais com menos gente.8 milhões de microempresas para a lado formal da economia. Do lado dos trabalhadores existe um descasamento entre as contribuições para a Previdência e os benefícios potenciais que o sistema previdenciário oferece. Os dados de Ramos indicam que o setor industrial não apenas está empregando menos. pode não ter escolhido essa atividade. Que a riqueza é imensa. implantado em 1996. Ali. Em 1992. Leandro e seu pai manipulam produtos químicos em galões sem qualquer segurança. Cuidando da sobrevivência a cada dia. Qual sua perspectiva de futuro? Permanecer como estão. Leandro Dias de Oliveira é um estudante de 17 anos de idade. aponta que a principal causa para permanecerem nessa condição é a elevada carga tributária (75. E que pertencer ou não ao segmento informal não é necessariamente uma opção. diz Ramos. Da mesma forma o vendedor de cocos que atua bem em frente à antiga sede do Ministério do Trabalho.

o que prejudica as contas públicas e dificulta investimentos necessários para o bem comum. A informalidade é um problema para o país por várias razões. “A segunda visão identifica várias vantagens em uma pessoa optar por ser informal. mas não precisa abrir mão de uma parte de sua receita em favor da Previdência Social. Neste caso. onde as regras mudam. A ela faltaram oportunidades. Diante da evasão. “O pequeno empresário não paga os encargos trabalhistas porque eles pesam relativamente mais em seu faturamento do que no de uma grande empresa”. De acordo com o relatório da McKinsey. Também está associada a empreendimentos ligados ao contrabando ou à falsificação. porque uma empresa não investe na capacitação de um trabalhador que não tem vínculo com seu negócio – o que numa perspectiva mais larga prejudica a competitividade da economia do país como um todo. Finalmente. acredita que o problema se resolve arrumando as leis e combatendo a burla à legislação. Depois. Segundo o economista José Márcio Camargo. economista e consultor da Unidade de Políticas Públicas do Sebrae Nacional. E de qualquer maneira tem acesso ao Sistema Único de Saúde. a opção pela informalidade está relacionada ao alto custo do cumprimento das leis. a informalidade tem raízes em coisas que o Estado deixou de fazer”. “Existem duas visões sobre o setor informal. o Estado tem de buscar reforço de caixa. FGV DIREITO RIO 49 . A perda de arrecadação tributária e previdenciária é apenas uma das conseqüências fiscais danosas da informalidade. Para ganhar alguma vantagem competitiva. A primeira delas parece entendê-lo como a utilização de recursos ilícitos. Da mesma forma. Quem defende esta visão. A busca de soluções para o problema é uma tarefa do governo e da sociedade e o primeiro passo para cumpri-la é identificar suas causas. diz Ricardo Tortorella. Não tem direito a férias. especialmente se recebe salário perto do mínimo. professor titular do Departamento de Economia da Pontifícia Universidade Católica (PUC) do Rio de Janeiro. Exigências de controle de qualidade ou padrões fitossanitários também são um vigoroso incentivo para reforçar o terreno da informalidade. Aceitam vínculos sem carteira assinada ou através de cooperativas. ao seguro acidente de trabalho e ao seguro maternidade.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa Menos oxigênio. O custo total da folha de pagamentos pode chegar a 70% da receita bruta para uma pequena confecção formalizada enquanto não passa de 3% na indústria automobilística. previdenciárias ou relacionadas à segurança do trabalho. o sujeito que emprega o dumping ou algum outro recurso ilícito”. Deixa de ter direito ao seguro desemprego. a sociedade não se sente suficientemente convencida de que deve enquadrar o informal. explica Ricardo Paes de Barros. acesso ao crédito ou até mesmo herança familiar. o trabalhador não se interessa pelo registro em carteira. pois terá direito a receber uma aposentadoria correspondente ao mínimo quando chegar aos 65 anos de idade quer tenha sido registrado em carteira quer não. E também porque embora não contribuam. que estimula as empresas menos produtivas a permanecer na informalidade. diz Barros. Primeiro porque quem trabalha sem registro vive sem qualquer rede de proteção. como educação. o custo relativo da assistência à saúde e da segurança no trabalho é muito mais pesado para as pequenas empresas. décimo terceiro salário nem Fundo de Garantia por Tempo de Serviço. os trabalhadores informais têm direito a assistência médica e a aposentadoria – uma despesa que está sendo coberta por um número cada vez menor de trabalhadores e empresas formais. perante uma legislação não muito boa. pesquisador do Ipea. Em terceiro lugar porque empresas e pessoas que vivem na informalidade não pagam impostos. Uma das alternativas é cobrar mais do setor que já paga impostos como manda o figurino – o que tira oxigênio da economia. é cada vez mais comum a opção pela informalidade para não cumprir exigências trabalhistas. Em conjunturas de retração da oferta de trabalho os próprios funcionários se tornam cúmplices do processo.

a questão estará na ordem do dia. mas não é suficiente. já incorporando todos os atributos atuais. Um dos movimentos consistentes para enfrentar o problema foi o lançamento do Simples. A questão. “até porque se o empregado recorre à Justiça sempre é possível fazer um acordo e conseguir um desconto”. só o fato de o assunto estar sendo ventilado já é um avanço. pesquisador do Ipea. por exemplo. quem tem uma empresa calcula de antemão o valor do descanso semanal remunerado. Especial. o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reconheceu. mas até o final de outubro nada tinha sido dito a respeito do detalhamento das medidas e nem sobre o conteúdo do Projeto de Lei Complementar.9 bilhão de reais em 2001 (ou 25% do faturamento do setor formal) e o governo deixou de arrecadar 1.3 bilhão de reais. para abrir uma empresa. diz Ramos. “Nos momentos de recuperação econômica. Ele acha que a flexibilização das leis não deve diferenciar empresas pelo tamanho. férias e possíveis custos indenizatórios. 20% dos medicamentos vendidos no país são falsificados e podem colocar em risco a vida dos usuários – um negócio de cerca de três bilhões de reais ao ano. Só depois estabelece o salário dos trabalhadores. e por que não dizer perigosa. segundo as contas dos fabricantes legais. A linha geral das mudanças foi anunciada num evento. no final de setembro. Isso porque dependem de negociações das empresas com sindicatos. A face mais perversa. de acordos coletivos e da apresentação de farta documentação para os fiscais do Ministério do Trabalho. Um processo de livre negociação entre sindicatos setoriais ou regionais fixaria os salários. que instituiu o banco de horas e contratos temporários já não foi tão bem sucedida. Ao anunciar as medidas. é que assim como o Simples. quase 8% do faturamento setorial. A rota da simplicidade foi escolhida pelo governo federal ao propor ao Congresso um regime especial para empresas com faturamento de até 36 mil reais por ano. de forma a compensar os gastos”. A venda de cigarros falsificados ou contrabandeados. deverá incluir a redução de encargos tributários e facilitar os trâmites burocráticos para empresas de menor porte. o projeto anunciado em setembro é um avanço na rota da formalização da economia. que “fica mais barato correr da polícia do que cumprir as exigências formais”. Já os contratos especiais. na medida que estabelece um teto de faturamento para os que pretendam gozar dos benefícios. que teve sucesso justamente por sua descomplicação. “Hoje. Nos cálculos do setor farmacêutico. movimentou cerca de 1. de acordo com a Associação Brasileira da Indústria do Vestuário (Abravest). sem a intervenção FGV DIREITO RIO 50 . Do lado dos pequenos empresários. E quando a proposta governamental for debatida no Congresso. Na opinião de Camargo. diz Ramos.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa Justiça. como lembra Castelar. evitam riscos como multas trabalhistas ou sanitárias”. da situação é o envolvimento com atividades ilegais ou semi-legais. como aponta o economista José Pastore. A tentativa de flexibilizar a legislação trabalhista com a Lei 9. Entretanto. com menores encargos trabalhistas. funcionando como um inibidor do crescimento. O resultado. mas definir um arcabouço em que a livre negociação seja a pedra de toque. quando os empresários aceitam correr maior risco porque não conseguem fazer face aos encargos formais. “O banco de horas deu certo nas grandes empresas. a atividade cinzenta fatura cerca de três bilhões de reais ao ano. Também é preciso simplificar as leis trabalhistas e reduzir os impostos que pesam sobre empreendimentos com outras dimensões. por mais mudanças que haja no projeto original. onde foi usado para evitar demissões nos períodos de recessão”. esta nova lei apresenta um problema estrutural preocupante: condena as empresas a permanecerem pequenas. No segmento de vestuário. não pagar os direitos trabalhistas e seus respectivos encargos sai mais barato.601 de 1998. podem ser considerados um fracasso. A tendência à informalidade é maior nas épocas de aperto. o décimo terceiro salário. lembra Armando Castelar.

do Sebrae. outra conseqüência será a simplificação do processamento da folha de pagamento. Portugal elegeu a luta contra a informalidade como o principal componente de sua agenda de reformas para colocar o padrão nacional de produtividade na média dos países da União Européia. um empreendedor leva em média 155 dias para legalizar seu negócio. e responsabilização.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa da Justiça do Trabalho. a tendência é de que elas busquem aumentar a sua eficiência e produtividade. ou regras de segurança de trabalho. empresários e governo. Para ele uma das saídas seria passar a cobrar os encargos da Previdência Social sobre o faturamento e não sobre os salários. e não os direitos trabalhistas. também é irredutível quanto à flexibilização dos direitos adquiridos. diz. são quatro os requisitos para uma iniciativa desse porte ser bem sucedida: “prioridade governamental. FGV DIREITO RIO 51 . diz. O resultado seria “o fortalecimento dos sindicatos. As centrais sindicais até aceitam discutir. com redução do custo da operação de 1. reformas estruturais. Segundo o estudo da McKinsey. a carga tributária. Criou uma poderosa base de dados unificada. Se o Brasil conseguir atrair mais empresas para a formalidade. A Espanha optou por atacar a frente fiscal. Exigências como a garantia de assistência à saúde. Requisitos. foco setorial. A multa de 40% sobre o valor do Fundo de Garantia de Tempo de Serviço (FGTS) pode ser objeto de negociação. que passariam a negociar também com as pequenas e médias empresas”. Como se vê. poderiam ficar por conta de associações. é favorável a um regime trabalhista especial para as empresas de menor porte. Presidente da Força Sindical. Luiz Marinho. simplificou a tributação para micro e pequenos empreendimentos e criou de um órgão central para combater a evasão fiscal. será necessário integrar as bases de dados da Secretaria da Receita Federal. coordenação e transição”. do Ministério do Trabalho e do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Tortorella. o Peru implementou um programa que o destaca entre os países em desenvolvimento. Não houve consenso na negociação da reforma trabalhista no Fórum Nacional do Trabalho. os resultados podem ser compensadores. mas não abrem mão de direitos como o abono sobre o valor das férias e o décimo terceiro salário.2 mil dólares para 174 dólares. que impediam a formalização. é a principal causa da informalidade. A economia brasileira ganhará. Resumo da ópera: elevação de 75% da arrecadação junto às empresas de micro e pequeno porte. Reforma. A Rússia escolheu como prioridade o combate à sonegação e à corrupção. A estimativa da McKinsey é de que o PIB brasileiro poderia crescer dois pontos percentuais por ano se apenas 20% das empresas que atualmente estão na informalidade fossem incorporadas à economia formal. No Brasil. reduzindo seus custos. o que viabilizou a abertura de um negócio em apenas um dia (antes eram necessários 300). “também exige mudanças nas regras para abertura e fechamento de empresas e a modernização dos controles governamentais”. Além de criar um cadastro tributário único para unificar as três esferas do poder. Ao definir que a “exclusão econômica da parcela mais pobre da população” era devida à dificuldade para abrir empresas e à intensa burocracia. Segundo Paulo Pereira da Silva. que reúne trabalhadores. A luta contra a informalidade. Experiências de outros países mostram o impacto positivo de programas consistentes de combate à informalidade. Ao reduzir os encargos sobre as remunerações. presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT). com uma substancial redução de custos para cada participante. O registro de empresas foi unificado.

Regionalmente. e a renda das firmas e pessoas que estão nesse segmento também caiu no período.861 milhões de pessoas -7.br/fsp/dinheiro/ fi2005200502. folha. diz IBGE. 12. 98% são considerados informais.2%) e Rio (8. disse ela. e não o trabalho informal. de um lado. O IBGE pesquisou empreendimentos informais. os dados mostram que as pessoas permanecem muito tempo no setor informal: 31% das pessoas que tinham seu negócio estavam na informalidade havia mais de dez anos -apenas 12% possuíam o empreendimento havia menos de um ano. divulgada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Apesar do recuo de ganhos e rendimentos.070 bilhões.7%. “A economia informal é importante porque cria oportunidade de trabalho para pessoas que poderiam estar pressionando ainda mais o mercado formal.4% menor do que em 1997 (R$ 880). a economia informal perdeu espaço no PIB. Em 2003. Folha Online – Da sucursal do Rio em 20/05/2005.htm 62 FGV DIREITO RIO 52 . por sua vez. Pelos dados do instituto. Para Angela Jorge. São Paulo concentrava o maior número de empresas informais: 25% do total.183 para R$ 1.754 entre 97 e 2003 -uma retração de 19. chefe da Coordenação de Emprego e Rendimento do IBGE. Tal retrato foi revelado pela pesquisa Economia Informal Urbana. com forte concorrência entre os empreendedores e poucos clientes. por pedro soares. As firmas informais. um faturamento de R$ 17.com. Se considerados só os empregadores. a renda sobe para R$ 753.7% entre 97 e 2003.590 bilhões. contra 93% seis anos antes. Segundo o IBGE. Os empreendimentos informais empregam um quarto dos trabalhadores das áreas urbanas no Brasil. menos firmas eram lucrativas -73% obtiveram lucro. Já a receita média mensal das firmas informais caiu de R$ 2. a situação ficou ainda mais difícil. Empresa informal tem 1/4 dos trabalhadores. Em 2003.336 milhões de firmas (9. um conceito mais amplo e mais difundido. e sim na sua grande capacidade de acolher trabalhadores. ocupam 13. que inclui também pessoas ocupadas informalmente em firmas que são regulares. afirma. Na seqüência.4% menos do que em 1997 -R$ 20. Fonte: http://www1. Juntas. ou 98% do total de empresas com até cinco pessoas ocupadas (10. do outro”. o rendimento médio dos trabalhadores do setor informal (conta própria. em parceria com o Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas). com a crise econômica e a retração do consumo. ao passar de R$ 374 em 1997 para R$ 363 em 2003. ainda assim 14.62 Dos empreendimentos com até cinco pessoas.7% a mais do que em 1997. apareciam Minas Gerais (10.525 milhões). A alta foi proporcionalmente maior do que a expansão no período do total de pessoas ocupadas nas cidades: 4%. todas as empresas informais (aquelas que têm de uma a cinco pessoas trabalhando e não separam sua contabilidade da do dono do empreendimento) geravam mensalmente.1% a mais do que em 1997). em 2003. receita média do setor caiu 19.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa teXto iV – eConomia “inVisÍVeL”. empregadores e empregados) caiu 3%. mas o setor perdeu participação no PIB (Produto Interno Bruto) entre 1997 e 2003 -de 8% para 6%-.uol. Para Luís Carlos Barbosa.4%). mas sua “maior importância” econômica não é na geração de riqueza. a economia informal abriga 10. o mercado informal vive um período de saturação. e os programas de transferência de renda do governo. diretor-técnico do Sebrae.

Em 2002 (último dado disponível). facilitando a instalação de firmas com faturamento de até R$ 36 mil ao ano. no Rio. existam outras duas informais. por: janaIna LaGE. O Ministério da Justiça revela números assustadores. Fonte: http://www. A grande maioria (95%) das firmas tinha apenas um único proprietário. é fundamental que os governos das nações civilizadas. O estudo feito em parceria com o Sebrae traça um retrato da informalidade no país.” Quase todas as pequenas empresas brasileiras são informais. Assim. 6% empregados com carteira assinada e 5% não-remunerados -ajudantes sem salário. Aquele trabalhador que desenvolve sozinho o seu negócio.63 “Somente no Brasil a pirataria foi responsável por perdas de R$ 30 bilhões em 2004. bem como seus povos e setores produtivos.com. segundo dados divulgados hoje pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) na Ecinf 2003 (Economia Informal Urbana). Porém 7. Do total de empresas informais.5 milhões de empresas formais. diz ele. Trata-se de um problema efetivamente grave. que transcende as fronteiras da legalidade em todos os continentes. A cadeia produtiva do cinema foi surrupiada em US$ 130 milhões. do Sebrae. de 20/junho/2005. o chamado “conta-própria”.br/folha/dinheiro/ult91u96456. A indústria do tabaco teve prejuízo de US$ 1. os assaltos a bancos e seqüestros. diz o Sebrae. 88% não tinham constituição jurídica -ou seja. O setor de software enfrentou quebra de US$ 400 milhões. que já detêm 95% do mercado. o roubo de cargas.2 bilhão. presidente do conselho da câmara americana de comércio – amcham. para cada empresa regular. o ideal seria que todas essas firmas se tornassem legais. unam esforços no combate à pirataria. é o projeto de lei em tramitação no Congresso que cria a pré-empresa. asp?id=16 63 Folha Online. Fonte: http://www1. O restante dos trabalhadores dos empreendimentos informais se distribui da seguinte forma: 10% eram empregadores.shtml 89 FGV DIREITO RIO 53 . Para Barbosa. assalto às empresas e às pessoas. suas chances de diversificação e expansão. 10% empregados sem carteira assinada. As gravadoras perderam US$ 300 milhões e assistem ao avanço crescente das cópias falsas.br/ combatepirataria/showartgs.4 milhões de empresas nem haviam tentado se regularizar em 2003. O Sebrae estima que. conseqüentemente. notÍCias reLaCionadas. Custos elevados dos registros e impostos e a pesada burocracia para a abertura de uma empresa são os principais entraves apontados pelos empreendedores que pretendem regularizar sua situação. folha. em 19/05/2005. diz ibge. havia cerca de 4. Trecho do artigo de autoria do Dr. ampliando o seu acesso ao crédito e. com CNPJ.uol. é maioria entre os informais: 69% do total de pessoas ocupadas no setor em 2003. segundo o IBGE. sem ter registro no CNPJ (Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica). de acordo com o IBGE.mj.gov. Helio magalhães.64 A economia informal responde quase pela totalidade das pequenas empresas brasileiras. o contrabando e o comércio clandestino de armas.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa Por conta própria. Um passo significativo para aumentar a formalização. Essas são estatísticas sombrias de uma atividade tão criminosa quanto o tráfico de drogas. Um dado da pesquisa mostra o vínculo entre empresa informal e família: só 65% das atividades produtivas eram desenvolvidas fora do domicílio. em geral mulheres ou filhos do dono da empresa. não existiam legalmente.

25. Desse total. incluindo trabalhadores por conta própria. As empresas informais empregam cerca de 13 milhões de pessoas. Os camelôs propriamente ditos somavam 711. A firma (RECTIUS: sociedade) pode até ter CNPJ (Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica). Gonçalves não sabe quanto recebe por mês: “Vou vendendo e quando preciso compro mais”. (. com sua barraca montada numa movimentada rua de comércio popular. mas. em 1997.3%) funciona no domicílio do dono do negócio. saiu do interior da Bahia para “passar uns dias” na cidade e acabou ficando. é talvez o personagem mais comum quando se pensa em um empreendimento informal. se não tiver sistema de contabilidade próprio. só o de alimentação. A pesquisa também mostra que em 2003 a economia informal gerou R$ 17.) Flávio Lopes Ferreira. Pela metodologia da pesquisa do IBGE. empresa informal é aquela que não tem um sistema de contas claramente separado das contas da família e emprega de uma até cinco pessoas. Grande parte das vagas criadas no setor informal pertence a trabalhadores por conta própria (69%).335 milhões de empresas. Além de estar principalmente no comércio.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa O número de pequenas empresas no país alcança 10.6 bilhões de receita média mensal e respondeu por um quarto das contratações de trabalhadores nãoagrícolas no país. Ganha de R$ 350 a R$ 400 mensais. a maior parte dos ocupados informais era migrante: 55% não nasceram na cidade na qual trabalhavam. A mulher e os seis filhos também se mudaram e hoje moram com ele. Gabriel Marcos Gonçalves. é informal. Sem nunca ter trabalhado no mercado formal. É o caso de filhos que trabalham com os pais no preparo de alimentos para vender em barracas ou feiras.com. Outro grande contingente de empresas informais (27.br/fsp/dinheiro/ fi2005200508. ele vende balas nos ônibus pelo bairro de Copacabana. 10% são empregados sem carteira assinada. pequenos empregadores.3%) ou na casa do cliente (27. houve um crescimento de 9% no número de empresas informais. o camelô é exclusivamente o trabalhador por conta própria ou empregador que desenvolve seu trabalho na rua e está enquadrado em dois setores: comércio e serviços -neste caso.6%). Existem também 5% de não-remunerados.. folha. o equivalente a 10. embora 83% deles morassem na localidade havia pelo menos cinco anos. O número de postos de trabalho cresceu 8% neste período.. Os trabalhadores por conta própria e os autônomos estão nesse universo. por exemplo.825 empreendedores em 2003.9% do total de empresas informais. que há dois anos vende cangas e batas nas praias do Rio. Mas não é. 10% são empregadores e 6% trabalham com carteira assinada. Fonte: http://www1. incluindo empregados e pequenos empregadores. Pelos critérios do IBGE. 98% fazem parte do setor informal. ou 6. 49.525 milhões --foram consideradas nesse caso as empresas não-agrícolas. Em relação à última edição da pesquisa. Camelôs são apenas 7% do setor informal65 O camelô. 65 FOLHa OnLInE – Da sucursal do Rio em 20 de maio de 2005. Mas uma pessoa que trabalha sem carteira assinada para uma empresa formal não está no universo da pesquisa. A maior parcela das firmas informais no país está instalada em lojas ou oficinas (20.uol. empregados com e sem carteira de trabalho assinada e trabalhadores não-remunerados.htm FGV DIREITO RIO 54 . é um trabalhador por conta própria no comércio.

Renovar/2004. Na verdade. – Páginas 93 a 112 (SCP e LTDA) do Direito Societário.087). Rogério Monteiro. com a colaboração de familiares e/ou de auxiliares. Da mesma forma. a informação do seu nome civil. portanto. nacionalidade.º 3. apesar do mesmo tratamento fiscal que lhe é conferido66. conforme expresso no art. FGV DIREITO RIO 55 . 996 a 1. IX. sejam eles investidores ou participativos (ou empreendedores). obrigado a inscrever-se na Receita Federal para obter o CNPJ – Cadastro Nacional de Pessoas 66 Decreto n.000/99. Do Direito de Empresa (arts. O empresário – pessoa natural. ter um empreendimento exige sacrifícios. além de capacidade para assumir riscos e desafios. Leitura CompLementar: – Páginas 159 a 170 dos Comentários ao Código Civil Brasileiro. 7ª edição. Diante desta realidade. para fins de inscrição do empresário individual. vol. A figura do empresário não se confunde com a dos sócios ou acionistas de sociedade empresária. Fábio Ulhoa Coelho. tem-se a figura do empresário individual caracterizado pelos elementos constantes no art. como já vimos nas aulas anteriores. 9ª edição. não há que tipificá-lo de “pessoa jurídica”. e competência para atingir o objetivo traçado. Nesta aula discutiremos a leitura do(s) seguinte(s) capítulo(s): – Páginas 357 a 398 (LTDA) e 479 e 480 (SCP) do Curso de Direito Comercial. roteiro de auLa: Aprendemos que quando a empresa é titularizada por uma pessoa natural. domicílio e estado civil. bem como será de curial importância a escolha do melhor “modelo societário” (rectius: modelo empresarial) para o desempenho de suas atividades. 968. Forense: Rio de Janeiro/2005.A. José Edwaldo Tavares Borba. Penalva Santos e Paulo Penalva Santos. ementário de temas: – – – – – Empresário Individual Sociedade em Conta de Participação Fundo de Investimento Imobiliário – FII Sociedade Limitada Texto: As Sociedades em Nome Coletivo e em Conta de Participação como Estratégias de Negócios. 966 além do requisito especial do exercício da atividade em nome próprio – quando muito. é equiparado à pessoa jurídica e. necessário se faz que os que se prestam a tanto tenham noção dos riscos e dificuldades que enfrentarão.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa AUlAS 06 E 07: MODElOS SOCIEtáRIOS DE AtUAÇÃO EMPRESARIAl PARA A PEQUENA E MéDIA EMPRESA Muitas pessoas pensam em “abrir o próprio negócio” vislumbrando uma liberdade e tranqüilidade que não tiveram quando eram empregados. I que estabelece. Newton Lucca. Saraiva: São Paulo/2004. J.

. aditando-lhe.832-RO: Processual civil. da decisão unipessoal que causar gravame a parte. O empresário opera sob firma constituída por seu nome. 591. mas é certo que alguma parte do estabelecimento empresarial será alcançada. Inviabilidade. nada mais são que a mesma realidade.Não se conhece do recurso especial na parte em que se encontra deficientemente fundamentado. adicionar o ramo de atividade a que se destina. considerando que o patrimônio da empresa individual e da pessoa física. para o cumprimento de suas obrigações. os tributos incidentes serão os mesmos existentes para as sociedades. impõe-se uma conduta prudente e extremamente cautelosa na administração da empresa. designação mais precisa da sua pessoa ou do gênero de atividade. 72 FGV DIREITO RIO 56 . Ação rescisória. ele responde com todos os seus bens presentes e futuros (sempre no limite das forças do seu patrimônio) pelas obrigações contraídas no exercício da atividade68. portanto. com todos os seus bens presentes e futuros.º 11. norma sobre o registro público de empresas mercantis e atividades afins. 97. do cpc). c) não conseguirá enquadrar-se como microempresa e dispor dos benefícios previstos na legislação própria. respeitando-se. nesta parte. Embargos de declaração. . 1. Este regramento legal confere segurança às relações jurídicas na ordem econômica. o empresário individual irregular: a) não tem legitimidade ativa para requerer o pedido de falência do seu devedor71. Desta forma. TERCEIRA TURMA.1. Ricardo in manual de Direito comercial e de Empresa. 649. estando. o dispositivo do art. “João C. 1. Recurso especial. ambos referentes ao sistema de registro do nome empresarial.Em ação rescisória. quer civis quer comerciais. 71 art. provido.” como estudado no primeiro módulo de Direito Empresarial (Teoria Geral da Empresa). O Superior Tribunal de Justiça confirmou esta orientação no Recurso Especial 594. completo ou abreviado. “João Cabral da Silva Motores”. pg180. Patrimônio do empresário individual e da pessoa física. como também. impedido de “crescer demais”. Doação. Recurso parcialmente conhecido e. O devedor responde.156. sendo-lhe facultado. salvo as restrições estabelecidas em lei”. respondendo os seus bens pelas obrigações que assumiu. praticamente. No tocante ao nome empresarial. 70 art. vimos que a indicação da atividade é providência que se impõe. A falta de inscrição no Registro de Empresas coloca o Empresário “à margem das prerrogativas plenas previstas nas inúmeras leis que regulamentam sua atividade70” e implica sanções que lhe podem ser aplicadas em virtude do exercício irregular da atividade. feito na forma da Lei n. Tema controvertido. Nesse sentido.150 do Código Civil de 2002. tanto abreviá-lo. DJ 01/08/2005 p. ao empresário individual.832/RO. VI. não é cabível o agravo retido. contradição ou obscuridade. Rel. (REsp 594.934/94. assim. cpc – “art. porém.Empresário individual é a própria pessoa física ou natural. . com base nos princípios da veracidade e novidade. Erro de fato. mas desde que sejam necessários e úteis à profissão do executado. pois os credores terão garantias contra eventual inadimplemento do empresário.º 8. Invalidade. O exercício da atividade empresária pressupõe o registro correspondente. Agravo retido. Ministra NANCY ANDRIGHI. faz com que muitos empreendedores busquem outro modelo empresarial (sociedades) a fim de evitar tal situação de confusão patrimonial. 48 da Lei n. vol.Se o alegado erro foi objeto de controvérsia na formação do acórdão. Cabral da Silva”. Inválido. nEGRãO.101/2005. Assim. o negócio jurídico celebrado. Não demonstração da omissão. Ausência de outorga uxória. da Silva”. Existem bens que podem ser excluídos da esfera de ação do credor por se considerarem essenciais à atividade do empresário69. ou seja. incabível a ação rescisória. b) não tem legitimidade ativa para pleitear sua recuperação judicial72. O sistema de responsabilidade do Empresário é PATRIMONIAL. o empresário só poderá adotar a espécie: firma individual.Indispensável a outorga uxória para efeitos de doação. nos termos do art.º 11.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa Jurídicas.101/2005. Exemplos: “João Cabral da Silva”. o que se afigurará como incentivo. § 1º da Lei n. tenham uso presente e sejam vinculados ao exercício legítimo dessa profissão. Esta será composta pelo seu nome civil. 1. . julgado em 28/06/2005. utensílios e instrumentos necessários ou úteis ao exercício de profissão (art. “J. Violação a literal disposição de lei. 68 69 É o caso da impenhorabilidade de máquinas.156 do CC67. quando os bens não podem ser penhorados mesmo que relativamente valiosos e prescindíveis. saraiva/2005. se quiser. 443) 67 “Art. .

FGV DIREITO RIO 57 . sem se tornarem sócios. e como as decisões do negócio são tomadas pelo Empresário. pg. deve-se ter em mente que ser Empresário significa lidar com desafios. como econômicos. – Vantagens fiscais por tratar-se de microempresa. sociedade em conta de participação – arts. Entre algumas vantagens de ser Empresário Individual estão: – Os custos iniciais para a abertura do negócio são relativamente pequenos. mas de competência e inúmeros fatores externos. Renovar/2004. II e III da Lei n. que. saraiva/2004. apenas a boa intenção não será suficiente. entre outros. 991 a 996. por isso. § 31 da constituição da República. durante um bom tempo ele não ouvirá a expressão “tirar férias”. e) não conseguirá seu registro no Cadastro de Contribuintes Fiscais – CNPJ. f ) não conseguirá seu registro no Cadastro de Contribuintes da Seguridade Social. com isso. a causa deste anonimato não pode ser ilícita.479. pg. 73 74 art.302.º 8. O Empresário precisa ter conhecimento e capacidade para administrar seu negócio com efetividade. embora constituída mediante art. bancos. 76 Fábio ulhoa coelho in curso de Direito comercial.666/93. 7ª edição. josé Edwaldo Tavares Borba in Direito societário. – Facilidade para a dissolução da empresa (“baixa no seu registro” como empresário. ficará dependente de fornecedores. pois o objeto do contrato tem que ser lícito – art. um contrato “que o legislador. empregados. impropriamente. geralmente. deixando-as livres para outras empreitadas ou mesmo servindo para manter uma das partes (sócio participante) no anonimato. pois dependerá dele o empenho para atingir as metas traçadas. A Sociedade em Conta de Participação – SCP – é considerada.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa d) não poderá participar de licitações públicas73. Outras desvantagens em ser “Empresário Individual”. 104. preferem ficar ocultas (não aparecer). Exigirá muitas horas diárias de trabalho. pela doutrina. – Pode haver restrição para a obtenção de créditos junto às instruções financeiras. uma sociedade não personificada. são: – Seus bens pessoais ficarão comprometidos e serão alcançados por obrigações contraídas no exercício da atividade empresarial – A firma individual é intransferível por tratar-se do próprio nome civil do Empresário (“a pessoa natural não é passível de alienação”). denominou sociedade”76 – ou. Pessoas com recursos disponíveis e que desejam investir numa atividade empresarial. III. clientes. no mesmo sentido: Ricardo negrão in manual de Direito comercial e de Empresa. 4ª edição. II do código civil. 9ª edição. mas isto apenas por conveniência ou oportunidade75. do governo etc. pg. sendo impossibilitado de contratar com o Poder Público. 28. 195. optam por celebrar um contrato de sociedade em conta de participação. celebra com outra o contrato de participação onde unirão esforços para alcançar o fim determinado. 75 Existem pessoas que desejam investir em operações de risco e.94. riscos e sacrifícios. podendo enquadrar-se no SIMPLES. como denomina o Código Civil. uma sociedade que não preenche alguma das condições previstas em edital de licitação. Cumpre agora analisarmos os modelos de sociedades mais utilizados para pequenas e médias empresas: a Sociedade em Conta de Participação – SCP (apesar de não ser um modelo societário. assim como. na junta comercial). ele terá menos tempo disponível para a família. Esta “sociedade” merece destaque.74 Ao sugerir para o cliente a modalidade “Empresário Individual”. Importante frisar que para o negócio ser bem sucedido não depende só de sacrifícios e da vontade de ganhar dinheiro. mas sim um contrato. uma vez que viabiliza composições entre partes que objetivam determinado negócio. – Possui total autonomia administrativa e participação integral nos lucros. o Código Civil a elenca como modelo societário) e a Sociedade Limitada – LTDA. saraiva/2005. – Pode haver dificuldades para conseguir prazo para faturamento junto aos fornecedores.

parágrafo único do art.087). 79 80 81 art. j. legalmente. salvo no caso de participar ativamente nas negociações com terceiros. O sócio ostensivo é quem exerce a atividade constitutiva do objeto social.º 8. obriga-se perante terceiro tão-somente o sócio ostensivo. responderá solidariamente com ele no negócio que interveio.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa instrumento escrito. no sentido de que “embora não obrigatoriamente. pode ser provada por quaisquer dos meios admitidos em direito e. pg. “e”. Vimos então que a SCP independe de qualquer formalidade legal para sua constituição. Ele deve prestar contas perante os demais sócios ocultos. pg. mesmo que o contrato por alguma razão venha a ser registrado. participando os demais dos resultados correspondentes. entendendo estes autores que “por não ser clandestina ou propriamente secreta.. IX. se tomar parte nas relações do sócio ostensivo com terceiros. Sua constituição independe de qualquer formalidade e pode provar-se por todos os meios de direito77 e. O sócio participante não contrata com ninguém. não formalizou o arquivamento do seu ato constitutivo em registro competente.934/94)82”. contratar a conta de participação por escrito. “trabalho”. O arquivamento pode ser feito. Do Direito de Empresa (arts. exclusivamente perante este. FGV DIREITO RIO 58 . 992 do código civil. ostensivo e participante.. para o negócio (dinheiro. em sócio oculto. terá sempre direito de fiscalizar sua gestão80. os seus atos possam vir a ser conhecidos de terceiros”81. sendo certo que. este eventual registro não confere personalidade jurídica a SCP. A possibilidade de levar a registro o contrato de participação. afigurando-se. 991 – código civil. somente entre os “sócios” produzirá efeitos jurídicos (não tendo força contra terceiros). penalva santos in comentários ao código civil Brasileiro. e providenciar o respectivo arquivamento no Registro de Empresas. não lhe será atribuída personalidade jurídica. Desta forma. não pode usar razão ou denominação social. mesmo que seu ato constitutivo seja arquivado em órgão competente. orienta o Prof. José Edwaldo Tavares Borba. Admitindo o registro como forma de evitar que o sócio participante seja confundido com “sócio” de uma sociedade em comum (leia-se: responsabilidade ilimitada). Cunha Gonçalves e José Eunápio Borges. e embora não possa administrar a sociedade. Portanto. A forma de contribuição dos sócios. como o direito comercial aduzia. Forense: Rio de janeiro/2005.a. importância do registro. b) Sócio ostensivo (empreendedor) – é aquele que se obriga perante terceiros sendo sua responsabilidade ilimitada. mesmo as que optarem pelo registro não alcançarão o status de personalidade jurídica. vol. As partes possuem a seguinte denominação: a) Sócio participante/investidor (antigo sócio oculto do Código Comercial – art. 325) – é aquele que se obriga exclusivamente ao sócio ostensivo.95. pois. para não se exporem a elevados riscos. 161. Contudo. os sócios participantes só devem explicações ou responsabilidades perante o sócio ostensivo. 32. porém admitida por Pontes de Miranda. e. o sócio participante79. da Lei n. 996 a 1. O sócio participante poderá ser mais de uma pessoa natural e/ou jurídica. foi rejeitada por Carvalho Mendonça. como não tem personalidade jurídica. mesmo assim. em seu nome individual78 e sob sua exclusiva responsabilidade. uma vez que ela tem que ser efetiva. devem os participantes. imóvel. 82 in Direito societário. 77 78 art. pois qualquer ato de interesse do empresário é passível de arquivamento na Junta Comercial (art.) deve estar prevista no instrumento contratual. 993 do código civil. II. Renovar/2004. nos termos do contrato. 9ª edição.

ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa Havendo a falência do sócio ostensivo (sendo ele sociedade empresária) acarretará na dissolução da “sociedade” e a liquidação da respectiva conta. sem prejuízo do recolhimento do imposto e das contribuições incidentes sobre suas próprias receitas ou resultados. No que se refere à alteração do quadro societário. VI da Lei 11. Inteligência do artigo 808.1-A sociedade em conta de participação é contrato associativo no qual existem as figuras do sócio ostensivo e do sócio oculto ou participante. apresentação da declaração de rendimentos e recolhimento do imposto devido pela sociedade em conta de participação86. que geralmente é o prestador de capital. sendo responsável pelo recolhimento aDI sRF 14/2004. FERDINALDO DO NASCIMENTO .fazenda. assumir os riscos do empreendimento junto a terceiros. sem. Quanto à resolução de questões não previstas no contrato. na qualidade de sócia ostensiva. aplica-se. 2007. poderá decidir quanto ao ingresso de novos sócios em havendo cláusula contratual neste sentido.2-Ao sócio ostensivo compete explorar. o artigo 995 confere uma “certa proteção” ao sócio participante que. MILTON FERNANDES DE SOUZA . Ao sócio ostensivo compete a responsabilidade pela apuração dos resultados. o ato constitutivo ficará sujeito às normas que regulam os efeitos da falência nos contratos bilaterais do falido85. A liquidação da sociedade em conta de participação. 996 do Código Civil. 994 §2º do código civil.3-E ao sócio oculto ou participante. seja em relação aos lucros auferidos. compete a participação nos resultados da exploração do objeto.QUINTA CAMARA CIVEL 83 84 art..101/05 (Lei de Recuperação da Empresa – LRE) 85 86 art. DISSOLUÇÃO E DIVISÃO DE BENS. incabível é a devolução dos valores investidos pelo sócio participante sem que haja a dissolução da sociedade. DES.br/netahtml/ decisoes/decw/pesquisasOL.25419 – APELACAO. com a devida apuração dos haveres. e a sua liquidação rege-se pelas normas relativas à prestação de contas. é pago depois dos créditos privilegiados e daqueles que têm garantias reais84). seja em relação ao patrimônio especial. contudo. art. 83. RECURSOS CONHECIDOS E DESPROVIDOS. PEDIDOS IMPROCEDENTES. a exemplo do que ocorre com a sociedade em comum. observando-se as normas relativas à prestação de contas. cujo saldo constituirá crédito quirografário83. LIQUIDAÇÃO. em que a administradora (empresa hoteleira) é a sócia ostensiva. NECESSIDADE. DISSOLUÇÃO.) § 4º É a administradora (empresa hoteleira).APELACAO SOCIEDADE EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO. através de sua liquidação. Já na hipótese de falência do sócio participante. apesar de não ter poder de mando.2-Desta forma.001. IMPOSSIBILIDADE. Julgada improcedente a ação principal. DES.. subsidiariamente e no que com ela for compatível. htm FGV DIREITO RIO 59 . no processo de falência.Julgamento: 13/11/2007 . 994 §3º do código civil.gov. o disposto para a sociedade simples. artigo Único: (. Sentenças que se mantém. duas decisãões do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro: SOCIEDADE POR CONTA DE PARTICIPAÇÃO. 2007. constitui-se uma sociedade em conta de participação. desaparece a plausibilidade do direito invocado. em nome individual e sob sua responsabilidade. cessando os efeitos da liminar concedida. Confiram-se. de acordo com o art.Julgamento: 10/07/2007 . na forma da lei processual. seguem decisões administrativas da Secretaria da Receita Federal87: SOCIEDADE EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO. ou seja. nesse sentido. destituídos de qualquer privilégio ou preferência (sendo crédito sem garantia. 87 Disponível em: http://decisoes. reger-se-á pelas normas relativas à prestação de contas. obedecendo ao rito da lei processual civil. a responsável pelo recolhimento do imposto e das contribuições devidas pela scp. No sistema de locação conjunta denominada de pool hoteleiro.001.DECIMA NONA CAMARA CIVEL. Sobre o assunto.51470 . CAUTELAR INOMINADA. o objeto definido no contrato de participação. III do CPC.

254.2006 -8ª RF). (Solução de Consulta 27. fundo de investimento imobiliário – fii. pagos ou creditados pelas pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real.2000. os rendimentos recebidos pelo sócio participante em decorrência da locação da unidade imobiliária (ou qualquer outra forma de distribuição de lucros).R. domiciliado no país ou no exterior. (Solução de Consulta 3. nem integrarão a base de cálculo do imposto de renda do beneficiário.2006 -1ª RF) SOCIEDADE EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO – Os resultados da sociedade em conta de participação devem ser apurados em separado dos da própria pessoa jurídica que é o sócio ostensivo. de 25. não ficarão sujeitos à incidência do imposto de renda na fonte. da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins)89. que por sua vez já deverá ter pago os tributos pertinentes à empresa. II.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa dos tributos segundo as normas aplicáveis às pessoas jurídicas em geral. são isentos de tributação (art. Recorrida/interessado: DRJ-SÃO PAULO/SP.J. da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). seguem as normas gerais aplicáveis aos pagamentos efetuados por pessoa jurídica aos seus sócios. Data da Sessão: 22/08/2001). onde a administradora (incorporadora) é a sócia ostensiva e os proprietários das quotas referentes às unidades imobiliárias são os sócios participantes. presumido ou arbitrado. (1º Conselho de Contribuintes / 8ª. transcrevemos a seguinte decisão administrativa: Ementa: I. a título de exemplo. Assim sendo. e como tal. 10º da Lei n. a responsabilidade pelos tributos e contribuições sociais devidos pela SCP. – SOCIEDADE EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO – Provado nos autos: i) que no contrato celebrado entre as partes constam elementos que caracterizam a sociedade em conta de participação. 10º Os lucros ou dividendos calculados com base nos resultados apurados a partir do mês de janeiro de 1996. de 25.06. 149. enquanto perdurar um parcelamento anterior no CNPJ do sócio ostensivo. O sócio ostensivo assume. 88 ato Declaratório Interpretativo (aDI) sRF 14/2004 – Dispõe sobre a tributação das atividades do sistema de locação conjunta de unidades imobiliárias denominado de pool hoteleiro. (Recurso: 125570. 991 do CC). ii) que o sócio oculto reconheceu o resultado obtido em sua declaração de rendimentos.º 9. Assim. os rendimentos provenientes da distribuição de lucro serão isentos e não tributáveis. 148. A expressão “mercado de capitais” costuma ser diretamente associada à compra e venda de ações em bolsas de valores. uma vez que essa tributação já ocorreu dentro da Sociedade em Conta de Participação (leia-se: sócio ostensivo). esta operação é apenas uma fração FGV DIREITO RIO 60 . assim como na tributação dos lucros apurados e dos distribuídos. em decorrência de previsão legal (art. iii) deve ser reconhecido o direito do sócio ostensivo excluir da incidência do imposto a parcela de lucros atribuída aquele sócio.000/99 (RIR/99) art. Apesar de expressiva.249/95)90. na apuração dos resultados dessas sociedades. seja o mesmo decorrente de autuações próprias ou da SCP. as sociedades em conta de participação são equiparadas às pessoas jurídicas. Recurso provido por unanimidade. SOCIEDADE EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO.2000) Continuando na seara tributária. há vedação à concessão de um novo parcelamento.134 em 07. PARCELAMENTO. pessoa física ou jurídica. Neste sentido. Câmara / ACÓRDÃO 108-06. Recurso provido em parte. SÉTIMA CÂMARA – 1º CONSELHO DE CONTRIBUINTES. ou seja. Uma vez distribuídos.08. Decreto 3. os lucros deverão estar tributados na contabilidade do sócio ostensivo.01.02. A SCP é equiparada às pessoas jurídicas pela legislação do Imposto de Renda88. 89 90 art. é contribuinte do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ). podemos citar uma SCP constituída com o objetivo de lucro comum. art. para locação conjunta de unidades imobiliárias denominado de “pool hoteleiro”. serão observadas as normas aplicáveis às pessoas jurídicas em geral e o disposto no art. Publicado no DOU em: 22. Da mesma forma.P.

ou seja. aos quotistas.ex. e. títulos e valores mobiliários não negociados em bolsas. O investimento em ações requer muita disciplina. Há ainda outro atrativo: é possível vender parte das quotas sem precisar mexer no investimento total. a comercialização depende da existência de compradores e vendedores dispostos a negociar. na aquisição de imóveis prontos. o fundo imobiliário tem que estar listado em Bolsa93. pegar a quantia estipulada (20 mil) e então escolher outra forma de investir os R$ 91 Também conhecido como “over-the-counter”. Porém. ele precisará vender o imóvel. deve ter informações econômicas suficientes para a tomada de decisão do investidor. especialista da coinvalores. as vantagens são. que estava em aplicação financeira. explica sérgio Belleza. 93 FGV DIREITO RIO 61 . dentro das normas legais e de autoregulação previstas em lei e regulamentos” (Dicionário de Finanças do site da BOVEspa). (fonte: IsTO É Dinheiro em 12/01/2006). sem dúvida. locação ou arrendamento.5% a 15% sobre o ganho dependendo do prazo da aplicação. Criados em junho de 1993.. cada investidor não pode deter mais de 10% das cotas ou dos rendimentos totais do fundo. da Lei nº 9. 92 n. se um investidor possuir R$ 100 mil aplicados diretamente num imóvel e necessitar de R$ 20 mil para fazer comprar um carro. “a bolsa é a porta de saída mais eficiente para o investidor que queira se desfazer do investimento. Com a aprovação da “MP do Bem” transformada na Lei 11. quando for o caso. Os recursos provenientes podem ser aplicados no desenvolvimento de empreendimentos imobiliários. É a CVM que verifica se o fundo cumpre as normas legais para sua existência. Na diferenciação entre investir em um Fundo de Investimento Imobiliário ou de Renda Fixa temos que este paga IR regressivo de 22. se no final de 6 meses o fundo não tiver vendido as quotas para realização do empreendimento. com o limite mínimo de 50 quotistas. ou no investimento em projetos que viabilizem o acesso à habitação e serviços. os FII’s. da Instrução CVM nº 205/94 e regras posteriores. de Renda Variável paga 15% de IR com isenção até 20 mil/mês. ele deve ser pessoa natural. p. os fundos imobiliários são uma boa opção.a. são veículos de investimento coletivo formados a partir da captação de recursos por meio do sistema de distribuição de valores mobiliários. que isentou a alíquota de 20% de Imposto de Renda. n. pois é a única forma de ele ter certeza de que o preço é justo”. em mercado de balcão91 onde a negociação não gira somente em torno de ações de sociedades de capital aberto. a definição do valor da quota se dá em razão da sua atratividade. O retorno do capital investido se dá através da distribuição de resultados. para posterior alienação. na construção de imóveis. Para quem não quer se envolver diretamente na administração do investimento e pretende alguma segurança. instrumentos financeiros. É um fundo fechado.668/93. Os FII’s são regulamentados pela Comissão de Valores Mobiliários – CVM.ex. p. que autoriza seu funcionamento e faz o acompanhamento de seus demonstrativos financeiros. O estudo de viabilidade econômica deve ser feito pelo próprio investidor a partir dos dados do prospecto de lançamento das quotas.779/99. para o investidor usufruir da isenção do imposto. No entanto a CVM não garante que o investimento seja seguro ou rentável. ou. pois o investidor precisa acompanhar de perto se aquela sociedade em que investiu está dando o retorno esperado. onde o investidor paga uma alíquota de 27. como a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) e a Sociedade Operadora do Mercado de Ativos (Soma).5% sobre o valor dos aluguéis e indiscutivelmente possuem menor liquidez do que os fundos.a. Em relação a investir diretamente em um imóvel. Assim.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa dos papéis que podem ser negociados em mercados organizados. Além disso. tanto no preço dos papéis quanto no pagamento de dividendos. nem todos os FII estão listados em Bolsa. os FII’s se tornaram mais atraentes. O prospecto. já que as negociações destas quotas no mercado secundário ocorrem num ambiente pouco transparente: o mercado de balcão. terá que devolver o dinheiro. que é determinada pelas características do FII. nos termos da Lei nº 8. da venda das quotas ou.196/05. não permite resgate das quotas92. na dissolução do fundo com a venda dos seus ativos e distribuição proporcional do patrimônio aos quotistas. que é verificado pela CVM. a aprovação da “mp do Bem” serviu de estímulo para que as administradoras de FII coloquem seus produtos no Bolsa. a isenção de IR (conforme o caso) e a maior liquidez. é o local “onde se opera com ativos.

não tem compromisso de garantir recompra das quotas. a propriedade de quotas não confere aos seus titulares a propriedade sobre os imóveis que integram o patrimônio do Fundo ou sobre fração ideal específica destes imóveis. apesar de os FII’s terem suas carteiras de investimentos constituídas por imóveis ou por direitos relacionados a imóveis. O FII Torre Almirante foi lançado em 21 de junho de 2004. Na cidade do Rio de Janeiro. Se esses R$ 100 mil estiverem aplicados num fundo imobiliário. a Petróleo Brasileiro S. Estas classes têm grande parte de seus investimentos concentrada nesses ativos. a negociação para a venda de quotas tem que ser realizada no mercado secundário.00. gov. O reajuste do aluguel é anual. os REIT’s são condomínios que agregam recursos para investir na área imobiliária. dividida em três tranches. Para elucidar o disposto acima. Para os investidores de menor porte. O cliente acompanhará os seus rendimentos nos extratos mensais enviados pela CBLC – Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia. geralmente voltados para a renda.700 quotas disponíveis. os FII’s são conhecidos como REIT (Real Estate Investment Trust) e foram criados na década de 60. a partir daí. ou seja. ambiente “mega Bolsa”.A. passaram a ser realizadas diariamente. – MORTGAGE REIT’s: Formados por hipotecas e outros tipos de financiamentos concedidos a compradores de imóveis. tendo sido planejado e construído com a mais alta tecnologia. foi concluída em 16/05/2005. as negociações (compra e venda) de quotas do FII Torre Almirante. claro que o investidor poderá encontrar dificuldade para a venda de suas quotas. um imóvel localizado na Avenida Almirante Barroso nº. ela não é imediata. onde corretores negociam as quotas em nome dos quotistas dispostos a vender ou comprar.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa 80 mil restantes. que é uma instituição financeira. para as classes A e B. analisaremos o caso do investimento em FII’s do setor hoteleiro. Embora. Tem como lastro o Edifício Torre Almirante. o administrador. 81. através de leilões (call) no ambiente Mega Bolsa da BOVESPA – Bolsa de Valores de São Paulo. com a venda de todas as 104. possuindo. Essa negociação é realizada na Bolsa de Valores de são paulo (BOVEspa). elevado grau de transparência. hipotecas. Nos Estados Unidos. e – HYBRID REIT’s: Misturam as duas estratégias (híbridos).000. FGV DIREITO RIO 62 . Os rendimentos provenientes do aluguel do imóvel são rateados entre os quotistas e distribuídos mensalmente. os FII’s significam a possibilidade de entrar no mercado imobiliário devido à pulverização do valor do empreendimento em quotas vendidas a preços acessíveis. em especial. com aplicação mínima de R$ 1. O prédio possui 36 andares. depois de deduzidas as despesas de responsabilidade do fundo. portanto. que será administrado pelo Banco Ourinvest S/A. comparado a um imóvel. títulos imobiliários. Também são isentos do pagamento de alguns impostos. pois como os FII são “fundos fechados”. mobilizando bilhões. São classificados em três tipos. A rentabilidade para os investidores virá dos aluguéis pagos pela locatária ao Fundo. no centro do Rio de Janeiro. podemos citar dois exemplos: – Fundo de Investimento Imobiliário Torre Almirante95. com base no IGP-M. renováveis pelo mesmo período. pelo prazo de 60 meses. Em setembro de 2004. entre eles o Imposto de Renda. ele poderá negociar algumas de suas quotas em quantidade suficiente para alcançar o valor desejado94.caixa. Representam a maioria do mercado.a. 94 95 Fonte: http://www.br/voce/produtos/fundos_de_investimento/fundos_imobiliarios/asp/torre_almirante. n.asp. Os rendimentos são pagos até o 10º dia útil de cada mês. Entretanto. depois de encerrada a emissão primária. o FII tenha maior liquidez. os FLAT’s. entre outros. – PETROBRAS firmou contrato para locação de 99. somente.3% da área bruta locável do imóvel. Assim como os FII’s. pelo conceito de tipo de investimento: – EQUITY REIT’s: São aqueles que investem em imóveis. podendo ter em suas carteiras imóveis. etc. O mercado secundário96 teve início em 07/06/2005. Investir na aquisição de imóveis é uma tradição brasileira possível. 96 O mercado secundário corresponde à negociação de títulos e valores mobiliários onde os investidores compram e vendem ativos entre si. A distribuição primária.

º 5. inclusive a aplicação de penalidades. haja vista a desnecessidade da escritura de compra e venda. de 12. Esse fundo. II – converter os grupos já formados para a modalidade de consórcio de imóveis. onde proíbe a atividade irregular em questão. embutido na prestação mensal. e todos recebem pela média de ocupação do empreendimento. para a formação de um fundo social mediante o pagamento de prestações com valor pré-estabelecido. podendo superar de 50% a 100% o valor da locação residencial. com a nova redação dada pela Lei n. reduz-se o risco de perdas com desocupação ou inadimplência e garante-se um retorno. a partir de 1° de maio de 1991. fazendo crer que se trata de um fundo imobiliário.. Em verdade. coloca várias quotas à disposição dos investidores. na verdade. 7° e 8° da Lei n° 5. Com isso. ou III – dissolver os grupos já formados. Um outro problema enfrentado. O lucro da aplicação é proveniente do aluguel do imóvel. A comprovação dessa prática por pessoas. O tamanho médio dos flat’s acompanha o dos quartos de hotel. muitas pessoas procuram incorporadoras no intuito de adquirir um flat para residir (e não alugar = investimento).. a incorporadora. é possível comprar um bom flat. 102 FGV DIREITO RIO 63 . consiste na formação de “Sociedades em Conta de Participação”. consoante o disposto na circular 3. fundo mútuo e outras formas associativas assemelhadas. Os preços dos aluguéis de flat normalmente são elevados. de seguro. O problema é que muitas incorporadoras não informam ao interessado que aquele imóvel faz parte de um fundo imobiliário e que. que tenha como público-alvo o cliente que se hospeda por pouco tempo. levadas a cabo por sócio ostensivo de sociedade em conta de participação. no que se refere às operações conhecidas como consórcio. que. são transferidas ao Banco central do Brasil as atribuições previstas nos arts. o sócio ostensivo capta recursos financeiros dos consumidores (que são os sócios participantes).177. na verdade. 7º e 8º da Lei 5. elas funcionam como uma espécie de “consórcio”. para captação antecipada de poupança popular destinada à aquisição. é o capital a ser liberado pelo sócio ostensivo para o cumprimento do fim social. a fiscalização das operações mencionadas neste artigo.768/71103. sem prévia autorização nos termos dos arts. mas como oficialmente são sociedades em conta de participação. constitui-se de práticas abusivas rotineiras de mercado. entre 28 m² e 30 m². por um valor bem inferior ao preço de um apartamento. não importando se uma unidade específica foi ou não ocupada. carecem de amparo legal.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa Adquirindo quotas de um fundo de investimento imobiliário. Na prática acontece assim: mediante a celebração de contratos denominados “Instrumento Particular de Adesão à Sociedade por Conta de Participação”.768. despesas gerais e taxa de administração. de 1 de março de 1991. sujeita os responsáveis às sanções previstas na Lei n. talvez menos expressivo – considerando o desconto com o pagamento de impostos. de 7 de dezembro de 2001. art. não autorizadas a funcionar conforme o art.691/88. de 20 de dezembro de 1971. parcial ou 100 Isso acontece porque as unidades são “vistas” como um só grupo e a receita de cada investidor vem do índice de ocupação de todo o conjunto. Vislumbrando a facilidade na “aquisição” do flat e não se importando com a sua metragem. constituição e funcionamento de grupos organizados por meio de sociedades em conta de participação e que visam a aquisição de bens. A promessa de venda de bens a varejo mediante oferta pública e com recebimento antecipado. em localização privilegiada.06.609. ao ler o contrato. transferindo-os para administradoras de consórcio autorizadas pelo Banco central do Brasil. que chega a 19% ou mais do valor da prestação. Isso porque o rendimento é sempre rateado entre os proprietários das quotas. no prazo prometido. conferindo ao investidor maior rentabilidade. até que. de modo a preservar o poder de compra dessas parcelas. e é fundamental que tenham bons serviços e estruturas modernas. Os proprietários das quotas dividem os custos e os lucros. 33. Como o fundo é formado por um sistema de quotas. construção ou reforma de imóveis ou de outros bens. dependendo da localização do imóvel e da infra-estrutura de serviços e lazer.768. que fere de morte os direitos do consumidor e. inclusive. naturais ou jurídicas. mesmo que o seu flat não tenha sido usado em determinado mês100. que objetivem a aquisição de bens de qualquer natureza. parágrafo único. Os sócios participantes também pagam um percentual. que é dividido entre os investidores. assim. e 33 da Lei 8. ele não estará adquirindo a propriedade do imóvel. infelizmente.º 7. O consumidor paga várias prestações. dependente de prévia autorização do Banco Central. segundo as seguintes alternativas: I – solicitar ao Banco central do Brasil autorização para administrar grupos de consórcio.177/91.070.. editou o Comunicado BCB nº 9. de fundo de reserva. mas garantida. de 20 de dezembro de 1971.º 8. fogem da fiscalização do Banco Central. descobre que nada vai receber e. 101 Em face da propaganda. será exercida pelo Banco central do Brasil. esclarecemos que tais práticas. ficando a cargo do sócio ostensivo a responsabilidade pelos custos dessa conversão. atividade essa integralmente regulamentada por legislação específica. verifica que entrou em uma sociedade em conta de participação e não terá ressarcimento do que pagou. o investidor passa a ter uma receita mensal variável. garantindo-se os direitos dos atuais participantes aos valores já desembolsados. informamos que as empresas que vêm arregimentando grupos para as operações acima configuradas deverão regularizar sua situação de imediato. 33102 da Lei n. em vez de vender os apartamentos. Dessa forma. a título de taxa de admissão e de administração.2002101.

visto que somente o montante investido na composição do capital social seria alcançado por terceiros.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa total. As sociedades limitadas que já existem.. 7º: a) multa de até cem por cento das importâncias previstas em contrato. o contrato não se resolverá de pleno direito pois como estará sujeito às normas da Lei 11. Renovar/2004. sem prévia autorização. 328 do código comercial). Algumas vantagens na constituição de uma Sociedade em Conta de Participação. que deverá ser habilitado no passivo falimentar105. sujeita os infratores às seguintes sanções. criou um tipo societário intermediário entre a sociedade de capital e a de pessoas106. – Responsabilidade apenas do sócio ostensivo. O legislador brasileiro.708/19 foi bastante criticado pela doutrina “e tinha na lei das sociedades anônimas. em 1892. A criação da sociedade por quotas de responsabilidade limitada atendeu aos interesses dos comerciantes da época. baseou-se no modelo português quando. haverá a possibilidade do Administrador mantê-lo104. 105 Entendemos como desvantagem apesar de na legislação comercial (art. ir contra um bem afetado à SCP (haja vista não existir separação entre o patrimônio do sócio ostensivo e da SCP perante terceiros). nas sanções previstas neste artigo quem. – Falta de instrumento escrito e de publicidade não a desnaturam. josé Edwaldo Tavares Borba in Direito societário.º 3. recebidas ou a receber. art. o Decreto n. parágrafo único. o sócio oculto não poderia nem se habilitar na falência como credor. SOCIEDADES LIMITADAS. deverão adequar-se à nova legislação através do seu contrato social bem como cumprir uma série de exigências antes aplicáveis somente às Sociedades por Ações. b) proibição de realizar tais operações durante o prazo de até dois anos. Seguindo este modelo. Com base nas private companies inglesas. uma legislação supletiva das omissões do contrato social”107. – Com a falência do sócio participante. Apesar de resumir-se em 18 artigos. assim.. com a falência do sócio ostensivo. também. pg. em 1901. Ou seja. são: – Facilidade em atrair sócios capitalistas que não desejam “aparecer”. do respectivo preço. 12. – Pode ter caráter permanente. que é constituída para a realização de um negócio determinado e se extingue após a consecução. o legislador alemão.708/19. – Com a falência do sócio ostensivo. que invocava expressamente. prometer publicamente realizar operações regidas por esta Lei. 9ª edição. – Possibilidade de o sócio participante contribuir para o negócio com mão-de-obra e/ ou conhecimento técnico. art 17. as contribuições do sócio oculto serviam para o pagamento de credores. nos têrmos das respectivas legislações. da precitada Lei n.º 3. 117. ao comerciante era garantida a não afetação de seu patrimônio particular por dívidas contraídas pela sociedade. responsabilidade de cada sócio pelo valor da quota subscrita e responsabilidade subsidiária e solidária de todos pelo pagamento da quota não integralizada. nela prevendo um capital e valor mínimo de cada quota. qualquer saldo apurado em favor do sócio participante terá a natureza de crédito quirografário.101/05 (LRE). a título de taxa ou despesa de administração. 106 É a chamada: Gesellschaft mit Beschänkter haftung. responsabilidade limitada ao fundo com que concorreu. – Mobilidade no ingresso e saída dos sócios. aplicáveis separada ou cumulativamente: (. a realização de operações regidas por esta Lei. configura atividade abarcada pela norma do artigo 7.768/71.708 de 1919 encontra-se revogado pelo Código Civil de 2002 que trouxe profundas mudanças para as sociedades limitadas108. Portugal.. que necessitavam garantir seu patrimônio pessoal de forma que não fosse alcançado por dívidas da sociedade..) II – nos casos a que se refere o art. 107 108 inclusive a nova expressão: “sociedade limitada” e não mais “sociedade por quotas de responsabilidade limitada”. Os contratos bilaterais não se resolvem pela falência e podem ser cumpridos pelo administrador judicial se o cumprimento reduzir ou evitar o aumento do passivo da massa falida ou for necessário à manutenção e preservação de seus ativos. Incorre. a aplicação das penalidades previstas nesta lei não exclui a responsabilidade e as sanções de natureza civil e penal. diferente de uma Sociedade de Propósito Específico – SPE. O Decreto nº 3. adquirindo. inciso II. introduziu em nosso ordenamento jurídico as sociedades por quotas de responsabilidade limitada. 103 104 art. E como desvantagens: – Possibilidade de um credor do sócio ostensivo. por meio do Decreto n. mediante autorização do comitê. A partir de então. o que tornava a sua interpretação e aplicação muito flexíveis.100. FGV DIREITO RIO 64 . sancionou lei semelhante.º 5. em desacordo com as normas aplicáveis.º.

602. sua estrutura é pouco complexa e de baixo custo para manutenção.: necessidade de aprovação anual do balanço.1%110 dos registros. 4. a sociedade limitada é a forma jurídica mais utilizada para atuação da pequena e média empresa. enquanto não integralizado o capital social. Analisando somente o registro de sociedades. As sociedades em nome coletivo apresentam como novidades o fato de somente pessoas naturais poderem ser sócias e a exigência que os seus administradores (gerentes. – Tipo societário viável também para grandes empresas. no período de 1985 a 2005.dnrc.080 (0. segundo o qual os credores de um dos sócios não podem promover a liquidação da(s) quota(s) deste sócio enquanto a sociedade estiver em vigor. – Apesar das modificações inseridas pelo Código Civil de 2002 que engessou a sociedade limitada.257 (48. 1.2%) são referentes à atividade de Empresário.br sociedade anônima: 20.com.043 do Código Civil. – A responsabilidade dos sócios é limitada ao montante do capital social.569.br 111 FGV DIREITO RIO 65 .534. fechamento do capital e transformação de sociedades anônimas em limitadas.890 registros realizados. – A movimentação de ingresso e saída de sócios não é simples.111 Há alguns modelos societários – mantidos pelo Código Civil de 2002 – que costumam passar despercebidos. na terminologia anterior ao Código Civil) sejam também pessoas naturais. a Sociedade Limitada é aquela que tem seu capital dividido em quotas e na qual a responsabilidade dos sócios é limitada ao valor de suas quotas.288 (51. teXto: as soCiedades em nome CoLetiVo e em Conta de partiCipação Como estratégias de negóCios. em regra. pois são excelentes veículos para a concretização de negócios.080. 1.9% e as demais.ibcbrasil.346. a principal novidade das sociedades em nome coletivo encontra-se no art. dos 8. através de empréstimos bancários. este chega a 4. No entanto. Por ser uma estrutura societária sem muita complexidade e com baixo custo de manutenção. e cujo nome empresarial deve necessariamente constar o termo “limitada” ou sua abreviação “ltda”. sendo as Sociedades Limitadas responsáveis por 98. gov. aproveitando que estas não estão submetidas ao regime de publicidade. 4. Algumas vantagens na constituição de uma Sociedade Limitada: – Modelo societário é conhecido da doutrina e da jurisprudência com boa fonte de direito para solução das controvérsias. com o respectivo registro na Junta Comercial ou no Registro Civil de Pessoas Jurídicas). 110 autor: josé Gabriel assis de almeida – 25/nov/2005 – Fonte: www. pois lhe é vedada a emissão de valores mobiliários para captação de recursos no mercado. acarretando em despesas próprias para a atenção de tais regras (ex.3%) são Sociedades Limitadas e 20. cooperativas: 21. Segundo dados estatísticos do DNRC – Departamento Nacional de Registro do Comércio109.731. na forma original ou mediante o processo de aquisição do controle de companhias abertas.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa Em linhas gerais. E como desvantagens: – Não tem muita facilidade de financiamento de suas atividades. 109 Fonte: http://www. – Estrutura ao alvedrio das regras de direito societário. O acesso ao crédito se dará.915. Tratam-se fundamentalmente das sociedades em nome coletivo e das sociedades em conta de participação.22%) são Sociedades Anônimas. sendo solidária. outros tipos: 4.300. Sobre os negócios é compartilhada pelos sócios. mas que merecem um exame com um pouco mais de atenção.

as contribuições do(s) sócio(s) participante(s) e do sócio(s) ostensivo(s) irão constituir um patrimônio especial. encontrarão no ativo do empresário quotas da sociedade em nome coletivo. Deste modo. tendo um sócio uma dívida particular. considera esse empreendimento incerto. 1. deles podendo usufruir o empresário. A regra do art. no Cartório do Registro Civil das Pessoas Jurídicas ou no Cartório de Registro de Títulos e Documentos.043 do Código Civil. devendo aguardar o término – que o empresário terá o cuidado de fixar a longuíssimo prazo. Já a sociedade em conta de participação é um meio rápido.043 do Código Civil. subscreve o capital da mesma. No entanto. A sociedade em conta de participação é composta por um ou mais sócios ostensivos e por um ou mais sócios participantes. por razões diversas. FGV DIREITO RIO 66 . Enquanto isso. os bens pessoais serão substituídos por quotas da sociedade em nome coletivo. Assim. seguro e não burocrático de captar recursos ou distribuir resultados. o empresário constitui então uma sociedade limitada ou uma sociedade anônima através da qual irá realizar o novo empreendimento. Nos termos do art. os credores não poderão promover a liquidação dessas quotas. e integraliza o que subscreveu transferindo a esta sociedade os seus bens pessoais que pretende preservar. os terceiros credores do sócio ostensivo (ainda que por créditos estranhos à atividade desenvolvida pelo sócio ostensivo em prol da sociedade em conta de participação) poderão penhorar e promover a alienação desse patrimônio especial. Com os ativos que não se encontram na sociedade em nome coletivo. é fácil vislumbrar a seguinte situação: Um empresário deseja se lançar num novo empreendimento. esta especialidade patrimonial não é oponível a terceiros. em regime de comodato ou locação. da sociedade em nome coletivo. Ou seja. Neste caso. no ativo do empresário. 1. sendo em seguida o devedor excluído da sociedade. a sociedade em conta de participação não está sujeita a inscrição no Registro Público de Empresas Mercantis. Preventivamente. por exemplo) para atuar como sócia ostensiva.026 do mesmo Código segundo o qual os credores de um dos sócios podem requerer judicialmente a liquidação da(s) quota(s) do sócio. Mais ainda. a sociedade em conta de participação tem duas grandes vantagens: (i) a celeridade de sua constituição e (ii) o sócio participante não é conhecido por terceiros. pela sociedade. No entanto. a sua parte na sociedade será apurada e o valor correspondente à mesma será depositado judicialmente. recebendo as contribuições dos sócios participantes. Esta sociedade não constitui uma nova pessoa jurídica.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa Esta regra é uma exceção ao disposto no art. não desejando arriscar o seu patrimônio pessoal. para posterior pagamento dos credores. 994 do Código Civil. ao estabelecer a exceção acima mencionada (impossibilidade de liquidação da quota do sócio a pedido dos credores particulares deste sócio) implica que a(s) quota(s) do sócio devedor estão a salvo da ação dos credores. Caso o novo empreendimento venha a ser mal sucedido e – seja por que motivo for – os credores consigam responsabilizar o empresário. Essa liquidação significa que. uma forma de solucionar este obstáculo é constituir uma sociedade de propósito específico (sob a forma de sociedade limitada. Contudo. em obediência ao disposto no art. no seio do patrimônio do sócio ostensivo. sendo todos os negócios com terceiros realizados sob o nome do sócio(s) ostensivo(s). os bens transferidos à sociedade em nome coletivo permanecem intactos. Assim. 1. o empresário – antes de dar início ao novo empreendimento – constitui uma sociedade simples sob a forma em nome coletivo.

Ocorre que o NCC conferiu uma nova vantagem – e das mais importantes – à sociedade em nome coletivo. principalmente na parte relativa ao Direito de Empresa. determina o art. nesse período. também apelidado de “Constituição do Cidadão Comum” revela que o NCC tem também diversas agradáveis surpresas. no Brasil. ainda que essa responsabilidade fosse solidária.1. de forma ilimitada e subsidiária. As breves notas aqui lançadas são apenas um alerta para que os empresários e executivos possam compreender que o direito – através de mecanismos perfeitamente legais e legítimos – permite viabilizar diversos negócios. Desta forma. Para tanto. certamente. No entanto. os sócios respondiam pessoalmente. isso porque. Já nas sociedades por quotas de responsabilidade limitada. Na sociedade em nome coletivo. Este tipo societário ficou um pouco esquecido com o advento das sociedades por quotas de responsabilidade limitada (agora denominadas. Assim.500 sociedades de tipo em nome coletivo. Tanto é que as estatísticas do DNRC (Departamento Nacional de Registro de Comércio) indicam que. o novo Código Civil tem inúmeros defeitos. assis de almeida & associados – advogados doutor em direito pela universidade de paris ii professor adjunto da uerJ e da uni-rio O novo Código Civil têm inúmeros detratores e críticos. em comandita e de capital e indústria. pelas dívidas contraídas pela sociedade perante terceiros. No entanto. eram considerados – pelas legislações desses países – como rendimentos não sujeitos a tributação. A maior utilidade das sociedades em nome coletivo. Assim. as sociedades em nome coletivo continuaram a serem constituídas. por exemplo.043 que: “O credor particular de sócio FGV DIREITO RIO 67 . era o aproveitamento dos benefícios fiscais. José gabriel assis de almeida sócio de J. xxxx Uma delas diz respeito à sociedade em nome coletivo. em razão das dívidas da sociedade. dos sócios nada mais poderia ser exigido. perante terceiros. 3. de sociedades limitadas). a sociedade por quotas de responsabilidade limitada apresentava uma enorme vantagem em comparação com a sociedade em nome coletivo.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa A sociedade em conta de participação pode ser utilizada para negócios tão diferentes quanto para assegurar a participação de terceiros (sócios participantes) na exploração de uma jazida mineral. uma vez integralizada a totalidade do capital social. E. os lucros apurados por sociedades em nome coletivo brasileiras e distribuídos aos sócios domiciliados em certos países. no período entre 1985 e 2001 foram constituídas. teXto 2: as bahamas são aQui: as soCiedades em nome CoLetiVo e o noVo Código CiViL. pelo NCC. durante muitos anos a Gillete do Brasil adotou a forma de sociedade em nome coletivo. na formalização das relações jurídicas existentes entre uma instituição de ensino (sócia ostensiva) e os professores (sócios participantes). qual seja: a limitação da responsabilidade dos sócios perante terceiros. até o montante total do capital social. pelas dívidas da sociedade. na construção e administração de um shopping center.g. uma leitura atenta do texto legal. os sócios somente respondiam.

Os credores particulares do sócio serão obrigados a aguardarem a dissolução e liquidação da sociedade em nome coletivo para só. nada mais restará aos credores do sócio em questão. na medida em que. de maneira que. Em fevereiro Fonte: Bfix – Boletim do mercado de Renda Fixa. da qual o empreendedor é. Nesta sociedade limitada. o NCC acabou por resolver um conflito de interesses> Por um lado. titular de uma quota. Em outubro de 2005. para a realização do empreendimento. isto é. No entanto. sócio. Este dispositivo cria um interessante e importante instrumento para a preservação do patrimônio. assim. a título de integralização do capital social dessa sociedade em nome coletivo. antes de se lançar num negócio. via desconsideração da personalidade jurídica ou outro instrumento de efeito equivalente. certamente tentarão. foram realizados 229 negócios com cotas de fundos no Soma. o interesse dos credores particulares do sócio em receber o seu crédito. provavelmente uma sociedade limitada. fundos imobiliários ganham liquidez112. reservando a parte que irá investir no empreendimento. o empreendedor investirá a parte do seu patrimônio destinada ao empreendimento. então. Negociação no mercado secundário aumenta após a isenção do Imposto de Renda A negociação de cotas de Fundos de Investimento Imobiliário (FII) aumentou de forma significativa desde que os ganhos obtidos com essa forma de aplicação tornaram-se isentos do Imposto de Renda (IR). o empreendedor poderá constituir uma sociedade em nome coletivo. o interesse dos demais sócios e da própria sociedade em serem preservados da intervenção de terceiros. Isto significa que as quotas do sócio de uma sociedade em nome coletivo não podem ser penhoradas. xxxxx Com este dispositivo. A solução do NCC foi em favor do interesse dos demais sócios e da própria sociedade. ano 2 – n° 4 – abril/2006. O FII é considerado renda variável e é negociado no Mega Bolsa. Esta regra impõe. 112 FGV DIREITO RIO 68 . penhorar os bens pessoais dos sócios da sociedade limitada. esses bens do empreendedor consistirão apenas numa quota da sociedade em nome coletivo. em virtude de dívidas pessoais contraídas por esse sócio. Se os negócios da sociedade limitada correrem desfavoravelmente e esta vir a falir. antes de dissolver-se a sociedade. por sua vez. notÍCias reLaCionadas.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa não pode.1. Por outro lado. qual (quais) a (s) participações societárias do devedor. uma outra sociedade. pretender a liquidação da quota do devedor”. mês anterior à isenção. os quais deverão verificar. pelos credores desse sócio. após esgotado o patrimônio da sociedade limitada. do que senão aguardarem uma eventual dissolução e liquidação dessa sociedade em nome coletivo. este transferirá à sociedade em nome coletivo o seu patrimônio pessoal. credores particular de um sócio. um maior rigor aos credores. então. Após regularmente constituída a sociedade em nome coletivo e transferido o patrimônio pessoal.042 do NCC é impenhorável. o mercado de balcão organizado da Bovespa. quota essa que. os credores dessa sociedade. Com efeito. Portanto. antes de conceder o crédito. o empreendedor constituirá. os bens pessoais do empreendedor estarão protegidos sob a titularidade da sociedade em nome coletivo. penhorarem a parte dos haveres sociais que for atribuída ao sócio da referida sociedade em nome coletivo. por força do art.

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passado, o número de negócios nesse ambiente alcançou 294 e, em março (até o dia 20), ficou em 223. O volume financeiro também registrou alta expressiva: de R$ 8,7 milhões em outubro para R$ 13,7 milhões em fevereiro e R$ 7,1 milhões até 20 de março. Dos 64 fundos do mercado, 17 são registrados na Bolsa. O benefício tributário vale para as pessoas físicas que obtiverem ganhos em aplicações feitas em FII com pelo menos 50 cotistas, e cujas cotas sejam negociadas no mercado secundário (na Bolsa ou no mercado de balcão organizado). Os resultados alcançados pelos FII em 2005 e as perspectivas para o mercado financeiro imobiliário foram temas da 3ª Reunião de Fundos Imobiliários realizada pela Apimec-SP e pela Bovespa, no dia 23 de março. “Estamos promovendo esforços para a divulgação e o aprimoramento dos fundos imobiliários para trazer mais transparência e liquidez ao mercado secundário”, afirmou o superintendente-geral da Bovespa, Gilberto Mifano. Alguns pontos da legislação ainda precisam ser aprimorados, afirmou Rodrigo Machado, diretor do Brazilian Group. Dentre eles, a necessidade de reformulação da Instrução CVM 205/94, que regulamentou os fundos; a possibilidade de as quotas de FII servirem para que os bancos captadores de poupança cumpram a exigibilidades de poupança; e o fim do enquadramento das quotas de FII como investimento em imóveis por parte dos fundos de pensão. JurisprudênCia. DUPLICATA. EMISSÃO POR FORNECEDORA DE MOBILIÁRIO CONTRA O PROPRIETÁRIO DE UNIDADE AUTÔNOMA DE EDIFÍCIO. SOCIEDADE EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO. RESPONSABILIDADE PERANTE TERCEIROS. SÓCIO OSTENSIVO. “Na sociedade em conta de participação o sócio ostensivo é quem se obriga para com terceiros pelos resultados das transações e das obrigações sociais, realizadas ou empreendidas em decorrência da sociedade, nunca o sócio participante ou oculto que nem é conhecido dos terceiros nem com estes nada trata. ” (REsp nº 168.028-SP). Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, provido. (REsp 192.603/SP, Rel. Ministro BARROS MONTEIRO, QUARTA TURMA, julgado em 15.04.2004, DJ 01.07.2004 p. 197). SOCIEDADE EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. DISSOLUÇÃO. NOMEAÇÃO DE LIQUIDANTE. CITAÇÃO DA SOCIEDADE CONSTITUÍDA. INDENIZAÇÃO. 1. Não há violação aos artigos 458, II, e 535 do Código de Processo Civil quando o Acórdão recorrido está amplamente fundamentado, alcançando a demanda tal e qual posta pelo autor, então apelante. 2. Não há falar em citação da sociedade em conta de participação, que não tem personalidade jurídica, nem existência perante terceiros. 3. Afastando as instâncias ordinárias a indenização por falta de prova, não tem consistência o pedido de extinção do processo ao argumento de que teria a sentença, considerado o pedido inepto. 4. Justifica-se a nomeação, desde logo, do liquidante, diante da realidade dos autos, que demonstram a animosidade existente, embora no caso de sociedade em conta de participação, seja discutível tanto a dissolução judicial quanto a existência de liquidação e partilha, aspectos que não podem ser examinados, porque ausente recurso da parte interessada.
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5. Recurso especial não conhecido. (REsp 474.704/PR, Rel. Ministro CARLOS ALBERTO MENEZES DIREITO, TERCEIRA TURMA, julgado em 17.12.2002, DJ 10.03.2003 p. 213). grifamos Conflito de Competência. Ação de Procedimento Sumário Declaratório de Negócio Jurídico c/c Devolução de Quantia Paga e Indenização. Procedência do Conflito. Sociedade em Conta de Participação que não é considerada sociedade empresária. Competência das Varas Cíveis. Conflito que se conhece e se acolhe, declarando-se a competência do Juízo Suscitado, ou seja, o da 16º Vara Cível da Comarca da Capital. (2005.008.00464 – Conflito de Competência – Des. Renato Simoni – Julgamento: 29/11/2005 – Nona Câmara Cível. TJ/RJ). grifamos TRIBUTÁRIO. Negócio Fiduciário. Imposto de Transmissão Inter Vivos - ITBI. Transferência de Imóvel Para Constituição de Fundo de Investimento Imobiliário. Incidência do Tributo. Os fundos de Investimentos Imobiliários, conforme determina a própria Lei nº 8.668/93, são desprovidos de personalidade jurídica, razão pela qual o imóvel dado para a constituição do fundo é transferido para a Instituição Administradora em caráter fiduciário. Tal operação não se encontra ao abrigo da imunidade tributária prevista no art.156, § 2º, I da Constituição Federal por não ser possível falar em constituição de patrimônio de pessoa jurídica em realização de seu capital social. O que essa lei chama de quotas está distante do que se entende por cota social. O titular de quotas do Fundo de Investimento Imobiliário não tem a mesma relação de participação que haveria entre sócio e sociedade. As tais quotas estão mais próximas em sua natureza das ações, já que são negociadas em ambiente de Bolsa de Valores. Contudo, não se pode conceber analogia entre um Fundo despersonalizado e uma Sociedade Anônima, constituída nos estritos moldes da Lei 6.404/76. Ainda que se ultrapassasse esse argumento, o pleito de imunidade sucumbiria à norma contida na parte final do mesmo inciso I, do §2º, do art. 156, da Constituição. Observa-se que a imunidade não alcança aqueles que realizam capital com transmissão de bens imóveis, quando é constatada como atividade preponderante do adquirente a compra e venda desses bens ou direitos, locação de bens imóveis ou arrendamento mercantil. Como foi exaustivamente demonstrado na peça inicial, o escopo da constituição de um Fundo Imobiliário é justamente esse tipo de atividade, ou seja, investir em imóveis comerciais e industriais de alto padrão de acabamento, destinados à locação de longo prazo. São as chamadas operações built to suit (construir para servir), que se pode traduzir pela construção de um imóvel segundo especificações expressas do inquilino. Assim sendo, tanto por um fundamento, quanto por outro, não se constata a tênue possibilidade de a apelante ser alcançada pelo benefício da imunidade conferida pela Constituição. Desprovimento do recurso. (2003.001.26635 - APELACAO CIVEL. DES. SERGIO CAVALIERI FILHO - Julgamento: 05/02/2004 - SEGUNDA CAMARA CIVEL. TJ/RJ) Questões de ConCurso 29º EXAME DE ORDEM – SEÇÃO DO RIO DE JANEIRO – 1ª FASE – DIREITO COMERCIAL. PROVA OBJETIVA. 40 – A inscrição do contrato social no órgão competente confere capacidade jurídica às sociedades, exceto à: a) Sociedade em comum;
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b) Sociedade simples; c) Sociedade em nome coletivo; d) Sociedade em conta de participação. 27º EXAME DE ORDEM – SEÇÃO DO RIO DE JANEIRO – 2ª FASE – DIREITO COMERCIAL. PROVA DISCURSIVA. 6 – Comente a pertinência da presente afirmação: “À luz do artigo 985 da Lei 10406/2002 (Código Civil), o registro do contrato social de uma sociedade em conta de participação confere-lhe, a partir de então, personalidade jurídica, sendo que os atos anteriores ao registro somente produzem efeitos entre os sócios, não podendo, contudo, a falta de registro ser oposta a terceiros.” 26º EXAME DE ORDEM – SEÇÃO DO RIO DE JANEIRO – 2ª FASE – DIREITO COMERCIAL. PROVA DISCURSIVA. 6 – A e B são sócios em uma sociedade limitada (Ltda) e pretendem participar de uma sociedade em nome coletivo. Caso não desejem fazê-lo em seus próprios nomes, podem A e B colocar a sua sociedade limitada para figurar como sócia na sociedade em nome coletivo da qual querem tomar parte? Justifique e indique o(s) dispositivo(s) legal(is) pertinente(s). 126º EXAME DE ORDEM – SEÇÃO DE SÃO PAULO – 1ª FASE – DIREITO COMERCIAL. PROVA TIPO 1. 47. A liquidação de uma sociedade em conta de participação (A) é regida pelas normas relativas à prestação de contas. (B) se dá somente por decisão judicial. (C) será eficaz apenas quando arquivada no registro de comércio. (D) exige aprovação em assembléia especialmente convocada para essa finalidade. PROVA OAB/MG - EXAME DE ORDEM - ABRIL/2006 94ª Questão: Assinale a alternativa INCORRETA: a) A Sociedade em Nome Coletivo somente pode ter como sócios pessoas físicas; b) A Sociedade em Conta de Participação adquire personalidade jurídica com o registro no órgão próprio; c) Na Sociedade em Comandita Simples a responsabilidade dos sócios em relação às obrigações sociais depende da categoria por eles ocupada no quadro societário; d) A Sociedade em Comandita por ações pode adotar firma ou denominação social, apesar de sua proximidade com a Sociedade Anônima.

PROVA CONCURSO PúBLICO/4ª REGIÃO JF - JUIZ FEDERAL JANEIRO/2008 76ª Questão: Dadas as assertivas abaixo, assinalar a alternativa correta quanto à empresa, ao empresário e às sociedades simples e às empresárias. I. A empresa é uma atividade exercida pelo empresário, não pressupondo a existência de uma sociedade, podendo ser desenvolvida pelo empresário unipessoal. II. A sociedade simples distingue-se da sociedade empresária, pois naquela inexiste
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sendo a sociedade cooperativa um de seus exemplos.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa uma organização de bens materiais e imateriais (intelectuais) e recursos humanos. III. voltados para a produção sistemática da riqueza. FGV DIREITO RIO 72 . a) Estão corretas apenas as assertivas I e IV. Podem ser empresários os menores de 18 anos. Há identidade entre os conceitos de empresário e sócio da sociedade. II e III. IV. c) Estão corretas apenas as assertivas I. b) Estão corretas apenas as assertivas II e III. d) Estão corretas todas as assertivas.

1º da Lei nº 6.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa AUlA 08: A OPÇÃO PElO MODElO SOCIEDADE lIMItADA EM CONtRAPONtO AO MODElO SOCIEDADE POR AÇõES Na aula passada. FGV DIREITO RIO 73 . – Páginas 130 a 132 do O Direito de empresa à luz do novo Código Civil. – Classificação: Companhia Aberta e Companhia Fechada – breves comentários. Nesta aula discutiremos a leitura do(s) seguinte(s) capítulo(s): – Páginas 357 a 372 do Curso de Direito Comercial. conferindo mobilidade e liquidez ao capital investido. Ricardo Negrão.A. Vol. atraindo principalmente a pequena e a média empresa por sua forma e constituição simplificada e a limitação da responsabilidade dos sócios. como Sociedade Limitada. – Por que utilizar a S. vimos que as sociedades limitadas representam hoje a grande maioria das sociedades registradas em nosso país. sem a necessidade de consentimento dos demais sócios. uma enorme aceitação no meio empresarial. ementário de temas – Sociedade Limitada – Sociedade Anônima – breves comentários – Diferenças: LTDA e S. tem. seu eventual prejuízo é adstrito ao valor pago pelos títulos no mercado de ações. ou seja. 4ª edição.I. Saraiva. 113 na sociedade anônima. nesta espécie societária. São Paulo/2005. o capital é dividido em ações nas quais a responsabilidade dos sócios é limitada ao preço de emissão das ações subscritas ou adquiridas. desde sua criação até os dias atuais. Fábio Ulhoa Coelho. Saraiva.113 Assim. A Sociedade Anônima é um instrumento jurídico muito importante para a economia.404/76 determina expressamente que.II. Leitura CompLementar – Páginas 358 a 360 do Manual de Direito Comercial e de Empresa. sobretudo em virtude de dois fatores: a garantia dos sócios contra os indesejáveis efeitos patrimoniais que ocorriam nas sociedades ilimitadas do antigo Código Comercial e a simplificada forma de sua constituição (ao contrário da estrutura complexa das sociedades por ações). Sérgio Campinho. São Paulo/2004. pois permite a captação de investimento na poupança popular para a aplicação em grandes empreendimentos. Renovar/2005.A. Essa sociedade de capital permite aos sócios negociarem livremente seus títulos. 5ª edição. a responsabilidade dos sócios também é limitada ao capital social tendo em vista que o art. roteiro de auLa A sociedade por quota de responsabilidade limitada. Vol. sem que o investidor se responsabilize pessoalmente pelos negócios da companhia. 7ª edição. e por que utilizar a LTDA.

Já na sociedade de capital. 4º para os efeitos desta Lei. cabe ressaltar que existem diferenças na estrutura de ambas. 115 116 O custo para cumprir as formalidades exigidas em lei para o ingresso e permanência da companhia com suas ações no mercado é bastante alto. Já o modelo da Sociedade Limitada pode ser amplamente utilizado. Essa situação é muito comum como já vimos no caso do “sócio de palha”. pág. Se a sociedade anônima pretender negociar suas ações no mercado de valores mobiliários (mercado aberto ao público). Vol. No que se refere à responsabilidade dos sócios. não importa o valor total constante no Estatuto. e a exploração delas. que acabam por dificultar sua criação e administração. pelo seu porte. o sócio responde pela integralização do capital social (não importa o valor de sua cota. onde o interesse dos sócios não está voltado para a sociedade em si. 114 Do contrário. 7ª ed.404/1976. será classificada como uma “Companhia Fechada”.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa diferenças entre Ltda e s. só responderá pelo que se obrigou. o importante é o objeto social. a Lei nº 6. 22. depende de um mecanismo jurídico que viabilize a captação deles junto aos investidores em geral117”. art.º 6. valoriza a qualidade pessoal do sócio. até a formada por vários sócios e movimentando valores elevados. a. a Limitada também pode se apresentar como subterfúgio para o Empresário Individual.º 6. in curso de Direito comercial. se os títulos de uma sociedade anônima circulam de forma restrita. considera-se aberta a companhia cujos valores mobiliários estejam admitidos à negociação na bolsa ou no mercado de balcão. § 2º nenhuma distribuição pública de valores mobiliários será efetivada no mercado sem prévio registro na comissão de Valores mobiliários. será classificada como uma “Companhia Aberta114” e será submetida ao controle e fiscalização da Comissão de Valores Mobiliários – CVM115.404/1976 traz inúmeras exigências para o funcionamento das Sociedades Anônimas. será sempre de capital. exigem uma alta soma de recursos. A sociedade limitada pode adequar o seu contrato social com característica de sociedade de pessoas ou de capital. Nas palavras de Fábio Ulhoa Coelho: “Há atividades econômicas que.385/1976. por sua vez. devendo esta ser identificada sempre por denominação. sem negociação em bolsa de valores ou mercado de balcão. 117 FGV DIREITO RIO 74 . à sociedade anônima não coube escolha. há uma diferença relevante. aos resultados econômicos que ela pode gerar. não tendo maior relevância a pessoa do sócio.66. segundo as espécies e classes dos valores mobiliários por ela emitidos negociados no mercado. enquanto que na Sociedade Anônima não haverá possibilidade de escolha. O modelo da Sociedade Anônima é interessante para grandes empreendimentos que suportem a estrutura exigida pela lei. Assim.II. saraiva/2004. § 1º somente os valores mobiliários de emissão de companhia registrada na comissão de Valores mobiliários podem ser negociados no mercado de valores mobiliários. Lei n. A forma de “capital aberto” é fundamental para as sociedades que desejam negociar na Bolsa de Valores e que tenham como grande objetivo a captação de recursos financeiros. desde a composta por dois sócios e com baixo faturamento. Por outro lado. e sim. uma vez que no Brasil a Sociedade Unipessoal só é admitida como exceção. art. o sócio se obriga pelo valor total constante no contrato social). é importante mencionar que enquanto foi conferida à sociedade limitada a opção de utilizar firma social ou denominação como nome empresarial. A sociedade pode ser de pessoas ou de capitais. as companhias de capital aberto são aquelas de maior porte116 ou que desejam captação maior de recursos. Enquanto que na sociedade limitada. Geralmente. e especificará as normas sobre companhias abertas aplicáveis a cada categoria. Quando de pessoas. Enquanto que o Código Civil apresenta uma estrutura mais simples para a sociedade limitada. a companhia é aberta ou fechada conforme os valores mobiliários de sua emissão estejam ou não admitidos à negociação no mercado de valores mobiliários. Por fim. por isso. Além disso. Lei n. § 3º a comissão de Valores mobiliários poderá classificar as companhias abertas em categorias. na Sociedade Anônima o sócio só responde pelo valor das ações que subscreveu.

por ato atentatório à dignidade da Justiça. controlá-la? JurisprudênCia PROCESSO CIVIL. O estatuto social traça um mecanismo para evitar o ingresso de estranhos no quadro societário sem a anuência dos demais acionistas.Stern. INDEPENDE DE DILAÇÃO PROBATÓRIA. podendo.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa Caso H.Stern Comércio e Indústria S. DIVERGÊNCIA. INVENTÁRIO DE BENS POR SEPARAÇÃO JUDICIAL.a sanção prevista no art. inclusive. da família Stern. mas sim a “devedor”.a ação de inventário por separação judicial é o leito próprio para apreciação de questões jurídicas surgidas após a separação de fato do casal. I . em geral. terá o ex-cônjuge direito a ingressar no quadro societário da H. AÇÃO DE PARTILHA JUDICIAL POR DISSOLUÇÃO DA SOCIEDADE CONJUGAL. podendo ser suscitada e discutida a qualquer tempo e grau de jurisdição. a exemplo da ação de inventário por separação judicial combinada com partilha. desde que não seja renovada perante o mesmo grau de jurisdição. mas solução de natureza doutrinária e jurisprudencial. tem seu campo de incidência nas ações de execução. não podendo ser interpretado ampliativamente para alcançar a execução de toda ordem emanada do Poder Judiciário. de ordem pública. mas tão somente aquelas derivadas nas ações de execução estrito sensu. sendo o preço estipulado com base no último balanço aprovado. QUE APESAR DE CERCADA POR CONTROVÉRSIA JURÍDICA. que não é matéria fática de alta indagação. e comportando incidente processual quanto aos efeitos jurídicos dos negócios entabulados pelo cônjuge varão à revelia do cônjuge virago. aduzindo que o ingresso de terceiros deverá ser autorizado pelos demais acionistas. cujas ações são de propriedade. HAVIDOS EM FRAUDE À MEAÇÃO. REGIME DE COMUNHÃO UNIVERSAL DE BENS. HOMOLOGAÇÃO DO ESBOÇO DE PARTILHA. a) O mecanismo é suficiente? b) E se o modelo societário adotado fosse de uma sociedade limitada? A solução seria a mesma? c) Na hipótese de separação de um dos acionistas.A. RESGUARDADA A MEAÇÃO DA EX-MULHER POR MEDIDA ACAUTELATÓRIA DE SEPARAÇÃO DE CORPOS E ARROLAMENTO DE BENS. apesar de não mais se referir a “executado”. COMPETÊNCIA DO JUÍZO DE FAMÍLIA PARA APRECIAR A QUESTÃO. é uma sociedade anônima de capital fechado. 600 do código de processo civil. em sua maioria. admitindo a discussão de prova documental a respeito de fatos incontroversos. II . III . DECLARAÇÃO DE INEFICÁCIA DOS NEGÓCIOS JURÍDICOS SUBJACENTES À SEPARAÇÃO DO CASAL. em face da preclusão pro judicato. Da mesma forma tratam do exercício do direito de retirada. HOMOLOGAÇÃO DO ESBOÇO DE PARTILHA.a competência em razão da matéria é pressuposto de validade da relação processual. FGV DIREITO RIO 75 . restando disposto que deverão ser oferecidas as ações do retirante aos demais acionistas. ALIENAÇÃO FRAUDULENTA DE AÇÕES ORDINÁRIAS NOMINATIVAS DA EMPRESA APÓS SEPARAÇÃO DE FATO.

os demais 10% ficaram com a Fundação Rezende.a. Fonte: Revista Época.várias as formas através das quais se pode prejudicar o cônjuge ou a companheira com atos praticados sob o manto pseudo-protetivo da empresa”. Por volta das 21 horas. três meses depois. o ex-marido. O valor da transação foi de R$ 134. Em 2002. Helena enfrentou o vaivém das liminares nos últimos três anos. assumir a gestão e o controle acionário da Granja Rezende. suspendendo-o do cargo de diretor-presidente da empresa. recorda-se.globo.. Aos 57 anos. 20).. Disputas prolongadas também geram fortunas para advogados. por Eliane Trindade. notÍCias reLaCionadas Lucros e perdas do desamor118 mulheres enfrentam ex-maridos nos tribunais. ex-funcionária pública. Os três deixaram Brasília ao meio-dia. DJ 16/02/2000 p. No caso Rezende. autor do livro Quando o Amor Acaba na Justiça. A escalada foi áspera. Relatora: DES. peritos e consultores. a Granja Rezende foi incorporada pela saDIa. a opção mais próxima em seu guarda-roupa do que seria o figurino de uma executiva. Helena dispensou o almoço. com medo de uma liminar de última hora”. com sede em uberlândia..000. em especial na região centro-Oeste. 119 FGV DIREITO RIO 76 . Naquela tarde. com 42% das ações. o maior dos quais é o Banco do Brasil. a saDIa adquiriu 90% das ações da Granja Rezende s. Só então abriram-se as portas do negócio milionário para a ex-mulher. o julgador deve ser preocupar em trilhar “caminhos para se chegar a decisões que fujam ao ‘faz de conta”. O próximo embate ocorrerá em setembro. na companhia de dois advogados. “Litígios predatórios reduzem grandes patrimônios a pó”. acabava de se tornar controladora do grupo. Chegou ao topo do ranking das partilhas de bens no Brasil. (APC-5246299/DF. Disponível em: http://epoca.00 (cento e trinta e quatro milhões de reais). patrimônio estimado em R$ 185 milhões – quatro vezes o que recebeu a princesa Diana ao se divorciar do príncipe Charles.por serem “. Decisão: DAR PARCIAL PROVIMENTO A AMBOS OS RECURSOS. saiu vitoriosa da assembléia de acionistas. Estava pronta para embarcar rumo a Uberlândia. Tomou o café com leite e torradas. Grifamos. Helena Abib Rezende acordou às 9 horas na sexta-feira 30 de abril para enfrentar uma jornada inesquecível. No vôo.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa IV . criada e administrada ao longo dos últimos 39 anos pelo empresário Alfredo Júlio Rezende. NANCY ANDRIGHI em 18/10/1999. alerta o advogado Luiz Fernando Gevaerd. encarou uma ducha rápida e não teve dúvidas na hora de escolher o que vestir: um conjunto bege. ganham fortunas e transformam o divórcio num tormento para as empresas. Hoje ela controla um grupo de 4 mil funcionários e faturamento previsto de R$ 1 bilhão em 2002. onde os produtos da marca mineira Rezende tinham forte penetração. um dos maiores grupos alimentícios do país. a dona de casa mineira. a nova diretoria tentará conseguir capital de giro e prorrogar empréstimos de curto prazo com os credores. estavam em jogo uma fortuna avaliada em R$ 436 milhões e o controle acionário da Granja Rezende. as custas do processo superam R$ 70 milhões119. A Justiça ainda aplicou multa de R$ 72 milhões a Alfredo Rezende. Ansiava pelo lance decisivo de uma batalha judicial que começara 25 anos antes.htm 118 no final de 1999. Depois de esperar duas décadas por uma sentença favorável. cuja pensão alimentícia é de R$ 571. com o julgamento do último recurso de Alfredo. 2ª Turma Cível do Tribunal de Justiça do Distrito Federal. “Passei a tarde inteira bebendo cafezinho e fumando. foi um importante passo para a expansão dos negócios da saDIa no país. REJEITADAS AS PRELIMINARES À UNANIMIDADE”.000. Somente às 18h30 ela faria a entrada triunfal na sede da empresa.com/ edic/19990712/soci1. instalada numa sala de diretoria. UNÂNIME. Até lá. até a 5a Vara de Família em Brasília garantir-lhe a tutela antecipada das ações.

para assistir ao depoimento do marido. Mais US$ 1. abastecida de muita raiva. aos filhos e à preparação de impecáveis recepções para executivos e clientes. recebia os convidados dele para jantares e reuniões.1 milhões. mas seus advogados estão levantando tudo . atendia a telefones. compareceu sem convite à CPI dos Bancos. mas fortunas menores não resistem à infiltração dos ódios conjugais. Diante de um batalhão de advogados. ela vai brigar pela divisão de R$ 15 milhões. Na condição de sócia. Tânia faz mistério. não pretende renunciar aos bens que escaparam à intervenção do Banco Central. Começam a compreender os labirintos da Justiça e colocam em cena uma categoria de causar calafrios ao mundo dos negócios: a esposa corporativa.segundo homem da empresa e provável substituto do todo-poderoso Jack Welch. imóveis. além de amargar a condição de sem-banco. Tânia roubou o espetáculo. ela não concordou em receber os US$ 8 milhões oferecidos pelo ex. o Bamerindus sofreu intervenção e acabou vendido ao HSBC. considerado um dos empresários do século. não chegou a balançar diante da esposa corporativa. computando horas extras devotadas aos negócios dele. A aparição intempestiva deixou o depoente trêmulo e os senadores constrangidos.fazendas. “Não quero ver o nosso patrimônio desviado para terceiros”. corrige: “Terceiras” . Tânia semeia ressentimentos e colhe notoriedade. indigna-se. depois da perda do banco e da indisponibilidade de parte do patrimônio. A precisão dos cálculos e dos argumentos convenceu o juiz: Lorna levou US$ 22 milhões. Emagreceram: em 1997. os Andrade Vieira estão longe de uma solução amigável. uma das maiores empresas do mundo. “Eu confirmo”. irmão do ministro da Fazenda. vender participações a grupos rivais e tumultuar conselhos de administração. uma usina de cifras estratosféricas. O império General Electric. Calculou o custo de uma doméstica e de uma babá ao longo de três décadas. as ex-mulheres parecem dispostas a tudo para proteger o quinhão. Pedro Malan. Lorna e Gary resolveram duelar depois de 32 anos de casamento. enfim. Na quinta-feira. ela pode destituir diretores. na mansão no Lago Sul em Brasília. “Eu o ajudava 24 horas por dia. aparteou em voz alta quando um senador perguntou se Andrade Vieira mantivera contatos com Marcos Malan. sem folga. Até os jantares oferecidos ao presidente Fernando Henrique. Achou miserável a recompensa financeira pelos anos de dedicação a casa. Menos tímidas que suas mães e avós. Lorna partiu para o ataque com uma calculadora na mão. E assim por diante. A ex do executivo da GE fez escola. “A do BC e agora a dele para cima de mim!” Estimam-se em R$ 30 milhões as sobras da fortuna de Andrade Vieira. esbraveja. ex-ministro e ex-dono do Bamerindus. enumera Tânia Vieira.alusão a supostas namoradas do ex-banqueiro. Chegou a US$ 2. serão incluídos entre as provas. Separados de fato há um ano. Com um sorriso malicioso. Um seminário realizado há dez dias em São Paulo reuniu uma platéia de 150 homens de negócios. contas no Brasil e no exterior. os advogados de Tânia ingressaram no fórum de Curitiba com o pedido de separação e estão prontos para a guerra. tem nos calcanhares uma ex-mulher. na época da quebradeira do Bamerindus. Acrescentou os ganhos médios que teria conseguido caso se dedicasse à carreira de professora de Música.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa Quando a roupa suja começa a ser lavada em público. Retirada a parte que cabe aos filhos. Tânia avoca direitos sobre o que restou do patrimônio do ex-marido. viu-se no meio do embate matrimonial entre Lorna e Gary Wendt . lembrando-se dos tempos de vacas gordas. Há três semanas. A General Electric. abandonada em conseqüência do casamento. era. a sangria financeira é inevitável. “Eu enfrentei duas intervenções!”. Os divórcios entraram na pauta das grandes empresas.5 milhão. A pretexto de FGV DIREITO RIO 77 . José Eduardo Andrade Vieira. preparava recepções. Depois de 24 anos de casamento e quatro filhos. Nos finais de semana. uma secretária-executiva”.

pouco antes do matrimônio principesco. coisa de Primeiro Mundo. A futura esposa queria casar-se em regime de comunhão universal. Sua história foi lembrada pelo senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) na sessão de abertura da CPI do Judiciário. freqüente nos grandes grupos econômicos. Carola. Tina Bauer. O caso se arrasta em fóruns de Brasília e Minas Gerais. “Criar a holding é uma forma de proteger os bens em futuras relações”. cujo escritório realiza uma dezena de reestruturações societárias por ano. bem em frente ao Centro Comercial Gilberto Salomão. somar é possível.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa discorrer sobre o tema Proteção de Bens. Fausto Salomão ilustra a lentidão da Justiça nas partilhas. Sem direitos sobre os bens dos Scarpa. O romantismo latino atrapalha tudo”. de Família e Sucessões. Em agosto. “Ela quer metade do que Max deixou de declarar”. Ou seja. Anna Elmira luta com dois cunhados pela parte do patrimônio que caberia ao finado – algo em torno de R$ 100 milhões. sugere a ricos e pobres encarar de frente o lado material do casamento. que angariou milhões de dólares e driblou um clássico golpe do baú. com quem viveu por seis anos.” Os brasileiros bem aquinhoados começam a sintonizar uma tendência comum entre americanos e europeus: a adoção do pacto pré-nupcial. que há 26 anos briga com os cunhados pelo espólio do marido. Quando bate o ódio. O empresário antecipou a partilha de 50% dos bens para os filhos e transferiu a outra metade do patrimônio para uma empresa off-shore. contratado por Chiquinho Scarpa para defendê-lo das garras esmaltadas da ex-mulher. restou à ex-condessa brigar por pensão alimentícia. Outra saída. quer continuar morando no apartamento em bairro nobre de São Paulo e retomar o carro importado. “Teria escrito um épico se contasse toda a minha vida”. dono da Fenasoft. vendido a R$ 9. choraminga. Tributária. Tenta faturar algum por conta própria: lançou o livro A Condessa que Virou Princesa. Nem sempre paraísos fiscais resolvem a pendenga. não são partilháveis. “As pessoas se esquecem que casamento é uma comunhão de afetos e interesses. O melhor é prevenir”. lembra o advogado. Entre os casos mencionados aparece o de um comerciante de sucesso (Neves omitiu seu nome). de São Paulo. Os dois formalizaram um pacto. resume Neves. “Ainda é tabu no Brasil falar em pacto. diz. Conhece de cor a aritmética do coração: quando existe amor. dividir é martírio e subtrair uma compulsão. “No auge do amor. O advogado Sérgio Marques da Cruz Filho. O papel não evitou a baixaria no desenlace. Mora numa bela mansão em Brasília. Prova disso é a separação de Max Gonçalves. parte do fantástico patrimônio imobiliário da família. explica o advogado Marco Antônio Fanuchi. deverá sair a primeira decisão sobre o caso. na Área Societária. não dá para falar em separações de bens. maior feira de informática do país. à frente de um tradicional escritório especializado em Direito de Família. em Florianópolis. é a criação de holdings para administrar o patrimônio pessoal de sócios e herdeiros. Sem nada em seu nome. diz o advogado Taltíbio Araújo. FGV DIREITO RIO 78 . A briga vai se estender por décadas. Pede R$ 100 mil por mês. “O pacto foi assinado sob pressão. cujas ações são incomunicáveis. “Os acordos tornam-se quase impossíveis”. representante de Tina. o advogado paulista Newton Oliveira Neves forneceu exemplos práticos de como salvar empresas de ataques especulativos do mercado matrimonial. no segundo matrimônio. “Perdi um tempo precioso que nenhum juiz poderá devolver”. O caso da viúva Anna Elmira. tenta provar na Justiça que ele enviou ao exterior uma fortuna de R$ 16 milhões.90 o exemplar.” jura Carola. Seu colega carioca Luiz Fernando Gevaerd vai mais longe. num paraíso fiscal. “Chiquinho chegou com o documento quando os convites já estavam distribuídos e o vestido de noiva pronto”. só faltou fazer voto de pobreza antes do novo casamento. irrita-se. constata.

a loura cobriu-se de diamantes e deu a receita infalível para um divórcio milionário: “Não fique com raiva. Outra herdeira célebre. Ele teria ameaçado revelar segredos comerciais do conglomerado. Gilberto Miranda se resguarda. Hábil operador de influências políticas. Maria Pia não cedeu às pressões do marido e ainda o acusou de manter um romance com a arrumadeira da mansão. Christina Onassis. Colocadas nos pratos de uma balança.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa A família Scarpa ostenta um caso anterior e bem-sucedido de pacto pré-nupcial. filha do armador grego Aristóteles Onassis. Casada em separação de bens. casou-se no ano passado com Carlos Madrulha. o ex-marido. Madrulha deixa claro: casou-se com separação de bens. Queria também metade das obras de arte que ela herdara. levou dinheiro suficiente para ficar à toa até hoje”. há casos em que ricas ex-mulheres pagam a conta. Quando ainda era instrutor de natação. Maridos também mordem. Paloma Picasso tornou-se uma legítima representante das vítimas da ganância conjugal. Após a separação. A ex-namorada deve ser uma aplicada discípula de Ivana Trump. “O meu acordo saiu mais caro do que o do Bozano”. Miranda aceitou casar-se com separação total de bens. FGV DIREITO RIO 79 . Não conseguiu. Seu último companheiro. as tradições dos Scarpa valem menos que o baú do novo-rico. Maria Pia. ela terá tudo”. À frente de três holdings e de um patrimônio de R$ 1 bilhão. aos 38 anos. Thierry Roussel. a mais temida nos fóruns de Família. um caso rumoroso envolve o clã dos Matarazzo. estimada em R$ 175 milhões. Aconselhado pela advogada Priscila Corrêa da Fonseca. a mais cara no Brasil até o caso Rezende.. o pintor Pablo Picasso. Analícia não tem do que reclamar: continua a desfrutar dos milhões do pai de suas duas filhas. ficou milionário e separou-se. Acusou o ex-marido Roberto Calmon Barreto de tentar extorquir US$ 2 milhões. Golpe do baú não é prerrogativa feminina. placar milionário No Brasil e no mundo. É um caso raro de generosidade pós-separação. levou 50% dos negócios dela. “Aquela v. tornou-se um bilhete premiado nas mãos de ex-maridos. “Enquanto tiver dinheiro. com base na nova lei da união estável. o ex-senador abriu de novo a carteira. Para afastar qualquer suspeita de interesse. mais raros. Barreto negou tudo. não escapou incólume. referindo-se à partilha entre Iza e o banqueiro Júlio Bozano. vocifera. em clima de denúncia. dona de um dos maiores salários da televisão. Os boatos não tardaram. completa. A apresentadora Ana Maria Braga. Fique com tudo”. estimativas de algumas das partilhas mais caras e rumorosas dos últimos anos. A herdeira do império. acumulou US$ 73 milhões só em presentes oferecidos depois de cada briga do casal. e o ex-senador Gilberto Miranda. celebrado em 1976 entre Analícia Scarpa. seu guarda-costas.. No Brasil. Suas ações estão a salvo. Ao se separar do milionário americano Donald Trump. Uma ex-namorada entrou com uma ação de partilha. prima de Chiquinho. Rafael Lopez-Cambil. garante Miranda. Morreu em 1988. ela pagou a conta depois de 20 anos de convivência. Mesmo assim. Bem-sucedida empresária do ramo de cosméticos e administradora do espólio do pai. acabou seu quarto matrimônio no final dos anos 80.

R$ 78 milhões Evelyn x Daniel Ioschpe . seu capital é dividido em ações suscetíveis de transferência.US$ 50 milhões Diana x Príncipe Charles . Esta definição se aplica à : A) Sociedade em nome coletivo FGV DIREITO RIO 80 .AGOSTO/2007 73ª Questão: Marque a alternativa CORRETA.US$ 50 milhões Demi Moore x Bruce Willis .US$ 80 milhões Marianne x Kenny Roggers . Partilhas concluídas: Amy Irving x Steven Spielberg . a) A sociedade anônima é sociedade não personificada. Partilhas concluídas: Iza x Júlio Bozano .EXAME DE ORDEM .5 milhões Helena x Alfredo Rezende . ou seja. PROVA CONCURSO PúBLICO/MG .US$ 60 milhões Ivana x Donald Trump .R$ 2.US$ 22 milhões Jerry Hall x Mick Jagger .R$ 185 milhões no mundo.US$ 112 milhões Cindy x Kevin Costner . CONCURSO PARA JUIZ DO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO ESPÍRITO SANTO (2003). d) A sociedade anônima não mais existe desde vigência do atual Código Civil.R$ 17 milhões Edna x Olacyr de Moraes . c) sociedades em comandita simples.US$ 150 milhões Questões de ConCurso PROVA OAB/MG .PROCURADOR DO MUNICÍPIO JUNHO/2008 67ª Questão: É CORRETO afirmar que são sempre sociedades simples: a) cooperativas. não tendo a relevância a pessoa de seus detentores”.US$ 26 milhões Lorna x Gary Wendt . b) sociedades anônimas. c) A sociedade anônima é regida pelo Código Civil. 22) “Sociedade de capital constituída por frações com titularidade móvel e impessoal.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa no brasiL. b) A sociedade anônima é sociedade empresária.R$ 175 milhões Lisiane x Sérgio Prosdócimo . d) sociedades limitadas.R$ 45 milhões Gláucia x Ipoty Ioschpe .

ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa B) Sociedade anônima C) Sociedade limitada D) Sociedade em comandita simples E) Sociedade de capital e indústria FGV DIREITO RIO 81 .

Ricardo Negrão. diretamente. a pessoa do sócio é irrelevante para a empresa explorada pela sociedade. Mediante um acordo de vontade. deve ter capacidade para exercer os atos da vida civil (exceções na forma da lei). Fábio Ulhoa Coelho. – As vantagens e desvantagens.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa AUlAS 09. Saraiva/2004. José Edwaldo Tavares Borba. a cessão da participação societária dependerá da anuência dos demais sócios. – Texto: “A morte da limitada. Leitura CompLementar – Capítulos 15 e 16 do Manual de Direito Comercial e de Empresa. – Ingresso e Retirada. os sócios irão compor o instrumento pelo qual a pessoa jurídica irá se estabelecer. Saraiva: São Paulo/2005. afetados. o sócio pode alienar sua participação societária a quem quer que seja. a sociedade é compreendida como pessoa jurídica de direito privado (sujeito de direito). seu ato constitutivo FGV DIREITO RIO 82 . obviamente. o Fisco e a Justiça”. a pessoa do sócio é mais importante que a contribuição material que este realiza para a sociedade. 44 do Código Civil. Ricardo Negrão. 7ª edição. não se confundindo com a pessoa de seus sócios que são. Renovar: Rio de Janeiro/2004. o ingresso do sócio na sociedade. cujos interesses podem ser. proprietários de quotas ou ações da sociedade. Assim. com capacidade para adquirir direitos. roteiro A denominação de “sócio” é usada para nomear o membro da sociedade empresária que pode ser pessoa jurídica ou pessoa natural. – Deveres e Direitos. – Páginas 99 a 107 do Direito Societário. esta última. ementário de temas – Ser sócio de uma sociedade limitada. ou seja. Já nas sociedades de capital o que ocorre é o inverso. contrair obrigações e ser titular de patrimônio próprio. Aprendemos que nas sociedades de pessoas. Neste caso. 10 E 11: SER SóCIO DE UMA SOCIEDADE lIMItADA Em virtude da atribuição de personalidade anotada no art. Nestas aulas discutiremos a leitura do(s) seguinte(s) capítulo(s): – Páginas 350 a 360 e 374 a 378 do Manual de Direito Comercial e de Empresa. dependerá da aceitação dos outros sócios. não dependendo da aprovação dos demais. tão somente. – Mecanismos de responsabilidade do sócio. No caso da sociedade limitada. Saraiva: São Paulo/2005. – Páginas 357 a 370 e 398 a 419 do Curso de Direito Comercial.

1. Inexistindo oposição de sócio com mais de ¼ do capital social129 e resolvendo a questão referente ao valor da quota. dnrc. visto vez que. ou mesmo realização de operações societárias. uLHOa cOELHO. – RESPONSABILIDADE PESSOAL DO SÓCIO: a) Por violação do dever de lealdade: O sócio responde por perdas e danos se aprovar alguma operação de interesse contrário ao da sociedade122. 1. 1. Com a desconsideração. FGV DIREITO RIO 83 . pág. A retirada é o direito do sócio se des- 120 98.016 e 1. o terceiro. Normalmente. saraiva/2004. §1º do código civil. Assim. 129 art.” ) no nome empresarial. desde que expressamente aprovada por ele123. 9ª edição. pág. 122 123 124 art. entre elas: – RESPONSABILIDADE LIMITADA DOS SÓCIOS: desde que integralizado o capital social por eles subscrito.gov.31. Fábio in curso de Direito comercial. Entra o cessionário e sai o que cedeu as quotas. – LIMITAÇÃO EXPRESSA: É necessária a inserção do termo limitada (ou abreviado “Ltda.052. sob pena da responsabilidade ilimitada121. De acordo com o art. a consideração da autonomia da pessoa jurídica importa a impossibilidade de correção da fraude ou do abuso128”. trazendo maior normatização e menor flexibilidade para as limitadas. “Muitas vezes. perante credores. alguns envolvendo elevado grau de sofisticação jurídica. – DISSOLUÇÃO PARCIAL. os sócios ficam liberados de qualquer responsabilidade. Uma vez integralizado o capital social. Caso não consiga negociar suas quotas. 1. tomando todas as decisões para o desenvolvimento da empresa sem muita formalidade. poderá exercer o direito de retirada.9% dos registros de sociedades. 50 do código civil.responsabilidade pessoal e solidariamente124. ao contratar com a sociedade limitada. O ingresso do sócio na sociedade também poderá ocorrer durante a existência da pessoa jurídica. “Os sócios responderão. Diante do grande número de sociedades limitadas registradas no país120. Fonte: http://www.057 do código civil. a sociedade limitada tem poucos sócios. 1. art. Nesses casos. 1. 127 128 art. efetivamente. Renovar/2004. c) Na qualidade de Administrador . denominado também recesso ou dissidência.010 §3º do código civil. 7ª edição.br art. pela diferença entre o valor estimado e os parâmetros de mercado”126. 125 126 BORBa. solidariamente. para cuja prática concorreram com a administração da sociedade. cisão. celebração dos mais variados contratos empresariais. os sócios respondem pessoal e ilimitadamente pelas dívidas sociais decorrente do ato ilícito. esta é a sua garantia. por meio da aquisição de quotas que se fará mediante uma alteração contratual. 121 art. – DIREITO DE RETIRADA: O sócio que não tem mais vontade de continuar na sociedade pode negociar suas quotas com os outros sócios ou junto a terceiros. o Código Civil prevê algumas formalidades. josé Edwaldo Tavares in Direito societário. d) Pela superavaliação de bens conferidos à sociedade para integralização do capital social125. como as de incorporação.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa denomina-se “contrato social” e seus sócios são chamados de “sócios-quotistas” uma vez que a contribuição para a formação do capital social recebe o nome de “quota”.080 do código civil. fusão.055. a responsabilidade de cada sócio é restrita ao valor de suas quotas. estes são de uma mesma família ou conhecidos. mas todos respondem solidariamente pela integralização do capital social” e não apenas por suas quotas. 1. “na sociedade limitada. os interesses dos credores ou terceiros são indevidamente frustrados por manipulação na constituição de pessoas jurídicas. respondem solidariamente pelo que faltar. formaliza-se no contrato a substituição do sócio.105. caso contrário. art. b) Por participação em deliberação infringente do contrato social ou da lei. e) Responsabilidade ilimitada nos casos de DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA127: A limitação da responsabilidade não traduz a falta de responsabilidade dos sócios.017 do código civil.158 §3º do código civil. deverá preocupar-se em aferir o patrimônio da pessoa jurídica. e participam do dia-a-dia do negócio.

O sócio que não cumpre seu dever de integralizar a quota é chamado de sócio remisso140 e poderá ser cobrado pela sociedade. Isto é exemplo do mecanismo dos atos de constituição de pessoa jurídica. será um balanço empresarial. O titular da firma individual e os sócios das empresas por cotas de responsabilidade limitada respondem solidariamente. apurados de acordo com o contrato social ou. 4º139 dever dos sócios Ao ingressar na sociedade. quanto ao inadimplemento das obrigações para com a seguridade social. respondem solidariamente com este nos atos em que intervierem ou pelas omissões de que forem responsáveis: (.605/1998 (dispõe sobre as sanções penais e administrativas derivadas de condutas e atividades lesivas ao meio ambiente): art. são pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei. houver abuso de direito. ou seja.) VII . no silêncio deste. contrato social ou estatutos: (. • Lei n. 1.. em juízo. mediante prévia notificação aos demais sócios com antecedência de 60 dias. a qualquer tempo. reservas sociais etc. o sócio contrai a obrigação de “investir”. no caso de liquidação de sociedade de pessoas. 1.884/1994 (dispõe sobre a prevenção e a repressão às infrações contra a ordem econômica): art 18138. 5º. chamado de “balanço especial de determinação” e deverá levar em consideração o patrimônio empresarial da sociedade. 28136. Em se tratando da sociedade limitada com regência supletiva pelas normas da sociedade por ações. na forma do art.085 do código civil. Desta forma. XX da constituição Federal da República de 1988. ou expulso. O juiz poderá desconsiderar a personalidade jurídica da sociedade quando. 136 art. previstas em leis especiais: • Código Tributário Nacional: art. assim. • Lei n. O exercício do direito de retirada (ou recesso) assegura ao sócio retirante o recebimento de seus haveres. tem o dever de integralizar a quota subscrita do capital social.620/1993 (altera dispositivos da legislação previdenciária) : art. Os acionistas controladores. – DELIBERAÇÕES DOS SÓCIOS133 Exceções à regra da responsabilidade limitada dos sócios.029 está inserido no capítulo das sociedades simples e aplica-se à sociedade limitada em não havendo disposição contratual em sentido contrário (regência supletiva pelas normas da sociedade simples). 131 132 133 134 art. c) O “recesso motivado” cabe sempre que o sócio minoritário discorda de deliberação da maioria. em outras palavras.078/1990 (Código de Política Nacional das Relações de Consumo): art. Não há. e despesas. art.º 9. estado de insolvência. III135. o direito de retirada só pode acontecer de “forma motivada”.. por ato unilateral de vontade. – EXPULSÃO DE SÓCIO132 – LIQUIDAÇÃO DOS HAVERES: será apurada por meio de balanço especial. • Lei n. com seus bens pessoais. VII134 e 135. art. pelos débitos junto à seguridade social. 134. fato ou ato ilícito ou violação dos estatutos ou contrato social. 130 art. 1. que envolve elementos incorpóreos ou imateriais do fundo de empresa. art. deduzidas as quantias correspondentes aos juros de mora. excesso de poder. seja na sua formação ou numa já constituída. nos termos do compromisso contratual assumido junto aos demais sócios. infração da lei. deve restituir ao remisso as entradas feitas. assegura ao sócio o direito de retirar-se. No caso da sociedade decidir por expulsá-lo. caso tenha sido alterado o contrato contra a sua vontade. de alguma forma.. Consagra a regra do “recesso imotivado” na sociedade por prazo indeterminado. b) Sendo a sociedade por prazo determinado e com regência supletiva pelas normas da sociedade simples.) III . os gerentes e os diretores respondem solidariamente e subsidiariamente.º 8. 1.os diretores.031 do Código Civil. para exercer o direito de retirada deverá ser comprovada judicialmente a “justa causa” (não cabe a dissolução parcial por retirada imotivada).. ou aprovada a participação da limitada em incorporação ou fusão131. parágrafo único.º 8. 1.os sócios..ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa ligar dos vínculos que o une aos demais sócios e à sociedade. 137 FGV DIREITO RIO 84 . Trata-se da aplicação do princípio constitucional130 que proíbe qualquer pessoa de ser compelida a associar-se ou permanecer associada. (. com seus bens pessoais.) § 5° Também poderá ser desconsiderada a pessoa jurídica sempre que sua personalidade for. a) O art. 135.º 8. os administradores. gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. por dolo ou culpa. adotando perfil capitalista. cláusula penal expressamente prevista no contrato social. 28. • Lei n. em detrimento do consumidor. a desconsideração também será efetivada quando houver falência. 13137. obstáculo ao ressarcimento de prejuízos causados aos consumidores. 134. encerramento ou inatividade da pessoa jurídica provocados por má administração. negociação..077 do código civil.072 do código civil. 13. nos casos de impossibilidade de exigência do cumprimento da obrigação principal pelo contribuinte. 135 art.. art.

Artur e Daniel têm participação no capital social da seguinte forma: Pablo (40%). 4º poderá ser desconsiderada a pessoa jurídica sempre que sua personalidade for obstáculo ao ressarcimento de prejuízos causados à qualidade do meio ambiente. comunica que não pretende mais permanecer associado. fixando residência em Matchu Pitchu. é o contrato social que defini como se dará a distribuição dos lucros. assim. haverá direito de reembolso de suas quotas? 138 JurisprudênCia TRIBUTÁRIO.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa O sócio também terá responsabilidade para com a sociedade e para com a coletividade por ela alcançada. como por exemplo: participar do resultado social. RESPONSABILIZAÇÃO PESSOAL. Qual será a consulta? c) Daniel terá direito a receber algo? d) Caso Daniel não tenha integralizado o valor referente as suas quotas. a sociedade não tem bens suficientes para a satisfação da obrigação. parcialmente integralizado. O capital social da sociedade é de R$ 100. aos ditames da função social da empresa. 1. 140 art. atendendo. Não pode tratar “como a minha empresa”. Analisando o quadro societário. SÓCIO-GERENTE. situações que acarretam a responsabilidade subsidiária dos representantes da sociedade.06. por si sós. NEM EM TESE. mas sim como um foco irradiador de riquezas. 2. os mecanismos especiais de fiscalização da administração e hipóteses de retirada. a desconsideração também será efetivada quando houver falência. você é procurado por Daniel. DE SITUAÇÃO QUE ACARRETA A RESPONSABILIDADE SUBSIDIÁRIA DOS SÓCIOS.00. os sócios adquirem direitos inerentes a esta condição. Desse modo.00. com a proposição de que sua atual paixão está disposta a pagar o que for para vê-lo livre de todas as suas obrigações no Brasil. Pablo é o administrador da sociedade. NÃO-CONFIGURAÇÃO. (REsp 831. na quantia de R$ 120. verifica-se que os sócios Pablo. Daniel se apaixona por uma senhora de nacionalidade paraguaia e resolve se mudar para o Peru. encerramento ou inatividade da pessoa jurídica provocados por má administração.000. Primeira Turma. PROCESSUAL CIVIL. DJ 30. a personalidade jurídica do responsável por infração da ordem econômica poderá ser desconsiderada quando houver da parte deste abuso de direito. estado de insolvência. Min. direitos do sócio Por participarem do capital social. julg. 139 art. infração da lei.380/SP. Neste caso. FGV DIREITO RIO 85 . POR SI SÓ.06. Teori Albino Zavascki. Caso gerador Camila é credora da Moto Racing Ltda. 20. 192) art. Rel.004 do código civil. 1. contribuir para as deliberações sociais e retirar-se da sociedade. pois ela não deve ser assim visualizada.2006. a) Camila poderá alcançar o patrimônio pessoal dos sócios? b) Nessa mesma sociedade. Intentada ação de execução. excesso de poder.2006 p. EXECUÇÃO FISCAL. Artur (30%) e Daniel (30%). Recurso especial a que se dá provimento. Segundo a jurisprudência do STJ.000. fato ou ato ilícito ou violação dos estatutos ou contrato social. fiscalizar a gestão da empresa. Em virtude dessa decisão. extremamente importante à manutenção e desenvolvimento da economia. nem em tese. 18. a simples falta de pagamento do tributo e a inexistência de bens penhoráveis no patrimônio da devedora (sociedade por quotas de responsabilidade limitada) não configuram.

ADMINISTRAÇÃO DA SOCIEDADE EMPRESÁRIA. Não podem – e não devem – ser aplicados de forma solitária. (REsp 800.2006. 06. Rel.06. 4. DJ 12. DJ 02. ou subsidiária. Min.039/PR. A empresa que deixa de funcionar no endereço indicado no contrato social arquivado na junta comercial. 135.611/MA.2006. (REsp 537. E 596 DO CPC – RESPONSABILIZAÇÃO SECUNDÁRIA. 117) RECURSO ESPECIAL. INEXISTÊNCIA DE QUALQUER HIPÓTESE QUE AUTORIZE A CONFUSÃO DOS PATRIMÔNIOS. 1. 3. INVENTÁRIO. INCISO III. Imposição da responsabilidade solidária. II.2004. EXECUÇÃO. Segunda Turma. os bens do sócio não respondem por dívidas da sociedade. 25. Por isso é que em ambos existe a expressão “nos termos da lei”. desaparecendo sem deixar nova direção é presumivelmente considerada como desativada ou irregularmente extinta.2006. 2. – Salvo em hipóteses taxativamente previstas em lei. Min. impõe-se a responsabilidade tributária do sócio gerente. Terceira Turma. Terceira Turma.2006 p. QUE EXIGE SITUAÇÃO ESPECÍFICA. ESTADO DE SÓCIO.2006 p.081/TO. autorizando-se o redirecionamento. CESSÃO DE QUOTAS CAUSA MORTIS. FGV DIREITO RIO 86 . A desconsideração da personalidade jurídica é artifício destinado à profilaxia e terapêutica da fraude à lei. não é lícita a penhora das quotas sociais em execução movida contra a pessoa jurídica. OU SUBSIDIÁRIA. PENHORA DAS QUOTAS SOCIAIS. PERTENCENTES AOS SÓCIOS.04. julg. 482). Apenas em casos previstos em lei deve ser aplicada a responsabilização secundária. II. p/ Acórdão Min. Eliana Calmon.04.08.06. IMPOSSIBILIDADE. Tais artigos contêm norma em branco. PREVISTA EM LEI. 20. Recurso especial provido. 200) DIREITO EMPRESARIAL E PROCESSUAL CIVIL. Humberto Gomes De Barros.2006 p.05. Francisco Peçanha Martins. julg. Terceira Turma. Recurso especial conhecido e provido. Quando a sociedade por cotas de responsabilidade limitada dissolve-se irregularmente. 2. DÍVIDA DA SOCIEDADE DE RESPONSABILIDADE LIMITADA.865/SP. Rel. 1.08. julg. DJ 15. Rel. Rel. estabelecida nos Arts. Normalmente. Rel. o patrimônio dos sócios não responde por dívidas da sociedade. 230). (REsp 757. Nancy Andrighi. vinculada a outro texto legal. e 596 do CPC. – A solução de controvérsias a respeito dos efeitos da cessão mortis causa de quotas na administração da sociedade empresária é matéria estranha ao Juízo do inventário. RECURSO ESPECIAL – DÍVIDA DE SOCIEDADE LIMITADA – EXECUÇÃO FRUSTRADA – REDIRECIONAMENTO AOS BENS DE SÓCIO – ARTS. DO CTN. Min. 05.2004 p. Humberto Gomes de Barros. 3. julg. – A transmissão da herança não implica a transmissão do estado de sócio. (REsp 401. DJ 23.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa PROCESSO CIVIL E TRIBUTÁRIO – EXECUÇÃO FISCAL – SÓCIO GERENTE – REDIRECIONAMENTO – INTERPRETAÇÃO DO ART. Min. Por isso. 592.04. 592. 4.

Assim. A este último só faz jus o sócio que se dedicar à administração social. DISSOLUÇÃO PARCIAL COM APURAÇÃO DE HAVERES. Sergio Lucio Cruz – Julgamento: 01/02/2006 – Décima Quinta Câmara Cível. da qual o espólio detém cotas. como condição de existência do contrato de sociedade.No caso. Comprovado está que a dívida é do Espólio.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa DIREITO DE EMPRESA. ADUZINDO A IMPOSSIBILIDADE DA DISSOLUÇÃO PARCIAL DE SOCIEDADE COMPOSTA POR APENAS DOIS SÓCIOS. Des. §§1º e 3º.Vedada a estipulação contratual que exclua qualquer sócio de participar dos lucros e das perdas – artigo 288 do Código Comercial e 1008 do Código Civil de 2002. SOCIEDADE POR COTA DE RESPONSABILIDADE LIMITADA CONSTITUÍDA POR DOIS SÓCIOS.Não há que se confundir lucro com pro labore.18077 – Apelação Cível. (2006. 3. e não da empresa apelada. do qual não fez parte a recorrida. do CC/2002. a empresa poderá ser preservada atuando o sócio remanescente. PENHORA DE BEM IMÓVEL PERTENCENTE À EMPRESA DA QUAL O FALECIDO ERA SÓCIO MAJORITÁRIO. sem prejuízo de encetar uma nova sociedade para desenvolver a empresa no prazo da lei – artigo 1033.artigo 1031 do CC/ 2002.001. TJ/RJ). No caso. a morte de um dos sócios não acarreta sua dissolução da sociedade.artigo 515. Desprovimento do recurso.52831 – Apelação Cível. ainda que provisoriamente. EXECUÇÃO PROMOVIDA CONTRA ESPÓLIO. Provimento do recurso. UNIPESSOALIDADE INCIDENTAL TEMPORÁRIA. liquidar-se-á com base nos valores reais da situação patrimonial da sociedade à data da resolução . o valor das quotas. a fase instrutória já se encerrou. legitima a dissolução parcial da pessoa jurídica. verificado em balanço especial.O balanço especial deve refletir um levantamento contemporâneo. 7. e não os da empresa da qual era sócio. POSSIBILIDADE. incluindo os bens corpóreos e incorpóreos. 5. e. embora a matéria seja de direito e de fato. Antonio Saldanha Palheiro – Julgamento: 06/06/2006 – Quinta Câmara Cível. são seus bens que devem garantir a execução. autorizando o julgamento do mérito da causa . com a pessoa de seu falecido sócio. 4.Pretendendo-se a dissolução parcial da sociedade. RECESSO DO SÓCIO MINORITÁRIO. 6. aproximando-se do resultado que poderia ser obtido com a dissolução total. Des. TEORIA DA PRESERVAÇÃO DA EMPRESA.A apelante não está obrigada a permanecer associada contra sua vontade. se. pois o que se está executando é o acordo firmado entre aquele e o ora apelante. grifamos EMBARGOS DE TERCEIRO. nem partilha dos seus bens. TJ/RJ).Princípio da causa madura para julgamento.A quebra da affectio societatis. se a dívida foi contraída pelo falecido. (2005. Em que pese o débito ter sido constituído pelo sócio majoritário da apelada. como empresário individual.001. pelo contrato social. que o contrato social não pode nulificar ou obstruir. do CPC. não pode a penhora recair sobre bem dessa. grifamos FGV DIREITO RIO 87 . SENTENÇA DE IMPROCEDÊNCIA. Tem ela impostergável direito de recesso. 8. em hipótese alguma o imóvel deixará de pertencer à empresa apelada Não se pode confundir a pessoa jurídica da empresa. 1. IV. já que os bens da sociedade por cotas de responsabilidade limitada não se comunicam com os adquiridos pela pessoa física de seus sócios. EM RAZÃO DE DIVIDA CONTRAÌDA PELO DE CUJUS. 2. conseqüentemente.

Bastaria aos sócios cuidar que o capital da sociedade estivesse sempre integralizado para que não sofressem qualquer tipo de responsabilidade patrimonial. Doutor em Direito comercial e professor da Faculdade de Direito da usp). segundo a CLT. já era. Mas não é somente isto. o que se dá pela escolha de um mecanismo de exploração da atividade mercantil que permitisse salvar uma parte do patrimônio no caso da perda da empresa. Bem. agora a cargo do NCC. A Justiça do Trabalho também veio a trilhar o mesmo caminho da desconsideração da personalidade jurídica. o Novo Código Civil (NCC) mudou o regime anterior. basta agitar a varinha mágica da desconsideração que os sócios são apanhados na rede tal peixes em aquário. Para isto elas foram criadas.2004. mesmo os minoritários.03..o de uma responsabilidade limitada. Veja-se que o perfil jurídico das limitadas era dado pelo Decreto 3. iniciam uma empresa mercantil. Ora. quanto mais fazerem planejamento fiscal.708/19. mas também os sócios. Micros. por ignorância dos seus direitos. os outros ramos do direito. Como a CLT não inclui sócio como empregador. Um dia alguém no Fisco ouviu falar de uma tal de “desconsideração da personalidade jurídica”. o regime jurídico deste deve ser remetido para as normas que cuidam do tipo societário correspondente. Isto geraria segurança e certeza no exercício da atividade econômica privada. Mas se existe uma vocação irresistível para ser empresário. sendo-lhe penoso até mesmo pagar um contador que cuide de sua escrita. Então elas são oneradas até mais do que deveriam. pequenas e médias empresas optam pela sociedade limitada que tem um custo mais barato e na qual a responsabilidade máxima corresponde ao montante do capital social. 141 FGV DIREITO RIO 88 . o regime das limitadas seria justamente .ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa teXto: a morte da Limitada. o fisCo e a Justiça141 Significativa parte da economia gira em torno da iniciativa privada. Quem dormir no ponto. deveriam acatar a construção da limitada tal como definidos pelo legislador. Os perigos não são poucos. pequenas e médias empresas mal conseguem sobreviver.. As micros. Para o empresário (individual) existe o favor do bem de família.quem diria! . pelo menos ele teria o direito de minimizar o seu risco. Desta maneira. salvaguardando os bens mínimos necessários a uma vida com razoável dignidade. que corresponde a um patrimônio separado dentro do patrimônio geral. quem responde pelas obrigações trabalhistas é o “empregador” (artigo 2º). Ledo engano! Em primeiro lugar os empresários têm um sócio que é um verdadeiro “encosto”. O “peixe” foi bem vendido ao Judiciário e de lá para cá. Poucas empresas passam dos cinco anos de vida e um número bem menor delas chega a completar dez anos. ao cuidar da responsabilidade pessoal dos sócios. Legal & jurisprudência. não sendo encontrados bens no patrimônio da sociedade. o Fisco. Na minha família se alguém resolver abrir uma empresa eu vou procurar interditá-lo por prodigalidade. que tornaria responsáveis pelas dívidas tributárias não somente os administradores faltosos. por Haroldo malheiros Duclerc Verçosa (mestre. há louco para tudo. Veja-se que. Vou ficar com o exemplo dos empresários e das sociedades empresárias (os antigos comerciantes individuais e as sociedades comerciais) que separam uma parte do seu patrimônio e. Toma o que pode e não dá nada em troca. arrostando todos os perigos. Outra forma de correr riscos menores está na escolha de um tipo societário no qual a responsabilidade do sócio seja limitada. tendo passado a exigir uma formalidade antes desnecessária. na falta de norma específica. Mas cuidado. Mas a bendita da “desconsideração” também foi descoberta pelos advogados dos empregados e acolhida festivamente pelos tribunais Gazeta mercantil em 30.

que a sociedade foi utilizada indevidamente. Era uma doutrina que “levantava o véu da sociedade” sempre que a personalidade jurídica concedida pelo legislador fosse utilizada de forma inadequada. Os juízes precisam começar a pensar na eficiência de suas decisões dentro de um horizonte macroeconômico. Quanto ao Direito Tributário. A idéia acima sempre permeou a boa doutrina e a melhor jurisprudência. pois tal criação jurídica foi reconhecida como instrumental ou finalística. FGV DIREITO RIO 89 . verificada na liquidação de sociedade. E o NCC a acatou claramente no artigo 50. o que seria prova de simulação no disfarce de um comerciante individual em sociedade. Mas vale preservar uma empresa com um pouco de sacrifício de todos do que privilegiar alguns extinguindo uma unidade produtiva. por meio dos seus órgãos. na análise do caso concreto poderia determinar o não reconhecimento da personalidade jurídica. Não ter bens para pagar significa . por sua vez. o artigo 135 estabelece que os administradores ou representantes da pessoa jurídica respondem diante de atos praticados com excesso de poderes ou infração da lei. As “soluções” acima referidas nos dois campos do direito acabaram por levar a sociedade limitada a um completo descrédito. indicando a presença de uma sociedade mercantil . citada. É a mesma coisa que abrir as entranhas da galinha dos ovos de ouro e pegar o que ali encontrar.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa trabalhistas. Estas têm um tratamento próprio na qualidade de defeitos do ato jurídico. matando-a. efetivamente exercesse uma atividade econômica distribuindo aos sócios os lucros correspondentes. o sócio pelo simples fato de ser sócio não é responsável tributário. Isto que dizer que a personalidade jurídica deveria ater-se ao regime estabelecido pelo direito. Este é o limite de atuação da sociedade no mundo do direito. É só pedir. quando não há distinção efetiva entre o patrimônio da sociedade e o dos sócios ou de algum deles. sem qualquer fundamento. artigos 158 a 167). ao referir-se ao “abuso da personalidade jurídica”.que. a sociedade não pague ou não indique bens à penhora para ter lugar a desconsideração imediatamente. Basta que. Desvio de finalidade consiste justamente na utilização da sociedade para fins estranhos à sua criação. que são anuláveis (CCiB. Na verdade. quando vier a ocorrer “desvio de finalidade ou confusão patrimonial”. portanto. artigos 102 a 113 e NCC. O direito. Mas também neste campo tem operado fartamente a desconsideração da personalidade jurídica às vezes tão somente pelo fato de que um sócio tem participação mínima no capital. contrato social ou estatutos. ao invés de deixar que ela ponha um ovo por dia. a desconsideração da personalidade jurídica não é e nem nunca foi uma panacéia para salvar credores. até mesmo a sua morte como instrumento apto ao exercício da empresa mercantil. Portanto. Este é o espírito da nova Lei de Falências. E com a “penhora on line” a festa ficou completa. locupletando-se alguém por trás dela à custa dos empregados e de outros credores. A teoria da desconsideração da personalidade jurídica não inclui a simulação e a fraude. tendo-se como parâmetro o objeto social estabelecido no contrato social. Confusão patrimonial dá-se. Estas hipóteses somente são suscetíveis de realização por quem administra a sociedade e não por quem seja somente sócio. Por sua vez.em uma presunção absoluta na Justiça do Trabalho . no CTN existe apenas uma menção à responsabilidade dos sócios no artigo 134.

enquanto não estiver esgotado. uma vez esgotado o patrimônio desta. deverá fazer-se de outra forma? Fundamente a resposta. a) O patrimônio de Ferragem Inconfidência Ltda. Sobre este caso. conforme a cotação em bolsa de valores. 2ª FASE. A sociedade.EXAME DE ORDEM . além de estabelecer relação com uma rede de fornecedores. d) Joaquim Silva e José Xavier são empresários. (C) patrimonial de suas quotas na data do efetivo pagamento. PROVA OAB/RS .. por não expressar o último balanço a realidade patrimonial da empresa. é acolhível a alegação do retirante ou excluído de que a apuração. Para desenvolver sua atividade. (B) econômico de suas quotas à data da resolução. que adota o nome empresarial Ferragem Inconfidência Ltda. (A) patrimonial de suas quotas na data da resolução. 45.PROVA OBJETIVA. DIREITO COMERCIAL. apurado em balanço especial. teve seus atos constitutivos devidamente arquivados perante a Junta Comercial. seus haveres serão pagos com base no último balanço levantado. 2ª Prova Específica.O sócio de responsabilidade ilimitada que tenha sido admitido na sociedade por cessão de sócio retirante responde solidariamente com o cedente pelas obrigações existentes à época da cessão? XXXIX CONCURSO PARA INGRESSO NA MAGISTRATURA DE CARREIRA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO. 22º EXAME DA ORDEM DOS ADVOGADOS DO RIO DE JANEIRO . Resolvendo-se o vínculo de um sócio com a sociedade empresária de que faz parte.DEZEMBRO/2007 22ª Questão: Joaquim Silva e José Xavier constituem uma sociedade limitada para que esta exerça a atividade empresarial de venda de materiais de construção. 2ª QUESTÃO: Dispondo o contrato social que.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa Questões de ConCurso 125º EXAME DA ORDEM DOS ADVOGADOS DE SÃO PAULO . apurado em balanço especial.PROVA DISCURSIVA. DIREITO COMERCIAL. FGV DIREITO RIO 90 . assinale a assertiva correta. 4 . TIPO 1. e não havendo previsão contratual a respeito. responderá pela satisfação de todos e quaisquer débitos contraídos pela sociedade. (VALOR: UM PONTO E MEIO). na hipótese de retirada ou exclusão de sócio. (D) econômico de suas quotas na data do efetivo pagamento. c) Esta sociedade adquiriu personalidade jurídica no momento em que os sócios assinaram o contrato social. apurado em perícia judicial. b) O patrimônio pessoal de Joaquim e José pode ser usado para a satisfação de quaisquer débitos contraídos pela sociedade. a sociedade realiza a contratação de empregados e aluga uma loja em área de grande movimento de pedestres. seus haveres sociais serão pagos de acordo com o critério do valor.

por exemplo. porém. a coerência da decisão e não apenas o resultado apresentado. ou se calcula o valor da quota social. ? E as reservas de capital. assim: Devem prevalecer os valores do último balanço. FGV DIREITO RIO 91 . EXAMINADOR: DES. devendo haver avaliação. OBJETIVA. levando-se em conta a própria evolução positiva da empresa no mercado. novo ponto comercial. novo ponto comercial. Indaga-se. nos moldes contratuais. a exclusividade adquirida para venda de produtos. O excluído provou. como. no caso em que ocorra a retirada de sócios. que os valores convencionais do balanço eram bem inferiores à realidade e pretendeu que a apuração se fizesse pelo efetivo valor patrimonial da empresa e não apenas pelo escritural. etc. Questão 2. Prevê o contrato social que.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa CONCURSO PARA INGRESSO NA MAGISTRATURA DO ESTADO DE MINAS GERAIS (2003/2004) – PROVA SUBJETIVA DE DIREITO COMERCIAL. a apuração da respectiva quota atenderia o valor do último balanço. inclusive levando-se em conta certos bens imateriais adquiridos no curso da atividade da empresa. incluem-se na apuração de haveres? Observação: Esta questão tem o objetivo de avaliar o senso jurídico do candidato. ERNANE FIDELIS. por deliberação da maioria. como a exclusividade de comercialização de produtos famosos. bem como as reservas de capital que seriam volumosas.

portanto. o aspecto relevante é objeto da sociedade (visão capitalista) e não a figura do sócio. Ricardo Negrão. por exemplo.II. ementário de temas – A classificação da sociedade limitada como: • de pessoas e de capital. na exploração de atividade econômica. saraiva/2004. – Páginas 367 a 378 do Curso de Direito Comercial vol. 7ª edição. Já nas sociedades “de capitais”. Nesta. será sempre “de pessoas”.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa AUlA 12: A ClASSIfICAÇÃO DA SOCIEDADE lIMItADA “A sociedade limitada – anteriormente chamada sociedade por quotas de responsabilidade limitada – tem uma história pequena e pobre. • simples e empresária. será sempre “de capital”. Renovar/2005. Fabio ulhoa in curso de Direito comercial. • holding.“affectio societatis” pessoal. roteiro de auLa “de pessoas” e “de capital”. “na medida em que eventual limitação estatutária à circulação de ações não 142 cOELHO. Nesta aula discutiremos a leitura do(s) seguinte(s) capítulo(s): – Páginas 358 a 360 do Manual de Direito Comercial e de Empresa. 5ª edição. tendo como regra. da limitação da responsabilidade típica das anônimas. Saraiva: São Paulo/2005. recente e decorre da iniciativa de parlamentares.II. Fabio Ulhoa Coelho. que queriam beneficiar-se. Leitura CompLementar – Páginas 149 a 154 e 266 a 275 de O Direito de Empresa à luz do novo Código Civil. já a sociedade anônima. mas sem atender às complexas formalidades destas. FGV DIREITO RIO 92 . A sociedade simples. mesmo no caso das companhias fechadas.366. Sérgio Campinho. a livre participação societária e a facilidade de se verificar uma grande mutabilidade dos sócios. • nacional e estrangeira. uma vez que sua constituição baseia-se no relacionamento e vínculo existentes entre os sócios . em relação às demais sociedades. Saraiva: São Paulo/2004. 7ª edição. pág. Vol. a alienação de ações não pode ficar adstrita à anuência dos demais sócios. para atender ao interesse aos pequenos e médios empreendedores. Sua criação é. nem se sujeitar à prévia autorização governamental”142. Aprendemos que as sociedades “de pessoas” são aquelas nas quais a pessoa do sócio se reveste de extrema relevância. diante de sua natureza capitalista.

Importante lembrar que se não for possível definir qual a natureza da sociedade limitada. a quem seja sócio. através de consultas particulares. com as regras das sociedades anônimas (art. pág. conceituando. se o consultório oferecer também exames clínicos laboratoriais.cit. que é diferente do direito de aprovar ou vetar a alienação das ações. b) alienação de quotas e c) penhora de quotas.99. supletivamente. a menos que o contrato social disponha de forma diferente. simples e empresária Na sociedade limitada empresária. conforme art. 997 e seguintes do CC). 1.057 do Código Civil estabelece que. em função dos atributos pessoais do eventual adquirente”143. A atividade intelectual será elemento de empresa quando estiver absorvida pela estrutura organizacional da sociedade empresária e fará parte dos fatores de produção. juntamente com o capital. ela não possui sempre a mesma natureza. 1. atendimentos e consultas por outros médicos. No caso da sociedade limitada. expressa através das cláusulas do contrato social. mas que poderá adotar o modelo “LIMITADA” ou “SIMPLES” (art. as cláusulas do contrato social que dispõem sobre a natureza da sociedade. total ou parcialmente. como veremos a seguir: Vejamos o caso de dois médicos que se unem e montam um consultório para. 966 do código civil. Indústria e comércio Exterior. todas direcionadas à “cessão de quotas”: a) morte de sócio (sucessão). ou a estranho. Op. 45.150). os sócios exercem profissionalmente atividade econômica organizada para a produção ou circulação de bens ou de serviços.134 a 1. Esta sociedade será empresária e poderá adotar o modelo “LIMITADA” com as regras da sociedade simples ou. em regra. São três. 146 FGV DIREITO RIO 93 . a atividade intelectual estará absorvida pela estrutura organizacional. protocolado no Departamento nacional de Registro do comércio – DnRc. uma vez que o art. a limitada como uma sociedade “de pessoas”.053 CC). nacional e estrangeira A personalidade jurídica da sociedade estrangeira145 é reconhecida conforme dispõe o art. in fine. configurando o elemento de empresa. constituindo o elemento de empresa144.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa poderia significar a sujeição da venda destas à anuência dos outros acionistas.142 do código civil. No máximo. 1. aplicação de vacinas e outros serviços ao público em geral. se não houver oposição de titulares de mais de um quarto do capital social”. “o sócio pode ceder sua quota. Continuando com o exemplo dos médicos. basicamente. que a definirá como sociedade “de pessoas” ou “de capital”.09. Seus atos constitutivos são arquivados na Junta Comercial (art. explorarem atividade intelectual relacionada aos seus conhecimentos científicos na área médica. mão de obra e organização. 1º da Instrução normativa n° 81 de 25. do Código Civil. As sociedades estrangeiras são constituídas e organizadas em conformidade com a legislação do país de origem onde mantém sua sede 143 144 145 cOELHO. 1. contudo não podem se estabelecer no Brasil sem a autorização do Poder Executivo Federal146. A sociedade limitada poderá se “apresentar” como SOCIEDADE LIMITADA SIMPLES ou SOCIEDADE LIMITADA EMPRESÁRIA. arts. por meio de requerimento dirigido ao ministério do Desenvolvimento. independentemente de audiência dos outros. mesmo após a análise do ato constitutivo. Este exemplo é típico de uma sociedade simples. sendo a vontade dos sócios. neste caso será chamada de “simples pura”.370. ela será considerada como “de pessoas”. o estatuto da sociedade anônima fechada pode prever o direito de preferência. art.

DnRc. o quê gera menos despesas se comparadas às sociedades anônimas. por sócios chineses. art. ou. Indústria e comércio. por meio de coligada ou joint-ventures. art. 11. regendo-se pelas normas deste país148. ter no Brasil filiais. as organizações destinadas a fins de interesse coletivo.requerimento ao ministro de Estado do Desenvolvimento. 98 e 99 da Lei n. – como sociedade anônima. 64 e seguintes do Decreto-Lei n° 2. Será estrangeira a sociedade constituída com capital de origem brasileira.134). As sociedades estrangeiras podem operar no Brasil: – atuando de forma direta. haveria uma suposta proibição à participação de sociedades estrangeiras em sociedades limitadas brasileiras. para produzir efeitos no território brasileiro. 151 152 153 art. entretanto. É indiferente a nacionalidade e o domicílio dos sócios e acionistas (mesmo de seus controladores). solicitando a devida aprovação. conforme dispositivo do art. deverá desenvolver suas atividades atendendo especificamente as condições estabelecidas no decreto que a autorizou.134 do Código Civil. Em caso de modificações de quaisquer condições e em caso de modificação dos atos constitutivos da matriz. Este tema causou polêmica no meio art. a sociedade limitada é a preferida dos investidores estrangeiros. algumas são específicas para sócios residentes no exterior: a) devem nomear um procurador residente no Brasil que se responsabilize perante as autoridades locais pela sua participação152. desde que devidamente autorizada pelo Poder Executivo brasileiro (art. agências ou estabelecimentos antes de serem os atos constitutivos aprovados pelo Governo brasileiro.133 do código civil. residentes na Rússia. a origem do capital (desde que lícita). c) na hipótese de integralização de quotas em bens. 7º qualquer alteração que a sociedade mercantil estrangeira autorizada a funcionar no país faça no seu contrato ou estatuto. II . 1. 1.141. um novo decreto de autorização deve ser requerido – art. constituída por sociedade empresária.627/40.126 a 1. Lei de Introdução ao código civil (Decreto-lei 4. FGV DIREITO RIO 94 . 149 150 na forma do art. 1. para tanto. possui simples estrutura. ressalvadas as hipóteses legais em que vigoram restrições e impedimentos (veremos logo abaixo algumas restrições). b) não podem exercer a administração da sociedade. arts. 84 – inciso IV da constituição Federal de 1988. Diante da rigidez nas formalidades previstas para a sociedade estrangeira além da delonga para sua autorização. protocolizado no Departamento nacional de Registro do comércio . 300 da Lei n° 6. elas são consideradas inviáveis para investimento.138 do código civil. e III . agências ou estabelecimentos de sociedade anônima estrangeira. Será nacional a sociedade constituída com capital de origem árabe. obedecem à lei do Estado em que se constituírem. uma vez instalada no Brasil.657/42): art. por meio de sucursais150. mas com sede administrativa no Brasil e segundo as leis brasileiras. deverá apresentar os seguintes documentos: I . dependendo de autorização. ficando sujeitas à lei brasileira.141 do código civil e Instrução normativa n° 81/99 do DnRc. por sócios brasileiros e residentes no Brasil. normalmente.ato de deliberação que promoveu a alteração. – como acionista de sociedade anônima brasileira (parte final do art. por parte dos investidores estrangeiros. 7. pois. os mesmos deverão ter sido regularmente importados. registrada e com sede em Portugal.guia de recolhimento do preço do serviço.134). § 1º não poderão. como as sociedades e as fundações. 1. 1.134 a 1. 1. mas devem nomear a tal fim um administrador residente no Brasil153. filiais.º 6. com a sede de sua administração no Brasil e seus negócios jurídicos realizados em obediência aos ditames legais brasileiros.404/76. organização e funcionamento. As sociedades nacionais149 são as organizadas e registradas em conformidade com a lei brasileira.139 do Código Civil e art.815/80 – Estatuto do Estrangeiro. como já vimos. Nessa seara. 1. 148 arts. mediante processo de nacionalização. A sociedade estrangeira. Entre as características da sociedade limitada.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa administrativa. 1. dependerá de aprovação do Governo Federal e.º IN 81/99 do DNRC151. – atuando de forma indireta. polêmica (in)justificada Em função do art. art.

795 sociedades anônimas). Legitimidade de representação.º 126/03 . sem contar o fato de que novas limitadas não poderiam ser criadas tendo sociedades estrangeiras como sócias. Portanto.406 de 2002.dnrc. Candido mendes Introdução. de ora em diante NCC) entrou em vigor. por meio do Parecer Jurídico 126/03154. A primeira. No dia 11 de Janeiro de 2003. de sociedades brasileiras.404/76. as regras relativas à possibilidade de participação de sociedades estrangeiras. enquanto sócias.gov. teXto: o noVo Código CiViL e as soCiedades estrangeiras José gabriel assis de almeida sócio de siqueira Castro – advogados e advogado inscrito no rio de Janeiro e são paulo (brasil). será sobre este tipo de sociedades que a presente análise será realizada (a título de esclarecimento. a mudança diz respeito aos direitos e deveres do investidor estrangeiro. Disponível em: http://www. Lisboa (portugal) e paris (frança) doutor em direito pela universidade de paris ii professor da uni-rio e da univ. o NCC veio regulamentar a atuação das sociedades estrangeiras parecer jurídico n. no mesmo período.657 de 1942). sofrer qualquer discriminação fundada na nacionalidade de seus sócios. Por um lado. em determinadas atividades. Agora. a antiga Lei das Sociedades por Ações.DnRc: Ingresso de sócia pessoa jurídica estrangeira em sociedade limitada. mantidos em vigor pela Lei 6. nada impede que uma empresa estrangeira participe de uma sociedade constituída no País.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa jurídico até que o DNRC. de sociedades no Brasil. Estas mudanças dizem respeito a dois aspectos fundamentais. facil. a atuação das sociedades estrangeiras no Brasil estava regulada apenas por duas normas. de sociedades brasileiras. O principal argumento do DNRC é de ordem constitucional: “De mais a mais. O NCC traz profundas mudanças no regime das sociedades.pdf 154 FGV DIREITO RIO 95 . administração por pessoa natural. no Brasil. a atual Lei das Sociedades por Ações. Até agora.627 de 1940.832. de responsabilidade limitada. Estas mudanças afetam sobretudo as sociedades por quotas. das sociedades limitadas (designação do NCC para as sociedades por quotas de responsabilidade limitada).178 sociedades limitadas no Brasil enquanto que. os artigos 60 e 64 a 72 do Decreto Lei 2. dentre os princípios traçados pela Constituição Federal. enquanto sócio. salvo os casos especiais. Uma vez que o investimento estrangeiro se realiza sobretudo através da participação do investidor. o tipo societário seja o de sociedade anônima”. Se tal proibição existisse. da sociedade brasileira. enquanto sócias. que aliás passam a denominar-se apenas sociedades limitadas. O presente texto visa analisar essas mudanças do ponto de vista do impacto que podem ter para os investidores estrangeiros. que são titulares de uma participação no capital social.br/pareceres/arquivos/pa126. foram constituídas apenas 17. como regra geral. a Lei de Introdução ao Código Civil (Decreto-Lei 4. Possibilidade de participação de sociedades estrangeiras. onde a lei especialmente requerer que. inúmeras sociedades estrangeiras existentes poderiam ser consideradas em situação irregular. empresas devidamente organizadas e existentes segundo as leis brasileiras não podem. Por outro lado. A segunda. cabe lembrar que entre 1985 e 2001 foram constituídas 3. enquanto sócio. novo Código Civil brasileiro (Lei 10. reconheceu a viabilidade de ser constituída uma sociedade limitada que tenha pessoa jurídica estrangeira como sócia.

Conteúdo da participação do investidor estrangeiro. simplesmente. ou estabelecimentos que as representem. 64 do Decreto-Lei 2. ressalvados os casos expressos em lei. No entanto. é recomendável que as sociedades estrangeiras que investiram no Brasil. a redação deste artigo tem que ser examinada com prudência. na qualidade de sócia.134 do NCC está assim redigido: “A sociedade estrangeira.627. Com efeito.134 do NCC indica que o mesmo parece limitar a participação da sociedade estrangeira.”. sucursais. em outras sociedades. 1. no contrato social da sociedade brasileira. funcionar no País. na nova terminologia do NCC) e nos demais tipos societários. ressalvados os casos expressos em lei.627. além da sociedade anônima. podendo todavia.627 de 1940. na vida da sociedade brasileira. pelo fato deste Decreto-Lei cuidar apenas das sociedades anônimas. apesar do teor do art. um manifesto lapso legislativo. contida no art. Trata-se. enquanto sócia. ou por filiais. parágrafo único. de sociedade brasileira de qualquer tipo.627. estará sujeito ao regime da Lei das Sociedades por Ações. ser acionistas de sociedade anônima brasileira. Houve a reprodução quase literal da regra – contida no art. ainda que por estabelecimentos subordinados. Isto porque o NCC cuida de outros tipos societários. Cabe frisar que a aplicação supletiva será apenas no que concerne ao regime da participação da sociedade estrangeira. 64 do Decreto-Lei 2. e não apenas de sociedade anônima brasileira. de sociedades por quotas. estipulava: “As sociedades anônimas ou companhias estrangeiras. Com efeito. Deste modo. ser acionista de sociedade anônima brasileira. de incluir. portanto. não pode. 64 do Decreto-Lei 2. tomem uma simples precaução. ficaria excluída a participação da sociedade estrangeira. Inobstante o que fica exposto. pois o NCC deveria simplesmente referir a possibilidade da sociedade estrangeira atuar. de responsabilidade limitada (sociedades limitadas. sem autorização do Governo Federal. como sócias. todavia. uma sociedade estrangeira somente poderia ser sócia. no Decreto-Lei 2. no período que se seguiu a 1940 jamais foi impedida a participação das sociedades estrangeiras (seja sob a forma de sociedades anônimas seja sob outras formas). enquanto sócia. qualquer que seja o seu objeto. nas sociedades por quotas. o art.” Uma primeira leitura do art. qualquer que seja o seu objeto. no capital da sociedade brasileira. não teria sentido fazer referência. de responsabilidade limitada ou ainda enquanto sócias de outros tipos societários. Assim. do NCC. sem autorização do Poder Executivo. o art. no Brasil. Em primeiro lugar.134 é quase a transcrição da regra anterior. enquanto sócia. no regime do Decreto-Lei 2. Houve. de 1940. adquirindo uma participação no capital social de sociedade brasileira. Com o NCC. no Brasil. As principais mudanças introduzidas pelo NCC nos direitos e deveres do investidor esFGV DIREITO RIO 96 . Assim. à participação das sociedades estrangeiras. Esta aplicação supletiva da Lei das Sociedades por Ações às sociedades limitadas é possível por força do art. e portanto restrita às sociedades anônimas – numa norma mais geral. de sociedades anônimas.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa no Brasil. Ora. que cuida de outros tipos de sociedades. por si mesmas.627. 1. às sociedades anônimas.053. Em segundo lugar. o que simplesmente ocorreu foi uma má técnica legislativa. é preciso levar em consideração que a referência às sociedades anônimas explica-se. sem qualquer modificação da natureza ou das características da sociedade limitada. agências.627. 1. podendo. 1. enquanto sócias. para evitar uma eventual contestação. uma nova cláusula estabelecendo que o regime da participação da sociedade estrangeira. cabe esclarecer que o art. funcionar no País. não podem. além das sociedades anônimas. 64 do Decreto-Lei 2.

O NCC exige a designação por deliberação da totalidade dos sócios (quando o capital social não estiver integralizado) ou por deliberação de sócios que representem 2/3 do capital social (quando o capital social estiver integralizado). Se o investidor estrangeiro é titular de 50% ou menos e de mais de 25% do capital social. Por outro lado. havia apenas um quorum de deliberação. No regime anterior ao NCC. Esta situação interessa bastante às sociedades estrangeiras. A administração da sociedade brasileira e as deliberações sociais. para o investidor estrangeiro. sozinha. autorizar a cessão das quotas. Quanto à administração das sociedades. Outro ponto relevante. é importante frisar que o NCC estabelece o quorum de 2/3 do capital social para a destituição de sócio que seja nomeado. No tocante às deliberações sociais. Aliás. pois a sua colaboração é necessária para a modificação do contrato social. etc.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa trangeiro nas sociedades limitadas brasileiras dizem respeito a dois pontos importantes. No regime do NCC. o quorum das deliberações. O(s) sócio(s) titular(es) de 50% + 1 do capital social era(m) titular(es) do controle da sociedade. uma pessoa que não seja sócia. o investidor estrangeiro poderá nomear. se houver um aumento do seu capital social sem haver imediata integralização ou se a sociedade for constituída sem que o seu capital social seja totalmente liberado. como administrador da sociedade brasileira. nomear o administrador. poderá estar impedida de. cabia a esse(s) sócio(s) alterar(em) o contrato social (aumentar ou reduzir o capital social). administrador da sociedade. a nomeação de um administrador dependerá da concordância de todos os sócios. No regime do NCC. a sua situação não se modifica no que diz respeito à alteração do contrato social. pois a nomeação do administrador não sócio dependerá da concordância dos sócios que sejam titulares de 2/3 do capital social da sociedade brasileira. Se o mesmo é atualmente titular de 75% ou mais do capital social. Assim. (ii) a exigência de que os gerentes (agora denominados administradores) sejam pessoas físicas. Assim. entre outros pontos. Assim. Consequentemente. para o investidor estrangeiro. dependendo da sua participação no capital social. sob este ponto de vista. o investidor estrangeiro adquire novos poderes na sociedade brasileira. no contrato social. o investidor estangeiro corre o risco de – se não tomar as medidas adequadas – perder o controle da sociedade brasileira. Se o mesmo é atualmente titular de um percentual maior do que 50% e menor do que 75%. Se o investidor estrangeiro é titular de menos de 25% do capital social. a sociedade estrangeira. é importante salientar que qualquer alteração do contrato social passa a necessitar da aprovação dos sócios titulares de 3/4 do capital social. é preciso FGV DIREITO RIO 97 . (iii) a supressão do regime da gerência por delegação. o quorum das deliberações sociais foi modificado e varia. a situação não se modifica. O resultado desta nova regra. o NCC implica na desnecessidade de figurar no contrato social como sóciagerente (agora. ela passa a ter acesso a essa nomeação. As únicas exigências são (i) que esta pessoa seja uma pessoa física e (ii) que esta pessoa física seja residente e domiciliada no Brasil. que é normalmente uma sociedade estrangeira. se a sociedade estrangeira não tiver a maioria do capital social. nomear os gerentes. Ainda no campo das deliberações relativas à administração da sociedade. diz respeito às deliberações para a designação de administradores não sócios. é importante salientar que o NCC modificou. sócia administradora) e de recorrer ao mecanismo da gerência por delegação. Deste modo. varia consoante a participação do mesmo no capital social da sociedade brasileira. consoante as deliberações. as principais mudanças são (i) a supressão da obrigatoriedade da gerência ser exercida apenas pelos sócios.

a sociedade que é controlada por outra. b) Flexibilidade e agilidade na transferência e alocação de recursos. ainda que não prevista no estatuto. uma sociedade estrangeira titular do restante do capital social. Conclusão. Neste caso. proceder à adaptação dos contratos sociais. chama-se subsidiária. em função da facilidade no manejo de suas regras. a participação em outras sociedades em níveis suficientes para controlá-las155. Deste modo. sem necessidade de oitiva dos sócios e/ou acionistas minoritários.404/1976. Sharp Júnior: “Do enquadramento da holding pura como sociedade simples resulta na sua inscrição no cartório do registro civil de pessoas jurí- 155 n. vejamos alguns entendimentos: Para o Prof. O NCC determina que as sociedades atualmente existentes procedam à adaptação dos seus contratos sociais até 10 de janeiro de 2004. Quando o objeto social da holding for somente a participação no capital de outras sociedades. 2º. é importante aproveitar este prazo para. a participação é facultada como meio de realizar o objeto social. enquanto a holding é a sociedade que controla. ela é chamada de Holding Mista ou impura. Quando. FGV DIREITO RIO 98 . que estabelece que a “companhia pode ter por objeto participar de outras sociedades. a possibilidade de constituir uma sociedade cujo objeto social seja. com possibilidade de redução de despesas operacionais. criar os mecanismos necessários para garantir a harmonia nas sociedades brasileiras. podendo adotar a forma de Limitada ou de Sociedade Anônima. além da participação no capital de outras sociedades. apenas. dentro do grupo. a holding tem uma visão voltada para dentro. por um lado. f ) Vantagens tributárias e centralização das decisões financeiras.a. assim. e) Enxugamento das estruturas ociosas das sociedades controladas e descentralização de alguns trabalhos. titular de mais de 33% do capital social e. A holding não só poderá obter financiamentos externos como também agir como provedora de investimentos para atender às necessidades das controladas. ela é chamada de Holding Pura. agindo em parceria visando novas oportunidades. uma pessoa física residente no Brasil. mais uma vez. das quais participem os investidores estrangeiros. conforme a situação motivadora de sua criação. ou para beneficiar-se de incentivos fiscais”. com os clientes. Podemos elencar como algumas vantagens da sociedade holding o seguinte: a) Concentração do poder econômico do controlador na holding. § 3º da Lei nº 6. por outro lado. como sociedade simples ou empresária. Temos. d) Maior poder de negociação na obtenção de recursos financeiros e nos negócios com terceiros. e resolver o problema da participação das sociedades estrangeiras. sociedade holding Aprendemos que a previsão legal da sociedade holding está no art. Enquanto as sociedades das quais participa estão “preocupadas” com as tendências do mercado. ela exercer a exploração de alguma atividade empresarial. de sociedades brasileiras. c) Solucionar problemas referentes à sucessão (herança) e partilha (divórcio). Seu interesse é a produtividade de suas “controladas” e eficácia da administração dos negócios. com a concorrência e com outros problemas externos. Ronald A. O enquadramento da “holding pura”. enquanto sócias.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa ter cautela no caso de uma sociedade brasileira que tenha como sócios. haverá a preferência pela forma “limitada”. é tema ainda muito discutido na doutrina.

O professor conclui dizendo que “a holding pura terá sempre natureza de sociedade simples. Sérgio Campinho158 enfatiza a classificação das holdings como sociedades empresárias em virtude da atividade profissional dessas sociedades: “A organização e o caráter profissional da atividade seriam. pág. Gazeta mercantil em 02.irtdpjbrasil. Anote-se. n. jus navigandi. O Prof. se a holding pura adotar a forma de sociedade anônima ou organizar-se consoante o modelo de ASQUINI. o ilustre Prof. a “empresa de papel”. uma vez que sua atividade-fim não é a produção ou a circulação de bens ou de serviços. exigido pelo caput do art. sustentaram que a “holding pura pode ser definida como a sociedade cujos escopos principais são a aquisição. mas para o âmbito interno caracterizado pelas relações societárias. mas ao processo de insolvência civil”. 160 FGV DIREITO RIO 99 . Invencionices sobre o novo código civil. ganhar idêntica condição de sociedade empresária”. miguel. por afinidade.150 do NCC) e na insubmissão à falência. as quais têm o mais amplo espectro. acesso em: 15 mar. ou seja. destarte. Ronald Sharp no sentido de classificar como sociedade simples a “holding pura”. quando menos. 7. posto que a participação em outras sociedades também é forma de em- 156 in “a holding pura como sociedade simples”. com. Em artigo publicado no jornal Gazeta Mercantil160. a.htm in Direito societário – 9ª ed. Direito de Empresa.053. em si mesma.com. ainda que se possa questionar seu objeto. de uma sociedade destinada a organizar e controlar participações societárias pressupõe estrutura fortíssima. como entidade de regência de uma rede de sociedades. contudo. inclusive anônimas159”. Na opinião do jurista Miguel Reale “é preciso lembrar que o maior número das sociedades empresárias é formado pelas sociedades por quotas de responsabilidade limitadas. Corroborando com o entendimento acima. Na opinião de José Edwaldo Tavares Borba157: “se as sociedades controladas são empresárias. 158 REaLE.” E concluem o artigo entendendo não haver “motivo sério para classificar a holding pura como Simples. os advogados Márcio Tadeu Guimarães Nunes e Felipe Demori Claudino. uma vez que estará constantemente agindo como sócia. de forma indireta. Tais escopos são exercidos com profissionalismo. então. fazendo presente. O direito comparado (exemplo Itália) confirma este entendimento reafirmando a presunção de profissionalismo e de viés econômico em estruturas de controle como as que reveladas pelas holdings puras. este. inclusive. que. 2003. 1. uol. naquelas mesmas atividades.49. apenas em parte. bem como ausentes os perfis funcional e corporativo.03. Teresina. parágrafos 1º e 2º combinado com o artigo 243 parágrafo 2º. a holding que as controla encontra-se envolvida. parágrafo único. Disponível em: <http://jus2.2005. Isso é o que basta para afastar tal sociedade do regime próprio da Simples. Disponível em: http://www. por lhe faltar a idéia de estabelecimento e quiçá de patrimônio comercial. 63. 2006 159 a holding pura como sociedade empresária. indo desde as microempresas ou de pequeno porte até gigantescas sociedades que atuam como holding. controladora até mesmo de poderosos grupos econômicos e financeiros. os elementos reveladores da atividade empresarial”. direcionando suas atividades não ao mercado. O raciocínio desenvolvido se deu com base na ausência de um mínimo de organização econômica. Jorge Lobo.404/76 combinado com o artigo 1. asp?id=3820>. destaca o entendimento do Prof. mar. devendo. 966 do Código Civil.404/76 (LSA).br/Holding. ambos da Lei 6. em seu livro Sociedades Limitadas. Mais forte fica o argumento caso a holding pura esteja regulada pelas regras supletivas da Lei 6.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa dicas (art. Também são econômicas porque visam a administrar e a agregar valor à carteira de participações societárias. passa a ser sociedade empresária.br/doutrina/texto. 157 in O Direito de Empresa à luz do novo código civil. titularidade. Renovar/2005. A existência. alienação e controle de participações societárias. o elemento de empresa da parte final do parágrafo único do artigo 966 do NCC. do NCC). salvo se for constituída sob a forma de sociedade por ações”156. artigo 2º. pág.39. vez que a holding os tem como principal atividade e razão da sua própria existência como vértice de uma estrutura de controle (cf. em que só estão presentes os perfis subjetivo e objetivo.

a gestão de uma carteira de participações noutras empresas. sem tomar direta ou indiretamente parte na condução do negócio das sociedades controladas. Luxemburgo161 A sociedade holding em Luxemburgo recebe o nome de “Holding 1929” e possui regime especial definido em lei sob a forma de uma sociedade anônima (Société Anonyme). procurando exercer o seu controle tendo em vista a gestão.” a sociedade holding no mundo Portugal Em Portugal. 161 pequeno país da Europa Ocidental. Nenhuma condição é imposta acerca da nacionalidade ou residência relativamente aos diretores e administradores. a chamada: “Sociedade Gestora de Participações Sociais” – SGPS. ao passo que a regra geral é a de que a sociedade seja empresária. No contrato social deve constar. na sua fase inicial e de arranque. O objeto social será a aquisição de qualquer forma de participação em outra sociedade em Luxemburgo ou em sociedades estrangeiras. A principal delas relaciona-se com o objeto social. Aplicações tradicionais de uma sociedade holding em Luxemburgo: – Aquisição de participações em outras sociedades. ou de escritórios ou instalações das sociedades nas quais detém participação. subscrevendo as ações de um empreendimento ou projeto recente. que satisfaçam as mesmas exigências. vender as ações tão pronto as sociedades estejam suficientemente bem conhecidas entre o público. como também a gestão e desenvolvimento da dita participação. FGV DIREITO RIO 100 . – Participação no capital de novas sociedades constituídas.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa presa e diante do fato de que o NCC reservou às Simples o caráter de exceção ao fenômeno empresarial (até porque é como tipo facultativo ou como regime jurídico subsidiário que a Simples agoniza nos poucos países que ainda a adotam). ou onde os procedimentos para a disposição sejam investidos noutras participações. a sul pela França e a oeste e norte pela Bélgica. que o objeto da SGPS é. limitado a leste pela alemanha. de forma expressa. como também não há exigência quanto a publicação da composição da carteira de participações da holding.000 Euros. buscando o interesse de investidores privados. em fase de lançamento no mercado. Exige-se capital mínimo realizado de aproximadamente 31. – Efetuar empréstimos. vários anos depois. a menos que por meio de troca. – Dispor de quaisquer das suas participações no prazo de um ano após a sua aquisição. – Participação em sociedades detentoras de patentes cuja carteira de ações inclua recursos intangíveis. exclusivamente. como meio indireto de desenvolvimento de uma atividade econômica. para além dos seus próprios escritórios ou instalações. ou se o comprador for uma sociedade controlada pela SGPS. o Decreto-Lei nº 495 de 30 de Dezembro de 1988. os quais administra e explora exclusivamente pela concessão de licenças. salvo se para sociedades nas quais tem interesse de controle ou é acionista. estabeleceu um novo tipo de sociedade. para. A SGPS não pode se dedicar às seguintes operações: – Compra de bens imobiliários. Uma SGPS pode ser constituída como “sociedade anônima” ou “sociedade por quotas” e está sujeita a algumas restrições. coordenação e racionalização das suas várias atividades.

geralmente. distinta dos seus sócios. dedicado à legislação societária. os Estatutos planificam os traços gerais do modo de funcionamento e gestão da LLc. é uma estrutura corporativa mais formal. o Tribunal de Delaware (Delaware Chancery Court) julgou vários casos de gestão empresarial que são. locais ou estrangeiras. face às dívidas da mesma. EUA. incluindo muitas que operam primariamente fora do Delaware. Mais de 200 mil empresas e companhias estão sediadas no Estado. que são denominados “members”. quer pelos seus membros ou não-membros. de grande ou pequena dimensão. e US$ 35 para o caso das Corporações. interessadas em negociar com os EUA e outras jurisdições.br/detalhe_noticia. em conformidade com Estatutos Estatuais aplicáveis. desde que devidamente representadas por um agente oficial registrado que as represente. Deste modo. em que os donos do negócio ficam pessoalmente solidários com a empresa.. obrigações e responsabilidades dos “members” são estipulados no seu “Operating agreement”. Exemplos de sociedades em Delaware/EUA: – MEI Holding Inc. Ltd”. Ao longo dos anos. a responsabilidade do acionista é limitada ao valor da sua participação de capital na corporação. particularmente em casos de sucessão e detenção de propriedade. imposto sobre propriedade ou imposto sobre rendimentos referentes a sociedades constituídas em Delaware. mais conhecida por sua marca Panasonic). citados como precedentes em Tribunais de outros estados americanos. nome que se confere ao contrato social. ausente qualquer tipo de garantia pessoal. que pode ter um número ilimitado de acionistas cujos bens pessoais estão. Esta proteção em termos de responsabilidade é usufruto de todos os membros. – Sede da empresa: Delaware. É particularmente satisfatório para a gestão centralizada de recursos familiares. quer para Corporações ou LLC’s. 163 Várias Corporações163 e LLC’s164. À parte do tema fiscal. Isto significa que. ou empresa em nome individual. transferência de interesses numa LLc e sua liquidação. – Data da incorporação: Junho de 1995. Corporações e LLC’s não necessitam de manter qualquer conta bancária ou sede social em Delaware. comparada a nossa sociedade Limitada. como o Estado Americano das grandes Corporações. mais de 300. Atualmente. protegidos em caso de eventuais ações judiciais contra a sociedade. Apenas existe a obrigatoriedade de pagamento de uma taxa anual de US$ 200. ou mesmo falência. escolhem Delaware devido à sua estrutura legal favorável.wikipedia. ao contrario de uma parceria “partnership” comercial. tal como os acionistas de uma corporação tipo “c” ou “s”. Isto acontece graças à leis estaduais que dão benefícios fiscais para empresas que decidem instalarem suas sedes no Estado. desde que não operem dentro do próprio estado. para o caso das LLC’s. e poucos dos seus membros chegaram mesmo a visitar o Estado de Delaware. estabilidade.a sp?a1=Imprensa&a2=notici as&a3=8 FGV DIREITO RIO 101 . 162 Fonte: http://pt.162 comparada a nossa sociedade por ações. 164 165 Fonte: http://www. independentemente do volume de negócios. Este fato deu ao Estado o cognome de The Land of FreeTax Shopping (A Terra Sem Impostos Comerciais). o valor do risco para os membros de uma LLc está limitado ao valor da sua contribuição em termos de Investimento na LLc. a LLc tem personalidade jurídica própria. Por causa disso. atraindo diversas companhias. Delaware também possui uma forte indústria petroquímica”.com. as cláusulas deste contrato social são extremamente importantes. Os direitos. o Delaware é um dos maiores centros bancários dos Estados Unidos. quando devidamente estruturados.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa – Entrada no capital de sociedades de investimento com a finalidade de criar e administrar em seu próprio nome uma carteira de títulos transferíveis para um ou mais indivíduos privados conforme os princípios de gestão privada (o risco é distribuído geograficamente e entre vários setores). org/wiki/Delaware Delaware/EUA “Apesar de sua pequena extensão territorial. Não existe qualquer imposto sobre as vendas em Delaware. – Atividade principal: Investimentos de negócios. e reputação. uma vez que podem ter um impacto direto na forma como a LLc ou os seus membros possam a vir ser tributados para efeitos de impostos federais.000 empresas estão registradas em Delaware. por muitas vezes. Delaware é o único estado Norte Americano com um sistema judicial especial. mesmo que poucos aí possuam qualquer estrutura em termos de vendas ou fabricação. Delaware é um grande centro financeiro. Muitas sociedades internacionais. optam por DELAWARE como sede social e base para os seus negócios. que é fixa e deve ser paga ao Estado de Delaware. os bens pessoais de um membro de uma LLc estão completamente for a do alcance dos credores da sociedade (negócio). os membros de uma LLc têm a mesma proteção em termos de responsabilidade limitada. e nada mais. Situação Geral em 31 de dezembro da 2005165.panasonic. – Capital acionário: US$ 1. (subsidiária da “Matsushita Electric Industrial Co.

(AOLA): em 24 de junho de 2005. a AOLA e algumas de suas subsidiárias apresentaram um pedido voluntário de concordata. Caso gerador A sociedade Agricultura Extração Ltda. DEVERES E RESPONSABILIDADE DO DIRETOR. – GE Energy Products. grifamos. Qual seria a forma mais eficaz da sociedade estrangeira participar dos negócios? JurisprudênCia SOCIEDADE POR COTAS DE RESPONSABILIDADE LIMITADA. Prestação de Contas. processamento. Inc. no Tribunal de Falências do Distrito de Delaware/EUA. Ltd.10270 . Sociedade por Cotas de Responsabilidade Limitada. uma sociedade com sede em Portugal apresenta proposta com o intuito de transportar e distribuir parte da produção da Agricultura Extração Ltda. Os administradores lhe procuram para saber: 1. Com o passar dos anos. Gestão. – Autodesk Inc.. para toda a Europa. Inc. Milton Fernandes De Souza . – GE Engine Services. – GE Engine Services Distribution. como proceder diante do crescimento do negócio? 2.Apelação Cível. como o de qualquer outra sociedade. transporte e distribuição ficou complicada para a sociedade. Independentemente da séria controvérsia sobre a natureza .capital ou pessoa .da sociedade por cotas de responsabilidade limitada.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa – Acionistas (% participação acionária) Matsushita Electric Industrial Co.001. as administrações do plantio. Para melhorar a situação. – America Online Latin America. LLC – GE Fanuc Automation Corporation – GE Information Services. – GE Energy Parts Inc. FGV DIREITO RIO 102 . OBRIGACAO DE PRESTAR CONTAS. Inc. conforme o Capítulo 11 (“Chapter 11”) do Código de Falências dos Estados Unidos. – General Electric Capital Services. no Estado do Paraná. os seus administradores. (constituída de acordo com as leis do Estado de Delaware e com sede em San Francisco/CA).Quinta Câmara Cível – Tribunal de Justiça do RJ).Julgamento: 25/05/2004 . tem como objeto social o cultivo de soja e trigo na pequena cidade de Serrinha dos Grãos. (constituída de acordo com as leis do Estado de Delaware e com sede em San Rafael/CA). têm o dever jurídico de prestar contas dos seus atos de gestão ao demais sócios. – Adobe Systems Inc. (100%). Inc. Inc. – Macromedia Inc. Des. (constituída de acordo com as leis do Estado de Delaware e com sede em San Jose/CA). que já pensa em exportar seus produtos para a Europa e EUA. (2004.

Relator: Roque Joaquim Volkweiss. Primeira Câmara Cível. (B) poderá. prevê expressamente a facultatividade de adesão de empresas.Há alguma exigência legal para que uma sociedade estrangeira possa funcionar como tal no País? FGV DIREITO RIO 103 . a atividade preponderante da empresa participada. funcionar no País. Não detém legitimidade para a cobrança de contribuição sindical de empresa ¨holding¨ de indústrias o Sindicato que tem por fim congregar unicamente atividades ou categorias comerciais. A respeito da sociedade estrangeira. sem autorização do Poder Executivo. deve impor condições convenientes à defesa dos interesses nacionais. para tanto. TIPO 1. editado após a CF/88. PROVA DE SELEÇÃO. Recurso da parte ré provido Segundo apelo provido. Ademais. 2ª FASE. 3 . (C) para conceder a autorização. levando-se em conta. como tais devem elas ser enquadradas. grifamos. EMPRESA ¨HOLDING¨ DE INDÚSTRIAS. estará sujeita às leis e aos tribunais brasileiros. descabe a imposição. Por objetivarem participações societárias somente em indústrias. PROVA DISCURSIVA . se o estatuto social.DIREITO COMERCIAL. (Apelação Cível Nº 70002205755. DIREITO COMERCIAL 87.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa CONTRIBUIÇÃO SINDICAL. por unanimidade. Julgado em 19/06/2002). Tribunal de Justiça do RS. obrigatoriamente. Questões de ConCurso 178º CONCURSO DE INGRESSO NA MAGISTRATURA DO ESTADO DE SÃO PAULO (2006). 22º EXAME DE ORDEM – SEÇÃO DO RIO DE JANEIRO. quanto aos atos ou operações praticados no Brasil. é correto afirmar que: (A) depois de autorizada pelo Poder Executivo. (D) a sociedade estrangeira autorizada poderá iniciar suas atividades antes de inscrita no registro próprio do lugar em que se deva estabelecer. como filiadas. prejudicado o primeiro. através de estabelecimentos subordinados. o Poder Executivo. para fins sindicais.

pg. – São Paulo: Saraiva. Fábio Konder Comparato. 166 in Tratado de Direito comercial – vol. que constituem o objetivo de quantos dela co-participarem. Renovar/2004. e atual. saraiva. – Diferença: capital social e patrimônio. Manual de Direito Comercial e de Empresa. – O art. Nrs. Capítulo 7. 1º volume. O capital social representa o referencial que os sócios consideraram dever a sociedade possuir para dar conta dos objetivos ajustados no contrato social. Waldemar Ferreira: “Cumpre aos organizadores da sociedade calcular. Sérgio. 64 da Lei nº 8. – Organização em quotas. o capital social é “o valor dos bens que os sócios integram à sociedade. para servir de garantia última dos credores sociais”. Capítulo 21. – Aumento e redução do capital social. Págs: 401 a 407 e 497 a 506. 26 edição – São Paulo: Saraiva. Curso de Direito Comercial. como se fora a representação de algo indisponível”. “esse valor deve permanecer intocado enquanto durar a sociedade.123. Curso de Direito Comercial. Leitura CompLementar – REQUIÃO. Nesse sentido. Págs: 398 a 402. juntamente com a “pluralidade de sócios”.101/05. ao menos aproximadamente. – NEGRÃO. Nas palavras do Prof. ementário de temas – Formação do capital social. Ricardo. 4º edição.3.1. roteiro Vimos que a constituição do capital social é elemento formador do Contrato Social. são paulo/1961. – CAMPINHO. 225 a 227 e 262 a 266. O professor explica que. o montante do capital de que ela necessitará para exercer sua atividade e produzir os lucros. O Direito da Empresa à luz do novo Código Civil – 6º edição revista e atualizada conforme a Lei 11.166 formação do capital social Nas palavras do Prof. na coluna do passivo e considerado “passivo inexigível” uma vez que não corresponde a qualquer dívida social. 2007 . ver. Capítulo 29. 2005. Págs: 361 a 366 e 371 a 374. 9 ª edição. 2005. – COELHO. vol. e para o qual tenha cada sócio possibilidade financeira de contribuir”. Rio de Janeiro: Renovar. volume 2: direito de empresa – 10º ed. São Paulo: Saraiva. – Ação de integralização de capital social para cobrança do sócio remisso. a “affectio societatis” e a “participação nos lucros e nas perdas”.934/94 e sua interpretação restritiva. José Edwaldo Tavares Borba. no balanço social. – Dívida do sócio com terceiro e Penhora de quotas.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa AUlAS 13 E 14: O fINANCIAMENtO DA SOCIEDADE lIMItADA Nesta aula discutiremos a leitura do(s) seguinte(s) capítulo(s): – Páginas 113 a 124 e 205 a 206 do Direito Societário. 2005. Fábio Ulhoa. Rubens. Págs: 156 a 192. deverá ser apresentado. FGV DIREITO RIO 104 .

00175. instituições financeiras e outras instituições autorizadas a operar por referido órgão devem possuir um valor mínimo de capital social integralizado. Ricardo Negrão destaca uma novidade trazida pela Lei n. como táxi aéreo170. será igual ao valor do capital social estipulado no contrato.500. 168 169 art. 997. Quantidade.000 quotas com valor de R$ 10. são definidas com liberdade pelo contrato social. sua área. a outorga uxória ou marital”169. por exemplo.000.)167 entretanto. um documento especial”176. 15. As quotas são indivisíveis. O parágrafo segundo do art. que está disposta no art. de acordo com o porte das atividades a serem desenvolvidas pela sociedade. O somatório do valor das quotas.00 – sócio C: 1 quota com valor de R$ 25. 28ª edição.00. em moeda nacional168.934/94 sobre a incorporação de imóveis à sociedade. bem como o número da matrícula no Registro Imobiliário e. para provar sua participação na sociedade o sócio precisará de uma via do contrato social. para representar as quotas. somente o registro escritural. Forense. n. “havendo co-proprietários.00 ou – sócio A: 4.1. §1º)”177. como já aprendemos. a descrição e identificação do imóvel. incorpóreos. que serão sempre representadas. A divisão do capital social se dá por meio de quotas. Não se fixou qualquer obrigação de proporcionalidade na cessão. restrita ao valor de suas quotas (embora respondam solidariamente pela integralização do capital social). VII quando exige. individualmente. no caso de bancos comerciais. quando necessária.00. 172 sociedade por quotas: capital social mínimo de 5. quando houver um pedido de empréstimo bancário o primeiro item a ser analisado pelo gerente será o valor do capital social.00 cada uma O Prof.055. 170 segundo a Resolução nº 2607/99 do Banco central do Brasil. O capital social será a demonstração da “força” da sociedade. A formação do capital social pode se consistir em dinheiro e outros bens (corpóreos. 167 n. móveis ou imóveis etc. com natureza jurídica de bem móvel. não poderão possuir capital social integralizado inferior a R$ 7. III e IV in manual de Direito comercial e de Empresa. O Prof.000. estes bens devem ser avaliados e o valor expresso em moeda corrente. assim como a alemã. art. O contrato social vai dispor sobre a CESSÃO DE QUOTAS. será fixado pelo Dac através de regulamentação específica.000. de acordo com a Resolução nº 73 do conselho nacional de seguros privados. No Brasil. os direitos dela decorrentes somente poderão ser exercidos pelo representante designado pelos condôminos.056. O valor do capital social mínimo. poderemos ter. Fonte: Associação Empresarial de Portugal. 1. Rio de janeiro/2002. que é o titular da totalidade do capital social mínimo de 5. obrigatoriamente. as seguintes formações: – sócio A: 1 quota com valor de R$ 40. sendo considerada a menor fração em que o capital é dividido.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa Assim temos que é necessário definir no contrato social o valor a ser investido na sociedade por cada sócio e que irá compor o seu patrimônio de base. Fran Martins explica que.000 Euros e não pode ser constituída por um número de sócios inferior a 5. FGV DIREITO RIO 105 .000 Euros. a partir do qual iniciará sua existência e funcionamento.500 quotas com valor de R$ 10. saraiva: são paulo/2005. o qual somente será exigido para a constituição de sociedades empresárias que se dediquem a determinadas atividades. art. aplicável às empresas de táxi aéreo ou de serviço aéreo especializado. nem de exigir-se o consentimento dos demais sócios.ex.00 cada uma – sócio C: 2. 171 as sociedades seguradoras autorizadas a operar no Brasil no grupamento dos seguros de ramos elementares. dados relativos a sua titularização.000.00 cada uma – sócio B: 3. o Código Civil prevê duas situações.a. assim. entre outras.000.500 quotas com valor de R$ 10. em sendo ele omisso. “além da designação do capital social no contrato levado a registro. sendo certo que numa sociedade com capital social de R$ 100.00 – sócio B: 1 quota com valor de R$ 35. A legislação portuguesa adota o “capital mínimo”173. este valor é de R$ 17. por um número inteiro. veda a prestação de serviços como elemento formador do capital social na sociedade Limitada.055. – sociedade unipessoal por quotas: constituída por um único sócio. cabendo uma ou diversas a cada sócio. 175 176 in curso de Direito comercial. as securitárias172 e outras. portaria nº190/Gc-5/2001 (Dac) que aprova as Instruções Reguladoras para autorização e funcionamento de empresas de táxi aéreo e de serviço aéreo especializado e dá outras providências.293. iguais ou desiguais. p. O valor do capital social será estipulado pelos sócios. 35. diferentemente da ação. ou seja. italiana e francesa. igualdade ou desigualdade das quotas174.º 8. pg.200. 1. “não há. São subscritas pelos sócios em proporções iguais ou desiguais. a saber178: a) cessão a quem seja sócio: independentemente de audiência de outros. ou pelo inventariante no caso de espólio (art. donde surge a responsabilidade de cada um. salvo quando a lei o dispense.000. – sociedade anônima: valor nominal mínimo do capital é de 50. pessoa singular ou coletiva.000 Euros. 173 174 código civil. as bancárias171. por exemplo. O capital social divide-se em quotas.a. valor.. a lei não define o valor do capital mínimo.

passivo e patrimônio líquido) seja o capital social. 178 179 art. Assim. 1. bem como o passivo. n. Integralizar é ato de alienação. 1. 983. o conjunto de bens (dinheiro e outros). Renovar: Rio de janeiro 2004. O sócio. poderão estabelecer em cláusula contratual. nem consentimento para a venda a terceiros. assumem o compromisso com a sociedade de adquirir. em moeda corrente. Não havendo interesse de nenhum dos sócios. o que é permitida. empregar-se em atividade estranha à sociedade. Quando a sociedade inicia suas atividades. É vedada contribuição que consista em prestação de serviços. Renovar/2004. O capital social é o fundo originário e essencial da sociedade fixado através da soma da contribuição dos sócios – é uma expressão numérica.057 do cc.006. A cessão de quotas será eficaz quanto à sociedade e terceiros. não pode. 981. é o mesmo que pagar. 182 código civil. 183 subscrição é a promessa de integralização. do acervo de bens indispensáveis 177 TaVaREs BORBa. 180 181 código civil. poderão estabelecer. cuja contribuição consista em serviços. eis que afetará o movimento de ingresso e saída de sócios. principal obrigação do sócio. o ativo começa a se modificar. ou seja. I) e nas sociedades simples propriamente ditas (art. crescendo na medida em que esta realize operações lucrativas. art. a contribuição em serviço181 (trabalho). Da mesma forma. a integralização é o pagamento feito pelo sócio à sociedade. 1. Por outro lado. a vedação da cessão de quotas para terceiros. querendo os sócios garantir características típicas das sociedades de pessoas. e reduzindo-se com os prejuízos que se forem acumulados”180. incluindo-se as dívidas (passivo). no momento da elaboração do contrato social ou mesmo em suas alterações. in Direito societário.113. 1. Ao integralizar183 o capital social. quando subscrevem184 se comprometem a integralizar. notadamente. ou seja.a. é comum que o único item encontrado em seu patrimônio (ativo. em determinado prazo.007 e 1. pensar sempre na possibilidade de um terceiro vir a adquirir o controle por meio da cessão de quotas.094.094: a contribuição do sócio exclusivamente em prestação de serviços é permitida nas sociedades cooperativas (art. se os sócios quiserem empreender uma sociedade de capital. que o “capital é um valor formal e estático. O patrimônio encontra-se sujeito ao sucesso ou insucesso da sociedade. O capital social pode ser constituído com dinheiro ou bens. art. Devem assim. §2º. apenas. 184 FGV DIREITO RIO 106 .006. sendo vedada. A falta desta previsão poderá acarretar o ingresso de herdeiros que não estejam interessados ou que prejudiquem o negócio. um certo número de quotas ou ações para constituição do capital social. haveria ainda a possibilidade da tomada das quotas pela própria sociedade. O patrimônio social é o patrimônio da sociedade no sentido econômico. que se afigura com importante instituto. O capital não se modifica no diaa-dia da empresa – a realidade não o afeta. isto é. na sociedade simples182. Leciona José Edwaldo Tavares Borba. 1. pois se trata de uma cifra contábil. que a cessão de quotas se dará independentemente do consentimento dos demais sócios. salvo convenção em contrário. 9 ª edição. mas tudo o que a sociedade possui e venha a possuir durante a sua existência. josé Edwaldo in Direito societário. em relação à cessão de quotas. promovida pelo cjF/sTj dispõe nesse sentido: “arts. aumento e diminuição do capital social Vimos que o capital “é a expressão. dos contingentes trazidos pelos sócios para a formação da arca communis. pág. diferença: capital social e patrimônio. art. a propósito o enunciado n° 206 aprovado na III jornada de Direito civil. 2ª parte”. Destarte.057 p. é de extrema importância a existência de uma cláusula prevendo a continuidade da sociedade em razão da morte de um dos sócios. a partir da averbação do respectivo instrumento subscrito pelos sócios179.055. expressamente. 1. 997. quando definirem as cláusulas sociais. verifica-se que a participação dos sócios no capital social indicará a relação de poder de cada um. ou seja. pois dívidas são necessárias para alavancagem da empresa. ¾ das quotas.único do código civil. 9ª edição. compreendendo não apenas o capital social.63. enquanto o patrimônio é real e dinâmico. pg. sob pena de ser privado de seus lucros e dela excluído.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa b) cessão a estranhos: dependerá da anuência de um quorum de 75 (setenta e cinco). Com o início das atividades. os sócios pagam à vista pelas quotas ou ações. 983. 1. com influência nas deliberações sociais.

082 do Código Civil que afirma ser possível descapitalizar a sociedade quando o capital social for excessivo em relação ao objeto social. Continua o professor. saraiva/2005. com aprovação de. Neste caso. a respectiva alteração no contrato social.082. o capital social deve estar totalmente integralizado mediante a correspondente modificação do contrato. Waldemar in Tratado de Direito comercial – vol. ou dispensandose prestações ainda devidas (que eventualmente estariam faltando para integralizar a “quota parte”).152. A decisão de incorporá-los ao capital é uma opção. O prof. §1º. se não ocorrer. desde que os sócios detentores de pelo menos 75% do capital social assim o desejem e sendo necessária.084. 1. 1. “se o sócio detiver trinta por cento do capital social integralizado. a redução deve ser realizada com a diminuição proporcional do valor nominal das quotas. no mínimo. assim recebidas.081 do Código Civil dispõe sobre a possibilidade do capital social ser aumentado. Os sócios terão 30 dias para exercer o direito de preferência na aquisição das novas quotas187. é possível estipular-se um valor maior ou menor como suficiente para que a sociedade continue realizando seus fins. I c/c art. FGV DIREITO RIO 107 . em ambas as situações.cit. ou b) Se o capital social for excessivo em relação ao objeto da sociedade191. do valor nominal das quotas. ou seja.. ou se for provado o pagamento da dívida ou o depósito judicial do respectivo valor. 191 O arquivamento da deliberação com fundamento no art. 1. também. os sócios. poderá a sociedade formalizar a diminuição através do registro. saraiva.185 Por se tratar de uma cifra. está prevista no art. II do código civil.076. para tanto. Este aumento pode concretizar-se através de aporte de novos valores como o desembolso por parte dos sócios ou mesmo por terceiros. A deliberação para a redução do capital social deve ser feita em Assembléia ou Reunião especialmente convocada para tal fim. Já a redução do capital social. pg. desde que não ocorra impugnação de credor quirografário da sociedade. a morte do sócio com o pagamento dos haveres aos herdeiros e a exclusão do sócio com o pagamento dos seus haveres também são situações que podem acarretar em redução de capital. perante a Junta Comercial. 64 Op. ambos do código civil. V do código civil. pág. 1. 185 FERREIRa. e somente poderá ser efetivado após o decurso do prazo de 90 dias da publicação. 1. contribuir com recursos para o capital da sociedade. são paulo/1961. a redução deve ser realizada restituindo-se parte do valor das quotas aos sócios. Esses lucros e reservas foram gerados pela própria sociedade e poderiam ter sido distribuídos. eventuais credores terão o prazo de 90 (noventa) dias para impugnar a decisão. O capital social também pode ser reduzido.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa ao exercício da atividade mercantil (sic) . ou seja.372.3. Quando os sócios assinam o contrato social para constituição da sociedade limitada. A partir da publicação. ação de integralização de capital social para cobrança do sócio remisso. §1º c/c art. com diminuição proporcional.122. O art. 1. Nesse caso. São as seguintes hipóteses190: a) Se houver perdas irreparáveis depois de estar integralizado. da Ata e da alteração do contrato social. Em ambos os casos (aumento ou redução). sem qualquer desembolso recebem novas cotas proporcionais a sua participação no capital. são chamadas de bonificações”189. dependerá da juntada das publicações previstas no art. 1. art.071. O capital social pode ser aumentado mediante decisão (em assembléia ou reunião). subscrevem as quotas de capital com as quais participarão do negócio e assumem a obrigação de integralizá-las. explicando que uma outra hipótese de aumento de capital “é a que se funda em recursos da própria sociedade. pág. ¾ do capital social186. 186 Ricardo negrão esclarece que o direito de preferência dos sócios na aquisição das novas quotas é proporcional às suas quotas. da sociedade”. em recursos ou lucros acumulados que os sócios deliberam incorporar ao capital. devendo a Ata correspondente ser publicada em jornal de grande circulação ou em Diário Oficial. poderá exercer o direito de preferência sobre até trinta por cento do aumento deliberado” in manual do Direito comercial e de Empresa. 187 188 189 190 Op cit. ou seja.. Essas cotas. cabendo aos sócios subscritores transferir novos bens à sociedade”188. José Edwaldo Tavares Borba ensina que: “esse aumento envolverá o ingresso de novos recursos quando decorrer de subscrição. tornando-se efetiva a partir da averbação na Junta Comercial da alteração contratual que a tenha aprovado.

a quota de cada sócio no capital social. 1. em regra. na forma do art. 192 código civil. A sociedade constitui-se mediante contrato escrito. 997.052. mencionará: (. 1. não integralizada a quota de sócio remisso. nos trinta dias seguintes ao da notificação pela sociedade.” O sócio que não cumpre com a obrigação de integralizar sua quota (ou quotas) dentro do prazo. decorrentes de decisão judicial. os outros sócios podem. 591 do Código de Processo Civil estabelece o princípio básico segundo o qual “o devedor responde.004 e seu parágrafo único. deduzidos os juros da mora. responderá de forma solidária com os demais. excluindo o primitivo titular e devolvendo-lhe o que houver pago. responderá perante esta pelo dano emergente da mora. na forma e prazo previstos. 1. Entretanto. em regra. as prestações estabelecidas no contrato mais as despesas FGV DIREITO RIO 108 . é chamado de sócio remisso e. o art. que. com todos os seus bens presentes e futuros. Hipóteses como a exclusão de sócio e o acionista (S.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa Assim.) remisso serão objeto de estudo futuro. ser objeto de penhora para efeito de pagamento de obrigações vinculadas àquele. Os sócios são obrigados. temos os seguintes artigos do Código Civil: “Art.. ou expulsá-lo192. dívida do sócio com terceiro e penhora de Quotas Na condição de bem móvel. o patrimônio pessoal dos sócios não responde por dívidas da sociedade. Portanto. para o cumprimento de suas obrigações.A. porém. Porém. É recomendável que no contrato social haja uma cláusula fixando o tempo e a forma para a realização desse pagamento (a prazo). além de cláusulas estipuladas pelas partes. em se tratando de uma sociedade limitada. Neste sentido.” “Art. às contribuições estabelecidas no contrato social. pelo dano emergente da mora. e o modo de realizá-la. 1. 1.058. Vimos então que a efetiva responsabilidade de cada sócio é pela integralização de sua quota. cabendo ação de regresso contra o sócio que efetivamente não integralizou sua parte. A sociedade (e não os sócios) poderá cobrar em juízo o que for devido pelo sócio remisso. sendo certo que para essa última hipótese necessária se fará a presença de justa causa. sem prejuízo do disposto no art. perante a sociedade. e aquele que deixar de fazê-lo. Nesse sentido. particular ou público.. art. as quotas integram o patrimônio do sócio e poderiam. temos que é obrigação fundamental e indispensável de cada sócio a integralização da sua quota de capital. salvo as restrições estabelecidas em lei”. não podendo ser utilizada a inadimplência como via oblíqua para afastar sócios indesejáveis. mas todos respondem solidariamente pela integralização do capital social. nunca foi pacífico o entendimento de que as quotas sociais são penhoráveis por dívida particular do sócio. entretanto. Na sociedade limitada.004 do Código Civil responderá. caso o capital social esteja totalmente integralizado.004.) IV . os sócios responderão solidariamente pela quantia que falta para completar o capital social. tomá-la para si ou transferi-la a terceiros. em existindo parte do capital social ainda não integralizada. na hipótese de algum sócio não cumprir com sua integralização. esta obrigação não precisa ser realizada imediatamente (à vista).” “Art. a responsabilidade de cada sócio é restrita ao valor de suas quotas.

5 ª edição.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa O Prof. 1. pág. Sérgio Campinho. VEREDIcTum – Diretório acadêmico afonso arinos – unirio. Esta posição já foi a adotada pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do Recurso Extraordinário n. Ricardo Negrão198. onde na ementa se encontra: “É possível a penhora de cotas pertencentes ao sócio de sociedade de responsabilidade limitada. e não da sociedade. “não pode a relação interna estabelecida entre os sócios obstar o exercício de um direito por parte do terceiro-credor. quando o caráter que quiseram impor à sociedade seria o personalista. são paulo/1995. presentes ou futuros. pág. o regime imposto pelo Código Civil impõe a liquidação da quota do sócio em virtude de dívida particular.cit. havendo limitação à sua livre transferência. “em sua inteireza. saraiva. 1. Rubens Requião. Ed. Em posição contrária aos demais doutrinadores. legitimar-se-ia a penhora.026. campInHO. Nas palavras do professor é inconcebível: “considerar a cota equiparável às ações e transmudar os termos de processo de execução de forma a torná-lo um modo de transferência da cota-ação das mãos do devedor para as do credor”194.345. apurar os haveres do sócio insolvente para. sobre os valores encontrados. seguindo entendimento de Cunha Peixoto193. conforme ensina José Gabriel Assis de Almeida201: “O regime imposto pelo NCC está no art.430/mG. em benefício da coletividade. com a apuração de seus haveres. “caso fosse concebida a livre cessão das quotas. 194 195 196 Op. Para o Prof. E conclui criticando a doutrina que admite a penhora pura e simples de quotas do sócio em execução de dívidas particulares. a quota somente será penhorável se “houver no contrato social cláusula pela qual possa ser ela cessível a terceiro. Vol. negarse-ia a penhora”200. Entretanto. o professor reconhece que não se pode “desconsiderar os nefastos efeitos que a arrematação das quotas em hasta pública poderia vir a provocar na affectio societatis. conforme verifica-se nas ementas transcritas em “jurisprudência”. Este dispositivo estabelece a possibilidade da execução recair.882-5/RS. Essa penhora não terá cabimento nas sociedades de pessoas.73.177.680/RS e pelo Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial n. sobre (I) os dividendos do devedor (II) os haveres 193 apud.cit. Ou seja. parágrafo único e art.179. do contrário. Renovar/2005. Requião. cumprindo. incidir a penhora”197. para o cumprimento de suas obrigações. pág.175. pág. alternativamente. 1. 114. apesar da jurisprudência. Entretanto. admitida expressamente pela lei a excussão de parcela do capital social em sociedade intuitu personae – como é a sociedade simples –. ainda que esta esteja em regime de concordata preventiva. para a sociedade limitada.cit. o Prof. posição fundamentada em decisão do sTj no REsp.031). 201 FGV DIREITO RIO 109 . pág.223/pR. 1º. em execução por dívida sua. considerar inadmissível que “se prejudique a empresa. onde na ementa se lê: “responde o devedor com todos os seus bens. tendo os demais sócios que prostradamente assistir a admissão de um novo consorte.º 34. sem a anuência dos demais companheiros”. Vimos então que. não havendo lei que exclua da execução as quotas do sócio em sociedade de responsabilidade limitada”. mas também porque. 197 198 Op.343. a matéria é regulada no capítulo das sociedades simples (art.” E no REsp 21. pág. no caso. não somente em razão da omissão do legislador.365. colocando aquele em injusta desvantagem em relação a este último”. que se veria impedido de excutir as quotas do sócio-devedor. O Prof. in as sociedades limitadas e os direitos de terceiros. pág. novembro/2004. não há qualquer óbice para sua aplicação no campo societário tipicamente de capital ou misto. José Edwaldo Tavares Borba entende que “a insolvência do sócio levará os credores à pretensão de penhorar suas quotas na sociedade. natureza a que se subordina a sociedade limitada”199.cit. ao tratar da matéria no capítulo correspondente. sérgio campinho.se de capital ou de pessoas. vedando a livre cessão de quotas”196. com o ingresso compulsório de terceiro não sócio. a quem se tem exaltado como instrumento necessário ao bem comum. considerava absurda a aplicação irrestrita dos preceitos da Lei das Sociedades Anônimas à sociedade limitada. 22ª edição. Op. sérgio Op.195” Para o prof.cit.026. in curso de Direito comercial. in Direito de Empresa á luz do novo código civil.º 34. como fonte de produção e de riquezas. entende que. além de. sendo aplicável. 199 200 Op. parte da doutrina entende que o cerne da questão está no entendimento que se tenha da natureza jurídica da sociedade limitada . apesar do Código Civil não dispor sobre a matéria “possibilidade de penhora das quotas” sociais por dívida particular de sócio.

portanto. E na espécie. 1. extraída dos atos constitutivos ou de sua alteração. nº 63. embora não esteja expressa. 28.934. havendo dação em pagamento. uma outra importante inovação no regime do NCC.934/94.Capital. primeiro deverá o credor esgotar todos os demais bens que integram o patrimônio do sócio-devedor. os contratos de investimento coletivos. 64 da Lei nº 8. Cív. às sociedade anônimas. por força do disposto no art. 1. a certidão dos atos de constituição e de alteração de sociedades mercantis. como por exemplo. merecem interpretação restritiva. da sociedade. Somente após esgotados os demais bens do patrimônio do sócio-devedor é que o credor poderá indicar. a quota só é penhorável na insuficiência de outros bens. Des. independentemente da natureza e localização destes bens. de 18. como título hábil para. Assim. dos bens com que o subscritor tiver contribuído para a formação ou aumento do capital social. Há. ou seja.11. as partes beneficiárias. 64 da Lei nº 8. ainda. mas sim decorrente de extinção da pessoa jurídica. não estando a hipótese dentro da exceção do art. não podemos deixar de salientar que a sociedade limitada não poderá obter financiamento para suas atividades através da emissão de valores mobiliários203.10. 64.99.º 8.934/94. Neste caso. Além disso.934/1994. Essa vedação. mas tal exceção. como é o caso do art. Assim. as debêntures. 64 da Lei nº 8. Rel. Noutras palavras. A certidão passada pela Junta Comercial é documento hábil para a transferência de bem do sócio para a sociedade e. derivada do texto do art. para sua redução ou dissolução” (Ap. os haveres serão apurados na forma do art. mas sempre. a transmissão se opera de forma inversa. esta deverá se formalizar por escritura pública.94. por transcrição no registro público competente. 202 203 Valores mobiliários são títulos de investimentos negociados por uma sociedade anônima.934/1994 e sua interpretação restritiva Segundo a sistemática contida no artigo 64202 da Lei 8.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa do devedor. Nigro Conceição). invariavelmente. constituí uma das grandes diferenças entre estes tipos societários e poderá ser fundamental para a escolha do tipo societário mais adequado para determinados negócios. o título de transferência somente se viabilizaria se materializado por instrumento público. 1. perante o registrador.026 criou um benefício de ordem. em favor da sociedade. parágrafo único. os bônus de subscrição. o imóvel não tem finalidade de integralização do capital da sociedade (formação ou aumento do capital social). art. na exclusão. Destarte. as ações.9710/1 . já se decidiu: ‘Admitese a utilização de instrumento particular com o fim de materializar a conferência de bens pelos sócios para integralizar o capital social. será o documento hábil para a transferência.031 acima citado. O artigo 2º da Lei 6385/76 relaciona diversos valores mobiliários. A emissão de valores mobiliários será restrita. para a composição ou o aumento do capital social e nunca. como objeto da execução. É que o art. requerendo a liquidação da quota do sócio-devedor. do sócio devedor. o Conselho Superior da Magistratura do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo. A grande novidade é que a liquidação da quota implica. a propósito do falecimento de sócio. no caso concreto. o art. j. 64 da Lei n. Não é possível interpretar extensivamente tal norma para abranger os casos em que houver redução do capital social ou mesmo extinção da sociedade. nesses casos. a Lei cuida da transferência do bem imóvel com que o subscritor tiver contribuído para a formação ou aumento do capital social. pois incompatível com a sua estrutura. entendeu que “normas excepcionais.030. dentre outros. possibilitar a alienação de direitos reais incidentes sobre imóveis. FGV DIREITO RIO 110 . da pessoa jurídica para o sócio. passada pelas juntas comerciais em que foram arquivados. Tal dispositivo legal permite a utilização de certidão expedida pela Junta Comercial. Ou seja. somente será possível o registro imobiliário das certidões referidas nas hipóteses em que ocorrer aumento de capital social (com integralização de bens imóveis). deve ser interpretada de modo restritivo. diferentemente. os dividendos e os haveres do sócio-devedor”. Neste sentindo.

ausente a integralização. Procurada por Isabela. (tecnologia da informação). qual deve ser a medida adotada? JurisprudênCia RECURSO EXTRAORDINÁRIO. aumentando o valor das parcelas. compete fiscalizar as sociedades anônimas abertas.br/ portal_stj/publicacao/engine. mas isso não significa concluir que as sociedades anônimas fechadas e as limitadas não possam ser autuadas e multadas pela referida agência. Ultrapassado esse prazo. resolve adquirir uma geladeira em 36 vezes. à Comissão de Valores Mobiliários – CVM. é necessário a outorga conjugal? e) É devido o imposto de transmissão de bens imóveis (ITBI)? Os sócios Izan e Fabião efetuaram a subscrição de suas quotas para integralização em 6 meses. INALIENABILIDADE OU IMPENHORABILIDADE DE QUOTAS DA SOCIEDADE LIMITADA. para fins de precaução. qual será o seu parecer? Caso gerador ii. texto=86413. Desse modo. A cada mês que se dirigia à loja para pagar a prestação. §1° do Código Civil. todavia. quando estiverem atuando como se fossem companhias abertas. representativas do capital social de uma sociedade limitada de pessoas. bombardeada por diversos anúncios de uma grande rede de eletrodomésticos. Para tanto. 1. temos dois grandes exemplos: a sociedade limitada Avestruz Máster204 e a Fazendas Reunidas Boi Gordo S/A (sociedade anônima fechada).I.055. a sociedade credora ingressa com ação de execução em face de Isabela e é realizada a penhora de quotas de sua propriedade. wsp?tmp. Nesse sentido. indicado por Padilha. às 03:25horas. acabava se empolgando e adquirindo outros bens. QUANDO EXISTE CLÁUSULA A RESPEITO NO CONTRATO SOCIAL. agência reguladora do mercado de capitais.stj. Os amigos de longa data Padilha. via de conseqüência.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa Com efeito. Os sócios concordam com o preço. para imóvel. Devido a sua inadimplência.. aquelas que possuem o registro na CVM. 204 http://www. Izan e Fabião. QUANDO DELE NÃO SE CONHECE. ou seja. resolvem constituir uma sociedade limitada denominada de Bernardo’s Empreendimentos e Participações Ltda. num frio e chuvoso final de semana.area=398&tmp. FGV DIREITO RIO 111 . pretendendo integralizar sua parte no capital social com o referido bem imóvel. Padilha diz ser o proprietário de uma sala que servirá de escritório para o desenvolvimento da empresa. trocando o carnê por outro e. lhe procuram com as seguintes questões: a) Qual deve ser a forma de integralização do capital com o bem imóvel? b) É necessária a realização de escritura pública? c) O instrumento que efetivar a integralização deve ser levado ao Registro Imobiliário? d) Sendo Padilha casado.gov. Caso gerador i Isabela Gama. cujo objeto será a prestação de serviços de consultoria empresarial para empreendimentos na área de T. acesso em 19 de janeiro de 2008. as dívidas foram se avolumando a um ponto que Isabela não mais conseguiu satisfazer as suas obrigações. receosos com o a regra inserta no art.

devendo ser “facultado à sociedade.No que se refere à alegação de que os demais sócios do empreendimento são contrários à venda das cotas.2006. A penhora não acarreta a inclusão de novo sócio. pouco importando a restrição contratual. entretanto. PENHORA DE COTAS DE SOCIEDADE DE RESPONSABILIDADE LIMITADA.05. SOCIEDADE POR COTAS DE RESPONSABILIDADE LIMITADA. superar essa conclusão demandaria incursão no acervo fático-probatório da causa. Havendo.2000. preservando-se a afectio societatis. Recurso especial não conhecido.2002 p. são penhoráveis.680/RS. ou então. como já acolhido em precedente da Corte.2006 p. I . esta não pode ser admitida como válida. 113). considerando que não há vedação legal para tanto e que o contrato não pode impor vedação que a lei não criou. Precedentes. julgado em 21. DJ 10.118 e 1. III .2001 p. remir a execução. TERCEIRA TURMA. INDEFERIMENTO DE PEDIDO DE SUBSTITUIÇÃO. conceder-se a ela e aos demais sócios a preferência na aquisição das cotas. Rel. Recurso conhecido e provido. NELSON HUNGRIA. grifamos. julgado em 14. 3. à mingua de qualquer previsão legal. FGV DIREITO RIO 112 . (REsp 234. grifamos. asseverou o acórdão recorrido não ter o recorrente se desobrigado do ônus da sua prova. grifamos. DESATENDIMENTO DA GRADAÇÃO LEGAL.119 do estatuto processual civil. 1.02.119)”. CONTROVÉRSIA DOUTRINÁRIA E JURISPRUDENCIAL. Ministro CARLOS ALBERTO MENEZES DIREITO. que restaria comprometida com a participação de um estranho não desejado. TERCEIRA TURMA.02. na qualidade de terceira interessada.947/MG. SOCIEDADE DE RESPONSABILIDADE LIMITADA. Relator Min. EXECUÇÃO. em consonância com os artigos 1.Ademais. de modo que. arts. Deve-se apenas facultar à sociedade. ÔNUS DO DEVEDOR. cláusula impediente. remir o bem ou concederse a ela e aos demais sócios a preferência na aquisição das cotas. Ministro CASTRO FILHO. (REsp 148. PRIMEIRA TURMA. PENHORA DAS COTAS SOCIAIS. Rel. “eis que sequer juntou aos autos cópia do mesmo”. Recurso especial não conhecido. sendo ainda essa iniciativa vedada pelo contrato social. PENHORA DE QUOTAS.04. a despeito de haver restrição contratual à alienação das cotas.Descabe o conhecimento do especial quanto ao pedido de relativização da ordem de gradação dos bens indicados à penhora. Ministro CARLOS ALBERTO MENEZES DIREITO. cumpre respeitar a vontade societária.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa (RE 34. PROCESSO CIVIL. DJ 29. na qualidade de terceira interessada.2000.1.118 e 1. se o recorrente não se desincumbiu do ônus de comprovar a expressão econômica daqueles que pretendia dar em substituição aos já penhorados. a possibilidade de remir a execução. (REsp 712.11.117.117. NÃO COMPROVAÇÃO DA EXPRESSÃO ECONÔMICA. 1. julgado em 15. Rel.391/MG. 1. As cotas sociais podem ser penhoradas. 241). grifamos.1958). o que é vedado em âmbito de especial (Súmula 7/STJ). 2.12. TERCEIRA TURMA.186). II .04. As quotas. DJ 12. Julgamento em 27/01/1958. em princípio. DÍVIDA DE SÓCIO.747/DF. a tanto por tanto (CPC. DJ 29.

Entre elas se compreende a resultante do disposto no artigo 64. A proibição de alienar as cotas pode derivar do contrato. seja em virtude de proibição expressa. com todos os seus bens. I do mesmo Código que afirma impenhoráveis os bens inalienáveis. nem partilha dos seus bens. O fato de terem os sócios integralizado o capital social no momento da constituição da sociedade. IMPOSSIBILIDADE. se. Por isso. salvo consentimento expresso de todos os demais sócios.DECIMA SEGUNDA CAMARA CIVEL.882/RS. Rel.Julgamento: 13/09/2005 . grifamos. (2005. O artigo 591 do C.002. o patrimônio dos sócios não responde por dívidas da sociedade.06. que a sociedade foi constituída “intuitu personae”. TERCEIRA TURMA. O fato do contrato de compra e venda dos bens encontrar-se em nome da. em hipótese alguma o imóvel deixará de pertencer à empresa apelada Não se pode confundir a pessoa jurídica da empresa. pelo cumprimento de suas obrigações.PENHORABILIDADE DAS COTAS DO CAPITAL SOCIAL. INEXISTÊNCIA DE QUALQUER HIPÓTESE QUE AUTORIZE A CONFUSÃO DOS PATRIMÔNIOS. – Salvo em hipóteses taxativamente previstas em lei. HENRIQUE MAGALHAES DE ALMEIDA . EM RAZÃO DE DIVIDA CONTRAÌDA PELO DE CUJUS. Assim. já que os bens da sociedade por cotas de responsabilidade limitada não se comunicam com os adquiridos pela pessoa física de seus sócios.AGRAVO DE INSTRUMENTO.2006.230). mas a que. agravante não a torna proprietária exclusiva dos bens se estes foram empregados na sociedade e se o capital social foi totalmente integralizado. (REsp 757. PENHORA DAS QUOTAS SOCIAIS.2006 p. Agravo que se conhece. de seu contexto. seja quando se possa concluir. conseqüentemente. se a FGV DIREITO RIO 113 . DJ 12. Comprovado está que a dívida é do Espólio. POSSIBILIDADE. não pode a penhora recair sobre bem dessa. Rel. julgado em 30.15. DJ 09. grifamos. Em que pese o débito ter sido constituído pelo sócio majoritário da apelada.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa SOCIEDADE POR COTAS DE RESPONSABILIDADE LIMITADA .08. DÍVIDA DA SOCIEDADE DE RESPONSABILIDADE LIMITADA. do qual não fez parte a recorrida. Hipótese em que o contrato veda a cessão a estranhos. torna os bens adquiridos para tal finalidade econômica de propriedade da sociedade. (REsp 34. NOMEAÇÃO DE SÓCIO COMO FIEL DEPOSITÁRIO. AGRAVO DE INSTRUMENTO. EXECUÇÃO PROMOVIDA CONTRA ESPÓLIO. Impenhorabilidade reconhecida. HUMBERTO GOMES DE BARROS. PERTENCENTES AOS SÓCIOS.P. se nega provimento.C. pelo contrato social. ARROLAMENTO DE BENS DE SOCIEDADE.865/SP. a morte de um dos sócios não acarreta sua dissolução da sociedade. PENHORA DE BEM IMÓVEL PERTENCENTE À EMPRESA DA QUAL O FALECIDO ERA SÓCIO MAJORITÁRIO. TJ/RJ) – grifamos.06. pois o que se está executando é o acordo firmado entre aquele e o ora apelante. DES. ressalva as restrições estabelecidas em lei. 482). com a pessoa de seu falecido sócio. não é lícita a penhora das quotas sociais em execução movida contra a pessoa jurídica. e. e não da empresa apelada. MIN.1993 p. RECURSO ESPECIAL. EXECUÇÃO. EMBARGOS DE TERCEIRO. TERCEIRA TURMA. julgado em 20.07916 . dispondo que o devedor responde.04. da qual o espólio detém cotas.. Ministro EDUARDO RIBEIRO.1993.

desde que autorizada pela Assembléia Geral dos sócios. grifamos. enquanto não tiver o seu capital totalmente integralizado. assinale a alternativa INCORRETA: a) A sociedade adquire personalidade jurídica com a inscrição. PROVA OBJETIVA.Apelação Cível. no registro próprio e na forma da lei. foi contraída pelo falecido.Décima Quinta Câmara Cível. ainda que representado por propriedade rural. são seus bens que devem garantir a execução.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa dívida. Sergio Lucio Cruz . 1ª FASE. Des.SEÇÃO DE SÃO PAULO. Questões de ConCursos 24º EXAME DE ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL . 1ª FASE. (B) pode ser negociada em bolsa de valores. b) É nula a estipulação contratual que exclua qualquer sócio de participar dos lucros e das perdas. (D) depende da aprovação de 3/4 do capital social. c) Na sociedade limitada empresária. Direito Comercial 47 . Na omissão do contrato social. b) é admitida a sua formação por bem imóvel.Julgamento: 01/02/2006 . PROVA OAB/MG . a cessão de quotas entre sócios de uma sociedade limitada (A) é livre. 1ª FASE. TJ/RJ). PROVA OBJETIVA. 128º EXAME DE ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL . dos seus atos constitutivos. e não os da empresa da qual era sócio. A quota de capital de uma sociedade empresária (A) pode ser negociada em bolsa de valores. VERSÃO 1.EXAME DE ORDEM . depende da deliberação dos sócios a aprovação das contas da administração. 49. (2005.Com relação às sociedades personificadas.DEZEMBRO/2007 81ª Questão: Sobre o Capital social da sociedade limitada: a) é admitida a sua formação com base em prestação de serviços pelos sócios a favor da sociedade. (B) depende da aprovação de metade dos sócios presentes em reunião. d) Em nenhuma hipótese a sociedade limitada empresária poderá reduzir o seu capital 124º EXAME DE ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL .SEÇÃO DE SÃO PAULO. (D) não pode ser negociada em bolsa de valores. (C) depende da aprovação de metade do capital social. desde que autorizada a abertura do capital da sociedade empresária.52831 . (C) não pode ser negociada em bolsa de valores.001. FGV DIREITO RIO 114 . Desprovimento do recurso.SEÇÃO DO RIO DE JANEIRO. 42. PROVA OBJETIVA.

a) Os sócios serão obrigados à reposição dos lucros e das quantias retiradas. total ou parcialmente.EXAME DE ORDEM .AGOSTO/2006 81ª Questão: Ainda quanto à responsabilidade ordinária dos sócios é correto afirmar que: a) nas sociedades de responsabilidade ilimitada o sócio que nela ingressa mediante aumento do capital social responde somente pelas obrigações a partir de seu ingresso. d) nas sociedades de responsabilidade limitada o sócio cotista dissidente não responde após o registro da alteração de sua retirada. c) nas sociedades de responsabilidade limitada o sócio responde pelas obrigações existentes no momento do ingresso e pela integralização de sua cota a partir daí. anualmente. b) nas sociedades de responsabilidade ilimitada os sócios que se retiram ficam obrigados pelas obrigações contraídas até o momento da despedida por um período de dois anos a partir do arquivamento da alteração contratual . pela assembléia dos sócios que os eleger. c) A remuneração dos membros do conselho fiscal instituído será fixada. FGV DIREITO RIO 115 . a quem seja sócio.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa c) todos os sócios respondem subsidiariamente em relação à sociedade pela exata estimação do valor do bem imóvel que compõem o capital social pelo prazo de dois anos. d) responde sozinho perante credores por dívidas da sociedade. salvo quando autorizadas pelo contrato. o sócio remisso: a) pode ser cobrado pela via da ação executiva. o sócio pode ceder sua quota. d) Depende da deliberação dos sócios a designação dos administradores. independentemente de audiência dos outros sócios.EXAME DE ORDEM . c) nas sociedades de responsabilidade limitada o sócio responde pelas obrigações existentes no momento do ingresso e pela integralização de sua cota a partir daí. d) o sócio que pagou sua participação no capital social com bem imóvel responde solidariamente com a sociedade pela exata estimação do seu valor pelo prazo de dois anos. PROVA OAB/RS . b) Na omissão do contrato.EXAME DE ORDEM . assinale a assertiva incorreta.ABRIL/2008 77ª Questão: Na sociedade limitada.DEZEMBRO/2007 24ª Questão: Tratando-se de sociedade limitada. sem direito de receber de volta o que houver pago. PROVA OAB/DF . PROVA OAB/MG . a qualquer título. quando feita em ato separado. quando tais lucros ou quantias se distribuírem com prejuízo do capital. b) pode perder as cotas adquiridas.

b) Na sociedade limitada. não pode a sociedade reduzir o capital. até o prazo de 5 anos da data do registro da sociedade. d) O capital social não pode ser reduzido. contados da data da publicação da ata de assembléia que aprovou a redução.ABRIL/2006 95ª Questão: Assinale a alternativa CORRETA: a) Sócio remisso é aquele que não cumpre o dever de integralizar sua parcela no capital social. o sócio pode ceder sua quota.EXAME DE ORDEM . a) O capital social divide-se em quotas. c) Na sociedade limitada. apenas.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa PROVA OAB/MG . b) No caso de condomínio de quota. tomá-la para si ou transferi-la a terceiros. havendo omissão do contrato. b) A redução somente se tornará eficaz se não for impugnada no prazo de 90 (noventa) dias. PROVA OAB/RJ . assinale a assertiva incorreta. somente a quem seja sócio.DEZEMBRO/2006 31º EXAME DE ORDEM RJ 56ª Questão: Em relação à diminuição do capital social de uma sociedade limitada. deduzidos os juros da mora. d) Na sociedade limitada. total ou parcialmente. salvo se houver perdas irreparáveis para a sociedade. cabendo uma ou diversas a cada sócio. PROVA OAB/RS . iguais e desiguais. d) Para a formação do capital social é permitida contribuição que consista em prestação de serviços. não integralizada totalmente a quota de sócio remisso.EXAME DE ORDEM . a responsabilidade de cada sócio é restrita ao valor de suas quotas e os sócios que já integralizaram as suas quotas apenas respondem subsidiariamente pela integralização do capital social. c) Pela exata estimação de bens conferidos ao capital social respondem solidariamente todos os sócios. as prestações estabelecidas no contrato mais as despesas. mesmo após integralizado.EXAME DE ORDEM . excluindo o primitivo titular e devolvendo-lhe o que houver pago.ABRIL/2006 24ª Questão: Nas sociedades limitadas. total ou parcialmente. c) A redução do capital social pode ser feita sem modificação do contrato. os direitos a ela inerentes somente podem ser exercidos pelo condômino representante ou pelo inventariante do espólio do sócio falecido. os outros sócios podem. com relação à formação do capital social e sua divisão em quotas. FGV DIREITO RIO 116 . podemos afirmar que: a) Salvo expressa previsão no contrato social.

De que forma estes sócios minoritários podem assegurar a defesa de seus direitos? Aponte o fundamento legal. 29º EXAME DE ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL . Direito Comercial. b) O patrimônio social líquido corresponde à totalidade de ativos da sociedade deduzido o capital social. compete ao conselho de administração autorizar. os quais representam um quinto do capital social. 2ª FASE.JUIZ . sendo doze majoritários e três minoritários.PROVA DISCURSIVA .SEÇÃO DO RIO DE JANEIRO. a) O patrimônio social não pode ser inferior ao capital social. 2ª Prova Específica. c) Na sociedade empresária limitada.No capital social de uma sociedade limitada empresária.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa PROVA CONCURSO PúBLICO/MG . XXXIX CONCURSO PARA INGRESSO NA MAGISTRATURA DE CARREIRA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO. o capital social pode ser integralizado com a prestação de serviços.Uma sociedade limitada possui quinze sócios. 4 . FGV DIREITO RIO 117 . 27º EXAME DE ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL . assinale a alternativa CORRETA. 4 .2007 59ª Questão: Quanto às sociedades. PROVA DISCURSIVA. 2ª QUESTÃO (VALOR: TRÊS PONTOS): Que opções têm os sócios da sociedade limitada em relação ao sócio remisso? (VALOR: UM PONTO E MEIO). se o estatuto não dispuser em contrário. a alienação de bens do ativo permanente.2ª FASE.SEÇÃO DO RIO DE JANEIRO . d) Nas sociedades anônimas. defina qual é a natureza jurídica da cota.

retirar-se da sociedade. na proporção do último balanço aprovado. assiste aos sócios que divergirem da alteração do contrato social a faculdade de se retirarem da sociedade. definiu a necessidade de se alcançar uma maioria qualificada para aprovação de diversas matérias e deliberação colegiada em reunião ou assembléia. 7ª edição. em suma. conforme disposição do art.430.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa AUlA 15: MECANISMOS DE fORMAÇÃO DA vONtADE SOCIAl E SUA fISCAlIZAÇÃO Nesta aula discutiremos a leitura do(s) seguinte(s) capítulo(s): – Páginas 368 a 371 do Manual de Direito Comercial e de Empresa. FGV DIREITO RIO 118 . Leitura CompLementar – Páginas 242 a 255 de O Direito de Empresa à luz do Novo Código Civil. a exigência de os sócios reuniremse em assembléia.071 não é taxativo. dependem de deliberação dos sócios. obtendo o reembolso da quantia correspondente ao seu capital. 1. igualmente. e as explicitamente indicou no art. pág. especificamente. – Páginas 122 a 125 do Direito Societário.I . na parte em que essas prestações forem necessárias para pagamento das obrigações contraídas. Ficam. dada sua especificidade. “a vontade do sócio ou dos sócios titulares de mais da metade do capital social era suficiente para qualquer deliberação”204. como por exemplo. 331203 do Código Comercial estabelecia o princípio da maioria. é o cérebro da cOELHO.4ª edição. 205 206 in manual de Direito comercial e de Empresa. ou melhor. obrigados às prestações correspondentes às quotas respectivas.º 3. para eleger e fixar remuneração dos membros do conselho fiscal (art. Vol. as sociedades limitadas (então chamadas de sociedades por quotas de responsabilidade limitada) eram reguladas pelo Código Comercial e. vol. Saraiva/2004.a maioria dos sócios não tem faculdade de entrar em operações diversas das convencionadas no contrato sem o consentimento unânime de todos os sócios. computado pela forma prescrita no artigo nº. 204 roteiro de auLa Já aprendemos que antes do advento do novo Código Civil. saraiva/2004.I . Renovar: Rio de Janeiro/2004.4ª edição.071. nos mais casos todos os negócios sociais serão decididos pelo voto da maioria. 1. ementário de temas – Assembléias e Reuniões – Conselho Fiscal 203 art. Saraiva: São Paulo/2005. 5ª edição Renovar/2005.370. 7ª edição. Há outras situações que. 9ª edição.708/1919205. não foram mencionadas naquele dispositivo e que. saraiva: são paulo/2005. O Código Civil. A reunião ou assembléia de sócios é o órgão máximo da sociedade.070. Nas palavras do Prof. – Páginas 424 a 432 do Curso de Direito Comercial. parágrafo único)”206. Fábio Ulhoa Coelho. Ricardo Negrão. José Edwaldo Tavares Borba. pág. Ricardo Negrão. em atenção ao direito dos minoritários e com a possibilidade de abuso por parte do majoritário. Fábio ulhoa in curso de Direito comercial. onde está localizado o poder de deliberar. contudo.708 de 10 de janeiro de 1919. o art. 15 do Decreto n. 486. de tomar decisões. 331 . sendo permitindo ao sócio que divergisse (da maioria). 1. art.068) e para estabelecer a remuneração do contabilista assistente (art. 15. Sérgio Campinho. No tocante a disciplina das deliberações dos sócios. 1. pelo Decreto nº 3. porém. até à data do registro definitivo da modificação do estatuto social. “o rol do art. desde logo. ou seja.

se o número de sócios for superior a 10 (dez)210. Uma vez aprovada determinada deliberação. a soma das vontades dos sócios torna-se uma única vontade – a vontade social. As deliberações sociais podem ser alcançadas. nos casos específicos em lei208. que o ato sujeito a registro não pode. 5ª edição Renovar/2005.)”216.072. Como adverte Modesto Carvalhosa. também. hora e ordem do dia214. contudo. poderão os sócios e o Conselho Fiscal – se tiver sido instalado – fazer a convocação para reunião ou assembléia na forma estabelecida pelo artigo 1. 214 215 216 art. pág. Sérgio Campinho211 leciona que esta “competência primária é conferida ao órgão de administração da sociedade. é de pequeno porte. § 3º do Código Civil. §2º do código civil. o Prof. para Fábio ulhoa coelho. Ressalte-se que.078. §1º do código civil.075. assim. juntamente com a ata215.072. e não da data de sua realização.077 do código civil. 13. in comentários ao código civil – parte Especial – Do Direito de Empresa – vol. devendo o instrumento ser levado a registro. I e II do Código Civil. As formalidades para a convocação213. 1.429. Aos sócios dissidentes caberá o direito de recesso. pode estabelecer regras diferentes das previstas na lei para a validade da assembléia dos sócios. 208 209 art. como publicação em jornais. do local. pág. 1. e com qualquer número em segunda. no mesmo sentido: sérgio campinho. como já tratado na aula 10. Assim. Serão sempre em assembléia.154 do NCC.072. a lei estabelece uma competência secundária. O art. a convocação é dever legal do administrador que também pode ser realizada pelos sócios e pelo conselho fiscal (se houver). sendo certo. O Prof.072. §3º do código civil.cit. em sua maioria. mesmo a sociedade limitada constituída com menos de 10 (dez) sócios. §5º do código civil. é a partir daí.152. devendo. Na prática. 210 in O Direito de Empresa à luz do novo código civil. “é importante a apresentação da ata de assembléia ou reunião ordinária a arquivamento e averbação. portanto. A assembléia se instala com a presença de ¾ do capital social. por escrito. que deve ser obedecida por todos207. antes do cumprimento das respectivas formalidades.071 do Código Civil serão adotadas em reunião. já que estas se aplicam apenas quando omisso o contrato social”218. contudo. Fábio Ulhoa Coelho217 esclarece que “se o contrato social estabelece que as deliberações dos sócios sobre as matérias do art. 1.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa sociedade. 217 218 Op. por unanimidade. 1. como veremos a seguir. sendo permitido ao sócio ser representado por outro sócio ou advogado com mandato específico.074 do código civil. 213 art. §1º do Código Civil. poderá optar pela forma de assembléia para suas deliberações sociais. §3º do código civil. No tocante às regras formais pertinentes às assembléias serem aplicadas às reuniões. entretanto a lei prevê também a realização de reunião ou assembléia de sócios. ele pode estabelecer regras próprias sobre a sua periodicidade. reunião ou assembléia deve ser convocada atendendo ao dispositivo do art. saraiva/2003. 1. A competência para a convocação de reunião ou assembléia é do administrador.073. pois. data. que irá gerar custo e risco de nulidade. e encaminhada a registro nos 20 dias subseqüentes. 207 art. 211 para Ricardo negrão. art. ficam dispensadas se todos os sócios comparecerem ou se declararem cientes. trás como novidade o registro da ata dos trabalhos e deliberações em livro específico (Livro de Atas). que se contará o prazo prescricional de dois anos para se anular a aprovação do balanço patrimonial e o de resultado econômico previsto no parágrafo 4º do artigo 1. Assim não sendo. Contudo. 1. FGV DIREITO RIO 119 . 1. 1. ser oposto a terceiro (artigo 1.152. legitimando. em primeira convocação. a competência dos sócios e do conselho fiscal é concorrente. de forma excepcional. conforme esteja previsto no contrato social. 212 art. art. 1. quorum de instalação. em documento por escrito209. curso e registro de trabalhos. outro órgão ou pessoas à convocação do encontro de sócio”212. Até então resta evidenciado que o mecanismo de deliberação social em assembléia é dotado de formalidade. ser evitado pelas sociedades limitadas que. A ata deve ser assinada pelos membros da mesa e pelos sócios participantes da assembléia. 1. não seria conveniente em virtude do maior formalismo. convocação (competência e modo).246.

pois o que a lei estabeleceu foram os parâmetros mínimos de votos favoráveis. incorporação. coarcta-se a autonomia da vontade. A nova sistemática introduzida pelo Código Civil de 2002 fará com que. Nomeação de administrador não sócio desde que o capital 2/3 do Capital Social: 67% do Capital já esteja integralizado. como o prazo menor para o pagamento de apuração de haveres. nos quatro meses seguintes ao término do exercício social. não se prevendo nenhuma outra matéria exigindo um quorum qualificado para deliberar. in Direito societário. com vistas às peculiaridades da sociedade e ao pólo a ser protegido (do majoritário ou do minoritário). que era a flexibilidade normativa”219. Na prática. poderá se prever um prazo mais longo para o pagamento dos haveres. Esta “gigantesca revolução” recebeu duras críticas do Prof. 2/3 do Capital Social: 67% do Capital Nomeação. Com isso. o controle da lei deve ser o limite. quebrando-se o principal mérito da sociedade limitada. destituição de sócio nomeado administrador no Contrato Social.123. por exemplo: a) uma sociedade com poucos sócios e com grande concentração de capital nas mãos de apenas um. então. aprovação do plano de recuperação judicial ou extrajudicial. unanimidade: 100% do Capital Social alteração do Contrato Social. seja realizada uma reunião ou assembléia para aprovação das contas da administração e deliberação de demais assuntos. 219 220 art. pág. que estabelecem maiorias especiais para diversas situações. DElIbERAÇõES NO NOvO CóDIGO CIvIl Deliberação Quorum Necessário Para Aprovação unanimidade: 100% do Capital Social Nomeação de administrador não sócio. os sócios poderão prever no contrato social quoruns mais específicos. sendo interesse deixar ampla liberdade ao sócio controlador. cessação do estado de liquidação. ou seja. “a liberdade contratual. denominada de reunião ou assembléia anual ordinária220. se o contrato não exigir maioria mais elevada. b) de outro lado. sendo somente possível modificá-los para maior. que o Código Civil definiu a necessidade de se alcançar uma maioria qualificada para aprovação de diversas matérias. porque detentor da maioria do capital social. direito a eleição em separado de um integrante e seu 1/5 do Capital Social: 20% do Capital suplente no Conselho Fiscal. representando os minoritários. mas em ato separado. 1.078 do cc. ½ +1 do Capital Social: 51% do Capital aprovação de contas da administração. Renovar: Rio de janeiro/2004. José Edwaldo Tavares Borba uma vez que. trata-se de norma imperativa. sendo interesse evitar um rápido e grande desfalque na sociedade. sua destituição e o modo de remuneração ½ +1 do Capital Social: 51% do Capital do(s) administrador(es) não feita em contrato. dissolução 3/4 do Capital Social: 75% do Capital da sociedade. 9ª edição. ou.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa Vimos. os quoruns são necessários para as deliberações sociais. se o Conselho for instituído no Contrato Social. que antes prevalecia. estabelecer quorum superior ao montante de quotas do majoritário para o maior número de situações possível. FGV DIREITO RIO 120 . e nunca para menor. Apesar da crítica. foi substituída por normas legais imperativas. pelo menos uma vez ao ano. fusão. quando o capital não tiver sido integralizado. nomeação e ½ +1 dos presentes a convocação destituição dos liquidantes e o julgamento de suas contas. transformação societária não prevista no ato constitutivo.

ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa

Convém destacar que a sociedade limitada poderá ter órgãos para a administração da sociedade, como por exemplo, o Conselho de Administração e Diretoria, bem como comitês de assessoramento, financeiro e executivo. Além disso, nada impede que a sociedade limitada faça uso do acordo de quotistas231, adotando-se as regras do artigo 118 da Lei 6404/76. Confira-se o texto232: Acordo de Quotistas - Importante ferramenta empresarial O Acordo de Quotistas é um contrato particular efetivado entre os sócios de uma sociedade limitada, que estabelece normas de conduta, obrigações e responsabilidades na gestão societária, as quais deverão ser cumpridas por todos os contratantes. Sua legalidade funda-se na possibilidade conferida pelo art. 997 c.c. art. 1.054, ambos do Código Civil, aos sócios em constituir entre si regras especiais para a regência da sociedade limitada. Vejamos:
“Art. 997. A sociedade constitui-se mediante contrato escrito, particular ou público, que, além de cláusulas estipuladas pelas partes (...). (...). Art. 1.054. O contrato mencionará, no que couber, as indicações do art. 997, e, se for o caso, a firma social”. (grifamos).

Neste acordo, situações como os limites da administração, eleição de administrador, função de cada sócio e/ou administrador, forma de cessão de quotas, quorum de votação, procedimentos e forma de pagamentos das quotas em caso de exclusão, liquidação, morte e outros, serão detalhadamente definidos, facilitando a administração. Outra importante função deste Acordo é o fato dele tratar de especial ferramenta para Planejamento Sucessório, pois estabelece regras ditadas pelos interessados quanto a comunicabilidade de quotas e bens, o usufruto, a doação, o ingresso de herdeiros e sucessores, o conselho de administração, o conselho familiar, os casos de arbitragem e outros pontos que se fizerem necessários dependendo da característica empresarial e familiar. Conclui-se, portanto, que sua função principal é harmonizar as decisões sociais, dando uma maior tranqüilidade aos sócios, evitando desconfortos eventuais que possam surgir, enfim, assegura aos sócios e administradores maior segurança para administrar situações conflituosas de maneira lícita, bem como facilitar a sucessão patrimonial e o papel dos herdeiros na sociedade. No que se refere a validade do acordo de quotista, é importante ressaltar que os ajustes conveniados vinculam “os sócios signatários nas suas relações diretas e pessoais, porque não inválidos, podendo invocar suas disposições específicas uns contra outros [1]”. Porém, para que produzam efeitos perante terceiros, isto é, aqueles não firmaram o pacto separado, sócios ou não sócios, os ditos ajustes devem estar em total acordo com as disposições do contrato social (art. 997, parágrafo único, do Código Civil). Diante disso, é incontestável a importância do Acordo de Quotistas, bem como o Código Civil não mais deixa dúvidas sobre sua legalidade e validade ao prevê-lo expressamente em seu art. 997, parágrafo único, de aplicação ao regime das sociedades limitadas por força do art. 1.054 do mesmo diploma legal. [1]CAMPINHO, Sérgio. O direito de empresa à luz do novo Código Civil, 2ª edição, Renovar, Rio de Janeiro, 2003, p. 89.

O Enunciado de nº 384 elaborado durante a IV jornada de Direito civil traz uma interpretação sobre o uso do acordo de acionistas interessante para as holdings que são sociedades limitadas. Ele estabelece que “é admissível o acordo de sócios, por aplicação analógica das normas relativas às sociedades por ações pertinentes ao acordo de acionistas”.
231 232 http://www.flp. c o m . b r / n o t i c i a s _ zo o m . php?urlId=604acesso em 19 de janeiro de 2009, às 03:31horas.

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o Conselho fiscal na sociedade limitada Uma outra novidade prevista no Código Civil de 2002 é a possibilidade da sociedade limitada, por meio do contrato social, instituir um conselho fiscal. Explica-se esta faculdade das sociedades limitadas em virtude da grande maioria delas ser constituída de atividades de pequeno e médio, com um número reduzido de sócios e cuja administração é exercida por todos221 (ou quase todos). Uma vez estabelecido, o conselho fiscal deve funcionar de forma permanente, pois ou existe e funciona, ou, simplesmente não existe – diferente do que ocorre com a sociedade por ações222. Ele deve ser composto por três ou mais membros e respectivos suplentes, sócios ou não, residentes no Brasil223. O exercício do cargo é de um ano e em cada assembléia anual deverão ser escolhidos os membros do conselho fiscal e fixados seus honorários224. Os membros do conselho fiscal respondem solidariamente perante a sociedade e os terceiros prejudicados, por culpa no desempenho de suas funções. Seus deveres estão elencados no art. 1.069 do Código Civil. É vedado o exercício das funções de conselheiro, não podendo do Conselho fazer parte, àqueles listados no art. 1.066 §1º do Código Civil225. No intuito de esclarecer o porquê do membro da administração da sociedade ou de controlada por ela, não poder fazer do conselho fiscal, o Prof. Ricardo Negrão explica que “o conselho fiscal é órgão que deve manter-se independente da administração que fiscaliza, daí a razão pela qual os membros da administração não podem participar desses atos, sob pena de se confundirem numa só pessoa sua, execução e fiscalização, tornando-se órgão meramente referendário e, portanto, dispensável”.

221 n.a. como a finalidade básica do conselho fiscal é fiscalizar a administração, seria incompatível sua existência numa sociedade onde todos os sócios são administradores.

Caso gerador Igor Mosso, Izan, Orlando e Camila e mais dez pessoas são sócias de uma sociedade limitada, cujo objeto é a reparação de aeronaves. Igor, além de ser administrador da sociedade, cuidando de todos os negócios, especialmente a importação das peças de reposição, é detentor de 52% do capital social. Os sócios Izan, Orlando e Camila estão preocupados porque desde a entrada em vigor do Código Civil de 2002, a sociedade não promoveu a alteração do seu contrato social, tampouco realizou as reuniões anuais para aprovação das contas da administração. Esses sócios justificam sua preocupação no fato de que todas as vezes que foram tratar do assunto com Igor, esse alega que tudo está perfeito, e ainda lhes lembra que compete a ele deliberar sobre as contas e adotar as providências societárias, por ser ele o majoritário. Qual é o seu parecer?

Lei 6.404/1969. art. 161. a companhia terá um conselho fiscal e o estatuto disporá sobre seu funcionamento, de modo permanente ou nos exercícios sociais em que for instalado a pedido de acionistas.
222 223 224 225

art. 1.066 do código civil. art. 1.068 do código civil.

JurisprudênCia A legitimidade para convocação de reunião ou assembléia, foi objeto de decisão do STJ no Recurso Especial nº 493.297/SP (abaixo), que reconheceu a validade de reunião convocada por sócio de sociedade limitada detentor de 50% do capital social. Embora a

art. 1.011, §1º. “além das pessoas impedidas por lei especial, os condenados a pena que vede, ainda que temporariamente, o acesso a cargos públicos; ou por crime falimentar, de prevaricação, peita ou suborno, concussão, peculato; ou contra a economia popular, contra o sistema financeiro nacional, contra as normas de defesa da concorrência, contra as relações de consumo, a fé pública ou a propriedade, enquanto perdurarem os efeitos da condenação”. art. 1.066, §1º. “...os membros dos demais órgãos da sociedade ou de outra por ela controlada, os empregados de quaisquer delas ou dos respectivos administradores, o cônjuge ou parente destes até o terceiro grau”.

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decisão seja fundamentada no Decreto n.º 3.708/1919, o acórdão menciona o artigo 1.073, I do Código Civil de 2002. SOCIEDADE DE RESPONSABILIDADE LIMITADA. ASSEMBLÉIA. CONVOCAÇÃO. Legalidade da convocação feita por sócio titular de 50% do capital social, mediante notificação com dez dias de antecedência, para assembléia a se realizar na sede de uma das empresas coligadas. Recurso não conhecido. (REsp 493.297/SP, Rel. MIN. RUY ROSADO DE AGUIAR, QUARTA TURMA, julgado em 24.06.2003, DJ 01.09.2003 p. 298). O inteiro teor do acórdão referente ao REsp 493.297/SP segue transcrito com destaque nos trechos mais importantes : RELATÓRIO O MINISTRO RUY ROSADO DE AGUIAR: Gonzallo Gallardo Diaz agravou da r. decisão que, nos autos da ação cautelar ajuizada por Juan José Campos Alonso e José Paz Vasquez, deferiu liminar impedindo o agravante de convocar reuniões extraordinárias de sociedade limitada para resolução de assuntos do interesse da sociedade empresarial. A egrégia Terceira Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça de São Paulo deu provimento ao agravo, nos termos da seguinte ementa: “Sociedade Limitada. No silêncio do contrato e do Decreto-Lei 3708⁄1919, admite-se a iniciativa do sócio detentor de 50% do capital social para a convocação de reunião ou assembléia de sócios (como já autorizado no novo Código Civil, art. 1.073, I), por se tratar de proposição do interesse da sobrevida da sociedade comprometida pela ruptura da affectio societatis. Não incidência da Lei 6404⁄76. Provimento para cassar a decisão que suspendeu a convocação” (fl. 379).” Rejeitados os embargos declaratórios, os agravados interpuseram recurso especial (art. 105, III, a, da CF), alegando violação aos arts. 18 do Decreto-Lei 3708⁄19; 128 do CPC; 123, 124, caput e parágrafos 1º e 2º, e 243 da Lei 6404⁄76. Sustentam irregularidades e, conseqüentemente ilegalidades quanto: a) à competência para a convocação da reunião extraordinária; b) ao local escolhido para a realização da reunião; c) à ausência de publicação de anúncio, bem como de tratar-se ou não de primeira ou segunda convocação. Alegam que o v. acórdão, ao conceder direito ao recorrido de realizar reunião, desrespeitou os limites da lide, “pois como efeito da cassação da medida liminar, bastaria a declaração de que o ora recorrido poderia realizar nova notificação extrajudicial, sem a observância das formalidades previstas pela Lei das S⁄As, amparado na decisão provisoriamente favorável ao então agravante, cabendo a este, logicamente, providenciar a devida notificação extrajudicial”. Dizem que “a determinação legal de aplicabilidade subsidiária das normas da sociedade anônima para suprir as omissões do capítulo das limitadas afasta inteiramente a aplicação das normas da sociedade simples, conferindo um mínimo de garantia aos direitos dos sócios”. Pedem a reforma do v. aresto recorrido para que seja restabelecida a liminar. Admitido o recurso, com as contra-razões, vieram-me os autos. É o relatório.
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o que justificava a indicação do endereço de uma delas. acórdão recorrido bem explicou as razões pelas quais a formalidade para as decisões assembleares. Desse modo. e na parte aplicável. A falta de publicação de anúncio não é causa a justificar o conhecimento e o provimento do recurso. Transcrevo do bem lançado voto do Dr. 2001. Nesse ponto. numa sociedade em que os outros dois sócios têm 45% cada. É preciso regular os atos da sociedade de forma simples e segura. neste sentido. é ele. O sócio que contribui com mais da metade do capital social. 2. 3. em caso de divergência entre estes últimos.Estudo comparativo. Aquele que titulariza um décimo das quotas. Tocante ao local escolhido para a realização da assembléia. o tema relacionado com a disposição contratual. Saraiva. Essa reunião ou assembléia não se reveste da solenidade das assembléias anônimas. Saraiva. nem todos têm condições de influir. 3708⁄19. acerca do processo de convocação: “A reunião ou assembléia de quotistas . uma vez que o rigorismo formal contido no ensinamento transcrito nas razões é apropriado para as sociedades anônimas. 123 da Lei das S⁄A. volume 2. não pode ser aqui revisto. delibera sozinho. Ed. a solução decorreu do exame da matéria de fato. 416): “A extensão do direito de participar das deliberações sociais é proporcionar à quota do sócio no capital social. sobre a existência de um grupo de empresas coligadas. o r. 1987. 18 do Dec. 391). portanto. 243 da Lei das S⁄A não foi pré-questionada. depois de analisar o silêncio do Decreto nº 3708⁄1919. No que diz com a alegada violação ao art. o que não se justificava no caso dos autos. não podem ser inteiramente obedecidas no caso dos autos. no conteúdo destas. quem delibera. Julgou-se suficiente a prévia convocação. 13). Observo que sobre isso foi invocado julgamento anterior do mesmo Tribunal. Confira-se a posição de Egberto Lacerda Teixeira (Sociedades Limitadas e Anônimas no Brasileiro . reconhecendo que as empresas “são almas gêmeas. que se divorciam apenas na personificação legal” (fl. Ed. p. acórdão acentuou a existência do direito do sócio minoritário de convocar a assembléia. p. a respeito do exercício da gerência. pelas razões expostas. sem o requinte da intensa publicidade que se exige nas anônimas. sobre a competência para a convocação de assembléia geral. quando divergentes os sócios majoritários”. Ocorre que o r. uma vez que desatendida a sua determinação de aplicar as disposições da Lei 6404⁄76 no que não foi regulado pelo estatuto social. O primeiro argumento exposto pelos recorrentes reside na ofensa ao art. A regra do art.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa VOTO O MINISTRO RUY ROSADO DE AGUIAR (Relator): 1. com sua vontade ou entendimento. terá a incumbência do desempate. considerando a negativa a tal direito uma indevida restrição ao sócio detentor de 50% das quotas. próprias das sociedades por ações. É o que afirma Fábio Ulhoa Coelho (Curso de Direito Comercial. mas deve realizar-se para FGV DIREITO RIO 124 .é indispensável na vida das sociedades limitadas. a despeito de sua pequena participação societária. Enio Zuliani: “Excesso de formalismo poderá colocar em risco a dinâmica empresarial e comprometer a organização administrativa. com o prazo razoável de dez dias úteis.como expressão substancial e não formal de deliberação coletiva . Isto porque o direito de participação do sócio na sociedade é correspondente ao seu capital social ou mede-se o seu poder de acordo com o grau de seu investimento”. 4. embora os sócios devam ser consultados nas decisões mais importantes da sociedade.

Aldir Passarinho Junior. 1977. § 1º. Ministro-Relator. pela vontade de sócios. das pequenas sociedades limitadas do seu tempo.” O agravante declinou os assuntos em pauta e os contratos sociais não descredenciam sua iniciativa. deve orientar-se nesse particular: oito dias de antecedência na primeira convocação e cinco dias na segunda. na conformidade dos votos e das notas taquigráficas a seguir. p. obviamente. Ensaio sobre a sociedade de responsabilidade limitada.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa apreciação dos atos fundamentais da vida social. declaração de dividendos. Ausente. exatamente porque a alteração do contrato de sociedade de responsabilidade limitada pode ser feita. relatados e discutidos estes autos. AÇÃO CAUTELAR E ORDINÁRIA DE IMISSÃO NA POSSE DE LIQUIDANTE DA EMPRESA. O silêncio do Decreto nº 3708⁄19 talvez se explique pelo caráter fechado. que representem a maioria do capital social (Sylvio Marcondes Machado. por unanimidade. São Paulo. o necessário prequestionamento. ocasionalmente. Ministros Fernando Gonçalves. 128 do CPC não foi examinado no julgamento da apelação. Os Srs. mas reforça-se a conveniência do aviso pessoal dirigido ao endereço registrado do sócio. ACÓRDÃO Vistos. Ministro-Relator. 160)” (fls. A regra supletiva do art. Ed. o Sr. A affectio societatis é um estado comprometido e a prova maior da divergência reside na notificação anterior para exercício de preferência (mantida pelo julgamento do AgIn. opostos para outro fim. se outro local não for designado contratualmente. O art. Daí a necessidade de disciplinar o modo de realização de reuniões coletivas (ainda que para assinatura de instrumentos de alteração do contrato social) de modo a resguardar os interesses dos sócios. 232. da Lei 6404⁄76. nos termos do voto do Sr. com presença de expressivos contingentes minoritários que não podem ficar à mercê do capricho das maiorias ou dos administradores. É o voto. Ocorre. pois. consentimento dos demais. 387⁄391). nem objeto dos embargos de declaração. Ministro Barros Monteiro. QUOTAS DE SOCIEDADE LIMITADA. correção monetária do capital realizado. de modo que não seria lógico exigir. com razoável antecedência. E a reunião convocada é de vital importância para o destino e preservação da sociedade.213-4). FGV DIREITO RIO 125 . DISSOLUÇÃO DE SOCIEDADE. Saraiva. 124. 5. A reunião deve realizar-se na sede da sociedade. íntimo. Brasília (DF). não conhecer do recurso. eleição de gerentes etc. p. 1940. Faltou. Dispensa-se. 24 de junho de 2003(Data do Julgamento). todavia. Incide a Súmula 7⁄STJ. A convocação se fez de forma regular e da deliberação poderá resultar a alteração do contrato social por decisão majoritária. 309. particularmente os relativos à discussão e aprovação do balanço. conforme admite Rubens Requião em parecer publicado na obra ‘Aspectos Modernos de Direito Comercial’. Sálvio de Figueiredo Teixeira e Cesar Asfor Rocha votaram com o Sr. acordam os Ministros da QUARTA TURMA do Superior Tribunal de Justiça. que nos dias atuais há vultosos interesses envolvidos nas sociedades limitadas. para habilitar sócio a convocar reunião. o requisito da convocação por editais publicados na imprensa oficial e diária.

Quinta Câmara Cível. pelo menos trimestralmente. grifamos. Uma inovação trazida pelo Código Civil para as sociedades limitadas foi a previsão de constituição de conselho fiscal. d) A existência de conselho fiscal é facultativo nas sociedades empresárias e obrigatória nas sociedades por ações de capital aberto. (CORRETA) 2. 45. d) A unanimidade dos votos dos cotistas integrantes do Capital Social. 1.TIPO 2.PROVA 1ª FASE .ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa É de todo irregular a convocação apenas dos sócios majoritários para Assembléia que decide a dissolução da sociedade por quotas. PROVA DO CONCURSO PARA JUIZ DO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SERGIPE (01/02/04). Falta de interesse recursal. a) A destituição do administrador de sociedade empresária exige a deliberação de sócios cujos votos representem mais da metade do capital social. É dever dos membros do conselho fiscal examinar. APELAÇÃO NÃO CONHECIDA. Tribunal de Justiça do RS. Assinale a afirmativa INCORRETA. Relator: Ana Maria Nedel Scalzilli. SEÇÃO DO RIO DE JANEIRO . Julgado em 25/11/2004). (Apelação Cível Nº 70007326689.DIREITO COMERCIAL. Liminar de imissão de posse indeferida. PROVA OBJETIVA . 69. No referente a esse conselho. o estado do caixa da sociedade. c) O uso da firma ou denominação social é privativa dos administradores que tenham os necessários poderes. b) A maioria dos votos dos presentes à Assembléia Geral. julgue os itens que se seguem.1ª FASE. 127º EXAME DE ORDEM. deixando de comunicar a realização do ato e de oportunizar aos minoritários o direito de preferência na aquisição nas cotas remanescentes. c) Os votos correspondentes a 3/4 (três quartos) do Capital Social. SEÇÃO DE SÃO PAULO .Na modificação de um contrato social de uma sociedade limitada. a lei exige como “quorum” mínimo para que a deliberação dos sócios seja tomada: a) Os votos correspondentes a mais da metade do Capital Social. conforme defina o contrato social. DIREITO COMERCIAL. b) É livre a cessão de quotas de capital se não houver oposição de titulares de mais de ¼ (um quarto) do capital social. confirmada em sede de agravo. 39 . FGV DIREITO RIO 126 . Uma sociedade pode ter ou não conselho fiscal. Questões de ConCursos 28º EXAME DE ORDEM. bem como dos sócios titulares da maioria das quotas que compõem o capital social.

supridas pela Lei das Sociedades por Ações.ABRIL/2007 32º EXAME DE ORDEM RJ 87ª Questão: Na omissão do contrato social. PROVA OAB/RJ . a sociedade poderá continuar suas atividades sob sua firma original. Alberto só poderá ceder suas quotas a Carlos se João não se opuser.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa PROVA DO CONCURSO PARA JUIZ DO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO PARANÁ (2003). para aquelas que se beneficiem de tratamento tributário favorecido para micro e pequenas empresas. Com relação a essa situação hipotética. PROVA OAB/BR . a cessão de quotas da sociedade limitada de um sócio para outro sócio da mesma sociedade a) depende da audiência prévia dos demais sócios para se aperfeiçoar. assinale a opção correta.EXAME DE ORDEM . FGV DIREITO RIO 127 . independentemente de averbação no respectivo órgão de registro. somente nas hipóteses de que a sociedade deva deliberar sobre a aprovação das contas dos administradores. Nas sociedades limitadas. 3. poderia fazê-lo. O contrato social é omisso sobre essa hipótese. a deliberação dos sócios em assembléia é obrigatória 1.MARÇO/2005 12ª Questão: Nas sociedades limitadas: a) o sócio pode integralizar as cotas que subscrever prestando serviços à sociedade. e sair da sociedade. desde que não houvesse oposição de titulares de mais de um quarto do capital social. a) A cessão das quotas de Alberto opera efeitos perante terceiros desde o momento em que for aperfeiçoada. c) Após a alienação das quotas de Alberto. em regra. se o número de sócios for superior a dez. b) Caso Alberto tivesse optado por ceder suas quotas a terceiro estranho à sociedade. PROVA OAB/MG . 4.EXAME DE ORDEM .EXAME DE ORDEM . desde que firmada por todos os sócios. d) De acordo com o Código Civil. b) é eficaz quanto à sociedade na data da celebração do contrato de cessão. 2. Alberto resolveu alienar suas quotas a Carlos. nomeação dos gerentes e prestação de contas destes. para modificar o contrato social. Após algum tempo. c) as omissões do contrato social são. de acordo com o Código Civil.AGOSTO/2007 86ª Questão: Os irmãos João Silva e Carlos Silva constituíram sociedade limitada com Alberto Souza. d) só é válida se for assegurada aos demais sócios a preferência de adquirir as quotas em idênticas condições às oferecidas pelo sócio adquirente. b) o contrato social não pode conter previsão admitindo a administração da sociedade por aquele que dela não seja sócio. c) é oponível a terceiros na data da averbação do instrumento correspondente. sob a firma social Silva & Souza Comércio de Bebidas Limitada.

se essa for a vontade dos sócios. b) Na omissão do contrato social. a) A aprovação das contas da administração depende da deliberação dos sócios em reunião ou assembléia.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa d) não é obrigatória a constituição de conselho fiscal. tanto por decisão da assembléia. As deliberações infringentes do contrato social ou da lei tornam ilimitada a responsabilidade dos sócios que expressamente as aprovaram.EXAME DE ORDEM .2ª FASE. total ou parcialmente. c) A sociedade pode ser administrada por uma ou mais pessoas designadas no contrato social. assinale a assertiva correta. FGV DIREITO RIO 128 . 3 . o conselho fiscal é órgão obrigatório na sociedade limitada? Justifique a resposta. quanto por previsão do contrato social. d) O Código Civil veda a instituição de conselho fiscal nas sociedades limitadas.Nos termos do Novo Código Civil. SEÇÃO DO RIO DE JANEIRO . 23º EXAME DE ORDEM.AGOSTO/2006 19ª Questão: Sobre as sociedades empresárias que adotam a forma societária de uma limitada.DIREITO COMERCIAL. independentemente de audiência dos outros sócios. PROVA DISCURSIVA . o sócio pode ceder sua quota. Poderá ser instituído. PROVA OAB/RS . necessariamente sócios. a qualquer pessoa.

O direito de retirada é um “tema juridicamente tormentoso”227. Fábio ulhoa in curso de Direito comercial vol. a retirada é uma forma de dissolução parcial do vínculo societário. todo sócio que não tem mais a vontade de continuar na sociedade poderá retirar-se dela. José Edwaldo Tavares Borba. Caso contrário. somente é possível se prevista contratualmente a “justa causa”. 02. vimos que a exclusão de sócio por decisão dos demais sócios. bAlANÇO DE DEtERMINAÇÃO Na aula passada. APURAÇÃO DE hAvERES. – Direito de recesso. Gladston in Direito societário: sociedades simples e Empresária. o sócio só poderá ser excluído por via judicial em decorrência da prática de atos de inegável gravidade para com a sociedade e. 8ª edição. Rubens Requião. – Forma de apuração dos haveres: balanço de determinação (jurisprudência e artigos do Código Civil). roteiro de auLa: Analogamente à exclusão de sócio. são paulo/2004.155. atlas.. Portanto. são paulo/2004. 5ª edição.) de O Direito de Empresa à luz do Novo Código Civil. representando a maioria do capital social. saraiva. este “direito é inerente à titularidade de quotas sociais. – Páginas 438 a 439 (credores do sócio e patrimônio social) e 492 a 497 (recesso do sócio e cessão de quotas) do Curso de Direito Comercial vol I. FGV DIREITO RIO 129 . 9ª edição. Renovar/2004. São Paulo/2003. pg. 25ª edição. quando a maioria dos outros sócios assim decidir. Sérgio Campinho. – Páginas 71 a 76 (apuração de haveres) e 130 a 131(direito de recesso) do Direito Societário. 226 227 mamEDE. Saraiva. ementário de temas: – Princípio constitucional da livre associação.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa AUlA 16: DIREItO DE REtIRADA. pois apresenta um conflito de perspectivas relevantes para o Direito: de um lado temos os direitos e interesses da coletividade que poderão ser prejudicados pela descapitalização decorrente da liquidação cOELHO. Ricardo Negrão. denominado também de recesso ou dissidência”226. – Páginas 119 a 121(apuração dos haveres da Simples) e 203 a 206 (Ltda) e 216 a 221(apuração dos haveres da Ltda. – Sociedade por prazo determinado e Sociedade por prazo indeterminado. Renovar/2005. nesta auLa disCutiremos a Leitura do(s) seguinte(s) CapÍtuLo(s): – Páginas 314 a 315 (Simples) e 377 a 378 (Ltda) do Manual de Direito Comercial e de Empresa.434. Leitura CompLementar. Saraiva: São Paulo/2005. pg.

definido pela comissão de Valores mobiliários. ao estabelecer distinção do direito de recesso para o caso da sociedade contratada por prazo determinado e para o caso da sociedade contratada por prazo indeterminado. deve adimplir tal ajuste. “sendo levada em consideração para sua criação e funcionamento a capacidade de contribuições dos sócios para a formação do capital social. mediante reembolso do valor das suas ações (art. de 2001) I . a aprovação das matérias previstas nos incisos I a VI e IX do art. 5º. por exemplo. A outra possibilidade do exercício do direito de retirada tem por base o princípio da maioria.303. Nas sociedades por prazo indeterminado.077 do Código Civil prevê a possibilidade de retirada de forma ampla. 136.nos casos dos incisos I e II do art. o sócio que se obrigou a permanecer na sociedade por tempo determinado.. à liberdade. Aprendemos que o contrato social é um negócio jurídico e. caso o sócio não pretenda continuar na sociedade poderá alienar suas quotas (a cessão de quotas é livre). a maioria comandará quais decisões serão tomadas (princípio da maioria – participação societária com direito de voto). 1. de 2001) a) liquidez.457. Em havendo o reconhecimento judicial de uma “justa causa” (denúncia motivada). somente terá direito de retirada o titular de ações de espécie ou classe prejudicadas.303.. O aspecto positivo do art.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa das quotas do sócio retirante.303. o sócio não poderá se desvincular sem a concordância dos demais sócios.. considerando-se haver: (Redação dada pela Lei nº 10. que prevê apenas a saída do sócio da sociedade. n.077. obriga os signatários229 a honrarem com as cláusulas que foram livremente pactuadas entre eles. à igualdade. 1.pg 205. e (Redação dada pela Lei nº 10. Este dispositivo vai de encontro ao que se defende na doutrina. por outro lado. deve haver um consenso entre sócio retirante e sócios remanescentes no tocante a apuração de haveres e outros valores. Se a sociedade for de prazo determinado. o sócio dissidente informará aos demais sócio sua vontade de retirar-se da sociedade. após a notificação. (Incluído pela Lei nº 9. neste caso. 136 dá ao acionista dissidente o direito de retirar-se da companhia.nos casos dos incisos IV e V do art. serão protegidos pela regra do art.029 (quando a sociedade for contratada por prazo indeterminado) – retirada imotivada. 137. bastando ao minoritário a resignação com as decisões ou então o exercício do direito de recesso. 137233)”.ninguém poderá ser compelido a associar-se ou a permanecer associado. 1. a retirada do sócio pode ser obtida em Juízo. o sócio descontente com a deliberação deve. A natureza capitalista da sociedade de intuito per capitae relega a figura do sócio a um plano secundário. quando o acionista controlador. 1. Em se tratando de sociedade de capitais. Assim. não terá direito de retirada o titular de ação de espécie ou classe que tenha liquidez e dispersão no mercado. garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no país a inviolabilidade do direito à vida. não implicando tal fato em dissolução da sociedade. Em caso de divergência. Renovar/2005. ocasionando desencaixe financeiro para a sociedade. os direitos e interesses da minoria vencida. na deliberação social que aprovou a modificação do contrato social.077 do Código Civil está em reconhecer o direito de recesso do minoritário (ou da minoria). nos termos seguintes: (. variando de acordo com a duração da sociedade conforme dispõe o art.a. Via de conseqüência. 45). 1.) XX . em regra. o sócio terá apurado seus haveres. sérgio in O Direito de Empresa à luz do novo código civil.029 do Código Civil. 5º Todos são iguais perante a lei.029 do código civil. Portanto. como tal. art. com antecedência mínima de 60 dias231. de 2001) b) dispersão. XX da Constituição da República228. será permitida a utilização do disposto no art. Através de uma notificação230 (judicial ou extrajudicial) aos demais sócios. campInHO. enquanto não vencido o prazo fixado para a duração da sociedade (denúncia imotivada). sem distinção de qualquer natureza. à segurança e à propriedade. 1. de 1997) II . no Brasil ou no exterior. 229 230 art. pois o direito de retirada deve ser a exceção para evitar a “indústria do recesso”. 219 do código civil. Neste sentido. 228 art. quando a espécie ou classe de ação.. não havendo acordo. 136. ao retirar-se. se tratar de qualquer modificação do contrato social. onde vige o princípio de que ninguém é obrigado a ficar preso a uma sociedade por toda a sua vida. esforçar-se para alienar suas quotas e não se retirar. por aquele que votou contra a operação e foi vencido.404/76. A retirada do sócio pode ocorrer em diversas situações. O art. 231 232 art. integre índice geral representativo de carteira de valores mobiliários admitido à negociação no mercado de valores mobiliários. o sócio retirante deverá ajuizar ação para aquele fim. dando a entender. 5ª edição. ou certificado que a represente. o que pode comprometer o desenvolvimento das suas atividades (função social da empresa).. com a apuração dos haveres e de outros direitos previstos no contrato social. o direito de retirada é corolário da natureza contratual das sociedades. a sociedade controladora ou outras sociedades sob seu controle detiverem menos da metade 233 FGV DIREITO RIO 130 . estão os direitos e interesses do sócio. observadas as seguintes normas: (Redação dada pela Lei nº 10. a lei limita as hipóteses de recesso232 (Lei 6. que goza da proteção constitucional referente à liberdade de associação prevista no art. art. Nas deliberações sociais da sociedade.

KNOW-HOW.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa Assim. (Incluído pela Lei nº 10. são paulo/2004. enquanto na apuração de haveres a relação se desenvolve entre o sócio e a sociedade. esta verificação física e contábil. salvo disposição em contrário do contrato social. (Incluída pela Lei nº 10. da espécie ou classe de ação. quanto deve valer? É quase impossível de se mensurar pois.. como já estudamos. Com a retirada do sócio – motivada.303. mamEDE. contabilmente. pois não mais existe a contribuição que justificava a existência das quotas. para tanto. 1.000. se for o caso. onde poucas pessoas trabalham. de 2001). ou seja. não há escrituração do valor que se aproxime à realidade. mantendo íntegro o capital social. na forma prevista no contrato social.303. para se chegar ao quinhão do sócio que se retirou. a regra para a apuração de haveres é a de que seja realizado um balanço especial de determinação – também chamado de “balanço empresarial”.o prazo para o dissidente de deliberação de assembléia especial (art. a apuração do valor das quotas do sócio retirante se faz. em outras palavras. de 2001) IV . somente haverá direito de retirada se a cisão implicar: (Redação dada pela Lei nº 10. motivado o Judiciário. de 2001) V . de 2001) a) mudança do objeto social. § 1o) será contado da publicação da respectiva ata. não há dissolução da sociedade. ferindo a garantia constitucional do direito à propriedade.o pagamento do reembolso somente poderá ser exigido após a observância do disposto no § 3o e. De acordo com o art.o reembolso da ação deve ser reclamado à companhia no prazo de 30 (trinta) dias contado da publicação da ata da assembléia-geral. Toda vez que um sócio sai da sociedade. excluído ou que se retirou”. o Enunciado da súmula nº 265 do supremo Tribunal Federal estabelece que “na apuração de haveres não prevalece o balanço não aprovado pelo sócio falecido.no caso do inciso IX do art. RH. estabelece que o mesmo deve ser pago no prazo de 90 dias contados da liquidação da quota. LOGÍSTICA. Mas. 136. O balanço empresarial e o contábil possuem discrepâncias.303. traduzindo o valor real de quanto “vale” a participação societária no mercado. por se tratar de direito inerente à condição de sócio..303. a “briga” ficará em torno da apuração dos haveres. Realizado o pagamento ao ex-sócio. prioritariamente.00 e a sociedade vai dizer que pagará R$ 10.303. de 2001) c) participação em grupo de sociedades. a estipulação contratual não é intocável. o sócio dissidente poderá exercer o direito de recesso nos trinta dias subseqüentes à reunião que deliberou sobre a modificação do contrato social. haja vista a livre manifestação da vontade das partes. os demais sócios poderão adquirir ou alienar aquelas quotas. seja porque ele é remisso. da ratificação da deliberação pela assembléia-geral. salvo quando o patrimônio cindido for vertido para sociedade cuja atividade preponderante coincida com a decorrente do objeto social da sociedade cindida. de 2001) VI . de 2001) b) redução do dividendo obrigatório. o liquidante. o parágrafo segundo do art.031 do Código Civil. mas somente do vínculo de um dos sócios. de 2001) III .303. imotivada ou exclusão. Neste caso. o sócio fará jus à liquidação da sua quota (ou quotas). atlas. 1031 do Código Civil.166. na dissolução surge um novo órgão. (Redação dada pela Lei nº 10. em princípio deve ser operada a redução do capital social na proporção das quotas que ele possuía. Uma vez definido o valor a ser recebido a título de apuração dos haveres. ESTRATÉGICA. ou (Incluída pela Lei nº 10. 235 FGV DIREITO RIO 131 . Além disso. Nesse contexto. O sócio que saiu vai dizer que quer receber R$ 100. Exemplo: um site como o “GOOGLE”. levando-se em consideração os valores prováveis de liquidação dos bens componentes do patrimônio da sociedade à data da resolução234. pg. Entretanto. Gladston in Direito societário: sociedades simples e Empresária. a discussão se dará em torno da APURAÇÃO DE HAVERES. Todos esses itens são extremamente valiosos. Pode-se dizer que o balanço contábil “ficou para trás” no âmbito empresarial porque não contempla a MARCA. deverá determinar a aplicação da regra geral com a apuração dos haveres verificada através de um “balanço especialmente levantado”. faz-se necessária a apuração dos seus haveres. A apuração de haveres diferencia-se da liquidação por se tratar da dissolução do vínculo de um sócio em relação à sociedade. 234 neste sentido. Diante dessa situação.. podendo ser objeto de impugnação quando demonstrada a sua ilicitude ou abusividade. (Incluída pela Lei nº 10. 136. serão necessários dois procedimentos: a determinação do patrimônio da sociedade e a definição do quinhão correspondente a cada um dos sócios.. Porém. Normalmente a discrepância é de 80% a 90% porque a sociedade vai querer pagar com base no balanço contábil e o sócio vai querer receber com base no balanço empresarial. (Redação dada pela Lei nº 10.303. porque foi expulso ou porque ele se retirou.303. mantendo-se a sociedade. quando há realmente a possibilidade do exercício do direito de recesso.00. deverá conter todos os direitos e deveres que “comportem expressão pecuniária”235. (Redação dada pela Lei nº 10.000.

ART. Não se configura coisa julgada se na ação anterior o sócio excluído buscava a anulação do ato que o excluiu. Afastado o sócio minoritário por desavenças com os demais. . tornado irreversível o seu afastamento da sociedade. Deficiência de prequestionamento a impedir o exame do especial em toda a sua extensão. e na presente demanda. REPDJ 08. gerando.221/PR. com base no último balanço patrimonial aprovado antes da ruptura social.04. 373. julgado em 19. 3. incluído o fundo de comércio. V.2005.617/AM. RETIRADA DO SÓCIO.10. Rel. p/ Acórdão Ministra NANCY ANDRIGHI. APURAÇÃO DE HAVERES. AÇÃO DE APURAÇÃO DE HAVERES. FGV DIREITO RIO 132 .A data-base para apuração dos haveres coincide com o momento em que o sócio manifestar vontade de se retirar da sociedade limitada estabelecida por tempo indeterminado. DJ 30.05. Dissídio não configurado. 303) – grifamos. Recurso especial não conhecido. TERCEIRA TURMA. Recurso especial conhecido e provido. DIREITO SOCIETÁRIO. RECURSO ESPECIAL. portanto. a questão se modifica? c) E se fosse uma sociedade contratada por prazo determinado de 80 (oitenta) anos? JurisprudênCia: COMERCIAL E PROCESSUAL CIVIL. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL NÃO CARACTERIZADA. (REsp 646. Ari Mendes e seus 03 irmãos são sócios da Pizzaria MASSAS E COMESTÍVEIS LTDA. Pergunta-se: a) Sabendo que a sociedade foi contratada por prazo indeterminado. Ministro HUMBERTO GOMES DE BARROS. CRITÉRIO DE LEVANTAMENTO PATRIMONIAL. I. PREQUESTIONAMENTO DEFICIENTE.2005. Rel.2005 p.2005 p. Ari poderá exercer o direito de retirada? b) Havendo anuência dos sócios para a cessão das quotas de Ari.708/1919. Ministro ALDIR PASSARINHO JUNIOR.2005 p. exclusivamente. DISSOLUÇÃO PARCIAL DE SOCIEDADE LIMITADA POR TEMPO INDETERMINADO. Rel. DECRETO N. julgado em 18. 324) – grifamos. (REsp 130. IV. COISA JULGADA NÃO IDENTIFICADA. apenas apreciando-se tal tema desfavoravelmente ao mesmo. . efeitos ex tunc.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa Caso gerador. discute-se o critério de apuração dos seus haveres. III. EXEGESE. Ari resolve retira-se da sociedade. Apavorado com a violência do Rio de Janeiro. 15.11. Cada sócio é detentor de 25% do capital social que já se encontra integralizado. a sentença apenas declara a dissolução parcial. II.Quando o sócio exerce o direito de retirada de sociedade limitada por tempo indeterminado.08. e não. admite-se que a apuração dos haveres se faça pelo levantamento concreto do patrimônio empresarial. QUARTA TURMA. DJ 14. MOMENTO.

apurado pela média dos últimos oito anos (1992 a 1999).650/RJ. Em 2000. e como tal. (EREsp 332. mas se deixou de definir o tempo a ser considerado para apuração dos haveres. pois. julgado em 07. Não se pode falar. determinou a forma de apuração dos haveres dos sócios retirantes. Rel. FGV DIREITO RIO 133 . I . para atribuir a cada sócio a quantia que mais se aproxime do valor real de sua quota. julgado em 10. PAGAMENTO DE HAVERES. pois se trata de simples providência.2003. UNICIDADE.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa PROCESSUAL – EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA – SÓCIO – SOCIEDADE . na hipótese. levando em conta. de incumbência do juiz. Recurso conhecido e provido. sob o fundamento de que todos seus sócios cotistas integraram o processo alcançou. DISSOLUÇÃO PARCIAL DE SOCIEDADE COMERCIAL. em 1999. O acórdão recorrido entendeu que houve violação ao disposto no art. decisão que.A sentença é una. Rel.2003 p. DJ 22. o escopo visado pela citação da pessoa jurídica. II .777-DF). DJ 09. pela apuração da realidade da empresa. sobre o período a apurar na perícia encarregada de avaliar o patrimônio da empresa. (REsp 515. 471 do CPC. Rel. Tal aresto não diverge de outro que.O prazo para ajuizar ação rescisória é contado a partir do trânsito em julgado da decisão no último recurso interposto. PRAZO.09. Decisão. com a retirada dos sócios demandantes. CORTE ESPECIAL. 165) – grifamos. o juiz deferiu perícia.681-PR. Ministro HUMBERTO GOMES DE BARROS. em trânsito em julgado parcial. APURAÇÃO DOS HAVERES. julgado em 10/6/2003. determinando outro balanço especial em 31/12/1999 e o fundo de comércio pelo preço de mercado na mesma data. entendendo que a alteração da decisão anterior sobre o período de apuração da perícia para avaliação do patrimônio da empresa não ofendeu o artigo citado. Precedente da Corte Especial (ERESP 404.2003. A alteração da anterior decisão. 471 do CPC. Em ação de dissolução parcial de sociedade comercial.2003 p. A Turma proveu o REsp para restabelecer a decisão agravada. julgada procedente. Min. Apuração de haveres. CONTAGEM. 342) PROCESSUAL CIVIL. (grifamos) EMENTA: DISSOLUÇÃO DE SOCIEDADE COMERCIAL. houve trânsito em julgado.AÇÃO DE DISSOLUÇÃO PARCIAL – CITAÇÃO DA PESSOA JURÍDICA. QUARTA TURMA. Ruy Rosado.681/PR. Iniciada a liquidação para apuração dos haveres. em ação de dissolução parcial de sociedade. não pode ser fracionada para efeito de ação rescisória. Ministro RUY ROSADO DE AGUIAR. Balanço de Determinação STJ – INFO 176 SOCIEDADE COMERCIAL. AÇÃO RESCISÓRIA. no caso há uma demora na realização dos atos judiciais de avaliação. uma vez que cabe ao juiz encontrar a justa partilha a cada um dos sócios de acordo com suas quotas. definindo que seria realizado balanço com a realidade da empresa em 31/12/1990 (último balanço antes da retirada) e a apuração do fundo de comércio pela média dos últimos oito anos (1991 a 1998). os fatos supervenientes. SENTENÇA. REsp 515.05. dentre outras. TRÂNSITO EM JULGADO. não ofende o disposto no art. dispensa a citação da pessoa jurídica. Acórdão que afirma serem inconfundíveis a pessoa do sócio e sociedade por ele integrada.06.06. proferiu outra decisão. ainda. DISSOLUÇÃO.

V . deliberou a mudança de seu objeto social. Resolvendo-se o vínculo de um sócio com a sociedade empresária de que faz parte.1ª FASE . (D) econômico de suas quotas na data do efetivo pagamento. art. Rel. Merovides (A) não poderá exercer o direito de retirada.Recurso especial conhecido e provido para cassar o acórdão proferido na ação rescisória. por não expressar o último balanço a realidade patrimonial da empresa.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa III . apurado em balanço especial. na hipótese de retirada ou exclusão de sócio. não há como se fazer ilação para afirmar que. Dispondo o contrato social que. evitando locupletamento indevido dos sócios remanescentes. acionista detentor de 10% (dez por cento) de ações preferenciais sem direito de voto. TERCEIRA TURMA.Na dissolução de sociedade comercial. DJ 12. julgado em 01.Para que a ação rescisória seja acolhida por violação a dispositivo de lei (CPC. VI . e não havendo previsão contratual a respeito. seus haveres sociais serão pagos de acordo com o critério do valor (A) patrimonial de suas quotas na data da resolução. (C) patrimonial de suas quotas na data do efetivo pagamento. 2ª Prova Específica. Questões de ConCursos Com gabarito ofiCiaL. (D) só poderia exercer o direito de retirada se a companhia fosse aberta. apurado em balanço especial. FGV DIREITO RIO 134 . V) é preciso que a norma legal tida como ofendida tenha sofrido violação em sua literalidade. (VALOR: UM PONTO E MEIO) . PROVA OBJETIVA. direito a ela não teria o sócio-retirante.2005. Precedentes. (B) poderá exercer o direito de retirada.476/GO. A Assembléia Geral Extraordinária da Companhia Brasileira de Secos e Molhados. (REsp 453. não registrada no INPI a referida marca. conforme a cotação em bolsa de valores. a apuração de haveres no caso de sócio retirante deve ser feita como se de dissolução total se tratasse. 125º EXAME DE ORDEM – SEÇÃO SÃO PAULO . XXXIX CONCURSO PARA INGRESSO NA MAGISTRATURA DE CARREIRA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO. sociedade anônima fechada. 45.09. (C) só poderia exercer o direito de retirada se tivesse comparecido à assembléia.2005 p. (B) econômico de suas quotas à data da resolução. 46. 369) – grifamos.Declarando o perito judicial que mencionou a marca HSM como componente de fundo de comércio. IV . deverá fazer-se de outra forma? Fundamente a resposta.12. Merovides. Ministro ANTÔNIO DE PÁDUA RIBEIRO. seus haveres serão pagos com base no último balanço levantado. 485. não compareceu à assembléia e discorda da alteração. apurado em perícia judicial. é acolhível a alegação do retirante ou excluído de que a apuração.DIREITO COMERCIAL.

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AUlA 17: DIREÇÃO DAS AtIvIDADES EMPRESARIAIS
Nesta aula discutiremos a leitura do(s) seguinte(s) capítulo(s): – Páginas 366 a 367 do Manual de Direito Comercial e de Empresa. Vol.I .4ª edição. Ricardo Negrão. Saraiva: São Paulo/2005. – Páginas 222 a 238 de O Direito de Empresa à luz do Novo Código Civil. Sérgio Campinho. 5ª edição Renovar/2005.

Leitura CompLementar – Páginas 446 a 451 do Curso de Direito Comercial. Fábio Ulhoa Coelho. 7ª edição. Saraiva/2004. – Páginas 107 a 112 do Direito Societário. 9ª edição. José Edwaldo Tavares Borba. Renovar: Rio de Janeiro/2004.

ementário de temas – Administração ou Diretoria. – Conselho de Administração. – Deveres do administrador. – Órbita de poder. – Responsabilidade do administrador. – Teoria Ultra Vires x Teoria da Aparência. – Projeção da responsabilidade do administrador em outros campos do Direito. – PL 2426/2003.

roteiro de auLa Sabemos que a pessoa jurídica não possui corpo físico capaz de concretizar os atos necessários à realização de seu objetivo. A sua vontade (alcançada na assembléia ou na reunião) será materializada por uma ou mais pessoas. As pessoas que exteriorizam a vontade da sociedade são chamadas de administradores (ou diretores). Elas atuam como se fosse a própria sociedade, praticam atos em nome da sociedade, pois que esta última não age de per si. Quando o administrador ou diretor assina um cheque ou negocia uma operação, quem está agindo (praticando o ato de empresa) é a sociedade e não o administrador. Foi exatamente por essa razão que PONTES DE MIRANDA, com base na teoria orgânica236, sustentou que a pessoa jurídica não podia ser representada pelo seu órgão administrativo, como dispunha o art. 17 do Código Civil de 1916237, pois este nada mais é do que um membro do todo. O ato do órgão é, na verdade, ato da própria pessoa jurídica. Não haveria, portanto, representação, mas sim uma PRESENTAÇÃO, sendo o Administrador verdadeiro PRESENTANTE da sociedade.

236 a teoria orgânica ou da realidade objetiva prega que junto a pessoas naturais, que são realidades físicas, existem os organismos sociais, constituídos pelas pessoas jurídicas, as quais têm existência e vontade próprias, distintas da de seus membros, tendo por finalidade a realização de seus objetivos sociais.

“as pessoas jurídicas serão representadas, ativa e passivamente, nos atos judiciais e extrajudiciais, por quem os respectivos estatutos designarem, ou, não o designando, pelos seus diretores”.
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Nas palavras de Pontes de Miranda que introduziu a terminologia no Direito Privado Brasileiro:
“De ordinário, nos atos da vida, cada um pratica, por si, os atos que hão de influir, ativa ou passivamente, na sua esfera jurídica. Os efeitos resultam de atos em que o agente é presente; pois que os pratica, por ato positivo ou negativo. A regra é a presentação, em que ninguém faz o papel de outrem, isto é, em que ninguém representa” 238. “Quando o órgão da pessoa jurídica pratica o ato, que há de entrar no mundo jurídico como ato da pessoa jurídica, não há representação, mas presentação. O ato do órgão não entra, no mundo jurídico, como ato da pessoa, que é órgão, ou das pessoas que compõe o órgão. Entra no mundo jurídico como ato da pessoa jurídica, porque o ato do órgão é ato seu.” 239

Nesse sentido, acerca da natureza jurídica da Administração da sociedade, uma parte da doutrina entende tratar-se de simples mandato - teoria da representação. Nossa lei filiou-se à teoria orgânica ao “estabelecer no art. 1.018 clara distinção entre a função do administrador e a do mandatário”. (Ricardo Negrão in Manual de Direito Comercial e de Empresa. Saraiva/2005). Da mesma forma, o Prof. José Edwaldo Tavares Borba entende que “o administrador é órgão da sociedade, não se confundindo, pois, com o procurador. Este, por força de um mandato, representa a sociedade num âmbito restrito dos poderes que lhe forem conferidos”. (in Direito Societário, Renovar/2004). Por fim, entendendo que o órgão da sociedade não representa, mas presenta, conclui Pontes de Miranda:
“O órgão da pessoa jurídica não é representante legal. A pessoa jurídica não é incapaz. O poder de presentação, que ele tem, provém da capacidade mesma da pessoa jurídica; por isso mesmo, é dentro e segundo o que se determinou no ato constitutivo, ou nas deliberações posteriores. A presentação é judicial ou extrajudicial (art.17 CC/1916)” 240.

Vimos então que o administrador (ou diretor) integra o órgão da sociedade chamado de Administração (ou Diretoria) que, no plano interno, administra a empresa, e, externamente, manifesta a vontade da pessoa jurídica. O contrato social deve designar quem tem poderes para presentar a sociedade, bem como os limites desses poderes. Pode o contrato social designar indiscriminadamente todos os sócios para presentar a sociedade. Disso não decorre, porém, que os sócios que ingressem após a criação da sociedade, na qualidade de cessionários ou sucessores de sócio administrador, sejam também administradores241. Deverá existir disposição expressa na alteração contratual ou em instrumento apartado, para agirem como tais. Importante, pois, que o contrato distribua as funções e atribua os poderes de administração, evitando-se, assim, a prática de atos em excesso pelos mesmos por falta de discriminação explícita das suas funções. O Código Civil trás relevante inovação quando estabelece a possibilidade de terceiros serem administradores de sociedade limitada, o que antes ocorria somente nas sociedades anônimas242. Assim, a sociedade limitada poderá ter como administrador, pessoa que não seja sócio (se o contrato social assim o permitir). A designação dessas pessoas, porém, depende de

238

Tratado de Direito privado – Tomo III – 3ª edição – Rio de janeiro/1970. p. 231.
239 240

Op.cit. p. 233.

Tratado de Direito privado – Tomo I – 4ª edição – Revista dos Tribunais/1977. p.412. art. 1.060, parágrafo único do código civil.
241 242 Lei 6.404/76. art. 146. poderão ser eleitos para membros dos órgãos de administração pessoas naturais, devendo os membros do conselho de administração ser acionistas e os diretores residentes no País, acionistas ou não. (Redação dada pela Lei nº 10.194, de 2001). grifamos

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aprovação unânime dos sócios, no caso do capital social, ainda não estar integralizado, ou de 2/3 (dois terços) se já houver a integralização (art. 1.061). Verifica-se que o legislador deixou ao critério dos sócios tal regramento. Optando por uma sociedade limitada com um perfil mais conservador de administração, conservará em seu poder a administração (não prevendo no contrato social a administração por não-sócio). Querendo imprimir um perfil profissionalizante da administração, onde terceiros podem administrá-la, deverá haver previsão contratual expressa neste sentido. O administrador não-sócio, designado em ato separado, deverá firmar termo de posse no livro de atas da administração, no prazo de até trinta dias da data de sua designação, sob pena da nomeação perder a validade. Tanto a nomeação quanto a destituição ou renúncia do administrador devem ser averbadas no prazo de dez dias seguintes a cada ato, no registro competente (art. 1.063). Cabe ao administrador, ao término de cada exercício social, proceder à elaboração do inventário, do balanço patrimonial e do balanço de resultado econômico, com observância das regras contidas nos artigos 1.186, 1.187, 1.188 e 1.189 do Código Civil. Outra novidade do Código Civil diz respeito à expressão “sócio-gerente” que foi substituída por administrador ou diretor, haja vista a sociedade limitada poder ser gerida também por não-sócios (anteriormente a condição de sócio era obrigatória) e, a expressão “gerente”, hoje, ser sinônimo de “preposto243” (conforme dispositivo do art. 1.172), não trazendo similitude com o antigo sócio-gerente. Quoruns para nomeação e destituição do administrador Como visto na aula 16, existem quoruns mínimos estabelecidos no Código Civil de 2002, que devem ser observados. O contrato social poderá dispor de quoruns diferenciados, porém sempre respeitando esse mínimo previsto na lei. Para eleição e destituição de administradores das sociedades limitadas, o quorum previsto no Código Civil vai variar em função do administrador ser ou não sócio. No caso do contrato social prever a possibilidade de administrador não-sócio, o quorum para elegê-los vai variar conforme a integralização do capital social: a) capital social totalmente integralizado: por deliberação de 2/3 do capital social. b) capital social não integralizado: por unanimidade. (art. 1.061). Para a nomeação e destituição do administrador não-sócio designado em ato separado, serão necessários votos correspondentes a mais da metade do capital social (art. 1.076, II c/c art. 1.071, II e III). Para a destituição de administrador sócio, será necessária a aprovação de, no mínimo, 2/3 do capital social, salvo estipulação contratual diversa (art. 1.063 §1º). Neste caso, a disposição do quorum poderá atender aos interesses dos sócios uma vez que a lei permite a estipulação de quorum distinto ao legalmente estabelecido. administrador pessoa Jurídica A questão sobre a possibilidade de pessoa jurídica ser administradora de sociedade foi muito debatida na vigência do Decreto nº 3.708/1919. De forma indireta, o Código Civil veio sanar tal impasse segundo os termos dos artigos 997, VI e 1.062 §2º. Portanto, embora a sociedade possa ser constituída e tenha no seu

243

n.a. Está no exercício da empresa, mas não é detentor de poderes de direção.

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sendo a representação da companhia privativa dos diretores. parágrafo único. as atribuições e poderes conferidos por lei aos órgãos de administração não podem ser outorgados a outro órgão. tanto que esta dispõe de norma própria. 244 n. é legalmente possível. por meio da Instrução Normativa n. conselho de administração. destaca-se o seguinte posicionamento: “Ressalte-se por oportuno. ser a qualquer tempo implantado (artigo 1. a administração da companhia competirá. 4ª ed. o Departamento Nacional de Registro do Comércio – DNRC. 138. indistintamente”.054 c/c o art. fê-lo expressamente (art. o administrador só pode ser pessoa natural245. a Lei nº 6.404/1976.br 246 Neste sentido. mediante deliberação de sócio ou sócios representantes de.248” Conselho de administração A sociedade limitada pode apresentar um volume grande de negócios. vol. obrigatoriamente. José Edwaldo Tavares Borba entende que “administradores poderão ser pessoas naturais ou pessoas jurídicas. § 1º O conselho de administração é órgão de deliberação colegiada. p. Renovar: Rio de janeiro/2004. e o processo de escolha e substituição do presidente do conselho pela assembléia ou pelo próprio conselho. que deliberará por maioria de votos.062: a teor do § 2º do art. saraiva/2005. 247 in Direito societário. no mínimo. mestre em Direito Empresarial pela ucam. uma vez que. Se ele não tem sua gênesis contemporânea à celebração do contrato de sociedade. resumindo-se ao dever de diligência e probidade. pessoas naturais244. escolhidos pelo voto destes. conforme dispuser o estatuto. art. Da mesma forma. III . onde o legislador não distinguiu (art. V)250”. esta regra é válida para qualquer tipo de sociedade. A criação de um conselho de administração na sociedade limitada. art. no mínimo. a diretoria desta sociedade será composta de administradores. 1. 1. poderá. que devem ser aplicáveis a qualquer pessoa incumbida de administrar bens ou interesses alheios251. 1.o número de conselheiros. a presente questão começou a suscitar dúvidas. eleitos pela assembléia-geral e por ela destituíveis a qualquer tempo. desde que especifique as matérias. no Parecer n. 1. para tornar a administração privativa de pessoas naturais. Seu funcionamento é exclusivamente interno sendo despido de poderes executivos.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa quadro societário somente pessoas jurídicas. também. 3 (três) membros. 140. deveres do administrador Os deveres do administrador estão previstos. de forma geral. 1. de representação e de administração (art. ou o máximo e mínimo permitidos. No entanto. passam a ter deveres e direitos inerentes às suas funções. uma vez nomeados. indicar os deveres do administrador nas sociedades anônimas. criado por lei ou pelo estatuto.076.º 126 de 2003. ¾ do capital. autor do enunciado márcio souza Guimarães. ao conselho de administração e à diretoria. 139.062 do Código Civil. 997.366. como o fez em relação à sociedade simples.as normas sobre convocação.o modo de substituição dos conselheiros. devendo o estatuto estabelecer: I . ou somente à diretoria. à sociedade limitada. 249 FGV DIREITO RIO 138 . 1. permitida a reeleição. Quando o legislador quis distinguir.071. nesse caso. quando houve por bem o enunciado n° 66 dirimir o problema de forma enfática. Neste caso. que se refere a “uma ou mais pessoas”.o prazo de gestão. I c/c artigo 1.011 do Código Civil. semelhante ao existente nas sociedades anônimas249. Na I Jornada de Direito Civil. no art. 245 manual de atos de registro de sociedade Limitada. II . bastando que “os sócios façam a previsão no contrato social. da seguinte forma: Art.107. que diante da nova sistemática estabelecida pelo Código Civil (art. VI). não cabe ao intérprete distinguir.062) não mais é admitida a administração da sociedade limitada por pessoa jurídica”. organizada pela empresa.º 6.060. podendo o estatuto estabelecer quorum qualificado para certas deliberações. 138 §1º da Lei n. professor de Direito Empresarial da Escola de Direito RIO da FGV. IV . pág.º 98 de 2003246. além do conselho fiscal.404/1976 dispensa uma seção própria para. tão complexos quanto aos da sociedade anônima. firmou orientação quanto ao impedimento da pessoa jurídica para ser administradora. São eles: no mesmo sentido: Ricardo negrão in manual de Direito comercial e de Empresa.º 6. O conselho de administração será composto por. I. que não poderá ser superior a 3 (três) anos. A regra da sociedade simples não se aplica subsidiariamente. O estatuto poderá prever a participação no conselho de representantes dos empregados. 248 Lei n. 9ª edição. art. § 2º as companhias abertas e as de capital autorizado terão.gov. o Prof.dnrc. Em posição minoritária247. em conjunto com as entidades sindicais que os representem.404/1976). Disponível em: www. mais amplamente. constituído somente por sócios que. instalação e funcionamento do conselho. 997 e § 2º do art. o contrato social pode estipular a existência de órgãos administrativos auxiliares.a. O conselho de administração é um órgão Colegiado e deliberativo. em eleição direta.

direta ou indireta.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa – Dever de Diligência: disposto no art. Sobre o tema: Ruling Makes Bankruptcy Suits Harder • United States • 06/25/2007 • U. pelos danos gerados em conseqüência de um prolongamento artificial de uma sociedade empresária em grave crise sem que haja ativos suficientes e fluxo de caixa para pagar seus credores. tomar por empréstimo recursos ou bens da companhia. sem autorização estatutária ou da assembléia-geral. pág. such as increasing the company’s debt or signing major contracts with creditors.404/1976. os mesmos deveres que os demais. não podendo. visando à obtenção de vantagens. Oportuno discutir. 154 § 1º. numa determinada operação. Some lawyers believe the decision eliminates the threat of suits that seek to recover from directors for actions they took shortly before bankruptcy. em razão do exercício de seu cargo. considerando-se que estas tenham sido tomadas de maneira informada. em proveito próprio. Parece contraditório com o dever de sigilo. pág. as oportunidades comerciais de que tenha conhecimento em razão do exercício de seu cargo. também conhecida em nosso país como “Regra da Decisão Negocial”. 155254 da Lei nº 6. 1. ou de terceiros.442. § 3º as importâncias recebidas com infração ao disposto na alínea c do § 2º pertencerão à companhia.404/1976 e no art. 1. art. sendo-lhe vedado: I .404/76. sérgio in O Direito de Empresa à luz do novo código civil. Em razão da função que ocupa. os seus bens. Fábio ulhoa in curso de Direito comercial. – Dever Ético-Social: disposto no caput do art. 7ª edição. A referida teoria. serviços ou crédito. O administrador eleito por grupo ou classe de acionistas tem. O administrador deve exercer as atribuições que a lei e o estatuto lhe conferem para lograr os fins e no interesse da companhia. 253 254 art. Em suma.242.404/1976. faltar a esses deveres. de sociedade em que tenha interesse. deixar de aproveitar oportunidades de negócio de interesse da companhia. FGV DIREITO RIO 139 . com ou sem prejuízo para a companhia. 252 art. 154. saraiva/2004. refletida e desinteressada. 251 cOELHO. tendo em vista suas responsabilidades sociais. Satisfazer às exigências do bem público e a função social da empresa são objetivos que também devem pautar as atitudes daqueles que efetivamente realizarão o objeto social. A própria lei coibe os atos de liberalidade que possam prejudicar a sociedade ou que não sejam do interesse social. 155. ainda que para defesa do interesse dos que o elegeram.011 do Código Civil. 157255 da Lei nº 6.. The court ruled last month that creditors of a Delaware corporation that is insolvent or in the so-called “zone of insolvency” have no right to assert direct claims for breach of fiduciary duty against its directors. 250 campInHO.017 do Código Civil. Havendo conflito de interesses. – Desvio de Poder: disposto nos parágrafos do art. a referida teoria não protegerá o administrador negligente. neste ponto. qualquer modalidade de vantagem pessoal. numa tradução livre do inglês. tem por objetivo blindar o administrador contra interferências do Poder Judiciário e do órgão regulador quanto às suas decisões. cuja aplicação no Brasil vem sendo aplicada pelo Poder Judiciário e pela Comissão de Valores Mobiliários258. – Conflito de interesses: disposto no art.S. – Dever de Lealdade e Sigilo: disposto no art. é vedado ao administrador intervir tanto na operação como nas deliberações que tomarem os demais administradores. Law A recent Delaware Supreme Court decision may have undermined cases against directors and officers of companies for actions they take just before they file for bankruptcy.usar. 154252 da Lei nº 6. se será possível responsabilizar o administrador pela deepening insolvency ou agravamento pela situação de crise econômica-financeira259. § 2° É vedado ao administrador: a) praticar ato de liberalidade à custa da companhia.omitir-se no exercício ou proteção de direitos da companhia ou. a teoria do Business Judgment rule257. O administrador deve servir com lealdade à companhia e manter reserva sobre os seus negócios. ou usar. em benefício próprio ou de outrem. – Dever de Informar: disposto no art. limitando os poderes da administração.404/1976. c) receber de terceiros. O direito societário norte-americano adota. 156256 da Lei nº 6. para si ou para outrem. o administrador não pode se utilizar (proveito próprio ou de terceiros) das informações privilegiadas que obtém em virtude de sua atividade e que ainda não foram repassadas ao mercado. O administrador deve atuar com zelo e aplicar métodos. no entanto ambos se complementam uma vez que o sigilo refere-se a pessoas especificas e o dever de informar aparece em uma série de dispositivos que visam obrigar o administrador a dar publicidade aos negócios da sociedade que poderão influenciar investidores e mercado. teorias e atos próprios a fim de realizar o objeto social. § 4º O conselho de administração ou a diretoria podem autorizar a prática de atos gratuitos razoáveis em benefício dos empregados ou da comunidade de que participe a empresa. satisfeitas as exigências do bem público e da função social da empresa. como regra para analisar a responsabilidade dos administradores. b) sem prévia autorização da assembléia-geral ou do conselho de administração. 154253 da Lei nº 6. para com a companhia. entre o administrador e a sociedade. II . 5ª edição Renovar/2005.

indiretas ou complementares. the bankruptcy trustee filed a lawsuit in Alabama state court against the company’s directors. Despite the popularity of the theories.2d 168 (New Castle Co. For example. Ernst & Young LLP. not negligence.” Lawyers disagree about whether the recent Delaware Supreme Court decision rejecting direct creditor claims for breach of fiduciary duty when companies enter the zone of insolvency. vantagem mediante compra ou venda de valores mobiliários. In re CitX Corp. a 3rd U. The trustee said that the defendants’ decisions to ignore expert advice to file a Chapter 11 restructuring and conceal the company’s shaky financial status for two years led to a $90 million fire-sale liquidation of the company’s assets. for the benefit of creditors and shareholders. § 3º a pessoa prejudicada em compra e venda de valores mobiliários. ou do mesmo grupo. bem ou direito que sabe necessário à companhia. controladas ou do mesmo grupo.. 906 A. No. 06-521 (Del. can support a deepening-insolvency claim under Pennsylvania law. shuts the door on director liability in those circumstances. Detweiler Hersey & Associates P..adquirir. § 2º O administrador deve zelar para que a violação do disposto no § 1º não possa ocorrer através de subordinados ou terceiros de sua confiança. o número de ações. para revender com lucro. 01-06833 (Jefferson Co. 2006).5 million settlement with outside directors reached in March in a separate suit against directors of bankrupt Birmingham. accounting firm and independent auditors for breaches of fiduciary duty. Ala.. v. lawyers have been testing claims and damages theories involving the duties of a company’s directors as a company nears bankruptcy or enters the zone of insolvency and “deepening insolvency. 448 F. officers. § 1º cumpre. ou que esta tencione adquirir.. The Delaware Supreme Court upheld a Delaware court of chancery decision that dismissed a putative creditor’s case against three directors of wireless Internet company Clea- III . obtida em razão do cargo e capaz de influir de modo ponderável na cotação de valores mobiliários. de emissão da companhia e de sociedades controladas ou do mesmo grupo. guardar sigilo sobre qualquer informação que ainda não tenha sido divulgada para conhecimento do mercado. In bankruptcy courts and state courts.. In bankruptcies. a menos que ao contratar já conhecesse a informação.” but it has been said to refer to when a company nears insolvency or is at the point at which it can’t pay its debts. Chapter 7 Trustee for Just For Feet Inc. Cir. said that companies nearing insolvency must still safeguard creditors’ interests to avoid lawsuits. tem direito de haver do infrator indenização por perdas e danos. para si ou para outrem. bônus de subscrição. courts have been inconsistent on whether zone of insolvency and deepening insolvency are causes of action or a fact pattern. sendo-lhe vedado valer-se da informação para obter. opções de compra de ações e debêntures conversíveis em ações. por qualquer pessoa que a ela tenha tido acesso. 157. que tenha recebido ou esteja recebendo da companhia e de sociedades coligadas. ao firmar o termo de posse. against three directors of the Delaware corporation. Trenwick America Litigation Trust v. In the Just For Feet Inc. Charles R.S. que tiver adquirido ou alienado. a pedido de acionistas que representem 5% (cinco por cento) ou mais do capital social: a) o número dos valores mobiliários de emissão da companhia ou de sociedades controladas. Goldstein. Court decisions opened the door to such claims a few years ago. Clearwire Holdings Inc.. Ala. diretamente ou através de outras pessoas.. it’s incumbent upon trustees to pursue claims against directors. but the pendulum has recently shifted. a Delaware court of chancery rejected deepening insolvency as an independent cause of action under Delaware law. bankruptcy. § 1º O administrador de companhia aberta é obrigado a revelar à assembléia-geral ordinária. O administrador de companhia aberta deve declarar. ao administrador de companhia aberta. Ch. 7 Trustee v. Later in 2006.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa The case was filed by “putative creditor” North American Catholic Educational Programming Foundation Inc. contratada com infração do disposto nos §§ 1° e 2°. com a finalidade de auferir vantagem. Circuit Court of Appeals decision in 2006 said that only fraud.). But a lawyer involved in a $41.. No. Gary Seitz Ch. FGV DIREITO RIO 140 . which had agreed to buy the foundation’s Federal Communications Commission-approved licenses for microwave signal transmission to build a national wireless Internet network.3d 672 (3d Cir. North American Catholic Educational Programming Foundation Inc. no exercício anterior. Inc. Del.). if they exist. para si ou para outrem. Ct. § 4º É vedada a utilização de informação relevante ainda não divulgada. c) os benefícios ou vantagens. and the settlement shows that zone-of-insolvency theories are alive and well. de que seja titular. no mercado de valores mobiliários. fraud and related claims for the company’s actions as it neared bankruptcy or entered the zone of insolvency. Many are now pointing to the May 18 Delaware Supreme Court decision in the North American Catholic case as a significant milestone in the zone-of-insolvency debate. Harold Ruttenberg. b) as opções de compra de ações que tiver contratado ou exercido no exercício anterior. Rob Gheewalla. v.). ademais. Some have claimed that Just For Feet could have been reorganized in a healthy way that preserved a substantial amount of value.C. shoe retailer Just For Feet Inc. There is no legal definition of “zone of insolvency. Cases involving zone-of-insolvency and deepeninginsolvency issues have been a developing trend in the past several years. Courts have also been inconsistent. 255 art. or are actually insolvent.

” wrote Justice Randy Holland. not by individual creditors. Esta garantia somente seria “levantada” após a aprovação das últimas contas apresentadas pelo administrador que estivesse deixando o cargo261. o Prof. usar o cartão de crédito corporativo para fins sociais. Many such lawsuits are already filed as derivative cases on behalf of a corporation by a bankruptcy trustee. d) as condições dos contratos de trabalho que tenham sido firmados pela companhia com os diretores e empregados de alto nível. ter direito a um esquema de segurança etc.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa rwire Holdings Inc. respondendo os solicitantes pelos abusos que praticarem. na decisão dos investidores do mercado de vender ou comprar valores mobiliários emitidos pela companhia. Existem atos de gestão que são. http://www.ex. decidir sobre a prestação de informação e responsabilizar os administradores. de qualquer acionista. e) quaisquer atos ou fatos relevantes nas atividades da companhia. se entenderem que sua revelação porá em risco interesse legítimo da companhia. exceto se o bem fizer parte de um conjunto de direitos que a sociedade pode proporcionar para seus diretores. no sentido da realização do objeto social. § 4º Os administradores da companhia aberta são obrigados a comunicar imediatamente à bolsa de valores e a divulgar pela imprensa qualquer deliberação da assembléia-geral ou dos órgãos de administração da companhia.lexuniversal. – usar bens da sociedade em nome próprio ou permitir que terceiro o faça. ou por iniciativa própria. se for o caso. do contrário. 1.. but it doesn’t mean zone-of-insolvency issues are dead. ou deixar de divulgá-la (§ 4º). autenticados pela mesa da assembléia. servir de residência temporária para algum diretor em trânsito. a praticar todos os atos pertinentes à gestão da sociedade260.com/en/news/2652. em regra. said Hollin of Powell Trachtman. § 6º Os administradores da companhia aberta deverão informar imediatamente. O citado professor também menciona.015 do Código Civil. § 5º Os administradores poderão recusar-se a prestar a informação (§ 1º. an insurance company receiver or a creditor’s committee. The court said that creditors of a Delaware corporation that is insolvent or in the zone of insolvency “have no right. a inclusão de uma cláusula no contrato social obrigando aos administradores prestarem caução. e fornecidos por cópia aos solicitantes. tradicionalmente. alínea e). for breaches of fiduciary duty while the company was in the zone of insolvency or insolvent. ser reduzidos a escrito. Hollin said. to assert direct claims for breach of fiduciary duty against its directors. The Delaware decision erases the threat of direct claims by creditors against directors. Diante de tão amplos poderes. isto porque. a pedido de qualquer acionista. – alienação de bens imóveis. poderes do administrador Os administradores ou diretores decidem e executam os negócios da sociedade limitada agindo. a pedido dos administradores. que possa influir. as a matter of law. FGV DIREITO RIO 141 . cabendo à comissão de Valores mobiliários.” Hollin said. “Recognizing that directors of an insolvent corporation owe direct fiduciary duties to creditors would create uncertainty for directors who have a fiduciary duty to exercise their business judgment in the best interest of the insolvent corporation. a esta e às bolsas de valores ou entidades do mercado de balcão organizado nas quais os valores mobiliários de emissão da companhia estejam admitidos à negociação. as modificações em suas posições acionárias na companhia. de modo ponderável. como forma de garantir uma administração diligente. às 04:20horas. limitados nos contratos sociais. § 2º Os esclarecimentos prestados pelo administrador poderão. nos termos e na forma determinados pela comissão de Valores mobiliários. “It doesn’t take away the zone-of-insolvency issues. the Delaware Supreme Court didn’t directly discuss whether companies in the amorphous zone of insolvency could also face derivative claims. os administradores são autorizados – na forma do art. ou fato relevante ocorrido nos seus negócios. p. § 3º a revelação dos atos ou fatos de que trata este artigo só poderá ser utilizada no legítimo interesse da companhia ou do acionista. Sérgio Campinho destaca ser de bom alvitre a elaboração de cláusula contratual estabelecendo restrições aos atos de gestão. “It says they’ve got to be brought in a derivative manner on behalf of the corporation. eis alguns exemplos: – concessão de garantias em nome da sociedade em favor de terceiros sem contrapartida que a beneficie: desvia a sociedade do seu objetivo de obter lucros. acesso em 19 de janeiro de 2009.” While insolvent companies could face derivative suits.

caso seja inadimplida uma das parcelas. poder-se-á perquirir sobre a possibilidade do terceiro credor cobrar da sociedade. caberá ao 256 art. em ata de reunião do conselho de administração ou da diretoria. de forma a ultrapassar a sua órbita de poderes. dispondo que todos os atos praticados pelo administrador. Como o administrador age em nome da sociedade limitada. acesso em 19 de janeiro de 2009. 158 da Lei nº 6. seriam acoimados de nulos. com a força exclusiva do seu patrimônio. inclusive desrespeitando vedações contratuais expressas. acesso em 19 de janeiro de 2009. sempre que praticar os atos de gestão dentro dos limites da atribuição de competência e poder. Dispõe o art. idênticas às que prevalecem no mercado ou em que a companhia contrataria com terceiros. salvo cláusula de responsabilidade solidária (artigos 1.tratando-se de operação evidentemente estranha aos negócios da sociedade.016 do Código Civil que os administradores respondem solidariamente perante a sociedade e perante terceiros prejudicados por culpa no desempenho de suas funções. pois. exercer o direito de regresso em face do administrador. 1. quando ultrapassar os atos regulares da gestão. A base da teoria da aparência consiste. análises e memorandos dos diretores e outros funcionários. III . nesses casos.br/Investidor/ juridico/060912nota. Para melhor compreensão da responsabilidade dos administradores. Há. todavia. o administrador deve seguir os seguintes princípios: (i) Decisão informada: a decisão informada é aquela na qual os administradores basearam-se nas informações razoavelmente necessárias para tomá-la.com. Assim. estando. da pratica de atos ilícitos.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa responsabilidades do administrador A responsabilidade dos administradores decorre. na cVm: http://www. os sócios responderão pelo saldo. bem como na deliberação que a respeito tomarem os demais administradores. devemos analisar as regras insertas no art. não a sua invalidação. bem como de terceiros contratados.br/port/ inqueritos/2007/rordinario/ inqueritos/05_15_21-04. (ii) Decisão refletida: a decisão refletida é aquela tomada depois da análise 258 FGV DIREITO RIO 142 .023 e 1. o administrador somente pode contratar com a companhia em condições razoáveis ou eqüitativas.404/1976. como informações. Conjugado com o indigitado dispositivo legal. confira-se: http://www. dependendo da disposição contratual262. na proporção em que participem das perdas sociais. mas sim o próprio administrador.024). em regra. II . § 1º ainda que observado o disposto neste artigo. se os bens da sociedade não cobrirem as dívidas. podemos concluir que deve ser analisada a prática do ato. e o administrador interessado será obrigado a transferir para a companhia as vantagens que dele tiver auferido. É vedado ao administrador intervir em qualquer operação social em que tiver interesse conflitante com o da companhia. Ou então. podem os administradores. A solução do problema se dará com base na teoria da aparência.015 do Código Civil. entretanto. § 2º O negócio contratado com infração do disposto no § 1º é anulável. a natureza e extensão do seu interesse.asp. as normas previstas para as sociedades por ações serão aplicáveis. No Brasil. Se o administrador de uma escola adquire um helicóptero. como a acepção da palavra indica.404/76 e art. do art. mesmo que dentro das limitações de competência previstas no contrato/estatuto. após. tal teoria tem sido utilizada por alguns doutrinadores para explicar a teoria da responsabilidade do administrador. às 03:58horas. o administrador será o responsável pelo pagamento da obrigação. utilizar. todavia. 158 da Lei 6. 257 “Em razão da regra da decisão negocial. conforme dispositivo do art. o poder judiciário americano preocupa-se apenas com o processo que levou à decisão e não com o seu mérito. teoria ultra Vires A teoria dos atos ultra vires tem origem inglesa. Dessa forma. nas sociedades limitadas. como veremos a seguir. para utilizar a regra da decisão negocial. Nestes casos o parágrafo único. é claro no sentido da responsabilização pessoal do administrador perante terceiros em qualquer uma das seguintes situações: I .gov. a aparência indica ao credor que o “adquirente” não é a sociedade que explora a escola. 156. mas sim a determinação de que o administrador é o responsável pelo adimplemento da obrigação.se a limitação de poderes estiver inscrita ou averbada no registro próprio da sociedade. podemos dizer que estamos diante de uma nova teoria dos atos ultra vires. estes atos vincularão apenas à sociedade que ficará obrigada a satisfazer as obrigações contraídas pelo administrador (teoria organicista). Assim. não é necessária a contratação de um banco de investimento para a avaliação de uma operação. cumprindo-lhe cientificá-los do seu impedimento e fazer consignar.provando-se que era conhecida do terceiro. compelida ao pagamento para. essa última. de forma abusiva ou excessiva de poderes (abuso de poder e excesso de poder).cvm. bovespa.asp. situações em que o administrador age excedendo os poderes que lhe foram conferidos pela sociedade. 927 do Código Civil. será responsável sempre que agir com dolo ou culpa. 1. na aparência do ato praticado pelo administrador. sendo a conseqüência da prática de tais atos. Em ambos os casos.

uma forma de responsabilidade por substituição. haja o regresso. p.620/1993267 e da remansosa jurisprudência dos tribunais. além de ser contribuinte (segurado obrigatório). exclusivamente para o responsável. in casTRO. acesso em 19 de janeiro de 2009. pelos responsáveis. será obrigado a cobrar do administrador. em seu art. onde o responsável passa a figurar no pólo passivo de uma relação jurídica com o FISCO. http://www.os diretores. 2° e 10 da CLT firmam a responsabilidade da empresa pelos débitos trabalhistas. 1. aplicando-se. como tal considerado o titular da empresa (individual ou coletiva). são pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei. no entanto. tenha o administrador decidido não analisar esse negócio. III263 é o não pagamento da obrigação principal pelo contribuinte. contrato social ou estatutos: (. asp. embora só recentemente tenha sido introduzido na legislação brasileira. na forma da Lei nº 8. pág. projeção da responsabilidade do administrador em outros campos do direito: – Código Tributário Nacional: a hipótese de incidência do art. A jurisprudência trabalhista ainda é vacilante sobre o tema. Rodrigo R. Ressalte-se que o art.) Direito societário – Desafios atuais – são paulo: quartier Latin. alegando que. Novamente. e (iii) Decisão desinteressada: a decisão desinteressada é aquela que não resulta em benefício pecuniário ao administrador. 135. O mesmo diploma legal. caso. algumas vezes.848/1940 – Código Penal266). informadamente. é. é importante ressaltar que tais regras não fazem com que os administradores sejam responsáveis pelo pagamento de tais débitos. a decisão negocial que a ele levou pode ser considerada refletida. O autor do PL justifica a proposição. mas como forma de prevenção. não é caso para a desconsideração da personalidade jurídica e sim de substituição legal tributária. a teoria da aparência. que explora a escola. Além do dispositivo constitucional. 135. monteiro de & aRaGãO. 225 da Constituição da República conferiu especial relevo à questão ambiental.gov. ao elevar o meio-ambiente à categoria de bem jurídico tutelado autonomamente. Leonardo santos de (coord.729/1965265) e de apropriação indébita (Decreto-Lei nº 2. depois. tal como ocorre com relação aos tributos.cvm. é também responsável legal pela arrecadação das contribuições dos seus empregados. 4º. Esse conceito vem sendo expandido para incluir benefícios que não sejam diretos para o administrador ou para instituições e empresas ligadas a ele. 2009. Além disso. o instituto da desconsideração da personalidade jurídica art..) III . 260 261 262 263 Op. a Lei nº 9.605/1998268 prevê a responsabilização penal da pessoa jurídica pela prática de delitos ambientais e funciona não apenas para punir. FGV DIREITO RIO 143 . disciplinando a declaração judicial de desconsideração da personalidade jurídica. admite a desconsideração da pessoa jurídica “sempre que sua personalidade for obstáculo ao ressarcimento de prejuízos causados à qualidade do meio ambiente”.cit. que o substitui. salvo nas hipóteses de fraude. aplicamse os standards do dever de lealdade (duty of loyalty)”. art. em cotejo com a documentação que fundamenta o negócio. 178/185. Com isso. haverá a transferência do débito em nome do contribuinte. ainda. pág. para o perigoso rumo da máxima de que “alguém deve pagar. 50 do Código Civil. – Ambiental: O art. ou então. 259 É obrigatória a leitura do seguinte artigo: “Deveres dos administradores de sociedades Empresárias em Dificuldade Econômica-Financeira: a Teoria da Deepening Insolvency no Brasil” escrito por Leonardo santos de aragão. quando o administrador tem interesse na decisão. encaminhando-se. o credor poderá cobrar diretamente da sociedade para que. contrato social ou estatutos. Pela teoria da aparência. Op. com excesso de poderes ou infração de lei. Recolher as contribuições da Previdência Social e não repassá-las ao INSS configura crime de sonegação fiscal (Lei nº 4. das diferentes alternativas ou possíveis conseqüências ou.228.228.cit.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa credor a cobrança apenas em face do administrador (pessoa natural) e não da sociedade. que respondem solidariamente. mesmo que deixe de analisar um negócio. pL 3401/2008269 Encontra-se em tramitação o PL 3401/2008 que regulamenta o disposto no art. Entretanto. 135 do CTN não é caso de desconsideração da personalidade jurídica. sócios e diretores. resultante de atos praticados.br/port/ inqueritos/2007/rordinario/ inqueritos/05_15_21-04.053 do código civil. – Previdência Social: O empregador.. gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. custe o que custar”. destinando um capítulo inteiro a sua proteção. desta feita. – Trabalhista: Os arts.

265 art. Deixar de repassar à previdência social as contribuições recolhidas dos contribuintes. FGV DIREITO RIO 144 . autoras. direta ou indiretamente ligados à mesma. no prazo e forma legal ou convencional: pena . os canhotos das notas fiscais e dos talões de pedido sempre voltavam assinados e carimbados pelo chefe da expedição da “RS”. Caso gerador A sociedade RS Sapatos e Bolsas Ltda. De quem é a obrigação de pagar o título e por quê? art 1º constitui crime de sonegação fiscal: I .br.reclusão. justamente. Waltinho tomou todas as cautelas necessárias. PREVISÃO CONSTITUCIONAL REGULAMENTADA POR LEI FEDERAL.000. taxas e quaisquer adicionais devidos por lei.000. e “tira o pedido”. pelos débitos junto à seguridade social. com sede em Feliz/PR. no endereço indicado para essa entrega. Os acionistas controladores. os dados fiscais são sempre os mesmos. porque a compra foi feita por pessoa não autorizada. O titular da firma individual e os sócios das empresas por cotas de responsabilidade limitada respondem solidariamente. a responsabilidade penal pelas infrações previstas nesta Lei será de todos os que. em detrimento dos credores da pessoa jurídica ou em proveito próprio. PENAS ADAPTADAS À NATUREZA JURÍDICA DO ENTE COLETIVO. Waltinho não perde tempo. os gerentes e os diretores respondem solidariamente e subsidiariamente. CRIME AMBIENTAL PRATICADO POR PESSOA JURÍDICA. No início de dezembro. O valor dos pedidos oscila entre R$ 3. com a intenção de eximir-se. civil e penalmente conforme o disposto nesta Lei. CULPABILIDADE COMO RESPONSABILIDADE SOCIAL. a ”RS” comunica a Couros e Outros Ltda. art. ainda. a responsabilidade das pessoas jurídicas não exclui a das pessoas físicas. os quais foram devidamente pagos no vencimento. para ser entregue em outro endereço. art 6º quando se trata de pessoa jurídica. mas com o passar dos anos. OPÇÃO POLÍTICA DO LEGISLADOR.00. total ou parcialmente. antes de declarar que os efeitos de certas e determinadas obrigações sejam estendidos aos bens dos administradores ou sócios da pessoa jurídica. quanto ao inadimplemento das obrigações para com a seguridade social. informação que deva ser produzida a agentes das pessoas jurídicas de direito público interno. Além disso. 4º poderá ser desconsiderada a pessoa jurídica sempre que sua personalidade for obstáculo ao ressarcimento de prejuízos causados à qualidade do meio ambiente 268 269 Disponível em: www. Além disso. em virtude da demanda de Natal. a “RS” estava alugando o espaço na área de produção de uma outra fábrica que ficava.500. Sacada a duplicata correspondente à venda do couro. Alfredo Matias é o diretor de compras da “RS”. parágrafo único. pessoalmente. aduzindo.prestar declaração falsa ou omitir. nos casos em que a infração seja cometida por decisão de seu representante legal ou contratual. indicando como local para a entrega o último endereço fornecido por Alfredo.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa vem sendo utilizado com um certo açodamento e desconhecimento das verdadeiras razões que autorizam um magistrado a declarar a desconsideração da personalidade jurídica. de modo permanente ou eventual. de 2 (dois) a 5 (cinco) anos. 168-a. Waltinho recebe um pedido de Alfredo no valor de R$ 4. do pagamento de tributos. ATUAÇÃO DOS ADMINISTRADORES EM NOME E PROVEITO DA PESSOA JURÍDICA. parágrafo único. EXISTÊNCIA JURÍDICA.00 e R$ 5. os administradores. No início. Pergunta-se: 1. tenham praticado ou concorrido para a prática da sonegação fiscal. assim como o endereço para a entrega na sede da “RS”. tem 20 anos de mercado capixaba. por dolo ou culpa.. no interesse ou benefício da sua entidade. com os mesmo dados fiscais. que não aceitará o título nem o pagará. passou a aceitar os pedidos de Alfredo por telefone e/ou por e-mail. FORMA DE PREVENÇÃO DE DANOS AO MEIO-AMBIENTE. será vedada a extensão dos efeitos de obrigações da pessoa jurídica aos bens particulares de sócio e/ou de administrador que não tenha praticado ato abusivo da personalidade. ou de seu órgão colegiado. com seus bens pessoais. porém. mediante desvio de finalidade ou confusão patrimonial.gov. 3º as pessoas jurídicas serão responsabilizadas administrativa. CAPACIDADE DE AÇÃO. A justificativa de Alfredo era que. que “Alfredo” havia sido despedido dias antes de fazer o último pedido ao “Waltinho”. co-autoras ou partícipes do mesmo fato. e há mais de cinco anos faz seus pedidos mensais. POSSIBILIDADE. 267 JurisprudênCia CRIMINAL. art. 266 art.00. CO-RESPONSABILIDADE. 13. Seu principal fornecedor de couro é a Couros e Outros Ltda. e multa. total ou parcialmente. com o vendedor Waltinho. o juiz lhes facultará o prévio exercício do contraditório. Nesse sentido.camara. RECURSO PROVIDO. com seus bens pessoais. RESPONSABILIZAÇÃO PENAL DO ENTE COLETIVO. concedendo-lhes o prazo de dez dias para produção de suas defesas. em proveito próprio e não da sociedade (“RS”).

tais como. que atua em nome e em benefício do ente moral. (REsp 564960/SC. ser passível de responsabilização penal. através de lançamento de resíduos. diante de sua legitimidade para figurar no pólo passivo da relação processual-penal. no conceito moderno. mandou recaísse a penhora sobre bem pessoal do sócio.2005. “De qualquer modo. areia e produtos químicos.que de qualquer forma contribui para a prática do delito . Se a pessoa jurídica tem existência própria no ordenamento jurídico e pratica atos no meio social através da atuação de seus administradores.”.06. EMBARGOS DO DEVEDOR . a possibilidade de penalização criminal das pessoas jurídicas por danos ao meio-ambiente. X. A desconsideração da pessoa Jurídica para o fim. a pessoa jurídica deve ser beneficiária direta ou indiretamente pela conduta praticada por decisão do seu representante legal ou contratual ou de seu órgão colegiado. III. VIII. DJ 13. passou a prever. XI. portanto. A responsabilização penal da pessoa jurídica pela prática de delitos ambientais advém de uma escolha política. A co-participação prevê que todos os envolvidos no evento delituoso serão responsabilizados na medida se sua culpabilidade. limita-se à vontade do seu administrador ao agir em seu nome e proveito. cada qual recebendo a punição de forma individualizada. é a responsabilidade social. de ato ilícito ou de excesso de poder. VI. desconsiderando a pessoa jurídica da devedora. restritivas de direitos. o qual se passou como representante da sociedade em nome de quem celebrou FGV DIREITO RIO 145 . Decisão deste órgão fracionário em Agravo de Instrumento que considerou legítimo o ato judicial que. XIII. de serem culpáveis e de sofrerem penalidades. Hipótese em que pessoa jurídica de direito privado. de prestação de serviços à comunidade. V. poderá vir a praticar condutas típicas e. II. resultantes da atividade do estabelecimento comercial. óleo. graxas. como forma não apenas de punição das condutas lesivas ao meio-ambiente. de alcançar a penhora de bens de sócio da sociedade tem cabimento nos casos de desvio das finalidades sociais. A atuação do colegiado em nome e proveito da pessoa jurídica é a própria vontade da empresa. A imputação penal às pessoas jurídicas encontra barreiras na suposta incapacidade de praticarem uma ação de relevância penal.” IX. havendo prova da prática de abuso de direito. XII. julgado em 02. liquidação forçada e desconsideração da pessoa jurídica. e a culpabilidade da pessoa jurídica. A Lei ambiental. lodo.e uma jurídica. grifamos. todas adaptadas à sua natureza jurídica. A denúncia oferecida contra a pessoa jurídica de direito privado deve ser acolhida. decorrente de sua atividade lesiva.. Não há ofensa ao princípio constitucional de que “nenhuma pena passará da pessoa do condenado. de forma inequívoca. foi denunciada por crime ambiental. A culpabilidade.. Ministro GILSON DIPP. juntamente com dois administradores. 331). Rel. regulamentando preceito constitucional. consubstanciado em causar poluição em leito de um rio. IV. mas como forma mesmo de prevenção geral e especial. nos termos do voto do Relator. Recurso provido.2005 p.PENHORA DE BENS PESSOAIS DO SÓCIO.DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE DE PESSOA JURÍDICA .06. VII. QUINTA TURMA. pois é incontroversa a existência de duas pessoas distintas: uma física .ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa I. neste contexto. A Lei Ambiental previu para as pessoas jurídicas penas autônomas de multas. A pessoa jurídica só pode ser responsabilizada quando houver intervenção de uma pessoa física.

DIREITO COMERCIAL. Recurso provido parcialmente. SEÇÃO SÃO PAULO . (D) no regular exercício de suas atribuições. Questões outras que podem ser examinadas em qualquer tempo ou que se ressentem da produção de prova idônea Ausência do dolo processual autorizador da aplicação da pena por litigância de má fé e. mas seu ato é considerado válido e eficaz. no mínimo: a) 2/3 do capital.1ª FASE.PROVA 1ª FASE . (C) depende de quorum de nomeação diferenciado.Na sociedade limitada. mas responde perante os sócios por eventuais prejuízos. (B) tem poderes irrevogáveis. grifamos obs. (2003. cuja ata foi arquivada na Junta Comercial. 125º EXAME DE ORDEM.APELACAO CIVEL . Questões de ConCurso 29º EXAME DE ORDEM. Uma das conseqüências dessa distinção é que o administrador nomeado em contrato (A) deve ser sócio.QUINTA CAMARA CIVEL.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa contrato de constituição de sociedade em conta de Participação. DIREITO COMERCIAL.Julgamento: 12/08/2003 .DES. 38 . FGV DIREITO RIO 146 . Epaminondas é administrador não sócio de sociedade limitada. recebeu dinheiro para quitar dívida da sociedade e depositou o cheque em favor de outra sociedade da qual ele e sua mulher eram os únicos sócios. PROVA OBJETIVA . DIREITO COMERCIAL.VERSÃO 1. 44. PROVA OBJETIVA . Prejuízos causados à sócia oculta reconhecido por sentença judicial. praticou ato de gestão contrariando expressamente decisão tomada em reunião de sócios. b) 1/4 do capital. Na íntegra do acórdão há menção à teoria ultra vires. 42. já estando integralizado o capital social. 123º EXAME DE ORDEM. PAULO GUSTAVO HORTA . c) 1/2 do capital. (D) prescinde de autorização dos sócios para a prática de atos. Nessa qualidade. a designação deles dependerá da aprovação dos sócios que representem. d) 3/4 do capital. TJ/RJ).001. Epaminondas agiu: (A) com excesso de poderes. (C) no regular exercício de suas atribuições e seu ato é considerado válido e eficaz.TIPO 1. SEÇÃO SÃO PAULO. O administrador das sociedades limitadas pode ser nomeado no contrato social ou por ato separado. arbitramento dos honorários de advogado.14192 . regida subsidiariamente pelas regras da sociedade simples. SEÇÃO DO RIO DE JANEIRO . (B) com excesso de poderes e essa circunstância pode ser oposta a terceiros. se o contrato permitir administradores não sócios.

Outubro/2007 33º Exame de Ordem RJ 90ª Questão: Considere que um advogado seja consultado sobre a possibilidade de uma sociedade limitada formada por dois sócios. PROVA DE SELEÇÃO. a administração da sociedade somente pode ser exercida por sócio e mediante designação no contrato social. (B) é permitida a administração da empresa por não-sócios. ser administrada por pessoa jurídica não sócia. com partes iguais no capital. C) Somente pessoa natural pode administrar a sociedade limitada. sob pena de ineficácia do ato em relação à sociedade. Assinale a alternativa CORRETA a) Na sociedade em conta de participação. inclusive pessoa jurídica. mesmo que o contrato social não disponha sobre o assunto. Prova OAB/RJ . (C) é permitida a contribuição de sócios por meio de prestação de serviços. o sócio ostensivo responde perante terceiros. Com base na legislação vigente que trata das Sociedades Limitadas. na sociedade limitada. Prova OAB/RJ . 36. d) A quota social. CONCURSO PúBLICO PARA PROVIMENTO DE CARGOS DE JUIZ SUBSTITUTO DO ESTADO DO PARANÁ. A propósito dessa situação.Exame de Ordem . B) A nomeação de administrador pessoa jurídica só é válida se a mesma for sócio.Abril/2007 32º Exame de Ordem RJ 83ª Questão: De acordo com a teoria dos atos ultra vires. 91. D) A administração pode ser exercida por pessoa jurídica desde que a mesma não seja sócio.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa 178º CONCURSO DE INGRESSO NA MAGISTRATURA DO ESTADO DE SÃO PAULO (2006). entretanto.Exame de Ordem . não podendo haver divisão para fins de transferência. PROVA PREAMBULAR – 07/05/2006. A) Não há impedimento à nomeação de não sócio como administrador. assinale a opção que apresenta uma resposta correta à referida consulta. sendo proibido figurar o nome de um ou mais sócios. se o sócio participante tomar parte com o sócio ostensivo. um deles pessoa natural e o outro pessoa jurídica. b) a sociedade somente pode praticar atos que estejam expressa ou implicitamente compreendidos no seu objeto. (D) a denominação social deve designar o propósito da sociedade. é sempre indivisível. é correto afirmar que: (A) a administração da empresa somente pode ser exercida por um dos sócios. TIPO 1. a) os atos praticados pelo administrador com excesso de poderes são sempre imputáveis à sociedade. responde solidariamente com este pelas obrigações em que intervier. nas relações com terceiros. DIREITO COMERCIAL. desde que estabelecida no contrato social. c) Na sociedade limitada. b) Na sociedade limitada cujo capital esteja totalmente integralizado. FGV DIREITO RIO 147 . nenhuma responsabilidade possuem os sócios que adotarem deliberação contrária ao contrato social.

1ª QUESTÃO: Fica a sociedade limitada validamente vinculada ao negócio praticado por seu administrador. DIREITO COMERCIAL. PROVA PRELIMINAR. é correta a assertiva sobre as Sociedades Limitadas: a) a teoria do ato ultra vires. mas estranho a seu objeto? Por quê? FGV DIREITO RIO 148 .ABRIL/2006 80ª Questão: Segundo o Código Civil. o das S/A. atinge as sociedades cujo contrato social é omisso quanto ao regime supletivo. 21ª QUESTÃO Qual o significado dos atos ultra vires na gerência das sociedades? XXXVIII CONCURSO PARA INGRESSO NA MAGISTRATURA DE CARREIRA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO.EXAME DE ORDEM . PROVA OAB/DF . c) é defeso aos sócios pactuar no contrato social a dissolução total da sociedade caso esta não atinja patamares mínimos de lucro. que isenta a pessoa jurídica da responsabilidade por atos praticados em seu nome. b) a responsabilidade de sócios-gerentes das sociedades limitadas não poderá ser solidária com a sociedade. d) a prática de qualquer ato estranho ao objeto depende de aprovação de sócios representando a maioria absoluta do capital social. d) aos sócios compete definir o regime supletivo da sociedade que será.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa c) no silêncio do contrato social. o administrador somente pode praticar atos de gestão previamente autorizados pelos sócios. IX CONCURSO PúBLICO PARA PROVIMENTO DE CARGOS DE JUIZ FEDERAL SUBSTITUTO NA 2ª REGIÃO. em seu nome. DIREITO EMPRESARIAL. em caso de omissão.

ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa AUlA 18: fORMAS DE ExPURGAR O SóCIO INDESEJADO “Como modo de ser em relação ao outro. 5ª edição. não há um estado de tolerância. Sérgio Campinho. No entanto. mas. Uma situação de tolerância existe quando um tolera o outro. Renovar/2004. uma vez organizada a sociedade. José Edwaldo Tavares Borba. p. ao contrário. – “Justa causa” – Procedimento extrajudicial de exclusão do sócio. ementário de temas – Exclusão de sócio remisso. prepotência. Renovar/2005. o dinheiro e/ou bens que cada sócio se obrigou a entregar para a constituição do capital social se transmite. A tolerância é recíproca: para que exista tolerância é preciso que se esteja ao menos em dois. Tradução de marco aurélio nogueira. se o indivíduo sereno é tolerante e respeitoso. FGV DIREITO RIO 149 . a serenidade resvala no território da tolerância e do respeito pelas idéias e pelos modos de viver dos outros. Assim. – Páginas 38 a 40 e 125 e 126 do Direito Societário.. Leitura CompLementar – Páginas 415 a 419 (expulsão do sócio) do Curso de Direito Comercial vol. Nesta aula discutiremos a leitura do(s) seguinte(s) capítulo(s): – Páginas 331 a 333 (SIMPLES) 374 a 377 (LTDA.I. Ricardo Negrão. Saraiva: São Paulo/2005. vol. 7ª edição.) do Manual de Direito Comercial e de Empresa. Saraiva: São Paulo/2004. – Liquidação de quotas. Fabio Ulhoa Coelho. deixando de pertencer ao sócio para se incorporar o patrimônio da sociedade. – Páginas 207 a 221 de O Direito de Empresa à luz do Novo Código Civil. A serenidade é um dom sem limites preestabelecidos e obrigatórios”267. 9ª edição. Aprendemos que o capital social é dividido em quotas ou ações e sua formação consiste no somatório das contribuições que cada sócio realiza (integraliza) ou promete realizar (subscreve). Passa-se o mesmo com o respeito. A tolerância nasce de um acordo e dura enquanto dura o acordo. Cito Kant: ‘Todo homem tem o direito de exigir o respeito dos próprios semelhantes e reciprocamente estar obrigado ele próprio a respeitar os demais’. O sereno não pede. não pretende qualquer reciprocidade: a serenidade é uma disposição em relação aos outros que não precisa ser correspondida para se revelar em toda a sua dimensão.II. – Exclusão de Pleno Direito.. unesp/2002. norberto in Elogio da serenidade e outros escritos morais. não é apenas isto. Se eu o tolero e você não me tolera. – Procedimento judicial de exclusão do sócio. 267 BOBBIO. 42-43.

a interpretação do Supremo Tribunal Federal e do Superior Tribunal de Justiça não admite que o sócio. conforme dispõe o art. mas sim sócio da sociedade. que exista cláusula contratual dispondo sobre “justa causa” (vide Jurisprudência.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa roteiro de auLa É notório que as relações entre os sócios nem sempre transcorrem de forma tranqüila. são paulo/1952. Atento a esta situação. pagando ao proprietário primitivo as entradas por ele realizadas. Nesse sentido. É o que ensina Tullio Ascarelli: “A peculiaridade de maior relevo do contrato plurilateral diz. ou. É necessário. pág. que pura e simplesmente não integraliza suas quotas. como uma das hipóteses em que se admitirá a exclusão do sócio. art. seus herdeiros ou sucessores a soma devida pelas suas quotas ou preferindo a sua exclusão. cujo título executivo é o contrato social. estará constituído legalmente em mora. sérgio in O Direito de Empresa à luz do novo código civil. ao contrário. Neste sentido. 5ª edição.a. e conseqüentemente para a formação da base patrimonial da sociedade. que já constava do Decreto nº 3. o Código Civil manteve a única previsão de exclusão de sócio. por intuito pessoal. no pólo ativo da ação. poderão os outros sócios tomar a si as quotas anuladas ou transferi-las a estranhos. a forma de reembolso das suas quotas. em regra. que pode restar comprometida quando um dos sócios torna-se remisso. realizado na data da exclusão. devendo responder perante a sociedade pelo dano dela decorrente” (artigo 1.030 do código civil. gerando. se caracteriza pela “reunião das partes e a comunhão de escopo que caracterizam a sociedade”274. deve-se dar com base em balanço especial. não afetando o contrato entre os demais. a presença de um sócio remisso . 289 do código comercial poderão os outros sócios preferir a exclusão do sócio remisso. Mediante uma Ação de Integralização de Capital a sociedade poderá “cobrar” o sócio remisso.. comum os desentendimentos. também. como preceituado pelos tribunais. Lembre-se de que ninguém é sócio de ninguém.058. indispensável a colaboração entre todos os sócios .004)272. expulsando um ou mais de seus membros. obriga-se a restituir os valores que o sócio excluído tiver integralizado273. têm no capital desta a principal (e muitas vezes única) garantia. No caso de quebra da affectio societatis. ao final). Os outros sócios não serão autores porque estão ligados à sociedade e não entre si (a natureza do ato constitutivo da sociedade é de contrato plurilateral).aquele que subscreveu quotas e não integralizou dentro do prazo pactuado. os terceiros que negociam com a sociedade. a lei criou instrumentos jurídicos que permitem a sociedade continuar sua atividade. Transcorrido o prazo. O conceito de “justa causa” no âmbito do Direito Societário surge com a natureza do contrato social (plurilateral). assim. deve corroborar-se à justa causa. deduzindo os juros da mora e mais prestações estabelecidas no contrato e as despesas. que. 1. em virtude de atos de inegável gravidade”269. 1. afigurando-se. O Código Civil faculta à sociedade optar pela transferência das quotas do sócio remisso para os sócios restantes ou para terceiros. figurando – a própria sociedade.97. 268 269 270 271 art. incidindo em violação grave ao dever primordial do sócio. n. sendo impossível cobrar amigavelmente do sócio. com concessão do prazo de trinta dias para adimplir suas obrigações. como por via judicial: quando praticarem “falta grave no cumprimento de suas obrigações. 273 Enunciado 62 (cjF): com a exclusão do sócio remisso. ainda. Temos então. 274 FGV DIREITO RIO 150 . tanto por via contratual: quando colocarem “em risco a continuidade da empresa. e inovou ao permitir a possibilidade de um ou mais sócios serem excluídos pela maioria (mais da metade do capital social). 1. in Ensaios e pareceres. com efeito.085 do código civil. seja expulso. O sócio inadimplente “estará sujeito a notificação premonitória da sociedade. saraiva. a plurilateralidade do contrato de sociedade levará a resolução somente em relação ao sócio inadimplente. risco financeiro ao desenvolvimento da empresa271.708/1919268. 272 campInHO. por incapacidade superveniente270”. como ensinou Tullio Ascarelli. sendo assim. que. ponha em risco o desenvolvimento da empresa e sua função social. pág.168. A denominada Ação de Integralização de Capital nada mais é do que uma ação de execução. Mesmo no caso de expulsão do sócio remisso. subscrito por duas testemunhas. Renovar/2005. que é contribuir para o capital social. esses últimos. respeito à disciplina da sua nulidade ou art. em qualquer das hipóteses. sendo. como um dos mais importantes pilares de todas as sociedades. após algumas deduções. Em qualquer caso do art. 7º.affectio societatis. além disso.

277 278 Op. c) previsão no contrato social permitindo a exclusão extrajudicial por justa causa. 1. A exclusão extrajudicial por justa causa somente pode se dar para sócios minoritários. n. sob o título “Da resolução da sociedade em relação a sócios minoritários”. acarretando o desajuste que gera o conflito e configura. é uma forma de proteger os sócios minoritários de eventuais desmandos dos sócios majoritários e está prevista no art. com prazo razoável para a defesa do sócio “acusado”. sem as garantias. O Enunciado nº 67. entre os sócios. bastando citar a previsão de realização de reunião só para tal deliberação. 275 276 Op. Todavia. O procedimento para a exclusão extrajudicial está previsto no parágrafo único daquele artigo. procedimento judicial de exclusão do sócio A possibilidade de exclusão de sócio pela via judicial. o estado de prepotência. as seguranças e fatores inibidores que o processo judicial assegura àquele que deseja exercer o seu direito de defesa278”.085 do Código Civil permite a exclusão extrajudicial de sócio caso estejam presentes os seguintes requisitos: a) deliberação por sócios que representem mais da metade do capital social.085 acarretará em empecilho a sua efetivação. como veremos a seguir. ciente o acusado em tempo hábil para permitir o comparecimento e exercício do direito de defesa”. No mesmo sentido. com vasta experiência em atuações judiciais e extrajudiciais em contendas societárias que “a realização de assembléia ou reunião em nada contribuirá para o aprimoramento do instituto da exclusão. 1.208. portanto. procedimento extrajudicial de exclusão do sócio O artigo 1. promovida pelo centro de Estudos judiciários do cjF em 2002. deixando patente que somente em relação ao minoritário a exclusão pode se dar de forma extrajudicial. o mecanismo previsto no parágrafo único do art. mas apenas para dissolução (parcial) da sociedade”.030 do Código Civil. pág. FGV DIREITO RIO 151 .a.275 O novo Código Civil chancelou em seu texto a previsão jurisprudencial da “justa causa” como quebra da affectio societatis276. Sérgio Campinho critica a necessidade de convocação de reunião ou assembléia com a presença do excluído a fim de garantir-lhe o direito ao devido processo legal e ao contraditório. quando o assunto for a deliberação sobre a sua exclusão. o direito de votar. que dispõe sobre a exclusão ser “deliberada em reunião ou assembléia especialmente convocada para esse fim. pág. conforme previsto no art. Apesar do novo Código Civil ter contemplado a previsão. aprovado na I jornada de Direito civil.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa anulação que pode respeitar a adesão de uma entre as partes não afetando o contrato no seu conjunto”. uma vez que depende de deliberação por sócios que representem mais da metade do capital social. basta haver previsão de exclusão por justa causa no contrato social para que a exclusão possa ser tomada extrajudicialmente277. não tendo o majoritário.cit. quando o estado de tolerância deixa de estar presente. Miguel Reale (autor do Código Civil). surge. da “justa causa” para exclusão de sócio. Explica o autor. 1.085. Poderia ser argumentado que se trata da maioria do capital votante. já traçada pela jurisprudência. 1. Reportando-nos a nota de abertura dessa aula – texto de Roberto Bobbio. estimulando o enfrentamento dos querelantes. conforme argumentou o Dr. Assim. dispõe que: “a quebra do “affectio societatis” não é causa para a exclusão do sócio minoritário.085 está inserido na seção VII. será mais uma fonte de perpetração de disputas.168.cit. b) ato de inegável gravidade que esteja colocando em risco a continuidade da empresa.030 do Código Civil. o art. a justa causa. o Prof. A exclusão de sócio majoritário somente poderá se dar de forma judicial e atendendo aos requisitos do artigo 1. Ao revés.

a exclusão com base na “justa causa”. A incapacidade superveniente pode se dar com a interdição de sócio280 e também com o fato do sócio.a. sendo a liquidação das quotas do sócio em questão284. 1. 1. A propositura da Ação de Exclusão será objeto de deliberação. segundo o estado ou o desenvolvimento mental do interdito. o juiz assinará. O art. sendo necessária a concordância da maioria absoluta dos sócios. 280 Os destituídos do necessário discernimento para a prática de atos da vida civil. sob pena de configuração de voto conflitante). se opera independente da vontade dos sócios283. esta medida aplica-se inclusive ao majoritário. morte. 3º). 9º. onde a atuação pessoal do sócio é imprescindível para a realização do objeto social. o pedido de exclusão deverá ser formulado por aquele ou aqueles que detenham. tendo a sociedade como autora e o sócio que se pretende excluir como réu. justificando. Em qualquer dessas hipóteses. retirada motivada ou imotivada. faz-se necessário liquidar o valor de sua quota (ou quotas). computados pela participação no capital social. assim. não colaborar mais com os outros sócios na realização da empresa. A ação é de conhecimento e tramitará pelo rito ordinário. é a incapacidade superveniente do sócio.031 do código civil. a sociedade não pode deixar de efetivá-la. conforme o decreto de interdição (art. podendo ser expulso da sociedade. 1. 1. Assim. FGV DIREITO RIO 152 . entende-se ocorrida a exclusão por incapacidade superveniente.031 do Código Civil dispõe que a liquidação se fará. os limites da curatela.030. 282 n. segunda parte do parágrafo único do código civil. como pode parecer. a regra geral do citado artigo será 279 n. que tem um de seus membros impedido de continuar exercendo a medicina em virtude da cassação de sua licença. 283 284 art. ou seja. exclusão de pleno direito Será excluído de pleno direito da sociedade o sócio empresário (pessoa jurídica) que tiver sua falência decretada281.767. como resultado da formação da massa falida ou massa insolvente. Essa possibilidade legal deve ser interpretada restritivamente e só será aplicável à sociedade com características “de pessoas”. como também o será o sócio não empresário. e não por cabeça. A outra hipótese para a propositura da Ação de Exclusão.782”. e não pelos próprios sócios. se o sócio que se pretende excluir detém 90% do capital social279. referido no artigo. art. que poderão circunscrever-se às restrições constantes do art. nos termos do art. 281 art. sendo excluído o percentual correspondente ao sócio que se pretende excluir (ele não participa da votação. III). afeta-se à condição de sócio o direito patrimonial disposto no art. a ensejar a quebra da affectio societatis. no mínimo. seja por exclusão. cooperativa e outras) que tenha sido declarada insolvente282. processadas no juízo da execução coletiva (falência). pessoa natural ou jurídica (sociedade simples. primeira parte do parágrafo único do código civil. É o caso de uma sociedade de médicos. No silêncio do contrato. pode ser considerado como sinônimo de “ato de inegável gravidade”. pois é impositiva. são absolutamente incapazes (art. a incapacidade dos demais pode ser absoluta ou relativa. 1. e 170. com caráter pessoal. 1. o inadimplemento das obrigações assumidas no contrato plurilateral de sociedade. Esse tipo de exclusão ocorre de pleno direito. XXII. O artigo 1. Quando a realização do objeto social depender de determinada condição pessoal do sócio (ou sócios) e ele não puder mais realizá-la. portanto. 1.030 do Código Civil. assim como os que não podem exprimir sua vontade.030. como vimos anteriormente. o que configura. II da Constituição da República. por razões alheias a sua vontade. por tratar-se de exclusão determinada por sentença judicial. seguindo os parâmetros previstos no contrato social. pois assim se afere a disposição de poderes entre os sócios. 5º.a. como o fundamento para a exclusão de pleno direito é a proteção dos interesses de terceiros.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa O termo “falta grave”.772 do código civil prescreve: “pronunciada a interdição das pessoas a que se referem os incisos III e IV do art. Liquidação de quotas Com a retirada do sócio da sociedade. Este sócio será alcançado pela incapacidade superveniente. 6% do capital social.

ele poderia participar desta reunião? d) Optando pela expulsão de Christiano. Luciana. O pagamento dos haveres poderá ser parcelado. Ao fazer uma limpeza nas gavetas do escritório da loja. não pode o contrato estipular que a apuração dos haveres se dará com base no último balanço contábil aprovado. Diante da flexibilidade disposta no art. os sócios devem estipular no contrato social. a praxe. Luciana encontrou algumas notas fiscais emitidas em nome da sociedade. Em outras palavras: a apuração dos haveres se fará com base em valores reais. Estranhamente. Bernardo e Gabriel são sócios de uma sociedade limitada que tem como objeto a venda de quadros e espelhos. sozinho? b) A expulsão de Christiano é juridicamente possível? c) Os sócios pretendem se reunir para tomar alguma atitude em face de Christiano. p. todas essas notas continham a assinatura de Christiano e o número do cheque emitido para pagá-las (frise-se que os cheques eram da conta corrente da sociedade). sempre administrou a sociedade. verificada em balanço especialmente levantado. que o prazo de 12 meses é um prazo razoável. como. Como não existe cláusula contratual referente à administração da sociedade. porém não seria razoável um parcelamento de 50 anos. tem o dever de votar na reunião de deliberação específica para a sua exclusão? e) Existe algum valor a ser recebido pelo sócio excluído? Terá alguma diferença se esse sócio não tiver subscrito as suas quotas? f ) O contrato social poderá dispor qual será a forma de reembolso das quotas daquele sócio? Poderá ser por meio de um parcelamento em 50 meses? 285 n. recursos humanos etc. foi xingado e recebeu alguns socos de Christiano. os demais sócios vêm percebendo uma alteração no comportamento de Christiano. ele brigou dentro da loja com um fornecedor e quando o sócio Bernardo chegou para separá-los. porém indicando produtos que jamais foram vendidos por ela.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa aplicada e a liquidação da quota (ou quotas) será no percentual que tiver sido efetivamente integralizada. sozinho. FGV DIREITO RIO 153 . buscar um terceiro (s) para ingressar como sócio (s). Christiano é o sócio majoritário com 40% do capital social e o restante dos sócios participa com 20%. Caso gerador Christiano. a forma como desejam que se proceda a liquidação das quotas sociais. impondo sua condição de sócio majoritário. com destino o patrimônio da sociedade. portanto. tendo por base a situação patrimonial da sociedade. e não apenas em valores contábeis. dentro de um prazo que atenda ao critério da razoabilidade285. devendo ser pago o valor referente às quotas. cada um. Nesse ponto. ou seu valor poderá ser complementado pelos sócios que permanecerem na sociedade.a. Recentemente.ex. por exemplo. havendo a respectiva distribuição de quotas entre os sócios ou. a exclusão ou a retirada de um dos sócios poderá acarretar na redução do capital social. sendo certo que as regras contábeis não contemplam diversos itens de extrema validade. muito menos indicando o administrador. excluindo-se o valor da quota liquidada. sob pena de enriquecimento ilícito dos demais sócios mediante o confisco indireto da propriedade do sócio excluído (ou retirante). a data da resolução. Lembrando que esta disposição deve garantir ao sócio excluído (ou retirante) o recebimento de justo valor pelas suas quotas. Pergunta-se: a) Christiano poderia administrar a sociedade. ainda. Christiano. 1. Enfim.031. Contudo.: a marca. indicando. o know-how. ele como sócio majoritário.

160/ SP. Ministro CARLOS ALBERTO MENEZES DIREITO.2006. Julga-se improcedente o pedido de dissolução integral e liquidação da sociedade se requerido por sócios minoritários sem razões robustas. que a exclusão. há de fazer-se como de dissolução total se tratasse posto que. TERCEIRA TURMA. a nomeação de liquidante.423/AL.10. COM A SAÍDA DOS DISSIDENTES E APURAÇÃO DOS HAVERES. Rel. não padece a dúvida de que é possível a exclusão de sócio independentemente de cláusula contratual. julgado em 08.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa JurisprudênCia “Diante da grave providência – exclusão de sócio.05. evitando-se. mas desprovido. PEDIDO DE SÓCIOS MINORITÁRIOS. para supervisionar e fiscalizar o processo.04. ARGUMENTOS QUE CONDUZEM. (REsp 315. DJ 15.. por deliberação majoritária dos cotistas. não agride nenhum dispositivo de lei federal. de outro modo.2006 p. grifamos AÇÃO ORDINÁRIA DE DISSOLUÇÃO PARCIAL DE SOCIEDADE. sem a representação legal da sociedade. resguardando-se inclusive o direito de defesa do excluído. TERCEIRA TURMA. 2. Ministro HUMBERTO GOMES DE BARROS. assegurando-se a garantia do contraditório. DJ 04. sessão de 13.) por outro lado. o locupletamento indevido da sociedade ou sócios remanescentes em detrimento dos retirantes” (REsp nº 38. que deve ser medido com justiça.grifamos. pode ficar sujeita ao controle jurisdicional em termos de valoração jurídica. Recurso especial conhecido. no entanto. 1.(. Esta Terceira Turma tem reiterados precedentes no sentido de que na “dissolução de sociedade de responsabilidade limitada. fundada em justa causa. DJ de 13/12/93). publicado na RTJ nº 128. 200). 2. IMPROCEDÊNCIA DA PRETENSÃO. 886) .2002 p. RECURSO ESPECIAL. julgado em 06. NOMEAÇÃO DE LIQUIDANTE. Os interesses econômicos e de natureza moral devem ficar devidamente esclarecidos. no caso de sócio retirante ou pré-morto. pág. a apuração de haveres. desde que haja justa causa para o ato. COMERCIAL.2001.88. grifamos DISSOLUÇÃO PARCIAL DE SOCIEDADE POR QUOTAS.” (RE 115. A estes sócios. essa linha de entendimento tem por escopo preservar o quantum devido ao sócio retirante. (RESP 453. segundo a jurisprudência do STJ. PRECEDENTES. NO MÁXIMO. 1.12. Rel. Relator o Senhor Ministro Waldemar Zveiter. É de se ponderar.. diante das circunstâncias de fato do caso.915/SP.222-BA. como medida grave. assiste o direito de retirada. que demonstrem no mínimo o desvio da finalidade social. SENTENÇA QUE HOMOLOGA A APURAÇÃO DE HAVERES DETERMINANDO O PAGAMENTO RESPECTIVO EM 90 DIAS. 352). insatisfeitos com a administração da sociedade. para o resguardo de eventual injustiça é que se admite a ação anulatória da deliberação tomada pela sociedade e a reparação a que fará jus o excluído. À DISSOLUÇÃO PARCIAL.02. DISSOLUÇÃO INTEGRAL E LIQUIDAÇÃO DE SOCIEDADE POR QUOTAS DE RESPONSABILIDADE LIMITADA. Com isso. com a devida apuração de haveres. FGV DIREITO RIO 154 . ou ainda por motivo da quebra da affectio societatis.

As partes têm dever de proceder com lealdade no processo. (2005.manifesta se acha justa causa a autorizar sua exclusão da sociedade.002. Uma vez inadimplido.DECIMA QUINTA CAMARA CIVEL.001. Possibilidade de juntar-se a resposta tempestivamente. quantidade essa que deverá ser atualizada apenas até a data da citação (agosto/2002). portanto. TJ/RJ) . Prazo da resposta não esgotado.AGRAVO DE INSTRUMENTO. Provimento do apelo neste particular apenas. AÇÃO CAUTELAR VISANDO O AFASTAMENTO E EXCLUSÃO DE SÓCIO. Equívoco no endereçamento com ciência do Advogado do Réu. Sentença que julga procedente o pedido de exclusão e determina a apuração de haveres que se confirma. Quanto ao pedido de ser determinada a prestação de caução. DES. Revelia. este não merece ser acolhido. Pedido de parcelamento da quantia devida. não havendo nenhuma disposição contratual neste sentido. no juízo deprecante.11911 . Juntada de contestação. Apelantes condenados nos ônus da sucumbência. mais conhecido como elo de colaboração ativa entre os sócios. Beligerância e agressão verbal do réu-sócio que se pretende seja excluído. TJ/RJ). Omissão do Advogado que resta inerte. sendo certo que a parte das cotas sociais do sócio afastado será judicialmente apurada e não se mostra sob risco. (2003.43209 . somente junta a cópia da contestação desacompanhada de qualquer documento. MARIA AUGUSTA VAZ . decorreu da má-gestão administrativa.APELACAO CIVEL.Julgamento: 01/02/2006 . JDS. sponte propria eventuais equívocos cometidos. CRISTINA TEREZA GAULIA . Documentos comprobatórios trazidos aos autos pelos autores.06722 . Desintegração da affectio societatis. A decisão monocrática não é teratológica ou contrária à prova dos autos.PRIMEIRA CAMARA CIVEL. Presunção de veracidade dos fatos alegados pelos autores. Nos autos há elementos a demonstrar que o afastamento do agravante da gerência administrativa da sociedade.945. Decisão que se mantém. razão pela qual deve ser homologado o valor equivalente a 429. para ser mantido o íntegro princípio da preservação da empresa. inexistente nas demais espécies contratuais. Má-fé processual.01 UFIR’s (fls. mas que no momento da Apelação.SEGUNDA CAMARA CIVEL. também aqui valendo o interesse social.001. Equívoco da sentença quando dispôs que o valor deve ser corrigido a partir de janeiro/2003. Elemento indispensável à harmonia entre os sócios. estando de acordo com o Enunciado nº 7 deste Tribunal. Ação Ordinária visando a exclusão de sócio de sociedade empresarial.grifamos. TJ/RJ) AGRAVO DE INSTRUMENTO. com a responsabilidade. Honorários periciais. além do fato de que o apelado não pode ser obrigado a receber seus haveres de forma parcelada.APELACAO CIVEL. estará habilitada a Sociedade a excluir o sócio Inadimplente fundamentada na prevalência do interesse social sobre o individual. sendo certo que o apelado foi beneficiado com a gratuidade de justiça a ela deferida. onde o elemento fundamental é o escopo ou objetivo comum. grifamos. Quando presente na sociedade situações que demonstram a atuação do sócio em desacordo com o dever de colaboração a que está submetido affectio societatis . FGV DIREITO RIO 155 . GALDINO SIQUEIRA NETTO Julgamento: 28/06/2006 . (2006. eis que tal valor já havia sido corrigido pelo perito até maio/2005.218 do laudo pericial).ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa Valores alegadamente adiantados pela empresa ao sócio excluído já computados no laudo pericial. Réu que alega ter juntado contestação e documentos na carta precatória. inclusive agilizando e corrigindo. Impossibilidade tendo em vista que a ação foi proposta há quatro anos. tendo tido a empresa tempo suficiente para efetuar uma reserva para tal finalidade. DES. O contrato de sociedade é contrato sinallagmatico plurilaterale.Julgamento: 19/08/2003 . DES. de arcar com tal despesa.

DES. Sentença de procedência. grifamos Questões de ConCurso PROVA OAB/MG .EXAME DE ORDEM .1ª fase.grifamos. Resolvendo-se o vínculo de um sócio com a sociedade empresária de que faz parte.Julgamento: 17/05/2005 .019 do mesmo diploma legal. (Agravo de Instrumento Nº 70007363153. com ou sem justa causa. Julgado em 02/06/2004) . à despedida de seu único sócio. Apuração de haveres em processo formal de liquidação de sociedade (artigo 1. que só admite a exclusão judicial.APELACAO CIVEL. O artigo 1. d) pode se fazer à revelia do sócio cuja exclusão se pretende. seja no atual. Sexta Câmara Cível.001. proposta por sócio despedido. no sentido de que a maioria do capital social pode excluir um sócio diante da impossibilidade de conviver com ele.10522 . razão por que não há como considerar a hipótese de destituição do agravante pelo fato de as outras sócias possuírem 2/3 do capital social. e não havendo previsão contratual a respeito. c) é modalidade de exclusão de sócio afastada por expressa disposição do Código Civil de 2002. depois de não provido o dos réus. Tribunal de Justiça do RS. conforme prevê o contrato social da empresa. DESTITUIÇÃO DE SÓCIO SEM JUSTA CAUSA.DEZEMBRO/2007 82ª Questão: A exclusão extrajudicial de sócio de sociedade limitada: a) é admitida no Código Civil de 2002. as sócias não declinam eventual justa causa para a destituição do sócio (gerente). desde então. seus haveres sociais serão pagos de acordo com o critério do valor FGV DIREITO RIO 156 . VII. Na Assembléia Geral realizada após a publicação do acórdão referente ao agravo regimental. Ordinária de dissolução de sociedade por cotas de responsabilidade limitada.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa AGRAVO DE INSTRUMENTO. (2005. A despedida de sócio. procedida pelo sócio dito remanescente. de modo que. AÇÃO CAUTELAR INOMINADA. desde que existem previsão no contrato social de exclusão extrajudicial por justa causa e observado o direito de defesa do sócio cuja exclusão se pretende. TJ/RJ). ao proceder o sócio detentor da maioria do capital social. do Código de Processo Civil) que não pode se ver substituída por apuração unilateral e particular. não importa em dano moral in re ipsa. ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL SECÇÃO SÃO PAULO 125º EXAME DE ORDEM . inexiste sociedade de um sócio só. ora agravante. AGRAVO PROVIDO. sem justa causa embora. 45. Provimento parcial do recurso do autor. Relator: Cacildo de Andrade Xavier. Dano moral. definida na jurisprudência. IMPOSSIBILIDADE.062 do CC não revoga a disposição do artigo 1.SEGUNDA CAMARA CIVEL. extinta estava. b) é matéria sem previsão legal. Seja no direito privado anterior. a pessoa jurídica por eles até então formada. MAURICIO CALDAS LOPES . DIREITO COMERCIAL.218.

XXXIX CONCURSO PARA INGRESSO NA MAGISTRATURA DE CARREIRA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO . (B) econômico de suas quotas à data da resolução. (C) patrimonial de suas quotas na data do efetivo pagamento. conforme a cotação em bolsa de valores.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa (A) patrimonial de suas quotas na data da resolução. apurado em perícia judicial. (D) econômico de suas quotas na data do efetivo pagamento. Que opções têm os sócios da sociedade limitada em relação ao sócio remisso? (VALOR: UM PONTO E MEIO). apurado em balanço especial.2ª Prova Específica. FGV DIREITO RIO 157 . apurado em balanço especial.

a SPE vem sendo largamente aceita em nosso ordenamento jurídico.com/gafisa/admin/arquivos/ GAFISA_CVM_PROTOCOLOS_20050627_port. Na opinião do prof. companhia líder brasileira na construção e incorporação de bens imóveis que. a partir de uma associação com a Gp Investimentos. São nada mais nada 286 citamos como exemplo a sociedade holding. para cada empreendimento seu. uma das empresas líderes no ranking das maiores construtoras e incorporadoras do segmento residencial no Brasil. entre condomínios residenciais de alto luxo. Nascem.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa AUlA 19: A UtIlIZAÇÃO DA SOCIEDADE lIMItADA COMO EStRAtéGIA SOCIEtáRIA PARA GRANDES OPERAÇõES Nesta aula discutiremos a leitura do seguinte capítulo: – Páginas 517 a 519 (S. a Gafisa foi fundada em 1954 no Rio de janeiro. Porém. a joint venture. também têm sido utilizadas para grandes operações.). companhia norte-americana líder em investimentos no setor imobiliário na américa Latina e que pertence ao Equity Group Investments (LLc). O início de 2006 foi marcado pela entrada da Gafisa no novo mercado de governança corporativa da Bovespa. entre outros.gafisa. inclusive. tornou-se a Gafisa Imobiliária e. na forma de sociedade limitada. – Joint Venture. Em 2005. ao final da década de 80. citamos como exemplo as joint ventures. ser acionada em juízo. ementário de temas – Sociedade de Propósito Específico – SPE. passou a se chamar Gafisa s. para cumprir uma simples etapa de um projeto. flats e shoppings centers.com. br/InsTITucIOnaL/ FGV DIREITO RIO 158 . normalmente.a. comandado por samuel zell. constitui uma Sociedade de Propósito Específico – SPE. na sua maioria de caráter familiar ou restrita a sócios que já se conheciam antes de constituí-la. 287 288 a Gafisa s. que representam cerca de 10 milhões de metros quadrados de área construída. adquire direitos e contrai obrigações decorrentes da realização do empreendimento para o qual foi constituída. sociedade de propósito específico – spe Tem origem em instituto tipicamente norte-americano. Uma vez constituída de personalidade jurídica. em 1997. o seu destino é a liquidação. a SPE. Normalmente.) e 521 a 524 (joint venture) do Direito Societário.pdf#search=%22gafisa%20protocolo%22. Acessar o documento disponibilizado no site: http://www. ou até mesmo para desenvolver um projeto da controladora. a Gafisa oferece aos seus investidores maior transparência e mais segurança e contribui para o aumento da credibilidade do mercado acionário brasileiro. podendo. a Gafisa recebeu um importante acionista: a Equity International properties (EIp). por meio do qual duas ou mais pessoas naturais e/ou jurídicas agregam suas habilidades. Apesar de não ter regulamentação especial no Brasil e não representar um modelo ou tipo de sociedade. Tomemos como exemplo a GAFISA288. onde duas ou mais sociedades agregam seus esforços para desenvolver um negócio em conjunto. uma SPE nasce para prestar um serviço a sua controladora. já marcadas para morrer. sob uma das formas societárias previstas no ordenamento pátrio (Ltdas. com o objetivo da facilitar a administração de seus negócios. Seja de forma isolada ou na participação em “grupos” societários286 ou mesmo em associação com outras sociedades287. já faz algum tempo que o caráter intuito personae não domina esse cenário de forma absoluta e.mz-ir.a. tais sociedades. sob o nome de Gomes almeida Fernandes. para a estruturação de negócios. com mais esse passo. – Semelhanças e Diferenças entre a sociedade limitada e a sociedade anônima. S. em 2004 a Gafisa criou a Diretoria de novos negócios para cuidar exclusivamente de novos. roteiro de auLa Aprendemos que. Renovar: Rio de Janeiro/2004. Decidida a expandir sua área de atuação e se tornar uma companhia nacional. José Edwaldo Tavares Borba. para executar objetivos específicos e determinados. a partir da realização da oferta pública inicial de ações da companhia. cumprido esse projeto. tecnológicos e industriais. estabeleceuse no mercado desenvolvendo mais de 900 empreendimentos. recursos financeiros.. Fonte: http://www.A. historicamente. 9ª edição.E. a sociedade limitada era utilizada por pequenas e médias empresas. edifícios comerciais. – Texto: A Joint Venture e a Sociedade de Propósito Específico.s etc. com sede em são paulo e operações em outras cidades do país. José Edwaldo Tavares Borba.P.

Visando compartilhar custos e potencializar os pontos fortes de cada empresa. formando a quarta maior empresa do mundo no segmento. Joint Venture A formação de uma joint-venture se dá por intermédio de um acordo de associação entre duas ou mais sociedades. 289 in Direito societário. .Negociação das avaliações e valores envolvidos. Há. para a criação de uma nova entidade que geralmente executa um trabalho que está além do domínio normal das sociedades originais. Destacamos alguns exemplos de integração de esforços para a constituição de uma joint venture: Em 1987. dissolvendo a AUTOLATINA. a fusão de suas unidades de equipamentos para redes de telecomunicações. “há. Na época. As duas companhias acertaram. a AUTOLATINA. e sem qualquer interesse particular capaz de justificá-la como empresa289. elas formaram um gigante teoricamente imbatível no mercado. ocasião em que os sistemas de informação passaram a ser específicos a cada uma delas.avaliação de duas ou mais pessoas naturais e/ou jurídicas. em junho. detalhes jurídicos. FGV DIREITO RIO 159 . a missão não era das mais fáceis. igualmente.assessoria na elaboração dos contratos de compra e venda e acordos entre sócios. Volkswagen e Ford anunciaram um acordo que surpreendeu o mercado latino-americano. com 60 mil funcionários. As duas empresas esperam receber aprovações para a fusão das unidades neste ano. pois deviam alcançar resultados e convencer diversos públicos em diferentes países. Renovar: Rio de janeiro/2004. um aspecto de risco.521. Nas palavras do prof. Renovar: Rio de janeiro/2004. A Nokia informou que a reorganização das atividades de suporte não terá impacto no número de empregados291. 290 291 Fonte: Valor Econômico em 05/09/2006. abordaGEM NEGoCIaçÃo EXECuçÃo in Direito societário. .assessoria. portanto. Normalmente. . foi tomada no final de 1994 e efetivou-se em março de 1995. contábeis e fiscais da operação . informou a Reuters. as empresas informaram que a Nokia contribuiria com 20 mil empregados e a Siemens com o restante para a formação da nova companhia. uma combinação de habilidades e competências por parte de seus integrantes.Preparação da Proposta de associação .Contato com os potenciais sócios . o processo de associação ou Joint Venture passa pelas seguintes fases: fASES PrEParaçÃo AtIvIDADES . . pág.assinatura de um termo de confidencialidade . A Nokia informou que vai reorganizar sua divisão de suporte a clientes empresariais e transferir dois mil funcionários excedentes para a planejada joint-venture com a alemã Siemens . próprio e típico dos novos negócios. o que permite a expansão da atuação de todas.apresentação genérica para os novos sócios . 9ª edição. pág. o seu conhecimento de mercado.518. a sua competência gerencial. sem vida própria. cada um trazendo o seu know-how específico.busca de sinergias e benefícios que a transação trará para os envolvidos . José Edwaldo Tavares Borba. o que permitiria que a associação Nokia Siemens Networks começasse a operar no início de 2007.disponibilização de uma cópia da Proposta de associação.acompanhamento dos elementos negociais. Desde o começo. num somatório de aptidões capaz de conferir à sociedade condições efetivas de êxito”290. A decisão de separar as empresas.Sugestão da estratégia de associação ou Joint Venture .ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa menos do que uma sociedade-escrava. 9ª edição.

em especial ao engessamento sofrido pela sociedade limitada. Todavia. As maiores vantagens da sociedade limitada sobre a sociedade anônima estão na desnecessidade da primeira de manter um Conselho Fiscal e possibilidade de dispensa da assembléia se todos os sócios deliberarem por escrito as matérias das reuniões (ou assembléias) anuais de sócio.078). Contudo. Na sociedade limitada. como a sociedade anônima. da Lei n. ltDA limitada ao valor do capital social. No que concerne à responsabilidade do administrador. 9º. uma vez que inexiste a obrigatoriedade de publicação de balanço. se faz relevante o estudo comparativo entre os dois principais tipos societários utilizados no Brasil. devem obedecer às normas vigentes. Na sociedade limitada. e os livros e documentos exigidos e de controle são em menor quantidade. principalmente quanto à burocracia necessária para sua manutenção. com posterior arquivamento da ata correspondente na Junta Comercial. um grau próximo de complexidade. Uma vantagem da sociedade anônima sobre a sociedade limitada é o fato de. Estudo Comparativo ASPECtO limite da responsabilidade dos Sócios denominação S/A limitada ao preço de emissão das ações subscritas ou adquiridas. a aprovação das demonstrações financeiras é feita em assembléia ou reunião. 176 e parágrafos). agilizando a administração da sociedade e reduzindo custos e burocracia. inciso III. atualmente. uma das desvantagens da sociedade anônima é a impossibilidade de enquadramento no SIMPLES. a sociedade terá nome empresarial seguido da expressão “ltda”. a operação somente pode ser formalizada por meio de alteração contratual arquivada no órgão competente. tipos FGV DIREITO RIO 160 . as duas formas societárias são equivalentes. a mobilização dos sócios nas sociedades anônimas fica facilitada devido a desnecessidade de arquivo em órgão competente das alterações do quadro societário.º 9. sem necessidade de alteração contratual. o que limita a publicidade do nome dos sócios neste registro público. O art. Do ponto de vista contábil. que vem a ser uma forma de tributação simplificada. aberta ou fechada (valores mobiliários de sua emissão não admitidos à negociação no mercado de valores mobiliários). há a obrigatoriedade de publicação dos balanços e demais demonstrações financeiras (art. Nas sociedades anônimas. a admissão ou saída de sócio poder ser feita com a simples transferência no Livro de Transferência de Ações ou na Conta Corrente de Ações. apresentam.317/1996. convocada para este fim ao menos uma vez por ano (art.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa semelhanças e diferenças entre a sociedade limitada e a sociedade anônima Em vista das modificações ocorridas na legislação societária com a entrada em vigor do Código Civil de 2002. a sociedade será designada por denominação acompanhada das expressões “companhia” ou “sociedade anônima”. Tanto a sociedade limitada como a sociedade anônima. na primeira. com leve vantagem para as sociedades limitadas. veda expressamente a entrada de pessoa jurídica constituída sob a forma de sociedade por ações. tanto a sociedade limitada. 1. quais sejam: a sociedade limitada e a sociedade anônima. Não pode haver negociação dos valores mobiliários.

se houver. por exemplo. deverá ter o livro de registro de ações Nominativas. Podem ser dispensadas se todos os sócios decidirem. Simples transferência nas ações em livro alteração Contratual arquivada na Junta próprio para isso. contratual ações Quotas a quota é indivisível em relação à sociedade. Mínimo de 3 e máximo de 5 membros. desnecessário FGV DIREITO RIO 161 . o livro de Presença dos acionistas. e de atas das reuniões de diretoria e o livro de atas e Pareceres do Conselho Fiscal Conselho de administração (acionistas) e diretoria (acionistas ou não) o acionista controlador responde pelos danos causados por atos praticados com abuso de poder assembléia Geral Ingresso de novos sócios Emissão de títulos livros obrigatórios além dos regulares da prática comercial. deverá ter o livro de atas da administração. salvo para efeito de transferência a entrada pode se dar se não houver oposição de 75% (setenta e cinco por cento) do capital social Não há possibilidade Forma de divisão do Capital Indivisibilidade a ação é indivisível em relação à companhia o estatuto da companhia fechada pode impor limitações à circulação das ações representativas de seu capital. mais suplentes em igual número. debêntures e bônus de subscrição e ações. o livro de atas das assembléias Gerais. Junta Comercial ou rCPJ. mais suplentes em igual número. Conselho Fiscal Facultativo. Violação dos deveres de diligência Menos de 10 sócios . sobre a matéria que seria seu objeto. sem necessidade de alteração Comercial ou rCPJ. um direito de preferência para os demais acionistas na aquisição Partes beneficiárias. estabelecendo. além dos regulares da prática comercial. o livro de “transferência de ações Nominativas”. por escrito. uma ou mais pessoas Não há possibilidade diretoria Conselho de administração Mínimo de 2 acionistas. quando houver. administração responsabilidade da administração Órgão deliberativo máximo dispensa da assembléia administrador (sócio ou não) o sócio administrador responde da mesma forma. Mínimo de 3 acionistas. Mínimo de 3 membros.reunião 10 sócios ou mais – assembléia. auditoria nos balanços Não há previsão. os livros de atas das reuniões do Conselho de administração. obrigatória apenas nas companhias abertas Não é obrigatório.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa Forma de Constituição registro Entrada e Saída de Sócio Estatuto Junta Comercial Contrato Social. livro de atas e Pareceres do Conselho Fiscal e o livro de atas da assembléia. obrigatória apenas nas de capital aberto obrigatório (funcionamento permanente ou facultativo).

em Comentários à Lei de Sociedades Anônimas (vol II. Trata-se de ação de empreendedor. A Joint venture. Assim. pela qual se objetiva a concentração de esforços combinados com a redução de risco empresarial. com a ressalva que estas não têm tratamento legal completo no Brasil. ou seja. consórcio contratual que se traduz na “conjugação de aptidões e recursos empresariais de duas ou mais sociedades”. tão complexos quanto aos da sociedade anônima.. às vezes pesadamente. como ocorre nos casos mais comuns. conceito que se amplia como “uma modalidade de partnership temporária.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa A sociedade limitada poderá apresentar um volume grande de negócios. Neste caso. de curta duração. oriundo do direito americano. teXto A Joint Venture e a Sociedade de Propósito Específico. organizada para a execução de um único e isolado empreendimento lucrativo. que nomeiam o administrador do consórcio (operator). O instituto da joint venture é resultado da criatividade empresarial e não encontra tipificação na legislação brasileira. em que o detentor de tecnologia especial. além do conselho fiscal. a “conjugação de aptidões e recursos empresariais de duas ou mais sociedades. Trata-se de uma associação de pessoas que combinam seus bens. Modesto Carvalhosa. de duração limitada. numa restrita margem de escolha. o característico de ambas as espécies é a “especificidade da exploração de determinada atividade de natureza empresarial. assim como o consórcio de pessoas jurídicas. por ocasião da discussão e edição da lei 6. O legislador. tem sido definido como a partnership for a single business. O traço da atividade é a cooperação empresária. b) – joint venture corporation. O mesmo fenômeno ocorre com a joint venture e a sociedade de propósito específico. o contrato social pode estipular a existência de órgãos administrativos auxiliares. 1. ou seja. pag 344) refere a existência de: a) – joint venture agreement . em estrutura física. desejoso de explorá-la em determinado local.998. Haverá substancial economia de custos e diminuição de riscos com incremento de capacidade operacional. dada a semelhança entre elas. se alia à empresa ali estabelecida para aproveitar-lhe as habilidades e conhecimentos bem como própria organização já consolidada... dinheiro. mediante a constituição de uma nova companhia com o objetivo específico de levar avante o empreendimento comum”.. A joint venture e a sociedade de propósito específico. destacando-o na seção que examina a concentração econômica de empresas. esforços. o que impõe critérios subjetivos para decisão. que a SPE ou a joint venture será possível levando-se em consideração a pretensão dos sócios que a constituírem. industrial ou de comercialização. usualmente. Ed Saraiva. de lado a lado.” O instituto. mas inibido pelo desconhecimento de peculiaridades do mercado alvo e pela necessidade de investir. Segundo o autor. Daí o estudo que se faz do consórcio no capítulo das sociedades por ações. levado por questão de oportunidade do processo legislativo. a opção por uma dessas formas societárias. preferiu tratar o tema do consórcio no espaço desta lei. no qual se mantém “a autonomia das consorciadas. estudo por rubens edmundo requião.”. embora não necessariamente. não são questões diretamente ligadas ou derivadas das sociedades por ações. habilidades e conhecimentos com o propósito de FGV DIREITO RIO 162 . por exemplo. apoiados nos dados aqui levantados.404/76.

de fornecimento. de modo a evitar a preponderância de uma sobre a outra. que conduz a formação do negócio. são alguns dos exemplos coletados pela experiência para descrever o campo de ação do instituto. para chegar à estruturas mais pesadas. sem confluir em uma atividade diretamente imputável a um sujeito distinto dos contratantes. sem limitação do número de sujeitos ativos. ou por um deles com poderes suficientes para gerir o negócio. a realização de trabalho ou obra específico. conclusão a que se chega observando as definições correntes no direito americano. No conceito da joint venture sobressai o fato de que nenhum dos participantes terá preponderância sobre o outro. criando sistema de freios e contra pesos por via da distribuição de atribuições administrativas. o teste de mercado ou de lançamento de um novo produto e o estudo de sua evolução imediata e a reação de consumidores.. mas nada impede que pessoa física participe de tal tipo de empreendimento. embora funcionalmente vinculados à realização de interesse comum. focalizando a modalidade contratual da joint venture. por exemplo. A questão é de conveniência comercial ou operacional.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa executar uma única operação negocial lucrativa (Len Yong Smith e ou. pois se a um é conveniente explorar determinado mercado usando o domínio que sobre ele tem a outra parte. de transferência de tecnologia. Admite simples contratos de colaboração. equilíbrio entre as partes e a administração terá que ser conduzida por ambos os contratantes. Se meramente contratual. É visível que a forma da “joint venture” é indefinida. que é a composição do capital social e os reflexos patrimoniais e de poder que dele surgem. Os participantes das joint venture serão pessoas jurídicas. sua matriz histórica. além daqueles acima mencionados. a extinção também deverá estar prevista FGV DIREITO RIO 163 .. No regime da joint venture contratual haverá. por exemplo. seja indicando data especial ou a consumação do objeto do contrato. já surge outro fator a condicionar o comportamento das partes. de qualquer espécie. inclusive as empresas públicas e sociedades de economia mista. já que o elemento central. Na modalidade associativa.”. os co-ventures realizam uma pluralidade de atos que. O habitual é pequeno número de interessados. apud Modesto Carvalhosa. Não se deve olvidar que os participantes terão objetivos convergentes. Da última hipótese descrita.. que orienta o comportamento das partes é o talento. Na modalidade contratual. Mas para preservar a pureza do instituto. Business Law. ob. A penetração em mercado desconhecido para uma das partes. surge a sociedade de propósito específico. cit. Não é usual. Wilson de Souza Campos Batalha (A nova Lei das S/A. será sempre restrito. não haverá administração especializada. pois os consorciados mantêm sua personalidade jurídica e autonomia patrimonial e negocial. nova ou não. 4ª Edição. qualificado por negócio específico e com prazo determinado quase sempre. deverão que adotar técnicas que equilibrem o exercício do poder dentro da sociedade. O objeto da “joint venture”. de assistência técnica até a organização de sociedades. as partes devem defini-lo. O objeto será determinado pelo interesse das partes. em qualquer de suas formas. Ltr. a esta haverá o interesse que agregar à sua linha de atuação mais uma atividade. O controle da joint venture tem natureza peculiar. pág. as partes. Dado característico da joint venture é o prazo determinado. mas nada impede a presença de um grupo mais amplo.p 360). 1998. a habilidade. a começar pela sociedade em conta de participação. o domínio de uma técnica ou habilidade. aglutinador. acentua que “ao contrário das partnerships. como a sociedade anônima. Se adotada a técnica da formação de uma nova pessoa jurídica. 225). então sócias. A administração da joint venture variará em razão da forma adotada. mantém sua própria individualidade econômica e jurídica. no mínimo.

33. comprovado mediante compromisso de constituição de consórcio. 2º estabelece que pode ser objeto da companhia qualquer empresa de fim lucrativo.404/76 representa um caminho natural para a especialização do objeto social. A Lei nº. que pouco a pouco vão traçando o perfil do instituto. O Código Civil de 2002. que mencionará o objeto da sociedade. com o acerto de contas final. e não representa um modelo ou tipo de sociedade. e poderá assumir a condição de companhia aberta. a joint venture não implica em solidariedade dos participantes. O objeto social. Na falta de previsão legal específica. atributos e habilidades pessoais das partes. seja na modalidade associativa. proíbe o arquivamento do ato constitutivo de sociedade em que não conste a “declaração precisa de seu objeto”. formada nos termos do art. no art. Para que exista. geralmente de aplicação restrita. as obrigações das partes devem ser liquidadas. afim de que se distanciem da atividade pessoal das partes. O legislador exige precisão na designação do objeto. Surgem em leis esparsas algumas regras. dependerão de consenso das partes. 8. de modo a evitar a necessidade de alterar o contrato social ou estatuto a cada momento em que surgir uma oportunidade de negócio não contemplada expressamente no objeto social. ressalvada a sociedade em nome coletivo (na qual se proíbe sócios pessoas jurídicas no regime do Código Civil de 2002 e desde que se admita que a sociedade de propósito específico não possa ser formada por pessoas naturais). autorizando-o a permitir a participação na licitação de consórcios de empresas. A Lei nº 6. 997 assinala que a sociedade constitui-se mediante contrato escrito. a capacidade de atuação de seus administradores. sendo comum a indicação de atividade genéricas.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa no ato constitutivo. a necessidade de especialização absoluta. Tal perspectiva deve levar ao segregamento da contabilidade dos atos relativos à joint venture. visto que se trava em razão das qualidades. A disposição se dirige ao administrador público. A subsidiária integral. A sociedade de propósito específico. No primeiro caso. traduzida pela sociedade de propósito específico. inciso III. procede-se a sua liquidação. no art. 1. A autonomia das partes será completa. Na hipótese da joint venture institucional. O contrato tem natureza intuitu personae. completado o período de atuação da sociedade. por indução da lei.934/94.102 e seguintes do Código Civil. no art. particular ou público. Mas nem sempre é o que ocorre. Por ele se definirá a atividade da sociedade. ou na lei das sociedades por ações. art. a sub-rogação pessoal não são autorizadas na joint venture. como será o caso de se adotar a forma da sociedade em comandita simples. 35. a segunda modalidade. encerrada a joint venture. O advento do instituto no Brasil ocorreu no ambiente dos contratos públicos. A cessão do contrato ou de obrigações dele derivadas. no caso. em certos casos então. a responsabilidade dos mesmos no caso de transgressão daqueles. os limites impostos a estes e aos sócios.666/93. permitindo a operação da sociedade de propósito específico. a solidariedade deverá estar determinada no próprio contrato instituidor. seja na modalidade contratual. no caso. como prevista no art. ao menos no que concerne aos registros. no inglês special purpose company ou special purpose consortium. determinando o § 2º do mesmo artigo que “O estatuto social definirá o objeto de modo preciso e completo”.404/76. As alterações subjetivas. portanto. Sociedade de propósito específico. Penetrará em qualquer dos modelos de sociedade existentes. no modo mais apropriado às expectativas dos sócios. segundo o tipo social adotado. não tem regulação especial no Brasil. Surge. 251 da Lei 6. é motivo de preocupação do legislador. a ser implantado FGV DIREITO RIO 164 . a sua legitimidade para a prática de certos atos. 8. como se vê na Lei nº.

concedendo à autoridade o poder de controle sobre as deliberações relativas a certas matérias. permite melhor fiscalização por parte do concedente. em substituição do consórcio despersonalizado. O agente público. que era levado a registro.005. XVI. pode impor um determinado tipo de sociedade além de condições especiais. serão as estudadas nas várias modalidades associativas previstas no direito brasileiro para as empresas com finalidade lucrativa. Haverá a presença de uma pessoa jurídica especializada. regulamentou as chamadas “parcerias público privadas”. adotando contabilidade e demonstrações financeiras padronizadas. uma vez adjudicado o contrato. 50. operações e contabilidade. a exigência de constituição de empresa especializada. entre a sociedade e terceiros. as responsabilidades dos controladores e dos administradores. no art. no edital do concurso público. no edital. tidas como instrumento necessário à implantação de grandes projetos relativos à infra-estrutura econômica do Brasil.079. O passo seguinte. dado que os contratos de concessão públicos são muito complexos e celebrados com prazos muito longos. 11. como um dos meios de recuperação judicial.074/95. em evolução natural. devendo obedecer a regras de governança corporativa. bem como a falência do empresário e da sociedade empresária.004. deixando mais nítida a responsabilidade da empresa concessionária e de seus sócios componentes. a formação definitiva do consorcio. com vantagem daquela representar maior estabilidade. Tal situação acabou respaldada pela Lei nº. 9º dessa lei estabelece algumas regras sobre a técnica ora estudada. patrimônio. tendo em conta o programa ditado pela referida lei. entre a sociedade e seus sócios. como ensina Modesto Carvalhosa (op. em pagamento dos créditos. no caso de inadimplemento de contrato de financiamento. A transferência do controle de sociedade de propósito específico dependerá de autorização da Administração. 9. mas se admite que instituições financeiras sob controle estatal eventualmente assumam o controle. os recursos e as aptidões. A Lei Nº. no caso das parcerias público privada. As regras que regem o relacionamento entre os sócios. ou a própria lei que exigir a formação da sociedade de propósito específico. a lei citada permite que esta sociedade assuma a condição de companhia aberta. O tratamento legal das sociedades de propósito específico em nada difere das situações corriqueiras encontradas na legislação. a constituição de sociedade de propósito específico para adjudicar. ainda. os ativos do devedor. segregando obrigações. cit. Existe a possibilidade de emissão de ações “golden share”. a qual autoriza a participação de um consórcio na fase da concorrência. com valores mobiliários admitidos a negociação no mercado. FGV DIREITO RIO 165 . A administração pública não poderá ser titular da maioria do capital votante da sociedade de propósito específico. que regula as concessões de serviços públicos. riscos. “A administração pública evolui para a exigência de constituição de uma sociedade que pudesse nitidamente separar os capitais. A pessoa jurídica. O art.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa definitivamente se adjudicado o pacto. voltada unicamente para a execução do contrato público celebrado”. que regula a recuperação judicial e extra judicial. de 31 de dezembro de 2. foi dado pelo agente público que fazia constar. para celebração deste. Procedia-se. Além de determinar a constituição da sociedade de propósito específico incumbida de implantar e gerir o objeto da parceria. pag 355). após o concurso.101 de 9 de fevereiro de 2. seguido da formação da pessoa jurídica no caso de adjudicação. que refujam ao tipo padrão do modo associativo. A Lei nº. 11. incluí. conforme o que for previsto no edital e no contrato.

Rj. FGV DIREITO RIO 166 . mestrando em Direito Econômico pela universidade cândido mendes . pós-Graduado em Direito privado pela universidade Federal Fluminense.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa jUAN lUIz SOUzA vAzqUEz promotor de justiça-Rj. professor de Direito Empresarial da Escola da magistratura do Rio de janeiro. professor da pós-Graduação em Direito Empresarial da Fundação Getúlio Vargas.

ORGANIZAÇÃO JURÍDICA DA PEQUENA EMPRESA FICHA TÉCNICA Fundação Getulio Vargas Carlos Ivan Simonsen Leal PRESIDENTE FGV DIREITO RIO Joaquim Falcão DIRETOR Fernando Penteado Sérgio Guerra VICE-DIRETOR DA GRADUAÇÃO VICE-DIRETOR DE PÓS-GRADUAÇÃO Luiz Roberto Ayoub Ronaldo Lemos PROFESSOR COORDENADOR DO PROGRAMA DE CAPACITAÇÃO EM PODER JUDICIÁRIO COORDENADOR CENTRO DE TECNOLOGIA E SOCIEDADE Evandro Menezes De Carvalho COORDENADOR DA GRADUAÇÃO Rogério Barcelos Alves COORDENADOR DE METODOLOGIA E MATERIAL DIDÁTICO Lígia Fabris e Thiago Bottino do Amaral Wania Torres COORDENADORES DO NÚCLEO DE PRÁTICA JURÍDICA COORDENADORA DE SECRETARIA DE GRADUAÇÃO Diogo Pinheiro Milena Brant COORDENADOR DE FINANÇAS COORDENADORA DE MARKETING ESTRATÉGICO E PLANEJAMENTO FGV DIREITO RIO 167 .