ORGANIZAÇÃO JURÍDICA DA PEQUENA EMPRESA

AUTOR: MÁRCIO GUIMARÃES COLABORAÇÃO: MÁRCIA BARROSO

3ª EDIÇÃO

ROTEIRO DE CURSO 2010.1

Organização jurídica da pequena empresa

Sumário

AUlA 01: SOCIEDADES NãO-PERSONIfICADAS E SOCIEDADES PERSONIfICADAS ..................................................................................3 AUlAS 02, 03 E 04: REUNIãO COm ClIENTE PARA ElAbORAçãO DO CONTRATO SOCIAl .......................................................................23 AUlA 05: INfORmAlIDADE NO SETOR EmPRESARIAl .......................................................................................................................36 AUlAS 06 E 07: mODElOS SOCIETáRIOS DE ATUAçãO EmPRESARIAl PARA A PEqUENA E méDIA EmPRESA ..........................................55 AUlA 08: A OPçãO PElO mODElO SOCIEDADE lImITADA Em CONTRAPONTO AO mODElO SOCIEDADE POR AçõES .................................73 AUlAS 09, 10 E 11: SER SóCIO DE UmA SOCIEDADE lImITADA ...........................................................................................................82 AUlA 12: A ClASSIfICAçãO DA SOCIEDADE lImITADA ......................................................................................................................92 AUlAS 13 E 14: O fINANCIAmENTO DA SOCIEDADE lImITADA ......................................................................................................... 104 AUlA 15: mECANISmOS DE fORmAçãO DA vONTADE SOCIAl E SUA fISCAlIzAçãO .......................................................................... 118 AUlA 16: DIREITO DE RETIRADA. APURAçãO DE hAvERES. bAlANçO DE DETERmINAçãO................................................................. 129 AUlA 17: DIREçãO DAS ATIvIDADES EmPRESARIAIS ...................................................................................................................... 135 AUlA 18: fORmAS DE ExPURgAR O SóCIO INDESEjADO ................................................................................................................. 149 AUlA 19: A UTIlIzAçãO DA SOCIEDADE lImITADA COmO ESTRATégIA SOCIETáRIA PARA gRANDES OPERAçõES ................................ 158

ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa

AUlA 01: SOCIEDADES NÃO-PERSONIfICADAS E SOCIEDADES PERSONIfICADAS

Aprendemos que o Empresário e a Sociedade Empresária estão sujeitos ao registro a cargo das Juntas Comerciais e as Sociedades Simples no Cartório de Registro Civil das Pessoas Jurídicas. O registro “desvincula” a sociedade da pessoa de seus sócios, atribuindolhe personalidade jurídica, além de conferir autenticidade, segurança e validade aos atos jurídicos pertinentes à sociedade, sendo a publicação destes atos elemento essencial para salvaguardar o interesse de terceiros. Nesta aula discutiremos a leitura do(s) seguinte(s) capítulo(s): – ALMEIDA, José Gabriel Assis de. A noção jurídica de empresa. In Revista de Informação Legislativa Revista de informação legislativa, v.36, n.143, p.211-229, jul./set.,1999 (anexo I) – REQUIÃO, Rubens. Curso de Direito Comercial, 1º volume, 26 edição – São Paulo: Saraiva, 2005; Nrsº 29 a 36-. Págs: 49 a 61; – MARTINS, Fran. Curso de Direito Comercial: empresa comercial, empresários individuais, sociedades comerciais, fundo de comércio/ ed.rev. e atual. - Rio de Janeiro, Forense, 2002; Capítulo Primeiro (sub-itens: I a IV). Págs: 1 a 54; – BORBA, José Edwaldo Tavares. Direito Societário – 7º ed. rev. atual. – Rio de Janeiro: Renovar, 2001; Capítulo I. Págs: 1 a 8; – CAMPINHO, Sérgio. O Direito da Empresa à luz do novo Código Civil – 6º edição revista e atualizada conforme a Lei 11.101/05, Rio de Janeiro: Renovar, 2005; Capítulos 1 e 2. Págs: 1 a 29; – NEGRÃO, Ricardo. Manual de Direito Comercial e de Empresa, vol.1. 4º edição. São Paulo: Saraiva, 2005; Capítulos 1 a 4. Págs: 1 a 58.

Leitura CompLementar: – Páginas 142 a 170 (não-personificadas) e 171 a 204 (Simples) e 238 a 256 (Nome Coletivo) e 257 a 281 (Comandita Simples) dos Comentários ao Código Civil Brasileiro. Do Direito de Empresa (arts. 996 a 1.087), vol. IX. Newton Lucca, Rogério Monteiro, J.A. Penalva Santos e Paulo Penalva Santos. Forense: Rio de Janeiro/2005. – RIZZARDO, Arnaldo. Direito de Empresa. 2 ed. Rio de Janeiro: Forense, 2007, capítulo I; – CORREIA, Antônio de Arruda Ferrer. Lições de direito comercial. Coimbra: Universidade de Coimbra, 1973; – CHULIA, Francisco Vicent. Compendio crítico de Derecho Mercantil. Barcelona. Librería Bosch, 1986; – FERREIRA, Waldemar. Tratado de sociedades mercantis. Rio de Janeiro: Editora Nacional de Direito, 1958; – GOWER, L.C.B. and PRETINCE, D. D. Gower´s principles of modern company law. Londres: Sweet & Maxwell, 1992;

1

Lei nº 556/1850.

FGV DIREITO RIO

3

986)”. Tratado de direito comercial brasileiro. Yves. • Sociedade em Comandita Simples • Sociedade em Comandita por Ações. Renovar/2004. a legislação brasileira prevê outras formas legais de sociedades – personificadas e não personificadas. não tornando ilícito o contrato de sociedade estabelecido entre as partes que atenda às formalidades legais. 1945. subsidiariamente. Neste “as normas da sociedade simples. Para o exercício do ato simples e o ato de empresa. Sociedades em conta de participação Caso: Utilização da Sociedade em Conta de Participação no cenário atual. portanto. – MENDONÇA. O registro no RCPJ ou na JUCERJA – Junta Comercial do Estado do Rio de Janeiro será necessário para que a sociedade adquira personalidade jurídica. embora possa ser constituída mediante instrumento escrito (ato constitutivo: contrato social). a terminologia utilizada para classificação de sociedades é: “simples” e “empresária”. Direito Comercial e Direito Civil foram formalmente unificados e a teoria dos atos de comércio foi revogada. 2 FGV DIREITO RIO 4 . à sociedade em comum (art. J. Crítica a terminologia adotada pelo Código Civil. seria uma sociedade civil. ementário de temas: – – – – – Sociedades Não-Personificadas: • Sociedade em Comum • Sociedade em Conta de Participação Sociedades personificadas: • Sociedade Simples. ambos do Código Civil de 2002. Rio de Janeiro: Freitas Bastos. roteiro de auLa: O Código Comercial1 era o texto legal que regulamentava as sociedades. Todavia. pg. caso contrário. Com o advento do Código Civil de 2002. • Sociedade em Nome Coletivo. X. A pessoa do sócio não se diferencia da personalidade da sociedade. guardados os limites da compatibilidade. Hoje. apenas a falta de atribuição de personalidade. pois. Carvalho de. a sociedade não formalizou seu registro no órgão competente (Registro Público de Empresas Mercantis – Junta Comercial ou Cartório de Registro Civil das Pessoas Jurídicas – RCPJ). conforme veremos a seguir: sociedades não personificadas. o registro não terá a finalidade de definir quem será ou não empresário. as quais eram divididas em “civis” e “comerciais”. josé Edwaldo Tavares Borba in Direito societário.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa – GUYON. – BORBa. 2 vols. como foi analisado em Teoria Geral da Empresa. os modelos societários mais utilizados são: Sociedade Limitada e a Sociedade Anônima. seria uma sociedade comercial. Ademais. 9ª edição. conforme previsão expressa nos artigos 45 e 985. 67. 1986. serão aplicáveis. Droit de affaires. Se a sociedade tivesse como objeto a prática de “atos de comércio”. A ausência do registro do ato constitutivo tem por efeito. Paris: Economica.

150 do Código Civil estabelecem que a sociedade adquire personalidade jurídica com a inscrição de seus atos constitutivos em registro próprio e na forma da lei. mas não tem ativa. Sociedades Personificadas Constituída exclusivamente para a atividade não empresária. podemos considerar uma sociedade sem registro como sendo empresária. pelo seu caráter não-empresarial. Possui patrimônio especial formado por bens e dívidas da sociedade. os sócios participantes não “aparecem”. que deverá se correlacionar com o seu objeto social. Os artigos 45. 997 a 1. imóvel.162). 986 a 990 Sociedade em Conta de Participação art. passando a ser chamada de pessoa jurídica. 990) desde logo é preciso assinalar que. Sociedade em Comum2 (antiga: Sociedade Irregular ou de Fato) art. sendo uma forma contratual que antecede à inscrição dos atos constitutivos em registro competente. embora seja conhecida como “sociedade”. Sociedade Simples art. adotará uma “denominação”. todos os sócios respondem solidária e ilimitadamente pelas obrigações sociais (art. voltada para o trabalho intelectual. os sócios participantes possuem apenas responsabilidade interna. A sociedade é dita personificada quando está legalmente constituída e registrada no órgão competente. cuja prática não constitua elemento de empresa. Somente o sócio ostensivo se obriga. mas participam dos resultados obtidos com os negócios realizados pelo sócio ostensivo.038 FGV DIREITO RIO 5 . Eventual ação de interesse da sociedade deverá ser proposta pelos sócios. ilimitadamente. podendo o contrato social dispor sobre a subsidiariedade (primeiro alcança-se a sociedade e. a figura dos sócios é separada da sociedade que se torna capaz de exercer direitos e assumir obrigações em seu nome. caso esta ostente os requisitos para que seja considerada como tal. O Código Civil trouxe duas hipóteses de sociedade sem personalidade jurídica: Sociedades Não Personificadas trata-se de hipótese bastante comum.993). na verdade é reconhecida pela doutrina como “contrato de participação” e nem mesmo a inscrição dos atos constitutivos em registro competente lhe conferirá personalidade jurídica (art. podendo adicionar uma expressão de fantasia. de forma proporcional à participação no capital social. poderse-ia alcançar o sócio) e os sócios responderão. Sociedade de pessoas com natureza contratual e que. para os pequenos negócios. tem capacidade processual passiva. caso esta não possua bens suficientes para adimplir sua obrigação. deve ser inscrita no Cartório de registro Civil das Pessoas Jurídicas-rCPJ. 985 e 1. trabalho etc). perante terceiros. devendo o contrato prever a maneira como cada um irá contribuir (dinheiro. a atividade prevista no objeto social é exercida apenas pelo sócio ostensivo. para atividades sem estrutura organizacional. perante terceiros.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa sentido. 991 a 996 sociedades personificadas. Por faltar-lhe personalidade jurídica não possui“nome empresarial” (artigo 1. a responsabilidade dos sócios é ilimitada. A partir desse momento. em seu próprio nome e sob sua exclusiva responsabilidade.

” mamEDE. Sua característica principal é a existência de duas categorias de sócios. consideram a sociedade limitada um modelo “misto” de sociedade uma vez que em caso de omissão. somente farão parte os nomes dos sócios diretores ou administradores. supletivamente. 1. Há instituidores.090 a 1. o capital social é dividido em quotas e não pode ser constituído com prestação de serviço.. Ricardo in manual de Direito comercial e de Empresa.092 Será sempre “empresária” (art. todos os sócios serão solidariamente responsáveis pela integralização de todo o capital social. neste caso.045 a 1.1. lei o capital social divide-se em ações. são paulo/2004. não respondendo. a responsabilidade dos sócios (acionistas) é limitada ao valor das ações subscritas ou adquiridas. o administrador será pessoa natural que pode ou não fazer parte do quadro societário. um reconhecimento mútuo obrigatório. sempre. Não podem administrar a sociedade nem ter o nome incluído na firma social. a sociedade existiria mesmo sem o arquivamento de seus atos constitutivos (sociedade não personificada).051 a sociedade responde em primeiro plano pelas obrigações assumidas em seu nome.088 e sua atividade. 1. por obrigações assumidas pela sociedade. Gladston in Direito societário: sociedades simples e Empresárias.087 Sociedade anônima Será sempre “empresária” (art. uma vez não integralizado.) e constituída através de um Estatuto. responsáveis solidária e ilimitadamente pelas obrigações sociais..982. solidária em razão de responderem todos os sócios pelo que faltar para total satisfação dos credores sociais”. Em regra. Com isso. Por isso. como o prof.”) ou “Companhia” (na forma abreviada: “Cia”). perante terceiros. art. não tendo relevância a pessoa de seus sócios8. p. nem a definição de direitos e deveres recíprocos. são pessoas naturais (art. adotará uma “firma social” formada pelo nome de um ou alguns dos sócios. diretor ou administrador (que será obrigatoriamente sócio) responderá subsidiária e ilimitadamente pelas obrigações sociais12. nem de capital. embora de forma subsidiária3.. 282 a ações11 284 da lei 6. pelas regras das sociedades anônimas”.039 a Nome Coletivo 1.342.052 a 1. O Código Civil estabelece que a sociedade não personificada é aquela sem personalidade jurídica. que poderão ser negociadas no 6. perante terceiros. perante a sociedade. o capital social é dividido em ações. Sociedade limitada art. não adota firma social9 e sim uma denominação composta por qualquer vocábulo ligado a art. como o Prof. sendo uma forma de garantia para os credores. p. não há mesmo. evidenciando a vontade de constituir uma sociedade.ú. Comanditários – obrigados apenas pelo valor de suas quotas. a personalidade jurídica da sociedade surgiria com a affectio societatis e não com arquivamento. Poderá adotar estrutura de denominação ou firma. ilimitada e solidariamente pelas obrigações sociais4. no qual os acionistas não são sequer nomeados e qualificados. e acionistas que vão aderindo ao empreendimento.044 os sócios. Em outras palavras. pg. Ricardo negrão. como tal compreendidos aqueles responsáveis pela fundação da companhia.039) e respondem. acompanhado da expressão “e companhia”.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa Sociedade em art. FGV DIREITO RIO 6 . 5 Sociedade em Comandita por art. somente o arquivamento acarretará no seu nascimento14. 1. pois se é sociedade como não terá personalidade? Neste sentido. a limitação ultrapassa a quota do sócio. É uma sociedade de capital. 6 7 a elaboração do ato constitutivo da sociedade anônima será através de “uma ata de assembléia na qual se ajustam as normas de seu estatuto social (e não contrato social). esta última. nEGRãO. 1. devidamente discriminados no contrato social: Comanditados: somente pessoas naturais. originária ou derivadamente. optando por esta. interpretaram o dispositivo entendendo que a sociedade estará criada no momento em que as partes se unirem. já que essa é a natureza jurídica das sociedades. obrigatoriamente.. A expressão “sociedade não personificada” é contraditória. pelo que faltar.404/76 mercado (Companhia aberta) ou não. Esgotado o patrimônio da sociedade. 1.) e constituída através de um Estatuto7 (e não contrato social).384. muitos autores. quando mantêm a titularidade os acionistas presentes no estatuto social (Companhia Fechada). Entendemos que não há como identificar uma sociedade que não seja uma pessoa jurídica de direito privado13. são paulo/2005. serão solidariamente responsáveis6. ela não é sociedade de pessoas.a.982. Sérgio Campinho.ú. respondendo os acionistas apenas pelo valor das ações subscritas ou adquiridas (responsabilidade limitada). regese pelas normas da sociedade simples e.089 anônima” (na forma abreviada: “S. via de conseqüência. 3 4 a responsabilidade será “ilimitada porque ultrapassa os limites do patrimônio social quando este é insuficiente. a responsabilidade dos sócios é limitada à integralização do capital social. o sócio obriga-se a integralizar suas quotas (responsabilidade pessoal). porém. no início da denominação10. responderão os sócio. saraiva. que deverá vir acompanhado da expressão “sociedade 1.404/76 Crítica à terminologia adotada. trata-se de uma sociedade de pessoas5. alguns doutrinadores. portanto. Sociedade em Comandita Simples art. pg. atlas.

são exatamente aqueles referidos implicitamente pela Carta Maior. II do código civil. os Tribunais. a legislação tributária vislumbrou o caminho mais lucrativo para os cofres públicos. e pode provar-se por todo o gênero de provas admitidas nos contratos comerciais”. Decorre esse fato da responsabilidade limitada dos sócios. Mesmo antes do advento do Código Civil de 2002.” – Recurso Especial 168028-SP19. cit. Rio de janeiro/2002. esquecendo-se. 990. tomando assim. Até o ano de 1986. do art. 988 estabelece que os bens da Sociedade em Comum gozam de proteção especial. conceitos e formas de direito privado”.091 §1º). em sua maioria.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa A sociedade de que trata o artigo 986 é a sociedade irregular ou de fato. Os conteúdos e conceitos dos institutos previstos no Código Civil. que são os diretores e administradores”. 28ª edição. 1. Os terceiros.233. que apenas assumem o compromisso de integralizar as importâncias relativas às ações que adquirirem ou subscreverem. o art. cumprida a obrigação principal dos sócios de concorrer com sua parte para o capital. 11 12 Em havendo mais de um diretor ou administrador a responsabilidade será solidária (art. “uma vez que. não podendo sofrer alteração pela norma tributária. Forense. a retirada dos mesmos do organismo social não tem influência sobre esse. o conteúdo e o alcance de institutos. ora revogados. Vejamos alguns julgados (a íntegra dos acórdãos está disponível ao final – jurisprudência): – Recurso Especial 474404-PR18. por outro lado. o STJ decidiu que na SCP somente o sócio ostensivo que se obriga perante terceiros por todas as obrigações e operações sociais. Essa responsabilidade nunca pode ser atribuída ao sócio participante. 10 josé Edwaldo Tavares Borba entende se tratar de sociedade de responsabilidade mista.11017 do CTN. Mas não podemos falar em “patrimônio da sociedade” porque o patrimônio é inerente à personalidade e como não existe sociedade não há personalidade! O que a sociedade em comum possui é um “patrimônio afetado” (patrimônio de afetação). Este “benefício de ordem” caracteriza o modelo de responsabilidade subsidiária que faculta às partes estabelecer o que deverá ser alcançado primeiro numa eventual execução. Esse dispositivo estabelece que a norma tributária “não pode alterar a definição. Neste sentido. dispõe de sócios de responsabilidade ilimitada. traçando. para evitar confusão com a sociedade em nome coletivo. sem que isso descaracterize a denominação transformando-a em firma. 143. Fran in curso de Direito comercial. 13 14 art. que sequer é conhecido daqueles com os quais a sociedade contrata. o modelo de responsabilidade subsidiária para ela. porém. que contratam com a sociedade. o STJ decidiu que “não há falar em citação de sociedade em conta de participação que não tem personalidade jurídica e nem existência perante terceiros. Os artigos 325 a 32815 do Código Comercial. pg. FGV DIREITO RIO 7 . 44. regulamentavam a sociedade em conta de participação de uma forma relativamente vaga. pois essa inclusão nada mais é que uma homenagem. inclusive. que diante da omissão dos artigos do Código Comercial. sociedades em conta de participação – sCp. pg. maRTIns. para base de suas operações apenas o patrimônio da sociedade. além dos sócios de responsabilidade limitada. que poderá ser alcançado primeiro pelo credor conforme estabelece o art. Em relação à personalidade jurídica estabelecia que a SCP “não está sujeita às formalidades prescritas para a formação das outras sociedades. Sua equiparação à pessoa jurídica para fins fiscais ocorreu com o Decreto-Lei 2303/8616. atribuiu-lhe a condição de sujeito passivo da obrigação tributária. 110 do CTN que é a norma de integração dos institutos de Direito Privado e Direito Tributário. quanto à personalidade jurídica. Ato contínuo. Mas como foi criado um modelo de responsabilidade se a sociedade não existe? Essa é a questão. Essa a razão de se dizer que as pessoas dos sócios não são levados em consideração na existência das sociedades anônimas”. no rol previsto no art. Apesar de não constar. a SCP não era considerada contribuinte para o FISCO. arts. sendo que este “patrimônio especial” será atingido pelas dívidas da sociedade. já aceitavam a idéia da inexistência da personalidade jurídica das SCP. “as sociedades anônimas são consideradas sociedades de capital pois vivem em função deste. O problema é que o Código Civil passou a considerála “sociedade”. 8 9 O nome empresarial poderá ser composto pelo nome do fundador ou de pessoa relevante para a companhia. não merecendo atenção especial a pessoa dos sócios. expressamente. não contam com garantias subsidiárias por parte dos acionistas. o Código Civil regulamenta as relações entre pessoas naturais e jurídicas sob o amparo da Constituição Federal. Op. pois a sociedade se constitui em função do capital. 45 e 985 do código civil. hoje identificada como “sociedade em comum”.

tampouco figurar como sócios. art. Leis Orgânicas do Distrito Federal e dos municípios. o sócio João é apresentado a um grupo de quatro investidores que tem um grande capital disponível e que está disposto a investi-lo no setor produtivo. Caso gerador: CONFECÇÃO MALHA FINA LTDA. os sócios participantes contribuem para a formação de um “patrimônio especial”. assim como na tributação dos lucros apurados e dos distribuídos. salvo o direito dos sócios prejudicados contra o sócio-gerente. expressamente. 1. trabalhando um. Durante um jantar de negócios. contratando em seu nome. alcançando a demanda tal e qual posta pelo autor. serão observadas as normas aplicáveis às demais pessoas jurídicas. art 7º Equiparam-se a pessoas jurídicas. dos Estados. se reúnem. NOMEAÇÃO DE LIQUIDANTE. INDENIZAÇÃO. uma vez que não provem que o dito terceiro tinha conhecimento. o sócio ostensivo é o único que se obriga para com terceiro. então apelante. os outros sócios ficam unicamente obrigados para com o mesmo sócio por todos os resultados das transações e obrigações sociais empreendidas nos termos precisos do contrato. muito embora não tenha know-how em malharias. Como seu principal credor é o FISCO. que a SCP não tem e não pode adquirir personalidade jurídica. trabalho etc) e participam dos resultados. assumindo o papel de sujeito passivo das obrigações principais e acessórias. II. assim. momentânea ou anônima. DISSOLUÇÃO. parágrafo único. 16 constituições Federal. 17 FGV DIREITO RIO 8 . a SCP é pessoa jurídica para fins tributários e um contrato para o direito empresarial. SOCIEDADE EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO. é o sócio ostensivo quem se obriga perante terceiros. Não há falar em citação da sociedade em conta de participação. e 535 do Código de Processo Civil quando o Acórdão recorrido está amplamente fundamentado. acidental. O sócio ostensivo. em nenhuma circunstância. em seu nome individual para o fim social. se valendo dos outros ramos do direito em caso de omissão. e pode provar-se por todo o gênero de provas admitidas nos contratos comerciais. com os fundos pertencentes a quaisquer das mesmas contas. as sociedades em conta de participação. 7º do Decreto-Lei 2303/8620. O sócio ostensivo que realiza as operações (obtendo lucro ou prejuízo). Por exercer com exclusividade a atividade constituída no objeto social. 328 – no caso de quebrar ou falir o sócio-gerente. Pergunta-se: a) Como o grupo de investidores poderia investir na malharia. em uma ou mais operações de comércio determinadas. antes da quebra. não consegue tomar empréstimo junto a instituições financeiras e seus 05 sócios já começam a se desesperar.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa O Código Civil de 2002 estabeleceu. 325 – quando duas ou mais pessoas. sendo ao menos uma comerciante. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. para os efeitos da legislação do imposto de renda. que não tem personalidade jurídica. é lícito ao terceiro com quem houver tratado saldar todas as contas que com ele tiver. além de sua contribuição (normalmente através da prestação de serviços). na forma prevista no contrato (com dinheiro. Conferiu-lhe uma forma jurídica à disposição de empreendedores para a exploração de atividades cuja obrigação econômica seja de apenas um dos sócios (sócio ostensivo) perante terceiros. 15 JurisprudênCia. CITAÇÃO DA SOCIEDADE CONSTITUÍDA. pratica todas as operações oriundas do objeto social. 2. art. 327 – na mesma sociedade o sócio-gerente responsabiliza todos os fundos sociais. há mais de 20 anos atuando no mercado interno. na apuração dos resultados dessas sociedades. ainda mesmo que seja por obrigações pessoais. imóvel. para lucro comum. Não há violação aos artigos 458. alguns ou todos. 326 – na sociedade em conta de participação. está passando por uma grave crise financeira. mas têm objetivos em comum. da existência da sociedade em conta de participação. Tanto a sociedade limitada quanto os investidores não se “conhecem”. ainda que os outros sócios mostrem que esses fundos lhes pertencem. quem seriam o sócio ostensivo? art. ele é o único com legitimidade para adquirir direitos e contrair obrigações. Na seara tributária a idéia de considerar a SCP “personificada” permanece. cuja rentabilidade eles acreditam? Como se daria esse procedimento? b) Na hipótese da criação de uma SCP. se o terceiro com quem tratou ignorava a existência da sociedade. A hipótese dos investidores tornarem-se sócios da Limitada está totalmente descartada uma vez que eles não querem ser sócios de ninguém. sem firma social. Na SCP. art. posto que abertas sejam debaixo de distintas designações. A questão restou solucionada com base na assertiva de que o direito tributário pode traçar conceitos próprios. a associação toma o nome de sociedade em conta de participação. na forma do art. nem existência perante terceiros. esta sociedade não está sujeita às formalidades prescritas para a formação das outras sociedades.

– Recurso especial não conhecido.2002. (REsp 168. que o exame dessa inferência obriga esta instância especial a revolver os elementos probatórios insertos nos autos e. diante da realidade dos autos. ministro caRLOs aLBERTO mEnEzEs DIREITO. DJ 07. Na sociedade em conta de participação o sócio ostensivo é quem se obriga para com terceiros pelos resultados das transações e das obrigações sociais. exercício de 1982. Sobreleva notar. Hipótese de exploração de flat em condomínio. Dj 22. Rel. DJ 10.2001. Ministro CESAR ASFOR ROCHA. SÓCIO OSTENSIVO. Justifica-se a nomeação.704/PR. TRIBUTÁRIO – IMPOSTO DE RENDA – SOCIEDADE EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO – AUSÊNCIA DE CAPACIDADE TRIBUTÁRIA PASSIVA À ÉPOCA DA EXIGÊNCIA DO TRIBUTO – ALEGADA TRANSFERÊNCIA DO RESULTADO DA SÓCIA OSTENSIVA PARA A SÓCIA OCULTA – CORTE DE ORIGEM QUE AFIRMA QUE ESSA PARTICULARIDADE NÃO FOI COMPROVADA PELO FISCO – RECURSO ESPECIAL NÃO CONHECIDO. resta evidente que os argumentos expendidos pela União Federal não possuem a força de abalar os fundamentos do r. em razão do contrato social.2003 p.10. a sociedade em conta de participação não era equiparada. constata-se que a Corte ordinária.12.08. que demonstram a animosidade existente. Recurso especial não conhecido.2002. SOCIEDADE EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO. 172). Ministro CARLOS ALBERTO MENEZES DIREITO.2003 p. julgado em 07. aspectos que não podem ser examinados.2002. Ministro FRANCIULLI NETTO. de 1986. Rel. transferência do resultado que se pretende tributar. embasada no conjunto probatório encartado nos autos. 18 (REsp 168. Rel. 5.303.03.12. (REsp 474. julgado em 17. TERcEIRa TuRma. SEGUNDA TURMA. julgado em 07. para fins tributários. 326) 19 neste sentido: REsp 193690/ pR (vide jurisprudência). Afastando as instâncias ordinárias a indenização por falta de prova. ministro cEsaR asFOR ROcHa.08.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa 3. 326).028/sp. nunca o sócio participante ou oculto que nem é conhecido dos terceiros nem com estes nada trata. consignou que “o fisco não logrou demonstrar ter havido efetiva transferência de resultado da sócia ostensiva para a sócia participante. 213) COMERCIAL. do liquidante. porque ausente recurso da parte interessada. julgado em 17. Rel. não tem consistência o pedido de extinção do processo ao argumento de que teria a sentença considerado o pedido inepto.10. DJ 22.03. (REsp 474.10. (REsp 193690/PR. julgado em 04.028/SP. embora no caso de sociedade em conta de participação. no períodobase de 1981. 4. 20 FGV DIREITO RIO 9 . QUARTA TURMA. seja discutível tanto a dissolução judicial quanto a existência de liquidação e partilha.704/pR. 213). – Ancorados em doutos ensinamentos doutrinários. a sociedade em conta de participação não possuía capacidade tributária passiva. desde logo. a que alude o auto de infração” (fl. Rel. ou não. quaRTa TuRma.2001 p. por conseguinte. 210) – grifamos. voto condutor. à pessoa jurídica.2001 p. realizadas ou empreendidas em decorrência da sociedade. 7 deste Sodalício a qual estabelece que “a pretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial”. Recurso conhecido e provido.2002 p. Dessa forma. RESPONSABILIDADE PARA COM TERCEIROS. Dj 10.06. se o tributo em discussão data de 1981. TERCEIRA TURMA. uma vez que até o advento do Decreto-lei n. 2. afrontar a jurisprudência sedimentada por meio da Súmula n.2001. – No pertinente a ter havido.

67.2006 93ª Questão: Assinale a alternativa inteiramente correta. d) somente a alternativa “a” está incorreta. gozam de benefício de ordem.JUIZ FEDERAL . 28º EXAME DE ORDEM – SEÇÃO DO RIO DE JANEIRO – 2ª FASE – DIREITO COMERCIAL. O Código Civil deu personalidade às sociedades informais. neste caso. os demais sócios. c) as em comum. PROVA DISCURSIVA. b) as em conta de participação.2008 61ª Questão: Quanto a uma sociedade em comum que explora o ramo da prestação de serviços mecânicos. PROVA CONCURSO PúBLICO/MG . c) Com exceção daquele que contratou pela sociedade. PROVA DISCURSIVA. d) É possível sua dissolução judicial. a) A sua existência pode ser comprovada pela transcrição. desde que o sócio requerente comprove a existência da sociedade ainda que por prova oral. 3 – É correta a afirmação de que o registro dos atos constitutivos das sociedades não personificadas no órgão competente produzirá o mesmo efeito em relação a cada uma delas? Responda justificadamente PROVA CONCURSO PúBLICO/3ª REGIÃO . de instrumento celebrado entre os sócios. As sociedades não personificadas são: a) as simples.JUIZ . a aplicação do benefício de ordem. destacando.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa Questões de ConCurso PROVA DO CONCURSO PARA JUIZ DO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SERGIPE – Aplicação: 01/02/04. b) Está sujeita a falência. julgue o item seguinte. no Cartório de Títulos e Documentos. e qual a abrangência da responsabilidade dos sócios da sociedade comum em ralação às obrigações sociais. 25º EXAME DE ORDEM – SEÇÃO DO RIO DE JANEIRO – 2ª FASE – DIREITO COMERCIAL. apesar de responderem solidária e ilimitadamente pelas obrigações sociais. às quais passou a classificar como sociedade comum. No que tange às alterações introduzidas. Responda justificadamente. O Código Civil de 2002 alterou parcialmente a estrutura de classificação das sociedades estabelecida no Código Comercial de 1850. 5 – O que diferencia a sociedade comum das sociedades personificadas. FGV DIREITO RIO 10 . 1. assinale a alternativa INCORRETA.

mas negar o mesmo direito a uma indústria que fabricava vagões para trens. Já a nobreza e o clero – e as suas atividades. as normas existentes eram escassas.3. em razão da necessidade dos comerciantes criarem um sistema normativo que atendesse às necessidades das suas atividades. 2. Assim.1 A modificação das regras do jogo societário. Seriam as atividades industriais atividades comerciais? A resposta era negativa.3.3 A alteração das regras societárias face ao direito adquirido e ao ato jurídico perfeito.2 Argumentos a favor da não aplicação das novas regras. Para tanto. Com efeito.e da unirio – universidade federal do estado do rio de Janeiro advogado no rio de Janeiro(brasil) e em Lisboa(portugal) sumário A transição de um direito dos comerciantes para um direito de empresas.2 A aplicação das novas regras às sociedades. a atividade industrial não podia corresponder à definição de ato de comércio.universidade do estado do rio de Janeiro. que não se misturava nem com a nobreza. Por outro lado. parecei um despropósito permitir que uma pequena mercearia pudesse impetrar concordata. pois na atividade industrial não está presente a intermediação. A unificação dos regimes das sociedades. 3. por um lado. nasceu o problema do enquadramento jurídico desta atividade. aplicável às relações jurídicas em geral. A situação da sociedade que não se adaptou ao Código Civil de 2002 a transição de um direito de comerciantes para um direito de empresas O direito comercial surgiu na Idade Média. 3. nem com o clero e nem com os servos. pois não havia uma preocupação dos titulares dos poderes(senhores feudais e clero) em sistematizar a regulamentação da atividade comercial. Com efeito. com o surgimento e o desenvolvimento da indústria( principalmente a partir do séc.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa Anexo I apontamentos sobre o regime geraL das soCiedades no brasiL José gabriel assis de almeida doutor em direito pela université panthéon assas – paris ii professor da uerJ.XIX). Assim. os comerciantes constituíam uma categoria social à parte. 3. os comerciantes – e as atividades – eram regidos pelo direito comercial. 3. No entanto. essencialmente ligadas à exploração da terra – eram regidos pelo direito civil.3. Ademais. a diversidade das normas existentes entre os diferentes feudos era incompatível com a expansão da atividade comercial. Argumentos a favor da aplicação das novas regras. FGV DIREITO RIO 11 . além de díspares. 3. Cabe esclarecer que esta dicotomia correspondia também a uma dicotomia social e até política. A adaptação das sociedades à transição normativa. era inegável que a atividade industrial tinha – e tem – similitudes com a atividade comercial. 3. 3.4. O direito comercial surgiu assim como um sistema separado do regime normal. mas sim a transformação dos produtos.

tradicionalmente. a Consolidação das Leis do Trabalho. fazia da mercancia a sua profissão habitual. Por exemplo. Ou seja. matriculado em um dos tribunais do Império. isso porque. normas de enquadramento da atividade econômica que não levavam em consideração a distinção entre a atividade comercial e a não comercial. Deste modo.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa A inadequação da dicotomia entre o direito comercial e o direito civil ficou ainda mais evidente com o crescimento do setor dos serviços no decorrer do séc. Assim. Esta unificação legislativa do regime jurídico das diferentes atividades acentou-se em épocas mais recentes. Este código nasceu fundado na figura do comerciante. o regulamento 737. não há qualquer menção à qualidade comercial ou civil do empregador. ao definir o fornecedor do produto ou serviço já não faz qualquer distinção em razão do caráter FGV DIREITO RIO 12 . o fato de admitir-se que o comerciante. assumindo os riscos da atividade econômica admite. Com a aceleração do progresso econômico e o desenvolvimento econômico surgiu. por exemplo. uma parte importante da atividade econômica consiste na prestação de serviços que. pudesse falir. no art.XX. salvo os de corretagem. de 1943. Nesse sentido. que até hoje regulamenta a maioria das relações trabalhistas de emprego no Brasil define. como as atividades civis de caráter econômico(nomeadamente as atividades industriais e as atividades de prestação de serviços destituídos de caráter de intermediação) passaram a estar submetidas ao mesmo regime. o direito empresarial. através do exercício da atividade de cunho econômico. tornou-se inelutável a unificação do regime de todas as atividades econômicas. O direito brasileiro. que. Esta opção ia em sentido contrário do Código de Comércio francês. de 1807. atualmente. de forma cada vez mais freqüente. nas ciências econômicas.4 “como todo aquele que. tanto as atividades comerciais. Assim. O Código Comercial de 1850 não definia o ato de comércio. assalaria e dirige a prestação pessoal do serviço. durante muitos e muitos anos. Assim. desde 1850.Lei 8078/90-. atribuindo-lhe. o Brasil adotou um código comercial que cuidava das relações comerciais. definido no art. A este fenômeno não é estranho o fato de os Tribunais de Império terem sido abolidos e ter-se admitido que a qualidade de comerciante não decorria da matrícula do mesmo. sendo apenas relevante que o mesmo exerça atividade econômica”. O Código de Defesa do Consumidor. a noção de atividade comercial. mesmo não matriculado. XIX. era quem delineava os contornos dos atos de comércio. Apesar de revogado no final do séc. assim. sob o ponto de vista do comerciante”. como a unidade de produção ou circulação de riqueza. que passou a ser mera presunção de comercialidade. definindo o âmbito de aplicação do direito comercial sob o ponto de vista subjetivo. começaram a aparecer. mas sim do exercício da atividade comercial. o Brasil passou a conhecer o mesmo fenômeno de ruptura da dicotomia entre direito comercial e direito civil. Com efeito. XX. o regulamento 737 continuou a influenciar. “empregador como a empresa individual ou coletiva. a idéia de empresa. que – na linha da abolição dos privilégios e tendo criado a liberdade de indústria e comércio – assentava o direito comercial no ato de comércio. afastou por completo o caráter constitutivo da matrícula. ou seja. enquadram-se mal na definição de atividade comercial. ou seja. principalmente a partir da segunda metade do séc. Com o desenvolvimento e a modernização econômica. uma feição objetiva.2. também de 1850. fazia a distinção entre o direito comercial e o direito civil.

etc. a distribuição. exportação. tradicionalmente. não sendo comerciantes. A natureza comercial ou não do fornecedor é nitidamente relevante. sociedade em FGV DIREITO RIO 13 . antes da promulgação do novo Código Civil.966.20 da mesma Lei 8884/94 que define as infrações.15 é claro. Portanto. veio consagrar a unificação do regime jurídico dos agentes econômicos. bem como os entes despersonalizados que desenvolvem atividade de produção. curiosamente. com a consagração a noção de empresário. E essas infrações decorrem todas do exercício de uma atividade econômica. nacional ou estrangeira.15 da referida lei. Aliás. Com efeito. o exercício de atividade de natureza econômica: a produção.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa comercial ou não da atividade desenvolvida. a unificação do regime das sociedades Esta unificação do regime das atividades. criação. Para o CDC não é relevante saber se o fornecedor é comerciante ou não. pública ou privada. exercem uma atividade econômica organizada. ou seja. ainda que temporariamente. Deste modo.3 deste diploma legal define o fornecedor da seguinte forma: “Fornecedor é toda pessoa física ou jurídica. quais sejam: as sociedades comerciais e as sociedades civis. por si só. no Brasil existiam dois tipos de sociedade. ao estabelecer que: “Considera-se empresário quem exerce profissionalmente atividade econômica organizada para a produção ou circulação de bens ou de serviços”. esta unificação deu-se. constituídas de fato ou de direito. importação. é imprestável para definir a aplicação do direito da concorrência. construção. As sociedades comerciais eram as sociedades dos tipos previstos no Código Comercial de 1850 – sociedade em nome coletivo.15 da Lei 8884/94 – Lei de Defesa da Concorrência: “Esta Lei aplica-se às pessoas físicas ou jurídicas de direito público ou privado. o art. A noção de atividade empresária veio recobrir todas as atividades de caráter econômico.15. Na verdade. com a possibilidade das sociedades civis adotarem a forma comercial e com a modificação do regime de registro das sociedades comerciais. Assim. no art. comerciantes e não comerciantes estão sujeitos ao mesmo regime. No mesmo. Na definição do destinatário a comercialidade é irrelevante. o alcance da norma é dado pelo art. O art. mas apenas se o fornecedor coloca um produto ou serviço no mercado de consumo. No Brasil. com ou sem personalidade jurídica. transformação. montagem. distribuição ou comercialização de produtos ou prestação de serviços” O ponto manifestamente relevante da definição de fornecedor é. a sociedade em comandita simples. a importação. mesmo que exerçam atividade sob o regime de monopólio legal” O art. para a Lei 8884/94 é irrelevante se o agente é um comerciante ou não comerciante. a mesma aplica-se a todos que. possam praticar atos restritivos de concorrência. de uma forma ou de outra. nos termos do art. Portanto. o art. caput. tanto são empresários os comerciantes quanto aqueles que. O Código Civil de 2002. O fornecedor define-se em virtude do exercício dessa atividade econômica. mais uma vez. traduziu-se também na unificação do regime das sociedades. bem como quaisquer associações de entidades de pessoas. na unificação do regime dos empresários coletivos. nas relações de consumo.

ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa

conta de participação, e a sociedade de capital e indústria – a sociedade por quotas de responsabilidade limitada – regida pelo Decreto 3708/19- e as sociedades por ações – sociedade anônima e sociedade em comandita por ações – previstas na Lei 6404/76. As sociedades civis eram as sociedades do tipo previsto no art.1363 e seguintes do Código Civil de 1916. A qualidade comercial ou civil da sociedade era dada em razão da atividade exercida pela sociedade. Dessa forma, se a sociedade era comercial, a sociedade deveria revestir um tipo comercial, ao passo que, se a atividade era não comercial, a sociedade deveria revestir o tipo civil. No entanto, o art.1364 do Código Civil permitia às sociedades civis adotarem um tipo comercial. Desta forma, caso a sociedade civil opta-se por um tipo comercial, a estrutura da sociedade civil passava a reger-se pelas normas de direito comercial, mantendo-se, porém, como sociedades civis no tocante à atividade. As diferentes possibilidades estão representadas no quadro abaixo, vejamos:
Situação 1 Sociedade de tipo civil Exercício de atividade civil Sociedade civil Situação 2 Sociedade de tipo comercial Exercício de atividade civil Sociedade civil Situação 3 Sociedade de tipo comercial Exercício de atividade comercial Sociedade comercial

Deste modo, já a partir de 1916, havia um esbatimento da distinção entre sociedades civis e sociedades comerciais – pelo menos quanto à forma – pois aa sociedades civis podiam adotar um tipo comercial. Esta distinção entre sociedades civis e comerciais atenuou-se mais ainda em 1994. Até 1994, as sociedades civis (seja as da situação 1, seja as da situação 2) tinham os seus atos constitutivos registrados no Registro Civil das Pessoas Jurídicas. Por seu lado, as sociedades comerciais (isto é, as da situação 3) tinham os seus atos constitutivos arquivados na Junta Comercial. Entretanto, a Lei 8934/94, no art.1, determinou que fossem arquivados na Junta Comercial: a) os contratos sociais das sociedades comerciais (situação 3); b) os contratos sociais das sociedades civis, com forma comercial (situação 2). Portanto, as sociedades comerciais, e uma parte das sociedades civis, passaram a estar sujeitas ao mesmo regime de registro. Com a promulgação e a entrada em vigor do novo Código Civil, o regime societário brasileiro ficou profundamente alterado. Aliás, o ano de 2002 trouxe duas grandes novidades: a entrada em vigor da lei 10303/01, que modificou a Lei das Sociedades por Ações e a promulgação do novo Código Civil. Um dos principais pontos desta alteração é a substituição da dicotomia do regime societário entre sociedades comerciais e sociedades civis, pelo regime de: a) associações; b) sociedades simples; c) sociedades empresárias.
FGV DIREITO RIO 14

ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa

A distinção entre cada uma destas categorias é a seguinte: a) a sociedade empresária é a que exerce profissionalmente uma atividade econômica organizada para a produção ou circulação de bens ou serviços (por ex.: o caso de uma sociedade fabricante de automóveis); b) a sociedade simples é a que exerce uma atividade intelectual, de natureza científica, literária ou artística, ainda que haja emprego de auxiliares (por ex.: uma sociedade de profissionais liberais – médicos) c) a associação tem fins não econômicos (por ex.: uma associação recreativa ou cultural). Além desta distinção, cabe assinalar que o novo Código Civil criou as seguintes sociedades:
Regime anterior sociedades Comerciais Sociedade em nome coletivo Sociedade em comandita simples Sociedade em conta de participação Sociedade irregular ou de fato Sociedade por quotas de responsabilidade limitada Sociedade de capital e indústria sociedades Civis sociedade Civil Regime do NCC sociedades empresárias Sociedade em nome coletivo Sociedade em comandita simples Sociedade em conta de particicpação Sociedade em comum Sociedade limitada abolida sociedades não empresárias sociedade simples

Portanto, com o novo Código Civil passa a existir um regime único para as sociedades. Não há mais distinção entre sociedades civis e sociedades comerciais. As sociedades que exercem atividade econômica passam a estar todas submetidas ao mesmo regime. Há, portanto, uma unificação do direito societário brasileiro. Esta unificação é ainda reforçada pelo fato do NCC determinar a regência supletiva das regras sobre as sociedades simples, para todas as demais sociedades. Na verdade, as variações vão ocorrer dentro desse regime único, consoante o tipo de atividade – empresarial ou não empresarial – que será exercido.

a adaptação das sociedades à transição normativa No momento da entrada em vigor do Código Civil de 2002 haviam sido constituídas, no Brasil, entre 1985 e 2001, mais de 3.900.000 (três milhões e novecentos mil) sociedades por quotas de responsabilidade limitadas no Brasil. No mesmo período, haviam sido constituídas cerca de 17.000 (dezessete mil) sociedades anônimas1. Portanto, quando da transição de um quadro normativo para o outro, estava em causa um universo gigantesco de sociedades, sociedades estas com características muito diferentes. Por exemplo, as sociedades limitadas cobrem uma grande variedade de atividades de tamanhos diferentes, desde o pequeno comércio da padaria, da mercadoria, do açougue, do

1 V. site www.dnrc.gov.br, acessado em 28.04.07

FGV DIREITO RIO

15

ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa

restaurante, até à indústria de médio porte, em alguns casos a indústria também de grande porte e cobrem também as sociedades “holding” de grupos financeiros, indústrias e etc. Neste aspecto uma das questões interessantes do Código Civil de 2002 é, precisamente, a necessidade de ter uma norma que seja ao mesmo tempo geral, para cuidar de todas as sociedades limitadas, e ao mesmo tempo uma norma que seja suficientemente precisa ou específica para cuidar dos diferentes problemas de cada molde, de cada tipo de sociedade limitada. Quando da entrada em vigor do Código Civil de 2002 houve uma grande resistência, como é natural em todas as mudanças. O Código Civil de 2002 sofreu forte rejeição, pois o Código Civil veio provocar uma profunda mudança nas regras então vigentes para a atividade societária2. Com efeito, além de abolir o conceito de sociedade comercial e criar o conceito de sociedade empresária, conforme visto no item 2 acima, o Código Civil modificou substancialmente as regras de constituição e funcionamento das sociedades, em especial das sociedades limitadas, das sociedades em nome coletivo, das sociedades em comandita e das sociedades em conta de participação e criou as novas figuras das sociedades em comum e das sociedades simples3. Como se passa a demonstrar, o Código Civil de 2002 não apenas trouxe novas regras, mas essas novas regras afetam os direitos dos sócios, cabendo então examinar como tratar essas modificações à luz da Constituição da República que protege o ato jurídico perfeito e o direito adquirido.

a modificação das regras do jogo societário Sem querer entrar no detalhe de todas as mudanças, há algumas que merecem destaque, pis são as mais relevantes. Entre elas está, certamente, a forma das deliberações sociais. O novo Código Civil institui a assembléia geral e a reunião dos sócios, e faz desaparecer um pouco aquele estado de “deliberação permanente” que há num determinado tipo de sociedade limitada. Trata-se, no caso, das sociedades de grande proximidade, com poucos sócios que se dedicam diuturnamente à atividade empresária. Esses sócios não realizam reuniões formais de sócios e muito menos assembléias gerais. Os sócios encontram-se diariamente, trabalham em conjunto e vivem naquilo que poderia ser chamada assembléia geral ou reunião de sócios permanente. Uma segunda mudança diz respeito à periodicidade das reuniões e assembléias gerais. No regime anterior ao Código Civil de 2002 não havia uma periodicidade estabelecida. Os sócios podiam reunir-se a qualquer momento ou poderiam nunca se reunirem formalmente. O Código Civil de 2002, no art.1071, inc.I, criou a obrigação de pelo menos uma reunião anual para tomar as contas dos administradores e aprovar o balanço. Uma terceira mudança – e que talvez seja a mais importante – dizem respeito aos quoruns de deliberação. Anteriormente, as regras eram muito simples: As deliberações sociais – independentemente da matéria – eram tomadas pelo voto dos sócios que representavam cinqüenta por cento mais um do capital social. Após o Código Civil de 2002, as deliberações passam a ter uma multiplicidade de quoruns. Por exemplo, (i) quorum de cem por cento do capital social para designar o ad-

Basicamente as bem conhecidas e experimentadas disposições do código comercial de 1850 e do decreto 3708/19, disposições cuja longevidade é de salientar num país como o Brasil em que as leis são revogadas e novas leis são promulgadas a uma velocidade vertiginosa.
2

as sociedades anônimas e as sociedades em comandita por ações tiveram as suas regras preservadas, pois estão submetidas ao disposto na Lei 6404/76 os arts.1080 e 1090 do código civil estabeleceram a continuação da regência daquela lei especial.
3

FGV DIREITO RIO

16

(i) quorum de três quartos do capital social para alterar o contrato social e deliberar sobre transformação.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa ministrador não sócio..]” Ou seja. No antigo regime o desempate era pela sorte. o art. Em seguida. Por outro lado.] mas os seus efeitos. na medida em que o Código Civil de 2002. Já os efeitos do ato após a entrada em vigor do novo Código Civil passam a ser os efeitos atribuídos pelo novo Código Civil. no período de adaptação das sociedades ao novo Código Civil. fusão. produzidos após a vigência deste Código.1076 do novo Código Civil é expressa. Acresce que a enumeração dos quoruns de deliberação no art. 2033 determina que as modificações dos atos constitutivos das sociedades regem-se. em caso de empate. aos preceitos dele se subordinam.. a sociedade por quotas de responsabilidade limitada podia adotar institutos próprios da sociedade anônima. quando o capital social ainda não estiver totalmente integralizado. ou seja. a aplicação das novas regras às sociedades Em primeiro lugar. Este prazo foi prorrogado para as sociedades por mais um ano e. tais como as ações preferenciais. Anteriormente. (iv) quorum de dois terços do capital social para destituir o administrador que é sócio da sociedade e que foi nomeado administrador no contrato social. [. Ou seja. o artigo 2035 segundo o qual: “A validade dos negócios e demais atos jurídicos constituídos antes da entrada em vigor deste Código obedece ao disposto nas leis anteriores. Cabe então perguntar como é que se faz a transição entre estes dois regimes? Algumas pistas são dadas pelo próprio Código Civil. sociedades e fundações constituídas na forma das leis anteriores terão prazo de um ano. pelo Código Civil de 2002. quando o capital já está integralizado.. a partir da vigência do Código Civil para adaptar-se às disposições deste Código Civil. mas por cabeça (em caso de empate de votos por correspondência ao capital social. para as associações e fundações. Finalmente. é que a solução será dada por decisão judicial). as alterações do contrato social serão realizadas de acordo com os percentuais de deliberação estabelecidos no próprio Código Civil. 2031 determina que as associações. ao estabelecer os quoruns de deliberação faz sempre referência à totalidade do capital social e não à totalidade do capital social votante. ao contrário do que era admitido no regime do Código Comercial de 1850 e do decreto 3708. a constituição do ato e os requisitos de validade para a constituição do ato são os da época em que o ato foi praticado. De acordo com o Código Civil de 2002. [. as partes não têm mais a possibilidade de dispor sobre percentuais. a deliberação que prevalecia. os votos serão contados por número de sócios. (ii) por força do art. a conclusão é clara: Existe uma diferença entre o regime anterior e o regime do novo Código Civil. desde logo. Houve também uma mudança no modo de desempate das deliberações sociais. incorporação e cisão da sociedade. o desempate já não é mais pela sorte. Deste modo. A conseqüência de todos estes dispositivos é que as novas regras (inclusive os percentuais de deliberação) aplicam-se às sociedades constituídas antes da entrada em vigor do FGV DIREITO RIO 17 . era possível sustentar a existência de quotas preferenciais com fundamento em dois pontos: (i) o decreto 3708 não fazia menção à totalidade do capital social. (iii) quorum de dois terços do capital social para nomear o administrador não sócio.18 do decreto 3708. só se o empate persistir.. por mais dois anos. dando cogência ao conteúdo deste artigo. Isto significa que. foram extintas as quotas preferenciais sem direito a voto. o art. era escolhida por sorteio.

FGV DIREITO RIO 18 . já não pode mais alterar o contrato social. tendo produzido seus efeitos sobre a égide dessa lei anterior. Este sócio alterava sozinho o contrato social.3. a sociedade que mais sofreu com a entrada em vigor do novo Código Civil é aquela sociedade controlada por sócios titulares de quotas representativas entre cinqüenta a setenta e cinco por cento do capital social4. sozinho. mudava a sede da sociedade. todos os que não aproveitaram o período da “vacatio legis” para modificar antecipadamente o contrato social. O ato jurídico perfeito é a regra que preserva os pressupostos de validade da constituição do ato (no caso das sociedades. dá ao seu titular o direito de exercê-lo em momento futuro. ambos garantidos pela Constituição da República. para criar algumas cláusulas e algumas alternativas que assegurassem o controle. este sócio – que havia adormecido na noite anterior como controlador da sociedade – acordou sem mais qualquer poder de controle sobre a sociedade. alterava o objeto social. O ato jurídico perfeito pode ser definido como um ato consumado sob a égide da lei anterior. 1054 e 997 relativos ao ato constitutivo de sociedades limitadas não se aplicam ao ato constitutivo de uma sociedade limitada constituída antes da entrada em vigor do novo Código Civil. já não pode mais destituir um administrador (em especial. Em virtude da regra do ato jurídico per- 4 Os sócios que tinham até cinqüenta por cento do capital social não tinham o controle da sociedade e os sócios que tinham mais de setenta e cinco por cento do capital social continuam a ter a maioria dos direitos de controle.1 Argumentos a favor da não aplicação das novas regras Face a esta situação. Assim. Com efeito. a alteração das regras societárias face ao ato jurídico perfeito e ao direito adquirido 3. perderam o controle da sociedade. neste caso. com a entrada em vigor do novo Código Civil houve uma “usurpação” do controle das sociedades limitadas para todos os sócios que tinham entre cinqüenta a setenta e cinco por cento. nomeava gerentes. cumpre examinar se a aplicação do Código Civil de 2002 às sociedades já existentes não viola o ato jurídico perfeito e o direito adquirido. destituía gerentes. tem mais de 1/3 do capital social e tiver sido nomeado administrador no contrato social. constituído sobre a égide da lei anterior. sócio-administrador. os requisitos dos arts. inclusive quanto às deliberações que devem ocorrer para adaptar essas sociedades ao novo Código Civil. o sócio titular de quotas representativas de cinqüenta por cento do capital social mais uma fração tinha assegurado o controle da sociedade. O direito adquirido é aquele que. O impacto destas regras é enorme num determinado tipo de sociedade. a constituição da sociedade rege-se pela lei em vigor ao tempo do ato constitutivo.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa Código Civil de 2002. Este sócio. deliberava aumento do capital social e etc. Deste modo. No dia da entrada em vigor do novo Código Civil de 2002. se o administrador é também sócio. concordar com a sua destituição). perderam o controle sobre a sociedade. Até janeiro de 2004. Os sócios controladores que não tomaram cuidado de alterar o contrato social antes da entrada em vigor do novo Código Civil. Assim. o ato de constituição das sociedades). este sócio-administrador somente poderá ser destituído se ele. Deste modo.

que se a lei nova alcançar efeitos futuros de contratos celebrados anteriormente a ela. Neste acórdão. A segunda situação é. inc. essa lei será retroativa (ainda que seja um caso de retroatividade mínima. Na medida em que estes novos quoruns representam a aplicação de uma nova lei. Assim. sem qualquer distinção entre norma de direito público (cogente) e norma de direito privado (eventualmente supletiva).5. FGV DIREITO RIO 19 . os direitos dos sócios perante terceiros. a sociedade preenchia os requisitos de validade. Portanto. da Constituição. O disposto no art. proferido na Ação Direta de Inconstitucionalidade 493/0 do Distrito Federal.5. porque vai interferir na causa que é um ato ou fato ocorrido no passado). da Constituição da República. precisamente. em 25/06/92. aos efeitos de um contrato celebrado anteriormente a ela. seriam procedimentais as regras relativas à convocação dos sócios para as deliberações e as regras relativas às formalidades de tomada de posse dos administradores. O segundo argumento é um importante acórdão do Supremo Tribunal Federal. e essa retroatividade viola o art. estas regras do novo Código Civil aplicar-se-iam mesmo às sociedades constituídas no regime anterior. No sentido de que o Código Civil de 2002 não se aplica às sociedades já existentes à época da sua entrada em vigor há dois fortes argumentos. Ou seja. Por um lado. por maioria. XXXVI.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa feito. os direitos dos sócios perante a sociedade e os direitos dos sócios perante os outros sócios continuariam a ser regidos pelas normas anteriores ao novo Código Civil. essa sociedade poderia continuar a existir. Portanto. o art. Assim.XXXVI. casados sob o regime de comunhão universal de bens. o ato jurídico perfeito e a coisa julgada”.XXXVI.997 do Código Civil proibir a sociedade entre cônjuges casados sob o regime da comunhão universal de bens. Ou seja. é possível ir mais longe e distinguir entre as regras procedimentais (que seriam de aplicação imediata) e as regras substantivas (que tratam de direitos substanciais e que não seriam de aplicação imediata. talvez as mais candentes com relação ao ato constitutivo. da Constituição aplica-se a toda e qualquer lei infraconstitucional. as regras substanciais não seriam modificadas pelo Código Civil de 2002. Por exemplo.5. Na época em que a sociedade foi constituída. Inclusive. inc. os quoruns de deliberação seriam os da lei anterior. todas as regras relativas aos direitos e deveres dos sócios. Por outro lado. este quoruns também deixariam de ser aplicados. o regime de responsabilidade dos sócios perante terceiros. Esta regra pode-se aplicar a duas situações. em virtude do ato jurídico perfeito e do direito adquirido). Já a regra do direito adquirido determina que os efeitos futuros do contrato social regem-se também pela lei anterior ao novo Código Civil. A primeira é a da sociedade constituída – antes do novo Código Civil – entre marido e mulher. o Supremo Tribunal Federal decidiu. relativa aos quoruns de deliberação das sociedades limitadas no novo Código Civil. inc. se a lei nova for aplicada aos efeitos futuros do contrato. o ato constitutivo desta sociedade rege-se pelas regras anteriores (Código Comercial de 1850 e decreto 3708). essa lei nova passa a ter retroatividade. apesar do art. segundo o qual “a lei não prejudicará o direito adquirido.

5 FGV DIREITO RIO 20 . será que os sócios podem sustentar que tendo a sociedade se constituído sob o regime da lei anterior. seja ele o mil réis. surge uma outra questão curiosa. conforme demonstram os exemplos a seguir: • Seria possível invocar o direito adquirido para permitir que a sociedade continuasse a exercer uma atividade prevista no seu objeto social (portanto uma cláusula contratual). prevista no Código Comercial. de 31 de agosto de 2000. assim é de aplicar-se a ele a firme jurisprudência desta corte no sentido de que não há direito adquirido a regime jurídico”. que o direito adquirido não é absoluto e que há possibilidade de se aplicar uma lei nova a situações pretéritas. As sociedades de capital e indústria anteriores podem continuar a existir ou devem ser dissolvidas ou transformadas em um dos tipos previstos no novo Código Civil5? A resposta parece ser negativa. o Supremo Tribunal Federal disse o seguinte: “O FGTS. ou seja.2034 do novo Código Civil determina que a liquidação das pessoas jurídicas. efeitos futuros de situações pretéritas. Por outro lado. é possível argumentar em sentido contrário. quando tal atividade se tornasse proibida por lei? • Se o Estado promulga uma lei segundo a qual determinada atividade não pode mais ser exercida no Brasil. e na França não existia uma lei de sociedade por quotas. talvez caiba minimizar a aplicação do art. Face a estes dois acórdãos do Supremo Tribunal Federal.855. conseqüentemente. depois da primeira Guerra mundial. a favor da aplicação do Código Civil de 2002 às sociedades existentes à época da sua entrada em vigor.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa 3. antes da primeira Guerra mundial. as sociedades por quotas de responsabilidade limitada foram introduzidas na França. o pagamento se fará sempre na moeda definida pela lei no dia de pagamento”. 105. 226. de uma maneira pragmática.137. inclusive. O mesmo Supremo Tribunal Federal já disso. com fundamento no direito adquirido. um caso prático. da Constituição. a propósito de contribuições previdenciárias e de benefícios previdenciários. (v) portanto. Se as regras procedimentais do novo Código Civil aplicam-se imediatamente – conforme visto acima – por que razão o art. a alsácia-Lorena era parte da alemanha e na alemanha já existia uma lei criando as sociedades por quotas de responsabilidade limitada. Uma primeira oportunidade foi no Recurso Extraordinário nr. onde por acórdão datado de 31 de maio de 1985.2 Argumentos a favor da aplicação das novas regras No entanto. Recentemente. vejamos: A sociedade de capital e indústria. a sociedade e os sócios têm o direito adquirido à continuação do exercício dessa atividade? • Outro exemplo: Se for suprimido um tipo societário. (ii) o exercício dessa atividade decorre de uma cláusula contratual fundamental. a propósito da correção e ao expurgo da correção monetária do FGTS. por causa da alsácia-Lorena. tendo então sido promulgada uma lei francesa de sociedade por quotas para resolver o problema. poderiam os sócios arguir que: (i) o contrato social contém esse objeto social. XXXVI. o Supremo Tribunal Federal disse que: “não há direito adquirido a um determinado padrão monetário pretérito. (iii) a sociedade foi constituída para o exercício dessa atividade. pois não há sentido considerar uma atividade ilícita e permitir que a mesma continue a ser exercida. a alsácia-Lorena foi incorporada à França no final da primeira Guerra mundial. já iniciada no mo- Este é um problema que não é unicamente brasileiro. a mesma deve continuar a existir. em diferentes oportunidades. isto é. no acórdão proferido no Recurso Especial No. mas sim estatutária por decorrer de lei e por ela ser disciplinado. (iv) o exercício dessa atividade era legal no momento da constituição da sociedade. ao contrário do que sucede com a caderneta de poupança não tem natureza contratual.5.3. naquela região constituíram-se várias sociedades por quotas de responsabilidade. o cruzeiro velho ou a indexação pelo salário mínimo. inc. foi abolida pelo novo Código Civil. por força do ato jurídico perfeito e do direito adquirido? • Há.

E primeiro lugar. em razão da parte final do art. as disposições transitórias também determinavam a adequação dos estatutos das sociedades anônimas então existentes. como já afirmou o Supremo Tribunal Federal a propósito do FGTS. se o contrato social contém uma cláusula indicando que as deliberações dos sócios devem ser tomadas por um determinado percentual do capital social. aos preceitos dele se subordinam. desaparece um regime jurídico e surge um outro regime jurídico.] mas os seus efeitos. produzidos após a vigência deste Código. Uma exceção a aplicação imediata do novo Código Civil esta prevista no final do art.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa mento da entrada do novo Código Civil. O primeiro argumento é que é possível aplicar o novo Código Civil porque o novo Código Civil expressamente menciona a sua aplicação.. obedece ao disposto nas leis anteriores. constituídos antes da entrada em vigor deste Código. é possível afirmar que. faz-se sob o regime da lei anterior e não sob o regime do novo Código? Face a estes diversos exemplos. Ou seja. quais os efeitos daquele direito de voto e quais são as modalidades do exercício desse direito de voto. [. os sócios haviam seguido um determinado regime jurídico para as sociedades por quotas de responsabilidade limitada. neste caso concreto. esse regime jurídico foi alterado pelo novo Código Civil. não obstante os direitos adquiridos. dentro das novas disposições legais. conclui-se que não é possível ir tão longe a ponto de dizer que – apoiadas no ato jurídico perfeito e no direito adquirido – as sociedades podem continuar a atuar sob o regime jurídico anterior e que não é preciso fazer a adaptação dos contratos sociais. à nova lei. Todavia. há alguns bons argumentos a favor da aplicação do Código Civil de 2002 às sociedades anteriormente constituídas e a favor da necessidade dessa adaptação dos contratos sociais destas sociedades.2035. ainda. se o contrato social contiver cláusula neste sentido. Deste modo. Na verdade. Conseqüentemente. dois argumentos de ordem jurídica). E essa adequação foi realizada.2035 do novo Código Civil. O primeiro é que o novo Código Civil deve aplicar-se imediatamente às sociedades já existentes. como o direito de voto vai ser manifestado. A conseqüência do Código Civil de 2002 é que o direito de voto será exercido de acordo com um novo quadro legislativo. Assim. isto é. sem que obstáculos fossem suscitados. regime jurídico esse que era garantido pelo Código Comercial de 1850 e pelo decreto 3708. outros pontos que merecem alguma reflexão. propriamente. os sócios inseriram no contrato uma cláusula específica prevendo a execução do direito de voto. porque ele não modifica os direitos dos sócios. segundo o qual “A validade dos negócios e demais atos jurídicos. Há. no prazo de um ano. é possível sustentar que os quoruns de deliberação FGV DIREITO RIO 21 .. pelo que os sócios e as sociedades têm que se adaptar a esse novo regime jurídico. o sócio tem o direito de voto e continua tendo direito de voto no novo Código Civil. a um regime jurídico. O segundo argumento – também de ordem prática – é que quando a Lei 6404/76 que reformou integralmente as regras sobre sociedades anônimas entrou em vigor. Não existe nenhum dispositivo que prive o sócio do direito de voto nas deliberações sociais. O segundo ponto é que nem os sócios nem as sociedades têm direito. Neste termos. dois argumentos de ordem prática (e não. salvo se houver sido prevista pelas partes determinada forma de execução”. mas apenas as modalidades do exercício do direito dos sócios.

Neste caso. com algumas conseqüências importantes como a responsabilidade solidária e ilimitada dos sócios. Entretanto. a situação da sociedade que não se adaptou ao Código Civil de 2002 Para finalizar cabe agora examinar o que acontece à sociedade que não adaptou o seu contrato social ao novo Código Civil. Ou seja. porque o contrato social contém uma cláusula determinando que as deliberações sejam tomadas pelo voto dos sócios titulares da maioria do capital social. FGV DIREITO RIO 22 . a sociedade torna-se uma sociedade em comum. a prática demonstra que a maioria dos contratos sociais não contém cláusula relativa às deliberações.986 a 990 do novo Código Civil. parece não valer a pena correr o risco de a sociedade regular ser transformada em sociedade comum. ainda que indiretamente. A sociedade passa então a reger-se pelos arts. e não obstante as diversas considerações apresentadas.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa do novo Código Civil não se aplicam à sociedade. estava determinada no art. os sócios passam a responder perante terceiros ilimitadamente e solidariamente pelas dívidas da sociedade. pois esta regra.15 do decreto 3708. uma vez que o registro da sociedade perde a sua validade e um registro não válido equivale a um registro inexistente. Sendo esta a conseqüência.

O passo a passo para a elaboração do plano de negócios pode ser encontrado no link: http://www. sindicatos e outras entidades setoriais.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa AUlAS 02. planejamento financeiro e tudo mais que for relevante para iniciar um negócio específico ou ampliar um já existente. seja por meio da atividade individual ou coletiva. antes da elaboração do contrato social. riscos. Ao optar pela elaboração de um Plano de Negócio. com eficiência e eficácia. roteiro de auLa: O Plano de Negócios21 é um documento que visa transformar idéias em situações concretas. adaptadas e modificadas conforme a realidade do negócio. público alvo. 03 E 04: REUNIÃO COM ClIENtE PARA ElAbORAÇÃO DO CONtRAtO SOCIAl Nas aulas seguintes aprenderemos sobre a importância da orientação empresarial através do fornecimento de princípios básicos para quem pretende montar um negócio.br/principal/ abrindo%20seu%20negócio/or ientaçõescriação%20de%20em presas/passos_elaboracao_plano_negocio. empresa é outra. 22 FGV DIREITO RIO 23 . – Cláusulas obrigatórias e facultativas. que tem no contrato social o instrumento que representa o entendimento dos sócios quanto aos seus direitos e deveres com vistas à realização do objeto social.com. – Texto II: Família é uma coisa. oferecer o produto ou serviço certo no momento propício e bem atendê-los após a venda. – Onde abrir o negócio e qual o espaço necessário? Os sócios terão uma noção prévia do funcionamento do negócio do ponto de vista mercadológico e saberão quais exigências terão que atender para a sua instalação. por exemplo: – Qual atividade que os sócios gostariam de desenvolver? – Qual a experiência e conhecimento sobre a atividade que os sócios têm? Compreender os fatores externos e internos que afetam (ou poderão afetar) diretamente o desempenho da sociedade é muito importante para o sucesso do negócio. sebraesp. diminuindo os riscos do insucesso. os sócios terão a idéia de negócio devidamente analisada. – Orientação para elaboração do contrato social: Providências preliminares. Daremos enfoque na análise prévia e planejamento adequado antes da constituição de uma sociedade. Esse levantamento torna possível gerar um diferencial competitivo. – Regência supletiva pelas normas das sociedades por ações. Nele estarão registrados o objetivo do negócio. revistas e publicações profissionais/técnicas. – Texto I: Lei não prevê permanência de herdeiros nas Limitadas. estratégias de marketing. Algumas perguntas22 são fundamentais na hora de elaborar o Plano de Negócios. ementário de temas: – Elaboração do “Plano de Negócio”. Recomenda-se que os sócios busquem informações relevantes do seu negócio em jornais.aspx 21 as perguntas deverão ser criadas. – Qual será o público alvo e como conquistar o mercado? Permite conhecer e entender as necessidades dos clientes.

– solteiro menor de 18 anos: (art. certificado de reservista.00 Lucro Líquido mensal: R$ 2. Qual a previsão de retorno para o investimento? O principal indicador para acompanhar a viabilidade do negócio é o retorno do investimento. constar também do preâmbulo a expressão “ASSISTIDO POR”. pois não precisa ser profissional experiente para tanto25. se existem linhas de crédito e incentivos (Municipal. domicílio e residência (tipo e nome do logradouro. 977 do código civil de 2002 trouxe uma vedação quanto à convivência da affectio societatis e da affectio maritalis quando nesta última os cônjuges forem casados sob o regime de comunhão universal de bens (art. estado civil27. Estadual ou Federal). órgão expedidor e UF onde foi emitida (documentos válidos como identidade: carteira de identidade. Disponível em: http://www2. facilidade de acesso.00 Taxa de rentabilidade: 2. Unidade Federativa e CEP).com. sempre é bom avaliar bem as alternativas.00 Investimento total: R$ 80.23 Escolha de fornecedores e pesquisa de concorrentes? Identificar quantos concorrentes estão oferecendo o mesmo produto e/ou serviço. I. acabamento. Exemplo: Lucro Líquido mensal: R$ 2. Carteira Nacional de Habilitação – modelo com base na Lei nº 9.gov. do CC/2002) PESSOA FÍSICA (rectius NATURAL): nome completo. como calcular o Retorno do Investimento? Investimento é todo o capital aplicado na empresa. nº do CPF. documento de identidade. 1. o cliente contribuirá para a excelência na elaboração do contrato social além de dispor de um documento que o ajudará a acompanhar a evolução do seu negócio.503/9728). mais os aumentos (aporte) de capital adicional.sebraesp. Mensalmente. preço. mesmo.br O art. parte do investimento deve ser “devolvida” e essa devolução acontece quando a sociedade gera o lucro. já estudamos. bairro/distrito. número. 1. CC/2002): – maior de 16 anos – deve ser assistido pelo pai. carlos pougy.00 prazo de retorno: 40 meses Fonte: www.000. Qualificação completa dos sócios: (art.000. profissão. deve levar em consideração àqueles que permitam sempre melhores margens de ganho.687). consultor de marketing. regime de bens (se casado). 1. 25 26 27 Fonte: www. mais os lucros reinvestidos na sociedade.000.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa – – – – – “através de ações dirigidas. carteira de identidade profissional. e a qualificação completa do(s) assistente(s). Quais são os fatores críticos de sucesso do negócio? Quanto e que tipo de recursos será necessário para o empreendimento? Não existem limites ou regras para o valor que deve ser utilizado de capital próprio para investimentos. analisaremos.667) ou sob o regime de separação obrigatória de bens (art. 28 código de Trânsito Brasileiro. naturalidade. na aula 02. O cliente deve ser orientado para preparar um Plano de Negócios e de como fazê-lo. FGV DIREITO RIO 24 . Exemplo: Investimento total: R$ 80. qualidade no atendimento.24 Qual a documentação necessária? Além do contrato social.dnrc. pela mãe ou tutor. a oferta de produtos e de serviços para nichos específicos de mercado ou. atentando para qualidade. município. Ao apresentar o Plano de Negócios. Carteira de Trabalho e Previdência Social.br/canalexecutivo/artigosc. 1.5 % ao mês O prazo de retorno do investimento realizado é calculado da seguinte forma: Investimento dividido pelo Lucro Líquido. ou seja. seu número. o “passo a passo” para a abertura de uma sociedade.690. que veremos a seguir. seja o capital social inicial.br 24 as instruções estão disponíveis no site do sEBRaE.uol. a taxa de rentabilidade do investimento é calculada da seguinte forma: Lucro Líquido dividido pelo Investimento. A partir dos itens elencados pelo Departamento Nacional de Registro do Comércio. – menor de 16 anos – deve ser representado pelo pai. para um consumidor individualmente”. constar também do preâmbulo a expressão “REPRESENTADO POR” e a qualificação completa dos representantes. data de nascimento (se solteiro). A escolha de recursos próprios e de terceiros. 997.000. em aula.com. nacionalidade. cada qual com as críticas cabíveis26. pela mãe ou tutor. forma de arrumação de produtos nas prateleiras e/ou divulgação do serviço etc.htm 23 orientação para elaboração de contrato de sociedade Limitada.

endereço completo da sede. Objeto social: (art. escolhendo-se o tipo societário que melhor se apresenta para a situação de fato: – sociedade simples. NIRE (número de identificação do registro de empresas) ou número atribuído no Cartório de Registro Civil das Pessoas Jurídicas e o nº do CNPJ (Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas). II – o capital de cada sócio e a forma e prazo de sua realização. CC/2002) Tipo e nome do logradouro. UF e CEP. 56. PESSOA JURÍDICA: nome empresarial. sem que dos mesmos conste: I – a declaração precisa e detalhada do seu objeto. – procurador: constar do preâmbulo. II. incorporação ou agrupamento de empresas. CC/2002) – sócio domiciliado no exterior: nomear procurador no Brasil. roupas infantis. III – o nome por extenso e qualificação de cada um dos sócios acionistas. – sociedade em comandita simples. arquivando. (art. taxativo. – sociedade limitada. IV – o local da sede e respectivo endereço. – a composição do nome deve observar as regras gerais e as próprias do tipo escolhido (firma social ou denominação). b) mencionar o valor nominal de cada quota. – não pode ser idêntico ou semelhante a nome já protegido isto é. por instrumento público. que deverá ser obedecido. CC/2002) a) indicação numérica e por extenso do total do capital social.884/9430). com poderes para receber citação. fusão. limpeza. – sociedade em comandita por ações. 9º) Obs. a prova da emancipação (art. juntado ao processo o respectivo instrumento de mandato”.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa – se emancipado (maior 16 anos) constar da qualificação a forma da emancipação. II e art. 997. art. II. 997. 6. 997. complemento. I da Lei nº 8. Endereço comercial da sede e de filiais declaradas: (art. 976. inclusive das filiais declaradas. nos respectivos atos constitutivos. 997. município. 29 30 Lei que trata da prevenção e da repressão às infrações contra a ordem econômica e transformou o conselho administrativo de Defesa Econômica – caDE em autarquia. NOME E QUALIFICAÇÃO COMPLETA. 5629. 1. (art. anteriormente registrado. – sociedade anônima. O Código Civil apresenta um rol. I. número. mencionando gênero (indústria. Indicação do tipo jurídico da sociedade. – sociedade em nome coletivo. que pode ter valor desigual. VI – o prazo de duração da sociedade. após o nome e qualificação completa do sócio: “REPRESENTADO POR SEU PROCURADOR. do CC/2002). 997. V – os nomes dos diretores por extenso e respectiva qualificação. 2. feita antes o registro no Registro Público no caso de outorga pelos pais ou por sentença. 3. espécie e valor das ações. 5. bem como quaisquer alterações. as juntas comerciais ou órgãos correspondentes nos Estados não poderão arquivar quaisquer atos relativos à constituição.158. CC/2002) – não pode conter as expressões “ME” ou “EPP”. (art. com poderes específicos. CC/2002) Diz respeito à atividade que será desenvolvida. Capital social (art. III e IV. e se sediada no Brasil. Sócio Analfabeto: também o nome e a qualificação completa do procurador constituído. bairro/distrito. qualificação completa dos representantes da empresa no ato. por exemplo). 4. VII – o número. em separado. Nome empresarial: (art. FGV DIREITO RIO 25 . devendo conter sua declaração precisa e detalhada. comércio ou serviços) e espécie (calçados. transformação.

052. seguindo a orientação do Código Civil. deve ser mencionada no contrato social para um melhor esclarecimento e conhecimento de todos os sócios que da sociedade façam parte e.061. Indicar o prazo de gestão. deverá firmar termo de posse no livro de ata da administração.003 e 1. e) se houver sócio menor. FGV DIREITO RIO 26 . caracterizando uma sociedade de capital. De outra forma. f ) integralização com bem imóvel: descrição e identificação do imóvel. d) declarar a forma e o prazo de integralização do capital. 9. dados relativos a sua titulação. suas atribuições e limites de poderes. Muitas vezes. (artigos 1. 997.060. para representar a sociedade. Dependerá de aprovação unânime dos sócios. o ingresso de herdeiros poderá acontecer se não houver cláusula contratual que impeça. 11. apresentar a carteira de identidade com o visto permanente. sob pena da nomeação perder a validade (art.062). CC/2002) c) sócio menor – somente se emancipado. Falecimento/interdição de sócio. Administração: (art. d) estrangeiro. poderão estabelecer que a transferência das quotas se dará independentemente da vontade dos sócios ou.061. designado em ato separado. CC/2002) Indicar o prazo de duração indeterminado ou determinado (neste caso indicar o início e o fim da sociedade). art. os herdeiros desconhecem ou não estão interessados e assumem o negócio gerando confusão e prejuízo. 997. Cessão de quotas. para terceiros que contratarem com a sociedade. 7. Prazo de duração da sociedade: (art. sua área. se o capital não estiver integralizado e de no mínimo dois terços. 1. ou seja. 1. definir um percentual limite de sócios que deverão anuir com o ato de cessão. (art. 10. o capital deverá estar totalmente integralizado.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa c) mencionar o total de quota(s) de cada sócio. número de matrícula no Registro de Imóveis e autorização do cônjuge no instrumento contratual com a referência pertinente. 31 O administrador não sócio. apesar de redundante. não admitindo a transferência das quotas àquele estranho à sociedade (exceto se houver unanimidade dos sócios autorizando-a no instrumento de cessão). VI. pois a responsabilidade dos sócios decorre do texto legal. art. 1. b) O contrato pode estabelecer a designação de administrador NÃO sócio. art. CC/2002) Eis um dos casos que denotam a importância da cláusula que dispõe sobre a cessão de quotas. 1. salvo se o regime de bens for o de separação absoluta. além da permissão para usar o nome empresarial. Na falta de um dos sócios (seja pela interdição ou pelo falecimento). II. se totalmente integralizado.064 todos do CC/2002) a) Designar pessoa(s) naturais.028 e 1. poderão estabelecer no contrato social vedação ao ingresso de terceiros. a sociedade tem que continuar. CC/2002) A responsabilidade dos sócios. caso não se ajuste esta indicação em ato separado31. CC/2002) Optando os sócios por garantir à sociedade característica típica “de pessoas”. no prazo de até 30 dias da data de sua designação. da mesma forma. (artigos 1. Responsabilidade dos sócios: (art. se determinado.062.063 e 1. 1.031. 1.056. e. se a intenção dos sócios for constituir uma sociedade onde a pessoa do sócio não tem relevância para sua formação. 8. 1.

art. 1. Foro: indicar o domicílio onde se exercitem e cumpram os direitos e obrigações deles resultantes. 16. Cláusula de inexistência de impedimento para o(s) administrador(es) se não apresentada esta declaração em separado. CC/2002) e a referência ao julgamento das contas no primeiro quadrimestre seguinte ao término do exercício social pelos sócios (art..053. Local e data (dia. III. do balanço patrimonial e do balanço do resultado econômico (art. 1. 1. até trinta dias antes da reunião ou da assembléia de sócios. – sócio maior de 16 e menor de 18 anos. 34 35 36 37 38 39 40 41 art. para a elaboração do inventário. 1.. ao abranger as cláusulas que determinam as matérias contratadas pelos sócios livremente e que irão adequar a sociedade de acordo com suas particularidades. CC/2002).011. parágrafo único. g) exclusão de sócios por justa causa40. Data de encerramento do exercício social: indicar a data do término de cada exercício. f ) regras referentes às reuniões de sócios39.) 33 artigos 1º. CC/2002) e à colocação destes documentos à disposição dos sócios não administradores. Na dúvida quanto à veracidade da assinatura aposta. com a reprodução de seus nomes.072.061. do Dec.307/96 e art.. art. Vll. 1. em destaque o Direito dos Contratos. Como cláusulas facultativas. Obs: sócio menor de 16 anos.800/96) OU cláusula compromissória elegendo a Arbitragem para dirimir litígios relativos a direitos patrimoniais disponíveis (art. 1. b) regras acerca da administração da sociedade35. 1. e) instituição de conselho fiscal38. no entanto. desde que submetam-se aos princípios gerais de Direito. bem como os endereços completos das filiais declaradas.784/99). a não inclusão destas em nada impede o arquivamento do contrato social no registro competente. Participação dos sócios nos lucros e perdas: indicação da participação proporcional dos sócios nos lucros se outro ajuste não for estipulado. art. Não é necessário o reconhecimento das firmas dos sócios41.031. Eis alguns exemplos de cláusulas facultativas: a) conseqüências em caso de retirada ou exclusão de sócio34. 1. 15. É da essência do ato de constituição de sociedade empresária a participação nos lucros e nas perdas por cada um dos sócios.085. Assinatura dos sócios ou dos seus procuradores no fecho do contrato social.2.066.078. CC/2002). 32 art.078. e32. Lei 9. sendo vedada a atribuição da totalidade a apenas um deles. art. conjuntamente. não podem ser arquivados: (. 997. CC/2002). (art. pelo sócio e seu assistente. 17. art. IV e 170 da constituição Federal de 1988. 1. 1o. (art.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa 12. 853. 14. DEVERÁ a Junta Comercial EXIGIR o RECONHECIMENTO DE FIRMA (Lei no 9..) e) o nome empresarial. c) previsão de regência supletiva da sociedade pelas normas da sociedade anônima36. elas são a verdadeira expressão da vontade dos sócios. mês e ano). 1013. Os exemplos acima não esgotam o ajuste de outras cláusulas que podem ser adicionadas ao contrato social. CC/2002). (art. d) autorização para que a pessoa não sócia exerça a função de administrador37. (.27 do manual de atos de Registro de sociedade Limitada. com endereço completo. 18.. art. seguindo à risca o princípio constitucional da livre iniciativa33. o ato será assinado pelo representante do sócio. 53. 1. Orientação do item 1. e foro. 13.) III – os atos constitutivos e os de transformação de sociedades mercantis. FGV DIREITO RIO 27 . Inserir cláusulas facultativas desejadas. além de outros exigidos em lei: (. § 1º. o município da sede. pelo fato de não serem obrigatórias.. notadamente às normas do Direito das Obrigações. 1. o ato será assinado. se deles não constarem os seguintes requisitos. (art. aprovado pela In 98/2003 (DnRc). 53.065.

por órgãos federais e estaduais.. entretanto. 47 Orientação do item 1.. 115. poderão ser lançadas com indicação do nome do signatário. 1. pois. Assim. órgão expedidor e UF48.27. aplicar-se-á o disposto no art.906/9443 e art. eventual omissão própria do capítulo das Limitadas. que. nos órgãos competentes. aplica-se o disposto no art.(. por extenso. afastando. (art. da Lei nº 8. autenticidade. aprovado pela In 98/2003 (DnRc).010.ú. com a indicação do nome e do número de inscrição na OAB/Seccional (o visto é dispensado para o contrato social de microempresa e de empresa de pequeno porte). É possível. § 3º.. de 4 de julho de 1994. o sócio que participar de deliberação na qual tenha interesse em contrário ao da sociedade. Diante desta opção. algumas críticas são feitas. só podem ser admitidos a registro. O parágrafo único do art. 49 FGV DIREITO RIO 28 .1º. art.) 43 44 Estatuto da advocacia. se o voto não tiver prevalecido. de forma sistêmica.. A Assembléia de Sócios e o Conselho Fiscal são exemplos de institutos e estruturas que aparecem igualmente nas Limitadas e nas Anônimas. da Lei Complementar 123/200645).1 do manual de atos de Registro de sociedade Limitada. professores uERj. e até mesmo aconselhável.. Rubricar as demais folhas não assinadas. publicidade.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa 19. 1. 45 46 nova Lei do simples. de forma legível.) § 2º não se aplica às microempresas e às empresas de pequeno porte o disposto no § 2º do art. 48 autores: alexandre Ferreira de assumpção alves e maurício moreira mendonça de menezes. embora a sociedade simples tenha natureza contratual.934/9447).404/76. ela não é empresarial e a responsabilidade dos sócios é ilimitada. 1º O Registro público de Empresas mercantis e atividades afins. em seus dispositivos abrangem vários temas. 42 art. que o contrato preveja a aplicação supletiva de algumas regras próprias das sociedades simples e outras das sociedades anônimas. 187 (abuso do direito). art. a subsidiariedade. será exercido em todo o território nacional. 9º.(. Observação: o documento não pode conter rasuras.) § 2º Os atos e contratos constitutivos de pessoas jurídicas.404/76. 1º. para resolvê-lo aplicarse-ão as normas da sociedade simples previstas no Código Civil ou da Lei 6. Visto de advogado: visto/assinatura de advogado. ainda. será suprida pela Lei 6..906. regência supletiva pelas normas das sociedades por ações Os 35 artigos (1. quando o “assunto” não estiver previsto nos artigos que integram o capítulo das Limitadas e o contrato social for omisso.404/76 e não pelas regras das sociedades simples. A justificativa para este posicionamento encontra-se nos pontos de afinidade entre a sociedade limitada e a sociedade anônima.404/76) à sociedade limitada em caso de omissão. quando prevê a possibilidade da regência supletiva pela Lei 6. A aplicação de um ou outro diploma legal dependerá da vontade dos sócios que será reduzida a termo no contrato social.053 do CC. No caso da regência supletiva pelas normas da sociedade simples. subordinado às normas gerais prescritas nesta lei. 9º. segurança e eficácia aos atos jurídicos das empresas mercantis. quando visados por advogados. (art. parágrafo 2º44. com as seguintes finalidades: I – dar garantia. A possibilidade é clara na redação do p. Lei 8. se o voto proferido foi decisivo para a aprovação da deliberação. § 2º42. 20. são atividades privativas de advocacia: (. 21. Nos demais casos. permite uma saída para os sócios afastarem a aplicação supletiva das normas da sociedade simples.. A propósito do tema. 997 a 1038) e da Lei da Sociedade por Ações (Lei n° 6. assim. 1053. ou o art. entre eles a aplicação das normas da sociedade simples (arts..) Lei de Registro público de Empresas mercantis e atividades afins. (.052 a 1. 1º da Lei nº 8.2.404/76. os sócios poderão adequar o contrato social e.087) que tratam da sociedade do tipo Limitada. e do número de identidade. Seu ato constitutivo é arquivado no Registro Civil de Pessoas Jurídicas enquanto que a Limitada tem o ato constitutivo registrado na Junta Comercial. § 3º da Lei 6. do art. 1º. inciso I46. ao asseverar que o método é “supletivo”. Assinatura das testemunhas: Não são obrigatórias as assinaturas das testemunhas. alguns enunciados aprovados na III Jornada de Direito Civil estabelecem que: Enunciado 21749: Com a regência supletiva da sociedade limitada pela lei das sociedades por ações. sob pena de nulidade. submetidos a registro na forma desta lei. emendas ou entrelinhas sem expressa ressalva dos sócios.

INDEPENDE DE DILAÇÃO PROBATÓRIA. COMPETÊNCIA DO JUÍZO DE FAMÍLIA PARA APRECIAR A QUESTÃO. Enunciado 22351: O parágrafo único do art.404/76 ou do disposto sobre a sociedade simples. RESGUARDADA A MEAÇÃO DA EX-MULHER POR MEDIDA ACAUTELATÓRIA DE SEPARAÇÃO DE CORPOS E ARROLAMENTO DE BENS. QUE APESAR DE CERCADA POR CONTROVÉRSIA JURÍDICA. A ex-mulher não tem legitimidade para ingressar na ação de dissolução de sociedade da qual era sócio o seu ex-marido. existe alguma cláusula especial que deva ser inserida no contrato social? JurisprudênCia. tanto as regras das sociedades simples quanto as das sociedades anônimas. não se aplica a sociedade limitada na hipótese de regência supletiva pelas regras das sociedades simples. 51 FGV DIREITO RIO 29 .001. 1. V.03051. ainda que as quotas da sociedade sejam objeto da partilha judicial.º 2004. DIREITO COMERCIAL – DISSOLUÇÃO DE SOCIEDADE POR QUOTAS DE RESPONSABILIDADE LIMITADA – QUEBRA DA AFFECTIO SOCIETATIS – RECURSO DO EX-CÔNJUGE COMO TERCEIRA INTERESSADA – ILEGITIMIDADE. na ausência das normas sobre sociedades limitadas. 23. Demonstrada a quebra da affectio societatis. REGIME DE COMUNHÃO UNIVERSAL DE BENS. autor: alcir Luiz coelho. – ter os mecanismos de funcionamento dos conselhos fiscal e de administração. 50 autor: alfredo de assis Gonçalves neto.03. (grifo nosso) (Apelação Cível n. Des. Improvimento dos recursos. por não ser ela sócia. HOMOLOGAÇÃO DO ESBOÇO DE PARTILHA. DECLARAÇÃO DE INEFICÁCIA DOS NEGÓCIOS JURÍDICOS SUBJACENTES À SEPARAÇÃO DO CASAL. como uma forma de evitar conflitos familiares.053 não significa a aplicação em bloco da Lei 6. impõe-se a dissolução da sociedade com a designação do liquidante.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa Enunciado 22250: O artigo 997. 2. jul. – obrigatoriedade de distribuição do lucro aos sócios. Diante do caso: 1.2004). HAVIDOS EM FRAUDE À MEAÇÃO. 10ª Câmara Cível. O contrato social pode adotar. DIVERGÊNCIA. entre outras: – restrição à cessão de quotas. indique o tipo societário. Um grupo de 10 pessoas da mesma família decide constituir uma sociedade com as seguintes características. juiz Federal sj/Rj. INVENTÁRIO DE BENS POR SEPARAÇÃO JUDICIAL. AÇÃO DE PARTILHA JUDICIAL POR DISSOLUÇÃO DA SOCIEDADE CONJUGAL. Caso gerador. PROCESSO CIVIL. José Geraldo Antonio. ALIENAÇÃO FRAUDULENTA DE AÇÕES ORDINÁRIAS NOMINATIVAS DA EMPRESA APÓS SEPARAÇÃO DE FATO. HOMOLOGAÇÃO DO ESBOÇO DE PARTILHA. TJ/RJ. professor Titular da uFpR.

tem seu campo de incidência nas ações de execução. “No silêncio do contrato. desde que não seja renovada perante o mesmo grau de jurisdição. Muito tem se falado a respeito das alterações nos contratos sociais que o novo Código Civil (NCC) determinou. não podendo ser interpretado ampliativamente para alcançar a execução de toda ordem emanada do poder judiciário. mas tão somente aquelas derivadas nas ações de execução estrito sensu. seus herdeiros continuem nos negócios”. admitindo a discussão de prova documental a respeito de fatos incontroversos. 600 do código de processo civil. e comportando incidente processual quanto aos efeitos jurídicos dos negócios entabulados pelo cônjuge varão à revelia da cônjuge virago. ou qualquer outra alternativa que melhor reflita e atenda aos interesses da sociedade e seus sócios”. IV – por serem “.028 do novo diploma legal estabelece que se o contrato nada dispuser sobre a sucessão do sócio falecido. Relatora: DES. mas sim a “devedor”. em face da preclusão pro judicato. texto i: Lei não prevê permanência de herdeiros nas Limitadas52 Cláusula no contrato da sociedade tem que contemplar sucessores. Outro ponto importante ressaltado por Fabiana diz respeito ao critério de apuração do valor a ser pago aos herdeiros. seja para dispor sobre o ingresso automático dos mesmos. diz a advogada. em geral. UNÂNIME. a18. É o que afirma a ad-vogada Fabiana Seccomandi Anitablian do escritório Braga&Marafon Consultores e Advogados. NANCY ANDRIGHI em 18/10/1999). o julgador deve ser preocupar em trilhar “caminhos para se chegar a decisões que fujam ao ‘faz de conta’. que muitas vezes possuem um patrimônio Fonte: GazETa mERcanTIL de 12/04/04. após sua morte. p. Segundo ela a “regra legal não é conveniente para a grande maioria das empresas. para deixar a decisão sobre sua ad-missão a critério dos sócios remanescentes. por ato atentatório à dignidade da justiça. o valor deve ser calculado tomando por base a situação patrimonial da sociedade e pago em dinheiro no prazo de 90 dias”. o artigo 1. a questão dos herdeiros nas sociedades limitadas foi esquecida. II – a competência em razão da matéria é pressuposto de validade da relação processual.. apesar de não mais se referir a “executado”.. mas solução de natureza doutrinária e jurisprudencial. por: Gláucia de abreu andrade/são paulo.várias as formas através das quais se pode prejudicar o cônjuge ou a companheira com atos praticados sob o manto pseudo-protetivo da empresa”. “A questão surge se o sócio pretende que. a exemplo da ação de inventário por separação judicial combinada com partilha. de ordem pública. 2ª Turma Cível do Tribunal de Justiça do Distrito Federal. 52 FGV DIREITO RIO 30 . que não é matéria fática de alta indagação. III – a sanção prevista no art. assevera a especialista. REJEITADAS AS PRELIMINARES À UNANIMIDADE”. “O contrato social deve ser cuidadosamente redigido no que diz respeito à situação dos herdeiros na sociedade. Segundo ela. no caso de liquidação das quotas do sócio falecido. Decisão: DAR PARCIAL PROVIMENTO A AMBOS OS RECURSOS. diz.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa I – a ação de inventário por separação judicial é o leito próprio para apreciação de questões jurídicas surgidas após a separação de fato do casal. (grifo nosso) (APC-5246299/DF. Para Fabiana “o contrato social deve ter cláusula expressa prevendo o ingresso dos herdeiros na sociedade”. podendo ser suscitada e discutida a qualquer tempo e grau de jurisdição. Entretanto. suas quotas serão liquidadas e os respectivos valores pagos aos herdeiros.

“É possível estabelecer no contrato o critério por avaliação a mercado feita por peritos em laudos econômicos”.” “O levantamento do valor das quotas não pode ser feito pelo valor nominal para que não haja enriquecimento indevido dos só-cios remanescentes”. também do Miguel Neto. Fundador da Bernhoeft Consultoria.” Eduardo Calazans acrescenta que a disposição contratual quanto ao prazo para liquidação é essencial. Ela ainda lembra que o cônjuge também é herdeiro. “tem que se considerar o valor imaterial. Segundo ele “o legislador ao dispor sobre a permanência ou não na sociedade quis preservar a vontade de constituir e manter uma sociedade e sem a qual. o remanescente tem o prazo de seis meses para recompor o quadro societário.com. 53 FGV DIREITO RIO 31 . Na mesma linha de raciocínio do advogado Álvaro Villaça. por: martín Fernandez http://an. nas sociedades de pessoas. no prazo de noventa dias a partir da liquidação”. verificada em balanço especialmente levantado. finaliza. Fabiana afirma que entre seus clientes a solução quanto ao prazo de pagamento aos herdeiros têm sido resolvida com a adoção de uma cláusula que o estipula como sendo em até 24 meses. Renato diz que não há motivos para forçar os filhos a assumirem os negócios da família. para que estes últimos ingressem na sociedade em substituição ao sócio falecido. “Em regra a quota liquidada será paga em dinheiro. Portobello e Gerdau. dos 300 maiores grupos privados nacionais 265 tem controle ou gestão familiar. segundo o “Balanço Anual” da “Gazeta Mercantil”. mas não têm caixa para saldar a dívida com os herdeiros num prazo tão curto”. segundo o novo Código Civil. do escritório Miguel Neto Advogados. como no caso das ‘grifes’ cujo valor pode ser de milhões. Fabiana diz que em uma sociedade de dois no caso de falecimento de um e não ingressando nenhum herdeiro.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa elevado. a advogada Cristina de Andrade Salvador. acrescenta. melhores sócios são aqueles que não dependem diretamente das relações de parentesco. empresa é outra53: Para consultor. a empresa pode não ter bens materiais. texto ii: família é uma coisa. salvo disposição contratual em contrário. Sadia. Por exemplo. lembra o professor Villaça. e este fato deve ser considerado na elaboração do contrato social ou no planeja-mento sucessório.uol. o valor de seus haveres será apurado e liquidado com base na situação patrimonial da sociedade.” Eduardo Calazans. que atua nesse segmento desde 1975 e atende empresas do porte de Votorantim. não pode ela subsistir. No Brasil. Joinville – O melhor negócio do mundo não resiste a uma briga de família ou a uma encrenca entre sócios. no entanto. à data da resolução. O advogado Álvaro Villaça Azevedo. Fonte: portal an (a notícia). diz que “não sendo possível ou não existindo interes-se dos herdeiros ou dos sócios remanescentes.htm (acesso em 19/01/06). professor da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP). a não ser que o contrato social estipule em contrário”. Nesse levantamento tem que se verificar a situação atual da empresa.br/2003/ nov/23/1ger. é necessário que seja feito um balanço especial para auferir o valor real das quotas a que os herdeiros do sócio falecido têm direito. A frase do consultor Renato Bernhoeft resume os motivos de seu trabalho: preparar empresas familiares para seu momento mais traumático: a sucessão. também ressalta que quando o contrato social não prevê a permanência dos herdeiros. afirma que “deve haver vontade mútua tanto dos sócios quanto dos herdeiros.

afirmou. O fundador em geral é uma figura empreendedora. Depois disso. que empreende.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa “O ideal é que se mostre outros caminhos para os sucessores. para ser sócio. Se essa mesma pessoa tem. para atender seus clientes. E o erro muito comum que se comete nas empresas familiares – tanto entre as pequenas quanto nas médias e grandes – é o empreendedor. é um patriarca. pequenos mesmo. Em terceiro vêm os alemães. E eles vão herdar não uma empresa. digamos. E aí surgem algumas questões a serem discutidas. que começa um processo sozinho. não se aplica ao resto da família. às vezes ele age mais com o chapéu de pai que com o chapéu de empresário.” Leia a seguir os principais trechos da entrevista: A Notícia – Qual é o maior erro das empresas familiares? Renato Bernhoeft – É tentar utilizar a empresa para resolver questões familiares. Bernhoeft – Exatamente. depois judeus. AN – Quais? Bernhoeft – A primeira é que a maioria deles não foi criado. cana-de-açücar e também na área de metalurgia. metal-mecânica. Vão deixar de ser apenas irmãos para ser sócios. mas sim uma participação. Então ele é intuitivo. muitas vezes usar essa empresa para acomodar os filhos. Porque eles cresceram vendo o pai agindo como dono: fazendo e desfazendo. portanto. AN – E como se faz essa separação? Bernhoeft – É evidente que é difícil separar. do ponto de vista da origem. Mercado significa clientes. que cria. O que é ser sócio? Eu gosto de responder com coisas práticas: o fundador da Bombril – cujos FGV DIREITO RIO 32 . E o que acontece? Na primeira geração tem essa figura forte. com muito esforço. buscando nisso uma solução para os problemas familiares. Porque suas decisões não valem nada depois que morrem. muito determinadas e esta é a forma como começaram. educado. O empreendedor aqui. começa dessa forma: com um imigrante ou filho de imigrante. ou o filho de imigrante. É aí que começam os problemas. sabe que ela só terá sucesso se for voltada para o mercado. Porque esses três indivíduos. fornecedores e concorrentes. AN – Que começaram com negócios pequenos. sobretudo no Sul.. quando muito ele e a esposa. tem uma característica muito particular que é enxergar oportunidades onde todo mundo vê problemas. Quando a gente pensa numa empresa. O segundo maior contingente é português. o fundador. que não se escolheram como irmãos. mas dividido em três. Essa é a característica de como começam quase todos os negócios no Brasil. Porque os melhores sócios são aqueles que não dependem diretamente dos negócios da família”. Estou falando do Brasil. E é curioso porque as colônias se concentram em alguns segmentos. árabes e outros.. “E é sempre melhor que as decisões sobre sucessão em empresas familiares sejam tomadas com os fundadores ainda vivos. não do Sul. logo vai acabar a figura do dono. antes de ser isso. é um pai. E a maioria das empresas familiares. São duas coisas diferentes: a família é uma coisa. vão herdar esse empreendimento. é só para dar dinheiro a advogados. Essas figuras são extremamente autoritárias de maneira geral. mandando e desmandando. é o imigrante. no sentido de acomodar a família. com negócios minúsculos. Os portugueses notadamente na área de panificação e supermercados. é italiana. O perfil do empreendedor brasileiro. três filhos. de vez em quando lá um sócio. Os italianos no agrobusiness. a empresa é outra. AN – E quando a sucessão vira um problema? Bernhoeft – Essas pessoas tem muito essa característica de fazer um negócio para a família. Um dos contingentes mais recentes com presença forte são os japoneses – que tiveram um fluxo migratório mais tardio. que começou um negócio com muito trabalho. O modelo do fundador muitas vezes não serve. Vão receber o mesmo patrimônio. porque o empreendedor. esforçado. Com negócios pessoais.

E aí há dificuldades no processo de sucessão. AN – O ideal é tirar a família? Bernhoeft – Uma coisa importante nesse processo. Porque quando sentar na mesa do conselho do banco. AN – Por que isso acontece? Bernhoeft – Por várias razões: os pais tentam proteger os filhos dos problemas que eles próprios tiveram de enfrentar. Existe uma tendência dos pais de achar que os filhos vão se entender e isso dificilmente acontece. AN – A solução passa por educação? Bernhoeft – Essa expressão que você usou é muito adequada: o problema é de educação mesmo. Que dizia algo assim: “Filhos. Só que os lucros. AN – O ideal é que haja esse afastamento. busquem seus próprios caminhos. acaba. Eu dou sempre o exemplo do Waltinho Moreira Salles. e que hoje quando muito conservam algum patrimônio imobiliário. Cada nova geração tem que agregar valor àquele patrimônio. E assim eles podem cobrar com mais tranqüilidade os resultados daqueles que assumiram os negócios. têm seus próprios filhos e querem manter o mesmo padrão de vida. É muito melhor que seu filho faça medicina. é melhor mostrar outros caminhos. Então a partir da segunda geração começa a haver uma pulverização da propriedade. se torne um bom médico e ao mesmo tempo sócio da empresa. É um brilhante cineasta (dirigiu “Central do Brasil”).ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa filhos eram três e também brigaram e perderam a empresa – numa das cartas deixou um recado muito interessante. Que quase sempre é errada: uma coisa é pai distribuindo a mesada para filho e outra são três pessoas metendo a mão na botija. as preferências dos pais – isso repercute e impacta -. Porque na medida em que ele faz outra coisa e é bem sucedido. Não é por aí! Uma família empresária tem que olhar o negócio como empreendimento. FGV DIREITO RIO 33 . “Ah. ele não vai encher o saco do irmão Pedro – que assumiu o banco. melhor acionista ele vai ser. Então é muito culpa dessa conduta familiar. Existem alguns problemas: a disputa pelo poder. acomodar todo mundo. É muito comum os pais falarem: “não quero que eles passem pelo que eu passei”. a rentabilidade das empresas não crescem na mesma proporção. porque aí vai virar uma guerra. E às vezes é melhor que os filhos façam outra coisa. e a idéia de que o patrimônio vai dar para todo mundo. Não como um lugar onde se vai empregar todo mundo. Porque se tem uma coisa que as pessoas não gostam é de dar satisfação. meu irmão não entende nada”. e é herdeiro do Unibanco. então? Bernhoeft – Os filhos não podem pensar que assumir os negócios da família é a única opção de vida. ele agrega valor ao negócio. Isso é educar a família para que ela seja uma família empresária. Não precisamos sair de Santa Catarina ou de Joinville para conhecer exemplos de famílias que eram ricas. Ele está bem. E quem tem sócio tem patrão”. economia. e coisas do gênero. Quanto mais brilhante cineasta ele for. milionárias até. Os pais querem que os filhos façam administração.. É completamente diferente. Os filhos casam. AN – E como equacionar essas questões? Bernhoeft – Ou as pessoas fazem a empresa crescer na mesma proporção – o que é muito difícil – ou então devem ir diminuindo seu grau de dependência do negócio. é nessa história de contratar profissionais e tirar a família do comando. em que se fala muito sobretudo no mundo acadêmico. se afastem dos negócios. vocês não vão ser donos.. vocês vão ser sócios. Porque a cada nova geração aumenta a demanda por liquidez. porque não depende tão diretamente. porque ao não depender da empresa. Se não ele acaba. agrega valor. Então antes de empurrar os filhos para faculdades de administração e economia. Se isso não acontecer. procurem se entender.

mas as funções por elas exercidas são de natureza federal. que é uma instituição complexa. assinale a assertiva correta. baseada em três pontos: a família. por exemplo: critérios de entrada e saída de membros da família na empresa. E a terceira coisa é a empresa. que é o que está em jogo. tem que tomar cuidado para não se confundir com o empresário. seu mercado. Outra coisa importante é descobrir qual é o seu sonho. Fundadores costumam dizer que fizeram a empresa para os filhos. Simples assim. vai durar até o dia em que ele morrer. porque há muito sentimento e ressentimento. subordinadas ao governo da unidade federativa de sua jurisdição. Depois. como pai. refiro-me ao pai e à mãe. clientes. de que tem que ter o compromisso de responsabilidade social com o País. Mas não com separação de idéias. concorrentes etc. Mentira. De preferência com a presença de genros e noras. E só. Outra questão é estabelecer entre os herdeiros um sucessor. Quem nasce numa família empresária já é um privilegiado. Ele não fez. oras. AN – E o risco de ficar sem herdeiro? Bernhoeft – Vende-se o negócio. E depois o trabalho de criar conselhos. Questões de ConCurso PROVA OAB/RS . dos 300 maiores grupos privados nacionais 265 tem controle ou gestão familiar. dizem uns. de que o dinheiro não lhe dá o direito de fazer e desfazer. Na Alemanha está acontecendo muito isso. Os filhos não só não querem assumir os negócios da família como não querem nem herdá-los. fornecedores.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa AN – E o que é ser uma família empresária no Brasil!? Bernhoeft – Em primeiro lugar o Brasil é um país de uma população miserável. administrativamente. de criar condições para que as empresas sigam sendo bem administradas. A primeira fase consiste numa reunião geral com a família. O segundo componente é o de você vai criar uma sociedade com alguém que você não escolheu para ser seu sócio. Outro ponto é que os herdeiros tenham um acordo societário: um conjunto de regras que estabeleçam direitos e deveres. E quando não há sucessor. E que essa escolha seja feita entre eles. Nosso trabalho é com essas empresas. Então tentamos reunir todo mundo para uma sensiblização. Porque se for uma escolha do pai. do fundador. vende-se o negócio. é um instrumento que ajuda muito. ele fez para si. segundo o “Balanço Anual” da “Gazeta Mercantil”. FGV DIREITO RIO 34 . fazemos uma entrevista com cada membro envolvido. que tem uma das piores distribuições de renda no mundo.DEZEMBRO/2006 22ª Questão: Sobre a Lei do Registro de Empresas Mercantis e Atividades Afins (Lei no 8.EXAME DE ORDEM . mas meus filhos casaram em regime de separação de bens”. E quando eu digo pai. AN – O que faz uma consultoria de empresas familiares? Bernhoeft – No Brasil.934/1994). que é sempre uma figura muito forte. essas coisas. a) As Juntas Comerciais estão. porque eles interferem sim. o que é um grande mérito. E tem que ter consciência disso e de algumas coisas: de que o dinheiro acaba. Isso faz parte do processo de formação de uma família empresária. e não o sonho do pai. com a comunidade. Então o primeiro passo é uma reunião geral. AN – É comum o pai dizer que foi abandonado? Bernhoeft – Demais. “Ah. Mas ele.

ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa b) A consulta aos assentamentos existentes nas Juntas Comerciais bem como a obtenção das respectivas certidões serão possíveis apenas diante de prova do interesse do requerente. tais atos podem ser realizados tanto pelo Departamento Nacional de Registro do Comércio quanto pelas Juntas Comerciais. deliberarem prorrogá-lo por prazo indeterminado. sob pena do cancelamento de seu registro e a conseqüente perda da proteção ao nome empresarial. salvo se os sócios. sem oposição de qualquer deles. Assinale a afirmativa falsa. exceto quando se tratar de procuração. documento ou instrumento apresentado a arquivamento perante a Junta Comercial será objeto de exame em que se aferirá a veracidade das informações prestadas pelo empresário. FGV DIREITO RIO 35 . 129º EXAME DE ORDEM/SP – PROVA 1ª FASE – TIPO 1 – DIREITO COMERCIAL. do bem imóvel que o subscritor tiver contribuído para a formação ou aumento do capital social. (C) Os atos levados a arquivamento nas Juntas Comerciais são dispensados de reconhecimento de firma. por transcrição no Cartório de Registro de Imóveis. 47. arquivamento e autenticação. (B) A sociedade empresária que não proceder a qualquer arquivamento no período de 5 anos consecutivos deverá comunicar à Junta Comercial que deseja manter-se em funcionamento. (A) A certidão dos atos de constituição e de alteração de sociedade empresária. d) Todo ato. c) Os atos praticados pelos órgãos de Registro de Empresas são matrícula. passada pela Junta Comercial. será o documento hábil para a transferência. (D) Não pode ser arquivada a alteração do contrato social depois de findo o prazo nele fixado.

as causas da concorrência desleal são quatro: a carga tributária elevada.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa AUlA 05: INfORMAlIDADE NO SEtOR EMPRESARIAl ementário de temas: – A informalidade em vários setores da economia. é ínfimo: 0.5% ao ano. a lentidão do Judiciário e a impunidade. – TEXTO I – A dura vida do empreendedor. durante o Fórum de Debates Promotor de Justiça Roberto Lyra. Para Kapaz. Kapaz acrescentou que tal prática “impede o crescimento sustentado da economia e contamina o setor formal. cerveja. o secretário da Fazenda de Pernambuco. só esses referidos setores representam 30% de toda a arrecadação de ICMS no país. ressaltou que a informalidade é um dos principais afrontes à concorrência leal e prejudica os pequenos comerciantes. em que o instituto fornece informações técnicas e bancos de dados. incapacitando o incremento do PIB per capita”. fumo e refrigerantes. Mozart Siqueira. presente ao debate. De acordo com o presidente do Etco. FGV DIREITO RIO 36 . da burocracia dos procedimentos. ainda. que. através de parcerias e forças-tarefa com os governos. Patrícia Tavares. – TEXTO III – Informalidade. Foi o que declarou o presidente do Instituto Brasileiro de Ética Concorrencial (Etco). Participaram do evento o Procurador-Geral de Justiça. declara presidente da ETCO em Fórum de Debates do Ministério Público de Pernambuco O Estado brasileiro deixa de arrecadar cerca R$ 6 bilhões devido à sonegação fiscal no setor de combustíveis. Promotores e Procuradores de Justiça. a burocracia dos procedimentos. Patrícia Tavares alertou. – Notícias relacionadas. hoje (27). no Brasil. – Lei Complementar 123/2006. Francisco Sales de Albuquerque. afirmou. “O STF alega que o Ministério Público só pode ingressar com uma ação penal contra os sonegadores. dificultando a ação dos Promotores”. roteiro de auLa: sexta-feira. O ETCO visa colaborar com o combate à concorrência desleal. da lentidão do Judiciário e da impunidade”. após o trânsito em julgado do processo administrativo. além de auditores da SEFAZ. Emerson Kapaz. – TEXTO II – Fantasma assusta até empresas que já fecharam as portas. sobre a importância da revisão do posicionamento do Supremo Tribunal Federal em relação às ações impetradas pelo MPPE. – TEXTO IV – Economia “Invisível”. 27 de agosto Emerson Kapaz defende ética na concorrência empresarial “A concorrência desleal é decorrente da elevada carga tributária. A coordenadora do Centro de Apoio Operacional às Promotorias de Combate à Sonegação Fiscal. ou seja. quando não couber mais recurso.

E na cidade do Rio. contra 14. dado observado no primeiro semestre deste ano. de 69. enfatizou. Apenas 8. 54 “O rombo da informalidade” – O Globo em 25/06/2006. para 62. segundo Kapaz. a questão da informalidade foi apresentada de forma ampla.43%. Só7.gov. do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre). em estudo apresentado na reportagem do O Globo. – Concessionária de energia elétrica (“gatos” = instalações ilegais). contra 27. – Serviços como de operadoras de TV a cabo (ligações clandestinas). corremos o risco da criação de um Estado paralelo. para Kapaz. (http://www. ela era de 63. abrangendo vários setores da economia.com/jornal/rio/284415620. mas reconheceu que essa mudança é um trabalho de longo prazo. ou seja.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa Devido à atuação da Promotoria de Combate à Sonegação Fiscal. Kapaz defendeu mudanças estruturais para trazer de volta ao mercado formal as empresas que atuam na informalidade. pg. – Os números de formalidade das micro e pequenas empresas são alarmantes. Na Região Metropolitana do Rio.63%. em 99.asp O cnpj substituiu o cGc-mF (cadastro Geral de contribuintes do ministério da Fazenda) através da Instrução normativa sRF nº 2.98%.globo. Néri usou como critério a contribuição previdenciária a fim de poder cruzar dados do Censo. 55 FGV DIREITO RIO 37 . Por fim. Em 1997. é a tributação sobre o setor produtivo. segundo dados atualizados do Censo. 16. ligado à Fundação Getúlio Vargas (FGV). mantido pela corrupção e pelo crime organizado. em 93. Outra causa da concorrência desleal. em parceria com a Secretaria da Fazenda de Pernambuco e a Polícia Militar.39%. – “Informalidade fundiária” (inadimplência no pagamento do IPTU ou pela situação irregular do imóvel).2% tinham registro de pequena empresa em 2003.mp. a arrecadação no setor de álcool aumentou em um mês 170%. “A carga [que incide sobre o setor produtivo] é injusta e cobrada de forma errada”. 16. conforme texto a seguir: Ao analisar o número de contribuintes da Previdência Social no estado.br/arquivo/imprensa/noticias/2004_agosto/27_emerson.28% tinham o CGC55. questionada por setores do governo e do Judiciário. – DETRAN (falta de pagamento de multas e IPVA). concluiu que a formalidade no mercado de trabalho fluminense caiu entre 1997 e 2003. de 2 de janeiro de 2001. o presidente do Instituto ETCO considerou “fundamental ao setor empresarial” a capacidade de investigação por parte do Ministério Público.pe.4 bilhões que o Estado do Rio de Janeiro deixa de arrecadar a cada ano com a prática da informalidade em setores como: – FISCO (pirataria/sonegação de ICMS).62% em 97. – CEDAE (furto de água). da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) e de pesquisas do setor informal. em 2004. Sem essa mudança. Kapaz também defendeu uma “mudança de cultura a favor da ética”.htm) Em matéria veiculada no jornal O Globo54. Segundo o pesquisador Marcelo Néri.46% em 97. o número de empresas (RECTIUS: sociedades empresárias) sem registro oficial aumentou. e 60. Essas reformas estruturais. Dessa forma. devem englobar mudanças na legislação trabalhista e redução da carga tributária. O inteiro teor da reportagem pode ser acessado no site: http://oglobo. A reportagem começa informando ao leitor sobre os R$ 4.92%. Apenas 14.4%. em 2004. preencheram a declaração de Imposto de Renda em 2003. No estado.72% das empresas tinham CNPJ em 2003. para ele. a formalidade caiu de 64. movimento posto ao do resto do país. o pesquisador Marcelo Néri. os encargos sociais crescentes sem a contrapartida dos serviços levam à informalidade. todas as bases de formalidade caíram à metade entre 1997 e 2003.

a taxa cai para 9. Nos bairros de alta renda. não tem escritura. Ela reflete o jeitinho brasileiro. A informalidade. Com carteira assinada. não consegue provar endereço. não é a favela que tem a maior informalidade previdenciária: – É simples: na favela. Tenta-se cobrar impostos. Uma das formas encontradas para driblar o pagamento dos impostos e encargos trabalhistas é se associar a uma cooperativa. passa a seu uma saída – conclui.1%. mas sem oferecer os serviços em contrapartida. jornada puxada”: Mas o mais forte é a falta de presença do Estado. há uma “série de precariedades na vida trabalhista das favelas: desemprego alto. título de propriedade não é a regra. diz Néri. é o desemprego. Grande nas favelas. De acordo com o pesquisador.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa A informalidade está associada a encargos fiscais crescentes sem que haja benefícios sociais em contrapartida. Ao contrário do que se pensa. ela pode conseguir abrir crediário. FGV DIREITO RIO 38 . Até porque a pessoa que mora na favela tem “gato” de luz. em todos os setores. mesmo.1%.” Jornal O Globo – infográficos. salário baixo. A proliferação delas cria mais informalidade. existe uma quase total informalidade fundiária. Mas as pessoas buscam ter relação com o estado em outros setores da vida. Dados atualizados do Censo mostram que nelas ele chega a 19.

Isso é artigo em extinção. corrupção. Sylvia Vergara tem outras ponderações sobre as causas da informalidade. os exemplos que vêm dos governantes não ajudam a interromper o ciclo: — As pessoas pensam: “Ah. Justiça lenta. sem contrato. Recorrer à informalidade é o dia-a-dia de 20% a 25% da população. para quem tem renda para consumir. É cada vez mais a regra. por que eu não posso?” Não se pode nem falar mais em marginalidade para esse tipo de comportamento. 56 O Globo de 26/06/2006. ‘É uma espécie de busca tortuosa por cidadania’ Professora da Escola Brasileira de Administração Pública da FGV. Para o sociólogo Inácio Cano. As empresas. É preciso que o mercado se aproxime da renda das pessoas para conter a informalidade. seu DVD. Uma pessoa de renda baixa tem lá seu celular. professor da Uerj. — Um exemplo da força do Estado pirata é o (megacontrabandista) Lao Kim Chong. Serão cruzados dados desde 1995 para uma avaliação trimestral da evolução da informalidade. — Que se expandam os programas de eletricidade. condenar o uso de produtos piratas: — As pessoas não têm acesso a emprego com carteira assinada. há consumidores. sua TV. Ninguém quer ficar à margem. com propinas. que começa a ser publicado periodicamente ainda este ano. O sociólogo defende a proliferação de programas que estimulem a adesão de consumidores de baixa renda. inclusive de grife. Além disso. que tinha uma banca de 15 dos melhores advogados e quase conseguiu hábeascorpus no Supremo para se livrar da cadeia. a seguir: “A necessidade de estudar detalhadamente a extensão da informalidade no país levou o Instituto Brasileiro de Ética Concorrencial (Etco) a contratar a Fundação Getúlio Vargas para elaborar um estudo permanente.17 FGV DIREITO RIO 39 . E faz gato da TV a cabo. Em troca de pagar. poderiam fazer linhas populares que tivessem a sua marca. mesmo ganhando até um pouco menos. — A informalidade tem implicações mais profundas do que parece. que moram em favelas. sofrendo discriminação. mortes por disputas entre quadrilhas de contrabandistas e financiamento de campanhas de políticos que contribuem para a manutenção do status quo — diz Emerson Capaz.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa Ainda na matéria sobre a informalidade. O estudo ficará a cargo do pesquisador Aloísio Campello. pg. para facilitar o acesso do consumidor de baixa renda. presidente do Instituto Etco. Tem que atacar a logística e ter em mente que a pirataria e o contrabando têm quatro pilares: alta carga tributária. Para ela. sobre a economia subterrânea. — É importante não se esquecer das pressões de uma sociedade consumista. ávidos por comprar e imersos numa frouxidão de valores. que apela o tempo todo para a compra de bens. sem receber entregas. Se lhe derem essa opção. a maioria vai preferir ter acesso a isso e aos direitos. endereço. do Ibre. sem punição. É uma espécie de busca tortuosa por cidadania — diz. o jornal O Globo traz o artigo “Estudo sobre a economia subterrânea”56. Como é que ela não se põe à margem? Consumindo piratas. com surpreendente destaque para os de classe média e alta. burocracia e impunidade. Trata-se de uma cadeia que sustenta um verdadeiro Estado pirata. há direito a assistência técnica. é fácil. se eles podem roubar. água. TV a cabo para os pobres. Emerson reconhece que prender camelô é ineficiente: — É enxugar gelo. sem pagar impostos — diz o professor.

podemos citar: a) pessoas jurídicas constituídas como cooperativas (exceto as de consumo). para a abertura e o fechamento de sociedades empresárias. porém. e n. com isso. já as que se encontram enquadradas no simples e que não se manifestarem até o fim do mês.4 milhões. todo mundo quer ter o produto original. para o administrador honesto que discute as dívidas da sociedade na justiça. Uma das novidades do PL é a dispensa das certidões negativas para o fechamento de empresas. Há um rol de vedações.400. pL 6529/2006. dentre essas vedações.4 milhões por ano. O PL 6.841/99 (atual Estatuto da Micro e Pequena Empresa). pois de um lado dificulta a fraude (aspecto positivo). Estabelece diretrizes para a simplificação e integração do processo de registro e legalização de empresários e de pessoas jurídicas. e as pequenas empresas. Cano encontra apoio até em representantes da indústria pirateada. a burocracia traz complicações que provocam demora e muita dor de cabeça para os ex-sócios. que substitui o simples. pIs. O super simples (Lei complementar nº. reduzindo praticamente à metade os prazos para tramitação de processos nas juntas comerciais.º 9. quanto para fins do tratamento tributário. fica impossibilitado de fechar a sociedade diante de tal exigência (aspecto negativo). A burocracia e a falta de união das juntas comerciais.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa Entidade apóia lançamento de linha popular por grifes Nesse ponto. csL e contribuição previdencial patronal). serão automaticamente enquadradas no super simples. O novo regime tributário entra em vigor a partir do dia 1º de julho e as empresas têm até o dia 31 para optar pelo regime. são aquelas que faturam até R$ 240 mil por ano. e pequenas empresas que ganham de R$ 240 mil a R$ 2. cria a Rede nacional para a simplificação do Registro e da Legalização de Empresas e negócios – REDEsIm. cofins.529/2006 pretende combater a demora no processo de abertura e fechamento de sociedades empresárias. está tramitando o PL 6. b) sociedades cujo capital participe outra pessoa jurídica. além dos seis tributos e contribuições federais (IRpj. que já eram incluídos no simples. o novo regime engloba o Icms (estados) e o Iss (municípios). principais pontos da Lei. Até para o fechamento (vide Texto II). Esta exigência sempre gerou muita polêmica. para microempresas que faturam até R$ 240 mil por ano. desde que a receita bruta global ultrapasse o limite R$ 2.529/2006 que cria a REDESIM — Rede Nacional para a Simplificação do Registro e da Legalização de Empresas e Negócios. A expectativa do governo é que a lei permita a criação ou formalização de 1 milhão de empresas e. sempre foram (e continuam sendo) os maiores obstáculos para a abertura de novos negócios. — No fundo.00. prevê a unificação e simplificação de impostos federais. A unificação e simplificação tributária. 57 58 a postergação da parte tributária ocorreu porque Estados e a Receita Federal alegaram que não haveria tempo hábil para desenvolver o sistema de arrecadação. FGV DIREITO RIO 40 . para a realização dos registros da atividade empresária de que trata em seu contexto. O restante da lei passou a vigorar a partir do dia 1º de janeiro de 2008 com exceção de itens que ainda dependem de regulamentação posterior. Em 14 de dezembro de 2006.317/96 (que trata do Simples Federal). Microempresas. que estabelece normas gerais relativas ao tratamento diferenciado e favorecido a ser dispensado às microempresas e empresas de pequeno porte no âmbito da União. a geração de 2 milhões a 3 milhões de empregos formais. até R$ 2. proJeto de Lei 6. c) pessoas jurídicas cujo sócio ou titular seja administrador ou equiparado de outra pessoa jurídica com fins lucrativos. IpI.57 Com o objetivo de simplificar e diminuir a burocracia. do Fórum Contra a Pirataria. como a exigência de certidões negativas. 123/06). — Toda a conscientização e toda a fiscalização não serão eficazes se a indústria não se comprometer a criar linhas de produtos mais populares — alerta Alexandre Cruz. dos Estados. revogando as Leis n. Só precisa de meios para isso”. passarão a vigorar em 1º de julho de 200758. estaduais e municipais. Lei geraL das miCro e peQuenas empresas – LC 123/2006.º 9. tanto para fins do Estatuto. além de estabelecer um amplo programa de agilização e simplificação de procedimentos e a integração das ações dos órgãos e entidades públicas. do Distrito Federal e dos Municípios. e dá outras providências.000. foi sancionada a Nova Lei do Simples.529/2006.

as empresas de montagem de stand em feiras. considera-se MEI o empresário individual a que se refere o art. e não por tempo de contribuição. 966 da Lei no 10. É importante ressaltar que a Lei Complementar 123/2006 sofreu alterações de acordo com a LC 127/2007 e LC 128/2008. Ele ainda passa a integrar o cadastro nacional de pessoa jurídica (cnpj).. seguro por acidente de trabalho e licença-maternidade. Eles também podem ter até um empregado. podem se inscrever como mEI empreendedores como costureiras. que vai vigorar a partir e 1º de julho também de 2009. do IPI. Alíquotas: No comércio.00). do PIS.. poderá ter conta bancária e outros benefícios como acesso a linhas de financiamento especiais com juros reduzidos e participação nas licitações públicas. no ano-calendário anterior. sancionada sem vetos. Formalizado como mEI. Novos setores: A Lei Geral como foi aprovada no Congresso permite que novos setores entrem no sistema de arrecadação especial. comparecer em Entre as medidas. considera-se MEI o empresário individual que tenha auferido receita bruta. O tempo mínimo de contribuição são 15 anos. No caso do setor de serviços. No entanto. de 10 de janeiro de 2002 – Código Civil. conforme parágrafo primeiro do artigo 18-A da LC 123/2006.000. seu registro será simplificado e livre de taxas e emolumentos. Abrir uma empresa. o microempreendedor Individual (mEI) e a sociedade de propósito Específico (spE).4 bilhões ao ano. de 2008). Menos burocracia: A Lei Geral garante maior rapidez na abertura de empresas.406. A alíquota atual (2006) é de 20%.59 teXto i – a dura vida do empreendedor60 Estudo do mostra que o Brasil lidera a lista dos países que criam maiores dificuldades para abrir uma empresa. academias de ginástica e de dança e empresas que atuem na área de produção cultural e cinematográfica. entra em vigor no dia 1º de janeiro de 2009. cria condições para desburocratizar a abertura e o fechamento de empresas. e do INSS patronal. permite a entrada de novos setores econômicos no simples nacional e cria duas novas personalidades jurídicas. cuja vigência iniciar-se-á em 01/07/2009: “Art. Entre eles estão os operadores autônomos de transportes de passageiros.65. PIS. Há um acréscimo de meio ponto percentual para as indústrias. da CSLL. Compras públicas: As micro e pequenas empresas passam a ter prioridade em compras governamentais de até R$ 80 mil. O registro da empresa será único e servirá para todas as esferas de governo. da COFINS. as alíquotas variam de 4% a 11% de acordo com o faturamento. CSL e INSS). a nova lei possibilita resolver problemas reclamados pelo segmento relativos à cobrança de Icms. os microempreendedores individuais ficam isentos de praticamente todos os tributos. o empreendedor passa a ter direito à aposentadoria por idade ou por invalidez.” Portanto. IPI. Não estará sujeito à incidência do IRPJ. média ou grande. a previsão é que a lei beneficie cerca de 11 milhões de empreendedores. escolas de línguas. só o público-alvo do microempreendedor Individual compreende os 10. de até R$ 36. R$ 50. a família também tem direito à pensão por morte do segurado e auxílio-reclusão. mais R$ 1 de Icms (comércio e indústria) ou R$ 5 de Iss (serviços). A parte de fiscalização ambiental. (Incluído pela Lei Complementar nº 128.3 milhões de informais no país. destacamos: Tributação: A lei unifica e simplifica a arrecadação de seis impostos e contribuições federais (IRPJ. com a lei. exceto o mEI. no ano-calendário anterior. as alíquotas são 50% maiores que as cobradas no comércio. 59 FGV DIREITO RIO 41 . optante pelo Simples Nacional e que não esteja impedido de optar pela sistemática prevista neste artigo. (. independentemente da receita bruta por ele auferida no mês. pequena. É preciso ter disposição para cumprir cerca de 17 procedimentos.) § 1o Para os efeitos desta Lei.00 (trinta e seis mil reais). tendo esta última criado a figurado Microempreendedor individual – MEI. é como participar de uma gincana.000. além do ICMS (Estados) e ISS (municípios) a partir de 1º de julho.00. de segurança e vigilância sanitária será feita de forma simplificada. Cofins. É um dos grandes obstáculos para que pequenos negócios entrem na economia formal. sapateiros e artesãos com receita bruta anual de até R$ 36 mil e que optarem pelo simples nacional. o mEI retém 8% do salário pago e complementa com mais 3% para o Inss do trabalhador. no Brasil. A renúncia fiscal prevista é de R$ 5. que hoje equivale a R$ 45. a lei.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa Como principais pontos da lei. Ele poderá optar pelo recolhimento dos impostos e contribuições abrangidos pelo Simples Nacional em valores fixos mensais (aprox. se tiver empregado. que tenha auferido receita bruta. 18-A. de até R$ 36. Os documentos serão entregues em um único órgão que repassará os dados para os outros. o trabalhador poderá se aposentar apenas por idade (60 anos para mulher e 65 para homens). pagam apenas valor fixo mensal de 11% do salário-mínimo de Inss para aposentadoria pessoal. Autônomos: Os autônomos farão o recolhimento de apenas 11% para o INSS (Instituto Nacional do Seguro Social).

Revista Desafios do Desenvolvimento – IpEa – setembro/2004. A burocracia é um dos motivos da alta taxa de informalidade dos negócios no país. E precisa esperar que se cumpra cada etapa para iniciar outra. está incumbido de realizar um diagnóstico dos principais entraves no registro empresarial. o potencial empresário tem de fornecer os mesmos dados e documentos a cada um deles. e nos Estados Unidos são necessários cinco dias. O tempo gasto nos trâmites burocráticos é o triplo da média mundial. quando foi criado o Ministério da Desburocratização (leia o quadro na página ao lado). por baixo. entre 133 países pesquisados. também criado com a nova lei. sendo integrado por representantes da união. Segundo ele. em dois dias se abre um negócio. O primeiro passo foi a realização de um workshop em maio. Para fechar uma empresa brasileira são necessários 10 anos. No caso do Brasil o cenário foi a cidade de São Paulo. Um processo em fase final de deferimento pode retornar ao ponto inicial se uma assinatura tiver algum detalhe diferente da que consta na carteira de identidade. reunindo membros do governo federal e outros setores envolvidos no processo em instâncias estaduais e municipais. por exemplo. estados e municípios. secretário de Desenvolvimento da Produção do MDIC e coordenador do grupo de trabalho. O microempreendedor Individual não precisará apresentar contabilidade ou nota Fiscal. por exemplo. que é de 49 dias. O registro do mEI será regulamentado pelo comitê Gestor da Rede nacional para a simplificação do Registro e da Legalização de Empresas e negócios (Redesim). a legislação foi feita com foco em cada um dos órgãos envolvidos. Agora. ou ainda se houver qualquer pequena rasura ou termo incorreto. ter tempo e dinheiro de sobra. além de esperar uma média de 155 dias para abrir as portas. mas também devido a inúmeros imprevistos que normalmente acontecem no meio do caminho. O périplo é longo não apenas por envolver várias etapas a serem cumpridas. É o segundo processo mais lento do mundo. de Brasília. Para se ter uma idéia da dimensão do problema da burocracia nesse campo. às 01:04horas. O levantamento aponta que o Brasil ocupa o sexto lugar. de acordo com o Banco Mundial.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa até 15 órgãos do governo. comenta o contador Leo Arksy. bastando uma declaração anual. 60 FGV DIREITO RIO 42 . A situação da capital paulista é emblemática e reflete muito do que acontece ao longo do território. Em Brasília. e de implementar soluções que minimizem o martírio de potenciais empreendedores. um estudo realizado pelo Banco Mundial esse ano. embora em algumas capitais o problema esteja minimizado. As dificuldades enfrentadas pelos empreendedores brasileiros não ocupavam a agenda pública desde o final da década de 1980. A questão é importante porque impacta a pauta de crescimento sustentável do Brasil a longo prazo. em matéria de demora para a abertura de uma empresa. onde é possível abrir um empreendimento em seis dias. 274 dólares em taxas e tributos.com. capitaneado pelo Ministério do Desenvolvimento. Assim.tactus. No evento foram debatidas experiências internacionais de desburocratização e iniciativas locais bem-sucedidas. “As exigências são repetitivas e falta orientação para o empreendedor”. Indústria e Comércio Exterior (MDIC). http://www. “A sensação é de que a cada ano fica mais difícil abrir um negócio. Também foram esboçadas sugestões de atuação em nível federal. Burocracia Os contadores são as figuras que mais conhecem o duro dia-a-dia das filas da burocracia. Perde apenas para a Índia. de Brasília. exceto se vender ou prestar serviço para pessoa jurídica. um grupo de trabalho do governo federal. afirma Carlos Gastaldoni. indica que qualquer mortal interessado em abrir um empreendimento no Brasil tem de desembolsar. hoje na casa dos 40% do Produto Interno Bruto (PIB). Na Austrália. acesso em 19 de janeiro de 2009. por clarissa Furtado. no Maranhão. sem uma visão geral do processo e sem pensar no cliente. com 11. O estudo do Banco Mundial leva em conta a realidade dos principais centros financeiros de cada país. costumamos gastar de 40 a 60 dias para cadastrar uma empresa e outros 3 a 4 meses para que ela possa funcionar”. da empresa de contabilidade Welmaso. denominado Doing Business (fazendo negócios). br/?cat=8&paged=2. Grande parte da demora deve-se ao fato de que os órgãos responsáveis por autorizar o registro não conversam entre si.3 anos. como é o caso de São Luís.

A Classificação Nacional de Atividade Econômica (CNAE – Fiscal). O conceito one stop shop (algo como loja de parada única) já funciona em vários países desenvolvidos. em 2003. A classificação segue o padrão da Organização das Nações Unidas. Paulo Ricardo de Souza Cardoso. O Sebrae. A unificação das informações fiscais é. O número de empreendedores no país é crescente. a utilizam e. no Canadá. 21. explica. em apenas dois dias. o que facilita a comparação de informações brasileiras com dados mundiais. o cadastro único ainda está longe de se tornar realidade. Assim.5% devido ao tempo gasto no processo. realizado no final do ano passado a pedido do Ministério da Fazenda. um encontro de administradores tributários. Ainda está apenas no plano da discussão. na pesquisa Global Entrepreneurship Monitor. Nem todas as cidades.6% devido ao alto custo financeiro e 18. 12. alerta o cientista político Sérgio Abranches. para o 6º lugar. No ano passado. estados e municípios terão até 30 de setembro para apresentar um diagnóstico da situação e o que seria necessário para a unificação. de um total de 640 empreendedores informais do estado de São Paulo. Segundo o coordenador-geral de fiscalização da Receita. porém. O Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae). por exemplo. A criação de um cadastro único de empresas.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa Segundo um estudo do Instituto Análise de Ribeirão Preto. Entidades representativas do público empresarial já estão se movimentando nesse sentido. por isso. que também já admite o preenchimento de formulários pela internet. por correio. terá de ser aprovada uma nova lei que possibilite o cadastro único”. foram assinados dois protocolos estabelecendo metas e compromissos para viabilizar o projeto. O empreendedor se compromete a enviar. sobre o nível da atividade empreendedora em todos os continentes. Depois que a Receita Federal realizou. formal ou informalmente. No Brasil. feita pela London Business School. criada em 1994 e atualizada em 2002. elaborou um ante projeto de lei. aprovada na Reforma Tributária do ano passado. Em São Paulo. O Brasil passou de sétimo colocado. o registro de empresa é regulado por lei estadual e. foi sendo paulatinamente usada pelos diversos ministérios. embora esteja previsto em lei. e também a inclusão do tema na lista de medidas da nova Política Industrial. por exemplo. O argumento explica a ênfase especial ao tema pedido pelo ministro Luiz Fernando Furlan. por exemplo. inclusive. uma exigência da Emenda Constitucional 42. Ela torna possível o uso de um mesmo código de atividade em todo o país e viabiliza o cadastro único. a Federação Nacional das Empresas de Serviços Contábeis (Fenacon) e o Conselho Federal de Contabilidade (CFC) já definiram essa demanda como a principal em sua pauta de reivindicações. “Temos disparidades nas regras locais e também na estrutura tecnológica.5% não pensavam em legalizar suas atividades por causa das dificuldades burocráticas. ao grupo de trabalho interministerial. em julho. reunindo informações da Receita Federal e das secretarias de fazenda estaduais e municipais é o desejo daqueles que defendem um processo menos complexo na constituição de empresas no Brasil. naquelas em FGV DIREITO RIO 43 . A pressão da sociedade é fundamental”. A adoção de um código único de classificação econômica de empresas é outra medida fundamental para a viabilização do projeto. em 2002. é possível obter o registro. do MDIC.9% da população estava envolvida em alguma ação empreendedora. Interessados no assunto não faltam. a ser apresentando ao Congresso ainda em 2004. redefinindo o Estatuto das Micro e Pequenas Empresas e fazendo outras propostas. “Mas não adianta esperar que o Estado sozinho conduza o processo de mudanças. A entrada única de dados cadastrais é a regra. 24. um único documento: o contrato social da empresa.

O prazo de dez anos citado pelo Banco Mundial para dar baixa de um estabelecimento é conseqüência. em grande medida. Mas questões complexas muitas vezes são resolvidas com soluções marcadas pela simplicidade. Unificação de códigos O código da CNAE também poderia ser usado para cruzamento com as atividades listadas nos planos diretores das cidades. perigo de acidentes. o corpo de bombeiros e a vigilância sanitária. as Centrais Fáceis. Algunas aplicam os três primeiros algarismos da classificação. O Sebrae tem desempenhado um papel importante nessa área. Na cidade de São Paulo está sendo elaborado um software que determinará. Na esfera federal. FGV DIREITO RIO 44 .ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa que já é empregada. o empreendedor teve de ir ao corpo de bombeiros com seu próprio carro para buscar o técnico. Assim. que reúnem escritórios dos órgãos envolvidos no registro num único local. por exemplo. investimentos em informatização e. “É preciso unificar as regras”. José Martonio Alves Coelho. 120 são gastos nos procedimentos de fiscalização e vistoria pra a obtenção das licenças vinculadas ao alvará de funcionamento. de estado para estado. serão precisos pelo menos três ou quatro anos. Além do cadastro único existem outros problemas. já que faltam viaturas. Na Receita Federal o padrão é o uso dos quatro primeiros números. A falta de fiscais em muitas cidades adia a vistoria. com o apoio do Sebrae. cogita-se que o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) poderia coordenar uma central de codificação de atividades econômicas. Enquanto as mudanças estruturais não aparecem. uma cooperação entre os governos. falta uniformidade. consultor de tributos e desburocratização do Sebrae. da Receita Federal e do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS). Fiscalização Qual seria uma possível solução? Para André Spínola. como a prefeitura. se tudo correr bem. as fiscalizações se concentrariam nos negócios em que há. Contando com aprovações de projetos de lei no Congresso. Outra hipótese seria dar ciência ao empreendedor de todas as obrigações a cumprir em relação à segurança da atividade. da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional. sobretudo. principalmente porque as regras variam de cidade para cidade. para agilizar o processo. Isso facilitaria a concessão dos alvarás de funcionamento e serviria para orientar a necessidade de fiscalizações e licenças específicas. Os processos de fechamento ou alteração das condições jurídicas são compostos por rituais ainda mais cansativos. de fato. O empresário daria baixa na Junta Comercial e avisaria aos órgãos envolvido que cobrariam eventuais dívidas. deveriam ser criadas classificações mais precisas das atividades de acordo com o risco potencial que elas oferecem para a sociedade. Ele assinaria um termo de responsabilidade comprometendo-se a executá-las em determinado período de tempo. A redução do prazo de abertura e encerramento de empresas no Brasil ainda vai demorar. Dessa forma. Uma alternativa para resolver o problema seria a eliminação de todas essas certidões. a firma poderia iniciar suas atividades mais rapidamente. enquanto outras elencam até seis. Faltam informações sistematizadas e de fácil compreensão sobre o procedimento a ser adotado pelos interessados em abrir empresas. Em Brasília houve casos em que. os futuros empresários precisam munir-se de persistência para conseguir autorizações de funcionamento das instâncias locais. da exigência de certidões negativas pelo Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS). Não é apenas o nascimento de um empreendimento que envolve tantos meandros. quase óbvias. Como se não bastasse o tortuoso caminho até a obtenção do registro da empresa. foram criadas em dez cidades. Dos 152 dias registrados no estudo do Banco Mundial. sugere o presidente do CFC. a necessidade de uma vistoria ambiental com base no código.

que muitas vezes não dependem de você para que sejam resolvidos – afirma o preside do Sebrae/RS. – Às vezes. Uma empresa de reforma de carrocerias de Guaíba. Ainda assim. – Isso acontece seguidamente. à geração de empregos e uma fonte de gastos inúteis por parte da sociedade. Resolvido este impasse. – Na era da informática. não consigo entender como ainda vivemos às voltas com formulários e carimbos – lamenta Magda. O pior é que. Assim como as dificuldades para abrir uma empresa. a contabilista enfrenta há mais de um mês o pesadelo da burocracia. o volume de documentos exigidos e falhas na engrenagem burocrática elevam o tempo mínimo para extinguir o empreendimento a vários meses. o Brasil se equipara somente ao Chade e à Índia neste quesito – onde o processo também chega a uma década em caso de falência. fechá-la é um tarefa extenuante para os empreendedores. estaduais e federais pode elevar o tempo necessário para extinguir uma firma a nada menos do que 10 anos. está com toda a documentação em dia e não apresenta débito com o INSS. Até agora.61 Conforme o estudo do Banco Mundial sobre o ambiente para negócios em todo o mundo. 61 FGV DIREITO RIO 45 . por exemplo. voltará a percorrer as repartições para depois apresentar a papelada à Junta Comercial com o pedido de baixa. também tiveram por objetivo facilitar a abertura e fechamento das empresas iniciadas pelo microempreendedor individual. 11 de dezembro de 2005. Ela lamenta que. Mesmo quando uma empresa não tem credores. – O problema no fechamento de uma empresa é que você é responsável por problemas junto ao INSS e ao Fundo de Garantia. todos os comprovantes tenham de ser novamente verificados. na Região Metropolitana. Assim. ela provavelmente terá de recomeçar do zero e obtê-las novamente. Fonte: jornal zero Hora. no papel.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa teXto ii – fantasma assusta até empresas que já fecharam as portas60 Se abrir uma empresa é uma empreitada difícil no Brasil. provocadas pela Lc 128/2008. por exemplo. explica que os sócios tiveram de esperar a conclusão de um processo de venda do negócio para formalizar sua dissolução. já não tem funcionários há quatro anos. mesmo que a empresa seja obrigada por lei a apresentar relatórios mensais e anuais sobre pagamento de ICMS. Magda Gattini. a complexidade do procedimento para fechá-la também é considerado um obstáculo ao desenvolvimento de novas companhias. Flávio Sabbadini. Mas não é fácil – diz Magda. preciso provar com uma pilha de comprovantes que esta dívida não existe para obter a certidão negativa de débito. 60 Vale lembrar que as alterações sofridas pela Lei complementar 123/2006. não conseguiu uma das muitas certidões necessárias para dar prosseguimento ao processo porque uma falha de comunicação entre os computadores da Caixa Econômica Federal e do INSS aponta uma dívida inexistente. continua existindo. A contabilista da firma. 44 anos. O vaivém de certidões e formulários exigidos por repartições municipais. Agora. como as outras certidões que atestam a ausência de dívidas junto a órgãos governamentais têm prazo de validade para serem apresentadas. por exemplo. tenho vontade de jogar tudo para o alto – confessa a contabilista.

São criados os concursos públicos nacionais e autarquias dotadas de autonomia gerencial e financeira – primeira tentativa estruturada de descentralização administrativa. > Formalismo jurídico idealiza as instituições a partir de uma visão estritamente legal. criando um ciclo vicioso Fontes:Instituto Hélio Beltrão Juarez Freitas professor de Direito PUCRS e da UFRGS. – O Programa Nacional de Desburocratização perdeu ênfase no final da década de 80. o projeto de descentralização volta à carga. busca uma vantagem e não um direito. – Nos anos 2000.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa No Brasil. presidente do Instituto Brasileiro de Direito Administrativo e pesquisador Associado na Universidade de Oxford (EUA) FGV DIREITO RIO 46 . apesar de autoritário. cria o Programa Nacional de Desburocratização que seria tocado pelo Ministério da Desburocratização. general João Batista Figueiredo. tenta dar agilidade e eficiência ao serviço público. durante o primeiro governo militar. de 1937 a 1945. ao buscar um serviço público. > No início dos anos 90. é criada a Comissão de Reforma Administrativa. Parte-se do princípio de que o cidadão. Para o Instituto Hélio Beltrão – batizado com o nome do ex-ministro da Desburocratização – as medidas abaixo foram tentativas de reduzir a burocracia do Estado: – Do fim da monarquia até 1930. dedicando-se prioritariamente a disseminar os conceitos de desburocratização. – O recrudescimento do regime militar. mas reduz o ímpeto da modernização administrativa do Estado. o processo político caminha no rumo da descentralização política. socialmente controláveis. presidente do Instituto Hélio Beltrão (IHB) e página do IHB na Internet Por que o Brasil patina? – Há forte vocação à centralização administrativa. – A redemocratização. promove a descentralização política. – O Estado Novo. Fonte: João Geraldo Piquet Carneiro. e de gratificação de produtividade. – Partidarização excessiva do governo. que mais tarde se transformam nos Juizados Especiais. – Perfil autoritário da administração pública. > Existe uma relação de desconfiança no relacionamento do governo com a sociedade e com o cidadão. a partir de 1946. O último dos presidentes militares. – Os primeiros anos da Reforma Administrativa enfatizam a desburocratização administrativa. aperfeiçoados a emissão de passaportes e a revogação de mais de 100 mil decretos superados e desnecessários. delega competências e reforça a autonomia da administração indireta. novas medidas de maior impacto são adotadas no âmbito do Programa Federal de Desregulamentação. com o poder sendo transferido para as províncias. – Duas inovações importantes tiveram a sua gênese com a criação do programa: o Estatuto da Microempresa e os Juizados de Pequenas Causas. o programa é recriado. exigência da Emenda Constitucional 19. que dificulta o planejamento de longo prazo – O Estado volta sua arrecadação para seu próprio financiamento. – Em 1979. – Falta de fixação de metas de desempenho. que seria implementada três anos mais tarde. – Inexistência de um código específico de Defesa do Usuário de Serviços Públicos. > São simplificados os procedimentos de embarque e desembarque nos aeroportos. em 1969. – Em 1964. até hoje não levada a sério. compromete o projeto de descentralização administrativa.

o setor de serviços teve a sua participação aumentada de 35.9 milhões de pessoas: 86% pertenciam a trabalhadores autônomos e 14% tinham até cinco empregados. Nada menos do que 52.9% dos empregos do IBGE. ocupando 12. especialmente nas regiões metropolitanas. CDs piratas ou uma miríade de coloridos badulaques que enfeitam as ruas de qualquer cidade. escapar das armadilhas da burocracia e do pagamento de impostos. Saiba por que isso é um problema e o que se está fazendo para resolvê-lo. Em dezembro será divulgado um novo levantamento com as mesmas características. As estimativas indicam que nesse ambiente circulem de 10% a 15% do Produto Interno Bruto (PIB). Os dados estão em estudos do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) feitos com base em informações do Instututo Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Mais da metade dos trabalhadores brasileiros vive na informalidade. Alguns resvalam para a ilegalidade.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa teXto iii – informalidade61 Esta edição da “Desafios” traça um amplo panorama da perigosa expansão da economia informal no Brasil. Em 2002 eram 36. quais os setores que mais lidam com esse tipo de mão-de-obra e quais as maiores dificuldades enfrentadas pelos que querem operar dentro da formalidade. Nos infográficos abaixo mostramos. Em contrapartida. O Brasil é um dos campeões nesse território. quem está migrando para a informalidade. O problema é crescente. Em 1991. donos de fábricas de fundo de quintal. brasil dividido. pesquisador do Ipea e especialista em mercado de trabalho.5 milhões de empresas informais.1 milhões de trabalhadores que recebiam algum tipo de pagamento. 61 FGV DIREITO RIO 47 .3 milhões de pessoas. e dentro delas no setor de serviços. vendem cigarros e remédios falsificados. por andréa Wolffenbüttel. Eles habitam um mundo de tons cinzentos. São também os diplomados que dão consultoria ou atuam como personal trainers. o crescimento da informalidade no Brasil resulta de uma re-acomodação da economia. barraqueiros. Isso ocorreu porque a Revista Desafios do Desenvolvimento – IpEa – novembro/2004 – Edição 4. Procuram sobreviver no improviso. entre 69.7% para 42. Há grande curiosidade a respeito dos resultados: será que o universo informal continua em expansão? Segundo Lauro Ramos. Em 2002 a indústria era responsável por apenas 15. São camelôs.8% do total dos empregos em 2002. Uma pesquisa feita pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) em 1997 revelou a existência de 9.6% dos brasileiros que praticam alguma atividade remunerada gravitam em ambientes informais. a indústria respondia por 22. em números. Tem de tudo no mundo da informalidade.2% das vagas de trabalho nas regiões metropolitanas (conforme a Pesquisa Mensal de Emprego).

90% da mão-de-obra não têm vínculo empregatício. Goiás. Qual sua perspectiva de futuro? Permanecer como estão. Que a riqueza é imensa. 33% da mão-de-obra industrial era composta por trabalhadores sem carteira assinada ou por pessoas que trabalhavam por conta própria. Da mesma forma o vendedor de cocos que atua bem em frente à antiga sede do Ministério do Trabalho.2% das respostas). O negócio foi aberto há oito anos. A dona da pequena confecção em Jaraguá. Em 2002 já eram 36% (veja tabela ao lado). FGV DIREITO RIO 48 . na zona sul da capital paulista. já atraiu 2.049 empresas informais. também é nele que se registra o maior crescimento da informalidade.11% em 2003 e. Cuidando da sobrevivência a cada dia. Leandro Dias de Oliveira é um estudante de 17 anos de idade. Depois vêm as barreiras burocráticas (15. que passou de 53. Sem alternativa. Nela descobre-se que há gente de todo o tipo nesse lado pouco conhecido da economia brasileira. A investigação dos números é reveladora. Sobram razões para a definição do inimigo principal.6%) e a falta de acesso ao crédito (9. por essa via. pode não ter escolhido essa atividade. quando o pai perdeu o emprego. O menor nível de informalidade é o do setor de veículos automotores. apenas 17% dos trabalhadores sem carteira tinham mais de 11 anos de escolaridade e em 2000 essa proporção subiu para 26%.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa indústria deu um salto de produtividade e passou a produzir mais com menos gente.4% em 2002. terceirizou atividades. diz Ramos. de uma época de penúria depois de entrar para a lista de cortes de uma indústria qualquer. muitas para empresas de serviços de limpeza. os diferenciais de salários observados entre os trabalhadores formais e informais caíram de forma expressiva”. Os dados de Ramos indicam que o setor industrial não apenas está empregando menos. Leandro e seu pai manipulam produtos químicos em galões sem qualquer segurança. pois a carga tributária no Brasil passou de 25% do PIB em 1992 para 34.6% em 2002. O aumento da escolaridade dos trabalhadores sem carteira assinada pode ser uma explicação para a aproximação dos rendimentos: em 1984. Ao mesmo tempo. Um estudo da consultoria McKinsey publicado em junho revela que o maior grau de informalidade está no setor agro-pecuário. não teve alternativa senão ficar na informalidade por não conseguir cumprir as regras para a abertura de uma empresa. O levantamento foi feito com base nos dados da Pesquisa Nacional por Amostras de Domicílio (Pnad) de 2002. O Sistema Simples. mas apenas ter conseguido escapar. E que pertencer ou não ao segmento informal não é necessariamente uma opção. arcar com os pesados encargos tributários ou desvendar uma complexa legislação entronizada sobre a Consolidação das Leis Trabalhistas – um cartapácio com 985 artigos que tem de 61 anos de idade. Mais instigante ainda é a pesquisa dos casos concretos. Já no setor de serviços houve uma pequena queda no grau de informalidade. aponta que a principal causa para permanecerem nessa condição é a elevada carga tributária (75. a se confirmarem as projeções feitas pelo Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT). junto a 1. no centro Rio de Janeiro. segurança ou alimentação. Ajuda o pai na loja de material de limpeza que a família tem numa garagem do Jardim Nakamura. implantado em 1996. Em 1992. “Embora tenha ocorrido um significativo aumento da informalidade ao longo da década de 1990. Cursa o segundo ano do ensino médio e não pensa em fazer faculdade.8 milhões de microempresas para a lado formal da economia. Há mais. que ostenta um índice de apenas 9%.5% em 1992 para 52. fechará 2004 na marca dos 38% do PIB. 36. Do lado dos trabalhadores existe um descasamento entre as contribuições para a Previdência e os benefícios potenciais que o sistema previdenciário oferece.2%). Pesquisa feita pelo Sebrae em fevereiro (de 2004). Ali. que facilitou a abertura de empresas.

Exigências de controle de qualidade ou padrões fitossanitários também são um vigoroso incentivo para reforçar o terreno da informalidade. Aceitam vínculos sem carteira assinada ou através de cooperativas. o Estado tem de buscar reforço de caixa. De acordo com o relatório da McKinsey. os trabalhadores informais têm direito a assistência médica e a aposentadoria – uma despesa que está sendo coberta por um número cada vez menor de trabalhadores e empresas formais. economista e consultor da Unidade de Políticas Públicas do Sebrae Nacional. porque uma empresa não investe na capacitação de um trabalhador que não tem vínculo com seu negócio – o que numa perspectiva mais larga prejudica a competitividade da economia do país como um todo. diz Ricardo Tortorella. professor titular do Departamento de Economia da Pontifícia Universidade Católica (PUC) do Rio de Janeiro. E de qualquer maneira tem acesso ao Sistema Único de Saúde. perante uma legislação não muito boa. A busca de soluções para o problema é uma tarefa do governo e da sociedade e o primeiro passo para cumpri-la é identificar suas causas. A primeira delas parece entendê-lo como a utilização de recursos ilícitos. a informalidade tem raízes em coisas que o Estado deixou de fazer”. mas não precisa abrir mão de uma parte de sua receita em favor da Previdência Social. que estimula as empresas menos produtivas a permanecer na informalidade. Neste caso. explica Ricardo Paes de Barros. pois terá direito a receber uma aposentadoria correspondente ao mínimo quando chegar aos 65 anos de idade quer tenha sido registrado em carteira quer não. Quem defende esta visão.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa Menos oxigênio. pesquisador do Ipea. diz Barros. Em conjunturas de retração da oferta de trabalho os próprios funcionários se tornam cúmplices do processo. O custo total da folha de pagamentos pode chegar a 70% da receita bruta para uma pequena confecção formalizada enquanto não passa de 3% na indústria automobilística. A ela faltaram oportunidades. Finalmente. “Existem duas visões sobre o setor informal. acesso ao crédito ou até mesmo herança familiar. “A segunda visão identifica várias vantagens em uma pessoa optar por ser informal. a opção pela informalidade está relacionada ao alto custo do cumprimento das leis. Não tem direito a férias. Depois. acredita que o problema se resolve arrumando as leis e combatendo a burla à legislação. especialmente se recebe salário perto do mínimo. décimo terceiro salário nem Fundo de Garantia por Tempo de Serviço. Para ganhar alguma vantagem competitiva. ao seguro acidente de trabalho e ao seguro maternidade. FGV DIREITO RIO 49 . Deixa de ter direito ao seguro desemprego. Também está associada a empreendimentos ligados ao contrabando ou à falsificação. Em terceiro lugar porque empresas e pessoas que vivem na informalidade não pagam impostos. Primeiro porque quem trabalha sem registro vive sem qualquer rede de proteção. como educação. Diante da evasão. onde as regras mudam. Da mesma forma. previdenciárias ou relacionadas à segurança do trabalho. o trabalhador não se interessa pelo registro em carteira. Segundo o economista José Márcio Camargo. E também porque embora não contribuam. é cada vez mais comum a opção pela informalidade para não cumprir exigências trabalhistas. a sociedade não se sente suficientemente convencida de que deve enquadrar o informal. o sujeito que emprega o dumping ou algum outro recurso ilícito”. Uma das alternativas é cobrar mais do setor que já paga impostos como manda o figurino – o que tira oxigênio da economia. “O pequeno empresário não paga os encargos trabalhistas porque eles pesam relativamente mais em seu faturamento do que no de uma grande empresa”. o que prejudica as contas públicas e dificulta investimentos necessários para o bem comum. o custo relativo da assistência à saúde e da segurança no trabalho é muito mais pesado para as pequenas empresas. A informalidade é um problema para o país por várias razões. A perda de arrecadação tributária e previdenciária é apenas uma das conseqüências fiscais danosas da informalidade.

sem a intervenção FGV DIREITO RIO 50 . mas definir um arcabouço em que a livre negociação seja a pedra de toque. Também é preciso simplificar as leis trabalhistas e reduzir os impostos que pesam sobre empreendimentos com outras dimensões.9 bilhão de reais em 2001 (ou 25% do faturamento do setor formal) e o governo deixou de arrecadar 1. de acordos coletivos e da apresentação de farta documentação para os fiscais do Ministério do Trabalho. que teve sucesso justamente por sua descomplicação.601 de 1998. por exemplo. quase 8% do faturamento setorial. “Nos momentos de recuperação econômica. quem tem uma empresa calcula de antemão o valor do descanso semanal remunerado. deverá incluir a redução de encargos tributários e facilitar os trâmites burocráticos para empresas de menor porte. com menores encargos trabalhistas. Um dos movimentos consistentes para enfrentar o problema foi o lançamento do Simples. férias e possíveis custos indenizatórios. por mais mudanças que haja no projeto original. na medida que estabelece um teto de faturamento para os que pretendam gozar dos benefícios. funcionando como um inibidor do crescimento. A face mais perversa. o projeto anunciado em setembro é um avanço na rota da formalização da economia. não pagar os direitos trabalhistas e seus respectivos encargos sai mais barato. Só depois estabelece o salário dos trabalhadores. o décimo terceiro salário. No segmento de vestuário. pesquisador do Ipea. Isso porque dependem de negociações das empresas com sindicatos. Do lado dos pequenos empresários. e por que não dizer perigosa. de forma a compensar os gastos”. “O banco de horas deu certo nas grandes empresas. Na opinião de Camargo. O resultado. a questão estará na ordem do dia. podem ser considerados um fracasso. Entretanto. de acordo com a Associação Brasileira da Indústria do Vestuário (Abravest). o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reconheceu. Especial. como aponta o economista José Pastore. é que assim como o Simples. no final de setembro. como lembra Castelar.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa Justiça. para abrir uma empresa. E quando a proposta governamental for debatida no Congresso. “Hoje. diz Ramos. 20% dos medicamentos vendidos no país são falsificados e podem colocar em risco a vida dos usuários – um negócio de cerca de três bilhões de reais ao ano. onde foi usado para evitar demissões nos períodos de recessão”. A tentativa de flexibilizar a legislação trabalhista com a Lei 9. A rota da simplicidade foi escolhida pelo governo federal ao propor ao Congresso um regime especial para empresas com faturamento de até 36 mil reais por ano. que instituiu o banco de horas e contratos temporários já não foi tão bem sucedida. evitam riscos como multas trabalhistas ou sanitárias”. Um processo de livre negociação entre sindicatos setoriais ou regionais fixaria os salários. só o fato de o assunto estar sendo ventilado já é um avanço.3 bilhão de reais. mas não é suficiente. quando os empresários aceitam correr maior risco porque não conseguem fazer face aos encargos formais. A linha geral das mudanças foi anunciada num evento. “até porque se o empregado recorre à Justiça sempre é possível fazer um acordo e conseguir um desconto”. Já os contratos especiais. lembra Armando Castelar. diz Ramos. A tendência à informalidade é maior nas épocas de aperto. Ele acha que a flexibilização das leis não deve diferenciar empresas pelo tamanho. que “fica mais barato correr da polícia do que cumprir as exigências formais”. da situação é o envolvimento com atividades ilegais ou semi-legais. A venda de cigarros falsificados ou contrabandeados. a atividade cinzenta fatura cerca de três bilhões de reais ao ano. A questão. movimentou cerca de 1. segundo as contas dos fabricantes legais. Nos cálculos do setor farmacêutico. esta nova lei apresenta um problema estrutural preocupante: condena as empresas a permanecerem pequenas. já incorporando todos os atributos atuais. mas até o final de outubro nada tinha sido dito a respeito do detalhamento das medidas e nem sobre o conteúdo do Projeto de Lei Complementar. Ao anunciar as medidas.

que passariam a negociar também com as pequenas e médias empresas”. diz. o Peru implementou um programa que o destaca entre os países em desenvolvimento. Requisitos. reformas estruturais. Ao definir que a “exclusão econômica da parcela mais pobre da população” era devida à dificuldade para abrir empresas e à intensa burocracia. empresários e governo. Como se vê. Resumo da ópera: elevação de 75% da arrecadação junto às empresas de micro e pequeno porte. com redução do custo da operação de 1. A Rússia escolheu como prioridade o combate à sonegação e à corrupção. Criou uma poderosa base de dados unificada. Se o Brasil conseguir atrair mais empresas para a formalidade. Reforma. Ao reduzir os encargos sobre as remunerações. outra conseqüência será a simplificação do processamento da folha de pagamento. e não os direitos trabalhistas. Presidente da Força Sindical. Para ele uma das saídas seria passar a cobrar os encargos da Previdência Social sobre o faturamento e não sobre os salários. do Ministério do Trabalho e do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). será necessário integrar as bases de dados da Secretaria da Receita Federal. simplificou a tributação para micro e pequenos empreendimentos e criou de um órgão central para combater a evasão fiscal. As centrais sindicais até aceitam discutir. os resultados podem ser compensadores. A luta contra a informalidade. a carga tributária. coordenação e transição”. No Brasil. presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT).2 mil dólares para 174 dólares. Experiências de outros países mostram o impacto positivo de programas consistentes de combate à informalidade. poderiam ficar por conta de associações. do Sebrae. e responsabilização. A estimativa da McKinsey é de que o PIB brasileiro poderia crescer dois pontos percentuais por ano se apenas 20% das empresas que atualmente estão na informalidade fossem incorporadas à economia formal. que reúne trabalhadores. mas não abrem mão de direitos como o abono sobre o valor das férias e o décimo terceiro salário. “também exige mudanças nas regras para abertura e fechamento de empresas e a modernização dos controles governamentais”. A economia brasileira ganhará. Não houve consenso na negociação da reforma trabalhista no Fórum Nacional do Trabalho. Segundo Paulo Pereira da Silva. Luiz Marinho. também é irredutível quanto à flexibilização dos direitos adquiridos. Tortorella. é favorável a um regime trabalhista especial para as empresas de menor porte. ou regras de segurança de trabalho. O registro de empresas foi unificado. Além de criar um cadastro tributário único para unificar as três esferas do poder. O resultado seria “o fortalecimento dos sindicatos. reduzindo seus custos. A multa de 40% sobre o valor do Fundo de Garantia de Tempo de Serviço (FGTS) pode ser objeto de negociação. são quatro os requisitos para uma iniciativa desse porte ser bem sucedida: “prioridade governamental. é a principal causa da informalidade. um empreendedor leva em média 155 dias para legalizar seu negócio. com uma substancial redução de custos para cada participante. FGV DIREITO RIO 51 . a tendência é de que elas busquem aumentar a sua eficiência e produtividade. Portugal elegeu a luta contra a informalidade como o principal componente de sua agenda de reformas para colocar o padrão nacional de produtividade na média dos países da União Européia. que impediam a formalização. Segundo o estudo da McKinsey. diz. foco setorial.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa da Justiça do Trabalho. Exigências como a garantia de assistência à saúde. A Espanha optou por atacar a frente fiscal. o que viabilizou a abertura de um negócio em apenas um dia (antes eram necessários 300).

Tal retrato foi revelado pela pesquisa Economia Informal Urbana. um conceito mais amplo e mais difundido.62 Dos empreendimentos com até cinco pessoas.1% a mais do que em 1997). Em 2003. O IBGE pesquisou empreendimentos informais. Em 2003. os dados mostram que as pessoas permanecem muito tempo no setor informal: 31% das pessoas que tinham seu negócio estavam na informalidade havia mais de dez anos -apenas 12% possuíam o empreendimento havia menos de um ano. Fonte: http://www1. folha. Os empreendimentos informais empregam um quarto dos trabalhadores das áreas urbanas no Brasil. por pedro soares.861 milhões de pessoas -7. em parceria com o Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas). um faturamento de R$ 17.070 bilhões. menos firmas eram lucrativas -73% obtiveram lucro.2%) e Rio (8.590 bilhões. e não o trabalho informal. Folha Online – Da sucursal do Rio em 20/05/2005. e os programas de transferência de renda do governo. São Paulo concentrava o maior número de empresas informais: 25% do total.7%. Regionalmente.7% entre 97 e 2003. Apesar do recuo de ganhos e rendimentos. A alta foi proporcionalmente maior do que a expansão no período do total de pessoas ocupadas nas cidades: 4%. a situação ficou ainda mais difícil.com. ainda assim 14. contra 93% seis anos antes.4% menor do que em 1997 (R$ 880). mas sua “maior importância” econômica não é na geração de riqueza.7% a mais do que em 1997. todas as empresas informais (aquelas que têm de uma a cinco pessoas trabalhando e não separam sua contabilidade da do dono do empreendimento) geravam mensalmente. por sua vez. a economia informal perdeu espaço no PIB. afirma.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa teXto iV – eConomia “inVisÍVeL”. As firmas informais. Segundo o IBGE. 12. e a renda das firmas e pessoas que estão nesse segmento também caiu no período. empregadores e empregados) caiu 3%. ao passar de R$ 374 em 1997 para R$ 363 em 2003. que inclui também pessoas ocupadas informalmente em firmas que são regulares.525 milhões). Para Luís Carlos Barbosa.4% menos do que em 1997 -R$ 20. disse ela. mas o setor perdeu participação no PIB (Produto Interno Bruto) entre 1997 e 2003 -de 8% para 6%-. a renda sobe para R$ 753. ocupam 13. e sim na sua grande capacidade de acolher trabalhadores. Juntas. ou 98% do total de empresas com até cinco pessoas ocupadas (10. “A economia informal é importante porque cria oportunidade de trabalho para pessoas que poderiam estar pressionando ainda mais o mercado formal. Pelos dados do instituto. do outro”. Se considerados só os empregadores. a economia informal abriga 10. de um lado.htm 62 FGV DIREITO RIO 52 . Para Angela Jorge. divulgada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Na seqüência.uol. diretor-técnico do Sebrae. Empresa informal tem 1/4 dos trabalhadores.336 milhões de firmas (9. apareciam Minas Gerais (10.183 para R$ 1.4%).br/fsp/dinheiro/ fi2005200502. 98% são considerados informais. com forte concorrência entre os empreendedores e poucos clientes.754 entre 97 e 2003 -uma retração de 19. o mercado informal vive um período de saturação. o rendimento médio dos trabalhadores do setor informal (conta própria. com a crise econômica e a retração do consumo. Já a receita média mensal das firmas informais caiu de R$ 2. receita média do setor caiu 19. diz IBGE. chefe da Coordenação de Emprego e Rendimento do IBGE. em 2003.

do Sebrae. 6% empregados com carteira assinada e 5% não-remunerados -ajudantes sem salário. notÍCias reLaCionadas. segundo dados divulgados hoje pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) na Ecinf 2003 (Economia Informal Urbana). é maioria entre os informais: 69% do total de pessoas ocupadas no setor em 2003. é o projeto de lei em tramitação no Congresso que cria a pré-empresa. em 19/05/2005. havia cerca de 4. Aquele trabalhador que desenvolve sozinho o seu negócio.br/ combatepirataria/showartgs. Do total de empresas informais. Porém 7. conseqüentemente. Custos elevados dos registros e impostos e a pesada burocracia para a abertura de uma empresa são os principais entraves apontados pelos empreendedores que pretendem regularizar sua situação. Fonte: http://www. o contrabando e o comércio clandestino de armas. por: janaIna LaGE. Em 2002 (último dado disponível). facilitando a instalação de firmas com faturamento de até R$ 36 mil ao ano.br/folha/dinheiro/ult91u96456. Um passo significativo para aumentar a formalização. O estudo feito em parceria com o Sebrae traça um retrato da informalidade no país. existam outras duas informais. os assaltos a bancos e seqüestros. suas chances de diversificação e expansão.4 milhões de empresas nem haviam tentado se regularizar em 2003. presidente do conselho da câmara americana de comércio – amcham.uol.2 bilhão. assalto às empresas e às pessoas. O Sebrae estima que. que já detêm 95% do mercado. Assim. Fonte: http://www1. bem como seus povos e setores produtivos. para cada empresa regular.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa Por conta própria. folha. O restante dos trabalhadores dos empreendimentos informais se distribui da seguinte forma: 10% eram empregadores.mj. unam esforços no combate à pirataria. ampliando o seu acesso ao crédito e. Trata-se de um problema efetivamente grave.gov. 88% não tinham constituição jurídica -ou seja. é fundamental que os governos das nações civilizadas. com CNPJ.5 milhões de empresas formais. no Rio. o chamado “conta-própria”. diz o Sebrae. A grande maioria (95%) das firmas tinha apenas um único proprietário. sem ter registro no CNPJ (Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica). Helio magalhães.” Quase todas as pequenas empresas brasileiras são informais. o roubo de cargas. diz ibge. 10% empregados sem carteira assinada. o ideal seria que todas essas firmas se tornassem legais. A indústria do tabaco teve prejuízo de US$ 1.shtml 89 FGV DIREITO RIO 53 . que transcende as fronteiras da legalidade em todos os continentes. asp?id=16 63 Folha Online. em geral mulheres ou filhos do dono da empresa. de acordo com o IBGE. de 20/junho/2005. Trecho do artigo de autoria do Dr. segundo o IBGE.64 A economia informal responde quase pela totalidade das pequenas empresas brasileiras. O Ministério da Justiça revela números assustadores. As gravadoras perderam US$ 300 milhões e assistem ao avanço crescente das cópias falsas. diz ele. Para Barbosa. A cadeia produtiva do cinema foi surrupiada em US$ 130 milhões. Essas são estatísticas sombrias de uma atividade tão criminosa quanto o tráfico de drogas.com. Um dado da pesquisa mostra o vínculo entre empresa informal e família: só 65% das atividades produtivas eram desenvolvidas fora do domicílio. O setor de software enfrentou quebra de US$ 400 milhões. não existiam legalmente.63 “Somente no Brasil a pirataria foi responsável por perdas de R$ 30 bilhões em 2004.

por exemplo.3%) funciona no domicílio do dono do negócio. Fonte: http://www1.3%) ou na casa do cliente (27.825 empreendedores em 2003. saiu do interior da Bahia para “passar uns dias” na cidade e acabou ficando. incluindo empregados e pequenos empregadores. é talvez o personagem mais comum quando se pensa em um empreendimento informal. Sem nunca ter trabalhado no mercado formal. Pela metodologia da pesquisa do IBGE. mas. 10% são empregadores e 6% trabalham com carteira assinada.6%). Outro grande contingente de empresas informais (27. Camelôs são apenas 7% do setor informal65 O camelô.9% do total de empresas informais. 98% fazem parte do setor informal. Os camelôs propriamente ditos somavam 711.335 milhões de empresas. a maior parte dos ocupados informais era migrante: 55% não nasceram na cidade na qual trabalhavam. A maior parcela das firmas informais no país está instalada em lojas ou oficinas (20. folha. O número de postos de trabalho cresceu 8% neste período.com. empresa informal é aquela que não tem um sistema de contas claramente separado das contas da família e emprega de uma até cinco pessoas. A mulher e os seis filhos também se mudaram e hoje moram com ele.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa O número de pequenas empresas no país alcança 10. Mas uma pessoa que trabalha sem carteira assinada para uma empresa formal não está no universo da pesquisa.) Flávio Lopes Ferreira.htm FGV DIREITO RIO 54 . Gonçalves não sabe quanto recebe por mês: “Vou vendendo e quando preciso compro mais”. incluindo trabalhadores por conta própria. com sua barraca montada numa movimentada rua de comércio popular. Gabriel Marcos Gonçalves. Existem também 5% de não-remunerados. 10% são empregados sem carteira assinada. 49. Em relação à última edição da pesquisa.525 milhões --foram consideradas nesse caso as empresas não-agrícolas.6 bilhões de receita média mensal e respondeu por um quarto das contratações de trabalhadores nãoagrícolas no país. 25. que há dois anos vende cangas e batas nas praias do Rio. houve um crescimento de 9% no número de empresas informais. é informal.. É o caso de filhos que trabalham com os pais no preparo de alimentos para vender em barracas ou feiras. Os trabalhadores por conta própria e os autônomos estão nesse universo. se não tiver sistema de contabilidade próprio. As empresas informais empregam cerca de 13 milhões de pessoas. Além de estar principalmente no comércio. Ganha de R$ 350 a R$ 400 mensais. ou 6. pequenos empregadores. em 1997. é um trabalhador por conta própria no comércio.br/fsp/dinheiro/ fi2005200508. 65 FOLHa OnLInE – Da sucursal do Rio em 20 de maio de 2005. A firma (RECTIUS: sociedade) pode até ter CNPJ (Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica). Desse total. o camelô é exclusivamente o trabalhador por conta própria ou empregador que desenvolve seu trabalho na rua e está enquadrado em dois setores: comércio e serviços -neste caso. embora 83% deles morassem na localidade havia pelo menos cinco anos. A pesquisa também mostra que em 2003 a economia informal gerou R$ 17. ele vende balas nos ônibus pelo bairro de Copacabana. só o de alimentação.. Grande parte das vagas criadas no setor informal pertence a trabalhadores por conta própria (69%). o equivalente a 10. empregados com e sem carteira de trabalho assinada e trabalhadores não-remunerados. Mas não é.uol. Pelos critérios do IBGE. (.

J. Rogério Monteiro. a informação do seu nome civil. bem como será de curial importância a escolha do melhor “modelo societário” (rectius: modelo empresarial) para o desempenho de suas atividades. sejam eles investidores ou participativos (ou empreendedores). 9ª edição. Newton Lucca. e competência para atingir o objetivo traçado. 968. ter um empreendimento exige sacrifícios. como já vimos nas aulas anteriores. conforme expresso no art. Da mesma forma. nacionalidade.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa AUlAS 06 E 07: MODElOS SOCIEtáRIOS DE AtUAÇÃO EMPRESARIAl PARA A PEQUENA E MéDIA EMPRESA Muitas pessoas pensam em “abrir o próprio negócio” vislumbrando uma liberdade e tranqüilidade que não tiveram quando eram empregados. portanto. A figura do empresário não se confunde com a dos sócios ou acionistas de sociedade empresária. é equiparado à pessoa jurídica e. Nesta aula discutiremos a leitura do(s) seguinte(s) capítulo(s): – Páginas 357 a 398 (LTDA) e 479 e 480 (SCP) do Curso de Direito Comercial.º 3. Do Direito de Empresa (arts. O empresário – pessoa natural. FGV DIREITO RIO 55 . Fábio Ulhoa Coelho. além de capacidade para assumir riscos e desafios. I que estabelece. 7ª edição. Na verdade. não há que tipificá-lo de “pessoa jurídica”. Penalva Santos e Paulo Penalva Santos. 996 a 1. apesar do mesmo tratamento fiscal que lhe é conferido66. para fins de inscrição do empresário individual. ementário de temas: – – – – – Empresário Individual Sociedade em Conta de Participação Fundo de Investimento Imobiliário – FII Sociedade Limitada Texto: As Sociedades em Nome Coletivo e em Conta de Participação como Estratégias de Negócios. roteiro de auLa: Aprendemos que quando a empresa é titularizada por uma pessoa natural. tem-se a figura do empresário individual caracterizado pelos elementos constantes no art. Leitura CompLementar: – Páginas 159 a 170 dos Comentários ao Código Civil Brasileiro. necessário se faz que os que se prestam a tanto tenham noção dos riscos e dificuldades que enfrentarão. José Edwaldo Tavares Borba. IX.087). Diante desta realidade. domicílio e estado civil. vol. Renovar/2004.000/99. Forense: Rio de Janeiro/2005. – Páginas 93 a 112 (SCP e LTDA) do Direito Societário. com a colaboração de familiares e/ou de auxiliares.A. obrigado a inscrever-se na Receita Federal para obter o CNPJ – Cadastro Nacional de Pessoas 66 Decreto n. Saraiva: São Paulo/2004. 966 além do requisito especial do exercício da atividade em nome próprio – quando muito.

Empresário individual é a própria pessoa física ou natural. respeitando-se. designação mais precisa da sua pessoa ou do gênero de atividade. VI. cpc – “art. mas desde que sejam necessários e úteis à profissão do executado.Se o alegado erro foi objeto de controvérsia na formação do acórdão. . portanto.Indispensável a outorga uxória para efeitos de doação. os tributos incidentes serão os mesmos existentes para as sociedades.Não se conhece do recurso especial na parte em que se encontra deficientemente fundamentado. . 1. como também. 1. Não demonstração da omissão.1. O empresário opera sob firma constituída por seu nome.º 11. Exemplos: “João Cabral da Silva”. ambos referentes ao sistema de registro do nome empresarial. vol. . o negócio jurídico celebrado. O sistema de responsabilidade do Empresário é PATRIMONIAL. Cabral da Silva”. o que se afigurará como incentivo. 443) 67 “Art. Embargos de declaração.934/94. Este regramento legal confere segurança às relações jurídicas na ordem econômica. ele responde com todos os seus bens presentes e futuros (sempre no limite das forças do seu patrimônio) pelas obrigações contraídas no exercício da atividade68. o empresário só poderá adotar a espécie: firma individual. 591. Desta forma. No tocante ao nome empresarial. Existem bens que podem ser excluídos da esfera de ação do credor por se considerarem essenciais à atividade do empresário69. 649. quando os bens não podem ser penhorados mesmo que relativamente valiosos e prescindíveis. ao empresário individual. não é cabível o agravo retido. tenham uso presente e sejam vinculados ao exercício legítimo dessa profissão. “João C. .” como estudado no primeiro módulo de Direito Empresarial (Teoria Geral da Empresa). nada mais são que a mesma realidade. aditando-lhe. estando. pois os credores terão garantias contra eventual inadimplemento do empresário. incabível a ação rescisória. A falta de inscrição no Registro de Empresas coloca o Empresário “à margem das prerrogativas plenas previstas nas inúmeras leis que regulamentam sua atividade70” e implica sanções que lhe podem ser aplicadas em virtude do exercício irregular da atividade. 71 art. vimos que a indicação da atividade é providência que se impõe. mas é certo que alguma parte do estabelecimento empresarial será alcançada. Recurso especial. completo ou abreviado. utensílios e instrumentos necessários ou úteis ao exercício de profissão (art. contradição ou obscuridade.101/2005. assim.832-RO: Processual civil. Tema controvertido. para o cumprimento de suas obrigações. julgado em 28/06/2005. “J. “João Cabral da Silva Motores”. Rel.º 11. 68 69 É o caso da impenhorabilidade de máquinas. Esta será composta pelo seu nome civil. impedido de “crescer demais”. 97. Erro de fato.º 8. considerando que o patrimônio da empresa individual e da pessoa física. praticamente. O devedor responde. c) não conseguirá enquadrar-se como microempresa e dispor dos benefícios previstos na legislação própria. nos termos do art. 72 FGV DIREITO RIO 56 . porém. provido. (REsp 594. Inviabilidade.832/RO. pg180. 70 art. 48 da Lei n. com todos os seus bens presentes e futuros. b) não tem legitimidade ativa para pleitear sua recuperação judicial72. Ação rescisória. Inválido. respondendo os seus bens pelas obrigações que assumiu. nEGRãO.Em ação rescisória. do cpc). § 1º da Lei n. Agravo retido. Invalidade. o dispositivo do art.150 do Código Civil de 2002. da decisão unipessoal que causar gravame a parte. Violação a literal disposição de lei. feito na forma da Lei n.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa Jurídicas. sendo-lhe facultado. Recurso parcialmente conhecido e. Nesse sentido. com base nos princípios da veracidade e novidade. quer civis quer comerciais. nesta parte. Doação. se quiser. impõe-se uma conduta prudente e extremamente cautelosa na administração da empresa. faz com que muitos empreendedores busquem outro modelo empresarial (sociedades) a fim de evitar tal situação de confusão patrimonial.156.156 do CC67. Ricardo in manual de Direito comercial e de Empresa. tanto abreviá-lo. saraiva/2005. Patrimônio do empresário individual e da pessoa física. ou seja. da Silva”. . Ausência de outorga uxória. O Superior Tribunal de Justiça confirmou esta orientação no Recurso Especial 594. Ministra NANCY ANDRIGHI. Assim. norma sobre o registro público de empresas mercantis e atividades afins. o empresário individual irregular: a) não tem legitimidade ativa para requerer o pedido de falência do seu devedor71. adicionar o ramo de atividade a que se destina. salvo as restrições estabelecidas em lei”. TERCEIRA TURMA. O exercício da atividade empresária pressupõe o registro correspondente. 1. DJ 01/08/2005 p.101/2005.

Esta “sociedade” merece destaque. durante um bom tempo ele não ouvirá a expressão “tirar férias”. a causa deste anonimato não pode ser ilícita. 9ª edição. mas sim um contrato. – Pode haver restrição para a obtenção de créditos junto às instruções financeiras. Entre algumas vantagens de ser Empresário Individual estão: – Os custos iniciais para a abertura do negócio são relativamente pequenos. pois dependerá dele o empenho para atingir as metas traçadas. sendo impossibilitado de contratar com o Poder Público.º 8.666/93. uma sociedade que não preenche alguma das condições previstas em edital de licitação. II e III da Lei n. 4ª edição. Outras desvantagens em ser “Empresário Individual”.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa d) não poderá participar de licitações públicas73. Cumpre agora analisarmos os modelos de sociedades mais utilizados para pequenas e médias empresas: a Sociedade em Conta de Participação – SCP (apesar de não ser um modelo societário. podendo enquadrar-se no SIMPLES. por isso. mas de competência e inúmeros fatores externos. 73 74 art. O Empresário precisa ter conhecimento e capacidade para administrar seu negócio com efetividade. uma sociedade não personificada. na junta comercial). 991 a 996. pg.479. entre outros. optam por celebrar um contrato de sociedade em conta de participação. empregados. – Pode haver dificuldades para conseguir prazo para faturamento junto aos fornecedores. denominou sociedade”76 – ou. bancos. 104. Pessoas com recursos disponíveis e que desejam investir numa atividade empresarial. – Vantagens fiscais por tratar-se de microempresa. assim como. que. pela doutrina.74 Ao sugerir para o cliente a modalidade “Empresário Individual”. f ) não conseguirá seu registro no Cadastro de Contribuintes da Seguridade Social. ficará dependente de fornecedores. e como as decisões do negócio são tomadas pelo Empresário. – Possui total autonomia administrativa e participação integral nos lucros. clientes. o Código Civil a elenca como modelo societário) e a Sociedade Limitada – LTDA. embora constituída mediante art. 28. 7ª edição. – Facilidade para a dissolução da empresa (“baixa no seu registro” como empresário. § 31 da constituição da República. do governo etc. apenas a boa intenção não será suficiente. são: – Seus bens pessoais ficarão comprometidos e serão alcançados por obrigações contraídas no exercício da atividade empresarial – A firma individual é intransferível por tratar-se do próprio nome civil do Empresário (“a pessoa natural não é passível de alienação”). sociedade em conta de participação – arts. mas isto apenas por conveniência ou oportunidade75. uma vez que viabiliza composições entre partes que objetivam determinado negócio. pg. pois o objeto do contrato tem que ser lícito – art. riscos e sacrifícios.302. como denomina o Código Civil. e) não conseguirá seu registro no Cadastro de Contribuintes Fiscais – CNPJ. ele terá menos tempo disponível para a família. celebra com outra o contrato de participação onde unirão esforços para alcançar o fim determinado. deve-se ter em mente que ser Empresário significa lidar com desafios. 76 Fábio ulhoa coelho in curso de Direito comercial. A Sociedade em Conta de Participação – SCP – é considerada. com isso. pg. um contrato “que o legislador. FGV DIREITO RIO 57 . Importante frisar que para o negócio ser bem sucedido não depende só de sacrifícios e da vontade de ganhar dinheiro. impropriamente. preferem ficar ocultas (não aparecer). como econômicos.94. Renovar/2004. III. saraiva/2004. saraiva/2005. josé Edwaldo Tavares Borba in Direito societário. 75 Existem pessoas que desejam investir em operações de risco e. Exigirá muitas horas diárias de trabalho. no mesmo sentido: Ricardo negrão in manual de Direito comercial e de Empresa. deixando-as livres para outras empreitadas ou mesmo servindo para manter uma das partes (sócio participante) no anonimato. sem se tornarem sócios. geralmente. 195. II do código civil.

salvo no caso de participar ativamente nas negociações com terceiros. 325) – é aquele que se obriga exclusivamente ao sócio ostensivo.. 82 in Direito societário. contratar a conta de participação por escrito. se tomar parte nas relações do sócio ostensivo com terceiros.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa instrumento escrito. participando os demais dos resultados correspondentes. FGV DIREITO RIO 58 .087). pg. Portanto. mesmo que o contrato por alguma razão venha a ser registrado. não pode usar razão ou denominação social. como o direito comercial aduzia. As partes possuem a seguinte denominação: a) Sócio participante/investidor (antigo sócio oculto do Código Comercial – art. uma vez que ela tem que ser efetiva. não lhe será atribuída personalidade jurídica. 993 do código civil. entendendo estes autores que “por não ser clandestina ou propriamente secreta. para não se exporem a elevados riscos. II. este eventual registro não confere personalidade jurídica a SCP. em sócio oculto. 991 – código civil. 79 80 81 art. no sentido de que “embora não obrigatoriamente. legalmente. devem os participantes. penalva santos in comentários ao código civil Brasileiro. 77 78 art. 996 a 1. Admitindo o registro como forma de evitar que o sócio participante seja confundido com “sócio” de uma sociedade em comum (leia-se: responsabilidade ilimitada).934/94)82”. O sócio ostensivo é quem exerce a atividade constitutiva do objeto social. parágrafo único do art.º 8. porém admitida por Pontes de Miranda. mesmo que seu ato constitutivo seja arquivado em órgão competente. importância do registro. e embora não possa administrar a sociedade. pode ser provada por quaisquer dos meios admitidos em direito e. pois. para o negócio (dinheiro. como não tem personalidade jurídica. “trabalho”. Forense: Rio de janeiro/2005. “e”. Renovar/2004.a. j. A possibilidade de levar a registro o contrato de participação. 32. O arquivamento pode ser feito. nos termos do contrato. da Lei n. 9ª edição. e. Ele deve prestar contas perante os demais sócios ocultos. obriga-se perante terceiro tão-somente o sócio ostensivo. Do Direito de Empresa (arts. não formalizou o arquivamento do seu ato constitutivo em registro competente. b) Sócio ostensivo (empreendedor) – é aquele que se obriga perante terceiros sendo sua responsabilidade ilimitada. Sua constituição independe de qualquer formalidade e pode provar-se por todos os meios de direito77 e. afigurando-se. os seus atos possam vir a ser conhecidos de terceiros”81. os sócios participantes só devem explicações ou responsabilidades perante o sócio ostensivo. mesmo assim. vol.. responderá solidariamente com ele no negócio que interveio. Contudo. A forma de contribuição dos sócios. 992 do código civil. pg. ostensivo e participante. Desta forma. José Edwaldo Tavares Borba. imóvel. orienta o Prof. em seu nome individual78 e sob sua exclusiva responsabilidade. 161. O sócio participante não contrata com ninguém. mesmo as que optarem pelo registro não alcançarão o status de personalidade jurídica. exclusivamente perante este. o sócio participante79. terá sempre direito de fiscalizar sua gestão80. sendo certo que.95. e providenciar o respectivo arquivamento no Registro de Empresas. IX. pois qualquer ato de interesse do empresário é passível de arquivamento na Junta Comercial (art. O sócio participante poderá ser mais de uma pessoa natural e/ou jurídica. foi rejeitada por Carvalho Mendonça. somente entre os “sócios” produzirá efeitos jurídicos (não tendo força contra terceiros).) deve estar prevista no instrumento contratual. Vimos então que a SCP independe de qualquer formalidade legal para sua constituição. Cunha Gonçalves e José Eunápio Borges.

Ao sócio ostensivo compete a responsabilidade pela apuração dos resultados. em nome individual e sob sua responsabilidade.. Já na hipótese de falência do sócio participante. LIQUIDAÇÃO. III do CPC. o objeto definido no contrato de participação. o artigo 995 confere uma “certa proteção” ao sócio participante que. seguem decisões administrativas da Secretaria da Receita Federal87: SOCIEDADE EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO. no processo de falência. art. a exemplo do que ocorre com a sociedade em comum. reger-se-á pelas normas relativas à prestação de contas.25419 – APELACAO. assumir os riscos do empreendimento junto a terceiros.DECIMA NONA CAMARA CIVEL.APELACAO SOCIEDADE EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO. obedecendo ao rito da lei processual civil.2-Ao sócio ostensivo compete explorar. No sistema de locação conjunta denominada de pool hoteleiro.br/netahtml/ decisoes/decw/pesquisasOL. 996 do Código Civil.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa Havendo a falência do sócio ostensivo (sendo ele sociedade empresária) acarretará na dissolução da “sociedade” e a liquidação da respectiva conta. sem. 994 §2º do código civil. apresentação da declaração de rendimentos e recolhimento do imposto devido pela sociedade em conta de participação86.3-E ao sócio oculto ou participante. a responsável pelo recolhimento do imposto e das contribuições devidas pela scp.51470 . Julgada improcedente a ação principal. é pago depois dos créditos privilegiados e daqueles que têm garantias reais84). 87 Disponível em: http://decisoes. Sentenças que se mantém. seja em relação ao patrimônio especial. FERDINALDO DO NASCIMENTO .gov. sem prejuízo do recolhimento do imposto e das contribuições incidentes sobre suas próprias receitas ou resultados. CAUTELAR INOMINADA.QUINTA CAMARA CIVEL 83 84 art. cujo saldo constituirá crédito quirografário83.Julgamento: 10/07/2007 . 2007. Inteligência do artigo 808. DISSOLUÇÃO. através de sua liquidação. nesse sentido. Confiram-se. DES. o disposto para a sociedade simples. observando-se as normas relativas à prestação de contas. seja em relação aos lucros auferidos. o ato constitutivo ficará sujeito às normas que regulam os efeitos da falência nos contratos bilaterais do falido85. apesar de não ter poder de mando. poderá decidir quanto ao ingresso de novos sócios em havendo cláusula contratual neste sentido. desaparece a plausibilidade do direito invocado. na qualidade de sócia ostensiva. com a devida apuração dos haveres. que geralmente é o prestador de capital. em que a administradora (empresa hoteleira) é a sócia ostensiva. Sobre o assunto. DISSOLUÇÃO E DIVISÃO DE BENS.1-A sociedade em conta de participação é contrato associativo no qual existem as figuras do sócio ostensivo e do sócio oculto ou participante. cessando os efeitos da liminar concedida. incabível é a devolução dos valores investidos pelo sócio participante sem que haja a dissolução da sociedade. VI da Lei 11. RECURSOS CONHECIDOS E DESPROVIDOS. No que se refere à alteração do quadro societário. 2007. e a sua liquidação rege-se pelas normas relativas à prestação de contas. destituídos de qualquer privilégio ou preferência (sendo crédito sem garantia. A liquidação da sociedade em conta de participação. artigo Único: (. ou seja.) § 4º É a administradora (empresa hoteleira).fazenda. constitui-se uma sociedade em conta de participação. sendo responsável pelo recolhimento aDI sRF 14/2004. htm FGV DIREITO RIO 59 . 83. NECESSIDADE.2-Desta forma.. IMPOSSIBILIDADE. DES. de acordo com o art. PEDIDOS IMPROCEDENTES.001. duas decisãões do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro: SOCIEDADE POR CONTA DE PARTICIPAÇÃO.Julgamento: 13/11/2007 . na forma da lei processual.001. MILTON FERNANDES DE SOUZA . 994 §3º do código civil. subsidiariamente e no que com ela for compatível. contudo. compete a participação nos resultados da exploração do objeto.101/05 (Lei de Recuperação da Empresa – LRE) 85 86 art. Quanto à resolução de questões não previstas no contrato. aplica-se.

para locação conjunta de unidades imobiliárias denominado de “pool hoteleiro”. 10º da Lei n. os lucros deverão estar tributados na contabilidade do sócio ostensivo.R.2006 -8ª RF). (1º Conselho de Contribuintes / 8ª. nem integrarão a base de cálculo do imposto de renda do beneficiário. (Recurso: 125570. Assim sendo. SÉTIMA CÂMARA – 1º CONSELHO DE CONTRIBUINTES. 10º Os lucros ou dividendos calculados com base nos resultados apurados a partir do mês de janeiro de 1996.249/95)90.02. Uma vez distribuídos. serão observadas as normas aplicáveis às pessoas jurídicas em geral e o disposto no art. Assim. II. é contribuinte do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ). presumido ou arbitrado. 88 ato Declaratório Interpretativo (aDI) sRF 14/2004 – Dispõe sobre a tributação das atividades do sistema de locação conjunta de unidades imobiliárias denominado de pool hoteleiro. da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins)89. enquanto perdurar um parcelamento anterior no CNPJ do sócio ostensivo. O sócio ostensivo assume. e como tal. da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). que por sua vez já deverá ter pago os tributos pertinentes à empresa. PARCELAMENTO. pagos ou creditados pelas pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real. seguem as normas gerais aplicáveis aos pagamentos efetuados por pessoa jurídica aos seus sócios. A expressão “mercado de capitais” costuma ser diretamente associada à compra e venda de ações em bolsas de valores. em decorrência de previsão legal (art. A SCP é equiparada às pessoas jurídicas pela legislação do Imposto de Renda88. são isentos de tributação (art.134 em 07. a responsabilidade pelos tributos e contribuições sociais devidos pela SCP. assim como na tributação dos lucros apurados e dos distribuídos. Recurso provido em parte. 89 90 art. Publicado no DOU em: 22. ou seja. uma vez que essa tributação já ocorreu dentro da Sociedade em Conta de Participação (leia-se: sócio ostensivo).06. os rendimentos recebidos pelo sócio participante em decorrência da locação da unidade imobiliária (ou qualquer outra forma de distribuição de lucros). Recurso provido por unanimidade. iii) deve ser reconhecido o direito do sócio ostensivo excluir da incidência do imposto a parcela de lucros atribuída aquele sócio. pessoa física ou jurídica.2000. – SOCIEDADE EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO – Provado nos autos: i) que no contrato celebrado entre as partes constam elementos que caracterizam a sociedade em conta de participação. de 25. 254.P. SOCIEDADE EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO. Data da Sessão: 22/08/2001). as sociedades em conta de participação são equiparadas às pessoas jurídicas.2000) Continuando na seara tributária. (Solução de Consulta 27. fundo de investimento imobiliário – fii. 149. Neste sentido. Recorrida/interessado: DRJ-SÃO PAULO/SP. transcrevemos a seguinte decisão administrativa: Ementa: I. Câmara / ACÓRDÃO 108-06. seja o mesmo decorrente de autuações próprias ou da SCP.º 9. de 25. Decreto 3.01. domiciliado no país ou no exterior.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa dos tributos segundo as normas aplicáveis às pessoas jurídicas em geral. na apuração dos resultados dessas sociedades. (Solução de Consulta 3.000/99 (RIR/99) art. há vedação à concessão de um novo parcelamento. os rendimentos provenientes da distribuição de lucro serão isentos e não tributáveis. não ficarão sujeitos à incidência do imposto de renda na fonte. 991 do CC).08. podemos citar uma SCP constituída com o objetivo de lucro comum. onde a administradora (incorporadora) é a sócia ostensiva e os proprietários das quotas referentes às unidades imobiliárias são os sócios participantes. 148. a título de exemplo. art. ii) que o sócio oculto reconheceu o resultado obtido em sua declaração de rendimentos.J.2006 -1ª RF) SOCIEDADE EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO – Os resultados da sociedade em conta de participação devem ser apurados em separado dos da própria pessoa jurídica que é o sócio ostensivo. Apesar de expressiva. esta operação é apenas uma fração FGV DIREITO RIO 60 . Da mesma forma.

p. em mercado de balcão91 onde a negociação não gira somente em torno de ações de sociedades de capital aberto. para posterior alienação. terá que devolver o dinheiro. p. (fonte: IsTO É Dinheiro em 12/01/2006). a isenção de IR (conforme o caso) e a maior liquidez. na construção de imóveis. Na diferenciação entre investir em um Fundo de Investimento Imobiliário ou de Renda Fixa temos que este paga IR regressivo de 22. que isentou a alíquota de 20% de Imposto de Renda. os FII’s se tornaram mais atraentes. quando for o caso. os fundos imobiliários são uma boa opção. de Renda Variável paga 15% de IR com isenção até 20 mil/mês. instrumentos financeiros. nos termos da Lei nº 8. como a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) e a Sociedade Operadora do Mercado de Ativos (Soma). que autoriza seu funcionamento e faz o acompanhamento de seus demonstrativos financeiros. Criados em junho de 1993. pois é a única forma de ele ter certeza de que o preço é justo”. deve ter informações econômicas suficientes para a tomada de decisão do investidor. que estava em aplicação financeira. o fundo imobiliário tem que estar listado em Bolsa93. Para quem não quer se envolver diretamente na administração do investimento e pretende alguma segurança. é o local “onde se opera com ativos. para o investidor usufruir da isenção do imposto. 92 n.ex. na dissolução do fundo com a venda dos seus ativos e distribuição proporcional do patrimônio aos quotistas.a. pois o investidor precisa acompanhar de perto se aquela sociedade em que investiu está dando o retorno esperado. da Instrução CVM nº 205/94 e regras posteriores. ou no investimento em projetos que viabilizem o acesso à habitação e serviços. com o limite mínimo de 50 quotistas. ele precisará vender o imóvel. No entanto a CVM não garante que o investimento seja seguro ou rentável. não permite resgate das quotas92. a comercialização depende da existência de compradores e vendedores dispostos a negociar. onde o investidor paga uma alíquota de 27. explica sérgio Belleza. É um fundo fechado. ele deve ser pessoa natural.5% sobre o valor dos aluguéis e indiscutivelmente possuem menor liquidez do que os fundos. a definição do valor da quota se dá em razão da sua atratividade. da venda das quotas ou. Há ainda outro atrativo: é possível vender parte das quotas sem precisar mexer no investimento total. Os recursos provenientes podem ser aplicados no desenvolvimento de empreendimentos imobiliários. se um investidor possuir R$ 100 mil aplicados diretamente num imóvel e necessitar de R$ 20 mil para fazer comprar um carro. títulos e valores mobiliários não negociados em bolsas. Assim. n. que é determinada pelas características do FII. os FII’s. e. 93 FGV DIREITO RIO 61 . locação ou arrendamento. “a bolsa é a porta de saída mais eficiente para o investidor que queira se desfazer do investimento.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa dos papéis que podem ser negociados em mercados organizados. pegar a quantia estipulada (20 mil) e então escolher outra forma de investir os R$ 91 Também conhecido como “over-the-counter”. O investimento em ações requer muita disciplina. tanto no preço dos papéis quanto no pagamento de dividendos. Com a aprovação da “MP do Bem” transformada na Lei 11. Os FII’s são regulamentados pela Comissão de Valores Mobiliários – CVM. ou seja. dentro das normas legais e de autoregulação previstas em lei e regulamentos” (Dicionário de Finanças do site da BOVEspa). na aquisição de imóveis prontos. aos quotistas.. sem dúvida. O estudo de viabilidade econômica deve ser feito pelo próprio investidor a partir dos dados do prospecto de lançamento das quotas.668/93.a. É a CVM que verifica se o fundo cumpre as normas legais para sua existência. Em relação a investir diretamente em um imóvel. O retorno do capital investido se dá através da distribuição de resultados. Porém. as vantagens são. são veículos de investimento coletivo formados a partir da captação de recursos por meio do sistema de distribuição de valores mobiliários.ex.5% a 15% sobre o ganho dependendo do prazo da aplicação. nem todos os FII estão listados em Bolsa. se no final de 6 meses o fundo não tiver vendido as quotas para realização do empreendimento. já que as negociações destas quotas no mercado secundário ocorrem num ambiente pouco transparente: o mercado de balcão. Além disso. cada investidor não pode deter mais de 10% das cotas ou dos rendimentos totais do fundo. O prospecto. ou. especialista da coinvalores.196/05. a aprovação da “mp do Bem” serviu de estímulo para que as administradoras de FII coloquem seus produtos no Bolsa.779/99. da Lei nº 9. que é verificado pela CVM.

em especial. O cliente acompanhará os seus rendimentos nos extratos mensais enviados pela CBLC – Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia.asp. o FII tenha maior liquidez. somente.700 quotas disponíveis. O prédio possui 36 andares. Tem como lastro o Edifício Torre Almirante. comparado a um imóvel. – MORTGAGE REIT’s: Formados por hipotecas e outros tipos de financiamentos concedidos a compradores de imóveis. um imóvel localizado na Avenida Almirante Barroso nº. 96 O mercado secundário corresponde à negociação de títulos e valores mobiliários onde os investidores compram e vendem ativos entre si. dividida em três tranches. 94 95 Fonte: http://www. n. entre eles o Imposto de Renda. com base no IGP-M. analisaremos o caso do investimento em FII’s do setor hoteleiro. Em setembro de 2004. a Petróleo Brasileiro S.3% da área bruta locável do imóvel. Embora. apesar de os FII’s terem suas carteiras de investimentos constituídas por imóveis ou por direitos relacionados a imóveis. através de leilões (call) no ambiente Mega Bolsa da BOVESPA – Bolsa de Valores de São Paulo. O FII Torre Almirante foi lançado em 21 de junho de 2004. Na cidade do Rio de Janeiro. para as classes A e B. o administrador. etc. Estas classes têm grande parte de seus investimentos concentrada nesses ativos. com a venda de todas as 104. renováveis pelo mesmo período. e – HYBRID REIT’s: Misturam as duas estratégias (híbridos). Essa negociação é realizada na Bolsa de Valores de são paulo (BOVEspa). hipotecas. São classificados em três tipos. ou seja. Para os investidores de menor porte. O reajuste do aluguel é anual. podemos citar dois exemplos: – Fundo de Investimento Imobiliário Torre Almirante95. no centro do Rio de Janeiro. claro que o investidor poderá encontrar dificuldade para a venda de suas quotas. portanto. que é uma instituição financeira.caixa. Nos Estados Unidos. 81. tendo sido planejado e construído com a mais alta tecnologia. Assim como os FII’s.000. pois como os FII são “fundos fechados”. O mercado secundário96 teve início em 07/06/2005.00. com aplicação mínima de R$ 1. Os rendimentos são pagos até o 10º dia útil de cada mês. as negociações (compra e venda) de quotas do FII Torre Almirante. Investir na aquisição de imóveis é uma tradição brasileira possível. Os rendimentos provenientes do aluguel do imóvel são rateados entre os quotistas e distribuídos mensalmente. elevado grau de transparência. geralmente voltados para a renda. não tem compromisso de garantir recompra das quotas. pelo conceito de tipo de investimento: – EQUITY REIT’s: São aqueles que investem em imóveis. gov. ela não é imediata.a. mobilizando bilhões.A. os REIT’s são condomínios que agregam recursos para investir na área imobiliária. Para elucidar o disposto acima. onde corretores negociam as quotas em nome dos quotistas dispostos a vender ou comprar. podendo ter em suas carteiras imóveis. Se esses R$ 100 mil estiverem aplicados num fundo imobiliário. entre outros. os FLAT’s. os FII’s significam a possibilidade de entrar no mercado imobiliário devido à pulverização do valor do empreendimento em quotas vendidas a preços acessíveis. passaram a ser realizadas diariamente.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa 80 mil restantes. que será administrado pelo Banco Ourinvest S/A. FGV DIREITO RIO 62 . foi concluída em 16/05/2005. Entretanto. depois de deduzidas as despesas de responsabilidade do fundo. A distribuição primária. depois de encerrada a emissão primária. títulos imobiliários. possuindo. A rentabilidade para os investidores virá dos aluguéis pagos pela locatária ao Fundo. a negociação para a venda de quotas tem que ser realizada no mercado secundário. ambiente “mega Bolsa”. ele poderá negociar algumas de suas quotas em quantidade suficiente para alcançar o valor desejado94. a propriedade de quotas não confere aos seus titulares a propriedade sobre os imóveis que integram o patrimônio do Fundo ou sobre fração ideal específica destes imóveis. pelo prazo de 60 meses. – PETROBRAS firmou contrato para locação de 99.br/voce/produtos/fundos_de_investimento/fundos_imobiliarios/asp/torre_almirante. Representam a maioria do mercado. a partir daí. Também são isentos do pagamento de alguns impostos. os FII’s são conhecidos como REIT (Real Estate Investment Trust) e foram criados na década de 60.

é o capital a ser liberado pelo sócio ostensivo para o cumprimento do fim social. constitui-se de práticas abusivas rotineiras de mercado. no que se refere às operações conhecidas como consórcio. que. fogem da fiscalização do Banco Central. até que. conferindo ao investidor maior rentabilidade. atividade essa integralmente regulamentada por legislação específica.. O problema é que muitas incorporadoras não informam ao interessado que aquele imóvel faz parte de um fundo imobiliário e que. mas garantida. haja vista a desnecessidade da escritura de compra e venda. transferindo-os para administradoras de consórcio autorizadas pelo Banco central do Brasil. constituição e funcionamento de grupos organizados por meio de sociedades em conta de participação e que visam a aquisição de bens.691/88. dependente de prévia autorização do Banco Central. editou o Comunicado BCB nº 9. são transferidas ao Banco central do Brasil as atribuições previstas nos arts.º 7. A promessa de venda de bens a varejo mediante oferta pública e com recebimento antecipado. Os sócios participantes também pagam um percentual. Os proprietários das quotas dividem os custos e os lucros. o sócio ostensivo capta recursos financeiros dos consumidores (que são os sócios participantes). carecem de amparo legal.177/91. podendo superar de 50% a 100% o valor da locação residencial. informamos que as empresas que vêm arregimentando grupos para as operações acima configuradas deverão regularizar sua situação de imediato. de 1 de março de 1991. consoante o disposto na circular 3. ou III – dissolver os grupos já formados. II – converter os grupos já formados para a modalidade de consórcio de imóveis. consiste na formação de “Sociedades em Conta de Participação”.. 102 FGV DIREITO RIO 63 . sujeita os responsáveis às sanções previstas na Lei n. ficando a cargo do sócio ostensivo a responsabilidade pelos custos dessa conversão. art. A comprovação dessa prática por pessoas. 7° e 8° da Lei n° 5. de seguro. 33102 da Lei n. segundo as seguintes alternativas: I – solicitar ao Banco central do Brasil autorização para administrar grupos de consórcio. de modo a preservar o poder de compra dessas parcelas. Vislumbrando a facilidade na “aquisição” do flat e não se importando com a sua metragem. infelizmente. é possível comprar um bom flat.177. construção ou reforma de imóveis ou de outros bens. inclusive. de 12. despesas gerais e taxa de administração.º 5. de fundo de reserva. que tenha como público-alvo o cliente que se hospeda por pouco tempo. será exercida pelo Banco central do Brasil. talvez menos expressivo – considerando o desconto com o pagamento de impostos.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa Adquirindo quotas de um fundo de investimento imobiliário. que é dividido entre os investidores. para captação antecipada de poupança popular destinada à aquisição. assim. que chega a 19% ou mais do valor da prestação. O lucro da aplicação é proveniente do aluguel do imóvel. 7º e 8º da Lei 5. e todos recebem pela média de ocupação do empreendimento. a título de taxa de admissão e de administração. para a formação de um fundo social mediante o pagamento de prestações com valor pré-estabelecido. com a nova redação dada pela Lei n. Na prática acontece assim: mediante a celebração de contratos denominados “Instrumento Particular de Adesão à Sociedade por Conta de Participação”. elas funcionam como uma espécie de “consórcio”. Com isso. 101 Em face da propaganda. Dessa forma. levadas a cabo por sócio ostensivo de sociedade em conta de participação. coloca várias quotas à disposição dos investidores. mas como oficialmente são sociedades em conta de participação.070. inclusive a aplicação de penalidades. não importando se uma unidade específica foi ou não ocupada. verifica que entrou em uma sociedade em conta de participação e não terá ressarcimento do que pagou. de 20 de dezembro de 1971. O tamanho médio dos flat’s acompanha o dos quartos de hotel. a fiscalização das operações mencionadas neste artigo. e é fundamental que tenham bons serviços e estruturas modernas. parágrafo único. na verdade.768. Como o fundo é formado por um sistema de quotas. a incorporadora. que fere de morte os direitos do consumidor e. ao ler o contrato. fundo mútuo e outras formas associativas assemelhadas. de 20 de dezembro de 1971. na verdade. o investidor passa a ter uma receita mensal variável. O consumidor paga várias prestações. por um valor bem inferior ao preço de um apartamento. reduz-se o risco de perdas com desocupação ou inadimplência e garante-se um retorno. embutido na prestação mensal. Os preços dos aluguéis de flat normalmente são elevados. entre 28 m² e 30 m². em localização privilegiada. mesmo que o seu flat não tenha sido usado em determinado mês100. que objetivem a aquisição de bens de qualquer natureza. 33. onde proíbe a atividade irregular em questão. descobre que nada vai receber e. e 33 da Lei 8.2002101.609. Em verdade. não autorizadas a funcionar conforme o art. sem prévia autorização nos termos dos arts. muitas pessoas procuram incorporadoras no intuito de adquirir um flat para residir (e não alugar = investimento). de 7 de dezembro de 2001. fazendo crer que se trata de um fundo imobiliário. esclarecemos que tais práticas.º 8. em vez de vender os apartamentos. no prazo prometido. Um outro problema enfrentado. garantindo-se os direitos dos atuais participantes aos valores já desembolsados. dependendo da localização do imóvel e da infra-estrutura de serviços e lazer.768/71103. Isso porque o rendimento é sempre rateado entre os proprietários das quotas. a partir de 1° de maio de 1991. naturais ou jurídicas. ele não estará adquirindo a propriedade do imóvel.. Esse fundo.768. parcial ou 100 Isso acontece porque as unidades são “vistas” como um só grupo e a receita de cada investidor vem do índice de ocupação de todo o conjunto.06.

o Decreto n. que deverá ser habilitado no passivo falimentar105. aplicáveis separada ou cumulativamente: (. ir contra um bem afetado à SCP (haja vista não existir separação entre o patrimônio do sócio ostensivo e da SCP perante terceiros).. 7º: a) multa de até cem por cento das importâncias previstas em contrato. adquirindo.768/71.100. 107 108 inclusive a nova expressão: “sociedade limitada” e não mais “sociedade por quotas de responsabilidade limitada”. – Possibilidade de o sócio participante contribuir para o negócio com mão-de-obra e/ ou conhecimento técnico. nas sanções previstas neste artigo quem. prometer publicamente realizar operações regidas por esta Lei. – Mobilidade no ingresso e saída dos sócios. Os contratos bilaterais não se resolvem pela falência e podem ser cumpridos pelo administrador judicial se o cumprimento reduzir ou evitar o aumento do passivo da massa falida ou for necessário à manutenção e preservação de seus ativos. são: – Facilidade em atrair sócios capitalistas que não desejam “aparecer”.) II – nos casos a que se refere o art.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa total. O legislador brasileiro. do respectivo preço. 328 do código comercial). nela prevendo um capital e valor mínimo de cada quota.708 de 1919 encontra-se revogado pelo Código Civil de 2002 que trouxe profundas mudanças para as sociedades limitadas108.. o legislador alemão. inciso II.. sancionou lei semelhante.708/19. 9ª edição. responsabilidade de cada sócio pelo valor da quota subscrita e responsabilidade subsidiária e solidária de todos pelo pagamento da quota não integralizada. o que tornava a sua interpretação e aplicação muito flexíveis. art 17. diferente de uma Sociedade de Propósito Específico – SPE. sem prévia autorização. as contribuições do sócio oculto serviam para o pagamento de credores.101/05 (LRE). responsabilidade limitada ao fundo com que concorreu. o contrato não se resolverá de pleno direito pois como estará sujeito às normas da Lei 11. baseou-se no modelo português quando. 106 É a chamada: Gesellschaft mit Beschänkter haftung. art. josé Edwaldo Tavares Borba in Direito societário. Portugal. – Com a falência do sócio participante. mediante autorização do comitê.. Seguindo este modelo. por meio do Decreto n. Renovar/2004. visto que somente o montante investido na composição do capital social seria alcançado por terceiros. em 1892. SOCIEDADES LIMITADAS. Incorre. pg. recebidas ou a receber. em desacordo com as normas aplicáveis. uma legislação supletiva das omissões do contrato social”107.º. ao comerciante era garantida a não afetação de seu patrimônio particular por dívidas contraídas pela sociedade. sujeita os infratores às seguintes sanções. Algumas vantagens na constituição de uma Sociedade em Conta de Participação. a realização de operações regidas por esta Lei. introduziu em nosso ordenamento jurídico as sociedades por quotas de responsabilidade limitada. configura atividade abarcada pela norma do artigo 7. qualquer saldo apurado em favor do sócio participante terá a natureza de crédito quirografário. As sociedades limitadas que já existem. da precitada Lei n. – Responsabilidade apenas do sócio ostensivo. que é constituída para a realização de um negócio determinado e se extingue após a consecução. criou um tipo societário intermediário entre a sociedade de capital e a de pessoas106. nos têrmos das respectivas legislações. deverão adequar-se à nova legislação através do seu contrato social bem como cumprir uma série de exigências antes aplicáveis somente às Sociedades por Ações. em 1901.708/19 foi bastante criticado pela doutrina “e tinha na lei das sociedades anônimas. O Decreto nº 3. 117. assim. Apesar de resumir-se em 18 artigos. com a falência do sócio ostensivo. parágrafo único. a título de taxa ou despesa de administração. E como desvantagens: – Possibilidade de um credor do sócio ostensivo. a aplicação das penalidades previstas nesta lei não exclui a responsabilidade e as sanções de natureza civil e penal.º 3. 103 104 art. – Pode ter caráter permanente. haverá a possibilidade do Administrador mantê-lo104. A criação da sociedade por quotas de responsabilidade limitada atendeu aos interesses dos comerciantes da época. 105 Entendemos como desvantagem apesar de na legislação comercial (art. o sócio oculto não poderia nem se habilitar na falência como credor. FGV DIREITO RIO 64 . que invocava expressamente. também. – Com a falência do sócio ostensivo. A partir de então. Com base nas private companies inglesas.º 5. 12. – Falta de instrumento escrito e de publicidade não a desnaturam. que necessitavam garantir seu patrimônio pessoal de forma que não fosse alcançado por dívidas da sociedade. Ou seja. b) proibição de realizar tais operações durante o prazo de até dois anos.º 3.

534. este chega a 4.br sociedade anônima: 20. 1.346.890 registros realizados. 1. cooperativas: 21. As sociedades em nome coletivo apresentam como novidades o fato de somente pessoas naturais poderem ser sócias e a exigência que os seus administradores (gerentes. enquanto não integralizado o capital social. – A movimentação de ingresso e saída de sócios não é simples.915. na forma original ou mediante o processo de aquisição do controle de companhias abertas. sendo solidária. dos 8. 4.22%) são Sociedades Anônimas. – A responsabilidade dos sócios é limitada ao montante do capital social. sendo as Sociedades Limitadas responsáveis por 98. Analisando somente o registro de sociedades.dnrc. através de empréstimos bancários.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa Em linhas gerais. Segundo dados estatísticos do DNRC – Departamento Nacional de Registro do Comércio109. a Sociedade Limitada é aquela que tem seu capital dividido em quotas e na qual a responsabilidade dos sócios é limitada ao valor de suas quotas.569. fechamento do capital e transformação de sociedades anônimas em limitadas.br 111 FGV DIREITO RIO 65 .602.com. com o respectivo registro na Junta Comercial ou no Registro Civil de Pessoas Jurídicas). Algumas vantagens na constituição de uma Sociedade Limitada: – Modelo societário é conhecido da doutrina e da jurisprudência com boa fonte de direito para solução das controvérsias. gov. – Apesar das modificações inseridas pelo Código Civil de 2002 que engessou a sociedade limitada. mas que merecem um exame com um pouco mais de atenção.731. No entanto.1%110 dos registros.3%) são Sociedades Limitadas e 20. no período de 1985 a 2005. e cujo nome empresarial deve necessariamente constar o termo “limitada” ou sua abreviação “ltda”. O acesso ao crédito se dará.9% e as demais. aproveitando que estas não estão submetidas ao regime de publicidade.300.288 (51. pois lhe é vedada a emissão de valores mobiliários para captação de recursos no mercado. teXto: as soCiedades em nome CoLetiVo e em Conta de partiCipação Como estratégias de negóCios. 110 autor: josé Gabriel assis de almeida – 25/nov/2005 – Fonte: www. acarretando em despesas próprias para a atenção de tais regras (ex. E como desvantagens: – Não tem muita facilidade de financiamento de suas atividades. – Estrutura ao alvedrio das regras de direito societário. segundo o qual os credores de um dos sócios não podem promover a liquidação da(s) quota(s) deste sócio enquanto a sociedade estiver em vigor.080. – Tipo societário viável também para grandes empresas.043 do Código Civil. a principal novidade das sociedades em nome coletivo encontra-se no art. 4. Tratam-se fundamentalmente das sociedades em nome coletivo e das sociedades em conta de participação. na terminologia anterior ao Código Civil) sejam também pessoas naturais. 109 Fonte: http://www. Por ser uma estrutura societária sem muita complexidade e com baixo custo de manutenção. pois são excelentes veículos para a concretização de negócios. outros tipos: 4. sua estrutura é pouco complexa e de baixo custo para manutenção.257 (48. a sociedade limitada é a forma jurídica mais utilizada para atuação da pequena e média empresa.ibcbrasil.111 Há alguns modelos societários – mantidos pelo Código Civil de 2002 – que costumam passar despercebidos.080 (0.2%) são referentes à atividade de Empresário. Sobre os negócios é compartilhada pelos sócios. em regra.: necessidade de aprovação anual do balanço.

no seio do patrimônio do sócio ostensivo. e integraliza o que subscreveu transferindo a esta sociedade os seus bens pessoais que pretende preservar. A sociedade em conta de participação é composta por um ou mais sócios ostensivos e por um ou mais sócios participantes. tendo um sócio uma dívida particular. Enquanto isso. no Cartório do Registro Civil das Pessoas Jurídicas ou no Cartório de Registro de Títulos e Documentos. sendo em seguida o devedor excluído da sociedade. seguro e não burocrático de captar recursos ou distribuir resultados. 1. 994 do Código Civil. os bens transferidos à sociedade em nome coletivo permanecem intactos. a sociedade em conta de participação tem duas grandes vantagens: (i) a celeridade de sua constituição e (ii) o sócio participante não é conhecido por terceiros. deles podendo usufruir o empresário. encontrarão no ativo do empresário quotas da sociedade em nome coletivo. Contudo. Neste caso. Nos termos do art.043 do Código Civil. ao estabelecer a exceção acima mencionada (impossibilidade de liquidação da quota do sócio a pedido dos credores particulares deste sócio) implica que a(s) quota(s) do sócio devedor estão a salvo da ação dos credores. para posterior pagamento dos credores. No entanto.043 do Código Civil.026 do mesmo Código segundo o qual os credores de um dos sócios podem requerer judicialmente a liquidação da(s) quota(s) do sócio. em obediência ao disposto no art. uma forma de solucionar este obstáculo é constituir uma sociedade de propósito específico (sob a forma de sociedade limitada. Já a sociedade em conta de participação é um meio rápido. pela sociedade. Ou seja. 1.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa Esta regra é uma exceção ao disposto no art. por razões diversas. Essa liquidação significa que. FGV DIREITO RIO 66 . é fácil vislumbrar a seguinte situação: Um empresário deseja se lançar num novo empreendimento. o empresário constitui então uma sociedade limitada ou uma sociedade anônima através da qual irá realizar o novo empreendimento. considera esse empreendimento incerto. No entanto. Esta sociedade não constitui uma nova pessoa jurídica. Preventivamente. a sua parte na sociedade será apurada e o valor correspondente à mesma será depositado judicialmente. A regra do art. Assim. os credores não poderão promover a liquidação dessas quotas. Caso o novo empreendimento venha a ser mal sucedido e – seja por que motivo for – os credores consigam responsabilizar o empresário. Assim. Mais ainda. recebendo as contribuições dos sócios participantes. esta especialidade patrimonial não é oponível a terceiros. a sociedade em conta de participação não está sujeita a inscrição no Registro Público de Empresas Mercantis. as contribuições do(s) sócio(s) participante(s) e do sócio(s) ostensivo(s) irão constituir um patrimônio especial. os bens pessoais serão substituídos por quotas da sociedade em nome coletivo. da sociedade em nome coletivo. não desejando arriscar o seu patrimônio pessoal. sendo todos os negócios com terceiros realizados sob o nome do sócio(s) ostensivo(s). 1. os terceiros credores do sócio ostensivo (ainda que por créditos estranhos à atividade desenvolvida pelo sócio ostensivo em prol da sociedade em conta de participação) poderão penhorar e promover a alienação desse patrimônio especial. por exemplo) para atuar como sócia ostensiva. subscreve o capital da mesma. no ativo do empresário. Com os ativos que não se encontram na sociedade em nome coletivo. devendo aguardar o término – que o empresário terá o cuidado de fixar a longuíssimo prazo. o empresário – antes de dar início ao novo empreendimento – constitui uma sociedade simples sob a forma em nome coletivo. Deste modo. em regime de comodato ou locação.

no Brasil.1. No entanto. o novo Código Civil tem inúmeros defeitos. em comandita e de capital e indústria. os lucros apurados por sociedades em nome coletivo brasileiras e distribuídos aos sócios domiciliados em certos países. certamente. E. os sócios respondiam pessoalmente.043 que: “O credor particular de sócio FGV DIREITO RIO 67 . Já nas sociedades por quotas de responsabilidade limitada. até o montante total do capital social. de forma ilimitada e subsidiária. No entanto. principalmente na parte relativa ao Direito de Empresa. xxxx Uma delas diz respeito à sociedade em nome coletivo.500 sociedades de tipo em nome coletivo. na construção e administração de um shopping center. Ocorre que o NCC conferiu uma nova vantagem – e das mais importantes – à sociedade em nome coletivo. perante terceiros. Este tipo societário ficou um pouco esquecido com o advento das sociedades por quotas de responsabilidade limitada (agora denominadas. nesse período. ainda que essa responsabilidade fosse solidária. pelo NCC. em razão das dívidas da sociedade. a sociedade por quotas de responsabilidade limitada apresentava uma enorme vantagem em comparação com a sociedade em nome coletivo. teXto 2: as bahamas são aQui: as soCiedades em nome CoLetiVo e o noVo Código CiViL. José gabriel assis de almeida sócio de J. determina o art. As breves notas aqui lançadas são apenas um alerta para que os empresários e executivos possam compreender que o direito – através de mecanismos perfeitamente legais e legítimos – permite viabilizar diversos negócios. Assim. assis de almeida & associados – advogados doutor em direito pela universidade de paris ii professor adjunto da uerJ e da uni-rio O novo Código Civil têm inúmeros detratores e críticos. uma vez integralizada a totalidade do capital social. por exemplo. uma leitura atenta do texto legal. 3. isso porque.g. Na sociedade em nome coletivo. pelas dívidas da sociedade. de sociedades limitadas). era o aproveitamento dos benefícios fiscais. Tanto é que as estatísticas do DNRC (Departamento Nacional de Registro de Comércio) indicam que. Para tanto. A maior utilidade das sociedades em nome coletivo. também apelidado de “Constituição do Cidadão Comum” revela que o NCC tem também diversas agradáveis surpresas. na formalização das relações jurídicas existentes entre uma instituição de ensino (sócia ostensiva) e os professores (sócios participantes). os sócios somente respondiam.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa A sociedade em conta de participação pode ser utilizada para negócios tão diferentes quanto para assegurar a participação de terceiros (sócios participantes) na exploração de uma jazida mineral. qual seja: a limitação da responsabilidade dos sócios perante terceiros. eram considerados – pelas legislações desses países – como rendimentos não sujeitos a tributação. Desta forma. pelas dívidas contraídas pela sociedade perante terceiros. no período entre 1985 e 2001 foram constituídas. durante muitos anos a Gillete do Brasil adotou a forma de sociedade em nome coletivo. Assim. dos sócios nada mais poderia ser exigido. as sociedades em nome coletivo continuaram a serem constituídas.

Os credores particulares do sócio serão obrigados a aguardarem a dissolução e liquidação da sociedade em nome coletivo para só. Esta regra impõe. da qual o empreendedor é. No entanto. por força do art. Nesta sociedade limitada. Negociação no mercado secundário aumenta após a isenção do Imposto de Renda A negociação de cotas de Fundos de Investimento Imobiliário (FII) aumentou de forma significativa desde que os ganhos obtidos com essa forma de aplicação tornaram-se isentos do Imposto de Renda (IR). Por outro lado. Portanto. um maior rigor aos credores. nada mais restará aos credores do sócio em questão. fundos imobiliários ganham liquidez112. o mercado de balcão organizado da Bovespa. quota essa que. Este dispositivo cria um interessante e importante instrumento para a preservação do patrimônio.1. então. o interesse dos demais sócios e da própria sociedade em serem preservados da intervenção de terceiros. os credores dessa sociedade. qual (quais) a (s) participações societárias do devedor. para a realização do empreendimento. pretender a liquidação da quota do devedor”. os bens pessoais do empreendedor estarão protegidos sob a titularidade da sociedade em nome coletivo. Com efeito. reservando a parte que irá investir no empreendimento. via desconsideração da personalidade jurídica ou outro instrumento de efeito equivalente. credores particular de um sócio. titular de uma quota. Isto significa que as quotas do sócio de uma sociedade em nome coletivo não podem ser penhoradas. certamente tentarão.042 do NCC é impenhorável. antes de se lançar num negócio. o empreendedor constituirá. por sua vez. de maneira que. Após regularmente constituída a sociedade em nome coletivo e transferido o patrimônio pessoal. o empreendedor investirá a parte do seu patrimônio destinada ao empreendimento. A solução do NCC foi em favor do interesse dos demais sócios e da própria sociedade. na medida em que. sócio. notÍCias reLaCionadas. esses bens do empreendedor consistirão apenas numa quota da sociedade em nome coletivo. Em fevereiro Fonte: Bfix – Boletim do mercado de Renda Fixa. antes de dissolver-se a sociedade. provavelmente uma sociedade limitada. este transferirá à sociedade em nome coletivo o seu patrimônio pessoal. pelos credores desse sócio. os quais deverão verificar. isto é. após esgotado o patrimônio da sociedade limitada. o empreendedor poderá constituir uma sociedade em nome coletivo. a título de integralização do capital social dessa sociedade em nome coletivo. assim. penhorar os bens pessoais dos sócios da sociedade limitada. uma outra sociedade. o interesse dos credores particulares do sócio em receber o seu crédito. então. o NCC acabou por resolver um conflito de interesses> Por um lado. ano 2 – n° 4 – abril/2006. 112 FGV DIREITO RIO 68 . penhorarem a parte dos haveres sociais que for atribuída ao sócio da referida sociedade em nome coletivo.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa não pode. xxxxx Com este dispositivo. Se os negócios da sociedade limitada correrem desfavoravelmente e esta vir a falir. mês anterior à isenção. antes de conceder o crédito. O FII é considerado renda variável e é negociado no Mega Bolsa. do que senão aguardarem uma eventual dissolução e liquidação dessa sociedade em nome coletivo. foram realizados 229 negócios com cotas de fundos no Soma. Em outubro de 2005. em virtude de dívidas pessoais contraídas por esse sócio.

ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa

passado, o número de negócios nesse ambiente alcançou 294 e, em março (até o dia 20), ficou em 223. O volume financeiro também registrou alta expressiva: de R$ 8,7 milhões em outubro para R$ 13,7 milhões em fevereiro e R$ 7,1 milhões até 20 de março. Dos 64 fundos do mercado, 17 são registrados na Bolsa. O benefício tributário vale para as pessoas físicas que obtiverem ganhos em aplicações feitas em FII com pelo menos 50 cotistas, e cujas cotas sejam negociadas no mercado secundário (na Bolsa ou no mercado de balcão organizado). Os resultados alcançados pelos FII em 2005 e as perspectivas para o mercado financeiro imobiliário foram temas da 3ª Reunião de Fundos Imobiliários realizada pela Apimec-SP e pela Bovespa, no dia 23 de março. “Estamos promovendo esforços para a divulgação e o aprimoramento dos fundos imobiliários para trazer mais transparência e liquidez ao mercado secundário”, afirmou o superintendente-geral da Bovespa, Gilberto Mifano. Alguns pontos da legislação ainda precisam ser aprimorados, afirmou Rodrigo Machado, diretor do Brazilian Group. Dentre eles, a necessidade de reformulação da Instrução CVM 205/94, que regulamentou os fundos; a possibilidade de as quotas de FII servirem para que os bancos captadores de poupança cumpram a exigibilidades de poupança; e o fim do enquadramento das quotas de FII como investimento em imóveis por parte dos fundos de pensão. JurisprudênCia. DUPLICATA. EMISSÃO POR FORNECEDORA DE MOBILIÁRIO CONTRA O PROPRIETÁRIO DE UNIDADE AUTÔNOMA DE EDIFÍCIO. SOCIEDADE EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO. RESPONSABILIDADE PERANTE TERCEIROS. SÓCIO OSTENSIVO. “Na sociedade em conta de participação o sócio ostensivo é quem se obriga para com terceiros pelos resultados das transações e das obrigações sociais, realizadas ou empreendidas em decorrência da sociedade, nunca o sócio participante ou oculto que nem é conhecido dos terceiros nem com estes nada trata. ” (REsp nº 168.028-SP). Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, provido. (REsp 192.603/SP, Rel. Ministro BARROS MONTEIRO, QUARTA TURMA, julgado em 15.04.2004, DJ 01.07.2004 p. 197). SOCIEDADE EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. DISSOLUÇÃO. NOMEAÇÃO DE LIQUIDANTE. CITAÇÃO DA SOCIEDADE CONSTITUÍDA. INDENIZAÇÃO. 1. Não há violação aos artigos 458, II, e 535 do Código de Processo Civil quando o Acórdão recorrido está amplamente fundamentado, alcançando a demanda tal e qual posta pelo autor, então apelante. 2. Não há falar em citação da sociedade em conta de participação, que não tem personalidade jurídica, nem existência perante terceiros. 3. Afastando as instâncias ordinárias a indenização por falta de prova, não tem consistência o pedido de extinção do processo ao argumento de que teria a sentença, considerado o pedido inepto. 4. Justifica-se a nomeação, desde logo, do liquidante, diante da realidade dos autos, que demonstram a animosidade existente, embora no caso de sociedade em conta de participação, seja discutível tanto a dissolução judicial quanto a existência de liquidação e partilha, aspectos que não podem ser examinados, porque ausente recurso da parte interessada.
FGV DIREITO RIO 69

ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa

5. Recurso especial não conhecido. (REsp 474.704/PR, Rel. Ministro CARLOS ALBERTO MENEZES DIREITO, TERCEIRA TURMA, julgado em 17.12.2002, DJ 10.03.2003 p. 213). grifamos Conflito de Competência. Ação de Procedimento Sumário Declaratório de Negócio Jurídico c/c Devolução de Quantia Paga e Indenização. Procedência do Conflito. Sociedade em Conta de Participação que não é considerada sociedade empresária. Competência das Varas Cíveis. Conflito que se conhece e se acolhe, declarando-se a competência do Juízo Suscitado, ou seja, o da 16º Vara Cível da Comarca da Capital. (2005.008.00464 – Conflito de Competência – Des. Renato Simoni – Julgamento: 29/11/2005 – Nona Câmara Cível. TJ/RJ). grifamos TRIBUTÁRIO. Negócio Fiduciário. Imposto de Transmissão Inter Vivos - ITBI. Transferência de Imóvel Para Constituição de Fundo de Investimento Imobiliário. Incidência do Tributo. Os fundos de Investimentos Imobiliários, conforme determina a própria Lei nº 8.668/93, são desprovidos de personalidade jurídica, razão pela qual o imóvel dado para a constituição do fundo é transferido para a Instituição Administradora em caráter fiduciário. Tal operação não se encontra ao abrigo da imunidade tributária prevista no art.156, § 2º, I da Constituição Federal por não ser possível falar em constituição de patrimônio de pessoa jurídica em realização de seu capital social. O que essa lei chama de quotas está distante do que se entende por cota social. O titular de quotas do Fundo de Investimento Imobiliário não tem a mesma relação de participação que haveria entre sócio e sociedade. As tais quotas estão mais próximas em sua natureza das ações, já que são negociadas em ambiente de Bolsa de Valores. Contudo, não se pode conceber analogia entre um Fundo despersonalizado e uma Sociedade Anônima, constituída nos estritos moldes da Lei 6.404/76. Ainda que se ultrapassasse esse argumento, o pleito de imunidade sucumbiria à norma contida na parte final do mesmo inciso I, do §2º, do art. 156, da Constituição. Observa-se que a imunidade não alcança aqueles que realizam capital com transmissão de bens imóveis, quando é constatada como atividade preponderante do adquirente a compra e venda desses bens ou direitos, locação de bens imóveis ou arrendamento mercantil. Como foi exaustivamente demonstrado na peça inicial, o escopo da constituição de um Fundo Imobiliário é justamente esse tipo de atividade, ou seja, investir em imóveis comerciais e industriais de alto padrão de acabamento, destinados à locação de longo prazo. São as chamadas operações built to suit (construir para servir), que se pode traduzir pela construção de um imóvel segundo especificações expressas do inquilino. Assim sendo, tanto por um fundamento, quanto por outro, não se constata a tênue possibilidade de a apelante ser alcançada pelo benefício da imunidade conferida pela Constituição. Desprovimento do recurso. (2003.001.26635 - APELACAO CIVEL. DES. SERGIO CAVALIERI FILHO - Julgamento: 05/02/2004 - SEGUNDA CAMARA CIVEL. TJ/RJ) Questões de ConCurso 29º EXAME DE ORDEM – SEÇÃO DO RIO DE JANEIRO – 1ª FASE – DIREITO COMERCIAL. PROVA OBJETIVA. 40 – A inscrição do contrato social no órgão competente confere capacidade jurídica às sociedades, exceto à: a) Sociedade em comum;
FGV DIREITO RIO 70

ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa

b) Sociedade simples; c) Sociedade em nome coletivo; d) Sociedade em conta de participação. 27º EXAME DE ORDEM – SEÇÃO DO RIO DE JANEIRO – 2ª FASE – DIREITO COMERCIAL. PROVA DISCURSIVA. 6 – Comente a pertinência da presente afirmação: “À luz do artigo 985 da Lei 10406/2002 (Código Civil), o registro do contrato social de uma sociedade em conta de participação confere-lhe, a partir de então, personalidade jurídica, sendo que os atos anteriores ao registro somente produzem efeitos entre os sócios, não podendo, contudo, a falta de registro ser oposta a terceiros.” 26º EXAME DE ORDEM – SEÇÃO DO RIO DE JANEIRO – 2ª FASE – DIREITO COMERCIAL. PROVA DISCURSIVA. 6 – A e B são sócios em uma sociedade limitada (Ltda) e pretendem participar de uma sociedade em nome coletivo. Caso não desejem fazê-lo em seus próprios nomes, podem A e B colocar a sua sociedade limitada para figurar como sócia na sociedade em nome coletivo da qual querem tomar parte? Justifique e indique o(s) dispositivo(s) legal(is) pertinente(s). 126º EXAME DE ORDEM – SEÇÃO DE SÃO PAULO – 1ª FASE – DIREITO COMERCIAL. PROVA TIPO 1. 47. A liquidação de uma sociedade em conta de participação (A) é regida pelas normas relativas à prestação de contas. (B) se dá somente por decisão judicial. (C) será eficaz apenas quando arquivada no registro de comércio. (D) exige aprovação em assembléia especialmente convocada para essa finalidade. PROVA OAB/MG - EXAME DE ORDEM - ABRIL/2006 94ª Questão: Assinale a alternativa INCORRETA: a) A Sociedade em Nome Coletivo somente pode ter como sócios pessoas físicas; b) A Sociedade em Conta de Participação adquire personalidade jurídica com o registro no órgão próprio; c) Na Sociedade em Comandita Simples a responsabilidade dos sócios em relação às obrigações sociais depende da categoria por eles ocupada no quadro societário; d) A Sociedade em Comandita por ações pode adotar firma ou denominação social, apesar de sua proximidade com a Sociedade Anônima.

PROVA CONCURSO PúBLICO/4ª REGIÃO JF - JUIZ FEDERAL JANEIRO/2008 76ª Questão: Dadas as assertivas abaixo, assinalar a alternativa correta quanto à empresa, ao empresário e às sociedades simples e às empresárias. I. A empresa é uma atividade exercida pelo empresário, não pressupondo a existência de uma sociedade, podendo ser desenvolvida pelo empresário unipessoal. II. A sociedade simples distingue-se da sociedade empresária, pois naquela inexiste
FGV DIREITO RIO 71

ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa uma organização de bens materiais e imateriais (intelectuais) e recursos humanos. III. Há identidade entre os conceitos de empresário e sócio da sociedade. c) Estão corretas apenas as assertivas I. b) Estão corretas apenas as assertivas II e III. II e III. d) Estão corretas todas as assertivas. FGV DIREITO RIO 72 . sendo a sociedade cooperativa um de seus exemplos. voltados para a produção sistemática da riqueza. Podem ser empresários os menores de 18 anos. IV. a) Estão corretas apenas as assertivas I e IV.

conferindo mobilidade e liquidez ao capital investido. sobretudo em virtude de dois fatores: a garantia dos sócios contra os indesejáveis efeitos patrimoniais que ocorriam nas sociedades ilimitadas do antigo Código Comercial e a simplificada forma de sua constituição (ao contrário da estrutura complexa das sociedades por ações). Nesta aula discutiremos a leitura do(s) seguinte(s) capítulo(s): – Páginas 357 a 372 do Curso de Direito Comercial. atraindo principalmente a pequena e a média empresa por sua forma e constituição simplificada e a limitação da responsabilidade dos sócios. Ricardo Negrão. 7ª edição. como Sociedade Limitada. Vol. tem. Vol. São Paulo/2004.A. ou seja.II. Saraiva. o capital é dividido em ações nas quais a responsabilidade dos sócios é limitada ao preço de emissão das ações subscritas ou adquiridas.404/76 determina expressamente que.I. uma enorme aceitação no meio empresarial. – Por que utilizar a S. Essa sociedade de capital permite aos sócios negociarem livremente seus títulos. a responsabilidade dos sócios também é limitada ao capital social tendo em vista que o art. pois permite a captação de investimento na poupança popular para a aplicação em grandes empreendimentos.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa AUlA 08: A OPÇÃO PElO MODElO SOCIEDADE lIMItADA EM CONtRAPONtO AO MODElO SOCIEDADE POR AÇõES Na aula passada.A. vimos que as sociedades limitadas representam hoje a grande maioria das sociedades registradas em nosso país. – Classificação: Companhia Aberta e Companhia Fechada – breves comentários. Saraiva. São Paulo/2005. Leitura CompLementar – Páginas 358 a 360 do Manual de Direito Comercial e de Empresa. 4ª edição. sem a necessidade de consentimento dos demais sócios. Renovar/2005.113 Assim. desde sua criação até os dias atuais. – Páginas 130 a 132 do O Direito de empresa à luz do novo Código Civil. Fábio Ulhoa Coelho. nesta espécie societária. FGV DIREITO RIO 73 . Sérgio Campinho. ementário de temas – Sociedade Limitada – Sociedade Anônima – breves comentários – Diferenças: LTDA e S. e por que utilizar a LTDA. A Sociedade Anônima é um instrumento jurídico muito importante para a economia. seu eventual prejuízo é adstrito ao valor pago pelos títulos no mercado de ações. roteiro de auLa A sociedade por quota de responsabilidade limitada. 1º da Lei nº 6. 5ª edição. 113 na sociedade anônima. sem que o investidor se responsabilize pessoalmente pelos negócios da companhia.

o importante é o objeto social. é importante mencionar que enquanto foi conferida à sociedade limitada a opção de utilizar firma social ou denominação como nome empresarial. a Limitada também pode se apresentar como subterfúgio para o Empresário Individual. Se a sociedade anônima pretender negociar suas ações no mercado de valores mobiliários (mercado aberto ao público). o sócio se obriga pelo valor total constante no contrato social).404/1976. depende de um mecanismo jurídico que viabilize a captação deles junto aos investidores em geral117”. Enquanto que na sociedade limitada. desde a composta por dois sócios e com baixo faturamento. art.II. aos resultados econômicos que ela pode gerar. até a formada por vários sócios e movimentando valores elevados. onde o interesse dos sócios não está voltado para a sociedade em si. 7ª ed. art. a. Já o modelo da Sociedade Limitada pode ser amplamente utilizado. e especificará as normas sobre companhias abertas aplicáveis a cada categoria. Assim.385/1976. há uma diferença relevante. O modelo da Sociedade Anônima é interessante para grandes empreendimentos que suportem a estrutura exigida pela lei. devendo esta ser identificada sempre por denominação. só responderá pelo que se obrigou. 115 116 O custo para cumprir as formalidades exigidas em lei para o ingresso e permanência da companhia com suas ações no mercado é bastante alto. 117 FGV DIREITO RIO 74 . 22. cabe ressaltar que existem diferenças na estrutura de ambas. por sua vez. Por outro lado. e sim.º 6. § 2º nenhuma distribuição pública de valores mobiliários será efetivada no mercado sem prévio registro na comissão de Valores mobiliários. que acabam por dificultar sua criação e administração. considera-se aberta a companhia cujos valores mobiliários estejam admitidos à negociação na bolsa ou no mercado de balcão. enquanto que na Sociedade Anônima não haverá possibilidade de escolha. não tendo maior relevância a pessoa do sócio. Enquanto que o Código Civil apresenta uma estrutura mais simples para a sociedade limitada. pelo seu porte. será sempre de capital.66. será classificada como uma “Companhia Fechada”. Essa situação é muito comum como já vimos no caso do “sócio de palha”. § 1º somente os valores mobiliários de emissão de companhia registrada na comissão de Valores mobiliários podem ser negociados no mercado de valores mobiliários. se os títulos de uma sociedade anônima circulam de forma restrita. será classificada como uma “Companhia Aberta114” e será submetida ao controle e fiscalização da Comissão de Valores Mobiliários – CVM115. Lei n. 4º para os efeitos desta Lei. § 3º a comissão de Valores mobiliários poderá classificar as companhias abertas em categorias. Lei n. sem negociação em bolsa de valores ou mercado de balcão. e a exploração delas. a Lei nº 6. à sociedade anônima não coube escolha. No que se refere à responsabilidade dos sócios.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa diferenças entre Ltda e s. exigem uma alta soma de recursos. A sociedade limitada pode adequar o seu contrato social com característica de sociedade de pessoas ou de capital. Já na sociedade de capital. Além disso. valoriza a qualidade pessoal do sócio. Quando de pessoas. a companhia é aberta ou fechada conforme os valores mobiliários de sua emissão estejam ou não admitidos à negociação no mercado de valores mobiliários. in curso de Direito comercial. as companhias de capital aberto são aquelas de maior porte116 ou que desejam captação maior de recursos. por isso. Nas palavras de Fábio Ulhoa Coelho: “Há atividades econômicas que. segundo as espécies e classes dos valores mobiliários por ela emitidos negociados no mercado. o sócio responde pela integralização do capital social (não importa o valor de sua cota. 114 Do contrário. A sociedade pode ser de pessoas ou de capitais. saraiva/2004. pág. Geralmente.404/1976 traz inúmeras exigências para o funcionamento das Sociedades Anônimas. A forma de “capital aberto” é fundamental para as sociedades que desejam negociar na Bolsa de Valores e que tenham como grande objetivo a captação de recursos financeiros. Vol. não importa o valor total constante no Estatuto.º 6. Por fim. na Sociedade Anônima o sócio só responde pelo valor das ações que subscreveu. uma vez que no Brasil a Sociedade Unipessoal só é admitida como exceção.

em geral. desde que não seja renovada perante o mesmo grau de jurisdição. ALIENAÇÃO FRAUDULENTA DE AÇÕES ORDINÁRIAS NOMINATIVAS DA EMPRESA APÓS SEPARAÇÃO DE FATO. mas solução de natureza doutrinária e jurisprudencial. HAVIDOS EM FRAUDE À MEAÇÃO. cujas ações são de propriedade.a sanção prevista no art. REGIME DE COMUNHÃO UNIVERSAL DE BENS. mas sim a “devedor”. aduzindo que o ingresso de terceiros deverá ser autorizado pelos demais acionistas. restando disposto que deverão ser oferecidas as ações do retirante aos demais acionistas.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa Caso H. terá o ex-cônjuge direito a ingressar no quadro societário da H. I . FGV DIREITO RIO 75 . sendo o preço estipulado com base no último balanço aprovado. DIVERGÊNCIA. INVENTÁRIO DE BENS POR SEPARAÇÃO JUDICIAL. mas tão somente aquelas derivadas nas ações de execução estrito sensu.A.Stern Comércio e Indústria S.a ação de inventário por separação judicial é o leito próprio para apreciação de questões jurídicas surgidas após a separação de fato do casal. de ordem pública. é uma sociedade anônima de capital fechado. Da mesma forma tratam do exercício do direito de retirada. admitindo a discussão de prova documental a respeito de fatos incontroversos. em sua maioria. HOMOLOGAÇÃO DO ESBOÇO DE PARTILHA. QUE APESAR DE CERCADA POR CONTROVÉRSIA JURÍDICA. tem seu campo de incidência nas ações de execução. INDEPENDE DE DILAÇÃO PROBATÓRIA. e comportando incidente processual quanto aos efeitos jurídicos dos negócios entabulados pelo cônjuge varão à revelia do cônjuge virago. a) O mecanismo é suficiente? b) E se o modelo societário adotado fosse de uma sociedade limitada? A solução seria a mesma? c) Na hipótese de separação de um dos acionistas. DECLARAÇÃO DE INEFICÁCIA DOS NEGÓCIOS JURÍDICOS SUBJACENTES À SEPARAÇÃO DO CASAL. por ato atentatório à dignidade da Justiça. a exemplo da ação de inventário por separação judicial combinada com partilha. da família Stern. podendo. não podendo ser interpretado ampliativamente para alcançar a execução de toda ordem emanada do Poder Judiciário. RESGUARDADA A MEAÇÃO DA EX-MULHER POR MEDIDA ACAUTELATÓRIA DE SEPARAÇÃO DE CORPOS E ARROLAMENTO DE BENS. III . controlá-la? JurisprudênCia PROCESSO CIVIL. HOMOLOGAÇÃO DO ESBOÇO DE PARTILHA. AÇÃO DE PARTILHA JUDICIAL POR DISSOLUÇÃO DA SOCIEDADE CONJUGAL.Stern. II . COMPETÊNCIA DO JUÍZO DE FAMÍLIA PARA APRECIAR A QUESTÃO. 600 do código de processo civil. inclusive. podendo ser suscitada e discutida a qualquer tempo e grau de jurisdição.a competência em razão da matéria é pressuposto de validade da relação processual. apesar de não mais se referir a “executado”. O estatuto social traça um mecanismo para evitar o ingresso de estranhos no quadro societário sem a anuência dos demais acionistas. em face da preclusão pro judicato. que não é matéria fática de alta indagação.

Naquela tarde. Ansiava pelo lance decisivo de uma batalha judicial que começara 25 anos antes. autor do livro Quando o Amor Acaba na Justiça. a opção mais próxima em seu guarda-roupa do que seria o figurino de uma executiva. Hoje ela controla um grupo de 4 mil funcionários e faturamento previsto de R$ 1 bilhão em 2002. Até lá. o maior dos quais é o Banco do Brasil. Grifamos. Fonte: Revista Época.várias as formas através das quais se pode prejudicar o cônjuge ou a companheira com atos praticados sob o manto pseudo-protetivo da empresa”. com medo de uma liminar de última hora”. criada e administrada ao longo dos últimos 39 anos pelo empresário Alfredo Júlio Rezende. três meses depois. (APC-5246299/DF. a saDIa adquiriu 90% das ações da Granja Rezende s. peritos e consultores.globo. Helena dispensou o almoço. Só então abriram-se as portas do negócio milionário para a ex-mulher. a Granja Rezende foi incorporada pela saDIa.00 (cento e trinta e quatro milhões de reais). O valor da transação foi de R$ 134. com 42% das ações. Estava pronta para embarcar rumo a Uberlândia. Disputas prolongadas também geram fortunas para advogados. estavam em jogo uma fortuna avaliada em R$ 436 milhões e o controle acionário da Granja Rezende. acabava de se tornar controladora do grupo. o ex-marido. cuja pensão alimentícia é de R$ 571.a. Tomou o café com leite e torradas. com sede em uberlândia. Disponível em: http://epoca. “Passei a tarde inteira bebendo cafezinho e fumando. encarou uma ducha rápida e não teve dúvidas na hora de escolher o que vestir: um conjunto bege. Helena enfrentou o vaivém das liminares nos últimos três anos. Por volta das 21 horas. Em 2002. REJEITADAS AS PRELIMINARES À UNANIMIDADE”. recorda-se. saiu vitoriosa da assembléia de acionistas. onde os produtos da marca mineira Rezende tinham forte penetração.htm 118 no final de 1999.000. a dona de casa mineira. instalada numa sala de diretoria. até a 5a Vara de Família em Brasília garantir-lhe a tutela antecipada das ações. Os três deixaram Brasília ao meio-dia. “Litígios predatórios reduzem grandes patrimônios a pó”. notÍCias reLaCionadas Lucros e perdas do desamor118 mulheres enfrentam ex-maridos nos tribunais. 119 FGV DIREITO RIO 76 . alerta o advogado Luiz Fernando Gevaerd. suspendendo-o do cargo de diretor-presidente da empresa.. A Justiça ainda aplicou multa de R$ 72 milhões a Alfredo Rezende.por serem “. Somente às 18h30 ela faria a entrada triunfal na sede da empresa. Chegou ao topo do ranking das partilhas de bens no Brasil. Helena Abib Rezende acordou às 9 horas na sexta-feira 30 de abril para enfrentar uma jornada inesquecível. UNÂNIME. ganham fortunas e transformam o divórcio num tormento para as empresas. A escalada foi áspera. um dos maiores grupos alimentícios do país. na companhia de dois advogados. o julgador deve ser preocupar em trilhar “caminhos para se chegar a decisões que fujam ao ‘faz de conta”.. No vôo. as custas do processo superam R$ 70 milhões119. os demais 10% ficaram com a Fundação Rezende. Relatora: DES. NANCY ANDRIGHI em 18/10/1999..com/ edic/19990712/soci1. foi um importante passo para a expansão dos negócios da saDIa no país. Depois de esperar duas décadas por uma sentença favorável. ex-funcionária pública. Aos 57 anos. 2ª Turma Cível do Tribunal de Justiça do Distrito Federal. O próximo embate ocorrerá em setembro. em especial na região centro-Oeste.000. Decisão: DAR PARCIAL PROVIMENTO A AMBOS OS RECURSOS.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa IV . por Eliane Trindade. assumir a gestão e o controle acionário da Granja Rezende. a nova diretoria tentará conseguir capital de giro e prorrogar empréstimos de curto prazo com os credores. DJ 16/02/2000 p. 20). com o julgamento do último recurso de Alfredo. No caso Rezende. patrimônio estimado em R$ 185 milhões – quatro vezes o que recebeu a princesa Diana ao se divorciar do príncipe Charles.

serão incluídos entre as provas. na época da quebradeira do Bamerindus. José Eduardo Andrade Vieira. Tânia roubou o espetáculo. Separados de fato há um ano. Nos finais de semana. na mansão no Lago Sul em Brasília. Diante de um batalhão de advogados. irmão do ministro da Fazenda.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa Quando a roupa suja começa a ser lavada em público. além de amargar a condição de sem-banco. abastecida de muita raiva. Tânia semeia ressentimentos e colhe notoriedade. Os divórcios entraram na pauta das grandes empresas.5 milhão. tem nos calcanhares uma ex-mulher. os Andrade Vieira estão longe de uma solução amigável. corrige: “Terceiras” . ela não concordou em receber os US$ 8 milhões oferecidos pelo ex. Tânia faz mistério. “Eu enfrentei duas intervenções!”. Há três semanas. vender participações a grupos rivais e tumultuar conselhos de administração. Achou miserável a recompensa financeira pelos anos de dedicação a casa. A precisão dos cálculos e dos argumentos convenceu o juiz: Lorna levou US$ 22 milhões. A pretexto de FGV DIREITO RIO 77 .1 milhões.alusão a supostas namoradas do ex-banqueiro. “A do BC e agora a dele para cima de mim!” Estimam-se em R$ 30 milhões as sobras da fortuna de Andrade Vieira. computando horas extras devotadas aos negócios dele. mas fortunas menores não resistem à infiltração dos ódios conjugais. Um seminário realizado há dez dias em São Paulo reuniu uma platéia de 150 homens de negócios. “Eu confirmo”. enumera Tânia Vieira. compareceu sem convite à CPI dos Bancos. A aparição intempestiva deixou o depoente trêmulo e os senadores constrangidos.fazendas. abandonada em conseqüência do casamento. Lorna partiu para o ataque com uma calculadora na mão. ela pode destituir diretores. depois da perda do banco e da indisponibilidade de parte do patrimônio. a sangria financeira é inevitável. recebia os convidados dele para jantares e reuniões. Na quinta-feira. para assistir ao depoimento do marido. preparava recepções. Acrescentou os ganhos médios que teria conseguido caso se dedicasse à carreira de professora de Música. imóveis. Começam a compreender os labirintos da Justiça e colocam em cena uma categoria de causar calafrios ao mundo dos negócios: a esposa corporativa. lembrando-se dos tempos de vacas gordas. enfim. era. Retirada a parte que cabe aos filhos. A General Electric. uma usina de cifras estratosféricas. Chegou a US$ 2. Até os jantares oferecidos ao presidente Fernando Henrique. O império General Electric. Lorna e Gary resolveram duelar depois de 32 anos de casamento. esbraveja. Mais US$ 1. A ex do executivo da GE fez escola. as ex-mulheres parecem dispostas a tudo para proteger o quinhão. uma secretária-executiva”. aparteou em voz alta quando um senador perguntou se Andrade Vieira mantivera contatos com Marcos Malan. “Eu o ajudava 24 horas por dia. Menos tímidas que suas mães e avós. Na condição de sócia. sem folga. E assim por diante. uma das maiores empresas do mundo. o Bamerindus sofreu intervenção e acabou vendido ao HSBC.segundo homem da empresa e provável substituto do todo-poderoso Jack Welch. ex-ministro e ex-dono do Bamerindus. ela vai brigar pela divisão de R$ 15 milhões. mas seus advogados estão levantando tudo . Com um sorriso malicioso. não pretende renunciar aos bens que escaparam à intervenção do Banco Central. Pedro Malan. aos filhos e à preparação de impecáveis recepções para executivos e clientes. Tânia avoca direitos sobre o que restou do patrimônio do ex-marido. Calculou o custo de uma doméstica e de uma babá ao longo de três décadas. Emagreceram: em 1997. considerado um dos empresários do século. Depois de 24 anos de casamento e quatro filhos. atendia a telefones. contas no Brasil e no exterior. os advogados de Tânia ingressaram no fórum de Curitiba com o pedido de separação e estão prontos para a guerra. indigna-se. “Não quero ver o nosso patrimônio desviado para terceiros”. viu-se no meio do embate matrimonial entre Lorna e Gary Wendt . não chegou a balançar diante da esposa corporativa.

constata. Seu colega carioca Luiz Fernando Gevaerd vai mais longe. na Área Societária. Ou seja. que há 26 anos briga com os cunhados pelo espólio do marido. com quem viveu por seis anos.” Os brasileiros bem aquinhoados começam a sintonizar uma tendência comum entre americanos e europeus: a adoção do pacto pré-nupcial. maior feira de informática do país. Mora numa bela mansão em Brasília.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa discorrer sobre o tema Proteção de Bens. Os dois formalizaram um pacto. Em agosto. no segundo matrimônio. “Criar a holding é uma forma de proteger os bens em futuras relações”.90 o exemplar. sugere a ricos e pobres encarar de frente o lado material do casamento. O empresário antecipou a partilha de 50% dos bens para os filhos e transferiu a outra metade do patrimônio para uma empresa off-shore. Entre os casos mencionados aparece o de um comerciante de sucesso (Neves omitiu seu nome). “Teria escrito um épico se contasse toda a minha vida”. parte do fantástico patrimônio imobiliário da família. lembra o advogado. cujo escritório realiza uma dezena de reestruturações societárias por ano. contratado por Chiquinho Scarpa para defendê-lo das garras esmaltadas da ex-mulher. não dá para falar em separações de bens. O advogado Sérgio Marques da Cruz Filho. Tina Bauer. “As pessoas se esquecem que casamento é uma comunhão de afetos e interesses. Carola. quer continuar morando no apartamento em bairro nobre de São Paulo e retomar o carro importado. Tributária. Sem direitos sobre os bens dos Scarpa. Sua história foi lembrada pelo senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) na sessão de abertura da CPI do Judiciário. Pede R$ 100 mil por mês. choraminga. coisa de Primeiro Mundo. num paraíso fiscal. O papel não evitou a baixaria no desenlace. A futura esposa queria casar-se em regime de comunhão universal. O romantismo latino atrapalha tudo”. deverá sair a primeira decisão sobre o caso. bem em frente ao Centro Comercial Gilberto Salomão. vendido a R$ 9. em Florianópolis.” jura Carola. Sem nada em seu nome. cujas ações são incomunicáveis. O caso se arrasta em fóruns de Brasília e Minas Gerais. Prova disso é a separação de Max Gonçalves. “Ainda é tabu no Brasil falar em pacto. O caso da viúva Anna Elmira. dividir é martírio e subtrair uma compulsão. “O pacto foi assinado sob pressão. de Família e Sucessões. que angariou milhões de dólares e driblou um clássico golpe do baú. Conhece de cor a aritmética do coração: quando existe amor. diz o advogado Taltíbio Araújo. é a criação de holdings para administrar o patrimônio pessoal de sócios e herdeiros. “Perdi um tempo precioso que nenhum juiz poderá devolver”. Nem sempre paraísos fiscais resolvem a pendenga. resume Neves. “No auge do amor. A briga vai se estender por décadas. “Chiquinho chegou com o documento quando os convites já estavam distribuídos e o vestido de noiva pronto”. FGV DIREITO RIO 78 . de São Paulo. o advogado paulista Newton Oliveira Neves forneceu exemplos práticos de como salvar empresas de ataques especulativos do mercado matrimonial. diz. freqüente nos grandes grupos econômicos. pouco antes do matrimônio principesco. explica o advogado Marco Antônio Fanuchi. restou à ex-condessa brigar por pensão alimentícia. só faltou fazer voto de pobreza antes do novo casamento. “Os acordos tornam-se quase impossíveis”. tenta provar na Justiça que ele enviou ao exterior uma fortuna de R$ 16 milhões. Outra saída. “Ela quer metade do que Max deixou de declarar”. dono da Fenasoft. Fausto Salomão ilustra a lentidão da Justiça nas partilhas. O melhor é prevenir”. irrita-se. não são partilháveis. Quando bate o ódio. somar é possível. à frente de um tradicional escritório especializado em Direito de Família. Anna Elmira luta com dois cunhados pela parte do patrimônio que caberia ao finado – algo em torno de R$ 100 milhões. representante de Tina. Tenta faturar algum por conta própria: lançou o livro A Condessa que Virou Princesa.

Ele teria ameaçado revelar segredos comerciais do conglomerado. ela terá tudo”. levou 50% dos negócios dela. Após a separação. A herdeira do império. prima de Chiquinho. Mesmo assim. Rafael Lopez-Cambil. tornou-se um bilhete premiado nas mãos de ex-maridos. Morreu em 1988.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa A família Scarpa ostenta um caso anterior e bem-sucedido de pacto pré-nupcial. Queria também metade das obras de arte que ela herdara. garante Miranda. “Aquela v. FGV DIREITO RIO 79 . Não conseguiu. um caso rumoroso envolve o clã dos Matarazzo. Maria Pia não cedeu às pressões do marido e ainda o acusou de manter um romance com a arrumadeira da mansão. placar milionário No Brasil e no mundo. a mais temida nos fóruns de Família. o ex-senador abriu de novo a carteira. Paloma Picasso tornou-se uma legítima representante das vítimas da ganância conjugal. há casos em que ricas ex-mulheres pagam a conta. ela pagou a conta depois de 20 anos de convivência. o ex-marido. Christina Onassis. Seu último companheiro. levou dinheiro suficiente para ficar à toa até hoje”. Uma ex-namorada entrou com uma ação de partilha. “O meu acordo saiu mais caro do que o do Bozano”. Thierry Roussel. acabou seu quarto matrimônio no final dos anos 80. Hábil operador de influências políticas. Bem-sucedida empresária do ramo de cosméticos e administradora do espólio do pai. Aconselhado pela advogada Priscila Corrêa da Fonseca. Acusou o ex-marido Roberto Calmon Barreto de tentar extorquir US$ 2 milhões. ficou milionário e separou-se. estimada em R$ 175 milhões. À frente de três holdings e de um patrimônio de R$ 1 bilhão. Quando ainda era instrutor de natação. mais raros. A ex-namorada deve ser uma aplicada discípula de Ivana Trump. a loura cobriu-se de diamantes e deu a receita infalível para um divórcio milionário: “Não fique com raiva. seu guarda-costas.. Para afastar qualquer suspeita de interesse. estimativas de algumas das partilhas mais caras e rumorosas dos últimos anos. casou-se no ano passado com Carlos Madrulha.. as tradições dos Scarpa valem menos que o baú do novo-rico. Madrulha deixa claro: casou-se com separação de bens. Maria Pia. Golpe do baú não é prerrogativa feminina. Maridos também mordem. dona de um dos maiores salários da televisão. A apresentadora Ana Maria Braga. Analícia não tem do que reclamar: continua a desfrutar dos milhões do pai de suas duas filhas. Barreto negou tudo. acumulou US$ 73 milhões só em presentes oferecidos depois de cada briga do casal. Miranda aceitou casar-se com separação total de bens. em clima de denúncia. filha do armador grego Aristóteles Onassis. Suas ações estão a salvo. referindo-se à partilha entre Iza e o banqueiro Júlio Bozano. aos 38 anos. Gilberto Miranda se resguarda. e o ex-senador Gilberto Miranda. No Brasil. Os boatos não tardaram. celebrado em 1976 entre Analícia Scarpa. a mais cara no Brasil até o caso Rezende. não escapou incólume. Ao se separar do milionário americano Donald Trump. “Enquanto tiver dinheiro. com base na nova lei da união estável. completa. vocifera. Outra herdeira célebre. o pintor Pablo Picasso. É um caso raro de generosidade pós-separação. Fique com tudo”. Colocadas nos pratos de uma balança. Casada em separação de bens.

Partilhas concluídas: Iza x Júlio Bozano .EXAME DE ORDEM . ou seja.US$ 60 milhões Ivana x Donald Trump .US$ 80 milhões Marianne x Kenny Roggers .R$ 45 milhões Gláucia x Ipoty Ioschpe . c) A sociedade anônima é regida pelo Código Civil.US$ 26 milhões Lorna x Gary Wendt .US$ 22 milhões Jerry Hall x Mick Jagger .US$ 50 milhões Diana x Príncipe Charles . c) sociedades em comandita simples. Esta definição se aplica à : A) Sociedade em nome coletivo FGV DIREITO RIO 80 . seu capital é dividido em ações suscetíveis de transferência. CONCURSO PARA JUIZ DO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO ESPÍRITO SANTO (2003).R$ 175 milhões Lisiane x Sérgio Prosdócimo . Partilhas concluídas: Amy Irving x Steven Spielberg .PROCURADOR DO MUNICÍPIO JUNHO/2008 67ª Questão: É CORRETO afirmar que são sempre sociedades simples: a) cooperativas. d) A sociedade anônima não mais existe desde vigência do atual Código Civil.AGOSTO/2007 73ª Questão: Marque a alternativa CORRETA.R$ 185 milhões no mundo. não tendo a relevância a pessoa de seus detentores”.US$ 112 milhões Cindy x Kevin Costner .R$ 78 milhões Evelyn x Daniel Ioschpe .R$ 2.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa no brasiL. d) sociedades limitadas. b) A sociedade anônima é sociedade empresária. a) A sociedade anônima é sociedade não personificada.5 milhões Helena x Alfredo Rezende . 22) “Sociedade de capital constituída por frações com titularidade móvel e impessoal. PROVA CONCURSO PúBLICO/MG .US$ 50 milhões Demi Moore x Bruce Willis .R$ 17 milhões Edna x Olacyr de Moraes . b) sociedades anônimas.US$ 150 milhões Questões de ConCurso PROVA OAB/MG .

ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa B) Sociedade anônima C) Sociedade limitada D) Sociedade em comandita simples E) Sociedade de capital e indústria FGV DIREITO RIO 81 .

– As vantagens e desvantagens. tão somente. Saraiva: São Paulo/2005. ou seja. Ricardo Negrão. o sócio pode alienar sua participação societária a quem quer que seja. José Edwaldo Tavares Borba. Mediante um acordo de vontade. esta última. não se confundindo com a pessoa de seus sócios que são. o ingresso do sócio na sociedade. No caso da sociedade limitada. – Ingresso e Retirada. 10 E 11: SER SóCIO DE UMA SOCIEDADE lIMItADA Em virtude da atribuição de personalidade anotada no art. – Mecanismos de responsabilidade do sócio. a sociedade é compreendida como pessoa jurídica de direito privado (sujeito de direito). ementário de temas – Ser sócio de uma sociedade limitada. a pessoa do sócio é irrelevante para a empresa explorada pela sociedade. diretamente. com capacidade para adquirir direitos. Nestas aulas discutiremos a leitura do(s) seguinte(s) capítulo(s): – Páginas 350 a 360 e 374 a 378 do Manual de Direito Comercial e de Empresa. cujos interesses podem ser. Aprendemos que nas sociedades de pessoas. – Deveres e Direitos. deve ter capacidade para exercer os atos da vida civil (exceções na forma da lei). Leitura CompLementar – Capítulos 15 e 16 do Manual de Direito Comercial e de Empresa. Fábio Ulhoa Coelho. 7ª edição. Assim.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa AUlAS 09. obviamente. os sócios irão compor o instrumento pelo qual a pessoa jurídica irá se estabelecer. o Fisco e a Justiça”. Já nas sociedades de capital o que ocorre é o inverso. Saraiva: São Paulo/2005. – Páginas 99 a 107 do Direito Societário. – Páginas 357 a 370 e 398 a 419 do Curso de Direito Comercial. a pessoa do sócio é mais importante que a contribuição material que este realiza para a sociedade. Saraiva/2004. Renovar: Rio de Janeiro/2004. contrair obrigações e ser titular de patrimônio próprio. proprietários de quotas ou ações da sociedade. Ricardo Negrão. afetados. – Texto: “A morte da limitada. não dependendo da aprovação dos demais. Neste caso. roteiro A denominação de “sócio” é usada para nomear o membro da sociedade empresária que pode ser pessoa jurídica ou pessoa natural. a cessão da participação societária dependerá da anuência dos demais sócios. 44 do Código Civil. seu ato constitutivo FGV DIREITO RIO 82 . dependerá da aceitação dos outros sócios.

FGV DIREITO RIO 83 .158 §3º do código civil. a responsabilidade de cada sócio é restrita ao valor de suas quotas. pela diferença entre o valor estimado e os parâmetros de mercado”126. efetivamente. os sócios ficam liberados de qualquer responsabilidade. 1.052. dnrc.010 §3º do código civil. deverá preocupar-se em aferir o patrimônio da pessoa jurídica.055. para cuja prática concorreram com a administração da sociedade.31. alguns envolvendo elevado grau de sofisticação jurídica. os sócios respondem pessoal e ilimitadamente pelas dívidas sociais decorrente do ato ilícito. §1º do código civil. pág. celebração dos mais variados contratos empresariais. esta é a sua garantia. 129 art. 127 128 art. 50 do código civil. – LIMITAÇÃO EXPRESSA: É necessária a inserção do termo limitada (ou abreviado “Ltda. 1. mas todos respondem solidariamente pela integralização do capital social” e não apenas por suas quotas.” ) no nome empresarial. art. 9ª edição. b) Por participação em deliberação infringente do contrato social ou da lei. poderá exercer o direito de retirada. sob pena da responsabilidade ilimitada121. 7ª edição. denominado também recesso ou dissidência. desde que expressamente aprovada por ele123.responsabilidade pessoal e solidariamente124. A retirada é o direito do sócio se des- 120 98. Entra o cessionário e sai o que cedeu as quotas. entre elas: – RESPONSABILIDADE LIMITADA DOS SÓCIOS: desde que integralizado o capital social por eles subscrito. “Muitas vezes.057 do código civil. Uma vez integralizado o capital social. De acordo com o art. cisão. “na sociedade limitada. a sociedade limitada tem poucos sócios.080 do código civil. ou mesmo realização de operações societárias. e participam do dia-a-dia do negócio. 1. caso contrário. respondem solidariamente pelo que faltar. Caso não consiga negociar suas quotas.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa denomina-se “contrato social” e seus sócios são chamados de “sócios-quotistas” uma vez que a contribuição para a formação do capital social recebe o nome de “quota”. 1. c) Na qualidade de Administrador . 1.br art. uLHOa cOELHO. josé Edwaldo Tavares in Direito societário. 122 123 124 art. fusão. por meio da aquisição de quotas que se fará mediante uma alteração contratual. art. formaliza-se no contrato a substituição do sócio. O ingresso do sócio na sociedade também poderá ocorrer durante a existência da pessoa jurídica. Renovar/2004. – RESPONSABILIDADE PESSOAL DO SÓCIO: a) Por violação do dever de lealdade: O sócio responde por perdas e danos se aprovar alguma operação de interesse contrário ao da sociedade122. Diante do grande número de sociedades limitadas registradas no país120. a consideração da autonomia da pessoa jurídica importa a impossibilidade de correção da fraude ou do abuso128”. 121 art. pág. – DISSOLUÇÃO PARCIAL. trazendo maior normatização e menor flexibilidade para as limitadas. os interesses dos credores ou terceiros são indevidamente frustrados por manipulação na constituição de pessoas jurídicas.9% dos registros de sociedades. saraiva/2004. Inexistindo oposição de sócio com mais de ¼ do capital social129 e resolvendo a questão referente ao valor da quota. ao contratar com a sociedade limitada. d) Pela superavaliação de bens conferidos à sociedade para integralização do capital social125. solidariamente. Fonte: http://www. visto vez que. estes são de uma mesma família ou conhecidos. Nesses casos. como as de incorporação. 125 126 BORBa.gov. – DIREITO DE RETIRADA: O sócio que não tem mais vontade de continuar na sociedade pode negociar suas quotas com os outros sócios ou junto a terceiros. Normalmente. 1. o Código Civil prevê algumas formalidades. Com a desconsideração.105.017 do código civil. Fábio in curso de Direito comercial. 1. tomando todas as decisões para o desenvolvimento da empresa sem muita formalidade. o terceiro.016 e 1. “Os sócios responderão. Assim. perante credores. e) Responsabilidade ilimitada nos casos de DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA127: A limitação da responsabilidade não traduz a falta de responsabilidade dos sócios.

deve restituir ao remisso as entradas feitas. Os acionistas controladores.072 do código civil.. • Lei n. art.) III . são pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei. assim. na forma do art. b) Sendo a sociedade por prazo determinado e com regência supletiva pelas normas da sociedade simples. 130 art. no silêncio deste. em detrimento do consumidor. os administradores. obstáculo ao ressarcimento de prejuízos causados aos consumidores. previstas em leis especiais: • Código Tributário Nacional: art. tem o dever de integralizar a quota subscrita do capital social. Trata-se da aplicação do princípio constitucional130 que proíbe qualquer pessoa de ser compelida a associar-se ou permanecer associada.º 8. 137 FGV DIREITO RIO 84 . nos casos de impossibilidade de exigência do cumprimento da obrigação principal pelo contribuinte. em outras palavras. para exercer o direito de retirada deverá ser comprovada judicialmente a “justa causa” (não cabe a dissolução parcial por retirada imotivada). Não há. encerramento ou inatividade da pessoa jurídica provocados por má administração. ou expulso. 28. 28136. 1. caso tenha sido alterado o contrato contra a sua vontade. nos termos do compromisso contratual assumido junto aos demais sócios. negociação. de alguma forma. 136 art.) § 5° Também poderá ser desconsiderada a pessoa jurídica sempre que sua personalidade for. O sócio que não cumpre seu dever de integralizar a quota é chamado de sócio remisso140 e poderá ser cobrado pela sociedade. os gerentes e os diretores respondem solidariamente e subsidiariamente. – EXPULSÃO DE SÓCIO132 – LIQUIDAÇÃO DOS HAVERES: será apurada por meio de balanço especial.077 do código civil. 1. chamado de “balanço especial de determinação” e deverá levar em consideração o patrimônio empresarial da sociedade. ou aprovada a participação da limitada em incorporação ou fusão131. O juiz poderá desconsiderar a personalidade jurídica da sociedade quando. ou seja.. por ato unilateral de vontade. fato ou ato ilícito ou violação dos estatutos ou contrato social. No caso da sociedade decidir por expulsá-lo. reservas sociais etc. o sócio contrai a obrigação de “investir”. assegura ao sócio o direito de retirar-se. 1. por dolo ou culpa.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa ligar dos vínculos que o une aos demais sócios e à sociedade. com seus bens pessoais. art. art. contrato social ou estatutos: (. 134.os diretores. VII134 e 135. cláusula penal expressamente prevista no contrato social. a) O art. art. seja na sua formação ou numa já constituída.. no caso de liquidação de sociedade de pessoas. 1. Desta forma. • Lei n. infração da lei. mediante prévia notificação aos demais sócios com antecedência de 60 dias. 134. • Lei n. III135.) VII . a desconsideração também será efetivada quando houver falência. estado de insolvência.620/1993 (altera dispositivos da legislação previdenciária) : art.. Consagra a regra do “recesso imotivado” na sociedade por prazo indeterminado.º 8.085 do código civil. houver abuso de direito. XX da constituição Federal da República de 1988.029 está inserido no capítulo das sociedades simples e aplica-se à sociedade limitada em não havendo disposição contratual em sentido contrário (regência supletiva pelas normas da sociedade simples).. apurados de acordo com o contrato social ou. a qualquer tempo. Em se tratando da sociedade limitada com regência supletiva pelas normas da sociedade por ações. O exercício do direito de retirada (ou recesso) assegura ao sócio retirante o recebimento de seus haveres. o direito de retirada só pode acontecer de “forma motivada”. 131 132 133 134 art. quanto ao inadimplemento das obrigações para com a seguridade social.º 8.. 135. e despesas. O titular da firma individual e os sócios das empresas por cotas de responsabilidade limitada respondem solidariamente. 4º139 dever dos sócios Ao ingressar na sociedade. respondem solidariamente com este nos atos em que intervierem ou pelas omissões de que forem responsáveis: (. • Lei n. 5º.031 do Código Civil. 1. será um balanço empresarial. adotando perfil capitalista.078/1990 (Código de Política Nacional das Relações de Consumo): art. (. 13137.º 9. parágrafo único. em juízo. Isto é exemplo do mecanismo dos atos de constituição de pessoa jurídica. que envolve elementos incorpóreos ou imateriais do fundo de empresa. 135 art. com seus bens pessoais..884/1994 (dispõe sobre a prevenção e a repressão às infrações contra a ordem econômica): art 18138. deduzidas as quantias correspondentes aos juros de mora. 13. pelos débitos junto à seguridade social. c) O “recesso motivado” cabe sempre que o sócio minoritário discorda de deliberação da maioria. gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. excesso de poder.605/1998 (dispõe sobre as sanções penais e administrativas derivadas de condutas e atividades lesivas ao meio ambiente): art.os sócios. – DELIBERAÇÕES DOS SÓCIOS133 Exceções à regra da responsabilidade limitada dos sócios.

Recurso especial a que se dá provimento. a personalidade jurídica do responsável por infração da ordem econômica poderá ser desconsiderada quando houver da parte deste abuso de direito. FGV DIREITO RIO 85 . como por exemplo: participar do resultado social. Caso gerador Camila é credora da Moto Racing Ltda. 1. situações que acarretam a responsabilidade subsidiária dos representantes da sociedade. NEM EM TESE. POR SI SÓ. pois ela não deve ser assim visualizada.000. julg. haverá direito de reembolso de suas quotas? 138 JurisprudênCia TRIBUTÁRIO. Pablo é o administrador da sociedade. Teori Albino Zavascki. 4º poderá ser desconsiderada a pessoa jurídica sempre que sua personalidade for obstáculo ao ressarcimento de prejuízos causados à qualidade do meio ambiente.2006. DE SITUAÇÃO QUE ACARRETA A RESPONSABILIDADE SUBSIDIÁRIA DOS SÓCIOS. Desse modo. assim. Em virtude dessa decisão. por si sós. fixando residência em Matchu Pitchu. fato ou ato ilícito ou violação dos estatutos ou contrato social. Não pode tratar “como a minha empresa”. Rel. encerramento ou inatividade da pessoa jurídica provocados por má administração. a) Camila poderá alcançar o patrimônio pessoal dos sócios? b) Nessa mesma sociedade. Neste caso. 1. Analisando o quadro societário. a desconsideração também será efetivada quando houver falência. PROCESSUAL CIVIL. mas sim como um foco irradiador de riquezas. excesso de poder. 139 art. é o contrato social que defini como se dará a distribuição dos lucros. RESPONSABILIZAÇÃO PESSOAL. direitos do sócio Por participarem do capital social. a sociedade não tem bens suficientes para a satisfação da obrigação. contribuir para as deliberações sociais e retirar-se da sociedade.00. DJ 30. 140 art. os mecanismos especiais de fiscalização da administração e hipóteses de retirada. estado de insolvência. aos ditames da função social da empresa. Artur e Daniel têm participação no capital social da seguinte forma: Pablo (40%). Primeira Turma. infração da lei.2006 p. atendendo. 2. EXECUÇÃO FISCAL. Segundo a jurisprudência do STJ.06. Qual será a consulta? c) Daniel terá direito a receber algo? d) Caso Daniel não tenha integralizado o valor referente as suas quotas. (REsp 831. SÓCIO-GERENTE. Intentada ação de execução. fiscalizar a gestão da empresa. a simples falta de pagamento do tributo e a inexistência de bens penhoráveis no patrimônio da devedora (sociedade por quotas de responsabilidade limitada) não configuram. Artur (30%) e Daniel (30%).380/SP. verifica-se que os sócios Pablo. parcialmente integralizado. Min. 192) art. extremamente importante à manutenção e desenvolvimento da economia. 20. na quantia de R$ 120. Daniel se apaixona por uma senhora de nacionalidade paraguaia e resolve se mudar para o Peru. nem em tese. comunica que não pretende mais permanecer associado. NÃO-CONFIGURAÇÃO. O capital social da sociedade é de R$ 100.06.004 do código civil.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa O sócio também terá responsabilidade para com a sociedade e para com a coletividade por ela alcançada. você é procurado por Daniel.000.00. com a proposição de que sua atual paixão está disposta a pagar o que for para vê-lo livre de todas as suas obrigações no Brasil. os sócios adquirem direitos inerentes a esta condição. 18.

Apenas em casos previstos em lei deve ser aplicada a responsabilização secundária.05. 3. Por isso. 4. EXECUÇÃO. (REsp 800. 135. Recurso especial provido. INVENTÁRIO. Rel. Francisco Peçanha Martins.04. DJ 23. Min. A empresa que deixa de funcionar no endereço indicado no contrato social arquivado na junta comercial. 20. 25. p/ Acórdão Min.2004. ou subsidiária. julg. os bens do sócio não respondem por dívidas da sociedade. PENHORA DAS QUOTAS SOCIAIS.08. DO CTN. ADMINISTRAÇÃO DA SOCIEDADE EMPRESÁRIA. PERTENCENTES AOS SÓCIOS. 1. 3. Tais artigos contêm norma em branco. o patrimônio dos sócios não responde por dívidas da sociedade. – A solução de controvérsias a respeito dos efeitos da cessão mortis causa de quotas na administração da sociedade empresária é matéria estranha ao Juízo do inventário. 592. PREVISTA EM LEI.2006. OU SUBSIDIÁRIA. DJ 15. 05. CESSÃO DE QUOTAS CAUSA MORTIS. DJ 12. julg.2006. Rel. autorizando-se o redirecionamento. RECURSO ESPECIAL – DÍVIDA DE SOCIEDADE LIMITADA – EXECUÇÃO FRUSTRADA – REDIRECIONAMENTO AOS BENS DE SÓCIO – ARTS. ESTADO DE SÓCIO. – A transmissão da herança não implica a transmissão do estado de sócio. Humberto Gomes de Barros.611/MA. 200) DIREITO EMPRESARIAL E PROCESSUAL CIVIL.04. 117) RECURSO ESPECIAL.08. 06.06.04.2006 p. julg. Min. 2. Quando a sociedade por cotas de responsabilidade limitada dissolve-se irregularmente. IMPOSSIBILIDADE. Normalmente. impõe-se a responsabilidade tributária do sócio gerente. DJ 02. e 596 do CPC. (REsp 537. II. Recurso especial conhecido e provido. A desconsideração da personalidade jurídica é artifício destinado à profilaxia e terapêutica da fraude à lei. Por isso é que em ambos existe a expressão “nos termos da lei”. II. 592. Rel. E 596 DO CPC – RESPONSABILIZAÇÃO SECUNDÁRIA. 482). Imposição da responsabilidade solidária.081/TO. desaparecendo sem deixar nova direção é presumivelmente considerada como desativada ou irregularmente extinta.2006 p.2006 p. Terceira Turma. Min. Terceira Turma.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa PROCESSO CIVIL E TRIBUTÁRIO – EXECUÇÃO FISCAL – SÓCIO GERENTE – REDIRECIONAMENTO – INTERPRETAÇÃO DO ART. julg.865/SP.2004 p. 230). INEXISTÊNCIA DE QUALQUER HIPÓTESE QUE AUTORIZE A CONFUSÃO DOS PATRIMÔNIOS. DÍVIDA DA SOCIEDADE DE RESPONSABILIDADE LIMITADA. QUE EXIGE SITUAÇÃO ESPECÍFICA. vinculada a outro texto legal. 4. FGV DIREITO RIO 86 . 2. Não podem – e não devem – ser aplicados de forma solitária. Min. (REsp 757.06. Nancy Andrighi. Eliana Calmon.039/PR. Rel. estabelecida nos Arts. Terceira Turma. (REsp 401. Rel. – Salvo em hipóteses taxativamente previstas em lei. INCISO III. Humberto Gomes De Barros. não é lícita a penhora das quotas sociais em execução movida contra a pessoa jurídica. Segunda Turma.2006. 1.

001. que o contrato social não pode nulificar ou obstruir.Pretendendo-se a dissolução parcial da sociedade. e não da empresa apelada. Tem ela impostergável direito de recesso. embora a matéria seja de direito e de fato. Provimento do recurso. nem partilha dos seus bens. TEORIA DA PRESERVAÇÃO DA EMPRESA. verificado em balanço especial.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa DIREITO DE EMPRESA. a fase instrutória já se encerrou. §§1º e 3º. se a dívida foi contraída pelo falecido. Antonio Saldanha Palheiro – Julgamento: 06/06/2006 – Quinta Câmara Cível. incluindo os bens corpóreos e incorpóreos. ADUZINDO A IMPOSSIBILIDADE DA DISSOLUÇÃO PARCIAL DE SOCIEDADE COMPOSTA POR APENAS DOIS SÓCIOS. (2005. do CPC. EXECUÇÃO PROMOVIDA CONTRA ESPÓLIO. EM RAZÃO DE DIVIDA CONTRAÌDA PELO DE CUJUS.52831 – Apelação Cível. ainda que provisoriamente.Princípio da causa madura para julgamento.001. sem prejuízo de encetar uma nova sociedade para desenvolver a empresa no prazo da lei – artigo 1033. 1. 7. do CC/2002. 8. em hipótese alguma o imóvel deixará de pertencer à empresa apelada Não se pode confundir a pessoa jurídica da empresa. UNIPESSOALIDADE INCIDENTAL TEMPORÁRIA. pelo contrato social. IV. legitima a dissolução parcial da pessoa jurídica. TJ/RJ).No caso. No caso. 3.A quebra da affectio societatis. grifamos EMBARGOS DE TERCEIRO. Desprovimento do recurso. da qual o espólio detém cotas.O balanço especial deve refletir um levantamento contemporâneo. se. a empresa poderá ser preservada atuando o sócio remanescente.artigo 1031 do CC/ 2002. (2006. pois o que se está executando é o acordo firmado entre aquele e o ora apelante. não pode a penhora recair sobre bem dessa.A apelante não está obrigada a permanecer associada contra sua vontade.Vedada a estipulação contratual que exclua qualquer sócio de participar dos lucros e das perdas – artigo 288 do Código Comercial e 1008 do Código Civil de 2002. A este último só faz jus o sócio que se dedicar à administração social. PENHORA DE BEM IMÓVEL PERTENCENTE À EMPRESA DA QUAL O FALECIDO ERA SÓCIO MAJORITÁRIO. Em que pese o débito ter sido constituído pelo sócio majoritário da apelada. aproximando-se do resultado que poderia ser obtido com a dissolução total. 2. 6. SOCIEDADE POR COTA DE RESPONSABILIDADE LIMITADA CONSTITUÍDA POR DOIS SÓCIOS. conseqüentemente.Não há que se confundir lucro com pro labore. 5. e. como condição de existência do contrato de sociedade. do qual não fez parte a recorrida. TJ/RJ). Comprovado está que a dívida é do Espólio. e não os da empresa da qual era sócio. Des. Sergio Lucio Cruz – Julgamento: 01/02/2006 – Décima Quinta Câmara Cível.18077 – Apelação Cível. o valor das quotas. já que os bens da sociedade por cotas de responsabilidade limitada não se comunicam com os adquiridos pela pessoa física de seus sócios.artigo 515. DISSOLUÇÃO PARCIAL COM APURAÇÃO DE HAVERES. POSSIBILIDADE. 4. a morte de um dos sócios não acarreta sua dissolução da sociedade. são seus bens que devem garantir a execução. RECESSO DO SÓCIO MINORITÁRIO. Assim. com a pessoa de seu falecido sócio. SENTENÇA DE IMPROCEDÊNCIA. grifamos FGV DIREITO RIO 87 . como empresário individual. autorizando o julgamento do mérito da causa . liquidar-se-á com base nos valores reais da situação patrimonial da sociedade à data da resolução . Des.

Isto geraria segurança e certeza no exercício da atividade econômica privada. Como a CLT não inclui sócio como empregador. já era. que tornaria responsáveis pelas dívidas tributárias não somente os administradores faltosos. há louco para tudo. o Novo Código Civil (NCC) mudou o regime anterior. mesmo os minoritários. por Haroldo malheiros Duclerc Verçosa (mestre. Na minha família se alguém resolver abrir uma empresa eu vou procurar interditá-lo por prodigalidade. Doutor em Direito comercial e professor da Faculdade de Direito da usp). Mas cuidado. o que se dá pela escolha de um mecanismo de exploração da atividade mercantil que permitisse salvar uma parte do patrimônio no caso da perda da empresa. sendo-lhe penoso até mesmo pagar um contador que cuide de sua escrita. Um dia alguém no Fisco ouviu falar de uma tal de “desconsideração da personalidade jurídica”. Mas a bendita da “desconsideração” também foi descoberta pelos advogados dos empregados e acolhida festivamente pelos tribunais Gazeta mercantil em 30. pequenas e médias empresas mal conseguem sobreviver. por ignorância dos seus direitos. 141 FGV DIREITO RIO 88 . agora a cargo do NCC. tendo passado a exigir uma formalidade antes desnecessária. o regime das limitadas seria justamente . iniciam uma empresa mercantil. Poucas empresas passam dos cinco anos de vida e um número bem menor delas chega a completar dez anos. que corresponde a um patrimônio separado dentro do patrimônio geral..03. arrostando todos os perigos. o Fisco. A Justiça do Trabalho também veio a trilhar o mesmo caminho da desconsideração da personalidade jurídica.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa teXto: a morte da Limitada. Ledo engano! Em primeiro lugar os empresários têm um sócio que é um verdadeiro “encosto”. deveriam acatar a construção da limitada tal como definidos pelo legislador. Outra forma de correr riscos menores está na escolha de um tipo societário no qual a responsabilidade do sócio seja limitada. Ora. não sendo encontrados bens no patrimônio da sociedade.708/19. Então elas são oneradas até mais do que deveriam. Mas não é somente isto. ao cuidar da responsabilidade pessoal dos sócios. mas também os sócios.. Para isto elas foram criadas. Para o empresário (individual) existe o favor do bem de família. basta agitar a varinha mágica da desconsideração que os sócios são apanhados na rede tal peixes em aquário. quanto mais fazerem planejamento fiscal.quem diria! . na falta de norma específica. Desta maneira. pequenas e médias empresas optam pela sociedade limitada que tem um custo mais barato e na qual a responsabilidade máxima corresponde ao montante do capital social. o fisCo e a Justiça141 Significativa parte da economia gira em torno da iniciativa privada. salvaguardando os bens mínimos necessários a uma vida com razoável dignidade. Micros. Bem. Vou ficar com o exemplo dos empresários e das sociedades empresárias (os antigos comerciantes individuais e as sociedades comerciais) que separam uma parte do seu patrimônio e. Veja-se que o perfil jurídico das limitadas era dado pelo Decreto 3. Os perigos não são poucos.o de uma responsabilidade limitada. Toma o que pode e não dá nada em troca. os outros ramos do direito. o regime jurídico deste deve ser remetido para as normas que cuidam do tipo societário correspondente. Veja-se que. O “peixe” foi bem vendido ao Judiciário e de lá para cá. pelo menos ele teria o direito de minimizar o seu risco. Bastaria aos sócios cuidar que o capital da sociedade estivesse sempre integralizado para que não sofressem qualquer tipo de responsabilidade patrimonial. Legal & jurisprudência. segundo a CLT.2004. As micros. quem responde pelas obrigações trabalhistas é o “empregador” (artigo 2º). Mas se existe uma vocação irresistível para ser empresário. Quem dormir no ponto.

FGV DIREITO RIO 89 . E o NCC a acatou claramente no artigo 50. Por sua vez. pois tal criação jurídica foi reconhecida como instrumental ou finalística.que. artigos 102 a 113 e NCC. artigos 158 a 167). Quanto ao Direito Tributário. locupletando-se alguém por trás dela à custa dos empregados e de outros credores. a sociedade não pague ou não indique bens à penhora para ter lugar a desconsideração imediatamente. Estas têm um tratamento próprio na qualidade de defeitos do ato jurídico.em uma presunção absoluta na Justiça do Trabalho . que são anuláveis (CCiB. na análise do caso concreto poderia determinar o não reconhecimento da personalidade jurídica. quando vier a ocorrer “desvio de finalidade ou confusão patrimonial”. Mas também neste campo tem operado fartamente a desconsideração da personalidade jurídica às vezes tão somente pelo fato de que um sócio tem participação mínima no capital. indicando a presença de uma sociedade mercantil . Não ter bens para pagar significa . o que seria prova de simulação no disfarce de um comerciante individual em sociedade. quando não há distinção efetiva entre o patrimônio da sociedade e o dos sócios ou de algum deles. Isto que dizer que a personalidade jurídica deveria ater-se ao regime estabelecido pelo direito. Desvio de finalidade consiste justamente na utilização da sociedade para fins estranhos à sua criação. até mesmo a sua morte como instrumento apto ao exercício da empresa mercantil. o artigo 135 estabelece que os administradores ou representantes da pessoa jurídica respondem diante de atos praticados com excesso de poderes ou infração da lei. É só pedir.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa trabalhistas. É a mesma coisa que abrir as entranhas da galinha dos ovos de ouro e pegar o que ali encontrar. A idéia acima sempre permeou a boa doutrina e a melhor jurisprudência. Mas vale preservar uma empresa com um pouco de sacrifício de todos do que privilegiar alguns extinguindo uma unidade produtiva. verificada na liquidação de sociedade. efetivamente exercesse uma atividade econômica distribuindo aos sócios os lucros correspondentes. As “soluções” acima referidas nos dois campos do direito acabaram por levar a sociedade limitada a um completo descrédito. a desconsideração da personalidade jurídica não é e nem nunca foi uma panacéia para salvar credores. Era uma doutrina que “levantava o véu da sociedade” sempre que a personalidade jurídica concedida pelo legislador fosse utilizada de forma inadequada. Portanto. contrato social ou estatutos. E com a “penhora on line” a festa ficou completa. no CTN existe apenas uma menção à responsabilidade dos sócios no artigo 134. o sócio pelo simples fato de ser sócio não é responsável tributário. ao referir-se ao “abuso da personalidade jurídica”. matando-a. tendo-se como parâmetro o objeto social estabelecido no contrato social. Na verdade. Este é o espírito da nova Lei de Falências. citada. por meio dos seus órgãos. Os juízes precisam começar a pensar na eficiência de suas decisões dentro de um horizonte macroeconômico. A teoria da desconsideração da personalidade jurídica não inclui a simulação e a fraude. ao invés de deixar que ela ponha um ovo por dia. O direito. por sua vez. Confusão patrimonial dá-se. sem qualquer fundamento. portanto. Basta que. Estas hipóteses somente são suscetíveis de realização por quem administra a sociedade e não por quem seja somente sócio. Este é o limite de atuação da sociedade no mundo do direito.que a sociedade foi utilizada indevidamente.

(C) patrimonial de suas quotas na data do efetivo pagamento. na hipótese de retirada ou exclusão de sócio.DEZEMBRO/2007 22ª Questão: Joaquim Silva e José Xavier constituem uma sociedade limitada para que esta exerça a atividade empresarial de venda de materiais de construção. (B) econômico de suas quotas à data da resolução. a) O patrimônio de Ferragem Inconfidência Ltda. seus haveres sociais serão pagos de acordo com o critério do valor. 22º EXAME DA ORDEM DOS ADVOGADOS DO RIO DE JANEIRO . PROVA OAB/RS . apurado em perícia judicial. Para desenvolver sua atividade.PROVA OBJETIVA. 4 . que adota o nome empresarial Ferragem Inconfidência Ltda. assinale a assertiva correta. (VALOR: UM PONTO E MEIO). e não havendo previsão contratual a respeito.PROVA DISCURSIVA. TIPO 1. Resolvendo-se o vínculo de um sócio com a sociedade empresária de que faz parte. por não expressar o último balanço a realidade patrimonial da empresa. 2ª FASE. é acolhível a alegação do retirante ou excluído de que a apuração. b) O patrimônio pessoal de Joaquim e José pode ser usado para a satisfação de quaisquer débitos contraídos pela sociedade. 2ª QUESTÃO: Dispondo o contrato social que. 2ª Prova Específica. responderá pela satisfação de todos e quaisquer débitos contraídos pela sociedade. além de estabelecer relação com uma rede de fornecedores. uma vez esgotado o patrimônio desta. conforme a cotação em bolsa de valores. Sobre este caso. A sociedade. deverá fazer-se de outra forma? Fundamente a resposta. apurado em balanço especial. teve seus atos constitutivos devidamente arquivados perante a Junta Comercial. apurado em balanço especial. FGV DIREITO RIO 90 .ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa Questões de ConCurso 125º EXAME DA ORDEM DOS ADVOGADOS DE SÃO PAULO .. seus haveres serão pagos com base no último balanço levantado. DIREITO COMERCIAL. c) Esta sociedade adquiriu personalidade jurídica no momento em que os sócios assinaram o contrato social. (A) patrimonial de suas quotas na data da resolução. 45. (D) econômico de suas quotas na data do efetivo pagamento. d) Joaquim Silva e José Xavier são empresários.O sócio de responsabilidade ilimitada que tenha sido admitido na sociedade por cessão de sócio retirante responde solidariamente com o cedente pelas obrigações existentes à época da cessão? XXXIX CONCURSO PARA INGRESSO NA MAGISTRATURA DE CARREIRA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO. DIREITO COMERCIAL. enquanto não estiver esgotado. a sociedade realiza a contratação de empregados e aluga uma loja em área de grande movimento de pedestres.EXAME DE ORDEM .

assim: Devem prevalecer os valores do último balanço. a exclusividade adquirida para venda de produtos. FGV DIREITO RIO 91 . EXAMINADOR: DES. devendo haver avaliação. ERNANE FIDELIS. OBJETIVA. ? E as reservas de capital.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa CONCURSO PARA INGRESSO NA MAGISTRATURA DO ESTADO DE MINAS GERAIS (2003/2004) – PROVA SUBJETIVA DE DIREITO COMERCIAL. O excluído provou. por deliberação da maioria. ou se calcula o valor da quota social. Questão 2. no caso em que ocorra a retirada de sócios. bem como as reservas de capital que seriam volumosas. novo ponto comercial. a coerência da decisão e não apenas o resultado apresentado. incluem-se na apuração de haveres? Observação: Esta questão tem o objetivo de avaliar o senso jurídico do candidato. a apuração da respectiva quota atenderia o valor do último balanço. novo ponto comercial. Indaga-se. inclusive levando-se em conta certos bens imateriais adquiridos no curso da atividade da empresa. etc. Prevê o contrato social que. como. como a exclusividade de comercialização de produtos famosos. nos moldes contratuais. levando-se em conta a própria evolução positiva da empresa no mercado. que os valores convencionais do balanço eram bem inferiores à realidade e pretendeu que a apuração se fizesse pelo efetivo valor patrimonial da empresa e não apenas pelo escritural. por exemplo. porém.

Já nas sociedades “de capitais”. ementário de temas – A classificação da sociedade limitada como: • de pessoas e de capital. Vol. Fabio Ulhoa Coelho. Nesta aula discutiremos a leitura do(s) seguinte(s) capítulo(s): – Páginas 358 a 360 do Manual de Direito Comercial e de Empresa. Saraiva: São Paulo/2004. pág. já a sociedade anônima. Fabio ulhoa in curso de Direito comercial. o aspecto relevante é objeto da sociedade (visão capitalista) e não a figura do sócio. uma vez que sua constituição baseia-se no relacionamento e vínculo existentes entre os sócios . Sua criação é. diante de sua natureza capitalista. mesmo no caso das companhias fechadas. para atender ao interesse aos pequenos e médios empreendedores. recente e decorre da iniciativa de parlamentares. 5ª edição. por exemplo. a alienação de ações não pode ficar adstrita à anuência dos demais sócios. Ricardo Negrão. 7ª edição. Renovar/2005. na exploração de atividade econômica. tendo como regra.366. A sociedade simples. Aprendemos que as sociedades “de pessoas” são aquelas nas quais a pessoa do sócio se reveste de extrema relevância. Saraiva: São Paulo/2005. saraiva/2004. portanto.II. nem se sujeitar à prévia autorização governamental”142. em relação às demais sociedades. será sempre “de pessoas”. a livre participação societária e a facilidade de se verificar uma grande mutabilidade dos sócios. Sérgio Campinho. será sempre “de capital”. Leitura CompLementar – Páginas 149 a 154 e 266 a 275 de O Direito de Empresa à luz do novo Código Civil. • nacional e estrangeira. mas sem atender às complexas formalidades destas. • simples e empresária. da limitação da responsabilidade típica das anônimas. Nesta. FGV DIREITO RIO 92 . – Páginas 367 a 378 do Curso de Direito Comercial vol. roteiro de auLa “de pessoas” e “de capital”. “na medida em que eventual limitação estatutária à circulação de ações não 142 cOELHO. 7ª edição. que queriam beneficiar-se. • holding.“affectio societatis” pessoal.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa AUlA 12: A ClASSIfICAÇÃO DA SOCIEDADE lIMItADA “A sociedade limitada – anteriormente chamada sociedade por quotas de responsabilidade limitada – tem uma história pequena e pobre.II.

pág. mas que poderá adotar o modelo “LIMITADA” ou “SIMPLES” (art. juntamente com o capital. com as regras das sociedades anônimas (art. mão de obra e organização. a atividade intelectual estará absorvida pela estrutura organizacional. total ou parcialmente. independentemente de audiência dos outros.057 do Código Civil estabelece que. Este exemplo é típico de uma sociedade simples. uma vez que o art. do Código Civil. nacional e estrangeira A personalidade jurídica da sociedade estrangeira145 é reconhecida conforme dispõe o art. constituindo o elemento de empresa144. 45. que a definirá como sociedade “de pessoas” ou “de capital”. expressa através das cláusulas do contrato social. atendimentos e consultas por outros médicos. o estatuto da sociedade anônima fechada pode prever o direito de preferência. como veremos a seguir: Vejamos o caso de dois médicos que se unem e montam um consultório para. 146 FGV DIREITO RIO 93 .134 a 1. Importante lembrar que se não for possível definir qual a natureza da sociedade limitada. basicamente.09. se o consultório oferecer também exames clínicos laboratoriais. por meio de requerimento dirigido ao ministério do Desenvolvimento. a limitada como uma sociedade “de pessoas”. simples e empresária Na sociedade limitada empresária. Indústria e comércio Exterior. in fine. 966 do código civil. os sócios exercem profissionalmente atividade econômica organizada para a produção ou circulação de bens ou de serviços. configurando o elemento de empresa. explorarem atividade intelectual relacionada aos seus conhecimentos científicos na área médica. ela não possui sempre a mesma natureza.370. 1. através de consultas particulares. todas direcionadas à “cessão de quotas”: a) morte de sócio (sucessão).99. b) alienação de quotas e c) penhora de quotas. a quem seja sócio. se não houver oposição de titulares de mais de um quarto do capital social”. a menos que o contrato social disponha de forma diferente. Op. No máximo. 1. São três.150). 1. mesmo após a análise do ato constitutivo. Esta sociedade será empresária e poderá adotar o modelo “LIMITADA” com as regras da sociedade simples ou. Seus atos constitutivos são arquivados na Junta Comercial (art. ou a estranho. ela será considerada como “de pessoas”. em função dos atributos pessoais do eventual adquirente”143. 1º da Instrução normativa n° 81 de 25. protocolado no Departamento nacional de Registro do comércio – DnRc. sendo a vontade dos sócios.142 do código civil. 1. Continuando com o exemplo dos médicos. art. que é diferente do direito de aprovar ou vetar a alienação das ações. arts. 997 e seguintes do CC). A atividade intelectual será elemento de empresa quando estiver absorvida pela estrutura organizacional da sociedade empresária e fará parte dos fatores de produção. No caso da sociedade limitada. contudo não podem se estabelecer no Brasil sem a autorização do Poder Executivo Federal146.053 CC). conceituando. aplicação de vacinas e outros serviços ao público em geral. supletivamente.cit. As sociedades estrangeiras são constituídas e organizadas em conformidade com a legislação do país de origem onde mantém sua sede 143 144 145 cOELHO. neste caso será chamada de “simples pura”. em regra. conforme art. A sociedade limitada poderá se “apresentar” como SOCIEDADE LIMITADA SIMPLES ou SOCIEDADE LIMITADA EMPRESÁRIA.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa poderia significar a sujeição da venda destas à anuência dos outros acionistas. as cláusulas do contrato social que dispõem sobre a natureza da sociedade. “o sócio pode ceder sua quota.

DnRc. arts.º IN 81/99 do DNRC151. Indústria e comércio. para tanto. dependendo de autorização.627/40.134). II . desde que devidamente autorizada pelo Poder Executivo brasileiro (art. Este tema causou polêmica no meio art. constituída por sociedade empresária. deverá apresentar os seguintes documentos: I . ficando sujeitas à lei brasileira.133 do código civil. 7º qualquer alteração que a sociedade mercantil estrangeira autorizada a funcionar no país faça no seu contrato ou estatuto.134 do Código Civil. protocolizado no Departamento nacional de Registro do comércio . As sociedades estrangeiras podem operar no Brasil: – atuando de forma direta.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa administrativa. para produzir efeitos no território brasileiro. 11. agências ou estabelecimentos de sociedade anônima estrangeira. – como sociedade anônima. As sociedades nacionais149 são as organizadas e registradas em conformidade com a lei brasileira. filiais. residentes na Rússia. possui simples estrutura. 300 da Lei n° 6. – como acionista de sociedade anônima brasileira (parte final do art.126 a 1.134). 64 e seguintes do Decreto-Lei n° 2. A sociedade estrangeira. Será nacional a sociedade constituída com capital de origem árabe. solicitando a devida aprovação. art.guia de recolhimento do preço do serviço. agências ou estabelecimentos antes de serem os atos constitutivos aprovados pelo Governo brasileiro.404/76. art. a sociedade limitada é a preferida dos investidores estrangeiros. – atuando de forma indireta. a origem do capital (desde que lícita). dependerá de aprovação do Governo Federal e. como as sociedades e as fundações. 1. 84 – inciso IV da constituição Federal de 1988.139 do Código Civil e art. entretanto. algumas são específicas para sócios residentes no exterior: a) devem nomear um procurador residente no Brasil que se responsabilize perante as autoridades locais pela sua participação152. É indiferente a nacionalidade e o domicílio dos sócios e acionistas (mesmo de seus controladores). por meio de coligada ou joint-ventures. FGV DIREITO RIO 94 . Em caso de modificações de quaisquer condições e em caso de modificação dos atos constitutivos da matriz. b) não podem exercer a administração da sociedade. e III . 7.requerimento ao ministro de Estado do Desenvolvimento. 98 e 99 da Lei n. com a sede de sua administração no Brasil e seus negócios jurídicos realizados em obediência aos ditames legais brasileiros. por sócios chineses. § 1º não poderão. normalmente.815/80 – Estatuto do Estrangeiro. 1.138 do código civil. 151 152 153 art. 1. Nessa seara. ressalvadas as hipóteses legais em que vigoram restrições e impedimentos (veremos logo abaixo algumas restrições). por parte dos investidores estrangeiros. deverá desenvolver suas atividades atendendo especificamente as condições estabelecidas no decreto que a autorizou. registrada e com sede em Portugal.657/42): art. 148 arts. uma vez instalada no Brasil. 1. ou.ato de deliberação que promoveu a alteração. 1. 149 150 na forma do art. c) na hipótese de integralização de quotas em bens. pois. art. Entre as características da sociedade limitada.141. Lei de Introdução ao código civil (Decreto-lei 4. ter no Brasil filiais. haveria uma suposta proibição à participação de sociedades estrangeiras em sociedades limitadas brasileiras. regendo-se pelas normas deste país148. as organizações destinadas a fins de interesse coletivo. polêmica (in)justificada Em função do art. mas devem nomear a tal fim um administrador residente no Brasil153. organização e funcionamento. obedecem à lei do Estado em que se constituírem. 1.134 a 1. por sócios brasileiros e residentes no Brasil. Será estrangeira a sociedade constituída com capital de origem brasileira. como já vimos. 1. mas com sede administrativa no Brasil e segundo as leis brasileiras. mediante processo de nacionalização.141 do código civil e Instrução normativa n° 81/99 do DnRc.º 6. Diante da rigidez nas formalidades previstas para a sociedade estrangeira além da delonga para sua autorização. os mesmos deverão ter sido regularmente importados. um novo decreto de autorização deve ser requerido – art. por meio de sucursais150. conforme dispositivo do art. o quê gera menos despesas se comparadas às sociedades anônimas. elas são consideradas inviáveis para investimento. 1.

406 de 2002.º 126/03 . administração por pessoa natural. enquanto sócio.178 sociedades limitadas no Brasil enquanto que. como regra geral. onde a lei especialmente requerer que. a mudança diz respeito aos direitos e deveres do investidor estrangeiro. a atuação das sociedades estrangeiras no Brasil estava regulada apenas por duas normas. em determinadas atividades.832.dnrc.pdf 154 FGV DIREITO RIO 95 . dentre os princípios traçados pela Constituição Federal. enquanto sócias. de responsabilidade limitada.gov. Estas mudanças afetam sobretudo as sociedades por quotas. salvo os casos especiais. teXto: o noVo Código CiViL e as soCiedades estrangeiras José gabriel assis de almeida sócio de siqueira Castro – advogados e advogado inscrito no rio de Janeiro e são paulo (brasil). reconheceu a viabilidade de ser constituída uma sociedade limitada que tenha pessoa jurídica estrangeira como sócia. os artigos 60 e 64 a 72 do Decreto Lei 2. No dia 11 de Janeiro de 2003.DnRc: Ingresso de sócia pessoa jurídica estrangeira em sociedade limitada. inúmeras sociedades estrangeiras existentes poderiam ser consideradas em situação irregular. de sociedades brasileiras. no Brasil. no mesmo período. A primeira. Uma vez que o investimento estrangeiro se realiza sobretudo através da participação do investidor. empresas devidamente organizadas e existentes segundo as leis brasileiras não podem. que aliás passam a denominar-se apenas sociedades limitadas. foram constituídas apenas 17. Por um lado. cabe lembrar que entre 1985 e 2001 foram constituídas 3. de sociedades brasileiras.br/pareceres/arquivos/pa126. de sociedades no Brasil. Agora.627 de 1940. por meio do Parecer Jurídico 126/03154. a atual Lei das Sociedades por Ações.404/76. A segunda. a antiga Lei das Sociedades por Ações. O presente texto visa analisar essas mudanças do ponto de vista do impacto que podem ter para os investidores estrangeiros. Disponível em: http://www. Por outro lado. Legitimidade de representação. da sociedade brasileira. nada impede que uma empresa estrangeira participe de uma sociedade constituída no País. o NCC veio regulamentar a atuação das sociedades estrangeiras parecer jurídico n. novo Código Civil brasileiro (Lei 10. enquanto sócio. as regras relativas à possibilidade de participação de sociedades estrangeiras. Possibilidade de participação de sociedades estrangeiras. Lisboa (portugal) e paris (frança) doutor em direito pela universidade de paris ii professor da uni-rio e da univ. das sociedades limitadas (designação do NCC para as sociedades por quotas de responsabilidade limitada). Até agora. de ora em diante NCC) entrou em vigor. facil. Portanto. Se tal proibição existisse. mantidos em vigor pela Lei 6.657 de 1942). a Lei de Introdução ao Código Civil (Decreto-Lei 4. o tipo societário seja o de sociedade anônima”. Estas mudanças dizem respeito a dois aspectos fundamentais. será sobre este tipo de sociedades que a presente análise será realizada (a título de esclarecimento.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa jurídico até que o DNRC. que são titulares de uma participação no capital social. enquanto sócias. sem contar o fato de que novas limitadas não poderiam ser criadas tendo sociedades estrangeiras como sócias. O principal argumento do DNRC é de ordem constitucional: “De mais a mais.795 sociedades anônimas). Candido mendes Introdução. sofrer qualquer discriminação fundada na nacionalidade de seus sócios. O NCC traz profundas mudanças no regime das sociedades.

e não apenas de sociedade anônima brasileira. às sociedades anônimas. enquanto sócia. tomem uma simples precaução. Com efeito.627. sem autorização do Governo Federal. de responsabilidade limitada ou ainda enquanto sócias de outros tipos societários. 1. não pode. além da sociedade anônima. cabe esclarecer que o art.” Uma primeira leitura do art. simplesmente. na qualidade de sócia. no período que se seguiu a 1940 jamais foi impedida a participação das sociedades estrangeiras (seja sob a forma de sociedades anônimas seja sob outras formas).053. todavia. no contrato social da sociedade brasileira. não podem.134 do NCC indica que o mesmo parece limitar a participação da sociedade estrangeira. ainda que por estabelecimentos subordinados. Em segundo lugar. portanto. no regime do Decreto-Lei 2. à participação das sociedades estrangeiras. Isto porque o NCC cuida de outros tipos societários. enquanto sócia. o art. uma nova cláusula estabelecendo que o regime da participação da sociedade estrangeira.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa no Brasil. de incluir. Houve a reprodução quase literal da regra – contida no art. de responsabilidade limitada (sociedades limitadas. no Decreto-Lei 2. Trata-se. ou estabelecimentos que as representem. em outras sociedades. o art. 64 do Decreto-Lei 2. estará sujeito ao regime da Lei das Sociedades por Ações. para evitar uma eventual contestação. agências. adquirindo uma participação no capital social de sociedade brasileira. Em primeiro lugar. No entanto. enquanto sócias. de sociedades anônimas. no capital da sociedade brasileira. 1. como sócias. de sociedades por quotas. Assim. Com efeito. apesar do teor do art. Assim.627. funcionar no País.627 de 1940.627. do NCC. uma sociedade estrangeira somente poderia ser sócia. sem autorização do Poder Executivo. qualquer que seja o seu objeto. um manifesto lapso legislativo. na vida da sociedade brasileira. Cabe frisar que a aplicação supletiva será apenas no que concerne ao regime da participação da sociedade estrangeira. no Brasil. na nova terminologia do NCC) e nos demais tipos societários. nas sociedades por quotas. Esta aplicação supletiva da Lei das Sociedades por Ações às sociedades limitadas é possível por força do art. Conteúdo da participação do investidor estrangeiro. 64 do Decreto-Lei 2. no Brasil. ou por filiais. parágrafo único.134 é quase a transcrição da regra anterior. podendo todavia. ser acionista de sociedade anônima brasileira. 64 do Decreto-Lei 2. 64 do Decreto-Lei 2.134 do NCC está assim redigido: “A sociedade estrangeira. não teria sentido fazer referência. de sociedade brasileira de qualquer tipo. estipulava: “As sociedades anônimas ou companhias estrangeiras. contida no art. é recomendável que as sociedades estrangeiras que investiram no Brasil. de 1940. o que simplesmente ocorreu foi uma má técnica legislativa. sucursais. qualquer que seja o seu objeto. Houve. que cuida de outros tipos de sociedades. enquanto sócia. Inobstante o que fica exposto. Com o NCC. Ora. e portanto restrita às sociedades anônimas – numa norma mais geral. por si mesmas. pois o NCC deveria simplesmente referir a possibilidade da sociedade estrangeira atuar. 1. pelo fato deste Decreto-Lei cuidar apenas das sociedades anônimas. Deste modo. As principais mudanças introduzidas pelo NCC nos direitos e deveres do investidor esFGV DIREITO RIO 96 . 1. além das sociedades anônimas. ficaria excluída a participação da sociedade estrangeira.”. ressalvados os casos expressos em lei. a redação deste artigo tem que ser examinada com prudência. funcionar no País.627. podendo. é preciso levar em consideração que a referência às sociedades anônimas explica-se. ser acionistas de sociedade anônima brasileira. sem qualquer modificação da natureza ou das características da sociedade limitada. ressalvados os casos expressos em lei.627.

o quorum das deliberações sociais foi modificado e varia. o investidor estrangeiro adquire novos poderes na sociedade brasileira. Por outro lado. No regime do NCC. nomear os gerentes. é importante salientar que o NCC modificou. o investidor estangeiro corre o risco de – se não tomar as medidas adequadas – perder o controle da sociedade brasileira.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa trangeiro nas sociedades limitadas brasileiras dizem respeito a dois pontos importantes. As únicas exigências são (i) que esta pessoa seja uma pessoa física e (ii) que esta pessoa física seja residente e domiciliada no Brasil. Se o investidor estrangeiro é titular de 50% ou menos e de mais de 25% do capital social. havia apenas um quorum de deliberação. poderá estar impedida de. o NCC implica na desnecessidade de figurar no contrato social como sóciagerente (agora. administrador da sociedade. etc. Quanto à administração das sociedades. sob este ponto de vista. (iii) a supressão do regime da gerência por delegação. O resultado desta nova regra. Assim. a sociedade estrangeira. é importante frisar que o NCC estabelece o quorum de 2/3 do capital social para a destituição de sócio que seja nomeado. que é normalmente uma sociedade estrangeira. é preciso FGV DIREITO RIO 97 . No regime anterior ao NCC. se a sociedade estrangeira não tiver a maioria do capital social. Se o mesmo é atualmente titular de 75% ou mais do capital social. Assim. autorizar a cessão das quotas. dependendo da sua participação no capital social. o quorum das deliberações. Outro ponto relevante. Aliás. pois a sua colaboração é necessária para a modificação do contrato social. ela passa a ter acesso a essa nomeação. pois a nomeação do administrador não sócio dependerá da concordância dos sócios que sejam titulares de 2/3 do capital social da sociedade brasileira. varia consoante a participação do mesmo no capital social da sociedade brasileira. diz respeito às deliberações para a designação de administradores não sócios. se houver um aumento do seu capital social sem haver imediata integralização ou se a sociedade for constituída sem que o seu capital social seja totalmente liberado. consoante as deliberações. Ainda no campo das deliberações relativas à administração da sociedade. Assim. No tocante às deliberações sociais. Deste modo. é importante salientar que qualquer alteração do contrato social passa a necessitar da aprovação dos sócios titulares de 3/4 do capital social. para o investidor estrangeiro. A administração da sociedade brasileira e as deliberações sociais. a situação não se modifica. (ii) a exigência de que os gerentes (agora denominados administradores) sejam pessoas físicas. no contrato social. as principais mudanças são (i) a supressão da obrigatoriedade da gerência ser exercida apenas pelos sócios. nomear o administrador. sócia administradora) e de recorrer ao mecanismo da gerência por delegação. como administrador da sociedade brasileira. Se o mesmo é atualmente titular de um percentual maior do que 50% e menor do que 75%. O NCC exige a designação por deliberação da totalidade dos sócios (quando o capital social não estiver integralizado) ou por deliberação de sócios que representem 2/3 do capital social (quando o capital social estiver integralizado). cabia a esse(s) sócio(s) alterar(em) o contrato social (aumentar ou reduzir o capital social). Consequentemente. o investidor estrangeiro poderá nomear. Esta situação interessa bastante às sociedades estrangeiras. para o investidor estrangeiro. a nomeação de um administrador dependerá da concordância de todos os sócios. sozinha. O(s) sócio(s) titular(es) de 50% + 1 do capital social era(m) titular(es) do controle da sociedade. uma pessoa que não seja sócia. Se o investidor estrangeiro é titular de menos de 25% do capital social. a sua situação não se modifica no que diz respeito à alteração do contrato social. entre outros pontos. No regime do NCC.

com a concorrência e com outros problemas externos. c) Solucionar problemas referentes à sucessão (herança) e partilha (divórcio). O enquadramento da “holding pura”.404/1976. Neste caso. enquanto a holding é a sociedade que controla. FGV DIREITO RIO 98 . Sharp Júnior: “Do enquadramento da holding pura como sociedade simples resulta na sua inscrição no cartório do registro civil de pessoas jurí- 155 n. sem necessidade de oitiva dos sócios e/ou acionistas minoritários. enquanto sócias. Podemos elencar como algumas vantagens da sociedade holding o seguinte: a) Concentração do poder econômico do controlador na holding. f ) Vantagens tributárias e centralização das decisões financeiras. O NCC determina que as sociedades atualmente existentes procedam à adaptação dos seus contratos sociais até 10 de janeiro de 2004. podendo adotar a forma de Limitada ou de Sociedade Anônima. haverá a preferência pela forma “limitada”. a participação em outras sociedades em níveis suficientes para controlá-las155. chama-se subsidiária. Temos. Quando. a holding tem uma visão voltada para dentro. ela é chamada de Holding Mista ou impura. Quando o objeto social da holding for somente a participação no capital de outras sociedades. é importante aproveitar este prazo para. por outro lado. uma sociedade estrangeira titular do restante do capital social. ela é chamada de Holding Pura. e) Enxugamento das estruturas ociosas das sociedades controladas e descentralização de alguns trabalhos. titular de mais de 33% do capital social e. em função da facilidade no manejo de suas regras. a possibilidade de constituir uma sociedade cujo objeto social seja. d) Maior poder de negociação na obtenção de recursos financeiros e nos negócios com terceiros. com possibilidade de redução de despesas operacionais. § 3º da Lei nº 6. que estabelece que a “companhia pode ter por objeto participar de outras sociedades. criar os mecanismos necessários para garantir a harmonia nas sociedades brasileiras. dentro do grupo. A holding não só poderá obter financiamentos externos como também agir como provedora de investimentos para atender às necessidades das controladas. 2º. conforme a situação motivadora de sua criação. como sociedade simples ou empresária.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa ter cautela no caso de uma sociedade brasileira que tenha como sócios. apenas. Seu interesse é a produtividade de suas “controladas” e eficácia da administração dos negócios. vejamos alguns entendimentos: Para o Prof. ela exercer a exploração de alguma atividade empresarial. mais uma vez. Conclusão. Enquanto as sociedades das quais participa estão “preocupadas” com as tendências do mercado. por um lado. Deste modo. b) Flexibilidade e agilidade na transferência e alocação de recursos. de sociedades brasileiras. e resolver o problema da participação das sociedades estrangeiras. ainda que não prevista no estatuto.a. Ronald A. com os clientes. a participação é facultada como meio de realizar o objeto social. agindo em parceria visando novas oportunidades. ou para beneficiar-se de incentivos fiscais”. a sociedade que é controlada por outra. proceder à adaptação dos contratos sociais. assim. é tema ainda muito discutido na doutrina. sociedade holding Aprendemos que a previsão legal da sociedade holding está no art. das quais participem os investidores estrangeiros. além da participação no capital de outras sociedades. uma pessoa física residente no Brasil.

a holding que as controla encontra-se envolvida. Jorge Lobo. como entidade de regência de uma rede de sociedades.404/76 (LSA). Tais escopos são exercidos com profissionalismo.39.irtdpjbrasil. passa a ser sociedade empresária. salvo se for constituída sob a forma de sociedade por ações”156.150 do NCC) e na insubmissão à falência. bem como ausentes os perfis funcional e corporativo. naquelas mesmas atividades. Também são econômicas porque visam a administrar e a agregar valor à carteira de participações societárias. 63. Disponível em: http://www. Ronald Sharp no sentido de classificar como sociedade simples a “holding pura”.03. parágrafo único. então. mas para o âmbito interno caracterizado pelas relações societárias. Na opinião do jurista Miguel Reale “é preciso lembrar que o maior número das sociedades empresárias é formado pelas sociedades por quotas de responsabilidade limitadas. Gazeta mercantil em 02. O professor conclui dizendo que “a holding pura terá sempre natureza de sociedade simples. Isso é o que basta para afastar tal sociedade do regime próprio da Simples. Teresina. Anote-se. destaca o entendimento do Prof. 160 FGV DIREITO RIO 99 . alienação e controle de participações societárias. Sérgio Campinho158 enfatiza a classificação das holdings como sociedades empresárias em virtude da atividade profissional dessas sociedades: “A organização e o caráter profissional da atividade seriam.br/Holding.com. 2003. artigo 2º. Mais forte fica o argumento caso a holding pura esteja regulada pelas regras supletivas da Lei 6. Disponível em: <http://jus2. Na opinião de José Edwaldo Tavares Borba157: “se as sociedades controladas são empresárias. com.404/76 combinado com o artigo 1. em que só estão presentes os perfis subjetivo e objetivo. que. posto que a participação em outras sociedades também é forma de em- 156 in “a holding pura como sociedade simples”. os advogados Márcio Tadeu Guimarães Nunes e Felipe Demori Claudino. vez que a holding os tem como principal atividade e razão da sua própria existência como vértice de uma estrutura de controle (cf.2005. O Prof. pág. ou seja. parágrafos 1º e 2º combinado com o artigo 243 parágrafo 2º. O raciocínio desenvolvido se deu com base na ausência de um mínimo de organização econômica. A existência. n. por afinidade. mar. ambos da Lei 6. contudo. o elemento de empresa da parte final do parágrafo único do artigo 966 do NCC.br/doutrina/texto. quando menos. exigido pelo caput do art. O direito comparado (exemplo Itália) confirma este entendimento reafirmando a presunção de profissionalismo e de viés econômico em estruturas de controle como as que reveladas pelas holdings puras. uma vez que sua atividade-fim não é a produção ou a circulação de bens ou de serviços. 966 do Código Civil.htm in Direito societário – 9ª ed. miguel. devendo. as quais têm o mais amplo espectro. Renovar/2005. de uma sociedade destinada a organizar e controlar participações societárias pressupõe estrutura fortíssima. os elementos reveladores da atividade empresarial”. Invencionices sobre o novo código civil. de forma indireta. Corroborando com o entendimento acima. inclusive. ganhar idêntica condição de sociedade empresária”. se a holding pura adotar a forma de sociedade anônima ou organizar-se consoante o modelo de ASQUINI.49. 1. a “empresa de papel”. apenas em parte. 157 in O Direito de Empresa à luz do novo código civil. destarte. ainda que se possa questionar seu objeto. Em artigo publicado no jornal Gazeta Mercantil160. 158 REaLE. jus navigandi. direcionando suas atividades não ao mercado. mas ao processo de insolvência civil”. titularidade. indo desde as microempresas ou de pequeno porte até gigantescas sociedades que atuam como holding. acesso em: 15 mar. sustentaram que a “holding pura pode ser definida como a sociedade cujos escopos principais são a aquisição. asp?id=3820>. 2006 159 a holding pura como sociedade empresária. em si mesma. do NCC). inclusive anônimas159”. 7. a.053. por lhe faltar a idéia de estabelecimento e quiçá de patrimônio comercial. fazendo presente.” E concluem o artigo entendendo não haver “motivo sério para classificar a holding pura como Simples. em seu livro Sociedades Limitadas. Direito de Empresa. controladora até mesmo de poderosos grupos econômicos e financeiros. uma vez que estará constantemente agindo como sócia. pág. uol. o ilustre Prof.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa dicas (art. este.

000 Euros. limitado a leste pela alemanha. sem tomar direta ou indiretamente parte na condução do negócio das sociedades controladas. a chamada: “Sociedade Gestora de Participações Sociais” – SGPS. subscrevendo as ações de um empreendimento ou projeto recente. 161 pequeno país da Europa Ocidental. a gestão de uma carteira de participações noutras empresas. FGV DIREITO RIO 100 . para. ao passo que a regra geral é a de que a sociedade seja empresária. salvo se para sociedades nas quais tem interesse de controle ou é acionista. como meio indireto de desenvolvimento de uma atividade econômica. os quais administra e explora exclusivamente pela concessão de licenças. ou de escritórios ou instalações das sociedades nas quais detém participação. A SGPS não pode se dedicar às seguintes operações: – Compra de bens imobiliários. que o objeto da SGPS é. buscando o interesse de investidores privados. estabeleceu um novo tipo de sociedade. procurando exercer o seu controle tendo em vista a gestão. O objeto social será a aquisição de qualquer forma de participação em outra sociedade em Luxemburgo ou em sociedades estrangeiras. ou onde os procedimentos para a disposição sejam investidos noutras participações. o Decreto-Lei nº 495 de 30 de Dezembro de 1988. vender as ações tão pronto as sociedades estejam suficientemente bem conhecidas entre o público. para além dos seus próprios escritórios ou instalações. exclusivamente. Uma SGPS pode ser constituída como “sociedade anônima” ou “sociedade por quotas” e está sujeita a algumas restrições. Luxemburgo161 A sociedade holding em Luxemburgo recebe o nome de “Holding 1929” e possui regime especial definido em lei sob a forma de uma sociedade anônima (Société Anonyme). de forma expressa. na sua fase inicial e de arranque.” a sociedade holding no mundo Portugal Em Portugal. Nenhuma condição é imposta acerca da nacionalidade ou residência relativamente aos diretores e administradores. – Participação em sociedades detentoras de patentes cuja carteira de ações inclua recursos intangíveis. – Participação no capital de novas sociedades constituídas. que satisfaçam as mesmas exigências. ou se o comprador for uma sociedade controlada pela SGPS. No contrato social deve constar. Aplicações tradicionais de uma sociedade holding em Luxemburgo: – Aquisição de participações em outras sociedades. como também a gestão e desenvolvimento da dita participação. A principal delas relaciona-se com o objeto social. Exige-se capital mínimo realizado de aproximadamente 31. a sul pela França e a oeste e norte pela Bélgica. a menos que por meio de troca.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa presa e diante do fato de que o NCC reservou às Simples o caráter de exceção ao fenômeno empresarial (até porque é como tipo facultativo ou como regime jurídico subsidiário que a Simples agoniza nos poucos países que ainda a adotam). em fase de lançamento no mercado. vários anos depois. como também não há exigência quanto a publicação da composição da carteira de participações da holding. coordenação e racionalização das suas várias atividades. – Efetuar empréstimos. – Dispor de quaisquer das suas participações no prazo de um ano após a sua aquisição.

e reputação. dedicado à legislação societária. estabilidade. Delaware também possui uma forte indústria petroquímica”. locais ou estrangeiras. que são denominados “members”.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa – Entrada no capital de sociedades de investimento com a finalidade de criar e administrar em seu próprio nome uma carteira de títulos transferíveis para um ou mais indivíduos privados conforme os princípios de gestão privada (o risco é distribuído geograficamente e entre vários setores).. Corporações e LLC’s não necessitam de manter qualquer conta bancária ou sede social em Delaware. as cláusulas deste contrato social são extremamente importantes.com. os membros de uma LLc têm a mesma proteção em termos de responsabilidade limitada. Mais de 200 mil empresas e companhias estão sediadas no Estado. 164 165 Fonte: http://www. em conformidade com Estatutos Estatuais aplicáveis. imposto sobre propriedade ou imposto sobre rendimentos referentes a sociedades constituídas em Delaware. ao contrario de uma parceria “partnership” comercial. – Data da incorporação: Junho de 1995. tal como os acionistas de uma corporação tipo “c” ou “s”. escolhem Delaware devido à sua estrutura legal favorável. nome que se confere ao contrato social. interessadas em negociar com os EUA e outras jurisdições. que pode ter um número ilimitado de acionistas cujos bens pessoais estão.162 comparada a nossa sociedade por ações. e US$ 35 para o caso das Corporações. 162 Fonte: http://pt. Esta proteção em termos de responsabilidade é usufruto de todos os membros. quando devidamente estruturados. mesmo que poucos aí possuam qualquer estrutura em termos de vendas ou fabricação. Muitas sociedades internacionais. os Estatutos planificam os traços gerais do modo de funcionamento e gestão da LLc. em que os donos do negócio ficam pessoalmente solidários com a empresa. quer pelos seus membros ou não-membros. ou empresa em nome individual. EUA. de grande ou pequena dimensão. atraindo diversas companhias. Situação Geral em 31 de dezembro da 2005165. mais de 300. (subsidiária da “Matsushita Electric Industrial Co. – Atividade principal: Investimentos de negócios.a sp?a1=Imprensa&a2=notici as&a3=8 FGV DIREITO RIO 101 . para o caso das LLC’s. desde que devidamente representadas por um agente oficial registrado que as represente. Isto significa que. Delaware é o único estado Norte Americano com um sistema judicial especial. a responsabilidade do acionista é limitada ao valor da sua participação de capital na corporação. É particularmente satisfatório para a gestão centralizada de recursos familiares. Ao longo dos anos. e poucos dos seus membros chegaram mesmo a visitar o Estado de Delaware. À parte do tema fiscal.000 empresas estão registradas em Delaware. a LLc tem personalidade jurídica própria. Este fato deu ao Estado o cognome de The Land of FreeTax Shopping (A Terra Sem Impostos Comerciais). e nada mais. Ltd”. obrigações e responsabilidades dos “members” são estipulados no seu “Operating agreement”. ou mesmo falência. transferência de interesses numa LLc e sua liquidação. Os direitos. Deste modo. Não existe qualquer imposto sobre as vendas em Delaware. citados como precedentes em Tribunais de outros estados americanos. – Capital acionário: US$ 1. comparada a nossa sociedade Limitada. quer para Corporações ou LLC’s. optam por DELAWARE como sede social e base para os seus negócios. Apenas existe a obrigatoriedade de pagamento de uma taxa anual de US$ 200. desde que não operem dentro do próprio estado.br/detalhe_noticia. Isto acontece graças à leis estaduais que dão benefícios fiscais para empresas que decidem instalarem suas sedes no Estado. é uma estrutura corporativa mais formal. como o Estado Americano das grandes Corporações. os bens pessoais de um membro de uma LLc estão completamente for a do alcance dos credores da sociedade (negócio). incluindo muitas que operam primariamente fora do Delaware. que é fixa e deve ser paga ao Estado de Delaware. o Delaware é um dos maiores centros bancários dos Estados Unidos. independentemente do volume de negócios. Exemplos de sociedades em Delaware/EUA: – MEI Holding Inc. o valor do risco para os membros de uma LLc está limitado ao valor da sua contribuição em termos de Investimento na LLc. distinta dos seus sócios. Atualmente. particularmente em casos de sucessão e detenção de propriedade. protegidos em caso de eventuais ações judiciais contra a sociedade. uma vez que podem ter um impacto direto na forma como a LLc ou os seus membros possam a vir ser tributados para efeitos de impostos federais. 163 Várias Corporações163 e LLC’s164. org/wiki/Delaware Delaware/EUA “Apesar de sua pequena extensão territorial. geralmente.panasonic. Por causa disso. – Sede da empresa: Delaware. por muitas vezes. o Tribunal de Delaware (Delaware Chancery Court) julgou vários casos de gestão empresarial que são. mais conhecida por sua marca Panasonic). ausente qualquer tipo de garantia pessoal.wikipedia. Delaware é um grande centro financeiro. face às dívidas da mesma.

– America Online Latin America. conforme o Capítulo 11 (“Chapter 11”) do Código de Falências dos Estados Unidos. LLC – GE Fanuc Automation Corporation – GE Information Services. têm o dever jurídico de prestar contas dos seus atos de gestão ao demais sócios.Quinta Câmara Cível – Tribunal de Justiça do RJ). Inc.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa – Acionistas (% participação acionária) Matsushita Electric Industrial Co. para toda a Europa. Com o passar dos anos. – GE Energy Products. Prestação de Contas. Gestão. (AOLA): em 24 de junho de 2005. como proceder diante do crescimento do negócio? 2.Julgamento: 25/05/2004 .001. FGV DIREITO RIO 102 . no Tribunal de Falências do Distrito de Delaware/EUA. Ltd. OBRIGACAO DE PRESTAR CONTAS.da sociedade por cotas de responsabilidade limitada. (constituída de acordo com as leis do Estado de Delaware e com sede em San Rafael/CA). os seus administradores. Inc. (constituída de acordo com as leis do Estado de Delaware e com sede em San Francisco/CA). Independentemente da séria controvérsia sobre a natureza . – General Electric Capital Services. Des. processamento. – Macromedia Inc. – Adobe Systems Inc. DEVERES E RESPONSABILIDADE DO DIRETOR. Inc. Sociedade por Cotas de Responsabilidade Limitada. – GE Engine Services Distribution. Inc. Milton Fernandes De Souza . as administrações do plantio.. Inc. que já pensa em exportar seus produtos para a Europa e EUA. Caso gerador A sociedade Agricultura Extração Ltda. – Autodesk Inc. transporte e distribuição ficou complicada para a sociedade. como o de qualquer outra sociedade. tem como objeto social o cultivo de soja e trigo na pequena cidade de Serrinha dos Grãos. a AOLA e algumas de suas subsidiárias apresentaram um pedido voluntário de concordata. no Estado do Paraná. Os administradores lhe procuram para saber: 1.capital ou pessoa . (constituída de acordo com as leis do Estado de Delaware e com sede em San Jose/CA). grifamos. – GE Energy Parts Inc. Para melhorar a situação. Qual seria a forma mais eficaz da sociedade estrangeira participar dos negócios? JurisprudênCia SOCIEDADE POR COTAS DE RESPONSABILIDADE LIMITADA. – GE Engine Services. uma sociedade com sede em Portugal apresenta proposta com o intuito de transportar e distribuir parte da produção da Agricultura Extração Ltda. (100%).Apelação Cível. (2004.10270 .

EMPRESA ¨HOLDING¨ DE INDÚSTRIAS. é correto afirmar que: (A) depois de autorizada pelo Poder Executivo. Primeira Câmara Cível.Há alguma exigência legal para que uma sociedade estrangeira possa funcionar como tal no País? FGV DIREITO RIO 103 . Ademais. prejudicado o primeiro. descabe a imposição. PROVA DE SELEÇÃO. como tais devem elas ser enquadradas. grifamos. por unanimidade. (B) poderá. 3 . a atividade preponderante da empresa participada. Tribunal de Justiça do RS. o Poder Executivo. através de estabelecimentos subordinados. Por objetivarem participações societárias somente em indústrias. Relator: Roque Joaquim Volkweiss. Questões de ConCurso 178º CONCURSO DE INGRESSO NA MAGISTRATURA DO ESTADO DE SÃO PAULO (2006). quanto aos atos ou operações praticados no Brasil.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa CONTRIBUIÇÃO SINDICAL. Recurso da parte ré provido Segundo apelo provido. PROVA DISCURSIVA . obrigatoriamente. para tanto. DIREITO COMERCIAL 87. Não detém legitimidade para a cobrança de contribuição sindical de empresa ¨holding¨ de indústrias o Sindicato que tem por fim congregar unicamente atividades ou categorias comerciais. estará sujeita às leis e aos tribunais brasileiros.DIREITO COMERCIAL. (Apelação Cível Nº 70002205755. sem autorização do Poder Executivo. levando-se em conta. (C) para conceder a autorização. Julgado em 19/06/2002). A respeito da sociedade estrangeira. TIPO 1. para fins sindicais. como filiadas. deve impor condições convenientes à defesa dos interesses nacionais. 22º EXAME DE ORDEM – SEÇÃO DO RIO DE JANEIRO. 2ª FASE. funcionar no País. se o estatuto social. editado após a CF/88. (D) a sociedade estrangeira autorizada poderá iniciar suas atividades antes de inscrita no registro próprio do lugar em que se deva estabelecer. prevê expressamente a facultatividade de adesão de empresas.

ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa AUlAS 13 E 14: O fINANCIAMENtO DA SOCIEDADE lIMItADA Nesta aula discutiremos a leitura do(s) seguinte(s) capítulo(s): – Páginas 113 a 124 e 205 a 206 do Direito Societário. ao menos aproximadamente. – COELHO. Fábio Konder Comparato. – CAMPINHO. Curso de Direito Comercial. que constituem o objetivo de quantos dela co-participarem. Sérgio. ver. Manual de Direito Comercial e de Empresa. ementário de temas – Formação do capital social. Leitura CompLementar – REQUIÃO. Renovar/2004. Capítulo 21. Nas palavras do Prof. 2007 .1.934/94 e sua interpretação restritiva. volume 2: direito de empresa – 10º ed. Capítulo 29. 64 da Lei nº 8. Nrs. – Diferença: capital social e patrimônio. – Organização em quotas. Waldemar Ferreira: “Cumpre aos organizadores da sociedade calcular. 2005. Ricardo. vol. “esse valor deve permanecer intocado enquanto durar a sociedade. 26 edição – São Paulo: Saraiva. Págs: 398 a 402.3. Curso de Direito Comercial.123. Fábio Ulhoa. como se fora a representação de algo indisponível”. Rio de Janeiro: Renovar. 4º edição. 166 in Tratado de Direito comercial – vol. 9 ª edição. FGV DIREITO RIO 104 . José Edwaldo Tavares Borba. 2005. – São Paulo: Saraiva. no balanço social. – O art. deverá ser apresentado. – NEGRÃO. Capítulo 7. juntamente com a “pluralidade de sócios”. O Direito da Empresa à luz do novo Código Civil – 6º edição revista e atualizada conforme a Lei 11. são paulo/1961. O capital social representa o referencial que os sócios consideraram dever a sociedade possuir para dar conta dos objetivos ajustados no contrato social. – Ação de integralização de capital social para cobrança do sócio remisso. 2005. Págs: 156 a 192.166 formação do capital social Nas palavras do Prof. o capital social é “o valor dos bens que os sócios integram à sociedade. para servir de garantia última dos credores sociais”. O professor explica que. roteiro Vimos que a constituição do capital social é elemento formador do Contrato Social. saraiva. 1º volume. 225 a 227 e 262 a 266. na coluna do passivo e considerado “passivo inexigível” uma vez que não corresponde a qualquer dívida social. o montante do capital de que ela necessitará para exercer sua atividade e produzir os lucros. Rubens. – Aumento e redução do capital social. – Dívida do sócio com terceiro e Penhora de quotas. a “affectio societatis” e a “participação nos lucros e nas perdas”. e para o qual tenha cada sócio possibilidade financeira de contribuir”. Págs: 361 a 366 e 371 a 374. pg. Nesse sentido. São Paulo: Saraiva.101/05. e atual. Págs: 401 a 407 e 497 a 506.

– sociedade unipessoal por quotas: constituída por um único sócio. somente o registro escritural. nem de exigir-se o consentimento dos demais sócios. O Prof. A formação do capital social pode se consistir em dinheiro e outros bens (corpóreos. as bancárias171. O parágrafo segundo do art.a.055.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa Assim temos que é necessário definir no contrato social o valor a ser investido na sociedade por cada sócio e que irá compor o seu patrimônio de base. por exemplo. obrigatoriamente.934/94 sobre a incorporação de imóveis à sociedade. este valor é de R$ 17. sendo considerada a menor fração em que o capital é dividido.293. III e IV in manual de Direito comercial e de Empresa. art. 35. são definidas com liberdade pelo contrato social. Ricardo Negrão destaca uma novidade trazida pela Lei n.00.500.000. no caso de bancos comerciais. 173 174 código civil. No Brasil.00 – sócio C: 1 quota com valor de R$ 25. com natureza jurídica de bem móvel. que é o titular da totalidade do capital social mínimo de 5. 168 169 art.000 Euros e não pode ser constituída por um número de sócios inferior a 5.500 quotas com valor de R$ 10.500 quotas com valor de R$ 10. 28ª edição. 171 as sociedades seguradoras autorizadas a operar no Brasil no grupamento dos seguros de ramos elementares. o qual somente será exigido para a constituição de sociedades empresárias que se dediquem a determinadas atividades.00175. quando necessária.º 8. como táxi aéreo170. 170 segundo a Resolução nº 2607/99 do Banco central do Brasil. Fran Martins explica que. em sendo ele omisso.000. p. a descrição e identificação do imóvel. cabendo uma ou diversas a cada sócio. O somatório do valor das quotas. – sociedade anônima: valor nominal mínimo do capital é de 50. n. um documento especial”176. donde surge a responsabilidade de cada um.00 cada uma – sócio B: 3. A divisão do capital social se dá por meio de quotas. restrita ao valor de suas quotas (embora respondam solidariamente pela integralização do capital social). a partir do qual iniciará sua existência e funcionamento. Forense.200. instituições financeiras e outras instituições autorizadas a operar por referido órgão devem possuir um valor mínimo de capital social integralizado. quando houver um pedido de empréstimo bancário o primeiro item a ser analisado pelo gerente será o valor do capital social.ex.a. O capital social divide-se em quotas. O capital social será a demonstração da “força” da sociedade.000. valor.000 quotas com valor de R$ 10. 1. as securitárias172 e outras. salvo quando a lei o dispense. São subscritas pelos sócios em proporções iguais ou desiguais. veda a prestação de serviços como elemento formador do capital social na sociedade Limitada. “além da designação do capital social no contrato levado a registro. móveis ou imóveis etc. art.055. FGV DIREITO RIO 105 . pg. Quantidade. poderemos ter. de acordo com a Resolução nº 73 do conselho nacional de seguros privados. entre outras. não poderão possuir capital social integralizado inferior a R$ 7. igualdade ou desigualdade das quotas174.. a saber178: a) cessão a quem seja sócio: independentemente de audiência de outros. assim.00 – sócio B: 1 quota com valor de R$ 35.00 cada uma O Prof. ou seja. estes bens devem ser avaliados e o valor expresso em moeda corrente. como já aprendemos.00. Fonte: Associação Empresarial de Portugal.056. será fixado pelo Dac através de regulamentação específica. a outorga uxória ou marital”169. 1.000 Euros. iguais ou desiguais. as seguintes formações: – sócio A: 1 quota com valor de R$ 40. 15. saraiva: são paulo/2005.000 Euros. O valor do capital social mínimo. de acordo com o porte das atividades a serem desenvolvidas pela sociedade. Não se fixou qualquer obrigação de proporcionalidade na cessão. para provar sua participação na sociedade o sócio precisará de uma via do contrato social. dados relativos a sua titularização.00 ou – sócio A: 4.1. que está disposta no art. sua área. por exemplo. aplicável às empresas de táxi aéreo ou de serviço aéreo especializado.)167 entretanto. portaria nº190/Gc-5/2001 (Dac) que aprova as Instruções Reguladoras para autorização e funcionamento de empresas de táxi aéreo e de serviço aéreo especializado e dá outras providências.000. os direitos dela decorrentes somente poderão ser exercidos pelo representante designado pelos condôminos. As quotas são indivisíveis. a lei não define o valor do capital mínimo. A legislação portuguesa adota o “capital mínimo”173. ou pelo inventariante no caso de espólio (art. individualmente. pessoa singular ou coletiva. 997. diferentemente da ação. 175 176 in curso de Direito comercial. será igual ao valor do capital social estipulado no contrato.000. para representar as quotas. O valor do capital social será estipulado pelos sócios.000.00 cada uma – sócio C: 2. italiana e francesa. “não há. Rio de janeiro/2002. O contrato social vai dispor sobre a CESSÃO DE QUOTAS. 172 sociedade por quotas: capital social mínimo de 5. “havendo co-proprietários. VII quando exige. incorpóreos. o Código Civil prevê duas situações. em moeda nacional168. por um número inteiro. bem como o número da matrícula no Registro Imobiliário e. que serão sempre representadas. sendo certo que numa sociedade com capital social de R$ 100. assim como a alemã. 167 n. §1º)”177.

1. 178 179 art. 1.63. que o “capital é um valor formal e estático. in Direito societário. é comum que o único item encontrado em seu patrimônio (ativo. passivo e patrimônio líquido) seja o capital social. O capital não se modifica no diaa-dia da empresa – a realidade não o afeta. O patrimônio social é o patrimônio da sociedade no sentido econômico. empregar-se em atividade estranha à sociedade. Renovar/2004. Não havendo interesse de nenhum dos sócios. 180 181 código civil. verifica-se que a participação dos sócios no capital social indicará a relação de poder de cada um. 981. mas tudo o que a sociedade possui e venha a possuir durante a sua existência. 9ª edição. crescendo na medida em que esta realize operações lucrativas. dos contingentes trazidos pelos sócios para a formação da arca communis. pensar sempre na possibilidade de um terceiro vir a adquirir o controle por meio da cessão de quotas. sob pena de ser privado de seus lucros e dela excluído. e reduzindo-se com os prejuízos que se forem acumulados”180. enquanto o patrimônio é real e dinâmico. os sócios pagam à vista pelas quotas ou ações. 1. a vedação da cessão de quotas para terceiros. A cessão de quotas será eficaz quanto à sociedade e terceiros. ou seja. cuja contribuição consista em serviços. se os sócios quiserem empreender uma sociedade de capital. compreendendo não apenas o capital social. a partir da averbação do respectivo instrumento subscrito pelos sócios179. 9 ª edição. 184 FGV DIREITO RIO 106 . Assim. apenas. O capital social é o fundo originário e essencial da sociedade fixado através da soma da contribuição dos sócios – é uma expressão numérica. 1.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa b) cessão a estranhos: dependerá da anuência de um quorum de 75 (setenta e cinco). expressamente. quando definirem as cláusulas sociais. A falta desta previsão poderá acarretar o ingresso de herdeiros que não estejam interessados ou que prejudiquem o negócio. I) e nas sociedades simples propriamente ditas (art. poderão estabelecer em cláusula contratual. art. Ao integralizar183 o capital social. no momento da elaboração do contrato social ou mesmo em suas alterações. a contribuição em serviço181 (trabalho).006. incluindo-se as dívidas (passivo). não pode. eis que afetará o movimento de ingresso e saída de sócios. 1. o ativo começa a se modificar. ou seja.057 do cc. O capital social pode ser constituído com dinheiro ou bens.113.094: a contribuição do sócio exclusivamente em prestação de serviços é permitida nas sociedades cooperativas (art. que a cessão de quotas se dará independentemente do consentimento dos demais sócios.006.a.057 p. É vedada contribuição que consista em prestação de serviços. que se afigura com importante instituto. a propósito o enunciado n° 206 aprovado na III jornada de Direito civil. ¾ das quotas. Devem assim. pág. 1. Com o início das atividades. bem como o passivo. é de extrema importância a existência de uma cláusula prevendo a continuidade da sociedade em razão da morte de um dos sócios.único do código civil. §2º. é o mesmo que pagar. querendo os sócios garantir características típicas das sociedades de pessoas. 2ª parte”. art.094. josé Edwaldo in Direito societário. 183 subscrição é a promessa de integralização. poderão estabelecer.007 e 1. Da mesma forma.055. 983. pg. o que é permitida. O sócio. pois dívidas são necessárias para alavancagem da empresa. Integralizar é ato de alienação. diferença: capital social e patrimônio. assumem o compromisso com a sociedade de adquirir. 997. Por outro lado. Leciona José Edwaldo Tavares Borba. 1. O patrimônio encontra-se sujeito ao sucesso ou insucesso da sociedade. haveria ainda a possibilidade da tomada das quotas pela própria sociedade. aumento e diminuição do capital social Vimos que o capital “é a expressão. em determinado prazo. 983. do acervo de bens indispensáveis 177 TaVaREs BORBa. o conjunto de bens (dinheiro e outros). com influência nas deliberações sociais. promovida pelo cjF/sTj dispõe nesse sentido: “arts. quando subscrevem184 se comprometem a integralizar. nem consentimento para a venda a terceiros. um certo número de quotas ou ações para constituição do capital social. em moeda corrente. Renovar: Rio de janeiro 2004. principal obrigação do sócio. salvo convenção em contrário. a integralização é o pagamento feito pelo sócio à sociedade. Destarte. sendo vedada. em relação à cessão de quotas. n. na sociedade simples182. ou seja. Quando a sociedade inicia suas atividades. isto é. pois se trata de uma cifra contábil. 182 código civil. art. notadamente.

desde que não ocorra impugnação de credor quirografário da sociedade. Os sócios terão 30 dias para exercer o direito de preferência na aquisição das novas quotas187. 1. 64 Op. é possível estipular-se um valor maior ou menor como suficiente para que a sociedade continue realizando seus fins. “se o sócio detiver trinta por cento do capital social integralizado. ¾ do capital social186. subscrevem as quotas de capital com as quais participarão do negócio e assumem a obrigação de integralizá-las. Waldemar in Tratado de Direito comercial – vol. 1. assim recebidas. são paulo/1961. os sócios.081 do Código Civil dispõe sobre a possibilidade do capital social ser aumentado. perante a Junta Comercial. ambos do código civil. São as seguintes hipóteses190: a) Se houver perdas irreparáveis depois de estar integralizado.. O capital social pode ser aumentado mediante decisão (em assembléia ou reunião).071. Já a redução do capital social. eventuais credores terão o prazo de 90 (noventa) dias para impugnar a decisão.cit. Essas cotas. com aprovação de. ou se for provado o pagamento da dívida ou o depósito judicial do respectivo valor. com diminuição proporcional. Nesse caso. em ambas as situações. em recursos ou lucros acumulados que os sócios deliberam incorporar ao capital. O prof. 1.185 Por se tratar de uma cifra. e somente poderá ser efetivado após o decurso do prazo de 90 dias da publicação. tornando-se efetiva a partir da averbação na Junta Comercial da alteração contratual que a tenha aprovado. 186 Ricardo negrão esclarece que o direito de preferência dos sócios na aquisição das novas quotas é proporcional às suas quotas.082. art. a redução deve ser realizada com a diminuição proporcional do valor nominal das quotas. 1. para tanto. ou b) Se o capital social for excessivo em relação ao objeto da sociedade191. ou seja. poderá a sociedade formalizar a diminuição através do registro. O art. está prevista no art. 1. pág.3. saraiva/2005.152. I c/c art. FGV DIREITO RIO 107 . José Edwaldo Tavares Borba ensina que: “esse aumento envolverá o ingresso de novos recursos quando decorrer de subscrição. são chamadas de bonificações”189. 187 188 189 190 Op cit. ou seja. O capital social também pode ser reduzido. se não ocorrer. sem qualquer desembolso recebem novas cotas proporcionais a sua participação no capital. pg. Em ambos os casos (aumento ou redução). devendo a Ata correspondente ser publicada em jornal de grande circulação ou em Diário Oficial. contribuir com recursos para o capital da sociedade. dependerá da juntada das publicações previstas no art. 191 O arquivamento da deliberação com fundamento no art. da Ata e da alteração do contrato social.082 do Código Civil que afirma ser possível descapitalizar a sociedade quando o capital social for excessivo em relação ao objeto social. da sociedade”. desde que os sócios detentores de pelo menos 75% do capital social assim o desejem e sendo necessária. Continua o professor. Quando os sócios assinam o contrato social para constituição da sociedade limitada. ou seja. Esses lucros e reservas foram gerados pela própria sociedade e poderiam ter sido distribuídos. A partir da publicação. poderá exercer o direito de preferência sobre até trinta por cento do aumento deliberado” in manual do Direito comercial e de Empresa. A decisão de incorporá-los ao capital é uma opção. Neste caso.122. também. §1º. 1. a redução deve ser realizada restituindo-se parte do valor das quotas aos sócios. II do código civil. explicando que uma outra hipótese de aumento de capital “é a que se funda em recursos da própria sociedade. do valor nominal das quotas. pág. ação de integralização de capital social para cobrança do sócio remisso. 1.084. a morte do sócio com o pagamento dos haveres aos herdeiros e a exclusão do sócio com o pagamento dos seus haveres também são situações que podem acarretar em redução de capital. a respectiva alteração no contrato social.372. 185 FERREIRa. cabendo aos sócios subscritores transferir novos bens à sociedade”188. Este aumento pode concretizar-se através de aporte de novos valores como o desembolso por parte dos sócios ou mesmo por terceiros. V do código civil. A deliberação para a redução do capital social deve ser feita em Assembléia ou Reunião especialmente convocada para tal fim. o capital social deve estar totalmente integralizado mediante a correspondente modificação do contrato. no mínimo.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa ao exercício da atividade mercantil (sic) .. §1º c/c art. saraiva.076. ou dispensandose prestações ainda devidas (que eventualmente estariam faltando para integralizar a “quota parte”).

e aquele que deixar de fazê-lo.004. tomá-la para si ou transferi-la a terceiros. os outros sócios podem. a responsabilidade de cada sócio é restrita ao valor de suas quotas.) IV . em regra. em regra. caso o capital social esteja totalmente integralizado. 1. Hipóteses como a exclusão de sócio e o acionista (S. mas todos respondem solidariamente pela integralização do capital social. para o cumprimento de suas obrigações.A. A sociedade constitui-se mediante contrato escrito. esta obrigação não precisa ser realizada imediatamente (à vista). 1. Os sócios são obrigados. ou expulsá-lo192.004 e seu parágrafo único. salvo as restrições estabelecidas em lei”. mencionará: (. e o modo de realizá-la. os sócios responderão solidariamente pela quantia que falta para completar o capital social. cabendo ação de regresso contra o sócio que efetivamente não integralizou sua parte. 1. na hipótese de algum sócio não cumprir com sua integralização.058. temos que é obrigação fundamental e indispensável de cada sócio a integralização da sua quota de capital. o art. às contribuições estabelecidas no contrato social. Portanto. Nesse sentido. 997. as quotas integram o patrimônio do sócio e poderiam.. na forma do art. porém. É recomendável que no contrato social haja uma cláusula fixando o tempo e a forma para a realização desse pagamento (a prazo). ser objeto de penhora para efeito de pagamento de obrigações vinculadas àquele. 1. as prestações estabelecidas no contrato mais as despesas FGV DIREITO RIO 108 . Neste sentido. pelo dano emergente da mora. Entretanto. na forma e prazo previstos. perante a sociedade..a quota de cada sócio no capital social. não podendo ser utilizada a inadimplência como via oblíqua para afastar sócios indesejáveis.) remisso serão objeto de estudo futuro.” “Art. dívida do sócio com terceiro e penhora de Quotas Na condição de bem móvel. em existindo parte do capital social ainda não integralizada. Vimos então que a efetiva responsabilidade de cada sócio é pela integralização de sua quota. é chamado de sócio remisso e. deduzidos os juros da mora. que. particular ou público. 591 do Código de Processo Civil estabelece o princípio básico segundo o qual “o devedor responde. 192 código civil. nos trinta dias seguintes ao da notificação pela sociedade. responderá perante esta pelo dano emergente da mora. temos os seguintes artigos do Código Civil: “Art. além de cláusulas estipuladas pelas partes. responderá de forma solidária com os demais. excluindo o primitivo titular e devolvendo-lhe o que houver pago. não integralizada a quota de sócio remisso. sendo certo que para essa última hipótese necessária se fará a presença de justa causa. Na sociedade limitada. nunca foi pacífico o entendimento de que as quotas sociais são penhoráveis por dívida particular do sócio. sem prejuízo do disposto no art.052. 1.004 do Código Civil responderá. em se tratando de uma sociedade limitada. A sociedade (e não os sócios) poderá cobrar em juízo o que for devido pelo sócio remisso. entretanto. o patrimônio pessoal dos sócios não responde por dívidas da sociedade. Porém. art.” “Art.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa Assim. decorrentes de decisão judicial.” O sócio que não cumpre com a obrigação de integralizar sua quota (ou quotas) dentro do prazo. com todos os seus bens presentes e futuros.

seguindo entendimento de Cunha Peixoto193. como fonte de produção e de riquezas. pág. sobre (I) os dividendos do devedor (II) os haveres 193 apud. a quota somente será penhorável se “houver no contrato social cláusula pela qual possa ser ela cessível a terceiro. ainda que esta esteja em regime de concordata preventiva. 199 200 Op. Esta posição já foi a adotada pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do Recurso Extraordinário n.680/RS e pelo Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial n.345.430/mG. tendo os demais sócios que prostradamente assistir a admissão de um novo consorte. 114.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa O Prof. não havendo lei que exclua da execução as quotas do sócio em sociedade de responsabilidade limitada”.179. José Edwaldo Tavares Borba entende que “a insolvência do sócio levará os credores à pretensão de penhorar suas quotas na sociedade. 1. pág. 201 FGV DIREITO RIO 109 . sérgio Op.cit.cit. Vimos então que. natureza a que se subordina a sociedade limitada”199. que se veria impedido de excutir as quotas do sócio-devedor. Entretanto. presentes ou futuros. alternativamente. no caso. com o ingresso compulsório de terceiro não sócio. pág. in curso de Direito comercial. onde na ementa se encontra: “É possível a penhora de cotas pertencentes ao sócio de sociedade de responsabilidade limitada. Ed. “em sua inteireza.223/pR. Sérgio Campinho. VEREDIcTum – Diretório acadêmico afonso arinos – unirio. considerar inadmissível que “se prejudique a empresa. são paulo/1995. Para o Prof. além de.cit. apesar do Código Civil não dispor sobre a matéria “possibilidade de penhora das quotas” sociais por dívida particular de sócio. pág. pág. não há qualquer óbice para sua aplicação no campo societário tipicamente de capital ou misto. admitida expressamente pela lei a excussão de parcela do capital social em sociedade intuitu personae – como é a sociedade simples –. entende que. E conclui criticando a doutrina que admite a penhora pura e simples de quotas do sócio em execução de dívidas particulares. onde na ementa se lê: “responde o devedor com todos os seus bens. com a apuração de seus haveres. quando o caráter que quiseram impor à sociedade seria o personalista.177. ao tratar da matéria no capítulo correspondente. Op.cit. o Prof. o regime imposto pelo Código Civil impõe a liquidação da quota do sócio em virtude de dívida particular. para o cumprimento de suas obrigações. 5 ª edição. 1. sobre os valores encontrados. não somente em razão da omissão do legislador. sérgio campinho. “não pode a relação interna estabelecida entre os sócios obstar o exercício de um direito por parte do terceiro-credor. apesar da jurisprudência. em benefício da coletividade. Rubens Requião. Vol.” E no REsp 21.195” Para o prof. saraiva. Requião. pág. in Direito de Empresa á luz do novo código civil. conforme ensina José Gabriel Assis de Almeida201: “O regime imposto pelo NCC está no art.026. a matéria é regulada no capítulo das sociedades simples (art. 1. havendo limitação à sua livre transferência.026. mas também porque. Nas palavras do professor é inconcebível: “considerar a cota equiparável às ações e transmudar os termos de processo de execução de forma a torná-lo um modo de transferência da cota-ação das mãos do devedor para as do credor”194. Ou seja.º 34. in as sociedades limitadas e os direitos de terceiros. parágrafo único e art. 22ª edição.cit.343.175. parte da doutrina entende que o cerne da questão está no entendimento que se tenha da natureza jurídica da sociedade limitada .031). do contrário.73. considerava absurda a aplicação irrestrita dos preceitos da Lei das Sociedades Anônimas à sociedade limitada.º 34. negarse-ia a penhora”200. O Prof. pág. vedando a livre cessão de quotas”196. Este dispositivo estabelece a possibilidade da execução recair. sendo aplicável. cumprindo. Renovar/2005. e não da sociedade. apurar os haveres do sócio insolvente para.se de capital ou de pessoas. Entretanto. 1º. legitimar-se-ia a penhora. Ricardo Negrão198. 194 195 196 Op. conforme verifica-se nas ementas transcritas em “jurisprudência”. incidir a penhora”197. para a sociedade limitada.365.882-5/RS. 197 198 Op. posição fundamentada em decisão do sTj no REsp. sem a anuência dos demais companheiros”. campInHO. em execução por dívida sua. Em posição contrária aos demais doutrinadores. novembro/2004. a quem se tem exaltado como instrumento necessário ao bem comum. colocando aquele em injusta desvantagem em relação a este último”. “caso fosse concebida a livre cessão das quotas. Essa penhora não terá cabimento nas sociedades de pessoas. o professor reconhece que não se pode “desconsiderar os nefastos efeitos que a arrematação das quotas em hasta pública poderia vir a provocar na affectio societatis.

passada pelas juntas comerciais em que foram arquivados.9710/1 . o art. para a composição ou o aumento do capital social e nunca. invariavelmente. já se decidiu: ‘Admitese a utilização de instrumento particular com o fim de materializar a conferência de bens pelos sócios para integralizar o capital social. 64. 64 da Lei nº 8. Assim. os contratos de investimento coletivos. Tal dispositivo legal permite a utilização de certidão expedida pela Junta Comercial. a certidão dos atos de constituição e de alteração de sociedades mercantis. como título hábil para. a quota só é penhorável na insuficiência de outros bens. independentemente da natureza e localização destes bens. requerendo a liquidação da quota do sócio-devedor. por transcrição no registro público competente. o imóvel não tem finalidade de integralização do capital da sociedade (formação ou aumento do capital social). perante o registrador.934. dos bens com que o subscritor tiver contribuído para a formação ou aumento do capital social.934/94. mas sempre. da pessoa jurídica para o sócio. a Lei cuida da transferência do bem imóvel com que o subscritor tiver contribuído para a formação ou aumento do capital social.030.031 acima citado. Des.934/1994. nº 63. como por exemplo. ou seja. não estando a hipótese dentro da exceção do art. Neste caso. as partes beneficiárias. A certidão passada pela Junta Comercial é documento hábil para a transferência de bem do sócio para a sociedade e. de 18. O artigo 2º da Lei 6385/76 relaciona diversos valores mobiliários.10. É que o art. A emissão de valores mobiliários será restrita. 64 da Lei nº 8.º 8. mas tal exceção. primeiro deverá o credor esgotar todos os demais bens que integram o patrimônio do sócio-devedor.99. como objeto da execução. FGV DIREITO RIO 110 . as debêntures. dentre outros. constituí uma das grandes diferenças entre estes tipos societários e poderá ser fundamental para a escolha do tipo societário mais adequado para determinados negócios. extraída dos atos constitutivos ou de sua alteração. pois incompatível com a sua estrutura. Assim. nesses casos. o título de transferência somente se viabilizaria se materializado por instrumento público. Cív. 202 203 Valores mobiliários são títulos de investimentos negociados por uma sociedade anônima. havendo dação em pagamento. art. não podemos deixar de salientar que a sociedade limitada não poderá obter financiamento para suas atividades através da emissão de valores mobiliários203. esta deverá se formalizar por escritura pública. na exclusão. j. possibilitar a alienação de direitos reais incidentes sobre imóveis. da sociedade. os dividendos e os haveres do sócio-devedor”. Neste sentindo. às sociedade anônimas. Destarte. somente será possível o registro imobiliário das certidões referidas nas hipóteses em que ocorrer aumento de capital social (com integralização de bens imóveis). Não é possível interpretar extensivamente tal norma para abranger os casos em que houver redução do capital social ou mesmo extinção da sociedade. a transmissão se opera de forma inversa.94. como é o caso do art. Noutras palavras. uma outra importante inovação no regime do NCC. Há. 64 da Lei nº 8. Rel.11. A grande novidade é que a liquidação da quota implica. embora não esteja expressa. do sócio devedor. mas sim decorrente de extinção da pessoa jurídica. Além disso. Somente após esgotados os demais bens do patrimônio do sócio-devedor é que o credor poderá indicar.934/1994 e sua interpretação restritiva Segundo a sistemática contida no artigo 64202 da Lei 8. Nigro Conceição). 1. 1. Ou seja. os bônus de subscrição.026 criou um benefício de ordem. parágrafo único. no caso concreto. em favor da sociedade. diferentemente. Essa vedação. o Conselho Superior da Magistratura do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo. será o documento hábil para a transferência. deve ser interpretada de modo restritivo. portanto.934/94. merecem interpretação restritiva.Capital. 28. E na espécie. ainda. para sua redução ou dissolução” (Ap. por força do disposto no art. 1.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa do devedor. a propósito do falecimento de sócio. as ações. derivada do texto do art. entendeu que “normas excepcionais. 64 da Lei n. os haveres serão apurados na forma do art.

gov. QUANDO DELE NÃO SE CONHECE. aumentando o valor das parcelas. as dívidas foram se avolumando a um ponto que Isabela não mais conseguiu satisfazer as suas obrigações. qual será o seu parecer? Caso gerador ii. para fins de precaução. temos dois grandes exemplos: a sociedade limitada Avestruz Máster204 e a Fazendas Reunidas Boi Gordo S/A (sociedade anônima fechada). trocando o carnê por outro e. representativas do capital social de uma sociedade limitada de pessoas. acabava se empolgando e adquirindo outros bens. (tecnologia da informação). QUANDO EXISTE CLÁUSULA A RESPEITO NO CONTRATO SOCIAL. receosos com o a regra inserta no art.055. a sociedade credora ingressa com ação de execução em face de Isabela e é realizada a penhora de quotas de sua propriedade. às 03:25horas. Para tanto. pretendendo integralizar sua parte no capital social com o referido bem imóvel. compete fiscalizar as sociedades anônimas abertas. ou seja. para imóvel. Caso gerador i Isabela Gama.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa Com efeito. acesso em 19 de janeiro de 2008. FGV DIREITO RIO 111 . todavia. bombardeada por diversos anúncios de uma grande rede de eletrodomésticos. é necessário a outorga conjugal? e) É devido o imposto de transmissão de bens imóveis (ITBI)? Os sócios Izan e Fabião efetuaram a subscrição de suas quotas para integralização em 6 meses. Devido a sua inadimplência. A cada mês que se dirigia à loja para pagar a prestação. lhe procuram com as seguintes questões: a) Qual deve ser a forma de integralização do capital com o bem imóvel? b) É necessária a realização de escritura pública? c) O instrumento que efetivar a integralização deve ser levado ao Registro Imobiliário? d) Sendo Padilha casado. Padilha diz ser o proprietário de uma sala que servirá de escritório para o desenvolvimento da empresa. ausente a integralização. quando estiverem atuando como se fossem companhias abertas. Nesse sentido.area=398&tmp.br/ portal_stj/publicacao/engine. aquelas que possuem o registro na CVM.. 1. wsp?tmp. agência reguladora do mercado de capitais. à Comissão de Valores Mobiliários – CVM.I. indicado por Padilha. Os amigos de longa data Padilha. 204 http://www. mas isso não significa concluir que as sociedades anônimas fechadas e as limitadas não possam ser autuadas e multadas pela referida agência. resolvem constituir uma sociedade limitada denominada de Bernardo’s Empreendimentos e Participações Ltda. qual deve ser a medida adotada? JurisprudênCia RECURSO EXTRAORDINÁRIO. INALIENABILIDADE OU IMPENHORABILIDADE DE QUOTAS DA SOCIEDADE LIMITADA. via de conseqüência. Os sócios concordam com o preço. §1° do Código Civil. texto=86413. Desse modo. Procurada por Isabela. num frio e chuvoso final de semana. cujo objeto será a prestação de serviços de consultoria empresarial para empreendimentos na área de T. Ultrapassado esse prazo. resolve adquirir uma geladeira em 36 vezes.stj. Izan e Fabião.

747/DF.947/MG. DJ 29. DJ 12. entretanto.119)”.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa (RE 34. sendo ainda essa iniciativa vedada pelo contrato social. julgado em 21. o que é vedado em âmbito de especial (Súmula 7/STJ). TERCEIRA TURMA.11. remir a execução.04. ou então. grifamos. Relator Min. As cotas sociais podem ser penhoradas. 1.04. na qualidade de terceira interessada. DJ 10. (REsp 234. a despeito de haver restrição contratual à alienação das cotas.02. SOCIEDADE DE RESPONSABILIDADE LIMITADA. 2.186). Julgamento em 27/01/1958. Deve-se apenas facultar à sociedade. DJ 29. I . CONTROVÉRSIA DOUTRINÁRIA E JURISPRUDENCIAL. superar essa conclusão demandaria incursão no acervo fático-probatório da causa. em consonância com os artigos 1. Ministro CARLOS ALBERTO MENEZES DIREITO. NÃO COMPROVAÇÃO DA EXPRESSÃO ECONÔMICA.2000.05. Rel.Descabe o conhecimento do especial quanto ao pedido de relativização da ordem de gradação dos bens indicados à penhora.1958). esta não pode ser admitida como válida. II . “eis que sequer juntou aos autos cópia do mesmo”.2006. remir o bem ou concederse a ela e aos demais sócios a preferência na aquisição das cotas.No que se refere à alegação de que os demais sócios do empreendimento são contrários à venda das cotas. arts. grifamos.117. devendo ser “facultado à sociedade. Recurso especial não conhecido. As quotas. (REsp 712. Havendo. cumpre respeitar a vontade societária. 3. Rel. asseverou o acórdão recorrido não ter o recorrente se desobrigado do ônus da sua prova. que restaria comprometida com a participação de um estranho não desejado. FGV DIREITO RIO 112 .118 e 1.391/MG. SOCIEDADE POR COTAS DE RESPONSABILIDADE LIMITADA. 241).2002 p.2000. a tanto por tanto (CPC. PENHORA DE COTAS DE SOCIEDADE DE RESPONSABILIDADE LIMITADA. Recurso especial não conhecido. TERCEIRA TURMA. grifamos. DESATENDIMENTO DA GRADAÇÃO LEGAL.Ademais. a possibilidade de remir a execução. na qualidade de terceira interessada. conceder-se a ela e aos demais sócios a preferência na aquisição das cotas.680/RS. Ministro CASTRO FILHO. Ministro CARLOS ALBERTO MENEZES DIREITO. à mingua de qualquer previsão legal. PENHORA DAS COTAS SOCIAIS. grifamos. se o recorrente não se desincumbiu do ônus de comprovar a expressão econômica daqueles que pretendia dar em substituição aos já penhorados. pouco importando a restrição contratual. PENHORA DE QUOTAS. PRIMEIRA TURMA. preservando-se a afectio societatis. considerando que não há vedação legal para tanto e que o contrato não pode impor vedação que a lei não criou.1. EXECUÇÃO.2006 p. Rel. como já acolhido em precedente da Corte.118 e 1. INDEFERIMENTO DE PEDIDO DE SUBSTITUIÇÃO. cláusula impediente. 113).12.2001 p. (REsp 148. PROCESSO CIVIL. julgado em 15. julgado em 14. TERCEIRA TURMA.117. A penhora não acarreta a inclusão de novo sócio.02. em princípio. 1. são penhoráveis. ÔNUS DO DEVEDOR. Precedentes. DÍVIDA DE SÓCIO. NELSON HUNGRIA. III .119 do estatuto processual civil. 1. de modo que. Recurso conhecido e provido.

2006 p. O fato do contrato de compra e venda dos bens encontrar-se em nome da. se a FGV DIREITO RIO 113 . PENHORA DE BEM IMÓVEL PERTENCENTE À EMPRESA DA QUAL O FALECIDO ERA SÓCIO MAJORITÁRIO.08. DJ 09.06. Impenhorabilidade reconhecida. nem partilha dos seus bens.PENHORABILIDADE DAS COTAS DO CAPITAL SOCIAL. (REsp 757. TERCEIRA TURMA. I do mesmo Código que afirma impenhoráveis os bens inalienáveis. não pode a penhora recair sobre bem dessa.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa SOCIEDADE POR COTAS DE RESPONSABILIDADE LIMITADA .P. PERTENCENTES AOS SÓCIOS.04. da qual o espólio detém cotas. DES.DECIMA SEGUNDA CAMARA CIVEL. Comprovado está que a dívida é do Espólio. seja em virtude de proibição expressa. grifamos. PENHORA DAS QUOTAS SOCIAIS. grifamos. INEXISTÊNCIA DE QUALQUER HIPÓTESE QUE AUTORIZE A CONFUSÃO DOS PATRIMÔNIOS. IMPOSSIBILIDADE. não é lícita a penhora das quotas sociais em execução movida contra a pessoa jurídica. A proibição de alienar as cotas pode derivar do contrato. a morte de um dos sócios não acarreta sua dissolução da sociedade. TERCEIRA TURMA. TJ/RJ) – grifamos. com a pessoa de seu falecido sócio. mas a que.15. salvo consentimento expresso de todos os demais sócios. DÍVIDA DA SOCIEDADE DE RESPONSABILIDADE LIMITADA. Hipótese em que o contrato veda a cessão a estranhos. que a sociedade foi constituída “intuitu personae”. (2005. julgado em 30. RECURSO ESPECIAL. Agravo que se conhece. EM RAZÃO DE DIVIDA CONTRAÌDA PELO DE CUJUS. e.1993 p.882/RS. POSSIBILIDADE. DJ 12. EXECUÇÃO PROMOVIDA CONTRA ESPÓLIO. MIN. e não da empresa apelada. HUMBERTO GOMES DE BARROS. Rel. 482). julgado em 20. – Salvo em hipóteses taxativamente previstas em lei. agravante não a torna proprietária exclusiva dos bens se estes foram empregados na sociedade e se o capital social foi totalmente integralizado.002. O fato de terem os sócios integralizado o capital social no momento da constituição da sociedade. O artigo 591 do C. ressalva as restrições estabelecidas em lei. Em que pese o débito ter sido constituído pelo sócio majoritário da apelada. Ministro EDUARDO RIBEIRO. já que os bens da sociedade por cotas de responsabilidade limitada não se comunicam com os adquiridos pela pessoa física de seus sócios.230). torna os bens adquiridos para tal finalidade econômica de propriedade da sociedade.06.Julgamento: 13/09/2005 . Entre elas se compreende a resultante do disposto no artigo 64.AGRAVO DE INSTRUMENTO. Rel. com todos os seus bens. pois o que se está executando é o acordo firmado entre aquele e o ora apelante.2006.1993.865/SP.. do qual não fez parte a recorrida. AGRAVO DE INSTRUMENTO. Assim. pelo cumprimento de suas obrigações. dispondo que o devedor responde. de seu contexto. se nega provimento. se. ARROLAMENTO DE BENS DE SOCIEDADE. Por isso. EMBARGOS DE TERCEIRO. conseqüentemente. seja quando se possa concluir. em hipótese alguma o imóvel deixará de pertencer à empresa apelada Não se pode confundir a pessoa jurídica da empresa. NOMEAÇÃO DE SÓCIO COMO FIEL DEPOSITÁRIO. HENRIQUE MAGALHAES DE ALMEIDA . (REsp 34. pelo contrato social. o patrimônio dos sócios não responde por dívidas da sociedade.07916 .C. EXECUÇÃO.

PROVA OBJETIVA. Des. c) Na sociedade limitada empresária. ainda que representado por propriedade rural. 42.SEÇÃO DE SÃO PAULO. desde que autorizada a abertura do capital da sociedade empresária.EXAME DE ORDEM .Apelação Cível. PROVA OAB/MG . FGV DIREITO RIO 114 . 128º EXAME DE ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL . são seus bens que devem garantir a execução. Desprovimento do recurso. (2005. 49. A quota de capital de uma sociedade empresária (A) pode ser negociada em bolsa de valores. a cessão de quotas entre sócios de uma sociedade limitada (A) é livre.SEÇÃO DE SÃO PAULO. Na omissão do contrato social. depende da deliberação dos sócios a aprovação das contas da administração. (B) pode ser negociada em bolsa de valores. PROVA OBJETIVA. VERSÃO 1. b) É nula a estipulação contratual que exclua qualquer sócio de participar dos lucros e das perdas. foi contraída pelo falecido. desde que autorizada pela Assembléia Geral dos sócios. TJ/RJ). enquanto não tiver o seu capital totalmente integralizado. (C) depende da aprovação de metade do capital social.DEZEMBRO/2007 81ª Questão: Sobre o Capital social da sociedade limitada: a) é admitida a sua formação com base em prestação de serviços pelos sócios a favor da sociedade. no registro próprio e na forma da lei.Décima Quinta Câmara Cível. dos seus atos constitutivos. assinale a alternativa INCORRETA: a) A sociedade adquire personalidade jurídica com a inscrição. grifamos. d) Em nenhuma hipótese a sociedade limitada empresária poderá reduzir o seu capital 124º EXAME DE ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL . (D) depende da aprovação de 3/4 do capital social. 1ª FASE. 1ª FASE. (D) não pode ser negociada em bolsa de valores. Questões de ConCursos 24º EXAME DE ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL . (B) depende da aprovação de metade dos sócios presentes em reunião.SEÇÃO DO RIO DE JANEIRO. PROVA OBJETIVA.52831 . e não os da empresa da qual era sócio. Direito Comercial 47 .Julgamento: 01/02/2006 . 1ª FASE. b) é admitida a sua formação por bem imóvel. Sergio Lucio Cruz .Com relação às sociedades personificadas.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa dívida. (C) não pode ser negociada em bolsa de valores.001.

FGV DIREITO RIO 115 . a quem seja sócio. pela assembléia dos sócios que os eleger.ABRIL/2008 77ª Questão: Na sociedade limitada.EXAME DE ORDEM . d) o sócio que pagou sua participação no capital social com bem imóvel responde solidariamente com a sociedade pela exata estimação do seu valor pelo prazo de dois anos. o sócio pode ceder sua quota. a qualquer título. c) nas sociedades de responsabilidade limitada o sócio responde pelas obrigações existentes no momento do ingresso e pela integralização de sua cota a partir daí.EXAME DE ORDEM . PROVA OAB/MG . independentemente de audiência dos outros sócios. b) pode perder as cotas adquiridas. total ou parcialmente.EXAME DE ORDEM . d) responde sozinho perante credores por dívidas da sociedade. d) nas sociedades de responsabilidade limitada o sócio cotista dissidente não responde após o registro da alteração de sua retirada. sem direito de receber de volta o que houver pago. PROVA OAB/DF . d) Depende da deliberação dos sócios a designação dos administradores. quando tais lucros ou quantias se distribuírem com prejuízo do capital. quando feita em ato separado. PROVA OAB/RS . assinale a assertiva incorreta.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa c) todos os sócios respondem subsidiariamente em relação à sociedade pela exata estimação do valor do bem imóvel que compõem o capital social pelo prazo de dois anos. c) A remuneração dos membros do conselho fiscal instituído será fixada. c) nas sociedades de responsabilidade limitada o sócio responde pelas obrigações existentes no momento do ingresso e pela integralização de sua cota a partir daí. anualmente. a) Os sócios serão obrigados à reposição dos lucros e das quantias retiradas. o sócio remisso: a) pode ser cobrado pela via da ação executiva.AGOSTO/2006 81ª Questão: Ainda quanto à responsabilidade ordinária dos sócios é correto afirmar que: a) nas sociedades de responsabilidade ilimitada o sócio que nela ingressa mediante aumento do capital social responde somente pelas obrigações a partir de seu ingresso. b) nas sociedades de responsabilidade ilimitada os sócios que se retiram ficam obrigados pelas obrigações contraídas até o momento da despedida por um período de dois anos a partir do arquivamento da alteração contratual . salvo quando autorizadas pelo contrato. b) Na omissão do contrato.DEZEMBRO/2007 24ª Questão: Tratando-se de sociedade limitada.

deduzidos os juros da mora. b) Na sociedade limitada. cabendo uma ou diversas a cada sócio. a responsabilidade de cada sócio é restrita ao valor de suas quotas e os sócios que já integralizaram as suas quotas apenas respondem subsidiariamente pela integralização do capital social. d) Para a formação do capital social é permitida contribuição que consista em prestação de serviços. PROVA OAB/RJ . b) No caso de condomínio de quota. os direitos a ela inerentes somente podem ser exercidos pelo condômino representante ou pelo inventariante do espólio do sócio falecido. somente a quem seja sócio.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa PROVA OAB/MG . com relação à formação do capital social e sua divisão em quotas. contados da data da publicação da ata de assembléia que aprovou a redução. d) O capital social não pode ser reduzido. a) O capital social divide-se em quotas. c) A redução do capital social pode ser feita sem modificação do contrato. iguais e desiguais. FGV DIREITO RIO 116 . PROVA OAB/RS .ABRIL/2006 24ª Questão: Nas sociedades limitadas. tomá-la para si ou transferi-la a terceiros. até o prazo de 5 anos da data do registro da sociedade. d) Na sociedade limitada. b) A redução somente se tornará eficaz se não for impugnada no prazo de 90 (noventa) dias. havendo omissão do contrato. o sócio pode ceder sua quota. salvo se houver perdas irreparáveis para a sociedade. excluindo o primitivo titular e devolvendo-lhe o que houver pago.EXAME DE ORDEM . c) Pela exata estimação de bens conferidos ao capital social respondem solidariamente todos os sócios.ABRIL/2006 95ª Questão: Assinale a alternativa CORRETA: a) Sócio remisso é aquele que não cumpre o dever de integralizar sua parcela no capital social.EXAME DE ORDEM . c) Na sociedade limitada. não integralizada totalmente a quota de sócio remisso. total ou parcialmente. não pode a sociedade reduzir o capital. os outros sócios podem. total ou parcialmente.EXAME DE ORDEM . podemos afirmar que: a) Salvo expressa previsão no contrato social. apenas. mesmo após integralizado.DEZEMBRO/2006 31º EXAME DE ORDEM RJ 56ª Questão: Em relação à diminuição do capital social de uma sociedade limitada. as prestações estabelecidas no contrato mais as despesas. assinale a assertiva incorreta.

Uma sociedade limitada possui quinze sócios.SEÇÃO DO RIO DE JANEIRO . PROVA DISCURSIVA.PROVA DISCURSIVA .ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa PROVA CONCURSO PúBLICO/MG . sendo doze majoritários e três minoritários.2ª FASE. De que forma estes sócios minoritários podem assegurar a defesa de seus direitos? Aponte o fundamento legal. XXXIX CONCURSO PARA INGRESSO NA MAGISTRATURA DE CARREIRA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO. b) O patrimônio social líquido corresponde à totalidade de ativos da sociedade deduzido o capital social. c) Na sociedade empresária limitada. d) Nas sociedades anônimas. a) O patrimônio social não pode ser inferior ao capital social. 27º EXAME DE ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL . 2ª FASE.No capital social de uma sociedade limitada empresária. FGV DIREITO RIO 117 . defina qual é a natureza jurídica da cota. a alienação de bens do ativo permanente. assinale a alternativa CORRETA. compete ao conselho de administração autorizar. o capital social pode ser integralizado com a prestação de serviços. se o estatuto não dispuser em contrário. os quais representam um quinto do capital social.SEÇÃO DO RIO DE JANEIRO.2007 59ª Questão: Quanto às sociedades. 2ª QUESTÃO (VALOR: TRÊS PONTOS): Que opções têm os sócios da sociedade limitada em relação ao sócio remisso? (VALOR: UM PONTO E MEIO). Direito Comercial.JUIZ . 4 . 4 . 2ª Prova Específica. 29º EXAME DE ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL .

I . obtendo o reembolso da quantia correspondente ao seu capital. Sérgio Campinho. as sociedades limitadas (então chamadas de sociedades por quotas de responsabilidade limitada) eram reguladas pelo Código Comercial e. de tomar decisões. até à data do registro definitivo da modificação do estatuto social. assiste aos sócios que divergirem da alteração do contrato social a faculdade de se retirarem da sociedade. em atenção ao direito dos minoritários e com a possibilidade de abuso por parte do majoritário. Fábio Ulhoa Coelho. Ricardo Negrão. 9ª edição.708/1919205. nos mais casos todos os negócios sociais serão decididos pelo voto da maioria. 1. igualmente. contudo. e as explicitamente indicou no art. porém. ou melhor. FGV DIREITO RIO 118 .071 não é taxativo. 205 206 in manual de Direito comercial e de Empresa.370. O Código Civil. A reunião ou assembléia de sócios é o órgão máximo da sociedade. saraiva: são paulo/2005. é o cérebro da cOELHO. – Páginas 424 a 432 do Curso de Direito Comercial. Nas palavras do Prof. pág. Saraiva/2004.430. saraiva/2004. em suma. ementário de temas – Assembléias e Reuniões – Conselho Fiscal 203 art. a exigência de os sócios reuniremse em assembléia. o art. 1. “a vontade do sócio ou dos sócios titulares de mais da metade do capital social era suficiente para qualquer deliberação”204. Ficam. pág. 204 roteiro de auLa Já aprendemos que antes do advento do novo Código Civil. Há outras situações que.º 3. obrigados às prestações correspondentes às quotas respectivas. Ricardo Negrão. Leitura CompLementar – Páginas 242 a 255 de O Direito de Empresa à luz do Novo Código Civil. na parte em que essas prestações forem necessárias para pagamento das obrigações contraídas. pelo Decreto nº 3. não foram mencionadas naquele dispositivo e que. José Edwaldo Tavares Borba. para eleger e fixar remuneração dos membros do conselho fiscal (art. desde logo.070.I . especificamente. No tocante a disciplina das deliberações dos sócios. “o rol do art.4ª edição. Saraiva: São Paulo/2005. – Páginas 122 a 125 do Direito Societário. 15. onde está localizado o poder de deliberar. 7ª edição. 1. 5ª edição Renovar/2005.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa AUlA 15: MECANISMOS DE fORMAÇÃO DA vONtADE SOCIAl E SUA fISCAlIZAÇÃO Nesta aula discutiremos a leitura do(s) seguinte(s) capítulo(s): – Páginas 368 a 371 do Manual de Direito Comercial e de Empresa. Renovar: Rio de Janeiro/2004. retirar-se da sociedade.708 de 10 de janeiro de 1919. 1. 331 . dada sua especificidade. 15 do Decreto n. 7ª edição.4ª edição. 331203 do Código Comercial estabelecia o princípio da maioria. art. parágrafo único)”206. Fábio ulhoa in curso de Direito comercial. sendo permitindo ao sócio que divergisse (da maioria).a maioria dos sócios não tem faculdade de entrar em operações diversas das convencionadas no contrato sem o consentimento unânime de todos os sócios. definiu a necessidade de se alcançar uma maioria qualificada para aprovação de diversas matérias e deliberação colegiada em reunião ou assembléia. dependem de deliberação dos sócios. vol.071. ou seja. computado pela forma prescrita no artigo nº. conforme disposição do art. na proporção do último balanço aprovado. como por exemplo. 486.068) e para estabelecer a remuneração do contabilista assistente (art. Vol.

“é importante a apresentação da ata de assembléia ou reunião ordinária a arquivamento e averbação. em primeira convocação. art.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa sociedade. sendo permitido ao sócio ser representado por outro sócio ou advogado com mandato específico. ser evitado pelas sociedades limitadas que. §1º do Código Civil.073. devendo o instrumento ser levado a registro. não seria conveniente em virtude do maior formalismo. a lei estabelece uma competência secundária. Assim. no mesmo sentido: sérgio campinho. 212 art. reunião ou assembléia deve ser convocada atendendo ao dispositivo do art. I e II do Código Civil. Contudo. 1. 1. §3º do código civil.)”216. do local. quorum de instalação. Como adverte Modesto Carvalhosa. e encaminhada a registro nos 20 dias subseqüentes. § 3º do Código Civil. ser oposto a terceiro (artigo 1. que irá gerar custo e risco de nulidade. 1. 210 in O Direito de Empresa à luz do novo código civil. 13. portanto. e com qualquer número em segunda. que deve ser obedecida por todos207.152. 1. §3º do código civil. sendo certo. que o ato sujeito a registro não pode.077 do código civil. ele pode estabelecer regras próprias sobre a sua periodicidade.072.074 do código civil. A ata deve ser assinada pelos membros da mesa e pelos sócios participantes da assembléia. antes do cumprimento das respectivas formalidades. trás como novidade o registro da ata dos trabalhos e deliberações em livro específico (Livro de Atas). §2º do código civil. convocação (competência e modo). data. Uma vez aprovada determinada deliberação. 211 para Ricardo negrão. §1º do código civil. por unanimidade. No tocante às regras formais pertinentes às assembléias serem aplicadas às reuniões. mesmo a sociedade limitada constituída com menos de 10 (dez) sócios. e não da data de sua realização. in comentários ao código civil – parte Especial – Do Direito de Empresa – vol. pois. conforme esteja previsto no contrato social.078. outro órgão ou pessoas à convocação do encontro de sócio”212. O Prof. Aos sócios dissidentes caberá o direito de recesso. saraiva/2003.072. 1.152. é de pequeno porte. Serão sempre em assembléia. por escrito.246. como veremos a seguir. pág.072. a convocação é dever legal do administrador que também pode ser realizada pelos sócios e pelo conselho fiscal (se houver). que se contará o prazo prescricional de dois anos para se anular a aprovação do balanço patrimonial e o de resultado econômico previsto no parágrafo 4º do artigo 1. 214 215 216 art. Sérgio Campinho211 leciona que esta “competência primária é conferida ao órgão de administração da sociedade.075.071 do Código Civil serão adotadas em reunião. já que estas se aplicam apenas quando omisso o contrato social”218. hora e ordem do dia214. curso e registro de trabalhos. contudo. ficam dispensadas se todos os sócios comparecerem ou se declararem cientes. para Fábio ulhoa coelho. As formalidades para a convocação213. também. Assim não sendo. pág. contudo. devendo. 208 209 art.cit. A competência para a convocação de reunião ou assembléia é do administrador. §5º do código civil. Até então resta evidenciado que o mecanismo de deliberação social em assembléia é dotado de formalidade. em sua maioria. assim. a soma das vontades dos sócios torna-se uma única vontade – a vontade social. em documento por escrito209. poderá optar pela forma de assembléia para suas deliberações sociais. a competência dos sócios e do conselho fiscal é concorrente. entretanto a lei prevê também a realização de reunião ou assembléia de sócios. poderão os sócios e o Conselho Fiscal – se tiver sido instalado – fazer a convocação para reunião ou assembléia na forma estabelecida pelo artigo 1. 1. 5ª edição Renovar/2005. 217 218 Op. como já tratado na aula 10. 1. nos casos específicos em lei208. FGV DIREITO RIO 119 . Ressalte-se que.072. 207 art. como publicação em jornais.154 do NCC. A assembléia se instala com a presença de ¾ do capital social. Fábio Ulhoa Coelho217 esclarece que “se o contrato social estabelece que as deliberações dos sócios sobre as matérias do art. o Prof. O art. art. de forma excepcional.429. é a partir daí. 1. 1. se o número de sócios for superior a 10 (dez)210. legitimando. juntamente com a ata215. As deliberações sociais podem ser alcançadas. 213 art. 1. Na prática. pode estabelecer regras diferentes das previstas na lei para a validade da assembléia dos sócios.

então. ou. in Direito societário.078 do cc.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa Vimos. Apesar da crítica. A nova sistemática introduzida pelo Código Civil de 2002 fará com que. pág. que o Código Civil definiu a necessidade de se alcançar uma maioria qualificada para aprovação de diversas matérias. e nunca para menor. transformação societária não prevista no ato constitutivo. pelo menos uma vez ao ano. Esta “gigantesca revolução” recebeu duras críticas do Prof. Nomeação de administrador não sócio desde que o capital 2/3 do Capital Social: 67% do Capital já esteja integralizado. b) de outro lado. quebrando-se o principal mérito da sociedade limitada. unanimidade: 100% do Capital Social alteração do Contrato Social. sendo interesse evitar um rápido e grande desfalque na sociedade. poderá se prever um prazo mais longo para o pagamento dos haveres. quando o capital não tiver sido integralizado. sua destituição e o modo de remuneração ½ +1 do Capital Social: 51% do Capital do(s) administrador(es) não feita em contrato. cessação do estado de liquidação. que antes prevalecia. Na prática. ½ +1 do Capital Social: 51% do Capital aprovação de contas da administração. aprovação do plano de recuperação judicial ou extrajudicial. se o contrato não exigir maioria mais elevada. José Edwaldo Tavares Borba uma vez que. por exemplo: a) uma sociedade com poucos sócios e com grande concentração de capital nas mãos de apenas um. como o prazo menor para o pagamento de apuração de haveres. FGV DIREITO RIO 120 . os sócios poderão prever no contrato social quoruns mais específicos. foi substituída por normas legais imperativas. trata-se de norma imperativa. 2/3 do Capital Social: 67% do Capital Nomeação. direito a eleição em separado de um integrante e seu 1/5 do Capital Social: 20% do Capital suplente no Conselho Fiscal. nomeação e ½ +1 dos presentes a convocação destituição dos liquidantes e o julgamento de suas contas. sendo somente possível modificá-los para maior. não se prevendo nenhuma outra matéria exigindo um quorum qualificado para deliberar. 9ª edição. se o Conselho for instituído no Contrato Social. que era a flexibilidade normativa”219. pois o que a lei estabeleceu foram os parâmetros mínimos de votos favoráveis. seja realizada uma reunião ou assembléia para aprovação das contas da administração e deliberação de demais assuntos. com vistas às peculiaridades da sociedade e ao pólo a ser protegido (do majoritário ou do minoritário). estabelecer quorum superior ao montante de quotas do majoritário para o maior número de situações possível. sendo interesse deixar ampla liberdade ao sócio controlador. 219 220 art. porque detentor da maioria do capital social. 1. mas em ato separado. os quoruns são necessários para as deliberações sociais.123. Renovar: Rio de janeiro/2004. representando os minoritários. denominada de reunião ou assembléia anual ordinária220. coarcta-se a autonomia da vontade. que estabelecem maiorias especiais para diversas situações. ou seja. dissolução 3/4 do Capital Social: 75% do Capital da sociedade. incorporação. o controle da lei deve ser o limite. “a liberdade contratual. fusão. destituição de sócio nomeado administrador no Contrato Social. Com isso. DElIbERAÇõES NO NOvO CóDIGO CIvIl Deliberação Quorum Necessário Para Aprovação unanimidade: 100% do Capital Social Nomeação de administrador não sócio. nos quatro meses seguintes ao término do exercício social.

ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa

Convém destacar que a sociedade limitada poderá ter órgãos para a administração da sociedade, como por exemplo, o Conselho de Administração e Diretoria, bem como comitês de assessoramento, financeiro e executivo. Além disso, nada impede que a sociedade limitada faça uso do acordo de quotistas231, adotando-se as regras do artigo 118 da Lei 6404/76. Confira-se o texto232: Acordo de Quotistas - Importante ferramenta empresarial O Acordo de Quotistas é um contrato particular efetivado entre os sócios de uma sociedade limitada, que estabelece normas de conduta, obrigações e responsabilidades na gestão societária, as quais deverão ser cumpridas por todos os contratantes. Sua legalidade funda-se na possibilidade conferida pelo art. 997 c.c. art. 1.054, ambos do Código Civil, aos sócios em constituir entre si regras especiais para a regência da sociedade limitada. Vejamos:
“Art. 997. A sociedade constitui-se mediante contrato escrito, particular ou público, que, além de cláusulas estipuladas pelas partes (...). (...). Art. 1.054. O contrato mencionará, no que couber, as indicações do art. 997, e, se for o caso, a firma social”. (grifamos).

Neste acordo, situações como os limites da administração, eleição de administrador, função de cada sócio e/ou administrador, forma de cessão de quotas, quorum de votação, procedimentos e forma de pagamentos das quotas em caso de exclusão, liquidação, morte e outros, serão detalhadamente definidos, facilitando a administração. Outra importante função deste Acordo é o fato dele tratar de especial ferramenta para Planejamento Sucessório, pois estabelece regras ditadas pelos interessados quanto a comunicabilidade de quotas e bens, o usufruto, a doação, o ingresso de herdeiros e sucessores, o conselho de administração, o conselho familiar, os casos de arbitragem e outros pontos que se fizerem necessários dependendo da característica empresarial e familiar. Conclui-se, portanto, que sua função principal é harmonizar as decisões sociais, dando uma maior tranqüilidade aos sócios, evitando desconfortos eventuais que possam surgir, enfim, assegura aos sócios e administradores maior segurança para administrar situações conflituosas de maneira lícita, bem como facilitar a sucessão patrimonial e o papel dos herdeiros na sociedade. No que se refere a validade do acordo de quotista, é importante ressaltar que os ajustes conveniados vinculam “os sócios signatários nas suas relações diretas e pessoais, porque não inválidos, podendo invocar suas disposições específicas uns contra outros [1]”. Porém, para que produzam efeitos perante terceiros, isto é, aqueles não firmaram o pacto separado, sócios ou não sócios, os ditos ajustes devem estar em total acordo com as disposições do contrato social (art. 997, parágrafo único, do Código Civil). Diante disso, é incontestável a importância do Acordo de Quotistas, bem como o Código Civil não mais deixa dúvidas sobre sua legalidade e validade ao prevê-lo expressamente em seu art. 997, parágrafo único, de aplicação ao regime das sociedades limitadas por força do art. 1.054 do mesmo diploma legal. [1]CAMPINHO, Sérgio. O direito de empresa à luz do novo Código Civil, 2ª edição, Renovar, Rio de Janeiro, 2003, p. 89.

O Enunciado de nº 384 elaborado durante a IV jornada de Direito civil traz uma interpretação sobre o uso do acordo de acionistas interessante para as holdings que são sociedades limitadas. Ele estabelece que “é admissível o acordo de sócios, por aplicação analógica das normas relativas às sociedades por ações pertinentes ao acordo de acionistas”.
231 232 http://www.flp. c o m . b r / n o t i c i a s _ zo o m . php?urlId=604acesso em 19 de janeiro de 2009, às 03:31horas.

FGV DIREITO RIO

121

ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa

o Conselho fiscal na sociedade limitada Uma outra novidade prevista no Código Civil de 2002 é a possibilidade da sociedade limitada, por meio do contrato social, instituir um conselho fiscal. Explica-se esta faculdade das sociedades limitadas em virtude da grande maioria delas ser constituída de atividades de pequeno e médio, com um número reduzido de sócios e cuja administração é exercida por todos221 (ou quase todos). Uma vez estabelecido, o conselho fiscal deve funcionar de forma permanente, pois ou existe e funciona, ou, simplesmente não existe – diferente do que ocorre com a sociedade por ações222. Ele deve ser composto por três ou mais membros e respectivos suplentes, sócios ou não, residentes no Brasil223. O exercício do cargo é de um ano e em cada assembléia anual deverão ser escolhidos os membros do conselho fiscal e fixados seus honorários224. Os membros do conselho fiscal respondem solidariamente perante a sociedade e os terceiros prejudicados, por culpa no desempenho de suas funções. Seus deveres estão elencados no art. 1.069 do Código Civil. É vedado o exercício das funções de conselheiro, não podendo do Conselho fazer parte, àqueles listados no art. 1.066 §1º do Código Civil225. No intuito de esclarecer o porquê do membro da administração da sociedade ou de controlada por ela, não poder fazer do conselho fiscal, o Prof. Ricardo Negrão explica que “o conselho fiscal é órgão que deve manter-se independente da administração que fiscaliza, daí a razão pela qual os membros da administração não podem participar desses atos, sob pena de se confundirem numa só pessoa sua, execução e fiscalização, tornando-se órgão meramente referendário e, portanto, dispensável”.

221 n.a. como a finalidade básica do conselho fiscal é fiscalizar a administração, seria incompatível sua existência numa sociedade onde todos os sócios são administradores.

Caso gerador Igor Mosso, Izan, Orlando e Camila e mais dez pessoas são sócias de uma sociedade limitada, cujo objeto é a reparação de aeronaves. Igor, além de ser administrador da sociedade, cuidando de todos os negócios, especialmente a importação das peças de reposição, é detentor de 52% do capital social. Os sócios Izan, Orlando e Camila estão preocupados porque desde a entrada em vigor do Código Civil de 2002, a sociedade não promoveu a alteração do seu contrato social, tampouco realizou as reuniões anuais para aprovação das contas da administração. Esses sócios justificam sua preocupação no fato de que todas as vezes que foram tratar do assunto com Igor, esse alega que tudo está perfeito, e ainda lhes lembra que compete a ele deliberar sobre as contas e adotar as providências societárias, por ser ele o majoritário. Qual é o seu parecer?

Lei 6.404/1969. art. 161. a companhia terá um conselho fiscal e o estatuto disporá sobre seu funcionamento, de modo permanente ou nos exercícios sociais em que for instalado a pedido de acionistas.
222 223 224 225

art. 1.066 do código civil. art. 1.068 do código civil.

JurisprudênCia A legitimidade para convocação de reunião ou assembléia, foi objeto de decisão do STJ no Recurso Especial nº 493.297/SP (abaixo), que reconheceu a validade de reunião convocada por sócio de sociedade limitada detentor de 50% do capital social. Embora a

art. 1.011, §1º. “além das pessoas impedidas por lei especial, os condenados a pena que vede, ainda que temporariamente, o acesso a cargos públicos; ou por crime falimentar, de prevaricação, peita ou suborno, concussão, peculato; ou contra a economia popular, contra o sistema financeiro nacional, contra as normas de defesa da concorrência, contra as relações de consumo, a fé pública ou a propriedade, enquanto perdurarem os efeitos da condenação”. art. 1.066, §1º. “...os membros dos demais órgãos da sociedade ou de outra por ela controlada, os empregados de quaisquer delas ou dos respectivos administradores, o cônjuge ou parente destes até o terceiro grau”.

FGV DIREITO RIO

122

ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa

decisão seja fundamentada no Decreto n.º 3.708/1919, o acórdão menciona o artigo 1.073, I do Código Civil de 2002. SOCIEDADE DE RESPONSABILIDADE LIMITADA. ASSEMBLÉIA. CONVOCAÇÃO. Legalidade da convocação feita por sócio titular de 50% do capital social, mediante notificação com dez dias de antecedência, para assembléia a se realizar na sede de uma das empresas coligadas. Recurso não conhecido. (REsp 493.297/SP, Rel. MIN. RUY ROSADO DE AGUIAR, QUARTA TURMA, julgado em 24.06.2003, DJ 01.09.2003 p. 298). O inteiro teor do acórdão referente ao REsp 493.297/SP segue transcrito com destaque nos trechos mais importantes : RELATÓRIO O MINISTRO RUY ROSADO DE AGUIAR: Gonzallo Gallardo Diaz agravou da r. decisão que, nos autos da ação cautelar ajuizada por Juan José Campos Alonso e José Paz Vasquez, deferiu liminar impedindo o agravante de convocar reuniões extraordinárias de sociedade limitada para resolução de assuntos do interesse da sociedade empresarial. A egrégia Terceira Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça de São Paulo deu provimento ao agravo, nos termos da seguinte ementa: “Sociedade Limitada. No silêncio do contrato e do Decreto-Lei 3708⁄1919, admite-se a iniciativa do sócio detentor de 50% do capital social para a convocação de reunião ou assembléia de sócios (como já autorizado no novo Código Civil, art. 1.073, I), por se tratar de proposição do interesse da sobrevida da sociedade comprometida pela ruptura da affectio societatis. Não incidência da Lei 6404⁄76. Provimento para cassar a decisão que suspendeu a convocação” (fl. 379).” Rejeitados os embargos declaratórios, os agravados interpuseram recurso especial (art. 105, III, a, da CF), alegando violação aos arts. 18 do Decreto-Lei 3708⁄19; 128 do CPC; 123, 124, caput e parágrafos 1º e 2º, e 243 da Lei 6404⁄76. Sustentam irregularidades e, conseqüentemente ilegalidades quanto: a) à competência para a convocação da reunião extraordinária; b) ao local escolhido para a realização da reunião; c) à ausência de publicação de anúncio, bem como de tratar-se ou não de primeira ou segunda convocação. Alegam que o v. acórdão, ao conceder direito ao recorrido de realizar reunião, desrespeitou os limites da lide, “pois como efeito da cassação da medida liminar, bastaria a declaração de que o ora recorrido poderia realizar nova notificação extrajudicial, sem a observância das formalidades previstas pela Lei das S⁄As, amparado na decisão provisoriamente favorável ao então agravante, cabendo a este, logicamente, providenciar a devida notificação extrajudicial”. Dizem que “a determinação legal de aplicabilidade subsidiária das normas da sociedade anônima para suprir as omissões do capítulo das limitadas afasta inteiramente a aplicação das normas da sociedade simples, conferindo um mínimo de garantia aos direitos dos sócios”. Pedem a reforma do v. aresto recorrido para que seja restabelecida a liminar. Admitido o recurso, com as contra-razões, vieram-me os autos. É o relatório.
FGV DIREITO RIO 123

Ed. Desse modo. é ele. A falta de publicação de anúncio não é causa a justificar o conhecimento e o provimento do recurso. p. 243 da Lei das S⁄A não foi pré-questionada. quando divergentes os sócios majoritários”. 13). Julgou-se suficiente a prévia convocação. Ed. depois de analisar o silêncio do Decreto nº 3708⁄1919. Enio Zuliani: “Excesso de formalismo poderá colocar em risco a dinâmica empresarial e comprometer a organização administrativa. terá a incumbência do desempate. com o prazo razoável de dez dias úteis. Saraiva. o r. p. pelas razões expostas. 123 da Lei das S⁄A. Aquele que titulariza um décimo das quotas. sobre a existência de um grupo de empresas coligadas. Ocorre que o r. a despeito de sua pequena participação societária. o tema relacionado com a disposição contratual. o que justificava a indicação do endereço de uma delas. uma vez que o rigorismo formal contido no ensinamento transcrito nas razões é apropriado para as sociedades anônimas. considerando a negativa a tal direito uma indevida restrição ao sócio detentor de 50% das quotas. uma vez que desatendida a sua determinação de aplicar as disposições da Lei 6404⁄76 no que não foi regulado pelo estatuto social. Observo que sobre isso foi invocado julgamento anterior do mesmo Tribunal. A regra do art. Tocante ao local escolhido para a realização da assembléia.é indispensável na vida das sociedades limitadas.como expressão substancial e não formal de deliberação coletiva . acerca do processo de convocação: “A reunião ou assembléia de quotistas . É preciso regular os atos da sociedade de forma simples e segura. 2. O primeiro argumento exposto pelos recorrentes reside na ofensa ao art. Nesse ponto. 2001. embora os sócios devam ser consultados nas decisões mais importantes da sociedade. 3708⁄19. que se divorciam apenas na personificação legal” (fl. mas deve realizar-se para FGV DIREITO RIO 124 . É o que afirma Fábio Ulhoa Coelho (Curso de Direito Comercial. volume 2. O sócio que contribui com mais da metade do capital social. nem todos têm condições de influir. a respeito do exercício da gerência. 4. sobre a competência para a convocação de assembléia geral. Isto porque o direito de participação do sócio na sociedade é correspondente ao seu capital social ou mede-se o seu poder de acordo com o grau de seu investimento”. 391). Transcrevo do bem lançado voto do Dr. a solução decorreu do exame da matéria de fato.Estudo comparativo.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa VOTO O MINISTRO RUY ROSADO DE AGUIAR (Relator): 1. acórdão acentuou a existência do direito do sócio minoritário de convocar a assembléia. 1987. não pode ser aqui revisto. no conteúdo destas. e na parte aplicável. em caso de divergência entre estes últimos. próprias das sociedades por ações. 3. numa sociedade em que os outros dois sócios têm 45% cada. sem o requinte da intensa publicidade que se exige nas anônimas. neste sentido. reconhecendo que as empresas “são almas gêmeas. Saraiva. não podem ser inteiramente obedecidas no caso dos autos. quem delibera. delibera sozinho. No que diz com a alegada violação ao art. 416): “A extensão do direito de participar das deliberações sociais é proporcionar à quota do sócio no capital social. acórdão recorrido bem explicou as razões pelas quais a formalidade para as decisões assembleares. portanto. Confira-se a posição de Egberto Lacerda Teixeira (Sociedades Limitadas e Anônimas no Brasileiro . 18 do Dec. Essa reunião ou assembléia não se reveste da solenidade das assembléias anônimas. o que não se justificava no caso dos autos. com sua vontade ou entendimento.

Ensaio sobre a sociedade de responsabilidade limitada. particularmente os relativos à discussão e aprovação do balanço. É o voto. íntimo. pela vontade de sócios. todavia. por unanimidade. § 1º. E a reunião convocada é de vital importância para o destino e preservação da sociedade. 5. O art. Ministro-Relator. Ausente. 309. deve orientar-se nesse particular: oito dias de antecedência na primeira convocação e cinco dias na segunda. p. se outro local não for designado contratualmente. São Paulo. QUOTAS DE SOCIEDADE LIMITADA. Aldir Passarinho Junior. Dispensa-se. ACÓRDÃO Vistos. Saraiva. nem objeto dos embargos de declaração. A convocação se fez de forma regular e da deliberação poderá resultar a alteração do contrato social por decisão majoritária. da Lei 6404⁄76. opostos para outro fim. AÇÃO CAUTELAR E ORDINÁRIA DE IMISSÃO NA POSSE DE LIQUIDANTE DA EMPRESA. eleição de gerentes etc. 24 de junho de 2003(Data do Julgamento). 1977. correção monetária do capital realizado. Ministros Fernando Gonçalves. 232. Sálvio de Figueiredo Teixeira e Cesar Asfor Rocha votaram com o Sr. conforme admite Rubens Requião em parecer publicado na obra ‘Aspectos Modernos de Direito Comercial’. DISSOLUÇÃO DE SOCIEDADE. ocasionalmente. Daí a necessidade de disciplinar o modo de realização de reuniões coletivas (ainda que para assinatura de instrumentos de alteração do contrato social) de modo a resguardar os interesses dos sócios. Os Srs. que nos dias atuais há vultosos interesses envolvidos nas sociedades limitadas. pois. mas reforça-se a conveniência do aviso pessoal dirigido ao endereço registrado do sócio. Ministro-Relator. Ocorre. Ed. Incide a Súmula 7⁄STJ. A reunião deve realizar-se na sede da sociedade. O silêncio do Decreto nº 3708⁄19 talvez se explique pelo caráter fechado. relatados e discutidos estes autos.” O agravante declinou os assuntos em pauta e os contratos sociais não descredenciam sua iniciativa. com razoável antecedência. A regra supletiva do art. o Sr. acordam os Ministros da QUARTA TURMA do Superior Tribunal de Justiça. p.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa apreciação dos atos fundamentais da vida social. 128 do CPC não foi examinado no julgamento da apelação. consentimento dos demais. para habilitar sócio a convocar reunião. nos termos do voto do Sr. não conhecer do recurso. que representem a maioria do capital social (Sylvio Marcondes Machado. Brasília (DF). obviamente. 124. na conformidade dos votos e das notas taquigráficas a seguir. A affectio societatis é um estado comprometido e a prova maior da divergência reside na notificação anterior para exercício de preferência (mantida pelo julgamento do AgIn. com presença de expressivos contingentes minoritários que não podem ficar à mercê do capricho das maiorias ou dos administradores.213-4). exatamente porque a alteração do contrato de sociedade de responsabilidade limitada pode ser feita. das pequenas sociedades limitadas do seu tempo. declaração de dividendos. 1940. Faltou. 160)” (fls. 387⁄391). o requisito da convocação por editais publicados na imprensa oficial e diária. Ministro Barros Monteiro. de modo que não seria lógico exigir. FGV DIREITO RIO 125 . o necessário prequestionamento.

d) A existência de conselho fiscal é facultativo nas sociedades empresárias e obrigatória nas sociedades por ações de capital aberto. pelo menos trimestralmente. Uma sociedade pode ter ou não conselho fiscal. Tribunal de Justiça do RS.DIREITO COMERCIAL. SEÇÃO DE SÃO PAULO . Relator: Ana Maria Nedel Scalzilli. conforme defina o contrato social.TIPO 2. a lei exige como “quorum” mínimo para que a deliberação dos sócios seja tomada: a) Os votos correspondentes a mais da metade do Capital Social. deixando de comunicar a realização do ato e de oportunizar aos minoritários o direito de preferência na aquisição nas cotas remanescentes. PROVA OBJETIVA . No referente a esse conselho. b) É livre a cessão de quotas de capital se não houver oposição de titulares de mais de ¼ (um quarto) do capital social. APELAÇÃO NÃO CONHECIDA. PROVA DO CONCURSO PARA JUIZ DO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SERGIPE (01/02/04). a) A destituição do administrador de sociedade empresária exige a deliberação de sócios cujos votos representem mais da metade do capital social. FGV DIREITO RIO 126 . Julgado em 25/11/2004). grifamos.PROVA 1ª FASE . É dever dos membros do conselho fiscal examinar. Assinale a afirmativa INCORRETA. Liminar de imissão de posse indeferida. 69. julgue os itens que se seguem. Questões de ConCursos 28º EXAME DE ORDEM. d) A unanimidade dos votos dos cotistas integrantes do Capital Social. 45.1ª FASE. Falta de interesse recursal.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa É de todo irregular a convocação apenas dos sócios majoritários para Assembléia que decide a dissolução da sociedade por quotas. 1. c) Os votos correspondentes a 3/4 (três quartos) do Capital Social. DIREITO COMERCIAL. 127º EXAME DE ORDEM. c) O uso da firma ou denominação social é privativa dos administradores que tenham os necessários poderes. SEÇÃO DO RIO DE JANEIRO . (CORRETA) 2. o estado do caixa da sociedade. confirmada em sede de agravo. bem como dos sócios titulares da maioria das quotas que compõem o capital social. Uma inovação trazida pelo Código Civil para as sociedades limitadas foi a previsão de constituição de conselho fiscal. (Apelação Cível Nº 70007326689. 39 . Quinta Câmara Cível.Na modificação de um contrato social de uma sociedade limitada. b) A maioria dos votos dos presentes à Assembléia Geral.

O contrato social é omisso sobre essa hipótese. Alberto só poderá ceder suas quotas a Carlos se João não se opuser.ABRIL/2007 32º EXAME DE ORDEM RJ 87ª Questão: Na omissão do contrato social. Nas sociedades limitadas. PROVA OAB/BR . PROVA OAB/MG . b) é eficaz quanto à sociedade na data da celebração do contrato de cessão.MARÇO/2005 12ª Questão: Nas sociedades limitadas: a) o sócio pode integralizar as cotas que subscrever prestando serviços à sociedade. 3. para aquelas que se beneficiem de tratamento tributário favorecido para micro e pequenas empresas. d) só é válida se for assegurada aos demais sócios a preferência de adquirir as quotas em idênticas condições às oferecidas pelo sócio adquirente. assinale a opção correta.EXAME DE ORDEM . poderia fazê-lo. a) A cessão das quotas de Alberto opera efeitos perante terceiros desde o momento em que for aperfeiçoada. independentemente de averbação no respectivo órgão de registro.AGOSTO/2007 86ª Questão: Os irmãos João Silva e Carlos Silva constituíram sociedade limitada com Alberto Souza. b) Caso Alberto tivesse optado por ceder suas quotas a terceiro estranho à sociedade. c) as omissões do contrato social são. para modificar o contrato social. b) o contrato social não pode conter previsão admitindo a administração da sociedade por aquele que dela não seja sócio. e sair da sociedade. nomeação dos gerentes e prestação de contas destes. somente nas hipóteses de que a sociedade deva deliberar sobre a aprovação das contas dos administradores. a cessão de quotas da sociedade limitada de um sócio para outro sócio da mesma sociedade a) depende da audiência prévia dos demais sócios para se aperfeiçoar.EXAME DE ORDEM . a deliberação dos sócios em assembléia é obrigatória 1. a sociedade poderá continuar suas atividades sob sua firma original. de acordo com o Código Civil. se o número de sócios for superior a dez. c) é oponível a terceiros na data da averbação do instrumento correspondente. d) De acordo com o Código Civil. em regra. Após algum tempo. sob a firma social Silva & Souza Comércio de Bebidas Limitada.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa PROVA DO CONCURSO PARA JUIZ DO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO PARANÁ (2003). 2. PROVA OAB/RJ . Com relação a essa situação hipotética. FGV DIREITO RIO 127 . 4. Alberto resolveu alienar suas quotas a Carlos. desde que não houvesse oposição de titulares de mais de um quarto do capital social. supridas pela Lei das Sociedades por Ações.EXAME DE ORDEM . c) Após a alienação das quotas de Alberto. desde que firmada por todos os sócios.

assinale a assertiva correta. PROVA OAB/RS .AGOSTO/2006 19ª Questão: Sobre as sociedades empresárias que adotam a forma societária de uma limitada. b) Na omissão do contrato social. 3 . FGV DIREITO RIO 128 . 23º EXAME DE ORDEM.DIREITO COMERCIAL. necessariamente sócios.Nos termos do Novo Código Civil. a qualquer pessoa. c) A sociedade pode ser administrada por uma ou mais pessoas designadas no contrato social.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa d) não é obrigatória a constituição de conselho fiscal. d) O Código Civil veda a instituição de conselho fiscal nas sociedades limitadas. SEÇÃO DO RIO DE JANEIRO . o conselho fiscal é órgão obrigatório na sociedade limitada? Justifique a resposta. o sócio pode ceder sua quota.2ª FASE. quanto por previsão do contrato social. se essa for a vontade dos sócios. tanto por decisão da assembléia. a) A aprovação das contas da administração depende da deliberação dos sócios em reunião ou assembléia.EXAME DE ORDEM . As deliberações infringentes do contrato social ou da lei tornam ilimitada a responsabilidade dos sócios que expressamente as aprovaram. Poderá ser instituído. independentemente de audiência dos outros sócios. total ou parcialmente. PROVA DISCURSIVA .

FGV DIREITO RIO 129 . vimos que a exclusão de sócio por decisão dos demais sócios. saraiva. – Sociedade por prazo determinado e Sociedade por prazo indeterminado. – Páginas 438 a 439 (credores do sócio e patrimônio social) e 492 a 497 (recesso do sócio e cessão de quotas) do Curso de Direito Comercial vol I. atlas. pg. – Páginas 119 a 121(apuração dos haveres da Simples) e 203 a 206 (Ltda) e 216 a 221(apuração dos haveres da Ltda.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa AUlA 16: DIREItO DE REtIRADA. são paulo/2004. 9ª edição. Fábio ulhoa in curso de Direito comercial vol. – Páginas 71 a 76 (apuração de haveres) e 130 a 131(direito de recesso) do Direito Societário. roteiro de auLa: Analogamente à exclusão de sócio. Portanto. são paulo/2004. Gladston in Direito societário: sociedades simples e Empresária. Rubens Requião. este “direito é inerente à titularidade de quotas sociais. representando a maioria do capital social. Ricardo Negrão. Leitura CompLementar. 226 227 mamEDE. o sócio só poderá ser excluído por via judicial em decorrência da prática de atos de inegável gravidade para com a sociedade e. denominado também de recesso ou dissidência”226. 02. somente é possível se prevista contratualmente a “justa causa”. Caso contrário. a retirada é uma forma de dissolução parcial do vínculo societário. Saraiva. quando a maioria dos outros sócios assim decidir. Renovar/2005.. Saraiva: São Paulo/2005. pois apresenta um conflito de perspectivas relevantes para o Direito: de um lado temos os direitos e interesses da coletividade que poderão ser prejudicados pela descapitalização decorrente da liquidação cOELHO.155. APURAÇÃO DE hAvERES. nesta auLa disCutiremos a Leitura do(s) seguinte(s) CapÍtuLo(s): – Páginas 314 a 315 (Simples) e 377 a 378 (Ltda) do Manual de Direito Comercial e de Empresa. – Forma de apuração dos haveres: balanço de determinação (jurisprudência e artigos do Código Civil). José Edwaldo Tavares Borba. 5ª edição. O direito de retirada é um “tema juridicamente tormentoso”227. todo sócio que não tem mais a vontade de continuar na sociedade poderá retirar-se dela. ementário de temas: – Princípio constitucional da livre associação. pg.) de O Direito de Empresa à luz do Novo Código Civil.434. 8ª edição. Sérgio Campinho. bAlANÇO DE DEtERMINAÇÃO Na aula passada. Renovar/2004. 25ª edição. São Paulo/2003. – Direito de recesso.

(Incluído pela Lei nº 9. a sociedade controladora ou outras sociedades sob seu controle detiverem menos da metade 233 FGV DIREITO RIO 130 . 1. 231 232 art. com a apuração dos haveres e de outros direitos previstos no contrato social. 137.. se tratar de qualquer modificação do contrato social. Este dispositivo vai de encontro ao que se defende na doutrina. Nas deliberações sociais da sociedade. o que pode comprometer o desenvolvimento das suas atividades (função social da empresa). após a notificação. definido pela comissão de Valores mobiliários. Nas sociedades por prazo indeterminado. 5ª edição.ninguém poderá ser compelido a associar-se ou a permanecer associado. à liberdade. campInHO. garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no país a inviolabilidade do direito à vida.029 (quando a sociedade for contratada por prazo indeterminado) – retirada imotivada.. Através de uma notificação230 (judicial ou extrajudicial) aos demais sócios.) XX . sérgio in O Direito de Empresa à luz do novo código civil. Se a sociedade for de prazo determinado. bastando ao minoritário a resignação com as decisões ou então o exercício do direito de recesso. na deliberação social que aprovou a modificação do contrato social. de 2001) a) liquidez. Via de conseqüência. art. não terá direito de retirada o titular de ação de espécie ou classe que tenha liquidez e dispersão no mercado. integre índice geral representativo de carteira de valores mobiliários admitido à negociação no mercado de valores mobiliários. 1. 45).029 do Código Civil.. A outra possibilidade do exercício do direito de retirada tem por base o princípio da maioria. somente terá direito de retirada o titular de ações de espécie ou classe prejudicadas. 1. esforçar-se para alienar suas quotas e não se retirar. o sócio não poderá se desvincular sem a concordância dos demais sócios. será permitida a utilização do disposto no art. quando o acionista controlador.. “sendo levada em consideração para sua criação e funcionamento a capacidade de contribuições dos sócios para a formação do capital social. de 1997) II . Neste sentido. obriga os signatários229 a honrarem com as cláusulas que foram livremente pactuadas entre eles. sem distinção de qualquer natureza. variando de acordo com a duração da sociedade conforme dispõe o art. que goza da proteção constitucional referente à liberdade de associação prevista no art. 1. deve adimplir tal ajuste. ou certificado que a represente.pg 205. considerando-se haver: (Redação dada pela Lei nº 10. mediante reembolso do valor das suas ações (art. ao estabelecer distinção do direito de recesso para o caso da sociedade contratada por prazo determinado e para o caso da sociedade contratada por prazo indeterminado. caso o sócio não pretenda continuar na sociedade poderá alienar suas quotas (a cessão de quotas é livre). Em se tratando de sociedade de capitais.029 do código civil.404/76. Em caso de divergência. 136. XX da Constituição da República228. a lei limita as hipóteses de recesso232 (Lei 6. o sócio retirante deverá ajuizar ação para aquele fim. O aspecto positivo do art. a maioria comandará quais decisões serão tomadas (princípio da maioria – participação societária com direito de voto). estão os direitos e interesses do sócio.nos casos dos incisos I e II do art. Em havendo o reconhecimento judicial de uma “justa causa” (denúncia motivada). por outro lado. a retirada do sócio pode ser obtida em Juízo.303. à segurança e à propriedade. 136 dá ao acionista dissidente o direito de retirar-se da companhia. à igualdade.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa das quotas do sócio retirante. a aprovação das matérias previstas nos incisos I a VI e IX do art. 228 art. ao retirar-se. em regra. neste caso. e (Redação dada pela Lei nº 10. o sócio dissidente informará aos demais sócio sua vontade de retirar-se da sociedade. enquanto não vencido o prazo fixado para a duração da sociedade (denúncia imotivada). Aprendemos que o contrato social é um negócio jurídico e. que prevê apenas a saída do sócio da sociedade. A natureza capitalista da sociedade de intuito per capitae relega a figura do sócio a um plano secundário. o sócio terá apurado seus haveres.077 do Código Civil prevê a possibilidade de retirada de forma ampla. Assim. deve haver um consenso entre sócio retirante e sócios remanescentes no tocante a apuração de haveres e outros valores. o direito de retirada é corolário da natureza contratual das sociedades. n. o sócio descontente com a deliberação deve. 136.077. Renovar/2005. Portanto. dando a entender. onde vige o princípio de que ninguém é obrigado a ficar preso a uma sociedade por toda a sua vida. não havendo acordo.303. por exemplo. 137233)”.303. no Brasil ou no exterior. observadas as seguintes normas: (Redação dada pela Lei nº 10. os direitos e interesses da minoria vencida. por aquele que votou contra a operação e foi vencido.a. 229 230 art. A retirada do sócio pode ocorrer em diversas situações. 5º Todos são iguais perante a lei. com antecedência mínima de 60 dias231. 1. nos termos seguintes: (. o sócio que se obrigou a permanecer na sociedade por tempo determinado.. O art.077 do Código Civil está em reconhecer o direito de recesso do minoritário (ou da minoria). 219 do código civil. serão protegidos pela regra do art.nos casos dos incisos IV e V do art. art.457. quando a espécie ou classe de ação. ocasionando desencaixe financeiro para a sociedade. de 2001) I . de 2001) b) dispersão. não implicando tal fato em dissolução da sociedade. pois o direito de retirada deve ser a exceção para evitar a “indústria do recesso”. como tal. 1. 5º.

a regra para a apuração de haveres é a de que seja realizado um balanço especial de determinação – também chamado de “balanço empresarial”. em princípio deve ser operada a redução do capital social na proporção das quotas que ele possuía. 1. Neste caso. não há dissolução da sociedade.000. a estipulação contratual não é intocável. A apuração de haveres diferencia-se da liquidação por se tratar da dissolução do vínculo de um sócio em relação à sociedade. Diante dessa situação. 136. RH. deverá conter todos os direitos e deveres que “comportem expressão pecuniária”235. a apuração do valor das quotas do sócio retirante se faz. serão necessários dois procedimentos: a determinação do patrimônio da sociedade e a definição do quinhão correspondente a cada um dos sócios. prioritariamente.. deverá determinar a aplicação da regra geral com a apuração dos haveres verificada através de um “balanço especialmente levantado”. de 2001). O balanço empresarial e o contábil possuem discrepâncias. o Enunciado da súmula nº 265 do supremo Tribunal Federal estabelece que “na apuração de haveres não prevalece o balanço não aprovado pelo sócio falecido. (Redação dada pela Lei nº 10. levando-se em consideração os valores prováveis de liquidação dos bens componentes do patrimônio da sociedade à data da resolução234. ou (Incluída pela Lei nº 10. Porém.o prazo para o dissidente de deliberação de assembléia especial (art. (Incluída pela Lei nº 10. por se tratar de direito inerente à condição de sócio. O sócio que saiu vai dizer que quer receber R$ 100. mantendo íntegro o capital social. não há escrituração do valor que se aproxime à realidade. Além disso. Com a retirada do sócio – motivada. da espécie ou classe de ação. mantendo-se a sociedade. Mas. LOGÍSTICA. contabilmente. de 2001) IV . KNOW-HOW. Exemplo: um site como o “GOOGLE”. o parágrafo segundo do art.166. em outras palavras. § 1o) será contado da publicação da respectiva ata.303.o pagamento do reembolso somente poderá ser exigido após a observância do disposto no § 3o e.no caso do inciso IX do art. de 2001) VI . de 2001) III . ESTRATÉGICA. pg. a “briga” ficará em torno da apuração dos haveres. a discussão se dará em torno da APURAÇÃO DE HAVERES. seja porque ele é remisso. Entretanto. como já estudamos. 234 neste sentido. mamEDE. Gladston in Direito societário: sociedades simples e Empresária.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa Assim. Nesse contexto.303.303. de 2001) c) participação em grupo de sociedades. de 2001) b) redução do dividendo obrigatório. se for o caso. Toda vez que um sócio sai da sociedade. De acordo com o art. mas somente do vínculo de um dos sócios.303.00 e a sociedade vai dizer que pagará R$ 10. 235 FGV DIREITO RIO 131 . para tanto. 136. para se chegar ao quinhão do sócio que se retirou. na dissolução surge um novo órgão. Todos esses itens são extremamente valiosos.. na forma prevista no contrato social. somente haverá direito de retirada se a cisão implicar: (Redação dada pela Lei nº 10. 1031 do Código Civil.031 do Código Civil. Realizado o pagamento ao ex-sócio.303.303.303. enquanto na apuração de haveres a relação se desenvolve entre o sócio e a sociedade. são paulo/2004. podendo ser objeto de impugnação quando demonstrada a sua ilicitude ou abusividade. pois não mais existe a contribuição que justificava a existência das quotas.o reembolso da ação deve ser reclamado à companhia no prazo de 30 (trinta) dias contado da publicação da ata da assembléia-geral. o liquidante. Pode-se dizer que o balanço contábil “ficou para trás” no âmbito empresarial porque não contempla a MARCA. (Redação dada pela Lei nº 10. ou seja. faz-se necessária a apuração dos seus haveres. de 2001) a) mudança do objeto social. (Incluída pela Lei nº 10. salvo quando o patrimônio cindido for vertido para sociedade cuja atividade preponderante coincida com a decorrente do objeto social da sociedade cindida. ferindo a garantia constitucional do direito à propriedade. porque foi expulso ou porque ele se retirou. de 2001) V . traduzindo o valor real de quanto “vale” a participação societária no mercado. o sócio dissidente poderá exercer o direito de recesso nos trinta dias subseqüentes à reunião que deliberou sobre a modificação do contrato social. os demais sócios poderão adquirir ou alienar aquelas quotas.. salvo disposição em contrário do contrato social. quando há realmente a possibilidade do exercício do direito de recesso. esta verificação física e contábil.303. o sócio fará jus à liquidação da sua quota (ou quotas).00. Uma vez definido o valor a ser recebido a título de apuração dos haveres. motivado o Judiciário. (Incluído pela Lei nº 10. estabelece que o mesmo deve ser pago no prazo de 90 dias contados da liquidação da quota. da ratificação da deliberação pela assembléia-geral. Normalmente a discrepância é de 80% a 90% porque a sociedade vai querer pagar com base no balanço contábil e o sócio vai querer receber com base no balanço empresarial.. (Redação dada pela Lei nº 10. atlas. onde poucas pessoas trabalham. quanto deve valer? É quase impossível de se mensurar pois. haja vista a livre manifestação da vontade das partes. imotivada ou exclusão. excluído ou que se retirou”.000.

708/1919. 303) – grifamos. p/ Acórdão Ministra NANCY ANDRIGHI. FGV DIREITO RIO 132 .ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa Caso gerador.08. I.2005 p. III.2005 p. Rel. Ari Mendes e seus 03 irmãos são sócios da Pizzaria MASSAS E COMESTÍVEIS LTDA. AÇÃO DE APURAÇÃO DE HAVERES. e na presente demanda. Dissídio não configurado. 15. Deficiência de prequestionamento a impedir o exame do especial em toda a sua extensão.10.Quando o sócio exerce o direito de retirada de sociedade limitada por tempo indeterminado. DJ 30. julgado em 18. e não. Ari poderá exercer o direito de retirada? b) Havendo anuência dos sócios para a cessão das quotas de Ari. (REsp 646. a questão se modifica? c) E se fosse uma sociedade contratada por prazo determinado de 80 (oitenta) anos? JurisprudênCia: COMERCIAL E PROCESSUAL CIVIL. admite-se que a apuração dos haveres se faça pelo levantamento concreto do patrimônio empresarial. Recurso especial não conhecido.221/PR. V. discute-se o critério de apuração dos seus haveres. DISSOLUÇÃO PARCIAL DE SOCIEDADE LIMITADA POR TEMPO INDETERMINADO. tornado irreversível o seu afastamento da sociedade. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL NÃO CARACTERIZADA. COISA JULGADA NÃO IDENTIFICADA. . Ministro HUMBERTO GOMES DE BARROS. Cada sócio é detentor de 25% do capital social que já se encontra integralizado. Afastado o sócio minoritário por desavenças com os demais. apenas apreciando-se tal tema desfavoravelmente ao mesmo.11. Apavorado com a violência do Rio de Janeiro.05. Rel. EXEGESE. REPDJ 08. APURAÇÃO DE HAVERES.2005 p. . 3. RECURSO ESPECIAL.A data-base para apuração dos haveres coincide com o momento em que o sócio manifestar vontade de se retirar da sociedade limitada estabelecida por tempo indeterminado. DJ 14.617/AM. Recurso especial conhecido e provido. II. Ministro ALDIR PASSARINHO JUNIOR. QUARTA TURMA.2005. PREQUESTIONAMENTO DEFICIENTE. Não se configura coisa julgada se na ação anterior o sócio excluído buscava a anulação do ato que o excluiu. a sentença apenas declara a dissolução parcial. 324) – grifamos. IV.2005. (REsp 130. DECRETO N. efeitos ex tunc. Pergunta-se: a) Sabendo que a sociedade foi contratada por prazo indeterminado. Ari resolve retira-se da sociedade. DIREITO SOCIETÁRIO. MOMENTO. RETIRADA DO SÓCIO. ART. TERCEIRA TURMA. CRITÉRIO DE LEVANTAMENTO PATRIMONIAL. com base no último balanço patrimonial aprovado antes da ruptura social. incluído o fundo de comércio. 373.04. julgado em 19. gerando. exclusivamente. Rel. portanto.

ainda. Rel. Em ação de dissolução parcial de sociedade comercial. o juiz deferiu perícia. O acórdão recorrido entendeu que houve violação ao disposto no art. Balanço de Determinação STJ – INFO 176 SOCIEDADE COMERCIAL.AÇÃO DE DISSOLUÇÃO PARCIAL – CITAÇÃO DA PESSOA JURÍDICA. pela apuração da realidade da empresa. I . mas se deixou de definir o tempo a ser considerado para apuração dos haveres. determinou a forma de apuração dos haveres dos sócios retirantes. uma vez que cabe ao juiz encontrar a justa partilha a cada um dos sócios de acordo com suas quotas. 342) PROCESSUAL CIVIL. PRAZO.2003 p. levando em conta. SENTENÇA. Acórdão que afirma serem inconfundíveis a pessoa do sócio e sociedade por ele integrada. dispensa a citação da pessoa jurídica.06. sobre o período a apurar na perícia encarregada de avaliar o patrimônio da empresa. julgado em 10/6/2003. (REsp 515. UNICIDADE. APURAÇÃO DOS HAVERES. PAGAMENTO DE HAVERES. decisão que. Tal aresto não diverge de outro que. Rel. DJ 22. Apuração de haveres. Precedente da Corte Especial (ERESP 404. Em 2000. julgada procedente. A alteração da anterior decisão. não pode ser fracionada para efeito de ação rescisória. dentre outras. não ofende o disposto no art. (grifamos) EMENTA: DISSOLUÇÃO DE SOCIEDADE COMERCIAL. 471 do CPC. FGV DIREITO RIO 133 . Não se pode falar.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa PROCESSUAL – EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA – SÓCIO – SOCIEDADE . REsp 515. de incumbência do juiz. o escopo visado pela citação da pessoa jurídica. Decisão. Ministro HUMBERTO GOMES DE BARROS. em 1999. Min. pois se trata de simples providência. Iniciada a liquidação para apuração dos haveres.2003 p. CONTAGEM. 471 do CPC.2003. CORTE ESPECIAL. com a retirada dos sócios demandantes. para atribuir a cada sócio a quantia que mais se aproxime do valor real de sua quota. e como tal. Rel.09.650/RJ. QUARTA TURMA. proferiu outra decisão.2003. os fatos supervenientes. AÇÃO RESCISÓRIA. Ruy Rosado. julgado em 10. em ação de dissolução parcial de sociedade.06. em trânsito em julgado parcial. 165) – grifamos. julgado em 07. DISSOLUÇÃO PARCIAL DE SOCIEDADE COMERCIAL. DJ 09. A Turma proveu o REsp para restabelecer a decisão agravada.05. Recurso conhecido e provido. definindo que seria realizado balanço com a realidade da empresa em 31/12/1990 (último balanço antes da retirada) e a apuração do fundo de comércio pela média dos últimos oito anos (1991 a 1998). (EREsp 332.A sentença é una. na hipótese.O prazo para ajuizar ação rescisória é contado a partir do trânsito em julgado da decisão no último recurso interposto. Ministro RUY ROSADO DE AGUIAR. apurado pela média dos últimos oito anos (1992 a 1999).681/PR.777-DF). entendendo que a alteração da decisão anterior sobre o período de apuração da perícia para avaliação do patrimônio da empresa não ofendeu o artigo citado. DISSOLUÇÃO.681-PR. II . determinando outro balanço especial em 31/12/1999 e o fundo de comércio pelo preço de mercado na mesma data. sob o fundamento de que todos seus sócios cotistas integraram o processo alcançou. TRÂNSITO EM JULGADO. no caso há uma demora na realização dos atos judiciais de avaliação. houve trânsito em julgado. pois.

(D) econômico de suas quotas na data do efetivo pagamento. V . Precedentes.DIREITO COMERCIAL. VI . TERCEIRA TURMA. 45. Resolvendo-se o vínculo de um sócio com a sociedade empresária de que faz parte. apurado em perícia judicial. A Assembléia Geral Extraordinária da Companhia Brasileira de Secos e Molhados. V) é preciso que a norma legal tida como ofendida tenha sofrido violação em sua literalidade. direito a ela não teria o sócio-retirante. XXXIX CONCURSO PARA INGRESSO NA MAGISTRATURA DE CARREIRA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO. IV . seus haveres serão pagos com base no último balanço levantado. não há como se fazer ilação para afirmar que. DJ 12. Merovides (A) não poderá exercer o direito de retirada. Merovides. evitando locupletamento indevido dos sócios remanescentes. Rel. deverá fazer-se de outra forma? Fundamente a resposta. (B) econômico de suas quotas à data da resolução. acionista detentor de 10% (dez por cento) de ações preferenciais sem direito de voto. na hipótese de retirada ou exclusão de sócio.2005.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa III .Na dissolução de sociedade comercial. Dispondo o contrato social que. 485. 2ª Prova Específica. não compareceu à assembléia e discorda da alteração.1ª FASE . (REsp 453. (C) só poderia exercer o direito de retirada se tivesse comparecido à assembléia. (VALOR: UM PONTO E MEIO) .2005 p.Declarando o perito judicial que mencionou a marca HSM como componente de fundo de comércio. 125º EXAME DE ORDEM – SEÇÃO SÃO PAULO .09. seus haveres sociais serão pagos de acordo com o critério do valor (A) patrimonial de suas quotas na data da resolução. PROVA OBJETIVA. 46. apurado em balanço especial. Ministro ANTÔNIO DE PÁDUA RIBEIRO. conforme a cotação em bolsa de valores. por não expressar o último balanço a realidade patrimonial da empresa. sociedade anônima fechada.Recurso especial conhecido e provido para cassar o acórdão proferido na ação rescisória. (B) poderá exercer o direito de retirada.476/GO.12. Questões de ConCursos Com gabarito ofiCiaL. FGV DIREITO RIO 134 . (C) patrimonial de suas quotas na data do efetivo pagamento. e não havendo previsão contratual a respeito. (D) só poderia exercer o direito de retirada se a companhia fosse aberta. art. não registrada no INPI a referida marca. a apuração de haveres no caso de sócio retirante deve ser feita como se de dissolução total se tratasse. é acolhível a alegação do retirante ou excluído de que a apuração.Para que a ação rescisória seja acolhida por violação a dispositivo de lei (CPC. 369) – grifamos. deliberou a mudança de seu objeto social. apurado em balanço especial. julgado em 01.

ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa

AUlA 17: DIREÇÃO DAS AtIvIDADES EMPRESARIAIS
Nesta aula discutiremos a leitura do(s) seguinte(s) capítulo(s): – Páginas 366 a 367 do Manual de Direito Comercial e de Empresa. Vol.I .4ª edição. Ricardo Negrão. Saraiva: São Paulo/2005. – Páginas 222 a 238 de O Direito de Empresa à luz do Novo Código Civil. Sérgio Campinho. 5ª edição Renovar/2005.

Leitura CompLementar – Páginas 446 a 451 do Curso de Direito Comercial. Fábio Ulhoa Coelho. 7ª edição. Saraiva/2004. – Páginas 107 a 112 do Direito Societário. 9ª edição. José Edwaldo Tavares Borba. Renovar: Rio de Janeiro/2004.

ementário de temas – Administração ou Diretoria. – Conselho de Administração. – Deveres do administrador. – Órbita de poder. – Responsabilidade do administrador. – Teoria Ultra Vires x Teoria da Aparência. – Projeção da responsabilidade do administrador em outros campos do Direito. – PL 2426/2003.

roteiro de auLa Sabemos que a pessoa jurídica não possui corpo físico capaz de concretizar os atos necessários à realização de seu objetivo. A sua vontade (alcançada na assembléia ou na reunião) será materializada por uma ou mais pessoas. As pessoas que exteriorizam a vontade da sociedade são chamadas de administradores (ou diretores). Elas atuam como se fosse a própria sociedade, praticam atos em nome da sociedade, pois que esta última não age de per si. Quando o administrador ou diretor assina um cheque ou negocia uma operação, quem está agindo (praticando o ato de empresa) é a sociedade e não o administrador. Foi exatamente por essa razão que PONTES DE MIRANDA, com base na teoria orgânica236, sustentou que a pessoa jurídica não podia ser representada pelo seu órgão administrativo, como dispunha o art. 17 do Código Civil de 1916237, pois este nada mais é do que um membro do todo. O ato do órgão é, na verdade, ato da própria pessoa jurídica. Não haveria, portanto, representação, mas sim uma PRESENTAÇÃO, sendo o Administrador verdadeiro PRESENTANTE da sociedade.

236 a teoria orgânica ou da realidade objetiva prega que junto a pessoas naturais, que são realidades físicas, existem os organismos sociais, constituídos pelas pessoas jurídicas, as quais têm existência e vontade próprias, distintas da de seus membros, tendo por finalidade a realização de seus objetivos sociais.

“as pessoas jurídicas serão representadas, ativa e passivamente, nos atos judiciais e extrajudiciais, por quem os respectivos estatutos designarem, ou, não o designando, pelos seus diretores”.
237

FGV DIREITO RIO

135

ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa

Nas palavras de Pontes de Miranda que introduziu a terminologia no Direito Privado Brasileiro:
“De ordinário, nos atos da vida, cada um pratica, por si, os atos que hão de influir, ativa ou passivamente, na sua esfera jurídica. Os efeitos resultam de atos em que o agente é presente; pois que os pratica, por ato positivo ou negativo. A regra é a presentação, em que ninguém faz o papel de outrem, isto é, em que ninguém representa” 238. “Quando o órgão da pessoa jurídica pratica o ato, que há de entrar no mundo jurídico como ato da pessoa jurídica, não há representação, mas presentação. O ato do órgão não entra, no mundo jurídico, como ato da pessoa, que é órgão, ou das pessoas que compõe o órgão. Entra no mundo jurídico como ato da pessoa jurídica, porque o ato do órgão é ato seu.” 239

Nesse sentido, acerca da natureza jurídica da Administração da sociedade, uma parte da doutrina entende tratar-se de simples mandato - teoria da representação. Nossa lei filiou-se à teoria orgânica ao “estabelecer no art. 1.018 clara distinção entre a função do administrador e a do mandatário”. (Ricardo Negrão in Manual de Direito Comercial e de Empresa. Saraiva/2005). Da mesma forma, o Prof. José Edwaldo Tavares Borba entende que “o administrador é órgão da sociedade, não se confundindo, pois, com o procurador. Este, por força de um mandato, representa a sociedade num âmbito restrito dos poderes que lhe forem conferidos”. (in Direito Societário, Renovar/2004). Por fim, entendendo que o órgão da sociedade não representa, mas presenta, conclui Pontes de Miranda:
“O órgão da pessoa jurídica não é representante legal. A pessoa jurídica não é incapaz. O poder de presentação, que ele tem, provém da capacidade mesma da pessoa jurídica; por isso mesmo, é dentro e segundo o que se determinou no ato constitutivo, ou nas deliberações posteriores. A presentação é judicial ou extrajudicial (art.17 CC/1916)” 240.

Vimos então que o administrador (ou diretor) integra o órgão da sociedade chamado de Administração (ou Diretoria) que, no plano interno, administra a empresa, e, externamente, manifesta a vontade da pessoa jurídica. O contrato social deve designar quem tem poderes para presentar a sociedade, bem como os limites desses poderes. Pode o contrato social designar indiscriminadamente todos os sócios para presentar a sociedade. Disso não decorre, porém, que os sócios que ingressem após a criação da sociedade, na qualidade de cessionários ou sucessores de sócio administrador, sejam também administradores241. Deverá existir disposição expressa na alteração contratual ou em instrumento apartado, para agirem como tais. Importante, pois, que o contrato distribua as funções e atribua os poderes de administração, evitando-se, assim, a prática de atos em excesso pelos mesmos por falta de discriminação explícita das suas funções. O Código Civil trás relevante inovação quando estabelece a possibilidade de terceiros serem administradores de sociedade limitada, o que antes ocorria somente nas sociedades anônimas242. Assim, a sociedade limitada poderá ter como administrador, pessoa que não seja sócio (se o contrato social assim o permitir). A designação dessas pessoas, porém, depende de

238

Tratado de Direito privado – Tomo III – 3ª edição – Rio de janeiro/1970. p. 231.
239 240

Op.cit. p. 233.

Tratado de Direito privado – Tomo I – 4ª edição – Revista dos Tribunais/1977. p.412. art. 1.060, parágrafo único do código civil.
241 242 Lei 6.404/76. art. 146. poderão ser eleitos para membros dos órgãos de administração pessoas naturais, devendo os membros do conselho de administração ser acionistas e os diretores residentes no País, acionistas ou não. (Redação dada pela Lei nº 10.194, de 2001). grifamos

FGV DIREITO RIO

136

ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa

aprovação unânime dos sócios, no caso do capital social, ainda não estar integralizado, ou de 2/3 (dois terços) se já houver a integralização (art. 1.061). Verifica-se que o legislador deixou ao critério dos sócios tal regramento. Optando por uma sociedade limitada com um perfil mais conservador de administração, conservará em seu poder a administração (não prevendo no contrato social a administração por não-sócio). Querendo imprimir um perfil profissionalizante da administração, onde terceiros podem administrá-la, deverá haver previsão contratual expressa neste sentido. O administrador não-sócio, designado em ato separado, deverá firmar termo de posse no livro de atas da administração, no prazo de até trinta dias da data de sua designação, sob pena da nomeação perder a validade. Tanto a nomeação quanto a destituição ou renúncia do administrador devem ser averbadas no prazo de dez dias seguintes a cada ato, no registro competente (art. 1.063). Cabe ao administrador, ao término de cada exercício social, proceder à elaboração do inventário, do balanço patrimonial e do balanço de resultado econômico, com observância das regras contidas nos artigos 1.186, 1.187, 1.188 e 1.189 do Código Civil. Outra novidade do Código Civil diz respeito à expressão “sócio-gerente” que foi substituída por administrador ou diretor, haja vista a sociedade limitada poder ser gerida também por não-sócios (anteriormente a condição de sócio era obrigatória) e, a expressão “gerente”, hoje, ser sinônimo de “preposto243” (conforme dispositivo do art. 1.172), não trazendo similitude com o antigo sócio-gerente. Quoruns para nomeação e destituição do administrador Como visto na aula 16, existem quoruns mínimos estabelecidos no Código Civil de 2002, que devem ser observados. O contrato social poderá dispor de quoruns diferenciados, porém sempre respeitando esse mínimo previsto na lei. Para eleição e destituição de administradores das sociedades limitadas, o quorum previsto no Código Civil vai variar em função do administrador ser ou não sócio. No caso do contrato social prever a possibilidade de administrador não-sócio, o quorum para elegê-los vai variar conforme a integralização do capital social: a) capital social totalmente integralizado: por deliberação de 2/3 do capital social. b) capital social não integralizado: por unanimidade. (art. 1.061). Para a nomeação e destituição do administrador não-sócio designado em ato separado, serão necessários votos correspondentes a mais da metade do capital social (art. 1.076, II c/c art. 1.071, II e III). Para a destituição de administrador sócio, será necessária a aprovação de, no mínimo, 2/3 do capital social, salvo estipulação contratual diversa (art. 1.063 §1º). Neste caso, a disposição do quorum poderá atender aos interesses dos sócios uma vez que a lei permite a estipulação de quorum distinto ao legalmente estabelecido. administrador pessoa Jurídica A questão sobre a possibilidade de pessoa jurídica ser administradora de sociedade foi muito debatida na vigência do Decreto nº 3.708/1919. De forma indireta, o Código Civil veio sanar tal impasse segundo os termos dos artigos 997, VI e 1.062 §2º. Portanto, embora a sociedade possa ser constituída e tenha no seu

243

n.a. Está no exercício da empresa, mas não é detentor de poderes de direção.

FGV DIREITO RIO

137

nesse caso. por meio da Instrução Normativa n. 245 manual de atos de registro de sociedade Limitada.062) não mais é admitida a administração da sociedade limitada por pessoa jurídica”.062 do Código Civil. indistintamente”.404/1976). 247 in Direito societário. quando houve por bem o enunciado n° 66 dirimir o problema de forma enfática. mais amplamente.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa quadro societário somente pessoas jurídicas.366. 1. a presente questão começou a suscitar dúvidas. uma vez que. esta regra é válida para qualquer tipo de sociedade. a diretoria desta sociedade será composta de administradores. V)250”. organizada pela empresa.gov. Seu funcionamento é exclusivamente interno sendo despido de poderes executivos.º 98 de 2003246. pessoas naturais244. obrigatoriamente. que diante da nova sistemática estabelecida pelo Código Civil (art. II . saraiva/2005. A regra da sociedade simples não se aplica subsidiariamente. onde o legislador não distinguiu (art. art. IV . p.404/1976.054 c/c o art. também. a Lei nº 6. bastando que “os sócios façam a previsão no contrato social.248” Conselho de administração A sociedade limitada pode apresentar um volume grande de negócios. Renovar: Rio de janeiro/2004. ¾ do capital. tanto que esta dispõe de norma própria. 997 e § 2º do art. 1.071. I. ao conselho de administração e à diretoria. no mínimo. em eleição direta. o Departamento Nacional de Registro do Comércio – DNRC. no Parecer n. 248 Lei n.076. 1. e o processo de escolha e substituição do presidente do conselho pela assembléia ou pelo próprio conselho. o contrato social pode estipular a existência de órgãos administrativos auxiliares. no mínimo. constituído somente por sócios que. à sociedade limitada. instalação e funcionamento do conselho. criado por lei ou pelo estatuto. Da mesma forma. São eles: no mesmo sentido: Ricardo negrão in manual de Direito comercial e de Empresa. fê-lo expressamente (art. deveres do administrador Os deveres do administrador estão previstos. vol. devendo o estatuto estabelecer: I . no art. semelhante ao existente nas sociedades anônimas249. No entanto. passam a ter deveres e direitos inerentes às suas funções. § 1º O conselho de administração é órgão de deliberação colegiada. ou somente à diretoria. O conselho de administração é um órgão Colegiado e deliberativo. poderá.as normas sobre convocação.011 do Código Civil. 3 (três) membros. de representação e de administração (art. eleitos pela assembléia-geral e por ela destituíveis a qualquer tempo. 997.dnrc. mestre em Direito Empresarial pela ucam. que não poderá ser superior a 3 (três) anos. que deliberará por maioria de votos. Disponível em: www. é legalmente possível. tão complexos quanto aos da sociedade anônima. o administrador só pode ser pessoa natural245. art. que devem ser aplicáveis a qualquer pessoa incumbida de administrar bens ou interesses alheios251. escolhidos pelo voto destes. autor do enunciado márcio souza Guimarães. Em posição minoritária247.404/1976 dispensa uma seção própria para.o número de conselheiros. sendo a representação da companhia privativa dos diretores. além do conselho fiscal. em conjunto com as entidades sindicais que os representem. 244 n.107. resumindo-se ao dever de diligência e probidade. 138 §1º da Lei n. 140. Quando o legislador quis distinguir. Na I Jornada de Direito Civil. firmou orientação quanto ao impedimento da pessoa jurídica para ser administradora.o prazo de gestão.062: a teor do § 2º do art. O conselho de administração será composto por. conselho de administração. Se ele não tem sua gênesis contemporânea à celebração do contrato de sociedade. 138. 4ª ed. mediante deliberação de sócio ou sócios representantes de.060.br 246 Neste sentido. 249 FGV DIREITO RIO 138 .a. Neste caso.º 6. 139. ser a qualquer tempo implantado (artigo 1. que se refere a “uma ou mais pessoas”. da seguinte forma: Art. art. para tornar a administração privativa de pessoas naturais.º 6. as atribuições e poderes conferidos por lei aos órgãos de administração não podem ser outorgados a outro órgão. § 2º as companhias abertas e as de capital autorizado terão. O estatuto poderá prever a participação no conselho de representantes dos empregados. 1. pág. I c/c artigo 1. desde que especifique as matérias. professor de Direito Empresarial da Escola de Direito RIO da FGV. destaca-se o seguinte posicionamento: “Ressalte-se por oportuno. A criação de um conselho de administração na sociedade limitada. não cabe ao intérprete distinguir.o modo de substituição dos conselheiros. indicar os deveres do administrador nas sociedades anônimas. a administração da companhia competirá. como o fez em relação à sociedade simples. de forma geral. 1. podendo o estatuto estabelecer quorum qualificado para certas deliberações. parágrafo único. VI). permitida a reeleição. 9ª edição.º 126 de 2003. conforme dispuser o estatuto. uma vez nomeados. José Edwaldo Tavares Borba entende que “administradores poderão ser pessoas naturais ou pessoas jurídicas. ou o máximo e mínimo permitidos. o Prof. 1. III .

para com a companhia. Em suma. O administrador deve servir com lealdade à companhia e manter reserva sobre os seus negócios. pág. ou usar. 157255 da Lei nº 6. – Dever de Informar: disposto no art. 1. pelos danos gerados em conseqüência de um prolongamento artificial de uma sociedade empresária em grave crise sem que haja ativos suficientes e fluxo de caixa para pagar seus credores. such as increasing the company’s debt or signing major contracts with creditors. sendo-lhe vedado: I . para si ou para outrem. 5ª edição Renovar/2005. numa tradução livre do inglês. os seus bens. O administrador deve atuar com zelo e aplicar métodos. não podendo. sem autorização estatutária ou da assembléia-geral. c) receber de terceiros. Satisfazer às exigências do bem público e a função social da empresa são objetivos que também devem pautar as atitudes daqueles que efetivamente realizarão o objeto social. FGV DIREITO RIO 139 . Em razão da função que ocupa. a referida teoria não protegerá o administrador negligente. § 2° É vedado ao administrador: a) praticar ato de liberalidade à custa da companhia.404/1976.omitir-se no exercício ou proteção de direitos da companhia ou. os mesmos deveres que os demais. – Conflito de interesses: disposto no art.usar. qualquer modalidade de vantagem pessoal. b) sem prévia autorização da assembléia-geral ou do conselho de administração. tendo em vista suas responsabilidades sociais. se será possível responsabilizar o administrador pela deepening insolvency ou agravamento pela situação de crise econômica-financeira259. saraiva/2004. O direito societário norte-americano adota.404/76. – Dever de Lealdade e Sigilo: disposto no art. em benefício próprio ou de outrem. neste ponto. cuja aplicação no Brasil vem sendo aplicada pelo Poder Judiciário e pela Comissão de Valores Mobiliários258. tomar por empréstimo recursos ou bens da companhia. em razão do exercício de seu cargo. 251 cOELHO. o administrador não pode se utilizar (proveito próprio ou de terceiros) das informações privilegiadas que obtém em virtude de sua atividade e que ainda não foram repassadas ao mercado. 156256 da Lei nº 6. numa determinada operação. 250 campInHO. pág. também conhecida em nosso país como “Regra da Decisão Negocial”. visando à obtenção de vantagens. Parece contraditório com o dever de sigilo.404/1976.. A referida teoria. The court ruled last month that creditors of a Delaware corporation that is insolvent or in the so-called “zone of insolvency” have no right to assert direct claims for breach of fiduciary duty against its directors. 7ª edição. com ou sem prejuízo para a companhia.404/1976. refletida e desinteressada. direta ou indireta. Oportuno discutir. 155. ainda que para defesa do interesse dos que o elegeram. Fábio ulhoa in curso de Direito comercial. Some lawyers believe the decision eliminates the threat of suits that seek to recover from directors for actions they took shortly before bankruptcy. Sobre o tema: Ruling Makes Bankruptcy Suits Harder • United States • 06/25/2007 • U. – Dever Ético-Social: disposto no caput do art.S. serviços ou crédito. sérgio in O Direito de Empresa à luz do novo código civil. 154252 da Lei nº 6. ou de terceiros. como regra para analisar a responsabilidade dos administradores. teorias e atos próprios a fim de realizar o objeto social.442. O administrador eleito por grupo ou classe de acionistas tem. tem por objetivo blindar o administrador contra interferências do Poder Judiciário e do órgão regulador quanto às suas decisões. 253 254 art. – Desvio de Poder: disposto nos parágrafos do art. 155254 da Lei nº 6. é vedado ao administrador intervir tanto na operação como nas deliberações que tomarem os demais administradores. de sociedade em que tenha interesse. limitando os poderes da administração. a teoria do Business Judgment rule257. 154 § 1º. as oportunidades comerciais de que tenha conhecimento em razão do exercício de seu cargo.017 do Código Civil. art. deixar de aproveitar oportunidades de negócio de interesse da companhia. Law A recent Delaware Supreme Court decision may have undermined cases against directors and officers of companies for actions they take just before they file for bankruptcy. § 3º as importâncias recebidas com infração ao disposto na alínea c do § 2º pertencerão à companhia.011 do Código Civil.404/1976 e no art. § 4º O conselho de administração ou a diretoria podem autorizar a prática de atos gratuitos razoáveis em benefício dos empregados ou da comunidade de que participe a empresa. faltar a esses deveres. entre o administrador e a sociedade. satisfeitas as exigências do bem público e da função social da empresa. O administrador deve exercer as atribuições que a lei e o estatuto lhe conferem para lograr os fins e no interesse da companhia. no entanto ambos se complementam uma vez que o sigilo refere-se a pessoas especificas e o dever de informar aparece em uma série de dispositivos que visam obrigar o administrador a dar publicidade aos negócios da sociedade que poderão influenciar investidores e mercado. em proveito próprio. Havendo conflito de interesses. II .ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa – Dever de Diligência: disposto no art. A própria lei coibe os atos de liberalidade que possam prejudicar a sociedade ou que não sejam do interesse social. 1. considerando-se que estas tenham sido tomadas de maneira informada. 252 art.242. 154253 da Lei nº 6. 154.

ao administrador de companhia aberta. Harold Ruttenberg. or are actually insolvent. But a lawyer involved in a $41. the bankruptcy trustee filed a lawsuit in Alabama state court against the company’s directors.3d 672 (3d Cir. against three directors of the Delaware corporation.. Inc. Circuit Court of Appeals decision in 2006 said that only fraud. Ala. not negligence. 157. para si ou para outrem. Courts have also been inconsistent. b) as opções de compra de ações que tiver contratado ou exercido no exercício anterior. c) os benefícios ou vantagens. ao firmar o termo de posse. com a finalidade de auferir vantagem. it’s incumbent upon trustees to pursue claims against directors. 06-521 (Del.” but it has been said to refer to when a company nears insolvency or is at the point at which it can’t pay its debts... The Delaware Supreme Court upheld a Delaware court of chancery decision that dismissed a putative creditor’s case against three directors of wireless Internet company Clea- III . de que seja titular. if they exist. diretamente ou através de outras pessoas. Some have claimed that Just For Feet could have been reorganized in a healthy way that preserved a substantial amount of value.S. ou que esta tencione adquirir. para revender com lucro. Clearwire Holdings Inc.. a pedido de acionistas que representem 5% (cinco por cento) ou mais do capital social: a) o número dos valores mobiliários de emissão da companhia ou de sociedades controladas. In the Just For Feet Inc. No. Ala. para si ou para outrem. shuts the door on director liability in those circumstances. In re CitX Corp. lawyers have been testing claims and damages theories involving the duties of a company’s directors as a company nears bankruptcy or enters the zone of insolvency and “deepening insolvency.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa The case was filed by “putative creditor” North American Catholic Educational Programming Foundation Inc.” Lawyers disagree about whether the recent Delaware Supreme Court decision rejecting direct creditor claims for breach of fiduciary duty when companies enter the zone of insolvency. 2006).. Rob Gheewalla. In bankruptcy courts and state courts. Gary Seitz Ch. § 4º É vedada a utilização de informação relevante ainda não divulgada. 01-06833 (Jefferson Co. Del. FGV DIREITO RIO 140 .C. In bankruptcies. Cir. Chapter 7 Trustee for Just For Feet Inc. § 3º a pessoa prejudicada em compra e venda de valores mobiliários. v. ou do mesmo grupo. que tenha recebido ou esteja recebendo da companhia e de sociedades coligadas. For example. can support a deepening-insolvency claim under Pennsylvania law. No. no mercado de valores mobiliários.adquirir.. Charles R. and the settlement shows that zone-of-insolvency theories are alive and well. no exercício anterior. 7 Trustee v. Many are now pointing to the May 18 Delaware Supreme Court decision in the North American Catholic case as a significant milestone in the zone-of-insolvency debate. 448 F.). North American Catholic Educational Programming Foundation Inc. Court decisions opened the door to such claims a few years ago. tem direito de haver do infrator indenização por perdas e danos. accounting firm and independent auditors for breaches of fiduciary duty. a Delaware court of chancery rejected deepening insolvency as an independent cause of action under Delaware law. Detweiler Hersey & Associates P. bankruptcy. which had agreed to buy the foundation’s Federal Communications Commission-approved licenses for microwave signal transmission to build a national wireless Internet network. officers. Ch. § 1º O administrador de companhia aberta é obrigado a revelar à assembléia-geral ordinária. a 3rd U. Goldstein. sendo-lhe vedado valer-se da informação para obter. bem ou direito que sabe necessário à companhia. Later in 2006. Despite the popularity of the theories. obtida em razão do cargo e capaz de influir de modo ponderável na cotação de valores mobiliários. bônus de subscrição. indiretas ou complementares. O administrador de companhia aberta deve declarar. § 1º cumpre.).. vantagem mediante compra ou venda de valores mobiliários. controladas ou do mesmo grupo. 255 art. a menos que ao contratar já conhecesse a informação. v. Cases involving zone-of-insolvency and deepeninginsolvency issues have been a developing trend in the past several years. for the benefit of creditors and shareholders. contratada com infração do disposto nos §§ 1° e 2°.2d 168 (New Castle Co. de emissão da companhia e de sociedades controladas ou do mesmo grupo. The trustee said that the defendants’ decisions to ignore expert advice to file a Chapter 11 restructuring and conceal the company’s shaky financial status for two years led to a $90 million fire-sale liquidation of the company’s assets. but the pendulum has recently shifted. ademais. § 2º O administrador deve zelar para que a violação do disposto no § 1º não possa ocorrer através de subordinados ou terceiros de sua confiança. opções de compra de ações e debêntures conversíveis em ações. Trenwick America Litigation Trust v. There is no legal definition of “zone of insolvency. o número de ações. said that companies nearing insolvency must still safeguard creditors’ interests to avoid lawsuits. courts have been inconsistent on whether zone of insolvency and deepening insolvency are causes of action or a fact pattern. shoe retailer Just For Feet Inc. 906 A. Ernst & Young LLP.. fraud and related claims for the company’s actions as it neared bankruptcy or entered the zone of insolvency. Ct. guardar sigilo sobre qualquer informação que ainda não tenha sido divulgada para conhecimento do mercado.). por qualquer pessoa que a ela tenha tido acesso.5 million settlement with outside directors reached in March in a separate suit against directors of bankrupt Birmingham. que tiver adquirido ou alienado.

§ 6º Os administradores da companhia aberta deverão informar imediatamente. ou deixar de divulgá-la (§ 4º). usar o cartão de crédito corporativo para fins sociais. de modo ponderável. not by individual creditors. na decisão dos investidores do mercado de vender ou comprar valores mobiliários emitidos pela companhia. decidir sobre a prestação de informação e responsabilizar os administradores. servir de residência temporária para algum diretor em trânsito. § 5º Os administradores poderão recusar-se a prestar a informação (§ 1º. “It says they’ve got to be brought in a derivative manner on behalf of the corporation. the Delaware Supreme Court didn’t directly discuss whether companies in the amorphous zone of insolvency could also face derivative claims. for breaches of fiduciary duty while the company was in the zone of insolvency or insolvent. – alienação de bens imóveis. se for o caso. § 3º a revelação dos atos ou fatos de que trata este artigo só poderá ser utilizada no legítimo interesse da companhia ou do acionista. a pedido dos administradores.lexuniversal. a praticar todos os atos pertinentes à gestão da sociedade260. de qualquer acionista. “It doesn’t take away the zone-of-insolvency issues. às 04:20horas. 1. alínea e). O citado professor também menciona. do contrário. FGV DIREITO RIO 141 . poderes do administrador Os administradores ou diretores decidem e executam os negócios da sociedade limitada agindo. no sentido da realização do objeto social. o Prof.. but it doesn’t mean zone-of-insolvency issues are dead. e) quaisquer atos ou fatos relevantes nas atividades da companhia.ex. Existem atos de gestão que são. as a matter of law.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa rwire Holdings Inc. as modificações em suas posições acionárias na companhia. p. – usar bens da sociedade em nome próprio ou permitir que terceiro o faça. Hollin said. tradicionalmente. isto porque.” While insolvent companies could face derivative suits. eis alguns exemplos: – concessão de garantias em nome da sociedade em favor de terceiros sem contrapartida que a beneficie: desvia a sociedade do seu objetivo de obter lucros. respondendo os solicitantes pelos abusos que praticarem.015 do Código Civil. se entenderem que sua revelação porá em risco interesse legítimo da companhia. an insurance company receiver or a creditor’s committee. exceto se o bem fizer parte de um conjunto de direitos que a sociedade pode proporcionar para seus diretores. Esta garantia somente seria “levantada” após a aprovação das últimas contas apresentadas pelo administrador que estivesse deixando o cargo261. e fornecidos por cópia aos solicitantes. limitados nos contratos sociais. said Hollin of Powell Trachtman. nos termos e na forma determinados pela comissão de Valores mobiliários. a esta e às bolsas de valores ou entidades do mercado de balcão organizado nas quais os valores mobiliários de emissão da companhia estejam admitidos à negociação. The court said that creditors of a Delaware corporation that is insolvent or in the zone of insolvency “have no right.” wrote Justice Randy Holland. d) as condições dos contratos de trabalho que tenham sido firmados pela companhia com os diretores e empregados de alto nível. como forma de garantir uma administração diligente. cabendo à comissão de Valores mobiliários. § 2º Os esclarecimentos prestados pelo administrador poderão. ser reduzidos a escrito. ou por iniciativa própria. ter direito a um esquema de segurança etc. http://www. em regra. autenticados pela mesa da assembléia. Diante de tão amplos poderes. § 4º Os administradores da companhia aberta são obrigados a comunicar imediatamente à bolsa de valores e a divulgar pela imprensa qualquer deliberação da assembléia-geral ou dos órgãos de administração da companhia.” Hollin said. a inclusão de uma cláusula no contrato social obrigando aos administradores prestarem caução. Sérgio Campinho destaca ser de bom alvitre a elaboração de cláusula contratual estabelecendo restrições aos atos de gestão. acesso em 19 de janeiro de 2009. to assert direct claims for breach of fiduciary duty against its directors. Many such lawsuits are already filed as derivative cases on behalf of a corporation by a bankruptcy trustee. The Delaware decision erases the threat of direct claims by creditors against directors.com/en/news/2652. ou fato relevante ocorrido nos seus negócios. os administradores são autorizados – na forma do art. que possa influir. a pedido de qualquer acionista. “Recognizing that directors of an insolvent corporation owe direct fiduciary duties to creditors would create uncertainty for directors who have a fiduciary duty to exercise their business judgment in the best interest of the insolvent corporation.

se os bens da sociedade não cobrirem as dívidas. entretanto.015 do Código Civil. Nestes casos o parágrafo único. A solução do problema se dará com base na teoria da aparência. o administrador será o responsável pelo pagamento da obrigação. 158 da Lei 6.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa responsabilidades do administrador A responsabilidade dos administradores decorre. salvo cláusula de responsabilidade solidária (artigos 1. às 03:58horas. mesmo que dentro das limitações de competência previstas no contrato/estatuto. A base da teoria da aparência consiste. em regra. o poder judiciário americano preocupa-se apenas com o processo que levou à decisão e não com o seu mérito. nesses casos. acesso em 19 de janeiro de 2009. o administrador somente pode contratar com a companhia em condições razoáveis ou eqüitativas. inclusive desrespeitando vedações contratuais expressas.asp. em ata de reunião do conselho de administração ou da diretoria. estes atos vincularão apenas à sociedade que ficará obrigada a satisfazer as obrigações contraídas pelo administrador (teoria organicista). podem os administradores. utilizar. teoria ultra Vires A teoria dos atos ultra vires tem origem inglesa.asp. após. do art. na proporção em que participem das perdas sociais. podemos concluir que deve ser analisada a prática do ato. da pratica de atos ilícitos. Se o administrador de uma escola adquire um helicóptero.provando-se que era conhecida do terceiro. para utilizar a regra da decisão negocial.gov. 158 da Lei nº 6. é claro no sentido da responsabilização pessoal do administrador perante terceiros em qualquer uma das seguintes situações: I . estando. idênticas às que prevalecem no mercado ou em que a companhia contrataria com terceiros. podemos dizer que estamos diante de uma nova teoria dos atos ultra vires.br/port/ inqueritos/2007/rordinario/ inqueritos/05_15_21-04. 257 “Em razão da regra da decisão negocial. com a força exclusiva do seu patrimônio. bem como na deliberação que a respeito tomarem os demais administradores. o administrador deve seguir os seguintes princípios: (i) Decisão informada: a decisão informada é aquela na qual os administradores basearam-se nas informações razoavelmente necessárias para tomá-la. dispondo que todos os atos praticados pelo administrador. 1.cvm. como veremos a seguir. análises e memorandos dos diretores e outros funcionários. Dessa forma. pois. não a sua invalidação. a natureza e extensão do seu interesse. Conjugado com o indigitado dispositivo legal. 927 do Código Civil. 1. seriam acoimados de nulos. § 1º ainda que observado o disposto neste artigo.404/76 e art. sendo a conseqüência da prática de tais atos. na aparência do ato praticado pelo administrador. bovespa. acesso em 19 de janeiro de 2009. tal teoria tem sido utilizada por alguns doutrinadores para explicar a teoria da responsabilidade do administrador. compelida ao pagamento para.br/Investidor/ juridico/060912nota.016 do Código Civil que os administradores respondem solidariamente perante a sociedade e perante terceiros prejudicados por culpa no desempenho de suas funções.tratando-se de operação evidentemente estranha aos negócios da sociedade. de forma abusiva ou excessiva de poderes (abuso de poder e excesso de poder). conforme dispositivo do art. (ii) Decisão refletida: a decisão refletida é aquela tomada depois da análise 258 FGV DIREITO RIO 142 . será responsável sempre que agir com dolo ou culpa. e o administrador interessado será obrigado a transferir para a companhia as vantagens que dele tiver auferido. Como o administrador age em nome da sociedade limitada. caso seja inadimplida uma das parcelas. Em ambos os casos. sempre que praticar os atos de gestão dentro dos limites da atribuição de competência e poder. 156. quando ultrapassar os atos regulares da gestão. não é necessária a contratação de um banco de investimento para a avaliação de uma operação. confira-se: http://www. como a acepção da palavra indica. essa última. Assim.com. caberá ao 256 art. Para melhor compreensão da responsabilidade dos administradores. bem como de terceiros contratados.024). a aparência indica ao credor que o “adquirente” não é a sociedade que explora a escola. No Brasil. § 2º O negócio contratado com infração do disposto no § 1º é anulável. poder-se-á perquirir sobre a possibilidade do terceiro credor cobrar da sociedade. na cVm: http://www. todavia. Ou então. Assim. como informações.404/1976. mas sim a determinação de que o administrador é o responsável pelo adimplemento da obrigação. II . Há. dependendo da disposição contratual262. as normas previstas para as sociedades por ações serão aplicáveis. cumprindo-lhe cientificá-los do seu impedimento e fazer consignar. todavia. mas sim o próprio administrador. nas sociedades limitadas.023 e 1. É vedado ao administrador intervir em qualquer operação social em que tiver interesse conflitante com o da companhia. III . Dispõe o art.se a limitação de poderes estiver inscrita ou averbada no registro próprio da sociedade. devemos analisar as regras insertas no art. de forma a ultrapassar a sua órbita de poderes. os sócios responderão pelo saldo. exercer o direito de regresso em face do administrador. situações em que o administrador age excedendo os poderes que lhe foram conferidos pela sociedade.

a teoria da aparência. Rodrigo R.os diretores. 4º. são pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei. aplicando-se..053 do código civil. no entanto. Recolher as contribuições da Previdência Social e não repassá-las ao INSS configura crime de sonegação fiscal (Lei nº 4. não é caso para a desconsideração da personalidade jurídica e sim de substituição legal tributária. em seu art.228. como tal considerado o titular da empresa (individual ou coletiva). 1. mesmo que deixe de analisar um negócio. art. contrato social ou estatutos. asp.) Direito societário – Desafios atuais – são paulo: quartier Latin. uma forma de responsabilidade por substituição. tenha o administrador decidido não analisar esse negócio. projeção da responsabilidade do administrador em outros campos do direito: – Código Tributário Nacional: a hipótese de incidência do art. acesso em 19 de janeiro de 2009. Op. – Trabalhista: Os arts.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa credor a cobrança apenas em face do administrador (pessoa natural) e não da sociedade. que o substitui. gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado.cit. salvo nas hipóteses de fraude. algumas vezes. Leonardo santos de (coord. o credor poderá cobrar diretamente da sociedade para que. será obrigado a cobrar do administrador. 2009. informadamente. Pela teoria da aparência. 260 261 262 263 Op. contrato social ou estatutos: (. caso. em cotejo com a documentação que fundamenta o negócio. haverá a transferência do débito em nome do contribuinte. sócios e diretores. pág. 135. na forma da Lei nº 8. para o perigoso rumo da máxima de que “alguém deve pagar. onde o responsável passa a figurar no pólo passivo de uma relação jurídica com o FISCO. exclusivamente para o responsável. p.228.gov. monteiro de & aRaGãO.cvm.605/1998268 prevê a responsabilização penal da pessoa jurídica pela prática de delitos ambientais e funciona não apenas para punir. resultante de atos praticados. Esse conceito vem sendo expandido para incluir benefícios que não sejam diretos para o administrador ou para instituições e empresas ligadas a ele. 50 do Código Civil. pL 3401/2008269 Encontra-se em tramitação o PL 3401/2008 que regulamenta o disposto no art. a decisão negocial que a ele levou pode ser considerada refletida. – Previdência Social: O empregador. com excesso de poderes ou infração de lei. tal como ocorre com relação aos tributos.br/port/ inqueritos/2007/rordinario/ inqueritos/05_15_21-04. http://www. aplicamse os standards do dever de lealdade (duty of loyalty)”. Além disso.cit. 225 da Constituição da República conferiu especial relevo à questão ambiental. é importante ressaltar que tais regras não fazem com que os administradores sejam responsáveis pelo pagamento de tais débitos. ao elevar o meio-ambiente à categoria de bem jurídico tutelado autonomamente. é. o instituto da desconsideração da personalidade jurídica art. ou então. in casTRO. III263 é o não pagamento da obrigação principal pelo contribuinte. pelos responsáveis. O autor do PL justifica a proposição.729/1965265) e de apropriação indébita (Decreto-Lei nº 2. pág. que respondem solidariamente. haja o regresso. FGV DIREITO RIO 143 . além de ser contribuinte (segurado obrigatório). 2° e 10 da CLT firmam a responsabilidade da empresa pelos débitos trabalhistas. embora só recentemente tenha sido introduzido na legislação brasileira. Entretanto. Com isso. 135 do CTN não é caso de desconsideração da personalidade jurídica. destinando um capítulo inteiro a sua proteção. custe o que custar”. mas como forma de prevenção. encaminhando-se. 135. O mesmo diploma legal. que explora a escola. alegando que. Novamente. a Lei nº 9. 259 É obrigatória a leitura do seguinte artigo: “Deveres dos administradores de sociedades Empresárias em Dificuldade Econômica-Financeira: a Teoria da Deepening Insolvency no Brasil” escrito por Leonardo santos de aragão. Além do dispositivo constitucional. é também responsável legal pela arrecadação das contribuições dos seus empregados. depois. quando o administrador tem interesse na decisão. desta feita.) III . ainda. disciplinando a declaração judicial de desconsideração da personalidade jurídica. das diferentes alternativas ou possíveis conseqüências ou.. admite a desconsideração da pessoa jurídica “sempre que sua personalidade for obstáculo ao ressarcimento de prejuízos causados à qualidade do meio ambiente”.848/1940 – Código Penal266). e (iii) Decisão desinteressada: a decisão desinteressada é aquela que não resulta em benefício pecuniário ao administrador. A jurisprudência trabalhista ainda é vacilante sobre o tema. 178/185. – Ambiental: O art. Ressalte-se que o art.620/1993267 e da remansosa jurisprudência dos tribunais.

No início. no prazo e forma legal ou convencional: pena . ATUAÇÃO DOS ADMINISTRADORES EM NOME E PROVEITO DA PESSOA JURÍDICA. os quais foram devidamente pagos no vencimento. Pergunta-se: 1. parágrafo único. concedendo-lhes o prazo de dez dias para produção de suas defesas. a responsabilidade das pessoas jurídicas não exclui a das pessoas físicas. Deixar de repassar à previdência social as contribuições recolhidas dos contribuintes. no interesse ou benefício da sua entidade. RESPONSABILIZAÇÃO PENAL DO ENTE COLETIVO.00.. do pagamento de tributos. tenham praticado ou concorrido para a prática da sonegação fiscal. 13. de modo permanente ou eventual. PREVISÃO CONSTITUCIONAL REGULAMENTADA POR LEI FEDERAL. por dolo ou culpa. Alfredo Matias é o diretor de compras da “RS”. FORMA DE PREVENÇÃO DE DANOS AO MEIO-AMBIENTE.00.prestar declaração falsa ou omitir. porque a compra foi feita por pessoa não autorizada. os administradores. ainda. porém. com seus bens pessoais. art. passou a aceitar os pedidos de Alfredo por telefone e/ou por e-mail. art 6º quando se trata de pessoa jurídica. 265 art. PENAS ADAPTADAS À NATUREZA JURÍDICA DO ENTE COLETIVO. o juiz lhes facultará o prévio exercício do contraditório. POSSIBILIDADE. será vedada a extensão dos efeitos de obrigações da pessoa jurídica aos bens particulares de sócio e/ou de administrador que não tenha praticado ato abusivo da personalidade. No início de dezembro. ou de seu órgão colegiado. e “tira o pedido”. justamente. que “Alfredo” havia sido despedido dias antes de fazer o último pedido ao “Waltinho”. de 2 (dois) a 5 (cinco) anos.gov. Waltinho recebe um pedido de Alfredo no valor de R$ 4. e multa. Seu principal fornecedor de couro é a Couros e Outros Ltda. OPÇÃO POLÍTICA DO LEGISLADOR. informação que deva ser produzida a agentes das pessoas jurídicas de direito público interno. De quem é a obrigação de pagar o título e por quê? art 1º constitui crime de sonegação fiscal: I . 266 art.500. antes de declarar que os efeitos de certas e determinadas obrigações sejam estendidos aos bens dos administradores ou sócios da pessoa jurídica. os dados fiscais são sempre os mesmos. Além disso. EXISTÊNCIA JURÍDICA. RECURSO PROVIDO. Sacada a duplicata correspondente à venda do couro. total ou parcialmente. CRIME AMBIENTAL PRATICADO POR PESSOA JURÍDICA. CO-RESPONSABILIDADE. co-autoras ou partícipes do mesmo fato. que não aceitará o título nem o pagará. com a intenção de eximir-se. pelos débitos junto à seguridade social. O titular da firma individual e os sócios das empresas por cotas de responsabilidade limitada respondem solidariamente. civil e penalmente conforme o disposto nesta Lei. em proveito próprio e não da sociedade (“RS”). 168-a.reclusão. assim como o endereço para a entrega na sede da “RS”.000. Waltinho não perde tempo. A justificativa de Alfredo era que. a responsabilidade penal pelas infrações previstas nesta Lei será de todos os que. FGV DIREITO RIO 144 . direta ou indiretamente ligados à mesma. indicando como local para a entrega o último endereço fornecido por Alfredo. Os acionistas controladores.00 e R$ 5.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa vem sendo utilizado com um certo açodamento e desconhecimento das verdadeiras razões que autorizam um magistrado a declarar a desconsideração da personalidade jurídica. com seus bens pessoais. mediante desvio de finalidade ou confusão patrimonial. para ser entregue em outro endereço. O valor dos pedidos oscila entre R$ 3. art. total ou parcialmente. em detrimento dos credores da pessoa jurídica ou em proveito próprio. a ”RS” comunica a Couros e Outros Ltda. 3º as pessoas jurídicas serão responsabilizadas administrativa. com os mesmo dados fiscais. no endereço indicado para essa entrega. mas com o passar dos anos. Waltinho tomou todas as cautelas necessárias.br. nos casos em que a infração seja cometida por decisão de seu representante legal ou contratual. tem 20 anos de mercado capixaba.000.camara. em virtude da demanda de Natal. 4º poderá ser desconsiderada a pessoa jurídica sempre que sua personalidade for obstáculo ao ressarcimento de prejuízos causados à qualidade do meio ambiente 268 269 Disponível em: www. e há mais de cinco anos faz seus pedidos mensais. parágrafo único. CAPACIDADE DE AÇÃO. 267 JurisprudênCia CRIMINAL. taxas e quaisquer adicionais devidos por lei. Além disso. autoras. Nesse sentido. a “RS” estava alugando o espaço na área de produção de uma outra fábrica que ficava. os canhotos das notas fiscais e dos talões de pedido sempre voltavam assinados e carimbados pelo chefe da expedição da “RS”. quanto ao inadimplemento das obrigações para com a seguridade social. pessoalmente. Caso gerador A sociedade RS Sapatos e Bolsas Ltda. os gerentes e os diretores respondem solidariamente e subsidiariamente. com sede em Feliz/PR. aduzindo. com o vendedor Waltinho. CULPABILIDADE COMO RESPONSABILIDADE SOCIAL.

A co-participação prevê que todos os envolvidos no evento delituoso serão responsabilizados na medida se sua culpabilidade.que de qualquer forma contribui para a prática do delito . através de lançamento de resíduos. a possibilidade de penalização criminal das pessoas jurídicas por danos ao meio-ambiente. tais como. II. como forma não apenas de punição das condutas lesivas ao meio-ambiente. V. A imputação penal às pessoas jurídicas encontra barreiras na suposta incapacidade de praticarem uma ação de relevância penal. pois é incontroversa a existência de duas pessoas distintas: uma física . lodo. Não há ofensa ao princípio constitucional de que “nenhuma pena passará da pessoa do condenado. o qual se passou como representante da sociedade em nome de quem celebrou FGV DIREITO RIO 145 .2005 p.06. passou a prever.”. Decisão deste órgão fracionário em Agravo de Instrumento que considerou legítimo o ato judicial que. A Lei Ambiental previu para as pessoas jurídicas penas autônomas de multas. DJ 13. EMBARGOS DO DEVEDOR . Se a pessoa jurídica tem existência própria no ordenamento jurídico e pratica atos no meio social através da atuação de seus administradores.06. A denúncia oferecida contra a pessoa jurídica de direito privado deve ser acolhida. A atuação do colegiado em nome e proveito da pessoa jurídica é a própria vontade da empresa. foi denunciada por crime ambiental. de forma inequívoca. (REsp 564960/SC. portanto. cada qual recebendo a punição de forma individualizada. no conceito moderno. III. de prestação de serviços à comunidade. mas como forma mesmo de prevenção geral e especial.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa I.” IX. grifamos. de alcançar a penhora de bens de sócio da sociedade tem cabimento nos casos de desvio das finalidades sociais. 331). neste contexto. julgado em 02. IV. XIII. “De qualquer modo.e uma jurídica. Rel. A pessoa jurídica só pode ser responsabilizada quando houver intervenção de uma pessoa física.DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE DE PESSOA JURÍDICA . VII. havendo prova da prática de abuso de direito. liquidação forçada e desconsideração da pessoa jurídica. Ministro GILSON DIPP. resultantes da atividade do estabelecimento comercial. diante de sua legitimidade para figurar no pólo passivo da relação processual-penal. A responsabilização penal da pessoa jurídica pela prática de delitos ambientais advém de uma escolha política. regulamentando preceito constitucional.. XII. A desconsideração da pessoa Jurídica para o fim. desconsiderando a pessoa jurídica da devedora. graxas.. Recurso provido. óleo. decorrente de sua atividade lesiva. Hipótese em que pessoa jurídica de direito privado. VI. ser passível de responsabilização penal. poderá vir a praticar condutas típicas e. areia e produtos químicos. QUINTA TURMA. X. A culpabilidade. todas adaptadas à sua natureza jurídica. A Lei ambiental. de serem culpáveis e de sofrerem penalidades. que atua em nome e em benefício do ente moral. nos termos do voto do Relator. juntamente com dois administradores. e a culpabilidade da pessoa jurídica.2005. é a responsabilidade social. restritivas de direitos. mandou recaísse a penhora sobre bem pessoal do sócio. de ato ilícito ou de excesso de poder. a pessoa jurídica deve ser beneficiária direta ou indiretamente pela conduta praticada por decisão do seu representante legal ou contratual ou de seu órgão colegiado.PENHORA DE BENS PESSOAIS DO SÓCIO. XI. VIII. limita-se à vontade do seu administrador ao agir em seu nome e proveito. consubstanciado em causar poluição em leito de um rio.

DIREITO COMERCIAL. 42. Uma das conseqüências dessa distinção é que o administrador nomeado em contrato (A) deve ser sócio. (C) depende de quorum de nomeação diferenciado.Na sociedade limitada. TJ/RJ). grifamos obs. Recurso provido parcialmente. Prejuízos causados à sócia oculta reconhecido por sentença judicial. já estando integralizado o capital social. 44.001.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa contrato de constituição de sociedade em conta de Participação. Epaminondas agiu: (A) com excesso de poderes. a designação deles dependerá da aprovação dos sócios que representem. (B) tem poderes irrevogáveis.QUINTA CAMARA CIVEL. regida subsidiariamente pelas regras da sociedade simples. (C) no regular exercício de suas atribuições e seu ato é considerado válido e eficaz.APELACAO CIVEL . SEÇÃO DO RIO DE JANEIRO .TIPO 1. (D) prescinde de autorização dos sócios para a prática de atos. Questões de ConCurso 29º EXAME DE ORDEM. (D) no regular exercício de suas atribuições. (B) com excesso de poderes e essa circunstância pode ser oposta a terceiros. cuja ata foi arquivada na Junta Comercial. Nessa qualidade. 123º EXAME DE ORDEM. Epaminondas é administrador não sócio de sociedade limitada. PAULO GUSTAVO HORTA . praticou ato de gestão contrariando expressamente decisão tomada em reunião de sócios.VERSÃO 1. PROVA OBJETIVA . DIREITO COMERCIAL. 125º EXAME DE ORDEM. (2003. recebeu dinheiro para quitar dívida da sociedade e depositou o cheque em favor de outra sociedade da qual ele e sua mulher eram os únicos sócios. 38 .Julgamento: 12/08/2003 . mas responde perante os sócios por eventuais prejuízos. O administrador das sociedades limitadas pode ser nomeado no contrato social ou por ato separado. Na íntegra do acórdão há menção à teoria ultra vires. FGV DIREITO RIO 146 . mas seu ato é considerado válido e eficaz.DES. Questões outras que podem ser examinadas em qualquer tempo ou que se ressentem da produção de prova idônea Ausência do dolo processual autorizador da aplicação da pena por litigância de má fé e.DIREITO COMERCIAL. PROVA OBJETIVA . b) 1/4 do capital. no mínimo: a) 2/3 do capital. c) 1/2 do capital.1ª FASE. se o contrato permitir administradores não sócios. SEÇÃO SÃO PAULO. arbitramento dos honorários de advogado. d) 3/4 do capital.14192 . SEÇÃO SÃO PAULO .PROVA 1ª FASE .

o sócio ostensivo responde perante terceiros. b) a sociedade somente pode praticar atos que estejam expressa ou implicitamente compreendidos no seu objeto. (D) a denominação social deve designar o propósito da sociedade.Outubro/2007 33º Exame de Ordem RJ 90ª Questão: Considere que um advogado seja consultado sobre a possibilidade de uma sociedade limitada formada por dois sócios. ser administrada por pessoa jurídica não sócia. FGV DIREITO RIO 147 . responde solidariamente com este pelas obrigações em que intervier. inclusive pessoa jurídica. a) os atos praticados pelo administrador com excesso de poderes são sempre imputáveis à sociedade. Com base na legislação vigente que trata das Sociedades Limitadas. C) Somente pessoa natural pode administrar a sociedade limitada. (B) é permitida a administração da empresa por não-sócios. desde que estabelecida no contrato social. 91. nas relações com terceiros. DIREITO COMERCIAL. sendo proibido figurar o nome de um ou mais sócios. a administração da sociedade somente pode ser exercida por sócio e mediante designação no contrato social. CONCURSO PúBLICO PARA PROVIMENTO DE CARGOS DE JUIZ SUBSTITUTO DO ESTADO DO PARANÁ. se o sócio participante tomar parte com o sócio ostensivo. TIPO 1. entretanto. mesmo que o contrato social não disponha sobre o assunto. b) Na sociedade limitada cujo capital esteja totalmente integralizado. c) Na sociedade limitada. é correto afirmar que: (A) a administração da empresa somente pode ser exercida por um dos sócios. nenhuma responsabilidade possuem os sócios que adotarem deliberação contrária ao contrato social.Abril/2007 32º Exame de Ordem RJ 83ª Questão: De acordo com a teoria dos atos ultra vires. B) A nomeação de administrador pessoa jurídica só é válida se a mesma for sócio. é sempre indivisível. Prova OAB/RJ . PROVA DE SELEÇÃO. com partes iguais no capital. d) A quota social.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa 178º CONCURSO DE INGRESSO NA MAGISTRATURA DO ESTADO DE SÃO PAULO (2006). (C) é permitida a contribuição de sócios por meio de prestação de serviços. D) A administração pode ser exercida por pessoa jurídica desde que a mesma não seja sócio. na sociedade limitada.Exame de Ordem . assinale a opção que apresenta uma resposta correta à referida consulta. sob pena de ineficácia do ato em relação à sociedade. um deles pessoa natural e o outro pessoa jurídica. PROVA PREAMBULAR – 07/05/2006. Prova OAB/RJ . Assinale a alternativa CORRETA a) Na sociedade em conta de participação. A) Não há impedimento à nomeação de não sócio como administrador. A propósito dessa situação. 36.Exame de Ordem . não podendo haver divisão para fins de transferência.

1ª QUESTÃO: Fica a sociedade limitada validamente vinculada ao negócio praticado por seu administrador. DIREITO COMERCIAL. b) a responsabilidade de sócios-gerentes das sociedades limitadas não poderá ser solidária com a sociedade. d) aos sócios compete definir o regime supletivo da sociedade que será.EXAME DE ORDEM . o das S/A. d) a prática de qualquer ato estranho ao objeto depende de aprovação de sócios representando a maioria absoluta do capital social. PROVA PRELIMINAR. DIREITO EMPRESARIAL. que isenta a pessoa jurídica da responsabilidade por atos praticados em seu nome. em seu nome. é correta a assertiva sobre as Sociedades Limitadas: a) a teoria do ato ultra vires. atinge as sociedades cujo contrato social é omisso quanto ao regime supletivo. c) é defeso aos sócios pactuar no contrato social a dissolução total da sociedade caso esta não atinja patamares mínimos de lucro. em caso de omissão.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa c) no silêncio do contrato social.ABRIL/2006 80ª Questão: Segundo o Código Civil. PROVA OAB/DF . o administrador somente pode praticar atos de gestão previamente autorizados pelos sócios. 21ª QUESTÃO Qual o significado dos atos ultra vires na gerência das sociedades? XXXVIII CONCURSO PARA INGRESSO NA MAGISTRATURA DE CARREIRA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO. IX CONCURSO PúBLICO PARA PROVIMENTO DE CARGOS DE JUIZ FEDERAL SUBSTITUTO NA 2ª REGIÃO. mas estranho a seu objeto? Por quê? FGV DIREITO RIO 148 .

Fabio Ulhoa Coelho. – Exclusão de Pleno Direito. não é apenas isto. – Páginas 207 a 221 de O Direito de Empresa à luz do Novo Código Civil. 5ª edição. ao contrário.) do Manual de Direito Comercial e de Empresa. – Procedimento judicial de exclusão do sócio. – “Justa causa” – Procedimento extrajudicial de exclusão do sócio.I. Saraiva: São Paulo/2005. No entanto. Aprendemos que o capital social é dividido em quotas ou ações e sua formação consiste no somatório das contribuições que cada sócio realiza (integraliza) ou promete realizar (subscreve).. uma vez organizada a sociedade. vol. Se eu o tolero e você não me tolera. se o indivíduo sereno é tolerante e respeitoso. prepotência. – Liquidação de quotas. Cito Kant: ‘Todo homem tem o direito de exigir o respeito dos próprios semelhantes e reciprocamente estar obrigado ele próprio a respeitar os demais’. Assim. não há um estado de tolerância. mas. Ricardo Negrão. Passa-se o mesmo com o respeito. O sereno não pede. Sérgio Campinho. Saraiva: São Paulo/2004. norberto in Elogio da serenidade e outros escritos morais. Renovar/2004. Tradução de marco aurélio nogueira. Nesta aula discutiremos a leitura do(s) seguinte(s) capítulo(s): – Páginas 331 a 333 (SIMPLES) 374 a 377 (LTDA. deixando de pertencer ao sócio para se incorporar o patrimônio da sociedade. unesp/2002. 9ª edição. 42-43. Renovar/2005. A tolerância é recíproca: para que exista tolerância é preciso que se esteja ao menos em dois. A tolerância nasce de um acordo e dura enquanto dura o acordo. A serenidade é um dom sem limites preestabelecidos e obrigatórios”267. ementário de temas – Exclusão de sócio remisso. 7ª edição. José Edwaldo Tavares Borba. Leitura CompLementar – Páginas 415 a 419 (expulsão do sócio) do Curso de Direito Comercial vol. o dinheiro e/ou bens que cada sócio se obrigou a entregar para a constituição do capital social se transmite. FGV DIREITO RIO 149 . Uma situação de tolerância existe quando um tolera o outro. – Páginas 38 a 40 e 125 e 126 do Direito Societário..ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa AUlA 18: fORMAS DE ExPURGAR O SóCIO INDESEJADO “Como modo de ser em relação ao outro. 267 BOBBIO.II. a serenidade resvala no território da tolerância e do respeito pelas idéias e pelos modos de viver dos outros. p. não pretende qualquer reciprocidade: a serenidade é uma disposição em relação aos outros que não precisa ser correspondida para se revelar em toda a sua dimensão.

É necessário.004)272. que exista cláusula contratual dispondo sobre “justa causa” (vide Jurisprudência. os terceiros que negociam com a sociedade. obriga-se a restituir os valores que o sócio excluído tiver integralizado273. Os outros sócios não serão autores porque estão ligados à sociedade e não entre si (a natureza do ato constitutivo da sociedade é de contrato plurilateral). e conseqüentemente para a formação da base patrimonial da sociedade. gerando. pág. 1. não afetando o contrato entre os demais. É o que ensina Tullio Ascarelli: “A peculiaridade de maior relevo do contrato plurilateral diz. a interpretação do Supremo Tribunal Federal e do Superior Tribunal de Justiça não admite que o sócio. que. ou.058. além disso. que pode restar comprometida quando um dos sócios torna-se remisso.affectio societatis.030 do código civil. seja expulso. figurando – a própria sociedade. por incapacidade superveniente270”. poderão os outros sócios tomar a si as quotas anuladas ou transferi-las a estranhos. o Código Civil manteve a única previsão de exclusão de sócio. subscrito por duas testemunhas. que. Renovar/2005. pág. 272 campInHO. art. ao contrário. em regra. Lembre-se de que ninguém é sócio de ninguém. após algumas deduções. incidindo em violação grave ao dever primordial do sócio. têm no capital desta a principal (e muitas vezes única) garantia. ainda. Temos então. a plurilateralidade do contrato de sociedade levará a resolução somente em relação ao sócio inadimplente. com efeito. a forma de reembolso das suas quotas. assim. mas sim sócio da sociedade. expulsando um ou mais de seus membros. O conceito de “justa causa” no âmbito do Direito Societário surge com a natureza do contrato social (plurilateral). 1. no pólo ativo da ação. ponha em risco o desenvolvimento da empresa e sua função social. em qualquer das hipóteses. como preceituado pelos tribunais. em virtude de atos de inegável gravidade”269. devendo responder perante a sociedade pelo dano dela decorrente” (artigo 1. realizado na data da exclusão. risco financeiro ao desenvolvimento da empresa271. com concessão do prazo de trinta dias para adimplir suas obrigações. a lei criou instrumentos jurídicos que permitem a sociedade continuar sua atividade. No caso de quebra da affectio societatis. também. sendo. sérgio in O Direito de Empresa à luz do novo código civil. comum os desentendimentos. que pura e simplesmente não integraliza suas quotas. como por via judicial: quando praticarem “falta grave no cumprimento de suas obrigações.168. e inovou ao permitir a possibilidade de um ou mais sócios serem excluídos pela maioria (mais da metade do capital social). indispensável a colaboração entre todos os sócios . O sócio inadimplente “estará sujeito a notificação premonitória da sociedade.708/1919268. que já constava do Decreto nº 3. esses últimos. n. estará constituído legalmente em mora. Mediante uma Ação de Integralização de Capital a sociedade poderá “cobrar” o sócio remisso. 5ª edição. deve-se dar com base em balanço especial. sendo impossível cobrar amigavelmente do sócio.a. se caracteriza pela “reunião das partes e a comunhão de escopo que caracterizam a sociedade”274. deduzindo os juros da mora e mais prestações estabelecidas no contrato e as despesas. ao final). 1. Em qualquer caso do art. in Ensaios e pareceres. a presença de um sócio remisso . como ensinou Tullio Ascarelli. Nesse sentido. Mesmo no caso de expulsão do sócio remisso. respeito à disciplina da sua nulidade ou art.aquele que subscreveu quotas e não integralizou dentro do prazo pactuado. deve corroborar-se à justa causa. Atento a esta situação. O Código Civil faculta à sociedade optar pela transferência das quotas do sócio remisso para os sócios restantes ou para terceiros. afigurando-se. 274 FGV DIREITO RIO 150 . 7º. saraiva.. Neste sentido. conforme dispõe o art. são paulo/1952. 273 Enunciado 62 (cjF): com a exclusão do sócio remisso. pagando ao proprietário primitivo as entradas por ele realizadas. sendo assim. que é contribuir para o capital social. como um dos mais importantes pilares de todas as sociedades. A denominada Ação de Integralização de Capital nada mais é do que uma ação de execução. 289 do código comercial poderão os outros sócios preferir a exclusão do sócio remisso. tanto por via contratual: quando colocarem “em risco a continuidade da empresa.97.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa roteiro de auLa É notório que as relações entre os sócios nem sempre transcorrem de forma tranqüila.085 do código civil. 268 269 270 271 art. como uma das hipóteses em que se admitirá a exclusão do sócio. seus herdeiros ou sucessores a soma devida pelas suas quotas ou preferindo a sua exclusão. cujo título executivo é o contrato social. Transcorrido o prazo. por intuito pessoal.

ciente o acusado em tempo hábil para permitir o comparecimento e exercício do direito de defesa”. com prazo razoável para a defesa do sócio “acusado”. que dispõe sobre a exclusão ser “deliberada em reunião ou assembléia especialmente convocada para esse fim. 277 278 Op. surge.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa anulação que pode respeitar a adesão de uma entre as partes não afetando o contrato no seu conjunto”. Explica o autor. quando o estado de tolerância deixa de estar presente. quando o assunto for a deliberação sobre a sua exclusão. uma vez que depende de deliberação por sócios que representem mais da metade do capital social. 1. basta haver previsão de exclusão por justa causa no contrato social para que a exclusão possa ser tomada extrajudicialmente277. procedimento extrajudicial de exclusão do sócio O artigo 1. FGV DIREITO RIO 151 . portanto. como veremos a seguir.275 O novo Código Civil chancelou em seu texto a previsão jurisprudencial da “justa causa” como quebra da affectio societatis276. b) ato de inegável gravidade que esteja colocando em risco a continuidade da empresa.a. estimulando o enfrentamento dos querelantes.cit. o mecanismo previsto no parágrafo único do art. Miguel Reale (autor do Código Civil). o estado de prepotência. aprovado na I jornada de Direito civil. Poderia ser argumentado que se trata da maioria do capital votante. entre os sócios. bastando citar a previsão de realização de reunião só para tal deliberação. sob o título “Da resolução da sociedade em relação a sócios minoritários”. 1. deixando patente que somente em relação ao minoritário a exclusão pode se dar de forma extrajudicial. com vasta experiência em atuações judiciais e extrajudiciais em contendas societárias que “a realização de assembléia ou reunião em nada contribuirá para o aprimoramento do instituto da exclusão. Apesar do novo Código Civil ter contemplado a previsão.030 do Código Civil. promovida pelo centro de Estudos judiciários do cjF em 2002. O Enunciado nº 67. Reportando-nos a nota de abertura dessa aula – texto de Roberto Bobbio. 1.168. A exclusão extrajudicial por justa causa somente pode se dar para sócios minoritários. o art. Ao revés. as seguranças e fatores inibidores que o processo judicial assegura àquele que deseja exercer o seu direito de defesa278”.cit. A exclusão de sócio majoritário somente poderá se dar de forma judicial e atendendo aos requisitos do artigo 1. pág. Todavia. 275 276 Op. acarretando o desajuste que gera o conflito e configura.085 acarretará em empecilho a sua efetivação. Sérgio Campinho critica a necessidade de convocação de reunião ou assembléia com a presença do excluído a fim de garantir-lhe o direito ao devido processo legal e ao contraditório. o Prof. No mesmo sentido.085 está inserido na seção VII. mas apenas para dissolução (parcial) da sociedade”. 1. procedimento judicial de exclusão do sócio A possibilidade de exclusão de sócio pela via judicial. é uma forma de proteger os sócios minoritários de eventuais desmandos dos sócios majoritários e está prevista no art. sem as garantias.030 do Código Civil. já traçada pela jurisprudência.085 do Código Civil permite a exclusão extrajudicial de sócio caso estejam presentes os seguintes requisitos: a) deliberação por sócios que representem mais da metade do capital social. Assim.208. dispõe que: “a quebra do “affectio societatis” não é causa para a exclusão do sócio minoritário. pág. a justa causa. conforme previsto no art. O procedimento para a exclusão extrajudicial está previsto no parágrafo único daquele artigo. n. o direito de votar. será mais uma fonte de perpetração de disputas. conforme argumentou o Dr.085. c) previsão no contrato social permitindo a exclusão extrajudicial por justa causa. não tendo o majoritário. da “justa causa” para exclusão de sócio.

5º. o juiz assinará. 283 284 art.030 do Código Civil.772 do código civil prescreve: “pronunciada a interdição das pessoas a que se referem os incisos III e IV do art. seguindo os parâmetros previstos no contrato social. segundo o estado ou o desenvolvimento mental do interdito. Este sócio será alcançado pela incapacidade superveniente. 1. a sociedade não pode deixar de efetivá-la. e não por cabeça. onde a atuação pessoal do sócio é imprescindível para a realização do objeto social. sendo necessária a concordância da maioria absoluta dos sócios. assim. pois é impositiva.782”. a exclusão com base na “justa causa”. portanto. morte.767. como pode parecer. exclusão de pleno direito Será excluído de pleno direito da sociedade o sócio empresário (pessoa jurídica) que tiver sua falência decretada281. Quando a realização do objeto social depender de determinada condição pessoal do sócio (ou sócios) e ele não puder mais realizá-la. III). Liquidação de quotas Com a retirada do sócio da sociedade. afeta-se à condição de sócio o direito patrimonial disposto no art. No silêncio do contrato. assim como os que não podem exprimir sua vontade. 282 n. 9º.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa O termo “falta grave”. são absolutamente incapazes (art. O art. o inadimplemento das obrigações assumidas no contrato plurilateral de sociedade. 1. o pedido de exclusão deverá ser formulado por aquele ou aqueles que detenham. primeira parte do parágrafo único do código civil. A propositura da Ação de Exclusão será objeto de deliberação. computados pela participação no capital social. XXII. é a incapacidade superveniente do sócio. A ação é de conhecimento e tramitará pelo rito ordinário. A outra hipótese para a propositura da Ação de Exclusão. se o sócio que se pretende excluir detém 90% do capital social279. justificando. referido no artigo.030. podendo ser expulso da sociedade. O artigo 1. Essa possibilidade legal deve ser interpretada restritivamente e só será aplicável à sociedade com características “de pessoas”. tendo a sociedade como autora e o sócio que se pretende excluir como réu. Assim. não colaborar mais com os outros sócios na realização da empresa. e não pelos próprios sócios. 1. ou seja. cooperativa e outras) que tenha sido declarada insolvente282. a ensejar a quebra da affectio societatis.a. Esse tipo de exclusão ocorre de pleno direito. II da Constituição da República. como resultado da formação da massa falida ou massa insolvente.a. É o caso de uma sociedade de médicos. e 170. sob pena de configuração de voto conflitante). pode ser considerado como sinônimo de “ato de inegável gravidade”. processadas no juízo da execução coletiva (falência).031 do código civil. que poderão circunscrever-se às restrições constantes do art. pois assim se afere a disposição de poderes entre os sócios. a incapacidade dos demais pode ser absoluta ou relativa. 1. como o fundamento para a exclusão de pleno direito é a proteção dos interesses de terceiros. entende-se ocorrida a exclusão por incapacidade superveniente. nos termos do art. 6% do capital social. que tem um de seus membros impedido de continuar exercendo a medicina em virtude da cassação de sua licença. A incapacidade superveniente pode se dar com a interdição de sócio280 e também com o fato do sócio. FGV DIREITO RIO 152 . os limites da curatela. como vimos anteriormente. sendo excluído o percentual correspondente ao sócio que se pretende excluir (ele não participa da votação. se opera independente da vontade dos sócios283. por tratar-se de exclusão determinada por sentença judicial. 3º). retirada motivada ou imotivada. o que configura. 1. 281 art. conforme o decreto de interdição (art. seja por exclusão. esta medida aplica-se inclusive ao majoritário. art. como também o será o sócio não empresário. pessoa natural ou jurídica (sociedade simples. a regra geral do citado artigo será 279 n. Em qualquer dessas hipóteses. por razões alheias a sua vontade.030. sendo a liquidação das quotas do sócio em questão284. no mínimo. 1. 280 Os destituídos do necessário discernimento para a prática de atos da vida civil. segunda parte do parágrafo único do código civil. faz-se necessário liquidar o valor de sua quota (ou quotas). com caráter pessoal.031 do Código Civil dispõe que a liquidação se fará. 1.

excluindo-se o valor da quota liquidada. a praxe. Lembrando que esta disposição deve garantir ao sócio excluído (ou retirante) o recebimento de justo valor pelas suas quotas. Diante da flexibilidade disposta no art. porém não seria razoável um parcelamento de 50 anos. a data da resolução. sempre administrou a sociedade. ou seu valor poderá ser complementado pelos sócios que permanecerem na sociedade. por exemplo. Em outras palavras: a apuração dos haveres se fará com base em valores reais. porém indicando produtos que jamais foram vendidos por ela.ex. ele brigou dentro da loja com um fornecedor e quando o sócio Bernardo chegou para separá-los.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa aplicada e a liquidação da quota (ou quotas) será no percentual que tiver sido efetivamente integralizada. com destino o patrimônio da sociedade. cada um. o know-how. impondo sua condição de sócio majoritário.031. Como não existe cláusula contratual referente à administração da sociedade. sendo certo que as regras contábeis não contemplam diversos itens de extrema validade. buscar um terceiro (s) para ingressar como sócio (s). FGV DIREITO RIO 153 . ele como sócio majoritário. tendo por base a situação patrimonial da sociedade. todas essas notas continham a assinatura de Christiano e o número do cheque emitido para pagá-las (frise-se que os cheques eram da conta corrente da sociedade). indicando. Bernardo e Gabriel são sócios de uma sociedade limitada que tem como objeto a venda de quadros e espelhos. Christiano. havendo a respectiva distribuição de quotas entre os sócios ou. 1. Luciana encontrou algumas notas fiscais emitidas em nome da sociedade. Estranhamente. a exclusão ou a retirada de um dos sócios poderá acarretar na redução do capital social. tem o dever de votar na reunião de deliberação específica para a sua exclusão? e) Existe algum valor a ser recebido pelo sócio excluído? Terá alguma diferença se esse sócio não tiver subscrito as suas quotas? f ) O contrato social poderá dispor qual será a forma de reembolso das quotas daquele sócio? Poderá ser por meio de um parcelamento em 50 meses? 285 n. Nesse ponto. Ao fazer uma limpeza nas gavetas do escritório da loja. recursos humanos etc. ainda. sob pena de enriquecimento ilícito dos demais sócios mediante o confisco indireto da propriedade do sócio excluído (ou retirante). como. Christiano é o sócio majoritário com 40% do capital social e o restante dos sócios participa com 20%. Luciana. a forma como desejam que se proceda a liquidação das quotas sociais. os demais sócios vêm percebendo uma alteração no comportamento de Christiano.a. Caso gerador Christiano.: a marca. Contudo. muito menos indicando o administrador. ele poderia participar desta reunião? d) Optando pela expulsão de Christiano. não pode o contrato estipular que a apuração dos haveres se dará com base no último balanço contábil aprovado. sozinho. Recentemente. portanto. O pagamento dos haveres poderá ser parcelado. foi xingado e recebeu alguns socos de Christiano. sozinho? b) A expulsão de Christiano é juridicamente possível? c) Os sócios pretendem se reunir para tomar alguma atitude em face de Christiano. p. Pergunta-se: a) Christiano poderia administrar a sociedade. verificada em balanço especialmente levantado. dentro de um prazo que atenda ao critério da razoabilidade285. que o prazo de 12 meses é um prazo razoável. Enfim. os sócios devem estipular no contrato social. e não apenas em valores contábeis. devendo ser pago o valor referente às quotas.

Julga-se improcedente o pedido de dissolução integral e liquidação da sociedade se requerido por sócios minoritários sem razões robustas. evitando-se.10. assegurando-se a garantia do contraditório. que demonstrem no mínimo o desvio da finalidade social. FGV DIREITO RIO 154 . TERCEIRA TURMA. fundada em justa causa.160/ SP. não padece a dúvida de que é possível a exclusão de sócio independentemente de cláusula contratual. grifamos AÇÃO ORDINÁRIA DE DISSOLUÇÃO PARCIAL DE SOCIEDADE. sessão de 13. Rel. COMERCIAL. como medida grave. DJ de 13/12/93). Ministro HUMBERTO GOMES DE BARROS.2002 p. ARGUMENTOS QUE CONDUZEM. (RESP 453. para o resguardo de eventual injustiça é que se admite a ação anulatória da deliberação tomada pela sociedade e a reparação a que fará jus o excluído.12. DISSOLUÇÃO INTEGRAL E LIQUIDAÇÃO DE SOCIEDADE POR QUOTAS DE RESPONSABILIDADE LIMITADA. Com isso. Ministro CARLOS ALBERTO MENEZES DIREITO. no entanto. resguardando-se inclusive o direito de defesa do excluído.915/SP. 1. no caso de sócio retirante ou pré-morto.(. há de fazer-se como de dissolução total se tratasse posto que. 352).423/AL. para supervisionar e fiscalizar o processo. SENTENÇA QUE HOMOLOGA A APURAÇÃO DE HAVERES DETERMINANDO O PAGAMENTO RESPECTIVO EM 90 DIAS. diante das circunstâncias de fato do caso. de outro modo. Recurso especial conhecido. NOMEAÇÃO DE LIQUIDANTE. que deve ser medido com justiça.05. Os interesses econômicos e de natureza moral devem ficar devidamente esclarecidos. RECURSO ESPECIAL. a apuração de haveres. julgado em 08. TERCEIRA TURMA. COM A SAÍDA DOS DISSIDENTES E APURAÇÃO DOS HAVERES. pode ficar sujeita ao controle jurisdicional em termos de valoração jurídica.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa JurisprudênCia “Diante da grave providência – exclusão de sócio. DJ 15. 2. NO MÁXIMO.2006.. mas desprovido.) por outro lado. A estes sócios. insatisfeitos com a administração da sociedade.grifamos. essa linha de entendimento tem por escopo preservar o quantum devido ao sócio retirante.04. Esta Terceira Turma tem reiterados precedentes no sentido de que na “dissolução de sociedade de responsabilidade limitada. publicado na RTJ nº 128. por deliberação majoritária dos cotistas. É de se ponderar.2006 p.” (RE 115. a nomeação de liquidante. grifamos DISSOLUÇÃO PARCIAL DE SOCIEDADE POR QUOTAS. julgado em 06. 1. pág. segundo a jurisprudência do STJ. (REsp 315. Relator o Senhor Ministro Waldemar Zveiter.02.222-BA. não agride nenhum dispositivo de lei federal. com a devida apuração de haveres. À DISSOLUÇÃO PARCIAL. 886) . Rel. PEDIDO DE SÓCIOS MINORITÁRIOS. assiste o direito de retirada. 200). o locupletamento indevido da sociedade ou sócios remanescentes em detrimento dos retirantes” (REsp nº 38. 2. IMPROCEDÊNCIA DA PRETENSÃO. sem a representação legal da sociedade. DJ 04.88.. desde que haja justa causa para o ato. PRECEDENTES.2001. que a exclusão. ou ainda por motivo da quebra da affectio societatis.

inexistente nas demais espécies contratuais. estará habilitada a Sociedade a excluir o sócio Inadimplente fundamentada na prevalência do interesse social sobre o individual.PRIMEIRA CAMARA CIVEL.SEGUNDA CAMARA CIVEL.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa Valores alegadamente adiantados pela empresa ao sócio excluído já computados no laudo pericial. TJ/RJ) . Possibilidade de juntar-se a resposta tempestivamente.01 UFIR’s (fls.001. DES. O contrato de sociedade é contrato sinallagmatico plurilaterale. somente junta a cópia da contestação desacompanhada de qualquer documento. onde o elemento fundamental é o escopo ou objetivo comum. quantidade essa que deverá ser atualizada apenas até a data da citação (agosto/2002). sendo certo que o apelado foi beneficiado com a gratuidade de justiça a ela deferida.DECIMA QUINTA CAMARA CIVEL. Má-fé processual. não havendo nenhuma disposição contratual neste sentido. Ação Ordinária visando a exclusão de sócio de sociedade empresarial. grifamos. (2003.11911 . sponte propria eventuais equívocos cometidos. TJ/RJ). Elemento indispensável à harmonia entre os sócios. DES. mais conhecido como elo de colaboração ativa entre os sócios. mas que no momento da Apelação. (2005. este não merece ser acolhido. As partes têm dever de proceder com lealdade no processo. Equívoco da sentença quando dispôs que o valor deve ser corrigido a partir de janeiro/2003.Julgamento: 01/02/2006 . Revelia. GALDINO SIQUEIRA NETTO Julgamento: 28/06/2006 . Honorários periciais. Equívoco no endereçamento com ciência do Advogado do Réu. MARIA AUGUSTA VAZ .manifesta se acha justa causa a autorizar sua exclusão da sociedade. FGV DIREITO RIO 155 . razão pela qual deve ser homologado o valor equivalente a 429. AÇÃO CAUTELAR VISANDO O AFASTAMENTO E EXCLUSÃO DE SÓCIO. também aqui valendo o interesse social. inclusive agilizando e corrigindo. DES. eis que tal valor já havia sido corrigido pelo perito até maio/2005. A decisão monocrática não é teratológica ou contrária à prova dos autos. Prazo da resposta não esgotado.APELACAO CIVEL. Pedido de parcelamento da quantia devida. Quando presente na sociedade situações que demonstram a atuação do sócio em desacordo com o dever de colaboração a que está submetido affectio societatis .002. Omissão do Advogado que resta inerte. Presunção de veracidade dos fatos alegados pelos autores. de arcar com tal despesa. Sentença que julga procedente o pedido de exclusão e determina a apuração de haveres que se confirma. Beligerância e agressão verbal do réu-sócio que se pretende seja excluído.grifamos. no juízo deprecante.001. (2006. além do fato de que o apelado não pode ser obrigado a receber seus haveres de forma parcelada. Desintegração da affectio societatis. Uma vez inadimplido.218 do laudo pericial). portanto. Nos autos há elementos a demonstrar que o afastamento do agravante da gerência administrativa da sociedade.43209 . Réu que alega ter juntado contestação e documentos na carta precatória. Decisão que se mantém. Apelantes condenados nos ônus da sucumbência. tendo tido a empresa tempo suficiente para efetuar uma reserva para tal finalidade. sendo certo que a parte das cotas sociais do sócio afastado será judicialmente apurada e não se mostra sob risco. TJ/RJ) AGRAVO DE INSTRUMENTO. decorreu da má-gestão administrativa.APELACAO CIVEL.Julgamento: 19/08/2003 . CRISTINA TEREZA GAULIA . JDS.945. Impossibilidade tendo em vista que a ação foi proposta há quatro anos. estando de acordo com o Enunciado nº 7 deste Tribunal. Juntada de contestação. com a responsabilidade. Quanto ao pedido de ser determinada a prestação de caução. Provimento do apelo neste particular apenas. Documentos comprobatórios trazidos aos autos pelos autores.AGRAVO DE INSTRUMENTO. para ser mantido o íntegro princípio da preservação da empresa.06722 .

SEGUNDA CAMARA CIVEL. proposta por sócio despedido. ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL SECÇÃO SÃO PAULO 125º EXAME DE ORDEM . procedida pelo sócio dito remanescente. seja no atual. definida na jurisprudência.Julgamento: 17/05/2005 . Tribunal de Justiça do RS.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa AGRAVO DE INSTRUMENTO. a pessoa jurídica por eles até então formada. desde que existem previsão no contrato social de exclusão extrajudicial por justa causa e observado o direito de defesa do sócio cuja exclusão se pretende. b) é matéria sem previsão legal. seus haveres sociais serão pagos de acordo com o critério do valor FGV DIREITO RIO 156 . 45. razão por que não há como considerar a hipótese de destituição do agravante pelo fato de as outras sócias possuírem 2/3 do capital social. Na Assembléia Geral realizada após a publicação do acórdão referente ao agravo regimental. no sentido de que a maioria do capital social pode excluir um sócio diante da impossibilidade de conviver com ele. DESTITUIÇÃO DE SÓCIO SEM JUSTA CAUSA. VII. IMPOSSIBILIDADE. não importa em dano moral in re ipsa. Ordinária de dissolução de sociedade por cotas de responsabilidade limitada. e não havendo previsão contratual a respeito. Relator: Cacildo de Andrade Xavier.APELACAO CIVEL.grifamos. AGRAVO PROVIDO.1ª fase.EXAME DE ORDEM . DIREITO COMERCIAL. que só admite a exclusão judicial. O artigo 1. ao proceder o sócio detentor da maioria do capital social. do Código de Processo Civil) que não pode se ver substituída por apuração unilateral e particular. Dano moral. A despedida de sócio. de modo que. (2005.10522 . à despedida de seu único sócio. c) é modalidade de exclusão de sócio afastada por expressa disposição do Código Civil de 2002. desde então. d) pode se fazer à revelia do sócio cuja exclusão se pretende. AÇÃO CAUTELAR INOMINADA. grifamos Questões de ConCurso PROVA OAB/MG . MAURICIO CALDAS LOPES . depois de não provido o dos réus. (Agravo de Instrumento Nº 70007363153. as sócias não declinam eventual justa causa para a destituição do sócio (gerente).DEZEMBRO/2007 82ª Questão: A exclusão extrajudicial de sócio de sociedade limitada: a) é admitida no Código Civil de 2002.001. Resolvendo-se o vínculo de um sócio com a sociedade empresária de que faz parte. sem justa causa embora.062 do CC não revoga a disposição do artigo 1. Sentença de procedência. TJ/RJ).019 do mesmo diploma legal. Provimento parcial do recurso do autor. Julgado em 02/06/2004) . DES. Sexta Câmara Cível. Apuração de haveres em processo formal de liquidação de sociedade (artigo 1. com ou sem justa causa. extinta estava. Seja no direito privado anterior. conforme prevê o contrato social da empresa. ora agravante.218. inexiste sociedade de um sócio só.

FGV DIREITO RIO 157 . apurado em perícia judicial. XXXIX CONCURSO PARA INGRESSO NA MAGISTRATURA DE CARREIRA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO . apurado em balanço especial. (D) econômico de suas quotas na data do efetivo pagamento. apurado em balanço especial. conforme a cotação em bolsa de valores. (B) econômico de suas quotas à data da resolução. Que opções têm os sócios da sociedade limitada em relação ao sócio remisso? (VALOR: UM PONTO E MEIO).2ª Prova Específica.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa (A) patrimonial de suas quotas na data da resolução. (C) patrimonial de suas quotas na data do efetivo pagamento.

) e 521 a 524 (joint venture) do Direito Societário. o seu destino é a liquidação.A.). com o objetivo da facilitar a administração de seus negócios. entre condomínios residenciais de alto luxo. 287 288 a Gafisa s.E. ementário de temas – Sociedade de Propósito Específico – SPE.P. em 1997. roteiro de auLa Aprendemos que. podendo. a Gafisa oferece aos seus investidores maior transparência e mais segurança e contribui para o aumento da credibilidade do mercado acionário brasileiro. Porém. flats e shoppings centers. já faz algum tempo que o caráter intuito personae não domina esse cenário de forma absoluta e. recursos financeiros. José Edwaldo Tavares Borba. sob o nome de Gomes almeida Fernandes. com mais esse passo. Normalmente. por meio do qual duas ou mais pessoas naturais e/ou jurídicas agregam suas habilidades. Tomemos como exemplo a GAFISA288.. para a estruturação de negócios. cumprido esse projeto. Apesar de não ter regulamentação especial no Brasil e não representar um modelo ou tipo de sociedade. tecnológicos e industriais. Fonte: http://www. onde duas ou mais sociedades agregam seus esforços para desenvolver um negócio em conjunto. estabeleceuse no mercado desenvolvendo mais de 900 empreendimentos. com sede em são paulo e operações em outras cidades do país. companhia líder brasileira na construção e incorporação de bens imóveis que. tais sociedades. Em 2005. Decidida a expandir sua área de atuação e se tornar uma companhia nacional. na forma de sociedade limitada. a SPE vem sendo largamente aceita em nosso ordenamento jurídico. sociedade de propósito específico – spe Tem origem em instituto tipicamente norte-americano. Na opinião do prof. historicamente.com/gafisa/admin/arquivos/ GAFISA_CVM_PROTOCOLOS_20050627_port. comandado por samuel zell. O início de 2006 foi marcado pela entrada da Gafisa no novo mercado de governança corporativa da Bovespa. entre outros. Acessar o documento disponibilizado no site: http://www. a Gafisa recebeu um importante acionista: a Equity International properties (EIp). que representam cerca de 10 milhões de metros quadrados de área construída. já marcadas para morrer. uma das empresas líderes no ranking das maiores construtoras e incorporadoras do segmento residencial no Brasil. uma SPE nasce para prestar um serviço a sua controladora. ser acionada em juízo. a SPE. normalmente. – Texto: A Joint Venture e a Sociedade de Propósito Específico. Renovar: Rio de Janeiro/2004. S. tornou-se a Gafisa Imobiliária e. na sua maioria de caráter familiar ou restrita a sócios que já se conheciam antes de constituí-la. ou até mesmo para desenvolver um projeto da controladora. ao final da década de 80. companhia norte-americana líder em investimentos no setor imobiliário na américa Latina e que pertence ao Equity Group Investments (LLc). Nascem. São nada mais nada 286 citamos como exemplo a sociedade holding. sob uma das formas societárias previstas no ordenamento pátrio (Ltdas. também têm sido utilizadas para grandes operações. em 2004 a Gafisa criou a Diretoria de novos negócios para cuidar exclusivamente de novos.a. citamos como exemplo as joint ventures.s etc. 9ª edição. edifícios comerciais. constitui uma Sociedade de Propósito Específico – SPE.mz-ir. Seja de forma isolada ou na participação em “grupos” societários286 ou mesmo em associação com outras sociedades287. – Joint Venture.pdf#search=%22gafisa%20protocolo%22. passou a se chamar Gafisa s. para cada empreendimento seu. inclusive. para cumprir uma simples etapa de um projeto. José Edwaldo Tavares Borba. a partir da realização da oferta pública inicial de ações da companhia.gafisa. a partir de uma associação com a Gp Investimentos. a joint venture.a. – Semelhanças e Diferenças entre a sociedade limitada e a sociedade anônima. a sociedade limitada era utilizada por pequenas e médias empresas. Uma vez constituída de personalidade jurídica. adquire direitos e contrai obrigações decorrentes da realização do empreendimento para o qual foi constituída. br/InsTITucIOnaL/ FGV DIREITO RIO 158 . a Gafisa foi fundada em 1954 no Rio de janeiro.com.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa AUlA 19: A UtIlIZAÇÃO DA SOCIEDADE lIMItADA COMO EStRAtéGIA SOCIEtáRIA PARA GRANDES OPERAÇõES Nesta aula discutiremos a leitura do seguinte capítulo: – Páginas 517 a 519 (S. para executar objetivos específicos e determinados.

assessoria. a missão não era das mais fáceis. informou a Reuters. Desde o começo. 9ª edição.acompanhamento dos elementos negociais. A decisão de separar as empresas. Visando compartilhar custos e potencializar os pontos fortes de cada empresa. em junho. 290 291 Fonte: Valor Econômico em 05/09/2006.disponibilização de uma cópia da Proposta de associação. Na época. .assinatura de um termo de confidencialidade . com 60 mil funcionários. Renovar: Rio de janeiro/2004. um aspecto de risco. a fusão de suas unidades de equipamentos para redes de telecomunicações. Joint Venture A formação de uma joint-venture se dá por intermédio de um acordo de associação entre duas ou mais sociedades. pág. igualmente. sem vida própria. FGV DIREITO RIO 159 . Volkswagen e Ford anunciaram um acordo que surpreendeu o mercado latino-americano.avaliação de duas ou mais pessoas naturais e/ou jurídicas. uma combinação de habilidades e competências por parte de seus integrantes. pois deviam alcançar resultados e convencer diversos públicos em diferentes países. Normalmente. Nas palavras do prof.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa menos do que uma sociedade-escrava. e sem qualquer interesse particular capaz de justificá-la como empresa289.Negociação das avaliações e valores envolvidos. foi tomada no final de 1994 e efetivou-se em março de 1995. . abordaGEM NEGoCIaçÃo EXECuçÃo in Direito societário.Preparação da Proposta de associação . contábeis e fiscais da operação . elas formaram um gigante teoricamente imbatível no mercado. portanto. o que permitiria que a associação Nokia Siemens Networks começasse a operar no início de 2007. .521. A Nokia informou que a reorganização das atividades de suporte não terá impacto no número de empregados291. para a criação de uma nova entidade que geralmente executa um trabalho que está além do domínio normal das sociedades originais. “há. próprio e típico dos novos negócios. 289 in Direito societário. Destacamos alguns exemplos de integração de esforços para a constituição de uma joint venture: Em 1987. 9ª edição. pág. A Nokia informou que vai reorganizar sua divisão de suporte a clientes empresariais e transferir dois mil funcionários excedentes para a planejada joint-venture com a alemã Siemens .busca de sinergias e benefícios que a transação trará para os envolvidos . o processo de associação ou Joint Venture passa pelas seguintes fases: fASES PrEParaçÃo AtIvIDADES . dissolvendo a AUTOLATINA. detalhes jurídicos. formando a quarta maior empresa do mundo no segmento. a sua competência gerencial. o seu conhecimento de mercado. num somatório de aptidões capaz de conferir à sociedade condições efetivas de êxito”290.518.Contato com os potenciais sócios .apresentação genérica para os novos sócios . cada um trazendo o seu know-how específico. As duas companhias acertaram. as empresas informaram que a Nokia contribuiria com 20 mil empregados e a Siemens com o restante para a formação da nova companhia. a AUTOLATINA. José Edwaldo Tavares Borba.assessoria na elaboração dos contratos de compra e venda e acordos entre sócios. As duas empresas esperam receber aprovações para a fusão das unidades neste ano. Há. o que permite a expansão da atuação de todas. ocasião em que os sistemas de informação passaram a ser específicos a cada uma delas. .Sugestão da estratégia de associação ou Joint Venture . Renovar: Rio de janeiro/2004.

que vem a ser uma forma de tributação simplificada. da Lei n. sem necessidade de alteração contratual. Contudo. o que limita a publicidade do nome dos sócios neste registro público. Todavia. a sociedade será designada por denominação acompanhada das expressões “companhia” ou “sociedade anônima”. agilizando a administração da sociedade e reduzindo custos e burocracia. As maiores vantagens da sociedade limitada sobre a sociedade anônima estão na desnecessidade da primeira de manter um Conselho Fiscal e possibilidade de dispensa da assembléia se todos os sócios deliberarem por escrito as matérias das reuniões (ou assembléias) anuais de sócio. veda expressamente a entrada de pessoa jurídica constituída sob a forma de sociedade por ações. ltDA limitada ao valor do capital social. um grau próximo de complexidade. quais sejam: a sociedade limitada e a sociedade anônima. convocada para este fim ao menos uma vez por ano (art. Na sociedade limitada. aberta ou fechada (valores mobiliários de sua emissão não admitidos à negociação no mercado de valores mobiliários). uma das desvantagens da sociedade anônima é a impossibilidade de enquadramento no SIMPLES. a aprovação das demonstrações financeiras é feita em assembléia ou reunião. com leve vantagem para as sociedades limitadas. devem obedecer às normas vigentes. atualmente. tanto a sociedade limitada. Tanto a sociedade limitada como a sociedade anônima. inciso III.317/1996. a operação somente pode ser formalizada por meio de alteração contratual arquivada no órgão competente. na primeira. se faz relevante o estudo comparativo entre os dois principais tipos societários utilizados no Brasil. a sociedade terá nome empresarial seguido da expressão “ltda”. apresentam. as duas formas societárias são equivalentes. 9º. e os livros e documentos exigidos e de controle são em menor quantidade. principalmente quanto à burocracia necessária para sua manutenção. uma vez que inexiste a obrigatoriedade de publicação de balanço. 1. a admissão ou saída de sócio poder ser feita com a simples transferência no Livro de Transferência de Ações ou na Conta Corrente de Ações.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa semelhanças e diferenças entre a sociedade limitada e a sociedade anônima Em vista das modificações ocorridas na legislação societária com a entrada em vigor do Código Civil de 2002. O art. Do ponto de vista contábil. como a sociedade anônima. No que concerne à responsabilidade do administrador. Uma vantagem da sociedade anônima sobre a sociedade limitada é o fato de. com posterior arquivamento da ata correspondente na Junta Comercial. Nas sociedades anônimas. Não pode haver negociação dos valores mobiliários. tipos FGV DIREITO RIO 160 .078).º 9. a mobilização dos sócios nas sociedades anônimas fica facilitada devido a desnecessidade de arquivo em órgão competente das alterações do quadro societário. Na sociedade limitada. em especial ao engessamento sofrido pela sociedade limitada. há a obrigatoriedade de publicação dos balanços e demais demonstrações financeiras (art. Estudo Comparativo ASPECtO limite da responsabilidade dos Sócios denominação S/A limitada ao preço de emissão das ações subscritas ou adquiridas. 176 e parágrafos).

o livro de atas das assembléias Gerais. deverá ter o livro de registro de ações Nominativas. estabelecendo. Violação dos deveres de diligência Menos de 10 sócios . os livros de atas das reuniões do Conselho de administração. além dos regulares da prática comercial. debêntures e bônus de subscrição e ações. obrigatória apenas nas de capital aberto obrigatório (funcionamento permanente ou facultativo).ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa Forma de Constituição registro Entrada e Saída de Sócio Estatuto Junta Comercial Contrato Social. quando houver. contratual ações Quotas a quota é indivisível em relação à sociedade. salvo para efeito de transferência a entrada pode se dar se não houver oposição de 75% (setenta e cinco por cento) do capital social Não há possibilidade Forma de divisão do Capital Indivisibilidade a ação é indivisível em relação à companhia o estatuto da companhia fechada pode impor limitações à circulação das ações representativas de seu capital. desnecessário FGV DIREITO RIO 161 . deverá ter o livro de atas da administração. livro de atas e Pareceres do Conselho Fiscal e o livro de atas da assembléia. Conselho Fiscal Facultativo. sobre a matéria que seria seu objeto. Podem ser dispensadas se todos os sócios decidirem. Mínimo de 3 membros. sem necessidade de alteração Comercial ou rCPJ. Mínimo de 3 e máximo de 5 membros. administração responsabilidade da administração Órgão deliberativo máximo dispensa da assembléia administrador (sócio ou não) o sócio administrador responde da mesma forma. Mínimo de 3 acionistas. uma ou mais pessoas Não há possibilidade diretoria Conselho de administração Mínimo de 2 acionistas. o livro de Presença dos acionistas.reunião 10 sócios ou mais – assembléia. obrigatória apenas nas companhias abertas Não é obrigatório. se houver. mais suplentes em igual número. Junta Comercial ou rCPJ. um direito de preferência para os demais acionistas na aquisição Partes beneficiárias. por exemplo. mais suplentes em igual número. o livro de “transferência de ações Nominativas”. e de atas das reuniões de diretoria e o livro de atas e Pareceres do Conselho Fiscal Conselho de administração (acionistas) e diretoria (acionistas ou não) o acionista controlador responde pelos danos causados por atos praticados com abuso de poder assembléia Geral Ingresso de novos sócios Emissão de títulos livros obrigatórios além dos regulares da prática comercial. Simples transferência nas ações em livro alteração Contratual arquivada na Junta próprio para isso. por escrito. auditoria nos balanços Não há previsão.

estudo por rubens edmundo requião. a opção por uma dessas formas societárias. usualmente. b) – joint venture corporation. Haverá substancial economia de custos e diminuição de riscos com incremento de capacidade operacional. apoiados nos dados aqui levantados. em que o detentor de tecnologia especial. Ed Saraiva.. habilidades e conhecimentos com o propósito de FGV DIREITO RIO 162 . Daí o estudo que se faz do consórcio no capítulo das sociedades por ações.” O instituto. não são questões diretamente ligadas ou derivadas das sociedades por ações. numa restrita margem de escolha. A joint venture e a sociedade de propósito específico. O traço da atividade é a cooperação empresária. como ocorre nos casos mais comuns. mediante a constituição de uma nova companhia com o objetivo específico de levar avante o empreendimento comum”. O legislador. o que impõe critérios subjetivos para decisão. a “conjugação de aptidões e recursos empresariais de duas ou mais sociedades. no qual se mantém “a autonomia das consorciadas. de lado a lado. por exemplo. Neste caso. desejoso de explorá-la em determinado local. ou seja.”. ou seja. conceito que se amplia como “uma modalidade de partnership temporária. que a SPE ou a joint venture será possível levando-se em consideração a pretensão dos sócios que a constituírem. em estrutura física. tem sido definido como a partnership for a single business. com a ressalva que estas não têm tratamento legal completo no Brasil. industrial ou de comercialização. assim como o consórcio de pessoas jurídicas. oriundo do direito americano. mas inibido pelo desconhecimento de peculiaridades do mercado alvo e pela necessidade de investir. o contrato social pode estipular a existência de órgãos administrativos auxiliares. dada a semelhança entre elas. consórcio contratual que se traduz na “conjugação de aptidões e recursos empresariais de duas ou mais sociedades”. se alia à empresa ali estabelecida para aproveitar-lhe as habilidades e conhecimentos bem como própria organização já consolidada. Trata-se de ação de empreendedor. de curta duração. teXto A Joint Venture e a Sociedade de Propósito Específico. às vezes pesadamente. além do conselho fiscal.. O mesmo fenômeno ocorre com a joint venture e a sociedade de propósito específico. destacando-o na seção que examina a concentração econômica de empresas. tão complexos quanto aos da sociedade anônima. pag 344) refere a existência de: a) – joint venture agreement .998. preferiu tratar o tema do consórcio no espaço desta lei. esforços. pela qual se objetiva a concentração de esforços combinados com a redução de risco empresarial. de duração limitada. em Comentários à Lei de Sociedades Anônimas (vol II.. Assim. Trata-se de uma associação de pessoas que combinam seus bens. organizada para a execução de um único e isolado empreendimento lucrativo. dinheiro. Modesto Carvalhosa. 1.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa A sociedade limitada poderá apresentar um volume grande de negócios. embora não necessariamente. A Joint venture. O instituto da joint venture é resultado da criatividade empresarial e não encontra tipificação na legislação brasileira. por ocasião da discussão e edição da lei 6.. levado por questão de oportunidade do processo legislativo. que nomeiam o administrador do consórcio (operator). o característico de ambas as espécies é a “especificidade da exploração de determinada atividade de natureza empresarial. Segundo o autor.404/76.

o domínio de uma técnica ou habilidade. por exemplo. O controle da joint venture tem natureza peculiar. O objeto será determinado pelo interesse das partes. os co-ventures realizam uma pluralidade de atos que. de assistência técnica até a organização de sociedades. Da última hipótese descrita. sua matriz histórica. mantém sua própria individualidade econômica e jurídica. Business Law.. apud Modesto Carvalhosa. que conduz a formação do negócio. a extinção também deverá estar prevista FGV DIREITO RIO 163 .”.. que é a composição do capital social e os reflexos patrimoniais e de poder que dele surgem. a realização de trabalho ou obra específico. focalizando a modalidade contratual da joint venture. seja indicando data especial ou a consumação do objeto do contrato.p 360). 225). Dado característico da joint venture é o prazo determinado. no mínimo. que orienta o comportamento das partes é o talento. pois se a um é conveniente explorar determinado mercado usando o domínio que sobre ele tem a outra parte. No regime da joint venture contratual haverá. sem confluir em uma atividade diretamente imputável a um sujeito distinto dos contratantes. a habilidade. 1998. acentua que “ao contrário das partnerships. mas nada impede que pessoa física participe de tal tipo de empreendimento. pág. as partes devem defini-lo. 4ª Edição. nova ou não. será sempre restrito. são alguns dos exemplos coletados pela experiência para descrever o campo de ação do instituto. A questão é de conveniência comercial ou operacional. qualificado por negócio específico e com prazo determinado quase sempre. além daqueles acima mencionados. de modo a evitar a preponderância de uma sobre a outra. O objeto da “joint venture”. Se adotada a técnica da formação de uma nova pessoa jurídica. Wilson de Souza Campos Batalha (A nova Lei das S/A. surge a sociedade de propósito específico. como a sociedade anônima. ob. de fornecimento. ou por um deles com poderes suficientes para gerir o negócio. No conceito da joint venture sobressai o fato de que nenhum dos participantes terá preponderância sobre o outro. Ltr. não haverá administração especializada. a começar pela sociedade em conta de participação. embora funcionalmente vinculados à realização de interesse comum. já surge outro fator a condicionar o comportamento das partes. A administração da joint venture variará em razão da forma adotada. Na modalidade contratual. É visível que a forma da “joint venture” é indefinida. cit. Não é usual. o teste de mercado ou de lançamento de um novo produto e o estudo de sua evolução imediata e a reação de consumidores. equilíbrio entre as partes e a administração terá que ser conduzida por ambos os contratantes. pois os consorciados mantêm sua personalidade jurídica e autonomia patrimonial e negocial. por exemplo. Admite simples contratos de colaboração. O habitual é pequeno número de interessados. para chegar à estruturas mais pesadas. Na modalidade associativa. a esta haverá o interesse que agregar à sua linha de atuação mais uma atividade.. A penetração em mercado desconhecido para uma das partes. então sócias. Mas para preservar a pureza do instituto. Não se deve olvidar que os participantes terão objetivos convergentes. em qualquer de suas formas. já que o elemento central. Se meramente contratual. de transferência de tecnologia. deverão que adotar técnicas que equilibrem o exercício do poder dentro da sociedade. inclusive as empresas públicas e sociedades de economia mista. Os participantes das joint venture serão pessoas jurídicas. sem limitação do número de sujeitos ativos. aglutinador. mas nada impede a presença de um grupo mais amplo. criando sistema de freios e contra pesos por via da distribuição de atribuições administrativas. conclusão a que se chega observando as definições correntes no direito americano.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa executar uma única operação negocial lucrativa (Len Yong Smith e ou. de qualquer espécie. as partes.

102 e seguintes do Código Civil. Por ele se definirá a atividade da sociedade. A Lei nº.666/93. Surgem em leis esparsas algumas regras. a necessidade de especialização absoluta. Surge.404/76. O contrato tem natureza intuitu personae. particular ou público. segundo o tipo social adotado. ou na lei das sociedades por ações. O legislador exige precisão na designação do objeto. A subsidiária integral. Na falta de previsão legal específica. 8. como se vê na Lei nº. por indução da lei. seja na modalidade associativa. dependerão de consenso das partes. art. Para que exista. e poderá assumir a condição de companhia aberta. no inglês special purpose company ou special purpose consortium. Penetrará em qualquer dos modelos de sociedade existentes.934/94. 251 da Lei 6. a responsabilidade dos mesmos no caso de transgressão daqueles. a solidariedade deverá estar determinada no próprio contrato instituidor. autorizando-o a permitir a participação na licitação de consórcios de empresas. O advento do instituto no Brasil ocorreu no ambiente dos contratos públicos. e não representa um modelo ou tipo de sociedade. não tem regulação especial no Brasil. no caso. no art. no art. a joint venture não implica em solidariedade dos participantes. Na hipótese da joint venture institucional. no modo mais apropriado às expectativas dos sócios. geralmente de aplicação restrita. em certos casos então. Mas nem sempre é o que ocorre. as obrigações das partes devem ser liquidadas. No primeiro caso. completado o período de atuação da sociedade. Tal perspectiva deve levar ao segregamento da contabilidade dos atos relativos à joint venture. a capacidade de atuação de seus administradores. que pouco a pouco vão traçando o perfil do instituto. 1. de modo a evitar a necessidade de alterar o contrato social ou estatuto a cada momento em que surgir uma oportunidade de negócio não contemplada expressamente no objeto social. afim de que se distanciem da atividade pessoal das partes. a segunda modalidade. As alterações subjetivas. formada nos termos do art. sendo comum a indicação de atividade genéricas. com o acerto de contas final. a sub-rogação pessoal não são autorizadas na joint venture. determinando o § 2º do mesmo artigo que “O estatuto social definirá o objeto de modo preciso e completo”.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa no ato constitutivo. inciso III. A cessão do contrato ou de obrigações dele derivadas. procede-se a sua liquidação. A sociedade de propósito específico. seja na modalidade contratual. 8. A Lei nº 6. a sua legitimidade para a prática de certos atos. atributos e habilidades pessoais das partes. como prevista no art. 35. O Código Civil de 2002. A autonomia das partes será completa. visto que se trava em razão das qualidades. portanto. que mencionará o objeto da sociedade. Sociedade de propósito específico.404/76 representa um caminho natural para a especialização do objeto social. os limites impostos a estes e aos sócios. comprovado mediante compromisso de constituição de consórcio. A disposição se dirige ao administrador público. encerrada a joint venture. ressalvada a sociedade em nome coletivo (na qual se proíbe sócios pessoas jurídicas no regime do Código Civil de 2002 e desde que se admita que a sociedade de propósito específico não possa ser formada por pessoas naturais). a ser implantado FGV DIREITO RIO 164 . proíbe o arquivamento do ato constitutivo de sociedade em que não conste a “declaração precisa de seu objeto”. 33. permitindo a operação da sociedade de propósito específico. 2º estabelece que pode ser objeto da companhia qualquer empresa de fim lucrativo. no art. como será o caso de se adotar a forma da sociedade em comandita simples. no caso. é motivo de preocupação do legislador. traduzida pela sociedade de propósito específico. ao menos no que concerne aos registros. O objeto social. 997 assinala que a sociedade constitui-se mediante contrato escrito.

adotando contabilidade e demonstrações financeiras padronizadas. tendo em conta o programa ditado pela referida lei. 50.005. a lei citada permite que esta sociedade assuma a condição de companhia aberta. 9º dessa lei estabelece algumas regras sobre a técnica ora estudada. Procedia-se. que era levado a registro. Tal situação acabou respaldada pela Lei nº. “A administração pública evolui para a exigência de constituição de uma sociedade que pudesse nitidamente separar os capitais. pag 355). uma vez adjudicado o contrato. a formação definitiva do consorcio. As regras que regem o relacionamento entre os sócios. de 31 de dezembro de 2. A Lei Nº. que refujam ao tipo padrão do modo associativo. pode impor um determinado tipo de sociedade além de condições especiais. A pessoa jurídica. O passo seguinte. seguido da formação da pessoa jurídica no caso de adjudicação. mas se admite que instituições financeiras sob controle estatal eventualmente assumam o controle. no edital do concurso público. com valores mobiliários admitidos a negociação no mercado. A Lei nº. que regula as concessões de serviços públicos. os ativos do devedor.004. permite melhor fiscalização por parte do concedente.074/95. entre a sociedade e terceiros. cit. incluí. foi dado pelo agente público que fazia constar. voltada unicamente para a execução do contrato público celebrado”. regulamentou as chamadas “parcerias público privadas”. entre a sociedade e seus sócios. bem como a falência do empresário e da sociedade empresária.ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa definitivamente se adjudicado o pacto. 9. como um dos meios de recuperação judicial. no edital. operações e contabilidade. com vantagem daquela representar maior estabilidade. em evolução natural. dado que os contratos de concessão públicos são muito complexos e celebrados com prazos muito longos. FGV DIREITO RIO 165 . as responsabilidades dos controladores e dos administradores. a qual autoriza a participação de um consórcio na fase da concorrência. O art. concedendo à autoridade o poder de controle sobre as deliberações relativas a certas matérias. ou a própria lei que exigir a formação da sociedade de propósito específico. 11. ainda. conforme o que for previsto no edital e no contrato. os recursos e as aptidões. A administração pública não poderá ser titular da maioria do capital votante da sociedade de propósito específico. tidas como instrumento necessário à implantação de grandes projetos relativos à infra-estrutura econômica do Brasil. no caso de inadimplemento de contrato de financiamento.079. patrimônio. em substituição do consórcio despersonalizado. a exigência de constituição de empresa especializada. devendo obedecer a regras de governança corporativa. O agente público. como ensina Modesto Carvalhosa (op. O tratamento legal das sociedades de propósito específico em nada difere das situações corriqueiras encontradas na legislação. que regula a recuperação judicial e extra judicial. no art. riscos. A transferência do controle de sociedade de propósito específico dependerá de autorização da Administração. para celebração deste. deixando mais nítida a responsabilidade da empresa concessionária e de seus sócios componentes. 11. em pagamento dos créditos. segregando obrigações. Existe a possibilidade de emissão de ações “golden share”. XVI. a constituição de sociedade de propósito específico para adjudicar. Além de determinar a constituição da sociedade de propósito específico incumbida de implantar e gerir o objeto da parceria. serão as estudadas nas várias modalidades associativas previstas no direito brasileiro para as empresas com finalidade lucrativa. no caso das parcerias público privada. Haverá a presença de uma pessoa jurídica especializada.101 de 9 de fevereiro de 2. após o concurso.

ORGanIzaçãO juRíDIca Da pEquEna EmpREsa jUAN lUIz SOUzA vAzqUEz promotor de justiça-Rj. professor da pós-Graduação em Direito Empresarial da Fundação Getúlio Vargas. professor de Direito Empresarial da Escola da magistratura do Rio de janeiro. FGV DIREITO RIO 166 . mestrando em Direito Econômico pela universidade cândido mendes .Rj. pós-Graduado em Direito privado pela universidade Federal Fluminense.

ORGANIZAÇÃO JURÍDICA DA PEQUENA EMPRESA FICHA TÉCNICA Fundação Getulio Vargas Carlos Ivan Simonsen Leal PRESIDENTE FGV DIREITO RIO Joaquim Falcão DIRETOR Fernando Penteado Sérgio Guerra VICE-DIRETOR DA GRADUAÇÃO VICE-DIRETOR DE PÓS-GRADUAÇÃO Luiz Roberto Ayoub Ronaldo Lemos PROFESSOR COORDENADOR DO PROGRAMA DE CAPACITAÇÃO EM PODER JUDICIÁRIO COORDENADOR CENTRO DE TECNOLOGIA E SOCIEDADE Evandro Menezes De Carvalho COORDENADOR DA GRADUAÇÃO Rogério Barcelos Alves COORDENADOR DE METODOLOGIA E MATERIAL DIDÁTICO Lígia Fabris e Thiago Bottino do Amaral Wania Torres COORDENADORES DO NÚCLEO DE PRÁTICA JURÍDICA COORDENADORA DE SECRETARIA DE GRADUAÇÃO Diogo Pinheiro Milena Brant COORDENADOR DE FINANÇAS COORDENADORA DE MARKETING ESTRATÉGICO E PLANEJAMENTO FGV DIREITO RIO 167 .

Sign up to vote on this title
UsefulNot useful