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Deflação

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08/17/2011

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Definição de DEFLAÇÂO - O termo Deflação designa uma quebra generalizada dos preços dos bens e serviços, geralmente associada

a graves recessões económicas e a restrições da procura, da produção/oferta e do emprego. Tal como a inflação, a deflação é medida como a taxa de variação do Índice de Preços no Consumidor (IPC) - na verdade, a deflação não mais é do que uma "inflação negativa". Crescimento X Deflação - Ao contrário do que poderá parecer, numa situação de deflação, o consumo não tem tendência a aumentar - na realidade, se os consumidores estiverem na expectativa de que os preços continuarão a descer, adiarão as suas compras, levando a uma quebra do consumo e consequentemente das receitas das empresas. A longo prazo, esta situação poderá originar uma espiral de recessão com graves consequências para a economia. Nas últimas décadas habituámo-nos a associar a inflação (crescimento dos preços) como um dos principais problemas que uma economia pode ter. Sobretudo nos anos 70 e 80, o crescimento acelerado dos preços correspondeu a períodos de menor crescimento económico e a perda de poder de compra. O grande sucesso económico dos anos 90 em Portugal foi a redução da inflação dos 15-20% para níveis inferiores a 4%. Todos sentimos os benefícios decorrentes dessa redução, quando as taxas de juro nos permitiram adquirir todas aquelas casas. Ou seja, a inflação baixou e ficámos todos mais ricos. No entanto, a história mostra-nos que uma situação de deflação (descida generalizada dos preços) pode ser bem mais grave do que a inflação e está geralmente associada a períodos de depressão económica (i.e. um retrocesso persistente e auto-sustentado da actividade económica). O exemplo máximo é a grande depressão económica dos anos 30 nos estados unidos. Foi um período de grande recuo da actividade económica e de persistente deflação. Esta descida dos preços acabou por reduzir de tal forma o valor dos activos das empresas e das propriedades das famílias que os bancos que lhes tinham emprestado dinheiro viram as suas garantias virtualmente encolherem e muitos deles abriram mesmo falência. Esta situação caiu em desuso durante décadas para reaparecer no Japão contemporâneo onde, nos últimos dez anos, os preços na produção caíram 10%. No presente ano, o índice de preço ao s consumidor deverá descer 0,6%! A inflação resulta normalmente de a procura de uma economia crescer mais rápido do que a respectiva oferta, ou seja, de um excesso de procura. A procura de bens e serviços cresce mais do que o potencial da produção e isso leva a um crescimento dos preços. Quando surge uma recessão, ou seja, a procura cresce menos do que a oferta (i.e. do que a capacidade de produção) resulta normalmente numa redução da inflação (desinflação). Quando uma economia entra numa situação de depressão económica, em que a procura se reduz persistentemente, ano após ano, os preços têm tendência a baixar também persistentemente, porque a oferta é geralmente mais rígida (as empresas têm a sua capacidade instalada e precisam de vender, nem que tenha de ser mais barato). Entra-se numa situação de deflação que é, como mostra a actual experiência japonesa, muito mais difícil de combater. Uma economia saudável deve manter sempre alguma tensão inflacionista nos preços, da mesma forma que deve manter algum desemprego e, sobretudo, rotação de empregos, no mercado de trabalho. São sinais de saúde de economias dinâmicas que registam permanentes evoluções nos seus mercados. Não são problemas, a não ser que atinjam níveis excessivos. Quando vejo tanta gente a praguejar contra os nossos 4% ou menos de inflação fico com vontade de os mandar 6 meses para o Japão. Talvez assim apreciem a sorte que temos. Fernando Gaspar - Economista e docente na ESGS. gaspar/publ/Artigos/Economia/crescimento.pdf http://docentes.esgs.pt/fernando-

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