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4 - Resumo - O que é signo para Peirce

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UNIVERSIDADE DE SOROCABA

PRÓ-REITORIA DE GRADUAÇÃO
CURSO DE DESIGN GRÁFICO

Resumo sobre as idéias de Charles Sanders Peirce Marlon Lemes de Almeida – 09070029

Sorocaba/SP 2011

1 - Introdução a Semiótica O nome Semiótica vem da raiz grega semeion, que quer dizer signo, e ótica, ciência. Esta ciência vem a ser o estudo geral de todas as linguagens. Diferentemente da lingustica que limitando apenas a ciência da linguagem verbal. Em outras palavras, podemos chamar a Semiótica de Charles Sanders Peirce de Ciência dos signos. O intelectual Charles Sanders Peirce era antes de tudo um cientista. Durante sua vida foi desde químico, matemático, físico, astrônomo, estudando até lingüística, filosofia e historia etc., querendo assim entender os métodos que diferem uma ciência da outra, como diz Santaella():
“A quase inacreditável diversidade de campos a que se dedicou pode ser explicada, portanto, devido ao fato de que se devotar ao estudo das mais diversas ciências exatas ou naturais, físicas ou psíquicas, era para ele um modo de se dedicar à Lógica. Seu interesse em Lógica era, primariamente, um interesse na Lógica das ciências”

A partir disso, cria-se sua arquitetura filosófica, onde nela se encontra a lógica ou semiótica. Vejamos num gráfico o edifício filosófico peirceano: I – Fenomenologia II – Ciências normativas 1 - Estética 2 - Ética 3 - Semiótica ou lógica III – Metafísica

Santaella, em seu livro Matrizes da Linguagem e Pensamento, diz que “uma apresentação breve desse pensamento”, conhecido como semiótica ou lógica, ”mantendo alguma fidelidade às suas propostas é tarefa quase impossível”, assim o resumo aqui se da muito superficial sobre o tema.

2- A fenomenologia e Semiótica Peirce anuncia brevemente em sua carreira que todo pensamento se dá em signos, e continuando este pensamento baseado em signos, o que podemos chamar de semiose. Deste modo, defende que não há nem pensamento, linguagem ou raciocínio sem o intermédio do signo, combinado com outros signos e gerando assim os raciocínios, por exemplo, empregado nos métodos científicos. A semiótica peirciana, concebida como lógica num sentido amplo, nasceu desta necessidade. Entretanto, antes de se compreender o estudo de qualquer ciência, ainda segundo Peirce, o pensamento filosófico deve começar por sistema de lógica, e a tarefa primordial que a lógica tem de enfrentar é a de estabelecer uma tabela formal e universal de categorias. O estudo de Peirce chegou a conclusão de que há três, e não mais do que três, elementos formais e universais, sendo eles denominado primeiridade, secundidade e terceiridade. Estes fenômenos se encontram dentro da arquitetura filosófica peirceana na fenomenologia, sendo estas as categorias do pensamento e da natureza de tudo que é presente no mundo.

Como descreve Santaella em Semiótica aplicada:
“Fenômeno é tudo aquilo que aparece a mente, assim a fenomenologia nos apresenta as categorias formais e universais dos modos como apreendemo-los, com a nossa mente.”

A primeiridade aparece em tudo que estiver relacionado com acaso, possibilidade, qualidade, sentimento, originalidade, liberdade e tem seu aspecto monôda. A secundidade esta ligada as idéias de dependência, determinação, dualidade, ação e reação, aqui e agora, conflito, surpresa, duvida. A terceiridade diz respeito a generalidade, continuidade, crescimento, inteligência. O exemplo mais simples de terceiridade, segundo Peirce, manifesta-se no signo, visto que o signo é composto da tríade, e o que completa esta tríade é o efeito que o signo irá provocar em um possível interpretante.

3 - A semiótica Peirceana A semiótica de Peirce é um estudo científico que tem como um de seus objetivos detalhar o processo de comunicação e cognição, sendo nós, produtores e receptores de linguagem, que compõem esta comunicação. Dessa forma podese dizer que ela estuda os signos linguísticos, verbais e não verbais, gestos, expressões, sentimentos e pensamentos.

Estamos tão imersos no universo de linguagens, que não nos damos conta de

que tudo a nossa volta é comunicação, como diz Santaella:
“É tal a distração que a aparente dominância da linguagem provoca em nós que, na maior parte das vezes, não chegamos a tomar consciência de que o nosso estar-no-mundo, como indivíduos sociais que somos, é mediado por uma rede intrincada e plural de linguagens”.

Neste contexto, vemos cada vez mais a necessidade de ler, dialogar com os signos em um nível um pouco mais profundo do que aquele que nasce da mera convivência e familiaridade. Para esta tarefa, a semiótica baseia-se no estudo dos signos. Há uma enorme quantidade de definições de signos distribuídas pelos textos de Peirce, vejamos como Santaella em Matrizes da linguagem e Pensamento() descreve a definição de signo de Peirce como a mais completa:
“Um signo intenta representar, em parte, pelo menos, um objeto que é, portanto, num certo sentido, a causa ou determinante do signo, mesmo que o signo represente o objeto falsamente. Mas dizer que ele representa seu objeto implica que ele afete uma mente de tal modo que, de certa maneira, determina, naquela mente, algo que é mediatamente devido ao objeto. “Essa determinação da qual a causa imediata ou determinante é o signo e da qual a causa mediada é o objeto pode ser chamada de interpretante” (CP 6.347).

Esclarecendo a partir de Santaella em Matrizes da linguagem e pensamento:
“O signo é uma coisa que representa uma outra coisa: seu objeto. Ele só pode funcionar como signo se carregar esse poder de representar, substituir uma outra coisa diferente dele.”.

Qualquer coisa que substitui uma outra coisa, para algum interpretante é uma representação ou signo. Deste modo, um signo representa outro algo que está ausente, porém o signo jamais representará o objeto em sua totalidade, pois se representasse, o signo seria o objeto.

Tomemos o exemplo da palavra ‘arvore’. A palavra arvore representa o objeto arvore que neste caso visualizamos mentalmente, mas a palavra em si não é a arvore que visualizamos, e sim apenas seu signo, sua representação em algum suporte, neste caso, o papel, representada por meio de meio de uma convenção nos remete a essa imagem mental, sendo esta o objeto.

Importante deixar claro que não existe restrição alguma para algo ser signo, pois qualquer elemento de qualquer espécie (cor, cheiro, sabor, sentimento, uma palavra, um livro, uma mancha de tinta, um rastro, uma camiseta, uma casa, um animal, um vídeo, etc.) pode ser considerado como signo, onde representa uma outra coisa, chamada de objeto do signo, e que produz um efeito interpretativo em uma mente real ou potencial, efeito este que é chamado de interpretante do signo. Santaella diz em Semiótica aplicada que “Tanto quanto o próprio signo, o objeto do signo também pode ser qualquer coisa de qualquer espécie. Essa “coisa” qualquer esta na posição de objeto porque é representada pelo signo. O que define um desses três elementos ocupa no processo representativo. Por exemplo: uma peça publicitária para o reposicionamento de um produto no mercado é um signo do produto, que vem a ser o objeto desse signo, isto é, da peça publicitária. Não apenas o produto em si é o objeto do signo, mas o

produto reposicionado, tal como a peça o representa. O impacto ou não que a publicidade desperta no seu publico é o interpretante da publicidade.” Isto mostra que os efeitos interpretativos dependem diretamente do modo como o signo representa seu objeto. Se no exemplo acima, ao invés de uma peça publicitária com o objetivo de reposicionamento da marca no mercado fosse apenas o website institucional do produto citado, este não deixaria de ser um signo, sendo este website um signo do produto mas com um outros aspectos e objetivos, e os interpretantes seriam outros. Em resumo, extraímos das definições os seguintes pontos:
1O signo é determinado pelo objeto, isto é, o objeto causa o signo, mas 23O signo representa o objeto, por isso mesmo é signo; O signo representa algo, mas é determinado por aquilo que ele representa; 456O signo só pode representar o objeto parcialmente e Pode, até mesmo, representá-lo falsamente; Representar o objeto significa que o signo está apto a afetar uma mente, isto é, nela produzir algum tipo de efeito; 78Esse efeito produzido é chamado de interpretante do signo; O interpretante é imediatamente determinado pelo signo e mediatamente determinado pelo objeto, isto é, 9O objeto também causa o interpretante, mas através da mediação do signo; 10O signo é uma mediação entre o objeto (aquilo que ele representa) e o interpretante (o efeito que ele produz), assim como

11-

O interpretante é uma mediação entre signo e um outro signo futuro. 1

Deste modo esclarece Santaella no livro Matrizes da linguagem e pensamento:
1- “signo-objeto-interpretante são termos técnicos. Falar em signo já inclui o objeto e interpretante, pois aquilo que constitui o signo é a relação triádica entre três termos: o fundamento do signo, seu objeto e seu interpretante.”

Assim, nenhum signo pode existir sem o objeto e o interpretante, estes elementos estão interligados, constituindo a tríade do signo. Importante aqui dizer que esta ordem: signo-objeto-interpretante, dizem respeito as posições lógicas no processo de semiose, sendo o signo primeiro, objeto por segundo e em seguida o interpretante, como nos mostra a imagem a seguir:

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Santaella, Lucia – 1992ª: 188-189 e 1993b: 43).

A partir desta lógica triadica, Santaella descreve em Semiótica aplicada seu entendimento das três teorias peirceanas do signo: a significação, a objetivação e a interpretação:
-­‐ Da relação do signo consigo mesmo, isto é, da natureza do seu fundamento, ou daquilo que lhe da capacidade para funcionar como tal, pode ser sua qualidade, sua existência, concreta ou seu caráter de lei, partindo de teorias das potencialidades e limites da significação. -­‐ Da relação do fundamento com o objeto, ou seja, com aquilo que o signo representa e ao qual se aplica, e que pode ser tomado em sentido genérico como o contexto do signo, extrai-se uma teoria da objetivação, que estuda todos os problemas relativos a denotação, a realidade, e a referencia.

-­‐ Da relação do fundamento com o interpretante, deriva-se uma teoria da interpretação, com as implicações quanto aos seus efeitos sobre o interprete, individual ou coletivo.

Desta forma, podemos então descrever os objetos do signos e seus interpretantes, pois “a definição de signo não se reduz a tríade acima”(Santaella, Matrizes da linguagem e pensamento p.44.), e para um entendimento completo do conceito de signo para Peirce, Santaella leva em conta:
“(I) o signo tem (2) dois objetos e (3) três interpretantes. Os objetos são: (2.1) objeto imediato e (2.2) objeto dinâmico. Os interpretantes são: (3.1) interpretante imediato, (3.2) interpretante dinâmico e (3.3) interpretante final. O interpretante dinâmico ainda se subdivide em: (3.2.1) emocional. (3.2.2) energético e (3.2.3) lógico”.

Os objetos do signo O objeto então, é dividido em duas partes, o objeto imediato e o objeto dinâmico. O objeto imediato esta enraizado no signo, ele é como o signo é representado, com o que esta no mundo real, podendo dizer que ele é um existente. Para exemplificar, podemos citar o caso de uma fotografia: a fotografia de um local só existe pois o local esta lá, existe e caso contrario, esta foto do exemplo não existiria, pois “nem poderia funcionar como signo se não estivesse corporificado em uma “coisa””(Santaella, Matrizes. P.45). Assim, o objeto imediato é o recorte do objeto dinâmico, sendo este objeto dinâmico muito maior que o imediato, impossível ser representado inteiramente pelo objeto imediato.

O objeto dinâmico, apesar de estar fora do signo, é aquilo que determina o signo e ao qual o signo se aplica. O objeto dinâmico é sempre e muito mais amplo do que o signo, ou mesmo que o objeto imediato. Santaella(Matrizes da linguagem e pensamento, p.46) demonstra com um exemplo bem exemplificador de objeto imediato e objeto dinâmico:
“Um espelho é um objeto capaz de refletir tudo aquilo que se coloca à sua frente. Diante de um espelho, qualquer coisa é imediatamente duplicada. No momento em que essa duplicação é interpretada como tal, o espelho deixa de ser apenas um objeto ou um signo potencial para ser efetivamente um signo. Aí aparece cristalinamente a primeira característica do signo que é a de funcionar como uma espécie de duplo em relação ao seu objeto dinâmico. A imagem especular é um duplo daquilo que está nela refletido. A imagem refletida é o signo. Aquilo que ela reflete é o objeto dinâmico. Ora, esse objeto dinâmico tem sempre muito mais caracteres do que aqueles que aparecem na imagem especular. A imagem o reflete de um certo modo, com certos limites, num determinado enquadramento. Só pode fazer do objeto refletido uma captura frontal, perdendo a parte lateral ou traseira ou vice e versa. O modo como o objeto dinâmico aparece naquele reflexo específico se constitui do objeto imediato daquele signo. Isso quer dizer que o objeto imediato tem nível de coincidência com o objeto dinâmico. Ele é uma emanação do objeto dinâmico, um certo modo de torná-lo imediatamente presente. A partir desse exemplo, não fica difícil inferir quais são os objetos imediatos e dinâmicos de uma fotografia.”

Os interpretantes do signo É só na relação com o interpretante que o signo completa sua ação como signo. Sendo interpretante um processo evolutivo, e não apenas um simples evento. Assim, Peirce classificou três principais níveis de interpretantes. O primeiro é

chamado interpretante imediato, e como define Santaella (Semiótica aplicada, p. 24):
“(...) no que diz respeito ao potencial que o signo tem para produzir certos efeitos, ficando no nível das possibilidades, espera uma mente interpretadora que venha efetivar no nível do interpretante dinâmico, alguma dessas possibilidades.”.

O interpretante imediato então é o efeito que o signo está apto a produzir como efeito, antes mesmo que o signo tenha um intérprete. É todo seu potencial de significar Um exemplo:
Uma pedra encontrada na Guatemala, coberta com inscrições, linhas e figuras que se constituem na escrita hierglífica da civilização Maia. Mesmo que a pedra não seja encontrada, ou mesma que a pedra seja encontrada por alguém que, sem nenhum repertório para compreender essa escrita, tome aquilo como rabiscos que o sentido lhe escapa, a pedra não deixaria de ter seu interpretante imediato, interno a sua natureza de signo: ser uma forma de escrita apta a ser interpretada como tal. Portanto o interpretante imediato é uma propriedade objetiva do signo para significar, que advém de seu fundamento, de um caráter que lhe é próprio. É por isso que a pedra não perderia seu poder para significar, não perderia seu significado latente, mesmo na falta de um intérprete. Tanto é assim, que ela irá significar tão logo o encontre. Mas quando isso se dá, já saímos do âmbito do interpretante imediato, entrando no território do interpretante dinâmico.
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Santaella, Lucia - Matrizes da Linguagem e Pensamento (2005) Página 47.

O interpretante dinâmico, É singular, particular, efetivado em cada intérprete , e o que este signo efetivamente produz em um interprete, esta detalhado dentro do interpretante dinâmico, sendo três tipos diferentes de efeito: emocional, enérgica e lógica. A emocional, ou seja, as qualidades de sentimento e a emoção ou sentimento que o signo é capaz de produzir em nós. A enérgica sendo quando o signo , n os causa um efeito que se dá em um esforço físico de agir ou reagir, ou mesmo psicológico E a lógica, sendo esta a mais importante quando o signo visa produzir cognição, funcionando como uma regra de interpretação.

Vale notar que assim como o objeto dinâmico, o interpretante dinâmico também está fora do signo. O interpretante dinâmico é o que é produzido em uma mente interpretadora, mesmo sendo esta uma mente não humana, sendo este interprete dinâmico sempre múltiplo no sentido de não se esgotar em um único interpretante. Exemplificando: Vamos imaginar que alguém sem nenhum conhecimento de uma lata de Coca-Cola tenha a. Já está evidente no próprio fundamento desse signo que não se trata de uma lata como todas, ela tem seus aspectos próprios.

Ela possui detalhes, linhas cores, caracteres, figuras que outras, não possuem. Os vestígios de trabalho inteligente, seu objeto imediato, aponta para um contexto que está fora dela e de que ela faz parte a industria de refrescos ou mesmo o próprio refresco, seu objeto dinâmico. As propriedades da lata de Coca-Cola, isto é, o seu fundamento de signo, assim como seu objeto imediato, marcas de inteligência, a tornam apta a ter esta mensagem decodificada, sendo inclusive interpretada como parte de uma Industria, interpretante imediato. Mas, se o interprete nunca teve nenhuma espécie de familiaridade com o objeto dinâmico, e nunca tenha ouvido falar em refrigerantes ou refrescos ou visto qualquer forma de escrita, uma tal interpretação não será atualizada. Esta lata pode produzir neste homem apenas qualidades de sentimento, interpretante emocional. Ou gerar nele a curiosidade sobre a sua proveniência, o que o motiva a buscar informações sobre a procedência da lata, interpretante energético. Com base neste esforço, este intérprete pode chegar a conclusão, guiado por raciocínio lógico, de que as inscrições na lata são um sinal dos deuses ou vestígio de um inteligência que ele não conhece, seu interpretante lógico. Quanto ao interpretante final, esta não pode ser nunca efetivamente alcançando por um interpretante particular, a não ser que todos interpretantes dinâmicos de modo exaustivo e final. A semiose levada ao extremo. Como diz Santaella em Semiótica aplicada “Final refere-se ai ao teor coletivo da interpretação, um limite ideal, aproximavel, mas inatingível, para o qual os interpretantes dinâmicos tendem.“ Nunca estamos ao ponto de afirmar que um interpretante tenha esgotado todas as possibilidades de interpretação de um signo. Sendo assim o interpretante final está sempre em movimento, em um processo de evolução sem fim, pois cada um de nós somos apenas capazes de produzir interpretantes dinâmicos singulares, falíveis e provisórios.

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