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Resenha - A identidade Cultural na Pós-Modernidade

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Published by: Fernanda França Fortuna on Aug 18, 2011
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A identidade cultural na pós-modernidade

HALL, Stuart. 11a ed. Rio de Janeiro: DP&A Editora, 2006. Título original: The question of cultural identity

A identidade cultural na pós-modernidade, escrito em 1992 por Stuart Hall, chama a atenção para a discussão em torno da chamada “crise de identidade” que vem fazendo com que o sujeito tido como unificado se apresente deslocado por conta das transformações societárias ocorridas em escala global. O livro tem seis capítulos, com poucas páginas cada. Nos dois primeiros, Hall introduz o leitor a três concepções básicas do sujeito na História (levando em conta apenas a partir do momento que ele sai da sombra religiosa): o sujeito do Iluminismo, o sujeito sociológico e o sujeito pós-moderno. O sujeito do iluminismo traz a concepção de alguém centrado, racional, unificado, "o centro do eu". Ou seja, uma concepção individualista, e sempre citada no masculino. Na noção de sujeito sociológico, o centro do “eu” passou a ser formado na relação com outras pessoas. A identidade é formada através da interação entre o eu e a sociedade. A concepção sociológica de sujeito pós-moderno aponta para alguém sem identidade fixa. Varia de acordo com as formas pelas quais somos representados ou interpelados nos sistemas culturais que nos rodeiam.

Hall apresenta os conceitos de nação. partindo do ponto de que as culturas nacionais são comunidades imaginárias. A multiplicidade de sistemas de representação possibilitou a multiplicação das identidades possíveis.O sujeito assume identidades de acordo com a ocasião e o momento. No capítulo 3. Ao tratar as culturas nacionais como comunidades imaginadas. Não há um “eu” coerente. mas de várias identidades. tornou-se mais provisório. De acordo com o autor. nação pode ser entendida como um sistema e representação cultural . composto não de uma única. Hall ilustra o sujeito fragmentado e suas identidades culturais. Há uma relação de interdependência aqui: o indivíduo busca sua pertinência na imagem do povo nacional e ela necessita da unificação desses indivíduos para ter o sentido que a coletividade fantasia ter. nossa identidade é contraditória. diz o autor. O próprio processo de identificação. variável e problemático. “O sujeito. está se tornado fragmentado. previamente vivido como tendo uma identidade unificada e estável. algumas vezes contraditórias ou não resolvidas". cultura nacional e identidade nacional. através do qual nos projetamos em nossas identidades culturais.

é uma categoria discursiva que abarca formas de falar. No entanto. logo não tem validade científica. características físicas etc. pois as pessoas não são apenas cidadãs. Segundo Hall. os diferentes membros das culturas nacionais. já que contam com significante diversidade em suas composições. Um ponto importante tratado pelo autor refere-se à raça. Daí. mitos fundacionais). Deste modo. Stuart Hall coloca que as identidades nacionais são passíveis do jogo de poder e das contradições internas. assim como diversas etnias e gêneros.que extrapola a noção de legitimidade do ser social. Se a grande maioria das nações é formada por diversos povos é um equívoco dizermos que raça determina a nacionalidade. já que partilham uma gama de significados (narrativas. Stuart Hall questiona esta noção unificadora da cultura nacional. raça não é uma categoria biológica. estratégias discursivas. independendo sua raça. de diversas classes sociais. práticas sociais. afirmando que grande parte das nações foram formadas por um processo violento de conquista de diferentes povos. deveríamos pensá-las como constituindo um dispositivo discursivo que representa a diferença como unidade ou identidade". classe e gênero seriam unificados numa única identidade cultural. diz um trecho deste . "Em vez de pensar as culturas nacionais como unificadas.

Ao falar de fundamentalismo. 71. alguns crêem que hibridismo e sincretismo são importantes fontes criadoras de novas culturas. diáspora (dispersão de grandes massas populacionais) e hibridismo (mistura). “Todas as identidades estão localizadas no espaço e nos tempos simbólicos” p. Hall traz à tona o fato da tentativa de reconstrução de identidades purificadas baseadas no aprofundamento da tradição. Hall encerra sua obra colocando que a globalização produz deslocamentos variados e contraditórios e que. o autor nos apresenta as contradições inerentes a estes fatos. embora de forma paulatina. De um lado. Outros. A contribuição trazida por Stuart Hall neste livro é de tamanha importância para refletirmos como a globalização influencia na formação das identidades culturais. ou seja. algumas comunidades regionais estão reforçando suas identidades para resistirem ao processo de globalização. a globalização pode estar contribuindo para o descentramento do Ocidente. 5 e 6 o autor trata da Globalização e como ela afeta a relação entre o sujeito e sua fabricada identidade nacional. O conceito de descentramento pode ser . A globalização pode ocasionar o efeito inverso. afirmam que o relativismo que envolve o hibridismo tem seus custos e quanto ao fundamentalismo. Nos capítulos 4.capítulo. Deste modo.

apropriado por vários campos do conhecimento. .

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