501

Código Penal

Art. 235

■ Concurso de pessoas: Pode haver participação de terceiros, nos termos amplos do art. 29 do CP. Entretanto, em vista das duas figuras que o art. 235 contém (caput e § 11, entendemos que o partícipe fica sujeito à pena mais branda do § (e não à do caput), pois não se pode puni-lo com sanção superior à cominada para o próprio agente, que, não sendo casado, contrai casamento com pessoa já casada, ciente da circunstância. Assim, ainda que o partícipe, por exemplo, auxilie o agente que comete a figura do caput, a pena do concurso de pessoas deve relacionar-se com a do § 1 r do art. 235. E, a nosso ver, a única solução permitida pela estrutura das duas figuras deste artigo. ■ Prescrição: Quanto ao termo inicial, vide nota ao art. 111, IV, do CP. ■ Concurso de crimes: A celebração de mais de um casamento configura crimes autônomos. Para ANDRES A. BALESTRA, haveria crime continuado ("Bigamia", in Enciclopédia Saraiva do Direito, v. 11, p. 318). Absorção: predomina o entendimento de que a bigamia absorve o crime de falsidade. ■ Pena: Reclusão, de dois a seis anos. ■ Ação penal: Pública incondicionada. Casamento de pessoa não casada com outra casada (§ 1°J ■ Noção: Em figura destacada, o CP incrimina a conduta de quem, não sendo casado (isto é, sendo solteiro, viúvo ou divorciado), contrai casamento com pessoa casada, conhecendo essa circunstância. ■ Tipo subjetivo: Em face da expressão usada ("conhecendo"), requer-se o dolo direto, não bastando o eventual. ■ Pena: E alternativa a pena privativa de liberdade: reclusão ou detenção, de um a três anos. ■ Anulação: Não afasta o crime o desquite do primeiro cônjuge nem a nulidade do segundo casamento por motivo de bigamia (TJSP, RT 514/322). A anulação do segundo casamento, por motivo de bigamia, não torna inexistente o crime (TJSP, RJTJSP 100/496, RT 505/309). Haverá o crime, desde que vigente o casamento anterior (TJSP, RT 557/301). ■ Divórcio posterior: O divórcio obtido posteriormente, em relação ao segundo casamento, não isenta o agente do delito de bigamia (TJSP, RJTJSP 110/503). ■ Prova de vigência: Se o acusado contraiu novas núpcias, ainda na vigência do primeiro casamento, não demonstradas a ocorrência de erro de fato, a ausência de dolo na sua conduta ou a ignorância do caráter criminoso do fato, impõe-se a condenação (TJMG, RT 773/644). Não basta a prova de que o acusado casou-se duas vezes, sendo necessária a demonstração, que a acusação deve fazer, de que o primeiro matrimônio estava vigente ao tempo da realização do segundo (TJSP, mv — RJTJSP 80/373, 74/312). Contra: A morte da primeira esposa precisa ser comprovada pelo acusado, não bastando que seja presumida (TJSP, mv— RT 541/364). ■ Agente apenas desquitado: Pratica bigamia, se contrair novo casamento antes de divorciar-se (TJPR, RT549/351). ■ Concurso de pessoas: É co-autor quem, tendo conhecimento de que a pessoa que vai casar-se já é casada, participa como testemunha ou padrinho do casamento, e também instiga o agente a consorciar-se (TJSP, RT566/290). Em tese, pode ser a testemunha do casamento que tem ciência da vigência do matrimônio anterior (TJSP, RJTJSP 68/331). ■ Tentativa: A tentativa começa corn o início do ato de celebração, sendo os proclamas e atos anteriores meramente preparatórios (TJSP, RT 526/336). ■ Concurso: A bigamia absorve o crime precedente de falsidade ideológica (TJSP, RJTJSP 100/453, 78/376, RT 533/319; TJMG, RT 694/358). ■ Prescrição: A prescrição, antes de transitar em julgado a sentença final, começa a correr da data em que o crime se tornou conhecido da autoridade pública (TJSP, RSE 189.329-3, j. 13.11.95, in Bol. AASP n° 1.962). Vide, também, nota sob o título Bigamia e falsificação ou alteração de assentamento de registro civil, no art. 111 do CP.

Jurisprudência

Arts. 235 e 236

Código Penal

502

■ Extraterritorialidade: Configura o crime de bigamia o fato de brasileiro, já casado no Brasil, contrair novo matrimônio no Paraguai, pois ambos os países punem a bigamia, o que preenche o requisito da extraterritorialidade do CP (TJSP, RT516/287, 523/374). ■ Figura do parágrafo único: Exige o dolo direto, isto é, que o agente efetivamente saiba que já é casada a pessoa com quem está se casando (TJSP, RJTJSP 100/496). INDUZIMENTO A ERRO ESSENCIAL E OCULTAÇÃO DE IMPEDIMENTO Art. 236. Contrair casamento, induzindo em erro essencial o outro contraente, ou ocultando-lhe impedimento que não seja casamento anterior: Pena — detenção, de seis meses a dois anos. Parágrafo único. A ação penal depende de queixa do contraente enganado e não pode ser intentada senão depois de transitar em julgado a sentença que, por motivo de erro ou impedimenta anule o casamento ■ Composição e transação: De acordo com o art. 2 2 , parágrafo único, da Lei n° 10.259, de 12.7.01, em vigor a partir de 12.1.02, cuidando-se de pena máxima cominada não superior a dois anos, cabem composição e transação nos crimes de competência da Justiça Federal. Em face do princípio da isonomia (art. 5 2 , caput, da CR/88) e da analogia in bonam partem, entendemos que, a partir da vigência da Lei n° 10.259/01, a composição e a transação serão cabíveis ainda que o crime seja da competência da Justiça Comum Estadual [vide nota no art. 100 do CP, sob o título Juizados Especiais Criminais (Federais)]. Acerca da possibilidade da transação na ação penal privada, vide jurisprudência no art. 100 do CP. ■ Suspensão condicional do processo: Quanto à possibilidade de suspensão condicional do processo na ação penal privada, vide jurisprudência no art. 100 do CP. /nduzimento a erro essencial e ocultação de impedimento ■ Objeto jurídico: A regular formação da família. ■ Sujeito ativo: O cônjuge que induziu em erro ou ocultou impedimento. ■ Sujeito passivo: O Estado e o cônjuge enganado. ■ Tipo objetivo: A conduta prevista é contrair casamento: a. Induzindo em erro essencial o outro cônjuge. Induzirtem a significação de levar a, persuadir, aconselhar. Sobre o que seja erro essencial, vide art. 219 do CC. Obviamente, para que o cônjuge-vítima seja induzido, ele deve desconhecer o defeito do cônjuge-agente e ser por este induzido em erro essencial. A modalidade de induzir exige ação positiva, não bastando a simples omissão ou inação. b. Ou ocultando-lhe impedimento que não seja casamento anterior. Como ocultarentende-se esconder, disfarçar, encobrir. O impedimento deve ser um dos arrolados nos incisos I a XII do art. 183 do CC. Na opinião dominante dos autores, a ocultação deve ser comissiva, não se tipificando o comportamento de quem simplesmente se omite de declarar o impedimento. Também nesta modalidade, mister se faz que o outro cônjuge seja enganado. ■ Tipo subjetivo: O dolo, ou seja, a vontade livre e consciente de contrair matrimônio, induzindo ou ocultando. Na escola tradicional é o "dolo genérico". Não há forma culposa. ■ Consumação: No momento e lugar em que se realiza o casamento. ■ Tentativa: E juridicamente inadmissível, em razão da condição de procedibilidade inserta no parágrafo único. ■ Pena: Detenção, de seis meses a dois anos. ■ Ação penal: E de iniciativa privada. O direito de queixa só pode ser exercido pelo cônjuge enganado e após o trânsito em julgado da sentença que anule o casamento por erro ou impedimento, segundo preceitua o parágrafo único deste art. 236.

503

Código Penal

Arts. 236 a 238

Trata-se de condição especial exigida para o exercício da ação penal, mas sua natureza jurídica é polêmica: para uns, seria condição objetiva de punibilidade e, para outros, condição de procedibilidade. Sucessão: E inaplicável a sucessão de queixosos prevista pelo § 49 do art. 100 do CP, pois o direito é personalíssimo. CONHECIMENTO PRÉVIO DE IMPEDIMENTO Art. 237. Contrair casamento, conhecendo a existência de impedimento que lhe cause a nulidade absoluta: Pena — detenção, de três meses a um ano. ■ Transação: Cabe (art. 76 da Lei n° 9.099/95). ■ Suspensão condicional do processo: Cabe (art. 89 da Lei n° 9.099/95). Conhecimento prévio de impedimento ■ Objeto jurídico: A regular formação da família. ■ Sujeito ativo: O cônjuge (ou ambos os cõnjuges) que contrai matrimônio sabendo da existência de impedimento absoluto. ■ Sujeito passivo: 0 Estado e o cônjuge desconhecedor do impedimento. ■ Tipo objetivo: Para a incriminação, é suficiente que o agente se case conhecendo (sabendo) a existência de impedimento que lhe cause a nulidade absoluta. Tais impedimentos são os arrolados nos incisos I a VIII do art. 183 do CC. Se ambos os contraentes souberem do impedimento, serão co-autores (CP, art. 29). ■ Tipo subjetivo: O dolo, que para vários autores pode ser o eventual (H. FRAGOSO, Lições de Direito Penal — Parte Especial, 1965, v. III, p. 704; MAGALHÃES NORONHA, Direito Penal, 1995, v. III, p. 304), embora, a nosso ver, a expressão "conhecendo" exija dolo direto. Na doutrina tradicional é o "dolo genérico". Inexiste punição a título de culpa. ■ Erro: O erro quanto ao impedimento exclui o dolo (CP, art. 20). 0 engano quanto ao alcance legal do impedimento reflete na culpabilidade (CP, art. 21). ■ Consumação: Com a realização do casamento. ■ Tentativa: Admite-se. ■ Confronto: Se o impedimento conhecido for o do art. 183, VI, do CC (ser casado), o crime será o do art. 235 do CP (bigamia). ■ Pena: Detenção, de três meses a um ano. ■ Ação penal: Pública incondicionada.

SIMULAÇÃO DE AUTORIDADE PARA CELEBRAÇÃO DE CASAMENTO Art. 238. Atribuir-se falsamente autoridade para celebração de casamento: Pena — detenção, de um a três anos, se o fato não constitui crime mais grave. ■ Suspensão condicional do processo: Cabe (art. 89 da Lei n° 9.099/95). Simulação de autoridade para celebragão de casamento ■ Objeto jurídico: A ordem jurídica do casamento. ■ Sujeito ativo: Qualquer pessoa. ■ Sujeito passivo: O Estado e o cônjuge de boa-fé. ■ Tipo objetivo: Trata-se de delito formal, para cuja consumação não é necessário que o matrimônio seja efetivamente celebrado. A conduta é atribuir-se falsamente autoridade para celebração de casamento. Como bem registra MAGALHÃES NORONHA, "a atribuição falsa requer conduta inequívoca do agente, a demonstrar que ele se diz com essa competência" ( Direito Penal, 1995, v. III, p. 306).

Não há punição a título de culpa. de qualquer ato próprio da função que falsamente se atribui.099/95). Inexiste modalidade culposa. e dentro de um mês após o conhecimento do fato. 239 é expressamente subsidiário e será excluído se for o meio (elemento) empregado para a prática de delito mais grave. ■ Consumação: Com a efetiva simulação. devendo esta ser o nubente enganado ou seus responsáveis. com engano de outra pessoa. 238 é expressamente subsidiário. Se nenhum deles é enganado. art. A ação penal somente pode ser intentada pelo cônjuge ofendido. iludidos. ■ Subsidiariedade: O delito do art. ■ Suspensão condicional do processo: Cabe (art. Na escola tradicional é o "dolo genérico". O agente simula casamento mediante engano de outra pessoa. SIMULAÇÃO DE CASAMENTO Art. que o casamento seja simulado mediante (por meio de) engano de outra pessoa. ■ Ação penal: Pública incondicionada. ■ Ação penal: Pública incondicionada. de quinze dias a seis meses. que será excluído pelo erro do agente quanto a sua competência. ■ Tipo objetivo: 0 núcleo é simular(fingir. inexiste o delito. 89 da Lei n° 9. Simular casamento mediante engano de outra pessoa: Pena — detenção de um a três anos. se o fato não constitui crime mais grave. ■ Pena: Detenção. 238 a 240 Código Penal 504 ■ Tipo subjetivo: O dolo. Incorre na mesma pena o co-réu. . 328. Simu/ação de casamento ■ Objeto jurídico: A ordem jurídica do casamento. § 1 2. Cometer adultério: Pena — detenção. se o fato não constitui elemento de crime mais grave. ■ Sujeito passivo: O Estado e o contraente ou seu representante legal. ■ Tentativa: Admite-se. Jurisprudência ■ Concurso de pessoas: Pode ser partícipe a pessoa que consegue o falso juiz de paz (TACrSP. ■ Sujeito ativo: Qualquer pessoa. E necessário. parágrafo único. § 2 2 . a vontade livre e consciente de simular casamento. pelo agente. ■ Confronto: Se o agente aufere vantagem. ■ Concurso de pessoas: Poderão ser partícipes o escrivão. 239.Arts. testemunhas ou outras pessoas. 240. representar). se o fato não constitui elemento de crime mais grave. RT 488/382). ou seja. de modo que ficará excluído se o comportamento configurar crime mais grave ou constituir elemento deste último. Na doutrina tradicional pede-se o "dolo genérico". ■ Pena: Detenção. de um a três anos. ■ Tipo subjetivo: 0 dolo. de um a três anos. na hipótese de ser necessário o consenti mento destes. ■ Consumação: Com a prática. ADULTÉRIO Art. do CP. portanto. ■ Tentativa: Admite-se. ■ Subsidiariedade: O delito do art.

■ Transação: Acerca da possibilidade da transação na ação penal privada. 1965. a. p. É pressuposto da infração a existência formal e a vigência de anterior matrimônio. MAGALHÃES NORONHA. para revogar este art. Lições de Direito Penal. há posições diversas na doutrina brasileira. b. ainda que uma delas aja sem conhecimento ou seja penalmente irresponsável. v. expressa ou tacitamente. Na doutrina tradicional. c. para o co-réu. vide nota ao § 3 2 . Lições de Direito Penal — Parte Especial.505 Código Penal Art. A primeira corrente (a) é a mais acertada e tem a seu favor a jurisprudência recente. o adultério não mais deveria ser tipificado como crime. 198. O crime não se extingue ( MAGALHÃES NORONHA. v. § 42 . ■ Suspensão condicional do processo: Quanto à possibilidade de suspensão condicional do processo na ação penal privada. e a pessoa que tem aquela relação com a casada (§ 1 2 ).099/95). porquanto só pode ser cometido por duas pessoas (de sexos opostos). continuando apenas na órbita civil. 240. art. é o "dolo genérico". FRAGOSO. a vontade livre e consciente de praticar adultério. v. 1995. v. ROMÃO CORTES DE LACERDA. p. v. 10 do CP. VIII. vide jurisprudência no art. de quinze dias a seis meses. 1959. p. p. H. v. p. 1995. 100 do CP. vide jurisprudência no art. . p. como causa de separação judicial (art. Não subsiste o crime (ROMÃO CORTES DE LACERDA. Direito Penal. Comentários ao Código Penal. Só o caracteriza o coito vagínico (BENTO DE FARIA. há. a ser contado pela regra do art. ■ Tipo subjetivo: O dolo. com apoio em HUNGRIA. entendimentos diversos sobre seus efeitos: a. o dolo deve ser excluído pela ignorância quanto ao estado de casado do outro (erro de tipo do art. Comentários ao Código Penal. somente podendo ser intentada pelo cônjuge ofendido e dentro de um mós após o conhecimento do fato (§ 2 2 ). em curso. 103). II — pelo cônjuge que consentiu no adultério ou o perdoou. 5 2 da Lei n 2 6. Extingue o crime. ■ Pena: Para o agente e para o co-autor é igual: detenção. v. FRAGOSO.515/77). ■ Ação penal: É de iniciativa privada (queixa-crime). O juiz pode deixar de aplicar a pena: I — se havia cessado a vida em comum dos cônjuges. 714). 317 do Código Civil. 240 § 32 . 382). III. III. 1996. É inaplicável a sucessão consignada pelo § 4 2 do art. A nosso ver. 72 a 74 da Lei n" 9. 714). ou seja. II — se o querelante havia praticado qualquer dos atos previstos no art. se este não tiver sido julgado definitivamente (H. Inexiste forma culposa. Relativamente à pessoa separada judicialmente (desquitada). 20). 1959. 100 do CP. ■ Objeto jurídico: A organização jurídica da família e do casamento. 1965. ■ Sujeito ativo: O cônjuge (homem ou mulher) que tem relação sexual fora do matrimônio (caput). Quanto à anulação do casamento. VI. ■ Sujeito passivo: Somente o cônjuge enganado. 165. 1959. 311). também. v. Trata-se de prazo especial de decadência (vide notas ao CP. 3. b. ■ Conciliação: Cabe (arts. 381). VIII. ■ Tentativa: Teoricamente é possível. Direito Penal. Adu/tério ■ Observação: Há projeto de lei. p. ■ Consumação: Com a efetiva relação sexual. A ação penal não pode ser intentada: I — pelo cônjuge desquitado. Quanto à significação do que seja o adultério que o Código menciona. ■ Tipo objetivo: Trata-se de delito de concurso necessário. III. Código Penal Brasileiro Comentado. Direito Penal. III. Também configura o coito anormal ou qualquer ato sexual inequívoco (DAMásIO DE JESUS. p. 310.

tentativa de morte. ■ II. compreende também o divorciado (ALBERTO SILVA FRANCO e outros. RT 435/382. porque o dever de fidelidade conjugal foi rompido (TACrSP. cujo prazo é fatal e peremptório (TACrSP. ou. o exemplo mais comum é a posterior coabitação. Julgados 79/285). Não faz jus ao perdão. TARJ. 107. no inquérito policial. FRAGOSO. e não apenas com atos sexuais inequívocos (TACrSP. que entendemos ser causa de extinção da punibilidade. "Consentiu" entende-se como aquiesceu. Se o querelante havia praticado qualquer dos atos previstos no revogado art. é suficiente que haja. Não se exige o rigorismo do nudus cum nuda in eodem lecto. expressa ou tacitamente. Basta o encontro do casal em lugar e situação que autorizem supor. Obviamente. do CP. Simples beijos e abraços com outra mulher não configuram (TACrSP. Julgados 79/286). mv— RT732/716). RTJ 120/191). 1979. ■ Natureza e efeitos: Quanto à natureza e efeitos do perdão judicial. se os cônjuges já estavam separados de fato (TACrSP. o que se pode traduzir pelas circunstâncias em que o casal é encontrado. /mpedimentos ao exercício da alão pena/ (§ 3°) ■ Noção: Por expressa disposição deste parágrafo. injúria grave ou abandono do lar durante dois anos consecutivos). 1995. p.Art. RT721/467).515/77 (conduta desonrosa ou qualquer ato que importe em grave violação dos deveres do casamento e tornem insuportável a vida em comum). Conta-se do conhecimento certo e seguro (TACrSP. Se havia cessado a vida em comum dos cônjuges. n° 11). ■ Separação de fato e atipicidade: Se o casal já estava separado de fato quando de eventual prática do adultério. mv — Julgados 92/79). Pelo cônjuge desquitado (separado judicialmente). ■ Recebimento da queixa: Para o recebimento da queixa. se o casal permanecia sob o mesmo teto. a ação penal não pode ser intentada: ■ I. 531/352). ■ Conceito penal de adultério: Prevalece o entendimento de que o adultério. vide nota ao art. Pelo cônjuge que consentiu no adultério ou o perdoou. mv— RT732/716). ■ Separação judicial e perdão judicial: Aplica-se o perdão. ■ Decadência: Conta-se o prazo decadencial a partir do conhecimento inequívoco do fato. embora já tivesse ingressado com pedido de separação judicial. também os equivalentes do art. RT783/653). indícios razoáveis de que o delito tenha ocorrido. não se considerando como tal meras suspeitas (STF. 5° da Lei n° 6. mv— RT723/614). Código Penal e sua Interpretação Jurisprudencial. não definido em nosso Código. de tal forma a sugerir a prevaricação conjugal (TACrSP. 240. não se caracteriza o crime deste art. o ingresso tardio em juízo. RTJ 93/532). não impede a decadência. 486/318. 317 do CC (adultério. ■ Inquérito policial: O inquérito policial não é elemento indispensável para a propositura de ação penal por adultério (STF. a prática do delito (TACrSP. Perdão judicial (§ 42 ) Jurisprudência . ■ II. Jurisprudência Criminal. contra: H. v. ainda pendente de decisão (TARJ. Faz jus ao perdão judicial. RT514/382. Julgados 80/539. IX. ■ Casos: O juiz pode concedê-lo: ■ I. se cometido o adultério após o abandono do lar e cessação da vida em comum (TACrSP. quando as fotografias tiradas no flagrante mostram a mulher de camiseta e roupa íntima (TACrSP. permitiu. A ação penal por adultério somente pode ser exercida dentro de um mês após o conhecimento do fato. só se tipifica com a conjunção carnal. Quanto ao perdão tácito. anuiu. pois o direito à ação penal é personalíssimo e não pode ser transferido a outros queixosos. sevícia. necessariamente. RT 486/310). devido ao retardamento do inquérito. 240 Código Penal 506 100 do CP. I. 2637). a nosso ver.

53139). ■ Erro: Fica isento de pena o réu que promoveu o registro enganado pela co-ré. Parágrafo único. 389.507 Código Penal Arts. Registro de nascimento inexistente ■ Objeto jurídico: O estado de filiação. efetivamente. ■ Pena: Reclusão. a infração penal poderá ser outra. RT 403/124). DJU 14. Se o crime é praticado por motivo de reconhecida nobreza: Pena — detenção de um a dois anos. 241 do CP (TRF da 2 R. 812. v. Não há forma culposa. FRAGOSO. suprimindo ou alterando direito inerente ao estado civil: Pena — reclusão. obedece à regra geral (ROMÃO CORTES DE LACERDA. 241 e 242 Capítulo II DOS CRIMES CONTRA O ESTADO DE FILIAÇÃO REGISTRO DE NASCIMENTO INEXISTENTE Art. ■ Confronto: Se o registro é de filho alheio. mas seu estado civil foi alterado. III. 241. ■ Prescrição: Há duas orientações na doutrina: a. ■ Tipo subjetivo: O dolo. pp. 111.94. ■ Tipo objetivo: Promovertem o sentido de dar causa. ■ Tentativa: Admite-se. vide art. ocultar recém-nascido ou substituí-Io.2. de dois a seis anos. 241. ■ Sujeito ativo: Qualquer pessoa. a fim de obter permanência no País (TRF da 2 R. ■ Consumação: Com a inscrição no registro civil. de dois a seis anos. ■ Sujeito passivo: O Estado e a pessoa prejudicada pelo registro. A conduta deve visar à inscrição (registro) de nascimento inexistente. ■ Ação penal: Pública incondicionada. do CP (H. ■ Competência: Compete à Justiça Federal julgar o crime do art. v. . Lições de Direito Penal — Parte Especial. do CP. 2 á figura. v. 316). p. p. de dois a seis anos. requerer. provocar. Jurisprudência PARTO SUPOSTO. Direito Penal. RSE 150. Na escola tradicional é o "dolo genérico". in RBCCr 10/223). RT381/152). MAGALHÃES NORONHA. p. b. nascimento que não existiu ou nascimento de natimorto. que consiste na vontade livre e consciente de promover a inscrição. VIII. mas não a deste art. 1995. quando perpetrado para uso perante o Governo Federal. Promover no registro civil a inscrição de nascimento inexistente: Pena — reclusão. ■ Concurso de crimes: Os crimes de falsidade e uso de documento falso ficam absorvidos pelo delito do art.. 241 (TJSP. 242. 5999.. Ap. p. 241.9. o nascimento de pessoa viva. isto é. que simulou a gravidez e o nascimento durante a sua ausência (TJSP. 722. 242. Comentários ao Código Penal. nota. 1965. ■ Concurso de crimes: O crime de falsidade fica absorvido. registrar como seu o filho de outrem. podendo o juiz deixar de aplicar a pena. Dar parto alheio como próprio. DJU 22. o termo inicial segue a regra do art. SUPRESSÃO OU ALTERAÇÃO DE DIREITO INERENTE AO ESTADO CIVIL DE RECÉM-NASCIDO Art. 1959. ■ Confronto: Se ocorreu.95. IV. III. por ser o falso elemento do crime do art. e 393).

Jurisprudência figura da . Não se faz necessário o registro civil falso.01. nota Prescrição). Comentários ao Código Penal.7. a transação será cabível. Na figura privilegiada (vide parágrafo único). Para a tipificação do art. ou perdão judicial. existem duas orientações (vide.099/95). A finalidade só se refere às figuras de ocultar e substituir (MAGALHÃES NORONHA. 22 . 355). 5639). também. p. nela não se enquadrando o fato oposto de dar parto próprio como alheio. 1995. p. p. 1959. em vigor a partir de 12.113.3. Direito Penal. Em face do princípio da isonomia (art. Parto suposto (10 figura do caput) ■ Objeto jurídico: O estado de filiação. 242 do CP contém quatro figuras distintas em seu caput e a figura privilegiada no parágrafo único. A respeito. ROMÃO CORTES DE LACERDA. entendemos que. 1943. ■ Tentativa: Admite-se. ■ Concurso de crimes: Este crime absorverá eventual falsa inscrição no registro civil. mas não descaracteriza o crime (TER. podem ser co-autores ou participes. 242). parentes ou não. ■ Tipo objetivo: A descrição é dar parto alheio como próprio. v. Mister se faz a criação de situação em que prenhez e parto são simulados e é apresentado recém-nascido alheio como se fosse próprio. de dois a seis anos.87. ■ Ação penal: Pública incondicionada. simplesmente. ■ Sujeito passivo: Os herdeiros prejudicados. diga que um recém-nascido é seu filho. VII 1. 52 . sob o título Juizados Especiais Criminais (Federais)]. 242 Código Penal 508 ■ Transação: De acordo com o art. ■ Consumação: Com a situação que altera. RCr 1. ■ Pena: Reclusão. ou há parto real. 2 ■ Alteração: Caput e parágrafo único com redação dada pela Lei n 6. p. DJU 2.4.259. há duas opiniões divergentes: 1. detenção de um a dois anos.87. 242 não basta que a mulher. ■ Concurso de pessoas: Pode haver co-autoria no crime de parto suposto (TER. I I I.4. cabe a transação no parágrafo único.113. cabe transação nos crimes de competência da Justiça Federal. a filiação da criança. Assim. 2. ainda que o crime seja da competência da Justiça Comum Estadual [vide nota no art.1.259/01. a partir da vigência da Lei n° 10. ou seja. ■ Concurso de pessoas: Outras pessoas. a vontade livre e consciente de dar parto alheio como próprio. às duas últimas figuras (ocultação e substituição) ou alcança. ■ Sujeito ativo: Só a mulher. A finalidade é exigida para todas as figuras do art. 242 (BENI CARVALHO.Art. mas o natimorto é substituído por filho de outrem. 89 da Lei n 9.81.898. 2 ■ Suspensão condicional do processo: Cabe no parágrafo único (art. caput. os Costumes e a Família. parágrafo único. DJU 2. 391). ■ Tipo subjetivo: O dolo. tão-só. Crimes contra a Religião. 241 do CP. Elemento subjetivo do tipo: discute-se se a finalidade inscrita no final do artigo ("suprimindo ou alterando direito inerente ao estado civil") refere-se. da CR/88) e da analogia in bonam partem. RCr 1. 100 do CP. ou com a supressão ou alteração dos direitos. ■ Motivo: O fato de ser nobre o motivo do parto suposto ameniza a pena e permite a aplicação do perdão judicial. de 30. de fato. Não há punição a título de culpa. 5639). no art. as duas primeiras (parto suposto e registro de filho alheio). ainda que o crime seja da competência da Justiça Estadual. de 12. cuidando-se de pena máxima cominada não superior a dois anos. 316. p. ■ Prescrição: Na hipótese de existir falsidade em registro civil (absorvida pelo art. v. da Lei n 2 10. ■ Divisão: O art.02.

na verdade. pena e ação penal: Iguais aos do caput. RT 551/404. a criança registrada existe. ■ Concurso de crimes: O registro de filho alheio absorve o falso. em vez de conseguir a absolvição. porém. pois este é elementar do delito (TJSP. ■ Sujeito passivo: O Estado e as pessoas prejudicadas pelo registro. prescrição.898/81 não é bastante. e agindo sem o intuito de alterar a verdade nem de prejudicar direito ou criar obrigação (TACrSP. ela poderá até prejudicá-los. Corretamente. RT591/ 410. 242 não é mais benigna. tal comportamento só era enquadrável no art. TJSP. para conferir Jurisprudência da 2g figura . ■ Concurso de pessoas: Pode haver. Na dependência de ser reconhecida ou não a existência do elemento subjetivo do tipo nesta figura (vide nota Tipo subjetivo). na hipótese de reconhecer-se o elemento subjetivo do tipo). o registro de filho alheio não mais se enquadra no art. RT542/339. porém sua filiação é diversa da declarada.4. consistente na vontade consciente e livre de registrar. ■ Intenção de salvar: Absolve-se quem registra filho alheio como seu com a intenção de salvar a criança. DJU 2. ou seja. em vez de adotar regularmente uma criança. ■ Sujeito ativo: Qualquer pessoa. que tem a significação de declarar o nascimento. ■ Irretroatividade: A nova redação do art. RJTJSP 162/303). 299 requer (STF. de modo que não pode ser aplicada aos registros ocorridos antes de sua vigência (STF. Todavia. É discutível a exigência ou não do elemento subjetivo do tipo. ■ Concurso de crimes. a doutrina e jurisprudência mais modernas invariavelmente entendiam que não havia o crime quando a falsidade do registro era praticada por motivo nobre. p. por si só.898. 528/322.3. quando o falso beneficiava o menor em vez de prejudicar seus direitos. em vista da ausência do elemento subjetivo do tipo que o art. Não há forma culposa. RT 595/336). RT600/355. este passou a ser o crime de quem. mas de terceira pessoa. de 30. preferiam registrá-la como sendo seu filho. ■ Retroatividade ou não: Depende de considerar-se se a nova figura beneficia o agente ou. O nascimento é real. a intenção de beneficiar os autores daqueles registros. ■ Aplicação: Com a alteração do art. referente à especial finalidade de agir (para supressão ou alteração de direito inerente ao estado civil). registra filho alheio como próprio (TJSP.81. TJSP. O fato do registro de filho alheio como próprio haver sido efetuado em data anterior à Lei n° 6. Antes da Lei n° 6. nota Tipo subjetivo).898/81. ■ Sujeito ativo: Pode ser homem ou mulher (TJSP. sustentava-se a atipicidade do fato. incrimina fato que antes era atípico (vide final da nota Observação). o agente declara-se pai ou mãe de determinada criança que. promover sua inscrição no registro civil. Com a Lei n° 6. e sim neste art. 242 (TJSP. APn 29. no caput. RJTJSP 93/440). 242 deu nova definição penal à chamada adoção à brasileira. 299 e parágrafo único do CP (falsidade ideológica em assentamento do registro civil). ■ Objeto jurídico: O estado de filiação. ■ Tentativa: Admite-se. Pune-se a ação de registrar como seu o filho de outrem. RJTJSP80/395). 242 do CP. 299. ao contrário. Na prática. A inovação introduzida teve. TFR. RT698/337. 2003. consignado no final do artigo (vide. teoricamente. RJTJSP 93/440).80.509 Código Penal Art. Por meio de tal prática. independentemente do expediente adotado. 242 Registro de filho alheio (2g figura do caput) ■ Observação: A alteração introduzida neste art. aquelas pessoas só poderão obter o perdão judicial. Ou seja. ■ Consumação: Com o efetivo registro (ou com a supressão ou alteração. RT525/428). TJSP. não é seu filho. ■ Tipo subjetivo: É o dolo. TJRJ. muitos casais. ■ Tipo objetivo: O núcleo é registrar. RJTJSP93/440).

■ Consumação: Com a supressão ou alteração dos direitos. 242 (TFR. IX. ■ Sujeito passivo: O recém-nascido. ■ Pena e ação penal: Vide notas à 1 figura. Não há modalidade culposa. 242 e 243 Código Penal 510 atipicidade à conduta dos agentes. 299 e parágrafo único (STF. ■ Perdão judicial: A Lei n° 6. e multa. ocultando-lhe a filiação ou atribuindo-lhe outra.10. vide nota ao art. no parágrafo único. ■ Concurso de crimes: A eventual falsidade de registro estará absorvida por este crime. Não basta para a tipificação a mera ocultação. em tese.3. ■ Consumação: Com a efetiva supressão ou alteração dos direitos. é necessário que esta seja acompanhada da privação dos direitos do recém-nascido. ■ Noção: Nas quatro figuras do caput. 10810). entende-se a expressão em seu sentido comum e não restrita ao conceito científico.81.Arts. 243. Deixar em asilo de expostos ou outra instituição de assistência filho próprio ou alheio. ■ Tipo subjetivo: O dolo e o elemento subjetivo do tipo referente ao especial fim de agir (para alterar ou suprimir). atribuindo-se a um os direitos de estado civil do outro. ■ Sujeito ativo: Qualquer pessoa. ■ Tentativa: Admite-se. Como recém-nascido. DJU 29. de 30.038. . suprimindo ou alterando direito inerente ao estado civil. desprendimento. Substituição de recém-nascido (4$ figura do caput) Figuraprivilegiada (parágrafo único) Jurisprudência SONEGAÇÃO DE ESTADO DE FILIAÇÃO Art. humanidade. referente ao especial fim de agir (para supressão ou alteração). ■ Sujeito passivo: Os recém-nascidos substituídos. 107. ou deixar de fixá-la. 4. com o fim de prejudicar direito inerente ao estado civil: Pena — reclusão. o juiz poderá aplicar a pena de detenção. ■ Tipo objetivo: Ocultar é esconder. inseriu. ■ Pena e ação penal: Vide notas à 1 figura. ■ Tipo objetivo: Pune-se a substituição (troca) de recém-nascidos. A troca do recém-nascido pode ser por criança viva ou natimorta. Ap. de um a dois anos. se o crime for praticado por motivo de reconhecida nobreza (generosidade. ■ Tipo subjetivo: O dolo e o elemento subjetivo que o tipo contém. Inexiste modalidade culposa. mais um caso de perdão judicial.81. Na doutrina tradicional pede-se o "dolo específico". Quanto à natureza extintiva da punibilidade desse instituto. ■ Tentativa: Admite-se. de um a cinco anos. ■ Objeto jurídico: O estado de filiação. de acordo com o atual parágrafo único do art.898. solidariedade etc. mv— RTJ 143/129). p. Ocultação de recém-nascido (3° figura do caput) ■ Objeto jurídico: O estado de filiação. ■ Sujeito ativo: Qualquer pessoa. ■ Perdão judicial: Ficando reconhecido que agiu com fim nobre. Na escola tradicional é o "dolo específico". aplicando o perdão judicial. isto é. ao art. deixa-se de aplicar a pena. Não é necessário à configuração o registro de nascimento das crianças substituídas. sonegar. eis que esse comportamento revelava-se subsumível.). do CP.

de prover à subsistência do cônjuge. de um a cinco anos. ■ Tipo objetivo: A norma refere-se a filho próprio ou alheio.478. 133 e 134 do CP. § 69 . inclusive por abandono injustificado de emprego ou função. ■ Sujeito ativo: Qualquer pessoa. A vítima. ■ Confronto: Vide. de um a quatro anos. o pagamento de pensão alimentícia judicialmente acordada. Abandono material ■ CR/88: Sobre pais e filhos. ocultando-lhe a filiação ou atribuindo-lhe outra. não lhes proporcionando os recursos necessários ou faltando ao pagamento de pensão alimentícia judicialmente acordada. fixada ou majorada. caput. arts. de modo que outras pessoas. o simples abandono: é necessário que este seja acompanhado de ocultação da filiação ou atribuição de filiação diversa. ' de qualquer modo. ou de filho menor de dezoito anos ou inapto para o trabalho. como fim de prejudicar direito inerente ao estado civil. vide arts.Estatuto do Idoso (vide Anexo X). ** Conforme o original. não se enquadrando neste tipo a ação de largar em outro local. Nas mesmas penas incide quem. frustra ou ilide. Jurisprudência Capítulo III DOS CRIMES CONTRA A ASSISTÊNCIA FAMILIAR ABANDONO MATERIAL Art.741/03 . 89 da Lei n° 9. de 25. além dos pais. gravemente enfermo: Pena — detenção. e multa. 227. deixar. . ■ Ação penal: Pública incondicionada.099/95). * Art. de uma a dez vezes o maior salário mínimo vigente no País. ■ Pena: Reclusão. ■ Consumação: Com o abandono de que resulte ocultação ou alteração do estado de filiação. RT542/341).7. ■ Tentativa: Admite-se. Não basta. ■ Sujeito passivo: A criança lesada em seu estado de filiação. ■ Elemento subjetivo: O crime do art.511 Código Penal Arts. 244.099/95). O comportamento é descrito como deixar em asilo de expostos ou outra instituição de assistência filho próprio ou alheio. Não há forma culposa. sem justa causa. deve ser abandonada em instituição pública ou particular. ou de ascendente inválido ou valetudinário. Sonegação de estado de filiação ■ Objeto jurídico: O estado de filiação. poderão ser autoras do crime. também. sem justa causa. 244. 243 do CP só pode ser reconhecido se houver intenção de prejudicar direitos relativos ao estado civil (TJSP. ■ Alteração: Artigo e parágrafo único com redação determinada pela Lei n°5. com nova redação determinada pela Lei n° 10. ■ Suspensão condicional do processo: Cabe (art. e multa.68. sendo solvente. 89 da Lei n° 9. e 229 da Magna Carta. porém. Deixar. 243 e 244 ■ Suspensão condicional do processo: Cabe (art. Parágrafo único. ■ Tipo subjetivo: O dolo e o elemento subjetivo do tipo consistente no especial fim de agir (com o fim de prejudicar direito inerente ao estado civil). Na corrente tradicional indica-se o "dolo específico". portanto. fixada ou majorada. de socorrer descendente ou ascendente. embora devesse ser "elide". Não é preciso que se trate de criança já registrada.

aplica-se. com mais razão há de se ressaltar essa perspectiva no Direito Penal. ■ Tipo subjetivo: O dolo. ■ Sujeito passivo: As mesmas pessoas. pois a pena é detentiva e não reclusiva (CP. sem justa causa. Cuida-se. neto. como efeito extrapenal da condenação. ■ Ação penal: Pública incondicionada.478/68 (Lei de Alimentos).Art. ou de ascendente inválido ou valetudinário. "Recursos necessários" são os estritamente necessários à habitação. e multa. ■ Pena: Detenção. ou de filho menor de 18 anos ou inapto para o trabalho. E inaplicável a declaração de incapacidade para o exercício do pátrio poder. Faltando ao pagamento de pensão alimentícia judicialmente acordada. Deixar. "gravemente enfermo". em razão de acordo. o pagamento de pensão. Deixar. não o faz por absoluta hipossuficiência econômico-fi- . médicos etc. que é elemento normativo. na prática. ■ Sujeito ativo: Somente os cõnjuges. ou seja. 244. de qualquer modo. RT728/566). 244 Código Penal 512 ■ Objeto jurídico: A proteção da família. de um ano a quatro anos. art. não lhes proporcionando os recursos necessários. ■ CR/88: Estando a prisão civil condicionada ao "inadimplemento voluntário e inescusável de obrigação alimentícia" (art. vestuário e remédios.209/84 (vide nota Multas especiais. art. de prover à subsistência do cônjuge. 49). alimentação. ■ Tentativa: E controvertida sua admissibilidade.11). 95/78). 92. O crime é permanente. A pena pecuniária deste art. RJDTACr 12/133-4). ■ Consumação: Com a efetivação das condutas incriminadas. bisneto etc. de abandono material (remédios. ■ Pensão alimentícia: Não comete o crime o agente que. em que a falta de justa causa é elemento normativo: a. tornando impossível. burla) ou elide (suprime. Não há forma culposa do delito. frustra (engana. inclusive por abandono de emprego ou função. Frustração de pagamento de pensão (parágrafo único) Jurisprudência ■ Noção: A disposição inserta no parágrafo único pune. mas a assistência suficiente prestada por um supre a obrigação dos demais. de forma provisória ou definitiva. pais.) de "ascendente" (pai. c. ■ Tipo objetivo: Este art. A obrigação de prover à subsistência pode caber a mais de um parente. quem. E imprescindível que a pensão tenha sido determinada judicialmente. LXVII). ascendentes ou descendentes. ■ Confronto: Vide Lei n°5. no comentário ao CP. avô.478/68. fixada ou majorada. Não se configurará o delito se a pessoa a ser assistida possuir recursos próprios para subsistir. "Valetudinário" é o incapaz de exercer atividade em razão de idade avançada ou estado doentio. que se expressa pela vontade livre e consciente de deixar de prover à subsistência. Observações: 1. pois é notório que o cidadão com antecedentes criminais tem grande dificuldade de encontrar ocupação lícita.). prover a subsistência dos dependentes (TACrSP. 2. o CP marca em 18 anos a idade do filho. com as mesmas penas do caput. Ao contrário da lei civil. faltar ao pagamento de pensão ou deixar de socorrer. ■ Tipo subjetivo: O delito de abandono material exige o dolo. a ressalva sem justa causa. a vontade livre e consciente de não prover à subsistência (TACrSP. de uma a dez vezes o maior salário mínimo vigente no País. de socorrer descendente ou ascendente gravemente enfermo. à época do delito. bisavô etc. contém três figuras típicas. ainda. ■ Confronto e concurso de pessoas: Vide Lei n° 5. obrigado por decisão judicial a prestar alimentos. com enfermidade física ou mental grave. elimina). também. fixação ou majoração. caput. Julgados 77/356. isto é. sendo solvente. a condenação de acusado de parcos recursos milita contra o desiderato do legislador penal. sem justa causa. Na corrente tradicional é o "dolo genérico". não podendo ser confundido com o mero inadimplemento de prestação alimentícia acordada em separação judicial (TACrSP.) ou "descendente" (filho. 244 não foi alterada pela Lei n r 7. como o que se fixa para o pagamento de pensão. mas respeitados os prazos processuais civis eventualmente cabíveis. Aqui. b.

a prova de sua ausência incumbe à acusação (TACrSP. ■ Filho adulterino (designação proibida pela CR/88. RT 490/343). a filiação espúria (TACrSP. durante o processo. RT 760/701). Julgados 85/302. 904. e não a que resulta de falta de recursos para pagar a pensão alimentícia a que foi civilmente condenado (TACrSP. Julgados 79/225). o estado de necessidade alegado (TACrSP. in Bol. AASP n° 1. A hipossufi ciência econômica afasta a tipicidade (TACrSP. RT 494/351). TAPR.95. RT 543/380). é necessário que o agente esteja capacitado. se o agente deixa o lar para constituir nova família (TACrSP. RJDTACr 12/44). ■ "Deixar de prover" (1 2 figura): O que a lei pune é deixar de prover à subsistência da família. Julgados 87/386. JTAPR 2/299).899-6. pelos meios que a lei civil admite. Igualmente o pai que não pensiona os filhos. Julgados 93/56. ainda que se tenha constatado o encargo supletivo da mãe (TACrSP. 244. consuma-se o delito no momento em que deixa de pagá-la na data marcada (TACrSP. e. 421/255). RT 756/611).5. ■ Consumação: Na hipótese de falta de pagamento de pensão. a suficiente assistência prestada por alguma delas supre a obrigação das demais (TACrSP. art. Se o agente não prova que deixou de prover a subsistência da família por motivo justificado e que inexistiu dolo na recusa. 78/368). Só é punível a frustração intencional. impõe-se a instauração de nova ação penal contra ele (TACrSP. necessariamente. ■ Necessidade ou não de prévia fixação de pensão: É inaceitável a tese da prévia fixação dos alimentos no cível e o seu não-pagamento pelo réu. Julgados 86/337. j. ■ Reconciliação: Reconciliado o casal. 8. RT 543/380). 244 nanceira (TJGO. RT 400/302). RT 726/683). Carência de recursos do acusado é justa causa (TACrSP. Ap. RT 404/301). Contra: Tipifica-se o delito quando não comprovado pelo acusado.5. Não há justa causa para o abandono material. em tese. ■ Justa causa: É indispensável a demonstração de falta de justa causa para a omissão dos pais a fim de caracterizar o crime deste art. RT786/663) ou se não era solvente à época da obrigação (TACrSP. física e mentalmente. 227. Julgados 70/290). RJDTACr 22/40). Para que se tipifique o delito. e passando a família a . ainda que provisoriamente. Julgados 81/446. 577/383). sendo de toda lógica esperar que a pensão alimentícia. ■ Auxílio de terceiros: Não se livra o réu pelo fato de terceiros evitarem que os seus filhos passem fome (TACrSP. Sendo a falta de justa causa elemento normativo do delito. RJDTACr 12/133-4).899-6. ■ Abandono do lar: O abandono do lar não significa. 0 filho adulterino só pode ser sujeito passivo quando provada. RT 587/338. 244 do CP (TACrSP. satisfatoriamente. para configurar a primeira modalidade do art. impõe-se a condenação (TJRS. 244 (TACrSP. a prover insuficientemente (TACrSP. ■ Pagamento posterior: Não descaracteriza o crime já consumado (TACrSP. RJDTACr 23/61). RJDTACr 10/36). RT 423/386). 244 do CP (TACrSP.513 Código Penal Art. caso devida. a cumprir sua obrigação (TACrSP. AASP n° 1. Contra: Não há como responsabilizar o acusado. ■ Perseveração: Perseverando o agente. o abandono material (TACrSP. pode praticar o delito de abandono material (TACrSP. mesmo separado de fato. seja ali adequadamente fixada (TACrSP. RT 761/711). TACrSP. ■ Separação de fato: O marido. Ap. RJDTACr 21/62). Não há dolo. Incide no art. § 62): 0 filho adulterino é incluído na proteção do art. RT 638/306. quem não paga pensão alimentícia fixada ou homologada judicialmente em favor dos filhos (STF. não. RT 506/449. ela se torna desde logo exigível (TACrSP. Desde que avençada a pensão alimentícia. após condenação transitada em julgado. 904. 68/290. E irrelevante a alegação de que não lhe era permitido visitar os filhos e. Julgados 85/303.956). TACrSP. 93/58). deve providenciar a exoneração ou redução da obrigação (TACrSP. RT 519/398). se o agente deixou de sustentar por motivo independente da sua vontade (TACrSP. sem justa causa (TJMG. se houve alteração em sua situação econômica ou dos filhos. RT 783/650). 8. RJDTACr 16/56). j. se no juízo cível vem sendo discutida a situação do casal. PT 764/632.956.95. in Bol. Se a obrigação de prover cabe a mais de uma pessoa. RT608/333.

caput. mv — RJDTACr 27/25).259. a transação será cabível. ainda que o crime seja da competência da Justiça Comum Estadual [vide nota no art. de 19. pois a ação punida é deixar de prover à família (TACrSP. mv — RJDTACr 27/25). naturais ou adotivos). ■ Tipo objetivo: Entende-se entregar como deixar sob a guarda ou cuidado. ■ Sujeito ativo: Somente os pais (legítimos. Julgados 65/251. contra. com o fito de obter lucro.02. de 12. ainda que o crime seja da competência da Justiça Estadual. frustrar o pagamento de pensão alimentícia judicialmente fixada (STF.11. Entrega de filho menor a pessoa in/dõnea ou perigosa (caput) ■ Alteração: A Lei n 2 7. 100 do CP. pois. ■ Continuidade: Caracteriza crime continuado a conduta do agente que deixa. não se tratando de crime permanente (TACrSP.7. se o agente pratica delito para obter lucro. a partir da vigência da Lei n 2 10. parágrafo único. ■ Frustração de pagamento (parágrafo (nico): Em tese. de efetuar o pagamento de pensão na data estipulada. ■ Multa: A sanção pecuniária do art. Embora não se requeira que a entrega seja por maior tempo. ■ Concurso: A ação de deixar de prover a vários filhos e a mulher não configura concurso formal. em vigor a partir de 12. perde a ação penal a situação antecedente e o delito não é considerado caracterizado (TACrSP. 245.251. sob o título Juizados Especiais Criminais (Federais)].84. ■ Transação: De acordo com o art. a nova redação do dispositivo alcança . na pena do parágrafo anterior quem. § 62. 89 da Lei n2 9. e 229 da Magna Carta. devendo ser expressa em salário mínimo (TACrSP. ■ Objeto jurídico: A assistência aos filhos menores. RT 518/385). Basta a situação de perigo abstrato.Arts. ■ Classificação: E delito omissivo e permanente (TACrSP. ■ Sujeito passivo: O filho menor de 18 anos. cabe a transação no caput. Incrimina-se a entrega do filho menor de 18 anos a pessoa em cuja companhia saiba ou deva saber que o menor fica moral ou materialmente em perigo. Assim. auxilia a efetivação de ato destinado ao envio de menor para o exterior. cuidando-se de pena máxima cominada não superior a dois anos. 244 do CP não foi alterada pela Lei n° 7.099/95).209/84. entendemos que. A pena é de um a quatro anos de reclusão. Julgados 96/217). da Lei n 2 10. por mais de um mês. 227. independentemente da natureza da filiação. entendendo não ser permanente: TACrSP. 2 2 . a cuja companhia o filho é entregue. § 1 2. Incorre. que essa pessoa. Embora a rubrica se refira a pessoa inidônea. embora excluído o perigo moral ou material.1. RT 518/385. de um a dois anos. vide arts. injustificadamente. § 22 . da CR/88) e da analogia in bonam partem. possa colocá-lo em perigo moral ou material. esse lapso deve ser juridicamente relevante.01. ou se o menor é enviado para o exterior. 52 . RT381/284). 244 e 245 Código Penal 514 conviver novamente no lar comum. ■ CR/88: Sobre pais e filhos.259/01. cabe transação nos crimes de competência da Justiça Federal. Em face do princípio da isonomia (art. E necessário. ENTREGA DE FILHO MENOR A PESSOA INIDÔNEA Art. também. deu nova redação ao caput e introduziu os dois parágrafos. pode configurar o ato de quem abandona emprego para. Entregar filho menor de dezoito anos a pessoa em cuja companhia saiba ou deva saber que o menor fica moral ou materialmente em perigo: Pena — detenção. RTJ 88/402). ■ Suspensão condicional do processo: Cabe no caput e nos §§ 1 2 e 22 (art.

Se o agente "promover ou auxiliar a efetivação de ato destinado ao envio de criança ou adolescente para o exterior com inobservância das formalidades legais ou com o fito de obter lucro".515 Código Penal Art. de um a quatro anos. Tal resultado deve ser imputável ao agente por dolo (ou. através do Decreto n° 2. ■ Tentativa: Admite-se. Não incide a figura qualificada se o menor não chega a sair do nosso País. ■ Concurso de pessoas: Embora delito próprio. 239 da mesma lei. de 20. 245 não só o perigo moral como o material. mediante paga ou recompensa". 1 9 ).Forma — Enviado para o exterior: Pune-se mais gravemente a entrega. temerárias etc. 20 do CP. 5 2 . Jurisprudência do § 1°. 21 forma . E necessário que o perigo seja anterior ou concomitante à entrega. as pessoas que se dedicam à prostituição. 29). ■ Questão prejudicial: Não tendo o juízo cível apreciado o tema da falsidade das adoções. art. 238 da Lei n°8. vide § 1 2 deste artigo.069/90 (Estatuto da Criança e do Adolescente). vide art. art.94. Quem recebe não é co-autor desta figura. Se o menor é enviado para o exterior.740. Figuras qua//ficadas do § 1Q ■ Convenção internacional: O Presidente da República. sem dependência de efetivo dano moral ou material (crime de perigo). quando o filho é enviado para o exterior. 2. ■ Formas qualificadas: Quando os pais visam a lucro. Basta a finalidade (que é elemento subjetivo do tipo).3. PIDCP. através do Decreto Legislativo n° 28/90. art. RT 748/570). 18. no Brasil. ou quando da entrega do filho resulta seu envio ao exterior. ■ Ação penal: Pública incondicionada. ■ Consumação: Com a entrega do filho. Não se pode interpretar a locução verbal "deva saber" como indicadora de culpa. não há mais de se discutir sobre a competência da Justiça Federal em casos de tráfico internacional (STJ. não se podendo punir o agente quando o perigo só se revelou depois da entrega. determinou o cumprimento em nosso País da Convenção Interamericana sobre Tráfico Internacional de Menores. CP. art. pois o tipo não contém referência expressa a culpa (cf. ■ Ação penal: Pública incondicionada. art. crime. após a sua devida ratificação pelo Poder Legislativo. RT748/570). pode haver participação de terceiros (CP.710/90. incorporado ao direito pátrio os preceitos contidos na Convenção Internacional sobre os Direitos da Criança. O erro quanto ao perigo deve ser avaliado de acordo com o art. vide art. levando tal interpretação à violação do princípio da reserva legal (CR/88. 15. assinada na Cidade do México em 18. ■ Pena: Detenção. ■ Tráfico internacional de menores (após a entrada em vigor. ao menos. Além disso. ■ Noção: O § 1 2 compreende duas formas qualificadas: 1. de um a dois anos. XXXIX. 9 Q . art. II e parágrafo único). 1.98. ■ Confronto: Se o agente "prometer ou efetivar a entrega de filho ou pupilo a terceiro. Quanto ao risco moral.8. da Convenção /nteramericana sobre Tráfico Internacional de Menores): Tendo o Congresso Nacional. CP. Como exemplos de pessoas capazes de colocar o menor em risco material. CADH. seria insólito cominar-se idêntica sanção tanto a quem age por dolo como culposamente. culposamente — preterdolo). ■ Pena: Reclusão. insalubres. contravenções de jogo ou de mendicância etc. ■ 2 °. sendo dispensável o efetivo proveito econômico dos pais. ■ 1 á Forma — Fim de lucro: Incide o § quando a entrega do filho menor é praticada para obter lucro. e o Governo Federal. lembramos os que o podem conduzir a atividades arriscadas. por força do Decreto n 2 99. não faz coisa julgada na esfera penal a decisão cível que deferiu a adoção de menor a casal estrageiro (STJ. ■ Tipo subjetivo: E o dolo direto ("saiba") ou dolo eventual ("deva saber"). Fim de lucro.

embarque etc. Julgados 70/290). É indiferente que haja ou não risco moral ou material para o menor ("excluído o perigo moral ou material"). o que não ocorre nos casos em que a pobreza é a causa determinante da situação (TACrSP. p. I. Assim.Arts. ■ Tentativa: Pode haver. 745). Abandono intelectual ■ CR/88: Sobre o dever de educação. e 229. v. III. ou multa. 227. § 6°) e de viver ele. Jurisprudência . ou multa. o agente revela. ■ Tipo subjetivo: É o dolo (vontade de auxiliar a prática do ato. p. sua vontade de não cumprir o seu dever (delito omissivo permanente). 246. Para a tipificação impõe-se que a conduta seja sem justa causa (elemento normativo). 0 delito configura-se independentemente da legitimidade do filho (CR/88. segundo HELENO FRAGOSO. física e mentalmente. 246 do CP é necessário que o agente esteja capacitado. de prover à instrução primária de filho em idade escolar: Pena — detenção. ■ Tipo subjetivo: É mister o dolo. Para MAGALHÃES NORONHA. sem justa causa. após os 7 anos de idade do filho. 1965. ■ Tentativa: Não se admite. caracterizado pela vontade livre e consciente de não cumprir o dever de dar educação. ■ Transação: Cabe (art. Inexiste forma culposa.099/95). compra da passagem. ■ Capacidade de prover: Para a tipificação do delito do art. 76 da Lei n° 9. com consciência do destino do menor) e o elemento subjetivo do tipo ("com o fito de obter lucro"). inequivocamente. de quinze dias a um mês. em companhia dos genitores. art. Deixar. ■ Suspensão condicional do processo: Cabe (art. ■ Sujeito passivo: O filho em idade escolar. ao contrário. ■ Pena: Reclusão. ■ Pena: É alternativa: detenção. ■ Tipo objetivo: Pune-se quem auxilia a efetivação de ato destinado ao envio de menor para o exterior. v. ■ Objeto jurídico: A instrução dos menores.099/95). ■ Consumação: Entendemos que se consuma o delito quando. de quinze dias a um mês. 89 da Lei n° 9. distâncias a percorrer. ■ Tipo objetivo: Deixar de prover tem a significação de não tomar as providências necessárias. vide arts. penúria da família e. também a instrução rudimentar dos pais (Lições de Direito Penal — Parte Especial. ABANDONO INTELECTUAL Art. ou não. ■ Ação penal: Pública incondicionada. autônoma (§2°) ■ Sujeito passivo: Igual ao do caput. ■ Consumação: Com o ato de auxílio. independentemente da saída do menor ou da obtenção do lucro (crime formal). Exemplos: preparação de papéis ou passaporte. o agente omite-se nas medidas que podem propiciar instrução primária (de 1° grau) de filho em idade escolar. ■ Ação penal: Pública incondicionada. 205. 334). 245 e 246 Código Penal 516 Participação ■ Sujeito ativo: Qualquer pessoa. Ill. na ultrapassagem da idade escolar ( Direito Penal. ■ Sujeito ativo: Somente os pais. Como causas justas podem ser lembradas a falta de escolas ou vagas. ■ Tipo subjetivo: O dolo. 1995. Julgados 95/78). a praticar os deveres inerentes ao pátrio poder (TACrSP. Na doutrina tradicional é o "dolo genérico". de um a quatro anos. 208.

099/95). RJDTACr 22/41). primeira parte. ■ Erro: O eventual engano do agente. 76 da Lei n° 9. ■ Transação: Cabe (art. na hipótese do inciso IV. que requer "dolo específico". o elemento subjetivo do tipo referente ao especial fim de agir ("para excitar a comiseração pública"). ■ Sujeito ativo: Os pais ou qualquer pessoa a quem o menor tenha sido confiado. menor de 18 anos. ou seja. IV. sendo necessária a habitualidade. resida e mendigue. de um a três meses. ainda.517 Código Penal Art. proveito próprio (TACrSP. Jurisprudência . ■ Tipo objetivo: A conduta prevista é permitir alguém (expressa ou tacitamente) que menor de 18 anos. sujeito a seu poder ou confiado à sua guarda. ■ Sujeito passivo: O menor de 18 anos.069/90. É. sujeito a seu poder ou confiado à sua guarda ou vigilância: I — freqüente casa de jogo ou mal-afamada. punido com reclusão de quatro a seis anos. ■ Tipo subjetivo: O dolo. a vontade livre e consciente de permitir aquelas condutas do menor. ■ Consumação: Se a permissão for dada antes. Por casa de prostituição (vide art. 247.069/90.099/95). ■ Suspensão condicional do processo: Cabe (art. Permitir alguém que menor de dezoito anos. necessário. Na doutrina tradicional é o "dolo genérico". não basta a conduta ocasional. ou multa. Não pode ser punido o agente se o menor assim se comporta. Abandono morai ■ Objeto jurídico: A preservação moral do menor. 240 da Lei n° 8. utilizar o próprio filho ou pessoa a ele confiada. ■ Ação penal: Pública incondicionada. Não há punição a título de culpa. se posteriora permissão. e multa. IV — mendigue ou sirva a mendigo para excitar a comiseração pública: Pena — detenção. auferindo. pois seria absurdo puni-la por não deixar o filho. mediante a entrega de bilhetes em que só solicita auxílio financeiro. no momento da conduta proibida. ■ Pena: É alternativa: detenção. 240 da Lei n 2 8. ■ Absorção: Na hipótese do produtor ou diretor de representação teatral. deve ser avaliado à luz do art. 247 Art. 111 — resida ou trabalhe em casa de prostituição. mas inadmissível na posterior. 20 do CP. de um a três meses. televisiva ou película cinematográfica. Quanto aos verbos freqüente. ■ Tentativa: Admissível na permissão anterior. haverá só o crime do art. II — freqüente espetáculo capaz de pervertê-lo ou de ofender-lhe o pudor. ■ Confronto: No caso de produção ou direção de representação teatral. no ato desta. ■ Mendicância: Incorre no art. ou participe de representação de igual natureza. ou multa. ou conviva com pessoa viciosa ou de má vida. 89 da Lei n°9. em cena de sexo explícito ou pornográfica. com utilização de criança ou adolescente em cena de sexo explícito ou pornográfica. tenha qualquer dos comportamentos indicados nos incisos. televisiva ou película cinematográfica. conviva. quanto ao local ou atividade. vide art. apesar de sua oposição. o agente que dá permissão aos filhos menores de 18 anos para mendigar. 247. assim. 229 do CP) entende-se aquela em que o meretrício é exercido e não a casa onde a prostituta mora. salvo o inciso IV.

248 do CP compreende três figuras penais distintas: a. de um mês a um ano. art. sem autorização expressa ou tácita dos responsáveis. sem justa causa. 89 da Lei n°9. 76 da Lei n 2 9. desobedecendo mandado judicial. com o ato de confiar. do tutor ou do curador. v.099/95). I II. 1965. Jurisprudência . ou seja. ou multa. 359 do CP (Lições de Direito Penal — Parte Especial. na c.Art. /nduzimento a fuga. além do prazo convencionado. ■ Ação penal: Pública incondicionada. de um mês a um ano. Se o pai ou responsável deixa de entregar o menor ou interdito a terceiro. ou interdito. o tutor ou curador. p. a fugir do lugar em que se acha por determinação de quem sobre ele exerce autoridade. ou multa.: risco para a saúde do menor) afasta a tipicidade. ■ Pai separado judicialmente: Não estando o acusado. ■ Pena: E alternativa: detenção. ■ Tipo su. E a entrega arbitrária. transmitir. RT 500/346). de entregá-lo (o menor ou interdito) a quem legitimamente o reclame. e ter duração expressiva. os filhos que lhe foram confiados para visita (TACrSP. em virtude de lei ou de ordem judicial. confiar ou deixar de entregar. incitar. em virtude de lei ou de ordem judicial. O consenti mento do menor é penalmente irrelevante. b. a fugir do lugar em que se acha por determinação de quem sobre ele exerce autoridade. sem consentimento tácito ou expresso dos responsáveis. e também o menor de 18 anos ou interdito. mas nós entendemos que tal artigo refere-se à decisão penal e não civil ( vide anotação ao CP. Deixar de entregar á reter. 248. art.Jjetivo: O dolo. ■ Tipo objetivo: Este art. Confiar tem a significação de entregar. TUTELA OU CURATELA INDUZIMENTO A FUGA. entrega arbitrária ou sonegação de incapazes ■ Objeto jurídico: Os direitos do pátrio poder. Não basta o induzimento. sem justa causa. ■ Confronto: Se o agente. sem ordem do pai. vide nota ao CP. c. ou interdito. segundo HELENO FRAGOSO o crime seria o do art. ■ Sujeito passivo: Os pais. sem embargo de desquitado. algum menor de 18 anos. privado do pátrio poder. ■ Tentativa: Nas figuras a e b é admissível. sem ordem do pai. de entregá-lo a quem legitimamente o reclame: Pena — detenção. A expressão legitimamente significa em conformidade com as leis. ■ Transação: Cabe (art. em vez de induzir. 359). Induzir é aconselhar. Induzir menor de 18 anos. 248 do CP por reter. Ou deixar. Para a escola tradicional é o "dolo genérico". algum menor de dezoito anos. A fuga deve ser clandestina. Inexiste punição a título de culpa. com a efetiva fuga. Em caso de cônjuge desquitado. ■ Suspensão condicional do processo: Cabe (art. Induzir menor de dezoito anos. ou interdito. fiar. ■ Sujeito ativo: Qualquer pessoa. Confiara outrem. ou deixar. 249. confiar a outrem. A presença de justa causa (ex. tutela ou curatela. ou interdito. 248 Código Penal 518 Capítulo IV DOS CRIMES CONTRA O PÁTRIO PODER. 756). subtrai. com a demonstração inequívoca da vontade de não entregar. na c. não há falar em infração do art. art. persuadir. sonegar. a vontade livre e consciente de induzir. não. 249 do CP. na b.099/95). do tutor ou do curador. ENTREGA ARBITRÁRIA OU SONEGAÇÃO DE INCAPAZES Art. ■ Consumação: Na figura a. sendo necessária a efetiva fuga (afastamento) do menor ou interdito.

7. No caso de restituição do menor ou do interdito. Se o agente "subtrair criança ou adolescente ao poder de quem o tem sob sua guarda em virtude de lei ou ordem judicial. 249. curatela ou guarda v (§ 1 ). tutores. 249 do CP.069/90 (Estatuto da Criança e do Adolescente). ao invés do art. caso haja induzimento para fuga e não subtração.02. os próprios menores. tutela. 248 do CP.519 Código Penal Arts.259/01. de dois meses a dois anos. da CR/88) e da analogia in bonam partem. 248 há recusa na entrega. ■ Sujeito passivo: Pais. 89 da Lei n° 9. ■ Tipo subjetivo: O dolo. cabe transação nos crimes de competência da Justiça Federal. 248 do CP. se o menor é tirado de quem apenas o cria. art. Portanto. a vontade livre e consciente de subtrair o menor ou interdito. 249. retirar. Inexistirá o crime se o menor fugir sozinho e depois for ter com o agente. ■ Consumação: Com a efetiva subtração à guarda do responsável. RF 262/287). art.01. a transação será cabível. tutela. se o fato não constitui elemento de outro crime. de 12. Subtrair menor de dezoito anos ou interdito ao poder de quem o tem sob sua guarda em virtude de lei ou de ordem judicial: Pena — detenção. ■ Tentativa: Admite-se. enquanto no art.099/95).259. Se a finalidade for a obtenção de resgate. 5°. cuidando-se de pena máxima cominada não superior a dois anos. O fato de ser o agente pai ou tutor do menor ou curador do interdito não o exime de pena. da Lei n° 10. RT 638/329). ■ Tipo objetivo: O núcleo subtrair significa tirar. sem ter sua guarda em razão de lei ou determinação judicial. 2°. em vigor a partir de 12. sob o título Juizados Especiais Criminais (Federais)]. 159 do CP. 249 em que o menor é subtraído (TAMG. ■ Suspensão condicional do processo: Cabe (art. . No art. art. Se o fim for a privação da liberdade. ■ Sujeito ativo: Qualquer pessoa. A subtração é feita de quem o tem sob sua guarda em virtude de lei ou ordem judicial. Subtração de incapazes ■ Objeto jurídico: A guarda de menores ou interditos. ainda que o crime seja da competência da Justiça Estadual. 248 o menor é levado a sair. curatela ou guarda. 148 do CP. SUBTRAÇÃO DE INCAPAZES Art. Assim. tutor ou curador. curadores e. 100 do CP. a partir da vigência da Lei n° 10. tutores ou curadores. A pessoa que se subtrai é menor de 18 anos ou interdito (submetido judicialmente à curatela). Na doutrina tradicional é o "dolo genérico". cabe a transação neste art. ■ Distinção: No art. ainda que o crime seja da competência da Justiça Comum Estadual [ vide nota no art. Em face do princípio da isonomia (art. 237 da Lei n 2 8. § 1 2 . inclusive pais. ■ Confronto: Se a subtração for com fim libidinoso. se destituídos ou temporariamente privados do pátrio poder. ■ Transação: De acordo com o art. se destituído ou temporariamente privado do pátrio poder. é também o menor ou o interdito (TACrSP. art. o juiz pode deixar de aplicar pena. Não há forma culposa. RT 527/357). caput. com o fim de colocação em lar substituto". o delito será o do art. ou seja. Se houver apenas induzimento à fuga. 248 e 249 ■ Sujeito passivo: Além dos pais.1. entendemos que. § 2 2 . se este não sofreu maus-tratos ou privações. o crime será contra os costumes. a conduta não se enquadrará neste delito do art. eventualmente. sem justa causa. 249 ele é tirado (TJSP. a quem o reclame legitimamente. parágrafo único.

IX. ■ Cõnjuge separado judicialmente: Comete o delito do art. do CP. vide nota ao art. não constitui o crime do art. não tendo sua guarda em virtude de lei ou ordem judicial. RT 524/407). Causar incêndio. que entendemos ser causa de extinção da punibilidade. sem maus-tratos ou privações (TACrSP. ■ Tipo objetivo: O que se pune é a subtração. 249. não havendo dolo quando se tratar de menor abandonado (TJSP. a integridade física ou o patrimônio de outrem: Pena — reclusão. sob igual título. ■ Sujeito ativo: Mãe que subtrai filhos que se encontravam sob a guarda de terceiros pode ser sujeito ativo (TACrSP. O dolo e "genérico" (TACrSP. É possível a aplicação do § ao pai que devolve a criança à mãe. Igualmente o pai que estava temporariamente privado da guarda do filho (TACrSP. ■ Concordãncia: Não se tipifica. se o menor empreende fuga sozinho (TACrSP. 250. e multa. 249 e 250 Código Penal 520 ■ Pena: Detenção. RT 520/416). ■ Ação penal: Pública incondicionada. que tem a sua guarda. 249 (TJSP. ■ Tipo subjetivo: É necessária a vontade de tirar o menor da guarda do responsável. RT 488/332). se este não sofreu maus-tratos ou privações. II — se o incêndio é: . de dois meses a dois anos. expondo a perigo a vida. mas sim forçada em razão da apreensão do menor. 249 (TACrSP. se o fato não constitui elemento de outro crime (infração expressamente subsidiária. RJDTACr 22/400). no art. vide nota Confronto). AUMENTO DE PENA § 1 2. Julgados 95/289). é inaplicável o § 2° do art. As penas aumentam-se de um terço: I — se o crime é cometido com intuito de obter vantagem pecuniária em proveito próprio ou alheio. ■ Perdão judicial (§ 22): Se a restituição não foi espontânea. cuja guarda cabia à mãe em razão do desquite por mútuo consentimento (TACrSP. 249 do CP o pai desquitado que subtrai filho. RJDTACr 22/400). Jurisprudência Título VIII DOS CRIMES CONTRA A INCOLUMIDADE PÚBLICA Capítulo I DOS CRIMES DE PERIGO COMUM INCÊNDIO Art. RT 525/353). Julgados 87/337).Arts. 107. Perdão judicial (§22 ) ■ Noção: É cabível no caso de restituição (voluntária ou espontânea) do menor ou interdito. se o menor aquiesceu e houve concordância de seu genitor (TACrSP. RJDTACr 24/379). 248 do CP. RJTAMG 29/306). e não a sonegação ou recusa em entregar o menor (TAMG. RT 520/416). de três a seis anos. Sobre a natureza e conseqüências do perdão judicial. ■ Distinção: Vide jurisprudência. ■ Menor criado: A subtração de menor a quem o cria. Inocorre o crime do art.

Por isso. ■ Suspensão condicional do processo: Cabe no § 2 2 . ■ Tentativa: Admite-se. de três a seis anos. a partir da vigência da Lei n 2 10. comboio ou veiculo de transporte coletivo. de 12.12. em sua significação penal. p. § 3 2 . art.521 Código Penal Art. ■ Consumação: Com a efetiva situação de perigo comum. art.437/97.259. ou seja. vide art. com conhecimento do perigo comum (dolo de perigo).02. Se culposo o incêndio. cuidando-se de pena máxima cominada não superior a dois anos. art. motivar. parágrafo único.099/95).170. A modalidade culposa é prevista na figura do § 2 2. § 2 2 ). Não importa a natureza da coisa incendiada nem que ela seja de propriedade do agente. c) em embarcação.83. aeronave. acrescenta a lei: expondo a perigo a vida. caput. 100 do CP. a vontade livre e consciente de provocar o incêndio. 250. Se o incêndio é provocado em mata ou floresta.605/98. ■ Tipo subjetivo: O dolo. b) em edifício público ou destinado a uso público ou a obra de assistência social ou de cultura. sob o título Juizados Especiais Criminais (Federais)]. ainda que o crime seja da competência da Justiça Estadual. em vigor a partir de 12. deve haver perigo concreto. ocasiona risco efetivo a pessoas ou coisas. vide art. INCÊNDIO CULPOSO § 22. a integridade física ou o patrimônio de outrem. se não resultar morte CP. para número indeterminado de pessoas ou bens. 10. da CR/88) e da analogia in bonam partem. ■ Transação: De acordo com o art. 89 da Lei n°9. ■ Sujeito ativo: Qualquer pessoa. 41 da Lei n°9. ■ Pena: Reclusão. combustível ou inflamável. pois o incêndio pode ser provocado até por omissão. cabe a transação no § 22 do art. art. pois incêndio. d) em estação ferroviária ou aeródromo. 2 9 . produzir combustão. 250 a) em casa habitada ou destinada a habitação. g) em poço petrolífero ou galeria de mineração. v. h) em lavoura. e multa. Assim. pois "é indispensável a efetiva situação de perigo para a vida. é condição indeclinável que haja perigo no fogo. a pena é de detenção. quando o agente tem o dever jurídico de evitá-lo (CP. 173). Todavia. fabrica ou emprega artefato explosivo e/ou incendiário sem autorização. Lições de Direito Penal—Parte Especial. fábrica ou oficina. 1965. entendemos que. de seis meses a dois anos. pastagem. O exame de corpo de delito deve seguir formalidade especial (CPP. ■ Ação penal: Pública incondicionada. Assim. /ncêndio doso (caput) ■ Objeto jurídico: A incolumidade pública. 20 da Lei n° 7. art. a transação será cabível.259/01. a incolumidade física ou o patrimônio de outrem" (H. 13. e não presumido.01. da Lei n°9. 52 . Também são irrelevantes os meios de execução utilizados pelo autor. ■ Confronto: Se o incêndio é provocado por inconformismo político. FRAGOSO. Ill. 258). 258 (art. Ill. Na doutrina tradicional é o "dolo genérico". hem depósito de explosivo. é tão-somente o fogo que. detém.7. cabe transação nos crimes de competência da Justiça Federal. de 14. Se o agente possui. 772). mata ou floresta. . e) em estaleiro. ainda que o crime seja da competência da Justiça Comum Estadual [vide nota no art. ■ Sujeito passivo: A coletividade (principal). Em face do princípio da isonomia (art. ■ Tipo objetivo: Causar incêndio é provocar. se não resultar lesão corporal ou morte (CP. da Lei n°10.1. por sua expressividade ou condições.

Assim. se o agente ateia fogo à sua própria casa. na opinião dos autores). mas são infrações de caráter formal. RT 763/639. e 171. h. V. atingindo portão e causando pequeno chamuscamento no gramado. do CP. hospital) ou de cultura (ex. 171. O elemento subjetivo do tipo está presente nesta figura qualificada. pois o pagamento é motivo e não fim do crime. combustível ou inflamável. mas que ela seja a finalidade da ação. há semelhante intuito (elemento subjetivo do tipo). mas com o intuito de obter indenização ou seguro. V. de seis meses a dois anos. e não o seu concurso com a figura prevista no art. comboio ou veículo de transporte coletivo. 28-9). art. da figura dolosa. fábrica ou oficina. sem que o fogo defina perigo real às residências próximas (TJMG. não sendo necessário que o agente efetivamente a obtenha. § 22 . para quem haveria concurso material. aumentadas de um terço. Morte ou /esão corpora/ Jurisprudência do incêndio doloso . Estado ou Município) ou destinado a uso público (ex. em estaleiro. RT 753/674. a vontade de provocar incêndio. o crime do art. ■ Tipo subjetivo: É o dolo. 1959. 0 ato de arremessar uma garrafa de combustível em chamas contra moradia. aeronave. 250 Código Penal 522 Figuras do/osas qualificadas (§ 12 ) 2 ■ Alcance: As figuras qualificadas deste § 1 são aplicáveis ao incêndio doloso (caput). I 2 (exaurido). museu). § 2 . 250. e. em lavoura. ■ Remissão: Vide nota ao art. o "dolo específico"). o concurso entre ambos os crimes representaria uma punição indevidamente repetida. v. 250.: biblioteca. entendendo-se irrelevante a atualidade do uso.: orfanato. IX. em edifício público (da União. ■ Pena: As do caput. alterada pela Lei n°7. g. na Lei n°4. c.771/65. TJRJ. f. ■ Concurso de crimes: Entendemos ser inadmissível o concurso material ou formal entre os crimes dos arts. unicamente. RJTJSP 82/378. JM 128/359). que se consumam independentemente da efetiva obtenção da vantagem esperada. pp. contravenções florestais.Art. representado pelo especial fi m de agir (na corrente tradicional. Nas duas figuras. I. TJSP. b. A nosso ver. A vantagem referida é tão-só a financeira. mas não ao culposo (§ 2 2). não dispõe de eficiência a tipificar o crime de incêndio. TJRS. para número indeterminado de pessoas ou bens (TJRJ.: igreja. RJTJRS 166/112. 18. em poço petrolífero ou galeria de mineração (qualquer mina. cinema) ou a obra de assistência social (ex. ■ Perigo concreto: Não basta a potencialidade do perigo. consumado ou tentado (TJSP. concreto ou efetivo. devendo-se notar que ele exige o mesmo perigo comum. 163 do CP. em estação ferroviária ou aeródromo (não inclui estação rodoviária nem porto). também. se o agente lograsse receber o seguro. 258 do CP. TJMG. pastagem. ■ Pena: Detenção. tratando-se de coisa alheia. em casa habitada ou destinada a habitação (não é necessário que haja pessoa na casa. sendo necessário que este seja concreto e efetivo (TJSP. haverá. com conhecimento do perigo comum (TJSP. Não se configura. mas é preciso que o agente saiba ser local destinado a habitação). ainda que o agente consiga receber a 2 indenização ou valor do seguro. A qualificadora não se aplica ao agente que atua mediante paga (incêndio mercenário). do CP. 171. ■ Qualificadora do inciso I: Se o crime é cometido com intuito de obter vantagem pecuniária em proveito próprio ou alheio. entendendo-se ser indiferente a presença de pessoas. § 1 2 . pois este é absorvido por aquele. V. d. art. Figura culposa (§29 ■ Noção: Quando o incêndio resulta da desatenção do agente ao dever de cuidado que era necessário (CP. com igual ausência de perigo comum. RT760/592).803/89). ■ Qualificadora do inciso II: Se o incêndio é: a. RJTJSP75/323). ■ Confronto: Na ausência de perigo comum. II). mata ou floresta (vide. RT 725/642). § 1 . RT 538/334. § 2 2 . creche. em depósito de explosivo. Contra: HUNGRIA ( Comentários ao Código Penal. RT 757/528). em embarcação. art.

mv RT 560/320). 14. II. com perigo comum. além do sujeito passivo principal. 430/348) e do efetivo risco (TJMG. PJ 46/187).11. p. exercício arbitrário das próprias razões. se o edifício incendiado é ocupado por empresa estatal (TJSP. ■ Edifício comercial: Incide o aumento do § 1 2 . Para a configuração do incêndio culposo é condição necessária o perigo comum (TAMG. É inadmissível a desclassificação para dano se o fogo gerou perigo comum e concreto (TJSP. não se segue um incêndio juridicamente expressivo (TJSP.87. comunicando-se. RT 506/394). localizado em prédio de vários apartamentos (TJMG. se expôs a perigo concreto sua ex-companheira e filhos. é prontamente extinto. do art. se teve como objetivo reclamar indenização da seguradora (TJSP. é provocado para receber seguro. se ateado em sala de edifício comercial. RT774/566). 6. a. duas ou até três pessoas.94. Para configuração do crime de incêndio basta a exposição do patrimônio alheio a perigo. Ap. RT 519/362). 14629). RJTJSP 1/189).4. RF 270/322). desclassifica-se para o § 22 do art. tipifica-se o § 1 2 . RT 542/306). ■ Perigo comum: A forma culposa contém os mesmos requisitos do caput ". a. RT 563/385).920. RJTJSP69/376). a integridade física ou o patrimônio de outrem" (TACrSP. ■ Edifício residencial: Incide o aumento do § 1 2 . RT 748/608). Jurisprudência da figura qua//ficada dosa ■ Intuito de vantagem: Se o incêndio. RJTJSP 75/323). sendo irrelavante a reconstrução do bem pelo acusado (TJSP. I. DJU 23. Não ocorre perigo comum. se a intenção era de danificar (TJSP. ■ Consciência do perigo comum: O agente deve ter conhecimento do perigo comum (TJSP. há simples tentativa de incêndio (TJSP. RT 474/324). que não é suprível por outros meios (TFR. causando lesão efetiva ao patrimônio (casa) desta (TJDF.523 Código Penal Art. expondo a perigo a vida. Inexistindo perigo a indeterminado número de pessoas ou coisas. b. RT 497/316).. JM 128/359). PJ 48/344). c. distante da residência da vítima (TJMG. 250 ■ Perigo comum: O CP condiciona o crime de incêndio a perigo concreto ou efetivo para número indeterminado de pessoas ou bens (TJSP. no Incêndio culposo. TJPR. o crime de incêndio pode ser desclassificado para: a. p. Sem o pressuposto de perigo comum. RTJ 119/115). RT 759/680). Só há tentativa se. mas culpa. não há cogitar do crime de incêndio (TJSP. Deve haver potencialidade de expansão do dano a outras coisas e a pessoas indeterminadas (TJSP. TJSP. no causado a uma. RT 726/718). § 22. sem o concurso com o art. 7026. ■ Desclassificação: Se não houve dolo. Vide. RJTJSP 161/283). ■ Sujeito passivo: Nos crimes contra a incolumidade pública. RT 429/479). no horário de expediente (STF. jurisprudência sob o mesmo título. se o agente ateia fogo em depósito. se praticado com o objetivo de satisfazer pretensão legítima ou que crê ser legítima (TJSE. RT 600/326. RJTJSP 120/515). também. ■ Prova pericial: Necessária a prova pericial (TJPR. ■ Omissão em debelar: Não comete crime de incêndio quem omite as providências para debelar fogo que não produziu intencional ou involuntariamente (TAPR. RT763/639). que é o corpo social. RT 611/335). Desclassifica-se para dano qualificado. dano. II. Jurisprudência do incêndio cu/poso . RJTJSP 1 07/435. TJMG. ■ Edifício público: Incide o aumento do § 1 2 .. Contra: Há crime de incêndio e não de dano. ou a um número determinado e certo de indivíduos residentes no mesmo local (TJSP. 108/480. 171. também são sujeitos passivos secundários todos os que padeceram danos pessoais ou patrimoniais. ■ Tentativa: Se o incêndio não se comunica à coisa visada ou. 250. RT 489/343. II. estelionato. apesar da vontade de incendiar do agente. sem chegar a concretizar o perigo comum. b. se ateado em unidade residencial. mv— RT562/319. 250 (TJSP. V (TJSP. RJTJSP 69/363). Não se configura o crime se o agente coloca em perigo apenas a própria vida (TJSP. Ap. como o de incêndio. DJU 23.240. ou se viram expostos a perigo (TACrSP.

RT 514/360). cabe a transação na primeira parte do § 3° do art. 89 da Lei n° 9. Em face do princípio da isonomia (art. caput. se não resultar morte — CP. 258).099/95). 250 e 251 Código Penal 524 ■ Culpa: Não se configura. de 12.Arts. de três a seis anos. 76 da Lei n° 9. ■ Transação: De acordo com o art. entendemos que. Se a substância utilizada não é dinamite ou explosivo de efeitos análogos: Pena — reclusão. nos demais casos. No caso de culpa. art. a partir da vigência da Lei n° 10.7. jurisprudência sob o mesmo título. se não resultar morte CP. parágrafo único. em vigor a partir de 12. Há incêndio culposo quando o agente ateia fogo sem tomar as cautelas costumeiras. de três meses a um ano. também.02. a transação será cabível. se ocorre qualquer das hipóteses previstas no § 1 2. cabe transação nos crimes de competência da Justiça Federal.099/95). art. Vide. se não resultar lesão corporal grave ou morte — CP. da Lei n° 10. no Incêndio doloso. art. e multa. se a explosão é de dinamite ou substância de efeitos análogos. ainda que o crime seja da competência da Justiça Comum Estadual [vide nota no art. Cabe transação. RT 525/391). Assim. EXPLOSÃO Art. Julgados 81/302. se era para ser cumprida no instante em que foi e ainda que em condições de tempo desfavoráveis.259/01. também. TACrSP. Expor a perigo a vida. cabe no § 3°. AUMENTO DE PENA § 22 . mediante explosão. se havia aceiros e não era razoável esperar-se que o fogo fosse levado pelo vento para a outra margem (TJPR. 5°. ademais se os denunciados não se encontravam no local quando se ateou fogo (TJSP. . a integridade física ou o patrimônio de outrem. como abrir aceiros e avisar os confrontantes (TJSC. Exp/osão (caput) ■ Objeto jurídico: A incolumidade pública. ■ Prova pericial: É indispensável o exame de corpo de delito (TACrSP.1. 258 (art. na segunda parte do § 3°. RT 526/426. As penas aumentam-se de um terço. da CR/88) e da analogia in bonam partem. arremesso ou simples colocação de engenho de dinamite ou de substância de efeitos análogos: Pena — reclusão.01. 100 do CP.259. cuidando-se de pena máxima cominada não superior a dois anos. sob o título Juizados Especiais Criminais (Federais)]. ou é visada ou atingida qualquer das coisas enumeradas no n2 II do mesmo parágrafo MODALIDADE CULPOSA § 32. 251. RT537/339). art. § 1 2. é de detenção. 2°. ■ Suspensão condicional do processo: Cabe no § 1°. 258. 258 (art. do artigo anterior. se não resultar lesão corporal ou morte (CP. ■ Sujeito ativo: Qualquer pessoa. RT723/574). e multa. ■ Sujeito passivo: A coletividade (principal). de um a quatro anos. ■ Ordem de queimada: Rejeita-se a denúncia que não esclarece o momento em que teria sido dada a ordem. 251. I. a pena é de detenção. de seis meses a dois anos.

II). Como engenho de dinamite entende-se a bomba. c. Figura privilegiada (§ 19 ■ Noção: Nesta figura. Se a substância é diversa (vide § 19. Se praticada em pesca. RT 427/364). fabrica ou emprega artefato explosivo e/ou incendiário sem autorização. integridade física ou patrimônio de outrem. e não o arremesso ou colocação. § 1°. Por isso. 250 (vide notas ao art. ■ Tipo subjetivo: 0 dolo. 10. Entre as substâncias de efeitos análogos á dinamite. neste de explosão o perigo também deve ser comum (a indefinido número de pessoas ou bens) e demonstrado em concreto. ■ Ação penal: Pública incondicionada. 2° da Lei n° 10. Caso se trate de explosivo diverso daqueles. que acarreta danos menos extensos. detenção. a substância utilizada não é dinamite ou de efeitos análogos a esta. Se o agente utiliza mina terrestre antipessoal. detém. se não ocorrem tais fatos.679/88. são lembrados trotil. de três meses a um ano. ■ Pena: Se a substância é dinamite ou outra de efeitos análogos (vide caput). que se caracteriza pela vontade livre e consciente de causar explosão. § 39 Ill. arremesso (ato de atirar com força para longe). 250. Será. art. de seis meses a dois anos. vide art. Se motivada por inconformismo político. 20 da Lei n° 7. art. No arremesso e na colocação é punido o perigo de detonação de efeitos extensos. gelatinas explosivas etc. da Lei n° 9. como a pólvora. com conhecimento do perigo comum (dolo de perigo). b. 251 ■ Tipo objetivo: Na figura do caput cuida-se do crime praticado mediante o uso de engenho de dinamite ou de substância de efeitos análogos.525 Código Penal Art. ■ Consumação: Com a criação de situação de perigo próximo e imediato. a pena é de detenção. o perigo comum assinalado na figura dolosa. ■ Crime comissivo por omissão: O dono de pedreira não responde como co-autor de eventuais atos cometidos por técnicos altamente abalizados que ali trabalham . vide Lei n° 7. ou seja. A forma culposa é prevista no § 3". ■ Pena: Reclusão. colocar em perigo) a vida. o crime será outro (ex. do art. a ação poderá configurar alguma infração regulamentar ou contravenção.explosivo de força menor. 18. que se trate de substância com a efetiva natureza de explosivo.300/01. E indispensável. A conduta incriminada é expor a perigo (arriscar. ■ Tentativa: Admite-se. ■ Noção: As penas da explosão dolosa são aumentadas de um terço se ocorrem as hipóteses do § 19 I e II. Se o agente possui. vide figura privilegiada do § 1°. ■ Noção: Pune-se apenas a explosão das substâncias referidas no caput ou no § 1°. porém. ■ Remissão: Vide nota ao art. do CP). ou simples colocação (pôr em algum lugar). 258 do CP. e multa. As figuras culposas deste parágrafo ocorrem quando a explosão resulta de não ter o agente observado o dever de cuidado exigível pelas circunstâncias (CP.: dano). artefato ou aparato de dinamite (nitroglicerina misturada com substância inerte). a integridade física ou o patrimônio de outrem (número indeterminado de pessoas). mediante: a. também.170/83. de três a seis anos. o . e multa. a doutrina não considera o vapor de água como explosivo. ■ Ação penal: Igual à do caput.437/97. ■ Pena: Reclusão. ■ Confronto: Se não há perigo comum. Figuras qualificadas (§ 2°i Figuras culposas (§39) Morte ou lesão corpora/ Jurisprudência ■ Perigo comum: O crime de explosão só se configura se surge perigo para a vida. explosão (detonação estrondosa e violenta. E necessário. mas não crime (TJSP. capaz de causar dano extenso). vide art. A semelhança do crime de incêndio. com as propriedades físicas que caracterizam tais substâncias. portanto. TNT. de um a quatro anos. I e II. Na corrente tradicional é o "dolo genérico".

251 e 252 Código Penal 526 tão-só pela omissão de não ter verificado previamente as condições operativas (STF. a integridade física ou o património de outrem. RJDTACr 12/221). usando de gás tóxico ou asfixiante: Pena — reclusão.259/01. Assim. desde que não resulte morte — CP. capaz de atingir qualquer pessoa. pois. se não resultar lesão corporal ou morte — CP. parágrafo único. 100 do CP. indiscriminadamente. 252. Tóxico é o gás que provoca envenenamento. cabe no parágrafo único. MODALIDADE CULPOSA Parágrafo único. ■ Tipo objetivo: Expor a perigo a vida. de 12. 22. da Lei n°10. ser gás mesmo. 258). 89 da Lei n°9. RTJ 127/877). entendemos que. da CR/88) e da analogia in bonam partem. se não resultar morte (CP. Na escola tradicional pede-se o "dolo genérico". Como a lei se refere ao uso de gás. ■ Explosão em pescaria: Mesmo nos mares. E crime de perigo concreto.. existir um perigo efetivo ou concreto (e não abstrato). p.Arts. 258 (art. ■ Suspensão condicional do processo: Cabe no caput. caput.90. portanto. RT761/668).4.02. ainda que o crime seja da competência da Justiça Comum Estadual [vide nota no art. ■ Sujeito ativo: Qualquer pessoa. mas também o seu potencial destruidor. trata-se do uso de substância em forma fluida (nem sólida nem líquida). ■ Transação: De acordo com o art. de três meses a um ano. Em face do princípio da isonomia (art. Deve.259. preenchendo o recipiente que a contém. expõe a perigo a incolumidade pública. Ap. art. sob o título Juizados Especiais Criminais (Federais)]. cuidando-se de pena máxima cominada não superior a dois anos. pois somente aí se pode constatar a nãoanalogia com a dinamite (TJMG. ■ Tipo subjetivo: O dolo. ■ Consumação: Com o surgimento da situação de perigo próximo e imediato para a integridade física ou patrimônio de indiscriminado número de pessoas. cabe transação nos crimes de competência da Justiça Federal. não basta levar em conta o material utilizado na fabricação da bomba. cabe a transação no parágrafo único do art.099/95). art.01.7. . art. capaz de expandir-se indefinidamente. enquanto asfixiante é o que causa sufocação. ■ Diminuição de pena: Para o reconhecimento da causa especial de diminuição de pena do §1 2. 2 2 .1. em faixa litorânea. 258. A figura culposa é prevista no parágrafo único. de um a quatro anos. ■ Tentativa: Admite-se. Uso de gás tóxico ou asfix/ante (caput) ■ Objeto jurídico: A incolumidade pública. a transação será cabível. consistente na vontade livre e consciente de usar o gás. 7558). a saúde ou o patrimônio de pessoas indeterminadas. com conhecimento do perigo comum (dolo de perigo). Se o crime é culposo: Pena — detenção. a partir da vigência da Lei n°10. USO DE GÁS TÓXICO OU ASFIXIANTE Art. A exposição a perigo prevista neste artigo é feita usando gás tóxico ou asfixiante.110. 252. ■ Sujeito passivo: A coletividade. a coletividade no seu patrimônio público de natureza ecológica (TRF da 1 2 R. Deve. DJU 23. Expor a perigo a vida. em vigor a partir de 12. 52 . e não simples vapor ou fumaça. a integridade física ou o patrimônio de outrem tem a significação de colocar em perigo a vida. ■ Depósito de fogos de artifício: A não-observância das cautelas necessárias à estocagem de material de alta potencialidade explosiva configura a imprudência do agente (TACrSP. e multa.

Morte ou lesão corporal Jurisprudência ■ Gás lacrimogêneo: Lançamento de ampola de gás lacrimogêneo em discoteca. quando resulta lesão corporal ou morte. posse ou transporte de explosivos ou gás tóxico. fornecer (entregar gratuita ou onerosamente). mas em dose insuficiente para expor a perigo os presentes. em vigor a partir de 12. p. adquirir. 100 do CP. cuidando-se de pena máxima cominada não superior a dois anos. ou asfixiante ■ Transação: De acordo com o art. Assim. 252 do CP). ■ Sujeito ativo: Qualquer pessoa.8.527 Código Penal Arts. 44). produzir). 5 2 . de um lugar para outro). gás tóxico ou asfixiante. sendo dispensável a verificação de perigo concreto ou efetivo (H. mv— DJU3. Comentários ao Código Penal. em aeronave. ainda que o crime seja da competência da Justiça Comum Estadual [vide nota no art.7. fornecimento.1. Em face do princípio da isonomia (art. da Lei n2 10. e multa. a transação será cabível. 253 se não houver lesão corporal ou morte CP. de modo que a autorização desta excluirá o crime. 1965. cabe a transação neste art. sem licença da autoridade. Fabrico. de 12. p.. RCr 6. 258 do CP. 18.259.01. POSSE OU TRANSPORTE DE EXPLOSIVOS OU GÁS TÓXICO. ou material destinado à sua fabricação. de três meses a um ano. sob o título Juizados Especiais Criminais (Federais)]. OU ASFIXIANTE Art. 251 do CP) ou gás tóxico ou asfixiante (vide nota ao art.92. a partir da vigência da Lei n 2 10. adquirir (obter gratuita ou onerosamente). 1959.259/01. 89 da Lei n 2 9. 252 e 253 ■ Pena: Reclusão. 0 dispositivo exige para a ti pificação que as condutas sejam praticadas sem licença da autoridade. da CR/88) e da analogia in bonam partem.099/95). ■ Veículo adaptado para gás de cozinha: Não configura (TJSP. RJTJSP 120/491). p. Figura cu/posa (parágrafo único) ■ Noção: Trata-se da mesma exposição a perigo comum concreto. As condutas são punidas pelo perigo abstrato que representam. caput. entendemos que. 258 (art.099/95) ■ Suspensão condicional do processo: Cabe. ■ Sujeito passivo: A coletividade. de hidróxido de amônia. mas sim o art. RT 624/310).02. 787. art. fornecer. 258 (art. possuir (ter sob guarda ou à disposição) ou transportar (conduzir ou remover. São elas: fabricar (elaborar. todas concernentes a substância ou engenho explosivo (vide comentário ao art. II). ainda que resulte lesão corporal — CP. art. 22. III. parágrafo único. AQUISIÇÃO. IX. 252 do CP. 253. ■ Remissão: Vide nota ao art. HUNGRIA. ou material destinado à sua fabricação: Pena — detenção. e multa. FABRICO. não configura o art. 76 da Lei n2 9. por conta própria ou alheia. 65 da LCP (TJSP. ■ Pena: Detenção. . ■ Mero transporte: Não configura. v. Lições de Direito Penal — Parte Especial. aquisição. possuir ou transportar. ■ Objeto jurídico: A incolumidade pública. de um a quatro anos. mas causada por não ter o agente observado o dever de cuidado necessário pelas circunstâncias (CP. quer na modalidade dolosa. de seis meses a dois anos. ■ Tipo objetivo: Várias são as condutas alternativamente previstas. v. FORNECIMENTO. art. FRAGOSO. Fabricar.412. cabe transação nos crimes de competência da Justiça Federal. 22364). substância ou engenho explosivo. ■ Ação penal: Pública incondicionada. quer na culposa (TRF da 1 4 R.

cuidando-se de pena máxima cominada não superior a dois anos. art. Jurisprudência ■ Fornecimento: Pratica o crime do art. INUNDAÇÃO Art. pois a lei incrimina atos preparatórios. química e biológica) e de serviços diretamente vinculados. a vontade livre e consciente de praticar as ações. RT551/396. IX.453/77. 2 2 . RTJ95/297. 22 da Lei n° 6. TFR. de três a seis anos. ■ Tipo objetivo: A conduta prevista é causar (provocar. 254. Quanto à exportação de bens sensíveis (de aplicação bélica. motivar. 258 (art. expondo a perigo a vida. p. vide Lei n° 9. ■ Competência: Embora a fiscalização de explosivos seja atribuída a órgão federal.259/01. RT 771/611).01. 5.82. ou "o alagamento provocado pela saída das águas de seus limites naturais ou artificiais. a transação será cabível. sem licença da autoridade e com conhecimento do perigo comum. p.259. no caso de dolo. cabe transação nos crimes de competência da Justiça Federal. em vigor a partir de 12. 52 . cabe a transação neste art. art. em volumes e extensão tais que ocasionem perigo comum" ( H. 254. vide Lei n° 10. Ill. 791). Na escola tradicional é o "dolo genérico". se não houver lesão corporal ou morte CP. 258 (art. Não há forma culposa. ■ Consumação: Com a efetiva prática das ações. Inundação ■ Objeto jurídico: A incolumidade pública. Lições de Direito Penal — Parte Especial. ■ Sujeito ativo: Qualquer pessoa. de perigo abstrato (TACrSP. de uso duplo. sem conotação política. ■ Ação penal: Pública incondicionada. 253. Comentários ao Código Penal. ■ Transação: De acordo com o art. caput. 22364). 89 da Lei n° 9.412. desde que não resulte morte — CP. p.8. entendemos que.92. de seis meses a dois anos. produzir) inundação. ■ Fogos de artifício: A sua estocagem em local inadequado e sem licença da autoridade competente configura o crime do art. a integridade física ou o patrimônio de outrem: Pena — reclusão. mv— DJU3. e multa. sem autorização (STF.099/95). Cuidando-se de minas terrestres. Em face do princípio da isonomia (art. A conduta do agente deve ser perigosa. Causar inundação. RT770/533). entendendo-se esta como "o alagamento de um local de notável extensão. ou detenção. 1959. o crime de posse de explosivos. ■ Suspensão condicional do processo: Cabe na modalidade culposa.7.02. RTJ 104/1041. 253 quem destina parte do seu estoque regular de explosivos. de seis meses a dois anos.300/01. usados na mineração. Ap. é da competência da Justiça Comum e não da Federal (STF. ■ Consciência do perigo: O agente transportador deve ter consciência do perigo a que expõe os passageiros da aeronave.1. da CR/88) e da analogia in bonam partem. para venda a estranhos. FRAGOSO. RJDTACr 27/96. no caso de culpa. parágrafo único. no caso de culpa. RCr 6. ■ Sujeito passivo: A coletividade. v.11. Assim. ■ Pena: Detenção. a integridade física .. ■ Tentativa: Inadmissível. da Lei n° 10. 11186). 1965. v. sob o título Juizados Especiais Criminais (Federais)]. e multa. 48).Arts. não havendo modalidade culposa (TRF da 1 á R. de uso na área nuclear. ou seja. art. STJ. não destinado a receber águas" (HUNGRIA. de 12. 76 da Lei n2 9. ainda que o crime seja da competência da Justiça Comum Estadual [vide nota no art. DJU4. a partir da vigência da Lei n° 10. 253 e 254 Código Penal 528 ■ Tipo subjetivo: O dolo. ■ Confronto: Tratando-se de material nuclear.278. p.112/95.099/95). pois a lei acrescenta expondo a perigo a vida. 100 do CP.

529

Código Penal

Arts. 254 a 256

ou o patrimônio de outrem. Requer-se, portanto, que da inundação decorra perigo concreto ou efetivo (e não abstrato ou presumido) a número indeterminado de pessoas ou bens. Ausente tal perigo, não se configura o crime. ■ Tipo subjetivo: O crime de inundação é punido a título de dolo ou culpa (com penas diversas). O dolo, consistente na vontade livre e consciente de causar inundação, com conhecimento do perigo concreto comum. E o "dolo genérico", na corrente tradicional. A culpa, quando a inundação de que decorre perigo concreto comum resulta de não ter o agente observado o dever de cuidado necessário para evitar a inundação (CP, art. 18, II). ■ Consumação: Com a superveniência do perigo concreto comum. ■ Tentativa: Admite-se. ■ Confronto: Havendo só perigo de inundação, art. 255 do CP. ■ Pena: No caso de dolo, reclusão, de três a seis anos, e multa. No caso de culpa, detenção, de seis meses a dois anos. ■ Ação penal: Pública incondicionada. Morte ou lesão
corpora/

■ Remissão: Vide nota ao art. 258 do CP, quando da inundação resulta lesão corporal ou morte.

PERIGO DE INUNDAÇÃO Art. 255. Remover, destruir ou inutilizar, em prédio próprio ou alheio, expondo a perigo a vida, a integridade física ou o patrimônio de outrem, obstáculo natural ou obra destinada a impedir inundação: Pena — reclusão, de um a três anos, e multa. ■ Suspensão condicional do processo: Cabe, se não resultar lesão corporal ou morte — CP, art. 258 (art. 89 da Lei n° 9.099/95). Perigo de inundação ■ Objeto jurídico: A incolumidade pública. ■ Sujeito ativo: Qualquer pessoa. ■ Sujeito passivo: A coletividade. ■ Tipo objetivo: Três são as condutas alternativamente incriminadas: remover (deslocar, mover de lugar), destruir (fazer desaparecer, eliminar) ou inutilizar (tornar inútil, imprestável). A ação de quem coloca obstáculo capaz de causar inundação não foi abrangida pelo dispositivo. O objeto material sobre o qual a ação recai é obstáculo natural ou obra destinada a impedir inundação, situado em prédio próprio ou alheio. Com tais comportamentos, o agente deverá estar expondo a perigo a vida, a integridade física ou o património de outrem (número indeterminado de pessoas ou bens). Para serem penalmente típicas, as condutas devem causar perigo de inundação concreto e não apenas presumido. ■ Tipo subjetivo: O dolo, consistente na vontade livre e consciente de praticar as ações descritas. Na doutrina tradicional aponta-se o "dolo genérico". Inexiste punição a título de culpa. ■ Consumação: Com a criação do perigo concreto comum. ■ Tentativa: Inadmissível. ■ Pena: Reclusão, de um a três anos, e multa. ■ Ação penal: Pública incondicionada.

DESABAMENTO OU DESMORONAMENTO Art. 256. Causar desabamento ou desmoronamento, expondo a perigo a vida, a integridade física ou o patrimônio de outrem: Pena — reclusão, de um a quatro anos, e multa.

Art. 256

Código Penal

530

MODALIDADE CULPOSA Parágrafo único. Se o crime é culposo: Pena — detenção, de seis meses a um ano. ■ Transação: De acordo com o art. 22 , parágrafo único, da Lei n 2 10.259, de 12.7.01, em vigor a partir de 12.1.02, cuidando-se de pena máxima cominada não superior a dois anos, cabe transação nos crimes de competência da Justiça Federal. Em face do princípio da isonomia (art. 52 , caput, da CR/88) e da analogia in bonam partem, entendemos que, a partir da vigência da Lei n 2 10.259/01, a transação será cabível, ainda que o crime seja da competência da Justiça Comum Estadual [vide nota no art. 100 do CP, sob o título Juizados Especiais Criminais (Federais)]. Assim, cabe a transação neste art. 256, ainda que haja lesão corporal ou morte CP, art. 258 (art. 76 da Lei n 2 9.099/95). ■ Suspensão condicional do processo: Cabe no caput, se não resultar lesão corporal ou morte — art. 258 do CP; cabe no parágrafo único, a não ser que resulte morte — CP, art. 258 (art. 89 da Lei n 2 9.099/95). Desabamento ou desmoronamento (caput) ■ Objeto jurídico: A incolumidade pública. ■ Sujeito ativo: Qualquer pessoa, até mesmo o proprietário do prédio que desaba. ■ Sujeito passivo: A coletividade (principal). ■ Tipo objetivo: A conduta prevista é causar (provocar, motivar, produzir) desabamento (de construções em geral, como edifícios, pontes, paredões etc.) ou desmoronamento (de barrancos, pedreiras, morros etc.). Requer-se que o agente assim aja expondo a perigo a vida, a integridade ffsica ou o patrimônio de outrem (número indeterminado de pessoas ou bens). Deve haver, pois, perigo concreto ou efetivo e não abstrato ou presumido. ■ Tipo subjetivo: O dolo, ou seja, a vontade livre e consciente de causar desabamento ou desmoronamento, com conhecimento do perigo concreto comum. Na escola tradicional é o "dolo genérico". A modalidade culposa é prevista no parágrafo único do artigo. ■ Consumação: Com a criação da situação de perigo concreto comum. ■ Tentativa: Admite-se. ■ Confronto: Ausente o perigo comum, art. 29 da LCP; na mesma ausência, pode haver crime contra a pessoa ou dano. ■ Pena: Reclusão, de um a quatro anos, e multa. ■ Ação penal: Pública incondicionada. ■ Noção: Se, embora não desejado pelo agente, o desabamento ou desmoronamento resultou da sua não-observância do dever de cuidado (CP, art. 18, II). ■ Pena: Detenção, de seis meses a um ano. ■ Remissão: Vide nota ao art. 258 do CP, quando do desabamento ou desmoronamento resulta lesão corporal ou morte. ■ Tipo objetivo: Os verbos desabare desmoronar significam e envolvem a idéia de enorme e pesada estrutura ou massa que venha abaixo, total ou parcialmente, de modo que a simples queda de materiais isolados não basta para tipificar o art. 256 (TACrSP, Julgados 76/142). ■ Perigo comum: Se apenas os moradores de uma única casa vizinha foram expostos ao perigo, não existiu o perigo comum que a lei exige (TACrSP, Julgados 78/299). ■ Perigo concreto: O delito do art. 256 exige perigo concreto a pessoas ou coisas (TJSP, RT 598/318).

Figura culposa (parágrafo único) Morte ou /esão corpora/ Jurisprudência

531

Código Penal

Arts. 256 e 257

■ Diferença: O desabamento acontece em construções, paredões, andaimes, pontes etc.; o desmoronamento, em barrancos, rochedos, pedreiras, formações telúricas (TACrSP, Julgados 81/218). ■ Desmoronamento com morte: Configura, em tese, o art. 256, parágrafo único, c/c o art. 258, última parte, e não o art. 121, § 3 2 , do CP (TAPR, RF261/345). ■ Desclassificação para homicídio ou lesões culposas: Se não houve perigo comum, restringindo-se o desabamento com vítimas à área interna do terreno, desclassifica-se para os arts. 121, § e 129, § 6°, do CP (TACrSP, RT 607/322, 537/317). ■ Desclassificação para contravenção: Em desabamento culposo sem vitimas, por erro de execução, desclassifica-se para o art. 29 da LCP (STF, RT 612/419). Se não houve perigo a pessoas indeterminadas, mas só a vizinhos determinados, desclassifica-se para a LCP, art. 29 (TACrSP, Julgados 74/113). SUBTRAÇÃO, OCULTAÇÃO OU INUTILIZAÇÃO DE MATERIAL DE SALVAMENTO Art. 257. Subtrair, ocultar ou inutilizar, por ocasião de incêndio, inundação, naufrágio, ou outro desastre ou calamidade, aparelho, material ou qualquer meio destinado a serviço de combate ao perigo, de socorro ou salvamento; ou impedir ou dificultar serviço de tal natureza: Pena — reclusão, de dois a cinco anos, e multa. Subtração, ocultação ou inutilização de material de salvamento ■ Objeto jurídico: A incolumidade pública. ■ Sujeito ativo: Qualquer pessoa, incluindo-se o dono do material de salvamento. ■ Sujeito passivo: A coletividade. ■ Tipo objetivo: E pressuposto do crime deste art. 257 que o comportamento do agente seja por ocasião de incêndio, inundação, naufrágio, ou outro desastre ou calamidade. Prevê-se, assim, a conduta do agente em ocasião de calamidade ou desastre, sendo indiferente que tais sinistros sejam resultado de crime ou advenham de caso fortuito ou força maior. Tal pressuposto é indispensável às duas figuras que o art. 257 contém: a. Subtrair (tirar às ocultas), ocultar (esconder ou encobrir) ou inutilizar (tornar imprestável) aparelho, material ou qualquer meio destinado a serviço de combate ao perigo, de socorro ou salvamento. Por força da expressão destinado, entendemos que só podem ser incluídos como objeto material do crime as coisas ou meios inequivocamente destinados às finalidades referidas (ex.: sistemas de aviso ou alarme, salva-vidas, extintores de incêndio etc.). A interpretação, porém, não é tranqüila: para HUNGRIA, sãO os meios instrumentais especificamente destinados ( Comentários ao Código Penal, 1959, v. IX, p. 54), enquanto, para HELENO FRAGOSO e DAMÁSIO DE JESUS, incluem-se os circunstancialmente úteis (Lições de Direito Penal — Parte Especial, 1965, v. I l 1, p. 798) ou úteis para tal finalidade (Direito Penal Parte Especial, 1995, v. 3, p. 274). b. Impedir ou dificultar serviço de tal natureza (de combate ao perigo, de socorro ou salvamento). Impedir é frustrar, no todo ou em parte; dificultar é tornar mais difícil. É preciso que o comportamento seja praticado mediante conduta positiva (e não omissão), salvo na hipótese de agente que tem o dever de agir e se omite (CP, art. 13, § 29. ■ Tipo subjetivo: O dolo, que consiste na vontade livre e consciente de praticar as ações, ciente do perigo comum que elas acarretam. Na escola tradicional indica-se o "dolo genérico". Não há modalidade culposa. ■ Consumação: Na figura a, com as ações de subtrair, ocultar ou inutilizar; na figura b, com o efetivo impedimento ou dificuldade. ■ Tentativa: Admite-se. ■ Concurso de crimes: Se o agente dá causa ao desastre e ainda pratica o delito deste art. 257, haverá concurso de crimes. Todavia, entendemos que não poderá

de dois a cinco anos. pelo agente. se resulta morte. Figuras qua/ificadas de crime de perigo comum ■ Noção: São previstas hipóteses em que. ■ Tipo subjetivo: Trata-se de preterdolo. por culpa do agente. mas de mera relação de causalidade. RT 599/370). a pena privativa de liberdade é aumentada de metade. 257 a 259 Código Penal 532 haver concurso deste art. ■ Em caso de delito culposo de perigo comum: Se resulta lesão corporal (sem distinção quanto à gravidade). Em caso de culpa. e multa. plantação ou animais de utilidade econômica: Pena — reclusão. aplica-se a pena do homicídio culposo. As lesões corporais leves não qualificam as figuras dolosas. pois os resultados não são desejados pelo agente. pois as ações de subtrair e inutilizar já compõem o tipo deste art. aplica-se apenas o aumento da qualificação por morte. Difundir doença ou praga que possa causar dano a floresta. pois. Penas Jurisprudência DIFUSÃO DE DOENÇA OU PRAGA Art. 256. 259. 19 do CP. do CP). se houve uma morte e duas lesões. ainda que duas sejam as vítimas mortas. aumentada de um terço. aplicase a pena cominada ao homicídio culposo. parágrafo único. No caso de culpa. o aumento é único. e multa. de dois a cinco anos. Se o resultado não decorreu de culpa. RF261/345). 258 é único (TJRS. do crime de perigo comum. ao menos culposamente. o aumento do art. Nos termos do art. 257. Se do crime doloso de perigo comum resulta lesão corporal de natureza grave. ■ Aumento único: Independentemente do número de vítimas. se do crime doloso de incêndio resultar. resulta lesão corporal ou morte. Se resulta morte. quatro mortes. é aplicada em dobro. aplica-se a pena do homicídio culposo (art. ■ Concurso de crimes: Na hipótese de resultar lesão ou morte em várias pessoas. é indispensável que o resultado lesão ou morte tenha sido causado. que é a mais grave (TACrSP. 258. § 3°. ■ Em caso de crime doloso de perigo comum: Se resulta lesão corporal de natureza grave. a pena aumenta-se de metade. Assim. aumenta-se a pena de metade. incidirá uma só qualificação. aumentada de um terço. e 258. do CP (TAPR. caso em que poderia haver concurso formal do art. ■ Ação penal: Pública incondicionada. incide nos arts. a pena privativa de liberdade é aumentada de metade. FORMAS QUALIFICADAS DE CRIME DE PERIGO COMUM Art. o aumento é único e também não haverá pluralidade de qualificações. . Julgados 84/211). ■ Pena: Reclusão. 257 com os crimes de furto e dano. Se resulta morte. se resulta morte. última parte. se do fato resulta lesão corporal. 121 ou 129 com o crime de perigo comum. 121. aumentada de um terço. ■ Desmoronamento com morte: Se culposo. incidirão apenas as figuras simples dos crimes de perigo e não esta forma qualificada.Arts. e não aplicado em concurso formal. é aplicada em dobro.

259 e 260 MODALIDADE CULPOSA Parágrafo único. vide art. Difusão de doença ou praga ■ Objeto jurídico: A incolumidade pública. II). 26.533 Código Penal Arts. de um a seis meses. de dois a cinco anos. IV — praticando outro ato de que possa resultar desastre: Pena — reclusão. telefone ou radiotelegrafia. de dois a cinco anos. consciente do perigo comum. Se do fato resulta desastre: Pena — reclusão. ■ Confronto: No caso de destruição ou danos em florestas. e multa. ■ Tipo subjetivo: 0 dolo que consiste na vontade de difundir. ■ Consumação: Com a efetiva difusão de doença ou praga idônea a causar perigo comum. parques e reservas biológicas. a e d. plantação ou animais de utilidade econômica (domésticos ou que sirvam à criação. Na doutrina tradicional é o "dolo genérico". caça ou pesca). de um a seis meses. da Lei n2 4. ■ Tentativa: Admite-se.771/65. sendo desnecessária finalidade especial. A doença ou praga deve ser apta a causar dano. ■ Noção: Há a forma culposa se a difusão resulta da não-observância do dever de cuidado objetivo (CP. ou multa. disseminar). danificando ou desarranjando. 89 da Lei n 9. total ou parcialmente. 2 ■ Suspensão condicional do processo: Idem (art. ■ Sujeito passivo: A coletividade. Impedir ou perturbar serviço de estrada de ferro: I — destruindo. e multa. linha férrea. ■ Tipo objetivo: O núcleo é difundir(espalhar. a pena é de detenção. material rodante ou de tração. ■ Ação penal: Pública incondicionada.099/95). DESASTRE FERROVIÁRIO § 1 2. A figura culposa é prevista no parágrafo único. Ill — transmitindo falso aviso acerca do movimento dos veículos ou interrompendo ou embaraçando o funcionamento de telégrafo. Figura cu/posa (parágrafo único) Capítulo II DOS CRIMES CONTRA A SEGURANÇA DOS MEIOS DE COMUNICAÇÃO E TRANSPORTE E OUTROS SERVIÇOS PÚBLICOS PERIGO DE DESASTRE FERROVIÁRIO Art. No caso de culpa. 76 da Lei n 9. pois o dispositivo fala que possa causar dano a floresta. . e multa. obra-de-arte ou instalação.099/95). ou multa. incluindo o proprietário. ■ Pena: Reclusão. II — colocando obstáculo na linha. ■ Sujeito ativo: Qualquer pessoa. ■ Pena: E alternativa: detenção. art 18. 2 ■ Transação: Cabe no parágrafo único (art. de quatro a doze anos. 260.

que consiste na vontade de impedir ou perturbar.259/01. de dois a cinco anos. especialmente a segurança dos meios de transporte. causar embaraço) serviço de estrada de ferro.1. parágrafo único. 260 o agente que pratica o chamado "surf ferroviário".7. criada pela conduta do agente. ■ Pena: Reclusão. de 12. 1995. consciente de que pode dar causa a desastre ferroviário. 89 da Lei n° 9. Jurisprudência Desastre ferroviário (§ 19 . para efeitos penais. ■ "Surf Ferroviário": Não comete o crime do art. ■ Tentativa: Admite-se. cuidando-se de pena máxima cominada não superior a dois anos. 263 c/c art. ■ Suspensão condicional do processo: Cabe no § 22 . entendendo-se. O conceito de estrada de ferro. ■ Confronto: Se resulta desastre. Assim. cabe a transação no § 2 2 do art. 100 do CP. aquela cujo tráfego se faz em trilhos ou por cabo aéreo (§ 3 2 ). 15 da Lei n 2 7. Direito Penal. Para os efeitos deste artigo. de quatro a doze anos. Em face do princípio da isonomia (art. 76 da Lei n 2 9.259. resulta desastre (preterdolo). RT760/690). 260 Código Penal 534 § 2°. apresentando certo vulto o fato e revelando-se por modo grave e extenso" ( MAGALHÃES NORONHA. Em face desta expressão. No caso de culpa. como também o metr6. p.02. como tal. pois tal fato significa perigo direto e iminente apenas para ele próprio e não para os demais passageiros (TJRJ. 260. em trilhos ou por meio de cabo aéreo. ■ Sujeito passivo: A coletividade. se não houver lesão corporal ou morte — CP. os bondes e os teleféricos. sendo que o último deles abrange qualquer outro ato de que possa resultar desastre. 258 (art.099/95). a partir da vigência da Lei n° 10. 263 c/c o art. caput. da CR/88) e da analogia in bonam partem.Art. Os meios executórios são os indicados nos incisos I a IV. 258 (art. desarranjar. interromper. cabe transação nos crimes de competência da Justiça Federal. ainda que o crime seja da competência da Justiça Comum Estadual [vide nota no art.01. vide art. abrange. a pena é de reclusão. de seis meses a dois anos. v. obstruir) ou perturbar (atrapalhar. art. não só os trens. e multa. ■ Consumação: Com a efetiva situação de perigo de desastre (perigo concreto e não presumido).099/95). ■ Tipo subjetivo: O dolo. Perigo de desastre ferroviario (caput) ■ Objeto jurídico: A incolumidade pública. 52 . II e III) também exigem a criação de probabilidade de desastre ferroviário (perigo concreto ou efetivo). entendemos que. ■ Falso aviso acerca do movimento de trens: Consuma-se com a situação de perigo concreto. entende-se por estrada de ferro qualquer via de comunicação em que circulem veículos de tração mecânica. ■ Transação: De acordo com o art. 2 2 . a transação será cabível. §§ 1 2 e 22 . Se a sabotagem tem finalidade política. ■ Tipo objetivo: As condutas alternativamente incriminadas são impedir (não permitir. sob o título Juizados Especiais Criminais (Federais)]. da Lei n 2 10.170/83 (Lei de Segurança Nacional). realmente. ■ Ação penal: Pública incondicionada. RT643/327). portanto. Como desastre ferroviário. ocorrendo desastre: Pena — detenção. III. considera-se o que expõe "a perigo a incolumidade de pessoas ou coisas. 389). ainda que efêmera (TJRJ. § 32 . em vigor a partir de 12. viajando sobre o teto da composição férrea. ■ Noção: Se do crime de perigo de desastre ferroviário (caput). art. da iminência de sinistro. desde que não resulte morte — CP. é entendimento dos doutrinadores que todas as outras ações indicadas (incisos I. ■ Sujeito ativo: Qualquer pessoa. e multa.

260 e 261 ■ Consumação: Com o efetivo desastre. 263 c/c o art. No caso de culpa. da Lei n°10. 263 c/c art.099/95). todavia. 52. ■ Pena: Detenção.do art. MODALIDADE CULPOSA § 32 . Expor a perigo embarcação ou aeronave. de seis meses a dois anos. sob o título Juizados Especiais Criminais (Federais)]. de quatro a doze anos. Desastre ferroviário culposo (§2°) Morte ou lesão corporal Jurisprudência ■ Noção: Se o agente dá causa a efetivo desastre. FLUVIAL OU AÉREO Art.259/01. sem conseqüências de vulto. § 6 2 (TACrSP. cuidando-se de pena máxima cominada não superior a dois anos. . art. fluvial ou aérea: Pena — reclusão. entendemos que. 18. 263 e 258 do CP. ■ Transação: De acordo como art.7. se o agente pratica o crime com intuito de obter vantagem econômica. RT 461/371). ou praticar qualquer ato tendente a impedir ou dificultar navegação marítima. ainda que o crime seja da competência da Justiça Comum Estadual [vide nota no art.02. se resulta morte ou lesão corporal. se ocorre relevante dano à composição e á carga transportada. 76 da Lei n2 9. ■ Suspensão condicional do processo: Cabe no § 3 9 . ■ Desastre ferroviário: Há. art. da CR/88) e da analogia in bonam partem.1. de seis meses a dois anos. a par de lesões corporais. ■ Remissão: Vide notas aos arts. Aplica-se. se não houver lesão corporal ou morte — CP. caput. 100 do CP. Se do fato resulta naufrágio. a transação será cabível. de dois a cinco anos. 2°. se há mero descarrilamento.01. 258 (art. II). ATENTADO CONTRA A SEGURANÇA DE TRANSPORTE MARÍTIMO. 261. 121.259.535 Código Penal Arts. também. 89 da Lei n°9. FLUVIAL OU AÉREO § 1 2. Assim. por não-observância do cuidado objetivo necessário (vide CP.099/95). 258 (art. parágrafo único. cabe transação nos crimes de competência da Justiça Federal. a partir da vigência da Lei n° 10. submersão ou encalhe de embarcação ou a queda ou destruição de aeronave: Pena — reclusão. art. SINISTRO EM TRANSPORTE MARÍTIMO. para si ou para outrem. própria ou alheia. PRÁTICA DO CRIME COM O FIM DE LUCRO § 22 . se ocorre o sinistro: Pena — detenção. ou 129. a pena de multa. a figura pode ser a do art. § 3 2. ■ Tentativa: Inadmissível. 261. Em face do princípio da isonomia (art. em vigor a partir de 12. cabe a transação no § 3 9. se não resultar morte — CP. de 12.

■ Pena: Reclusão. b. 15. fluvial ou aérea. mv— DJU 3. ■ Tipo objetivo: São duas as modalidades previstas: a. especialmente a segurança dos meios de transporte. ■ Consumação: Com o perigo concreto de acidente. ■ Ecologia: Pode haver concurso do art. ■ Sujeito ativo: Qualquer pessoa. ■ Pena: Reclusão.8. DJU 1.938/81. Esse é o especial fim de agir (elemento subjetivo do tipo). Há forma culposa.170/83 (Lei de Segurança Nacional). a vantagem não consiste só em dinheiro. Na doutrina tradicional é o "dolo específico". Na escola tradicional é o "dolo genérico". mas não são abrangidas as embarcações lacustres. aplica-se a pena de multa. interromper. de quatro a doze anos. ■ Sujeito passivo: A coletividade. ■ Pena: Além da pena privativa de liberdade. com redação dada pela Lei n° 7. 22364).90. p. Também. de dois a cinco anos. 261 Código Penal 536 Atentado contra a segurança de transporte marítimo. RCr 6. p. que não precisa ser efetivamente conseguido. ■ Ação penal: Pública incondicionada. Il. Elas podem destinar-se tanto ao transporte de pessoas como de coisas.. RHC 723. A modalidade culposa desse delito é afastada pela ausência do sinistro (TRF da 1 á R. ■ Tentativa: Admite-se. A figura é preterdolosa. 15 da Lei n° 7.412. fazer cessar) ou dificultar (tornar mais difícil) navegação marítima. o perigo deve ser concreto. § 1°.804/89) (STJ. 261 do CP se o agente transportador do gás tóxico ou asfixiante ou substância explosiva não agia com o intuito de colocar em perigo aeronave.10. ■ Confronto: Se há sabotagem do transporte por motivação política. ■ Pena: Detenção. 18. que consiste na vontade livre e consciente de expor a perigo ou praticar ato tendente a impedir ou dificultar. do CP).92. ■ Tipo subjetivo: O dolo.Art. 263 e 258 do CP. Expor a perigo (colocar em perigo) embarcação (qualquer veículo de transporte marítimo ou fluvial) ou aeronave (veículo de transporte que se move no ar). para si ou para outrem. ■ Noção: Se do fato (condutas previstas no caput do artigo) resulta (é causa) naufrágio (perda de embarcação). prevista no § 3 2 . II. fluvial ou aéreo (§ 12 ) Figura qual/f/cada pelo fim de lucro (§22 ) Figura culposa 03°) Morte ou lesão corporal Jurisprudência . aqui. sendo necessária a ocorrência de perigo concreto (e não presumido). ■ Remissão: Vide notas aos arts. própria ou de terceiro. 10454). vide art. ■ Noção: Se o agente pratica o crime com o intuito de obter vantagem econômica. Sendo econômica. submersão (afundamento de embarcação) ou encalhe de embarcação (i mpedimento à flutuação) ou a queda (precipitação ao solo) ou destruição de aeronave (despedaçamento). ■ Noção: Se ocorre o sinistro (§ 1°) por falta do cuidado objetivo necessário pelas circunstâncias (vide art. 261 do CP com o crime de exposição da ecologia a perigo (art. fluvial ou aéreo (caput) ■ Objeto jurídico: A incolumidade pública. da Lei n° 6. de seis meses a dois anos. 261. Ou praticar qualquer ato tendente a impedir (não permitir. se resulta lesão corporal ou morte de alguém. incluindo o dono da embarcação ou aeronave. Sinistro em transporte marítimo. com conhecimento de acarretar perigo comum. ■ Alcance: A figura qualificada do § alcança tanto o caput como o § 1° do art. ■ Tipo subjetivo e modalidade culposa: Não configura o crime do art. Da conduta deve resultar probabilidade de acidente.

caput. de dois a cinco anos. se a ação visa à perturbação políticosocial. cabe a transação no caput do art. 29. Em face do princípio da isonomia (art. 262 ATENTADO CONTRA A SEGURANÇA DE OUTRO MEIO DE TRANSPORTE Art. também cabe a transação no § 2 9 do art. se ocorre desastre: Pena — detenção.02. ■ Pena: Reclusão.7. a não ser que resulte morte — CP. Se do fato resulta desastre. art. 100 do CP. Atentado contra a segurança de outro meio de transporte (caput) ■ Objeto jurídico: A incolumidade pública. cabe no § 2 9 .170. art. 263 c/c o art. ainda que o crime seja da competência da Justiça Comum Estadual [vide nota no art. 817). ■ Tipo subjetivo: O dolo. 1965. 59 . 262) resulta desastre (preterdolo). a pena é de reclusão. sendo. § 2°. 258 (art. b. necessária a ocorrência de perigo concreto (e não presumido). cuidando-se de pena máxima cominada não superior a dois anos. se não houver morte — CP. Impedir-lhe ou dificultar-lhe o funcionamento (de outro meio de transporte público). da CR/88) e da analogia in bonam partem.537 Código Penal Art. da Lei n° 10. em vigor a partir de 12. Também nesta modalidade exige-se perigo concreto. Para HELENO FRAGOSO. Na doutrina 9 pede-se o "dolo genérico". ■ Suspensão condicional do processo: Cabe no caput. Impedir é não permitir. entendemos que. ou seja. com conhecimento de que a conduta pode dar causa a desastre. ■ Confronto: Na Lei de Segurança Nacional. de um a dois anos. ■ Consumação: Com o surgimento da situação de perigo concreto de desastre. III. lotações. v. Dificultar significa tornar mais difícil. a vontade livre e consciente de praticar aquelas ações.099/95). a transação será cabível. cabe transação nos crimes de competência da Justiça Federal. interromper. Expor a perigo outro meio de transporte público. ■ Transação: De acordo com o art. táxis etc. ■ Ação penal: Pública incondicionada. 262.83. ■ Tipo objetivo: O art. 263 c/c art. dela devendo resultar probabilidade de desastre.259/01. 262. sob o título Juizados Especiais Criminais (Federais)]. ■ Tentativa: Admite-se.. de dois a cinco anos. Desastre (§ 1°) . fazer cessar. autorizados ou particulares). Expor a perigo outro meio de transporte público.259. ■ Tentativa: Inadmissível. ■ Sujeito passivo: A coletividade.1. parágrafo único. a partir da vigência da Lei n° 10. de 14. de 12. Duas são as modalidades incriminadas: a. 15 da Lei n° 7. ■ Pena: Detenção. Assim. desde que se destinem a transporte público (compreendendo o efetuado por concessionários. na modalidade de expor a perigo bastaria o dolo eventual (Lições tradicional de Direito Penal — Parte Especial. não incluído nos dispositivos anteriores: ônibus. desde que não haja lesão corporal de natureza grave ou morte. A modalidade culposa é prevista no § 2 . 262 visa à segurança de outros meios de transporte. se não resultar lesão corporal grave ou morte. 76 da Lei n° 9. de um a dois anos. pois.099/95). 262. impedir-lhe ou dificultar-lhe o funcionamento: Pena — detenção. 258 (art. art.01. ■ Noção: Se do fato (condutas descritas no caput do art. No caso de culpa. p.12. especialmente a segurança dos meios de transporte. 89 da Lei n° 9. ■ Sujeito ativo: Qualquer pessoa. A conduta expor a perigo tem a significação de colocar em perigo. embarcações lacustres. § 1 2. ■ Consumação: Com o efetivo desastre. de três meses a um ano.

7. razão pela qual o elemento subjetivo deve ficar incontrastavelmente provado. 18. 4 ■ Tipo objetivo: É necessária a existência de perigo in concreto (TRF da 1 R. adapta bujão de gás de cozinha. 263 manda aplicar aos crimes dos arts. da Lei n° 10. 2 ■ Transação: De acordo com o art. relativamente a tal finalidade (TACrSP.. ■ Consciência de criar perigo comum: Na forma de impedir ou dificultar. a partir da vigência da Lei n° 10. de um a seis meses.259. aumentada de um terço. da CR/88) e da analogia in bonam partem.259/01. art. se resulta morte. 100 do CP. ■ Tipo subjetivo: O delito do art. .313.12. cuidando-se de pena máxima cominada não superior a dois anos. ARREMESSO DE PROJÉTIL Art.89. Vide. Morte ou lesão corpora/ ■ Noção: O art. 258 do CP (vide comentário ao art.02. Se de qualquer dos crimes previstos nos arts.16723). em vigor a partir de 12.099/95). a pena é a do art. 260 a 262. a transação será cabível. sendo necessário que o agente tenha. 252 do CP. a consciência de criar perigo comum. as disposições do art.Arts. no art. quando ocorrer desastre ou sinistro. RT 430/401). a pena é de detenção. Parágrafo único. § 32 . por água ou pelo ar: Pena — detenção. de seis meses a dois anos. Arremessar projétil contra veículo. sob o título Juizados Especiais Criminais (Federais)]. ■ Táxi: Entendeu-se que pode tipificar este delito do art. 258 do CP). RT720/417). em movimento. cabe transação nos crimes de competência da Justiça Federal. ainda que não tenha vontade dirigida ao mesmo. 264. 262 o comportamento do motorista de carro de aluguel que. ainda que o crime seja da competência da Justiça Comum Estadual [vide nota no art. acusados em greve que obstruíram a entrada e saída de ônibus e pessoas de empresa de transporte coletivo (TJSP. ■ Pena: Detenção. cabe a transação no caput do art. p. destinado ao transporte público por terra. Morte ou /esão corpora/ Jurisprudência FORMA QUALIFICADA Art. Assim. resulta lesão corporal ou morte. 263 e 258 do CP. também cabe a transação na primeira parte do parágrafo único (art. sem autorização. não basta a voluntariedade da ação. também. 260 a 262. de 12. II). quando resulta morte ou lesão corporal. para servir de combustível ao veículo (TACrSP. 2 . RCr 22.1. 5 2 . jurisprudência sobre Veículo adaptado para gás de cozinha. entendemos que. 121. Se do fato resulta lesão corporal. no caso de desastre ou sinistro. ao menos. 262 a 264 Código Penal 538 Desastre cu/poso (§22 ) ■ Noção: Se houve efetivo desastre. Em face do princípio da isonomia (art. DJU 18. 264. com pequenos vazamentos. 76 da Lei n° 9. de três meses a um ano. 262 do CP atenta contra o bem jurídico segurança dos meios de transporte. parágrafo único.01. 258. causado por não haver o agente observado o cuidado objetivo necessário (vide CP. ■ Remissão: Vide notas aos arts. aplica-se o disposto no art. caput. Julgados 87/402). 263.

539 Código Penal Arts. de seis meses a dois anos. 2 ■ Suspensão condicional do processo: Cabe no caput(art. luz. ■ Objeto jurídico: A incolumidade pública. Atentar contra o . e o delito se consumou (mesmo que o alvo não seja atingido). e multa. a pena é de detenção. lançar) projétil (coisa ou objeto sólido e pesado que se arremessa no espaço). ■ Ação penal: Pública incondicionada. Atentado contra a seguranpa ou funcionamento de servipo de uti/idade pública 9 ■ Alteração: Parágrafo acrescentado pela Lei n 5. 264 é o passageiro transportado. força ou calor. ainda que não atinja o veículo em movimento. ou qualquer outro de utilidade pública: Pena — reclusão. o delito pressupõe que o veículo esteja em movimento (TACrSP.099/95). ■ Consumação: O art. consistente na vontade livre e consciente de arremessar.346. ■ Tentativa: Não se admite.11. ■ Noção: Se do fato (o arremesso descrito no caput) resulta (preterdolo) lesão corporal. ■ Sujeito passivo: A coletividade. 89 da Lei n°9. RT 500/389). Atentar contra a segurança ou o funcionamento de serviço de água. que se esgota com o arremesso (TARJ.67. ■ Sujeito ativo: Qualquer pessoa. especialmente a segurança dos serviços de utilidade pública. Inexiste forma culposa. Na escola tradicional é o "dolo genérico". de 3. Arremesso de projét// ■ Objeto jurídico: A incolumidade pública. 264 e 265 ■ Suspensão condicional do processo: Cabe no caput e na primeira parte do parágrafo único (art. especialmente a segurança dos transportes. ■ Tipo subjetivo: O dolo. e só existirão atos preparatórios. Aumentar-se-á a pena de um terço até a metade. a pena é a do art. e não o veículo em si. O veículo deve ser destinado ao transporte público (e não veículo para transporte particular) por terra. 121. ■ Pena: Detenção. de um a cinco anos. que são impuníveis. se o dano ocorrer em virtude de subtração de material essencial ao funcionamento dos serviços. ■ Consumação: Com o arremesso de projétil idôneo a causar perigo. ■ Sujeito ativo: Qualquer pessoa. O arremesso deve ser contra veículo.099/95). ■ Tipo objetivo: Atentar contra a segurança é tornar inseguro. sabendo que pode causar perigo comum. Morte ou lesão corporal (parágrafo único) Jurisprudência ATENTADO CONTRA A SEGURANÇA DE SERVIÇO DE UTILIDADE PÚBLICA Art. Ou o agente fez o arremesso. Se resulta morte. Julgados 84/220). O projétil precisa ser apto a causar dano a pessoas ou bens indeterminados. aumentada de um terço. 89 da Lei n 9. por água ou pelo ar. ■ Tipo objetivo: A conduta prevista é arremessar (atirar. Entende-se ser suficiente o perigo presumido. ou não arremessou. 264 é crime de perigo. ■ Sujeito passivo: A coletividade. § 32 (homicídio culposo). 265. não se tipificando a figura caso o veículo esteja parado. pois o arremesso não é ação divisível. em movimento. desde que possível. ■ Objeto jurídico e tipo objetivo: O que se protege no art. de um a seis meses. Parágrafo único.

89 da Lei n° 9. 266. e irrelevante a sua efetiva paralisação. art. INTERRUPÇÃO OU PERTURBAÇÃO DE SERVIÇO TELEGRÁFICO OU TELEFÔNICO Art. 265. ■ Pena: Reclusão. se o agente não teve o objetivo de atentar contra o funcionamento do serviço (TFR. de um a três anos. Interrupção ou perturbação de serviço telegráfico. Na doutrina tradicional é o "dolo genérico".). ambas referentes a serviço telegráfico. ■ Tipo subjetivo: O dolo. ■ Greve: A obstrução de entrada e saída de funcionários e veículos de empresa de ônibus por grevistas não constitui o crime deste art. sendo necessária. radiotelegráficos ou telefônicos. radiotelegráfico ou telefônico. no que ele afeta a incolumidade pública. força ou calor (produção e distribuição). RJTJSP 174/302). O comportamento punido "atentar". A enumeração é taxativa.11. RT697/332). Parágrafo único. e multa. p. radiotelegráfico ou telefônico. ■ Tipo objetivo: Duas são as modalidades contidas no art. que apenas desligaram os aparelhos retransmissores em determinado momento. que consiste na vontade de atentar. impedir ou dificultar-lhe o restabelecimento: Pena — detenção. ■ Furto de fios telefônicos: Ainda que interfira na normalidade das comunicações não configura o crime do art. se o crime é cometido por ocasião de calamidade pública. Não há forma culposa. abrangendo. luz. 8331). 15 da Lei n° 7. Ap. radiote/egráfico ou te/efôn/co ■ Objeto jurídico: O funcionamento dos serviços telegráficos. que se perfaz pela prática de ato idôneo. A figura é considerada de perigo abstrato. e multa. Aplicam-se as penas em dobro. 265 do CP. ■ Ação penal: Pública incondicionada. que requer ato atentatório que resulte ao menos em perigo presumido (TJSC. apenas.829. ■ Sujeito ativo: Qualquer pessoa. ■ Tipo subjetivo: Incapacidade do funcionário de executar a tarefa é ilícito administrativo e não o ilícito penal deste art.Arts. ■ Tentativa: Admite-se. mas o do art. não . Interromper ou perturbar serviço telegráfico.12. ■ Interrupção do sinal de emissora de televisão: O comportamento dos acusados. importa em interrupção do serviço. 265 e 266 Código Penal 540 funcionamento é porem risco a continuidade do funcionamento. 265 do CP.170. 265 (TER.099/95). 3. com a consciência de poder criar perigo comum. 266. mas a expressão final ou qualquer outro de utilidade pública dá amplitude ao dispositivo.79. 155. lesivo à segurança ou funcionamento do serviço. ■ Confronto: Na Lei de Segurança Nacional. de um a cinco anos. praticamente. RTFR 69/216). se o dano ocorrer em virtude de subtração (furto) de material essencial ao funcionamento dos serviços. Figura qua/ificada (parágrafo único) Jurisprudência ■ Noção: A pena é aumentada de um terço até a metade. figura não ajustada ao art. limpeza pública etc. ■ Suspensão condicional do processo: Cabe no caput(art. a perturbação do serviço. São expressamente indicados serviços de água. embora seja difícil a sua ocorrência na prática. todos os serviços análogos (gás. ■ Consumação: Com a prática do ato capaz de perturbar a segurança ou o funcionamento. DJU 7. ■ Sujeito passivo: A coletividade. se a finalidade é perturbação políticosocial.83. posto que tal conduta não criou qualquer perigo ao transporte coletivo (TJSP. de 14.

02. Se a conduta impede ou perturba serviço ferroviário. 266 visa ao serviço. § 2 2 . de um a dois anos. ■ Tipo subjetivo: Incapacidade do funcionário de executar a tarefa que lhe coube é ilícito administrativo e não o delito do art. 8331). 267. Entende-se que basta o perigo presumido. ainda. caput. Em face do princípio da isonomia (art. art. se o comportamento é interromper ou perturbar aparelho telegráfico ou telefônico determinado. ■ Pena: As penas do caput são aplicadas em dobro. Causar epidemia. cuidando-se de pena máxima cominada não superior a dois anos. ou. mediante a propagação de germes patogênicos: Pena — reclusão. art. de dez a quinze anos. . DJU 7. ■ Pena: Detenção. ou. § 1 2.541 Código Penal Arts. a partir da vigência da Lei n° 10. com o impedimento ou dificultação. 266 do CP (TFR.1. ■ Consumação: Com a efetiva interrupção ou perturbação. art. a significação de desarranjar. em vigor a partir de 12. II. parágrafo único. 40. ou a comunicação entre duas pessoas. A norma do art.117/62 e nota a respeito no art. do CP. 3. 15 da Lei n°7.01. vide art. 260. 265 do CP. 151. Se há sonegação ou destruição de correspondência postal. Vide. p. perturbar tem.79.7. também. Na escola tradicional indica-se o "dolo genérico". que consiste na vontade de praticar as ações incriminadas. Figura qua//ficada (parágrafo único) Jurisprudência ■ Noção: Se o crime é cometido por ocasião de calamidade pública (catástrofe. § 1°. Código Brasileiro de Telecomunicações — Lei n°4. a pena é aplicada em dobro. 10 da Lei n° 9. Interromper é paralisar.829. 5°. ■ Transação: De acordo como art. § 1 2 . ■ Tentativa: Admite-se. 266 e 267 abrangendo o serviço postal e a radiotelefonia. e multa. 2 2 . ■ Confronto: Se a ação é impedir a comunicação entre duas pessoas. atrapalhar. Capítulo III DOS CRIMES CONTRA A SAÚDE PUBLICA EPIDEMIA Art. de 12.170/83 (Lei de Segurança Nacional). se resulta morte. da Lei n° 6.259/01. I I I. sem ordem judicial. Ill. entendemos que. fazer cessar. Se do fato resulta morte. cabe transação nos crimes de competência da Justiça Federal. Inexiste forma culposa. Primeira modalidade. O serviço acha-se interrompido e a conduta do agente é impedir(não permitir) ou dificultar (tornar mais difícil. 151. No caso de culpa. pois é vedado o emprego de interpretação analógica para punir alguém. ■ Ação penal: Pública incondicionada. da Lei n° 10. Se há interceptação telefônica (escuta direta e secreta de conversa alheia). a pena é de detenção. de um a três anos.296/96.259. art. ■ Furto de fios telefônicos: Vide jurisprudência na nota ao art. de maneira que. Se há sabotagem por motivação política. Ap. desorganizar. a transação será cabível. do CP. da CR/88) e da analogia in bonam partem. com consciência de que pode criar perigo comum.11. aqui. b. § 1 2. a. Segunda modalidade. de dois a quatro anos.538/78. ■ Tipo subjetivo: O dolo. não haverá enquadramento nesta figura. embaraçar) o seu restabelecimento. desgraça pública). do CP.

p. I II. representado pelo especial fim de causar epidemia. 2 ■ Suspensão condicional do processo: Cabe no § 2 . 2 ■ Irretroatividade: A Lei n 8. A doutrina tradicional divide-se. febre amarela. em conformidade como art. ■ Consumação: Com o surgimento da epidemia. v. de um mês a um ano. do CP. A figura culposa é prevista no § 2 . v. Para ■ Noção: Se do fato (a conduta descrita 2 que incida esta forma qualificada do § 1 é necessário que o agente tenha. Direito Penal. de 25. ao menos. transmitir. no caput) resulta morte (preterdolo). 6). 121. ■ Pena: Reclusão. 1995. Infringir determinação do poder público. indicando o "dolo específico" (H. vide nota Crime hediondo no art.90. 267. caput. 1950. A pena é aumentada de um terço. sob o título Juizados Especiais Criminais (Federais)]. ao definir como crime hediondo a epidemia dolosa com resultado morte. produzir. culpa pelo resultado letal (vide CP. II. só alcançando os fatos ocorridos a partir da sua vigência. primeira parte (art. dentista ou enfermeiro. ■ Tipo objetivo: O núcleo causar tem a significação de provocar. p. cabe a transação na primeira parte do § 2 2 (art. 19). 18. O perigo é considerado presumido. 76 da Lei n 2 9. de dois a quatro anos. por ser mais gravosa para o acusado. crime de epidemia com resultado morte (art. 831) ou o "genérico" ( MAGALHÃES 2 NORONHA. v. FRAGOSO. ■ Tentativa: Admite-se. 15). de dez a quinze anos. Exemplos: epidemia de varíola. hediondo o da CR/88. Epidemia é "o contágio de uma doença infecciosa que atinge grande número de pessoas habitantes da mesma localidade ou região. Propagação é o ato de difundir. IX. ■ Objeto jurídico: A incolumidade pública. Código Penal Brasileiro. 89 da Lei n° 9. 100 do CP.099/95). febre tifóide etc. com o aparecimento de casos em número que dá o caráter de epidemia. multiplicar. se o agente é funcionário da saúde pública ou exerce a profissão de médico.072. Epidemia 2 ■ Alteração: O art. até mesmo a própria pessoa infectada. p. a pena é de detenção. Morte (§ 1°) Figuras culposa simples e qualificada (§22 ) ■ Noção: Se a epidemia é causada pela falta do cuidado objetivo necessário ( vide art. ■ Ação penal: Pública incondicionada. considera § 1 2 ). Assim. a pena é de detenção. art. destinada a impedir introdução ou propagação de doença contagiosa: Pena — detenção. Se da conduta culposa resulta morte. IV.072/90 aumentou o mínimo da pena do caput para dez anos. Germes patogênicos são os microrganismos (vírus. XLIII. Lições de Direito Penal — Parte Especial. INFRAÇÃO DE MEDIDA SANITÁRIA PREVENTIVA Art. 267 e 268 Código Penal 542 ainda que o crime seja da competência da Justiça Comum Estadual [vide nota no art. . 5 . O comportamento pode ser comissivo ou omissivo. 6 2 da Lei n 8." (FLAMÍNIO FAVERO. motivar. 268.072/90. 1 2 da Lei n 8. ■ Pena: A do caput é aplicada em dobro.7. Sobre as conseqüências dos crimes hediondos. ou seja. farmacêutico. ■ Tipo subjetivo: O dolo (vontade livre e consciente de propagar) e o elemento subjetivo que o tipo contém. ■ Sujeito passivo: A coletividade.Arts. 1965. do CP). e multa. especialmente a saúde pública. Parágrafo único. cogumelos microscópicos e protozoários) capazes de produzir moléstias infecciosas. 2 2 ■ Crime hediondo: 0 art. 0 meio de execução é indicado pela lei: mediante a propagação de germes patogênicos. ■ Sujeito ativo: Qualquer pessoa.099/95). não retroage. de um a dois anos. rickettsias. bactérias.

1965. ■ Tipo subjetivo: O dolo. Na hipótese de revogação da norma complementar. art. ■ Tipo objetivo: O núcleo é infringir. 258 (art. também cabe a transação no parágrafo único. 1995. em vigor a partir de 12.099/95).543 Código Penal Art. v. retroage em favor do agente. 89 da Lei n2 9. preventiva ■ Sujeito passivo: A coletividade. da infração de medida sanitária. A respeito. 268 do CP é norma penal "em branco". 21 (erro de proibição) ou 20 (erro de tipo) do CP. não retroage ( HUNGRIA. Na doutrina tradicional é o "dolo genérico".02. resulta lesão corporal ou morte.01. 100 do CP. divide-se a doutrina em três posições: a. parágrafo único. v. 268 ■ Transação: De acordo como art. 9 2 daquela lei). transgredir. ainda que o crime seja da competência da Justiça Comum Estadual [vide nota no art. a transação será cabível. que dispõe sobre a obrigatoriedade do cadastramento dos doadores e a realização de exames laboratoriais. da CR/88) e da analogia in bonam partem. O que se pune é a conduta de infringir determinação do Poder Público. cabe a transação no caput . IX. decreto. ■ Erro: O eventual erro do agente deve ser apreciado à luz do art. da Lei n 2 10. ainda que resulte lesão corporal grave ou morte — CP. onde expomos o nosso entendimento totalmente favorável à primeira (a) posição. desde que não haja morte — CP. dentista ou enfermeiro. 104). ■ Consumação: Com a violação. destinada a impedir introdução ou propagação de doença contagiosa.■ Objeto jurídico: A incolumidade pública. 2 2 . art. no caso concreto. 3 do CP. sob o título Juizados Especiais Criminais (Federais)]. "deve apresentar-se o descumprimento de especial dever que incumba ao agente. 285 c/c o art. entendemos que. farmacêutico.649/88. de um mês a um ano. ■ Pena: A do caput é aumentada de um terço. desobedecer. art. 76 da Lei n 2 9. Em face do princípio da isonomia (art. Assim. ■ Ação penal: Pública incondicionada. 285 c/c art. excluindo a ili citude ( H. 258 (art. 285 c/c art.7. 76 da Lei n 2 9. b. no particular aspecto da saúde pública.1. p. p. 258 (art. e multa. Como observa HUNGRIA. Não há forma culposa. Lições de Direito Penal — Parte Especial. p. Comentários ao Código Penal. 285 e 258 do CP se. IX. p. v. dida sanitária ■ Sujeito ativo: Qualquer pessoa. cuidando-se de pena máxima cominada não superior a dois anos. 1959. art. ■ Remissão: Vide arts. a partir da vigência da Lei n e 10. ■ Norma em branco: Como o art. 11). Trata-se de norma penal "em branco". ■ Pena: Detenção.259/01. Figura qua//ficada (parágrafo ún/co) ■ Noção: Se o agente é funcionário da saúde pública ou exerce a profissão de médico. v. RT Morte ou lesão corpora/ Jurisprudência . 2 ■ Sangue: A inobservância das normas da Lei n 7. 52 . c. 833). ainda que haja lesão corporal grave ou morte — CP. mas não se pode deixar de fazer concessões ( MAGALHÃES 2 NORONHA. precisa-se demonstrar qual foi a determinação do Poder Público descumprida (TACrSP. cabe transação nos crimes de competência da Justiça Federal. ■ Tentativa: Admite-se. IV. O crime é considerado de perigo abstrato. em princípio não retroage. Tal complemento deve visar a impedir a introdução (entrada) ou propagação (difusão) de doença contagiosa (estado mórbido contagioso ao homem). 268 do CP (cf.259. Ill. Infração de me. 1959. portaria ou regulamento que tenha caráter de ordem ou proibição. que se completa com a existência de outra lei. representado pela vontade livre e consciente de infringir a determinação. configura o delito do art. vide nota ao art. Direito Penal. que possui a significação de violar. desrespeitar. de 12.099/95). FRAGOSO. caput. em razão do cargo ou profissão" ( Comentários ao Código Penal.099/95). 104). ■ Suspensão condicional do processo: Cabe no capute no parágrafo único.

febre amarela. da Lei n° 10. Como registra HELENO FRAGOSO. entendemos que. 1975. 7 2 . oncocercose.099/95). caput. pois consigna doença cuja notificação é compulsória. RT 705/337). e multa. IX . da CR/88) e da analogia in bonam partem. cabe a transação no art. Em face do princípio da isonomia (art. convertendo-a em imprópria para o consumo. ele somente poderia fazer com seriedade a denúncia se houvesse. 52 . não pode o Ministério Público invocar portaria sobre poluição ambiental (TJSP. especialmente. Julgados 96/126). art. rubéola e síndrome de . desde que não resulte lesão corporal grave ou morte — CP. o abate de pequenos animais para consumo entre uma ou duas famílias constitui prática muito comum no interior do Rio Grande do Sul. Jurisprudência. art. 268 (FRANCESCHINI. Quanto ao que se deixa de denunciar. Deixar o médico de denunciar à autoridade pública doença cuja notificação é compulsória: Pena — detenção. não estando esta exposta à venda.430/74 (TARS. de 12. doença meningocócica e outras meningites. ■ Sujeito ativo: Somente o médico (delito próprio).1. coqueluche. decretos e. mv— RT644/ 272).259. 268 e 269 Código Penal 544 507/414). de 24.da Lei n2 8. essa denúncia que se impõe ao médico é justa causa que exclui a caracterização do crime do art. sob o título Juizados Especiais Criminais (Federais)].259/01. ■ Suspensão condicional do processo: Cabe. cabe transação nos crimes de competência da Justiça Federal. 268 sobre doença contagiosa. a norma penal é "em branco". RT 402/269) consumando-se com a mera transgressão da norma ou determinação oficial (abate clandestino de gado) (TACrSP. v.■ Transação: De acordo como art. O delito é omissivo puro. 285 c/c art.Arts. Ocorre o crime do art. não estando regulamentado pelo Decreto Complementar n° 24.137/90 (TACrSP. Evidentemente.01. Versando o crime do art. leishmaniose tegumentar e visceral. a partir da vigência da Lei n°10. 258 (art. 269. embora a lei não exija que o médico tenha assistido ou examinado o doente. cuidando-se de pena máxima cominada não superior tificação de doença a dois anos. ■ Não basta regra genérica: O dispositivo administrativo que contém mera regra genérica de higiene não preenche a norma penal "em branco" do crime do art. pessoalmente. RT 725/619). 268 quando o agente viola norma sanitária específica destinada a impedir a introdução ou propagação de doença contagiosa determinada e não qualquer dispositivo de regulamento sanitário (porcos alimentados no lixão da prefeitura) (TACrSP. 269.100. III. ■ Sujeito passivo: A coletividade. 100 do CP. 258 (art. v. 837). 154 do CP.02. configura o delito do art.96. 285 c/c o art. regulamentos. ■ Objeto jurídico: A incolumidade pública. 89 da Lei n°9. I. Assim. 1965. Omissão de no.7. 76 da Lei n°9. O abate irregular de reses e o transporte da carne em condições precárias.283). febre tifóide. n°1. 268 do CP se o agente abate um leitão para reparti-lo como vizinho. dengue. raiva humana. difteria. p. em vigor a partir de 12. RT726/746). examinado o enfermo (Lições de Direito Penal — Parte Especial.5. ainda que resulte lesão corporal grave ou morte — CP. do Ministério da Saúde: E compulsória a comunicação das seguintes doenças: 1. 2 2 . a transação será cabível. 268 do CP e não o do art. de seis meses a dois anos. no especial aspecto da saúde pública. ■ Portaria n° 1. doença de Chagas — casos agudos. Em todo o território nacional (cólera. ainda que o crime seja da competência da Justiça Comum Estadual [vide nota no art. vendendo a carne a este. poliomielite. hanseníase. peste. OMISSÃO DE NOTIFICAÇÃO DE DOENÇA Art.099/95). ■ Abate de animais: No crime do art. 268 do CP o perigo comum é presumido (TACrSP. Não se caracteriza o delito do art. ■ Tipo objetivo: Deixar de denunciar(omitir-se em comunicar) à autoridade pública é a conduta que se incrimina ao médico. Sua complementação é encontrada em outras leis. parágrafo único.

■ Crime não hediondo: O art. 100 do CP. 258 (art. de seis meses a dois anos. e multa. 2 ■Transação: De acordo com o art. ENVENENAMENTO DE ÁGUA POTÁVEL OU DE SUBSTÂNCIA ALIMENTÍCIA OU MEDICINAL Art. Em face do princípio da isonomia (art.259/01. 269 e 270 rubéola congênita. ■ Consumação: Com o esgotamento de eventuais prazos regulamentares ou.1.099/95).072/90 aumentou o mínimo da pena do caput para dez anos. parágrafo único. ou substância alimentícia ou medicinal destinada a consumo: Pena — reclusão. Se o crime é culposo: Pena — detenção. da Lei n 10. a água ou a substância envenenada. Jurisprudéncia ■ Só o médico pode ser agente: A obrigação de denunciar só é exigida do médico. em conformidade com o art. 258 (art. 76 da Lei n 2 9. 270. sarampo. art. varíola. cabe a transação no § 2 2 do art. da CR/88) e da analogia in bonam partem. 62 da Lei n° 8. § 1 2. 285 c/c o art. Não há forma culposa. a transação será cabível. sob o título Juizados Especiais Criminais (Federais)]. ■ Suspensão condicional do processo: Cabe no § 2 2. a partir da vigência da Lei n° 10. art.072/90. 1 9 da Lei n° 8. filariose — exceto Belém. ■ Ação penal: Pública incondicionada. ■ Tipo subjetivo: O dolo. 5 2 . e não também do farmacêutico (TACrSP. Piauí.01. Na escola tradicional é o "dolo genérico". hepatites virais). em vigor a partir de 12. Alagoas. de uso comum ou particular. . Assim. da CR/88. pois é delito omissivo puro. 89 da Lei n 2 9. 2. síndrome da imunodeficiência adquiri da — AIDS. RT492/355). Ceará. caput. ainda que o crime seja da competência da Justiça Comum Estadual [vide nota no art. ■ Tentativa: Não se admite. 270 desde que não resulte lesão corporal ou morte — CP. para o fim de ser distribuída. entendemos que.02. considerava hediondo o crime de envenenamento de água potável ou substância alimentícia ou medicinal qualificado pela morte (art. ■ Pena: Detenção. consistente na vontade livre e consciente de praticar a omissão.072/90. Envenenar água potável. foi excluído da relação dos crimes hediondos pela Lei n 2 8. de dez a quinze anos. sífilis congênita. todavia. Pernambuco e Sergipe. que deu nova redação ao art. Envenenamento de água potáve/ ou de substância a/imentíc/a ou medicina/ ■ Alteração: O art. 285 c/c art. desde que não resulte morte — CP. de seis meses a dois anos. Paraíba. o qual.099/95). tuberculose.7. tétano. 1 2 da Lei n°8. Está sujeito à mesma pena quem entrega a consumo ou tem em depósito. 285). XLIII. com a prática de ato inconciliável com a obrigação de denunciar. cabe transação nos crimes de competência da Justiça Federal.259. Rio Grande do Norte. malária — exceto na região da Amazônia Legal). de 12. Em áreas específicas (esquistossomose — exceto nos Estados do Maranhão. cuidando-se de pena máxima cominada não superior a dois anos. 285 e 258 do CP.930/94. na ausência destes. 5 2 . Morte ou lesão corpora/ ■ Remissão: Vide arts. MODALIDADE CULPOSA § 22. 270 c/c art.545 Código Penal Arts. 22 . se resulta lesão corporal ou morte.

c. ■ Confronto: A corrupção e a poluição são previstas nos arts. há. e dado em função do uso que as populações fazem daquela água (TFR. RJTJSP 72/307). a indeterminado número de pessoas. excluindo-se outras águas que têm serventia diversa. O objeto material é indicado: a. a título oneroso ou gratuito. que consiste no especial fim de agir ("dolo específico" para os tradicionais): a finalidade de distribuir. que o agente tenha consciência de que se trata de água ou substância envenenada. ■ Pena e ação penal: Iguais às do caput. ele só se aperfeiçoa quando o perigo atinge a vida ou Figura cu/posa 02 ) 2 Morte ou lesão corpora/ Jurisprudência . a segunda conduta constituirá fato posterior impunível. ■ Noção: Se o envenenamento (caput). 271 e 272 do CP. 271 (TJRS. Entregar a consumo é fornecer.930/94: A exclusão do delito do art. ■ Consumação: Com a superveniência da situação de perigo comum. ■ Agua potável: O conceito de potabilidade da água é relativo. ■ Tipo subjetivo: Na modalidade a é igual ao do caput. Ou (substância) medicinal destinada a consumo. que consiste na vontade livre e consciente de envenenar. Na escola tradicional aponta-se o "dolo genérico". desclassifica-se para a corrupção de água. ■ Objeto jurídico: A incolumidade pública. ■ Pena: Reclusão. de dez a quinze anos. ■ Remissão: Vide arts. causa a morte ou dano sério ao organismo. p. melhora ou prevenção de doenças de número indeterminado de pessoas. retroage. DJU 28. Na b. Substância alimentícia (destinada a consumo). A modalidade culposa é prevista no § 2 2 . 18. Ter em depósito. entendendo-se este como a substância mineral ou orgânica que. não bastando a simples guarda sem tal finalidade. 270 Código Penal 546 ■ Retroatividade da Lei n` 8. se resulta lesão corporal ou morte de alguém.86. 15007). Agua potável é a chamada água de alimentação. Entende-se como sendo a substância destinada à cura. independentemente de efetivo consumo ou distribuição. A água pode destinar-se a uso comum ou particular. ■ Tipo subjetivo: É o dolo. 6. 270 com resultado morte do rol dos crimes hediondos. ■ Ação penal: Pública incondicionada.710. E indispensável. em ambos os casos. ■ Sujeito passivo: A coletividade. Ap. entrega ou depósito (§ 1 2 ) são resultado da desatenção do agente ao dever de cuidado objetivo (vide comentário ao CP. b. ■ Pena: Detenção. 270 seja infração que se consuma independentemente de resultado. prevista no art.8. Água potável. TJSP. 285 e 258 do CP. Entrega a consumo (§ 12 ) ■ Tipo objetivo: a. ■ Consumação: Com a entrega ou depósito. b. como as não potáveis. especialmente a saúde pública. art. ■ Tentativa: Admite-se. para o fim de ser distribuída. o elemento subjetivo do tipo. com conhecimento do destino de consumo comum e do perigo coletivo.Art. RT 726/728. ■ Consumação: Embora o crime do art. absorvida. ainda. ■ Sujeito ativo: Qualquer pessoa. O perigo é considerado como presumido. Se o agente envenenar a água (caput) e depois distribuí-la. É a substância destinada à alimentação (líquida ou sólida) de indeterminado número de pessoas. por ser benéfica. ■ Desclassificação: Se a substância que o agente lançou na água tornou-a tão leitosa e malcheirosa que ninguém iria bebê-la e envenenar-se. de uso comum ou particular. Exige o fim de distribuir. II). de seis meses a dois anos. ■ Tipo objetivo: O núcleo envenenar tem a significação de pôr ou lançar veneno.

verificando-se desde que a água se torne imprópria ou nociva. 100 do CP. cuidando-se de pena máxima cominada não superior a dois anos. 271. 1996. ■ Suspensão condicional do processo: Cabe no parágrafo único. a partir da vigência da Lei n 2 10. serão consideradas impróprias para alimentação e abastecimento públicos e privados" (FLAMINIO FAVERO.259/01. Aguas potáveis são "as águas próprias para a alimentação. 265-72. podendo ser classificadas em águas de fontes e de abastecimento. desde que destinadas à alimentação de indeterminado número de pessoas. art. de cobre e de zinco superior ao fixado na lei. da Lei n2 10. v. conspurcar. . CORRUPÇÃO OU POLUIÇÃO DE ÁGUA POTÁVEL Art. de dois a cinco anos. que se demonstre a anterior condição de ser a água potável. 285 c/c o art. IX. Corromper ou poluir água potável.547 Código Penal Arts. a não ser que resulte morte — CP. cabe a transação no parágrafo único do art. de fluoretos. de arsênico. poluiré sujar. da CR/88) e da analogia in bonam partem. Código Penal Brasileiro. 52 . de 12. 6á ed. com conhecimento do perigo para indeterminado número de pessoas. Por sua vez. ■ Sujeito passivo: A coletividade. especialmente a saúde pública.099/95). preparo de alimentos e bebidas etc. parágrafo único. RT 453/355). a transação será cabível. infectar.02. se assim acontecer. pois.1. danosa à saúde). MODALIDADE CULPOSA Parágrafo única Se o crime é culposo: Pena — detenção. 258 (art. 270 e 271 a saúde de um número indefinido de pessoas. 0 objeto material é água potável. A respeito. de selênio. ■ Tipo objetivo: O verbo corromper tem. ainda. a significação de estragar. ■ Consumação: Com a efetiva impropriedade ou nocividade provocada pela corrupção ou poluição. 285 c/c o art. E requisito do tipo. A figura culposa é prevista no parágrafo único. Tais águas não podem apresentar um teor de chumbo. macular. de uso comum ou particular. que a corrupção ou poluição torne a água imprópria para o consumo (sem potabilidade) ou nociva à saúde (prejudicial. sob o título Juizados Especiais Criminais (Federais)]. consistente na vontade livre e consciente de corromper ou poluir. em Defesas que Fiz no Júri. em vigor a partir de 12. 271. Em face do princípio da isonomia (art. desnaturar. p. Assim. 89 da Lei n 2 9. aqui. de dois meses a um ano. Na doutrina tradicional é o "dolo genérico". Corrupção ou poluição de água potável ■ Objeto jurídico: A incolumidade pública. "A poluição das águas do rio Piracicaba". 1950.01. Considera-se que o perigo é abstrato. veja-se minuciosa defesa em caso de poluição de águas fluviais: DANTE DELMANTO. ■ Tipo subjetivo: O dolo. 2 2 . 67). 76 da Lei n 2 9. As águas podem ser de uso comum ou particular.099/95). cabe transação nos crimes de competência da Justiça Federal. portanto. tornando-a imprópria para consumo ou nociva à saúde: Pena — reclusão. art. servindo para qualquer espécie de consumo (bebida.7. não apenas um número limitado delas (TJSP. desde que não resulte morte — CP.. ainda que o crime seja da competência da Justiça Comum Estadual [vide nota no art.). de uso comum ou particular.259. independentemente de real dano às pessoas. pp. pois não se tipifica a conduta de quem corrompe ou polui águas já poluídas. ■ Sujeito ativo: Qualquer pessoa. É indispensável. entendemos que. ■ Transação: De acordo com o art. caput. 258 (art.

distribui ou entrega a consumo a substância alimentícia ou o produto falsificado.. ■ Tipificação: Para a tipificação é imprescindível que se prove a potabilidade da água e que seja ela ingerida habitualmente por indeterminado número de pessoas (TJSP. art. tornando-o nocivo à saúde ou reduzindo-lhe o valor nutritivo: Pena — reclusão. bastando que se trate de água que se possa razoavelmente utilizar para beber e cozinhar. embora haja opiniões em contrário.804/89. Ap. 270 do CP. Ill. certa é a conclusão de que não houve crime algum" (TJSP. mv— RJTJSP 121/348). ■ Remissão: Vide arts. A expressão potável deve abranger não só a potabilidade bioquímica. vide o crime do art. II).283. mas também a potabilidade menos rigorosa. 18. Corromper. Se o crime é culposo: Pena — detenção. e se as águas do rio Piracicaba. adulterar. 285 e 258 do CP. CORRUPÇÃO. 272. se da corrupção ou poluição resulta morte ou lesão corporal. falsificar ou alterar substância ou produto alimentício destinado a consumo. tem em depósito para vender ou. de quatro a oito anos. RT301/84). consistente em servir para beber e cozinhar (TJSP. ■ Pena: Reclusão. art.01. 271 e 272 Código Penal 548 ■ Tentativa: Admitimos a possibilidade de sua ocorrência. 1996. já não eram potáveis. MODALIDADE CULPOSA § 2 2. vende. em vigor a partir de 12. habitualmente usada por indeterminado número de pessoas (TJSP. ■ Transação: De acordo com o art. 54. FALSIFICAÇÃO. 15.7. ■ Pena: Detenção. 2°. §§ 1° e 2°. ■ Ação penal: Pública incondicionada. Incorre nas penas deste artigo quem fabrica. 49. § 1 2 -A.259. e multa. ■ Confronto: Se há envenenamento das águas. da Lei n°10. 272). em DANTE DELMANTO. de qualquer forma. Defesas que Fiz no Júri.02. ou estiver tornando mais grave situação de perigo existente. Não é necessário que a água seja irrepreensivelmente pura. de dois meses a um ano. mv RT572/302). pelos motivos constantes dos autos. e multa. ADULTERAÇÃO OU ALTERAÇÃO DE SUBSTÂNCIA OU PRODUTO ALIMENTÍCIO Art. com ou sem teor alcoólico. Se o poluidor expuser a perigo a incolumidade humana. Está sujeito às mesmas penas quem pratica as ações previstas neste artigo em relação a bebidas. importa. parágrafo único. § 2°.938/81. Figura culposa (parágrafo ún/co) Morte ou lesão corporal Jurisprudência ■ Noção: Se a corrupção ou poluição é causada pela não-observância do dever objetivo de cuidado (vide CP. de 12. de dois a cinco anos. vide art. corrompido ou adulterado. cuidando-se de pena máxima cominada não superior . animal ou vegetal. 6a ed.1. ■ Qualidade anterior: "A lei pune quem corrompe ou polui água potável.Arts. p. tornando-a imprópria para o consumo ou nociva à saúde. §1 2. com redação dada pela Lei n° 7.605/98. da Lei n 9 6. Quanto à poluição hídrica que torne necessária a interrupção do abastecimento público. da Lei n° 9. expõe à venda. de um a dois anos.

adulteração ou alteração de substância ou produto allmentício (caput) ■ Objeto jurídico: A incolumidade pública. 100 do CP. transformar. 66 da Lei n°8. E a substância ou o produto destinado à alimentação. 32). art. que só incriminava a conduta que tornasse a substância alimentícia nociva à saúde. ■ Suspensão condicional do processo: Cabe no § 2°. Na escola tradicional é o "dolo genérico". 258. que significa mudar. todavia. número indeterminado de pessoas. ■ Tipo objetivo: Alternativamente. 285 c/c art. de 2. consistente na vontade livre e consciente de corromper. ■ Consumação: Quando a substância ou produto se torna nocivo à saúde ou tem seu valor nutritivo reduzido. IX. falsificar ou alterar. de quatro a oito anos. a destinação da substância ou produto a consumo público não pode ser presumida.259/01.137/90 (Lei dos Crimes contra a Ordem Tributária. ■ Alteração: Artigo e parágrafos com redação dada pela Lei n° 9. art. que se entende por contrafazer. ainda que o crime seja da competência da Justiça Comum Estadual [vide nota no art. 272 passou também a punir a redução do valor nutritivo da substância ou produto alimentício. cabe transação nos crimes de competência da Justiça Federal. são previstos quatro núcleos: a. 272 a dois anos. do princípio da isonomia (art. isto é. efetivamente. ■ Ação penal: Pública incondicionada. A figura culposa está prevista no § 2 2 . a transação será cabível. 271 do CP. Em face e da analogia in bonam partem. o novo artigo pune com a mesma severa pena duas condutas de gravidade muito diferente. ou seja. ■ Tipo subjetivo: O dolo. especialmente no aspecto da saúde pública. Ao contrário de outros crimes. c. da Lei n2 8. b e d podem ser comissivos ou omissivos. que tem a significação de estragar. depósito para venda ou exposição para o mesmo fim. desnaturar (alterando a própria essência). 52 . ■ Confronto: Se há venda. d.549 Código Penal Art.98. 2 2 . torne a substância ou o produto alimentício nocivo à saúde ("tornando-o nocivo à saúde"). modificar. b. E imprescindível que a corrupção.078/90 (Código de Defesa do Consumidor). o atual art.099/95). segunda parte (art. neste não basta que a substância ou produto se torne impróprio para o consumo. Os núcleos a. falsificar. Se não houver perigo para a saúde pública. corromper. da Lei n° 1. Absurdamente. ■ Pena: Reclusão. o princípio da proporcionalidade (vide nota Princípios da sanção penal no art. 72 . com conhecimento da destinação a consumo da substância ou do produto e do perigo comum. de indeterminado número de pessoas. Se a corrupção é de água potável. art. enquanto o c deve ser comissivo. Falsificação. cabe a transação no § 2 2 do art. prejudicial. líquida ou sólida. caput. reduza o valor nutritivo da substância ou produto alimentício ("reduzindo-lhe o valor nutritivo"). Igualmente. Se a ação é de envenenar água potável ou substância alimentícia ou medicinal.521/51 (crime contra a economia popular). 76 da Lei n° 9. assim. Econõmica e contra as Relações de Consumo). ■ Sujeito ativo: Qualquer pessoa. adulteração. desde que não resulte lesão corporal ou morte — CP. e multa. danoso á saúde humana.099/95). ■ Sujeito passivo: A coletividade. 89 da Lei n° 9. 270 do CP. da CR/88) 2 entendemos que. Assim. em condições impróprias ao consumo. . ao contrário do antigo art. se transforme em nocivo à saúde ou tenha seu valor nutritivo reduzido. ou entrega de matéria-prima ou mercadoria. alterar. 272. 285 c/c o art. como no exemplo clássico da adição de água ao leite. ■ Tentativa: Admite-se. vide art. mudar.677. a partir da vigência da Lei n 10. Como objeto material indica-se a substância ou o produto alimentício (destinado a consumo). 272. mas deve ficar comprovada. art. art. sendo necessário que. corrupção. Observe-se que. III e V. caput. ou seja. adulterar. falsificação ou alteração: a. alterar.7. adulterar. b. ferindo. 258 (art. dar aparência de genuíno ao que não é. infectar. modificar para pior. e art. sob o título Juizados Especiais Criminais (Federais)]. a não ser que resulte lesão corporal ou morte — CP.

Quanto à forma culposa. 272 (TJSP. entregar. apenas. O art. Na doutrina tradicional é o "dolo genérico". § 32 . Em virtude desta falha do legislador. Direito Penal. corrompido ou adulterado. A pequena quantidade de bromato de potássio Bebidas a/coó//cas ou não (§ 1 2 ) Figura cu/posa (§ 22 ) Morte ou lesão corpora/ Jurisprudência anterior à Lei n2 9. Lições de Direito Penal — Parte Especial. v. vide nota no caput. 116. que dificilmente se imaginará não dolosa. RJTJSP 102/431. v. expor à venda ( manter em exposição para indeterminado número de pessoas. por não-observância do cuidado objetivo necessário (vide comentário no art. ainda. vender(alienar a título oneroso). 32). salvo quanto ao definido no art. Já se o resultado for morte. do CP). falsificação ou alteração da substância ou produto. Fica dela excluída a falsificação.Art. com oferecimento. importar (fazer vir de outro país). 258. se do fato resulta lesão corporal. vide nosso comentário ao § 2 2 . A pena para a figura culposa prevista no antigo § 2 2 do art. pois esta. ter em depósito. 285 do CP que "aplica-se o disposto no art. se resulta morte. MAGALHÃES NORONHA. sujeitos ativo e passivo: Vide nota ao caput. o elemento subjetivo do tipo. 121. e. 267". também. III. vender. pune-se mais severamente o crime deste art. ciente da corrupção. ■ Objeto jurídico. distribuir (dar. c/c art. estabelece em sua segunda parte que "no caso de culpa. 1995. distribuir ou entregar a consumo. ■ Tipo objetivo: Os núcleos são: a. v. tem em depósito para vender. ■ Tipo subjetivo: O dolo. p. gratuita ou onerosa). 1965. RT 605/296. obviamente. A figura culposa abrange. expor. 272 Código Penal 550 Condutas equiparadas (§12-A) ■ Objeto jurídico. b. de um a dois anos. ■ Nocividade: É essencial à figura deste art. Quanto ao objeto jurídico. IV. aplicando-se a pena cominada ao homicídio culposo (art. ■ Tipo objetivo: Sujeita-se às mesmas penas do caput o agente que pratica as ações previstas no caput ou no § 1 2-A em relação a bebidas. há. importar. aplica-se a pena cominada ao homicídio culposo. II. 272 quando resultar lesão corporal (inclusive leve) do que quando resultar morte. d. p. tenham elas teor alcoólico ou não. por sua vez. 29). 258). ■ Pena e ação penal: Iguais às do caput. FRAGOSO. 272. Nas hipóteses de exposição e depósito. não pode ser culposa (em igual sentido: H. importa. RT632/282). ■ Incongruência: Dispõe o art.677/98 (antigos arts. ■ Ação penal: Pública incondicionada. a pena aumenta-se de metade. 258 aos crimes previstos neste Capítulo. caso não informe se a quantidade adicionada tornava a substância nociva. f. preparar). IX. atentando-se contra o princípio da proporcionalidade (vide nota Princípios da sanção penal no art. aumentada de um terço". manufaturar. a vontade livre e consciente de fabricar. 272 a prova de ter a substância se tornado nociva à saúde (TJSP. Da modalidade culposa fica excluída a fabricação. ou. que era de seis meses a um ano de detenção. cessão. ter em depósito para vender (ter à disposição ou sob guarda. de qualquer forma. Comentários ao Código Penal. quanto à figura culposa. de venda). sujeitos ativo e passivo: Vide nota no caput. Não basta a conclusão do laudo de que a substância continha produto de adição proibida. consistente no especial fim de agir ("à venda" e "para vender"). 852. a adulteração e a alteração. troca. de qualquer forma. 599/319). expõe à venda. e multa. 18. ou. Assim. adulteração. Quanto às condutas equiparadas do §1 incluem-se na previsão culposa do § 22 as de quem vende. as bebidas com ou sem teor alcoólico (§1 2 ). que é de um a três anos. ou seja. a pena mínima será de um ano e seis meses. salvo nas condutas de expor e ter em depósito ("dolo específico"). a forma culposa abrange. ■ Pena: Detenção. 272 e 273) . com o fim especial de vender). 1959. entendendo-se não ser necessário que o agente seja comerciante. nos termos do art. distribui ou entrega a consumo a substância alimentícia ou o produto falsificado. ainda que tácito. a corrupção. foi aumentada para um a dois anos de detenção pelo novo § 2 2 do mesmo artigo. se do fato resultar lesão corporal. a pena mínima será de um ano e quatro meses. c. ■ Noção: Das condutas previstas no caput. repartir) ou entregar a consumo (dação. p. HUNGRIA. fabricar (produzir na fábrica.

276 do CP. c. 171. Art. 276. 273. vende. 273 do CP. tem em depósito para vender ou. b. RT613/346-7. RT 554/417). II e § 1 2. RT 536/277). não há se falar na caracterização do crime do art. sob o título Bromato. a adição de "sulfito de sódio" à carne crua e moída (TJSP. Alguns exemplos: a. 274. RT 453/352. pois o perigo deve ser comum.677/98 ■ Dolo: Se a carne exposta à venda em estado de putrefação não foi adulterada. 272 dispensa saber se houve. ■ Exame de corpo de delito: No Estado de São Paulo. a colocação de uísque nacional em garrafa de estrangeiro (TJSP. IV. efetivo dano a alguém. mas sim no art. 272 (TJRN. 277). d. RT772/666). Não tipifica. FALSIFICAÇÃO. 175. Art. 276 (TJSP. RT533/300). a colheita de amostras deve ser realizada de conformidade com o Decreto estadual n° 12. 171. §1 2-A. Incluem-se entre os produtos a que se refere este artigo os medicamentos. 275. 453/332). RT 605/296). Art. as matérias-primas. CORRUPÇÃO. corrompida ou falsificada voluntariamente pelos agentes. RJTJSP 114/509). jurisprudência no art. contra: TACrSP. § 2 2. IV. RT611/351). ■ Substituição em alimento: Configura o crime do art. A venda de uísque nacional em garrafas de estrangeiro não se enquadra no art. §1 2 . A colocação de uísque nacional em recipientes de uísque estrangeiro tipifica o delito do art. 582/295). A favor. RT 540/271. ■ Alteração em refrigerante: E necessário que a alteração seja perniciosa ou reduza o valor. Jurisprudência posterior A Lei n 2 9. pois uísque não é substância alimentícia nem medicinal (TJSP. Está sujeito às penas deste artigo quem pratica as ações previstas no § 1 2 em relação a produtos em qualquer das seguintes condições: . e multa. Art. Julgados 78/250). corrompido. e não individual. 656/278. expõe à venda.551 Código Penal Arts. RT 403/295) ■ Uísque: E muito controvertida a tipificação da conduta de quem falsifica uísque ou coloca uísque nacional em recipiente de similar estrangeiro. ADULTERAÇÃO OU ALTERAÇÃO DE PRODUTO DESTINADO A FINS TERAPÊUTICOS OU MEDICINAIS Art. também. de dez a quinze anos. por ser substância alcoólica e não acarretar nocividade a troca de uísque estrangeiro por nacional (TJRJ. ou a substituição o torne inferior (TJSP. 175 do CP. distribui ou entrega a consumo o produto falsificado. 273. II. 273. absolve-se o acusado se não houver prova de que sabia do estado adulterado da carne que vendia (TACrSP. de qualquer forma. Julgados 95/196). Contra: Não configura. os saneantes e os de uso em diagnóstico. 275 (TJSP. 273. última parte. E nele que se enquadra a venda de uísque nacional em vasilhame de estrangeiro (TACrSP. os insumos farmacêuticos. RT698/328. corromper. Configura o delito do art. a utilização de carne de cavalo na fabricação de lingüiça.342/78. 486/264. os cosméticos. pois é crime de perigo (TJSP. sob pena de o exame de corpo de delito tornar-se imprestável (TJSP. RT 453/352). adulterado ou alterado. ■ Crime de perigo: O art. Configura o crime do art. Vide. §1 2-B. 272 e 273 adicionada ao pão não chega a torná-lo nocivo à saúde (TJSP. Falsificar. pois há a substituição de elemento da sua composição normal (TJRJ. Nas mesmas penas incorre quem importa. 275 do CP. certo e determinado (TACrSP. São apontados diversos enquadramentos no CP (arts. adulterar ou alterar produto destinado a fins terapêuticos ou medicinais: Pena — reclusão. ■ Conhecimento: Ainda que provados fato e autoria. caput e § 2 2 . I. Julgados 85/488). RJTJSP 104/426). ■ Perigo a pessoas indeterminadas: Não se configura a modalidade culposa do § 22 se a substância medicinal foi preparada para uma determinada pessoa. ou não.

677. Se o crime é culposo: Pena — detenção. sob pena de inconstitucionalidade por falta de ofensividade ao bem jurídico tutelado (saúde pública). e multa. e multa. ou seja.072/90). MODALIDADE CULPOSA § 22. ■ Suspensão condicional do processo: Cabe no § 2 2 . Dicionário de Conceitos e Princípios Jurídicos. ciente do perigo comum e da destinação do produto para fins terapêuticos ou medicinais. ■ Tipo subjetivo: 0 dolo. 285 c/c art. adulteração ou alteração do produto. em um Estado Democrático de Direito. corrupção. não consignou a exigência de perigo concreto para a configuração deste crime. ■ Ação penal: Pública incondicionada. o legislador. IV. consistindo a autoridade num sistema de restrições só admissível na medida estritamente indispensável à coexistência das liberdades individuais" ( MARCELO CAETANO.Art. alterar (vide seus significados no art. tem questionado a constitucionalidade dos chamados tipos penais de perigo abstrato. ■ Consumação: Com a falsificação. 89 da Lei n° 9. Almedina. ainda que não seja comerciante ou industrial. Assim. especialmente a saúde pública. a não ser que resulte lesão corporal ou morte — CP. b. . VI — adquiridos de estabelecimento sem licença da autoridade sanitária competente. V — de procedência ignorada. ■ Crime hediondo: Caput. ■ Sujeito passivo: A coletividade. Os núcleos b. Direito Constitucional. ■ Tipo objetivo: Os núcleos previstos são os mesmos do artigo anterior: a. IV — com redução de seu valor terapêutico ou de sua atividade. c. A figura culposa está prevista no § 2 2 . 399). "A inconstitucionalidade da lei dos remédios". apud JoAo MELO FRANCO e HERLANDER ANTUNES MARTINS. Ill — sem as características de identidade e qualidade admitidas para a sua comercialização. De fato. MIGUEL REALE JÚNIOR. número indeterminado de pessoas. Na doutrina tradicional aponta-se o "dolo genérico". "o valor supremo da sociedade política é a liberdade. 272. ■ Alteração: Artigo com redação dada pela Lei n° 9. 374-7. 1977. art. II — em desacordo com a fórmula constante do registro previsto no inciso anterior. ■ Sujeito ativo: Qualquer pessoa. segunda parte (art. 273 Código Penal 552 I — sem registro. O objeto material é o produto destinado a fins terapêuticos ou medicinais. 1993. adulterar ou d. corromper. o que só veio a fazer no §1 2 . com acerto. c e d podem ser comissivos ou omissivos. 272 do CP. além de não ter feito menção á exigência de destinação a consumo. que consiste na vontade livre e consciente de falsificar. de 2.099/95). somente fazendo-o em seu §1 2 -B. ■ Tentativa: Admite-se. falsificar.7. § 1 2-A e § 1 2-B (Lei n°8. quando exigível. no órgão de vigilância sanitária competente. ■ Pena: Reclusão. inadmitindo punição sem que haja real ofensa ao bem jurídico tutelado. § 1 2 . corrupção. ■ Confronto: Vide nota ao art. in RT763/423). 272). adulteração ou alteração de produto terapëut/co ou medicina/ (caput) ■ Objeto jurídico: A incolumidade pública. que requer a "redução de seu valor terapêutico ou de sua atividade". enquanto o a deve ser comissivo.98. no caput deste art. cf. Coimbra. 273. Ao contrário do art. pp. 258. a doutrina. corromper. Falsificação. Atualmente. este delito só se configurará quando houver efetiva comprovação da nocividade à saúde de indeterminado número de pessoas ou da real redução do valor terapêutico ou medicinal do produto (nesse sentido. p. adulterar ou alterar. de um a três anos. de dez a quinze anos.

vender. A figura culposa é prevista no § 2 . FRAGOSO. assim. distribuir ou entregar a consumo. corrupção. expor à venda. a pena mínima será de um ano e Produtos em outras condições (§ 19--B) Figura culposa Morte ou /es 'do corpora/ . v.553 Código Penal Art. Lições de Direito Penal — Parte Especial. adquiridos de estabelecimento sem licença da autoridade sanitária. a adulteração e a alteração. se do fato resulta lesão corporal. incluem-se entre os produtos referidos neste art. os saneantes 2 e os de uso em diagnóstico. Assim. trata-se de lei penal em branco (a respeito. IBCCr70/5 — edição especial. I II. bem como da sua destinação para fins terapêuticos ou medicinais. punidos com severíssimas penas.■ Objeto jurídico. os cosméticos. No mesmo sentido. 29). 267". em desacordo com a fórmula constante do registro. 285 do CP que "aplica-se o disposto no art. IV. vende. apenas. que consiste na vontade livre e consciente de importar. 0 art. II. distribuir ou entregar. 258 aos crimes previstos neste Capítulo. o princípio da proporcionalidade (vide nota Princípios da sanção penal no art. a corrupção. Quanto às 1959. ■ Pena: Detenção. v. II. ■ Tipo subjetivo: O dolo. 2 condutas equiparadas do § 1 2 . importar. Outros produtos (§ 12--A) ■ Equiparação: Por força deste § 1 2 -A. com redução do valor terapêutico ou de sua atividade. sujeito ativo e sujeito passivo: Vide nota ao caput do artigo. 1995. pois esta. que é o especial fim de agir. VI. corrompido. a consumo (vide significados no §1 2A do art. I I I. Não é necessário que o agente seja comerciante. O objeto jurídico é o indicado no caput. 116. 258. sob o mesmo título. 1965. do CP). p. 273. ■ Noção: Sujeita-se às penas deste artigo o agente que pratica as ações mencionadas no §1 2 . sem a caracterização da identidade e qualidade admitidas para sua comercialização. de qualquer forma. c. que era de dois a seis2 meses de detenção. por sua vez. foi aumentada para um a três anos de detenção pelo novo § 2 do mesmo artigo. adulteração ou alteração do produto. 273 os medicamentos (substâncias ou preparados que se utilizam como remédios). se do fato resultar lesão corporal. se resulta morte. este § 1 -A inclui entre os produtos objeto deste artigo. paradas (§ 1 2) ■ Tipo objetivo: São estes os núcleos previstos: a. vender. a forma culposa abrange. ter em depósito. sem registro na vigilância sanitária. ■ Ação penal: Pública incondicionada. 3 2 ). por não observãncia do cuidado objetivo necessário (vide comentário ao art. nos comentários ao caput deste artigo. obviamente. as matérias-primas. 272). in Bol. p. Fica dela excluída a falsificação. "Há produto novo na praça". de um a três anos. tem em depósito para vender. incluem-se na previsão culposa do § 2 as de quem importa. não pode ser culposa (em igual sentido: H. 852. os cosméticos (destinados ao embelezamento) e os saneantes (destinados à higienização e à desinfecção ambiental). 18. IV. 273 Condutas equi. MAGALHÃES NORONHA. e. ■ Pena e ação penal: Iguais às do caput. salvo nas hipóteses de expor e de ter em 2 depósito. salvo quanto ao definido no art. Comentários ao Código Penal. b. Nas formas de expor e ter em depósito. v. ciente da falsificação. e multa. Direito Penal. distribui ou entrega a consumo o produto falsificado. d. Com exceção dos incisos IV e V. IX. ALBERTO SILVA FRANCO. 32). expõe à venda. adulterado ou alterado. V. Na escola tradicional é o "dolo genérico". vide nota. ■ Noção: Das condutas previstas no caput. de qualquer forma. ferindo. p. estabelece em sua segunda parte que "no caso de culpa. ou. de procedência ignorada. expor. aplica-se a pena cominada ao homicídio cuposo. quando for exigível. HUNGRIA. há o elemento subjetivo do tipo ("à venda" e "para vender"). os insumos farmacêuticos. a pena aumenta-se de metade. De forma absurda. A pena para a figura culposa prevista no antigo § 2 2 do art. Quanto à exigência de perigo concreto. em que se exige o "dolo específico". ■ Incongruência: Dispõe o art. em relação a produtos em quaisquer das seguintes condições: I. ter em depósito para vender. vide nota ao art. aumentada de um terço".

Arts. 273 e 274

Código Penal

554

seis meses. Já se o resultado for morte, aplicando-se a pena cominada ao homicídio culposo (art. 121, § 3 2, c/c art. 258), que é de um a três anos, a pena mínima será de um ano e quatro meses. Em virtude desta falha do legislador, quanto à figura culposa, pune-se mais severamente o crime deste art. 273 quando resultar lesão corporal (inclusive leve) do que quando resultar morte, atentando-se contra o princípio da proporcionalidade (vide nota Princípios da sanção penal no art. 32). Jurisprudência anterior à Lei n 2 9.677/98 (art. 273) ■ Alteração ou supressão em medicamento: Em tese, configura o crime a produção de complexo vitamínico com componentes em menor quantidade do que a indicada na sua fórmula (TACrSP, RT625/315). Não basta para a tipificação do delito do art. 273 do CP que haja redução do valor terapêutico; é preciso que tenha havido alteração de substância ou supressão de elementos da composição normal do medicamento (TJSP, RT 302/90). Configura o crime a substituição de óleo de amêndoa pelo de soja, apenas com o aroma daquele, resultando na inexistência ou redução do valor terapêutico (TJSP, RJTJSP 115/231).

EMPREGO DE PROCESSO PROIBIDO OU DE SUBSTANCIA NÃO PERMITIDA Art. 274. Empregar, no fabrico de produto destinado a consumo, revestimento, gaseificação artificial, matéria corante, substância aromática, anti-séptica, conservadora ou qualquer outra não expressamente permitida pela legislação sanitária: Pena — reclusão, de um a cinco anos, e multa. ■ Alteração: Pena alterada pela Lei n° 9.677, de 2.7.98. Emprego de processo proibido ou de substância não permitida ■ Suspensão condicional do processo: Cabe, a não ser que resulte lesão corporal ou morte — CP, art. 285 c/c art. 258, segunda parte (art. 89 da Lei n° 9.099/95). ■ Objeto jurídico: A incolumidade pública, especialmente no tocante à saúde pública. ■ Sujeito ativo: Qualquer pessoa. ■ Sujeito passivo: A coletividade. ■ Tipo objetivo: O art. 274 do CP é norma penal "em branco", posto que se completa com disposições estabelecidas pela legislação sanitária (vide, notadamente, a Lei n° 6.437/77). 0 núcleo é empregar, que possui a significação de fazer uso, usar, lançar mão. O objeto material é produto destinado ao consumo, ou seja, qualquer produto destinado ao consumo público (de indefinido número de pessoas). O que se veda é o emprego, na fabricação, de processo proibido ou de substância não expressamente permitida pela legislação sanitária (revestimento, gaseificação artificial, matéria corante, substância aromática, anti-séptica, conservadora ou qualquer outra não permitida de forma expressa). ■ Tipo subjetivo: O dolo, que consiste na vontade livre e consciente de empregar. Para os tradicionais é o "dolo genérico". Não há punição a título de culpa. ■ Consumação: Com o efetivo emprego do processo ou substância, independentemente de outro resultado (delito de perigo abstrato). ■ Tentativa: Admite-se. ■ Pena: Reclusão, de um a cinco anos, e multa. ■ Ação penal: Pública incondicionada. ■ Remissão: Vide arts. 285 e 258 do CP, se do emprego resulta morte ou lesão corporal de natureza grave. ■ Remissão: Vide art. 276 do CP, quando há entrega a consumo de produto nas condições deste art. 274.

Morte ou lesão

corpora/

Entrega a consumo

555

Código Penal

Arts. 274 e 275

Jurisprudência anterior à Lei n2 9.677/98

■ Bromato: A adição de bromato no fabrico de pão tipifica, em tese, o delito do art. 274, e é incontestável a nocividade de seu uso, especialmente quando excede determinada proporção (TJSP, RT 586/283; TACrSP, Julgados 80/509). 0 emprego de bromato de potássio na fabricação de pão configura o crime do art. 274 e não do art. 272 do CP (TJSP, RT 600/308, RJTJSP 87/367; TACrSP, Julgados 80/419). 0 bromato de potássio é substância de adição não permitida, em qualquer quantidade, às farinhas e produtos de panificação (TACrSP, RT605/332). Para a condenação, é necessária a prova de ter sido o bromato adicionado ao pão pelo agente, excluindo-se a possibilidade de já ter vindo ele na matéria-prima empregada (TJSP, RT 600/308). ■ Corante não permitido: Configura o delito a adição de corante orgânico amarelo ao fabrico de pão, para dar a falsa aparência de haver sido preparado com ovos (TACrSP, RT 398/318). ■ Atos preparatórios: Ainda que manifesta a intenção do acusado de empregar, no fabrico de produto destinado ao consumo, substância não permitida, deixa o fato de ser punido se não passou dos atos preparatórios (TACrSP, RT 390/332).

INVÓLUCRO OU RECIPIENTE COM FALSA INDICAÇÃO Art. 275. Inculcar, em invólucro ou recipiente de produtos alimentícios, terapêuticos ou medicinais, a existência de substância que não se encontra em seu conteúdo ou que nele existe em quantidade menor que a mencionada: Pena — reclusão, de um a cinco anos, e multa. ■ Alteração: Artigo com redação dada pela Lei n 2 9.677, de 2.7.98. ■ Suspensão condicional do processo: Cabe, a não ser que resulte lesão corporal ou morte — CP, art. 285 c/c art. 258, segunda parte (art. 89 da Lei n° 9.099/95). Invólucro ou recipiente com falsa indicação ■ Objeto jurídico: A incolumidade pública, especialmente a saúde pública. ■ Sujeito ativo: Qualquer pessoa, embora, geralmente, seja o fabricante. ■ Sujeito passivo: A coletividade. ■ Tipo objetivo: O objeto material é produto (resultado de produção) alimentício, terapêutico ou medicinal (destinado à alimentação, líquida ou sólida, ou à prevenção, melhora ou cura de doenças de indefinido número de pessoas). O núcleo inculcar tem a significação de apregoar, apontar, citar, dar a entender. A inculca é feita em invólucro (tudo o que serve para envolver o produto: envoltório, capa, revestimento, cobertura, embrulho etc.) ou recipiente (vidro, lata, plástico, isopor, ou semelhante, em que se pode colocar o produto). Não se enquadram as indicações feitas em prospectos, folhetos ou anúncios. 0 que se veda é a apregoação de: a. existência de substância que não se encontra em seu conteúdo; b. ou que nele existe em quantidade menor do que a mencionada. ■ Tipo subjetivo: O dolo, isto é, a vontade livre e consciente de fazer falsa indicação. Na doutrina tradicional pede-se o "dolo genérico". Não há forma culposa. ■ Consumação: Com a efetivação da falsa indicação, sem dependência de outro resultado (delito de perigo abstrato). ■ Tentativa: Admite-se. ■ Confronto: Vide, também, art. 2 2 , Ill, da Lei n° 1.521/51 (Economia Popular), art. 66 da Lei n2 8.078/90 (Código de Defesa do Consumidor) e art. 7 2, II, da Lei n° 8.137/90 (Lei dos Crimes contra a Ordem Tributária, Econômica e contra as Relações de Consumo), se não houver risco para a saúde pública. ■ Pena: Reclusão, de um a cinco anos, e multa. ■ Ação penal: Pública incondicionada.

Arts. 275 e 276

Código Penal

556

Morte ou/esão corpora/ Entrega a consumo Jurisprudência anteriorà Lei n 2 9.677/98

■ Remissão: Vide arts. 285 e 258 do CP, quando da falsa indicação resulta morte ou lesão corporal de natureza grave. ■ Remissão: Vide art. 276 do CP, se há entrega a consumo do produto com falsa indicação. ■ Perigo à saúde: Para a tipificação do art. 275 é necessário que da falsa indicação resulte perigo à saúde (TACrSP, RT 584/361). ■ Uísque: A colocação de uísque nacional em recipientes de uísque estrangeiro configura o delito do art. 275 do CP (TJSP, RT 453/352; TACrSP, Julgados 78/250). Contra: Vide, na nota ao art. 273 do CP, Jurisprudência anterior à Lei n° 9.677/98, enquadrando a conduta em outros delitos.

PRODUTO OU SUBSTÂNCIA NAS CONDIÇÕES DOS DOIS ARTIGOS ANTERIORES Art. 276. Vender, expor à venda, ter em depósito para vender ou, de qualquer forma, entregar a consumo produto nas condições dos arts. 274 e 275: Pena — reclusão, de um a cinco anos, e multa. ■ Suspensão condicional do processo: Cabe, a não ser que resulte lesão corporal ou morte — CP, art. 285 c/c art. 258, segunda parte (art. 89 da Lei n° 9.099/95). ■ Alteração: Pena alterada pela Lei n° 9.677, de 2.7.98. Entrega a consumo de produto nas condiIões dos arts. 274 e 275 ■ Objeto jurídico: A incolumidade pública, especialmente a saúde pública. ■ Sujeito ativo: Qualquer pessoa (ainda que não comerciante). ■ Sujeito passivo: A coletividade. ■ Tipo objetivo: O objeto material é: a. produto destinado a consumo, fabricado com emprego de processo proibido ou substância não permitida (vide nota ao art. 274 do CP); b. produto alimentício, terapêutico ou medicinal, com falsa indicação em invólucro ou recipiente (vide nota ao art. 275 do CP). As condutas alternativamente previstas são: a. vender (alienar a título oneroso); b. expor à venda ( manter em exposição para indeterminado número de pessoas, com oferecimento, ainda que tácito, de venda); c. ter em depósito para vender (ter à disposição ou sob guarda, com o fim especial de vender); d. ou, de qualquer forma, entregar a consumo (dação, permuta, cessão etc., gratuita ou onerosa). ■ Tipo subjetivo: O dolo, que consiste na vontade livre e consciente de praticar as ações indicadas, ciente de que o produto se encontra nas condições previstas pelos arts. 274 e 275 do CP. Nas hipóteses de expor e de ter em depósito, há o elemento subjetivo do tipo indicado pelo especial fim de agir ("à venda" e "para vender"). Na escola tradicional, pede-se o "dolo genérico", salvo para as figuras de expor e de ter em depósito, nas quais se exige o "dolo específico". Não há forma culposa. ■ Consumação: Com a efetiva prática das ações, sendo delito permanente nas figuras de exposição e depósito. ■ Tentativa: Teoricamente é possível. ■ Pena: Reclusão, de um a cinco anos, e multa. ■ Ação penal: Pública incondicionada. ■ Remissão: Vide arts. 285 e 258 do CP, se resulta lesão corporal de natureza grave ou morte. ■ Uísque: A venda de uísque nacional em recipientes de uísque estrangeiro não configura o crime do art. 171, § 2°, IV, do CP, mas sim o deste art. 276 (TJSP, RT

Morte ou /esão corpora/ Jurisprudência anterior .1 Lei n°9.677/98

Na doutrina tradicional é o "dolo genérico". segunda parte (art. Jurisprudência anterior à Lei n° 9. ■ Pena: Reclusão. ■ Suspensão condicional do processo: Cabe. 152.557 Código Penal Arts.). b. São os seguintes os núcleos alternativamente indicados: a. somos de opinião que se deve interpretá-la como se referindo a substâncias com destinação inequívoca. 285 c/c art. JÚLIO F. Ill. exclusivamente. IV. Deve. terem depósito (ter à disposição ou sob guarda). ■ Alteração: Artigo com redação dada pela Lei n° 9. 276 e 277 453/352). ou seja. v. ainda. expor à venda. ainda que tácito. Produto alimentício é o que serve à alimentação. Trata-se. 272 do CP. ■ Sujeito passivo: A coletividade. Morte ou lesão corporal . há o elemento subjetivo do tipo indicado pelo especial fim de agir ("à venda"). v. 277. há divergência quanto ao sentido da expressão destinada: a. 258. com oferecimento. p. 285 e 258 do CP. Parece-nos que seria alargar demasiadamente o tipo. p. ■ Ação penal: Pública incondicionada. FRAGOSO. 1995. utensílios etc. nele incluírem-se substâncias comuns no comércio. Substância destinada à falsificagão de produto al/mentício. especialmente a saúde pública. Código Penal Brasileiro Comentado. ■ Sujeito ativo: Qualquer pessoa. para nós.7. ■ Consumação: Com a efetiva prática das ações. petrechos. Contra: Há jurisprudência divergente. embora haja quem também indique o "dolo específico" (MAGALHÃES NORONHA. d. Direito Penal. Vender. e multa. melhora ou cura de doenças de indeterminado número de pessoas. Produto terapêutico ou medicinal é o reservado à prevenção. mas de difícil ocorrência na prática. terapêutico ou medicina/ ■ Objeto jurídico: A incolumidade pública. ser substância destinada à falsificação. ■ Tipo subjetivo: O dolo. 277. mas que podem. terapêutico ou medicinal. MIRABETE. servir à finalidade vedada. porém. v. alcança só as substâncias destinadas. Direito Penal. 41-2). ■ Tipo objetivo: O objeto materiai do delito é substância destinada à falsificação de produto alimentício. Na hipótese de expor. v. expor à venda ( manter em exposição para indeterminado número de pessoas. vender (alienar a título oneroso). 1950. de 2. 1965. MAGALHÃES NORONHA. ■ Remissão: Vide arts. Lições de Direito Penal — Parte Especial. Código Penal Brasileiro. SUBSTÂNCIA DESTINADA À FALSIFICAÇÃO Art. destinada a dar aparência de genuíno a produto que não o é. v. ou ceder (emprestar. não abrangendo maquinaria. classificando o fato em outros delitos (vide. terapêuticos ou medicinais: Pena — reclusão. b. H. ocorre apenas na figura de expor. de substância ( matéria caracterizada por propriedades específicas). ■ Tentativa: Teoricamente é possível. 352. Não há modalidade culposa. na nota ao art. 41). 1996. Ill. de indefinido número de pessoas. o que.98. a não ser que resulte lesão corporal ou morte — CP. aquelas eventualmente destinadas à falsificação (DAMAsIO DE JESUS. líquida ou sólida. Manual de Direito Penal. p. Na doutrina. pp. 1995. de um a cinco anos. 865.677. 127).099/95). p. também. e multa. v. art. 89 da Lei n° 9. à falsificação (BENTO DE FARIA. a vontade livre e consciente de praticar as ações previstas. de um a cinco anos. sendo delito permanente nas formas de expor e de depósito.677/98). 1959. p. abrange. de venda). portanto. c. 1985. p. Direito Penal. IV. Como a lei registra a expressão destinada (e não "que sirva"). ter em depósito ou ceder substância destinada à falsificação de produtos alimentícios. isto é. v. dar etc. se resulta lesão corporal grave ou morte. IX. Ill. FLAMINIO FAVERO. VI. só eventualmente.

285 c/c o art. Se o crime é culposo: Pena — detenção. desde que não resulte morte — CP. ■ Tipo subjetivo: 0 dolo. Julgados 91/287. troca.259.01. desde que não resulte lesão corporal grave ou morte. caput. perfumes. com a finalidade de vender). manufaturar. TJSP. Nas figuras de expor e de ter em depósito está presente o elemento subjetivo do tipo. E infração permanente nas modalidades de expor e de ter em depósito.099/95). MODALIDADE CULPOSA Parágrafo único. 278. é de perigo abstrato. 277 e 278 Código Penal 558 Jurisprudência anteriorà Lei n°9. preparar). danosa à saúde pública). 258 (art. ainda que não destinada à alimentação ou a fim medicinal (ex.259/01. c. nas embalagens. 52 . b.: sabonetes. e. Não basta.). expor à venda. de venda). ■ Transação: De acordo como art.099/95).Arts. 278. de 12. d. de qualquer forma. e multa. vender (alienar a título oneroso). ■ Tentativa: Teoricamente é admissível. ■ Tipo objetivo: São cinco os núcleos alternativamente indicados: a. fabricar (produzir. O objeto material é coisa (de qualquer natureza) ou substância ( matéria caracterizada por propriedades específicas) nocivas à saúde (prejudicial. 285 c/c o art. 2 2 .078/90 (Código de Defesa do Consumidor). Outras substãncias nocivas à saúde púb/ica ■ Objeto jurídico: A incolumidade pública. empréstimo etc. que a coisa ou substância seja imprópria para o consumo público. vide art. recipientes ou publicidade. a partir da vigência da Lei n 2 10. especialmente a saúde pública. cabe a transação no parágrafo único do art. ainda que não destinada à alimentação ou a fim medicinal: Pena — detenção. salvo para as modalidades de expor. A figura culposa é prevista no parágrafo único. expor à venda ( manter em exposição. ■ Sujeito ativo: Qualquer pessoa (ainda que não seja industrial ou comerciante). ■ Consumação: Coma efetiva prática de qualquer das ações. sendo necessária a positiva nocividade. independentemente de outros resultados. sob o título Juizados Especiais Criminais (Federais)]. art. de qualquer forma. com conhecimento da nocividade à saúde pública. presumido pela lei (TACrSP.7. e de ter em depósito. entregar a consumo (dação. nas quais se requer o "dolo específico". ter em depósito para vender ou. ter em depósito para vender (ter sob guarda ou à disposição. ■ Confronto: Se há omissão de dizeres ou sinais ostensivos sobre a nocividade ou periculosidade de produtos.677/98 ■ Tipo objetivo: Configura o crime ter em depósito no açougue "sulfito de sódio". pois disfarça a aparência da carne vendida. ■ Sujeito passivo: A coletividade. portanto. OUTRAS SUBSTÂNCIAS NOCIVAS À SAÚDE PÚBLICA Art. vender. consistente na vontade livre e consciente de praticar as ações. da CR/88) e da analogia in bonam partem. a não ser que resulte morte — CP. Se deixar . da Lei n 2 10. que é o especial fim de agir ("à venda" e "para vender"). com oferecimento. tintas etc. 76 da Lei n 2 9. RT632/283). ainda que o crime seja da competência da Justiça Comum Estadual [vide nota no art. entendemos que. 100 do CP. ou. parágrafo único. cabe transação nos crimes de competência da Justiça Federal. 63 da Lei n 2 8. cuidando-se de pena máxima cominada não superior a dois anos. ainda que tácito. 258 (art. cabe no parágrafo único.02.). Assim. art. de dois meses a um ano. 89 da Lei n 2 9. entregar a consumo coisa ou substância nociva à saúde.1. nos invólucros. Na escola tradicional pede-se o "dolo genérico". em vigor a partir de 12. de um a três anos. Em face do princípio da isonomia (art. Fabricar. ■ Suspensão condicional do processo: Cabe no caput. a transação será cabível.

para jardinagem. art.90 (nesse sentido: TACrSP. ou de entrega de matéria-prima ou mercadoria em condições impróprias ao consumo. Econômica e contra as Relações de Consumo).97. 285 e 258 do CP.12. ■ Ultratividade do antigo art. ■ Pena: Detenção. até 27.2. 23 da Lei n 2 8. II).137/90 de dois a cinco anos de detenção ou multa. 18. Ap. por ser mais benéfico. e a do novo art. 279 do CP: Sendo a pena do revogado art. 72 .980. 280. de um a três anos. ■ Remissão: Vide arts. depósito para venda ou exposição para o mesmo fim. ou multa. 278 a 280 de comunicar à autoridade competente e aos consumidores a nocividade ou periculosidade de produtos cujo conhecimento seja posterior à sua colocação no mercado. 278 do CP é de perigo presumido ou abstrato.. 14. ■ Revogado: O art. de dois meses a um ano. AASPn° 1. 64 da mesma lei. de um a três anos. DJU 4. da mesma lei. 7 2 . O crime do art. RJDTACr 25/262. Fornecer substância medicinal em desacordo com receita médica: Pena — detenção. 18. perigoso e impróprio para sua finalidade (TACrSP. que independe da ocorrência de dano ou do efetivo uso da substância (TACrSP. 279 do CP foi revogado pelo art. e multa. a donas-de-casa. se resulta lesão corporal ou morte de alguém. 279. deve ser aplicado ultrativamente aos fatos ocorridos durante a sua vigência. a propósito.96. Ap. MEDICAMENTO EM DESACORDO COM RECEITA MÉDICA Art. j.6. Vide. sem Morte ou/esão corpora/ Jurisprudência indicação de conteúdo. da Lei n 2 8. ou seja. TRF da 3 R. IX. ■ Produto de limpeza: Configura a fabricação e venda. IX. que se aperfeiçoa tão-só com a possibilidade de dano à saúde (TACrSP. da Lei n 2 8. ■ Pena: Detenção. o envio pelo correio de agrotáxico altamente nocivo. Julgados 69/420). MODALIDADE CULPOSA Parágrafo único. 988. 7 2 . não liberadas.137/90 (Lei dos Crimes contra a Ordem Tributária. SUBSTÂNCIA AVARIADA Art. ■ Agrotóxico: Configura. Econômica e Relações de Consumo). Figura cu/posa (parágrafo único) ■ Noção: Se a ação é resultante da inobservância do cuidado necessário (vide nota ao CP. ■ Ação penal: Pública incondicionada. Julgados 95/147). 4703). p. art. que o substituiu. Se o crime é culposo: Pena — detenção. vide art. Se se tratar de venda. tratando-se de crime de perigo abstrato. ■ Ação penal: Pública incondicionada. o art.137/90 (Ordem Tributária. de dois meses a um ano.559 Código Penal Arts. 279 de um a três anos de detenção ou multa. 279 do CP.101-3. .977). de produto para limpeza doméstica. ■ Veneno de rato: Caracteriza a venda de veneno contra rato de fabricação clandestina e para o qual não existe antídoto eficaz. o art. IX. in Bol.

v. parágrafo único. caput. 273 do CP. prático autorizado ou herbanário (HUNGRIA. p. 124. a transação será cabível. da CR/88) e da analogia in bonam partem. cabe no parágrafo único. 18. que é prevista no caput ( Comentários ao Código Penal. em vigor a partir de 12. 126). art. 280. RT592/342). 89 da Lei n 2 9. ou multa.259/01. 285 e 258 do CP. ■ Suspensão condicional do processo: Cabe no caput. ■ Remissão: Vide arts. 50). p. 52 . Medicamento em desacordo com receita médica ■ Objeto jurídico: A incolumidade pública. enquanto. de dois meses a um ano. 1959. de um a três anos. especialmente a saúde pública. entendemos que. Figura cu/posa (parágrafo único) Morte ou lesão corpora/ Jurisprudência . para outros. 2 2 . dar.Art. ■ Confronto: Se há falsificação. ■ Pena: E alternativa: detenção. A tipificação não alcança receitas de dentistas ou parteiras. IV. a pessoa que recebe ou a quem é destinado o medicamento. 871). 76 da Lei n 2 9. 1995. independentemente de outro resultado (delito de perigo presumido). houve lapso no CP. Assim. a substituição para melhor não caracteriza o delito ( MAGALHÃES NORONHA. sob o título Juizados Especiais Criminais (Federais)]. tendo-se omitido a pena alternativa de multa. mas há autores que consideram que só pode ser agente o farmacêutico. nem conhece o doente e suas particularidades (TACrSP. 1965. ■ Tipo subjetivo: O dolo. cuidando-se de pena máxima cominada não superior a dois anos. ■ Pena: Detenção. melhora ou prevenção de doenças de indeterminado número de pessoas. p. 1995.02. pois não tem qualificação técnica.099/95). ■ Ação penal: Pública incondicionada. art. Lições de Direito Penal — Parte Especial. ■ Tentativa: Admite-se. a partir da vigência da Lei n 2 10. v. Em desacordo com receita médica — preceitua a lei — de modo que se pune o fornecimento em divergência quanto à qualidade. pois o que se pune é a arbitrariedade do fornecimento (H. ■ Tipo objetivo: O verbo fornecer tem o sentido de entregar. IV. o que se pune é o fato de o farmacêutico ou prático fornecer arbitrariamente outro remédio. Substância medicinal é a destinada à cura. se do fornecimento resulta lesão corporal ou morte. adulteração ou alteração de produto destinado a fins terapêuticos ou medicinais. A figura culposa é prevista no parágrafo único. ■ Noção: Se o fornecimento decorre da não-observância do cuidado devido (vide comentário ao CP. Para alguns autores.099/95). cabe transação nos crimes de competência da Justiça Federal.1. p. ■ Ação penal: Pública incondicionada. Na doutrina tradicional é o "dolo genérico". art. ■ Sujeito ativo: Qualquer pessoa. v. MAGALHÃES NORONHA. II). por escrito. 258 (art. 51). suprir. IX. que consiste na vontade livre e consciente de fornecer medicamento em desacordo com a receita. art. de 12. secundariamente. 258 (art. Direito Penal. v. é indiferente que o fornecimento seja feito gratuita ou onerosamente. 280 Código Penal 560 ■ Transação: De acordo com o art. geralmente em papel timbrado. na afirmação de HUNGRIA. v. 285 c/c o art. 100 do CP. proporcionar. cabe a transação no parágrafo único do art. embora a correção de receita errada não caracterize o crime. da Lei n° 10. espécie ou quantidade. p. Receita médica é a prescrição que o médico faz. corrupção. desde que não resulte lesão corporal grave ou morte. ainda que o crime seja da competência da Justiça Comum Estadual [vide nota no art. Em face do princípio da isonomia (art. ■ Sujeito passivo: A coletividade.259. ■ Consumação: Com a entrega da substância em desacordo. IX.7. é irrelevante. ■ Fornecimento de remédio diverso: A configuração do delito independe de que os remédios trocados tenham iguais efeitos. III. a não ser que resulte morte CP. ministrar. Direito Penal. salvo se resultar morte — CP.01. 285 c/c o art. 1959. Comentários ao Código Penal. FRAGOSO.

099/95). Na primeira. exercitar. que disciplina a repressão ao tráfico ilícito e uso indevido de substâncias tóxicas ou que determinem dependência física ou psíquica. especialmente a saúde pública. Tóxicos.368/76 e n° 10. 5 2 . é necessário que o agente aja com habitualidade. sob o título Juizados Especiais Criminais (Federais)]. Assim. 1982. só o médico. Na primeira. EXERCÍCIO ILEGAL DA MEDICINA. de seis meses a dois anos. na segunda. ainda.1. 282.259/01. Em vista do verbo empregado. cuidando-se de pena máxima cominada não superior a dois anos. E indiferente que o exercício seja a título gracioso. Exercer. 258 (art. IX. com fi m de lucro. sendo "necessário o registro do título. 2 9 . na legislação especial.. mesmo que resulte lesão corporal grave ou morte CP. ou seja. ■ Suspensão condicional do processo: Cabe. ainda que a título gratuito. aqui. sem autorização legal ou excedendo-lhe os limites: Pena — detenção. caracterize a figura qualificada do parágrafo único (vide nota). ■ Objeto jurídico: A incolumidade pública. parágrafo único. ARTE DENTÁRIA OU FARMACÊUTICA Art. exercida por alguém. ainda que o crime seja da competência da Justiça Comum Estadual [vide nota no art. As profissões expressamente visadas são as de médico. de autorização a estudantes e práticos para o desempenho de determinados atos profissionais. dentista ou farmacêutico. transposição de limites: o agente sai fora da órbita da sua profissão. aplica-se também multa. observe-se que a simples exploração de farmácia. ■ Sujeito passivo: A coletividade e. cabe transação nos crimes de competência da Justiça Federal. Exercício //ega/damedicina. A respeito da matéria. dentista ou farmacêutico. "a habilitação ou competência legal" (Comentários ao Código Penal. entendemos que.01. diploma ou licença". na 2 parte.02. de 12.099/95). ■ Sujeito ativo: Qualquer pessoa. 281. geralmente como modo e meio de vida. repetição. 285 c/c o art.7. 282: a. Quanto ã profissão de farmacêutico. ■ Tipo objetivo: O art. 281 do CP foi revogado pela Lei n° 6. dentista ou farmacêutico. desempenhar. b. a partir da vigência da Lei n 2 10.561 Código Penal Arts. notando-se a existência. 258 (art. art. Modalidades do art. o exercício é sem autorização legal (elemento normativo). da CR/88) e da analogia in bonam partem. Vide Leis n°6. a prática de ato ou atos isolados não configura o exercício de profissão. 76 da Lei n° 9. Profissão é forma de atividade habitual. Há. 285 c/c o art. 282 contém duas modalidades distintas. art. a pessoa que é tratada ou servida. Como assinala HUNGRIA. Assim. pp. a conduta de "exercer profissão" somente se tipifica quando há reiteração. em vigor a partir de 12. o exercício da profissão é feito excedendo-lhe os limites. arte dentária ou farmacëutica ■ Transação: De acordo com o art. Parágrafo único. Tais limites . não basta a "habilitação profissional". 1959. Se o crime é praticado como fim de lucro. 281 e 282 COMÉRCIO CLANDESTINO OU FACILITAÇÃO DE USO DE ENTORPECENTES Art. caput.368/76. excedendo os limites da profissão. Na outra modalidade.409/02.259. 145-6). Exercer tem a significação de praticar. v. embora a prática. 100 do CP. CELSO DELMANTO. na 1 á parte do delito. 282. a transação será cabível. secundariamente. 89 da Lei n°9. cabe a transação no art. salvo se resultar lesão corporal grave ou morte CP. com venda de remédios industrializados aos consumidores. Em face do princípio da isonomia (art. cf. não é privativa dos farmacêuticos. da Lei n 2 10. a profissão é exercida sem autorização legal. a profissão de médico. ■ Revogado: O art.

■ Ação penal: E pública incondicionada. ■ Consumação: Com o efetivo exercício. mormente se no município em que trabalhava funciona uma faculdade de odontologia que atende gratuitamente. ■ Conselhos Regionais: Médico. 282. o médico que. parágrafo único. formado em Portugal. RT 706/323). ou seja. Figura qua/ificada (parágrafo único) ■ Noção: Se o crime é praticado com o fim de lucro. não podendo por isso ser considerado local distante e desprovido de profissionais habilitados (TJRJ. 282 (Decreto-Lei n° 211/67). não pratica atos privativos de farmacêutico. mas sem aviar receitas ou ministrar medicamentos. por serem estas incompatíveis com o acordo cultural entre os dois países (Decreto n° 62. art. Morte ou lesão corpora/ Jurisprudência . não afasta a incidência do art. pratique o exercício ilegal da medicina com o objetivo de lucro (TJRJ. ■ Tentativa: Não se admite. sem a devida supervisão e acompanhamento.997/99. que utiliza métodos grosseiros. 282 se exerce a profissão sem estar inscrito no respectivo Conselho (TACrSP. Na doutrina tradicional é o "dolo genérico". constituindo somente ilícito administrativo (TAMG. dentista ou farmacêutico. sendo necessário o registro desse diploma (TACrSP. 47 da LCP. a vontade de exercer a profissão. Também não pratica o agente. Para a habitualidade não importa a pequena quantidade das consultas. como co-autor. ■ Pena: Além da pena privativa de liberdade (caput). in Bol. ■ Dentista prático: A capacidade profissional do agente. RT 536/340). RT 774/638). j. ■ Habitualidade: Exige-se a prática reiterada de atos (TACrSP. aplica-se também a pena pecuniária. Tratando-se de agente ignorante e rude. O exercício de atividade hemoterápica foi equiparado às profissões previstas neste art. art. ■ Tipo subjetivo: O dolo. que exerce a medicina no Brasil sem o registro do Conselho Regional de Medicina. não incide no art. ■ Remissão: Vide arts. não bastando à tipificação a prática de atos isolados (TACrSP. Julgados 96/164). conscientemente permite que acadêmico. dentista ou farmacêutico. 3. Não há forma culposa. vendendo medicamentos fabricados pela indústria farmacêutica. que exige habitualidade (o delito é de perigo abstrato). 282 Código Penal 562 encontram-se fixados na legislação especial própria de cada profissão e completam a norma penal "em branco" desta modalidade. 282.00. ■ Confronto: Se o exercício é de profissão diversa da de médico. em virtude de exigências feitas pela Universidade de São Paulo quando da inscrição do diploma. RT784/689). com consciência da falta de autorização legal (1 á parte) ou de que excede os limites profissionais (2 á parte). na qualidade de diretor de clínica. 282 o técnico em prótese dentária que exerce. ou seja. ■ Pena: Detenção. de seis meses a dois anos. 25. pelo exercício da arte durante trinta anos. TJGO. 285 e 258 do CP. ■ Registro do diploma: Não basta a existência de diploma para que o seu possuidor possa exercer a profissão de dentista.4. Julgados 78/287. sem autorização legal e com habitualidade. RT509/400.646/68) (TACrSP. tratando-se de acusado que portava receituário falso (TACrSP. não pratica o delito do art. 430/384). 282 do CP (TACrSP. RT 430/387). a profissão de dentista (TACrSP. ■ Protético: Pratica o crime do art.Art. RJTAMG 51/275). ■ Co-autoria: Pratica o crime do art. ■ Farmácia: Quem explora farmácia. 284 do CP. Ap. RT 524/404). visando o agente á obtenção de lucros com o exercício ilegal. IBCCr 100/524. se resulta lesão corporal grave ou morte de alguém. com diploma registrado no Departamento Nacional de Saúde Pública. mv — RJDTACr 27/88). E necessária a habitualidade.

■ Tipo subjetivo: O dolo. v. 1995. penalmente irrelevante (TJSC. . "é necessário que haja insinceridade e falsidade por parte do agente" (H. caput. 915). ■ Objeto jurídico: A incolumidade pública. Em face do princípio da isonomia (art. 2 2.099/95). TAMG. Reconhece-se em favor de quem exercita ilegalmente a odontologia. Jurisprudência. recomendar. enquanto no exercício ilegal da medicina o agente demonstra aptidões e conhecimentos médicos. Na escola tradicional pede-se o "dolo genérico".306). FRAGOSO. 89 da Lei n° 9. ignorado) ou infalível (de eficiência garantida. p. que se dedica à cura de moléstias por meios grosseiros. ■ Sujeito ativo: Qualquer pessoa. a transação será cabível. 284 porque. entendemos que. TAPR. 76 da Lei n° 9. art.099/95). 258 (art. RF256/346). RT 416/259). art. JC 69/449). sob o título Juizados Especiais Criminais (Federais)]. certa). incluindo o médico. v. v. A ausência de farmacêutico responsável constitui mero ilícito administrativo. 283. ainda que o crime seja da competência da Justiça Comum Estadual [vide nota no art.259/01. E indispensável que a inculca ou divulgação de cura se faça com fundamento em meio secreto (oculto. RT 547/366. ainda que resulte lesão corporal grave ou morte — CP. O simples anúncio de cura. 282 e 283 Julgados 78/369. apregoar. que consiste na vontade de inculcar ou anunciar. Direito Penal. que "saiba não ter eficácia o que proclama e anuncia" ( MAGALHÃES NORONHA. 283. não seria necessária a habitualidade. Para a maioria dos autores. v. RJDTACr 10/56. no curandeirismo. parágrafo único. ■ Sujeito passivo: A coletividade. o agente é pessoa ignorante e rude. ■ Suspensão condicional do processo: Cabe. ■ Estado de necessidade: Em localidade sem médicos nem recursos. Julgados 87/394.259. n° 2. com consciência da ineficácia do meio de cura. em zona rural distante e desprovida de dentistas habilitados (TJSC. participar. (TACrSP. ■ Consumação: Com a efetiva inculca ou anúncio. de 12. da CR/88) e da analogia in bonam partem. 285 c/c o art. Lições de Direito Penal — Parte Especial. mesmo que resulte lesão corporal grave ou morte — CP. RT 623/348). a partir da vigência da Lei n° 10. mantém clínica médico-psicanalítica para cuidar da saúde mental daqueles que o procuram (FRANCESCHINI. divulgar). 1975.01. O que o agente inculca ou anuncia é cura por meio secreto ou infalível. Assim. 537/373. embora não esteja autorizado a exercer a medicina (TACrSP. Inculcar ou anunciar cura por meio secreto ou infalível: Pena — detenção. CHARLATANISMO Art.02. 1975. TAMG. 285 c/c o art.1. RT 595/410. 533/363. e multa. 282 do crime do art. p. sem ser médico. sutura de cortes etc. 1965. Ill. indicar) ou anunciar(noticiar. Julgados 81/299). ■ Clínica médico-psicanalítica: Responde por exercício ilegal da medicina quem. embora possa não ser ético. n° 2. cabe transação nos crimes de competência da Justiça Federal. 258 (art.7. que não se trate de um convicto. FRANCESCHINI. ou seja. cabe a transação no art. IV. não basta para o enquadramento penal do comportamento. de três meses a um ano. em vigor a partir de 12. 65). não há crime na prescrição de medicamentos. apesar do nome do delito (charlatanismo). 5 2. cuidando-se de pena máxima cominada não superior a dois anos. II. RT 684/357. ■ Distinção: Distingue-se o delito do art. Char/atanismo ■ Transação: De acordo com o art.563 Código Penal Arts. especialmente a saúde pública. Assim. Não há forma culposa. II. ■ Tipo objetivo: São dois os verbos empregados no dispositivo: inculcar (aconselhar. da Lei n 2 10.305-A). 100 do CP. independentemente de outro resultado. ■ Competência: A competência para o processo por exercício ilegal da profissão farmacêutica é da Justiça Estadual (STF. Jurisprudência.

8. o curandeirismo (atividade de quem se dedica a curar. ministrartem a significação de servir. 258 (art. 5 9 . n° 750). art. p. de três meses a um ano.099/95). Parágrafo único. art. cabe transação nos crimes de competência da Justiça Federal.099/95). parágrafo único.498. com proteção do local e da liturgia (STJ. Se o crime é praticado mediante remuneração. cuidando-se de pena máxima cominada não superior a dois anos. dar para consumir. qualquer substância (l). mv-.01. empregar. Jurisprudência. a partir da vigência da Lei n°10. 285 e 258 do CP.93. repetição. ■ Liberdade religiosa: O charlatanismo e o curandeirismo são crimes contra a saúde pública. Jurisprudência CURANDEIRISMO Art. ■ Tipo objetivo: A conduta incriminada é exercer (dedicar-se. A lei fala em qualquer substância. ■ Concurso de crimes: Pode haver.259. A liberdade de culto é garantia constitucional. quando resulta lesão corporal grave ou morte de alguém. Exercer o curandeirismo: I — prescrevendo. 283 e 284 Código Penal 564 ■ Tentativa: Admite-se. especialmente com o estelionato (CP. abrangendo todas elas (vegetais. da Lei n° 10. 285 c/c o art. palavras ou . Usando gestos. exercitar. ■ Ação penal: Pública incondicionada. 89 da Lei n°9. animais ou minerais). a transação será cabível. em vigor a partir de 12. desempenhar) . ■ Sujeito passivo: A coletividade e. indicar como remédio. Todavia. Assim. sob o título Juizados Especiais Criminais (Federais)]. mesmo que resulte lesão corporal grave ou morte — CP. portanto. de 12. a pessoa que é tratada ou diagnosticada pelo agente. Ill — fazendo diagnósticos: Pena — detenção. qualquer substância. entendemos que. recomendar. caput. aplicar tem o sentido de apor. 285 c/c o art. especialmente a saúde pública. São três os modos de execução indicados alternativamente: a. 76 da Lei n° 9. mas sem inculcar infalibilidade de cura (FRANCESCHINI. art. HC 1. sem distinção relativa à nocividade ou efeito medicinal. 284. ■ Sujeito ativo: Qualquer pessoa desprovida de conhecimentos médicos. ■ Suspensão condicional do processo: Cabe. I. sendo o direito penal da culpa incompatível com o perigo abstrato. que o agente atue com habitualidade. habitualmente. ministrando ou aplicando. secundariamente. praticar. E indispensável. que aja com reiteração. Curandeirismo ■ Transação: De acordo com o art. palavras ou qualquer outro meio. ■ Infalibilidade: Não constitui charlatanice a divulgação da descoberta de tratamento alegando-se ter sido sua eficiência comprovada. ou seja.DJU 16. Prescreveré receitar. cabe a transação no art. de seis meses a dois anos. 100 do CP. Morte ou lesão corpora/ ■ Remissão: Vide arts. II — usando gestos. 15994). Prescrevendo. 258 (art. 284.259/01. 2 2. 171). pode ser partícipe do delito o próprio médico que preste auxílio ao curandeiro. o delito não se configurará. sem habilitação ou título). Em face do princípio da isonomia (art. a denúncia precisa indicar o resultado. ainda que o crime seja da competência da Justiça Comum Estadual [vide nota no art. ■ Objeto jurídico: A incolumidade pública.1. da CR/88) e da analogia in bonam partem. ministrando ou aplicando. v. e multa. praticados contra número indeterminado de pessoas e de perigo concreto (probabilidade de dano). habitualmente. desde que não resulte lesão corporal grave ou morte — CP.Arts. b.02. 1975.7. sob pena de inépcia. o agente fica também sujeito a multa. ■ Pena: Detenção. caso esteja ausente a habitualidade.

quando resulta lesão corporal grave ou morte. entendendo que as "rezas" e "passes". ou seja. dispõe ser "inviolável a liberdade de consciência e de crença. sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida. ■ Consumação: Com o efetivo exercício (que requer habitualidade). a pena de multa. ■ Confronto: Se o agente tem conhecimentos médicos e se faz passar por médico. benzeduras. Inexiste modalidade culposa. ■ Tipo subjetivo: O dolo. v. E indiferente que o agente atue gratuitamente ou não. ■ Habitualidade: É indispensável para a configuração do delito a habitualidade (TACrSP. mas se a prática for remunerada terá lugar a figura qualificada do parágrafo único (vide nota). FRAGOSO. ■ Orações de fé: Se a cura apregoada era pedida comunitariamente. ■ Prescrição: Não configura crime a indicação de remédios que podem ser vendidos ao público sem receita médica. O delito de curandeirismo é de perigo abstrato ou presumido. ■ Pena: Além da pena do caput (detenção. VI. que se vale de meios grosseiros para curar. RT 446/414). ■ Liberdade religiosa: O charlatanismo e o curandeirismo são crimes contra a saúde pública. Nesse sentido. I. Julgados 87/394. 282 distingue-se do curandeirismo deste art. compreendendo os "passes" ou posturas especiais. 5°. a proteção aos locais de culto e a suas liturgias". sendo o direito penal da culpa incompatível com o perigo abstrato. 1979. como vitaminas etc. esconjurações. também. podem ser indicadas as rezas. que é crime de perigo (TACrSP. em seu art. Note-se. art. n° 151). 282 o agente revela conhecimentos ou aptidões médicas. quando atos de fé. E a lei ainda acrescenta ou qualquer outro meio. 282 do CP. 284. não se configura o delito (TACrSP. independentemente de outro resultado. a CR/88. Fazendo diagnóstico (Ill). praticados contra número indeterminado de pessoas e de perigo concreto (probabilidade de dano). de seis meses a dois anos. (TACrSP. encomendações etc. se o agente o continuou praticando. 284 é crime habitual. 285 e 258 do CP. através de orações.565 Código Penal Art. ■ Diagnósticos: 0 simples comportamento de fazer diagnósticos caracteriza o crime (TACrSP. RT 390/322). Diagnóstico é a determinação de uma doença pelos sintomas dela. ■ Ação penal: Publica incondicionada. porém. Gestos são movimentos do corpo. na forma da lei. Jurisprudência Criminal. RT516/345). ■ Crime de perigo: O fato de não ter havido vítimas do curandeirismo praticado não descaracteriza a infração. RT 416/259). ■ Remissão: Vide arts. de seis meses a dois anos). Remuneração (parágrafo único) Morte ou lesão ■ Noção: Se o curandeirismo é exercido pelo agente mediante remuneração. Como palavras. c. 284 qualquer outro meio (ll). ■ Farmacêutico: O farmacêutico que diagnostica e prescreve medicamentos não pode ser equiparado ao curandeiro. Na escola tradicional é o "dolo genérico". com a qual concordamos. ■ Consumação: Como o delito do art. embora não esteja habilitado a praticar a arte de curar (TACrSP. pois possui habilitação técnico-profissional. sob pena de corpora/ Jurisprudência . o início da ação penal deve ser considerado como momento consumativo. embora não possua autorização legal para exercer a profissão (TACrSP. a denúncia precisa indicar o resultado. pura questão de fé. não caracterizam o delito. inclusive para a contagem da prescrição ( H. porque neste o agente é pessoa inculta ou ignorante. RT438/425). Julgados 74/306). RT 507/412). ■ Confronto: O delito de exercício ilegal do art. enquanto naquele crime do art. que há forte corrente jurisprudencial. que consiste na vontade livre e consciente de exercer o curandeirismo. aplica-se. ■ Pena: Detenção. ■ Tentativa: Não se admite.

excitar. águas e óleos bentos. A cobrança da prática de consultas de curas. ou multa. 258 do CP (vide nota) aos crimes deste capítulo. mv — DJU 16. REsp 50. A publicidade é. salvo quanto ao definido no art. 15994). in RBCCr 8/226). ■ Suspensão condicional do processo: Cabe (art. Portanto. ■ Remissão: Vide nossos comentários aos arts. ■ Sujeito passivo: A coletividade. FORMA QUALIFICADA Art. Incitação ao crime ■ Objeto jurídico: A paz pública. configura. não teria eficácia ou idoneidade" (MAGALHÃES NORONHA. sob aparência mística. Aplica-se o disposto no art. 284 a 286 Código Penal 566 inépcia. em tese. 267. Vide. IV. ■ Espiritismo: No espiritismo. os "passes" fazem parte do ritual. provocar. a prática de crime: Pena — detenção. 1995. deve tratar-se de fato expressamente previsto em lei como crime.8. 258 do CP aplica-se aos arts. A boa-fé de quem acredita estar atuando como "aparelho mediúnico" pode afastar o dolo (TACrSP.93. Não pratica curandeirismo o dirigente de seita religiosa registrada que ministrava hóstias. A liberdade de culto é garantia constitucional.498. assim. como as bênçãos dos padres católicos. ■ Sujeito ativo: Qualquer pessoa. pregando curas milagrosas na dependência da fé dos fiéis (TACrSP. 286. 258 aos crimes previstos neste Capítulo. pois "a instigação feita genericamente. 81). HC 1. delitos de curandeirismo e estelionato (TJRJ. RJDTACr 1/77-8). 268 a 284 do CP. 267 (epidemia). que já contém figura qualificada. realizadas por agente que se diz incorporado por entidade espírita. e não configuram o delito do art. ■ Tipo objetivo: O verbo incitar tem a significação de açular. Assim. 284 (TACrSP. também. não se enquadrando na figura o incitamento para praticar contravenção penal ou ato imoral. são tipificados no CP (STF. É imprescindível que se trate de fato criminoso determinado. 22211. nota Incongruência.94. com proteção do local e da liturgia (STJ.099/95). o art. Incitar. p. 89 da Lei n 2 9. RT 542/410). colocando em perigo a saúde e levando os adolescentes à dependência do álcool (STJ.Arts. DJU 29. Registra a lei que a ação deve ser realizada publicamente. ■ Transação: Cabe (art. Pune-se o comportamento de quem incita a prática de crime. p. nos arts. ■ Figura qualificada pelo resultado morte: E preciso que haja relação entre a medicamentação ministrada e a morte da vítima (TAMG. por ser vaga. Título IX DOS CRIMES CONTRA A PAZ PÚBLICA INCITAÇÃO AO CRIME Art. RT777/679). Julgados 89/449). requisito do tipo. 258 e 19 do CP.099/95). RT404/282). A liberdade religiosa não alcança atos que. 76 da Lei n 2 9. Por incitamento público considera-se o que é feito de . 285. de três a seis meses. mv — RT 425/328). em que são utilizados fórmulas e procedimentos como forma de solução de problemas. Direito Penal.8. v. ■ Perigo à saúde: Há crime se comprovada a habitualidade com que o acusado ministrava "passes" e obrigava adultos e menores a ingerir sangue de animais e bebida alcoólica. 272 e 273. publicamente.426. Morte ou lesão corporal ■ Noção: Determina-se a aplicação do art. com exceção do previsto no art. p.

286 quem incita. ■ Tipo objetivo: A ação incriminada é fazer apologia. 76 da Lei n°9. 286 e 287 modo a ser recebido por indeterminado número de pessoas. não bastando a apologia de fato contra- . Se a conduta é realizada pela imprensa ou por outro meio de comunicação. ■ Incitamento a crime determinado: A incitação genérica não basta para configurar o crime do art. Fazer. ■ Transação: Cabe (art.170/83. incita moradores a desobedecerem ordem legal de desocupação de imóvel objeto de invasão. Jurisprudência ■ Crime formal: É crime formal. ainda que veemente. art. escritos ou outro meio de comunicação. 227 e 228 do CP. ■ Incitação a desobediência: Em tese. Assim sendo. de fato criminoso. Trata-se de crime formal. ■ Publicidade: Para a configuração deste delito é necessário que a incitação se faça perante certo número de pessoas (TACrSP. de três a seis meses. Julgados 79/413). v. a sua incitação não é mais punível como crime (TRF da 2 2 R. Na Lei de Segurança Nacional. ou seja. RT718/378). inclusive para os servidores públicos civis. a desobediência de ordem judicial (TACrSP. 1959.567 Código Penal Arts.099/95). art. arts. ■ Confronto: Se o incitamento é para a satisfação de lascívia ou para a prática da prostituição. FRAGOSO. Apologia de crime ou criminoso ■ Objeto jurídico: A paz pública. efetivamente. ou seja. isto é. publicamente. fato real e determinado que a lei tipifica como crime. Na doutrina tradicional é o "dolo genérico". apologia de fato criminoso ou de autor de crime: Pena — detenção. incentivando-os a agredirem os policiais. O delito pode ser praticado por qualquer meio: palavras. a vontade livre e consciente de incitar. defesa ou apreciação favorável. 928). de três a seis meses. que se consuma com a incitação pública. JSTJ e TRF5/351). o incitamento realizado em reunião familiar não apresenta a tipicidade necessária. ■ Tentativa: Admite-se. ou multa. IX. ■ Sujeito ativo: Qualquer pessoa. gestos. Lições de Direito Penal — Parte Especial. v. contanto que percebido ou perceptível por indefinido número de pessoas" ( HUNGRIA. cometa o crime objeto da incitação. conforme o meio de execução empregado. Julgados 84/221). RT 495/319). ■ Suspensão condicional do processo: Cabe (art. Se a pessoa instigada pelo agente pratica o crime. eventualmente. Se o incitamento é para a prática de crimes punidos pela Lei de Genocídio. ■ Consumação: Com a prática da incitação perceptível por indeterminado número de pessoas. 287. ■ Greve: Em face da CR/88. 89 da Lei n-2 9. mediante uso de paus e pedras (TJDF. 29) ou em sua tentativa (CP. ■ Pena: E alternativa: detenção. louvar. 31). publicamente. exaltar. III. não sendo punível a mera opinião" (H. publicamente. 19 da Lei n2 5. Todavia. 1965. ■ Ação penal: Pública incondicionada. É indiferente que o incitamento se dirija "a pessoa determinada. que consagrou o direito de greve de forma ampla.250/67. comete o delito do art. 286 (TACrSP. inclusive pela internet. art. p. p. 166).099/95). art.. não se confunde a apologia com "a simples manifestação de solidariedade. elogiar. sendo desnecessário que alguém. pode. ■ Tipo subjetivo: O dolo. Não há punição a título de culpa.889/56. Comentários ao Código Penal. ou multa. A apologia que se pune é: a. enaltecer. APOLOGIA DE CRIME OU CRIMINOSO Art. 23 da Lei n°7. RT779/621). art. Configura o crime a conduta do agente que. ■ Sujeito passivo: A coletividade. desde que percebida por um número indeterminado de pessoas (TJSP. caracterizar-se a participação do agente no delito incitado (CP. 3 2 da Lei n° 2.

da CADH —os dois últimos.93. 8648).12.922/RJ. 82 da Lei n° 8. rel. p. Dir-se-á. art. art. pois é este. Associarem-se mais de três pessoas. consciente da publicidade.Arts. ■ Pena: É alternativa: detenção. in Bol. ■ Tentativa: Admite-se. e não o contrário (nesse sentido: STJ. a apologia de acusado de crime. § 22. a autor de crime. porquanto a publicidade é requisito do tipo. ou multa. 52 . b. desde que não haja o aumento de pena do art. 2. gestos.98. a apologia que este tipo penal incrimina. da Lei n 2 5. mv — DJU 12. ou seja. 123-4. 288. vu. esta igualmente prevista no art. 288 do . LVII) ou presunção de inocência (CR/88. se a quadrilha ou bando é armado. art. 89 da Lei n° 9. p. 287 e 288 Código Penal 568 vencional ou imoral. art.19. ■ Ação penal: Pública incondicionada. E indiferente o meio de que se vale o agente para a prática deste crime: palavras. 14. HC 3. XXXIX e § 22. talvez.072/90 (art. que tal interpretação poderá ter conseqüências morais danosas. Jurisprudência ■ Contravenção penal e publicidade: Sua apologia não satisfaz elemento constitutivo deste delito. ■ Suspensão condicional do processo: Cabe no caput. sem dependência de outras conseqüências (delito formal). a apologia deve ser realizada de maneira a ser percebida ou perceptível por indeterminado número de pessoas. A conduta deve ser praticada publicamente. que veda o emprego da interpretação extensiva ou da analogia para punir. deixando impunes aqueles que. inclusive pela Internet. art. Na escola tradicional aponta-se o "dolo genérico". PIDCP. é somente a de autor de crime que assim tenha sido considerado por decisão condenatória passada em julgado. de três a seis meses. fizerem a apologia de acusado de um crime hediondo como a extorsão mediante seqüestro. Não há forma culposa. ■ Confronto: Se a apologia é feita por meio de imprensa ou informação. ■ Tipo subjetivo: O dolo. de pessoa que ainda não tenha sido condenada definitivamente. 5 2 .997. além disso. ■ Consumação: Com a apologia. 2. Min. Portanto. 1. 8 2 . p. e não a acusado de crime ou simplesmente acusado. DJU 16. Quadri/ha ou bando ■ Aumento de pena: O art.94. 15. QUADRILHA OU BANDO Art. que consiste na vontade de praticar a apologia. 82 da Lei n° 8. que é a apologia do criminoso em razão de crime que cometeu. CADH. 34378. 1 4 parte. Parágrafo único.11. em evidente conduta anti-social.250/67. de um a três anos. 286 do CP). em sua segunda parte. Mas. O perigo é presumido. A pena aplica-se em dobro. ■ Garantias constitucionais: Referindo-se o art. para o fim de cometer crimes: Pena — reclusão. que deve se adaptar à CR/88. a apologia deve ser dirigida ou presenciada por número indeterminado de pessoas ou em circunstãncia em que a elas possa chegar a mensagem (STJ. 287. por exemplo. tratados subscritos e ratificados pelo Brasil) e da reserva legal (CR/88. 5 2 . diante das garantias constitucionais do direito à desconsideração prévia de culpabilidade (CR/88. art. em quadrilha ou bando. § 22 c/c art. 1 2 do CP. em sua última parte. Assim. escritos ou outro meio de comunicação. como lei ordinária. pensamos que. ADHEMAR MACIEL.472-4.072/90 (Lei dos Crimes Hediondos) estabelece que "será de três a seis anos de reclusão a pena prevista no art. de autor de crime. será atípica.099/95). 99). à semelhança do delito anterior (vide nota ao art. DJU 10. RHC 7. que se altere o CP. então. do PIDCP e art.5. IBCCr74/318). RHC 2.

ao contrário. quando se tratar de crimes hediondos. retroage aos fatos anteriores à sua vigência. entre os referidos na lei. pelo menos. A respeito. que "o participante e o associado que denunciar à autoridade o bando ou quadrilha. com a finalidade de praticar mais de um crime. mas sempre mais ou menos determinados" (H. terá a pena reduzida de um a dois terços". v. Ill. ■ Tipo objetivo: O núcleo indicado é associarem-se. ou seja. prática da tortura. essa causa se aplica a todos os crimes cometidos por quadrilha ou bando. possibilitando seu desmantelamento. O núcleo associar-se implica a idéia de estabilidade. 934). ■ Retroatividade: A causa especial de diminuição de pena prevista no art. Dispondo o art. ainda. tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins ou terrorismo". que se definem como associação estável ou permanente de delinqüentes. não sendo suficiente a finalidade de praticar contravenções. eventualmente praticados pelo bando.034/95. Júuo F.217/01. 288 CP. Com efeito.217/01): 0 art. da Lei n° 7. considerando-se como crimes os fatos assim definidos em lei.034/95. § 22 . "com o fim de praticar reiteradamente crimes. crime de concurso necessário) do participante (co-autor ou partícipe em crime praticado em concurso eventual). 14 da Lei n°6. com o conseqüente esclarecimento dos delitos porventura já cometidos. ■ Lei do Crime Organizado (Lei n 2 9. quando a colaboração espontânea do agente levar ao esclarecimento de infrações penais e sua autoria". no qual se contam. desestimulando a delação. Trata-se de crime coletivo ou plurissubjetivo. mencionados no caputdo art. que ela "define e regula meios de prova e procedimentos investigatórios que versem sobre ilícitos decorrentes de ações praticadas por quadrilha ou bando ou organizações ou associações criminosas de qualquer tipo". diz a lei. 62 da Lei n° 9. 1965. também. que requer a participação. por ser mais favorável. por ser mais gravoso. ■ Diminuição de pena (crimes hediondos): O parágrafo único do art. tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins ou terrorismo". ■ Sujeito ativo: Qualquer pessoa.034/95 (Lei do Crime Organizado) estabelece que "nos crimes praticados em organização criminosa. vide também nota Causa especial de diminuição de pena (§ 4 2) no art. Um exemplo de "associação criminosa" encontra-se no art. art. com a nova redação dada pela Lei n° 10. razão pela qual se exige que a associação seja estável ou permanente. pode-se entender que a diminuição é cabível ao delator não só quanto ao crime de quadrilha (nesse caso o agente é associado). quando estes tiverem capacidade para entender e integrar a associação.569 Código Penal Art. não teria sentido que a diminuição de pena alcançasse apenas o crime de quadrilha. 6 2 da Lei n°9. agregarem-se. por sua vez. Para . fatos ilícitos ou imorais. alterada pela Lei n 2 10. da mesma espécie ou não. 1 2 dessa mesma lei. obviamente não retroage. Lições de Direito Penal — Parte Especial.072/90 dispõe. FRAGOSO.492/86 (Crimes contra o Sistema Financeiro Nacional) ■ Retroatividade e irretroatividade: A causa especial de diminuição de pena prevista no parágrafo único do art. a pena será reduzida de um a dois terços. Quanto à delação. que traz a significação de ajuntarem-se. de quatro pessoas. ■ Sujeito passivo: A coletividade. essa diminuição se aplica não só ao crime de quadrilha como também aos "crimes hediondos. O aumento de pena estabelecido no caputdo mesmo artigo. ■ Objeto jurídico: A paz pública. aliarem-se. A associação deve ser para o fim de cometer crimes. 8 2 da Lei n° 8. usando vocábulos sinônimos. Exige a lei que sejam mais de três pessoas. 159 do CP. Vide. 25. in RT 663/268-72). reunirem-se. 8 2 .072/90. daí resultando o número mínimo de quatro pessoas. p. 8 2 da Lei n° 8. retroage aos fatos anteriores à sua vigência. MIRABETE lembra que "como a lei não contém palavras inúteis. prática da tortura.368/76. os inimputáveis. Em quadrilha ou bando. A nosso ver. deve ser distinguido o associado ( membro da quadrilha. se a intenção do legislador foi premiar a delação para possibilitar o desmantelamento do bando. como também pelo crime por ele praticado. por ser favorável ao agente. Salvo engano. como integrante da quadrilha (nessa hipótese o agente é participante)" ("Crimes hediondos: aplicação e imperfeições da lei". não há no Brasil conceito de "organizações criminosas".

IV. III. ocorrem no curso das invasões. ■ Concurso de pessoas: Além dos próprios membros do bando. p.12. ■ Tentativa: Não se admite. v. ■ Concurso de crimes: Haverá concurso material com os crimes cometidos. será sempre única. A quadrilha.368/76 (CELSO DELMANTO. não pode haver concurso entre quadrilha e roubo (ou furto) também qualificado pelo número de pessoas. 71870. 4. FRAGOSO. DJU 7. RJTJSP 178/304-5. TJSC. Entendemos mais correta a interpretação de que a associação para a prática de um crime continuado não basta à tipificação deste art.400.6. e não um só crime (TJSP. Comentários ao Código Penal. ■ Autonomia: A quadrilha é crime autônomo. p. ■ Para mais de um crime: Deve ser formada para cometer crimes. 394. ■ Ação penal: Pública incondicionada. cometidos em quadrilha ou co-autoria. MAGALHÃES NORONHA.94. não abrange a quadrilha organizada para a prática de um crime continuado ( Comentários ao Código Penal. Na doutrina tradicional é o "dolo específico". 16. contra: DAMASIo DE JESUS. 12 ou 13 da Lei de Tóxicos. p. 71870). 934. ■ Tipo subjetivo: O dolo e o elemento subjetivo do tipo referido pelo especial fim de agir ("para o fim de cometer crimes"). ■ Qualquer crime: A quadrilha pode ser formada visando à prática de qualquer tipo de crime (TFR.616 e 28. Lições de Direito Penal — Parte Especial. p. se não há prova de que tenha participado destes crimes (TJRJ. Tóxicos. da qual resultem ou possam resultar na prática de delitos (TJSP. v. RT 608/365). 1959. ■ Pena: Reclusão. RT710/327.616 e 28. RTJ 88/468). corriqueiramente. 180.137/90. Não há modalidade culposa. Direito Penal.94. p.400. E infração permanente. 178. IX. 30 a 32). RTJ 101/147). da referida lei). Ap. o crime de quadrilha não é incompatível com o de receptação (STF. Em nossa opinião. H. pp. 288 Código Penal 570 HUNGRIA. Em tese. 14 da Lei n° 6. ■ Pena: Aplica-se em dobro a pena do caput. 1965. Aps. Jurisprudência . de um a três anos. que independe dos crimes cometidos pelo bando (STF. figuras que. v. nota). v. III.979. parágrafo único. 5. ■ Consumação: Com a efetiva associação das pessoas. 94). ■ Para outro fim: Inexistindo prova de que os integrantes do MST se associaram para cometerem crimes de furto e de dano. TRF da 4 4 R. Nos crimes previstos na Lei n° 8. considerando-se tanto a arma própria como a imprópria. 5. este delito exige associação para o cometimento de crimes e não para outro fim. RTJ 102/614). o membro da quadrilha será co-autor do crime para o qual concorrer e este delito poderá ser isolado do conjunto dos demais crimes praticados pelo bando (STF. pois é infração permanente. ■ Confronto: Com a finalidade de infração ao art.82. só com as formas sem a qualificação decorrente da pluralidade de agentes (contra: HUNGRIA. ■ Sujeito ativo: A quadrilha é crime necessariamente coletivo ou plurissubjetivo (STF. Figura qua/if/cada (parágrafo ún/co) ■ Noção: Se a quadrilha ou bando é armado. 0 crime de quadrilha é sempre independente dos crimes que pelo bando vierem a ser praticados. RT 725/651). 0 fato de participar da quadrilha.: auxílio para as reuniões da quadrilha). RT565/409. não há se falar em quadrilha ou bando.12. não leva também à condenação pelos crimes que o bando praticou. Direito Penal. DJU 18.Art. Aps. mas apenas para os integrantes do bando que tenham efetivamente participado desses delitos. IX. 1959. independentemente da prática de algum crime pela quadrilha. o co-autor ou partícipe que através de confissão espontânea revelar à autoridade policial ou judicial toda a trama delituosa terá a sua pena reduzida de um a dois terços (art.. RT787/594). pode haver participação de terceiros (ex. TJSC. p. v. 1995. 1982. porém. embora predomine esse entendimento na doutrina. DJU 7. e ser por esse crime condenado. art. p. TRF da 0 R.. pois redundaria em duplicidade de punição. 288. 1996. 6013). p. Não é pacífico que seja suficiente estar armado um só membro do bando.

que não se confunde com um isolado concurso de agentes (TJSP. p. 288: estabilidade. TJSE. não podendo fundamentar-se em meras investigações policiais (STJ. esteja realizando uma ação que faça supor associação para fim de cometer crimes. p.94. mv — RT 533/362.86. DJU 6.99. 71870. 25197. TJRO. Deve haver animus associativo prévio. Não é suficiente a prática de delito por quatro ou mais comparsas. se ela não chegou a se formar e operar (TJRJ. no momento da consumação. sendo irrelevante a realização ulterior de qualquer delito (STF.. 288 é infração de natureza permanente (STF. que o agente.. pouco importando se depois houve prescrição para alguns. RT705/353). RT 787/594. RT 721/422-3. sendo imprescindível a organização.9. 25289.96. p. RT 697/346. Ap. para cometer crimes em caráter reiterado e permanente (TRF da 44 R.93. agindo os participantes de modo coeso. E mister a reunião estável. é crime formal. RHC 9. DJU 23. STJ. 13. 758/534.867. sob pena de bis in idem (STF. 288 ■ Absolvição quanto aos demais crimes: Optando o julgador pela absolvição do acusado.. pois falta a pluralidade de crimes e estabilidade (TJSP.4. ■ Consumação: Consuma-se no momento da associação (STF. RT756/562). e que sejam sempre os mesmos os autores das infrações (TJSP. combinado (TJMG. contra: TJRJ. Sendo o crime de quadrilha permanente. RJTJSP 173/328-9. p. RT 600/383. RT756/523). RT 538/390). Se um dos quatro acusados é absolvido. 5. RT 722/436).605. TJSP. surpreendido. sendo desnecessário atribuir-lhe ações concretas (STJ. RT 749/573). não bastando a sucessividade de eventuais ações grupais (TJSP. 14631. E preciso haver vínculo associativo permanente para fins criminosos.163. não pode subsistir a condenação por quadrilha.4. no momento da adesão de cada qual. RT761/695. TJPR. DJU4. 1.. no mínimo. RT 765/582). RHC 2. 25319). Ap. Aps. Basta existir o propósito de associação do agente ao grupo criado para a prática de crimes. Ap. RT 604/461. RJTJSP86/422.720. TJSP. por falta do número mínimo de agentes (TFR. TRF da 2 R. TRF da 1 R. cuja base real consistira unicamente nos mesmos fatos (TRF da 1 R.00. RT á 529/317. in RBCCr 27/364). mesmo se em grau de apelação ocorrer anulação do processo em relação a co-réus e restarem somente dois condenados (STJ. TACrSP. RT 535/325).024439-7/TO. HC 852.12. RTJ 124/999). ■ Atos preparatórios: O simples ajuste para formar a quadrilha não constitui crime. RT 774/690.5. permanência e existência de no mínimo quatro pessoas (TJSP. TRF da 5 R. p. 98.94. TJSP. p. in RBCCr 15/410. E suficiente a preparação estável. em trabalho comum. numa conjugação de esforços unindo suas condutas. mv— DJU 18. o agente que sofreu condenação anterior em processo judicial diverso não pode ser condenado novamente pela prática do mesmo fato delituoso. ■ Crime continuado: Não se tipifica a quadrilha se o crime praticado era continuado.571 Código Penal Art.01. ■ Prisão em flagrante: Para prisão em flagrante no crime de quadrilha é necessário. cujo momento consumativo se protrai no tempo. RJTJSP 178/304-5. DJU 2. São necessárias. p. DJU 7. estabilidade e permanência (TJRO. quatro pessoas. DJU 18. Não há. em virtude da não-comprovação do roubo. embora separando as funções á (TJDF. TJSP.95.616 e 28.00. Basta que seja uma associação permanente. 173/324-5). DJU 28. 751/580). TJSP. RT 565/409. Em relação aos fundadores. RT707/414). RT 772/546). RT 522/429). pois a habitualidade não é requisito do crime (TJSP. 288. in RBCCr 4/180). 150). ao menos. consuma-se no momento em que aperfeiçoada a convergência de vontades entre mais de três pessoas. 18047. RT 764/562). p. 288. Permanece ti pificado o delito do art.. não mais se pode cogitar do art. A impossibilidade de identificar um deles não obsta o reconhecimento do .400.535. ■ Crime permanente: O crime deste art. RT 759/721). 288 (STF. RTJ 116/515. RJTJSP 68/380). 7. Ap. ■ Permanência e estabilidade: São requisitos do crime do art. quanto àqueles que venham posteriormente a integrar-se ao bando. preordenação dolosa. seqüestro e contrabando de armas.6. 185. se os partícipes são diversos (TACrSP. ■ Número de agentes: O número de pessoas necessário à tipificação do crime de quadrilha é considerado objetivamente. TJSP.12.11. restando só três condenados pelo art. RT 759/597. RJTJSP72/360).

DE JESUS.3. DJU 7. RT521/425). TJSP. 14346. RT 538/383.853. DJU28. DJU 17.95. RT764/562. só com furto simples (STF. STF n 2 86-E. RT776/571). DJU 7.12. RT ■ Figura qualificada: O parágrafo único do art. RT 750/742). 71870. RHC 3. RT 755/546. TJSP. não há que se aplicar os dispositivos da referida lei (TRF da 3 2 R. RT 570/352). mv — RTJ 128/325.6. 14 da Lei n 2 6. DJU 10. 288 não exige que todos os partícipes estejam armados (STF. um só aumento. ■ Organização criminosa e quadrilha: O art. p. em parte: Pode haver concurso entre roubo qualificado por uso de armas e quadrilha qualificada pelo uso de armas. RT 752/567.. HC 77. JSTJ e TRF 2/246. não se podendo cogitar de infração continuada (TACrSP. 114/185. 82 . mas em co-autoria com outros indiciados. da Lei n2 8. em decorrência do parcelamento.564. p. mv — RHC 64. Lei de Tóxicos Comentada. RJTJSP69/334. 30026). 1996. 77). 5. tornam insubsistente a imputação de delito de quadrilha (STJ.072/90 (TRF da 4 2 R. contra: STF. ambos qualificados. não havendo bis in idem porque "o porte de arma que qualifica a quadrilha (perigo abstrato) não é equivalente ao emprego efetivo de arma que qualifica o roubo (perigo concreto)" (STF. portanto. RCr 94. Não configura a co-autoria momentânea. ■ Crime único: 0 crime de quadrilha é único.616 e 28. 68 do CP. Pode haver concurso entre roubo qualificado pelo concurso de agentes e quadrilha.99. aplica-se a regra do parágrafo único do art. Aps. Inf. p. RT761/695).368/76 sido revogado pelo art. 10678). RTJ 120/1056.. 288 Código Penal 572 número de agentes exigido (TJSP. DJU 8.5. in RBCCr 27/364). HC 62. A quadrilha não se confunde com a co-participação em crime continuado (TJPR. RT 754/564). 2.94. Saraiva.563. Julgados 67/63). 288 com furto qualificado pelo concurso de pessoas.46568. 82 da Lei n 2 8. A inimputabilidade de alguns não descaracteriza (TJRJ. bem como a extinção da punibilidade da sonegação fiscal. Pleno. ■ Sonegação fiscal e quadrilha: A finalidade lícita de exercer atividade comercial. ou seja. DJU 30. se o delito de contrabando foi praticado por apenas três pessoas. 11881. pois redundaria em dupla qualificação pelo mesmo fato (STF. por concurso de pessoas ou emprego de armas.89. RT553/448. TJRO. isoladamente. e objetivo de prática de crimes hediondos — art.94. caput.85. sendo necessária a associação permanente com finalidade preestabelecida do cometimento de crimes (TJSP. PT 783/615). RTJ 102/614). TJRO. prevalecendo a causa que mais aumente (STJ. HC 62. p. RT 761/695).. ■ Concurso de causas de aumento: Havendo duas causas de aumento (emprego de arma — parágrafo único do art. Contra.8.772. Incide a qualificadora quando o bando dispunha de armamentos e uma das suas atividades-fim seria a eliminação 781/576). Também pode haver concurso material entre estelionato e quadrilha (TRF da 52 R. não basta a simples co-autoria em diversos crimes. STJ. ■ Distinção da co-autoria: Não basta a co-participação. 1.400. RT755/742). p. RT 721/422-3). 0 crime de quadrilha reclama prova segura e convincente do engajamento de todos os agentes a um vínculo associativo e consolidado para empreitadas delitivas (TJSP.485-9/MG. Pet. DJU 7. 0 fato de um dos acusados eventualmente estar armado. Para a configuração da quadrilha. RT 748/627). Não pode haver concurso do art. p.034/95 fixou a estrutura típica do delito de quadrilha como requisito mínimo para existência da organização criminosa.. mv. não tipifica o delito de quadrilha armada (STJ.8. não pode ser condenado por quadrilha se somente ele respondeu ao processo (TRF da 22 R. TJSP. RT748/627.99.035. apud DAMÁSIO E. 288. Embora o acusado não tenha agido sozinho.12. p. por serem tipos autônomos e com objetividades jurídicas diversas (TJSP.04.Art. . ■ Concurso de crimes: Não pode haver concurso entre quadrilha e roubo. tendo o art. RJTJSP 117/480).11.85. RT544/349. de forma continuada ou em concurso material. RT 768/732). 12910. p. 1 2 da Lei n 2 9. Pode haver concurso material de quadrilha com tráfico. se não houver organização estável e permanente entre os co-autores (TACrSP. 399).072/90). Inexiste incompatibilidade entre os crimes de quadrilha e de roubo qualificado pelo concurso de pessoas e com emprego de armas (TJSP. p. sem associação estável (TACrSP. RT 550/353.

cuidando-se de pena máxima cominada não superior a dois anos. 288 e 289 de intrusos não desejados na exploração da contravenção do "jogo do bicho" (STF. ■ Suspensão condicional do processo: Cabe no § 2° (art.573 Código Penal Arts. RT 707/414). ainda que o crime seja da competência da Justiça Comum Estadual [vide nota no art. 289. da Lei n° 10. cede. fabricando-a ou alterando-a. moeda metálica ou papel-moeda de curso legal no país ou no estrangeiro: Pena — reclusão. importa ou exporta. de seis meses a dois anos. adquire.01. de 12. RT750/565). 100 do CP. ■ Extensão: Se em recurso especial se afastou a qualificadora do parágrafo único para um dos acusados. emite ou autoriza a fabricação ou emissão: I — de moeda com título ou peso inferior ao determinado em lei.1. 76 da Lei n 2 9. e multa. E punido com reclusão. é punido com detenção. entendemos que. a restitui à circulação. depois de conhecer a falsidade.02. § 1 2. ■ Sujeito ativo: Qualquer pessoa. cuja circulação não estava ainda autorizada. ■ Separação dos processos: A separação facultativa de processo contra os vários membros do bando não impede que um deles seja condenado separadamente dos outros. § 22 . II — de papel-moeda em quantidade superior à autorizada. moeda falsa ou alterada. 89 da Lei n° 9. da CR/88) e da analogia in bonam partem. a partir da vigência da Lei n° 10. cabe transação nos crimes de competência da Justiça Federal. § 42 .7.259. de três a quinze anos. ■ Tipo objetivo: 0 núcleo é falsificar. e multa. Falsificar. caput. por conta própria ou alheia. sob o título Juizados Especiais Criminais (Federais)]. Moeda falsa (caput) ■ Objeto jurídico: A fé pública. ou fiscal de banco de emissão que fabrica. e multa. cabe a transação no § 2° deste art. empresta.259/01. ■ Transação: De acordo com o art. em vigor a partir de 12. Em face do princípio da isonomia (art. 289 (art. Nas mesmas penas incorre quem desvia e faz circular moeda. de três a doze anos. 2°. que tem a significação de apresentar como . guarda ou introduz na circulação moeda falsa. parágrafo único.099/95). Título X DOS CRIMES CONTRA A FÉ PÚBLICA Capítulo I DA MOEDA FALSA MOEDA FALSA Art. como verdadeira. Nas mesmas penas incorre quem. os efeitos desse recurso devem ser estendidos aos co-réus (STJ. o funcionário público ou diretor. tendo recebido de boa-fé. Assim. ■ Sujeito passivo: O Estado. reduzindo-se a pena imposta. Quem. troca. a transação será cabível. 5°.099/95). RTJ 112/1064). vende. se no processo desmembrado havia prova da participação de todos (STF. § 32 . gerente.

guarda (tem sob guarda ou à disposição). em tese. MIRABETE ( Manual de Direito Penal. No caso de dúvida quanto ao conhecimento da Figura privilegiada (§22 ) . ■ Tipo subjetivo: O dolo. Ill. exporta (faz sair do território nacional). 1956. A moeda falsa (fabricada ou alterada) precisa ser apta a enganar o homem comum. p. p. Não há modalidade culposa. ■ Consumação: Com a efetiva prática de uma das ações. caso em que há modificação ou alteração da moeda. e.Art. como verdadeira. Circulação de moeda falsa (§ >°) ■ Objeto jurídico. TEODOLINDO CASTIGLIONE ( Código Penal Brasileiro. vende (cede ou transfere por certo preço). 1995. importa (faz entrar no território nacional). classifica-se no art. Na escola tradicional aponta-se o "dolo genérico". onerosa ou gratuitamente). 168). v. hipótese em que há contrafação. sem dependência de outras conseqüências. troca (permuta). ■ Recorte e colagem de pedaços de cédula verdadeira em outra: Trata-se de hipótese. o crime de estelionato. JÚLIO F. empresta (entrega com a condição de haver restituição). 289 do CP: HELENO FRAGOSO (Lições de Direito Penal— Parte Especial. v. IX. 955). da competência da Justiça Estadual" (Súmula 73). Embora recebendo a moeda de boa-fé. opinam pelo enquadramento da conduta no art. Para os tradicionais é o "dolo genérico". sujeito ativo e sujeito passivo: Iguais aos do caput. ou seja. não sendo punível a falsificação grosseira. E necessário que a moeda fabricada se assemelhe à verdadeira. da competência da Justiça Federal. d. portanto. Na jurisprudência também há divergência. f. i. ■ Consumação: Com a efetiva falsificação. v. que consiste na vontade livre e consciente de praticar as ações alternativamente previstas. 0 objeto material é moeda metálica ou papel-moeda de curso legal no País ou no estrangeiro. 290 do CP: BENTO DE FARIA ( C6digo Penal Brasileiro. 1965. g. para que esta aparente valor superior. ■ Tipo subjetivo: O dolo. A restituição à própria pessoa de quem recebera a moeda falsa é atípica. e multa. depois de conhecer a falsidade. 289 Código Penal 574 verdadeiro o que não é. ■ Sujeito ativo: Qualquer pessoa que tenha recebido a moeda de boa-fé. p. Na doutrina. A alteração punível. Pune-se a conduta de quem. v. para outros. VII. 1959. Na hipótese de guarda é crime permanente. após ter certeza de que ela é falsa. ■ Tipo objetivo: A moeda falsa ou alterada deve ter sido recebida de boa-fé. 1985. de dar aparência enganosa a fim de passar por original. é aquela operada nos sinais que indicam o valor. antigamente freqüente. ora no art. para que aparente maior valor. h. 1959. ■ Tentativa: Admite-se. cede (entrega a outrem). adquire (obtém para si. HUNGRIA ( Comentários ao Código Penal. ■ Objeto jurídico e sujeito passivo: Iguais aos do caput. dando a impressão de verdadeiro. o agente faz a moeda. b. 108). v. por conta própria ou alheia: a. ■ Tentativa: Admite-se. Fabricando-a. ■ Pena e ação penal: Idênticas às do caput. introduz na circulação (passa a moeda a terceiro de boa-fé). de três a doze anos. ■ Tipo objetivo: 0 objeto material é moeda falsa (vide nota ao caput). 289. IV. o STJ entende que "a utilização de papel-moeda grosseiramente falsificado configura. que o agente fabrica ou altera. que haja imitação. 190). 8). São previstos dois meios de execução: a. o agente recebeu o dinheiro como se fosse legítimo. ignorando a sua falsidade. 211). c. Todavia. 290 do CP. independentemente de outros resultados. Ou alterando-a. que consiste na vontade de falsificar. p. p. ■ Ação penal: Pública incondicionada. com consciência do curso legal e da possibilidade de vir a moeda a entrar em circulação. ■ Pena: Reclusão. ora se enquadrando o fato no art. Não há forma culposa. o agente a restitui à circulação (passa a moeda a terceiro de boa-fé). p. MAGALHÃES NORONHA ( Direito Penal. isto é. em que o agente apõe algarismos ou dizeres de uma cédula em outra. Ou seja. v. Moeda de curso legal é aquela cujo recebimento é obrigatório por lei. totalmente. b. X. III.

v. ■ Ação penal: Igual à do caput. Direito Penal. Na doutrina tradicional é o "dolo genérico". MAGALHÃES NORONHA. fabrica. mas a moeda legal. ■ Tentativa: Admite-se. v. a solução deve beneficiar o agente. FRAGOSO. ■ Pena: Reclusão. d. ■ Ação penal: Igual à do caput. Na escola tradicional é o "dolo genérico". é questionado o momento de sua consumação: a. cuja circulação não estava ainda autorizada. Moeda com titulo ou peso inferior ao determinado em lei (inciso I). HUNGRIA. e multa. DJU24. 85/430. apenas haverá infração administrativa. exige-se o dolo direto. p. autoriza a emissão. caput. ■ Tipo objetivo: O objeto material. Lições de Direito Penal — Parte Especial. o crime seria formal ( H. Não há punição a título de culpa. Comentários ao Código Penal.538/SP. emissão ou autorização irregular (§ 39 ■ Objeto jurídico e sujeito passivo: Idênticos aos do caput. de seis meses a dois anos. 1959. O objeto material é: a. CComp 2. IX. CComp 24. que consiste na vontade de desviar e fazer circular com consciência de que a circulação ainda não estava autorizada. Com a fabricação. Na doutrina tradicional é o "dolo genérico". 963. autoriza a fabricação. Ill. RT697/370-1. IV. ■ Tipo subjetivo: 0 dolo. e multa. A quantidade inferior é penalmente atípica. gerente ou fiscal de banco emissor de moeda (crime próprio). da competência da Justiça Estadual e não Federal (STF. comina o parágrafo. Lições de Direito Penal — Parte Especial. ■ Pena: Detenção. ■ Falsificação grosseira: Se for visível a grosseria da falsificação da moeda. ou fiscal de banco de emissão que: a. emite. ■ Pena: "Nas mesmas penas". ■ Tipo subjetivo: O dolo. e multa. de três a quinze anos. pois. não bastando o eventual. Direito Penal. pois é infração material ( MAGALHÃES NORONHA. b.99. título ou peso. ■ Tipo subjetivo: O dolo. 1965. 194). Por isso. ■ Consumação: Com a entrada em circulação. 1985. Não há figura culposa. 289 falsidade. ■ Objeto jurídico. b. ■ Ação penal: Idêntica à do caput. p. se forem superiores. ■ Tipo objetivo: Pune-se o funcionário público ou diretor. 116. ■ Tentativa: Admite-se. RTJ 98/991. v. p. 962.083. v. Súmula 73. p. contra: HUNGRIA. STJ. 289. IV. mas sim em crime de estelionato. v. ■ Consumação: E intranqüila a natureza material ou formal do crime. porém. v. que consiste na vontade de praticar a ação. pois o crime não é punido a título de culpa. Título é a relação entre o metal fino e o total da liga empregada na moeda. de três a doze anos. com consciência da violação quanto à quantidade. gerente. III. com pleno e efetivo conhecimento de que é falsa. IX. Ill. 225. ■ Consumação: Com a restituição à circulação. a vontade livre e consciente de restituir moeda falsa à circulação. 116). Para outros autores. 92. b.5. referindo-se às do caput reclusão.575 Código Penal Art. sujeito ativo e sujeito passivo: Iguais aos do caput. p. 1959. p. Papel-moeda em quantidade superior à autorizada. não é moeda falsa ou emitida em excesso. Para a tipificação é necessário que o título ou o peso sejam inferiores. 1995. JúLlo F. 1965. c. p. v. ■ Tentativa: Admite-se. ou seja. a retira de onde está guardada e a põe em circulação. ■ Sujeito ativo: Somente o funcionário público. Pune-se a ação de quem desvia e faz circular essa moeda. Fabricação. DJU Desvio e circu/ação indevida (§ 4°) Jurisprudência . MIRABETE. ou seja. FRAGOSO. Não existe forma culposa. Para a maioria dos autores não se exige proveito do agente (H. 1995. diretor. neste parágrafo. Comentários ao Código Penal. 226). p. Manual de Direito Penal. não se justifica a incriminação no art. emissão ou autorização seguida do fabrico ou emissão.

Ap. DJU 13. independente da intenção de introduzir na circulação (TRF da 1 2 R. p.051398-2/PR. DJU 13. ficando o estelionato absolvido pela aplicação do princípio da consunção (TRF da 42 R.87. RCr 98.99. DJU 23. p. CComp 7. p. 1979. 4. p. ■ Guarda de moeda falsa (§ 1 4): E mister reste comprovada a ciência. 11952). DJU 29. impondo-se a absolvição se existir dúvida razoável de que tivesse o acusado essa ciência (TRF da 1 2. 18996.. 23615). 11787. DJU 26. in RBCCr 14/429. TRF da 4 á R. Se é apta a enganar ilimitado número de pessoas configura o crime do art. DJU 17. p. de atenção. TRF 2 da 3 R. era suscetível de enganar (TRF da 3 2 R. DJU 6. Ap.11. o crime de moeda falsa pressupõe uma imitação capaz de enganar o homem médio.7.. 5.024. DJU 24. sendo insuficiente o simples fato de ser detentor de maus 2 antecedentes e de ter sido encontrado com veículo de origem suspeita (TRF da 2 R.. Ap.01. configura o delito (TRF da 4 R.660. 44384. Ap. ora se enquadrando a ação no art. iludindo o homem médio (TFR. sendo competente a Justiça Federal (TRF da 2 2 R. Não sendo grosseira a falsificação.6. DJU 12. ora no art. RT 784/745. E necessário que a moeda contrafeita tenha potencialidade lesiva. 19970).95. n°357). 289 (TFR. . pois sua circulação é restrita. 2.6.. Caracteriza-se pela intenção de manter sob sua guarda. Ap.92.04.96. 104..01. confirma a sua plena ciência da origem espúria das cédulas (TRF da 3 á R.5. Ap.8.5. o crime enquadra-se no art. 30056. Ap.10.89. TRF da 1 2 R.12. DJU 2.337. TFR. p. Ap. tendo á ciência de sua inautenticidade. DJU26.610. e não no art. HC 61. ■ Concurso com estelionato: Quem adquire bens utilizando dinheiro falso deve responder somente pelo crime do art..97. ■ Consumação da figura do § 1 2 : A consumação do crime independe da introdução da moeda falsa em circulação.9. 39577. p.80. restitui a moeda ao vendedor (TRF da 1 2 R.91. é imprescindível a demonstração da ciência inequívoca por parte do agente da falsidade da moeda (TRF da 5 2 R. que se consuma pela simples posse de dinheiro falso (TRF da 2 2 R. 15646). da falsidade da moeda (TRF da 5 2 R..12.Art. no caso de colocação em circulação de cédula falsa de cem reais por pessoa que possui apenas instrução primária e não tem antecedentes (TRF da 4 2 R. Ap. p. Ap. p. se os próprios peritos necessitaram de lupa para certificar-se da falsidade (TFR. 6715. in RBCCr 12/288. p. 12. 574.8.90. p. RT 765/732. vigilância e atilamento comuns (TRF da 3 2 R.. DJU 2.586. 24. 574. 759/743). RT753/724.5. pelo agente. RT763/685). p. in RBCCr 8/228).94.94.5. 67687). havia divergência jurisprudencial no antigo TFR. § 2 2 . p. 290 do CP (H. A2 moeda guardada deve ser apta a enganar número ilimitado de pessoas (TRF da 1 R. in RBCCr 27/363-4).. in Bo/.6. a mera ação de adquirir ou guardar a cédula.93. 4231). ■ Colagem: Na alteração de cédula com fragmentos de outra. Ap. 996. efetua compras de mercadorias de pequeno valor. RT 776/712).2. 8596).564. j.394. Não se configura o § 1 2. FRAGOSO. p. DJU 4. HC 4. 11256).624. mv— DJU 18. § 1 2 . RT769/726).. por conta própria ou de terceiro.91.. DJU 1. DJU 26.397.94. absolve-se por inexistência da prova do dolo (TRF da 42 R. 4. Ap..249.. por quatro vezes consecutivas.10..863). Não havendo qualquer indicativo de que o acusado tivesse conhecimento da falsidade da cédula. 11.97). v.8.81. por ausência de ofensa à fé pública. 96. pagando-as com cédula de alto valor nominal e apropriando-se do troco em moeda verdadeira. Se a aferição da falsidade somente pode ser feita através de laudo pericial. Não é grosseira. 289.. TRF da 2 2 R.707. RT 789/724). 6715.04.610.65531-0/RS. tomando conhecimento da falsidade.81. p. Ap. 98. 26116). 289 Código Penal 576 2.12.11. Ap.. 171 do CP.89. p.7. E crime de natureza permanente á (TRF da 2 R.90. 0 agente que. DJU 13. 5. DJU 29. DJU 3..96. moeda que sabe ser falsa (TFR. p. E crime permanente.714-5/RS. p.560.. Rejeita-se a denúncia. RTFR69/208).2.136. 24. II. DJU 11.93. 3. in RBCCr 27/364). 10304). DJU 4.984. DJU 26. 289. CComp 4..746.. 45.R.99. CComp 3.. AASPn 2 1. 8. DJU 18. Jurisprudência Criminal. Ap.389. 430. Ap. 43505.456. CComp 4. ■ Traveler's check Não equivale a moeda falsa. p. sendo competente a Justiça Estadual (TFR.04. 5653).2. in RBCCr 14/429).94.82. 9. 9291. 289. ■ Introdução na circulação (§1 9): Para caracterização do § 1 2 . p. se o agente. p.320. TRF da 3 2 R. ■ Aptidão para enganar: É pacífico na jurisprudência que a falsificação grosseira elimina o delito. p. p.11.5..

suprimir. ainda. notas ou bilhetes capazes de circular como verdadeiros. 15033-4). Na modalidade b (supressão) é o dolo e o elemento subjetivo do tipo que consiste no especial fim de restituí-Ia à circulação ("dolo específico". formando cédulas. Com a volta à circulação (modalidade c).4. DJU 28. Com o desaparecimento do sinal indicativo de inutilização (modalidade b). recebendo a moeda de boa-fé. p. utilizando-se de fragmentos de cédulas. DJU 19. ou seja. b. ou nela tem fácil ingresso. sinal indicativo de sua inutilização. a restituição não é punível. ■ Sujeito ativo: Qualquer pessoa. ou já recolhidos para o fim de inutilização: Pena — reclusão. Pune-se a conduta de quem. A conduta punida é a supressão (eliminação ou remoção) de sinal indicativo de sua inutilização. RCr 1. Parágrafo único. a põe em circulação (TFR. restituir à circulação cédula. Crimes assim/lados ao de moeda falsa ■ Objeto jurídico: A fé pública. CRIMES ASSIMILADOS AO DE MOEDA FALSA Art. 290 não é punido a título de culpa. após saber de sua falsidade. de dois a oito anos. cédula ou bilhete recolhidos. O art. 290. com finalidade especial: para o fim de restituí-los à circulação (vide Tipo subjetivo).577 Código Penal Arts. Quanto ao recorte e colagem de pedaços de cédula verdadeira em outra. ■ Tipo objetivo: Em sua descrição. Restituição à circulação (última parte). 289 e 290 ■ Figura privilegiada do § 22 : Só se configura se o agente restitui a moeda ã circulação com dolo e efetivo conhecimento de ser ela falsa (TFR. ■ Consumação: Com a efetiva formação de cédula idônea a enganar (modalidade a). colocá-la.235. ■ Tentativa: E admissível nas três modalidades. de novo.045. a vontade de restituir à circulação com consciência das especiais condições do papel-moeda ("dolo genérico"). Formação com fragmentos (1 2 parte). A conduta punida é restituir à circulação. qualquer outra já recolhida para o fim de inutilização. em circulação. Incorre no § 2° do art. com a consciência de que ela poderá circular (na doutrina tradicional é o "dolo genérico").8. 5724). Nas três figuras do art. c. Ap. Na modalidade c (restituição) é o dolo. nota ou bilhete representativo de moeda com fragmentos de cédulas. 290 do CP contém três figuras: a. O objeto material é nota. pp. 289 quem. 290 é necessário que haja potencialidade lesiva (capacidade para enganar e circular como moeda boa). ■ Sujeito passivo: O Estado. cédula ou bilhete recolhido. ou seja. ■ Tipo subjetivo: Na modalidade a (formação) é o dolo. . O máximo da reclusão é elevado a doze anos e o da multa a (.. para os tradicionais). Tratando-se do próprio agente que formou a moeda ou suprimiu sinal. se o crime é cometido por funcionário que trabalha na repartição onde o dinheiro se achava recolhido. 7. que consiste na vontade de formar moeda. ou. e multa. sob o título Pena. em nota. o art. 289. vide nota específica ao art. os justapõe. O objeto material é a moeda formada com fragmentos (da 1 á parte do caput) ou a que teve seu sinal de inutilização suprimido (da 2 á parte). notas ou bilhetes representativos de moeda. notas ou bilhetes verdadeiros. Formar cédula.) . 290 prevê a formação e não alteração (modificação) de papel-moeda.89.86. Supressão de sinal de inutilização (22 parte). nota ou bilhete em tais condições. para o fim de restituí-los à circulação.. 289 do CP. o crime do art. Vide nota ao parágrafo único. em razão do cargo. Segundo os autores que opinam pelo enquadramento da referida conduta no art.

fabricar (construir. prover. ■ Tipo objetivo: 0 objeto material é maquinismo. adquirir. v. além da pena de multa. Petrechos para fa/sif/capão de moeda ■ Objeto jurídico: A fé pública. 289.209/84 cancelou quaisquer referências a valores de multa. o parágrafo único determinava que o máximo da pena de multa era elevado "a quarenta mil cruzeiros". fornecer (proporcionar. Não se dispensa. classificando-se a ação no art. a jurisprudência não é pacífica. 2 2 da Lei n° 7. ficando o deste art. ■ Pena: Reclusão. Geralmente. guardar (ter sob guarda. ■ Pena: O máximo de reclusão é elevado a doze anos. ■ Guarda ou posse dos petrechos: Como é crime de natureza permanente. Fabricar. Jurisprudência . usar o material e falsificar moeda. d. da competência da Justiça Federal. Os núcleos indicados são: a. Comentários ao Código Penal. Costuma-se entender como especialmente os que "mais propriamente. b. 289 do CP (H. 291 absorvido (crime subsidiário). são utilizados para o fim de falsificar moeda. instrumento ou qualquer objeto especialmente destinado à falsificação de moeda. ■ Ação penal: Pública incondicionada. de dois a seis anos. Na escola tradicional é o "dolo genérico". que também é aplicável. 291. 230). e. aparelho. Jurisprudência Criminal. IX. 1 2 ). efetivamente. ou tem fácil ingresso naquela. entendemos ser indispensável o criterioso e prudente exame do juiz a propósito de ser inequívoco o destino dos objetos. ■ Sujeito ativo: Qualquer pessoa. da competência da Justiça Federal. FRAGOSO. o crime será apenas o do art. fornecer. e multa. possuir (ter a posse ou propriedade). e mais que a tal fim sejam destinados no caso concreto" ( HUNGRIA. Jurisprudência PETRECHOS PARA FALSIFICAÇÃO DE MOEDA Art. são os clichês. ■ Colagem: Na alteração da cédula com colagem de fragmentos de outra.Arts. moldes. a título oneroso ou gratuito. de dois a oito anos. e multa. RTJ 118/164). A guarda ou posse de material destinado à falsificação de dinheiro é crime de natureza permanente. que consiste na vontade livre e consciente de praticar as ações incriminadas. aquele limite tornou-se inócuo. II. matrizes. p. ■ Tentativa: Admite-se. a imposição cumulativa da pena de multa. a ser fixada na forma do art. p. 290 e 291 Código Penal 578 ■ Pena: Reclusão. de dois a seis anos. justifica-se o flagrante (STF. manufaturar ou produzir). e multa. art. v. ■ Ação penal: Pública incondicionada. porém. possuir ou guardar maquinismo. Em vista do princípio da taxatividade da lei penal (CP. aparelho. 1959. ou via de regra. no local onde mantém os petrechos depositados. a titulo oneroso ou gratuito. 1979. Figura qua//ficada (parágrafo único) ■ Noção: Se o agente é funcionário que trabalha na repartição onde o dinheiro se acha recolhido. ■ Tipo subjetivo: O dolo. mesmo que o agente não se encontre. ■ Sujeito passivo: O Estado. Como o art. instrumento ou qualquer objeto especialmente destinado à falsificação de moeda: Pena — reclusão. adquirir (obter para si). abastecer). em razão do seu cargo. cunhos etc. ■ Confronto: Se o agente. Não existe modalidade culposa. ■ Consumação: Com a efetiva prática de uma das ações. com conhecimento da destinação dos objetos. c. 357). Nas modalidades de possuir e guardar é crime permanente. 49 do CP. mais adequadamente. Em sua redação original. 290 ou no art. ao ser preso. abrigar).

nunca foi punida entre nós. p. vale ou título que contenha promessa de pagamento em dinheiro ao portador ou a que falte indicação do nome da pessoa a quem deva ser pago. especialmente a proteção da moeda contra a concorrência de títulos ao portador. nota. HC 4.579 Código Penal Arts. Não abrange os warrants. isto é.79. Ressalva a lei. a vontade livre e consciente de emitir. ainda que ao portador ou sem o nome do beneficiário. Emissão de tftu/o ao portador sem permissão legal (caput) ■ Objeto jurídico: A fé pública. ■ Tipo objetivo: O objeto material deste delito é nota. porém. ou multa. Se funcionário público. 89 da Lei n°9. Trata-se. ■ Sujeito passivo: O Estado. sujeito ativo e sujeito passivo: Iguais aos do caput. ficha. HC 6. sem permissão legal.11. 291 e 292 autorizando a prisão em flagrante. de um a seis meses. de modo que a autorização legal exclui a tipicidade da conduta. ficha. conhecimentos a ordem. sem permissão legal.099/95). ou multa. ■ Consumação: Com a entrada em circulação do título ao portador (crime formal). ■ Tentativa: Admite-se. vales particulares etc. EMISSÃO DE TÍTULO AO PORTADOR SEM PERMISSÃO LEGAL Art. ■ Dinheiro e não mercadoria: A emissão de notas.099/95). bilhete. Emitir. ■ Suspensão condicional do processo: Idem (art. Na doutrina tradicional é o "dolo genérico". bilhete. ■ Ação penal: Pública incondicionada.2. ou seja. ciente da inexistência de permissão legal. DJU 13. sem necessidade de endosso ou de autorização do emitente. de quinze dias a três meses. p. "passes" ou passagens.86. ■ Pena: E alternativa: detenção. que tem a significação de pôr em circulação. que consiste na vontade livre e consciente de receber ou utilizar. bilhetes. 295 do CP. fichas. ■ Tentativa: Pode haver (STF. vale ou título que contenha promessa de pagamento em dinheiro ao portador ou a que falte indicação do nome da pessoa a quem deva ser pago: Pena — detenção.459.385. O núcleo é emitir. ■ Tipo objetivo: 0 objeto material é idêntico ao do caput (vide nota). prometendo serviços. ou multa. DJU 5. RT 432/339). RTJ 123/1220). 8331). Não há forma culposa. Quem recebe ou utiliza como dinheiro qualquer dos documentos referidos neste artigo incorre na pena de detenção. da competência da Justiça Federal. ■ Transação: Cabe no caput e no parágrafo único (art. Recebimento ou utilização como dinheiro (parágrafo único) Jurisprudência . ■ Tipo subjetivo: O dolo. enquanto não cessar a permanência (TFR. ou multa. ■ Tipo subjetivo: O dolo. ■ Ação penal: Pública incondicionada. com conhecimento da falta de autorização com que o título foi emitido. 1174. 292. ■ Pena: E alternativa: detenção. da competência da Justiça Federal. vales ou títulos. de quinze dias a três meses. de título que contém promessa de pagamento em dinheiro e que é transmissível por simples tradição. o agente aceita (toma) ou usa como dinheiro o título ao portador que é objeto material da figura. ■ Objeto jurídico. A conduta punida. como se vê. 76 da Lei n° 9. de um a seis meses. Parágrafo único. sendo fato atípico (TACrSP. vide nota ao art. é receber ou utilizar como dinheiro. não bastando à ti pificação a simples feitura do título. utilidades ou mercadorias. ■ Sujeito ativo: Qualquer pessoa.

carimbo ou sinal indicativo de sua inutilização: Pena — reclusão. ■ Suspensão condicional do processo: Cabe nos §§ 2° e 3°.01. e multa. caderneta de depósito de caixa econômica ou de outro estabelecimento mantido por entidade de direito público. IV — cautela de penhor. 89 da Lei n° 9. parágrafo único. Assim. em vigor a partir de 12.099/95). 29. cuidando-se de pena máxima cominada não superior a dois anos. VI — bilhete. papel selado ou qualquer papel de emissão legal. . § 22. ainda que combinado com o art. qualquer dos papéis a que se refere o parágrafo ante- rior. 295 do CP. II — papel de crédito público que não seja moeda de curso legal. Suprimir. desde que não combinado com o art. ■ Sujeito passivo: 0 Estado. ■ Sujeito ativo: Qualquer pessoa. ■ Transação: De acordo com o art. estampilha. Quem usa ou restitui à circulação. Incorre na mesma pena quem usa.099/95). alvará ou qualquer outro documento relativo à arrecadação de rendas públicas ou a depósito ou caução por que o poder público seja responsável. § 1 4.1. § 42. vide aumento de pena determinado pelo art. 295 (art. incorre na pena de detenção. 5°. desde que não estejam combinados com o art. destinado à arrecadação de imposto ou taxa. da CR/88) e da analogia in bonam partem. de seis meses a dois anos.Art. guia. 100 do CP. § 32 . 295 (art. ainda que o crime seja da competência da Justiça Comum Estadual [vide nota no art. e multa.02. a partir da vigência da Lei n° 10. de um a quatro anos. Se funcionário público. cabe transação nos crimes de competência da Justiça Federal.259/01. qualquer dos papéis falsificados ou alterados. de 12. depois de conhecer a falsidade ou alteração. 293 Código Penal 580 Capítulo ll DA FALSIDADE DE TÍTULOS E OUTROS PAPÉIS PÚBLICOS FALSIFICAÇÃO DE PAPÉIS PÚBLICOS Art. 2°. em qualquer desses papéis. também cabe no § 4°. cabe a transação no § 4 2 . embora recebido de boa-fé. 293. Falsificar. a 2 que se referem este artigo e o seu § 2 . depois de alterado. V — talão. III — vale postal. a transação será cabível. caput. Em face do princípio da isonomia (art. quando legítimos. Incorre na mesma pena quem usa qualquer dos papéis falsificados a que se refere este artigo.259. sob o título Juizados Especiais Criminais (Federais)]. recibo. ou multa.7. entendemos que. por Estado ou por Município: Pena — reclusão. 76 da Lei n° 9. de dois a oito anos. fabricando-os ou alterando-os: I — selo postal. da Lei n° 10. com o fim de torná-los novamente utilizáveis. Falsificação de papéis púb/icos (caput) ■ Objeto jurídico: A fé pública. passe ou conhecimento de empresa de transporte administrada pela União.

caso em que há modificação ou alteração do objeto. sujeito ativo e sujeito passivo: Iguais aos do caput. alterando-os. ■ Tipo subjetivo: O dolo é o elemento subjetivo do tipo indicado pelo especial fim de agir ("com o fim de torná-los novamente utilizáveis"). Na doutrina tradicional é o "dolo genérico". quando legítimos. ■ ■ Uso de papéis com inutilizagão suprimida (§ 3°) Objeto jurídico. de emissão federal. Bilhete. papel selado ou qualquer papel de emissão legal. Não há punição a título de culpa. Como é comum aos crimes de falso. empréstimo etc. com a finalidade de aparentar maior valor. de dois a oito anos. A empresa pode não ser pública. com conhecimento de que são papéis falsificados. dar aparência enganosa a fim de passar por original. caso o agente seja o autor da falsificação (fato posterior impunível). mas precisa ser administrada pelo Poder Público. Abrange os estabelecimentos mantidos pela União. Selo postal. nominativos ou ao portador. Cautela de penhor. ■ Pena: Reclusão. Estados. art. Na doutrina tradicional é o "dolo específico". O objeto material é indicado: a. art. ■ Ação penal: Pública incondicionada. a falsificação deve ser apta a enganar. ■ Consumação: Com a efetiva supressão do sinal de inutilização. d. alvará ou qualquer outro documento relativo à arrecadação de rendas públicas ou a depósito ou caução por que o poder público seja responsável (V). Tipo objetivo: O objeto material são os papéis do caput. sujeito ativo e sujeito passivo: Iguais aos do caput.538/78. sujeito ativo e sujeito passivo: Iguais aos do caput ■ Tipo objetivo: Pune-se o uso de qualquer dos papéis públicos indicados nos incisos do caput. e multa. Revogado e substituído pelo art.538/78. ou seja. b. e. 36. 36 da Lei n 2 6. mas não alcança a guarda ou depósito.. isto é. 36 da Lei n° 6. ■ Pena: Reclusão. b. caderneta de depósito de caixa econômica ou de outro estabelecimento mantido por entidade de direito público (IV). a vontade livre e consciente de usar. parágrafo único. Pune-se o uso de tais papéis. f. São os títulos da dívida pública. Vale postal (Ill). Uso de papéis púb/icos falsificados (§ 1°) Objeto jurídico. recibo. que consiste na vontade livre e consciente de falsificar. ■ Pena e ação penal: Iguais ás do caput.538/78. e multa. hipótese em que há contrafação propriamente dita.538/78. ■ ■ . estampilha. 293 ■ Tipo objetivo: A ação incriminada é falsificar. de um a quatro anos. sem dependência de outro resultado (crime formal). o agente faz o objeto. Dois são os meios previstos: a. da Lei n° 6. quando legítimos. e que tiveram suprimidos os carimbos ou sinais de inutilização ( vide nota ao § 2 2). Na parte referente a selo postal. Papel de crédito público que não seja moeda de curso legal (II). por Estado ou por Município (VI). passe ou conhecimento de empresa de transporte administrada pela União. permuta. Na escola tradicional é o "dolo genérico". Não há forma culposa. ■ Consumação: Com a efetiva falsificação. O uso abrange a venda. ■ Tipo subjetivo: O dolo. Talão. guia. ■ Concurso de crimes: O uso é absorvido. Não há modalidade culposa. destinado à arrecadação de imposto ou taxa (I). o inciso foi revogado e substituído pelo art. Municípios ou autarquias. ■ Tipo subjetivo: O dolo. 37 da Lei n°6. estadual ou municipal. 0 objeto material são os papéis públicos apontados nos incisos do caput. apresentar como verdadeiro o que não é.581 Código Penal Art. fabricando-os. ■ Tentativa: Admite-se. ■ Confronto: Tratando-se de selo postal ou vale postal. ■ Tentativa: Admite-se. ■ Supressão de sina/de inutilização (§2°) Objeto jurídico. c. A finalidade da conduta é especificada: com o fim de torná-los novamente utilizáveis. ou seja. ■ Ação penal: Pública incondicionada. Tipo objetivo: Incrimina-se a supressão (eliminação ou remoção) de carimbo ou sinal indicativo de sua inutilização. ■ Confronto: Em caso de selo postal ou vale postal.

pois o "qualquer outro documento". vide nota ao art. Fabricar. ■ Tentativa: Admite-se. fornecer.85. da Lei n° 6. consubstanciando mero ato preparatório para se chegar ao fim de usar os papéis públicos falsos. 293. Funcionário público Jurisprudência PETRECHOS DE FALSIFICAÇÃO Art. ■ Tipo subjetivo: Em qualquer das modalidades previstas pelo art. recebendo pagamentos para essa conduta (STF. mv — RT 522/331). ■ Ação penal: Igual à do caput.Arts. ■ Papéis públicos: Não é papel público o formulário de retirada de dinheiro da Caixa Econômica Federal. 293 e 294 Código Penal 582 ■ Tipo subjetivo: O dolo. ■ Pena e ação penal: Iguais às do § 22 . que consiste na vontade livre e consciente de usar ou restituir à circulação. pois a guia a que o dispositivo alude é a que se destina ao fim de recolhimento ou depósito de dinheiros ou valores ex vi legis. os usa ou restitui a circulação. 37. a que se refere o inciso V do art. V. possuir ou guardar objeto especialmente destinado à falsificação de qualquer dos papéis referidos no artigo anterior: Pena — reclusão. ■ Crime-meio e prescrição: A prescrição do crime-fim (sonegação fiscal) abrange o crime-meio (falsificação de papéis públicos) (TJSP. ■ Confronto: Se é selo postal ou vale postal. e multa. Pune-se a conduta de quem. deve ter características semelhantes aos demais indicados (TJSP. adquirir. Figura privi/egiada (§ 44 ) ■ Objeto jurídico e sujeito passivo: Iguais aos do caput. 293. 293. possui ou guarda petrechos de falsificação. ■ Guia florestal: A sua falsificação não caracteriza o delito deste art. pois inexiste forma culposa para esses crimes (TFR. depois de conhecer (estar certo de) a falsidade ou alteração. 19525). 294. Ap. § 1 9. mv— RJTJSP 169/293). tendo recebido os papéis na ignorância da falsificação ou alteração. que consiste na vontade livre e consciente de usar os papéis. guias falsificadas. desde que tenha recebido o papel de boa-fé. de seis meses a dois anos. art. § 1° (STJ. art. A dúvida quanto ao conhecimento da falsidade ou alteração deve beneficiar o acusado. ■ Ato preparatório e absorção: Se o agente fabrica. p. com a certeza de que o papel é falso ou alterado. adquire. Não há punição a título de culpa. Na doutrina tradicional é o "dolo genérico". quanto à previsão para aumento da pena. Para os tradicionais é o "dolo genérico". conforme dispõe o art. ■ Pena: É alternativa: detenção. Inexiste forma culposa. com conhecimento de que o sinal de inutilização foi suprimido. nas repartições fazendárias.269. mas com a inutilização suprimida do § 2°. caso o agente seja o autor da supressão (fato posterior impunível).538/78. exige-se que fique comprovado o dolo do agente. DJU 31. pois tal delito resta absorvido pelo art. ■ Sujeito ativo: Qualquer pessoa. 293. RT781/553). de um a três anos. A guia florestal não tem essa destinação. fornece. servindo ao controle do transporte de madeiras (STJ. E atípica a restituição à própria pessoa de quem o agente recebeu o papel. ■ Consumação: Com o efetivo uso ou restituição à circulação. 37. mv— RTJ 112/1280). ■ Tipo objetivo: Objeto material são os papéis públicos falsos do caput ou os legítimos. ■ Remissão: Se o agente é funcionário público. § 2 2 . 6. da Lei n° 6. ■ Concurso de crimes: O uso é absorvido.538/78. ■ Confronto: Tratando-se de selo postal ou vale postal. ■ Co-autoria: Caracteriza a cooperação psicológica de fiscal do IPI que anuiu em introduzir. não há se falar em concurso material. . 295 do CP. ou multa. RT 689/400). ■ Tipo subjetivo: O dolo. 294.10.

sobre a previsão para aumento da pena. ■ Consumação: Com a efetiva prática de qualquer das ações. vide art. e multa. TJSP. prover). 295. RT 542/340). Funcionário público Jurisprudência Art. Figuras qualificadas ■ Noção: Tanto na hipótese do crime descrito no art. Quanto ao conceito de especialmente destinados. 327 do CP) e comete o crime prevalecendo-se do cargo. ou seja. ■ Pena: Reclusão. fornece. p. e. ■ Remissão: Se o sujeito ativo é servidor público. Se o agente é funcionário público. a vontade livre e consciente de praticar as ações com conhecimento da destinação dos objetos. RJTJSP 83/407). ■ Sujeito passivo: O Estado. RT 606/303).82. declarações de bagagem (TFR. de um a três anos. p. 295 (art. adquire. fornecer (proporcionar. 295 do CP. inequivocamente destinado a falsificar. dos papéis públicos expressamente arrolados nos incisos do art. 294. 295.2. JSTJ e TRF 48/385. o crime deste art. Se funcionário público. ■ Sujeito ativo: Qualquer pessoa. ■ Consumação: A simples posse ou guarda do objeto já constitui o crime. Não há punição a título de culpa. abrigar). fabricar (produzir ou manufaturar). 4. não há se falar em concurso material. pois tal delito resta absorvido pelo art. também deve absorver o do art. 294 (TJSP. possui ou guarda petrechos de falsificação. conduzido de forma oculta. 38 da Lei n° 6. 5575). 291 do CP. 293 do CP). e comete o crime prevalecendo-se do cargo. d. art. 294 ficará absorvido pelo do art. RT781/553). conforme dispõe o art. 89 da Lei n° 9. aumenta-se a pena de sexta parte. 293 do CP (TJSP. 293. que absorve a falsidade e o uso de documento falso. ou seja. desde que não esteja combinado com o art. As ações incriminadas são: a. ■ Confronto: Caso o agente use os petrechos e falsifique. adquirir(obter para si). 293. . Petrechos de falsificação ■ Objeto jurídico: A fé pública. Configura a posse de carimbos e máquinas destinadas à falsificação de recolhimento (TFR. 3. 293 (vide nota ao art.583 Código Penal Arts. c. DJU 27. mediante alteração. ■ Ação penal: Pública incondicionada. Tratando-se de selo postal ou vale postal.. ■ Tipo objetivo: O objeto material é assim indicado: objeto especialmente destinado à falsificação de qualquer dos papéis referidos no artigo anterior.151.099/95). 1038). Na doutrina tradicional aponta-se o "dolo genérico". ■ Especialmente destinado: E necessário que o objeto se revele especialmente destinado à falsificação dos papéis taxativamente enumerados pelo art. 294. o crime de sonegação fiscal. Ap.79. o crime deste art.7. § (STJ. 294 fica absorvido pela falsidade cometida. vide nota à expressão no art. ■ Concurso de crimes: Se o agente usa os petrechos e pratica a falsidade. a pena é aumentada de sexta parte se o agente é funcionário público (vide nota ao art. ■ Tentativa: Admite-se.538/78. ■ Objeto inequívoco: Configura este crime a apreensão de carimbo. vide nota ao art. ■ Tipo subjetivo: O dolo. abastecer. independentemente da sua utilização ou falsificação (TRF da 1 R.257. 293 como no do art. ■ Ato preparatório e absorção: Se o agente fabrica. E crime permanente nas modalidades de possuir e guardar. Ap. consubstanciando mero ato preparatório para se chegar ao fim de usar os papéis públicos falsos. DJU 18. 294 e 295 ■ Suspensão condicional do processo: Cabe. b. possuir (ter a posse ou propriedade). guardar (ter sob guarda.

7. Trata-se de crime formal. deve ser apta a enganar a generalidade das pessoas. É indispensável à tipificação o fim de autenticação de atos oficiais. Falsificação de ■ Objeto jurídico: A fé pública. que constitui a sua marca de tabelião e que não se confunde com a assinatura simples (esta chamada sinal raso). e multa. mas compreende os de autarquia ou entidade paraestatal. b. a vontade livre e consciente de falsificar. Na doutrina tradicional é o "dolo genérico".00). de que o selo é destinado à autenticação de atos oficiais. na hipótese do inciso I. Incorre nas mesmas penas: I — quem faz uso do selo ou sinal falsificado. de dois a seis anos. siglas ou quaisquer outros símbolos utilizados ou identificadores de órgãos ou entidades da Administração Pública. A falsificação pode ser feita: a. O objeto material vem assim indicado: a. II — quem utiliza indevidamente o selo ou sinal verdadeiro em prejuízo de outrem ou em proveito próprio ou alheio. enfeitada. Se o agente é funcionário público. § 1 2.Art. com a finalidade de autenticá-los. com conhecimento. e comete o crime prevalecendo-se do cargo.983. em segundo lugar. b. Sinal público de tabelião é a assinatura especial deste. desde que atribuídos por lei. para caracterizar o crime. Falsificar. Não inclui o selo ou sinal estrangeiro. ou sinal público de tabelião: Pena — reclusão. ■ Consumação: Com a falsificação. alterando ( modificação de selo ou sinal verdadeiro). sem dependência de outro resultado. logotipos. Se o sinal falsificado é o usado por autoridade pública para fiscalização sanitária. A falsificação. fabricando (é a contrafação. fabricando-os ou alterando-os: I — selo público destinado a autenticar atos oficiais da União. que entrou em vigor noventa dias após publicada. Não há forma culposa. falsifica ou faz uso indevido de marcas. em qualquer de suas modalidades. 296.00 ( DOU de 17. que tem a significação de apresentar como verdadeiro o que não é. ou sinal público de tabelião (ll). em que o agente faz o selo ou sinal). ou para autenticar ou . que se usa para imprimir em papéis. de 14. ■ Tentativa: Admite-se. ou seja. 306. o Estado. acrescentou o inciso III ao § deste art. vide art. ■ Alteração: A Lei n° 9. de Estado ou de Município. Selo público destinado a autenticar atos oficiais da União. caput. 296 Código Penal 584 Capítulo III DA FALSIDADE DOCUMENTAL FALSIFICAÇÃO DE SELO OU SINAL PÚBLICO Art. de Estado ou de Município (l). 296. § 22 . O selo aqui referido não tem relação alguma com o selo postal. público ■ Sujeito passivo: Primeiramente. aumenta-se a pena de sexta parte. Selo ou sinal atribuído por lei a entidade de direito público. ou a autoridade. especialmente os sinais públicos de autenticidade.7. Ill — quem altera. geralmente metálica. ■ Tipo subjetivo: O dolo. II — selo ou sinal atribuído por lei a entidade de direito público. do CP. selo ou sina/ ■ Sujeito ativo: Qualquer pessoa. ■ Confronto: Se há falsificação de sinal empregado no contraste de metal precioso ou na fiscalização alfandegária. ■ Tipo objetivo: O núcleo é falsificar. Trata-se de peça. ou a autoridade. o particular even(caput) tualmente prejudicado.

a vontade livre e consciente de utilizar indevidamente. e multa. outros símbolos (sinais. Nas modalidades de alteração e falsificação. ■ Pena e ação penal: Iguais às do caput. b. ///) Figura qualificada (§2°) . Uso de selo ou ■ Objeto jurídico. sujeito ativo e sujeito passivo: Iguais aos do caput sina/falsificado ■ Tipo objetivo: Pune-se quem faz uso do selo ou sinal falsificado. . utilizar de forma imprópria. Há necesssidade de que o objeto material seja utilizado por órgãos ou entidades da Administração Pública. falsificar ou fazer uso indevido de marcas. ■ Pena e ação penal: Iguais às do caput. que tem o sentido de modificar. marcas (sinais que se fazem em coisas para reconhecê-las). do CP. ou seja. logotipos. Aplica-se tanto ao caput como ao § 1°. ■ Consumação: Com o uso do selo ou sinal falsificado. falsificação ou uso indevido. c. ■ Consumação: Com o efetivo prejuízo ou proveito. com conhecimento de que se trata de selo ou sinal falsificado (dolo genérico). é fato posterior impunível (ne bis in idem). parágrafo único. 306. 296 encerrar determinados objetos. ■ Tipo subjetivo: 0 dolo. Para os clássicos. O resultado referido pela lei é alternativo (embora indispensável): prejuízo alheio ou proveito próprio ou de terceiro. ■ Noção: Se o agente é funcionário público ( vide nota no art. fa/sificação ou uso indevido de marcas. ou seja. 4. usar indevidamente. Utilização indevida de se/o ou sina/ verdadeiro(§ //) ■ Objeto jurídico. ■ Tipo objetivo: Os núcleos são três: a. ■ Concurso de crimes: O uso. Alteração. ■ Pena e ação penal: iguais às do caput. art. é o dolo genérico. ■ Tipo subjetivo: O dolo. sujeito ativo e sujeito passivo: Idênticos aos do caput. Trata-se de crime material. ■ Tipo objetivo: Aqui. 2. formando siglas ou palavras). que tem o significado de apresentar como verdadeiro aquilo que não é. logotipos (conjunto de letras unidas em um único tipo. é o dolo específico. signos). ■ Sujeito ativo e sujeito passivo: Iguais aos do caput. mas apenas aquele em que o sinal ou selo público falsificado é usado em sua destinação normal e oficial. ■ Consumação: Com a alteração. O objeto material compõese de: 1. sabendo que são utilizados pela Administração Pública ou que servem para identificá-la. independentemente de resultado (sentido naturalístico). ■ Ação penal: Pública incondicionada. acrescido do especial fim de agir (em prejuízo de outrem ou em proveito próprio ou alheio). sig/as ou outros símbo/os (§12. de dois a seis anos. Para a doutrina tradicional. os logotipos.585 Código Penal Art. 327 do CP) e comete o crime prevalecendo-se do cargo (valendo-se do cargo). pelo próprio agente que falsificou o selo ou sinal. falsificar. ■ Objeto jurídico: A fé pública. ■ Tipo subjetivo: O dolo. ou comprovar o cumprimento de formalidade legal. Não se incrimina (§ 1°. a vontade livre e consciente de alterar. ■ Pena: A do caput. ou seja. Incrimina-se quem utiliza indevidamente. Trata-se de delito formal. a tentativa é teoricamente possível. siglas ou outros símbolos. /ogotipos. ■ Pena: Reclusão. ou identifique estes. aumentada de sexta parte. A alteração e a falsificação devem ser aptas a enganar a generalidade das pessoas. I) qualquer uso. independentemente de causar efetivo resultado. alterar. agindo em prejuízo de outrem ou em proveito próprio ou alheio. as siglas ou outros símbolos da Administração Pública. especialmente as marcas. siglas (sinais convencionais). Trata-se de crime formal. 3. o objeto material é o selo ou sinal verdadeiro e não o falsificado. que consiste na vontade livre e consciente de usar.

é imprescindível que a falsificação seja idõnea para enganar indeterminado número de pessoas. e a pessoa em prejuízo de quem foi o falso praticado. §32. No todo. de dois a seis anos. DJU 18. 30064. cuja falsificação é prevista no art.Arts. ■ Selo: O selo de que fala o art. pois não se trata de sinal público (TJRS. ■ Objeto jurídico: A fé pública. E que a falsificação seja capaz de causar prejuízo para outrem. Falsificar. 26. Nesta modalidade. RT470/335). de 14. § 4 2. 296 e 297 Código Penal 586 Jurisprudência ■ Tipo subjetivo: O crime do art. primeiramente. 296 exige a prova inconteste do dolo. equiparam-se a documento público o emanado de entidade paraestatal.. e multa. há alteração ( modificação) do teor formal do documento. as ações de sociedade comercial. RT 571/394). 296 do CP é o destinado à autenticação de atos oficiais e não a estampilha usada para arrecadação de rendas públicas. é a contrafação integral. .983.00 ( DOU de 17. documento público. documento público. 293 (TJSP. São duas as condutas previstas: a. pessoa que não possua a qualidade de segurado obrigatório. Se funcionário público. II — na Carteira de Trabalho e Previdência Social do empregado ou em documento que deva produzir efeito perante a previdência social. Falsificação material de documento público ■ Alteração: A Lei n° 9.7. secundariamente. declaração falsa ou diversa da que deveria ter sido escrita. É a contrafação. Ill — em documento contábil ou em qualquer outro documento relacionado com as obrigações da empresa perante a previdência social. acrescentou os §§ 3 2 e 4 2 a este art. pois o falso inócuo não configura o delito.R.00). ■ Sujeito ativo: Qualquer pessoa. 297 pune é a material. quando se acrescentam mais dizeres ao documento verdadeiro. ou alterar documento público verdadeiro: Pena — reclusão. Em qualquer das hipóteses. que entrou em vigor noventa dias após publicada. 297. declaração falsa ou diversa da que deveria ter constado. ■ Carimbo: Não tipifica o crime do art. Para os efeitos penais. ou seja. a falsificação de carimbo para reconhecimento de firmas em tabelionatos. p. FALSIFICAÇÃO DE DOCUMENTO PÚBLICO Art. II. pois o falso grosseiro não traz perigo à fé pública. in RBCCr 12/288). Nas mesmas penas incorre quem insere ou faz inserir: I — na folha de pagamento ou em documento de informações que seja destinado a fazer prova perante a previdência social.95. especialmente a autenticidade dos documentos. vide § 1 2 . por inexistência da forma culposa (TRF da 1 2. § 1 2 . Ou alterar documento público verdadeiro. Nas mesmas penas incorre quem omite. a remuneração. nos documentos mencionados no § 32. nome do segurado e seus dados pessoais. ■ Tipo objetivo: A falsidade que este art. Falsificar. § 22.7. ou em parte. no todo ou em parte. aumenta-se a pena de sexta parte. aquela que diz respeito à forma do documento. e comete o crime prevalecendo-se do cargo. ■ Sujeito passivo: 0 Estado. b. a vigência do contrato de trabalho ou de prestação de serviços. a formação do documento. Ap. Se o agente é funcionário público. 297.5. 296. os livros mercantis e o testamento particular. no todo ou em parte.569. o título ao portador ou transmissível por endosso.

■ Pena: Reclusão. acrescentou o § 3 2 a este art. Esta causa de aumento de pena aplica-se. no art. Falsidade Documental. Documentos públicos por equiparação (§ 22 ) ■ Noção: Para fins penais. 297. de dois a seis anos. p. por funcionário público no desempenho de suas atribuições.. nota Concurso de crimes). deixam de ser equiparados a documentos públicos" ( Comentários ao Código Penal. 158). art.737/65. se os títulos forem falhos quanto aos seus requisitos essenciais. c. ■ Tentativa: Admite-se. Os livros mercantis. Quanto à diferença que existe entre falsidade material e falsidade ideológica. vide art. vide nota ao art. 348 da Lei n 2 4. Igualmente. do próprio beneficiário. ■ Confronto: Se o documento é particular. por sua localização. fotocópias autenticadas e o telegrama emitido com os requisitos de documento público. São alcançados tanto o documento formal e substancialmente público. b. dando lugar a quatro correntes diferentes (vide. I. b. p. nota promissória. duplicata. v. Se o documento público falsificado tem fins eleitorais. Não há punição a título de culpa. vide nosso comentário no art.00. esta a absorve. divide-se a jurisprudência. a vontade de falsificar documento público ou alterar documento público verdadeiro. 304 do CP. documentos públicos por equiparação legal (§ 2 deste art. O documento emanado de entidade paraestatal (as autarquias). são equiparados a documento público: a. aumentada da sexta parte. ■ Ação penal: Pública incondicionada.■ Noção: Buscando tutelar os interesses da Previdência Social e.492/86. 2 também. ■ Concurso de crimes: a. considerando-se como tal o elaborado. 0 testamento particular (não abrange o codicilo). São também documentos públicos as certidões. 327 do CP) e comete de aumento de crime prevalecendo-se (valendo-se) do cargo. a Lei n 2 9. Se a falsidade é usada como crime-meio para a prática de sonegação fiscal. como o formalmente público mas substancialmente privado.983. art. não poderão ser equiparados a documento público (SYLVIO DO AMARAL. IX. arts. O título ao portador ou transmissível por endosso (cheque. warrant etc. nos documentos que enumera. tais documentos. quando após certo prazo não mais podem ser transferidos por endosso. Como observa HUNGRIA. vide Lei n 2 7. de 14. radas (§ 32 ) punindo com as mesmas do caputaquele que inserir ou fizer inserir. determinados fatos falsos ou diversos dos que deveriam constar (incs. desde que originariamente considerado público e atendidas as formalidades legais exigidas no Brasil. Também é incluído o documento público estrangeiro. E necessário exame de corpo de delito (CPP. vide nota ao art. 171 do CP. Quando a falsidade do documento público foi o meio para a prática de estelionato. Prevalece o entendimento de que não há concurso com o crime de uso previsto no art. Vide. 297 ■ Objeto material: E o documento público. 298 do CP. 299 do CP. 297). Se a falsificação é de carteira de trabalho. As fotocópias ou xerox não autenticados não podem ser considerados documentos. com a consciência de que pode causar prejuízo a outrem. Se a falsidade é de títulos ou valores mobiliários. ■ Pena: A do caput. para fins penais. Se a falsidade é ideológica e não material. ■ Tipo subjetivo: O dolo.587 Código Penal Art. art. 1959. mas somente "mediante cessão civil. c. 266). 22 e 7 2 . 1978. II e III). Na escola tradicional é o "dolo genérico". Figuras equipa. Quanto á noção de Previdência Social.). subsidiariamente. e multa. As ações de sociedade comercial. e. somente ao caput e não aos crimes previstos nos pena (§ f°) §§ 32 e 4 °. de acordo com as formalidades legais. traslados. ou seja. d. 168-A. 25). na folha de pagamento ou em outro documento de informações destinado a fazer prova perante a Previdên- .7. Cause especial ■ Noção: Se o agente é funcionário público (vide nota ao art. 299 do CP. 298 do CP. ■ Inciso I: Pune a conduta daquele que insere ou faz inserir. ■ Consumação: Com a efetiva falsificação ou alteração.

não incidirá a causa especial de aumento de pena do § 1 2 .00. o nome do segurado e seus dados pessoais. h e ido revogado art. distinta) da que deveria ter sido escrita. especialmente a veracidade dos documentos relacionados com a Previdência Social. os documentos mencionados nos incisos I. o trabalhador avulso e o segurado especial. XXXIX e XL. ■ Consumação: A partir do momento em que a inserção das informações referidas for juridicamente exigível pela legislação previdenciária e/ou trabalhista. fruto de negligência.Art. 297 não se aplicam a fatos anteriores. a qual. punindo com as mesmas do caput aquele que omitir. II e Ill. que cuida da falsificação de documento público. fictícia) ou diversa (diferente. 297 Código Penal 588 cia Social. para os quais. ■ Objeto jurídico. pessoa que não possua a qualidade de segurado obrigatório. a sua remuneração. ■ Tipo objetivo: Ao contrário do caput. Eventual omissão culposa.212/91. os crimes previstos no § 3 2 do art. ■ Tipo subjetivo: O dolo. por sua localização neste artigo. Outra figura equiparada (§ 49 ) ■ Noção: Este § 42 foi acrescentado pela Lei n° 9. aplica-se apenas ao caput. II e Ill deste § reproduzem. sob o mesmo título. o segurado e seus dependentes que vierem a ser prejudicados. nos documentos que enumera. I). esta figura equiparada incrimina condutas omissivas. sob os mesmos títulos. A omissão empregada pelo agente deve ser juridicamente relevante e ter potencialidade para prejudicar direitos. que se refere ao conteúdo do documento. o Estado. ■ Inciso III: Tipifica como crime a conduta daquele que insere ou faz inserir. o contribuinte individual. arts.7. na CTPS — Carteira de Trabalho e Previdência Social do empregado ou em documento que deva produzir efeito perante a Previdência Social. além dos já previstos no § 2°. nos mesmos documentos elencados no § 3 2 . ■ Inciso II: Incrimina a conduta de quem inserir ou fizer inserir. ■ Objeto jurídico: A fé pública. no § 32. De acordo com o art. Por força dos princípios da anterioridade e da irretroatividade da lei penal maléfica (CR/88. o empregado doméstico. CP. do CP. II e Ill. secundariamente. declaração falsa ou diversa da que deveria ter constado. Em face da inserção deste § 3 2 no art. . 1 2 e 2 2 ). b.403/02. 299. caput. entre outras. ou seja. ■ Sujeito passivo: Primeiramente. são segurados obrigatórios as seguintes pessoas físicas: o empregado. nos documentos enumerados pelos incisos I. Vide nota. não configura o crime. deve ser juridicamente relevante e ter potencialidade para prejudicar direitos. no art. em sua essência. em documento contábil ou em qualquer outro referente às obrigações da empresa perante a Previdência Social. 11 da Lei n° 8. Na primeira hipótese (a) só haverá crime se houver a omissão concomitante do nome dos segurados e de seus dados pessoais (nome + dados pessoais). Tratando-se de funcionário público. ou de declaração falsa ou diversa da que deveria constar (incs. a vontade de inserir ou fazer inserir. 297. ou de declaraçôes falsas ou diversas das que deveriam constar. objeto material. não havia imposição de pena. ■ Objeto material: São os documentos elencados nos incisos I.983. II e Ill. as seguintes informações: a.213/91. ■ Tipo subjetivo: Trata-se de crime doloso. determinados fatos falsos ou diversos dos que deveriam constar. ■ Sujeito ativo: Qualquer pessoa. a vigência do contrato de trabalho ou de prestação de serviços. ■ Irretroatividade: Os incisos I. de 14. Não há punição a título de culpa.876/99 e n° 10. restaram equiparados a este. sujeito ativo e sujeito passivo: Vide notas. atualizada pelas Leis n 2 9. c. ■ Tipo objetivo: Enquanto o § 3 2 trata de condutas comissivas. representado pela Previdência Social. II e III). 5°. a falsidade empregada pelo agente neste § 3° é a ideológica. ■ Tentativa: Não nos parece possível. as alíneas g. Na escola tradicional é o "dolo genérico". A inserção de pessoa que não seja segurado obrigatório (inc. ■ Consumação: Com a efetiva inserção de pessoa que não possua a qualidade de segurado obrigatório. declaração falsa (contrária à realidade. art. 95 da Lei n 2 8. As condutas previstas nos três incisos são comissivas. contudo.

art.5. RJTJSP 124/471). Jurisprudência ■ Documento público: É o formado por funcionário público. RT 746/568). Para ser punível. DJU 3. 694/312. vide jurisprudência intitulada Competência.5.90. DJU 24. RJTJSP 103/442. Ap.4. 13493. Contra: tratando-se de títulos de crédito. que se aperfeiçoa independentemente do uso efetivo (TJSP. DJU 18. RT 606/328. do CP. RT 525/332). Não configura o crime. 299. 297. 15. Vide. RHC 3. 297 (TRF da 2 ? R. mv — RT 528/311). PJ 44/263).. RT514/338). in RBCCr 8/227-8. ■ Carteira Nacional de Habilitação: Se o acusado não falsificou a carteira nem foi responsável por sua viciosa expedição. RT605/398).6.. TJSP. Requerimento endereçado à administração pública não é (TJSP. 0 impresso sob a forma de guia de recolhimento de prestações previdenciárias não possui as características de documento. TRF da 2 ? R. Não configura o crime a falsificação grosseira que não causa prejuízos a terceiros (TJSP. STJ. TRF da 4 ? R.196. não há necessidade da imitatio veri. se os cheques preenchidos não chegaram a ser postos em circulação. PJ48/282). neste estado. Contra: Todos os crimes de falsidade são formais e de perigo concreto.448. RJTJSP75/317. in RBCCr 7/213. também. infringe o art. Se forem autenticadas. Falsidade grosseira. em razão do ofício. TJPR. DJU 15. RT 587/302.94.581. 47851. documentos públicos por equiparação (CP. Não . Não é inócua nem grosseira a falsidade que surtiu efeito durante longo tempo (TJSP. quando é falso grosseiro. RT701/303. No tocante à competência da Justiça Estadual.788. DJU 17. RTJ 108/156. caput. Carnês de contribuição previdenciária são (TRF da 2 ? R. 13035). pois não estava credenciado a preenchê-lo (TJSP. pois as reproduções fotográficas não autenticadas não constituem documentos (STF.11. mv — 695/302). não ingressaram no mundo factual e. Ap. RTJ 93/1036). RJTJSP 152/295).. TRF da 3 ? R. ■ Falsidade grosseira: Não é grosseira a falsidade que enganou seus destinatários durante longo período e que só pôde ser descoberta com exame acurado ou por pessoa com conhecimentos especializados (STF. RJTJSP 155/304). JSTJ e TRF82/469). RT759/687). TJPR. que deve ser grave e iminente. independentemente da prova do uso (TRF da 2 ? R.. lugar e matéria (STF. incapaz de causar prejuízo a terceiros (TJSP. RTJ 108/156. 6. TJSP. ■ I mpressos: Não há crime na posterior reedição de um jornal. 6342). ■ Cheque assinado em branco: O agente que preenche cheque assinado em branco. DJU 1.576. Não configura o crime a falsidade grosseira facilmente perceptível (STF. 9799. p. o que demanda prova do perigo. também. conseqüentemente. nota sob o mesmo título no art. pois é absoluta a impropriedade de ser o jornal considerado documento para fins penais (STF.94.769. inapta a causar qualquer prejuízo. não produz efeito jurídico (TJSP. com atribuição ou competência para isso. Vide. configura crime impossível por absoluta ineficácia do meio (TFR. TJSP.589 Código Penal Art.. 5. ■ Fax não autenticado: Não configura o delito do art. Ap. para efeito penal (TFR. bastando que a falsidade seja hábil para iludir o homo medius (TJSP. 107. RT 589/363).83). Contra: se há possibilidade de causar dano (STF. pois. mv — RJTJSP 80/417. p. DJU 30.86. 297 ■ Tentativa: Não se admite. ■ Consumação: E crime de perigo e se consuma no momento da falsificação. mv — 123/494. RTJ 86/291).. configura-se o delito (TRF da 1 ? R. RT 584/315. RT778/707). mv— RT646/268). 12. p. RJTJSP 78/368). RT 589/399). Pleno. sem potencialidade danosa (TJSP. p. a falsidade deve ser capaz de enganar o homem de inteligência e capacidade estritamente comuns (TJSP. Ap. ■ Guarda sem uso: Não se configura o crime do art. RT754/743). por ser crime de perigo.9. § 29.96. p. 297 se o agente falsificou o documento mas o manteve guardado. p. RCr 63. Ap.90. idem. ■ Placas ou chapas de veículos: Não são documentos públicos (TJSP. TJRJ. no mundo jurídico (TJSP. mv — RJTJSP 122/507.446. deve ser absolvido (TJPR. após se apossar dele indevidamente. 64221). JSTJ e TRF62/500-1. Assinatura feita sem intenção de imitar é falso grosseiro.9. 297. ■ Xerox não autenticado: Inexiste o crime..

DJU 30. 384. RT 525/349). RJTJSP 91/480). se constituiu meio para a prática do desfalque (H. TRF da 2á R. responde como partícipe. sua colaboração contribuiu para a consumação do delito (TJMG. Ap. 504/333). TFR. II. 779/548. jurisprudência na nota ao art. ■ Mutat/o //be//% Imputado ao acusado. o exame de corpo de delito direto pode ser suprido pelo indireto (TJSP. RJTJSP70/336). 297.Art. . fica absorvida por este (TJSP. PJ 48/308. sem a potencialidade de prejuízo para outrem (STF. 91/814). atua como agenciador de Carteira Nacional de Habilitação falsa.6. DJU 18. RT620/276. sob o título Concurso de crimes. p. Se a carteira de identidade teve o plástico arrancado e a foto substituída por outra. Ap. não havendo falar em desclassificação para o crime de estelionato (STF. DJU 29. admite-se a tentativa (TJSP. Só crime de uso (STJ. 6. 297. RT 760/616). TJSC. confirmada pelo acórdão recorrido. b.9. RT 552/409. condená-lo pelo delito do art. § 2°. RT 604/351. em tese. 3. não é ilícito penal (TJSP. RT 518/347). RT 530/395). RT 575/472). RT 758/633). pouco importando que a ação física da falsificação tenha sido realizada por terceiro (TJRJ. ■ Exame de corpo de delito: É necessário exame pericial.9.863. RT 513/357.90. nessa linha. sequer.355. mediante a substituição da foto. A sonegação absorve a falsidade de documento público (TJSP. sem observância do art. Todavia. RT 539/284. p. v. ainda que de forma indireta. existe concurso material (TJSP. ■ Concurso com peculato: O peculato absorve a falsidade. 3. mv — RJTJSP 120/507.377. RT768/658). usada como meio para o crime de sonegação fiscal. RT 580/316 e 322). sem ser plastificada novamente. DJU 19. pois. ■ Concurso com o crime de uso de documento falso: É pacífico que o agente que falsifica e usa não pode ser punido pelos dois crimes (TJSP. TJSP. há controvérsia quanto a qual dos dois crimes ficará sujeito: a. RTJ 114/1064. mesmo não praticando nenhuma das condutas previstas no art. RT 750/582. 8275). DJU 21. sendo dispensável o efetivo dano (TJSP. 539/276.4. vide. Contra: há concurso formal (STF. também. RTJ98/852. se constituiu manobra para encobrir apropriação anterior (TJSP. não bastando. fornecendo sua foto. n° 375. 297. RT 521/361). 7526. 171 do CP. 297 Código Penal 590 se perfaz o crime.182. 3. ■ Tentativa: Sendo o crime do art. TJSP. Jurisprudência Criminal. RT 550/272. há falsidade grosseira. TRF da 1 á R. p. comete. o crime do art. 2. JSTJ e TRF3/400). Sem repercussão na órbita dos direitos ou obrigações de quem quer que seja. sendo inapta a contrafação (TJPR. Ap. ■ Participação: Aquele que. RT 571/308). 304.9. a confissão do acusado (TRF da 4á R. a não ser que o documento tenha um mínimo de idoneidade material que o torne aceitável (TJSP. ■ Concurso com estelionato: A falsificação e uso de cheque caracteriza o crime de falsificação de documento equiparado ao público. 21397. que não é absorvido pelo uso na prática de outro crime (TJSP. TJSP. TFR. TJPR. do CPP (STJ. Não configura o crime o falso sem aptidão para causar prejuízo (TJSP. o crime do art. com o intuito de iludir outras pessoas. 297 plurissubsistente.90. RT757/510). RT 698/340). Basta a potencialidade apta a enganar e a prejudicar. previsto no art. 6953). mv. TJSP. PJ 47/278). ■ Co-autoria: Comete o crime de falsidade documental o agente que manda falsificar documento público. Ap. e desenvolvida a defesa. RTJ 111/232.558. Só crime de falso (STF. ■ Substituição de foto: O agente que altera cédula de identidade de terceiro. o falso não é punível.. 297. ■ Capacidade de prejudicar: Não há falso punível. sob pena de nulidade ou de não comprovação da materialidade do fato (STF. RT 759/687). RT 571/308. p. RT 499/308). p. FRAGOSO. Como se trata de questão das mais discutidas.80.79. 1979... durante todo o curso do processo. RT 755/550). Se o documento não foi apreendido. Ap. não podia sentença. na denúncia. 4855). 537/304. ■ Concurso com apropriação indébita: Há duas correntes: a. ■ Concurso com sonegação fiscal: Qualquer espécie de falsidade. b. que se compõe de etapas e não é passível de execução por um só ato material.79. caput.

a competência é da Justiça Estadual. RT 755/550). não desloca a competência para a Justiça Federal carteira de trabalho.90.3. . RT527/311).90. 592/304. substituindo-o pelo de outro. também. mv — RJTJSP 113/561. 297 (TRF da 4 R. agindo a mando de escrivão-chefe. que não acarreta lesão à União. mv— DJU 28.94.11. Configura crime continuado e não concurso material a conduta do agente que falsifica dois documentos públicos na mesma ocasião. CComp 765. 612/316. ■ Crime continuado: E crime único e não continuado a falsificação de várias assinaturas para a realização de um único fim (TJSP.90. para vender a coisa ■ furtada. Ap. p. RT 490/291). rasurando o documento a fim de excluir o nome do indiciado. documento particular ou alterar documento particular verdadeiro: Pena — reclusão. RHC 59. 297 do CP (TJSP. De Carteira Nacional de Habilitação é da competência da Justiça Estadual. configurando-se o art. 3621. RT758/547). ainda que o documento seja expedido por repartição pública federal (TJSP. DJU 23. 102/401). p. Falsificar. 581/281). por uma do réu. TJSP. DJU 2. ■ Reparação de prejuízo: No crime de falsificação de documento equiparado ao público. JSTJ e TRF79/327. prevista no art. Súmula 104: "Compete à Justiça Estadual o processo e julgamento dos crimes de falsificação e uso de documento falso relativo a estabelecimento particular de ensino".426.9.856. pela troca da foto. RT 519/311).80. RT 523/443). 297 (STJ. RT 512/455. ■ Certificado de dispensa do Exército: A substituição. não se admite a extinção da punibilidade pela reparação do prejuízo. 307 do CP. ■ Registro de inquérito policial: A escriturária de delegacia de polícia que. §1 2 (TJSP. TJSP.96. para matrícula em escola superior ou ingresso em cargo público. mv— RTJ 101/559.4. 64221. 528/311).. Vide. Se de taxa rodoviária única. vide nota no art. p.5. mv — DJU 5. Concurso com furto: Se o falso é cometido posteriormente.698. CComp 6. RT 543/386. o delito é o do art. 297 do CP (TJPR. 20126-7). Pleno. DJU7.3.196. jurisprudência no art. prevista no art. RJTJSP 157/301. (STJ. pelas mesmas condições de tempo e lugar (TJSP. 2á) E falsidade de documento público. p. da fotografia originalmente constante de certificado de dispensa de incorporação do Exército. 2883. RT 649/266.82. Quanto à competência. no todo ou em parte. CJur 6. FALSIFICAÇÃO DE DOCUMENTO PARTICULAR Art. há duas posições: 1 á) E falsidade material de atestado ou certidão. TJSP. é da Justiça Estadual e não da Federal (STF. ■ Certidão ou atestado escolar: Quanto à falsidade de atestado ou certidão de aprovação ou conclusão escolar. p. é competente a Justiça Federal (STF.94. 297 e 298 ■ Confronto com falsa identidade: Sendo verdadeiro e não forjado o documento de identidade. 4741. 4.. TJSP. sobre ■ Funcionário público (§ 1 4): A exasperação do § 1 2 requer que o agente se tenha prevalecido da função para a prática do crime (STF. 301. do CP (STF.909. in RBCCr 16/377 — hipótese de passaporte). 107. adultera registro de inquérito policial. TRF da 3 2 R. incorre no art. 297.5. há concurso material (TJSC. A simples anotação falsa na carteira de trabalho. Ap.508. 560/323. p. p. e multa. de um a cinco anos. RJTJSP101/500. mesmo que esta tenha ocorrido antes do início da ação penal (STF. mv — RJTJSP 162/305). 2 ti pifica o crime do art.497. DJU 5.9. 307 (falsa identidade) e não o do art. E preciso que pratique o crime em face das facilidades proporcionadas pelo desempenho do ofício (TJSP. TJDF. RT530/434. Contra: compromete a materialidade e individualização do documento verdadeiro. RT528/346). sob o título Substituição de fotografia em documento. pois se trata de documento emitido por órgão estadual de trânsito (STJ. RT 707/377). Ap.89. RT774/560). por tratar-se de delito formal. § 1 2. mas apenas adulterado quanto à fotografia. RT715/435. 299). DJU 12. in RBCCr6/234. 11.679. 298. DJU3. ED 13. p. 1397). pp.5. 14630. mv— RT 573/344. REsp 1. Documento de estabelecimento particular de ensino: a competência é da Justiça Estadual (STJ. 3640. 7791). DJU21. TJSP.591 Código Penal Arts. TFR. ■ Competência: Se a falsificação é praticada em detrimento de órgão estadual. RT 609/307.

2.729/65 ou 8. ■ Diferença entre falsidade material e ideológica: Por muitas razões. A modalidade do falso (material ou ideológico) repercute no cabimento de incidente de falsidade (CPC. que é alterada. 297 do CP. ■ Pena: Reclusão. especialmente a autenticidade dos documentos. Como assinala o mesmo autor. Necessita exame de corpo de delito. pp. Que tenha autor certo. pinturas etc. mas se é ideológica.Art.737/65. segundo a doutrina e jurisprudência dominantes. são requisitos do documento: a. 988/91). as reproduções fotográficas (xerocópias) não autenticadas de documentos. art. Quando a falsidade foi o meio para a prática de estelionato. 298. Forma escrita. 390). IV. previsto no art. Exige-se certa permanência. 299 do CP. Lei n° 4. 297. p. e multa. a seguir indicado. incide no art. E irrelevante o meio empregado para escrevê-lo. a pessoa prejudicada pela falsidade. ■ Sujeito ativo: Qualquer pessoa. ■ Confronto: Se o documento é público. Quanto à capitulação penal. No caso de reprodução mecânica é indispensável a subscrição manuscrita. FRAGOSO. a forma do documento é verdadeira. Relevância jurídica. ■ Ação penal: Pública incondicionada. aplicando-se. poderá ser considerado documento particular. A identificação deve advir da assinatura ou do próprio teor do documento. ao contrário. v. o que se frauda é a própria forma do documento. transportável e transmissível. dotado de significação ou relevância jurídica" ( H. com consciência da possibilidade lesiva a interesse de terceiro. considerando-se como tal o que não está compreendido como documento público (art. no art. ou é forjada pelo agente. . contendo exposição de fatos ou declaração de vontade. 299. No cível. b. ■ Concurso de crimes: Não há concurso com o crime de uso.137/90. caput). Exame de corpo de delito. o que foi comentado com relação à falsificação de documento público (vide nota ao art. as gravações. 304 do CP. não se considerando documentos os impressos. O próprio dccumento público. art. E necessário que seu conteúdo seja juridicamente apreciável. Se a falsidade é ideológica e não material. A simples assinatura em papel em branco não é documento. ■ Tipo objetivo: As condutas previstas são idênticas às do artigo anterior. 988). Se a finalidade é sonegação fiscal. Efeitos da distinção: 1. é importante observar a distinção que existe entre o falso material e o falso ideológico: a. Deve o escrito ser feito sobre coisa móvel. 3. de um a cinco anos. ■ Tipo subjetivo: O dolo. Se a falsidade de documento público é material. 297. desde que seja idôneo para a documentação. vide art. que consiste na vontade de falsificar ou alterar. 297 do CP). Seu conteúdo deve expressar manifestação de vontade ou exposição de fatos. ■ Sujeito passivo: O Estado primeiramente. Lições de Direito Penal — Parte Especial. à exceção do objeto material. 89 da Lei n 2 9. que cria um documento novo. a idéia ou declaração que o documento contém não corresponde à verdade. Se a adulteração é referente a resultado do jogo de bingo. Se o falso em documento particular é material. não nas ideológicas. Na falsidade material. documento "é todo escrito devido a um autor determinado. há entendimentos divergentes (vide nota Concurso de crimes. Não há forma culposa.099/95). insere-se neste art. ■ Consumação: Com a efetiva falsificação ou alteração. isto é. 171 do CP). Para a lei penal. se for ideológico. 349 da Lei n 2 4. 297. e. quando nulo por falta de formalidade legal. ou que não é a este equiparado para fins penais (art. secundariamente. b. 299 do CP. ■ Tentativa: Admite-se.615/98. como também não o é o escrito ininteligível ou desprovido de sentido. mas seu conteúdo é falso. Só é indispensável nas falsidades materiais. que possa ter conseqüências no plano jurídico (idem. art. no todo ou em parte. d. c. 79 da Lei n 2 9. no art. enquadra-se no art. Se a falsificação tem fins eleitorais. § 2 2). O escrito anônimo não é documento. Não se incluem as fotografias. aqui. ■ Objeto material: É o documento particular. art. Na falsidade ideológica. 1965. Na escola tradicional é o "dolo genérico". embora não precise ser indelével. 298 Código Penal 592 Falsificação material de documento particular ■ Suspensão condicional do processo: Cabe (art. ■ Objeto jurídico: A fé pública.

651/260). mas não havendo prova da autoria do delito. pois as declarações falsas contidas na ata compõem o próprio documento particular falso (TJSP. Os representante sindicais que procedem à lavratura de ata de assembléia. levando-a a registro e arquivamento em cartório. para criação de novo sindicato. 297 do CP. Se o papel firmado em branco não foi confiado ao agente. RT 580/322). ■ Capacidade para prejudicar: Não há falsidade sem capacidade para causar prejuízo (H. 298. RT571/310). o crime é de falsidade material e não ideológica (TJSP. RF257/295). RTJ 122/557). Basta a possibilidade de causar dano (TJSP. ■ Concurso com crime de tóxico: A falsidade de receita médica para a compra de entorpecentes é absorvida por esta (TJRJ. RT519/320). necessidade de que resulte prejuízo efetivo (TJSP. 13493). ou alheios a fato com efetiva ou eventual relevância na órbita jurídica (TJSP. DJU 30. A falsidade ideológica concerne ao conteúdo. ■ Distinção entre falsidade material e ideológica: Na falsidade material o que se falsifica é a materialidade gráfica. 335 do CP (TJSP. 298 Jurisprudência ■ Documento: As fotocópias e outras reproduções mecânicas. Quem cria documento. não bastando simples rabisco (TJSP. do documento. RT513/367). RT 507/341). TJSP. Não há. ■ Autoria da falsidade: Estando comprovada a falsidade da assinatura da vítima na alteração do contrato social da empresa. Vide. também. que não ocorreu. RT 571/308. RTJ 105/960). isto é.5. JC 69/515).593 Código Penal Art. jurisprudência no art. forjada ou criada. sem prejuízo do oferecimento de nova denúncia. comete falsidade material e não ideológica (TJSP. . RT 528/321). na confecção desta e não quando do registro (STF. PT770/551). FRAGOSO. tranca-se a ação penal. RT729/522. p. sob os títulos Xerox não autenticada e Impressos. quando não autenticadas. assim como papéis totalmente datilografados ou impressos sem assinatura (TJSP. RJTJSP 157/304. se apurada a autoria ou mesmo para imputação do crime de uso de documento falso. n° 237. Não podem ser objeto de falso os documentos juridicamente inócuos. Jurisprudência Criminal. RT 495/292). TJSC. 514/321). ■ Concurso com estelionato: Vide jurisprudência no comentário ao art. 1979. II. porém. e não à forma. valendo-se de identidade alheia. ■ Concurso com perturbação de concorrência pública: Inadmissível a absorção da falsificação de documento particular pelo delito do art. RJTJSP 176/320-1). Quando esta é alterada. RTJ 124/976). mas a coletividade em geral (TJSP. ■ Papel assinado em branco: É falso material e não ideológico a conduta de quem se vale de papel assinado em branco para forjar documento que não lhe fora confiado para posterior preenchimento (TJSP. 616/295. alheios à prova de qualquer direito ou obrigação. também. ■ Falsidade grosseira: O crimen fa/si só existe quando realizado com um mínimo de idoneidade material. é seu teor ideativo ou intelectual (STF. visto que a alteração falsificada foi submetida a registro na Junta Comercial (TJSP.446. 171 do CP. e não. RJTJSP 104/440. é ação posterior irrelevante (TJSP. RT 510/348). enquanto o falso ideológico diz respeito ao conteúdo do documento (STF. RJTJSP 181/270. ■ Concurso com apropriação indébita: Se a falsidade objetivou ocultar apropriação anterior. cometem apenas o crime do art. a falsidade a identificar-se é a material (TJSP. e não a partir de sua utilização. RT 774/586). visível. RHC 3. 297 do CP. RT 522/359). ■ Consumação: Consuma-se com a efetiva falsificação ou alteração. Vide jurisprudência na nota ao art. ■ I mitação do verdadeiro: E necessária a imitação do verdadeiro. O falso material envolve a forma do documento. RT637/265). na ideológica. v. no caso de escritura. 299. Não se configura a falsidade se o agente não teve a menor preocupação de imitar a letra da vítima (TJSP. RJTJSP 108/471). o do art.95. não são documentos por sua inaptidão probatória (STJ. mas este dele se apossou. necessário para tornar possível a aceitação do falso por verdadeiro e enganar não apenas um indivíduo ou um grupo determinado de pessoas. ■ Concurso com crime de uso: Não há concurso entre falsidade e uso do documento falsificado (TJSP.

c. posto que o exame é essencial à apuração da verdade e à decisão da causa (STF. No crime deste art. São três as modalidades alternativamente previstas: a. Fazer inserir declaração falsa ou diversa da que devia ser escrita. de um a cinco anos. a fim de justificar faltas ao trabalho. configurando o interesse da União (art. ■ Tipo objetivo: A falsidade que este art. seria suportado exclusivamente pela empregadora.8. 299 incrimina é a ideológica. 298 e 299 Código Penal 594 ■ Exame de corpo de delito: O crime de falsidade material requer exame de corpo de delito (STF. e multa. embora particular. RJTJSP 174/307). criar obrigação ou alterar a verdade sobre fato juridicamente relevante: Pena — reclusão. ■ Sujeito passivo: Primeiramente. declaração que dele devia constar. e não o falso material (vide. Se o prejuízo causado pela falsificação de atestado médico do INAMPS. e multa.099/95). ■ Competência: Compete à Justiça Federal processar e julgar o crime do art. Omitir. O agente omite (silencia. RTJ 122/557). 298. Se o agente for funcionário público. Fa/sidade ideológica ■ Objeto jurídico: A fé pública. O agente. com o objetivo de ingressar em instituição de ensino superior. não precisando. ou nele inserir ou fazer inserir declaração falsa ou diversa da que devia ser escrita. e reclusão de um a três anos. Parágrafo único. ser quem redige o documento. coloca) declaração falsa ou diversa da que devia ser consignada. 298 do CP). b. O comportamento é semelhante. aumenta-se a pena de sexta parte. fazendo com que outrem insira a declaração falsa ou diversa. ■ Suspensão condicional do processo: Cabe no caput (art. Se o agente é funcionário público. comentário com o título Diferença entre falsidade material e ideológica). ■ Sujeito ativo: Qualquer pessoa. p. e tenha por objeto fato juridicamente relevante.Arts. torna-se este indispensável e sua falta induz nulidade absoluta. pois "uma simples . pois está sujeita à fiscalização federal. e comete o crime prevalecendo-se do cargo. é indispensável que a falsidade seja capaz de enganar.85. necessariamente. 299. que se refere ao conteúdo do documento. especialmente a genuinidade ou veracidade do documento. RHC 62. secundariamente. ou seja. 299. 109. ou se a falsificação ou alteração é de assentamento de registro civil. Contra: Súmula 104 do STJ: "Compete à Justiça Estadual o processo e julgamento dos crimes de falsificação e uso de documento falso relativo a estabelecimento particular de ensino". no art. ■ Reconhecimento de firma: Mesmo em documento particular. Em qualquer das modalidades.743. Omitir declaração que dele devia constar. a competência é da Justiça Estadual (TJSP. A conduta é omissiva. "é mister que a declaração falsa constitua elemento substancial do ato ou documento". o Estado. 298 do CP. sua falsificação é de documento público (STF. com o fim de prejudicar direito. 297 e § 22 do CP) ou o documento particular (vide nota ao art. RT 747/603). a pessoa prejudicada pela falsidade. não menciona) fato que era obrigado a fazer constar. diretamente. DJU 2. 12047). RTJ 121/110). Estando os documentos à disposição para exame. em documento público ou particular. Inserir declaração falsa ou diversa da que devia ser escrita. 89 da Lei n° 9. IV. se o documento é particular. insere (faz constar. vide parágrafo único. da CR/88) (STF. mas o agente atua indiretamente. o objeto material é o documento público (vide nota ao art. FALSIDADE IDEOLÓGICA Art. se o documento é público.

v. v. ■ Pena: Se o documento é público. Se a falsidade ideológica é para fraudar a fiscalização ou o investidor de títulos ou valores mobiliários. Não há forma culposa. a inscrição de nascimento inexistente configura só o crime do art. 1995.737/65. Se a fo ún/co) falsificação ou alteração é de assentamento de registro civil. 242 do CP. ■ Tipo subjetivo: O dolo. Ill. 1959. art. e multa. Se o agente é funcionário público (vide nota ao art. criar obrigação ou alterar a verdade (vide Tipo subjetivo). ■ Remição de pena: Declarar ou atestar falsamente prestação de serviço para fim de instruir pedido. v. 1985.. Direito Penal. reclusão. art. de pessoa física ou jurídica inexistente (Il) e de pessoa jurídica liquidada de fato ou sem representação regular (Ill). ■ Consumação: Com a efetiva omissão ou inserção. vide art. que a Lei n° 6. inócuo. Quanto à simulação. 33 da Lei n° 9. ou omissão da verdade. antes enquadrada neste art. contra. v. salvo na modalidade de omitir declaração (nesse sentido: DAMÁSIO DE JESUS. parágrafo único.383/91. sob igual título. é atualmente objeto de definição penal especial. ■ Tentativa: Admite-se. o falso será material.898/81 inseriu no art.■ Duas são as hipóteses: a. responderão como co-autores de crime de falsidade o gerente e o administrador de instituição financeira ou assemelhada que concorrerem para que seja aberta a conta ou movimentados recursos sob nome falso (/). IV.015/73. simples preterição de formalidade etc. e multa. p. IV. ■ Falsidade de registro civil (registro de filho alheio como próprio): A chamada adoção à brasileira. vide art. Figuras qua/ifi. Direito Penal. Se há fins eleitorais. Manual de Direito Penal.841/99. vide Lei n° 7. 9 2 . e a falsidade posterior ao parto suposto ou à supressão ou alteração de direito de estado de recém-nascido. IV. Como consigna a lei. será "um dado supérfluo. caso contrário. 242 do CP (vide nota a esse artigo). in RT 667/250). Se o documento é particular. p. 242 do CP. Todavia.729/65 ou 8. Quanto ao concurso com estelionato. ■ Concurso de crimes: Não há concurso com o crime de uso do art. calas (parágra.605/98. 1995.327 do CP) e comete o crime prevalecendo-se (valendo-se) do cargo. MAGALHÃES NORONHA. p. 130). não constituirão" ( MAGALHÃES NORONHA. 299 mentira. segundo orientação dominante. ■ Microempresa: Nos termos do art.595 Código Penal Art. 64 da Lei n°8. b. 304. 237). 1995. Na doutrina tradicional indica-se o "dolo específico". art. 299 do CP (LEP.137/90. a falsidade de declaração prestada. p. constitui o crime do art. de um a cinco anos. Tratando-se de afirmação falsa ou enganosa.492/86. A alteração da verdade deve ser juridicamente relevante e ter potencialidade para prejudicar direito. . inserir ou fazer inserir. indiferente" ( MIGUEL REALE JÚNIOR. v. criar obrigação ou alterar a verdade sobre fato juridicamente relevante"). ■ Confronto: Se o fim é sonegação fiscal. 299 do CR ■ Contas bancárias "fantasmas": Segundo o art. objetivando os benefícios da mesma. de um a três anos. também não admitindo a tentativa na modalidade de inserir. 241 do CP. Se o crime é o de registro de filho alheio como próprio. 163). VII. o falso ideológico deve ter a finalidade de prejudicar direito. e JÚLIO F. mera irregularidade. p. 166. reclusão. 299. Lei n° 4. 171 do CP. exige-se que se trate de papel entregue ou confiado ao agente para preenchimento. MIRABETE. por parte de funcionário público em procedimentos de autorização ou de licenciamento ambiental. caso contrário. caracteriza o crime do art. 53). e o elemento subjetivo do tipo referido pelo especial fim de agir ("com o fim de prejudicar direito. não é pacífica na doutrina a sua caracterização como falsidade ideológica (contra: BENTO DE FARIA. Código Penal Brasileiro. o delito do art. vide nota ao art. 66 da Lei n° 9. ■ Ação penal: Pública incondicionada. Direito Penal. que consiste na vontade livre e consciente de omitir. São assentamentos os indicados na Lei n° 6. 350 da Lei n°4. Na hipótese de abuso de folha assinada em branco. 54.

j. 7839). RT 519/363). A declaração de não estar respondendo nem ter respondido a nenhum inquérito policial. já que tal afirmação dependia de averiguação por parte do funcionário (TJSP. 0 pedido de registro de nascimento sujeito a verificação judicial (TRF da 4 . mv— RT691/342. A falsa declaração em requerimento de atestado de residência (TJSP. RJTJSP 107/432). mas se valendo de identidade de outrem. RT602/336. O requerimento dirigido à OAB para fins de registro. RT 524/344). para tais fins. 24. 642/283. 4. RT 537/272). TRF da 3 R. ■ Falsidade "culposa": Não há falsidade ideológica culposa (TJSP. para produzir efeito jurídico com força probante.4. 299 Código Penal 596 ■ Prescrição: Tratando-se de falso em registro civil. se depender. RJTJRS declaração cadastral não é falsidade ideológica. á ■ Consumação: Consuma-se pela inserção da declaração falsa (TRF da 4 R. ainda. JSTJ e TRF77/486). RT 719/390.R. RJTJSP 170/297).. Não pode haver participação culposa (TJSP. RT733/543). TJMG. Jurisprudência ■ Distinção entre falsidade ideológica e material: A falsidade material envolve a forma do documento. TJSP.10. ■ Requerimento ou petição: Ainda que contenha informação inverídica. a falsidade a identificar-se é a material (TJSP. A falsidade ideológica concerne ao conteúdo. mv— RJTJRS 165/78.15. ■ Concurso de pessoas: Note-se. RT 513/367)... RT 792/722). Não há crime de falso na petição de advogado que . 111. do CP. 491/292). vide nota ao art. Vide. HC 278. enquanto a ideológica diz respeito ao conteúdo do documento (STF. g. RT 525/349). Se o agente cria documento.2d. sob pena de inépcia (TJSP.988. Assim. RT779/634.90. Ap. RCr 17. Ap. que é o fim de prejudicar direito. ou a declaração de não possuir títulos protestados. pp. f.00. RT779/548. RT672/292. que estas são testemunhas da declaração e não do fato declarado. o falso é material e não ideológico (TJSP. TJRS. IBCCr 100/524). 298 do CP. aumentada de sexta parte. pois aquela declaração não é documento (TJSP. Serão partícipes do crime só se tiverem agido com conhecimento da falsidade.Art.90. RT508/327). Não há falsidade ideológica sem consciência da falsidade (TJSP. JSTJ e TRF89/415). na presença de testemunhas. e não à forma. não é idônea para configurar o crime de falsidade ideológica (TJMS. A declaração prestada por particular ao funcionário. 157/304. ■ Tipo subjetivo: O crime de falsidade ideológica só se perfaz como dolo específico (STF. Quando esta é alterada. RJTJSP 81/367). deve valer por si só.481. RJTJSP 84/384). c. A declaração. 543/331). Há ressalva. TJRS. TRF da 1 2 R. não caracterizam o delito: a. JSTJ e TRF39/451. p. jurisprudência com igual título no art. b. de comprovação.2. RJTJSP 170/297.. 24360-1). e. por sujeitar-se à pronta averiguação (TJSP. interpretando que a possibilidade de verificação da verdade só se aplica quando esta é apurável por meio de confronto objetivo e concomitante da autoridade (STF. contendo informação falsa sobre a residência do requerente (TRF da 1 á R. RTJ 115/171.. em pedido de concordata (TJSP.. 2 com vistas a se habilitar a cargo de mando em instituição financeira (TRF da 3 R. RTJ 105/960). 2 RJTJSP 124/524-7. 166. TRF da 3 2 R. A simples declaração de endereços falsos em TRF38/481. de que o título extraviou-se (TJSP.701-3/0. h. feita em documento público ou particular. RT701/317. in Bol. mv RTJ 143/129-30).. ■ Pena: A do Caput. TJMG. RT 537/301). 590/334. DJU ■ Documento sujeito a verificação ou comprovação: Não existe falso ideológico em documento sujeito a verificação (TJSP. RT 649/247). mv— DJU25. 0 preenchimento de questionário junto ao Banco Central. no caso de declaração perante o registro civil. A declaração prestada pelo agente de que o protesto referia-se a homônimo (TJSP. simples requerimento ou petição não é considerado documento para efeitos penais (TJSP. A denúncia deve referir-se ao elemento subjetivo. JSTJ e 165/121).762-3/1 in Boi IBCCr 89/441. A inserção em carteira de trabalho de falsos vínculos empregatícios. com o fim de obter emprego em empresa privada. forjada ou criada. e por esse motivo. criar obrigação ou alterar a verdade sobre fato juridicamente relevante (TJSP. IV.

RT 520/370). não constitui ilícito penal. é falsidade material (TJSP. 299. sob o título Papel assinado em branco. 15894. RT613/311). Não é falso ideológico a assinatura verdadeira de fichas em branco (TJSP. Não há crime. TJSP. RJTJSP 174/314-5. 0 fato jurídico relevante não basta ser indicado apenas hipoteticamente. DJU 2 19. vide nota ao art. com intuito de afastar óbice à percepção do seguro.. 6. 298 do CP. Configura-se. mas se este se apossou do papel. sem qualquer repercussão na órbita dos direitos e das obrigações de quem quer que seja. TRF da 22 R.99). Não tipifica o crime do art. mv— RT 523/326). Não há crime. pois não beneficiou o agente nem prejudicou terceiros (TJSP.. Ap. 299 nega a autenticidade de assinatura verdadeira. RT 609/319. e 18 do CPC (TJSP.071. DJU 27.995-3/3. in RBCCr6/234). pois tal cessão só se opera mediante escritura pública (TJSP. RT585/334). reprodução fotográfica. CEsp. RJTJSP 175/148). Ainda que mal explicada. 299 a falsidade de documento particular de cessão ao portador de direitos hereditários.2. não caracteriza o delito do art. RT 559/368).963. TJSP.9. ■ Nota promissória assinada em branco: 0 preenchimento do valor e data de vencimento de nota promissória assinada em branco pela vítima e deixada com a acusada. mv— DJU 17. 299. RT760/593). não apresentam. bastando a potencialidade de evento danoso (STF.8. STJ. como garantia de jóias entregues em consignação. que estava dirigindo (STF. JM 131/480). p. JSTJ e TRF38/481). se os documentos não apresentam contradição e um deles não foi subscrito pelo acusado (TJSP. RT553/401. O falso ideológico exige que seja verossímil (TJRJ. o dano é pressuposto da falsidade (STJ. RJTJSP 157/304). em vista do fim a que se destinava (TJRS. j. objetivando permitir o licenciamento de veículo em local diferente do imposto pela legislação de trânsito. p. isoladamente. TJMG. RT 783/582). já que não é potencialmente lesiva nem prejudica direitos ou cria obrigações (STJ. que não pode dar ensejo à responsabilidade penal (TRF da 22 R. mv — RJTJSP 81/366). mas apenas ressarcir-se daquilo que achava justo (TJSP. TRF da 3 R. II.96. p. . 4798. Não há crime de falso ideológico se inexistiu dano.. ao menos. 25938. potencialidade lesiva (TRF da 4 2 R. neste caso. A falsidade ideológica não exige dano efetivo. se o papel fora confiado ao agente. 17. A conduta do agente que presta declaração inverídica a respeito do seu domicílio. A falsidade inócua. RT767/584).92. restringem-se as conseqüências da hipótese aos arts. TJSP. embora contenha em si ostensivamente o requisito da alteração da verdade documental (TJSP. pois esta não quis prejudicar direito. ■ Inidoneidade do falso: E impunível a falsidade ideológica que não tenha. a existência de dois boletins de ocorrência a propósito do mesmo fato não constitui falsidade ideológica. e não o filho menor. ainda que não resulte efetivo prejuízo ou lucro (TJSP. por ser o seu uso inócuo (TRF da 32 R. ■ Boletim de ocorrência: E documento público.85. se não havia possibilidade de prejuízo. se o falso era grosseiro. 81. RT704/410. se os documentos não estão revestidos das características que os tornam hábeis a enganar (TJSP.94. potencialidade de dano (TJSP. RT543/321. DJU 3. não configura o crime do art.173. ■ Microfilme: Inexiste a materialidade do delito se o documento é apenas um microfilme. ■ Crime único: Não respc idem por falsidade em concurso material os agentes que se utilizam de oito falsificações para instruir um único pedido de autorização para sorteio de carros.. RT 499/307). p. RT 763/705). TJSP. incapaz de enganar e causar prejuízo (TFR. mv— JSTJ e TRF 52/203-11). 765/592. Quanto ao abuso de folha assinada em branco. ■ Capacidade para enganar: Inexiste o crime do art. b. RT531/328). RT760/681). Ap. 299.11. Ap.9.. RJTJSP 81/365).597 Código Penal Art. 64215. porquanto as falsificações. ■ Dano potencial: a. ou era ineficaz. praticando falsidade ideológica o pai que. ■ Assinatura de papel em branco: O preenchimento de folha de papel assinada em branco é falsidade ideológica. RT641/388. 1 0. RT 641/388. TJMG. criar obrigação ou alterar a verdade sobre fato juridicamente relevante. 256. JSTJ e TRF 35/339. Ap. afirma ser ele. 15.

■ Xerox não autenticado: O agente que. ou seja. in RBCCr 10/221). 299 o fornecimento. ■ Passaporte: Caracteriza o delito do art. 299 (TJSP. HC 84. sem potencialidade para prejudicar direito.81. mv— RT758/502. p. em que consistiu o fim do agente. A denúncia deve abranger. 4. que não existe in incertam personam (STJ. a eventual fraude mostra-se.95. RT595/336). 39 do CP) não configura o delito do art. ■ Atestado médico para adiamento de interrogatório: Não tipifica falsidade ideológica o atestado médico que. RTJ 125/184. p. ■ Habilitação de casamento: A declaração feita em processo de habilitação de casamento. que goza de fé pública (TRF da 3 2 R. insuficiente para caracterizar o estelionato. HC 84. conforme a sua modalidade (TFR.102. 24360-1).2.140. 3027. por prevalecer a data firmada por oficial de justiça. não sobre juízo de convicção (TJMT.11. RT781/648). 4.140. na verdade.90. pp. criar obrigação ou alterar a verdade sobre fato juridicamente relevante. Não constitui falsidade a mentira em declarações meramente enunciativas. RT784/603). 299 do CP (TJSP. ■ Diploma superior: A falsidade ideológica de diploma de estabelecimento de ensino superior apto a receber registro no MEC é de documento público (TRF da 4á R. ■ Vestibular ou concurso público: O preenchimento.Art. CEsp. DJU 4.2. DJU 1. de que o pai da noiva encontrava-se em lugar ignorado há mais de quinze anos. RT 690/320). não configura o delito deste art. opina pela necessidade de tratamento ou de repouso. in RBCCr 10/221). RJTJSP 170/336. ■ Declaração de pobreza: Firmada pelo acusado para beneficiar-se da justiça gratuita. DJU 1. identificando o código da doença.10. RT 776/530). de gabaritos em vestibular não tipifica crime de falsidade ideológica. 130 da LEP (TJSP. TRF da 1 2 R.. em depoimento pessoal. ■ Defesa prévia: Não configura falsidade ideológica a apresentação de defesa prévia com rol de testemunhas presumidamente fraudulento. ■ Exame pericial: A falsidade ideológica dispensa a prova pericial (STF. para emissão de passaportes. ■ Relevãncia: A falsificação precisa ser relativa a fato juridicamente relevante (TJSP. 3027. pois neles não foi omitida. 299 do CP (TJSP. ■ Mandado de intimação: Não caracteriza o crime do art. ■ Depoimento pessoal: A omissão da verdade ou inverídica declaração. 301 do CP. TJMG. ■ Remição de pena: A falsificação de atestado de prestação de serviço para instruir pedido de remição (art. RT 783/754).419. além dos elementos materiais que configuram o crime. DJU 26. 11957.81. 5314). 299 Código Penal 598 ■ Denúncia: Não basta que a denúncia indique o elementar "fato jurídico relevante" apenas hipoteticamente (STJ. apresenta simples fotocópia de carteira da OAB pertencente a pessoa já falecida e preenchida com os dados pessoais do acusado. por não possuir a peça processual natureza de documento (TRF da 3 2 R. sob pena de inércia (TJPR.6. p. tendo em vista o preceituado no art. 299 a aposição de data falsa de intimação em mandado judicial. inserida ou feita declaração falsa diversa da que deveria ser escrita. RT 651/306). TJSP. de dados pertencentes a pessoas diversas daquelas cujas fotografias foram apostas nos documentos. após solicitação de autoridade policial. Ap. a descrição do elemento psicológico do tipo. RCr 4. DJU 17. pois reprodução fotográfica não autenticada não constitui documento (TJSP. não comete o crime de falsidade ideológica nem de uso de documento falso.95. Contra: depende. também. ou sobre fatos a respeito dos quais o documento não se destina especificamente a provar: era caso de pessoa que alegara haver perdido a carteira de habilitação quando. mas sim o do art. RT 613/311). não configura falso ideológico (STJ.. RT 780/707). esta fora apreendida (TJSP. RJTJSP 183/294).. p. 299. não se enquadra no art.. JM 131/480). ■ Registro de menor "adotado": O registro de filho alheio como próprio passou a ser tipificado pelo art.988. através de "cola eletrônica". 0 fato . Ap. RT546/344). visto que estes são autênticos em sua forma e falsos em seu conteúdo (TRF da 1 2 R.. 242 e não mais pelo art. E ensinamento doutrinário que sobre o fato doença é que o falsum deve versar. mv— JSTJ e TRF 52/203). RT 605/269).

Reconhecer. e de um a três anos. ■ Consumação: Com o efetivo reconhecimento. Pune-se o reconhecimento como verdadeiro de firma ou letra que não o seja. ser absorvida pelo falso ideológico. e. 300. Consiste na vontade livre e consciente de reconhecer firma ou letra que sabe ser falsa. este delito. ■ Concurso com sonegação fiscal: Se usado para sonegação fiscal. sob os títulos Autodefesa e Para ocultar o passado. 242 do CP. deve a corrupção. ■ Concurso com estelionato: Há quatro correntes diversas ( vide. Na doutrina. TJSP. Na escola tradicional é o "dolo genérico". Fa/so reconhecimento de firma ou letra ■ Objeto jurídico: A fé pública. Súmula 62 do STJ: "Compete à Justiça Estadual processar e julgar o crime de falsa anotação na carteira de trabalho e previdência social. ■ Confronto: Se há fins eleitorais. sem dependência de outra conseqüência (delito formal). no art. RT643/330). Se o documento ideologicamente falso destinado à obtenção de benefício previdenciário sequer chegou a ser usado perante o INSS. em face da alteração que lhe introduziu a Lei n° 6. a pessoa prejudicada. DJU9. 89 da Lei n° 9. ■ Concurso com corrupção: Em se tratando de delito-meio. ■ Sujeito ativo: Somente o funcionário com fé pública para reconhecer (crime próprio). secundariamente. Antes era dominante a orientação que decidia ser atípica a conduta de registrar filho alheio como próprio. 6270. especialmente a autenticação de documentos. como delito-fim (TJMG. o falso ideológico é absorvido por aquele crime (TFR. 307 do CP (TJSP. p. desclassifica-se para o art. RJTJSP 174/314).737/65. 299 e 300 enquadra-se. 307.898. enquanto letra é o manuscrito todo da pessoa. certificar). 242 do CP). HC 6. 352 da Lei n° 4. no exercício de função pública. nota Concurso de crimes). como verdadeira. que só se costuma reconhecer em casos de testamento de próprio punho. se o documento é público.4. ativa ou passiva. tanto no caso de documento público como particular (art. embora possa haver partícipe sem essa qualidade. vide art. a competência é da Justiça Estadual (STJ. ■ Concurso com falsa identidade: Se o acusado compareceu em juízo sob falso nome.3. ■ Suspensão condicional do processo: Cabe. absorve aquele (TRF da 5 R. Não há punição a título de culpa.87. ainda que eventual. RT697/288. .81. de 30. considera-se indiferente ser o reconhecimento feito por semelhança. autêntico ou indireto. também. Firma é a assinatura. a competência é da Justiça Estadual (TJSP. se o documento é particular. de um a cinco anos. RT 767/718). ■ Tipo subjetivo: Exige-se o dolo. FALSO RECONHECIMENTO DE FIRMA OU LETRA Art. ou na dúvida quanto à sua autenticidade. ■ Concurso com apropriação indébita: Se a falsidade da autenticação da guia "DARF" teve por finalidade tornar viável o cometimento de apropriação indébita. Inocorrendo lesão aos serviços da União. como crime-meio. Vide. e multa. e multa. no art.778.099/95). ■ Tipo objetivo: 0 núcleo é reconhecer (atestar. 531/320).599 Código Penal Arts. jurisprudência no art. RJTJSP 154/285). firma ou letra que não o seja: Pena — reclusão.. visando evitar descoberta de seus antecedentes criminais. atribuído a empresa privada". ■ Sujeito passivo: Primeiramente o Estado. 171 do CP. agora. ■ Competência: Súmula 104 do STJ: "Compete à Justiça Estadual o processo e julgamento dos crimes de falsificação e uso de documento falso relativo a estabelecimento particular de ensino". RT 729/507). para beneficiar o menor (vide jurisprudência na nota ao art.

a partir da vigência da Lei n° 10. 89 da Lei n°9. Se o crime é praticado com o fim de lucro. cumpre à acusação mostrar a dessemelhança. Em face do princípio da isonomia (art. cabe transação nos crimes de competência da Justiça Federal. em razão de função pública. aplica-se. atesta ou certifica falsamente. 2 ■ Suspensão condicional do processo: Cabe no caput. 2 em vigor a partir de 12. Quanto . cuidando-se de pena máxima cominada não superior a dois anos. no § 1 e na combinação de ambos com o § 2 2 (art.099/95). a de multa. 100 do CP. ou alterar o teor de certidão ou de atestado verdadeiro. pelo confronto com a firma constante dos registros do cartório. reclusão. parágrafo único. a culpa não é punida na esfera penal. o reconhecimento. para prova de fato ou circunstância que habilite alguém a obter cargo público. ■ Sujeito ativo: Só o funcionário público. só na civil (TJSP. reclusão. Falsificar. ■ Reconhecimento por semelhança: Se o reconhecimento da assinatura foi feito por semelhança.1. atestado ou certidão. FALSIDADE MATERIAL DE ATESTADO OU CERTIDÃO § 1 2. 9. a art. sob o título Juizados Especiais Criminais (Federais)]. ■ Tipo objetivo: São dois os núcleos empregados: atestar ou certificar. caput. 2 transação também cabe no § 1 2 . a transação será cabível ainda que o crime seja da competência da Justiça Comum Estadual [vide nota no Assim.Arts. pois não existe o crime do art. RF 193/327). 2 ■ Transação: Cabe no caput e na sua combinação com o § 2 (art.259. mesmo que combinado com o § 2 . em razão de seu ofício (crime próprio). Pune-se o funcionário público que. ■ Consumação: Consuma-se com o reconhecimento. especialmente a das certidões e atestados.01. CERTIDÃO OU ATESTADO IDEOLOGICAMENTE FALSO Art. De acordo com o art. da CR/88) e da analogia in bonam partem. mv— RJTJSP78/384). 76 da Lei n° 2 .7. além da pena privativa de liberdade. em razão de função. RJTJSP94/407). fato ou circunstância que habilite alguém a obter cargo público. ou qualquer outra vantagem: Pena — detenção. de um a cinco anos. de dois meses a um ano. entendemos que.099/95). que compreende a ciência da falsidade da assinatura reconhecida. Atestar ou certificar falsamente. ■ Ação penal: Pública incondicionada. e multa. RT 524/458). de 12. § 2°. 5 2 .259/01. Se o documento é particular. 300 e 301 Código Penal 600 ■ Pena: Se o documento é público. da Lei n° 10. de três meses a dois anos. no todo ou em parte. caso existente (TJSP. de um a três anos. 300 sem procedimento doloso do agente (TJSP. e multa. independentemente do fim dado ao documento em que a firma foi reconhecida (STF. ■ Sujeito passivo: O Estado. sem ressalva ou explicação. E nula a denúncia omissa a respeito do dolo. ■ Formas de reconhecimento: O art. faz presumir que foram dadas por autênticas (STF.02. ou qualquer outra vantagem: Pena — detenção. Jurisprudência ■ Dolo: O crime só é punido a título de dolo. 301. RT512/333). 300 do CP não faz distinção entre os modos que os praxistas ou as fórmulas tabelioas enumeram. isenção de ônus ou de serviço de caráter público. Certidão ou atestado ideo%gicamente fa/so (caput) ■ Objeto jurídico: A fé pública. isenção de ônus ou de serviço de caráter público.

96. Ap. em que o falso é ideológico. 301 ao que se atesta ou certifica.0481859/DF.4. 297 do CP.601 Código Penal Art. ■ Consumação: Com a efetiva falsificação (total ou parcial) ou alteração. Predomina a opinião de que a falsa atestação deve ser originária e não cópia falsa de documentos oficiais ( HUNGRIA. IX. p. ■ Consumação: Com a efetiva atestação ou certificação. 301. Se o Figura qua/if/cada pelo fim de lucro (§29 Jurisprudência . p. Na escola tradicional é o "dolo genérico". RSE 97. RT 650/282). VII.2. 301. § 1 ° (TRF da 5 R. v. 28541). 1959. ■ Tipo subjetivo: Se o crime é praticado com fim de lucro. ■ Alcance: Aplica-se tanto ao delito do caput como ao do § 1 2 . 301. para matrícula em estabelecimento superior. ■ Pena: Detenção. DJU3. ■ Tentativa: Admite-se. ou no art. in RBCCr 14/428-9).. ■ Tentativa: E problemática a sua admissibilidade. 1978. neste art. 301 do CP é uma modalidade mais brandamente apenada de falsificação de documento público ou falsidade ideológica cometida por funcionário público. Falsidade Documental. 301 não são crimes autónomos. 297 do CP). Julgados 78/262). Para os tradicionais. geralmente. 1959. v. com consciência de que poderá propiciar vantagem a outrem. limita-se àqueles documentos emitidos pelos órgãos da administração pública que não caibam dentro dos conceitos de "atestado" e "certidão" (TJSP. p. e 299. que indica o elemento subjetivo do tipo. poiso parágrafo é fração do artigo (TRF da 1 á R. é o tipificado no art. p. p. ti pificando a falsidade de atestado ou certidão escolar. 0 caput e o §1 2 do art. 1995.. também a de multa.97. Comentários ao Código Penal. Não há punição a título de culpa. 610. ■ Pena: Além da privativa de liberdade. 131). O objeto material é igual ao do caput.01. 293.. ■ Tipo subjetivo: Semelhante ao do caput. 27211.96. visando à obtenção de vantagem funcional. o falso é material (TACrSP. entendida como da mesma natureza das demais.. in RBCCr 15/409). a tipificação é a do art. p. contra: BENTO DE FARIA. a lei diz. § 1 2 . 58). 297 do CP (TRF da 2 á R. no todo ou em parte. 177. a falsidade é ideológica. ■ Sujeito ativo: Qualquer pessoa (crime comum quanto ao sujeito). DJU 21. A respeito dos núcleos falsificar e alterar. 6. Embora a cláusula final "ou qualquer outra vantagem" seja.11. Ap. Código Penal Brasileiro.00. 297 do CP (vide jurisprudência na nota ao art. ■ Ação penal: Pública incondicionada. Fa/sidade materia/de atestado ou certidão (§ 1°) ■ Objeto jurídico e sujeito passivo: Iguais aos do caput. DJU 13. ■ Diferença: No caput do art. ■ Tipo subjetivo: O dolo. é o "dolo específico". de dois meses a um ano. e não no art. IV. 301. Trata-se de especial fim e agir. exemplificativamente: fato ou circunstãncia que habilite alguém a obter cargo público. ■ Certidão Negativa de Débito (CND): O crime de alteração de CND. DJU 26. Tratando-se de falsificação de certificado ou diploma de conclusão de curso. p. 1. ■ Tipo objetivo: Ao contrário da figura prevista no caput. ■ Pena: Detenção. Também inexiste forma culposa. 103177. nesta a falsidade é material: o agente falsifica. isenção de ônus de serviço de caráter público. a consumação ocorra com o uso do documento. mas a vontade é de falsificar ou alterar. parágrafo único. vide nota ao art. v. a interpretação não é pacífica (SYLvIo DO AMARAL. que consiste na vontade de atestar ou certificar falsamente. 6715.013. Direito Penal.024. ou qualquer outra vantagem. enquanto no § 1 2 .5. em face do princípio da especialidade (TRF da 5 r R.96. MAGALHÃES NORONHA. com vistas à averbação de construção de imóvel. ■ Ação penal: Pública incondicionada. 297. ou altera o teor de certidão ou atestado verdadeiro. para alguns julgados. O campo de aplicação dos arts. aplica-se. p. ■ Certidão ou atestado escolar: Há duas orientações jurisprudenciais diferentes. in RBCCr 21/309). § 1 2 . embora. § 1 2 . de três meses a dois anos. Ap. ■ Confronto: O art.

potencialidade de dano no atestado falso. 499/369). ■ Tipo objetivo: Não só o agente precisa ser médico.379-DF. e não ao art. ■ Transação: Cabe no caput e na sua combinação com o parágrafo único (art. REsp 210. 301 (TJSP. 301.860. RT 690/324. especialmente com relação aos atestados médicos. 189. com remissão ao art. mv — RT 533/311. é próprio. embora permanentes sejam os seus efeitos.00. mas sim o do art. REsp 205. § 1 2 . A falsidade deve ser praticada por escrito (pois se trata de atestado) e relacionada com o exercício médico do atestante. § 1 2 . 5940. 301 do CP. 5940. 301 e 302 Código Penal 602 agente. IBCCr 96/493. ■ Remição de pena: A falsificação de atestado de prestação de serviço para instruir pedido de remição (art.367-DF. aplica-se também multa. RT778/561. TJSP. 76 da Lei n° 9. ■ Aptidão do documento: Se o atestado falso era inapto ao fim almejado pelo seu beneficiário. ■ Sujeito ativo: 0 delito do art. ■ Sujeito ativo: Somente o médico (crime próprio quanto ao sujeito). TRF da 2 á R. atestado falso: Pena — detenção. RT 536/287). não é pacífica. ■ Consumação do § 1 2: Nesta figura. como a conduta deve ser praticada no exercício da sua profissão. E necessário. RT536/310.10. pois deve haver.10. ao utilizar a certidão ou atestado ideologicamente falso. 301 (TACrSP. Dá-se a sua consumação com o ato inicial do uso ou utilização do documento ideologicamente falso (TJSP. Dar o médico. Quanto ao art. 187.860. o sujeito ativo do § 1 2 deve ser funcionário público (TJSP. p. RT 756/686. só podendo ser praticado por funcionário público (TJSP. ■ Prescrição: O crime é instantâneo de efeitos permanentes e sua prescrição começa a correr do primeiro ato de uso (TACrSP. tem-se que sua ação se amolda no art. é crime comum e o sujeito ativo pode ser qualquer pessoa (STJ.099/95). p. RT 429/399). 301.2. Parágrafo único. ■ Suspensão condicional do processo: Idem (art. in RBCCr 10/221). REsp 210. b. no exercício da sua profissão.8. FALSIDADE DE ATESTADO MÉDICO Art. Julgados 78/263)..00. RT 519/362). discutindo-se se o falso abrange . DJU 14. ■ Tipo objetivo: O fato ou circunstância deve ser atinente à pessoa a quem se destina a certidão ou atestado e visando a beneficio de caráter público (TJSP. RT 538/380.3. p. A interpretação. DJU2. DJU 14. RT 538/380. 297 (STJ. 301: 0 delito do art. divide-se a jurisprudência: a. de um mês a um ano. RCr 18.099/95). Fa/sidade de atestado médico ■ Objeto jurídico: A fé pública. TACrSP. RT 690/320). p. a consumação se dá com a efetiva falsificação e não com o seu uso. ■ Competência: E da Justiça Estadual. ■ Sujeito passivo: O Estado. DJU 5. ■ Consumação do caputdo art. in RBCCr 10/221-2). in Sol. Entendemos que a ti pificação deve ficar restrita ã atestação de fato e não de mera opinião ou prognóstico médico. 767/555. p. ainda.80). 39 do CP) não configura o delito do art. não se configura o delito do art. DJU 14. RCr 18. RJTJSP 120/539). 301 do CP não é de natureza permanente. IBCCr 96/493). DJU 2. entregar) atestado falso.00. 302. visa obter vantagem no serviço público.95.. in Bol. 299.Arts. 513/355. 89 da Lei n° 9. TJSP.. porém. ao contrário do que ocorre com o crime do caput do mesmo art. RT 519/362. CComp 3. 187. salvo se for falsificada assinatura de autoridade federal (TFR. TRF da 2 2 R. TRF da 1 2 R.2. ao menos. 304.712.379-DF. tendo em vista o preceituado no art.95. que a falsidade (total ou parcial) seja referente a fato juridicamente relevante. 130 da LEP (TJSP. O que se pune é dar (fornecer. 301. Se o crime é cometido com o fim de lucro. ca put.

II. para fins de comércio. que prevêem figuras praticamente idênticas. 303 e seu parágrafo único foram revogados e substituídos pelo art. mediante paga (STF. especialmente a tutela de selos e peças filatélicas. de um mês a um ano. ■ Atestado médico para adiamento de interrogatório: Vide jurisprudência sob igual título no art. ■ Objeto jurídico: A fé pública. ■ Pena: Detenção. art. que consiste na vontade livre e consciente de atestar falsamente. Parágrafo único. ■ Ação penal: Pública incondicionada. ■ Concurso de crimes: Pode haver concurso com outros crimes. faz uso do selo ou peça filatélica. v. 1975. para fins de comércio. mas com sanção inferior. 299. Reproduzir ou alterar selo ou peça filatélica que tenha valor para coleção. 179) ou ambos (H. ■ Consumação: Com a efetiva entrega do atestado ao beneficiário ou a outrem. ■ Pena: Além da pena privativa de liberdade (do caput). Há a especial finalidade de agir. v. 39. secundariamente. ■ Tentativa: Admite-se. de um a três anos. Lições de Direito Penal — Parte Especial. "dolo específico"). que é elemento subjetivo do tipo (para os tradicionais. Reprodução ou adulteração de se%oou peça filatélica ■ Revogação: Entendemos que este art. n° 2. 1965. primeiramente. tipifica-se o delito do art. IV. e a pessoa prejudicada. ■ Sujeito passivo: O Estado. Direito Penal. e pagamento de três a dez dias-multa. 303. estava em situação diversa da apontada (FRANSCESCHINI. RJTJSP83/380). faz uso de selo ou peça filatélica de valor para coleção. Jurisprudência REPRODUÇÃO OU ADULTERAÇÃO DE SELO OU PEÇA FILATÉLICA Art. ■ Tipo subjetivo: O dolo. 301 do CP. 299 e não o do art. e multa. Reproduzir ou alterar selo ou peça filatélica de valor para coleção. salvo quando a reprodução ou a alteração está visivelmente anotada na face ou no verso do selo ou peça: Pena — detenção.351). ■ Sujeito ativo: Qualquer pessoa. Se a finalidade for alterar a verdade sobre causa mortis de nascituro. ilegalmente reproduzidos ou alterados". ■ Dolo: É indispensável que o acusado tenha elaborado com dolo. no Registro Público. 1030). aplica-se a pena pecuniária. ■ Confronto: Se o agente é funcionário público e pratica o delito abusando de sua função. 302 do CP a atestação de óbito. p. Dispõem os citados dispositivos: "Art.603 Código Penal Arts. 89 da Lei n° 9. salvo quando a reprodução ou a alteração estiver visivelmente anotada na face ou no verso do selo ou peça: Pena — detenção. RT 507/488). . p. FRAGOSO. IV. 1995. ao atestar que o favorecido.538/78. 39 e parágrafo único da Lei n° 6. v. Não há modalidade culposa.099/95). até dois anos. sem exame. ■ Suspensão condicional do processo: Cabe no caput e no parágrafo único (art. ■ Atestado de óbito: Em tese. Incorre nas mesmas penas quem. 302 do CP (TJSP. configura o delito do art. quando do exame médico. Parágrafo único. Na mesma pena incorre quem. Figura qua/illcada (parágrafo ún/co) ■ Noção: Se o crime é cometido com o fim de lucro. 302 e 303 só o fato e não o juízo ou opinião ( MAGALHÃES NORONHA. Na doutrina tradicional é o "dolo genérico". Jurisprudência.

Arts. 303 e 304

Código Penal

604

■ Tipo objetivo: O objeto material do delito é selo ou peça filatélica que tenha valor para coleção. O selo pode ser novo ou usado, nacional ou estrangeiro, mas deve ser o já recolhido, com valor para coleção. A expressão peça filatélica compreende os cartões ou blocos comemorativos, obliteradores, provas etc. No entanto, seja peça ou selo, é indispensável que se trate de objeto que tenha, realmente, valor filatélico. As condutas previstas são: a. reproduzir (fazer igual); b. alterar (modificar data, valor, cor etc.). Ressalva a lei que a conduta não será criminosa quando a reprodução ou alteração está visivelmente anotada na face ou no verso do selo ou peça. Para BENTO DE FARIA, também o "aviso prévio" dado pelo agente impede o engano ( Código Penal Brasileiro Anotado, 1959, v. VII, p. 64). ■ Tipo subjetivo: 0 dolo, que consiste na vontade livre e consciente de reproduzir ou alterar, ciente de que se trata de objeto com valor filatélico. Na escola tradicional é o "dolo genérico". Não há forma culposa. ■ Consumação: Com a reprodução ou alteração (delito formal). ■ Tentativa: Admite-se. ■ Confronto: Tratando-se de selo em uso, art. 36 da Lei n°6.538/78. ■ Pena: Do art. 39 da Lei n°6.538/78: detenção, até dois anos, e pagamento de três a dez dias-multa. Do art 303: detenção, de um a três anos, e multa. ■ Ação penal: Pública incondicionada. Uso comercia/ (parágrafo único) ■ Noção: Com pena igual à do caput, pune-se o uso, para fins de comércio (isto é, com lucro) de selo ou peça filatélica reproduzida ou alterada. Todavia, a simples guarda é impunível ( SYLvio oo AMARAL, Falsidade Documental, 1978, p.170).

USO DE DOCUMENTO FALSO Art. 304. Fazer uso de qualquer dos papéis falsificados ou alterados, a que se referem os arts. 297 a 302: Pena — a cominada à falsificação ou à alteração. falsificação ou alteração prevista nos ■ Transação: Cabe quando o uso se referir à 2 arts. 301, capute sua combinação com o § 2 , e 302, capute sua combinação com o parágrafo único (art. 76 da Lei n° 9.099/95). De acordo com o art. 2°, parágrafo único, da Lei n° 10.259, de 12.7.01, em vigor a partir de 12.1.02, cuidando-se de pena máxima cominada não superior a dois anos, cabe transação nos crimes de 2 competência da Justiça Federal. Em face do princípio da isonomia (art. 5 , caput, da CR/88) e da analogia in bonam partem, entendemos que, a partir da vigência da Lei n° 10.259/01, a transação será cabível ainda que o crime seja da competência da Justiça Comum Estadual [vide nota no art. 100 do CP, sob o título Juizados Especiais Criminais (Federais)]. Assim, a transação também cabe quando a falsifi2 cação ou alteração se referir ao art. 301, § 1 2 , mesmo que combinado com o § 2 . à falsificação ■ Suspensão condicional do processo: Cabe quando o uso se referir ou alteração prevista nos arts. 298, 299, caput, 300, 301, caput e § 1 2 , bem como a combinação de ambos com o § 2 2 , 302, caput, e sua combinação com o parágrafo único (art. 89 da Lei n° 9.099/95). Uso de documento fa/so ■ Objeto jurídico: A fé pública. ■ Sujeito ativo: Qualquer pessoa. Todavia, predomina, largamente, o entendimento de que o autor do falso não pode responder, também, pelo uso, ou vice-versa (vide jurisprudência). ■ Sujeito passivo: O Estado, primeiramente; a pessoa prejudicada com o uso, secundariamente. ■ Tipo objetivo: A conduta punível é fazer uso, que tem a significação de empregar, utilizar. Incrimina-se, assim, o comportamento de quem faz uso de documento materialmente falsificado, como se fora autêntico; ou emprega documento que é ideologicamente falso, como se verdadeiro fora. A conduta é comissiva e o docu-

605

Código Penal

Art. 304

mento deve ser utilizado em sua destinação própria, com relevãncia jurídica. Exigese o uso efetivo, não bastando a mera alusão ao documento. Para que se caracterize o uso, entendemos ser mister que o documento saia da esfera do agente por iniciativa dele próprio. Trata-se de crime remetido, e seu objeto material é o documento falso ou alterado, referido pelos arts. 297 (documento público), 298 (documento particular), 299 (documento ideologicamente falso), 300 (documento com falso reconhecimento de firma), 301 (certidão ou atestado ideológico ou materialmente falso) e 302 (atestado médico falso). Requer-se que o agente conheça a falsidade do documento que usa. Não haverá o crime de uso, se faltar ao documento requisito necessário à configuração do próprio falso. ■ Tipo subjetivo: 0 dolo, ou seja, a vontade de usar o documento, com consciência da sua falsidade (para nós, é o dolo direto, mas alguns autores admitem o dolo eventual). Na doutrina tradicional é o "dolo genérico". Não há forma culposa. ■ Consumação: Com o efetivo uso. ■ Tentativa: Consideramos inadmissível. ■ Confronto: Quanto ao uso de documento falsificado ou alterado, com fins eleitorais, vide art. 353 da Lei n° 4.737/65. ■ Pena: A prevista para a falsificação ou alteração (vide penas dos arts. 297 a 302 do CP). ■ Ação penal: Pública incondicionada. Jurisprudência ■ Tipo subjetivo: É indispensável o dolo, direto ou eventual, sendo inepta a denúncia que não o refere (STF, RTJ 122/61, 94/101). A boa-fé exclui o dolo (TJSP, RT 512/365; TJPR, PJ 42/181, 40/331), mas a dúvida não (TJSP, RT734/662). É preciso ciência da falsidade do documento (TJSP, RT513/367; TJPR, PJ 48/309). Ainda que se trate de documento público, não se configura o crime de uso se não houve intenção de prejudicar (TJSP, RT 556/302, 544/319). ■ Requisitos do falso: Não se tipifica o crime de uso de documento falso, quando falta ao documento usado requisito necessário à configuração do próprio falso, como na hipótese de documento sem potencialidade de causar danos (STF, RTJ 121/140; TRF da 5 4- R., Ap. 904, DJU3.5.96, p. 28541, in RBCCr 15/411). A existência de falso penalmente reconhecido é pressuposto básico para a configuração do uso, pois o art. 304 é crime remetido, fazendo menção a outro que o integra, de modo que não pode faltar elemento necessário à tipificação deste último (TJSP, RJTJSP 96/472, RT564/331). Não se caracteriza o crime se o documento utilizado, embora contrafeito, é inócuo, sem relevância jurídica, eis que apresentado para satisfazer exigência julgada inconstitucional (TRF da 3 4 R., RT774/706). 0 uso de substabelecimento falso em ação cível, do qual não resultou prejuízo a ninguém, não caracteriza o crime de falso ou de uso de documento falso (TJSP, Ap. 267.200-3/2, j. 11.11.99). Também não configura a apresentação de carteira funcional falsificada, que ateste o exercício de função pública inexistente (TJSP, RT 783/613). Grosseira a falsificação, incapaz de iludir o homem comum, não é passível de constituir material do fa/sum necessário à configuração do delito do art. 304 (STJ, RT721/546; TJSP, RT 690/323, 685/314). ■ Prescrição do falso: Não impede a configuração do crime de uso a prescrição da própria falsidade (TJSP, RF268/312), ■ Posse sem uso: Trazer consigo o documento falso não equivale a fazer uso (STJ, RHC 1.827, DJU17.8.92, p. 12509; TJSP, RJTJSP103/507, RT541/369, 536/310; Ap. 160.150, j. 7.12.95, in Bo/. IBCCr 38/128; TJDF, Ap. 12.018, DJU24.6.92, p. 18739). Para caracterizar o crime de uso de documento falso, é necessário que o documento saia da esfera pessoal do agente, iniciando-se uma relação qualquer com outra pessoa, de modo a determinar efeitos jurídicos (TFR, Ap. 5.536, DJU 23.2.84). Enquanto não empregado para o fim útil, não é praticada conduta típica (STJ, RT 729/505). Não há uso, em sentido penal, se o agente foi forçado pela autoridade a exibir o documento (TJSP, RT541/369; TRF da 2 4 R., Ap. 405, DJU29.8.91, p. 20421).

Art. 304

Código Penal

606

Não se tipifica quando o documento é solicitado pela autoridade, e não exibido espontaneamente pelo agente (TJSP, RJTJSP 123/478, 102/453, RT651/259; contra: TJSP, RJTJSP 75/313). Não há crime de uso sem que o documento saia da esfera do agente por iniciativa dele próprio (TJSP, RT 646/282). Se o documento falso foi encontrado em revista policial, sem que o acusado o tivesse usado, o documento não saiu de sua esfera e o crime não se tipificou nem na forma tentada, pois é infração instantânea, que não admite tentativa (TJSP, RJTJSP 179/301, 158/313, RT 707/297). Se exibiu voluntariamente à polícia, há o crime (TJSP, RJTJSP 108/473; STJ, CComp 12.878, DJU4.9.95, p. 27800, in RBCCr 13/362); igualmente, se instado a se identificar, exibe cédula de identidade que sabe falsificada (STF, RTJ 155/516). Se não o exibiu, mas correu e jogou no mato, onde foi encontrado, não há crime (TJSP, RT 686/338). ■ Habilitação para dirigir veículos: Há quatro posições para a sua posse por parte de quem está dirigindo: a. Simples porte de documento sabidamente falso consiste em verdadeiro uso (TJSP, RT772/565), configurando-se o crime do art. 304 do CP, ainda que a sua exibição decorra de exigência da autoridade policial (STJ, JSTJ e TRF 8/197; STF, HC 70.813, DJU 10.6.94, p. 14766, in RBCCr 7/213; RT 647/386; TJSP, mv— RJTJSP 174/351, mv — RT 668/267). b. Pouco importa, para a caracterização do crime, se o documento é apresentado espontaneamente ou por exigência da autoridade (TJSP, RT 789/605, 724/608; 719/386; 776/560). c. 0 ato de portar não se confunde com o de fazer uso e não há crime se a exibição se dá por ordem policial (TJSP, mv— RJTJSP 124/512, mv—117/462, mv—112/514, mv— 116/478, mv — RT 636/276, mv — 630/301), ou se o documento é encontrado em revista pessoal (TJSP, mv— RT711/308). d. O ato da autoridade de exigir os documentos equivale a solicitar, permitindo a resposta de não os possuir. Assim, se há exibição, esta é voluntária e configura o crime do art. 304 (TJSP, RT729/527, 653/280 e 287; STF, HC 70.512, DJU24.9.93, p. 19577, in RBCCr4/177). Xerox: a exibição de xerox do documento falso original da carteira de habilitação afasta a prática do crime do art. 304 (TJSP, RT 706/301; vide, também, jurisprudência sob o título Xerox sem autenticação, neste art. 304). Exame médico: o requerimento à autoridade de trânsito para renovação de exame médico como motorista, servindo-se de "espúria cártula", não configura o delito deste art. 304, pois não é empregada em sua específica destinação probatória (TJSP, RJTJSP 171/318). Ciência da falsidade: não pratica o crime, se desconhecia a falsidade do documento, fornecido por despachante (TJPR, PJ 48/309, 42/181) ou por agente de auto-escola (TJPR, PJ 40/331). Pratica o crime se recebe a CNH sem prestar o devido exame de habilitação, não podendo alegar erro de tipo (TJRJ, RT 764/652). Renovação e transferência: a apresentação da carteira falsa à própria autoridade de trânsito para requerer sua renovação e transferência, evidentemente leva a crer que o agente desconhecia a falsidade; trata-se, aliás, de crime impossível, pois a transferência só se daria após a chegada do prontuário (TJSP, RT 689/332). Igualmente, se o agente pleiteava apenas a sua renovação, uma vez que não se efetivou, tecnicamente, o uso do documento na sua destinação, que é conduzir veículo (TJMG, JM 128/361). Transeunte: não caracteriza a exibição de carteira falsa por transeunte para comprovar identidade em fiscalização policial, pois falso uso de documento é empregá-lo para o fim a que serviria, se não fosse falso (TJSP, RJTJSP 176/329). Liberação de ciclomotor a utilização de carteira falsa para a sua liberação não tipifica, por ser desnecessária habilitação legal para dirigir tal veículo (TJSP, Ap. 160.150, j. 7.12.95, in Bol. IBCCr 38/128). ■ Uso pelo próprio autor da falsidade: Pacífico que o falsário não responde, em concurso, pelo crime de falso e uso do documento falsificado (TJSP, RT 686/338, 571/308). No entanto, há controvérsia em relação a qual dos crimes fica sujeito o agente: 1. Só ao crime de falso (STF, RTJ 102/954; RHC 58.602, DJU 2.10.81, p. 9773; TJSP, RJTJSP 104/440, RT562/318; TJSC, RT 530/395). 2. Só ao crime de uso (STJ, CComp 3.115, DJU 7.12.92, p. 23282; TRF da 3 2 R., Ap. 96.03.069551-3, DJU 25.11.97, p. 101745, in RBCCr 21/309; TJSP, RJTJSP 99/256, RT 768/557, 581/310, 545/317, 539/276).

■ Confronto com falsa identidade: Se o agente. ■ Concurso com sonegação fiscal: Esta absorve a falsidade e o uso de documento falso (TJSP. RT 600/339. 13493. SUPRESSÃO DE DOCUMENTO Art. p. p. mv— DJU 17. se o documento é público. DJU 4. ou em prejuízo alheio. RJTJSP 124/495. in RBCCr 13/362). também. RT729/522. 14981. inexistindo em nosso direito culpa por transferência (TFR da 1 2 R.921. 4798)..2.94. ■ Competência: Compete à Justiça Federal . se o documento é particular. 304. 304. p. DJU 22. RT729/505).94. DJU 30. e reclusão. Se o documento falso foi apresentado à autoridade estadual e em detrimento de serviço do EstadoMembro.4.5.3.2. 304 é crime formal.93. DJU 14. 4703).97. neste art. se a denúncia não descreve a sua participação. RT759/687. 27800.2. p. independentemente de lograr proveito ou causar dano (TJMG. na nota ao art. 304 é exigido o exame de corpo de delito para provar que o documento usado era falso. 40. de dois a seis anos. Contra.94.. RCr 6. ■ Concurso formal: Já se entendeu que a exibição de dois documentos falsos. 531/320. p. ■ Microfilme: Sendo reprodução fotográfica. pode (TRF da 1 2 R. RT 753/582).11. ■ Uso de atestado ou certidão escolar falso: Vide jurisprudência na nota ao art. se impossível identificar-se o lugar da falsificação (STJ. apesar de atos distintos. RT 773/508).90. utiliza-o. RCr 12. documento público ou particular verdadeiro. RT767/540). jurisprudência sob o título Habilitação para dirigir veículos. em caso de carteira de habilitação (STJ. DJU4. CComp 12. 304 (TRF da 4 2 R..85. RT791/597). mas lhe atribui responsabilidade penal. Entretanto. 26815. e multa.584. comete o crime do art.439.962. RCr 6. ■ Consumação: O art.476. ■ Exame de corpo de delito: Também para a condenação pelo crime deste art. se o uso do documento falso se deu em processo judiciário federal (STF. suprimir ou ocultar. TJSP. A consumação se dá no local onde foi utilizado (STJ. 651/259). DJU 31.211. sob o título Certidão ou atestado escolar. inclusive documental e testemunhal (STF. 13659). DJU 12. 305. 524/319). DJU 2. 307 (TJPR. p. Vide. RT788/578).878. ■ Concurso com estelionato: O estelionato absorve o uso de documento falso (TRF da 32 R. Ap. p. constitui uma única ação e representa concurso formal homogêneo (TJRJ.92. 8. 6.94. ■ Xerox sem autenticação ou não conferido: Não podem ser objeto material do crime de uso de documento falso (STJ. p.. 304 e 305 ■ Uso por menor: Há falta de justa causa para o pai figurar como acusado. O foro competente é o da utilização do documento (STJ. p. 297 do CP. de que não podia dispor: Pena — reclusão. não havendo que se falar em desclassificação para o delito do art. DJU 11. mesmo ciente da falsidade do documento público. RT604/396).235. não o suprindo a própria confissão (TJSP. RT761/548. DJU 11. p. que não exige resultado para sua consumação (TFR. Ap. 571/307. Consuma-se com o primeiro ato de uso. de um a cinco anos. 7499). Ap. 5731. sob pena de nulidade (TJSP. REsp 41. TJSP.9. in RBCCr 9/208) ou se comprovado por outras provas. também.10. RHC 3. RJTJSP91/480. Vide. HC 1. 567/313). e multa. não configura o uso de documento falso (TRF da 2 2 R.498. RT 538/415). em benefício próprio ou deoutrem. se autenticado. ■ Certidão de nascimento falsa: Sua utilização para obter passaporte preenche o tipo do art. 57739).. Súmula 104 do STJ: "Compete à Justiça Estadual o processo e julgamento dos crimes de falsificação e uso de documento falso relativo a estabelecimento particular de ensino".607 Código Penal Arts. TJSP. RT770/568.. REsp 17. Destruir.9. in fine. RT791/597). .171 do CP.351. p.90.350. RT782/513). jurisprudência sob o título Concurso de crimes. 29513. a competência é da Justiça Estadual (TJSP.10.95.

E preciso o "dolo específico". Na hipótese de extravio. em razão de ofício. ■ Tentativa: Admite-se. Por exemplo. TJSP. ■ Concurso de crimes: A supressão "consome o furto ou a apropriação indébita anterior e exclui o dano" (H. reclusão. art. Não se tipifica. ■ Disponibilidade: Não se tipifica o crime se o agente podia dispor do documento (TJSP.137/90. Jurisprudência Criminal. especialmente a segurança do documento como prova. ■ Restauração: As duplicatas. Na modalidade de ocultar é crime permanente. b. de um a cinco anos. extinguir). c. Consiste não só no propósito de obter benefício ou causar prejuízo alheio.099/95). também. 89 da Lei n°9. não configura este crime a supressão de certidão de nascimento ou casamento. ■ Ação penal: Pública incondicionada. supressão ou ocultação. colocar em lugar onde não possa ser encontrado). RT 520/392). reclusão. O objeto material é documento público ou particular verdadeiro. A incriminação não alcança documentos que sejam cópias. Não configura. ■ Tipo subjetivo: É essencial a finalidade de beneficiar a si próprio ou a terceiro. ■ Sujeito passivo: Primeiramente. No caso de documento confiado à custódia de funcionário. pois o assentamento original está em cartório. p. 522/334. IV. ■ Sujeito ativo: Qualquer pessoa. ■ Confronto: Tratando-se de processo ou documento judicial e sendo o agente advogado ou procurador. destruir(eliminar. se o documento rasgado pode ser obtido por cópias ou certidões (TJSP. 1965. registros etc. art. 1043) relacionados com o documento. se acarretar pagamento indevido ou inexato de tributo ou contribuição social.Art. de dois a seis anos. Não há modalidade culposa. suprimir (fazer desaparecer sem destruir nem ocultar). n°511). v. Assim. secundariamente. desfazer-se do documento. traslados ou certidões de originais arquivados em repartições. RT 543/351). RJTJSP76/345-6). livremente. ■ Tipo objetivo: São três os núcleos alternativamente indicados: a. Não há crime se o docu- Jurisprudência . sem dependência da superveniência do benefício ou proveito. Na doutrina tradicional indica-se o "dolo específico". I. A inutilização de assinatura de documento registrado em cartório não configura. II. como também no de atentar contra a verdade documental ou a integridade do documento como meio de prova (H. vide art. da Lei n 2 8. ou de particular em serviço público. como meio de prova. a pessoa prejudicada com a supressão. 356 do CP. cartórios. 545/312). FRAGOSO. se o documento é particular. ocultar (esconder. para muitos há. 536/310. ou de causar prejuízo a outrem (TJSP. 516/289. FRAGOSO. RT 522/334). RT 559/304). e multa. 337 do CP. são facilmente substituíveis pelas triplicatas. pois não pode acarretar prejuízo (TJSP. 3 2 . Julgados 69/136). enquanto sem aceite ou aval. RT559/371. e multa. se o documento era cópia do original (TACrSP. desaparece a ilicitude quando o agente pode. não configurando o crime sua supressão (TJRJ. 527/309. o fim de obter benefício próprio ou alheio. a finalidade de atentar contra a integridade do documento. RT 646/270. 1979. v. Exige-se que o documento suprimido ou ocultado seja insubstituível em seu valor probante (TJSP. 305 Código Penal 608 ■ Suspensão condicional do processo: Cabe quando a supressão for de documento particular (art. de que não podia dispor. vide art. Supressão de documento ■ Objeto jurídico: A fé pública. ■ Tipo subjetivo: O dolo e o elemento subjetivo do tipo relativo ao especial fim de agir: finalidade de benefício próprio ou de outrem ou de prejuízo alheio. TJRJ. ■ Consumação: Com a efetiva destruição. na mesma hipótese. 314 do CP. ou causar prejuízo alheio (TJSP. o Estado. incluindo o proprietário do documento que não possa dele dispor. ■ Pena: Se o documento é público. RT 496/347). sonegação ou inutilização de documento por funcionário público. RT 596/308. Lições de Direito Penal —Parte Especial. em tese. Além disso.

609 Código Penal Arts. ■ Tipo objetivo: Retirada: configura o crime retirar. . RJTJSP 164/305). em confiança. ■ Descaracterização: Não havendo prejuízo alheio. todavia. depois de apresentado ao banco e recusado por falta de fundos. mas pode ser documento particular (TJSP. RT 53 6/264) . ou comprovar o cumprimento de formalidade legal: Pena — reclusão ou detenção. 305 (TJSP. que é delito típico de advogado. A consumação prescinde da realização efetiva do benefício ou do prejuízo. RT541/369). e multa. bastando serem eles o fim ou o escopo da conduta (TJSP. 0 cheque. configura o crime do art. configura o crime do art. se inutiliza a assinatura de cheque emitido em garantia de dívida. RJTJSP 119/478). 305 a ação de quem risca a assinatura constante no cheque. desde que esta fosse possível na conduta (TJPR. é considerado documento público (TJSP. RT 602/341). para efeitos penais. Parágrafo único. não se caracteriza o delito (TJRO. ■ Tentativa: Se o cheque rasgado pode ser reconstituído. ■ Concurso de crimes: Se a supressão tinha por finalidade a sonegação fiscal. RT 543/351). Idem. ■ Documento: É preciso que se trate de documento (TJSP. título seu do cartório. falsificado por outrem: Pena — reclusão. e não o crime do art. há só tentativa e não crime consumado (TJSP. RT 483/271). ■ Cheque: Em tese. Se a marca ou sinal falsificado é o que usa a autoridade pública para o fim de fiscalização sanitária. ■ Consumação: É irrelevante que o agente não alcance a finalidade visada (TJSP. PJ 41/185). RT536/284). o agente. PJ 41/185). passando a ser documento particular (TJSP. quanto à retenção de autos por advogado (TJSP. de dois a seis anos. inutilizando-a com o objetivo de impossibilitar o resgate no banco (TJSP. de um a três anos. RT 602/341). assim. não mais o devolvendo (TJSP. ou para autenticar ou encerrar determinados objetos. ou usar marca ou sinal dessa natureza. RT 403/83). RT 529/310). não mais é transmissível por endosso. ser restaurado (TJSP. e pode. RT623/281). RT701/364). 305 e 306 mento foi objeto de registros e anotações. RT 599/328). OU PARA OUTROS FINS Art. 305 do CP (TJSP. benefício próprio ou de terceiro. 305 do CP (TJSP. RJTJSP 91/480. RT 447/375. e multa. prejudicando o beneficiário que dele se poderia utilizar como meio de prova do crédito (TJPR. este delito absorve o do art. no caso de documento rasgado e só reconstituído após muito trabalho (TJSP. 306. ■ Sonegação de processo judicial: Advogado que retira autos de processo e desaparece com eles comete o crime do art. Igualmente. RT 515/325. documento que subtraiu ou lhe foi confiado. Falsificar. fabricando-o ou alterando-o. Pode haver. além de ter havido composição voluntária entre as partes na liquidação da dívida representada pelo documento. 676/296). 356 do CP. Ocultação: reter em lugar desconhecido do interessado. marca ou sinal empregado pelo poder público no contraste de metal precioso ou na fiscalização alfandegária. Capítulo IV DE OUTRAS FALSIDADES FALSIFICAÇÃO DO SINAL EMPREGADO NO CONTRASTE DE METAL PRECIOSO OU NA FISCALIZAÇÃO ALFANDEGÁRIA. RT 495/291).

comprovar o cumprimento de formalidade legal. Como se vê. a vontade livre e consciente de falsificar ou de usar. ou com o uso efetivo. também. ou multa. ■ Outros sinais ou marcas: Não se configura o parágrafo único do art. ■ Tipo subjetivo: O dolo. jurisprudência no art. 297 do CP. RJTJSP68/395.099/95). e multa. 89 da Lei n° 9. 306 do CP. Pune-se a ação de: a. RT507/364).56199-1/SC. especialmente a autenticidade das marcas. se o fato não constitui elemento de crime mais grave. mas diverso o objeto material. ■ Noção: A figura é semelhante à do caput. o fim da fiscalização sanitária. ■ Pena: Reclusão ou detenção. Vide. p.099/95). Falsificação do sina/empregado no contraste de meta/ precioso ou na f/sca/izagão a/fandegária (caput) ■ Objeto jurídico: A fé pública. colocadas nos litros de uísques. c. utilizar) marca ou sinal falsificado por outrem. ■ Consumação: Com a fabricação ou alteração idônea. de um a três anos. ■ Ação penal: Pública incondicionada. pois esse imposto foi extinto com a entrada em vigor do Código Tributário Nacional (TRF da 4 4 R. 76 da Lei n° 9. se a própria autoridade fiscalizadora reconhece que a menção utilizada no rótulo apreendido não corresponde ao padrão da marca por ela usada (TRF da 5 2 R. Outros sinais ou marcas (parágrafo único) Jurisprudência FALSA IDENTIDADE Art.099/95). estadual ou municipal) para: a. 307. de marca ou sinal que usa a autoridade pública (federal. especialmente em relação à identidade pessoal. na fiscalização alfandegária (usado para assinalar as mercadorias liberadas). ■ I mposto sobre consumo: A falsificação e uso de estampilhas do imposto sobre consumo. Ap. 306 e 307 Código Penal 610 ■ Suspensão condicional do processo: Cabe no parágrafo único (art.Arts.. b. ■ Pena: Reclusão. DJU 13. é conduta inidônea para fraudar a arrecadação tributária. 89 da Lei n° 9. JSTJ e TRF79/618). no contraste de metal precioso (que serve para atestar o título ou quilate). ■ Sujeito ativo: Qualquer pessoa (crime comum quanto ao sujeito). in RBCCr 17/358). autenticar ou encerrar determinados objetos. ■ Sujeito ativo: Qualquer pessoa. Não há modalidade culposa. e multa. constituindo só infração administrativa (TJSP. ■ Sujeito passivo: O Estado. a falsificação de seu número é penalmente atípica. falsificar. b. em proveito próprio ou alheio.96. ■ Suspensão condicional do processo: Cabe (art. Fa/sa identidade ■ Objeto jurídico: A fé pública. também falsificados. de três meses a um ano. 296 do CP). ou para causar dano a outrem: Pena — detenção. 94. Trata-se. ■ Placas ou chapas de veículo: Como a placa ou chapa não é sinal próprio de autoridade..04. aqui. ou seja. usar (empregar. b. exceto na modalidade de usar. 87196. sabendo da falsidade. de dois a seis anos. Atribuir-se ou atribuir a terceiro falsa identidade para obter vantagem. ■ Transação: Cabe (art. . fabricando-o ou alterando-o (vide significação no comentário ao art. sob igual título. ■ Tentativa: Admissível. pelo uso não será punido o agente se for ele o próprio autor da falsificação.11. ■ Tipo objetivo: O objelo material é marca ou sinal empregado pelo poder público: a. Na doutrina tradicional é o "dolo genérico".

307 do CP. . 9802). nem art. não abrange "o simples propósito de o delinqüente procurar esconder o passado criminal. "o faltar à verdade equivale a silenciar sobre ela. Se há usurpação de função pública. 1 2 ). ■ Tipo objetivo: A conduta punida é atribuir-se ou atribuir a terceiro falsa identidade. a si próprio ou a terceira pessoa. ou multa. Ap. art. 5 . limitando o alcance à identidade física.5. ■ Pena: E alternativa: detenção. nacionalidade. por duas 2 a. art. b. art. quando constitui elemento deste. inclua tanto a patrimonial como a moral. art. a pessoa prejudicada. o que é mais valioso tem precedência ontológica sobre o menos valioso" ("O interrogatório do réu e o direito ao silêncio". subsidiário. que prevê infrações contra a administração da justiça". 14. de três meses a um ano. Em nossa opinião. p. em tese. inculca ou imputa. TJRJ. g) ou a declarar-se culpado (CADH. 2 não só viola o princípio da reserva legal (CR/88. hoje desembargador. Se a falsa 2 identidade é usada para realizar operação de câmbio. 328 do CP. ou no Capítulo Ill. aquele entendimento. a constituir delito. 11. A lei consigna que a ação deve visar a obter vantagem. Incrimina-se. 45 da LCP. ou causar dano a outrem (vide Tipo subjetivo e Autodefesa). mas o entendimento não é pacífico e há boas razões em sentido contrário. art. in RT682/288). 307. § 22 ) e o de não ser obrigado a depor contra si mesmo. comportamento que. 307 ■ Sujeito passivo: Primeiramente. verbalmente ou por escrito. portanto.. o dolo específico exigido pelo tipo. visa a obter vantagem de natureza processual.90. e a confessar-se (PIDCP. art. assim. O silêncio ou consentimento tácito a respeito da falsa identidade atribuída por outrem não se enquadra no dispositivo. 2. como ainda conflita com a acepção que a própria lei penal dá ao vocábulo "qualidade". Como lembra DAVID TEIXEIRA DE AZEVEDO. secundariamente. DJU 15. ou fornecimento de dados inverídicos. filiação. Na doutrina. 172. Não haveria.78. estado de casado ou solteiro. embora a expressão vantagem. CADH. art. CP. como adequação da coisa à escala valorativa . ■ Ação penal: Pública incondicionada. referente aos crimes praticados por particulares contra a administração pública. como se observa pela comparação entre o caput do art./99. em proveito próprio ou alheio. art. ■ Tentativa: E possível. omiti-la". ■ Tipo subjetivo: O dolo e o elemento subjetivo do tipo relativo ao especial fim de agir (para obter vantagem ou causar prejuízo). 1. art. Lei n 7. por parte de quem é preso ou acusado.. em acórdão unânime da lavra do juiz. PIDCP.207. Em nosso entendimento. ■ Autodefesa: Polêmica é a questão acerca da inculcação. 3. cuja ementa foi publicada na RT 511/402). 46 da LCP. Não há punição a título de culpa. Se há recusa em fornecer dados de identidade à autoridade. e § 2 . art. de falsa identidade. j. art.492/86. 7. identidade que não é a verdadeira. 9 2 . j. sem dependência de efetivo benefício ou dano (delito formal). perante autoridade pública ou particular".003. LXIII. a ação de quem. XXXIX. declinando nome fictício ou de terceiro (real). Na corrente tradicional é o "dolo específico". costuma-se dar sentido amplo à expressão identidade (compreenderia idade. 68 e parágrafo único da LCP. Ap. ao ser preso (TJSP. mencionada neste art. profissão etc. ■ Consumação: Com a atribuição.3.). mas de difícil ocorrência na prática. Se há uso ilegítimo de uniforme. GENTIL LEITE (Ap. 8 2 . irroga. 309 do CP e seu parágrafo único.611 Código Penal Art. 307 exige "dolo específico" (TFR da 2 R.318. o acusado que razões: mente sobre sua identidade não comete o crime do art. ■ Confronto: Se há simulação da qualidade de funcionário público. 5 2. 21. pois "sob o plano ético-axiológico. Jurisprudência á ■ Tipo subjetivo: O art. Conforme já decidido pelo TACrSP. que alarga a significação da palavra "identidade". São constitucionalmente garantidos o direito ao silêncio (CR/88.. 1. ■ Autodefesa: Não se tipifica o delito se o agente se atribui falsa identidade em autodefesa. o Estado. mv — RJTJSP 124/468-70. deveria estar previsto no Capítulo II do Título XI do CP. g). Isto porque "quem assim age. e deve ser absorvido Concurso de crimes: O delito é expressamente ■ por outro crime mais grave. 15.

e não pela da subsidiariedade. 75/261.. 73/384. 1975. ao ser autuado em flagrante. 308. da fotografia desta pela sua. Contra: TJSP. E preciso que o agente se atribua identidade inexata. Aquele que. 512/393. 307 quem assume identidade de terceiro para frustrar a execução de condenação criminal (TJSP. sob o título Confronto com falsa identidade. mv — 608/352. de carteria de sócio de clube. 88/361. 307 do CP (TJSP. 297 (TJSP. próprio ou de terceiro: . RT746/610. 603/335-6. Não há o delito se o agente se atribui falsa identidade. RT 720/476). comete o crime do art. jurisprudência no art. Vide. alega. 757/577. DJU9. ao ser detido. 307 e não a falsidade de documento do art. RJTJSP 157/301) nem mesmo a falsidade ideológica do art. 748/604. Ap.346-A). Art. como inculcar-se padre ou militar (FRANCESCHINI. 762/650. RT 667/325).82). 297 do CP. RT788/582. ou dano a terceiro (TACrSP. RJDTACr 27/100). 304 (TJSP. para que dele se utilize. p. 307 e 308 Código Penal 612 21.6. falsamente. ao ser preso. 14/77. 308. Julgados 91/234. mv— 783/641. 1975. II. ■ Alegação de menoridade: Não comete o crime deste art.345-A).196. ficando impunível o do art. ou perante a autoridade policial ou judicial (TARJ. 304 e não art. também. 307.99. funcionário público (TACrSP. apenas para esconder antigo passado criminoso (STJ. título de eleitor. 307. E atípica a conduta de adulteração. 30061). configura a falsa identidade do art. ■ Concurso de crimes: A falsa identidade e o constrangimento ilegal são delitos autônomos. 5. p. mv— RT532/419). ■ Confronto com o art. 299 e 307 do CP deve ser resolvido pela regra da especialidade. é art. n° 2. v. 733/582. ■ Confronto com o art. Contra: A substituição de fotografia em passaporte. RT781 /572). RT 613/347. passaporte. mv— RT 735/610).94. e não o do art. 297 e 299 do CP (TRF da 3 á R. RT 754/645. IBCCr 90/449. e não o do art. 0 conflito aparente entre os arts.9. configura os delitos dos arts. 304: Se o agente.472.9. RJTJSP 180/320). RT759/687). pois não tem a intenção de usar documento alheio. serviços ou interesses da União. 779/602. como próprio. v. RT 641/349. II. 307 o agente que. 107. RT757/541). ■ Substituição de fotografia em documento: A troca. com o objetivo de fazer-se passar por terceiro. 308 sob o nome Substituição de fotografia em passaporte. Ap. 308: 0 agente que. RT 788/551. 644/270. in Bo/. não bastando a indicação de falsa profissão (TACrSP. RT 414/267. apresenta documento de outrem.Arts. em proveito próprio. ainda. ■ Competência: E da competência da Justiça Estadual. TACrSP. ou. TACrSP. RT 756/553. FRANCESCHINI. 91/404. RJDTACr 27/98. 511/402). 781/572. ser menor de idade (TJSP. 299 (TJSP. 307 (TJPR. TJRJ.. 64221). apresenta certidão de nascimento de outra pessoa. TJSP. obter CIC e traveller's checks. 755/613. documento dessa natureza. utiliza documento falso. autarquia.330. RCr 9.6. mesmo ciente da falsidade do documento público. RT 517/360). RT 644/270). mas somente atribuir-se dados identificativos falsos e em proveito próprio (TACrSP. tentando ingressar em outro país. ■ Consumação: O crime do art. RT620/284). RJDTACr 25/468. por não ser esta considerada documento de identidade (TAMG. não havendo absorção de um pelo outro (TACrSP. empresa pública ou fundação pública federais (TRF da 1 R. utiliza-o. se não foram atingidos bens. TACrSP.96. independendo de vantagem própria. não havendo que se falar em desclassificação para o delito do art. DJU3. RT749/680. comete o crime do art. Se o agente. para demonstrar a falsa identidade. Quando a falsa identidade foi o meio empregado para a prática de estelionato. pratica o crime do art. 307 (TFR. e no art. em documento de identidade subtraído da vítima. RT778/663. caderneta de reservista ou qualquer documento de identidade alheia ou ceder a outrem. n° 2. RJTJSP 157/301). Julgados 90/228. 512/393). Usar. ■ Só a identidade física: Não configura o delito a atribuição de falsa qualidade social. 307 é de natureza formal e completa-se com a mera atribuição de identidade que não pertence ao agente. Jurisprudência.304. Contra: TACrSP. há só este crime. Jurisprudência. comete o crime do art. DJU 17.

de quatro meses a dois anos. com consciência de que este pretende utilizá-lo. e multa. qualquer documento de identidade alheia. ■ Ação penal: Pública incondicionada. 308 Pena — detenção. como próprio. 52 .259/01. ■ Tentativa: Admite-se apenas na forma de ceder. próprio ou de terceiro. entendeu-se que pode ser considerada documento de identidade (STF. parágrafo único. de quatro meses a dois anos. efetivamente. na segunda. como se fosse próprio. se o fato não constitui elemento de crime mais grave.099/95). ■ Pena: Detenção. o documento. como também outros documentos que especificam qualidade. Contra: Configura o art.613 Código Penal Art. 2 2 . 308. entendemos que. Aqui. ■ Cessão de documento: Configura o crime do art. caput. da CR/88) e da analogia in bonam partem. sem dependência de outro resultado). RJDTACr 10/73-4). Ceder a outrem. na primeira conduta. a partir da vigência da Lei nr 10. sob o título Juizados Especiais Criminais (Federais)]. RT 686/324). para que este a utilize ao entrar no País (TFR. ■ Troca de fotografia: Se o agente troca a foto do dono de documento de identidade pela sua.02. São duas as condutas previstas: a. TJSP. o emprésti mo de carteira de estrangeiro a compatriota. de forma a compreender todo documento admitido como prova de identidade. para que dele se utilize. a transação caberá neste art. 308. 308. ■ Consumação: Com o uso efetivo para prova de identidade. vide Lei n2 7. documento dessa natureza. quando constituir elemento deste. art. título de eleitor. cuidando-se de pena máxima cominada não superior a dois anos. Inexiste forma culposa. no que concerne à identidade pessoal. Na doutrina tradicional é o "dolo genérico". que consiste na vontade de usar. caderneta de reservista ou qualquer documento de identidade. atribuição ou qualificação profissional (TACrSP. Em face do princípio da isonomia (art. uma vez que o termo "identidade" compreende não só a identidade civil. cabe transação nos crimes de competência da Justiça Federal. é art. fornece) a outra pessoa.492/86. ■ Suspensão condicional do processo: Cabe (art. ■ Concurso de pessoas: Se o beneficiado pela cessão realmente usar o documento. ■ Tipo subjetivo: É o dolo. 297 e não art. ■ Transação: De acordo como art. de 12. É o emprego ou utilização. da Lei n 2 10. ■ Concurso de crimes: E delito expressamente subsidiário e será absorvido por outro mais grave. RF275/287). com a efetiva entrega (em ambos os casos. Jurisprudência . Usar. RT 530/395. o documento pode ser do agente ou de outrem.1. RT731/663). segunda parte. a transação será cabível ainda que o crime seja da competência da Justiça Comum Estadual [vide nota no art. pelo agente. A cessão pode ser gratuita ou onerosa e não é necessário que a pessoa que recebe o documento o use. 100 do CP. incidirá na primeira modalidade (uso). ou na vontade de cedê-lo a outrem.01. como se fosse seu. Assim. RT 546/440). de documento de terceira pessoa. 308 do CP (TRF da 3 R. como próprio. ■ Sujeito passivo: O Estado (principal). para que esta dele se utilize. ■ Certidão de casamento: Com reservas. ■ Carteira Nacional de Habilitação: Seu empréstimo caracteriza o crime do art. e multa.7. E ele o cede (entrega. 308 do CP (TJSC. em vigor a partir de 12. ■ Tipo objetivo: Como objeto material a lei fala em passaporte.. b. 21. 89 da Lei n 2 9. Uso de documento de identidade a/heio ■ Objeto jurídico: A fé pública. ■ Confronto: Se o crime é praticado para realização de operação de câmbio.259. ■ Sujeito ativo: Qualquer pessoa.

■ Consumação: Com o efetivo uso para entrar ou permanecer. IV. ■ Consumação: Com a atribuição em ato relativo à imigração. ■ Sujeito ativo: Só o estrangeiro (crime próprio). para entrar ou permanecer no território nacional. militar etc. de um a quatro anos. Usar o estrangeiro. ■ Tipo objetivo: O núcleo é atribuir. E imprescindível. Não há tipificação na atribuição para a permanência do estrangeiro. 89 da Lei n° 9. Não há punição a título de culpa. que tem a significação de irrogar. também. A qualidade. X). o uso (emprego. de um a três anos. que a qualidade falsamente atribuída seja requisito para a entrada (e não para a permanência) do estrangeiro em território nacional. e multa. Incrimina-se. IV. ou seja. ■ Remissão: Vide. art.426/96 transformou o antigo art. 1965. Atribuir a estrangeiro falsa qualidade para promover-lhe a entrada em território nacional: Pena — reclusão. v. de nome que não é o verdadeiro (nome fictício ou de terceiro). credor. v. o conceito é mais amplo. O comportamento deve ser praticado para entrar ou permanecer no território nacional (vide Tipo subjetivo). utilização). de um a três anos. 309. ■ Tipo subjetivo: O dolo (que consiste na vontade livre e consciente de atribuir. ■ Ação penal: Pública incondicionada.099/95). independentemente do efetivo ingresso do estrangeiro no País. ■ Sujeito passivo: O Estado. XII e XIII (Estatuto do Estrangeiro). ■ Pena: Detenção. ■ Objeto jurídico: A fé pública e a imigração. oral ou por escrito. porém.815/80. Atribuição de fa/sa qua/idade a estrangeiro (parágrafo único) . inculcar imputar. art. ■ Tipo objetivo: A conduta punida é usar nome que não é o seu. p. ■ Tentativa: Não se admite. 1995. e multa. 309 Código Penal 614 FRAUDE DE LEI SOBRE ESTRANGEIROS Art. Não há modalidade culposa do delito. ■ Tipo subjetivo: O dolo e o elemento subjetivo do tipo referente ao especial fim de agir (para entrar ou para permanecer). Lei n 2 6. e multa. Pune-se a atribuição a estrangeiro de falsa qualidade. nome que não é o seu: Pena — detenção. 1054). 192). o agente usa o nome para essa finalidade. sacerdote. assim. 310 do CP no atual parágrafo único deste art. Já para MAGALHÃES NORONHA. abrangendo "atributo ou predicado emprestado ao estrangeiro" (Direito Penal. Na corrente tradicional pede-se o "dolo específico". ciente da falsidade da qualidade) e o elemento subjetivo que o tipo contém. ■ Objeto jurídico: A fé pública.)" (Lições de Direito Penal — Parte Especial. ■ Sujeito ativo: Qualquer pessoa. ■ Sujeito passivo: O Estado. referente ao especial fim de agir ("para promover-lhe a entrada"). Na escola tradicional pede-se o "dolo específico". 309. de competência da Justiça Federal (CR/88.Art. ■ Suspensão condicional do processo: Cabe no caput e no parágrafo único (art. p. 125. toca à "subjetividade jurídica (comerciante. 109. ainda que a entrada ou permanência não se realize. Parágrafo único. Pode ser praticado por escrito ou oralmente. engenheiro. Fraude de /ei sobre estrangeiros ■ Alteração: A Lei n° 9. para HELENO FRAGOSO.

79. Não há forma culposa. ■ Suspensão condicional do processo: Cabe (art. ■ Objeto jurídico: A fé pública e a ordem econômica e social (CR/88. e multa. título ou valor pertencente a estrangeiro. ■ Confronto: A Lei de Imprensa contém dispositivo específico. ADULTERAÇÃO DE SINAL IDENTIFICADOR DE VEÍCULO AUTOMOTOR Art. de televisão e radiodifusão. ■ Sujeito ativo: Somente o brasileiro. televisão. modificado pela Lei n 2 7. p. 3 9 . Adulterar ou remarcar número de chassi ou qualquer sinal identificador de veículo automotor.856. ■ Pena: Detenção. e a propriedade de empresas jornalísticas. Na doutrina tradicional é o "dolo genérico". título ou valor pertencente a estrangeiro. ainda. Trata-se de norma penal em branco. "homem-de-palha"). de seis meses a três anos. de um a quatro anos. aparentemente. arts. DJU 28. 309 a 311 ■ Pena: Reclusão. que se completa com outras leis. de um a três anos. Falsidade em prejuízo da nacionalização de sociedade ■ Alteração: A Lei n° 9. São exemplos dessa proibição a exploração de jazidas.615 Código Penal Arts. o beneficiado pela simulação (art. Pune-se o "testa-de-ferro" que se presta a figurar como proprietário ou possuidor de ação. de dez a cem salários mínimos regionais) quem emprestar nome para ocultar o verdadeiro proprietário. 3°. 176.300/85). ■ Ação penal: Pública incondicionada.250/67. e multa. art. § 6 9 ). e multa. poiso dispositivo ressalva: nos casos em que a este (ao estrangeiro) é vedada por lei a propriedade ou posse de tais bens. 311 do CP para 310. Jurisprudência ■ Intenção de permanecer: O desígnio de permanecer no território nacional não integra o crime do art. não só de empresas jornalísticas.426/96 renumerou o antigo art. e multa. que se sujeita a ser interposta pessoa ("testa-de-ferro". FALSIDADE EM PREJUÍZO DA NACIONALIZAÇÃO DE SOCIEDADE Art.11. ■ Sujeito passivo: O Estado. 311. e 222 e § 1 9).099/95). a ser proprietário ou possuidor. ■ Tipo objetivo: A conduta incriminada é prestar-se a figurar. ■ Tipo subjetivo: 0 dolo. 3. de seis meses a três anos. de seu componente ou equipamento: . agenciamento de notícias e empresas cinematográficas (Lei n° 5. Essa lei pune. ■ Ação penal: Igual à do caput. nos casos em que a este é vedada por lei a propriedade ou a posse de tais bens: Pena — detenção. 310. como de radiodifusão. ■ Consumação: Quando o agente passa. Visa ao agente que condescende em servir. recursos minerais e potenciais de energia hidráulica por pessoas físicas estrangeiras. § 1 91 . punindo (com pena de detenção. consciente do encobrimento que faz. Ap. encobrindo o verdadeiro interessado. Prestar-se a figurar como proprietário ou possuidor de ação. 310 do CP (TFR. ■ Tentativa: Admite-se. 89 da Lei n° 9. 8904). que consiste na vontade de prestar-se a figurar.

o sinal ou número resultante da adulteração ou remarcação há de ser diverso do número original (nesse mesmo sentido. é fato atípico. Na doutrina tradicional é o "dolo genérico". "Adulteração das placas do veículo: atipicidade frente ao art. a pena é aumentada de um terço. motor. § 1 2. ■ Pena: A do caput. Jurisprudência . ■ Confronto com o art. o terceiro prejudicado pela adulteração ou remarcação. o Estado. e multa. 311 do CP". ônibus. de co-autoria ou participação. RT 761/602). especialmente em relação à propriedade e ao licendor de veiculo ciamento ou registro dos veículos automotores. 311 Código Penal 616 Pena — reclusão. podendo constituir somente ato preparatório do crime (TJSP. ■ Tentativa: Admite-se. ■ Pena: Reclusão. 0 agente que confecciona placas clonadas. de três a seis anos. ■ Tipo subjetivo: 0 dolo. 311. RT792/609). secundariamente.Art. ■ Tipo objetivo: A conduta punida é adulterar (falsificar. Nesta última. 311 do CP: O crime de receptação não absorve o de adulteração de sinal identificador de veículo automotor.. ■ Adulteração de placas de veículos: O ato de adulterar ou remarcar placas dianteira e traseira configura o crime deste art. motocicleta. caminhão etc. com o único intuito de burlar o rodízio de circulação instituído pelo poder público. por tratar-se este de crime autônomo (TACrSP. sina/ identifica. Aumento de pena (§§ 12 e29 ■ Duas são as hipóteses: a. RT 791/723). Luiz FLávio GOMES. ■ Rodízio: A colocação de fita adesiva de cor preta no último algarismo da placa de veículo. 311 do CP. Não há modalidade culposa. aumentada de um terço. a vontade livre e consciente de adulterar ou remarcar. vidros etc. Incorre nas mesmas penas o funcionário público que contribui para o licenciamento ou registro do veículo remarcado ou adulterado. in RT759/497).).426/96. fornecendo indevidamente material ou informação oficial. ■ Raspagem de chassi: A supressão por raspagem do número do chassi não configura o crime do art. A primeira hipótese é de autoria.. RT792/609). Se o agente comete o crime no exercício da função pública ou em razão dela (§ 1 2 ). de seu componente (portas. de três a seis anos. RT789/658). TRF da R. ■ Consumação: Com a adulteração ou remarcação idônea a enganar. § 22 . contrafazer) ou remarcar ( marcar de novo) número de chassi ou qualquer sinal identificador de veículo automotor(carro. Adulteração de ■ Alteração: Artigo introduzido pela Lei n 2 9. sabendo da falsidade no novo número ou sinal. RT 772/541.) ou equipamento (tudo aquilo que serve para equipar. (caput) ■ Sujeito passivo: Primeiramente. prover). ou seja. ensejando sua adulteração a incidência da norma (TRF da 4 2 R. Se o agente comete o crime no exercício da função pública ou em razão dela. para identificação de veículo roubado. a segunda. pratica o delito (TJDF. Se o funcionário público contribui para o licenciamento ou registro do veículo remarcado ou adulterado. ■ Ação penal: Pública incondicionada. o fornecimento de material ou informação oficial deve ser indevido. As placas de veículos integram o conceito de sinal identificador para efeito do art. por inexistência de afronta à fé pública. b. 311 (STJ. especialmente em relação à propriedade e ao licenciamento ou registro de veículos automotores (TJSP.■ Objeto jurídico: A fé pública. Obviamente. fornecendo indevidamente material ou informação oficial. automotor ■ Sujeito ativo: Qualquer pessoa (crime comum quanto ao sujeito). RT 791/723). tendo em vista que a conduta não equivale à de adulterar. e multa.

de dois a doze anos. 29 e 30 do CP). em seu aspecto patrimonial e moral. público ou particular. caput. parágrafo único. mesmo que tenham procedimento especial [vide nota no art. 312. pode haver co-autoria ou participação de pessoas que não sejam funcionários públicos.099/95). ■ Objeto jurídico: A administração pública. O § 32 cuida da extinção da punibilidade pela reparação do dano. a partir da vigência da Lei n° 10. 312 contém duas modalidades de peculato: o peculatoapropriação (1 2 parte) e o peculato-desvio (2 2 parte). com pena máxima até dois anos.259/01. No § 1° vem previsto o chamado peculato-furto e. 22. notas aos arts. a transação será cabível também para crimes de competência da Justiça Estadual. em proveito próprio ou alheio. 327 e §§ 1 ° e 2 2 do CP). se lhe é posterior. ■ Sujeito ativo: Só o funcionário público ( vide notas ao art. Aplica-se a mesma pena. Se o funcionário concorre culposamente para o crime de outrem: Pena — detenção.1. 312. e multa. de três meses a um ano. da Lei n° 10. PECULATO CULPOSO § 22 . Em face do princípio da isonomia (art. reduz de metade a pena imposta. cabe transação penal nos crimes de competência da Justiça Federal. extingue a punibilidade. embora não tendo a posse do dinheiro. de que tem a posse em razão do cargo. 313) dispõe sobre o peculato-estelionato. entendemos que.02. 327. sob o título Juizados Especiais Criminais (Federais)]. .7. Pecu/ato (caput) ■ Divisão: O caput do art. valendo-se de facilidade que lhe proporciona a qualidade de funcionário. o peculato culposo. valor ou bem. Apropriar-se o funcionário público de dinheiro. haja ou não procedimento especial. Assim. cuidando-se de pena máxima cominada não superior a dois anos. restrita á figura culposa. O artigo seguinte (CP.617 Código Penal Art. ou desviá-lo. se o funcionário público. § 34. 5 2. 89 da Lei n° 9. No caso do parágrafo anterior. ■ Suspensão condicional do processo: Cabe no § 22. Todavia. art. o subtrai. a transação cabe no § 2 9 deste art. § 1 2.01. ■ Transação: De acordo com o art. ou concorre para que seja subtraído. 327 (art. 312 Título XI DOS CRIMES CONTRA A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA Capítulo I DOS CRIMES PRATICADOS POR FUNCIONÁRIO PÚBLICO CONTRA A ADMINISTRAÇÃO EM GERAL PECULATO Art. mesmo que combinado com o § 29 do art. se precede à sentença irrecorrível. ainda que combinado com o § 22 do art. em proveito próprio ou alheio: Pena — reclusão. no § 22 . da CR/88) e da analogia in bonam partem. valor ou qualquer outro bem móvel. a reparação do dano. desde que elas tenham conhecimento desta qualidade do autor (cf. também chamado peculato impróprio. em vigor a partir de 12.259. de 12. 100 do CP.

predomina o entendimento de que a infração não fica excluída pela caução ou fiança prestada anteriormente. 0 dano material é indeclinável no peculato ( HUNGRIA. 1959. teoricamente. 312 Código Penal 618 ■ Sujeito passivo: 0 Estado e a entidade de direito público. I e II. por exemplo. 345). Pune-se o funcionário que dá ao objeto material destinação diferente daquela para a qual o objeto lhe fora confiado. 1073). 168). Os doutrinadores dão sentido largo à posse. e multa. de 10. Se o desvio for praticado em benefício da própria administração. como toda coisa móvel. v. do CPP. mas imprescindível que o agente. ■ Pena: Reclusão. Na de peculato-desvio. RF 266/115 e RT 526/115. art. que tem a significação de assenhorear-se. p. 514 do CPP. A posse em razão do cargo precisa ser lícita e legítima para que se enquadre no art. é também o dolo. Vide jurisprudência no final da nota. IV. Assim. . ações etc. ou seja. o núcleo é desviar. Lições de Direito Penal — Parte Especial. infungível ou não. 1965. Todavia. A figura culposa é prevista no § 22 . por não ser coisa móvel. entendemos ser necessária a apresentação da defesa preliminar prevista no art. ao contrário do caput. consuma-se quando o agente. IX. consistente na vontade livre e consciente de apropriar-se. valor ou bem. que possa ser transportada. Todavia. expressamente mencionado na segunda modalidade e implicitamente contido na primeira modalidade. requer-se o "dolo genérico" para a primeira e o "dolo específico" para a segunda ou para ambas. abrangendo tanto a detenção como a posse indireta.) ou qualquer outro bem móvel. RTJ 114/1052). O elemento subjetivo do tipo vem referido pelo especial fim de agir ("em proveito próprio ou alheio"). também o particular prejudicado. Peculato-furto (§ >°) ■ Objeto jurídica sujeito ativo e sujeito passivo: Iguais aos do capuz. dispondo ou consumindo o objeto material. Defesa preliminar em vista da redação do art. Súmula 164 do STJ). art. ■ Ação penal: Pública incondicionada. FRAGOSO. Na modalidade de peculato-desvio. ■ Consumação: Na modalidade peculato-apropriação. 1 2 . equiparam-se ao peculato os atos que importem em malversação ou dilapidação de seus patrimônios (art. sempre que o crime denunciado preencha os requisitos da fiança (CELSO DELMANTO. v. ■ Peculato de uso: É dominante o entendimento de que não existe peculato de uso de coisa fungível. é o dolo. Quanto às associações ou entidades sindicais. retendo. 312 do CP. ■ Tipo objetivo: Na modalidade de peculato-apropriação (1 2 parte do caput). 323. até mesmo quanto à indistinção entre bem público e particular. predominando o entendimento de que não fica sujeita à desaprovação de contas pelo órgão competente. passa a dispor do objeto material como se fosse seu. do Decreto-Lei n° 201/67 (vide. tenha a posse dele. apólices. "A defesa preliminar do funcionário público e o novo sistema processual penal". em razão do cargo. a vontade livre e consciente de desviar. ■ Objeto material: É semelhante ao do caput. apossar-se. ■ Confronto: Se o agente é prefeito municipal. ■ Objeto material: A indicação é ampla: dinheiro. ■ Tipo subjetivo: Na modalidade de peculato-apropriação. 552 da CLT. Diversamente da apropriação indébita comum (CP. poderá ocorrer outro delito (CP. Na modalidade de peculato-desvio (22 parte do caput). de dois a doze anos. Comentários ao Código Penal. mas não o peculato. efetivamente. art. E indiferente que o objeto material seja público ou particular. entende-se que o peculato não admite compensação nem é descaracterizado pela intenção de restituir. em proveito (patrimonial ou moral) próprio ou alheio. o núcleo é apropriar-se. modificado pelo Decreto-Lei n° 925. ■ Tentativa: Admite-se. sem dependência de ser alcançado o fim visado. secundária e eventualmente. à semelhança do objeto do crime de furto. não configura o crime "a simples mistura dos dinheiros públicos com o próprio dinheiro" (H. O funcionário age como se a coisa fosse sua.Art. com o efetivo desvio. jurisprudência: STF. p. o agente não tem a posse: embora não tendo a posse do dinheiro. valor(títulos. I. A cláusula final deve ser entendida. também. O desvio deve ser. porém.10.69). in RDP 26/90. o aproveitamento do trabalho de funcionário subalterno não tipifica a infração penal. Na doutrina tradicional. Embora seja questão intranqüila. 315).

consistente na vontade livre e consciente de subtrair ou de concorrer para a subtração. 155 do CP). 4601. ■ Remissão: Na hipótese de ocupantes de cargos em comissão. RJTJRS 166/84). 312 do CP (TER.80. ■ Pena: Detenção.619 Código Penal Art. A figura culposa está prevista no § 2°. propiciando. em quaisquer de suas modalidades (até mesmo na de concorrer para a subtração). ■ Tipo subjetivo: É irrelevante a sua intenção de restituir ou a ausência do ânimo de ter para si (TJSP. 350). v. ao deixar o cargo. mv— RJTJSP72/343). 16 do CP. e o elemento subjetivo que o tipo contém. sendo a condição de funcionário ocasião e não causa para o crime ( Comentários ao Código Penal. II). ■ Noção: É aplicável tão-só ao peculato culposo (§ 29. 30). p. lembrando-se que a condição funcional daquele se comunicará a esta (CP. há concurso necessário entre o funcionário e a outra pessoa. O peculato-desvio exige o dolo específico (TJRS. mas pressupõe o ânimo de ter para si (TJSP. pena e ação penal: Iguais às do caput. é o próprio funcionário quem subtrai o bem. E imprescindível que exista nexo causal entre o comportamento culposo do funcionário e o crime cometido por outra pessoa. concorre (facilita) para que outrem pratique aquelas condutas delituosas. 1959. Nesta última modalidade. função de direção ou função de assessoramento. Se o ressarcimento é posterior. na modalidade de subtrair. art. TFR. é art. Peculato culposo (§2°) ■ Noção: Aplica-se tanto ao peculato-apropriação e ao peculato-desvio (caput) como ao peculato-furto (§ 1 9 ). nelas é aplicável o art. Não comete o crime o agente que guarda em sua residência bens móveis públicos com a anuência de seu superior hierárquico. ■ Sujeitos ativo e passivo. RT 608/319. Vide nota no final do art. restituindo-os quando destituído do cargo (TJAC. DJU 6. RTFR71/143). culposamente.6. 18. Reparação do dano no pecu/ato culposo (§ 3°) Figura qua//ficada Jurisprudência . Quanto à facilidade. a que o parágrafo se refere. reduz de metade a pena imposta. 313 e não art. A figura de desviar em proveito alheio exige a vontade de desviar de forma que o terceiro tenha proveito desse desvio do bem (STJ. DJU 18. ■ Consumação: Com a efetiva subtração.990. o funcionário. RT757/593). vide § 2° do art. ■ Tipo subjetivo: O dolo. de concorrer para a subtração. notadamente o fácil ingresso ou acesso à repartição ou local onde se achava a coisa subtraída". p. Arrependimento posterior embora este § 3° não incida nas demais modalidades de peculato. referente ao especial fim de agir (visando a proveito próprio ou alheio). concorre para que terceira pessoa subtraia o objeto material. Ap. 4150). Se a reparação do dano é anterior à sentença irrecorrível (antes de decisão transitada em julgado). 312 ■ Tipo objetivo: Incrimina-se o funcionário público que subtrai. voluntária e conscientemente. Em ambas as modalidades é indispensável que o funcionário atue valendo-se da facilidade que lhe proporciona a qualidade de funcionário. ou concorre para que seja subtraído. Exemplo: o responsável pelo cofre da coletoria que o deixa aberto ao se ausentar. como no crime de furto (vide nota ao art. O outrem. Na escola tradicional é o "dolo específico". de três meses a um ano.80. 327 do CP. comenta HUNGRIA que "é qualquer circunstância de fato propícia à prática do crime. 312. art. oportunidade para que outro funcionário subtraia o dinheiro que ficou à vista. 0 dolo do peculato-apropriação é genérico. JSTJ e TRF47/288-9). a conduta do agente deve ser em proveito próprio ou alheio. ■ Tentativa: Admite-se. sem intenção de deles se apropriar. 4. ■ Distinção: Se o recebimento do dinheiro não cabia ao agente. Ap. Assim. p. O envio de missivas aos advogados por secretário de justiça. 3. ela extingue a punibilidade. Nas duas modalidades. O funcionário. 107 do CP e jurisprudência neste art.6. por não observância do dever de cuidado a que estava obrigado pelas circunstâncias (vide nota ao CP.356. pode ser particular ou também funcionário público. IX. Na outra modalidade.

327.4. se o particular desconhecia a condição de funcionário do agente (TJSC. aproveita-se da condição de vigilante noturno da EBCT. ■ Em razão de ofício: Para a configuração do peculato. 0 temporário desaparecimento de equipamentos médicos de hospital público. Ap. DJU 7.2. 312 Código Penal 620 veiculando propaganda eleitoral subliminar. ■ Denúncia: E inepta se não especifica os desvios. ■ Benefício próprio ou alheio: É indispensável que o desvio se faça em benefício próprio ou alheio (TJSP. mesmo não sendo funcionário público. RT640/384). JSTJ e TRF 90/407). RT 786/780). RT 727/597). ao dele se apossar. RT490/293). RJTJSP 103/451). RT 792/578).558-1/RS. pois o CPC não atribui aos escreventes tal encargo (TJRJ. pratica furto simples e não peculato-furto. tão-só. ■ Ação penal: A resposta prévia (art. HC 73. que recebe diretamente da parte o valor correspondente à execução que ali se processava. a que se refere o texto legal. sendo necessário que a entrega resulte de mandamento legal. e furta objetos do interior de correspondências (TRF da 3 á R. HC 928. p. por lei. não proibida por lei (TJSP. mesmo quando o funcionário tinha certeza de repor o dinheiro (TER. RT 771/721). cuja guarda lhe foi confiada (TJPR. inclusive no peculato-furto (TRF da 1 R. ainda que a sua propriedade seja de particular (STF. RT520/519). 7959). JSTJ e TRF72/268. Hipótese especial: não pratica peculato o funcionário público que deixa de recolher sua própria contribuição ao órgão de previdência do Estado (TJSP. JM 131/419). p. do CP. ■ Concurso de pessoas: A qualidade de funcionário comunica-se ao particular que é participe do peculato (STF. ao agente. TJRJ. RTJ 97/452). § 1°.128. RT788/631). RT 536/360). in RBCCr 15/410). compreendendo a simples detenção.92. RTJ 153/245-6. modo de execução nem a participação de cada um dos acusados (STJ. Ap. STJ. devido à falta de controle acerca da manipulação de tais materiais.. 514 do CPP) é inexigível quando o acusado já não é mais funcionário público (TRF da 1 R.Art.10. de inveterada praxe. valor ou bem móvel (STF. Não. 3.. STJ. pratica apropriação indébita e não peculato.2. deve ser entendida em sentido amplo.5. RTJ 91/664.. TFR. o crime é de apropriação indébita e não de peculato (STF. mas. Quando o desvio de verba se verifica em favor do próprio ente . se a confiança da vítima não foi em razão de ser ele funcionário competente. não aponta o seu montante. Comete peculato o policial que se apropria de valores de preso. 1139). Com o ato da apropriação. RTJ 119/1030. não se amolda ao peculato-desvio. Escrevente auxiliar de cartório pode ser sujeito ativo de peculato (STF. Escrevente de Vara Cível. RT 512/427). demonstra mera desordem administrativa. ■ Caução: A caução ou fiança prestada antes não afasta o crime de peculato (STF. RT572/393). não sendo exigível que o agente ou terceiro obtenha vantagem com a prática do delito (STJ. HC 74. ■ Consumação do peculato-apropriação: Consuma-se no momento e lugar em que o agente se apropria do dinheiro. in RBCCr 18/223. Para a consumação basta a posse. 312 (TRF da 5 R. DJU 11. e não os elementos tipificadores do art. Policial que subtrai toca-fitas. DJU 24. RT 552/436. Se a atribuição de receber não competia. que exige o dolo e o elemento subjetivo de agir em proveito próprio ou alheio (STF. p.. TJMG.96. art. DJU 17. RT528/396). ■ Bem particular: E irrelevante serem particulares os bens apropriados ou desviados (STF. porém. RT566/300). ■ Posse (caput): A posse.97.081. 11074. Resta caracterizado o delito de peculato na conduta daquele que. pelo menos. RJTJSP73/345. RT517/298). 6439). ■ Funcionário público: Equipara-se a funcionário público o agente que. 100/144. RT 523/476). p. RT792/578). não basta que a coisa tenha sido confiada em razão do ofício. Basta a posse da coisa em razão do cargo.79. bem como a posse indireta (STF. ainda.83. mesmo sendo empregado de empresa de segurança. DJU 12. 5. aceita emprestar sua conta bancária para compensar valor desviado de banco estadual (TJAP. pela sua condição genérica de servidor público. ou. ao revistar veículo abandonado.351. pois o objeto não se achava sob a guarda e responsabilidade da administração pública (TJSP. 1340. Vide. p.

obtém para si. p. mas prevaricação. RT 758/516. 3. vantagem ilícita (TRF da 4 Q R. ■ Princípio da insignificância: Não se admite a sua aplicação em face do pequeno valor apropriado. DJU 5.589. o funcionário que retarda ato de ofício para satisfazer interesse próprio.10.452. há emprego irregular de verba e não peculato (TER. RT 769/729. por ser mais grave. ■ Desclasificação para estelionato: E admissível a desclassificação para estelionato se o agente. RT 535/339). RT 771/722). a ofensa aos interesses da Administração (TJSP.. 3. funcionário de empresa pública. empregando meio fraudulento. Contra: a caracterização do peculato doloso não reclama lucro efetivo pelo agente. A falta de tomada de contas igualmente não impede o início da ação penal (TJPR. e emite uma das cártulas mediante falsificação da assinatura da correntista (IRE da 4 Q R.2. ■ "Peculato de uso": Constitui peculato. DJU 26. TJSP. Não pratica peculato. 312 (TJSP. o que não é o caso do dinheiro (STF. e não o de furto (TJAC. g. . RT 790/692). RF260/340). Ap. 312 público. 5.94.863. e não o de peculato-furto ou estelionato. alegado pelo agente.78. TJSP.621 Código Penal Art. TJPR. RT 520/353). nem mesmo o de uso. ■ Confronto com peculato-furto eestelionato: Pratica o crime de peculato próprio. Ap. p. § 3 Q .. ■ Compensação: O fim de compensação. com o consentimento do seu responsável por este (TJPR. RT 759/754). em documento público de assistência patronal. RT 537/302). pois tal delito fere o aspecto patrimonial e moral da Administração Q Pública (TRF da LP R. RTJ 91/814). ■ Dano material: Não há peculato sem dano patrimonial à administração (TFR. DJU 18. há concurso material. ■ Circunstância agravante (bis ín idem): A incidência da circunstância agravante de violação de dever funcional. RT 749/669. o carteiro da EBCT que se apropria de encomenda sedex. contendo talonário de cheques. prevista no art. se esta constituiu meio para a prática do desfalque (TFR. pois o peculato e a falsidade ideológica resultam de ações distintas e autônomas (TJSE. 171..94. 7526. mas. caracteriza bis in idem. pois o peculato tem como elemento do próprio tipo o motivo da majoração (STJ.061. O peculato de uso pressupõe que a coisa seja infungível. DJU 28. RHC 3. Não configura o aproveitamento de material usado e imprestável. 5762). não dando ao dinheiro recebido das partes a sua destinação e só o devolvendo quando por elas pressionado (TJSP.86. pois a Administração Pública somente perde a disponibilidade de seus bens quando expressamente a consinta. consegue proveito para si.801. sendo suficiente a violação do dever de fidelidade para com a Administração (TJRS.10.79. não exclui o crime (TJSC. declarações falsas para obtenção de ressarcimento de despesas médicas em nome próprio e de terceira pessoa. TJAC.. Contra: há concurso formal (STF. uma vez que o que importa neste delito não é tanto a lesão patrimonial. E inadmissível a compensação no crime de peculato. in RBCCr 6/234). RT 505/305). ■ Processo administrativo: Não descaracteriza o peculato doloso o fato de o Poder Legislativo ter inocentado o agente (TJPB.77. p. 7794. em tese. p. RT513/357). RT 499/426). pp. embora com intenção de restituir (STF. RT 727/597).375. 5. 2916-7. Ap. ■ Concurso de crimes: O peculato absorve a falsidade. RHC ■ Aprovação de contas: 55. A aprovação de contas não exclui o crime (STF. DJU 16. ou a lei administrativamente o autorize. a aplicação de dinheiro público em proveito próprio ou de outrem. 0 desvio de mão-de-obra pública não caracteriza o delito deste art. II. pratica o crime de peculato. DJU 29. 2977. 67831. em utilização diversa da prevista. Contra: O funcionário da Caixa Econômica Federal que subtrai guias de depósito e talões de cheques e. RTFR 70/108. RT756/608).8.. nem impede o Ministério Público de oferecer denúncia (STJ.11. RT 776/667). 61. valendo-se de sua qualidade de funcionário. APn 218. absorve o estelionato (TRF da 1 R. PJ 43/234). do CP.. TRF da 3 R. sobretudo.5. ■ Confronto com furto: O servidor público que subtrai armas que estavam sob a guarda da Administração. através de artifício fraudulento. á comete peculato-furto que. p. PJ 42/196). RT 784/739).9. RT 756/608). Se inseriu. desclassifica-se para o art. in RBCCr 12/288). 19468. RT702/377).80. Ap. TJSP. RT784/589). do CP (TRF da 4 á R. DJU 23. p.

. DJU 8.79.5.. e. destinada a recepções. RT 605/399). RJTJSP 114/498. sendo irrelevante a ausência de perdas materiais. RT 520/460). DJU 6. mas pode influir na pena (STF. ■ Reparação no peculato doloso: A extinção da punibilidade pela reparação do dano só é possível no peculato culposo (STJ. RT790/692). RJTJSP 140/261). RTJ 84/1067.497/DF. 5013). RT 520/521. por negligência.86. imprudência ou imperícia.524. RT 541/342. E só ilícito administrativo. RT 759/757). ainda que feita antes do procedimento disciplinar (STF. ■ Reparação no peculato culposo (§ 39: Extingue-se a punibilidade se o agente. 8948. ressarce a entidade financeira da quantia que fora irregularmente sacada (TRF da 5 2 R. Configura o crime a determinação de aquisição de bens ou realização de serviços sem o devido processo licitatório. A restituição não descaracteriza o peculato doloso (TJSP. RT 506/326).088. A devolução não descaracteriza (TJSP. p. DJU 11. mv— RJTJSP 141/448). .Art. se apropria de mercadorias estrangeiras irregularmente introduzidas no território nacional (TRF da 5 4 R. 1 2 . Para a configuração da modalidade culposa. ■ Prefeito municipal: Em termos de nomenclatura. A restituição não influi na tipificação do peculato doloso. RT632/280. ■ Aplicações financeiras: Não tipifica peculato (art. RHC 7. no exercício do dever funcional de repressão ao descaminho. 604. que. 315). TRF da 5 4 R. JSTJ e TRF76/312). in RBCCr 2/242). RT 499/426).93.450.. ainda assim. se depositava as quantias em sua conta bancária. que o acusado. DJU 19. ficando com os juros (TRF da 22 R. Ap.10. mv— JSTJ e TRF83/465. posteriormente. DJU 22. ■ Peculato culposo (§ 2°): Pratica o funcionário público incumbido de fiscalizar o serviço. RT 760/757). TJRJ. do Decreto-Lei n 9 201/67 (TJSP. ■ Associações sindicais: 0 Decreto-Lei n°925.3. RTJ 125/25).. o principal. leve uma outra pessoa a cometer o ilícito (TJPB. mas influi na pena e permite a aplicação do art. Não pratica crime se adquire presentes para ofertar às secretárias do município.86. RT785/654). Configura. propiciando que seu subordinado aumente o número de horas extras a que tem direito e se aproprie da diferença (TFR. agindo com negligência. ainda que haja consumo de combustível (TJSP.9. a conduta do administrador que desvia fundos disponíveis para aplicações a curto prazo a fim de salvaguardá-los da inflação desenfreada (STF. com verba do seu gabinete. A reposição do dinheiro não extingue a punibilidade (STF. 3... que dá à norma interpretação equivocada (TJRS. nem prevaricação (art. o uso de veículos ou máquinas oficiais em serviços particulares. funcionário de agência bancária pertencente a empresa pública. RT760/757). tanto são peculatos os do art. p. RT 506/319). RT 633/266). 76. DJU 27. TFR. 16275). p. 312 Código Penal 622 RJTJSP 140/261.. Ap. é necessário que o agente concorra para que outrem pratique o crime. RT769/729. equiparou ao peculato os crimes praticados em detrimento de associações sindicais (STF.4. que falta ao seu dever. aplicava-as no open market e devolvia. 16 do CP (TJSP. TRF da 1 2 R. pertencente a empresa pública. TRF da 2 2 R. O peculato-desvio exige o dolo específico. 5. bem como o empréstimo de material (TJSP.. de 10. Comete o delito de peculato culposo o funcionário de agência bancária. 5. RHC 56. não confere assinaturas apostas em cheque nem segue as formalidades necessárias para desconto. e não peculato. p. não se vislumbrando má-fé no caso de prefeito sem formação jurídica e sem assessoria técnica. Depois de consumado o peculato doloso. entrega numerário correspondente ao valor do título subtraído e falsificado (TRF da 5 2 R. por ausência de dolo específico. eis que o objeto material é a moralidade administrativa (TJSE. 2682.69. 8641). 15 (atual) do CP (TER. ■ Peculato-furto ou impróprio: Comete este crime o policial que. o recolhimento das importâncias desviadas não configura o arrependimento eficaz do art.98. entretanto. RT 698/385). homenagens e festividades (TJMG. 319) ou emprego irregular de verbas ou rendas públicas (art. I. TRF da 4 á R.847. em relação aos preços correntes e usuais (TJPR.79. ou seja. Ap. mv— RJTJSP 113/522.9. 312). p. mv — JSTJ e TRF83/465).6. p. 312 do CP quanto a figura do art. PJ 43/234). Ap. Não se caracteriza se não comprovado que os valores pagos pela Prefeitura eram realmente indevidos. RJTJRS 166/84). in RBCCr 24/318).

torna-se imprescindível a elaboração de laudo pericial (TJSP. ■ Concurso de pessoas: Pode haver co-autoria e participação (CP. em razão do cargo público que o agente exerce. que praticou crime de peculato. b. não é indispensável o exame de corpo de delito (TER. ■ Ação penal: Igual á do art.81. é necessário que a pena corporal aplicada seja superior a quatro anos (TJRO. 15169). jurisprudência ao art. 313. ■ Tipo objetivo: O núcleo é o mesmo apropriar-se da figura principal do peculato (vide nota ao art. RTJ 103/156). § 3°.87. também.337. se não houver combinação com o ■ Suspensão art. ■ Objeto material: E dinheiro ou qualquer utilidade. ■ Competência: Tratando-se de crime de peculado praticado por ex-Secretário da Saúde estadual. caput. RT638/318). vide § 2° do art. ■ Tentativa: Admite-se. da CR/88 (STF. não tenha sido induzido pelo agente (TER. 312. 4. consistente no desvio de recursos orindos de convênios com o SUS. isto é. em entregar o valor. PECULATO MEDIANTE ERRO DE OUTREM Art. RTFR 71/143). compreende qualquer coisa que represente vantagem. No exercício do cargo. ■ Pena: Reclusão. caput. 313. porém. 312 e 313 ■ Exame pericial: Se o peculato deixou vestígios materiais. 313 e não no art. caput (vide nota ao art. Por erro de outrem. 312 do CP (TFR. e multa. E desnecessária a perícia contábil para constatação do peculato.585. ■ Confronto com o estelionato: Pratica o delito do art.8. ■ Consumação: Quando o agente passa a dispor da coisa recebida. a competência é da Justiça Federal. ou. de um a quatro anos. 312 para o art. se a apropriação fica comprovada por outro meio (STF. 312 (vide nota ao art. entendendo alguns que esta deve alcançar. E necessário. de indireto (STF. 327. condicional do processo: Cabe. que o funcionário se aproprie de objeto que recebeu: a. de um a quatro anos. Embora não haja necessidade de perícia para evidenciar a prática de peculato. DJU 27. 171. Vide. as coisas móveis e de valor econômico. a funcionária pública que. 29 e 30). p. se a prova existente é precária.099/95). do CP). RF270/277.623 Código Penal Arts. para outros. Ap. 312. do CP). recebeu por erro de outrem: Pena — reclusão. A pessoa que se engana na entrega tanto pode ser particular como outro funcionário público. a tipificação é no art. 312. e não o do art. do CP). arts. 92 do CP. 312: Se o recebimento do dinheiro apropriado não cabia ao agente. nos termos do art. ■ Perda da função pública: Para que seja decretada a perda de função de policial civil. e multa. 5. ■ Aplicação: Em caso de ocupante de cargos em comissão. Para que haja desclassificação do art. RT 767/676). apenas. TJPR. porém. 89 da Lei n° 9. obtém Figura qualificada Jurisprudência . O erro deve ser da vítima que faz a entrega e não pode ter sido causado pelo agente. Na maioria dos casos de peculato. § 2 2 (art. 8201). caput. induzindo a erro caixa de agência bancária. sujeito ativo e sujeito passivo: Iguais aos do art. IV. RT 753/536).8. ■ Tipo subjetivo: Igual ao da primeira modalidade do art. 312. 312. RT 779/548). como se fosse sua. 313 é necessário que o erro da vítima. na impossibilidade deste. função de direção ou função de assessoramento. p. será indispensável a realização de exame de corpo de delito direto. Apropriar-se de dinheiro ou qualquer utilidade que. ■ Confronto com o art. caput. Ap. do CP. DJU 6. no exercício do cargo. 327 do CP. Pecu/ato mediante erro de outrem (peculato-este/ionato ou peculato impróprio) ■ Objeto jurídico. 109.

e multa. art. e multa. cai em mora e não os devolve (TJSP. ■ Pena: Reclusão. de dois a doze anos. d. inserir (introduzir. a alteração e a exclusão devem ser juridicamente relevantes e ter potencialidade lesiva. ■ Ação penal: Pública incondicionada.983/00 (art. 22 ). acrescido do especial fim de agir (obter vantagem indevida para si ou para outrem ou causar dano). a facilitação de inserção. evidentemente àquele se refere. Na doutrina tradicional (clássica). ■ Consumação: A consumação se dá com a efetiva inserção ou facilitação de inserção (facilitação + inserção facilitada) de dados falsos ou. ■ Sujeito ativo: Só o funcionário público autorizado.00. só se consuma quando este. art. ainda. INSERÇÃO DE DADOS FALSOS EM SISTEMA DE INFORMAÇÕES Art. posto que encontra-se incluído no Capítulo I ( Dos Crimes Praticados por Funcionário Público contra a Administração em Geral) do Título XI ( Dos Crimes contra a Administração Pública) do CP. 313 e 313-A Código Penal 624 vantagem econômica ilícita com o desconto de cheque subtraído de entidade a que era vinculada (TRF da 5 R. incluir) dados falsos. de 14.Arts. cuja entrada em vigor deu-se em noventa dias. desde que tenha conhecimento da condição de funcionário público do autor (CP.. RT760/757).00).10. c.. a inserção. vide nota no art. especialmente a alteração de seu § 1-q feita pela Lei 11° 9. especialmente seus sistemas informatizados ou bancos de dados. mas apenas funcionário autorizado. arts. auxiliar. ■ Vencimentos pagos a mais: No caso de vencimentos pagos a mais ao funcionário. alterar ou excluir indevidamente dados corretos nos sistemas informatizados ou bancos de dados da Administração Pública com o fim de obter vantagem indevida para si ou para outrem ou para causar dano: Pena — reclusão. ■ Concurso de pessoas: O particular pode ser co-autor ou partícipe do crime (CP. aquele administrativamente designado para a função. ■ Tipo objetivo: São quatro as condutas incriminadas: a. I). com a real alteração ou exclusão indevida de dados corretos. 327 do CP. afastar dificuldades) a inserção de dados falsos. o particular que eventualmente vier a ser prejudicado. 514) ( CELSO . Obviamente. Inserir ou facilitar. e não qualquer funcionário público. A respeito do conceito de funcionário público para efeitos penais. ■ Tentativa: Embora teoricamente possível. a inserção de dados falsos. 15. /nserção de dados fa/sos em sistema de informações ■ Alteração: Art. é o dolo específico. 323. ■ Sujeito passivo: O Estado e a entidade de direito público. 29 e 30). 313-A acrescentado pela Lei n° 9. 313-A. Nas condutas c e dexige-se o elemento normativo do tipo (indevidamente).7.7. Por ser crime afiançável (CPP. modificar) indevidamente dados corretos. o funcionário autorizado. RT521/355). ■ Tipo subjetivo: O dolo. Embora este artigo não mencione a expressão funcionário público. ou seja. facilitar (tornar fácil. excluir (eliminar) indevidamente dados corretos. O rito processual deverá ser o previsto nos arts.983. trata-se de crime próprio. chamado a dar conta. ■ Concurso de pessoas: Apesar de crime próprio. o particular pode ser co-autor ou partícipe. na prática será de difícil ocorrência. Não há modalidade culposa. 29 e 30). de dois a doze anos. ■ Objeto jurídico: A Administração Pública. 513 e seguintes do CPP. b. em segundo lugar.00 ( DOU 17. alterar ( mudar. ou seja. arts. em seus aspectos patrimonial e moral. Todas essas condutas têm por objeto os sistemas informatizados ou bancos de dados da Administração Pública. será garantida ao acusado a apresentação de defesa preliminar (CPP. consistente na vontade livre e consciente de praticar as condutas incriminadas.

cuidando-se de pena máxima cominada não superior a dois anos. a partir da vigência da Lei n° 10. ainda que haja combinação com o art.7.00). entretanto. ■ Sujeito ativo: Só o funcionário público. Não há forma culposa. para a configuração deste art. secundariamente. representado pela pessoa jurídica de direito público. especialmente seus sistemas de informações e programas de informática. evidentemente a ele se refere. do CP (art. 2000. os verbos acima referidos têm o mesmo significado (AURÉLIO BUARQUE DE HOLANDA FERREIRA. cabe transação penal nos crimes de competência da Justiça Federal. Para ANTONIO LOPES MONTEIRO. 327. mesmo que tenham procedimento especial [vide nota no art.1. Em face do princípio da isonomia (art.00). a transação cabe no caput deste art. As penas são aumentadas de um terço até a metade se da modificação ou alteração resulta dano para a Administração Pública ou para o administrado. de 12. Embora a lei não deva usar palavras desnecessárias. Saraiva.7. Parágrafo único. isto é. ainda. de três meses a dois anos. administrativamente designado para a função. da CR/88) e da analogia in bonam partem. Nova Fronteira). 313-B. ■ Transação: De acordo como art. Evidentemente. é o dolo genérico. 2 9 ). entendemos que. RTJ 114/1052. Neste sentido: STF. Novo Dicionário da Língua Portuguesa. 313-A e B DELMANTO. parágrafo único. modificar sistema de informações ou programa de informática. 0 sistema de informações ou programa de informática deverá ser da Administração Pública. 89 da Lei n° 9. a modificação ou alteração deve ser juridicamente relevante e ter potencialidade lesiva. 5 9 . 327.01. A respeito do conceito de funcionário público para efeitos penais vide o art. cuja entrada em vigor deu-se em noventa dias (15. Ao contrário do art.983/00 (art. com pena máxima até dois anos.099/95). o particular prejudicado. sob o título Juizados Especiais Criminais (Federais)]. 49). caput. o funcionário. a transação será cabível também para crimes de competência da Justiça Estadual. in RT 526/115). desde que não haja incidência do § 2 9 do art. ■ Sujeito passivo: O Estado. 327 do CP. b. p. ■ Alteração: Art. Assim. sendo este espécie e aquele gênero ( Crimes contra a Previdência Social.625 Código Penal Arts. Modificação oua/teração não autorizada de sistema de informações ■ Objeto jurídico: A Administração Pública. Para a doutrina tradicional (clássica). Embora este artigo não mencione a expressão funcionário público. . Modificar ou alterar. alterar sistema de informações ou programa de informática. § 2 9 .259/01. da Lei n° 10. Exige-se. 100 do CP. MODIFICAÇÃO OU ALTERAÇÃO NÃO AUTORIZADA DE SISTEMA DE INFORMAÇOES Art. consistente na vontade livre e consciente de praticar as condutas incriminadas. 313-A. especialmente a alteração de seu § 1 9 feita pela Lei n° 9. haja ou não procedimento especial.7. ■ Tipo subjetivo: O dolo. ■ Suspensão condicional do processo: Cabe no capute no parágrafo único. de 14. o conceito de alterar é mais abrangente que o de modificar.10. 313-B. 313-B que a modificação ou a alteração seja feita sem autorização ou solicitação de autoridade competente (elemento normativo do tipo).259. "A defesa preliminar do funcionário público e o novo sistema processual penal". em vigor a partir de 12. ■ Tipo objetivo: São duas as condutas incriminadas: a. sistema de informações ou programa de informática sem autorização ou solicitação de autoridade competente: Pena — detenção.02.983. 313-B acrescentado pela Lei n° 9. 29 . e multa.00 ( DOU 17. posto que encontra-se incluído no Capítulo I ( Dos Crimes Praticados por Funcionário Público contra a Administração em Geral) do Título XI ( Dos Crimes contra a Administração Pública) do CP. não se exige que seja funcionário autorizado.

O rito processual deverá ser o previsto nos arts. de três meses a dois anos. 12 e parágrafos da Lei n 2 9. 3 2. art. que a guarda seja dever do seu cargo. sonegar(não apresentar. sonegação ou inutilização acarretar pagamento indevido ou inexato de tributo ou contribuição social. 313-B e 314 Código Penal 626 ■ Consumação: A consumação se dá com com a efetiva modificação ou alteração de sistema de informações ou programa de informática. a pena é aumentada pena (parágra. sociedade de economia mista ou fundação instituída pelo Poder Público. 305 do CP. ■ Sujeito passivo: O Estado e a entidade de direito público. 29 e 30). art. art. a vontade livre e consciente de extraviar. se o fato não constitui crime mais grave. extraviar (desviar. consuma-se quando há a exigência legal para apresentar.. b. ■ Confronto: Se há especial fim de agir. Contudo. I. registros etc. inutilizar (tornar imprestável ou inútil). total ou parcialmente. sonegação ou /nuti/ização de livro oficia/ ou documento ■ Objeto jurídico: A Administração Pública. ■ Suspensão condicional do processo: Cabe. arts. ■ Ação penal: Pública incondicionada. Se o extravio. 314. fazer perder). 337 do CP. que pode ser público ou particular (vide conceito de documento na nota ao art. 298 do CP). ■ Tentativa: Embora teoricamente possível. ou qualquer documento. Causa especial ■ Noção: Seda modificação ou alteração resulta dano (no sentido naturalístico) para de aumento de a Administração Pública ou para o administrado (o particular). ■ Concurso de pessoas: O particular pode ser co-autor ou partícipe. art. desde que tenha conhecimento da condição de funcionário público do autor (CP. O objeto material é: a. Na modalidade de sonegar. § 2 2 (art. recebido pelo agente na qualidade de advogado ou procurador. arts. 29 e 30). na prática será de difícil ocorrência. art. isto é. 514). ■ Confronto: Quanto à violação de direitos de autor de programa de computador. total ou parcialmente: Pena — reclusão. vide art. livro oficial. desencaminhar. SONEGAÇÃO OU INUTILIZAÇÃO DE LIVRO OU DOCUMENTO Art. será garantida ao acusado a apresentação de defesa preliminar (CPP. c. desde que tenha conhecimento da condição de funcionário público do autor (CP. art. 327. ocultar fraudulentamente). Se o agente não tiver a guarda ou não for funcionário. que deve ser livro criado por lei e usado em escriturações. ■ Pena: Detenção.609/98. inclusive em prejuízo de entidade de direito público. é imprescindível que o agente tenha a guarda em razão do cargo. de um a quatro anos. empresa pública. ■ Sujeito ativo: Somente o funcionário público (vide notas ao art. autarquia. sonegá-lo ou inutilizá-lo. lançamentos.Arts. Extravio. b. 513 e seguintes do CPP. ■ Tipo objetivo: Três são os núcleos alternativamente previstos no art. ■ Consumação: Com o efetivo extravio ou inutilização (ainda que parcial). o particular pode ser co-autor ou partícipe. Extraviar livro oficial ou qualquer documento. e multa. Se a sonegação é de papel ou objeto de valor probatório.099/95). sem dependência de outros resultados. Na escola tradicional é o "dolo genérico". se não houver combinação com o art. Seja li vro oficial ou documento. ou seja. sonegar ou inutilizar. 327 e §§ 1 2 e 22 do CP). Por se tratar de crime afiançável (CPP. fo único) EXTRAVIO. de que tem a guarda em razão de cargo. da Lei n° . salvo na hipótese de sonegação. Não há forma culposa. 89 da Lei n° 9. 356 do CP.de um terço até a metade. 322. 314: a. caput). ■ Tipo subjetivo: O dolo. ■ Tentativa: Admite-se.

■ Transação: Cabe. ■ Ação penal: Pública incondicionada. de modo que é inadmissível ampliar o significado da expressão para alcançar decretos ou outros provimentos administrativos. 314 (TJSP.627 Código Penal Arts. Dar às verbas ou rendas públicas aplicação diversa da estabelecida em lei: Pena — detenção de um a três meses. ■ Sujeito passivo: O Estado e a entidade de direito público. 314 e 315 8. RT556/297). A conduta que se incrimina é a de dar aplicação diversa da estabelecida em lei às verbas ou rendas públicas. RJTJSP 105/433). em tese. 327. 323. 29 e 30). em dinheiro. não de culpa (TJRS. do CP (art. RT 639/277). não configura o crime do art. ■ Concurso de crimes: Não há se a sonegação de livro foi praticada apenas para acobertar o peculato cometido pelo mesmo agente (TJSP. efetivo ou potencial. ■ Subsidiariedade: O crime do art. que são os valores. Econômica e contra as Relações de Consumo). I. pois o dano. "A defesa preliminar do funcionário público e o novo sistema processual penal". por si só. ■ Relevância: Não se equiparam a livro oficial ou documento as fichas ou cópias não assinadas que estavam na repartição pública (TJSP. vide § 2° do art. a apresentação da defesa preliminar do art. Emprego irreguiar de verbas ou rendas públicas ■ Suspensão condicional do processo: Cabe. 315. O art. do CP (art.099/95). de um a quatro anos. 514 ao CPP (Caso DELMANTO. assinala HELENO FRAGOSO. Verbas. recebidos pelo erário. jurisprudência: STF. que são as somas de dinheiro reservadas ao pagamento de determinadas despesas. de modo que ficam excluídos decretos . 327. o particular pode ser co-autor ou participe. Figura qualificada Jurisprudência ■ Incidência: Na hipótese de agente ocupante de cargo em comissão. ■ Pena: Reclusão. 327 e §§ 1° e 2° do CP) com poder de disposição de verbas ou rendas. in RF 266/115 e RT 526/115.137/90 (Lei dos Crimes contra a Ordem Tributária. 314 do CP só é punível a título de dolo. para sua caracterização não importa a ocorrência ou não do prejuízo. 327 do CP.099/95). RT 612/316). ■ Sujeito ativo: Só o funcionário público (vide notas ao art. entendemos ser necessária. do CPP. 315 a lei. Contudo. função de direção ou de assessoramento. ■ Dolo: É necessário o dolo genérico. Referindo-se o art. desde que tenha conhecimento da condição de funcionário público do autor (CP. sendo vedada a interpretação extensiva. Pleno. Em vista da atual redação do art. RT492/315). b. § 2°. A respeito. não é elemento do tipo (TJSP. ■ Guarda: A guarda irregular de documento na casa do funcionário. ainda que combinado com o art. ■ Inutilização: Comete o crime quem inutiliza folha contendo cota do Ministério Público em autos judiciais. § 2°. 314 é expressamente subsidiário. para configurar o crime do art. não bastando a culpa funcional do serventuário pelo extravio do livro. ■ Objeto jurídico: A regularidade da Administração Pública. RT 575/347). EMPREGO IRREGULAR DE VERBAS OU RENDAS PÚBLICAS Art. arts. ou multa. 89 da Lei n° 9. esta deve ser entendida em seu sentido restrito. é "pressuposto do fato que exista lei regulamentando a aplicação dos dinheiros". Rendas públicas. A sonegação de documento exige prova segura do dolo (TJSP. RTJ 114/1052). ■ Tipo objetivo: O objeto material do delito é: a. RT458/411). 314 (TJSP. mesmo que haja combinação com o art. 76 da Lei n2 9.

v. 1087). ou multa. 316. ou. auxílios ou recursos de qualquer natureza deve fazer-se com estreita observância de sua destinação específica. 11 da Lei n° 1. de dois a oito anos. função de direção ou de assessoramento. HC 4. ■ Pena: E alternativa: detenção.5. ■ Estabelecida em lei: Se o orçamento fora aprovado por decreto do próprio Poder Executivo. Se o funcionário exige tributo ou contribuição social que sabe ou deveria saber indevido. Concussão (caput) ■ Alteração: § 1 9 com redação dada pela Lei n° 8. 1965.397/76. e multa.Arts. 315 e 316 Código Penal 628 ou atos administrativos (Lições de Direito Penal — Parte Especial. CONCUSSÃO Art. já tendo a verba sido entregue pela União ao Estado. ■ Ação penal: Pública incondicionada. Ill. de dois a doze anos. Figura qua/ificada Jurisprudência ■ Incidência: Tratando-se de agente ocupante de cargo em comissão. com essa alteração. ■ Vigência: O art. Se o agente . DJU 5. RT617/396). ainda que fora da função ou antes de assumi-la. enquanto o máximo da primeira ficou igual ao máximo da segunda. 59 da Lei n° 4. direta ou indiretamente. que consiste na vontade livre e consciente de dar aplicação diferente. RHC 55. Econômica e contra as Relações de Consumo). que a lei não autoriza: Pena — reclusão. ■ Prefeito municipal: O ernprego de subvenções. Se o funcionário desvia. mas em razão dela. o mínimo da pena cominada ao excesso de exação (§ 1 2 ) passou a ser superior ao mínimo da pena da concussão (caput). art. o mínimo da pena . de um a três meses. art. DJU 6. 315 exige (STF. 327. EXCESSO DE EXAÇÃO § 1 2 . doada a Estado com finalidade específica. p.81. o que recebeu indevidamente para recolher aos cofres públicos: Pena — reclusão. ■ Competência: O processo pelo emprego irregular de verba federal. vide CP.320/64 (STF. Exigir. § 2 2. de três a oito anos. ■ Tipo subjetivo: E o dolo. caracterizando ilícito penal o desvio para fim diverso (TJRJ. 315 do CP não foi revogado pelo art.942.137/90 (Lei dos Crimes contra a Ordem Tributária. pois. em proveito próprio ou de outrem. Faz-se necessária a notificação do acusado para apresentar defesa preliminar (CPP. 514). ■ Consumação: Com a efetiva aplicação das verbas ou rendas. Observe-se que.8. emprega na cobrança meio vexatório ou gravoso. § 2°. e multa. p. para si ou para outrem. 1°. 2978). que deu nova redação ao art. falta o requisito que o art. Igualmente. p. compete à Justiça Comum e não à Federal. art. art. quando devido. do Decreto-Lei n° 201/67. 7380). ■ Confronto: Se o agente é Presidente da República. vantagem indevida: Pena — reclusão.78. ■ Tentativa: Admite-se. é prefeito municipal. IV. e multa. Na corrente tradicional é o "dolo genérico". Não há punição a título de culpa. E desnecessário que a conduta seja patrimonialmente danosa à Administração Pública. mv— RT699/344). é este que foi afetado (TFR.991.079/50. e não por lei. 1° da Lei n° 6.

■ Sujeito ativo: Somente o funcionário público (vide notas ao art. naqueles casos em que a exigência não seja verbal. Como assinala MAGALHÃES NORONHA.modalidade: pune-se a conduta do funcionário que exige (reclama. II. a vantagem ilícita. 327 e §§ 1° e do CP). o particular pode ser co-autor ou participe. ■ Sujeito passivo: O Estado. de dois a oito anos. Portanto. in RF 266/115 e RT 526/479. obviamente. Econômica e contra as Relações de Consumo). A vantagem deve beneficiar o próprio agente ou terceira pessoa (vide Tipo subjetivo). são indevidos . Contudo. 1. p. out. ■ Tipo objetivo: O excesso de exação é previsto sob duas modalidades distintas: exigência indevida e cobrança vexatória. embora ela Mossa ser imaginada por nós. Excesso de exação (§ 1°J ■ Objeto jurídico: A Administração Pública. A exigência deve ser para si (para o agente) ou para outrem (terceira pessoa). 29 e 30). "A pressa em punir e os atropelos do legislador". "A defesa preliminar do funcionário público e o novo sistema processual penal". RT601/409). sempre que a infração preencher os requisitos da fiança (Caso DELMANTO. independentemente do recebimento da vantagem (crime formal). imediata ou futura. ■ Tipo objetivo: O núcleo previsto é exigir. ■ Tipo subjetivo: O dolo. ■ Pena: Reclusão. 17 do CP. ■ Consumação: Com a efetiva exigência. ■ Sujeito ativo: Igual ao do caput. que consiste na vontade livre e consciente de exigir vantagem que sabe ser indevida. demanda) tributo ou contribuição social que sabe ou deveria saber indevido. Entendemos ser necessária a apresentação da defesa preliminar prevista no art. 3°. 35/91. o crime será outro. pois tanto a concussão( caput) quanto. ordenar. ■ Ação penal: Pública incondicionada. depois. a figura qualificada do excesso de exação são delitos mais graves do que o excesso de exação simples (§ 1°) (a respeito. da Lei n° 8. ■ Confronto: Se a concussão é praticada "para deixar de lançar ou cobrar tributo ou contribuição social. a entidade de direito público e o particular prejudicado. E pode ser feita de forma direta (pelo próprio agente) ou indireta (por meio de interposta pessoa). vide ROBERTO DELMANTO. de excesso de exação (§ 1 ° deste art. ■ Objeto jurídico: A Administração Pública. Trata-se de uma incongruência do legislador. demandar. 362). Não há modalidade culposa. E indispensável que o funcionário faça a exigência em razão dela (função pública). o agente não pode ser preso em flagrante quando vai. ■ Crime putativo provocado: Vide nota ao art. vide art./91). Caso a Administração Pública seja a beneficiada. ainda que fora da função ou antes de assumi-la. O que o agente exige é vantagem indevida. como tal.629 Código Penal Art. arts. IX. ou cobrá-los parcialmente".137/90 (Lei dos Crimes contra a Ordem Tributária. desde que cometa o crime em razão da função. receber a vantagem anteriormente exigida. de natureza econômica ou patrimonial. 514 do CPP. a entidade de direito público e a pessoa que sofre a concussão. Na doutrina tradicional é o "dolo específico". considerando-se. e multa. a exigência consuma o crime e o recebimento da vantagem exigida é mero exaurimento. 316 imposta ao excesso de exação (§ 1°) passou a ser superior ao mínimo da pena do excesso de exação qualificado (§ 2Q ). ■ Sujeito passivo: O Estado. in Revista do Advogado. AASP. desde que tenha conhecimento da condição de funcionário público do autor (CP. jurisprudência: STF. ■ Tentativa: HUNGRIA entende ser inadmissível ( Comentários ao Código Penal. Assim. impor. que tem o sentido de reclamar. A exigência pode ser explícita ou implícita. ainda que fora da função ou antes de assumi-la. e o elemento subjetivo do tipo contido na expressão "para si ou para outrem". v. Note-se que a ação incriminada na concussão é exigir e não receber. 1959. 316).

DJU6. 4150.726. ■ Consumação: Com o efetivo desvio. lança mão. p. ou porque não os deve o contribuinte. meio vexatório (humilhante. 15341. RT735/721). RT 519/407). ■ Tentativa: Admite-se. sujeito ativo e sujeito passivo: Iguais aos do § 1 2. Na doutrina tradicional é o "dolo específico" . ■ Pena: Reclusão. ■ Consumação: Na primeira modalidade. que a lei não autoriza. E crime formal. que consiste na vontade livre e consciente de exigir tributo ou contribuição social que sabe (dolo direto) ou deveria saber (dolo eventual) indevido (vide nota ao art. ou porque excedem ao quantum legal" ( Direito Penal. p. 3. RT725/546. art.85. DJU 12.80. de dois a doze anos. diligência aparatosa.319. 483/287). 312)..6. Figura qua//l/cada (§2Q ) ■ Alcance: Este § 22 diz respeito. RT487/271. podem ser lembrados: cobrança realizada de modo a humilhar o contribuinte. em proveito próprio ou de terceiro. O desvio precisa ser antes do recolhimento ao tesouro público. na cobrança. Como exemplos de meios vexatórios. sob o título Punição por culpa — parágrafo único). v. TJSP. serve-se). 241). Aqui. E crime formal. 316 Código Penal 630 "porque não são determinados por lei. o agente emprega (faz uso. 22 modalidade: incrimina-se o comportamento do funcionário que. e o elemento subjetivo do tipo contido na expressão "em proveito próprio ou de outrem". db três a oito anos. 316 (figura qualificada). Na escola tradicional é o "dolo genérico". TRF da 3 2 R. IV. ■ Aplicação: Na hipótese de agente ocupante de cargo em comissão. e multa. Na segunda parte é apenas o dolo direto. com o emprego do meio não autorizado. alargar a figura do § 1°. ■ Ação penal: Igual à do caput. RTJ71/651. HC 6. ■ Consumação: O crime de concussão é de mera conduta. TJMG. com a efetiva exigência. tão-só. Ap. ■ Ação penal: Pública incondicionada. emprega na cobrança meio vexatório ou gravoso. Na segunda modalidade. consumando-se com a só exigência (TJMG. senão poderá caracterizar peculato (CP. o desvia. e multa. RT728/623. ■ Tentativa: Admite-se. alarde ou publicidade desnecessária etc. ■ Tipo subjetivo: O dolo. 327 do CP. ofensas morais ou físicas. TFR. em Figura qua//ricada especial Jurisprudência da concussão . após praticar a primeira modalidade do delito de excesso de exação (exigir tributo ou contribuição social que sabe ou deveria saber indevido). RJTJSP111/508. ■ Tipo objetivo: Pune-se a conduta do funcionário que. em vez de recolher aos cofres públicos o tributo ou contribuição social que recebeu indevidamente do contribuinte. que a lei não autoriza. ■ Tipo subjetivo: Na primeira parte do § 1° é o dolo. vide nosso comentário ao § 2 2 do art. Observe-se que a lei só se refere a "tributo ou contribuição social". O desvio (descaminho) deve ser em proveito próprio ou de outrem (vide Tipo subjetivo). p. não obstante ser devido pelo contribuinte o tributo ou contribuição social. Não há forma culposa. Não há modalidade culposa. portanto. quando o agente vai receber o que exigira antes (TFR. 1995. § 2 2 deste art.Art. função de direção ou assessoramento. sem dependência do recebimento. 18 do CP. consumando-se com a exigência do agente. embora devido (o tributo ou contribuição social). o que recebeu indevidamente. ■ Objeto jurídico. o recebimento posterior é mero exaurimento da infração (STF. não se podendo. não podendo haver prisão em flagrante dias depois.9. que consiste na vontade livre e consciente de desviar a importância indevidamente recebida. que causa vergonha) ou gravoso (que acarreta maiores despesas para o contribuinte). ■ Pena: Reclusão. ■ Confronto: Se o funcionário desvia. ao crime de excesso de exação previsto no § 1 2 (1 2 parte). RT 560/374. TJPR. TJSP. em face do princípio da reserva legal.

RT 388/200. RT779/548). 319). PJ46/176. in RBCCr6/232). DJU 5.647. APn 29. em razão de sua função de fiscal de rendas. se não houve exigência de importância superior à devida. e não corrupução passiva se.858. RHC 5. por fora.94. TJPR. ameaçou-a de criar entraves à percepção do benefício (TRF da 4 á R. 74. mv— DJU9. sendo comunicável tal circunstância elementar do delito ao co-autor que não ostente esta condição (TJSP. ■ Concussão e prevaricação: Há concurso formal se o policial exige vantagem indevida para ignorar prática contravencional.3. Pratica concussão. 3/92. Pleno. RT 765/535). 8738-9. 736/618). Desclassifica-se para o delito de prevaricação (CP. mas "solicitação". p.10. ■ Concurso de pessoas: Particular pode ser participe de concussão (STJ. DJU 1. 698/342. ■ Prova da exigência: Para a caracterização do crime de concussão é indispensável que o funcionário público exija vantagem indevida. RT 752/726). para realizar operação em beneficiária da autarquia (TRF da 4 a R. e não concussão. Há concussão. é corrupção passiva (CP. 62812-3. sem que a vítima tenha cedido à exigência exclusivamente por temor. a oferta da vantagem indevida corresponde. para a realização de cirurgia imprescindível em paciente segurado pela Previdência. TRF da 3 R. 316. posto que o crime do art. Para a concussão não importa examinar se havia ou não contravenção. ■ Concussão e corrupção passiva: Comete o crime de concussão.779/SP. p. comete o delito do art. ■ Desclassificação: Se não houve exigência de vantagem. 316 razão da função pública (TJPR. 316 do CP nada mais é do que uma espécie de extorsão (TJSP.94. RT 755/605). e não o crime de concussão (TJSP. p.631 Código Penal Art. RT525/324). mas só o seu recebimento. DJU25. . a proposta maliciosa" não configuram concussão. 0 crime de concussão é crime funcional. já que a vítima cede mediante constrangimento moral invencível (TJSP. RTJ93/1023). 317) e não concussão (TJSP. caput (TJSP.12. RT 792/611). art. não se configura o crime previsto neste art. in RBCCr 21/306. Se não há "exigência". RJTJSP 173/313). RT750/595). o médico credenciado ao INSS que. Ap. pp. ■ Hospital ou laboratório: Incide no crime de concussão o responsável por estabelecimento hospitalar ou laboratorial. conveniado com a Previdência Social. 61013). mas por entender tratar-se de quantia devida e necessária para a expedição do documento (TJMG. RT 685/307). RT628/343). a sugestão. 704/329. cometido por funcionário público.97. TJSP.137/90. a uma exigência implícita na conduta do funcionário público (STF. da Lei n 2 8. corrupção passiva (TJSP. ■ Confronto com Crime contra a Ordem Tributária: 0 funcionário público que. art. ■ Policial militar: Pratica concussão se exige para si vantagem indevida para "aliviar a barra" do larápio que conduziu à delegacia (TJDF. sem imposição. A "insinuação sutil.. para a prevaricação é pressuposto haver a contravenção (STF. o servidor do INSS que. ante a recusa de pensionista em ceder à exigência de pagamento para dar tramitação a processo administrativo. e não o de corrupção passiva. exige pagamento de importância que não lhe é devida.. 30264). Pratica corrupção ativa. 3 2 . Comete corrupção passiva o funcionário público que apenas solicita valor indevido para a expedição de cédula de identidade. ■ Concussão e corrupção ativa: Pelas mesmas ações são incompossiveis os crimes de corrupção ativa praticados pelo particular e de concussão cometidos pela autoridade pública (STF.. que exige dos segurados pagamento adicional pelos serviços a que se obrigou (TRF da 4a R. devendo sempre existir prova da exigência. embora formalmente partida do particular. RT 585/311).93. mas retardamento na prática do ato quando não atendida a pretensão (TJSP. Ap. nas circunstâncias do fato. o médico credenciado ao INSS que solicita importância em dinheiro.. exige dinheiro para não lavrar o auto de infração e imposição de multa. quando muito. mas. RT 653/395). mas o efetivo recebimento da vantagem "pode ser considerado na medida da pena" (TJSP.8. RT783/775). e não corrupção passiva. II. ou seja. RT774/646).

RT 775/697). ■ Exigência: A exigência.00. pela autoridade administrativa. ■ Serventuários extrajudiciais: Se o oficial ou escrivão faz a cobrança de emolumentos de acordo com a tabela expedida por sindicato dos notários e registradores.6. HC 2000. consistente na cobrança indevida de taxas extras pela prestação de serviços médico-hospitalares (STJ. TJSP. HC 492. p.858. RT758/486). in Bo1. contra: TRF da 4 2 R. pp. Pleno. a título de reembolso do táxi. Compete à Justiça Estadual o processo e julgamento do crime de concussão ou de corrupção passiva que tem como sujeito passivo secundário indivíduo condenado pela Justiça Federal.. é tão-somente falta funcional (TJMG. RJTJSP 85/367). ■ Desembaraço aduaneiro: Não caracteriza excesso de exação a exigência.. que agiram em nome do Poder Público. Solicitar ou receber. IBCCr91 /456. ■ Pena-base: Não se justifica o aumento da pena base em razão do crime ter sido cometido em detrimento de instituto público. não há concussão. por erro. DJU26. 18 do Decreto-Lei n° 115/67 (STF. houve lesão a interesse da União. para si ou para outrem. Igualmente.. do pagamento do ICMS para efetuar o desembaraço de mercadorias importadas. ■ Competência: Tratando-se de agentes federais. o dolo (TRF da 2 2 R. RT 535/259). 8738-9.04. como tipo subjetivo.96. RT761/565.94. que exige dos segurados pagamento adicional pelos serviços a que se obrigou (TRF da 4 2. j. DJU 13. conveniado com a Previdência Social. Jurisprudência do excesso de exação ■ Tipos objetivo e subjetivo: O excesso de exação tem como tipo objetivo a exigência de tributo ou contribuição e.13.. 4. 317 foi alterada pela Lei n° 10.00.94. APn 29. RT633/327).. TJRS. contra pacientes internados na referida instituição. 316 do CP não se aplica aos serventuários deste (TJSP. direta ou indiretamente.01. no crime de excesso de exação..11. apoiada em decreto estadual. visto que a gravidade do crime com relação ao bem jurídico afetado é inerente ao próprio tipo penal (TRF da 2 2 R. não se aplica a eles.04.Arts. Jurisprudência do excesso de exação (anterioràatua/redação dada pe/aLein 4 8. por falta de dolo. HC 492. no caso de responsável por estabelecimento hospitalar ou laboratorial. até que o juiz da comarca baixe norma determinando deva ser seguida a tabela oficial.. in RBCCr 17/358). p. valendo-se da função que exerciam. 30917). Compete à Justiça Estadual o processo e julgamento de crime de concussão praticado por médico de hospital conveniado ao SUS.137/90) CORRUPÇÃO PASSIVA Art. ■ Falta funcional: Simples pedido de oficial de justiça ao citando. não obstante se trate de matéria sumulada pelo STF (TRF da 2 2 R.94. de 12 de novembro de 2003 (vide Anexo XI). poiso art. residente na zona rural.3. cumpre pena em estabelecimento penitenciário estadual (STF. 95. ■ Serventuários extrajudiciais: E atípica a cobrança excessiva de custas e emolumentos por escrivão de cartório extrajudicial.4. JM 131/456). ainda que fora da função ou antes * A pena prevista para o crime deste art. § 1 2 .6. 50. 316.4. por força do art. que a exigência é legítima (TJSP. 30917). DJU 14. mv — DJU 9. RT 505/348).019017-0/RS. RT735/721).920-5/SC. que. RT775/712. ■ Serventuários da justiça: Há acórdãos admitindo que o art. RT 775/674). da Corregedoria de Justiça (TJMG. Ap. DJU 14.763. p. RJTJSP 111/549).R. RTJ 94/31. in RBCCr 6/232). . ■ Erro: Não há crime se o agente supõe. por força de delegação legal. p. 87195. ou só é cabível em caso de reincidência. 316 e 317 Código Penal 632 ■ Médico: E atípica a conduta do médico que faz acordo com paciente no sentido de serem ressarcidas as despesas de uso de aparelho em cirurgia feita em hospital público (TRF da 4 2 R. equipara-se a pura cobrança (TACrSP. sendo competente a Justiça Federal (TRF da 3 2 R. 317.

solic/tar(pedir). IX. recebimento ou aceitação deve ser para a prática ou omissão de ato inerente à sua função. que seja em razão dela (função pública do agente). § 22 . ainda que haja incidência do art. vantagem indevida. a partir da vigência da Lei n° 10. desde que tenha conhecimento da condição de funcionário público do autor (CP. entrar na posse). do CP. é bem de ver. Direito Penal. ■ Suspensão condicional do processo: Cabe no caput. 1965. 1995. não podem ser consideradas material de corrupção" ( HUNGRIA.01. ■ Tipo objetivo: São três as ações previstas: a. 317 passou para reclusão. ■ Sujeito ativo: Só o funcionário público (vide notas ao art. como dinheiro ou qualquer utilidade material ( HuNGRIA. 370) ou qualquer espécie de benefício ou de satisfação de desejo (H. recebimento ou aceitação de promessa. arts. do CP (art. v. Contudo. 317 de assumi-la. E pode ser solicitada direta (pelo próprio funcionário) ou indiretamente ( mediante interposição de outra pessoa). a transação será cabível também para crimes de competência da Justiça Estadual. ■ Sujeito passivo: O Estado. o funcionário retarda ou deixa de praticar qualquer ato de ofício ou o pratica infringindo dever funcional. como infração separada e independente. deve ser para si (para o próprio agente) ou para outrem (vide Tipo subjetivo). 1103. A solicitação tanto pode ser feita expressamente como disfarçada ou veladamente. A respeito. MAGALHÃES NORONHA. no art. 89 da Lei n° 9. Em face do princípio da isonomia (art. especialmente a sua moralidade.02. e multa. divide-se a doutrina.2003. 250). v. Todavia. caput. haja ou não procedimento especial. a solicitação. entendemos que. 317. 2°. da Lei n° 10. c. 29 e 30). em vigor a partir de 12. ainda que fora da função ou antes de assumi-la. de três meses a um ano. FRAGOSO. aceitar promessa (anuir. a entidade de direito público e a pessoa prejudicada.5 22 . 370. 333 do CP. Indevida é a vantagem que a lei não autoriza. 100 do CP. já que a pena do caput do art.11.7. não mais caberá a suspensão. ainda que fora da função ou antes de assumi-la. p. 327. 5 2 . sempre. porém.099/95). O objeto material é a vantagem indevida. 327. como ressalva a doutrina. 0 que se pune é o tráfico da função pública. Corrupção passiva (caput) ■ Remissão: A corrupção ativa é prevista. 1959. E imprescindível. que a contraprestação visada seja ato legal e regular (será a chamada corrupção imprópria) ou não (neste caso. receber (aceitar. ■ Objeto jurídico: A Administração Pública. no mesmo sentido: H. denominada corrupção própria). de 12. com infração de dever funcional. 327 e §§ 1 2 e 22 do CP). desde que pratique o crime em razão da função pública. Assim. de ato contrário à lei). parágrafo único. 1959. cabe no . cabe transação penal nos crimes de competência da Justiça Federal. p. . A pena é aumentada de um terço se. ■ Transação: De acordo como art.259. Assim. mesmo que tenham procedimento especial [vide nota no art. entendendo-se ser apenas a vantagem patrimonial. IV. de um a oito anos. p. v. Se o funcionário pratica. ou aceitar promessa de tal vantagem: Pena — reclusão. e multa (vide Anexo XI).1. em conseqüência da vantagem ou promessa. com pena máxima até dois anos. sob o título Juizados Especiais Criminais (Federais)]. Lições de Direito Para fatos posteriores a 12. p. deixa de praticar ou retarda ato de ofício.259/01. concordar com a proposta). de pequena monta. v. a transação cabe no § deste art. cuidando-se de pena máxima cominada não superior a dois anos. se não houver incidência do art.633 Código Penal Art. Lições de Direito Penal — Parte Especial. § 22 . ou multa. mas em razão dela. da CR/88) e da analogia in bonam partem. E indiferente. "as gratificações usuais. Comentários ao Código Penal. o particular pode ser co-autor ou partícipe. de 2 (dois) a 12 (doze) anos. IV. ainda que combinado com o § 22 do art. § 1 2. 327. A solicitação. cedendo a pedido ou influência de outrem: Pena — detenção. IX. Comentários ao Código Penal. b. FRAGOSO. § 2 2 . por serviços extraordinários (não se tratando.

p. 251) ou "genérico" (H. v. para quem "aplica-se. deve ficar demonstrado que o acusado iria. de três meses a um ano. ■ Pena: A do caput é aumentada de um terço. sob igual título. v. . 1105. IV. por outra pessoa. ou pratica infringindo dever funcional (pratica ato que viola dever de sua função). p. 1995. deixa de praticar ofício. na hipótese. quando os corruptores ativos foram absolvidos (H. ■ Ação penal: Igual à do caput. c. Na modalidade de solicitar. Lições de Direito Penal — Parte Especial. ■ Crime putativo provocado: Vide nota ao art. IV. 317 Código Penal 634 Penal — Parte Especial. por indulgência. efetivamente: a. em vez de solicitação. art. Figura qualificada (§ 1°) ■ Noção: É a chamada corrupção própria exaurida. pouco importa que o agente não tenha assumido função pública ou que não tenha recebido qualquer forma de pagamento. MAGALHÃES NORONHA. Comentários ao Código Penal. Jurisprudência Criminal. Faz-se necessária a notificação do acusado para apresentar defesa preliminar (CPP. vide art. Nas formas de receber e aceitar. 1965. 333 do CP (corrupção ativa). vide nosso comentário ao § 2 2 do art. 314). há exigëncia do agente. Ocorre quando o funcionário. v. 1106. o princípio da insignificância ou da bagatela". ou retarda ato de ■ Noção: Nesta figura. 135. RT791/589). a vontade livre e consciente de praticar as ações previstas. mas em razão de pedido ou influência de terceira pessoa. p. v. e multa. já que se trata de crime formal de mera conduta (TJSP. 1959. p. ■ Pena: Reclusão. ■ Consumação: Com a efetiva solicitação. 17 do CP. Direito Penal. 0 corruptor incide no art. em responsabilizar subordinado. do CPP ( CELSO DELMANTO. do crime de corrupção ativa (CP. Figura privi/egiada (§ 2°) Figura qua/ificada especial Jurisprudência . IV. 251. 333). retarda (atrasa) ato de oficio. 327 do CP. de um a oito anos. 1996. HUNGRIA. jurisprudência: STF. art. IX. A doutrina tradicional divide-se. ■ Em razão da função: Não se tipifica o crime deste art. mv — RT 774/570). 514). MIRABETE. IV. "A defesa preliminar do funcionário público e o novo sistema processual penal". ■ Tipo subjetivo: O dolo. RTJ 114/1052). IV. 317 se a execução dos atos não era inerente à função e ofício do funcionário (TJSP. in RF 266/115 e RT 526/479. vide CP. n 2 114). deixa de praticar qualquer ato de ofício (omite). a apresentação da defesa preliminar (CPP. FRAGOSO. em tese. RJTJSP99/428). O agente transige em seu dever não por visar a uma vantagem direta. vide nota acima. mas em razão dela. p. FRAGOSO. Entendemos que se faz necessária. assumi-la (TJSP. p. em conseqüência da vantagem ou promessa (vide nota ao caput). ■ O recebimento é infração bilateral: Na modalidade de recebero crime é bilateral. art. v. ■ Confronto: Se transige. 1995. de forma que não é possível a condenação dos passivos. ■ Concurso de pessoas: Quanto à co-autoria ou participação de particulares. ou multa. ■ Ação penal: Pública incondicionada. do CP (concussão). ■ Confronto: Se. e Júuo F. com infração de dever funcional (vide nota ao § 1 2). Direito Penal. 320. art. função de direção ou assessoramento. 316. 514). v. 371). Não há forma culposa. há a prática. ■ Aplicação: Tratando-se de ocupante de cargo em comissão. 1995. a quem lhe interessa agradar ou adular. 323. I. b. v. recebimento ou aceitação. I. efetivamente. mas o faz cedendo a pedido ou influência de outrem. ■ Ação penal: Pública incondicionada. em razão da atual redação do art. ou seja. v. Manual de Direito Penal.Art. 1965. ca put. indicando o "dolo específico" ( MAGALHÃES NORONHA. 1979. e o elemento subjetivo do tipo implícito na expressão "para si ou para outrem". ■ Tentativa: E discutível a sua admissibilidade. DAMÁSIO DE JESUS. sob o título Sujeito ativo. ■ Pena: E alternativa: detenção. o funcionário pratica. Ill. p. Embora o crime possa ser praticado antes mesmo de o agente assumir função pública. Direito Penal.

omite-se. 785-4/DF. e multa. RT 702/337). 320 do CP (TFR. Ap. RT 761/592). JSTJ e TRF6/354). RT 527/406). RT 538/324. ■ Figura qualificada do § 1 2: Há quando o funcionário. ■ Denúncia: Deve descrever a relação entre a "vantagem econômica" recebida ou aceita e a prática ou omissão de fato inerente à função pública do agente.11. RT 734/646. em virtude da aceitação de promessa de vantagem.94. e não por indulgência. ainda que o corruptor ativo não seja condenado (TJSP. 8. sob pena de trancamento da ação penal por falta de justa causa (TRF da 1 2 R. ■ Corrupção passiva e falsa perícia: A simples solicitação de vantagem indevida formulada por perito caracteriza o delito de corrupção passiva. DJU 7. ■ Ato de ofício: Para a configuração da corrupção passiva deve ser apontado ato de ofício do funcionário. 10363). TJSP.12. em razão de suas funções (TJSP.12. RT 784/741. é corrupção passiva e não concussão (TJSP. sendo irrelevante a concordância da pessoa a quem dirigida a solicitação ou a entrega concreta e material daquilo que foi solicitado (TJSP.. recebem vantagem ilícita para fazer segurança de contrabando. 5574).00. infringindo o dever funcional (TFR. 318. o delito seria o do art. FACILITAÇÃO DE CONTRABANDO OU DESCAMINHO Art. in Bol IBCCr 99/516. . TJSP. Inq. 648/265). mas em proveito do próprio serviço público (TJSC. a prática de contrabando ou descaminho (art. pois. Facilitar.79. ■ Corrupção passiva e contrabando: Policiais que. ■ Consumação: Na forma de solicitar é crime de mera conduta e seu momento consumativo se dá com a simples solicitação da vantagem indevida (STJ..82. No mesmo sentido: STF.. configurador de transação ou comércio com o cargo então por ele exercido (STF. ■ Em proveito da administração: Não configura o art. DJU 14. p. p. caso Collor). ■ Figura privilegiada do § 22 : Para a sua configuração. RJTJSP 104/426. 3. de três a oito anos. mv. 11. 526/356. RT783/756. j. 317 e 318 ■ Concurso de pessoas: Caracteriza-se a participação no comportamento omissivo penalmente relevante do réu que. RT 579/306). ■ Vendas de carteira de motorista: Vendida por funcionário público é corrupção própria (§ 1 2 ) e não estelionato. DJU 27. não se tipifica se a vantagem desejada pelo agente não é da atribuição e competência do funcionário (TJSP.95. RJTJSP 160/306). RT718/372). p. RT 536/306). mas sim corrupção passiva (TRF da 2 2 R. o agente funcionário deve ceder a pedido ou influência de outrem. nem mera facilitação deste crime. j. RT 389/93. RT 686/319). empresta ares de legalidade à cobrança indevida de valores para expedição de cédula de identidade civil (TJMG. RCr 901. não praticam co-autoria de contrabando. 761/592). efetivamente.635 Código Penal Arts.10. RT774/646). na prática de atos de seu ofício.7. para reembolso das despesas feitas com combustível na realização de diligência (TJSP. como delegado de polícia e responsável pelo serviço de identificação civil. RT 736/618). nesta última hipótese. ■ Pedido de reembolso: Não configura crime a solicitação de importância pequena. 317 se a importância não foi recebida para si ou para outrem. 13. TRF da 4 2 R. ■ Corrupção passiva e concussão: Se não houve exigência por parte do agente. 334): Pena — reclusão. sem dele participar diretamente. Pleno.656. sendo a eventual falsidade do laudo mero exaurimento e configurando causa especial de aumento de pena do § 1 2 (TJSP. ■ Competência: Corrupção passiva de patrulheiro federal é da competência da Justiça Federal (TJSP. ■ Gratificação: Excluem-se da incriminação de corrupção pequenas doações ocasionais recebidas pelo funcionário. ■ Vantagem impossível: Embora o crime seja de natureza formal. ciente da conduta delituosa perpetrada por sua concubina e subordinada. mesmo fora do horário de serviço. com infração de dever funcional. mv. APn 307-3-DF. mas mera solicitação de propina. RT 686/320.

985. ou praticá-lo contra disposição expressa de lei. 318 com a efetiva facilitação. 334). Não há forma culposa. Ap.Arts.80. e multa. ato de ofício. Econômica e contra as Relações de Consumo).259. No entanto. p. de 12. 16966). 318 do CP (TFR. pois. A conduta pode ser comissiva ou omissiva. 0 agente deve ter. no crime de contrabando ou descaminho (CP. oudescaminho ■ Noção: O CP destaca. RE 93. 318 e 319 Código Penal 636 Facilitação de ■ Alteração: Pena de reclusão aumentada pela Lei n° 8. ■ Pena: Reclusão.83. auxiliar. DJU 25. 327 e §§ 1 2 e 22 do CP).7. com infração de dever funcional. arts. para satisfazer interesse ou sentimento pessoal: Pena — detenção. função de direção ou assessoramento. em vigor a partir de 12. pelo pagamento dos tributos. Figura qualificada Jurisprudência ■ Aplicação: No caso de ocupante de cargo em comissão. Ap.6. p. Na corrente tradicional é o "dolo genérico". poderá haver participação no crime do art. independentemente da consumação do contrabando objetivado pela conduta (STF.428. que lhe seja conexo (STF. DJU 18. 327 do CP. ■ Ação penal: Pública incondicionada. vide § 22 do art. A facilitação precisa ser com infração de dever funcional do agente. PREVARICAÇÃO Art.896. 17895-6). 6. cuidando-se de pena máxima cominada não superior . parágrafo único. ■ Sujeito ativo: Só o funcionário público (vide nota ao art. ■ Consumação: Consuma-se o crime do art. pois se exige.86.5. TFR. indevidamente.01. da Lei n° 10.02. pp.84. ■ Consumação: Com a efetiva facilitação. ■ Mero descumprimento: O simples fato de descumprimento do dever funcional. Ap. RT 616/386. afastar dificuldades) da prática de contrabando ou descaminho (vide nota ao art.10. a participação de funcionário público. DJU 6. não pode conduzir à conclusão da ocorrência do delito do art. art. 2.921. por lei. ainda. com consciência de estar infringindo o dever funcional. Prevaricação ■ Transação: De acordo como art. de três meses a um ano. 318. como figura especial. ■ Sujeito ativo: Não basta a condição de funcionário público. desde que tenha conhecimento da condição de funcionário público do autor (CP. Retardar ou deixar de praticar. ainda que o funcionário seja estadual (TJSP. e multa. ainda que não se consume o contrabando ou descaminho. 334 do CP. p. 6028). ■ Competência: E da Justiça Federal. o particular pode ser co-autor ou participe. 4157). sendo o processo da competência da Justiça Federal. 334 do CP). concernente à vistoria na oportunidade da saída do cais.9. com dever funcional de repressão ao contrabando ou descaminho. de três a oito anos. 5. ■ Objeto jurídico: A Administração Pública. ■ Extinção da punibilidade: A extinção da punibilidade do descaminho. que o agente viole o seu dever funcional (TFR.1. ■ Tipo subjetivo: O dolo. ■ Tipo objetivo: Incrimina-se a facilitação (tornar fácil. o dever funcional de reprimir o contrabando ou descaminho (TER. RTFR 61/104). DJU 6. que consiste na vontade de facilitar. 318. mas não a caracterização da presente figura do art. 319. RT 410/123). não se estende ao crime de facilitação deste art. 29 e 30).137/90 (Lei dos Crimes contrabando contra a Ordem Tributária. 2 2 . ■ Sujeito passivo: O Estado. se não houver transgressão do dever de sua função.

art. 10363). a omissão ou retardamento é feito indevidamente. 327. TJSP. § 22. ato de ofício. ■ Sujeito ativo: Só o funcionário público (vide nossas notas ao art. 44.259/01. Em face do princípio da isonomia (art. O funcionário pratica o ato. a transação será cabível também para crimes de competência da Justiça Estadual. 327 do CP. Ato de oficio "é aquele que se compreende nas atribuições do funcionário. não praticando o ato em tempo útil ou excedendo os prazos legais. IV. ódio. sim. delonga. 25005. contemplação. 1995. Figura qualificada Jurisprudência ■ Aplicação: Tratando-se de ocupante de cargo em comissão. a vontade livre e consciente de praticar as ações ou omissões indicadas. DJU 17. Assim. definitivamente. Na prevaricação. Comentários ao Código Penal. ■ Tentativa: Admite-se na forma comissiva. com pena máxima até dois anos. sob o título Juizados Especiais Criminais (Federais)]. a partir da vigência da Lei n 2 10. 376). p. indevidamente. 327 e §§ 1 2 e do CP). p.96.. ■ Suspensão condicional do processo: Cabe. ou para satisfazer interesse. Não há punição a título de culpa. ■ Pena: Detenção. Faz-se necessária a notificação do acusado para apresentar defesa preliminar (CPP. mesmo que haja combinação com o art. mesmo que tenham procedimento especial [vide nota no art. TRF da 4 a R. ■ Tipo subjetivo: 0 interesse ou sentimento pessoal é essencial à tipificação (STF. como na de produção de açúcar e álcool (art. Na doutrina tradicional é o "dolo específico". o ato. omissão ou prática. in RBCCr3/258. 514). p. finalidade que marca o dispositivo e o diferencia de outros delitos contra a Administração Pública (vide Tipo subjetivo). RCr 895. Retardar. 23 da Lei n° 7. Direito Penal. ■ Ação penal: Pública incondicionada. indevidamente. O funcionário atrasa. RT727/439. injustificado ou ilegal.099/95). Inq. ato administrativo ou judicial" ( MAGALHÃES NORONHA. e não por erro ou dúvida de interpretação do agente (TFR. RT 537/269. Inq. a transação cabe neste art.5. ■ Tipo subjetivo: O dolo. ■ Sujeito passivo: 0 Estado. Praticá-lo contra disposição expressa de lei.93. v. IX. ato que transgride disposição expressa constante de lei (não de regulamento). 9262. e multa. 319. ou seja.637 Código Penal Art. Na última modalidade (c). 319 a dois anos. de modo indevido. mas não é ato de seu dever. DJU 17. O agente omite. ■ Consumação: Com o efetivo retardamento. Pleno.991. entendemos que. embora haja expresso mandamento legal em contrário. ou seja. "escoimada de qualquer dúvida ou obscuridade" ( HUNGRIA. v. 59. TACrSP. Naturalmente. b. ■ Objeto jurídico: A Administração Pública. a conduta é para satisfazerinteresse ou sentimento pessoal (de natureza material ou moral). in RBCCr 15/410. STJ. haja ou não procedimento especial. 100 do CP. RTJ 111/289. vide § 22 do art. da CR/88) e da analogia in bonam partem. 89 da Lei n°9.10. de três meses a um ano. ato de ofício. 3 2 do Decreto-Lei n° 16/66) e na do Sistema Financeiro Nacional (art. p. cabe transação penal nos crimes de competência da Justiça Federal. ■ Confronto: Há delitos semelhantes em outras leis penais especiais. 5 2 . função de direção ou assessoramento. A prevaricação exige "dolo específico". não pratica. mas não na omissiva. poderia acarretar a responsabilidade penal ou administrativa dele próprio (ex. ou seja. caput. ainda que combinado com o § 22 do art. se praticado.82. há prática de ato. 327. RJDTACr 11/196). 1958. DJU 14. não haverá este crime se o agente retarda ou omite ato de ofício que.492/86). p. CEsp. 258).: retardar a prestação de contas para encobrir seu próprio desfalque).4. Deixar de praticar. Nas duas primeiras modalidades (a e b). e o elemento subjetivo do tipo expresso pela especial finalidade de agir ("para satisfazer interesse ou sentimento pessoal"). Não se pode dizer que se omitiu . e. c. sendo necessário que a prova revele que a omissão decorreu de afeição. ■ Tipo objetivo: São três as modalidades previstas: a. do CP (art. ou em sua competência.

TAPR. ■ Dificuldades burocráticas: Não se confundem com retardamento doloso (STJ. TJSP. para consecução de tarefas mais importantes. 0 erro ou a simples negligência não configura o delito (TAPR. E indispensável que o ato retardado ou omitido se revele contra disposição expressa de lei (TACrSP. embora de ofício. ■ Requisitos da denúncia: A denúncia precisa indicar qual a omissão e sua natureza.. pois são elementos necessários à configuração do delito do art. 13421. HC 23. se a conduta foi por interesse ou por sentimento pessoal. TJSP. ■ Falta disciplinar: Não basta para a tipificação. ■ Animosidade: O retardamento por animosidade ao solicitante revela satisfação de sentimento pessoal (TJSP. ■ Desídia: Mera desídia não configura (TRF da 1 2 R. o juiz presidente de Junta que. ■ Prefeito: A utilização da frase "estamos com você" e de símbolo próprio.. devendo a prova dos autos revelar que o ato comissivo decorreu de afeição. é necessária a consciência de que o ato praticado contraria expressa disposição legal. p.066254-2). ■ Ato de ofício: É imprescindível que o agente esteja no exercício da função (TACrSP. quanto ao juiz. não há falar em prevaricação.03. RTJ94/1. RT732/650). 319 (STF.363. in RBCCr 20/398). 319 Código Penal 638 por sentimento pessoal... deixa de praticar atos. in RBCCr2/242. STJ. pois ausente o dolo específico consistente em satisfazer interesse ou sentimento pessoal (TACrSP. 319. erro ou negligência. 319. sem o propósito deliberado de retardá-los (TACrSP. RT749/677). HC 5. 40764. 69/209). TJSP.. p. in Bol. RT612/310. JSTJ e TRF68/377. RT612/310). RT 486/356). ao contrário. p. delegando-os aos juízes classistas (TRF da 52 R. RT 728/540). RF256/361).4. RT725/681). redigida no plural. 319 (STF. TRF da 4 2 R. RT 543/342. ódio ou contemplação para satisfazer interesse ou sentimento pessoal. Ato de ofício é todo ato que corresponde à competência e atribuição do funcionário (TACrSP. ■ Erro: 0 erro ou desatenção na interpretação da lei pode excluir o crime. RT 767/643). RJDTACr 30/349). por parte de prefeito.93. Julgados 71/320. se. Não há crime de prevaricação na conduta de quem omite os próprios deveres por indolência. RT486/357). Além do dolo específico. se havia duas versões e optou por tomar as providências indicadas por uma delas (TACrSP. 1BCCr 89/439. RT 544/347). Prefeito que expede medida provisória não pratica ato de ofício. 157 (96. mv— RT 714/431. TACrSP. ficar demonstrado que agiu movido pelo senso de cumprimento do dever. TJMT. RT622/296). não configura prevaricação.8. RT 507/399).12. que os requisita para prestar serviços em inquérito civil. 67424. DJU 3. comodismo. RT 520/368). 93. em placas de obras públicas. TJSP. A recusa em cumprir requisição para prestar informações ao Ministério Público não caracteriza o crime do art. pois não está dentro das .00. ■ Contra disposição expressa de lei: Na modalidade de praticar ato contra disposição expressa de lei. RTJ 94/25 e 41). não praticam prevaricação. pois mera negligência não caracteriza o delito (TJMG. TACrSP. ■ Juiz do trabalho: Não comete o crime deste art. DJU 28. inexiste crime de prevaricação (TRF da 1 2 R.Art.97. Inq. RT774/713. Servidores estaduais que deixam de atender ordem de Procurador da República. pode significar a administração como um todo (TJSP. in RBCCr 1/228. Julgados 71/290.2. p. Se a ordem judicial não pode ser materialmente cumprida pelo servidor. pela inexistência de norma legal que imponha o acatamento da aludida requisição (TRF da 32 R. RT 589/436. por ausência de competência na sua esfera de atribuições. RHC 8.92. RT728/616-7).178. a boa ou má interpretação que dá à lei não basta para configurar (STF. RT780/656). em face do princípio da insignificância. JSTJ e TRF68/377. preguiça. DJU 19. Pleno.479-SP. DJU 26. é necessário que antes se defina a própria legitimidade da norma legal que veda o ato incriminado (TJSP. pois foram retirados depois de representações junto à Câmara Municipal e a frase. sendo indispensável o elemento subjetivo do art.

de 12. nesta qualidade. 2 2. em caso de porte ilegal de arma. caracteriza-se o crime de desobediência (TAMG. ■ Prevaricação e desobediência: Se o ato de desobedecer não se refere às atividades exercidas pelo funcionário.. ■ Oficial de Cartório de Registro de Imóveis: Os mandados judiciais não estão dispensados do controle administrativo feito pelo oficial em todos os títulos que lhe são endereçados. 319 (STJ. agindo como particular. para satisfazer interesse pessoal e sentimento de amizade amplamente comprovados (TJRO. em vigor a partir de 12. tenham ou não procedimento especial [vide nota no art. de responsabilizar subordinado que cometeu infração no exercício do cargo ou. 748/639). ■ Absorção: A prevaricação não pode absorver crime mais grave (TJSP. quando lhe falte competência. inclusive por não ter causado dano (STJ. RJTJSP 106/429). cuidando-se de pena máxima cominada não superior a dois anos. ■ Funcionário de tabelionato: Comete o crime se. deixa de cumprir ordem legal. ■ Ação penal: Nos crimes funcionais. 319 e 320 atribuições de seu cargo. mv — RT 772/677). ou multa.639 Código Penal Arts.307. RT746/560). não há se falar em prevaricação (TACrSP.89). RT 728/540. de quinze dias a um mês. por indulgência. mv — RT 505/305). RT719/426). da Lei n°10. o delegado pode juntar os documentos que entenda pertinentes aos fatos da investigação.90. deixa de lavrar termo cricunstanciado ou instaurar inquérito e devolve a arma apreendida. visando evitar queixas infundadas contra servidores públicos (STJ. Devendo buscar elementos que sirvam de base à instauração da ação penal. o que torna a sua conduta atípica. não dando ao dinheiro recebido das partes a sua destinação. se a ordem descumprida diz respeito à sua atividade funcional propriamente dita.01. sob o título Juizados Especiais Criminais . com pena máxima até dois anos. RJDTACr 27/218). 4. é imprescindível a notificação prévia do acusado para apresentar resposta (CPP. 320. nesta hipótese. 514). ■ Prevaricação e peculato: Não pratica peculato. 330 do CP. não levar o fato ao conhecimento da autoridade competente: Pena — detenção. HC 11. 319 (TACrSP. mas prevaricação.161. contrariando o disposto no art. em tese. j.7. 5 2.259. a partir da vigência da Lei n° 10. haja ou não procedimento especial. ■ Mandado de segurança: O descumprimento por autoridade administrativa de sentença proferida em mandado de segurança configura.3. CONDESCENDÊNCIA CRIMINOSA Art. não se podendo falar.1. e só o devolvendo quando por elas pressionado (TJSP. o serventuário da justiça que retarda atos de ofício para satisfazer interesse próprio. RT783/588). nem mesmo o de uso. não se caracterizando prevaricação se argüiu dúvida quanto à capacidade das partes ou a requisito formal (TACrSP. HC 11. ■ Delegado de polícia: Inexistindo norma que o obrigue a autuar em flagrante todo cidadão apresentado como autor de ilícito penal. o delito (TRF da 1 2 R. de prática do delito do art. parágrafo único.259/01. 369 do CPC (TACrSP RT 781/613). para satisfazer sentimento ou interesse pessoal. entendemos que. reconhece firma posta em certificado de registro de veículo sem a presença de seu signatário. art. DJU 12. considerando seu poder discricionário. Em face do princípio da isonomia (art. cabe transação penal nos crimes de competência da Justiça Federal. Condescendência criminosa ■ Transação: De acordo com o art.1. Pratica prevaricação delegada que. 319 o funcionário público que. caput. configura-se o art. da CR/88) e da analogia in bonam partem. 3891). 100 do CP. Pratica o delito do art. RT708/374). p.02. tipifica-se o art. Deixar o funcionário. a transação será cabível também para crimes de competência da Justiça Estadual.

514).099/95). art. o elemento subjetivo referido pelo motivo de agir ("por indulgência"). cabe transação penal nos crimes de competência da Justiça Federal. Tratando-se de omissão em relação ao crime de tortura. além da multa. ■ Suspensão condicional do processo: Cabe. quando lhe falte competência. § 2 2 . Em face do princípio da isonomia (art. vide CP. 320 e 321 Código Penal 640 (Federais)]. de 12. a omissão do agente deve ser por indulgência. ■ Objeto jurídico: A Administração Pública.259. RT701/321). Figura qualificada Jurisprudência ■ Incidência: Na hipótese de ocupante de cargo em comissão. em tese. em vigor a partir de 12. art. entendemos que há no tipo. da CR/88) e da analogia in bonam partem. ■ Transação: De acordo com o art. Embora não tenha competência para responsabilizar o infrator. ainda que combinado com o § 2 2 do art. 89 da Lei n 2 9. Assim. ■ Confronto: Se a omissão é para satisfazer interesse ou sentimento pessoal. Faz-se necessária a notificação do acusado para apresentar defesa preliminar (CPP. valendo-se da quali dade de funcionário: Pena — detenção. 327. o agente não leva o fato ao conhecimento da autoridade competente. ADVOCACIA ADMINISTRATIVA Art. entendemos que. Se o interesse é ilegítimo: Pena — detenção. parágrafo único. arts. 319 do CP. ■ Tipo objetivo: O art. ou multa. superior hierárquico do funcionário infrator. a este art. 320. Deve. cuidando-se de pena máxima cominada não superior a dois anos. ■ Fuga de menor da Febem: Ainda que se trate de mera infração administrativa por parte do funcionário que devia vigiá-lo. 327. existir relação entre a infração e o exercício do cargo. mesmo que haja incidência do art.01. a partir da vigência da Lei n° 10. Em ambas as modalidades deste delito. da Lei n° 9. Deixar de responsabilizar subordinado que cometeu infração no exercício do cargo. ou seja. portanto. b. ■ Tipo subjetivo: O dolo. 5 2 . consistente na vontade livre e consciente de omitir. direta ou indiretamente.Arts. art.259/01. 327. caput. Patrocinar. 0 agente. de três meses a um ano. 321. de quinze dias a um mês. função de direção ou assessoramento. da Lei n°10. deixa de responsabilizar.7. Não há forma culposa. Na doutrina tradicional indica-se o "dolo genérico". embora tenha competência.). 320 contém duas modalidades: a. 1 2 . de um a três meses. haja ou não procedimento especial. ■ Tentativa: Inadmissível. ou multa. 320 (TACrSP. 513 e ss. a transação cabe neste art.1. não promove a apuração da falta nem aplica ao subordinado as cominações legais. Não levar o fato ao conhecimento da autoridade competente. do CP (art.02. ainda. isto é. § 22 . art. 2 2 . mesmo havendo procedimento especial (CPP. ■ Pena: É alternativa: detenção. a transação será cabível também para crimes de competência da . por tolerância ou condescendência (vide Tipo subjetivo). a sua falta de apuração afronta. É pressuposto do delito que o subordinado haja cometi do infração (administrativa ou penal) no exercício do cargo. ■ Consumação: Com a omissão. § 22 . interesse privado perante a administração pública. Todavia. ■ Ação penal: Pública incondicionada.455/97. 327 e §§ 1 e 2 do CP). 2 2 ■ Sujeito ativo: Só o funcionário público (vide notas ao art. ■ Sujeito passivo: O Estado. Parágrafo único.

ser funcionário público (vide notas ao art. art. ainda que baste o dolo indireto. Faz-se necessária a notificação do acusado para apresentar defesa preliminar (CPP. Admite-se a participação ou co-autoria de particulares. v. 327. ■ Tentativa: Teoricamente admissível. não configura advocacia administrativa (TJSP. sem dependência do resultado da conduta. ■ Suspensão condicional do processo: Cabe no caput e no parágrafo único.137/90 (Lei dos Crimes contra a Ordem Tributária. além de caber no caput deste art. defender. IX. ■ Sujeito ativo: Não obstante a rubrica indicar "advocacia" administrativa. 321. ■ Tipo objetivo: O núcleo é patrocinar. Deve. função de direção ou de assessoramento. ou seja. 327. 3 2 . Assim. Não há forma culposa. amparar. 514). desde que eles tenham conhecimento da qualidade de funcionário público do autor (CP. o agente patrocina "junto a qualquer setor da administração (e não apenas na repartição em que está ele lotado). ■ Noção: Se é ilegítimo o interesse que o agente patrocina. ■ Incidência: Tratando-se de agente ocupante de cargo em comissão. mesmo que tenham procedimento especial [vide nota no art.641 Código Penal Art. Como anota HUNGRIA. da facilidade de acesso junto a seus colegas e da camaradagem. porém. v. O patrocínio deve ser realizado perante a Administração Pública. o sujeito ativo não precisa ser advogado. 89 da Lei n° 9. A ação pode ser exercida direta (pelo próprio funcionário) ou indiretamente (com a interposição de terceira pessoa). p. ou seja. ■ Confronto: Se a advocacia administrativa é praticada perante a administração fazendária. apadrinhar ou pleitear interesse de outrem. art. este delito poderia ser praticado também por omissão ( Direito Penal. art. ■ Atos privativos de advogado: O delito se caracteriza quando o agente pleiteia. ainda que haja incidência do art. ■ Tipo subjetivo: O dolo. a antecipação de pagamento de obra. 383). cumulada com a multa do caput. da Lei n° 8. do CP (art. cuja invalidação vier a ser decretada pelo Poder Judiciário. Pune-se o comportamento do agente que patrocina interesse privado. arts. em processo administrativo. ■ Consumação: Com a prática de ato que demonstre o patrocínio. com pena máxima até dois anos. ou multa. apadrinhar interesse alheio. ■ Pena: É alternativa: detenção. mas de difícil ocorrência na prática. também caberá no parágrafo único. lícito ou ilícito (vide nota ao parágrafo único). ■ Ação penal: Pública incondicionada. mesmo que combinados com o art. ■ Pena: Detenção. 91 da Lei n 2 8. § 2 2 . Econômica e contra as Relações de Consumo). É o "dolo genérico" na doutrina tradicional. 265). razões. 29 e 30).099/95). Advocacia administrativa (caput) ■ Objeto jurídico: A Administração Pública. ■ Sujeito passivo: O Estado. IV. 327 do CP). advoga. praticando atos privativos de Figura qua/ilicada (parágrafo ún/co) Figura qua//ficada especial Jurisprudência . ■ Ação penal: Igual à do caput. § 2 2 . acompanhando processo. a transação. valendo-se de sua qualidade. 321 Justiça Estadual. fazendo pedidos. consideração ou influência de que goza entre estes" ( Comentários ao Código Penal. RT 488/308). 100 do CP. 1995. § 2 2. fazendo petições. do CP. valendo-se da qualidade de funcionário. 1959. p. de um a três meses. sob o título Juizados Especiais Criminais (Federais)]. 327. Ill. determinada por prefeito. a causa de alguém. art. que consiste na vontade livre e consciente de patrocinar. como faz ver o verbo empregado na definição do delito. vide nosso comentário ao CP.666/93. advogar. de três meses a um ano. interesse esse que pode ser justo ou não. ■ Patrocínio: Patrocinar é advogar. Para MAGALHÃES NORONHA. O agente precisa ter conhecimento da ilegitimidade. O interesse deve ser de terceira pessoa e não do agente. que tem a significação de pleitear. Se a advocacia administrativa der causa à instauração de licitação ou à celebração de contrato.

Questões Criminais. Violência arbitrária ■ Vigência: É controvertida a vigência do art. v. no exercício de função ou a pretexto de exercê-la: Pena — detenção. a pessoa que sofre a violência. RT 467/356). 54/304. Manual de Direito Penal. 1979. executar. do CP (art. homicídio. v. IV. perante a Administração Pública. 1981. como o do exercício arbitrário ou abuso de poder" ( Direito Penal. v. IV. que tem o sentido de cometer. p.. 327 e §§ e do CP). 1121). pois é necessário e indispensável que pratique a ação aproveitandose das facilidades que sua condição de funcionário lhe proporciona (TACrSP. a coação moral. 269). 330. 322. p. O art. 1995. Duas correntes existem a respeito: a. 1996..10. RT 520/466. mesmo se houver combinação com o art. 322 do CP não foi revogado pela Lei n°4. para quem a ameaça. ■ Sujeito ativo: Este crime do art. 272. a simples violência moral (ameaça) ou o emprego de estupefacientes ou hipnose" (H. 512/343. b. não se configurando com o simples pedido de manuseio de autos de processo. 1980. Julgados 81/128.. lesão corporal leve ou grave. TACrSP. JC 68/404. ou. e não quando proporciona aposentadoria rural a pessoas que não exerciam tal atividade (TRF da 3 2 R. 34855. RT 748/725). mas não há necessidade de que ele seja policial. III. entendida esta como "a violência física exercida sobre a pessoa visada. porém. GILBERTO e VLADIMIR P. Pune-se a prática de violência. Admite-se a participação ou co-autoria de particulares. p. 62/266. 321 do CP somente pode ter como agente funcionário público. MIRABETE. FRAGOSO. FREITAS. VIOLÊNCIA ARBITRÁRIA Art. RT511/322). RT 400/316).937. 322 foi revogado (DAMásIO DE JESUS. arts. RT 592/326. Julgados 86/388. TJSP. secundariamente. ■ Objeto jurídico: O Estado e a pessoa que sofre a violência.Arts.898/65 (MAGALHÃES NORONHA. 321 exige para a sua tipificação transparente e inequívoca defesa de interesse alheio. Praticar violência. sido patrocinada pela acusada. RTJ 101/1208. ■ Tipo objetivo: O verbo empregado no artigo é praticar. a vis compulsiva e o emprego de entorpecentes ou hipnóticos podem "dar lugar a outro delito. 1995. o Estado. formulado ostensivamente por funcionário público. STF. salvo a hipótese de co-autoria ou participação (TACrSP. para extrair cópias e encaminhar a advogado residente em localidade distante (TRF da 1 2 R. Lições de Direito Penal — Parte Especial. in RBCCr2/251). TACrSP. TJSC. 56/133. p. ■ Valendo-se da condição: Não basta que o agente ostente a condição de funcionário público. E requisito do tipo que a violência seja cometida: a. p. o crime de tortura. 156. ■ Juiz: A denúncia deve apontar a causa ou causas de interesse de qualquer pessoa que tenha. 321 e 322 Código Penal 642 advogado. RT 725/680-1). RT 489/354). n° 22.92. 89 da Lei n° 9. Igualmente MAGALHÃES NORONHA. ■ Suspensão condicional do processo: Cabe. abrange qualquer tipo de ofensa física contra pessoa: vias de fato. 29 e 30). v. não bastando. 327. lembramos ainda. DJU29. ■ Sujeito ativo: Somente o funcionário público (vide notas ao art. p. 14. p. de seis meses a três anos. após a edição da Lei n° 4. Liberdade e Abuso de Poder na Repressão à Criminalidade. TEclo LINS E SILVA. p. Direito Penal. Questões Penais Controvertidas. NOGUEIRA. 1995.455/97. 1965. A violência física. 322 do CP. valendo-se da sua condição de magistrada (TRF da 5 2 R. RCr 19. O art. tipificado na Lei n° 9. no exercício .898/65. portanto. IV. ■ Xerox para advogado: O crime do art. ■ Sujeito passivo: Primeiramente. Abuso de Autoridade. desde que eles tenham conhecimento da qualidade de funcionário público do autor (CP. 121. além da pena correspondente à violência. TJSP.099/95). TJRJ. § 2 2 . fazer. PAULO L. JúLlo F.

a partir da vigência da Lei n° 10.259/01.01. ABANDONO DE FUNÇÃO Art.7. Vide. A doutrina põe relevo no nome violência arbitrária do delito. 322 do CP. parágrafo único. ■ Vigência: Vide nota anterior. ou seja. além da pena correspondente à violência. e multa. 69) com a lesão corporal. teoricamente. art. 72 da Lei n 2 4. § 1 2. fuga etc.. na sanção do art.. mesmo que tenham procedimen- . caput.788). constituída pela inti midação por ameaça. v. ainda. quando. na realidade. 21). 322 e 323 da função. concurso material (CP. vide § 22 do art. quando o agente está efetivamente desempenhando sua atividade funcional específica. ou a pretexto de exercê-la (a função). o agente será punido pelos dois crimes.02. Na escola tradicional é o "dolo genérico". legítima defesa.1. art. ■ Ação penal: Pública incondicionada. de quinze dias a um mês. sob igual título.898/65 (abuso de autoridade) e n°9. Faz-se necessária a notificação do acusado para apresentar defesa preliminar (CPP. 1976. Abandonar cargo público. também. IV. 322 do CP". de um a três anos. RT609/344). b. 327 do CP. 514). sem prejuízo de eventual configuração de exercício arbitrário ou abuso de poder (FRANCESCHINI. previstos nos arts. ■ Concurso de crimes: Determina o art. pois. em vigor a partir de 12. ■ Concurso material: Se da violência arbitrária resultam lesões corporais. Trata-se de crime material. com o homicídio etc. estrito cumprimento de dever legal (como nos casos de resistência. Haverá. fora dos casos autorizados em lei. e multa. ou multa.259. da Lei n°10. da CR/88) e da analogia in bonam partem.455/97 (tortura). de 12. fora dos casos permitidos em lei: Pena — detenção. não está. Em face do princípio da isonomia (art. ■ Violência física e não moral: Violência simplesmente moral. a transação será cabível também para crimes de competência da Justiça Estadual. função de direção ou assessoramento. incidirá. a vontade de praticar violência com consciência da arbitrariedade. ■ Pena: Detenção. Se o fato ocorre em lugar compreendido na faixa de fronteira: Pena — detenção. Jurisprudência. ■ Tipo subjetivo: O dolo. ■ Consumação: Com a prática da violência (vias de fato. Não há modalidade culposa.643 Código Penal Arts. de três meses a um ano. cuidando-se de pena máxima cominada não superior a dois anos. art. ■ Tentativa: Admite-se. hipótese em que o agente faz acreditar que se acha exercendo sua função. n°6. haja ou não procedimento especial.117/62 (Código Brasileiro de Telecomunicações). ■ Transação: De acordo com o art. Figura qualificada Jurisprudência ■ Aplicação: Tratando-se de ocupante de cargo em comissão. Se do fato resulta prejuízo público: Pena — detenção. ou seja. art. entendemos que. 323. de seis meses a três anos. não basta ao reconhecimento do delito do art. 322 que a pena da violência arbitrária seja acrescida da pena correspondente à violência. 284 e 292 do CPP). 5 2 . 22 . de forma que estará afastada a ilicitude se a violência for cometida por motivo justo ou com base legal: estado de necessidade. em concurso material (TACrSP. só ficando absorvida a contravenção de vias de fato (LCP. ■ Confronto: Vide.). com pena máxima até dois anos. 350 do CP. art. no que couber. Leis n 2 4. o qual prevê que "a autoridade que impedir ou embaraçar a li berdade da radiodifusão ou da televisão. § 22. cabe transação penal nos crimes de competência da Justiça Federal. lesão etc.

1965. 323 Código Penal 644 to especial [vide nota no art. 323. do CP. de greve. que consiste na vontade de abandonar. ■ Tentativa: Inadmissível. ■ Suspensão condicional do processo: Cabe no caput e no § 1 2 . § 2 2 . ainda que combinados com o art. efetivamente. e multa. sob o título Juizados Especiais Criminais (Federais)]. 275). ■ Ação penal: Pública incondicionada. 2 ■ Sujeito ativo: Só o funcionário público (vide notas ao art. a doutrina empresta ao delito um sentido menos severo. p. nota Revogação no art. 1125). do CP. FRAGOSO. IV. e multa. v. especialmente a continuidade e regularidade dos seus serviços. ■ Pena: Detenção. 201 do CP e ROBERTO DELMANTO e ROBERTO DELMANTO JUNIOR. vide. embora considerando tecnicamente duvidoso tal entendimento. 514). ou multa.Art. desde que pacífica. sobre sua atipicidade. que compreende a totalidade das funções. Cabe no § deste art. ■ Sujeito passivo: O Estado./97. p. Direito Penal. a inexistência ou ocasional ausência de substituto legal do desertor" ( Comentários ao Código Penal. ainda que haja incidência do art.634/79). dando-se ao núcleo abandonaro sentido de deixar ao desamparo. (§22 ) ■ Pena: Detenção. se não houver combinação com o art. E desnecessária a efetividade do dano. 1124). Faz-se necessária a notificação do acusado para apresentar defesa preliminar (CPP. diverso do que resulta. art. IV. 1965. v. necessariamente. 327. E são coisas diversas. p. Figura qua//ficada pelo prejuízo (§ 1 2 ) Figura qua//f/■ Noção: Se o fato ocorre em lugar compreendido na faixa de fronteira. A figura penal alcança o cargo em entidade paraestatal (vide nota ao art. ainda que em serviços essenciais e por funcionário público. de um a três anos. ou seja. ■ Tipo subjetivo: O dolo. 323. Existem duas correntes a respeito: a. v. a conduta que. Assim. sem dúvida. v. IV. Abandono de fungão ■ Objeto jurídico: A Administração Pública. § 22 . IX. 1959. HELENO FRAGOSO. 89 da Lei n° 9.099/95). Lições de Direito Penal — Parte Especial. cada pe%o/uconsidera-se faixa de fronteira a situada dentro de 150 km ao longo das fronteiras garde fronteira nacionais (Lei n° 6. é o prejuízo social ou coletivo. Por lei. 391). é expressamente ressalvado que o abandono só constitui crime fora dos casos permitidos em lei. "A greve pacífica nos serviços essenciais e o Código Penal". assevera HUNGRIA que o delito deste art. é o prejuízo que "afeta os serviços públicos ou interesse da coletividade" (H. 327. com probabilidade de dano à Administração. ■ Greve: Tratando-se de suspensão ou abandono coletivo de trabalho. ■ Pena: É alternativa: detenção. No final da descrição legal. 327. de quinze dias a um mês. p. v. 1995. ■ Noção: Se do fato resulta prejuízo público. 323 "pressupõe. necessariamente. 1995. isto é. Assim. ■ Tipo objetivo: Embora a rubrica do delito seja "abandono de função". MAGALHÃES NORONHA subordina o abandono "à probabilidade de dano ou prejuízo" ( Direito Penal. 327 e §§ 1 2 e 2 do CP) em exercício de cargo público. com consciência de que poderá acarretar dano à Administração. a transação caberá no caput e no § deste art. p. a conseqüente acefalia do cargo. § 2 2 (art. b. de três meses a um ano. IV. do abandono ( MAGALHÃES NORONHA. reconhece que ele "atende. enquanto o abandono de função pública poderia significar só o abandono de certa função. mai. De modo unânime. Na escola tradicional indica-se o "dolo genérico". Inexiste punição a título de culpa. IBCCr 54/13-14. . 327 do CP). persistindo o exercício de outras. pois a incriminação diz respeito à deserção de cargo público. ■ Consumação: Com o abandono por tempo relevante. se pune é abandonar cargo público. 278). ao escopo da norma" (Lições de Direito Penal — Parte Especial. 100 do CP. in Bol. Semelhantemente.

mas a aposentadori a não foi arrolada entre os casos expressos deste art. 327. entendemos que. O agente foi nomeado funcionário público. removido. 1975. ■ Transação: De acordo com o art. A lei consigna sem autorização. Em face do princípio da isonomia (art. RT526/331). sem alguém que possa substituir o desertor (TJSP. ressalvando o exercício autorizado. da Lei n 10. A notificação deve ser pessoal. § 2 2 . depois de saber oficialmente que foi exonerado. Trata-se de norma penal em branco. que é completada pelas exigências que outras leis (não regulamentos ou portarias) impõem (ex.099/95). posse etc. FRANcESCHINI. substituído ou suspenso (a lei não alude ao funcionário aposentado).1. 0 agente continua a exercer a função pública (pratica atos de ofício). do CP (art. 323. § 2 2 . de quinze dias a um mês. 2 .01. cabe transação penal nos crimes de competência da Justiça Federal. mesmo que tenham procedimento especial [vide nota no art. ou multa. 323 e 324 Figura qualificada especia/ Jurisprudência ■ Incidência: Tratando-se de agente ocupante de cargo em comissão. E a hipótese de exercício antecipado. da CR/88) e da analogia in bonam partem. há a prolongação (prorrogação) do exercício. Exercício funciona/ /legalmente antecipado ou prolongado ■ Objeto jurídico: A Administração Pública. cuidando-se de pena máxima cominada não superior a dois anos. vide nosso comentário ao CP. sem que haja probabilidade de dano para a administração (TJSP. antes de satisfazer as exigências legais. I.). sendo imprescindível que o agente tenha conhecimento direto e certo. de 12. mesmo depois de ter recebido comunicação oficial informando que foi exonerado. 327.259/01. haja ou não procedimento especial. ■ Probabilidade de dano: Não se configura o delito do art. Jurisprudência. do CP (art. ainda que haja incidência do art. § 22 . ao desamparo. sem autorização. 76 da Lei n° 9. 327 e §§ 1° e do CP) ou o funcionário exonerado (na 2 á modalidade do delito). n 2S 2-4). ou continuar a exercê-Ia. a transação será cabível também para crimes de competência da Justiça Estadual. 52 .: exame de saúde. Entende-se que a comunicação oficial seria dispensável apenas na hipótese de aposentadoria compulsória. cabe a transação neste art. removido substituído ou suspenso: Pena — detenção. mesmo se houver combinação com o art. ■ Suspensão condicional do processo: Cabe. quando o agente permanece no exercício para não prejudicar a Administração.02. 2 2 . Naqueles casos.645 Código Penal Arts. mas inicia o exercício da função (pratica atos de ofício) antecipadamente. sob o título Juizados Especiais Criminais (Federais)].099/95). Entrar no exercício de função pública antes de satisfeitas as exigências legais. removido. ■ Tipo objetivo: Duas modalidades são previstas: a. 323 pressupõe deixar o cargo acéfalo. em vigor a partir de 12. b. Portanto. substituído ou suspenso (não são incluídas as cessações por licença ou férias). 324. a partir da vigência da Lei n2 10. RT522/358).259. 327. 100 do CP. caput. Continuar a exercê-la (a função pública). ■ Sujeito passivo: O Estado. 324. parágrafo único. função de direção ou de assessoramento. art. 89 da Lei n°9. Entrar no exercício de função pública antes de satisfeitas as exigências legais. ■ Consumação: Consuma-se o delito quando a ausência injustificada perdura por tempo suficiente para criar perigo de dano (TJSP. ■ Sujeito ativo: Só o funcionário público (vide notas ao art. ■ Acefalia do cargo: O delito do art. 324. v.7. não bastando a dúvida. depois de saber oficialmente que foi exonerado. RT 501/276. com pena máxima até dois anos. A ilicitude também será excluída em caso de urgente necessidade de serviço. EXERCÍCIO FUNCIONAL ILEGALMENTE ANTECIPADO OU PROLONGADO Art.

Arts. 324 e 325

Código Penal

646

■ Tipo subjetivo: 0 dolo, que consiste na vontade de antecipar ou prolongar o exercício, com consciência da ilegalidade. Na escola tradicional é o "dolo genérico". Inexiste forma culposa. ■ Consumação: Com a prática de algum ato de ofício, antes (1 2 modalidade) ou depois (2á modalidade). ■ Tentativa: Admite-se. ■ Pena: E alternativa: detenção, de quinze dias a um mês, ou multa. ■ Ação penal: Pública incondicionada. Figura qualificada Jurisprudência ■ Aplicação: Em caso de ocupante de cargo em comissão, função de direção ou assessoramento, vide § 22 do art. 327 do CP. ■ Funcionário suspenso: Configura o delito do art. 324 a prática de atos funcionais, por escrivão suspenso, durante o período em que sabia estar suspenso (TACrSP, Julgados 79/268). ■ Funcionário afastado: Não pratica o crime do art. 324 a defensora pública que, no interior do chamado "ônibus da cidadania", requer abertura de inventário e gratuidade de justiça para pessoas carentes, sem estar afastada de suas funções, mas apenas à disposição de órgão do Poder Executivo (TJRJ, RT791/678).

VIOLAÇÃO DE SIGILO FUNCIONAL Art. 325. Revelar fato de que tem ciência em razão do cargo e que deva permanecer em segredo, ou facilitar-lhe a revelação: Pena — detenção, de seis meses a dois anos, ou multa, se o fato não constitui crime mais grave. 2 §1 . Nas mesmas penas deste artigo incorre quem: I — permite ou facilita, mediante atribuição, fornecimento e empréstimo de senha ou qualquer outra forma, o acesso de pessoas não autorizadas a sistemas de informações ou banco de dados da Administração Pública; II — se utiliza, indevidamente, do acesso restrito. § 2 2. Seda ação ou omissão resulta dano à Administração Pública ou a outrem: Pena — reclusão, de 2 (dois) a 6 (seis) anos, e multa. ■ Alteração: A Lei n° 9.983, de 14.7.00 ( DOU de 17.7.00), que entrou em vigor noventa dias após sua publicação, acrescentou os §§ 1 2 e 2 2 a este art. 325. ■ Transação: De acordo com o art. 2 2 , parágrafo único, da Lei n°10.259, de 12.7.01, em vigor a partir de 12.1.02, cuidando-se de pena máxima cominada não superior a dois anos, haja ou não procedimento especial, cabe transação penal nos crimes de competência da Justiça Federal. Em face do princípio da isonomia (art. 5 2 , caput, da CR/88) e da analogia in bonam partem, entendemos que, a partir da vigência da Lei n° 10.259/01, a transação será cabível também para crimes de competência da Justiça Estadual, com pena máxima até dois anos, mesmo que tenham procedimento especial [vide nota no art. 100 do CP, sob o título Juizados Especiais Criminais (Federais)]. Assim, a transação caberá no capute no §1 2 deste art. 325, desde que não haja incidência do art. 327, § 2 2 , do CP. ■ Suspensão condicional do processo: Cabe no caput e no § 1 2 , ainda que haja combinação com o § 2 2 do art. 327 do CP (art. 89 da Lei n° 9.099/95). V/o/acão de sigi/o funciona/ (caput) ■ Objeto jurídico: A Administração Pública, especialmente a regularidade de seu funcionamento. ■ Sujeito ativo: Só o funcionário público (vide notas ao art. 327 e §§ 1 2 e 2° do CP);

647

Código Penal

Art. 325

para a maioria dos autores, a norma também alcança o funcionário aposentado ou posto em disponibilidade (H. FRAGOSO, Lições de Direito Penal — Parte Especial, 1965, v. IV, p. 1131; HUNGRIA, Comentários ao Código Penal, 1959, v. IX, p. 397; MAGALHÃES NORONHA, Direito Penal, 1995, v. IV, p. 285; SÉRGIO J. REZENDE e Rui STOCCO, Código Penal — Interpretação Jurisprudencial, 1977, v. V, p. 148; JÚLIO FABBRINI MIRABETE, Manual de Direito Penal, 1996, v. III, p. 336), que não perde seu vínculo com a Administração. ■ Sujeito passivo: 0 Estado; eventualmente, também o particular prejudicado com a revelação. ■ Tipo objetivo: São dois os núcleos previstos: a. Revelar, que tem a significação de comunicar, transmitir, dar a conhecer a terceira pessoa. A ação pode ser feita oralmente ou por escrito, ou com a exibição de documentos. b. Facilitar (a revelação). E maneira de revelação indireta. O funcionário público, dolosamente, torna fácil a descoberta (ex.: propositadamente, não guarda, como devia, o documento sigiloso). Incrimina-se a revelação (ou sua facilitação) de fato de que tem ciência em razão do cargo e que deva permanecer em segredo. E pressuposto do delito, portanto, que o agente tenha conhecimento do fato em razão do cargo, isto é, em virtude de sua específica atribuição funcional (é o chamado "segredo de ofício"). Não haverá tipificação se o funcionário houver tido ciência do fato por motivo diverso. Além disso, dizendo a lei ser fato que deva permanecer em segredo, é mister que se trate de fato relevante e de segredo de interesse público, embora também possa existir um particular interessado no sigilo. Considera-se segredo o fato cujo conhecimento é restrito a limitado número de pessoas (como os funcionários que dele precisam ter informação) e em que há interesse de que seja mantido em sigilo. Obviamente, a revelação a quem já conhecia o segredo não configurará o delito. Por fim, cumpre notar, como assinala MAGALHÃES NORONHA ( Direito Penal, 1995, v. IV, p. 287), que sendo o interesse público que obriga à guarda do segredo, "tal obrigatoriedade cessa quando outro interesse público maior se levanta". ■ Tipo subjetivo: E o dolo, ou seja, a vontade livre de revelar ou facilitar a revelação, com consciência de que o fato devia ser mantido em sigilo. Na doutrina tradicional indica-se o "dolo genérico". Não há punição a título de culpa. ■ Consumação: Quando o segredo é revelado a terceiro (1 2 modalidade) ou quando outrem fica conhecendo o segredo (2 2 modalidade). ■ Tentativa: Admite-se. ■ Concurso de pessoas: Pode haver co-autoria e participação, mas a pessoa que simplesmente recebeu o segredo, sem ter concorrido para o crime (CP, art. 29), não é co-autor partícipe do delito. O particular pode ser co-autor ou partícipe, desde que saiba da condição de funcionário público do agente (CP, art. 30). ■ Subsidiariedade: O delito deste art. 325, caput, é subsidiário, na medida em que só se configura se não houver crime mais grave. ■ Confronto: Vide Lei de Segurança Nacional, quando o segredo for referente a interesses por ela protegidos (arts.13, 14 e 21 da Lei n 9 7.170/83). Se o segredo é de proposta apresentada em procedimento licitatório, art. 94 da Lei n° 8.666/93. Se o sigilo é referente a inquérito ou processo por crime de tóxicos, vide Lei n°6.368/76, art.17 (CELSO DELMANTO, Tóxicos, 1982, pp. 41-2). Tratando-se de sigilo concernente a energia nuclear, art. 23 da Lei n 2 6.453/77. Na hipótese de sigilo relativo ao Sistema Financeiro Nacional, vide Lei n°7.492/86, arts. 18 e 29, parágrafo único. No caso de violação de sigilo por parte de autoridade fiscal do Ministério da Economia, Fazenda e Planejamento que procede a exame de documentos, livros e registros das bolsas de valores, de mercadorias, de futuros e assemelhadas, vide § 3 2 do art. 72 da Lei n° 8.021/90. ■ Pena: É alternativa: detenção, de seis meses a dois anos, ou multa (se o fato não constitui crime mais grave). ■ Ação penal: Pública incondicionada. Formas equipa- ■ Objeto jurídico: A Adminsitração Pública, notadamente seus sistemas de informaradas (§12 ) ções ou bancos de dados.

Art. 325

Código Penal

648

■ Sujeito ativo: Somente o funcionário público. Vide, também, nota ao caput. ■ Sujeito passivo: 0 Estado; em segundo lugar, o particilar eventualmente prejudicado. ■ Tipo objetivo: São três os núcleos previstos: a. permitir (dar licença para; consentir em); b. facilitar (tornar ou fazer fácil ou mais fácil); c. utilizar (fazer uso de). Nos dois primeiros (a e b), o agente permite ou facilita, através de atribuição, fornecimento e empréstimo de senha, ou por qualquer outra forma, o acesso de pessoas não autorizadas aos sistemas de informações ou bancos de dados da Administração Pública. A expressão qualquer outra forma viola, a nosso ver, o princípio da reserva legal (ou da legalidade), previsto no art. 1 9 do CP e, em conseqüência, a regra da taxatividade, segundo a qual as leis que definem crimes devem ser precisas, marcando exatamente a conduta que objetivam punir (vide nota Efeitos do princípio ao art. 1 9 do CP). No terceiro núcleo (c), o agente se utiliza, indevidamente, do acesso restrito que, em razão do cargo, lhe foi confiado. A expressão indevidamente constitui o elemento normativo do tipo. Nas modalidades de permitir ou facilitar, a ação pode ser comissiva ou omissiva. Já na modalidade de utilizar, a ação é sempre comissiva. ■ Tipo subjetivo: E o dolo, consistente na vontade livre de permitir ou facilitar o acesso de pessoas não autorizadas a sistemas de informações ou banco de dados (§1 2 , I) ou de utilizar-se, indevidamente, do acesso restrito (§1 2 , II). Para a doutrina clássica, é o "dolo genérico". Inexiste modalidade culposa. ■ Consumação: Ocorre no momento em que o acesso de pessoas não autorizadas é permitido ou facilitado (§1 2 , I), ou quando o acesso restrito é utilizado indevidamente (§1 2 , II). Por se tratar de crime formal, não se exige efetivo resultado (no sentido naturalístico). ■ Tentativa: Não nos parece possível em nenhum dos incisos deste § 1 2 . ■ Concurso de pessoas: Pode haver co-autoria e participação, mas aquele que apenas teve o acesso permitido ou facilitado, sem ter concorrido para o crime (CP, art. 29), não pode ser co-autor ou partícipe. O particular pode ser co-autor ou partícipe, desde que saiba da condição de funcionário público do agente (CP, art. 30). ■ Pena e ação penal: Iguais às do caput. Figura qua//ficada (§219 Causa especial de aumento de pena Jurisprudência docaput ■ Noção: Se da conduta comissiva ou omissiva resultar dano à Administração Pública ou a terceiro, a pena será de reclusão, de dois a seis anos, e multa. ■ Incidência: Tratando-se de ocupante de cargo em comissão, função de direção ou assessoramento, vide § 29 do art. 327 do CP.

■ Animus defendendi: Não há crime quando o indiciado, com animus defendendi, remete os documentos ao procurador-geral, sem quebra do caráter confidencial (STJ, CEsp, Inq. 12, DJU 1.10.90, p. 10424). ■ Crime próprio e formal: O delito deste art. 325 é próprio e formal, porque exige a potencialidade de dano para com a Administração Pública (TACrSP, RT723/613). ■ Violação de sigilo em exames: Pratica o delito do art. 325 do CP o professor, integrante de banca examinadora de universidade federal, que, antecipadamente, fornece a alguns dos alunos cópias das questões que iam ser formuladas nas provas (TFR, RTFR 61/100), ou lhes antecipa "gabaritos" com as respostas de exame vestibular (TFR, Ap. 3.608, DJU 21.6.78, p. 4543). Igualmente o servidor público, nomeado para elaborar as provas de concurso, que quebra o sigilo destas, entregando as questões e respostas para candidato (TACrSP, RT723/613). ■ Violação em processo: Não se tratando de ação judicial que obrigatoriamente corre em sigilo, é necessário que tenha sido deferido o seu processamento em segredo de justiça (TACrSP, Julgados 69/92). ■ Relevância do sigilo: O art. 325 visa a proteger segredo relevante, cuja divulgação seja potencialmente danosa, e não interesses fúteis, carecedores de relevância jurídica (TACrSP, Julgados 73/183).

649 Código Penal Arts. Equiparação do § 1 2 . § 1 . Segundo MARIA SYLVIA ZANELLA DI PIETRO. emprego ou função pública. Assim. embora transitoriamente ou sem remuneração. § 2 2 . é regra de caráter geral. São Paulo. de dois a três anos. 2 vigor noventa dias após sua publicação. 2 Jurisprudência Criminal. o conceito de funcionário público é diverso do que lhe dá o Direito Administrativo. que pune com pena de detenção. regido pelo Estatuto dos Funcionários Públicos". vide nota Confronto. de algum modo.6. 1979. Quanto à extensão dos §§ 1 2 e deste art. deu nova redação ao § 1 . Atlas. Devassar o sigilo de proposta de concorrência pública.666/93). 122. já a função pública "é o conjunto de atribuições às quais não corresponde um cargo ou emprego". exerce cargo. de três meses a um ano. não exigindo concurso público. de 14. FRAGOSO. ela estará incluída no conceito penal de funcionário público. exerce cargo. da Lei de Licitações Públicas (Lei n° 8. embora transitoriamente ou sem remuneração. emprego ou função em entidade paraestatal. e quem trabalha para empresa prestadora de serviço contratada ou conveniada para a execução de atividade típica da Administração Pública. inscrito no caput do art. 84. 2 ■ Revogação: Este artigo foi tacitamente revogado pelo art. é desnecessária a permanência ou remuneração pelo Estado. e multa. 327.00). é funcionário público quem. Ao mencionar função pública. ■ Noção: O antigo §1 2 já equiparava a funcionário público emprego ou função em entidade paraestatal. 94 da Lei n 8. empresa pública ou fundação instituída pelo poder público. 0 novo §1 2 ampliou esta equiparação. quem.666/93. sociedade de economia mista. 326 e 327 VIOLAÇÃO DO SIGILO DE PROPOSTA DE CONCORRÊNCIA Art. Para a caracterização. "o ocupante do cargo público tem um vínculo estatutário. pp. A pena será aumentada da terça parte quando os autores dos crimes previstos neste Capítulo forem ocupantes de cargos em comissão ou de função de direção ou assessoramento de órgão da administração direta. ■ Conceituação: Para efeitos penais. vide nota em separado. Equipara-se a funcionário público quem exerce cargo. aplicável a todo o CP e à legislação penal extravagante . desde que exerça. a lei "quis deixar claro que basta o simples exercício de uma função pública para caracterizar.80. 420-2). n 250). ainda que a pessoa não seja empregada nem tenha cargo no Estado. transformou o antigo parágrafo único em § ■ Alteração: A Lei n° 6. Conceito pena/ de funcionário público 23.799. v. A Lei n 9. 327. FUNCIONÁRIO PÚBLICO Art. de 2 que entrou em e acrescentou o § 22 . ■ Alcance do caput: O conceito de funcionário público.7. II. o ato de "devassar o sigilo de proposta apresentada em procedimento licitatório.ed. 326. Para o CP. 2 Quanto ao conceito de funcionário público dado pelo art. e multa. ao passo que "o ocupante de emprego público tem um vínculo contratual. emprego ou função pública. quem exercesse cargo. Considera-se funcionário público. o funcionário público" (H. ou proporcionar a terceiro o ensejo de devassá-lo". 327. função pública. § 1 2 .. ao contrário daqueles ( Direito Administrativo. ou proporcionar a terceiro o ensejo de devassá-lo: Pena — detenção.983. para os efeitos penais. portanto.7.00 ( DOU de 17. sob a regência da CLT". para os efeitos penais.

DE JESUS. 84. que deu nova redação ao § 1 . de assistência social e de formação profissional (SESI. MAGALHÃES NORONHA. p. 312 a 326 do CP e às pessoas ocupantes dos cargos e funções textualmente indicados no § 2 2 . citando MIGUEL REALE e THEMÍSTOCLES BRANDÃO CAVALCANTI). mediante mútua colaboração" (MARIA SYLVIA ZANELLA DI PIETRO. Saraiva. direto ou indireto.. além das fundações. não incluindo as sociedades de economia mista e as empresas públicas. mas ambas dado§2' li mitadas aos ocupantes de certas funções em órgãos. aos servidores qualificados nela expressamente indicados.983/00. 6á ed. para quem a expressão entidade paraestatal do §1 9 deste art. b. todos os funcionários daquelas entidades arroladas no § 2 2 estão equiparados também a funcionários públicos. cit. b. n 250). IV.983/00 não retroagirá. A nova redação dada agora ao §1° não alterou este nosso entendimento.Art. § 1 2 . Direito Penal. A/cance dos §§ 1°e2° 2 ■ Noção: Mesmo antes da Lei n° 9. pp. para os fins desta lei. CPC. São Paulo. v. dá o "efetivo significado" da expressão entidade paraestatal empregada pelo § 1 2 do art. 1°). "quem exerce cargo.666/93 ( Direito Penal. Refere-se tanto ao 2 sujeito ativo como ao passivo (H.. o referido art. o § 2 2 deixa claro que a primeira corrente é a certa. compreende as empresas públicas. mas os funcionários não qualificados das mesmas entidades não ficam equiparados a funcionários públicos. pois limita a causa de aumento "aos autores dos crimes previstos neste Capítulo". 208). Já a empresa conveniada é aquela que celebra ajuste com o Poder Público "para a realização de objetivos de interesse comum. Para ROBERTO W. este art. 4. Para outra corrente. FRAGOSO. 327 Código Penal 650 para nela incluir "quem trabalha para empresa prestadora de serviço contratada ou conveniada para a execução de atividade típica da Administração Pública". a ampliação dada a este § 1° pela Lei n° 9. empresas e fundações li gadas ao Poder Público.. tão-só.666/93. p. 138). abrange pessoas privadas que colaboram com o Estado desempenhando atividade não lucrativa e à qual o Poder Público dispensa especial proteção. demonstrando que tanto a equiparação do antigo § como a do § devem ficar limitadas ao sujeito ativo. ■ Confronto: O § do art. Jurisprudência Criminal. cit. Equiparação e ■ Noção: Instituído pela Lei n° 6. equipara a servidor público. SENAI) (CELSO ANTONIO BANDEIRA DE MELLO). 404. ob. Ampliativa. XXXIX e XL. II. as pessoas expressamente indicadas (ocupantes de cargo em comissão ou de função de direção ou assessoramento das entidades indicadas no § 2 2) podem ser agentes de crimes contra a Administração (e sofrendo penas aumentadas). já havia duas correntes acerca da abrangência do revogado § 1 2 : a. c. assim consideradas. A nosso ver.799/80. são as autarquias (CRETELLA JÚNIOR. as demais entidades sob controle. 84 da Lei n° 8. b. p. 5°. BATTOCHIO CASOLATO. as sociedades de economia mista e as fundações instituídas pelo Poder Público (HELY LOPES MEIRELLES). CP. art. 1995. 327 do CP ( Os crimes contra a Administração Pública — Parte 1. do poder público". pp. 327 só alcança a autarquia. mas a causa de aumento de pena prevista no § é aplicável. Empresa prestadora de serviço contratada é aquela que celebra contrato com a Administração Pública. § só tem aplicação para os crimes relacionados na Lei n° 8. . o § 22 permite duas interpretações: a. figura qualifica. ■ Pena: A causa de aumento de pena do § 2 2 (aumento da terça parte) é aplicável somente aos crimes dos arts. SESC. IX. emprego ou função em entidade paraestatal. v. p.Limitada. que define crime em licitações e contratos da Administração Pública. 1979. 102). apenas. v. Assim. 1998. tratando-se de pessoas privadas que exercem função típica (embora não exclusiva do Estado). O § 22 contém uma equiparação e uma figura qualificada. 1959. Por força dos princípios da reserva legal e da anterioridade (CR/88. art. "para a consecução de fins públicos. segundo regime jurídico de direito público". 397-8). Comentários ao Código Penal. Já DAMÁSIO E. discordam os administrativistas quanto ao conceito de entidades paraestatais: a. 232 e 284). v. Conforme anota MARIA SYLVIA ZANELLA DI PIETRO (ob. 84. como as de amparo aos hipossuficientes. para o sujeito ativo (HUNGRIA. empresas públicas e sociedades de economia mista. A equiparação é feita.

Sign up to vote on this title
UsefulNot useful