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8. Auditoria às Existâncias e Custo das existências vendidas e consumidas

8.1 – Alguns aspectos de natureza contabilística

As Existências devem ser valorizadas à data de referência do balanço (para efeitos de

apresentação nas demonstrações financeiras) ao custo (de aquisição ou de produção) ou ao preço

de

mercado, dos dois o mais baixo.

O

custo de aquisição de um bem é a soma do respectivo preço de compra com os gastos

suportados directa ou indirectamente para o colocar no seu estado actual ou no local de

armazenagem.

O custo de produção de um bem é a soma dos custos das matérias-primas e outros materiais

directos consumidos, da mão-de-obra directa, dos custos industriais variáveis e dos custos industriais fixos suportados para o produzir e colocar no estado em que se encontra e no local de

armazenagem. Em geral, custos de distribuição, de administração geral e os financeiros não são incorporáveis no custo de produção.

O preço de mercado pode ser visto sob duas ópticas: a do custo de reposição (quando se trata de bens adquiridos para a produção) e a do valor realizável líquido (quando se trata de bens para a venda).

Custo de reposição de um bem, é aquele que a empresa teria de suportar para o substituir nas mesmas condições, qualidade, quantidade e locais de aquisição e utilização. O valor realizável líquido de um bem é o seu esperado preço de venda deduzido dos necessários custos de acabamento e venda, e que englobam sobretudo os custos com embalagens e fretes.

Critérios especiais de valorimetria das existências:

a) Custo padrão (eventualmente ajuatado face aos desvios verificados)

b) Valor realizável líquido (à falta de critério mais adequado) – Subprodutos, desperdícios, resíduos e refugos

c) Valor realizável líquido deduzido da margem normal de lucro

i. em alternativa ao custo de produção

explorações agrícolas, pecuárias e silvícolas

indústrias extractivas

indústrias piscatórias

ii. aos bens adquiridos sujeitos a crescimento natural, no caso das explorações agrícolas, pecuárias e silvícolas

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d) Preço ilíquido de venda deduzido da margem de lucro

estabelecimentos de venda a retalho

estabelecimentos em que se vende a revendedores pequenas quantidades de cada espécie de mercadoria em cada transacção

e) Método da percentagem de acabamento (em alternativa a manter os custos até ao acabamento)

Construção de edifícios, estradas, barragens, pontes e navios (só nos produtos e trabalhos em curso)

f) Quantidade e valor fixos (só nas matérias primas e de consumo) desde que simultaneamente se satisfaçam as condições seguintes;

i. Sejam frequentemente renovadas

ii. Representem um valor global de reduzida importância para a empreza

iii. Não haja variação sensível na sua quantidade, no seu valor e na sua composição

Métodos de custeio das saídas das existências (do armazém de matérias primas para a produção ou do armazém de mercadorias ou de produtos acabados para a venda):

custo específico

custo médio ponderado

FIFO

custo padrão

Conteúdo das contas de existências (Inventários)

2.2 – Mercadorias: Bens adquiridos pela empresa com destino a venda, desde que não sejam

objecto de trabalho posterior de natureza industrial.

2.3 – Produtos acabados e intermédios: Principais bens provenientes da actividade produtiva da

empresa, assim como os que, embora normalmente reentrem no fabrico, possam ser objecto de venda.

2.4 – Subprodutos, desperdícios, resíduos e refugos: Bens de natureza secundária provenientes

da actividade produtiva e obtidos simultaneamente com os principais.

2.5 – Produtos ou serviços em curso: Bens que se encontram em fabricação ou produção, não

estando em condições de serem armazenados ou vendidos.

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2.6 – Matérias-primas, auxiliares e materiais: Bens que se destinam a ser incorporados materialmente nos produtos finais (2.6.1 – Matérias-primas); bens necessários à produção que não se incorporam materialmente nos produtos finais (2.6.2 – Matérias auxiliares) e os bens envolventes ou recipientes das mercadorias ou produtos, indispensáveis ao seu acondicionamento e transacção, e outros (2.6.3.1 – Combustíveis e lubrificantes; 2.6.3.2 – Embalagens comerciais; 2.6.3.3 – Peças e sobressalentes; 2.6.3.9 – Materiais diversos).

2.7 – Activos biológicos

2.8 – Regularização de inventários: Destina-se a servir de contrapartida ao registo de quebras,

sobras, saídas e entradas por ofertas, bem como a quaisquer outras variações nas contas de existências não derivadas de compras, vendas ou consumos.

2.9 – Ajustamentos para o valor realizável líquido: Para registar as diferenças relativas ao custo

de aquisição ou de produção, resultantes da aplicação dos critérios definidos na valorimetria das

existências.

8.2 – Medidas de controlo interno

8.2.1 – A entrada nos armazéns das existências provenientes da compra

Nos casos em que a recepção está directamente ligada ao próprio armazém, basta a guia de recepção. Caso contrário deve-se emitir uma guia de entrada em armazém, com os seguintes exemplares, depois de terem sido conferidos os itens recebidos da recepção:

original, para a secção de controlo de stocks, registar a respectiva entrada no que concerne a quantidades;

duplicado, para a contabilidade;

triplicado, para a secção de compras;

quadriplicado, para o arquivo do próprio armazém.

8.2.2 – Armazenagem, movimentação e saída das existências

Após a conferência das existências (quantitativa e qualitativamente) e codificação, estas devem ser arrumadas em locais ordenados, referenciados e protegidos.

As saídas de existências dos armazéns deverão ser acompanhadas de documentos internos tais como, requisições da produção ao armazém de matérias primas ou ordens de expedição emitidas pela secção de facturação ao armazém de marcadorias ou ao armazém de produtos acabados. Com base em tais documentos o armazém emitirá uma guia de saída de armazém com os seguintes exemplares:

original, para a secção de controlo de stocks; registar a respectiva saída no que concerne a quantidades;

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duplicado, para a contabilidade (financeira e/ou de custos);

triplicado, para a secção requisitante;

quadriplicado, para o arquivo do próprio armazém.

Em empresas industriais a movimentação de existências entre as fases de produção é efectuada com base em guias de transferência, relatórios ou folhas de produção.

8.2.3 – O controlo físico das existências

O controlo físico das existências faz-se através da sua inventariação ou contagem, aspecto muito

importante no que concerne ao controlo interno.

Quando a empresa segue o sistema de inventário periódico ou intermitente (o que demonstra um controlo interno fraco) a contagem física terá obrigatoriamente que ser feita no final do ano, seja no(s) último(s) dia(s) do ano, seja no(s) primeiro(s) dia(s) do ano seguinte.

O sistema de inventário periódico ou intermitente impossibilita o conhecimento dos resultados

da actividade ao longo do ano, a não ser que se efectue uma contagem total das existências quando tal for pretendido.

Por outro lado, uma empresa que tenha implementado o sistema de inventário permanente não necessitará de efectuar a contagem física das suas existências no final do ano uma vez que tal sistema lhe permite conhecer, em qualquer momento, as quantidades em armazém. Para tal poderá estabelecer um programa de contagens cíclicas ao longo do ano privilegiando até os itens mais valiosos de forma a que sejam contados mais do que uma vez em cada ano, e os menos valiosos, poucas vezes ao ano.

As contagens cíclicas têm, entre outras, as seguintes vantagens:

não necessidade de efectuar uma contagem total com referência à data de fim de ano;

não necessidade de parar a produção ou a actividade (o que normalmente acontece nos casos de contagens anuais);

repartição de um trabalho, muitas vezes moroso e delicado, ao longo dos vários meses do ano.

8.2.4 – Instruções escritas para a realização das contagens físicas das existências

Para a inventariação física anaual das existências, deve emitir-se instruções escritas sobre a forma da sua realização.

No caso das contagens físicas se realizarem ciclicamente ao longo do ano, as instruções poderão ser elaboradas aquando da realização da primeira contagem do ano e nas seguintes apenas se deverá emitir um pequeno memorandum com as alterações pertinentes (artigos a contar, armazéns, datas, etc.).

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Os aspectos mais importantes que devem constar nas instruções, são os seguintes:

Datas e locais da contagem

Existências a serem inventariadas

Procedimentos pré-inventário: Limpeza dos armazéns; arrumação das exikstências; separação dos itens obsoletos, com pouco movimento, ainda não recepcionados, à consignação, pertencentes a clientes; etc

Constituição das equipas de contagem: Cada equipa de contagem deve no mínimo ser constituída por dois trabalhadores: o “contador”, que deve ser um trabalhador do próprio armazém e que esteja familiarizado com as respectivas existências; o “escrivão”, que deve ser um trabalhador da secção de contabilidade. Deverão existir também conferentes, pertencentes à secção de Contabilidade. Se existirem auditores internos, devem realizar os seus própios testes.

Forma de realização do inventário: Sequência, forma de assinalar os itens.

Anotação das contagens: Em documentos numerados tipograficamente e de forma sequencial (listas, talões ou fichas).

Procedimentos relativos ao “corte” de operações: Existem acontecimentos que

podem falsear o inventário e distorcer os resultados e a posição financeira da empresa, sobretudo quando não está implementado o sistema de inventário permanente:

a) artigos recebidos dos fornecedores antes da data do inventário, incluídos no mesmo mas apenas contabilizados após aquela data;

b) artigos contabilizados à data do inventário mas ainda em trânsito e portanto não incluídos no inventário;

c) transferências entre secções ou fases da produção;

d) vendas contabilizadas antes da data do inventário mas cujos artigos apenas foramm expedidos após aquela data e portanto incluídos no inventário;

e) artigos expedidos antes da data do inventário e portanto não incluídos no mesmo e que só foram facturados após aquela data.

Para acautelar os incovenientes resulatantes deste tipo de situações, todas as guais de entrada e de saída de artigos devem ser marcadas (com um carimbo) com as indicações “processado antes do inventário” e “processado depois do inventário” durante um período (3 ou 4 dias) anterior e posterior à data do inventário.

Procedimentos pós-inventário: Comparação das quantidades contadas com os respectivos registos de quantidades e do inventário permanente, caso existam; e análise, clarificação e rectificação de eventuais discrepâncias.

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Reunião preparatória: Deve haver distribuição das instruções escritas (sobretudo se for anual) à todas pessoas envolvidas com antecedência de 15 dias. Reunião, a quatro ou cinco dias antes, envolvendo todos que irão participar (contadores, escrivões, encarregados, conferentes) e representante dos auditores externos.

8.2.5 – O controlo contabilístico das existências

Faz-se fundamentalmente atarvés da exisência e manutenção do sistema de inventário permanente, o qual permite, em qualquer momento, dar a conhecer as quantidades em stock, o custo desse mesmo stock e o custo das existências vendidas ou consumidas.

8.3 – Questionário de controlo interno

O questionário sobre o controlo interno é apresentado no anexo 1.

8.4 – Objectivos de auditoria

Após ter terminado o trabalho de auditoria na área das Existências (ou Inventários) e custo das existências vendidas e consumidas o auditor deve estar em condições de poder concluir se:

Vide na primeira parte do programa de auditoria, conforme o anexo 2.

8.5 – Procedimentos de auditoria

A síntese dos procedimentos de auditoria encontra-se no programa de trabalho, anexo 2.

8.5.1 – Testes às contagens físicas

O trabalho dos auditores em relação às contagens físicas (inventário físico) consistem principalmente em observar os procedimentos seguidos pela empresa na contagem e registo das quantidades, em fazer testes apropriados para determinar se os procedimentos estão a ser devidamente seguidos e se estão a obter contagens físicas satisfatórias.

Quando a empresa utiliza registos de quantidades pelo sistema de inventário permanente e efectua contagens cíclicas para verificar a veracidade de tais registos, é apropriado que os auditores façam testes selectivos às contagens e que as observem periodicamente como fundamento da opinião com respeito às quantidades de fim de ano.

Por outro lado, se uma empresa não possuir registos adequados de custos ou de existências em quantidades, e efectuar apenas um inventário físico no fim do exercício, as observações dos auditores e os testes às contagens são necessariamente efectuados nesta data.

Uma vez acordada a realização de auditoria o supervisor deve informar-se sobre a data do inventário e obter as instruçoes escritas. Seleccionar items a testar que sejam representativos dos saldos.

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No decurso dos testes os auditores deverão obter informações respeitantes à existência de stocks excessivos, obsoletos, defeituosos, etc., a fim de que posteriormente se possa avaliar a necessidade de se criarem, reforçarem ou reduzirem ajustamentos de existências. Ao mesmo tempo dever-se-á também saber se existem novos bens de equipamento em laboração que tenham sido adquiridos como reforço e/ou substituição de outros ou, pelo contrário, bens que embora existindo fisicamente deixaram de ser utilizados.

8.5.2 – “Cortes” de recepção e de compras e de expedição e de vendas de existências

Para garantir que todas as encomendas recebidas até à data da contagem foram incluídas no inventário físico e que as respectivas facturas foram registadas no passivo e por outro lado não foram considerados passivos de encomendas não recepcionadas, deve-se efecuar à data da contagem uma confirmação dos saldos das contas dos fornecedores, confirmar que todas as encomendas escrituralmente expedidas foram excluídas do inventário; e como processo à data da contagem deve-se tomar nota das últimas guias de expedição e de recepção, fazendo o mesmo igualmente para as primeiras a seguir à data da contagem, para posteriormente se comparar com os registos.

8.5.3 – Teste às mercadorias em trânsito e em poder de terceiros

Obter uma análise onde estejam discriminadas as guias de remessa e as facturas de fornecedores e confrontá-la posteriormente com as guias de recepção emitidas pela empresa, necessariamente datadas posteriormente à data da auditoria e, eventualmente, com documentação externa.

Para as mercadorias em poder de terceiros, obter uma listagem das entidades, e se o valor total deste tipo de existências for significativo proceder à contagem física; caso contrário obter uma confirmação sem indicar na carta os códigos, designações e quantidades das existências.

8.5.4 – Testes às listas das existências finais

somar tais listas numa base de amostragem;

verificar a coincidência dos valores a transportar com os valores transportados de todas as folhas;

verificar, também em teste, se estão correctas as multiplicações das quantidades pelos próprios custos unitários;

comparar as quantidades incluídas nas listas com aquelas que foram testadas aquando das contagens físicas. Obviamente não poderá haver divergências neste ponto;

verificar que todos os items constantes dos talões ou folhas de contagem utilizados pela empresa (e só esses) foram incluídos nas listas.

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8.5.5 – Teste ao custo de aquisição ou de produção e à forma de custear as saídas dos armazéns

Como referido anteriormente as existências devem estar valorizadas ao mais baixo do custo (de aquisição ou de produção), valor que possa ser recuperado através da venda ou do consumo.

Os items a testar serão os que nas listas valorizadas das existências finais apresentam valores totais mais significativos, em relação ao saldo de cada uma das contas de existências (amostragem sobre valores estratificados) e que tenham sido seleccionados pelos auditores aquando da realização dos testes às contagens físicas.

Usando um mapa dever-se-á realizar o teste conforme o tipo de existências, dos que são indicados a seguir:

A) Matérias-primas, subsidiárias e de consumo e mercadorias: O teste resultará em pleno se o critério que a empresa utilizar para custear saídas dos armazéns for o FIFO. Com os items testados, os auditores devem concluir se os custos unitários são adequados de forma a que, de seguida, os mesmos possam ser comparados com os respectivos preços de mercado. No caso de existirem diferenças significativas dever- se-á proceder ao respectivo ajustamento em relação ao saldo das respectivas contas de existências.

B) Produtos e trabalhos em curso e produtos acabados e semi-acabados no sistema de custos por ordem de encomenda: Os procedimentos de auditoria num sistema de custos por ordem de encomenda dirigem-se sobretudo à:

rever o fluxo de custos através das referidas contas de controlo de existências;

testar as matérias-primas, mão-de-obra e os gastos gerais de fabrico imputados às referidas contas de existências, à data do balanço.

Através de conferências de matérias-primas examinando as requisições e as notas de débito à encomenda; do preço através dos custos unitários; das horas da mão-de- obra e respectivas importâncias debitadas; e dos gastos gerais de fabrico.

C) Produtos e trabalhos em curso e produtos acabados e semi-acabados no sistema de custos por processos: Os procedimentos de auditoria num sistema de custos por processos dirigem-se principalmente a:

rever o fluxo de custos através dos centros de custo por processos por meio de produtos seleccionados;

fazer testes aos custos imputados a tais centros de custos.

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Através de conferências de quantidades e custos transferidos das existências de matérias primas e de outros processos com as contas de controlo do razão, assim como as transferências de produtos e trabalhos em curso para produtos acabados com os relatórios de custo de produção. As matérias-primas, a mão-de-obra directa e Gastos gerais de fabrico tal como em B).

D) Produtos e trabalhos em curso e produtos acabados e semi-acabados no sistem de custos padrões: Quando se utiliza este sistema de custos, os procedimentos de auditoria dirigem-se sobretudo a:

testar o cálculo dos custos padrões para um número representativo de produtos ou partes de produtos a fim de se verificar que todos os elementos que lhe são inerentes estão incluído no custo padrão;

rever as contas de desvios para comprovar se os custos padrões se aproximam ou não dos custos reais;

determinar se os custos padrões usados para calcular os desvios são os mesmos que são utilizados na valorimetria das existências.

Aqui fazem-se também conferências tal como nas alíneas anteriores.

8.5.6 – Teste à valorimetria das existências finais

Consiste na comparação entre o custo e o preço de mercado, para cada item seleccionado.

8.5.7 – Análise do saldo dos Ajustamentos

Como exemplos de indicações de existências excessivas ou com pouca rotação, defeituosas ou deterioradas e obsoletas, podem ser:

a) detecção, durante o inventário físico, de artigos em tais situações;

b) baixa rotação de stocks detectada durante os testes ao custo, através da ausência de compras em quantidades normais (por verificação do ficheiro de existência);

c) prováveis mudanças nos pedidos de venda atendendo ao desenvolvimento de novos produtos e processos de fabrico;

d) análise das devoluções dos clientes;

e) análise da antiguidade dos artigos sem saída (fácil de obter quando as existências são tratadas através de meios informáticos).

8.5.8 – Verificação da consistência

Testes visando determinar se as existências finais do período estão determinadas quanto a quantidades, custos unitários, cálculos, stocks excessivos, etc. em bases consistentes com as utilizadas em anos anteriores.

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8.5.9 – Relatório final sobre o trabalho efectuado

O relatório final (resumido), apoiado num mapa deve versar sobretudo os seguintes pontos:

a) política de existências da empresa, seus procedimentos e medidas de controlo interno, adequação ou não da cobertura de seguros;

b) relações deste controlo e procedimentos com a extensão do trabalho de auditoria;

c) procedimentos da empresa no que concerne a contagens físicas;

d) resumo do trabalho de auditoria no que respeita a quantidades, condições, “cortes” de recepção e de expedição, custeio das saídas, valorimetria e conferência de cálculos efectuados pela empresa;

e) explicações das variações, em volume e em valor, entre anos;

f) conclusões da auditoria.

8.5.10 – Custo das existências vendidas e consumidas

Os procedimentos de auditoria a seguir nesta conta dependerão da existência ou não de contabilidade de custos e, em caso afirmativo, da forma como a mesma está implementada na empresa sob exame.

A) Sistema de inventário intermitente

análise mensal das compras durante o período em análise;

com base na análise anterior seleccionar um ou mais meses para a execução do teste ao controlo das compras;

as variações mais significativas entre períodos devem ser devidamente analisadas;

realização de “cortes” de recepção e de compras com o objectivo de se detectarem passivos não registados,

considerando a variação das existências de entrada ou mistas, ocorrida entre o início e o fim do período (cujas contagens devem ter sido testadas pelo auditor), ficam completados os procedimentos a utilizar com o objectivo de se constatar da adequação do custo das existências vendidas e consumidas.

B) Sistema de inventário permanente

Neste caso existe um controlo permanente sobre as quantidades vendidas, sendo o custo das existências vendidas e consumidas, o valor resultante das quantidades vendidas pelo custo unitário, bastando para tal efectuar o teste, verificando se os preços aplicados correspondem ao valor de custo pelo qual estão registadas as existências.

No caso das empresas comerciais, o custo das mercadorias vendidas pode ser testado através das vendas se se conhecer a margem de comercialização. Nas empresas industriais, o consumo das matérias-primas pode ser testado se se conhecer a percentagem destas no custo

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do produto e a referida margem e tendo em consideração o efeito da variação das existências.

C) Sistema de custos padrões

verificar a composição do custo padrão unitário do produto;

analisar os desvios (padrão/real);

confrontação com estudos técnicos;

teste à valorimetria, visto anteriormente (matérias-primas);

a análise dos diversos tipos de desvios é da maior importância para a determinação do modo de imputar tais desvios às contas de existências e/ou custo das vendas.

8.6 – Programa de auditoria

O Anexo 2, apresenta o exemplo (síntese) de um programa de trabalho de auditoria referente às área de Existências e Custo das existências vendidas e consumidas.

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ANEXO 1 – Questionário de Controlo Interno

QUESTIONÁRIO SOBRE PROCEDIMENTOS CONTABILÍSTICOS E MEDIDAS DE CONTROLO INTERNO

EMPRESA ABC

Área coberta: Existências

Preparado por

Data

Aprovado por

Data

Pág. 1/2

Descrição do procedimento contabilístico e/ou da medida de controlo interno

Sim

Não

Não apli-

cável

Obs.

1. Existe o sistema de inventário permanente?

2. Em caso negativo, há qualquer tipo de controlo sobre as quantidades?

3. O responsável pelo ficheiro de quantidades é simultaneamente o fiel de armazém?

4. O ficheiro de quantidades (ou o de inventário permanente) é revisto periodicamente?

5. O ajustamento de existências é calculado de acordo com o referido no procedimento anterior?

6. As condições de armazenagem permitem evitar o acesso a pessoas não autorizadas?

7. As existências estão apropriadamente ordenadas, de forma a facilitar o manuseamento, contagem e localização dos diversos items?

8. Há algum registo relativo ao controlo das existências enviadas à consignação ou, por qualquer motivo, em poder de terceiros?

9. As existências estão seguras contra roubo, incêndio, inundações, etc. por um valor adequado e periodicamente revisto?

10. Existe contabilidade de custos? Em sistema monista ou dualista? Neste caso como se faz o controlo com a contabilidade financeira?

11. No caso de existirem custos padrões, são os mesmos revistos periodicamente e reformulados, se necessário?

12. Existe controlo individualizado sobre os produtos e trabalhos em curso?

13. Conforme os casos, emite-se guais de entrada, requisições da produção e guias de saída relativamente à movimentação das existências e assinadas por um empregado responsável?

14. As contagens físicas são efectuadas apenas no final do ano ou ao longo do mesmo?

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15. Elaboram-se instruções escritas apropriadas para a realização das contagens físicas? 16. As instruções
15. Elaboram-se instruções escritas apropriadas para a realização das contagens físicas?
16. As instruções escritas focam, entre outros, os seguintes aspectos:
 datas e locais de contagem?
 items a serem inventariados?
 procedimentos pré-inventário?
 constituição das equipas?
 forma de realizar o inventário?
 anotação das contagens?
 “corte” de operações?
 procedimentos pós-inventário?
 conferência das listas valorizadas?
17. As diferenças detectadas entre os resultados provenientes das contagens e os respectivos registos são adequadamente
investigadas?
18. Os eventuais ajustamentos aos registos provenientes da situação descrita no ponto anterior, são aprovados por um empregado
responsável?
19. Existe algum controlo sobre a venda de obsoletos, salvados, sucata, etc?

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ANEXO 2 – Programa da Auditoria

 

PROGRAMA DE AUDITORIA

Cliente:

 

Empresa ABC Existências e custo das existêcias vendidas e consumidas

 

Área sob exame:

 

Data de referência da auditoria:

31/12/X1

Pág. 1/2

QT

TP

Descrição do objectivo/procedimento/teste

IT

MT

TR

     

I - Resumo dos procedimentos contabilísticos e das medidas de controlo interno utilizados pela Empresa ABC

     

II – Objectivos de auditoria

Concluir se:

1. Os procedimentos contabilísticos e as medidas de controlo interno relacionados com as existências e com o custo das existências vendidas e consumidas são adequados e se estão, de facto, a ser aplicados.

2. As quantidades em stock representam existências de propriedade da Empresa ABC e localizadas nos seus armazéns, em armazéns de terceiros, em trânsito ou à consignação.

3. As listas das existências finais estão devidamente compiladas e resumidas, aritmeticamente correctas e se os seus totais são concordantes com os saldos das respectivas contas.

4. As existências estão valorizadas de acordo com princípios de contabilidade geralmente aceites, aplicados de uma forma consistente entre anos e ao mais baixo do custo ou do preço de mercado.

5. As existências excessivas ou com pouca rotação, defeituosas ou deterioradas, obsoletas, etc., estão cobertas por ajuatamentos adequados.

6. As existências finais estão determinadas, no que respeita a quantidades, custos unitários, cálculos, stocks excessivos, etc., em bases consistentes com as utilizadas em anos anteriores.

7. O custo das existências vendidas e consumidas reflectido na demonstração dos resultados respeita ao período sob exame, foi determinado de acordo com princípios de contabilidade geralmente aceites, calculado de uma forma consistente com a utilizada no período anterior e se está relacionado com os proveitos e/ou existências contabilizados no mesmo período.

8. Todas as informações pertinentes estão adequadamente divulgadas no anexo.

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III – Procedimentos/testes de auditoria Aspectos gerais 1. Rever as políticas contabilísticas adoptadas pela Empresa
III – Procedimentos/testes de auditoria
Aspectos gerais
1. Rever as políticas contabilísticas adoptadas pela Empresa ABC e o seu sistema de controlo interno. Actualizar, se necessário, os respectivos dossiers
permanentes.
Contagens físicas
2. Obter cópia das instruções escritas para a realização do inventário, proceder à sua análise e esclarecer com o responsável pelo mesmo quaisquer aspectos
menos claros.
3. Seleccionar a equipa de assistentes e seniores para proceder aos testes às contagens físicas.
4. Acompanhar as equipas de contagem de forma alternada e aleatória recolhendo os dados da contagem (referências, designações e quantidades) e confirmar as
quantidades inventariadas. Obter a assinatura do apontador da equipa de contagem no mapa de trabalho. Efectuar o trabalho referido no ponto 7 do programa
de auditoria relativo às Imobilizações.
5. Verificar e anotar, durante as contagens, a existência de eventuais artigos obsoletos, deteriorados ou com pouca rotação.
6. Verificar se o pessoal da Empresa ABC dedica especial cuidado aos procedimentos relacionados com o “corte” de operações.
7. Obter informação acerca das entradas e saídas de existências dos armazéns, relativamente aos três dias anteriores e posteriores à data da contagem.
8. Elaborar um memorandum relativo ao trabalho realizado e concluir sobre os resultados do mesmo.
Listas finais das existências
9. Obter as listas finais das existências e sobre elas efectuar os seguintes procedimentos:
a) Testar a exactidão aritmética das mesmas (somas e multiplicações) dando especial atenção às unidades de contagem.
b) Verificar se os totais das listas são idênticos às quantias constantes em cada uma das contas de Existências que irão aparecer no balanço;
c) Verificar, aleatoriamente, se as quantidades constantes das listas coincidem com as quantidades apresentadas nas listas ou talões elaborados aquando das
contagens físicas;
d) Verificar se as quantidades constantes das listas coincidem com as que foram testadas pelos auditores aquando das contagens físicas. No caso de haver
diferenças, obter explicações cabais para tais situações.

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10. Com base nos elementos obtidos no ponto 7 efectuar os respectivos testes de “corte”
10. Com base nos elementos obtidos no ponto 7 efectuar os respectivos testes de “corte” de operações (mapa).
11. Elaborar um memorandum relativo ao trabalho realizado e concluir sobre os resultados do mesmo.
Valorimetria
12. Seleccionar
items com quantias totais mais significativas e, dos restantes,
de forma aleatória e verificar se o custo unitário constante nas listas finais das
existências é adequado (Nota: Os items seleccionados incluirão, necessariamente, todos os que foram objecto de contagem física pelos auditores.
13. Relativamente às existências de matérias-primas e de mercadorias, efectuar o teste à forma de custear as saídas (FIFO).
14. Relativamente às existências de produtos e trabalhos em curso e de produtos acabados, testar os respectivos custos, tendo em consideração o método de
custeio e o sistema de contabilidade de custos adoptados pela empresa ABC.
15. Relativamente aos items selaccionados nos pontos 12 e 14 (produtos acabados) obter os respectivos preços de mercado (custo de reposição ou valor realizável
líquido, conforme os casos) e verificar se estes são inferiores ao custo constante nas listas finais de existências, preparando um mapa de trabalho.
16. Obter uma listagem de artigos sem movimento no exercício, compará-la com a informação obtida aquando das contagens (ver ponto 5.) e concluir sobre as suas
possibilidades de realização.
17. Com base na informação obtida no ponto anterior e tendo em consideração o referido no ponto 15 verificar a adequação do saldo da conta Ajustamentos de
existências, preparando um mapa.
18. Elaborar um memorandum relativo ao trabalho realizado e concluir sobre os resultados do mesmo.
Outros aspectos
19. Verificar a adequação das informações divulgadas no anexo.
20. Elaborar o mapa de ajustamentos e de reclassificações.
21. Elaborar um memorandum global sobre o trabalho de auditoria efectuado nesta área e concluir sobre os resultados obtidos. Preparar o mapa resumo do trabalho
efectuado. Referir se existiram ou não quaisquer limitações na aplicação dos procedimentos de auditoria.
22. Sugerir eventuais alterações às políticas contabilísticas adoptadas pela Empresa ABC e o seu sistema de controlo interno.
23. Rever o trabalho efectuado pelos assistentes e/ou seniores.
24. Sugerir eventuais alterações ao programa de trabalho de auditoria do próximo ano.

24-Maio-2010 / Apontamentos / Auditoria Externa / Contabilidade e Auditoria / Universidade Pedagógica

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