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CURSO ON-LINE – REDAÇÃO OFICIAL E QUESTÕES DISCURSIVAS TÉCNICO - P/TCU PROFESSORA: JÚNIA ANDRADE

Tribunal de Contas da União

Técnico de Controle Externo

Redação e Questões discursivas

Aula demonstrativa - Profa. Júnia Andrade

Olá pessoal,

Como viram no título do material, nossas aulas se destinarão a atender o

público inscrito para o cargo de nível médio do TCU – Técnico de Controle

Externo (área: Apoio Técnico e Administrativo/ Especialidade: Técnica

Administrativa).

Embora a exigência escolar para esta especialidade seja de nível médio,

o edital 2009 do TCU não deixou por menos: o candidato, além de se preparar

para provas objetivas, deverá também passar por mais duas etapas

discursivas. Sei que alguns de vocês leram o edital e já estão cientes de todas

as informações acerca das provas; mesmo assim resumirei a seguir as etapas

deste nosso concurso, comentando como será nosso trabalho.

DE OLHO NO EDITAL

dois

grupos

de

discursivas

ACE/TCE/2009: as provas P 3 e P 4 . O quadro a seguir reproduz exatamente as

informações constantes no edital

provas

no

edital

nº2

TCU

Prova

Tipo de exercício

Conteúdo

Total de linhas

Valor

P3

Questão discursiva acerca dos conhecimentos constantes no subitem 18.6.1 do edital

Conhecimentos

 

10

pontos

básicos

10

 

P4

Questão discursiva acerca dos conhecimentos do subitem 18.6.2

Conhecimentos

 

10

pontos

específicos

10

 

Redação de peça técnica acerca dos conhecimentos do subitem 18.6.2

30

20

pontos

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A partir deste quadro, temos o seguinte: o somatório das provas

discursivas perfaz um total de 40 pontos, distribuídos pelas três provas do

conjunto P 3 e P 4 . Os conhecimentos exigidos por tais provas advêm do

conteúdo programático em que consta

Conhecimentos Básicos: português, informática, atualidades, direito constitucional e controle externo. português, informática, atualidades, direito constitucional e controle externo.

Conhecimentos Específicos: redação oficial, direito adm inistrativo e execução orçamentária e financeira. redação oficial, direito administrativo e execução orçamentária e financeira.

Quem acompanha sempre os editais do TCU, pôde perceber que as

disciplinas para TCE – Técnico de Controle Externo - não mudaram desde o

último edital, por isso nosso curso encontra apoio em duas provas anteriores

para TCE, elaboradas pelo Cespe. No edital de 2007, por exemplo, a banca

pediu também o mesmo quantitativo de questões discursivas, porém a

REDAÇÃO (P 4 ) solicitava dissertação comum para falar também de algum

assunto de um dos subitens daquele edital.

O novo edital, em contrapartida, pede REDAÇÃO de expedientes –

redação oficial – tal como foi cobrado em edital anterior ao de 2007 (se não me

engano, no processo de seleção de 2005), em que se cobrou a elaboração de

um Ofício. Por isso, o edital de 2009 nada mais é do que um denominador

comum dos editais anteriores.

Assim como será o nosso trabalho? Nosso curso apresentará três fases

complementares entre si:

- ETAPA 01 - noções de texto escrito: princípios, modalidades textuais e

produção de redações. Nessa fase, o candidato será convidado a amadurecer

sua escrita para que haja adequação ao universo das provas discursivas do

Cespe. As aulas dessa fase constituem-se de teoria comum do texto

dissertativo e os alunos inscritos produzirão textos acerca de conhecimento

geral. Isso me permitirá identificar as falhas textuais de cada aluno e trabalhar

o texto de acordo com o estilo de escrita do aluno. É uma fase primária, porém

importante para desenharmos a fase de composição das questões discursivas.

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Por isso, os temas de redação abordarão questões antigas do Cespe e

questões de conhecimentos atualizados diversos. Vamos trabalhar nesta fase

com redações de 30 linhas no máximo.

- ETAPA 02 - síntese do texto: esta segunda fase aproveita os conhecimentos

que o aluno adquiriu na fase anterior para ajudá-lo a sintetizar o texto sem

macular seu conteúdo. É o momento em que redigiremos textos com no

máximo 10 linhas e isso, que parece ser um trabalho fácil, na verdade consiste

numa elaboração textual mais aprimorada, pois é preciso aprender técnicas de

resumo para se redigir um texto com bastante objetividade e precisão. Quando

chegarmos a essa etapa, será importante que o aluno disponha de

conhecimento bem sedimentado acerca dos conteúdos do edital, visto que os

temas oferecidos constarão de questões técnicas a fim de simularmos a prova

P 3 e P 4 .

- ETAPA 03 - conceitos de redação oficial e confecção de expedientes: com os

conhecimentos obtidos na fase 01 e reafirmados na fase 02, iremos estudar

conceitos importantes de redação oficial e simular a confecção de textos como

ofício, parecer, comunicação interna etc.

Portanto, o curso que oferecemos visa exatamente preparar o candidato

tanto para a avaliação técnica dos conteúdos do seu texto quanto à expressão

textual de acordo com a modalidade padrão do português escrito.

Por isso, mais uma vez digo que o candidato deverá escrever todas as

propostas de redação que lhe forem oferecidas nas diferentes etapas do curso,

como também deverá estudar os tópicos propostos para a prova objetiva com

rigor, visto que o edital do TCU exige essa transversalidade de conhecimentos

de uma prova para outra.

Por fim, antes de iniciarmos nossa aula demonstrativa, solicito a todos

que leiam a programação do curso bem como a programação de envio e

correção de textos.

 

Calendário e Assunto das aulas

 

Aula

05/06/2009

Etapa

Noções

de

texto:

princípios

textuais,

tipologia

textual,

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01

 

01

macroestrutura do texto dissertativo expositivo e do texto dissertativo argumentativo. Análise de texto.

Aula

09/06/2009

Etapa

Estrutura interna do texto: coesão e coerência, lógica

02

01

argumentativa e defeitos textuais. Análise de texto.

Aula

03

17/06/2009

Etapa

Síntese textual, confecção de questões de conhecimento

02

específico, posicionamento da banca. Análise de texto.

Aula

25/06/2009

Etapa

Redação Oficial: conceito dos expedientes e modelos

04

03

No curso, haverá quatro encontros teóricos, como explicita a tabela. A

primeira etapa conterá material provavelmente mais extenso do que o as

demais em razão de ser a etapa-base para a compreensão de estruturas

textuais a serem compartilhadas pelas outras. Entre as etapas, haverá

confecção de redações para cada uma delas. Portanto, atente-se para o

seguinte quadro de oferta de temas e entrega de textos.

Tipo de texto

Data

para

Data para entrega*

Quantidade de textos

envio*

Etapa 01/redação comum

Até 12/06/2009

Dia 16/06/2009

1

por aluno

Etapa 02/questão discursiva

Até 19/06/2009

Dia 23/06/2009

3

por aluno

Etapa 03/ redação oficial

Até 30/06/2009

Dia 06/07/2009

2

por aluno

Observações importantes !

1º grupo:

As propostas temáticas para desenvolvimento de textos serão enviadas durante o período das aulas. O aluno não precisa esperar a data de envio para entregar a redação, todavia não poderá ultrapassar em nenhuma hipótese o prazo máximo envio. Essa disciplina ajuda a manter a organização do curso.

A Etapa 01 oferecerá diversos temas dissertativos comuns, dentre os quais o candidato selecionará somente UM para o envio.

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A Etapa 02, mais pertinente ao concurso, permitirá que o aluno desenvolva TRÊS redações de no máximo 10 linhas. A Etapa 03, também pertinente ao concurso, permitirá a redação de DOIS expedientes por aluno.

Portanto, cada aluno do curso terá direito a enviar um total de SEIS

REDAÇÕES PARA A CORREÇÃO. Leia, por gentileza, agora o 2º grupo de

observações importantes:

2º grupo:

Só serão corrigidas redações enviadas em Word.doc.

As fontes preferenciais serão ARIAL ou TIMES NEW ROMAN (12).

MUITO IMPORTANTE: ao entregar redações, o candidato deverá

reproduzir o tema escolhido na redação, colocar seu nome e o

quantitativo de linhas gasto na redação manuscrita. Jamais escreva

diretamente no Word, apenas passe a limpo, ok. Preciso do número

exato de linhas para calcular os pontos. O aluno que não informar

esse dado terá apenas a redação comentada, mas os pontos não

poderão ser calculados com exatidão.

Afirmo que é possível haver atraso de um ou outro dia na devolução

dos textos. Isso ocorre, muito eventualmente, em razão do rigor

empregado no detalhamento da correção. Esse rigor é necessário

para nos aproximarmos bastante da avaliação feita pelo Cespe.

Bom, caro candidato, conhecidas a organização e as normas do curso,

vamos à nossa primeira aula.

Para começar nossas tarefas, antecipo para vocês algumas dicas

essenciais para quem escreve para o Cespe. Trata-se de uma série de

sugestões que devem ser praticadas na hora de redigir provas dissertativas de

concursos elaborados pela banca. Para os candidatos que forem dar

continuidade ao curso, será muito importante ter esta aula como o início de fato

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do nosso curso, pois os recursos apresentados aqui serão objeto de

composição dos quesitos para a avaliação das redações enviadas.

No mais, tenham uma boa aula, e eu encerro este bate-papo inicial me

apresentando brevemente. Meu nome é Júnia Andrade Viana, sou professora

de língua portuguesa e redação para concursos há cerca de dez anos. No

momento sigo lecionando em Minas Gerais, minha terra natal, e, quando não

estou escrevendo, atuo em diversas outras localidades fora do estado com

oficinas e palestras sobre redação. Aqui no Ponto dos Concursos lecionei

redação para os concursos da Abin/2008, do Senado Federal/2008 e estou

iniciando também a terceira turma de redação para o concurso da Polícia

Federal. Agora, vamos à aula!?

SUGESTÕES DE QUE NÃO PODEMOS NOS ESQUECER AO REDIGIR
SUGESTÕES DE QUE NÃO PODEMOS NOS ESQUECER AO REDIGIR

1. Preocupação com a estética

Por que é necessário se preocupar com a estética do texto?

Muito simples, por três motivos que hoje são de substancial importância:

em primeiro lugar, porque, ao redigir, o correto é se preocupar com o gir, o correto é se preocupar com o

receptor do texto, o leitor. No nosso caso, precisamente, o examinador.

Quando fazemos redação, focamos nossa atenção em vários aspectos

exigidos pela banca, focamos atenção em nós mesmos – escritores -

mas nos esquecemos de quem está lendo, ou seja, esquecemos da

estética textual: fazemos períodos longos, inversões, produzimos frases

de efeito, usamos o que chamamos de “o melhor” do nosso vocábulário;

enfim, não facilitamos a vida do corretor, apenas damos trabalho a quem

terá pela frente leituras diárias sobre o mesmo tema.

Em segundo lugar, está a “feroz” concorrência com candidatos quaseterá pela frente leituras di árias sobre o mesmo tema. “perfeitos” e, infelizmente ou feli zmente,

“perfeitos” e, infelizmente ou felizmente, cada vez mais numerosos. A

concorrência nos concursos tornou-se mais rígida, e isso naturalmente

tem levado ao texto candidatos cada vez mais especializados. Quase

inexistem entre os mais bem preparados aqueles que cometam

infrações graves quanto à norma gramatical padrão. Desse modo, uma

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punição sobre “erros” gramaticais não surte mais tanto efeito para

caráter de eliminação num concurso público. Por isso, é comum as

bancas “apertarem” as avaliações em busca de erros mínimos, letras

mal redigidas ou outro detalhe qualquer. Não é à toa que o Cespe nem

acrescenta aspecto gramatical na perda de grandes quantitativos de

pontos. Geralmente os erros gramatical valem décimos no total dos

pontos estabelecido.

Por último, vale ressaltar que aspectos estéticos equivalem em média a pectos estéticos equivalem em média a

10% da nota total do exame discursivo, e, nesta maratona concurseira,

vale muito brigar por eles.

Para quem ainda não “pegou” toda a história, aí vai: a estética

compreende, pessoal, o que poderiamos chamar a “cara do texto”. Um texto

que se apresente com uma estética não muito aprazível pode acabar

influenciando algum examinador a fazer uma avaliação por empatia, fato que

poderia custar ao candidato algum sofrimento. Obviamente, as bancas

procuram sempre meios objetivos de estabelecer julgamentos, mas humano é

humano não é?! Melhor não “atirar no escuro” na hora de redigir e caprichar na

elaboração de um texto visivelmente “bonitinho”.

Mas o que seria um texto “bonitinho” para os padrões da banca?

Os primeiros itens que a banca avaliará no seu texto serão estes:

legibilidade, paragrafação e margem. O equilíbrio desses itens pode significar

ganhos acima de 10% dos pontos de um texto. Então, para as redações

ficarem “bonitinhas”, ou seja, conseguirem nota nos quesitos mencionados,

vale notar o seguinte:

Observem a redação de suas letras. Como o exame é altamenteirem nota nos quesitos mencionados, vale notar o seguinte: exigente, procurem dar forma correta ao til

exigente, procurem dar forma correta ao til (~), deixar clara a existência

do acento agudo (´), pois acentos curtos dão impressão de que o

candidato está inseguro quanto à acentuação; lembrem-se de que o “j”

ainda tem pingo e o “o” deve ser bem fechado para que não seja

confundido com o “a”.

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Obs.: o til, famosa “cobrinha”, fica sobre a primeira letra do conjunto de vogais.

Ex.: irmão, pão. Já o trema, se você esquecê-lo, menos mal, as regras atuais já

declararam o fim dos pontinhos sobre o “u”, por isso podemos escrever sem

medo “conseqüência”, “tranquilo” etc. E, se colocarmos o trema, também não

haverá problema, pois as bancas deverão desconsiderar preferências

ortográficas até 2012.

Se a letra cursiva não ajudar, redijam livremente, sem medo, com letra o ajudar, redijam livremente, sem medo, com letra

de forma. Apenas destaquem as letras maiúsculas para não haver

qualquer julgamento inesperado da banca. Não redijam com letra muito

pequena tampouco com letra demasiadamente grande; façam o que

lhes é natural, embora legível, pois, se sua letra é grande ou pequena,

haverá naturalmente no texto uma linearidade na escrita total da

redação, o que não ocorre quando damos uma personalidade diferente

para nossa letra.

Tabulem bem os parágrafos e os mantenham sempre num mesmo os mantenham sempre num mesmo

espaçamento. Também escrevam até o final da linha, aproveitando bem

o papel, para que o texto se torne aprazível à primeira vista.

Não façam de modo algum parágrafos longos. Pensem no leitor em os longos. Pensem no leitor em

primeiro lugar. Nas redações propostas pelo Cespe, por exemplo, na

folha em o candidato desenvolverá sua redação, há marcas

acinzentadas à esquerda da folha sobre o número de linhas. Tais

marcas podem ser usadas para vocês orientarem seus textos quanto ao

tamanho dos parágrafos, uma vez que tais marcas ocorrem de cinco em

cinco linhas. Não há necessidade de obedecê-las rigidamente (escrever

sempre cinco linhas por parágrafos), mas as marcas servem de alerta

para quem “fala” demais em redação. Seis linhas por parágrafo é o

suficiente para redações que exigem, em sua totalidade, o mínimo de 20

linhas e o máximo de 30 linhas.

Se dividir sílabas no final de uma frase, ant es da mudança de linhas, final de uma frase, antes da mudança de linhas,

faça-o com um traço à frente da palavra, nunca abaixo da última letra.

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2. Emprego do Título: uso ou não ?

JÚNIA ANDRADE 2. Emprego do Título: uso ou não ? Embora muito se fale em não

Embora muito se fale em não dar título à redação (vejam que não há

nada disso expresso no edital), não há histórico de nenhum candidato

que, tendo dado o título ao seu texto, tenha sido punido exatamente por

isso. O título é parte textual que pode servir como uma espécie de

tópico, anunciando o que há na redação. Cada um de vocês poderá

optar pelo que lhes convier; assim, podem ou não empregar título na

redação. Mas atenção! Não grifem o título, não o coloquem sob

aspas, tampouco o terminem com ponto final. Recomendo também

não saltar espaço entre título e corpo textual, visto que é bom

escrever as 30 linhas!

3. Topicalize!

visto que é bom escrever as 30 linhas! 3. Topicalize! Faz bem ao texto que informações

Faz bem ao texto que informações importantes apareçam logo. Por

isso, não percam tempo falando de generalizações sobre o assunto

solicitado; escrevam com objetividade. Se tiverem que assumir uma

posição diante de um tema polêmico, façam isso logo na abertura.

4. Não misturem pessoas verbais ou pronominais no texto.

4. Não misturem pessoas verba is ou pronominais no texto. Escrever em 3ª pessoa ou na

Escrever em 3ª pessoa ou na 1ª pessoa do plural é bom, mas deve-se

escolher uma única pessoa para ser aplicada ao longo do texto.

Recomendo a 1ª do plural, pois com ela vocês não correm tanto risco

de permutar as pessoas verbais, sem perceberam o equívoco.

5. Organização ao argumentar.

sem perceberam o equívoco. 5. Organização ao argumentar. Evitem misturar argumentos. C ada motivo que tiverem

Evitem misturar argumentos. Cada motivo que tiverem para defender

o ponto de vista deve ser explicado com clareza e organização num

único parágrafo. Por isso, separe para 30 linhas três argumentos

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bons para serem trabalhados de modo organizado no

desenvolvimento do texto.

6.

Como começar bem e terminar bem?

 
Muito fácil: com o máximo de objetividade e simplicidade que puder.

Muito fácil: com o máximo de objetividade e simplicidade que puder.

 

A dissertação é um texto técnico e, por essa razão, exige dos

candidatos objetividade e clareza em suas exposições. Com disse

anteriormente, não se pode fazer rodeios na introdução para

resguardar o assunto central; é preciso ir diretamente a ele. A

conclusão, por outro lado, é a confirmação das ideias do texto; ela

funciona, portanto, como um espaço para reafirmar posições

anteriormente mencionadas. Não usem a conclusão para fazer

fechos “românticos” ou “futuristas”, sejam “frios e calculistas” com as

palavras na dissertação.

 

7.

Aspas: nunca grife palavras numa redação! Não use asteriscos!

Se quisermos chamar a atenção do leitor sobre um uso fora dos

Se quisermos chamar a atenção do leitor sobre um uso fora dos

 

padrões de determinado vocábulo, usaremos o sinal de aspas (“”). As

aspas podem ser usadas para se empregarem vocábulos

estrangeiros, gírias, coloquialismos e neologismos (palavras

inventadas). Também usamos aspas quando queremos dar à palavra

um sentido figurado e quando fazemos a citação exata de algum

outro texto.

 

8.

O

valor

das

sentenças:

evite

a

criação

de

frases

vagas,

sensacionalistas.

a criação de frases vagas, sensacionalistas. Há frases que não informam nada, apenas repetem o que

Há frases que não informam nada, apenas repetem o que já é de

conhecimento geral; outras são simplesmente falsas no que diz

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respeito ao caráter informativo, situações quando as pessoas

escrevem, por exemplo: “a tecnologia está melhorando cada vez

mais nossa vida” ou “os brasileiros estão cansados de tanta

corrupção.” Situações assim ocorrem, principalmente, quando o tema

chega a ser muito polêmico ou tende a certa subjetividade.

9. Vocabulário bom é

?

ou t ende a certa subjetividade. 9. Vocabulário bom é ? Simples e conciso. Nos concurso

Simples e conciso. Nos concursos, é comum a presença de jargões

tipicamente comuns ao meio jurídico (ex.: outrossim, destarte,

ademais, morosidade, etc.); como são comuns, tornam-se repetitivos

de redação para redação. Não que seu emprego esteja errado, mas

é bom ser original. Devemos lembrar também que precisamos ser

claros em nossas exposições, por isso “gastar o verbo” só para

impressionar costuma custar caro nas provas.

10. Coloquialismos e clichês.

Só sob aspas e, mesmo assim, devem ser evitados. Coloquialismos devem ser evitados. Coloquialismos

e clichês referem-se a expressões desgastadas pelo uso popular.

Por não representarem a novidade esperada num texto informativo,

apenas empobrecem a articulação de ideias.

11. Períodos - cuidado com composições extensas.

ideias. 11. Períodos - cuidado com composições extensas. Como a CLAREZA e a OBJETIVIDADE são critérios

Como a CLAREZA e a OBJETIVIDADE são critérios do texto, o

encurtamento do período e a preferência pela ordem direta na frase

facilitam ao leitor a compreensão das informações.

12. Parágrafos: uma preocupação além da estética.

12. Parágrafos: uma preocupação além da estética. O tamanho dos parágrafos pode ser calculado pelo total

O tamanho dos parágrafos pode ser calculado pelo total de linhas

empreendidas no texto. Não é uma rigidez, mas faz bem para a

aparência do texto a manutenção de parágrafos mais ou menos do

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mesmo tamanho. Parágrafos com quatro, cinco ou seis linhas

não são extensos e costumam comportar boa divisão quanto à

formação de períodos curtos ou quanto ao aspecto de coerência

de idéias. Tamanho mediano de parágrafos evita também a

construção de ideias vagas, estas que podem se originar pelo seu

excessivo encurtamento ou pela sua excessiva extensão.

13. Gerúndio – na dúvida melhor não arriscar.

13. Gerúndio – na dúvida melhor não arriscar. Por falta de conhecimento gram atical e por

Por falta de conhecimento gramatical e por influência de

coloquialismos, costumamos não empregar bem o gerúndio (-ndo).

Por isso, na insegurança, evitem usá-lo. Prefiram trabalhar com

infinitivo.

14.Tabulação

Procurem dar um espaço bem visível a seus parágrafos. Alguns seusá-lo. Prefiram trabalhar com infinitivo. 14.Tabulação esquecem de fazer isso e começam seus parágrafos muito

esquecem de fazer isso e começam seus parágrafos muito próximos

à margem esquerda.

15.Misto de tipologias textuais

à margem esquerda. 15.Misto de tipologias textuais Tenha cuidado para não ficar narrando – contando, por

Tenha cuidado para não ficar narrando – contando, por exemplo,

como aconteceu determinado fato – nem ficar descrevendo. Às

vezes outros tipos textuais interferem na dissertação que estamos

escrevendo, o que é natural, visto ser difícil existir um texto de

tipologia pura. Todavia narrações e descrições não podem ocupar

um parágrafo inteiro numa redação para concurso público, em razão

da exigência quase exclusiva de que se cumpra o propósito

redacional.

16. Elementos anafóricos

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Durante o processo de escrita devemos sempre primar pela unidade vemos sempre primar pela unidade

textual. Desse modo, é bom nos valer de elementos gramaticais

responsáveis pela coesão para dar ao nosso texto fluxo no

encadeamento das idéias. Por exemplo: os pronomes esse, essa,

isso, disso deveriam ser empregados com mais freqüência no texto,

pois são os responsáveis pela retomada das idéias.

17. Modalizadores fazem muito bem ao texto.

Há expressões que atenuam verdades ou evitam que determinadas dades ou evitam que determinadas

frases tornem-se, sem que queiramos, incoerências em nossos

textos. Para tanto devemos evitar expressões que trazem rigidez

ao texto, tais como certamente, sempre, sem dúvida, com certeza,

somente, só, todos, apenas. Ao afirmamos algo que não saberemos

se será confirmado ou se existe de fato, é melhor usarmos

expressões que sugestionam: possivelmente, talvez, seria, daria,

resultaria, é possível, pode ocorrer, na maioria dos casos, em quase

todas as situações, um bom número de

18. Evitem usar:

, etc.

- enumerações longas e muito diversificadas.

Ex.:

melhoria da segurança, emprego e transporte.

é preciso que os candidatos invistam em saúde, educação,

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Sugiro

é preciso que os candidatos invistam em áreas importantes, tais

como educação e emprego.

Vejam que na “sugestão” restringi-me a enumerar apenas “educação” e

“desemprego”. Usei o conectivo de comparação “tais como”, que deixa implícita

a idéia de existirem mais áreas para investimento, e ative-me a enumerar

fatores que podem referendar uma ligação direta, talvez uma causa e efeito:

educação emprego.

direta, talvez uma causa e efeito: educação emprego. - palavras de significado muito vago. Ex. :

- palavras de significado muito vago.

Ex.:

mora nas grandes cidades

diversas coisas que influenciam o comportamento de quem

Sugiro

diversos fatores que influenciam o comportamento de quem mora

nas grandes cidades

É lógico que a palavra “fatores” é um tanto subjetiva, mas é mais formal

que o coloquialismo “coisas”.

- pronome “onde”.

Ex.:

temas sociais ligados à miséria

estas

ONG´s vêm promovendo encontros onde são debatidos

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Sugiro

estas

ONG´s vêm promovendo encontros em que são debatidos temas

sociais ligados à miséria

O

“encontros” são eventos, e não lugares, melhor não empregar “onde”.

pronome

“onde”

é

empregado

para

remissão

a

lugar.

Como

- evocações.

Ex.:

para que nossa juventude possa trilhar caminhos seguros

portanto,

se você deseja uma sociedade mais humana, deve lutar

A sentença acima, como um todo está repleta de problemas, mas vale

ressaltar a evocação ao leitor. Se o texto é dissertativo, sua função é

informar ou convencer o leitor, e, por essa razão, deve ser feito com o

máximo de racionalidade possível. Assim, o emprego de vocativos como

“você”, “caro leitor”, bem como o emprego de verbos no imperativo, foge

ao propósito textual da dissertação.

- redundâncias.

Ex.:

os governantes. Assim, o combate à violência terá efeito se a prática

estratégica do estado, juntamente com a colaboração de todos nós, tiver

como proposta sanar as causas do problema

da promoção de uma aliança forte que una a sociedade e

através

Sugiro

da promoção de uma aliança forte entre a sociedade

e os governantes. Assim, o combate à violência terá efeito se

a prática estratégica do estado, com a colaboração de todos,

tiver como proposta sanar as causas do problema

através

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Toda aliança é um união, por isso cortei “que una”. Havia também outra

redundância “juntamente com”. Melhor escrever apenas “com”.

- cacofonias (mau som).

Ex.: “Alma minha gentil

“Por cada brasileiro

(mau som: maminha)

(mau som: porcada)

ANÁLISE DE TEXTO
ANÁLISE DE TEXTO

Para auxiliá-lo na compreensão de como são corrigidos os textos pelo

Cespe, em alguns blocos de aula farei análise de uma redação.

A análise abordará dois pontos importantes: destaque para os

problemas do texto e sugestões de melhoria.

A redação que analisaremos a seguir pertence ao concurso do

IBAMA/2009. O concurso foi realizado este ano pelo Cespe e, como podemos

ver, solicitou prova discursiva.

Obviamente, é natural que você não disponha dos conhecimentos

específicos exigidos na proposta temática, mas creio que entenderá muito bem

como o candidato, infelizmente, conseguiu apenas 1,82 num total de 10 pontos.

O nome do candidato será omitido em resguardo aos seus direitos, por isso

será identificado apenas por um codinome, ok. Vejamos, então:

No caderno C cujos exames eram pertinentes a quem prestaria concurso

para Analista Ambiental, o Cespe propôs para um texto dissertativo o seguinte

tema:

A ALOCAÇÃO NEGOCIADA DA ÁGUA NO CONTEXTO DA POLÍTICA NACIONAL DE RECURSOS HÍDRICOS

Em seu texto aborde, necessariamente, os seguintes aspectos relacionados à alocação negociada:

o

conceito e objetivos;

o

relação com a política nacional de recursos hídricos;

o

forma de execução (descrição das etapas do ciclo da alocação);

o

participação do poder público na alocação pactuada.

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Para tentar cumprir a proposta, o candidato redigiu o seguinte:

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DISCURSIVAS TÉCNICO - P/TCU PROFESSORA: JÚNIA ANDRADE Analisemos, então, o texto parte a parte: 1. A

Analisemos, então, o texto parte a parte:

1. A ausência do título como eu havia dito anteriormente, o

candidato é livre para empregar ou não o título, salvo quando a banca o

exigir a presença do título ou negá-la. Nesse caso, naturalmente,

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devemos seguir a exigência da prova. Como na prova do IBAMA não

havia restrições, fica livre o emprego ou não do título no texto.

2. Diagramação corresponde à estética do texto. Perceba que o

candidato se esforça para cumprir bem este quesito que pode consumir

até 10% do total da avaliação proposta pelo Cespe. Na redação, o

candidato optou por parágrafos não muito longos, pois compôs cada um

mais ou menos do mesmo tamanho, o que ajuda no que chamamos de

“primeira impressão” (a redação estando bem dividida traz impressão de

organização de ideias e boa distribuição dos assuntos); também optou o

candidato por escrever em letra de forma a fim de contribuir com a

clareza exigida num componente da DIAGRAMAÇÃO, a clareza.

3. Conteúdo a proposta temática apresenta é um clássico textual do

Cespe que, infelizmente, muita gente erra bastante ao escrever. Trata-

se de uma proposta temática central que exige também abordagem de

aspectos obrigatórios que estão subjacentes ao tema principal. Quando

a banca propõe esse tipo de redação, muita gente se esquece de falar

organizadamente sobre cada um dos tópicos e se apega ao tema

central. Com efeito, as notas são sempre uma má notícia. Por isso, a

banca adora esse modelo composto por TEMA CENTRAL + ASPECTOS

NECESSÁRIOS. E foi exatamente a má abordagem que retirou do

concurso nosso candidato. Entendamos por quê:

a. Para tornar visível e objetiva a resposta, cada aspecto deveria

ocupar um parágrafo na ordem como foram propostos pela banca.

Isso envolve três princípios importantes de todo texto:

OBJETIVIDADE, CLAREZA E ORGANIZAÇÃO. Assim, ao ler a

redação, a banca provavelmente procurou ler os “conceitos e

objetivos da ALOCAÇÃO NEGOCIADA DA ÁGUA”. Conferindo o que

o candidato escreve no primeiro parágrafo:

e objetivos da ALOCAÇÃO NEGOCIADA DA ÁGUA”. Conferindo o que o candidato escreve no primeiro parágrafo:

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Observe

que

o

candidato

até

traz

o

conceito

de

“Alocação

negociada

”,

todavia se atrapalha na exposição dos objetivos.

Sugestão:

A Alocação negociada da água é o desvio ou transferência, a partir de

autorização do poder público, de determinada quantidade de água,

proveniente de rio, lago ou de fonte de outra natureza. O objetivo dessa

alocação seria o uso particular ou coletivo da água transferida.

A despeito de estar correta ou não a resposta, minha preocupação aqui

é aproveitar o que o candidato escreveu e demonstrar como é importante

manter a uma organização no processo de confecção textual. Como o primeiro

quesito citou duas vertentes – conceito e objetivo -, proponho a formulação de

dois períodos, compondo um único parágrafo a fim de serem explicitadas as

duas vertentes separadamente em cada período.

b. O segundo parágrafo poderia trazer o segundo aspecto, relação com

palavra

“relação” indica que você deverá falar de no mínimo dois assuntos ao

mesmo tempo, e não, de um elemento só. Ao ler “relação”, devemos

pura e simplesmente relacionar. Vamos ver o que encontramos na

a

política

nacional

de

recursos

hídricos.

Candidato,

a

redação:

nacional de recursos hídricos. Candidato, a redação: Nessa passagem, esperada para expor a relação de que

Nessa passagem, esperada para expor a relação de que falamos, o

candidato constrói dois períodos distintos. A ação de quebrar o parágrafo em

dois períodos é uma boa, pois se evita a formação de períodos extensos. Mas,

infelizmente, nosso candidato não abordou a relação solicitada, mas destinou a

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cada período a explicação de assuntos isolados. Mais uma vez, não foi

cumprida outra exigência da banca. Vamos à terceira exigência:

pediu para que o candidato

c.

No

penúltimo

aspecto,

a

banca

abordasse o seguinte: forma de execução (descrição das etapas do

ciclo da alocação). Nessa passagem, a banca toca um ponto técnico

da redação: pede uma descrição. Descrever é caracterizar as tais

etapas; é, por exemplo, hierarquizar as “etapas do ciclo”. Vamos

conferir o que o candidato fez:

“etapas do ciclo”. Vamos conferir o que o candidato fez: O candidato até ensaia uma possível

O candidato até ensaia uma possível descrição, mas seu texto não

possui detalhamento das etapas e o modo como ele começou essa

passagem, com a conjunção “para”, expõe muito mais um objetivo, uma

finalidade, do que uma descrição. O ideal seria “as etapas são tais e

tais

Tudo bem ao “pé da letra”. Mais uma vez, há prejuízo na

pontuação, pois a exposição do assunto foi considerada “razoável”.

Vamos ao último quesito para ver se nosso candidato se salvou:

”.

d.

O último aspecto trata da participação do poder público na alocação

pactuada. Preste muita atenção no que foi proposto, palavra a

palavra, agora confira o que o candidato escreveu:

no que foi proposto, palavra a palavra, agora confira o que o candidato escreveu: 21 www.pontodosconcursos.com.br

21

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Veja que o candidato aborda o assunto solicitado, mas a análise do

espelho de notas mostrou que o candidato conseguiu apenas 0,40

em 2,0 pontos atribuídos a esse aspecto. Duas falhas provavelmente

apareceram nessa passagem: o candidato cita a iniciativa privada e,

em nenhum momento, isso lhe solicitado. Num concurso temos que

primar pela objetividade e tratar com exclusividade de apenas um

assunto. Outro motivo falho pode estar na exposição do assunto feito

de modo tangencial, pouco abrangente.

4. Gramática

os

erros

gramaticais

em

si

apresentam

pouca

valoração no texto. No quantitativo de pontuação específica para falhas

que dizem respeito à aplicação das regras do português padrão, há

apenas decréscimos de pontos que são contabilizados na fórmula de

cálculo exposta em cada edital. No Cespe, 90% dos pontos são dados

ao tratamento temático, este comentado por mim com o nome de

“conteúdo”. Mas vale saber que problemas gramaticais sérios podem

afetar a progressão textual e a clareza das ideias. Na redação analisada,

vimos que nosso candidato comente algumas infrações como inserção

de acento indicativo de crase diante de verbo (“à partir”) e erro de

colocação pronominal (“

enumerar alguns.

só para

como

a iniciativa privada, se faz

”),

Por fim, espero que você tenha aprendido bastante na aula de hoje

sobre princípios textuais e sobre as avaliações do Cespe. Agora ficou claro por

que a redação do nosso candidato (que aparentava ter um bom texto e ter

respondido o tema) ficou com apenas cerca de 20% do valor total da prova?

Bom, espero que tenha gostado e aí vai meu convite para que possamos

intercambiar nossos conhecimentos aqui no Ponto dos Concursos.

Lembro que o curso, por conter correção de redações, limita as inscrições ao número máximo
Lembro
que
o
curso,
por
conter
correção
de
redações,
limita
as
inscrições ao número máximo de 100 alunos.

No mais, um forte abraço e até a aula 01.

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Júnia Andrade Viana.

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Tribunal de Contas da União

Técnico de Controle Externo

Redação e Questões discursivas

Aula 01 - Profa. Júnia Andrade

Olá pessoal,

Saúdo a todos que vão estudar conosco. Na aula de hoje, vamos

estudar alguns elementos imprescindíveis para a composição de provas

discursivas. Trata-se da noss aula-base, importante para a compreensão das

demais, pois a ideia é aproximar vocês do que uma banca como o Cespe

espera das redações que lê.

Sei que no edital do TCU nos pedirá dois textos com o máximo de 10

linhas e uma prova final, composição de peça técnica, com o máximo de 30

linhas; todavia, antes de partirmos diretamente para tais etapas, é preciso

melhorar o conceito que temos de texto para depois cumprir essa ideia-embrião

em textos de complexidade maior, tais como a elaboração de extensões curtas

e a elaboração, por exemplo, de relatórios.

Em algumas passagens deste material, conversarei com vocês como se

estivesse falando de uma redação comum, aquelas de no máximo 30 linhas,

cuja proposta temática advém de conhecimentos gerais. Não quero que se

preocupem, pois a ideia inicial é essa.

Entao, vamos à aula de hoje.

Noções de texto

1. Os princípios do bom texto

Como sabemos, alguns pontos são importantes para a confecção de

textos de excelência nos concursos públicos. Esses pontos ressaltam a boa

comunicabilidade que os textos devem ter, e ser comunicativo é ser

CLARO. Esse é um dos valores mais prezados pelas bancas nos últimos

temos.

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Outro valor-princípio que deve ser observado é a OBJETIVIDADE. E,

neste curso para o TCU, ela é de imprescindível destaque, na medida em

que redigiremos textos de pequena extensão nas provas P3 e P4. Por isso,

guardem aí, por enquanto, OBJETIVIDADE, não percam essa palavra de

vista, vou cobrá-la nas redações que vocês fizerem.

Depois da objetividade, eu destacaria outro fator responsável pela

aquisição da maior “fatia” de pontos da redação: a ORGANIZAÇÃO. E, junto

com este quesito, incluo a LEGIBILIDADE.

Então, para não perdermos tempo, compreendamos o seguinte:

a. FALTA DE CLAREZA

O Cespe acusa constante dois pontos que geram falta de clareza:

escolha de palavras “difíceis”, sentido raro; construção de períodos

longos com elementos gramaticais invertidos.

Por isso, minha gente, nada, nada de querer impressionar o

examinador. Sempre deixe seu vocabulário às claras, a ideia é

mostrar a resposta da proposta temática; não, escondê-la. Mas

vocabulário simples não quer dizer chulo. Há expressões que, de

tão desgastadas pelo uso popular, não cabem num texto objetivo.

Procure redigir períodos curtos e na ordem direta: é preciso saber

usar ponto final para pôr fim à verborragia (falatório). A

comunicação deve ser simples, direta e curta. Procure também

não construir ideias muito fragmentadas.

b. FALTA DE OBJETIVIDADE

É o motivo mais comum de reprovação entre os bons do concurso.

Parece estranho, mas é isso mesmo que vocês estão lendo, “entre os

bons”. Quem não sabe escrever é reprovado “de cara” por motivos

diversos; mas há os que julgavam escrever bem, até que um dia veio a

notícia ruim, “reprovado”. Isso pode acontecer, porque muita gente boa

perde tempo fazendo digressões (ficam filosofando, gastando o verbo no

texto). É obrigatório ser objetivo! Pecou neste quesito, está fora do

concurso! A banca propôs “X” coisas, diga “X” coisas.

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O que quero dizer? Quando a banca propuser um tema qualquer, vá

direto ao assunto. Jamais faça introduções gerais sobre o tema. A

introdução deve trazer o mais importante: sua resposta acerca da

proposta temática, seu posicionamento.

Por isso, grife palavras que compõem o tema. Você não deve

copiar o tema todo, mas deve extrair palavras dele para começar

seu texto. Também vale observar que a cada parágrafo será

preciso reavivar termos componentes do tema para o examinador

sentir que você o tempo inteiro falou do assunto proposto.

Não empregue em sua redação frases ou ideias que não estejam

intimamente ligadas à proposta temática.

c. DESORDEM

Há textos em que se impera a desordem, e, pior, o candidato nem

imagina que sua redação está desordenada.

Para escrever bem, é preciso planejar. Se não planejamos, não

saberemos aonde exatamente queremos chegar. Não saberemos

dosar a linhas que podemos aproveitar para conseguir mais

pontos. Por isso, antes de começar a redigir, ponha em esquema

o que quer escrever na introdução e no desenvolvimento. Mais

adiante, você lerá como se faz para executar esse planejamento,

ok.

d. LEGIBILIDADE

Em conjunto com a questão margem, a legibilidade é um quesito de

peso à primeira vista. 10% dos pontos são dedicados ao que o Cespe vê

quando “bate o olho” no que você escreveu: estou falando mesmo da

primeira impressão. O examinador observa a letra, observa as margens,

e atribui a elas uma nota compreendida entre 00 e 10% do valor da

redação.

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Então, se não tenho letra boa, escrevo em letra de forma.

Observo a confecção dos meus parágrafos, pois devo dar a todos

eles um tamanho mais ou menos linear.

Observo minhas margens: evito o ziguezague que muita gente faz

quando chega à margem direita. Evito o excesso de quebras

silábicas nesta margem; se empregá-las, trabalho com duas ou

três quebras, no máximo.

Deixo a tabulação do meu parágrafo bastante visível para que a

banca veja com clareza que dei ao texto o espaço necessário

para confeccionar parágrafos.

Por fim, se desejamos fazer textos de excelência nos concursos,

devemos aplicar com fidelidade tais princípios ao texto que vamos redigir. A

redação nada mais é do que uma atividade que deve ser disciplinada a fim de

que ferramentas eficazes, após a aplicação do que é básico, possam surgir

para enriquecer o texto.

do que é básic o, possam surgir para enriquecer o texto. Conselho final: abandone a complicação

Conselho final: abandone a complicação em prol da simplicidade da escrita!

2. Tipologias ou modalidades textuais

Falarei rapidamente sobre esse assunto, visto que a modalidade que

mais empregaremos na resolução das questões bem como na apresentação da

peça técnica será a dissertação. Logicamente, em meio às propostas

temáticas, cobrarei de vocês aplicações típicas de outras modalidades, como a

descrição. Haverá nas aulas seguintes um anexo para tratar exclusivamente

desse assunto.

Há modalidades textuais básicas: dissertação, narração e descrição. Por

enquanto, resumidamente, podemos dizer que

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Narração é um relato de ações que se transformaram no tempo.

O passado, concretizado no texto, muitas vezes pelas formas

verbais pretéritas e/ou pelos adjuntos adverbais de tempo

(elementos temporais, como datas, por exemplo) produz a

dinamicidade com que os fatos vão desenrolando. É exemplo de

narração a produção de textos literários, tais como contos e

romances; de modo mais técnico, é narrativo um relatório, que

pode também ser parte componente de um parecer.

Exemplo:

Texto 1

Perguntei a meu filho, que é filho de imigrantes italianos, e vive na

Califórnia, se não seria melhor vir passar um tempo aqui. Falei-lhe sobre o

risco de novos atentados terroristas, do uso dos arsenais nucleares. Ele me

disse que ama o Brasil, e se nossa terra vier a correr algum perigo ele re-

tornará. Mas foi para a América do Norte em busca de oportunidades de

aperfeiçoamento e independência financeira. Queria uma vida mais segura, um

lugar onde pudesse criar seus filhos sem medo. Conseguiu as suas

oportunidades, aproveitou-as. Agora não está mais seguro.”

Texto 2

“Theodor Adorno, filósofo e sociólogo alemão, projetou-se como um dos

críticos mais ácidos dos modernos meios de comunicação de massa. Ao exilar-

se nos Estados Unidos, entre 1938 e 1946, percebeu que a mídia não se

voltava apenas para suprir as horas de lazer ou dar informações aos seus

ouvintes ou espectadores, mas fazia parte do que ele chamou de indústria

cultural.”

Comentário: vejam que, tanto no texto 1 quanto no texto 2, há predominância

de verbos no pretérito perfeito. Há também destaque para uma clara

circunstância de tempo, presente no texto 2. Essas marcações são aspectos de

predominância narrativa num texto.

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Descrição: caracterização estática de pessoas, objetos, lugares e imagens.

A descrição se compõe lingüisticamente de expressões que não produzem

dinamismo no texto. Há num texto descritivo, normalmente, um bom número

de adjetivos de caráter objetivo e subjetivo. Um texto descritivo pode ser

fruto de uma recriação de imagem testemunhada, imaginada ou, de fato,

vivenciada pelo redator.

Exemplo:

Texto 3

Era uma vidinha monótona sem perspectivas: medíocre emprego numa

empresa, as conversas inconseqüentes com os amigos, o trânsito

congestionado. Mas aí ele voltava para casa e podia, enfim, viver uma aventura.

Na Internet, claro. Navegador infatigável, percorrera um território humano

desconhecido e às vezes inquietante, até encontrá-la, primeiro em uma sala

de bate-papo, depois em mensagens privadas. Conhecia-a apenas por Solly

(Solitária?) e pouco sabia de sua vida. Mas eram, sim, almas-irmãs.

Partilhavam os mesmos gostos, as mesmas inquietudes, as mesmas secretas

aspirações. E ficavam horas trocando mensagens.”

Comentário: no texto 3, os elementos em negrito, adjetivos e verbos

flexionados no pretérito imperfeito, evidenciam a não existência de movimento

textual, ou seja, a constante mudança de ações provocada por suas

personagens. Há apenas a intenção de caracterizá-las em seu ambiente, por

isso a passagem é descritiva.

Como as tipologias, narrativa e descritiva, não correspondem neste

momento ao nosso foco, passaremos a uma análise mais detalhada do tipo

dissertativo. Certamente, a modalidade com a qual iremos trabalhar no dia do

concurso.

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A dissertação tem como intenção primeira o ato de explicar, esclarecer,

informar sobre determinado assunto, fato que dá ao texto dissertativo um

caráter informativo, expositivo. Por outro lado, há textos dissertativos cuja

função se centraliza no convencimento do leitor, na medida em que procuram

persuadi-lo sobre determinado ponto-de-vista que se propõe para a análise de

um fato.

1. Textos expositivos são motivados por dissertações cuja finalidade

consiste em mostrar algo, no máximo explicar esse algo. Nesse tipo de

texto não se toma nenhuma posição sobre a tese.

2. Textos argumentativos, solicitados em sua maioria pelos exames,

revestem-se de estratégias de persuasão. Sua finalidade é provar ao

leitor a possibilidade de concretude daquilo que seu autor se propôs a

defender ou a atacar. Mas, atenção, textos argumentativos também são

também informativos.

Primeiramente, abordaremos a estrutura da modalidade mais solicitada

numa prova de redação: a dissertação argumentativa. Saibamos antes que

toda estrutura textual dissertativa se divide em três grandes partes

comunicantes.

Macroestrutura divisão básica em três partes comunicantes:

a. Introdução

b. Desenvolvimento argumentativo

c. Conclusão

Todo texto dissertativo se norteia por diversos princípios e, entre eles,

está o da unicidade textual. O que isso quer dizer? Quer dizer que todas as

partes do texto concorrem para um único fim, defender e atestar a tese

proposta na sua introdução, portanto suas grandes partes são comunicantes. É

a essas passagens que bancas atribuem valores altos.

Como vamos discutir as partes comunicantes com mais calma ao longo

do curso, tomemos um rápido conhecimento de suas funções no estudo da

macroestrutura argumentativa.

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MACROESTRUTURA DO TEXTO ARGUMENTATIVO

A atividade textual pode ser conceituada a partir de três aspectos:

motivação, finalidade e realização, diz isso a linguista Ingedore Koch, um dos

maiores nomes brasileiros na área textual. Koch vê o texto como um “espelho

das atividades humanas”, por isso estabelecer metas para a confecção do texto

pode “encurtar o caminho” e diminuir a angústia de se atingir um resultado. Na

opinião da linguista, assim como desenvolvemos nossas ações socioculturais,

o texto deve ser programado a partir dos seguintes caminhos:

a. O reconhecimento da existência de uma necessidade/interesse.

b. O estabelecimento de uma finalidade.

c. A construção de um plano individual de atividade.

d. A realização.

É da análise desses caminhos que nasce o rascunho: momento em que

traçamos nosso texto. O rascunho é ponto zero de tudo. Muitos começam a

rascunhar sem saber exatamente o objetivo que querem atingir. Outros

simplesmente o abandonarão com a desculpa de não “se perder tempo”.

Saber rascunhar é a prova de que estou seguro para redigir. Não se

começa um rascunho sem projeção. Ele existe para que possamos praticar o

terceiro plano da atividade textual: construir nosso plano individual de atividade.

No rascunho, devemos ter sempre em mente a elaboração de questões-chave

para que saibamos exatamente aonde queremos chegar.

Mas para elaborarmos um bom rascunho, devemos antes saber ler,

compreender bem, a proposta temática. Vamos, então, entender um pouco as

propostas temáticas feitas pelas bancas:

1º tipo de proposta: a argumentativa

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Conforme já apresentei, dissertar é explicar, analisar algum fato de

modo objetivo para que se comunique o novo, ou seja, uma informação acerca

do fato analisado. A dissertação argumentativa acrescenta a essa explicação

uma defesa de um ponto de vista.

Reconhecemos uma proposta temática para a produção de redação

dissertativo-argumentativa quando a banca nos pede, por exemplo, para que

respondamos alguma pergunta que nos exija a escolha de um ponto-de-vista.

Por exemplo, no concurso para provimentos de vagas na Polícia Rodoviária

Federal, o Cespe solicitou, a partir de alguns textos-base, que o candidato

respondesse o seguinte:

“O principal problema das megalópoles é a superpopulação?”

A partir da proposta, sugiro que programem no rascunho respostas a estas

duas perguntas:

I. Qual é a minha posição sobre o tema?

II. Quais são as minhas estratégias para garantir a validade do meu

posicionamento? (escolha três bons argumentos)

Às vezes uma proposta argumentativa tem como base textos ou frases-

modelo, cujo conteúdo semântico a banca nos oferece para que possamos

contestar ou atestar.

Não importa o modo como a banca irá nos pedir uma argumentação,

sugiro que você use sempre o esquema de perguntas e respostas para

amadurecer suas estratégias ainda no rascunho.

Rascunhando (suposto exercício) com base na elaboração de perguntas:

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I. Posicionamento - Acho realmente que o principal

problema das megalópoles é a superpopulação.

II. Argumentos - Por quê?

1º argumento de defesa: o aumento populacional é maior e mais

rápido se comparado ao crescimento infra-estrutural de uma cidade.

2º argumento de defesa: com o aumento populacional há, por

conseqüência, aumento da miséria.

3º argumento de defesa: como a miséria cresce mais rápido do que

a contenção político-social dela, o crescimento da violência é sua

conseqüência imediata.

Mas propor respostas às perguntas significa muito mais do que

simplesmente querer solucioná-las. É preciso, sobretudo, saber escolher

respostas contundentes, de modo que o leitor-corretor não possa questionar a

veracidade do que se apresenta. É necessário, por isso, que saibamos

reconhecer o valor do processo argumentativo.

O PROCESSO ARGUMENTATIVO

Saber argumentar é produzir enunciados com boa fundamentação. Em

outras palavras, argumentar é aproximar a linguagem do teor técnico-científico,

fator que conseqüentemente gera maior valorização para aqueles argumentos

pautados em dados técnicos, em exemplos fatuais e na extração de

informações de especialistas sobre o assunto a ser defendido.

Na ausência do dado técnico, exemplos ou percentuais sobre o assunto,

por assim dizer, o poder de persuasão do leitor ficará a cargo da influência

indutiva que o redator fará de seu próprio discurso. Este deverá ser organizado

em aspectos metódicos de clareza, objetividade e transparência de

informações, para que se evitem aquelas famosas perdas labirínticas

discursivas, típicas de quem não depreendeu a proposta temática ou não sabe

o que fazer com ela.

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Saber argumentar, portanto, é colocar em comunicação todas as partes

do todo redacional. Para que entendamos a validade desse processo,

retomemos de modo global a macroestrutura da dissertação.

Como já vimos, todo texto dissertativo pode ser divido em três grandes

partes, o que não significa exatamente três grandes parágrafos. São partes que

possuem características específicas que, se respeitadas, auxiliam na

linearidade da leitura.

A introdução, por exemplo, é a parte da redação da qual se espera a

abordagem temática e o posicionamento imediato com relação a esta. Não é

obrigatório, mas a introdução pode também conter uma síntese dos

argumentos que desenvolveremos nos parágrafos seguintes.

O desenvolvimento é a segunda parte. Nela se encontram, de

preferência separados em parágrafos distintos, os diversos argumentos de

defesa do nosso posicionamento. Os argumentos devem ser elaborados com o

máximo de atenção, pois valem em torno de 60% dos pontos do Espelho.

A conclusão é a retomada sintetizada do que dissemos ao longo da

redação. Nela não há mais espaço para continuarmos a nossa defesa com

novos argumentos. A conclusão é o encerramento, momento em que apenas

ratificamos nossa postura quanto à proposta.

Não sei se você percebeu, mas o texto parece apresentar certa

repetição, pois tudo se remete ao primeiro parágrafo, ou melhor, à tese.

Essa repetição, que se chama recurso anafórico, faz bem àquele princípio

importante: a unidade textual.

Num texto, o bom encadeamento das idéias decorre de uma boa

comunicação entre frases, períodos e parágrafos, razão pela qual alguns

recursos de coesão, tais como conjunções e pronomes, devem ser bem

empregados para garantir que o texto não se transforme numa colagem de

frases e parágrafos sem estreitamento de intenções entre si. O esquema a

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seguir pode começar a auxiliar os que não conseguem começar uma redação

com tranqüilidade:

Esqueleto do texto para 30 linhas:

1º parágrafo: posicionamento sobre o tema + síntese (arg. 1 + arg. 2 + arg.3)

2° parágrafo: desenvolvimento do argumento 1

3° parágrafo: desenvolvimento do argumento 2

4° parágrafo: desenvolvimento do argumento 3

5° parágrafo: conjunção conclusiva + ratificação da introdução.

Esqueleto do texto para 10 linhas:

1º parágrafo: posicionamento sobre o tema seguido imediatamente de um ou

dois argumentos.

2° parágrafo: conjunção conclusiva + ratificação dos assuntos do parágrafo

01.

Elaborar o segundo esquema, por incrível que possa parecer, pode dar

mais trabalho do que o primeiro; por isso, partiremos da construção de

redações com base no primeiro esquema para, depois, chegar à nossa tarefa

final: construir textos menores.

Nos comentários do anexo desta aula, veremos a concretização desses

esquemas com base na análise de duas redações.

O PARÁGRAFO DE INTRODUÇÃO

Se você tem dificuldades para esboçar uma introdução, tente seguir esta

dica:

Primeiro: tente parafrasear o tema – copiá-lo com outras palavras. Em seguida,

dê seu posicionamento sobre o assunto. Por fim sintetize dois ou três motivos

que servirão nas futuras linhas do texto para defender seu posicionamento.

Ex.:

superpopulação?

CESPE/2008

-

“O

principal

problema

das

megalópoles

é

a

Veja a introdução feita com base no texto acima e comentada em negrito

12

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Uma superpopulação pode trazer sérios problemas para uma cidade

(paráfrase + posicionamento). Um deles é a dificuldade de se planejar o

espaço urbano na mesma velocidade com que cresce a população. O outro

diz respeito à miséria e à violência que aumentam em função de um

crescimento populacional desordenado (argumentos).

Não importa o modo como você fará sua introdução. O importante é que

dois aspectos sejam observados com muito cuidado:

- Primeiramente, num concurso, em razão da necessidade de objetividade, não

aconselho que se faça a elaboração de introduções com informação

generalizada, visto que a banca exige apenas o cumprimento do que foi

proposto. Por isso, vá direto ao assunto.

- Em segundo, não copie o tema. Parafrasear é se remeter à idéia levantada

pelo tema, a partir de novas palavras ou a partir de palavras isoladas do próprio

tema. Logicamente, alguns vocábulos se repetem, mas isso é natural porque

são as palavras-chave da proposta temática, e é bom que elas apareçam

mesmo.

Na aula 02, oferecerei novos modelos introdutórios. Gosto desse modelo

por ser básico, sem invenções e, conseqüentemente, com menores riscos de

haver incoerência. Por isso, sugiro que nas primeiras redações pratiquem esse

modelo.

OS PARÁGRAFOS DA ARGUMENTAÇÃO

Como

expressei,

saber

argumentar

é

fundamentação convincente.

produzir

enunciados

com

Há inúmeros modos de se fazer uma defesa coerente da tese. Platão e

Fiorin, em obra clássica sobre ao assunto, apresentam um conjunto de quatro

recursos argumentativos que podem aumentar o poder de persuasão. Dentre

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estes destaco dois que julgo serem importantes para o emprego nas redações

de concursos:

a. O argumento de autoridade: ocorre quando apoiamos nosso

enunciado numa afirmação de uma autoridade notória sobre o assunto.

b. A comprovação (prova concreta): a verdade que apresentamos ganha

mais consistência quando a ela somamos dados que confirmem sua

validade (números, percentuais em geral, resultados de pesquisa).

À tipologia argumentativa de Platão e Fiorin, eu acrescentaria outros

dois argumentos:

c. O argumento histórico: a história documental, se bem empregada,

pode oferecer-nos boa sustentação argumentativa.

d. A

exemplificação:

exemplos

notoriamente

conhecidos

e

bem

explicados também podem auxiliar-nos no propósito de persuasão.

Como exemplo dessa aplicação de argumentos, postei um trecho de

uma dissertação cujos argumentos baseiam-se em informações técnicas. Na

leitura, observem como o candidato empregou um vocabulário simples e fortes

argumentos de persuasão, elementos facilitam a leitura por torná-la menos

subjetiva e dão respaldo à tese que enuncia o “rápido crescimento da

violência”. Vejam que o redator se valeu de três tipos de argumentos – o de

prova concreta, o de autoridade e o de exemplificação.

Esclareço, porém, que não é preciso adotar para cada defesa uma

tipologia de argumentos. Vocês podem trabalhar com dois tipos ou com um,

por exemplo, mesmo que venham distribuir seu desenvolvimento dissertativo

em quatro parágrafos de convencimento.

Mas, antes, reconheço que argumentos consensuais, baseados no

nosso conhecimento prévio, também são apontados como eficazes nos

manuais de redação. Aqui, não os abordarei em virtude do caráter técnico

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imposto ao texto. Este mesmo caráter técnico tem trazido cada vez mais rigidez

nas correções das bancas, o que se comprova com a formação de Espelhos

avaliativos cada vez menos subjetivos.

Agora, vamos conferir o trecho de redação de que há pouco falei:

“A violência crescente no país

Mesmo com o aumento do apelo da sociedade para se efetive o

combate à violência, esta vem crescendo assustadoramente (tese). As

campanhas da mídia e o surgimento de meios eficazes para o estabelecimento

de denúncia parecem ter pouco efeito sobre o aumento exponencial da

violência.

Nas capitais, São Paulo e Rio de Janeiro, onde se concentram 16% da

população brasileira, registraram-se em 2007 42% de mortes causadas por

arma de fogo. Este número demonstra claramente o crescimento da

criminalidade se comparado com o registro de 38%, apresentado no ano

anterior nestas capitais (argumento de prova concreta).

Para a ONU – Organização das Nações Unidas -, o Brasil é o país que

mais “coleciona” mortes oriundas do uso de armas de fogo (argumento de

autoridade). Infelizmente, nossa imagem, sustentada pela impressão de

sermos um país pacífico nos dias atuais, é manchada pela insistência dos

números da criminalidade urbana, o que parece demonstrar que convivemos

com uma guerra civil rotineira e difícil de ser combatida

Durante o período ditatorial instaurado na década de 60, parte

significativa da violência advinha das relações entre o poder dos que se valiam

da força do Estado e dos que não concordavam com a ideologia coronelista

que censurava a liberdade e os direitos civis da época (argumento histórico).

Hoje, Estado e sociedade tentam, desarticuladamente, combater a violência

que, em sua maioria, “desce o morro” dos grandes centros urbanos e se

espalha por todo o país.”

Como vimos, o texto está cheio de provas argumentativas: números, fato

histórico e uma citação de ONU. Naturalmente, este não é o melhor texto que

li, há problemas em sua composição; ressalto, porém, que não houve para este

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candidato maiores dificuldades para obter bons pontos, pois a redação cumpre

a competência linguística destinada a esta modalidade.

Mas imagino que a esta altura você já deve estar se perguntado: “como

farei na hora da prova para conseguir argumentos fortes como uma prova

concreta ou uma citação de autoridade?”

Se essa é a dúvida, atente-se para estas sugestões:

1ª) O assunto “educação”, por exemplo, aplica-se a quase todos os temas

propostos. Por isso, guarde sempre alguma máxima extraída de uma

autoridade no assunto.

Ex.: “

os

homens se educam em comunhão,

(Paulo Freire)

Também procure sempre ter em mente algum número atualizado sobre

educação, pois eles também fortalecem argumentos que defendem variados

assuntos.

Ex.: segundo números apresentados pela Revista Época, “a taxa de

analfabetismo no Brasil é de 12,6%”.

Agora veja o efeito destes exemplos quando inseridos em textos cujo

tema não aborda diretamente o assunto “educação”:

Proposta temática:

FCC/TRF1/2006. Estamos numa época em que o culto às celebridades parece

ter tornado vergonhoso ser uma pessoa “comum”. O que não parece ocorrer a

ninguém é que, fora o foco da mídia, toda celebridade é uma pessoa comum, e

não há pessoa comum que não seja importante. A questão é reconhecermos,

dentro de nós, a medida de nossa real importância. Ser realmente importante é

ter importância para alguém, sobretudo para si mesmo.

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Escreva uma dissertação sobre o tema apresentado nesse texto, na qual você

argumentará para expor seu ponto de vista.

Numa sociedade, em que 12% da população ainda se encontra analfabeta,

não é de se estranhar que a mídia televisiva impute na maioria das pessoas a

filosofia mercadológica de “celebridade”. Como para a grande massa social

quase inexiste outra fonte de saber, os valores individuais são desconstuídos

em função da valorização, imposta pela mídia, de um padrão de

comportamento cultural

O número sobre educação não é a fundamentação central do assunto,

mas ele embasa a formulação do aspecto persuasivo do parágrafo, por torná-lo

mais convincente ao leitor.

A CONCLUSÃO

Quando terminamos a argumentação e damos início à conclusão, já não

podemos inserir novidades argumentativas. A conclusão indica que chegou o

momento de confirmarmos o que nos propusemos a dizer na introdução e isso

deve ser feito com a mesma objetividade empregada ao longo do texto. Por

essa razão, ficam de fora quaisquer máximas ou clichês subjetivos para

fechamento do raciocínio dissertativo.

Não há muito segredo em se fazer uma conclusão. A ela, como também

ao texto todo, basta a simplicidade. Assim, para concluir uma dissertação basta

iniciá-la com uma conjunção conclusiva, pois é este o papel desse tipo de

conclusão, e, em seguida, sintetizar as idéias do texto. Não invente assuntos

novos na conclusão e não dê a ela um caráter subjetivo, advindo de frases

feitas e outros clichês. Deixei um exemplo de modelo conclusivo:

“Portanto, é possível perceber que através de políticas públicas,

principalmente daquelas provenientes do poder judiciário, o objetivo de se

realizar a prestação jurisdicional democrática, justa e em tempo razoável será

alcançado. Para tanto, basta a implantação de medidas estruturais de cunho

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simplificativo a fim de que a função da justiça cumpra – efetivamente – seu

papel.” (C.S.)

Não conseguimos ver claramente o funcionamento do modelo, porque

precisamos do texto na íntegra, mas nos anexos que acompanharão as aulas

esclareço melhor como funcionam as partes comunicantes, já que nos anexos

faremos o laboratório das correções, por meio de análises e comentários sobre

redações de alunos.

Por hoje, é só. Revisando: na aula de hoje falamos sobre

Princípios como OBJETIVIDADE, CLAREZA, ORGANIZAÇÃO e

LEGIBILIDADE que devem nortear o texto.

Trouxemos um esboço de planejamento de textos, tanto para a

confecção de textos de 30 linhas quanto para a confecção de

textos de 10 linhas.

Estudamos as MODALIDADES textuais, mas demos força à

modalidade DISSERTATIVA, pois precisaremos bastante dela.

Então, caros alunos, aguardem na entrada desta semana próxima o

envio de anexos que contém redações analisadas à luz do que vimos, inclusive

redações já corrigidas pelo Cespe. Também seguirá no anexo 02 algumas

propostas temáticas para que todos possam desenvolver suas redações.

Grande abraço a todos, até a próxima.

Profa. Júnia Andrade

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Tribunal de Contas da União

Técnico de Controle Externo

Redação e Questões discursivas

Aula 02 - Profa. Júnia Andrade

Olá alunos, bom dia!

Fazendo rapidamente um retrospecto da nossa aula 01:

- estudamos as bases do bom texto - princípios como OBJETIVIDADE,

CLAREZA e ORGANIZAÇÃO.

- falamos brevemente sobre duas modalidades: a narração e a descrição.

Estas serão retomadas nas aulas 03 e 04, na medida das nossas necessidades

de desenvolvimento temático.

- falamos bastante da macroestrutura dos textos DISSERTATIVOS.

Enfim, esses foram os destaques da aula 01. E, como vocês já sabem, a

aula 02 abordará uma série de eventos que ocorrem no interior dos textos,

permitindo a comunicabilidade entre as ideias expressas nele, bem como

promoverão a manutenção da unidade textual.

Na verdade, vamos “mergulhar” um pouco no emaranhado de frases

internas aos parágrafos. Trata-se de um estudo entre a macroestrutura (a

grande organização textual) e a microestrutura (a aplicabilidade da

competência gramatical normativa).

Mas, antes de entrarmos na parte técnica desse assunto, vamos

entender um pouco mais por que é importante estudar as estruturas médias do

texto:

Tudo numa redação chama a atenção das bancas. O professor-

examinador possui “olhos” treinados para ler o texto, assim como o

músico não deixa passar aos ouvidos um “imperceptível desafino”. Por

isso é bom ser detalhista quando se estuda redação.

Há na língua, estruturas mínimas da frase capazes de alterar

significados e de promover “acidentes” na coerência das frases. Um

bom conhecimento de conjunções e do significado dos modos e dos

1

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CURSO ON-LINE – REDAÇÃO OFICIAL E QUESTÕES DISCURSIVAS TÉCNICO - P/TCU PROFESSORA: JÚNIA ANDRADE tempos verbais amadurece a relação que o candidato tem com o texto,

o que evita os deslizes imperceptíveis a um “olho menos treinado”.

O cuidado com a boa pontuação, não somente no sentido de saber

quando empregar ou não determinado tipo de sinal gráfico, mas

também no sentido de escolher o ritmo que se quer dar ao texto. Isso é

importante, pois prende a atenção do leitor sobre a informação

veiculada.

O cuidado com detalhes como esses ajuda no contorno das estruturas

ascendentes do texto: suas expressões, frases e parágrafos vão crescendo

modo interligado (coesão); a perfeita ligação entre essas pequenas partes é

ingrediente bem calculado para se atingir uma combinação básica e segura

entre tais elementos (coerência); e uma matemática simples se faz, pois, se

tudo está preso e está em harmonia de significados, tudo o que se escreve

provavelmente terá lógica.

Assim, nesse estudo, aprofundaremos a noção de texto, proporcionada pelo

diálogo entre as grandes estruturas ( introdução, desenvolvimento e conclusão)

para entender como esse diálogo se harmoniza a partir de pequenos

elementos gramaticais capazes de ligar um assunto a outro para proporcionar

lógica à cadeia discursiva. Estudaremos, então, nessa ordem: Coerência,

coesão e anáfora. Os assuntos topicalização e diagramação seguem no anexo

desta aula, que traz também comentários de redações corrigidas. Não fiquem

preocupados, não vou expô-los, apenas comentarei os textos ou passagens

deles para que todos possam visualizar o que podem ou não fazer na hora de

dissertar.

1. A COERÊNCIA TEXTUAL E AS PARTES DO TEXTO

Podemos dizer que há um princípio que rege o texto: a unidade. Um

bom texto, além de outras características que deve apresentar, é aquele cujas

partes se harmonizam em prol de um único propósito, comunicar sua

mensagem principal. A coerência é exatamente a preservação da unidade

textual.

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A coerência é a unidade do texto, em que as partes se completam, sem

gerar contradições

De acordo com o aspecto semântico, ou seja, o que podemos chamar de

sentido, a informação textual vai se complementado desde a relação do título

(se houver na redação) com o parágrafo introdutório e com a totalidade textual;

da tese textual com seus argumentos; da introdução com a conclusão ou dos

argumentos com a conclusão; de um período textual com seus períodos

vizinhos, de uma oração com outras orações e da totalidade de nossas

escolhas lexicais (vocabulário). O texto coerente e coeso é esse emaranhado

de relações, e não há como ser diferente.

Podemos dizer que a coerência tem seu início a partir da relação entre

o tema proposto e a redação em si.

E é nesse ponto que começa um drama para muitos que não se

familiarizam com a produção de provas discursivas: depreender a proposta

temática e manter até o fim do texto essa depreensão.

Não é novidade, pois está claro no edital que fugir ao tema é anular

qualquer chance de obter pontos na redação. Motivos de fuga à proposta têm

“não

sei falar sobre o assunto”. Porém esses fatores são condicionantes que

escapam ao texto. Hoje é praticamente unanimidade entre as bancas deixarem

textos-base que podem ajudar o redator, porque oferecem uma “luz” sobre o

tema. O Cespe, por exemplo, prefere oferecer ao candidato temas simples que,

mesmo sendo técnicos, são conceitos, caracterizações, etc. de assuntos de

conhecimento seguro do candidato. Mas essa simplicidade de oferta tem um

preço alto: ao se deparar com tema “fácil”, o candidato tende a errar mais, na

medida em que se sentirá livre para falar no texto “o que quiser”. O resultado

origem variada, nervosismo, pressa, insegurança ou até mesmo o óbvio,

disso, você já deve estar imaginando. Por isso, é estudar redação, pois isso

significa disciplinar-se para escrever o necessário com clareza.

Mas voltando à história dos textos de apoio, aqueles que a banca nos

oferece de vez em quando para nos trazer inspiração: logicamente, em muitas

CURSO ON-LINE – REDAÇÃO OFICIAL E QUESTÕES DISCURSIVAS TÉCNICO - P/TCU PROFESSORA: JÚNIA ANDRADE provas vem expresso o enunciado que proíbe cópias de qualquer passagem

dos textos de apoio, mas ninguém pode alegar que terá que começar do nada.

Os textos de apoio dão “aquela mão” para atenuar a sensação de “deu branco”.

Se há esse apoio, por que, então, ainda se corre o risco de zerar uma redação

em concurso?

Vejo resposta na dificuldade que as pessoas têm para ler. Normalmente

muitos interpretam enunciados na íntegra em vez de se preocuparem com

pormenores da estrutura frasal. O que quero dizer é que mais se deduz o que

está escrito do que se entende de fato o que está ali na sentença proposta. Por

causa disso, alguns candidatos podem zerar a prova ou apresentar deficiências

argumentativas graves.

Exemplificam isso dois casos interessantes. Um deles, muito famoso,

ocorreu no vestibular, se não estou enganada, da Cândido Mendes: o tema

pedia para “falar sobre a importância do lazer”, mas cerca de 80% dos

candidatos entenderam “laser”.

No âmbito dos concursos atuais, muitos candidatos além de fugirem ao

tema, acabam escrevendo demais, ou seja, entrando em assuntos que a banca

nem sequer mencionou. Desse modo, algumas redações perdem muitos

pontos na abordagem temática porque extrapolam respostas e deixam a

informação importante deficiente de argumentos.

Nas avaliações da Cespe, essa abordagem tangencial pode custar um

alto valor às redações dos candidatos. Pois a distribuição dos pontos de

abordagem varia conforme a modalidade. Há três modos comuns de banca

sugerir seus temas:

- modalidade de exposição simples: ocorre quando a banca oferece uma

proposta temática única e pede apenas para os candidatos dissertarem sobre o

assunto.

- Modalidade de dissertação argumentativa: comum nas provas quando

a banca solicita ao candidato um posicionamento.

- Modalidade de exposição com tema único seguido de dois, três ou

quatro

ser

aspectos.

Quando

a

banca

expõe

um

tema

que

deve

complementado por aspectos. Chegamos a um modelo interessante, como

vocês já viram nas propostas temáticas do 1º anexo de redações. Esse modelo

CURSO ON-LINE – REDAÇÃO OFICIAL E QUESTÕES DISCURSIVAS TÉCNICO - P/TCU PROFESSORA: JÚNIA ANDRADE consome muitos pontos, em média, a depender do número de aspectos,

consome 60% da pontuação da abordagem temática.

Esses 60% são divididos, em geral, igualmente entre esses três ou

quatro aspectos. Por isso uma abordagem clara e pontual desses aspectos é

necessária para que o examinador perceba a clareza de exposição desses

elementos. Por outro lado, quando a banca não explicita o aspecto mencionado

em forma de assunto, elementos textuais passam a contar pontos na avaliação

É o que ocorre com os dois primeiros modelos

da macroestrutura textual.

temáticos.

O primeiro desses elementos macrotextuais diz respeito à coerência; os

dois

seguintes,

à

coesão.

Naturalmente,

neste

último

caso,

também

avaliação da coerência, mas neste ponto importa verbalmente como esta

coerência se manifestará. O conjunto coerência e coesão no Cespe é avaliado

com o nome de lógica do desenvolvimento argumentativo.

Então, pessoal, muita atenção ao assunto da aula 02, pois erros

cometidos nessa área textual significam exclusão do concurso.

Uma boa leitura da proposta temática é o início para o estabelecimento

de uma corrente textual lógica e harmônica.

Por isso, sempre leiam a proposta temática, grifando palavras-chave.

Também se atentem para situações de proibição e de necessidade expostas

pela banca. Por fim, usem o rascunho para esboçar sua meta, seus objetivos

para que vocês saibam exatamente aonde querem chegar com seu texto.

1.1TÍTULO E COERÊNCIA

Há pouco falamos sobre o caráter da unidade que um texto deve ter. Esse

caráter sempre será lembrado enquanto estivermos trabalhando com a

macroestrutura da dissertação – a introdução, o desenvolvimento e a

conclusão.

Começamos, num concurso, uma dissertação pelo título ou já no parágrafo

introdutório. Como já disse, isso fica a cargo da escolha de quem escreve, e já

CURSO ON-LINE – REDAÇÃO OFICIAL E QUESTÕES DISCURSIVAS TÉCNICO - P/TCU PROFESSORA: JÚNIA ANDRADE mostrei que não há mal algum em colocar título num texto ou simplesmente

não usá-lo. Gosto de lembrar que o título faz parte da contagem das linhas,

logo ele poderá ser usado estrategicamente a depender da situação de quem

escreve seu texto.

Usar um título é válido, se houver coerência entre ele e o texto. Às

vezes, encontramos matérias jornalísticas com títulos um tanto curiosos que

podem esconder textos surpreendentes, mas esse não é o caso da

dissertação.

Textos dissertativos exigem objetividade e racionalismo, por isso seus

títulos devem estar despidos dessa intenção criativa de tônus subjetivo. Sua

coerência em relação ao texto que escreve dar-se-á no momento em que a

apresentação do título possa adiantar algo do que está no conteúdo da

redação. Há falhas comuns, que podem acarretar perdas pequenas, decimais,

na apresentação de títulos. Os motivos seriam os seguintes:

Títulos incoerentes seriam os que

- servem como convites falsos, diz-se algo diferente do que está no texto.

- são extensos, aparentado ser mais um parágrafo.

- estão grifados, estão sob aspas ou terminam em ponto final; são

incoerentes com a exigência do edital. Tais títulos podem anular uma

redação.

- são vagos quanto ao significado.

Confira essas falhas no anexo desta aula. Mas voltamos à questão: “o

que faço, então, para dar à minha redação um título coerente?”

A resposta é a essa pergunta é simples: procure extrair do tema

palavras-chave que você possa aproveitar no título, de modo que estas já

adiantem o seu posicionamento quanto à proposta (isso principalmente no caso

de uma redação argumentativa). Dê um título curto e centralizado a seu texto,

não salte linha entre título e texto, em razão da contagem de linhas. Também

poderá figurar como título a elaboração de uma pergunta que deverá ser

respondida ao longo da redação.

CURSO ON-LINE – REDAÇÃO OFICIAL E QUESTÕES DISCURSIVAS TÉCNICO - P/TCU PROFESSORA: JÚNIA ANDRADE 1.2 PARÁGRAFO INTRODUTÓRIO E COERÊNCIA

O parágrafo de abertura de um texto, se bem escrito, poderá nortear a

leitura do corretor. Por isso, sua confecção deve ser feita de modo claro e

objetivo, procurando sempre expor a posição do candidato em relação ao tema

e sintetizar o que futuramente seguirá nas linhas do desenvolvimento textual.

Fatores diversos motivam a incoerência logo na introdução do texto, mas todos

com um ponto em comum: falta de objetividade.

Posso dizer que é obrigatório ser objetivo quando se introduz um

texto. Não há floreios, exposições gerais sobre o assunto, apresentação de um

histórico sobre o tema, etc. Nada disso, substituirá o caráter racional da

dissertação e sua conseqüente exigência de clareza e precisão. Um

parágrafo introdutório vago custará muito à nota final do candidato, pois haverá

em seu texto linhas de pouca representatividade para o cumprimento efetivo do

tema.

Meios de se fazer uma introdução podem ser variados, mas

devemos, sobretudo, manter sempre a objetividade. A seguir, listo algumas

sugestões colhidas em alguns manuais que poderão servir para inspirá-los,

vejam quais irão proporcionar mais segurança na hora de redigir e trabalhem

bastante com eles:

1. Introdução básica ou comum: esse tipo de introdução consiste em

uma apresentação resumida da tese que se quer apresentar. Pode-se

parafrasear o tema e continuar a introdução com o seu posicionamento

particular sobre o mesmo.

2. Introdução básica com enumeração de argumentos: considero este

uma boa escolha, em virtude de se aproveitar em todas as partes da

redação a totalidade da proposta temática. Esse tipo de introdução

começa com a apresentação da tese, seguida de dois ou três

argumentos sintetizados. É importante frisar que ao se fazer esse tipo de

introdução, o candidato será obrigado a apresentar os argumentos

organizadamente desenvolvidos nos parágrafos seguintes, já que ele

preparou seu leitor para isso.

CURSO ON-LINE – REDAÇÃO OFICIAL E QUESTÕES DISCURSIVAS TÉCNICO - P/TCU PROFESSORA: JÚNIA ANDRADE 3. Introdução básica seguida de pergunta retórica: perguntas fazem

bem a um texto, desde que sejam bem formuladas. Elas servem para

orientar o leitor que, por sua vez, tende a buscar resposta textual para

ela. Um parágrafo de introdução pode ter uma ou várias perguntas para

serem respondidas ao longo do texto.

No anexo desta aula, acompanhe exemplos dessas formulações

introdutórias e também exemplos de incoerências cometidas por candidatos

na introdução de suas redações.

1.3 A COERÊNCIA E O DESENVOLVIMENTO DO TEXTO

Os parágrafos seguintes à introdução, conforme já vimos, portam o

conteúdo do desenrolar dissertativo. Neles estarão idéias concernentes à

explicação mais aprofundada do assunto abordado na introdução ou estarão

os meios mais eficazes de persuasão encontrados pelo candidato.

Porém, é nesse mesmo espaço que incoerências também podem surgir,

na medida em que, por descuido, um candidato produz argumentos que

podem destoar da tese que ele apresentou ou que podem causar entre si

relações de oposição mal formuladas.

É comum, quando estamos na defesa de alguma idéia, fazermos, por

exemplo, uma ressalva, para evitar que exponhamos nossas idéias com

radicalismo. Mas devemos saber de antemão que ressalvar é fazer uma

oposição leve a fim de que venhamos a reconhecer parcialmente a

importância do outro lado, não defendido por nós. Mas assim que

terminamos uma ressalva, devemos reforçar nossa idéia, considerando-a

melhor se comparada ao seu oposto. Vejam o exemplo:

“Embora o estado esteja constantemente tomando medidas para dirimir

a violência do dia-a-dia, estas não se mostram eficazes o suficiente para que

ganhem a confiança da sociedade. Seria preciso exigir das autoridades a

formulação de estratégias claramente planejadas para se conter, com

responsabilidade, parte das ações criminosas que assolam os grandes

centros urbanos.”

CURSO ON-LINE – REDAÇÃO OFICIAL E QUESTÕES DISCURSIVAS TÉCNICO - P/TCU PROFESSORA: JÚNIA ANDRADE Observando o exemplo, notamos que o redator, em seu posicionamento,

deixa claro que o Estado não consegue conter a violência nos grandes

centros. Todavia, o redator reconhece que existe certo controle, porém

precário. Por isso, abre essa ressalva apenas para se preparar

estrategicamente a fim de mostrar a pouca eficácia do controle estatal.

Aconselho àqueles ainda inseguros para a produção de redações que

escrevam com simplicidade, mesmo sem ressalvas, pois estas requerem do

candidato domínio de conjunções concessivas e da relação que os

parágrafos e períodos manterão com a própria ressalva.

1.4 A CONCLUSÃO E COERÊNCIA

A conclusão é parte do texto perigosa quanto à formulação de

incoerências. Infelizmente, muitas vezes, encontramos redações muito bem

escritas, cujas conclusões anulam todo um trabalho bem feito.

Erros graves assim são cometidos em virtude de fatores que vão desde

o emprego do conector errado na introdução da conclusão à radical

mudança de postura do candidato quanto ao tema, justamente no fim do

texto:

O

problema é que esta conjunção tem valor de oposição, sua aplicação

pode anular o que se disse antes. Há outras redações que finalizam o

texto com uma pergunta para a qual não há resposta no próprio texto.

Isso seria outra incoerência, porque a dissertação é um texto de caráter

há redações que iniciam sua conclusão com a conjunção “contudo,

”.

informativo, avesso, portanto, a digressões.

Para se fazer uma conclusão segura, é preciso usá-la apenas para ratificar

informações que já estavam presentes na introdução, já que a função do

parágrafo conclusivo é reafirmar a posição do redator diante do tema.

1.5 AS ESCOLHAS LEXICAIS E A COERÊNCIA

Fator sério que pode causar incoerência grave seria o mau emprego

vocabular. Há candidatos que, não dominando o sentido preciso de certas

CURSO ON-LINE – REDAÇÃO OFICIAL E QUESTÕES DISCURSIVAS

TÉCNICO - P/TCU PROFESSORA: JÚNIA ANDRADE da língua, empregam vocábulos incorretos ou impróprios no

contexto com que trabalham. Nos concursos, geralmente, o mau emprego de

expressões

expressões é causado pela desatenção ou pela ousadia. Vejam no exemplo

seguinte:

com “

vem diminuído bastante

a aplicação de leis mais rigorosas, a queda dos acidentes de trânsito

Perceberam o que o candidato escreveu? O que ele quis dizer é o

número dos acidentes no trânsito vem diminuindo, mas escreveu o contrário.

Cometeu o candidato, mesmo sem querer, uma grave incoerência.

Algumas conjunções, por falta do conhecimento de suas devidas

funções acarretam erro também quando mal empregadas. Caso famoso é o da

conjunção “posto que”. Esta conjunção tem valor concessivo, ou seja, é

empregada para se fazer oposição, por isso não pode servir para comportar

uma justificativa. Muitos, porém, associam suas idéias a situações como a

presente no primeiro exemplo:

“Exportamos mais posto que diversas medidas foram tomadas para dar

credibilidade aos nossos produtos.” (erro)

“Exportamos mais posto que diversas medidas não sejam tomadas para dar

credibilidade aos nossos produtos.” (correto)

Para evitarmos ciladas do próprio vocabulário, será de grande valia que