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A MATEMÁTICA DA BELEZA 1

RESUMO

A fim de conhecer como a Matemática se manifesta em um grupo profissional específico, desenvolvemos o presente estudo com o objetivo de destacar habilidades e conhecimentos matemáticos presentes na atividade dos profissionais da beleza na realização de um corte de cabelo, ainda que usados intuitivamente. A relevância deste trabalho reside na possibilidade de subsidiar os profissionais desta área, bem como os professores de Matemática, para que possam se apropriar dele, utilizando-o em suas atividades – o profissional da beleza aprimorando o seu trabalho e o professor contextualizando o ensino em sala de aula.

Palavra-chave: Contextualização. Ensino da Matemática. Engenharia do corte.

1. INTRODUÇÃO

Na atualidade, conhecimentos matemáticos têm sido requisitados para a admissão nas principais instituições de ensino, bem como na maioria das ocupações profissionais. Isso decorre da presença desta área do conhecimento nas mais diversas esferas da vida, seja acadêmica ou social. De acordo com os Parâmetros Curriculares Nacionais (BRASIL,

1999),

Não existe nenhuma atividade da vida contemporânea, da música à informática, do comércio à meteorologia, da medicina à cartografia, das engenharias às comunicações, em que a Matemática não compareça de maneira insubstituível para codificar, ordenar, quantificar e interpretar compassos, taxas, dosagens, coordenadas, tensões, freqüências e tantas outras variáveis houver (p. 22).

De fato, encontramos a presença da Matemática, seja por meio de suas noções elementares ou pela presença de seus elementos mais avançados, nas mais diferentes profissões, entre elas, Administração, Arquitetura, Geologia, Odontologia, e observamos que o sucesso dos profissionais destas áreas depende em parte de um bom domínio dos conteúdos matemáticos. Todavia, diversas profissões, mesmo aquelas que não são desenvolvidas nas universidades também exigem conhecimentos matemáticos, tais como a de cozinheiros, pedreiros e de profissionais da beleza.

Em relação aos profissionais da beleza, temos percebido um interesse pela profissionalização com vistas a atender um mercado crescente, decorrente do desejo de homens e mulheres de melhorarem sua aparência estética. Há alguns anos, a vaidade era vista como um comportamento somente do sexo feminino, porém nos dias de hoje a preocupação dos homens com a aparência física também cresceu muito, deixando de lado preconceitos. Assim homens e mulheres ampliam cada vez mais esse universo da beleza.

Esse interesse pode ser resultado da cultura do consumo, da moda e de tendências que o mercado da beleza impõe, tanto aqui no Brasil como em qualquer lugar do mundo. Uma

das preocupações ligadas à estética refere-se ao tratamento dos cabelos e do uso de diferentes tipos de cortes, que mudam ano a ano, obedecendo a padrões culturais e/ou de consumo.

Em relação aos profissionais da beleza que lidam com tratamentos de cabelos, muitos não

tiveram a oportunidade de aprender todo o processo da “engenharia de corte” (ALVES, 2006), que é a área desta profissão que capacita para a realização de penteados e cortes de cabelo, cujo aprendizado pode acontecer em centros especializados. Todavia, muitos

desses profissionais fazem usos dos processos da engenharia do corte de forma intuitiva, explorando, entre outros conhecimentos, noções matemáticas. Essa Matemática foi denominada por Posner (1982) como informal, pois sua transmissão e aprendizado ocorrem fora do sistema de educação formal, todavia, conta com os mesmos processos cognitivos.

Atualmente percebemos a importância que é dada aos saberes trazidos pelos alunos, vivenciados em seu dia-a-dia. Estes saberes retratam a verdadeira realidade dos educandos mostrada através de tarefa simples como andar de bicicleta ou subir uma escada. Estes exemplos, explorados sob diversos pontos de vista, podem apresentar significações matemáticas. Nesse sentido, cabe às instituições escolares aproveitarem esses saberes do cotidiano para transformá-los em saberes científicos.

Ressalta-se que as escolas ainda não desenvolveram habilidades para aproveitar esses saberes, e isso decorre dos modelos curriculares adotados para o ensino da Matemática. Quanto a este aspecto, D’Ambrósio (1985) nos diz que a partir da década de 70, com o “fracasso” das Matemáticas Modernas muitas correntes educacionais surgiram indicando novas formas de apresentar a Matemática, tratando-a como um conhecimento universal e construído a partir das experiências culturais dos povos. Com isso, passou-se a valorizar o conhecimento que o aluno traz para a sala de aula, proveniente do seu social. Os educadores matemáticos voltaram seus olhares para este outro tipo de conhecimento: o do vendedor de rua, dos pedreiros, dos artesões, dos pescadores, das donas de casas na suas cozinhas, etc. Todavia, essas práticas ainda não estão consolidadas e muitos professores ainda tratam a Matemática como uma área estática, sem a possibilidade de incorporar o conhecimento popular em suas atividades.

A essa

Etnomatemática (D’AMBRÓSIO, 2001).

Matemática

que

é

própria

de

determinadas

culturas,

foi

chamada

de

Para a realização deste estudo foram feitas visitas em três Centros de Educação Profissional na área da beleza, nos quais entrevistamos professoras responsáveis por cada um deles abordando a presença da Matemática na atividade do profissional da beleza, especialmente dos cabeleireiros. A primeira entrevistada foi à professora Ana Alves, do Fernando Alves Hair Academy, no Plano Piloto, em seguida a professora Maria Auxiliadora, do Senac/Plano Piloto, e por último a professora Nilza Soares, também do Senac, porém da unidade de Taguatinga. Além das entrevistas foram consultados materiais impressos utilizados nos cursos de formação de cabeleireiro a fim de identificar as noções matemáticas exploradas no processo de formação destes profissionais.

O trabalho está estruturado da seguinte forma: inicialmente apresentamos algumas

considerações acerca do que foi denominada engenharia do corte para em seguida explorar

os conhecimentos matemáticos presentes nesta área, especialmente as noções geométricas

envolvidas. Serão apresentadas ilustrações para indicar como a matemática se faz presente

na atividade do cabeleireiro e também trechos das entrevistas realizadas.

2. GEOMETRIA E A ENGENHARIA DO CORTE

Apesar de Alves (2006) não apresentar uma definição para engenharia do corte, seu trabalho evidencia que se refere a um conjunto de técnicas utilizadas pelo profissional cabeleireiro para executar o seu trabalho, fundamentado em princípios matemáticos, especialmente geométricos, envolvendo ângulos, simetria, proporção entre outros. As ilustrações apresentadas em seu material descrevem como estes elementos matemáticos são importantes para a execução de um trabalho com qualidade. Como dito inicialmente, o material não faz uma apresentação formal da matemática presente na atividade profissional. Todavia, noções de geometria são necessárias para a execução do trabalho do cabeleireiro.

Quando falamos na presença da geometria no trabalho destes profissionais, estamos nos referindo ao ramo da Matemática que estuda os pontos, linhas, sólidos, examinando suas propriedades, medidas e relações mútuas no espaço (Dicionário Saconni da Língua Portuguesa).

A importância de se ter conhecimentos de geometria justifica a presença desta área no currículo escolar e os Parâmetros Curriculares Nacionais recomendam que o seu ensino seja fundamentado nas situações do cotidiano. Segundo esses Parâmetros,

É fundamental que os estudos do espaço e forma sejam explorados a partir de objetos do mundo físico, de obras de arte, pinturas, desenhos, esculturas e artesanato, de modo que permita ao aluno estabelecer conexões entre a Matemática e outras áreas do conhecimento (BRASIL, 1998, p. 51).

No caso do trabalho dos profissionais da beleza que executam cortes de cabelo, a Geometria é considerada uma importante ferramenta, pois, o cliente ao sentar-se à cadeira, o profissional que realizará o corte é obrigado a fazer o estudo inicial, um trabalho de percepção profissional que exige conhecimentos referentes às formas geométricas, reconhecendo, por exemplo, rostos arredondados, ovais, etc., para produzir o melhor corte de cabelo para cada tipo de cliente. “Diz a estética que o rosto oval é o rosto perfeito. Mas todo mundo sabe que beleza não quer dizer perfeição. O trabalho é feito para realçar o que é bonito, modificar com arte as imperfeições da natureza” (SENAC, 2006, Pág. 9). Assim, a Matemática entra em ação para possibilitar explorar a forma humana na busca da melhor aparência.

Destacamos que alguns pesquisadores já procuraram mostrar a presença de padrões matemáticos no corpo humano e que estes podem ser utilizados como recurso didático para o ensino da Matemática. Coelho (2006), por exemplo, além de evidenciar esses padrões, destacou a importância da Matemática na percepção estética, pois, segundo a autora, “o corpo tem uma certa simetria, ocupa espaço, tem peso e seus membros movem-

se de acordo com certas regras” (p. 221). A autora destaca ainda, na busca por medidas

perfeitas, a observação da proporcionalidade entre partes do corpo, cuja razão é expressa por meio do número de ouro ou pelo número da secção dourada. A figura abaixo ressalta

a percepção de simetria nas linhas configuradas neste rosto.

percepção de simetria nas linhas configuradas neste rosto. O rosto torna-se uma das partes do corpo

O rosto torna-se uma das partes do corpo humano que mostra a existência de uma certa simetria, porque ocupa espaço e tem peso; seus membros movem-se de acordo com certas regras. Vale uma visita às medidas do rosto, sua geometria, relações entre essas medidas, como por exemplo, nos cânones da beleza.

O homem não se satisfaz com impressões, desconfiando de sua própria intuição e, não

conseguindo explicar a beleza por critérios literários, procurou uma lei matemática que

regesse a beleza universal. Foi então que se orientou para as proporções. Se a harmonia não

se mede, o mesmo não sucede com a proporção, que é mensurável, servindo de medida aos escultores, aos desenhadores, aos arquitetos, e que venha servir a beleza.

3. APLICAÇÕES MATEMÁTICAS

A seguir mostraremos algumas aplicações de conceitos matemáticos presentes nas técnicas

de corte de cabelo ensinadas em centros de formação de profissionais da beleza. Destacaremos conceitos relativos à geometria, tais como simetria, medidas e ângulos. Tais conceitos serão exemplificados por meio de figuras presentes nos materiais didáticos do curso de Cabeleireiro - Apostila Junior 6 e 8 meses (ALVES, 2006).

Nesta apostila, as técnicas são apresentadas por meio de vocabulário especifico relativo ao trabalho do cabeleireiro, todavia, de fácil compreensão. A esse vocabulário estão associados termos matemáticos de uso no campo da Geometria. A fim de harmonizar esses dois campos, a apostila apresenta os conhecimentos preliminares para realização de um corte de cabelo, inserindo a seguir figuras para ilustrar a representação geométrica da “Engenharia de Corte”, destacando algumas partes destas figuras, desconectando-as em pontos de referência, tais como verticais, diagonais superiores, diagonais inferiores e horizontais.

Segundo Ana Alves, uma das entrevistadas deste estudo e responsável pelo curso de cabeleireiro do Fernando Alves Hair Academy, “a engenharia de corte é um termo usado para designar um conjunto de técnicas que servem de base para todos os tipos cortes”. Nestas técnicas, as noções de desconexões fundamentais são importantes, pois indicam linhas de corte que serão seguidas e que estas se apresentam sob formas geométricas. Tendo essas linhas como referência, o profissional deve posicionar as mãos para segurar os cabelos a partir de um ponto referencial, no alto da cabeça. Seguindo as linhas verticais,

procederá ao corte do cabelo que está à frente da cabeça. Observando as diagonais superiores e inferiores, do centro para as laterais e a parte posterior da cabeça, ele irá cortar

o restante do cabelo. Ao final do corte, o profissional deverá ter uma visão precisa, como se planificasse a forma do cabelo, de modo a verificar se o mesmo possui simetria em relação

à linha que divide a cabeça ao centro. Para realizar cortes em formas não padronizadas

(penteados especiais), estas mesmas orientações deverão ser seguidas, adaptando-as para atender aos desejos dos clientes.

A seguir mostraremos uma ilustração da Apostila Júnior 6 e 8 meses, destacando as desconexões fundamentais que devem ser observadas para a realização de corte de cabelo.

devem ser observadas para a realização de corte de cabelo. Figura 1 – Desconexões Fundamentais da

Figura 1 – Desconexões Fundamentais da Engenharia do Corte (Alves, 2006, p. 13)

A Figura 1 nos mostra o traçado geométrico que o profissional deve fazer mentalmente para executar o seu trabalho. Ele deve realizar um processo mental de divisão da cabeça, como ilustrado, observando diferentes ângulos a partir dos quais procederá ao corte. Observamos também, nesta figura, o destaque dado à simetria a partir de um ponto de referência, destacada no formato do rosto. Ao observar os pontos destacados, o profissional associará três elementos indispensáveis para o sucesso do seu trabalho: visão, precisão e arte.

A observação da Figura 1 nos permite dizer que o profissional da beleza deve possuir uma boa habilidade espaço-visual, considerada fundamental para perceber padrões matemáticos e regularidades. Essas habilidades podem se desenvolver naturalmente, todavia, o estímulo recebido por meio da instrução formal poderá proporcionar avanços significativos no desenvolvimento destas habilidades. Associado à percepção espaço-visual desenvolvem-se competências para realizar estimativas e medidas, também fundamentais para o trabalho do cabeleireiro. Ressalta-se que essas habilidades não necessariamente serão desenvolvidas por mediação da escola, todavia esta pode potencializar esse desenvolvimento.

Quanto à questão da simetria, ressaltamos que do ponto de vista matemático, o seu estudo é realizado por meio da observação das transformações dos objetos. Segundo Devlin (2002, p. 152),

Para o matemático, uma transformação é um tipo especial de função. São exemplos de transformações as rotações, as translações, as reflexões, os alongamentos ou encolhimentos de um objecto. Numa figura, a simetria consiste numa transformação que mantém a figura invariável na medida em que, depois de submetida a essa transformação, mantém, globalmente, o seu aspecto inicial, embora alguns de seus pontos possam ser deslocados em conseqüência da mesma.

O trabalho do cabeleireiro é, na maioria das vezes, um trabalho de modificação de um penteado que consiste na manutenção da forma, porém alterando as dimensões. Isso aproxima o seu trabalho ao do matemático, ainda que o faça de forma intuitiva e sem a precisão com a qual o matemático planejaria o seu próprio trabalho.

Na Figura 2, observamos a indicação da divisão da cabeça, de forma didática, que possibilita a compreensão de como repartir os cabelos no momento do corte, tendo como fundamento noções geométricas. Esse tipo de figura pode despertar no profissional aprendiz noções matemáticas utilizadas no estudo das formas. Ressaltamos que “a geometria tem por objetivo estudar as formas (de objetos ou figuras), estabelecer relações entre as medidas de suas partes e estabelecer relações entre figuras diferentes”. (Iezzi et al., 2000, p. 83). Vejamos a Figura 2:

diferentes”. (Iezzi et al., 2000, p. 83). Vejamos a Figura 2: Figura 2 – Desconexão Básica

Figura 2 – Desconexão Básica (ALVES, 2006, p. 18)

A Figura 2 mostra o processo de divisão dos cabelos, para que os profissionais visualizem a importância da simetria na realização de um corte.

As Figuras 3.1 e 3.2, mostram etapas de corte de cabelo em estilo chanel com um acabamento em base reta. A pretensão desta imagem é mostrar a divisão correta dos cabelos das clientes, de modo, que execute o corte, de forma gradativa, a dar inicio por onde foi pontilhado e que sigam as paralelas, mexa por mexa, para que ao final, consiga total simetria.

mexa por mexa, para que ao final, consiga total simetria. Figura 3.1 – Visual Parietal Esquerda

Figura 3.1 – Visual Parietal Esquerda (ALVES, 2006, Pág.32).

A partir de sucessivas divisões dos cabelos em sessões do tipo visual parietal, em ambos os lados da cabeça, chega-se ao corte perfeito, isto é, com simetria e proporção adequada à cliente. Estas proporções estruturam o rosto, por exemplo, se a distância da base do queixo . Do mesmo modo, se tomarmos como a distância desde a fenda bucal até a base do queixo, deveríamos obter desde a base do nariz até a fenda bucal, e assim sucessivamente nas diversas relações entre os vários segmentos.

Como podemos observar a Figura 3.2 que nos mostra com detalhe o corte já finalizado, vista de perfil.

nos mostra com detalhe o corte já finalizado, vista de perfil. Figura 3.2 – Resultado Final

Figura 3.2 – Resultado Final (ALVES, 2006, Pág.30).

Para cortar os cabelos da parte frontal da cabeça, o profissional deverá realizar desconexões verticais. Essas desconexões podem ser visualizadas na Figura 4.

Essas desconexões podem ser visualizadas na Figura 4. Figura 4 – Desconexão Vertical (ALVES, 2006, p.

Figura 4 – Desconexão Vertical (ALVES, 2006, p. 20)

A figura 4 mostra uma representação gráfica da cabeça, destacando pontos de referência

frontal com fios de cabelo com comprimentos diferenciados, por meio dos quais podem-se realizar diversos desenhos frontais, dando ênfase aos detalhes no aparecimento de ângulos, também diferentes, em todo os pontos. Podemos fazer uma leitura concreta dessas imagens, que nos leva a concepções da existência de vários pontos que traçam linhas distintas, com a formação de ângulos diferentes para cada mexa de cabelo cortado. A separação de mexas leva a construção de linhas, que nos remetem a retas e semi-retas, de mesma origem, isto é, o ponto de referencia utilizado como base para o corte.

é, o ponto de referencia utilizado como base para o corte. Figura 5 – Degradada Intensivo

Figura 5 – Degradada Intensivo (ALVES, 2006, p. 21).

A Figura 5 nos mostra desenhos gráficos, um de perfil lateral e outro frontal, e em seguida,

um profissional, fazendo a aplicação de medidas na realização de um corte de cabelo, medidas que são usadas de maneiras intuitivas, porém, consiste na necessidade de seguir

padrões.

Figura 6 – Degradada Interno ( ALVES, 2006, p. 22). A Figura 6 mostra imagens

Figura 6 – Degradada Interno (ALVES, 2006, p. 22).

A Figura 6 mostra imagens que acentuam a exploração de medidas, conseqüentemente com a formação de diversos ângulos, vistas de frente e lateral.

formação de diversos ângulos, vistas de frente e lateral. Figura 7 – Degradada Intermediário (ALVES, 2006,

Figura 7 – Degradada Intermediário (ALVES, 2006, p. 23).

A Figura 7 apresenta desenhos gráficos, lateral e frontal, que destacam o aparecimento de arcos na manipulação do profissional ao realizar cortes de cabelos. “Arco de circunferência é cada uma das partes em que uma circunferência fica dividida por dois de seus pontos”. (Giovanni et al., 2002, p. 245)

4. OS PROFISSIONAIS DA BELEZA E A MATEMÁTICA

A fim de conhecer se os profissionais da beleza têm a percepção da presença da

Matemática em seu trabalho, foram realizadas entrevistas com as professoras, Ana Alves,

Maria Auxiliadora e Nilza Soares, instrutoras em cursos de cabeleireiro.

As entrevistas abordaram questões relativas às atividades que os aprendizes da profissão irão desempenhar e questões relativas às habilidades que necessitam desenvolver. Em relação ao nosso tema de investigação, destacamos que foram investigados aspectos ligados a aplicabilidade de conteúdos matemáticos, tais como geometria, simetria, medidas e ângulos, nos cursos por elas ministrados.

Ana Alves que ministra o curso de cabeleireiro (Junior 6 e 8 meses), no Fernando Alves Hair Academy, ressaltou a importância da Matemática na profissão do cabeleireiro, especialmente para os profissionais que realizarão cortes de cabelo. Destacou também que estes profissionais devem ter conhecimentos matemáticos para manipular produtos químicos que serão utilizados na tintura e em outros tratamentos de cabelo, devendo esses profissionais ter noções de proporção e leitura de medidas, especialmente relacionada a capacidade e volume.

As

outras entrevistadas, Maria Auxiliadora e Nilza Soares, que trabalham no SENAC, uma

no

Plano Piloto e a outra em Taguatinga, e que ministram o curso Cabeleireiros 240 horas,

também tiveram o mesmo posicionamento, deram enorme relevância aos conteúdos matemáticos, em especial a geometria. Elas informaram que um bom conhecimento e/ou percepção espaço-visual é fundamental para aqueles que realizam coloração de cabelos, especialmente quando fazem coloração de mexas, para que estas não fiquem desproporcionais, acarretando na distribuição desigual das cores que comporão o penteado.

CONCLUSÃO

A busca de uma educação diversificada depende da imaginação e de uma contextualização do educador para com seus educandos. Portanto, com intuito de mostrar que é de fundamental importância os estudos sobre a Matemática na profissão de cabeleireiros, e que sejam explorados a partir das técnicas usadas nos Centros de Educação Profissional, buscamos mostrar que as noções matemáticas podem ser aplicadas de uma forma contextualizada e ainda facilitar a compreensão de conteúdos desta área do conhecimento, como mostrado nos exemplos apresentados neste trabalho.

Sendo assim, na busca de evidências que possam destacar habilidades e conhecimentos matemáticos relacionados com os profissionais da beleza, ainda que usados intuitivamente, tivemos a preocupação no processo de elaboração deste trabalho, demonstrar dados, imagens e informações relevantes, que deixaram elucidadas as percepções de que estes profissionais realmente fazem uso sistemático dos conteúdos matemáticos no dia-a-dia de sua profissão. Portanto, é de extrema importância que professores de Matemática venham introduzir em suas aulas exemplos contextualizados, podendo para isto, explorar as atividades dos profissionais da beleza. Mostramos assim, que o cotidiano de um cabeleireiro em suas atividades, pode ser usado em diversos conteúdos matemáticos, como formas de

exemplificação mais acessíveis ao entendimento dos educandos, como são feitos com outras profissões.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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