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História Insulana - António Cordeiro

História Insulana - António Cordeiro

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m

H

I

ULANA
DAS
no Oceano Occidental,
da

S

ToRI

ILHAS A PORTUGAL SUGEYTAS
COMPOSTA PELO PADRE

ANTÓNIO CORDEYRO, Companhia
de
,

JESUS,

Infulano também da Ilha Terceyra

& em idade

de 76. annos,

TJ^J A COlhQFl^B^ACaU^
cojlumes
,

T>OS

^03^S

af/tm moraes^ corno fobrenaturaes^ dos nO' bres antepajfados hfulanos , nos prefentes , C>

futuros

ú^fo para 4 faha<^ao defuds almas , c> mayor
y

Defcendentes [em

,

gloria de T>eos^

LISBOA OCCIDENTAL,
Officina de

ANTÓNIO PEDROZO GALR
Annode
1717^

Com todas m licenças necefjaridÃ.

L

3

wm

PR NOBRE LEYTOR. o LOGO Ao
iiJíiO.,í

rtío:.-

ciiiiL

Epois de ter compofto aFilofoíia inteyra, que diétey na Univeríidade de Coimbra,ha quaren* ta aniios, defde 676. ate 680. a Theologia Ef*

&

-.-.„.,^->^-

^^.

..-.

.

que namefmaUniverfidadeli,atèo anno de 696. & a Moral Theologia,que enííney na dita Univerfidade & depois dos dous tomos
colaftica,
;

que compuz de RefoluçõcsTheojurifticasem quatro aníios feguintes na Primacial Cúria de Braga , & em os feguintes oyta na Cúria do Porto, & jà quaíi nove em efta Regia Corte de Lisboa fuy obrigado a tudo dar àimprenía por N. M. R. P. Michael Angelo Tamburino , Prepofito Geral de toda a Companhia deJESUS;& por mais que me efcufey por minha incapacidade,& idade, naõ tive outro remédio, fenaõ (como Religioío) obedecerj & efta feja a defculpa, que ao nobre Leytor peço, me
,

admitta.

Vejo porém me diraõ que atnda que eu fahiíTe com os cinco tomos referidos (da Filofofia, Theologia Efcholaftica, ÔC Moral & com os dous Theojurifticos) parece temeridade o ía,
,

com efte íexto tomo da Hiftoria & hiftoria vulgar, & Infu* lana; porque com vulgar hiftoria deveria fahir hum íecular 8C delia muy to erudito & naõ hum Religiofo & com hiftoria In^
hir
,

,

,

;

lulana,hum que ínfulano nao

para fer menos fufpeyto* Mas a eftas duas duvidas refpondo , que fe de hiftoria naõ houveííe Authores Rehgioíos , nem das mefmas Religiões haveria Hiftoriadores, ficaria privada a Chriftandade da Hiftoria
foíTe
j

&

mais

utii :8c
,

puzeííe

íenaõ foííe Iníulano o que Hiftoria Iníulana comjàporiíTo mefmo naõ feria entaõ menos , mas muyto

mais íufpeyto, por efcrever o quedeveriaignorar mais, pois naais fabe cada hum , ou deve faber da própria cáfa , do que da * ij aíheaj
,

P RfC^L

O

GO

âlhca; de outra íorte naôfe daria credito aos Reynòes, Hifto» riadores de feas próprios Reynos, mas aos de Reynos alheyos, de que nem tanta noticia , ou experiência tem.

apontados motivos , que a compor a Hiftoriaprefente me movèraÕ , o principal foy,& ainda íie, Pars que haja quem nella me emende porque havendo muyto m^is de trezenjos annos que as Ilhas de que tiatamòs, fe def-

Deyxados coratudo

jà os

j

muyto eminentes ,naô fó nas armas, governos, & nas letras mas ( que a tudo vence ) em a Catholica Fé & fantidade comtudo ainda naõ houve atègora quem fahiíTe com hiftoria deftas ilhas, mas fó de huma ou de outra apontamentos alguns, & effes muyto diminutos & menos examinados & ainda fabuloíos, vendidos por verdadeyros: comrazaõ logo repito, que o principal motivo de me arrojar a compor hiftoria tal foy Pa* ra que haja quem nella me emende & entaõ faya perfeyta & a mais útil naõ fó à racional vida, nobre & humana mas à Chri-» ftãa, & Catholica, que he o ultimo fim da tal hiftoria. E íe alguém reparar defc tratar nefta hiftoria de muy tas Genealogias repare também que quando he neceííario tratar delias, atè a mefma Sagrada Efcritura emoíeu velho, & novo Teftamento o faz tam diflfuíamente como vemos & claro eftáque para faber quem foraõ os defcubridores & povoadores
cubriraÔ
,

& poyoàraõ & tendo fahido
j
,

delias fugeytos
,

j

,

,

,

,

,

,

,

,

,

,

,

,

,

:

,

primey ro&.de huma nova terra , de força íe ha de dizer de
elles

quem

defcendiaõ

,

& quem defcende delles & fe mais fe reparar,
;

acharíeha, que fe naõ diz couía, de que alguém poíla fentirle, mas a nobreza , virtudes dos Afcendentes , para que os Def. çendentes as imitem , fe lembrem dos Chriftâos brios que devem obfervar 8c a que naÕ devem deíeftimar os outros , que

&
;

&

ío

querem fer contados por netos de quem nunca os chamou 8c de quem foraõ chamados,& lograo fuás riquezas,nem os appel;

lidos

querem.
,
;

Porem difto mefmo alguns diraõ que o naõ deve examinar
quando naõ he necefíariojmasnaõhe affim, quando neceíTarioohe, como ofaza mefma Igreja Catholica, aInquiílçaÕ do Santo Officio,&as Religiões mais puras que naõ lendo neceííario , nunca fe mettem niíTo, & íendo-o o naõ fazem , íó por naõ publicar defeytos alguns alheyos , & menos por lhos impor ( que iífo he fó de gente foberba , ambicioía , h ociofa ) mas por l'e confervarem
peííoa Religiofa
,
,

& na Verdade aííim he

,

j

na

m

áa limpeza, & nobreaa, oS qae a tem , & ifto comii mâácje naõ com a infernai emulação; E porque a verdade ra,

AO NÔÊ^f LEtídt;/
, , ,

&

pií^

ordina*

^riamentek nâ6 acha em a preímte. matéria fenaõ em os fugey* tos de mais annos de mais liçaõ de iivros & de Religiofa confcicnciâ pode o nobfe Leytordarfe por feguro que naõ âchiràneíla HíftoriaGDura,dequeíeu Authordavidâííekr verdáde; Sc íe efta comeífeyto faltar em coufa alguma para iííofteri Ceyra vez repito j que a compuz, Para que haja qmfk^eêmeft^
,

,

i

.TiCi

J

rj-fs

Vale.

Proteftaçaõ Catholica

,& Politica.
como íempre
firiiié
,

Religioío Authof delia hiftoria ,

êè

^_^

fiel

Catholico

lido com que

em

confeíTa , 8c protefta , que o fcn* alguns lugares delia chama Santos , êc ainda
,

Romano

Martyrcs a alguns fugeytos de infigne fama de virtudes, nem foy , nem he outro mais, que explicar a commua opinião que ha de fuás vidas , Sc mortes pois declarallos por Santos , ou por
5

Martyres, fó á Santa Madre Igreja Catholica Romana pertence, aflíim o confeíTa o Author. Declara mais , que quando em algumas partes deíle íivrd reprefenta ao Sereniííimo Rey, Senhor noíTo algum outro género de governo, politico, ou militar, de mar,& terra, he fó hua humilde propofta , que os foberanos Principes eftimao ouvir a

&

&

íeusvaíTalíos,

que íempre devem cftar promptos a ouvir 3 asa-

ceytar as Icys de fcus Soberanos.

i

é i ^

tlCEH-

'^w <^p:

w^ -^or -^- ^-^r w^
LICENÇA DA ORDEM.
U

EU

S , Proviflcial da Pro« António de Soufa,da Companhia de J E S que para iflb me foy davincia de Portugal , por particular conceííaó, GéraUou lida do N. M. R. Padre Miguel Angelo Tamburino Prepofico das Ilhas cença , para que fe imprima efte livro intitulado Hiflona Infulana o Padre António Cor« Portugal fugeytas no Oceano OcCidentàl.qae compoz approvado por pefdeyro da mefma Companhia , que foy examinado , & por verdade dey efta affinafoas doutas , St graves da mefma Companhia, & Dada em Lisboaao» da com meu final, & fellada com o fellode meu officio. 20. de Junho de 17 16, , #> ^ /»
:

'

AntomodeSouJa.

ii^

LICENÇAS DO

S.

OFFICIO.

.•a

pí^a doM, R. Padre Mefire t>. António Caetano di Sòufa, ^alifcíi'^
dor do Santo Offcio,

ÊMlIÍENf iSSIMO SENHOR.
Oèéano Occii 1 a Hiftoria Infulana das Ilhas a Portugal fugeytas nó Cordeyro da Com« Vi' •dental, de que he Author O M. R. Padre António iiefte Reypanhia de JESUS , a quem as fuás grandes letras tem adquirido das gentes no hum univerfal applaufo , & para que naô ficaífe na tradição Filofofia , Theologia a fua memoria * fez iramortal a fua fama nos livros de Theojurifticas , que imprimio , ôc Êfcolaftica & Moral , & nas Reíoluções efteja o Patem para imprimir para que em todos os feculos vindouros, doutrina , que com tandre António Cordeyro enfinando , aquella mefma Cadeyras , fendo o Oracido a ta admiração diftou nas Aulas, & refolveo nas Lisboa,_a Prique todos recorriaó , de que íaõ fieis teftemunhas , a Corte de Cidade do Porto, macial das Hcfpanhas , a Univerfidade de Coimbra, & a rcfpeytado o feu nome, outras muytas , aonde com veneração fera fempre E quando o emprego de taô largos, & elevados eftudos , parece lhe nao dapromover as glorias da ria tempo para ler diíFerenteprofíífaôjO amorde fempre defejada Hitfua pátria , & faZer patente ao mundo a efcondida , & recopilou , feriadas Ilhas, que compoz o Doutor Gafpar Fruauofo , a Hiftona Portuaccrefcentou na que agora dà a luz. Em que os curiofos da Infulanoshuma guezaacharáõ muytas novidades dignas de memoria, & os prodigiofas vidas perpetua gloria das proezas de feus antepaífados , & nas eftimulo á de muytos Varões infignes em fantidade,feus compatriotas, hum noífa Santa Fe» virtude. Neftc livro naõ acho coufa alguma que repugne à
V
;

J'

&

&

ou

w^m

bubonscoftumesi &àMlíêpSlBeÉepc!e1rfem daí a licehéá que pede. Lisboa na Gafa dê JNoffa Senhora da Divma Providencia ia de * bétembrodei7i6.

D António Caetano de Soufa CR.

CenfuraàoM.R.PadreMeJlreFr.yoaodè Santa Therefa §Malificador ,
dõ Santo Ojficw.

eminentíssimo SENHOR,
o feu natural o M: R. Padre Meftre António Cordeyro da Preclariffima Companhia de JESUS , & louvando-lhc a occupaçaõ taô íanta j & Religiofa com que fempre fe dedicou às letras , o que com o cla^^ rim da fama em todo o Rey no fe publica, & com os feus efcntos fe confeíTáJiaòdeyxo deadmirar cm idade taõ ereeidâ qiiereríe occupar nas , maravilhas da fua terra > no que lhe defcubro de Sol magnânimo o eftylo: porque torna no feu Occafo para o Oriente, aonde teve o nafcimento,& parecia ju= fto j que como taõ fabio das letras , foubcíTe fer amante da fua Pátria naô Jhe podemos Cenforesdar o titulo de fufpeytofo pelo amor próprio por^ que moftra tudocom tanta clareza, que parece o obrigou mais a juftíçá contra os que referiaõ fabulas, & publicavaõ mentiras que o amor da meA j do Bia Pátria. E aíKm naõ devedizerfe que o louvor & as , maravilhas, que re, fere da fua Pátria faõ eíFeytos amorofos , de quem fe confeífa feu peio nafcimento, fenaõ que foraõ partos de hum entendimento elevado à viíla do que poíTo dizer deíle Gordeyro,o que diífe là outrojoaõ do do Apocalypfe: Vignm efi Agnm ãccipereUbrum, aperire/ignaculaejm. Porque j o que para os outros Authores foy hiftoria efcondida,porque nunca com tanta clarim dade manifeftá o Doutiflimo Cordeyro a poz com tanta clareza que nin, guém lhe pode pòr duvida j nem eu lha ponho para que fe imprima, viftcí naõ conter coufa à noífa Santa Fé, ou bons coftumes oppofta & a Protefta^' |a6do Author queeraprecifa. Lisboa no Convento de Noífa Senhora dd JESUS 22. de Dezembro de 1716.
:

P

Gr mandado de V. Eminência vi com fummo
lana , Aiithor

gofto a Hiftoria Infu=

j

,

:

&

,

,

O M.
'1
"..

Fr. João de S. Therefa,

-.

-'i-''

Vlílas

as irlformaç6cSjpòde-fe imprimir fe

& imprcíTo tornará para Lisboa 23. de Dezembro de 17 16.
fulana,
fíaffe.

o livro intitulado, Hiftoria Inconferir, & dar licença que corra;

Montêyro.

Rikyro,

Rocha.

Fr.RrodrigoLancaftre.

Gmrreyrêl

Do Ordinário.
COiicôdémos licença, para que fe poífa imprimir
lana
©í
,
,

o íivro, Hiftoria ínfiú
1

& impreífotorriarà para fe conferir & darmos licença que eorrai
correrá. Lisboa 30.

lem ella naõ

de Dezembro de

7 1 6.

M.BfJfodeTag^é,
í3a

./,

Do Paçoi SENHOR.
que Hiftoria de V. Mageftade POro ordem Antoíiio Cordeyro vi Companhia de JESUS. da to Padre
,

a

í nfulana,

tem compof-* Dos elogios^
,

v\

a Primogénita da Igreja, fuás heróicas emprezas fizeraÕ verdadeyramente volume j porem ordenou o Padre Chriftovaó Gomes hum proporcionado achao dados aCompa. detodos os gloriofostituios, que naquelle livro fe como o dobo Heoboi nhiade í ES US, nenhum me parece taO próprio, fonte dos reíplandores. Pelo aquelle Planeta Príncipe , euja fubftancia he a a elle fe lhe deve a pre* beneficio dos feus eíFeytos fe conferva o mundo , & feus rayos. Depois de lUufciofa produccaô dos metaes , que faõ filhos dos do mimdo , que naõ finta poc trar hum emisferio, para que naó haja parte parece que acaba no experiência a benignidade dos feus influxos , quando Antípodas , ate que Oecidente, começa outra nova vida em utilidade dos Naoíe lhe pocomo Feniz das luzes torna a nafcer do feu mefmo Occafo. todo o ímpeto dos dem extinguir as chamas, porque faó mayores do que Os echpfes fao embaraço ventos, & do que todo o pezode hum diluvio. no feu curío , inalda noíTa vifta , naò faÓ defey to do feu fogo j he conftante no tumulo, íempre he o terável nofeu circulo, ôcoufeja no berço, oufeja dos mefmo na diíFerença das eftações , na fucceífaõ dos tempos , & no giro o mundo na Sagrada: feculos. Todas eftas propriedades venera & admira Companhia de JESUS , porque ella defde a fua fundação foy a oíficina de methodo , que potodas as fciencias de tal forte declaradas , &: reduzidas a o dizem demos dizer , que parecerão feus filhos os feus inventores. Affim ALapicom eéral acclamaçao as Efcrituras explicadas por Lorino , por aTheologiaEfpecu» de, a?Hiftorias Bíblicas de Saliano , & de Gordono , Bellarmino , & de Valença, lativa de Soares , & de Vafques, a Polemica de de Alvares de Paz , & de Ia a Moral de Molina , & de Sanches , a Afcetica Papebrochio , a í tofana Puente , a Hiftoria Ecclefiaftíca de Bollando, & de Oviedoyas Mathede Maffeo, & de Strada , a Fílofofia de Fonfeca , & de fe con^iece com evi= maticas de Cláudio, & de Des Chalés , de maneyra que Agofto do anno dedencia o grande fundamento, com que no dia 17. de aeftrellade mayor grandeza 17 16. diíTe no púlpito da CafadeSaõ Roque fobdamente. da minha Sagrada Congregação, que fe naÕ podia difcorrer em qualquer género de letras fem os refplandores defte Sol prodigiolo. i e.
.

com que toda a forte de Efcritores

celebrou efta Religião Sagrada

a

quem

,

&

la religiofa efficacia deftcs valerofos

foldados todos os dias eftamos

vendo

Igreja , deftruidos os monftros das llerefias com tanta gloria da verdadeyra Rehgiao, Sc do Inferno , de que refulta confervarfe a pureza da
l<.

como tejror

Urfas dobepvèrem-fearraftradas pelo mageftofo carro da Divindade as deCalvi-, tentriaô, confundidas as impiedades de Luthero as blasfémias feu zelo, vetfe deno, as loucuras de Zuinglio. ComofenaÔ baftaOTe ao de hum fendido em Alemanha o rebanho de Pedro pelos vigilantes latidos
,

&

Cani-

W

m
entrarão os rayos defte myftico Sol a doutrinar a barbaridade dp ^ovo mundo com os milagres de hum Jofeph de Anchieta , a falvar aos Át bexms dasfuperítições de Neftorio pela prudência de hu André de (^v^edo, 6c dando liberdade á impaciência daquelle fogo, que herdarão do ar,

.Canifio

dente efpirito do feuPatriarcha Santo Ignacio, íizeraõ correra moeda d© Euangeihono Reyno antipoda de Ormuz pelas mãos de hum Gafpar Barr zeo, & íeguirem-íe os Cânones da verdade eterna pela doutrina de MarcelJoFrancílco iV3aftrilhiV& de Rodolfo Acquavivaj illuílrando comPacriarchasa Ethiopia ,com Meftres aos Doutores da China , & com Aportolos as Ilhas do Japaó. Por efta caufa naó pode extinguir ao Sol da Companhia aj adividade do feu ardor a conjurada malicia de tantos Tyrannos, que íe apoftaraõ para a fua deftruiçaõ em obfequio dos feus Ídolos mas de todos eítes eclipfes , que lhe caufáraõ as nuvens da infidelidade ,&; da inveja da fua grandeza , naõ fe colheo outro fruto, fenaõ fahir exceffivamente lurainofo a pezardo odiò,&da barbaridade, icoroando-íe comas palmas deinfinitos Martyres , que fertilizarão aquellas íeàras Euangelícas com as vitoriofas
-,

correntes do feu fangue. Naõ oífendem a eíle Sol as nuvens que fe lhe oppoem, porque como a luz das fciencias, & das virtudes lhe he natural pouco importaó as contradicções dos que cegaõ com as fuás luzes , pois confufo$,& defenganados de o naÕ poderem oífufcar, por fi mefmo fedefvanecem. Todas eftas prerogativas vejo Senhor recopiladas no Padre António Cordeyro,quecomorayo procedido daquelle Sol difcorreo por todo efte Reyno, allumiando com a fua doutrina as Univeríidades de Coimbra , & de Évora , os Eftudos de Braga, de Lisboa do Porto , êc os da fua Pátria a faraofa Ilha de Angra, & naõ fatisfeyto de lhe revelaras fciencias com fubti-' lillimas novidades , começou a vida de Apoftolo nas fervorofas Mifíoês de Vifeu , de Pinhel , de Torres Novas , de Peniche , & de outras muy tas povoações, em que ainda hoje na reforma dos coftumes que introduziò, fe cílaõ vendo os documentos da f.!a piedade, &fe eftaó ouvindo as vozes, com que os fez herdeyros do Reyno eterno. Comorayo daquelle Sol (ez patentes na eítampa os fegredosda Filòfofía, os myftérios dá Theologiã Eípeculativa, as regras da Theologia Moral 8c com duplicados volumes guiou feguramente as confciencias, fervindo-fe para efte fim de ambos os
,
,

,

,

,

Direytos Canónico, & Civil taõ delicadamente interpretados, como fe efte fora o único cuydado de toda a fua vida. Hum talento taÕ admirável naõ fe havia de coarílrara humafó profiííaô,era de razaó quefefizcfte conhecido pelo eftudo de outras matérias. Aftim o moftra a prefente Hiftoria das Ilhas, era que me parece o Padre António Cordeyro com o Padre António de Andrada da mefma Companhia defcubridor do Graõ Cathayo , ou Reynos. deTibet. Bemfepòde dizer que o Padre António Cordeyro defcubrioagora nas Ilhas dos Açores huma das mais nobres porções do dominio de V. Mageftade,pois ainda que ellas fe começarão adefcubrir pelos annos de i432.eftavaõ atè agora como encubertas pela falta das fuás noticias; porém agora o incançavel zelo da gloriada fua Pátria perfnadio,& obrigou ao Padre António Cordeyro , a que de novo as defcubrifte com a relação da fua grandeza & da fua fertilidade.Atè nefta propriedade parece o Author verdadcyro filho do Sol da Companhia, porque nefta Hiftoria nosdefco,

.

breosilluftresafc€ndentes dos moradores daquellas Ilhas ,atè efte
^

tempo
quaíi

**

F
^uâííocGultos
norância canta
ja mais fértil
j
,

& pela aaividadeda faa penna refgata do cativéyroda ig& taõ venerável Nobreza que deyxa em duvida quem íe^
,

de fangue nobre , a Província do Minho , ou as Ilha^s dos Açopovoadores ? Mas diremos era obfequio de ambas , que fe huma lhe deo os afcea-i res , naô degenerarão os povoadores da grandeza herdada dos feus nada concrí dentes. Entendo , Senhor , que efta Hiftoria , em que naõ vejo o Real ferviço de V. Mageítade, merece o beneficio publico daimpreíTaõs para que confte ao mundo, que na peíToadc hum fo Vairallo íe acha unido,© que ainda dividido.fez grandes, & celebrados a muytos homens. V". Mageítade mandara o que for fervido. Nefta Gafa de NoíTa Senhora da Divina Providencia, a 4. deFevereyro de
1

7 1 7.

D.JofephSarhfaC.R.
«*

•>^ii?E«-"S^ii^— #^:iH--"#^:i*i.^'""-*€^'iJ^^^^^^

QUe
fem

poíía iiTiprímir, viftas as licenças do Santo Officio , de Ordinátaxarj Sc depois de impreiTo tornara á Mefa para fe conferir, rio , 7 1 7. iíío naô correr à. Lisboa Occidental 1 1 de Fevereyro de 1
fe

&

&

.

Duque P,

Cofia,

Andrade,

Botelho.

Terejra.

OUwyra,

Noronha.

E

Stà conforme

com ofeu

original. Lisboa Occidental. 13.

de Setem-

bro de 171 7.
Z).

António Caetano de Soufa. C. R.
correr. Lisboa

VIfto eftar conforme com
14.

o original , pode

Occidental

de Setembro de 1717.
Ribeyro.

Hafe.

Montéyro.

Rocha.

Fr. Rrodrigo

Laneafife.

Gmrreyro.

Ode cor Pode correr, vifto eftar conforme. Lisboa Occidental 15. de Setembro Cardõfo^
dei7i7

T

Axaõ

efte livro

em dezafeis toftões em
1

papel. Lisboa Occidental 14J

de Setembro de

717.

OUveyra.

Noronha.

INDECE

.TITULAR DOS LIVROS, L IV R O P R

índice
E SEUS CAPÍTULOS»
I

Da creaçao dm Uhm Occidentaes
^P^*^^^^

M
,

Y R O tocantes a Mmanhm
E
^0^'^^ n<^ ^àteria.pai, ti
3.

Voftugueza,
^^^ C^}SV^^^ \ P.^ '"^^^^ CAI Dafabulõfa Ilha Atlanta. pag.
.

II.

CAI-. IV. Vos que metferao a Idolatria em Hejbanha ,
talha que houve nella.pag.C.
bulqfa Atlanta. pag.^.

^

primeyra & da t j h^

QkV.V Do decimo qmnto

Reyde Hejbanha Atlante, fundamento âa fà^ -^

-

Dos outros Reys de Hejpanha defeendefiteí do Atlante, pag. i o. CAP. VII. Dos Reys Lufo, é-jua Lufitana defcendencia.pag, 11. CAP. V III Dos Interregnos quehouveem a Lufitania.pag. 13. CAP. IX. Dafundação de Lvsboa em tempo do Melhfluo Rey GorgoriSiè'
I.
*

CA P. V

é- Rey Abidú, fundador de Santarem.pag. 15. CAP.X. Das eftenlídadesyà- incêndios deUef^mha^ vinda dos Celtof. fundação de Fizeu.pag.iG. CAP. XI. Finda dos Carthaginezès, Lacónicos, Gregos,funda€aÕ de Braga,Coimbra,Aveyroy&Lagos.pag.iÒ. CAP. XII. Vmda àos Romanos , a que venceo o Portuguez
Utyjjes,

Príncipe

Fu

rtato.pag.2o.

'

.

CAP.

XIII.

De outras

guerras de Portugal i&dofiu grande Capitai

Sertorio.pag.2'^.

CAP. XIV. Fmda de Júlio Cefar a Portugal.pag. 30. CAP. XV, Império de Augujlo Cefar, unido com Portugal ^
de Chrijlo ao mundo. pag. 31.

ate a vinda

"CAP. XVI.

ao Concluf do principio

r^ das Ilhas. pag.

55'

L

I

V R O

S

E

Das llhm Canárias,

& das de Cabo Verde.
,

G U N D O

CAP.
CAP.
.

I.

Do Infante Dom IJenriquei primeyro defcubridor de Ilhas
antigo Hijloriadorde Ilhas, o Venerável

é"

de novas terrasfrmes.pag.^y.
lí.

Do

Doutor Gafpar

Frutiuojo. pag.^o.

CAP. í n. Das Ilhas chamadas Canariat. pag. 4^. CAP. IV. Dodtreyto de Portugal as Canárias, pag ^^.

CAP. VI. Da Graa Canária, ^ mau Ilhas fuás.pag.i^ 2. C A P. V 1 Da geral nettcta das Canárias, pag. 5 5 CAP. VIII. Das Ilhas de Cabo Fèrde^ é^feu clima. pdg. 57. CAP. IX finalidades das principaes Ilhas de Cabo Ferde.p/^'jS.
.
.

Cx4P. V. Dagrandeza^ér qualidades das primeyras quatro Ca$arias. 5©*

n

TfTP

II

LIVRQ

LIVRO TERCEYRO
mm^i^
I.

Das

lihasde Porto Santo ^
,

& Madeyra.

'Santú\ CAP. Vos prmeyros defiuhriàores ò- Povoadores de pag.di. CAP.U. DoJltiOiqualidadeSi & Povoadores de Porto Santo, pag.6^.
'Porto

CAP. III. Dos Capitães Donatários da Ilha de Porto Santo. fag. 64. CAP. IV. Doprmeyro cafmly&fó parcid defcubnmento da Madeyra. djl CAP. V. Dodefiubrimento detoda allhajfeytopor ordem do Infante Dom
Henrique. pag. 69. ^ terceyrodefcubrimentoâo interior da Ilha de fuás duas Ca^ dÀP. VI. Do pitanks,e_^malmentedadoFunchal. pag.72. Cidade^ feufi-^ ^.XJ4P. VIL Do intemr da Capitama do Funchal , defua
^
-,

&

ti0.pag.y4,,

CAF.Wli. Dointerior da Capitânia de Machico.pág.j%. CAP. IX. Dos Capitães Donatários de Machico. fag. 79. CAF.X. Do primeyro Capitão Donatário do Funchal.pag.S^.
i

CAP. XI. Dofegundo Donatário > & Capitão do Fimchal.pag.%'). CAF.Xll. Do terceyro Capitão chamado o Mâgmfco. pag..%j.
quarto Capitão Donatário do Funchal pag.^S.

'Si' 'Tl!

.CAP. XIII. Do

CAP. XIV. Do quinto Capitão, & prmeyro Conde da Calheta, pag.%^. CAP. XV. Dofexío Capitão, é^fegundo Conde da Calheta.pag-S i CAP. XVI. DoprincipiOi&atigmentodo Efiado Fcchfiafiico em a Ma*
deyra.pag.^2^

CAP. XVII.

Conclue-fe

com a Madeyra, Ilhas deferias,

&

outras, pag.^^.

L
r

I

V R O Q^U A R T O
dos AJforeÈ ,foy

Da Ilha de Santa Marla^ que daí nove
I.

a

pnmeyraque fedefcubno.
Dos fundamentos para CAP. meyro apparecidas. pag.^J. defcubrirem-, & das Formigaspri" CAP. giMemforao, & de que qualidade eraí osprimeyros defctíbndores
fe
11.
,

da Ilha de Santa Maria. pag. 99.

CAP. III. Daafcendenday& defiendkiadosPovoadores datai Ilha.p.ioi, CAP. IV. Da altura, povoações, & fertilidade da Ilha. pag.104,. CAP. V. Do traâo do Norte, é-feu interior da Ilha &fmgularidades
,

delia. pag. IO"/.

CAP. VI. Doprmeyro Capitai Donatarioda Ilha de S.Maria. pag.iio. CAP. VIL Dofegundo Capitão da Ilha.pag. 1 1 1. CAP. VIIL Do terceyro Capitão Donatário de Santa Mana.pag. 1 14. CAP. IX. Do quarto Capitão Donatário. pag. 116. CAP. X. Do qmnto Capitão Donatário da Ilha.pag. 117.

CAP. XI. Dofexto Capitão da dita Ilha. pag. 1 20. CAP. XII. Dofeptimo Capitão Donatário Bros Soares deSoufa. ibid. CAP. XIIL Dos Commendadoresda Ilha de Santa Mana.pag. 122.
CAP.
XIV.. Conclue-fe com a Ilha de Santa Maria, &fuasprerogativaSi

í^i-i^^

CAp'.

W

I

ND

!

e

1.
I

LIVRO
Da Ilha de
Defiubnmento àa CAP. IL Do C AP,
I.

Q^

U

N T Q

Saõ Miguel.

j^
%

tal Ilha,

& defem t>efcuhridores.pag.

t^^

melhor defeubrmemo , é- defmpçatí da Ilhade Saí Mi>^
,

guel.^ag. 129.

,

CAP. íli. Definfçaí geral de S.Mig.&f articular da bandada Sulp-J^i, CAP. IV. Da antiga & nobre Fiíla Franca j Âgm de Pao , & Alagoa.
,

Q^V-V. Da Cidade de Ponta
pag. 140.

.ÇAP.VI. Continua adefirip^aõda

Delgada. fag.i^S. Ilha, ó" ejpemlmmte do Norte MUi.
.
.

.....

CAP.
j

^ Vlíí. CAP.
CAP. IX.

Vil. Dafamofa Filia de Ribeyra Grande^

& mais lugares do N0-^
r;.:^'
14,6.
ef^ecial
í

Je.pa^.14,2.

Do interior da Ilha,fem fogos,

Dfi outras furnas,fogos,

& tremores, em

& tremores. pag.

de Filia Fràn-^

ca.pag- 151.

CAP. X. Das partes a que chegou o terremoto de Vala Franca, pag.ii^j. CAP. XI. Dapejie qfuccedeo ao terremoto, ér incêndios qfuccederao.p.itjSi
CAP-XÍÍ. Dos terremotos, e^ mcendtos maií
•CAP. XllI. Dos prmeyros
guel.pag. 167.
.

modernos, pag,

164,.

•>

três Capitães

Donatários da Ilha

deSaoMi"

.CAP Xi V Do quarto Capitai Donatario,Joao R&drigueZiOU JoaÕ Gon*
.

çalves da Camera- pag. 172.

CAP. XV. Do quinto Capitão
me. pag. 174.

Rm Gonçalves da Qamera

,fegUHdo

don^

CAP.

CAP

Dofexto Capitão Manoel da Camera,prinieyro do nome.p. 1 76^ XVII. De alguns homes famofos , familiar que vierao povoar d Ilha de Sao Miguel, pag. 1 79.
1.

XV
.

&

TIT

J.

& Soufas. pag. iSo.

Dos Felhos,

Cabraes, Mellos, Travaffos , Soares de Albergaria^

TlT.ll. DosCameraSiò- Betencores.pag. 1$^. TIT. III. Dos Gagos,Rapofos,Fonces,Bicudos,Correas,Pachecos.p.i%j Fafconcellos. pag. 190. TIT, iV. Dos Botelhos,Leytes, Jmaraes, TIT. V. Dos Meâejros, Jraujos, Borges, Soufas,Rebelos, Dias. p.i^/^,

&

TIT. VI.

CAP. X

DosBarbofas, Silvas , Tavares , Novaes, g^entaes , FartaSi Machados, pag. 201. VIII. í)as rendas i riquezas,ferttUdade,&frutos da Ilha de Saa
Ilha
;

Miguel, pag. 20 /.

CAP. XIX. Da valentia, & defireza dos de tal

do muyto quefe vivé

mlla,ò' dos monfiros que nelíafe virão. pag. 215. CAP. XX. Da Fèneravel Margarida de Chaves ,tida commummente pot
Santa, é^ milagrofa.pdg. 221CAP. Dafundação doCollegio da Companhia
'^

XXL

deJESUSém

Saè

.'

Miguel.pag. 22%.
Reitores do dito Collegio de todos os Santos de

CAP.XXIÍ. Dos

Pmtd

Delgada. paji.i^i).

CAP. XXIII. De outro temmato, é-figo.quehowve em SMguelp^^p CAPí

,ÁÍ!

l

ISf

D

I

C

H.

LIVRO
!^

SE X

TO
Terceyra.p.t^ft

ba líha Terceyra, cabeça das Terceyratl
DodefcubrimentOi Nomes, é"
11.

I

i

Dofnmeyrot>onatariOiò' Povoadores da Ilha. pag.2/\,7,. CAP. III. Dos Capitães Donatários defó a Capitania da Praya.pag. 248, CAP. IV. Dos Capitães, Cortereaes, da Capitania de Angra. pag. 250. CAP. V. Defcreve-^fe a Capitania daPraya , &fuM povoações: pag. 2^5.' CAP. VI. Da nobre Filia da Praya, termo defua Capitania. pagri^^. CAP. VII. Da Capitania de Angra , defde a Villa de S. Sebajltão ate a Ci'

CAP. GAP.

I.

Armas da Ilha

&

dade.pag. 260.

CAP. VIU. Das Fortalezas pe cercão por mar,& terra á Angra.p.iíj^ CAP. IX. Da mayor Fortaleza, ou Cajtello de Angra pag. 264. CAP. X. Dafamofa Cidade de Angra , érfiu nome. pag. 268. CAP. XI. Do governo Ecclefttfiico de Angra ò-^em Btjposfobre as mait
,

,

'íll

Ilhas TerceyraSim dos Ajjores.pagi 2 75.

CÀP.XIL Do EJlado Relígíofo, qne ha em Angra.
é:
.

pag. j8i.

•111

CAP. XIII. Dos outros Rehgwfos Conventos de Angra. pag. 288^ CAP.Xl V. Do trato, & governo da dita Cidade, pag. 29 1 CAP. XV. Da Capitania de Angra pelo Sul, & Oefie. pag. 298. CAP. XVL Do Certao interior, fertilidade da Ilha "íerceyra.pag. 30Ò; CAP. XVII. Da nobreza que entroUi povoou & ainda habita a Ilha Ter»

&

,

y
li^

ceyra.pag^ioj.

Dos Bruges, Arfas, Pains , Téves , Homés , Cameras ,

Dornellas , Nonh

nhãs, Pamplonas, o- Fonfecas. ibid. CAP. XVIII. Dos Cortereaes, CofiaSi Silvas, Monizes, Barretosy é- Sant*
'!!!

payos.pag.^iiCAP. XIX. Dos Cantosjó- Cafiros,& defuaafcendenciayó- defcend.p.-^i^. as, Velhos, S- MeU CAP. XX. Dos Borges, Cojl as. Abarcas, Pachecos,

Lm

los ,

^

de outros, Homés Cojias. pag. 320.

'CAP. XXI. Dos Cafiellos-brancos, Carvalhaes,
las,

Lobos, Stlveyras, EJ^inO"

C AF.

XXI
res,

Lemos, Betencores,Dornelas, é^c.pag. 325. I. Dos Fafconcellos, Regos , Baldayas , Camelos , Pereyras , éf
2,4.0.

Soufas,é^c. pag.

CAP.XXIII. D0sBarretosdaRealcafadoS.Bõrja,do

tronco dos Tava^

Vkyras, Machados, Pachecos,&c.paz-^4<^CAP. XXÍ V. Dos Cordeyros, EJfmofas. pag. 348. CAP. XXV. Das Guerras da Terceyra com Cajlella, pelofenhor Dom Antomôyé-fempre por Portugal pag. ^1)^. CAP. XXVI. Dasprimeyras Armadas que invefiirao a Ilha Terceyra, da batalha dada defronte de S. Miguel, pag. 361

&

&

&

CAP. XXVII. De algua parcialidade quefe levantou em Angrapor Cafiella,

morte de humfidalgo,

CAP. X XVIII.

& perfegmção da Companhia, pag. 365. na Ilha Terceyra ofenhor D. AnComo chegou, &
efieve

toniOfó-fzhio delia. pag. 2,6^.

CAP. XXIX. Da ultima Armada com qCafellarendeo a IlhaTercp.-^yj. CAP. XXX. Do mais que Cajlellafez nas Ilhas,& da ida,à' cafamento de
D.
Violante do Canto

& Silva. pag.

3 74.

CAP.XXXI. Da Acclamaçao delReyD.Joao olVna Terceyra. p.2,%0.
CAir,

w

CAF. XXXII.

I r E. .Começa Angra a^mrnt^ rende a Fortaleza de Saa SeUp.

ND

C

tíaú,acclamaaElRejD.JõadolF.pag.^S^.

CA?. XXXXII. Da Acckmaçao feyta nas mau Ilhas, pag.it^^y. CAP. XXXIV. Doprmeyrofoccorro de Cafiella, tomaáopela Armada
da.Tercejra

CAP. XXXV.
."

ilha lhe tomou. pag.^(^i.

:vmda do Padre FrancifcoCabrai.pag.^%^. Do cerco do CaJMo grande jó- dofegundo foccorro me a j i
j
<=>

CAP. XXXVI. Do avifo qm o Çajiello mandava a Cajiella & lho tomou , r allha.pag.zs^. CÁF.XXX\llDosfMccefos defiefatal cerco do grande CaJlello.pag.7,()G. CAP. XXXVIII. Dasmvejiidas da Qdade ao Ca/Mo & do qm obrou
,

-

CAP. XXXIX. Da entrega do Cajiello,
Terceyra.pag.^oi.

oVifitador da Companhia d&JESUS.pag.i^^.

.

^r

..j

&

ejtado

em qmfiçoii a Víteriofa

CAP. XL, Das circunjlancias gloriofaSi com que Angra^por hu anno intej'

rOi

cercQUi& conquifiou amconquifiavel Fortaleza.é- qmdejiachoipor
^

ijfofelhe derao.pag. ^07,.

CAP.XLI. Das pejjoas mais ínjignes em valor &fantidade quedajercey-^
rafahirao.pag. 4,06.

'—

,.

CAP.XLIÍ. De outros fugeytosfantos da mefma Ilha Terceyra.pag.^of). CAP. XLIII. De muytas maU pejfoas, emperfeyçao ilkjlres,que da Terceyr
rafahirao.pag.^ii.

CAP. XLI V. Do illufirijjimo Martyr João Bautijla Machado^ da Compa-^
nhtadeJESUS.pag.^1%.

Da nohltffima Genealogia do inviBo Martyr. pag. ^2 LIVRO S E P T M O
I

j\f,^

Das Ilhas de SaÕ Jorge,

& Gr aciofa.

CAV l.Do Dos CAP.
CAI
. .

C AP.III. Dos tremores de terrajé^ outros infortúnios que teve a Ilha de Sag
IV. Das excellencias da tal Ilha.pag. 430. CAP. V. Da mbiliffima Ilha chamada Graciofa^ &fuafituaçao.pag.j^i2, CAP VI. Das põvoaçÕeSjÇ^feu interiori&fuajingularfertilidade, p-4,^^. CAP. Yll.De quandOió" quem defcubrio aGraciofa,&prim.Donat.p.^^^> CAP. VI II. Dafua nobre Genealogia , dos SodrhiBarretoS) Correas C«,

defcubrmentOialtura,& grandeza da Ilha de S.Jorge.p.^i^ II. primeyros povoadores i povoações da dita Ilha. p.^26.

&

nhas,PereJlrelloSjFurtados,MédoçaSi^ outros povoad da Grac.p.4,^ 7.

^A^.lX.De outros CapitãesDonatariosd^
CAP. X. Dos Fajconcellos, EJpinolas,
voarão a tal
Ilha. pag.

Gracwfãi dosfem Ferreyras

ò" Mellos^é^ defem Régios troncosj ér afcendentes. pag. 440
SoufaSió- outros de Portugal quepO"

44^.

L

r

V R O O Y T A V Q
Ilhas do Fayaly

Das

&?ko.
do Fayal
,

C

AP.

I.

Da altura ^grandeza
interior da Ilha.pag.

,

&
1

coJlí>

da Filia de HortSi

éf

45

CAiP.

ir

TN
pag.^,')^^

D

I

a

E.

-

-CAP. II. I>6 quanàoy&por quemfe defcubno.pag, 45f C AP. III- 'Dos Capitães JJonatanos do fayal. pag. 45 7-

& §uadros Siiveyras. nhãs, & Boémias. CAP. V. T>os Brmn,& FriM^ Pereyras, & Sarmentos.pag. 463.
CAP. IV. Dospnmeyros povoadores
Utras ,
,

Cu^

CAP. VI. Das mau excdknaas da Ilha do Fayalpag. 4Ó7. doPtco.4,6^, CAP. VII. Do defaérmento,altura,&gradeza da fatal Ilha CAP. VIÍÍ. Das Filias, & Lugares dejía Ilha do Fíco.pag.^7 1 CAP. IX. Do interior, & dmaJerttUdadey &frutos defia llha.pag.4.7^. mas na CAP. X. Do Picoãltifmo & do tremor &fogo que nad nelle
;

,

,

,

,

m.

Ilha houve, pag.^j^:

CAP.Xl. Dos povoadores, riquezay
CO.

nobreza

»& gGwrm

j tu j t>dallhadoPh

pag. 477,

L

I

Das I/has, F/jr es,

V R O N O N O & Corvo, & das que fe e/pera âefctihrír
de novo.

CAP.
GAP.
II.

I.

Da altfira,grandezai defcubrimento, érpovoiçao da Ilha das
còjtas

Flores, pag. à^%i>

D^-

marítimas ,

& povos
,

interiores defia Ilha

,

p & dejens
,
,

frutos, pag. /^^2-

CAP. IIÍ. Dogoverm Ecclefiaflico
III

civil

,

&

militar

,

que ha na
^

Tií j . Uhaáas

Flores. pag.

4,^').

^-

CAP. IV. Da qualidade, ou nobreza de familias^ povoarão eJtalim.^Vr CAP. V. Da Ilha quefófe chama o Corvo. pag. 489. CAP. VI. Donmcofeu lugarjunt0,rendimento,& frutos dejia Ilha. p.^^i. CAP. VII. Do.Donatario,&fruto,áeftas duas llhas,Corvo,& Flores.^^2. CAP. VII Das Ilhas quefe ej^era defcubrir de novo. pag. 494. CAP. IX. De outras Ilhas que ha nefie noffo Oceano ,por defcubrir amda.
í
.

^

a

tu

Qt

,

pag.áif)^.

CAP. X.

p Compendio da Htfioria das Ilhas,para ojuízo, queparaje conjer-

varem,fe deveformar delias, pag. 497 CAP.Xl. Contmua-fe o Compendio antecedente, pag.4.^^. A?. XU. Conckfao do Compendio acima. pag. lioi. ^ mas CAP. XIII. Do com que fe deve acodir a efpiriíual necef/idade das

C

'

Terceyras. pag. 503.
^^o^.

CAP. XIV. Complemento do governo Ecclefiaflico das Ilhas Terceyras. CAP. XV. Comofe confervarà o governo poUtico,&juridico das Ilhas. 508. militar, em CAP.. X VI. Do que fera mau conveniente modo de governo
eflas Ilhas. pag. <) 12.

CAP. XVU.Do marítimo governo,que deve haver nas ditas Uhas.pag.<, ib. CAP. XVIII. Da mayor fidelidade que as Ilhas Terceyras guardarão a
,

\\v,

Portugal, da que Portugal deve fuppor, aguardar com ellas.p.^^io. CAP. XIX. Exhorta^aífnai das mefmas Ilhas. pag. 'ji^.

&

LIVRO

Pâg.

tr

HISTORIA
INSULANA LUSITANA. LIVRO P R M E Y R O
I

Da creaçaõ, ou principio das Ilhas Occidentaes^
tocantes à Monarchia Portugueza.

T U L O DAS VARIAS OPINWENS, QUE HOUVE
C A P
I

I.

em efta

matéria*

RIMEYRA
das as

òpimâõdemuytosfoyjqiieto^ Ilhas que hoje ha no mar Oceano Ocei- ^/''^'r'*
_
.

opinhòfo^

K'"''' da terra IZlZ"^'"" firme de Europa , & , Africa partes contíguas ^^ ^^^^^^ ^^ p^^^^^ comella,fem entre ellaSj& aterra ^'[^Qh^^-gal^drasdoPonoSã-^ ver entaó mar Oceano algum , como agora ve- to,& Madeyra toma mosque hajôc que as Ilhas Terceyras , vul*^ ^*^r* de Monchique garmentc chamadas dos Açores , fe continua- *"' f^''^f'f^ ^J ^"^^ VaÕ com a terra da Villa 4e Cintra,& por efta com aferra da Eftrella, qiíe XcmZtka!°^~'^' ^ " em Cintra vem acabar, & ambas faó ferras bem celebres em Portugal

dental , foraó

em feii principio partes

:

&

*

que as Ilhas do Porto Santo , & Madey ra eíaó contíguas com a ferra de Monchique do Reyno dos Algarves; & atè das Ilhas chamadas CanariaSj fente efta opinião que fe continuavaó com Africa, & eraó parte delia j Sc muy to mais fente o mefmo das Ilhas chamadas de Cabo Verde. 2 Funda-fe efta opinião, em que de outra forte ficariaó fundadas no ar, & naó póderiao fuftentarfe , como vemos fuftentarem-fe atègora. Econfírma^fe porque vemos que quem das Ilhas Terceyras navega a Portugal, vay ordinariamente demandar a Rocha de Cintra, como cada parte vay naturalmente bufcar ao feu todo lògõ defte todo eraó aqueU las Ilhas parte ,& naó mediava de antes o Oceano. Efta opinião refere o Doutor Gafpar Fruduofo , varão na virtude , & letras venerável, de que em feu lugar faremos a bem devida memoria, & referera no feU tomo majiiufcripto lib. i.cap.iy. cujo original eftá no Collegio da Companhia de JESUS da Cidade de Ponta Delgada da Ilha de Saó Miguel, que vi com attençaó, & todo fielmente copiey.
•,

:

11

A

Pare*

%
''Afuprapofia
<'/'f«^'«o

Livro I. do principio das Ilhas do Oceano Luíitanas.
3

he chmertca.

Parece porém não ter fundamento , mais que imaginaripj cfta opinião j porque para que ás Ilhas não ficaíTem fundadas no ár,mas pudeíTem fuílentarle, não he neceíTario continuarem -fe, a olhos viílos , com algúa outra terra firme , íem mediar mar algum ; pois bafta continuarem-

'1,

o feu próprio , & terreno fundo do niar , do qual fundo fobem acima fobreeííe mar vaftillimo , em o meyo do qual ficaõ feytas Ilhas ,& mais firmes , de algum modo j do que a chamada terra firme porque alfim coroo a terra que não tem por cima mar , tem comtudo altos montes, & entre fimuy diftantes com profupdiíiimos valles,fem que porif|b os montes íiquçm fundados no ar, mas em fuás próprias raizes mais firmados , & exemptos , do que os inferiores vallcs allim também a terra, que tem por cima de fi aovafto mar, (pois naó ha mar , que naõ tenha por bayxo de fi a terra , & mais ou menos abayxo ) lá fe divide também em feus vallçs rnais profundos , & em feus monteg táoaltos que faliem íbbre o mar, & algús fobre as nuvens, êc formão em cima as Ilhas, de que algúas faõ ta6 grandes , que excedem a muy tas que chamaó terras firmesj como ainda íe duvida, fe a America, ou o Brafil he terra firme , ou llhajôc Ilhas fabemos que fap Inglaterra, Efcoçiaj &: Irlanda, & outras ainda mafe era
;

,

:

,

yores.
ri

(^

'!!',

acima oppofta » de que, quem vem das iliias Terceyras para Portugal , vem fempre bufcar a Rocha de Cintra, como cada parte ao feu todo razão he ifta indigna de allegarfe j pois he argumentar das obras da natureza para as da liberdade humana, & efta coftuma ir bufcar a parte aonde temo aegocio a que vay & a natureza

4

E quanto à confirmação
:

-,

fempre vay,
yia

& neçeíraríafnente,defnandar o feu centro: & aífim comofem fe vem bufcar a R ocha

aéreo dizer que as ditas Ilhas Terceyras faó parte de Inglaterra, de França , de Hollanda, do Maranhão, de Angola, ou do Brafil, porque a eftas partes le vay das ditas Ilhas, rnuy to amiudadamentej aíTi parece dizer aéreo, que porque das Ilhas Terceyras de Cintra,por iíTo deíla laõ partf Não ha pois que tratar de tal opinião.
.

muy to

íiibjugado o beílicoío povo da Ilha Atlanta, 6c antigamente no Oceano Atlantico,de Africa para o Popmha , dcftrmàa que houvera efta convertida gute 5 & que OS Reys da Atlanta er ão tão poderofos , que vencerão aos depois, em o Occídentalvaf- |^eys de Hefpanha, & fephoreàrão grande parte delia ; & no colloquio t9 Oceano. ^^^ intitulou também Atlanta, diz defta Ilha coufas admiráveis. Donde inferirão algunsj com o raeímo Platlo, que pois a Atlanta era mayor que Africa,& Afia juntas , extendendo-fe defdeCadiz ,ou boca do Eftreyto atè ás que hoje chamão índias de Caftella , ou Antilhas , &c atè ás grandes Ilhas chamadas, a líabella , ou S. Domingos , ( que tem de compria Ilha que mento cento & cincoenta legoas, 6ç de largura quarenta )
ta vencedora de Hef.

A fSofJlTAdJ.^W^^^^^
1,

'-"d

^

fegunda opinião he tomada ejfPz^/o^.P/áiíowííí, de

Thymeo,

haviaiànovemilannos,queos Athe-

nienfes tinhâó vencido,

&

& &

&

chamão de S. Joaó,& outras varias Ilhas inferirão, que a tal Atlanta occupava a mayor parte de todo o Oceano &, que entre ella, & Heípanha naó havia mar algum^ accrefcentando que a Atlanta fe fobvertèra
hoje
-,

,

,

eom

&

immenfas aguas que por ella corriaõ , &: com os fataes incêndios, t6rremoto3,que dos mineraes de cobre, enxofre, falitre,pedra hume, arrebentarão de talforte,quetodoofe,uvaítiflimo lugar ficou fey to hum
as
í/.
.

.

mar

W

GJápi

I. 8c II.

Das primeyras duas, Sc falfas opiniões*

j

mar apaulado , fem em muytos annosfe poder por clle navegar^ atè que com o tempo fe purificou a lagoa tão fatal , & ficou hum Oceano Occi*
miiy tas llhàs , como relíquias da Atlantaj , de que humas faó as fobreditas Terceyras* Confirmaõ efte juizo com muytos , & mtiy vários ejíemplosa 6 tirados de António Galvaó no feu tratado de diverlos defcobrimentosi porque naõpòde negarfe que houve já em outros tempos muytas terras^ lihas , Cabos, & Angras, ou Enfeadas , que desfizeraõ as aguasiôc aparta* raó humas das outras , pela pugna natural dâ humidade da agua com afe* cura da terra } & aflim dizem muytos , que junto a Cadiz houve as Ilhas chamadas Frodifias, muyto povoadasj & que a mefma Ilha de Cadiz era antigamente continuada com Hefpanha j & que de Heípanha a Ceuta íe continuava a terra firme, & fe paflava por terra 5 a Ilha de Serdenha com Corfega,a de Sicilia com Itália ,Negroponte com a Grécia i&confór* meaPlinio lé. 2. cap.Òy. g^ loo. antigamente fe formarão de novo as Ilhas de Delos, & Rhodesj & a húa o mar cortou da terra j como a Sicilia da Itália, a Chipre da Siriaj & outras a mefma terra firme livrou do mar parafi: femelhantemente pois podemos dizer com fundamento , que as Ilhas Terceyras , ou foraõ partes da Atlanta ou de Portugal foraõ cordental ,
,*

& navegável & nelle

~"

tadas.
ito«K

CAPITULOU.
DafabulofallhaAtlantà*
7

T^Eftafegundaopiníaój como de huma mais krgí explicação da primeyra, & confirmação , fe pôde dizer fer mais falfa a* ^^XHnda epwiad dÀ
fahalâ^,
''^^'**

húa mentira fó com outra fe confirma ; & airi* ^^^""^^ > ^^ da que a authoridade de Platão he muyto grande no que prova coma-f''?/^^f^ razão , & mereça credito de tef ouvido o que conta que ouvio ^ nenhum ^""^ ^ credito merece quem lho diíTe , pois faó faáos, que fem fe provarem, íiâo ié crem mayormcnte quando feus fundamentos, ou faó maiiifeftamentd falfos , ou íonhos aéreos , & contra o commum fentir dos mais Hiftoria*'
inda, pois ordinariamente
j

U

dores.
8

Vamos pois aos fundamentos.

O primeyro fundamento de Plataô he
-,

,

havei*

elií

íêu teitipoji

nove mil annos que os Athenienfes tinhaõ vencido aos moradores da Ilha Atlanta & ifto he tão falfo , que fe falia de annos folares de doze mezes cada hum , nem ainda hoje ha tantos annos que Deos creoU o Ceo j & a terraj & fe fuppoem que o mundo dura ab sEterno , como parece fuppoz depois feu difcipulo Ariftoteles, he húa quafi herefia, que fe fíão pôde di* zer;fe porém falia de annos Egypeios, ou lunares j deites não contém mais nove mil, que fetecentos & cincoenta annos folarcsj & como PlataS'
floreceo quatrocentos

& cincoenta annos antes da vinda de Cíiriftó, qíie
mil& duzentos annos
folares antes d<í

juntos
tão,

com

os ditos 750. fazem

nafcimento do Redemptor ,

fegue.-fe que temerariamente diíTeraõ â Pia» (fem efcrita hiftoria alguma , ou outra prova ) que 75 o. annos útitest

çinhão já os Athenienfes vencido a Atlanta » pois

nem

*

teftemunhas VíVaâ
pofl

Ai)

-j

4

Livro I.

Do principio das Ilhas do Oceano Luíitanas.
ter
i

:lt!

Ill

de Ti^íQi.annosantepaflados &abayxo veremos que J200. annos antes da vinda de Chrifto 3 naó tinha havido tal Atlanta^mas »tvj ,....,>i.ii > y, p Oceano immediato fempre a Hefpanlia. contar Plataõ da Atlanta, que efti^ fegundo fundamento he, 9 vera antigamente nefte noíTo Oceano , lançada defdea boca do Eílreyto, ou de Cadiz atè as índias de Caftella ,gu Antilhasj^ & que era mayor que Africa , & Afia juntas & que entre ella , & Hefpanha não havia mar algum i mas que , por fe fóbvérter com agiias, & mcendios , deyxára o feii vaítiáimo lugar feyto hum paul,. & por muytos annos innavegavel 3 atè que com elles purificado , ficou feyto o Oceano Occidental que hoje te-mos. Ao quefe refpondcj qijeeom muyta razaó a hiftoria fe comparou à pintura, pois o hiíloriar lem fundamento , he pintar como querer j ôc quanto fem fundamento fe diga o fobredito, 10 Moíbra-fe primeyroj porque implica, & repugna com a razão, ter eftado a Atlanta nefte nofíb Oceano , & com tudo fer mayor que Africa, & Afia juntas ; pois ( como confta por experiências ) de Portugal a Goa vão cinco millegoas, & de Goaá China vão mais de mil , & duzenpor expetasj & fabe Deps quantas vão ainda atè o fim da firme Afia j efte Oceano todo não tem tantas íegoas} riência também conft^ , que pois ainda que a Atlanta não correíTe defta forte , de Occidente a Orien-^ te, (oquf? herontra onícfmoPlatão) mas correfl^e denoíTo Norte ao Sul, ainda por^^eíía via não he mayor o Oceano , defde o noífo Norte , Pólo Arâiico atè a terfã Atiílralalèm do Eftrey to de Magalhães da parte do Pólo Antartico: logo fe a Atlanta era mayor que Africa, &: Afiajun* tas, & o noíTo Oceanq hémuyto menor que ellas[,'rfepugna ter eftado tal Atlanta no dito Oceano , falvo fe diflerem que eftava no mais vafto , 6c ajto ar, & ficará^ua opinião verdadeyramente aérea. 1 1 Moftra^fe fegundo j porque também contra â razaó natural he, queeftando a dita Atlanta pegada com Hefpanha, fem haver mar eu-?: nt^^r^móaj/ÍI. tremeyoj & eftando Hefpanha , & Europa com Afia , & Africa pegadas, ra ^dado qtte a. hottque comtudo ainda a tal Atlanta foíTe Ilha porque Ilha he aquella tervejfe^omõeTa^ ra, que por toda à parte he cercada de agua j & fe a Atlanta pegava com Afia, & Africa , bem fe fegue que não era Ilha & fendo mayor que as 4}:iasjuntas,& naó fendo eftas( como confta} em fi Ilhas, menos opodia fer a tal Atlantaj & fe o mar deftruhio huma tal , & tanto mayor parte queAfrica,& Afia, com máyor facilidade deftruiria alguma deftas que era tanto meiior que a Atlanta: logo coufa he evidente, que Atlanta tal nunca houve em efte noflt) Oceano ,& que as noíTas Ilhas delle nunca foraõ partes de tal Atlanta. E fe quizerem dizer , que pofto que a Atlanta pegaíTe com Hefpanha , pegava comtudo por tam menor diftancia, ou por lingua de terra tam pequena , que a ficava fazendo peninfula , id efi ,pene infula, & poriflíb ainda com razão a tal Atlanta fe chamava Ilha: contraiftoeftá, que ainda (como dizem) a dita Atlanta em fi era maa P ^ Africa , & Afia juntas & fe eftas fendo menores , ainda não faó ^^AdaMavencef. ^^^ ^^^^ ílhas, menos O podia fer a tal Atlanta mayor. fem aos deHe/pmha, 12 Moílra-fe terceyroj porque dizer Platão,í/íyí//'rP.,que OS Reys, hefalfidade, apanhadnpelos Reys quefo- & povos de Atlanta (por efta eftar pegada com Hefpanha) vencerão aos rAõde fíe/jíarjha^ Reys de Hefpanha , & fenhoreàraó grande parte delia > &c. he falfidade
podíaójà então
,<
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O

-,

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&

&

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:

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,

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evi-

Cap^IILDafabuIofallha Atlanta,& prim.Reys daLufit.

5

evidente , que como verdade creo Plataô , 8c Ç cuydando fer tal } a efcreveo. Prova-íej porque das liiílorias mais antigas, &c geraes do mundo , ôc emefpecialdasderiefpanhajfabemos dos tCeys todos que nella houve atè hoje , defde o diluvio de Noè j de nenhum delles conta Author algum (mas fó o fonhou Platão} que foíTe vencido de moradores da Atlan-

&

que com eftes tiveííe guerras , nem ainda das taes guerras ha hiftoria algúa , havendo-a de muytas outras guerras: logo fó fonhada he^Ôc nXo
ta^íiem

verdadeyra , taõ chimerica Atlanta de r latão.

CAPITULO
n

III.

Dosprimeyros Reys de UeJ^anha^ &PortugaL
65 6. annos folares da creaçáo do mun* do 5 em que acabou a primeyra idade delle com o diluvio de Noè j repartio eíle o mundo aos três feus filhos. Sem , Cham, Japhet, dando Afia a Sem , a Cham a Africa , deo Europa a Japhet , que an-

S

Abemos pois que aos

1

&

&

de vir paraella, teve ainda Una Arménia hum quinto filho, cha- %^^''"T"f .j-if^ mado Thubal , que efcolheo para fua habitação a mais cccidental , &: ul- i,^j'i^ilg'^gf/pi,g^ tima parte dâ Europa, que fe chamou depois Hefpanhaj ôccomo Deos „etodeJS!oè &aprientão a cada hum concedia copiofa defcendencia para reparação do Uni- t„tyrA povoarão de verfo, entrou Thubal jà com muytos defcendentes pelo mar mediterra- Hejpanha foyCttH'^ neo atè chegar ao Eftreyto de Gibraltar, & defembocar por elle em o vaf- vai em Perta^aL to Oceano, vifto o qual, & não querendo verfe em outro diluvio como Japhet feu pay , & feu avò Noè fe tinhão vifto , voltou fobre a mão direyta , coíteando por mar fempre a terra , & veyo a dar em a foz de hum
tes

^

aqui , faltando em terra , fiindou nella húa povoação , a que chamou Cethubala , que quer dizer , (Ajuntamento, ou Povoação de Thubal) Villa hoje celebre, & celeberrimo porto,feis legoas da Real Cidade de Lisboa. Efta Cetuval porém foy a ordenada Republica primeyra que houve em toda Hefpanha, de que foy opriaos 1 80 1 da creaçaó meyro Rey Thubal , aos 145 annos do dihivio ,
viílofo
,

& bem efprayado

rio

,

&c

.

&

.

do mundo, & 2 161. antes da vinda deChrifto Senhor noíro:& reynou Thubal 1 5 5 annos , 6c faleceo aos 3 00. depois do diluvio, & foy fepuítado no promontório , ou Cabo de S. Vicente ; tendo fempre obfervado a ley da Natureza de hum fó Deos, & a lingua Hebrea , & deyxando já povoada muy ta parte de Hefpanha , & muyto mais a efta fua primeyra , que
.

depois

fe

chamou a Lufitania.

14

panha feu filho Hibèro, nella jànafcido, que Hibèro fe chamou, por no mentor da. pefcariamefmo tempo ter vindo da Hiberia da Afia a Hefpanha o Gigante Nem- & bifneto de JVcè, broth, fegundo primo de Hibèro , & neto de Cam , 6c bifneto de Noè j o fegmdo primo do 6f^ qual Gigante deo também o nome ao rio Ebro , & foy chamado Saturno: £"»(« Nemkroth, como também chamarão a feu bifavò Noè, por fer Saturno nome que davâo aos primeyros fimdadores,& fer Nembroth fundador de muytos po» vos em a mais Hefpanha como aos filhos dgs fundadores chamavão Joti ves, ou Júpiter a cada hum,6càs filhas charaavãojunosa & aos netos Her«
j

A efte primeyro Rey Thubal fuccedeo no Reyno de toda Hef- ^/„£y^ mbWoJnA

O r*çude Rey deHet

II

A

iij

culesj

6

Livro I.Do principio das llEas do Oceano Luíitanas.
5

cules

& aíllm fingirão
,

os Poetas miiytas fabulas

j

mas não obftantevir

Nembroth com varias companhias de gente , & ferem bem recebidc-s de Tluibal, fempre efte foy o Rey abfoluto de Hefpanha:,& depois delle feu filho Hibèro de quem Hefpanha fe chamou Hiberia èc foy efte Rey o
;

primeyro inventor da pefcaria ,

& reynando

trinta ôc três

annos , falcceo

aos 333. depois do diluvio univerfal. efte fegundo Rey de Hefpanha Hibèro fuccedeo feu filho 15 ?, T!^" n^?á^ dubeda^ OU J ubalda , em CUJO tempo morreo em Itaha leu treíavo IN oe, neto terceyro de Noe f Helpanha fe hia povoando muyto , &r muyto ^6 90O. annos de idade i qite então morreo: o quarto Rey foy Bri- mais por Cantábria 5 reynando 66. ano que hoje chamáo Caftella , ^Kí/?í«áí-» wa;aos 1905. antes da ^0 nos Idubèda 5 morreo aos 400. depois do diluvio,

A

&

&

&

&

,

&

n

•3

A Idubèda fuccedeo por quarto Rey de Hefpanha feu tHga ,&n2m oíí po^^^ Brigo, que r mais aftey coado aos Lulitanos , lhes fimdou muytas &'1 por Tjoar Htberma,& lhe ri. jijCidade j i O íobrenome de Briga, como a r^- j j de Lagos fuccedtono Reymfen Cidades, que tomavao filho Tago fHe deo o 110 Algarve fe chamou Lagobriga, a de Coimbra Conimbriga,& em grannome AO RioT ejo de parte de Hefpanha veyoonorne Briga a iignificar omeímo que Cimandou povoar Ber. dade & efte Brlgofoyo que mandou povoar Hibernia, que de outro beria em Ajrtca & Hefpanhol, chamado Hiberno , feu defcobridor primeyro, tinha já tomamia em a jia^ ^^ ^ nome de Hibernia. Reynou Brigo 5 1 annos , & feu filho Tago foy deo o nome ao celebrado rio Tejo ; & em quinto Rey de Hefpanha , trinta annos que reynou, mandou povoar Berbéria em Africa, Fenícia, Ofexto Rey &fiího Albânia em a Afia. Succedeo-lhe em fexto Rey de Hefpanha feu filho BedpmntoJoyBeto,^ to , f chamado por fobrenome Turdetano) &delletoda Hefpanha to'v àeoonome deBettca " \ / r a jt^^o a Hefbanha, chama- ^°^^ O nome de Betica^ que ficou a que hoje chamao Andaluzia, & ao no dahoje AnialHzÁa,& Betis, que paíía por Sevilha ,& a que hoje chamaó Guadalquibir , nome ao fen rio Betis], hoje Arabigo j que quer dizet-Rio Grande. Reynou pouco mais de trinta anCHadalqtiíbir-^&por nos , morreo aos 2167^ da creaçaõ domundo,5ii. depois do diluvio, nao deyxar filhos a. ^ 7^0. antes do nafcímento de Chrifto & nefte Rey Beto , fexto Rey de Hefpanha^ & de Noè neto fexto, & quarto neto de Thubal, acabou a pri^doí^ReLd^elbanha defcendentes de Noe ífieyra, & mais Real defceudéncia dos Reysde toda Hefpanha porque femg^atè entaõhon- morreofem deyxarfilhos algus !& com ferem já entaó de Portugal muyi/ejfe noticia algua da tos OS povos, & Cetuval a principal cabeça delles , & de toda Hefpanha, fakítlofa Atlanta; & Hnádi em PorUigal fe guardava a léy da Natureza ^ & de hú fó Deos.
,

tas Ctdades trn Por-

^ -j^^^ ^^ Chrifto.

\

&

:

,

&

&

,

t-u

\

:

,

ficando ainda PortU'

galem averdadeyra
Ity

da Natarez.a

,

&

de hUfó Deos,

C A P
Dos qiíe metíeraÕ a

I

T U L O

IV.

Idolatria

em Hefpanha ^& da prhneyra

batalha que houve nella.

O /étimo Reyfoy 9 celebre Geriaõ,ã vindo

16
(

de Africa a PortmaL r oprtmeyro ^ * foy
.

de Hefpanha, veyo logo amVAga aílim a Coroachamado Geriaó Deabo,de Africa oforte & de biciofo Gigante
5

tal

inven-

tor

de minas de ouro

'&'prat7"&Zit"e'o"co
elUi a Idolatria

em

com capa de piedade, & inventados novos facrificios de varios,& muy^°^ Deofes ) enganou aos devotos Portuguezes , que o elegerão Rey {tw^ ^ de toda Hefpanha, & foy delia o Rey íèptimo , & o primeyro inventor
;

Hejpanhíi

, er a primeyra guerra ejuefe

f^be haver no

de tirar da terra minas de ouro, prata , & outros metaes , & lhe chamarão Geriaó Chryíeo , que quer dizer Geriaó o Rico & affim com a riqueza mudo; eíitroua Idolatria em Portugal. Vendo iftoos Andaluzes chamarão fe'

\

^

'

.

creta-

iaÉHHHl

IPP

Cap.IV.Dapnmeir.Idolatna,&guerraqentrouemHerp. 7
cretamente de Itália o celebre Capitão Ofiris Dionyfio , de quem depois ^,^^^^_ ^ ^-^^^ ^^ y^^ vindo com muy tas gentes , deo batalha tdh» matou ao fe inventarão grandes fabulas , he CeHad &fcy oprivenceo , & matou j o campai ao Geriaó junto ao rio Guadiana , meyrohomem ^ueena riqueza riáo fó começou a Iddlatria , mas muyto de advertir , que com a guerra pois dizem que foy efta a primeyra que fe fabe ter havido em o

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1

j

depoisvinãoOJins dê

&

\

&

&

&

;

,

mundo todo

;

& foy efte Geriaó o primeyro homem

,

que

em Heipanha

'^^X^l
^^
'

íepultáraóem a terra>(coftumando-featèli,deytarem os humanos corpos em os rios, ou deyxarem-os nos campos em arvores pendurados)que riquezas , a l'e eite foy o primeyro que abrio a ferra , para delia tirar fuás tragar. Morto pois elle, também primeyro, a mefma terra fe abrio para o

^.rata, -

o Geriaó, &: fugidos da batalha três feus filhos , chamados Geriões Lominios, chamou-os outra vez Ofiris , & a todos três fez Reys de Hefpanha, avifando-os não foíTem comofeii pay , para não morrerem como elle. E voltando Ofiris para Itália , & Egypto , deyxou a Hefpanha fey ta idolatra de muytos & muyto falfos, & creados Deofes, em cuja idolatria continiiouatè avinda dos Apoftolos de Chrifto , que foy 1 760. annosde, ,

pois.

o que metteo em Hefpanha o novo modo de contar annos de quatro mezes, como entaó já contavaó em o feu Egypto, & em Hefpanha durou efte modo de contar annos , atè que muyto depois vieraó os Romanos com o outro modo de contar anhos por Eras de doze mezes j & por iflb as hiftorias que fe achão de mais milhares de an^ nos do que ha qUe o mundo foy creado , fe devem entender dos annòs lunares, ou deftes de quatro mezes. Donde fe fegue , que os noventa annos , em que antes de Platão ( como elle diz) tinhaõ já os feus Athenienij

Foy

efte Ofiris

vencido a Ilha Atlanta , fenáo cráo annos lunares , eraõ os de quatro mezes , dos quaes em noventa de lunares ha fó três mil de quatro mezes> & em trinta de quatro, ha fó mil de doze , que com os 450. cm que Platão floreceo antes da vinda de Chrifto, fazem 1450. annos folares de doze mezesi & como aeftes 145 o. vgo já chegando os Reys de Hefpanha, veremos claramente que nem os da Ilha Atlanta vencerão já mais aos
fes

Reys de Hefpanha nem os Athenienfes aos da Atlanta , nem tal Ilha Atlanta houve no Oceano, nem efte deyxou de andar fempre junto aHef,

Oytavo, mno,

&

del^

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Í'

^"''J'

Sendo pois oy tavo, nono , & decimo Reys de Hefpanha os di- XfXceri"õ''D&. tos três irmãos Gerióes, filhos de Gerião Deàbo , tam uniformes eraó en- ^g & fteraõ p^atar trefi,&: muyto mais na crueldade, que temendo-fe què Ofiris voltaíTe KoEgyptoaOJíris.njoi outro filho defie cha^ fobre elles alcançarão deTyphon Governador do '^^j^to i^irmzò mais velho de Ofiris, que mataíTe a efte feu írmão, & ficaíTe Rey de Egy^ ""cf^^tú^^^^ ptoj&crudeliíTimartienteaflímfe executou porém como de Ofiris fi- '^^uèo &Toí tt^^cíí cou hum filho , chamado de antes Oro , & depois Hercules, ( por fobre- „-^^ '^ ^^ dejkfioí^^ nome Libyco, em diíierença do Hercules Grego ) tanto que o Libyco jtf„to a Cadiz. onde foube da cruel morte què os Gerioés ordiraó a Ofiris', nâofó deo a morte levantou ai coiHmnoí; ao tio Typhon,& aos mais culpados na paterna morte,& ao Gigante An- &da<^mfe kvfMta-^ tèofenhor da Libya, mas também com grande exercito veyo aHefpa}em7So^m!^J nha , & Portugal & vendo que os PortugueZes acodiaó pelos três Ge- 'J^jlJj^l^ aUuf rioés, a eftes defafiou , a cada hum per fi , & á todos três matou j & oS eti- ^«^^^^ ^sfom^i'^ guerm terrou junto a Cadiz, ou Gadis,{ nome Hebreo 3 que qiier dizer coufâ fi
<

panha. 18

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ílõtt^^T^

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flalj

B

Livro I.Do principio das Ilhas do Oceano Luíitanas.

nal, ôc

extrema , por alli acabar a terra firme ) alli levantou as celeberrimas columnas de feu grande esforço: eita foy a occafiaõ daqueiias fa-

&

&

Vndecmo

Rey

, delks alcançou , que por Rey de Hefpa"'laaceytaíTemafeu filho Hifpalo,&foy o undécimo Rey de toda eilaj [HccedcofelifilhoHtjparjo,& deães a terra & governando-a fó quatorze annosjlheluccedeo feu filho Hifpano, ou /echamoaHe/panha, Hifpáo, annos 604. do diluvío, i70 2.antesdonafcimento de Chnfto,&: os moradores fefi- 2260. defde a creacaó do mundo; fundou tantos povos governando, "^"^ ^^^^ Hifpano', &c do pay Hifpalo tomou todo o feu Reyno o nome Z7hçes-&mortffí» ^^ Hefpanha,& de Hefpanhoes os moradores, do nome do íeu Rey duofiíLI*e}e '"Hifí?am /^fjAToa o 4í/à^w«Ne<^^"^" Hifpano rreynou trinta & hum annos, &morreo fem deyxarfíUs Italu por vir fer IhoSj O que fabendo em Itália feu avó Herculesjdeyxou Itália porvir fucRey de Portttgal , & ceder a feu neto , reynar em Portugal, & Hefpanha ,& nella teve ainBa Bejpanhn morto q fceptro vinte annos, &" morreoji velho , no de 65o. depois do diluvio,

fílt^fffo^^hhl'^'

do Gerião de três corpos com húa fó cabeça > do Gigante Antèo fílho da terra , morto levantado delia & das columnas de Herculesj & de a Hercules Grego accommodarem as acções do Libyco , & ao Libyco as do Grego, com outras fó poéticas ficções. àe i^ MortosjáosGerioés, queforáooytavo,nono, & decimo Reys ^^ Portugal, & toda Hefpanha , & não le atrevendo o mefmo Hercules
bulas
-,

b%Vihfj&

aefie

^^^^^ gu^rra aos Portuguezes

&

&

&

,

&

Cadtz.

7o'7ofmm

adorado°por''refDeZ\

&lhefHccedeo //>/;' /)í?>-o/?;íí>w4ií,y»eíigypciano;& por fuás grandes obras Hejpanhadeo onome Hercules, de queo mais celebre foy d.e Hejpena efies Amphitrion , a quem attribuiraó ;

^^^^" ^^ ^"^^^^^^ ^° mundo, 1670. antes do nafcimentode Chriftoj ^y e^^errado cm Cadiz } dos Gentios que vinhaõ á fua fepultura em romaria, foy adorado por Deos ,& lhe chamarão os Antigos Apollo E-

&

&

&

tomáraó muytos depois o nome de o Grego Hercules Alcèo , filho de muytas das grandes obras defte noíTo

^ey Hercules. TaLllRe'ZZ7.^^^''^°^^'''^y''' Pordecimo'quarto Rcy de Portugal , & Hefpanha nomeou ^° panha ,&^Portu<raí fem haver de Atíw' Hercules, antes de morrer , a hum irmão , ou parente feu , chamado Hefpêro, famofo Capitão j que comfigo tinha trazido de Itália } & efte foy o ta noticia algtía.
que a Hefpanha deo o nome de Hefperia , ou Hefperida porém como Btcimcauimo Rey '^^^^ Hefpero foubeíTe hum irmão feu , por nome Atlante ítalo , que era defíejpanhafoyofa. pòuco aíFeyçoado aos Portuguezes ^ & Andaluzes, com huns, & outros m^fo Atiante, trmaõ veyo de Itália a ajuntarfe , & em varias batalhas defpojou do Reyno a í/o^f«wo^»<ímí/>/: Hefpero, que para Itália fe voltou fugindo, tendo reynado fomente onpero,&por efiefe dar 2.Q annos em Hefpanha, que começou Atlante a governar , fendo delia o »?<í/r^»í osPortugue' ^ ' decimo-quinto, & o mais amigo dos Portuguezes, & tanto , que em z.ts. chamarão ejíes ao -n ^ ^ ^1 , t ti "o^tugal vivia ordmanamente, &dahi governava toda Hefpanha. átto Atlante ^é" o R'
;
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Z.erao feu

Rey , venlançando ^

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fóraHcipero.

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T U v O • L ^ V,-

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Do dedm-quinto Rey
E porque jítlâteve^
J/o por

de HeJ})anha Atlante i fundamente

dafabulofa Ilha Atlanta,
T"' Aqui defcubro eu o fundamento que teve Platão para'dizer. %^^ que OS Rçys da Ilha Atlanta vencerão aos Reys de Hefpanha, & fenhoreàraõ grande parte delia j porque como efte Rey Atlante de Itália veyo por mar a Portugal, 6c em varias batalhas , ajudado dos
21

mar

a Hejpa-

nha,& defte fez. fugir aoRey Hefpero feu

trmaã^da^ut fe levaro»A^í,fr«í^»;4^>«?-»

Por.

¥P

Cap.V. DoAtkntejquepormaryeyoaHefpanha.

Porcugezes ,yenceo totalmente j 6c defpqjou ao Rey de tJç./Jdl^qleJen^ pêro, Atlanta cuydàraófer efte Atíknte j &: por vir com muytas gentes ceoemgmrraaHsf^ dos que, com elle vie-^^«^^, por mar , ao tal Atlante chamarão Ilha Atlanta , r^ó jciiydáraó fer da Ilha Atlanta moradores , & daqui, inferirão que os Reys, 6c, moradores dajlha Atlanta- vencerão -aos Reys de Hefpanhai & como a Itália ^ entaó.mais.por mar do que por terra ,feGomraunicava pom Hefpanha , fendo que tam bem por terra fe communicaj daqui tam*

f Hefpanha Hei

U

que a Ilha Atlanta^ fendo Ilha , pegava também com Hefpanha j 6c porque Platão , 6c os feus naó fabião ainda a largura , comprimento do Oceano , por iíTo neíle cuydàrão ter eftado a Atlanta, qiie muyto mayor fingiaõ do que na verdade he o Oceanoi & emfím , como jà em tempo de Platão fe fabia não haver jà tal Atlanta no Oceano, re* de fuás próprias aguas, foi V èráo , ^ diííeraó , que tinha fido do mar ^ fubmergida quafi toda j 6c eis-aqui porque cuydàraó alguns depois , que as Ilhas do Oceano faó reliquias deyxadas da Atlanta , fendo tudo pura
ijem levantarão
,

&
'

&

falfidade levantada nos pès do noíTo Atlante.

22 A efte decimo-quinto Rey de Hefpanha Atlante chamavaó de }}porque, co* antes Kitim, 6c depois , íbbre Atlante , lhe chamarão ítalo Atlante então mo os Gregos aos bezerros das vacas chamem ítalos, 6c tempos , 6c foíTe fenhor de muytos gados, que erâo as riquezas daquelles Italo56c o fugido mpro fè daquellas terras, por iflb a efte Atlante chamavão por fobrenome como fe^ taZfenhor de ítaainda à mefma terra que mais abundante era de gados, 6c bezerros, Atlan. Ita, Ainda hoje he, chamarão Italia,6c lhe confirmou tal nome o mefmo l^^fÍTllT Eftando te ítalo, quando depois voltou, como veremos , a governalla. ^^fora delia fpi lhe f^/^^^^,^^ ^J^,^^ poisem Itália Hefpero, &Atlante em Portugal, 6c fabendoeftejue toda Itália , 6c que lhe chamava Hei- „ome de Hef^erta ,m Hefperofehia fazendo fenhor de (fendo Hefpanha;& porque peria agrande,páradiftinçaódanoíraHefperia, ou Hefpanha,
quaritrezen-. atlante M^^m do ex^ eftamuvto mayor do que Itália, pois a noíTa Hefpanha tem tem Itália 250. tas legoasdecomprimento, 6c Itália tem fó 255. nolargo ;rf yj;^^;^^legoas,6c 630. de fó foz. no mais largo, 6c Hefpanha tem de largo 25b. f- /7^,^;3; igualmente circunferência , pouco mais ou menos , fallando fempíe , 6c EleUra,&outra cha. de legoas de quatro milhas cada húa, ao modo Hefpanhol ) determmou- ^^^^ ^,^^ ^ ^^^ efte vendo-o la, com os [emTonugue^ fe Atlante voltar a Ital ia , 6c fazer guerra a Hèfperoj mas & com muyta foldadefca Portugueza, logo veyo humilde íligeytarfelhe, x.tsfoyaque prmcU morreo dahi a poucos dias , 6c Atlante entaó cafou aEledra , fua filha ^;>«/"«J /^^^{J ^;^, Portugueza , com Saturno filho de Hèfpero, 6c os mandou povoar,6c g^Alpes , 6c ficou-í^ Atente lentiQi.a0 ^^^ ^ f,^^^^ vernar certa parte junto aos montes

&

.

&

f^^^

toda

Itália.

Tinha Atlante levado de Portugal comfigo (alem da Por23 tugueza Eleftra fua filha ) a outra Portugueza filha , chamada Roma j 6c

y

ts

1

«

como vio que efta goftava mais de tratar com
turaes ,

os Portuguezes

,

feus na-

que Atlante de Portugal tinha levado , deo-os por vaflallos à dicâ Capitolino de filha Roma , ôc lhes fundou huma povoação em o monte Roma, de Itália , ^ lhe deo o nome da dita filha , chamando à Povoação, que a filha Portugueza ficou fey ta fenhora j 6c efte lugar he aquelle ,qúa
depois
celeberrimos irmaós, reedificarão, 6t âc« cabeçadoffltitl^ crefcentàraÔ , 6c he hoje a famofa Roma , que depois fby do todo , aíTejnto de feus Emperadores , 6c hoje de toda a Igreja Cathôlica

Rómulo

,

6c

Remo,

IO

Livro I. Do principio das Ilhas do Oceano Luritanas.

he a cabeça , Corteprimh fundada , povoada pela Nação Portugue2a,pofl:oque depois reedificada pelos dous irmãos Rómulo ,& Remo. Nem pareça nova efta fentença , pois muytos Authores dizem que antes de Rómulo, Remo era fundada já Roma , fe chamava Valenciai outros , que fora fundada por huma neta de Eneas , filha de Afcanio que , tinha por nome Roínai outros, que por alguns Gregós,que alli vieráo depois de tomada Troyajêc outros, qUe pela Portugueza Roma, filha do Xlito Atlante , nafcida, & creada em Portugal, como fe pôde ver no i .tom. da Monarchia Lufitana Ub. j. câp> lo. & fe de Conftantinopla dizem muytos , com Garibay lib. 3. cap. 6. que naô foy fundada , mas fó reedificada por Conftantino } & que também Lisboa foy fó reedificada , & não fundada prima por Ulyfles , não he muyto que fe negue ter fido Roma fundada pelos dous Rómulo, Remo, quando tão nobre principio lhe damos, como huma Princefa Portugueza , filha dô grande Rey de toda Hefpanha Atlante > de quem fe fingem Poetas que fuftentára ao Ceo fobre feus hombros , com verdade nòs diremos que a Roma , como a cabeça do Ceo da Igreja Gatholica,fundou a filha de AtlantejÔc niflb mais moftrou fer húa Real Portugueza, Roma hum Régio parto Portuguez.

&

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&

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&

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VI.

í>õsfegumteiRey$deHeJpanhadefcendentes de Atlante.

H A
,

Ntes pòrèM
tinha,

além das duas filhas Roma, & Eledra , tinha mais há filho, âinda de pouca idade tliamado Sícòro i & fazendo-o primey ro ac^ clamar Rey de toda Hefpanha , fe foy acudir a Itália , & nella , pela dita Pôrtuguêzaj filha fua Roma fez pnw^ fundar a Imperial Roma aos 678. , annos depois do diluvio, Í334. ^^ creação do mundo ,1628. antes do nafcimento de Chrifto. Deyxo as Varias fabulas que defte Atlante fingi^^o os Poetasi por continuai com oS antigos Reys de Hefpanha r para o r :Decm(i.fextoReydeinitntoà2ih\Vtonz.
,

r\

íque Atlante Vòltaffede Portugal para Itália,

.J\ reynando quareiltâ ^lXárf% ^^^^^^^ ^Decimo^fextoRey de Hefpanha ficou feyto Sícòro por tempo nafceo em
de

filho

de

AtLte;& òdfci'

aniios,

efte
,

Patriarcha Moyfésj m9.fef^ti?»o foy ska* ^° °
»», {filho de Sichro) o fefidia, naícíéo

&

Egy p-

em Portugal onde principalmente Sicòro

hitm fetl filho chamado Sicàno , que ( morto o pay ficou ) ^HalSickno,comPor. decimo-feptimo Rey de toda Hefpanha com reynar trinta > hum

&

tugnez. exercito foc- aflnos

&

em Hefpanha guerías como nem feu pay Sicòro as ti'."^^s ,os Pórtuguezes que tinhão fundado Roma erão per. P^/q"f ZZftlTJoTRl ?^' '^g^^^os la dos Aborígenes, & Enotrios, comarcãos do Tibre,Sicàno ma,&a livrou dos lhes
, náo teve
, , ,

Cyclopas,
ties^

tal fodcorro, & após efte, & venceo a Ilha foy O mefmo Rey Sicàtto com tal exercito que como famofo Capitão Trinacria, de Si. venceo, & de todo deftrt^hio, não fó aos Efiotrios, U Aborigenes,ma$ aos Cyclopas, & Letrigones que roubavão â Ilha Trinacria ( af'2t tZsi^cZ' ?'^T^' ^'Vh^"^^^^ %'.^õ por eftar formada em três quinas) que agradecida ;4-->tlt2 ^^^rtuguez Sicano
> ,
,

& Letrigo- J^andou de cà, de Pórtuguezes & Andaluzes
<jHe
,

,

,

mujtof Pmfsgftczes,

"^^

,

feu Reftaurador

,

delle fe

chamou

que o tempo mudou

em Sicilia, & he hoje a famofa Ilha

nome defte nome , não
Sicania ,

W^^

Cap.Tí.DosReysdefcendeatesdoLuíítanoReyAtiãt.

t%

,

iabncáraó ferro, bronze, & armas delles j fabulizàraõ os antigos , que •ímliáoem oraeyo da tefta hum fó olhoj queeraó os próprios miniftros de Vulcano , Deos do fogo j & que faziaó os rayos , com que à terra atirava Júpiter , quando irado. Dos Leftrigones íe diz que erão povos tam
ferozes,
jtes,

íò reftaurada pelos Portugtiezes , mas por muytos delles , que ndla íicá«* raó 3 novamente habitada. Dos Cyclopas ( por ferem os pnraeyros que

&

& indómitos, que comiaõ carne humana, & como muyto valeu-»
,
3

,

& huns públicos ladrões, fumraamente todos os temiaó,& delles fiagiaõmuycas fabulas. E a todos eftes comtudo venceo, & desbaratou o Jt^ortuguez Rey Sicàno com os feus Portuguezes & Andaluzes & deyxando tComa, & Itália já libertada, & pacifica fe voltou a Portugal com
,

.

alguma parte de feu trumfante exercito , atè que cá morreo , tendo (co•mo já diífemos} rey nado trinta & hu annos. 26 A efte Rey decimo-feptimo Sicàno fefeguio SiceIeo,feU filho, & foy o decimo-oytavo Rey de Hefpanha , quando jà em Itália reynava ^J^lZlT/fo Si Jazio , filho da Portugueza Eledra, irmã dò Rey Sicòro avò dõ dito Si- ^^p^^ iil" de Stcanô celeoj& porque a efteJazio queria feu irmão Dardano defpojallo do Rey- ^ »í'ío de Sicoro no de Itália, pedio Jazio foccorro ao noflo Rey Siceleo,que ^^Síznáo bijaetode jitUnte-^& logo a Itália com poderofo exercito fez amigos entre fi aos dous irmãos, por^fte da filha dtftc hmúo'à ; mas o Dardano matando pouco depois ao irmão Jazio àtrey- oleara nafàrao fa. çaó , & voltando com muytos Aborígenes a dar baralha a Siceleo feu fo- ^^^j^^^^^ ^^^/^^^ brinho , foy defte taõ vencido, que fugindo não parou fenaó na Afia , & ^ ^^^ exerciío de neíla fundou huma Cidade, que delle tomou o nome de Dardania; & de Portugal Sicelh do hum neto de Dardano , por nome Troyo , fe chamou Troya , & de lio fí- t^ual fendo vencido lho de Troyo fe denominou Ilium , o qual lio foy pay de Laomedonte,&: Dardano, &fugindo avò de Priamoj & atè de hum genro de Dardano , chamado Teucro , to- P""""^ ^f"* Jmda/à moa a dita Cidade também o nome de Teucria & eila he aquella Troya ^"^'^ LldeDa^^ lamentada por Eneas, & feu Poeta Virgílio ; fe bem pôde ainda gloriarfe damfèchamou dI?: de ter fido fundação de hum braço Portuguez , qual era Dardano , filho dania & de Troyo deEledra, nafcida em Portugal, & filha do fobreditonoíTo Atlante: que neto de Dardano, fe fe Roma foy fundada por huma tal Portugueza que Ihedeo feu nomci '^^^'"offroya^&de Troya pelo filho de outra PortueueZa Eleftra , irmã de Roma , foy fun- 7'/^^" f/ Troyo ^f^ chamou Iíium\&ate A -n i-o dada , como partos do Atlante Portugal. Foy a fundação de 1 roya pe- ^^ 7eHcro,aenro de los annos de 1509. antes da vinda de Chrifto. Ficando pois Sicelèo fe- Dardano Je dencminhor abfoluto de Itália, deo delia toda o governo a Coribantho feu pri- nouTeucrta,& ajfim mo , filho do já morto Jazio & depois de alcançadas as vitorias daquel- como a famofa Roma Jes rebellados Aborigenes, em Itália morreo o Rey Sicelèo jdeyxando/e?'/'*»^*"^'*/'^^'»^'"'declarado Rey de toda Helpanha a Lufo , feu filho , que com os mais fe V'^'* ^'''«"/f ^ tnefmomme^aãmH „ Al 1 ^eyò logo para TJ ^ Portugal. fJalTroya^pihum
.

&

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fiJho

dá Tortuguexjt

CAPITULO
jj7

Mlélr.,m^upi,

VII.
/

mefra.

DoReyLufoy&fuaLuJttanadefcendencm»

"O \\

^y decimo-nono de Helpanha foy o dito Lufo,

& come»
ifá6

,ii

Ckifto, Sc
,

çou a reynar pelos ditos annos de 1509. antes da vinda dtí foy tam celebrada fua vinda pelos Portuguezes , que o cpíoâ-

F
11
TortHgal

Cap.VII.Do antigo Rey Lufo,
Vicente

Sc

fua defcendencia.^
,

Decimo-neM Rey de ^^^ folemnemente no celebre templo de Hercules

& Hejpa-

no Cabo que hoje

^^j^g^^^Q ^ç.

jj

i

&tam aíFey coado lè
povoaçóes tantas

moílrou aos Portuguezts,

Ihode Sic7leo-&do

lií;

^^^^^ fundou terras ,& j panha começáraó a chamar aos l^ortuguezes Lulitanos, & ás terras deftalLufo veyo\nome chjoí tes bulitania , nome que atè hoje conlervaó , allim a terra , como os moraine Lufitania demar cagões fe affi- dores delia j ainda que algus dizem que do dito Lufo, & do rio Ana, (que *"*°' he o Betis, ou Guadiana , que em mourifca lingua he rio Ana } tomou eíta Província o nome de Luíitanaj outros> que de Liíias tomou o nomcjôc Cs moradores de Luíitanos^ certo he que a antiga Luíicania comprebendia as Cidades 28 de Badajoz, Albuquerque, Merida , Guadalupe , Talaveyra , Alcântara, Placencia, ^amòra, Aviia, Ciudad Rodrigo , Salamanca , & outros muytos lugares daquella parte de Caílella , que chamáo Eftremadura yèc ainda toda Galiza, como diz o Agiologio Lufitano /owz.i. Hoje porém a Lufitania comprehende náo fó o Reyno de Portugal , mas também o dos Algarves, & por outras partes fe lhe accrefcentáraõ a Província de Entre Douro, & Minho , que era daGahza antíga,& a Província de Trás os Montes, que era do Reyno de Leaõ, & a Província Tarragoneriíe, & outroslugares daProvinGiaBetíca,ou Andaluzia, que Portugal hoje tem além do Guadiana & por ííTo todas eftas terras , & feus moradores coiiíervaó o nome de Liríitanía, & LufitanosJaz pois a Lufitania na ultima , 6c melhor parte de Hefpanha> 29 junto ao Oceano, em 33. gráos de altura , & acaba em 42. & hum quin* toj tem hoje de comprimento 91. legoas, daponta do Cabo de Sao Vicente para o Norte atè a foz do rio Minho j de mais largo tem trinta & oyto legoasjda Rocha de Cintra atè a ViUa de AlegretCj em oucra parte tem trinta & cinco, da barra de Vílla de Conde atè a Cidade de Miranda i & por outra parte tem vinte & féis legoas de largo , da foz do GuadianaatèoCabodeS. Vicente: em círcumferencia temmaisdeduzentas & noventa èí húa legoas , ( failando fempre de legoas de quatro milhas j & náo menores. } Do mais de Portugal , das Províncias , grandezas5& Nobrezas que contèm,& das Monarchias que tem ultramarinas, , & a íi fugeytas * como o mundo novo em o Brafil , no Maranhão, em AnP gola,^Ethíopiaa Alta,&emtodo o Oriente, defdeGoa atè a China; tmalfoySiculo filho deLuío;paffoff com tazaó de fer não fó húa das melhores partes de Europa , mas também da exercito a Roma U- melhor dei las, de Hefpanha a cabeça , por fer quafi toda Hefpanha hum ijroH.ados Aborige- Certâo de Portugal, & efte ter OS melhores portos delia, aonde entravão, ties^.defiruhieaos Gíhabitavão ,&fahiaó- os Reys delia $ naó he poílivel fallar de tudo ifto, gantes deStcilta ,cfr ^^^ ^^ ^^^ convem tornarmos à feeuinte fucceíTaódos noíTos Reys , para '' J ^r
,
-

^

queos mais povos deHel-

O

;

,

\

confirmo» ejta

Jlha

.

,

mtalmme,&t4nto0^^^^^^oque\cvamos. A Lufo pois ( de Hefpanha odecimo-nono Rey} fuccedeo 30 /« alargarão Portu. guez.es, &Helj!anhaeí Siculo feu filho no anno de 1476. antes da vinda de Chrifto , 830. depois por Itália ^ut dahi do diluvio , ôc 2486. da creaçaô do mundo. Eíle Siculo imitando a feu lhe vej/o o nome de ^-^^ Siceleo , foy também de Portugal com grande Armada , & exercito a Latiam: &vjltando Itália , ôc fez que os Aborígenes reftituiífem a Roma , & a feus Hefpa D'ey òiCHlo. o Rey Siculo, & reyC/ rr-. „ t> o Dando feífenta anrios, TíhoGS, & Fortuguezes quanto Ihes tinhao roubado,ec indo logo a Trma morreofemdefxarfi' cria,ou Siciliájem batalha acabou de deftruir aos Gigantes,que infeftavão ihof. aquella Ilha,que tendo tomado do noíTo Siceleo o nome de Sicília, defte
,
cI '

^

.

u

i

i

i

i

i

Siculo

Cap. VIIL DosantígosíntetregnosLufitâtiõs,'

aj

Siculo o confirmou cm §iculia,ou comò (leanteSjSicilia5& tanto le alar*' mais Hefpanhoes por Roma, que aquella ter* gáraó os Poítuguezes, \ra fe chamou Latmmicouía. largajôc os Poetas fingirão chãmãviQ Latiur/ii do verbo, lateoj que fígnifica eftar efcondido; porque ( como fabulizão}

&

naquelia terra fe tinha efcondido o Deos Saturno fugindo de feu filha vidio t Fajlor. ibi: Júpiter , que o vinha perfeguindo > ao que alludio Virgilio no 8. da Eneida 'Di£ía quoqueejl Latium terra ^latente Veo

O

.

:

&

Latiumque vacari Mduit j his qmniam lattiijfet tutus in oru. Nome que depois fe extendeo a toda Itália. E reynando Siculo feflenta annos* morreo em fim fem dey xar filho algum , Sc nelle fe acabou a defcenden-; cia do famofo Lufo.
ibi
:

CAPITULO
31
.

VIIL

Dos Interregnos que houve etn ã Lujitamâà
* - n ^ tSévie Fèi^itfl _ r> de puro fentimento eleger mais Rey ai- ^^iç.J^^^í^.í^ ^,. te , nao quizerao gumjSc começarão a fe governar em liberdade aos i4ió.annos antes da 4/^;^^^ mftym anvinda de Chrifto, &aos 890. do diluvio j porém toda amais Yid^^z^ nos ,& fem poderem nha, paíTados dous annos , elegeo por feu Rey hum Capitão Africa no^ -«/^««i -Rf;/ damAu chamado Tefta , por fobrenome Tritaó , que rey nou na mais Hefpa- fí^íp^nhaptgeytalhj nha fetentaôc quatro annos j & lhe fuccedeo Romo^ feu filho na opi- J^'^^*g^^^^-^-^'**'^j niaãde alguns. No anno pois duodécimo do reynado defte Romo , por ^^^ HejplnhP^fin'. medo dos Andaluzes entrou cm Andaluzia com grande exercito delindo ter a alma dt Gregos o Capitão Bacho , de quem fingirão os Poetas muytas fabulas, Lufifoy dos Lufita'^ que de outros do mefmo nome fe diziaó efte pois de Andaluzia quiz «w acej/toporfeuRef^ por vezes entrar em Portugal , & flaò podendo vencer ao valor Portu- ^/^ confirmou o no^'"'^^ guez, ufou de tal ardid,quc a hum filho feu pozpor nome ^1^^^^ ^YjtanT''''*'' lhe mandou que o mais que pudeííe , imitaíTe as acçoens de Lufoinventou que feu filho Ly fias tinha a alma de Lufo , que feparada do corpo fe paíTára para o de Ly fias, & feu nome,& acções a demonftraváoj como Bacho fabia que os PortUguezcs entaó criaó na tranfmigraçaò Vtgtjtmv primeyré das almas , facilmente tudo lhes fez crer j & logo elegerão á Lyfias por ^'y <^' PMttgal fof feu Rey, & não fó Lufitanos de Lufo , mas de Lyfias ^^'^^^^^^^^o^^yl^f„f„2'&Po7 3meçàraóachamar,&afcu Reyao Lyfitania ; 6c efte he o Mentido j em ,^^""^^'"^^^^^ que fe deve expor a oy tava vinte & húa do canto terceyro de Camões, i,erdade,fem reconhe* ^ de outros que em tal matéria falláraõ variamente. E confeguido ef- w^í;^4«/í»//ir/: te engano , fe voltou o aftuto Bacho para Itália ,& na fua Lyfitania fi-/'^«Ã<»,<»«/« o t/?»«*,' cou Lyfias , fendo o feu vigefimo pf imeyro Rey, & governando alguns ^ ^° *»«f»*'> Hercu>> annos morreo fem defcendencia 3 & tornarão os Lufitanos à fua liberda* ^" "^^"J' ** ^*^*í* *io^& ficou livrcettÁ t T> dcj (em quererem admittir a outro Rey. ^^^^^ ' Tinha em a mais Hefpanha mccedido ao feU Rey Romo El32 Rey Palatuo , ^ contra efte indo com hum exercito de Portuguezes o Portuguez Capitão Licínio , o venceo de tal forte em batalha , que lhe tirou o Reyno , Sc o fez fahir fugindo de Hefpanha } mas com os fetis Fprtuguezes fc houve taó ingratamente , que Èibendo-Q Palatuo fs vol.

VEndo-fe os Lufitanos femdofeU Lufo ^ ^ r
,

1

terem dcfcenden^" ^^ Como
1

&

:

& &

&

'

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1

.

B

tm

14

Livro I.Do principio daslUias do Oceano Luíitanas.

íoa a Portugal , aonde no mefmo tempo aportou com mais foldados o f^mofo Hercules Alcèo, ou Thebano,& juntos ambos como Porcuguez exercito deraó batalha a Licínio , (a quem cliamavaõ Caco} ôc junto ao Guadiana o vencerão & obrigarão a ir fugmdo para Itália j ainda que Palatuo ficou reftituido ao mais Reyno de Helpanha , nunca os Portuguezes o quizeraó por íeu Rey , mas fe confervàraó em íua ajmada liberdade j & atèo meímo Hercules fe foy logo para Itália ^ onde era Rey Evandro, & encontrando-fe là com Licinio Caco , o matou j daqui fe levantarão as fabulas entre Caco, & Hercules , que Virgílio to^ caem fua Eneidalih.^.èco fingirfe de Caco fer filho de Vulcano, por fer Caco o primeyro, que em Hefpanha inventou fazerem-fe armas de
<,

&

&

ferro.

Portuguezes fua amada liberdade, fopor vir fer Rey delles. Eraefte homem miiyto rico, & morador quaíi íèmpre em o campo j fuccedeo ver , & obfervar por muytas vezes ,que abelhas entravão ,& fahião no tronco aberto de hiia arvore j& indo curiofo a ver o que alli bufcavaó , achou huns favos de mel dentro formados, (Jcoufaatèli nunca vifta, nem fabida em Hefpanha }& vendo logo, provando© dulciííimo licor que os favos tinhaójfefez não fò inventor, mas prodigiofo Author domei, o dava aprovar, como hum mannà vindo do Ceo } tanto fe fez affim refpeytar , & venerar dos Portuguezes , que dentro de pouco tempo o elegerão por feu Rey; Figefimofegunio Rey dahi a oy to annos (^ morto Eritrèo , que no mais Reyno de Hefde Portugal foy hum panha fuccedeo a Palatuo , feu pay } também por íeu Rey Hefpanha FortHgttez^ chamiido o elegeo, & fendo no nome Górgoris, ficou como fobrenome o de Górgoris o Melifluo^ far \er o primeyro que Mellifluo} mas porque aLufitania fódehuma vezefteve oy tenta Sc defcol^rto o mel em oyto annos , & de outra vez alguns outros , governando-fe em fua lu fíejpanha^íiuando na herdade, por fuás leys, & fem Rey, & neftes interregnos teve ainda feus -^fa fe defiruhio Reys toda a mais Hefpanha (que forao Tejla, Tritão, Romo, PaíatuOi ò' , 7_roja. Entreo^ por iíTo o Mellifluo Górgoris foy de Portugal ò Rey vigefimo fegundo, & o vigefimo quinto de Hefpanha todaj governando fetenta & fete annos morreo aos 1227. depois do diluvioj &aos 1079. antes do nafcimento de Chrifto Senhor noíío. E por efíes tempos dizem fuccedeo a fundação deCarthago nacoíla de Africa , três legoas atraz de onde eftà a Cidade de Tunes , a qual Carthago fundarão dous Capitães da Phenicia,naturaes de Tiro, chamados Zaro , & Qiiarquedon. Item fuccedeoadeftruiça5deTroyaaos2 787.dacreaçaÕ do mundo, 1131. do diluvio, & 1 75 antes da vinda de Chrifto , & 3 34. annos depois d©, fundada pelo grande Dardano. /

mo Portuguez tirou aos feus

3

j

Mas he tal a ambição de governar nos homês, que hum

meí-

&

&

&

.

&

&

.

CAt

Cap JX.De qaândo,& por que/of aõ foíilLlsb.5c SStâr: í I

CAPITULO
de lllyjjes ,
34

IX.

Da fundação de Ltíhoa em tempo doMeilifluo Rey G6rgorh,&

é do Rey Abidí^fundador de Santarém.
,

NEfte mefmo reynado de Górgoris

dizem muitos que da deftruiçaódeXroya, &daluallha no marjonío^ltaca,

veyo hum Rey feu UlyíTes lançado ao Mediterrâneo , & entrando pelo ^^ Eítreyto de Gibraltar no Oceano, & dobrando fobre a cofta Lufitana, ^^^^ ^^^ \,,,efirrZ veyo a dar fobre a grande foz do rio Tejo j & entrando por ella fundou y^^^„^^ J^ />orf*/^-a/ pouco adiante húa Cidade , á qual de feu nome poz o nome de Ulyííeaj f^y prirnepofundada ou Ulyllipo , & nella ficou por feu primeyro Governador ) o qUe faben- Liièoai ou qmnao. dooReydaLufitania Górgoris,& acudmdologo a lançar fora de feu Reyno quem fem licença fua entrara nelle , de tal forte o aplacou Ulyf^' Cidade áes que Gorgoris não fó lhe deo licença para a fundação da que tinha começado , mas retirando- fe com o exercito mandou huma filha fua a Ulyííes paracafar com elle , & outras muytas Lufitanas para cafarem com os Gregos & efta Princefa filha do Rey Gorgoris , hc aquella, a quem chama Homero a Nympha Calipfoj & a quem, debayxo do nome de cafta Penélope , efcre vendo a feu marido Ulyííes contpoz Ovidio a epiftola ao principio das fuás Heróidas. Mas porque fahindo , das de Ulyííes , algumas náos de Gregos a roubar as coílas dos Lufitanos , eílcs fe levantarão contra aquelles com tal ímpeto , que tornando a embarcar Ulyííes com muytos dos feus Gregos fe voltou á fua Grécia , fem fe atrever a ter guerra com foldados Portuguezes o que
^ ,
:

,

,

,

-,

ainda que Gorgoris eftimou muyto , por ver já quieta a fua Lufitania, muyto com tudo fentio pela aufencia da filha > &: por iíío affentou logo perpetua com os Gregos, que ficáraó em a novaUlyflea , que hoje

paz he a

fatal

Cidade de Lisboa

j

fundada

em

1180. antes da vinda
' .

de

Chrifto.

.

Outros, de Lisboa dizem i que não foy Ulyííes feu primeyro 35 Oceano, nem do f undadoi-i & que nem tal Ulyííes veyò alguma hora ao M.editerraneo paííou como fe colhe de Homero erti a fua Odifsèa de

que tal Ulyííes não houve em o Homero nâo Compuzera mais que húma pintada idèa, , ou exemplar de hum perfeyto Heroe , ou Capitão , como faziâoPoe* quando Thubal , neto dè tas, & Filofofos gentios. E aííim dizem , que Noè , veyo depois do diluvio , & fundou Cetuval , coni elle veyo também Eliza feu fobrinho , &c de Noè bifneto , & que no mefmo tempo fundou adita Lisboa chamando-IheEUzon, ou Elisboon , ( quequeí Lisdizer, habitação de Eliza) o que provão dos taes nomes que teve
Uiyííesi

& mundo & que

( accrefcentáo muytos ainda

,

,

-^

boa ao principio & de hum celebre rio na Arcádia ^ chamado , Elizo, ou Elizon, ou Elisboon & que deite Eliza tomàraó o nome os dampos Elyrios,& antigos povos Luzoés, & ainda a mefma Lufitania, porque a Lufo, 6d tflre Eliza, primeyro que a algum outro, chamarão òs Antigos acompanhado aNoèj Liíias,& companheyros de Bacho,por terem íeu híkvò. a quem por fer o primeyro que plantou vinha , denommâvlp,
;
-,

!i«'oav;

B

ij

Bachoi

•'cnm-r

k^' Livro LDo principio das Ilhas do OceaaoLuíitanas.
Bacho, aíTim como ao dito Eliza chamarão também Phoroneo ou Pro* , metheo, por fer o primeyro inventor do fogo ; & eílehe outro novo fentido da oytava 21. do canto 3. de Camões o que tudo pôde veríe no Arcebifpo D, Rodrigo da Cunha, na Ecclefiafticahiftoria de Lisboa i,
-,

farí.cap.z.é"

^.

.

eftas fentenças muytos oittros affirmando, que quando Thubal fundou Cetuval , ímidou frmo Ehza a Lisboa , & delle tomou os nomes de Elizon,Elisboon, ou Élisbona, mas q também na verdade foy depois reedificada , & augmentada por Ulyffes & que defte fe chamou Ulyfseaj Uljfip, ou UlyfJipoltS; pois eftes faó tam bem os nomes que defde o antigo conferva a tradição de UlyJJipo em latimj& o« có a letra, U,ou com a letrajO, ao principio, depois com a letra, /,& com^ J, & dous/^adiante , ou com hum fó > que dê todos eftes modos fe acha efcrito tal nome , & no Portuguez idioma fe diz fempre Lisboa 5 com que ambas as ditas opiniões ficão affim conciliadas. E fe alguém aqui
,

Conciliaõ poirèm

quizeíTe a perfey ta defcripçaô defta Cidade quereria não fó coufa que , he fora de noíTo intento , &- que por muytos he já principiada & por , nenhum completa j mas que também quereria a hum incomprehenfivel çomprehender , & recopilar orhem m orbe , como nefta Cidade eftamos vendo fempre , & eompreheiídendo nunca. Vamos pois adiante com o
intento.
, Rey vigefimo fegundo da noíTa Luquinto de Hefpanha toda , fe feguio no Reyno , Fí£e/tmo tèrcelroRey Abidis feu filho, a quem, além de muy tas fabulas , que lhe attribuirão os ^f/'o-/»^^//o^^^/. Poetas, com verdade fe Iheattribueo invento de lavrar, & cultivar a d^^j>,efmdoH aFil- terra plantar arvores , fazer enxertos em efpecial a fundação da , M ae òaniarem. grande, Real Villa de Santarém , fítuada quatorze legoas de Lisboa fobré o Tejo, primeyro fe chamou Abídis, depois Scalabvs, ou Scala AbiduiOU Scâahicafiro^ t andem, k chamou Santa Iria , corrupto 'vocábulo Santarém , de cujas grandezas não podemos por hora mais dizer , mas fó que foy Abidis o ultimo dos antigos Reys de Portugal, Sc Hefpanha , porque com reynar trinta cinco ailnos, morreo fem deyXar filhos, aos 1046. annos antes da vinda de Chiifto Senhor noíTo.

37

Ao

dito Gorgoris pois

íitania

& o vigefimo

&

-,

&

&

&

&

&

&

&

CAPITULO
I^as longas efterilldades
-ÍÍÍ&2
'

X.
ér incêndios de Hejpa-*

,

tempejlaâes

,

fiha j ir vinda

&
Tatat fecca \ é" efieriliàade de e^nafi to'

a ella dos Ce hm , outrm naçoeSy fundação de Vizeu.

&

da Hejpanha.é-def.
povoaçao delia.

6c cfterilidade em foáâ Hefpanha, que em vinte & féis annos contínuos não choveo nella nem huma gotta de agua , (outros dizem que por miiytó menos annos) & o certo he que durou por tantos , que tod a Hefpanha ficou abrazada , fem fonte alguma perenne; todos os gados morrerão á fome, & fede > & os moradores fe foraõ bufcar outras terras em que podefiem viver j & nos caminhos morriaó os mais delks) & particular-: ;' i^>«»*^ '1 mente

NEfte tempo começou tal fecca,

Cap.X.Dosíncedíos deMefpanli.&Nações aella víndâS.

i^.

mente em Portugal fe defpovoou de todo a Província de Alem-Tejo, &t o tieyno do Algarve j como terras mais vizinhas aos ardores do Sol ,&è meyo dia ; 6c então fe acabou a antiga Corte de Cetuval & fó nos frefçoSj& altos cumes da Serra daEftrella, & em algumas terras d'Entre
;

Douro & Mmhoj & Galiza 3 ficarão alguns moradores. A tam fatal fecca fe feguirão ventos tam tempeíluofos , que nem deyxavâo eHi pè edifício j ou arvore atè que a ira do Ceo fe aplacou 3 & tiveraó fim elles feus caftigos Sc os que tinhaó efcapado em as alturas ou em as terras
i
;

,

achavão tani ermas, & defertas, que de novo as tornaváo a povoar, exceptas por mais annos as terras do Alem-Tejo 3 ôc Algarve , onde o caíligo do Ceo fora mayor. Com eíVaoccafiâo vierao de outras Províncias àHefpanha 39 diverfas Nações a reedificalla. A Portugal vieraó huns Francemuytas dõsFyancetM zes chamados Celtas & entrando pelo Reyno do Algarve junto a Ta- Vt»<í'* vila, ou Tavira, paffáraÓ ao Alem-Tejo, &fundáraÓ a celebre Cidade ^l^ZT^!^'*Zlnd$ de Elvas , Corte ao depois das armas Lufitanas , & theatro das vitoriasy^^^J^'^^^^^^^^^^ " que Portugal alcançou de toda Hefpanha j & não fó no Alem-Tejo 3 Algarve , mas também na Província de A'quem-TejOjque hoje chamão Eftremadura, fundarão os ditos Celtas muytas povoações ;& atèpaffando o Guadiana fe communicáraó com os Hibèros atè o Guadalquibir, & daqui lhes veyo o nome de Celtiberos porem da mais Lufitania jião foraó reftauradores eftes Celtas, porque em Lisboa ficáraó defcendentes ainda dos feus Gregos que vieraó com Ul yfles; nas Províncias di Beyrajjôc Trás os Montes os que fe tinhaó falvado na Serra da Eftrellai Entre Douro , & Minho os Gregos , que vieraó áquellas partes coil^ Diomedes. Chegados os 9 2 3 annos antes da vinda de Chriíío , fuccedec) 40 cm Hefpanha o fatal incêndio dos montes Pírinèos , que a <^ividem dé ^^^-^^^.^ ^^^^^.^^.^ v^.^ França, nos quaes , em fuás vaftas brenhas, & em fcús antigos matos,por dequefahiraSperen!» defcuydo de huns paftores , fe pegou fogo , êc incêndio tal , que durou „„ „-^, gig py^ta é", por muytos mezes contínuos, & ainda muyto longe fe fentiaó as lavare- ottrt, aqfte eenccnidas 5 8c de tal forte abrazou jatè amefmaterra, montes , &pedreyras, raõ t>arm N^foetij que os antigos metaes nella gerados fe derreterão , & formarão grandes ffi^^%^r^ *P*&*tí a eíl:a fama íogô, " ^ rios perennemente correntes , atè de ouro , & prata ; coma ambição da prata,& ouro, concorrerão da Plienicia embarcaçõeSj que por mercadorias muy commuas fe carregavaó de ouro, tanta pra-. ta, que defta fazião atè as 'anchoras , por naó terem jà onde a levar j 6c hís dos mais ambiciofos foy Síchèo , marido da famofa Rainha Dido , que «m tantas riquezas levou para fi a morte, que refere Virgílio em fua Eneida. Mas os Phenices tornando, jà hydropícos do ouro , & pondo cm a Ilha de Cadiz feu aííento , para por Andaluzia entrarem à caça do ouro , forão tam acometidos dos Celtiberos jáfey tos Lufitanos, qu® (Tencídos,6c fugidos deyxárão de todo Hefpanha. Pouco depois pelos annos de 75 8. antes da vinda de Chriftog 41 fby Roma edificada, & accrefcentada pelo feu Rómulo , Sr Remo ,87^* annos depois deprimo fundada pelos Portuguezes, comojà diííemoL^; iC a Hefpanha concorriáo Nações tam varias j Sc tanto mais ambicíofas â&
eílranhasj tornarão a vir outra vez para fuás pátrias
,

ôc as

j

&

:

&

.

,

&

&

B

iíj

tlqút*

w
,.^5'

^
,

Livro í. 00 principio das Ilhas do Oceano Lufitanas:
5

do que, de a povoarem que atè hum Nabuchodonofor de jStè NahHchoâonofor Babylonia veyo,& chegoujunto a Toledo, anno 581. antes da vinda de Veyo de Bubyloniii a Chnftoi mas ajuntando-fe logo osPhenices de Cadiz ,& Andaluzia Hejpunhapclaprata^ enveftiraõ a Nabucho , & aos é" ouro & pelos Por- cora os Portuguezes Celtas, & Luíitanos, que trazia , & a todos lançarão fora de Hefpanha. Quebrando tttguez.esCeltas jàLu
riquezas,

Judeos

Jitanosfe tornou f»gin

do fará Bahjlenia

i

porém depois os Portuguezes com osPhenices fobre o foldo, lhes tomarão toda Andaluzia atè o Guadalquibir,&: atè junto de Cadíz3&: vindo entaó de Carthago muytos Africanos" em foccorro dos Phenices qué em Cadiz tinhaó ficado contra eftes mefmos fe levantarão os que vinhaò a foccorreilos , & fe ficáraó com a Ilha donde fingindo pazes com
,

,

funmettendo , ôs Portuguezes Turdetanos de Andaluzia ,fe foraõ começou Carthago deftafortea dando algús lugares em Hefpanha, fenhorear parte de Hefpanha em o aríno de 5 G9.antes da v mda de Chri-

&

&

Senhor noíTo, /-> j r^ Naó muyto depois mandou Carthago por Capitão de Ca42 famofo Annibal, diz, &: dos Africanos que entravaó por Hefpanha , ao batalha com os Poro qual por favorecer aos Andaluzes 5 chegou atai meyo delia huma grande tem peftade, dup^mâAiesAfricmos^ tuguezes , que com vir no outra parte morrerão oy tenta do antigo Annibal rou a batalha todo hum dia , & de hiía, & A HejpAnha a cjuem mil homés,fem a vidoria fe determinar > mas deve-fe conceder aos Pormatarão em fatal ba- tuguezes pois fêu braço matou nella ao grande Annibal & na manha , talha os Portugttez.es Portuguezes Turoutro dia fé fetiràraá ambos os exercitosi & atè os
fto

^

,

;

Títr4etanos,&

frteanos ft voltarão

fua pátria Portudetanos, que andaváo eoi Andaluzia , fe recolherão á anno Turdetana. gal , deyxando a Andaluzia o nome de Província deraó com hiis bár501. antes de Chrifto ,os já noífos Celtas Lufitanos o Tejo tinhão efcapado da acima dita defbaros , que entre Cetuval, ainda que nos coftumes eraó bárbaros , eraó do truiçáo de Hefpanha , ílluftrefanguedosChaldeos, ( que comfigo Thubal tinha trazido) não podendo eftes fós refiftir ao também eraó dos Turdulos antigos j naÓ paráraó atè paífarem ,fíigiraÓ-llie 3 ''paffinia^ao de Vi valor dos já Lufitanos Celtas pararem no deftriâo em que hoje eftá a Cili,ed ,& prtmeyros po o Tejo, o Mondego ,

os

A-

do

No

&

&

&

&

&

'^adorcj da Bejra.

& & Bifpado dade,

&

de Vizeu em o CeftaÓ daProvincia da Beyra,náo muyto longe da Serra da Eftrella , & lá multiplicarão eftes tanto , que riaó he pequeno loudelles fe povoou a Beyf a toda 5 de cujoS moradores Portuguezes em o fangue. vor, o ferem os mais antigos , & verdadeyroá

CAPITULO
gos-,

XL

Da vinda 'dos Caríhagmm a Portuga/, & dos Lacomcos Grefundação de Braga, Coimbra, Aveyro,

& Lagos.

42

Da chegada àotAfrl
tanos afaz. do Doff.

!;T--

que , alU fez jíoX)ouro junto ao Porto , r..d-á^/««^^p«d^ para Africa m.s efcapatldodelle o CapitaÓ Himiliorè fe tornou logo pedirão aos dos foldados Africanos , contentando-fe da ter.-a , '^--r»^ os mais i^""^^^'" moradores Gregos , lhes concedefiem lugar aonde fundaííem
^jp

^^ ^q^j bambem de Carthago hua Armada de naufrágio tam miferavel
&

/^ Hegado jâ o anno de 434. antes da vinda de Chrifto,ache^ Atncános foz
-,

Imo de Chrtfio.

.

Cap.Xl.Das fundações de Bragà,Coimbra,Aveyro,&c. 19
dade a feu modo,
canos,
j

& que elles fó giõvérnaírem por fuás leys,& ritos Afri*
:

& foíTe exempta de todo o tributo tudo lhes concederão os mo' radores & efcolhendo íitio pela terra dentro fundarão a Cidade ceieberrima de Braga, oyto legoas além donde tinhaó naufragado , &: em q mefmo kigar , onde hoje Braga eílá y derão-lhe efte nome em memoria de hum rio chamado Braçada, ou Bragada , que corre pelas terras de Carthago , âo qual depois os Mouros, os Turcos chamarão Magéreda :& efta parece foy a fundação de Braga ; não obftante outros dizerem que a fundarão os Gregos, 1 150. annos antes da vinda do Salvador, outros affirtrinta fó depois da fundação de Lisboa por UlyíTes 5

&

&

&

&

marem quea fundarão EgypcioSi & muytos í que huns Francezes Celchamados então Bracatos , ou Brácaros , 296. annos antes da vinda de Ghrifto & que porque eftes Gallos Celtas fe forão mifturando com ©s Gregos daquella terra, veyo efta a chamarfe Gallogrecia 3 & ( andan* do o tempo} Galiza i nome que em verdade teve toda a terra d'Entre Douro & Mmho. Seguia-fe agora defcrever efta Augufta Cidade j mas como nem a Real Lisboa defcrevemos, naó he bem que o façamos a efta Braga Augufta, por não dilatarmos mais o intento a que vamos. Trinta & hum annos depois de os Africanos chegarem , ôc 44 fundarem a Braga, chegou ode 403. antes da vinda de Chrifto,em que houve taes terremotos em Hefpanha , & tanto mayores em as terras marítimas, que atè as mefmas feras vinhão dos matos metterfe entre as gentes , feytas com o medo manfas & no anno de 372. antes de nafcido o Salvador , chegarão á noífa Lufitania, ao porto de Alcacere do Sa],quatro náas Gregas , vindas de Peloponnefo , & cora gentes da Provinciá Lacónica , que enfadadas jà das guerras das fuás terras , vinhão bufcat
tas
,

;

;

que paftaíTem a vida mais pacifica i entre âs quaes gentes vi^^ nhãohuns povos chamados Colimbrios 5 & indo-fe os outros aflentar jDw Gre£os Laiehl2 fua morada em o Alem-Tejo , entre os Turdetanos , èc Celtas qúe lá vi- cos CoUmbriot j«s chegando à foz. de^ Viaó, os Gregos Lacónicos Colimbrios, fem defembarcarem navegarão cofteando a Lufitania , atè darem em a foz do rio Munda , ou Monde- ^T^^J'f^^^J' "^ go , pelo qual entrando acirila fundarão hCía Cidade , a que chamarão ^^^^^^^^ Cvimbr^ Cohmbria, & com poitca mudança ao depois fé chamou fempre Coimbra, que cinco legoas do mar eftá fundada j pofto que alguns accrefcentão , fora fundada primeyro em hum lugar mais abayxo , que chamãp Condeyxa a velha , & que ao depois íe mudara para |o lugar eminente aonde hoje eftá & fe a brevidade que levamos o permittiíle', defta inclytá Coimbra defta Corte de aígús Reys de Portugal , defta Univer«
outras, em
,
5

,

fidade que compete 'dada por Lacónicos
piladas, as letras

com as mayores do Univerfo, & com myfterio fun,

& Gregos

,

por

em fi corltér

,

laconicamente reco-

da antiga Grécia^ & atè da lingua Grega tèr em fi huma Regia Cadeyra j defta nunca acabariamofí .fequizeífemos tocar fuás
grandezas.

45

Fundada

aílim

Coimbra aos

annos antes 3 72^

dos Gregos adiante , com tas, chegando a hum bom porto , aonde hoje eftá a excellente Villa trfi^entoi& ^mreHJ de Aveyro, com o primeyro nome de Taíabrica , ou Talabriga , que no ta antes do^fitm^i Çhrfji(>^ 'íte>me de Avéyiro com o tempo fe mudou y he Villa tam grande 5 que ex- '" '^i
Chriftojpaftaraó
ai guris

da vmda de ^g^yg^^ de Lagosm muytos owXxo^Qf^- Algarve j/iosannosAi

i

.

t

j

Da

fxndaçaode^é^

&

u
•il

^o

Livro L

Do principio das Ilhas do Oceano Lafitanas.

cede a muytas CidadeSi he de grande commercio niaritimo , pelo muy*

toj&bomíalqiieailiíefazj&nuiytalouça que lavra ,&: a melhor jôc mais certa pelcariaj além dos mantimentos que lhe vem da Província da Beyra , donde , pôde fer, tomaffe depois o nome de A veyro , que começou em o Infante D. Jorge, filho delR.ey D. Joaó o II. de Fortugalj & ifto baile dizer defta Villa excellentiffima. Chegado adiante o anno de 347. antes da vinda de Chriílo, 46 ode 3615. daereaçaõ do mundo 5 eítando o Capitão Bohodes de

&

Carthago em Andaluzia , & fingmdo familiaridade com os noíTosPortuguezes do Algarve , fe paíTou a efte Reyilo com capa de mercancia, ôc com licença delle fundou huma Povoação , que intitulou Lacobriga èc hoje he a Cidade de Lagos , cabeça daquelle Rey no, ainda que pela pefte, que ha mais de feíTenta annos padeceo, ficou muyto diminuidajmas tem bahiayôc porto capaciflimo. E nefte tempo, dizem, íloreceo o grande Alexandre Magno. Depois, também com capa de amizade jfe veyo também metter na Lufitania o Capitão Maherbal , Carthaginezy& am* damaisdepoisynoannode 250. antes deChrifto nafcido, veyo outro Carthaginez, Hamilcar &: eatrando em Lisboa com pretexto de huma gomaria promettida ao templo de Minerva que em Lisboa eftava , nella íe cafou com a filha de hum Cidadão nobililfimo, & riquiffimo , & deyj ,

Carthago, fe voltou a Afri3£ando pazes affentadas entre a Lufitania, em huma das Ilhas Baleares , chamada a Coeca com a fua Lufitana , verdadeyro LuIheyra, nafceodefte matrimonio o famofo, celebre , iitano Annibal, terror dos mefmos Romanos ,& gloria dos Portugue-

&

&

&

ses, que nafceo no aniio de 245 antes de nafcer Chriftobem noíToj com o qual Annibal os PortUguezes derão grandes batalhas aos Romanos? d'Entre Douro tomo também os Portuguezes de Braga,
.

&

& Mmho

outro Capitão feu natural^ chamado Africano, a cujo exemplo fizeraó também o mefmo os Portu.guezes de Lisboa com humíeu Capitão Ulisbonenfe. E aos 192. annos

vencerão aos Romanos muytas vezes ,

com

antes da vinda de Chriftofoy Carthago cercada, deílruida,

& queyma-

que dezafctc dias, & dezafete noytes efteve ardendo & tendo féis legoas de circuito, & fetecentas mil peflbas , <:incoenta mil fomente efcapàráo dentr® do grande Caftello que em fi tinha.

da pelo grande

Scipião, 6f

feits

Romanos
;

,

& de tal forte

,

CAPITULO
Da vinda dos
Romanos a Hejpanha
,

XIL

& viâorias que delks con-

Principe VmaiOy ate Jeguio o jnayor Portugueíz, morrer Jo por tveyçao*

&

CnenA

^,manejfeyta^Pn.

«-^ Afiado o anuo de 200. antes dá vinda de Chriíto , U vlnd® ^ Hefpanha OS Romanos para a conquiílarcm , & entranda muytas entradas nas fZplZZvTcrJt pela Província de Andaluzia , começarão a fazer ír/miueíesemmm terras da Lufitania , querendo-a conquiftar,femmaisdireyto,oujuíl:ide -vinte dnnti, ça para ififo que a ingratidão com g_ue pagavão os bçneficios antigos , &
Âe

hlmõs

'.y

^

Câp.XIÍ.Do granáeViíiatOjVitonofo fempre dps Rom.
fataes foccorros
,

ifc

que dos Portnguezes tinhaó recebido Roma , & toda Italiaj & cantos eítragos faziaó tantas crueldades & treyçóes , que os verdadeyros, & antigos Portuguezes da Serra da Eftrella naõ podendo já fofreilos fe refolvèraó abuícarj& deftruir aos Romanos ,& ajuramentando-fe com hum feu valerofo Portuguez ( nafcido naquella parte onde iioje eftáVizeu, em a Provincia da Beyra ) aíTentáraó todos em andar íempre á caça dos Romanos ^ atè os lançarem fora de toda a Lufitania bc de tal forte tomàraõ eíla empreza, & em taes embofcadas fe mettiaó, que fahindo delias, lhes não efcapava Romano que não paf, , j ;

occupadas dos Romanos, tam furiofamente davão de repente, que totalmente a todos deftruhiaái & vendo que em Andaluzia andava jà por Capitão dos Romanos o Pretor Sérgio Galba , acordarão aquelles Portuguezes 'em eleger também íeu Capitão , que a todos os governaíTej ôc lhe obedeceíTem todos como a feu General , & ainda como a feu Rey , & com eíFeyto elegerão ao dito valerofo Portuguez que primeyro os tinha convocado, & a quem já tinhaó vifto obrar como infigne Capitão. Eftepois fe chamava Vi»
faíTem ao fio da eípada
-,

&: atè

em

as terras

j

,

riato,

tinha o nome) nafcido, como diíTemos, £nt o amo de i6õ^ ( que atè de infigne varaó em Vizeu, pelos annos de 200, antes de Chrifto nafcer , andando já antes da vnda de Chrifto , elegerão ot era quarenta deidade quando foy eleyto Capitão , ou Rey dos Portu-

&

guezes, jà dos Romanos era tam temido , que fó em aufeneia , &.de de Viriato por fett palavra fe vingavaó delle os Romanos, chamando-lhe ladraó , faltea- Príncipe tendo elle própria pá- quarenta annos de dor, &; Capitão de ladrões 5 como fe o defender a antiga , honeftiíiima i& pelo contrario oin- idade fendo feit tria, naõ foíTe acçaõ nobiliílima , nafçi^ &: pátria alheya , não foíTe huma infame ladroice , como Portuguez., vadir a terra ,

&

PortHguez.es aogran -

&

,

&

,

&

&

Brito em a Monarchia Luíitana lib.i. capJè. certo he, que contra tal Viriato nunca featreveo a fahira 48 Romano Pretor Sérgio Galba , íuccedendo-lhe no anno de 147. antes da vinda de Chrifto, ofegundo Pretor Romano Cayo Vetilio , 8c outros vindo logo bufcar a Viriato com mais de dez mil Romanos ,

bem notou o douto
'

do tmFií^tH,

O

&

muy tos Andaluzes, Viriato em huma embofcada o efperou , cora tal a muya valor o aéometeo , que a quatro mil dos Romanos degollou , do Pretor Vetilio huns dizeni que alli morreo» tos mais Andaluzes ;

& & &

&

que entaó foy prezo pelo grande Viriato mas como êfcapou fugindo o Tenente Qiiellor , efte terceyro , & Romano CapitaÓ veyo depois cora cinco mil Celtiberos , & féis mil Romanos , & offere^ cendo em campo aberto huma batalha campal a Viriato , efte o venceo de tal forte, que com vida fó efcapoú Qiieftor fugindo em hú cavalK Qiiarto Capitão Romano tinha vindo à CaftellaGayo Piau49 cio, mas Viriato já com Portuguez exercito formado , entrou tanto pe^ lo Rèyno de Toledo, que chegou quafi ás portas de Madrid , aííolando tudo quanto achava, atè que fahindo-lhe Píaucio com dez mil homens de pè, & 1 5Ó0. de cavallo, & a tempo em que os Portuguezes andavao diftantes fàqueando â terra, Viriato dando moftras de aceytar a batalha^ de repente, & á vifta do inimigo fe retirou com tal preífa, que era poii4 cas horas fe hão viaó hum aooUtro exercito > de que irritado Plaucio, mandou quatro mil dos feus que o detivèílem atè elle chegarjSc Viriato
,
:

& outros

m

entaõ virando

com amefma

prêffa íobre aqitelles quatro mil j&ííegol^

I

lando-os

ii

LívroI.Dopííndpío das Ilhas áo Oceano Luíítanas,

iando-osa todos, com tal preíTa voltou a Portugal,'que quando Plaucio chegou ,jà naó achou mais que os campos cheyos de langue dos Rofe retirou aíTombrado igualmente do esforço, que do ardid de ananos, Viriato. Ajuntando comtudo novas gentes , veyo Plaucio bufcar a Viriato atè junto a Évora , que do alto de hum monte , aonde com íèu exercito eftava , defceo fobre Plaucio, & lhe deo tam porfiada hatalhajquc vencidos tandem os Romanos ,fó poucos de cavallo ,& fugindo com Plaucio efcapáraó, fe forão metter nas mais fortes pragas da Andaluzia} & fe perfuadião todos que Viriato fe faria abfoluto fenhor de toda Hefpanha 3 & ainda paffaria a conquiftar a mefma Roma , & fugey tac

&

&

temendo ifto, braço Portuguezj Qiiinto Capitão veyo entaó de Romão Pretor Cláudio Unitnano com a mais, ôc melhor gente de toda Itália mas o grande Viriato,
toda
Itália ao

&

fo

:

anno de i^ó.antes de virão mudo
defafiar dentro a fuás terras
,

Chi-ifto,o foy logo
,

em o mefmo mez

& dandolhe batalha
,

que durando duvi-

cedeo finalmente a Viriato de tal forte, que de todo o grande exercito Romano fe livrou fó Cláudio fu-* gindo} os defpojos foraó taes , que com elles não podião jà moverfe os Portuguezes i &: Viriato contentando-fe com as infignias Romanas, as collocou nos montes mais altos de Portugal , entre arcos triunfacs de
dofa, 6c fanguinoíenta mUytas horas

&

íuas vidorias.

SextoCapitão , vindo então de Roma , Gayo Negidio , Pretor da ulterior Hefpanha, entrou em Portugal pela Província da Beyri atè junto a Vizeu, & com hum exercito de gente innumeravel i acodio logo Viriato áfua própria pátria, & achando a Negidio entrincheyrado, o cercou , á fome o obrigou a dar batalha ; mas vendo que fett partido era muy to inferiorj & feparando metade dos feiís Portugueze» em cillada, com a outra rijamente commetteo ao inimigo, que cuydani>| do ter fó a Viriato em hua parte , onde o queria vencer , de repente pela outra foy tam fortemente cominettido dos Lufitanos Viriatos,que ds tam grande exercito Negidio fó efcapou, & à unha de cavallo, deyxan^ do os feus , fuás riquezas , & os Eftandartes Romanos ém as mãos dos
f

51

&

Portuguezes.

Septimo Capitão de Roma veyo logo , -íio anno de 145 an52 tes de Chrifto nafcido , o Pretor Cayo Lélio } mas efte prudentemente fugio fempre de da r batalha a Viriato; porém a muytos lugares de Caf'Conmomici^-Pnn-^ tella que eftavão pelos Romanos, Viriato deftruhio^^ aíTolou livre^ €ÍYe,& » J"^' mente; & era tal o valor dos Portuguezes , que trezentos deftes encon-' ^ tuquez. ^*^^J^ AO de , vier •, t^ , 1 r- ^ r> ^ Rtma & em diver- trando-fe com dez mil Romanos,com morte de lo 60. 1 ortuguezes mapuzeraó em vergo-' fos amos ^ fete Gene- táraô a trezentos & vinte dos Romanos, & aos mais Âotw4 nhofa fugida i & affim o confeífa Garibay Ub. 6. caf.<^. de fua hiftoria Sc raes, Pretores ws^&todosforao ve- q q^g j^^jg jjg juntos , encontrando no caminhei ^ ^^g muy tos Romanos pelo tnvtao ctdos ^ ^^^ Portuguez, & já ferido , commettendo-o todos , o Portuguez. Viriato, pelejou com tal valor, que matando dos Romanos ao primey ro , volta.
'

:

&

.

ráo os mais as coitas,

& fugirão.
noíTo Vitiatõ

53

Oytavo pois Capitão contra o

mandou Roma

entaó, anno 143. antes devir Chrifto ao mundo, não já fó Pretor algum, más em peíToa a hum Conful , FabioEmiliano j que tinha vcnci-

Cap.XIÍ.DosexercitoSí&ConfulesRom.venc.porVir. 23^
de Sei pião o menor que dei- -^r.^^^^^ .^ ^^ truhio a Carthagoj & comíigo trouxe efte Fabio quinze mil Romanos ^J'J^^,„,Jl p^^*. depè ,& dous mil de cavallo j & comtudo em chegando a Hefpanha, ttigiiez.es com Genefoy Viriato logo bufcalio , & defaíiallo j mas era tal lua fama là em Ro- raes Pretores , mati' ma , que nem com tam grande exercito fe atreveo Fábio a aceytar h:it^- àou o ConfulIabioE«^'^"'«« (^«'^ ^j«^'« íha com Viriato i& efte, deftrumdoentaó os campos , rendeo duas Cidades, que eftavaó prefidiadas de Romanos, & deyxou nellas prefidios l'"//"" ioma^ era trmao Portuguezes & atè ao grande exercito doConlul que eivava entrm- deScspiaõvecedorde cheyrado, lhe tomou Viriato huns comboys , & lhe degoUou muycos c^srr^oj^cõ^/-^Romanos, fem comtudo o Coníul fe atrever a fahir a pelejar com Viria- de exercito depè ,& de cavallo,&com tw tOi atè que paíTados algus mezes, & já em o de Septembro , & em huma """* ^^»f^<' ^ ^^noyte elcura, no meyo delia era ponto defalojou Fábio de repente , & ^^ andando a toda a preíTa duas milhas, deo fubitamente com Viriato,que " pofto eftava ainda em vela, como lempre, quafi todo feu exercito eftava no primeyro fomno , & com tudo Viriato , com os que pudèraó imitai-

do o Reyno de Macedónia

,

& era irmão

'

j

,

*''

lo , receberão a batalha ,

& a íuftentàraó grande parte ainda do dia que vendo bem que feus foldados entrarão na batalha & pelejavaó
,
,

-,

atè

fem

.

ordem, & que atè a fortuna eftava jà de Viriato envejofa, retirou-fe com tos feus efte Leaó ao alto de hum monte, deyxando a Fábio com fó as armas de algús foldados mortos & com a naó pouca gloria de ter fey to No amo de ijí^r.Anretirar a hum Fortuguez V iriato , que com iflfo fe deo por fatisfeyto. Nono Capiíaó por Roma, ÔcfucceíTor de Fábio, veyo o Pre-íf^í^^ i'/»^'«^^C^''í54 •-tor Pompilio, no anno de 142. antes de ao mundo vir Chnftoi ^^^p^l^^Z^^&Zndtt quem Viriato aíTentou pazes largando-lheas praças que a Roma tinha Jo aPomptU^^a^en.
,

tomado em

Andaluzia,
dias

& fe recolheo a defcanfar em fua pátria a Beyra: toHpaz.es comViria-

de retiro, eis-que fahe o retirado l^ohoY m^^-o to^mof pontue lhe ti-< com exercito grande que ajuntou , & entrando pela parte que hoje cha- nha tomado algumas mão Ribacoa em Caftella, & a tempo que com fecreto avifo de Viriato, P^^Ç'^ '^ Andalu-^ outras nações Hefpanholas entravaÓ também por outras V^^^,^^ ^ ^ ^^ r^PortuIr^ZT nenhuma ficava Romano algum com vida. Attonito Pompilio lahio ^^^^^^^^^^^ ^^'^^, com poderofo exercito em demanda de Viriato, mas defte foy taõ ven- ^^ ^ & pifando k efcido em batalha , que morrerão nella todos os que nella entrarão , exce- pada os Romanos que =pto o dito Pompilio, que com muy poucos fugindo efcapoUi& Viria- encontrava, ate ao mefmoPomptUo vento feguio com tal animo a vitoria , que a todas as terras dos Romanos a que elle chegou, & ainda às que fe lhe entregavaó , a todas paftbu ao fio ^"^^/^/j* f^'^ r^l da efpada j atè que enfadado jà de degoUar Romanos , fe voltou para a ^^^ç^^ p^J^^ copoa^^ fua Lufitania ; & tal terror metteo nas nações onde chegou efta acçaõ, c os maú fugindo , ef•que Hefpaaha quafi toda fe deo por libertada dos Romanos , que fó ou- capàraõ. virem o nome de Viriato, lhes era grande terror. . Decimo Capitão Romano veyo , em 141 antes de Chrifto, r>,,;^oGeneralvey<, 55 contra o infigneLufiíano Viriato , Quinto Pompèo, nomeado Pretor ^^ ^^^^ py^tor d© Hefpanha j & comojà Viriato trazia era feu exercito muyta folàa- QeúntoPompeo.aqfJ defca eftrangeyra, fem delia fe acautelar , como fempre he bem , poriíTo em batalha veceoVi. •dando batalha Pompeo a Viriato junto à Cidade de Évora, & fendo ''^^^''.'^^^"«_J'^^^/^^^^ ^xceíll vãmente o exercito do inimigo muyto mais numerofo que o nof- ^"Z^' JTf^a^T!^
.

& paflados algús

^

<,

lo,por culpa dos eftrangeyros ( que, quando menos íe cuyda,lao inheis j foy forçado a Viriato retirarfe com os mais dos Portuguezes , com eí-

&

^^^^

^

.

^^^^ ^^^
de

^,,^^ prejldiada

tes fój paíTados poucos dias ,. voltou fobre

os.

Romanos com

tal

impeto, Romanos.

L'

que

V

m
\

2^4
ii^r

Livro I.

Do principio das Illiâs ào Oceano Lafítanas,

que os venceo totalmente,
tandartés dos

& deftruhio matando4he&

quatro mildô

pè,& mais de quinhentos de cavallo, trazendo vinte
de Roma
j

& fete cativos Ef-

naó fatisfeyto ainda com ifto , entrou logo em Andaluzia , & rendeo á força de armas a antiga Cidade Utica , prefidiada entam pelos Romanos j de que era Roma pafmados mandarão Undécimo Capitão contra oinvencivel Viriato, que foy 56
^JJfom brada dezoito mildepè,6c tornou a manàAr Cõ- cio Metello CalvO}& trouxe comfigo Serviliano chegando a Hefpanha , lhe mandou feiscentos de cavallo , fules , Quinto Fábio mil

&

Roma QLiinto Fábio

Máximo

Serviliano

,

Conful de pouco eleyto

com Lu*

&

& em

Máximo SertJilie.no

^

&

hum dos Reys da Africa dez

encaftellados Elefantes

,

&: cavallos

Nu-

eftandoneftd tempo Viriato em Portugal , Servimidas trezentos j ainda liano lhe tomou com tal poder algumas praças da Fronteyra , Tuais de vinte mil homas como Servicapitulações muyto honradas j mes çfrdez. Elefan- com boa refiftcncia , a liano lhas nâo guardaíTe depois , antes a quinhentos Portuguezes mates encafie liados, tudo Ftrtato com (ó taíTe a fanguefrioj fahio logo Viriato contra o falfario Romano , & lhe

Lúcio Metello Calt)B , com exercito de

&

&

&

&

{eiu Portu^*fez.<s4e-

aprefentou batalha

;

porèm obfervando que

os noflbs cavallos Portu-

Arahio.

guezes naó podiaó aturar os Elefantes armados , voltou com os Portuguezes^m fugida tam apreíTada, que vendo já ao inimigo afaftado bem dos Elefantes , voltou entaõ fobre elle, o venceo tam fatalmente, que

&

ihedegollou 35600. fugindo Serviliano com osquepuderaõ, feguindo-o, efcapar. '£ em o amo feguintty Efte mefmo Capitão Serviliano ficou fendo Pretor o anno fe57 ServiUano, guinte o mifmo de 139. antes de Chrifto , & por fe vingar de Viriato poz-lh« fondo cerco a huma cerco a húa praça importante masacudio tanto 5 & logo Viriato, qu« i fraca de Viriato,efit quafifem o fentirem os Romanos fe metteo dentro da praça com muyhaõfflhefez, levantar o cerco
,

& fahindo delia logo ao outro dia com cavallaria ôc Romanos, para hum monteamos infantaria formada rompeo & deftruhio de tal forte aos
&
fffgif

tos Portuguezes,

,

,

,

,

'M\

que os fez recolher ao alto de hum monte , do qual nâo havia outra faRomanos^ & hida fenaô a por onde tinhaó entrado , &tomando-lhe efta os apertou gou a lhe pedir e paz., tanto, que fó por piedade os não paflbu todos á efpada, mas acey tandoà vontade dos PortnIhes tregoas, oíferecidas em nome da Republica Romana, &^uytoá pieK.es. vontade da Luíltania nofla ,deyxou^os Viriato, & fe veyo a Portugal. Duodécimo Capitão em fim , & no anno de 138. antes de '•'Dmdecimo^ & ulti 58 mo General que ma- Chrifto nafcido , veyo de Roma outro Conful novo , chamado Quinto dou Roma contraVi- Servilio Scipiaó , irnlaó do antecedente Serviliano , & em feu lugarj ef710

monte cerco» aos
ot obri-

riato,foy Quinto Seri/ilio

quebrando logo, fem avifo , ou caufa algúa , as tregoas aíTentadas com feu irmão , entrou pela Lufitania com exercito armado j o que fado antecedente Servivarias terras dos Romanos , & lhe inliano\& quebrado lo- bendo Viriato lhe deftruhio logo go a paz. ^JJentada,& viou tresEmbayxadores, ( &: infauftamente todos três eraô Eftrangeyfendo lhe perguntada ros, dequejá fenaó devera confiar ) a lhe lembrar as pazes aíTentadas, a ca»fa por três Emou dar a caufa de as quebrar , ou aflentallas de novo chamavaó-fc 05 bajx adores de ViriaEftrangeyros Diftalion, Minuro , & Hulaces a eftes pois fobornou , 8c
Scipiad
,

irmão

te pois

&

:

•,

to ^{queríaoer ao Port

uguez.es, tKM Efira)

çeyros traydores
efles
,

&
co-

voltando alta

noite ,&achando dor-

Tnindo a Viriato

,

mo infames

falfurios

venceo o fempre infame , & falfario Servilio, & com taes promeflas, que tornando eftes para dar a rcpofta da Embayxada ao Invido Viria^ to, o foraõ bufcar todos três no meyo da alta noyte , & achando-o dormindo, ( porèm, como fempre, armado,& deytado em a terra fria , tendo por cabeceyra o feu efcudo ) hum , que nome naó merece , hum deftes três viliírimos,ôc

(he cortarão de

hum

abomináveis traydores, levantando a efpada, degollqu

^PP^

€ap.XIÍI.DoÍnveciveIVinâto,inort.fópor tíayf aleira if
golpe a cabeça. é"}}»^^ gollou de hum golpe a cabeça do mayor Capitão que entaó tinha o giradlogo.AjJlm moík mundoj & fugindo logo todos três , naõ paráraó fenaó em oíeu centra rto (jHe tinha
aqnelle

de trayçóesj o falfo Conful Servilio. Vencido a doz.e GeneDeyxo o eterno lentimento que moftráraôos Portuguezes raes Romanot & a 59 da morte defte íeu Príncipe & mais verdadeyro R.ey, & as exéquias fa- muytM mau batí*lha$ dê taès que lhe íizeraõ , a hum vencedor fempre,& fucceffi vãmente de do^ deães, & formais vinte annos & affim ZG Capitães RomanoSjôc em muy tas mais batalhas tnunfante,& reftauntorreo para fe ver, rador de toda Hefpanha j pois o douto Ganbay ( com fer naó Portu^ atè dffois damor\ guez ) confeíTa , queefte grande Capitão fez em a guerra mais , 6l ma- té foy fempre vence { yorcs façanhas que outro Hefpanhol algum j & que por muytos annos; dor,& Portugnez. in^ foy fempre de Romanos vencedor defde a Lufitania atè os Pirinèos, ventivtí. paíTando Tejo, èc Ebro t & fempre triunfador ; & atè o Hiftoriador Ro, ,
i

;

mano Floroemofeu

Ub. i. cap. 17. diz eftas formaes palavras LufitaViTiatm erexit^ Dux, atque Imperator-, nm ÇJifortuna ceffijfet') Hijpa-^ nia Romnlus. E accrefcenta que morréo de tal trayçaõ, ibi; Utvideretur aUíefumci nonptuijfej é^c. & dito ifto naÓ ha mais que dizer.
;

&

C A

P

I

T U L O

XIIL
Morto P'maté \ liiiè
;pori(fo o

Dm mais guerras de Portuga/,& do /eu grande Sertório^
vencedor de todo o poder Romafio.

animo

^

#^

valor dos Portugue^, zes morreo, pois vin^,

éô

outro, A /{ ^^*^° ^ grande Viriato fuccedeo-lhe no governoporque Portuguez naó no valor ío no nafcimento
,

iVl

,

(

)

do Decio Bruto per Pretor Romano, anne
dei"^^, antes davin-

;

em fím foy vencido dos Romanos j que porfe temerem ainda dos íol- da de Chrifio^foy em dados Portuguezes , os dividirão por fora de Portugali& no anno 136. batalha campalvett'^ antes da vinda de Chrifto , fe apoderarão das principaes CidadeSjSc po- eido dos BracharenJ vos da Lufitania, excepta a Província d'Entre Douro ôc Minho , aon- fes,& ate dai mulhe^ de por vezes foraô Vencidos os Romanos,atè pelas mulheres Portugue- res deftes, ejuepeleja-^, vaõ naõ menos ^ueos sas, que peleja vaó náó menos que os, maridos aflim Decio Bruto , que maridos ; &o Brut$. de Roma tinha vindo por Pretor da Lufitania , foy dos Bracharenfes fe reeolheo a Ronta^ vencido em batalha lio feguinte anno de 135. & voltando Decio Bruto [em efta tornar em para Roma anno de 13o. pelos tumultos grandes , que lá entaó havia^ algus annos a fa^er^ nem voltarão a Portugal tantos Pretores de Roma , nem os que Voltà^ guerra a Portugal, taõj tiveraó guerras dignas de memoria. Cincoeta ^ cinco an ^ Chegado porém o anno de 8ó. antes da vinda de Chriílojdeo nos parOH a vivagttei^ 61 Deos a Portugal hu digno fucceíTor de Viriato , que foy o grande Ser- ra àe Roma contrA tório, com a occafiaó feguinte. Era natural Sertório de Itália , nafcido Portugal, ate tjue efi de pays honeftoS entre os poVos Sabinos , & depois de fe fazer nas le- te, em anno de 80.' antes da vinda dá tras fabio , fe deo ás armas tanto , que foy mandado de Roma por Prechamoit dé chrifto tor a França, aonde vehceo muytas batalhas * & nellas perdeo hu olhoi Africa aofamofò Ser qual outro FelippeRey de Macedónia , Antigono , &; Annibal j &em tório Romano, &o ele as guerras de Roma entre Sylla, & Mário, feguio Sertório a Mário con- geo por feti Principà tra Sylla , & de Mário veyo por Pretor a Hefpanha, & em fabendo que contra os próprios Ro:

,

-i

em feu manos dando- lhe por Sylla eíiavajàfenhor de Roma, fe paíTou Sertório a Africa, Corte a gnerrejnk lugar mandou Sylía por Pretor de Hefpanha a Cayo Annio j &; de AfriÉvora tm ^Uni^ ca vinha tanta fama do valerofo Sertório , que os Portuguezes , naó fo^ Tejg^ " " " frendo [
,
.

&

f

,

G

I'

%6
^!l

Livro I. Do principio das Ilhas do Ocearto Luíitanas. \

Sertório,

em a fideli,
,

frendo feugeyçaô a Roma, mandarão Embayxadores a Sertório ^ pe-» elle vendo governar contra Roma j dindo-lhe que os witíÍQ. ajudar , para fe vingar de Sylla , aceytou, 6c fahio logo de Africa^, a porta aberta Romanos , & com entrou em Portugal com 2600. léus foidados , 700. Africanos , ôc efcolhendo em Portugal 4700. Portuguezes , com cftes oy to mil homens fez feu aflento em Évora Cidade do Alem-Tejo, nella inftituhio hu Senado de Portuguezes, & Romanos, como o de Roma; com o qual Senado confultava ; o primeyro aííento foy, que os Portuguezes mandaflem os feus filhos , em a prinicyra idade , aprenRhetorica , aílinoulhes para iflb húa antiga Cidade, fider latim 3 ta ern Andaluzia, & nella lhes poz Meftres. Começou pois a guerra por confelho do Senado Lufitano, la" 62

&

&

&

&

&

&

&

&

em batalha na;, valor não hindo de Portugal com húa Armada de Portuguezes, dade , menos Portugnez. ^ vai deílruhio a outra mayor Armada do Capitão Cotta , celebre Rologo com Armada vidoriofa entrando o Guadalquibir acíf & mano &ao romper ad'Alva fobre hum exercito Romano que gover-* ma, deo terra alcançou dos Ca fitais Romanos & nava Didio, & eftava alojado em as ribeyras do rio não longe de Seviate ao exercito deFrã lha, & com tal valor o inveítio que entrando por vallos & trinchey^a ^Hefe veyo ajun ras, matou dentro quafi a todos os Romanos & tomandolhes as armas, tar com o Romano go & defpojos armou aos fevis Portuguezes & foy o primeyro que a Pormrnado do Conful tuguezes fez pelejar yeftidos de armas & fuílentar a pé quedo hiima Qamto Mete
f^iriato
y

&

&

cinco

rioi logo, por

v-ão' mar,

;

,

,

,

\

,

,

;

,

,

,

Meftres infignes. Vencida pois a primeyra , & naval batalha , &: logo a atcrc^yra a fos Porttigiiez.es, cjue campal fegunda, deo com os feus Portuguezes Sertório jlittridates da /IJta Phidias Pretor Romano, em que atè a elle mefmo o matou , deftruido mandou pedir muytos totalmente o exercito de Roma. dellet fará vencer ao Temerofo em Roma o Conful Sylla com taes novas de Ser? 63 fatal poder Romano^ tório , mandou logo contra Portugal ao valerofo Qiiinto Mctello, com" lhe farão \&m grã mandou de Meiellofez. Strto- panheyrofeu noGonfulado, o qual,naó podendo logo vir,
to,^ com
tão Vilero-

&

lio. a

htí

outro venceo tan

batalha

com aquella

difciplina militar

,

em que os Portuguezes

fahirao

&

rio levantar o cerco

3 diante a

tinhapojtoa Lagos,

i&ofeK.dtUefugir.

afamado Capitão Lúcio Domicio, que começou a deÇtruir todas as terras , que por Portugal eftavaó em. Andaluzia mas fa^ hindo-lhe ao encontro hum Portuguez exercito com o Capitão Hercu^ leo, deílruhio de tal forte aos Romanos, que atè o próprio Lúcio Domicio ficou morto , antes de chegar Metello que mandando ainda di-

hum

feu

;

-,

em feu lugar, outro Capitão afamado, por nome Toranio, tamante, bém efte , & todo feu exercito foy gloriofamente dos Portuguezes vencido com a ordem, & deftreza do valerofo Sertório. Com eftas cinco vidorias alcançadas voou tanto a fama Por64 tugueza , & o temor de Sertório , que atè de Navarra, & França veyo o ProconfulManilio, ou (como outros lhe chamaó ) Lúcio Lolio, atraveífando os Pirinèos com groíTo exercito Romano , & Franceza cavallaria contra os vidoriofos Portuguezes , mas fahindo-lhes eftes ao encontro com o feU Hercujeo, & fendo menos em numero os acometèf raó com valor taô grande, que a Romanos , & Francezes puzeraó logo
em fugida, ôcfeguindo-os
atè dentro aos vallos
fó o dito raó a todos á efpada; efcapáraó , atè metter-fe dentro era Leridaj

&

&

,& trinchey ras paífáProconful , com alguns mais de cavai,

lo,

& foy

afexta viftoria
.

alcançada.

\

é5

E;}j

^P*iP

Cap.XÍII.Dofamoío Sertório Portuga no valor,& leald. ly
Étti Aíidaliizia andavajá o forte velho MetelIo,&jàbein 65 proféguido de Sertório , que por elle efperàra , & morria tanto por lhe dar batalha , quanto o prudente velho por a defviar j atè que efte chegou a pòr forte cerco à Cidade de Lagos no Algarve ^ cortando- lhe as águas todas j & acudindo Sertório , mandou logo dous mil aventureyros Portuguezes j que em odres , à vifta do inimigo mettèraô agua na praça;& Metello vendo ifto, fem o poder impedir, levantouo cerco, &:íèfoy invernar a Tarragona. 66 Correo tanto pelo mundo nefte tempo da naçaó PortugucZaj de Sertório a fama , que o celebre Mitridates , Rey da Afia , anno de 77. antes da vinda de Chrifto , mandou a Portugal Émbayxadores, pedindo aos Portuguezes , que quizeíTem com elle ajuntarfe , para jun^aTcdet'''d%^''^^ cos deftruirem a potencia Romanaj & que os partidos feriaõ, ío concor«^^ ^ ajuntarft ^com rer cíle a Portugal cora dinheyro , Armadas , & Portugal a elle com a Metello , eftavales foldadefca Lufitana ; item que demais concederia a Portugal o ítnho- PortHgnez.es cercmA rio de Afia , depois que elle o tiraíTe das mãos de Roma. ForaÕ c^çs^"^'*'»^ Cidade tzá "Embayxadores recebidos mageftofamente pelo Lufitano Senado, que ^'"'^"f'*»^^^""*'»' entaó eftavaem Évora , & em que o grande Sertório prefidia ; & em re- ^^^f^". ^p^"""^^*»^

&

&

&

poita lhe rorao outros Embayxadores Luhtanos com muytas ,
luftrofas

^n-iur^

T-ij^T/-

D & muyto

Sertório lhe
dez.

matou 4mil homes «

companhias de Portuguezes para ajudarem a Mitridates,

&

áe,fez.irffigindoa]eA'
,

que ficou elle muyto agradecido , Sc paímado de ver a Lufitana folda- ragaõ & dtfirttinda a Cidade cercada fe defca, & o valor Portuguez. " Temendo-fe pois já da Lufitania a mcfma Roma, contra Ser- "^ol^ouaEvera.&ne.. ;új torió mandou o grande Pompèo a Portugal, & novofoccorro grande^^" ^^^l"'"*/'^'"''" j^v .^rces.&real cano por _i ^»,riio^i r» para r unir com Metello , & ambos contra os Portuguezes dobrarão ^,y^^^ perme íe mete» entaó a guerra mas a Sertório também fe lhe veyo ajuntar hum ^^"pi- mCidadt afua açuA taó Italiano chamado Marco Perpèna com mais trinta companhias áe da prata.

:

& eftando os Portuguezes cercando em Valença a huma antiga Cidade chamada Lauróna & acudindo-lhe Pompèo, Ser- madoi ""^ "/"''^ JT"Í' forças é" ptr * ^ tono, & os Portuguezes o acometerão em tal ciUada, que lhe matou dez diverj partes Pom04 mil homens & com prefla fe retirou Pompèoj & Sertório que comfi- p'eo.,& MetelU^a Pí^ ( gojà trazia féis mil de pè, & dOus mil de cavallo ) rendeo a dita Cida-;»^» deo Sertório talhtt de & a deftruhio & recolhido Pompèo aAragaó, Sertório fe recof«*^f"? «^t/?^»iheo a Évora & entam de fortes muros cercou toda a Cidade & cm ^^^ " 'f"*"" f'ri*
•foldados veteranos

;

,

n

^'t^

V

1

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II

1

.

,

,

:

''*^^'*i

j

,

t

por cima de fataes arcos , metteo copiofa agua V^TlrZl.^ dentro da Cidade, obra que tanto depois reítaurou LlRey D. J oao 111. ^i»^e loio Senorio 68 Anno de 75. antes de Chrifto, fahio por huma parte Pompèo, dtr batalha aMeteU & Metello pela outra , cada hum com feu exercito ; & fahíndo Sertório (o, tambemaefiefea Pompèo , lhe deo tam forte batalha, que naó fó lhe deftruhio ao exer- '''^o.é-lhe matou mny recito , mas ao mefino Pompèo ferio, que fugindo lhe efcapou & logo in- ^'^M<^fH<"' 5 t?rando-íe outra vez. ^^ r 1 iví 11 11 n. ooembufcade Metello , taes encontros teve com elle, que polto ci^^^a Évora &rahindm lhe matou muyta gente, & huma vez o ferio , Metello com tudo por feu ^ ; armadapelo mar^^ biM ço , aos feus livrou melhor tomou tantosfoccorrot experiência de velho , a fi fempre , que Pompèo , atè que o deyxou Sertório, & fe voltou a Évora. Mas naó mandados de Roma^
,
:

hum fó, &: grande cano

"^í^*'' fe

^

t

..

&

&

com taes vidorias Sertório mandou apreílar \o2phím^^'^f'^^''f^f''y^''' Armada Portugueza, &com ella entrando o Mediterrâneo tomou os^^^"" Z' ^/f'^'^ '^ Pompso fe foy meter c i-ir. TT/-«n XI loccorros que vnihaode Roma para Helpanha & naodeyxando porto ^oCertão mejulgAv* ÍTJiimigo 3 que naó roubaífe , nem inimiga náo que naó vencefle poz a mmfegnro.
contente ainda
, 1

,

,

^~-

C

ij

Metello,

i8

Livro I.

Do principio das Ilhas Jo Oceano Lufítanas.

>

"^ Ccrtaó mais feguro que achou j dahi avifou a Roma lhe acudifSmiltam & com a iem logo , fenáo queriaó cedo ver a Sertório em Roma & aflim vindo dt Portugal Htrctt- ibccorro a Pompeo , & voltando Metello jà de França reforçado , tor/M,T<r»í«rfí/r5mfl- nouaguerraaaccenderfe. ^j.;a rio^&eftc com es Por£ como aufente ainda Sertório , Hercúleo , que ficara em ^^ tH^Hez.esdto ulbA^-^^^ hãXÚh^^ com Probo Emiliano , Capitão de Roma , & ^^ levando Hercúleo menos gente , & ainda nao tam exercitada , comturjfc o mato» , & dcftrumÁolhe o exercito do Herculeo^&feus Portuguezes vencèraótanto a Probo,queatè aefvcltou carregado de te mefmo tiràraõ a vida , ganharão onze Eftandarces dos Romanos , 6c di^ojo$yma4 ajfimte- comfigo trouxeraó tantos defpojos de armas, & cavallos , que ficou efta t»erarÍ9mdo bi*fcar ^.^Q.^^^^ mxiNto illuftre. Mas Herculeo, foberbo com o fucceíTo , foy tam que já tinha o feu partido exceíHvo , & aco*^eFrirafovi temerário bufcar a Metello, de He , & fugindo fe veyo a Sertório que játi^udldeUel&vaUn. metendo-o foy vencido conÀo.fc dt Strtorio,^fte nha defembarcado j Sc eíle confolando a Hercúleo , & mandando-o d0 maninha voliad» duzir gente de novo , fahio logo com a fua em bufca de Metello que anfçm mait efperar fa- (Javajà em Catalunha quando eis-que de repente encontra em o camiAjj/o^rí ^^'''1'j'' ^f nho com a mayot parte do vidoriofo exercito de Metello , que cativos, levava Jà por novas da vidoria aPompèo, & tam fubitap^^^^^^ Sertório , que em breve os delpojou de tudo , A0i vidst açsmaií, mente nelles deo o fatal
fiem o ^Capitai Proho ^^^^^
:

^

.

-

Metcllo,& Pompèoemtaleftado,queMetellofem ter jà que comerj nem que gaítar,fe retirou a França a refazerfcj ôcFompèo indo ame-

.

j

ít«rX
efue

&

& * todos dos

defpojos

aos

levavaõ ,enjtnan-

Romanos das vidas, & Porèm naó podendo 70

voltou-le.
jà a fortuna

com

tantas viílorias

de

do affim aoEftrãgeirc Sertorio, Merc»leo, que Nem

começou a voltar a roda contra elle , 6c perfuadindo-o

fe ajun-

Metello ^^^^ ^^^ ^^^^ Capitães Perpena , & Hercúleo , &juntos dous fataes ^limioXsLópm a° Reyno de Valença, achou comelleaPompèo, exércitos em hum íó , & o poder Romano de huma parte , & o Portutudo.
.

& foííe bufcar

guez da outra j & logo , fem efperar mais , Sertorio commetteo ao inimigo, & fe travou a batalha mais horrenda que tinha vifto o mundo , 6c _ ^ _ to tempo , com fucceíTos muy to vários de húa, m}iel IT^rato foy depois de durar por muy queficaíTe Sertorio húa í^e dentro aFalença, &€ outra parte , finalmente oenvejofo fado fez tanto á cufta do inimigo , q deíle^ aa^cometer MeteJlò, vez vencido,mas ainda de tal forte, & st acha»d^.o com kit entre de pè, & de cavallo, morrerão alli oyto mil homens?> 6c dos noíTos, faderofo exercito , & ^jj^-f g mortos, prezos,6c feridos, faltarão mil & feiscentos de cavallo , cBoHtroaPo^eojH. ^j^^^ ^-^ ^^ pèimasem fim ficou o campo pelo inimigo , 6c fe retirou que em tantas , 6c tam XidtohTSà&le Sertorio naó menos conftante nefta adverfa , do Sertorio eftava, paiídelhnmataroy- profperas fortunas ; 6c a Cidade de Valença , que por ta milhowèi, & per fe rendeoao inimigo. E nunca tanto em Hefpanha ^ ainda em Roma, dfrmaps defeií mtl, fe celebrou victoria, quanto efta por verem nella vencidos Portugueprtevtre mortos ^^^^ coufa poucas vezes vifta em o mundo. Retirado pois Sertorio , 6c fabendo que Porapèo o vinha 1^ '^'ferllrt^^vimtdo ' X^rZír"" ainda bufcar, marchou logo para cUecom o feu {já recolhido, &reformado exercito 6c achando a Pompèo fobre Placencia , o fez levantar o porem cerco, 6c aceytar batalha , 8c nella O venceo tam fortemente, que fezfa^ Refaz.endo.fe de Portugueses & ^ p^j^^p^o & Sertorio ficou fenhor do campo, 6c de todos os defpo&2Zrca3oZ'PS 6c naó fatisfeyto ainda , foy bufcar logo a Metello que eftava ceracomereo , matculhe três PjJencia,o cãmetteoCraáo a Calahorra 6c aíTim como chegou , o
.

^

,

,

,

.

j

,

,

:

,

j

dt talforte q»e í/<4mil foldados vellioSs,6cofezirfugtndo

avakrfedehum pofto

inaccef-.
fivel

Cap.XIII.Dâsvidonas,qâLufitaníatcVec^trâRcma7 ip
a Galahorra a confirmou em fua ohcdigncmi f^.^ /^-'JJ^^^^ ^ como de antes eftava. dooTredeftutxerl Depois eílandoHuefca cercada por ambos juntos, por Me* «wjc^íado/cfí?^»/:} 72 tello, Pompèo , acodindolhe Sertório , foy em hua madrugada trocar a Metdk ^etri,
li vel,

& Sertório voltando &

&

fubítamente acometido, que obrigado femetteo

em
/-

a Cidade
1

,& com **'^'*^^^'?^<'f'''*//*'^

''»'»*"»/»ç^'" "«»•*•-] menos credito de feu valor , mas amda com quafi nenhuma perda de feu ^'de três mti fõlda'^ V ^ ^ T^ r> Fortuguez exercito. Daqui tomando porem occaíiao alguns Romanos dos velhos, recuperãJ que andavaó com Sertório 5 julgando que efte já naó podia confervar-^o asCiátides. Mat.

1

&
.

querendo congraçarfe com a fua Roma , tratarão com Perpena a acodindo a HuefeaJ abominável treyçaó de matarem a Sertório, conjurândo-íèâiffo,ipa.mtami>emcereadd,fojf recuperarem a graça de feu povo Romano. Teve noticia Sertório , ^^J''1^^"/^'f!"'í"''*\ Gueyxando-fe aos Portuguezes de fua euarda, eíles em ouvindo tal, f '7 "fr com tal runa derao logo nos Romanos , ( que com elles andavao ) que ^^ ^ praça. Masfadegollàraó a muytos, & a todos fariaó o mefmo , fe o próprio Sertório ^^^^ Sertório qut aá lhes naó foífe á maó , & os impediffe > mas ainda aífim quâfi toáos os gnsfoldados Romano»^ traydores perecerão , excepto o falfo Perpena , de quem nem a S^no- tratavaõ de o matar dttiendo.oaosPorJ^ rio, nem a outrem fubio ao penfamento tal trayçaó j porém efte bufcan- ^ ^'*í'*'^"^ eftesreme^, do outros Romanos com elles tornou a machinar a morte de Sertório,
fe, 6c
.

.

,

^

fe

conjurarão

em

2

,

.

.

fingirem

huma novade outra viftoria

,

-o-

repentina

,

que quando Perpara a feftejarem mais , irem jantar com Sertório j pena derramaíTe hum copo pela mefa , atraveíTaíTem a Sertório a punhaladas
í

&

n & nos e^uientre

tenao loqo aos

Roma*

Porí^ tuguex.tsandavaÕ,eà
os

degolarão a todos.tx-^
cepto ao Capitão Ptr-^

73

Deraô pois a nova da fingida vitória a Sertório
:

,

& o con-/'^"^.'' ^«"» Sertoriq.

vidarão a jantar , para a feftejarem maisj aceytou Sertório ,( contra a""***"'"'*'"'* fentença do Portuguez Poeta, que difle Porqm nunca louvarey Capitão ^ue dijfe i Na» cuydey ) Sc pondo-fe todos a jantar, começou Perpena nQ fajfari» Ptrpetim^ emhu fingido bãijue*^ foltarfe em palavras pouco honeftas,quaes fabiaque defagradavaó muytoaSertorio,& queo reprehenderia delias } mas efte efcandalizado de J^^^^^^^^ ^í"^ ouvir tal, fe encoftou fobre a mefa , & cobrindo-fe com o Real fago mi- ^^^-^ ^- °-^^^
litar, fignificando aífim

que naógoftava tal ouvir, entam Perpena per- ^«„)^^/^^^j^^yij,^,-^ fido fez o final dado , derramando o copo i& no, mefmo ponto hú dos logo com os traydores^

^

treydores Romanos atraveíTou a Sertório com hum puiíhal , &: outros huma punhaladas ; deyxando-o envolto em jiintamente com vinte

&

osFoi-tugaez.tsfa»

&

&

^^*'^1-'> ^^P"^, Ihefi^j

temendo,que fe o labiaó os Portugue^^MrdinaHas^&^ti zes, vingariaôfua morte. Mas fabendo-o depois os Portuguezes , reco- ^^^^^ ^^^ ^l^^^ ^ Ihendo logo o corpo morto , o leváraó fora da Cidade,& taó Reaes ejce- enterrara Evora,oH\ quias lhe fizeraó ao modo entaõ gentilico, 8c com fentimento tal , que á de lhe levantarão co-^ viftà de tal morto, fe matáraõ a fi proprios,naó fó muytos foldados Por- Ifímnos; & vendofetc tuguezes , mas efquadróes delles inteyros, & as cinzas de tal ^^^o^'fl^ll''l^'rf^^^^ trouxeraó á Cidade de Évora , aonde lhe deraõ Regia fepultura , levan- //y^^aomgrjjl''^//' tando-lhe columnas, Sc memorias immortaes. Entre os papeys fe acíiou ^^^ Perpena^&fe Ao""^ o teftamento feyto por Sertório j & nelle fevio deyxavapor ^'mxxm- bron o Çemimento era^^ que vifto , fe dobrou ejii to- todos. verfal herdeyro ao falfo amigo Perpena. dos o fentimento da morte de hum Principe tam fiel a feu próprio vafFoySenono,nomaji& lillo, U da infidelidade de hum tam traydor vafl"allo para com íèu roef* * nattt'
feu fangue, fugirão todos juntos,

O

',_,..

de naíctmento,
ral<z.ado
,

ino,&:talPrincip(?.

74 gundooaftedojSc profiíTaófoy connaturalizado
"
.

Foy

Sertório, Romano fegundo

o nafcimento , porem

.

^
fe-

&

cafado

^^ £^^4 egf„ pejfoa
,

em Portugal & ca- iaufire
fado

de qttenaa

C

iij

íilii

^0

Livr© I.Do princípio das Ilhas do Oceano Luíitanag.

de Évora com Portugúezkiiluftíè, foâo qué f^dJvida/fff^maií "^õ deyxou filhos j pòde fer problema, fe foy mais aíFeyçoado aos amãte jíHmais ama. do dos iPm»|«íí.«; Portuguezes ,feos Portuguezes aclle. Ocerto he que nem elle dimi^ado na Lufitàná-Còrte

&

i]f

.

m

I

O amor que tmha aos Portuguezes , nem eftes o que a Ser^"^^°' P°^^ ^"^^^ ^^ °^ Romanos o matarem , vingarão os Portu^r^^^f"«//Ir^^^^^^ dS'ZlpZ7pr7K.^^^^^^ fuamortei & achando-o morto depois, o honrarão com exederaõMettllo.&Põ' 4"^^^ Reaes, & fuas cinzas trouxeraó àfua Corte de Évora j&lhe dep«,d' í^aMí/ir^ê por raó Regia fepultura, aonde comofeu Senado efperàraó oquefariao ^ffimlhis tiraraglo.^ Métello, & Pompeo i mas eftes vendo que o traydor Perpena com fó ria de vencerem a híí outros Hefpanhoes , mas fem Portuguez algum jcftavajà jambos oaSertono & ^9;*'*»: cometèraÓ, ôc vencendo-o facilmente , o prenderão , & o matarão , ent do Portugal, fe forae j \^ ^ n\ ^^"ga^Ç^ de OS privar de ( quando o nao venceffem , como nunca vcnfrara Roma.deyxando Portugal ^««/o ceriap } ao menos pelejarem com hum Sertório, &: com feu Portuguezí perdoHs amos atia fatal exercitOi& deyxando a hu AíFranio por íèu Capitão em Hefpanhaj|wW<i rfí/í»/w Cí/4r. ambos , Metello 5 & Pompèo, fc retirarão aRomaanno de 69. tendo a morte de Sertório fuccedidò anno de 7 1 antes da vinda de .Chrifto.
éatefius eõptudores nuliio jamais
:

,

••

^

,

.

CAPITULO
'_

XIV.

Dãvtndade Júlio Cef contra PortugaL ar
7^

Cifmo fi Awtiges inimigo competente a quem ir bufcar , elegerão o defcanfo das guerras PprtHgHez.es , oh Pi' paíTadas: porém os mais antigos Portuguezes da Serra daEftrella,de ri<ttos da Serra da repente fahiraó tal Ímpeto fobre as terras a obedientes que

w

A Tè o anno de Ó3.naó houve guerras outras cm Hefpanha, í\ & Portugal porque o Portuguez exercito naõ vendo já
, ,

1

}

'lí

Hefpanha puzcraõ cm grande revolta, & a Roma obrigarão a guerra aos Romanos^ mandar logo fobre Portugal o grande Júlio Cefar, Pretor de Roma , fidr obrigarão a vir o Romano Pretor fnito lho de Lúcio Cefar, & por aqui defcendente de Júlio Afcanio Rey de Cejàr contra elles em Alba, & filho do grande Enèas, donde veyo a familia dos Julios j mas a o anno de^^ .antes do mãydejulio Cefar foy Aurélia, filha de Cayo Cotta defcendente âk nafcimento de ChrifAnco Mareio, quarto dos Reys de Roma > & porque o tal Júlio Cefairto^&com ardid pacin^fçeo no mez Qiiintil, que era defde Março o quinto mez) por iíTo' ficando os dites Por( tHguèx.es fe tornou a o mez Qiiintil fe chamou Júlio , ou Julho & cafando Júlio Cefar com Roma^^ ^ lançando Cornélia filha do Conful Cina , teve por filha a Júlia que cafou com o , deUa a fe» próprio Pompèo de que acima tratámos. fenro Pompeo , cada Corria o anno de 59. antes da vinda de Chrifto , quando o 76 íídelles
a toda
•,

Efirellafiz^eraÕ nova

com

Roma

,

fia Portugal contra o outro, dra if- Serra, fo tornou a Portugal morte

Cefar entrou , bem à fua cufta , em íPortugal , & enveftindo a & Serranos da Eftrella , foy muytas vezes por elles rebatido cont de muyta gente} atè que , naó pelo braço , mas por ardid militar fulio Cefar ^ &dey- venceo aos taes Portuguezes ,& pacificando a mayor parte da Lufitaxãdo ca Lfgados fcHS nia deyxando nella , por Pretor a Tuberon , fe voltou a Roma , onde no
ter por

tratava de

tal Júlio

tornou a tr para Ro-

ma.

anno feguinte foy eleyto Conful com Marco CalphurnioBibulormas tornando a Lufitania a fazer guerra aos Romanos & vindo a acudirlhes hunsLegidos de Pompèo, em quanto elle naõ vinha }& lançando entre tanto fora de Roma a Pompèo omefmo feu fogro Júlio Cefar ,& cada hum deftes procurando ter por fi a Lu fitania , & toda Hefpanha, a'
,

Cefat

Gap.XlV.De JuIío Cefai^Vmclo peíTòalmêtxõtra a Luf.

3

Céfar íe adiantou, entrou em Hefpanha , vcncco aos Legados de Pom-* deyxando nella por Pretor a pèo 5 tornou a pacificar a Lufitania , Qiiinto Caífio Longuinho , fe tornou a Roma anno de 44. antes de Chrifto nafccr, tempo em que na Lufitania fuccedèraõ terremotos tani fataes , como jà os tinha havido no anno de 63. taes fucceíTos , en*

&

&

&

renderão vaíTallagem, & a Beja deo o titulo de Fax Julia , & de Coló- fètornou a Roma uU nia Romana} paífando a Évora , a confirmou em o titulo de Municí- timamente , inti» pio Romano, taes favores lhe fez , que daqui tomou o nome de Lik- tulandó-fè Empera» fditas Jiãia lego veyo renderfe-lhe o Rey no do Algarve , & Cefar dormem » terceyr» an» no o matarão eõ vinte fez a Mertola Municipio Latino , a chamou Julta Mirtilis. De Évora três punhuladM^ chegou Cefar a Santarém, intitulou-o Colónia Romana , chamoulhc 4Z. annos antes d/i, JulmmPreeJidmm;^ paífando a Lisboa, delia foy bem recebido, vinda deChrtfioSt» concedeoo fer Municipio dos Cidadãos Romanos , (coufa que ema nhornojfo. Lufitania naõ teve Cidade outra alguma , pofto que às Colónias tinhaõ ainda por mais nobres ) & lhe chamou Felicitas Jiãia^Ssc fem entrar mais por Portugal, fe voltou Júlio Cefar de Lisboa para Roma ,onde cntant ft intitulou Emperador do mundo } mas dentro de três annos fe lhe acabou o Império , morrendo atraveíTado com vinte três punhaladas , às mãos de Bruto, Caífio, outros feíTenta Romanos Senadores , diante de húa eílatua do grande Pompèo feu inimigo , em 1 5. de Marçõj anno 42. antes da vinda de Chriílo.
j

do mar pela terra dentro, que muyta terra antiga occupou de novo, &: a outra muyta nova defcobrío , onde nunca imaginarão a haveria* 'j'^ Voltado a Roma Júlio Cefar perfeguio tanto a Pompèo, Litnfândõ Je Romi que cm Grécia o foy achar , &: o venceo , & o fez ir a valerfe de Ptolo- fftlio aofeugenroPõm meo Rey de Egypto , & efte infielmente deo a morte a Pompèo & os feo^foyefie morta na dous filhos fugirão para Africa , Sc dahi pafa Hefpanha , 6c ficando em Egypto infielmente-y Córdova Sexto Pompèo, & Cneu Pompèo em Sevilha , procurarão, mas vindo dmufilfá^ com hum bom foccorro de Portuguezes , vingarfe dós Legados de Jú- Çem»Hejpanha co^ tra e Cefar , vgttoit lio Gefar, & os vencerão ; mas voltando a Portugal o Cefar , & vcncen* também efie cõtraM^ do a Cneu Pompèo, por trayçaõ de hum criado defte o matou i & vin-^ çfuelUs , & fax.end9 do o Sexto Pompèo logo contra Cefar , fe fez forte em Sevilha ; Cefar matar hum delies à fe veyo a Portugal , & com benignidade, mercês, & títulos , em chegan- trajfçaSf entrou em do a Beja mandou Embayxadores de paz & amizade a muytas Cida^ Portugal de paz. , <^ dando diverfis titu-' des Lufitarias , & recebendo delias também Embayxadores , eftcs lhe los
iradas
;

,

a alguma* terrat^

& & &

^

&

&

&

&

&

&

&

&

CAPITULO
Salvadornoffb,

XV.
,

Dõprmipio do Império de Auguflo Cefar é* uniaõ com
Porttíga/aíeavmdadeCbri/io,Senhor,é*
BoTriuff/ifiratê fine

'78

Tl /[ Orto Júlio Cefar, começou em Roma a governar o iVlvirato de Odaviano, (fobrinho de Júlio Cefar)
;

Tj^iu.J^eeedetno governo*

Marco António , & do Conful Marco Lépido &• com eíla occaíiaó , & ^l ft^EmperadoT'^ chamanieneo de Roma, foy Sexto Pompèo a ella , fó por vingar a morteyj charmtt Augu^g
de feu pay> ô^ feu irmaõi
i^^^s

^^^%yi2o^^^
Cefar.

fendo o feu exercito de Italianos fomente. foy

|2

Lisrro r.Do príriGÍpio das Ilhas
j

ão OGcàno LufitáfiaiJ

i

^y emfim vencido por Odaviano

iill"

gfpòt Marco António foy prezo^ acabou entaó a geração dos Pompèos. E entrando logo n® £c morto, mefmo Triuravirato a difcordia, Marco Lépido foy lançado fora delle, por querer matar a Oftaviano, & pouco depois iez efte guerra a Marco? António , & efte a íi próprio fe matou > por lhe dizerem fer morta a fua amada Cleopatraj a qual ( fendo amda viva, & fabendo a morte de Mar-

&

ii»!í;

co António} a íi própria fe tirou ávida, & ficou Odaviano abfoluto - Emperador. E acabou em Roma não fo o governo de Coofules , mas o do TriumviratO} 6c mudado o nome Odaviano , fe começou a chamar AuguftoCefar. Chegado o ànno de 2§. antes de vir Chrifto ao mundo , &: 79 Dm £fiirras «rf^* eftando quieta a Lufitania, os de Galiza entrarão pelas terras que eraó Sra^a, ^ « Ferto. fy^^y^^^ a Braga, & efta fe perfuadio que tinháo fido chamados , &: ajudados pelos naturaes , & comarcãos da Cidade do Porto j &: vencendo Braga facilmente aos que tinháo vindo de Galiza, declarou guerra contra o Porto , & como efte chamafíe em feu favor aos Romanos que andavão em Hefpanha , entre os quaes fe achava já o Emperador Augufto Geíar , com efta occafiáo entrarão a primeyra vez os Romanos na Provincia d'Entre Douro & Minho , 8t fe accendeo mais a guerra de Éraga contra o Portoj mas como da parte de Braga atè as mulheres pelejaváo mais que os homens , depois de varias batalhas, & vidtorias, que os de Braga alcançarão dos do Porto > Augufto emfim compoz eftas Cidades com pados muy ventajofos de Braga fobre o Porto, & a Braga concedeo o titulo de Colónia Romana, & de fe chamar Augufta } & daqui íempre ficou algúa antipathia entre eftas duas Cidades de Braga,Si
. .

Porto.

E porque Augufto Cefar pof algum tempo fe deteve eni 8o ^ Tarragona de Hefpanha, duas coufas nella fez, com que a fi fe fez mais hoHve em contar <•»^gig^H^ primeyra foy, mudar o modo ác contar os annos, porque fe an"*'• tes fe dizia v. gr. (fuccedeo ifto tantos annos depois da creaçaõdo mundo j ou , tantos depois do diluvio , cu , depois da Fundação de Roma, êcc.) mandou que dahi por diante fe diffeífe ( tantos annos da Era de oyto annos antes do nafcimento de Chrifto Cefarj ) & porque trinta Vchceoefte Augufto Cefar a feu competidor Marco António , mandou que daquelle anno por diante fe contaflem de novo modo os annos dizendo-fe fomente alTim , ( Era de Cefar , tantos annos ) querendo que nem feus annos todos ficaflem em memoria , fenaó os em que acabara de vencer feus inimigos ; & aílim<iuem aos annos do nafcimento de Chrifto Senhor noífo acrefccntar trinta & oyto, fará juftamente os annos da
Boi
vários modos
.

,

&

,

Era de Cefar j& pelo contrario quem defta tirar 38. annos juftamente acertará os ànnps do nafcimento de Chrifto j coufa muyto neceíTaria para bem fe entenderem os tempos das datas, ou aíTignaturas de efcrituras antigas. Mas como o mefmo Cefar, fó dous annos antes do nafcimento de Chrifto fe tornou de Hefpanha para Roma , & ainda neftes dous annos acabarão feus exércitos de vencer por là os Alemães , Arménios, ParthoS} Sc por cà acabarão de íugeytar de todo a Hefpanha , & apaziguar a Portugal na fua Provincia ultima d'Entre Douro & Minho; çom mai§ razaô querendo o dito Cefar que a coma de feus annos come,

&

>

çaíTe

ipPiíp

Cap.XVl. Concluefecõ o Ver dàdeyro pritic. das
-çaíTe

Ilhas.

3j

defde quando acabou de vencer feus inimigos , houvera de come-, çalla defde que acabou de vencer a Portugal , que foy a ultima coroa muyto ao depois de todas fuás viftorias. Porém nifto mefrao ainda , venceo Hefpanha ao dito Cefar, que deyxando a era deite no contar, logo no de Caftella , a contar os começou em o Reyno de Aragão , annos, defde fóo nafcimento de Chrifto Salvador noflb, anno mil

&

&

&

quatrocentos

& quinze, & a eíla Divina conta tomou aCoroaPortugal^

reynandooinvido Rey D.Joaó I. 8r Ultimamente aíFedou efte Augufto celebrarfe com o edi.£to , que refere o fagrado Euangelho 3 que fe tomaífe a rol , & fe matriculaífe todo o mundo , como fe todo eftivefie debayxo de feu Império De como, imferand« Romanoi mas ignorava que entaó {aos 3962. annos da creaçaó do mun- ^^g^flo Ctfar , «^ .do,23o6. do diluvio de Noè, em o Reyno de Judea , em a ditofa Cida^f^fe^^^nií^fh. " *^ ' :<3e de Bethlem , aos 25 dias de Dezembro } o verdadeyro , & Divino ^^^J ;Emperador de tudo o que Deos omnipotente creou , & crearà ; nafceo feyto homem por virtude do Efpirito Divino , & da fempre immaculaida, & facratiílima Virgem Maria , Senhora noíTa , na qual o Verbo Di;vino, fegunda peflbada Santiílimâ Trindade, & Unigénito Filho do jiiefmo Padre Eterno fe unio á noífa humana natureza , & tam ineíFavel Tçompofto ficou fendo, juntamente Deos, & Homem , & em quanto hoimem fem Pay , porém com a verdadeyra , & humana Máy & em quan* to Deos fem Máy , & fó com feu Eterno Pay j & foy unicamente o que trouxe a verdadeyra paz ao mundo todo , & na Cruz ( em que morreo por nos remir do cativeyro das culpas ) a verdadeyra vi£toria de toda»
.

,

jioífas guerras.

CAPITULO
Conclufaõ do principio das

XVL
llhítí»

82

ras que houve em Hefpanha , & Portugal , defde o diluvid de Noè atè o inefFavel nafcimento de Chrifto Salvador noífo j concluefe primo jque nem as Ilhas do Oceano foraô alguma hora partes da terra De tudo $ Jhhrediti firme, nem no Oceano houve a fabulofa Ilha Atlanta, pegada com Afri- fi eêHclueç/]ue nunat houve 4 tio Oceano ca, & Hefpanha , mas immediato a eftas correo fempre o Oceano j nem ditafonhada. Ilha A* Coque mais falfamente fe oppunha ) nem Reys alguns de Hefpanha, tlanta^ nem Reys ntlou Portugal foraó jà mais invadidos , & muyto meno^ vencidos em ba- la «jue •vencejfem ao$: talhas pelos Reys, qiíe na Atlanta fe fuppoem terem reynado , nove mil de HejpAnha nèan^
,

O

o Uppoíloaílí mo breviífimo compendio dos Reys,&guer*

de annòs Solares , confta que muytos menos tinha o mundo defde fua creação ; & fe Platam fallava de annos de quatro mezes, (como em algum tempo fe contavaõem o Egypto) ainda vinhaô a fer três mil annos de doze mezes , & nem tantos havia que tinha fuccedido o diluvio de Noè } & fe fallava de annos Lunares,em nove mil de Lunares não ha mais que fetecétos Sc cincoenía de doze mezes , que com quatrocentos & cincoenta Ç que de Platam corriâo atè a vinda de Chrifto) faziâomil ^ duzentos antes devinda
annos antes de JPlatam j porque ,
fe fe fallava

nos

em ^ue

poffa

iti»^

rijicarfttâífahuld,^
^

1

do

34

Livro I.Do principio das líhasdo Oceano Lufitanas.

do Redcmptor j tempo em que noticia não havia da tal Atlanta cm Hefpaiiha, &: Lufitania , & nem nefta havia Reys entam , & logo íe lhe íeguio o Rey Górgoris Mellifíuo como vimos acima no Cap. 8.
,

Conclue-fe pois fegundo, que o verdadeyro principio, 83 crcaçáo das Ilhas , que eftam no Oceano , he o que fe colhe da Sagrada

&

'.
I

.1'

aonde creando Deos em o primeyro dia o Ceo , a terluz i & no fegundo dia o Firmamento no meyo das aguaSjôc chamando ao Firmamento Ceo, entam no terceyro dia mandou que as aguas , que eftavam debayxo do Ceo, fe ajuntaflem em hum lugar , 6c appareceíTe fecco todo o lugar que deyxavâo , & a efte lugar , deyxado fecco, poz Deos por nome Terra , & às aguas feparadas chamou Marcsj porque a natureza do elemento da agua hebufcarfempre da terra os Kwiadeyr» princifiê valles mais profundos , a eftes fe recolherão as aguas & como febre osÀm ltí»M ajfim tmo vallesfe levantava a terra em vaftiílimas alturas ,& deitas erãomuytas frintifio do mundo ^ unidas húas com outras, &com menores valles entre íi , outras akuraS «orno depoú dodilu porém eram entre fi feparadas com mais profundos valles intermédios, vi» dl N»k a eftes também as aguas occupàráo, tanto em circumferencia das fuás próprias alturas, que ficarão fendo Ilhas } porém as outras alturas mais unidas entre íi com valles menos profundos, fícàraó fendo a que chamão terra firme. E ainda que o fagrado Texto diz que mandara Deos fe ajuntaíTem as aguas em hu lugar, ( Cengregentur aqua in locum ununí) nem poriíTo quer dizer , que aquelle lugar foíTe hum fó per identidade, ínas que foífe hum per continuativa uniaô, como em eíFeyto vemos,que o Oceano Occidental com o Oriental fe uiie , & continua o Mediterrâneo com o Atlântico, & aífim os outros maies. Defte mefmo modo pois , com que começarão as Ilhas cm 84 o pf incipio do mundo, também defte mefmo modo tornarão a começar, depois do diluvio de Noé , & perfiftemainda hoje-: & fica mais manifefta a fabula daquella Ilha Atlântica , a uniaó delia com Hefpanha, Africa, os fingidos Reys que tinha, as imaginadas guerras que fizera , qae vencera, ôcafuaíabulofa deftruiçaó,deyxando ao Oceano feyto hum fatal paul , ou apaulada lagoa, que depois nefte Oceano fe convertefle outra vez ; pois ifto fó faó fonhos , que a Platam occorrèraô,ou lhe difleraó pois de tal não trata hiftoria outra alguma, havendo tantas de antiguidades do mundo , aíTim de antes do diluvio , como ainda
Efcritura, Genef.
ra, &c a
1
.

&

;

^

& ^

;

tareceque a primei. mais depois delle. ra IlbAfoy o Psraifo E fe alguém perguntar 5 quando antes do diluvio , ou de85 terreal , frimeyros pois delle foraô algúas Ilhas povoadas: ao tempo antes do diluvio diJlheoi

Adam^& He-

va , defde o principio do mnndo;^ ^ de/de Senhor ,
tdílHvio aprtmeyra
Ilha foy a Arca de Noe^&oi tjHe ntlhfe
.

rão algus que o Paraifo terreal foy a primeyra Ilha fey ta por Deos noíTo povoada por Adam, Fleva logo no principio do mundo;

&

&

falvaraõ^forao ospri-

meyros
então\(fr

llheoj
íjtie

defde

& que parece que aílim fe colhe da Sagrada Efcritura , aonde fe diz^que tendo Deos feparado as aguas em hum lugar,& dêfcuberto a terrajC] chamamos terra firme, (Gm^i. w 9.} accrefcenta caf. 2.11. 8. que já defde o principio tinha Deos plantado o paraifojSc q nelle poz o homé que creà,

affim ne

houve

,

mm ha cre*-

tura humana, n não
defeenda de Ilhoi.

DominusDemfãraâifnm àprimpio,ín quo fofuit ho' mimm^quemformaverati é^c. Logo efte paraifo quede antes, & deídeó principio tinha Deos plantado,era terra diverfa daquella terra firme,q Deos apartou das aguas > logo eraalguma Ilha das aguas cercada , pois o
v,z:Plantaverat atitem

mefmo

Cap.XVI.Concluefecõoverdâdeyropnnc.dasIlliasr |f
meímoiexto accrefcenta num. 15. que da terra tomou Deos ao homemt & o poz no Paraifoj & num. 23. conclue 3 que do paraifo Deos tirou depois ao homem , & o tornou a por na terra , de que o formara Et immi* jfitmm Dominm deparadifoj utoperaretur terramde quafumptm efi logo cila terra era a firme , & o paraifo era huma Ilha por fó Deos formada i principio i & por Adam primo habitada mas ifto naõ toca a hiftoriador, fenaó aos fagrados Expofitores , aonde fe pôde ver i pois defta forte pa"^ rece começarão logo as Ilhas com a creaçaó do mundo. E quanto ao tempo depois do diluvio , coherentemente 86 outros diraó, que aílim como aparaifo terreal foy a primeyra Ilha antes do diluvio, aífim depois defte a primeyra Ilha foy a arca de Noè,em que os viventes efcapáraõ do diluvio , como efcapaõ do mar os navegantes recolhendo-fe a Ilhas , que para eíTe fim também Deos as creou. E que aífim como o mar j feparando-fe da terra firme , deyxou naó fó a Ilha do paraifo intafta^ mas a outras muytas Ilhas , de que naó faz menção a Sagrada Efcritura aífim também as aguas do diluvio univerfal deyxárao, além da fua Ilha, ou arca de Noè , a outras muytas Ilhas , quando fe recolherão , 8c ceíTáraó as aguas do diluvio j 6c deftas Ilhas não diremos nós agora, mas fomente de algumas , quando , & por quem fe mandara^
;
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:

defcobrir ,'

& povoar

j

6c por

quem fe defcobrirão , & povoarão.

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LIVRO

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IV R O
DAS
C A P
I

II.

ILHAS CHAMADAS CANÁRIAS,

& das de Cabo Verde.
T U L O
libas,

:i

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I.

Do principal defcohridor de

& de

ocou.lt aí

terroM

firmesj o Serenifimo Infante D. Henrique»

de Portugal Dom João íi' donome,& caiado com a Infante D. Felíppa^ neta delRey D. Duarte 111. de Inglaterra , & filha do Infante D. Joaó Duque de Alancaftre, 6c de íua mulher Branca, herdeyra do Ducado, dos quaes nafceo Henrique Duque de Alancaftrejôc depoisRey de Inglaterra.teve o dito ReyDJoaÔ do Infante D.Duarte,q lhe fuccedeo I. datai Rainha D.Felippa,depois noíTo no Rey no, & do Infante D. Pedro Duque de Coimbra , teve ao ChriílOj Intanté D. Henrique , Duque de Vizeu, Meftre da Ordem de

ENDO decimo Rey

fenhorde Lagos, ôc Sagres no Algarve , cujos irmãos mais moços forãa D. Ifabel , que cafou com Felippe Duque de Borgonha , & Conde de lfabel,que cafou Flandres, & D. Joaó Meftre de Santiago, & pay de D. com D. Joaó , Rey fegundo do nome , de Caftella & antes de fer Rey, o 1, de huma D. Sc ter os ditos filhos legitimos , tinha jà o noffo D. JoaÓ qUe ao depois foy Commendadeyra de Santos , a hum filho por
:

lo-nèsj

nome D. AfTonfo que cafou com D. Brites , filha única ,
,

& herdeyra do

cy i/o-ía^

primeyro dos Segrande Condeftavel D.Nuno Alvrez Pereyra,& foy o có feu tio o Inreniílimos Duques de Bragançaj cuja filha D.IÍabel cafou Ramha de íante D. Joaó , Meftre de Santiago, de que nafceo D. Ifabel Fernandoy Caftella, & D. Brites, que cafou com feu primo o Infante D.
filho dei Rey
.

z

ílf ndádoReal^é-fd' D. Duarte , & irmaó de D. AíFonfo V. a Cidade do bio Princips , & in^ Nafceo pois o noífo Infante D. Henrique em

Portoa4.deMarçode i394naquartafeyra deCinza,
Faó as. virtudes de
lico
tino,

nellecompeti-^^^^^^^

hum grande Principe com as de perfeytiíTimo Catho-^J ^ ^^J^^^^ Nosprimeyros annosfedeo tanto às letras, que além de bom la- ^"^^ ^^^^^^
^

£ ^^^
ji^^^

fahiohuminfigne Matheraatico, & fingular Cofmographo ^.& fó Minas Jndm,&e. '

D

P03:

Livro

II.

Das chamadas Ilhas Canariaí.

por melhor contemplar em as eftrellas do Ceo , cfcolheo para fua efpe* ciai habitação a mais alta montanha no Cabo de S. Vicente ,ondc poucas vezes chove , raramente o Ceo fe turba , & fua ferenidade fe vè oiédinariamente patentiííima i & daqui, & de antigos efcritos que ajuntou^ obíervaçôes que fazia , veyo a alcançar, que pela parte do jneyo dia fe podia navegar à Índia Oriental ,& que na demanda deite defcobrimento fe defcobririaó muy tas, & varias llhasj que no noíTo Oceano , cm outros mares móftrava o Ceo que havia j Òc tanto fe aífeyçoou ao cftudo das letras, fie a todos os que a ellas fe entregávaò, que atè fcu próprio palácio que em Lisboa tinha ,odeo para nelle fe formarem eftudos novos , em que as letras, 6t fciencias fe enfinaírem3& aprendeíTem, A tam grande eftudiofidade ajuntou efte verdadeyro Priáelr 3 pe tara grande applicaçaó à nobiliílima arte da Ca vallaria em a terra, Sc navegação por mar , que dos mayòres pilotos era elíe o mayor Meílre, ôedes^nais déíkoshomensdecavallo eraPrincipe deftriílimo, co^io Tm virtudes num- adverte Joaó de Barros i.fart. cap. 17. & veremos largamente neíla rati^&doijo renaqj^j^í &daqui lhe Vevoa efte Infante aceytar o perpetuo governo do Reyno do Algarve , por alli lhe vir a melhor cavallaria que havia em j>yf„gipg, - Africa, & dalli mais facilmente mandar embarcações a defcobriméntos que intentava. A eftasmoraes,& Regias virtudes ajuntou tam Real liberalidade em premiar ferviços , tam inflcxivel juftiça em diftinguic tíiins dos outros j6tcaftigar a culpados, que aofeu palácio, & ao feu fertlfòacudiaÔ os melhores fidalgos ,& feguiaó apefloa de tal Principe cmosmayores confíidos > & lhe defendiaóospóftos,&as praças com toda a fidelidade, & valor , fabendo terem todos naó ió pontual a paga, itiasfeguroo premio,j&augmento. i%t-i^í>í: Competirão pois tanto tiefte Principe as virtudes naturaes, próprias de feu alto eftado , com as fobrenatuf aes da alma pufe muyto ra, &Catholica^ que não fó nunca admittio fallarfelhe em cafamentõj mas ( com viver fetenta annos ) foy tam puro , & exemplar em feus coftumes, que morreo virgem puriílimo j &c na verdade a quem tam bem ocGupado andava fempre, & em taes virtudes moraes íe exercita va^naô Goftuma Dêos faltar com fobrertaturaes auxilies , para confeguir também as virtudes mais Divinas ; que a quem nunca eftáocicfo, mas fempre bem OGCupado nem o próprio demónio fe atreve atentar. A' pureza pois ajuntou efte Catholico Infante tam Divina Fé , Efperança , &c Cbaridade que pela defenfaó da Fè fe poz frontey ro perpetuo no Algarve contra toda a perfídia Mahometana de Africa j & ainda (como em feu lugar veremos ) foy expor a própria vida pela. Fè nas Catholícas praças que jà tínhamos entre os mefmos Mahometanos & com defcobrir tantas Ilhas , & tam novas terras firmes , nas em que havia gentes, fez logo pregar a Fé Catholica, & povoar de Catholicos as que eftaváo defpovoadas- A Charidade( ainda com o próximo, quanto mais com Deos ) moftrou com efFey to muytas vezes em arrifcar a própria vida por falvar a de feus vaííallòs,nos encontros que a feu tempo veremos te* ve com os Mouros & no mote , ou divifa que tinha em fuás Reaes nr' mas, Qm AS <i\iã.es(e\iajFbntade de hemfazer. V. Çgm efta tam Real , êc ajuftada vida adquirio tanto poder „ 5

&

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em

t:apJ.DoSerenírintò.Henriq:prim.Invelit.íks ilhas, 3g

em eítaMonarchiáLufitanajXjuéxjualquer intento que emprendia^alobanho , delíe confiara^ aílim os Reys,feu pay , irmaó j cabava > fó o perpetuo governo do Reyno do Algarvcjporta de Affír íempre naó Meftrad.o ca para Hefpanha , mas também a grande adminiftraçaó > muy to grandes de toda a Ordem Militar de Clirifto, & fuás muyt^s , terras, Commendas, datas, com que vinha a íer hum fegúíido Key de toda a Monarchia Lufitana ; atè o mefmo Papa Eugénio ly. Ihçdep p^ ^^,^ ^ti o Papa ^ íua própria authoridade para reformar a Ordem de Chriftq> julgando, y^^ Reformador da com razaõ , que tam ajuftado í*rincipe, ainda que fecuíar , de tCegii:- Ordem deChrifio;&, mg^enlares podia fer Reformador perfeyt0^,.CQmo de fado o foy jéc entre as do imperial

&

&

&

&

&

&

&

grandes datas que á Ordem de qhrifto deo , fóy , fundarlfee huma rica ^ p,?«í f ?f^^ Ermida junto ao Tejo,quaa legoa de Lisboa com a invotaçaóde N.Se- ^^^i^E^^f^àl^Ã

f

nhoradeBethlemj^dondetomouo nomea altatorre,ouCaftello3,que ^^ Real Convintodê^ mefmo no fe levantou depois defronte da dita. Ermida J & Beihlem.^ para efta mandou vir do Convento de Tomar Religiof^s Mílitares,que
dentro do
ièrviííem à Senhora de Bethlem,

& recolheífem, Sc lipl|)edaírem os que, &

vindo
fas, 6c

cm nàos de fora, alli paraíTemjpara o que Ihe^^oy rendas copiocom fó
hfla

com a Virgem

MiíTa cada Sabbado por fua alraa:;^ tanta-çra a devoção Máy defte grande Princijçe , tanta a charidade com o$

próximos, efpecialmente navegantes. Eíla Ermida porèm,& fuás rendas tirou da Ordem de Chrí6 ílo ElKey Dom Manoel fobrinho do dito Infante D. Henrique , & em lugar delia deo à Ordem a Igreja de noífa Senhora da Conceyçaõ , que eftá fora de Lisboa , & tinha fido de antes fynagoga dos Judeos , quando ainda íe naó tinhâo convertido j 6c na Ermida de Bethlem fundou hum magnifico Convento aos Rcligiofos de Saó Hieronymoj 5c porque o dito Rey morreo antes de o acabar , deyxou que feu corpo fe depofitaíTe na Ermida velha de Bethlem , 8c depois em fe acabando a Re-* gia Igreja nova, para elk fe trasladaflfe o dito feu corpo j 6c que feu fuc-

ElRey D. Joaó III. acabaíTe a Igreja, 6c Convento, como tudo acabou, 6c com tal magnificência, que foy depois fepultura de ou= tros Reys donde podemos dizer que ao grande Infante D. Henrique deve conhecer também por feu Fundador primeyro o magnifico ConceíTor, 6c filho
:

vento de Bethlem
Chrifto.

j

6c a dita

Conceyçaó Ulyífiponenfe da Ordem de

finalmente a morte a efte , na fama , immortal Prinj^ . à dia em que aó depois veyo a ceiecipe, em 1463. a 1 3. de Novembro , ^^ ^Jf^^ltl^y*Z7ai brarfe a fefta de outro illuftre Principc o Santo Stanislao Koftka , Pola-y^^^^ (jrfabtb Pria^^

\

7

Chegou

co, da Companhia de JESUS, 8c otranfito do Santo , chamado Ho- cipe o In/atite Dom mobonus, procurador infigne da pobreza, &c bem commum; para fe nos Himiqne. Santo enfinar que o noíTo Príncipe Henrique naó fó foy Religiofo >
*

|

^

m

mas verdadeyramente homem em tudo pio, 6c bom. Morreo pois de idade de quafi fetenta annos. De feu teftamcnto fe diz que deyxou a con^uiftà , 6c defcobrimento de novas terras à Coroa Real , que entaó tinha feu fobrinho D. Aííbnfo V. ^ porque tinha adoptado por filho a feu fobrinhoo Infante D. Fernandojque era caiado c6 D. Brites, fobrinha também do mefmo D. Henrique 6c filha do Infante D. Joaó> dito D. Fernando devxou o Meíirado da Ordem de Chrifto, 6c com
Príncipe,
,

Dy

ellg

Livro
elle àsllhàs

II JDás

chamadas Ilhas tíáíiarias."

daMadèyraj de Gabo VèMe , Se;' àas^TékeyràHa^^ád ( cqrao diz Dáíniáo de Goes ) confirmõct ElRey > & por morte do du to D. Fernando paíTou tnãà ao Infante D. Diogo ^ ( a quem matou El^ Réy D. Joáõ ó 11. ) & defte D. Diogo páflbu cudo ao Infante D. Mahoeí, que depois íliccedéo no Reyno a fétb^unbado Dom Joaó o II. mas tirdo o dito' Rey Di Manoel encorporóú depois na Coroa, donde nunca
E
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^^í.:Uit5>jirví^á-j -lU.

inàís íahiò.

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^ Fàlecbd ho fetí Rèf flò dó^Aígaívé

j

èfti

a Villa

de Sagres , 6£

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'

dáhifoy feu corpo trasladado para a ¥illa dâ Batalha ,& nellajaz em edificou y fua fepultura -''llu?'?'' á^aelle Real Templo que íeup^^ éftàjttntá à dô pay^ cohíòas dos rnâisífifantes íeus irmãos porem a dò íioíTo D. Heiirrqueéftâdourâdaj & tem por divifa duas boifas, & letras tàriíbem douradas , porquê pof fua induftria fe defcobrio também a Mina, de que Viíiha muyto cJtirò a Portugal. £mfim que a eíle grande In^ fáíite D. Henrique patècè haó deve menoá à Coroa de Portugal, do què ao grande Condi D. HehÀqlie , tronco dos Reys deftk Coroa , & feu exemplar , naÔ^mèrt&s eiri ò nome , que rias obras j porque corn fuás vir*tiides! admiraríeis , còm fuas Divinas letras , ( ou revelações Divinas , na ópihiaõ de muytos 5 & com feu bf aço invencível íligeytou mais Reynos à Coroa de Portugal , do que rièftè õ outro Henrique térf as j fez Converter mais Gentios, do que o outro venceo MouroS) & fe o primeyfò Henrique yfó por dilatai ;a Fé de Chrifto obrou tanto tudo o que ó ftoíTófeguridoemprendedi &" defcobrio, à Ordem de Chrifto o fugey* tòtí; com que ficou efta Ordem tendo hum tam vafto Império , que nao íe âílighâtá outra em o mundo que o tenha mais dilátado.Taiito fe deve
-, -,

â

tal Priricipe.
t>

pecial fe

Mas como quem mais Ihè deV^a faó as Ilhas , de que em'efcompõem efta hiftoria, para a qual fó tocamos efta noticia
,

preambula ,

pois fua vida requere penna mais fubida , Ô£ âmpki ra^aõ he continuemos com os mais prefuppoftos a efta obra.
,

& breviííima

vOa ;

C A
Do antigo
Vidi do
,

P

I

TíMií.

O

&

fiel

Hiftortador das Ilhas , o Reverencio,

&

VenèraveÍDoutorGajparFruãuofo,
Cidade de Ponta Delgada da Ilha de S. Miguel , em fAvil,»iUytofanto,-&- ""^ JlL òanno do nafcímenCo de Chrifto Senhor noíTo de 1522. ntMytofabia Doutor fláfceo O Doutor Gafpar Fruítuoíoi feus pays eraó Cidadãos da dita G«(lP*rFmãHofo^an- CiàdÁQ ièi naófó defangue limpiíTimo, mas ricos, & muyto nobres; tigoEfcmordoillhat, Defde o pHmeyro ufo da razaó deo logo moftras de muyto devoto â Virgem Senhora noíTa , & era de tara boa índole , & manfidaõ , que a todos levava os olhos fuá grande inclinação á virtude; começando a eftudar GrammâtiCa, foy logo conhecido não fó do Meftre , & mais con** difcipulos, mas da nobreza da terra, por fugey to que ao depois viria aí fer hum grande homem em fíutidade k. letras mas como ainda em efte tempo fe davaó de fefmaria as defcubertas terras daquella ..nova Ilha, ' -

mm
,

Venf.


'

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M

a

,

;

'

^

&

Cap.íL

D o Re?. & vefier, Doutof GafparFrudaolo.

4M

múytas (|Ue elles mandavão lafcmana de manha aíliftir aos homésj que cultivavaó as terras , para que o fizeíTem com cuydadoj porém a applicaçáo do filho era tal aos feus Uvrinhos,quc indo a vigiar os trabalhadores , pegava logo dos livros de tal forte qu^ não defpega va dellesi & achando-o alfim o pay por muy tas vczcsj & aos léus t rabalhadores defcuydados do trabalho , enfadado rcprehendeo afperamence ao filho , &: lhe diíTe que jà que naó preftava para lavrador, çlle o rnandaria fora de fua pátria a eítudar às CJniverfidades j Sc com cffeyto depois de pouco tempo embarcou o filho para Portugal , donde o mandou a Salamanca , & nella lhe mandou aíliftir com mezada nobre,ôc que eftudaíTe } donde fe feguio , que chegando o filho dahi a annos a fcc Vigário da Parochial da Villa da Ribcyra Grande j & fazendo hum rico frontal para o Altar mòr , mandou pòr nelleo feguinte quafi enigma, que reprefentava em o panno do meyo do frontal , da parte do Eu* angelhoj hum figurado arado , de bordado de ouro & por bayxo delle hiia letra que dizia, iVyò^^erá: & da parte da Epiftola hum femelhantemente figurado livro., & por bayxo delle outra letra que dizia, NaÕ fouvrar, òí cultivarjordenàrão ao feu Gafpar , foíTe cm os dias de
-,

& aos pays do eftudante fe tinhão dado

j

hra

j

cfcreve.

& ifto vio & reparou ha quafi cincoenta annos quem agora ifto Oh fe hoje os pays entendeíTcm bem efte enigma & melhor o
,

j

,

,

prafticaflemj não
lhes refultariaõ!

dando eftado

a feus filhos contra a licita incUnaçaó, Sc

vontade dellcs , quanto mayores augmentos ,
1

& créditos de fuás caf^

Chegando pois o mancebo a Salamanca j & já pcrfeyto La- Da ekempUt mbd^ tinoj começou & acabou de eftudar Filofofia , com tam cxccUente en- dade^eflHclos,& àou^. genho , penetração tam profunda , que foy nella naó fó graduado , raas tw^rnem ^ue Mican^,
,

venerado de todos i & vendo-fej achegado á idade de poderfc ordenar de Sacerdote , fe voltou á fua Ilha para tomar as Ordés , todo fe dedi- ** car a Deos , & à fua Igreja. Chegado à Ilha > repararão todos vir naó íà^ taó fabio com os eftudos,mas também taó exemplar em os coftumes,quô naó fó lhe deráo todas as Ordés Sacras com geral applaufo j mas de todos os eftados concorriaõ muy tos a pedirlhe confelho, 6c communicar com elle fuás confciencias , & com ifto fez já então grande abalo', mudança nos que o tratavaó. Mas vendo que lhe faltava ainda a perfeyta Theologia , & Moral, ( por mais que tiveíTe jà de Theologia myftica^ 12 Voltou-fe da fua Ilha a Salamanca» por fe aperfey coar em tam mayores fciencias; & fendo ncllas feu Meftrc o Doutiflímo Fr. Domingos de Soto, da Sagrada Ordem de Saô Domingos', taes progreíTo» fez em toda a Theologia , & tanto o reípeytava o dito feu grande Meftr4 que cm lhe perguntando tal difcipulo alguma duvida , coftumava o Meftre pedir tempo para a ver , & fatisfazerlhe. procedimento nos coftumes , & o exemplo da vida que fazia efte fugeyto,era tal , com fef

&

P*^ í^-iTT^Il
"saeMncafn 4 ? -í

&

O

ainda mancebo , 8c Cur^nte ainda, que com naquella celebre Univerfidade haver tantos, &z tdm infignes talentos em virtude , letras , todoà

&

veneravaó âo dito Fruâiuofo , concorriaó a elle por confelho , 6c todos delle tíravão , ainda mais que do nome, grande fruítoj 6c allim con-i cluhio os feus eftudos, graduado Doutor naó fó nas Artes, mas em toda aXlieologia^

&

D

iij

ti t)é

4t
15

Livro il. Dás chamadas Ilhas Canárias.
,

Dé tal Doutor corrco tanta fama de fciencia & fantidadcj» que chegando ao Bifpo D. Juliaõ, cm cuja Diecefi eftá Bragança para
,

confelho de feu Meftre boto veyo o Doutor para Bragança, foy lingular alivio para o Bifpo no governo do Bifpado. E porquejà em Salamanca tinha entrado a ainda no* va entaõ Religião da Companhia de JESUS, cujo Collegio tinha ido a fimdaroPadre Miguel de Torres, com efteteve o Doutor grande faella

o pedio

com muytainítancia,

& por

&

miliaridade

,

& tal conceyto formou da Companhia, que

delia difíe

ao

dito Padre muytas coufas , que ao depois fe viraó terem fido profecias j como também em Bragança havia jà Collegio da Companhia , cujo Reytorera o Padre Ruí Vicente, cfteve o Doutor algum tempo em

&

m

!l

i

Bragança, lendo alternativamente Cafos com os Padres da Companhia, tendo jà no Bifpado BenefiGÍos,que paíTavaó de mil cruzados de renda cada anno j com tudo deyxando então D. Juliaó o Bifpado , & morrendo Jorge Bifpo das Ilhas Terceyras, a quem fuccedeo D. Manoel de Almada, que ainda eftava em Lisboa , efte fe empenhou tanto em levar comílgo para as ditas Ilhas ao Doutor,que o mefmo Bifpo , & niuytos nobres dellaSj que na dita Corte eftaváo ,efcrevèi:áo todos ao Doutor, pedindo-lhe fe wíqUq para a fua Ilha , & lhe mandarão as cartas por hum feu fobrinho, para mais o perfuadirem. Doutor Fruduofo vendo ifto, perfuadindo-fe fer ma14, W«jf » DoHtor tao h»- yor ferviço de Deos voltar á fua Ilha, fe foy logo ver com o feu novo fiiilde^ eju^ ojfereetnre* Bifpo D. António Pinheyro , ( que tinha fuccedido a D. Juliaó } dolhe ElRtj o Sr-jpâpenfaó algununciando em fuás mãos os Benefícios que tinha , fem tirar

&

D

O

&

&

do de Angra , oít ao ma , confeguio delle licença ustKBt o governo âeíle, nada nceytou é" fe Lisboa ao Bifpo D. Manoel }
,

tomentoutomfô af^ig^ytaria de kibeyra

&

fe veyo a a deo } ( que muyto fentido & vendo elte , obfervando , na fciencia, em nada dimivirtude do Doutor, que fua prefença accrefccntava,
,

&

&

&

Grande ^& nem d*fia
«fuÍTijamau
tir afcenfo.

nuhio a fua tam grande fama , tratou com elle, com o Rey, que aqueU le Doutor foíTe o Biípo de Angra , & que elle D. Manoel fe ficaria em admitLisboa j mas nem o Rey pode acabar com o Doutor que aceytaíTej (tanporque eftava então ta era a fua virtude , tam pouca a fua ambição ) Ribeyra Grande em S. Miguel , efta vaga a Parochial Igreja da Villa da aeeytou o Doutor , com fer de menos renda , do que era a dos Benefícios que renunciara inftoulhe então o Bifpo , que ao menos em quanto élle Bifpo naó hia para o Bifpado , aceytaffe delle o governo , & o avifaíie de tudo o que importaífe. Refpondeo-lhe o Doutor, que o bom governo de que mais neceífitava oleu Bifpado, era de aver nelleCol«

&

&

:

Tegios da
então.

Companhia de J E S U S ; que

tratafle difto

,

&

defcanfafíc

Chegado á fua Ilha de S.Miguel, foy nella recebido o Doutor Gifpar Fruduofo como hum Pay da Pátria, & todos com elle com15

municavão

veneravão fuás raras virtudes , & começou logo a fer o Diredor cfpiritual , o Mcítrr,& ConfeíTor daquelle grande cfpirito da Venerável Beata Margarida de Chaves, natural da Cidade de Ponta Delgada, & nella tida , venerada por Santa ; cuja vida , & obras maravilhofas veremos em fca lugar ; Sr ambos eftes dous fugeytos rogarão tanto a Deos puzeíTe nafuás confciencias
,

tomavão

feus confelhos

,

&

&

quellas Ilhas Collegios da

Companhia , &

tanto perfuadicao aos maispios.

^

Cap.il.
pios,

Do antigo Efcritor das Ilhas'^

43

nobres Cidadãos o procuraíTem aflím , que o Screhiífimo R.ey D.Sebaftiãò fundou logo o Collegio de Angra na ilhaTerceyra,6c ^^^^-eaM annos fy incanft^, defta começarão a ir Padres em Miiraó á Ilha de S. Miguel , atè que uq- f^igario , vel pregador ^& adIk também , pelos mais devotos moradores delia fe fundou o Collegio

&

&

que hoje tem , & que yío começar o mefmo Doutor Fruduofo , & com ^^^^^^/^ eLctâl tam extraordinário gozo feu, que vendo-o dizia publicamente ,& em Qg„j-efor ètaS. Mavoz alta 5 Nunc dimittu ftrvum tuum Domine , &c. £ aflim podemos di- trona Margarida d§ zer que ao zelo , & orações delle grande fervo de Deos , & da íua con^ Chaves^ feífada a Beata Margarida de Chaves fe deve a fundação do Collegio da Companhia de JESUS da Ilha de S.Miguel. Em chegando efte Doutor a tomar pofle da fua Igreja da i6 Ribeyra Grande (que da Cidade de Ponta Delgada dilla fo^tres le^ goas} começou logo a tratar da dita Igreja , & em fua vida tanto a augmentou de ricos ©rnamentos , & preciofas peças que todos diziaó que jà nãD parecia fenâo huma Igreja de Padres da Companhia. Do púlpito elle era o Pregador continuo ; & com fer zelofo , & no reprehender fevero cada vez concorriaô mais ouvintes a ouvillo , & da Cidade o perfeguiaómuy tas vezes que lhes foífe là pregar, & ninguém jà mais fç / delle , pela virtude , & exemplo que nelle admiraváo fentio queyxofo todos. No adminiftrar dos Sacramentos era tam indefeftivel , que niffo, quanto podia aliviava muyto aos feus Curas. Tendo gaftado toda a
, , j
.

,

manhã em confeííar , dizer MiíTa, pregar, & dar a Communhão, & vindo jà depois do meyo dia para cafa a hofpedar peífoas graves que efpCraváo por elle , 6c eftando todos pondo-fe á meíaj, chegou á porta huma
velha pedindo-lhe que a foíTe confeíTar, porque viera jà tarde; pedio muyto aos hofpedes que jantaírem,& não efperaíTem por elle,& fem to* mar bocado, o naó podèraó deter,& fe foy para a Igreja. Mas quem poderá recopilar deftc admirável Varão fuás 17

As Theologicas, Fé , Efperança , & Charidade , nellc eftavap tanto de aíTento , quanto em tam fabio , & tam fubido Theologo } poií perguntado por vezes , porqtie mais fe applicàra à Theologia , do que a outras fciencias, coftumava refponder, que por melhor fe falvar ; & affim pela grande Theologia que alcançou, & frequência que tinha de toda a Sagrada Efcritura , nunca em matérias de Fé teve nem a minima duvida antes ouvindo fer falecido o Padre Gonçalo do Rego da Companhia de JESUS, natural da mefma Ilha de S. Miguel , & que tinha eftudado em Salamanca, companheyro do Doutor,& a efte, paíTando por Évora, o tratou fmgularfflentCi ouvindo pois fer falecido o dito Padre; diííe advertidamente , que naó oufaria encomendallo a Deos , mas IhB
virtudes
?
;

v

porque fabia fer hum grande Santo, & por tal julgado naProvinciada Companhia :& ouvindo o martyrio ^j^^ JíngulariffímBi queoFrancez Jaqucz Soria, herege , dera ao Santo Padre Ignacio de exemplos de Fe\ Ef-, Azevedo, Sc a todos feus companheyros , & como S. Pio V. Pontífice perança,& Charidaentaó da Igreja mandara que por elles fe não diíTeífem MiíTaS} pergun- de.aindapurA opni •"'"" xim: tada a razão ao Doutor refpondeo que quem roga pelo Martyr, faz injuriaao martyrio & que a taes Santos Martyres haviamos nos rogar, que elles rogaflem por nòs. E de tam grande Theologo me perfuadò eu queeftas reíoluçoens naò foraõfenão revekçoens Divinas, & partos
pediria o encomendafle ao Senhor
,
, , ,

da

44

Livro 11. Das chamadas ilhas Canárias,
fitím^^táía^áfltcyDdu^rò^

dagrandc Fé de

Pois de fua Divina Eíperança provas faô , a continua iní^ i8 tancia , com que a Deos , ainda aos Reys , aos Bifpos , pedio hou-

&

&

i'iii.

da Companhia , èc o coníèguio , vio em fua vida & também a confiança com que eftando em Salamanca , èc correndo hum anno totalmente efteril, faminto > íem lhe chegarem a elveíTe nas lihas Collegios
:

&

&

feus dous companheyros > os annuaes provimentos das luas vendo-fe já em quafi extrema neceílidade,& por outra via requeridos pela paga do que tinháo tomado fiado , o Santo Doutor os cx*
le,

nem aos

Ilha«,

&

hortou aefperaremem Deos, fe recolheo aíeuefl:Lido;&: paíTadas poucas horas chamarão o Doutor á porta, & lhe entregarão hum copioio prefente de mantimentos , naó fe lhe dizendo mais do que , que húa iiia devota efpiritual lhe mandava o tal foccorro pafmàraó os companheyros , & o Doutor gravemente os reprehendeo de fua pouca efpe* rança na mifericordia Divina > & tirando logo o neceííario para aquella noyte , mandou tudo o mais repartidamente aos outros neceílitados Academicos , fem refervàr coufa alguma para o outro dia , cm que de repente Deos lhes acudio com o largo provimento, que das fuás Ilhas lhes
:

&

tinha faltado.

Ejá daqui fevèquam ardente Charidade teria pafa com Deos j & com o próximo , fugeyto a quem Deos amava tanto. Em dia que o vulgo chama dos finados, veyo da fua Igreja tanto paõ deofícrtas para a cafa de fcu Parocho o Doutor , que à fama concorreo grande numero de pobres, & mayor ainda de meninos , dizendo, (" como coílumaõ} paõ por Deos, &c. & pondo-fe o Doutor per fi mefmo a repartirlhes o paõ, chegou a darlhcs o próprio que tinha para jantar,& a ficar fem paõ a mefa, & cafa j o que vendo hum feu cunhado , nobre hofpedcj Foy de EficolerejjX' enfadad<3 difle que muytos daquelles enganavão 6c naó o erão pobres: , ^ ^^^PO"^^ O Doutor /Pedem por amor de Deos , fe me enganaó, dcy^ '^nlòT^dt^^fri ctrp também âíu '^^Y"^^ enganar por amor de Deos &: affim nefte , como em femelhantes cafos o foccorria Deos logo. E chegando outras vezes a dizcrlhe muy* 9^trttHíiesefmtlat, tos, para que dava tudo por amor de Deos , pois, podia adoecer , & não ter com que curarfe: refpondia , accefo em o amor de Deos , maravilhoías doutrinas, & concluhia: Se adoecer, & naõ tiver com que curarme^ venderey os livros; & fe eftes naõ bailarem, irey para o Hofpitalj & fe lá me naó quizerem recolher, naó ofaberá ElR.ey: & continuava entaõ, tudo dando, & fó por amor de Deos , & charidade com o próximo mas húa, & outra charidade moftrava ainda mais, quando fabendoqueal* guns piratas Francezcs tinhaõ entrado & roubado a Ilha da Madeyra, perfuadio à Mifericordia de S.Miguel, que pelas cafas dos ricos tiraíTeni efmola de dinheyro ,& o mandaíTem à Mifericordia da Madeyra , para acudir aos mais roubados pobres ; 8c acompanhando o mcfmo Doutor os que tiravaó a efmola tirou mayor fomma de dinheyro , com que fez logo acudira roubada Ilha: atam longe fe extendia a ardente charidade dcíle amante de Deos. 20 Nem fó com as efmolas corporaes que aos pobres fazia, moílravaeíte fervo de Deos o amor que a Deos tinha, mas muyto, Sc inuyto mais faó as eípirituaes efmolas. A peíToas que andavaó em pec19
,
: :

,

,

cado.

wi^m

Cap. n.

Do antigo Efcíitor áas lIWs.~

41

cado , apartava delle j as que andavão ejtli ódio , punha em pâZ reconciíiando-as entre íi , & coín tal valentia de efpirito, que todos fe Iherendiaó } a todos dava o melhor confelho , fem íe negar a alguém que lho pediffe i por quaíi quarenta annos pregou milhares de vezes naquella ilha, & fempre com grande fru£to, eftranhando vicios,& encomendando virtudes & comtudo mmca repetia a mefma pregação , & ordinariamente a não efcrevia fenão depois de a ter pregado > & antes fó com DeoSj Sc com a Sagrada Efcritura confukava as fuás pregações 3 & por iíTo hellas provava o que dizia, nãofó com excellentes ,& fempre di* verfos paflbs> mas com fubidiffimos conceytos: donde jà fevèomuyto que exercitava a cada huma , & todas as obras de mifericordia , efpiri-,

tuaes,

& corporaes,

Nas mais virtudes moraes foytam ihfigrte, que para as 21 €onfervâr fempre todas , fe fundou na humildade , & defapego das coufas defte mundo ) com que largou as rendas dosprimeyros Benefícios,
fem nem delles lefervar côngrua alguma > com que regey tou Bifpado,8c
governo, &
contentou corafóaquella Vigayraria,femjà mais admit* tir afcenfo delia, & fó nella fe confervou ate a morte, por melhor a Deos, ao próximo fervir. A' humildade ajuntou , defde o primeyro ufo da razão , â devoção da Virgem Mãy de Deos , de quem a Virgem Senhora noíTa lhe alcançou tal pureza virginal em toda a vida, que cora Correr, mancebo , tantas terras , não ió nunca perdeo a virginal pureza, mas à guarda delia fe excita vão todos os que olha vão para elle , & elle a confervou com a continua eftudiofidade , fem à ocioíidade dar aiguma hora lugar j muyto em cfpecial com a rigorofa penitencia , paciência invencivel , porque porfua morte lhe acharão cilicios de diverfas caftas , & afperas difciplinas j jejuava três dias na femana , quaragua; & com fer tas, feftâs, & fabbàdos, na Quarcfma as feftas a pãoj de cólica muyto achacado , fó depois de velho poderão acabar com elle ainda o não bebia fenão com três partes de aguajSc quanbeber vinho, do a cólica mais o apertava , 8c tanto , que pela tefta fe eftava vendo cor* rer o íuor em fios , não fe lhe ouvia outra coufa mais que invocar a Pay* xão de Chrifto', & o SantílTimo nome de JESUS , com efta paciência , & penitencia confervou tantas, & tam admiráveis virtudes, que feria nunca acabar , querer aqui recopilallas todas* Tendo pois já efte fervo de Deos qUafi fetenta ânnos de 22 idade, ( defde 1 5 2 2. em que nafceo , atè dia do Apoftolo Saõ Bartholo* meu do anno de 1 5 9 1 } parece teve revelação de fua ditofa morte porindo de manhã à fua que ainda que indifpofto , andava ainda de pè , Igreja , difle MííTa com a paufa , devoção que nelle fe observava fem* pie,&: recolhendo-fe acafajà em o fim da manhã, logo em começarldo a tarde rezou Vefperas, & Completas ,& acabadas ellas, pedio>& rece-s invocando os fantiílimos, devotiífimos nomes beo a Santa Unção , de JESUS, & de MARIA, entregou em íuas mãos aquelle ditofo efpirito. Sabida fua morte , foy, não fó naquella Villa daRibeyra Grandcj
fe

&

tinencia,

&

cia foy infigne.

& peniten& por
ema
,

i/fomuytomrais
virginalfnn^a

ath

morte.

&

&

&

&

&

&

•,

&

&

&

&

mas em toda a grande Ilha de S. Miguel tam chorada , & fentida * quò todos clamavão, lhes faltara a columna de toda aquella terra , & de to-» dos o feu Meítre j 6c Pay univerfal. Acudirão logo o lUuílriílimo Bif,

j)Oi'

*

Livro II. Das chamadas Ilhas Canária*.

o M. Rever, feu Vifitador ,& com elles toda a mais nobreza Ecpo, depofitando o defunto na fua meíma Igreja, Dífffaprevífiar,>9r' clcfmlhcâi &fecular , u executas , fepu/- que he de noíTa Senhora da Eltrella, acima dos degràos da Capella mòrj 9ura ,& epitáfio dd-g^o pè do Altar lhe puzerão ^huma nobre campa com feu letreyro que

&

&

,

la

-^

alem dai

P''of«' A\.y.

f/UÀrou. '

'

"

& merecido porque a fubftancia de hum Varáo Apoftolico he a virtude, & letras que neltc compendio de tal vida fe tem bem manifeftado & ainda q^e das letras
Compendiofo
Epitáfio
,

& Pregador dejU Igreja, vcxQ em & fao Jpojioltco
Vigário,
j

l/ã'

tnjigne

letras,

"virtude.
,

mas muyto myfteriofo
j

;

,

aqui fe diz eftarem acima das Eftrellas , ( Sapens daminabmtr ajttu ) &: o corpo aos pès de húa Eftrella ( titulo da fua Igreja) hè , que ficando -aos pès da Eftrella da terra , fobre as eftrellas do Ceo fubio a alma , le-,

íirando

por humilde o lugar , que por foberbo perdeo hum Lúcifer èc com razão fe intitula , amda depois de morto, ( Vere Varão Apoftoli^ co) porque aos fegundos Apoftolos , aos Padres da Companhia de JESUS, em vida fempre ameu, & eftimou tanto , que , bem como o Santo Velho Simeão, em vendo no Templo a JESUS , não quiz ver mais nefta vida , & fe partio para a outra , dizendo o feu Nunc dmatps aílitn
: :

,

.

feus Jefuicfte noíTo, verdadeyramente Fruftuofo velho , em vendo aos pouco depois tas, aos Padres da Companhia , de aíTento naquella ilha , outra mayorem efta fe partio para aBemaventiirança,não efperando dimitcumprindo fua promeíTa, de em ifto vendo, dizer o vida, Padres da tiSièc amda não de todo fe aufentoudos feus tam amados tinha , de mais Companhia j porque além de lhes deyxar a livraria que dezafeis manufcriptos de fua •de quatrocentos volumes impreffos ,

&

Num

&

•Theologia ,

&

fua própria letra j defta

também lhe dey xou hum grande

aqueelle intitulou , Saudades da terra Sc lhe hia ajuntando outro , a que chamavão Saudades do Ceo & fe os livros , que hum Author compõem, faó o$ ama^ filhos da fua alma, que fempre faó muyto amados, & a alma aonde coftumaeftac muyto mais do que aonde anima; bem podemos dizer, que nem de todo fe aufentou dos feus Padres da Companhia efte Varão Apoftolico , pois lhes deyxou fua alma , & muyto efpecialmente em hu relíquia fua , & de tal feu livro, que a Companhia tem , & guarda, como fmgular eftima & com haver jà 123 annos, que morreo Varão tão fan-

tomo,chamadocommummente,I)^yfo^n/«í«í<?^^//^^}
-,

&

:

:

to,emi 59 i.&haverjà perto de duzentos quenafceo,em 1522. ainda agradecida efta fua Companhia de JESUS , lhe oíFerece efte reconhecimento, & publicação de fua fanta vida ^ & fabedoria fingularj que pôde Deos amda, & cà na terra , canonizar alguma hora , como piamente cremos canonizou em o Ceo.

CAP.

Gap. IH. Noticia das Canárias çm geral;
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III.

Dasllhm chamadas
25

asCmarias,

,

fem algum my fterio , começo* feu livro o Venerável Doutor Galpar Fruduofo,por quey-» xas da verdade, aquém coftuma afama muytas vezes encontrar > por* que he tal a verdade defte fabio Doutor^ que fe por ella comef aj he por* íque com tal verdade falia fempre , que com ella ninguém pôde encoaítrar o que elle affirmajôc aílim feguindo efta hiftoria fempre no que delk tiraremos, & nem em hum ápice faltando à pura , & nua verdade, em ç) muyto que de novo ajuntaremos aqui , de propofito paflamos em o livro defte Doutor os feus oyto Capitules primeyros, qiie das ditas queyxas tratão j & paflamos ao nono , do defcobrimento das Canárias , que poisfoyoprimeyrodeilhas nefte Oceano Occidental , também deve ^r primeyro na hiftoria & porque por algum tempo , & de algum modo foraó fugey tas à Coroa de Portugal , como veremos , por líTo ainda as jnettemos entre as Ilhas Lufitanas j mas com mayor brevidade , pelo menor commercio que com ellas hoje temos. Canárias pois fe dizem hoje as Ilhas, que antigamente íe 24 vidiziaõ Fortunatas , ou bemafortunadas faó por todas doze em numeat), pofto que cm algumas cartas náuticas fó fe apontâo onze , fem contarem a que chamão I lha do Inferno j correm de Lefte a Oefte, aífentadas «m 28. grãos da parte do Norte diftáo de Hefpanha 200. legoas , & a que eftà mais perto da cofta de Africa , treze legoas fomente difta delia ,& 4o Cabo que chamão Bojador j mas outras Ilhas diftáo dezafete tégoas! Os nomes hoje próprios, & as mais nomeadas deftas Ilhas , faõ Os feguintes Forte FèMuraj Lancerote , Gram Canária , Temrife , Palma, -ilha do FerrOi Gomeyra as outras cinco Ilhas faô de menos nome , & de todas hc tal a vizinhança de hCias com as outras , que algumas fó difta$ nove legoas entre fi & entre a Gomeyra , & Forte Ventura ha fó hum quarto de legoa de mar k ainda aífim houve mulher na Gomeyra , quç iabendoque feu filho hia em Forte Ventura condcmnadojàamorrefi ella fem efperar barco, & com lua provifaó para livrar ao filho fe arro* jôu ao mar, & nadando chegou à outra Ilh^ , St o livrou , dando-lhe melhores az^s a efta mãy o amor , que o temor a alguns covardes homês. Sobre quem , & quando , defcobrio a eftas Ilhas , ha varias 25 opiniões. primeyro defcobrimento feattribue a hum Capitão Caríhagínez chamado Hannon , que em o anno de 44o. antes da vinda de CâMriM tu eoM^ Chrifto, fahindo de A ndaluzia com naval Armada fobre a cofta de AM^ prZerá c^CÍ!u ca, & Guiné, cafualmente foy dar com a vifta nas Canárias ,6ç delias^* ^''^^^J dlTindét naóteve mais quefó a vifta de fora, &a demarcação que feZi&cçm^g chriflo fegmdÁ í784annps feguintes, fe não tornarão abufcaras ditas Ilhas, atê que :wíç;4<!Í<7>í«,«»«»ií« chegado o anno 1 544. depois da vinda de Chrifto Senhor noíTo , & rey- nafumento de 1 595 nandojàem Aragão D.PedroIV.quizDom Luis de Lacerda, neto de c^J'''^^''* «'* D.JoaódeLacerda,irnãofó.adefcobriri mas também a conquiftar as"*''**4»7*. társ Canárias, 6c pedio ao dito Rey ajuda para iíTo i mas parece que não
:

COmmuyta razão & não

;

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teyôs

Livro

II.

Das châmaáas Ilhas Cariarias;

teve eiíFeyto eftaempreza. Depois, reinando em Caftella D. Henrique Ill.jàno anno de 1393. ou ( legundo outros } no de 1405. íahiraóde AndaFrança alguns Francezes , de Caftella muy cos B iícainhos , naó fó luzes j & com' a Armada tornarão em demanda das Canárias , cincoenta peííoaSjque trou•as defcobriraó,mas cativarão nellas cento ficou fendo efte o fegundo defcobri^èraó a Hefpanha , & França j

&

& &

&

&

vendo-fe jà os natulogo no anno de 1417*raes deltas , fe accendeo mais em feu alcance v •governando em Caftelh a Rainha D. Catharina , viuva do Rey Dom mây do Principe Dom JoaÓ o II. íb refolveo , (porfer III. t^.uhimo, f^Catho- Henrique TMnàorcsáa. hum grande fidalgo , Almirante de França, que com muyta gente ti& Reys-íi\\^ bem fervido em guerra à Coroa de Caftella , & fe chamava Maíien,
,

-mento deftas 26

'

Ilhas.

O terceyro defcobridor das Canárias
& &

eMí^rm

,

pedir à Rainha Regente * com a fucnraZ dotu grandes fi- ^onquifta das taes Ilhas com o titulo de Rey das Canárias, tio ,&fohi4Íalgos Betencurtj ^gfl-^5 p^^-a ijmjj fobrinho feu por nome Moífen Moflen Joaó

primtyw
,

Áelloi

Jo'

^^ Ruben de Barcamonte)

fe refolveo a

&

& tudo a dita Rainha lhe concedeo & ainda o ajudou a taÔ gloriofa em< hoje dura legitima preza. ,r> r Prepararão logo os dous nomeados Reys pnmeyro, & le^. defiendmciana Ma2/
tm^T^^ínlíTda
,

o

<

,

deyra,&na Tercey gundodas Canárias, humagrande Armadaem Sevilha,&c animofos parr ra\oprimeyroRej cã- ^.-j.^- conquifta mas GòÉio a Gram Canária tinhadentro em fi mais de ^ j ^HiftoH tresJlhas,&o ^.^ homens de peleja, naturaes feus, que brava , & barbaramentea

nunca os dous Reys invafores a podèraó conquiftar ; porém logo allhaque chamáo Ferro j & por fabula Inferno j& tthií IchamUa Gr5 conquiftàraÓ lugar a^ Canária, por fcdefcn. depois defta, a que fe intitula Forte Ventura ; ôcem terceyro der com dez. mil com- q^q chamaó Lancerote , 6c nefta Ilha fizeraó os novos Reys forte Caf*iíí*«í«i<^»o;rí«-çgllQ^g^^ç ^.Qjjag jfgg commcrciavaó com Hefpanha, mandai^do-lhe d^otio , &prmeyro ^^^^,^^^^ muytos, muyta courama , mel, cera, urfelia , & muyto figo , 6r deftes dous Reys, Barcamontes á?frZnloB^un. fangue de dragaÓ. E nefte tempo faltou Betcncores , o primeyro , & tio do fegundo , & huns dizem que a falta çm. outros que, foy, porque como valerofo morreo em aquellas guerras 5 & por fe paífar a França , a bufcar mayor foccorro com que tornar à conalgum deftes quifta j mas o ceíto he(dizo noíío FruAnofo } quede modos morreo o primeyro Rey j & lhe fucçedeo ,na,Cí)roa o dito fobri-, nho Betencurt 3 a quem o tio a deyxou. > Continuou efte.fegundo Rey a conquifta , & com foccor28 chamada Gomeyro de alguns Caftelhanos conquiftou a quarta Ilha, fentindo entam mais a falta do i-a, & ficou jà Rey de quatro Ilhas j mas reftavaô por valerofo tio , & foccorros que efperàra , & vendo que lhe Canáconquiftar oyto Ilhas , & entre ellas a principal , que era a Gram

^

uZl^n^Tt defendiao

,

-

&

de mayor numero de gente & mais belcabeça das outras todas , fuftentarfe em feu reylicofa , aíTentou comfigo, que jà não era poftivel nado , &: começou a tratar a quem venderia o que jà tinha conquiftado^ defta refoluçaó Veremos oeffeyto no capara que parte paíTaria
ria
,

&

,

i

&

pitulo feguintc.

CAP.

Cap. IV. Do difey to de Portugal ás Canarías.

4^ i
',

CAPITULO
í

IV.

'líih.

Do
29

direjiío

adquirido por Portugal as Canárias,

vez dcfcubertas antes da o dito fegkndo Eej «»• annos dè l vinda de Chriftoi fegunda vez depois delia nos Bctenco- defconfimd» de íwí/?"»- mais Cana^, 1202 ou i40<.&terceyra vez no de 1417. pelos feusReys em I420.& 5;;«íesVôc a Ilha da Madey ra tendo fido defcuberta,& povoada

iTp Endo

fido as Canárias primeyra

le-| correndo logo grande fama delia, efta moveo finalmente ao fobredito J^ ^^^^^^^ ^ ^quatro,ehi que reynava,ao noílo Lu- ^i^^g^gy ff^^oi ^ lhe gúdo Rey das Canárias a vender as Sereniílimo Infante D. Henrique , de que ao principio trata- deo em a Mtiaeyra'; íitano 5 mosj de fa£to lhas vendeo por certas fazendas , que o Infante lhe deo para onde (e pdjou-^ mandado o Infan^^ de Cajia dita Ilha da Madeyra, para onde ( & para perto ) o dito Rey duna Madeyra ficoui já em fim fem reynado, narias fe mudou,

''"^^f/J^^l

&

&

&

&

&
,

&

ra ainda hoje a defcendencia dos Betencores

como em

feu lugar vere-

l^^^GramcZ^.^

^^^^ ihef^cee-^

mos.

Eftando jà pois o Infante , com titulo de compra , & venãa, feyto fenhor das Canárias , expedio logo Armada , que conquiftafle RegMliheraltdade.as conqtuft^ inviou a Dom Fernando de delias as que faltavaó ainda por render , J""'"*''^ eonqmju Caftro por Capitão mòr da Armada Portuguezai mas naó foy Deos fer- «^ *^J^^^ -' vido darlhes bom fucceífo , porque inveftindo logo a Gram Canaria,taó forte , & porfiadamente foraô rebatidos delia , que fe retirarão , & muyto deftruidos voltarão ao Infante, que defgoftado de tal fucceíTojÔc confiderando que Caftella dera o reynado daquellas Ilhas aos Betencores, & que eftes com ajuda de Caftella tinháo conquiftadoas quatro Ilhas, eftas quatro, & o direy to às mais largou liberalmente , como Principe, à Coroa de Caftellaj&difto trata Joaó de Banos part. i. lé. i. cap. 22. Cãftelhanos ha que dizem, que o fegundo Rey de Canárias Betencor, priuieyro que ao noíTo Infante , as tinha de antes vendido a hú Pedro Bar-

30

dendo, largou a CaJ^ tella outra vez.,& eS

&

efte a hum fidalgo , também de ba de Campos , vizinho de Sevilha , porem D. M*r3 Sevilha , Fernaó Peres, que por demanda de preferente as tirara ao Inunbo,CondedeAtou. aífim os defcendentes do difante por fentença do Papa Eugénio IV.

&

Mo

&

Fernando ^«'^^;^'^''^^^^^ to Fernaó Peres as tiveraÓ , atè que oCatholico Rey Canária , unm- \ai„i,aD. V. de Caftella com grande Armada enveftio atè a Gram
do-fe

Dom
"

com hum de dous Reys delia
7.

,

& vencendo ao outro & nXúma-fiiha
,

fomn<x^ d^ElRey DoZ

Dmne de Portugal^ mente tirando-a a ambos. «í-ow^í em doa^ad as Confta porém , que de Portugal levando Dom Martinho, 1 C<,nari^.& vender,, Conde de Atouguia , a Rainha D. Toanna , filha delRéy D. Duarte de Portugal, por mulher de Henrique IV. de Caftella, defte alcançou ^'«Z;^;; ^^;;^^ doaçaódas ditas Ilhas Canárias, & as vendeo depois ao Marquez ^<i^\es^^efieaoIt>fAnte Pedro de Menezes, primeyro do nome , o qual também as vendeo ao d Fernando ^ lago Infante D. Fernando , irmão delRey D. AíFonfo V. & o Infante man- mandou tomar pofe dou logo tomar poíTc delias pelo Portuguez Diogo da Silva , que de- de Um, & a tomou; c5 pois foy o primeyro Conde de Portalegre: mas porque vindo logo de ^«^^^*'»^^''^^^''«^'* Caftella o Cavalleyro FernaÕ Peres , ou de Peraza, & moftrando como 2Z'liberaímentZ tinha comprado muyto de antes as taes Ilhas ao fegundo Rey delias ^^^^^^ ^ CAnanoio, Betencor,& com todas as licenças do primeyro Rey feu tio,& dos Reys c^^deiu,
,

í.'i|l

E

pro-

^-ír*:^

-^Fir-

i0

Livro 11. Dai chamadas Ilhas Canariasi

próprios de Caftella , também o dito Infante D. Fernando as largou I(ígo ao Cavalleyro Peraza , de quem as lierdou fua filha D, Ignes de Peraza , mulher de D. Garcia de Herrera , fidalgo Caftelhano j dos quaes ( além de outros filhos ) nafceo D. Maria de Ayala , que cafôu com o
fobredito

Diogo da

Silva , primeyro

Conde de Portalegre

;

& porque
èc

das ditas Ilhas a Gomeyra',

& a do Ferro ficàraõ em

morgado ,

ConIlhas,

dado aoirmaó D.Guilhelme de Peraza, partiraõ-fe as outras duas

Forte Ventura } & coube a Dom Joaó da Silva , fegurg. ( Lancerote, do Conde de Portalegre , pela dita fua máy , renda de mais de trezen^ tos mil reis cada anno , que fe fe cobraõ ainda , fabelo-ha quem lhe toca» Eternos dado a razaó de metermos nefta hiftoria Infula* 32 na as Ilhas Canárias, que eftaòhoje em a Coroa Caftelhana , por a Lulitania as ter poíTuidojà tantas vezes, & com os referidos titulos,& ainda hoje ter algum direyto a ellas i muyto mais por aííim as metter na fua Hiftoria o Doutor Fruduofo , a quem feguimos , Sz de cuja verdade antiguidade devemos todos fiamos , ao menos fegundo aquelle tempo em que efcreveo; que hoje muy tas coufas poderàó já eftar muyto mudadas-, o que fabendo-o nòs, o advertiremos j èc nefte ffentido vamos com a hiftoria por diante.

&

&

&

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T U L O

V.

Da grandeza i& qualidades
33

das quatro Canárias, que

primeyro fe dejcubriraõ.
Primeyra Ilha conquiftada das Canárias foy a que chamaÓ Jt\, Ilha do Ferro i he tam pequena, que tem fo legoa,& meya de comprido , cftà doze lègoas ao Poente da Ilha da Palma , & corre deSueftea Noroèfte com três legoas,& meya de circuito. Tem hum Pefcreve pailhado fól^igar, hojc ViUa chamada Lhanos , ou Chãos , & àos vizinhos chãFerro, & httmúagre ^^^ ^^ Ferrenhos > & da muyta pedra que tem , aflim no interior, corno continue da nas rochas, & coftas do mar, parece toda efcorias de ferro , atè nacor, "Providencia, fe affirma que fe fabricou jà nella ferro , & daqui lhe veyo o nome nem rio, nem fonte, ou poço tem 5 porém junto do lugar, em huma fajá, ou válle , ( aonde o vento naó chega fenaó brando } eftá huma grande arvore , fobre a qual todos os dias , & muyto mais de manha fe aífenta huma névoa, ou nuvem branca , que pelas folhas da arvore deftilla tanta, & tam boa agua doce , & fe fórma:della hum tam grande tanque era bayxo, que delia bebem não fó os animaes , mas a gence da tal Ilha: tanta he do Creador a providfencia que tem de fuás creaturas , & táta a piedade daquella arvore , & nuvem, em que o Creador Divino tomou nofmaterial da arfa humana natureza, que aífim acudia a eftes homens. vore nem os mefmos naturaes o conheciaõ , & fó a viaó eftar fempre em o mefmo fer , fem já mais envelhecer, nem crefcer , ou diminuir antes com as mefmas folhas, & taó verdes fempre como de antes. Depois porém que entrarão nefta Ilha os Caftelhanos,fí34 zeraõ tam grande tanque ao redor da dita arvore ,] que leva três mil pi-

A

&

&

:

O

j

pas

Cap.V.Das prímeyfas quatro Canárias defciijertas
de agua, & lhe chamaô a Agua SantajSc à arvore a Santa Arvore j :& tudo íecharaó de tal forte , que fo pelas Juftiças íe reparte , três, ou quatro vezes cada femana ; prudentemente coratudo íe fabricarão depois cifternas varias nefta Ilha, em que recolhem muyta agua, de que também fe provém: à dita Santa Arvore quizeraó fempre muytos conhecer, & lo vieraó a ajuizar , que fe parece com aquella, que em outras
,|)as

&

chamaó Til j 6c eu diíTcra , que por efte nome ter três letras , &; ^líTo fer emblema da Santifíima Trmdade, que fe emeíla tivermos a
partes

Divina virtude da Efperança, nem nos faltara jà mais a fundamental arcontrato da .vore da Fé , nem a fobeíana agua da Charidade Divina. íerra hc de lã , queyjos 5 breu , cevada, muyto gado miúdo ,& muytos

O

fegunda Ilha conquiftada foy a que chamarão Forte Ventura , por fe achar nella huma efcritura que dizia , que por Forte na verdade ventura grande foy , porque tem Ventura fora povoada mais de dezoytolegoas de comprimento,& quarenta em circuito^ & c6 fo quatro povoações ter então dentro de iljtinha comtudb três Reys,ou Régulos ; mas por naó aver na Ilha arvores, de que os naturaes fizeífem armas, foy mais facilmente conquiftada. Das fuás quatro povoações , a a primeyra fe chamava a Villa, a fegunda Oliva , a terceyra o Porto , nefta llhajÔc também quarta oCurralejo. De gado miúdo ha muyto muytos camelos. Foy conquiftada dia de S. FeUppe, Santiago,& defo commercio então era tes Santos he a invocação da Igreja principal > toda a inimizade todo com a Ilha da Madeyra , por lhe ficar perto j <:ra com a vizinha Berbéria , em que faziaõ aíTaltos , & de que traziao prezas j mas com a entrada dos Catholicos ( adverte Fruítuofo } havia jà nefta Ilha algús Fidalgos , de appellidos,Ferdomos, Sávedras, &c. A terceyra Ilha que feconquiftou, foy a que fe chama Lan36 cerote, & de hum feu principal Rey tomou efte nome j he quaíi tamaTerceyra Ilha fecha* nha como a dita Forte Ventura , & eft-à delia a Oefnoroeftx , & muyto ma Lancerotejoy cSJ •perto. Dizem que foy conquiftada também por hum nobre Fortuguez quiftadapelos Betenchamado Nuno Ferreyra, que fervia entaó aos R.eys Catholicos , era cores ^ QT por meyo dt parente dos Condes de Caftanheyra em Portugal. He Ilha em grande hum Pertuguez. chaparte infruftifera ; tem fó duas povoações , húa he a Villa , outra íé cha- maâo Nuno Ferreyi
-,

.35

porcos.

A

&

&

&

&

&

'

&

iTia

Faria

;

tem huma Igreja Farochial , & duas, ou três Ermidas. Conde delia he hum D. Agoitinho Herrcra, de quem he o muyto fal que allife faz. Duas vezes a faqueáraõ já os Mouros & comcudo ha nella alguns Fidalgos, Ferdomos, CifuenteSjHerreraSjSàtarão

& não fó foy fácil

de conquiftar , mas os naturaes
:

fe

aparen- rei^&tsm algfísfidal'^
goi
,

muyto com

os Caftelhanos

& dà muyttfiSÍ^

;

Vedras,

& Betencores.
cha^
ftl^
,
,

A quarta Ilha, que o fegundo Rcy dos Betcncorcs conqui- A ^Harta Ilha ílou, ou mandou conquiftar por hum Joaó Machim & Dom Diogo de raaõ Cameyra
37

cuftou tam pouco a conquiftar , Ayala, foy a chamada Gomeyraj hci çaõ as arvores aos conquiftadores receberão os naturaes com bayles. Chamarfe Go- mtfyto fértil depai^ meyra (^ dizem huns ) foy por fe chamar aíHm a filha do Rey que tinha vinho ,& gados d* a Ilha; outros dizem que por as arvores delia lançarem todas goma. tinha Ires EtigenhtA. Tem de comprimento doze legoas , quatro de largo , he de figura de ajfacar^
;

&

que mzytagema que Ufi-»

^

&

&

evada
,

j

difta

^

da Ilha do Ferro nove legoas E y
.

,

da Palma outras nove , cinco

&

5^

Ovfo II. Das chamadas Ilhas Canatias.

!

I

cincodoTenarifc, fallando de terra aterra. Tem cfta Ilha hua fófoiite, mas muy tos poços de agua doce , & boa j dà muyto paó , muy to vir íiho, & muyto queyjo, & nâo fó muyto gado, & miiytos veados, mas dà «melhor urzella, que feleva para Flandres ^ & tinha então tambera três Engenhos de aíTucar, & tanta befta de albarda , que ( affirma o bom Fru£tuofo } que iado alli dar roubado hum Gafpar Borges, artífice , lhe ofFerecèraõ logo cafamentO)promettendo-lhe em dote,alèm de dinheyTo , & bens de raiz , cincoenta afnos de carga } & que refpondèra logo o artifice Se eu tal fízefle, feriamos então cincoenta & hum. E não lhe fallàraó mais em tal mateíia. Tem mais a tal Ilha húa boa, & nobre Igreja Parochial da AíTumpção da Senhora ^ 6c hum Convento de Francifcanos, & cinco Ermidas , &tam bom porto , que atè então fe não tinha nelle perdido navio algum , mas fora da Villa , por toda a Ilha hão ha:

veria mais

que feflenta moradores.

C A

P

I

T U L O

VI.

Da Gram Canária, & maà ilhas/uas,
38

AQiiinta Ilha conquiftada dizemos ter fido a Graó Canária,

porque aindaque o Doutor Fm^uoíoUb.i. cap. 12. diz que foy a tcíceyra que fe conquiftou , feguio aqui efta opinião , tendo atraz feguido a contraria , de que os Reys Betencores não conquiftáraó a Gram Canária , mas fó as quatro acima apontadas & por irmos cohe5Í 6y4j» CAnariafey rentes , dizemos ter lido efta a quinta conquiftada. E confirma-fe j por>. k^Mittt/t Ilha eê^Hi' que depois de o fegujido Rey Betencort vender ao noíTo Infante Dom j(?«á«, ííw5^«iírf«í<» Henrique odireytotodo que tinha às Canárias , ainda o dito Infante UloM tm ctrcfttto,& mandou Armada Portugueza conquiftar a Gram Canária, & ainda mais os * T^J-j-.ZÍ\lr! «depois a conquiftáraó^^ Reys de Caftella logo efta hc a verdade. poríedtvtatre entre/i t ^^ tt r ^th j o
-,

:

fgraiconquiftados to-

39
,

He pois a Gram Canária, na figura, Una reaondajõc de quaLancerote
,

i

1

dos.IiceH fendo a ca. fcnta legoas
Jfeçadoí mais Ilhas ^ tura

tm circuito j fica ao Sudoefte de

& Forte Ven,

^om
>

Bijpo de tedoí,

das quaes difta vinte legoas , he terra alta. Chama- fe Canariaj não tanto pelos paíTaros Canaríosjque também nella fedáoi quanto pc-

&

I

muytos cães que fe acharão nella, brancos j & malhados febre muy ^'^^^'^^^ i & ^^^ grandes , que excedem a grandes lobos , & por iíTo lhe 7efà & cmhtto & Relação de Dezem. chamàraó a Canária , & a Gram Canária j fendo que tem tantas outras bargadores -^draCi- grandezasj C como veremos logo } que por eilas lhe vem bem o titulo dadt de s. Ama de de Grande. Tinha de antes cinco, ou féis Reys, que unidos a defendiaõ, tris mtlvtz.tnhos te ^ por iffo cuftou tanto a conquiftar , que fó por fe dividirem entre fi, ^^° fovsLO por partes conquift-ados , & defpojados todos que de án^Teíde de^'*' inhemo) P^** ^^s não tinha fido de CoíTarios entrada, por mais vezes que foy acomeíviúnhes & aGnia 'i/inte& quatro En- ^ ^da, & dos de Berbéria vizinhos, & barbaroS} mas he tani fortificada to^e»/;wíi#4^c<jr ,€^daaIlha,&agentetambellicofa,que nâ® cedia a outra algúa. ^ftyta riquex^a eom No militar, & politico he a cabeça das outras Ilhas Cana. 40 hm teperawento & fiaj^ ^ ^^^^ ^cfide O Govcrnador, que tem iurifdição de baraço , & cu'*^"°» & wffvtes Camlet Ilhas, P°"0 ^"^ ^ melma tem cada Governador das outras prmcipaes no que toca ao criminal j & para o que toca ao civeí > tem o Tri,

IrtbHnaldo ^-^ffi; los

;

bunal.

^

Ouvidores fecuía* ícs, & Regente , aonde vaó finalizar as caufas das outras Ilhas , &c. N© jEcclefiaftico he a única Dieccfè , & Bifpado de todas as ditas Ilhas , po* ito dizei emalguns que a Cadeyra Epilcopal eftivera algum tempo em Lancerore , ou na Paíma. Na mefma Carlos V. fez pòr Tribunal do Si OíRcio , com os neceíTarios iniftros , & officiaes. Aièm da fua Sè , tem mais duas Igrejas Parochiaes, ôc hum Convento de Religiofos FrancifcanosjOutiodeDominicosj&âlgumas Ermidas. Bilpado chega a mais de fete mil cruzados de renda j o Inquifidor a dous contos de rcisj o Deaõ a mil & quinhentos cruzados. A única Cidade de toda a Ilha fe chama Santa Anna, & coníta de três mil vizinhos j & por fer allha conquiftada em o dia de S. Anna, tomou feu nome a Cidade. Duas legoas da Cidade para o Sul eftà huma nobre Villaj 41 & de quinhentos vizinhos , onde ha três Engenhos de aíTucarj & fe chama Telde, que também abunda de algodão: de Telde fe vay à Guia,Villa que também com Engenhos fe occupa & adiante da Guia fefegucm Guimar, & Arucas donde dizem que he tal o aíTucar, que ao melhor da ^ Madey ra fe iguala em fim que de aííucar havia em toda a Gram Cana-* ria vinte &c quatro Engenhos , & cada hum de féis , Sc de fete mil arrobas de aíTucarj fe hoje ha mais, ou menos , là o faberáõ como fe ha nella ainda tantos mercadores como avia então, de quarenta, Sc cincoenta mil cruzados para cima j que hoje he mais celebre em admiráveis Vinrhos, &C antigamente em Camelos j & ainda em os frudos he tam têmpora, que de meado Abril para diante haja uvas maduras , figos, meloés,&c. & tu- Títte^ife foy ã fe^té do tam faz oado como em Hefpanha o faó pelo Eftio , & Outono j o qitc l^ha eõ^ui^ada, tem parece provém do pouco , & poucas vezes que chove em efta Ilha , & ^«««^«''^^«''«'«^íwwJ poriífonaôhc mais povoada j & pela parte do Sudoefte ha grandes fe-f'^f 'í J^'*.''"f*^"» bres, pela muyta vizinhança da ardente Berbéria, "^^ ^ PUollTchL -y A fcxta Ilha das CanariaSj por ( na opiflía6 niais provável} meiõ7ejie,&u«AÚ 42
.feunal,
,

& Audiência Real

com Dcfembargo de

três

M

O

;

,

:

-,

,- .

^^

^

em fexto lugar fer conquiftada , he chamada Tenerife i difta trinta le- to, ijae dix.emexced<t goas de Lanccrote, & Forte Ventura , quinze legoas da Gram Cana- <*» d* Jlh* do Pieo,^, fia corre de Lefte a Oeftc com quinze legoas de comprimento , porém ']»ffevedífejféntalem de largo com féis em humas partes, & oyto em outras , dez legoas em ^f^ '** w*'',^ «*«! alguns lugares } com fer toda a Ilha muyto alta, he altilTima no meyo, J<, tf!^/„*,''*>,'ij^^í^ aonde tem hum Fico chamada» Teyde , tam exceílivamente levantado, g^tyt , qHtpwéinda-, que de feíTenta legôás ao mar fe eíta vendo, fèaffirmafer mais ako ain- r^m hum cêntra «á da que o da Ilha chamada do Pico; com, em o mais doanno, eftar pe- outros,forao vencida. las neves muyto alvo , tem comtudo tal vulcaó pela banda do Sul , Su- 'j"^"' ^'"* * Ctd^^

&

;

&

&

^

&

^

Sudoefte , que femprc eftà lançando flimo ; Sc bem moftra efta '^'.;^^T*, '^ linaque em muytos tractos ârdeo mais que as outras Ilhas ^ Sc parece /^ Or0tAVA de treJ que em fua primeyra povoação foraõ por vezes, em diverfos tempos, «^íw ^ ^ tkât^ads. higàres,lançando-lhe alguns cafaesdegerttes,ôcque cada povoação laade dedHicentes,^ dcftas feparadas fazia feu Reyno à parte , St tinhafeu particular Rcy, Sc Gmr*ehic§de ^m^^ âfiim havia nella nove ReYs,que ordinariamente andavaó cm guerras "f"*^*'-'j'*'^*'* *'"*'« entre fi, Sc poriíToerao guerrevros muyto dèítros j Sc forao os mais cu- ,^, » "v ^ f 'Xe*U*ttteSgí»ettf.ig* ^ „ ^ ^ -/vn c I -n n r mios de conquittar ; Sc também por líio deites he que fe tirarão mais ^^„^^ m*inrA (^
êíl-e,&

fT

',,

.

,

.

1

1

,

ôatlVOS.

pktsexefffive^degrã^

43

HaneftallhadozcjOi^i treze Povoações, cuja cabeça he a

ííw.

E

iij

Ci'«

J^-ZKTJ:.*»^.

Livro IL Das chamadas Ilhas Gananas,
Cidade da Alagoa, quctemdous mil vizinhos , & duas Igrejas Parochiaes j das quacs huma he da Senhora da Concey çaõ , & outra de Saó Chriftovaó, em cujo dia fe conquiftou a Ilha tem mais três Conventos de Religiofos, Dominicos, Agoftinhos, & Francifcanos , & hú Convento de Freyras de Santa Clara , que eftá fora da Cidade defta para © Qefte, quatro legoas, eftava a Villa chamada Orotavaj de trezentos vizinhos, que colhem muyto paõ, vinho ,& aíTucar. Em outra Villa chamada Icade , de duzentos vizinhos , fe faz vidro de que muyto levão para fora, por fer muyto rijo* Nove legoas da Cidade , da banda dq Norte, eftá a Villa chamada Guarachico, povo de quinhentos vizinhos, que lavrão.muyto vinho, & muyto aíTucar, que vay para Caftella,Flandres, & Inglaterra} & ha nefta Villa hum Mofteyro de S. Francifco , de. cuja Capella mòr (com fer toda de madeyra bem lavrada, & fer grande) dizem fer toda fey ta de hum fó páo j & a quem vir a grandeza excelliva dospinheyros quehanaquella terra, nâo parecerá incrível i & na mefma Villa ha lavradores de vinte até trinta mil cruzados de renda de fuás lavouras, & de Engenhos próprios de aíTucar. Da banda do Sul eftá hum lugar chamado Adexe, aonde a família dos Pintos tem dous Engenhos de affucar, que nos féis mezes da fafra moem oy to & nove mil arrobas,&: tem quatro legoas de canaveaes. He geralmente efta Ilha muyto fértil , atê de pàos de muy44 ta eftima, & chey rofos , muyto abundante de mel , vinho , & aííucar , & fó de efpeciarias, & azeyte he falta, mas não de pefcado em todo feu circuito i nella fe fabricáo muytos panos, fedas , & linhos > tem muytas , &, frefcas aguas doces com que fe rega toda & he muyto falutifera , & de bons ares, & nella fe d^o muytos, & bõs ginetes mour ifcos, & aíli m nu nca tinha fido entrada, nem faqueada de inimígosi &: fobre tudo he de tão ^°°^ governo, que delia parafóra fe não^póde levar dmheyro algum, feat ha d nX,&%'ZTJlH^^^o^^V^^%^^^ nas drogasda terra, com o que náo fóhe muyto rica, recJèraS a da mar- mas enriquece aos Eftrangeyros, que a ella vão commerciar. tjrio tjHArenta ReliSeptima conquíftada Ilha he a que chamaõ Palma , pelas 45 giofesdu Companhia muytas palmcyras, que ha nella, & carregadas de tâmaras ; eftà treze led« fESVS; tem de^^ Noroefte de Tenerife, & da Madeyra feíTenta ; tem dezoy to de de largura. Tinha de antes quatro Reys , & as "tZmT&deíTete comprimento , dezafete do que os homés, que ellas em a condeTaZurs; a 'culde mulheres eraó tanto mais varonis heS.MÍ£HeldeSan. quifta pelejarão atè não poder mais ,& a mayor parte dos mandos fe ta Cruz. &pajfa de metterâo em fuás covas atè morrerem àfome j mas jà hoje as mulheres dm mil viz.inhor, f^^ muyto polidas, & os homens faó os mais guerreyros de todas aqueleahia nella miUgrofo j^^ ^y^^^^ ^^^^^ ç^^^ ^^ ^^j-g^ ^^^y f^ceys de conquiftar. A terra he muypovoâçaÓ fua principal fe chamava de antes Apu7H7cHtava'&dmL f o ^^^2> ^ calmofa a Miguel de ÁetlàenmH a Lr- fon , porém Carlos V. afez Cidade , & lhe deo por nome S. Lkcm, nmca mais Santa Cruz da Palma, & paflfa de dous mil vizinhos. Os naturaesda dk mttjto vi- Ilha contão que antes , & depois delia conquíftada cahião do Ceo np cahio
-,

-,

j

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'

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,

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:

,

,

nho,muitopaS,í>aJiã- .^l^Q
*'

c^me da

Ilha

huns como confeytos muyto
,

alvos,

'^^dlZ l7et'^'''mVli que "daiVmldi. cénalfaniHt de dra.
g0.

^"^ ^'^^^^ "^° ^° fuftento , mas grande conforto , a quem q"eos cozíaó.muyto cedo, & no mefmodiaos comiaó , & que lhes chamaváo Graça do Ceo , & mannà de grande cheyro mas que tanto quq na Ilha houve trato de mercadorias, defappareceojôc não cahio mais
>

miúdos, os comia , Sc

&

aquel-

^

Capi VI. Concluc-fe com as
áquelíe manjar
4,6

Canárias.'

jf

do Ceo. Repare bem G Leytor,

algumas terras de aíTucafa çf> ti plantada de vinhas pelo Sul, & pelo Norte , tanto aífim , que dà cinco , 8c féis mil pipíis ao dizimo,& o termo da Cidade duas mil, com que rende de direy tos , de entradas , ôc fahidas na Alfandega , trinta mil crurendimento do paó he tam abundante, que huma fanega de fcr zados. mcadura dà cento & dez , &c mai-s. No meyo da Ilha eftá a Cidade com doas Conventos de Dominicos, & Francifcanos j & fendo que de antes queymada poí naõ era fortificada , & por iíTo foy entrada , faqueada , Francezes Lutheranos , a 2 1 de Julho de 1 5 5 3 & pelo Pè de Páo , Jaques Soria j comtudo em os primeyros dez annos foy reftaurada de force , & de novo tam fortificada, que náo fó cftá mais luítrolà, 6f popu* lofa, mas de todo inexpugnável. r; Ha nefta Ilha fataes madeyras de pinheyraes , & humas a^ 47 que chamão Tea , que dão o breu , <5c como em efte , aílim em taes ma^ deyrasfeatea o fogo. Ha outras arvores que dão aímecegaj & outras chamadas Dragoeyros, como altas palmas, que feridos daó hum que pa* tece fangue, & que logo íe coalha , & hco Drago medicinal , & que mal derretido com pouca quentura tira das armas' untadas toda a ferrugemj & faó arvores defczas de fe cortarem. Finalmente os ares defta Ilha fa6 tamfádios , que nunca nella houve pefte , nem ptificas , nem parlefiasji nem ainda tempeftades atè no Inverno mas algumas névoas , que pelas manhãs faó medicinaes , & fó de tarde nocivas , por não terem viraçaâ» do mar &c não fó de Caftella , & fuás índias > mas de nações eftrangey-^ ras , he a mais bufcada efta Palma-, porém a melhor palma lhe levàraó quarenta Religiofos da Companhia de JESUS , que indo a pregara Fq Catholica emoBraril,pouco de antes defcuberto , pela Fé , &àvifta defta Ilha foraó todos quarenta marty rizados pelo dito Coflario herege Jaques Soria , &: íem e'fte levar da Ilha a palma , defta , & delle levarão a do martyrio os quarenta para o Ceo , fendo o feu valerofo Capifaõ, oilluftriflimoPadreDomlgnacio de Azevedo , mais illuftre ainda pela morte , ou fangue de feu martyrio , do que pelo illuftre ^ngue herdado mas efta matéria pede mais alta , & fubida penna , & aílim va-^ mos continuando com a humilde noíía defta l^iftoria.

Qiiaíl toda efta ilha, cxceptas

O

&

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&

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VII.

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ijénÉlm^ em geral com a noticiada CanariaL
v^

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T^ Os primeyros povoadores das Canárias não fabe quem Oy^^íyí L/ ao certo o certo he que nem Gentios nem Malio-^**' ^^^^
fe

aehkrATnè'
>

fofle

;

,

«'» 'rant

i'*"''"-'» metanos, nem Mouros, ou Turcos foraõj porque os que as habitavaó, ^''^'*J^"^'" quando foraó conquiftadas por Catholicos,naó adoravaó mais que a hu ^oHMQHros^HHerèi fó Deos, por fó^es^mas homes Sví^ por iflb receberão com facilidade a Fé Catholica algús outros ufos bárbaros fe coftuma dizer que eraó Gentios.Que nunca^z/Mõ em a primeyrà

&

-,

&

funcmMahometanos,& menos Mouros ,ou Turcos,
fido povoadas eftas Ilhas

confta

àe. ter ç,mhji

da natureza ado-

muy cos feeulos antes de haver no mundoTur-f"''»'* ^*'/*^{*'>^
eo%
''

Livro 11. Dai chamadas Ilhas Canárias.
coSjOU Mouros, ou ainda MahometanoSj& de fempre as Canárias tereaa amais vizinha Africa i& fó de alguma delias ,& em algum foret fArtt tmrcnÃí; guerra com ^dtllts entrou n*Cõ. tcrapoantigomuytâs peflbas em Africa cafa vão, & ficàraó participando dofangue Africano ; mas os mais fo de entre fi fe propagaváo , de-

&

pois de conquiftados fe aparentarão mais com os Gatholicos conquiftaportento de funtidãtanto , que já hoje nem ha daquelles antigos a que chamavaô dores , dt^AJfombrodimiU. que não tinhaó outra Fé , ou outra ley mais do que crer em híí ^rtJ,&tffe!ho de to- Gentios, foraò alguma hora , mas fo fedas Aí virtudes , o fó Dcos i donde fe fegue que nem Judeos grande Padre fofeph guiaó a fubftancia da primey ra ley da natureza , 6c do primey ro ufo da dtAnchieta.eujaCa- razaó que trouxeraó ou dos Hebreos mais antigos , ou dos primeyross , mnizAfAÕfiffferajà Garthago, como acima jà tocámos. povoadores da Africa, eada dia. Hoje porém neftas ilhas commummente faó já todos GaítiorrianeUa^á^Htlle

&

&

49

fem razaó alguma de Idolatras, 6c menos de Hereges, 6c fó pe* k vizinhança participaó alguma coufa de Africanos com cores meyo morenas em muytos dos naturaes , 8c ordinariamente de eftatura a}ta,ôc tam puros nos coftumes , que da faritidade deftas Ilhas fó aponto o mayor portento, o Thaumaturgo em milagres , o prodigiofo Apoftolo á& Braril,ogra0dei6c Venerável Padrejofeph de Anchieta, natural deita» Canárias, 6c Religiofo profeíTo da Companhia de J ES U S,&; defta o fegundo Xavier i pois já dafua Canonização fe temem Roma tratado inuytOj6cdefuafantiírima vida, 8c morte fe tem compofto tanto, &c
tholicos,

portam fubidas pennas ,que fó da Santa Madre

Igreja tfperamos porfa

acoroaatamadmiravelfantidade, como todos veneraó em hum Anchieta , de quem efta hmitada penna naó pôde voar a fer elogiadora. Geralmente o clima das Canárias he tal, que nem chove |ó ,iicllasmuyto, nem muytas vezes, 6c omayor dia nellas naôpaíTade treze horas, nem de treze a mayornoyte. Em nenhuma deftas Ilhas ha bichos peçonhentos , 8c nem ainda rans ha , fenaó em hCia alagoa da Ilha qucchamaõa Gomeyraj fendo que de gados faó muyto abundantes , ôc ainda decavallos, 6c camelosi 8c com tudo naó havia ao principio entre cUes armas de ferro , ou de fogo , mas de páo fomente , com que fó brigavaól, 6c fortemente. De aves ha muytas , de que as mais pequenas , 8c que melhor cantaó , chamadas Canários , deraó, como dizem, o nome à Gram Canária , &c efta a todas as mais Ilhas. Dos frutos da terra ha o» mais 8c os melhores como vimos , excepto azey te ; 6c batatas fó as ha na Gomeyra , 8^ Palma,.duas deftas Ilhas j mas em o feu mar de rodas ha de bom peyxe abundância j donde vem ferem ordinariamente tam fádias eftas Ilhas, que nunca houve pefte nellas, nem muyta outra cafta de
,

doenças, Sc aíTim faó terras falutiferas > 8c atè falinas ha em Forte Ventura, 6c Lancerote, de que fahe muyto fal, 6c fe provém as mais Ilhas. Particulares datas neftas Ilhas tiveraó alguns fidalgos po51 bres, que hoje faô ticos Titulares j aíftmtem os Condes de Lancerote
nefta Ilha, 8c na

de Forte Ventura j

8c os

Condes daAyala ema Go-

meyra, 6c Ferro, 6c em outras outros j mas a Gram Canária, Tenerife,6c Palma, em nada a alguemoutrem eftaó fugey tas , fenaó fó à Real Coroa de Caftella. Advirta o Leytor porém, que o que deftas Canárias fica dito he fó hum compendio puro, Sc verdadeyro do que em feu antigo eíty lo, Sc em feu tempo, diz o Doutor Gafpar Fruáuofoem feu cicado
, ^
.

-

livrof

W^

Cap. VIII.
ktvro;
•faSj

Do dito Cabo Verde, & feú cíimà;

$f

que em o tempode hoje pode fer eftejaó mudadas muytais coa« que aqui nem fe negaó, nem íe aíiirmaó.

CAPITULO
52

VllL

Breve notma dmlíhas de Cabo Verde , &feu clima,
menos poderemos dizer das de Gabo Verde , aíiim pelo pouco que delias dizem os antigos ChroniftaSj Barros, & Góes, como por o Doutor Fnu cluofo cocar fó efta matéria no kh. i de lua Hiftoria cap. 2 1 & paffar lo22. ao defcobrimento das Antilhas iou índias Occidentaes, go no que extende atè o cap. 2 6. & jà em o cap. 2 7. tratar das opiniões que hou* ve do principio das Occidentaes Ilhas Luíitanas , como diíTemos jà no líh. I. pelo que compendiemos agora, Sc com menos confufaò,o que pudermos alcançar dcílas noíTas Ilhas chamadas de Cabo Verde. O que fe diz hoje Cabo Verde , fe, dizia antigamente Ca«» 53 bo Aíinario , & âuidaque o Carthaginez Hanon ( que como acima dif- jy^ ohóIÍIõm ieCÀJ femos foy o primeyro que vioas Canárias } teve juntamente entaó vií- borerdcjettífriméÚ ta defte Cabo, & fó com a vifta fe ficou i depois comtudo em o anno de ros inventores jeuá, 1443. (já governando ElRey D. AíFonfo V. era Portugal ) hCi Efcudey- nomes &ptA*ttHr4i ro feu , chamado Dinis Fernandez , morador na Corte de Lisboa , rico, '"*&^^'í^í'*lt & de honrados feytos , movido com favores , & mercês pelo dito noíTo Infante D. Henrique, foy de feu mandado j em hum fó navio , defcubrir da cofta de Africa o mais que pudcíTc ; & partindo corri eíFeyto , & paffando o rio Canaga , que divide os Mouros dos Jalofos , Sc eftà em a aU tura de quinze gráos Sc meyo da parte do Norte, tornou huma Almadia de quatro negros Sc dando mais adiante com hiím Cabo, que Afri-

^

O E pouco diíTemos das nobres Ilhas Canárias
.

,

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,

-,

ca lança alli fora contra o Poente, Sc reprefentando-felhe^om verdura grande , lhe chamou o Cabo Verde , fendo de antes chamado Afina.» rio } hoje efte Cabo Verde he de Africa o mais celebre Cabo, que eftà iio Oceano Occidental, em altura de quatorze gráos èc hum terço j Sc porque o defcubridor Dinis Ferriandez experimentou aqui bravo teniporali não paflbu mais adiante , mas fahindoém huríia Ilheta muyto vi:ç^inha ao Cabo, fez grande matança, em cabras , com ais quaes, Sc com oS hegrosXe voltou a PortugaljOride foy bsm recebido do Real Infante,naó fó pelas novas que trazia , mas também por aquelles homés negros , que, foraó os primeyros que era Portugal fe viraó. Coirreo logo tanto afama do novo Cabo Verde ijàpelóã 54 Portuguezes defcuberCo, Sc que havia Ilhas junto a elle , que de GenoVavieraó a Portugal três navios^ Sc por Cabos delles três GehoVeze» nobres, António de Nole, hum feU irmaô, Sc hunl feu fobrinho, offerecendo-fe ao noífo infante para irem defcubrir as ilhas de Cabo Verde, datidolhcs o Infante por guia , Sc Cabo feu a hum Vicente de Lagos, Portuguez, Sc a hum Luis de Cademufto, Veneziano ^ os mandou. defcubrir as ditas ilhas em o anno de 1445. Sc efte parece o verdadeyro

&

^

^

&

I

defcubrimeiítc de taes Ilhas> como fc colhe das Chroniças de Barros , &c

^f

Livroll. l^^s Iliiasque

chamaõ de Gabo Verde,

.de Gpes, 5c da

do Principc D. Joaõ, que depois foy o grande Rey Dom Joaõ o 11. de Portugal i pois jà no anno de 1460. fez leu payEÍKey Q, ^ffonfo V. doação das ilhas de Cabo Verde, & das Terceyras ao Infante D. Fernando feuirmaói donde íe fegue que as de Cabo Verdeja eraó defcubertas, & primeyro que as Terceyras , & nos; annos fobreditos, como fe

verá no defcubrimcnto das Terceyras. primeyrâllha que acháraô os ditos defcubridores , cba5^ márão-lhe a Boa Vifta , mas ainda melhor nome lhe derão logo depois, àterceyra S. Felippe,oii chamando-lhe SantiagOi àfegunda a Mayaj

A

&

defcubrirem em o primeyro de Mayo , dia Ilha do fogo i por paliando logo o no Rha , ou Caramanca, dos ditos dous Apoftolos j chegarão atè o Cabo Vermelho , &delle lè voltarão a l^ortugal. E porque eílas Ilhas de Cabo Verde laó onze , os nomes das outras oytofaó , o da quarta S. Chriílovão , quinta a do Sul , fexta a Brava, feptima S. Nícolao, oytava S. Vicente , nona, Razabranca , decima, b>. Luzia , undécima S. António, ou S. Antão, como (deftes nomes, &da ordem com que vaó ) confta da doaçaò Real , que filRey D. Joaó o II. fez ao Duque de Beja D. Manoel , Rey que líie fuccedeo. Eílaô todas eftas Ilhas arrumadas defde quatorze gráos 6c 56 ineyoatèdezoyto,ficando-llie o Cabo Verde em quatorze gràos , 6c hum terço, conforme a Ptolomeu. A Ilha de Santiago eftá Leite a Oefte do dito Cabo noventa &. cinco kgoas , em quinze gràos &: meyo j 6c
todas três

&

conforme a outras cartas em quatorze , &: meyo. A Maya eftá de Santiago a Lefte doze legoas. A de S. Felippc eftà ao Sul de Santiago treze legoas,&: meya^ também era quatorze gráos, & meyo. A Brava eftà cinco legoas , Lertc Oefte de S. Felippe. Entre Santiago , 6c a Maya ha hu -Bayxo em quinze gràos & meyo , cinco legoas de Santiago j 6c a Norte defta Santiago, emdezafeis gràos & dous terços, eftáo dous Bay-xios ruins. Saõ Nicolao eftá trinta legoas de Santiago ao Oefte , em dezafete gràos ; Sc ao Oefte de S. Nicolao, féis legoas, eftà S.Luzia em de-zafeis gràos, 6c hum terço èc ao Sul deftas duas Ilhas eftáo dous Ilhèos degrandepefcaria. S.Vicente eftà ao Oeftedc S. Luzia cinco legoas, em dezafete gràos & meyo esforçados S. António eftá ao Oefte de Sa6 Vicente em dczoyto gràos, menos hum quarto,6c entre eftas os Canaes
, j

íaó muy to limpos.

1

C A PI

TU

L O

IX.

Qualidades dasprimpaes Ilhas deCahoVevde.
57

A

l\
C
'

Ilha de Santiago, cabeça das onze de Cabo Verde, corre de Norte a Sul, 6c tem dezoyto legoas de comprido: a Ci-

IlhAd ^dntUfo do Biípado das outras P^^^ meyo a corta huma ribeyra > he a cabeça eaheçd dlionL de fuás Ilhas, comBifpo,& Cathedral. Por efta Ilha vão asnàos deCafC4l>$ itrde. " tella para as fuás índias , aífim como as da índia Oriental de Portugal

dade

fe intitula

também de Santiago,

6í:

confta de duzentos vizinhos,

^

yem pela Tcrceyra , & por
r

a de Santiago vaõ as de Portugal para Angola,

Cap. IX. Qualidades dai tàes Ilhas,
goiaj Guiné,

S^
,

Congo, 8c outras

partes.

Tem muytos gatos de algalia
galinhas, &; gulipavos.

6c

também infinidade de Bugios, muytas
ctos

De fru-

da terra dà muy to a£ucar , de que fe faz muy ta eoníer va , mas náo chega ao da Madeyra j nem dá trigo algum j mas tanto milho branco, grolfo, & miúdo , que carregaó navios para fora dà muyta fruda de ef* pmho, muy tas peras , figos, & melões , ôc todo o anno uvas , jà em agra^ ço , já que começaó a alimpar , & já maduras i feyjóes , & abóboras de muytas caftas. Ha nella muytas arvores , como maceyras, que daó hús bugalhos , dos quaes abertos tiraó muyto algodão. Ha também muytas bananey ras , cujos figos partidos ao travez , em cada talhada moftraó a figura de hum Crucifixo, ou Cruz, & dizem que daquelles era o frudo vedado do Paraifo terreal. mais veremos abayxo. A Ilha de S. Felippe fe chama também Ilha do fogo , por- Da jiha de S. Fefíp58 que de hum altiílimo pico feu íahe continuamente tanto fogo , &: às vt-rpe^&defett alttffimo^ zes deyta de fogo taes ribeyras , que esfriadas fc convertem em cinzas, /<'<?''/^i ^ /''^'íg'^»'? &: pedra pomes , ( como dizem } & vaõ dàr ao mar j & em tempo fere- /"^*i nOa & de noyte chega a verfe elle fogo de quinze legoas ao mar j &: atè a mais alta nuvem de fumaça , que fobre feu cume forma efte pico , chega a verfe de mais de vinte legoas ao longe, quando o tempo eftá fereno, 6c o Ceo limpo :defl:e pico dizem fertam alto, que porhnha imaginaria, defde o bayxo lançada ao ponto Correfpondente à fua altura, tem três Ifegoas, que em Hefpanha contém doze milhas j & naó obftante tal altura, & tal fogo delia, & diftar fó ícte legoas delia a oucra II ha que chamao Brava , fete annos efteve efta encuberta depois de defcuberta a outra de tanto fogo , & altura } & affim dizem que excede efte Vulcano de fogo ao furiofo das índias de Caftella , ao bravo da índia Oriental , & ao tremendo de Sicilia, com todos ferem Etnas efpantofos. ' Dallha de S. António fe diz conftar de oyto legoas pouco -D'* ^''^'« ^''5' ^«'*" 59 íilàis.ou menos j & do mefmo tamanho he a Ilha de S. Luzia i Scaífim »'<>,& dcS.Luz,ta,& efta, como a Ilha Brava, 8c a do Sal, & a da Boa Vifta, faó dos herdeyros ^^/^^.^f ^f ^^! de D. Martinho de Caftello Branco, diz o Doutor Fruítuofo mas que ^^/ ^g V*^ nejíat a de S. António era de hum fidalgo de Évora Gonçalo de Soufa , genro jihai & dos. corvos de Bernardino de Távora, Repofteyromòrj porém que a de S.Vicente brancos & homens «egros defia* Ilhas, era do Conde de Portalegre , Mordomo mòr delRey. 60 Em algumas deftas Ilhas fahe âmbar , & muyto , como na Ilha Brava, na de S. Luzia , na do Sal,& da Boa Viftaj & por eftas Ilhas vinha a Portugal baftante ouro , por comraercio quC/^inhaó com Cabo Verde j hoje porém vemjà tanto ouro das novas minas doriquiílimo Brafil, que vindo a Portugal corre pelo mundo todo. Alh corvos brancos ha neftas Ilhas, que parece furtarão a cor aos homês ; tem grande d iverfidade de aves j innumeraveis pombas , mas também lagartos verdes que as comem j rolas muytas, & adens , & daó-íe as frudas quafi todas de Portugal , & excellentiflima hortaliça , & toda a cafta de legumes, grande copia de algodão , muytos , Sc ligeyriftímos cavallos , egoas, outras beftas de ferviço , & muy to , & bom pefcado em quafi todas as Ilhas vacaria de numero exceftivo, & mayor numero de cabras. E com tudo não fem fundamento ainda dura a mà fama dê 61 alo ferem íádias eftas Ilhas para os que vão para là de Portugalj porque
-,

O

-,

,

&

;

m

todas

éo
D* mào
,

Livro 11. Das Ilhas que chamaõ áe Cabo Verdes

& doentio

cima dejhu Ilhas, a-

r/^"'«

^mqHAtro mtz.es do humedecer canocivo o pefcado , que caufa muyta eíqumencia, . nem aindaor- Santiago he tam valho.ou ftreno, ain- ^aras de fangue 3 ainda affim o bom Doutor Fruduolo , que confeíla madrHgada,& que fuás da de ^^^^ ifto,perfiíle em affirmar ferem muyto fádias eftas Ilhas,& ate opeyxehemcivo, ^^^ ^a intemperança no comer , proceder dos que lá vaÕi Sc
:

1X1

trigo algum i nem nel^ todas eftaó debayxo da Zona tórrida , S<i naó daó Julho , Agofto , &c j^^ chove mais que quatro mezes do anno , Junho , s^ptembro j em todo o mais tempo .nem de dia, nem de noy te , nem fereno , que fap ainda de madrugada cahe orvalho algum, ou algum na prmcipal Ilha húa folha de papel deyxada fora ao ar

&

&

mm

&

&

^^

&

y Ocertoporèmhe,quepara os que vao de fora he o clima 6z naturaes de la > fquebcm falllhadeSmtia^B. muyto oppofto , ainda que o naÓ leja para os os Padres da Companhia dej bb U í>, fe íabe quam regrados faó em tudo hum Collegio, tendo na Ilha Epifcopal de Santiago muytos annos hiaó , & eftavaõ , fem experimentarão fer hú natural açougue dos que lá bárpoderem lá viver , & fem terem entrada a pregar na terra firme aos pela Fé , como vão por tobaros de Cabo Verde , aonde iriaó dar a vida

LZÍt:'e7^^^

ZrdeJs^fàpZi

&

do o mundo j

& affim fe refol vèraÓ a largar, como largàraÓ,Collegio tao tam nocivo ao mais que nem Bifinútil para a falvaçaõ do próximo, &
,

perten00 ha achar, que queyra ir para lá , nem o exemplar Fruftuoío &c. Companhia: logo, deo tal para fi, nem para os feus Padres da

5/
meyrounventores,&

Ifto

he o que ingenere

fe fabe deftas Ilhas

;íí/w4«fí^«; c^/>«. Q^,çggjjt.esfoíremasprimcyras

que

as habitarão

*

de Cabo Verde. fupponho naóforao

cheyas de ^^^ff^^ defcubridores Portuguezes , pois já as acháraÓ tam creado, & deviaó fer vizinhos de rfZle7ktZ' gados, que outros tinhaó là levado, & juntaMourama,osprimeyros^povoadores das ^Zosdc c.^<,r.r- Cabo Verde i como da eftas Ilhas a Coroa de dt,mAfrica,<jHe at Canárias. Finalmente com que titulo pertençaõ defcubrir , & retiêô qHix.eraõ habi. portugal, do fobredito fe vè , que por ferem mandadas ur ;fe£Hndosos Por- j^^ir, pelo noíTo Infante D. Henrique , & pelos feus Portuguezes, que tHgmz.es, ^uenellas ^joucomaquellestresnaviosGenovezes, & navios que depois fof

"^*"^" fómente acharão gaj -o . 1 de Portugal. naõ crmmA raô fempre do ,

&

hKtnAna.

LIVRO

L
JEl^

I

AS

DAS DE P O R T
C A P
I

V R o
o
6c Madeyra^

m.
S AJSITO,

T U filÔ"

1;

Dos primeyros

defcuhridores , \

& povoadores do

Porto Santo,
hc a confufaõcom que os Hiftoríado*' duas Ilhas contaó feus defcubridoresj que atè o noflb douto Fru£tuofo em o feu liv.i^ cap. 27. começando com o defcubrimento da Ilha do Porto Santo , falta logo no cap. 3. a tratar do primeyro Capitão da Capitania do Funchal da Ilha da Madeyraj & de hum feu anteceres deitas

ANTA

dente defcubrimento trata tmocaf. 4. &: com a dita Madeyra continua ®ra o cap. 5 6. 7. e^ 8. 6c entaó no cap. 9. torna ao defcubrimento, po.

&

voação da Ilha do Porto Santo, & profeguindo o mefmo no cap. 10. no 1 1. fe diverte com os enredos de huns falfos profetas , profetifas j &: do í:^/>.i 2. por diante continua com a Madeyra: pelo que,aflim para evitarmos confufaô 5 como para obfervarmos a regra geral, de que , He primeyro em direyto, quem no tempo he primeyro , trataremos logo da Ilha do Porto Santo, pois todos confeííaój foy primeyro defcuberta , 6c '' " "' povoadajôc depois fefeguirá a hiftoria da Madeyra. 2 Os primeyros defcuhridores da Ilha do Porto Santo , dizem mu y tos, que foraó aquel^es Francezes , & Caftelhanos , que de Caílella foraó á conquifta das Canárias , & que na ida , ou na volta deraõ com a dita Ilha , & por a verem fem gente , 6c pequena , a deyxáraó i mas que pela tormenta que paífáraó, 6c fe falváraó nella , lhe puzeraõ logo o nome de Porto Santo. Outros dizem que hum Caftelhanodosque tinhaó ido ao defcubrimento das Canárias , fabendo dos intentos com que o Infante D. Henrique de Portugal queria defcubrir novas Ilhas no Oceano llie viera dar noticias da Ilha do Porto Santo, 6c que pelos íinae» deíleCaftelhano mandara entaó o dito Infante a Bartholomeu Pereftrello, a Joaã Gonçalves Zargo, 6c a TriftaQ Va? Teyxeyra, a defcu.

&

,

&
.

;

F

'

briE

í|;

Livro

III.

Das Ilhas de Porto Santo,&Madeyra.\
três a defeubriraó.

^

brit a tal Ilha , ôc
i

que cites

M

Àccrefcentaó outros, que o Infante D. Henrique , vindo d© de Ceyta, deiejofo deaugmentar a Ordem Militar de Chriftoa cerco mandou por determinação fua deícubrir a coftade Africa , defde o já defcuberto Cabo de Nam , atè o Cabo Bojador jfeíTenta legoas adiartre do de Nam , donde nunca puderaõ paflar os exploradores & que vifto ifto, fe ofFerecèraô ao dito Infante dpus nobres, & esforçados Cavalleyros defuacafajjoaõ Gonçalves Zargdde alcunha, & Triftaó Vaz Teyxeyra, para ireni a defcubrir a dita cofta de Berbéria, ôc GÓinèj & que o Infante lhes dera huma barca, (queaíiimchamavão cntaõ aos navios pequenos , como ainda hoje na Índia Oriental a grandes nàps } com pr-. dem que çhegaflem ao Cabo de Mojador , & delTe ao díjnte foíTem defi cUbrindoo que achaífem: & que a eftes Cavalleyros deu tal tempeftade, antes de chegarem à cofta de Africa , Qunto à qual entaó fe navegavaiomente} quefem faber aonde cftavaó,&: pelo navio ferpequeao correrão grave periga de aíFundirfe , & invocando os Santos do Ceo , fe lhes defcubrio huma iiovà Ilha j à qual poriíTo chámàraó Porto Santo, vendo-a , demarcando-a , & notando-a eftar totalmente deferta de
3
-,

&

gente, févoltàraõ ao Infante

com as ditas novas.

"
.

LogofelheoíFerecèraõmuytospara a irem povoar, & entre elles Ç diz o Doutor Fruftuofo ) htia peíToa notável , a faber , Bartholomeu rereftrello, fidalgo da caía de D. Joaó, Principe , irmaó dé noíTo !l[nfante D. Henrique j & cfte mandou logo apreftar , & dar três navios, hum ao dito Pereftrello, outro a Joaó Gonçalves Zargo, & outro a Triftáo Vaz Teyxeyra mas porque o fidalgo Pereftrello, entre o mais que levava para efta povoação , levou também huma coelha , que parindo

4

:

'

-

'

npmar,foy lançada na Ilha com os filhos, & multiplicou tanto, que naó fe plantava , ou femeava coufa , que os coelhos não roeííém de que defgoftado o Pereftrello fe voltou a Portugal , deyxando a João Gon;

çalves,
5

& a Triftão Vaz na dita Ilha, como adiante veremos.

»

veráadeyras as duas opiIhsprimeyrosàefcu.^^^^^^^^^^i^ fuccedeíTem nosannos de 141 7. atè 1419.} o certo he Triftão Vaz Teyxeyhridores Àa Ilha do 4"^ no anno de 1420. João Gonçalves Zargo ,

O certo pois he, que ( dado fejão

&

[

i;

da cafa do noíTo Infante D. Henrique, & por ordem delle fahiráo de PortHgHez.es , & da Lagos a aflaltear as Canárias, & que indo, &: voltando com grandes torcahJa com ejue lhe de- mentas perdidos foráo dar em huma Ilha, & por nella fe falvarem , Ihe, ' " ^^^^'^àrão a Ilha do Porto Santo , & delia tornarão com taes novas ao ^slnt^^' Infante D, Henrique , que alegre com tal defcubrimento defta primeyra Ilha de Porto Santo ,deo logo delia a Capitania a Bartholomcu Pc-' reftrello,fidalgo da cafa do Infante D.João, irmão do dito Dom Henri-qucj &: com o dito Pereftrello mandou também para a dirá Ilha os dous primeyros defcubridores delia João Gonçalves, & Triftão Vaz, que em hum navio chegarão de Lagos a Porto Santo era o anno de 142 1. 6c nella efti verão dous annos, nos quaes andava o navio trazendo novas da Ilha a Lagos, & levando mantimentos de Lagos à Ilha, atè que o Capitão Pereftrello , enfadado daquella quafi praga de coelhos , fe voltou a Portugal, deyxando là os dous companheyros, & os mais que com ell© tinhão idoj & que depois , como diremos , defcubrirão a Madeyra.
fortoSAnto.^kefornò ra,

6 Efta

^p

CâpilLDoi defcubndores,& qualidades do Porto S.
6
res
,

6ff

Eíla pois parece a mais provável opinião dos defcubrido-»
-,

povoadores da Ilha de Porto Santo porque ainda primeyro , vifitada de Francezes , que Caftelhanos que andavaó em demanda das Canárias, foy depois não fó vifta ,& vifitada^ mas defcuberta toda, 6c habitada por mandado do Infante D. Henrique, &; pelos fobreditosPortuguezeSjfem que obfte a variedade fobrcdita, pois com adivcríidade,&diftinçaõ dos tempos fc concordaõ asopifofle vifta

& primeyros

&

&

aiões diverfas.

C A P
7
TJ

I

Dojitio , qualidades ,

T U L Ô ií. & povoações de Porto Santo,
&

Stá a Ilha de Porto Santo em quafi trinta ^: três gràos de ai^, „ , tura da parte do Norte , cento quarenta legoas de Lisboa, Zt^S^tTla^ .1 2.da Madeyra,de terra a tcrra,& 20. de porto a portoj leu comprimen^^^ /^^^ ^g comprito corre dcNordcfte aSuduefte, por quai^ quatro legoas, fempre mento , le^oa &, com legoa, meya de largura , &: de circumferencia mais de oyto, com nif^^ áe largue a,&^ varias pontas , enfeadas. Quafi no mcyo da Ilha fe levanta hum pico, ^'fi^ i*^B'it ^. T^i

11

&

&

&

&

alto,

& & redondo & em íima com terreyro & cafas cm que cm tempo de guerras com Caftella fe recolhiaõ da Ilha, & poriíTo lhe chamão o Pico do Caftello & na verdade tem fubida tam trabalhofa que os de
,

^'**

,

,

,

,

cima fe podem defender de todos os que de bayxo os quizerem acometer j Sc comtudo he àroda todo cuberto de mato. Toda a mais Ilha hc de terra bayxa, & chã , da que chamão Mafapèz , como a do Alem- Tejo j &: do Sul atè o Norte fe lavra quaíi toda , & com dar muyto paó de trigo, dà muyta mais cevada , centeyo , correfpondendo a terra a hum <^^ ^ moyo de femeadura com feífenta de colhey ta. ^'rv**^ ^ifc^^^**--^ principal arvoredo defta Ilha he de zimbro , & urzes , 8 de tantos, & tam grandes Dragoeyros , que do tronco de hum fazent naó fó gamela que leva moyo de trigo , mas também barco que leva feisj, & fete homens a pefcar. A's frudas deftes Dragoeyros chamaó Mafainhas , que faô como avcllãs , doces, & amarcllas , & com ellas engordaó os pojcosj & dos taes Dragoeyros fahe o fangue de Drago , tam celebre

í^

O

&

mas tantas barcas , gamelas , & rodelas fizeraó deftas arvores, que hoje faô poucas j & geralmente he pouco o arvoredo da Ilha. Do Oriente vindo pelo Sul para o Occidente, eftá hum por9 to chamado das Cagarias, por aver muy tas alli , onde fahe da terra húa ribeyra de agua falgada j &: huma legoa adiante , em pequena enfeada, I>*»nieaFílÍidefiÀ fahe de agua falgada outra ribeyra fendo que de longe vem, & de entre ^^^"^ comais de ^«4ferraSjScallichamaÕoporto dos Frades, porhuns que derrotados fo- 'LTl'' y^í^í''^'"' raõ alli dar. Meyalegoa mais para o Occidente eftá, afaftadoda ferra ZmcUmlTlurZ outra mcya legoa , hum Ilhèo chamado dos Dragoeyros por ter muy- ter_pdo de , algt!iQH^ tos, & miiy ta cabra, & coelhos,& comtudo em cima dous moyos de ter- trem haHtadn. ra de femeadura & pouco mais adiante fe íegue hila bahia de área branca, & fem pedra alguma & no mcyo defta bahia eftà a Villa, cabeça defta Ilha, da parte do Sul , com freguezia Matriz , da invocação de Saô
nas boticas
j
,
:

,

F

ij

Sal-

<4

Livro III. Das íUias de Porto Santo,
,

& Madéyra.^

Salvador.

He fituada efta Vilia em terra chã & afailada do mar hum ti-

de quatrocentos vizmhos , ro de béfta por amor da área , meyo da Villa corErmidas de S. Sebaftião, & S. Catharinaj&c & pelo falgada como a do mar , re do Norte a Sul huma ribcy ra de agua tam he excellente no gofto , &: cora ella regão as hortas, & a hortaliça deftas muyto boas vinhas. ainda junto à cofta do mar correm muytas, & Três quartos de Icgoa para o Occidente , & da Ilha hum 10 meyalegoa de comprido, que tiro de béfta,eftá outro Ilhèo alto, ôc de BoqueyraÕ pelo que entre elle , & a Ilha vay , & em cuiia

& tem mais

&

&

fe chama

o , tem terra chá , com infinidade de coelhos de

varias cores

,

& aqui acaba

a Ilha pela parte do Suljôc
da, de que não ha

tem outros vários Ilhèos mais pequenos a ro-

M

i

que dizer, j V7it >t.^<o t' da Villa, fahe, & cahe Pela parte do Norte , legoa & meya 11 boa agua doce , de que bebe fobre a área hua grande fonte de muyta , & caminho todo plano , &c a V41a a Villa , & a leva facilmente , por fer o aindaque da meíma parnaóter agua fenáo de poços, & pouca^ porque de huma ferra chamada Feteyte do Norte, meya legoa da Villa ao pè
ra, eftà a Igreja

ella eftao três fonde noíTa Senhora da Graça, & juntas a pouca, & não bafta para a Villaj^: tes de doe?, & boa agua, he comtudo legoa, nafcem douS também deftà Villa para o Norte, hum fó quarto de delia náo bebe a gente , mas em tanolhos de asua , mas por íer falobra , aroupa, com queíica a que as beílasíb,&: em outros tanques felava advertir, que com fer tam falta de agua Villa bem íervida. He porém de ou ( ao menos } íalo^^ doce efta Ilha, & fer tam cortada de agua falgada , frefca , & de bons ares , ( & nenhu bra, he comtudo não fó muyto fádia, fertiliíTima de trigo , centeyo, bicho nocivo nella avia ) mas também he de cardos , de cevada , &/ o que mais he ) hortaliça & efpecialmente perdizes, que alporcados, & doces , davão por hum vintém hum facco; rolas faó muytas & aindaque os coelhos parecem eallinhas, pombas, fe fuftentâo ratos não ha fenao praga, iá hoje o não faÓ , mas com elles muyto gado vacum ove. pequenos , & grande nenhum fe acha ; mas cavallos , & outras beftas de , boas egoas , bons
,"

&

-,

:

,

Ihal, cabras

ferviço

fabeque algús habitaííem efta Lha anfua ViUa tem alguns outros lugates dos Portuguezesi de que além da Farrobo , a Fétey ra , & outros femeres, pofto qu?pequenos , como o
;

,

& porcos

& de habitadores fe não

,

Ihantes.

C A P
Dos
PcyeJ.

I

TU

L O

IIL

Dos Capitães Donatários da ilha de Porto Santo.
illfifires

trellos CíipitTieí

Do-

12

priInfante D. Henrique lhe dco logo por Jlha Porto Santo & a de Porto Santo, & como o ou como o como com elícfe apa- meyro Capitão , & Donatário a Bartholomeu Pereftrello ( que rentarão oj Capitães cognominaÕ outros, Paleftrello) & com razão fe pôde repnrar, em de Machico ^^& do dous Heroes João atai Ilha primeyro dcfcubcrta por aquelles
,
•,

HAtarios da ^rir/ieyrA

noíío -XJ Imos jà como de todas as Ilhas que neftc foy a pr imey ra defcubrirão, & povoarão os Portuguezes

Oceano,

V

,

,

fendo

funchal.

,

Câp.III.

Dos

illuftf es

Donatários de Porto Santo.

6f

Gonçalves Zarco , & Triftão Vaz Teyxeyra , a nenhum deftes conitu* do o Sereniílimo Infante fez Donatário da ií ha^ mas ao Perefl:rello,com quem mandou os dous a povoalla j & aiodaque alguns dirão , que o Pereftrello também teria fido companheyro daqueilcs dous primey ros inventores defta Ilha , por refolver fica ainda , porque mais ao PereílrelJo, do que a algum dos outros dous fe deo a líha. Do Doutor Fruduofo parececollegirfe,queaPereftrcllofez o Infante primeyro Donatário deita primey ra Ilha defcuberta , por denotar aílim, que Pereftrello era> por feu fangue, & fuás obras, da primeyra fidalguia, & em o premio merecia fer primeyro ,& por íffo dcllediz o citado Hiftoriador, não fomente ícr huma notável peíToa, nem fó fer fidalgo da cafa do Infante D* Henrique, mas também da cafa do Sereniílimo infante D. Joaõ > que do Infante D. Henrique era irmão. Temos pois que opriíneyro Donatário , & da primeyra 13 Ilha defcuberta foy Bartholomeu Pcreftrello , por fer huma eftrella da nobreza , ôc fidalguia , além de o merecer por fuás obras: & alTimcfta Capitania Donatária lhe confirmou Eliiey Dom Joaó o I. & lha deo de juro para feus filhos, & defcendentes por Imha direy ta, & mafculina.Era ^"s Furtados ; ^ efte primeyro Capitão cafado com Beatriz Furtada de Mendoça, (que ^'^etidoçAi daprimei-i '^' Capiíoa Ae Porto pemnobilillimas mulheres ufavaõ de Dom, ainda então, cem a faciliS. &de fna. defcenJt dade que hoje mulheres muyto ordinárias: )defte matrimonio nafcèráofó trcs filhas i a primeyra foy Catharina Furtada, que cafou com Mem Rodriguez de Vafconcellos , do Caniífo da Ilha da Madeyra j a v?ndeoaIlha aoCa^ fegundàfoy Izeu Percftrella, que cafou com Pedro Corrêa Capitão da pitão Donatário da Graciofa Fedro CorIlha da Graciofa> tcrcey ra filha foy Beatriz Furtada. rta, a quem a tirou a Superviveo eíle primeyro Capitão áfua mulher primey14 legitimo herdejro Àa " ra, & cafou fegunda vez com Ifabcl Moniz , irmã de Garcia Moniz , & ~ Porto Santo ^ de D. Chriftováo Moniz, Bifpo de annel. Carmelita, & defta fegunda mulher houve fó a Bartholomeu Pereftrello , fegundo do nome , que, morto o pay, ficou ainda menino j & então a mãy, não querendo morar mais no Porto Santo , houve alvará dclRey , & vendeo a Capitania ao íobredito Pedro Corrêa fenhor da Graciofa , & genro do primeyro Pereftrello , & lha vendeo , affim como o marido a pofluira por preço de , trezentos mil reis em dinheyro , & trinta mil reis de juro , cujo capital todo ainda não chega a dous mil cruzados ( tanta era [a barateza daquelles tempos ,ou tam pouco nelles era o dinheyro.) Governou Pedro Corrêa como fegundo Capitão Donatário, a Porto Santo , atè que feu cunhado, fendo jà de idade, & vindo jà de Africa, de fervira ElRey, poz demanda ao cunhado Pedro Corrêa , & fe julgou por nulla affim a licença dclRey, como a venda fcy ta , & que fe defcontaíTc ao comprador o preço que dera , pela renda que recebera. Foy fegundo Capitão Donatário de Porto Santo ( por 15 nullamente o ter fido Pedro Corrêa) Bartholomeu Pcreftrello , fegundo do nome , & ElRey o confirmou na cafa, como tinha confirmado a, feu pay & cafou com Guimar Teyxeyra , filha do primeyro Capitão de Machico em a Madeyra , Triftaó Vaz Teyxeyra , & houve delia hil ló filho , Bartholomeu Pereftrello , terceyro do nome , que cafou com Aldonfa Delgada, filha de Garcia Rodriguez da Camerai porém co^;
:

,

;

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66

Livro III. Dos Ilhas de Porto Santo, &Madeyra.
,

mo o marido matou cfta fua mulher & com dilpenfâ cafou com fua prí«
ma D. Solanda irmã do dito Capitão tinha ficado hum filho, foy cfte.
,

de Machico j & da primeyra lh«
,

16

O tercey ro Capitão de Porto Santo
j

chamado Garcia Pe-

além do qual teve o pay da dita fua fegunda mulher os filhos fcguintes: o primeyro, Manoel Pereftrello, que nunca cafou , & foy valão de grandes virtudes 5 fegundo,Hierony mo Pereftrello , que cafou com D. Elvira, irmã de Chriftovaò Martins de Grinaó, & de alcunha o Perui terceyro,D. FrancifcaPereftrella, mulhei: dejoaò Rodrigucz CalaíTa no mefmo Porto Santo > & todos eftes filhos da fegunda mulher foraó, empena do pay ter dado a morte à primeyra mulher, forão no livrameWdopayjulgadosporbaftardos,&foy acafaao primeyro filho Garcia Pereftrello,que cafou com hua filha de Diogo Taveyra, Defcmbargador , & Corregedor do Funchal ,& delia houve primeyro, Diogo Soares Fereftrelioi fegundoi Ambrofio Pereftrello, que foy Frade Carmelita; terceyro, & quarto, duas filhas, que forão Freyras na Anmmciada de Lisboa. Mas como efte Garcia Pereftrello (feguindo a feu pay) matou também fua própria mulher , & foy degollado por fentenreftreiío

^

$a,&:por diligencias do Defembargador feu fogro , ainda em vida do pay, que morreo cm Aljezur do Algarve com féíTenta annos deidade, vinte três do governo da Ilha, tornarão os filhos de D. Solanda a pertender a caía de Porto Santo , fazendo-fe julgar cm Roma por legitimes filhos i porém cegando o mais velho , & falecendo o mais moço, ceifou a demanda, ^ o Deíembargador confcguio dellley a ca A de Porto Santo para o neto Diogo Soares Pereftrello, quejáeftavadepoflc

&

delia.

Quarto Capitão Diogo Soares Pereftrello cafou com D. 17 joa^na de Caftro , mullier muyto principal do mefmo Porto Santo , ôc fc' mo le cm^rvoH * 'í^omefi'conf€rv0H *. primcyro, Diogo Pereftrello j fegundo, lelríiL defrende». àãhttvc OS filhos fcguintcs Loba; terceyro, André Soares; cta doí Ptreftrellos, Manoel Soarcs, que cafou com D. Maria draindaje conferva & ertí quarto lugar teve a D. Joanna de Caftro, que cafou no CaniíTo da m Porto Sántt, & Hha da Madeyra;& morto efte quarto Capitão Diogo Soares Peref""'"' '""" mAk llhiu. trcUo , lhe fuccedeo na caía feu primeyro filho Diogo Pereftrello , fe:

gundodonome.
Defte quinto Capitão Diogo Pereftrello , fegundo do nome , diz o Doutor Fru^nofo que cm feu tempo governava , & era bom cafado na Calheta da de boas partes , Ôc artes , Capitão , brando , Madeyra ;& que cafára com D. Maria , filha de Gafpar Homem , fidaU go, morador na dita Villa da Calheta, aonde o dito Capitão feu genro Porro Sanrefidia o mais do tempo , por a mulher naõ querer refidir no Capitão refito ; porém que todos os annos , no veraõ , hia efte quinto valerofamente a defendia dos Coflarios Francezcs, dir na fua Ilha,
1

&

&

pondo-fe na praya, ( que tem quafi três legoas de areal ) ^ impedindocom tal valor, Ihes a entrada, até de dentro de covas fey tas na arca, que nunca , eftando efte Capitão na Ilha, foy cila tomada de Francezcs, tendo fido três vezes faqueada , quando tal Capitão eftava aufente. Finalmente foy efta Ilha de Porto Santo , naõ fó defcubcr19

&

&

ta pelos

Portuguezesjfem

ter fido antes

povoada de alguém outrem >

^-i

Cap«lV.Doprím.defcubrím.ííaiam.ofaIlhidaMadeyra,
Si naó fó

6^
.

"^, povoada pela mayor nobreza de feus illuftres Capitães Pcref- . _ l_. '>***'^^ trellos , cuja defcendencia ainda hoje dura j mas ainda os mais povoado^- P* ^ ^cítfTs " rcs nem foraó de delinquentes de cadeas , nem de degradados por feus j^^^ pj^^^ samo. " crimes, nem de Judeos ,ou infeda outra nação, fenaó de Portuguezeí limpos, & nobres, pois (como diz o citado Fruâiuoíb) foy povoada cfta lljia de gente fidalga, & nobre , como Pereftrellos , CalaíTas , Pina% Vafconcellos , Mendes , Vieyras , Caftros , Nunes , Peftanas , & que fc _ aparentarão logo com a míclhor nobreza das outras Ilhas , como vcrc-

mos.

CAPITULO
Doprimeyro cafual,
20

IV.

& foparcialdefcnhrimento da cek'
ol, &: ainda cm f Inglatet^ havia nella hum nobre CavaL-

berrima ílhada Madeyra»

REynando em Portugal D. Joaó
ra

D. Duarte III. do nome , 'é' ca* leyro Inglez de alcunha chamado o Machim , que querendo cafar com ^"fyif^&rè í húa nobre Dama Anna Arfet, & naõ querendo defta os parentes , fe re^-^^^^^*/'''^'"' '^'^ Xolvèrâo ambos a paflar a França , que tinha guerras cntaó com Ingla- indel^Mlcll^ a terraj & com tal prefla o fizeraó , que embarcando-fe em hum navio que quem tomou o mmé partia de Briftol , nem efperando pelo Piloto, fe entregarão ao maneis- a Capitania Dona* que fobrevindo-lhe huma forte tcmpeftade ,& não tendo i^iloto que otária «ieMaehieo^ governaíTe, perdidos por alguns dias , forão , femfaber por onde hiaó, dar em híía ponta de terra , & em huma f refca ribcyra , que alli da terra fahia ao mar j o que vendo a Dama Arfet , pedio ao leu Machim que ao menos por dous dias a defembarcaíTe alli , para fe defenjoar i aílim o fez Machim com outros fieis amigos que o acompanhavão $ mas na terceyra noy te tornou tal tempeftàde, que o navio defappareceo,& os que jfícáraõ em terra fe deraõ por mais perdidos do que o navio no mar; & à Dama Arfet deo tal accidente ^ quefem dizer mais palavra algua , dentro de três dias expirou. 21 VendoMachimtalfucceíTojcnterroualli mefmoadefim« ta, & pondo-lhe de pedra huma campa em cima, & hum Crucifixo que comfigo trouxera a defunta , levantou mais fobre ella húa grande Cruz de pào, com hum letreyro em latim, que continha o fiicceííb , & pedia aos Chriftãos que em alguma hora alli foífem , fizeííem era aquelle lu-' gar húa Igreja da invocação de Chrifto Senhor noflbv& voltando-fe logo aos companheyros , lhes rogou inftantemente , que cora as roupas,SÊ peças que alli eftavaô , & aves que podião tomar , fe foílem feguindo a ventura , que elle alli ficaria atè morrer , acom panhando aquella fepultiira mas não querendo deyxallo os amigos fideliílimos , & ficando-fc' com elle , foy tal o fentimento de Machim , que de pura dor da morte de tal efpofa , morreo ao quinto dia ; o que vendo os companheyros lhe abrirão fepultura junto à da defunta, &cnterrando-o nella, lhe puzc"» ráo em cima outra grande Cruz de pào , & nella cfcrevèrão o fira do laf-

&

,

,

;

íiraofo fucceíTo.

...

_

-

i2

Exg*í.

p%

[Livro III.

Dafamofa ílhadaMadcyrâ.^

Executada cfta obra de tanta piedade , fe refolvèraô entaô 22 os pafmados companheyros de Machim adçyxarem a terra, quevíao brava, & deferta, & fe entregarem ao marj & com cíFey to em o batel que tinha ficado do navioi ou ( como dizem outros ) em huraa canoa que fizeraó do tronco de huma grande arvore ,fe mettèraó todos , & deyxanpdo a Ilha, foraõ em poucos dias dar na cofta de Berbéria , aonde , lendo
cativos
,

foraõ todos levados a Marrocos

^uelles primeyros companheyros , que pelo mefmo ^rumo do batel tinhâo entrado na vio deyxado a Ilha , levados cativos àquella mefma Corte de Marromefma Berbéria, outra parte referindo-fe os cos :& vcndo-fe todosjuntos,&de húâ, íucceíTos , reparemos como aqui fe ajuntou com o cativeyro a liberdade.

eis-que achàraóalli todos acom a tempcftade tmhaó no na:

&

&

&

^

Prefentefe achou àreprefentaçaó deíla tragedia hum Pi23 também alli cativo, por nome Joaó de Amores, loto Caítelhano 5 (em os quacs a tragedia começara ) & informando-fe com toda a attençaõ dos ventos que trouxeraó com a primeyra tempeftade de Briftol de os dias que gaftàraó atè dar nella , fez conceyInglaterra á nova Ilha, to prudente , & curiofo da altura em que devia eftar a Ilha , & comfigo navegando ja eonfervou efte fegredo , atè que refgatado efte Piloto , de Berbéria para a fua Gaftella, & Andaluzia , que entam com Portugaí nadava em guerras, foy cativado no mar por hum navio Portuguez, cuio Capitão era Joaõ Gonçalves Zarco , que andava correndo a cofta do querendo o Piloto ganhar a grr.ça do Capiaioffo Reyno do Algar vej tão , lhe communicou tudo quanto tinha alcançado da nova liba , èc coem ouvindo iíto o Capitão , volpovoar j jno fe podia defcubrir , levou ao noíTo Infante Dom Henritou logo com o Piloto a terra, Sc o que ,& remettendo-os efte do Algarve a Lisboa a fcu pay EiRey Dom joaó ol. vcyo logo também o mefmo Infante, & confeguio do pay dar, ordem que como deo, logo hum navio a Joaõ Gonçalves Zarco ,

&

&

&

&

&

&

com o

tal Piloto foíTe

logo defcubrir a nova Ilha ;

& & com eífeyto parci-

ráodo Algarveem a entrada de Junhodei4i9. &forãodarna Ilhad© Porto Santo, que jà antes fe tinha defcuberta,& a governava feu primeyro Donatário Bartholomeu Pereftrello , como já diífemos.

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L O

V.

Do dejcuhr mento de
24
Uarldó f^ gantes V^

toda a Ilha daMadeyra,feyíopor ordem do Infante D. Henrique.
efte navio

chegou a Porto Santo, jà entre os naveera fama publica que do Porto Santo fe via a poucas legoas hum negrume tal, & tam medonho, & perpetuo, que nin-

& todos os mareantes fe afaftavaó dallii & huns diziaõ eftar alli o abifmo & outros a boca do Inferno & queaquelje negrume era o fumo da fornalha infernal, &c. & como o Capitão Joaõ Gonçalves, & o Piloto Caftelhanoefta vão no Porto Santo obferyando tudo ifto, & viraó que nem nos Quarteyròes das Luas fe desfazia
guém fe atrevia a chegar a elle,
,

,

oiie-

T^

Câp^V. Do íegundadefcubrimento datai Ilha.

%

é ne<n-ume cipantofo, nem fe atreviaó a ir examinalio j atè que por voto do Piloco j com que concordava o Capitaó íoraentej fahirào de Porto Santo em hum navio com alguns barcos , três horas anteâ de fahir o So3» & já junto ao meyp dia chegaram àquella medonha efduridade , que delia à cada vez lhes parecia tanto mais horrenda, quanto mais perto hop obfervavãp5&: fem diftingairem ainda terra, mas fomente ouvindo ao Capi* rendos eftouros , & roncos do mar , com que todos bradavão mortal abiftáo , & Piloto fe voltaffem., & náo fe metteílem em tam

mo.

k

Porém o animofo Capitão , feu Piloto inveftmdo ^^^^i-' segundo defcubrimí^ 25 efcuridão , lanharão feus bateis fora, &nelles a hum António Gago,íí» âa Madeyra por a Gonçalo Ayres,feu,amigoi foaõ Gõçalvti oZar-. rvarão nobre, dos Gagos do Algarve) '^',<^<^ ^«* com ordem que foffem rebocando o navio junto àquelle nevocyro,&: por J^^^^" '^J ^Í^Mtí'^ ondeouviíTem mais bater omariêc apoucoefpaço andado viram poí'"*,"^^"^-* entre a névoa huns altos picos, fem diftmguirem ainda que era terra èc

&

.

n.

j

1

&

-,

huma ponta de terra , fem logo mais adiante virão o mar mais claro , porque o navio fe chamava S Lourenço , en-» ainda crerem que o era i tão o Capitão bradoUj(Oh S.Lourenço chega) Scaefta entam íícou por nome , Aponta de Saó Lourenço j & paíTando efta para a banda do Sul, onde jà a névoa não defcia tanto ao mar, virão, conhecerão a terra,le-s, vantando altos gritos de alegria j &: vendo huma feguinte praya , fermo? efpaçofa , alli lançarão ferro com folias , & cantares , & por fer jà fa,

&

&

.

&

&

.:..-.-;; tarde fizerãoallinoyte,lem alguém fahir a terra. Ao amanhecer do outro dia foy ao batel hú Ruí Paes com 26 difpoíiordem do Capitão João Gonçalves, que obfervaíTe o fitio ,

&

1

ção da terra , & lhe trouxeíTe as novas do que achaíTe > & efte Ruí Paes foy oprimeyro Portuguez , que na Ilha da Madeyra poz o pè indo pois , & não podendo defembarcar na praya , pelo arvoredo que atè o mar chegava,&: pàos que humagrande ribeyraalli trazia, foy o Paes para o Nafcente defembarcar em huns calhàos , poílo a que chamão amda hoje o defembareadouro , & aonde os Inglezes tinhão delembarcado de antes , vendo fer a terra imiy to agradável com vários prados , grandes arvoredos, & obfervando alguns cortados,&: raílo de gente por entre elles , foy dar nas fepulturas , Cruzes , & letreyros dos falecidos A nna , 6c feu Machim i & com eftas novas fe tornou ao Capitão , & feu
:

&

&

navio.

Então a dous de Julho de 1419. defembarcou do navio o Defcobre-feallhadA 27 Capitão Zarco, & com elledous Sacerdotes, & alguns dos nohrQS ({WC Madsjra em z. de vinhão, & defembarcados todos no lugar das fepulturas ,derão as gra- 7'^^^'' á* 1419. ças aDeospor lhes defcubrir aquella nova terra & fazendo ^^^^^^

&
^

agua, na terra a forão lançando, &- tomando poíle delia em nome do mefmo Deos 5 achando húa cafa formada dentro do grande tronco de huma arvore , alli prepararão altar, fizerão celebrar Miíla,& noíim delia refponfo de defuntos fobre as duas fepulturas de AnnaArfet, Machimj & tudo em o dia da Vifitação de S. Ifabel a dous de Julho &; ileílcmefmo lugar fe fundou depois huma Igreja a Chriíto dedicada &: ribeyra acima , a ver fe enconentrando logo alguns pelo arvoredo , trav ão algus bichps„oii animaes ferozes 3 não acharão ^oufa viva , fenão

JfJZÍ[27Z.
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muytasj

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Livro III.

Ef a

famofa Ilha da Madeyrar
-,

muytasj muy diverfas aves que fe lhes vinhaó ás mãos o que veftdo,' colherão aves, lenha, terra de vários poftos , com outros vários íi-^ naes, & em as barcas fe voltarão ao navio» 28 Logo ao outro dia três de Julho, o Capitão , Piloto Caftelhano fe mettèraó em hum batel,& outros nobres em outro, a que go-* vernava hum Álvaro AíFonfo, aííim foraó correndo a cofta junto a ella, obfervando as pontas, prayas, ribeyras , & fontes de boas aguas j ôc porque húa fahia de hum feyxo, fe lhe poz por nome Porto do Seyxo^ porque emoutrapraya mais abayxo achàraó huns pàos derrubados com o vento , mandou o Capitão fazer delles húa Cruz , arvoralla allimefmo, & ficou ao tal lugar por nomie Santa Cruz , que foy depois nobre Villada Capitania de Machico. Chegando mais abayxo a huma grande, alta ponta, que a terra allifaz ao mar, virão innumeraveis aves que fe lhes vinhaó pòr fobre as cabeças , & remos , que por nome lhe ficou Ponta do Garajaó , três para quatro legoas de Machico para o Occidente. Defta ponta duas legoas adiante, fc vè outra ponta, que com de arvoa. primeyra faz enfeada , muy to aprazivel , raza com o mar , redo muy to uniforme , fobre o qual fe deyxavaõ ver os cedros entaó allhe chamatiflímos. Logo entre as duas pontas acharão hua ribeyra, rão a ribeyra de Gonçalo Ayres, por nella defembarcar efte nobre homcmi ir ver fe achava animaes ferozes , & fó aves achar. Repararão logo em hum vallc , que faz aquella bahia entre 29 porque o virão cuberto de feyxos fem arvoredo alas duas pontas, gum , cheyo fó de funchos , por entre elles vindo três ribeyras , chahoje he a nobre Cidamarão a efte pofto o Funchal , que depois foy , de defta Ilha} no cabo da qual eftão dous llhèos onde paíTáraó a noy-

&

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&

&

&

&

&

&

&

&

&

( com as aves que tomavaõ ) mas dormindo nos bateis pela manhã que tinhaó obfervado,& por arvorarem nella huma Cruz , lhe ficou por nome Aponta da Cruz j & logo dobrando a ponta deraó com huma fermofa praya, &: lhe chamarão a praya fermofa. Mais adiante viraó entrar no mar huma grande ribeyra , a qual querente,
:

paíTáraó á fegunda ponta

a vào huns mancebos de Lagos , delia fora© tam arrebatados, por iíTo lhe chamaCámeVk àe Lohês, que fe lhes naó acudira o batel , perigariaó nella , paffando-a viraó duas pontas, queda principio do appeãido rão a ribeyra dos Accorridos ,

do paíTar

&

&

de Cameroi , cotifir Ilha entravaó em o mar , entre ellas huma grande lapa , ou camera de mado por ElRey D. pedra , rocha viva , onde entrando os bateis , tantos lobos marinhos foaõol. que tomou fe recrearão matanviraó nella , que lhe chamarão Camera de lobos ,

&

&

&

logo por fidalgo defita

do a muy tosjôc atè o Capitaójoaó Gonçalves Zarco,daqui tomou o chacafa ao defcnhridor ^«aõGoçalves daCa- marfe Joaó Gonçalves daCamera ; como abayxo veremosi & porque lomera^ & o fez. Capi- go fe leguio a ponta donde tinhaó começado efta voíra, que deraó pela tão Donatário daCa- cofta a toda a Ilha por iflb à ponta chamarão Ponta do Giraó & defta , ^itmiA do\Fftnthal. com a noyte fe recolherão ao Ilhèo donde tinhaó começado aquella
,

volta,& em a

manhã fe recolherão todos ao

feu navio.

Voltados logo em o outro dia para Portugal j & chegados30 Lisboa com taes novas, finaes da nova Ilha, tanto o feftejàrão os Sea reniíTi mos Senhores Reyjôc noíTo Infante, pay,& filho, que mandarão fazer logo prociífoés publicas de acção de graças a Deos , derão nome à nova terra de Ilha da Madeyra , pelamuyta de que eftava cuberta Sci

&

;

ElRey

Cap, VI. Dq terceyro defcubrim.
ElRef tomou por fidalgo da fua
cala ao

8í repartição

d^ Ilha,

;?t'

defeubridorjoaô Gonçalves^ & lhe coníirmou o appellido de Joaó Gonçalves da Gamera , & lhe deo por armas hum Efcudo em campo verde , & nelle húa torre de homenagem , cora huma Gruz de ouro, & dous lobos marinhos encoftados á tcJltre com paquife, & folhagens vermelhas , & verdes, & por timbre outro lobo marinho , aíTentado em cima do paquife j & demais lhe fe<z ElRey mercê deGapitaó Donatário da jurifdicção do Funchal, quehe juriídicçaó de metade da dita Ilha,& de juro,Sç herdade para elle,ôc feus íucceflbres & aflim cfte ditofo Gapitaõ ficou fendo o chefe , &: primeyro tronco das illuftres familias dos Gameras , tara cxtendidas , & augraentadas , como adiante veremos.
: ' Logonoannofeguinte,emMàyodei42ô.deraõ os ditos _. 31 Princípes ainteyra Gapitanía da Ilha de Porto Santo a Bartholomeu^'/""'"''^^^'^^^^
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Pereftrello , que já de antes era fidalgo da cafa do noífo Infante D. Hen- "^'^^ "^ '^J a fegunda Gapitanía Donatária da Madeyra , também de juro,

%'

&

& herdade , &: chamada de Machico j como a outra do Funchal , cada Teyxeyra, tendo ja buma de meya Ilha da Madeyra , deraõ os mefmos Príncipes QlT n^2.o dado ade Porto S.aa Vaz Teyxeyra , Gavalleyroda cafa do Infante, Sc por antonomafia ch^i-fida-go Pereftrello ^& "'^''^ mado commummente o Triftão, de cuja illuftre afcendencia,&- defcen- ** """^^ *^ dencia em feu lugar trataremos j Sc aos três Gapitáes fe derão três na- ^^^^« «««'^"'f^* viosi dos hiftoriadores , huns difcorrem, que os dous vinhaó àth2iyyío%'^^J}^^^^ dabandeyra de Joaó Gonçalves da Gamera j outros que cada hum dos to Santo , Pereflrell» três vinha cxempto do outro , como exemptos vinhaó nas Gapitanias, >/?o/Am a gente ^»« jurifdicçóesj& aífim cada hiftoriador falia conforme a fua aíFeyçaóifo-/<"'»^ em ajtta Ilha»! bre o que fe podem ver Joaó de Barros no principio da primeyra Decada, António Galvaó no tratado dos defcubrimentos. certo he que ElRey deo ampla licença a toda a pcíToa 52 q quizeíTe embarcarfe entam , & ir povoar as duas Ilhas , de. Porto Santo, Madeyra, & efpecialmente aos homiziados, & condemnados que houvcíTe em as cadeas do Reyno j que os trcs Capitães naó quizeraó levar culpado algum por caufa da Fé Divina , ou de trayçaó , ou de ladroicci & demais levàraó diverfas caftas de animaes donaefticos , gados. E também he certo que todos foraó dar direy tamente na Ilha de Porto Santo , da banda de Leite , em hum porto , chamado o Porto dos Frades, por hús Francifcanos derrotados terem ido alli darj &: defembarcando os trcs navios , o Gapitaó Pereftrello efcolheo de gentes, &; animaes os que quiz , & os mais com os outros Gapitáes fe paíTáraó brevemente à Madeyra. Eemfim he certo que oGapitáo do Funchal Joaó Gonçalves da Gamera levava comíigo jà fua mulher Gonftança Rodriguez de Almcyda, &: tres filhos delia, ainda menores , João Gonçalves, Helena, & Beatriz.
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CAP.

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/

Livro in Da famofa Ilha da Madeyra.
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PI T U L O
interior

VI.

1)0 Urceyro dejcuhnmento do

da Ilha da Madeyrgl

-

& da divifaõ das júri/dicções das fuás Capitanía^^
eJ^ecialmentedadoFumhaL
,

Eyxâdòol)onátario Baftholomeu PereftrcUo nafua Cadoiis Donatários par* -giifc _, _ pitanía de Porto Santo , partirão os ^ a Madeyrrr& a entrarão pelo porto de Machim , donde tomou o no* conforme a Torttãhdo antros os me efta Capitania de Machico j & logo ambos levantarão ( t)onatanos da Ma- petição do Inglez alli fepultado ) a Igreja da invocação de Chrifto , fi^ dtjra a entrar nella cando a Capella mòr fobre a fepultura do Machim > & porque a prifor Machico Je /í- j^evra MííTa que nella fe celebrou, foy no dia da Viíitaçaó de Santa Iía'
'

,

aqui poz o Capitaó Tnitao Vaz a cabeça, 9iaMadeyra,& a ca- que houve era toda a Ilha i heça da Capitania de ou corte de fua Capitaniaj como ooutro Capitão Joaó Gonçalves a poS Machico , o outro em O Funchal, para ondefe foy logo. Domtano Camera ^^ Chegando efte Capitaó ao Funchal , fez levantar huma fox.afHa»oFmchal, ^ ao Nafcimenco da Virgem Senhora ,& por aver alli muytoca^fepafo^para ella, ^^^^-^^^^ ^^ ^^^^ j^^ g^^^^ ^ titulo de noíTa Senhora do Calhao j mas porque daUi para dentro da Ilha era tanto ,& tam alto o ar voredo , que 'Vofego queoCapi- nem podia cortarfe , nem porelle abrirfe caminho , mandou o Capitão

&

&

:-

ta~odoFmçhalpox.ao

tam difpofta , fe ateou ta6 ^^^i^^ ^ fogo, que achando tanta matéria, no valle o fogo , naó fà CaiuZ JeQu bravamente ,quefet e annos contmuo s_ardeo delias em infinita camuyto mais por bayxo , mnos ardei &foy de pelas arvores de cima^ fecca lenha , mas também por bayxo da mefma terra andava la« tantaperda\qHe nem hida, para os Engenhos de vrando cruelfogo pelos fubterraneos troncos fem fe poder apagar, 6c ajfucar tem ià ma- tal foy aqueíle incêndio que as gentes por lhe efcaparem , fe tornavao ,

&

&

&

&

dejra hafiante.^

^^ ^^^^^ ^^^^ ^ ^^^^ ^ falvarfe em os naviosj atè que amaynando o fogo na toíla mais junta ao mar , fez jfegunda morada o Capitão em humalcafa fundou tç> que ficava fobre o Funchal, & para defefa defta fegunda defronte delia huma Igreja à Concey çaó da Senhora, que a refpeyto de outra fechamou nolfa Senhora de Cima i &: nefta fundou depois ofe-

gundo Capitão Joaó Gonçalves também hum Convento de Freyras Francifcanas, & da Obfervancia , tam magnifico , illuftre i & obfervantej

como qualquer dos grandes de Portugal.
Rodríguez deAlmeyda, & , fundou , nas cafas fi, fundoU hila IgreMartyr Santa Catharina,& junto aefta Igreja
,

Aprimeyra CapitoaConftança 35 como pêíToade grande virtude , muyto devota que fiu marido o primeyro Capitão levantara para
ja áglorioía

Virgem,

&

muycas outras cafas para viverem pobres merceeyras jqueferviíTem à dita Igreja de Sanca Catharina &; lhes deyxou efmola competente a feii fuftento; 8c o Capitão feu marido aos Frades de S. Franciíco , que comíigo trouxe, & aos que achou derrotados, & com elle vieraõde Porto Santo, fundot^i-lhes hum Hofpicio , & huma Igreja de S. JoaÕ Bapriíl^ pela ribcyra acima mas depois fe mudàraó eftes Frades para dentro da Villa, aonde hoje eftaõ defronte de Santa Catharina alem da ribeyra,
;

&

fac

•Cap.

VI Das
.

duiát!fapkáliáí&(là%lilhi;.

7%

de grande obí he já hum graviífimo Convento de cincoenta Frades , muytas letras. jfervancia, exemplo, EltCcy,& o noffo Infante Dom Henrique tinhaó cada mez 96 avifoda felicidade , abundância ,& frefcura deita Ilha da Madeyra , 6c lhe mandavaô navios com toda a cafta de gados, & animaes domefticos, tudo frutificava tanto que de cada fementes dos frutos neceflarios , alqueyre de trigo femeado colhiaó ao menos feffenta j & as vacas , mamando ainda , já pariaó.E o Infante fabendo das muytas aguas, ôc ribeyrasque avia na dita Ilha, providentiíHmamente mand^ubuícara^Si^ - j it» lia^antas de canas deaílucar , 8c Mcftres de o fazerem , para o mandar lazer nalfliai & tal eíFey tõtève , com tal fucccíTo^ queo aíTucar da ^'J'//"^ * Madeyra he o melhor que fe fabe haver no mundo , & tem enriquecido \^'y.jig suitia^&p^^" a muy tos mercadores , alTim forafteyros j como naturaes d^lVtia.: cuja. tott em aAíadeyra,s', ijiadcyra era tanta , tam grande, & tam boa, & toda ferrada com enge- ond«fe det o metíxtt^ nhosdeagua,efpecialmente da parte do Norte defta Ilha , que à^^oL^^Stict^r do mundo: madeyra le começarão em Portugal afazer navios grandes , de gávea, ^'^ àivifao da Ilha á & caftcllo de avante , naó avendo de antes mais que Caravelas do Al- '^^"/^'^^ f»tr«A 1*-^ dons Don*taríO» v a T, T-' garve,& Barmeys em Lisooa , pois nao tinhao ainda então para onde ^^n^ atè íe apartarê navegar mais & aílim parece fe confirma o erro d e fe lançar fogo em g cada hum aíua Cém efcufar ef- pitaniá. jprincigio a tanta madeyra^ que podia trazerfc a Portugal, de a mandar vir de outros Reynos para fazer lá navios grandes^ & atè te na dita Ilha fe fente jà falta de madeyra, pela muyta que fe galla nos Engenhos do aífucarjôc por iíTo atè dcftes haja menos. PaíTados os primeyros dias, cm que cada Capitão fcaccõ* 37 xnodou na cabeça de fua Capitania , ambos entaõ fe ajuntarão para cor« rçrem a Ilha, & repartirem igualmente ( conforme a ordem expreífa do Infante} os termos da jurifdicçáo de cada hum: para ifto prepararão gente de pè, de eavallo, para por terra irem abrindo caminhos eftrey* tos Jornas fempre perto do mar & barcos que junto à coita fempre hiao* pára que , quando foffe neceflario , a ellcs fe rccolhcflcm os Capitães. Do Funchal pois partirão poir terra os Capitães com os de pè , ôc de cavayo chegando a hum alto que cftá fobre Camera de Lobos , traçou logo alli o Capitão do Funchal húa Igreja dedicada ao Efpirito Santo, outra era humas altas ferras mais abayxo , com a invocação da Santa CruZi & tomou eftes altos para fi j 3c feus herdeyros. E logo rnettcndofe os Capitães em os bateis , forão adiante pela cofta domar , a mai» gente por terra } mas eftes com perigos a cada paíTo, por fer a Ilha daqui para bayxo muy to fragofa, de rochas altas, proflindas ribeyras, 6c afperríraos caminhos }& fó depois de muy tos dias paíTárãotres légoas adiante atè huma furiofa ribeyra , aonde os Capitães cm terra , & os bateis V na agua os eftavâo efpcrando , aqui ficou o nome de Ribeyra Brava, que he hoje hum dos melhores lugares dallha,& he húa quafi quiutadã NJÇiSRÍ íitV»'^.- íAl. Cidade , como dizem fer Sicilia de Itália. Aqui fe tornarão os Capitães â mctter em os bateis , in* 3 do huma legoa adiante viraó huma ponta de terra que entrava muyto .tA^is t.;»^ no mar , & nos vieyros de fua alta rocha figurava ao longe hum Sol , & a Ponta do Sol a intitularão j Sc o Capitão do Funchal traçou logo aqui; Jtiefmo híía Villajque foy a primeyra de fua jiirifdicçaQjSc fc íuiiúovLáèH

&

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B*

74
pois
^

Livf ô flir Da fíáíô&Ilha (la Mãííef nâ.
,

& nefte porto cftá hatíia tam grande fazenda taõ a tomou para feus filhos & hoje nenhum a tem
,

que o dito jGapí»
por fe
dividir., 8í

j

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c4^ú^

n
-/^'^73.>^-3í^.

vender , fendo que houvèanno ,em que deo vmtexaiLangbas de aíTujcarj & chama-fe a Lombada. Pouco adiante ^ em huma ladeyra , traçou p Capitão do Funchal huma Igreja do Apoílolo Santiago & naõ podendo jà paífar por terra com o fogo que andava ateado , todos fe mettèraó em o mar j & paífadas duas legoas deraõ em defembarcadouro , a que chamarão Calheta, fobre a qual tomou o Capitão para feu íilho, Joaó Gonçalves da Camera, húa Lombada grande, & logo para a Poente tomou outra para fua filha Beatriz Gonçalves , & mais adiante outra para a mefma filha $ & em hum alto de boa vifta de mar , & terra traçou a Igreja deN. Senhora da Eftrella , que muyto encomendou a feus fij

Da Calheta paíTáraó os Capitães à ultima ponta, & por há 39 'ÈdFikati^ààttay Pargo que acharão nella , lhe deraó por nome a Ponta do Pargoj & aqui ^Me ao depois veyo a vira a Ilha para o N orte duasj, ou três legoas atè outra ponta , que o Ca/fftitHjlidiCmdado. gitápde Maçhiçojfem o do Funchal, foy deÍGubrir,& poriífo fecha" ' " mou Ponta do Triftaô, aqualjaz ao Noroefte > &aqui fe dividem as Capitanias , & fe reparte a Ilha defta ponta de Noroefte da banda do Norte contra o Suefte da banda do Sul , aonde fe fixou hum pào de oliyeyra, que deo nome a eftoutra ponta , & para marco , & divifa das Capitanias o mandou de Portugal o Infante D. Henrique; & efta ponta da eliveyra , & o feu lugar chamado Caniflo , he o fim da jurifdicção dé Machico, & o principio dajurifdicçaò do Funchal, tudo conforme ao Regimento do Infante Dom Henrique ; & aílim os Capitães ambos da Ponta do Pargo fe tornarão ao Funchal, &• aqui fe apartarão, cada hum cara a fua Capitania , ficando Joaó Gonçalves com quatorze leg oas da Linda do Sul, que he o melhor da Ilha,^ôttres dabanda do Norte> ô< fí* cando cõm. o mais Triftaó Vaz Teyxeyra.
.

fundou depois a Villa da Calheta, que veyo a fer o illuftre titulo do Conde Simã® Gonçalves da Camera.
lhos.

E logo mais abayxo

j

junto a

huma fermofa fibeyra,

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T U L O

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Do interior da Capitania doFumhaly &. c^ejlafua Cidade,
-40

&feu

Jitio.

I^T Aõ fem ratzão, da Ilha de que tratamos diz o Doutor Fru,

^Hra ddU.

QíVíoíoliv. 2. cap. 15. que não fe houvera chamar Ilha da _ Madcyra , mas Ilha das pedras por fer todo o feu interior chey o de rochas & montes , em valles defpenhados com infinitos calháos. Jaz no Í)A AliHrd emijHe ef- Oceano Occidental efta Ilha da Madeyra , na altura de trinta &c dous tà Al/hadaMadíjr- gràos& dous terços nâ-parte do pólo Septcntrional fica diílante do r4, grandeza &/Í. Qu^ntim em Africa , cento & dez legoas, do Lefte da Ilha ao dito Cabo
, ,
-,

,

^^ Qiiantim das Canuriasfeífenta legoas de Portugal cento & cincocnt^> das Ilhas Terceyras quafi o mefrao. Na fuá figura he huma pirâmide deytada', que corre de Lefte a Oefte , em comprimentp de quafi^ " ' deza^
;
;

"^

Cap.VII.

Da

Capitania do Funchal:

71-

ãpz&ktt legoas , & era largura de q^uatro , & na bafe de féis legoas , que ^^-^•^^^*-t;G_ lêm da parte do Occidente na ponta dol^argo j & o cume da pirâmide A-^ z'^, tem na parte do Oriente na ponta de Saó Lourenço para onde eftailha ^^' ^^ «'Zíí**»^^ vay fempre eftrey tando. r^l^^^^y^^ í>^_ Aqui , da banda do Sul faz huma bahia dequafi cinco le^ ^*- ^X^.wL <.£^^ 41 goas de largo, defde a ponta de Saõ Lourenço atè outra ponta , entre as quaes , fem mais temor que com tempeftade levantarem anchora 3 podem anchorar os navios que quizerem. Da ponta de S. Lourenço para o Occidente , huma legoa , eftá o lugar chamado Caniflal , de fo quinze mpradores , com fer terra raza, & de paõ^ & vay por diante a Capitania DafaoiofaCidadeãi de Machico, de que ao depois trataremos j porém dentro dafobreditai^wfW, & de fuás mayor bahia, deídc a ponta do Garajào até outra chamada deS. Cruz,/'"'''*^'^'^^ ^^Ç" '^^ vay outra mais recolhida bahia , de legoa & meya de entrada , dentro da -^'^^ '^^' ^ '^'^'"'' qual , defde o Corpo Santo atè S. Lazaro , fe eitende a Cidade do Fun- "^'^"^ ^ ^'*'^ ^""^'-"^ chal por quarto de legoa com feu porto de calháo miúdo , & área, tam ^"^"^ curfado a íeus tempos em carregarjôc defcarregar navios, que tem íua femelhança com Lisboa j Sc jeftá íituadaa Cidade e m terra chã ^8renrrp duas ribeyras , huma da parte do Nafcente com a í reguefia de noíTa Se-* nhorado Calhào ainda fora dos muros da Cidade ,& com asErmidas de S. Pedro, & S. Joaó que eftão da parte do Poente & a outra ribeyraj chamada de Santa Luzia, por vir de hum monte, em que eftà a Ermida

^

'

'

,

-,

defta Santa.

Pelo meyo da Cidade corre efta ribeyra tam caudalofa,qu© 42 comella, & dentro da Cidade moem vários Engenhos deaífucar, moinhos com pedras alvas , & fe regáo hortas & jardins , & toda a Cidade fe alimpa} & pela tal ribeyra acima fe recolhem cada anno quatrocentas pipas de rico vinho , & muy tas frutas. E com tudo a Cidade eftá murada, & tem huma Fortaleza ao principio, na ribeyra de noífa Senhora do Calháo , que chamão a Fortaleza nova , & da outra parte outra Fortaleza , que chamão a velha, & com boa artelharià para o mar,& para a terra;& aqui tem o Capitão fua morada, que ainda fica fora do muro da Cidade, mas com três portas no muro para o mar , & outras três para a terra, com vigias. Perto da porta principal do mar eftà a cafa da Alfandega , fechada, & murada de cantaria, por terra, ôc por mar, que chega a bater iiella , & tem dentro Regias officinas. A principal rua defta Cidade, & dos muros para dentro, hc 43 a dos homens mercadores, Portuguezes , Inglezes , Francezes 5 Sc Flamengos , em cujo principio , junto à Senhora do Calhào , eftà a praça, não muyto efpaçofa , mas fermoía , com cafaria nobre à roda, & pelourinho de jafpe , donde fahe a mayor rua da Cidade , onde o Bifpo tem o feu Paço com jardim, & aonde eftà o CoUegio de Saó Bartholomeu da Companhia deJESUSj defronte do qual morava D. Maria , viuva de Duarte Mendes de Vafconcellos, fidalgo, em ricas cafas, com Engenho de aíTucar, & toda a fabrica delle & logo eftà a Sè, com torre muyto alta, & toda de cantaria, coruchèo de azulejo, relógio que fcouve duas legoas quando toca a rebate , & abayxo muytos , & bons íinos tem a porta principal para o Poente , dentro varias Capellas , &c nove Altaí€Si & no arco da Capella mòr para dentro terá. o coro > bem ornado , " G ij nos

&

,

.

f

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&

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lios

Lívrô III. Dafamoíà Ilfiâ da Ma3eyra.
púlpitos

do cruzcyro fe dizemaEpiftola, & Euangelho.Tem maispcrfeyto Coliegio da Companhia de JESUS, & íua rica Igre"Dos Conventos Reli- (além do Obfervancia, comfergiofos qut ha no ínn ja) hum grande Convento de S.Francifcoda mofa Igreja de oy to Capellas , fora o Altar mòr , grande cerca , & cin:

coenta Rcligiofos, cujo Guardião he Commiflario , ou Cuftodio de toda a Ilha, fugey to porém ao feu Provincial de Portugal. E nefta rua que vay da Sè para os Francifcanos , não ha ( diz Fruduofo Uv. lé.cap. 1 6.) mais cafaria fecular , que a de Joaó Dornellas, & a de António Barradas,

homês muy to principaeSj o mais tudo faó hortas. Ha mais nefta Cidade hum Convento de Freyras de Santa 44,
de fefmayores virtudes , Clara, Francifcanas, de grandes rendas , to forte , com fenca Freyras de vèo preto ; fica febre huma rocha muy boa vifta para o mar, mas não para a terra, por razão dos altos muros,

&

&

&

&

II

André de Betencor , fidalgo dos mayores da Ilha , & morgado, filho de Francifco de Betencor , & de D. Maria, òc mora em húas grandes cafas, ou Paços defronte da Igreja de S. Pedro , que he o fim da Cidade , da parte do Poente. Naruaquechamão deS. JVIaria,mora António Ferreyra, Contador da Cidade , & Francifco de Medeyros fidalgo, & D. Maria, mulher de António de Aguiar, fidalgo & na rua da Olana mo•,

com pequena cerca íeu vizinho era Francifco Gonçalves da Camera, tio do Conde Capitão , por cuja morte ficou governando a.Capitaiiia. Do meyo defta rua chamada de S. Francifco, fahe outra em que mora
j
, ,

ra

Mero Dornellas, fidalgo grande, como em

palavras formaes diz o já

citado Fruótuofo.

Outras muytas ruas tem efta Cidade , que todas eílão cal45 çadas de pedra miúda, com que chovendo fica muyto lavada, &: Imipa. Tem mais huma grandiofa Mifericordia , porque muyto rica , & muyto caritativa. Foy oFunchalfcmpre Villaatèoannodc 1508. em queElRcy D. Manoel a fez Cidade , por ter fido fenhor da dita Ilha antes de aíTim não pagão diTtndoJídoVilUoFft' fer Keyi & lhe accreícentou muy tos privilegies ,& cha/por mau de trin- reycos dos mantimentos , mas com pado de pagarem o quinto dos afta amoi foyfeyto Ci- fucares} &c logo o mefmo Rey lhe mandou fazer huma Alfandega Real, bem acatíad- for Ei&éJ D»m Sc húa íliuftre Sè , que aindaque não muyto grande , he a mais anno dt Mmod , bada do Reyno de Portugalj & tem dous Curas, & duas Freguefias mais vifoSi. '& terh dotú Cidade , que toda confta de dous mil vizinhos i porque muyto de n>tlvfz.tnb(*s ,.&"&»* em a de aííucar , vinho , hortas , /«« Cétp^tam^.e/ftraí feu mayor fitiò fe occupa em abegoarias , FillM^^ff Ingarts no- jardins, que a fazem não fó mais eftendida, mas mais rica , mais frefca,Sc
,

&

bres.

aorazivel.

'

Do muyto fragofo interior

da Capitania

ãoobftante termos dito defta Ilha da Madeyra, fer o feu 46 Certâo interior tam fragofo , montuofo , & cheyo de pedras , que apenas íe cultivão delia duas de dez partes j porque commummente não

N

do F»f}chaí,& cotado mMjto frutífero,

ha nella terra chã, fenão
va, que

a

bocados

j

Scde^eiraniaííapcz^, preta
,

,

& ruy-

^ de ejHimíU

mtiyto

ricos frKtos.&horta- ftes

comtudo tam frutíferos que cada falaó devai outro tanto ouroj & aíTim tem muytos & excellentes pomares,
chamão faloens
j

faó

,

fmos.

particularmente de fruta de efpinho j dà tanta noz,& caftanha , que vai tanto fua quatro vinténs oalqueyre. Amêndoa dà muyta , &: também ^excejfiva abunda dando ordinariamente tanto magre, que moido fe embarca para fora cia de vinhos ri<^ftfvinho , dá trigo tam pouco , que fe de fór? lhe não forem, ao menos dez
li^M excllentes, mas TKHj/ta frJta de trtgo^
•,

&

^

mil

íMI

Cap. VII. Dallíuftre Cidade d<5^tiftchtf
ifiií

yf-^-

moyos, paffarà mal. Dà porém muyta , & excellente hortaliça Vdé alfácesj ôc couves Murcianas , mas eftas não efpigáo lá, & de fora lhe ha. de ir femente todos os annos. Tem preciofos jardins, Ôc hervastam odo^ riferas , que affirmão os mareantes , que mais de dez Içgoas ao mar dcytâ efta ilha de fihuma fragrância j & cheyro tam confortativo, & fuavetque em grande parte alimenta aos que o percebem. Comtudo ainda no interior defta Capitania do Funchal 47 ha alguns póftos rendofos,&: lugares bonsi porque hum quarto de legoa da Cidade para o Occidente corre a ribeyra dos Accorridos coni largura de hum tiro de arcabuz, & tanta agua , que parece hum bom rioj. & de Camerade Lobos vem pela agua abayxo a madeyra cortada em.os montes, & com marcas de feus donos aílinada atè o mar, oride acoiíiemj & às vezes com a fúria das aguas fe perde pelo mar dentroj & ou.» tro quarto de legoa adiante eftá o lugar deCamera de Lobos com duzçntos vizinhos em huma fó rua, & a Igreja no fim com dous Engenhos de aíTucàr de dous bons fidalgos, hum por nome António Corrêa, outro Duarte Mendes de Vâfconcellos j & logo para o Norte , dous tiros dé béfta, eftá hum Convento Francifeano, chamado S. Bernardino, com oyto Réligiofos , & huma Freguefia de noíTa Senhora do Rofario com trinta vizinhos, & muy tos pomares , vinhas , &c. ao Occidente da mefma Camera de Lobos eftá a Lombada da Caldeyra , por ter huma grande cova dentro , que he dos herdeyros de António Corrêa, gente
.

n UJ

&

muyto principah

Húa legoa adiante de Camera de LoboS eftá a grande quin* 48 ta de Luis de Noronha , com Engenho, cafarias, Capellão , ( como tem as mais das outras quintas } & com pomares, vinhas , hortas, ^ci & dahi meya legoa para o Occidente j eftá o Campanário, lugar de cem vizinhosj & huma legoa adiante o lugar de Ribeyra Brava , que por ahi corre, 6c tem trezentos vizinhos , com muytos pomares de caftanha,& nozes, & bom porto, que já pertehdeo por Vezes fer Villaj & adiante meya. legoa lègue-fe a Ribeyra de Tabúa com trinta fogos, & daqui faó gente nobre :& à outra meya legoa fe íegue a Lombada de João Efmeraldog Genovez , & tam rica, que jà chegou aidarno anno vinte mil arrobasidc alfucar , & foy a mayor cafa da Ilha , & toda herdõiTíeii fílho Chriftovão Efmeraldo , que tinha oy tenta Efcravos j& além de Engenhos , ca* íàrias , & Igreja , andava em a Cidade com oyto honrados homens por criados, & com tam grande faufto, que com o Capitão do Funcjial competia fobre quem avia fer o Provedor da Alfandega Real. OJoaô Efmeraldo foy cafado com huma fenhora chamada Águeda de Abreu^ filha de Joaó Fernandez , fenhor da Lomba do Arco,& irmão de Gonçalo Fernandez , marido de Donna Joanna de Sà , Camareyra mòr dá
S^ainha.

7^^ >3.
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Adiante da dita Lomba , hum quarto de legoa , eftà a Vil49 Das Filiai', Ponin la da Ponta do Sol, com quinhentos vizinhos , 6c gente nobre ; 6c mais Sol^&Caiheta^^oftJ acima para o Norte eftá hum lugar chamado tem boas três nobres Ingariti aguas. Engenho, terras de pão, & centeyoj 6c vinhas, U daqui he a geração dos nobres Efcovares. Da Ponta do Sol meya legoa, 6c junto ao mar «ftà a,Magdalena jlugar dctrinta vizinhos^ & tambcni com Engenhoi

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7^

Uvfo III. Da famofa Ilha da Madey ra.

Fernandez, Marido dcD. Joanna de Sà , Camareyra mòr da Rainha , & pay de António Gonçalves da Gamera,com muytasterras,Engenho, Igrejaj&c. ôc Gutro quarto adiante eftá feu irmáojoaó Fernandezjna Lombada do Ar^ CO, também com Engenho, &c. Humalegoa adiante fe fegueaVilIa da Calheta por hua ribeyra acima , de rochas tam altas, que cahindo pedras delias ,tem Jà derrubado muytas cafas, &: a Villa confta de quatrocentos vizinhos com a Igreja do Efpirito Santo , & com porco dahi hâ quarto de legoa para o Nafceneti & acima defta Villa pela terra dentro cftà hum Engenho , o dos Cabraes , &: outro de hum Medico. Duas legoas defta meftna Villa eftá o lugar chamado Jardim , de quarenta vizinhos, &t também com Engenho & outras duas legoas da banda do Sul para o Occidente , eftá a Ponta do Pargo , íim da Ilha , & terras lavra:

& daqui hum quarto delegoafica a Lombada de Gonçalo

dias de creaçóes.

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Do interior ,
;

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L O

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da Capitania de Muchko na Madejra,

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Norte para o Occidente duas legoas , cometa çando da ponta de Saó Lourenço , que chamâo Porto da Cruz , eftà huma Aldeã junto ao mar com trinta vizinhos, além da gente de huraEngcnho que ahi tem. Huma legoa adiante eftá noíTa Senho;rado Fayal, ( pelas muytas fayas que alli ha ) com cem vizinhos^ & fenr doa Igreja bem grande, jdizemjer toda formada dehumfópao de cedro que íe achou perto delia no dia da Senhora que he a oy to de Setembro, íe faz alli huma Regia feyra de tudo, a que vem oyto mil almas em romagem & temefta Freguefia dous Engenhos de aíTucar, & huma admirável ferra de agua, com que hum fó homem , & fó com o pé, como «leyro, chega, & tira para huma ferra o mayor pào & o faz em taboado. Daqui huma legoa eftà o lugar de Santa Anna com quarenta vizinhos, & muytas vinhas, & cerras de pão & meya legoa adiante eftá S.Jorge com cem vizinhos , & bons paftos & meya legoa além , ou legoa & meya eftá o lugar chamado Ponta Delgada, aífim chamado, por fe paf^ far alli de huma altiflima rocha a outra igual , por pàos atraveííados, ficando o profundo mar em bayxoj tem feífenta vizinhos o lugar, boas vi^

50

T) Ela coftà do

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:

,

:

:

,

nhãs,

& bom porto.
5 1

Nefte lugar de Ponta Delgada morava António Carvalhal, fílho de Duarte , ou Pedro Ribeyro, & de fua mulher Anna Efmeralda, filha deChriftováo Efmeraldo, Provedor da Fazenda Real da Dflí Carvaíh/tes EJ magnifico , liberal , & de grande veraldos fidalgos àn Madeyra , & Porto Santo. Era homem Alad.eyra^& tao va- virtude, & tam valente , que pelas afperrimas ferras da Madeyra andava lentes , efue \dellfsje a cavallo , fazendo cilhas de fó fuás pernas, porque era bem difpofto, alcoiiaõ (afos eji/tpen to,& largo das efpadoas & aíTim indo hum dia por bayxo de humas ardot. vores a câvallo,& lançando a mão a hum groflb ramo, levantou o cavaU lo mais de hum palmo no ar , & fó cora a força das fuás pernas cingidas?
.

-,

'pijt

&

Cap. IX. Dos Capitães Donatários de Machico.

fp

& veodo outra vez hum Javalí,que commettia ao velho pay defté mancebo, íe avançou ao J avalí , êc com tal força lhe apanhou as orelhas, que o fez parar, tirando de hum manchil, alii mefmo o matouj em aper-

&

&

tando a hum homem pelo pulfo , o fazia defmayar. Diante do Bifpo D. Jorge de Lemos , náo podendo ferradores ferrar húas mulas inquietas, pegandoihes das orelhas asfezeftar fem bolirem. Sendo em Santarém moço fidalgo delRey,&:jugando com elle pelo entrudo as laranjadas putros dos moços fidalgos em o campo , vendo hiia grande mò de moinho de atafona , arremeteo a cila, mettendolhe o braço pelo olho, não fó a levantou , mas delia fez rodela , trazendo-a no ar ás voltas , & continuando o jogo. Vendo em huma occafião a certa Regateyra , que trazia féis gallínhas muyto grandes a vender para cafta , & creação, pegouIhes pelas cabeças,& com tal impulfo logo as facudio,que ficandolhe a$ cabeças em a maõ, cahiraó no chaó os féis corpos , dizendo elle á mulher, Tomay lá voíTas gallinhas. Em fim indo elle, outros fidalgos a huma Igreja , & vendo nella huma campa de dura pedra febre huma fepulturâ,&na mefma pedra aberto hum carvalho com fuás landes da mefma pedra, elle com fomente os dedos as começou a tirar , 6r dar por fruta aos fidalgos. Tudo o fobredito conta Fruítuofo no Uv.2. cap. 1 3.SC conclue em 019. que feràpre houve nefta Ilha homés muyto valentes, como os celebres BragaSj & muytos foraó a Africa, que deyxo. De Ponta Delgada , huma legoa adiante , fe fegue o lugar 52 de S. Vicente, com duzentos cincoenta vizinhos j três legoas deftc cutro luMr , a que chamâo o Sevxal , com vinte vizinhos 1 & meva le- «^ v - j. //; ^ T^ ,. c» Dtvtfao dA Ilha na$ -1 n 1 Tl» 1 goa adiante hca o lugar da Magdalena , que conlta de trinta vizinhos, ^^^ Capitanias tgtt' &eftápcla terra dentro em apontado Triftão, aonde fe dividem as aes^ duas Capitanias Donatárias da Madeyra , & donde vay a Ilha virando para o Sul , & fazendo a ponta de fua figura de pirâmide deytada , com três legoas mais atè a Ponta do Pargo, aonde acaba a Ilhaj poílo que era algumas cartas de marear a trazem com a figura de húa folha de Alemo.

&

&

&

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CAPITULO
53

IX.

Dos Capitães Donatários de Machico,

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Capitania de Machico ( conforme a Fruduofo liv. 2. caf 20.} tem da parte do Sul quafi quatro legoas de compri- JSTa Capitania ãí mento, quatorze da parte do Norte j he de muyto arvoredo, & tanta Machico deo sprife madeyra , que vay deíla Capitania para a outra j & dá muyto trigo no mtyro, melhor afíeu Norte. De aíTucar o primeyro que fe fez em toda a Ilha foraõ treze fucar da Madeyra, arrobas em Machico,& vendeo-fe a arroba a cinco cruzados. De Cândia por ter confervado mandou vir o SereniíTimo Infante D. Henrique a Malvazia, neftaju naõ queimado as ma^^ dejrai-jf^fedeo epri; jrifdição de Machico pegou melhor eíte vinho do que em alguma outra meyro vinho de Mal' parte de toda a Ilha. Segue-fe agora dizermos quantos Capitães Donavatia , é° ha neã(6 tários tem tido, de quani illuftre fangue,&de quanto mais illuftrcs muyto mais trigo.

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obras.

54

O primeyro Capitão foy Triítap Vaz Tcyxeyra, que pela
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tivrô líl.
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Da fâmofa Ilha d á Madeyrâ.
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& obras foy fempre chamado o Triftaõ* HosiUftfiresCapitãts fem iifar de outro appellido & ElRey lhe deo por armas huma ave Fe-» àe Machtco ^ erad ^[^^ que he fingukriílima entre as aves & cUe mefmo em feii teílamen^
í ligular cavallaria
nobreza
,
,

^^^^ j^Qj^g^ fomente Triftaó j porém feus deícendentes ajuntarão á Fehuma flor de Liz, armas dos Teyxeyras, ôc r^^riZefuadlr^' ^^^ "^ ^fcudo húaCruz j & tíaptiíla na *ie»c\&4eruJari aíTim fe vemhojeefculpidas no arco da Capella de Saó Joaó
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^"t^gos fidalgos,

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Joaó Teyxeyra o Velho , a Pedro Teyxeyra, & a Henrique Teyxeyra* item a Maria Teyxeyra mulher de Joaó de Abreu 3 6c a Brites Teyxeyra mulher de Joaó do Rego iCavalleyro do Algarve. O terceyro filho defte primeyro Capitão foy Joaó Teyxeyra, que cafou com Felippa de Mendoça Furtada, de que nafceo outro Joaó Teyxeyra & Triftáo de Mendoça, & D. Solanda mulher do terceyro Capitão de Porto San* Diogo Moniz Barreto, & ou* ^tG, & D. Felippa de Mendoça mulher de trás duas filhas mais que morrerão folteyras* Defte mefmo primeyro Capitão o quarto filho foy Lança^^6 rote Teyxeyra, grande Cavalleyro, que cafou com Brites de Góes, de que teve a António Teyxeyra , morador detraz da Ilha , & a Francifco de Gocsi & Lançarote Teyxeyra de Gaula j & teve mais por filhas a D. Joannajmúlher de Vaíco Martins Moniz, & a D. Catharina, mulher de Garcia do CaniíTal j & a Judith de Góes que cafou no Algarve , & a Helena de Góes, que cafou com Fernaó Nunes de Gaula , & a An na de Góes, mulher de Gonçalo Pinto , & Iria de Góes j mulher de feu primo Joaó Teyxeyra. Das oyto filhaá defte primeyro Capitão de Machico, aprimeyra foy Triftoa Teyxeyra, que cafou com hum fidalgo Genovez, Micer Joaói fegunda, Ifabel Teyxeyra , mulher de Joaó Fernandez de Lardello; terceyra, Brites Teyxeyra , folteyra ainda então quarta, Catharina Teyxeyra, mulher de Gafpar Mendes de Vafconcellos j quinta, Guimar Teyxeyra, mulher do fegundo Capitão do Porto Santo fexta, Solanda Teyxeyra feptima , outra Catharina Teyxeyra que cafou em Lisboa com hum fidalgo ; oytava, Anna Teyxeyra. Faleceo eftè primeyro Capitão em Silves do Algarve^ aonde tinha ido a negocio, & faleceo deoy tenta annos de idade, tendojá governado cincoenta. fegundo Capitão de Machico Triftão Teyxeyra , por 57 fuás prendas foy chamado a LislyDa , & muyto eftimado das Damas de C<ai;;Mo paiacio 6c t)ô fecundo em effey to cafou com Guimar de Lordelo 3 Dama da exceU de Machico, <jfíe caj^^^g Senhora , de que nafcèraó , primeyro filho também Triftão Teyfo^com h"^D^'l»^ xeyra, de que abayxojfegundojGutterre Teyxeyra, que cafou com húa huma filha D. Vio£/;Jr;rí^^'" filha de Antão Alvares de Santa Cruz, terceyra , lanteTeyxeyraj que cafou com Joaó Rodriguez Negraó, filho de Garcia Rodriguez da Camera , que viuvando cafou fegunda vez com Vaf^ Co Martins Barreto, filho de Vafco Martins Moniz. 58 Vi«v©
'

55 ehico , que cafou

mayor de Machico deites Capitães. Foy caiado com huma fidalga, que devia ter com elle algum parenteíco , pois fe chamava Branca Teyxeyra , & procedia da illuítriílima cafa de Villa Real & defte matrimonio nafcèraó quatro filhos , & oyto filhas. Dos varões o primeyra foy Triftaõ Teyxeyra, & fegundo Gapitáo, de que fallaremos. O fegundo foy Henrique Teyxeyra, muy to rico em MaIgreja
-,

com

Beatriz

Vaz Ferreyra

,

& delia teve por

filhos a

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,

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Cap. IX.
58

D 05 Capitães Donatários de Machíco^

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Viuvo eftefegiindo Capitão cafoii outra vez com D. Alda Mendes , irmã do Bifpo que era então da Guarda , mas morreo km deyxar filhos deite fegundoi & jaz fepultado na Capeila de Saõjoaõ Baptiíla da Igreja mayor de Machico, que ellemefmo tinha mandado
fazer para fepukura dos Capitães Donatários daquella Capitania
,

^

fie

depois por adminiftrador hum fea dcfcendente , por nome Triftaó Caftanho. terccyro Capitão Donatário de Machico foy Triftão 59

com Mifla quotidiana de que ficou
,

O

Teyxeyra, fegundo do nome, que por ficar governando em huma au-^ ^ fencia do pay , fe intitulou Governador , & caiou com Grimaneza Ca- Yeyxeyrí (ir do ^Irí. bral, filha de Diogo Cabral, & fobrinha do Capitão do Funchal, & dei- tejço àoí ^^p.rí dê la hoiíve os filhos feguintes. Primey ro , Diogo Teyxeyra , de que abay- Adachtco tom a Ca. xo fatiaremos íegundo, D. Maria Cabral , mulher de Chirio Catanbo, hraís esmerai à^ (^irmão de Rafael Catanho, & de Federico Catanho , Capitão da Guar- -f^^f ^^^^ da de Francifco Rey de França } de que houve a Hierony mo Catanho; terceyro 5 Catharina Teyxeyra, que morreo moça quarto , Manoel Teyxeyra j quinto, outra irmã que morreo Freyra no Funchal. Morreo
,

j

5

efteterceyro Capitão,
avós.

& jaz

fepultado na Capeila de feupay, ôcfeus
^

Capitão foy o dito Diogo Teyxeyra , Sc cafou 1"**^^" 2^'^'"* , filha de Rafael Catanho , de que teve duas fi- ^* IhaSi primeyra, D. Margarida, que cafou com Aaconio Vieyra , Meyri- a'",^^*.^ ? l°7t paUoft it-v»^r-i «Jt* Capitam^ nho da jurildicçaÓ de Machico j legunda D. Mana , ainda menma. El- ^5, Excellmuffutm Rey D.JoaóIlI. tirouefte quarto Capitão do governo por mentecap-Co»<<«<iíA^wío/â, toi &efte morreo em 1540. & jaz na Capslla de feu pay, & avôs, & por fua morte , naõ deyxando filho varaó , nem irmão , paífou a cafa á Co-

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O quarto

com D. Angela Catanha

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61

Quinto Capitão de Machico foy António da Silveyra, a

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quem ElRey D. Joaó III. deo efta Capitania no feguinte anno de

Tinha fido efte António da Silveyra , por feus ferviços , diai & em 1549. vendeo efta Capitania , com licença delRey , ao Con- '^ Jljii^^ ^ de de Vimiofo Dom Affonfo Portuga1,que ficou em Africa com ElRey
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1541. ^^chii^o^D.Ajfenjò Capitão na In- àePortugal,eiuepc9t&

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annos em preço de trinta &: cinco mil cruzados , morreo fem remir a Capitania , 110 anno de 1 5 5 2 &: com ella fe ficou o Conde de Vimiofo que a governava. £><» fexto CapitAÒ CS 6i íexto Capitão de Machico foy o dito Conde de Vimio- de também deFimioío, depois do qual paflbu a feu filho o Conde D. Francifco , que mor- fi.^fíe morreo por Elreo na batalha defronte da Ilha de S. Miguel como em feu lugar dire- ^^y ^- ^»(omo »ét mos i aíTim tornou efta Capitania para a Coroa , já em tal eftado, ^^^^^^* J^^fronte da '^^'^"^^ que, cxceptas poucas peíToas, não havia nella já quem pudeííefuftentar^.^^ * ^^£0» a Capitania ^ j ^1. 11 Arr r commodamente hum cavallo- AlTim acabaoas cafas , em íahmdo dos «^p), ^ C^^^,^ r^ próprios, verdadeyros fenhores delias. menmtí muyto cont oytavo Capitão de Machico foy Triftaõ Vaz da Vey- af^Ua dejeijhorFrt63 ga, que por fangue era filho de Manoel Cabral , de Antónia de l^c-frieturio.^ mos , neto por feu pay de Diogo Cabral , & de Beatriz Gonçalves da Camera, filha mais velha do primeyro Capitão do Funchal Joaó Gonçalves Zargo ; por fua mãy Antónia de Lemos era o dito Triftão Vaz: da Veyga da cafa da Trofa , Sc da dos Taveyras , 6c bifneto de Nuno.
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Dom Sebaítiaó & vendeo-lha a retro por féis

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Livro III.

Da faitioíalllia da Madeyra.

Gonçalves de Leaó, Chanceller mòr delRey D. Joaó II. em cuja Qhtoh "Aofetimo Donatário nica fe faz menção dellé j & por outra parte vinha a dita Antónia de de Machico que fojf Lemos dehumfídalgo chamado Luis Pires de Buarcos , ou Buacos, íi^ Coroa, fe fegHio lo-^ dalgo do tempo deliley D. AíFonfo V. a quem fervio nas guerras coii^''^'^''" tra Caftella , & era fenhor de alguns kigares na terra de Coimbra, & de ^-^'T Alemão i & emfim era o dito Triftào Vaz da Vey ga , por linha 1>'çrlZ/TlifiaiJ'l. ^^"S"^ daFeycra^da »,«v/(í niaículina , dos Veygas , fidalgos bem conhecidos em Lisboa notemmtiga fidalguia <<w podelR.cy D.Joaól. Scjà antes de Portugal fer Reynoerão illuílres, Vtygas,&p*rente dos & mais ha de oy tocentos annos havia em Caftella illuftres Veygas^donT-yArí^rrfí d«>w«, d* de procedem os de Portugal. dos Cabrafs & Caj^^^^ oytavo Capitão trata Fruauofo no liv. 2. defde cL tntroí do Fffnchal. cap. 2 1 atè o cap. 26. & refere íuas obras , & façanhas. Foy moço fidalgo delReyD.Joaó III. Sede dezafeis annos foy para a índia em 1552. &là fervio muy tos annos à Coroa de Portugal , atè na China ,& Japão, &: no cerco de Malaca , de que era Capitão , & teve os primey ros poftos, '£fie oytavo Capitão & alcançou grandes vitorias , & emfim fe voltou a Portugal , & FeliprefiitHhio Mtichico a fen antigo, é" major pe tendo Vaga efta Capitania de Machico , lhe fez mercê delia, & fobre Itijire em tudo, como ^ fazenda Real tomou cem mil reis , que delia fe pagavão , & fobre lha Frofrietariorefiãen- dar toda livrc , lhe deo mais huma Commenda de duzentos mil reis de te;fojijmtamíteGerenda, tudo em 25. deFevereyrode 1582. & em 19. de Novembro de X585-CPO'- fer jà morto oCondeJoaó Gonçalves ) mandou o mefmo Àejra & Alcajde Rey ao noífo Triftão Vaz da Veyga por General da guerra de toda a mor da Fortaleza do Ilha, & por Alcayde mòr da Fortaleza do Funchal , com o que naó fó a Funchal & traria Capitania de Machico tornou logo ao feu antigo , & raayor luftre , mas fempreem ornar htía também toda a Ilha, & fe defendeo dos inimigos ; & em 1589. tinha ^^^"^^ Sâlè de dezafete remospor banda , com fua esfera de bronze, Sc ^ht^a'ttfoguete ^'^^^^ fragata mais, que por banda lançava doze remos, & tudo mandou CoffarioaZ'aríctal Ilha^& tttdofufien- fazer efte Capitão com o dinheyro da Impofiçaó que ElRey lhe concetava com fita muyta deo para fortificações > & toda a coita da Ilha andava entaó limpa. riqnez^^&ufava das (,^^ Em 1 590 tinha efte Capitão cincoenta & três annos , era fí^^^-f ^^á**^' alto, efpadaudo , & bem proporcionado, & de barba Portugu<?za,& me^ ya branca j tinha grande, &: rica cafa , hum Vedor , dous Efcudeyrosj
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Slíirir
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& doze efcravos tinha muy ta renda em Lisboa & algfia em Arronches & quarenta moyos de trigo na Ilha Graciofa que eram
cinco pagens,
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além do habito de Chrifto com duzentos mil reis de tença atè vagar Commenda , & novecentos mil reis da renda da Capitania de Machico, & quatrocentos mil reis de General da guerra. E além das armas dos Cabraes , & Lemos , tem as dos Veygas , que faó, hum Efcudo de ouro , & azul , no quarto de ouro de cima huma Águia cinzenta com as azas abertasiôc no fegundo quarto três flores de Liz de ouro em campo azul , & em triangulo ; no terceyro quarto da parte de bayxo tem as mefmas flores de ouro em azulj & no ultimo quarto outra pa^ Águia como a primeyra j Elmo com guarnição de ouro por bayxo 7ao grande Capitão penachos azuis , & hum q^ jfg de ouro , vermelho , & verde , com dous t,Hcacajoj*^tevemMt. ^^ mevo; & por timbre húa Águia como as outras. j^ tos trmaos que lhe ^ ,^ ^ ^ n Teve efte Capitaó muytos irmãos legítimos pnmcyro, 66 naõ cederas emphfios degtterra^ &gover- Diogo Vaz da Veyga, que militou em Arzilla, & morreo eleyto Capitaô de Tangere i fegundo j Lourenço da Veyga j de grandes fer viços, »«.
parte de feu património
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Câp. X.

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pnmeyi^ Gapitáõ

Dcína:íinòfdoFu&chal.

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^ue faleceo lendo Governador no Brafil,em ten^po de FelippelL Sc 4eyxou feis filhos , & duas filhas j Fernão da Veyga , quç depois de ir à Índia duas vezes , morreo folteyro em Lisboa j iJomingos. da Veyga que na índia morreo fervindo j Manoel Cabral da Veyga , & Sebaítiaá Vaz da Veygíi que também na índia morrerão j & Luís da Veyga Religiofo i item D. Maria, mulher de Joaó Taveyra,& D.Eelippa,mulheri de Diogo das Povoas, Provedor da Alfandega de Lisboa. Terceyro irmão do Capitão Triftaõ Vaz da Veyga foy 67 X-uis da Veyga, que morreo no celebrado cerco de Ormuz, Quarto foyi © dito Triftaó, que nunca cafouj quinto, Hierony mo da Veyga, que fa-* leceo em Goa depois de fey tos grandes ferviços íexto , Simaó da Veyga, famofo íbldado, & Capitão mòr de Armadas, que morreo em Africa .jia batalha delRey D. Sebaftiao > feptimo, Galpar da Veyga que fendo ferido no cerco de Mazagão , foy depois morrer na índia oy tavo foy p. Brizida Cabral> mulher de Francifco Botelho de Andrade , Guarda mpr do Infante D. Luis;& teve por filho a Diogo Botelho de Aadrâde> que também morreo na batalha deíRey D. Sebaftiaó em Africa. Finalmente efta Capitania de Machico na iVíadeyra, ainda 68 que não tem Cidade, como tem nella a Capitania do Funchal, tem ÍStaòtemefiaCa^hJ^ çomtudo, além de nobiliílima Villa, & cabeça de Machico', dequafi féis »^f'» OdMe alglÍA centos vizinhos, tem demais a nobreza de fangue, 6^ fidalgos de gera- ^^'**"'*^^£'**"^'^'^f* '*^^''^, ^ feu* ça6taóantie;os,quenaõfemrazaó feprezaódeferema gema dafidal- ' ^ Cintes mz.tnhet.&M•j T^rv^^r JT11 1 gu ia de toda a 1 ha, como conta t ructuofo no Uu, 2. cap. i f & ainda de- ,„^^ ^ excede a rilln mais tem a nobiliílima Villâ de Santa Cruz com oytocentos vizinhos <íe5ít«MCr»«,f«fía junta ao mar , & Com bom porto, & tam melhor terrenho j do primeyro oytocenm ^ txcel» afllicar, & da primey ramal vazia , 6c <las primeyras j & mais frefcas fru- i'»te porto, drvfec:^ tas, que atè em Portugal naó faó algumas Cidades, mayores,Gu mais ha- ^^"^ terrenht ^ Jérà bres que efta Villa, & que efta Capitania? & feus Doíiatarios foraõ tamZ''ln7^%fc% bem Condes comoos do Funchal, Sc fabido he qUaçs hojeofaôi& opo- ,J/^ Çdi^ím^í7l deráó moftrar os Excellentiílimos Condes do Vimiofo. fi) ji prez.uv4 fet à
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Capitão Donatário do Funchal em a

Madeyra,
69

/^ Om muyta razaô o douto k fempre Veiieravel Fruduo^
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fo introduz efta matéria

em o leu Ltv. 2

.

cap. 3

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advertindo, v
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que como todos os homens procederão do mefmò pay j & mãy , Adam;, Heva , claro eftá que nenhum nafceo fidalgo de leu primeyro princípio, nern com o privilegio da fidalguia j mas a cada hum depois lho deraõ fuás obras , ou de feus ailtepaíTados ; ou a aceytaçaó defeu foberanoí Principe , que com ella Ihedeo a fidalguia, como a Abel a deraó fua« gratas obras, & o acey tallas Deos y & a Caim a tiráràõ fuás ingratidoens í iifticas') a Sem, & Ja pheth o refpeyto guardado ao pay Noè j & fez fervo vil a Cham o perdido refpeyto ao mefmo pay j Sc eítifim aambiçáo tirou a primazia a Efaíi, 6c a temperança de Jacob a alcângou com a ten-i

&

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Livro III. Da famofa Ilha diMadeyva.
que comcft çaó de feu pay Ifaac } 8c fempre crefcerà mais a fidalguia , cm obras próprias, para os feusdefcendentes, do que a que fó fejad*
dasdosalbendcntesjjáalheas. afcendcntes de Joaó Gonçalves Zargo, Dos pays pois 70 primeyroGapitaó do Funchal, não ha certeza alguma } porém de fuás Infante,, obras ha memorias illuftres , porque fe diz , que eltando o noffo Gonçalves , Sc no cerco de Tangerc , nellc fe achou Joaó
,.

&

D. Henrique

Cavalleyrp. pelejou tam valerofamcnte , que o mefmo Infante o armou Mais fe diz , que defafiando hum Mouroaquem da dita praça fcatreque fahindo fucccffi vãmente três , ôcficando veífe a pelejar com elle , com adarga todos em o campo mortos , fahira entaõ hum foldado , fó hum pedaço de pao em a mão direy ta , enreftando cohfi

&

& embraçada, & o Mouro , não fazia mais que com o pao déftramente defviarlhe as lanMouro tal eadas ,atè que depois de muytas , defviando huma , deo no pancada com o pao, que o deytou por terra,& prendendo-o logo o trou^
:

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rniyir

dofrimtiro

ZargOj xe por feu cativo á praça , & que porque efte Mouro fe chamava hus dizem tomou efte foldado , & ficou com o appellido de Zargo & que efte fora o mefmo Joaò Gonçalves , de que agora tratamos j outros que fora feu pay, ou outro feu afcendentej 6c muytos accrefcentáo , que olhos no dito cerco de Tanfe chamava Zargo , por ter perdido hú dos como na* gerc em defenfa dos Infantes D. Henrique,& D. Fernandoiôc ,fiçoulhc quelle tempo fe chamava Zargo quem tinha hum olho menos ^ ífte honrofo appellido ao noíTo Joaó Gonçalves. ^ em que todos convém be , que efte grande loldado toy 71 da cafa do Infante D. Henrique , que delle fiou a guarda da fua cofta do tiolríx.* Algarve, onde andava com algúas caravelas, que eraó as Guarda-cofCapitai defcubrimentô tas do tal tempo j 6c a elle principalmente commetteo o

O

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que voltando com as alegres novas de a ter já toda defde fua cafa, lhe confirmoti MlRty o nppíUido de eubcrta, Elíley D. Joaó I. o fez então fidalgo Camera, é" deftiH o appellido , 6c deo as armas dos Camcras , 6c a Capitania Donatária de ^jeendentes. meya Ilha, como acima já vimos em o cap. 5 Sc todos também convém, Almeyda, que era efte Capitão cafado jà com Conftança Rodriguez de 6c virtuofa, mulher ( diz Fruátuofo ) muyto principal , devota , fanta Gonçalves da da qual teve três filhos , 6c quatro filhas primeyro, Joaó Camera, que fuccedeo em fegundo Capitão, de que abayxo tratareCamosj fegundo Ruí Gonçalves da Camera , de quem fallaremos nos Camera> pitães da Ilha de S. Miguel terceyro , Garcia Rodriguez da que çafou com Violante de Freytas , de que houve a Aldonfa Delgada, que cafou cora Garcia PereftreUo , Capitão Donatário dé Porto Santo. Para f.ias quatro filhas pedio o Capitão Zargo aElRcy^ yi l lhe manlhe mandaíTe quatro homés que com ellas caíliíTem 6c ElRey dou quatro fidalgosj primeyro , Diogo Cabral , irmaó do fenhor de Beí^ ^ti^cklgos <jue Elmonte , que cafou com a primeyra filha do Zargo Brites Gonçalves da Hey mande ft de PorCabral , mulher de Triftaó Teytugal para cafarem Camera , 6c defta houve a Grimane2:a cem M filloM do pri' xeyra, Capitão terceyro de Machico houve mais Joaó Rodriguez Cameyro Capitão dnfn^ bral que cafou com Conftança Rodriguez a moça 6c houve também a eltAl & de jtHi defJoanna Cabral, mulher de Duarte deBrito;6c houve mais a mãy de TriéndentH, ftaóVaz da ycyga,& mulher de R.UÍ dcSoufa oVelho,&a de Ruí
frimtyro 4 f «*»»
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da Madeyra }

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Cap.^^I)opnmeymDonâ^i:i<>dopanch4.

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Gomes da Grã , Guarda mòr da Excellehtc Senhora j & finalmente a^ mulher de Vafco Moniz , de Machico. O fegundo fidalgo que ElRcy mandou, foy Diogo Affon* 73 jÍQ de Aguiar o Velho , que cafou com a fegunda filha do Zargo líabel
\ Gonçalves da Camera , de que nafceo Diogo AíFonfo de Aguiar o MoÇO3 & Pedro AíFoníò de Aguiar, o Rapofo, Armador mòr do ReynO) Sc Ruí Dias de Aguiar o Velho j & Ignes Dias da Gamera > mulher de Lopo Vaz de Camões fidalgo de Évora , & Confiança Rodriguez da Ca*, mera, que nunca cafou. terceyro fidalgo quede iPortiigaí mandou ElRey pari 74 a Madeyra , foy Garcia Homem de Souía, & cafou com a terceyra filha do Zargo , Catharina Gonçalves da Camera , & delia houve a Leonor Homem , mulher de Duarte Peftana. E aqui he de notar , que fendo o Doutor Fruftuofo tam erudito, & verdadeyro, que nefte feu liv. 2. cap. 30. no principio, aíRrma terviílo a hiftoriados Capitães do Funchal, compoíla primeyro por Gonçalo Ayres Ferreyra , & depois pelo Cónego Hieronymo Leyte , Capellão de S. Mageftade , & ter procurado com grande trabalho ouvir, & faber efla hifloria , de outras peíToas dig-nas de fé , & além das antigas Chronicas do Reyno & tendo efle mefmo Doutor dito que as filhas do Capitão Zargo eraõ quatro, & que, quatro fidalgos pedira a ElRey para cafarcm com ellas > comtudo nem de quarta filha , nem de tal quarto fidalgo faz aqui menção algfia j pça^^ eu por hora acho com que foltar efla duvida. Veja-fe liv. G.cap.^. ff Gafadas pois as filhas defle grande Capitão, & primeyro ., 75 do Funchal, elle fe applicou todo a fazer Povoações., & repartir as ter- ^^ ^*'y^^ ^*^ V^'} ras da íua Capitania , dando-as de fefmaria para fe cultivarem , confór* /' í ^^^"come atntú me às ordens delRey , & do noíTo Infante, & conforme ao oíficio de iaõi/eího,eratoafft4 Ponatarioi & viveo ainda tantos annos, & chegou a tal velhice, que por vifia terror dos ini'^^ homés feus criados fe fazia levar ,& pôr ao Solj &: com animo ainda de migos;&comofanmJ tam grande Gavalleyro , que havendo então guerras entre Portugal , & "^'"*' *"* ^^^'* "*^^i Caílella , & vindo vários navios Caflelhanos para deítruirem a Ilha , el- *'"'* ^fi enterrou.^ le fe mandava armar, &: pôr a cavai lo , & capitaneava a fua gente de fort«, que obfervando-o do mar os inimigos , nem o pè oufavaó a pòr em terra. E tendo affim governado a Capitania do Funchal por mais de quarenta annos, morrco não menos Catholico ,& piedofo Chriílaõ, do que tinha fido valerofo, & ditofo Gavalleyro j &jaz fepultado na Capella morde noíTa Senhora da Conceyção, que elle mefmo tinha mandado fazer para feu jazigo,& dos mais feus defcendentes.

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ISeganão Cdipltaô di

Dofegundo Donatário y
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& Capitão do Funchal,
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Gonçalves da Camera, chamado o da Porrinha, (^ por nha,bifnetadeDont coftumar trazer hum pao na maó ) filho mais velho do infig- ^'«"V*"? ^'J <^^^'*' croví»rnnHn Fnnr^hal.^ foy o. íucredpnan navna Canífanía.^ governo do Funchal^Sc fnv^"''^'* ,&d0sdefieffj iie Zargo, 1 uccedeo ao pay na Capitania, gj

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fàm grande Cavalleyro,&: em armas tarh conhecido ;,efpccialmeh te era Arzili^ , & em Ceuta de Africa , que cafou com D. Mana de N oronha, filha de Joaô Henriques, que era filho de D. Diogo Henriques, Conde de Gijon,& filho natural delRey de Caftella D-Henriquejôc da dita bif" fieta defte Rey houve os filhos leguintesr primeyro, Joaó Gonçalves da €amera,que morreo moço ; fegundOjSimao Gonçalves da Camera,que foy depois o tercey ro Capitão tercey ro, Pedro Gonçalves da Camera qtie cafou com D.Joanna de Sá, filha de Joaó Fogafla &: da Gamareyra mòr da Rainha D. Catharina , mulher delRey D. Joaó III. da qual D. Joanna houvÉ a António Gonçalves da Camera,Monteyro mòr delRey D.Sebaftiaó, & a Joaó Fogaíra,que morreo folteyro;&: a Pedro Gonçalves daCamera, que chamavaó o Porráo 6c a três filhas que foraó Freyras no Funchal, das quaes vieraó duas reformar oMofteyroda Efperançaem Lisboa, aonde hu ma delias foy muytos annos continues
;
-,

-,

,

ÁbbadeíTa.
y-/

O quarto filho defte fegundo Capitão foy Manoel de No&

l!

'

ronha , que cafou , primey ra vez , com D. Beatriz de Menezes , neta do Conde D: Duarte, defte cafamento nafceo António de Noronha,que cafou em Caftella, & D. Maria que cafou com D. Simão de Caftelbranco. Cafou fegunda vez o dito Manoel de Noronha com D. Maria de defte cafamento nafcèraó Luis Taide , filha do fenhor da Ericeyra , <íe Noronha , Commendador de S. Chriftovaó de Nogueyra , acima do Douro i& D. Anna , mulher de Pedro AfFonfo de Aguiar j & nafcèraó líiáis féis filhas , D. Joanna, D. Cecilia , D. Elvira , D. Bartoleza , Dona Conftança, & D. Antónia. Efte pois Manoel de Noronha, quarto filho do fegundo Capitão , como grande foldado , á fua cufta íoy da Madeyia foccorrer a C,afim, &: com elleforaó outros fidalgos da mefma Madeyra, como Joaó Dornellas , esforçado Caválleyro j & de grande nome, fama entre os Mouros, que de huma fahida trouxe em o peyto huma lançada era cafado na Madey ra ; & foy também Henrique de Betencor, fidalgo que lá o fez grandemente ,& o Capitão da praça era

&

&

&

;

&

entaó

Nuno Fernandes de

78

Do

Taide. mefmo fegundo Capitão, além dos fobreditos quatro

primeyía,D. FelippadeNó, de que Dosfilhosàefiefegíido Capitaõ.^uecafa- houve a D. Fernando Henriques , & a D. André Henriques & a Dom rad com os melhores j^^^ Henriques, que ficou na Ilha , & foy pay de Dom Affbnfo HenriJidalgos Ac TortHgal. ^^^^^ Segunda filha foy D. Mecia de Noronha mulher de D.Martinho de Caftelbranco, Conde de Villa-Nova de Portimão , de que nafceo D._ Francifcode Caftelbranco,herdeyroda cafa,&: Camareyro mòr delRey D.foaóIII.&D.Affonfode Caftelbranco Meyrinho mòr, & D. Joaó de Caftelbranco, & D. António de Caftelbranco, Deaó de Lisboa, & D. Maria de Npronha, mulher de Dom Nuno Alvarez Pereyra, irmaõdo Marquez de Villa ReaU & a rtiulher de Joaó Rodriguez de Sà , Alcayde mordo Porto & a mulher de D. Rodrigo de Sà, Alcayde morde Moura & a mulher do pay de Alonfo Peres Pantoja. Terceyra filha do dito fegundo Capitão fe chamou como a mãy , D. Maria de Noronha, & cafou com o Marichal , & delles nafceo o Marichal Fcrnaó Coutinho,
filhos, nafcèraó mais as filhas feguintes:

ronha, mulher de Henrique Henriques, fenhor das Alcáçovas
.

,

;

;

,

V

Cap.XII.

Po tercèyro Capitão Donatário do FuncliaL

t/

nho, que morreo na índia ; &.a mulher de D. Luis da Silveyra^ Conde da Sortelha, &" outra que morreo Dama do Paço. Quarta filha do meC» mo fegundo Capitão foy D. Conftança de Noronha, que nunca cafou* Qiiinta foy D. llabel, pnmeyra Abbadefla do Funchal. Sexta,D.Elvira, bí feptima D. Joanna , ambas Frey ras. Oy tava , huma que morreo me% ultimamente teve hum filho natural, ninai legitimado, Garcia da

&

&

Çamera,pay dejoaõ Gonçalves daCamera^ de banta Cruz de Ma-*
chico.

y

Fez efte fegundo Capitão o Mofteyro das Frey ras de Santa Clara, acima do Funchal, em a Igreja de noífa Senhora da Conceyçaõ, para recolhimento de fuás filhas, &: das de homés principaes^ & começando-oem 1492. já em 1497. veyodaConceyçaódeBejaafilhaD. Ifabelcom quatro Freyras mais parao novo Convento. Foy efte fegundo Capitão do Funchal , efpelho de bons Capitães em valor , & chriftandade. Morreo no Funchal a 6. de Março de 1501. & de 87.annos,
79
íendo governado 34.

C A
So
'

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I

T U L O
y
,

XII.

Do terceiro Capit ao chamado o Magnifico.
v3
,

ç imaó Gonçalves da Camcra ^o
o primeyro )
fe

fegundo

filho

( por falecer cc-

Camera o da Porrinha , & no mefmo anno foy confirmado em tercey- Terceyro Ctífitao, ^ ro Capitão do Funchal por ElRey D. Manoel. Chamáraó-lhe o Mag- chamarão o M-^^ntnifico porque nunca alguém lhe pedio coufa , que elle, podendo, a fico,por naofer menos não deíie. Foy taó dado á guerra , em honra de Deos , & da Coroa , con- liberal do queguerreyrox cafou duas vetra Mouros , que nove vezes paíTou a Africa,& áfua cufta levava muyz.es^ambas
,
,

feguio na cafa ao pay Joaó Gonçalves da

ta gente,

bém hia , como o jà nomeado Joaò Dornellas , & acharfc com o Duque bos os matrimoniot de Bragança na tomada de Azamor j & neftas idas a Africa gaftou tanto teve muytos filhos^ efte, com razaó chamado Magnifico Capitão que morrendo achou ter renunciando acafa na , gaftado mais de oyrenta mil cruzados , de que feus herdeyros pagáraõ primeyro veyo para aindacincoenta. E por ferviços taó grandes ElKey Dom Manoel, em o Portugal ^& morreo em Matoz.inhos à9 anno de 1508. fez Cidade a Villado Funchal j confirmou os foraes, & Porto. liberdades, que ElRey D. Affbnfo V. tinha dado à dita Villa, & lhe accrefcentou outros que hoje tem , com que naó paga direytos de mantimentos algus, mais que o direyto do quinto do aíTucar. E o mefmo Rey à fuacufta lhe fez a Real Alfandega, & a Sé Epifcopal, como abayxo di-

& bons foccorros, além de outra gente,que da mais nobre tam- mamente ^é" ieam'

illuftriffi-'-

&

,

remos.

Cafou efte terceyro Capitão com D. Joanna, filha de Dom 81 Gonçalo de Caftelbranco, Governador de Lisboa , fenhor de Villa Nova de Portimão, da qual houve os filhos feguintes. Primeyro, Joaó Gon-» çal ves da Camera , que logo lhe fuccedeo. Segundo , Manoel de Nororilia Bifpo celebre de Lamego ,& Camareyro do fecreto do Papa Leão X. Terceyro , Joaó Rodriguez de Noronha j que cafou com D. Ifabel -. ij de
,

H

livro í 1 r* Da fitínbfí í Sá da Maciéy ra

Abrifeuvfiiííà

'o

Ul

1

àe Jóaô Fernandez do Arco liamefma Mádeyi*a,d(S não houve filhos,& foy Capitão de Ormuz em tempo dó Goverqiie Hador D. Duarte de Menezes, C^iartOjD.Felippa de Noronha, mulheí de-D. Duarte de Menezes, filho herdeyro de D. Jo«ô de Menezes , eha-í mado o Conde Prior, poir fer Conde de Tarouca , Prior do Crato ^ Sc ©apítáó de Tangere , Coramendador de Coimbra , &: Mordomo mòr éelRey D. Manoel, de que houveaD.Joaóde Menezes^ Capitão dé Tangei:e,6c a p. Pedro de Menezes.

:!:•

.

Viuvou da dita primeyraimithérefteterceyroCapitáo3&: 82 fegundá vez com D. Ifabel da Silva , filha de Dom Joaò de Ataíde, Regedor da Jufl:iça,& filho herdeyro do Conde de Tarouca ,& dá cafa deAtouguia,& o neto deite foy Conde de Atouguia, chamado Joaó Gonçalves. Do fegundo matrimonio defte terceyro Capitão nafcèraó eíles filhos. Primeyro, Joaó Gonçalves de Ataídcjque morreo foltèyro. Segundo, Liiis Gonçalves de Ataíde , fenhor da Ilha deferta , cafado com D. Violante da Silva , filha de FrancifcjO.Carneyro , Secre» tario delRey, de que nafceo Joaó Gonçalves de Atâíde,& Martim GonÇalvêSr Terceyro, três fiihaSj-D.Bxites, D, Ifabel ,& D. Mar-ia, Freyras no Funchal. QLiarto> hum filhp natural , Francifco Gonçalves da Camera , grande Cavalleyro , & foldado , <io habito de Chrifto com tença, depois Capitão General de guerra na Ilha, & caiado, & fçm filhos. Porindifpofiçóes renunciou o governo eíle rérceyro Ca83
*=!?;

éâ^fou

M

&

•f '!

pitão no anno de 1528.
líhos

em

feu filho

morgado, &
retirado ,

fe

foy para Matozi1

dó Porto em Portugal , onde viveo

& em

5 30. falédfeo,

8c depois fe trasladarão feUs oílbs para a Capella de Santa Clara

doFua-

chal, jazigo defeu pay, avò. Por fua mortelevou Luís Gonçalves dé Ataíde, filho dafegunda mulher,aliha defertajque também era do mor.^

&

ff

gado mas por ter fido promettida em arras a fua mãy , poriíTo a levouj & rende hum amio por outro duzentos mil reis. Defte terceyro Capitão do Funchal trata mais largamente Fruduofo & de fuás idas a Afri/* c^) no Uv. 2. áddc o cap. -^2. âth 1,6.
5 ,
:

CA
Do quarto
84

P

I

T U L O

XIÍI.

Capitão

Joaõ Gonçalves daCamera yter-^
Sr heróicas obras

ceyrodonome,
jQuartoCapitaõ, João

que con-' quiftavão praças em Africa , & efpecialmente ao Sereniílimo Duque dé como (em cvos^ Bragança,que andava em tam Realempreza,& tamCatholieaidóqú^ ca cafado com afilha do tudo trata largamente o noíTo citado Fruítaofo Uv.2. cap.-^J. & 38 Conde Prior D. foaõ Foy efte Capitão cafado com D. Leonor deViihena, filha do 85 de MentT,es :fiy feu Conde Prior D. Joaó de Menezes ,&: delia houve os filhou fcguintes.' íegundo filho o VeneravelPadre huiíGc- Primeyro, Simaó Gonçalves da Camera feu fucceíTor. Segundo Luís çalvesda Camera^da Gonçalves da Camera, Padre da Companhia de JESUS, mayto eftimaCompanhia ác ]efíis^ dode feu próprio Fundador S. Ignacio,& njuyto valido de grandes, Sc. '^.j •é *^ fobeConculvts da Camtra,fronteyro de Afri,

O

ç Eguioefte Capitão os

illuftres paíTbs

,

^6U pay, levando vários foccorros aos Portuguezes

,

,

wmmM

m

Cap.XlV.Bo 4.&5.I>onat.do Fucli.&i.Gõá.da Calliet. 8^
foberanos Príncipes. Tercey ro, Fernaó Gonçalves da Camera, que ma-í ^^ .^ ^y^- 2)' //Jitò faraó os Mouros em Tangere. QLiarto.jMartim Gonçalves da Camera, ^e Vilhena càíou cõ» grande Privado delRey Almirante de PertaClcrigo, Doutor,& Theologo em Coimbra, ía.moíóialD.Lepedejii^tj D. Sebaftiaó. Qiiinto, Ruí Gonçalves daCamera , celebre ,

&

&

,

Capitão da índia emOrmuz. Sexto, D. Ifabel de Vilhena, que cafou'^.**^''>^fi com o Almirante de Portugal D. Lopo de Azevedo , de que nafcèraó a Almirante D. António de Azevedo, & D. Joaó de Azevedo. Faleceo eftc quarto Capitão no Funchal de 47. annos de 86 idade , & dizem que de peite, em oanno de 1536. jaz fepultado com feu payjSc avós na fua Capella mordas Freyras de Santa Clara > ôccom ,morrer tam cedo , fez na guerra acções muy gloriofas , que largamente refere o citado Fruduofo no cap. 3 7 & 3 8 do liv. z de fua Hiitoria,
.
.

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III

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CAPITULO
Do quinto
87

XIV.

Capitão do Funchal ^éptimeyroCondú

da Calheta,
Ç[ Imaó Gonçalves da Camera em vida do quarto Capitão fett l3pay,noanno de 1533. foyfoccorrer a Vil la de Santa Cruz do Cabo de Guè 5 & com tal valor, que fez que os Mouros deyxaífem ^^^^^^ CabitaTP pcercp. Em 1537. & tendo ainda fó vmte & quatro para vinte & cinco ^^^o «»»»« em lifHJ annos de idade, foy confirmado na Capitania do Funchal ^otE\R,Qy ca,ca[ottcemhuiiDíi D. Joaó III. &logo em 1538.0 cafouo mefmo Rey com D.lfabcldemadaRaitthA^ueti' Mendoça, filha de D. Rodrigo de Mendoça , fenhor de Moro em Caf- "^'^ '^*»'^o ^' Cofiei'tclla,aqual tinha vindo a Portugal por Dama da Rainha D. Cathari^»^^^*^^^'^^^"'» na, deo-lhe ElRey emdoteoytenta mil cruzados c™ jeitos, dinhey-^^^^^^^/^^"^^^^ ro, oíficios. 1542. veyo efte quinto Capitão com fua mulher pa- eomtodosfe voltoud^

& &

Em

Madeyra , trazendo já o primeyro filho feu Joaó Gonçalves da Ca- Madeyr* para Por* mera, depois na Ilha teve o fegundo , Ruí Dias da Camera ,'grande foU tftg^ili dado em Africa > terceyro , D. Aldonfa de Mendoça, que caiou com D. Joaó Mafcarenhas Capitão dos Ginetes ; quarto , D. Leonor de Mendoça, mulher de D. Joaó de Almeyda, Alcayde mor de Abrantes.Teve mais filhas legitimas a D. Joanna , & D. Ignes , Freyras no Funchal j Sc por filhos naturaes a Fernaó Gonçalves da Camera , eíludante em Co-^ imbra & a Pedro Gonçalves da Camera, que em Coimbra morreo, fen- Ficando o Funchal se do também eftudante & com toda efta cafa voltou efte Capitão para Capitai rejidente, dr
ta.

a

^

,

j

;

Portugal,

& ficou na Ilha

governando feu tioFrancifco Gonçalves da.-^*^''''^"^''

hum/ete

,

ZhrlÕ! 1'Z'rVa Governando pois efte Francifco Gonçalves,& já em o anno hotandoçenteemur*. de 1566. a 2.ou3.deOutubro(dizonoííoFru£luofono//x'. 2, cap. 4.4,. ra,entraraõ a CtdaJ 45. 46. & 47. ) chegarão à Mádeyra três navios de guerra , ÇoíTarios de &fortalez.a é* Francezes Lutheranos, que hiaó para a Mina, 6c fentindo-fc jà faltos de /""" ^»f»z.e dias jaJ gado para feu fuftento fe rcfolvèrão em o ir bufcar á terra , & para iíToJ^*"!''!? ^'*^''.* ^^ na praya fermofa hõa legoado Funchal , lançarão armados mil folda- ^.^^^^^yj-^* '/ *^/ly^^ dos, ou, como outros dizem, oytocentos deyxando os do marítimo ^p-pàcs Donatários, # vVerno nos navios: vendo, ifto os da Cidade acudirão a cayaUo,& itmfiaõfittsfHhJUmtls^88
,

Came^.

,

,

,

,

H

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mi-

^ót

Lmoin.Dafamo{aIlhádaMá^eyrí,.
quem

:JK.r|sD

çf^P , & impedirem o paflb aos inimigos , fe puzeraó a obíervar fabendo os inimi-* que faziaó , & por os verem armados lhes fugiaó j & vizinhos, ôcaquelles decair gos que a Cidade tinha menos de doiismil inveftiraò a Cidade vallo lhes fugiaó , refokitamente os feguiraó , & poucos , por lhe fugirei» onde o confiado Franciíco Gonçalves com j a recolheo a Fortaleza & os os maií , fez alguma refiftencia , & logo le eftava jádefcrta, comr Francezes tomando livremente a Cidade , que dentro , & muytas metf èraó a Fortaleza, que tinlia trezentos homens degollàráo quafi todos, ôc mulheres graves, & a tomàraò facilmente, & entre as mulheres, & fbraóachar ao Governador Franciíco Gonçalves

ú

,

^

i

89 Cruz,acudiraólogoparadarfobreosFrancezes, paràraômeya legoa Capitão prezo Francifco defronte da Cidade , por lhes vir avifo do porque o matariaó a Gonçalves, que nao commetteflem aos Francezes, fe queriaó ir logo j Sz comtuclle, & a fua mulher, & que os Francezes do quinze dias eftiveraÕJia Cidade,fem damno feu algú, roubando,&: faCapitaÓ Franqueando grandes thefouros.Morreo-lhes comtudo ofeu lafcadar na perna ôcdeílaliuma ccz, por dar húa bala em huma pedra, fobrcvirem herpes & âo Francez, & naõ fazer efte cura alguma , & Jhe Conde. Fàílados os morrerj & diziaô fer hum Conde, ou irmão de hum levando tudo, quinze dias fe foraÓ eftes hereges i naó fó faqueando & as igrejas , mais de hum milhaÓ de ouro, mas deyxando deftruidas
, ,

'- '• :^ é fó por roffos delias eícapou cora vida^ii.áú.j^í.::^ ^ , Machícoy&banta da outra: Capitânia de Sabendoiítoos
'

&

&

ido avifo a Lisboa por diligencia da Vilb de Lisboa fahirao de Santa Cruz de Machico , por mais depreíTa que por General Sebaftiaó de Sá, o do Porto,& diante deloyto Galeões,

90

De tudo tinha

&

&

.

lesjoaó Çonçalves da Camera , filho do Capitão Donatário Simão amigos , neGonçalves com mais dous navios , & muy tos parentes , nhús chegarão já fenaó dous dias depois de partidos os Francezes j&c com a detença que fizerão em terra, com que ainda mais a dcítrKÍraó, podera6 enconpartirão já tarde em bufca dos Francezes, ôc já os naó em Lisboa algus culpatrar i & ainda que por tal fucceíío foraó depois comtudo fó Francifco de Porres , fidalgo, filho do Capitão Dona-

&

dos,

do Faval, foyfentenciado a degoUar, &:a fentençafe^ mudou era Ilha Tercey ra por fó degredo para o Brafil & depois veyo a morrer na
tário
5

Marquez de Santa Cruzem o anno de 1583. O que fica dito deftadefgraça do Funchal, he em fubílan91 Fruãuoío refere extenfamenteno cia totalmente o mefmo que o citado
fentença capital do
feu Uv.
2. cap.

44. 45 46.

& 47. fem fe lhe addir

,

nem

difcorrer mais- fo-

bre tal fucceíío.
palavras.

E no ca^. 48.

accrefcenta o fegumte quafi por formaes
1

^ j ^ morgado Joaô Gonçalves da Camera ti92 enviados nhaõ idonofoccorrodous Padres da Companhia de JESUS, que defta Religião primeyros Dafmdacaodoccl- pela Província dePortugal, &foraÕ os

Com o fobredito

le^,0

devoção dos taes pelo exemplo, pregação , da iompunhta entràraÓ naquella Ilha, fundaíle hfi tu fE^VS em o Fu- Padres fe moveo o povo a pedir a ElRey lhe concedeííe ,

&

&

&

í*"^-

'

"

Collegio dclles no Funchal
.
.

-,

& no

anno de 1570. na Qiurefma , foraô
leis

Cap.KV.Dolextò Capitãé(íòFSetité8i.Cãcl.dáíCalliet. ^%
ReligiolosvafaberjReytor Manoel <ieSiqu;eyra, Préfeyta Pedro C^iarefoia, & o Padre Belchior de Óliveyra, & mais três Irmãos» à quem o Key deo.de renda cada anno feiscencos mil reis, com os qíiacs^ com outras efmolas , em 15 78. acabou de fazer, hum Collegio c^ íéf «íundo Reytor Pedro Rodriguez , de muyta virtude ,& erudiça^j íundou hum magnifico Templo, em que prégaó, confeíTaó/azem dou* Rhetoríca, envolto tudo enfinaò Theologia moral, latim, trinas, feom os bons coftumes, & virtudes, de que faófmgular exemplo aonde
fèf§ áeftes

&

&

^

&

áo fey qual deftas coufas foy mayor para a Ilha ,fe quer que fe achão. ò que perdeo çom os Coflarios , fe o que ganhou com eftes Rcligiofos. i Oh bem aventurada, & mais que ditofaperda!
.

N

-.

í*

1

Si^io^Òiiçalves da Camera, pelos feúsferviços, & de feus avós , Con- ^-F' ^«'«^^ ^''.?'^'*^ de dá Calheta , Villâ da mefma Madeyra, na mefma Capitania do Fun^ ^{Jg^^J^ ^cSta lhe deo os oíficios do dito Condado, concedendo-lhe que os ofi j^fUada CapiíanUda Chal, fieiaeS fé chamaíTem , em todos os autos , efcrituras , termos , &: manda- Fmchal.

&

dos públicos

com

èftas palavras, (pelo

herdeyroj depois

qm

forfervido levallo dejia

havia vinte Enqueredores, ordenou ElRey D. Henrique em 1 5 79. que foíTemdez Efcrivâes do Judicial , quatro Notários , 6c três Enqueredores , 6c em fatisfação do que defmembrou de datas ao Conde , lhe deo mais os douí oíficios de Efcrivâes dos Orfaõs, 8c o de Meyrinho da terra , ôc o de Ef*
crivaó da almotaçaria', 6c todos os

& hum

Conde noffo.fenhor , &porfeu/ilh& vida , ) 6c porque no Func hal féis Tabelliáes do Judicial , ôc oy to das Notas ,

&

do Judicial defta fua jurifdicção. Ti-

nha o Conde bons quatro contos de renda , em dinhey ro tudo , porque atè a rendados moinhos fe lhe paga em dinheyro, 6c naó cm trigo. Pelos feus vaíTallos fe intitulava aflim: O Conde Simão Gon04, Governador çalves da Camera , do Confelho delRey N. Senhor , CapitaÕ ,
, Fedor defua. Jitpça na Ilha da Madeyra , na de Porto Santo , &fenhor das Ilhas de* fazenda em toda a dita Ilha , fertds^&c. ElRey lhe punha femprenas cartas, £><?»?, elle nunca o quiz, nem que feus filhos o tiveííem j morreoa 4. de Março de 1 5 80. de idade de 68. annos, 6c de governo 44. foy enterrado onde íeus antcpaífados na

'4a

&

&

&

najurifdtcçaÕ do Funchal

Capella de S. Clara.

C A
Dofexto

P

I

TU LO
da Calheta.

XV.

Capim

do Funchal^

& fegtmdo Conde

de Dom Luís de Alemcaftro , neto delRey D. João IL 6c ( legun- ^^^^.^,,^^ hBfífiL * do dizem ) delRey Chico, ou Chiquito , de Granada > 6c por morte de ^ mmmiíinda. que o fiff I] pay moftrando as patentes que tinha delRey D. Sebaftiaó , izera priniey ro Conde da Calhia^ foy confirmado em fegundo Gonde>
filha

mas

pt
fnas dáhi a

Livro lí L

Da famoíâ, Ilha da Maideyra.

Pi;

.

1

1!

pouco foy ferido de pefte em Almeyrim , fendo de meya idade, & dey xando hum fó filho herdeyro , menino ainda de ítis mezes, chamado Simaó Gonçalves da Camera. Depois mettendo-fe na poíTe ileftes Reynos Fehppe II. mandou àllha da Madeyra por Capitão mòr, & Governador delia o Defembargador Joaó Leytáo , & por Capi* taó morda guerra a D. AíFonfo Ferreyra , Conde de Lancerote, &fenhor de Forte- Ventura & no anno de 1582. foy António Carvalhal a Sopnmeyro CarvaCidade do Funchal com trezentos homés à fua cufta , para impedir o lhal que foy à MA' deyra com 500. ho- defembarcarem os Francezes com ofenhor D. António 3 & nefte eftado ficou então a Madeyra. mis àfua cufia. Ifto he ( diz Fru£tuofo Cap. 50. ) o que foube por muytas, 96 & diverfas informações de muytas peíToas da Madeyra, & de outras partes, & de muytos, & vários papeis que vi,& li, & elpecialmentc do quç compoz o Cónego Hiefonymo Dias Ley te, da mefma Madeyraj o qual tirou o que compoz , de hum caderno de três folhas de papel , que anda nos Efcritorios dos fobreditos Capitães , fobre o defcubrimento da Madeyra , feyto por Gonçalo Ayres Ferreyra, (cujo original começa com eftas palavras Chegamos a ejia Ilha , a quefuzemos nome da Madeyra } que veyo por companheyro do Zargo a defcubrilla o traslado do qual mandou o fegundo Conde, &fexto Capitão Joaó Gonçalves da Camera ao dito Cónego j & efte da fua letra lhe accrefcentou ao pè, Que o tal Gonçalo Ayres Ferreyra era criado do Zargo porém chegando iílo á noticia dos defeendentes do tal Gonçalo Ayres na Madeyra, (qucíaóa mais illuítre, & grande geração delia} moíiràrãoaoditp Cónego hum antigo Alvará do Intante D. Henrique , feyto em 1430. em que chama a Gonçalo Ayres Companhey ro do Za rgo , & em que fe continha o filhamento do tal Gonçalo Ayres & efte foy (accrefcenta Fruduofo } o primeyro homem , que na Madeyra teve filhos , & ao primeyro chamou Adam , & ao fegundo Heva , donde procede a geração chamada da Cafta grande da Madeyra, que vem da grande cafa de í)o fidalgo Gonçalo Efcocia,& donde procedem os Ferreyras Ayres áe ^ue deÇ- Drumondo , & dos Reys de cendto a família da Ilha de S. Miguel. Aífim acaba coma Hiftoria da Madeyra overdachamada da Cafia deyro, & douto Fruítuofo no fim do liv.j. f^/>. 50. mas porque no mcf}
,
:

;

3

:

,

,

grande , da Madeyra , donde vem os
Ferreyrai,

mo livro mettc (comocoftuma) em
que aquitinhaó o feu lugar, pede

diverfas partes outras material

a hiftoria que as

ponhamos

aqui.

C A P

I

T U L O
a Madeyra,

XVÍ.
Ecclejiafiico
r

Dõp/miptOj &augmejito doEjIado

em

Dosprimtyros defcuto

97

/^ S primeyros
^^^'

& Madejret "(y,

Sacerdotes que entrarão na Ilha da Madeyforaó íem duvida da fempre venerável , Seráfica Or-

&

não íem fundamento fe podem chamar òs pria frimejra Mifi e^ meyros defcubridores Ecclefiafticos , naó fó deíla Ilha , mas da de Porforai Frades f/-rf«- to Santo, porque OS primeyros que naufragantes a habitarão algúsdias,
jwff nefta diJferJo

^^^ ^^

^- Fi^ancifco

;

Sc

itfianos.

fQj.35 Q5

Keligiofos Francifcanos

,

que

nella

com hum

naufrágio foraó
dar,

Cap.XVI/DoBcclefiafticoEftâclQdaMaíteyra:
lar ,

^|

'

Funchal

|Jrimeyros defcubridores da Madeyrafe p.aííára^ ^ que o primeyi:© Capitão dq çlla i ôc outros dous Frades Francifcanos , levou comfigo de Portugal para a Madeyra.y$c deftes Reli-

& que com ó§

giofos devia fer aquelle

que benzeo aguãj & com ella benta abendiçQoii diffe aMifla , & oRefponfo íobr^ as Ilhasj & foy o primeyro que nella âfepukurados defpofados Inglezes eraMachicOj como^tudoem (e» ReUgiqfos o& Jogar fica jà dito ; &: como coftumão fer eftes Serafiçpl
--^vof" ítgfníííTí primeyros emoíerviçodeDeoSj&doproximo. PorèmotamCatholico^comoemtudoditoíb JoaóGont 98 Sc vio náotniha çalves Zargo , logo que fundou a Villa do Funchal , ao In^ Sacerdotes íèculares com jurifdicção Parochial , efcreyeo

ainda

o Infante, como Mei fante D. Henrique, pedindo que lhos mandaíTe, Vaz , Prior entã<j ftre da Ordem de Ghrifto, ordenou a D. Frey Pedro o dito Ptior remettco logo à de Thomar , que proveííe aquella falta j hum Sacerdote com titulo de Vigário , outros com titula

&

&

Madey ra

&

de Beneficiados

provèo com outros femelhantes \ fem mais licença j)^^yimejro\ &pr}2 Villa de Machico. Sabendo difto o Bilpo de Tangere, a Ilha da Madeyra prÍ0 Bljpo do delR^ey, impetrou do Papa hum Breve para annexar mnc^ Ufoy ;&, ^o Bií pado de Taneere o que fabendo a Infante D. Brites, (como Tu-; que torado Duque feullho,Meílre da OrderndeChrifto>pairou logo ^-^-^^^^^^ que nem a tal bilí>rovifaó em o anno de 1472. ao CapitaÓ do Funchal, ^^'^^^J^ ^^ ^^^^ ^^ lhe obedeceíTe} & juntamente com ^^^^ ^^^ i^^^ji ^olpo confentiííem na Ilha, nem o povo de Thomar , notificando ao to», & tomoa logo • efta veyo outra Provifaó ào dito D. Prior Bjjpn^. a povo , que ao tal Bifpo nao obedeceííe , & que cedo ElRey crearia Bif- Funchal fer padoproprionaIlhadaMadeyrai&omefmo efcreveoao Vigário dç do fomente &fof MacWco ,chamadoJoão Garcia, que foy o primeyro De tudoifto ,& "^^^f^^^f/^f,: da Camera do ^ '^^^ ,^^^,^ das ditas Provifoés,& execução delias, confta do Tombo
j

& da mefma
5

forte

FMJ

^

'Funchal, aonde eftáo.

.

Pouco depois em o annode 1508. mandou o Convento 99 Thomar à Ilha da Madeyra hum D.João Lobo , Biípo de anel , & foy o Lemos, frade Domifrtmeyro Bijfê nico pr iraevro Bifpo que na Ilha entrou , chrifmou , & deo Ordens. ChegaaLodeÍ5iVSc decreto doSumn.0 Pontífice LeaõX.feytoao^ creada a Cida1 2. de íunho, foy por ElRey D. Manoel no mefmo anno J^2'c^^^olhe outr0 nomeado por feu primeyro Bifpo proprietário Dom jy^^i„ico D. Ferr.ã^ de do Funchal, & Dioo-o Pinheyro, Vigário que tinha fido deThomariSr com elle fe crea- ^^^ de Távora ^ne oBijpa-^ nó,%: confirmarão quatro Dignidades , &: doze Cónegos êc depois á tambêUrgou d^& IheÇnccedeoD. fupplicacâodo Bifpo fe creou de novo a Dignidade de Meftrò-efcola. M u nca o Bifpo Pinheyro foy à Ilha , por cm Portugal fer occupado em g^^^^^,^^^^^^^ hum jn^fi^i^aPatriari ofcrviço, & negócios do Rey , & de todo o Reyno mas mandou
,

j^^ ^ Ihè ^^ mnca là foy ; de^«p^<,^ío d. forgedá
.

&

Lo

,

;

-,

Portugal ( que era parente do Rey) Arcebifpo da Madeyra & do que ^ jj J^ ^^^^^^^ jj, de novo era defcuberto ^ mas também efte Arcebifponurtca foy à Ilha, £^,,^ de' Figusyreda ^ íô a ella mandou hum Bifpo, chamado D. Ambrofio , que indo, chnf- Ums' De^Z dà mando , Sc dando Ordens na Ilha , delia fe voltou a Portugal dentro de Sede A^ir.,,
,

hufn Provifor , & Vigário Gérál i & aíTim gover- ^^^ ^^ Ethiopia , D.] Bifpo, d: Duarte , foai NmesBarréto; íiou o dito Bifpo doze annos, Scfaleceonode 1506. ElRey Dom d^ Companhia de fe^, Seo 11 indo- fe logo na Monarchia de Portugal 100 et ^^«A^F^loaõ III. & vendo quefe tinhãodefcubertas outras novas terras illtra-/^, ) marinas, fez , com approvação do Summo Pontifice , a D. Martinho de

&

^'Í^^^J^^

^

,

f4
^1
,

Livro III.

Da famofa Ilha da Mâdeyra.'

i"yji

f

o novo Arcebifpo deo Conftituições luim anflò, de 1 5^9. para 1 540. á Madeyra , tomadas de outros Bifpados aos Cónegos concedeo três mezes de eftatuto 3 feiís meyos dias de barbas ^ & outros dias de hofpede lavagens de fobrcpellizes , &e. & ainda nefte tempo naô tides , nha cada Gonego de annual renda mais que doze mil reis cada anno j èc inorreo cfte unico Arcebifpo em 1 547. fem jamais íahir de Portugal Em 1548. veyo hum Bifpo das Canárias àMadeyra^ Sc loi com licença exercitou nella o officio de chrifmar , & de dar Ordês , &: logo pelos annos de i 550. pedio ElRey D.Joaõ 111. ao Papa fizeíTe Bifpados diftiniftos nas ultramarinas partes defcubertas , por ferem tam diftantes entre íi ; que fícaífe a Madeyra com a de Porto Santo , o vizinho Caftello de Arguim em Africa, fendo hum fó Bifpado 3 como já ò craô as Ilhas dos Açores, & Saó Thomè, & índia j & que feu Metropolitano foífe o Arcebifpo de Lisboa > &: tudo o aílim pedido concedeo o Papa , foy fey to Bifpo da Madeyra D. Gafpar , da Religião da Graça de Santo Agoftinho j mas nem eíle foy à Ilha , & fó lá mandou hu Pi^oVifor feu j & foy promovido a Bifpo de Leyria , &: dahi a Bifpo Conde fem Coimbra para Bifpo do Funchal foy D.Jorge de Lemos , Frade Dominico , & foy o primeyro Bifpo proprietário que lá reíldio, a:

&

&

&

&

&

-,

&

&

chando que a Cidade do Funchal não tinha mais Parochias queamefxna Sé ,erigio mais dentro da Cidade duas Freguefiasj a de N Senhora do Calháo, & ã de S. Pedro , & na da Sé poz dous Curas & em 1559. renunciou o Bifpado^ & lhe fuccedeo D. Fernando de Távora , Dominico também , & brevemente largou o Bifpadoj & foy pofto nelle Dorti Hierony mo Barreto , Clérigo fecúlar , em 1 5 73. irmaó dos nobres Bar-: retosdo Porto, & filho de hum irmão do Reverendiífimo Padre Joaô Nunes Barreto , da Companhia de JESUS , Patriarcha da Ethiopia &c efte Dom Hieronymo foy o que fez as Conftituições Synodaes da Madeyra em 1578. per que fe governa o Biípado , conforme ao Concilio Tridentino j &: depois foy promovido a Bifpo do Algarve ; & na Madeyra lhe fuccedeo D. Luis de Figueyredo & Lemos , que era Deaõ da Sè de Angra , de qUem em feu lugar trataremos mais largamente.
.

;

5

CA
Concilie-fe com

p

I

T u L O xvn.

a liba da Madeyra , Defertíís , outrm*

&

I02
tugal

"T^ Eílava dizer do governo civiljgt politico da Ilha da Ma-

Do governo

politico^

deyra , o qual he fabido,& muy to femelhanre ao de Por, porque além do Capitão Donatário , que ha muytos annos não affifte na Capitania do Funchal , mas em Portugal j &: na Ilha põem EI-

Xv

drdegfftrra^&da Rey Governador triennal j além do Ouvidor, (fe o Donatário o fA:.enda Real em a querter diftinftode fi além do commum governo do Senado da ) Ma da Madcjra;& Camera , tem Juiz de fora , & íobre elle Correíiedor com beca de Defdo Porto com poíTe tomada , & com determinada alçada, t9 & frmoi ainda ri-^^^"^^^ ^ pâflando delia vem de direyto as caufas a Lisboa aos Deíémbargado^uijjimoí.

&

&

'

res

W

Cap. XVn.Concke-fe cõa Mad.& toastu^D^*
além de tu-rdos Aggra vos , aonde finaliz áõ na forffla; coftumada j do ifto ceiíi o governo da fazenda Real , cora Provedor que he Regia tudo ira«jfficiõ , Contador , Juiz da Alfandega y& outros officiaes , 6c de toda a Cidade médiato ao Confelho Real da fazenda em Lisboa do Funchal , ôc ainda da Capitânia de Machico , he tam luftrofo o tratb , como do fangue a nobreza j fendo que a abundância de frutos jà naã he tantai , como nem he tanto oaíTucar , pofto que delle fe façaõ tantas confervas ainda , ôc tam varias efpecies de idoces , que atè fe carregao para fora como preciofa droga , 6c rendofa j mas a principal de todas he a dos muytos , 6c excellentes vinhos , que para as nações eftrangeyras, para o Brafil, 6c Angola eft á indo continuamente , 6c enriquece rauyrês

&

&

-,

&

to toda a Ilha.

Outras Ilhas demais ha junto à da Madeyra, que cha^ maó Defertas huma he , a que ( depois de eítar ja na Madeyra ; o teli- ^^^^^- Dtfertfn ' ^ xiílimojoaõ Gonçalves Zargo, obfervou haver diftanteíó féis legoasj^^ç^^y^^ mandando-a defcubrir, 6c achando que era de rochas , 6c fem agua doce dentro , a naó mandou logo povoar , mas fó lhe mandou lançar algú gado groíTo , 6c algumas aves , que multiplicarão logo, 6c ficou chamando- fe a Ilha Pefertaj tem duas legoas de comprimento, 6c hum terço de larguraj tem jà paftores, 6c hum Feytor, 6c fua Ermida, aonde hum Clérigo lhes diz Miífa j 6c já tem agua , pofto que falobra y&c alguma cevada, 6c trigo dà , ainda que pouco , mas muyto gado , 6c nâo tem coelho, nem rato algum ; he por natureza inconquiftavel , por fer tam cercada de continuadas, 6c altiífi mas rochas ,quefertão podem fubir fenão por tal carreyro , que dous paftores dey tando a rodar penedos de cima , levão com elles abayxo quanto encontrão , como jà de fado fuccedeo a
I02
.

;

&

&

muytos Iríglezes, que queriáo ir bufcar gado. Eraô fenhores defta Ilha os Capitães do Funchal mas efte fenhorio paíTou delles btevemente a tuis Gonçalves de Ataíde , 6c chega a render duzentos mil reis cada
}

anno.

hum terço de legoa, comprimento, 6c aineftá outra deferta Ilha , que cem fó huma legoâ de da menos de largo ^ 6c por iífo também a não povoarão , 6c fó lhe deytáraó cabras , que a ella vão bufcar com cães. A terceyra Ilha deferta , ou lihèo ( què chamaó o llhèo Cham ) jaz entre a primeyra deferta , ôc a Madeyra , &r de fó meya legoa de tamanho , porém de rochas altOjôc em cima plano , mas por amor dos ventos fé não fêmea 6c difta quatro legoas da Madeyra, 6c fó meya legoa da mayor deferta , por cujo refpey to eftâs três Ilhas le chamâo Defertas , como do nome da Ilha Terceyra fc chamão Ilhas Terceyras , as mais Ilhas dos Açores , como diz Fruduofo/M7. 2. cap.f^i.Scão Capitão do Funchal pertencilo cftas três Defer104
Défta primeyra Ilha deferta
,

6c fó

;

por elle as defcubrir, pofto qyehojenem todas lhe pertençaô. Ultimamente, trinta legoas da Madeyra para o Sul, 8c 105 indo para as Canárias , eftáo duas Ilhotas mais , a que chamaó as Salvatas,

gens com diftancia de três legoas entre fi , 6c huma tem meya legoa dè ambas feferra , &" a outra pouco mais ; a mayor tem algum gado , nhor Caftelhano de quem faó , porque ambas devem entrar no nume.ro d^s doze das Canárias , ( de que no liv. 2. jà tratamos, 6c trata o Hif,

&

.:

.

totia-

^
E
cubnmento

Livro III.

Da fâmofa Ilha da Mádeyra.

/ x .qsO

toriâdor Barros ) por ferem defcubertas por Caftelhanos todas doze, aíllm conclue-fe , que na alturgi da Madeyra faó cinco as Ilhas, que debayxo do domínio de Portugal eftaõ , que pela ordem de feu def-,

&

primeyra, Porto Santo, fegunda , Madeyra , terceyra, quarta,&quinta, as três chamadas Deíerr as ; &:com eftas acaba Fru-, ^uofo o feu livro fegundo j he jà tempo que paffemos com efta noíTa
íaõ,

&

HiJftoria Luíitana Infulana à das Ilhas

dos Açores, ou Terceyras.

«iiO";

LIVRO

L

I

V R O
DA
a

IV.

ILHA DE SANTA MARIA, QUE
das nove dos Açores, foy

primeyra

que

fe defcubrio.

CAPITULO
Fundamenmqueavtafarafehufcavem

I.

as ditas Ilhas ^ &,

d0formigas que primeyro apparecerab..

M o anno de 1428. do Nafcimento de Chrifto
Senhor noflb ( conforme aFruduofoem ofeu Biswais antms\<^ liv.'},.^'máo o Infante D. Pedro de Portugal a occulíos Mappoí qué adejuirio o Infante D J Inglaterra , França, Alemanha , Jerufalem , &Ci •
HenriíjHt \oh dasDi & voltando a Itália Roma 6c Veneza defcu- vinas rtvelaçèes qne brio & comfigo trouxe humJMappa, em que tfve Príncipe taÕfan
, , , j

«

o âmbito da terra , ôc jà o Eftrey- to,para mandar defto,( que depois fe chamou de Magalhães ) a que chamavão Cola do cubrir OA mais aparPragaó , & o Cabo de Boa Efperança' , & a fronteyra de Africa &: An- tadíU Ilhoi de ttiáA ^ fonioGalvaõ conta, que Francifco de Soufa Tavares lhe diíTerajque terrafirme. em 1528. lhe moftràra o Infante D. Fernando oiitroMappa achado no Cartório de Alcobaça , feyto havia mais de cento & fetenta annos , que continha toda a navegação da índia , com o Cabo de Boa Eíperança', &: devia fer o que o Infante Dom Pedro comfigo tinha trazido ; & de tal Mappa fe devia valer o noíTo defcubridor o Infante D. HenriqueaSc das noticias havidas dos Venezianos, para mandar fazer os deícubrimentos
eftava já todo
:

deftas novas Ilhas.

Outros porém vendo o quam remotas eftaõ de toda a terra fírmeeftas Ilhas dos Açores ,& que nem ainda no dito Mappa antigo vinhaó aíTentadas taes Ilhas & advertindo juntamente na ajuftada , & lanta vida do Infante D, Henrique , como ao principio defta hiftoria contamos , ajuizão , &: nem fera fundamento , que o devoto Infante teve alguma revelação, ou infpiração Divina em que , com a conftancia que veremos, perfeverou em mandar defcubrir taes Ilhas. E na verdade fe (como dizem os Theologos ) Deos efpecialmente çoncorreo , ainda
2
j

,

''-

I

com

0, Livro iV.Dallha de S.Maria,prim.dâs dos Açor.deíciibi
artes naturaes, como cora Gentios, para ferem primeyros invenfores de comHippocrates * Galeno para a invenção da Medicma , Gom ApelAriHoteles para a da natural Fíles para a da Pintura , com Plataó , , mas muyto poderofos , para def, dando-lhes naturaes auxílios

&

&

lofofia

m

enfinarem aquellas artes em bem commum, não lerá de adcubrirem , mirar , fe Goijicorreíre com o noffo Infante para alcançar , & defcubrir as mais remotas Ilhas, para commum bem do. mundo , & eípecial dos navegantes. Mas foífe por onde foffe alcançada tal noticia , o certo he que Rcynando em Portugal o ínviòlo Rey^D. Joaó I. mandou o 3 Infante D. Henrique, da Villa de Sagres no Algarve , hum grande Ca-

&

que navegafle direyta( de quç logo faltaremos } coni ordem mente ao^Poente , defcubriíTe a primeyra Ilha, tomaíTe delia noticias^ e,m pouòc lhas trouXêíTe. Navegou profperamente o Aventurey ro j
vallcyro
,

&
,

&

cos dias de viagem

deo com a viJfta

em huns penedos , que viõ

fobrele-

â Voderc b -t IFormiZ nTweyo do doNorte.Septentrional pceam.
'

vantadosemomarj&obfervandoque eíaó pequenos para Ilhas habientre elles (por fe ençarreyrarcm rauytáveis, &que4uniO-a elles , tos)ferviacontinuamente o mar, poz-lhes por nome Formigas, &obmeyo de altura , da parte fete graoá í^r VOU que eftavão em trinta

&

&

&

de Nordef. , &queco.ntinuaváoemdireyrura te aSwbfudoefte , & em comprimento do tiro de huma béfta,& com largura de vinte covados , ou feíTenta palmos , pouco mais , ou menos 5 ôc em huma ponta tinha hum penedo , que fobre a agua fahia como huma cafa de fobrado j &: na outra ponta tinha outro femelhante penedo , mas menos levantado fobre o mar , como huma cafa terreyra ; & os que l^íaó

no meyo

défta caxreyra de penedos
,

algús afaftados dos outros

eraò variamente mais bayxcs, mâs tam pouco , que por entre elles podia fó
,

&

paífar hum barco de pefcar. com effeyto hiaó 4

da Ilha mais vizinha barcos a pefcar alEfcolares , & grande multidão de li, 6c apanhavaó muyto peyxe , atè marifc0i& no mayor penedo de húa das pontas tinhâo tal abrigada natural , que fe podiaô recolher nella vinte barcos ; 6c faccedèra jà, que ef-' tando os pefcadorcs em a terra, ou pedra do tal penedo giande, òc ceando, viera por vezes alli 5 ao faro do comer, hum lobo marinho, &: tam grande como hum grande bezerro,&: junto á pedra comia o que lhe lançavaõ os pefcadores, & por temerem cahir , lhe não lançavão o 2rpèo,8c o matav^õ. E defte mayor penedo , humalegoa ao Suefte, fe obfervavaó outras formigas , & tanto mais perigofas , quanto menos defcuberraSi porque quando o mar eftava mais cheyo , ainda entaó não vencia eftas fecundas formigas, mais que fcte , ou oyto palraosj ôc quando vazava o mar, ainda fe não defcubriaó bem; & eraó ao modo de eyras de terra po* de pedra , levalias em triangulo; & cada huma , fe fora de terra , 6c não pedra paífava alria hum alqueyre de femeadura ; 6c entre eftas eyras de

E

gum

mar,
5

6c

fundo, mas perigofo,
.

Obfervado tudo ifto no anrto de I43 1 fe perfuadíraó os enviados defcubridores que naó avia mais Ilha do que aquellas Formigas, 6c triftes fe voltàraó,6c deraó de tudo ao Infaiíte noticiaj 6c cuydandoqueo Infante defiftiífe do intento, ou fe déíTepor mal fervido, elle pelo contrario fe confirmou tanto, ou nas revelações , ou nas adquiridas
,

no-

€ap.II.
noticias

DôíprítèíèetóbMdÉf Jàflh^ifeiSíana.

^p^

que tinhajque iogo em o anno feguinte de 1432. tornou a mandar os mefmosdefeubridores das Formigas a defcubrir as Ilhas que perto delias eftavaó & porque jàhe tempo de dar noticia de quem erao eíles infignês fugcytos , que de antes a primeyra vez , &: fegundã vez
i

agora

,

tòrnàraó a defcubrillas , vejamolo.
iií?:i.

DSíHiii-O.:

c A
dores

p^t^gr

u L o

II.

Quem for m-i & de que qualidade os primeyros
da Ilha chamada Santa Maria.
':':)^>%^:;-t'l.

defcubri

6

TT Ouve em Portugal ( diz o noffo Fruítuofo
,

Uv.4,.ca^. 3.) híí

Jljl fidalgo chamado Martim Gonçalves dcTravaífos , caiado DoillufireFreyGoH^ cora huma fidalga cujo nome era Catharina Dias de Mello de que tc-^'f!^ ^^''^° Cabral & ve dòus filhos j primeyro , N uno Martins de TravaíTos , cam abalizado ^'^' 'nTTJlf'''' tidalgo,& de tanta valia no Reyno , que teve por feu pagem a hu Pcr-.Jiofenhorde Almott. naóRodríguezPereyra, que [depois deo por parente aos Pereyras, òí rol, PÍM^Bez.elga,& veyo aferamo da Infante Duqueza D. Brites , máy delR.ey D. Manoel^ Cardiga primeyra & lhe creou os Infantes. O legundo filho do dito Martim Gonçalves de ^^fi^^f^idor & CaTravaíTos , foy Diogo Gonçalves de TravaíTos , que cafou comDonz^'^^'' P""^^^"" ^'*Violante Cabral, filha de outro fidalgo em Portugal , chamado FernaÓ fí^f/'i^^S'^ ^^'^ ^ ^ ' Velhoj & de fua mulher D. Maria Alvres Cabral , filha do Alcayde mòtp/ de Belmonte chefe dos antigos fidalgos Cabraes j da qual D. Violan te Cabral, & de Diogo Gonçalves de TravaíTos ínafcèraó Ruí Velho de Mello, Elbibeyro mòr delRey D. Joaó II. & Pedro Velho de Travaffos,& Nuno Velho Cabral, ou de TravaíTos. Do mefraoFernaò Velho, Sc D. Maria Alvres Cabral nafceo outra filha, D. Tareja Velho Cabral, que cafou com outro fidalgo , N. Soares , de que nafceo Joaó Soares de Albergaria & aííim efta D. Tareja , como a outra irmã D. Violante Cabral eraô irmãs inteyras, & legitimas , não fó de Álvaro VellxQ que ficou em Portugal, mas também de Gonçalo Velho Cabral, chamado o Famofo, de qué agora trataremos. Chaniava-fe eftefamofo fidalgo, naófó Gonçalo, mas Frey 7 Gonçalo Velho Cabral, porque era Commendador do Caftello de Alniourol , que eftá fobre o Tejo acima da Villa de Tancos & Brito na Monarchia Luíitana/^t;. 3. f<a;p. 14. diz que antigamente houv^ehuma Cidade chamada Moro, aonde agora eftá o dito Caftello de Almourol, fundado em arrecife mettido pelas aguas do Tejo , que com fuás correntes o cerca & faz Ilha , para onde vaó em barcos , & no vera© he huma das alegres habitações que ha, & de grande paíTatempo. Eerao méfmo fidalgo também fenhor de vários lugares , como das Pias no termo de Thòmar, & deBezelga & Cardiga, & fobre tudo muy to privado delRey D. Aífonfo V. & do noíTo Infante D. Henrique. 8 Tal fidalgo, como efte, efcolheo pois o Infante para o primeyro defcubrimento das Ilhas dos Açores , quando defcubrio as Formigas cm 1431. &ao mefmo mandou no anno feguinte de 1432. a defcubrir as Ilhas , & com breve , 6c profpera viagem deo o dito fidalgo com lij ,,;
, ,
,

'

,

j

,

:

,

,

-

..

.,

W

lOO

livro I^ftÍ!^éllBádeSantâ Maria.
,

N. Senhora da Affumpçaô, Reynado delRey D. Joaó íendo entaôjà o quadragefinio nono anno do vefpera de oucro femeihante dia daAfI. tendo o mefmo Rey , & na batalha no camfurapçâo da Senhora ,.vencido a ElRey d^ Caftella.em

com hua Ilhaím quinze de Agofto

dia de

ííTo o dito deíBatalha , que tinha fuccedido em o anno de 1 383. & por no mefmo anno de cubridor da Ilha lhe poz por nome, Santa Maria; 1432. nafceoem Portugal o SereniíTímo Infante D/AíFonfo, filhodel^^ Rey D. Duarte, & neto do que ainda reynava D. Joaõ I. Gonçalo Velho Ca"9 O- defcubridorj&ComméndadorFrey em huma pequena praya, bral defembarcou na Ilha pela parte de Oefte, do Cabreftante, por o parecerem aílim as que chamarão dos Lobos, primey ra-povoaçao, pontas da tal prayá & aqui fe fundou depois a Commendador junto a h;?ima ribeyra quetodo o anno corre logo foy o mar, por a macorrendo a Ilha toda á roda , parte por terra,& parte por tomadas as noticias , medidas, Sc deyra da terra naó dar lugar a mais j dando conta de tudo finaes da terra , vokàraó todos para Portugal y & dcytar gado em a ao Infante , ficou efte taip alegre , que logo mandou inteyra dellai & loIlha,& começou juntamente a preparar a povoação Mana ao dito so fez mèra^e<:apitào Donatário da dita Ilha de Santa Ihe^concedeo maiso Commendador FreyGorfçalo Velho Cabral ; & que quizeflem com poder levar, para poyoarcmaditaIlha,nãofó os conkecidos , mas da raefma Real caparentes, amigos ,

Mofteyro po de S.Jorge, acima do lugar, aondç depois ie edificou o

di»

&

&

-,

.

:

&

annos andou efte Commendador , grande, nobreza para primeyro Capitão de Santa Maria ajuntando tam , '^agrmàe »''^'''^rf;.a2ercomrigo,dueoveraciflimoi & erudito Frucfcuofo no feu/w. 3. pnmeyros povoadores eftas *^''1TZZ"Z' eap. 3. r & o continua<no4. ) diz dos ditos oraUoconjmo dosReys^á mtgto pnvavls íormaes , ibi;^Todosf
ía delle

elle ir^de íeus

&

Infante

;&

affim qiiafi três

&

,

V^lZà^n.veTir. plhv
teyraischamadai dof ^qs,
^^Qtei'

& dos mais honradosfidalgos

for papeis authentkos em-forma '^'^^ ma commtiaentre os anUgasi& modernos. r r Mas porque o citado Fruauofo he difrufifitmo em íeu elIO com tudo ferve nuiyto tal matylo, 8c em Genealogias extenfiffimoj defeus afcendentes, téria para os defcendentes attenderemàs virtudes os fugidelles , os imitarem ,& ainda verem aos vicios, & caftigos também para não ferem pombas covardiffimas aquelles que defremi fupercendem de generofas Águias-, por iíTo convém recopilarmos o ajuntar com a clareza a brevidade,nao não deyxarmos o iitil, fluo

que houve naquelk tempo o que tíidoyt hefadevida pelasjfípças;&affim foy,
,
:

&

&

&

&

&

,

&

&

o que de outros nos fazendo efcuros por fer breves; mas aecrefcentando fempre oblerjaHiftoriadores , & de papeis authenticos , & tradiçoens alcançar j fqa das, pudermos nefta matéria, aindaque com trabalho,
pois

rayj

CAP.

CapJII.Danpbi:.^ícead.& deÍ€ãd4PÍ poyoadrcíe SÍ.M. i&^
0)i-

CAPITULO
Da afcendencia
,

III,

& dejcendencia dos povoadores da
fobreáita ilha.
;tr>

Dito defcubridor de Santa Maria Frey Gonçalo Velho Cabral, Commendador de Almoiirol da Ordem de Chri*: fto , Sc fenhor dos lugares das Pias , Bezelga , & Cardiga , era filho do grande fidalgo Fernão Velho, & de fua legítima mulher D. Maria AlKares Cabral, & por efta máyera neto do fenhor da antiga ,& illuftre cafa de Belmonte, chefe dos Cabraes porém como ainda então não podiaó eafar os Commendadores profeíTos da Ordem de Chrifto , não teye Frey Gonçalo defcendcncia alguma ; & aílim fó trataremos dos ir-, mãos que teve , porque além do primeyro irmão Álvaro Velho que ficou em Portugal, teve mais irmãs, D. 1 areja Velha Cabral , mãy do fegundo Capitão Donatário de Santa Maria, & S. Miguel, de que abayxo fallaremos i item D. Leonor Velha , que cafou comFernaõ Vaz Pache-

.-rm

,

;

co,
.

como em feu lugar diremos.

terceyra irmã pois do defcubridor Frey Gonçalo foy D* 12 Violante Cabral , que cafou com Diogo Gonçalves de TravaíTos , fi-

A

dalgo que era Vedor , Efcrivaó da puridade do Infante D. Pedro , filho dei Rey D. Joaó , ( a quem ajudou a tomar Ceuta em Africa ) & do Confelho delKey D. AíFonfo V. de cujos filhos tambeni foy Ayo,& Padrinho} & eíle Diogo Gonçalves de TravaíTos era filho de Martim Góçalves de TravaíTos , & de D. Catharina Dias de Mello, ambos da grande fidalguia de Portugal da qual D. Violante , Diogo Gonçalves de TravaíTos nafceo Ruí Velho de Mello , Eftnbeyromòr delRey D. JoaóIL &:aefl:e fobrinhodeFreyGonçalo foraõaCommenda de

&

&

:

&

que o tio tinha }& por morrer o fobnnho fem filhos, delle paíTáraõ a Commenda, & as terras a D. Nuno Manoel que , depois foy Conde do Redondo. Nafceo mais deíla D. Violante , irmã de Frey Gonçalo , 13 dodito feu marido Diogo Gonçalves de TravaíTos , nafceo Pedro Ve- DosTravaJfos^Mef^ lho de TravaíTos , do qual cafado ficáraó vários filhos , & filhas , & ne- ios, Cabraes amigos tos , não fó em Santa Maria , mas também na Ilha de Saõ Miguel. Item fi^'^lioi afcendemet nafceo da dita D. Violante , & Diogo Gonçalves de TravaíTos Nuno '^° -'^''"'^^^g» àedn. Velho de TravaíTos, ou Cabral, que cafou com huma fidalga chamada £'*^^"''^^f^^'jj Africanes, (de que abayxo fallaremos ) & defte matrimonio nafceo ^.temLilèStme^dtt Grimaneza AíTonfo de Mello , que depois cafou com Lourenço Anes quaesfoy o Bijpo d<t çieSà Leonardes, homem dos mais nobres da Ilha Terceyra niViWii ^^^^eyra D .L»is âe de S. Sebaíliaó & defte cafamento nafceo Nuno Lourenço Velho Ca- ^^g^^pedo de Le* bral, que cafou duas vezes , ambas nobre , & limpamente , de quem naf- mos. ceo Balthefar Velho Cabral que cafou com Maria Manoel de Chaves,. piys de Manoel Cabral de Mello , que com fó Ordens menores foy Coíiego do Funchal em a Madeyra , depois Cónego de Angra na Tercey-l ra, & logo Arcediago, Vigário Geral, Provifor, & CommiíTario da Bui-' la da Cruzada j & que fendo moço teve hum filho de mulher nobre êç
as terras

Almourol ,&

,

&

,

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Livro IV. Da líhale SatítaMâfia J

3

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Maria de Almeyda , de que nafceo D. Ignes N unes Velho , com quem cafou Miguel de Figueyredo de Lemos de que nafcèraó Dora Luis de í igueyredo de Lemos , (que de Deaõ da Ilha Tercey ra foy para iikiftíe Bilpo da Ilha da Madeyra ) & D. Mecia de Lemos , que cafou com André de Soufa, filho dejoaó Soares, tercey ro Donatário de Santa Matambém Hieronymá ria. E do mefmo Nuno Lourenço Velho nafceo Nunes Velho , que foy quarta avò do feptimo Capitão Donatário de S. Maria, Brás Soares deSoufa , & de feus irmãos , como veremos. Nafceo mais do mefmo Nuno Lourenço Velho hum Diogo Velho , que là fi^
,

limpa , chamado Bernardo Cabral de Mello, Cidadão de Angra, & que -' amdatemdefcendencia. \t i. r> Outro irmaó teve o dito Nuno Lourenço Velho Cabral^ 14 que fe chamava Sebafti^õ Nunes Velho Cabral , que cafou com^Dona

Cou cm Sanca Maria; & hum Mathias Nunes Velho Cabral , peíToa muyto principal , & que tirou inftrumentos de fua fidalguia , & cafou com Maria Simões de que deyxou filhos , & viveo nafua quinta da flor da R.ofa em S.Maria. ^ ^ \ \r m e x^ A outra irmã do defcubridor Frey Gonçalo Velho foy Ul 1 5 Soares de AlTareja Velho Cabral , que era cafada com o primeyro N. que cafou com D. bergaria , de que nafceo Joaó Soares de Albergaria, Soufa Falcão, Branca de Soufa , Dama da Rainha , & filha dejoaó de prima com irmã do fidalgo da cafa delRey & de D. Maria de Almada , Conde de Abranches ôc efte foy o fegundo Capitão de Santa Mana, &E naó fo a Pèdrol SaÒ Miguel , como abayxo fe verá ; & teve por filhos, cafou em Portugal , & a Soares que morreo na Índia, & a D. Maria que teve a Joaâ D. Violante , que cafou , ^ não teve -filhos , mas também cafou a primey-» que Soares de Soufa, tercey ro CapitaÓ de Santa Maria, CewawC4w<»'^C<a-j.^^g^^Qj^j)Q^^i-^3r^aC„nha, filha de Francifco da Cunha de AU fiães dc_ S. Mtgml Capitão de Sa6 |,y ^^ ^^ , & de D. Brites da Camcra , irmã do quarto
, , j

Cc^P^rrllMiluel^fegu^^
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Rezende. y Do primeyro matrimonio nafceo Pedto Soares de Soulaf i5 de Moraes da quarto Capitaó de Santa Mana , cafadocom Dona Brites nafceo também lihada Madeyra & do mefmo primeyro matrimonio Nuno da Cunha de Soufa, que cafou com D. Francifca Ferreyra, & dei quecafou em Santa Mana com Dona ftes nafceo Joaó Soares de Soufa Cameia de AlbuquerFelippa da Cunha, dos quaes nafceo Manoel da dcftes nafceo Joaó que , com quem cafou D. Marqueza de Menezes;, & Mello, viuva do fextoCa* Soares de Soufa, 6c cafou com D. Anna de nafceo Antonro Soares de Soupitaó Pedro Soares de Soufa dos quaes Delgada com D. Antónia já viuva^ fj^ que ainda vive cafado em Ponta _ de que tem filhos. / ^^" :t£n 7 de Soufa , quarto Capitão de Santa MaDe Pedro Soares 1 Moraes nafceo o quinto dito Caria, & da dita fua mulher D Brites de Dorothea de Mello ,"fipitaÓ Brás Soares de Soufa que cafou com D. o dito quinto ihade Joaó Nunes Velho & de D. Maria da Camera & Portugal. Deftcpois Capitaó era Commendador de S.Pedro do Sul em caiou fegunda ve25 nafceo o fexto Capitão Pedro Soares de Soufa, que

Vaz, filhode Joaó Vaz

das^ Virtudes

,

& de Anna de

^

,

;

,

'

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;

.

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,

,

»sa;i

i

V

i

com

Cap.III.Da nohtizkcã.à deíúê(l>dÒs povoad-lcle S.M. to^
cera D.

AnnadeMello,

& defte matrimonio

nafceo o feptimoCâpi-

taõ Brás Soares de Soufa, fidalgo dacafa de S. Mageftade >,& c%fadp. dito fexto Capitão Pedro Soares tinha fido cafado primeyravez coni Vistoria da Cofta, de que houve hum filho chamado Brás Soaresj

Q

D.

Commendador de Santa Maria, mas morreo

do Brafil, &:fò hum filho natural deyxou i & também teve o dito fexto Capitão dous fidalgo fifilhos baftardos , huni chamado Lourenço Soares de Soufa, lhado, & de grandes ferviços , & a baftarda D. Ignes , que ficou nalllia
nas guerras
deS. Maria. Com b dito primeyro defcubridor Frey Gonçalo Velho ^ i8 -Cabral Veyo mais á Ilha de Santa Maria hum nobre Gonçalo Annes,quô por lhe morrerem os muytos filhos atèalliaâfcidoSj& nafccndo-lhe amda huma filha , fe refolveo a porlhe nome, que atè alli mnguem tiporque o fobrenomedelle era An^ Da nohre Africa ~A^ veflTe, & aílim lhe chamou Africa; nes ou yifricanes ^troiaes, ficou a filha chamando-íe Africa AnneSj& vulgarmente achama^ co de mífjta neheK,a^ vaó Africanes. Morto pois o pay, ou (como outros dizem} voltando dai Ilha para Portugal , por hCia morte que fizera na IHia, alli deyxou afilha encomendada ao feu grande amigo, companheyro , & tal vez parentè,o illuftre Frey Gonçalo &eft© logo deo a dita Africanes por mulher ahumGeorge Velho, que era também dos mais nobres ,.& primeyros povoadores que vieraó á Ilha, &: defte cafamento procederão os chaftiàdos de fòbrenome Jorges, conforme ao eftylo antigo dos defcenderites tomarem por fobrenomes os nomes dos afcendentes. Morto Jorge Velho, cafou Africanes fegunda vez com hum fobrinho dofobredito Frey Gonçalo Velho , que fe chamava Nuno Velho j & defte fegundo ínarido, & de Africanes nafcèraó Duarte Nunes Velho, ( de que houve mais defcendencia ) & Grimane za AíFonfo de Mello , que cafou com a^^uclle nobre Lourenço Annes da Ilha Terceyra , & deftes nafceo Ignes NunesVelho,que caiou com Miguel de Figueyredode Lemos, que foraõ pays do illuftre Bifpo doFunchal D.Luis de Figueyredo de Lemos. Deftes Figuey redos refere o douto Fruftuofo , que dando 19 hum antigo Rey de Portugal bajalha a inimigos, pelejarão de tal forte Do antigo appelUdol dous npbres irmãos, que quebradas as efpadas,arremettèraó logo a húas Soares de Alberga.'' ria^ C^ FigHejredon figueyrás que viaó , 6c tirando delias fortes páos, tornarão aos inimigos, & os deftruiraó de forte , que acabada a batalha , a ambos chamou EU Rey, & dando a hum o appellido de Figueyredo , ao outro perguntou qúe appellido queria: efte refpondeo , que fua fama lhe baftava , & que é1lafoariâ;&: defde então lhe chamarão Soares } &que oR.ey entaófi-

&

,

•,

de Albergaria a efte fegundoirrtlaó , &os feiísdefcendentes fé chamarão, Soares de Albergaria •,& eftesfaóos legítimos Soares , que bem podèràó chamarfe, Soares de Figueyredo. fV-jíq y)q faes Figueyredosera o antigo , & illuftre Bifpo de ViZ€u Dom Gonçalo de Figueyredo, que teve hum filho > & três filhas; o filho fe chamou Fernaô Gonçalves de Figueyredo , que cafou com Manafceo Diogo Soares de ria Dias ( peífoa muyto principal ) & deftes Albergaria , de que não ficáraõ filhos, & foy Ayo delR.ey D. Joaó. Nafteo mais do dito Fernaô Gonçalves , Fernão Soares de Albergaria , que íeafou com 0. Ifabel de Mello, filha de Efteváõi.Soarès j de^ que nafceo
ízera ferihor

'

,

Vj'.,';

.^'-í-.í.i

,

104

Livro I¥. Dalffiâ die Sanrá Maíía?.

Siqueyra, ôc amada, Excellente feBrites, mulher de AíFonfo de Antaó Gomes de Abreu, nhora-& outra D. Ifabel de Mello, mulher de

D

fegunda mulher do Duque Pedro de Mendoça , Alcayde mòr de Moura , & AntodeBragança, Dos Mendeçaí.Car- ^^^ ^^ Mendoça, & Chriftovãode Mendoça. As três filhas do fobredi^ Maria Gonvelhos, & Silva,, tot^Bifpode Vizeu foraó Ignés Gonçalves de Figueyredo, dosap^rmados com Brites Gonçalves de Figueyredo ^ & todas ca. ç^ives de Figueyredo, w Ff„redos. deícendeo Gonçalo ^^^^^ ta defcendencia j da primey ra

, Soares, mulher de Vafco Carvalho, De Dona Brites , 6c Chamufca. lher de ToaÓ Gomes da Silva , fenhor da deMelio^ Diogo de Mendoçanafceo D. Margarida., mulher de Jorge

& outra D.Brites,mulher de Diogo de Mendoça,Alcayde mòr de MouD. Bnolanja mura,

& Ifabel

&

Monteyro mòr ,

& D. Joannade Mendoça

,

&

&

.^^s^<-

^A

Dos Ah^hf de
'

X^Tturl
J.,

raópays Velho,filha de Sebaítiaõ Nuta Maria,ôc nella cafou com Ignes Nunes «^nes Velho, de que acima fefalloujà. ^rCafou tercey ra vez a fobredita , & nobre Atricanes cora 21 mas nobre , & delle teve ^Pedreanes de Alpoim, homem eftrangeyro, morreofem defcendencia, & a 5.S^indaa RuiFernandes.de Alpoim, que Fernandes de Alpoim ; & dei: Eftevão Pires de Alpoim , & Guilhelma & da Tercey ra. E efta he a fubftancia :tes vem os Alpoins de S. Miguel,

da fegunda; nafceo Ay. de Figueyredo , pay do Conde de Marialva y & terras de Freygedo,& AlresGonçalves de Figueyredo, fenhor das de Figueyredo , mãy de cayde mòr de Gay a. Da terceyra nafceo Tareja Douro & Minho j &deíle .^ernaó de Figueyredo Vice-Rey de Entre procedeojoaóde Figueyredo, que cafou com Mecia de Lemos ,& fode Miguel de Figueyredode Lemos , que veyo a IlhadeSan,

^ tivm6mUy

noíTo Fruauofo , & confta d^ ^verdadeyra doque diíFufamente traz -o E nefte mefmo feii /m 3. outros papeis authenticos que fe examinarão. trazFruauofo as armas, & brazócsdos Velhos , Cabraes,

>w/>.5.í

4.

Mellos, Soares,

& outros, que he efcuíado referillos aqui.
'')pfi't
)'}'Í'J5?!'^'
•"?,

r.4.

rt-^v--

Da alma
if

,

povoações

,

é fertilidade da Ilha de
trinta

Santa Maria.

7.

r

r

Mana lhe /,ff:Ír;ÍMiguel,decu|aCidade,&p fodoze íiafiunco leg.as de^ do de Villa franca dezafeis porém

f^X^.«fw
,

do Norte Septentrional ,& correfponde efte Cabo com ella de de Lefte a Oeftecom o Cabo de SaÓ Vicente & diftanciade duzentas & f^^^f^^l^^i^Sf^^..^^^^^''? .,, j, OefteaLefte,em da Ilha d^Sap fica aponta chaíiiada de Nordefte
parte
,

)

Az a dita Ilha nefte noífo Oceaao em

& fete grãos da
direytamente

de Santa

de terra a terra. Com& ^« .A mummente fc dizia ter pouco mais de três legoas de comprido , 6c naq co>y>fndo /m/íí/^-go.^wo^í^j^ç^,^^^ duas de largo imas examitiada averdade em oanno de 1666, em redondo. prido, & de largo quafi três, fe achou ter quafi cmcolegoas de com Lefte a Oefte. Da par. nove de redondo he de figura ovada, & corre de bayxa atè o mar , ôc nelte hu l^hcQ te do Oriente delia tem huma ponta
,

&

,

Gap-IV".

pa,Mlà chamada, do Portp, çâbe^a da Ilha. i^|

redondo , & alto , mas pequeno, a que chamaó o CaílçUete j & come-? çando daqui com a tèftaem o Oefte, aonde chamaó Lagoinhas da part;«í do Norte, Óc da parte do Sul chamão Monte Gordo.
,

.

Do Caftellete pois, por etta parte do Sul, meya 23 outro, llhèo mayor, a que chamaó o Caftello , onde fe abrigaô navios,6ç tem leu porto para os bateis embarcarem os vinhos , que por aili fe daQ muyto bons.' Adiante do Caftdlo eftá hum porto de pefcadores ,
lagoa , eílá

qm

chamáo Calheta

j

8c

huma legoa

adiante efta hiia ponta
tiro

chamada

MaU

bufca, rocha alta , Sc

medonha j mas hu

de pedra mais alèín íefegu©

húa fajã com moradores pertencentes á Freguezia, èc lugar do Efpirito Santo,queeftá meya legoa pela terra dentro. Da rocha Malburca , meya legoa, vay outra rocha , a que chamaó Ruy va, tam alta, & tam mgreme, quecahindode cima agua, ainda que feja pouca, fem tocar na rocha, chega a bayxo. Mais adiante fe fegue huma praya de área , & para defl-' trohumaÁldea de quinze vizinhes, com a celebre Ermida de N,iS§nhora dos Remédios , de nniytós milagres em enfermos & por toda^^ Ermida , hum tiro de béfta do mar , fahc huma fonte de agua falobra , aonde fe tem lavado muytos enfermos, & cobrado faude,pelo que lhe chamaó a fonte deN. Senhora, Eftá mais adiante hum areal, que eh*" mão a Prainha , para dentro daqual vaómuycas ladeyras com vinhas, Djeal,f» "rtreret ($* pouco diftantes outras vinhas chamadas o FigucyraUacima das quaes fino h -r- o^que ha «<em huma rocha fe tira pedra , de que fe faz muyta cal j & também fe çi- fi^ /lha. raÓ pedras de mármore , de que fe fazem mòs , coufu que naó ha nas ou•, .

&

tras Ilhas.

Andando mais dous tiros de arcabuz, & entre duas vinhas, 24 eftaó duas furnas taes , que a huma fc nao acha o íim , mas com candpas accefasfe tira delia hum barro cinzento, tam macio ,& tam fino, como fabaó, & ferve para lavar panno , & tirar qualquer nódoa delle, pofto ao Sol , porque chupa a nódoa & o deyxa puro , & limpo delia. Segue-fc mais adiante a ponta chamada de Marvão & logo huma bahia paraa parte do Occidentejôc depois delia íahe huma ribeyra tam grande, que com ella moem oyto moinhos j & aqui eftá hum areal , & porto , que chamaó o Porto Velho, 6c adiante outro que chamão o Porto Novo, com duas ribeyras que também fahem ao mar & entre eftes dous portos eftá huma fubida para hum alto , aonde eftá a Villa do Porto , cabeça de toda efta Ilha , para a banda do Sudoefte.; Tem efta nobre Villa fobre a rocha para o mar , huma Er-= 25 mida de N. Senhora da Conceyçaó, que he a primcyra caía que fe vè de fora. Tem a Igreja Matriz da Ilha, com hum Vigário, hum Cura, quatro Beneficiados , hum Organifta , hum Thefoureyro , & quafi quatrocentos vizinhos, & mais de mil &: fetecentas peííbas de Coram u^ nhaó Sc pela Ilha tem mais três Freguezias menos principaes , que faÔs adeSaó Pedro com Vigário, & Cura,& mais de trezentas peíToasde; Communháo ; a do Efpirito Santo também com Vigário , & Cura,y& quatrocentas peíToas de Communhaói & a de Santa Barbara com Viga<» rio, & peflbas de Communháo duzentas & cincoenta. Tem mais a dita Vii la três ruas grandes, que fahindo do adro da Igreja Matriz vaópaf raraomaticom muytas ruastraveíTas» ôcfccontinua atèaErmidad©
, i ;
;

DaI>lã4dõPõrto,ils
éjxatrocentes
vtz.i'
Ilhíty

nhos,caheça da

&

dos maia isfgítre&

delia.

,

&

prr'

;

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Livro IV.
-,

Da llhã 3e Santa MariaJ

-

Orago da Igrejaprincipal Santo Antaô que eftá pela terra dentro. he N. Senhora da AíTumpçaó , & o Padroeyro da Igreja da Ilha bc Saa fixa de Mathias.Ha na Viíla Cala da Santa Mifericordia com boa renda móyos de trigo cada annojôc o Senado da Camera conii igual renda; dez Mèítrc de latira, &Prègadorcom três moyos de trigo de renda, & que.d'antes náo mil reis em dinheyro i & hum Convento deFreyras, de Andraeraõ proteíTas , fundado pelo Reverendo Clérigo Fernando de,com dezoyto moyos de rendade trigo cada anno para quinze Frey?
tem , alem de Clérigos feculares , hum Convento de Reíigiofos Francifcanos , que faó de grande bem efpiritnal náaXó para ^^ .-...; eftaVilla, mas para toda a. Ilha. AdefezadeftaVilla,&:detodaallha,eradeantespouca, 26 fer entrada, & o fendo quetem humalegoa de pòftos por onde podia mas depois entaó três vezes , de- Mouros Ingkzes , & Francezes ,
ras
i

O

& fobre tudo

-.

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r-^'y^r„,,^
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fc lhe fizeraó

no Caftello da.praya,dous Fortes com quatorze peças , & com fete peças; adiante hum Fõrtecom algumas j na Villa dous Fortes outros Fortes com na ponta de Marvaó, & no Figueyral,& na Prainha Capitão Do^ lua artelharia i o que tudo Jiaó fó manda o Governador ,& hum Capitão natario, ( como abayxo veremos ) mas immediatamente mor, officiaesj de artelhariacom trinta Ar tilheyros, além do Capitão & gente da ordenança y que quanto pelas mais partes da íiha,he por nafó com pedras tureza incónquiftavel, havendo alguém que das rochas
"2
'

,

7

Ao redor deíla Villa

,

pela terra dent ro , tudo faô terras de
,

.__ _

trfeo,

& toda a Ilha he tam abundante de agua

que íó

a dita

V jlla

tem

'

J

^

doce.

grandes cfpiritos, & tam pre_. proporcionados ,:& de prefença grave , tanta 5 depor lííoíao fumptuofos, que he pequena a terra para nobreza muy incUnados à caça, & pefcaria &c affim fe confervaó huns com ouoúadmittem de íoracafamentos. .tros, &: raramente jihojccafaó fora, quarto de legoa da Villa , indo pelo Sul 5 eíía no mar 28 femeadura, mas hamllhèo, com terra por cima, de quatro alqueyres de quatrocentos, ou qui«omtanto Garajào, que quem lá quer ir, traz de gallmhas j ponhentos ovos dellesj & tam bons como os melhores bem cuberta , para náo vu' feni orelhas , porDss Garajaos áCem rèm deve ir com a cabeça fZZJsT^iZqu, fó a eftas arremettem fortemente. Pela terra fe fegue adiante a Lobos , & logo huma f»emveii ovos. Ponta do Cabreftante, & adiante mais a Praya de Ilhèo i & pouErmida chamada dos Anjos , mais de legoa do fobredito rocha tam íngreCO depois fe fegue o Monte Gordo, & adiante huma de bay xo à fuperme, & tam alta,que ninguém com bua béfta chegará que no mais alto de cima fahc ftcie da rocha & comtudo he de notar huma perpetua fonte de agua, & da groíTura do punho de hum homem, ainda he fem haver em toda a Ilha terra alguma mais alta do que efta & mais

Sen liora da berra na outras na Freguez ia de grandes, 6c ferinofas j pela rocha á roda da três fontes, tantas, Ôc na de Santa Barbara vinte doce agua a gente não fo da todas de boa, Ilha faó innumeraveis , que já vimos, onde ainda ha Villa, mas de toda a liba , he da afcendencia cftatura altos, muytos nobres , fidalgos , deftes quafi todos faÓ de

&

N

.

&

&

&

&

:

&

&

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Hum

•,

:

Cap.V.Do interior da Ilha, & particularidades della^
mais de notar
,

lof^^

que por bâyxo da dita fonte > & rodia vay húa taõ graa* de furna , ou concavidade , que entra meya legoa pela Ilha dentro , & a» fonte fahe por cima 6c aqui vay dando volca á Ilha para o Nordeftci Na rocha porém le apanha muyta urzella , que he como mufgo do mãXt & de cor cinzenta >& tal tinta azul deyta de fi , & tam fina, que vence á que fe tira do Paftel , pofto que da urzella das Canárias dizem que ain* da he melhor. Mais adiante feguem-fe as Fajans , a que chamaò Lagotnhãs, debayxo das quaes eftá outra furn^a junto ao mar , donde pefcado^ res de S. Miguel viraó huma vez fahir doze lobos marinhos , como em alcatèa, & alli os pefcadorcs os vinháo perfeguir , & notáraój que ante*
:

dos taes lobos fe recolherem á fua furna , levantavão as cabeças , a ver fç fim da banda do SuL apparecia alguém. Aqui faz a Ilha tefta,

&

C A P

IT U

L O

V.

Dotraéio do Norte )&/èu interior da í/^ay&Jh^ gu/ar idades delia.
onde começámos, eftá , dous tiros de béfta pela terra den- ^^ fertilidade & f ^''*i*i®! tro) a Freguezia , & lugar de Santa Barbara , que paíTa de quarenta vi- ^'"'^f' " **"" zinhos, 6c duzentas 6c cincoenta almas de Communhão} 6c adiante, mais de meya legoa, eftá a Ponta de Álvaro Pires de Lemos, aonde hum genro feu vendeo terra boa , 6c de hum moyo de femeadura , por quatro mil 8c fetecentos reis , fendo que no annode 1568. ( com feranno efteril ) deo a dita terra quinze moyos de trigo. Mais adiante eftáo humas fajãs com vinha, aonde não ha ( diz Fruduofo} alqueyre de terra de vinha que não dè huma pipa de vinho 3 6c mais dahi a mais de legõa le fegue a Ponta de S. Lourenço j aonde de huma alta rocha abayxo fahe húa ribeyra, 6c chega ao m^r fem tocar na rocha, 6c nella eftá a Ermida de S. Lourenço. Depois fe vèo Ilhèo chamado do Romeyro, coindezalqueyresdeterraj6chervâ emcima,6cem bayxohuma tam comprida furna , que parece atraveíTa o Ilhèo j a boca he de altura de três lanças, 6c dentro tem muy tas furnas, caminhos , retretes , tudo de pedra afpera, 6c que parece engeífada, 6c de agua feyta pedra , que de cima vem em gottas, 6c como cera fe coalha , fe congela como vidro , 6c mUy ta fica no ar dependurada , como regelo , ou neve oU como tochas , 6c círios que fe váo fazendo ^ algumas tam compridas que chegaô a bayxo , ficando outras penduradas em o ar 6c brancas como alabaftío ; 6c tendo o pavimento huma lagem, as gottas que cahem ttcíla fe levantão cm outras tochas outras ficáo em figura de confeytos 6c parece efta furna,oíi caía de cerieyro, ou de confeyteyro, ou Oratório de cera bem ornado, Qj-iafi meya legoa adiante da tal furna eftá huma Ermida 30 de Santo António aonde tinha eftado a primeyra Freguezia de noíla Senhora da Purificação 6c fuccedeo , qUe quereiído-a mudar , botàraá forces, a que Santo ficaria a Igreja , 6c fahio a forte a Santo António 6c poriífo mais adiante eftá a dita Freguezia chamada de Santo Antonioj)^
29

\T OItando pela banda do Norte,Sc Nordeíicj outra ve2 atè
V

,

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,

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ÍOJ

Livro IV.

Da Illia de SântaMaria;

donde começámos o circulo defta Ilha j mas ainda pelo mais in* pofto que menores,ôc hum terior delia tem vários moradores,6c kigares, fmgular pofto , a que chamaó o Almagre, por fe dar alli. Toda efta Ilha altura de terra , commumeftá tam firmada em pedra viva, que a mayor mentenaópaíTa de dez palmos j donde vem que raramente ha nefta braaIlha tremor de terra, & fe algúa vez treme, he tremor pequeno, & doi& ainda quando a Ilha de S.Miguel teve tremores fataes, alguma coufa , mas muy pouco fe íentiráo nefta Ilha & poriffo também , ainda que tem muy ta lenha para o gafto^ para obras de madeyra não tem muyta,-por não terterra profunda donde fay a. 21 Em algumas partes a terra que tem he tudo barro verme* da tal lour lho, & eftcril para fruto porém para louça he excellente,&Maria 'Dá Ilha de S „^ y^^^^y^^ fg provê a dita lUia, Sc dà provimento delia a S. Miguel, &: ainda á Ilha Terceyra: mis em todas as mais partes a terra he tão frutid^fí'^T''*'7/la dejma oH^a c r^ ^^^^ ^ ^^^ ^^^ ^^, ^ ^^ ^^.^^ ^^^^^ ^^^^^ ^ ^^^^^^ ^ ^^^ efpigas , não
tellete
,
j ; ^

& com mais de cem vizinlios. E ainda mais delc^oã adiante eftá o Caf*

"^

o trigo he tão perfeypaífanáo em outras terras de quarenta ao mais ; to , que fempre vai mais que o das outras Ilhas , Sc faz pouco cufto era o mefmo fe experimenta na cevamondas , leva menos femente j todo muy to mais gordo que o das ouèa. Tem muy to gado efta Ilha,& ovelhas , pelo inuy to, de carneyros , tras , efpecialment€ o vaciun , por iflb grande copia de laaicinios> melhor pafto que em fi tem ,

&

&

&

melhores das mais Ilhas. Vmho tem , fem neceffitar de taó grande alguma que ha rabãos fora i toda a cafta de boa hortaliça, de três palmos em roda , &: nabos como botijas ; èc os melhores melões, pofto que de pouca dura. Pefcadotem muyto , mas algum delle he me^ codornizesj que de coenos goftofoj 8c de aves fó lhe faltâo perdizes, tem muyto bons 4hos tem tantos , que davaõ a três por hum vintém

& & queyjos os

& &

&

&

,

&

;

&

foroês, 6c cães de caça. vava hummoyo de trigo

Em íím he tam barata a terra, que delia a que le-

dous mil reis voada a Ilha.
32

de femeadura,fe vendia no anno de 1500. â fomente , havendo já perto de oytenta annos que era po;
/*

Houve nefta Ilha huma moça foltey ra tam defobedientc coufa, nem €o.w^í'/Ví«>»;>'í-fuamãy, que era efta chamando, ou perguntando alguma da apraza de hnma hfa, nem refpondia & com ifto tanto exafperou a mãy ,que perdida a may fohre a incbedi- p^^-igncia levantando a mão^ & voz ao Ceo lhe lançou por maldição,

t

j-

,

j

^

j

ente filha,

^^^^ ^^^^^ ^-^fj-g
:

^ ^^^ ^ ^^^ ^^^^^ q^g quizeíTem

derlhe veyo tempo em que cafou a todos três totalmente lho ,& teve delle dous filhos,6c huma filha, Sc adefobediencia da foraó mudos ; Sc aíTim caftigou Deos em eftes netos mãy, Sc a impaciência da avô. Outro homem lioUve na mefma Ilha , chamado Joaõ Vaz Da rara virtude de ^, curar de híífoaiFaz.y^^'^,^^^^^^^^-^^^^^ tal virtude de curar enfermos , que porifib Ihecha^ue poriffo chamarão ^^^^^5

não podeífem refponmoça com hum Aflbnfo de Carvaj

*Vi.Xf««;/.«/.., quebradas, Sc femelhantes achaques, & oues nellejoy prodígio- mente de torceduras, pernas enfermo algú lhe mor/i. tros muyto diverfos j com tal fucceíTo , que nem reo.

^oj^ag y^^ das Virtudes } efte fem fer Medico , nem ainda Cicafa preparada fó para curar enfermos, ainTle^&ft^ltinmu rurgiaÓ , tinha huma grande da de outras Ilhas ,& fó por amor de Deos curava a todos, particular-

Cap.V. Do interior da Ilha, & particularidades deíla.'

lo^

or«» reo , quando o curava j nem ferida alguma lhe parecia incurável , com azeytc, ôc hervas fazia as fuás cura§^Aííirma-fc^ dinariamente fó que naó havendo entaõ na Ilha azeyte algum , &: querendo elle curar

&

buns enfermos vindos de outras Ilhas , huma fua filha lhe reípondeoa que a jarra do azeyte já nenhum tiihaj 6c porfiando o velho pay que foíTebufcaroazeytej&pelo contrario a filha afiirmando que vinha de ver â jarra, & nenhum azeyte eftava nella , replicou o pay Hora torna lá com a graça de Deos, que a jarra tem azeyte , ôc não fejas defconfiadíj Foy a filha, & achou a jarra chey a de azeyte. Foraó taes , & tantas as prodigiofas curas defte Joaõ Vaz 34 das Virtudes, que fuccedendo ir a Lisboa, era jà tal a fama de fuás curas, que vendo-o lá , o chamarão para curar a ElRey D. Manoel , & com tal íuc;ceflb, 8c tam brevemente o curou , que o mefmo Rey lhe diíTe que peáiífe. E o comedido velho obrigado lhe pedio humas cabeçadas de terra, que na Ilha eftavaó ainda por dar i & todas não levariaõ mais de vinte moy os de femeadura , dos quaes cada hum então valia a dous mil reis fomente i[& com ifto fe contentou o bom velho , fendo que fe pedif. fe todas as terras que na Ilha eftavaó por dar , todas lhas dana o Rey , & os filhos do velho ficarião remediados. Maisfeafiirma de tão virtuofo .. homem , que coftumando fazerle em aquella Ilha pelo Efpirito Santo p -^^ jg jg« hum Bodo commum para a pobreza que yem de fora , 6c íucceàQnáo p^^^^g Samo em o í/ofaltar a carne , mandou o devoto velho tirar do feu gado vários carney- Áoâadoàfobreíi^an«^ ros, que deo logo, 6c fe matàraó , 6c comerão em o Bodo eys que ao OM-Jtn 4ia^ tro dia fe acharão em o gado do tal homem tantos carneyros, quantos eftavaó d'antes , 6c entre elles repararão, que andavão tantos com osfinaes nas gargantas , por onde tinhão fido degollados , quantos fe leva-* rão para aquella fefta do Efpirito Santo , que das três peíToas da Santif* fima Trindade hetam poderofo , como o Padre Eterno , 6c como o Di:
'
>

.

:

vino Filho,

Finalmente feaííirma, que defte prodigiofo Joaõ Vaz das 35 Virtudes ficou como por herança tal virtude de curar emfeus filhos* netos, 6c bifnetos, que parece milagrofa o certo he que, ou por fobrena^ tural auxilio , ou ainda por auxilio natural , ( de que tratamos na noíTa Theologia Efcolaftica , na matéria da Graça , 6c Auxílios } pôde Deos
:

conceder a huma peflba , 6c a feus taes defcendentes , a virtude curativa de farar a outros enfermos para bem commum de outros , ^ muyto mais em novas povoações , aonde naó ha outros Médicos , nem noticia de outras medicinas applicavcisj 6c nem fer iíío prova de Santidade da pef-*
foa que
,

l

,

tem tal virtude , nem fer em tal peíToa ou família milagre rigorofo mas natural Providencia Divina 6c qual deftas caufas foíTc , Deos o fabe que quanto o ferem verdadeyros os fados acima referidos, parecp indubitável , pois he tradição antiga, &c femprecommua de toda a«
, ;
:

-

quella Ilha , 6c os calos acima referidos traz por verdadeyros Frucluo-*

K

CAP,

lio

Livro íy^Da Ilha de Santa Mariá^

]

^^.m'^

G A PI

TU LO
Maria^

VI.

Do prtmejrõ Capitão Donatário da Ilha de Santa,
j

li.^iUU

V, i-y^

36
bral,

QPrimeyro Capitaõ foy Ç como acima já tocàmt>5 Jorniiy*
toilluitrc,& famolo fidalgo Frey Gonçalo Velho Ca-^

Commendador de Almourol da Ordem de Clirífto , êffenhor das terras de Piâs,'Bezelga) & Cardiga, na jiirifdicçaó de Thomar 3 ,phamaya-fepor antonomafiao Famofo, pelas famofas acções qtte obrou jacom* panhando aos Reys de Portugal na conquifta de Africa porque os Có* inendadores profeíTos da. Ordem de Chriílo , ainda então nào caíavaói ElR.ey D. Manoel foyoprimeyro que lhes alcançou difpenfa: para cafarem Frey Gonçalo ( que antes florecèra ) nunca caiou j como ^efcubrio a Ilha de S. Miguel, diremos abayxo tratando delia ; confta porém que a ambas governou com tanto valor, prudência , & brandura^ que de todos foy fempre muy to obedecido, & amado. Depois vendo-fejáyelho o dito Fr. Gonçalo }.& que com* 37 íigo tinha trazido para a Ilha, a dous fobrinhos , ainda meninos , Nuno Velho de TravaíToSa Pedro Velho de TravaíTos , filhos ambos daquelle grande fidalgo Diogo Gonçalves de TravaíTos , & da irmã dellô Capitão D. Violante Cabral ,-& que ambos eraó já homens capazes , èc muy Co aptos para governar , refolveo-fe voltar a Lisboa , como voltou, pedio ao Infante D. Henrique lhe confirmaíTe a renuncia que queria fazer das duas Capitanias das Ilhas de Santa Maria ,,& Saó Miguel nos ditos dous feus fobrinhos ; porém como na cafa do Infante tinha ficado: outro fobrinho de Frey Gonçalo , filho de outra fua irmã D. Tareja Ve-> lho Cabral , do fidalgo da cafa dos Soares dç Albergariaj & efte fobri-* nho tinha feyto grandes ferviços ao Infante , que o eftimava muyto , inclinava para elle, o mefmo foy faber iílo Frey Gonçalo, que renunciar as Capitanias ambas no fobrinho Joaó Soares de Albergaria , aos mais fobrinhos repartir a Commenda, fenhorios de terras que mais tinha, tudo appro vou o Infante comefpecial agrado , & confirmou per carta patente que veremos. Aefte primeyro Capitão Donatário das Ilhas de S. Maria, 38 S. Miguel paíTou o Infante o Alvará feguinte, que traz Frudluofo no feu Iw. 3. cap. 1 2. & diz aíTim no feu antigo modo de fallar: Eu o Infmite D, Henriífm , Duqtie de Vizen , fenhor da Covilhã , c^c. Carta Real da ^mlpmando a -vh Frey Gonçalo Velho , meu CavaUeyro , é^ Capitão por mim em dicçaõ do primeyro mnhos líhos de Santa Maria , Sao Migml dos Açores , que tenhais efia Capitai des[ Maria, maneyra fufo efcrita , acerca da pijiiça , érfeytos civeys. Vis manàareys dos é" S. Miguel. as mandem Juizes das terras, que ouçao as Partes que em litigioforem,
-,

&

:

&

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.

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&

&

&

&

&

&

&

&

&

&

vir perantefi, é^ lhes façao cumprimento de direyto è^fe dasfentenças que os Juizes derem , quizerem appellar, appeílem para vos, vos confirmareis asfentençasdosJuizes,ouascorregey, qual virdes que he direyto-, a-fede
-,

&

vojfa fentençi
ner/i

elles

quizerem appellar, vos

lhes

nao recebereis as

appeilaçfics,

lhes dareis ,falvo efiromento deaggravO) ou catateflimiinhavelpara
A-

fr

mim

W^

Cflp.VI.& VII. Do pnmeír.&

feg.

Capitaô Donatado*
o que

ui

vir que he dtrepSt cè^ vos ínandarey o quêfafaú iporèm vos nao deyxeis demandar executar asdtít tasfentenças , pjio que com os ejiromentos , ou cartas tejitmunhaveis a mim
venhao.

0jm com ^'ojfa repofia } ér eu entoo denunciarey

E fefor emfeyto

& nheyroj &
devem »

crime , em que algum , ou alguma faça» o que ndi mereçao pena de jujltça , vos manday prender , apenar em di" degradar para onde vos prouver , açoutar manday aquéUes que

&

&

i\ir,

I

omerecem,fem dardes para mim appellaçao. Efeforfeyto tam crime perquA mereçao morte , ou talhamento de membro y vos mandaras aos Juizes que da fentença que derem t appellaràÕ por^ 4emafentençai& ojulguem y inviaráo a mim a appellaçao , de mim ira, k cafa deU farte dajufiiça , vos inviarey a denunctaçao que de U vier. Outro/t a» eu Rey meu Senhor , vtjhreys aos moradores deffas Uhas > que nao vao com nenhuns aggravos^ nem ^ppellacoes, nem ejiromentos , nem cartas tejiimunhavets a outra jujiiçajfepao Hmim , ou à meus Ouvidores,porque ajurifdicçao toda he minha, civel% de mim iraÕ as appellaçoes das mortes dos homens , crime , talhamentos dos membros k cafa delRey meu Senhor j porque vis, nem outro algum Capitão, não tem poder de matar , nem de mandar talhar membro;ò' nos oU' íros cafos vos tende a maneyrafufodita ó^quem quer que o contrariofizer% ér em ejio ufurpar minha jurifdtcção , pagark por cada vez , ér cada hum, outrojife oTabelliaÕ de fi errar emfetc milrets para minha Chancellaria.

& &

&

^

rr'

^

&

&

:

E

officioporfaljidade ,vos ofujpendereys do officio

,

& mefareis afaber
E

o erro,

outrojifereis avifado, tomo he, ó" vos eu mandarey a maneyra que tenhais. Rodrigo de Bayona,fem vos mojiraa effa Ilhaforem Diogo Lopes, quefe rem minha licença , que osprendays , <^ tenhays bemprezos, ate mofazeres a mos mviem prezos k minha cadea. vos mandar comofaçavs , faber, quanto he k inquirição que me ck inviafies, vlsvedelk ofeyto ,ér odetermipelaguiza, que por nay,como virdes que he direyto , cumprindo todo ajfim, mim he mandado ,fem nelo pordes outra briga , nem embargo, porque aJfim hé rmnha merch Feyto em minha Filia de Lagos a dezanove dias de Mayo.Joai quatrocentos^ de Gorizo ofez,annodo Nafcimentodo Senhor de mil fetenta. Atèqtli o Alvará do Infante. Renunciadas pois as Capitanias pelo primeyro Capitã© 39 Frey Gonçalo, detcve-fe efte tanto em Portugal,que lá morreo fem tornar às Ilhas ;& jaz na íua Capellada Igreja Matriz de N. Senhora da

&

& &

B

&

&

Afíumpçáo da Villa do Porto.

CAPITULO
40

VIL
Ilha:

Dofegundo Capitão da dita

de cuja fidalguia jà falíamos , fof o fobrinho j em quem o primeyro defcubridor , & Capitão de ambas as Ilhas,de Santa Maria, & Saó Miguel,Frey Gonçalo Velho Cabral renunciou com effeyto ambas as ditas Capitanias; & a carta de con- >,_ ^ ;.^- ^-^ ^ Carta ,(t confirma^ > / r r» nh rniaçao traz v ruòtuoío liv. 3 cap. 13. com as antigas palavras, ibi: ^5 ^^ Capitania dM Ena Infante Dona Beatriz, Tutora, ér Curadora do Duque da ao fegundo Capè^ 41 wcnfilho Dom Diogo ,façofabér a quantos efla minha virem, ig^^ o conheci- taõ^oao Sjjrjj^
,
!•

1 0aô Soares de Albergaria

1

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.

Livro I V.

Da líKá dè Santa Mar íã;

-

mtentõ delia pertencert qtteeu deu carrego a João Soares, CavaUeyro dafim pela em ella , ajfim , cafã, na Ilha de Santa Mana ; que etlejeja o Gafitao qmehe em fita Ilha da Madeyra João Gonçal-ves , é- que elle a mantenha morrendo elle, a mim me praz, pio dito Senhor emjufiiça , é- em dtreyto-,

&

&

quefeufilho,primeyro , oufegmdo

,

tenha efte carrego ,por agmzafujodita,
:

^ ajjimdedefcêndente em
&
refiervando

defiendente for Unha dtreya

&findo em

tal ida-

de o dttofeufilho , que a naopoffa reger , que o dito Senhor , ou fiem herdeyros fOraoalU quem a reja, ate que ellefija em tdadepara reger. Item rnepraz, que elles tenhae defta terra ajurifdicção pelo dito Senhor , meu filho, do civeh morte , outalhamento de membro , que porappellaçaâ crime,

venha para o dito Senhor j por>mfob embargo da dita junfdicçao me praz» correyçao,fiejao ahi cumpridos , afi^ue os mandados todos do dito Senhor , que o dito João Soares haja parafi fim como coufia própria. Outrofi me pra^ , todos os moinhos que houver em efla Ilha, de que afilm lhe dou carrego,& que emifiofienU ninguém fiaçaaht moinhosfienao elle, ou quem a elle prouver i outrem em ellajé^na» 'entendera mo , que afiaçaquemqmzer, nao moendo

&

&

depao,emque ouver faça ahi atafona. ItQmme praz, que todos osfornos porem nao embargue , quem quizer fazerfornalha para poya ,fiejaofiem nao para outro nenhum. Item mepraz , que tendo elk fieupao, que oJaca , dando-lho a razàh de meyo fal para vender ,o naopojfa ahi vender outrem,
-,

&

&

ítal de prata ú alqmyre

,

&mais nao-, & quando o nao tiver,

que o vendaoos

dailha afim vontade ate que éle o tenha. Outrofi íne praz que de todo o que o qm houver de renda o dito Senhor em a dita Ilha , elle haja de dez hum-, para elk o dito Senhor ha de haverna dita Ilha ihe contendo no foral, que ou mandeyfiãzer &por efia guizà me praz , que haja efia rendafieufilho , Item me praz tiver. mtfofieu deficendentede Unha direyta , que o duo carrega piloforal da dita Ilha,, pepojfa darperfims cartas a terra defiailha forra que aqueUe , a quem der a dita terra , a 'a quemlhe parecer ^ com tal condição "nproveyte cinco émios ér nao a aprmMytando , que apojfa dar a outrem ,

&

:

,

-,

&

hhor^que , je houver terrapor aproveytar , que naofieja dada , qm apnffid ààr a quemfiuamercefor é" affim me praz que as de ofimfilho, ou herdeyvizi^ ros defiendentlsyque o dito carrego tiverem. Emaú mepraz que os aprouver -,&fie nhospojfao vender fiuas herdades aproveytadasaquemlhe porem nenhumem.^uizeremir de huma Ilha para outra , que fie vap,fiem lhe
-,

ate outros cinco an"depois que aproveytada fior,fie adeyxarpor aproveytar nos, que por mefimo a pojfa dar a outrem : &tfio mo embargue ao dito Seiffo

algum homem em cadahuma das Ilhas , que mereça fera coutado, &fiugir para outra Ilha , qUèfieja entregue onde tem o mapedir fier prezo , para fefiazer delle cumprimento lefício , fe requeridojõr ,
bargo.

E

fiefizer

maleficio

&

.5--.

Outrojfmeprazque os moradores dalihafiejiprovcytcm dosgadoí os que bravos que nella andarem ,fiegundo lhe ordenará o dito João Soares, depois delle por o dito Senhor , d^ porfieMõ herdeyros o carrego tiverem, refiah vando os gados que andarem nos Ilheos , ou outro lugar cerrado , que ofienho^ fos pafçao ajfim cm hua rio o lance ifo mefimo mepraz, que os gados fie ofi^ parte , como em outra , trazendo-os à maÕ , qtie nao fiçao damno
dedireyto.

&

:

&

mm

;

&

zerem , que o paguefieu

dono.

Feyto em

a.

Cidade de Évora a doze de

May o.

Alvareanès a fez , anno de nojfiò Senhor JESU Chrifiodemil qml carta vifiapormm , eu a confirmo tos &fietenta'& quatro.

&

quatrocen,

A

& hey
P<^

.v.iír.?o

Capi Vil

Do íegundoCíâpítâaBbnâtado^

ii|

^ela manéyra que em ella he contendo , fem outn f&r confirmada , affim , \emhargo que hum , éf outros a ellapnhàé. Dada em a Fala de 'forres Féétrasjã 2^.4e Junho^anno do Nafcímento de nojfo Senhor

&

mil

& quatrocentos & noventa & dous. Atèqui a carta do Infaate
.

JESU Chrtfiodt
,

ôc

.

Duqi|e feu filho.. Veyoeftefegundo Capitão das Ilhas de Santa Maria, 6c S. 42 Miguel, veyo de Portugal jà eafado com D. Beatriz Godiz , de compe- Doftgundo Capitai tente nobreza,Sc com hum fobrinho chamado Fclippe Soares,6f jà tam- *'' S.Maria , & Sai bem eafado com Conílança da Grela ifez feu ordinário aflento , & rcfi- ^'í«'^' /*^«S dencia em Santa Maria , por fer entaó mais povoada , & de tanta nobrea^ll^^íT^Madty. ,za, como já vimos, & naIlhadeSaô Miguel exercitava afuajurifdic-t^a^^.^^í/íWííaCW' çaó , vifitando-a muytas vezes j mas porque aditafua mulher zdce-pitaniadeS.Mt^ftei ^eo, &: em Sanca Mana, & Saô Miguel faltavaó Médicos , com a doen- « ^«' Gonçalveida ceie embarcou, & a foy curar á Madeyra , mas lá da doença , & abalo Camera^terçepofida viagem brevemente faleceoi porém foy tam eílimado do primeyro ^f^ *• ^"^'^li^^^ CapitaÓ do Funchal JoaÓ Gonçalves Zargo, &de feu terceyro (ilho '^f^^f^aavcK.ci RuíGonçalvesdaCamera,que por lhes agradecer a hofpedagem ,& /j^riwc^ deScuJa, pelos grandes gaítos que fizera em a ida, & na cura, & morte da mulher^Jidaí^a parítadoBaSc na vinda que havia de fazer , fe refolveo em vender a Capitania de raõ velho entaõ^ Saõ Miguel ao dito Ruí Gonçalves , filho do Capitão Joaó Gonçalves, ^'""^' àeAbran-^ ficarfe com a Capitania de Santa Maria j & vendeo-lhe tam barataa ^^''^-^-^ de Saó Miguel, como veremos , & admiraremos , quando tratarmos defta Ilha i 6c tudo foy approvadõ, 8c confirmado pelas peíToas Reaes. 43 Já viuvo pois o íegundo Capitão de Santa Maria,8c fem filho herdeyro, voltou da Madeyra a Lisboa, 6c ElRey logo o cafou com D. Branca de Soufa , filha de Joaó de Soufa Falcão , fidalgo da cafa delRey, que refidia em Alter do Chaó , 6c era parente muyto chegado do Baraó velho , 6c do famofo Poeta Chriílováo Falcaó , que fez a celebre Écloga , chamada ( Criftal } das primeyras fyllabas de feu nomc) Sr por fua mãy era a dita D. Branca filhade D. Mecia de Almada, prima com irmã do Conde de Abrantes; Foy celebrado efte cafamento em. Xisboa a 20. de Junho de 1492. Vieraó os dous cafados para a fua Ilka de Santa Maria , 6c viverão cafados fete annos , èc tiveraó os filhos íeguintes primeyro , Joaó Soares de Souía , terceyro Capitão j fegundo, Pedro Soares de Soufa, que faleceo na índia ; terceyro , D. Mana que , eafou nobremente no Reyno com hum Fey tor delRey , chamado Joaó Fernandcz, de que nafceo outra filha, que cafou com hum fidalgo chamado D. Joaôj quarto, D. Violante, que cafando com hum fidalgo Caftclhano das índias, morrerão ambos fem deyxarem herdeyros. Faleceo emfím efte illuftre Capitão Joaó Soares de Soufa, 44 de mais deoytenta annos de idade , em a dita Ilha de Santa Maria , &r com grande nome, 6c exemplo de virtudes. Foy valente Capitâó,8c taó aniniofo , que commettendo-o huma vez , Sx. de repente quarenta hoi-i mês armados, (que de huma nào Caftelhana tinliaó, fem poder pre-s^ verfe, faltado em terra ) elle lançando a dous de huma rocha em bayxo, (tz tornar os mais aos barcos, em que tinhaó vindo a terra ^ em outra pccafiaõ, com fó hum negro feu, òc quatro homês brancos pelejou três , dias Qom húm navio de Caftelhanos , atè que desfalecidos os^cinco Por,

&

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&

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tugue».

114

,

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Livro lY*

P a Ilha êt Santa
&

MaHà.

o valente levados a Gaftella , ,tuguezes de pelejar ,foraõ prezos , oy to dias depois fe ajuftávoltou á fuallfaa, ^Capitão fe refgatou, D.Fernando Rey jaó as pazes entre D. Aífònfo V. Rey de Portugal,

&

&

&

&

,dc Gaftella, anno i4,8c?v

.

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PI T U L O

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...-.'._

DotercejiroCapkaÕdeSantaMaría»
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"'OY terce vro Capitão
5

de Santa Maria Joaó Soares de SoQ,

I

tía.^lhodlfeguídoCapitaôJoaõSoaresdeAlt^rgarla^c^ S.Maria, cajoHpri- fou com Dona Guimar da Cunha, da Ilha de Sao Miguel falha de l<rantefyro com D. Guio- cifco da Cunha & de D. Bntes da Gamera , à qual era filha natural de íw^rrfáCw»^^^/?/^^ Ruí Gonçalves da Gamera ^terceyro Capitão de Saó Miguel ,& neta deFranetfco da Cu. ^e Joaó GoRçalves Zargo, Capitão primeyro do Funchal: & o Frannha &àcD Bnm ^-^^^ ^^ Cunha era filho de Pedro de Albuquerque ( primode AffonciSiS^^^^^ fo de Albuquerque Governador da índia ) & de fua mulher D. Guimac RmGõçaivesdaCa- da Cunha , prima de Nuno da Cunha, que também foy Governador da

.^:";«ra"

,

n>era;&neudopri'lnàiâ,^onàe odito Francifco

da;

Cunha

nuyroCapitaõdaFM' (^f^fi^Qg.^g^ finalmente veyo a viver em ehaí JoaZ Gonçalves por ter gaftâdo no ferviço dei Rey q^ Ponta da Garça >

foy duas vezes Capitão mòf Vilia Franca de Saó Migueí^^

Albuquerque ao dito Rey TUro de AlL^Her. ^^ Rezende ca^. 211. ) achou Francifco de »f & D. Guimar oâo fó doente , masji fó duas horas antes de expirar & chegou comtuf .daCmha,dosyílhí- doa. fallarllie , & pedirlhc , que pelas cinco Chagas de Chrifto Ihefi^^Her^ fies ^dr Cunhas, zeffe alguma msrcè , porque era fidalgo , & muyto pobre & o Rey ouCovemíidores da In^j^Jq ifto lhe fez paíTar logo, & com muyta preífa , mercê de trinta mil "*' reis de tença , & a aílinou &: de palavra lhe diííe que tomaííe a prata que na cafa eftava que,náo tinha já que lhe darj & fahido o fidalgo, diffe o Rey entre as agonias da morte aos que alli eftavão Ja agora pojfe minha vida me pedirão coufa a honra das cmc» Vevoçad delReyD àefctérír ífto: Nuncã Oh devotiffirao Rey! João o II. h cinco Chagas de Chrifto, ofue naoftzefe. ^ Chagai de Chrifio. Defte terceyro Capitão, & datai D. Guimar da Cunha naf\ 46 eeo Pedro Soares de Soufa quarto Capitão , de quem abayxo fallaremos ; fegundonafceo Manoel de Sòilfa , que por fazer huma morte f« aufentou , & andou trinta & cinco aniios por Itália , &: França , & em grandes guerras , & voltando já à fua Ilha , deo com CoíTarioS Francezes, que em o mefmo lugar , onde tinha morto ao outro o matàraó a elTerceyro le, que de tantos perigos tinha, para tal exemplo, efcapado. nafceo Nuno da Cunha homem de muyta virtude, brando, & pacifico que cafou com D. Francifca filha de hum nobre & rico homem, chamado Sebaftiaó Luis da Cidade de Ponta Delgada pay de HieronymoLuis, homem principal da mefma Cidade da qual D. Francifca houve Nuno da Cunha hum filho Joaõ Soares como o Capitão feu avo , o qual fendo de tenra idade & eftando em huma jandla raza que naó tinha ainda grades , por ferem as cafas feytas de novo, Sc paíTando para hum enfermo o Santililmo Sacramento , querendo o menino ver a
,

Í^?;iwf:;^:"hav% req«erera:Lisboaa ElRey d JoaoH &

&

tudo o que ti-

(como contaGarcia
i

;

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,

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m

,

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gente,
.

& campainha que hia tangendo, cahio;Çipm a cabeça paÉraÍjayxof
,

& dando nas pedras da calçada
íó lhe ficou
grej

lendo a altura grande , não morfetr, &í

:,

julgarão por miW i que parece o guarda o Senhor, para dellc fazer hum grande Santoi como eftá moftrando íeu proceder , que hç agora de quinze aacosu dis

hum geyto em huni olho o que todos

C^arto nafceo D. Joanna , que cãfou com Heytor Gonçal* ves Mmhoto, tam rico que fe mais vivera j.acabàra de comprar toda a Ilha i & deftcs houve muyta defcendencia primo D. Guimar , mulher dejoaõ d' Arruda, filho de Pedro da Gofta , de Villa Fxmcâ-,fecunda p. Branca , mulher de Fernaõ Monteyro de Gamboa , de que nafceo I>. Felippa ainda fokeyra então iteríio Francifco da Cunha, que herdou do pay muyta riqueza ,& cafou com huma fidalga da Madeyra, de que houve filhos , mas vivendo depois eftragadamenteem Santa Maria,fou,beemfimarrependerfe,&indo-fe com toda afua cafa para a Madeyra, la fe recolheo a fazer penitencia em huma furna de huma rocha do mar, & alli em certas horas colhendo algum peyxe, delle tomava para fuften- ^' ^"'"JZ^tuX tar a vida , & o mais punha fobre os penedos , aonde o vinhão buícar 27enitetiíe[°&^'»f'' moços da terra , & alli deyxa^o pedaços de paó , com que o ^tnittnfintamente m<ir' fi^^ ^ te , indo-os depois bufcar, fe fuftentavaj & porque os moços tinhão re- to. parado em tal penitente , & lhe queriaõ fallar , & faber quem era, elle fe

47

,

;

'

^ra

.

, penedos , de>tal forte , que fete paoy to annos vivco nefta penitencia , íem jamais fallar a pefiba algumaj & alli mefmomorreo com fama de fantidadej tendo, antes de fe ir para tal dcferto,cafado honradamente na Madeyra a três. filhas que levou, &: cafadas as deyxou com o que ainda levara , fem delle poderem faber

efcondia de húas em outras furnas

&


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48

Morta a dita primeyramnlhcr do terceyro Capitão de San-

ita Maria, fegunda

,

' vez cafou efte com D. Jurdoa Faleyra , filha de Fer. iiáo Vaz Faleyro , & de Felippa de Rezende da melma Ilha , & delia feve ainda os filhos feguintes j ^nw^ Gonçalo Velho, queimorreo mo' P^í"" ^'^^°^ ^fi''^''^' Álvaro de Souía , que cafou com semnda, & temym ff" T? 'Jm"^" iJ.ilabei,h lha de Amador Vaz Faleyro, da qual teve huma MiíiTio-vkcAfoHcjli tercei-' na Jurdoa j tertio Ruí de Soufa , que morreo na índia em huma batalhaj ro CapitaS, &detO' ptarã André de Soufa, que cafou com D.Mecia,irmã do Bifpo do Fun- '^^ '^^^ ^^'"^ tanttsfiçhal D. Luís de Figueyredo de Lemos quinú Migual Soares que ca- ^^'"' ^"''°"' '^*"' , íbu com D. Antónia neta de Anna de Andrade, viuva de Gonçalo Fer"J.'ZZj fiZs"'"& mndesi fexto Belchior de Soufa , que também cafou com D.Maria, fi^o^reo Ztn^ànms'^ lha doBacharel Joaó de Avelar. Terceyra vez cafou morta a ít^^vmà.^foj magnifico, liberal ( mulher } o dito terceyro Capitão có D.Maria,filha de Nuno Fernandes & taõ grande efmol Velho , & ainda delia teve eítes filhos^ D.Branca, & outra menina que ''^j 1^' deyxou difo , morrerão ambam; item António Soares,que ha pouco foy para a India,& ^^'^^'"^ '^dmira-oeis, João Soares , enfermo incurável. Teve maiseíle Capitão muytos filhos teliMo'"'"^'^'"'' '"" naturacs, &: com os legítimos , teve por todos vinte 6c quatro filhos. Era efte terceyro Capitão hú homem muyto altOjgroífojSc 49

™f

**

;

,

"*-

animofo, magnifico fidalgo, taó liberal, efmoler , que diífo parece morreo pobre , mas na verdade rico de muytas virtudes naô arrenda:

&

&

ya as

faas terras a

hum fó, mas repartidanientc a muytos-, para
1

remediai

atodos)

%t&
A todoí
}

.xf^iVfolV.ftâ Ilha de Santa M&ià^

& o fcndeyro quéifce devia meyo moyo de trigo

,

fe era

pobre,

com hum faço de crigo
que
ria,

&

lhe pagava iíendo fenhor dos moinhos , quaíí por fenhorio o não conheciaó, Secada hum lhe pagava o que quenunca mandou citar a alguém por divida j antes em hum anno de

fome mandou lançar pregáô , que quem lhe tomaíTc ovelha , ou carneyperdoava fobrc ro de feu gadoj, lhe tornaífe a pclle, & a lá, & o mais lhe redo, que fem fer letanta charidade , & liberalidade, na juftiça era tam ou mudaflej trado , nunca deo fentença , que na Relação fe revogaífe , Finalmente havendo fido traveffo gç atè em a arte Náutica fqy infigne. em fua mocidade,morreo como muyto bom Chriftaó,& com muytos fi:

três annos,a 2. dejaneyro naes de predeftinado,& etíi idade de fetenta do anno de 1 5 7 1 .Foy fepultado na Capella mòr da Matriz da dita Ilha, junto aporta daSacriftia , aonde eftavaõ- fepultadas fuás duas primey-

&

ras mulheres.

CAPITULO
Do quartoCapitaÕ da Ilha de
tf

ÍX.
Santa Marta.
,

ô

Ú^umo C4pitaoFedro Soares
''^

'

'

-^"«/^

cnouje na Corte

,&

iho do terceVro j morto efte feupay , com D. Brites de Moraes ^^^^^ ^endo-fe creado na Corte )

r^ Ontinuõu-fc efta Capitania por linha varonil & legitima de ^^ fempre, em Pedro Soares foy Soufa quarto Capitaõ &,& confirmado na Capitania
, ,

fi*

,

da Ilha

, filha de Joaõ 2-^X«?'(/-" da M tl^L"i^Zies de mo de Vizeu , dos Moraes Gouveas
,
,

& Azevedos de Portugal & a Tavares dos Tavares & 1 ey. feupay, &jogr<, na ^^^ fg chamava Catharina Fernandes Capitania, & Capitães de Machibenevolência, libera^^^^^^ moradores em Santa Cruz, da
, ,

W^

deJvloraes^^^^

,

,

W<í^^é-cW^-^*^^J.j^j^^.^^^ ^,^^çq^^el4tratámosjàmais propriamente. com os pobres, & de^^^ ^^^^^^ Capitão imitador nas virtudes do dito ter* fua mulher foy J- ceyro Capitão feu pay ,& porqueamboscra6tamvirtuofos,quedellesnuncahouveaggravo,ou hZ com os pobres , qne nenhu efcandalo j eraÒ taõ charitativos , & liberaes poriíTo de todos eráo muy amados, hia a íua cafa, q o náo amparaífem,& Deos , & obedecidos eraô tam devotos , efpirituaes , & amigos deda Villaque do Matriz morando em o paço da fua quinta , meya legoa da antes álèm dos dias Santos Porto , nunca comtudo perdeo elle Miífa j perpetua ir três veze? cada fede guarda, nos outros tinha por devoção manaGUvirMiííaiqueaindaentaÓnaÓteymavaÓtancoos fidalgos per as mulheres, & muyto menos para fi. ^er Miífa em câfa , nem ainda para Nafceo deite quarto Capitão, & de fua mulher, fnwí? João C2 náo a vaidade SoaresdeSoufa, quefeguindoa virtude defeuspays,& Religiolo em b. Hieroda Corte de Portugal onde andava , fe metteo com finnymo no Convento de Burgos em Caftclla , aonde procedeo virtudes. Secmdo nafceo delles Eras S^Lilar exemplo , & augmentode Como abayxo diremos. Soares de Albuquerque, que fe feguionacafa. enia Corte de LisTemo nafceo Henrique de Soufa , que faleceo moço nas índias de Caftella. boa. Qiiarto António Soares,que morreo

^_

Zir4"^

:

§um
nafceo

.

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'

T^

Cap. X. T>o quinto DoíilâHo da dita Ilha;
iiafceo

mp

húa filha , Anna de Saõ Joaõ, que fe fez Religiofa nó Convento da Efperança de Ponta Delgada na Ilha de S. Miguel j & uítimamence teve efte Capitão huma filha natural , chamada Concórdia dos Anjos> que cambsra metteo Religiofa conj a fobredita irmã paterna. A efte quarto Capitão de Santa Maria, & filho fegtindo do 55 terceyrò, andando na Corte de Lisboa , deo ElRey o ínefmo foro de fett pay,ôc avòsj &: elle íe achou, como quem eraj na Armada que fahio contra os Coífarios Inglezes entre a Ilha Terceyra, & Sâo Miguel , em quê também fe acháraó o Capitão Pedro Corrêa de Lacerda , Ayres Jacome Rapofo,& Bartholomeu Favella da Cofta. A jurifdicçaó dos Capitães de Santa Maria (! diz o Doutor Fruftuofo liv. 3. cap. 15.) he conforme àdos Capitães do Funchal tideji j atè quinze mil reis , 6c açoute cm peaó, degredo , &c. E quanto à renda , a redizima de tudo , os moinhos, os fornos communs3& que ninguém poífa vender fal fenãoelle> tendo-o , & fó a meyo real de prata oalqueyrej como tudo confta dos Alvarás acima jà trazidos. Foy efte Capitão , como feu pay, homem alto, groflbj & gentil- homem. Faleceo na fiia Ilha de Santa Maria a 30. de Agofto de 1 5 80. jaz fepultadojcomo feus anteceflbres, na fua Capei* la mòr da Matriz da Vi lia do Porto*

C

AP T U
I

L O

X.

Do quinto Capitão da Ilha
54

de Santa Marias

A

O quarto Capitão fuccedeo feu filho fegundo, f por o prímeyro
fe

fazer Religiofo,

como vimos)

gundo le cognommava de antes , Soares de Albuquerque

& porque <i^- o.uinu Capitai
,

governo i Brás Soares de Soufa , feguindo a feus an- Brat Saares deSoHfa, .teceíTores atè nos appellidos , como he coftume. Sérvio em muytas Ar- como fim amepajfa^^ madasaoReynojachou-fe no cerco deMazagaó j& na conquifta dt '^"^'ifi^'^'" 'w-^j^*JPinhaÕem Africa. Cafou em Lisboa com D. Dorothèa, fidalga filha de ^li^rTaím"''"^' ' MariadaCamcrâsSc neta de Antão Rodriguez da Camera , que era fiT/q^

cm fe entrando no

chamou-fe,ó/f«í;a fe

chamotí

Ihodéjoaó Rodriguez da Camera Capitão de São Miguel j & o pay ^^^^fJl/c^p/Síí da dita D. Dorothèa foy Joaó Nunes Velho, filho de Duarte Nunes de s. Miguel ^&f9\ Velho íóbrinho do primcyro Capitão ,& defcubridor Frey Gonçalo ^>''«^'* ^^^n^A do ilVelho Cabral} cafou porém pobre , mas foy de grande governo, & àt ^"fi^f primeyro^CaGonçalo Velho-y efpiritos grandes de excellente Capitão , pofto que o mUrmuraflem de ^Í^f
,

^"*gthea

Manoelde Soufa terceyroi António Soares & teve mais duas legiti- «o, & altos mas filhas, Freyras na Efperança de Ponta Delgada em S. Miguel. v Confta porem que depois da morte do noíToFruftuoíb , o 55 fegundo filho Manoel de Sõufá Soares, (ou Soares de Soufa) cafou com D. Joanna de que nafceo D. Ifabel , que Cafou com o Defembargador Mígiíel Znzarte. Confta mais qUe do dito quinto Capitão oterceyro iiiho António Soares foy Religiofo Francifcano & do primeyro filhe»
;

afpero. Teve trds filhos dá dita D. Dorothèa frimò Pedro Soares , a VordeZ7eCh% quem de dezoyto annos deyxou morrendo Fruduofo fegundo filho tl^ dég^nL gover->
;

j

j

ejpmtosi

.

,

-

j

^^iremosabayxo./ifí'^ confta que efte quinto Capitão Brás Soares ,ná
t.ort-4

^?->Ag:^>SMftÍ3g

^

til

Livro IV.

Da llha^c Santa Maria,'

contenda de Felippe II. fucccder na Coroa de Portugal , fcgnio as pai".' tes de Felippe, & com tal empenho , que levantou forca na Ilha de ban* ca x\Iaria , & pelo mefmo Felippe foy depois feyto Commendador da Ordem de Chrifto , com tença de feíTenta mil reis na Alfandega da Ilha

deS.Miguel.
ll!
I

Porém antes da entrada em Portugal de Felippe II. do no56 me,ReydeCaftella,fuceedeo em5. de Agoilo de 1576. chegaremâ , Com ejíe qutnto C^; jjj^^ ^^ ^^^^^ ^^^.^ ^^^^ ^^^^ Francezas de noy te , & fem ferem fenti.

huma hora antes da manhã botáraópelo Porto em terra trezende confiados os que nem inimigas armadas de tos homês CoíTarios bem armados , dormindo FrAncez,es: & quan- tal cuydavaói & os da Villa, fó ás vozes de huma moça , que mdo muy5rr«!»TA4X'f«f«
«las, 6c

de manhã a bufcar agua , & vendo vir para a terra as barcas dos fitães das Ilhas refi. francezes , voltou gritando á Villa , Sc aos brados de huns moços pefdao^ll^2. '"* "'"J': cadores que do Ilhèo vinhaó fugindo , fó a eíte eftrondo acoi;dáraó os lit Y^ímit ja YiWa i & ainda mal veftidos fe retirarão ao Certaó da Ilha , aonde ò Donatário que jà governava , & o pay que ainda vivia , eílavaó na fua quinta i & pofto que alguns homens , que primeyro acordarão aos grimatarão algun^ tos, fi^erão alguma refiftencia aos Francezes ^ & deftes dos da Villa morrerão Amador Vaz Faley ro , Vereador adual, Manoel de Soufa irmão do Donatário & foraó feridos Francifco de Andrade» homem fidalgo , 6c Duarte Nunes feu irmão , 6c Jacome Thomè Faquafi milagrofaleyro j 6c fó o Vigário da Villa Balthetar de Payvà , eípingardas , cora o Sanjncnte paífou a cavallo por entre as lanças , 6c IgretilTimo que comfigo levava , 6c o feu Thefoureyro com a prata da
to importa

que esCa' ^q g^tes

•,

jaj 6c

' I

de tudo o mais ficáraõ fenhorcs os Coílarios 6c faqueàraó a Villa. Eis-que na mefma manhã pelas fete horas , os da Villa,quc 57 fe tinhaô ajuntado em huma Ermida de Santo Antaó , dous tiros de béfta da Villa , 6c o Capitão velho , Pedro Soares de Soufa , que paíTava ]i de feflfenta annos , voltarão fobre os Francezcsj 6c eftes, que eraó trezentos bem armados , rechaçarão de forte aos menos nolfos que houve varias mortes de parte a partej 6c os CoíTarios começarão a pôr fogo à Vilíoccorro , 6c le fizeraó la, 6c os defta logo mândàraô a Saó Miguel pedir fortes na dita Ermida 6c no mefmo barco vieraõ logo de Saó Miguel o Sargento mòr de Ponta Delgada Simão de Quental , & feu filho An. tonio de Quental, com muy tas armas ^ pólvora, 6C atambori ^ na fegun* da feyra de madrugada jà eftavão com os da Ilha de que tendo avifo os Coílarios, inveftiraó por Vezes os da terra, que já eraó duzentos 6c cincoenta , 6c t^ts]i armados os carregarão tanto , que na noy te da fegu nda para a terça feyra fe voltarão com tal preíTa , & tal defordem aos fcus
, , ; j

navios , que pelo caminho lhes ficáraó as trouxas , 6c grande parte
.

do
fe-

que Icvâvaó j 6c da
ridos.
58

terra

morrerão fó dez homens ,

6c ficàraó

onze

chegarão de Saó Miguel , em^mayor íoccorro, muytos da principal nobreza, como o Capitão Francifco d' Arruda da Cofta , fidalgo da cafa de S. Mageftade , Sebaftiaó da Cofde Jorta feu filho , 6c Joaó de Mello feu genro, 6c André Botelho filho Africa , 6c Ange Nunes Botelho, 8c Henrique MonÍ2 Cavalleyro de Chriílovaõ Cordeyro o moço i ôc Brás Coelho, tónio de Benevides ,

Logo em

a terça feyra

&

^

Capí'X/DoquiÃtô Gapiíáõ Donatah^,

«if

^ Pedro Rodriguez de Soufa feii irmaõifilhDS ambos de JBálthezar Rol
díiguez de Soula j í/f«? Joaô de Frias filfao de Bartliolonieii de Frias»ogiíeyra ^ António Mendes fi* íâmbrofio Noguey ra filho de Eílevaõ )|ia de Joaó d' Arruda da Cofta, Amador Fernandez irmaó de Sebaítiaó JLui§ , Antoniç Botelho Efcriviae- da Camera de Ponta Delgada ,Hict jDo grandefoccemê ronymo Mendes filho de António Mendes , Gafpar Cameiío onjoçoj deS. Migutl veyoá EUiQ de Jorge .CâmeUoj Ayres Dias .Correafilho de Gafpar Corrêa ,& S. Maria, mas jktari neto de Lourenço Ayres, ManoelLol)o filho de Francilco Lobo , Luis ^'i^(i'íih^Jti Mendes Viftoria Feytor délRey,J()a6 de Robles HefpanholiSc cô eftes nobres vieraó. ma^is duzentos homês de peleja. E^não h^ que admirar de aflim acudir Sa& Miguel -a Santa Maria , porque da primèVra nobreza deíla defcendia a primeyra de Saó Miguel , & por também lhe dever feudefcubrímento^omo veremos }& por iffo cora tal foècoíf o, ííflèm ,~^ deartelharia, armas, & munições, lhe levarão taiíibem muytos manti* mentos. -í: Mas pofto que o tal foccorro partio de Saõ Miguel logo 59 terça feyra , não chegou fenâo na quarta a Santa Maria, quaa-* ém a dita do já fe tinhaó embarcado , & partido delia os Frahcezes. Ao outro dia çhegáraõ a Santa Maria nove navios da Ilha da Madeyra com dinheyro dez dias depois , com os ditos nove navios , & bafcar trigo j em cin* voltou o foccorro para Saó Miguel com o feu Capitão FrancifCO mais £ô d'Arruda da Cofta , que nefta occafiaó , & em ferviço delRey gaftoii iftuyto de fua fazenda. E ainda que fahido de Santa Maria o dito foccorro , tornou logo huma grande náo a acometer a Ilha por vezes , Sc com lanchas , o Donatário Pedro Soares de Soufa ,& Belchior Velho de Andrade, fidalgo do Porto , donde tinha vindo , fe cafou em Santa Maria, defenderão fempre a terra com fó a gente delia, com tal valor, qiie as barcas fe recolherão, &; a nàofe foy. 6o Depois cmdousde Novembro de 1589. apparecèraô ao hrgó duas grandes nàos,& de noyte commcttèraô a entrada da terra com barcaflas mas advertido tudo pelo Donatário Brás Soares de Soufa, fez lançar ao mar dous tam grandes barcos, 6c tam bem armados,que âsbarcaflas fugirão, deyxáraó hum navio do Brafil, carregadoj qiie tinháo entrado, tomado as duas nàos , & fe fahiraõ tam depreííaj que nada mais levarão, mas deyxàrâo muytas armas , & de cem homens

N

X

.

&

&

&

&

;

& &

&

que eraõ os das barcaíías, voltarão fó
-^1
-

féis,

ou

fete.

.

t

Idas eftasnàoSjaofegundo dia anchoráraõ em o Porto duas mais pequenas nàos atirando continua artelharia, mandando logo duas grandes barcaíTas , duas lanchas menores, todas cheas de muyta gente de guerra, bem preparada , com miiytos atambores , trombe-

&

•WFv^f

&

&

&

'

cpra as armas dè lium Principe, ou Conde que alli vinha mas governando a gente da Ilha o feu Capitaó Donatário Brás Soares ,taes cargas de moíquetaria deo ao inimigo, por outra parte taes pedras derrubarão fobre os das barcas, que atè ao dito feu Príncipe lhe matàraõ 5 a barcaíTa da principal bandeyra fe voltou com ella a rafto para a nào , as outras a feguiraõ fugindo
:

tas,

& bandeyraSj & a mayor das barcaíías

'

'

&

&

&

& em entrando na nào,aíIimfe tornarão huns contra osoutrosj ^He hum de furiofo fe lançou ao mar^ matando-fe a fi mefrao j & as nàos
todas,
''''
-

"
,

-

.

lêvan"»

-.«cíSmL

fio

Livro IV. Da Ilha de Santa Maria?

s

*

rx?*'.".'^^^.

íV

levando anchoras, & largando velas ,fe foraó , deyxando a Ilha livre, 8ç vicoriofa. Tanto vay em ter prefente huma praça o feu próprio , &; era« naó viver aufente delia. E por iíTo outras vezes penhado Capitão , lanchâs , fempre foy fendo a mefma Ilka commettida de varias nàos , bem defendida , & ficou vitoriofa,por nella aínftir fempre o feu pro^

&

&

prio,

& valerofo Capitão.

GAP
Ofim
CaphA'S PêZ

I

T U L O

XI.

OofextoCapitad da Ilha de Santa Maria,
62

Y\EdT0 Soares de Soufa foy o t^uefuccedco por Capitão Doi

dro Soares de Smfa^ filho do quinto , gafou pitão

pay Brás Soares de Soufa, quinto Ca-? duas vezes , primey ra com D. Viftoria da Cofta , filha do i cafou duaiviz.es-, da priDefembargador Diogo Mendes da Cofta,& dellarnafceo hum Brás SoaTntyra mulher teve militou atè res de Soufa , que foy Commendador de Santa Maria , & ^orfilho aBrat Soares humafilha natural, que ca» do Brafil j ôc fó deyxou de Souja 5 m flitou, morrer nas guerras CaftrojSecretario da Mefa da Confciencia^ morreo hoí guer- fou com Manoel Pereyra de mais outra filha natural , poc ras do Br afil &foy que depois fedefquitou delia ; & deyxou Comendador da Ilha nome D.Marina, (ou Marianna ) que morreo folteyra. deS. Aíaria drfó Teve mais efte fexto Capitão Pedro Soares de Soufa poc 63 deyxoK duas filhas foy homem de granfilhos baftardos, a Lourenço Soares de Soufa, que naturaes-jé' dafeguMageftade , que por iífo o fez fidalgo de fua ca* da mulherfidalgaD des ferviços feytos a S. teve por filha baftarda Anna de Mello ttve fa i mas fe deyxou defcendencia , não o fey. Item quando morreo tutro filho Bros Soa- a huma D. IgneSj que na dita Ilha vivia ainda folteyra , res de SoHpt^ como o onoíío Fruduofoi&affim não havendo ainda então defcendente algum varão , & legitimo do tal fexto Capitão Pedro Soares, que herdaf-i

X

natario da Ilha a feu

&

,

^

,

'

fe a Capitania.

.

,

.

\

Segunda vez cafou efte fexto Capitão com Dona Anna de Mello, fidalga de igual nobreza, & limpeza & defte matrimonio naf^ pro*. ceo D. Dorothèa, que efcolheo o eftado de Religiofa, & eatrou j & da Efperança da feíTou a Regra de S. Franciíco no Seráfico Convento Cidade de Ponta Delgada da Ilha de Saó Miguel j & emfim nafceo def-, hú filho varaó, qu& te mefmo fcgundo matrimonio do tal fexto Capitão paterno. fc chamou Brás Soares de Soufa^ como feu avò

a

j

64

j

C A P
Neflefetimo Capitão Broi Soares de Soitja acabou a primeyra
baronia legitima dos Capitães de S. Maria , porque naõ dey-

I

T U L O

XII.

DdfeptimoCaphao Bros Soares de Soufa.

II

Efte feptimo Capitão ( como também a feu pay ) jà ná^ chegou com fua vida j ainda que larga, o noífo Doutor vefeptimo Capitães não dizexou filho legitimo al- lho Fruducfo; por iífo deftes fexto, por fua morte gíi , mos mais i fó fabemos que pelos fcnhores Reys de Portugal foy conaoutre^ fedtoacafa ti-. firmado naó fó na Capitania , mas também no foro , que na cafa Real

A

/\

&

&

&

&

éfue

em Lisboa a ai'

eanftit.

do fcxnhaõ fcus muyío illuftres avòsj porque naó fó era filho legitimo

Cap.XII.DôsGommendacíoresdadítàilha.

i-tt

^Donatário , mas prímeyro neto do quinto , fegundo neto do (^liartói terce yro neto do Donatário terceyro , quarto neto do' íègundo Donata* rio Joaó Soares de Albergaria , & quinto neto da legitima irmã D. Tareja Velha Cabral , irmã ( digo ) do grande , éc Regular Frey Gonçalo
"Velho Cabral
5

da

Ordem de

Chrifto,

Commcndador de Almourol,

Senhor de muytos lugares, como Pias, Bezelga, & Cardiga , privado dos Reys de Portugal, & do noflb Infante D. Henrique , 6c primeyro defcubridor 5 & Capitão Donatário de ambas as Ilhas de Santa Maria^ ôc Saó Miguel , & tam illuftre varão he o que fica fendo quaíi quinto avo legal do dito feptimo Capitão , & efte fendo feu quinto neto legal,

& legitimo feu fexto fobrinho.
para defengano deíla fempre , Sc tam mudável vida^ confta que o dito feptimo Capitão foy o ultimo que teve a dita Capi-

66

Porém

fepaflou a outras diverfas, no tempo ^^ Por^mh^reiUia^i que Caítella entrou cm a Coroa de Portugal j & fe porque efta Ilha não ^.^«^^ /Jl^y^^^^j ^^ íeguio em a Regia demanda a Portugal , mas aCaftella ,lhe deo Czí- Capitães Domtarioi t€lla tal paga , fó os juizos Divinos , que fempre faó infcrutaveis , o po- de S.Maria^em Anderáó fabcr j que outrem fó poderá dizer , que naó devia Caftella tirar à tmio Soares deSoiefa, tal cafa a fua Capitania , porque ainda que o feptimo Capitão naó dey- J^^'*'^*' ^"*'J^o"^'"'^^
tania
,

8^quc efta de

tal cafa

xaífe filho varão legitimo

dura ainda a ba"í^f í!f-^' lhos em Ponta De/^a" V , que tanto merece- dadeS.Mimel.&S raó não fe lhes tirar a Capitania da Ilha que elles defcubriraô, povoa- feconfeítou fempre, raój cnnobrecèráo , & defenderão tanto com as fazendas , Sc vidas. Por- naõ menos rico

^-ii-Tii b.. gitimados pnmeyros Capitães da dita Ilha
,*'.
,

com tudo durava então , &

í^
*

,

&

que
6j

limpo y^íte HOfáttgfi»^'

de faber que do terceyro Capitão Donatário da Ilha '^*A** de Santa Maria, Joaó Soares de Soufa , & de fua primeyra mulher Dona Guimarda Cunha, não fónafceo o quarto Capitão Pedro Soares de Soufa, mas nafceo também feu legitimo irmão Nuno da Cunha de Soufa, que cafou com D. Francifca Ferreyra & deftes nafceo Joaó Soares de Soufa , que cafou com D. Felippa da Cunha que foraó pays de Manoel da Camera de Albuquerque , que cafou com D. Marqueza de Menezes ; & deftes nafceo Joaó Soares de Soufa , que cafou com D. Anna de Mello &: ultimamente deftes nafceo António Soares de Soufa, que
; , 5

He

li'

ainda hoje vive cafado com huma conhecida dalga, de que fallaremos em feu lugar.

,

Sc bera

nobre , Sc

hmpa

fi-

68

Em efte pois, que por legitima
Sc

baronia he terceyro neto de

hum inteyro ,

legitimo irmaó do quarto Capitão de Santa Maria j Sc quarto neto do terceyro Capitão, neftehe que fe devia continuar a Ca- ^^'^ ospiécméçkpitania de tam nobre, Sc fidals-aeeraçáo, efpecialmente tendo-fe con"",''

T^T ff.

**,

que podia mover muyco que ^ s. Mimei, mnhiÍJt a mefma mãy do feptimo Capitão Brás Soares de Soufa , D. Maria de toiíjà hje; para <fué Mello, enviuvando do fexto Capitão Pedro Soares de Soufa cafou fe- cada hum- trate mais acabar bem ejuá gunda vez com João Soares de Souí^i , de que nafceo o fobredito Auto'^f -''^''^^ ^"* csme^ar^ nio Soares de Soufa hoje vivo, Sc irmão materno do fobredito Capitão ultimo, que jà por baronia c^ legitime, deícendia do terceyro Capicão; mas emfím afllm quer Deos que vejamos a inftabilidade das nobrezas, Sc grandezas defta vida, para que nos não fiemos delias, Sc tratemos das da
,
,

lervado enj igual nobreza, Sc limpeza ; ao

,

ourrai

L

,

CAP.

!m

Livra ÍV.

Da Ilha de Santa Maria.
«-i»

CAPITULO
DosCommendadores da
'

XIIL
Mariaé

Ilha de Santa

dízimos faó da Ordem de Chrifto , 5e JC/ ordinariamente faô dos Reys de Portugal , como Meftres , Adminiftradores da dita Ordem , com obrigação porém de darem o deieroiiiiado, & neceffario para os MÍHÍftros,&: ferviço da Igrejaj & ElRey manda arrendar os taesdizimos aquém mais lança nelles, com a dita obrigação > & afllm fe obfervou por algum tempo na Ilha de Santa

^9

T?

M todas

as Ilhas os

U

que ElK.ey dco fomente os dízimos- defta Ilha em particular Commenda porque os direy tos Reaes de entradas , nunca os Reys os deraó , nem os tem fenhor algum no Rey no 5 como nota Fru£tuofa liv.i. cap. 2 2 mas ainda deftes , & dos dizimes dá lempre a redizima aos

Maria

,

atè

}

.

Capitães Donatários.

trimtjro

O primeyro Commendador pois de noíTa Senhora da Af70 fumpçaô da Ilha de S.Maria (que afíim fe mtiuila efta Commenda)foy Comenda- D. Luis Coutinho, filho do Conde de Marialva, & irmaõ do ultimo

coni Dona Leonor de Luis SSS.7Í;2: efte primeyro Commendador Dde morCoutinho liluitre & naíceo dos fidalgo Mendanha filha de hum Alcay fante D. Fernãdo (de quem logo fallaremos) & Domão âelRej D. foda taes cafados D. Francifco Coutinho, 0JII.& dejxm na Joanna Coutinha & Dona Mana Coutinha porém o tal primeyro
ir,
,

,

filhe,

,

;

4rfilhai.

Stfunâo ComendadorfoyoKiraD.Frã- nor
\

Commendador foy por Capitão mòr de náos à Índia , & foy a Saboya com a Iiifante,& em fímtaleceodemorte fubita. Ofegundo Commendadorfoy D. Francifco Coutinho, íi71 ^^^ <^" primeyro Commendador , por cuja morte ficou a viuva D. Leo-

de Vilhena adminiftrando a Commenda pela menoridade de Dom cíjco Cominho filho Francifco feu filho, & foy tam fanta fenhora, & ram efmoler, quehadofrimejro,& áeD. vendo geral fonie em Lisboa , mandava pòr à porta taboleyros de pao Leonor de Vilhena, ^^^^ ^g pobres , & dava muytas efmolas particulares , &c a ReligiofoSi WÃ^r/^KM.é-^^í^ g^ ^.^gj^^ que milagrofamente fe lhe augmentava emcafatudo. Morta D. Francifco com huma irmá do Baraõ de Alrnlí^efJoL^Zlu, P°'^ '^^^ lenhora , cafoo unto maisfi Iheaug- vico D. Rodrigo Lobo , chamada Dona Felippa de Vilhena; & dous irmentavatHdoemca- mãos deita cafáraó (I>.Felippe Lobo, Trinchante mòr delRey, que fa^& mtlagrofaracte; ^q depoís foy à Mina, & outro irmaó que ao depois foy pagem do arrecafiiíco>n híía irwa ^^^-^ ^^^ ^^^^ -^^^^^ ^j^ j) prancifco Coutinho, que eraó D. Joan>j

d« Barão de Alvito

% -r\ -ka i)./?.^r/..L.^.,</^"^'^D.Maria.

.u^l

tJ muymfi.
com

lhos ^& filhas^foy

Infame D. Lms a tomadA deTftnes, tcrccyro, D. Gonçalo; quarto, D. Bernardo; quinto, D. Hieronymo: das foy grande valido do ^^^^^ gu^^^, ^ ^^^^ ^^^ Antónia de Vilhena , que foy Freyra cm Santa ftnhrr D. Aniomo. Miguel de

CoutiDom Francifco r> Teve efte fegundo Commendador r» nho de fua mulher D. Fehppa cinco filhos, & duas filhas primeyro,D, Francifco, Commendador, como diremos abayxo> fegundo, D. Pedroi

n

j

t

tr

r

.•

:

&

^

^^^^^ ^^ Santarém

com Dom Noronha, filho fegundo de D.Aííbnfo de Noronha,irmão do Marque:^ de
;

a

outra D. Joanna, que cafou

Cap.XnL Dos mefmos Cõmeiidadoresda tã Ilha.

it§

ãe Villa Real D.Pedro, filho do Marquez D. FernandoiSc o dito Dom -Miguel de Noronha teve outro irmão chamado D.Jorge de Noronha^ que cafou com D.Habel filha de Antaó Martms da Camera,CapitaõDo* natafio da Capitania da Praya da Ilha Terceyra , mulher de grande vif* tude & a mây do mefmo D. Miguel de Noronha era D. Maria de Sàj ( ou Déça } cuja filha cafou com o filho mais velho do Conde de Ten* tugalj&çlia morreodoprimeyro parto fem herdeyros. Ita Fruauof©
:

Uv.

3. ca^.

24. adfintm.

EftcmefinofegundoGommendadorfoy homem de gran73 artes liberaes , des partes, grande Cavalleyro j achou-fe com o Infante D. Luís na tomada de Tunes , foy muyto valido do Senhor D, do Infante. Em hum dia eftando ElRey comendo , fe Antoniojfilho veyo a fallar em hum negro do dito D. Francifco Coutinho , o qual efo mandavaó deforelhar por ladraó, querendo D. Fran•cava prezo,

&

&

&

&

&

.çifco

comprarlhe as orelhas , tanto fe lhe pedio por ellas , que D. Francifco defittio da coraprai& reparando outro fidalgo em as naõ comprar^ diíTe f)ara ElRey Senhor, he muyto dinheyro para ca^rne tam ruim. E o Rey ouvindo o dito mandou foltar logo o negro. Tinha eíte D. Francifco grande faufto em feu trato , nem fe fervia fenaó com Éfcudcyros nobres i& faleceo cm 1 8 de Outubro de 1 5 65. terceyro Commendador de Santa Maria foy Dom Lui$ 74 Coutinho , filho mais velho do fobredito fegundo Commendador ; fendo de vinte cinco annos , fez-lhe mercê da Commcnda ElRey D. Se* baftiaó pçlo Alvará feguinte* Vom Sebafitaè for graça de Veos Rey de Portugal^ é- dos Al- Tercèyfd CúmmeâÂ^ 75 dalém martem Africafenhor de Gume y Nanjegaçao^ Co- dorfoy D Lhís CohJ garvesdápiemt ^ercio deEthiopía, Arábia, Perfia, da índias &c. Façofaber aos que ef- tinha pelos Reaes aU ta minha carta virem , quepr parte de D. Luii Coutinho ,fidalgo de minha VArks fegtiintés ,($" Cavalleyro da Ordem de Chrtjlo ,filho de D. Francifco Coutinho que graridet MCrtfcentasafa, Deoshaja, me foy aprefentado hum AlvarÀ de lembrança delRey meu Se'- mentús na CommtH» da-^fèrvie em muytíti
:
.

O

&

&

&

d

&

nhor,

& avúi quefanta gloria
dtto

haja , por

elle

D. Francifco fazer mercê a feufilho mais velho , quê Ikficou^indo cont El* prfua morte ficaffe, da Commenda de noffa Senhora da AJfumpçao da Ilha de Santa Maria, que o dito D. Francifco tinha, como he declarado no dito AU
forfalecimento do
vara, de que o traslado he ofegninte^ •jG Eu ElReyfaçofaber aos queefie meu Alvará virem, ^Uéhá^ vendo refpeytoaosferviços que metemfeyto D. Francifco Coutinho fidalga , de minha cafayé' aos que efpero que ao diante mefaça,hey por bem , c^ me praz, de porfeufalecimento fazer mercê afeufilho^mats velho, que porfia morte ficar ,da Commenda de Santa Maria da Affumpçao da Ilha de Santa Maria daí Ilhas dos Açores , que eUe Dom Francifco hora tem , parafuá guarda , é- minha lembrança lhe mandey dar efie Alvará por mim affinadoi o qual qutro que fe cumpra , éf guarde inteyramenk, como fefora cartafeyta em nome ,pajfada pela Chancellaria , pofio que por ella naopafie ,fem embargo da Ordenação do fegundo livro titulo vmte , que dijpoem o contra^

ajjinado , perque lhe aprouve de praçoi de Afnca,\&^

&

mm

rio Andr'è Soares ofez

qmnhntos
'

&

em Lisboa a vinte ó- cinco de Septembro de mil cincoenta. Pedindome o dito D. Luis Coutmho que por quanto
,

^

e ditofeupay erafalecidoj

^

elle firofilho

makvdho que^orfeufaleciménti
íl

I*

fickra^

>

W— ^A*^!

ti»

114

;

Liyj-Q ly.'

0a Ilha de

Santa Máfia.
do Voiítor António VaSè,

^cáray figfindpfez certo pw. certidão
í»!-*

dejuftific/zçío

!l

das Jttjiificaçoes del4e CaJteUohrartcoyJmz.dosmemfeytos áa fazenda j Idi a quem vmha , experiência a dita Commenda , conforme ao dito Aharx ar 4£ Lembrança yhowvejj^: for bem de lhe mandar fajf carta èmforma delle.

&

E víjiofeu íequerimentOi &o dtto Alvará
ãiíojèu payi

,

havendo

rejpeyto aosfervi ços

do

0- aos que ejjeroque elleD. Luu a diia Ordem , é^ a mtmfaçdf por betpi Hey me paz, , de lhe fazer mercê ycm Commenda com o habito delUi dos dízimos da terça da dita Ilha de Santa Maria ^ ó" a dizima dopef

&

çadoj que antigamente je arrecadavapelos ojficiaes dos Reyspajfados parajua

fazenda

éf c^jf'^ d vintena do afiei da dita Ilha de Santa Maria , ér dos doas Jlhèos que ejiãojunto delia no mar ,humquefe chama de Sao Lourenço^ que ejik detraz da hbay outro que ejiá defronte da Ilha > dos quaes Ilhèos hejpor bem que o dito D. Luufe pofjdaproveytar no que lhe bem vier ,fem
-,

P

&

heypor é^ por ejiaprefente carta lhos couto , merece da dizima do Pafiel, que fahtr da dita Ilha parafora do Reyno, que anda com d dita Commenda ^ como tudo a dita Ordem , ò- a mim pertence , ó" pertencer pode , por qualquer ma*
coutados
:

dsUes pagar direytos alguns

&

,

lhe faço ijfo

mefmo doação ,

&

&

neyra quefeja,
ta que da dita

& comotinhai t^pojfuhia &

o dito

D.

Francijcofeu pay pela car-

i,

1

Commendalhefoy pajfada , porque de tudo faço , por efta doa-" çaoy mercê ao dito D. huucom o habito da dita Ordem como dito he-, com tal declaração yque elle fera obrigado apagar afua cufiaosmantimentos-yó' ordenados do Kigarioy Clérigos , é^Thefoureyro , quaefqner outras Or^ jàinarias de Ofjictaes Ecclefãflicos da dita Ilha , dar o trigo necejfario paas hojiias , é^ o -vinho, velas, ò' candeas de cera para ofeT'^ ra farinhapara viço da Igreja da dita Ilha , cada vez que para ijfofor pedido cr por tanto mando ao Capital) da dita Ilha , ò' ãofeu Ouvidor y Juizes , é^ OJjiciaes da, dita Camera, povo delia, que hajao ao dito D. Luís por Commendador da dita Comarcaycomo o era o dito D. Francifco feupay j ao Contador dà^mi" nhafazenda na Contadoria da Ilha de Sa'o Miguel , que lhe de apojfe delia: ajjim mando ao Almoxarife , ou Recebedor do Almoxarifado da Ilha de Sao Miguel que hora he , ò" pelo tempofor , que lhe deyxe haver , arrecadar afi, ou por quem lhe aprouver-, o rendimento da dita Commenda , que con* forme ejia carta lhe pertencer haverá ifto de [de o dia do falecimento do di-ò- cumprao , tofeupay em diante, na maneyrafohredita guardem, façao inteyramente cumprir , ó- guardar efia minha carta, que porfirmeza lhe mandey dar, affinaàa, é^fellada com ofello da dita Ordem-, a qual fe regijia-^

& &

:

&

&

&

&

&

•,

&

^

ra no livro do regifto da dita Contadoria, para fe ver, ó-faber como tenho fey^

mercê ao dito D. Luis ér aoaffinar delia fe rompa o dito Alvará de lembrança acima trasladado. Dada em Lisboa aos 2j.de Junho. Getfpar de Magalhães a fez , anno do Nafcimento de nojjo Senhor JESU Chrifio de 1557. Sebaftiao da Cojia afez efcrever. E darlhe-ha pojje da dita Commenda Pedro Henriques , Contador da Ordem de nvfjo Senhor JESU Chriflo,. fejio que acima diga que lha de o Contador de minl:afazenda da Ilha-, a qual dará porfi , ou por fua commijjao, cada vez que para iffofor pedida. A qual carta eftáaffi nada pelo Cardeal Infante,
to efia
-,
i

77

Fez também ElRey D. Sebaftfaómcrcè ao
,

dito

Dom Luísr
também

dos direytos da Urzella

da penfaó dos Tabelliães da mefmailha, porprovifaQfeytapoçSimaó Pimentel, a 6. de Julho de 1567. Tem

&

1

il

r

Cap.XlV. CohcIaíaõdásexcellenciasdataUlha,

ii|

lambem o Commendador de Santa Maria i dizima
i\goftodei568.

das moendas, por

provifaó delRey D. Sebaftiaõ, fey ta por Joaó Orelha Tabelliaõ, a 2 5 .de

Foy efte terccyro Commendador varaómayto valerofo*> 78 Achou-fe no cerco de Mazagaõ ; efteve em Tangere com mais cinco cavallos j Ôc féis homés à fua cufta j fendo entaõ iá Gapitaõ D. Lourenço Pires de Távora j achoufe na tomada de Pinhão i foy em foccorro á Cidade do Funchal cntra4a pelos Francezes & ultimamente foy com ElRey Dom Sebaftiaõ a Africa , 6c naó houve mais noticia delle. Tev© mais quatro irmáos, D, Pedro, D. Gonçalo, & D. Bernardo, todos Couo quarto irtinhos, ôc todos na índia acabarão em o ferviço delRey } mão foy D. Hieronymo Coutinho. Quarto Commendador foy o dito P. Hieronymo Couti- Qjtarto Commthàaí 79 nho, quarto irmão do fobredito terceyro Commendador. Efte D. Hie- d$rfoy D. Hieronymo ronymo foy em feus principies Collegialdo Real CoUegio da Purifi- CoHtinho'^ irmaõdo cação de Évora j dahi foy à índia , aonde achou feus irmãos mortos em o tereeyro;fèrvto naln*dia^ & vindo lhe dei ferviço delRcy j & comtudo o fervio ainda là cinco annos , depois dos Felippe II. éi Commiquaes voltando, achou cà também que o Commendador feu irmão mais da, & voltou para a velho D. Luís tinha acabado em Africa com ElRey D. Sebaftiaõ,& ain- índia por Capitão daquc tinha fido muyto privado do Senhor D. António , & feguido fuás mor de bítaArmádá partes, não fó lhe perdoou Felippe II. mas lhe deo a Commenda do irmão, pofto que com a penfaó de duzentos mil reis para fua mãy j & foy por Capitão mòr de húa Armada da índia , mas ficando femprecoma Commenda da Ilha.
-,

&

CAPITULO
Cofíclue-fe

XIV.

com a Ilha de Santa Maria ,& fuáspn^
rogativas.

o 26. do Doutor Frwftuofo he com tao da a verdade o mais do lobíedito , & de informações que tive, eftando ha cincoenta annos na vizinha Ilha de Saõ Miguel. Qiien^ da de Santa Maria he hoje o feul Donatário Capitão ? Certo he , que quem o he , não refide lá j & he tam grande o perigo de humâ Ilha , não ter dentro de fi feu Capitão , quam grande he o da náo , em que não vay Piloto, que por mais que outrem queyra fubftituillo, nunca o faz com© o proprietário. mefmo fe pôde dizer do Commendador que eftando tam longe em Portugal, fó pôde mandar vir da Ilha os dizimos, fcm com elles acudir à Ilha , quando tal vez he mais neceflario ( & fica ella entaõ como gado fem Paftor)'para a vida humana. De melhor partido eftão as outras Ilhas, que ainda que em fi não tcnhaó feus Capitães Donatários , tem por feu Commendador ao mefmo Rey fomente , que era toda a parte eftá , &; por zebfos Miniftros acode a tudo , 6c cm toda a
80
liv. 3. cap. I.

DO

atè

O

,

parte.

81 Das rendas defta Ilha conftoume no anno de 1 666. qwe deo ^'I^^^^J^^^ 'Ss -* de trigo ao dizima 137. moyos, que fuppoem ter dado quafi mil & qua- •

^

L

iij

^^0^^^:

xiã
trocentos
,

Livro IV.

Da Ilha de Santa Maria

,r'r

que o das mais Ilhas. Do que chamaS Miuças j rendeo duzentos mil reig: do vinho tambcmhebom odízir moi & efte também fe paga das entradas de todas as couías , que de fora dra Coroa de Portugal vão à dita ilha. Delouçadebarro,&do barro em fer, de cal, urzella , & do mais que da Ilha vay para fora , rendem eftás fahidas muyto bem ; & mais renderiaó aos Commendadoresjôc Donatários, não fó para efta vida, mas também para a outra, fe láeíliveíTem^ou folTem eftar os mais dos annoSi& naõ menos ferviço fiuiaóao Reynocm fegurar as Ilhas , do que lhe fazem indo à Índia, ou cortejando em o
trigo melhor

& he

Real Palácio.
Qiianto às prerogativas defta Ilha , a primeyra coníidero, ferella a primeyra das nove chamadas dos Açores ,& como a morgada de todas as outras, por primeyra em o nafcimento , ou feu defcubrimenpovoada fó por Portuguezes,&: £0. A fegunda he ter fido defcuberta, mais limpos delles, como atégora fe tem viftoj donde os mais nobres, com razaó. fe deve lembrar efta ditofa Ilha , que ella das mais he a col* limpeza, coma liaremos logo. Bièa da nobreza,

82

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4.

LIVRO

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ILHA DES. MIGUEL
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J^oprmeyrodefcuhrímentodallhadeSaõMigtiel3&

fem
(f

defcubridores^

UIZERAM dizer alguns
1

,

que pelos annos da

àeSl antes de fer defcuberta pelos Portuguezes a mentos da Ilha ^'""^'» Ilha de Saó Miguel, dera com ella hum Grego, ^:g«í'- ^

3 70.

do Nafcimento de Chrifto, fetenta annos Fahlefis defcuH^

que tendoem Cadiz huma tormenta, àe^X^X^-^^TirZiílIi^ - - - vadofoydaremeliaIlha,&vendo-a,aquizpo'

voar,

& pedir, & para iíTo a quiz experimentar,
j

& voltou, & lançou nella muyto gado mas que todo morrera logo nella, & por iíTo defiftira de a pedir, & povoar, & íicára como de antes encubertaj & por fundamento tomáo, que quando muyto depois fe defachou , onde hoje he a Villa da Alagoa , muyta offada de ga* dos efpecialmente de carneyros, & que affim puzeraõ áquelle pofto, o Pojtodos Carneyros mas ifto (diz Fruduofo liv. 4. caf^ i. ) he huma mera fabula , & eu julgo fe levantou de que defcuberta a Ilha de Santa Maria , mandou o Infante D. Henrique muytas egoas , que lançaíTem nella, & tal tempeftade deo no navio , em que hiaó as egoas , ( & là jà junto a eftas duas Ilhas ) que por efcaparem os Navegantes^ lançarão as egoas ao mar, & daqui chamarão ao tal mar, o Vai , ou Valle das Egoasj :& como a oíTada deftas podia lançar o mar àquella parte mais próxima da Ilha de Saó Miguel , efte poderia fer o fundamento da fabula fobrecubrio
,

n

,

fe

:

,

\.

ditâ.

2

O certo he que eftando já defcuberta

,

&:

povoada

a Ilha

Santa Mariâ,& fugindo hu negro a feu fenhor para a mais alta íerra tem da banda do Norte, doze legoas da atèli encuberta S. Miguel,& zn-foy hu, Ner^ro daLhá 4ando hum claro dia à caça para comer , reparou em o que via, defcu- '^f ^- M^hua, brio fer outra muyto mayor Ilha ,& voltando com a nova ao fenhor, para por ella alcançar o perdaó da fua fugida , o dito fenhor ,&outrosj

de Oprimt^ò^qM *oto<t „,„ „ que ilha de Saõ Mi-gml^

&

fegurando-fe da nova^ deráo delia logo parte ao Infante > que achou
c
..

o

concoE-»

^\\m

•sííáftf

%tf

Livro V. Da fatal Ilha de S. Miguel.

concordar a nova com a noticia dos Mappas antiquiífimos, que o In* fante lá comfígo tinha. E eftc negro dizem fer o primeyro homem que defcubrio , & vio a Ilha de Saó Miguel que aíTim por infirmes meyos defcobre Deos muy tas vezes o que os homés mais fortes por feusmeyos
-,

naõ defcobrem.

Ouvida pelo Infante a dita nova ) &: ãchando-fe com elle lá então o famofo defcubridor de Santa. Maria Frey Gonçalo Velho , tornou o Infante a mandallo que defcubriíTe também efta fegunda Ilha , 6c
3

voltando ao Infante fem a poder defcubrir , ò Principe entáp vin^o, a terraj ôc defte dilhe advertio, que tinha paflado por entre o llhèo , to tirarão alguns que o dito deleubridor com feu navio paíTára por eno llhèo que chamáo de Vvilla Franca, íèm dar tre a Ilha de S. Miguel, fé da Ilha , ( coufa que , como veremos , era naturalmente impoflio Intante queria dizer fomente , que tinhâo andado entre húa, vclj )

&

&

&

&

& outra Ilha & por a de Saó Miguel fer quatro vezes mayor
,

que a de Santa Maria , por iífo a efta chamou Ilhèò , Sc Terra à outra ; que quanto do llhèo de ViUa Franca , nem dcUe os dcfcubridores derão noticia
jao

Infante.
<

Segunda vez pois o Infante mandou que o ílluítre Fr. Gonçalo voltaífe a defcubrir a Ilha j & ainda aqui fabuUzáo , que chegando ao fobredito llhèo de Villa Franca , (que eftá quafi pegado com a Ilha} ainda efta fe não via , & fó fe ouviáo làhir delia grandes gritos , que diziaõ, Nojja he efta Ilhat mjja he-, & que pareciaõ ferem vozes dos demo-

a

.

4

nios,que na Ilha andav ão.

Mas deyxadas cftas fabulas, a verdade he,que

vindo defta fegunda vez o ditofo Frey Gonçalo Velho Cabral , & pondo a popa no Norte da Ilha de Santa Maria , foy dar direytamente na Ilha que bufcava em oyto de Mayo do anno de 14+4,. dia da Appariçaa & "T o Tãnde fí. ^^ ^' M'g"^^ ^ A"j° » ^ ^^™ ^ defcubridor lhe chamou logo Ilha de S. Infante Dom Pedro , filho dahoGonfah Velho Miguel, governando cntaójàem Portugal o càral que defite- delRey D. Joaõ I. & irmão delRey D. Duarte , que também já era falebrioallhadeS Ma- cido,& tinha deyxado defó feisannos aD. AíFonfo V. a quem o dito ria,defcftlfrio í^w^^D. Pedro feu tio entregou o governo do Reynoem I448.^&aquichaadt^Migpíelem^. ^àraò entâo a eftasduas Ilhas, de Santa Maria , & S. Miguel, Ilhas dos que de íóra vinhào , ou por nelaImbL chttt- Açores-, ou por fe verem alguns nellas que no pilhar fe parecem com os AçoreS} raõlltasdos Adores, las haver muytos bilhafres, fornellMosacharem^átÇízs duasUhas vulgarmente paíTou o dito nome às outras fece Iltia^, Ilhas dos Açores, & uU l» aves ^v pareciaõ. que depois fe defcubriraõ, chamando-fe todas ,
,

&

&

timamente Ilhas Terceyras, como em feu lugar veremos. A primeyra parte de S.Miguel em que faltarão os dcfcubri5 dores da Ilha, foy, onde chamarão a Povoação velha ôc tomando logo C'*pit^'^ O llhflre YzmosàQ arvores , pombos , cayxaó de terra, & outros fmaes de novaDonatário dallh^ de^ mercê ao illufjjj^^^ voltàraÓ levando tudo ao Infante , o qual logo fez da Capitania Donatária deS. M^uel tTclpn^rZ::^^^^^^^ tinha jà feyto da Capitania da Ilha de banta Mana, tario de toda a Ilha também, como lhe de S.MigfttK& ftlo & ficou Capitão de ambas, tendo a outros dado fó metade de hua Ilha, mefmo hfsinte Dom como na Madeyra, rcpartindo-a cm a Capitania de Funchal , & de Ma:

,

Hemi^ue,

qm tanto çi^^^^ç^ Tanta mayor eftimação
qucdeoutros*

fazia aquelle Principe defte Capitão,
, ;

o efiimava.

.v.

..

»*t!

m

i->

Cap.I.&ir.Do^deícubr.&defcubnmêtosciaâitallhâ. 12^
; '

Tinhaó ficado na Ilha,6f em aquella chamada Povoação veó „ , .^rw õjarnojo e(Cavalleyros naturaes de Africa , que o Infance de là tinha tra- V**/ lha , huns ' cupnaer cvnt as »*11 mandado ao principio ,iiáo para povoarem , mas para cxperi- ^^v/^ ^^ ^.j,^ //^ íZido , mentarematerradaquella nova Ilha j & eltes qUe aílim ficarão, tal ar- para Fortf/gal deyroidoj bramido, eftiondos, & terremotos lentirâo na tal Ilha , por rnaís xou nelU,&no lugar de anno que ficarão nella atè voltarem os Povoadores Portuguezes '^^'^'®'"''' f^voa^ao '*" com o novo Donatário da Ilha, que os ditos Africanos fe refolviáo erti ^jl^^^H**f^^fi^J* delempararem a Ilha pelos horrendos tremores, que nclla experimenta- ^f^yt^j Mouros, »e f vão , & comeíFéyto a defemparariaó, fe lhes tiveíTe ficado navio erii olr^fante mando/* pa^ fuccedendo entretanto que hum delles an- ra experimentarem a que podeflbm embarcarfe: dando alguns paflbs pela terra dentro achou hum homem morto , deo »<'i"' terra, & no t.4 vaã parte logo aos mais 3 &: alvoroçados fe haveria gentio no Certão ^Q^íi^g^r fe gov^n o prenderão , & efte pofto a torfflenIlha , deraõ com outro homem , ^'^^^'^^'""J/^^lia confeífou , ter vindo da líha de Santa Maria com hum feu amigo , & ^^ú to ftlxtLgmré íefi a mulher deííe , com a qual elle vivo tinha adulterado , èc pelo não caf- d^iies ficar defcíndt* tigarem em Santa Maria , fe vieraõ todos três para aquella Ilha deferta, cia alguma, que elle , por ficar com a mulher , matara o marido , que era aquelle
.

&

...

••

.

,

&

&

&

mortoj&em ouvindo

o Mourifco que o Infante tinha mandado por mayoral , & Juiz dos outros Mourifcos , fem inquirir mais coufa ãlguma fentenciou que logo enforcaíTem o matador & querendo efte <3[ue lhe ouviíTem fua defeza , perguntara o Juiz , que pena fe dava em Portugal , a quem commettia adultério & refpondendo-felhe que ElRey o mandava enforcar , o Juiz logo , fem querer , nem "do culpa do^ inquirir mais coufa alguma, a final fentenciou dizendo eftas palavras* ForcarteiForcarte) ér depois tirarteinquiricione. E no mefmo ponto arrebatarão o adultero,& o enforcarão. Ifto o que em breve fe colhe de Fru*
ifto
j ;

'

:^

/

{kaoíoliv.^.cap.2.

I

-

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,

-.

,

,

,

-.....

CAPITULOU.
Doinelhordefcuhnmento-t&defcripçaÕdallhade

SaõMigueL
:

f TJ AíTadohum anno, pouco mais, por mandado do Infante fby

jsTo

anHo figaiHte dè
',

i do Algarve outra vez o primeyro Capitão de Saó Miguel làf^^. tornou de Por Frey Gonçalo a povoar a dita IMia com muytos , & mUyto nobres Po- tf^g»*^ S. Mignet « voadores Portuguezes ,( de que trataremos em feu lugar } &: com ga- '^^Z^" ^"A»^'''^'"'.

eommujtoí, & & íemearem, & com o mefmo iloto, com que a primeyra vez viera que tmha bem obfervado & de-^/^^^ Umili<^ & marcado a Ilhajchegando porém á fua vifta, reparou que a Ilha que ob& da* de SanJ muyto alto pico na ponta do Oriente & outro na ta Aíaria,&daMa^ fervára tinha hum do Occidente & que a Ilha quevia,naõ tinha mais que hum fó pico dejfraJepetjoouSa» da banda do Oriente fobredito & dâ banda do Occidente era razaj item ^^g^^hé^ wr^õ, ^•

dos, aves, trigo, legumes para povoarem,
,

-^"^

,

,

delias,

,

,

i

,

reparou que naquelle mar achava grande numero de folta pedra pomes, "^^^f'^^!" ."""" '"^" ^ ^ ^ tecedente tíHha apoVi a 3 r r que encontrava fobre a agua , da mefma forte muy tas arvores j que ^^ OccUêtaldalL^ ift© denotava naõ fer aquella a Ilha que deyxára. com fataes fogos &^

&
,

^^^ &

,

t

S

E naó obftante ifto

animando-fe a entralla , foy dar no mef- tremores ,

V9ad(fii^\

mo

nl

XJ0

ipitro V.

Da fatal Ilha de S. Miguel.

"^° P^^^ donde tinha fahido , na Povoação velha , que foy a prittieyrâi fa » mar \ deyxAnào alli acabarão de entender , que o pico que fal^ fepò vaíle funde o ^ <!"£ houve nefta Ilha , tfantef era monte ai- Cava da banda doOccidente, tinha em o anno antecedente voado ao ar,

&

.'j

*bandadaIlha,experimentárãOi&nopofto, aonde o grande pico efti* vera, íicàraó fete profundos , & planos valleSja que dalU por diante chainaraó Sete Cidades \ & àquella occidental ponta da Ilha chamarão , a Ponta dos Mofteyros , por o parecerem as formadas fete concavidades: he efta a única vez que fubterraneos fogos , & taes tremores deterra, edificarão Cidades, coftumando deftruillas, & arrazallas. Foy efta fegunda vinda dos dêfcubridores 3 & povoadores 9 Portuguezes da Ilha de S. Miguel em o anno de 1445 do Nafcimento ^ ^oftpfi^u^do def de Chnfto, a 29. de Septembro , dia da Dedicação de SaÕ Miguel o Anfido a primeyra vinda,& appariçaó da tal Ilhaem dia da Ap* lha7mzq.tsiptí' ^^> ^^^^^F ^ro de iA±f.diatã- P^iriç^õ do mefmo SaÕ Miguel a oyto de Mayo do anno antecedente de éemdaDedicafabde H44- qucparece quiz Deos denotar , quefe atèH andaváo diabos na* S.Mtpteh jímjo, dr quella Ilha, veyo o Anjo Saó Miguel lançallos delia , como em o prin* ft cot^rmoH a Dedi- çipio do mundo lançou do Geo aos diabos & que fe de todo o género ^'^ humano hum Divino Guardamòr, hum S. Miguel o Anjoj quiz ferdef* íflwí/T^ ^h* mm^AllhAdcs'" ^^ ^^^ ^^^ eípecial Anjo da Guarda i vejáo agora là os moradores dellaj quanto devem como Anjos proceder , ou fcguir a S. Miguel , lançando ^igHcl, íòra de fi o peyor diabo do peccado , & quanto devem celebrar a hú feu tam grande Anjo. Confirmados pois os povoadofes Portuguezes defta Ilha 10 no nome de Saó Miguel que lhe impuzera6,fundáraó logo fegunda po» v^oação , deyxando aos Mourifeos a primeyra em que eftavão fós , & isparados , fem os Portuguezes it aparentarem com elles ^ nem elles com os Portuguezes, atè que oS taes Mourifeos chegarão emfím a excinguir<=' fe, & fiçáraó povoando efta Ilha os Portuguezes fomente , que foran» logo aò principio de Portugal , 6c da Ilha de Saíita Maria , & atè da Ilha da Madeyra. Em contar quem craó eftes povoadores , de quem deícen-^ diaó, & que defcendencias tiveraó , gafta o erudito Frudtuofo em o feu Ivo. 4. défde o ca^. 3- atè o caf. 38. em perpetuas genealogias , cuja fub> ftancia fomente em feu lugar recopilaremos , como muyras vezes faz a Sagrada Efcritura , para nem faltarmos ao que deve fervir a cada hurti para imitar a íéus grandes, & bons antepaíTados, & naó feguir aos màosj
^

^-

& hoje cha- & cahira efpalhado em o mar com pedras, terra,& arvores, pelo repen* ""^' ^ funofifíimo fogo, que do fundo da terra rebentou & caufou os ^aÍT^&^l^lntfa f^^^^^motos medos, & cftrondos que os que tinhaò ficado cm a outra "^onuAnMofinm.
tijfimo
,

,

,

,

_

J

,

&

-

.

.

j

V

^

& para intoleráveis naó fahirmos com repetidas, & idêntica* hiftoriasj
\

fcaiUm defcuberta a

Ilha^ demos a plena noticia delia toda.

CAP.

WÊÊÊÊÊim

m

Cap.in.Deíuas Villas, &lugaresck parte tío SuJ.
VVVf
*>
*-'

^
s?^

'

'

CAPITULO
de Saõ Miguel ^

IIL

Defmpçaõ geral
II

& particular

banda do 6uL
Norte de Santa Maria eftá a Ilha de Saó Miguel j & a« Sul defte fica a outra, doze legoas de terra a terra j mas hc taõ húmida a de S. Miguel, & lançava de íi tantos vapores , que fem efta fe defcubrir, efteve a de Santa Maria doze annos deícuberta j porem Efi^ allha de $. Mroçado o antigo arvoredo, ficou tam íugeyta a ventos , que eftcs lhe h-gueUo Norte dallhá /ezem grande damno, & a tem já tornado menos fértil do que d'antes era: ^* S.Maria,dez.e

AO

corre de Lefte a Oefte ,

a Noroefte , & tem de comprido dezoyto legoas mas naó he mais lar-^^^ J^ Cettípa!,&figa que duas legoas & meya , & no meyo huma fó legoa ,da Refaça do^^ direytamente a» bui era a Villa da Alagôa,atèo Rabo de Peyxc da banda do Nortc,com Peeme de Pcrwgali via tam raza aqui , que aos Navegantes parece continuarem-fe os dous corre de LefteaOefmontes , & ferem duas Ilhas , & naó huma fó. Com o morro do Nordef- '"«» J'"'^"'"'"^^''^* te fica por linha direyta duzentas & cincoenta legoas de Cctuval & o ^^^/C^^^^^Y^ dito morro he hum tara alto Pico , que os Navegantes que vem do Ori- ^^^ i^^^^ ^ ^^^^^ ente , o divifaó trinta legoas ao mar & geralmente confta cfta Ilha de ^eç^e ^ viUda Ala^ huma Cidade , cinco Villas, &: vinte & dous lugares, trinta Freguezias,|<j4 da farte do SmI^ de Rah» mais de cem Sacerdotes fcculares , dos quaes faó Vigários trinta , nove -»'? o lugar <i'P'yxe daparte 4f Curas , &: quarenta & dous Beneficiados , & juntas as Igrejas com as Er'''^* midas , todas faó noventa & fete. Dos Religiofos, & Reiigiofas cm par, }
:

& faz húa ponta para o Nordefte & outra ^^'^^^^^ll''^^l'"''*!.
,

ticular diremos.

12

Da parte de Lefte começa efta

Ilha

com

a

Povoação cha-

mada Nordefte jque ao principio era humlugar , 6c da jurifdicçaóde Aprimeyrapc&oaçat ViUa Franca, ( como diz Damiaõ de Góes ^.prt. cap.i^lt.) Sc E\R.cy da parte do N<*fien^ D. Manoel cm Lisboa ai 8. de Julho de 1514. o fez Villa, & tem du-i^fi^^'^''''»^ Nordefzentos & cincoenta ôcnove vizinhos, como fc raoftrou no anno de^'^/^"';^^^'/,'^'''^ -jManoel feK f^íUa.íT ,,,„,, r/i-" \rI666.& humafoFregueziada mvocaçao de Sao Jorge, com Vigário, ^^^ ^^^ viz.inhosi

-jcvT

Cura, & três Beneficiados j he terra de creações de gados , madeyra de f^^ ^^^^^ '^^ muytot cedro, pouco vinho , cofta Íngreme , & fcgura de inimigos , & com hsL- gados ,muytA & bo* téis por mar fe communica com as mais partes da 1 lha ; 6c tem o feu por- madeyra, & he cofi/t to diftante bum quarto de legoa para o Sulj & vaó lá embarcações a buf- tf^iaita, & taofegí*-^ car trigo ; & fó hum lugar mais, chamado S. Pedro , tem por feu termo ^*/A'^;^*^^'J,^''^^^ efta Villa , & adiante huma Ermida de noíía Senhora de Nazareth j Sc l^JtrJpTrTeTdaílhll meya legoa mais adiante eftaó as chamadas Prainhas, que entre fi ^^^^f^ Çtu termo hehiên% huma grande bahia de área , & logo a ponta de terra que fe chama To-|e/»^4r. po, com o dito morro, ou alto Pico do Nordefte j & dahi a huma legoa vay virando a Ilha para o Nordefte , Sc fe continua em rocha talhada Sc alta com duas ribeyras , das quaes huma fe chama Agua Retorta^ outra a Ribey ra do Arco, porque o fez na terra para fahir ao mar. Daqui para o Sul corre a cofta. St huma legoa depois eftá 13 a mais alta rocha que ha em toda a Ilha, èc fe chama a do Bodcj por delia cahir Ivim-, Sc correndo para Noroefte dous tiros de efcopeta, vay dâf em hum lugar chamado Fayal , por ter tanta Faya, que lhe deo o nomcj
,

,

íjs
eiffá eiatre
i

Livro V.

Da fatal Ilha de

S.

Miguei.

I

duas pontas, que lhe fazem huma bahia com bom porto,á qúi fahe huma ribeyra , pela qual entra do mar muyto pefcado ha nefte lu-. gar muy ta fonte , muyto arvoredo, boa fruta, elpccialmente de eípinho, rioçumo: os melhores limões que ha em toda a Ilha , no tamanho ,
:

&

&

.

que tem por cmia das ditas rochas , de huma , & outra parte, faó algumas de trigo , & paftel , & o mais de creaçóes de gados , vacum, Sc cabrum j & em partes porcos montezes,6c pombos torquazesj& porque da Villa do Nordeíle difta já três legoas efte lugar do Fayal , por iíTohedotermojáde Villa Franca >& com o lugar fer de poueo mais de quarenta vizinhos , he de gente tam limpa Ôc tam nobre , que dclle por vezes toma Villa Franca homens para o íeu governo , ricos , & aparentados com toda a Ilha a Freguezia defte lugar he de noíTa Senhora da Graça a gente nobre he dos Velhos , & Cabracs , defccndentes da Ilha de Santa Maria. Huma legoa do Fayal eíiá a Povoação velha , ( que foy a 14 ^reslegífOí da Villa primeyra dcftailha, & habitada algum tempo dos fobrcditos Mourif* de Nordefie fará o cos, como o foy Heípanha , Itália , & outras Frovincias ) lugar grande, Sul eflk o lugar do & defó puros , & limpos Porcuguezes j do qual diz Fruftuofo liv. 3, fayáil,jk do termo de caf. 39. que em feu tempo tinha cento & três vizinhos & eu na inquiVilla Franca & de riçaõ de 1666. achey que conftava de duzentos & vinte &tres vizigente mbre dos de S. Maria\ & htía legoa nhos tem nomeyo afua Freguezia noíía Senhora dos Anjos com Viadiante eftaaPovoa- gário , & Cura , a qual mandou fazer Joaõ d'Arruda , & feus filhos, hofaÕ velha f»<? foy a mens fídalgos} tem mais a Ermida de Santa Barbara , que foy a primeydos Mouros frimeyra Igreja , & em que fe diíTe a primeyra MiíTa nefta Ilha. Eftá efte lugar Ilha, & ra de toda em frefco valíe, cora nove fontes , & quatro ribeyras , que fe ajuntaõ em pouco depois foy depft a Grande, que às vezes leva tanta agua , como hú ros PortHgMsz.es & huma , chamada entaõ tm e^Hefe dijfe afri- grande rio & tanta madeyra &: penedia, que faz horrendo eftrondoj meyra Mijfa nefta ha por aqui muy tas aves, & pombos torquazes, muyra fruta de efpias terras
,
: :

j

,

:

y

f

a,

,

;

,

Ilha

,

é" tem mais de

^ro.vizjnhosy
^elhores frutos»

&0S

& figos brejaçotes & vinhas em terra lavradia ( coufa rara cm eftas Ilhas ) & tudo o que aqui fe dá, he o melhor de toda a Ilha. Pelo in*
nho,
,

,

cendio das furnas ( que
tante
itios

em feu lugar proporemos )
fe

huma legoa , cuberta de cinza, &

foy efta terra , difpedra pomes , mais de cmco pal-

de alto , mas pouco depois
I

cultivou

como de antes ,
eftá
,

&

melhor

ainda.
^

Pouco adiante, pela
,

cofta

do Sul,

hum pofto, que chadefronte das quaes^

maó o Forninho por parecer fazerem-o as pedras
'MarfíVilhofoi fontes

hum tiro de pedra ao rnar, fahe nefte, & do

fundo

delle, fihe,

dez pal-

de

/itgH-i

doce ejHefa-

hemào mar àtz.\>drrios [obre

mos acima , tal fonte de agua doce , que naó fo íe toma doce em cima, mas doce fe tira do fundo do mar , em trcs burbulhocns de dez palmos
de triangulo ;

elle\& híÍA

de vinagre, ^ae entre Grécia , vem íahir cem legoas adiante tendo-fe no centro da terra duas de agua doce fã' traz acjui o que lá no na fonte de Aretufa junto a Saragoça de SicUia , he da rocha frontey-

& naõ he coufa nova
em
:

,

pois fabemos

,

que o Alpheo met,

&

ra.

o Guadiana em Heípanha, depois de fe metter por bay xo da terra oyto legoas fahe canto depois fora da terra , refufcitado rio & em Itália o Pado ( por outro nome Eridano ) fahe femelhantcmente , onde fingem cahira Faetonte: & o Eufrates, enterrando-feprimeyro, refufcita ao depois fobre a terra, & heo chamado Nilo i 6c aíiim não ha que pafinarde que fe na Ilha de Saata Maria ^ cqk\í,
principio lhe dcytáraó
6c
,
:

fuás

ÉBI

m

WÊkx

Cap. IV. Daprim.Villâ de S.Míguel,Villa Branca.

íiji

fuás impenetráveis rochas, 6c fubterranca abundância de aguas doceSi rio , vieíib a fahir jfe rebatefle deftas para o mais bayxo da terra algum

,em fó doze legoasde diftancia, & onde fó duâs braças de agua falgada achou para aíaítar , & vencer^ Mais pôde fer de admirar , que das
aqui
,

ditas três fontes , não fó da groíTura , muyto mais a tercey ra j mas ão mar,

&

& altura de hua lança vcnpo duas que da rocha fayaó & em direy>

to do fobredito Forninho , outras três fontes juntas , éc que duas deiias íejaó de agua doce, & a terceyra de vinagrej ou quaíi tal. Duas legoas da fotaredita Povoação eftá a Ponta da Garça»: 16 que por aílim o parecer , lhe deraó efte nome j & ahi mefmo hum lugar Adiante daoí Uge^'^ chamado da Piedade , por fer dcfta invocação a fua Igreja , que fundou na ponta daCarça ^efcm terra fua hum nobre varaô Lopeanes de Araújo > tem eíta Freguezia tk o lugar da Pigdai, quaíi cem vizinhos com feu Vigario,& he da jurifdicção de Villa Fran- de qattemcsvlz.icaj mas tem poucas aguas, & poucas frutas porém muyto bom trigo,6c nhos^ & mujto^^ bí Engenha paílel. Daqui mais húa legoa,& pelo meímo Sul, corre a Ribeyra Secca, trigo, & htí de ajfHçar , f »« na,» í que fó no nome o he } & aqui eftá hum Engenho de aíTucar , que funacaboHjk^comt dou o fobredito Lopeanes de Araújo , & depois houveraó efte Engenho feyje acabarão ejitras qM, os filhos de Sebaftiáo de Caftro', & o houveráo de hum Gabriel Coe- havia. Ihoj ôc agora ( diz Fruduofo no feu tempo ) o tem Diogo Ley te , (fidalgo , de que em feu lugar faremos mençáo} por falecimento de Manoel de Caftro , & António de Caftro , & não ley fe ha ainda tal Engenho de aíTucar , porque outros que havia cni Saó Miguel , jà acabarão^ xomo acabarão muytos dos muytos mais que havia em a Madeyra.
^ j

CAPITULO
Da antiga
17
,

IV.

& mhre Villa Franca de Saõ Miguel^
AguadeVao ^& Alagoa.
!'
'
'l'''

T^ A íobredita Ribeyra Secca,&: feu Engenho de
meçaó
}

aífucar, co« os ricos Orredores da celebcrrima Villa Franca do

chama-fe do Campo , por fer fituadacmhum quafirazocom Da prlmjra Ca^ii oraarichama-fe Franca, porque defde feu principio começou com fran- '^'fi^ ^^^^ ** celebr6 qucza , & liberdade de pagar ella direytos i & Villa fe chama , por não f^^^^^'^'*"'**^"*^'^^ ^^^^oo. íoferfeytatal pelos Reys de Portugal, mas fer aprimeyra de todaa jjj"'^; Ilha, &ter oprimeyrolugar,& fallar primeyro, quando fejuntaô as yjy^Vfl»-á,'4Ã^Co««fj Cameras da Ilha toda j 6c logo em feu principio fe edificou de forte,que to deS.Frandfco^ow jà entaó parecia huma pequena Corte, com illuftrcs Capitães , fidal* tro de ReligiofiuFrã^ guia , 6c nobreza , que fe extendeo por toda a Ilha , de que foy o femi- (^ifuanat , muyta fer^, nario, origem , cabeça , 6c mây , como confeíTa o mefmo Fruduofo liv. ^""^'^'^^ > excellenu

Campo

4.

r<í/j. 40. 6c ainda que veyo tempo , cm que fe arruinou, ( como em feu ^Z^y "f* l^alecifa' lugar veremos ) fe edificou comtudo , tam nobremente , que aos no- (fr grande eommer* bres delia concederão noíTos Reys os mefmos privilégios que tem os Ci- cio, a major N«i,

^

&

dadaós do Porto em Portugal , além de lhe confirmar todos os que de
antes tinha.

brei^a^^

18
fcndofas
'H..:r

Tem efta Villa fahidas excellentes , com ricos pomares , 5c qu intas, 6c dentro tera muyto nobres , &: groíTos contratadores " d«

M

'

'

^H
&

;

íi-

'Xíivrò V.

Da fatalllha de S.

Miguel,

4ctrigo, paliei, ôcafliicar: tem duas Fregiiezias j aMatrizhe dedícs&í da ao Anjo Saô Miguel , Orago de toda a ilha , & confta de quinhentoí quinze vizinhos a outra Fregueziahe da invocação de Saó Pedra a Villa toda paíTa Apoftolojôc contém duzentos fogos, ou vizinhos, Made fetecentos, a que algumas Cidades de Portugal naó chegaó. triz tem oyto Beneficiados, Vigário, Cura, êcc. como também tem a ourra Freguezia de S. Pedroj tem boa cafa da Santa Miíericordía , & dous Conventos mais,hum de Religiofos Francifcanos, & outro de ReUgiOr féis Ermidas , Saó Joaõ Baptifca , Santa Catharifas de Santa Clara , na, N. Senhora do Defterro, Corpo Santo, Saó Pedro, & Santo Amaro.
-,

&

A

&

he da invocação de Santo André , & de cincoenta Religiofas , & trinta fervas, & de abundante renda , & por iíTo muyto obfervante o dos Re? ligiofos tem menos fugeytos, ôc não menos exemplares, & he dedicado» a noíTa Senhora do Rofario,& por provifaódelRey tem o púlpito dà
j

Do Mofteyro de Frey ras dizem que foy o primey ro de todas as llhas,6c

Villa,

;

1
l

1
III"

1

He governada eíla Villa pelo feu Senado dá Camera , feus 19 na milicia tem feu Capi^ nobres Juizes Ordinários , Almotaceys, &c. três Companhias de duzentos homés cada huma^ com feuá taó niòr, Capitães, que fempre faó dos mais nobres , dos quaes foy o primeyrq Capitão Pedro da Cofta , & feu Alferes Jorge Furtado -,0 fegiindo foy Pedro Rodriguez Cordeyro, cujo genro foy o feu Alferes Gafpar d^ Gouvea i nefta Villa , para a íegurar na fugeyçaó a Felippe II. de Cav ftella , pozo Marquez de Santa Cruz fetecentos foidados de preíidio, que durou pouco j mas per fi a Villa eftá fortificada da banda domar, com portas fechadíi , & tem para o mar hum Forte com boa artelhaa feus ria, mas naó fey que tenha foldadefca paga, fenáo da ordenança, tempos i fobre tudo o da milicia , o Capitão Donatário he o que go-

&

&

&

&

&

&

verna em toda a Ilha. hum tiro fò de berfó , eftá hum Defronte defta Villa , 20 tem huma Ilhèo , que levaria três moyos de femeadurajfefe femeaíTej navios de feííenta toneladas, boca,feytapor arte^ por onde cabem Do Ilhè<t de VilU dentro mar capaz de vinte navios , mas fó quatro nadaráó nelle , por Franca , ^uefndera bayxo tem também fendas naturaes abertas , por onde lhe entra também ferfeit (me Caftello^ agua do mar,& có tal fúria, que fe mette dentro do Ilhèo, q fe vem algiis &defefa,& dos mve p^^^çós de páos , de navios perdidos ao redor deite Ilhèo , & entre iHgares^^Hí Iheeftao lug. gj^e^g^ ^^^^ra ha bom anchoradouro ,& ferve o Ilhèo mityto paraboaí

&

&

&

&

&

:

Çnee

pefcarias

;

ferviria

também de melhor Fortaleza como
,

a

do Bugio em

Dms

íegeas adiante

/;V^ fV

do Tejo. Emíím tem Villa Franca nove Lugares, ou Aldeãs ^^^^^ ^^^jg ^^jq debayxo do feu governo , cinco da banda do Norte , Sc ^'í'* da banda do Sul quatro.
a entrada
^

toKtílT^è' 1 fm 'porto chamado

21

Segue-fe a Villa Franca,

& pelo

mefmo

Sul para o Poentj.

TJlaeAfriçl

duas legoas ,a Villa de Agua de Páo , nome que deíde o mar lhe deraa rol de Cabajfos ,onde OS primeyros defcubridores da Ilha , porque vendo cahir huma ribeyra começou o pnmejro de hum alto, & a prumo a hum bayxo , pareceo a moytos Ter antigo Mofteyrode Freyra, grande páo, quedebayxo chegava ao mais altoj aoutros pareceoquc de toda6 04 Jlhoi ^^ ^jj.^ ^-^^^^ precipitada ao bayxo ,& achando logo fer ^^^ ^ ^ efte mefmo nome d&. ^^^^ » chamarão àquella agua , Agua de Páo ,
,
.

&

&

&

&

\\:

CâpJV.Dãmefmaprímeyr,áV'iIlaFràilca.

fjf

tsô á Villa , que alli depois fe edificou j eftá^ a Villa edificada cm hurat da parte do Ori^ valle, 6c tem a ribey ra fecca da parte do Occideate ,

&

ente , a ribey ra do paul , a quem hum alto pico toma a vilta do mar : he cincoenta fofrutas i tem duzentos Villa bem providade lenha,

&

&

gos, ou vizinhos , Vigário, Sc quatro BeneficiadQS,Thefoureyro,6c

Gu-

ra i tem mais três Ermidas , huma da Trindade ,fey ta por huma Beata chamada Margarida AíFonfo j outra de noíTa Senhora do Rofario , s. 0^ terceyra de Saõ Pedro , da parte do Poente. Era efta Villa d© antes hu Lugar de Villa Franca, ôc em 2 8 de Julho de 1 5 o 5 foy fey ta illa por

&

Vi'-\ RiVk ^l. íí* «\_^

A^^àô''^'-.^

.

.

V

ElKey D. Manoel , com meya legoa de termo ao redor , èceftà junta a hum pico grande chamado o da Figueyra. Abayxo hum tiro de berfo eftá o porto deíla Villa , cha? 22 inado Vai de Cabaflbs , porque quando os deícubridores da Ilha alli chegarão , repararão eftar a terra cuberta de humas grandes flores brancas, que em verdade eráo da erva que chamaó Legação , & pareceolhcs íercm flores decabaflas , ou cabaflbs , & por iffo chamarão àquellc porto, Porto de Vai de Gábafíbs. He pois porto bom, & facilmente defen:;

j

íavel ate

com pedras de cima 6c he fortificado com baluarte , 6c cavas. Junto acfte porto eftá huma Ermida da Conceyçaóda Virgem Senho-,

dizem que foy a primeyra , que da dita invocação houve em aquellailha, 6c que aqui começou oprimeyro Mofleyro deFreyras, que houve em todas as Ilhas j que para as Religiofas ferem > como devem fer, immaculadas, pela immaculada Conccyçap da Virgem Senhora nofla haviaó começar. Hatam nobre gente nefta Villa, que delia fo* raó muytos homés à fua cufta a Africa , ôc lá foraó armados Cavallcyros , 6c tomarão aos Mouros Berjahamad , lugar junto a Arzilla ôc era
ra, 6c defta
-,

\!4

i521.
:

tornarão para efta fua Villa. Por efta cofta do Sul 23

.i»Vi'T\ >*í

,

de Occidente

a Poente

,:

Sc legoa Sz

° meya depois da Villa de Agua de Páo , eftá a chamada Villa da Alagoa, ^^^^^ ^/j ^^^^^ por huma que teve de agua nativa defronte da porta da l%rt]x^úncu a„tedeAgft*dtPa0; pai, onde depois fe formou terra lavradia. Fez Villa aefte Lugar El- & de ^^'3,.vix,inhos, ReyD.JoaõIII.em ii.deAbrilde 1522. A Igreja Matriz he da invo- hum porto chamada «^^^ Mofieyros, a»nde caçaõ da Santa Cruz , com duzentos 6c vinte 6c fete fogos, ou vizinhos. '""*' '"" fegunda Freguezia fe chama do Porto dos Carney ros, ( por os terem ZlVZZl alU lançado os primeyros defcubridores que os traziao ) ôc conlta de ^^^^^^ ^g terra 6c dezafeis vizinhos v 6c a Villa de quatrocentos &c quarenta ^^ ^^^/, trig» , duzentos trcs , como conftou pelos roes do anno de 1 666. Tem mais efta Villa bh vinha*' da Alagoa três Ermidas , primeyra de Saó Sebaftiaó , fegunda de N. Senhora do Rofario , terceyra do Efpirito Santo; 6c acima da Villa hum quarto de legoa , eftá a Ermida de N. Senhora dos Remédios 5 de muytos milagres, 6c grande romagem, ao pé de hum monte chamado o Vulcão. A Matriz da Villa tem Vigário , hum Cura, òc quatro Beneficiados. termo defta Villa he de trigo , 5c paftel , 6c muytos , Sc bons vinhosj 8c além de tudo iftofe carregaó aqui os frutos da Vilia de Ribey ra

j^^ j..^^^ ^^ Aiaçsd^

^

A

^

&

^

m-

O

;

Grande, 6c feu termo. Adiante mais, coufa de huma legoa, 8c jà da jurifdicçáo da 24 Cidade, eftà o lugar de S. Roque, por ter defte Santo a fua Igreja , coití Vigário, 6ê Cura, 6c cento 6c vinte 6c féis vizinhos , 6c a pouco efpaço fe íegu« ij

M

'

m^

\t^

.

Ê^Livm^.vDâ fatal I to (lèS^MiguièL^'/^

feguèharaa Ermida da Ssnta Magdalena , de muy frequente fomagem^ Do lugar deS. Roque depois logo a forca da Cidade , & defronte delia , hum tiro de béftaf thamado Rofio de ao mar , eftá hum Ilhèo , que por reprefentar.a hum caó em a figura que Caõ , jà dajurifdic- faZjdeoáquelle trado, lugar de SaóRoque^ o Vulgar nome de. Lu-» faõ da Cidade, de gar de Rotto de Caõ. E ha por aqui tantas vmlias, que ( como diz Fru^ I %6.vÍ!í.iiihos, & de anno mais de mil pipas de vinhaE quey-í muyto vinho ; & do étaofo ) delias fe recoltie cada huma pipa de vinho dous» ittgétr da Fajã de 3 6. xaí-feodito Author, que valendo de antes Víúnhos. atètrescruzados, valiajáem feu tempo rres atè quatro mil reis. Pete terra dentro também hum quarto de Icgoa da Cidade , eftà o lugar da. Fajá, com Ereg-uem de nofla Senhora dos Anjos r ( que de antes tinha, eftadoem outro lugar mais acima )&: com Vígario 3 &: trinta & íeis vi^ zinhos, & perto hCia Ermida' da EaearnaGáo; «uri

&

&

.

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Da Cidade de Ponta Delgada*
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35
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iii >

"px Efcubeftâ afilha de SaóíMigtíel, & povoada 1444.6^, em 1445 eíVeve quaíi cincoenta anhosi zth o de 1499. iem ^L^
effii
.

Villaem toda allhaj mas como noditolugas f/ JTr/S'^^^'^^"'^^"^^^^^^^°"^^ muy ta. nobreza^ &: fidalguia, a quem tolVãa WlSo]"^^ Ponta Delgada havia também obedecer àsordens de Vilía Franca j&í fí;MFí7/ámi499."Cuftavá jà muyto recorrer',

fer dentíro 'A Cidade de Ponta ^^ ^j^ "^

de

fi
,

Campo

&

outra Gabéçâ,ou governo , fenão a fobrçdít^ ¥iila Fran-* Poní^Delgada lhe obedecia , como hum fomente lu-*

&

huns j^- outros bôu-veíTe algiias brigas quando hiaõ a Villa-Fran-i de Ponta Delgada mandarão fecretamente a Lisboa hum Fernão \<y().anmi;efikaÇ. forcre Velho , fillio de Jorge Veího, & de Africanes , a alcançar que Villa,& naÓ obedeeeffe a Villa Francà,& diz FrU^^tmtml'L7nTde í^^^^a Delgada Ponta Delgada vey o fey ta Villa por El* 'm^Haf/o^iriegol, duofo que dentro de hum mez Donatário Pedro Ro« ^fitio cjHafi^lam/i^Q^ D. JVIanoel em i499. fervindo de Capitão 'lex-if.vi^tnhos-.tem driguez da^Camera , pela aufeíiciadefeu irmão Rui Gonçalves da Gana Cidade bom pa^o jj^^j.^ ^^^^ eftava ém Lisboa } & por mais embargos que Villa Franca ^ e C'<pitai Domtarto, ^^^ ^ ^^^ refoluçáo , huncâ fe lhe defefio , antes o mefmo Rey D. Ma&[obre o mar r** nogigj^ ^í^y^j^^gg^ j^^ déMáyo de 1507.& em pergaminho Pvealcõ^^ ír^i^^tClfr. firmou Ponta Delgada em Vilía 5 êc-dépois Elíley D. JoaÓ III. a levandaqui Svios:temfHtz.dcfè- tou a Cidade de feu motu próprio a 2: de Abril de 1546. & rA,deejneje ^í^f cou fempre alguma oppofição entre Villa Franca ,& Ponta Delgada, aoOuvidor.moi efte qúeatè em os rapazes dura quando fe encontrão :&alíim foy Ponta cejfaem vindo o Corj^gj^^da, quafi cincoenta amios, hum puro Lugar fugeyto aVilla Fran,n^'^0'/'^^;^';^^^. & quafi quarenta & fete annos Villa livre fobre fi ,& tem já 148. ani anno de 1 714. ^^ fmz.de i6ra & tem «OS de Cidade, ate o prefente 26 Por eftareíla Cidade junto a huma delgada ponta, que do a Cidade dè lerm»' hãaíó legoa. interior da Ilha , & do bifcoutó miúdo vay quafi raza ao mar , poriflb fe chama Ponta Delgada fendo que adita ponta chamarão já Santa Ciafa, por huma Ermida que alíi tem da mefma Santa. Eftà aflentada a Cidade junto ao mnr, & em plano, fem fubidas , ou defcidas de muyta coni fíderafaó y de comprido , à beyra mar , occupa quâfi hum qiurto de lei.
é- em 1 J46.>?/(?)'- entre ta Cidade , ha quap ^3^ os

M&

,

o»;''^'

;

Cap.V^Da rica Cidade de Ponta Delgada.
gòa,8c

13^

no mais largo do meyo, o tirO de huma efeopetai tem varias rwas, correntes do N orte a Sul , ôc outras atraveíTadas j no anno de 1 666. ti-

nha pelos roes dos Parochos mil &c feiscentos & vinte & três vizinhosi acafariade Nobres he também nobre, mas em nenhuma rua he uniforme, por fe metterem cafas térreas entre fobradadas ; tem os Donatários hum rauyto nobre Paço com jardim dentrOjSc no meyo da Cidadci tem fobre o porto huma boa Fortaleza com trinta peças de bronze, &: huma de mais de vinte palmos de comprimento j náo tinha gente paga de guarnição,mas de ordenança em guarnição fcmpre, & leu Capitão com boas cafas para elle , graneys , & cafa de pólvora , & de muniçoens de gucrraj 6c Ermida de São Brás i tem poço de agua de ferviço para a genagua j não te, & além diíTo cifterna , que leva [mil ôc duzentas pipas de tem cava à roda, & parece fer tudo pedra viva. Hoje dizem que tem jà
foldadefca paga.
.

f^'

porto defta Cidade he tam aberto, qúe da ponta de San27 ta Clara atè a ponta que chamão da Galè,vaótrcs Icgoas de eníèada, fem abrigo algum para os navios , mais que fazerfe à vela com qualquer tempeftade > eftejaó carregando , ou defcatregando , com que fuccede Alfandega efteve femprc era Tevy^ÍfMde£d',W^ às vezes levantarem , fem tornarem.

O

,

A

d^d-'jfM Villa Franca , atè que ( como veremos ) Ic fubvertco a Villa , Sc ainda Mtmftm ^"í^'*à que fe reedificou , mudou-fe comtudo a Alfandega para a Cidade , ^H'P'>^ ^i
nella tem nobre alíento

poftonobiliílimo,

com feu Juiz que chamão Juiz do mar > & he de que atè omcfrao Donatário depende, &fó aa
,
,

Provedor da fazenda Real da Ilha Tcrceyra cftá fugeyto j & tem Con« lador da Alfandega, Fey tor, & outros miniftros inferiores. A Cidade fe governa pelo feu Senado da Camerà , que de 28 antes conftava de dous Juizes Ordinários dos mais nobres da Cidade,6c feu termo, ( que he fó de huma legoa) & ha muytos annos fe tiràraÓ,&; fe poz. em lugar delles Juiz de fora , que ferve também de Corregedor da Ilhadc Santa Maria , & de Juiz dos Rcfiduos em toda a Ilha de Sa6 Miguel defte Juiz de fora fe recorre ao Ouvidor do Capitão Donatário, fe tem, Ouvidor diftindo j ôc fe o naó tem , ao mefmo Capitão ; porém fe o Corregedor vay a Saó Miguel em correy çaõ , ceifa a Ouvidoria, Sc fó ao Corregedor fe recorre do Juiz de fora. Tem mais o dito Senado da Camera três Vereadores , hum Procurador , 8c hum Eferivaâ da Camera Ôc hum Thefoureyro, ôc todos faô Cidadãos nobrcs,ôc quatro Mifteres do povo, ôc da Cidade dous Almotaceys cada três mezcS, além dos mais Efcriváes , Tabelliães , Alcaydes , ôcc. ôc tem praça baftante perto do mar , ôc feu Pelourinho , cadea , ôc tudo o mais ncccífa:

,

Qiianto ao Ecclefiaítico fecular tem Ponta Delgada três Fregttez.ias a M*29 Freguezias a Matriz he de São Sebaftiaõ j he Igreja grande , Ôc de três triz. àe S.Sebafiiaõ.A deS: naveS) tem Vigário, Thefoureyro , ôc Cura^ Ôc dez Beneficiados s ôc feu de S.Pedr«,&a Meíire da Capella 5 ôc ha nefta Freguezia quatro Ermidas , de S. Brás, ^''""'^^'^"^"^i das Chagas, de Corpo Santo, ôc da Trindade. A íegunda Freguezia he ^'*ô«t'iXr£'«//' oyto Beneficiados , ôc três ^j^^^^^ a de Saó.ÍPedro, que tem Vigário 3 Cura , ^„yf^ c/g} Ermidas, huma da Madre de Deos , outra de Saó Gonçalo , ôc outra da rezÁ*4<q»^í^ rícer»
,
:

¥

&

^

Natividadeicoma devota Confraria dos

M

Pretos. AterceyraFreguc-rffdeJS/l-^Wtf^wgr^

iij

^^

m^

com Vigário , & Cura , Sc tem huma Èrmid^i da invocação da Piedade. Além deftes Eecleíiaíticos ha miiytos outros
zia hc a de Santa Clara
,

a todo efte eftado Eccicíiaílico governa hú Clérigos extravagantes , Eecleíiaftico Ouvidor , pofto pelo Bifpo de Angra, aonde fo fe recorre

&

em

todas as caufas Eccleílafticas

,

quando o dito Bifpo naõ
la feu Vifitador.

eílá- vilitan-

do Saõ Miguel j ou naõ manda

Ha

mais

em Ponta

Delgada huraa Santa Cafa de Mifericordia como feu coftumado gov-crno^de Provedor, Mefa, &c.da qual diz Fruâruofo /zi;. 4. fí?^,43, que não he tam rica de edifícios mortos , comd-he riquiíiima de corações vi'vos, &accefos em muyta*charidade. Qiianto ao eftado Religiofo henefta Cidade copiofo,-&?, 30 demuytofrutOj&exemplo. Tem hum Convento da Obfervancia de Batiítmefma ^^'^«'- SaÔ Francifco,&:<Ía invocação da Conceyçaó da Senhora, que confia' f' de mais de trinta Religiofos ,& tem feu Noviciado, & porprovifaóielHoST-*'^'" S.Sebaftiaôj&devotiílima Irmandade de Terceyí/^S^fll'^ ^JI^^^^J ^^^^^P"^P^^'°*^^ trma frades com ^^^J ^ Terccyras Iccularès. Tem outro Convento de Religiofos Ere'-' Noviciado outro de mitas dc Santo Agoftinho,, chamadosGracianos, que fem fer muyto co\

comofe ofofle , trabalha em a vinha do Senhor, como Religião '5^5 '^"^Z'^'*^*'* cm tudo muyto exemplar. Tem mais hum CoUegioda Religião da que ordinariamente tem doze Religiofos ao 2*T'^'^*'^''^'^^°"^P^"^^^^^J^^^^' Eíludòs , & íeú Reytor, Prefeyto , Lente de Mo^^ 'uricã é-The T'' ™^"°^ 5 ^^"^ pateode ** ''^^'* os mais laó Pregadores*' MoraL ^^^i & outr© de Rhetorica, outro de Latim &
6racianos
^"^
,

com

Col-

piofo

,

;

til

GonfcíTòres, &'muytâs vezes Miííionarios , naõ fo por toda a líha de S. Miguel , mas jítambcm algumas vezes pela ílha de Santa Maria , com aquclle Apoftolico zelo , que coftumaõ Religiofos chamados Apoftolosi fe

hede notar qiie efte CoUegio nem por ElRey he fujidade^nem per algum outro Fundador particular, com ordenado algum para o fu,
,

nem eftes o levaó por enfinar j pregar confeíTar, & aconfelhar , & muyto menos por Miíías , que náó dizem por efmola, mas fomente começou com particulai-és efmolas das mais devotas peffóas defta Cidade, por quemfaz os méíhios facrifícios, &: orações-, que faria pòr aquclle qile foíle feu total, & efpecial Fundador. Porém como
íiento dos Religiofos
efte

CoUegio veyo de Angra,

& os Conventos de Saó Franciíco &
,

da.

Graça vieraó também dos feus principâes da Ilha Texceyra , por iíTo là^ ( '^.; &nãoaqui, nos deteremos mais. * *-• Nem fò varões Religiofos , mas também Religiofas obfer31 vantiíTimas ha ríefta Cidade , das quaes o primeyro Convento he o de Õs Conventos de Re- p^ Senhora da Efperança , fundado por D. Felippa Coutinha , mulher Capitão Ruí Gonçalves da Camera, fegundo do nome , onde am^T"^"*/"*! ÍT'-'^^ ^""^^ fepultura , &^ fundado para vinte cinco Religiofas de vèo^ça'leZ»do*def'AK- ^^^ ^^^^ (" & hoje he de muytas mais Religiofas) & dedr'è ,ierceyro désam^^z^Oy & ciuco Noviças, fegundo Con^ 'foal, quarto o dA Cl- bayxo da obediência dos Prelados de Saó Francifco. ctjí^aõ fora vArios vento he O de Santo André , feyto , & dotado pelo nobre & pio CidaRecolhimentos. jaó Diogo Vaz Carreyro para vinte & féis profeífas ,,& também cinco Noviças, da Regra de Santa Clara , & da obediência do Ordmario. terceyro Convento he de SaõJoaõ,comoo de Santo André, fundado

O

,

,

Ú

por
annos
,

O quarto Convento
com titulo da Conccyção, &

começou ha cinccenta Breve do Papa para cinccenta Refe

ligiofas

Càpl V. Da íua dita Cidade.
li^iòfàs
,

^W

& dez nomeará o i^adroeyro das parentas nobres 6ç pobres do Fundador, & hum lugar livre para huma hlha do Padroeyro & renderá obediência ao Ordmadas quaes cntraflem com dotes trinta &,novc ,
,
,

rio:lea Jfiííidador foy oM. Rever. Franciíco de Andrade SclAlbuquerque, nobre, 6c rico Glerigb da dita Cidade, que conheci muyto bem. Além deites Conventos de verdadeyras Rehgiofas , tem efta mef-

ma Cidade vários Recolhimentos , & todos íaó nèceíTariôs. Ha mais nefta Cidade muyta nobreza ,& fidalguia, que ao 32 principio tinhaó feus foros, &filhamentos tirados , mas como eílàvaó
fora jà de Lisboa , ôc tinhaó datas copiofas de terras
,

-

delias tratavaó

,

&

fazendo mais cafo de fer fidalgos de geração por feus antigos brazões, & ricos , do que de fer íómente fidal->•. í ^ livro, & na verdade pobres, como faó muytòs no Reyno de Por- '^''*''1^'£^ gos de ]!emo tugal,& ainda na Corte, & miferavelmente pobres Sc por iíTo havia ?^^^ âo me no nahomés muyto ricos , como hum Gafpar do Rego Baldaya , qiie tinha to àoi 'ptjfcof y& de txezcntosj.ôc feííenta& fcis moyos de renda de trigo cada anno ifórn /uai cajas ,& por ip rendas, ôc foros de outro género i & o mefmoj& mais , teve fcu úlho ha wtfjt» ricos hemès Francifco do Rego de Sá , chamado o Graó Capitão , de que em fcu lu- ^ menos filhados ms ^^ " sar trataremos mais. Mas também neíla Cidade o trato, ainda <ios mais .T ^'^t' «^, ..poder -1 j r n c tratavaó de ter^^^^ A haver , mat nobres , era antigamente de tam pouco faufto, que lo CAvalleyros bõs Cavaílos , boas armas , os criados neceíTarios para as lavouras ; & o com boas armas ; &leu veftir era tam commum , 6c ordinário , que todos por meyas de fe- hoje wào efik accref<Ja ufaváó fó de botas , & para eftas afíirma Fruftuofo , que naõ confen- centado. tiaó fe caftraíTem os carneyros , por ferem dos não caftrados as pelles de mais dura , 6c mais fortes para botas > 6c aífim fe tratavão mais como nobres, 6c iricos lavradores fartos , do que como Cavalheyros fantafticos, ^famintos. Gonfefla mais Fruduofo , que neíla Cidade , 6c feu termo 7-^^ excellete d&aai 33 ha poucas carnes para tanta géhte ,6c que a mais delia fe mantém com maitaõ penca, s vai pefcado a mayor parte do tempo, 6c que de pefcado ha muyto j mas iílo moerjegoas fora, deveentenderfe de gente ordinária, 6c pobre, 6c de alguma rica , 6c ava- ^'*^^'* aroftfa k %3 renta , porque para a gente nobre, 6c prudente , ainda que o carneyro he ^'* **"""•. i:uim,pornaócaftrado,ha baftante,6c boavaca, 6c tantacaça de coeIhoSj codornizes , 6c perdizes , que eftas valem a trinta reis , codornizes a rres , 6c a quatro por hum vintém , ^ a vintém os coelhos. Ha ncfta Cidade a melhor agua que ha em toda a Ilha j mas hc tam pouca , qu? nem moinhos de agua tem, fenão dahi três legoas eni Ribeyra Grande, Gu naõ menos longe , em Agua de PàO} 6c nem a roupa fe lava fenão junto aborda domar , 6c em maré vazia , com alguma agua falobra que allifahe,6c comtudo ao redor da Cidade, 6c ainda dentro delia, h* muytos pomares , 6c jardins , ^ muyta , 6c excellente hortaliça j 6c c@tii ifto paliemos da Cidade.
faziaó

pouco cafo de

tirar foros

i

,4

:

,

,

&

#

>

'ê'r'i'Â

y II

-

CAP.

w V^

«*

^i

140
(li!

Lívfay f Da fatal Ilha de S. Mígael,

CAPITULO
llhadeSaõMigueL
^^

VI.

Continua a defcripçaÕ i ejpecia/menie ao Norte da

para o Poente, pelo Sul, meya Icgoa da Cidade , eftá hum lugar , chamado o Lu1 iDt TantA Delgada, agora eftà o Lugar, ^^ Relva, pela muy ta que alli havia de antes , feio Sttlp^ry Foen. .^^^ ^^ himi JoaÓ Rodriguez Ferreyra , ( de quem ^^^^^ ^ diÍFruauofo/..;.4-^^p.440 que defcendia dos Reys de Efcocia,& da que era homem grande Cavalley ro , de ^\7.viz.mhos,&oH grande caía de Drumond, lugar he de noíTa Senhora das Neves , ôc na me) A legoa adia^ grandes forças, valentia '^trinta &fete viziahos. Meya /í í/?4 o %^>' íi/^F^'- ^'j-eguezia que tem Vigário, cento vix.iteyroí com 92, adiante eftá o porto chamado dos batéis , por bayxo do lugar das ^

|-^ A Cidade de Ponta Delgada

,

&

j

&

%ri afl
.

^

&

&

&

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&

&

w

Í8 ':í^tfZt
<;ii

tlfj^aÍÍTe^^^^^^^^ dous vizmhos , & huma boa Igreja iZa dentro do Cer- Luzia , com Vigário, & noventa & Senhora de Guadalupe, que mandou fazer o generolo fidalgo taô.fieab /»^-ír ^^ de Colombreyro , cafado com D. Margarida 3 fiCandelária de ^i. JQ^ge Camello da Cofta «/«.wí^síi^^^^^í^^-^jja^je Pedro Pacheco, & alli moravaóeftes fidalgos. Três quartos de goa mais feda no Ihefpingarda eílá o Luadiante , & pela terra dentro dous tiros de Senhora , com ViPuníicaçâo de gar da Candelária com Igreja da

N

.

,

N

hum vizinhos ^ dah-i meya legoa eíla a Ermida .?«;!? Adiante \fik |ario , Sc quarenta outra meya legoa mais adiante elta o Luo Pico daí Camarim gg N. Senhora do Soccorro i oyto fogos, nhoi , OH Ferrarias, Sebaftiaó com Vigário , &: feíTcnta

&

&

&

defronte do qnal

,&°

^^ g
'

&

^

Segue-fe

^Hafhõa

S r4-TJfohe
da

/'^^'"^/''Vportej. arvores

bem perto logo o Pico chamado dás Camarinhas, queàsdâo) a que também chamão o Pico das Ferra*
o bífcouto que delle corre ,

m

fçHco ènde chamao os Ef ^^^^, talvados, acaba o Sul
;

cmar;& alli Vieyros de enxofre, falitre, marquezita, & ferro & ao pe do tal Pi* moer huma azemais adiante, ^o da banda de Lefte íahe huma ribeyra, em que pode
j

rL^ por parecer

ferro

& fe fuppoem havcf

,

ma&
-''

^ comtudo he de agua tam quente que fomente nella fe pelaô leymaré cheya. E aos três de ^^^^ ^ ç^ ^^^^ peyxe , atè que fe cobre com a volta ejla .^^^^^ .^ fuccedeo ( cafo efpantofo ) que defronte do tal Pico,
j
!

veyo a primeyhum Ilhèo tal fobre o mar, que fó por cima,& fó quando ainda deyxou alli hum bayxo tam perira invernada, fe diminuhio , durou , fahindo fempre fugofo, como grandej & o fogo, que o caufou , Ferrarias pois , dous tiros de béríofo, por três fcmariaá inteyras. Deftas àqui acaba a Ilha ponta que chamaõ os Elcalvados ,

& fahio, defdo fundo do mar, tal fogo, que lançava quantidatorres poftas húa fode de arèa negra, & alta, que venceria a três altas cahindo a dita arèa fe2í bre outra k o fumo fe via fobre as nuvens &
rebentou
,
,

j

,

&

fta adiante, eftá

a

&
t

pela parte

do Sul atè o Poente , ou Oefte

,

& começa
.

a

dobrar para o
.

Noroefte^ 5c Norte.

26
rindo
ofítra vez.

^^^

|^,

-^

xt j n. Tornando agora a comef ar da ponta do Nordeíte outra banda porto algum , k^ pela banda do Norte, não ha defta

í

}i

I

i=

.^

UC

Cap. Vl-Bídjcrévèíe a pàrée tlè í^ffeíia ítóa

Ilha.

treytezacbIlha.Da Villa pois deNordcíle pelo Nort-e^legoa & meva, eítaoLugar dç Saó Pedro com Igreja defte Apoâolo ,_§c leii yigaaQ,'S^^f^^^^ vinte êc dous vizinhos , & commúmente íp cbanja o_ N or- >^^^„íí J/?^ o /^'-^^ «som çenco delle pequeno, em comparação da Villa antecedente. Defte NQrdeíí& chamado Achada

&

pequeiiaj.hi.ima legoa adiante
via, porter fidode

,_

corre

huma Lomba chamada Algara- Grande, de '^z.viz.i,

hú marido,ôc mulher, ambos vindos do Algar ve^por "^"•'j mas pouco adi. '^'*' cuja morte veyoefta terra ao poder de- AfttaôRôdri^uez daCamera,'"^^!^'*,''^.'*^ & defte aXeus herdeyros. Meya legoa adiante eftá oTopo de Pedro Ro- ^^viz-inhe? a2^& driguez^dà Gamera,;êc logo perto p Lugar de noíTa Senhora da -©raça, ^^^ adiantt fica a chamadoa Achada Grande, com Igreja ,_&feu Vigário, trinta & dous c^ííw^ííí» Fenais da vizinhos. Seguem-fe adiante varias ribeyras ,& entre ellas huma c^QMayacomjz.viz.i* diamaõ da Salga i ou poi: alli dàr à còfta hum ilàvfo,-qu^tle fal hia ear- f^^o^Mi^r mhre, regadoi oU por fe fazer alli falga da montaria que ^oi^teriQr trado fe ca- ^^^^j^í^''^^?^^ ^va j & aqui chamáo a Achadinha, em comparação da dita Achada '^°*^^ ví\ir:hò7'oMè Grande; & aíiim Achada , como Achadinha fignificaó tierracháj& aqui hamotnhoi] 'i^fefaii éftào Lugar de N. Senhora do Rofario, com Vigário, & quarenta &«r(?/^<«,é' tcmru<ã

&

&

fres vizinhos.
f

tm^raídecafaidel^l-'

ponta chafíxada dos Fenais daMava/"' ^^^'I'' nopu^d^ r-''po^^^^''F:'rtcn. fpara diftinçáo dos da Cidade } & a Freguezia he dos Reys Ma?os, com Vigário , & íetenta &: dous vizinhos , gente nobres & rica, Logo fe ^^L^ Parochial tem* fegue o Lugar dà Maya , que tomou o nome de o começar huma mu- mm eineo Ermidat^ iher, chamada Ignes Maya, & tem pouco adiante feuç moinhos j he Lu* gar que tem as ruas inteyras de cafas de telha , quando em outras Villas, ^ &âtèna Cidade ha muytas cafas cubertas de palha j fendo que a. telha fe faz nefte lugar da Maya ; &: ainda que dç antes tinha fetenta & oytQ ... ..vs>i

37

Pouco

adiante, eftá a

.

,

.,.

,

(como affirraa Fruduofo //^'. 4. cap. 45} jà em 28» do anno de 1666. achcy que tinha duz.entos & cincocnta vicíc Julho
fogos, ou vizinhos,

^

zinhos , nobre ,

& por iíTo por vezes pertendeo fer Villa moftrando ter gent^ & eftar muy to longe de Ribeyra Grande em cujo termo fica ^
,
,
:
-,

Freguezia he do Efpirito Santo , tem Vigario,&: tinha Beneficiado que fe lhe tirou para Ribeyra Grande ôc tem mais cinco Ermidas , duasde N. Senhora do Rofario ,húa de Saõ Sebaftiaó , outra 4e Saó Pedro , 6c (biltra de S. Catharina. Segue-fe mais adiante a ponta de Saó Brás , por ter huma 38 Ermida defte Santo, & ainda mais adiante eftá o Lugar de Porto Fer- Depois fe fegnè efeS mofo, com Parochia de N. Senhorada Graça, & feu Vigário, & ^^^'^^'ÍZ''j,i'!^'"J^'hrâ izinhos, como peíToalmente examiney;&: também teve Beneficiado, ^^^^^ ^^^ ^^^'^^'^^ mas mudou-fe para Saó Pedro da Cidade. Nefte Lugar moravaó os Pa- ^jà ^^ a; anarto dl checos, antiga, & nobre geração j & em huma ponta diante do lugar ef- ífgoa de Ribeyra Grãtà hum morgado de trinta moyos de trigo juntos , & de renda cada an- de cflk o lugar cha. no, que he huma parte da grande cafa dos Bruns, & Frias , de que falia- ^^'^'' Rf^fyrtnha, ^ '*'' 4-emos em feu lugar. Mais adiante fe fegue o Porto de Santa Iria , de que "'"' ^'^'"'^ '^t^''^ fe fervia de antes a Villa de Ribeyra Grande j & daqui para dentro da'""^"lY'T«,/!fp!* terra , pouco elpaço, eíta a Lrmida de Sao baivador , que era do ceie,iieyr a Grande. ( bre fidalgo , Sc ccleberrimo còmpofitor D. Francifco Manoel de Mello} & ifto junto às cafas de Catharina Ferreyra, mulher de Antão Rodriguez da Camera. Adiante logo eftà a Ribeyrinha , (para diftinçãp tia Ribeyra, que difta ainda -hum quarto de legoà para O Poente) de
'

'

boas

i'«u'V

V,

il

t^.Jf.

Ovi'0 V.
boas aguas,
zia à parte
,

Da fatal Ilhade S.Míguét,

--'^,

& bem avizinhada de tanta gente, que podèrafcr Preguei & he fó arrabalde de Ribeyra Grande & aqui tinha a fuaGago da Cameraj
parente conhecido do

quinta Ruí

Conde Capitã»

4a Ilha.

PA
Da famofa

P

I

TU

L O

VII.

Vilta

daktheyra Grande.^éH.mm í ,«gares ííõ Norte.

i/o ejue ha tm S- Mità fituada quafi no meyo ( da banda do Norte) guel , abayxo da Cf. ferra i era de antes Lugar 4adt:»a (tta Matriz. bahia ao pè de huma

rtlU di Crãdehe9m*yorpo. que duas cafas além da ribeyra, onde hoje he a

Nobre Villa chamada Ribeyra Grande, tomou o nome? meyo, de huma grande ribeyra, quejà hoje a corta pelo Poente mai» Ribeyra fendoqueatè oannodei5l5. não tinha para a parte do

A

mayor parte da Villa

ef-.
:

da Ilha , em hua grand© da junfdicçáo de Villa ElRey D. Manoel , eftando tem \z\\. vizinhos Franca i porém em 4. de-Agoftode 1507. de termo ao redor. Naotip tiA fegunda Fre- em Abrantes >á fez Villa com huma legoa giiezja da Ribeyra nha de antes mais que huma fo Freguezia mas no anno de 15 77.0 Bit, defta Villa , chamai Sicca , tem vizinhas po de Angra D. Gaípar de Faria creou no arrabalde Í40. -á Matriz, he com a invocado Ribeyra Secca, creou fegunda Freguezia deík Villa fagrada,&qitajt htia da lurihca. Pedro. A Matriz pois fe intitula, Noífa Senhora ifoa Se em tud/)'^& te cão de SaÓ ficar da parte da eftrella doNor, mais a Villa três Er- cão, ou N. Senhora da Eftrella , por

^

-,

mdaípftblicai.

te

& neíla Igreja gaftou também muyto o bom fidalgo Pedro R^rifepararem a nova Freguez da Camcra & ainda efta Matriz com lhe onze vizi. Sueziade SaÓ Pedro ainda ficou com mil & duzentos & chega a muyto mais de mil &: fthos como achey ter no anno de 1 6Ó6. &
j
j , ,

,

trezentos

com a dita fegunda

40
dos,

& hum

de Meftre de Dedicação, &fagraçao vos de trigo ,& oy to mil reis em dinheyro. Da
a 18. de Março i efta hdefta Ipreja trataoAgiolõgio Lufitarto í<?^.2. parte daVilda fua entrada fe eftà vendo a mayor tuada em hum alto , o vafto mar. Pa nqueza de pe, tos campos, valles , montes ,

Freguezia. /í , „ r. Tem a dita Matriz Vigário, dous Curas, & dez BeneficiaMeftre da Capella , alem Thefoureyro , bum Organiftâ, dous moLatim que na ViUa ha com ordenado annual de

&

&

la

,

muy

&

ças,

ornamentos ,& acey o defta Igreja bafta dizer & Pregador , o Venerável Dou. tos annos feu douto , & fanto Vigário , no hv. 2. f^f 2. Dentro de, tor Gafpar Fruduofo, cuja vida apontámos Santg faber , N. Senhora do Rcfar.o , fta Matriz ha muytas Ermidas , a Senhora da Conceyçao , N^Se. Luzia, Santo André, SaÓ SebaftiaÓ, Colombreyros)N. Senhora nhora da Confolaçáo, ( que he dos nobres Senhora, Taveyraj & da Charidade , que era da muyto nobre JuUa fegunda Freguezia de de hum Francifco Tavares Homem. E ainda na que paíTa de duzenros 8c Ribeyra Secca , C por fó dorrer no inverno) da invocação da Madre de , ainda ha outra Ermida

quefoy

delia

muy,

N

.

N

.

quarenta vizinhos
^""41.
-

De Religiofos tem

efta Villa

hum bom Convento

da

OV

Cap.VII.DQQUtrosnobfes lugares daipaite.do Norte. 145
férvancia de Saó Francifco,

que he miiytp obfervante5& exfemplar j tem f^ais .0 Mofteyro de J.ES US de Religiofas de Santa Clara, Ôc da iiegra^ jem hU hm Cmv^ éc obediência de Saò Francifco } fundou^o em fuás próprias c2iÍ3i.s ^q^ te de s .Francifio ,& droRodriguez da Camera com fua mulher D. Mana dd JBctencorno outro de FreyrasFrã' anno de 1 545 & depois o augmentou muyto feii filho Hçnrique de Be- "(<''»«f» *5^ l** ^^*' tencor & íiái & ha nelle Noviciado de dez Noviças ao menos , & muy- ^X""f^'2 Cel,^^: tas Religiofas de véo preto , & he muyto neceffario j & ainda útil ca- nhiadefESVS cem da hum deftes Conventos em huma Villa tam grande. De novo ha /^^^õ 4e Theelegla mais nefta Villa huma liçaó , & cadeyra de Theologia Moral, que def- Moral 9 m<u Mefire Latim he Clérigo de-antes do Adventoatè paflTar a Pafclioa, vay àquelia Villa ler hum Pa- ^^ dre da Companhia de JIiSUS,do CoUegio de Ponta Delgada , & affif-/'^''^''^te nefta Villa odito tempo com outro feu companheyro Religiofo , por obrigação de hum legado que deyxou hum devoto Clérigo, & Revêrendo Padre. E demais fazem os Padres todo o tempo que lá eftaó, prè•

>

.

,

confiflbés de faós ,& enfermos, além d^rclo*' gaçoens, doutrinas, lá vejaó os zelofos de tam grande continuos confelhos } 'luçóes , Villa, fe lhes convém mais, que ao menos três Religioíos da Companhia refidaó lá todo o anno , 6c em todo exercitem feus minifterios , leaõ ta mbem o Latira para melhor criação da mocidâde,&:c. Ha mais nefta Villa &: junto da praça delia , huma Igreja^ '^^"^ Santa Cafa de 42 de antes intitulada do Efpirito Santo , na qual com licença dei Rey , ^'^27uldl tfer\ Bulia Apoftolica fe inftituhio a Irmandade , &: cafa da Santa Mifericor- ^^^ S^capeltaimor-o Oràgo de com mais cinco Ca. dia, feu Hofpital junto para enfermos defemparados, tudo he o de Santa Maria ; tem Capellaó mòr, &tres Cap^llães mais, &: felUem menores, q dous meyos Capelláes } jà ha cincoenta annos qucefta Mifericordia, MiUtar defta FUla

&

&

&

^
&

,

&

&

&

&; feu Hofpital tinha vinte
^

& féis moyos de trigo de renda cada anno, & eor^a de Capitai dezafeis mil reis em dinhevro & que cada Irmão de entrada dava três ^J^^^f '"V^"^ ^ taes de ordenança.^ ... /" ./, j mil reisj & ja hoje terá muyto mayor renda contorme a experiência de Q^y^rno Politico & muytos teftadores que fe fiáraô, & com razaõ da pontualidade & ver- civilhe o feu Senada
*'/'**

,

•'

1

,

,

,

daCamera,com mais dade com que nas Mifericordias fe cumprem os legados. governo defta Villa ( defde que o he, ha duzentos & fe- dom fMi2.es Ordina^ 43 ""' te annos} foy fempre como o das mais Villas , com feu Senado de Ga^ "* i^*^ <?#"

O

»

mera. Juizes Ordinários, Vereadores, & todos os mais Miniftros da po- "^"t^^' muytos Capitães mais com muylitica; na milícia o feu Capitão mòr, to numerofas Companhias , aílim os Capitães como os Alferes eraõ J^Z "r"' ^y^ os de melhor nobreza , como de fado foraó Ruí Gago da Camera , CaGrande es Ca'pitaó de huma Companhia , feu primo António de Sá por feu Alfe- b^>;í,j Donatários de re5,atè que Ruí Gagofoyeleyto Capitão mòr, dito Alferes cm 5^10 Miiuel^& mlU Capitão, conforme á regra do Afcenfo que fe obferva na milícia } mas a eft<io «s pnncipaet nobreza mayor que tem jà ha muytos annos efta Villa, he fer oúmXo^""^"^^^^'"^^ <*I' " dos Excellentes Condes de Ribeyra Grande , queiporiíroadevemefti-^^^^P'^; """)"* , por iífo a devem efti- ^r f'^'* IfiA t^tie tem^& mar maisjpois fe faó de toda a Ilha Capitães Gencracs,fó defta Villa faô ijHe mnyto rendemas ^^^^J „ ^ , , ^ , ^ « Condes ; SraíTi ma devem defender , favorecer, Ôcaugraentar, como a ^í,„^^^^/^, coufa mais particularmente fua; & muyto mais por nefta Villa eftarem os moinhos mais commús de todaa Ilha, de que o Conde, por Capitão Donatário , tem trezentos cincoenta moyos de renda cada anno,por-' que faó féis os ra^tinhos , & cada hum tem duas pedras , delles os me*

&

&

,

&

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&

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&

íhoresmoemfetemoyos
-y.-

em vinte

& quatro
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horas

i&fó^deMoley rofi
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'<ir^4úKÍwC.

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Í44

LívròVéiDafatal Ilha de

S.

Miguei.

que Icvaô , 6c trazem o pa6 , tem mais de cincoenta , 6c cada hitra anda

n

com duas bcftas de carga , 6c levaó a dez
reto.

reis

por cada alqueyrc de car^^
-••i

-

*•

-

•'

'•-

HemuytofartaeftaVillad€paÓ5cariíe,5clegumeS}6cfó chega a recolher quatrocentos moyos, & vende mais de duzen^^^ ^ j^ j-^j^^ recolhe mais de cinco mil pedras , 6c porque paflaó de ^^^ ^^ ^^^"^^^ ^^ ^^"^o nefta Villa , vende ainda três mil pedras; mas co"Jtalmthu^d^flvls, "^o do porto de Santa Iria fó ufa para batéis , por fer a cofta brava , tem *'mai mmto maif,dc S aonde manda j6c carféella tem mais <ií por íentença Real, O fervirfe do porto dâAlagoa, wiltearesde^man- xhpk<iwíimo vayparafóra da tal Ilha donde vem que , ainda que em da Itnhos naãjó pard R^beyra Grande ha muyta nobreza grandes morgados , ôc os nobres fe , ai trataó como taes j comtudo a gente de ferviço ganha tanto , que a ref«'J^^^^'»»*'^?^' do que aquelles qua ^tmd&beZcmâ. peyto do menos que eftes gaftaô j faó mais ricos , do que tem; agua doce; & ^m feu trato , cavallos, armas , ôc criados gaftaó ainda mais

44

'Mityti abunàantt he ^jg favas í/?<í^//<í dtpao.car,

j

dosein

rfww^ía Ho^rí2:<,# efpecialmente depois que a grande ribeyra defta Villa, com enchentes atè as pontes de pedra, 6c aos nori<jHiffimos morgados lhe levou ruas inteyras de fobrados , é- que comt) tats fe ^^ j^iç.^^ ^qj^q^ q refazellas. Finalmente he efta Villa mais que fargg^

&

^

de feu nafcimento perfey tiíTima ; mas atè nefte naó he jà tam pcrfeyta , pelos novos incêndios que ao perto fe levantarão, como cm feu lugar veremos. Continuando pois o Norte defta Ilha , eftà de Ribeyra brande para O Poente , dous terços de legoa, o Lugar chamado Rabo de adiante de Riheyra parecer aílim na ponta que faz Grande pelo l/orte Peyxe , nomc que fe lhe impoz, ou de o para o Poente f »^/ ao mar i ou ( como diz Fruduofo liv. 4. cap. 47. ) por alli fe achar hum legoa,efik o lugar cha tam defconhecido , 6c grande peyxe, 6c com tal cauda , que os Mouros mado Rabo de Peyxe ^q^g ^q defcubrimento da Ilha vieraó a cortar o mato delia , 6c logo fe de zzj,. '^'^"^^'*^ repartirão a fervir pela Ilha ) pendurarão a dita cauda do peyxe em luquando vinhaó deite Lugar, 'dZlErVidr&hãa^^^^^^o, 6c perguntadosdondevinhaó, ^fW^^^^M,'*í^^««/refponderaÕ,DeRabo de Peyxe. Mas a Igreja defte Lugar hedamvoao ShI da Filia d' A. cação do Bom JESUS, Sc tem Vigário , 6c de antes tinha Beneficiados, lagoa ha fó hnma le- que fe mudáraô para Ribeyra Grande , fie confta de duzentos Sc vinte &c goa de largura da quatro vizinhos , 6c duas Ermidas msãs^ huma de N. Senhora , que de ( ^^^* antes era a Parochia) S>c outra de SaÓ SebaftiaÕ no fim do Lugar para o rr'^''* C^dfdemZa & Poente i Sc tem efte Lugar huma fermofa bahia , da qual à Villa d' Alao mais razo , com txcelleteca^adeper. goa , da parte do Sul , he o mais eftreyto da Ilha , 6c hõ diz.es, muyta* carnes, huma fó legoa de terra ; 6c jà defde Ribeyra Grande atè à tal bahia he o melhor pefeado continuado areal , 6i falto de agua ; 6c ainda ô Lugar tem fó poços de 4s Norte. gg^a falobra ; mas he abundante de tudo o mais , 6c de muyta , 6c excclí^€<»?i

ta

de agua doce ,

6c

^45

,

í

&

de legoa adiante , eftà hum morro , ôc hiía muyto rendofa , Ôc grande quinta , com fua Ermida de S. Pedro , tudo do antigo Jacome Dias Rapofo,pay de BaraóJacomeRaporo,&:avò j rt M^ante '^'^^^'^^^ de Ayres Jacome Rapofo, que alli moràraÔ , & he cafa tam nobre, S^ polente caça.

E logo, hum terço

.

Ilha , fe para ella tornar feu fenhor (hamàdoFtnaesftã' ^erofa , que he das mais ricas defta bem dezi/^. Jkí- Ayres JacomeCorrca (diz O noíío Fruftaofo.)

também de Mais adiante de Rabo de Peyxe eftà o Lugar dos Fenaes^Cdo 46 muyta caça de perdi- muito feno que ha alli)cuja Igreja heN. Senhora daLuz,8c também tem zes,carnes, ^'^''^Cura ,6c tiduzentos vizinhos , com feu Vigário , vinte
nhos
.

&

6c

ôc quatro

&

^lldlllrfímZ "^^ ^e ^^^^^ h"ni

Beneficiado , que foy para SaÕ Pedro da Cidade^

tem

aia

^—

Cap.Vir.De outros nobres lugares da
efte

parte dô Norte..

t4j

Lugar muy ta abundância de carnes, de caçasj de perdizes, ôcmuyto bom pefcado, mas a agua tócâ de fálobTaj & porque dahi adiante,meya legoa, podem inimigos deiembarcarj para os impedir, mandou o Capicaõ Díògò Lopes de Efpinola levantar âlli humlfoítfc muro oh íè a eite Capitão , taó zelofo do bem commum , imitaflem outros , como Legoa, & mey/iàõi Aos Fenaes fe íegue Fsnaes rfik 9 hgAfàé cftaria eítallha nâo fó bem povoada , mas? fegura hum bifcoutal de mato , a que chamaó as Capelias , ou por alli as Lze- S. António de i jo^' vtz.ínhos,(jHejap0r^, pelo Saó Toaò, ou por chamarem Capeilas às vaecas malhadas que alkandao. Adiante mais lahe ao mar numa pequena pontada terra,a^ ^^jy^j ©nde éllà o Lugar de Santo António, por deite Santo íer a Parochial J^ ^^ Parocho^ Igreja ; & no fim do Lugar eílá a Ermida de N. Senhora' do Rofario^que Ciíra,& Beneficiado^ mandou fazer o nobre Sc poderofo Álvaro Lopes da Coita , de quem tem Emtda dt Sanfoy aquella terra j & outra Ermida da Madre de Deos eftà no principio w Barbara. do Lugar 3 o qual diíla legoa j 6c meya dos Fenaes , & tem et nco & cm* coenta & dous vizinhos , com Vigário , & Cura , ou Beneficiado , & jà he do termo da Cidade i & meya legoa mais adiante eftà outra Ermida de S. Barbara, & de muyta romagem. '''-' Paffadamais huma legoa ,& fobre huma ponta groffa à^ jj^^^f^goa adiante j^f o Lugar chamado Bretanha , Ç ou por aíllm chamarem os an- efia o lugn j^fe diz. bahia éftà tigos a qualquer terra alta j ou por alli ter fua fazenda hum Bretaó} & Bret4nha,de y^.vitemParochia de N. Senhora da Ajuda , com Vigário , Scfetentaôc oy^ pinhos, &oKtr»^ííaJÍ to vizinhos. Dous terços mais de legoa eftà o lugar dos Mofteyros em^'^"^ '^a^'^m'!1^^'*' humafajá de terra tam boa que dà o melhor trigo da Ilha , de que fe faz ^^^_^ "^izj.nhos- & |)aôfém tufo, como em algumas partes de Poítugal: a Parochia hede ^^^ aàimte ejla a,
:

!

mm

,

,

,

,>

,

N. Senhora daConceyçaõ,& temfetenta vizinhos com feu Vigario:^^^^^ chamada dos chama-feMofteyros , porque hum tiro de béfta ao mar tem diante de Efcdvados .aonde P'ente acabaoNoru fi quatro llhèos com proporção entre fi tal, que reprefentaó qwãXro àeS.Mtguel. Mbfteyros edificados no mar ;& também porque alli pela cofta, & ponta Ruy va atè os Efcalvados eftaó taes concavidades, que outros tantos
,

Mofteyrosreprelentaõj &:tem porto de batéis , que dos muytos ventos fQ'abrigaõ com os llhèos :& logo, hum tiro de bèfta, fica aponta Ruyva, por aílim o parecer nacori&niais adiante logo a ponta dos Efcalvados, que por efta parte he o fim da Ilha para ò Poente. 48' Portoda eftacoftadoNorte5& SuldallhadeS.MiguçKha Dos exceílentes ma* o r r n muytos,ôc muy feguros pefqueyros,& poftos de pefcarA^ o melhor pey^^ ^^ ^^^^ xe fempre heo que fe toma da banda do Norte j ôc de ambas as partes o ^coíUdo mar defia marifcó he muyto,& excellcnte,& o mellior he o que chamaõ Cracas, & 7//,^, ém Latim Umhelicpí^ marinm , por o parecerem no gofto , & íabor delle vencem às Oftras , âmeyjoas,8c a todo o outro mariíco. Os Caranguejos, & em particular os que chamaó Mouriícos , fió os melhores que ha, por mais delicados , limpos , creados naó em lodo , mas em íizos, lavados penedos , & por iíío faó como os Ginetes de Africa mais ligeyros. Ha também muytos camarões, lapas , búzios , occ. porèra as lagoftas ( & não fó nefta mas em todas as Ilhas dos Açores } faõ as me-* Ihoresj 5c mayores das que fe achaõ em qualquer outra parte.

oTLj r*
j

&

&

&

,

N
m^

CAP,

24^»

Livro V.

Da fatal Ilha de S. Miguei,
VÍIL

CAPITULO
Do interior (la
49
Ilha y /emfogos j

& tremores.

efpinhaço

T
,

Ratado interior da Ilha de S. Miguel o Doutor Frudiíos {olíV.4..cap.4,S. & diz queemfeu comprimento hehum todo montuofo , & defcálvado já, ou defcuberto fendo que
j

emíeu defcubrimento [eftava toda

a Ilha cuberta de

efpefíb ,& alto ar-

voredo. Nos lugares aonde naó chegou a pedra pomes, & cinzeyro,tem grande creaçaó de gado , & de carvaria herva , bons paftos de boa, ne mais goftola , como he fempre a de paftos defcubertos ao Sol j & as rezes tem mais força , & fofrem mais trabalho j Sc como neíta Ilha o paverde , he por iflb defgofbofo o carneyro , que ílo he muyto húmido , muy goftofo o cabrito , cabra j aífim no açouhe mais húmido j gue fe corta chibarro em Abril , Mayo , Junho. Antigamente aqui fe

&

&

&

&

&

&

&

melhor a carne j mas porque a pelle matavaõ chibarros capados , por dos caftrados he mais delgada , & de menos dura , & na Ilha de Saó Miguel em os primeyros duzentos annosnaó havia homem que naó trouxeíTe botas , antes queriaó melhor pelle para calçar, que melhor carne para comer ; & tanto era o gado nefta Ilha , que a comer, & calçar^ a tudo acudia §c como jà ha mais de cincoenta annos fe calça , & veíte mais politicamente na tal Ilha, já de botas fe naó ufa tanto , como nem também do carneyro, & de o caftrar, como experimentey ha cincoenta.
fer
:

annos.

Das celebres Furnas da Ilha de Saó Miguel deraó já notiu cia alguns Authores Agiologio Lufitano tom. 2. a 11. de Abril & do$ Eremitas das ditas Furnas fallou Frey Diogo da Madre de Deos, & o Padre Manoel da Confolaçaój item o Padre Frey Joaó de Saó Bento,
50
:
-,

Da grande
^

t

& pro^

fundijfimcicov^^ a

chamaõ Fumai.
.

Vulcão defogo y que rebentou na, o noíTo Doutor Fruduofo Uv. 4. cap. llhade Soo Miguel amo 1652. &obfervey com meus 49. Mas porque no anno de 1664. para 65. vi, olhos na mefma Ilha as ditas Furnas, ha cincoenta annos,por líTonáo

Eremita da Serra d'Oíra

trat. dotiltimo

&

He atai
em

cÕcavidade
le-

Furnas chamão nefta Ubá a huma vafta , Sc profunda concomprimento faz a terra em figura ovahiia de comprimento^ cavidade, que no meyodefeu meva Itgoa de lar- da , com circuito de mais de duas legoas , & huma de comprimento j SiZ gtira-^&qua(i <w rnef- meya legoa de largo vaó, em cima entre as rochas , & outra quafi meya mM meiídas no pro- legoa de largura em o profundo valle, mas tam profundo, que a quem fundo valle em baya eila chega , & quer olhar para o Ceo , defte lhe parece naó vè jà fenao xo ^p6r ferem as rahuma carreyra de cavallo muy comprida, por terem de altura as rochas chai ii roda de altura prumo Sc O peyor he, demeya Ifgoa^ ò" taõ de huma, & outra banda, mais de meya legoa a parte do Oriente da banda (jHt nè que por mais que a arte abrio caminho pela dejJienh.idM gente a cavallo pode do Sul, ainda he tal que dcfcer por elle a cavallo , fera peccado morml^ defcer^ ou (uhir^ ntm pelos mortaes precipicios a que evidentemente fe exporá comodivíVàainda as bejioi carraójà lentes de MoraUSc aindáas beftas de carga não vão com cl li ahayregadas , mas fem xo ,ma3 fe lhes tira logo ao principio da defcida,6cas cargas fe fobrcsarga. poeni
geat
circuito
,

defigHra ovada , demais de duaí

& que eom os olhos vi, & examiney, recoVilarey o principal que puder.
^
5
1

do que dizem os

citados

Auf hores\ nem

do que

ouvi

,

mas do

&

•,

,

,

,

L

Cap.Vin.DoInfemOj&:ParâirojutosnomefmovalIe. 147

& eftas a cordas per que os vaó enviando atè bayxo, pè & atraz de beltas & cargas como vi defcer a cavallpyros famofos & ainda que tem aberto outro caminho da banda do
põem em
taboas ,
,

_

rnas gente toda a

,

,

,

i

!N orte, a que

chamaó Pè de Porco, ainda efte fegundo he mais Íngreme, o primeyro,& fó para ruílicos fragueyros. &: peyor que Saó comtudo eíles dous caminhos tam apraziveis , delicio53 íbs, ôc gratos em tudo o mais, que a vifta he dos melhores, & mais altos arvoredos , & cedros altiífimos , habitado tudo de tam innumeraveis, & novas caftas de aves , que nunca os olhos ficáo fatisfey tos de tal ver j 6c menos os ouvidos da celefte confonancia, §c harmonia dehumas fuavifíimas
,

.

& novas muficas & atè omefmo olfa£to fe fente
}

arrebatado dos

odoríferos hálitos que fobem de hervas precioíiílimas

,

& viftoíiflimas

flores , que povoaó efte trado onde eftaõ taes caminhos: mas outros que Jk nnúi àm llhãt fe quizeraó bufcar por outras partes, fe achou ferem, & pararem na ver- ^efcHbertoiftz. arre» dadeyra reprefentação das furnas , & cavernas do profundo inferno; ^^«^^«'^<'«J%<? efiat porque logo no defcubrimento dailha, & naprimeyra povoação ve--^*'''''^»^ ''^^•^"^ ''^ lha, reparando hum devoto Clérigo em humas linguas defoffo,&fu-;'*-^f''/''''li'f ^'í'* maças que lobre a terra via ao longe , animoío le atre vco a ir com hum yj ^ ^ /^^^^ ^ i^^ companheyro examinar o que via j vio como meya legoa de rocha pre- goa reprefemando hâ cipitada ao fundo, & tam medonha, & de mato tam envolto em fogo,& l»f«rm\ fumo, que não defcubrio por onde poder paíTar avante,& fe voltou para a fua antiga povoação-, & contando a muy tos o que chegara a ver, outros íe refolvèraõ com elle tornarem a examinar aquelle abifmo , de que o dito Clérigo tinha fido o defcubridor primeyro , & com eíFeyto , indo, & andando duas legoas pela parte do Oriente , derão em huma Encumeada de Garaminhàes , pela muyta que em toda ella havia , & rompendo algum caminho com grande trabalho , & perigo , defcèraó meya legoa de rocha Íngreme a bayxo , & examinando o que podèraó, fe voltarão por balizas , ou por marcos, que tinhaõ deyxado para iíTo , &; con-* tàraó o que fe fegue, & que viraó. Viraó pois, ôc achàraó em bayxo hum valle de mais de ftic53 ya legoa de comprido , de largo quafi outra meya , & ao pè da deícida huma ribeyra de claras , & frefcas aguas , & em pouca diftancia hum ribeyro de agua que fendo fria , parecia verde, vermelha , dourada, & ferrugenta 5 fegundo os diverfos fundos, ou laftros que embayxo tinha ; logo mais adiante para o Sul viraó duas abertas furnas grandes , com eftreyta, roas andavel , pedreyra viva entre fi j das quaes furnas a primeyra , que fica da parte do Occidente , he a mais alta , de agua clara , mas Fumas de continHi tam quente , que nclla mettendo dentro leytôcs, cabras, & porcos ^tàn-fogo, &frio^ & tudã des, & tirando-os logo, fahem jà pellados todos , & em mais tempo, vem i»»to,& deefirmdoí cozidos } & de peyxe fe tira fó a eípinha; & fc eftaó ouvindo fempre hús **'*"'^ envidas, & te*""'*/''^ efpantos dt eftrondos muy tremendos no mevo devta a agua fervendo acima, dous j"* correntes nbejraseU j ^ covados de altura , de groílura duas pipas lunolas 3 a c legunda í urna hc pg^^^^r^ como a dita primeyra , & não menos eftrondofa , & medonha. Da agua, ou polme de ambas corre hum canal atè outras duas furnas para a parte 'ào Norte, que faó muy to mais largas , &: de agua mais medonha , & fervendo fempre, & mais turva. Mais adiante eftava logo hum horrendo, grande olho aberto na terra, que eftava fempre fumegando fumo ef'

&

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;

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N

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pelToi

^f

Livro V.
peíTo}

Da fatal Ilha de S. Miguel.
, ,

U a elle vizinha hiima caldeyra fervendo por tantos olhos tanto, & tam cinzento polme, & figurando em cima tantos GÍrculos,coroas>
as Coroas dos Frades. mais adiante eftava.huma tam funda cova , ou furna, Logo 54 julga fer a mais tremenda de todas , porque ainda acima de fi lanque fe efcuro , que çava hum tam furiofo borbulhaó , & de polme cmzento , íobre a cova fubia quatro covados , & em groíTura de três pipas , & pela

de cabeças calvas,

que lhes chamão

&

parece fer a cova, ou a foreftrondo fe chama a Furna dos Ferreyros, ja do fabulofo Vulcano. Junto delia , ha coufa de feííenta annos, fe abrio outra cova menor com três olhos do mefmo polme , cor ,& fervura. E logo em huma gruta da parte do Oriente fe vè hú grande olho de agua, que ferve,& fobe ao ar hú covado, com fer da groílura de hum quarto de
toneli

&

& aquife ajuntáo as aguas das furnas antecedentes, & formão húa

que para o Sulfe vay juntar com outra quente , &: outra fria, & encontrando-fe mais com outras ribeyras frias, vaó todas, juntas em huma , fahir ao mar do Sul, com realidade , & nome ainda de Ri-r beyra quente, & cada vez mais quente. Entre as ditas furnas , & a dita gruta eftá hum óuteyro de 55 3oenxefre,&fedr4 terra, que fe pôde chamar de furtacores , porque todas, & rauyto vivas, hftms, i^Hcfe tira de- as reprefenta em divcrfas partes & fe diz fer todo de enxofre miftura^
ribeyra quente,
;

fie tra£lo infernai.

do com branda, Sc molle pedra branca> &: dalli huns levão muy to enxofe fervem delle aflim como o achão j outros o apuráo fervendo-o fre, ao fogo , ôc deytandq-o derretido em feus canudos de cana , com que fifermofo como ornais fino que de fora vem ;& por ca tam perfeyto,

&

&

mais que fe tire da terrena fupcrficie daquelle outeyro quente , logo no wtefmo lugar fe torna a achar exhalada da terra , & vaporada. Junto da fobredita ribeyra quente 5 da banda do Sul para a parte do Poente , eftà huma pequena caldeyra, & fervendo de tal forte , que paíTando pdr ella huma fempre corrente ribeyra fria, fica fem pre ainda fer vendo, tant quente como de antes i daqui fe tira muy ta pedra hume , & de bora rendinicnto. Das fobreditas furnas para Lefte, com inclinação para o aqui chamão o Tambor, Sul , eftà furna fervendo polme cinzento ,

&

&

&

porque propriamente o arremeda em feu eftrondo ^ como outras que parecem difparar artelharia arcabuzaria outras & outras tocáo trombetas i tal he em bayxo a batalha de hús com outros metaes , & elemen, ,

tos oppoftos.

rei
A,r!

Dosfuntõl , fedoque aqui faham, líoctvos maií a aves^

&

& Animc.es., do que a pelos narizes receberão & deíla qualidade ha alhomens & de hama lanção a peçonha, que Ermida que adiante gus pequenos campos pela ribeyra quente abayxo & a tudo ifto chaporém tem-fe obfervado que peíToa humaefia é" íigua Medi- mão os fumos, & fedores
; ,

de arcabuz das furnas para o Occidente eftà á terra aberta em varias bocas , & ao redor algumas covas , donde fahemt tantos fumos, & de tacs fedores, que brutos que alli cheguem , & fe detenhaô , aves que por cima pouzem em alguma arvore , em breve efpa* çocahem ,& morrem & fo os caens, fe lhes cortaó as orelhas por ellas

56

Hum

tiro

;

:

,

,

j

,

cinal como de excellentes calda*

dcftes fe dena não recebe mal algum de taes fedores , fc para totém mais de huma hora ; & fe por mais fe detém , daó-lhe vómitos , defda a domça^tomande tirando-a logo para fora , torna em fi , &: pára mayos , & accidentesj a/li hanhos. tudo. Pouco efpaço adiante fahe no bayxo da rocha chamada ( Pè de

em nenhum

&

Porco}

Cap.VIII. Continuaõ^fe as inGompiÊlienfiveís Furnas.

í4§>

Porco) huma grande ribcyra de tão clara, fádia , & f refca agua , que di» zem fer a melhor que ha em toda a Ilha , & comtudo vay íervendo pelos fundos mineraes fobre que corre , Sc aííim lhe chamão , Ribeyra que ferve i mas nefta , hum pouco mais abayxo, fe mette outra agua queíabe a ferro j & por iíTo quem quer a perfey ca agua daquella ribeyra , deve-a tomar mais acima, junco à rocha donde fahe , & aonde eftà fcyta a fabrica da pedra hume , que fez hum Joaó de Torres , Meftre
delia.
57

Da Ribeyra que ferve

j

pouco eípa^o pára o Poente j

cftà

jà huma Ermida de N. Senhora da Coníolação , & jà de muyta roma-

gem, feyta,ôc fabricada por hum nobre varão Balthezar de Brumda^*^T"!i ,.. bilveyra que depois loy para Caftella , & la morreo , & era tio do Ca- ^^ ^i aueeõfer pitaó mòr Manoel de Brum & Frias , da Ribeyra Grande > Padroeyro de agua deee vaz.a^ de dous Conventos de Freyras de Ponte Delgada , nobiliílima peffoa, & enehe cemo mar, de quem a feu tempo fallaremosj & perto defta Ermida nafce a Ribeyra ^p^rte delU fifeca
,
,

quente , & turva , a quem tempera logo outra muy fria , ficando a Er- "" "veraô^fà- da terra alagoa mida no meyo j & na ribeyracompofta de ambas , fe curão muy tas pef- ^'^^^''^ff^fi* foas de varias enfermidades , & muyto mais de farna , tomando banhos
allij

para poderem igualarfe às ce- ^^ terra aue efia en' lebres Caldas da Rainha junto a Óbidos, vencerem as outras junto de tre as feheditaifftr* «at, Bouzella em Portugal.
,

& fó lhe faltaó officinas, &: edifícios
58

p^/'^j'*^^^^^'^^^P

&

Eftá mais três tiros de bèíía da fobredita Ermida , tiua aíagoa, cujo circuito chega a huma legoa, toda de agua doce , comtudo por vezes fe vè vazar , encher como o mar , no verão feccarfc parte da dita alagoa para a parte das furnas , por bayxo da rocha j 8c cncumeàda grande j & por cima de hum terço eftâo ainda quatro , oii cinco furnas fervendo , fumegando , como as fobreditas. Dizem que de toda a terra ao redor da alagoa , fe pôde fazer caparrofa , fe houver

&

&

&

&

:

&

&

Meftrequeafaybafazer ,comojàfefez de alguma terra da que eftácn» tre as furnas. Finalmente dizem que efte fatal valle, Sc tam profundo, Sc cfpecialmente a parte aonde ficarão tantas furnas j devia fcr de anteS alguma grande montanha , a quem a fúria do fogo , & mineraes fubterraneos, rebentando levantarão aos ares, &: parte foy dar no mar j aonde fe íiibmergio, & parte formou outros dos que fe vem nefta Ilha. E conforinando-rae eu com eííe parecer fó accrefcento , que ha quafi cincoenta annosj que tudo o que delias eftà dito j vi , obfervey í & apontey , como cm a idade então mancebo, cUriofo, &; defejofo de faber, & já então com noveannos de Religiofo , & Meftrejàde Rhetoricaj &confefl!bque tudo o fobredito he pura verdade , de que fou teftimunha ocular , & tudo concorda com o que o douto, & fideliílimo Fru£tuofo diz. Mas de-* ve-le muyto advertir que como o tempo tudo muda muytas coufas poderàó eftarjàhoje mudadas como eu jà então achey mudadas muytas & com ifto vamos à legunda ,& frefcá parte defte fatal valle. Da grande legoa que vimos , & que occupa o fatal vállCj -^"^'^ ^^ fokeâitÃ] 59 em que eftaó as referidas furnas , nem todo elle hc delias mas quafi me- à- infernai meja u-^ ya legoa, começando o dito valle do Norte delle para o Sul, Ôt n^3r,tan-^^^>.^J^' ^eflkparAá to tem de hum paraifo quanto a outra mayor parte tem de medonho ^^ ]vor/ff oMtnê J^^^^ inferno &asduasdiíRcilliraas defcidas que apontámos , ác ema pã-ffiey^iggea de und^
, , ,
,

j

j

,

}

N

iij

ratai

WF^

.

4 A xii^A^
.

150
ra tal valle,

Livro V.

Da fatal Ilha de S. Miguel.

(^tít

ma

tudo

com razaó as defcrevemos a todo o fentido deliciofas, porparea que ambas vem a dar em a primeyra quafi meya legoa,que fe pôde chadeleytes-

Pareceme pois cfte valle todo , & tam profuiia entender y«í què Jo , hum muyto alto, & grande Galeaó , lançado de Norte ao Sul , que ^mK.er nefta vida ^^^ ^^^^ ^jj.^ p^p^ para a terra em o Norte, de Íngreme rocha altiílima, ^ ^^'^^ íguaes coftados defemelliantes rochedos , defce algum tanto ao ^deiu arHícJrJair darem o inferno ^^ convez dilatado pelo Oriente ,& Poente 3 atè ir dar com aproa em o omra tjuem defiefe Sul, & vafto mar j mas com tal dcíTemelhança , que nem maftros nem livrarem efte mun- ji fobrado algum tem dehumaoutrocoftado , porque comofe Ihepedo,e»trara no ParatgQu q fogo no payol dâ polvora que tinha deíde o cõnvez para a proa, fo CeUfttal. y Q^^j j.^^^ ^ ^i^Q interior, ficando íó a forte, comprida , & groíTa quilha
húparaif»,

& nos dà mar valle de

,

;

,

com as

fuás fortiííimas paredes dos coftados

:

da polvora , & payol debayxo da fua proa , & convez , por iíTo aqui ficou ainda a horrenda fonte do fogo com tantos regatos delle , quantas furnas vimos já^ & o lugar onde a cafa do leme Sc a Camera Real, & o Caftello de popa tmhaó eftado , ficou tanto fera fogo finalmente , que com o tempo fc fez hum parailo, ( como agora veremos ) mas paraifo da terra , & defte mundo, donde fem jà fubida , mas com defcida fempre , fe vay facillidefte fatal Galeaô fe levantou
,

porém como o incêndio mineraes que 'eftavaõ no

duaslegoas em rodaj ltÍ0joriode!nguad9''^'^^^^ZO3LáQàiÇL2.ná3L entre OS lados ,& perto de agua doce , fací, tantoi fontes , dr cõrta efte quadro hum ameniflimo rio de frefquiílima fáfrejiffttffimoí regatos^ lucifcra , fóra oiitras tas fontes , &: regatos , que fazem o ar

mamente áquellas furnas do inferno. r. He pois efta primeyra parte de tam profundo valle, hehíía 60 f, quadro com quafia mef^^"''"^ > ^ ^^^^ P^^'* ^^ , reiaU^Sofo &dt*'^^^^^ ^^^^ ^^g^^ ^^

&

muy
-,

muy
,

Áii

& her- ^io, & de bella viração tem muy tas arvores frudifeias, muy tos prados & deley cofos, muyta variedade de hervas fem alguma fer nociva & tanque faÒ a continua recreação da vifta as aves ZnfeZiZr» IZ ^^í & ^^^ diverfas flores inaudita, & úõvana^&agrada- faó infiumeraveis, & muytas não conhecidas ,& outras de vslmufica de novoí, grata mufica & animal nenhum que poíTa fazer mal fearas 8c hortas
txntoí floris
,

v^ nnnc^

vtft^,

,

f

,

:

}

:

,

ç^inntimeraveiépaj-

farosjem na terra ^on ar haver vivente

m

commummenteas naó tem, por naó ter quem as cultive, pois nem moradores continuos, nem Freguezia alguma ha là em bayxo , pelas defci^^^ ^[^^^^[^
^
; ,

& fubidas mais difficultofas & comtudo ainda algúa genalguma habitação, aon7e!rameZ'chaLL ^^ "«^.re tem là feus paftores ou quinteyros, &
f/ííMfío

depoíTaóeftarquandolàvaó. ,, , l 1 principal que rende efta bella parte de tal valle , he mel^61 Tela ^#«^'^'/"^^, 5c cera, de forte que atè os Padres da Companhia de JESUS tem alli &fMa defiepofto, ^^^^^^^^ ^.^5 ^^^^^^ ^ que câda annolhes dá hum quarto , ou meya pipa correfInZ, de mel , & algús annos pipa inteyra , 6c mais de pipa & a^^cerade qualao éportjjoncm hortas, pondente j & aíTim cera , como o mel , excede na perfeyçao nem Uvmrat ,&Jó quer outra parte , por também as hervas , as flores 6c as aguas excedea/'^/-^;^.

O

,

Zlr%
no v;raõ

,

,

fe

hia la
rr.el,

,

a ^^^^n

colher n^uyto
7nr4y,a cera

&

de coL-

muyto a todas as defta IHiaj 6c fó á tabrica defte mel, 6c cera, he que ^^^ abayxo gente de trabalho ; 6c em arcas , 6c quartòlas , poftas febre ^randes,6c fortes tabocs,que por corclas vão arraftandohomes adiante,
fobredito fobe acima
•,

do rochedo do Oriente , pelo camide íahir de vai,& o florido ter- nlio que acima defcrevemos que fe houvera bom cammho renLf4hní^va:;,& tal proíunáidâáe a tam elevada altura, cultivarfehia o fertiliílimovaltutra vex. o hi^ó cre. j^. ^ ç^,^^^ frutos, 6c atè as excellentes , 6c preciofas madeyras que ha nel-

ZZrç.prepZZ he que tudo o

Cap. IX. Das Furnas, Fogos,& Tremores áeíla
k,
fc

Ilha.

if i
_tmndo «m
^,^{1*

aprovey tariaõj

& concorreriaó niorado'resj&: feria habitação ratiy.

ià tem os Padres não fò caía fuííiciente , mas Ermida/'*^ to appetecida > mandão fabricar,ôc para le dizer Miffa naquelles dias, em que là vaõ,

&

&

recolher o fobredito. Veja-fe agora lájfc 62

^l^'^'^'

meyra parte deite valle , & que efte mundo chama Paraifoj fc vay fem fubida, mas cora defcida fem-,

com razão chamamos Paraifo a eftapri-^j,_ Moídiíemme Inferno à fegunda & quam facilmente , do ^pteja hoje mora tã^
ta gente là
,

-r

n.

-

^^'"'^'' ^xcellfnúffi*.

<i»t lhe

quanto he diíEcultofo dos mais altos póftos defte dtvemfor [m pre ao Inferno } /^g'*'^*'*'. mundo chegar ao Paraifo , ainda da terra, quanto mais ao do Ceo. Confidere-fe bem efte confiado de Inferno, & Paraifoj efta recopilaçaó dos

&

mvá

quatro Noviílimos do homem , juntos todos ) pois fó meditando nefta vida os três primeyros de Morte,Juizo,& Inferno, chegaremos ao quarto do Cclefte Paraifo. E aílim apontada taó grande meditação , vamos

,

continuando a Hiftoria.
'

'

C A

P
,

I

T U L O

ÍX.
,

De outras Fiimm
63
Ti y^

Fogos ,

& Tremores dcfla Ilha

è"

em ejpecial deVilla Franca.
Eyalegoa além da grande Villà de RibcyrâGi-andcj&r
niuy to antes de fe chegar às Furnas acima relatadas , eftá pequena concavidade defó íeis alqueyres de terra-j ou de femea-

i.Vx

huma

dura, ( que nas Ilhas he o mcfnío } donde já fe tirou muyta pedra eftá cercada de humas quebradas , ou rochas mais pequenas ,

hume,

&

porque tem também ^g„„itmero menoí facilmente permeáveis pela parte do Poente > dentro algumas caldeyras , furnas de fogo, mas muyto menos cm nn-furnoi , ^ eflah meya mero das outras já defcriptas, por iíío Fruduofo Uv.^. cap. 50.3 eftas de Ugoa de Ribeya

&

& mais ^^

^^^

peauetiM^

&

que tratamosjchama as Furnas pequenasj& às outras as Furnas grandcsi Grande, lenaó quizermos chamarlhes a eftas o Purgatório , & ás outras o Inferno. A eftas vi eu também , ha quaíi cincoenta annos , & parece que algu tanto já mudadas do que feriaó de anteSj do que vi pois 3 & apontey, Sc do que lij digo o feguintc. Entrando pois neftas furnas pela parte do Poente » cftà lo64 go humaalagoa, ou furna mayor que todas as acima referidas , mas de cinzento polme & que fempre eftá fervendo & logo para a parte do Oriente , dez ou doze palmos , corre hum grande ribeyro de agua clara, &- fria i mas que correndo ferve, & fervendo corre feguem-fe algúas caldeyras , que tem de largo quinze , & vinte palmos cada huma , & de comprido trinta: mais para o Oriente fc eftaó vendo quatro olheyros pequenos , dos quaes faõ três de agua clara, 6c hum de agua cinzenta,&: medonha; & em pouca diftancia outros de agua clara doce , & fria , ôc por todo efte efpaço fahem outros muytos olhos de furiofo fumD,quen^ tura, & cheyro tam mào, que fe por cima pafl*aó algumas aves , cahem abayxo, & morrem. Efta terra toda hc de pedra hume , como cal cinzenta , o cheyro he de enxofre & logo abayxo da fuperfície de pedra hiiffip, hs tudo pedreyra dura^ & mais âcima na fralda jà da ferra^ eftaó ou,
: :

,

,

'

,

trás

^^

IJi
trás caldeyras
,

Liyro V.

Da fatal Ilha de S.

Miguel,

perpetua, & medonhamente fumegando^ Ba grande, chamada bete Cidades s de que aqui torna a fallar Fruâuofo j jà falíamos, & nem nellas jà fe vèfogo algum a nem íinaes delle. fatal tremor de terra que fubverteo Villa Franca , conta 65

O

'i

1

cap 69.70. -Ji. afubftancia pois he. Sendo Ruí dãfdtalfni>verfa'éde Gonçalves da Camera, o quinto Donatário da Ilha de Saõ Miguel , FiríUFrmea. correndo o anno de 1522. em o mez de Outubro tinha vindo à dita líha , por outra fecreta caufa , Frey AíFonfo de Toledo , irraaó do Arcebifpo da tal Cidade , & parente bem chegado do Duque de Alva , 6c Religiofo da Sagrada Ordem deSaó Domingos , & fazendo officio de Pregador Apoftolico , exhortava à penitencia de peccados , affirmando que por elles eftava para vir àquella Ilha hum grande caftigo , &: indo de Ponta Delgada aonde prcgavaja pregar o mefmo em Villa Franca , chegado o dia 21. do dito mez, foy jà tarde à porta do Ouvidor Ecclcfiaftico , dizendo querer fallarlhe j & mandando-lhe dizer o Ouvidor que ao outro dia lhe fallaria , refpondeo o Frey Aííbnfo , que poderia fer que ao outfo dia jà ellc Ouvidor naó poderia fallarlhe j & retirou-fe da Villa o dito Pregador j & jà alguns dias antes pelas ruas andavaó os meninos pronofticando o caftigo , Sc claramente no diâ vefpera eji<$ delle diziaó os taes innocentes jl manha havemos morrer todos , yillafehade alagar. E os mayores naó crendo ainda , diziaõ barbaramente Dizem que nos havemos de alagar ejla noyte , fois ceemos bem t morreremosfartos. Alguns porém com prudente , & Chriftão temor fe retirarão da Villa , quando outros bemacafo vierão entaó de novo para Gapitaó Donatário, que na Villa eftavaj fe fahio para húa quincila. ta três legoas, & fó por ciúmes delle , o foy a mulher feguindo , & hum filho ainda pequeno , chamado Manoel da Camera , por naó quererem levallo, obrigado das faudadcs da máy , a foy feguindo a pè , atè que os pays o mandarão tomar a cavallo por hum Efcudeyro que os acompajytítfltfliaa 4z/»/Ôí

Fruducfo

Uv.4,.

&

&

:

&

:

&

O

nhava.
pois a noyte dos 21. pára os 22. de Outubro de 1522. no quarto dia da lua , em huma quarta feyra j duas horas antes de fereniílimo o tempo, amanhecer , eftando o Ceo ainda eftrellado ,

6G

Chegada

&

Ba inmiAçaÔ de fem haver bafo de vento , que entaó era de Levante ^ 6c fem preceder huma montanha que outro final da terra, ou do Ceo, eys que de repente dà hú tremor na terC9m tremor de terra ra taó efpaiítolo, & impetuofo que a hii grande monte & rerra,que pela eorreofohre toda Fih parte (Jq Norte eftava acima da Villâj fobre ella o lançou com taó horla Frunca^á aftpfíU j.g„ j^g penedos, tanta terra, & tanto lodo , que em elpaço de hii Credo em. ficou fubmergida a Villa, & nem altos edifícios, nem fumptuofos Templos , nem donde tinhaó eftado , fe vio jà pela manhã , & pelos poucos quefe tinhâo retirado, & efcapado. Ao primeyro terremoto que ifto fez , ou desfez , fe ícguio logo outro pelo dito efpaço ainda que maismoderado , & a horas de Tferça outro muy to efpantofo, 6c o quarto terremoto ao meyo dia, 8c à vefpera o quinto. Da ribeyra para a parte do Oriente, onde tinha eftado si 67 nobre Villa, tudo com ella jazia alta, &c profundamente enterrado, &f razo por cima tudo para a parte do Poente tinha a Villa hum pequeno arrabalde com algumas cafas , a que o terreno diluvio não chegou , por
, ,
:

CapJX.Dàsmaríi^{U}iis,\âftasric^|êfrçi^
feteraelle recolhido o feu

ij'^

Noè Frey AíFonfode Toledo, que nefta de antes , andava pregando , & clamando , Penitencia, occafiaó , como Penitencia , a fetenta peíToas , que com elle efcapàraõ , & andavâo era primeyro edificio que ficou totalmenpranto desfey to , & desfey tas. te enterrado, foy ©Convento de baó Francifco ? por ficar mais perto da ferra que eorreo , & delle fó três Frades efcapàraõ , que , fem faberem como , a terra impetuofa os levou, & foy pòr fal vos em huma parte abayxo da Villa , aonde agora eftá o Convento das Freyras como tam-bém huma Negra fobre a terra foy levada ao mar, & lançada em hum baj|^ ^ y^^^^ tél, que là andava defamarrado, &de dia, & de terra foy vifto coma^ffi^fn^fjaçaâ.

O

-,

w

Negra dentro , &

bufcado,

& trazido para terra. Também efcapàraõ os

prezes da cadea, por fe lhes abrirem as portas com o primeyro tremor, èc eftarem ac ordados & atè ao mefmo mar queria enterrar o diluvio da terra ; mas ao longo delle lhe efcapàraõ duas cafas , humas de hu Ruí
:

--

Outey.ro , hodeftaIlha,ôcfogrodeD. GilianesdaCofta. luque eorreo fobre a Villa j de que diftava hum gar do monte, ou ferra quarto de legoa , ficou todo feyto polme de fahão , & pedra pomes, & o mayor penedo com innumeraveis outros , comofuriofas balas , paíTáraò arrazando tudo,& fó paràraõ no mar , fem fazer damno algum a quatro»> ou cinco navios, que no porto eftavaõ, & a gente em terra. Ahúa inundação de terra, que vio vir correndo, húamu^ 68 Iher, fugia efta , & naõ podendo jà efcaparlhe , fe pegou a huma taboa, & aílim taboa , como mulher levou a inundação da terra ao mar , Sc dcfj te veyo dar à cofta em hum calhao , 6c delle depois tirada fe falvou a tal mulher. Da cama em que eflavaó dous calados, Negro , ôc Negra, fe le-* vantou o Negro fugindo ao diluvio , & foy colhido, Sc morto ; 6c a Negra, fem acordar, na cama foy levada pelos ares, 6c pofta à borda do marj acordou entaó, & fentindo agua, èí lodo, cuydou logo que chovia , mas vendo mais o que era , 6c aonde eftava , arraftando-fe por cima do lodq para a terra dura íe falvou. Outra Negra , querendo efcapar, fe pegou a huma figucyra , porém efta com a Negra, foy , arrebatado tudo , dar no mar, 6c indo gente de terra a bufcalla , entaó fó largou a figueyra j 6c ein terra contou que no mar vira a feu próprio fenhor, èc a dous Frades, andarem envoltos em lodo, ludando com mar, &c terra. Hum Gomes Fernandes , homem nobre , oyto dias antes defte fatal terremoto fe tinha embarcado do porto da dita Villa Franca para a Ilha da Madeyra, 6c no mefmo tempo , em que fuccedeo efte terremoto na Ilha de Saó Miguel, fentiraó os navegantes tremer o mar , 6c o navio em que hiaó } 6c reparando no tempo, fem poderem julgar que folTeaquillo; em chegando à Madeyra , ouvirão dizer que era perdida a Ilha de Saõ Miguelj Sc rindo-fe elles de tal dito , chegou a noticia do fucceíTo em poucos dias , êc entenderão que a má nova naõ fomente he quafi fempre certa , mas de algum modo he adivinhada fem pre. .,,..:.>/; 'J.ju Acabado em Villa Franca o lamentável terremoto 5^ di-» 69 luvio, acudio a gente que eftava em montes, 6c quintas , 6c o Capitam Donatário, (que avifado do fucceíTo veyo logo } 6c todos chegando à yifta do pofto onde a Villa eftivera , nem final delia já viaó , & menos? cada
}

Vaz^dedous

fortes fobrados

outras de

hum Joaõ de

mem dos mais ricos

O

.

.

ij4

Livro V.

Da fatal Ilhade S.Miguel,
Sc tanto

, cada hum de Tuas próprias cafas, famílias , 8c riquezas i brados de Frey Affonfo de pafmados , & attonitos , tornarão em fi , a Santa CaToledo 5 hunstomàraó logo por Parochia fua a Ermida de a edificar tharina,que no arrabalde -efcapàra $ outros logo começarão

que de

hl

huma Ermida à Senhora do Rolàrio , mais com perpetuas correntes de efta Ermida alagrimas de feus olhos, que com outra alguma agua , & a Capitaõ, antes de veraõ por Parochia fua alguns dias & os mais com o por cima procurarem defenterrar cada hum fuás enterradas cafas , foraó
j

do Archanjo Saó de tudo ao pofto çorrefpondence à fubterrada Matriz com alguma Miguel, & defcubrmdo-a em fim , ôc achando-a derrubada ainda cerrado, acháraó sente dentro morta, & acudindo ao Sacrário, o delia húa pequena o cofre também , mas a fechadura defte aberta , & lafquinha fora, & no cofre nenhúa forma. ... , ^ , todos ajuizarão , que Anjos do Ceo tinhao Sentidiífimos 70 vizinho, que SantiíTimo , & levado para o outro Sacrário mais tirado ao li^e eant» fetiA$ nchott com o dito de hum Ferera o de Agua de Páo & efte juízo confirmaó » Sifíttijfimo Sacrado mtado arrabalde , que , & outras peíToas tninto no S(tcrario-y& não Vanhegas Caftelhano Matriz huma grande claaffirmàraÓ terem viftolevantarfe do lugar da pfinices^xe

&

.

:

niffoha.

proque logo também ajuizarão, fer aquella claridade para algum outro Sacrário j ciffaÓ de Anjos, que levavaÓ o SantiíTimo viuva dejoaõ Pires, ouaccrefcentaó, que huma Conftança Vicente , que lhe pareceo levarem o Senhor rira no mefmo tempo prociííaó tal , ôcc.Eeftes ditos refere Frudiiofo, a algum enfermo com campainha , Igreja era grande , & noíbm dizer mais fobre elles. Porém como a dita podèraó, fe recolherão a ellaj pode íec va, por iíTo os mais vizinhos que Sacerdote ) vendo comeque akum bom ChriftaÓ ( foífe, ou naó foíTe ao Sacrário , Sc rompendo com a çar a iSreja a voar, & a cahir , acodiííe commungaffe o Sacramento em prcíTa o cofre , de que quebrou à lafca
ridade, 6c

huma

&

,

J)6 defenttrrAr dos t»terríKÍo:,& Inventos prodrgiofos qttefe

osraaisrpois os Anjos nao era cafo,& finalmente ahimorreíTe como tirarem delle ao Santiflimo , nem neceííario quebrar lafca do cofre para Sacramento a mais diftante lugar , que ao ftiáis difficil lhes era levar o Agua de Pào, que também cahio mais vizinho ,& menos á Igreja de fao confideraçoes com o mefmo terremotoyôc os ditos daqucllas peíToas & em vigia. pias, fehe que eftavaõencaó acordadas, calas daLogo começou a cava por muytocm cima das 71 do CapitaÓ Donatário nenhua Cíiella grande Villa , & nas nobres cafas nellas vários filhos , huma irma, peíToa viva fe achou , tendolhe ficado outras caías fe achou gente muyta outra familia , porém em algumas Agoftinho Imperial, foviva. Nas cafas de hum Genovez
tal
_

'

&

alguma ainda lala ambos rãoachados,elle,&fuamulher Aldonfajacome,emhuma toda. Hum cafa morta fuás cameras a mais gente de
vivos,

dfjctibrirítõ.

Mifencordia^como muytos annos,& fervindo fempre à jn;iy cos annos Benedepois achou ainda vivo hu JoaÓ Cordeyro, ^ dous dias depois do S.SebaftiaÓ de PontaDelgada.E

moço , chamado Adam , acháraÓ debayxo de huma

& em outras

,

cafa

,

& viveo amda
também

fe

W

fídado na Igreja de alto,em cujo fundo ficava a cafa de feu tal diluvio ; indo hum filho pelo ouvio o pay, & efte clamou tanpav, por efte clamou tão altamente,que 6c viveo ainda muytos annos. E to pelo filho , que cavando-fe o tiràráo,

Cap.íX^Dâsmaravilh.viílas no terrem.de Villa Franca. lyj
fem
fer neceíTario cavar,

rna de

hum

foy achada huma menina de monte de lodo , fentada fobre húas tâboas 3

três

&

annos emci* brincando coiH'

jjaihinhas.

Nove dias jà depois defta fatal fubvcrfaóà indo huma pro72 ciííaó por cima donde eftivera a fubvertida Villa , ouviraõ-fe hús gritos^ clamores do fundo da terra, & cavando-fe alli logo a toda a preíía, de-^ abrin» faó j jà depois de grande cava, com o fobradode huma logea , três homés , naturaes de Guimarães , Marcos loires , &c Nki do-o fahiraó hum que de antes erajà morador alli j vinhãojá çoiao Pires , irmãos , quafi myrrhados , fem figura de homês, & póílos de joelhos , & pafma-dos 3 com as mãos levantadas ao Geo não ceíTaváo de dar graças a DeoS}^ olhando para o Gapitáo Donatário , a quem por vezes chamavão, Se^ nhor^Senhor iWits diíTe o Gapitão;iV^^ me ihameúfenhorif Senhorfó Deos úhe. Perguntados logo , como tanto ainda viverão debayxo da terra , 6c que peníamentos tinhão , refpondèraó, que humas vezes cuydavaó que

&

&

&

&

o mundo fé acabara ; outras que aquillo fora defaftre , que fo fobre elles viera ; & que em fim de pafmados não fabiâo que cuydaflem ; ôc que nos nove dias comiaô fó de hum pouco de bifcouto , que acafo tinhão là , 6c bebiáo de hum vinhoj que eftava tornado jà vinagre j 6c para matar a fede fe valiao de algumas gottas de agua,que cahiaó da terra fuperior que os fubterràra } mas que o feu mayor tormento fora hum homem , que ao terceyro dia , de pafmado lhes morreo, 6c de féis dias morto o tinhaó entre
fi;
.

fi

Ouvindo iftonotàraõ os
trazia

pfefentesi 6c repararão

que huni
^ ^ff^y^"^ ^'* <**»%<««>
.

deftes

homens

hum

faquinho ainda comfigo, 6c nellc trinta mil

reis ; 6c que todos três diziaó que nunca mais tornariaõ a tal terra, 6c affim logo fe embarcarão para Portugal } mas ào depois fc reparou , que

em

o anno feguinte foraô eftes os primeyros que de Portugal voltarão aquella meíma ilha, Sc ao melmo porto. A que nao obrigara a ambição! mentes. E a quantos nem abre os olhos feu caftigo Huma Felippa Gonçalves foy tirada de debayxo de húa cala , viva ainda , porém tão pafinada> &c attonita, que fallando de antes, & bem, vivendo depois cincoenta annos j nunca mais falloiij 6c tendo ainda perfeyto ojuizo, refpondiaa propofito eftas palavras fomente , Sim, Nao , fem poder pronunciar ou!

*'*^'*''*^'"'''''* ''''*""

tra palavra.

.

no,

Sobre o lugar onde a Villa eftivera , durou a cava hum anfem terera comido, para apontarerh aonde lhe áé{^Q o faro de alguma carne humana , para alli cavarem os homês , èc chriftãmente enterrarem os mortos ; Sc feyto afíinii âchàraó muytos mortos , quando jà fahiaó pelas portas , a muy tos mais nas fuás camas, &c a outros indo jà para a fua Matriz de S. Miguel o An<.

74

8c a ellalevavãocãesde caça, 6c fila,

jo, èc nefta a miiytos oucros^ Òc

homem houve a quem acíiàrão em o me-

poftojàa cavallo com huma lança na mão^ efporas em os pès, fem poder matar a morte , qUe primeyro o matou ãírini a elle, conférvando-lhe a poílura a inundação de terra que o cercou. E foy muy ta a gente qiíe fe achou cm vãos ainda livres de fuás cafas, mas mortos de pafmo, 6c à fome , 6c algús ainda expirando. Os mortos fe enterravão piamente no deftrifto onde de antes eftivera a Matriz
cafa, 6c

yoda portada da ília

&

't5é

Livro V.

Da fatal Ilha de S. Miguel.
,

& feus adros, & como a Villa Franca tinha vindo entaõ muy-í^ ta gente de fórá com navios, & muyta da meíma íiha & ainda na mefda
Villa,

noy te, a negociar, finalmente fe achou que a gente que faltava ,paf'Maií de cinco menores j &;muy tas mais feriaó, ««^faya de cinco mil peflbas , mavores, pellooi morrerão nejte f ^rr r i j iu ^ j r o nao tiveílem íahido as coiheytas ae mas qiuntas , a nego*; *^ muytas àíímio
.

ma

^

&

terreng

-

&

t

cios de outros lugares da Ilha

j

&:tambem fenaómenos
ôc

os qu&perigati;

fem,

fe

o tremor, & diluvio aconteceffe de dia ,
'
;
-

nào pouco depois d^

meya

noyte.
C)

que também de riquezas íe perdeo , foy muyto , de que algumas fe achàraó ainda à borda do mar , & muytas na fatal cava ; mas, por mais que fe elegeo depoíitario do dmheyro que fe achava , ainda rauytos que de antes erão pobres , fahirão daqui ricosj outros com muy-íj tas propriedades que herdarão j mas dos mais foy a perda muy geral, ÔC muyto grande. Porém a mayor que faltou na Viila , foy huma imagem da Virgem Senhora noíTa, de vulto, que parecia de cinco annos , & mdú» fobre o diluvio de terra ao mar , & paíTado quaíi hum anno , appareceo em huma praya de arèa branca , da Ilha de Tenarife , ( huma das Cana-| rias ) da parte do Sul , &: achando-a hims pefcadores , que do Norte d» ^^^^ ^^ ^^ tinhão vindo alli pefcar,&: levando-a comfigo para o feu Norda ÍÉ'h^ 1 a onde hiáo vender o peyxe , & dahi querendo ir a O'Mãy ^àe Deoffey ao ^e a Guaracliico , mar, & miUgrofa- rotiva, Freguezia dos ditos pefcadores & nella coUocar afua achada mente appareceo em Imagem , nunca ( por mais que remavaó} podèraó fahir com a Imagens sHtra mtti áifimte ^Ja Freguezia de Guarachico & dando conta de tudo ao Parodio , & ao &-*t povo , lhes entregarão a imagem , que com folemne prociíTaõ íoy pofta no altar mòr da Freguezia, & Igreja de Santa Anna ; & fuccedendo de-^' pois ir là gente da dita Villa Franca , por finaes certos, que tinhão , conhecerão a Imagem , publicarão mais o cafo , & fe augmentou muyto a devoção defta Senhora. E porque a primeyracoufa que fe fez , logo em entrando 6 76 dia depois da tremenda noyte do terremoto , & diluvio foy a nova Er©^ ^rmti^ (^ voto y g^^^^^ ^^ ^ç^hxio , ( como j.à diífemos ) todos fizefeytoaSenhoradoRo' j ^j então voto a Senhora, de em todas as quartas leyras de noyte, íario,& como di novo ^'âo madrugada , irem àquella Senhora em prociíTaó, & acção de gra<fe reedífícofi c»0ír^ OU de jTiUaFrmca.qveíi- ças j p qiie prudentemente fe commutou em irem huma vez todos os ceo muyio ^^rí'»^/- annos com prociíTaó folemne ,& MiíTa. O que tudo fabendoElRey de ra^&foy maisfrivi- poj-tugal , concedeo logo tantos privilégios, favores , & exem pçôes aos iegiada pelos Rep de ^^^^^^^^^ ^^^^ ^^^^.^^ ^^ ^:^^^ yi^^ Franca & a tornaíTem a reedificar Portugal, fem fe irem a outras terras , & ainda aos que de novo foíTem viver nella, que dentro de poucos annos, & no hígar do arrabalde que cfcapoii, da outra banda da ribeyra para o Poente fe levantou a mefma & tanto outra Villa Franca, que a excedeo & excede nos edificios, commercio, povo, riqueza, & nobreza, que concorreo para ella, com que efta fecunda Villa Franca vence muyto à primeyra &: logra privilégios, & foros muyto mayores, & mayor religião ainda, & piedade.
''

M

'75

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CAP.

ip*

Cap.X.

Do mais aonde chegou o terremoto defta Ilha?

157

G A P

I

T U L O
Franca,

X.

Das outras partes a que chegou

o terremoto deVilla

77
te

Franca o Nafcente levantou ^^?P^ TT ^"^^grandede Villa de párafuriofo que levou dian? montaó taõ hum
fe

quanto achava , atè de gados , & cafaes inteyros , & duas mulheres levou ao mar j & matou trmta peflbas. Mais adiante onde chamaóo Loural , fe levantou outra terra , ôc levou hum cafal com a gente delle* a Ribeyra Chã , entre Villa Franca , & Agua de Pào , cahio hum cafal, 6c morrerão quatro peflbas. Na Villa de Agua de Pào cahio a Igreja 3 muytas cafas , & morrerão quatorzc peflbas o mefmo fuccedeo em Ponta Delgada, (que ainda entaó era Villa) & o mefmo na d'Alagoa. j^^ txíeKffio Aa íjí Pentro em Ribeyra Grande nada houve , mas por fora cahiraó algumas 4uuvio a outras par^ cafas. Em a Villa de Nordefte cahiraó , a Igreja Matriz de Sáó Jorge, & tes d* Jlha. muytas cafas, ainda cafas de campo , & de Aldeãs, & da parte do Sul , 6c do Nordefte, correo jnuyta terra, ôc com tal fúria, que pareciaô balas de

J]^

terra

,

M

:

bombardas. 78

dos Fenaes da Maya , 6c no da mefma May a, correrão as coroas de quatro montes , ou picos , com altura de húa lan- j^^ .^^ fucceàid nd ça de terra , 8c com tal ímpeto , que não fó muytas terras atè o mar , mas ji^aya deperdat de levàraó curraes inteyros de gados,Sc os moinhos da Maya,ôc algúas cafas campos ^timdtjimi&i com quarenta peflbas , 6c as i^ochas que eftavaó juntas ao mar , quebrà"^*w*.
,

No termo

raó} 6c

não fó os picos ficáraó tam fatalmente tofquiados , 6c ( como fc diz } defcalvados , mas os campos por onde hia atofquiada , & furiofa terra , ficàraó fem mato algum , tendo-o de antes , 6c fem madeyra da muyta que de antes tinhão , 8c por muyto tempo infrudiferos , poflo que o tornarão jà a ferj èc comtudo , por mais fundo que fe lavre a terra, a madeyra que de antes eftavadebayxo, ainda não apparece. Na mefma Maya ficou debayxo da terra , em hum vão , huma mãy com hum feu filho Frade, 6c jà de Mifla 3 efte a confeflbu , 6c animou a fofrer com paciência o cafl:igo da maó de Deos, 6c dahi a cinco dias foraô achados ambos,

^ tirados vivos 6c viverão ainda muy tos annos. Em algumas partes como nas defcriptas Furnas arreben79 tou a terra ^ de tal profundidade que fobre levou todas as arvores,
,

,

,

,

,

fi

fendo muytas as que tinha , 8c as foy collocar muyto longe j nellas fe vio ir diante huma Faya, como General daquelle exercito à&^x^Q.^ettfrás^M forasi -«^ w^^^ ^í' ''<^«"*res, que pelo ar fe via, 6c vendo-fe depois o lugar onde pouzáraõ,aGhou^ ^ rao . cem as arvorei 2 j j 1? c c /i . le eltarem as arvores na meima ordem , em que eltavao de antes, h, co^^ v^^ ^^ ^^^^ ^^ mo nenhuma terra fahio do centro delia , pois nenhum final , ou bura- ^„j^^ efiavaõ. CO aberto deyxou diflb mas fó fe facudio aquella côdea de terra ^ (mais, ou menos alta } que fobre as fundamentaes pedreyras dos valles , 8c montes aíTentava ; daqui fe infere que os ditos terremotos , não tanto foraó de fogo fubterraneo , ( que naô appareceo em Villa Franca , nem era outras muytas partes } mas foy a converfaõ , que tfú o mais bayxa
;

O

"da

iti..^^t^fr^*íssrs^

LivmV. Da fatal Ilha de S.MígiieI.
dá terra fé fez da demafiada humidade em ar , & vento mais demafiadoj que naó achando por onde fahir ao íeu- centro , que lie fobre a terra , en* taófuríofamente atirou com a que em cima lhe impedia a fahidai& com
os calhàos mais foltos,&: amovíveis , entre a tal terra páílos ; ôc-por iffo impellio tudo , não tanto para o lugar fuperior acima , ( que efte vinhaó bufcar o ar , vento impeilentes quanto para os lados , ou ilhar) gas, que lhe deyxaffem livre a furiofa íahida para onde affim fahiaõ. Sobre ifto fe pôde ver a Filofofia que imprimimos jà, nos Fifieos naturaes,

&

&

na matéria de ventos, terremotos, &c. 8o -r: Cafo he mais ponderável, que eftando na fobredita Mayà os filhos de hum Luís Fernandez da Coita, junto da ribeyra chamada do Preto, & hum Alfayate com ciles 5 chamado o Rebello, em huma cala terreyra debayxo de outra fobradada, & eftando jà dormindo alta noyte,cahio com o diluvio repentino a Torre lobre ofobrado, em o qual citava hum daquellcs filhos , chamado Belchior da Coita, moço de ^^^^Y^^ annos & eítando huma Imagem da Sacratiííima Virgern poimíredA Ma de ^^ ^"^ huma.parede , de-^repente fe achou fora da cama o mancebo pofsai iZroí , «s que com aScnhora ^^ ^'^ ^ ^"-^^ > ^ com a dita Imagem da Senhora em fuas mãos , & fó com huma leve ferida na maçl do roíto j & os que eftaváo debayxo do fobrado , todos também eícapàraó fem ferida } & o Alfayate Rebello tanto medo, 8r pafmo concebeo, que fem comer nem beber , ficou fempre a tremer por muytos dias , atè que aílim expirou. Oh que devota meditação deite , & femelhantes cafos jà acima referidos podemos todos toí.' mar, para nos valermos fempre do maternal patrocínio, com que a Mãy de miíèricordia , a puriCima Senhora Mãy de Deos , ftmpre acode a íeus devotos , &: fe põem nas mãos daqueíles , que fe entregaó nas fuas mãos, & fedeytaó a feus fagrados pès.
.

^

;

Deyxo outros particulares, idênticos prodígios que ne81 'íta Ilha eníão^ acontecerão j muy to mais o dilatado Romance , que à dita fatal Tragedia fe compoz logo então , em eítylo antigo , & íin* gello , que começa Villa Franca do Campo , Otie de nobre precedia,
i

&

&

&

:

Em

NãllhadeSao Miguel,

A quantas Villashama^ò^c- Ê com

taes confo-

antes procede,& chega quafi a quatrocentos verfinhos, de que faz menção o citado Agiologio Lufitano. E também deyxo as feitas de cavallo^

qoe paraaliviar a tam aíHigida gente , fez pouco depois em Villa Franca o Capitão Donatário, que em outro lugar viráõ melhor.

C A

P

I

T U L O
,

Xí.

Dapefte que fuccedeo aoTerremoto ér heendíos que a ellefuccedevad.
Ncadeados andaó muytas vezes os males em eíta vida Sc aíTim mal tinhão parado na ilha de S. Miguel os tremores de terra em o anno de 1522. quando no de 23. entrou logo nellaapefte: & ainda mais encadea a Divina Mãy de mifericordia os favores que nos faz, porque tendo jà acudido ,&.tanto quanto vimos , aos terremo, \^

tos

li'

''II

Cap.XI.DàPeíleq{uCCe<léoâfiiI)fèrí.JeViIIàrfâfíCâ^ íjf
jcs paffados j torna agora a aciidir à imniinente peílej pois junto à Vil^

jade Nprdçfte andando hum paftorinho guardando o Teu gado , vio di» ante de fi huma mulher veftida de branco , entre duaç cortiflas levan* ^'"^"^ tada em o arj & adorando-a o paftorinho, por lhe parecer a Virgem "Y '^"^^ ^j penhora , ella o chamou , & lhe mandou , voltaíTc à Villa , & diíTeíTe aos lo»!"rAap^e^^% que encpntraflfejque emafeguintequartafeyra alli vicírem,& ^zh^rhõ feguio Sdilulio

&

N

.

' Cruzes j & que no caminho encontraria huma bicha com Ftlla Frama,^ / H boca aberta para elle, mas que ícm temor pafiaflcjporqueaquella era " pefte , que vinha à Villa de Ponta Delgada } & que aos de Nordeftç a Jhes diflefle , queallionde achaflem as Cruzes, lhe levantaflem hum» .s^^aCafa com a invocação de Nofla Senhora do Pranto ; porque ella roga-^ ria a feu Filho irado pelo povo todo j k ao paftorinho accrefcentou que lhe trouxeíTe hum cordão , cm que lhe faria huns nòs , para por elles lhe jrczar o feu Rofario i & a mefma Senhora , voltando o paftorinho com ^ mífrua Senhora o cordão , nelle com fuás mãos fantillimas fez os ditos nòs, & encomen-/'^** cem^s for tndt ^^^'Vfaõrtz^r ftf^ fiou ao moço , que a toda a mais gente défle os taes nòs a beyjar. c€r-~ ^' "'^''* ""* ^"^^-^ tó he, que tudo aílim fe achou no determinado tempo , &c que a Ermida fe fez logo com a dita invocação , & he de grande romagem , & nella tem a Senhora obrado muy tos milagres j & que aíHm encadeou com os benefícios , em o tempo dos tremores, os que quer fazer agora na occa^ ; íiap defta pefte. vr^ o v No dito anno pois de 1523. a quatro de Julho, tendo vin^ ComâeomiçoH apèf^ ítk ?3 ào da Ilha da Madey ra , havia perto de hum anno , a cayxa fechada dei f* «m FSta Delgada^ hum joaó AjfFonío , o Secco de alcunha , & chegando clle ao depois nos ^ «'«''<'« »fli'* oyto ditos quatro de Julho, & abrindo a fua cayxa , deo de repente tal pefte ^"'"''.^ ^'*^'"* »"*f^ junto da Igreja de Saõ Pedro em Ponta Delgada, que durou na dita Lfke^J!dlr£be'Í * Villa oyto annos, atè o mez de Mayo de 1 5 3 1 & conhecida logo, muyy/ c^^nde aonde ta gente defemparou a Villa porque ainda que ceflava algumas vezes, morrerão máiá dtmii logo tornava a atearíe tara mortal contagio & dentro de três annos , no pef^as, de 1526. indo outro Joaó AíFonfo, de alcunha o Cabreyro , de Ponta Delgada à Ribeyra Grande, comíigo levou a pefte a eftoutra Villa, cm huma manta que levava de Ponta Delgada porque o mefmo foy deytarfe nella huma Negra , que deytar a morte fobrcíi; Sclogo cambem morrerão dous filhos do dito Aftbnfo,& de vinte de Feverey ro atè Março morrerão na dita Villa, & de pefte,cento & fetenta peífoasj & a&

i
'

alli juntas fete

'

;;'

_

ii

O

'

.

;

:

;

outras defpejàraó a Villa, deftelháraõ as cafas

,

& a Villa fe tornou hum

Ervaçal, que fó com gados, que comeífem a her va,tornou a parecer que tinha fido Villa, &c fe tornou a povoar , mas faltando-lhe jà mais de mil

peflbaslevadasda pefte, que em Ponta Delgada continuou ainda atè 155 1.& lhe levou paíTante de duas mil peííoas,fóra muy tos Mouros,

que de Africa , & do Algarve tinhão à Ilha trazido 05 naturaes delia ,&c por a verem jà com menos gente , & elles Mouros ferem tantos , que tiphaó ordido treyção de le levantarem com a Ilha , & colhidos , foraõ^ quafi todos mortos para que aprendão os Chriftáos , nfia fe fervirem de MouroS} pois nunca de infiel Mouro bom Chriftaô. Dos antecedentes terremotos , & da referida pefte tirou a 84 Virgem Senhora Mãy de Deos tam grande fruto , & bem commum da ilha de Saó Miguel , qual foy o principio de Conventos de Freyras Re
:

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^

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liguDfiílinaas
-,

Livro V^ Daíatal HRa de S. Migdfeí,

IM

porquê a hum nobre Cavalleyro Jorge dâ Mota , de Vilíâ Franca, que do diluvio tinha eícapado na fua quinta, delia em huma ooyce lhe fugio huma filha jà mulher , com quatro irmãs mais pequenaí, ôc caminhando de noytejnaó paráraófeaâo em huma Ermida da Vai de Cabaflos , jum Coma a mAyieÚtos Virgem Senhora da Conceyçaó , aonde chamão to à Villa de Agua de Páo j & perfiftiraó tam conftantes cm largar o t-TtyrM^ mundo , & fazer penitencia , que nem odito feu pay , nem Juftiças Ec-^ àonventojie que hoftve em S. Mi cleíiafticas , & fecularcs , nem omefmo Capitão Donatário as podèrãd guel^como titulo de perfaadir ao contrario j & ainda as pequenas , tornando com o pay, volfuafemfre mmacutarão logo a metterfe com a irmã na claufura em que fe tinhão recolhido. Chama va-fe de antes a mais velha Petronilha daCofta, &logo fe chamou Maria de JESUS, & huma fua virtuofa Companheyra Ifabel AíFonfo ,quc tinha vindo das partes de Braga as quatro irmãs peque^s'í\^' nas fe dizilo Guimar da Cruz , Catharina de SaÓ Joaó , Maria de Sanf?.,:,VA.->r ta Clara, & Anna de Saó Miguel > & eftas féis foraó as primeyras Freyrasj na vida de rigorofa penitenciajôc eftreytiífima pobreza, da primey* ra Regra de S. Clara, em que então ficarão. PaíTados dousmezes vieraõ de Villa Franca duasprinci.jSf paes, & ricas donzellas filhas de Joaó d' Arruda da Cofta, Sc fem elle o íàber,femettèrão, 6c ficarão no Conv^ntinho de Noífa Senhora da Conceyção , não obftanteter o pay cafado por cartas a huma das filhas com peífoa gravilTima, que cada dia efperava de Portugal , & nunca as poderão apartar daquella Virgem Senhora da Conceyção & logo coi meçàrão a vir tantas outras paíaaquclla Cafa, que o Capitão Donatário fe fez feu Padroeyro , lhes tez cafas , &: officínas , & lhes confeguio Bulia de Roma com todos os privilégios de verdadeyras RelígiofaS}& aífim eftiveraõ alli quafi dez annos , atè que por cftarem junm ao mar,
}
;

,

,

-,

tKi

& expoftas a CoíTarios Francezes, fe repartirão dalli,& parte foraó fun^
dar o Mofteyro de Santo André em Villa Francaj ôc a outra parte muy* to depois, noanno de 1540. em 23. de Abril, fe mudou para Ponta Delgada ,& lhes fundou Convento D. Felippa Coutinho debjyxo da inpor Confundádovocação da Efperança , & Regra de Santa Clara j da Villà de Saó Sebaftiaõ , duas ras vierão também da Ilha Terceyra , Ifabel dos Arcanjos. Tanto fruto tiirmãs, Maria da Madre de Deos, pefte. rou a Mây de Deos dos caftigos dados com terremotos,

&

&

&

Jíl

Compendiemos como também pudermos, a incompendiaveí 8ó narração de outros terremotos, & incêndios defla llh3,q o Doutor Fruduoío vaftiífimamem:efaz em o mefmo liv. 4. cap. 82. atè ocap. 90. Em oannó pois de 1565. a 25. de Junho, em huma feftafeyra,á huma hora Dí outros fataes ter. depois da meya noy te começou de repente a tremer a terra em a mefma remotos & incêndios quatro horas , tremeo que começarão em fobredita Villa Franca, & atè pela manhã, em VtllA Franca em 9n mais de quarenta vezes, & continuarão os tremores todo o fábbado , Ih de if63. Domingo atè vcfperas , & tam furiofa , & medonhamente , que tornandoía repetir os tremores às Ave Marias , huns defem pararão a Villa para a Virgem Senhora da Piedade na Ponta da Garça , húa legoa da VilJa; outros fe foraó para o Ilhèo do mar , atè lançando-fe a nado outros para a Cidade jà de Ponta Delgada j & outros fc embarcarão nos navios que aiídavão levantados , & nem pays de filhos , nera njaridos de mu.

,

&

;

/

Iheres

Cap.XLDos incêndios que faccedèraõ à Peíle*
Iheres
Te

í6t

lembravaó , valendo-fe, apartados , dos naviosa, que primeyro diegavaõ , dos qiiaes algús foraõ dar derrotados na Madeyra. Osquedaiiha,& VillatinhaóidoparaaPontadaGarça, 87 do caminho fe voitáraò paraa Villa, por vir fobre elles do Ceo hiima efpantoíâ nuvem , & já de conhecido fogo , & fuzilando rayos tam continuamence , que debayxo da tal nuvem paráraó os fieis , &c clamando
pela

Virgem Sacraciflima com a fua Ladamha, ( cafo milagrofo ) em ^^jfg^J^^ SenhorJ chegando a começar a Ladainha da Senhora, &: dizendo as palavras, f^^^^V^^^^" SanBa Mana 3 Ora po nobu , fe levantou a nu vera de fogo , & fe foy para o Norte , deytando de fi tantos j & tam efpantofos relâmpagos, que a gente ficou cahida em terra & logo veyo outra nuvem altiflima , que
! *

j

com lançar de fi

tanta cinza quente ,&: delia formadas tantas pedras
,

,

&

tam grandes, que algumas pareciaó grandes bolas & hum diluvio mais do Inferno , que do Ceo j comtudo ainda que efcaldou & ferio a muyros, a ninguém , por beneficio da invocada Virgem , a ninguém matoUj, nem ferio de forte que neceífitaífe de cura. PaíTadas as ditas nuvens , fc feguiraó logo outras, mas huma de cinza tam quente,que nem nas mãos fe podia tolerar } & outra de cinza, & polme tam frio que enregelou a , todos5& logo começou a chover terra como pimenta em feus grãos formada } & todos affirmáraõ , huns verem entaõ a Virgem Sacratiflima Como a Virgem Sei em o ar rogando pelos peccadores j outros verem a meia da Divina Ct2ínhora,& Chrjf. St,

como

SantiíTimo Sacramento nella

j

& outros ao Efpirito Santo emB.-cramentado & ^fpt^
:

guradehuma refplandecente Pomba tantos advogados fempre diante ''""^^"^"^"^'''^'^"'^ do Tribunal do Eterno Padre, queyraDeos que mereçamos, nos não ^*^''^P'^'^'"^*''"* faltem. Durou eíla mortal tribulação defdeos25. de Junho atè os 29. por todo o dia & noyte de Saõ Pedro, & comtudo nem caía alguaca» hio, nem morreo peflba alguma. Affim mortifica Deos , & vivifica. 88 Nas mais partes da Ilha ainda duràraó mais os efpantofos
,

terremotos, fogos, dilúvios, caftigos , pois duràraó atè 5 Sc lho, donde foy tanta cinza ao mar, com ella tantos gados ,
.

&

6.

&

de Ju=

& tantas

madeyras, que humas Caravelas que vinhaó de Alfama de Lisboa, &: de yíanna do Minho , oy tenta legoas antes de chegar a eíla Ilha , lhe cho» via cinza', &: com pás a lançavaó fora, & com tudo o fobredito fe viao impedidos a navegar, &ufavaô de varas para paflfaremhum quarto de legoa, cheyo tudo de pedra pomes em altura de oyto palmos. Na Villa

Prodigio

com qui a
<tos

de Nordefte , & feu termo cahirão muytas Igrejas , mas não a Ermida ^''^«'» ^^c^^i" da Senhora do Pranto, fobre a qual fe vio a merma Virgem Se n hora'' "'*'*''''^''^çom manto preto , & ao feu altar nada chegou , fobrepujando muyto a

^

inundação de terra ao redor delle , & muyto mais fobre o telhado , fem €omorehêtoííantayot\ que comtudo elle cahiíTe. E vindo fete homés em romaria a eíla Senho- *'^^^ chamadn r«/-' ia do Pranto , ao voltar , & paífar de huma ribeyra , fendo meyo dia , fe '^^'^^"^õfófez tre^ lhes tornou noyte efcura , clamando à Senhora que lhes valeííe, de re- "LV ^^^''^"'''r^ pente a cada hum fobre o bordaÓ fe lhes poz huma tal luz, que paíTáraÓ ZlTenTo^Zpml" fem perigo. ga/,em £r,ga;

&

ainda mais tremendos Rihjm Grmãe por, os fucceííos porque como a ferra , ou monte de Vulcaó que he o ma- ^''" ^^'^':> ^ '^" «^J" , yorde coda a Ilha, inclina mais para Ribeyra Grande, do que para SfiV contmHaà<imsnt& ?jré la Çranca, & deíle Vulcão he que queria fahir o fogo, por iífoem a
,

89

Na Villa de Ribeyra Grande foraó

^

é- na

^^'^\'Z7ol!7Íf'''^

^

i6i
ia

;Livro V.

Da fatal Ilha de S;MigueI,
,

^

t
''

que parecia andar aqueílà Villa como barca fobre o mar, & mar mais de togo,qiie de agua.E qiiaíi todas as cafas cahiráo , & as que ficàraó em pè , codas fe abrirão & em fim arrebentou o fogo arrancando o monte V ulcão, & com tal furia,que pedras, ainda mayores que cafas intey ras , lançou duas legoas ao longe» & fez tremer também a Ilha Terceyra, trinta legoaS diftante , & nãofo alli ehoveo cinza , mas ainda em Portugal & eípecialmente em Braga. , Seccárão-fe as fontes '& ribeyras de agua, & pela ribeyra do Salto cor-^ ria. ribeyra de fogo ao mar ;& no mais alto ar andâvão arvores inceyrasi que pareciaó demónios ardendo em fogo. Com o fogo dos mineraes do centro rebentou tamhem o Pico do Sapatey ro , perto da mefma ribeyra, & rebentando em dous de Julho, correo ribeyra de fogo ao mar por três
de Ribeyra Grande
fe fentiaó taes abalo»
j ,

dias

,& três noytcs.
90

"

O Convento de JESUS de Freyras Francifcaiias (que era
em Ribeyra Grande Pedro
R.odriguez da

1536. tinhaó fundado

Came-

ra,&:fua mulher D. Margarida deBetencor) efpiritualmente vieraó fundar duas Religiofas do Convento de JESUS da Villa da Prãya da Ilha Terceyra,D. Joanna da Cruzj& D. Catharina de JESUS, que paffados quatro annos paflaraó para o feu Convento daPraya.Eítc Con ven* as Reli* incêndios íe arrumou ; to pois com os ditos terremotos , daqui ao Mofteyro da Efperança giofas fe paflaraó a Rabo de Peyxe , logo a humas cafas de Dona Margarida TravaíTos Cabral^ da Cidade,

& &

&

&

viuva de Jorge Nunes Botelho, & depois a outras cafas & Diogo Vaz Carreyro lhes offereceo o Convento de Santo André , que elle acabava entaôde levantar, & foraó as primeyras Freyras que entrarão no tal Çonventoj mas reedificando-fe o feu arruinado Convento,tornàraó para Ribeyra Grande. p Em a Cidade de Ponta Delgada, no mefmoanno de 15 634 91 Ifo qus jíiccrdio etu ^ ^^^ ^^ Junho , em dia de Saó Joaó Baptifta, começou a tremer a terido dito mez, em que ao Sol pofto começarão B^mtldl^-JJoZ ra brandamente atè 2S. mayores que nunca os terremotos , abalos , & eftrondos atè o primeyrò I /4 *J«ràeJn. de Julho, & fe vio ter fahido de feu lugar o grande monte Vulcão atè o lk$, mais alto ar & eítar fey to huma horrendiíTima boca do Inferno , & efté terfc paííado do centro da terra mais profundo para a regiaó do ar mais . alta, & eftar jà ameaçando a ultima, & univerfal ruina a toda a terra; & o ^,, mefmo eftarem armando outros picos da terra arremeíTados , & noap
-,

,

.

^

i.

.

.'n..

fuftentados pelo fogo,

com horrendas, eftrondofasj&infernaes batalhas

durando iílo tudo atèos entrefi,feytade todas o alvo a negra terra j quatro de Julho > &: entaó tornando em fi a agonizante Cidade do moracudindo ao amparo da vencedora do Intal pafmo , em que eftava,

&

&

ferno , a immaculada Conceyçaó da

Virgem fempre puriílima , o met

mo foy fahir efta Senhora em prociflaó , que pararem os terremotos, feMilagre da invoca- f^^^ fg fentirem mais em a Cidade , toda efta fe ver, de abrazada, fa~o da *w'"'«f«^^''^l peitada, que feimaginava jà, reftituida à vida pela May do Aurhor Concej/çao da f^trge 11

&

&

^

^^"^'''^'*'
j

'I

Deftruido pela vencedora Virgem da Conceyç.ió aquelítí lançado pelo ar atè o mar, os efFeytos que deyxou fo-; acreo Inferno, paó> &: hô raó primeyrò, que ceiTáraó as aguas todas com quefe mohia o

^2

&

,

\.^

muyto

Cap.XI.De outros hortêdoíeffeytos dos taestèrremot. xSj
que no mefmo tempo em que o Capitap Í)onatariò, ,para lhe renderem mais os moinhos , tinha por ler^tença que alcançou ^^ '^'^J^^ teri^olem mandado quebrar as particulares atafonas todas, no melmo tempo a ^^^ ^'*'''* ^^«"^'^'«» aguafeleccou,& os moinhos com ella* E quando quinze dias depois "^Tj" ^J""^" /* ° rnanaarao aurorar * „ tornou a correr a agua , vmha chea de cmza » & pedra pomes 5& em o ^ pamcftlarJs atafa. Ipico chamado das berlengaSjfefeccouhuma grande alagoa. Segundo noíftuoH a agitados cíFeyto foy , que nefta Ilha , por trinta dias a fio , nunca le tornou a ver moinhos é'tfies naSol perfeitamente claro, mas impedido fempre de obfcuras , & aíTom- ^^'ff^^^r^óemmtti'
jBuytp de notar
,
>
!

T

1

,

brofas nuvens

defteíegundo eíFeyto foy caufao tcrceyro efftyto/J"^^''''^f!^t^*' que foy tanta a cinza, & leviíTima pedra pomes , que pela ribeyrada Jfi'^//X''7,J!^' Praya,dabandadoSul, correodetal forte pelo mar dentro que fez Dtfs , ^jT?»? Ljíiça nelle hum grande campo , areal , & vay agora caminho cõmmum de ambiciofisl pè por onde de antes anda vaó os navios j a profundar v alies igualou com fuás rochasj encravou o Lugar de Porto fermofo ; ao da JMaya cubrio de forte que jà nem parecia ter eftado alli ; mas a Villa Fraíica naõ chegou, parando hú quarto de legoa antes da Villa. — Pelo mefmo tempo quiz Deos coneíTe o vento do Poente, 93
:

&

&

!

'

onde

ficaó as outras Ilhas vizinhas , fcnaó feriaõ alagadas} por iflb cincoenta legoas deita Ilha para o Nafcentc^ encontrarão navegantes hum tam grande taboley ro de terra , com tanto fundo , que airtda confer*

&

&

«nais

vava levantadas muytas arvores em fi ; &: outros taboleyros viraó de de legoa de largo , & de mayof comprimento > & houve naviò^^uc atèXisboa chegou , lançando às pàs a cinza fora j & em fim atè em Co^ imbra,&: em Braga choveocntaô cinza. Os Lugares dos montes qufe voáraõ , ficàraô concavidades , & furnas profundiílimas porque atrai: dos altos montes que por cima da Ilha cftavaó , voou o muyto mais que enchia as ditas concavidades j & de curiofos que então as quizeraõ vef, hum AíFonfo Pires foy tam temerário , que là mefmo expirou j outros correrão grandes perigos, & fe voltarão. A perda na Ilha foy tanta que , fó no termo de Ponta Delgada le perderão três mil moyos de novidade» &: a terçaparte das terras frudiferas ficou perdida por algurts annos ôc j toda a perda caufada por efte terremoto , 8c incêndio le avaliou entam
,

'

cm trezentos mil cruzados.
Algumasterras,qucficàrãocubertas de cinza, & lodo, 6c pedra pomes, em pouco menos de três palmos, íizeráo côdea j íícà-^ raó naturalmente irremediaveiSi as outras porém fe remedeaò facilmente. Vivia então em Villa Franca hum Manoel Vieyra , filho de Fernaó Vieyraj neto de Pedro Vieyra, ( irmão de D. Violante^ fegunda mulher de Pcdreanes do Canto na Ilha Terceyra) bifneto de Duarte Galvaó, cujo filho dito Pedro Vieyra , deyxando o pay em Lisboa ,fc veyo cafado para cita Ilha ,& tomando depois para Lisboa em tempo delRey D.AíTonfo V. foy por efte enviado Embayxador a Caftellaj por ler principal fidalgo , homem de muyto faber k voltando de Caftelk tornou a efta Ilha , & levou para Lisboa a mulher que ncUa tinha deyxado,mas ainda cà deyxou filhos j filhas, hum dos quacs era o dito Fernaó Vieyra , que viveo na Villa d*Alagoa ^ homem principal,Sc: abaftado , cafâdo com Heva Lopes , filha de Álvaro de Vulcão , ôedè Mecia Affbnfo , da geração dos Machados da Ilha Terceyra, que tam(

94

&

&

&

&

&

;

&

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'

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^

bem

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•Livro V.

Da fatal ilha de Si Miguel,

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bem faõ fidalgos) cujo dtfo filho Manoel Vieyrafoy primeyra vez ca* fado com Morda Ponte, filha de SebaftiaóAffoníb, nobre morador do Lugar do Fayal,& de Confiança Rafael,fidalga do Tronco dos Colombreyrosjôc íegunda vez he agora caiado (diz Fruâiaolo liv. 4. cap. 90.

7"!

''',1

91.3 com Petronilha de Braga 5 filha de António de Braga , & de Francifca Fea, de Ribeyra Grande.Efte pois Manoel Vieyra,por fer homem poderofo, bem entendido, & muyto amigo do Capitão Donatário Manoel da Camera, alcançou delRcy , & em 1566. tirou quantas aguas pode ajuntar, & fazendo grandes levadas pelas terras, & por junto a ellas, & com pouco mais trabalho , deo com toda a cinza levadiça,& com toda a pedra pomes em o mar & com eíla arte , de que aqui foy elle o 'temedh com àjuefe primgyro inventor , alimpou de forte as terras que as reftituhio a toí-^/á^MrViõíWífrr^^QQ^g^^fçj,^ & fertilidade antiga j & imitando-o logo outros muytos, fsr lAm. confeguiraó o mefmoi & ficou a Ilha reftaurada da parte do Norte , 6c íe ifto não fizera , fe defpo voaria.
, ,

^

C A
Dos
95

P

1

T U L O

XII.

Terreffjotos, é" incêndios

mais modernos,

morte do Dou to f o Collegio da Companhia Gafpar Fru£tuofo , refidia em de J t tj U 6 da Cidade de Ponta Delgada o Padre Manoel Gonçalves da mefma Companhia, que era hum dos bons Pregadores do dito Collegio , & morreo depois de Reytor de Braga a efte Padre ordenou a fanta Obediência, que pois eílava lano tempo do terremoto, & incêndio ieguinte , apontaíTe em fumma o fucceíTo delle & porque juntamente o Capitão Donatário , que então era o ultimo Conde de ViUa Franca D. Rodrigo da Camera, tinha pedido ao mefmo Padre hua plena Relação do ditofucceífo , & o Padre a compoz & entregou ao dito Conde ^Êmmuytas folhas de papel , & delia tirou huma fumma , que fe ajuntou
-,

QUafi quarenta annos dcÍ5ois da fanta

;

,

ao livro do dito Fruáuofo, por iíTo fó a fubílancia deita

fumma

referi-

.96

remos

aqui.

anno do Nafcimento de Chrifto Senhor noíTo de huma fegunda feyra -1 630. em o fegundo dia do mez de Septembro , em -vinte & cinco da lua às nove para as dez da noyte, eftando o tempo -fereno, & quieto de repente começou a terra a tremer taó forte,& con:tinuamente que o relógio da Matriz com fer fino bem grande , per íi mefmo fe tocava como ^fubito rebate de inimigos que entravaôa Cidadcj & a gente experimentando ferem fataes terremotos , toda defem-

Em o
,

,

,

,

I

temendo a ruina a todas , & pelo campo anda-va, èz fe não dava ainda por fegura temendo que atè a terra lhe faltaíTe, .&fó enchia os ares de clamores , pedindo todos aDeos mifericordia: durou íem parar tal terremoto quatro horas, defde anccs das dez da noyte atè às duas horas depois delia eys que neílc ponto , com horrenparou
as próprias cafas
,

,

:

tremores mais horríveis , arrebentou a dos eftouros,& eftrondos , interra de improvifo , & lançou de fi , atè o mais alto ar i tam efpantofo
cendio.

&

m

€ap.XIÍ.Dos mais modem, ti^mof. Si incendida Ilha* i^f
icenãky, èc
tiniiAÒ

tam medonho , que todoSí & em toda a parte jicUydavaÕ éfebre fi, &c os Iam bia a todos abrazando-os.

Os que porèra mais ao longe ( como em a Cidade J lhe fíearaõi tornando jà mais em fi , advertirão, & viraó ultimamente, queo
97
furiofo incêndio

no mais
íi

alto ar continha

muytas,,&muyto grandes

in volvia em a niuytos gado5 de toda a forte ,^ grandeza^ arvores , &quefahiadehum valle,ou alagoa fcGca,náomuyto longe dasmai^

&

antigas furnas

item que na manhã áé quarta feyra, quatro de Septembro , começou hum tal diluvio de cinza ^"^^^^fi^^rfidi tèf2 (smtodaa Ilha, que nas mais partes chegava a dez j doze palmos ^g ^^' ^""^"^'"j <'»'«*
, ;

& duas

legoas de Villa Franca

&

altura ,

, , fubterrando cafasatè os telhaeíl& nlnljk àL^ani, depois fe foube que chegou a cinza não fó á Ilha de Santa Maria, tigMfHrBa{,ei6'io'^ dos> mais de doze legoas diitantej mas também à Ilha Terceyra ,diftante *»»»««, ^»í^í»á^ »^ com tal pafmo de todos , que na Terceyra ficou aquelle "^'^ceyra chamaõ a trinta legoas,

& em outras a vinte & a trinta
&

&

anno por antonomafia chamado, o Anno da cinza j aindé hoje ha gen^ ***** '^^ cíns.A^aldim> ^"'"^^ '^'^^'' ^^* te na Terceyra que fe lembra deita cinza , com ter fucccdido ha oy tenta '^^'^"f &quatroannos. Eoquemais he , que atè na Ilha das Flores, & na do £"^"J/„^^Cr^^^^ C^orvo, que diftaó de Saó Miguel mais de feflenta legoas , atè lá cht^outon^^matoulogo a cl. a cinza, & láchoveo com aíTombro dos feus moradores. toé' hMapefofU..
Sahio em outros fataliíTimos eíFeytos efte tal tferrçmoto, &' iacendioj porque naquellc valle ou alagba feeca , aonde aírebentou , apanhou varia gente, que andava parte guardando gado, parte recolhendo baga de louro , ( de que naqtiella Ilha fazem azey te para as candeas do ferviço ordinário, para ifto hebaftanté azeyte) defta gente fe achou faltarem cento 6c noventa &: hum fugeytos j que do incêndio , ôC terremoto ficàraóqueymados, Sc fubterradòs. Dedous Lugares intey*; ros ( a faber, Ponta da Garça, húa legoa das Furnas^ & a Povoação, duas iegoas diftante)as cafas,&: as Igrejas arrazou; abrindo- fe depois»

&

98

.,

&

&

&

caminho para acudirfe a hum Sacrário cavando^ <^''"^'' fuitagròfamêéi íe achou hum pedaço do te£to da Igreja ainda em pè , & debayxo o Sa-^' ^^'^tmugèâoMe. cranodo Santiffimoi & reparoufe, que huraa Imagem de vultodo ^^^"J"oas'^iã ^^Ts' ninojESUS , que de antes eftava no retabolo j a achàraó fora dellc, ^ crameto*"doZlviÔem pè fóbre o Sacrário , com tal fito , 6c apparencia que fe via eíiar de- & hSs èremita4 dàt fendendo-oj & abrindo o Sacrário, &: cuftodia de dentro achàraó o Sa-/*^'»'»* , por hyx0, cramenío intaâro. Oihteftimunhoinfâllivel defte myfleriodaFé! Oh '*""^/**'/<',í'«M*;

quando fe pode

fazer,

,

,

,

convençaô-feevidentemente os ainda cegos hereges queonegaõ! 1^^^^^ <^<>f"<> SamijJimQ, certa parte das furnas mais antigas viviaó em communidade huns Er-Í"'^^"^'''^ "^^^J mitaes penitentes, Sc devotos, que fentindo os tremores , & temendo os gem frigindo, fó ha* incendias , todos logo acudifaõao SantiíTimo, que em Sacrário tinhaõí;í#á chame» peU iahindo-fe com elle jáporbáyxo de incêndio altiffimo livrarão ao^<«'xe'w do Hofarit^ Senhori& pelo mefmo Senhorforaó fem perigo íivres:6c por oUtra parto ^I^ ^fi^ ^fcapm, indo fugindo outra gente , clamou huma fó peííba pela Virgem do Rofario, 8c fó efta efcapou , perecendo as mais todas que nem ao Santiífi3

S

&

mo, nem
99

àSafjtiíTima

Virgem acudirão. EmVilla Franca, que eftá duas legoas dasFurnas',forá6
,
,

também taes os terremotos que cahindo aígúas cafas , de feíTenta Freyfas ( que o íeu Convento tinha } fó quatro , õU cinco fícàraô por ferem já velhas , & as mais todas juntas fe íahiráo , ôc vieraõ metter no Convento

Livro V. Da fatal liha de

S.

Miguel.'

vento da Efperança da Cidade. Na quinta feyra , cinco de Septembro^ por todo o dia, & em toda a Ilha , fe efcureceo de tal forte o Ceo , que a (dia foy todo noyte efcura } tendo feyto o Collegio da Companhia de JESL» S em todos os dias antecedentes , na íua Igreja , as Ladainhas doa íiantos, depois da primeyra MiíTa, com todas as preces da Igrejaj&: fempre com pregação do púlpito , em jejuns atè de paõ , & agua paíTava os dias, & na mefaeftavafemprè hum prato de cinza da que eftavacahindo do Ceo, fora outras penitencias de cilicios , & difciplinas nas coftas; na dita quinta feyra fahio o dito Collegio pela Cidade com huma pro* ciíTaõ na ordem feguince A's onze horas para o meyo dia (^queentam _ _ 'J}aspemtemas,pro-^ parecia meya noyte } hiaõ diante meninos em grande numero, & todos '"°^ ^^ iníignias da penitencia,& no meyo delles hum andor com o Me* fira5os Paàres^a CõpxnhiadefESVSf nino JESUS vcftido deludo, & cahindolhe cntaó de cima a cinza que é" como pjtràraõ oi entaÔ chovia, ^eguia-fe logo a Confraria dos Officiaes dá terra i & logq yrejiioreSf&jneêdios. a dos Eíluda^ites com a fua Imagem da Virgem Senhora , & tudo de lu* â:0}& fe conçluhia a prociífaõ com hum palio preto, & o fanto , & faera* tiflimo Lenhç da Cruz de Chrifto debayxo do palio , com os Padres do Collegio Gominnumeraveis lumes J&: gente innumeravel, entoando fempre o Pfalmo de i\///^ríre £)í/íí. E corrida a Cidade fe reeolheo Gutra vez à fua Igreja, &: acabou com pregação, cujo thema foy o^da Divina Sapiência, & da Virgeni Sacratiflima , Cnm to tram tunUa compO' nefíS; & fe affirma não ficar peífoa em toda a Ilha > queientaó fe não con-i

&

'

i

.

.

:

^.

w

feíraífc.

loo Em o Domingo feguinte , oyto de Scptembro , fe abriraÕ na Igreja do Collegio os Santuários das Reliquias, com a Rainha de todos os Santos no meyo de todas, a letra que dizia > Et inplemtudme Sanõforum detentiomeau fobre que também foy a pregação defte dia. E he muyto de notar , &: agradecer a Deos , & à Virgem fácfatillima , que com ainda entaódurarem os terremotos todo o mez deSeptembro atè à entrada de Outubro, com tudo defde efte Domingo por diante, fe já defde a quinta feyra da prociflfaó , naó foraô jà fenão muy ténues , êc brandos , nem fe levantou incêndio mais algum nem fe fabe pereceíTé mais alguma cafa j ou peíToa }& fó dahi a annos com algum tremor de ^ terra arrebentou o Pico, chamado dejoaó Ramos, hum quarto dele,, ^^' '%" « . p: 2oa da Cidade para o Norte , & fez huma pequena boca em cima , por t' ^ annos houve emo Ft.t» / v j r j j ?oaô onde lempre eira lançando togo moderado, como le vecm outras muyíò chamado dt tas partes defta Ilha j 6c dizem que efta he a natural fegurança que já Ramos. tem, porque parecendo fer toda efta Ilha em feu centro hum contínuado Ethna de fogo, tantas chaminés tem jà , tam naturaes , que jà naó lieceílita de abrir bocas , nem de abalar a terra , para as abrir , pois tem Jà tantas, &taó grandes, ôcfempre abertas.

&

!,

,

^

'

[

&

,

CAP.

m

Oap.XIII.Dos Capitães Donat.de S.Manâ/àS.Mig.

léy

C

AP

I

T U L O
Saõ Migue ly

XIIL

Dosprimeyros ires Capitães Donatários da Ilha de

Qonçãlo Velho Cabral-, Joaõ Soares de Albergaria , Gonçalves da Camera.
lOI

& Rui

Donatário da Ilha de Saó Miguel 4. cap. 3. ) aquelle grande fidalgo Frey Gonçalo Velho Cabral, cuja liluftre afcendenciajà acima propuzemos, & a tranfverfal defcendencia das irmãs que tevej pois naó .1 teve própria defcendencia, por , além de fer de varias cerras fenhor , fer O primeyro, é-h^demais Commendador da Ordem de Chrifto, cujos Commendadores ^ ^''^'^^i^J»^^ amda entáo naó cafavaó , & fó de novo teve a fingular excellencia de fer ZZrT/ VurllZ juntamente Donatário de duas Ilhas inteyras quando de húa fó , o Por, fo.^6 àh M^gnã^ to Santo , o foy o fidalgo Pereftrello , como diífemos no \iv. 3 f^j». i nem o Capitão Joaô Gonçalves Zargo o foy de toda a Madeyra , mas de fó ametade delia, como da outra metade o Grande Triftaó Teyxeyraj porém o famofo Fr. Gonçalo , de ambas as duas Ilhas de Santa Mana, Saó Miguel , foy inteyra, & juntamentefeu primeyro Capitão, ôc Donatário. 102 fegundo Capitão da Ilha de SaÓ Miguel foy JoaÒ Soares de Albergaria , fobrinho do primeyro Capitão & filho , de húa irmã delle D. Tareja Velha Cabral , que era cafadacom outro Soares de Albergaria , tam grande , antigo fidalgo , que com renunciar nefte fegundo ambas as Ilhas o primeyro Capitão, ainda nem para fi , nem

/^ Primeyro Capitão foy
_

( como vimos jà no liv.

[:

.

.

&

&

O

&

,

para

fegundo Capitão JoaÓ Soares de Albergaria, & adoecendo-lhe fua primeyra mui. Jher , a levou a curalla à Ilha da Madeyra, & morrendo-lhe là,foy a Lis^ boa , aonde ElRey vendo-o viuvo , o cafou logo com huma Dama do laço, D. Branca de Soufa, filha de JoaÓ de Soufa Falcão ,& de D. Mecia de Almada , prima coirmã do que então era Conde de AbrancheSi&r daqui veyo ajuntarem os Capitães de Sanca Maria o appellido de Souías ao feu antigo de Soares , podendo ajuntarlhe os appellidos de Velhos, & Cabraes em memoria do tio Gonçalo Velho Cabral , que defcubrio as Ilhas,& nelles ambas as renunciou. 103 Com a dita occafiaõ da doença, & morte de fua primeyra mulher, & muyto mais pela pouca ambição , & grande virtude deíle fe* giindo Capicaõ de ambas as Ilhas , & querendo agradecer ao Capicam do b linchai, & a feu terceyro filho Ruí Gonçalves daCamera , a grande holpedagem que lhe fí zeraô em a Madeyra , fe refol veõ a vender ao dito Rui Gonçalves a inteyra Capitania da Ilha de SaÓ Miguel , & em preço.tam barato, que aífirmaFruauofo/íi;.4.r^^. 66. quelha vendeo
,

íeus direytos fucceífores quiz ufar dos illuftres appellidos de Velhos, Cabraes , &c. mas coiifervar o dos famofos Soares & fó ajuntarlhe o , dos Soufas , aonde fegunda yez calou. Governando pois efte

^

W.

i6S

Livro V. Da fatal Ilha de S. Miguel.

quatro mil arrobas -j por oytocentos mil reis em dinheyro de contado, duzentos quaes amda que então valeífem a três mil a toftaó o arrátel, ainda o capital preço da venda nao dteade 5^0 /W»gW reis a arroba , mil, com os oytofor trinta &dons mH paíTavade trinta mil cruzados , ou de trinta & dous

^r

j

r

&

?ãltZZtdeAcar,^s
&
centos mil

&

&

fendo que naó muyto menos rende cada pouco menos rende naó ha que ad^^^^^ ^^ Capitaó Donatário a Capitania vendida. Porém hoje cadzanno &íe ^.^^^ ^^^^^ ^ Capitania era de muyto , &: muyto menos ^.^^^ ^ terremotos , & incêndios da Ilha loTmaU rendimento do que he hoje , & com os poc entáo muy contingente, fovoada entsõ,&me. de SaÓ Miguel , atè ella mefma era ainda antes vender a Capitania de b. nosperigofa. iÇ[o o feu mefmo fegundo Capitaó quiz da Ilha de Santa Maria, fo com efta fe quiz entaó fi<;r«<c^í<« <<í ^/>«'»/,

reis

em dinheyro

,

taMZ^

&

Dona Beavenda em fim a confirmou pela maó Real da Infante Évora a lo. de Março de triz , que do Reyno era entaó Regente , em 1474. & em nome delRey D.AíFonfo V. .y,»r^ , terceyro Capitaó pois, &jáfó da Ilha de Sao Miguel, 104 para Sao foyodito Ruí Gonçalves daCamera, que logo entaõ veyo Oterceyro Capitão de j^j^yg} ygyo porém já cafado com Dona Maria de Bctencor , filha de SM^gHel.&primei^^^^^^ t^^^ ^^ Betencor , que tinha fido fegundo Rey das Canárias, 6c
carfôc a

Mi^^Liel

,

do que a

&

O

.

jà itTcl^^^rL fuccedido nellas ao primeyro Rey feu tio (teve filho algum Rui Gonmas deita Senhora Franceza não Ca.
,

como

diííemos /.u

2.

r.p.

Lrtas

vida de nao deyxoH çalves, por iffo com ella fez partilhas , dejcendícia/egitma, ^^^ ^ento cincoenta mil reis de foro cada anno ,

t^íeínZd^s

3.

&4.>

&

em

ambos, &

ella ficou

mas fá dlsgitima
firk

& fo^o em Ribevra Grande & outras fazendas de tal renda, que tudo junmnlher veyofHcéntao ella mandou vir da ^^^^ ^^^^ ^^^^-^ ^^^^^ ^^-^ cruzados & ^^
,

&

& trinta

também de

,

j

t::koi:f:i7tc Madey ra
ceffaõdos%tencores.nuQ lhe

Betencor, hum feu fobrinho legitimo , por nome Gafpar de
nelle
,

&

lT/w:;:r4.. inílituL morgado

D. Mana. Franca dous moyos deyxou em feu teftamento ao Confelho de Villa que os gados que viel» de terra , já limpa , & frudifera , com condição huma noytc , & mais fem de caminho , podeíTem dormir em a tal terra ra, na Igreja de baoFrancifnaó: mandou fazer no Funchal da Madey Capella ,^& que a ella levaílem cb, à mão direy ta do Cruzeyro , huma mòr da Matriz do Archanjo^Sao os feus oíTos foy enterrada na Capella porque então la Miguel em ViUa Franca , muyto antes de fe fubverter, O fegundo ^&illtgiti- refidia o Governo da Ilha toda. partilhas , com a mo filho Antão RoFicou pois efte terceyro Capitão , das io< drigítez. da Camera ficar igualado com o rendia ainda tão pouco , que para ^ " , r.. lu. Capitania , que ainda ao Capitão h,im quarto da ^irAfriTfle. foWedito que a mulher levou , coube de mel em aMadeyra. Vierao

& nem
,

ainda

em vida do mando

confentro

chamaíTem Capitoa

nem

ella fe intitulava íenao lo

:

;;t

fuccedeo

„frÍ::ifazenda,quechamãoRibeyradeagua ^ da Madeyra cora efte terceyro Capitão (além de outros bornes honralefantes cafau do
;
,

em

(eu

gra-

de morgado

hu^fi/ha-^r^^^
''''

^^^

n

^res fcus filhos, &c

huma filha

ç^ f

todos naturaes, & reconhecidos veremos ^^o copiofa dcfcendencia, Como
,

íyÍ'r^X|agora.re'feí;andSporèmfW^

f:^;^!:;:
Munoelde Mello, j^ d. tndU veyofHcce. der em o morgado da
Ilha,

'Tol ^'Xão Rodriguez da Camera Capitão Icrvio a blKey em ^^^ da Madeyra veyo com efte terceyro grande Ca vallcyro que em ^^^.-^^ ^| q^ ^^^^^ ^ fua cufta , & fahio tam
;

fby olegUndo fiUionatural

,

hu^^^ occafiâo indo

elle

commuytosi» cavallo cortejando aLli<.eyU.

£íx^'

Cap.XIII.Do3.Donat.defóS.Migv&: i.dosCameras^ i6p
Manoel , què^ cavallo
do
paliar
,

hia

também pela Corte de Lisboa , êc fucGcdcn*

hum

índio por diante

com hum Elefante que

levava amof-

todos os cavallos , atè o do meí mo Rey fe alterarão com tal viftaj cahiraó alguns Cavalleyrosj mas AntaÓ Rodriguez de tal Sc fugirão, forte governou o íeu cavallo , que enveftindo ao Elefante , fezquefeu càvallo puzeíTe abocafobrcaancado Elefante,& dando- lhe com o terçado húa leve efpaldeyrada , fe voltou para ElRey , dizendo que nada
trar

&

!t..

êra aquilloi

& mandando ElRey logo a feu

Eílribeyro mòr

vallo compraíTe a todo preço a Antaó Rodriguez, efte

que tal calogo o oíFereceo,
,

mas dado

linia

& por preço algum

não j

& nem

vindo ElRey

em tal,

vendello Antaó Rodrig4iez , voltou efte com o cavallo de forte , que para a Ilha donde o tinha levado , enfmado já por elle , cm ouvindo o tal cavallo algum repique de finos , ninguém o podia tec

nem querendo

&

'li'

em eftrebaria, atè montado

fahir delia.

Antes de cafar efte Antaó Rodriguez da Camera, das ter107 ras que o pay lhe deo , & de outras que comprou , inftituhio hum morgado de cem moyos de renda, & voltando a Lisboa cafou com D. Cachârina Pereyra , fidalga Dama da Duquezadc Bragança , & tornando com ella para Saó Miguel , delia houve dous filhos legitimes , Ruí Pereyra da Camera, & D. Mecia Pereyra j & voltando depois a curarfe ao Reyno , faleceoem Vianna de Caminha, aonde eftá enterrado > & a mulher D. Catharina tornou viuva para Lisboa ,& vivco ainda quarenta annos,&morreodeoytenta: feu filho Ruí Pereyra, depois de fervir cm Africa, foy defpachado para a índia por Capitão de Sofala , Sc arribando a Lisboa, morreo ahi folteyro. A efte Ruí Pereyra da Camera fuccedeo em o morgado 108 fiia irmã D. Mecia Pereyra , que cafou com D. Gomes de Mello, (filho de Diogo de Mello , & de D. Maria Manoel , & deíics nalceo também D. Catharina de Noronha , mulher de Simaó Ribeyro, Commendador, Alcaydc mòr de Pombal, & de D. Anna Pereyra , & D. Leonor Manoel , entaô ainda folteyras ) do qual D. Gomes de Mello, ôc da morgada D. Mecia nafceo D. Maria Manoel, Dama da Princeza mãy dei Rey D. Sebaftiaô, que com ella foy para Caftella ; nalceo mais D. Rodrigo de Mello , que cafou com Dona Antónia de Vilhena , filha de Pedro de Tobar, & de D. Brites da Silva , St morreo em Africa na batalha delRey D. Sebaftiaô i nafceo também , & ficou com o morgado Dom Francifco Manoel, que vindo da índia cafou com Dona Urfula da Silva , filha de Francifco Carvalho Efcrivaó da Cafa da índia. Tinha o dito Antaó Rodriguez , antes de cafar , duas filhas naturaesj primeyra,Guimarda Camera, de quem nafceo Ruí Gago da Camera; fegunda, Maria da Camera , de que nafceo Joaó Nunes da Camera,Vigario, & Ouvidor da Ilha de S. Maria , & irmão também de D. Dorothèa ,mulher do illuftre Capitão Donatário Brás Soares de Soufa , da dita Ilha de Santa Maria. Asamias dofobredito Antaó Rodriguez da Camera trazem accrefcentadas às dos Cameras , dous puxavarttes ao pè da torre, cm íínal de fem-

&

pre irem avante, âflim na paz, como na guerra. terceyro feu filho natural , que 109

O

com efte Capitão Ruí

-

Gonçalves da Camera veyo da Madcy ra , foy Pedro Rodriguez da Ca' meraj P
.

1

41!

>

•\

170

Livro V. DaTItãllltóde S.MigneL

O terceyro filho

ille-

Camera , que cafou com D. Heiena, filha do Contador Martim Vaz D. Joanna que faleceo folteyra. AnrolTJh '^MarTa. àc Bulhão, da qual nafeeo huma outro irrU^d.Bète»cor;&àânáopoiscm Africa eítcjoaó Rodnguez da Camera com vendo-o ir cafegunda vez. de que mão feu Manoel da Camera com quem andava mal , & ficoH Bernardim da nyo]i dos Mouros > arremetendo coma lança cnreftada ao Mouro, que Comera ^ne cafou ^ i^y^^^^^ ^ pegando aoirmaó por hum braço o poz nas ancas do cavai^_^
,
,

gttimo do Captiai R^í Gon^alve^ da

mera, ( & tido , dizem, de hiinu mulher nobre , da geração dos Albernázes ) cafou com D. Margarida de Betencor , íilha de Gaípar de BeRodrigues {-gncor , de que nafcèraó os tilhos feguinces: primeyro, Joaó

,

,

o refgatado ao Refpondeo-lhe Joaõ Ro:ÍÍf 2.:1 n-maó eftas palavras Pomrmao comoficamos^com huma Commenda de defpachou S. Mimei comPcdro dnguez: Como dantes. E ElRéy o da Lítrella , em liítrmtaj JRodrtgtiez. de Sor^fa; mais de cem mil reis na Beyra , ao pè da Serra do mefmo Pedro Ro- gonde eftando jà perto da morte , cafou com D. Cathanna, de que teve vindrtgi^.e^ da Camera ^^^^ ^, j^^^ ^^^^^ Qonçalves da Camera que morreo fokeyro , com nafceo Henrujue de Camera , valente foU ^^ ^^^^^ ^^ krvxcos na Índia Item Bernardim da ItmA^ 'r::í ll4;^:dado,8.grandeCavalíeyra,que cafou na ViUa deNordefte. D. Sena jornada delRey Grande &caion lã. pollinario da Camera , que ficou em Afnca da Camera três filhasj primey* filha D. Margartd^ baftiaõ. Tcve mais efte joaò Rodriguez comChrifiovaSDtas^ j-^^ D. Guimar quemorreo iiido para Dama da Emperatriz ; fegunda, , eftá cafada em Canobre, & rico homem £j ^^[^^c g ue com hum grande , & poderofo fidalgo em Ponta Delgada, de Souç^^^i^.^',^^ D. Margarida , cafadacom Pedro Rcdnguez Clara, onde morreo fem fa, filho deBaftbezar Rodriguez de Santa

rf' n t. ^^"'"^f

io>

f

& entrando ambos livres pela noíTa praça
:

,

diíTe entaó

.

;

Do mefmo Pedro Rodriguez da Camera o fegundo h^ I IO da Camera , foy o fobredito lho, & neto âti^ CápitaÔ Ruí Gonçalves natural , riiorreo íol^ Manoel da Camera, que deyxando fó hum filho I>afT,erm9FedroRo. teyjfo na índia. fcrceyro, Simão da Camera grande Aítrologo,morde Betencor & Sa , morou drlgtíet da Camera, ^^^ foiteyro em Lisboa. O quarto, Henrique y,4ceo D. Franciica em a Corte, & caiou com g,^ ^^ibevra Grande andoumuyto tempo ^'" Leonor Manoel, D Simoa, filha de Bakhezar Vaz deS-oufa,& decafou co«i I^iza ^"^/f^r daCamera,que rr- :í:SiZ2teveeftesfilhos.RuiGonçalves Beatnz de Viveyros)de que teve três áo Prado ^& deftefe- ffilha de Hierony mo Jorge, U de de msggundocaíaraBto naf fi]has uo Moftcyro de JESUS de RibeyraGrande,& era fidalgo Camera mais a Manoel da ceoainda D. Dmu n^fica ^^>ndicaó,& de grande charidadevteve cajm em deSouf^^ D.Maria, (filha de Rui Gago da .g difcerfadocafou com íua parenta Port.g.l & ^7^ g,de!fabelBotelha)deque houve filho, & filha j-teve tam-

filhos.

'-"

'

^

'

,

^

r

j

C

O

;

a

outras três noMolteyroíodas quaes falecèraÓ tres folteyras , .^ j.^.„ ^ r/ r _^: ^i..,^.,^^!^ Xyíorcrrjnn.T. cafou com gue^ da Car^erafH- ^^,^,,q j^ profeííss ; „ fó a feptima , cliamada D. Margarida, ralou rnjT!
terno Pedro .^.^ri- jh^j
jT.-í

Jda L S.mJuI; bem O dito Hcnnque de Betencor & Sa a ^^^^" J""^^^'^^^'^^^^^^ fokeyro & a fet. é-Mnàa (eu avLal morreo na índia & Francifco de Sá, que faleceo
,
3
,

J^^^/

fí-

&

, '

.

r-

&

doH

Pedro Rodnguez da Camera o quinto filho foy faleceo folteyro o António de SàTqueikc;; fokeyní.como também foy Dona Francfoa, íalT^i^ej.MÍ fexto filho Luis Gonçalves da Camera. O fcptimo fidalgo porem dos Soufas tri^\ & governoH a quecafou com D. Antonfode Soufá viuvo cdro jlha fete annos pelo dp Rçyno, & muytos annos Vereador da Cidade de Lisboa , ^ 1 moyos de renda junCapita-ofe^fohwho. ^^^'^rigucz dá Camera lhe deo cm dote cincoenta
III

Convrnto das r^u.:rt. J^.Xnías, Treyras ds fBSVS
o

nobrc

,

& rico, da Cidade de Ponta Delgada.

dÍ dito

^iS^;^^

,

,

Cap.XÍII.J0tas^eícettá.ckílétei*jdjGápit/deS;Migue

171

íoa Riibeyra Gcandc , quecom'o mais-paflava então de dez inil eruza4oSi&contenco.ii-feD. Antqniode Souía , fêndo irmáo do Conde de Pradojêc de D.Maria de Tavoraymulher dePedralv^Gãrvalho, Capitão de Alcácer Seguèr de outra priraeyra mulher tinha jà D. António de Soiifa a D. Martinho de Sôufa , & a i>/ Jorge de Soufa , que duas ve^eáíbraó por Gapitáes de.ná0sâlndiai&;dafegunda mulher D.Francifçá teve ainda a Dom Pedro de Soufa ,iCommendâdor da Ordem de Chfiftoi& muy to. privado delRey D. João llI.ôrátX. Joaóde Soufa, ambos eftes itraãos falecerão folteyros jinas o terceyro irmão Dom a dita fâzenDinis de Soufa cafow no Reyrio, 6c teve filhos , &filhas> da<iànÊftallha.Ecóm ter tantos filhos,o dito Pedro Rodriguez da Camera , ainda foy tam pio, & efmoler , que fundou o Convento das FrcyrasdçJESUS de Ribeyra Grande com dezoyto mqyos de renda cada anno, Sc trinta mil reis de juro perpetuo j & deo muyta renda ao Hofpital j & accrefccntéu a Matriz -da ditaVilla , & lhe déo hum rico Pontifical , & outro à Igreja da Maya j & foy Locotenente do Capitão Do"naçarib Rui Gonçalves feufobrinho, em cuja aufeheia governou fetc annos com muyta paz , juftiça exemplo j vôc fempre bom nome 5 & fua ínulher D. Maria de Betencor faleceo vinte annos depois delle , & com grandefama dê muyta virtude. . dito terceyro Capitão -Ruí Goi^çalvcs da Camera te113 ve mais huma filha ) também natural , quccafoucom hum fidalgo Fran- ^* j««'íf' H«*í^'<! cifeo da Cunha, dos Cunhas do Reynoreíle appellido ganhou hum j^j^JJ^^^/*/"^*' antigo Alferes,que andando com a bandcyra em íiuma batalha,& vendo queoinimigohiavécendo,metteoabandeyraem a fenda de húa grande
:

&

&

,'

O

pedra,acunhando-a com outraSjSc inveftindo aos iiiimigos,com tal valor vitoriofo fe yolpelejou, que recuperou a vitoria jàquafi perdida, fem bantouj êc entaô vendo o feu Capitão ao feu Alferes comfigo , deyra , & perguntando por ella refpondeo , Bem acmhada a àeyxey j o que fabendo o Rey , entre outras mercês que fez ao tal Alferes, lhe con-cedeodc mais, que elle, & feus defcendentes fe appellidaflem Cunhas, Do dito pois Francifco da Cunha , & da dita fua mulher nafceo D. Guimar da Cunha , que cafou com Joaó Soares , terceyro Capitão Donata^ rio da Ilha de Santa Maria, & fegundo do nome j 6c aílim fícàraô liados os Capitães Donatários deftas duas Ilhas. Era efte terceyro Capitão de Saó Miguel Ruí Gonçalves 113

&

&

'

1

da Camera
Jòlicico

,

homem alto

,

Sc groífo

em

fazer povoar ,

& cultivar

de corpo , dífcreto porém , & muy a terra > ao que peííoalmentc fahia

t

vifitando-a,ouacavallo,ou emhúamuíai ficallim elle repartio amayor parte das terras deita com o pado , ou titulo de fefmaria , a faber, de que em cinco , ou féis annos , quem fe entregava da terra , a alimpaffe, & fizeíle fru£tifera, & tiveíTe nella algum género de câfa, ou caf úa, Sc daicurral; 8c naõ o fazendo aíTim, poderia o Capitão tiratlhe a terra ,

&

la

aoutro;

& ifto fignifica a palavra fefmaria

;

outros dizem que a pala-

j^

,

vrahe, feemariaiáinvada. da Italiana , feemOiOU feemato , que quer di- ^ ^" '^^>"' zerdivilao, oucortaduraj ^ que também he palavra dirivada de ^^^ de fefmaria. toutra palavra ^ fàfma , que fignifica o mefmo. Governou efte Capitão vinte & hú annos para vinte &: dous, defde o fim de 1474. atè o de 1497.
,

^''^*'f^

t

P

i]

em

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xjt

Migue!. .ii^i..qÊl> MáYi&f^.fí^feM^ era quie fez fiafteftameretQ & por feu hcrdeyro & ccftatncnteyrô no^
;
.

,

,

meou ao feu filhotmais vclkp Joaó Rodriguez da Camera & a nwis fazenda que pode fepaFOia para fua úwra j para pagar a quem de veífe, Foy fepukâdo na meíma fcpultura em que fua mulher D. Maria de BeteacQf,;&; ao dito feu filho râandou que faoiiveíTe licença delRey para fe enterrar tambeos na mefmaCapella mòr da Matriz de Villa Franca. Fguco antes que tnGrreíTeiCbrreo fama qoe^irihaóCaftelhanos fobre a ILhaj&fazendoríè logo alardo geral de toda a Ilha , para fe faher as armas que nella ha¥Ía j naôfeachàraõ mais que cento & fetenta lanças de çofta, & triata & féis Gebanotcs^ com iftq que tiveráo ainda por muyíoy fe deraô por Ê0nteatcs paua (t defenderem j tal era então o feu bra;
,.

&

fo,8cQÍeirvalor;-:'
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'^i^íàvP.í .4i::,,l?KrS^
CL ^Í}q qmriQ Capitão

»^
,

Jmo Rodriguez
Camer a.

ou j^oaõ Gon-

^
1

gaites' cia

tJarto Capitão Donatarioda Ilha de Saô Miguel foy 9 primeyro filWque ficou do fobredico terceyro Capitaói jB^^^«4rífl G^iW porque ainda efte terceyro naõ' teve filho algum legitimo í legitimou

1^

A-^

iJ

fo]i

Ugitimado por

comtudo por ElRey q primeyro filho dos nacuracs que teve
&: cafâ.

,

& confe^'

Nafceo JoaÔ Ro^IrZ^r^ÍTnt g"io licença para Ihefucccder na Capitania , da Madeyra , donde veyocom opay cafo/com hHA !o«!drigiiezdaCameraamdanallha m* do Paço D.Ignes para efta Ilha j mancebo ainda 'rnilitoii em Africa alguns aanos ^ & volV da Silveyra, & teve tando a Lisboa cafou em vida do pay com D. Ignes da Silveyra > Damst alem do primej/ro fi- ^q Yz<^o à qual ElR.ey Dom Joaõ li. tinha feyto mercê de dezafeis mit IhoíjHt Ihejmcedeo reis de tença em fua vida, & pagos nefta Ilha, para onde depois veyo o primeyro , Ruí Gonçalves da \7elmZ ínfimo com odito feu marido ti veraó filhos eomamã^plraLú' Camera,deque abayxofallaFemoSjfegundo, Joaòde Mello, quefeíii^; ha,&emi3uacara do moço teve de huma Maria Dias hum filho, por nome Ruí deMeí'-^'^ vela, nunca mais em lo, que cafou na índia, & o pay cà , jà reformado fe metreo Religiofo eín' ^ane íilgua fe foube Alcobaça terceyro , Diogo Nunes que foy defpofado com D. Maria j da ul caravela. gjj^^ de foaÓ de Outeyro,& de Guimar Rapofa, viuva de Ruí Vaz Gago do TratOi &: fendo moço de pouca idade, fem fazer vida com a efpoi.' fa fe foy a Portugal j & dahi a Africa, & lá o matarão. Qiiarto filho foy Garcia de Melloj & logo três filhas, D. Joanna, D. Brites j Sc D. Catha,
: :

,

,

rina.

''• .•-•^-'.•

Governando efl!c quarto Capitão veyo huma Arfnada de .. .... Caftella , que entaó trazia guerra com Portugal & vendo o Capitão a ^^^^^ ufou defte ardid , ou ^L [fi/^Z7to'c7- P^"ca gente , &c poucas armas que havia de peleja , /^/f^õ<^í/fÍ7^«4//;í>^cftratâgema; mandou logo pôrnapraya onde o inimigo podia lançar
115
;

de hãa

Armada

de gente

,

em filcyra

fíngelaos verdadeyros foldados armados
;

com fortes

©ifttlla.

lançasj aífim chegavão a toda afrente dapraya &r logo por detraz dobrou tantas fileyras de moços , te tantas mais atraz de mulheres , com fingidas lanças de altas canas nas mãos que querendo defembarcar

&

&

-,

o inimigo, & vendo talexercito na praya,

deííftio

do intento,

& largando

Cap.XlV. Do 4. Capitáõ Donatário de fé SMiguel. if§
Soas velas
fe voitott
,

6c ficou a

Ilha livre pela difpofiçaõ de

hum Ca-

experimentado. I ló Já em vida de feu pay , que eftava em Lisboa , tinha efte Capiraó governado a Ilha por provifaó do Graó Meftre , ou Governador da Ordem de Chrifto, o Duque de Beja entaô, que ao depois foy Rey D.Manoelj & he de fe ponderar a tal Provifaó que diz aflim:
pitão fabio, ôc

Eiío Dfíqm vosfaçofakr avhs Jmzes, Officiaesj Fidalgos homes bons , é^povo da minha Ilha de Sao Mt- Caria doÚõveYm iU, CavalleyroSi Efcmieyros, Gonçalves da Camerai fidalgo de mmha Cafa , ó' metttdo a foaS Jiá*^ gueli que a miindijje Ruí Captai for mercê da dita Ilha ycomo el~ drigH<s,da Camrjti 4ú Confelhú delRey meu Senhor ,
,
.

117

&

&

le

deyxàr a em feu cargo de Cantão a João Rodriguez da Camera, fidalgo da mmha cafa , feufilho j da qual couja a mim me apraz , prfentir delle que
he
tal,

que ufárâ do dito cargo affim como per teme aofervtço delRey meu Sebem dajufiiça j pelo qual vos rogo j meuj encomendo, ó- man-^ phoTi do a todos em geral, ér a cada hum em ejpecial, que obedeçaú ao dito João Ro^ driguez em todas as coufas, que ao cargo da dita Capitania pertencerem, aj^

&

&

&

fim tam cumpridamente , comofaneis ao dito Ruí Gonçalvesfeu pay, feUef
tivejfe,
,

& de direytofoís obrigados afazer. O que de hum, ^ outro ajjím cumprirdes vo agradecer & urey emferviço é' do contrario ( què
lo

..,

ey

,

:

o

de vos nao ejpero^ me defprezana , é^ tornaria a iffo , como foffe razão. dar das terras tenha efiã por efie mando ao ditoJoaTi Rodriguez, que ptaneyra, convém afaber , que as que forem dadas , nao lhes de ejpaço , nem lhes bula com ellas nem de terra alguma de novo a homes , que tiverem ter* ras na dita Ilha-., (^fomente dará das terras maninhas áquelles qm terras nao tiverem, afim aos moradores da dita Ilha, como áquelles que de novo vie*

m

E

-,

rem a

ella
,

viver.

E qualquer coufa que elle

contrario

mando que naofeja bro.Joao Cordovdofez em i^^-j. Depois deo efte Capitão muytas terras de fefmaria a aU 118. guns homens principaes , que em feu tempo vieraõ para efta Ilha mas adoecendo, & indo curarfe a Lisboa j faleceo lá em o anno de 1502. Ô£ ficou fua mulher três annos mais na Ilha, atè que feu filho Ruí Gonçalves veyo da Corte com fua mulher a tomar poíTe da Capitania, co* mo abayxo diremos & a máy fe refolveo a tornar para Lisboa com o quarto filho Garcia de Mello , & com as três filhas acima ditas porém (^ohfado inevitável, oh inexcrutaveis juízos Divmos,oh cafos Jaíli-' mofiílimos } em húa caravela fe embarcou máy, filho, & três filhas, ha quafi duzentos & trinta annos , & nem de taes peíToas , nem de toda a mais gente da caravela, nem defta em parte alguma houve atè hoje no-» íicia, & parece que o mar fó a pôde dar. Era efte Capitão Joaó Rodriguez da Camera ( diz Frii» 119 dmoíoliv. 4. cap. Gj.^ grande Gavalleyro, muyto difcreto , & tam bc nigno, humilde, & cortês, que a muy tos fidalgos de Portugal affeyçoava a irem viver com elle na Ilha porém governou tam poucos annos, morrco tam cedo & tal morte tiveraó lua mulher feu filho , & as três filhas, que parece^ que quam venturofo foy feu pay (como jà vimos) , t^m pouco venturofo efte foy, com fer feu filho.
;
j

em valiofa. Feyta em Santarém a 2^. de Dezem*
,

acerca do que dito he, fizer

j

!

*

j

,

,

ly

CAP,

F*

1/4
.

LiVi-oV.
:

Da fatal Ilkâ de
í

S.Miguel.
'

~T«,.

C A P

T U

LO

XV.
,

Do quinto CapltàÕ Ruí Gonçalves da €amera
do do nome,
1

/egun'

TJ

Cí/ê« efie quinto Ca naõ ter ainda a idade competente , governou por «ile em a Ilha feu tio puaõ com D.Felippa Pedro Rodriguezda Camera atè o anno de 1504. mas em vida ainda
Coutinho,Jííha de

X^

Ste quinto Capitão, quando o quarto, 6c pay feu faleceo pof na Corte de Lisboa, eftava iá também com elle,

&

hã dopaytinhajà caiado efte Ruí Gonçalves da Camera

comD.

Felippa

:ÍiÍ

irmão do Conde de Coutinho , filha de Lopo Aíronfo Coutinho , irmaõ do Conde de MaMAriaha^&do Cãrialva. , ( do Conde de Borba , que depois foy Conde do Redondo) ele de Borba^que decuja filha do tal Conde de Marialva caiou com o infante D.Fernandoj, foisfoy Conde deRe-

&

dondo.

Donde veyo

o afpelli.

dodeCoHtinhot.

filhodelRey D. Manoel ,& irmão delRey D.JoaõIIL Defte antigo appellido,Coutinho,como do dos Cunhas acmia tocámos,fe diz vir antigamente do cafo feguinte. Em huma batalha indo-a jà perdendo os de huma parte, o feu valerofo Alferes , naõ obftante a bandeyra que apertou bem comfigo, fe metteo também no mais árduo da batalha ^ & pelejou de tal forte, & a feu exemplo os mais , que por fua parte fe decla^. rou a vitoria j mas ao valeroío Alferes tiíihaó apertado tanto os contrários por lhe tomar a bandeyra, & o Alferes tanto mais pela confervar, que com lhe levarem à efpada ambas as mãos , nunca lhe podèraô levar a bandeyra, atè que os feus jà vitoriofos lhe acudirão , & o Alferes fe recolheo íem as mãos , mas com a bandeyra & perguntado entaó com que guardara a bandeyra , tendo perdido as mãos refpondeo Com os que fabendo o Rey , depois de aprecotinhos dos braços a guardey. miar ao tal Alf-res , determinou que dalli por diante fe chamaíTe, Catf rói?, de fobrenome & o vulgo, naó fem myfterio,mudou efteappellido de Cotinhos , em Coutmhos , porque o famofo Alferes , dos cotos de feus
j ,
:

O

:

braços fez invioláveis Coutos da bandeyra. Era efra D. Felippa, Dama da Excellente Senhora, quan121 do caiou com o Capitão Ruí Gonçalves da Camera j o qual com ella

veyo a eftaliha tomar poífe em o anno de 1504, & governou algús aniios} mas naó faltarão logo aggravados , homens nobres, Cavalleyros,& fidalgos , que por caufa ( diz "Fruauofo liv. 4. cap. 68. ) de defapparecerem humas efcrituras por caufa de m,ulheres , ou por íi recolherem homiziados em fua cafa, contra o dito Capitão propuzeraõ a ElRey capítulos 3 & foy mandado ir emprazado á Corte , & com elle forao muytosfeus amigos em o anno de 15 10. & todos em chegando à Corte , foraó logo com o mefmo Capitão mandados para Africa a Tangere, & dahi foraõ por ordem delRey foccorrer ArziUa cercada de Mouros, & eraó quarenta de cavallo, & cincoenta béfteyros Ôc algús de pè, CS que como Capitão foraó defta Ilha, & là andàraóem Africa o anno intcyrode 1510.& fizeraófamofascavalgadas,& là foraõ^rmados CavallcyroSi& parece que fe equivocou Damiaó de Gocs na Chronica delRey D. Manoel 3. fart. eap. 3. onde ifto põem nos annos de 1 509. 5 ro. & 511. 6c tudo attribue ao primeyro Ruí Gonçalves da Camera , como
, ,

,

,

J.

tam-

Cap.XV. Dos ruccelTosdtíle quinto Capitão.
^

i^f
I:

11.:!

também diz a Relação dos Capitães da Madeyraj fendo que o primeyfo Rui Gonçalves da Camcra èc ainda leu kiho Joap Rodriguez da
,

;Camera ,já ambos eraó então mortos j &a equivocação de Góes, & daqueila Relação da Madeyra,efte vêem ambos eftes,terceyro,êc quin.to Capitão de Saõ Miguel, fe chamarem do mefmo nome Ruí Gonçal-Ves da Camera, & por iíTo fe attribuirem as acções de hú ao outro > & aft-^ fim o fente o citadoj & douto Fructuofo. 122 certa he, que ainda não obílantestaesferviçoSj voltando de Africa efte noíío quinto Capitão , ainda pelos capitulos que fe ti- Csmo tfit pinto Cànháo dado contra elle , íahio centra elle a fentença , per que foy priva- P^^^f^) ^°^,^r^jl°^^ •dodajurifdicção, & Capitania de S. Migue],&: fem ella andou na Cor'^^ig^''* e^prllado'a te eíle fegundo Ruí Gonçalves da Camera féis annos atè que pela ami- po^inLi remettide iZadeque contraiiio com oMonteyro Mòr George de Mello, grande ^^/r/Cíi.é';'"^^'^*' privado delRey, & por contratarem entre fi, que fe fe reílituiíTe âju- porfèatema da Carifdicçaó j & Capitania de Sao Miguel ao dito Ruí Gonçalves cafaria /">««'^. èrfetemnos^ ofílhodeftecom D.JoannadeMendoça,fiiha doMonteyro Mòr^ eíle'-/^^^'/''^^''^[^;''^^ egi breve tempo tudo confeguio,& fe cumprio tudo 3 & no annode^Ty^r^íí^^15 17. voltou jàreílituido à Capitania, & Ilha Rui Gonçalves àOiC^- de\valtdo,de cafarã mera , com grandes fcftas defeus amigos j mas aos que o tinhaócapi-/«jJÇ/)!;4,/s^floí'^//i8• tulado , vieraó também cartas Reaes, para que o dito Capitão nem com turofogro lhe fez, ref-

O

,

,

,

ellcs

,

ríemcom fuás coufas podeííe mais

entender'i

accttfadores annos tinha governado a Capitania feu grande, ^ dro Rodriguez da Camera. '''!'' ° T^ naS poder enteder co j r. j r j r Depois de tantos defgoítos, de leu emprâZamento> priva125 ^gj Exemplo fatal -Çaóde fua cafa, & fataes gaílos de Africa, & Lisboa, liie fobreveyo o in- ^a verdadeyra , &, fauftiíTimo da fubverfaõ de Yilla Franca , defeftrada morte de feus antiga jafli^a. filhos, &irm,ã, porque tendo de fua mulher três filhos legitimos , Simão Gonçalves da Camera , Ivianoel da Camera j & Joaó de Soufa , ,ag ygfli^ j^^ ^^^^ ^ duas legitimas filhas D. Hieronyma, & D. Guimar, & hum filho natural ,^,-^o Capitaõ Ihefo'^ Miguel da Silveyra j fó Manoel da Camera lhe ficou vivo , tendo-lhe hevejo a fuhvsrjaZ falecido de antes o priraeyro , & acabando-lhe os mais cm Villa Fran- de FtlU Franca a ca, enterrados, Gufubterradosvivos, com demais humairmã deftemef-/'*^^^*.^'^''''-/^^'"^^'* mo Capitão, como ia laro;amente reterimos com eftes defgoílos pois»-^'*'"'^''*'^ '^ ^Jt •/"'

íete

^

&

&

nos antecedentes prudente tio Fe^
.
.

tituir a cafa

•,

& aos

vieram

T"!Z%

.

&

&

,

„ j-jj 01 &com ja ieflenta annos de idade, & havendo trinta &

:

que entrara -^ deantes J^-^^ a governar 3 fuccedeo íj^eem huma quarta feyra 20. de Outnbroàefe tinha hm prepara. 1535. indodepoisdejantaradefcanfar hum pouco em feuIeytOj&vin- í/o para ella. fatal do fua mulher jà a competentes horas defpertallojfem ter dado íinal ai- exemplo da fupi* Divinal gu de fi O achou morto. Porém tinha tanto de antes lidado com a morte , & pre1 24 parado- fe para ella, qu€ tinha onze annos antes feytojà feu teftamento em 29. de Janey ro de 1 5 24. tinha nomeado a mulher por fua Teftamentrês

o

-^

r n-

^

1

"^v

pou a morte

{tibtta,

& por herdeyro feu a feu único filho Manoel da Camera ; tinha deyxado muy tas efmolas 3 & obras pias , & que de fua terça fe refgataffem cada anno dous cativos de terra de Mouros os mais defemparados, além de muytas MiíTas que mandou fe difleííem por fua alma & já em Ponta Delgada tinha, Com zelo do bem commum ,& da pobreza^, mandado fazer muytas atafonas junto a Saõ Francifco, & abay xo da Paíochía de Saó Pedro j & tinha determinado fe fepultaíTe feu corpo na
íeyra
, ,
;

^

Gapellá

tfS

Livro. y.

Da fatal Ilha de S. Miguel.
;

Capelk mòr de Saó Francifco j & aíTim fe executou cora que prtí<i dentemente fe pôde julgar que quem tanto em vida fe preparou para a morte, ainda que a teve fubita naó a teve improvifa j que he a de qu© Deos nos livre.
j ,

Ficou D. Felippa fua mulher, cuja vida foy de muyto exemplo fempre, de muyta oração , & de grande char idade, & efpccialfez da fua terça a mayor parte do exemplar de grandes mente dada a compor dílcordias virtudes, mMytopa- Convento das Freyras da Efperança em Ponta Delgada, em terra que ixmcificadora para elle deraó Fernando de Qtiental , & fua mulher , & nefte Conven^ .fey tora grande doCoto recolheo as Freyras que fe vieráo da Viila d'Alâgoa & junto ao mef•vento da Ejperatiça cafas , em que viuva íe recolheo , & que por da Cidade f& morreo mo Convento fez humas jkmupo velha y & fua morte deyxou ao mefroo Convento 5 por feu Teílaraenteyrodey-. piupofanta. xou ao fexto Capitão feu filho, & trasladou os oííosdo marido para a Capella mòr do tal Moftey ro, & nella , & em o habito de Santa C Iara fe mandou enterrar, & aíTim fe executou em i 5 5 1 em que faleceo , fendo
125
:
,

,

&

;

.

.

idade de oy tenta annoSi Jà de

CAPITULO
do nome^
120
:

XVL
,

Dofexto Capitão Manoel da Camera
A

primeyro

Q fexto Capitão ffâ'
gindo fiopaj /f foy a

chama Ao Africa^ íer muy riPortugal recebto a a crefcentou , que ainda que tinha irmãos mais velhos ^ havia Monieyro fiha do primeyro havia fer cativo^ co, &: grande fenhor dejurifdicçâo , mas que fendo atura Adory tudo affim fuccedeo , como veremos. Depaílar grande trabalho vez. mandado p^ra elleentaó virniíTo, 6rpor ver Africa ,ficoH cmvo pois, por feu pay o ter cafadofem

^

Seu Pay Ruí Gonçalves da Camera , fegundo do nome; fuccedeo feu filho Manoel da Camera primeyro do nome fendo jà de féis annos o vio hum grande letrado , que paliava por que menino era aquelle , acalli de índias de Caftella , & perguntando

/\

,

&

&

-,

&

hum

dos

Mouros anno,

11:

!

meyo ^ate voltar ref. , gatado aPoríugal-^& embarcou no GaleaÓ , deyxando o pay fangrado dezara , com elles fe querendo ElRty faindo o GaleaÓ defgarrado a Madeyfem noticia docafo; féis vezes, z.ello Conde da f^illa delia Antó-

& GaleaÓquetinhafeytofeupayemoPorto dos Carneyros & commuamigos da ternicando íeus intentos com o Piloto & com algCis nobres
,

&

&

Mazagão,nefta praça oholpedou d^Alagoa,-nem acey- ra,& dahi a b , que do Padre António Leyte da Companhia de J tofá a mercê, nem lor. nio Ley te,tio logo o veyo bolear D. AíFonío de noti a Ilha em quanto ficava em o Collegio de SaÓ Miguel> com filhodo Conde de ViUa Nova , •vweo o pay , qninto Caftellobrancoí feu parente,

o CapitaÓ

EhU

&

&

Capitão.

JoaÓ

jàChriftovaÕ Soares tmha gente de cavallo o levou para C,afim & Lisboa também hum vindo em huma caravela da Ilha a bufcallojôc de logo chegou carta de Mello com ordem delHey para lho levar,
;

&

r Manoel da Camera ^ veyobufcar a ElRey o fez ElRey a Portugal, & a Alconchete j aonde entaóeftava3&: Mencafarlogocomadefpofada filha do Monteyro MòrD.Joannade Xanfe tinha cercado a Vildoca; 8c vindo depois a ElRey nova que o da Camera com gente , U com la de Cabo de Guè , mandou là Manoel
,

delRey que o chamava Naó pode 127

à fua Real prefença. jà alfazer

pro-

Cap, XVI:
proffieíTa

Do fexto Capitão Donatário.
:

iff^

de logo lhe ir foccofro foy Manoel dá Camera j€títrou na defèndeo-a quatro mezts , atè qiiê fem lhe vir foccorro algumí VUla t jffiorcos os mais dos lóldados , entupida a cava , batidos os muros, &: ar^ queymado o baluarte da pólvora, com alguns duzentos borazados , á tomàFaõ j & eativàraó a Manoel rnes entrarão a praça os Mouros i três dias depois chegou entaó o foccorfo prometrido. da Camera > & Anno, meyo efteve prezo cm hiíma mafmorrâ 3 & ícmpre com braga aQ pè, atè que por feu refgatc deo vinte mil cruzados , &c ElRey dous Mõurõs que cà tinha , além de outras pey tas , erttaõ o Xarifc o dey-

&

&

&

&

Xou vir, &: Ihedeohuma tam rica alcatifa que ficou em efta cafa pòr .:íJic 1 - rr .ntO^.i.' memoria a feusherdcyros. El Rey, cm chegando Manoel da Camera, o fazia Conde 128
j,

-jí

S

.

;

da Villa d'Alagoa , & por naó accytar efta itiercè lha fez dos dizimes do pêfcado da Ilha, & de feflcnta moyos de renda para fcmpre, nas terras dos próprios que ElRcy tinha na Relva , termo da Cidadej ttetn lhe eoncedeo b dar todos os oíficios da Cidade a quem quizeíFe , atè o de Efçrivaó da Camera, & Orfaõs , fcm outra confirmação , & fem Charicellaria , tirando os oíficios de fua Real fazenda & fobre tudo lhe fez mercê de confl:ituir,& pòr o morgado defta Capitania de Saô Miguel, fora da ley Mental que he hiima das may ores mercês que ElRey faz â vaflallafeii. E aílim lè vio cumprida a profecia daquelle acima dito In,
:

•WH

,

diatico letrado.

£ni qitanto virco o pay , nlo tornou o Capitão Manoel ^ da Camera a efta Ilha, 5í tornando, morto o pay, a tomar pofle , breve- ^'«f '/í^fM* Jf^ ptt AO Manoel da Cd* T f Tl j T-ír» mente voltou para Lisboa. rorera vendo ElRey que os Luthcranos an-^^^^^ ^ ^^- Mimet-^ dâvaó nitijrto irifolentes , ordtenaii que fe fizcífem Fortalezas em slí to?mi4 po0 d* capi*Ilhas, & que os Capitães delias reítdiíTem^ cada hum cm fua Capitania) tama , &(« voltou a U afllm no fim de Dezembro de 1 5 52. tornou Manoel dá Camera para Lisbon, miu ElRey o amãdar, â Mha de Saõ Miguel; & com ellc reyo o Doutor Manoel Alvarez Ca'Jf^f brât j que na mefina Ilha tinha fido Corregedor , que trouxe muy tas arCA^uJ*Don\ mas, §c ordem para fa2Íerhum lançamento de trinta & três mil ^^'['^^l^- tAriorefiàijfe ent^lHÀ dos ( avaliando primeyro todas as fazendas, & a Alfandega dclKey) CapttanSa.^m Dett. para fc pagar a artelharia que ElRey mandava, &fe começar húa Vor^f^rode ^fiL.E voltataleza ; para atracar veyo hum Ifidofo dê Almeyda, Mathematico que "^ " ^efntet Capitão cntaô compunha de Fortificações , & hlim irmão feu- Ignaçio de Gou- ?^'«>*^^^^<''*,*'«5'7 [,vea, & por primeyro Sargento mòr yêy o htim Joaó Fernandez àt^^^^iréZZTclií^
»':

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,

,

V

Ti

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Correndo então o Capífaô állha toda, fez por ordem r»/ Gonçalvez. da 130 delRey Companhias ,& Ofiiciaesdellas ,os mais nòbrés em cada Vil- Camera,jà cafado. Ohfeajjim [e fi^ laj em Ponta Delgada fez quatro Capitães, Jorge Nunes Botelho, Gã(^ par do Rego , Mendo de Vafconcellos , & A Iv aro Velho , &: lhes deô ^í' ^^A»"»* «^^* Alferes, & Sargentos. Em Ribeyra Grande fez três Capitães Ruí Ga- ''*^'^' go da Camera, Jóaó Tavares, & Gafpar do Monte , coái íuas Compái nhias de duzentos & cincoenta homês cada huma & em Rabo de Peyxe , termo deRibeyra Grande, fez Capitão aFernaÔ de Anes ,& ifto cudo fez em Junhode 554. & aílim duroU atè 57i.em quefe mudàraÕ' eftes Capitães , & fe poz por Capitão mor em Ribeyra Grande a Rui Gago da Cameraj & voltando entaó Manoel da Camera ao Reynoi tor'nou
, ; .j
.

^

,

.....f.rf.

^

tanU,&afiHfil&§>

i^%

.•Lim.V7Dafa;tâlIlhâdeS.Migaei,f,j.

nou para eftallha por ordem delR.eyí cora feu fiího D. Ruí Gonçalves da Camerajà caiado 5 & foy a pr imeyra vez que cá veyo & ambos aqui eftiveraõ oyto annos. Ao bargcntomòr pagava EáKey do tributo dos íJqus por cento das lahidas > depois lhe mandou pagar das inipofiçoens
}

das VillaSi& mais depois foraó dadas aos povos as ditas impofiçoens, dando os povos porém , de fcgundo lançamento onze mil cruzados > p «jue fez t ernaó Cabral Provedor áafazendajêc aflim fe julgou no Rey^ tercey? nò, quedas impofiçóes fe naò pagafleniais ao Sargento mor:

&

rplançamentoTe fez também por Duarte Borges de Bamboa , Provedor da fazenda , & eni, tempo do mç fmo Çapitaó Donatário j & começou a Fortaleza Manoel Machado , natural .4^ ilha, & feu primeyro
'^-ob' -'^HTTl';. Capitão cinco filhas,^ hum filho de fua Teve efte fcxto I31 legitima mulher j defte filho chamado Ruí Gonçalves da Camera , teih cey ro do nome , como ff-iccedeo na Capitania aõpay , & foy p primeyro Conde , delle íe tratará , quandofe tratar do feptimo Capitão Donatário de Saó Miguel. A primeyra filha :foy D. Felippa de Mendoça.que cafou com D. Fernando de Caílro^fílho de Dom Diogo de Caftro, Alcayde mòr de Évora , Capitão, & fenhor de Alegrete , & Conde de Ba. feu§ pays cafto. A fegunda filha D. Hieronyma de Mendoça quizeraó refpondeo , que far , quando ella já tinha quarenta annos , & ella lhes Freyra rica, para pois fuás irmãs Grão Freyras pobres, queria ella fer lhes acudir a ellasi&: aíBm acompanhou fcmpre afeuspays atè ambos morrerem, & ficou por cabeça de cafal,atè chegar da ilha leu irmão , 6i: "lhe caberem a ella quarenta mil cruzados i & foy femprc de talviday
'"

Meftrcdeobras.

[

<

Alim

do

filho

her-

m

deiro tcvt cinco filhat

Capitão, tfie fexto da* ejHAts hãaijá cajou em Portugal, outra niUa
(fftiz.

cafar^

que fó lhe faltava o vèo preto , para fer huma pcrfeyta Sc fanta Religiofai&: como tal nunca fe chamou, nem aííinou íenâo, Hieronyma das ChagaSi era muy to dada a jejims , cilicios, difciplinas, & oraçaõi fez feutcftamento,& mandou que a enterraflem no habito de SaóFran* cifco , & na Capella rnòr de fua Igreja , que era de feu pay'i deyxou cinco annaes perpétuos deMiíías, & que cinco criadas fuás, Terceyras honradas, ouviíTem as taes Miííasfempre, & que a horas de Vefperas foíTem encomendar fua alma a Deos,& as de feus paysj & que a cada húa das taes cinco mulheres fe lhe deflem cada anno vinte & cincomil reis
,

Oi três for aõ Religio-

fki,& todoí de tanta dia virttfde.^itanta teve

de ordenado de Lisboa

;

,

& nomeou por fua Teííamenteyra à Cafa da Mifericor& lhe deyxou tudo o niais- remanecente de fua fazenda,

« mãjatè morrer.

'

\v.

para pagar aquelles cinco ordenados , &- prover nelles gente virtuofaj affim viveo,8c morreo fidalga cOm commua opinião defanra. A tcrceyra filha foy D. Margarida , Freyra na Míidrc de 132 Deos em Xabregas j a quarta D. Joanna de Mendoça Freyra em Santa

&

,

Clara de Coimbra ^aquinta Soror Ifabel, Freyra cm JESUS deCetuvai , fenhora quejá cà fora era de rara abílinencia , & penitencia.^ Sua mãy D. Joanna nunca foy à Ilha, por naõ paííar o mar j porém à fua doutrina, & exemplo de virtude devem as filhas a muy ta que alcança-

W

que teve,porqueainda quecm Lisboa, em hum Domingo às nove horas do dia, querendo ir à Miíía,lh€dco hum accidente de parlefia ou de ar que lhe tomou a parte direyta Ôc com para ella lhe inclinou a boca, & tirou a falia, não lhe tirou o juízo , que
rão,

& o Capitão a boa morte
,

,

,

W^

Cap.XVíI. Das gentes

tiobil.

qprim. povoarão a

Ilha. 175^

que viveo ainda cinco dias , recebeo todos os Sacramentos ,

& faleceo
:

como piiffimo Chriftaó:deyxou em hum breve teftamento ao filho Ruí
Gonçalves da Camera por leu herdeyro ,& Teftamentey ro > de íua terfua alma mandou ça deyxou trezentos mil reis para três oíííicios por que o enterraíTem no habito de S. Francifco , & que aos Religiofos por cada hum dos três Officios lhes deíTem cincoenta cruzados , & hum moyo de trigo , & huma pipa de vinho j 6c na fua Freguezia mandou fazer outros três Officios , com dez mil reis de efmola cada hum i mas que o enterraflem os Keligiofos de Saó Francifco j fem pompa , em hú ataúde, & fe naó chamaííe fidalgo algum , & fó feus criados o acorapanhaíTemi
133

& tudo afiim fe fez, Sc foy enterrado na dita fua Capella, aonTendonafcidoefteCapitaoem1504.faleceoem13.de
1

de eílava enterrada fua mulher.

Março de

fendo já de 74. annos de idade j dos quaes per fi,& por MormeflefextoCai feu filho governou quarenta 6c três annos a Capitania. Era tam benig--?'2'',^'74 "J^V^^^ no, 6c miíericordiofo para com feus devedores , que nunca os quiz ve- "J/^i^Jf/^^ ^^ ^^ J^ xar era grandiofoem obras , como bem fe vè na fua Capella , que co- ^arlefia, com fite vimeçou a fazer no Mofteyro de S. Francifco da Cidade em Lisboa i era veo cinco áioá
5 78.
j ,

em fim muyto humilde muyto aífavel para
,

todos

,

& para ninguém

^

a- morres muytopiame.

^*«'^<' P^^F^ todos os fenho- ^^ . varo de corteziaj virtude moral, que PY'^'*J res que governão, de todos feus fubditos feriaÓ mais obedecidos,6c nun- ^^«'J*^/^ experimentanaomtolencia alguma. ca Uberd, comedido,

fe aílim a tiveííem

^

.

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I

T U L O
,

XVII.

Deaígus homesfamofòs érfamtlm que vier ao povoar a Ilha de Saõ Miguei
Nfuperâvel matéria aqui tomou o Doutor Fruâiuofo, 1 depois delle o Padre António Ley te da Companhia de S ,^ que no feu Collegio de Saó Miguel efteve muytos annos) JES em quererem explicar Genealogias antigas, que tanto mais le implicáo, quanto fe explicâo mais , como fe vè em os mais dos Nobiliários antigos, 8c ainda na fonte delles todos, no alto Conde D. Fedro, Infante de Portugal , filho delRey D. Dinis , U honra de toda Hefpanha , a quem áddio fuás Gloíías o illuftre Marquez de Monte Bello , 6c fideliíTmio fempre Portuguez , D. Feliz Machado pelo que refoluto quafi eftive a paífar totalmente tal matéria; mas como vejo a Sagrada Efcritura cheâ de Genealogias, nãofó em o Teftamento velho, mas também no Novo , nos fagrados Euangeliftas j 6c como o mefmo Deos nos manda pof hum Santo Ifaías , que attendamos à pedra , de que fomos cortados , &: àcovadequefahimos,Í/^i. 'Ji.wííw. i. Qiie confideremos bemnoíTos mayores , como verte o doutiíllmo Padre Mariana; 6c Saó Paulo fó prohiba tratar de Genealogias , de que fó nafcçm contendas, 6c que faó vãs, inúteis, como a Timotheo efcreve , Epifi. t. cap.^i. num. 3. 6c como emfim todo o extremo , em matérias moraes , he ordinariamente viciofo, por líTo me refolvi a nem tratar tanto delias 5 que fique mundanaj 6c

134

T

&

U

:

&

..

W^

Livro V.
yâ,

Da fatal

líha de S. Miguel,

ou fantaftica hiftoria , nem tam pouco as tocar , que falte à fidelidade dos Religiofos , 6c Gãtholicos Doutores a que figo , & ao fruto que dsvetn tirar os defcendentes , dos exemplos de feus antepaflados, imitando os bons, Ôcdos mãos fugindo fcmpre. Recopilemos o muyto, 6c õ melhor que fe diz difto, reduzindo a titulos de algumas Genealogias^ o que delias pôde fer de mayor utilidade, Sc imitação eommua.

TITULO
"
1

L

DosVelhos^Cahraes,M£lks,&TravaJJõSjS&aresdè

Albergariay& Sou/as.
3 5

TA
I

deftas famílias tratamos
.

Çafa dos Soares de Maria, &• Saó
Alberg»rÍA\

& dt S,

Senhorinha.

mais das cafas Miguel feacharàó ligadas com as ditas primeyras familias 6c o mefmo confta dos Soares de Albergaria , 6c Soufas porque o priraeyro chamado Soares traz o noflb Conde D.Pedro foi. 1 33. de que nafceo D. Soeyro , pay de D. Ufo Soares Belfazer , de que nafceo Ufo Ufes Soares , Governador da Beyra, Conde de Vizeu , Vieyra, 6c terra
cap. 1 6c as
:
-,

no Uv. 4,.eap.2.é' ^-^ no liv. f nobres deftas duas Ilhas de Santa

m

deBaftojdoqual nafceo Santa Senhorinha, que morreo em 9 7 2. Monja de Saó Bento j 6c logo eftes mefmos Soares fc chamarão de Soufa , dos quaes o primeyro foy D. Egas Gomes de Soufa bifneto do Conde D. Gocoy , irmaõ da dita Santa Senhorinha, 6c por nafcef na terra do rio Soufa, 6c a conquiftar aos Mouros , tomou de Soufa o appellido , como dos mefmos Soares, 6c de outra terra tomàraó o nomedè Soares dé Albergaria 6: deftes Soufas, que de antes craó Soares , veyo 'depois Dom Mem Garcia de Soufa , de que nafcèrão duas filhas húa foy D. Conftançâ Mendes de Soula yda qual veyo efta linha de Soufas atè Henrique de Soufa, priraeyro Conde de Miranda, de que nafceo Diogo Lopes Marquez de Arronches, Ciifa âos Soufu & de Soufa, fegundo Conde, & defte o primeyro [fim diverfAS Unhas. 6c feu irmaó o Cardeal D. Luís de Soufa , Arcebifpo de Lisboa , ôc CaGarcia de pelláo mòr delRey D. Pedro IL A outra filha de Dom Mem Soufa foy D. Maria Mendes de Soufa , que cafou com Dom Lourenço Soufa, que caSoares Valkdares de que nafceo D. Ignes Lourenço de dei Rcy D. Affou com Martim AfFonfo , chamado o Chichorro , filho linha de Soufas fonfo III. de Portugal, 6c afíim continuou efta fcgunda com D. Felippa de atè Fernão de Soufa ,fenhor dbGouvea ,que cafou Mello , & feu neto Fernão de Soufa Governador de Angola 6c pay de Soufa, Alcayde D. Dio«-o de Soufa Arcebifpo de Évora , 6c Thomè de mòr deVilla Viçofa , de que nafceo o Arcebifpo de Braga , 6c depois Thomè de Soufa, de Lisboa, 6: feu irmão Fernão de Soufa, pay de
, } , , , ,
,

Conde de Redondo. E deftas illuftres familias bafta efta breve noticia. Cafa dos Mcllos & Dos Mellosfó advirto, que o primeyro dcftetppelhdo 136 PimrKteís Condos D. Pedro tit.4.'^.^ foy D. Mem Soares de Mello ( como íe vè no Conde des de Benavente, & o qual Mello era ca& filho de D.Soeyro Reymondo, de Riba de Vizella;Pires Gatto, filho de dos de Atalajfa fado com D.Tareia AfíbnfoGatta,fílhade Aftbnfo Ate»gf(((i,
,

,

,

Fedro

%
III
I

V

Tit.I.DosVelhos,Cabt'acs,Mel.&: Trávaf.Soar.&Souí. i8t
Pedro Nunes Velho , que era filho de Nuno Soares Velho , ( aíTim fc nafligáraó fempre entre ii eítas famílias } de Mem Soares de Mello eco AfFonlo Mendes de Mello, que caiou com Dona Ignes Vafques da Gunha, & deites nafceo Martim Affonfo de Mello calado com U. Marinha Vafques , filha de Eftevaò Soares o Velho, fenhor de Albergariai (Ôcda^uiveyo oappellido de Soares de Albergaria) do cal Martim ^íFonfo de Mello nafceo outro do mefmo nome , fenhor da Villa de Mello ,de que houve mais defcendentes do primeyro Martim AíFondelRey fo de Mello nafceo mais Vafco Martins de Mello , Guardamòr caiou com D. Fernando , èc Alcayde mòr de Évora , que primeyra vez Terefa Corrêa, filha de Gonçalo Gomes de Azevedo Corrêa, de que da nafceo Gonçalo Vaz de Mello , avò de Pedro Vaz de Mello Conde de Atalaya, & pay de D. Leonor de Mello , que cafou com D. Álvaro Conde de Ataide , filho de D. Álvaro Gonçalves de Ataide , primeyro
: :

Atouguia.

Do mefmo Vaíco Martins de Mello ,& de fua fegunda 137 mulher D. Maria AíFonfo de Brito nafceo outro Martim AíFonlb de Mello , Guarda mòr delfley Dom Joaó I. & Alcayde mòr de Évora, 6c Olivença , que cafou primeyrocomD. Brites Pimentel, filha de Joaó AíFonfo Pimentel, pi-imeyro Conde de Benavente & do tal primeyro matrimonio nafceo outro Martim AíFonfo de Mello , de que nafceo D. Rodrigo de Mello , Conde de Olivença , & deíle nafceo D. Felippa de Mello, que cafou-com D. Álvaro de Bragança, filho dofcgundo Duque, & neto do primeyro o Infante D. AíFonfo , filho delRey D.Joaó I. do dito D. Álvaro nafceo D.Rodrigo de Mello , primeyro Marquez de Ferreyra, & deíle nafceo D. Francifco de^ello, fegundo Marquez, Dos que cafou com D. Eugenia , filha do Duque de Bragança D. Jayme j &
-,

&

de Mello, fegundo Marquez , nafceo Dom Álvaro, Ferreyra ^& Dffqftes terceyro Marquez , que foy pay de Dom Francifco de Mello , quarto do Cadaval, Marquez, de que nafceo D. Nuno Alvarez Pereyra de Mello , quinto Marquez de Ferreyra, & primeyro Duque do Cadaval, que cafou três vezes primeyra com huma filha do Conde de Odemira^ de que lhe ficou huma filha , a quem o Duque herdou , por lhe morrer pupilla fegunda vez cafou com hua Princefa da Cafa de Lorena', de que lhe ficou outra filha que cafou com o Marquez de Fontes terceyra vez cafou com huma fobrinha delRey de França , de que o primeyro filho cafou com a Infante a Senhora D. Luiza, filha delRey Dom Pedro II. de Portugal, de que naó teve filhos, 8c morrendo, cafou o íegundo filho o Duque Dom Jayme com a viuva de feu irmão, & também naó tem filhos
,

ça

Condes deOlive' M(irqttez.€s de

deíle D. Francifco

i

:

:

,

Das rafas defienie', Do fobredito Dom Álvaro de Bragança, tronco dos Mar- tts doprimeyroMaT' 138 Duques do Cadaval, nafcèrag mais varias filhas, ^uez. deTerreyra\áo& quezes de Ferreyra, huma das quaes cafou com D. Francifco de Portugal , primeyro Con- Condes deVimiofo da. Portugaes de do Vimiofo , de que nafceo o fegundo Conde D. AíFonfo de Portuexcellentiffima c ajtt outra filha do dito D. Álvaro cafou com o Infante Dom Jorge de gal } de Aveyro & dos Làncaftro, filho delRey D. Joaó II. & primeyro Duque de Aveyro, de

delia.

&

,

,

&

&

&

,

Aíarc^ ftez.es de

Gott'^

que nafceo o fegundo Duque D. Joaó de Làncaftro , 6c defte o terceyro vea, &CendtídeS« Duque D. Álvaro , de que nafceo o quarto Duque de Aveyro , 6c defte CrHX,, oquin-

Ó

Ç^

itt

Livra V.

Da fatal Ilha de S. Miguel.

O quinto Duque D. Raymundo , que foy para Caftella , & morreo fem delcendencia 5 & lhe fuccedeo no Ducado, por fexco Duque de Aveyra, D. Pedro de Lancallro, irmaó legitimo do quarto Duque , & Inquiíidor Geral, Arcebifpo de Lisboa, cuja legitima irmá caiou com o Conde de Portalegre, de que nafceo D. Joaõ da Silva , Marquez deGouvea, & D. Frey Álvaro , Bifpo Conde de Coimbra , & Dona Juliana de Lancaftro CondeíTa de S. Cruz. Nalceo mais do fobredito Martim AíFonfo de Mello, 139 daquelle Conde de Olivença D. Rodrigo de Mello ) & de fua fefavo gunda mulher D. Briolanja de Soufa, nafceo, digo, Joaó de Mello, CoDos Copeiros mores, f^ Monteyres mores peyro mòr delRey D. AíFonfo V.& Alcayde mòr de Serpa,de que nafceo da Cafa Real, & dos pnmeyroo Porteyro mòr Alcayde mòr de Serpa^fegundo, o Monteyro Aíendoças de Aíoh- mòr Jorge de Meiio,que cafou com D.Margarida de Mendoçajíilha de raõ,& Cafiros aonde Diogo de Mendoça, Alcayde mòr de Mouraó,& irm:ió da fegunda mucafotí oDncjue deGalher do Duque de Bragança D, Jayme j & em terceyro lugar nafceo D. dia dí <i»e defcende grandes Príncipes, CO' Leonor de Mello , que caiou com Nuno Barreto , Alcayde mòr de Famo de ha S. Francifco ro i & deíles nafceo D. Ifabel, que cafou com D. Álvaro de Caftroo do de Borja, da Compa- Torraó ; dos quaes nafceo D. Leonor de Caftro , que fendo Dama da nhia de 1ESVS. Emperatriz D, Ifabel, & do Emperador Carlos V. cafou com o Duque deGandia, que vuvo delia profeflbu a Religião da Companhia de JESUS, & nella morreo fantiífimamente , & foy terceyro Geral delia, (8c he Santo canonizado S. Franeifco de Borja, de que defcendem muy,

tos Princípes.
ií^«^ nafceo do dito Joaõ de Mello, Copeyro mòr del140 Rey D. AíFonfo V. nafceo Garcia de Mello , Alcayde mòr de Serpa ôc deíle nafceo D.Jorge de Mello , que depois fe fez Ecclefiaftico, & foy Abbade de Alcobaça , & Bifpo da Guarda , de quem foy íilho D. António de Mello, que cafou com D.Joanna da Silva fua prima ; & deites nafceo D. Jorge de Mello, que cafou com D. Maria da Cunha , filha de Chriftovaó de Mello, Porteyro mòr delRey Dom Joaó IIL de que nafceo D. António de Mello, do Confelho delRey por Pojrtugalem Madrid,que calou com D.Francifca Henriques;8c deíles nafceo D.Jorge de Mello , que com o Marquez de Ferreyra acclamou em Évora a ElRey D.Joaò IV. levando a Bandeyra,Sc foy Mordomo da Rainha D. Luizaj & cafou com D. Margarida de Távora, filha de Pedro Guedesi Eftribcyro mòr. Governador da Cafa do Porto, & fenhor de Murfa; & eíle teve os filhos feguintes D. Jofeph de Mello , que depois de miliGuedes, tar cm Alem-Tejo, & indo bem defpachado para a índia , na viagem fe Da eafa àts Eftribeyros mores , metteoReligiofo da Companhia de JESUS,aonde depois morreo com fenhores de Mttrfa, opinião de Santo item D.Joaó de Mello, que depois de Bifpo d'Elvas, é- dos Mellos doBif & de Vizeu , morreo Bifpo Conde de Coimbra com fama confiante po Conde de Coimbra de grande efmoler, & de exemplariílimas virtudes tíem Dom Pedro da D. ^oaS de Mello , Mello, Governador do Maranhão, que deyxou por filhos legitimes a faraSSantt, D. António de Mello, cafado com D. Joanna de Mendoça irmã do Eftribeyro mòr, & fenhor de Murfaj Luis Guedes de Miranda & Lima, filho de Pedro Guedes , Eftribeyromòr delRey D. Joaó IV. & de Dona Maria de Mendoça , irmã de Luis de Mendoça Vifo-Rey da índia ; a Dom Francifco de Mello cafado na BeyraiÔc a Dom Luis Jofeph de
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:

;

-,

&

lAjilãBBa

Tit. II.DoiCamerâ&,& Régios Betencórcs.
de Mello, Maltez
aires
j

& a D. Jofeph de Mello, Ecclefiaftico, da Junta des-

Mados.

TI T U LO
141

II.

DosCameras,& Betencores,
fò em a , j^ ras multiplicada naó na de Machicoa 6c na da Ilha de Porto Santo
ailluftre família dos Came. ASfim como vimos jà no/w.3. Capitania do Funchal mas
,
-,

também

afíim agora a ve-

remos extendida naó fo por toda a Ilha de Saó Miguel, mas também não defpela de Santa Maria, & mais llhasj que fe os Reys foberanos fe como prezaó de le íervir em feus Reynos de feus próprios parentes , & Capitães de taes os trataõ & nomeaó , menos devem defprezarfe os
a
,

feferviremde íeus parentes ,& como a taes os tratarem j quando atè com vaíTallas fuás cafavaó os Reys antigamente , & entaó melhor conconquiftafervavaó em fua naçaó feus Reynos , & os livravaò deferem Capitães de Saó dos de outros Reys & por iffo perguntado hum dos Miguel, de quem fe havia fervir na dita Ilha em occafiões de guerraj
-,

''?

Vjfe

í«^

refpondeo , que de feus parentes, de que a Ilha eftava cheya. Vejamos pois agora efta verdade. Certo he, que o tcrcey142 fendo legitimo ro Capitão de Saó Miguel Ruí Gonçalves da Camera, ( da Camera o filho do prímeyro Capitão do Funchal Joaó Gonçalves

Zargo ) comtudo nem íilho algum legitimo , nem legítima filha tevej mas lílegitímos teve muy tosj além do prímeyro , Joaó Rodriguez da fiCamera, que em quarto Capitão lhe fuccedeo, teve porfegundo ^^ ^^^^j ^^j^,que cafou com D. Catharina ^f^^- ^f^tz. dá Camera, fe. lho, Antaó Rodriguez da Camera, filho naõfo^«„^o fiiho^ do pru reyra, Dama da Duquezade Bragança jôc defte fegundo D. meyro Rm ConçaL nafceo Ruí Pereyra da Camera , que morreo foltey ro , mas também Mecia, que ficou com bom morgado em Ribeyra Grandç, & ahLca- J^.j^^ ^^^^/J ^ fou com D. Gomes de Mello , filho de D. Diogo de Mello,& de D.Ma- fjT^^fjf'"''' que voltando da "" ria Manoel k deftes nafceo D. Franeifco Manoel , índia fuccedeo no morgado ,& cafou com huma filha do nobre Fraii'

'•

;

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cífco

Carneyro em Saó Miguel, de que ficàraó filhos j nafceo mais Dom Manoel de Noronha , morto fem filhos em Africa , & D. Rodrigo úq Mello, que também fem filhos , & em Africa morreo na batalha delRey D. Sebaftiaói & D. Maria Manoel , Dama da mãy do mefmo Rey D:.Sebaftiaójcomaqualfoy paraCaftella. .^Do mefmo Antaó Rodriguez da Camera nafceo D. Ma143 filho de Duarte Nuria da Camera, que cafou com Joaó Nunes Velho , Miguel, nes Velho , do qual cafamento houve a defcendencia em Saó & em Santa Maria , que acima fe vio jà j nafceo mais D, Guimar da Camera que cafou com Paulo Gago , de que nafceo Ruí Gago da Camenafceo outro ra, que cafou com D. Ifabel Botelha de Mello 5 & deftes Ruí Gago da Camera , que caiou com D. Ifabel , oil Francifca de Oli^evra,dequenafceooutro,ôcterceyroRulGago da Camera, queca,

Liy ro V. D a fatal Ilha de S. Miguel.
com D. Anna de Betencor , filha de Brás Barbofa & deíles nafceo Gonçalo da Camera, Alteres mòr , ôc D. Barbara da Camera, que calou com o Licenciado Duarte N ey maó Ôc do Icbredito pnmty ro Kuí Gago da Camera nafceo também faulo Gago da Camera, que caiou com D. Ifabel de Medeyros , filha deHieronymo de Araújo, fidalgo de Villa Francaj dos quae"s nafceo Pedro Gago da Camera, que calou com
fou
,
:

Maria da Coita

,

fiiha

de António da Coita , de Ribey ra Grande ; ôí do
j

mefmo Faulo Gago «nafceo mais Hieronymo de Araujo da Camera,que cafou com huma hlha de Luis Leyte , de Ponta Delgada & deites nafceo Manoel da Camera, que calou com Margarida Cabral, & foraó pays de outro Manoel da Camera, ( que caiou com Ifabel Cobes} & de Maria Leyte, que caiou com ManoelPereyrada Silveyra, nobre Cidadão de Ponta Delgada , irmão do Padre Joaó Pereyra da Companhia de JESUS, &: filhos ambos de outro Cidadão António Pereyra d'£lvas, & de fua legitima mulher Apollonia da Silveyra.

mefmo terceyro Capitaõ Ruí Gonçalves da Camera 144 Dí Pedro Rodrigtíez. teve por terceyro filho a Pedro Rodriguez da Camera, que cafou cora da Camerít^ terceyro D. Maria de Betencor & Sà, de que (fora cinco que morrerão íoltey' filho do primejiro Ruí ros} nafceo Henrique de Betencor & Sá, que cafou com D. Simoa,fí^ Conçíilves áa Cams- lha de Balthezar Vaz de Soufa , & de D, Leonor Manoel em Ribcyra ra & qus ainda fe Grande dos quaes nafceo Manoel daCamera que caiou com D. ívia, eenfcrva em nobre ria filha de Ruí Gago , & tiveraó filhos j nafceo mais Ruí Gonçalves vcronia & de [na msdher Dona Maria da Camera, que cafou com D. Luiza, filha de Hieronymo Jorge, & de de Betencor & Sá, D. Brites deViveyros, deque naíceo Simaõ da Camera, que cafou nafceo HiinrtíjHe de com D. Cscilia Ramalha , filha de Francifco Ramalho & de Leonor Betencor & Sá ^ Neta , de que nafceo Valentim daCamera, que cafou comD.Jcanna for aíjHí continuarão de Sà, filha de Simaô Lopes,& de D.Maria de Sà , dos quaes nafceo húa unidos os Cameras única filha D.JVÍaria, que cafou porém duas vezes primeyra, com Matom os BeteMorcSi noel Rebello de CaílellobranGo,filho do Capitão Balthezar Rebello de Soufa j & fegunda. vez cora André da Ponte filho de Bartholomcu do Quental, & de Meliciana Qtiental, & de ambos eiies maridos teve a diIS^rndMim'' ãk Cã- ta D. Maria filhos j item nafceo do dito Simsó da Camera, fegundo fimera{filho dorhefwo lho JManoel da Camera , Sargento mòr, que caiou com D. Maria CouPedra RodrigKez.f& tinha,filhade Joaó de Frias, & de D. Brites Pereyra, filha de D.Joaò nsto do^rimeyroKuí Peréyrâ , neto do Conde da Feyra nafceo mais do fobredito Simaó da Gonçalves da Cametabafou no Nordefle Cahiera outro terceyro filho do mefmo nome , & quarto filho Rcdr:^. de S.MigKel, & fuá go da Camera , & ambos eftes deyxàraó filhos em Ribeyra Grande; filha D. Maria da Do mefmo Pedro Rodriguez daCamera, terceyrofilho 145 CamerA cafeit com do terceyro Capitão Conatario Ruí Gonçalves da Camera,nafceo mais António Borges da Joaó Rodriguez da Camera , que.morou na Achada Grande , & era CoCofia^&defies nafcee mendador de Eftrinta na Serra da Eítrella, & cafou duas vezes; primeyoutra D. Maria da ra com D. Helena filha do Contador Mattim Vaz de Bulhão fegunCamera^íjue cafoa cõ
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da vez cafou com D.Catharina na dita Serra da Eftrella, & dcílé fegun, (írSonfa (^ foraõpays do matrimonio ainda que houve filhos , não ficou dellesdefcendenciá* de Gafpar de Medey- porém do primeyro matrimonio nafceo Bernardim da Camera, que caros da Camera\& do fóíina Villa de Nordeíle, com D. Luzia Brandoa, filha de Manoel Dias fobr edito Pedro RoBrandão, & de Anna Affonfo, & deftes nafceo Dona Maria da Camera^ drignez, da Camera que cafou a primeyra vez^ cora António de Brum da, Silveyra, &: léus fíi
Gãfpar de Medeyros
,

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lhos

Tit.

II.

DâDefcendeiidâ dos fobredítõs*

1H5

a fegunda com António Borges da nafceomals D.IrõÈ'^, lhos naó deyxáraó deícendencíaj Cofta , de que naíceo Duarte Borges da Camera , que cafou com Dona "fi^>^ <^^fo'* emLà^

&

l rias , de que naô houve filhos & nafceo mais D. Maria da ^7^^^/^\v^"7JCamera , que eafou com Gafpar de Medeyros de Soufa , dos quaes naf- ^^^^^ ^^ *Prado dos ceo Gafpar de Medeyros da Camera , que cafou com D, Maria^ filha de ^naei o dito tjta em Miguel Lopes 3 & de D, Ifabel do Canto 5 & emfim do dito Pedro Ro- SMignel^ & a def. driguez da Camera nafceo também D. Francifca, que cafou em Lisboa cendída em Lisboa^ jcom D. António de Soufa , irmaó do Conde do Prado , de que nafceo Dom Dinis de Soufa , com filhos là no Reyno j & a fazenda cà em Saó Dopmeyro RmGt^i Miguel. ptofí «a/íw tambl Nafceo mais do mcfmo terceyro Capitão Ruí Gonçalves D Brites àa comera 146 àe Irandjco >da Camera, D. Brites da Camera , qu« cafou com Francifco da Cunha »»«^^«^ & Albuquerque , que tinha chegado da índia , & muy to rico , & deíles "^l^^f/ f^^ ^^^^^] nafceo D. Guimar da Cunha, que cafou como terceyro Capitão Dona- IJ^Zc^j^çJfJar da tario de Santa Maria Joaõ Soares de Soufa , como jà fe vio no Uv. ^.cap. cunha que cafott cà •8. do terceyro Capitão Donatário da dita Ilha, & da muy ta defcenden- Br a» s»nres de Sonfa ciaque delle houve, & ainda ha. Eeílahe a copiofa defcendencia quQ terceyro Donatário de da illuftre familia dos Cameras ficou em eftas Ilhas , porque nellas naó ^'*"^'* Mana^dei^ue que dos feguintes Capitães Cameras ficaífe alguma outra ^^^^^^^''l^'^'^rcg42'cia J dencia nas ditas duas Ilhas , falvo filhas Freyras que em Saó Miguel 'v entrarão , & morrerão muytas , & todas com naó menores refplandores O fegmâo Rey dd 4e virtudesj que de íeu illuílre fangue. Da illuftre familia dos Betencores defcubrimos o feu tron- Canárias ^caõdeBíf., 147 p^iraa CO Bo Uv. 2. cap. 2. onde vimos , que hum grande Almirante de França ^l""J^ p^^JM kH le^ Madeyra com ^/^ /-. c f n. Tilj íoy o primeyro Cathouco que conquiftou três Ilhas das Canárias , '^n-çúimo filho &hu>»4 no de 1417. & foy legitimo Rey das taes Canárias, & fe chamava MoU piha 2jà tinha trafen, ou Ruben , de Barcamonte , & por fua morte lhe fucccdeo na Co- z^ido de França: com toa feu fobrinho MoíTcn Joaó de Betencourt , ou Betencor que con- ^fi^^^ t). Maria de ^'tencor cafou Ioga quiftou a quarta Ilha das Canárias , & por não poder conquiftar a principal , chamada a Gram Canária , vendeo as quatro que tinha ao noíTo ^^^ "^^ rce ^ fíih SereniíTimo Infante Dom Henrique por certas fazendas & rendas que Ji^ cJpitaõ do Fun» lhe deo na Ilha da Madeyra , Q que já depois das Canárias fe tinha def- chal/oaõ Gonçalves cuberto } & para ella já fem o Reynado fe mudou o dito Betencourt, Zargo ^&dellesnaã fegundo Rey das Canárias , (de cuja defcendencia agora tratamos.) "Pi. ficou defiendècia aíIha legitima defte fegundo Rey das Canárias era D. Maria de Beten-.?^'**!^^''™'' ^"* '^*""^* cor, que com elle tinha ido de França para ellas , & vindo delias para a '*J^° Madeyra , cafou com Ruí Gonçalves da Camera, filho legitimo do pri- ,,;j/,^ traz.idodeFrÃ^ jnéy ro Capitão do Funchal, & que foy o terceyro Capitão de Saó Mi- ça^nafceo naMadey^ guel ; mas porque defte matrimonio naó houve defcendencia alguma, raGnjpar de Bete».' & a varonia dos Betencores fe continuou^ & dura ainda , de hum legiti- "o^^^ ^«ematiacha^^^^^^''^''»" mo irmaó da dita D. Maria, & eftas duas illuftres famílias de Cameras, & Betencores começarão logo taõ liadas, por iílb as ajuntamos aqui. ^h cõ D^Guimar^d Do tal pois fegundo Rey das Canárias Moften Joaó de ^k, Damado Paço 148 Betencor, nafcèraó Miei Maciot de Betencor, êr a dita D. Maria de Be- fida de Henrique dl tencor,raulherdoterceyro Capitão da Ilha de Saó Mi^uú ^^ o^mbos Sà, o do Porto, &trd^ nafcidos ainda em França de mulher com quem latinha cafado ò dito " dosMarejvez.es de fegundo Rey das Canárias, como também de França tinha vindo jà ca- ^''*'^'' ^ *'^'' "^""^ de p,Vt»lante Cõde' fado o tal irmaó da dita D. Maria. De Miei Maciot deBetencort nafçaka Cajianhejr0^
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1)0 tal Henrií^Ht de Betehcor,& de Dona

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Livro V.

Da fatal ilha de S. MígueL

^^^ ^^ Madevra Gafpar de Betencor , que cafou com D. Guimar de Sâ, de Sà , do Porto, f""7 ""^unídr Dama do Real Paço de Portugal , filha de Henrique Marquezes^de Fontes, &: prima coirmã que em S yj^/^«f/ dequedefcendemosiUuftres efte Gafpar de Betencor cafm som í?«m«r de D. Violante Condeça da Caftanheyra 5 Cofiçalvesfi/k^ de Cõ foy o fobrinho ,que a tia D. Maria chamou para Saó Miguel,&: fez mor^do Faz., chamado o ^^^ j^^^g ^ ^-^^ j-g^ fUj^Qs de feu marido Ruí Gonçalves da Came-

U

&

^^^-^^^ DonaCario de S .Miguel pois Henrique de Betencor nafceo o primeyro fijy Sa , que cafou em Sao Miguei com Guibetencor & Sa era lho varaõjoaó de Betencor & moço, chamado o Andrinho, fenhar dai Saboartasm^Y Gonçalves , filha de Gonçalo Vaz , o da-Madeyra & pc7^ & ^g huma filha de Pedro Cordeyro^ da familia dos Cordeyros, de que ffojen filho Framif. trataremos em feu lugar abayxOi&do cal Joaó de Betencor ôcSànaf^^^^

^«^r.»K & dehãa &^^
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filha de

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&Sá,fenhor dasSaboarias ^Z'» ceo prímevro filho Francifco de Betencor íríX'l1^'^^aMadeyra,para onde tinha- voltado de Saó Miguel, cafado já corii Medeyros filha de Diogo Aftonío ColombreyMaria dá Cofia D. Maria da Coíla de Betencor Medeyros,filha dero;èc deftas famílias abayxo fallâremos. Do tal Franciíco Dom Afonfò Coíom- nafceo Aildrè de Betencor & Sà , que cafou com D. Ifabel de Aguiar, hteyro. fidalgo deSaõ de D.Fran^^ande fidalga da Madeyra, filha de Ruí Dias de- Aguiar, Miguel.D,fdmFrã. &.^^^ ^^ ^^j ^^^^^^ ^^ Betencór , & da dita lua mulher naf^^ ^^^^^ cèraóprimeyroFranciícpdeBetencor , feguiido; Ruí Dtas de Aguiar,

cod^ Betencor

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tnleo7nZ de na cafa o terceyro hoGafBetJcor & Sa ^ue & ambos morrèraô fem filhos & fuccedeo fuccedeo feu filho FrancafoH com D iÇahel par de Betencor & Sà a quem legitimamente de cifco de Betencurt & Sà que cafou com D. Anna de Aguiar dos quaes áe Aguiar
,

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.filha,

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,

KtiiDMs de Aguiar, nafceo &de D.Framzfia

Gafpar de Betencurt , moço fidalgo da Gafa Rêàl , que càfoU ^^^ ^ Margarida de Mirandaj & deftes nafcèraô primeyro D. Manoel affim morreo . fegtmdo , D. B^tho^n.eU : de Sà , que f? fez Clérigo , & ;;f morreo fem filhos, terceyro, Doni i- rancifco de Becafa fuccedeo o ter- de Sà, que cafou, & Companhia de J tS U S , ceyro filho Gajp^r de tencurt & Sà, que foy Religiofo profeífoda Betencor &Sa,a ^«5 morreo pregando em S. Roque de Lisboa com grande exemplo de viri fmcedeojeu filho Fra ^^^^^ ^ ^^ ^^^ f^^^ jj. ^ QgQg ^ defprezar a grande cafa de feus pays, ^ cifio de Betencor & ^.^^^^ ^^ ^^ç^ ^^^^^ conforme ao de feus pays, & avos, & ujti^^^^ mamente íe feguio na cafa D. Bernardo de Betencurt & Sà , que ainda lUuítre, he oy ta vo neeftà fokcyro; & por varonia, fempre legitima, &

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defiesnafceo D.Gaf-

par de Betecor

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^•»í cufofi com Dona Margarida de Mi

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em feus luga^^^ ^^^g Betencores , que fe tem tocado , & tocaráó neto do dito Rey das , res; porque do primeyro Gafpar de Betencor Betencor, fidalgo da cafade Canarias,nafceota™be.m Henrique de como em Caftet BernL Beten. Rcy D. Manoel, cujas filhas cafáraó aífim em Lisboa cor&Sa cMJa trma la, com D. Al varo de Luna filho de D. Pedro de Gufmao , como tamcafoH em FunchaUi ^^^-^ g^^ 5^0 Miguel com OS Barbofas Silvas,& com os Gagos da Came0 ricofidalgo FraciÇ. Brites Velha, dos j^^r^gQ mais Gafpar de Perdomo, que calou com ^^ CO derafcocdlos,^He „rimeyrosVelhos Cabraes do qual cafamento nafceo D. Simoâ , que F^^^^^ J^^ temdeícendenc^a. ^^^^^ Pereyra , bifnetodo Condeda Feyra, aonde depois cafou com Dcn>tiy!os «»<m/- ca faraó OS Frias. Item nafceo D. Margarida Betencor, que
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do fegúíido Rey das Canárias Betencurt. Muytas outras & rouy to nobres famílias j q ^
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íahirao da dita

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h emfírri Pedro Rodriguez da Camera, como vimos em os Ca rr: eras. Sa.,,<]HcfickrM,&Je'^^,^^^^^jy Guimardc Sà, que cafou com António Zuzarte de Mello, fiE daqucllejoaõ dalgo de Évora , de que houve illíiílre defcendencia.
dalgosB-iencorcs

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Tit.ííLDosGagós,Rapofos, Potes,Bicudos,CoiTeas. í8^
^e Betencor , bifneto do dito R.ey das Canárias nafceo Simão de Béf íencor , pay de António de Sá , que cafou com D. Felippa Pacheca j fi-) lha de Pedro Pacheco , & neta do primeyro Antaó Pacheco mais naí*^ ceo D. Margarida de Sà , que cafou com Gafpar do Rego Baldaxa , dé que defcendém os Regos. E emfim daquelle André de Betencurt,quarto neto do fobredito Rey^ nafceo D. Maria de Aguiar , que cafou com Manoel Alvares Homem , de que nafceo Francifco de Betencor , que cafou crom D. Maria Rebella ficdettés nafceo Joaó Borges de Betert^ côr, que cafou com D. Gatharina da Cameráj fiUia de Ruí Gago da Ca-* mera , Sc de D. Anna de Betencor.
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Pachecòs.

DõS Gagos^ RapofoSy Pontes , Bicudos^ Corre ã^y

Y~v E Beja veyopara Saô Miguel, no principio dodefcu= JL^ brimento defta Ilha hum conhecido fidalgo chamado
,

,

Vaz Gag05por alcunha o do Trato, pelo grande contrato que tinha comoReynOj veyojàcafado com huma fidalga, chamada Gatharina Gomes Rapofa &: era filho de Lourenço AnesGago fidalgo também de Beja j & irmão de Efl;e vaó Rodriguez Gago , pay de Luís Gago, que com o primo Ruí Vaz Gago veyo para efta Ilha & deftes dous primos veremos com diftinçaó a defcendencia. Luís Gago cafou na Ilha com Branca AfFonfo .da Cofta fidalga dos Colora breyros era Capitão em Ribeyra Grande , & tam rico jà, que a cada huma das muy tas filhas que ^^"^ j^jl^el deále teve , deo em dote vince moyos de trigo de renda cada anno que hoje ^gjcède mupa fidM. rendem & valem dobrado delle nalceo Paulo Gago que cafou corp^^jj de Portugal & Guimar da Camera filha de Antaó Rodriguez daCamera, de que já dosGagos Cornas. acima tratámos & defte Paulo Gago nafceo Ruí Gago da Camera, Ca\ pitão mòr de Ribeyra Grande de que nafceo outro Ruí Gago da Camera , & defte fegundo outro terceyro Ruí Gago da Camera de que nafcèraó Gonçalo da Camera, Alferes môr,& D. Gatharina, cafada com
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Joaó Borges de Betencor, &: outra filha cafada comSebaftiaó Borges da Silva, Lealdador mòr & dos defta linha de Luis Gago , & Branca AfFonfo houve mais defcendencia que deyxo. Do outro primo Ruí Vaz Gago,& de fua mulher Catha.152 rina Gomes Rapofa nafceo primeyra filha Ifabel Rodriguez Rapofa^ que calou com hum N. de Abreu fidalgo do Reyno cuja filha Anna de Abi-eu cafou com Pedro de Azurar , Eftribeyro mòr do fenhor Dom Jorge, Duque de Avey ro. Segunda filha foy D. Mecia , ou Maria Rapofa que cafou com Eft-evaó Nunes de Atouguia em Portugal, de que nafceo D. Gatharina que cafou com D. Diogo de Soufa , Vice-Rey do Algarve, a quem peia mãy .ficou hum morgado de cento & trinta & oyco moyos de trigo de renda cada anno em a Ilha & deíle D. Diogo riafceo D. Maria de Noronha , que cafou com o Conde da Caftanheyraj de que nafceo o Conde D. Joaó de Ataíde. Terceyra filha de Ruí Vaz Gaj , ,
j , ;

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Gago,

Livro V.

Da fatal Ilha de S.Migiiell
foy Brites Rodriguer Rapolãj

& de Catharina Gomes Rapofa

Vos Pontes,
Stcifdft^

que cafou com Jacome Dias Corrêa , Cidadão do Porto j dos quaes nalceojurdaô jacome Rapofo, que pnmeyra vez cafou com Francifca Rodriguez Cordeyra , filha de Joaô Rodriguez Cordeyro , Feytor da Margarida da Ponte,filha de Pedro Rapofor, fazenda Real & fegunda vez com da Ponte o V elho i de Vilia Franca , & do primey ro matrimonio nafeeo Sebaftiaô Jacome Corrêa j que cafou com Ignes da Ponte , filha de Pedro da Ponte Rapofo , que cafou com Mana Carney ra , filha de António Bicudo Carneyroj fidalgo de Villa de Conde, de que nafeeo MaD. Anna de Vafnoel Rapofo Bicudo , que cafou primeyra vez com concellos Leyte , & fegunda vez com Anna de Medeyros , filha de André Dias , filho de Gafpãr Dias & defte Marioel Rapofo nafeeo Pedro da Ponte Bicudo, que cafou com D. ífabel Botelha de Sampayo, de que nafeeo Manoel Rapofo Corrêa Bicudo >& outros filhos, & filhas
-, -,

Freyras.

me,pay de Pedro Jacomc,de q nafeeo outro Pedro Jacome Rapofo,que Lisboa. E de Japor preferente tirou hú morgado da Ilha a hu Conde de come Dias Corrca,&; Beatriz Rodriguez Rapofa nafeeo também D.lfaCanto, fidalgo de Angra,de bel Correa,que cafou com Joaô da Silva do que fâllaremos em feu lugar & nafeeo mais Baraó Jacome Rapofo , que Simaó, do lugar dos Altacafou com Catharina Simoa^ filha de Martim Ayres Jacome, que cafou com Mares da Ilha Terceyra , de que nafeeo Angra àt que ( além de três ria do Couto , filha de Brás do Couto , de nafeeo Fernaó Corrêa de filhas Freyras na Efperança da mefma Angra) nafcèraô váSoufa , que-cafou com D. Bernarda de Lacerda , & deftes D. Maria Clara , cafada rios filhos , que morrerão fem defcendencia & em Lisboa com Júlio Cefar, & D. Terefa , cafada com Hey tor Mendes, &ambas também fem filhos. Nafeeo mais de Jacome Dias Corrêa j& de Beatriz Ro154 cafou com Manoel Vaz drigaes Rapofa, Catharina Gomes Rapofa,que MecoSf Ripfos. p^^heco , fidalgo de Villa Franca , filho de Thomè Vaz Pacheco , & Portugal cafado: da dita pois neto de Pedro Vaz Pacheco , que veyo de Pacheco nafeeo FrancifCatharina Gomes Rapofa, & de Manoel Vaz Catharina Manoel de Ataíde , filha co Pacheco Rapofo que cafou com Portugal , & deftes nafeeo Gafpar de Manoel Lopes de Almeyda de de Villa Franca ,de Pacheco Rapofo, que cafou com IfabeldeBrum, fe fez Ermitaô exemplar que nafcèraô Manoel Pacheco Rapofo, que cafou com Bento da t' onfeca, Cidadas Fumas, & Barbara Corrêa, que d'Arruda ^ de que ficàraô filhos dão de Villa Franca , pays de JoaÓ Clara Rapofa , que cado mefmo Gafpar Pacheco Rapofo nafeeo mais Gonçalves de Aguiar, de que naffou em Ponta Delgada coríi Manoel Mananna. Naíceo mais de eeo António Pacheco , que cafoil com Dona Pacheco Brás Rapofo, Catharina Gomes Rapofa, & de Manoel Vaz Fernando Anes de Puga de que cafou com Catharina de Frias', filha de Martms,& ambos funDos funàédorci ^io que nafceoMariaJacome,que cafou com Manoel Co^ventode S. foaõ ^^^^^^q^^^^^^,^ de Freyras de S. Joaô em Ponta Delgoda. Item ml& de Manoel Vaz Pachedt PontA Delgada. ^^^^. ^^ ^g^^^ Catharina Gomes Rapofa ,
-,

153

Do lobredito Joaô Jacome Rapofo nafeeo mais André Jaco-

^

/.

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Tit. III. Córltinuaõ-fe ós ditos appellidos.
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i8p

Anna Pachecaj mulher de Hierony mo de Araújo, & Maria Jacome, mulher de Lopo Anes Furtado. L)ofobredicoJacomeDiasCorrea36c Beatriz Rodriguez _ 155 ^"^ /««pf?"''*" «'5'° Rapola nafceo mais Aldonla J acome , que caiou com Agoftinho imperiai, & deites nafceo Alexandre Imperial , que caiou em Genovajôc nel's'^tfj'*Li lateveoíceptroannualnoanno dei583. òcdepois foyporEmbayxa.doira Madrid j & delle nafceo Maria Imperial, que cafou na mefma Renova com hum fenhor de titulo & outra irmá brites Im.perial , de que íe não fabe mais. Ultimamente nafceo do mefmo Jacome Dias Corrêa, Chriftovaó Dias Corrêa,, do qual cafado conforme a fua qualidade, nafcèráo os filhos feguintes primeyro, Jacome Dias Corrêa, que cafou na Yilla da Praya da Ilha Tercey ra; fegundo, Gafpar Dias , calado na mef.

;

:.

ma Villa da i^rayaj terceyro, iíalthezar Dias cafado em Caftellai quarda Coita Ledefma que cafou com Anna Aífonfo na Yilla de iS ordeíte em Saõ Miguelj quinto, AldonfaJacome,cafada em Villa Franca com Salvador de Araújo cliamado o Fartoj fêxto,Jurdâo Jacome Corrêa, que por fuás façanhas em a guerra foy chamado o Capitão Alexandre, & não deyxou filhosi feptimo, Jorge Dias Corrêa, a quem
,

to, Belchior

,

,

por Caítellâfoy dado o governo de huma Gale, & deite. nafceo Sebaftiaó Corrêa , que teve o mefmo governo de huma Galé como o pay ^ & do tal Sebaftiaó Corrêa nafceo Thomè Corrêa da Coita, Cavalieyro profeífo da Ordem de Chriito , fidalgo da cafa de S. Mageítade, & herf^^Z^/ZtTat deyrodo fobredíto feu tio o Capitão Alexandre , & viveo em Angra da ajlhl7erceyra''& Ilha Tercey ra , & teve por filha a D.Maria Cayxa, que cafou com Joàõ foraS grandes càhs do Canto de Caítro , fidalgo bem conhecido,6c a Sebaftião Corrêa Lor- demerra. vela , famofo em armas , & em grandes póítos de guerra', de quefalla_ remos quando da Ilha Tercey ra. He porém ainda de notar , que aquella primeyra fidalga 156 Catharina Gomes Rapofa, que de Portugal foy.jà cafada com ò primeyro Ruí Vaz Gago , chamado o do Trato j eita enviuvando do maridd, éc tendo jà tanta defcendencia , comtudo fe cafou ainda , & com hum Joaó de Óuteyro , que tinha fido criado , & fey tor de feu defunto maírido delia j & deite feu fegundo marido teve ainda huma filha , por nd* me D. Maria Rapofa , com a qual , pela excefiiva riqueza de feu payjSc mãy , fe defpoíou para cafar Diogo Nunes , filho de Joaõ Rodriguez da Gamera , quarto Capitão Donatadode Saõ Miguel , & irmão do quiris to Ruí Gonçalves da Camera & porque o tal defpofado foy fervira ÊlRey em Africa , & là grandiofamente o fnítentava o fogro , & là morreo, fem chegar a receber a defpofada , ainda comtudo eita fe defpoíou, do Confelhõ cafou com D. Gilianes da Coílà , Vedor da Fazenda , deEítado, filho de D. Álvaro da Coita ,Camareyro mòr, fie Armeyrõ Dg hií Moriaào qm mòr delRey D. Manoel ;ma^ põrqtie deite matrimonio não ficou mais farelMô facome Raque hua filha , & o ávó fe metteò de poífe do morgado delia , por iíTò f0^0, for parente mais Jurdão Jacome Rapofo , que vivia em Saõ Miguel , & era parente mais chegado, tirou agrã^ chegado daquellà Catharina GomèS Rapofa, por quem viera o tal mor- desjtdalgos dePort»^^ gado à dita neta defunta, por juitiçá tirou para fi o dito morgado de Tef* ^ ' fentaôc cinco moyoí^de trigo de renda cada à-nno,
^

;

&

&

^

TITIJ-

Liviro

V. Ba fatal Ilha de S Miguel/
.

TITULO
1^7

IV.

Dos BotelhoSjLeyteSy Amar aesy Fa/cmcelloSf
Botelhos era Pedro Botelho^ Commendadormòr da Ordem de Chrifto , que na ba.talha de Algibarrota deo ofeu cavallo ao Condeftavel Dom Nuno Al-Varez Pereyra , vendo-o fem cavallo. Defte Pedro Botelho nafceo Gonçalo Vaz botelho , que veyo com os primeyros povoadores da Ilha de banta Maria , & Pedro Alvarez Botelho , que ficou em Lisboa , ProveDos antigos , à-ff^f^^^ ^^ Fazenda em tempo delRey D.Joaó 11. defeu confelho,& pay *"" três "'""^^'"'^^''.de Lopo Botelho, que cafou com Brites de Mello, filha de Eíkvaó dos. iSoares de Mello , fenhor de Mello , de que nafceo Manoel Botelho,

U

tP^^s

antigos

j&

illuftres

&

Gommendador da Ordem de Chrifto que cafou com D. Joanna de Sà, £lha de Pedro Vaz de Sà cujos filhos morrerão na Índia &: terceyro
, ,
•,

do primeyro Pedro Botelho foy Diogo Botelho , cujo filho Fran'cifco Botelho foy Embayxador a Saboya & o filho defte foy também Diogo Botelho , & Governador do Brafil , que foy pay de Nuno Alvarez Botelho, celebre em guerras na Índia, per que foy Conde o filho D. Francifcb Botelho. Do primeyro Gonçalo Vaz Botelho nafceo jà na Ilha de 158
filho
;
.

Santa Maria Nuno Gonçalves Botelho , que na mefraa Ilha caiou nobremente , & delle nafceo Jorge Nunes. Botelho , que cafou com Margarida Xravaííbs, fedeftes nafceo outro Nuno Gonçalves Botelho, que cafou com Ifabel de Macedo , fidalga dos Capitães da Ilha do Fayal, de que nafceo Ferná"© de Macedo , fidalgo filhado , que cafou em V illa Franca de S. Miguel com D. Barbara d' Arruda , & tiveraô por filho a
Francifco

em Villa Franca. Nafceo mais do (dito Gonçalo Vaz Botelho , outro domefmo nome chamado de alcunha o Andrinho, que cafou com huma filha de Pedro Cordeyro,de que nafceo a filha que cafou com N. de Macedo fidalgo, irmão do fegundo
d' Arruda , fidalgo filhado
, ,

Capitão do Fayal , & do tal cafamcnto nafceo Brites de Macedo que cafou com Gafpar Homem da Cofta , filho de Luis Fernandez Homem da Cofta ; & do mefmo Andrinho nafceo outra filha Guimar Gonçalves jBotelha, que cafou com Joaóde Betencor & Sà,fidalgo. Item do mefmô primeyro Gonçalo Vaz Botelho nafceo -IOíí: 159 Joaõ Gonçalves Botelho , que cafou com Ifabel Dias da Cofta , de que nafceo João d' Arruda da Cofta , que cafou com Catharina Favella , filha de João Favella, fidalgo dallhá da Madeyra ,& de Beatriz Coelha
,

Dos

defte Joaõ d'Arruda nafceo Afíonfp V, Armias^é Anz.es. Amador da Cofta , pay de Manoel da Cofta, Cidadão de Ponta Delgada , de Ifâbel Dias da Cofta ,qu& cafou com António Borges , filho de Balthezar Rebello , & de GuimarrBorges ; do qual António Borges
Botelhos,'Cofiai,

Dama do Paço delFLey Dom

&

&

í' nafceo Duarte Borges da Cofta, que cafou com deftes nafceo António Borges , que cafou com D^ Maria dá Gamera,
;

"

&

cujo filho Duarte Borges da Gamera , cafado -•y

com Dona Maria de Frias,,
nao

v^

Tit.IV.DosBotelhos,Leytes,Amaraes,&VarconceL rçi
naó teve defcendentes , mas feutio, irmão legitimo de feu pay ,foy ò Fadre Gonçalo de Arèz, da Companhia de J Kb U S, lanto, & labio,bom Pregador, muyto humilde , ik exemplar,que foy Key tor de Angra , Ôc Rey tor por vezes de Ponta Delgada íua pátria. IN alceo mais do íobre- J dito Joaó d' Arruda da Coíla Beatriz da (Jofta , que cafou com Manoel do Porto , Cidadão vindo do Porto , de que naícco outro Joaó d' Arruda da Coita, & deite outro Manoel do Porto , que foy pay de Maria d'Arruda, cafada com Manoel de Medey ros, filho de Gaípar Dias. i6o De Nuno Gonçalves Botelho, filho do pnmeyro Gonçalo Vaz Botelho , nafceo mais Diogo Nunes Botelho, Contador da Fazenda Real , & Cavallcyro da Ordem de Chrifto,que cafou com Ifabel Tavares , filha de Rui Tavares o Velho j & deites nafceo Jorge Nunes Botelho, que cafou com Hieronyma Lopes Moniz, filha de Álvaro Lopes , ôc de Maria Moniz j & deite Botelho nafceo D. Catharina Botelha , mulher de Jacome Leyte de Vafconcellos , fidalgo filhado de que abayxo fallaremos. Do outro Jorge unes Botelho , filho do fobredito Nuno Gonçalves , nalceo huma filha , que cafou com Fernão Corrêa de Sou fa, fidalgo que veyo daMadeyra^ôc outra filha D. Roqueza , que cafou com Francifco do Rego de Sà , chamado o Graó Capitão , de que naó ficàraõ defcendcntesj porém do cunhado Nuno Gonçalves Botelho ,fegundo do nome , nafceo mais Pedro Botelho, que calou com Leonor Vaz na Villa da Praya da Ilha Terceyra j item nafceo j,^^ Botelhas daPraF^ieronymo Botelho, que cafou na Ilha de Santa Maria com Guimar ja da Ilha Tercevra. Faleyra ; èc deites nafceo André Gonçalves de S. Payo , que cafou com Maria Pacheca , filha de Antaõ Pacheco j & deites nafcèrão António de S. Payo, que cafou em Ribeyra Grandej & Dona Maria , que cafou com Francifco de Betencor & Sà na Cidade , & D. Ifabel Botelha , que cafou com Pedro da Ponte Bicudo , morgado em Ribeyra Grande j & do dito André Gonçalves de Saó Payo, foy também inteyro, & legitimo irmão Gonçalo Vaz Botelho,& outros que tiverão muytadefcendencia na Ilha, Brafil, índia, &c. Da antiga família dos Lcy tes concordaó os mais dos Hif161 toriadores , que vem de Francezes , que por ferem muyto alvos fe chamarão Ley tes ,& que vieraó a Portugal, ajudarão a tomar Lisboa aos certo he que nem todos os Francezes íe chamaó Leytes , St Mouros. que comtudo fefuppoem virem de França , & que de França tem os Leytes as Lizes nas fuás Armas , com varias dívifas conforme as varias familias, có que fe aparentarão. Dizem pois que o primey ro que fe acha deita farailia , foy Álvaro Anes Leyte , & que era fenhor de Calvos , Baíto em Entre Douro & Minho ; & na verdade Ejntrc Douro Minho, no termo do Porto , fe conferva ainda cita familia com nobreza , d^^EnZnZ^P^ fidalguia muyto conhecida ; porque do dito Álvaro Anes Leyte nafcèMtnll^rtTaays raó três filhos', dos quaes o tercey ro foy Álvaro Lcytc, fidalgo jà , & fe- g^ S^lbrmtlss, * nhor do morgado de Quebrantóes em Gaya , a pequena , junto ao Porto , & cm tempo delRey D. AíFonfo V. & deite morgado de Qiiebrantóes nafcèraó dous filhos , primey ro , Diogo Leyte, fenhor do dito Qiiebrantóes , & Gaya , & cafado com Dona Violante Pereyra , filha de Diogo Brandão , Contador, da Fazenda Real do Portoj & deite nafceo Alva-

N

,

O

&

&

&

&

Ipl

Livro V.

Da fatal Ilha de S. Miguel.

Álvaro Leyte, que cafou com D. Martha, filha de Sebaftiaõ Pereyra de Braga, dos quaes naíceo Diogo Leyte Fereyra , & Sebaftiaõ Leyte Pereyra , que calou com D. Luiza da Cunha , òc tiveraó vários filhos j do dito Diogo Leyte Pereyra nafceo outro Álvaro Leyte , que ( conforme a hum) caiou com D. Antónia , filha de Manoel Mendes de Vafconcellos i Ôí ( conforme a outros ) filha de Gafpar Peífoa , Defembar-

&

gador do Porco. fegundo filho que iiaíceodo fobredito Álvaro Leyte, 162 foy Joaó Leyte , que teve por filho a António Leyte , cafado com huma filha do famoíb Pedralves da Cunha , Africano j & deftes nalceo Mathias Leyte Pereyra , Commendador da Ordem de Chrifto, que íoy^veyo da Índia, & cafou com D. Hieronyma Valladares Sotomayor , de que viuvo já , & de outra mulher , & nobre , houve ao Padre António Leytcj da Companhia de JESUS , legitimado de antes quando fe chamava António de Bulhão, o qual foy grande Religiofo , fervorofo Pregador, Prefeyto dos Eftudos do CoUegio de S. Miguel , & muyto erudito em Genealogias. Nafceo mais do dito António Leyte húa filha,que cafou com hum fidalgo da Cafa delRey , da familia dos Teyxeyras , de que nafceo D. Francílca de Vafconcellos , que o fobredito tio Mathias Leyte Pereyra levou comfigo àlndiaj & fuccedendo noannode 1551. fazerfe Chnftaó o Rey Mouro das Ilhas Maldivas, ( que cftaó trezentas legoasdeCochim) cafou o dito Rey, jà CathoUco, com a dita D. Francifca, & delia teve dous filhos , D. Felippe Rey das Maldivas, que tratado como Rey, morreo em Goa fem defcendencia ; & a Infante Dona Ignes, que cafou com o fidalgo Portuguez Sebaftiaõ Tavares de Das Reys das Mal- Soula, filho de outro Sebaftiaõ Tavares , & de D. Mecia de Menezes, éiivas na/ndia^udes^ filha de D. Pedro da Silva & defta Infante, & de feu marido nafceo D. drtratades comoReys j^^^-^ ^ç, g^^^^ ^^ Silva, que viveo em Goa, 6c veyo a Lisboa em 1 641 .& ainda em FamgaL £i|^çy po^j Jq^ó IV. o tratou como a Rey, com docel , chapeo , 6c Al-

O

:

^

mais teve o dito Álvaro Leyte , ( terceyro filho do primeyro Alvareanes) primeyra , Dona Ifabel Leyte , que cafou com Gonçalo Vaz Pinto, filho de Manoel Vaz Pinto, fenhor das honGarcia Pinras de Peniche, & defcendente por linha direyta de D.Joaó to, neto do Conde D. Mendo SouzaÕ , &: bifneto delRey Dom Aftbnfo
1

65

Duas

filhas

™9

Henriques da dita D. Ifabel, 6c de Gonçalo Vaz Pinto nafceo D.FranAntónio Teycifca Teyxeyra , mulher de Luis Alvarez de Soufa , 6c nafcèraó Gonçalo xeyra Pinto , marido de Donajoanna de Sài 6c deftes Vaz Pinto , morto na índia , Sz Martim Teyxeyra Pinto , &: Ruí Vaz Pinto de Góes. A fegunda filha do dito Álvaro Leyte foy D.Maria LeyOrdem de Chrite, que cafou com Lopo de Robles, Commendador da fto de quem nafcèraó Chriftovâo de Robles , Belchior de Robles, Catharina de Robles 6c a dita D. Maria foy em fim para Caftella com a Emperatriz D. Ifabel, mulher de Carlos V. Do primeyro Alvareanes Leyte ( além do fobredito ter164 Guiceyro filho) nafceo fegundo Diogo Alvarez Leyte, que cafou em marães com Maria Gonçalves Nogueyra 8c deftes nafceo Joaó Leyte, Carneyque «afou no Porto com Catharina Garneyra, filha de Vafco
:

,

;

,

ro.

^

Tit. IV. Dos mefmos âp^pellidos*

I

Tpji

que cafoit com Dí| CO j O velho , de que nafceo primey ro Alvar© Leyte , forao pays de Jo^õ Dias í-ey^ Maria da Paz , filha de Diogo da Paz ,

&

marido de D. BritesPereyra, filha de Duarte Percyra, dequemfoy, filho Martim Leyte , morgado. Naíceofegundo de Joaó Dias Leyte Maria Carneyra , mulher de Francifco do Couto , dos quaes nafce^ Magdalena de Vafconcellos , que çafou com Diogo de Soufa , o do Por-» António Leyte, fi-; to. Nafceo mais do fobredito Diogo Alvarez Leyte, de Azamor,&c. o quô. dalgo,fenhor,& Capitão de MazagaõjSc ultimo tudo largou pela Villa de Santo António de Aranilha no Algarve,& pe-. fie^ la Commcnda de Arganil, & cafou com D. Maria de Vafconcellos $ daqui nafceo Luís Leyte de Vafconcellos, que cafou com D. Leonor dô^ Oliveyra , & ainda que teve três irmãs , & dous filhos , naó fe íabe d^
íe,

....Mi!.''

défcendencia delles.

165

O primeyro

filho pois

do fobredito Álvaro Anes

Leyte:,

d^ foy Vafco Leyte , que fe achou em Cey ta pelejando, cafou conforme a fwa qualidade na Toro com Eltley D. AíFonfo V. antiga familia dos Amaraes , &; delia teve por filhos a Diogo nobre, Leyte de Amaral, & a outro Diogo Leyte , pay de AíTonfo Leyte , Cana batalha

&

&

&

pitão da
-çaj

Moeda,

& a Luís Leyte Defembargador do Duque de Bragandéfcendencia deites filhos
-,

& nâole acha a mais

acha-fe

porém quâ

nafceo também do dito Vafco Leyte

huma filha Aldonfa Leyte, que ca-

fou

com o Doutor Joaõ Rodriguez de Amaral, irmão de Pedro Rodri-

guez de Amaral , aos quaes dous irmãos fez o Emperador de Conftantinopla fidalgos Cavalleyros com muytos privilégios , & tudo depois confirmarão, aíTim o Papa Alexandre VL como ElRey Dom Manoel de Portugal. Da dita Aldonfa Leyte , & do Doutor Joaõ Rodriguez Dis ierdMdeyyis Ai 166 de Amaral nafcèraó três filhos: Diogo Leyte de Amaral, que cafou com maraes ejue fe chaA D. Maria Pereyra de Vafconcellos filha de Jacome Rodriguez de Vaf- maõ LeyteSf f^afcon^ celloj,&Botelh0S,nas concellos de Alvarenga , & delles nafceo Diogo Leyte de Azevedo > fillhoideS. Miguel, dalgo filhado nos livros delRey , do habito de Chrifto , & o primeyro & n* Tereeyra fidefta familia que de Portugal veyo á Ilha de Saó Miguel , & em Villa dalgos bem conheci', Franca cafou com D. Helena de Caftro, filha de Sebaftiaó de Caílro, & dos. irmã de Manoel de Caftro , ambos irmãos muyto ricos , & quetinhaó vindo do Porto & dos taes Diogo Leyte de' Azevedo , & D. Helena nafceo Jacome Leyte de Vafconcellos, fidalgo filhado , que cafou com D. Catharina Botelha , (como jà diíTemos nos Botelhos ) & delles nafceo Diogo Leyte Botelho de Vaíconcellos, fidalgo filhado, & que com gente à fua cufta foy fervir a ElRey D. Joaó o IV. na conquifta do Caftello de Angra , & teve por iíTo o habito de Chrifto com tença , & em Angra cafou cóm D. Maria do Canto fidalga dos Cantos da Ilha Terceyra , como em feu lugar diremos & defte matrimonio nafceo em Saó Miguel Jacome Leyte Botelho de Vafconcellos, que teve mais irmãos, Clérigos, Religiofos,&: Freyras, & elleteve também o habito de Chrifto , & também cafou em Angra com D. Maria de Mello & Silva , filha de Luís Coelho Pereyra, & de D. Ifabel de Mello, de que trataremos, quando da Ilha Terceyra , & de Luis Diogo Leyte , filho morgado do dito f acomc Leyte , & que nafceo jà em Angra , & là também ficou , &:
,

H'::!l

,

,

5

,

;

*

R

.

"

cafouí.

^W*

Livi-ô Vr Da fatal ílhâ de S . Miguel.
©aíou
u,

com íiiiní a filha do gíande morgado j
lè^
'-'-i^

Sc fidalgo Joaó

de Teve à®-

VaÍGoncellos, da qual tèmjà muytos filhos.

íO ícgundofilho da dita Aldonfa Leyte foy Vafco Leyte^
,

de iVíartim Corrêa no Portoj & deite eafamento naícèrâo Diogo Ley te , pay de Dona Brites Leyte^ cafáda eOm Manoel de Moura , de que nafceo Dona J oanna Ley te , mulher de Frahcifco Pinto Henriques , filho de Álvaro Pinto > fenhor das honra» de Paramos j & do mefino Valco Ley te nafceo mais D. Francifca , que cafou como Doutor Francifco Ferreyra, Defembargador do Porto, pays de outra Aldonfa Leyte , cafada no Porto com Francifco Vieyra da Silva , de que nafceo António Leyte de Amaral. O terceyro filho da primeyra chamada Aldonfa Leyte j & do Doutor Joaó Rodriguez de Amaral foy Briolanja Leyte , que cafou com Duarte Tavares y de que nafceo Diogo Tavares cafado no Porto com Maria do Couto^ & deites nafcèraó Manoel Leyte, pay de Martim Leyte, Mactheos Leyte, Sc Diogo Leyte , & do dito Diogo Tavares, & Maria do Couto nalceo D. Antónia, que cafou com Simaó Ribeyro Pcflba, que foraó pays de Dona Maria Leyte de VafconcellOs. Dos Amaraes acima liados cóm os fobreditos fidalgos i68 Leytes, fó breviffimamehtc trata o èruditò Padre Leyte, fendo que mafculina dos taes Leytes Destauftt tíohris\& (como do acima vimos} a varonia , oú linha antigos Amaraes dt he daquelle Joaó Rodrigues; de Amaral, que cafou com a primeyra AlViz.eu,&dosqHede- donfa Ley te , dc que fe contiíiuou a varonia atè o fobredito fidalgo Luís ftafamilU foraSRe- piogg Lç-yj-g ^as jà hecoufa muyto ufada nomearern-fe muytas famidaí linhas femininas , fendo divcrfos os da linha ?ESvT^^' lias pelos appellidos %*'^d'/ *^ ^ mafculina, cu por affim ferem obrigados com as condiçoens de alguns
i^ue caiou

coM Mana Corrêa

filha

.

-

•'

morgados > ou com outro algum afFedo & titulo > certo he porém que 09 Amaraes faó família muyto antiga , & muyto nobre, & muyto multi,

plicada

em Portugal

,

efpecialmente na Província da

Bey ra

,

&:

em Vi.

Ij;

'1

Vafconcelzeu, donde foy para S.Miguel o Doutor Jorge de Amaral ^ na Ilha cafou com D. Brites de Medeyros. los, Deftc matrimonio nafcèraó o Padre Francifco de Ama169 S , a quem antes de fazer a ProfiíTaó dó ral da Companhia de J E S quarto voto veyo pela dita fua máy hum bom morgado na Ilha, de cuja renda fundou o dito Padre a Capellâ de Santo Ignacio com boa renda pias , efmolas fixa que para ella comprou, & fez outras grandes obras que por náo larque em feu teftamento deyxou ; foy tam exemplar , gar a Religião , nem deyxar de fazer nella a ultima profiíTaó folemne, largou o morgado a quem por fua morte pertencia, ôc na Rebgiaò morde JESUS reo fabio,& fanto>& da mefma forte,&: na mefma Companhia da mefma Amaral morreo outro feu irmão , o Padre Chriftováo de na Compafamília de Amaraes , poAo que de outras linhas , morrerão Pregador delRey D. Afnhia o Padre Francifco de Amaral, Valido , 1fonfo VI. ôc o Padre Pedro dc Amaral , grande Lente da Sagrada Efcr

&

&

U

&

&

:

&

&

tura no

CoUegio de Coimbra, que compoz hum tomo fobre

a
,

Magmfi^

cat,&co imprimio , & foy celebre , &: incanfavel Pregador & paíTou muyto de noventa annos de idade , & nella cftava ainda compondo Ser* does para imprimir & emfim o Padre Miguel de Amaral, que fendo jà
:

^P

Tit.V.DoS Medeyíos, Af âujos,Boíges,Soufas,Rebel. i^§
de Coimbra , fe metteo náP Companhia } pedio , & foy para a Índia a pregar ao Gentio , & tomando depois de mu)í tos annos a Portugal yfem querer nelle ficar, voltou com muytos outros Religiofos da Companhia , & na índia morreo com. conftante opinião de Santo , & verdadeyro Apoftolo. E aííim naòfó no fangue , mas muy to mais nas virtudes, illuftre a familia dos Amaraès. A illuftre família dos Vafconcellos, quanto ao appellido^ 170 ou nome , deduzem muytos de hum Caftelhano Rey, que mandando a hum fidalgo para certa terra , & vendo que hia de mà vontade, por deyxar huma fenhora, a que andava aíFey coado, lhe difie então o Rey,/^2i^« con-zelloS) querendo dizer que hia com ciúmes i& o fidalgo eiítaó toI>oiitor,& Meílre

em Artes na Univerfidade

do
p>"''««/'''f

ap^^

mouofobrenome de. Vafconcellos.Qiianto porém ao fangue, os Nobi- ^^J "tiUaluU liarios deduzem os Vafconcellos , & por linha direy.ta , de Kequçvcdo^^J^gJgJ^^ If/ihli ReydosGodoSi&oprimeyroquefe acha com tal appellido,he hum ^/c cmfervM neJQ D.J oaó Pires de Vafconcellos, em tempo de D.Sancho II. & D. AíFonfo lat, 111. Reys de Porthgal , & foy cafado com a Condeça D. Maria Soares Coelha , de que nafceo D. Rodrigo Anes de Vafconcellos que cafou com D. Elvira de Soufa, neta de Martim Chichorro,filho delRey Dom Aífonfo II. & do tal cafamento nafcèraó tantos filhos, & filhas, que deU
,

les

procedem as mais das cafas grandes de Portugal , & a dos fenhores de Alvarenga , donde huma filha cafou em Vizeu , & fe uniraõ os Vafconcellos com os Amaraes , como vimos jà na linha dos Leytes ; & dos mefmos fobreditos Vafconcellos era aquelle Martim Mendes de Vafconcellos , que foy cafar à Madcyra com D. Helena da Camera , filha do primeyro Capitão do Funch^j & delles nafceo outro Martim Mendes de Vafconcellos , que foy cafar à Ilha Terceyra , aonde fe ajuntarão os Tevês, & Vafconcellos, & com ambos agora outra vez os Leytes, co-

mo veremos depois nas

famílias

da Terceyra, Graciofa,&c.

T
171

I

T Ú L O

V.

Dm Medeyros, AraujoSy Borges^ Soujas, RebelloSy Dias.
& nella cafou com Anna Gonçalves de Mendo- dijrts .vmdos de Põça, dos nobiliílimos Mendoças Furtados, & dahi com o terceyro Capi- te de Lima & Gui^
para a Ilha da Madeyra
,
,
:

to nobre Ruí de Medeyros de f^ Muy& Guimarães,Vaz com os priraeyrosPonte de Lífoy povoadores \J ma
,
,

DosmUlijfLmosMe'^^

taó de Saó Miguel Ruí Gonçalves da Camera paííáraó para S. Miguel, marães^ quefHmey:,^ êc neftailhativeraôos filhos feguintes primeyro, Vafco de Medeyros> ^^Z""^'*^ Z"*^'*
VJf'*

que cafou na Villa da Alagoa com Catharina da Ponte, com a qual dey- ^^ ^*'^Tmi ueí' ^ xando hum filho Amador de Medeyros, fe foy com mais dous filhos fer-/ ''^*'^'* vir a El Rey em Africa ; & foy tam ditofo , que fendo cativo dos Mouros , foy delles emfim martyrizado pela Fé fegundo, Rafael de Medeyros , que cafou na Ilha de Santa Maria com hCía filha de Antão Ro= drignez Carneyro & de Anna da Cofta , de que nafceo Maria de Medeyros , mulher de António Camello Pereyra j filho de outro António
*

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CameU

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Catnello ,

Livro V. t)aíatal IlhadeS. Miguel,

& foraõ páys de Dona Catharina
,

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que caiou com Duarte de
j

Mendoça , fidalgo conhecido , de que ficou huma filha & foraó cambem pays de Gaípar Camello que ceve muyta defcendencia: cerç&yro, Joaó Vaz de Medeyros, que caiou <:om Ifabel de Frias , filha de tCut dê Frias, dos quaes nafceo outro R.ui Vaz de Medeyros , ÇavallèyrG» do habito de Chrifto quarto Jurdáo Vaz de Medeyros,eafado,& coirt filhos, em Villa Franca quinto , huma filha que calou com Diogo Affonfo Colombreyro, de que nafceo Dona Mana da Coíla & Medeyros,
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IDfi iUnfirít

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ges Aratfjoí.

mulher de Franciíco de Betencorôt Sà,que voltou para a Madeyra: fexto,Guimar Rodnguez de Medeyros * de que logo fallaremos :leptimo, Maria de Medeyros, que caiou com Rodrigo Alvarez , filho de Álvaro Lopes do Vukaõ* Com a dita família dos Medeyros , & pela dita lobredita 172 Guimar Rodriguez de Medeyros ,fexta filha de Ruí Vaz de Medey^ fe tratar quizefros, fê ajilncàraó os atítigos , & illuft res Araujòs , de que pnmeyrò pois chamafemos , ainda recopilando , feria nunca acabar. O do Araújo ( conforme ao Conde D.Pedro M. 56. §. 8. j foy Payo Rodriguez de Araújo, & tomou talappellido dos Araus, ouAraus, dos

com fer cafado quaes defcendiâ, & que o témpo verteo em Araujos , com D. Brites Velho de Caftrò, fcmpre íeus defcendentes conferváraô o appellido de Arauíds j & aífim foy pay de Vafco Rodriguez de Araúoutras terras & foy primeyro avô jo , fenhor de AraiijD ^ Lindozo i de Gonçalo x^^odriguez de Araújo, Sc fegundó avò de Pedreanes de Araújo , Sc tciceyro avò de outro Payo Rodriguez de Araújo , Embayxador delRey Dom jdaó I. a GaMla & quarto avò de Aívaro Rodri-

&

&

-,

•,

guez de Araujo , Comrtiendador de Rio Frio , & fenhor das outras terRodriguez de Araujo, que ras> & quarcõ avò também dê térceyro Payo fenhor de Reeafou com D. Aldonfa , filha de Pedro Gomes de Abreu , que cafou com D. galados & quinto avò de D. Margarida de Abreu Rodrigo Sótomayor , filho do Conde de Caminha Pedralves Soto-'
; ,

Deftes pois tâo illuítres Arâujos era Lopeanes de Araú73 Douro & Minho, & de Vijo, que fendo tara principal varaó de Entre cafou com a fobredita Guimar anna; veyo para Saó Miguel em 1 506. tiverlo cinco filhos primeyro , Mana de Rodriguez de Medeyros , Araujo que cafju "com António Furtado em Villa Franca , de que naf1

&

&

;

de Gonçalo ceo Lopeanes Furtado , nlarido de Ignes Corrêa, filha Fernão Vaz Corrêa > &: nafceo mais Leonor de Medeyros , mulher de Motaiia Pacheco :íegundo, Brites de Medeyros, mulher dejoaóda mefma Villa Franca, que era filho de Jorge daMota,de que n^fcèraÓ Solanda CordeyToaõ de MedeyroSjSc Migiiel Botelho, que cafou com térceyro Miguel Lopes de A^ ra, filha de Joaó Rodriguez Cofdeyro Gafpar Pires o Veraujo , que cafou com Catharina da Coíla , filha de Lisboa , &: Malho 3& delles nafcèraó Francifcode Araujo cafado em Manoel Renoel de Medeyros, & Maria de Medeyros, que cafou com de Araujo, que bello, filho deBakhezar Rebello: quarto, Hieronymo de Carhacafou com Anna Pacheca filha de Manoel Vaz Pacheco , & Gafpar de Araujo , & António , dos quaes nafcèraõ
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Games Rápofa

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Tit.V. Das mefmasiíiuyto nobres gerações.^

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Ifabel de Medeyros , que cafou d€ Araújo , & Francifco de Araújo , eom Fauio Gago da Camera j filho de Ruí Gago quinto, Franciica de Medeyros, que cafou com o Bacharel Jurifta Joaó Gonçalves ,a que alguns chamáo Joaó Gonçalves Ramalho , que da ferra de S. Gonçalo de íimarante tinha vindo para efta Ilha de Saó Miguel > & delles nalcèrao D. Brites de Medeyros , que calou com o Doutor Jorge de Amaral 6c Vafconc^llos , que de Portugal tinha ido à Ilha , ôc foraó pays dos Pa:

&

da Companhia de J ESUS , & do Doutor Joaó de Amaral Sc Vafconcellos , & de Gre- ^^^ MdmoTAmk^ gorio de Amaral , Sc de huma D. Joanna , Freyra em Cellas de Coim- ^^^^^ bra. De todos os fobreditos Medey ros,6c A raujos houve tantos mais defcendentes que toda a Ilha de S. Miguel eftá cheya delles. Dos Borges Soufas Rebellos de Saó Miguel, o que fe al1 74 cança he, que houve na dita Ilha hum Pedro Borges de Soufa , que para ella tinha ido de Portugal , Sc foy pay de Duarte Borges, & avò de António Borges, que era feytor da Fazenda Real em Saó Miguel, Sc fidalgo defte António Borges nafceo Clara Borges , que três vezes cafou em Portugal , Sc com fidalgos, Sc là deyxou deícendentes, de que algCisforaó para a Índia, aonde também morrerão irmãos da dita Clara Borges , chamados Pedro Borges , & Hierony mo Borges nafceo mais do dito António Borges , Duarte Borges de Gamboa , de quem fe fabe que ^^^ BoriêsSottfas àÀ foy Provedor da Fazenda nas Ilhas, Sc depois Thefoureyro mòr do j/hadei.Aí,giel,&^ Reyno , Sc Cavalleyro do habito de Chrifto com tença j èc defte nafceo inquifidores uefiafaj António Borges, que ficou em Africa na batalha delRey D. Sebaftiaó, ?w»/f^. cativo ficou lá outro feu irmaó chamado Vafco da Fonfeca Coutinho , a quem fugindo do cativeyro de Africa deo ElRey D. Henrique ú habito de Chrifto com tença) Sc outro irmão dcftes Francifco Borges de Soufa foy Inquifidor da Meia grande da Inquifiçaó da índia &c todos eftes foraó terceyros netos do primeyro Pedro Borges de Soufa. Nafceo mais do fidalgo António Borges , Guimar Bor175 ges 3 que cafou com Balthezar Rebello , Almoxarife da Fazenda Real, Lealdador mòr dos pafteis , de quem nafcèraó três filhos primeyro, António Borges, que cafou com Ifabel Dias, & depois com Beatriz Cailanha filha de Pedro Caftanho Sc do tal António Borges nafceo Duarte Borges da Cofta ,que cafou com Maria de Saó Pay o , filha de Manoel Cordeyro de Saó Payo Benevides, Sc de Mecia Nunes de Arèz filha do Licenciado Gonçalo Nunes de Arèz, Seda filha do Almoxarife de Angra Sc do tal Duarte Borges da Cofta nafcèraó os dous Padres da Companhia , Padre Joaó Borges Sc Padre Gonçalo de Arèz, Sc Aní tonio Borges, que cafou com D. Maria da Camera , que foraó pays de '1 ^^kswsii^-j '^ei<>_ Duarte Borges da Camera Juiz da Alfandega '^ou do mar como là di^fe^í ./.Vias .i'\ zem, que cafou com D. Maria de Frias, Sc morrerão fem deyxar defcen- ^.. ^^_ ,.„^„, dencia. Segundo filho de Balthezar Rebello , Sc de Guimar Borges foy jy^^ RehfhsBôrp/J Manoel Rebello , que confervou o appellido de fua nobre varonia , & er Medeyros d» Vt^^ cafou com Maria de Medeyros , filha de Miguel Lopes, da 'SíiVí^àç.Uds AgHAdtPau Agua de Pào Sc deftes nafceo Francifco Rebello, chamado o Senador, alíim por fua nobreza , como por grandes talentos de que nafceo húa iilha , Sc Balthezar Rebello , ( como feu vifavò) Sc cafou com húa filha ^© iij
dres Francifco de Amaral ,

& Chriftovão

de Amaral

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Livro V.

Da fatal Ilha de S. Miguel.

de Francifco Soares de Mello , Capitão mòr da Villa da Aiagoa. Terceyro filho do dito Balchezar Rebello foy Pedro Borges, que cafou com Anna de Medeyros, & por aqui fe mecceo na família dos Jorges Sc Dias, de que agora trataremos* Os Jorges de appellido começarão do muyto nobre Jor176 ge Velhoj que caiou com a igualmente nobre Africa Anes, ou Africa'© è fa 'rd ['LãlZ nes, ( de que tratámos jà quando dos iUuílres Velhos da Ilha de Sanque por fobrenome trominicl tom Joio ta MariaO deftes nafcèraò , & defcendèraò muy tos , [entronco forgere- tomàraôo appellido Jorge ,( como fabeni todos os que alguma coufa "" ' va. fâbem de Genealogias j ) nafceo pois Fernaó Jorge, que foy o que trouxe o Alvará de Villa a Ponta Delgada, quando no principio era fó lugar fugeytoa Villa Franca j nafceo mais Pedro Jorge, & foy pay de Catharina j orge , máy de Diogo Vaz Carreyro , que fundou o Convento em Ponta DelgadaiSc também foy pay de Hiedas Freyras de S. ronymo Jorge , que cafou hiima filha D. Luiza com Ruí Gonçalves da Camera, pay de Simaó da Camera, de que nafcèraõ outros muytos Cameras. Nafceo também do primeyro Jorge Velho , Ignes AíFonfo , que cafou em Santa Maria com Jorge da Fonte , &: teve por filhos a Álvaro da Fonte , Joaó da Fonte , & Adam da Fonte & todos três Cavalleyros da Ordem de Chrifto. E nafceo emfim o filho mais velho Joaô vinda de BeJorge , que primeyra vez cafou com Catharina Martins , Vicente , vinja, na Villa de Agua de Páo, & feguiída vez com Beatriz
^

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,

*

da do Algarve. Da primeyra mulher nafceo Fernão Jorge, que calou em 177 Agua de Pao com IfabelVieyra, filha de Pedro Vieyra & outro Joaó da Cofta , & defJorge nafceo da fegunda mulher, que cafou com Izeu nafceo da primeyra tes ambos irmãos houve muyta defcendencia ; item mulher, Ignes Jorge, que cafou com Fernaó Gil Jaques , fidalgo de Lagos noAlgarve,&Ifabel Jorge, que cafou com Vafco Vicente Rapofo, também do Algarve; nafceo mais da fegunda mulher, Maria Jorge,que cafou com Gafpar Pires Cavalleyro , filho de Pedralves Preto , fidalgo,
j

que cafou com Miguel Lopes de Araújo , filho de ÔcdeGuimarRodriguez de Medeyros, de quem nos Medeyros falíamos jà; & deíla Catharina Luis , & de Miguel Lopes de Araújo nafceo Anna de Medeyros, que cafou com Gafpar Dias,& deftes Dias agora trataremos, pois da hmilia dos Jorges baftajàofobredito. Com a grande fama da fertilidade , riqueza da Ilha de 178 deícuberSaÓ Miguel, muy to mais em oprimeyrofeculo depois de

U de fua mulher Catharina Luis & deftes nafceo outra Catharina Luís, Lopeanes de Araújo,
,

&

&

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^^^^^^^ ^ ^ ^^^^^^^ ^^^^^^^ ^^^ ^^^^ ^ Manoel Dias , que fez em Ponta Delgada ^^elZTfiZToap. entre eftes foy hum chamado particularmente com os IngleZlhdo de Dias &e feu aífento, & taó bem foube negociar , einan\rmeyro que de Por zes que hiaó là àquella Ilha , que neila fc cafou com Margarida b com António, Ma ^^^ ^ mulher nobre , irmã de Ifabel P^ernandez , caiada tHgal emrtu poisdefte ré deS. Miguel JoyhU y^^^^^^ PereYra,& filhas ambas de FrancifcoFernandez, r.l Manoel Dias; ainda hoje hCÍa terça avinculada hú terceyro neto do
,

, j r>' ^ofay chamadoDfO'

ta,

hiaõ de Portugal continuamente muytos

,

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j.^

& huns a commerciar 6c ^ 1^ ^^^^,^^ povoandoi
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;'í^^''^'*"'^'*"'&efteenriqueceotLto>quehumfeufilho,chamadoChriftov^

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Tit.V. Conclae-fe com os Borges deflalHia."
cafou com
tal fidalga

ípf»

de Henrique de D^yxouManotlúm jBetencor&Sà, deRibeyra Grande, neto doprimeyro RuíGonçal- ^^^^^y^^^^^^^-^-^ ves da Camera , terceyro Capitão Donatário da Ilha & do dito Ma- cos que o primejrt noel Dias , outro fiiho foy Gafpar Dias , que tal fociedade affentou com chrijhvaõ Dias canas illufires caféit huns ricos contratadores Inglezcs^ que embarcando-fe húa vez com d-fi» ^* Betencores & Ca^ les , & morrendo-lhe os focios no mar , ficou herdando delles toda a ri^ „ r TIL O,:- meras & oÇeotmáo^ queza que levavao & fe voltou para a Ilha , mais rico que pay , & ir- q^^^^ Diastaíon d maói & íendo jà Cidadão de Ponta Delgada , cafou com aquella fidalga ^ ^^^/^^ ^„„a de Medejm. Anna de Medey ros, defcendente dos Medeyrosjorges, & Araujos. Gafpar Dias , & da dita fua mulher nafcèraõ os Deíle pois 1 79 feguintes primeyro, André Dias, que cafou com Margarida Pafilhos cheea, fiiha de Antão Pacheco,&: de Ignes Ferreyrajde que naíceo Gafpar de Medeyros, primeyro do nome , que cafou com D. Maria da Camera , da illuftre familia dos Cameras , filha de António Borges , & de ^^^^^^^^ ^ ^^^^^ ^g outra D. Maria da Camera , da Villa de Nordeíle , & tiveraó poí filho ^^^^^ Dias que tant a Gafpar de Medeyros da Camera , fegundo do nome j & cafado com ^^^ cafárai com as Nafcèrão mais do dito André mais noíiresfepaí d^ Dias três filhos , Antão Pacheco j pay de André da Ponte ^ por fer fua S. Miguel. mãy filha de Pedro da Ponte Rapofoj item Joa6 de Soufa Pacheco> que cafou com D. Marianna de Fana i item Anna de Medeyros qUe cafou primeyra vez com Manoel Rapofo , & fegunda vez com Joaó de Mel^ lo d' Arruda , de que nafcèrão Jurdão Jacome Rapofo,6c André Dias de Araujoj & D. Marianna Rapofa. Segundo filho de Gafpar Dias foy Miguel Lopes de Araújo , cafado com Francifca de Oliveyra filha de Eí^ tevão de Oliveyra , & de Ignes Manoel, filha de Manoel Pavão, que de Portugal fe mudou para eftailha. Terceyro filho foy Manoel de Medeyros, que cafou com Maria d' Arruda , de que nafceo outro Manoel de Medeyros , fidalgo filhado , que cafou com D. Feliciana de Andrade^ forão pays de António de Medeyros, Cavalleyro do habito de Chriílo,6c moço fidalgo, cafado com D. Maria Coutinho» Quarto filho de Gafpar Dias foy Anna de Medeyros , ca1 8o iada com Pedro Borges de Soufa , filho de Balthezar Rebello , de que nafcèrão Felippe Borges de Soufa , grave EcclefiafticOi & Frey Gafpar da Boa Nova, Francifcano, & Miguel Lopes de Araújo, que cafou com D. Ifabel do Canto , dos Cantos fidalgos da Ilha Terceyra> & defte matrimonio nafceo D. Antónia, que cafou com feu primo Pedro Borges ^, de Soufa , de quem viuvou ainda pioça , & cafou fegunda vez , & teve filhos Nafceo mais do fobredito Pedro Borges , & de Anna de Medeyros Agoftinho Borges de Soufa,Provedor da Fazenda Real de todas as w^ Ilhas Terceyras , que cafou com D. Maria de Betencor , filha do Doutor António Ferreyra de Betencor, natural da Villa de Agua de Páo, 6;: Provedor também das ditas Ilhas , de cujo matrimonio nafcèrão os

como D. Margarida de Sà ^

filha

j

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1

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-,

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&

.

filhos feguintes.

Vicente Borges de Sóufa, que foy bom Jurifta na Univerfidade de Coimbra , & íendo do primeyro provimento Juiz de fora delia 5 largou a Judicatura , & fe Veyo para a Ilha acudir a demandas de hum íeu bom morgado , & depois cafou com a filha de hum nobre Cidadão António Pereyra d'Elvas na mefma Cidade de Ponta Delgada, Segun"
i8i
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200

LivfoV. Da fatal

ilha de S.

Miguel

Segundo filho Pedro Borges de Soufa, o que cafou com a fobredíta prí-^ ma D. Antónia. Outro filho foy António de Betencor Juriíta cambem, & Juiz de fora de Ponta Delgada , por fer jà nafcido em Angra da Ilha Tereeyra, & morreo fem filhos > & huma irmá fua D. Anna Zimbron, airim.cliamada, por nella nomear fua tia Dona Anna Ferreyrade Betencor o morgado, que íeu marido D. Alonfo Zimbron , fidalgo Caftelha,

no, ôc

mando da

dita D.

Anna Ferreyra lhe deyxàra

;

& porque
,

a dita

Dona Anna Zimbron de feu marido Francifco Pacheco de Lacerda não
teve filhosj foy o morgado nomeado em outro feu irmão trataremos ,& foy efte

de que agora

182 Agoftinho Borges de Soufa, fegundo do nome, Provedor da Fazenda R.eal de todas as ditas Ilhas , Cavalleyro profeíTo da Ordem de Chrifto, fidalgo filhado, com grande tença,da cafa de S. Mageftadcjôc Familiar do S.Officio da Corte de Lisboajque tinha eíhidado direyto em Coimbra,& foy não fó nelle prudencifiimo, mas o mayor Miniftro delRey que tiveraó as Ilhas j porque fó o officio he verdadey-; ramente Régio ,& fem efcrupulo muyco rendofo, & de quem atè os Bifpos,Governadores,5c Donatários dependem, & ainda muycos Grandes de Portugal que aceytão tenças, ou confignaçóes na Fazenda Real daquellas llhaSj & emfim he nellas como hum Vedor da Fazenda Realj que fazendo feu officio como deve , então tem também grandes inimigos , como teve o dito Agoftinho Borges ; cafou porém ilhiílremence com huma filha de Vital de Betencor &Vafconcel los, hum dos mais illuftrcs , & antigos fidalgos da Cidade de Angra > & teve delia por filho a António Zimbron de Betencor, que herdou a grande cafa do pay, mas não o Régio cargo , por não fofrer os encargos , que o magnânimo

pay

fofreo.

Porque chegou a tanto a inveja, (^ de que nem efcapão fo183 Çá indubitável Um- beranos Príncipes , nem os Santos mais juftificados } que ao fobredito feaa de fangué dos Gafpar Dias , vifavò materno do dito Agoftinho Borges, com evidenrcj fobreditos Dias,exa~ notória temeridade, ôcfalfidade levantarão que tinha raça deChriminou ^ é" fsntenciou fem mais fundamento que terem o dito Gafpar Dias , ôc ftaó novo , for vez.es ElRty D.

&

&

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o pay de ambos Manoel Dias, terem vin(ir o mef- feu irmaó Chriftovão Dias, maS.Officio^ cã car- do de Portugal à Ilha de Saó Miguel, nella terem contrato muyco ta de familiar da Inopulento } como fe o contratar não foíTe de Chriftâos velhos tambem,6c
foaÕ o ly.

&

&

^uijiçai dt

LUboÀ.

de fidalgos, & Príncipes mas tudo já totalmente fe achou fer evidentemente falfo por exadilfimas devaílas jurídicas &por dobradas izntenças da maó Real do Sereniífimo Rey Dom Joaó IV. & ultimamente peloexadiffimoTribunaldaSantaInquifição, queaodito Agoftinho Borges tirou as inquirições, & achou fer limpiíTimo de toda a raça , & o admittio em feu Santo Officioi ôc efta he a pura verdade , que não fó digo, mas finto aílim fer.
;
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ti"í:

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Tit.VI J)os Barbof.Silv.Tat.Notr.Quent Jár.Mach. joí

TI T y

L O VL

t)osBarío/mySílv0 ^Tavares, No'Vaes^Õl^ntáeSi
FariaSi Machados.
AíFonfo V. ef a fidalgo de fua eàfai i.. Ruí Efteves Barboía, oriundo de Entre Douro Minho, irmá do famofo Silèc cafado com Felippa da Silva , illuft re fidalga , fecmdifmafiiSj na , Regedor de Lisboa , de quem defcendem tantas cafas titulares def- Da n>ilia,& nebrez.a doâ ta Coroa de Portugal Do dito cafamento , além de outros filhos , naf1

84

Xy E^lo tempo delRey D.

i

&

&

ceo Rui Lopes Barbofa da Silva, que caiou com Branca Gonçalves temores ^Façhecoí de Miranda , & com ella Veyo para a Ilha de Saó Miguel em tempo de Rapofos^ íeutcrceyro Capitão Donatário Ruí Gonçalves da Camera» primeyro do nomeado tal Ruí Lopes Barbofa foy primeyro filho outro RuiLo* pes Barbofa , que cafou com Guimar Fernandez Tavares , filha de Fer* Bando Anes Tavares j do tal cafamento nafceo Francifco Barbofa , que câfpu a primeyra vez , & não teve filhos i a fegunda caiou com líabel de Miranda na Ilha de Santa Maria, & teve delia a Hercules Barbofa da Silva, que cafou com Ifabel Ferreyra , filha de Fernaó Lourenço , & de Leonor Ferreyra, filha de Gafpar Ferreyra, Leàldador mòr dos pafteisj do tal Hercules nalceo Brás Barbofa da Silva,Lealdador,& Alferes mor em Ponta Delgada, que càfou com D. Catharina deBetencor , de que iíàfceo D. Annade Betencoí , quecáfou cora Ruí Gago daCaraera , ô£ deíles nafceo D. Catharina da Camera, cafada com Joaó Borges de Betencor.
-E ainda que pela dita via eftà jà a família dos Barbofas em 185 Jinha feminina , comtudo o primeyro Luis Lopes Barbofa teve outro filho , Sebaftiâo Barbofa da Silva , que cafou com Ifabel Nunes Botelha, de que nafceo Heytor Barbofa da Silva , fidalgo que cafou com Guimar de Ifabel Nunes, de que nafPacheca, filha de Fernaó Vaz Pacheco, ceo Nuno Barbofa , que da fegunda mulher Anna Jacome, filha de JurdaóJacomeRapofo, de Villa Franca, teve outros filhos j 6c do dito Heytor Barbofa nafceo mais outro irmão chamado Pedro Barbofa , que aíTim là cafou com Maria de Medeyros , de que também teve filhos , fe veja agora aonde eftá ainda a varonia dos Barbofas j que linhas femininas tem outras muytasainda,aífim de irmãs do mefmo Heytor Bar-

Barbofas Silvas Be"

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&

&

bofa, que cafáraó,

& tiveraó filhos; como também por huma filha do fe,

gundoRuí Lopes Barbofa, de quem nafceo mais Ifabel Barbofa, que «rafou com o fidalgo António Borges , fill^o de Duarte Borges ,& neto de Pedro Borges de Soufa como já fica largamente dito no antecedente ?ií.5. Além de que Hercules Barbofa (netodofobreditofegundo Ruí Lopes Barbofa ) náofó teve varias irmãs cafadas mas também outro
,

chamado Duarte Barbofa, de que tal vez ficaria outra varo- res/Soíífas, &^oi^ nia dos Barbofas. Ifto poftodos Barbofas Silvas vamos já aos Tavares. raes vindos dg Por^ Fernão Tavares (que tinha dous irmãos fidalgos da ca- t alegre^ Avijr&^'^ 186 ía dodefcubridor o Infante D. Henrique , & era dos Tavares oriundos
íeu irmão
,
,

Doí fidalgos

It-it^a^^

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Líviro V.

Da fatal líha de S. Migue!.

,

4e Poítalcgre j & Avey ro ) teve por primeyro filho a Fernaó de Ants iTavares,que era primo coirmão de Simaó de Soiiía Tavares , Alcayde jnòr de Aveyro , & pay de Francifeo Tavares de Soufa , cambem de Avey ro Alcayde mòr , & famofo na Índia efte pois Fernaó de Anes Tavares, còm favor do dito Infante fe foy para a Madeyra por huma morte , que le lhe imputava,-&: na Madeyra cafou com Ifabel Gonçalves de Moraes , dos muyto nobres, & antigos Moraes de Bragança , & com a dita mulher fe mudou pára São Miguel em companhia do primeyro JR.UÍ Gonçalves da Camera , terceyro Donatário de São Miguel j da tal :.,>.... mulher teve muytos filhos, &: filhas. filho foy Ruí Tavares , Cavalleyro de^Afriprimeyro 187 ca , que em Saó Miguel cafou com Leonor Affonfo , filha de Francifeo Enes, nobre morador de Ribeyra Grande }& defte matrimonio nalceo, primeyro, Joaõ Tavares, que cafou com Luzia Gonçalves , filha de Joaó Gonçalves da Várzea, que foraó pays de Balthezar Tavares , eáfar do com Catharina de Figueyredo , filha de Lopo Dias , Cavalleyro do habico de Santiago , 6c de Guimar Alvarez j & efte Balthezar levou o morgado do avò , & deyxou por filhos a Leonel Tavares 3 & Balthezac •Tavares 8c também teve muytos irmãos , ( tios dos ditos dous _) Ruí |Tavares, que cafou primeyra vez no Porto , & teve filhos , 8c fegunda vez em Vianna , 8c morreo Corregedor era Ponte de Lima: outro ir* maõfoy Gafpar Tavares, que cafou em Rabo de Peyxe; 8c outro Manoel Tavares , que no mcfmo Rabo de Peyxe cafou , 8c deyxou filhosj outro ainda foy Belchior Tavares , cafado com húa filha de Joaó Cabral de Vulcão , de que nafceo húa filha , que cafou com Manoel de Pu* gaj 8c as irmãs foraô, Catharina' Tavares , cafada com o Licenciado Miguel Pereyra , fidalgo de Vianna , &c pays de Ifabel Pereyra, cafada com António Machado , da Cidade, èc de Sufanna Pereyra , cafada com Miguel Pacheco , Sc com filhoSi èc a outra irmã foy Maria Tavaresjque caiou com Gypriano da Ponte em Villa Franca. Do primeyro Ruí Tavares nafceo fegundo , Balthezar 188 Tavares, que cafou na Cidade de Ponta Delgada com Maria Cabral, filha de Sebâftião Velho Cabral, 8c dos ditos nafceo Daniel Tavares, pay de Francilco Tavares Homem , que foy pay de Ruí Tavares , que cafou cora huma irmã de Manoel de Brum & Frias } 8i do mefmo Balthe* zar Tavares nafceo também Joaó Cabral , que cafou em Ribeyra Grande com Catharina Jorge filha de Jorge Gonçalves , do habito de Santiago , 8f tiveraõ filhos. Nalteo terceyro Garcia Tavares , &c quarto Joaó Rodrigucz Tavares j8c ambos forâo,8c morrerão faraofos na Indiaj quinto nafcèraó mais três filhas , Ifabel Tavares , Maria Tavares , 8c
:

O

:

&

,

&

Francifca Tavares

,

& todas três cafáraó na Ilha, Si tiverão filhos.

òfegundo filho do primeyro Fernão de Anes Tavares 189 Henrique Tavares, Cavalleyro em Atrica, que cafou na Ilha,8c tcfoy Cor- ve por filho a Luís Tavares, Cavalleyro fidalgo, que cafou com Ifabel í>osTàvareí rtas,& Furtados, de Yg^2,fh\h^dQ Pedro Vaz, Lealdador mòr dos pafteisj &c dotal Luis gue morre» ttA/n ta '"p^y^j-gj nafceo Henrique Tavares que cafou em Santarém com LeooSanto Pa re^ uar^^^ ^^ ^^^ ^^ ^^^ ^^^^ filhos j 8c Pedro Vaz Tavares , que na Ilha ca^ ^^^^ ^^^°^ ' ^ Fernaó Tavares , 8c Francifeo Tavares; 6c quaèMh^a*defÃS'^^_- ^*^">
, , ^

tro

^

Tit. VI.

D os defcendentes das fobreditas Fatti ilias.
do mefmo I^vlís Tavares ,
ôc

20^^

tfo filhas mais

de todos houve ha Ilha def*
.

ecndencia.

lâo Gonçalo Tavares , Cavalleyro de Africa , que cafou coha Ilai>el Corrêa^ Solanda Lopes , & delles nafeeo a fi lha de Máícim Anes Furtado, & de Padre Duarte Tavares , da Compa:nhia de J ES US , que ^morreo na In». dia feívindõ em hum Hofpital com fama , ôc exemplo de Santo nafeeo cafado ínais d Lieenciado António Tavares, Juiz de fora de Tavira , & com Branca da Silva , filha de hum fidalgo chamado Sebaftiaõ Barbofa da Silva } & do tal Gáfamento nafcèraóo Capitão Gonçalo Tavares da deyxou filhos ; & ktí. Silva, que cafou na Cidade de Ponta Delgada , irmão joâo da Silva , que também cafou , & deyxou defcendentes ôc dos ditoádous irmãos houve ainda mais hfia irmã Joanna Tavares, que cafou com Sebaftião Jorge Formigo , do habito de Santiago , de que fíèou múyta defcendencià em Ribeyra Grande. Qiiarto filho do mefmo Fernão de Anes Tavares foyGui191 mar Fernandez Tavares , que cafou com Ruí Lopes Barbofa , fidalgo que delia houve muy tos filhos. Qiiinto foy Felippa Tavares que cafou corfí Lúis Pites Cabea, de que ficarão era Ponta Delgada, & em VillaFraíicamuytos defcendentes chamados Cabeas. Sexto filho foy Annâ Tavares, que calou com António Carneyro , Cidadão do Porto, primo coirmão de outro António Carneyro j Secretario delR.ey, & pay de Pedro de Alcaceva , Secretário também delRey defte cafamento náfcèraódous filhos cegos, Frey António Carneyro, Francifcano, &C Miguel Tavares, que fendo cego fe formou Doutorem Medicinaj mas tambetti nafeeo Simoa Tavareâ, que cafou com António Lopes,filho de Álvaro Lopes , nobre Cavalleyro j & do tal cafamento nafeeo Franeifca Carneyra, que cafou com Bartholomeu de Amaral, de que ficarão filhos, Amaraes da Beyra, & Carneyros do Porto. Dos NovaesCoutinhos,& dos Qiientaes Serrões trata o 192 Conde D. Pedro tit. 65 & a Cbrõnica delRey D. Manoel. HouVe pois hum grande fidalgo chamado Vafco Fernandez de Mendoça Coutiiiho, fenhor de Coutimj& de outras terras, que teve os filhos feguintes primeyro , de que logo faltaremos } fegundo , Lopo Aftbnfo Novaes Coutinho , de que cafado nafeeo Ruí Lopes Coutinho em Lisboa , & Dos Cminhos fus eraõjenhresda terra D. Felippa Continha , que cafou com o quinto Capitão de Saõ Miguel
j

O

cexceyro filho

do

dito Fernão de ^Aaes Tavares foy

&

:

'

,

:

'

.

ccyro filho foy o

Conde de Marialva que cafou
,

a hlha unica

com o In-

-

--.—3

fante D. Fernando , irmão

delRey D. João III. & o Conde de Borba, primeyro filho pois do dito Vafco Ferdepois Conde do Redondo. inandes foy Francifco Botelho de Novaes Qiiental , ( que por Quental, Sc Novaes, & parece que pela mãy defcendia da illuftre fidalguia de França, & foy o primeyro que em Portugal ufou dos ditos appellidosj deíle nafeeo D. Maria de Novaes Quental Dama da Rainha mulhef delRey D. Aífonfo V. de Portugal , & dahi cafou com Ambrofio Alva-

O

,

de Pedralves Homem j èt de Dona Margarida MendeS de Vafconcellos , irmã do Capitão de Machico da Madeyraiôc foy para a Ilha Terceyra o dito Ambiofio Alvarez Homem
rez

Homem de Vafconcellos

,

filho

com

*!W

M

f'fl

%QJ^.

Lirro V.
,

Da fatal Hka de S
de íerras
,

.

Miguel.

«om adita fua mulher

& cora datas

& o oííicio de Mempol-i

teyro mòr de Cativos em Delia D. Maria de ¥ul èi93

codas as ilhas.

No vaesj& do dito Ambrofio Alvarez

jHomera de Vafconcellõs ( grandes Jidalgos ) foy primeyro filho Pedro de Novaes , que calou em Saõ Miguel com Beacciz botelha, filha de Antaò Gonçalves Botelho , & neta de Gonçalo Vaz , o Grande , ôc por proviíaó JtCeal foy Locotenente do Donatário ,& deo muytas ter^ ras defefmaria ^ & delies úafceo Joaó Serraó de Novaes, que caiou com Beatriz Lopes , filha de Lopo Dias , na Pray a da Tercey ra j-dos quaes foy filho Miguel Serraô^quecafou com Ifabel Nunes , filha de Manoel Galvaõ, & de Cathârina Nunes, Ôcnafceo delies (além deoutros filhos )humafilhá , que cafou com Manoelda Fopfeca ( fidalgo homem da 1 erceyraj ) do dito Joaõ Serraó, dç Novaes nafceo também Manoel Serraó , que calou com líabel Gonçalves^ & Catharinade Novaes , quq cafou com Bartholomeu Botelho , varaó.fídalgo, & Ifabel Serra , que cafou cm Villa Franca com Manoel da Ponte, Nafcèraó mais do dito Pedro de Novaes primey ramen194 ^ te André de Novaes , Capitão das Galés de Carlos V. & Francifco de Novaes , que cafou com Joanna Ferreyra de Drumpnd na Uhada Madeyra, defcendente da Rainha de Efeociá D. Bella j item Margarida de Novaes , que cafou cm Villa Franca , & delia nafceo JoaÓ de Novaes, que cafou com Maria Jorge, filha de Jorge AíFonfo, do Nordefte , de que houve filhoSi& finalmente nafceo do mefmo Pedro de Novaes, António de Quental , que cafou com Ifabel Cardofa , fidalga de Lisboa, Da fobredita D. Maria de Novaes nafcçraó( além do di19^ to filho Pedro deNovaes ) Fernaó de Qiiental , que cafou com Marga^ rida de Matos, filha de JoaÓ da Caftanheyra , fidalgo que veyo de Portugal , & deo o nome a hum pico acima da Cidade de Ponta Delgada; & deites foy filho AíFonfo de Matos , que primeyra vez cafou com Guimar Galvoa , filha de Fernaó GonçalveSi& fegunda vez cafou com Bea^ -triz Cabeceyras , filha de Bartholomeu Rodriguez da Serra &: da primeyra mulher teve a Sebaftiaó de Matos , & outros filhos. Item foy pay de Fernaó Quental, & Hieronymo Quental , que cafou com huma filha ^ „ 'Dos n0Íres 0^'^*", ^e PedroToree , de que nafceo Maria Qtiental que cafou com BaltheRamires &: Ifabel Quental,que lZr7&dc7r"Ji zar Gonçalves , filho de Gonçalo Anes do dito Gonçalo Anes ^ao dè Novaes ^ue cafou com Salvador Gonçalves , filho também Quençal Ifabel de Qiienfundott o Convento Ramires. Nafceo mais do fobredito Fernaó de Francifcano da Filia (-^1 que cafou em Villa Franca com André da Ponte de Soufa. Da fo, daPraja, da lerde Quental, que Credita D. Maria de Novaes nafceo mais Lourenço («jra. Qiientaes do dito viveo em Portugal, & delle procedem os Novaes &: Reyno ttem nafceo D, Violante de Novaes , que da Ilha Terceyra foy nafceo SimaÓ de para Dama da Rainha, & morreo folteyraj& emfim Novaes que foy Frade Francifcano , & fundou o Convento da Praya fanto. da Ilha Terceyra, & foy tido, & havido por varaó Dos mefmos Novaes Quentaes houve no Porto hum Fetr 1 96 que cafou não de Novaes , de que trata a Chronica delRey D. Manoel, do Algarve , & com Ifabel Alvarez , irmã de D. Joaó Camello , Bifpo que cafou com de Lamego; & delies nafceo Fernaó de Novaes, o moço, ^
, j , , , j ,

Bri-

V

Tit.VI.DoVeileí.P.Barth.doQtíefitaIFud.íía.Côgn 20f
Brites Brandoajôc deftes nafceo Vicente de Novaes, que cafoii com. T>^ tive^ Branca da Silva , filha de Diogo Moniz , fenhor de Engeya ,

&

raó três filhas, D. Maria, mulher de Brás Telles de Menezes , filho de Luís da Silva & D. Brites da Silva , mulher de D. Francifco de Atai*, de, filho de D. Francifco de Azevedo yêz D. Maria da Silva, mulher de Chnitovaó de Brito , irmaó de Joaó de Brito , & tios ambos da Condc-^ Do dito fcçâ de Atalaya , &c do tal cafamento nafceo Lopo de Brito. gundo Fernaó de Novaes nafceo também húa filha , Francifca de No-f. vaes, que cafou com Sebaftiaó Percyra Leytc, filho de Ruí Leyte,Theíburey ro mòr do Rey no & do primeyro Fernão de Novaes nafceo ouCartra filha, que. cafou cornLuis Carneyro , de que nafceo António
-,

:

Reyro, 6c defte nafcèraô Luis Carneyro, ôc Francifco Carneyro. p >á / TaAi^^ Dos muyto nobres Quentaes acima referidos teve a legi- Do Venerável 197

tima,&
Qliental,

à^Bartholomendo^^»^^ limpiíTima alcendencia o Venerável Padre Bartholomeu

'm

Fundador em Portugal da efclarecida Congregação de SaÓ '^^l^*'^ ^ congrega*.. FelippeNeri, do Oratório. Nafceo na Cidade de Ponta Delgada da-^^j gioOratorto é\ Ilha de SaÓ Miguel i feus nobres pays o mandarão eítudar a ^ottxx^dX^ ^g^gj^talPredica^á'^ foyCoUegialdo RealCoUegio da Purificação de Évora, ^úNtm^áo txcellentes virtudes^ com o^i-^ pelos Padres da Companhia de JESUS daquella fua Real Univerfida- & momo Sánm de i fahio tam grande Filofofo , & Theologo , & fobre tudo tam exem- wíViô àq piar na vida , que vindo a Lisboa entrou por Capellão da Capella Real do SereniíTimo Rey D. Joaõ IV. Reftaurador do Reyno de Portugal, & foy tam infigne Pregador , que o dito fenhor Rey o fezfeu Pregador do número com o falario Real de^règador da Real Capella , & pregou no tempo em que pregava o grande Padre António Vieyra, da Companhia de JESUS, & o fubtil Padre Doutor Hieronymo Ribeyro, que tinha vivido , & aprendido na mefma Companhia de JESUS , & foy ce* lebre Lente da Sagrada Efcritura na Uniyerfidade de Coimbra , ôc Chantre da fua Sé , & morreo com fama de grande fantidade 3 & com tam grandes fugey tos pregou comtudo o dito Padre Qiiental , ôccom tal fabedoria , 6c exemplo de virtudes, que querendo-o ElRey nomear B ifpo Deaõ da fua Capella , & depois Bifpo de outros Bifpados de Portugal , de tudo elle fe efCufou exemplariílimamente , 6c fundou a fobredita Congregação primey ramente no principio da rua nova de Almada, 6c fe começarão a chamar a eftes Padres Congregados, os Padres Qiientaes i appellido que muyto lhes merece taó infigne Fundador. Depois mudou de fitio o dito Fundador(6c ainda na mef198 ma rua } para a antigua Igreja do Efpirito Santo , 6c nella fundou hum modo de Convento , com tal pobreza então , que cada cella delle era apenas capaz de habitar nella hum fó fugey to > & como quem ifto agora efcreve , o communicava muyto então , lhe reparou em formar tal aperro de ceílas ,6c não ter, nem poder ter em tal lugar cerca alguma para alivio dos Congregados jde que podia íeguirfeao depois , não poderem nas cellas aturar , nem em Convento fem cerca , 6c andarem femprc por fora na Corte o Religiofiílimo Fundador refpondeo (ainda aíFeyçoado á vizinhança da Capella Real 6c muyto mais à fanta pobreza que tanto amava } refpondeo , que ficariaó á fombra do Efpirito SantOj &: a Congregação fe chamaria, do Efpirito Santo do Oratório, como de 3 *
:

,

«3^

Pi

i^á

Livro V.

Da íatâí lihâ JèS. Miguel.

dè faéto hoje fe chama. E podo que tem ainda quafi o mefmo aperto de cellas, 6c a mefma taka de cerca , tem jà comtudo tam magnifica fronta-. ria para fora & tantos alugueres por bayxo , que honraó muyto a Cor,

te, Òc

no mais

interior deiia

}

6c

lobre tudo daó grande exeniplo com,

continuas praticas , orações , 6c confiíToéSj&commuytas miíioéspela Arcebifpado, com grande fruto das almas.

que
no,

abrirão efcolas de Filofofia , ôc Theologia , em publica , 6c perfeytamente enfmão, 6c tem já varias caías neite R.ey-;

199

De novo

no Alem-Tejo 6c cada hua fugey ta ao Ordinário do feu deftrido como Congregados Clérigos Seculares , que com património fe ordenão , 6c fe íahem quando querem , fcm terem ainda fugeyçâo de cafas, huma à outra , nem todas a ^"" ' huma, nem de todas Superior algumj 6c comtudo todas vivem , &c- procedem uniformemente , 6c com grande exemplo, doutrina, 6c fruto das almas ,6c habito de honeftiílimos Clérigos Seculares. De confirmação da Sè Apoftolica em alguma efpecie de Religião naõ fey ainda , nem * dos privilégios que tem fófey que merecem muyto , 6c tudo devem ao Venerável Padre Bartholomeu de Qiiencal,f£U Fundador, 6c natural •> dePonta Delgada da Ilha de Saó Miguel, (em cuja hiftoria Abamos.) 6c fe pôde gloriar de dar tam egrégio parto, 6c em virtude, 6c letras tão iníigne, que eufo aqui toquey , èc de que efcreveràó feus Chroniftas pelo tempo adiante , que fupponho fallaráó do dito feu Fundador , como lhes merece pois não fey que fahiífem ainda com fua vida. Dos Machados, 6c Farias deSaó Miguel muyto havia 200 hum Gafpar Macha^'''^^'**''j'''^'Jxiuc dizer, porque por Machados defcendem de ncosMacha^s, de few filho JoaÒ Machado Carmona, naturaes de Barcellos lanaf de S.Migp. f .do,6c Machados de •'^'^''"•de Entre Douro 6c Minho , 8c da illuftre familia dos trataremos quanMontebello , grande fenhor de muytas terras , de que do dos Machados da Ilha Terceyra. Dos Farias diz o Doutor Fruduo-

como em a Cidade do Porto , em Braga
,

,

6c

-,

'•

,

:

-,

,

-,

o

fo Uv. 4. cap. 5 1 que lhes veyo efte appellido de hum antigo afcendenpergunte feu , que obrando huma grande façanha , 6c ouvindo-a o lley tou quem a fizerai 6c nomeando-felhe a peflba, já famofa, accrefcenrcu Rey, Effe,faria-, 6c daqui tomou o obrador de façanhas , 6c todos feus defcendentes , o appellido de Faria. Vejaó agora Já que illuftres obras 8c de feu fife intitula Faria. Do dito pois Fernaó Machado ,
.

faz

quem lho Joaõ Machado ficáraó três filhos, a faber , Gafpar Machado de Fade 1637. 6c ria , Abbade rico em ViUa de Conde que morreo noanno Machado de Mideyxou por íeu herdeyro ahum feu primo Manoel
,

randa, fidalgo da cafa de S.Mageílade. Outro filho foy FrancifcoMachado , que cafou com Ignes de Barros em Barcellos Sc o outro íijho. foy António Lopes de Faria , que de vinte annos foy para a Ilha de São Miguel, 6c là calou com D.Maria Pimentel na Villa da Alagoa com cem moyos de renda de dote,8c morreo pelos annos de i640.Dei1:e matrimonio nafceo António de Faria Maya que híia vez cafou com D. Margarida Nunes outra com D. Luizado Canto, irmã de D. Maria do Canto,
-,

,

,

mi

hiulherde Diogo Leyte Botelho, fidalgo bem conhecido, 6c cilas amnafceo bas fidalgas da Ilha Terceyra 5 Sí deíle António de Faria Maya he húa 'Francifco Machado de Faria, que cafou,6c tem muytos filhos,& : das
,

^

Cap.XVIII. Da fertilidade, acr^aezâdâllliâ de S.Míg.io>|
ããs principaes , Sc ricas cafas de Ponta Delgada. fomahiftoria.

Mas vamos por dÍ3nt#

CAPITULO
Das rendas,
20 1

XVIIL
,

ou riquezas , fertilidade

ér frutos defta Ilha*
ii

Sfim como no Capitulo antecedente ,& feus feis titules jf\ recopilamos parte do muyto que o Doutor Fruítucfo Sa6 traz das Gerações daquelles que defcubriraó, ôc povoarão a Ilha de muyto mais deyxàmos , que virá mais propriamente na hifMiguel, mais toria das outras Ilhas > aíTim também agora recopilaremos o muyto que diz,& com exceíliva miudeza,das matérias apontadas nefte Capitulo,que elle traz no/íí;.4. & em dez Capitulos,deídeo 5 i.atè 6o.por nem Leytor. faltar à fubftancia,nem também ufar mal da paciência do curiofo

A

&

Ha cento & vinte annos rendia a Ilha de Saó Miguel paem J^o qm rende a ílhal ra ElRey, do dizi mo do trigo, mil & duzentos moy os cada anno,8c
202

muytos annos jà mil & quinhentos
j

do dizimo do vmho cada anno qui- "^^^^^l" .J^ **nhentas pipas & muyto de outros muytos frutos , fora a renda incerta ^.^^ 7 do paftel, & do que chamaó miuçás, &: a grande 5 a dinheyro, das entra:

^^^^/jj
**

>

3

*

ifto fem fe cultivar mais que a terça das , ôc fahidas na Alfandega j parte defta Ilha. Rende ao Donatário Conde de Ribeyra Grande , affim direytos da Alfandega lhe dá da redizima, que dos frutos da terra , ElRey como dos moinhos de toda a Ilha, do inteyro dizimo do pefcado , ervagens , & faboaría , de outras rendas que là tem , ainda na Ilha daMadeyra , rende-lhe tudo licitamente trinta mil cruzados cada

&

&

,

&

&

&

anno ,& muyto mais eftando là licitamente digo, porque houve já afcendentefeu, que eftando na Ilha abarcava todo o navio que vinha, compravalhe as fazendas que trazia, ôc delias fazia eftanque na terra, as punha a vender em logeas de cayxey ros feus , & lhes punha os preços que queria & para pagar aos navios contratava com os Conventos de Freyras, & homés ricos da terra , tomando-lhes os feus trigos , & obrigando- fe a lhos dar jà moídos em faíinhas nos moinhos ; porém como os Conventos, & ricos não mandavaó trigo ao moinho & fó mandavão bufcar farmha , & efta a não podia haver no moinho , fem ter ido a elle trigo de que fe fizeííe , colhido efte engano , fe levantou tal motim em toda a Ilha, que correo grande perigo naõ fó a caía , mas ainda a familia, & a peflba do tal Donatário , fe logo logo não mandaífe por muytos barcos bufcar trigo ás outras Ilhas , & metello nos moinhos &: comtudo foy mandado tirar da Ilha para Portugal o tal Capitão Donatário.
:

&

;

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;

Veja cada hum come fe4m. Além das grandes rendas delRey , Sc dos Donatários , ha 203 homens tam ricos nefta Ilha , que fora outras grandes rendas a dinhey- 1>^ grande renda,' ^^ pmia^ ro , Ruí Vaz Gago ( chamado o do Trato ) chegou a ter mil & trezeni' J^^^^J" ^^" ""^^'i tos moy os de trigo de renda cada anno. Ayres Jacome Corrêa teve quatrocentos moyos de renda, & feiscentos mil reis cada anno na Tercey ra em dote de fua mulher , &: outras varias rendas j & jà feu pay Barão Jacom® Rapofo tinha duzentos moyos de renda j ôc trezentos moyos de renda S ij
\

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íq8

Livro V. Dafataf llhide

S.

Miguel.

tenda tinhajaeome Dias Corrêa. 'Gafpar do Rego Baldaya chegou a quatrocentos moyós de renda j & o melmo teve leu filho Franciíco da Rego de Si , chamado oGrão Capitão. António de Brum ( der cuja nobreza trataremos em feu lugar } tinha de renda annual, & fixa nefta Ilha três mil cruzados, &dous mil cruzados de renda em outras Ilhas, 6c tantas fazendas mais, que chegaVa a perto de trezentos mil cruzados de feu. Gonçalo Vaz, o Grande , teve duzentos moyos de renda ; & o meímoteve feu filho Gonçalo Vaz Botelho. Aiíbnío Rodriguez Cabeateve de renda quatrocentos moyos , mas porque foy Rendeyro deiR.ey, todos lhos levou. Boa fera a lembrança defte cafo. Pedro AíFonfo Colombreyro tinha cento & vinte moyos 204 de rendaj cem moyos António Lopes de Faria na Villa da Alagoa , fora ©utras grandes rendas. AíFonfo Anesdos Mofteyros veyo de Portugal,, & teve cento &; cincoenta moyos de renda. Gafpar Dias , o genro de Miguel Lopes de Araújo, teve duzentos moyos , & mais de quinze mil cruzados em moveis, & não menos feu irmão Chriítovão Dias. Manoel Pires de Almada , fidalgo da cafa de S. Mageftade , teve muyta fazenda , & muytos filhos , dos quaes hum foy o Padre Gonçalo do Rego, da Companhia de JESUS, & muyto fanto ,& letrado. Finalmente conclue Fruduofo, quejà naquelle tempo os Contratadores da Ilha de Saó Miguel negociavaõ cada anno em trezentos mil cruzados , & que hiaó àquella Ilha cada anno coufa de vinte & cinco náos Inglezas , & tanta a verdade dos da terra, que nem dez cfcrituras fe faziaôjnem fe qucyxava alguém, & as letras que fc paíTavaó, fe cumpriaó pontualmente. E eu digo que queyra Deos que fempre aílim feja. Da fertilidade defta Ilha he grande prova , que naó fe fê205 mea nella ás folhas , como em o Alem-Tejo, & em outras terras de Poranno, & de trigoj & porque efte rjir TA ^ A t ^"g^^-J ^^^ ^ mefma terra fe fêmea cada í , / l,i«£fenáotornaa femear, fcnaòfeis mezes depois de fe colher o antecetrigo, amda neftes feis mezes íe torna alemearamelraa terrade. de trigo fe fêmea to- dente trigo, que dos os amos, & »«? varios legumes, & emjaneyro, ScFevereyro outra vez de de m-^ defde Juaho atè Agofto fe recolhe , & rendia tanto no principio, que & àsfoáaí
1

;

troi

mvidades da ^^^^ ^ feífenta por hum ainda hoje a vinte por hum rende ordinariai muj/toi no mtfmo ani^entejrecolhendo vinte moyos de trigo quem femeou hum íô moyo,&:

&

-"•

chamaó moyo de terra,a que leva hum fó moyo de femeaduraj& alqueyre de terra a que leva de femeadura hum fó alqueyre & efte modo de fâllar paífou daqui aos mais campos , de hortas , de pomares , de vinhas, de paftos & ainda de matos , dizendo-fe que Ticio tem dez alqueyres de pomar, hum quarteyro de terra de hortas , meyo moyo de vinha, hu
, j ,

moyo de
206
^e^aeln

mato,

ôcc.

As terras, ou campos nos

princípios da Ilha pelos Capi-

de graça aos povoadores , ao que chamavao Italiana , Scmo , que ^x^p^vTelarZZtcj71 que dar de fefmaria , ( nome que vem da palavra os primeyros cinlevaria de 'trigo,&fe fica dividir , desbaftar ) porque lhas davão , para em diz.em dez: alíjHeyres co annos as porèm cultiváveis , & íc ficarem com ellas para fempre; ou, ©«^^íwoyoáeíerr^dfeasnaõfizeíTemcapazesde cultura, as perdeflem &: fe deíTem aou^ue tanto levaria de ^^^^ & a ifto he que vinhaó dos mais nobres de Portugal a povoar as (emeadHra, nj^j^^^ ^ ^^^ -^^ ^^ ^^^^ ^^^^ -^ vendiaó algumas de fuás terras , as ve

Z nht'he

^^^^ Donatários fe repartiaó

,

.

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diaó

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)

Cap.XVlíí.Dô pòu.cal Val^oantigínl^ãs tè.&Frut^ ^p. . ^. tam baratas , que hum Pedro Anes , fapateyro , em a Villa de Nor-? __ defte comprou hum raoyo de terra por huns fapatos de vaca, ( que ^^^^^^fg^far^^Tataô valiaó la três vinténs } &: hum Adam da Silva huma lomba de ter- J^^gj^yt^ (Up^ ra , que rendia mais de dez moy os de trigo cada auno , por euydar que^. lha compraváo bem , a vendeo por quatro carneyros, 6c hua viola. Hunii padraftode Pedro Teyxeyra, èi de Antão Tcyxeyra > em Villa Franca^ vendeo humas terras juntas à ribeyra do Salto de Ribcyra Grande pocj

éiaó

:

,

huma cafmha de telha, ôcterreyra em Villa Franca. Fernaó AíFonfoií avò materno de Francifco Pires Rocha que hoje vive, (diz Fruduofo^: governa em Ribeyra Grande , comprou a hum Pedro Aífonfo , efcu-j. deyro do Conde deMonfanto, cinco moyos de terra, juntos à ribeyra' da dita Villa, que hoje valem muytos mil cruzados , os comprou poc muyto authentà?»; cinco; mil reis i como confta da efcritura breve ca, feyta em pergaminho. A hum AíFonfo Anes de Ribeyra Grande da*: vaô três moyos de terra , no pofto chamado Pico do Ermo , por cineo dous moyos de terra no morro de Ribeyra Grande , por ou-^ mil reis » lhe pâíQ^-^ tros cinco mil reis , & naó os quiz comprar , por fer já rico , -ri cerem muyto caros. barateza de terras de trigo fe íeguio valer o trigòj De tal 207 tam barato , que hum Pedro Anes, morador na Ribey rinha , comprou af Luís Gago , avò de Ruí Gago da Camera, oyto moyos de trigo por três £^»á«fo mats em paftel pagos ; & efte meímo Pedro Anes deo w valia ojrti9. mil & duzentos reis, feis alquey res de trigo por nuns fapatos brancos para hum feu criado, os quaes valiaó entaó trinta reis fomente :& hum Francifco Anes, fendo eondcmnado em hum toftão para o Alcayde , por elíe lhe deo hum mo-* yodetrigo. Noannodei5oo. & mais annos adiante j valeo o trigo. a; quatro reis o alqueyre , & vendendo hum AíFonfo Anes de Ribeyra Grande quatro moyos de trigo , o comprador, por não ter dinheyro prompto , lhe deo em paga a efpada, fe embarcou, & o vendedor deo a efpada por hum toftaó , & fe deo a fi por muyto bem pago. Depois no anno de 1507. valia o trigo a cinco reis o alqueyre j & hum mercador de Lagos do Algarve , fobejando-lhe da carga do navio dous líioyos d© dous frangos que hiaó a vender , èd trigo, os dava por duas gallinhas, flãoquizerãodarlhos,&dcyxouotrigoahum feu cunhado. Em 1508* Fernando Alvarez de Ribeyra Grande diíTe á mulher que fe alegraíTe* poistinlia muyto trigo para vender , porque lhe trazia nova de Villa Franca , quejá o trigo valia a féis toftóes o moyo. Luís Gonçalves , fapateyro na Ribeyra ôrande , pedio a 208 hum Gonçalo Pires meyo moyo de trigo por hum as botas, que entaó valiaó oyto, ou nove vintensj & a outro homem ^ por lho rogar muyto, aceytou outro meyo moyo por outras botas. E por humas botas de cordovaõ deo hum moyo de trigo , & três couros de vacca poftos na Villa da Alagoa hum Fernaó Alvarez de Ribeyra Grande. E defta mefma Villa hum Pedro Vaz ^ valendo então os fapatos a dous vinténs , mandou por hum vintém em dinheyro, & peío outro vintòm quatro alqueyre^; de trigo ,& ainda o fapateyro Luis Gonçalves fe queyxavade mal pago. E outro Fernão Alvarez 1 avò do Padre Balthezar Gonçalves, Beneficiado em Ribeyra Grande , naó quiz dar hum barrete ver-

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V. Dá fatal ríhàdeS/MíguajilVX^:^::^

qtié? .melho\ que trouxera de Lisboa ,p5fd<ôOsmoyos de vtrigõ. miiiyto j lè htun Joaõ Martins , de aicunha o Caicafrades > vendeo -Ue^í para doze moyos de terra , onde chamaõ Agua retorta , a Jcaõ AfFonío Al\'?> ^5 cívelho do lugar,doFayal,&: lhos Vendeo por pano de Londres azul pára-hum gabão , & as taes terras deraõ muyto trigo,& paftel? £ por no-'' vemoyos de trigo comprou hum nobre hum capiís de do. E hum Lo-;. p0 Gonçalves de Ribeyra Grande , naõ tendo onde já recolher o trigo 4âs eyras , rogou ao Vigário de Ribeyra Grande Frey AfFonfo , que na^ Efíaçaó da MiíTa a vifaflcj que quem quizeíTe trigo , foíTe bufcar quanto quizeíTe a cafa do dito homemj & fó duas peflbas foraó lá, fendo o povo rja-D ,g ;- ...^ .. de mais de mil vizinhos. Talfertilidadede terM ate flOnafceí do mefrtio trigo ftí' Í09 ©ft^Vá vendo 3 porque fe achou humaeípiga de trigo com feflenta filhas Da multiplicação ío ao jpé j & cm o quintal do Beneficiado Joaó Soares da Cofta, da Igreja f«* o tri^o nafie cm de São Sebaítiaõ de Ponta Delgada, fe achou híim pè de trigo, em que fe ^i ílhM._ c5ontàraó mil &: trinta grãosj & de outros pès , hurtí tinha trezentos , outro quinhentos grâosj &: ainda em i (ièy<^. quem ifto efcreve , vio que fo-* bre a palha do trigo , as efpigas delle tinhâo oyto^ Sc nove ordes , na airUra, de grãos de trigo, & havia à roda algumas de dez ordens de grãos. E hum Manoel de Almeyda , homem principal do lugar de Fanaes, em terra junta á Ermida de NoíTa Senhora d' Ajuda, achou em fua feara hu pede trigo com cento & fetenta efpigas , & nellas fó quatro de quatro o ordens de grãos , as mais de fete atè doze ordens i a raiz deíle pè era taó groíTa como a barriga da perna dè hum homem 6c a rama figurava hfia gavella j & por iífo efte pendurou na Igreja da Freguezia , atè que efpiga a efpiga o leVàraõ os devotos da Senhora & ifto fe vio em o anno de' 1 569. & da Ilha de Santa Maria trouxe Manoel Fernandez , Enqueré-dor de Villa Franca , huma efpiga de trigo com quatorze ordés delle^ôc jà não ha que admirar de hum Ruí Tavares , de Ribeyra Grande , femeandojunto à fua eyra dezoyto alqueyres de trigo , recolher delles vinte fnoyos; & em muytas partes correfpondia a terra com feíTenta moyos a hum de femente > & naó fe fazia o paó fenáo do olho da farinha & o Biais fe não aproveytava> & no anno de 1 5 80. chegou a dar efta Ilha dezoyto mil moyos de trigo , com ficar muyto perdido em as eyras , pois' jaem atè todo Outubro poder recolherfe todo. E nofeguinte anno de I58i.aindahouvemaistrigOj&: de centeyo nenhum cafofefazia,fe"'•'(
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naó para dar ao gado,
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& fazer da palha enxergões,
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Porém como O tempo tudo gafta, parece que também fby gàftando a grande fertilidade da mefm a terra, que jàdà menos trigo do que de antes , ^ fez crefcer delle o preço de forte que jà no an-' no de 1 5 30. chegou a valer a três mil reis o moyo 6c no anno de 1 5 61." chegou jà a féis mil reis,& no de 1 5 80.& 8 1 tornou a três mil reis o mo210
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moyo 8c emfíni hum anno feU au^meto àagé- yo? 6c no de 83. a fete mil 6c duzentos cada /í por outrofe fuppoem jà hoje valer hum moyo de trigo oyro mil refsj te em as Ilhas atigmemoH de trigo o ter mil cruzados de renda , quem de renda tem cmcoenta moyos , &' a frií". éfta proporção quem mais renda tem de moyos s^ a caufa não he (ò & ferem jà as terras menos férteis, mas também o multiplicar agentemuyto em as Ilhas , 8c gaftar là mais j 8c o mandai; muyto trigo a Portugal/
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Cap. XVIII. De como creCderâò os preços doi frutose St$
àó Algarve , a Africa , à Madey ra , ao Brafil , em farinhas jà} & haver jl jà fáuftos , 6c gãftosí là mais dinheyro do que em os principios havia , póí tnuy fuperfluos , em bufca dos quaes mandão para fora o trigo , iíTo lhes faita a mefma terra, por caítigo Divino de peccados. XnI aò he domtudo , <ie fá trigo , a fertilidade dcfta Ilhaj 211 porque também nas carnes de toda a cafta he taò fértil, que lançados ga^jj^ nhmdancia \ dos nella , multiplicarão de modo j que em muytos ahnos naó houve karateta de toda ^ açougue na Ilha, mas cada hum mandava matar a vacca,& carneyro fo/í» í<í wrffw. que queria , & a melhor carne tomava para fua cafa , dey xando de graça a mais a quem levar a quizeíTejôc nem de cabeças,nem miúdos faziaõ ca^ ío êntáo & quando , paíTados alguns annos , chegou a vacca, & carneyro a porfc em preço de tantos feytis, & quando a real fe vendia o arrátel, & o gado fem cuítar preço algum fe hia bufcar ao mato; mas cuftavaô os i porcos a tomar , por fe terem feyto bravos , & fe hia em montaria a: clles , atè que fe domeftieàraõ 6c toda efta cafta de carne he tão boa, que a vacca he como a de entre Douro , & Minho j os porcos como os da Beyra , & melhores , por fe fuftentarem com junfa , & leyte > & he a car* ne taó excellente,&; barata', queleytócs bons, & gordos valiaó antigas» mente a dez reis, ôí quando muyto, a vintém, & hoje valem a toftaó,ÔC mais i & hum porco de chiqueyro, & de três annos valia hum cruzadoi já agora vai três ou quatro mil reis , & mais } & eraõ de antes taÕ gor* dos, que dafua manteyga dava hú fó porco dozecanadas i mas ao dian* te valeo" tudo tanto mais , que por careftia fe refere venderem-fe vintô yaccas grandes , & jà prenhes , por vinte cruzados. Nem faó menos as carnes de aves de penna , porque além 212 de algumas bravas que fe achàraó na terra , vieraó gallinhas'de toda a cafta , & multiplicarão tanto , que fe davão trinta ovos por dez reis ^ 6c pelo mefmo preço húa gallinha , 6c por quatro reis hum frango 6c com Gvos jugava5 os rapazes as fuás laranjadas ; 8c de Guiné vieraô no princi pio gallinhas de outra cafta mais pequenas , 6c de mayorcs pennás , 6c no correr mais ligey ras , ainda que no voar mais tardas , 6c os ovos que punliaó,era5 pardos, 8c quaíi pretos, fendo ellas emmuyta parte de cor branca, 8c cinzenta , 6c a eftas caçàraô tanto que as definçàraó.Pombas , èc pombos fe acharão tantos nefta Ilha , 6c de taõ varias caftas , èt iam confiados , que vendo de novo gente, felhe vinhaó pòr nas cabe- RataS jír<jue chapombos am,^ ças , em os hombros , & nas mãos , 6c por mais que as apanhavaó , cada mavM '''''*|''''" ^- '^'?? - '2, i-ezfe vinhaó entregar mais, fem faberem acautelarfc , por naÔ terem ^^^ ' ainda vifto gente donde veyo , que como os de Portugal, indo àquella Ilha , com qualquer coufa enganavaõ aos primeyros Uhèos, 6c lhes letavaó por ella os mais ricos frutos que da terra tinhaó, em comparaçaõ de fua malícia , chamavaó àquelles Ilhèos pombos na candura j «h prouvera a Deos que ainda hoje aflim foflem Das outras aves ha tantas, que de huas que chamaô Efta^ 215 , na praya de Villa Franca caçadores tomáraõ a dez milj 6c de pigados ourras a que chamaô Pardelhas , três caçadores emhuma noyte matá^

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mil, 6c feiscentas, 6c outras vezes

em carros as traziaõ

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èflas Fardeíhasfaô pretas como corvos , 6c de corpo tam pezado como patas Sc bico de Gaviaó com que pilhaó o peyxe de que vivem , das
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LÍVi'o Vi Dafatalllhâdc S.

Miguel

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enchiaô os colchões , a pelle fe derretia como toiíeinho , èè delia ,& do corpo todo ( fe lhes tapaó a boca quando as apanhaó} fe ti-; ra canto azeyte , que cada dez Pardelhas davaó ordinariamente huma eanádaj & os caçadores delias em voltando pareciaó lagareyros de azey-* te. Africa ha ainda deftas aves , no inverno atè Março , no mais temponaõaturaõ a mayor quentura, & em Saó Miguel as deíinçáraó os fo"i róes. Em alguns tempos fe vemna dita Andorinhas j de fora lhe vem Falcões , Corvos, Açores a patas bravas^ ha muytos tintilhóes , algúas alveloas , toutinegros , canários poucos nefta Ilha j mas innumeraveis

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muytos de cor branca , & de regalada mufica.

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Rolas fez trazer à Ilha hum dos Capitães Donatários» 214 outro fez levar perdizes, multiplicarão tanto , que já hiaó fendo praga , ôc faõ tantas ainda , que ordinariamente valem a trinta reis , & por

&

muytas dizem alguns, que de Portugal la vaó , que naó faõ tam boas, na Verdade naõ íaõ taó preciofas , viíto ferem tam baratas j o certo he todêrni^et , é" [tu queda Ilha vem a Lisboa grandes barris cheyos dellas,& que faó as me' ^ ^ Ihores deLisboaapor lhe virem dadas. Codornizes faó tantas na tal Ilha , que ordinariamente dão quatro , & mais por hum vintém , faó como pequenos perdigotos, & ainda mais fádias , que cozidas, fazem humaexcellence,& temperada cea com hum vintém , como com efte íambem afaz hum coelho aífado 3 & com pouco mais cufto huma perdiz, ou bom frango j que quanto ocarneyro naó be demaíiado na Ilha de Saõ Miguel. Mas das codornizes ha menos em Portugal , & nenhúaí em muytas partes delle. Deyxo as mais caftas de carnes, como de patos, perus, cabritos, borregos,&: toda a cafta de lafticinios , &: baratillimos. Opeyxehc tantoem eílallha,que detodaacaíla oma215 êpejxi era tanto q tavao , tpmatido-o à mão , & à borda do mar fem anzol , atè aos porAtnda do melhor, nem ^.^g engordaváo com pevxe , ninguém o queria jà falgado. Os peyxes íis eeas fe comia . mas u„-'/-. \. o ' que cnamao Cavallas erao tantos como as lardinhas onde ha muytas , &. ^ asfaz,tae com aves .^^ . , r- ^ rt n ^"i'^ davao leis Cavallas ao real , & lardinhas aos ceítos,&: noventa gofoelhos çáèrim &c. razes por hum vintém, atè dos pargos não fe aproveytavão fenão das ventrechas i nem do mais regalado peyxe , que chamão Bicudas , faziaô muyto cafoj & chegou tempo que nem às ceas comiaó lenaó gajli'Baj mtjtãs
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nhas, frangos , coelhos, cabritos, borregos, aves,&c.

Do vinho fenão fazem neíla Ilha vinhas, (como nem nas 216 ú.., -^ „ outras IlhasMenão em campos de bifcouto, que da terra com o fogo foy jVinhas fenao plantão r j o/r lormado , & aíhm le admirao todos muyto de ouvir dizer , Ic cavao as n tiL ' Kâjtas Ilhas em terra , , n lavradia mas ira^ vmhas, porque as nao ha aonde a terra le pode cavar, ou lavrar , & dar Uos de muytas pedras trigo, OU outras fearas 6c não fazem mais que plantar as vinhas entre o
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chamaô hif bifcouto, pedras,

& lagens, podaras vides, mondallas das filvas & erva
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,&daõ tanto, inimiga ,& vindimaras uvas eílendidas fobre as lagens Sc em muytas ^^ ^^^"^ ^ vinho excellente , pofto que o não feja tanto neíla f/h"'dVÂf'^T/' P^^^^^ MigHtl d /f»í Ilha por mais húmida , & do Sol menos ferida }& tempo houve em linco milpipas. que hum Jorge Gonçalves Cavalleyro, morador em Ribeyra Grande, mandou com o vinho da terra amaíTar a cal para humas cafas quefazíaj porém na verdade foy exceflfo , porque deita Ilha o vinho he bom, & chega a dar delle cinco mil pipas, & da Madeyralhe vem mais excellencoutos
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& vale dobrado,
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Cap. XVIII.

Da barateza das cames,51rpeyxes.^

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Das terras lavradias naó fó fe occupaõ em o trigo as mais 217 ^^'"«"^ ^^ cofiojtffi^, delias , mas também em linho, & tanto 3 que ainda vay para as outras Ilhas, pára o Brafil, & para Portugal , aonde lhe levantaó que he de meT/&cmido7oÍT Hos dura , & curado com agua falgada j fendo que Ribeyra Grande, que ^ ^ ^^^^ é-emParhe a máy do linho , he cheya de ribeyras de agua doce , onde o linho íe tugal he o melhor cura i & o certo he que o que da Ilha vem de mimo , & fem preço , mas quando lhe vem àt dado a Portugal he nefte o mais perfeyto , & eftimado linho, ( como lè '»'«^« &frefentts\ vènas ricas Al vas, penteadores preciofos , fobrepelizes , linhas , botões ^^* ínetem a, venadmiráveis) & fó o que veraa vender,padece a nota de fer de menos du^l^f^os Ah'^^Í '^'*' ^ ra, porque cufta mais. maiscAr9. Outras terras fe femeaõ de paftel , que he huma erva vin218 da de Tolofa , & femeada dá hum género de alfaces,cujas folhas íe fegaÓ primeyra , fegunda , & terceyra vez , (^ & mais não , porque jà não fervem para o feu fim } as folhas fegadas fe moem csn Engenhos', ôc a maf- Q^uefonfafeja a âre* fa moída fe poememtaboleirosfeyta êmbolos, que na figura parecem X'» ^jutem at ilhat pães, ou pafteis , de que tomáraó o nome , & bem efcorrida fe coa ao eh^^mão pafiel , ^«< lhesrendeo,& tiol, 6í feca a metem em logeas ladrilhadas , a cada dez quintaes de pe- "^,V^° nagjemeji»^ °^^- 20 delia lhe deytaõ huma pipa de agua , para que ganhe calor, virando-a'''* ao nienos cada dous dias , Sc quafi fey ta em pò , fe vehde aos quintaes de pezo , & no principio cuftava dous toftóes cada quintal atè paflar muyto de dous mil reis i & de Inglaterra, Hollanda, &: atè de Sevilha vinháo navios a carregar de paftel , por melhor com elle pegarem as tinque fabendo ElR.ey fez tas nos pannos , & ÈÍpeciaímente a cor preta. contrato com os moradores da Ilha, de lhes dar Engenhos promptos para moerem o paftel , & a Cofta fegura de Coííarios , & lhe pagariaó, além do dizimo, a vinten3,6í fe lhe puzeraó OíHciaes Reaes, cujo principal fe intitulava Lealdador dos pafteisjmas porque os Ofiiciaes Reaes brevemente faltarão com os Engenhos , para fi os fizeraô os lavradores, & comtudo ficarão fempre pagando o dizimo, & vintena a ElRey , 6c ElRey aos Ofiiciaes os feus falarios j porém Deos Noflb Senhor difpoz que faltafle o contrato dos pafteis , & que os Eftrangeyros para as tintas fe remedialíem lá de outro modo , & já hoje he pouco , ou nenhum efte contrato , porque ( como lá dizem QLiien todo lo quiere , todo lo }
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Em lugar pois do fobrcdito paftel entrou neftas Ilhas o 219 mas tam mal aceyco, que nem os ofiiciaes , nem ainda os efcravos ^ '»'^^''i^# ^^^fif-. milho, queriaó comer paõ delle, nem ainda de miftura com o trigo j & ha rne--^'"'\''""//J ^^''**' nosdefeflenta annos,opouco que íemeavão,fó ogaftaváo em aífar, ^74j^/í/^'fX/I tenras ainda , as maçarocas , & comer o milho afifado por novidade de- /<?, &jk hoje,& mifpois a exemplo de Portugal, & outros Reynos , vieraó afazer húnhz tarado com o trigo ^he do milho, & mifturado com algum trigo comer o paõ delle , que já hoje ft^fi'»^^ ^^ pobrez^a^, he là também fuftento de muy ta pobreza , & muy to mais em annos , em ^'^l'*^'^ ''*"''' ^ ^f»" que houve menos trigo. Mas tem-fe experimentado queaffim como o '"'''^^^^^"T-^'^*'^'* paftel purificava, & ajudava as terras, & de forte as eftercava , que o tri- ^"^J^^''>J^"^'' *M go fcmeado depois do paftel fahia mais , & melhor afllm pelo contrario o milho groflbcom a fua grande , &: maciça cana, & feu grado , Sc muyto graõ, attenua, & enfraquece as terras das Ilhas,&: as torna menos ferteisjôc fe naó dá depois delle, nem tanto, nem tam bom trigo. 220
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Livro V.

D a fatal Ilha de S

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Miguei.

220 tremoço porém ,já defdc oanno de 1550. hum Barãd Moíteyros,& Bretanha de Saó MigueJ, riemoço «^5^4/?^^ Fernandez, morador entre OS nem attetina a terra\ foy O primey ro que o fenieQa.ao redor da feara de trigo , junto aos camimtes a fertUtz.a & nhos em carreyrosj & depois femeou de tremoços per fi fos hum alqueytem entras fervemias j-g dg terra j ôc advertindo que depois o trigo femeado na terra que ti?'??': nha fido de tremoços , fahia melhor , mais limpo & mais , para iílo começarão a ufar delle no kigar de Santo Antonioiôc achoufe que com fuás raizes , & ramas ( que quando muyto chega ácintura de hum homem) eíterca a terra & com fua fombra lhe faz tanto bem , que debayxo delle nao nafce herva mà , antes a defmça das máshervas , porque , como dos legumes he o mais groíTey ro , dos peyores, & mais groííos humores da terrahe que fe cria , & por líTo a purga , & deyxa tanto melhor , que fe depois do tremoço no anno feguinte femeaõ a terra de pafl:el,&: depois de trigo i •& ainda /íè no mefmo anno femeâo o tremoço em Outubro, &: o corcaõ cm Janey ro 3 Sc lavraó fobre elle a terra , &: femeaó o trigo , dà além de que o tremoço fe adoça em agua 'As htam 'okrS entaõ novidade excellente j quarenta reis o alqueydas lnà:A? de Cajhl. doce,& fe cõme fem fartar, ou enfaíliar , & vai a Portugal palha he para os fornos lenha U,&i»f j.g^ ^ algum fe embarca para fora j & atè a meadas n^ô fe daõ, ^ ^ ^^j ^ carrada a dous toftôeSi ôc emfim arremeda ao Girafol , para ÍT'ZZ/Jdl' o Sol fempre inclinando com fuás folhas, & haftes.de fora IIha,vinhão à Com OS Contratadores que vmháo 221 t^X Tídíep:-. plantaváo na terra & aíTim .vindo fytas em cayxas de muytas vezes frutos de novo, & fe de hum doceM<*^»'^*''°^ ^^' huns de huma nào de índias de Caftella , & poufando em cafa aindu^ plantou alhames porem, Sebâíliaó Pires , deraó-lhe humas batatas , de que a mulher jaõfemelhantes.,&os_ ^^^^^ ^ ^om virem jà murchas , nafcèraócomtudo, & fe multiphcàrnutí Tfijhcos /^^^''^.^Q dg í;3rte, que em navios vão muytas para fora, & na terra fervem jà de regalo , feytas em cayxas de doce tTíhJhntãdiõ ido 2os pobres de fuftcnto , & aos ricos fe eftendem por bayxo da ,;ompaj ^mtijtage. a que chamáo batatada faó humas raizes que fí;;o^rf,é'B<íô.^í^í-terra,demeyo palmo, de palmo, & de mais, em comprimento,^ todo o ámego doUta» ^ terra. groíTura de hum braço humano, com cafca delgada,& fobre a terra com folhas ce, & fem diííabor algum a rama fahe delgada feytos á enxada debayxo plantaÓ-fe em canteyros I>e arvores f;ííí,!;í4í como as da hera , & muyto mecereijejrí^K&mií' da terra ; aíTadas ao lume faó excellentes, & muyto fadias, &
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^ g^smimofosfe comem cozidos, & faó bons, &fâlutiferosj ha picão algum tanto na garganta, &Z\7a. delies muy tos & mal cultivados que
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que OS Inhames , ( a que chamão cocos } os quaes faó mais rufti^^^^^ em folhas mais altas fobre a terra comoelcudos, ou adar,

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como banmeyrjis, ca-

&f6 pobres ufaÓdelles,&£iftentáo como páOi& nem dos Inhames, nem das batatas ha em Portugal , por mais que alguns queyraõ , que jà

apear

Olw:yras
tiz^qtonas

^^- càas viráo, mas enganaó-fe. p^ ^^vores de fruto fó não ha na Ilha de S. Miguel cerei^^^ d. prato, .^ ^ oliveyras , nunca delias fe fez azey te algii,
,

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mra

confome , domar; aíTim por poucas , a que o ar do mar Portugal ha la j poÁm toda afrnta de tugal; de todas as outras frutas de de macei, ^es, como toda a fruta de efpinho , &toda a caíla de e^nho,

Z

faz.er o ar

como por lhe ir de Por-

&

& muytas fao melhomaças & mayores
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ras,&toda a cafla de

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hortahus,hcamda p^ias do melhor j«í cm Por ^^^ ^^^^^^ ^^^^^ ^^^^ ^^^^^

ç.^ Portugal , & muytas de muyta dura j &: algumas que faó proBrafil,como canas de aífucarjfígos bananas, 8rc. que quanto
,

^^ ^ ^^^^ f^l^^^^ ^3,^35 figuey ras com cllcs.

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C;ap.XIX.ÍorÇâ1,&VaIêta eftranha da gête dèfta Ilha.

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como com perfey tas rofas èc cravos em o inverno , &: de fertilidade_, a toda a hortaliça em todo o anno tal he daquellas terras a que ajuda muyto o nunca haver grandes calmas no verão, nem frio» grandes no inverno, nem paíTarem muytos tempos emque deyxede

& perfeytos

,

,

;

chover, & ferem Ilhas fundadas

em fundamentos igneos,& conferva-,

rem fempre igual cálido , &: húmido & por iflb atè com os damat prios de algum tempo,feanticipaóaelle,com albiquorques , Mayo por cos , & alperches , & infinidade excellente de amoras defde a vender no mezde <Jiante, com uvas em todo Julho ,& vinho novo
frutos pró-

(

Agofto, 6c alTim todos os mais frutos. De lenha, & arvoredos della,fe achou tanto em S.Miguel^ 223 alta, que além de por cima delia fazerem em o prmcipio ^^^^^ ^^ ^ principia taó bafta, canas fe achaváo ^^^ ^«^ío alta, &, as eftradas , fem poderem rompella pelo bayxoj atè n^o groffk, porque defen^ arados delias , jde tanta groíTura , que faziaó cangas , timoens , Ma hm coma outra; efão as mais groíTas j & como do Maluco fe affirma haver là canas muy cheyas de tanta agua , que cada m^ de cinco palmos de groíTura , altas,

&

&

&

&

huma leva huma pipa & de agua tão doce & excellente que delia be.J^^ ^^;, , ^ hum homerh, & homem verdadeyro, que ^^^ ^^„^^ ^,,,^ ^ ,^ bem os Reys aíTim affirmava em Ponta Delgada ( fendo ainda hum lugar) vira (onde entaô eftava o Engenhos ha jà hoje^ pelourinho, & defronte da cadca) vira ainda huma malva que fendo &aíenhatHfUKttimuyto alta era da groíTura de huma pipa que groíTura & altura pois te. teriaô outros pàos E com tudo cora a entrada do aíTucar, & Engenhos dclle na Ilha & com ella fer eílrey ta & ter tão grandes & profundos
;
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valles , que dclles fe não podia trazer fora a lenha , tanta fe gaftou , que de jà hoje na Ilha foy também caufa de fe tirarem os ditos Engenhos,

&

lefcuftofaalenha.

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Da valentia^
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XJX.

& deftreza da gente defta Ilha, & do muy,

quefe vive nelía , ér dos monftros , que nella fe viraÕ»
do

224,

DEÍla matéria trata Fruftuoío oem quatro capítulos defprincipal tocaremos. Em
a_^ de
60. atè 64. feu livro 4.

ex- O exereics9 das fori os priricipios da Ilha eraõ nella os homens taó dados à montaria , forte mantimento çasasaHgmenta , ef. continuo , «rcitados nella, que com o exercicio,

&

&

&

adquiriâo forças

,

& deftrezas eftupendas. A hum Pedro Ribeyro & de P^^^^^^^^/^JJ '"',
» ,

Ribeyra Grande, inveílindo huma vacca brava, &:dando-lhe por diante hum furiofo encontráó ou focinhada elle immovel períiltindo fa,

hio neftas palavras , ( Talfois vos o vacca ? pois como a huma cabra vos hey ^e ordenhar^ Sc lançando-lhe a mao a huma perna deo com a vacca em terra, & a fubjugou debayxo de feus joelhos com tal força , que quieta a ordenhou, como fe foíTe huma cabra , fem ella mais fe atrever a olhar para elle a hum touro , a que ninguém fe atrevia a appar£cer , com deftreza ganhando-lhe a volta, & lançando-lhe a forte mão á cauda, lhe deo tal pancada em o efpinhaço , que derreado .cahio , &: para nenhuma
:

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Lívfo V.

Dâ fatal Ilha de S. Miguel.

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r -

"

cóufa mais prcftou. E com efte homem íèr grande de corpo , com fuaii mãos levantava htima anchora grande de nav io , & a punha a feus pey-t COS. E indo emfim a Africa com o Capitão Donatário Manoel da Cafnera na occaíião da tomada da Villa , & Cabo de Guè , tomou efte ho* memhum montante, & fahindo aos Mouros matou tantos »& fez tal ierra de mortos> que não podião já chegarlhe os vivos ; & acometendo muy tos mais à roda , depois qúe canfou de matar nelles , fe dcytoií no chaó, dizendo cftas palavras, ( O' cáes comeyme agora) & allio matàraóentão, Hum João Lopes , que morava nos Mofteyros , foy ho225 ínem de taes forças , que andando na debulha com huma cobra de gado, por fc tirar acafo o tamocy rodo mourão, começando a ir cahindo para a parte de hua rocha defpcnhada, elle pegando na rèz que andava no mouraó , & fazendo fincapè , teve mão em todo o gado , que fe hia jà defpenhando , & fó duas rezes fe aíFogáraó , ainda da parte de cima , fí^ cando as mais todas vivas j rnas que muy to , fe efte homem , indo por qualquer ladeyra com o feu carro,& boys, fe hum delles fe fahia, & cahia canfado jà da canga , elle o tomava em léus braços , como fe foffe huma o levava à canga outra vez ? & a qualquer outro boy peganovelha, do-lhc pelo pè, ou pelo cornOjO fazia eftar quedo>&: paraicafa,& de lon-

&

&

ge levava hum boy morto às coftas como fe levaífe huma cabra 3 & em húa occaíião tomou fobre fuás coftas hum quarteyro de trigo emdous
,

tudo levou camihuma tarrafa cheya de peyxe , íaecos grandes , nho de huma legoa para fua cafa > o mefmo faziaó outros homés , efatè huma fua filhajMa' pecialmente íeu filho, Joaó Lopes Meyrinho:

&

&

&

&

VaUntU àt

''

Lopes , com fer mulher de Manoel de Òlivey ra , homem rico,& nol)re , chegando a húa mò de atafona , ( que difficilniente movião dous homens ) k mettendo-lhc o braço pelo olho da mò, a levantava, & pu\ \ nha onde queria. BalthezarRodriguez de Soufa de Santa Clara, de Ponta \ 226 \Delgada, era homem tão valente , que pegando com hunia mãô pela f"f*^^f^ 'aponta a hum touro, & com a outra pelo quey xo , o derrubava em terraj & encontrando huma vez dous homés na rua, & à efpada brigando,lançou-fe a hum grande cão que hia pafiando &c pegando-lhe em huma perna, com elle em o ar, por não levar efpada , fe metteo entre as efpadas dos que pelejavão, & efgremio de tal forte , que os contendores pafmados de tal homem , fe apartarão entre fi , & do homem muy to mais; ao qual dizendo-lhe hum feu efcravo , &: mouro huma vez , que o não havia açoutar , arremeteo a elle ,& tomando-lhe a barriga com as mãos, de tal forte lha abrio , que lhe começarão logo a lahir as tripas envoltas
ria
j

^

,

,

em muyto
'Moi valtMia de he-

mes ^amáahe major,

homem em lançando a mão a hum poldro furiofo, o fazia parar, íembolir mais: a hum grande cão defila,feytaapofta, opartio cerceamente pelo lombo com húa cutilada jôc com outra, pelo meyo, totalmente dividio a hum grande porco pendurado: encontrando a hum almocreve que derrubava huma parede para paflar hum jumento , pegando defte o lançou, como péla, da outra banda: vifangue. Efte mefmo
, ,

raõ-o por vezes quebrar entre as

mãos duas

ferraduras juntas

;

&:

com as
húa egoa

mãos levantar huma pipa cheya

de vinho, & pelps pentes; vindo

Cap.XIX. De valentcg,& deftros Cavalíeyros.
egoa cabida
,

ii/;

homens juntos fem apoderem tirar chegou elle, & fincando os pèsj pegou pela cabeça à egoa > &: a lançou da outra partejchamando aos homens borregosj & o meímo fez outra vez a hum feu cavallo , freado , & fellado 5 & as mefmas forças tifcis

em húa funda ribeyra j & a

>

\

íiháo

5

feu pay , feu irmáo^

& dous feus filhos.
&
&

mais celebrado cafo foy j que levando o Ouvi227 dor, & muy ta gente cora elle, a Pedro Rodrigucz prezo , irmão do fotirou a efpada, bredito Balthezar Rodriguez , fahio eíle com capa, todos o prezo das mãos , pelejando mais de huma hora 6c Cornando o irmúo a entregarfe à prizão , o irmaó Balthezar fegunda vez lho tor-,

£ ainda

o Ouvidor , gritou da parte delRey, qutí prendeflem aquelle homem & com ferem mais deduzentos os da parte da juftiça, nunca o poderão prender, & o deyxàrão. Querelou então o Ouvidor da ferida recebida j & defendendo-fe o Balthezar Rodriguez , fer a ferida taõ pequena , & elle homem de tantas forças , que iiaó podia fer chegar a alguém com fua efpada, &tam pequena ferida imprmiir , & que o mefmo Ouvidor fora o que fe ferira nas guardas da fua efpadaj & emfim affim fe julgou. Eis-que eftando jantando o chamado feridor , lhe derão avifo que vinha o Ouvidor com muy ta gente ar- j)g ^g^^ CimReJré inada a prendello ; & perguntando elle fe vinhaô já perto, ôc refponden- tremendo^ do-fe-lheque vinhão ainda longe, continuou o jantar com graó foíTe" gO} mas tornando quem lhe diífe que jà vinha perto a gente a prendello,

nou a tirar

-,

& vendo- fe já ferido

-,

4evantando-fe então, tomou a lança, & adarga, Sc montando acavallo lhes fahio ao encontro j 6c vendo mais de cem homés que vinhão com o Ouvidor a huraa carreyra de cavallo , metteo elle as pernas ao feu com
a lança enreftada,6c bradando, ^/<í/íí, afajia j todos logo fe afaftáraó,6e paíFou livre, ficando attonitos todos.

228
Sc

O Cafco, de alcunha, mancebo morador em a Bretanha,
,

que levava aos hombros vinte alqueyres de trigo, vendo em Ribeyra Grande ir fugindo huma novilha, 6c muyto brava , fem querer entrar na cobra da debulha , elle arreraeçando-le a ella 6c pegando-lhe pelos pès, ^ &: pelas mãos , a trouxe como huma ovelha , 6c a metteo em a cobra hú filho defte , aufentando-fe-lhe hum furiofo boy lançou-lhe a mão cora tal força a huma ponta , que lha arrancou do lugar onde eftava outra vez em a ponta de Ribeyra Grande inveftindo-o hum touro , que vinha fugindo do corro faltando os palanques elle com tal força lhe lan- _, çou huma mão à cauda èc outra à perna, que o derrubou , 6c acudindo ^^^ mais gente o levarão para o corro. Vive ainda efte homem, 6c com fer velho , tem fataes forças ainda (diz aqui o Fruítuofo cap.62.^ E outros homés havia nefta Ilha , que lançando hua mão à ponta de hum bravo touro, 6c logo outra mão à barba, o eítendiaó em terra. Chriftovão Luis , filho de Pedro Luis , da Villa de Agua 229 de Pão, foy taõ forte cavalley ro , que a cavallo lançava hum dardo tão longe com a mão como húa béfta lança huma fetta , 8c ainda mais. António de Sà , filho de Joaõ de Betencor , 6c de D. Guimar de Sá , da Cidade de Ponta Delgada, era tão valente homem, que em Africa, no cerco de Cabo de Guè , fahindo a defafio com hum valente Mouro , ( que defafiava aos Chriftãos} arremetendo a elle , o arrancou , 6c lançando-o
:

,

:

,

,

^
'

nálentffíí^ "^

,

,

,

T

fobra

%i%

LivroV.Dâíâtàl Ilha de S.Miguel.
horabros
,

foibrc feus altos

ainda que lhe deo nclles huma ferida grande, entregou o não largou , mas vivo o trouxe , lhe fubjugonas mãos , ao Capitão. E eftemefmo Sà fobre as duas palmas das mãos levantava do cháo a quaelquerdous homens j 6c firmando- íe em pèiapoftava com

&

&

qualquer homem, que lhe deíTe com húa tranca em as curvas com quanta força pudeíTe, que ainda o não faria acurvar j & allim faccedia. Galpar Vaz, parente de Balthezar Vaz de Soufa, (am* 230 bos de Ribcyra Grande ) fendo Capitão de huma Companhia em guerras de italia, tantos Eftandartes tomou aos Mouros húa vez , que a ban* deyraReal com as mourifcas armas mandou àRibeyra Grande afeu pay, & por muyto tempo andou na Villa atè fe romper, por a não guardarem cà com a eftimaçáo devida. A Gafpar Homem da Coílaforão defafiar em Villa Franca hum Vianez , & outro Algaravio , & fahindoos deyxou ir curarfe j porém cu* lhes elle fó, fomente ferio a ambos , eftando já para fe embarcarem , tornarão com outros rados elles , para fe vingarem delle,Sc efmuytos a bufcarâo mefmo Gafpar

&

&

Homem

te fahindolhes ao encontro

com capa,&: efpadafeyta, nenhum fe atreveo

ao acometer, &
231
.

elle os foy

acompanhando,

& voltando, lhes mandou hii

bom mimo para

o mar.

Belchior Baldaya, nobre filho de Gonçalo do Rego, foy homem de tão grandes partes , como fe vera. Na Cavaliaria foy taó vindo com elle a Hefpanhajnundeftro, que andando cora Carlos V. de cavallo ; a dous cavaica achou quem o venceffe em armas de pè, los faltava de hum falto, fem tocar com o pè em algum delles , ôr pondo fó huma maõ em o primeyro. Correndo áeipora fita , lançava taó longe huma vara de doze palmos , quanto hua béfta deyta hum virote 5 &: húa

&

&

vez na carreyra do cavallo defpedio com

tal força

huma

cana,

que ficou

em a anca do cavallo & fe tornou
,

à fella dentro
,

da carreyra.

Na Cida-

valen °
tiffimos.

, de de Évora ^úz publico cartel de defafio & jugador de péla , que naó achou em pè , nem a cavallo. Foy taó grande Htípanha quem o igualaífe , fenão hum chamado o PranchaSj & jugando com o Infante D. Luis, acabado o jogo com huma pequena corrida manfaltou a corda por cima , fem fe ouvir o cafcavel , & o Infante lhe dou dar vinte mil reis , que naquelle tempo era data grande. Veyo decorrendo a pois á Ilha, & enfinou a muytos a apanhar do chaó laranjas , palcavallo. A mais groífa ferradura quebrava entre as mãos em cujas

nenhum o venceo nem á

,

-,

dous homés , os levava , como pélas, vinte paíTos. Na praquarto de tonel ça de Ponta Delgada vendo huma meya pipa , ou hum cheyo de agua o tomou nas mãos , &: no ar o poz à boca & bebeo pelo batoque , como por hum púcaro de agua. Por vezes dando húa palmada em a anca de hum ginete , defpedia tal carreyra , que o ginete corren-

mas pondo

a

,

do o naó pode alcançar atè o fim da carreyra :& vendo
ro

a

hum

cavai ley-

em Évora correr em pè fobre hum cavallo, correo elle outra carreyra eom huma lança na maó, 8c pelo coto applicada ao nariz; & naó podencor^ o competidor , lhe refpondeo , Fique hua pela outra quarenta ria a cavallo com duas lanças nas mãos, & o freyo em a boca. E cinco pès faltava de três faltos }& quarenta & fete pès além, lançava
tal
:

do fazer

&

&

huma barra de vinte

& cinco arrateys. Defafiado

a

huma luta, mandou
que

Câp.XIX.po muito q fe vhê,moh,^Ctvinõnc^A lih.itf
que lhe ãtaflem o braço efquerdo'a húa coxa j & atado dcfta^forte derru-í bou a quatro homès; èc inveftido de hum touro , lhe deo tal cutilada cm Forttffmis LnBadéJ húa coxa , que logo o jarretou. Seria nunca acabar ,xontar Codas as faça^- r«. nhãs de tal homem. _ Alguns Algaravies, indo à Ilha bufcar trigo, procurarão 232 por homés ludadores , para experimentar forças , & encaminhados logo ao lugar dos Fenaes , em demanda de hum ludador celebre , & indo ia o mais valente Algaravio , & dando com hum homem , que falqueja^ ya madeyra para huma grande cafa , & fem o conhecer , lhe perguntou ^ .. por aquelleludador} (lendo efte^pmefmQ que o outro demandava }ôc ouvindo-o o falquejâdor , lançou a maó á ponta de hum grande caybxo, j8c meneando-onoarcomo a húa varinha, com ella apontou para huma caía, & rei pondendo-lhc áíffe: Naqueliacafamora ejfe homem. Oqu© vendooAlgaravio,acudio dizendo: F.M. deve fero aquém eubufca-^ ^ay&nao tenha que ver^ mais , nem que mais experimentar iòz. attonito fe
.

.

,

íby.

.":..

-ft^zÁ'

'^

NomefmoZ/t;. 4. ír^/?.,é2.deFru£tuolo, emprovados bõs ares, & bom clima da Ilha de SaõMiguel , fe conta de huma M2in2i. An-^Do ntuyu que fivt^ nes mulher de Joaó Moreno , que morreo de i o 8 annos , & com trinta ve na /lha de S.Mt-, defcendentesfeus àcabeceyra ,& deyxandojámuytostresnetos Equei**^^cmRibeyra Grande houve húa Ignez Gonçalves, & Catharina Gonçalves fua filha , cafada com Fernando Alvarez o pequeno } & que a filha era de cem annos , & a mãy tam velha , que tornou a fer menina , chamava mãy à filha, 6c fó comia papa , & andava de gatinhas mas que na mefma ViUa houve também húa Bartholeza Francifca , filha de Joaó Franco, a qual tendo cento &dez annos, andava pelas ruas íêm bor233
.

&

:

& com tedos os dentes & toda a fua vifta & bom juizo ainda & que fem tudo ifto & com bordaó andava huma fua filha atraz delia &
dão,
, ,
, ,
:

que hum homem deofficio pombeyro,& de mais de cem annos de idade, andava a pè, & em hum fó dia , caminho de oyto legoas & muytos
, ;

com

íuas mulheres viviaó cafados fetenta annos,

efcreve , eftando na dita Ilha
gário de Porto Fermofo,

em o anno de

1

665

.

& mais. E quem ifto foube do Cura & Vi,

que havia quatro annos não morrera naquelle lugar ( com fer grande} peíToa alguma mais que hum Anginho j nelle haviamuytas peíToas de mais de cem annos & hum difcipulo tive eu ià, que fobre ambos os pays , tinha ainda todos os quatro avos vivos , ha

&

;

cincoenta annos. ..; Beatriz Fernandez 5 náVilla da Alagoa, morreo de cento 234 fua filha Ignes Annes de cento vinte hum dous annos, dez j Pedro AíFonfo ( de alcu nha o das barbas } morreo de cento vinte j Sc outro de cem annos j hia no veraõ fegar ainda como de antes. Maria Gonçalves , de Diogo Pires feu marido que tinha vindo de Põrtugâl> teve quatro filhas ,& hum filho, deftes filhos teve netos, bifnetos, tresnetos tantos , que chegou a contar cento dous , lhe aífiftiraõ à morte noventa & fete , faleceo de mais de cem annos. Outra Maria Gonçalves, mãy de Luis Galvão , de Pont>a Delgada , fabendo que a juf* çiça hia jà a huma quinta a prenderlhe o tal filho , de repente fe veftio

&

&

&

&

&

&

&

&

&

&

&

^m traje de homem , & montaado em hum
'

cavallo

com

adarga ,
,

T

& lança^

ij

*^:-,'sI*^

-

f a, paflbii a juftiça , chegeu à quinta , Híftante hum quarto de legoa , èc dando avifo , cavallo, armas ao filho, o falvou, & tirando a juftiça devaíTa de quem dera tal avifo , íahio ella dizendo , que não culpafíem a

&

'MaiordmArUmente jsrocedeo , vtvem maus as mu.
' *

cutrem, que cila fora , como mãy, fal var a feu filhoj 6c contra cila fe não morreo de cento, & tantos annos , fem parecer tinha tan^^^ ^iç. porém de reparar, que nefta Ilha ( como reparev eftando nelk^ vivem muyto , & muy to mais as mulheres , que os homens > a çaufa

&

Deos a
I

fabe.

235
I K

Monftrosdetodaacaftafèviraõfemprenatal llha.Emoan-

'3iA.^k
"

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ttfra.

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',?se.

f

-v*

•'!

-

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:

«o.no termo de Ponta Delgada nafceo hú bezerro com duas ca-^ peças , em rudo pcrrey tas , lo pegadas huma a outra , ainda que com huma fó orelha cada huma j porém com duas gargantas , quatro olhos^ duas bocas, morrendo foy aberto, & lhe acharão dous buchos dentro. 1 5 80. no primeyro de Dezembro nafceo em Ribey ra Grande hum ley taó ruyvo como a mãy, com todos os fmaes delia, a fabcr, com húa orelha forcada , & outra levada da arreygada até a ponta , fem diíFerença alguma da mãy, que hurh anno antes fora affim aflinalada. Em Villa *« dentro delle outro Franca fe achou hum ordinário ovO^ie gallinha , clara , como os ou©vo mais pequeno , mas com cafca dura , gema , ' Mtros ovos. No lugar da Achadinha fe achou hum leytaó com dous corpos perfeytos , & huma fó cabeça. Ern Villa Franca , a ó. de Agoíto de 1581. nafceo hum pintaõ com oyto pernas ,&viveo comellas, mas andava fó com as primeyras duas, & arraílava três por cada banda. Em 20. de Septembro de 1583. fahio em Ribeyra Granae hum pintaó da cafca, ôclogo logo batendo as azinhas, cantou três vezes dentro da cafa, tamalto,queo ouviaónarua. Pelo mefmo tempo na Villa de Agua de Pào vivia hum homem , que fendo cafado j com filhos , barbas no tanto ley te , como hõa mulher rofto, de feus peytos dava de mamar ,

no de

&

&

Em

&

& &

&

&

&

&

que cria, 236

E nem

fó da terra

,

mas também do mar

,

fe virão neftâ

rahitir^'*'

Ilha manftros notáveis , efpecialmente da parte do Norte , aonde por vezes tem^ado baleas,em Rabo de Peyxe,por' fer porto aonde fe achão ^^*^ comcudo muytas favas do mar, comer de que as-balèas goftaó muyto,

&

achou ambar.Em 1537. na ponta de Saó Brás, entre Porto Fermofo , & Maya , fahio hum tam grande peyxe, que fem fcr balèa, tinha quarenta-& dous covados de comprido , oyto de largo , & quinze palmos de alto & da ponta da boca até a guelra , tinha vinte & cinco palmos: pela boca, fe a abrira, poderia entrar húa junta deboyscom o íèu carro j achou-fe em maré vazia de hua grande tormenta ; da cabeça até o rabo tinha taes cintas pela banda de cima , que por ellas fubiaõ os
nunca delias
fe
•,

homés a elle, como fe fobe a hum navio & comtudo nem efpinha nem oíTo algum fe lhe achou. No primeyro dia andàraó cem homés com ma;

,

chados a cortar nelle 5 no fegundo dia cento & cincoenta j & todos juntamente, huns de huma banda, outros da outra, outros decima, Sí fem fe cftorvarem a primeyra parte por onde o arrombarão, foy o arcabouço, donde logo fahio tanto azeyte,& tam bom, que encheria três pipas, &: em dando na agua fe coalhou de forte, que o apanhavaó em paens como de manteyga. Defte peyxe fe fez muyto azeyte , & tam bom,
:

que

Cap.XX; Da S.& pfodlg- râitrofiiMái/prlclai de CHav.

iíi^

'Hmt íiaó fó íervia para a candeã, mas para curar farria , friâldadès, &c. ix-» «ha hum modo de oíTo junto do peícoço , &; outro junto ià à rabadilhaj -& tudo fe derretia em aze.y te. Os nervos eraô taõ rijos > que depois coni. beftas prezas ,fem jamais» çlks arraftavaó troncos, traziaõ os boys , quebrarem. Naõ feconheceo tal peyxe,pofto que alguns diziaó cha-

&

líiarfeTrebolha i

porém hum homem de fora , que muyto tempo eftivera em Guiné, diííe que era Efpadarte , & que em Gume vira muytos. Em 1580.3 10. de Junho, da parte do Sul, & da povoa237 ção velha até a Cidade , fe vio no mar hua travada batalha de três grandes peyxesj por efpaço de quatro, ou cinco dias , no fira dos quaes dous barcos de Villa Franca encontrarão com hum dos peyxes morto , Sc chamando mais batéis o trouxeraõ com cordas»para terra. Era o tal peyxe de noventa palmos de comprido , dezoy to de largo , &: outros tantos de altoj & também , como navio , tinha cintas ao comprido cabeça ée quinze palmos , & de outros quinze o rabo j em lugar de guelras ti-»,
;

.

nha ao redor da cabeça , ccmo taboas de ferro, com cabellos como fedas* em as pontas era tam lêco , que fó fe lhe tirou hum quarto de azeytc, pouco mais , mas melhor do que o da balèa & o pey xe na cor era todo negro diíferaó alguns que era peyxe Mulo j que nas índias de Caftella viraó muytos , & que os que o matàraó , eraó peyxes Efpadas , de que vinha muyto atraveifado pela barriga. Outro peyxe tinha fahido à Ilha, como hú baleato j & concluhio-fe fer o peyxe chamado Boto.
j ;
:

C A P

I

T U L O

XX.
,

Da Venerável Madre Margarida de Chaves
238

tida cojn^

mummenteporSanta-^érmilagro/a.

T~N Os primeyros que foraô a povoar a Ilha de Saó Miguel» era hum AíFonfo Annes dos MofteyroS homem muyto
,

íiobrc, Sc Cavalleyro profeíTo do habito de Saó Lazaro , que era Ordem Militar, & nobiliíTima entaój morou em Ponta Delgada, fendo ainda Villa, & morreo já muyto velho em o anno de 1 540. fobre nobre era taõ rico, que tinha cento SiC cineoenta moyos de trigo de renda cada anno, além de outras muy tas fazendas ,& rendas. Fez huma rica ,& bem lavrada Capella na Miíéricordia de Ponta Delgada , & da invocação de

^r-

.„ j,„^í}

J

^^ ^^n^

Margarida 4&

chaves.

Saó Joâõ Bâptifta, &
dra negra

nella eftá fepultado
j

em huma fepultura alta de pe,

com huma MiíTa quotidiana

& pata Capella & MiíTas dey)>

xou trinta moyos de renda cada anno ; deyxou mais o fitio em queí^ fundou o Hofpitâl i & renda para huma cama & fuílento de hum poh mulher de nobreza igual aelle, bre. Foycafadocom Catharina Enes chamada Maria AfFonfo , que fuccedeOí êc delia teve huma única filha no morgado, que fundou o pay, Sc cafou com hum nobre Varaójque ve«; yo da Ilha da Madeyra , de fobrenome ( Chaves } & foy p primeyro deíle appellido que houve em S. Miguel. Deíla Maria Aífonfo ,& do Chaves íeu marido nafcea 239 Mattheos- Fernandez que cafou com Brites' Rodriguez de Chavesj, , ,
.
.:

'

T

iij

vin*»

211

lLi¥m V;l3atítèííha:áe

S;

Miguel.

!

I'

III

«t!

vinda também da Madeyra , Sc eftc fuccedeo no morgado do avè ; êc a*^. dito Mattheos Fernandez luccedeo feu filho Manoel de Oliveyra , pay <ie Sebaftiaô de Teve, que empenhou o morgado,como fez também feu filho Joaó Botelho , cujo filho Felippe Botelho também o empenhou, cada líiim em fua vida dos mefmos Mattheos Fernandez, & Brites RodriguezdeChayes nafceo mais Catharina Fernandez ^que cafoucom argarida de Chaves , que ca^ Françifco Gonçalves, & deft es nafcèraô fou com Belchior dà Cofta Ponte , & Maria de Carnide máy de Franeifco AíFoíifo ; & do mefmo Mattheos Fernandez , & de Brites Rodriguez de Chaves nafceo também Maria Rodriguez de Chaves , que ca*'^ foii primeyro em Angra com Gafpax de Efpinofa , Caftelhano , & Cabo de guerra do Caftello de Angra, & defte matrimonio nalceo a Madre Joanna da Cruz, Religiofa grave do^nvelito de Saô Gonçalo & nafceo mais D.Salvador de Efpinofa , que por fuás grandes partes foy Capellaõ da Capella Real de Madrid em tempo de Felippe 1 V.&: là mor-'
:

M

;

rco ha mais de quarenta annos.

Da fobredita Maria Arfonfo íiafceo mais Anna Fernan240 dez, que cafou com Fernaó Cârneyro,dos quaes defcendeo Annade Tevesiôc defta nafceo AnnaCarneyra, máy do Clérigo Manoel Nicolao. Nafceo mais da mefma Maria Aftbnfo huma filha Magdalena Fernandez , que cafou com AíFonfo Enes de Chaves j que da Madeyra vcyo também j & deftes nafcèraô féis filhos primeyro , Antaó de Chaves, que morrco nas índias de Caftellaj fegundo, Gafpar de Chaves , de quç nafceo Manoel de Chaves ^que foy pay de outro Gafpar de Chaves , ôc efte de outro Manoel de Chaves Bènavides> tercey ro, Luis de Chaves, de que nafceo Balthezar do Rego , pay de Anua de Chaves máy de Joaó de Chavcsj quarto, Leonor de Chaves máy de Francifco Affonfo de Chaves, Vigário de Ribeyra Grande ,& dê Anna de Chaves, que cafou com Thomàs de Torres, de que nafceo D> Margarida mulher de Ignacío da Coila que foraó pays de Francifco Affonfo de Chaves^, & ' de Martinho da Goftaj quinto, Barbara de Chaves, que nunca cafou, &
;
,.

,

,

,

.

1
.!:;!P'

, &: dd Affonfo Enes de Chaves a Venera^^el prodigiofa, & beatifiima Margarida de Chaves , da qual contamos os fobrediros parentes, que pudeparentes Dospap, & ^^^^ defcobrirlhe pois de hum parente fanto íe ha de fazer mais cafo "' ^'"'^ da tal Santa. que de mil parentefcos dé fidalgos & por iíTo digamos ainda o marido^
,
;
"*

geração. foy femprepeíToa de grande virtude, Em fexto lugar nafceo de Magdalena Fernandez 241

&

'

j

&c defcendentes defta bemaventurada , & logo referiremos fua fantiííimavida. Seus ricos ,& nobres pays cafáraó a efta fua filha com hum fidalgo que veyo de Portugal , chamado António Jorge Corrêa, Cidadão do Porto , irmaó de Jacome Dias Corrêa , de que jà tratá-

mos, & trataremos ainda emfeu lugar,
cipaes fidalgos,

pois delle procedera os prin^
as Ilhas

Teve da morreo cftudando feu marido efta grande Heroina hum filho , que lhe em Coimbra, & já com fama de grande virtude & commua opinião de Santo; outro chamado Manoel Jorge Corrêa de Soufa , também forma» do em Cânones , & Cónego de Santarém onde morreo , &: na Ilha deyxouiiÀÍtituidahua rica, & nobre Capélla, fobre que fempré ha muyras deman-

&

mais ricos de todas

Terceyras.

,

Gap.

XX. Das virtudes deíla grande Heroina.'

it|

também teve outro filho Fâr íj^mandas de parentes a elía oppofitoresj dreda Companhia deJESUb, & luima filha Maria da TrindadejFreyrano Convento de Santo André de Ponta Delgada i ôc todos eftes H-i
lhos procederão fempre com tanta virtude , que moftravaô ferem filhos como mfceà \ de húa mãy lantaj de fua fantidade toquemos agora algua coufa.

&

&

& m*

Nalceo efta beata Margarida de.Chaves (que efteheo/i«, évinvou com 242 ainda mo^a.^ titulo, perque he commummente nomeada ) em o anno.de 1 5 15. de taó filhos nobres , ricos , & virtuofos pays , que defde a infância a inftituiraó em íin^Hilares virtudes i & ella em chegando à idade competente , & fó por obedecerlhes aceytou o eftado de caiada que lhe deraõ , fendo de idade
de quatorze annos, em 1529.&: he muyto de notar, que dando-lheDeos cinco filhos, & de taó rico, & nobre marido, que depois de nafcido o ultimo morreo , a nenhum deo ella o eftado do matrimonio , mas moirto o primeyro ainda eftudante , & fazendo a dous Clérigos , ao quarto met^ teoRèligiofo em a Companhia de JESUS & a filha metteo Religiofa em o obfervante Convento de Santo André de Ponta Delgada moftrando bem com ifto , que fó por obediência aceytàra o eftado de cafada, que mais queria as virtudes por defcendencia de fua nobre cafa , do que muy tos humanos defcendentes j & affim morto o marido, fe metteo logo na tercey ra Ordem da Penitencia do Seráfico Padre S. Francifco,
, j

Ul

n

4:

&

^

fendo ainda de idadede vinte & féis annos , dos quaes foy cafada doze. Como fe mettes «4 Nefte eftado de viuva Terceyra Penitente viveo trinta 243 quatroannoseftaReligiofiflimapeíroa,& tamdada à penitencia , que l''"^'^.P''^'^f^ €m lugar das galas que em vida de feu nobre marido era obrigada a tra- ;JZTme»ci^ S ' zer , trazia continuamente , debayxo do honefto habito de Terceyra, aí-^^^^^ ^ peros cilicios, & nem as noytes dormia em cama , mas no puro fobrado da cafa com hum madeyro por cabeceyra , & o mais da noyte paífava em oraçaó,& repetidas difciplinas j doze annos jejuou todos os dias, excepto os Domingos ,fem tomar confoada alguma > todas as Seftas feyras

;':

-

&

a pâõ
far

,

& agua & da mefma forte todas
,

as

Qiiarcfmas

-,

& chegou a pafatè a
/

da Pafchoa, fem tomar comer alguraj & tendo fido taó rica, & naó faltando adr filhos com tudo o neceíTario , conforme a fuás peflbas, officios, &: aulencias, tudo o mais que podia repartia em efmolas. Frequentava os Sa,

huma inteyra feraiana Santa defde a Dominga de Ramos

^
^
yiii.,1,

"^-^

cramentos da Penitencia, & fagrada CommunháOi& para iflb tinha hum ConfeíTor ordinário , que era o Reverendo Padre Brás Soares , Clérigo, para feaconíelhar , & fegu- De Çetu Confeforet^ bom Moralifta , & de notórias virtudes rar, & confeííarfe também , recorria fempre ao grande , & virtuofifiimo/rí^»è«4 doí Sacras Theologo o Doutor Gafpar Fruítuofo, & aos Padres da Companhia mentos, df era^ai de JESUS , quandohiaó àquella Ilha em miíToês , por naõ haver nolh continfia. ainda Collegio da Companhia, como depois houve, & ha. Continuava tanto a oraçaó, que parecia viver fomente de 244 orar, & na oraçaó fe lhe communicava tanto Deos , que affirma o citado
-,

&

>

,

Fruáttiofo liv.^cap. 95 .que o que dividido communica Deos a muytos comtudo , quando alSantos , junto o communicou a efta fua devota } gumas vezes o Senhor fufpendia o darlhe na oráçaó confolaçoens mais

&

íeníiveis,

então ella perfeveràva mais orando , &: tam transformada

,

&

i

i

"

{

\

conforme com feu Deos, como quando recebia do Senhor os mayores
f
-

bene»

%%4
.

LiíTo Vi Dàfaíâíllhade

S.

M%uèf^

benefícios , ainda exteriores , porque nem fabia., nem queria hiikát à Deos por intereíTes próprios j mas íó por lhe cumprir fua Divina vontade i 6c por iffo quando mais fe fentia elevada em o Senhor entaó a fi
,

confundindo- fe em o profundo de fua indignidade, & bayxezaj juntamente como Martha retirando- fe, Sc como Maria, nunca apartando- fe de feu Deos. Affim chegou a lograr as virtudes Theologaes em taõ fu245 bido grào , que da virtude da Fé Divina afíirmàraó o grande Theologo Fruftuofo, 6c o douto , & devoto Clérigo Brás Soares , que quandoa confeflavaó, ou fallavaó de Deos com elta Santa, taes coufas lhe cuviaõ
própria

mortificava mais

,

da SantilTima Trindade , da Divina Euchariftia , Sc do amor Divino 6c mais myílerios da Fé , & com taes palavras , tam novas comparaçoens, tanto fervor r& firmeza , que lhes parecia ter efta creatura por Meftre ao Efpirito Santo , & fallar nella, & que na fua oraçaó fe lhe revelara tudo, como fe tudo vira com feus olhos ; & que tanto fe ajudava com a Sagrada Efcritura , que moftrava tinha delia fciencia infufa. Na Efjjeranoraçaó , .& fen-. IJJ4 feUncU infufa Ç^ ^ achavaó tam firme, & tam regalada que eftando em 'fvirtttdes7heolo^aes,ào arrebatada em efpirito ao Ceo,& vendo aos Coros dos Anjos, & ac^ '& Divino amor </e mais Bemaventurados, a eftes, & aos Anjos tudo era perguntarlhes,An^ Dtos a fue chegou, jos, & Santos do Ceo, aonde eftá o meu Deos , & meu Senhor ? que aqui fo atirava fua sfperança & nada do mais lha fatisfazia &: de muytas iU luftrações que tinha, fempre tirava hum faftio de todo o que Deos náo era, &huma perpetua fome, &faudade de Deos ,& tíió intenfo ódio de toda a culpa, que aíTentaváo comfigo os dous: citados fugeytos , que tal alma como aquella, jà em efta vida eftava confirmada em a Divina
,
-

,

,

:

'

graça.

foy tam excellente efta fanta alma , que reprefentando-fe-lhe ver a Chrifto Senhor noffo , aind^ fe naó dav5 leu amor por fatisfeyto , mas logo , como por humaobfcuri* -dade, fem nella parar , hia infinitamente adiante em bufca da Divinda..vj,

246

Na Charidade,& amor Divino

i

;

'>
,
.

-.
.

de , único fim, & final objefto de feu puriffimo amor & a humanidade de Chrifto puramente a excitava a fe accender mais no amor Divino , Si mais lhe agradecer o humilharfe a ttHnalla 5 &: a efta agradecer cadáver; mais o muy to que fe humilhou a padecer por nòs , atè morrer em huma :Cruz por nos falvar & daqui tirava para fi a profunda humildade , em que poz o fundamento de todas as mais virtudes, da devQÇâó admira* vel de Deos , do Senhor Sacramentado dos Anjos , & Santos todos , &: da abnegação continua de fi mefma ,& perpetua morrifícaçáo de que fe quizeífemos tratar , feria nunca acabar pois atè ir defta vida para ò Ceo alma taõ fanta ,com ter tido larga vida nugmeiatou fempre as virtudes fobreditas , & o mefmo Deos manifeftou tanto fua gloria , como
j

j

,

i

j

,

agora veremos.
/

Ainda em vida defta fua ferva obrou Deos por ella tam grandes maravilhas, queo Doutor Fru£tuofo affirmou, que naó oufava rogar a Deos por ella, ainda em feus íacrificios, viftos taes prodígios, quaes Deos por ella obrara; mas que rogava a Deos que fe lembraíle deile pelos merecimentos de tal Santa & não refere comtudo, & em par*,
247
;

ticular, osprodigiofcscafos,pornaô eftarem ainda declarados por milagres

Cap.XX. paíatitamorte,5c vener. qtetaôS.creatura. ii|
Romana, &c Catholica Igreja diz porém que o Doutiffimo daCorapaPadre Francifco de Araújo, indo em miflaó do Coliegio
lagres pela
>

de JESUS da Ilha Terceyra a Saõ JVliguel , & fallando muytas vedelia , & de fuás maravilhas, zes a efta Santa viuva , & ouvmdo fallar que era, & lhe chamava Paf^ não fó julgava, & dizia que era Santa, mas fó pelo que padecera pelo amor de Deos , de perfeguiyÍT-i/á I>íí'/»<í i náo
iihia

,

^

mefma exerciçoes ,&: contradições do mundo , nem ló pelo que em.íi adgrandes , tara de penitencias continuas j mas efpecialmente pelas miráveis obras que Deos noflb Senhor por efta Santa obrara , amda era

&

vida delia , como por huafua Ftf^i;^ Í>m»^. Tal devoção tinha ao Santiílimo Sacramento, que naó 248 doSa^ fô çommungava muyto frequentemente, por mandado dos Coníd- Da dtvoçAÕ Mi{-ífffmo,&daSant^-^ fores ^ mas eílando na Igreja naófahia delia em quanto houveíTe também ella ef- V^'^^'^^l^JJ^^ fasi & quando o Sacerdote çommungava realmente , '.2«" 1^*. — * piritualmente çommungava , Ôc ( coufa rara! ) fentia em fua boca o iaem fua alma os eíFeytos de huma bor dos accidentes Eucharifticos , real , & perfeyta Communhaô j & aíTim foy a que entaó introduzio na

&

Communhaô j tal familiaridade Ilha a frequência da ConfiíTaó , tinha com o Senhor Sacramentado , que affirmou a feu Confeflbr , que fe lhe moftraflem muytas hoftias , das quacs humas eftiveífem confagraquaes não eraô, aífinaria , quaes eraõ , das, outras não , conheceria , as confagradas ? Da Virgem noíTa Senhora era taó devota , que toman.do-a por valia , par a que Deos lhe revelaííe quando havia morrer, & lhe

&

&

&

&

alcançaíTe

que foífe

do que dalli a três &:nodiadoNafcimentodaVirgemSantiffima,cmoyto deSetembroj

da Senhora , foylhc revelaannos morreria} & aífim fuccedeo , três annos depois,
^

em dia de alguma fefta

*.•

com efta nova fahio da oraçaó taõ alegre , que admirada a filha lhe perguntou ,qiie alegria era aquella. Refpondeo, que era o faber jà, quando havia morrer. Naô fcy de que mais me admire fe de tal deíapego defta vida,fe de talfaudade,& taó firme efperança da eterna gloria.Em vida teve o dom de profecia, & com elle avifou huma vez de hum perigofo laço que o demónio havia armar ao feu ConfeíTor , 8c o livrou dellcj Sc o mefmo Confeflbr , & a filha defta Santa , teftificàraó , que quando
,

p

actualmente tinhaó tentações fecretas
cia, 6c

em

fuás almas, a Santa as conhe-

fem delias lhe darem final algum , ella acodia logo , & lhes dava os remédios para as vencerem. Sabia quem tinha occultos livros profanos, & quem delles ufava mal , & mandando a Lisboa comprar grande numero de livros efpirituaes,Scdiverfos,hia-fe ter cora os quetinhaó os profanos , & pedialhos empreftados , deyxando-lhcs os devotos, que mais íhe rinhaó cuftado , & em òs tendo os queymava , 6c quando Iho^ tornavaõ a pedir , refpondia , que fe tinhaó queymado,que em feu lugar lhes dava os que lhes tinha deyxado, 6c defta forte extinguio a muy£os livros profanos , 6c obviou muy tos peccados. Vivendo ainda em S. Miguel efta ferva de Deos , outra peflba tentada do Demónio em outra Ilha , hia já andando em bufca do feu peccado , eis-que de repente lhe apparece diante a dita ferva de Deos , ( que eftava em outra Ilha , 8c a quem o peccador conhecia d'antes muito bem)6c lhe difle eftas palavras: ©7^ mo temes a Deos 6c comiftofó, pafmado o peccador, defiftedo
^.

pecca-

Xl^

Livro V. Da fatal Ilha ác S. Miguel.

'?!!

I

peccado j volta para fua cafa , & faz peíiitencia delle. Oh quantos milâ° grés vaó cm cite juntos mas por brevidade deyxemos outros muycos. Vendo emfim efta fiel ferva de Deos , que fe lhe chegava H9 mair f j l •; tempo de fahir deita vida para a outra,& adv ertindo, que por dJe^&aJor doTan. ° ^^vclado tapobrez.a^ &prodi- ^"^ morte fe achariaõ os inítrumentos de fuás morcificaçóes , & penicen-cias , a todos de tal forte os desfez , que não pudeílem acharfe , nem por gioi^nç Qbroft. ieus próprios filhos j & a eíteS lembrava muycas vezes , que mais queria vellos humildes , do que em póftos, Sc dignidades grandes. Oh exemplos raros de humildade deita lhe nafciao grande amor à virtude da pobreza , & aos pobres j & aílim dizia , que fe não tivera filhos , nada refcrvari.aem cafa, que em huma mortalha de efmola aenterrariaõ j ôc fempre que via ás fuás portas muytos pobres , fe alegrava entaô muy to, & a todos foccorria j & demais mandava faber de todos os foraíteyros pobres, & honrados , & occultamente lhes mandava efmolas grandeSjSc huma vez paíTando pela fua porta para a cadea hum pobre por dividas, pedio á jultiça, lhe diííeífem que dividas eraó aquellas, & fabendo-o as pagou todas , & dalli voltou o prezo para fua cafa j & porque coílumava comer ámefa com algumas mulheres pobres, em as vendo mal veítidasjfe tirava feusveítidos , Sclhos dava,& por vezes os tirou à fua própria filha, & os deo às pobres. E tanto fe agradava Deos deitas ef>inolas , que muytas vezes lhe crefcia o trigo em feus celleyros, o paó cozido nas arcas , & em fuás próprias mios tudo o mais que repartia aos pobres :& huma vez que qucrendo-lhe huma pobre fallar, refpondeo que não podia , diíto logo tanto fe arrependeo , que logo a foy bufcar a fua caía, & lhe pedio perdaõ , & lhe deo a efmola que queria , 6c nunca mais a pobre a negou. Chegado pois o dia doNafcimento da Virgem Máyde 250 Deos, em oyto de Setembro de 1 5 75. tendo eíta Santa Matrona feííentaannos de idade, & recebendo eíta pura alma todos os Sacramentos [Morte prevíjfa , ^j^ Igreja , fem dar final algum de fua próxima morte , efpirou , & fe foy fant^. ^Qj^ ^ Virgem Sacratiílima a renafcer em a Bcmavénturança porém a gloria deita humilde alma , que ella queria taó encuberta , deícubria o mefmo Deos com taes prodigios , que fó com agua tocada cm huma fua relíquia , & bebendo-a em Saó Miguel hum Ruí Gonçalves, & na Univcrfidade de Coimbra huma Dona Ifabel , fobrinha do Doutor Gafpar Barreto, Reytor do CoUegio de Saó Pedro , eítando ambos já ungidos, para logo efpirar , em lhe fazendo levar a dita agua , de repente tornarão em fi , abrirão os olhos , & ficáraó faós de todo. Em Saó Miguel havia huma cafada , Petronilha Pereyra, que defde feu nafcimento nunca teve o terceyro fentido do cheyrar , & huma fua criada eítava mortalmente enferma trouxeraó para a criada a agua tocada na relíquia da Santa j & vendo-a a que carecia do fentido , logo o teve perfeytO)&: bebendo-a a criada , ficou de repente faâ. Em Villa Franca da mefma Ilha de Saó Miguel huma Maria Francifca , fanguinaria antiga , & outra do mefmo nome, & doente, que por incurável jà a tinháo dey xado os Médicos, em cada huma bebendo a dita agua, faràraó perfeytamente. Em Coimbra , no CoUegio da Companhia deJESUS, hum Padre Joaó Baptiita, que havia doze annos padecia mortaes aecidentes do cora! !

&

-,

&

:

ção.

Cap. XX.Daíântamóíte,&vcnc^qtctâQSxreãturâ. 117
caô, &c melancoliaj

bebendo duas^

011 três

gottas da dita agua, naõ fó

Ir.

vrou logo do mais forte accidente , mas nunc^-naais lhe tornarão , eom viver amda muytos annos. No mefmo Collegio , 6c da mefma mortal doença, chegarão dousjambosjàungidosa ás portas da morte: não oc« çorreo darem a agua ao que ainda não era Sacerdote,Sc morreo j deraõ-a

ao Sacerdote , & ao fegumte dia fe levantou bom , & íaó. Deyxo outras maravilhas , que fe podem ver na recopilada vida deita Santa impreífa cm lingua Caftelhana, cujo titulohc (Breve Compendio de la vida fanara de ia Venerable Matrona Margarida de Chaves , de gloriofa memoria.} E eu a tenho em meu poder. Depois do falecimento delia Santa f diz o noflfo Fruduo* 251 fo) a manifcftou Deos por tal com muytos milagres grandes , &: de diverfas caftas , que fez naõ fomente nefta Ilha, mas em Portugal, no Arcebifpado de Évora , no Bifpado de Miranda , & Bragança , & no de Coimbra , aonde os Padres da Companhia de J ES USlevàraó fuás Relíquias ; de tal forte , que oRcverendiílinio ,& illuftre Cabido da Sè de Coimbra commetteo ao Revcrendilfimo Doutor Frey António de Saó Domingos , Lente de Prima de Theolpgia na dita Univerfidade , o tirar fummario

ÚltlMIi

dos milagres, & dar feujuizofobreellesi & otirou,&julgou, não fo que os tinha por verdadeyros milagres, mas que a peíToa era fanta. Seguio-fe aifto mandar o lUuílriíIimo Senhor Dom Manoel de Gouvea , feu Bifpo de Angra , tirar outro fummario na Ilha de Saó Miguel dos taes milagres , que fendo-lhe aprefentados em a Cidade de Angra , os fez ler por duas vezes diante de Letrados , Theologos , & Pregadores , alguns Canoniftas , & cada hum per fi, & todos, fem difcrepar algum , difleraó que a vida fora fanta, & que as coufas que noflb Senho?
fizera porfuainterceíTaójkírim

'

1

depois damortejeraó a Caitonhs '^PP.^J^^ milagres, & por taes os tinhãO} &: fe devia efcrever a fua Santidade , que á í'*"/^'' S. Mageftade , para que favoreceílem efte negocio em Roraa j ^'^"^fi^'^', fua fepukurafe devia ter rerpeyto,& acatamento, &fazerfe-lhe alguma J^''^''^^J ^^^^iJ que confiderando o dito Senhor Bifpo, jul- ^*~ ^ diíFercnça das outras,&c. ^^^^^ ^^ gou a vida por íanta , &: approvou os milagres , 6c mandou que à fepul- jg^ftitHra.

em vida, como

&

&

r

ii

O

^

tura aonde eftà o corpo da Santa,fe tiveíTe refpey to,& acatamento, 6c ao redor delia fe puzeífe huma grade 5 6c fobre ifto efcreveo a S. Santidade,

iri'

a El Re y, 6c ao Cardeal, 6cc. A 13. pois de Junho do anno de 1587. por ordem do Se*.' 252 nhorBifpo,eftandoprefente o Chantre da Sede Angra, 8c feu Vigário Geral, 6c com muyta folemnidade , 6c muficas de Pfalmos , fe transferirão os oíTos deita Santa , fechados na mefma arca em que eítavão , para a Capella mòr, Sz os levàraó debayxo de hum palio de borcado , cujas varas levavão Sacerdotes , 6c o Conde D. Ruí Gonçalves da Camera j D, Franciíco feu filho , o Doutor Gilianes da Silveyra Juiz de fora , o Capitão Alexandre 6c o Capitão António da Silveyra ; 6c foy muyto pa^ ra louvar a grande devoção de todo o povo , 6c a grande cova que fefc2 «m fua fepultura , com tirarem delia terra, que levavão por reliquias,8c com que Deos fez muytos milagres em louvor da Santa. que demais íey he, ( como quem ha cincoenta annos eíteve lendo em eíta Ilha) qu«
,

O

aella

he venerada , 6c invocada eíta illuítre Heroina

,

como fe fora já caiioni«

W

í * 9íi
.

'

^v

;*ji.

i^uctt.n

I

X2^

Livro V.

Da fatal Ilha de Si Miguei.

nonizada, commummente fe chama a Beata Margarida de ChaveSi& naó pollo deyxar de eftranhar , de que húa Ilha taó nca , com tam ricos Donatários , tam ricos parentes defta Santa ^ que não fizeíTem atègo-

&

&

Canonização j porque certo eílou que fe as fizerem, terem nella Padroeyra fingular, & Medianeyra com DeoSi para livrar toda a Ilha de terremotos , & incêndios deita vida , & nclla
enriquecer a Ilha mais ,

ra mayores diligencias por fua

& defviar as almas dos incêndios

& mettellas em a Bemaventurança.

da outra vida>

CAPITULO
'

XXÍ.
de

Da fundação do Colleglo da Companhia
253,
2)<« mtfoes do Colle. gio de Angra manda'

JESUS em

Ponta Delgada de S. Miguel.

íl^!

da» a Ilha de S. Aíi-

i

Companhia de JESUS deSaó Miguel, pois por í"ua interceíTaó , & pela do Doutor Gafpar FruftuofOi íoy radicalmente fundado. Sendo já fundado havia annos oColiegio de Angra da Ilha Terceyraj& fendo feu Reytoro Padre Luis de Vaíconcellos, efte mandou em miífaó à Ilha de Sáo Miguel o Padre Pedro Gomes j que de nação era Andaluz, creado porém, & recebido na Companhia ém Portugal, & o mandou noan-. no de 1 5 70. & foy tal o exemplo de virtude ,& letras j que o Padre deo

T^ Êpois da admirável vida da beraaventurada Margarida L/ ^^ Chaves bem fegue fundação do Collegio da
,

fe

a

naquella [lha , que aos moradores delia os accendeo em defejos deterem aili femelhantes Padres j depois delle veyo do mefmo Collegio de

Angra o Padre Pedro Freyre , que foy o primeyro, que em miííaó também foy à Ilha de Santa Maria, & a ambas eftas ilhas com fua pregação, & muyto mais com fua raramodeftia , & grande exemplo de vida aug* mentou muyto a todos no amor , &: dèvoçaò de taes Religiofos. O que fabendo o Collegio de Angra , mandou em terceyro lugar por Miílionario a Saó Miguel o Padre Simaó Fernandez, natural de Gouvea na Provincia da Beyra, & Pregador de muyto nome em Portugal. Juntos eftes três Padres fe recolhiaó na cafa da Santa Mi254 fericordia , & neila os fuílentava hum nobre Cidadão, chamado Joaõ Lopes Henriques , natural do Porto , &: morador em Ponta Delgada, que tinha dous irmãos na Companhia em a Província de Caftella chamados os Padres Henriques, la muyto conhecidos, Sc eftimadosi da Mi,

fericordia fahiaó os três Padres a pregar
cit ar tantâs obras

,

doutrinar , confeíTar ,

& exer-

de mifericordia , & com tal exemplo , que o mefmo Joaó Lopes Henriques foy o primeyro que concorreo para fe fundar Do prmeyrúConftm- Collegio da Companhia em Ponta Delgada j porque não fendo cafado, daUor do Coílegiâ de nem tendo algum herdeyroneceíTariojlogo em fua vida, para fe comeS. MigHel 9ctw Lopes çar a fundar alli Collegio da Companhia deo pia , & liberalmcnre dofíenncfíiis , nataral ze fixos moyos de renda, & com tal prudência , & zelo , que com prodo íuno^qtie deo botu curação da Companhia ficou cobrando ,& empregando os rendimençropríed(fdej£
,

tos delles em propriedades , como fez , faó ainda hoje as terras , quinta chamada a Fajã i depois deo mais os primeyros ornamentos

&

&

&

de

i-

Cap.XXLDo
jde

Col.da Coiíip.dejeíús em PõtaDelgada.iz^

toda a forte para comporem Igreja, Si feu fobrinho Simaó Lopes aju^

também com varias efmolas. Tratou-fe logo do íitio em que fe fundaria o CoUegiOjSc 255 logo fe aífentou no em que hoje eftá bom , & fadio, & livre de monte ai- J^of^gf^^^» Confattgum à roda dentro ainda da Cidade , mas da parte ;do Norte para a ^'"^/'"' ^*' fcTIa '^'^ terra & com boa vifta vindo para ó mar i & logo hum nobre Cidadão, r^^^^/^7 * " chamado Manoel da Cofta , irmaõ da avò paterna dos Padres Gonçalo deArèZj&Joaó Borges da Companhia de JESUS, filhos de Duarte Borges da Cofta , deapara fe fundar o Collegio parte do íitio em que eftá , & humas cafas que alli tinha , que foraó o nafcimento > & principio do dito CoJlegio foy ifto em tempo , em que o Padre Simão Fer4oLi
, ,
*
:

nandez era Superior da Rcfidencia j & aííim fe deve chamar dos da Companhia o primeyro Fundador do tal Collegio , como lhe chama o Catalogo dos bemfeytores delle, aquém emjaneyro de i59i.deo a Camera de Ponta Delgada a poífe do tal Collegio, que fó com titulo fie Reíidencia ficou ainda ôc porque ao Padre Simaó Fernandez fuc- O pnmeyro ps ãÀ cedeo em Superior o Padre Fernando Guerreyro, & poz a obra mais Comfanhia fmdoft\ çmfórma,poriíro chamaó primeyro Superior alguns ao dito Padre Collegio de S.Miguel Guerreyro , que era natural de Alem-Tejo , de Almodovar , & depois í^ " ^f""' ^'"^"^. em Portugal foy Secretario da Província , Vice-prepofito de Saô Ro. J^t:;, «/.ri que , de grande prudência , & obfervancia, refpeytado dos Prelados, & c<imeTA dePmtaDel Senhores do Reyno , & o que compoz as Cartas Annuaes do Oriente, gada deo apofe^&fi-,
;

<5c

em

S.

Roque faleceo.
,

coh fendo efieCollegia

No primeyro de Novembro de 1592. fe abrio o funda- ^^^ R*JidèciadoCol256 mento ao Collegio, & Igreja onde ainda hoje eftá & para iíTo veyo da í^" ^"gr^iM'^^
''^

w

Matriz de SaÓ Sebaftiaõ huma prociffaõ graviflima , 6c com ella o GoÍZTelt' ^^^e fmVernador Gonçalo Vaz Coutinho , que tomando huma enxada na mãôcZeo o fegundo ShÍ foy o primeyro que cavando abrio o alicerfe do Collegio , & Igreja, ôc perior o Padre Fercom elle ò Reverendo Vigário da Matriz Sebaftiaó Ferreyra lançarão «'«Õ Cfferreyro,em^ ambos a primeyra pedra de tal obra , 6c defdc entáo , com começar o /^ ^''"f* ^ ^^icerfe aa ^£'"J*^^ inverno , nunca choveo agua que impediífe o trabalho atè Fevereyro ^"^^Jg'"*^ doannodei593.emcujo ultimo dia veyo outra folemne prociífaó da ^^;J^"^^rnií1e« Igreja Matriz , cujo Vigário trouxe o SantiíTimo , ôc o collocou na no- Collegio de todos os va Igreja. Com a prociíTaó veyo o Senado da Camera , Sc o dito Gover- Santos. nador, que ajudou a primeyra MiíTa rezada dita pelo Padre Superior Guerreyro ôc a fegunda foy cantada pelo fobredito Vigário da Matriz, com boa mufica , 6c o Euangelho cantou o Vigário de Santa Clara Pedro de Brum , Sc a Epiftola o Beneficiado da Matriz Roque Coelho, peíToa graviflima, Sc pregou o mefmo Superior Padre Guerreyro.E por aífim ao Collegio como à Igreja fe terem abertos os alicerfes enf o ptímeyro de Novembro, por iífo à Igreja, 6c Collegio ficou o titulo de Collegio de todos os Santos , para que fe lembrem de lerem Santos, todos íeus habitadores.
, } ,

Nomefmotempõ começou logo a Confraria dosEftu-^ ,.„,^^.,^,^,,; 257 dantes com o titulo de Noífa Senhora da Confolação , que em breve fe frJia dos Efiuda». mudou em Noífa Senhora da Vidoria ; Sc pofto que efteve algus annos tes, dt outros Be^ fem carta de uniaõ à primeyra Congregação de Roma, 6c fem ^&.àt\x-ftytoresdo novo Cal'

&

tos,

comtudo cm 5 de Julho de
.

1

62 7 o Padre António Carney ro ,
.

Su.^'<2'<'i

V

pçrior

Livro V.

Da fatal Ilha de S. MigueL
Roma. Ejàem 1591. para o novo

perÍGrentaõ, lhe alcançou tudo de

Collegioj&feuficio deoFranciíco de Rcdovalho oyto alqueyres de terra que alli tinha, ík hum lhes accrelcentou Leonor Dias j 6:0 Licenciado Joaó Moreyra hús foros de hunjas calas juntas à Fortana,, que outros concorrerão com boas eí molas, como Gaflogofe derrubáraõi par Dias, &: fua mulher Annade Medeyros com dez moyos decai, três arrobas de ferro ,& duas pipas de vmho,& quatorze tomos de Theologia para a livraria i& o grande Doutor Galpar Fruduofo lhe deo toda a fua livraria , & outros bés de grande conta , como já diííemos

&

em fua vida.
fegundo Superior (depois do Padre Guerreyro) foy o 258 Padre Jacome da Fonte, peffoa muyto grave ,& muyto grande Religiofo,em cujo tempo deo D.Brites para a Sacríítia boas efmolas,& quatrocentos mil reis em dinheyro pafaoCollegio} &Hieronymo Gonçalves de Araújo deo cento & trinta mil reis para o Gol legio em paftelj Álvaro da Cofta deo huma tulha com feu quintal na entrada da rua

O

'5!
;

I
I

I

'íiM

doMeílreGâfpar,& humcaliz de prata, & cincoenta mil reis em diSuperior, nem o tempo riores tjHc honva ^& nheyro. Naõ fe apontou donde era natural efte de outros ben^feyto- em que entrou por Superior , mas fó que fendo-o ainda, faleceo, & com fítdoCollegH. geral fentimento de todos.
Dtõs fegmntes Supe:

&

^^t.%%«?

Terceyro Superior foy o Padre Luis Pinheyro , natural de Aveyro , & começou em Julho de 1 596. & acabou em Fevereyro de 1600. & voltando ao Reyno foy companheyro do Provincial muytos aondeimprimio a aníios , Vifitador das Ilhas , & Procurador na Corte
259
,

Hiftoriado Japaó em lingua Hefpanhola. E em feu tempo também fe deraó varias efmolas ao hovo Collegio, & hum grave Sacerdote Joaô Soares deyxou huma terra de importância jqiie fe metteo na cercado
Collegio.
'..

quarto Superior foy o Padre Sebaftiaô Machado, na" 260 promovido a tural de Serpa, 6i entrando em 1602. foy pouco depois

O

A*

I

j

Reytorde Angra foy grande Pregador, & emfim morreo em Évora. Quinto Superior foy o Padre Gonçalo Simóes , natural daLouzáa j começou em Janeyro de 1603.&: acabou em Novembro de i6o4.foy muycom fama de Sant©s annos Meftre de Noviços & em Coimbra faleceo O Padre Mathias de to. Sexto Superior foyo Padre Marhias de Sà, natural de Braga > enSà,de Superitr deS. trou em Septembro de 1 604. acabou em 1606. indo promovido a Reyj ,

JldígHeifoy por Rejtor

de Angra^ donde

foy o frimeyro f^iceprovincial doí Ilhas

em 1 609.

acabado foy feyto Vice-provincialdas Portugal , foy logo PreIlhas, & as vifitou como tal , & voltando para ultimapofito de Villa-Viçofa , & duas vezes Reytor de Santarém , &: &fcienGÍa mente Reyror de Coimbra, fugey to de grande prudência, o Padre Mide governo,& excellente Pregador. Septimo Superior foy &em guel Godinho, natural deEvora, que entrou em Julho de 1606. de Noviços Julho acabou de 1610.& tornando a Portugal foy Meílre em Évora, depois Reytor do Algarve , & de Portalegre , Vice- Reytor da Purificação de Évora , Vifitador das Ilhas , êc Reytor de Santarém, onde faleceo; & em íeu tempo Eras AfFonfo Rapofo e< fua mulher Caalqueyres de tharina de Frias deyxáraó ao Collegio de S. Miguel cinco
tor

de Angra

;

CLtjo triennio

,

vinha,& dous moyos,

& mey o de renda de trigo.

.

.

,2Bi

Cly-

Cap,XXL'Dos Siípdó tal C!ólitó(Juãtofbf RefídencI
.'
zéit^^^'''-

iji^

Oytavó Superior fòy o Padre Aíitonio Góriçâlves , natu*'

ralde Alvito , & começando errí julho de i6ro. acabou em Mayodé i6i4.tinhalido douscurfosde Filofofiaj & muytosannos Moraljòc cO" em feu tempo dco Igna» ino letrado grande , era muyto éonfultado j cio de Mello efmola de cincoenta Sc tantos mil reis aoCollegio. Wond

&

Superior foy ò Padre Manoel Viey ra , natural de Arrayolos , & come* çando em Mayo de 1614. foy logo em Julho promovido a Reytor dó Angra foy depois pôr vezes Vice-Reytordâ Purificação , & indo a vif fitar o Algarve , trouxe de là doença de que morreo em Évora , com faina conftante de grande virtude. Decimo Superior foy o Padre Anto* nio Dias, natural de Coimbra j cònieçou era Julho de 1614. & acabou em Outubro de 1 6 1 6. era Pregador infigne , & dè excellenté voz múrou a cerca do Collegio pela parte de cima, qiie he cerca boa, & grandéj mas lendo Superior morreo, &èftâfepultadonaCapella mòr. AsRelii gióes, & Clerefia vierâõ fazer fuás exéquias fumptuofamente , tendó-aS clle fey to na morte do M. Rever. Padre Geral da Companhia Cláudio' Aquaviva , na mefma Igreja com Eça levantada j& ornada de muy tos lumes coufa que foy tam approvada em Roma, que logo fe fez decreto de aílim fe fazerem as exéquias dos Gérâes da Companhia quando
;
:

}

falecerem.

*

.


,

..

...

.yy

262

Undécimo Superior foy o Fadré
j

Felíppe- Dias

,

natural*

de Maçaó na Beyra

governou defde Outubro de 1616. atè Abril de i6i 8. tendo vindo de Reytor de Angra , para onde tornando morreo làf Duodécimo foy o Padre Roque de Abreu natural de Lisboa, começoii^

em

Abrilds 1618.
feu

&em27.deMarçode

1620. faleceOjfendoSuperiorf

ji;.:

:"

tempo deo o Licenciado António de Frias noventa íeis mil reis ao Collegio j & Ifabel Luislhe deyxou trinta alqueyrcs de '*''^'** renda fixaj 6c o illuftriíTimo Conde Capitão D. Manoel da Camera dep huma alampada de prata que cuftou entaó cento & quarenta mil reisf»'
porém em
,

&-^"»/'Í'^'' i Cândia -O-ww^^íWí/rf-íÇ*:^

de prata para olapof ília morte deyxou hum legado de oyto miltruzados em dinheyrOi& tal aíFedo tinha à Companhia, que defejou muyto entrar nella; ôro faria emfim , fe a morte o naô impediíTe. Decimo tercio Superior foy o Padre? Manoel Nunes, natural deNizajveyo de Reytor de Angra, entròir neffe Superiorado em Mayo de 1620. & fahio em Septembro de i62ii^ tendo fido em Coimbra Méftre infigne de Grego,&: Hebreo. Decimo quarto Superior foy o Padre António Leyte,^n^'-263 tural de Lisboa, entrou em Septembro de 1621.& em feu tempo áeo D. Gatharina Botelha, mulher de Jacome Ley te de Vafconcellos,jà viu-' va , huma capa de Afperges de tela branca. E porque atèlli fe naó lia no ^^^ ^l*** "^^'* f" ^ Collegio mais que Moral, cujo fprimeyro Meftre foy o Padre Manoel 5"/'^'''* '^'^"''''jk ^r J j ^ ^ ^n. ^ r oj -i &Io?o entrarão oi de Seccon, nelte tempo íe mctteo a prmieyra claíle de Latim , oc depois lo- j^^gtorica & Lati^^ go a fegunda , & efta fegunda metteoa Companhia de pura graça , fem nidade, * para fuftento do Meftre fe lhe dar côngrua alguma i Sc a primeyra metteo com algumas efmolas temporaes , &c não perpetuas para perpetuo Meftre ; 8c afllm deo o dito Jacome Leyte , & fua mulher cumprío por ,,, faa morte , dezoy to mil reis em féis annos, para fuften,to do dito Meftre \^i,c «mí»
Cuftodia de prata dourada,
vatorio,6c por outras vezes deo dinheyro, trigo, vinho, taboado,&

&huma

& hum púcaro

.^-jt-

'

^

"^

.

ui».

y

ij

•:p.ii

vÍ3Í

;^â5JLívfôV.Dafatal11haácS. Migud,

^

^aprimeyra^Jrlieronyqio- Gonçalves de Araújo deo

hum moyo de res«

Wl:

f

ea a retro j Sêbíiftiaó Luis J^obo , èc Manoel de Araújo deraó dous mo-r yos em quatro annos j p Çapitaõ 3althezar Rebello de Soufa , & Manoel da Goíla deraó ern quatro annos hú moyo ; Pedro Borges de Soufa 4^0 por huma vez doze mil reis & o Capitão Sima6 da Camera de Sà pieyo moyo de trigo por quatro annosj & o Cápitaó António Borges da Coita hú 'quartèyrotambem por quatro annos i & Manoel de Figueyredo três quarteyrosi & Catharina de Araújo, mulher do Licenciado Joaó Moreyra húrn moyo.em dous annos do que tudo bem fe vè o deíejOj & zelo que tinhaó taes Cidadãos de que os Meílres de feus filhos íoíTem da Companhia dej .ES USí& p agradecimento que efta teve em lhes porem cadeyras perpetuas fem perpetua côngrua para psMeílres deilas , nem ainda para as ridas , & vjiidaç.de Portugal , pois atè o Lentç djçTheologia Moral naó te,ve congrú^ determijiada nem a tem o da primey ra, §c o da fegunda teve alguma,;ínas fó por algum rempoj que as ^(molas da fundação foraó para pregarem, confeííarem,fazerem miííoês,
j, -,

,

como faziap çs
I
I

primeyFps,^que
-

alli vieraój,

& as

tres.í;a.d,çy..ras

çqetteofeni

!l

^n]

çpngruaaÇpropanhiav nvoín n--; t r^;--) ::. 264 i0|,Pecimo quinto Superior rfoy o Padre António Carneyro,naturaÍde LÍsboa,& governou defde Outubro de 1623. ate Novem*. brp de 16*7; ;& vindo faleçêo depois no Collegio do Porto. Em leu tempo, & epmvdinheyrodpllluftriírimp Conde Capitão D. Manoel da Ouinta da Grimaneza ,.& fuás terras , & vinhas. , fe »., T» r '. Da €onfraría de N. Camerar comprou a ii A' í-' 1 A/r -n t-\ j Confraria dos Officiaes de Ponta Delgada , cem a invocaSenhora da Fida c5' ^^W^'^'^ ^ ção de NoíTa Senhora da Vida, contra os incêndios da Ilha, & veyoem traos insendios pj^pciíTaó dalgreja Matriz com toda a folemnidade , & fefta , preíentes i«Ç'.v,H oReverendo Padre Doutor Luis Brandão, o lllufl-riffimo Bifpo de Angra í),Pedro da Cofl:a,&: p feu Reverendo Chantre Sebaíliaó Machado, &p Illuftri0jmo Senhor Conde Capitão D. Rodrigo da Camerà com a Senhora Condeíí^ Dona Maria de Faro , $c pregação. E tinha vindo de Portugal a Imagem., feyta là , &- fe colloçpu no altar cm 23. de Julho de 1625. cuja Irmandade Ihedouroulogooretabolo, & à imitação osEftudantes dourarão também o feuj& a Irmandade dos Officiaes , na primeryra fefta feyra da Semana Santa começou logo a fazer a prociíTaõ do Enterro , com o Senhor morto que tem dentro do íeu altar. No mefmo tempo , & no mefmo lugar fe deo principio ao Collegio novo, ou à obra reformada eoí 13.de Septembro de 1625. preíente o Padre Vifitador liUis Brandão mas parou depois a obra. Decimo-fexto Superior foy o Padre Diogo Luis , natural 265 4e Alpaíhão , que começou em 1627. & acabou em i63i.foy depois stttt Meftre de Noviços em Évora, & Reytor do Porto , &: Bifpo eleyro do
:

^

.

.

,

..

1

j

>

K:e'.*Í.tA

yi Confraria deSãto]^P^o, hnactofoyinftittiida tioo andar

& homem de grandes partes, & talentos; em feu tempo fe reparde bayxo do Collegio em Refeytorio & Cozinha & Ma,
;

for

D. Rodrigo Lobo noel de Andrade, caiado com Maria Alvarez de Aguiar, dco cem crunatural zados, que fe gaftáraóeni ornamentos da Igreja ; a viuva fua mulher Cadalerccjra, deooutras efmolas. Inftituhio-fe aConfraria de Santo Igjnacio pordedít Silvej/ra^

&

&

SfÕapitáo General da Ilha D; Rodrigo Lobo ''«í^'rltÍ^/ê^°Ç^°'^°^°^^'""^^°*'^ *^* " da^Silveyra , naturaí da Ilha Térceyra , Sc neto do Fundador do Con^odit9^Sant9. -' " vento £,^
*

fP

Cap.XXI. Conclaere com a
•?reato'de

dita RtíIdencU da CompI

251

Saõ Gonçalo de Angra , fidalgo de grandes partes 3 & fempre bem aceyto em Sao Miguel elle pois tez que fe fundaíre a dita Confrafiaj & que os Governadores foííem os feus Juizes , Mordomos os Ca:

ipitães, ôc lifcriváes

os Alferes

,

& os Sargentos foíTem os ProcuradoreSi^

^ Theíbureyros

mandou fazer do bantó dous retratos , hum de foL dado, outro de Religiofo & lhe fez humà fólerane prociffaój & feíla,ôc'
j

&:

,

outra quando veyo a confirmação de Roma ;& ido para Portugal o taF Governador , então o Padre Luis Lopes desfez a Confraria, por razées^ que teve para iíToj mas fuccedèraó logo os terremotos do anno de 1630. Decimo- feptimofoy o Padre Simaó de Araújo , naturaí 26Ó
S. íramlCcõ Xdvie?^ de Septembro de 163 1. atè 13.de FeConcedido por PadrO' vereyrqde 1Ó3Ó. &em i632.concedeo o Reverendiflimo Padre Geral eyro de Ponta DelgH' à Camera de Ponta Delgada por feu Padroeyro o Santo Xavier , por da , por Bfílla d^ ^Bullade pergaminho que eftá nõ Collegio, & fe confirmou em 1658. 1658, & a Camera fez afiento de aíTiftir à fefta do Santo, & dar cada anno cinco mil reis para a tal fefta , & de ficarem fervindo na Confraria os Offieiaes da Camera que tinhaó acabado. Em tempo de fte Superior íe acabou o Corredor grande de cima, & o pequeno que 'acabava na varanda, como jogo do truque junto aellaj&o llluftriílimo Senhor Dom Joaõ Pimenta de Abreu , com omuyto Reverendo Arcediago Manoel Cabral de Mello, & com Pontifical, & folemnidade grande benzeo os Corredores de cima , & de bayxo, & no fim da manhãa praticou ,& ficou no Collegio atè a tarde , em que fe viraó os Altares, & armações , & fe leraó as Poefias & depois fahiraó o Padre Manoel Monteyro por húa parte

deCoimbra, que começou em

2.

-,

da Ilha, & por outra outro Padre, &: correrão allha em miíTaó Apoftolica. E no mefmo tempo fe deo de efmola para a Igreja húa alcatifa grande , Sc outra pequena, & a cadeyra das praticas, & outra efmola com que fefez a bandeyra das doutrinas }& o Reverendo Manoel Fernandez, Do fMHyto Revirin^, Vigário de Saó Pedro de Villa Franca , deyxou ao Collegio dous mo- do Manoel Perna» yos de renda perpetua-, &: deo três moyos por hiima vez à Sacriftia , ten- des Vigário de Saõ do jà dado efmolas de importância em fua vida. E vindo por Vifitador Pedro de nila Francajnjigne Bemfejtor^ o Padre Diogo Pereyra (depois de ter fido Lente de Theologia) aldo Collegio^ cançou de N. Rever. Padre Geral que os Superiores do Collegio de Ponta Delgada foflem dalli por diance Rey tores com patente de Roma; &logo o Licenciado Ruí Pereyra de Amaral, Irmão da Companhia, fez as novas duas ClaíTes , de Primeyra, &c Segunda.
, ,

CAPITULO
Dos Rey tores do
Ponta Delgada.
267

XXIÍ.

Collegio de todos os Santos de

Cef»o fihío A Rejt'

^T^ Endo fido eíle Collegio fomente hua Refidencia do 'È^túdenda
^

de S.

Miguel
Collegia

i Collegiode Angra por quarenta & cinco annoSjdefde o de 1591. atè o de 1636. então em 13. de Fevereyro veyo por feu primeyro Reytor cora patente de Roma , o Padre Luis Lopes , natural da
m-Tejo, Vidigueyra em Alem/
&:

íigorofo

"^.^^'''"^^'^'f^/:

^/^*^73rff Lni
^JJ^ "Eii
-

o foy atè

1 2.

viy

dç Junho de.i639..Em

feu

teni-

$^4

" Livro V.

Da fatal Ilha de
,

S. Miguei.

j

tempo, a 3. de Julho de 1638. tremeo a terra eípecialmente em S. Joaé dos Ginetes , defronte do qual íitio , & huma legoa ao mar , Sc no meyo delie , & de repente , arrebentou do fundo tal fogo íobre o mar jquelòbre cllefez hum tal llhèo decinza j terra , ôc pedra pomes , que durou muytos dias, & noy tes, & matou grande copia de peyxes & íe na terra tivera arrebentado, toda aeonfumiria. Acudio poiso novo Padre Rey;

tor

com huma
2é8

miíraó.aotal lugar para animar ,êc confolar a gente

>

6c

©utra miflaó de Padres

Porém

mandou pela Ilha toda. eni 3. de Movembro de 1 637.

tinha

mandado El-

Rey de Caílella
^

lançar taes,

& taó novos tributos na Ilha

que amotina,

!!'!ll'!

:i1l'

do, ôc armado o povo, ao cllrondo do fino do Rebate , acudio tanto , Ôç com tal fúria à praça , que arremetendo logo à Audiência , lhe puzera^ fogo ás portas , & aíTentos, & fobre a cafa da Camera Jançáraó tantas pedras, que o Governador uno Pereyra Freyre, & o Juiz de fora, com os ^^'^ ^^ Governança^que dentro eftavaõ} correrão perigo de vida. Acu'Áíiíío ue do Col ^iraõ entaó com Cruz alçada o dito Padre Reytor3& feu Collegio,& ouIcfivforas ptU Ilha. tros Eccleíiaílícos , trazendo para o CoUegio os fobreditos do Governo,os livrarão damprte,& aquietarão o motim. Nefte mefmo Reytorado o Reverendo Chantre de Angra Sebaftiaó Machado deo vinte mil reis de efmola ao Collegio para o Sacrário da Igreja, de outras eímolas fc íizeraõ nella vários ornamentos, & fe fizeraó dous finos novosjôc o Collegio comprou avinha nova, que foy deCofme Sarmento: ^íç^z naç Furnas a Cafa ,& Oratório para quando lá va6 os Padres j <k em 1636. deyxou Hieronymp Ggnçalves de Araújo cem mil reis para ajudada retabolo do Altar morda Igreja nova.

N

""s

&

&

'

'

ChegadoJulhodei639.paírouporSaóMigueloMefl:re Angra, que hia para o Braíil.& com elle hia por Vifitador do Brafil o Padre Pedro de Moura, que levou por feu companheyro , ou Secretario o Padre Luis LopeSf que acabava de fer Reytor do Braíil voltou o dito Padre Luis Lopes para Portugal & não fó foy Prepoíito de Villa-Viçofa , raas chegou a fer Provincial da Provincia de Portugal , & depois Reytor do Collegio de Coimbra, & fempre varaó muyto regular, & exemplar, & de grande dom de bom governo , que venerey fempre fendo feu ínháito^ ha
269

de Campo D. Diogo Lobo da Silveyra , natural de

;

,

mais de cincoenta annos.
foy 'o Padre António de Alvayazerej teve o governo defde 2. de Julho natural , ^e 1639. atè 3. de Fevcreyro de 1643. Em feu tempo chegou a feliz noÁíytVdlcoll7JZZ toda a Ilha & per va da Real Acclamaçaó do Invifto Reftaurador da Monarchia Luíitamaiídedom mez.es. na o Senhor Rey D. Joaó o IV. & foy logo recebida com repiques luminárias géraes,que duràraó por muytos dias,& com o Senhor expofto na Igreja do Collegio em o primcyro de Mayo de 1 641. & aos cinco fez o Collegio prociíTaóde acçaóde graças, com a Irmandade de Noíía Senhora da Vida, com muy tas figuras , & Anjos , &: d -'ante os meninos da efchola , todos bem veftidos ,& com capellas de flores nas cabeças, & triunfantes palmas cm as máos. Neíte Reytorado fe accrefcentou muyto o Santuário da Igreja,& fe comprarão os órgãos ao Convento da Efperança , para o que concorreo Francifco de Moraes Homeny
,
,

270 da Rocha,

Ofegundo Reytor deSaÓ Miguel

r

,

,

&

"com

^P

Câp.XXIl.Dos noms Kcyt.da

Rcfid. levanta Collcg. ^tj^

com eímola de trinta cruzadoSiSc Maria Nunes, mulher de Jofeph Eer.nandez Fereyra, deyxou ao CoUegio feíTentamil reis de elmolá i 6co cifterna da Fajá para as Qiiintas ordinariaSi dico Reytor fez as caías ,

&

comprou mais tresalqueyrcsde vinhajuntaà que jàtinhaòemBethléj
'-^ íí morada de cafas na Cidade, &c. Terceyro Reytor foy o Padre Diogo Pereyra, natural de j^s Viana de Alem-Tejoi começou a 3.de Fcvereyro de 1643.&: acabou ém i3.deSeptembrodei646. Nefte Reytoradofe fez huma Miífaõpor toda a Ilha que durou dous mezes , com grande fruto das almas eorapraraõ-fe mais cinco alqueyres de vmha em Bcthlem j fez-fe o Retabolo novo da Capeila mòr com efmolas da Camera, êc do Provedor da fazenda Real de todas as Ilhas Agoftinho Borges de Soufa. António Martins de Oliveyra, & fua mulher D. Guimar Ferreyra deraó quarenta òc tantos mil reis em dinheyro, & as duas Imagens do Santo Borja, & Santa Terefa de JESUS & D. Catharina Botelha, & fua nora D.Maria do Canto, 6c airmâa deft a, D.Lu iza deraó outras varias efmolas & hum Cidadão de Angra, Luis Coelho Pereyra , mandou trinta mil reis ao Padre António de Abreu Procurador defte Collegio , com que fez a interior Capeila delle pagáraó-fe nefte tempo mais de quatrocentos mil reis de dividas íizeraó-fe as exéquias de noífo M. Rever. Padre Géral Mucio com grande folemnidade , & o Rever. Vigário , & Beneficiados da Matriz , & diíTe a MiíTa o Vifitador da Com panhia o Padre Gafpar de Gou vea, & ainda íe com pr àraõ as terras,quc foraõ de Cofme Sarmen-

&
.

iiua
:

í

;

:

:

:

-,

»ml

to :reftaurou-fe a Confraria do Santo Xavier àinftancia defeu grande devoto o Licenciado Ruí Pereyra de Amaral,Juiz dos aufcntcs,& Efcrivaõ da Camera , com a qual fez que fe tomaíTe ao Santo por terceyro Padroeyro da Cidade , ficando 05 primeyros Saó Sebaftiaó , & Santo

André
legio.

,

& que a Camera vicffc no tal

dia

em

prociííaó à Igreja

do Col-

Qiiarto Reytor foy o Padre Joaõ Frey re.E porque o PaReydre Manoel Gonçalves que apontou os fobreditos Superiores , apontanâò achey mais rores parou no fobredito terceyro Reytor ,

272
,

&

j^^^ff^rto,
^g

&

Reytor

,

racn tos dos outros , por iíTo defte quarto Reytor naó digo mais i & fervirà iílo de avifo para haver quem aponte o digno de fe apontar.O quinro Reytor foy o Padre Manoel Alvarez , natural d'Arruda , que parece

& f«^»^ & de
«tt.

tra

Mijfaifepa

pU

Ilha,

também em feu tempo mandou miííaó entrou pelos annos de 1653. pela Ilha de dous Padres, como he próprio da Companhia, Sexto Reytor foy o Padre Gonçalo de Arèz , que achey 273 Ponta Del- UofsxteReytsr oPa2 |à Reytor no anno de 1664. era natural da mefma Cidade de afcendentes ,& parentes dre Gonçalo deArè^ gada ,&: da melhor nobreza delia , & a cujos da medeve muyto o tal Collegio , aílim em fua fundação , como na continua- natard Ihormhezadaillh^ caÔ, 6c augmento delle 5 mas a e^lle deve muyto mais a Companhia , pe,

&

&

h grande virtude

,

letras,

&

prédica

tmha ^^^^ tudQ era exemplariíTimo ; nas letras foy excellente Moralitta J^^^^ ^ '^^.^^/^^ na predica era bem ouvido , Moral j grande voto nas matérias de j^^^j^ „^^^^ "^ grande atrençaô pelo que dizia , pofto que fem forças para aturar com
-,

com que a honrou porque na vir- ^^^^^^^Çl
,

&

&

&

iriuyias tarefas

de Adventos, & Qiiarefmas. No ultimo dia de feu trienpoucas horas antes aio chegou licença para fe começar Igreja nova ,

&

de

^3^
de:acabar ,

Livro V.

Da fatal Ilha de S.

Miguei.
,

coufa qite alguns lhe eftranharaó, devendo-fe-lhe iauv ar o zelo que niíTo tinha , poisrèm vindo encaópor Viíitador o VeneravelPadre íviánoel Fernandez,
/de. quem fareiaos a

&jà de noyte, mandou logo abrir os aliceríes

guinte.

:.: 274

devida mençaó em feulugar, leguio-fe o Keytor fe...u: ./ SeptimoReytorfoy o Padre ManoelGonçalves, natura!
i.i.

iiirfi

.depertode Comíbraj para levantar a Igreja nova fahiO oditoReytor 'Dofetime Reytor « cQm o feu Padre Frocurador ,& com ô governador Luis Velho pelas J^adre Manoel Gon^.^^ ^^ Cidade, pedindo eímola i também íe pedio em Kibeyra Gran^ cAlves qne mandou , -xr ^^ vn n pl^^ \ú1íl ^ ranca}&: nefte tempo vierao os quatro caííiçaes de praentra Mtjfaõ pela, "^í o prato, jarro desagua às mãos , com dmheyro dadepois /o; ta do Altar mor, Mha ,

,, ^

&

&

Reytor de Braga
denoffa Senhora

,

& & & dó de efmolas à Sacriitiaj & logo foy o Padre Pedro Lcy taó com
,

outro

Padre companheyro emmiíTao pela ilha por efpaçOjde hum mez j & aCamcra da Cidaae à inftancia do Licenciado Rui Pereyra de Amaral, '^^*'& para a fefta .do Santo Xavier , mperpetuum, deo hum pedaço de ter* ra ao Collegio i & ifto heo que le fabe.defte leptimo Reytor, que ao de;.poís foy Reytor de Braga, & zeloío da obfervancia , & morreo na Relidencia de JNoíTa Senhora da Lapa, entre o Bifpado de Lamego , & de Vizeu. Gytavo Reytor foy o Padre Meftrejoaõ de Soufa,natural 275 Coimbra, que vindo por Viíitador das Ilhas, ôc para O oitavo Rèyter foyo^^^^^ de junto a de Angra, aportando primeyro em S.Miguel,efcolheo Tadrtfoaõde 5o»y^ficar por Reytor dffo^ de Çer ^r^i/ranteso ficar Reytor alli i tinha lido Curfo em Braga, & fido Prefeyto hente dtCoimbra^& das Efcholas menores de Coimbra , & neilas por muy tos annos Lente da 'Pregador exeelleme, Sagrada Efcritura , onde foy Meíbe. Era exceilentiíTimo Pregador,
morreo na Kefidencia^
<^^.
.

.

.

worreo fendo Rejtor
-'^

j^unianiíta fingular,
lariflimos conceytos

& muy to copiofo
, j

tn dícendo

,

&

tanto

^

'-

que de cada Sermaó

feu fe podiaõ

em os íingufazer muy tos

Sermões,

& jà quaíi todo brancoj & eftes eraó
Ilhas

os Reytores que entaõ fe

!'rí

donde vindo pregou em Coimbra comgéral aceytaçaÓ , & foy promovido a Reytor de Braga , aonde faleceo fendo Reytor, & com grande exemplo, eípeciauiience de grande humildade^ ;j que he o timbre dos Letrados da Companhia , ferem humildes ; & alllm acabado o Reytorado de Saó Miguel íem lhe ter chegado fucceíTor, fícou por Reytor o fobredito Padre Gonçalo de Arèz que com feu zelo reedificou as duas aulas da Primeyra, & do Moral , & as cafas novas que fe feguiaõ no canto do terreyro da Igreja; Sc tirou quatrocentos mil reis, de que o Collegio pagava cambio em Lisboa. Nono Reytor foy o Padre Manoel Soares natural da 276 Provincia da Beyra} entrou em 2. de Junho de 1665. & tinha jà fido ^7?<»'oP'«2 Do nono Prefeyto do grande pateo de Braga, & em Saó Miguel foy também, dre Manoel Soares,^ ^^^^^^^^^^^^^^ muyto prudente, maníb, &: pacifico, & de muyto aflim vindo da Ilha foy Reytor de Bragança , & de-, JrlçaíZ llTorio, ^^^ exemplo & pois Reytor do Porto , &: emfim Secretario da Provincia , & em todos (fr Secretario detProos governos fe houve com grande acey taçaõ & muyto exemplo de vir^, gineta.

mandavaó para as

.,

.

,

,

;

,

Dos mais

Reytores

digaõosqueos achA^

género de vingança, , o mefmo exemplo. Dos mais Reytores deíleCoí^thc[\xQ morreo com legio naó tenho noticia, dalaha quem ativer.
tilde
5
'
:

& em efpecial de paciência & de nenhum

rtm apontados, "

GAP.

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:

Cap.XXIII.De aôvòsierr^Hiotos fiõlÈívéM âitallha^
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De outro terremoto -,& fogo que houve em S.MigueL
manurcrita pelo Reverendo Antoni® Fernandez Franeifco . Vigário na Villa d'Alagoav6c tefe huni íimirahade vifta,achey o que recopiladamente agora digo.

M huma Relação

f>

Em

de Outiiijro de 1652. antemanhâa começou a tremer a terra continuadamente atè os 19. do dito mez , & com tam fortes aba's'«nho¥ík j^n^y^g los,que na Villa d'Alagoaj& em particular na Freguezia de Santa Cruz^^ Rofario no terreçaliiraó feíTenta cafas , & nenhuma na de NoíTa Senhora do Rofario , & meto, & fogo do Pico ÍQ ficou abalada fua Igreja , conio as mais das outras cafas , & o Conven- chamado de foaõRa,'^ to dos Capuchos, & comtudo nsaô morreo pcíToa alguma. As Freyras »»of f w 19. deOu-^ ^*^*^ " deRibeyra Grande fe fahiraó do Convento, bem acompanhadas do Ecclefiaílico, & Nobreza, & eftiveraõ quatro dias fora, atè fe tornarem a recolher & os feculares' largavaó fuás calas , com tudo o que tinham nellas, $c fó andavaóem proeiífoés , & confiífoés pelos campos , atèque no Sabbado 19. ao Sol pofto , quando todos cuydavaó eftar já livres, do repente rebentou o Pico chamado do Payo i & o feu vizinho chamado de Joaõ Ramos , & com tal fúria de fogo , que o vizinho lugar de Saó Roque fe defpovoou todo , & os Parpchos levàraó o S jntiflimo para a Cidade , lègoa boa do fogo, & com fer de noyte já todos deyxáraó as cafas, & atè as Freyras queriaó deyxar os Conventos , fe as naõ impedif^ femos Religiofos , & Nobreza } & na Villa d'Alagoa, que menos de legoa eftava do fogo , todos fe aufentavão , & fó os Parochos , & o Capitão raòr António de Faria Maya, tiverão maó^em muyta gente , pondo vigias por toda a noyte , advertindo para que parte tomava o fogo, para fhe fugirem a tempo ; mas o fogo era tal , que fubindo da terra ao Ceo, parecia defcer delle em nuvens de fogo toda a noyte j & nofeguinte dia eraó taes oseftrondos da horrivel pedraria que os montes de fi lançavaó & tal diluvio de cinza, quente, negra, & medonha,que naé fó cafas, Qiiintas,& cercas, mas ainda muytas terras fe perderão , 6c tornarão infrudiferaSi & peyor feria , fenáo fora o vento norte , 6c rijo, que lançava ao mar vizinho do Sul aquelles grandes dilúvios de cinza,

Sabbadoa

12.

^

}

,

ôcfogo.
Qiiafi dezafeis dias depois hiaõ aventureyros ver os lu278 gares do fogo , & achàraó que o Pico de Joaò Ramos fó abrira huma tal charainè^m cima , que ainda hoje lança fumo, 8c fogo , porém que o vizinho Pico chamado do Payo , de tal forte arrebentou, que fazendo ou> tros dous picos como elle , do que do centro lançou acima , ficou ells tam inteyro , 8c alto como de antes 6c foy mifericordia Divina , que as grandes, Sc innumeraveis pedras que o fogo levava acima, nenhuma ca-i hio fenaô a prumo, formando montes novosjuntosao doPayo. Tam^ bem fc reparou que hum Hieronymo Gonçalves de Araújo (homem Milagre da Cruiâè pio, bom Chriftaó,6c muy to efmoler } tinha, muytos annos antes a leva- Chnfto contra «i/jíí» do às coftas ao alto do Pico de Joaó Ramos huma grande Cruz , 6c a ti- ^** f^ofog^t nha era cima delle collocado j & jà por iíío o fogo tomou o caminho do
; ,

13^

.:LívfoV,Dafataí[íiiadeS.MigueOíX}Lqi; >

monte do Payò vizinho,

& riaó do de Joaó Ramos flendo que

defte fe

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I

dizjquejáantçsda Ilha defcuberta, tinha em cima aberta a chaminé do fo^o , que lhe tapou a Cruz , para o naó lançar mayor. Defta forre Cafllgjí de ptccados eíte fucceíToj fem morte que fe fayba de peíToa alguma j mas com fá pára com a tmin^ paroví 4(1 delles. deftruiçaó de terras. ,„ ^ TambeníemiS'^ de Outtíbrò dé 1656. pelas duas horas 279 da madrugada houve muytos terremotos , & no dia feguinte pelas fetc horas da tarde houve humtaõ vehemente, que fez abalar os edifícios, confeíiarem-feos mais em dia de ôc a gente defemparar as fuas^caíâs , Santa Iria, & com iíío parou tudo j que o remédio dos caftigos defta vida he a emenda nella dos peccados. -4 Refta vermosjque fe acha no antigo tombo da Camcra de 280 Ponta Delgada,aonde a foi. lo/.eftaõ os privilégios da Cidade doPortoj fe declaraõ miudamente os concedidos aos antigos Infanções , & to!i W dos fe concedem aos Cidadãos de Ponta Delgada , por Felippell. em oanno de 1583. E a foi. 172. ,eftâ o privilegio Real , para que os The'Privilégios Reâei dos fouteyros da Camera de Ponta Delgada que fáhirem no pelouro , goCidadãos de Ponta Vereadores, como já de Delgada dos Fami- zemos mefmõs privilégios que os Juizes, & Villa de ViUa Franca. A foi. 327. eftaõ os priliares do S.Officio^& antes eftava concedido à dos Offieiaes daCra- vilégios dos Familiares do Santo Ofíicioi & a foi. 432. eftaõ também os s;,ndit. privilégios dos Officiaes da Bulia da S. Cruzada. E porque alguns Capitães Donatários excediaõ os pode281 res de fuajurildição, por iflb a foi. 159. & 167. declara ElRey , como, ^ioncederfe ao Capitão de húa Ilha em fuás doações a jurifdiçaõ do eivei, que necrime , não he fazello Governador da Juftiça por ElRey , -fihúa poífe, ainda immemorial,val contra ajurifdição Real.E que nem o tal Capitão, nem os mais Capitães das Ilhas não erãofenhores das Ilhas, mas Capitães fómente,queheofficio de Governador: &afíim a foi. 130. cftáaprovifaõ de Felippe Segundo de 1584. em que mandou queymar , aílim/como eftava cerrada, Huma eleyçaÕ de pelouro da Camera , que o Capitão da Ilha tinha feyto em falta do Corregedor ,& a «fte fe manda, que com o Juiz de fora a faça i & ao Corregedor fe avifa que venha a tempo da Terceyra para a fazer em São Miguel era então Corregedor Chriftovão Soares de Albergaria. E aíTim também fc vè julDo qtte n»o poàem^ gado a foi. 159. atè 167. nâo poder o Capitão fazer as eleyções ,& pedo cjue podem falouros. E a foi. 217. eftà a fentença de Felippe II. dada em 608. para não z.er, es Capitães Dopoder o Conde Capitão embarcar feu paó fem licença da Camera,&r panatários, ra não quebrar as pofturas,&: acórdãos feytos na Camera. E a foi. 25 1. atè
.

&

^

&

,

&

&

:

^

258.eftâooutrasfentenças havidas pela Camera contra o Ouvidor

do

Conde Capitão em matéria de jurifdições.
282
Ilhas,

,-

. ...

.

E he ainda tam grande

ajurifdição dos ditos Capitães das

que no eivei,

& atè quantia de quinze mil reis, ( não concando as
nem aggravo
5

cuftas) fentenceaó a final, fem appellação,

falvo allegan-

do a Parte condemnada alguma nuUidade , porque então dará cartas teftimunhaveis com o teor de todos os autos , para fever pelos Defembargadores , & fe fazer o que for juftiça. E no crime podem degradar por dez annos para além , a qualquer peíToa , & açoutar a quem for de qualidade em que caybão os açoutes, & os cafos taes , que lhes de vão fer
dadas

*P-^

Cap.XXIII.Dosprivil.dePõt.Delg.&dosCapIt.Doriat.ij^

em penas de dinheyro atèa alçada de quindadas femelhantes penaSi & ditos Capitães haver appellaçáo , nem aggravo. ze milreis, fem dos ou em degredo Mas fendo condemnados em mayor pena , ou degredo , de Santa Helena, ou em taPríncipe, paraas Ilhas de S.Thomè, do natural,dâraó appellaçáo , & aggravo Ihamento de membro , ou morte appellar,appellaráó por parte dajuftiça. E darão aparte, ôcfeefta não todos os crimes , de qualquer qualidade que fejáo. E carta de feguro de a tormento pelos ditos quando algumas peííoas forem mandadas mctter ou feus Ouvidores ,fe deve receber appellaçáo às Partes , ou

&

Capitães,

appellar por parte dajuftiça.

,

285 nunciar que devem
alçada-

E quando algfias

peflbas fe

chamarem
,

às

Ordês ,& fe pro-

appcUaráÓ por parte dajuftiappellaçáo interpofta , pofto que os cafos^caybaó na ça, ou receberáó a pronunciandoquenãoremettema peífoa , entáo nãoferaó ofer remetidas a ellas

dajuftiça j porem fe a Parte appellar , rebrigados a appellar por parte cafo cayba emfua alçada. E quando ceberão a appellaçáo, pofto que o à immunidade da Igreja ,os ditos Capitães, ôc as Partes fe chamarem mandaGovernadores terão niflb a maneyra que pelas Ordenações he Comarcas. E ifto fe guardará afdo que tenhão os Corregedores das provifoés que os ditos Capitães tenhão fim fem embargo de quaefquer Aírimlelèafol.3io.emcarta contrario, por mim confirmadas, &c.

&

em

Realdei6.deMayodei62o.

o noConclue-fe pois com as noticias delta grande, rica, 284, não ter eu mais noticias que delia pofla darj bre Tlha de São Miguel, por ainda viràó muytas nas hiftorias que fe feguem das outras

4

n.

j

&

^

& comtudo

Ilhas,

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aonde melhor cahirem; queyra Deos que haja obra para gloria de Deos.

quem

continue ef-

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DA

VI.

ILHA TERCEYRA,
CABEÇA DAS TERCEYRAS.
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Do
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T U L o
,

I.

dejcuhrimento , nomes

& Armai da liba
-;

^

Terceyra.

UPBOSTO
&

primeyra das Ilhas Ter^ ccyras, que fe defcubrio , a Ilha de Santa Maria , a fegunda a Ilha de Saó Miguel , (naó obftante fentir o contrario Damiâó de Góes na
fer a

Chronica , fobre que tambcm Gomezeanes de Zurara na Chronica mòr do Reyno, 6c delRey D. Joaó o L) naó he fácil averiguarj quem , nem quando defcubrifle primeyro a Ilha TerceyrAj porque, fuppofto também que as Canárias (já antes povoadas de Bárbaros )foráo defcubertas pelos Reys Betencores em o annodoNafcimentode Chrifto 1417. &as Ilhas de Cabo Verde fofua

rão por Portuguezes defcubertas

em 1445. da Ilha do defcuberta, jà antes , em 141
mais

&

muyto 1443* confta ter fido propriamente Porto Santo
7.

muyto depois em

&

por Joaó Gonçalves Zargo, & Triítáo Vaz Tcyxeyra atè 1419. & que nefte mefmo annofe defcubrio pelo dito Zargo a Madeyraj &: a Ilha de Santa Maria defcubrio o illuíire Gonçalo Velho Cabral em 1432. & dahi a doze annos , em 1444. fe defcubrio a Ilha de S. Miguel-, nâo concordáo comtudo os Authores, em por

&

quem, & quando foy defcuberta a Ilha Terceyra. 2 Confta porém que pouco depois de defcuberta a Ilha de S, Miguel jie defcubrio a Ilha Terceyra porque tendo fido defcuberta a de São Miguel em 1444. jà em 1450. o Infante D. Henrique fez Capiráo Donatário da Terceyra ao fidalgo Flamengo Jacome de BrugeSj por eftar erma , & inhabirada , & elle a querer povoar ( como veremos abayxo na dita doaçáo; ) &como também confta que foy defcubertas defíiaó aittes , mas depois de defcuberta a de Saó Miguel pois foy no
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Livro VI. DâHegia IlhaTcrceyra,
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daquelles como nefte de 50. jà havia alcinco para íeis annos, defde 44,. atè 50. guns annos quèeftavadefcuberta, mas erma j&inhabitada,conclue-fc íogâ efots t efcH-^ ç^^^ defcuberta pelos annos de 1 44^ .pouco mais ou menos, perto de kerta a Ilha de Sao ^ j r c v^ j j r ^ e Miguel em i C44. dousânnos depois de deícuberta b. Miguel j quatof ze de delcuberta ô. logoemij^j.fedef. Maria, & 25. depoisde defcubertaa Madeyra. Dodia que fe defcubrio,
defcubrio

cLibrimento a teiceyra i fegue-fe que

em algum

&

.

.

1

1

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cHhrioaIlhaTercei- confta que foy diafeílivo, 6v efpecialmenfe dedicado ã Chrifto Salra, na qmntafey- vador noffo poisj)or iflb fe chama Ilha de ES Chrifto , tem por , J TA da Semana Santa ^^mas hCi Chrifto crucificado,& a Sè fe denomina, S. Sè do Salvador,

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&

ú^Hdlemm.
í«lill»ílii

A

^^^^ ^^^ ^ Q^^^ào tem por Armas,& feu

fello a

hum Menino JESUSj

donde hús dizem que o dia foy oprimeyrode Janeyro,da Cincumcifaõ de Chrifto 0utrQS,que o dia da fefta do Corpo de DeoS}8c o mais provarei parece, quefoy o da quinta feyra da Semana Santa em que foy int tituido o Santiílimo Sacramento, &; começou a Fayxào do Salvador.
,

Mayor duvida he, quem foy o primeyro que deícubrio a Ilha Tercísyra porque dizerem alguns, que foy o mefmo defcubridor de SantaMaria,& Sáo Miguel, o ilkiftre Commendador Frey Gonçalo
3
i

Oi primiyros

Velho Cabral , he fó conrideraçáo , & que parece menos crivei , pois fe o fofle , também feria o primeyro Donatário delia, & a ella\iria algúa hora , & fariáô ménçâo diíTo os Authores , que deftas Ilhas tratarão, como Guedes, Góes, Barros, Fruítuofo , & outros. E dizerfe que o foy o fidalgo Flamengo Jacome de Bruges , também não he crivei , pois nem o infante D. Henrique na doação que lhe fez nem elle mefmo na-petição que lhe fez , aUegãotal,devendo-o allegarj antes o mefmo Bruges confeffaeftar já havia tempo defcuberta, ôc ainda deferta,&inhabidefcK- ^^^^ a d ita Ilha. Pelo que o meu parecer he que como as Ilhas de Cabo ,
,

'

tridoresdaTercryra.y^^^^^^ avinda delias para Portugal, &ida dcfcubrirão em 1543. parecejne tor^^ns ^^ como efta foy defcuberta j^^^ ^ Tercey ra j ^^^ r ij^^ ' f j mareattStjHt vinhas j >« -ir j J pelo Norte , para onde ficao alem , as de Cabo Verde , he de crer que á<ií Iihaide CaboFtr deftas vindo navio para Portugal , deo no Norte da Terceyra,& por depara Portugal,

&

&

r

J

&

afperoodeyxàrão,contentando-fecom trazer as novas ao Infante 5 & ffjíz-íí.d-íiíí-^^-tw quepornãoferernhomés capazes de lhes entregar a nova Ilha,&anvaaoJnfame^Ono^^^^^^^^^^ ^^ outrasda Madeyra, & de Santa Maria, &S. X^/por7//íXe^^^g^^e^^i^^^o"^^ Po^o^Çâo^^Terceyra para peíToa capaz que a peChrifto , para em tod® ane então chamavaõ diíTe. E não ha que admirar , de que efcolhendo a o mundo plantarem a Fé Catholica homés de menos nome , huns pcf/Ihoí dos Afores ^Ke em terceyro /»- câdoreSjquizeííe que huns mareantes foflem os que defcubriílem a Ilha gar fe defcdbrio (^ Xerceyrai pois também quiz que a Madeyra foííe primeyro defcuberta r-^'^';^'''^f'^'''^'-porhumIn2lezMachim,& adoPorto Santo por huns pobres Fm nR, peça aos nove Je cha- ».,, «nito^^/r~ ciícanos naufragantes, & a Ilha de Sao Miguel por hum negro , que primara'0 tan,beÍ toda. meyroa viodefde allha de Santa Maria, como jàdilTemos. IlhoiJerceyrM. Qiianto ao nome da Terceyra , tocámos acima jà por vezes, 4 & não ha duvida que lhe ficou tal nome, de entre as mais I!has,que tam1 bém fe chamão dos Aflores, ter fido a terceyra que fe defcubrio , depois de Santa Maria, &Saó Miguel. E quanto a rodas as nove dos AíToresfe chamarem também Ilhas Terceyras , nenhuma duvida ha que aílim fe chamão todas, atè em algumas Doaçoens íieaes-, mas a razão nãohe,
í/íV4õoiVí>r/í<^«»rír, , ;

11

(como alguns quizcráo dizer) por nos defcubrimentos

das Ilhas defte

Oceano

fP

Cap.í I.Do prim. Donát.
Oceano ferem

& FõvSMíSfes 3é tòdl a Ilha."
em
,

Í4j

eftas defcubertas
,

terceyro lugar , pois ifto hemanias

féftamente falfo

de Cabo Verdejas da Madeyra , & em quarto lugar eftas i & Gafo negado que naó contem por Ilhas de Portugal as Canárias j nem por iflb as de Cabo Verde , ou as da Madeyra , fe chamaó as fegundas ; logo nem eftas poc iífofechamáo as Terceyras a verdade pois heque defta Terceyra he, quede Terceyras tomarão as demais o nome j 6c com razão, por fec (como veremos} a cabeça de todas , & mais frequentada , a que mais a* codem todas as nações , & a que recorrem as outras todas , como de fua cabeça ( Nápoles) tomou o leu Reyno o nome.j& femelhantemente outros muy tos , & atè da fua Cidade do Porto tomou Portugal o nome > $c já por ilibnem a Ilha de Santa Maria & Saó Miguel foraó chamadaá Terceyras , fenáo depois de defcuberta , & povoada efta por antonomapois primeyro fedefcubriraó as Canárias
:
-,

fia a

Terceyra.

CAPITULOU.
Do primeyro Donatário
^
,

& Povoadores de toda a Ilha,
&

trataóGonies de Zurara , Chronifta mordo \ ij Reyno, & Góes, & Barros, Guedes j & o noífo Fruftuoioliv. 6. cap. 1. &c no cap. 7. traz o primeyro provimento que o Infante D. Henrique fez de primeyro Capitão Donatário da Ilha Terceyra, em 21. de Março de 1450, cujo inteyro,& formal traslado , he ofe-

T-^ Efta matéria

guinte.

6 Eu õlnfanteV.Henriqííetkegedoriò' Governador da Ordem éa Cavallana de N. Senhor JESUS C rijioy Duque de Fizeth&fenhor da ^^ f^^y^j^^ Boã^àt Covilhaaifaçofaber aos que efiammha carta virem ^ que Jacome de Bru-f^^taaoprimt/roCa'^ , ò- me dijfe, pttaode toda a ilh^ ges , meufervidor , natural do Condado de Flandes , veyo a memoria dos homens ,fe naofabiao as Ilhas Terceyra facome dà que por quanto de/de ab tmuoy dos Afores fob outro aggrejforfenhorio Jalvô meu , nem a Ilha deJESU^^H"^ '^'^^^''.P^j "^*"^^^F*^'F'. —5 Chrijto , terceyra das ditas Ilhas a naofouberao povoada âe nenhuma gente -tnhabttada que aoprefente efiava erma ^ que atègorafojfe no mundo , me pedia por mercê , que porquanto elie a queria povoar ^ que Ihejizejfe delia lhe dcjfe mmha Real authoridade para ello^ comofenhor das Ilhas, mercê i proveyto da eu vendo o que me ajjlm pedia )ferferviço de DeoSj ó' bem, graça , c^ merc} , me apraz de lha outor^ dita Ordem . quercnâo-lhe fazer gar , como ma eUe pedio. E tenho por bem , ó' me apraz que elle a povoe de mmlquer gente que lhe a elle aprouver, quefeja da Fé Catholtca , érfanta de N. Senhor JESUChrifio &porfer caufa da prmeyra povoação da dita Ilha, haja o dizimo de todos osdizimos , que a Ordem de Chriflo houver ,pa^ tenha a Capita^ rafempre,&ãquelles quede fua geração defanderem nta, é^governan ça da dita Ilha , como a tem por mim João Gonçalves ZarTrifiao na parte de Machigo na Ilha da Madeyra , na parte do Funchal ; €0 ò' Pcreftreh no Porto Santo , mem Cavalleyros ò' depois delle a qual-

&

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,

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&

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&

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&

&

.

;

a hajao affimpelaguizd que a qnerpefoa que d a geração delle defender ; ^^t^ro quà queda dita Ordem a hao r/ies Cavalleyros a tenho dada ,

&

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I

^44

Livro VI.

Da Regia ilhaTeixeyra,
,

m

elle

tenha todo o meu poder , ó' regimento âejiijiiça na dita Ilha

aj/lm no

ci"

vel como no ciíme i J alvo quevejwadfor appeUa^aÕ de ante

elle

osfeytos de

mortes de homéSj o" taíhammto de membros , que rejalvo para mim , ó-- para major alçada , ajjim como nas ditas Ilhas da Madeyra , ò" Porto Santo.

E

me apraz ypor aíg Ús Jerviços que do dito Jacome de for quanto me dijje que elle naó tinhajilhos legítimos

Briig es tenho recebido,

de Sancha Rodriguezjua mulher y que,Je elle tajua mulher, que ajua filha major haja a dita Capitania , ó"

jõmènte duas filhas ^ nal howverfilhos varões dadi^
os

&

que defua

geração dejcenderem
iii

d ide íen pring3lfoya Capitania

t

de A figra privilegiada contra aley men- $ges tenho dãdos,porque affim Ofinto porfcrviço de Deos,iér accrefcentamento tal^ coufa que a fit- ^^ ^^nta Fé Catholica,& meu-, feio ditojacome de Bruges povoar a dita Ilha
1:1!
;

Cf na o havendofua filha major filhos , havemos por ^^^" í'^^ afilha feg unday que depois da morte dapnmeyraficar,poj[a haver a dita Capitania par afilhos,ó'filhas,netos,& dejcendentes,& ajtendentes, que dos âitos defcenderem,com aquellas kberdades,é^- púderes,que aos ditos Capi,

^'*^J[^f"'^TJ Capitão je con .

nhnm

t^olmgeda terrafirme , bem duzentas é-fejfenia kgoasdo mar Oceano a ^^^^^ n^afe nunca fioube povoada de nenhuma gente que no mufídofojfe ate-,

\êv.

& rogo aos Mefires, éf Governadores da dita Ordem que depois de Jacome de Bruges,&fem her^ mimvierem quefiação dar & pagar ao dejcenderem a dita dizima do dizimo iquea dita Ordem na dejros, que por mm he dada, & outorgada ò" nao confim ao dita Ilha houver como nenhum agg ravo & peço por mercê a ElRej meu Weferfiejto [obre Jacome de Bruvierem que ao nhor, & fchnnho ér aos Rejs que dizimo a dita defcenderem ,façao pagar ges, & aos herdeyros que Ilha je houver & que Ihejação pagar a dita dizima Ordem do que na por do dito dizimo aos Me/ires ou Governadores da dita Ordem, como & tenha a mim he dado, & outorgado para fempre em todo faça
gora:
,

,

dito

delle

,

,

lhe

,

ello

;

Se-'

,

delle

,

dito

delle

o dito

dita'

,

,

lhe

,

lhe

ter,

di-

ta mercê

,

que

Ihepr mim

hefejta.

E porfegur ancafua

lhe

mandejferfejta

^^,
.

. .

efia

mmha carta, affmada por minha wao

-

""
,

'

Fantili de ^amili*

^He outros

AreM.

mas. Fejta em a Cidade de Silves ,a 2. renço afez annodo NafcimeMo denojfo Senhor JESU Chrifio de mil ó" quatrocentos ò" cincoenta annos. Oditojacomede Bruges, a quem fe fez tam Real mercê, 7 não fó era Cavalleyro do ferviço do Infante, & natural do Condado de ^^^j^^ Flandres , mas tam bom fidalgo , & tam conhecido já em Portugal, que 'càcafcu com huma fidalga Portugueza , Dama da Senhora Infante D. •Brites 3 Sc a Dama fe chamava Sancha Rodriguez de Arca; & juntamente era tam rico, & taó Catholico, que fiou delle o povoar a Ilha, levar bons povoadores , & ir para ella ,& tudo àfua cufla ,0 que não fez outro algum Defcubridor Donatário ; & por iílo mercê mayor que a algum outro , pois lhe concedeo a Capitania não fó para elle, & para o filho varão mais velho que delle ficaííe , mas também para a filha mayor, em cafo que náotiveííe filho varaõ & para fens defcendentes, fem ex<epção alguma,exceptuando já defde então a fucceflaó defta cafa da ley mental do Reyno coufa que fe não concedeo a outro algum Capitão,
-

,&fellada do felio de minhas ardias do mez de Março. Pedro Lou-

'

,

;

fenáo depois de muytos annos , Sc de muyto antiga pofie , & muyto repetidos ferviços. Enquanto ao que diz a Doação, que a Ilha Terceyra cííá, 8 bem duzentas &z feflenta legoas pelo mar Oceano dentro, Scc: gílim fe fuppu-

^^

Cap.II.Do piim.Capit.JâCom.Bmgc~s,ac fuaReal carta. 24 jr
íuppunha então j porém hoje dizem alguns , que eftá de Portugal trezentas & dez legoas, & a Ilha de Sáo Miguel duzentas & oytenta, trinta legoas antes da Terceyra 3 &: quafi na mefma carrey ra j outros affir^ ináo que a Ilha de São Miguel eftá de Portugal duzentas &: cincoenta h llh' legoas, èc a Terceyra duzentas & oy tenta j & os mais concordáo, que S. J^'JT J^ ^^ ,^^ ~ Miguel eftá duzentas & fctenta legoas de Portugal , & a 1 erceyra tre- ^ ttrrajime^ zentas &: ifto he o mais certo , ôc experimentado j & que fora deftas Ilhas Terceyras , fe não fabe de outra alguma Ilha mais diftante de toda a terra firme j pois asde Cabo Verde cftáo mais perto dellaj as Canárias mais perto da barbara Mouramaj as da Madey ra muyto menos longe da Mourifca Africa & ainda as de Inglaterra eftáo mais perto de França, &: muyto mais as de Itália, de Alemanha , de Olanda, & das índias Oricntaesj ôc Occidentaes, a refpey to de outras terras firmes,& vizinhaSj&: ^or iíTo também efta razão a/fina o noífo Infante para tam ampla mercê fazer logo ao primeyro Capitão Jacome de Bruges. Pertradição de algus velhos (refere Fruduofo/w.ó.rííf. 7.) 9 dep©is de defcuberta , como já diflemos , a Terceyra , veyo a ella hum Fernão Dulmo, de nação Flamengo, ou Francez, &í: entrando çúo pyi^eyra I^eja^iA orte habitou no lugar que alli fe fez,das quatro Ribcyras,& com trin- Fregne^^ dd ilha^ ta peflbas que comfigo trouxerai& pôde fer q efte foíTe o que alli levan- Terceyra^ tou a primey ra Ermida , ou Igreja , dedicada a Santa Beatriz , primeyra Frcguezia que houve em toda a Ilha j & querendo abrir , & cultivar a terra, ( de que parece não entendia muyto} impaciente de logo lhe não refponder como elle defejava , fe voltou a Portugal & ou defte , ou de •outrem , informando- fe o fidalgo Jacome de Bruges, fe oíFereceo ao Infante a ir povoar a dita Ilha , & lhe pedio , & alcançou a Doação refej
-,

N

-,

rida.

Capitão, Donatário de toda a Ilha Terceyra, partio logo para ella com dous navios á fua cufta , carregados de gado de toda a cafta , de vacas , porcos , ovelhas , &c. & lançando tudo cm a Ilha, fe voltou a Portugal a bufcar gente capaz de a povoari& por não tam facilmente a achar , fe foy à Madey ra com alguns Flamengos} nella tomou amizade com hum bom fidalgo, chamado Diogo de Teve, com elle , & outros nobres da Madeyra fe veyo à Terceyra , aonde jà Dofidalgo Diogo dó achou grande multiplicação de gados & eftando na Terceyra algum ^'^* » f** ^'* ^^' tempo , lhe chegarão cartas, ( que diflerão alguns , ferem fingidas pelo ^^''^ ^^J"* f^^-^- ^ *** ' amigo Teve } em que fe lhe dizia fer morto hum tio feu em Flandres, & tão rico que lhe deyxàra a elle hum morgado de muy ta renda j o que fabido, ou crido pelo bom B ruges, fe embarcou logo , & em tal conjunção, que atè hoje nunca mais fe foube dellej & accrefcentárão algús que o Diogo de Teve o mandou matar , por fe levantar com a Capitania^ 6c com eííey to fe levantou logo com hua ferra chamada de Santiago, que o Capitão Bruges tinha tomado para fi, & rende atè quatrocentos moyòs de trigo cada anno. 1 Succedeo depois ir Diogo de Teve a Lisboa , & fer là prezo por culpas lá commettidas , & então a Dama , mulher do Bruges , fe foy queyxar a ElRey de que Diogo de Teve lhe matara feu marido , Sc requererlhe o mandaíTe notificar que defle conta delle ^ Sc aílim o fez
10

Feyto pois

efte

&

;

Wi''

.^ ^y

ElReyj"

MD

246
Pains pia

Livro Vi.

Da Regia Ilha de Tcrccyra.

VillW!

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I

ElRey, Sc à prizâo lhe mandou dizer , que dentro de dez dias áeí^Q codo Capitão Bruges , ou aonde eftava , vivo ou morto , fob pena de IP« fidalgos J»glex.es , que haviaõ jnandar fazer juftiça delleTeve jôc tanta pena tomou o fidalgo Teve fucceder na Capita- deita Real notificação que ao fexto dia morreo.E aílim não apparecen, nia de toda A Ilha do o Capitão Bruges , a viuva fidalga fua mulher caiou a mais velha fiTerçej/ra. lha Antónia Dias de Arceeom hum fidalgo Inglez , chamado Duarte Paim, Commendador da Ordem de Santiago, ác filho de outro fidalgo Inglez , por nome Thomás Elim Paim , que tinha vindo a Portugal por Secretario da Rainha Dona Felippade Lancaliro , mulher delRey D.Joaó 1. & p tal Duarte Paim, começando a demanda comos poíTuidores da Capitania da Terceyra, morreo, & continuou-a hum filho feu , chamado Diogo Paim , & por fe não achar a própria Doação feytaajacomede Bruges, (que dizem lha furtarão, & queymàráo} foy excluido Diogo Paim do direyto que tinha à tal Capitania.
Eitando pois vaga a Capitania da Terceyra pela faltado 12 íprimeyro Capitão Jacome de Bruges , fuccedeo aportarem á Terceyra dous fidalgos , que vinhão da terra do bacalhao , que por mandado del-

Rey de Portugal tinhão ido defcubrir, hum fe chamava Joaó Vaz Cor&informando-fe da terra, lhes contentou tanto, que em chegando a Portugália pedirão de mercê por léus ferviços: & por fer então jà mortoo noíTo Infante Dom Henrique, & lhe ter fuccedido no governo da Ordem de Chrifto o Infante D. Fernando , de quem era já viuva a Infante D. Brites , S: poriíTo Tutora, & Curadora de feu filho menor o Duque D. Diogo, fez efta Infante mercê aos dous fidalgos pertendentes da Capitania da Terceyra, repartindo-a entre ambos em duas Capitanias, húa de Angra, outra da Praya, comoadaMadeyraem huma do Funchal outra deMachico. E por<][ue a Doação dá Capitania da Praya , dada a Álvaro Martins Homem, deve eftar no tombo da Camera da dita Praya & a de Joaó Vaz Corterealeftá,& vi no livro antigo do tombo da Camera de Angra foi. 24^. & nella fe faz menção da Doação fey ta a Álvaro Martins Homem , por
tereal,
5
,
;

& o outro Álvaro Martins Homem

m

no feu antigo eílylo ponho aqui a Doação feyta ao dito Cortereal Capitão de Angra. Cwador do Senhor Du1-2, Eu a Infante V. Brites Tutor que meujilho, é^c. façofaber a quantos efia minha carta virem que havenJ)a divifao da 7 ervaga a Capitania da Ilha Terceyra de JESUS ceyrantu duat Capí- do eu por informação ejiar taníat de Angra & Chrijloj do ditofenhormeuflhojporfeaffirmarfer morto Jacome de BruPraya & Adi Doa- ges que atègoraa teve , do qual ha muyto tempo que alguma nova fe nÍo ha, ções. pojio quejà por muytas vezes mandeyafua mulher que a verdade delo fouajinandolhe para elo tempo de hum anno S- deme certificajfe heffe , pois mais, ao qual em alguma maneyra em todas as diligenciai que dijfofizefiíío
, ,

&

,

,

j

,

&

-,

&

,

fe ,nao trouxe delo certidão alguma-, pelo que havendo por certo oqueaffim me he dito , efguar dando o damno que he , a dita Ilha ejlar affmfem Capitão, manter em direyto , é^jufiiçapelo dito Senhor , ò-- coque haja de reger , mo em ellapela caufafefazem muytas coifas quefao pouco fervi ço de Deor,

&

é- do dito Senhor filho determiney prover a elo por dej cargo de minha confciencia , é^ fervi ço do dito Senhor. E confederando eu de outra parte os ferviços que João Vaz Cortereal -^fidalgo da cafa do dito Senhor meufãho, ; tem
-,

mm

f^*»

m
Cap. II. Das duas Capitan.huadeAngra,outrada Praya.147
meu Senhor ifeu padre que Deos haja , ér depoúa minh vendo afua diJ^ofiçaOt lealdade, 'é- ãelle , confiando em afm bondade, ãquaihe para poder fervtr o dito Senhor ,& manterfeudireyto, &jujttpi
ter» feytoao Infante

&

&

dos ditosfervtços lhefiz mercê da Capitania da Ilhalerceyrii, lhe mandey delo darfua caraj]im como a tmha dito Jacome de Bruges , por quanto a dita Ilha não era partida entre o dito Jacome de ta ante defta.

em galardão

&

Bruges,

he & Álvaro M artins & parte pela Ribeyra Secca, que ditaà quem da Ribeyfui da parte de Angra & da Rtteyra de Frey João ficando
-,

E

,

efia

>

vay de Suefie a Secca pela ametade da dita Ilha ate a outra banda , como fe partida a dita Ilha pela mefma maneyra , mandey ao dito Jodé Noroefie, Vaz que ejtolhefe, efcolheo da parte de Angra,& leyxou da parte da Brâa mim aprou. ja, em que o dito Jacome de Bruges tinhafeytoftu ajfento , mandey lhe heyporfeyta a mercê da dita parte, porque da outra delo

&

&

&

ve

,

&

Ciar Çua carta ao dito Álvaro Martins. Eme apraz , que o dito João 14

Vaz

tenha pelo dito Senhor a dita
-,

que morrendo elle, em direyto mantenha por elle emjujliça , que tenha o carre^ ijjomefmofique afeufUhoprtmeyro , &fegundo , fetalfor,
parte, que

&

&

oopelagnizafufodita;& affim de defcendente em dejcendente pela linha di%eyta
:

&fendo em

tal idade o dttofeufilho

érfem herdeyr os porão hi quem areja , Item me apraz, que elle tenha na fobr edita Ilha ajurtfdicçao, pelo ditofenhor crime ,refalvando morte , ou talhamento meufilho emfeu nome, do cível, porem fem embargo da de membro , que difto tal venha perante o ditofenhor

que nao poffa reger , o ditofenhor, ate' que ellefeja em idade par a reger.

&

-,

dit ajurtfdicçao

,

a
,

mm apraz

,

que todos

mem

mandados ,

& correyçaofe-

apraz, jaõ hl cumpridos affim como couja própria do ditofenhor. Outrofime na dita que o dito João Vaz haja par afi iodos os moinhos de pao que houver que ninguém nao faça ahi moinhos ,foIlha, de que affm lhe dou carrego , braço, que a quem lhe aprouver-, ifio nãofe entenda em mo de mente elo, tenha outrem^ faça quem qmzer nao moendo a outrem nem atafonas nao
fomente
elo,

& & a quem
,

& &

-,

lhe aprouver.

Item me apraz , que haja todas as ferras de agua quefe ahi I^ certo fizerem , de cada huma hum marco de prata ou em cada hum anno feu pagando valor, ou duas taboas cadafemana , das que hi cofiumar em ferrar , portem ao ditofenhor odfzmo de todas as ferras ditas, &fegundo pagão daí Vaz outras coufas, quandoferrar a ditaferra.Efio haja também o dito João
,

ou outros de qualquer moinho quefe ahtfizer , tirando vieyros deferrarias , houver poy a ,feja9 metaes. Item me praz , que todos osfornos depom, em que que fem aporem nto embargue quem quizer fazer fornalhas para feu pom ,

ven& nao para outro nenhum.ltem mepraz, que tendo ellefalpara meyo de a razão dando a vender outrem fomente der que quando nao & realoalqueyre,oufua direyta valia, & mais
'ãsfaça,
,

o 7iaopojfa

,

elle

,

elle

na^Õ-,

o

tiver,

os

da dita Ilha opofao vendera vontade
,

,

ate que

elle

o tenha. Outroji

me

fraz que

de todo o que o ditofenhor meufilho houver de renda em a dita direytos , quefe conIlha, que elle haja de dez hum , de todasfuás rendas , tem em oforai, que para elo mandey fazer. Epor efiaguiza que haja efia rendafeu filho , ou outro defcen16

&

,

dente Dor linha direyta que o dito carrego tiver.

ItQmtme praz, que ellepofa dar por fuás cartas a terra da dita Ilha , forra peloforal , a quem Iheaprou-^

Livro VL

Da Regia Ilha Terceyraí^

veVi com tal condição que , ao que der , a terta aproveyte ate cinco annos , não a aprovèytando , que a pojja dar a outrem-, <^ depops que aproveytàdafof,

^

é^ a leyxarpor aproveytar atè outros cinco annos , que tjjò mefmo a pojfa dar,

E

tjio

mm embargue ao ditofenhor,fe houver terra para aproveytar que nio
,
-,

fejá dada

que eUeapoJfa dar a quemfua mercê for é^ ajjim me praz que a dèfeufilhOi ouherdeyros defcendentes , que o duo carrego tiver. Item me praz

que os vizinhos po^^ao vender fuás herdades aproveytadas aquém lhe pare^ cer. Outroji me apraZj que os gados bravos pojjao matar os vizinhos da dita -Ilha, (em haver ahí contradefeza , nem licença do dito Capitão , refalvando

mefmo me praz , que oi gados manfospafcem por toda a Ilha, trazendo-os com guarda que nãofacão damno; é^fe ofizerem^ que o paguem afeu dom j as coymasfegundo a pofo

.algum lugar cerrado em que

lançafeu dono

:

&

tjfo

,

&

tura do Concelho. por 17

E

efia

minha carta peço ao dito fenhor meu filho , que pra-

éajapof boa , zendo a Deosque em idadefor , lha confirme^ affim o faherdeyros , quando a elles vierem 3 por quanto da dita fuccejfores , cão fem Capitania lhe fiz mercê pela maneyra em todo fobiredita , comfatisfaçao , c^ contentamento do muytoferviço que temfeyto , como dito he. em tejiemunho de verdade lhe mandey dar efia minha carta, ajfmada , érfellada de meufelio. D^da em a Cidade de Évora a dousdias do mez de Abril. Rodrigo Alva^~ rezafez, anno doNafcimento de noff Senhor JESUS Chnftode milé" o quatrocentos &feffenta ér quatro.

&

&

&

E

CAPITULO
da Praya ,
V

III.

Dos Capttaem Donatários àefo a Capitania
cia

Ilha Terceyra.

naõ era de mellos qualidade , 6ç fidalguia que feu companheyro J oaó Vaz Cortereal , pois igualmente a ambos tinha Elíley mandado a defcubrir a terra do bacaIháo , & delia vindo ambos juntos aportarão na nO'/a Ilha Terceyra,^ de a verem vaga com a morte de feu primeyro Donatário, ambos a foraó pedir por feusferviçps aElReyj &porfenaó antepor algum doS Dos dons Donataries^^^^^'^^^^^^^' fe lhes rcpartio a Ilha em duas iguaes Capitanias pelos ds 'trígra ^& Fraja^ous igualmente pcrtendentes , & com méritos iguaes } & repartida a mnhum frecedia ao Ilha efcolheo Joaó Vaz Cortereal a Capitania de Angra, &: Álvaro eftíro. Martins Homem fe ficou com a Capitania da Praya , em que o Donatário da Ilha tinha no principio pofto feu aítento , & a tinha mais cultivada. Defte pois primeyro Capitão da Praya, que fidalga foíTe fua mulher , naõ dizem os Hiftoriadores , masfuppoem-feque feria de igual qualidade a tal marido S: fó dizem ( refere Fruítuofo liv. 6. Cap. 8. que vivendo com fua mulherna Praya , faltou de Portugal embarcaçaa para aTerceyra, m ais de oy to annos, & emtodaella fefentio muyto efta falta, & efpeeialmente no veftir,que de comer jà havia muy to grande abundância na Ilha. 19 De
1%
, ;

ALvaro Martins Homem

^

Cap.ííI.DosFid.chamacI.Mai't.Hoines,Capit.daPrâya.i4^
AnHomem , que fuccedeo ao pay ern Capitão Donatário da DosCapitass daPrâ^ Praya , ( íem fabermos quando o pay morreo>} cafou porém efte Aiítíòjl^ chamados MarMareias com Ifabel Dornellas da Camera,íilha de Pedralves da Camera *^'^^ Homens & doi irmaó do Capitaó do Funchal da Madeyra, como fe vè à margem do ci"^llZiíUs^^TaaM^ tado Fruduofoj que m corpore faz a dita Ifabel Dornellas naturalda ^^ forlTpara" a mefma Ilha Terceyra , & pode fer que foífe jà nafcida na Terceyra , & jircejra, do fobredito Pedralves da Camera , que da Madeyra teria ido para a Terceyra com oprimeyro Capitão delia Jacome de Bruges, como o
19 tão Martins
j
,

De Álvaro Martins Homem & de

fua mulher nafceo

,

.

~

'

Teve &c. Sc aíTim fe aparentaváo então os Capitães de húas Ilhas com os das outras, como vimos nos das Canárias com os da Madeyra, & com os deíla os do Porto Santo & com os mefmos da Madeyra os de São Miguel , & com eítes os de Santa Maria para nenhús terem que notai aos outros na qualidade do fangue. Morou efte Capitão fempre na fua Villa da Praya & também delle não fabemos nem o dia nem o anno
, ,
,

,

,

,

em que morreo; mas fabemos que de faa mulher Ifabel Dornellas da Ca•

mera. teveoprimeyro legitiilio filho feu fucceflbr , que foy ir Álvaro Martins da Camera, quarto Capitão da Praya,con« 'zo tando o Bruges por primeyro3 cafoU efte quarto Capitão com D.Brites

-,

-

.

r

de Noronha, também fidalga da Madeyra. Ofegundofilho de Antão Martins Homem foy Domingos Homem , que cafou com Rofa de Macedo, filha de Joz de Utra Capitão Donatário da Ilha do Fayaljôc defte cafamento nafcèrão, Manoel Homem que morreo na índia fervin- Do Fmdador do m^^ doa ElR^ey , & duas filhas Freyfas no Mofteyro das Chagas da mefma f^i» Convento da*^ Praya, que o mefmo íeu pay D jmingos Homem tinha edificado. O ter- Ghagoíja Praja. ceyrofilho do dito Antão Martins foy Pedralves da Camera como o avò materno , &: fe fez Clengo , & Theologo, & foy Vigário da Matriz A
,

B\-

da Praya.

Nafceo mais do mefmo Antão Martins Homem, & de fua mulher Ifabel Dornellas da Camera nafceo Catharina da Camera, que cafou com hum fidalgo chamado Diogo Paim, viuvo jà de Branca da Camera, tia da dita Catharina, &irraaâ da fobredita Ifabel DornellaSi do qual cafamento nafceo António Paim, com Merita Euangelha,& foraõ pays de Duarte Paim, que cafou com Dona Bernarda filha de Paulo Ferreyra, de que naó ficou filho algum (^diz Fruftuofo} no meímo tempo vivo. fcgundo filho de Diogo Paim , & de Catharina da Camera foy Hierony mo Paim que cafou com húa filha de Joaó de Teve o moçoyda qual houve filhos, & filhas , Sc hum Manoel da Camera , que em tempo de Fruftuofo era Vigário de Nofla Senhora da Penna, das Fon21

,

O

,

tainhas.

Dodito pois quarto Capitão Álvaro Martins da Camera, & de D. Brites de Noronha , o priraeyro filho foy Antaó Martins da Camera , de que ab.iyxo fallaremos. O fegundo foy Luis Martins , que
22 terceyro foy morreo fsm dcfxndencia fervíndo aElRey na índia. António de Noronha , que também na índia fervio , Sc lá cafou , Sz teve filhos, 8c filhas. quarto foy Brás de Noronha, que primeyro foy Frade Francifcano da Òbfervancia, Sc depois por Bulia Apòílolica foy Cónego Regrante no Mofteyro de Cárqiiere em Portugal, 6c emfim fe foy

O

O

para

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.(ir

KM

Liviro VI .

Da Real Ilha Tercèy ra«^

,

whquinto, fe^to,^ feptimo lugar nafcèraó três filhas, D'^ para o Brafil. todas trts foraó Religiotas no Brianda , D. Ignes 3 êc D. Jb ranciíca j da Praya,&: de tanta virtude^que duas delias foraó Moftcyro dej £SU S

Em

&

AbbadeíTasmuyto tempo }& viuvando a máy D. íJrites de Noronha, ao mefmo Mofteyro das filhas fe recolheo , & depois de muy tos annos morrco nelle fantamente. Qiiinto Capitão da Praya,& filho do quarto foy o dito 23 Antaõ Martins da Camera , cafou com D.Joanna Dama da fenhora D. ITabel , mulher do Infante D. Duarte , fi lho dei Rey í) Manoel & havendo defte cafamento outros filhos que falecerão moços , fu pervi verão três filhas, das quaeshúa calou com D.Jorge de Noronha em Lis* boa 5& não teve defcendencia j outrachamada Clemência , nunca quiz Capitania j &: a terceyra D. Fe''tetho ÈlRey tbriga- cafar , por mais que ElR.ey lhe dotava a vtaes Capitães Do- UppafemetteoReligiolaem Portugal Obrigou ElRey aopay que vi* nataries a rejtdir tiM ^^g refidir na fua Capitania, & vindo fem a mulher hleceo na Praya, Sc '{Hití_ ÇapitmfOí, ç^^ fucceíTor varaó. E tanto cafo ainda fazia ElRey defta cafa da Praya, que tornou a oíFerecer a Capitania a D. Clemência , & a cafava com lium grande fidalgo , & tornou ella a perfiftir em não cafar , & fe ficou aíTim com a irmãa cafada que não tinha defcendencia. Vagaaíllm a Capitania, dizem que ElRey D. Henrique 24 deo palavra delia a D. Leoniz , filho do Conde da Feyra por grandes ferviços na índia, &: na Africa em Cey^a porém morto ià Dom Leoniz pedio o Conde da Feyra a dita Capitania para hum feu irmaõ nacuralj ^, D.Jorge Pereyía , que vivia retirado na Ilha de Saó Miguel j & tendo palavra da ferventia delia por três annos, também dizem que neíle tempo chegou da índia o irmão do ultimo Capitão , chamado António de Noronha ^ 6cem paga de feus ferviços pedio a dita Cápitania:,& não ob* ftantc a palavra dada, ElRey lha deo a efte António de Noronha , poc fer irmão do Capitão morto, & defcendente dos paflãdos mas deo-lha ElRey com condição de mandar logo vir da índia fua mulher, 6c filhos, Sc ircomelles refidir na Capitania; & pouco depois morreo em Lisboa, & de pefte o dito António de Noronha , de cuja mulher , & filhos
,
.

,

i

;

,

Uw Pmfhm
-ttk

^«í

náó acho mais noticia
varaó ,

:

porém nefte tempo
,

os da Praya pedirão a El,

gíivernàraõaCaptta-

Rey quem Os governafle

déFraj*.

& lhe propuzeraõ hum muyto nobíe & rico da mefma Ilha Terceyra, & da antiga familia dos Pam ploiaas, &
,

dizem que governoii a Capitania alguns anhos àtè que ElRey Felip. |)C II. a proveoem D.CÍvriltovaô de Moura, como veremos abayxo.
r\.

^1

:•-'

CAPITULO
2tj

IV.

bosCapitãcsdeAngrayCQrtereaeSjdaTevceyra,

T^ £fta celebre família dos Cortereaes trataremojí nuis, quí*
JLJdò
,

abayxo tratarmos das familias que foraó povoara Ilha Terceyra; por hora fó diremos os que foraó da Terceyra,&: da parte de Angra, feus Capitães Donatários , depois de Jacome de Bruges o ter fido de toda a Ilha Terceyra i por cuja morte íe rcpartio a Ilha cm dwas

^

Cap.IV. Das Corte reaès^Ç^itães de Angra,
alias Capitanias,
fé,

2Jí

huma chamada da Praya , por efta

Villa fer a íua Cor^

ou Cabeça ; outra chamada de Angra, por íer eita Cidade fua Cabeça & Corte i & porque vimos já os Capitães que na Praya fuccedèraõ ao Bruges i dos que lhe fuccedèraõ cm Angra digamos agoraonecef,

íario.

fegundo Capitão Donatário de Angra, depois do pri26 meyrp que de toda a Ilha o era, foy Joaó Vaz da Coila Corte real, (co-^ mo jà vimos acima } porque vindo com o outro Capitaó da Praya Álvaro Martins Homem , eíle trouxe o poder de repartir a Ilha em duas. iguaes partes , ou Capitanias i & o Corte real trouxe o poder efcolhec das duas Capitanias, & partes,quâl quizefíejôc dizem que Álvaro Martins Homem imaginando que oCortereal efcolheria a parte da Praya, por haver nellajá melhores terras , 6c já cultivadas , & mais povoadas, fez de forte a partilha, que ficou muyto mayor a parte de Angra,& a ef- Segunda & mau ta então por iílbmefmoefcolheo o Cortereal i fobre que ao depois en- igual dívifdõ doiCít-' tre os fucceíTores de hum, & outro houve tal demanda, que durou vinte pitamai dalerc^r^*, annos , & per fentença final fe tornou de novo a partir a Ilha , 6c com igualdade, & cada hú ficou na Capitania em que eítava de antes. i' . Efte íegundo Capitão de Angra foy cafado com huma fi:^r]. dalga chamada D. Maria,de alcunha a Galega, por íer oriunda da Ponte da Barcaem Entre Douro & Minho,& o tal J oaó Vaz da Coita Corterealjá tinha fido Porteyro mordo Infante D. Fernando , pay delRey Das filhai do pymey* D. Manoel. Da dita íua mulher teve féis filhos primeyro , Vafqueanes ro Cortereal que cM
, j

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:

faraÕ nas Ilhas &^ Cortereal fegundo, Miguel 5 terceyro, Gafpar, todos CortereaeSiquarem PortMgaL to,Dona Joanna Cortereal , que na mcfma Ilha cafou com hum fidalgo chamado Guilherme Moniz quinto , D. Iria Cortereal que cafou com outro fidalgo Pedro de Góes da Silva fexto D. Ifâbel Cortereal, que cafou nas mefmas Ilhas com Joz de Utra , Capitão Donatário da Ilha do Fayal , & da do Pico. O íegundo filho do dito fegundo Capitão de Angra Joaò Vaz Cortereal, que diíTemos fora Miguel de Cortereal,efl:e foy Porteyro mòr delRey D. Manoel & cafou com D. Ifabel de Gaftro, filha de D. Garcia de Caftro, irmaó do Conde de Monfanto, da qual houve a D. Catharinade Caílro,que cafou com Diogo de Mello da Silva, Vedor da Rainha D. Catharina, mulher delRey Dom Joaó IÍÍ.& houve mais a D. Joanna de Caítro, mulher de Leonel de Soufa, fenhorda Ericeyra. O terceyro filho Gafpar Cortereal nunca cafou,mas filho feu natural foy D.Joaõ Cortereal, Bifpo de Leyria, Sc outro filho que morreo fcm defcendencia. O terceyro Capitão de Angra foy o dito Vafqueanes Cor28 tereal Vedor delRey D.Manoel, &: Alcayde mòr de Tavira no Algarvej & foy também Capitão Donatário da Ilha de S. Jorge, como em feu Dofegudo Cortereal^ lugarveremos. Cafou com D. Joanna da Silva, filha de Garcia de Mel- Capitão & a ejtie fs finto a Capitania da lo^ Alcayde mòr de Serpa; & delia houve os filhos feguintes: primeyro, Ilha de S.^orge. Chriftovaó Cortereal , que morreo mancebo fem defcendencia fegundo, Manoel de Cortereal que fuccedeo ao pay; terceyro Hernardo de Cortereal, que foy Alcayde morde Tavira U cafou com D. Maria de ]Víenezes,filhade Manoel de Brito, Alcayde mòr de Aldeã Galega }& tlella houve a D. Joanna de Menezes, que cafou com Martim Coirea
,
-,

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,

j

,

,

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,

,

;

,

,

,

mHmaám

iji

LivroVI.DaR^egiallhaTerceyra.^

da Silva} quarto^ Hierony mo Cortercal, que morreo fem delcendcncíaí quinto, D. Mana da Silveyra, que cafou com D. Pedro Deça i fexto, D, í elippa que náo cafou. Qiiarco Capitão de Angra foy Manoel de Cortereal , fe29 gundo filho do terceyro Capitão } cafou com D. Brites de Mendonça, 2>tf ureeyro Corte real, Capitão de An filha de Henrique Lopes de Mendonça, a qual tinha fido prmieyra veZ ^aj^àeS.prge. cafada com D. Manoel de Lima, Capitão de Ormuz Ôc depois íoy terceyra vez cafada com D. Francifcode Faro fenhor do Vmúofo,6c Vé* dor da fazenda delRey D. Sebaftiaõ. Defte quarto Capitão de Angra nafcèraõ, Joaõ Vaz Cortereal , que em vida p.ào cafou , & fó dizem alguns que na hora da morte recebera naó fey que mulher , de cujos filhos também fe naó fabe j nafceo mais Hieronymo Cortereal , que cafou com D. Luiza da Silva, filha de Jorge de Vafconcellos , Armador mòr. Provedor dos Armazéns , & Commendador , porém nenhúa defcendencía deyxou: nafceo também Vafqueanes Cortereal,& efte herdou a Capita>

nia do pay,

& aíTim
Silva,filha

30
cafou

Qiiinto Capitão de Angra foy o tal Vafqueanes Corte real,&

de D. Joaó MafcarenhaSjCapitâo dos Ginetesjfenhor de Lavra, Alcaydemòr de Montemôr,&: de Alcace'Como é Capitama de re do Sal; do quál cafamento nafceo outro Manoel de Corterealj q morAngra vejo a ficar fem mulher ainda,& fem fiihosj mas «mfilha^qtte cafon cõ reo na batalha delRey D.Sebaftiaõ, Dom ChfifiovAÕ de como efta Capitania eítava jà dada de juro > & herdade, U tirada da ley M<iHra^ mental , & confirmada por ElRey Dom Sebaítião no livro do tombo da

com D.Catharina da

Camera de Angra/o/. 308.

& Margarida Cortereal, irmãa do com Dom Chriftovão lha do ultimo Vafqueanes Cortereal , que cafou de Moura. Era eítcD.Chriftovão de Moura filho de D.Luis de Mou1 3 ra, & de D. Maria de Távora, irmãa de Lourenço Pires de Tavora,EmPa tllftfire afctnâen- 45ayxador que foy a Roma, & Capitão de Tangerc; & o dito D.Luis de eia dos Monrof. Moura foy Eftribeyro mordo Infante D. Duarte, & Thefoureyro mòr da Infante D. Ifabcl. Defta cafa dos Mpuras de Portugal era Miguel de Moura, que antes de Felippe II. entrarem Portugal já era do Confe,

& 41 9.

poriíío ficou efta Capitania a Dona fidito ultimo Manoel de Cortereal ,

lho delRey D. Henrique , & feu Secretario & também defta cafa foy para Caftella Fernando de Torres & Moura , que em Córdova cafou com D. Ifabel, filha do fenhor de Setina em Aragão , de que nafceo Fernão de Moura , que cafou com D. Leonor de Mendonça emSiguenfa, ondetevedous filhos D. Miguel de Moura >& D. António de Moura, & era cafa de morgado rico. lobredito D. Chriftovaó de Moura tinha íido pagem da Princeza D. Joanna mãy delRey D.Sebaftiáo, & filha do Emperador Carlos V. & irmãa de Felippe IL & mulher do Principe
j ,

O

,

de Portugal D. Joaó , & com a Princeza foy defte Reyno para Caftella por feu pagem , & mettendo-fe em hum Mofteyro de Freyras Defcalfas, por fua morte deyxou a D. Chriftovão dous mil cruzados de rendaj & entrando D. Chriftovaó por pagem de Felippe II. tal privançacom elle alcançou, que veyo com o Duque de OíTuna,6c com outros por Embàyxador a Portugal fobre a fucceffaõdo Reyno,&: foy Vedor da fazenda do mefmoFeiippe II.& do Cõfelho d'Eftado dcPortugal,& Caftella. Sex~ 32 i
'

Câp.V.Deícreve-fe a Capitania da PrayaT

ij^

Sexto pois Capitão de] Angra fôy o tal D. Chriftovaó de Moura, por Felippe II. o cafar com D. Margarida Cortereal i por ef- ^"f ^*** Chrifio^. '^' tar vaga entaó a Capitania da Prava , a deo também ao dito D. ChriftoZ'r 'rft vao, & hcou Capitão Donatário de toda a Ilha Terceyra, como o tinha Margarida, Cone. fido no principio o Flamengo fidalgo Jacome de BrugeSi &: juntamente realjevon m msCa. Capitão Donatário da Ilha de Sam Jorge,que jà andava unida à Capita- ^tani» de Angra, nia de Angra> além do fobredito,o fez Felippe II. feu GentiUhomem ^'''7'».^ S.forge,& de Caraeraj & Marquez de Caftello Rodrigo, fenhor de Cabeceyras de f'yp]'>^'P'''^ 5* Bafto, Commédador mòr de Alcântara em Caftella,&: emfim Vifo-Rey dTc^amtSs \Z de Portugal. Da fobredita Dona Margarida Cortereal nafceo o fegun- tiLTIõ /«2 filhas, do Marquez de Caftello Rodrigo , que a Roma foy por Embayxador &e. em 1632. nafceo mais huma filha, que cafou com o Duque de Alcalà ; Sc outra Dona Maria de Mendonça , que cafou com o Conde de Vimioío D. AíFonfo de Portugal ; & outra Dona Margarida , que cafou com D. Manrique, Conde de Portalegre.

'52

&

*•

^'T

&

CAPITULO
Defcreve-fe a Capitania da Praj/a,
Noroejle,

V.

& Norte

&/uas Povoações pek

,

ate acabar pajjado o Lejie da

llhaTerceyra,

PElafegunda repartição, que per final fentença fe mandou _ fazer na Ilha Terceyra em duas iguaes Capitanias, & ficou o marco em aquella parte da Ilha que chamão Folhadáes & ficou cor33
,

refpondente ao Oefnoroefte , fendo que de antes ficava ao Noroefte , &: Dos primeiros lagi^* mais pequena a da Praya. Chama-fe eftefitio Folhadáes , por íer mato ''" '^^^'"'•'^''•' ^''^^^"

pheyo defta lenha de folhado ; mas jà hoje eftá muyto cerrado , & tem ^""^ '^^^'"'«1 M'. '""'"* muytas vinhas , Sc muyta