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Direito Penal LFG

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Direito Penal – LFG – Intensivo I

Prof.: Rogério Sanches Bibliografia: 1. Cezar Roberto Bitencourt, 2. Parte Geral de Rogério Greco; Coleção Ciências Criminais, LFG – www.livrariart.com.br ÍNDICE DIREITO PENAL:......................................................................................................................................4 Conceito:..................................................................................................................................................4 Finalidade / Função: ................................................................................................................................4 Direito Penal Objetivo e Direito Penal Subjetivo:...................................................................................4 FONTES DO DIREITO PENAL: ...............................................................................................................5 Fonte material:.........................................................................................................................................5 Fonte formal:............................................................................................................................................5 Fontes Mediatas:......................................................................................................................................5 INTERPRETAÇÃO DA LEI PENAL: .......................................................................................................7 Finalidade:...............................................................................................................................................7 Espécies:..................................................................................................................................................7 PRINCÍPIOS NORTEADORES DO DIREITO PENAL: ..........................................................................9 Princípios relacionados com a missão fundamental do Direito Penal:....................................................9 Princípios relacionados ao fato do agente:.............................................................................................10 Princípios relacionados com o agente do fato:......................................................................................14 Princípios relacionados à pena:..............................................................................................................16 LEI PENAL NO TEMPO:.........................................................................................................................18 Sucessão de leis penais no tempo:.........................................................................................................18 LEI PENAL NO ESPAÇO:.......................................................................................................................23 Princípios:..............................................................................................................................................23 IMUNIDADES:.........................................................................................................................................27 Constitucionalidade:..............................................................................................................................27 Espécies de Imunidades:........................................................................................................................27 TEORIA DO CRIME SEGUNDO LFG: ..................................................................................................32 Fato Típico:............................................................................................................................................32 TEORIA DO CRIME: TEORIA GERAL DA INFRAÇÃO PENAL: .....................................................38 Conceito de Infração Penal:...................................................................................................................39 Conceito Analítico de Crime, de acordo com as várias Teorias:...........................................................39 Sujeito Ativo do Crime:.........................................................................................................................40 Sujeito Passivo do Crime:......................................................................................................................41 Objeto Material:.....................................................................................................................................41 Objeto Jurídico:......................................................................................................................................41 TEORIA DO CRIME: SUBSTRATOS DO CRIME:...............................................................................42 FATO TÍPICO:......................................................................................................................................42 1) CONDUTA:..............................................................................................................................42 Crime Doloso: ...............................................................................................................................45 Crime Culposo:..............................................................................................................................49 Crime Preterdoloso:.......................................................................................................................51 Erro de tipo:...................................................................................................................................52 - Conceito:......................................................................................................................................52 - Erro de Tipo x Erro de Proibição:...............................................................................................53 - Espécies de Erro de Tipo:............................................................................................................53 a) Essencial: ..................................................................................................................................53 1

Direito Penal – LFG – Intensivo I
b) Acidental: .................................................................................................................................53 - Erro de Tipo x Delito Putativo por Erro de Tipo:.......................................................................56 Erro de subsunção:.........................................................................................................................56 Erro Provocado Por Terceiro:........................................................................................................57 Ação (Crime Comissivo):..............................................................................................................57 Omissão (Crime Omissivo):..........................................................................................................57 Crime de conduta mista:................................................................................................................58 2) RESULTADO:..........................................................................................................................60 Espécies:........................................................................................................................................60 Classificação do crime quanto ao resultado:..................................................................................60 3) NEXO CAUSAL:......................................................................................................................61 Conceito de Relação de Causalidade: ...........................................................................................61 Concausas: ....................................................................................................................................63 4) TIPICIDADE:............................................................................................................................66 Conceito de Tipicidade Conglobante: ...........................................................................................67 Conseqüência: ...............................................................................................................................67 Espécies de Tipicidade Formal:.....................................................................................................67 ILICITUDE:...........................................................................................................................................69 → Conceitos de Ilicitude: .............................................................................................................69 → Relação Tipicidade x Ilicitude:.................................................................................................69 → Ilicitude x Antijuridicidade:......................................................................................................70 → Causas Excludentes da Ilicitude:..............................................................................................70 a) Estado de Necessidade: .............................................................................................................70 b) Legítima Defesa: .......................................................................................................................73 c) Estrito Cumprimento do Dever Legal: ......................................................................................75 d) Exercício Regular de um Direito: .............................................................................................75 e) Ofendículos: ..............................................................................................................................76 f) Classificação do Excesso nas descriminantes/justificantes:.......................................................77 g) Consentimento do Ofendido: ....................................................................................................77 → Descriminantes Putativas: ........................................................................................................78 CULPABILIDADE:..............................................................................................................................80 → Teorias da Culpabilidade:.........................................................................................................80 → Elementos da Culpabilidade:....................................................................................................81 a) Imputabilidade: .........................................................................................................................82 b) Potencial consciência da ilicitude:.............................................................................................85 c) Exigibilidade de conduta diversa: .............................................................................................87 PUNIBILIDADE:..................................................................................................................................89 → Causas de extinção da punibilidade:.........................................................................................89 → Hipóteses do art. 107, CP:........................................................................................................90 I) Pela morte do agente: ................................................................................................................90 II) Pela anistia, graça ou indulto:...................................................................................................90 III) Pela retroatividade de lei que não mais considera o fato como criminoso:.............................93 IV) Pela prescrição, decadência ou perempção:............................................................................93 - Decadência:.................................................................................................................................93 - Perempção:..................................................................................................................................94 - Prescrição:...................................................................................................................................94 Prescrição da pretensão punitiva: ..................................................................................................95 Prescrição da pretensão executória: ............................................................................................100 V) Pela renúncia do direito de queixa ou pelo perdão aceito, nos crimes de ação privada:........103 VI) Pela retratação do agente, nos casos em que a lei a admite:.................................................104 VII) Pelo perdão judicial, nos casos previstos em lei:.................................................................105 ITER CRIMINIS:....................................................................................................................................107 Conceito:..............................................................................................................................................107 2

Direito Penal – LFG – Intensivo I
Fase Interna:.........................................................................................................................................107 Fase Externa:........................................................................................................................................107 Crime consumado:...............................................................................................................................108 Classificação doutrinária do crime quanto ao momento consumativo:...............................................108 Crime Tentado:....................................................................................................................................109 Infrações penais que não admitem tentativa:.......................................................................................111 Art. 15, CP: Desitência Voluntária e Arrependimento Eficaz:............................................................112 - Desistência Voluntária:..............................................................................................................112 - Arrependimento Eficaz:.............................................................................................................113 Art. 16, CP: Arrependimento Posterior:..............................................................................................114 Art. 17, CP: Crime Impossível:...........................................................................................................116 CONCURSO DE PESSOAS:..................................................................................................................118 Conceito:..............................................................................................................................................118 Classificação doutrinária quanto ao concurso de agentes:...................................................................118 Concurso de pessoas nos crimes monossubjetivos:.............................................................................118 Requisitos para o concurso de pessoas:...............................................................................................121 Participação de menor importância – Art. 29, §1º, CP:.......................................................................122 Cooperação dolosamente distinta – Art. 29, §2º, CP:..........................................................................123 Elementares e Circunstâncias:.............................................................................................................123 Observações finais:..............................................................................................................................124 CONFLITO APARENTE DE NORMAS:..............................................................................................126 Conceito:..............................................................................................................................................126 Requisitos:...........................................................................................................................................126 Fundamentos:.......................................................................................................................................126 Princípios orientadores:.......................................................................................................................126 CLASSIFICAÇÕES DOUTRINÁRIAS DOS CRIMES:.......................................................................130 1ª Classificação:...................................................................................................................................130 2ª Classificação:...................................................................................................................................130 3ª Classificação:...................................................................................................................................130 4ª Classificação:...................................................................................................................................131 5ª Classificação:...................................................................................................................................131 6ª Classificação:...................................................................................................................................131 7ª Classificação:...................................................................................................................................131

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que tolera a aplicação pelos grupos privados (indígenas) de sanções penais (exceto pena cruel. pelos grupos tribais. bem como a convivência harmônica entre os membros do seu grupo. proibida em qualquer caso a pena de morte. Direito Penal é um conjunto de normas que qualifica certos comportamentos humanos como infrações penais. portanto. a ação penal privada também não configura exceção. de sanções penais ou disciplinares contra os seus membros.: CPB) . o direito posto. . infamante ou pena de morte).: a prescrição (há 2 exceções: racismo e formação de grupos armados).Já sob o enfoque sociológico. O que diferencia o direito penal dos outros ramos é a drasticidade de suas sanções (é o único que tem como conseqüência a pena privativa de liberdade). atrelado aos fins da pena. art. As correntes funcionalistas se dividem em: . o fim do direito penal é assegurar bens jurídicos. É a única exceção (atenção: a legítima defesa não é pena. este ramo do direito deve ser a “ultima ratio” (Princípio da Intervenção mínima).DP Objetivo: é o conjunto de leis penais em vigor no País (ex.Funcionalismo Teleológico: para os funcionalistas teleológicos (Roxin). pois não dá o direito de punir). 57). desde que não revistam caráter cruel ou infamante. 5º. Finalidade / Função: Quando se fala em finalidades do direito penal. valendo-se das medidas de políticas criminais. → Poder Punitivo do Estado: é limitado: a) Limitação temporal: ex. referimos ao funcionalismo. Direito Penal é mais um instrumento (ao lado dos demais ramos do direito) de controle social de comportamentos desviados. mas forma de defesa.DP Subjetivo: é o direito de punir do Estado. define os seus agentes e fixa as sanções a serem-lhes aplicadas. CP (Princípio da Territorialidade – como regra). O direito de punir é monopólio do Estado.” 4 . . Será tolerada a aplicação. b) Limitação espacial: art. a função do direito penal é resguardar a norma. mas há uma exceção: Estatuto do Índio (Lei 6. de acordo com as instituições próprias.Funcionalismo Sistêmico: para os funcionalistas sistêmicos (Jakobs). visando assegurar a necessária disciplina social. c) Limitação modal: Princípio da dignidade da pessoa humana (e este princípio não comporta nenhuma exceção). “Art. 57. IMPORTANTE!!! Direito Penal Objetivo e Direito Penal Subjetivo: .001/73.Sob o aspecto formal.Direito Penal – LFG – Intensivo I (27/01/09) DIREITO PENAL: Conceito: . Ambos se complementam – o DP objetivo é expressão ou emanação do DP subjetivo. o sistema.

CR). CP . sob pena de ferir o princípio da reserva legal (Art. É o órgão encarregado da criação do DP – em regra apenas a União está autorizada a produzir/criar DP (☺art. mas quando o fato já não é mais indesejado pelo meio social a lei deixa de ser aplicada.. tratados internacionais. mas LC poderá autorizar os Estados a legislar sobre matéria específica (☺art. a norma tem plena eficácia. Ex. o costume revoga crime e pena? 1. Não há pena sem prévia cominação legal. Há duas espécies de fontes: Fonte material: Também chamada fonte de produção ou de criação. somente impede que seja aplicada. jogo do bicho. constituição. gerais. Costumes e princípios não positivados configuram fontes informais. 5 . LFG adota esse entendimento. Prevalece esta corrente.). aplicado aos casos em que a infração penal não mais contraria o interesse social. 1º. OBS. Enquanto não revogada por outra lei. Costume não cria crime e nem comina pena. Fonte formal: Também chamada fonte de revelação ou divulgação. 1ª corrente: admite-se o costume abolicionista.Não há crime sem lei anterior que o defina. Imediatas: lei (única capaz de 2. CR/88). 2. A única fonte que cria crime e comina pena é a lei. o lugar de onde vem e como se exterioriza a norma jurídica. P. Fontes Mediatas: Costumes e Princípios Gerais do Direito:  Costumes: espécie de fonte formal mediata consistente nos comportamentos uniformes e constantes pela convicção de sua obrigatoriedade e necessidade jurídica. O costume não abole a lei. 2ª corrente: não existe costume abolicionista. Mediatas: costumes e princípios regular infração penal e sua pena). I. 22. Por outro lado. 2. É o processo de exteriorização da fonte material – são elas: FONTES FORMAIS Antes EC 45/04 – doutrina clássica Depois EC 45/04 – doutrina moderna 1. Não mais repercute negativamente na sociedade. que está de acordo com a lei de introdução ao Código Civil.Direito Penal – LFG – Intensivo I FONTES DO DIREITO PENAL: Estudo da origem. 3ª corrente: não existe costume abolicionista. Imediatas: lei.U. 3. Mediatas: doutrina. 22. 1. jurisprudência (súmula vinculante).

serão equivalentes às emendas constitucionais. que criou a citação por hora certa (ou seja. 2. A lei tem que obedecer a CR (controle de constitucionalidade – difuso ou concentrado) e os tratados (controle de convencionalidade – será sempre difuso). porém supralegal. 155. se o crime é praticado durante o repouso noturno. Art. em dois turnos. § 1º. Repouso noturno depende do costume da localidade.: ☺Lei 11. CR. 5. § 3º Os tratados e convenções internacionais sobre direitos humanos que forem aprovados.A pena aumenta-se de um terço.719/08. 6 . Se ratificados com quorum comum. entram com status infraconstitucional. Tratados Internacionais:  Tratados de Direitos Humanos: 1. O costume aclara o significado de uma expressão.Direito Penal – LFG – Intensivo I A função do costume é interpretativa. Ex.  Princípios Gerais do Direito: direito que vive na consciência comum de um povo. Art. Esses princípios podem ser positivados ou não. não pessoal) no processo penal (e isso contraria a Convenção Americana de Direitos Humanos – Pacto de São José da Costa Rica). entram com status de EC. em cada Casa do Congresso Nacional. Obs. de um tipo penal. por três quintos dos votos dos respectivos membros. Se ratificados com quorum especial. CP .

c. b. O legislador não consegue prever todos os meios. 121. § 2° Se o homicídio é cometido: I . Ex.5) Progressiva – interpreta-se considerando os avanços tecnológicos e da medicina. OBS. Espécies: a) Quanto ao sujeito que a interpreta (origem): a. que é autêntica. ou todo instrumento com ou sem finalidade bélica.3) histórica: indaga-se a origem da lei. ou por outro motivo torpe. mas que serve de ataque ou defesa (sentido impróprio) – o Direito Penal Brasileiro não veda a interpretação extensiva contra o réu. ou de que possa resultar perigo comum. tortura ou outro meio insidioso ou cruel. b) Quanto ao modo: b. Há autores que entendem que a progressiva classifica-se quanto ao resultado.3) restritiva: reduz-se o alcance das palavras para corresponder à vontade do texto.: conceito de funcionário público para fins penais – art.Constranger mulher à conjunção carnal. Art. fogo. §2º.2) doutrinária ou científica: dada pelos estudiosos (ex. b. permitindo ao intérprete encontrar outros casos.com emprego de veneno.mediante paga ou promessa de recompensa. CP .Direito Penal – LFG – Intensivo I INTERPRETAÇÃO DA LEI PENAL: Finalidade: Sua finalidade é extrair da norma o seu real significado. 213. depois de enunciar exemplos. a.2) extensiva: amplia-se o alcance das palavras para se alcançar a vontade do texto. poderá ser vítima de estupro.3) jurisprudencial: fruto das decisões reiteradas dos nossos tribunais. asfixia. b. mediante violência ou grave ameaça: abrange o transexual (possui uma dicotomia física e psicológica).: ☺art. 157. 327.2) teleológica: indaga-se a vontade ou intenção objetivada na lei. a.1) autêntica ou legislativa: dada pela própria lei (ex. O legislador não consegue prever todas as hipóteses de motivos torpes. c. I: “arma” – instrumento fabricado com finalidade bélica (sentido próprio). 7 .4) sistemática: a lei é interpretada com o conjunto da legislação ou mesmo considerando os princípios gerais do direito. A interpretação da exposição de motivos do Código Penal é doutrinária.1) gramatical ou literal: leva em conta o sentido literal das palavras. 2) Interpretação extensiva x Interpretação analógica x Analogia: A interpretação analógica não se confunde com interpretação extensiva. OBS.: art. pois é feita pelos estudiosos que fizeram o código penal. b. MUDOU 213!!! c) Quanto ao resultado: c. encerra de forma genérica.1) declarativa: a letra da lei corresponde exatamente àquilo que o legislador quis dizer. Ao contrário da interpretação do Código Penal. CP). III . explosivo. Ex. Rogério Greco diz que se o transexual se submeter a uma cirurgia definitiva e altera os registros. Na interpretação analógica o significado que se busca é extraído do próprio dispositivo que.: exposição de motivos do CP). Leva-se em conta expressões genéricas e abertas utilizadas pelo legislador (exemplos seguidos de encerramento genérico). → Questões: 1) O Direito Penal Brasileiro admite interpretação extensiva contra o réu? Ex.

Se for para beneficiar. partimos do pressuposto de que não existe uma lei a ser aplicada ao caso concreto. motivo pelo qual o aplicador do direito socorre-se daquilo que o legislador previu para outro caso similar. ao contrário dos anteriores. não incriminadora. O criminoso não poderia se valer da estrita legalidade de cada dispositivo penal em prol de sua impunidade. Ademais. e não de interpretação. desde que pro réu. legalista neste ponto como os aplicadores do Direito vem fazendo. abrange. uma vez que Constituição também é lei superior e prevê essa equiparação. inclusive penal. Posição minha (Vinícius): Desde quando a Constituição equiparou a união estável ao casamento não se pode continuar interpretando o Direito Penal de forma taxativa. É possível analogia no direito penal. Já a analogia trata-se de uma regra de integração. A analogia só pode ser in bonam partem. Nesse caso. Há lei. 8 .Direito Penal – LFG – Intensivo I Interpretação Extensiva Interpretação analógica Diante de uma palavra eu amplio seu Exemplos + encerramento genérico alcance. A expressão cônjuge abrange o companheiro? Depende. (encontro casos semelhantes). Deve se ter em vista que a intenção do constituinte era justamente alargar o espectro de proteção do companheiro em todos os níveis. Há lei. é desnecessário mudar inúmeros artigos do Código Penal para se observar o princípio da legalidade.

mas onde o direito penal deve deixar de intervir (intervenção positiva + negativa).2. 2. não interessam ao direito penal. Inexpressividade da lesão provocada. 1. acrescido ainda da relevante lesão ou perigo de lesão ao bem jurídico tutelado. Mínima ofensividade da conduta do agente. CP. Natureza: fatos da natureza.2.Direito Penal – LFG – Intensivo I PRINCÍPIOS NORTEADORES DO DIREITO PENAL: Princípios relacionados com a missão fundamental do Direito Penal: a) Princípio da exclusiva proteção de bens jurídicos: o Direito Penal. Princípio da insignificância não se aplica aos crimes não patrimoniais. Reduzido grau de reprovabilidade do comportamento. Serve não só para dizer onde o Direito Penal deve agir. Significa o direito penal de agir como última ratio. Humanos: 1. c) Princípio da Insignificância é desdobramento lógico da fragmentariedade. Fatos: 1. 3. 4. 2. b) ***Princípio da intervenção mínima: o Direito Penal está legitimado a agir quando houver o fracasso dos demais ramos do Direito. STJ IDEM – STF e STJ só trabalham com requisitos objetivos. Analisa a realidade econômica do país. para ser utilizado de forma legítima. inclusive ao descaminho. deve limitar a sua proteção aos bens jurídicos mais relevantes do homem. o direito penal exige relevante e intolerável lesão ou perigo de lesão ao bem jurídico tutelado. Para intervir. Desejados: não interessam para o direito penal. dos quais o homem não participa. o direito penal deve aguardar a ineficácia dos demais direitos. falsificação de moedas. *Não se aplica aos crimes contra a IDEM.1. O direito Penal é seletivo.1. fé-pública.2. Ocupa somente de uma parte dos bens jurídicos protegidos pela ordem jurídica. mas a moralidade administrativa. Nenhuma periculosidade da ação. Aplica aos crimes contra a administração pública. que tem como características: 1. Analisa a significância da lesão para a vítima. Fragmentariedade: norteia a intervenção no caso concreto. Não aplica aos crimes contra a Administração pública – o bem jurídico não é o patrimônio. 9 . Subsidiariedade: norteia a intervenção em abstrato (criação de tipos penais) do direito penal. Ex. Indesejados: prevalece o princípio da intervenção mínima. 1. art.2. STF Critérios: 1. Para intervir. 334. OBS.

Art. 5°. Legalidade toma a expressão lei no sentido amplo (art. 59 – este art. representante do povo. b) Princípio da ofensividade (ou lesividade): para que ocorra a infração penal é imprescindível que ocorra uma efetiva lesão ou perigo de lesão ao bem jurídico tutelado – Crimes de perigo abstrato: o perigo não precisa ser comprovado. 2º.não há crime sem lei anterior que o defina. Art. O princípio da legalidade constitui uma real limitação ao poder estatal de interferir na esfera de liberdades individuais. assim. O Brasil adota o Direito Penal do fato.). • Fundamento democrático: respeito à divisão de poderes ou separação de funções. sem esquecer por completo a pessoa do autor.. já reserva legal toma lei no sentido estrito. para individualizar a pena. 1ª corrente: princípio da legalidade = princípio da reserva legal. cessando em virtude dela a execução e os efeitos penais da sentença condenatória. iii. Ex. CP – não há crime (infração penal – abrange a contravenção) sem lei anterior que o defina. não constituam delito. porte de arma sem munição não seria crime. Convenção Americana de Direitos Humanos: (ninguém poderá ser condenado por atos ou omissões que no momento em que forem cometidos. • Fundamento jurídico: uma lei prévia e clara produz importante efeito intimidativo. • 2ª corrente: vem da carta de João Sem Terra de 1. pois é presumido absolutamente por lei. de acordo com o direito aplicável. 9°. 2ª corrente: princípio da legalidade não se confunde com princípio da reserva legal. art. para o STF os crimes de perigo devem ser concretos e determinados.. Origem do princípio da legalidade: • 1ª corrente: princípio da legalidade vem do direito romano. CR). O direito penal não pode punir pelo que a pessoa é. 59. O parlamento. isso seria direito penal do autor.Direito Penal – LFG – Intensivo I Princípios relacionados ao fato do agente: a) Princípio da materialização do fato: o Estado só pode condenar criminalmente condutas humanas voluntárias. não foi recepcionado pela CR. Art. A doutrina moderna critica a contravenção penal da vadiagem – estilo de vida – direito penal do autor. isto é. • 3ª corrente: O princípio da legalidade teve origem no iluminismo. É a corrente que prevalece. 10 . XXXIX . 1º. Na doutrina.215. é a corrente que vem prevalecendo. Perigo abstrato: pune-se alguém sem prova concreta do perigo (fere o Princípio da ampla defesa). pelo que fez ou pelo estilo de vida. não há pena sem prévia cominação legal. CP . Crime de perigo concreto: o perigo precisa ser comprovado. nem pena sem prévia cominação legal. tendo sido recepcionada pela revolução francesa. O STF está discutindo o crime de perigo abstrato no porte de arma sem munição.Ninguém pode ser punido por fato que lei posterior deixa de considerar crime. CP. colide com o Princípio da exteriorização do fato. É uma garantia do indivíduo contra o arbítrio estatal. 3ª corrente: princípio da legalidade = anterioridade + princípio da reserva legal. deve ser o responsável pela criação de crimes. Fundamentos do princípio da legalidade: • Fundamento político: o poder punitivo não pode ser arbitrário. (06/02/09) c) ***Princípio da legalidade: ☺art. i. Exige-se a vinculação do poder executivo e poder judiciário a leis formadas de forma abstrata. ii. fatos. ☺LCP. determinado (à alguém) ou indeterminado (carece de vítima certa). abrangendo somente lei ordinária e lei complementar. LEX POPULI (LFG) Vi.

nem a legislação sobre: II . § 1º . 68. direitos individuais. Art. com efeito extintivo da punibilidade). Não há pena sem prévia cominação legal. • Não há crime sem lei anterior: abrange as contravenções penais. 3º As medidas de segurança regem-se pela lei vigente ao tempo da sentença. mas é possível MP versando sobre direito penal não incriminador. cidadania. 62. por lei delegada. pois também é espécie de sanção penal. discutindo os efeitos benéficos da MP 1571/97 (que permitiu o parcelamento de débitos tributários e previdenciários. no RE 254. • Não há pena sem prévia cominação legal. CP: Não há crime (infração penal – abrange a contravenção) sem lei anterior que o defina. a lei vigente ao tempo da execução. Pode ser concedida. proclamou sua admissibilidade em favor do réu. Art. considerar os seguintes fatores: • Não há crime sem lei. o Resoluções do CNJ/CNMP/TSE: ato não legislativo com força normativa – não pode.Direito Penal – LFG – Intensivo I Art. mas ignora o princípio da anterioridade. portanto não pode versar sobre direito penal. Hoje prevalece esta corrente. MP do estatuto do desarmamento vigorou durante 5 anos. 1°. entretanto. As leis delegadas serão elaboradas pelo Presidente da República. • Lei (estrito) deve ser anterior aos fatos que busca incriminar (princípio da anterioridade) – evitar retroatividade maléfica. processual penal e processual civil.nacionalidade. não importando se incriminador ou não incriminador – art. Abrange medida de segurança? o 1ª corrente: não abrange medida de segurança. o 2ª corrente: abrange a medida de segurança. que deverá solicitar a delegação ao Congresso Nacional. se diversa. 3°. CPM foi recepcionado pela CR/88? Respeita a reserva legal. o Medida provisória pode criar crime? Não. o Medida provisória pode versar sobre direito penal não incriminador?  1ª corrente: majoritária (Munoz Conde) MP não pode versar sobre direito penal. tomada em seu sentido estrito. por exemplo. políticos e eleitorais. CR. prevalecendo. o Lei delegada: não pode versar sobre direitos individuais. até ser convertida em lei. mas não é lei em sentido estrito.818/PR. os de competência privativa da Câmara dos Deputados ou do Senado Federal.Não serão objeto de delegação os atos de competência exclusiva do Congresso Nacional. 11 . mas sim curativa. pois é ato do executivo com força normativa. CR: § 1º É vedada a edição de medidas provisórias sobre matéria: I – relativa a: b) direito penal. Possível pergunta no concurso da defensoria: o art. pois esta não tem finalidade punitiva. Para que o princípio da legalidade seja uma garantia.  2ª corrente: minoritária (LFG) não é possível MP incriminadora. a matéria reservada à lei complementar. O STF. OBS.

depredar. ou ocultando-lhe impedimento (Código Civil) que não seja casamento anterior. Ex. seqüestrar.170/83.Portaria do Ministério da Saúde verificar se está correto. 12 . 121. lei penal complementada pela lei civil). a) Norma penal em branco: depende de complemento normativo (norma). Art. provocar explosão. Lei 7. Ex. 236 . Uma expressão ambígua permite a arbitrariedade. Lei (estrito) estrita – evitar a analogia incriminadora. necessária. Redução ao máximo do poder punitivo e aumento ao máximo da garantia do cidadão. Não há crime: sem lei. O costume interpretativo é admitido. ☺ Gráfico: s/ Lei anterior . extorquir. CP. 20 . i) Própria (em sentido estrito): quando o complemento normativo não emana do legislador (heterogênea). Lei certa – de fácil entendimento: evitar ambigüidade. escrita. saquear. induzindo em erro essencial o outro contraente. art. estrita. Ex. Poder punitivo x garantia do cidadão. Ex. praticar atentado pessoal ou atos de terrorismo. por inconformismo político ou para obtenção de fundos destinados à manutenção de organizações políticas clandestinas ou subversivas. manter em cárcere privado. violação de direitos autorais. (2) Heteróloga (heterovitelina): complemento emana de instância legislativa diversa (ex. conceito de funcionário público para fins penais.Poder Punitivo Estatal: Lei penal em branco Lei penal: 1) Completa: dispensa complemento normativo (dado pela norma) ou valorativo (juiz).Garantia do cidadão: escrita estrita certa necessária Legenda: .Contrair casamento. certa. roubar. Princípio da taxatividade ou determinação. Atos de terrorismo – expressão incerta. Garantismo: O princípio da legalidade é o pilar do “garantismo”. incendiar. CP. Quanto mais garantias. anterior. 2) Incompleta: depende de complemento normativo ou valorativo. (1) Homóloga (homovitelina): complemento emana da mesma instância legislativa (lei penal complementada pela lei penal). • Lei necessária: evitar a hipertrofia do direito penal (desdobramento da intervenção mínima). menor o poder punitivo do estado.Direito Penal – LFG – Intensivo I • • • Lei (estrito) escrita – evitar o costume incriminador.) ii) Imprópria (em sentido amplo): o complemento normativo emana do legislador (homogênea).Devastar. Art. lei de drogas (o que vem a ser droga é um complemento dado pelo executivo – Vinícius .

o juiz é que irá valorar a negligência no caso concreto. Ex. no caso da Lei de drogas.☺ logo abaixo). III) Jurídico: uma lei prévia e clara produz importante efeito intimidativo. Não basta uma legalidade formal (obediência aos trâmites legislativos procedimentais – LEI VIGENTE) havendo que existir uma legalidade material. II) Democrático: o Parlamento. Lei 2889/56 (pune o genocídio). OBS. até porque o Legislativo não tem condições de estabelecer tais conceitos. mais precisamente seu fundamento democrático. Rogério Greco entende que a NPB em sentido estrito é inconstitucional (fere o fundamento democrático do princípio da legalidade .B. como o que é droga ou não. crime culposo.Drogas novas mais facilmente tipificadas.Direito Penal – LFG – Intensivo I iii) Norma Penal em branco ao revés/invertida: o complemento diz respeito à sua sanção. isto é. 2) Fontes mediatas: a) Doutrina. quem está trazendo o principal conteúdo incriminador é o Poder Executivo. a NPB invertida só pode ter como complemento outra lei. Vinicius – com súmulas vinculantes apenas. dando autorização para o Executivo para atuar. Ex. não é inconstitucional a lei.: diferentemente da NPB heterogênea. f) Atos administrativos complemento (norma penal em branco em sentido estrito). b) Tipo aberto: depende de complemento valorativo (juiz). Contra-argumento: enquanto não complementada não tem eficácia jurídica ou social. Assim.. Os costumes são fontes informais.P. conclui-se que a norma penal em branco é constitucional. jamais ato do Executivo – garantismo. que estaria usurpando a função do legislador (Executivo não pode ditar o que é crime). 2) N. por. Obs. Norma penal em branco ofende a legalidade? Críticas: 1) Fere a taxatividade. Fundamentos do Princípio da Legalidade: I) Político: impede o poder punitivo com base no livre arbítrio. Mas há argumento para debater essa tese: o legislador discutiu e votou a lei. d) Jurisprudência.). portanto. Contra-argumento: o legislador já criou o tipo penal incriminador com todos seus requisitos básicos. limitando-se a autoridade administrativa a explicitar um desses requisitos. Fere a legalidade. (lex populi – LFG – Lei penal só é legítima se aprovada pelo próprio povo. devem ser obedecidos não somente as formas e 13 . Fontes Formais do Direito Penal 1) Fontes imediatas a) Lei b) CR c) Tratados Internacionais de Direitos Humanos. Questão: NPB heterogênea é constitucional? Por ex. mas o Executivo. pois podem até mesmo fundamentar a inconstitucionalidade de uma lei). já que quem dá o conteúdo criminoso nesses casos não é o legislador eleito para isso. podendo apenas aprova-la ou rejeita-la). deve ser o responsável pela criação de crimes. Superadas as críticas. e) Princípios Gerais do Direito (a doutrina os classifica como fonte imediata. Vi . representante do povo. estrito (complemento do executivo. representado ou não – LFG traz dúvida se tratado internacional poderia ser fonte de direito penal porque não foi dado ao Congresso o poder de alterar a substância da lei.

• Controle difuso abstrativizado: Lei – TJ/TRF – STJ – STF o Ação indireta. o Decisão tem efeito inter partes. Era estendido para ex-autoridades (fere o princípio da isonomia). o Antes de chegar no STF. Maneiras de se declarar inválida uma lei penal (formas de se fiscalizar a materialidade de uma lei): • Controle concentrado: lei . rixa (art. CP).Direito Penal – LFG – Intensivo I procedimentos impostos pela CF. A denúncia tem que descrever a responsabilidade individual. mas também. dignidade da pessoa humana. Fere o princípio da razoabilidade. aceito ou previsível. Princípios relacionados com o agente do fato: a) Princípio da responsabilidade pessoal: proíbe-se o castigo penal pelo fato de outrem. V. pois só pode estender o rol por EC). 14 . é uma responsabilidade coletiva. Iniciou-se com um HC e o STF analisou a lei de forma abstrata. o controle é de constitucionalidade. Se tortura pode progredir. • Controle de convencionalidade: o Se o tratado tem status de EC. recursos. • Controle difuso: lei – TJ – STJ . o seu conteúdo e dos tratados internacionais de direitos humanos (garantias – LEI VÁLIDA). dando efeito erga omnes. CP. Para muitos. e principalmente. É a regra geral. o Decisão tem efeito erga omnes. o controle é de convencionalidade (difuso). o regime integralmente fechado foi declarado inconstitucional no controle difuso abstrativizado.STF o Ação direta – a lei é questionada diretamente no STF o Analisa a lei em abstrato. Não há responsabilidade penal sem dolo ou culpa. O STF entendeu que as hipóteses de foro por prerrogativa de função são inconstitucionais. Vi . ☺ art. o Se o tratado tem status de supralegalidade. vagas e imprecisas. É um desdobramento lógico do princípio da individualização da pena. 29. Proíbe denúncias-crime genéricas. o Efeito erga omnes.STF o Ação indireta (HC. Ou seja. etc.). mas há duas exceções trazidas pela doutrina de responsabilidade objetiva (sem dolo ou culpa): embriaguês não acidental (art. II. pois ofende o princípio da isonomia. etc. aceita-se crime ambiental desde que respeitada a dupla imputação de forma a não ferir este princípio da responsabilidade pessoal. Vinícius – Aqui vale lembrar que mesmo que a multa como pena pecuniária transformada em dívida ativa é extinta caso o agente faleça. O castigo penal é sempre individualizado pelo fato do agente.ruim • Regime integralmente fechado. Declarado inconstitucional.Gilmar Mendes é quem preconizou essa teoria da abstrativização. STF julgou inválidas duas leis vigentes: • Foro por prerrogativa de função. o Analisa o caso concreto. Vale lembrar também que contra a PJ. 28. o Analisa lei em abstrato. só podendo ser responsabilizado se foi querido. Este princípio também é utilizado para questionar a responsabilidade penal da pessoa jurídica. principalmente nos crimes societários. os demais crimes hediondos também podem. b) Princípio da responsabilidade penal subjetiva: não basta que o fato seja materialmente causado pelo agente. os descendentes e o espólio não são responsáveis. o Ex. Não existe no direito penal responsabilidade coletiva. a lei percorreu os outros tribunais. e atos de improbidade (fere a constituição.

***É possível no processo penal execução provisória? Condenado provisório preso Condenado provisório solto É possível execução provisória – Súm. c. caso este comprove que o menor é seu dependente).Lei 8.099/95. a CR não traz o princípio de inocência. 331. a exemplo da responsabilidade pessoal. pois feria o princípio de presunção de inocência e não culpa. 716.455/97 (tortura. Assim. O desacato (art. LVII . não há responsabilidade penal sem que o agente seja capaz. e) Princípio da presunção de inocência: todos devem ser presumidos inocentes até trânsito em julgado de sentença condenatória. se de ofensa ao princípio da presunção de inocência e não culpa. da CR – todos são iguais perante a lei. Isso afeta o princípio da isonomia. Nesse ponto. Aplicações práticas: . ou prestar fiança.: o inciso III deste art. Esse princípio. com potencial consciência da ilicitude. Não admite execução provisória. assim reconhecido na sentença condenatória.259/01 (juizados especiais federais): pena máxima abstrata não superior a dois anos. 24 da CADH – é garantido a todos a igualdade perante a lei.ex.Lei 9. de 2008). . 9/STJ). CNJ. Súm. . Lei 10. Esta igualdade trazida pela CR e pela CADH é uma igualdade substancial. independentemente da espécie. opera uma inversão no ônus da prova). CPP.259/01 revogou a lei 9. sem que se fira o princípio da isonomia.Direito Penal – LFG – Intensivo I 137. a responsabilidade penal do acusado deve ser comprovada pelo órgão de acusação (a presunção de inocência. 2.072/90 (crimes hediondos) – regime integral fechado (o STF declarou inconstitucional esse regime). é criticado. é utilizado para negar a responsabilidade penal da pessoa jurídica. merecendo uma interpretação constitucional para que se obedeça ao Princípio da Isonomia. c) Princípio da culpabilidade: a culpabilidade tem como elementos a imputabilidade. b. A diferença entre ambas é apenas o órgão julgador.941. também tem previsão no art. LEP (Obs. segundo este princípio. para que alcance também o condenado homem. mas pode haver tratamentos desiguais no Direito Penal. 5°. A Convenção Americana de Direitos Humanos prevê o princípio da presunção de inocência de forma expressa no art. a lei 10. prevê pena máxima abstrata não superior a um ano. O STF já havia declarado este artigo não recepcionado pela CR/88. ou seja. (Redação dada pela Lei nº 5. mas foi democratizado e está sendo utilizado inclusive pelo juiz na interpretação). caput. salvo se for primário e de bons antecedentes. A maioria utiliza ambos princípios como sinônimos. a potencial consciência da ilicitude e a exigência de conduta diversa. equiparado a crime hediondo) – regime inicial fechado.1ª corrente (art.2ª corrente (LEP e CR/88) – não admite prisão provisória com fundamento no 15 .719. CPP) – admitia prisão provisória. de 22. . prisão somente após condenação definitiva (a prisão provisória precisa de imprescindibilidade. 5º. é excepcionalíssima . Pendente Recurso Especial/Extraordinário: Pendente Recurso Especial/Extraordinário: é possível execução provisória.ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória. mas o princípio de não culpa. Art. é o que fomenta o in dubio pro reo (que é um princípio norteador das provas. O fato é o mesmo. Lei 9. sendo dele exigível comportamento diverso.1973) (Revogado pela Lei nº 11. §U).099/95 – Juizados Especiais Estaduais: infração de menor potencial ofensivo. Aplicações práticas: . pois trataSTF e Resolução 19. Para Mirabete.☺art.11. Conseqüências do Princípio: a. CP – pena de 6m a 2 anos) é considerado crime de menor potencial ofensivo. 312. ou condenado por crime de que se livre solto. Isso porque um ordenamento que prevê um sistema de prisão temporária. d) Princípio da igualdade ou isonomia: tem previsão no art. .Art. 8°. que é relativa.: art. preventiva não é coerente com o princípio da presunção de inocência. 117. O réu não poderá apelar sem recolher-se à prisão. 637. sem distinção de qualquer natureza. 594. .

CADH (ninguém deve ser submetido a torturas. 16 Proibição da insuficiência da intervenção estatal Evitar a punição insignificante – incapaz de atender aos princípios da pena e gerar impunidade. ☺art. 319-A. CP. CPP. 637. adotou a 2ª corrente. MP/PF e PC: presunção de não culpa. que permita a comunicação com outros presos ou com o ambiente externo: (Incluído pela Lei nº 11. Magistratura: ambos. O princípio da proporcionalidade geralmente é estudado sob o ângulo da proibição do excesso. O juiz pode deixar de aplicar a pena. b) Princípio da humanização das penas: nenhuma pena pode ser desumana. em votação de 7x4. quer-se que a sociedade se sinta intimidada a agir. O STF. o RDD é constitucional. Proibição do excesso Evitar a hipertrofia da punição. ANTES DO TRÂNSITO EM JULGADO DA SENTENÇA CONDENATÓRIA. e uma vez arrazoados pelo recorrido os autos do traslado. os originais baixarão à primeira instância. de 2007). SÚMULA Nº 716. de rádio ou similar. . Hoje. O recurso extraordinário não tem efeito suspensivo. já se está buscando uma prevenção geral. 5º. da criação da lei. É um princípio constitucional implícito decorrente do princípio da individualização da pena. 637.. Para defensoria: presunção de inocência. No primeiro momento. Foi superado pela LEP e pela CR. nem a penas ou tratos cruéis. 1. sem desconsiderar as qualidades do agente.). CPP está ultrapassado. pois é proporcional ao fato praticado. O STJ tende para a 1ª corrente. c) Princípio da proporcionalidade: a pena deve ser proporcional à gravidade da infração ou desvaloração da ação criminosa. de cumprir seu dever de vedar ao preso o acesso a aparelho telefônico. O art. Mas deve ser estudado ainda sob o ângulo da proibição da insuficiência da intervenção estatal. Só serve como alerta para o legislador. no momento judicial (aplicação da pena em concreto) e no momento em que se executa a pena (execução penal). Para o STJ. para a execução da sentença. Ambos princípios eram bastante suscitados até quando se admitia regime integralmente fechado (abolido pela lei 11. Princípios relacionados à pena: a) Princípio da proibição da pena indigna: a ninguém pode ser imposta uma pena ofensiva à dignidade da pessoa humana. Deixar o Diretor de Penitenciária e/ou agente público.464/07). cruel ou degradante. CADH (toda pessoa tem direito a que se respeite a sua integridade física psíquica e moral). discute-se se o regime disciplinar diferenciado (RDD) é inconstitucional. Este princípio tem que ser observado no momento da criação da lei (pena abstrata).ADMITE-SE A PROGRESSÃO DE REGIME DE CUMPRIMENTO DA PENA OU A APLICAÇÃO IMEDIATA DE REGIME MENOS SEVERO NELA DETERMINADA. O TJ/SP não submeteu à cláusula de reserva de plenário – decidiu pela inconstitucionalidade do RDD. ☺art. ULTRAPASSADO! Art. Art. STF . Ex.Direito Penal – LFG – Intensivo I princípio da presunção de inocência. 2.466. 5º..

nos termos da lei. O Princípio é absoluto ou relativo? Uma primeira corrente diz que é relativo. CP – são circunstâncias que sempre agravam a pena.Material: ninguém pode ser condenado pela segunda vez em razão do mesmo fato. não é uma exceção porque não é pena.Processual: ninguém pode ser processado duas vezes pelo mesmo crime. A reincidência (art. é adotada por ex. afirmando que a exceção vem prevista no mesmo art. ☺art. 17 . assim. em seu art. CP) fere o bis in idem? Ela é utilizada como agravante num segundo crime. . d) Princípio da pessoalidade da pena: tem guarida constitucional. pois estar grávida é condição para que ocorra o crime de aborto). 3.Execucional: ninguém pode ser executado duas vezes por condenações relacionadas ao mesmo fato. I.. 61. mas um efeito da condenação. diz expressamente que a pena não pode passar da pessoa do delinqüente. quando não constituem ou qualificam o crime (ex. – Exemplo de ofensa ao princípio da insuficiência da intervenção estatal. É o entendimento adotado pelo STJ. fundamentando-se no seguinte: a primeira condenação leva em conta o fato. de 3 (três) meses a 1 (um) ano. Vide multa acima. Visa tão somente reconhecer maior reprovabilidade na conduta daquele que é contumaz violador da lei penal. 5º. estendidas aos sucessores e contra eles executadas.Direito Penal – LFG – Intensivo I Pena: detenção. no art. já na segunda condenação leva-se em conta o que a primeira condenação influencia na personalidade do agente (e não o fato novamente). até o limite do valor do patrimônio transferido. Paulo Range e Paulo Queiroz). da CR (a pena de confisco passaria da pessoa do delinqüente). podendo a obrigação de reparar o dano e a decretação do perdimento de bens ser. 61. Também a CADH. por Flávio Monteiro de Bastos. V e) Princípio da vedação do bis in idem: tem 3 significados: . 5º. há quem diga que a reincidência é uma hipótese clara de bis in idem (LFG. . XLV: nenhuma pena passará da pessoa do condenado. mas a maioria da doutrina discorda. afirma que o Princípio é absoluto e o que está disposto no restante do art.: estar a vítima grávida no crime de aborto. uma segunda corrente. não trazendo nenhuma exceção a esta regra. que é a correta. Abuso de autoridade é um exemplo de ofensa ao princípio da insuficiência da intervenção estatal. afirmando que é apenas uma circunstância necessária para a individualização da pena.

A lei penal pode. mas leva-se em conta a exceção prevista nos arts. ☺art. 121. essa mesma regra (da irretroatividade). como a aferição da prescrição.. CP (irretroatividade). aplica-se a lei vigente no momento da conduta (lei A). a vítima era maior de 14 anos. No momento da morte. Situações: a) Momento da conduta (fato atípico). Quando há uma efetiva sucessão de leis penais no tempo surge um conflito. 4º não serve somente para explorar qual lei será aplicada ao fato no caso concreto. Aplicações práticas: . fictício e tem como finalidade economizar energia. neste caso aplica-se o CP ou o ECA? Correntes a respeito do tema: uma primeira corrente afirma que o horário de verão é transitório (não traz segurança). a vítima era menor de 14 anos.Estando no horário de verão. 1°.No momento do disparo. não se deve aplicar o CP neste caso. em regra. ela irá retroagir.) Sendo doloso o homicídio. mas sim o ECA (o agente é inimputável). logo. CP) – esta lei é irretroativa (art. aplica-se. quando benéfica (excepcionalmente). art. ou seja.No momento do tiro. 1º. pratica o crime às 23:30 do dia x que antecede ao seu aniversário. cede diante de alguns casos. permitir entrada de celular em presídios – lei posterior que tipificou a conduta (art. 4º. A lei deve se adequar ao fato e fica com ele até o fim. o agente era menor de 18 anos. Em momento posterior. exceções fundamentadas em razões político-sociais (lei penal mais benéfica). § 4o (. mas. CP. ainda que outro seja o momento do resultado. 18 . ele tem outras importâncias. porém.Direito Penal – LFG – Intensivo I LEI PENAL NO TEMPO: (10/02/09) A lei nasce para regulamentar os fatos praticados durante a sua vigência. cria-se lei incriminadora. Se no momento da conduta a vítima era menor de 14 anos. Sucessão de leis penais no tempo: Para a solução deste problema utiliza-se a regra do art. 319-A. Contudo. Como decorrência do princípio da legalidade. no qual completaria 18 anos (portanto acha que é inimputável ao tempo do crime). como o prof. . . para aferir a imputabilidade do agente. a pena é aumentada de 1/3 (um terço) se o crime é praticado contra pessoa menor de 14 (quatorze) ou maior de 60 (sessenta) anos. Quando o crime se considera praticado no tempo? Há 3 teorias: a) Teoria da Atividade: tempo da conduta b) Teoria do Resultado: tempo da consumação c) Teoria Mista: tanto o tempo da conduta quanto o da consumação O nosso CPB preferiu a Teoria da Atividade (LUTA). principalmente. e o agente desconhecendo esta situação. ser retroativa ou ainda ultrativa. 2º e 3º. Ocorre que esta regra do art.Sucessão de leis penais no tempo: no momento do tiro – lei A e no momento da sentença – lei B. regram os fatos praticados a partir do momento em que passam a ser leis penais vigentes. as leis penais.CP. Quando a vítima morreu.. incide a causa de aumento da pena . CP). CP: considera-se praticado o crime no momento da ação ou omissão. Em regra. .o agente já era maior de 18 anos – aplica-se o ECA. mas há quem não concorde com esta tese. Ex. Caso a lei B seja mais benéfica. salvo se sobrevier lei posterior mais benéfica. em princípio. a lei vigente ao tempo da realização do fato criminoso (tempus regit actum).

e não o direito de punir do Estado. altera-se a pena para 2 a 5 anos – lei irretroativa (art. passou a ser aplicada pena de 2 a 8 anos (lei B). 5 furtos praticados nas mesmas condições de tempo. retroagir para ser aplicada neste estado. .2ª corrente: considerando a finalidade da vacatio legis. Lei abolicionista. pena da corrupção era de 1 a 8 anos e passou a ser de 2 a 12. correntes acerca da sua natureza jurídica: a) é uma hipótese de exclusão da tipicidade. Lei abolicionista que ainda se encontra na vacatio legis opera seus efeitos? Há 2 correntes: .. (. CP). Art.). 5°. art. ele se considera tanto no 1° ato. extinguindo.. decadência. XXXVI . 2°. CF. Parágrafo único ..) os efeitos penais da sentença condenatória. sempre aplica-se a última lei. pois é desprovida de eficácia jurídica e social e por isso não pode retroagir (é a corrente majoritária). cessando em virtude dela a execução e os efeitos penais (não abrange os efeitos civis) da sentença condenatória. Para o legislador é considerado um único crime.1ª corrente: lei abolicionista não retroage na vacatio. 5°. A sentença condenatória continua servindo como título executivo (efeitos civis). o ato jurídico perfeito e a coisa julgada.☺art. c) Momento da conduta (lei penal A) – momento posterior o legislador aboliu a lei A. 240. pois o mandamento constitucional tutela a garantia do cidadão. a punibilidade (adotada por Flávio Monteiro de Barros). Lei abolicionista não respeita coisa julgada: Art. ainda que mais gravosa..Direito Penal – LFG – Intensivo I b) Momento da conduta (fato típico A punido com 2 a 4 anos) – momento posterior. aplica-se aos fatos anteriores. Ex. prescrição.. A defensoria adota a 2ª corrente. XXXVI da CF. 2°. No início da prática. se mais benéfica. 107 .. (. desde que o seu destinatário demonstre conhecimento (é a corrente minoritária). por conseguinte. o tipo permanece. que de qualquer modo favorecer o agente. . Vinicius – preferi esta corrente. morte extinguem a punibilidade. A lei é retroativa: Art.Ninguém pode ser punido por fato que lei posterior deixa de considerar crime. CP). b) é uma hipótese de extinção da punibilidade (é a adotada pelo CPB . Ex. 19 . O art. 2º. era aplicada pena de 2 a 4 anos (lei A).2ª corrente: se o crime é único. CP ao determinar que lei abolicionista não respeita a coisa julgada não ofende o art.1ª corrente: aplica-se a lei mais benéfica – lei A. local e modo de execução. 2º . Ex. em momento posterior foi abolido. 2°. Sucessão da lei penal no tempo e a continuidade delitiva: Crime continuado: reiteração de crimes nas mesmas circunstâncias de tempo.a lei não prejudicará o direito adquirido. a lei pode. A lei do abolitio criminis é retroativa.) cessando em virtude dela a execução (.pela retroatividade de lei que não mais considera o fato como criminoso. Portanto. CP (adultério). . . Art. Durante a prática. ainda que decididos por sentença condenatória transitada em julgado. CP. local e modo de execução = crime único (ficção jurídica). como no último ato.Extingue-se a punibilidade: III . 1°. para que as pessoas se acostumem com a lei. que é justamente para que se dê conhecimento da lei.). Art. Ex. d) No momento da conduta (Lei A – 2 a 4 anos) – momento posterior lei B (1 a 2 anos).Abolitio criminis – nomenclatura e natureza jurídica: supressão da figura criminosa (☺art. 2°.A lei posterior.

Perdura por todo o tempo excepcional (não tem prefixado no seu texto o tempo de sua vigência) – terá plena eficácia e vigência enquanto perdurar a calamidade ou urgência. CP: A lei excepcional ou temporária. Aplicação da lei penal mais favorável na fase de execução: R: depende.Transitada em julgado a sentença condenatória. O STJ vem aplicando a redução da lei nova na lei velha. 3º. 20 . Prevalece na doutrina clássica. STF . . calamidades. Rogério Greco. tais como guerras. STF . . embora decorrido o período de sua duração ou cessadas as circunstâncias que a determinaram. Damásio. Apesar de a doutrina afirmar que prevalece a 1ª corrente.3ª corrente: não pode combinar. Alcança tudo que for praticado durante sua vigência.Se eu estiver diante de uma mera aplicação matemática (ex. . Tem 1 julgado de 2008 no STJ – Ministra Laurita Vaz. O STF contrariou a doutrina e entendeu que aplica-se a última lei. ele pode o menos. Ex. se o réu for primário.Lei Excepcional ou Temporária em sentido amplo: é a que atende a transitórias necessidades estatais. . pois assim agindo o magistrado está legislando. 288. Prevalece na doutrina moderna: LFG. STJ: vem admitindo combinação de leis. mesmo que mais gravosa. . Na 1ª fase de concursos é adotada essa corrente. diminuição de pena em razão da idade) – juiz da execução. É caso de ultratividade maléfica autorizada por lei.1ª corrente: não pode combinar leis. . há julgados em que o STF admitiu combinação de leis.m. SÚMULA Nº 611.) Momento da sentença – lei B (2 a 8 anos + 10 a 20 d.Direito Penal – LFG – Intensivo I SÚMULA Nº 711. logo poderá em parte.343/06 pune traficante com pena de 5 a 15.m. competindo ao réu escolher qual lei deve ser aplicada. Juiz da execução não pode presidir tal instrução.) . CP (lei 8.A LEI PENAL MAIS GRAVE APLICA-SE AO CRIME CONTINUADO OU AO CRIME PERMANENTE. aplica-se ao fato praticado durante sua vigência. 14 (lei drogas antiga) – pena do art. STF: Art. epidemias. criando uma terceira lei – lex tercia (Nelson Hungria). que é ignorar o todo. SE A SUA VIGÊNCIA É ANTERIOR À CESSAÇÃO DA CONTINUIDADE OU DA PERMANÊNCIA. Se o juiz pode o mais.2ª corrente: admite combinação considerando poder o juiz ignora-la no todo. Ultratividade das leis excepcionais e temporárias ☺Art.572/90). etc. compete ao juízo das execuções a aplicação de lei mais benigna. que é ignorar em parte. causa de diminuição em razão do pequeno prejuízo) é necessário socorrer à revisão criminal.Quando conduzir a juízo de valor (ex. Lei 6368/76 pune o traficante com pena de 3 a 15 anos. A lei 11.Lei Temporária ou Lei Temporária em sentido estrito: é aquela que tem prefixado no seu texto o tempo de sua vigência. Sucessão de leis penais e Combinação de leis: Momento do crime – lei A (2 a 4 anos + 10 a 30 d. mas traz um privilégio de diminuir a pena em 1/3. o furto será qualificado enquanto perdurarem as enchentes em Santa Catarina. A própria doutrina afirma que é também posição do STF e do STJ.

Há. Qual a diferença da abolitio criminis e o princípio da continuidade normativo-típica? • Abolitio criminis: o Revogação Formal: a intenção do legislador é não mais considerar o fato como crime. se não tiverem eficácia após cessar sua vigência não têm razão de existir. art. Se houver esse cancelamento a sua alteração retroage para beneficiar o réu.). Quando o complemento for lei (NPB homogênea) a sua alteração benéfica sempre retroagirá. CP foram revogados. A lei nova não revoga a anterior. Não há. XL . ISSO!! ***Como se aplica a retroatividade da lei penal no caso de norma penal em branco? A lei penal em branco pode ser: • Homogênea (lei complementada por outra lei) – alteração benéfica retroage. Ocorre dupla revogação: formal e material.a lei penal não retroagirá. 217. • Heterogênea (lei complementada por outra espécie): o Alteração para atualizar – não retroage. Ou seja. deve-se atentar se a alteração da norma extra-penal implica ou não supressão criminosa. Princípio da continuidade normativo-típica: o Revogação formal: a intenção do legislador é manter o fato como crime. Na hipótese de norma penal em branco. CP. sua alteração benéfica retroage. • 21 . CP e adultério. A SV será tratada como se lei fosse. uma segunda corrente (Flávio Monteiro de Barros) que investiga o momento em que surgiu a norma infralegal e sua alteração: se num estado de normalidade (ex.Direito Penal – LFG – Intensivo I É importante a ultratividade dessas leis para evitar a sua ineficácia. Se a alteração implica supressão criminosa. sedução. 3º. porém. sua alteração não retroage. o art. sempre que se alteram as respectivas normas complementares. É uma hipótese de supressão da figura criminosa. porque não trata exatamente da mesma matéria. sofrendo alteração de conteúdo. Se ela altera o direito ou o entendimento sobre o direito. aplicando-se o espírito do art. o Ex. Para Zaffaroni. retirar da portaria respectiva a substância lança perfume).: Portaria de congelamento de preços). 5°. portanto. ou seja. o Alteração para descriminalizar – retroage. Retroatividade ou Ultratividade de Súmula Vinculante: Caso hipotético (porque ainda não existe Súmula Vinculante de natureza estritamente penal): supondo que o STF sumule de maneira vinculante a questão do porte de arma sem munição ser crime e. o Permanência do conteúdo em outro tipo penal. um conflito de leis penais no tempo (na medida em que a lei posterior não cuida do mesmo crime definido na anterior). se a alteração não implica supressão criminosa (Ex. o Revogação material (conteúdo). mera atualização de tabela) não retroage. (Francisco de Assis Toledo). Contudo. art. quando o seu complemento for norma infralegal. as duas doutrinas chegam ao mesmo resultado. deve incidir as regras da retroatividade. retroage (Ex. Não mais se pune em lugar algum. se num estado de emergência (ex. porém por caminhos ou justificativas diversas.: Portaria da Lei de Drogas). tem que retroagir. surge a questão de saber se. em relação a essas alterações. pois no Brasil. do mesmo fato típico (é a anterior que deixa de ter vigência em razão de sua excepcionalidade). Por isso é que não há nenhuma inconstitucionalidade no art. salvo para beneficiar o réu. durante o processo o STF cancele essa SV. 3° não foi recepcionado pela CF (art. “É uma mudança de roupagem”. o processo de condenação é extremamente moroso. 3°. 240.

219. 219. §1º) é mais grave. mas passou a configurar o art. Vinicius. mantém-se a pena do art.Direito Penal – LFG – Intensivo I o Ex. 22 . art. que é mais benéfica (ainda que se condene no art. mantendo-se a pena do art. 148. que é mais benéfica Acho que 148 é seqüestro ou cárcere privado. IV. IV. Não deixou de ser crime. 148. 148. 219.Olhar. § 1°. deve-se observar o Princípio da Anterioridade. Atentar que a pena posterior (do art. CP. § 1°. 148. assim. rapto violento. foi revogado. Passou a ser uma qualificadora do art.

a grávida tinha que sair do barco privado brasileiro e entrar no barco holandês pra deixar de ser crime o aborto. 2) Princípio da nacionalidade ativa: aplica-se a lei da nacionalidade do sujeito ativo. CP). 5º. 5º adota o Princípio da territorialidade. • • • 1ª hipótese: crime praticado no Brasil. Aplica-se aos crimes em que o Brasil se obriga a reprimir. mas a lei aplicada é estrangeira (está no art. eventualmente. Ex. em alto-mar. Não importando o local do crime. 5º se excepciona (“sem prejuízo de convenções. TPI. Princípios: Os conflitos da lei penal no espaço são solucionados por meio de 06 princípios: 1) Princípio da Territorialidade: aplica-se a lei do local do crime. • • 1°) Delimitou o espaço da lei brasileira. 5) Princípio da justiça penal universal: o agente fica sujeito à lei penal do país em que for encontrado. Esta territorialidade aqui é relativa ou temperada. Vini.. Não importando o local do crime ou a nacionalidade da vítima. Imunidade diplomática.Obs: Por isso que. §§ 1° e 2°. não importando a nacionalidade dos sujeitos ou dos bens jurídicos lesados. 4) Princípio da defesa (real): aplica-se a lei da nacionalidade da vítima ou bem jurídico. 3ª hipótese: crime praticado no Brasil. conforme assinado em tratados. o art. aplicação da lei brasileira. 5°..) ao crime cometido no território nacional”. O princípio regra para o Brasil (e para quase todos os países) é o Princípio da Territorialidade – ☺art. É como se estivesse trocando de país. pois o próprio art. 2ª hipótese: crime praticado fora do Brasil. §1º. quando no estrangeiro e aí não sejam julgados. Assim. CP) o Aeronave ou embarcação pública/serviço do governo – é extensão do território brasileiro. Ex. 5º. Princípio da Intraterritorialidade. 2°) Define território nacional (art. onde quer que se encontre. Princípio da Territorialidade – art. tratados e regras de direito internacional”). o estudo da lei penal no espaço visa descobrir o âmbito territorial da aplicação da lei penal brasileira. aplicação da lei brasileira. atingir os interesses de dois ou mais estados igualmente soberanos. 23 . Princípio da Extraterritorialidade – art.☺art. CP: “aplica-se a lei brasileira (. → Território nacional: espaço físico + espaço jurídico (espaço por ficção ou equiparação .: imunidade diplomática (trazida por convenção. 7°. tratado ou regra de direito internacional). bem como a forma como o Brasil se relaciona com outros países em matéria penal. excepcionado pela intraterritorialidade (territorialidade temperada pela intraterritorialidade). Não importando o local do crime ou nacionalidade do agente. independentemente do local em que foi realizado. 5° como exceção). 3) Princípio da nacionalidade passiva: aplica-se a lei da nacionalidade do sujeito ativo quando atingir um co-cidadão (exige-se coincidência de nacionalidades). 5°.Direito Penal – LFG – Intensivo I LEI PENAL NO ESPAÇO: Sabendo que um fato punível pode. o Aeronave privada ou embarcação – somente quando em alto-mar ou correspondente espaço aéreo. 6) Princípio da representação (subsidiariedade ou da bandeira): a lei nacional aplica-se aos crimes praticados em aeronaves e embarcações privadas.

do art. § 2º . não há aí conflito internacional de jurisdição (a jurisdição será brasileira). 5º). no todo ou em parte. a bordo de avião. Problemas trazidos pela doutrina (Basileu Garcia): a) os destroços de navio que naufragou em alto mar. 24 . Onde um crime se considera praticado no Brasil? → definição do lugar do crime: Há 3 teorias: a) da atividade. mas sim um conflito interno de competência. §2º.☺art. se ele desceu de seu navio a serviço de seu pais. no entanto. aplica-se a lei brasileira. Embaixada não é extensão do território que representa.Direito Penal – LFG – Intensivo I OBS. este art. mercantes ou de propriedade privada. importantes: no Brasil. c) estrangeiro que atraca em costa brasileira e pratica crime contra brasileira.Considera-se praticado o crime no lugar em que ocorreu a ação ou omissão. ou seja. bem como onde se produziu ou deveria produzir-se o resultado. considera-se praticado no Brasil também.Para os efeitos penais. que apenas sobrevoou o país. ou c) da ubiqüidade (ou mista). O tratado que previa isso não existe mais. é indispensável que haja pelo menos o início da execução. aplica-se a lei da nacionalidade do agente (crime praticado em balsa construída por destroços de 2 navios de nacionalidades diferentes que naufragaram em alto mar). de natureza pública ou a serviço do governo brasileiro onde quer que se encontrem. mera cogitação ou ato preparatório não é crime praticado no nosso território (mera cogitação ou preparação não valem – algum momento da execução tem que atingir o nosso território para que o crime aqui seja punível). b) na dúvida. Art. Já no crime plurilocal. não se aplica a lei penal brasileira (o §2º do art. aplica-se a lei de seu pais.Crime plurilocal x crime à distância: no crime à distância o delito percorre pluralidade de Estados soberanos (que têm seu próprio direito penal) e aí surge um conflito internacional de jurisdição a ser resolvido pela Teoria da Ubiqüidade (art. CP (é também adotado pelo Brasil). Obs. consideram-se como extensão do território nacional as embarcações e aeronaves brasileiras. A embaixada é. Não se aplica a lei penal brasileira nas aeronaves ou embarcações estrangeiras públicas. se ele desceu por interesses particulares. CP – ou seja. o delito percorre a pluralidade de locais de um mesmo Estado. 6º. O Brasil adotou a Teoria mista ou da ubiqüidade (LUTA) . CP (atividade + resultado). . mas sim o instituto da passagem inocente (aplicado quando a aeronave passa pelo território nacional apenas como passagem necessária para chegar ao seu destino). CP: É também aplicável a lei brasileira aos crimes praticados a bordo de aeronaves ou embarcações estrangeiras de propriedade privada. e estas em porto ou mar territorial do Brasil. Vinicius – É dizer. b) do resultado.É também aplicável a lei brasileira aos crimes praticados a bordo de aeronaves ou embarcações estrangeiras de propriedade privada. inviolável. que se achem. 5º. e estas em porto ou mar territorial do Brasil. → Princípio da Reciprocidade: ☺art. respectivamente. 6º . achando-se aquelas em pouso no território nacional ou em vôo no espaço aéreo correspondente. nasceu para solucionar o conflito internacional de jurisdição). bem como as aeronaves e as embarcações brasileiras. § 1º . ☺§2º. 6º. Cuidado: crime praticado durante vôo sobre o espaço aéreo brasileiro – aplica-se o instituto da passagem inocente: o crime cometido dentro do território nacional. achando-se aquelas em pouso no território nacional ou em vôo no espaço aéreo correspondente. continuam ostentando sua bandeira. no espaço aéreo correspondente ou em alto-mar. 5º.

Inciso I: a) “Contra a vida ou a liberdade do Presidente da República”: Princípio da defesa.1) Princípio da defesa ou real somente o genocídio cometido contra nacional (é o que prevalece na doutrina).. b) “Contra o patrimônio ou a fé pública da União. o Brasil se obrigou a reprimir”: Princípio da justiça universal. CP: “Ficam sujeitos à lei brasileira. → Hipóteses de Extraterritorialidade: são hipóteses excepcionais (assim como as de intraterritorialidade). CPP: A competência será. autarquia ou fundação instituída pelo Poder Público”: Princípio da defesa. 6º não serve para dirimir competência. sociedade de economia mista. CP: . 25 . de Território. por tratado ou convenção. 63 da lei 9099/95).)”: Art. §3º: § 3° A lei brasileira aplica-se também ao crime cometido por estrangeiro contra brasileiro fora do Brasil. reunidas as condições previstas no parágrafo anterior: a) não foi pedida ou foi negada a extradição. determinada pelo lugar em que se consumar a infração. 70. o art. o Brasil aplica sua lei – Ext.099/95 aplica-se a Teoria da Atividade: art. por quem está a seu serviço”: Princípio da defesa. de Município. c) “Contra a administração pública. embora cometidos no estrangeiro (. mas sim para definir jurisdição. se. no caso de tentativa. b)houve requisição do Ministro da Justiça. do Distrito Federal. quando o agente for brasileiro ou domiciliado no Brasil”. proteção ou real. 7º. (atenção: no caso da Lei 9. de regra. Para dirimir conflito interno de competência utilizamos o art. de empresa pública.2) Princípio da justiça universal. mercantes ou de propriedade privada. Extraterritorialidade incondicionada (§1º). Há 3 Correntes: d. Extraterritorialidade incondicionada (§1º). Vinícius – Se não forem julgados no estrangeiro. Extraterritorialidade condicionada (§2º). . Extraterritorialidade condicionada (§2º). d. proteção ou real. ou.. de Estado. c) “Praticados em aeronaves ou embarcações brasileiras. Extraterritorialidade incondicionada (§1º). logo deve haver previsão expressa na lei : ☺art.3) Princípio da nacionalidade ativa (mas esta corrente não é correta). proteção ou real. pelo lugar em que for praticado o último ato de execução. incondicionada. b) “Praticados por brasileiro”: Princípio da nacionalidade ativa.Direito Penal – LFG – Intensivo I Assim. quando em território estrangeiro e aí não sejam julgados”: Princípio da representação.Inciso II: a) “Que. 7º. d) “De genocídio. Extraterritorialidade condicionada (§2º). d. §3º: 2 Correntes: 1) Princípio da nacionalidade passiva (Flávio Monteiro de Barros e LFG – mas não é a corrente correta).

ou seja. segundo a lei mais favorável. Os requisitos ou condições cumulativas são as seguintes: a) entrar o agente no nosso território (entrar não se confunde com permanecer! Aqui não importa se ele permanece no nosso território ou não) – é condição de procedibilidade.455/97. Assim. Art. Ademais. . CP: “A pena cumprida no estrangeiro atenua a pena imposta no Brasil pelo mesmo crime. por outro motivo. há na hipótese do §3º (caso de estrangeiro que cometeu crime contra brasileiro no exterior) duas exigências: a) não ter sido pedida ou negada a extradição. ou nela é computada. o que seria bis in idem. e b) houver requisição do Ministro da Justiça. (Ex do navio holandês e a ausência de punição) c) estar o crime incluído entre aqueles pelos quais a lei brasileira autoriza a extradição – também é condição objetiva de punibilidade. 26 . para evitar o bis in idem. Questão: Existe algum caso de extraterritorialidade previsto em lei especial? Sim. Non bis in idem tbm. 8º. 109. cumulativo com alínea anterior. CR/88 diz: “as causas relativas a direitos humanos. e) não ter sido o agente perdoado no estrangeiro ou. qual é o princípio que o Brasil não adota nunca? O Princípio da nacionalidade passiva (salvo para Flávio Monteiro de Barros e LFG.: . V-A.Não existe extraterritorialidade em se tratando de contravenções penais (o CP não prevê e a LCP proíbe). não estar extinta a punibilidade. É da competência da Justiça Federal. mas se o juiz apurar que o fato não é punível no outro país ele absolve o réu. há o dispositivo previsto no art. o juiz não pode receber a inicial. ou seja. que entendem que o Brasil adota todos os princípios). art. quando diversas.No caso do inciso II (praticados por brasileiros) os requisitos são cumulativos (faltando um deles não ocorre a extraterritorialidade). b) ser o fato punível também no país em que foi praticado – é condição objetiva de punibilidade. da Lei de Tortura – Lei 9. 2º. Obs. pode haver processo.Direito Penal – LFG – Intensivo I 2) Princípio da defesa ou real (é a corrente correta). Vinícius .” Na extraterritorialdade incondicionada podemos nos deparar com a dupla condenação.Vítima brasileira ou agente do crime sob jurisdição brasileira. Assim. d) não ter sido o agente absolvido no estrangeiro ou não ter ai cumprido a pena – o Brasil respeita a coisa julgada estrangeira e a pena cumprida no exterior. quando idênticas”. enquanto não se provar que o agente entrou no nosso território não pode haver processo.

Imunidade não quer dizer que quem a detém não deve obediência à nossa lei. ela não serve à pessoa.Direito Penal – LFG – Intensivo I IMUNIDADES: Constitucionalidade: Pergunta: as imunidades ferem o Princípio da isonomia? Não. e) agentes consulares?** (*) a esposa do embaixador tem imunidade desde que ela não seja da nacionalidade do país que ele esteja servindo. 2.1) Imunidade Parlamentar Absoluta: é também chamada de material. Não conferem privilégios. causa que se opõe à formação do crime. 53. mas ao cargo que ela ocupa. LFG entende que se trata de uma causa impeditiva da punibilidade. . substancial.O diplomata não pode renunciar esta imunidade se perceber que as conseqüências no seu país são mais severas. b) embaixador e sua família*.Natureza jurídica dessa imunidade: a maioria entende que é uma causa pessoal de isenção de pena. (20/08/08) b) Parlamentar: b. palavras ou votos” – ocorre que a jurisprudência do STF ampliou a imunidade para abranger também as esferas administrativa e política (estas imunidades não estão expressas na CR. 4. segundo Pontes de Miranda.: ONU). mas funcional. . causa de irresponsabilidade. ☺ art. causa pessoal de exclusão de pena. que são imunes em qualquer caso). mas o país que ele serve pode tirar. CR: “os Deputados e Senadores são invioláveis civil e penalmente por quaisquer de suas opiniões.Natureza jurídica dessa imunidade (indenidade): Há 6 correntes: 1. segundo Magalhães Noronha. quando em serviço. c) os funcionários do corpo diplomático e sua família. segundo Basileu Garcia. inviolabilidade ou indenidade (esta última é trazida por Zaffaroni – guardar essa denominação!). Espécies de Imunidades: a) Diplomática: . (**) os agentes consulares são imunes só no que diz respeito aos crimes relacionados à sua função (diferentemente dos demais.A imunidade diplomática não impede investigação policial. . mas que eles escapam às suas conseqüências jurídicas (serão punidos somente em seu país). despir o diplomata dessa imunidade. porque a imunidade não é pessoal. porque só desempenha papel eminentemente administrativo e não representativo. caput. Atenção: .Conceito: é prerrogativa funcional de direito público internacional. . cláusula excludente de crime. real. sua família e membros da sua comitiva. mas sim prerrogativas funcionais. de que desfrutam: a) os chefes de governo ou de Estado estrangeiro. segundo Aníbal Bruno. 3. por isso são constitucionais e não ferem o Princípio da Isonomia. d) funcionários das organizações internacionais (ex. 27 . mas existem).

mas a maioria da doutrina restringe esta imunidade para a imunidade relativa (e não à absoluta).Direito Penal – LFG – Intensivo I 5. que é norteada pelo princípio do “tempus regit actum”. A imunidade abrangia crimes comuns ou funcionais. 28 . ou seja. O Brasil adotou a Teoria da Assessoriedade Limitada ou Média. Obs. mas sim correlata com a sua função). dada pela EC 35/01. segundo Zaffaroni e LFG. Mas há uma outra corrente que afirma que pode retroagir sim porque a EC só alterou regra processual. Esses parágrafos tiveram redação nova. Tem várias espécies: I) Quanto ao processo: ☺art. só podendo alcançar os fatos praticados da sua vigência em diante. ou até mesmo em outro Estado da Federação. 4º e 5º. Depois da EC 35/01 O STF não precisa de autorização para processar o parlamentar (a casa respectiva pode. E esta é a posição adotada pelo STF. segundo o STF: a) ofensa proferida nas dependências da Casa Legislativa. nem sempre essa imunidade foi assim. sustar o andamento do processo). b. 245. A imunidade continua abrangendo crimes comuns ou funcionais. O MPF ofereceu denúncia contra ele por fatos praticados antes da EC 35. 53. §§ 3º. vai estar penalmente beneficiado pela imunidade. no entanto. ou seja. . Assim.2) Imunidade Parlamentar Relativa: é também chamada de imunidade formal. Nucci. porque ela alterou garantia parlamentar. como por ex. De acordo com o STF. . e neste caso o nexo funcional é presumido (o ofendido deve comprovar a inexistência de nexo). o STF precisará de autorização da Câmara dos Deputados ou não? Resposta: prevalece que essa EC é irretroativa. mas tão somente o andamento processual.. ou seja. senão vejamos: Antes da EC 35/01 O STF precisava da autorização da casa legislativa respectiva para processar o parlamentar. o Congresso não pode sustar atos investigatórios (inquérito civil ou policial). seus processos então passaram a ser conduzidos pelo STF. A imunidade só alcança delitos praticados após a diplomação.: essa EC 35 é irretroativa ou pode alcançar os fatos praticados antes de sua vigência? Ex. A imunidade abrangia crimes praticados antes ou depois da diplomação. 6. causa de incapacidade pessoal penal por razões políticas. segundo Frederico Marques. não se poderá punir o partícipe. STF – diz que a imunidade não se estende ao co-réu. ☺Súm. apesar do assessor do deputado não estar imune. Nesse caso. b) ofensa proferida fora das dependências da Casa Legislativa. CR.O que é englobado pela imunidade. essa imunidade é uma prerrogativa extraordinária que não alcança inquéritos policiais. que a ofensa não foi gratuita.: Paulo Maluf – em tese ele praticou crimes antes da EC 35 e se elegeu deputado após 2001. pela Teoria da Hiperassessoriedade o fato principal tem que ser típico + ilícito + culpável + punível. Desta forma. causa de atipicidade (exclusão do fato típico).Quanto à punibilidade do partícipe: Pela Teoria da Assessoriedade Mínima basta que o fato principal seja típico para que se possa punir o partícipe. nesta hipótese o nexo funcional não é presumido (se o ofendido entrar com uma queixa-crime. pela Teoria da Assessoriedade Média ou Limitada basta que o fato principal seja típico + ilícito para que se possa punir o partícipe. Mas há quem discorde disso. se entender que a imunidade exclui a tipicidade. o parlamentar é que deve comprovar o nexo funcional. pela Teoria da Assessoriedade Máxima o fato principal deve ser típico + ilícito + culpável.

§1º. O foro especial só dura enquanto perdurar o mandato e alcança crimes praticados antes e depois da diplomação (início da legislatura).Deputado Estadual tem as mesmas imunidades do Deputado Federal? Sim! ☺art. vereador só tem imunidade material (opiniões. sem incorrer na pena de crime de falso testemunho. enquanto na injúria não. inclusive. que pode ser cumprida em face de parlamentar. Só caberá a definitiva ou a provisória fruto de flagrante por crime inafiançável. se apartando a pessoa do grupo. perde todas as imunidades absolutas ou relativas. Na injúria qualificada. 221.: devedor de alimentos). 53. 27. II) Quanto à prisão: ☺art. Exceção: salvo em flagrante de crime inafiançável. Essa prerrogativa não alcança processos civis. prescritível e de ação penal privada. palavras e votos). não permanece com as suas imunidades parlamentares. 4. III) Quanto ao foro: ☺art. A prerrogativa que o deputado tem diz respeito às prisões provisórias. O foro especial do Deputado Estadual é o TJ (crimes não federais) ou TRF (crimes federais). O foro natural. CR. A imunidade só é constitucional porque é funcional. 721. §6º. Em regra ele não tem imunidade relativa. Regra: parlamentar não pode ser preso. STF). CPP não se estende ao parlamentar investigado ou processado. Se o cargo novo tiver alguma imunidade. o agente atribui qualidade negativa à vítima (é um xingamento). porque a competência do foro especial está prevista na CR e não na Constituição Estadual. Obs. IV) Quanto ao dever de testemunha: ☺art. Deputados e Senadores não vão ao Júri. CR. são julgados pelo STF. STF foi cancelada). O crime de racismo é imprescritível. e mesmo assim. CR – Princípio da Simetria. o CN pode sustar? A imunidade só alcança delitos e não atos de improbidade! Assim. esta não é cabível contra os deputados e senadores. .Vereador: em regra. inafiançável e de ação penal pública incondicionada (pode o parlamentar ser preso por este crime). só pode suspender o andamento de ação penal e não de ação por ato de improbidade. Esse foro (TJ). mas não é a majoritária. porque ela é afiançável. STF. Ocorre que esta Súm.: o art. Não é uma imunidade ampla e irrestrita não. 394. como aconteceu no Piauí e no RJ. não alcançando a prisão definitiva (prisão-pena). já no racismo existe segregação. a imunidade passaria a ser pessoal e não mais funcional (a Súm. . → Observações finais: . limitada ao município em que exerce a vereança. Quando acabar o mandato o processo volta para a origem. 53. após a diplomação dos deputados e senadores. É uma imunidade dada ao parlamentar para que ele não informe dados recebidos. desde que propter officio? ☺Súm. 140. será o STF. somente processos penais (a lei que tentou dar ao parlamentar foro especial para atos de improbidade foi considerada inconstitucional – essa alteração tem que ser feita por EC. §1º. se for estendida para após o mandato não seria mais relativa à função. §3º do crime de racismo. Parlamentar pode ser preso por chamar uma pessoa negra de nome indevido? É preciso diferenciar a injúria qualificada do art. Mas atenção: Deputado Federal e Deputado Estadual não 29 . está superada! A imunidade do parlamentar não está restrita ao seu Estado. É a CR excepcionando a si mesma (já que ambas as competências são constitucionais). Quanto à prisão civil (ex. ele delas gozará. caso contrário não (☺Súm. que diz que é restrita. §2º. 3. 53. prevalece sobre o Júri (☺Súm.O parlamentar que se licencia para exercer cargo no Executivo. . que já está tramitando). mas a Constituição Estadual pode dar ao vereador foro especial (e esta é a única imunidade relativa que ele pode ter). Mas há corrente no sentido contrário. Esta imunidade dura enquanto durar o mandato.Direito Penal – LFG – Intensivo I E o andamento de ACP por improbidade.A imunidade do Deputado Estadual é restrita ao seu Estado ou se aplica ao Brasil inteiro. STF: foi cancelada).

30 . 721. (Súm. porque neste caso a competência foi trazida só pela Constituição Estadual e não pela Federal.Direito Penal – LFG – Intensivo I vão a Júri. STF). mas o vereador vai.

Direito Penal – LFG – Intensivo I 31 .

Assim. fato punível é crime + punibilidade. à luz da CR. que o LFG chama de punibilidade. Esse aspecto material é o que surgiu de novo. Ou seja. A punibilidade é um aspecto extremamente importante no direito penal. Celso de Mello).com 3 elementos = Fato Típico + Antijurídico + Culpável . um fato. 2) antijuridicidade.Direito Penal – LFG – Intensivo I TEORIA DO CRIME SEGUNDO LFG: (04/03/09) – Aula com o LFG: Conceitos legalistas de crime (conceitos do tempo do paradigma legal): .☺HC 84412: descaracterização da tipicidade penal em seu aspecto material – Rel.com 5 elementos = Ação + Típica + Antijurídico + Culpável + Punível Atualmente existe um Conceito Constitucionalista de crime. do ponto de vista constitucional. Ou seja. Fato Típico: → Evolução histórica do fato típico: Quadro sinóptico: 32 . mesmo formalmente típico. e 3) ameaça de pena. Segundo este conceito.: fato insignificante.com 2 elementos = Fato Típico + Antijurídico . O que chama a atenção nesse conceito constitucional é o aspecto material da tipicidade: significa ofensa ao bem jurídico. se não ofende o bem jurídico não é materialmente típico (ex. segundo este conceito o Fato Típico tem dois componentes).com 4 elementos = Fato Típico + Antijurídico + Culpável + Punível . para que o fato seja punível é preciso que ocorra o crime e a ameaça de pena. como o furto de uma folha de papel . crime tem 2 requisitos: Fato formal e materialmente típico + Antijuridicidade (ou seja. Atenção: Crime é diferente de fato punível – o fato punível exige 3 requisitos: 1) fato formal e materialmente típico.

Exemplo de diferença entre ambas as teorias: no causalismo. ou seja. Segundo essa teoria não existe direito sem valores. Gerais: . Basta a consciência paralela. mas o enfoque. O tipo penal tem apenas uma dimensão (objetiva). .: tipo penal é a mera descrição abstrata do crime. é também antijurídico. Kant falava em fato e valor. é valorativamente neutro. 4) adequação típica (mesmos da teoria anterior. o tipo é valorativo sempre. No neokantismo. . o fato típico é distinto da antijuridicidade.Final do século XIX. o dolo é mero vínculo subjetivo do agente com o fato. Nada no direito é neutro.Obs. . Nelson Hungria 33 .: O tipo penal não é valorativamente neutro.Requisitos da tipicidade: 1) conduta humana voluntária. 2) consciência da ilicitude (dolus malus).FT é o fato objetivo e valorativo (o tipo não é valorativamente neutro). .Críticas sobre o conceito de dolo: como se pode exigir do homem comum que tenha consciência da ilicitude? Mezger respondeu a esta questão com a “Teoria da Valoração Paralela na Esfera do Profano” – profano quer dizer leigo. dolo e culpa estavam dentro da culpabilidade. O desvalor da conduta é bem maior do que o do resultado.Direito Penal – LFG – Intensivo I Teoria: Causalismo / Naturalismo / Causalnaturalismo Época e Expoentes: Conceito de Fato Típico e Obs. É o fato valorado negativamente pelo legislador. O leigo tem uma consciência de ilicitude distinta do jurídico.Obs. 2) resultado naturalístico (para os crimes materiais).Século XX (1900 a 1930) .Fato Típico é o fato objetivo e valorativamente neutro. . 4) adequação típica (um fato adequado à lei. . a tipicidade é indício da antijuridicidade (Mayer – Ratio Cognoscendi) – se o fato é típico. 2) resultado naturalístico (para os crimes materiais. 3) nexo de causalidade. o dolo é normativo ou jurídico.Von Liszt e Beling (desenvolveu a teoria da tipicidade em 1906).Os 4 requisitos são todos carregados de valor. começo do século XX . .Mezger. . Neokantismo Neokantismo é o retorno da filosofia de valores de Kant. um fato ilícito. não é necessário ser jurista. 3) nexo de causalidade (relação de causa e efeito). O tipo penal tem apenas uma dimensão (objetiva).Requisitos: 1) conduta. ou seja. composto de 2 requisitos: 1) consciência do fato e vontade de praticá-lo. subsunção do fato à lei). deve-se analisar como um leigo encara a ilicitude. O que mudou não foram nominalmente os requisitos. que passou a ser valorativo). .

por meio dos seguintes critérios: 1) criação ou incremento de um risco proibido ou relevante (sigla para memorizar: “CIRPRE”) pela conduta (se a conduta cria um risco permitido. dolo e culpa estavam na culpabilidade. exige um juízo de valor do juiz). III) normativa ou valorativa (o juiz tem que valorar a conduta do agente) → Teoria da Imputação Objetiva: segundo esta teoria. não responde). se está fora da norma.No Brasil só chegou em 1970. . A essência da teoria de Roxin gira em torno de riscos proibidos ou permitidos. se praticada em contexto de risco permitido não é delito. nexo.Aspecto subjetivo: dolo e culpa – estão na tipicidade (isso já é pacificado).Hans Welzel . Dolo e culpa está na essência da conduta e a conduta está no tipo. .Porque o tipo penal vem composto de 2 partes. deve-se valorar duas coisas: a conduta e o resultado. ex. sendo o dolo um requisito subjetivo. É o juiz que valora a culpa.: furto – “subtrair” é o dolo. assim.Claus Roxin . A conduta deve ser valorada nesta dimensão da tipicidade. Antes. A conduta mesmo formalmente típica. ou seja. OBS. “para si ou para outrem” é a intenção especial).Requisitos da parte objetiva: conduta.O fato típico tem 3 dimensões: I) objetiva (com os quatro mesmos requisitos dos demais). a dimensão subjetiva do tipo compõe-se de dolo e de intenções especiais (estas últimas para alguns tipos penais. . e b) resultado deve estar no âmbito de proteção da norma (se o resultado está no âmbito da norma.Welzel errou em um ponto: culpa não é um requisito subjetivo e sim. 34 . Funcionalismo Moderado / Teleológico .1968 .Direito Penal – LFG – Intensivo I Finalismo . Ler artigo do LFG que trata da teoria de Roxin.Fato típico tem 2 dimensões: é objetivo e subjetivo. normativo. 2) para a valoração do resultado há 2 critérios: a) ele tem que ser objetivamente imputável ao risco criado (nexo entre o risco criado e o resultado ocorrido – é o “nexo de imputação”). Welzel o chama de tipo complexo. a culpa não é um dado subjetivo. o agente responde. “Dolo está na cabeça do réu e a culpa está na cabeça do juiz”.1939 a 1960 (apogeu) . não é típica do ponto de vista valorativo). II) subjetiva (da qual faz parte só o dolo. resultado. Normativo em penal é o que exige juízo de valor. adequação típica (os mesmos 4 das outras teorias). . Requisito subjetivo em penal é o que está na cabeça do réu. mas sim um dado normativo. .

Década de 80 . para Zaffaroni esta 3º dimensão é a Tipicidade Conglobante. Teoria Constitucionalista do Delito . responde pelo delito. e. o que está permitido ou determinado ou fomentado por uma norma não pode estar proibido por outra – por isso deve-se examinar todas as normas do ordenamento jurídico conglobadamente.Dimensão material ou normativa . se cria riscos permitidos. o direito penal serve para conter o abuso do estado. intervenção médica constitui um risco permitido. O que faz parte da tipicidade conglobante: a) imputação objetiva (concorda com a teoria de Roxin) (se existe uma norma que fomenta ou que determina ou que permite uma conduta. nexo de causalidade e adequação típica – igual aos demais). tal conduta não pode ser crime). Cada autor parte de um funcionalismo. concessionária vende um carro. + b) resultado jurídico: ofensa ao bem jurídico pela lesão ou pelo perigo concreto (deriva do princípio da ofensividade – é a lesão ou o perigo concreto de lesão ao bem jurídico). Quem realiza riscos normais não responde por nada. porque vender pão é criar risco permitido e nessa fase não se analisa o dolo do agente (teoria da imputação objetiva). este resultado jurídico tem que preencher 6 requisitos (sob pena de ser atípico): 35 . com base na criação ou incremento de risco proibido ou relevante. Se o agente cria riscos proibidos. Ex4. .Dimensão subjetiva (dolo + intenções especiais).Dimensão objetivo formal (conduta. não responde. O juiz faz a análise valorativa da conduta. pois fez além de sua atividade como taxista.Direito Penal – LFG – Intensivo I Funcionalismo Reducionista / Contencionista Para Zaffaroni a tipicidade também tem 3 dimensões. é correr um risco permitido. Ex6.LFG Fato típico tem 3 dimensões: formal. 2) juízo de valoração do resultado jurídico com base em 6 critérios (Zaffaroni) – para ser relevante.2001 . Taxista não responde pelo delito. . Ex1. taxista que leva passageiro. . Neste caso. a loja que vende arma de fogo não responde pelo risco. .é valorativa: 1) juízo de valoração da conduta (pelo critério do “cirpre” – criação ou incremento de risco proibido ou relevante) – quem atua para evitar risco de maior dano não responde pelo crime (é uma regra de imputação objetiva). subjetiva e material. Funcionalismo: parte de uma concepção do direito penal. O médico pratica formalmente a conduta ao “cortar” o paciente. resultado naturalístico. Vender pão é atividade objetiva.Tipo penal: aspecto objetivo e subjetivo idênticos à Teoria de Roxin. Ex2. Quem responde pelo risco é quem comprou o carro e não quem o vendeu. taxista informa endereço da vítima ao passageiro para que execute o crime. Ex5. lesões esportivas são criações de riscos permitidos. em contrapartida. O padeiro não responde. o taxista é partícipe. fazer uma corrida de táxi é a função social que cumpre. Tanto as lesões esportivas como as intervenções médicas eram tratadas como excludentes de antijuridicidade (exercício regular de direito). Ex7. e se alguém descobrir uma norma que permita determinada conduta. Ex3. que o informa antes que irá matar alguém. As dimensões formal e subjetiva continuam iguais às demais.***Teoria da Tipicidade Conglobante: o tipo tem que ter uma 3ª dimensão (como também pensava Roxin). comprador informa padeiro que irá matar a sogra envenenando o pão. Ele não fugiu do papel de taxista. Para Zaffaroni. .Zaffaroni (argentino) .

Ex1. c) deve ser relevante. Lei não se confunde com o Direito. (**) (*) Primeiro fundamento: A norma penal pode ser primária ou secundária. valor e norma (*). logo. o protagonista de toda a vida do Estado é o legislador (que não erra nunca. Há ofensas que são graves. A empurra B na piscina. uma vez que não há perigo abstrato em direito penal. mas que são toleradas.Razão da exigência de uma dimensão material na tipicidade: a) Teoria tridimensional do direito (fundamento da teoria desenvolvida acima): desenvolvida por Miguel Reale – o direito é fato. Assim: o fato que viola o valor é antinormativo (para os constitucionalistas – diferentemente do que se pensava antigamente – paradigma legalista –. Cada um responde pelo risco que criou e nos limites do risco criado. pois o aborto nesse caso é tolerável. . Ex3. Ex1. O da frente atropela e mata um transeunte. C tenta salvar B. morreu com os julgamentos de Nuremberg. dois ciclistas trafegam no acostamento a noite. b) Do legalismo ao constitucionalismo (atualmente se segue o neoconstitucionalismo e neoprocessualismo). 229 – motel é tolerável. no entanto. A não responde pela morte de C. a lei é o instrumento de se fazer justiça). art. HC 81057 – porte de arma desmuniciada. HC 84. mas um pedestre avança na faixa e é atropelado. o preceito secundário é “pena de 6 a 20 anos de reclusão”). por este modelo não se aceita perigo abstrato em Direito Penal. uma parte da doutrina não o admite. grave: se o resultado for insignificante. Promotor denuncia ambos por homicídio culposo.412.: art. O princípio da confiança relaciona-se com a teoria dos riscos permitidos. confiando que os pedestres irão esperar. Este modelo “está morto. Ex. No sec. Ambos morrem. aplique a pena a quem viola a norma primária” → toda norma primária existe para proteger um valor (neste ex. o fato é atípico. se para isso for preciso violar o Direito. f) resultado deve estar no âmbito de proteção da norma. sem farol. O crime é um fato que viola a norma e ofende o valor protegido pela norma. Ex1. (**) Outro fundamento: o modelo legalista nasce com Savigny. Ex2. cirurgião pressupõe que o anestesista fez a anestesia de forma correta. Segundo a opinião do LFG. d) deve ser intolerável.Direito Penal – LFG – Intensivo I a) deve ser concreto: ou seja. Toda norma existe para proteger um valor. o segundo porque se tivesse farol teria evitado o acidente. e) nexo de imputação entre o resultado e o risco criado: deve ser objetivamente imputável ao risco criado. o fato é atípico. Quem realiza uma atividade respeitando as regras dessa atividade pode confiar que as outras pessoas irão atuar de acordo com as regras. sua essência é “todo direito se funda na lei”. A cultura aceita esse tipo de atividade. embora ainda não sepultado”. importante. quando se dizia que o fato adequado à lei é antinormativo). Ex2. mas todas as normas têm sempre um preceito primário e um preceito secundário.“matar alguém” – o preceito primário é “é proibido matar”. o valor é a vida). O CP permite apenas 2 hipóteses de aborto. em 1945 (dos nazistas. não há crime. ADPF 54 – STF irá decidir em abril sobre essa questão. A insignificância do objeto furtado exclui a tipicidade material e não formal. então é preciso agregar ao FT o aspecto valorativo. A norma primária é dirigida a todos. Ex1. Juiz. que pensavam ter somente cumprido a lei) – não se pode cumprir a lei. Programa excursão do tio a uma floresta onde há grande 36 . motorista segue sinal verde. a norma secundária é dirigida ao juiz (ex. Outra teoria que pode ser aplicada é a auto-colocação da vítima em perigo em razão de conduta própria. Ofensa contra mim não é penalmente relevante. ???? b) deve ser transcendental: o resultado tem que afetar terceiros. feto anencefálico nunca sobrevive – aborto. Nasce então o Neoconstitucionalismo e o Direito penal constitucionalizado. Ex3. e não o próprio agente (Princípio da Alteralidade – vem do latim alter. só atende aos interesses gerais.XX. STF. cabe perigo abstrato dentro do direito penal. significativo. que significa outro). nasce o positivismo legalista para reforçar o antigo modelo legalista. A norma que exige farol na bicicleta é para evitar acidente próprio. de acordo com a jurisprudência. sobrinho quer matar o tio. O preceito primário da norma secundária dirigida ao juiz é “Sr. 121 . maus-tratos aos animais por peões.

não foi a conduta da vítima que a matou. Auto-colocação da vítima em risco por conduta própria. mas a imputação é objetiva. o atirador de facas responde pela morte. 37 . Ex2. portanto o dolo será analisado depois. embora confie em sua habilidade. ou seja.Direito Penal – LFG – Intensivo I incidência de raios. dolo eventual do atirador. A viagem resulta na morte do tio – programar uma excursão é criar risco permitido. portanto o sobrinho não poderá ser responsabilizado pelo delito. O atirador de facas é que criou o risco proibido. atirador de facas responde por homicídio? Não foi a vítima que se matou. portanto. Ex1. Existe dolo da pessoa que organiza a excursão.

e não Incondicionada. . LCP).: porte ilegal de arma de fogo. Isso porque a CR. CR). ☺art.343/06: posse de droga para uso próprio – tem como sanção a advertência sobre os efeitos das drogas. 17 da LCP. IV.Sinônimos de Contravenção Penal: crime anão. 21. há quem entenda (LFG) que não se trata nem de crime e nem de contravenção penal. em algumas hipóteses passou a ser até mesmo inafiançável (a ponto do STF dizer que isso já foi um exagero). 5º e 6º. a contravenção penal do art. LCP) Ação Penal Pública incondicionada (☺art. Por isso. . por isso é Dualista ou Binário. 17. Só pode ser da Justiça Estadual (☺art. Mas a LICP não dá todas as respostas. que é posterior à LICP. CP. Exceção criada pela jurisprudência: se o crime do art. 129. III) Punição da tentativa IV) Extraterritorialidade V) Competência para processo e julgamento A tentativa é punível Admite Pode ser da Justiça Estadual ou da Federal . Mas existe uma exceção (e não é a conexão entre contravenção e crime federal – nesse caso haveria o desmembramento): contravenção penal praticada por quem detém foro por prerrogativa de função federal do 38 II) Espécie de ação penal Ação penal pública ou ação penal privada.O Brasil prevê duas espécies de infrações penais. como prevê a lei. Lei 11. As duas espécies são: crime (ou delito. 2º. uma infração penal sui generis. até 1997 era contravenção penal. (que é o mais) é perseguido por Ação Penal Pública condicionada. Mas o STF entende que esse comportamento é crime sim. A tentativa não é punível (☺art. e a partir do Estatuto do Desarmamento. LCP). Não estamos mais limitados ao conceito da LICP.O que leva o legislador a rotular um comportamento como contravenção penal ou como crime? Ex. 4º. LCP). prestação de serviços à comunidade ou medida educativa. já a contravenção penal tem pena de prisão simples. É a regra. que é seu sinônimo) e contravenção penal. disse quais são as penas possíveis de serem aplicadas a crimes no Brasil. Tudo isso aconteceu por mera opção política. de 97 a 2003 passou a ser crime. delito liliputiano.Direito Penal – LFG – Intensivo I TEORIA DO CRIME: TEORIA GERAL DA INFRAÇÃO PENAL: (11/03/09) . dependendo do crime. LCP (vias de fato) também deve ser perseguida por APP Condicionada. Mas o STF não reconhece essa jurisprudência e por isso não encontra exceções ao art. caput. estão embasadas nas seguintes diferenças entre crimes e contravenções: Crime I) Pena privativa de liberdade Reclusão ou detenção Contravenção Penal Prisão simples (☺arts. pois. . 109. porque o tipo da AP não deve estar ligado à gravidade do delito (tanto é que um dos crimes mais graves que existem é o estupro e é perseguido por AP Privada). Não admite (☺art.A Lei de Introdução ao Código Penal apresenta uma diferenciação entre eles: crime ou delito tem pena de detenção ou reclusão. seria. crime vagabundo. 28. Mas essa opção política não vem do nada.

Formal-material: é aquilo que está estabelecido em lei.Direito Penal – LFG – Intensivo I contraventor. consistente num comportamento humano causador de lesão ou perigo de lesão ao bem jurídico tutelado. nem mesmo por meio da regressão (art.Conceito material: é o comportamento humano causador de relevante e intolerável lesão ou perigo de lesão ao bem jurídico tutelado. Teoria Finalista Dissidente: Teoria Social da Ação: crime é fato típico + ilícito (não há culpabilidade – esta é mero pressuposto de aplicação da pena). Esse conceito varia conforme a teoria adotada. . Teoria Finalista: crime é fato típico + ilícito + culpável (o dolo e a culpa migram para o fato típico). Conceito Analítico de Crime. LCP).Conceito analítico: leva em consideração os elementos que compõem a infração penal. mas. sob ameaça de pena. jamais poderá começar ou ir para o regime fechado. . 10. Analisa o crime sob a ótica de sua estrutura. passível de sanção penal. a depender do tipo de “sursis” A pena pode começar no regime fechado ou ir para o fechado por meio da regressão 5 anos (☺art. está o fato de que o neokantista admite elementos valorativos no tipo). Conceito de Infração Penal: . ex. 6°. crime é aquilo que está estabelecido em uma norma penal incriminadora. Teoria Neokantista: crime é fato típico + ilícito + culpável (é uma teoria que tem por base a Teoria Causal. 39 . dentre algumas de suas diferenciações. 11. juiz federal que pratica contravenção penal será julgado no TRF. LCP). passível de sanção penal. VI) Limite de cumprimento da pena 30 anos O período de prova será de 2 a 4 ou de 4 a 6 anos. A estrutura do crime que prevalece é a seguinte: Crime = fato típico + ilicitude + culpabilidade. . de acordo com as várias Teorias: Teoria: Teoria Causalista: Conceito: crime é fato típico + ilícito + culpável (dolo e culpa estão na culpabilidade).Conceito formal: sob o enfoque formal. LCP) VII) “Sursis” O período de prova será de 1 a 3 anos (☺art. VIII) Regime de cumprimento de pena A pena de uma contravenção penal só pode ser cumprida em regime aberto ou semi-aberto.

Quem pode ser sujeito ativo? Qualquer pessoa física. Teoria Constitucionalista: crime é fato típico + ilícito + punibilidade em abstrato (isto é. mas o sistema. nem culpa). pois. o Princípio da Insignificância). 3º. 3) ofende o princípio da responsabilidade pessoal (responsabilizar PJ é o mesmo que responsabilidade coletiva). 1) Trata-se de uma responsabilidade objetiva autorizada pela CR (já que a CR pode excepcionar-se a si mesma). 2. Pessoa jurídica pode ser autora de crime? Há 3 correntes: 1. Funcionalismo Teleológico (de Roxin): crime é fato típico + ilícito + reprovabilidade (a culpabilidade é limite da pena e não elemento do crime. o fato típico + ilícito sem pena em abstrato não é crime). a norma. 3) o que passa da PJ condenada são os efeitos da condenação. Pessoa Jurídica não pratica e nem pode ser responsabilizada penalmente. adaptando-se o juízo de culpabilidade às suas características. A responsabilidade da PJ parte da premissa de que seria um caso de responsabilidade penal objetiva. 2) ofende o princípio da culpabilidade (PJ não tem potencial consciência da ilicitude). o império da ou Radical (de Jackobs): norma. Trata-se de uma responsabilidade penal social que exige dois requisitos (☺art. 2) PJ responde pelos seus atos. a preocupação é resguardar o bem jurídico. ou órgão colegiado. no interesse ou benefício da sua entidade). STJ entende que não se trata de uma responsabilidade objetiva ou subjetiva. podendo ser por ele responsabilizada penalmente. previsão de pena – a culpabilidade é mero pressuposto da pena. a que prevalece. 4) ofende o princípio da personalidade das penas (a pena ultrapassa da pessoa do condenado).. crime é fato típico + ilícito + culpável Funcionalismo Sistêmico (a preocupação não é resguardar o bem jurídico. 40 .605/98: infração praticada por decisão do representante legal ou contratual. mas pode ser responsabilizada penalmente nas infrações contra o meio ambiente. É a posição do LFG e do Fernando Galvão. mas sim de uma responsabilidade social. É. como. A PJ (co-responsável) tem que ser denunciada juntamente com a pessoa física autora do crime. não admitindo princípios gerias não positivados. O STJ já adotou a 3ª corrente. pois 1) ofende o princípio da responsabilidade subjetiva (PJ não tem dolo. por ex. admitindo princípios gerais do direito. com idade mínima de 18 anos. ainda que não positivados). Pessoa Jurídica pratica crime ambiental (☺CR e Lei 9. Lei 9. Sistema da dupla imputação: a responsabilidade da pessoa jurídica não exclui a da pessoa física. 3. Sujeito Ativo do Crime: O que é sujeito ativo do crime? É o autor da infração penal.605/98). Pessoa Jurídica não pratica crime nem mesmo ambiental. capaz.Direito Penal – LFG – Intensivo I crime é fato típico + ilícito + culpável (o dolo e a culpa integrantes do fato típico voltam a ser analisados na culpabilidade).

339. abortamento não consentido – são vítimas a gestante e o feto). . 123 – infanticídio. 139 e 140. 138. Punir alguém sem se procurar defender interesses. grave ameaça ou fraude.Existe crime sem objeto jurídico: não.Sujeito passivo próprio: é aquele de quem a lei exige uma qualidade ou condição especial para que seja vítima (ex. são os “crimes de dupla subjetividade passiva” (ex. 41 . . CP.Crimes de dupla subjetividade passiva: há crimes que têm obrigatoriamente pluralidade de sujeitos passivos. É possível privar o Diretor da sua liberdade de locomoção e condicionar sua liberdade ao pagamento de uma quantia que pertence à pessoa jurídica (a pessoa jurídica que será lesada no seu patrimônio). Objeto Jurídico: É o interesse tutelado pela norma. por ex. .: crimes contra a família). latrocínio. art. mas não é necessário que o seqüestro seja do diretor.: denunciação caluniosa. podendo ser a ela imputada falsamente a prática de um crime). no homicídio – o sujeito passivo e o objeto se confundem na mesma pessoa. CP – protege a honra do inocente e a regularidade das atividades da Administração Pública.Crimes de dupla objetividade jurídica: crimes em que o tipo penal protege mais de um objeto jurídico (tem pluralidade de bens jurídicos). roubo. não é Direito Penal. caput. No crime de furto. o sujeito passivo é o dono do objeto. 231. c) Segundo uma terceira corrente a pessoa jurídica não pode ser vítima de crimes contra a honra (nenhum).Direito Penal – LFG – Intensivo I Sujeito Passivo do Crime: É a pessoa ou o ente que sofre as conseqüências da infração penal. e art. . estão no título “Crimes contra a pessoa”. .: art. estupro qualificado pela morte. que atinge a dignidade e o decoro – honra subjetiva (sendo que a pessoa jurídica não a tem). em que se exige que a vítima seja mulher).. 213 – estupro.Existe crime sem objeto material? A doutrina cita dois delitos que não possuem objeto material: ato obsceno e falso testemunho. em que a vítima é o filho recém nascido. CP – seria um exemplo de crime carente de objeto jurídico (porque não tem violência. pessoa jurídica pode ser vítima apenas de difamação (é a corrente majoritária).Pessoa jurídica pode ser vítima de extorsão mediante seqüestro? Sim. . Nenhuma das duas correntes admite que pessoa jurídica seja vítima de injúria. difamação e injúria)? a) Segundo uma primeira corrente. É adotada por Mirabete. b) Segundo uma segunda corrente. . Alice Bianchini diz que o crime de tráfico internacional de pessoas (comércio sexual) – art.Pessoa jurídica pode ser vítima de crime contra a honra (calúnia. Ex. não há prática de prostituição ainda – o tipo pune um comportamento sem se preocupar com um bem jurídico). Quem? Pode ser qualquer pessoa física ou jurídica. Objeto Material: É a pessoa ou coisa sobre a qual recai a conduta criminosa.: violação de correspondência – são vítimas o destinatário e o remetente. o tipo penal exige. pode ser vítima de calúnia e difamação (se admitindo que pessoa jurídica pratica crime (ambiental). A prof.Crimes vagos: crimes cujo sujeito passivo é indeterminado (ex. Mas não é o posicionamento da doutrina em geral. pode ser de qualquer pessoa. sob o argumento de que os arts. Pode se confundir com o sujeito passivo do crime. . entendendo-se que “pessoa” ali empregada é só a pessoa física. o objeto material é o próprio objeto. como.

Humanos Fatos . O DP só está interessado nos fatos humanos indesejados que consistam numa conduta produtora de um resultado (nexo causal) que se ajuste formal e materialmente (tipicidade) a um tipo penal. está desprovida de dolo e culpa (que são espécies da culpabilidade). O Direito Penal é seletivo (fatos da natureza dos quais não participam o homem não interessam para o DP).Da natureza . Os fatos podem ser humanos ou da natureza. Conceito material: varia de acordo com o conceito analítico de crime que se adota (do Causalismo até a Teoria Funcionalista de Jakobs).: a conduta.indesejados. para o Causalismo.indesejados → conduta – resultado – nexo – tipicidade Daí derivam os substratos do crime (segundo Bettiol). . e a conduta pertence ao fato típico. Da conjugação dos três substratos nasce a punibilidade. FATO TÍPICO: . resultado. Conduta é ação consistente num movimento humano voluntário que causa modificação no mundo exterior. consistente numa conduta produtora de um resultado que se ajusta formal e materialmente a um tipo penal. Vejamos: a) Para a Teoria Causalista. Ele é subsidiário e fragmentário. Também chamados de elementos ou requisitos do crime. Nem todos os fatos humanos indesejados interessam ao DP. norteado pelo Princípio da Intervenção Mínima. ilícito e culpável. o crime tem um terceiro substrato que é a culpabilidade. O primeiro substrato do crime é o Fato Típico. que é uma conseqüência jurídica. Obs.Direito Penal – LFG – Intensivo I TEORIA DO CRIME: SUBSTRATOS DO CRIME: Lembramos que inúmeros são os fatos que ocorrem no mundo. nexo causal e tipicidade: 1) CONDUTA:   Conceito analítico: é elemento do fato típico.desejados . a conduta/tipo é objetiva. . não admitindo qualquer valoração. Existem fatos humanos desejados e indesejados.Conceito material: fato típico é um fato humano indesejado. . O DP é norteado pelo Princípio da Intervenção Mínima. crime é um fato típico. O segundo é a ilicitude.Conceito analítico: é o primeiro substrato do crime. Os desejados não interessam ao DP. Para a maioria. → Elementos do Fato Típico: conduta. primeiro requisito ou elemento do crime. Críticas: 42 .

em que há inação.a conduta. sendo também frágil quanto aos crimes omissivos. Obs2.ignora a presença de elementos subjetivos do tipo.o finalismo só explica o crime doloso. 59: “o juiz. no mais são idênticos (inclusive quanto ao conceito de conduta). e não mais espécies. Crítica: a teoria não é clara quanto ao significado da expressão “socialmente relevante”. Obs. Quem traz esta discussão bem explicada é Francisco de Assis Toledo.: continua desprovida de dolo e culpa (estes são requisitos. ilícito e culpável. Reconhece a presença de elementos normativos. 154. ignorando o desvalor do resultado. adotando a estrutura do finalismo. pois tem base causalista. crime tem 3 substratos: fato 43 . para o Finalismo. tendo como fundamento a redação do art. ilícito e culpável (volta a ser um conceito tripartite). abrangendo o crime omissivo. Críticas: . eu sou o vidente”. A única diferença está no conceito e na natureza jurídica da culpabilidade. E conduta continua integrando o fato típico. Já se vê na conduta para onde se dirigiu o comportamento. “Comportamento humano voluntário causador de modificação no mundo exterior”. Obs. é elemento subjetivo do tipo). ficou contraditória quando reconheceu elementos normativos e subjetivos do tipo. não mais neutra. como queria o causalismo). . 299. A conduta. Segundo ela.o causalismo ignora elementos normativos do tipo.partindo de conceitos naturalistas.: dolo e culpa integram a conduta. O finalista diz: “o causalista é cego. onde não há intenção. CP – “sem justa causa”). o crime também é fato típico. É uma teoria contraditória. é frágil quanto ao crime culposo.o finalismo centralizou sua teoria no desvalor da conduta. que tem base causalista. deixa de ser concebida como mero processo causal para ser enfocada como exercício de uma atividade finalista (exercício vidente). . conduta é conceituada como comportamento humano socialmente relevante. expressando uma valoração negativa da lei. Obs. já que há tipos que têm elementos normativos que precisam ser valorados. f) Para o Funcionalismo Teleológico ou Moderado (de Roxin). sendo mero pressuposto de aplicação da pena.2: reconhece elementos objetivos. mas reconhece elementos normativos do tipo (indo de encontro às premissas de sua base). a vontade do agente.1: o dolo e a culpa migram da culpabilidade para o fato típico.: art. crime também é fato típico. e) Para a Teoria Social da Ação. a conduta continua integrando o fato típico. normativos e subjetivos. CP – “com o fim de prejudicar direito”. porém. voltam a ser analisados na culpabilidade (acabam trazendo também um grau de reprovação). mas houve uma corrente que se tornou bipartite. elementos da culpabilidade. O finalismo nasceu tripartite. atendendo à culpabilidade (. que é a grande diferença em relação à teoria finalista. para esta teoria.Direito Penal – LFG – Intensivo I . Há quem diga que o nosso CPB adotou esta teoria. b) Para o Neokantismo. . Crítica: .. não abrange os crimes omissivos.: art. c) Para o Finalismo. e o crime está despido da culpabilidade.dolo e culpa na culpabilidade. Obs3.. O tipo penal não é constituído somente de elementos objetivos (ex. Conduta.: admite elementos não objetivos no tipo. o crime é fato típico e ilícito. por ser movimento. mas discorda quanto ao conceito material de conduta. é ação ou omissão.: Prefere comportamento ao invés de ação. d) Para o Finalismo Dissidente. . Conduta: “Movimento humano voluntário psiquicamente dirigido a um fim”. Obs1. entendendo-se como tal dolo e culpa. crime continua sendo fato típico.)”. ilícito e culpável. dolo e culpa estão na culpabilidade (ex.

não obedece a norma.trabalha com política criminal. como forma de submeter a dogmática penal aos fins específicos do direito penal. Segundo a doutrina majoritária. violador do sistema. . também. mas sim com o império do sistema. Surge o “Direito Penal do Inimigo”. crime continua sendo fato típico. A conduta está no fato típico. g) Para o Funcionalismo Sistêmico ou Radical (de Jakobs). a partir de 1970. com o que é lei. . ilicitude e reprovabilidade. orientada pelo Princípio da intervenção mínima. diferencia-se de Roxin.a preocupação de Jakobs não é mais com a lesão ao bem jurídico. o respeito ao sistema – quem não respeita o sistema posto. não reconhece a aplicação de princípios gerais não positivados (não aplica o Princípio da Insignificância e política criminal. conduta é a causação (provocação) de um resultado evitável. pois não admite. ilícito e culpável e a conduta se encontra. causador de relevante e intolerável lesão ou perigo de lesão a bens jurídicos tutelados. sua conseqüência.: . . Obs. .Jakobs só trabalha com o que está positivado. Para Jakobs. .Direito Penal – LFG – Intensivo I típico. Função preventiva geral da pena. Crítica: a reprovabilidade não é elemento. Se a pena for necessária.Direito Penal do Inimigo Características: 1) Antecipação da punibilidade com a tipificação de atos preparatórios (incrimina meros atos preparatórios). assim. substrato do crime e sim. .reduz direitos e garantias fundamentais. Porque não é positivado). frustrando as expectativas normativas ou comportamento humano voluntário violador do sistema.a doutrina de Jakobs serve a estados totalitários. não ao indivíduo. como por ex. É exatamente nos fins que se diferenciam ambos os funcionalismos. é um inimigo. Funcionalismo Teleológico (Roxin) Preocupa-se com os fins do direito penal. Reprovabilidade = imputabilidade + potencial consciência da ilicitude + exigibilidade de conduta diversa + necessidade da pena. Busca a proteção de bens jurídicos indispensáveis Busca a reafirmação da autoridade do direito. Leva em consideração somente as necessidades do sistema. Obs. Norteia-se em finalidades de política criminal. consiste no comportamento humano voluntário. ai então se analisa a culpabilidade. que deixou de pertencer ao crime e passou a ser limite da pena. por isso se fala em “Direito Penal do Inimigo”. 44 . Admite a aplicação de princípios gerais não positivados (não expressos na lei). no Brasil.dolo e culpa permanecem no fato típico. norma. frustrando as expectativas normativas. pode acabar exumando (fazendo ressurgir) estados totalitários.: dolo e culpa permanecem no fato típico. a preocupação de Roxin é somente com a proteção de bens jurídicos (esta é sua finalidade principal). Para Roxin. Funcionalismo Radical (Jakobs) Preocupa-se com os fins da pena. O Funcionalismo surgiu na Alemanha. no fato típico. Crítica: . conduta. 2) Desproporcionalidade das penas. havendo limites. Trabalha com imputação objetiva do resultado. pune-se a formação da quadrilha ou bando.direito penal tem como finalidade proteger bens jurídicos indispensáveis à convivência social. o Princípio da Insignificância.

São elas: (☺Zaffaroni) I) Caso fortuito ou força maior: exclui a voluntariedade do movimento. por ser uma veia do direito penal do inimigo. predomina o Finalismo Dissidente (bipartite) – cuidado com os concursos! .O Código Penal Militar é causalista – dolo e culpa estão na culpabilidade (art.Direito penal de 1ª velocidade: pena privativa de liberdade. CRIME DOLOSO: . Ex. salvo defensoria.Concurso público em SP. em cima desse denominador comum é que estudaremos agora as causas de exclusão da conduta (as hipóteses de exclusão da conduta excluem a conduta pouco importando a teoria adotada). I. 18. 4) Criação de tipos de perigo abstrato. 6) Restrição de garantias penais e processuais (direito penal de 3ª velocidade. É um denominador comum.  Espécies de conduta: a) dolosa ou culposa. impondo-se penas sem observância de garantias penais e processuais). Regime Disciplinar Diferenciado. .  Assim.Notar que a expressão “movimento humano voluntário” é uma constante em todas as teorias. que deixa de ser dominável pela vontade – obs.Direito penal de 3ª velocidade: (2 eras mais moderno) imposição de penas sem garantias penais e processuais. Dolo e culpa estão intimamente ligados à voluntariedade do crime. STF não tem admitido crime de perigo abstrato. .Dentre essas 7 teorias supra apresentadas. na doutrina e jurisprudência brasileira ainda prevalece o Finalismo Clássico (tripartite). III) Atos reflexos: exclui a voluntariedade do movimento.Direito Penal – LFG – Intensivo I 3) Criação de tipos de mera conduta. o movimento deixa de ser voluntário. IV) Estado de inconsciência: sonambulismo e hipnose (pois não há vontade dominando o movimento). Ex.Previsão legal: art.: o ato reflexo proposital . CP – quando o agente quis o resultado ou assumiu o risco de produzi-lo. Surgiu com o pós-guerra. inclusive.: a coação moral irresistível exclui a culpabilidade. Eras do direito penal (o direito penal varia conforme o seu inimigo): . Direito reducionista: reduz direitos e garantias fundamentais. II) Coação física irresistível: exclui a voluntariedade do movimento – obs. Dizem que. leis dos crimes hediondos. . 5) Surgimento das chamadas “leis de luta ou de combate”. etc. Surgiu quando o mundo estava mais calmo. provocado não exclui a conduta. Surgiu na era do terrorismo. porém corrigido na reprovabilidade (dever-se-ia retirar a reprovabilidade e retornar à culpabilidade). 33).Direito penal de 2ª velocidade (1 era mais moderno): direito penal das penas alternativas. Conclusões: .A doutrina moderna trabalha com o funcionalismo teleológico de Roxin. arma desmuniciada para o STF não é crime. crimes omissivos próprios. MP/MG trabalha com o funcionalismo teleológico. Aplicada no Brasil: violação de domicílio. b) ação (crime comissivo) ou omissão (crime omissivo). Atenção para a defensoria pública da União! . 45 . é a teoria adotada por nosso código. .

Crítica: é uma teoria muito ampla. c) Teoria do Consentimento ou Assentimento: ocorre dolo toda vez que o agente prevê o resultado como possível e. Dolo direto ou determinado: configura-se quando o agente prevê o resultado. Mistura dolo eventual e culpa consciente. não busca realizar resultado certo e determinado. 46 . b) Teoria da Representação: ocorre dolo toda vez que o agente prevê o resultado como possível e. a liberdade da vontade não é elemento do dolo (conduta é movimento voluntário e não movimento livre e voluntário). o agente quer o resultado delitivo como conseqüência de sua própria conduta. 18. Dolo alternativo: o agente prevê uma pluralidade de resultados. ainda assim. Há diferentes intensidades de vontade. Há a mesma intensidade de vontade de provocar um ou outro resultado. → Teorias do Dolo: a) Teoria da Vontade: dolo é a vontade consciente de querer praticar a infração penal – adotada no Brasil quando se fala em “dolo direto” (querer o resultado – art.: dolo não se confunde com mero desejo – no dolo. assumindo o risco de produzi-lo (era o que faltava para deixar de abranger a culpa consciente) – adotada no Brasil para o chamado “dolo eventual” (assumir o risco de produzir o resultado – art. Se a vontade não é livre. → Elementos do dolo: 1. 2. Dolo eventual: o agente prevê uma pluralidade de resultados.elemento volitivo: vontade (querer ou aceitar) 2. pessoa prevê lesão e homicídio. a culpa consciente.1. Crítica: a vontade não precisa ser livre (este conceito está ultrapassado!). 2. dirigindo sua conduta na busca de um ou de outro. → Espécies de Dolo: 1. Ex. pessoa prevê homicídio e busca realizar homicídio. 2ª parte). aceitando produzir o outro. ainda assim. Ex. No desejo. dirigindo a sua conduta na busca de realizar esse mesmo resultado.Direito Penal – LFG – Intensivo I → Conceito de dolo: É a vontade livre e consciente dirigida a realizar (ou aceitar realizar) a conduta prevista no tipo penal incriminador. com sua conduta. É gênero e tem duas espécies: 2. A liberdade do movimento é matéria da culpabilidade. espera o resultado delitivo como conseqüência de conduta alheia ou evento alheio (no desejo o resultado não é conseqüência da conduta).2. 1ª parte). Dolo indireto ou indeterminado: o agente. Ex. porém dirige sua conduta na realização de um deles. mas também assume o risco da morte. quer produzir lesão. 18. prevê lesão corporal ou homicídio e dirige sua conduta para lesão corporal ou homicídio. decide continuar agindo. decide continuar a conduta. abrange algo que não é dolo. há excludente de culpabilidade.elemento intelectivo: consciência (previsão) Obs. vontade + livre = dolo + culpabilidade (interfere na exigibilidade de conduta diversa) vontade (sem “livre”) = dolo sem culpabilidade Dolo só tem 2 elementos: vontade e consciência.

Resultado não diretamente querido: Incerto. a intenção do agente é matar. desnecessário. para ele. OBS. Ex. Ex.: caso dos Nardone: casal estrangula filha e pensando que já estava morta a joga pela janela. Dolo de 1º grau: é sinônimo de dolo direto. É uma espécie de erro de tipo acidental.: dolo geral pressupõe o início da execução. mas sim possível (eventual) e. Mero ato preparatório não configura crime. realiza outro não diretamente visado.: segundo LFG. coloca bomba no avião. não isentando o agente de pena. O dolo genérico é o dolo. atualmente. Dolo antecedente. não se aplica mais. pois no dolo de 2º grau o resultado não diretamente querido é necessário para se alcançar a finalidade buscada. Dolo cumulativo: o agente pretende alcançar dois resultados em seqüência. É um caso de progressão criminosa. 10. a Teoria da Representação foi adotada no dolo de 2º grau (o agente prevê o resultado e não pára de agir). 12. a intenção é periclitar a vida de outrem). Dolo subseqüente. Dolo de dano: a vontade do agente é causar efetiva lesão ao bem jurídico tutelado. nós adotamos as 3 teorias: teoria da vontade no dolo direto. pessoa quer matar desafeto. 9. Portanto. ☺ aula de erro de tipo Obs. Dolo genérico: o agente tem vontade de realizar a conduta descrita no tipo penal sem um fim específico. teoria do assentimento no dolo eventual e teoria da representação no dolo de 2º grau. pessoa quer ferir e depois matar. quando eu falo em bem jurídico vida. 5. Dolo concomitante. com relação ao desafeto agiu com dolo de 1° grau.: esta última classificação (dolo genérico ou específico) está ultrapassada. e o dolo específico é o dolo acrescido de elementos subjetivos do tipo. mas necessário para alcançar o fim último. 11. indicando a finalidade especial. ainda. com relação aos demais agiu com dolo de 2° grau. Eventual (possível) e Desnecessário. 6. 8. Esquema: Dolo de 2º grau: Dolo eventual: Resultado não diretamente querido: Certo e Necessário. 132. Dolo de 2º grau (ou necessário): o agente. Ex. Ex. Dolo geral (ou erro sucessivo): ocorre quando o agente supondo já ter alcançado um resultado por ele visado pratica nova ação que efetivamente o provoca. 7. 13. Dolo específico: o agente tem vontade de realizar a conduta descrita no tipo penal buscando um fim específico. aí é que a menina morre. 4. O homem médio também imaginaria que ela estava morta. Dolo antecedente Dolo concomitante Dolo subseqüente 47 .: não se confunde com dolo eventual. Dolo de perigo: a vontade do agente é apenas expor a risco o bem jurídico tutelado (ex. Obs. se fala em dolo com ou sem elemento subjetivo do tipo (“com o fim de”).Direito Penal – LFG – Intensivo I 3. para alcançar o resultado querido.: art. Dolo de propósito: é um dolo refletido – nem sempre majora a pena. Obs. CP – exposição da vida ou saúde a perigo. enquanto no dolo eventual o outro resultado não é necessário. Dolo de ímpeto: é um dolo repentino – configura atenuante de pena (sempre). Assim.

Está despido do elemento normativo (consciência atual da ilicitude). o dolo migra somente com a consciência e vontade (migra despido do elemento normativo). Dolo normativo: dolo adotado pela Teoria Psicológica Normativa da Culpabilidade (de base Neokantista). para esta teoria. mas deixou de ser atual para ser potencial (potencial consciência da ilicitude). de vontade e de atual consciência da ilicitude (este 3° elemento é um elemento normativo). 14. Tem base Finalista. dolo normativo e culpa. Posterior à conduta. a ter como elementos: imputabilidade. só divergindo daquela no tratamento de certas discriminantes putativas. então. em regra. A culpabilidade passa. CP. Espécies: não tem. A culpa migra completa. b) vontade. Elementos: imputabilidade. e c) consciência atual da ilicitude (elemento normativo). 28. O dolo do bêbado é analisado no momento em que ele estava bebendo (anterior à conduta). cogitação. Mas há uma exceção. do profano. É elemento da culpabilidade e tem como requisitos: a) consciência. exigibilidade de conduta diversa. O elemento normativo que pertencia ao dolo tornou-se elemento da própria culpabilidade. na culpabilidade continuamos encontrando o dolo e a culpa. pune-se somente o dolo concomitante. exigibilidade de conduta diversa. Espécies: dolo e culpa. assim. É uma hipótese de dolo antecedente punível. a culpabilidade tem como espécies o dolo e a culpa. é o dolo natural. ou seja. portanto: a imputabilidade. mas não mais atual e sim potencial (potencial consciência da ilicitude).Direito Penal – LFG – Intensivo I Antecede a conduta. É o dolo normativo. É mera Presente ao tempo da conduta. mas estes não são espécies da culpabilidade (ela é uma coisa só. 15. Dolo e culpa migraram para o Fato Típico. A consciência e vontade em momento anterior ou posterior à ação não interessa. em que não há dolo na conduta. Elementos: imputabilidade. tão somente os elementos naturais.“Valoração Paralela na esfera do profano”: quer dizer que o dolo normativo se analisa não sob a ótica de um jurista. ☺Quadro de análise da Culpabilidade: Teoria Psicológica da Culpabilidade Tem base causalista. o qual passa a integrar a própria culpabilidade. não encontramos mais o dolo e a culpa na culpabilidade. Não há mais elemento normativo. Dolo natural: é o dolo adotado pela Teoria Normativa Pura da Culpabilidade (de base Finalista).☺art. assim. e dolo e culpa. e como elemento a imputabilidade. É idêntica à extremada. 48 . Teoria Psicológica Normativa da Culpabilidade Teoria Normativa Pura (ou Extremada) da Culpabilidade Teoria Limitada da Culpabilidade . Integra o Fato Típico e tem como elementos a consciência e a vontade. Tem base Neokantista (e este parte do causalismo). mas sim sob a ótica do leigo. mas a vontade e a consciência anterior basta: embriaguez voluntária e completa (teoria da “actio libera in causa”) . O dolo. não se divide). a exigibilidade de conduta diversa e a potencial consciência da ilicitude. é constituído de consciência. Os elementos da culpabilidade são. No Brasil. II.

18. ☺art.2: Quanto à Mutatio Libelli – antes da Lei 11.Resultado: não há crime culposo sem resultado naturalístico. 384. com nova redação. basta que o médico a prescreva. que é indispensável) – não pode ser formal ou de mera conduta. ofício ou profissão. o MP tem que aditar a denúncia se for o caso de substituir a imperícia pela imprudência. Ocorre que existem exceções. aponta-se negligência. No Brasil. A imprudência e imperícia são antecedidas pela negligência.Conduta humana: ação ou omissão. todo crime culposo é material (que é o crime em que o tipo penal é composto de conduta e resultado naturalístico. II. CP: “Diz-se o crime culposo quando o agente deu causa ao resultado por imprudência. Assim.Parte da doutrina diz que o tipo de dolo deve interferir na pena. caso contrário será inepta. Nova Lei de Drogas (Lei 11.343/06). . sem modificação no mundo exterior. 33. na modalidade “prescrever”. Obs.Previsão legal: art. Obs.: a denúncia tem que apontar e descrever a modalidade de culpa. o dolo direto deveria ser mais severamente punido que o dolo eventual.719/08. (25/03/09) 3. por este conceito. Na dúvida. como. 38. por exemplo. c) imperícia: falta de aptidão técnica para o exercício de arte. basta que o paciente 49 . ☺art. CPM: conceito de crime culposo (pode ser usado nas provas abertas com consulta à legislação seca). O inimputável sofre sanção penal. que é formal. II. isto é. principalmente em se tratando de dolo direto e eventual. Agora. tem dolo. mas que foi por ele previsto (culpa consciente) ou lhe era previsível (culpa inconsciente). É aqui que são analisadas as modalidades de culpa (formas de violação).Pergunta: o inimputável tem dolo? O doente mental. a mutatio só existe com aditamento. por ex. 2. e que podia ser evitado se o agente atuasse com o devido cuidado. dispensando o resultado naturalístico – o crime se consuma antes mesmo do paciente fazer uso da medicação. negligência ou imperícia”. e a mutatio com aditamento (quando a pena era superior à original).. De acordo com esta corrente. tem consciência e vontade dentro do seu precário mundo valorativo. o art.Violação de um dever de cuidado objetivo: o agente atua em desacordo com o que esperado pela lei e pela sociedade. com a nova lei. Assim. A doença mental não exclui o fato típico e sim a culpabilidade. → Conceito: Consiste numa conduta voluntária que realiza um fato ilícito não querido ou aceito pelo agente.Direito Penal – LFG – Intensivo I . inimputabilidade é excludente da culpabilidade e não da tipicidade. A imprudência e imperícia são espécies da negligência. → Elementos da Culpa: 1. da espécie medida de segurança. por exemplo. que são: a) imprudência: afoiteza. pouco importando a nova pena. b) negligência: falta de precaução. ou seja. havia a mutatio sem aditamento (quando a nova pena não era superior à original). CRIME CULPOSO: .

contudo. o resultado naturalístico é indispensável. → Espécies de crimes culposos: a) Culpa consciente: o agente. porque neste caso o agente tem mais do que previsibilidade. só se pune a modalidade dolosa. 6. Há um tipo de crime culposo. O exaurimento é considerado na pena. 4. 50 . tem que estar expressamente prevista em lei . mas esse resultado é mero exaurimento. onde há efetivo conhecimento do crime. homicídio.Previsibilidade: o resultado deve ter sido abrangido pela previsibilidade do agente. existe esta crítica ao crime culposo. Crime: tipos completos e tipos incompletos.Nexo de Causalidade entre conduta e resultado 5. Ex. apesar de prever o resultado.Direito Penal – LFG – Intensivo I tome contato com a receita.☺art. Nos delitos culposos. portanto é dispensável. em que o juiz deve valorar o caso concreto). Assim. dependendo de complementação judicial durante a análise do caso concreto. já que ele retira o critério da certeza exigível pela legalidade. extorsão. para ser punida. Os crimes culposos são feitos mediante lei. Para combater este argumento fala-se que o tipo culposo traz o mínimo de determinação necessário para obedecer ao Princípio da Legalidade.. Não se confunde com previsão. Não tem como o legislador prever todas as hipóteses de conduta culposa. a ação do tipo não está determinada legalmente. Ex. Ex. “abertos”. ele tem uma margem que fica a critério do juiz valorar. O tipo penal descreve mera conduta. No silêncio. não há crime sem lei anterior. prevalece que o crime culposo obedece ao mínimo de determinação necessária.Tipicidade: a regra é punir-se somente crime doloso. ou seja. sem resultado naturalístico. Desta forma. 18.B. Crime material Crime formal ou de consumação antecipada Crime de mera conduta O tipo penal descreve conduta + resultado naturalístico. estrita. violação de domicílio. tem efetiva previsão (o agente efetivamente tomou conhecimento do perigo). que não tem este elemento: a culpa consciente. Mas será que o crime não fere o princípio da taxatividade? Apesar de haver doutrina (minoritária) ensinando que o tipo aberto fere o princípio da taxatividade.U. O crime culposo é espécie de tipo “aberto”.P. ele dá o mínimo de determinação e o juiz complementa. P. acreditando que o resultado não ocorrerá ou que pode evitá-lo com suas habilidades (é a culpa com previsão). certa e necessária. Sem esse resultado não há consumação. escrita. decide prosseguir com a conduta. deve estar presente a possibilidade de o agente conhecer o perigo. Os incompletos dependem de complemento normativo ou valorativo: N. O tipo penal descreve conduta + resultado naturalístico. O único doutrinador que citou essa exceção foi Flávio Monteiro de Barros. são escritos.Pergunta: Crime culposo é constitucional? Fere o Princípio da Legalidade? Segundo o Princípio da Legalidade. respeitam a anterioridade. estritos. a culpa. por isso. (complemento normativo) e tipo aberto (complemento valorativo. . ou seja. CP. Seus tipos são.

por erro. §1º. c) Culpa própria: é aquela em que o agente não quer e não assume o risco de produzir o resultado. 20. evitável. É gênero do qual são espécies a culpa consciente e a culpa inconsciente. É. Apesar de a ação ser dolosa. CP (“. Ocorre quando o agente pratica um crime distinto do que havia 51 Previsão/Consciência Previsão Previsão Previsão .: homicídio qualificado. É uma espécie de crime agravado pelo resultado. Ex.. CP. Mas a culpa concorrente da vítima pode atenuar a responsabilidade do agente. § 4°. racha: os tribunais superiores vêm decidindo que racha é dolo eventual (prova do CESPE). . o agente responde por culpa por razões de política criminal. 19.Previsão legal: art.: homicídio no trânsito (culposo) qualificado pela omissão de socorro (art. Sinônimos de culpa imprópria: culpa por extensão.Direito Penal – LFG – Intensivo I b) Culpa inconsciente: o agente não prevê o resultado. entretanto.Espécies de crime agravado pelo resultado: 1ª) crime doloso agravado dolosamente: ex. naquelas circunstâncias. constituído de dolo no antecedente e culpa no conseqüente. ☺art. ☺art. 121.. em razão disso. → Conceito: Crime preterdoloso é uma espécie de crime agravado pelo resultado.. 59. ☺Quadro Sinóptico: Vontade Dolo Direto Querer Dolo Eventual Assume o risco de produzir Culpa Consciente Não querer/não assumir/ não aceitar/acreditar poder evitar Culpa Inconsciente Previsibilidade Não quer / não assume o risco de produzi-lo Atentar para a diferença entre o dolo eventual e a culpa consciente. 2ª) crime culposo agravado culposamente: ex. qualquer outra pessoa.”). 4ª) crime doloso agravado culposamente: ex. portanto.: incêndio culposo qualificado pela morte culposa. provoca intencionalmente um resultado ilícito. CRIME PRETERDOLOSO: . que está no campo da vontade e não da consciência. supondo estar agindo acobertado por uma excludente da ilicitude (descriminante putativa). mas com previsibilidade). CP: “Pelo resultado que agrava a pena só responde o agente que o houver causado ao menos culposamente”. 2ª figura). . era objetiva e subjetivamente previsível. d) *Culpa imprópria: é aquela em que o agente.. Se o erro for inevitável não há crime. poderia prever a ocorrência daquele resultado (é uma culpa sem previsão. que.É também chamado de Crime Preterintencional. Neste caso. fantasia certa situação de fato. (ver livro do Greco sobre este ponto). 3ª) crime culposo agravado dolosamente: ex. uma conseqüência de uma descriminante putativa por erro evitável.: lesão seguida de morte – somente esta 4ª espécie é que é considerada crime preterdoloso. → Compensação de culpas: existe no Direito Penal brasileiro? A culpa concorrente da vítima se compensa com a culpa do agente? Não! No Direito Penal não existe compensação de culpas. e. segunda parte. culpa por assimilação ou culpa por equiparação.bem como ao comportamento da vítima.

lesão seguida de morte (isso seria analogia in malam partem). Resultado diverso do pretendido (art. O agente responde só pela lesão. Sobre o objeto b. 74) e.Nexo causal entre conduta e resultado (= art. Atenção: é imprescindível que o resultado mais grave seja culposo! Se o resultado mais grave é fruto de caso fortuito ou força maior. Essencial (não há consciência) a. 73) d. §3º . Ex. ficando a contravenção absorvida. CP) c. ou presunções legais). decorrência de negligência. a vítima cai. → Elementos do Preterdolo: (Ex. bate a cabeça numa mesa e morre.Previsão legal: art. O resultado não foi fruto de culpa. dá um soco.2: se o agente está num tatame. 20. Empurrar não é lesionar. Entende-se por erro de tipo aquele que recai sobre as elementares (causa de atipicidade absoluta ou relativa). agravantes. 129. advindo resultado mais grave. justificantes ou qualquer dado que se agregue a determinada figura típica. É um misto de dolo (na conduta) e culpa (no resultado). 20. Empurrar é vias de fato (mera contravenção). 3. Ex. Ex.Conduta dolosa visando determinado resultado (= a lesão).3*: se o agente só empurrou e a vítima caiu. CP). Inevitável: exclui dolo/culpa (não há previsibilidade) b. Sobre o nexo causal . 52 . bateu a cabeça e morreu. Acidental a. 2. Vias de fato seguida de morte não configura o crime do art. O resultado não pode ser imputado ao agente (não era previsível). É lesão corporal seguida de morte (está numa sala cheia de mesas. o agente responderá apenas pela lesão e não pela morte (a morte não poderá ser imputada ao agressor).: de crime: lesão corporal seguida de morte). local próprio para brigas. Erro de tipo: 1.Provocação de resultado culposo mais grave do que o originalmente projetado (= morte). da um chute na vítima que cai e bate a cabeça num prego (coisa que não é comum num tatame) e morre. Evitável: exclui dolo. imprudência ou imperícia.Direito Penal – LFG – Intensivo I projetado cometer. ( é punível por culpa) 2. CP. Na execução (art.Conceito: É a falsa percepção da realidade. 129. Vias de fato seguida de morte configura homicídio culposo. Quanto à pessoa (art. 1. era previsível que isso podia ocorrer). §3. circunstâncias do crime (podendo excluir causas de aumento. ERRO DE TIPO: .1: se o agente quis ferir. § 3°.

se prevista em lei. o grau de instrução. e se exclui a previsibilidade. No erro de tipo essencial. que podem interferir na evitabilidade ou inevitabilidade do erro. Nesse caso. O erro de proibição é a falsa percepção da ilicitude do comportamento.1ª corrente: trabalha com o homem médio (homem de diligência mediana).1: sai de uma festa. há culpa.2: o marido quer manter conjunção carnal com a esposa. . porque existe previsibilidade. se o homem médio pudesse evitar. Se previsível ao homem médio. etc. Evitável (inescusável): exclui consciência e permanece a previsibilidade – se exclui a consciência. o marido a constrange acreditando que não era uma atitude ilícita (pensou que estava no seu direito): erro de proibição. era evitável. há 2 correntes: . decorrência da má representação do objeto. em qualquer hipótese exclui o dolo. já no erro evitável há culpa. É a corrente que predomina na doutrina moderna. exclui a culpa – assim. Inevitável (escusável): exclui consciência e previsibilidade – se exclui consciência.Direito Penal – LFG – Intensivo I . pois não há previsibilidade. se não pudesse. não há vontade. Conseqüência: a. Ex. . Se eu falo de erro. a ilicitude. O agente sabe o que faz. mas acabo furtando um relógio de latão. caçador acha que estava matando um animal. mas mata um homem. Trabalha com as circunstâncias do caso concreto. No erro de tipo acidental.Previsão legal: não existe. Para decidir se o erro é evitável ou inevitável.2ª corrente: aponta que é difícil descrever um homem médio. que não quer.Erro de Tipo x Erro de Proibição: O erro de tipo é a falsa percepção da realidade. percebi que não era o meu: erro de tipo. Não existe previsão. corrige o erro e continua agindo ilicitamente. acidentais. O erro inevitável exclui também a culpa. O agente percebe a realidade. também exclui o dolo. mas desconhece sua proibição. o agente faz sua conduta recair sobre coisa diversa da pretendida. secundários do tipo. exclui o dolo. Prevalece entre os doutrinadores clássicos. era inevitável. mas permanece a previsibilidade (a culpa permanece) – punese a modalidade culposa. Ex. se alertado. o agente pára de agir. portanto. Ex. Sobre o objeto: .Ex. No erro de tipo o agente não sabe o que faz. ao chegar em casa.Conceito: representação equivocada do objeto material coisa.. portanto. b. Ou seja. b) Acidental: Recai sobre dados periféricos. 53 . O erro de tipo acidental se divide em 5 espécies: 1. peguei um guarda-chuva e. o agente. é uma criação doutrinária. . o agente não responde nem por dolo e nem por culpa. se avisado.Espécies de Erro de Tipo: a) Essencial: Recai sobre dados principais do tipo. Deve-se levar em conta a idade. . exclui o dolo. quero subtrair um relógio de ouro.

Conceito: o agente. §3º). eu miro o meu pai. . Nesse erro o agente representa equivocadamente alguém. 73. . Obs. Eu executo bem um alvo mal representado – eu respondo por parricídio (homicídio do pai). mas responde pelo crime em relação à pessoa visada.Quando.Conceito: representação equivocada do objeto material pessoa. Art. Erro na execução ( aberratio ictus): . atingida e não a pretendida.. atingindo pessoa diversa da pretendida. não isenta o agente de pena. Espécies de aberratio ictus: Por acidente: A vítima pode ou não estar no local. SOMENTE DE REPRESENTAÇÃO). à sua falta de habilidade. 70. mesmo tendo matado o tio! .Previsão legal: art. representando equivocadamente a pessoa que entra na casa.: o objeto material se divide em coisa e pessoa – assim. o agente responde pelo crime. 73 . não isenta de pena. Obs. Quanto à pessoa: . por acidente ou erro no uso dos meios de execução. §3º. Suas conseqüências são: não exclui dolo. que se postava ao lado do meu pai. Ex. porém. CP – é chamado pela doutrina de aberratio ictus.: filho que mira no pai. mato seu irmão gêmeo (NÃO HÁ ERRO DE EXECUÇÃO. não exclui culpa.Obs. . o agente responde pelo crime considerando a coisa efetivamente lesada. mas as espécies são diferentes.Direito Penal – LFG – Intensivo I .: Zaffaroni discorda. Não há erro na execução.Previsão legal: art. não isenta de pena. se a questão perguntar sobre o erro quanto ao objeto material (que é a coisa ou pessoa sobre a qual recai a conduta criminosa) é preciso falar do erro quanto ao objeto e quanto à pessoa (e não só quanto ao objeto!).Ex. porém. Se atingida também a pessoa visada. apesar de corretamente representada. mas acaba acertando o tio (erro relacionado à falta de perícia do agente). 3. quero matar meu pai. Atentar para a espécie acidente. As conseqüências são as mesmas.: a doutrina moderna divide a aberratio ictus em duas espécies: por acidente ou por erro no uso dos meios de execução. pretendida (vítima virtual). CP O agente representa bem e executa mal. Diferenças: nos dois casos o agente atinge pessoa diversa. Art. concurso formal de delitos (art. CP. 20. não exclui culpa. CP O agente representa mal e executa bem..: mãe envenena a comida pretendendo matar o marido.Conseqüência jurídica: é dada pela lei – não exclui dolo.Ex. mas: Art. CP). §3º.Conseqüência jurídica: não exclui dolo nem culpa. entendendo que o agente deve responder pelo crime considerando a situação que melhor beneficiar ao réu (aplicação do princípio do in dubio pro reo). mas o filho come a comida e morre. 20. visada (o juiz pode aplicar o princípio da insignificância). por inabilidade minha acabo atingindo o meu vizinho. o agente responde pelo crime. por acidente ou erro (. porém. 20. atinge pessoa diversa da pretendida. Por erro no uso dos meios de execução: A vítima está no local. 2. 54 . 73. Ex. já que não há previsão legal.Conseqüência jurídica (solução que se dá para esta espécie de erro): é dada pela doutrina. O erro está ligado à falta de perícia do agente. . e não a efetivamente atingida. considerando-se também a vítima virtual (mesma conseqüência do art.). . .

Eu quero matar um investigador da polícia civil. num muro. CP). CP: Tem-se um resultado igual ao pretendido. Respondo como se eu tivesse atingido a vítima virtual. porém. 74. acaba por atingir o motorista. por ex. 70. o agente responde pelo resultado diverso do pretendido a título de culpa (pelo resultado efetivamente provocado). . 20. O agente atinge o mesmo bem jurídico (pessoa – pessoa).Conceito: o agente. porém. porém. . Invertendo o exemplo acima: eu quero matar o motorista. Art. Se provocar também o resultado pretendido. não exclui culpa e não isenta de pena. porém. é uma criação doutrinária. mas mato agente federal – houve erro na execução (art. porém com outro nexo. O sujeito responde pelo resultado considerando a vítima pretendida. É a chamada aberratio criminis. No exemplo. O agente atinge bem jurídico diverso (coisa – pessoa). CP: Tem-se um resultado diverso do pretendido.: o agente quer danificar o veículo do seu desafeto. a doutrina é que trouxe a solução para esse caso. o art. 4. CP se o resultado produzido é menos grave (bem jurídico menos valioso) que o resultado pretendido. Não exclui dolo. Aberratio ictus é um instituto do direito penal e não do direito processual penal. se existir a figura culposa. ferindo bem jurídico de natureza diversa. Diferenças entre as duas figuras: Art.Previsão legal: não existe. por erro na execução atinjo a viatura.Direito Penal – LFG – Intensivo I OBS. visando produzir determinado resultado mediante certo nexo causal. 74 (01/04/09) 5. 74. §3º ou art. que se divide em duas espécies: I) erro sobre o nexo causal em sentido estrito: o agente. que é seguida pela jurisprudência (caso contrário. porém. um tiro que não acerta seu alvo sempre vai parar em algum lugar. No entanto. Coisa – coisa → erro sobre o objeto Pessoa – pessoa → art. acaba por produzir o resultado visado. o agente deve responder pela tentativa do resultado pretendido não alcançado. que vem a falecer. o agente responderá pelo resultado diverso do pretendido a título de culpa. assim como o art. sob pena de prevalecer a impunidade.). O processo penal para fins de competência trabalha com a vítima real. concurso formal de delitos (art. . . 73. responde por homicídio culposo.Conceito: o agente. por erro na execução.Previsão legal: art. com nexo diverso. com um resultado diverso. Alerta Zaffaroni não se aplicar o art. É também uma espécie de erro na execução. Este erro é o chamado aberratio causae. afinal. Resultado diverso do pretendido: . Portanto. CP). O CP não prevê essa hipótese. Neste caso. produz o resultado visado. 73. 73 Coisa – pessoa / pessoa – coisa→ art. Não isenta de pena. a tentativa branca jamais seria punida. CP.Conseqüência jurídica: não isenta de pena. Ex. mediante um só ato. 74 trata também de erro na execução. provoca resultado diverso do pretendido. mas com bens jurídicos diversos (o resultado pretendido é diverso do efetivamente conseguido). Erro sobre o nexo causal ( aberratio causae): .: o agente empurra uma pessoa para que ela 55 . 74. por acidente ou erro no uso dos meios de execução.Ex. o crime será processado na JF e não na JE. 73.

Ex. Aberratio criminis: resultado diverso do pretendido. . responde por homicídio). e acaba atingindo uma pessoa. No restante são totalmente diversos. produz o resultado visado. O agente ignora a ausência de uma elementar (ex. pensando que ela já está morta.Direito Penal – LFG – Intensivo I caia no mar e morra afogada. 3ª) O agente responde pelo crime considerando o nexo mais benéfico (in dubio pro reo. Na doutrina. Aberratio ictus: erro na execução. mediante conduta desenvolvida em dois ou mais atos. O agente pratica um fato atípico sem querer. Delito Putativo por Erro de Tipo: O agente não sabe o que faz (falsa percepção da realidade). Não é caso de responsabilidade penal objetiva porque o dolo se dirige ao resultado e o resultado é atingido. pensando estar viva. quando esta cai ao chão vem a morrer (é diferente do caso da Isabela Nardone. mas qual nexo será considerado? O pretendido ou o efetivo? Dependendo do nexo pode gerar uma qualificadora. Ex.: o agente atira em um arbusto pensando ser um animal. Há 3 correntes: 1ª) o agente responde pelo crime considerando o nexo pretendido. 2ª) o agente responde pelo crime considerando o nexo efetivo (real). O agente imagina estar agindo licitamente (ex. afastando a responsabilidade objetiva.1: o agente esgana o pescoço da filha querendo matá-la e. Ex. ignora a ausência de alguém).2: o agente atira em pessoa que já estava morta. Para aqueles que não a diferencia. jogo o corpo no mar. suficiente para a provocação do resultado desejado (o agente. e acaba atingindo um animal. ERRO DE SUBSUNÇÃO: 56 . porém. aceita qualquer meio para atingir o fim). atirar contra um animal). São institutos absolutamente opostos. deve-se considerar o nexo que prejudica menos o réu . Mas esta é a única semelhança entre eles. O agente ignora a presença de uma elementar (ex. Ex. atirar contra uma pessoa). II) dolo geral: o agente. vindo a morrer afogada.Zaffaroni).Conseqüência jurídica: é a doutrina que traz – o erro não exclui dolo nem culpa.2: atiro na vítima e imaginando estar morta. de modo geral.: o agente atira em um arbusto pensando ser uma pessoa. O agente imagina estar agindo ilicitamente (ex. para evitar a responsabilidade penal objetiva. Erro de Tipo: O agente não sabe o que faz (falsa percepção da realidade). antes que ela caia no mar. ou seja. ignorava a elementar alguém). o agente responde pelo crime considerando o resultado provocado (queria matar. não isenta o agente de pena. . a jurisprudência é muito pobre de exemplos. aberratio causae é erro sobre o nexo causal. Aberratio causae: dolo geral. Há doutrina que não diferencia o nexo causal em duas espécies. O agente pratica fato típico sem querer. e não o produzido. porque naquele caso o promotor afirmou que quando a menina foi jogada pela janela o autor do fato sabia que ela ainda estava viva). ela bate a cabeça numa pedra e morre por traumatismo craniano.Erro de Tipo x Delito Putativo por Erro de Tipo: Nos dois casos o agente não sabe o que faz. a joga pela janela e. Ex. prevalece a 2ª corrente. com nexo de causalidade diverso.

. podendo o erro gerar. notificar. 66. A enfermeira não responde por nada e o médico responde por homicídio doloso. guardar etc. etc. não isenta de pena. o que a norma proíbe.Conceito: no erro de tipo.Previsão legal: art. pois não há falsa percepção da realidade. O agente interpreta equivocadamente o sentido jurídico do seu comportamento. provocado). ERRO PROVOCADO POR TERCEIRO: . responde por crime doloso. Ex.. mas ao erro de subsunção (questão do MP). MP denuncia por falsidade de documento público. É uma situação absolutamente oposta à anterior. AÇÃO (CRIME COMISSIVO): O crime comissivo está descrito num tipo proibitivo.1. a enfermeira aplica a injeção e o paciente morre. CP). . Se o condenado alega que não sabia que era equiparado a documento público. OMISSÃO (CRIME OMISSIVO): O crime omissivo está previsto num tipo mandamental. pessoa falsifica cheque (Banco Itaú). Art. quem determina o erro culposamente. o agente deixa de agir de acordo com o que determinado por lei (inação).Direito Penal – LFG – Intensivo I O Erro de Subsunção não configura nem erro de tipo e nem erro de proibição! Previsão legal: é uma criação doutrinária. Já no erro determinado por terceiro. O enganado. é erro de tipo ou erro de proibição? Não se enquadra a nenhum deles.2: o agente ignora o conceito de funcionário público para fins penais: jurado pede dinheiro. por si só. o agente infringe um tipo proibitivo (ação). § 2°. 20.Conseqüência jurídica: quem determina o erro dolosamente. No crime omissivo. CP. CP: equiparação. A enfermeira a aplica e mata o paciente. que é um tipo através do qual o Direito Penal protege bens jurídicos proibindo algumas condutas desvaliosas (ex.). o agente erra por conta própria. No crime comissivo.” → crime omissivo próprio ou puro. faz aquilo que a lei não quer. . não tem previsão legal. §2º. se não age com dolo nem culpa. portanto. vez que o agente sabe da ilicitude do seu comportamento. há uma terceira pessoa que induz o agente a erro (trata-se de erro não espontâneo e sim. São tipos penais que têm a expressão “deixar de. responde por crime culposo (hipótese de autoria mediata).1: o médico quer matar o paciente. . Ex. Configura a regra no CP. mas não sabe que é funcionário público para fins penais e pratica.Conceito: não se confunde com o erro de tipo. .2: o médico negligentemente prescreve injeção errada. uma atenuante inominada (art. o agente responde pelo crime. no máximo. Ex. ou seja. 57 . sobre interpretações jurídicas errôneas. Trata-se de erro que recai sobre valorações jurídicas equivocadas.Conseqüência jurídica: é trazida pela doutrina – não exclui dolo nem culpa. subtrair. matar. A norma mandamental (manda agir) pode decorrer: a) do próprio tipo penal: o tipo penal descreve a omissão. que é o tipo através do qual o Direito Penal protege bens jurídicos determinando a realização de condutas valiosas (socorrer. Ex. Também não se confunde com erro de proibição. falsificar.). 297. Nas duas hipóteses o médico age como autor mediato. engana a enfermeira e troca a ampola da injeção. corrupção. constranger. fica isento de pena.

mas o prof. mas sim um dever especial de evitar o resultado. O tipo penal traz as duas espécies de comportamento. e este dever não é genérico. Para encaixar a omissão em um dos dois tipos deve se verificar se o omitente se encaixa no art. 13. Para que a omissão se ajuste à ação.Art. CRIME DE CONDUTA MISTA: É um crime que reúne as duas espécies de comportamento. 169.Natureza jurídica: uma realidade onde falta a causalidade. 58 . comissivo). . ☺art.. 13. b): responde por homicídio culposo. Destes últimos é que se ocupa o DP. Crime Omissivo Próprio: . Crime Omissivo Impróprio: . há quem entenda que se trata de crime omissivo puro. O omitente impróprio é um garante ou garantidor e responde não por omissão de socorro. se não enquadrar: omissão própria. Se enquadrar: omissão imprópria. 13. mas por homicídio. o DP quer punir o agente pelo que ele faz e não pelo que ele é (Princípio da Materialização dos fatos). descorda. se preocupa com fatos humanos. § 2°. não se preocupa com fatos da natureza dos quais não participam o homem. O DP é seletivo.Existe uma subsunção indireta. o dever de evitar o resultado deriva de cláusula geral (art. A omissão não está descrita no tipo.: dever de agir no socorro do próximo).Não existe um mero dever de agir. P. 13. CP: apropriação indébita previdenciária (recolhe contribuição – conduta comissiva e deixa de repassar à previdência – conduta omissiva). 13.Apropriação indébita de coisa achada (art. . . CP). § 2°. Ação seguida de omissão – mas aqui há divergência na doutrina. professora levou 2 alunos para conhecer uma caverna. §2º. o agente responde por crime comissivo. o dever de agir deriva da própria norma mandamental. . §2º.Natureza jurídica: ausência de ação esperada. ou seja. mas recai sobre pessoa especial. § 2°. A omissão está descrita num tipo incriminador. Os fatos humanos podem ser desejados ou indesejados. CP).Direito Penal – LFG – Intensivo I b) de uma cláusula geral: o dever de agir está descrito em norma geral. 13. Exemplos: . II.Admite tentativa (pois responde por um tipo conduta). atinge a todos indistintamente. Apesar da omissão.Existe um dever genérico de agir. é um dever de solidariedade humana (ex. o agente responde pelo crime como se o tivesse praticado por ação (tipo comissivo). Ex. 168-A. O agente responde penalmente porque não evita o resultado que estava obrigado a evitar. A omissão se ajusta perfeitamente ao tipo penal. não no tipo. Revisão: O Direito Penal se preocupa com os fatos.U.Não admite tentativa (são delitos de mera . É endereçado a personagens especiais referidos no art. O tipo descreve uma ação. § 2°. . A omissão da professora é imprópria (art. . ação e omissão. CP → crime omissivo impróprio ou impuro. eu preciso passar 1° pelo art. Ela não vigiou os meninos e um deles caiu e morreu.Existe uma subsunção direta (fato/norma).

dolo/culpa e ação/omissão). ou seja. o DP é norteado pelo Princípio da Intervenção Mínima. resultado. Agora passaremos ao estudo do Resultado e do Nexo Causal. nexo causal e tipicidade. 59 . O Fato Típico é constituído de conduta. espécies. Já estudados a conduta (conceitos.Direito Penal – LFG – Intensivo I Ademais. ele é subsidiário e fragmentário. tipicidade e culpabilidade. Esta é a introdução para qualquer dissertação sobre fato típico.

o tipo congruente é. e o crime formal o dispensa. influenciada pelo funcionalismo) para a tipicidade formal (mera operação de ajuste fato/norma). a diminuição patrimonial nos crimes contra o patrimônio etc. resultado. No crime formal. O crime de mera conduta não tem. pelo qual se quer constranger + enriquecimento e o legislador se contenta com o mero constrangimento. 196. Ex. nexo causal e tipicidade)? 1ª corrente: o resultado que integra o fato típico é o resultado naturalístico. No momento de se analisar a tipicidade material (valoração da conduta e resultado) analisa-se o resultado normativo. não exigindo o enriquecimento do agente. extorsão mediante seqüestro. 155. nexo. Tipo incongruente: há incongruência entre os elementos objetivos e subjetivos do tipo.: art. Assim. Ex. Assim. ao contrário. Não há crime sem resultado normativo. 2ª corrente: (mais moderna. art. 3) Qual espécie de resultado integra o fato típico (conduta. por isso este crime é chamado também de crime de consumação antecipada. interessa resultado naturalístico. Ex.Direito Penal – LFG – Intensivo I 2) RESULTADO: Espécies: a) Resultado Naturalístico (ou material): da conduta do agente resulta alteração física no mundo exterior (a morte no homicídio.: extorsão (☺Súm. Crime: Material: Formal: De Mera Conduta: O tipo penal descreve: Conduta + Resultado Naturalístico indispensável Conduta + Resultado Naturalístico dispensável Uma mera conduta Questões: 1) Todo crime tem resultado naturalístico? Não. A conseqüência é a necessidade de diferenciação entre fato típico de crime material (conduta. por ex.: O crime formal é um crime de tipo incongruente. o que será considerado pelo juiz na fixação da pena. aquele em que há uma congruência entre os elementos subjetivos e objetivos do tipo. Obs. subjetivamente o agente quer mais do que objetivamente se exige – ex. e o resultado naturalístico é indispensável para a sua consumação.). 60 . Classificação do crime quanto ao resultado: 1) Crime material: o tipo penal descreve uma conduta mais um resultado naturalístico. STJ). a consumação é antecipada para o momento da conduta. resultado. 121. crimes contra a honra. 2) Todos os crimes têm resultado normativo (lesão ou perigo de lesão ao bem jurídico tutelado)? Sim. nem todos os crimes geram alteração no mundo exterior. b) Resultado Normativo ou Jurídico: da conduta do agente resulta lesão ou perigo de lesão ao bem jurídico tutelado. etc. 213. Ocorrendo o resultado naturalístico que é dispensável. estaremos diante de um mero exaurimento. resultado. art.: violação de domicílio. 2) Crime formal: o tipo penal descreve conduta mais um resultado naturalístico que é dispensável. etc. todos têm conduta. tipicidade) e fato típico de crime não material (conduta e tipicidade). não tem resultado naturalístico..: crime de extorsão. nexo e tipicidade. 3) Crime de mera conduta: o tipo penal descreve uma mera conduta. O que a doutrina majoritária entende é que o resultado é o normativo.

Importante: O art. CP. Atenção: Para ser causa. é dizer. O que é causa? Aplicando-se a teoria da equivalência dos antecedentes causais. deve-se pegar o resultado e analisar todos os comportamentos pretéritos e ver qual deles foi ou não imprescindível para o resultado. todas as causas concorrentes se põem no mesmo nível de importância. Persistindo. mas eles não agem com dolo ou culpa. A relação de causalidade está presente em todos os crimes (é requisito essencial do fato típico)? 1ª corrente: parte da premissa que o resultado que integra o fato típico é o material. morte (venefício). não é causa. 61 . .Delito de tendência interna transcendente de resultado cortado: o resultado naturalístico dispensável depende de comportamento de terceiros alheios à execução. não deixa de ser uma espécie de delito formal). o aplicador deve proceder à eliminação da conduta do sujeito ativo para concluir pela persistência ou desaparecimento do resultado. portanto. nos crimes materiais e com nexo normativo em todos os delitos. 2) compro bolo (causa). 4) tomo suco de laranja (não é causa). não são responsáveis). ligando conduta ao resultado normativo. somente crime material possui nexo causal. por isso. 5) sirvo o bolo para a vítima (causa). é aquele crime em que você quer mais do que o legislador exige (e. 2ª corrente (fundamento funcionalista): trabalha com nexo material. Mas como saber se a conduta foi ou não determinante para a produção do resultado? A Teoria da Equivalência dos Antecedentes Causais sozinha não é suficiente. 159. generalizando as condições. equivalendo-se em seu valor (Teoria da Equivalência dos Antecedentes Causais ou Conditio Sine Qua Non). sabe-se que para saber o que é causa. Ex. Ex. 13. 3) misturo o bolo com veneno (causa). Ex.: art. O CP trata da relação de causalidade no art. como um fato. A responsabilidade exige dolo/culpa. Mas isso não significa que a pessoa seria responsável por aquilo do qual foi causador. 13. ao sujeito ativo. A causalidade simples pode regressar ao infinito (uma eliminação atrás da outra. Para saber o que é causa aplica-se a Teoria da Equivalência dos Antecedentes Causais + Teoria da Eliminação Hipotética dos Antecedentes Causais. ilicitude e culpabilidade. CP adotou a chamada “Causalidade Simples”. inserindo-se na sua esfera de autoria por ter sido ele o agente do comportamento.Delito de tendência interna transcendente atrofiado de 2 atos: o resultado naturalístico também dispensável depende de novo comportamento do agente. objetivamente. .Direito Penal – LFG – Intensivo I Delito de tendência interna transcendente: é uma espécie de delito de intenção. 3) NEXO CAUSAL: Conceito de Relação de Causalidade: O nexo causal é vínculo entre conduta e resultado. desaparecendo. 1) compro veneno (causa). decorreu da ação e se pode ser atribuído. O estudo da causalidade busca concluir se o resultado. Se foi imprescindível. É preciso somá-la à Teoria da Eliminação Hipotética dos Antecedentes Causais – no campo mental da suposição e da cogitação. até o infinito) – o que seria um absurdo (o pai e a mãe do agente são causa. é causa. Portanto. bastaria um nexo físico.: moeda falsa. é causa. caput.

É exatamente contra esse regresso ao infinito que surge a Imputação Objetiva. apenas acrescenta. Para LFG. Obs. decorrente da causalidade simples. evitando que ela regresse ao infinito. a responsabilidade. não há causa. por sua vez. A causalidade psíquica é que impede o regresso ao infinito. encontra limites. Se um desses elementos não existe. 3) Criada para se contrapor aos dogmas da teoria da equivalência. A causa regressa ao infinito. A causalidade objetiva regressa ao infinito. A causa depende tão somente do nexo físico. 2) Aplica-se a imputação no comportamento e no resultado. É este último que vai limitar a causa. dolo/culpa. portanto. “Tia Boleira” (no caso do homicídio “Tia Boleira”: é causa objetiva do resultado. Somente depois disso é que se analisará a responsabilidade (dolo/culpa. O nome correto seria Teoria da Não imputação objetiva. a partir daí já se pode analisar a responsabilidade. É um corretivo do nexo causal. b) realização do risco no resultado: a exigência de que o resultado esteja na linha de desdobramento causal normal da conduta. Não venefício): é causa objetiva do resultado. não há nexo normativo e. ilicitude e culpabilidade). Conclusões: 1) A imputação objetiva é uma análise que antecede a imputação subjetiva (quer evitar a análise de dolo e culpa). ilicitude e culpabilidade. para limitá-la a fim de que ela não regresse ao infinito. Assim: insurgindo-se contra o regresso ao infinito. Imputação Objetiva Causalidade objetiva . OBS.Nexo causal (físico) A causa exige a análise não apenas do nexo físico.Dolo/culpa. Não há nexo normativo (fazer o bolo não cria risco não será responsabilizada porque não há permitido). a Teoria da Imputação Objetiva enriquece a relação de causalidade acrescentando o nexo normativo. 4) Uma vez concluída pela não imputação objetiva.Direito Penal – LFG – Intensivo I Causalidade objetiva (nexo causal) + causalidade psíquica (dolo/culpa) = responsabilidade pelo fato (imputação do crime). composto de: a) criação ou incremento de um risco não permitido (não tolerado pela sociedade). afasta-se o fato típico. na análise da causa. pois objetiva não imputar o fato ao agente. a criação ou incremento de um risco não permitido deve ser analisado na tipicidade material (é um corretivo da tipicidade). um novo filtro. A Imputação Objetiva não substitui a teoria do nexo causal. que é formada pelo dolo/culpa. b) Realização do risco no resultado (resultado na linha de desdobramento normal da conduta).Nexo normativo: a) Criação ou incremento de risco não permitido (não tolerado pela sociedade).Nexo causal (físico) (Mera relação de causa/efeito). .Dolo/culpa . mas também do nexo normativo. erigindo uma relação de causalidade jurídica ou normativa. 62 . Finalismo (Causalidade Simples) Causalidade objetiva . Causalidade psíquica Causalidade psíquica: .

às 19:00 hs está envenenando C B.Direito Penal – LFG – Intensivo I (08/04/09) Concausas: Pluralidade de causas concorrendo para a produção do mesmo evento. O tiro não se originou direta ou indiretamente do envenenamento. responde por homicídio. A responde por tentativa. chega às 19:00 hs e dá um tiro em C C morre em razão do tiro Se C morre em razão do tiro. CONSUMAÇÃO. o *Superveniente: a causa efetiva é posterior à causa concorrente (art. TENTATIVA. Ex. é claro. o Concomitante: a causa efetiva se dá no mesmo momento que a causa concorrente. Assim. São concausas absolutamente independentes. • Relativamente independentes: a causa efetiva do evento se origina direta ou indiretamente da causa concorrente. para evitar a responsabilidade penal objetiva. o Concomitante: a causa efetiva se dá no mesmo momento que a causa concorrente. A causa efetiva do resultado é pré-existente (o veneno ocorreu antes do tiro). Ex. o Superveniente: a causa efetiva é posterior à causa concorrente. 63 . 2: A. 13. mas viu outra causa concorrendo com o resultado que ele almejava. um não sabe da presença do outro. que concorreu.: A quer matar C. § 1°. Esta é a primeira conclusão. CP). tem como conseqüência a punição a título de tentativa. TENTATIVA. A causa efetiva do resultado morte (veneno) é absoluta ou indiretamente dependente do tiro? Não. concausa absolutamente independente pré-existente. às 19:00 hs deu veneno para C B. 1: A. O tiro é concomitante ao envenenamento. → Conseqüências: Ex. B responde pelo homicídio. estamos diante de concausas absolutamente independentes. também nas concausas absolutamente independentes concomitantes o segundo agente também responde por tentativa. Disso resulta que B responde por homicídio tentado. TENTATIVA. Mas e A? A causa efetiva da morte foi o tiro. C morre em razão do veneno. o Pré-existente: causa efetiva anteceder a causa concorrente. às 20:00 hs deu um tiro em C C morreu às 21:00 em razão do veneno O tratamento para A é indiscutível: responde por homicídio. A dá um tiro e B emprega veneno. São concausas concomitantes. Portanto. B também quer matar C. Assim. Esta é a primeira conclusão. mas como responsabilizar A? O estudo das concausas serve para analisar qual o tratamento será dado ao agente responsável pela causa concorrente. As concausas podem ser divididas em: • Absolutamente independentes: a causa efetiva do evento não se origina direta ou indiretamente da causa concorrente. O estudo das concausas serve para B. CONSUMAÇÃO. B. mas atentar para o entendimento da jurisprudência: se não tiver conhecimento da causa efetiva (hemofilia) responde por tentativa. o Pré-existente: causa efetiva anteceder a causa concorrente.

13. produziu o resultado. A facada (causa concorrente) desencadeou uma doença que B já tinha. 13. Conclusão: se relativamente independentes. Tratam-se de concausas relativamente independentes. Resultado Causa concorrente II) que não por si só produziu o resultado: o resultado encontra-se na linha de desdobramento causal normal da causa concorrente. A concausa é absolutamente independente e superveniente. pré-existentes ou concomitantes. que exclui a imputação quando. O fato é atípico. O art. 3: A. porém. a doença não teria causado a morte. CP (até então era o art. É o exemplo trazido pela doutrina.causalidade simples). É a que mais cai em concurso! I) que por si só produziu o resultado: o resultado sai da linha de desdobramento da causa concorrente. então a concausa é pré-existente. 6: é o caso do art. por si só. é uma concausa relativamente independente concomitante. não se esperava outra linha causal (não se trata de algo imprevisível. §1º. Da conduta. 4: A dá uma facada em B (a facada por si só não é capaz de matar) B era hemofílico B morre porque é hemofílico. O agente responde por tentativa. em função de hemorragia anormal A causa efetiva não foi a facada e sim a hemofilia. Ex. O agente responde por consumação. §1º só existe para explicar a concausa relativamente independente superveniente. absurdo). caput – teoria da equivalência dos antecedentes . às 19:00 hs envenenou C. Ex.Direito Penal – LFG – Intensivo I Ex. A responde por homicídio consumado. Conclusão: toda concausa absolutamente independente gera punição a título de tentativa (não importa se pré-existente. evitando-se a responsabilidade penal objetiva. Da conduta esperava-se uma determinada linha causal. que foi se deitar Às 20:00 hs ocorreu uma queda de um lustre na cabeça de C C morreu às 21:00 de traumatismo craniano A causa efetiva da morte foi o traumatismo craniano. A jurisprudência moderna diz: responde por homicídico consumado desde que saiba que a vítima era hemofílica. Mas ainda assim há concausas (envenenamento concorrendo com a queda do lustre). 5: A dá um tiro em B B vê a bala vindo em sua direção e enfarta antes da bala o atingir B morre em razão do enfarto. Segundo a doutrina. se não tivesse conhecimento responderia por tentativa. Ex. 13. Assim. B já era hemofílico. mas é absurdo. concomitante ou superveniente). A responde por tentativa. 64 . Se não houvesse a facada. terá como conseqüência a consumação. Está-se diante de um evento previsível. e ela tomou outra. é um evento imprevisível ao agente. O resultado será a punição a título de consumação.

A causa efetiva foi o erro médico. Na verdade.crime omissivo impróprio (impuro): o dever de agir é para evitar um resultado concreto.Direito Penal – LFG – Intensivo I Causa concorrente Resultado Exemplos: A dá um tiro em B. mera atividade). A dá um tiro em B. portanto o agente responde pela consumação. fosse a conduta do agente. (Ex. para a maioria da doutrina.crime omissivo próprio (puro): há somente a omissão de um dever de agir. A concausa aqui também é relativamente independente superveniente. B é internado no hospital. O erro médico é posterior. mas as causas são relativamente independentes. prevalece que a infecção hospitalar se equipara a erro médico (não por si só produz o resultado) – responde por consumação. A partir do art. a vítima não teria ido para o hospital. dispensando. 13. mas como não o impediu. segundo a qual. É um evento imprevisível que sai da linha de desdobramento causal normal de um tiro. Ou seja. via de regra. o vínculo é jurídico. o tipo penal não está preocupado com o resultado. Aqui há a atividade omitida e o resultado. 65 . consoante as regras de experiência comum. não é naturalístico (do nada não pode vir nada). Até a relativamente independente concomitante trabalha-se com a causalidade simples (art. O erro médico é superveniente que não por si só produziu o resultado. 13. o sujeito não causou. B morre de infecção hospitalar. a mais adequada à produção do resultado ocorrente. Neste caso. B vai para o hospital. Causalidade nos crimes omissivos: Pergunta: Existe nexo causal em crime omissivo? Para responder a esta pergunta é importante saber que existe dois tipos de crimes omissivos: . portanto. A responde por tentativa. Para concursos (especialmente CESPE). A concausa é relativamente independente superveniente. omissão de socorro. B morre em razão do esmagamento pelo teto. Obs. exigindo. §1º. Esse nexo. conseqüentemente. A responde por consumação. imposto normativamente. adquirindo uma linha autônoma. a relação de causalidade naturalística (são delitos de mera conduta. não é uma situação previsível. a simples omissão do dever de agir configura o crime). CP não se trabalha mais com Causalidade Simples e sim com a chamada “Causalidade Adequada”. § 1° é a gênese da imputação objetiva no Brasil (nexo normativo – resultado no desdobramento normal da conduta). isto é. caput). é a nomenclatura dada por Zaffaroni. a presença de nexo causal entre conduta omitida (e esperada) e o resultado concreto. . B vai para o hospital. Estamos diante de um crime de resultado material. é equiparado ao verdadeiro causador do resultado (estamos diante de um nexo de não impedimento). Segundo a causalidade simples: se retirar o tiro. No hospital ocorre um erro médico B vem a falecer em função do erro médico. Não havia possibilidade de se conhecê-la. Ocorre que a queda do teto não está na linha de desdobramento normal da conduta. No hospital o teto cai em cima de B. é o nexo existente entre a conduta omitida e o resultado nos crimes omissivos impróprios. no conjunto das causas. somente haverá imputação do fato se. 13. Está na linha de desdobramento causal normal da conduta. no entanto. A dá um tiro em B. Aqui há divergência na jurisprudência.: Nexo de evitação: é sinônimo de nexo de não impedimento. O art.

A maioria da doutrina afirma que ele é funcionalista. lesão ou perigo de lesão ao bem Material + Atos jurídico tutelado). que se compõe da conduta. ou seja. ele mesmo se afirma finalista. Tipicidade Conglobante (Zaffaroni) Crime: Crime: FT FT .Tipicidade penal = tipicidade formal (operação de ajuste fato/lei incriminadora).Resultado. Formal + Tip.Resultado.Tipicidade penal . . .Nexo. Crime: Fato Típico: . . O fato praticado. A doutrina brasileira diverge se Zaffaroni é funcionalista ou finalista. Formal . passando a ser a tipicidade formal + tipicidade material.Conduta. A tipicidade conglobante é uma tipicidade material + atos antinormativos.Conduta . que deixou de ser uma mera operação de ajuste.Atos antinormativos 66 . continuamos a ter a conduta. O atual estágio da tipicidade. É um finalista que já falava em tipicidade conglobante.Direito Penal – LFG – Intensivo I 4) TIPICIDADE: Teorias Tradicionais Crime: FT . Antinormativos). Tipicidade material. Doutrinas + Modernas No passado. O pai desta corrente é Zaffaroni. . Dentro do crime. . tipicidade penal era sinônimo de tipicidade formal. . Material (relevância da + Tip. Tipicidade penal era apenas e tão somente tipicidade formal. é a relevância da lesão ou perigo de lesão ao bem jurídico tutelado. é: crime = fato típico. Assim. No entanto.Nexo . o resultado. Atos antinormativos: atos não determinados ou não incentivados por lei.Tipicidade Conglobante .Resultado . o nexo causal e a tipicidade penal. Isso foi evoluindo. e mais precisamente dentro do fato típico. contudo.Tipicidade penal = Tip. nada mais era do que uma subsunção fato / lei incriminadora. . se ajustado à lei. já configurava fato típico. do nexo causal e da tipicidade penal.Tipicidade material + .Nexo. que atualmente é a tipicidade formal + tipicidade conglobante.Conduta.Tipicidade Formal + . . Conglobante (Tip.Conduta. do resultado. . por sua vez. uma mera operação de ajuste. O pai desta evolução foi Roxin. Começou-se a falar na tipicidade material com o funcionalismo.Tipicidade penal = Tip.Nexo.Resultado. Os atos antinormativos são os atos não determinados ou não incentivados por lei.

face à resistência do dono dos bens. tolerados e. 3) Juiz expede a seguinte ordem: realizar constrição de certos bens. portanto. 2) Subtração de caneta big: conduta se ajusta ao art. Formal). continuam como excludentes da ilicitude e não da tipicidade. 157.: o art. O delegado é o senhor da tipicidade formal e não da tipicidade material. pressupondo norma de extensão. Esta (tipicidade penal) tem como requisitos a tipicidade formal (operação de ajuste) e tipicidade conglobante (constituída de tipicidade material e antinormatividade do ato). CP (tip. tolerados. 155. Material).: A legítima defesa e o estado de necessidade não são atos incentivados pelo Estado. CP (tip. pois são atos normativos (que excluem a tipicidade conglobante. sendo necessário recorrer à uma norma de extensão (art. Conceito de Tipicidade Conglobante: Trata-se de um corretivo da tipicidade penal. por isso. b) Tipicidade Formal Indireta: o ajuste fato / lei incriminadora se dá de forma mediata. De acordo com Zaffaroni. a lei não obrigou e nem incentivou a realizar o furto (ato antinormativo). Conseqüência: O estrito cumprimento de um dever legal e o exercício regular de um direito incentivados deixam de excluir a ilicitude (como antes se pensava). há insignificância na conduta (não há tipicidade material). estamos diante de uma adequação mediata. lesão relevante ao patrimônio (tip. CP (concurso de pessoas) também é uma norma de extensão. ocorre a adequação imediata. II estende a incriminação no tempo e. espera-se de um ordenamento jurídico “ordem”.Direito Penal – LFG – Intensivo I Exemplos: 1) Subtração de um lep-top: conduta se ajusta ao art. Oficial de justiça realiza a constrição de bens mediante força policial.: o art. como atos meramente permitidos. e. Material). assim. 29. Ex. é chamada de norma de extensão temporal. que. por ato antinormativo entende-se aquele não determinado ou incentivado por lei. o ECDL e ERD incentivado deixam de excluir a ilicitude e migram para o fato típico. Formal). OBS. exclui a tipicidade conglobante e. Obs. passando a excluir a própria tipicidade penal. o Princípio da Insignificância exclui a tipicidade material. O art. Espécies de Tipicidade Formal: A Tipicidade Formal pode se dar de duas formas: a) Tipicidade Formal Direta: o ajuste fato / lei incriminadora se dá de forma imediata. CP (tip. Por isso. O art. Segundo este entendimento. isto é. os vários ramos do direito determinando e incentivando os mesmos comportamentos (é uma incoerência o direito penal julgar típico comportamento que outros ramos determinam ou incentivam). II – tentativa) para que haja essa adequação. se excluída. 14. Formal). a lei não obrigou e nem incentivou a realizar o furto (ato antinormativo). oficial agiu determinado por lei (ato normativo). 121 pune “matar alguém” – A matou B e este fato se adequou imediatamente à lei incriminadora. a própria tipicidade penal. 14. Conduta se ajusta ao art. isto é. 155. Ex. lesão relevante ao patrimônio (tip. isto é. mas sim permitidos. e este fato não se adequa imediatamente à lei incriminadora. 67 . Por tipicidade material entende-se a relevância da lesão ou perigo de lesão ao bem jurídico tutelado e. Analisando a tipicidade conglobante. o delegado não pode deixar de autuar em flagrante com base na tipicidade material (esse é o entendimento que prevalece). a própria tipicidade penal). pois são considerados atos normativos. 121 pune “matar alguém” – A tentou matar B.

?? 68 . §2º também traz uma norma de extensão chamada causal.Direito Penal – LFG – Intensivo I chamada norma de extensão pessoal. para os crimes omissivos impróprios. O art. 13.

e ilicitude existe por si só. presume-se.: art. São institutos absolutamente autônomos. elementos implícitos. aceitarmos o Tipo Total do injusto. o FT só permanece típico se ilícito. estrito cumprimento do dever legal e exercício regular do direito” (Merkel). porém por caminhos diversos. ensina que o ônus da prova é da acusação (FT/ilicitude/culpabilidade). Os elementos negativos. É aqui que nasce o “tipo total de injusto”. sem implicações mútuas. Paulo Rangel.Elementos negativos (implícitos): não devem ocorrer para que o fato permaneça típico. 4ª) Teoria dos Elementos Negativos do Tipo: alcança a mesma conclusão da anterior. Conclusão: cabe ao réu comprovar causa excludente da ilicitude. A ilicitude confirma a tipicidade. são. CP – os elementos positivos são “matar alguém”. aceitássemos o Tipo Total do injusto. adotou-se a teoria da ratio cognoscendi. Se. pois. FT e ilicitude não têm implicação nenhuma. A tipicidade conglobante não traz a LD e o EN. salvo se em legítima defesa”: traz para a tipicidade todas as descriminantes. será o MP quem terá que comprovar a excludente de ilicitude. o FT presume relativamente a ilicitude. inexistindo qualquer exceção determinando. Os elementos positivos são os que devem ocorrer para que o fato seja típico. quem deve provar que o fato não é ilícito é o réu.Direito Penal – LFG – Intensivo I ILICITUDE: → Conceitos de Ilicitude: a) Conceito Analítico: ilicitude é o segundo substrato do crime (lembrar que quem fala em substratos do crime é Bettiol). seria o MP quem teria que comprovar a excludente de ilicitude. pois elementos explícitos. Para a doutrina. Se afirmarmos que o FT presume ilicitude. todo tipo penal é constituído de elementos positivos e de elementos negativos. a tipicidade não gera qualquer juízo de valor no campo da ilicitude. “É crime matar alguém. se desaparecer a ilicitude o fato típico permanece (Mayer) → é a Teoria que prevalece. a tipicidade gera indícios de ilicitude. 121. FT existe por si só. trata-se de conduta típica não justificada. b) Conceito Material: por ilicitude ou antijuridicidade entende-se a relação de contrariedade entre o fato típico (e não o mero fato – atenção!) e o ordenamento jurídico como um todo. O fato só será típico. que ele também é ilícito. no entanto. Se um desaparecer. por sua vez. . são elementos que não devem ocorrer para que o fato seja típico.Elementos positivos (explícitos): têm que ocorrer para que o fato seja típico. Há 4 correntes: 1ª) Corrente da Autonomia ou da Absoluta Independência: para esta corrente. sendo. Tipo penal: . “Teoria da Identidade” (Mezger). Para esta corrente. Obs. relativamente. Se. estado de necessidade. → Relação Tipicidade x Ilicitude: Francisco de Assis Toledo fala sobre princípios básicos de direito penal e é quem melhor explica essa relação. 2ª) Corrente da Indiciariedade ou da Ratio Cognoscendi: por esta teoria. Comprovando que o fato é típico. Em resumo. 69 . Ex. OBS. Mas a presunção é relativa. incentivando ou permitindo a conduta típica. servindo como sua essência. 3ª) Corrente da Absoluta Dependência ou da Ratio Essendi: para esta corrente. se também ilícito. o outro permanece. os elementos negativos são “legítima defesa. no entanto. por exemplo.

. São elas: (15/04/09) a) Estado de Necessidade: ☺art. há quem afirme que a imunidade parlamentar absoluta exclui a ilicitude. Mas não é o que prevalece. entende que na dúvida quanto à presença de uma descriminante. que é bastante importante na diferenciação entre estado de necessidade e legítima defesa). . . o Estado permite que seja sacrificado um deles. 26 e § 1o do art. O STF entende que exclui a tipicidade. . VI.605/98 (Lei dos Crimes Ambientais). A jurisprudência está então concordando com Paulo Rangel. CP. desde que reconheça: VI – existirem circunstâncias que excluam o crime ou isentem o réu de pena (arts. 386. Como que o crime pode ser e logo em seguida não ser? Como que o crime tem que ser duas coisas opostas (jurídico e antijurídico)? → Causas Excludentes da Ilicitude: Sinônimos: justificantes ou descriminantes.: Apesar de o tema ser controvertido.. todos do Código Penal). parte geral: art. 70 . diante do caso concreto. sob os seguintes argumentos: o O CP só faz menção à ilicitude (LFG). I e art. o magistrado deve absolver (in dúbio pro reo).Justificante supralegal: o consentimento do ofendido. o legislador seguiu a jurisprudência (que não deixou claro se adotou a teoria dos elementos negativos do tipo ou a teoria da ratio essendi).CP. sem filiar-se a qualquer corrente. 23. → Requisitos: 1) Objetivos: estão todos no próprio art. 24. . 22. parte especial. pois.CP. CP. Assim. → Ilicitude x Antijuridicidade: • • 1ª corrente: ilicitude é sinônimo de antijuridicidade (sinônimos). por ex.CF/88: imunidade parlamentar absoluta. 21. mencionando a causa na parte dispositiva. 20. para salvar de perigo atual direito próprio ou de terceiro. 23. sacrificando um bem jurídico. Obs. ou mesmo se houver fundada dúvida sobre sua existência. **A lei 11. 128 (aborto permitido: o médico pode realizar abortamento se a gestante corre risco de vida) e 142 (imunidade nos crimes contra a honra). CPP: O juiz absolverá o réu. nos arts. a tutela penal não pode salvaguardar a ambos (atentar para essa frase. o O crime é formado por FT (que é o fato jurídico). 2ª corrente: (Francisco de Assis Toledo) o correto é ilicitude e não antijuridicidade. Se há dois bens jurídicos em perigo de lesão. 23. 28. pois trabalha com tipicidade conglobante. 24. Conceito: considera-se em estado de necessidade quem pratica um fato típico.Legislação extravagante: Lei 9. nas circunstâncias. não era razoável exigir-se.Direito Penal – LFG – Intensivo I Já a jurisprudência. ilicitude (que seria antijuridicidade) e culpabilidade.690/08 deu nova redação ao art. cujo sacrifício.

c) O agente deve agir para salvar direito próprio (EN próprio) ou alheio (EN de terceiro). b) A situação de perigo não pode ter sido causada voluntariamente pelo agente. do homem ou de um animal. jamais o iminente. .Perigo é imaginário (fantasiado pelo agente): estado de necessidade putativo (não exclui a ilicitude). É preciso que o único meio para salvar direito próprio ou de terceiro seja o cometimento de fato lesivo. Se o bem protegido vale mais do que o sacrificado o EN é o justificante. que exclui a culpabilidade. . 13. 2ª corrente: o consentimento do terceiro somente é dispensável quando o bem em risco for indisponível. como por ex. OBS. EN justificante. Damásio. sob os argumentos de que se o legislador quisesse abranger o perigo iminente ele o teria feito. . a vida (se for o patrimônio. a fuga é a melhor opção ao EN. teria sido expresso (como o foi na LD) e o perigo iminente é perigo do perigo. o EN é exculpante. fundamenta ainda que a expressão vontade é indicativa de dolo (LFG. sacrificando bem jurídico alheio (perigo iminente não é compatível com esse requisito). Significa a proporcionalidade comparando o bem protegido e o bem sacrificado. A vida de uma pessoa não é mais valiosa do que a de outra (ainda que uma delas seja muito mais velha.O perigo só deve ser enfrentado enquanto comportar enfrentamento.Este perigo não tem destinatário certo (na LD há destinatário certo).Direito Penal – LFG – Intensivo I a) Perigo atual: existência de perigo atual. uma segunda corrente. Se eu posso salvar o meu direito fugindo. no entanto. f) Inexigibilidade do sacrifício do direito ameaçado. . (Capez). c. fundamentando-se no art. o primeiro a sair correndo não pode ser o bombeiro. 2ª corrente: o causador doloso e culposo não podem alegar EN.(patrimônio) Vale = ou + 71 . então não cabe ao intérprete fazê-lo). num incêndio. apesar do silêncio da lei. EN exculpante. será necessário o consentimento). CP (Mirabete – corrente adotada pelo MP). Se o meio era simplesmente o mais cômodo não se permite o EN. e) Inevitabilidade do comportamento lesivo. ☺quadro: Teoria EN justificante (exclui a ilicitude) EN exculpante (exclui a culpabilidade) Bem protegido Vale + (vida) Vale = ou Bem sacrificado Vale . §2º. .O perigo atual abrange o perigo iminente (prestes a ocorrer)? Quanto a isso há duas correntes: uma primeira corrente diz que. Bittencourt.O agente deve escolher discricionariamente a vida de quem irá salvar. . como por ex. que pode advir da natureza. Greco). 24: “que não provocou por sua vontade”: essa expressão é indicativa de dolo ou dolo/culpa? 1ª corrente: somente o causador doloso não pode alegar EN (ninguém pode valer-se da própria torpeza). Esta segunda corrente é a que prevalece e é melhor para a primeira fase das provas. Para agir em EN de terceiro é necessária autorização? 1ª corrente: o EN de terceiro dispensa consentimento do terceiro (a lei não exige. e 2. algo muito distante para permitir o sacrifício de bem jurídico alheio. com o fundamento de que ninguém é obrigado a aguardar um risco concreto para proteger seu bem jurídico (LFG). já tenha vivido toda uma vida). o dever simplesmente contratual. é a corrente que prevalece. Teorias: . Capez.Ex. diz que só está abrangido o perigo atual.Teoria Diferenciadora: ela diferencia duas espécies de EN: 1. que costuma preferir a letra de lei. que exclui a ilicitude. caracteriza-se LD. Perigo iminente é incompatível com a inevitabilidade do comportamento lesivo. não é exigido. Prevalece a primeira corrente. abrange-se o perigo iminente. d) Inexistência do dever legal de enfrentar o perigo: significa dever imposto por lei. Art. Se protejo um bem de igual ou menor valor que o bem sacrificado. a segurança particular. se advir de injusta agressão humana.

§ 2°). O EN justificante ocorre quando o bem protegido vale mais ou igual ao bem sacrificado. bem como referindo-se “às circunstancias do fato”. fantasiado pelo agente – não exclui a ilicitude (porque falta o 1º requisito objetivo. para a teoria unitária. só se reconhece o EN justificante (exclui a ilicitude). Assim. b) Estado de necessidade defensivo: para proteger direito. ☺quadro: Teoria EN justificante Possível redução de pena Bem protegido Vale + ou = Vale Bem sacrificado Vale . 72 . o agente sacrifica bem jurídico do próprio causador do perigo. que é o perigo atual). b) Estado de necessidade de terceiro. o furto famélico pode ser alegado por quem tenha emprego. . não causadora do perigo. exigindo a lei (art. É ato lícito no direito penal e no direito civil.ou = Vale + **Obs. 24. → Classificação doutrinária do Estado de Necessidade: 1) Quanto à titularidade: a) Estado de necessidade próprio. 39. 3) Quanto ao terceiro que sofre a ofensa: a) Estado de necessidade agressivo: para proteger direito. não é tese exclusiva de desempregado – tese defendida pela Defensoria). d) insuficiência dos recursos auferidos pelo agente com o trabalho ou impossibilidade de trabalhar (ou seja. ou seja.Teoria Unitária: já nesta teoria. podendo entrar posteriormente com ação regressiva. Quando há desproporcionalidade. se o bem protegido é de valor menor que o sacrificado pode gerar uma diminuição da pena. c) que haja subtração de coisa capaz de diretamente mitigar a fome. O CP adotou a Teoria Unitária (art.: Só o CPM adotou a Teoria Diferenciadora (☺art. mas é ato ilícito no direito civil. Ver entendimento da jurisprudência no livro do Greco. É ato lícito no direito penal. . CPM). 24) a inevitabilidade do comportamento lesivo. o agente terá que reparar o dano causado ao terceiro. 2) Quanto ao elemento subjetivo do agente: a) Estado de necessidade real: o perigo existe – exclui a ilicitude. 2) Subjetivos: é o conhecimento da situação de fato justificante (ciência de que se está diante de um perigo atual). quando os bens têm igual valor será EN exculpante.Direito Penal – LFG – Intensivo I . A ação do EN (como única possibilidade de afastar o perigo) deve ser objetivamente necessária e subjetivamente conduzida pela vontade de salvamento. pois. b) que seja o único e derradeiro recurso do agente (inevitabilidade do comportamento lesivo). desde que: a) o fato seja praticado para mitigar a fome. o agente sacrifica bem jurídico de pessoa alheia à provocação do perigo. será EN justificante. b) Estado de necessidade putativo: o perigo é imaginário. tornam incompatível a descriminante do EN. EN nada mais é do que os 6 requisitos objetivos + o requisito subjetivo (que é a ciência do perigo atual). Atentar que na teoria diferenciadora.Pergunta: é possível EN em crime habitual ou em crime permanente? A maioria da doutrina não reconhece EN nessas espécies de delito.Pergunta: furto famélico (subtrair para saciar a fome) constitui EN? Sim.

Se o ataque foi provocado pelo dono.A injustiça da agressão deve ser do conhecimento do agredido. o que configura LD. Inevitabilidade do comportamento lesivo. o agredido deve fugir para evitar a lesivo. O perigo decorre de uma agressão humana. . Considerações: . mas sim de quem é agredido. Os interesses em conflito são legítimos. por isso não existe LD de LD. logo é EN. por isso é perfeitamente possível EN de EN. estamos diante de um perigo atual. Pode ser uma ação ou omissão. Se Não exige inevitabilidade do comportamento possível. é perfeitamente possível a LD de um comportamento omissivo (ex. pois o animal é instrumento do agente. portanto. A agressão é dirigida. Cabe ainda LD putativa de LD putativa. a fuga não é exigida.: dois náufragos disputando a única bóia salva-vida).Ataque de um doente mental: ao se repelir esse ataque será LD ou EN? Se se tratar de uma agressão injusta. será LD. a agressão continua sendo injusta (tanto que será possível a responsabilidade civil).Agressão injusta é sinônimo de fato típico. se se entender como LD. .Repelir um ataque de um animal é LD (ou é EN)? Depende do tipo de ataque. . O perigo decorre da força da natureza. Mas atenção: é possível LD real de LD putativa. caracteriza-se uma agressão injusta. → Diferença entre Estado de Necessidade e Legítima Defesa: Estado de Necessidade Conflito entre vários bens jurídicos diante de uma situação de perigo (ex. Ataque a bem jurídico. mas se se tratar de um perigo atual. ou é possível uma agressão injusta atípica? Ex. porque a injustiça da agressão não é analisada sob a ótica de quem agride.: aquele que agride o carcereiro que se recusa a cumprir um alvará de soltura). Se se entender que é EN só se pode sacrificar o animal se a fuga for impossível. Legítima Defesa Ameaça ou ataque a um bem jurídico (ex. pode-se enfrentar o animal. porque ainda que o Princípio da Insignificância torne o fato atípico. será EN.Existe LD de omissão? Sim. se for EN. .1: LD diante de um fato insignificante (Princípio da Insignificância) – o possuidor do bem atingido pode reagir para repelir a agressão. CP – conceito. Tem destinatário certo. é possível uma agressão injusta atípica. 25. do homem ou até de um animal. Atenção: é caso de LD. uma pessoa sendo atacada por outra). Os interesses do agressor são ilegítimos – um dos interesses tem que ser ilegítimo. o agredido não precisa fugir para agressão. Se é um ataque espontâneo. sendo possível. a fuga é obrigatória. → Requisitos/elementos Objetivos: 1) Agressão injusta: conduta humana que ataca ou coloca em perigo bens jurídicos de alguém. porque a LD putativa é ilegítima. O perigo não tem destinatário certo. evitar a agressão.Direito Penal – LFG – Intensivo I b) Legítima Defesa: ☺art. ainda que os dois interesses sejam ilegítimos. independentemente da ciência do agressor. Se for LD não é necessário fugir da agressão. Portanto. 73 .

Assim. Entretanto.2: LD contra furto de uso (ninguém é obrigado a deixar que ele aconteça). a repulsa configura vingança. não há que se alegar LD justificante (esta exige a atualidade ou iminência da agressão). Ou seja. Assim. todos os quesitos da LD ficam abrangidos por esta pergunta.iminente. for certa? Ex. Antes: 1º) o juiz quesitava a materialidade e a autoria. 3º) questiona se os jurados absolvem o réu. a agressão deve ser atual ou iminente. caso alguma parte nele demonstre interesse.689/08 materialidade + nexo autoria quesita se o jurado absolve o réu.atual. deve-se fazer uso deste de forma moderada. a iminente é a que está prestes a ocorrer. há LD putativa.agressão injusta.Se a agressão injusta for imaginada. o excesso não é mais uma tese que brota naturalmente.689/08 1) materialidade + autoria 2) nexo 3) legítima defesa: . 4) Agir para salvar direito próprio ou alheio: é aqui que nasce a LD própria e a LD de terceiro. Ademais. Meio de defesa: necessários. → Requisito Subjetivo: 74 . configura inexigibilidade de conduta diversa.689/08 e como ficou depois. 4º) teses da acusação e 5º) agravantes e atenuantes. 5º) teses da acusação. suficiente para repelir o comportamento injusto. porém futura.uso moderado (Para o jurado reconhecer a LD ele tinha que responder sim para todos esses itens) Obs. se os jurados negarem o uso moderado o juiz era obrigado a quesitar quanto ao excesso. . apesar de futura. 2º) quesitava o nexo causal. excluindo a culpabilidade (LD exculpante). E se a agressão. 3) Uso moderado dos meios necessários: o desrespeito a esse requisito é que faz nascer o excesso.: ainda que nenhuma das partes tenham alegado o excesso. . Se a resposta for negativa. já fica descartada a LD. mas é agressão injusta que autoriza LD do proprietário. Ou seja. Se estamos diante de uma agressão passada.: ameaça de morte feita por um bandido preso para quando sair da prisão – a agressão não é atual e nem iminente. nasce o excesso. É isso que a lei nova corrige. se esta agressão injusta e futura for certa.Direito Penal – LFG – Intensivo I Ex. 3º) teses da defesa. ele precisará ser debatido em plenário. ela é mera suposição. Moderados: 2) Agressão injusta atual ou iminente: a agressão atual é a agressão presente. que não exclui a ilicitude. . se o agente está diante de uma agressão injusta. Agora: 1º) o juiz analisa a materialidade e o nexo. para que se configure a LD. antes da lei o excesso brotava naturalmente da negativa da moderação. Da imoderação. E o quesito da legítima defesa? Antes da Lei 11. Depois da Lei 11. se estamos diante de uma agressão futura. Furto de uso não é típico. Meio necessário é o meio menos lesivo entre os meios à disposição do agredido no momento da agressão. 2º) autoria. . 4º) causas de diminuição. Encontrado o meio necessário.meio necessário. É importante agora saber como era antes da Lei 11. .

caso em que qualquer pessoa. → Requisitos Objetivos: . nas mesmas circunstâncias de fato. Dentro de limites aceitáveis.Direito Penal – LFG – Intensivo I É o conhecimento da situação de fato justificante ou do estado de agressão injusta. tal intervenção é justificada pelo estrito cumprimento de um dever legal (ECDL).“Estrito cumprimento”: quer dizer razoabilidade. 23. 5) LD Real: a agressão existe. uma depois da outra). Conceito e requisitos: são trazidos pela doutrina. Obs. devem agir interferindo na esfera privada dos cidadãos. Atenção: adotando-se a Teoria da Tipicidade Conglobante.: lembrar que é impossível duas LD reais conviverem. o ECDL deixa de ser descriminante e passa a ser excludente da tipicidade (trata-se de ato normativo determinado por lei. mas neste sentido ele é a minoria da doutrina (MP/MG utiliza bastante a doutrina de Francisco de Assis Toledo). Ou seja. proporcionalidade. assim como o fim é exigido para a prática do crime.Dever legal: o que significa “legal”? A expressão “lei” aqui é tomada em sentido amplo. 4) LD Sucessiva: ocorre na repulsa contra o excesso abusivo do agente agredido (temos duas LD. não pode ser proibido). 301. → Classificações doutrinárias: 1) LD Defensiva: a reação do agredido não constitui um fato típico. Os agentes públicos. no desempenho de suas atividades.: art. portanto. CP (não tem um artigo próprio como a LD e o EN). III. Ex. Conceito e requisitos: são trazidos pela doutrina. d) Exercício Regular de um Direito: Previsão legal: art. CP (não tem um artigo próprio como a LD e o EN). a integridade física ou a própria vida. 75 . se excederia (elimina a culpabilidade). é uma LD seguida de outra LD (Obs. mas é possível uma LD real e uma LD putativa). não raras vezes. também é exigido para a excludente. 2) LD Agressiva: a reação do agredido constitui fato típico. CPP – flagrante obrigatório compulsório (“as autoridades policiais e seus agentes deverão prender quem quer que seja encontrado em flagrante delito”). c) Estrito Cumprimento do Dever Legal: Previsão: art. exatamente para assegurar o cumprimento da lei. O Exercício regular de um direito (ERD) compreende ações do cidadão comum autorizadas pela existência de direito definido em lei e condicionadas à regularidade do exercício desse direito (proporcionalidade e indispensabilidade). 23. III. .: Francisco de Assis Toledo abrange também os costumes. 6) LD putativa: a agressão é imaginária. De acordo com o finalismo. pode-se alegar o ECDL ainda que o dever esteja expresso em Portaria. → O ECDL também exige um requisito subjetivo: o agente tem que ter ciência de que age no estrito cumprimento de um dever legal. 3) LD Subjetiva: é o excesso esculpável na LD. Essa intervenção redunda em agressão a bens jurídicos como a liberdade de locomoção.

acionado ou não.Direito Penal – LFG – Intensivo I → Espécies de ERD: a) Pro magistratu: situações em que o Estado não pode estar presente para evitar lesão ao bem jurídico ou recompor a ordem pública. Nesse caso o cidadão está autorizado a agir. configura uma legítima defesa. Exs. 4ª) Diferencia ofendículo de defesa mecânica predisposta. de ERD permitido: esportes violentos. Ex. 3) Ciência de que está agindo no exercício regular do direito (é o requisito subjetivo). penhor legal (como o caso de retenção da bagagem pela hospedaria).: descarga elétrica no trinco). deixa de servir como descriminante para passar a excluir a própria tipicidade (trata-se de ato normativo incentivado por lei). ainda que sejam castigos físicos (desde que respeitada a proporcionalidade). É a corrente majoritária.: art. Os ofendículos podem ser utilizados. Um animal pode ser considerado um ofendículo? Sim. exclui a tipicidade. Ex. mas é importante que exista proporcionalidade. Enquanto não acionado é uma hipótese de LD antecipada.: castigos impostos pelos pais aos filhos. o ofendículo configura um caso de ERD e a defesa mecânica predisposta um caso de LD. Se ele é fomentado. o ERD fomentado. ou seja. 2ª) O ofendículo. incentivado por lei migra para a tipicidade como sua excludente.: cacos de vidro no muro. 2) Proporcionalidade: o exercício precisa ser “regular”. o aparato é visível. Crítica à Zaffaroni: Zaffaroni claramente reconhece duas espécies de ERD: o que é fomentado (ou incentivado) e o que é apenas permitido (tolerado). Se ele é somente permitido exclui a ilicitude (mas o fato é típico e também antinormativo). ponta de lança na murada. etc. O ofendículo acionado está repelindo uma injusta agressão ao patrimônio e. Atenção: adotada a Teoria da Tipicidade Conglobante. o ERD permitido ficou esvaziado. acionado ou não. Ocorre que o esporte violento. No ofendículo. mais do que permitido. Assim. desforço imediato (instituto do Direito Civil empregado na defesa da posse). Não existe ERD meramente permitido. portanto. b) Direito de castigo: corresponde ao dever de educação. 76 . o exercício do poder familiar. configura LD. Tudo o que é direito a Constituição sempre incentivará às pessoas a fazerem valer o seu direito. (21/04/09) e) Ofendículos: Significa o aparato pré-ordenado para a defesa do patrimônio (exs. configura uma hipótese de ERD. 3ª) O ofendículo. CPP (na espécie flagrante facultativo de qualquer um do povo). cerca elétrica. de ERD fomentado: o flagrante facultativo. etc. Ex.). → Requisitos do ERD: 1) Indispensabilidade: impossibilidade de recurso útil aos meios coercitivos normais para evitar a inutilização prática do direito. Natureza jurídica: há 4 correntes: 1ª) O ofendículo. 301. configura ERD. já na defesa mecânica predisposta o aparato está oculto (ex. castigos impostos pelos professores em face dos alunos. ele é sempre fomentado. é incentivado pela Constituição. enquanto não acionado.

causa lesão. o consentimento exclui a tipicidade. 45. É uma renúncia do titular do direito tutelado a essa mesma tutela.099/95. pois transformou a lesão leve em pública condicionada. P.O ofendido deve ser capaz de consentir – saber o que está fazendo (e esta capacidade não coincide com a capacidade legal) – consentimento válido.U. é uma causa legal (☺art. piercings.O bem deve ser próprio. desde o princípio. Se o não consentimento integrar o tipo. intensifica a ação justificada e ultrapassa os limites legais permitidos (ou seja. g) Consentimento do Ofendido: Trata-se de uma descriminante supralegal. diante de uma situação fática agressiva. A integridade física é um bem indisponível? A doutrina clássica rotula a incolumidade pessoal como bem indisponível. Ex. mas pode. Se não agiu com dolo ou culpa. . Essa previsão está no art. excluir a culpabilidade (inexigibilidade de conduta diversa). que inicialmente agia dentro do direito. se o excesso é culposo o agente responde por crime culposo. . . A doutrina moderna (C. → Observações: 1) Todo fato ilícito penal = ilícito civil. 107. temos o excesso exculpante (inexigibilidade de conduta diversa) – o excesso exculpante é uma causa supralegal no direito comum. O fato é típico. é necessária a autorização da vítima para processar aquele que cometeu a lesão. OBS. c) Excesso Intensivo: ocorre quando o agente. de reação moderada passa para a imoderada). . 77 . art. já atua fora dos limites legais (ex. parágrafo único.. b) Excesso Extensivo ou excesso na causa: ocorre quando o agente reage antes da efetiva agressão (futura. . Esse excesso exculpante está expressamente previsto no CPM. Aplica-se esse artigo em qualquer das hipóteses de descriminantes. Se o excesso é doloso responde por crime doloso. V.).: atirar em criança que furtou uma maça). responderá pelo excesso doloso ou culposo”. CP: “O agente.Direito Penal – LFG – Intensivo I f) Classificação do Excesso nas descriminantes/justificantes: Previsão legal: art. 23. conforme o caso. Pode servir como causa supralegal desde que presentes os seguintes requisitos: . d) Excesso acidental: ocorre quando o agente. .O consentimento deve ser manifestado antes ou durante a prática do fato (se o consentimento for posterior não exclui a ilicitude.O dissentimento (não consentimento) do ofendido não pode configurar elementar do tipo. Bitencourt) rotula a incolumidade pessoal como bem relativamente disponível. esperada e certa). a) Excesso crasso: ocorre quando o agente. Nem todo fato lícito penal = lícito civil. ilícito. etc. ao reagir moderadamente.O consentimento deve ser livre e consciente – consentimento válido.*O bem renunciado deve ser disponível. tatuagens. R. Lembrar do exemplo da legítima defesa futura. CPM). que concorda com a doutrina moderna.O consentimento deve ser expresso (é cada vez mais frequente doutrina admitindo o consentimento tácito – o direito penal português admite o consentimento tácito). estupro. além da reação moderada. por força de acidente. CP). Será disponível quando: 1) se tratar de lesão leve e 2) lesão que não contrarie a moral e os bons costumes (ex. em qualquer das hipóteses deste artigo. mas pode caracterizar renúncia ou perdão do ofendido – extinção da punibilidade. 88 da Lei 9.

Não há isenção de pena quando o erro deriva de culpa e o fato é punível como crime culposo. Prevalece. mas se evitável responderá o agente por culpa. 2) a descriminante putativa sobre situação de fato encontra-se no parágrafo que poderia assessorar tanto o art.sendo evitável: é causa que diminui a pena. há 2 correntes: 1ª) Entende tratar-se de erro de tipo (Teoria Limitada da Culpabilidade) – art. 2ª) Entende tratar-se de erro de proibição (Teoria Extremada da Culpabilidade) – art.: imaginando que seria agredido. 21. Erro de tipo: se inevitável. Ex. tem ciência da situação de fato. Sobre o erro quanto à situação de fato. 20 (que trata de erro de tipo) quanto o art. agente reage com um soco. Segundo nos ensina. → Descriminantes Putativas: (Assunto importante para o MP/MG). Agressivo. 2) Legítima defesa defensiva = reação é um fato atípico. b) o agente erra quanto aos limites: o equívoco está nos limites da reação (proporcionalidade da descriminante). . CP: . agente limita-se unicamente a se defender.sendo inevitável: isenta o agente de pena. O agente desconhece a situação de fato. 20. se existisse. Ex. Podem ser de 3 espécies: a) o agente erra quanto à autorização: o agente supõe estar autorizado. A descriminante putativa corresponde a um erro. isenta de pena. CP ao prever isenção de pena quando o erro é inevitável traz uma conseqüência lógica quando se exclui dolo e culpa. tornaria a ação legítima. Ex. É uma causa de exclusão da ilicitude / fantasiada pelo agente. Obs. c) o agente erra quanto aos requisitos: supõe presente situação de fato que não existe. Essa corrente também é seguida por Flávio Monteiro de Barros.Direito Penal – LFG – Intensivo I Ex. a teoria limitada da culpabilidade: 1) o art. Qual teoria o CP adotou? Art. Lícito penal = ilícito civil.LD que não existe. o código penal brasileiro não adotou a teoria extremada. por erro plenamente justificado pelas circunstâncias. diminui pena. isentará o agente de pena. mas se equivoca quanto à proibição. Legítima defesa agressiva = reação é um fato típico. Será erro de tipo ou de proibição conforme o tipo de descriminante. se evitável. CP). 20. adotou uma teoria extremada sui generis. por razões de política criminal. E.sendo inevitável: exclui o dolo e a culpa. Encontrou no direito penal uma autorização (art. 20. Obs. supõe situação de fato que. § 1°. Ex.sendo evitável: exclui o dolo e o agente responde pelo crime culposo. Se optou o legislador por 78 . exclui dolo/culpa.É isento de pena quem. se evitável: exclui dolo. o art. Ambas as hipóteses se equiparam ao erro de proibição. § 1° do CP. CP: .: marido que acha que pode manter conjunção carnal violenta com a esposa quando ela se recusa. A primeira parte refere-se à teoria extremada e a segunda parte adotou a teoria limitada. § 1º . N. no entanto. . nem a teoria limitada. Erro de proibição: se inevitável.: o agente revida um tapa no rosto com um tiro. Ex. 24. 21 (que é erro de proibição).: em ambas as hipóteses (a e b) o agente sabe o que faz. Por isso. mata e percebe que a pessoa iria somente falar ao celular . 20. pois se inevitável. segundo LFG.

3) a exposição de motivos é expressa. adotando a teoria limitada da culpabilidade (Assis Toledo). 20. 79 .Direito Penal – LFG – Intensivo I inseri-lo no art. é porque equipara este erro ao erro de tipo.

Direito Penal – LFG – Intensivo I

CULPABILIDADE: A culpabilidade é ou não o terceiro substrato do crime? Ela integra ou não o crime? Depende da corrente que se segue. Há duas correntes principais: 1ª) Corrente Bipartida: a culpabilidade não integra o crime. Objetivamente, para a existência do crime, é prescindível a culpabilidade. O crime existe por si mesmo com os requisitos fato típico e ilicitude (bipartite). Mas o crime só será ligado ao agente se este for culpável. Conclusão: para a corrente bipartida a culpabilidade é pressuposto de aplicação da pena, mero juízo de reprovação e censura. 2ª) Corrente Tripartida: a culpabilidade integra sim o crime, sendo o seu terceiro substrato. É um juízo de reprovação extraído da análise como o sujeito ativo se situou e posicionou, pelo seu conhecimento e querer, diante do episódio injusto. A tipicidade, a ilicitude e a culpabilidade são pressupostos de aplicação da pena (corrente tripartite). A corrente bipartida busca nos seduzir da seguinte maneira: o CP é bipartido, já que quando se está diante de uma causa de exclusão do fato típico o CP diz que não há crime, esta é a prova primeira de que o fato típico está umbilicalmente ligado ao crime (se não há FT não há crime); ainda, quando se está diante de uma causa de exclusão da ilicitude o nosso CP também diz que não há crime, o que prova que esta também está umbilicalmente ligada ao crime. No entanto, quando se está diante de uma causa de exclusão da culpabilidade o CP diz que se trata de uma hipótese de isenção de pena (o crime permanece, só não se impõe uma pena). No entanto, o CP brasileiro não é tão técnico, pois há hipóteses em que se refere à exclusão de tipicidade e ilicitude como “isento de pena”. A grande crítica que a corrente tripartida faz sobre a bipartida: ambas consideram a culpabilidade como um juízo de censura, mas a teoria bipartida está admitindo casos em que se tem crime, pois o fato é típico e ilícito, mas será um crime sem censura, o que não pode ser admissível numa sociedade. A corrente bipartida, no entanto, rebate a esta crítica relembrando o erro de tipo: na descriminante putativa, que é uma causa que exclui o fato típico, o CP fala em “isento de pena”. Conclui-se que nem sempre quando se exclui o fato típico, o CP é fiel à expressão “não há crime” e nem sempre quando se exclui a culpabilidade o CP é fiel a expressão “isento de pena”. *Concurso federal e estadual (fora de SP): adota a corrente tripartida. A corrente bipartida é adotada por alguns concursos estaduais de SP (por ex. MP/SP). → Teorias da Culpabilidade: São 4 as Teorias da Culpabilidade: 1) Teoria Psicológica: tem base causalista. - Espécies: dolo e culpa; - Elemento: imputabilidade. A culpabilidade é pobre para essa teoria. - Críticas: o erro dessa teoria foi reunir como espécies fenômenos completamente diferentes: dolo (querer) e culpa (não querer). 2) Teoria Psicológica-normativa: tem base neokantista. O Neokantismo é uma dissidência do próprio causalismo, daí se infere que na culpabilidade continuaremos encontrando dolo e culpa, mas não como espécies. A primeira coisa que esta teoria decide é justamente que a culpabilidade não tem espécies, 80

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mas sim elementos (e não mais um só elemento), que são: a imputabilidade, a exigibilidade de conduta diversa, a culpa e o dolo. Ou seja, o dolo e a culpa que na primeira teoria eram espécies, passaram a ser elementos da culpabilidade e, ainda, se antes esta tinha apenas um elemento, foi enriquecido com mais elementos. Ademais, segundo esta teoria, o dolo era constituído, além da consciência e da vontade, de um elemento normativo: a atual consciência da ilicitude – este dolo é, pois, chamado de dolo normativo. - Espécies: xxxx - Elementos: imputabilidade, exigibilidade de conduta diversa, culpa ou dolo (consciência, vontade e consciência atual da ilicitude). Dolo normativo: adotado pelos neokantistas, adeptos da teoria psicológica-normativa da culpabilidade, o dolo normativo integra a culpabilidade como seu elemento, tendo como requisitos: a) consciência, b) vontade, c) atual consciência da ilicitude (elemento normativo). Consciência é saber o que faz; consciência da ilicitude é a ciência de que o que se faz contraria o ordenamento jurídico. Essa consciência deve ser valorada na esfera do profano (não como um jurista, e sim como um homem médio, leigo) – valoração paralela na esfera do profano. - Críticas: o dolo e a culpa não podem estar na culpabilidade, mas fora dela, para sofrerem a incidência do juízo de censurabilidade (só é possível censurar aquilo que está fora, portanto, a culpabilidade só pode censurar o dolo e a culpa se estiverem fora dela). 3) Teoria Normativa pura ou Teoria Extremada da Culpabilidade: tem base finalista. Ela migra o dolo e a culpa para o fato típico. Até então a culpabilidade era constituída de imputabilidade, de exigibilidade de conduta diversa, de culpa e de dolo (e o dolo era constituído de consciência, de vontade e de atual consciência da ilicitude). A partir dessa teoria, a imputabilidade e a exigibilidade de conduta diversa permanecem na culpabilidade, mas a culpa e o dolo migram para o fato típico, sendo que o dolo migra apenas com elementos naturais (consciência e vontade), e por isso é chamado de dolo natural. A atual consciência da ilicitude permanece na culpabilidade, mas modificada em potencial consciência da ilicitude. Dolo natural: adotados pelo finalistas, adeptos da Teoria normativa pura da culpabilidade, migra para o fato típico, tendo como requisitos apenas elementos naturais, quais sejam: consciência e vontade. A consciência da ilicitude deixa de pertencer ao dolo para integrar a própria culpabilidade, porém não mais como atual e sim potencial. - Elementos: imputabilidade, exigibilidade de conduta diversa e potencial consciência da ilicitude. - Críticas: esta teoria se equivoca ao equiparar a descriminante putativa sobre situação fática (art. 20, § 1°) a uma espécie de erro de proibição, pois seria, na verdade, erro de tipo. Essa crítica é feita pela teoria limitada. 4) Teoria Limitada da Culpabilidade: ela é igual à Teoria Extremada, com apenas uma diferença. Ela também tem base finalista, a culpabilidade é constituída também de culpabilidade, de exigibilidade de conduta diversa e de potencial consciência da ilicitude. A única diferença entre as duas é no tratamento de uma espécie de descriminante putativa sobre a situação de fato, que na Teoria Extremada é considerada como erro de proibição, enquanto que na Teoria Limitada ela é tratada como erro de tipo. Fora esta única diferença, elas são idênticas. - Elementos: imputabilidade, exigibilidade de conduta diversa e potencial consciência da ilicitude. OBS. art. 20, § 1° refere-se a erro de tipo. É a teoria que prevalece. O Brasil (Francisco de Assis Toledo) adotou a Teoria Limitada da Culpabilidade. → Elementos da Culpabilidade: A culpabilidade é do fato (objetiva) ou do agente (subjetiva)? Segundo LFG e Zaffaroni, a culpabilidade é objetiva, pressuposto de um direito penal do fato. Culpabilidade subjetiva é sinônimo de direito penal do autor.

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Direito Penal – LFG – Intensivo I
O prof. não concorda. A culpabilidade é subjetiva (seus elementos estão ligados ao agente do fato e não ao fato do agente). O direito penal permanece sendo do fato (incriminam-se condutas e não pessoas), mas a reprovação recai sobre a pessoa do fato. A culpabilidade é do agente, é subjetiva (e não objetiva), não tem nada a ver com direito penal do autor. O nosso direito penal é do fato, tanto o é que o tipo penal tem que versar sobre os fatos (o tipo penal não pode incriminar alguém pelo que ele é, e sim pelo que ele faz). São elementos da culpabilidade: a) Imputabilidade: → Conceito: É a capacidade de imputação, ou seja, a possibilidade de se atribuir a alguém a responsabilidade pela prática de uma infração penal. A imputabilidade é o conjunto de condições pessoais que confere ao sujeito ativo a capacidade de discernimento e compreensão, para entender seus atos e determinar-se conforme esse entendimento. O CP não dá um conceito positivo de imputabilidade (ou seja, o que é). Ele define imputabilidade a contrário senso, ou seja, ele diz exatamente o que não é imputável, dando um conceito negativo. No Direito Civil se fala em capacidade ou incapacidade para negócios jurídicos; no Direito Penal se fala em imputabilidade ou inimputabilidade. A imputabilidade no Direito Penal está para a capacidade no Direito Civil, assim como a inimputabilidade está para a incapacidade. Imputabilidade é sinônimo de responsabilidade? Não. A imputabilidade é pressuposto, a responsabilidade é conseqüência. Exemplo de imputável que não responde: os parlamentares, detentores de imunidade quanto as suas opiniões, palavras e votos (eles são absolutamente irresponsáveis). (29/04/09) → Sistemas de inimputabilidade: I) Sistema Biológico: leva em conta apenas o desenvolvimento mental do agente, isto é, doença mental ou idade, não importando se no momento da conduta tinha capacidade de entendimento e autodeterminação. Pelo sistema biológico, pois, todo louco é inimputável. II) Sistema Psicológico: é exatamente o oposto do anterior – o que interessa para aquele não interessa para este, e vice-versa. Este critério considera apenas se o agente, no momento da conduta tinha capacidade de discernimento e autodeterminação, independentemente da presença de eventual anomalia psíquica. III) Sistema Biopsicológico: considera inimputável o agente que, em razão de sua condição mental, era, ao tempo da conduta, inteiramente incapaz de entender o caráter ilícito do fato (capacidade de entendimento) ou de determinar-se de acordo com esse entendimento (autodeterminação). Assim, nem todo louco é inimputável. É o sistema adotado, em regra, no Brasil (☺art. 26, caput, CP) – excepcionalmente adotamos o sistema biológico. → Hipóteses de inimputabilidade: 1- Inimputabilidade em razão de anomalia psíquica: Art. 26, CP: “É isento de pena o agente que, por doença mental ou desenvolvimento mental incompleto ou retardado (SISTEMA BIOLÓGICO), era, ao tempo da ação ou da omissão, inteiramente incapaz de entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse entendimento” (SISTEMA PSICOLÓGICO). 82

26. OBS.. o acusado (semi-imputável) é processado e condenado.U.Inimputabilidade em razão da idade do agente: Art. 27 . não basta ser louco para ser inimputável. não podendo ser alterado para restringir a menoridade. esta pode ser considerada uma doença. mas somente para ampliá-la. no art. III. Atenção: Esta hipótese não pode ser confundida com aquela do P. Paixão Se patológica.atenuante (art. O direito penal trabalha com uma idade cronológica de 18 anos. 121. e não postulados científicos. 65. §1º). I CP: a emoção (estado súbito e passageiro) ou a paixão (sentimento crônico e duradouro) não excluem a imputabilidade. pode ser equiparada a doença mental (art. de semi-imputável (denominação equivocada. Obs. 5º. ao mesmo tempo que o juiz absolve. Esse art. O inimputável deve ser denunciado e processado. por sua vez. logo. Denomina-se absolvição imprópria porque. III. em que temos um imputável. pouco importando se ele sabia ou não o que estava fazendo. não importando a condição do agente no momento do resultado . O preceito constitucional segue critérios de política criminal. 27. dependendo do grau de desequilíbrio causado pela paixão.U. A doutrina chama esse responsável do P. CR/88 pode ser alterado para reduzir a maioridade? Há duas correntes: uma primeira (LFG e a maioria) entende que trata-se de uma cláusula pétrea. tem também que ser incapaz de entender o caráter ilícito do fato. Este art. 2.☺art. essa perturbação mental interfere no estado anímico ou motivo do crime. O art. Portanto. semi-responsabilidade é compatível com as agravantes e qualificadoras subjetivas. A CR/88 repetiu a redação do CP. CP.. c) ou privilégio (art. Eventual emancipação civil antecipa a menoridade penal? Não. Pergunta: a semi-imputabilidade do art. trata-se de um critério de política criminal. A imputabilidade deve ser analisada no momento da conduta. 26). pode gerar uma atenuante (art.Direito Penal – LFG – Intensivo I No Brasil. ficando sujeitos às normas estabelecidas na legislação especial (ECA). isto é. c). 4º. qualquer enfermidade que venha a debilitar as funções psíquicas do agente. nesse caso. A minoria entende que apesar de não eliminar o dolo. devendo o juiz escolher entre uma diminuição na pena e uma substituição da pena por medida de segurança. Mas atenção: segundo a Defensoria Pública. por razões de política criminal. a redução da menoridade fere direitos e garantias fundamentais. pois a perturbação mental não exclui o dolo. 83 . motivo pelo qual parte da doutrina chama esse agente de imputável com responsabilidade penal diminuída).. 26. 228. 28. Por que foi escolhida pelo CP esta idade de 18 anos? O art. se o agente já completou 18 anos ele é imputável. P.Os menores de 18 (dezoito) anos são penalmente inimputáveis. O CP/84 fixou a maioridade em 18 anos no art. 98 complementa o art.U. pois apesar de o fato praticado não ser crime (teoria tripartite) haverá. não é caso de inimputabilidade. Emoção Pode gerar: . assim.5 da Convenção Americana de Direitos Humanos dá liberdade para cada estado signatário. é compatível com circunstâncias agravantes ou qualificadoras subjetivas? Para a maioria da doutrina. ao final. mas com responsabilidade penal diminuída. uma segunda corrente (Capez) não reconhece status de cláusula pétrea para este art.U. 228. imposição de sanção penal da espécie medida de segurança. uma EC pode reduzir a menoridade. sendo incompatível com as circunstâncias subjetivas. P. adotou o critério biológico.: a expressão “doença mental” merece uma interpretação extensiva – deve ser tomada em sua maior amplitude e abrangência. a emoção. ele impõe uma sanção (medida de segurança). 65. “Desenvolvimento incompleto ou retardado”: aquele que ainda não concluiu ou atingiu a maturidade psíquica. O critério para definir menoridade não é científico e muda de país para país. ☺art.

era. de acordo com sua origem e seu grau: Origem: Embriaguez acidental: (proveniente de) 1) Caso fortuito: o agente desconhece o caráter inebriante da substância que ingere. proveniente de caso fortuito ou força maior (CRITÉRIO BIOLÓGICO). §1º . Não excluem a imputabilidade (☺art. § 1°). 26. 84 . 3. até o estado de paralisia e coma. inteiramente incapaz de entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse entendimento” (CRITÉRIO PSICOLÓGICO). Acarreta uma diminuição de pena (art. §2º). 28. quanto ao grau pode ser completa ou incompleta. ☺art.critério biopsicológico). por embriaguez completa. II). como é uma agravante de pena. 26. caput. §1º. ☺ as seguintes 5 situações. O uso indiscriminado dessa teoria pode gerar responsabilidade penal objetiva. Se incompleta.U. II. na seguinte hipótese: motorista completamente embriagado atropela e mata um pedestre. equipara-se a Também pode ser completa ou incompleta. embriagar. transferindo-se para esse momento anterior a constatação da imputabilidade. l. Adotou o critério biopsicológico. O agente se embriaga negligentemente. mas acaba se embriagando (porque exagera na dose). Grau: Esta embriaguez.diminuição de pena (ex. 2) Incompleta: não há inteira capacidade de entendimento e autodeterminação. 1) Completa: não há capacidade de entendimento e autodeterminação. Análise da embriaguez. 28. Teoria da Actio libera in causa: o ato transitório revestido de inconsciência decorre de ato antecedente que foi livre na vontade. Embriaguez patológica: é doentia. 121. tomar gelatina de pinga sem saber. 2) Culposa: quando a pessoa não quer se embriagar. Se doença mental. P. cujos efeitos podem progredir de uma ligeira excitação inicial. será analisada de acordo com art. 61.Embriaguez ☺art. Embriaguez preordenada: é aquela em que o Também pode ser completa ou incompleta. 28.Direito Penal – LFG – Intensivo I . Conceito de embriaguez: é a intoxicação aguda e transitória causada pelo álcool (ou substância de efeitos análogos). Embriaguez não acidental: (pode ser) Esta embriaguez também pode ser completa ou 1) Voluntária: ocorre quando o agente quer se incompleta. Só é possível punir a embriaguez não acidental completa e a embriaguez preordenada completa devido à teoria da actio libera in causa. será tratada de acordo com o art. CP: “É isento de pena o agente que. Ex. É caso de inimputabilidade. Este agente se embriaga para praticar o crime. completa. 2) Força maior: o agente é obrigado a ingerir a substância. imputabilidade. A tipo de embriaguez não só não exclui a embriaguez é meio para a prática do crime. ao tempo da ação ou da omissão. isenta de pena (☺art. 28. art.

não previa o resultado Depois. Não era uma situação previsível. que ele era livre na vontade. conclui-se que o agente vai responder a título de culpa inconsciente. o índio deve ter alguma anomalia psíquica. se inevitável. traz uma hipótese de exclusão desta. existia Depois. atropela e alguma coisa e não previa o resultado mata um mendigo que estava dormindo na atropelamento. completamente embriagado. Para a embriaguez isentar o agente de culpabilidade é imprescindível a presença dos 4 requisitos: a) causal (proveniente de caso fortuito ou força maior). Analisando-se o momento em que ele era livre na vontade. mas. 21. trazendo a hipótese em que esta elementar desaparece. a 5ª situação traz: 5 . não basta ser imputável.Enquanto bebia o agente previu o resultado e Depois. completamente embriagado. completamente embriagado. atropela e aqui então uma vontade. Depois. b) Potencial consciência da ilicitude: Para que o agente seja culpável. se inevitável isenta o réu de pena. ainda que o agente não estivesse embriagado).O agente bebia e previa o resultado. O CP trata da PCI no seu art. rodovia. A análise do fato sob a teoria da actio libera in causa traz a responsabilidade penal objetiva (o mendigo teria sido atropelado de qualquer forma.Direito Penal – LFG – Intensivo I Ato antecedente livre na vontade: Ato transitório revestido de inconsciência (ingestão da bebida) (atropelamento) 1 . 21. c) cronológico (ao tempo da ação ou omissão). de madrugada. isenta de pena. Para que seja inimputável. e por isso é refutada pela doutrina moderna. 3 . Analisando-se o momento em que ele era livre na vontade. 2 . Agiu negligentemente.O agente bebia. sendo indispensável a potencial consciência da ilicitude (possibilidade de conhecer que o fato contraria o direito). um querer. ou ser menor de 18 anos ou padecer de embriaguez completa. Art. acreditou poder evitá-lo. atropela e negligentemente. 85 . atropela e assumiu o risco de produzi-lo. conclui-se que o agente vai responder a título de dolo eventual. CP . mata uma pessoa. mata uma pessoa. porém. Mas. Somente quando presentes os 4 requisitos é que a embriaguez exclui a imputabilidade. O erro sobre a ilicitude do fato.O desconhecimento da lei é inescusável. OBS. atropela e atropelamento. Índio: Não existe exclusão da imputabilidade pelo simples fato de uma pessoa ser um índio.O agente bebia com vontade para comemorar Depois. completamente embriagado. completamente embriagado. o erro sobre a ilicitude do fato. Analisando-se o momento em que ele era livre na vontade. ou seja. porém este resultado era-lhe mata uma pessoa. mata uma pessoa. se evitável. e se evitável poderá diminuir de 1/6 a 1/3 a pena. d) consequencial (inteira incapacidade intelectiva ou volitiva). conclui-se que o agente vai responder a título de dolo direto. conclui-se que o agente vai responder a título de culpa consciente. Nenhuma dessas 4 primeiras situações traz a responsabilidade penal objetiva. 4 . poderá diminuí-la de um sexto a um terço. Analisando-se o momento em previsível. Atenção: o simples desconhecimento da lei é inescusável.O agente bebia e previa o atropelamento. b) quantitativo (completa).

Atenção: → Diferenças entre Erro de tipo e Erro de proibição: Erro de Tipo . só diminui a pena (não exclui a culpabilidade). diminui a pena. 65. exigibilidade de conduta diversa. Para distinguir se o erro é evitável ou inevitável. sem seu consentimento. CP). Se inevitável. se prevista em lei. . mas pode gerar atenuante de pena (☺art. e. e nem sempre quem não conhece a lei desconhece a ilicitude. b) evitável. exigibilidade de conduta diversa e da potencial consciência da ilicitude. A doutrina moderna analisa as circunstâncias do caso concreto. b) evitável: era previsível. culpa e dolo (e este era constituído de consciência. a o a a Pergunta: Qual é a conseqüência da consciência da ilicitude deixar de ser atual (Teoria psicológica-normativa) para ser potencial (Teoria normativa pura)? Teoria Psicológico-normativa A culpabilidade é constituída de imputabilidade.Evitável: exclui consciência atual. Ex. nem sempre quem conhece a lei conhece a ilicitude. . porém não tem potencial consciência da ilicitude do seu comportamento. pois o erro evitável não exclui potencial consciência). se evitável. 21.Inevitável: exclui consciência atual ou potencial da ilicitude. isto é.Evitável: exclui consciência atual. . 3ª) o agente desconhece a lei e não tem potencial consciência da ilicitude do seu comportamento. concluindo. CP). Exclui dolo e culpa.Direito Penal – LFG – Intensivo I Situações e suas conseqüências: 1ª) o agente desconhece a lei. 2ª) o agente conhece a lei. porém tem potencial consciência da ilicitude. . mas desconhece ser ilícito. Não há erro de proibição. vontade e atual consciência da ilicitude). Teoria Normativa-pura A culpabilidade é constituída de imputabilidade.O erro de proibição também pode ser: a) inevitável: exclui a atual e a potencial consciência da ilicitude (exclui a culpabilidade – isenta o agente de pena).O agente não sabe o que faz.Inevitável: exclui consciência atual ou potencial da ilicitude.O agente sabe o que faz. CP). mas pune forma culposa. utilizava-se a análise do homem médio. Assim. se não era possível conhecer a ilicitude → erro de proibição (art. Erro de proibição: (só exclui a culpabilidade no erro inevitável. marido acredita que está no seu direito manter conjunção carnal com sua mulher. 86 . Erro de Proibição . em qualquer caso exclui dolo) se divide em: a) inevitável: e neste caso ele exclui previsibilidade. possibilidade de conhecer a proibição do fato. . ou seja. assim. não lhe era possível conhecer a proibição – ex. por isso só exclui a atual consciência da ilicitude.O erro de tipo essencial (que sempre exclui consciência – ou seja. dado por LFG: fabricar açúcar em casa é crime (Dec-lei 16/66) → é caso típico de erro de proibição (☺art. 21. assim. isenta de pena. Exclui apenas o dolo. Erro de proibição: (todo erro de proibição exclui a culpabilidade – há consciência atual em ambas as hipóteses) . II.

455/97). de acordo com o ordenamento jurídico. acaba por isentar o agente de pena no simples erro de proibição. A ECD. 22 (a conseqüência também está nesse artigo). A sociedade não pode delinqüir. pois. somente isenta o agente de pena quando o erro de proibição for inevitável. CP. II) Obediência hierárquica: Previsão legal: art. CP. não importando se evitável ou inevitável. elas: I) Coação irresistível: Previsão legal: art. poderá configurar apenas uma atenuante de pena (☺art. no CP. Não abrange a superioridade doméstica (pai e filho). ☺art. 22: “Se o fato é cometido sob coação irresistível ou em estrita obediência a ordem. na condição de autor imediato (art. Requisitos: . pois no evitável a potencial consciência persiste. O subordinado não é culpável nos estritos limites do cumprimento da ordem. São. ai está também o direito. c. temos duas hipóteses de inexigibilidade de conduta diversa. a coação irresistível há que partir de uma pessoa. Requisitos: . CP) ???. Além dos dois primeiros elementos exige-se que nas circunstâncias de fato. 22. b. A doutrina não trabalha sobre esse entendimento. 87 . homem traído em uma cidade pequena sente-se coagido pela sociedade). Entende que responde por constrangimento ilegal (art.que a ordem não seja manifestamente (claramente) ilegal. 1ª parte. . ou de um grupo. só é punível o autor da ação ou da ordem”. Conseqüências: só será punível o autor da coação (autor mediato). ou seja. Observações: a coação física exclui conduta (tipicidade). 2ª parte. nunca da sociedade. Obs. Erro de proibição indireto: é o erro de proibição oriundo de uma descriminante putativa. não manifestamente ilegal.que seja oriunda de superior hierárquico: ordem de superior hierárquico é a manifestação de vontade do titular de uma função pública a um funcionário que lhe é subordinado. . 65. Situações: 1ª) ordem ilegal: o superior hierárquico pratica crime.deve haver uma coação moral: promessa de realizar um mal injusto e grave. na condição de autor mediato. Pergunta: é possível alegar coação irresistível da sociedade? (Ex.deve ser irresistível: aquela em que o coato não tinha alternativa a não ser sucumbir a ela (ou seja. de superior hierárquico. Assim. prevendo como elementar indireta da culpabilidade a consciência atual da ilicitude. lei 9. tem duas excludentes. onde ela existe.: se a coação moral for resistível. 69. O coator responde por quais crimes? Responde pelo crime como autor mediato + tortura. CP). e ambas estão no art. e o subordinado também. eclesiástica (bispo e sacerdote) e privada (diretor e gerente de empresa). pois. Obs. ??? c) Exigibilidade de conduta diversa: Não é suficiente que o sujeito seja imputável e tenha cometido o fato com possibilidade de lhe conhecer o caráter ilícito para que surja a reprovação social (culpabilidade). I. ao se contentar com a potencial consciência. não é necessário que o mal prometido pelo coator se dirija contra o coato. 22. é de sucumbência inevitável). III.Direito Penal – LFG – Intensivo I Assim: A Teoria psicológico-normativa. tivesse o agente possibilidade de realizar outra conduta. 1°. Já a Teoria normativapura. Pode se dirigir contra pessoas ligadas ao coato. pois ambos excluem a atual consciência. Conseqüência: só é punível o autor da ordem.

Ex. 22. 26. . . a potencial consciência da ilicitude. pois. e a necessidade da pena.embriaguez acidental e completa (art. mais inovador do que destruidor. → *Desobediência civil: a desobediência civil é um fato que objetiva. ilícito e reprovável.obediência hierárquica (art. por motivo de consciência ou crença.: pai que não permite a transfusão de sangue no filho testemunha de Jeová). 22. 28. pela exigibilidade de conduta diversa – esta é uma válvula de escape para outras hipóteses de exclusão das dirimentes da culpabilidade. É possível causa supra legal de exclusão da culpabilidade. desde que não fira direitos fundamentais individuais (ex. 3ª) ordem não claramente ilegal: o superior hierárquico pratica crime. → Cláusula de consciência: nos termos da cláusula de consciência. Não há como o legislador prever todas as hipóteses de inexigibilidade de conduta diversa. 88 . b) dano causado pela desobediência não deve ser relevante. 27).Direito Penal – LFG – Intensivo I 2ª) ordem legal: o superior hierárquico. Tem como requisitos: a) desobediência fundada na proteção de direitos fundamentais.coação moral irresistível (art. caput). não pode prever todos os casos em que a inexigibilidade de outra conduta deve excluir a culpabilidade. e o subordinado estão ambos no estrito cumprimento de um dever legal (não respondem pro nada). legítima defesa futura e certa. Aqui termina o estudo das dirimentes.menoridade (art. mudar o ordenamento. Ex. Este rol não é taxativo. no final das contas. sendo. 3) Exigibilidade de conduta diversa: . abortamento do feto anencefáleco para a gestante. ela sim pressupõe a reprovabilidade e atua como limite da pena. É a única hipótese e é taxativa. § 1°). Este rol é taxativo. A Culpabilidade (funcional) não atua como elemento da reprovabilidade. 2) Potencial consciência da ilicitude: .doença mental (art. O caso concreto pode gerar outras hipóteses não previstas em lei.erro de proibição inevitável (art. 1ª parte). 21). São. Para Roxin. crime é um fato típico. Assim: Por mais previdente que seja o legislador. A reprovabilidade tem como elementos: a imputabilidade. hipóteses exemplificativas. Resumindo: Culpabilidade – dirimentes: 1) Imputabilidade: . praticar algum delito. → Culpabilidade Funcional: é a culpabilidade para Roxin. . estará isento de pena aquele que. o subordinado é não culpável (era inexigível comportamento diverso). 2ª parte). invasões de movimento sem terra: para ser não culpável não pode causar dano relevante. (em última instância). a exigibilidade de conduta diversa.

haveria mera diminuição de pena. legítima defesa futura e certa.Culpabilidade: inexigibilidade de conduta diversa (ex. A punibilidade não é um substrato do crime. da Lei 9. CP. se lhe é posterior.099/95 (transação penal e suspensão condicional do processo). .Ilicitude: consentimento do ofendido. desumanas e degradantes). extingue a punibilidade. contra quem praticou a conduta descrita no preceito primário. 5º. reduz de metade a pena imposta”. ilicitude e culpabilidade. As hipóteses de extinção da punibilidade estão no art.causas de extinção supralegal: . 107 2) CP – parte especial: art. não é absoluto. 107. Se não houvesse a súmula. 312. 107 é meramente exemplificativo. A punibilidade não é substrato do crime.Direito Penal – LFG – Intensivo I (13/05/09) PUNIBILIDADE: Os substratos do crime são: fato típico. se precede à sentença irrecorrível.FT: princípio da insignificância (exclui a tipicidade material – relevância da lesão ou perigo de lesão ao bem jurídico tutelado). 554. abortamento do feto anencefálico para a mãe). portanto. já que é o direito de punir do Estado. O direito de punir. 5) Causa supralegal: ex. O direito de punir é limitado. e pode ser extinto. Crime . → Causas de extinção da punibilidade: 1) CP – parte geral: art. há corrente lecionando que a imunidade parlamentar absoluta é causa de extinção da punibilidade (mas atenção: para o STF é causa de atipicidade – e esta é uma mostra de que o STF está adotando a tipicidade conglobante).: ☺súm. não obsta ao prosseguimento da ação penal” – é uma causa de extinção trazida pela jurisprudência. encontra limites: 1) limite temporal: prescrição 2) limite espacial: Princípio da Territorialidade (art.: art. a reparação do dano antes da sentença definitiva extingue a punibilidade): “No caso do parágrafo anterior. CRIME Fato Típico Ilícito Culpável Punível  Punibilidade é o direito que tem o Estado de aplicar a pena cominada no preceito secundário da norma penal incriminadora. STF: “O pagamento de cheque emitido sem provisão de fundos. após o recebimento da denúncia. seria aplicado o arrependimento posterior. 4) CR/88: Apesar de minoritária. 76 e art. 3) Legislação especial: ex. a reparação do dano. CP) 3) limite modal: Princípio da Humanidade ou da Humanização das penas (são proibidas as penas cruéis. desobediência civil. mas sim sua conseqüência jurídica. O rol do art. . Este é o conceito dado por Frederico Marques. causando dano ou lesão jurídica. §3º (no peculato culposo. 89. 89 . na lei de crimes ambientais e na legislação tributária também há casos. pois. é uma conseqüência do crime.

A condenação conserva a qualidade de título executivo judicial. II) Pela anistia. Parágrafo único . No STF prevalece a 2ª corrente.1ª corrente: havendo trânsito em julgado e sendo vedada a revisão criminal em favor da sociedade.2ª corrente: certidão falsa – fato inexistente – sentença inexistente – os efeitos de sentença inexistente não sofrem qualidade de coisa julgada material. graça e indulto são espécies de renúncia estatal ao direito de punir. graça ou indulto em crime de ação penal de iniciativa privada (o Estado não transfere o direito de punir. Certidão de óbito falsa . A morte extingue a punibilidade do agente a qualquer tempo – eis um desdobramento do Princípio da Personalidade ou Pessoalidade da Pena (☺art. por óbvio. a doutrina moderna vem admitindo como prova hábil para extinguir a punibilidade a sentença que reconhece a morte presumida (ex.A ação penal depende de queixa do contraente enganado e não pode ser intentada senão depois de transitar em julgado a sentença que. A morte da vítima extingue a punibilidade do agente nas ações penais privadas personalíssimas (o único caso de crime de ação penal personalíssima é do art. A prova da morte é caso de prova tarifária ou rígida. réu. é uma causa personalíssima de extinção da punibilidade (não se estende aos co-autores ou partícipes). A reabilitação. 236. não é possível: se o condenado já morreu. A morte do agente extingue a punibilidade eliminando todos os efeitos penais de uma eventual condenação. não sofrendo os seus efeitos a qualidade da coisa julgada material. como também reiniciar o processo antes extinto pelo art. CP. A doutrina clássica não admite.: LFG). CP: I) Pela morte do agente: Pela expressão “agente” entende-se indiciado. CPP) – só se prova pela certidão original de óbito. 107. graça ou indulto: Anistia.Conseqüências: . por sua vez. Mas na doutrina prevalece a 1ª corrente. CP: “Contrair casamento. não há sentido a sua reabilitação. anule o casamento”). Esta corrente é defendida por Mirabete e Pachelli. Vejamos cada um desses institutos: → Anistia: 90 . recorrente ou recorrido e o reeducando. A morte do agente não impede revisão criminal (uma vez que não extingue todos os efeitos. O crime que teve a punibilidade extinta não pode ser exumado. Considerando que a sentença se baseou em fato inexistente (objeto de certidão falsa). XLV. ou ocultando-lhe impedimento que não seja casamento anterior. Os efeitos civis permanecem. Em caso de morte presumida (por tempo de ausência ou de provável morte). 107. apenas os efeitos penais). só a titularidade do direito de ação). CR: “nenhuma pena passará da pessoa do condenado”). . passa a ser considerada também um ato judicial inexistente.Direito Penal – LFG – Intensivo I → Hipóteses do art. A morte. por motivo de erro ou impedimento. só resta ao MP perseguir a pena da falsidade material. 5º. Pode o MP não somente perseguir a pena da falsidade documental. sendo uma exceção ao Princípio da Liberdade de Provas (☺art. 62. induzindo em erro essencial o outro contraente. É perfeitamente possível haver anistia.

STF: “Admite-se a progressão de regime de cumprimento da pena ou a aplicação imediata de regime menos severo nela determinada. os efeitos civis permanecem. o condenado só não cumpre o restante da pena.Direito Penal – LFG – Intensivo I É espécie de renúncia estatal ao direito de punir. quando concedida após a condenação. → Graça e Indulto: A doutrina costuma conceituar graça e indulto conjuntamente. pode o recorrido fazer jus ao indulto? Ou o recorrido só pode ser agraciado se o recurso for apenas dele? 91 . ainda que esta seja provisória. pressupondo sentença condenatória. reparação do dano). que é o instrumento da graça e do indulto). preservando o tipo penal (não se trata de supressão da figura criminosa). de acordo com doutrina moderna. quando versa sobre crime comum. via decreto presidencial (☺art. XII. analisa casos abstratos. etc. servindo como título executivo. 84. quando versa sobre crime político. esquece um fato criminoso. b) imprópria. Atingem somente os efeitos executórios penais da condenação. quando concedida antes da condenação. mas continua a condenação servindo para reincidência. Esta lei é uma lei penal. a) comum. gerando maus antecedentes. b) restrita. Anistia se difere de abolitio criminis. já na abolitio criminis ocorre a supressão do tipo penal. quando exige condição pessoal do beneficiado (ex. a) incondicionada. PU. lei penal devidamente discutida no Congresso e sancionada pelo Executivo. subsistindo o crime. quando a lei impõe condição/requisitos para a sua concessão (ex. b) condicionada. a condenação e seus efeitos secundários (penais ou civis). São institutos extintivos da punibilidade. Como vimos. A anistia pode ser concedida antes (própria) ou depois (imprópria) da condenação. violando o princípio constitucional de que a lei não pode retroagir para prejudicar o acusado. 2°. em razão de clemência. podem ser concedidos antes da condenação? Não. STF – essa execução provisória exige. com a graça ou com o indulto. encampada pela jurisprudência. LEP. primariedade). o trânsito em julgado para o Ministério Público? Ou mesmo que o Ministério Público ainda esteja recorrendo cabe graça e indulto? O MP recorreu contra a pena.. É concedida através de ato legislativo federal. Isso quer dizer que o preso condenado provisoriamente tem direito à graça ou ao indulto. são espécies de renúncia estatal ao direito de punir. *Classificação doutrinária de anistia: a) própria. CR). apagando seus efeitos penais. A graça e o indulto pressupõem condenação definitiva. 716. social. O instrumento de anistia é a lei (e não o decreto. etc. incide sobre o tipo (recai sobre a lei). política. Ou seja. não pode a anistia ser revogada. incide sobre o fato. b) especial. pelo menos. Súm. concedidos ou delegados pelo Presidente da República. quando não exige condição pessoal do beneficiado (atinge a todos indistintamente). já que a anistia esquece um fato. a) irrestrita. a chamada lei penal anômala. Porém. porque a lei posterior revogadora prejudicaria os anistiados. quando a lei não impõe condição para a sua concessão. ou seja. A anistia apaga apenas os efeitos penais. ela trabalha casos concretos. hoje. ☺Súm. E a graça e o indulto. Uma vez concedida. os institutos pressupõem condenação. 716. pois o tronco dos dois institutos é o mesmo. Conceito comum: são benefícios que extinguem a punibilidade. através da qual o Estado. antes do trânsito em julgado da sentença condenatória” e o art.

É a única diferença entre os dois institutos. dizendo que o crime de tortura é insuscetível de anistia e graça. O benefício para a tortura não se estende aos demais crimes hediondos ou equiparados. CR: “a lei considerará crimes inafiançáveis e insuscetíveis de graça ou anistia a prática da tortura . b) Parciais: provocam diminuição ou substituição/comutação da pena. A graça é chamada de Indulto Individual. A lei de tortura não vedou o indulto. A lei 8. Portanto. o legislador ordinário não poderá estender ao indulto. se o recurso do MP não tiver efeito suspensivo. Portanto. Diferenças entre graça e indulto: Graça . se omitirem”. sob pena de ferir o Princípio da Isonomia. 5º. deu uma carta branca ao legislador constituinte. O legislador ordinário não poderá criar outras hipóteses.455/97. Classificação doutrinária da graça e do indulto: a) Plenos: quando extinguem totalmente a pena. o tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins. o terrorismo e os definidos como crimes hediondos. Isso é constitucional ou inconstitucional? a) 1ª corrente (LFG e Alberto Silva Franco): entende que é inconstitucional. pois. no seu art. a reparação de dano. o legislador ordinário não poderá estender ao indulto. Cabe. a primariedade do agente. os executores e os que. Essa primeira corrente tem os argumentos bastante sedutores. O que a lei 8. Não poderia o legislador ordinário suplantá-las. Isso está no art. a) Incondicionados: quando não impõem condições. Indulto . diferenciando-se do indulto coletivo. pois a Constituição traz vedações máximas taxativas. abrange o indulto.Onde estão as hipóteses de prisão civil no Brasil? Na Constituição da República. No mais. ressalvada a hipótese de possibilidade de interposição de recurso com efeito suspensivo por parte do Ministério Público. então todos os crimes hediondos equiparados devem fazer jus ao indulto. trazendo a Constituição vedações mínimas. 1º.Onde estão as hipóteses de imprescritibilidade? Na Constituição da República. Quando tudo parecia resolvido. pois a lei de tortura é especial. b) 2ª Corrente (STF): não revogou. XLIII. Observações: ☺art. etc.072/90.072/90. veio a lei 9. por eles respondendo os mandantes. Portanto. podendo evitá-los. 2º.É o benefício coletivo e independe de provocação do interessado. b) Condicionados: quando impõem condições como. entende que a proibição é constitucional. 5º diz que a lei definirá. O principal argumento é o seguinte: quando proíbe a graça.É o benefício individual e depende de provocação do interessado. a saber: . O art. . O que causou essa omissão? Vejamos os entendimentos: a) 1ª Corrente (LFG e Alberto Silva Franco): se permite indulto é porque revogou implicitamente a proibição da lei 8.072/90 fez? Ela prevê o indulto. diz que os crimes hediondos são insuscetíveis de anistia. art. §6º da lei. a execução provisória. Ela trabalha com o Princípio da Especialidade. O legislador não pode criar outras hipóteses. b) 2ª corrente. que é a do STF.Direito Penal – LFG – Intensivo I ☺Resolução nº 19 do CNJ. 1º: “A guia de recolhimento provisório será expedida quando da prolação da sentença ou acórdão condenatório. 92 . por exemplo. devendo ser prontamente remetida ao Juízo da Execução Criminal”. graça e indulto. a CR proíbe graça e anistia. É a única diferença entre os dois institutos. Como permite indulto para tortura.

diz que os crimes são insuscetíveis de anistia. ou. o seu direito de punir (perda reflexa). pois o MP continua legitimado (continua titular da ação). ocorre decadência sem extinção da punibilidade. Como essa lei não foi recepcionada. 44. Não é o que prevalece. do dia em que se esgota o prazo para oferecimento da denúncia”. não há suspensão do prazo decadencial. Previsão legal: art. P. CP: “Salvo disposição expressa em contrário. em regra. É possível graça e indulto para medida de segurança? Tem doutrina admitindo. pois não há previsão legal (o art. claramente. no caso do § 3º do art. graça e indulto. não se interrompe e não se prorroga. Privada A. P. já que o crime não existe mais. Privada Subsidiária Queixa ou representação: dia em que se conhece a Queixa subsidiária: dia em que se esgota o prazo autoria para o oferecimento da denúncia. P. Este tema foi estudado no início do curso. contado do dia em que veio a saber quem é o autor do crime. 6 meses. Prevalece que a medida de segurança é ordenada por perícia médica. Mas não há mais esse prazo. se decorrer o prazo de 6 meses ocorre decadência extinguindo a punibilidade. .DECADÊNCIA: Conceito: é a perda do direito de ação pela consumação do termo prefixado pela lei para o oferecimento da queixa (nas ações penais privadas) ou representação (nas ações penais públicas condicionadas). Pública Condicionada e A. perde o estado. o indulto parcial (é aquele que permite a substituição de internação por tratamento ambulatorial).343). o ofendido decai do direito de queixa ou de representação se não o exerce dentro do prazo de 6 (seis) meses. *Questão de concurso: na 1ª hipótese. 103. Esse prazo decadencial é um prazo penal. portanto. O prazo decadencial é. em seu art.O crime de adultério tinha o prazo de decadência de 1 mês. 38. Extinto o direito de ação. demonstrando. a decadência na lei de imprensa era passível de suspensão (o direito de resposta suspendia o prazo decadencial). decadência ou perempção: . 100 deste Código.Direito Penal – LFG – Intensivo I Por fim. devemos nos lembrar da Lei de Drogas (Lei 11. Principalmente. O prazo a ser aplicado é o da regra geral de 6 meses. Termo inicial do prazo decadencial: A. por conseguinte. é contado conforme o art.O prazo de decadência de 3 meses da lei de imprensa não é mais aplicado (o STF declarou que esta lei não foi recepcionada pela CR/88). Esse prazo não se suspende. A lei de drogas foi fiel à redação da lei dos crimes hediondos. a inércia do seu titular. OBS. LFG diz que. 103 prevê apenas queixa ou representação). mas ao órgão técnico. e a lei de tortura foi fiel à redação constitucional. III) Pela retroatividade de lei que não mais considera o fato como criminoso: (Abolitio criminis). é possível graça e indulto para medidas de segurança. 93 . CPP e art. Isso não compete ao Presidente da República. Não existe decadência na requisição do Ministro da Justiça.10. CP (conta o dia do início). apesar de incomum. Na 2ª hipótese. Mas há exceções (“Salvo disposição expressa em contrário”): . IV) Pela prescrição. que.

??? 4) *Querelante ingressou com queixa-crime. XLII. pois o MP reassume. CPP. É um desdobramento lógico do princípio da disponibilidade da ação penal privada. Hipóteses de perempção (art. a qualquer ato do processo a que deva estar presente. 3) Ocorrida a perempção. XLIV. CR. As razões intempestivas configuram mera irregularidade. Previsão legal: art. É a perda da pretensão punitiva ou da pretensão executória em razão do recurso do tempo. Ação de grupos armados. Racismo – ☺art. Se o querelante pedir implicitamente a condenação não há perempção (só há perempção quando o querelante requer a absolvição). MP requer a condenação: juiz pode absolver ou condenar. 60. CPP): I . que foi julgada improcedente. CR. iniciada esta. 36: CADI. O juiz abre vista para apresentar as razões. 5º.PRESCRIÇÃO: Conceito: É a perda do direito do Estado punir ou executar a punição já imposta em face do decurso do tempo. O querelante não apresentou contrarazões. O que importa é que a interposição do recurso seja tempestiva. O juiz abriu vista para apresentação de contra-razões. sem motivo justificado. dentro do prazo de 60 (sessenta) dias. ele prescreve. o processo não pode ser reiniciado (pois houve extinção da punibilidade). ressalvado o disposto no art. implicando a extinção da punibilidade. A jurisprudência entende que contra-razões é uma peça obrigatória. Neste caso.PEREMPÇÃO: É uma sanção processual imposta ao querelante inerte ou negligente. MP requer a absolvição: o juiz pode absolver ou condenar. ocorre a perempção. Por mais grave que seja o crime. esta se extinguir sem deixar sucessor: Questões de concurso: 1) Crimes conexos de ação privada: é possível a perempção de um e não de outro? Havendo crimes conexos pode ocorrer a perempção de um e o prosseguimento em relação ao outro. para prosseguir no processo. Se o querelante não comparece significa apenas que não quer fazer acordo. e 2. o querelante comum requer condenação: o juiz pode absolver ou condenar.quando. sendo o querelante pessoa jurídica. 5º.quando o querelante deixar de comparecer. Não se aplica à ação penal privada subsidiária da pública (não extingue a punibilidade). 60. falecendo o querelante. contra a ordem constitucional e o Estado Democrático – ☺art. O querelado (réu) recorreu. a perempção para um não afeta o direito do outro. 2) Na hipótese de dois querelantes. não comparecer em juízo. qualquer das pessoas a quem couber fazê-lo. Ação penal indireta: é o fenômeno em que o querelante subsidiário se queda inerte e o MP retoma o processo. em regra. Em razão da improcedência. II . querelante comum requer absolvição: o juiz não pode condenar.Direito Penal – LFG – Intensivo I . Temos 2 exceções: 1. civis ou militares. 5) Querelante ingressou com queixa-crime. IV . 94 . o querelante deixar de promover o andamento do processo durante 30 dias seguidos: prevalece que a perempção não depende de prévia advertência. ou sobrevindo sua incapacidade. pois gerou perempção.quando. Prescrição tem a ver com pretensão. que foi julgada procedente.quando. o querelante interpôs recurso tempestivamente. . III . ou deixar de formular o pedido de condenação nas alegações finais: não se considera ato de comparecimento obrigatório à audiência de conciliação. Neste caso não há perempção. As razões foram apresentadas intempestivamente.

O fundamento básico da prescrição pode assim ser resumido: o tempo faz desaparecer o interesse social de punir. pode ocorrer a perda da finalidade preventiva da pena. CP.): diz que os crimes do TPI são imprescritíveis (inclui a tortura). não há interesse de punir. não há interesse de punir. não do Estado. documento que torna a tortura imprescritível. Não bastasse isso.I. O Estado diz que depende da gravidade do crime praticado. é necessário trabalhar com a que menos diminui. extinguem todos os efeitos (civis e penais) de eventual condenação provisória. É importante distinguir os crimes de injúria qualificada pelo preconceito e o racismo: Injúria Qualificada pelo preconceito ou racismo impróprio (art. a saber: Prescrição da pretensão punitiva: Ocorre antes do trânsito em julgado da condenação para ambas as partes. 140. CP) O agente atribui qualidade negativa Prescritível Afiançável A. já se percebe que há duas hipóteses. ou seja. deve considerar causas de aumento e de diminuição de pena? Sim.716/89) O agente segrega a vítima do convívio social Imprescritível Inafiançável A. é preciso saber porque existe a prescrição. O Tratado de Roma (de direitos humanos) foi aprovado no Brasil com quorum comum. Pelo próprio conceito de prescrição. é necessário trabalhar com a que mais aumenta. Privada Racismo (lei 7. Essa discussão é recente. O STJ (sob a ótica civil) acolhe a 2ª corrente. etc. Atenção: se tiver causa de aumento variável (ex: 1/3 a 2/3).Direito Penal – LFG – Intensivo I O legislador ordinário não poderá criar outras exceções.). O Tratado de Roma (que instituiu o T. 1/3. 2/3. ou seja. 109. etc. prevalece a norma do tratado que torna a tortura delito imprescritível.P. 2ª corrente: considerando que no conflito entre a CF/88 e os tratados de direitos humanos deve prevalecer a norma que melhor atende os direitos do homem (princípio pro homine). Essa prescrição tem 04 subespécies: a) Prescrição da pretensão punitiva em Abstrato: ☺art. Vamos sintetizá-los. Ele irá analisar a pena máxima em abstrato prevista para o crime.P. Se enfraquece a prova. 3ª corrente: a imprescritibilidade trazida pelo tratado é incompatível com o direito penal moderno e com o estado democrático de direito. nem Emenda Constitucional o pode. O instituto da prescrição está fundamentado em quê? Damásio traz 13 fundamentos (Ex: o decurso do tempo faz punir uma pessoa psicologicamente. Antes de analisarmos cada uma das suas espécies. E se tiver causa de diminuição variável (ex: 1/3 a 2/3). considerando que o Tratado de Roma. 95 . tem status supralegal.P. Para encontrar a pena máxima em abstrato. se perde a finalidade preventiva da pena. Criar outras hipóteses de imprescritibilidade é ampliar o direito de punir do Estado. Pública Incondicionada O crime de tortura prescreve? CF/88 diz que a tortura é prescritível. deve prevalecer a CF/88. 1ª corrente: considerando que a CF/88 rotulou a tortura como um delito prescritível. e só é possível se ampliar as garantias do homem. Por que existe esse artigo? O Estado deve dizer para nós até quando perdura o seu direito de punir. Deve-se trabalhar com a “Teoria da Pior das Hipóteses” (deve-se encontrar sempre a maior pena). portanto tem status supralegal. Gilmar Mendes já deu a entender que adota a 1ª corrente.

III. 397. É necessário analisar duas espécies de balizas prescricionais: 1. O Min. a extinção da punibilidade incidirá sobre a pena de cada um. Numa extorsão mediante seqüestro. do dia em que cessou a atividade criminosa: do último ato executório. Procedimento diverso do Júri: há 03 balizas prescricionais: I – Data do fato (☺art. Obs.nos crimes permanentes. 111. Por isso. permite inclusive o julgamento antecipado da lide – absolvição sumária. ao tempo do crime. Esse crime só se consuma com reiteração de ato.pela publicação da sentença ou acórdão condenatórios recorríveis”.Direito Penal – LFG – Intensivo I Exceção: Não se considera aumento oriundo de concurso de crimes – ☺art. há balizas prescricionais. Se o juiz condenar A e absolver B. CP – enquanto não cessados os atos habituais.O acusado não será responsabilizado pelas custas processuais. Hipóteses de interrupção da prescrição (art.Eventual sentença condenatória provisória é rescindida. CP: “São reduzidos de metade os prazos de prescrição quando o criminoso era. 111 c/c art. ☺art. A partir do segundo ato. Por que a mãe do Pedrinho foi condenada? Porque a mãe do Pedrinho foi preenchida pelo inciso III e pelo inciso IV.Desaparece para o Estado o seu direito de punir. CPP. a prescrição é interrompida. O prazo é penal (computa-se o dia do início. ela pôde ser condenada por tudo. na data da sentença. enquanto a vítima não for libertada. A prescrição deveria correr a partir do segundo ato sexual. O STF equiparou crime habitual a crime permanente. II . CP): Os incisos V e VI interrompem a prescrição da pretensão executória. exclui-se o dia do fim). . Essa casa continuou servindo para esses atos até dezembro de 2008. O Min. A prescrição começa a correr do segundo ato ou começa a correr quando se fechar a casa de prostituição? O STF equiparou esse fato ao art.no caso de tentativa. menor de 21 (vinte e um) anos. Ex: casa de prostituição. não é seguro considerar agravante ou atenuante antes de o juiz se manifestar. IV . Exceção: a atenuante da menoridade e da senilidade reduz o prazo prescricional pela metade – ☺art. mesmo que o resgate já tenha sido pago. da data em que o fato se tornou conhecido.Terá direito a restituição integral da fiança. ☺art.do dia em que o crime se consumou: esta é a regra. 115. . Marco Aurélio alegou analogia in malan partem. quando começará a correr prescrição? Crime habitual é um crime que para a sua tipificação exige reiteração de atos. 111.pela decisão confirmatória da pronúncia.pela pronúncia. a prescrição não corre. maior de 70 (setenta) anos”. deve considerar a agravante e a atenuante de pena? Uma agravante tem aumento determinado por lei ou fica a critério do juiz? Fica a critério do juiz. O primeiro ato ocorreu em dezembro de 2006. Logo. Efeitos da prescrição da pretensão punitiva em abstrato: .pelo recebimento da denúncia ou da queixa. 117: “O curso da prescrição interrompe-se: I . Marco Aurélio ficou vencido. inclusive para B que foi absolvido. . Este assunto será comentado adiante.nos de bigamia e nos de falsificação ou alteração de assentamento do registro civil. CP. III . isoladamente”. já se tem o crime. CP) 96 . inviabilizando qualquer análise do mérito. 119. que traz uma regra e 3 exceções): I . Irá interromper para todos os autores. 117. Não tem valor definido em lei. A reincidência aumenta o prazo da prescrição executória. de acordo com o art.: quando se diz que inviabiliza a análise do mérito. a prescrição não corre. IV . III . 117. CP. ficando a critério do juiz. a prescrição não corre. Termo inicial da prescrição (art. A falsificação de documentos só foi revelada com o fato. ou. Enquanto ela manteve o Pedrinho com ela. Para encontrar a pena máxima em abstrato. No caso de concurso de crimes. cada crime prescreve isoladamente: “No caso de concurso de crimes. Obs. 111. IV. quando foi fechada.: E no caso de crime habitual. não se operando qualquer efeito de eventual condenação. se houver prestado. II . Não basta o primeiro ato sexual comercializado dentro dessa casa. crime de seqüestro. do dia em que cessou a permanência: Crime permanente enquanto não cessar a permanência.

Quanto tempo o Estado tem para receber a inicial. continua considerando a pronúncia e a confirmação da pronúncia como interruptivas da prescrição? ☺Súm. Se o Estado extrapolar 08 anos em qualquer uma das balizas. I – Data do fato (☺art. o juiz deve declará-la de ofício em qualquer fase do processo. Se o MP tivesse denunciado por homicídio culposo desde logo. I. Qual das duas correntes prevalece? O MP/SP adota a primeira. I. STJ: A prescrição penal é aplicável nas medidas sócio-educativas. 61. 117. a absolutória não). CP). Então. STJ – A pronúncia é causa interruptiva da prescrição. mas a confirmação de uma condenação no procedimento ordinário não zera. pois não se pode negar uma determinada carga punitiva nas medidas sócio-educativas. CP) III – Pronúncia (☺art. Ex: Imagine um crime de furto simples – pena de 01 a 04 anos e multa. 191. 117. II. O juiz pode reconhecer a prescrição de ofício? Ou depende de provocação? ☺art. o cronômetro zera. interrompendo essa prescrição? 08 anos (de acordo com o art. Se o juiz condena. 109. CP) II – Recebimento da inicial (☺art. ainda que o Tribunal do Júri venha a desclassificar o crime. 111. II) realizando analogia. mas sim. III. Então. CP) IV – Confirmação da Pronúncia (☺art. 117. Somente o acórdão condenatório (que reforma uma absolvição de 1° grau) interrompe a prescrição. CP). 117. CP). quanto tempo tem para transitar em julgado? Mais 08 anos. quanto tempo o Estado tem para publicar a condenação? 08 anos. Daqui vai até o trânsito em julgado. Há duas correntes: I) nos atos infracionais não há pretensão punitiva do Estado. O procedimento é do Júri. teriam 3 balizas prescricionais. Quantas balizas se têm? 5. 117. A confirmação zera no júri. A prescrição é matéria de ordem pública. CPP. É uma condenação pelos jurados. ??? 2.Direito Penal – LFG – Intensivo I II – Recebimento da inicial (☺art. sócio-educativa. Por isso. CP) III – Publicação da sentença condenatória (☺art. o cronômetro zera. Em cada interrupção. IV. Daqui vai até a decisão final (com o trânsito em julgado). Como o cronômetro zerou. ele terá 3 balizas prescricionais. mas o STJ sumulou a segunda – ☺Súm. julgando e condenando por homicídio culposo. V – Condenação. 111. o tribunal só confirma a condenação: o acórdão confirmatório não interrompe a prescrição. Os jurados. Procedimento do Júri: Há 05 balizas prescricionais. CP). não há prescrição de atos infracionais. sem ser provocado. Se o Estado recebeu em 08 anos. 338. ocorrerá a prescrição da pretensão punitiva. Data do fato é o termo inicial (☺art. deve-se zerar o cronômetro. ato infracional também prescreve. Se o Estado conseguiu publicar a condenação (só a condenatória interrompe. Ex: Vamos supor que o MP denunciou por homicídio doloso. O Ato infracional prescreve? É um fato previsto como crime praticado por adolescente infrator. Os jurados condenam por homicídio culposo. O crime é processado diverso do júri. Portanto. 97 .

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b) Prescrição da pretensão punitiva superveniente (intercorrente): ☺art. 109 e art. 110, §1º, CP: A prescrição, depois da sentença condenatória com trânsito em julgado para a acusação, ou depois de improvido seu recurso, regula-se pela pena aplicada. Antes da sentença recorrível, não se sabe qual a quantidade ou o tipo da pena a ser fixada pelo juiz, razão pela qual o lapso prescricional regula-se pela pena máxima prevista em lei. Trabalhava-se com a pena máxima, porque a pena poderia em tese chegar ao máximo. Contudo, fixada a pena, ainda que provisoriamente, transitando esta em julgado para a acusação, não mais existe razão para se levar em conta a pena máxima em abstrato, já que a pena aplicada (provisória) passou a ser a pena máxima para o caso concreto. Mesmo que haja recurso da defesa, está vedada a reformatio in pejus. Características dessa espécie de prescrição: - Pressupõe sentença ou acórdão penal condenatório; - Os prazos prescricionais são os mesmos do art. 109, CP; - Conta-se a prescrição da publicação da sentença condenatória até a data do trânsito julgado final (para ambas as partes); - Pressupõe trânsito em julgado para a acusação ou o seu recurso improvido, no que se relaciona com a pena aplicada. Somente esse pressuposto que transforma a prescrição em abstrato em superveniente. Efeitos (os mesmos da prescrição da pretensão punitiva em abstrato, pois são espécies do mesmo gênero): - Desaparece para o estado seu direito de punir, inviabilizando qualquer análise de mérito. - Eventual sentença condenatória provisória é rescindida, não se operando qualquer efeito (penal ou civil). - O acusado não será responsabilizado pelas custas processuais. - Restituição da fiança (se a houver prestado). Ex: furto simples – 01 a 04 anos. Quantas balizas prescricionais? 03. Da data do fato até o recebimento da inicial, o Estado tem 08 anos para receber. Recebida a inicial, quanto tempo o Estado tem para publicar a condenação? 08 anos. Publicada a condenação, quanto tempo o Estado tem para o trânsito em julgado final? Vamos supor que ele foi condenado a 01 ano. Quanto tempo o Estado tem? Não há dados suficientes. Primeira situação = MP recorre. Se o MP recorre não pode falar da prescrição superveniente. Essa pena pode chegar até 04 anos. Então, continua utilizando a pena do art. 109, CP. Ou seja, os mesmos 08 anos. Segunda situação = MP não recorre. E agora? Se o MP não recorrer, não se trabalhará com a pena de 04 anos, mas com a pena de 01 ano. Logo, deverá trabalhar com a pena de 01 ano c/c com o art. 109, CP. Conclui-se que o Estado terá 04 anos. Falará em prescrição punitiva superveniente. Obs.: Importante parcela da doutrina (Cezar Roberto Bittencourt) ensina que eventual recurso da acusação só evita a prescrição superveniente se, buscando aumento da pena, for provido e a pena aumentada pelo Tribunal. Se o MP só atacar benefícios, buscar cassação de sursi, a pena terá transitado em julgado. Neste caso, opera-se a prescrição superveniente. O juiz de 1º grau pode reconhecer a prescrição superveniente? Há divergência. Uma 1ª Corrente (Fernando Capez) entende que não pode, pois com a sentença o juiz esgota a sua jurisdição. Uma 2ª Corrente (LFG) entende que, sendo matéria de ordem pública, o juiz pode reconhecer a prescrição a qualquer tempo (art. 61, CPP), desde que haja o trânsito para a acusação. Essa segunda corrente é a que prevalece.

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c) Prescrição da pretensão punitiva retroativa: ☺art. 109 e art. 110, §2º, CP: A prescrição, de que trata o parágrafo anterior, pode ter por termo inicial data anterior à do recebimento da denúncia ou da queixa. O nosso legislador é “leigo” nesse caso, porque ele coloca a prescrição retroativa no §2º, e dá a impressão de que só se pensa na retroativa se não conseguir encontrar a superveniente, quando o certo é exatamente o contrário. A PPP Retroativa pressupõe trânsito em julgado para a acusação. Ex.: furto simples, cuja pena é de 1 a 4 anos. Da data do fato trabalhamos com a prescrição da pretensão punitiva em abstrato. Assim, o Estado tem 8 anos para receber essa inicial. Supondo que ele receba em 5 anos, não prescreveu e, não só não prescreveu como também se interrompe a prescrição quando do recebimento, zerando o cronômetro. Do recebimento até a publicação da condenação, o Estado tem mais 8 anos. Se o Estado publica a condenação em 2 anos, também não prescreveu. Supondo que nessa condenação o juiz aplicou uma pena de 1 ano e desta pena o MP não recorre. Assim, a pena de 1 ano passou a ser a pior das hipóteses. É exatamente esta pena que, combinada ao prazo do art. 109, é que encontramos o prazo de 4 anos. O Estado tem então que julgar o recurso da defesa em 4 anos. Antes mesmo de torcer para o Estado não julgar esse recurso da defesa em 4 anos pode-se analisar se ocorreu a prescrição retroativa. Na primeira baliza (5 anos) houve prescrição retroativa. A prescrição da pretensão punitiva retroativa tem o mesmo fundamento, as mesmas características e idênticas conseqüências da prescrição superveniente, mas, tem por termo inicial data anterior à sentença condenatória recorrível. Ou seja, ao contrário da superveniente, vai da sentença condenatória recorrível para trás (e não para frente). No mais são iguais.

d)

Em perspectiva ou Por Prognose ou Antecipada ou Virtual: São todas expressões sinônimas para a mesma coisa. Ela não tem previsão legal. É criação da jurisprudência com a qual o STF não concorda. Ex.: crime de furto, cuja pena é de 1 a 4 anos. Dentro de uma prescrição da pretensão punitiva em abstrato, o Estado tem 8 anos para receber a inicial. Decorridos 6 anos, o Estado ainda não a recebeu. Ocorre que o indiciado é primário, tem bons antecedentes, não há causas de aumento, e não há agravantes. Assim, em perspectiva, de maneira antecipada, por prognose, é possível imaginar que a pena em concreto dele será de 1 ano (levando-se em conta todas essas considerações). Se esta é a pena e se dela o MP não recorreria porque justa, a prescrição retroativa fatalmente será de 4 anos, e já temos 6 anos sem que tenha sido recebida a inicial, pode-se, por economia processual, em face de clara falta de interesse de agir, ter a prescrição da pretensão punitiva em perspectiva. Na prescrição da pretensão punitiva em perspectiva, o juiz, analisando as circunstâncias do fato, bem como as condições pessoais do agente, antevê a ocorrência da prescrição da pretensão punitiva retroativa, concluindo pela falta de interesse de agir do órgão acusador. O STF não aceita essa criação jurisprudencial e não trabalha com ela. O MP e a magistratura de SP a admite. No mais, ela tem as mesmas características das demais prescrições da pretensão punitiva. Ela apaga todos os efeitos (penais ou extra-penais).

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Prescrição da pretensão executória: ☺art. 110, caput, CP. Ocorre depois do trânsito em julgado final pras duas partes (não só para o MP, caso seja trânsito em julgado só para o MP fala-se ainda em prescrição da pretensão punitiva). Características: - considera-se a pena em concreto (não há mais razão para se aplicar a pena máxima em abstrato porque já se tem a pena em definitivo), - pressupõe trânsito em julgado final, e - os prazos são os do art. 109, CP, aumentados de 1/3 se o agente for considerado reincidente na sentença (atenção: o que é aumentado de 1/3 é o prazo prescricional, e não a pena!). Cuidado: não se aplica este aumento se esta prescrição for da pretensão punitiva (isso seria analogia in mallam partem), só na prescrição da pretensão executória. Reconhecida esta espécie de prescrição, quais são as conseqüências? Extingue-se somente a pena aplicada, sem, contudo, rescindir a sentença condenatória (que produz efeitos penais e extra-penais – ou seja, continua gerando reincidência, continua sendo executada como título judicial, etc.). Ou seja, subsistem todos os efeitos secundários da condenação. Ela só impede a execução da pena. Os demais efeitos permanecem. Inicia-se do trânsito em julgado para a acusação (art. 112, CP). Ex. se o acusado foge da prisão, começa a correr o prazo prescricional (inciso II). A prisão e a fuga interrompem essa prescrição. Art. 113, CP: no caso de fuga, a prescrição regula-se pelo prazo restante a ser cumprido.

(27/05/09) Para recordar: furto, cuja pena é de 1 a 4 anos. Da data do fato até o recebimento da inicial falase em prescrição da pretensão punitiva em abstrato. Do recebimento da inicial até a publicação da sentença da condenação, fala-se em prescrição da pretensão punitiva em abstrato. Publicada a condenação, até o trânsito em julgado definitivo (sem se dizer que transitou para o MP), fala-se ainda em prescrição da pretensão punitiva em abstrato. Mas, tendo transitado para a acusação (que não recorreu ou teve seu recurso improvido), agora sim fala-se em prescrição da pretensão superveniente (que vai da publicação da sentença pra frente) ou na retroativa (que vai da publicação da sentença para trás). Agora: transitada em julgado definitivamente a sentença condenatória, podemos falar em prescrição da pretensão executória, que começa a ser contada, em regra, do trânsito em julgado para o MP (☺art. 112, CP). Ela pressupõe um transito em julgado definitivo, mas o seu termo inicial é o trânsito em julgado para o MP (ela retroage no trânsito em julgado). Art. 112 – Termo inicial da prescrição após a sentença condenatória irrecorrível: “... do dia em que transita em julgado a sentença condenatória para a acusação...”. Ocorre que o próprio art. 112 traz 2 exceções: no caso de sursis ou livramento condicional, ela começa a correr do dia em que se revogam tais benefícios, ou, em caso de fuga, ela começa a correr do dia em que houve a fuga. Essa pretensão executória começa a correr e pode ser interrompida. ☺art. 117, V e VI, CP: ela interrompe-se pelo início ou continuação do cumprimento da pena e pela reincidência (obs.: os primeiros 4 incisos dizem respeito à interrupção da prescrição da pretensão punitiva, mas os dois últimos dizem respeito à prescrição da pretensão executória, que também pode ser interrompida).

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Isso significa que devemos jogar no art. Pouco importa a idade que se tinha no momento da conduta do crime. Atenção: são os prazos prescricionais que são reduzidos pela metade e não a pena. portanto. mas sim causas suspensivas da prescrição (causas que fazem parar o cronômetro).O STF decidiu que o Estatuto do Idoso (que determina que é idoso quem tem mais de 60 anos) não alterou o art. desconsiderando o tempo pretérito. Observações: . É necessário ter 21 anos na data da conduta. É necessário ter 70 anos até a primeira condenação (essa condenação pode ser de 1° grau ou em grau de recurso).U.Esta hipótese de benefício prescricional não foi abolida pelo novo CC. 116. que aconteceu em 01/01/90. só o idoso com mais de 70 anos é beneficiado. ☺art. 101 . na data da sentença. Então também não podemos falar nela. O réu foi condenado a 1 ano. neste caso sim podemos falar em prescrição da pretensão executória (4 anos do dia 09/05/95 até a data da prisão – 10/10/99). CP – ele não traz causas interruptivas da prescrição. Interrompe a execução e zera o prazo. ele fugiu faltando 10 meses).Direito Penal – LFG – Intensivo I Exemplos: Furto. Ocorreu alguma prescrição? Não se pode falar em prescrição da pretensão punitiva em abstrato. Mas vamos supor que o Estado conseguiu prender no dia 12/06/98. suspensão pára o cronômetro”. cuja pena é de 1 a 4 anos.suspensão: não dá novo lapso prescricional. O MP não recorreu. Ocorreu a prescrição? Não ocorreu o tempo superior a 4 anos desde o trânsito em julgado para o MP.É preciso olhar a idade do criminoso (menor de 21 anos) no tempo da conduta (ação ou omissão) e não do resultado. A interrupção vem tratada no art. 116. portanto. Os incisos I e II trazem a suspensão da PPP. mesmo com o advento do Estatuto do idoso. 115. na data da sentença.Ademais. O Estado recebeu a denúncia em 10/05/93. Se na 1ª condenação for absolvido. Essa condenação transitou em julgado para o MP em 09/05 do mesmo ano. Então não houve a prescrição da pretensão punitiva retroativa. . A lei chama de causas impeditivas. mesmo em acórdão meramente confirmatório. a prescrição é regulada pelo tempo que resta da pena”. Mas supondo que passados 2 meses ele foge. CP. menor de 21 (vinte e um) anos. Agora o Estado tem quanto tempo para recuperálo? ☺art. . Essa é a posição do STF. Mas e a superveniente? É também em 4 anos. traz a suspensão da pretensão da prescrição executória (PPE). Já o P. ou seja. mas é a mesma coisa. em grau de recurso. 109. Do recebimento da denúncia. Causas suspensivas: ☺art. maior de 70 (setenta) anos. ao tempo do crime. 117. Mas não temos 4 anos de 95 a 98. será reduzido o prazo se. 115. CP: São reduzidos de metade os prazos de prescrição quando o criminoso era. Redução dos prazos de prescrição pela metade. ou. Este é o prazo prescricional. Houve a prescrição da pretensão executória? O termo inicial é o trânsito em julgado para o MP. . A defesa recorre e o processo é julgado definitivamente em 10/06/98. porque este é o restante da pena a cumprir. Diferenças: . CP. quanto tempo o Estado tinha até a data do fato? 4 anos. Mas vamos supor que o Estado só conseguiu prender o agente dia 10/10/99. conta-se a prescrição a partir do acórdão condenatório. O CP está preocupado com a idade biológica e não com a capacidade civil do agente. o condenado tiver mais de 70 anos. CP: “no caso de evadir-se o condenado ou de revogar-se o livramento condicional. A publicação da condenação ocorreu no dia 08/04/98. 113. ☺art. Então. Se for condenado com menos de 70 anos e. considerando o tempo pretérito. CP 10 meses (ele já cumpriu 2 meses. não terá o benefício. Pergunta: houve prazo superior a 4 anos? Não houve. o sujeito tem mais de 70 anos. . “Interrupção zera o cronômetro. e por isso o Estado terá 2 anos para recapturá-lo.interrupção: dá novo lapso prescricional.

desde que na facultativa o juiz resolva acatá-la. §6º – suspensão condicional do processo – não correrá a prescrição durante o prazo de suspensão condicional do processo. ☺art. do CPP. Observações: As causas suspensivas e interruptivas da prescrição da pena de multa são as da lei de execução fiscal e não as do CP! Com o advento da Lei 6.Se a pena de multa for alternativamente cominada com pena privativa de liberdade (“ou multa”). Embora a lei não seja expressa. ficarão suspensos o processo e o prazo prescricional. PPP: pena máxima em abstrato. É possível: É possível: PPP: pena máxima em abstrato. nem constituir advogado. art. ainda. Ocorre que o STF entendeu que a prescrição também ficará suspensa até o comparecimento do acusado. . . ☺CR. prescreve em 2 anos. E a PPE existe na medida de segurança? PPE: pena em concreto. prescreve junto com a privativa de liberdade. 2ª corrente: só se aplica a PPP. 92 a 94. Há também causa suspensiva prevista no CPP: ☺art. Há. se reduz a pena ou se substitui por medida de segurança. §§ 3° ao 5º: imunidade que tem o deputado pelos crimes praticados após a diplomação – “a sustação do processo suspende a prescrição enquanto durar o mandato”. prescreve junto com a privativa de liberdade. Quando a captura 102 . CPP – se o acusado citado por edital não comparecer. . a prescrição é a mesma pressupõe fixação de pena. 1) Prescrição da pretensão punitiva da multa: . 366.Se a multa for cumulativamente cominada com pena privativa de liberdade (“e multa”).Se a pena de multa for a única cominada.U. a doutrina entende que ambas são abrangidas. 89.Direito Penal – LFG – Intensivo I ☺inciso I – Questões prejudiciais dos arts. Não se trata de uma hipótese de imprescritibilidade.Se ela foi cumulativamente aplicada.Se a pena de multa é a única aplicada. 53. o juiz decide (prazo mínimo de 1 a 3 anos). Já a prescrição ficaria suspensa pelo tempo da prescrição da pretensão punitiva do Estado. prescreve também juntamente com a prescrição da pena privativa de liberdade. 114. porque a executória Para o semi-imputável. prescreve em 2 anos.830/80 (que fala que o não pagamento da multa é dívida ativa). porque se o prazo existe é porque pode haver a prescrição.099/95. Trata da prescrição da pretensão executória: “Depois de passado em julgado a sentença condenatória”. 116 é apenas exemplificativo. Há aquelas que são obrigatórias e as que são facultativas. São as questões das quais dependem o reconhecimento da existência do crime. O art. Outras causas suspensivas As causas suspensivas não estão apenas no CP. ☺P. CP: prescrição da pena de multa. acima exposta. art. Após. A prescrição na medida de segurança: Medida de segurança: sanção penal imposta ao agente inimputável ou semi-imputável. É uma proteção à nossa soberania. causa suspensiva prevista em legislação especial: ☺Lei 9. Inimputável Semi-imputável Processo – absolvição + medida de segurança Processo – condenação (pena). Questões prejudiciais suspendem a prescrição. 1ª corrente: só se aplica a PPP. 2) Prescrição da pretensão executória da multa: .: enquanto se cumpre uma pena por um crime não pode correr o prazo prescricional para os outros crimes. as causas suspensivas e interruptivas são aquelas previstas na Lei de Execução Fiscal. O processo fica suspenso até o comparecimento espontâneo ou forçado do acusado (até demonstrar que tem ciência da acusação). ☺inciso II – não corre a prescrição enquanto o agente cumpre a pena no estrangeiro.

por seu representante legal ou procurador com poderes especiais.Não gera extinção da punibilidade. 50.099/95 A renúncia é instituto exclusivo de ação penal de A renúncia é.Pode ser: lógica. Consequência: Consequência: extinção da extinção da punibilidade. nos crimes de ação privada: Renúncia: art. PU. Nem sempre a prescrição acarreta a perda do direito de ação. 3ª corrente: aplicam-se ambas as prescrições (PPP e PPE). . 104. CP). . A renúncia é sempre extraprocessual. Perempção . O STF adota essa corrente. Exceção: art. 74. Conceito: entende-se o ato unilateral do ofendido ou de seu representante legal abdicando do direito de promover a ação penal privada. (art.Sanção processual ao querelante inerte ou desidioso. instituto possível somente iniciativa privada. 103 . extinguindo-se a punibilidade. 104. CP. decurso do tempo. Preclusão Perda de uma faculdade processual. Ela pode ser extraprocessual: . antecede o início da ação penal. V) Pela renúncia do direito de queixa ou pelo perdão aceito. 74. PU: o acordo homologado acarreta renúncia ao direito de queixa ou representação. punibilidade.Perda da pretensão ação em face do punitiva ou executória.099/95 Depois da lei 9. Parágrafo único. calculando-se a executória com base na pena máxima em abstrato fixada para o crime. 107. V. não a implica. Conseqüência: extinção da punibilidade. mas é uma renúncia que não gera a extinção da punibilidade.tácita: prática de ato incompatível com a vontade de exercer a queixa (ex. todavia. PU admite renúncia em ação penal pública condicionada à representação. consumativa ou temporal. convidar caluniador para ser padrinho de casamento).099/95 O fato de receber o ofendido a indenização do O fato de receber o ofendido a indenização. Acordo judicial acarreta renúncia tácita? Art. Exceção: art. não gera renúncia tácita. o fato de receber o ofendido a indenização do dano causado pelo crime. na ação penal privada. É possível renúncia depois que o processo já começou? Não. Cabe renúncia em ação penal privada subsidiária? Sim. QUADRO RESUMO: Decadência Prescrição . em dano causado pelo crime não gera renúncia tácita regra.099/95 Depois da lei 9. 1ª parte.Importa renúncia tácita ao direito de queixa a prática de ato incompatível com a vontade de exercê-lo. Antes da lei 9. . O MP passa a ser o único legitimado. Ela impede o processo. em regra.expressa: art. deve ser analisada a real necessidade da medida.Direito Penal – LFG – Intensivo I do inimputável ocorrer após o decurso do prazo mínimo de sanção. CP . CPP: A renúncia expressa constará de declaração assinada pelo ofendido. Existe renúncia em ação penal pública? Antes da lei 9.Perda do direito de .

tacitamente perdoa o autor 2. é trazer a verdade novamente à tona. 2ª parte.Direito Penal – LFG – Intensivo I A renúncia admite retratação? Art. Qualquer condição deve ser tida pelo juiz como não escrita. processual . O perdão decorre do princípio da disponibilidade. Pelo princípio da indivisibilidade. Pode ser expresso ou tácito. No caso em que há várias vítimas e apenas um autor: as vítimas têm direitos autônomos e independentes. Não há exceção! Na ação penal privada subsidiária é possível o perdão do ofendido. O artigo 49 traz o critério da extensibilidade da renúncia. simplesmente. O MP retoma a legitimidade: ação penal indireta. CP . Pode ser expressa ou tácita (ex. desculpando o ofensor pela prática do crime. (03/06/09) VI) Pela retratação do agente. Excepcionalmente é cabível em ação penal Exclusivo de ação penal privada.bojo dos autos. no cartório). pública. dos autos (ex. 107. É mais: é retirar totalmente o que disse.O direito de queixa não pode ser exercido quando renunciado expressa ou tacitamente. Pluralidade de autores: se a vítima perdoa o autor 1. CPP). Conceito: é o ato pelo qual o ofendido ou seu representante legal desiste de prosseguir com andamento de processo já em curso. V. se a vítima renuncia com relação a um autor. Perdão Pode ser: extraprocessual – fora dos autos (ex. 104. processual . nos casos em que a lei a admite: Esta retratação é a retratação extintiva da punibilidade. O instituto da renúncia decorre do princípio da oportunidade da ação privada. processual .bojo dos autos. Pode ser expressa. 104 .bojo dos autos. mas não há extinção da punibilidade. Obsta a formação do processo. negar ou confessar o fato. O que é retratar-se? Não significa. Não existe silêncio). tacitamente renuncia com relação aos demais (art. Após o trânsito em julgado (na fase de execução) não é possível. Aceitação Recusa Pode ser: extraprocessual – fora Pode ser: extraprocessual – fora dos autos (ex. CP. no cartório). Ato unilateral. Perdão do ofendido: art. A ação privada passa pelo crivo da conveniência e oportunidade da vítima. recusa tácita. Extingue-se a punibilidade de quem aceitou o perdão. Só é possível o perdão do ofendido em ação penal privada. Pode ser extra ou processual. Decorrente do princípio da disponibilidade. Em síntese. ocorre renúncia. Renúncia Perdão Decorrente do princípio da oportunidade. 49. O perdão deve ser concedido durante o processo. É possível perdão condicionado? E aceitação condicionada? Todo perdão e toda aceitação são incondicionados. Ato bilateral. Extraprocessual. O perdão é um ato bilateral (diferente da renúncia que é unilateral). Antes. O que extingue a punibilidade é o perdão aceito. Pressupõe processo já formado. declaração em cartório).

Ex. CP) 4. diferentemente do perdão do ofendido. é a perda do interesse estatal de punir. Falso testemunho (☺art. §2º: “O fato deixa de ser punível”. antes da sentença no processo em que ocorreu o ilícito. pai que esquece o filho dentro do carro. 143. São hipóteses taxativas. aplica-se o CP no tocante à retratação. pode se retratar até a sentença de 1º grau. logo é comunicável. O que aconteceu com a lei de imprensa? Ela foi considerada não recepcionada pela CF/88 na ADPF nº 130. se retrata cabalmente da calúnia ou da difamação. 143. Ato unilateral: A retratação para extinguir a punibilidade prescinde da concordância da vítima. O perdão judicial. CP – “antes da sentença” – c/c art. §2º. 143. a retratação é subjetiva. CP) “§ 2o O fato deixa de ser punível se. CP) “Art. deixa de lhe aplicar a sanção penal. A retratação representa prova na esfera cível. Estamos diante de uma circunstância objetiva. a retratação é objetiva. 2ª corrente: ☺art. mas específica. 342. §2º. dispensa a concordância da vítima. Ex. é ato unilateral. Mas atenção.” 3. logo. não obstante a prática de um fato típico e antijurídico por um sujeito comprovadamente culpado. Assim. Só ocorre nos casos em que a lei admite. CP: “O querelado fica isento de pena”. A retratação é causa objetiva ou subjetiva de extinção da punibilidade? A retratação se comunica aos autores e partícipes que não se retrataram ou é personalíssima? Ex: 03 pessoas caluniaram outra e apenas uma se retrata – a retratação dela atinge aos demais? Ex: o advogado convenceu a testemunha a mentir. Momento da retratação: a retratação para extinguir a punibilidade deve ocorrer até quando? Pode se retratar em grau de recurso? Pode se retratar na fase de execução penal? Em todas essas hipóteses. CP) 2. o juiz poderá deixar de aplicar a pena. 143. dispensa a concordância do agente. nem toda doutrina distingue as duas hipóteses! VII) Pelo perdão judicial. antes da sentença. a retratação não extingue a punibilidade (☺art. CP – “antes da sentença”). O querelado que. No caso do falso testemunho e da falsa perícia. 342. em que se requere dano moral. art. ☺art. na difamação e na injúria. 143. Nesse artigo. se as conseqüências da infração atingirem o próprio agente de forma tão grave que a sanção penal se torne desnecessária. o agente se retrata ou declara a verdade”. essa retratação se comunica ao advogado? 1ª corrente: incomunicável. nas hipóteses taxativamente previstas em lei. Obs. ou seja. levando em consideração determinadas circunstâncias que concorrem para o evento. tio que mata sobrinha em acidente de carro. Conceito de perdão judicial: É o instituto pelo qual o juiz. Assim. Falsa perícia (☺art. CP: Na hipótese de homicídio culposo. Quais são essas hipóteses? 1.Direito Penal – LFG – Intensivo I Não é uma causa extintiva da punibilidade geral. acidente que deixa o motorista tetraplégico (não é necessário haver afeto entre acusado e vítima). §5°. Nesse artigo. no silêncio. 342. fica isento de pena. a testemunha se retrata. Calúnia (☺art. Difamação (☺art. OBS. Em apertada síntese. A retratação é norma de exceção. a retratação só cabe nos casos expressamente previstos em lei. §2º. que acaba morrendo. Não cabe analogia. é incomunicável.: A Lei de imprensa prevê a retratação na calúnia. extinguindo somente a punibilidade do agente que se retratou. o juiz não pode perdoar. 105 . Isto é. 121. nos casos previstos em lei: O perdão judicial também só cabe nas hipóteses taxativamente previstas em lei. Em grau de recurso. 342. É o juiz que irá decidir se aceita ou não a retratação. a retratação deve ocorrer antes da sentença no processo em que ocorreu o ilícito e não no processo em que se apura o ilícito.

A intenção do legislador foi dar a essa sentença a natureza de condenatória. se se entende que é meramente declaratória. Esta súmula está errada. 120. CP: “A sentença que conceder perdão judicial não será considerada para efeitos de reincidência”. 106 . Se o MP recorre. não servirá como título executivo. em que sentença condenatória. sempre dependerá do devido processo legal. a prescrição está correndo desde o recebimento da denúncia. 18. não há perdão judicial. Caso se entenda que é meramente declaratória. não se aplica o in dúbio pro reo. É obvio que a declaratória não gera reincidência. discorda: caso se entenda que é condenatória. caberia na fase de apreciação do inquérito policial.Direito Penal – LFG – Intensivo I Trata-se de verdadeiro direito subjetivo do réu e não faculdade do juiz. com a qual o prof. Trata-se de uma exceção. ela interrompe a prescrição. caso se entenda que é meramente declaratória. excepcionalmente. É necessário aguardar o devido processo legal. ela deverá aguardar o devido processo legal. servirá como título executivo. Se entendermos que é declaratória. Se o MP discorda do juiz e recorre. Se a defesa não consegue provar que as conseqüências a atingiram de forma grave. Natureza jurídica da sentença concessiva do perdão judicial: temos basicamente duas correntes. não subsistindo qualquer efeito condenatório. pressupõe devido processo legal. logo. Preenchidos os requisitos. Esta súmula é contra legem. ou seja. não será considerada para reincidência. 2ª corrente: Meramente declaratória extintiva da punibilidade. o juiz pode declarar a qualquer tempo. Onde está o equívoco dessa corrente? “Por um agente comprovadamente culpado” – isso significa que o perdão judicial reconhece culpa. ou seja. a saber: 1ª corrente: Condenatória. pressupõe-se que a pessoa tem culpa. pode ser concedido na fase de inquérito. 3ª: Capez encontra uma terceira repercussão prática. Aplicações práticas: 1ª: Caso se entenda que é condenatória. Portanto. ele sabe que a prescrição está correndo desde a sentença condenatória. A corrente que prevalece é a segunda – ☺Súm. Ex: pai que deixa o filho morrer dentro do carro. O juiz não vai perdoar quem ele convenientemente entender que deva ser perdoado. STJ: A sentença concessiva do perdão judicial é declaratória da extinção da punibilidade. o juiz é obrigado a perdoar. Ônus da prova: é da defesa. Quando se perdoa. 2ª: Há ainda uma segunda repercussão prática: se se entende que é condenatória. ela não interrompe a prescrição. Como provar isso? Basta ler o art. esse artigo não faria mais do que “chover no molhado”.

ninguém pode ser punido pelo que pensa. 2ª) Teoria Objetiva-formal: para esta teoria. Ou seja. 288.Direito Penal – LFG – Intensivo I ITER CRIMINIS: Conceito: O iter criminis é o caminho percorrido ou a ser percorrido pela infração penal. não concorda. e entende. De toda forma. pelo que cogita. A doutrina moderna entende que todo ato preparatório é impunível. juntamente com a doutrina mais moderna.: no furto só se tem início a execução quando se começa a subtrair. Ela não implica. 2) Atos Preparatórios: São os chamados conatus remotus. o prof. Fase Externa: 3) Execução: A execução traduz a maneira pela qual o agente atua exteriormente para realizar o núcleo típico. Há quem diga que existem atos preparatórios excepcionalmente puníveis: art. não há aplicação do direito penal do inimigo. → Teorias que buscam diferenciar atos preparatórios de atos de execução: 1ª) Teoria da Hostilidade ao Bem Jurídico (ou Critério Material): para esta teoria. É adotada por Nelson Hungria. A punição da quadrilha ou bando é pelo crime e não pelo ato preparatório (quando as pessoas se reúnem. CP – formação de quadrilha ou bando. porque para aqueles que admitem a punição pelos atos preparatórios há exceção). É uma aplicação do direito penal do inimigo (Jakobs). (É a que prevalece em nossa doutrina. É o conjunto de fases que se sucedem cronologicamente no desenvolvimento do delito doloso. Em regra. os atos preparatórios são impuníveis. Mas o direito penal do inimigo é muito criticado. atos executórios são aqueles que atacam o bem jurídico. é pressuposto mínimo para a punição (em regra. que. Apesar da maioria da doutrina trazer esta exceção. É adotada por Frederico Marques e Fernando Capez. como vimos.: A cogitação não é sinônimo de premeditação. pois faz parte da fase interna do crime. para a maioria da doutrina é um ato preparatório punível. Nesta fase. criando-lhe uma situação concreta de perigo. o agente procura criar condições para realizar a conduta delituosa. de uma fase interna.) 107 . É dividido em duas macrofases: interna (cogitação e atos preparatórios) e externa (execução e consumação). necessariamente. no estupro quando se começa a constranger. Fase Interna: 1) Cogitação: Por força do Princípio da materialização do fato a mera cogitação é impunível. ato executório é o que inicia a realização do núcleo do tipo. mas só pelo fato advindo dessa cogitação. Obs. mas na simples idéia do crime. Em regra. mas já o estão executando). embora nenhuma delas sozinha se sustenta. Trata-se. premeditação. Ex. não estão preparando um crime. que não há exceção a esta regra de que os atos preparatórios não são puníveis.

4) Consumação: O iter criminis se encerra com a consumação. Ex.Direito Penal – LFG – Intensivo I 3ª) Teoria Objetiva-individual: para esta teoria. . O crime exaurido deve ser mais severamente punido.: extorsão (súmula 96. Segundo ele é uma súmula contra legem. essa súmula considera o crime consumado antes de reunidos todos os elementos do tipo. Ou seja. nos quais a obtenção da vantagem é mero exaurimento. Há 3 peculiaridades a respeito do crime permanente: .: violação de domicílio. Diz-se o crime consumado quando nele se reúnem todos os elementos de sua definição legal. 2) Crime formal: o tipo penal descreve conduta + resultado naturalístico. nele encerrando o iter criminis. Classificação doutrinária do crime quanto ao momento consumativo: 1) Crime material: o tipo penal descreve conduta + resultado naturalístico. É um bom argumento para uma prova da Defensoria Pública.Súmula 711. etc. STJ). Conceito: considera-se crime consumado a realização do tipo penal por inteiro. Discorda da aplicação isolada dessas teorias. STF: “Há crime de latrocínio quando o homicídio se consuma. e há crimes que necessariamente percorrem as 4 fases (crimes materiais). abrange aquele que pula o muro para executar o furto. 108 . concussão. dispensável. Crime consumado não se confunde com crime exaurido. CP. . realizam-se no período imediatamente anterior ao começo da execução típica.. e este resultado naturalístico é imprescindível para a consumação. Ex. Ocorrendo o resultado naturalístico. furto. → Cuidado: nem todos os crimes percorrem essas 4 fases! Há crimes que se consumam com o fim dos atos executórios (crimes formais). Quem faz essa crítica é Rogério Greco. O exaurimento deve ser considerado na fixação da pena pelo juiz. ela contraria o art. mas este resultado naturalístico é prescindível. sem resultado naturalístico. Crime consumado: Previsão legal: ☺art.A prescrição só começa a correr depois de cessada a permanência. ainda que não realize o agente a subtração de bens da vítima”. Exaurimento (ou esgotamento pleno) são os acontecimentos posteriores ao iter criminis. tem crimes que se consumam com os simples atos executórios (crimes de mera conduta).: homicídio. por isso ele é também chamado crime de consumação antecipada. I. se a sua vigência é anterior à cessação da continuidade ou da permanência. de acordo com o plano do agente. CP (ignora a definição legal de crime consumado). Para Flávio Monteiro de Barros. etc. embora seja aplicada pelo STF. atos executórios são aqueles que. Há crimes cuja consumação se protrai no tempo até que cesse o comportamento do agente (crime permanente). 14. o juiz deve conjugar as 3 teorias. I. a consumação se dá no momento da conduta.Admite flagrante a qualquer tempo da permanência. É adotada por Zaffaroni. Somente as 3 teorias conjugadas no caso concreto chegam ao verdadeiro início da execução. Atenção: Consumação não se confunde com exaurimento. 3) Crime de mera conduta: o tipo penal descreve somente a conduta. 14. que é o instante da composição plena do fato criminoso. STF: a lei penal mais grave aplica-se ao crime continuado ou ao crime permanente. Ex. ☺Súm. Ex. trata-se de mero exaurimento. A consumação encerra o iter criminis. 610.

Isso não tem nada a ver com crime material.Consumação material: ocorre quando se dá a relevante e intolerável lesão ou perigo de lesão ao bem jurídico tutelado. Portanto. pune-se a tentativa com a pena correspondente ao crime consumado diminuída de 1/3 a 2/3”. → Conseqüências de um crime tentado: ☺art. com pena autônoma.CP: “Salvo disposição em contrário. formal e de mera conduta. Ela amplia a incriminação a fatos humanos praticados de forma incompleta. O conceito dado pela doutrina é idêntico ao conceito legal. 14. A tentativa é subjetivamente completa (já que o dolo do crime tentado é o mesmo do crime consumado). Ou seja. 2) Não consumação por circunstâncias alheias à vontade do agente. Qual a natureza jurídica do crime tentado? A tentativa é uma norma de extensão temporal (☺Tipicidade). ao contrário do tipo consumado). Há doutrina acrescentando ainda um 3º elemento (LFG. 109 . Questão: é correto falar em “crime de tentativa” ou “tentativa de crime”? A tentativa não constitui crime sui generis. Diz-se o crime tentado quando iniciada a execução. P. Crime Tentado: Previsão legal: ☺art. O prof. 14. O crime consumado é subjetivamente completo e objetivamente acabado. não se consuma por circunstâncias alheias à vontade do agente. em regra.Direito Penal – LFG – Intensivo I Atenção: A doutrina moderna vem falando em consumação formal e consumação material. mas tentativa de crime. (e só ele) entende haver um 4º elemento da tentativa: o resultado possível (o resultado não alcançado deveria ser possível). Mas a doutrina não acrescentou esse elemento. II. para que se possa diferenciar a tentativa do crime impossível. É uma norma de extensão e não um tipo autônomo.Consumação formal: ocorre quando se dá o resultado naturalístico nos crimes materiais. O que vem a ser isso então? Vejamos: . CP. E é por ser objetivamente incompleta que o nosso código admite essa redução de pena (se fôssemos analisar pelo aspecto subjetivo não haveria razão para a diminuição da pena). ou quando o agente realiza a conduta descrita nos crimes formais ou de mera conduta. Portanto. . Flávio Monteiro de Barros): 3) Dolo de consumação – mas na verdade este elemento já se encontra nas circunstâncias alheias à vontade do agente. a regra é a diminuição da pena de 1/3 a 2/3.U. o critério objetivo. Tipo manco: é o tipo tentado (que tem a “perna” objetiva menor do que a subjetiva. → Elementos da tentativa: (requisitos) 1) Início da execução. adotou-se. É ela violação incompleta da mesma norma de que o crime consumado representa violação plena. mas objetivamente incompleta. e por isso chama o crime impossível também de tentativa (tentativa inidônea). no Brasil. não há crime de tentativa. Consumação formal está ligada à tipicidade formal e consumação material está ligada à tipicidade material..

se o agente esgotou os atos executórios já se tem a consumação. Atenção: não confundir crime falho com crime impossível! Crime falho é crime punível na forma tentada (é punível!). 110 . b) Tentativa não cruenta: a vítima não é atingida. conforme o maior percurso percorrido no caminho do crime. deixando de praticar todos os atos executórios à sua disposição. variando de 1/3 a 2/3. não consegue consumar o crime por circunstâncias alheias à sua vontade.: Como sabemos. É punida menos severamente. menor a redução. Crimes de atentado são formas excepcionais de punir a tentativa. já que quando consumado o fato é atípico – porque se alguém conseguir consumá-los ele já não estará mais sob a soberania brasileira): crimes de lesa pátria . sofrendo a mesma reprimenda da consumação. Prevalece o entendimento de que a redução da pena na tentativa deve ser inversamente proporcional à produção do resultado. 2) Quanto ao resultado produzido na vítima: a) Tentativa cruenta: a vítima é atingida.Direito Penal – LFG – Intensivo I Atenção: há casos excepcionais em que o Brasil adotou o critério subjetivo. Portanto. 9º e art. Atenção: exemplo de crime cuja tentativa é possível. mas a consumação é atípica (ou seja. a tentativa que mereceria a maior redução é a tentativa imperfeita.. menor a redução.☺Lei dos crimes contra a segurança nacional – Lei 7. Conclusão: quanto mais próximo de causar o resultado.: pode ter dado um único tiro. então. maior a redução. tendo uma maior redução.170/83 .: ☺art. era possível de ser alcançado. Obs. O legislador não diferencia a pena para aquele que evadiu ou que tentou evadir. 11. não há porque diminuir a pena. é também chamada de “tentativa acabada” ou de “crime falho”.. para o qual o legislador adotou o critério subjetivo. chama-se “crime de atentado ou empreendimento”. maior a redução. Obs. e quanto menos próximo. a conseqüência da tentativa é a redução da pena. Há jurisprudência norteando a redução da pena na tentativa. Assim. apesar de esgotar todos os atos executórios à sua disposição. No Código Eleitoral há a previsão de que é crime votar ou tentar votar em nome de outrem. Ex. é também chamada de “tentativa inacabada”. Esse crime. → Formas de tentativa: 1) Quanto ao iter criminis percorrido: a) Tentativa perfeita: o agente. Assim. É punida mais severamente. quanto mais atos executórios. 352. apesar de não alcançado por circunstâncias alheias à vontade do agente.☺art. b) Tentativa imperfeita: o agente é impedido de prosseguir no seu intento. o juiz não analisará a quantidade de atos praticados. Mas o entendimento acima não é o que prevalece. tendo uma menor redução. e não mais uma tentativa. CP: “Evadir-se ou tentar evadir-se o preso. 3) Quanto à possibilidade de alcançar o resultado: a) Tentativa idônea: o resultado.”.: a tentativa perfeita (onde se esgotam os atos executórios) só é possível nos crimes materiais. É também chamada de “tentativa branca”. mas que tenha sido quase fatal). mas sim o quão próximo do resultado o agente chegou (ex. Nesses casos se analisa o aspecto subjetivo do delito e. e quanto menos atos executórios. este crime só é punível quando tentado. É também chamada de “tentativa vermelha”. porque no crime formal e no crime de mera conduta.

na verdade. é um acontecimento de fato. a tentativa é possível sim. 4) Crime de atentado ou empreendimento: a doutrina critica dizendo que aqui a tentativa é punida com a mesma pena da consumação. jurisprudência admitindo a tentativa. É caso de tentativa de homicídio. tanto que é punível. Imaginemos que no caso concreto o aborto fique frustrado. imaginando estar na iminência de ser atacado e o ataca (dá um tiro). 111 .: tem um crime pelo qual o agente é punido por culpa apenas por razões de política criminal. só não é punível. É o próprio art. Aqui o resultado não ocorre por circunstâncias inerentes à vontade do agente. com a prática de 2 ou mais atos. II. Ou seja.: O agente vê seu desafeto e erra. Trata-se de qualificadora preterdolosa. Isso significa que a tentativa é possível de fato. 15. Ela nada mais é do que gênero do qual são espécies a desistência voluntária e do arrependimento eficaz (☺art. no entanto. Infrações penais que não admitem tentativa: 1) Crime culposo: não há dolo de consumação. Ele não tem vontade no resultado. que. 5) Crime habitual: este crime só existe após a reiteração de atos. Obs. o agente responderá por tentativa de aborto qualificado preterdolosamente. já que o agente age com dolo no aborto e culpa na morte da gestante. ou seja. mas a morte da gestante acontece. CP. Se a conduta antecedente dolosa foi a que ficou frustrada (e dolo admite tentativa). Não admite tentativa porque o resultado também é involuntário. CP).: há. 4) Quanto à vontade do agente: a) Tentativa simples: o resultado não ocorre por circunstâncias alheias à vontade do agente. o resultado é involuntário. Obs. O desafeto não morre. Aborto Culposo Consumado Morte da gestante Consequente 3) Contravenção penal: atenção para isso! Não é verdade que a tentativa aqui não é possível. Antecedente Doloso Frustrado Ex. 14. pois nada mais é do que sinônimo de crime impossível. O art. Ela só não permite a redução da pena (Rogério Greco). 2) Crime preterdoloso: não há dolo de consumação quanto ao resultado mais grave. já que o agente teve dolo ao agir – trata-se da culpa imprópria. o fato é atípico.Direito Penal – LFG – Intensivo I b) Tentativa inidônea: o resultado era absolutamente impossível de ser alcançado (por absoluta ineficácia do meio ou impropriedade do objeto). Ex. Ex. só não nos interessa juridicamente. b) Tentativa qualificada: é também chamada de “tentativa abandonada”. Com a prática de 1 ato. apesar de ocorrido o resultado culposo. o crime é consumado. Há doutrina admitindo a tentativa na culpa imprópria.: tentativa de aborto qualificado pela morte da gestante. ficou frustrada a conduta antecedente dolosa. É impunível. Se o erro era evitável o agente responde por culpa.: a doutrina admite tentativa no crime preterdoloso quando. é um crime voluntário punido culposamente por razões de política criminal. 4º da LCP diz não ser punível a tentativa de contravenção penal. Obs.

a maioria admite tentativa. 4) *Crime de atentado: Obs. 1ª parte. . mas há uma fila de pessoas esperando para serem atingidas. Rogério Grego discorda. (17/06/09) ART. a tentativa não é punível. 3) Contravenção penal. Olha-se o pior resultado. CP). 122. 121. apenas assumindo o risco de produzi-lo.crimes omissivos puros ou próprios. é óbvio que ele está ali praticando o crime sim e. Exceção: art. Obs. Obs.3ª situação: agente dispara – atinge a vítima. portanto.2ª situação: agente dispara – atinge a vítima. 112 .: prevalece na jurisprudência que se admite sim a tentativa (esse “assumir o risco” não deixa de ser uma vontade). .1ª situação: agente dispara – não atinge a vítima: tentativa de lesão (art. . mas aceita matá-la. Exemplo: agente quer ferir. Resumo: (o que está destacado deve ser levado em consideração apenas em provas abertas) 1) *Crimes culposos. 129. CP: DESITÊNCIA VOLUNTÁRIA E ARREPENDIMENTO EFICAZ: “O agente que. 6) Crimes unissubsistentes: não admitem tentativa porque a sua execução não admite fracionamento.Desistência Voluntária: → Previsão legal: art. Temos duas espécies de crimes unissubsistentes: . 8) Dolo eventual: o agente não quer o resultado. 150. 15 traz espécies de tentativa qualificada ou abandonada. Culpa imprópria. voluntariamente. 15. CP (participação em suicídio) – se a pessoa tentou se suicidar. Obs. a conduta do partícipe é atípica. CP). CP). 7) Infrações que dependem de resultado naturalístico. art. CP. há um crime de mera conduta que admite tentativa (e por isso. tentar entrar no domicílio de alguém (☺Flávio Monteiro de Barros).: curandeirismo (art. . Se a pessoa não morre e nem sofre lesões. a doutrina admite a tentativa.: art.crimes de mera conduta: neste temos uma exceção. Atenção para não confundir com tentativa de suicídio. 5) Crime habitual. 2) Crimes preterdolosos. O art. 15. ou seja. mas não obtém êxito. CP) – se o agente é surpreendido aplicando alguma substância em alguém (numa primeira pessoa). CP. 14 traz a tentativa simples. 6) *Crime unissubsistente – omissivo puro/mera conduta. que não morre: lesão consumada (art. Há doutrina que admite tentativa no dolo eventual: a vontade refere-se a um querer e a um aceitar. admite tentativa se o suicida sofre lesão corporal grave). desiste de prosseguir na execução ou impede que o resultado se produza. 129. não é unissubsistente): violação de domicílio (art. que morre: homicídio consumado a título de dolo eventual (art. Ex.Direito Penal – LFG – Intensivo I Ex. só responde pelos atos já praticados”. excepcionalmente. 284. Obs. 150. já que suicídio não é crime (o crime é participar dele). CP. 7) Crimes que só são puníveis quando ocorre determinado resultado: ex. aquele que participou não responde por tentativa (Bittencourt discorda. e . 122. CP) – ou seja. O art.

Para a jurisprudência e para a defensoria. No arrependimento eficaz o agente esgota os atos executórios e passa a agir de forma inversa. . . não configura desistência voluntária.Resultado frustrado por circunstâncias inerentes à vontade do agente. Desistência voluntária . aproveitandose dos atos já cometidos.Início da execução.Direito Penal – LFG – Intensivo I → Conceito: O agente abandona a execução do crime quando ainda lhe sobra. Se a causa que determina a desistência é circunstância exterior. pois deve ser sempre definitiva para configurar a tentativa abandonada. desenvolve nova conduta. Obs. admite-se interferência externa.: . sendo ambos casos de desistência.*somente crimes materiais admitem arrependimento eficaz. retrocedendo no seu comportamento. não renova a execução por sua própria vontade. mas não quero. haverá tentativa. porque se o agente já esgotou os atos executórios. Atenção: Voluntária é a desistência sugerida ao agente por outra pessoa. configura desistência voluntária. 2) Não consumação por circunstâncias inerentes à vontade do agente: isto é o que a diferencia da tentativa. . 15. 113 .Resultado frustrado por circunstâncias alheias à vontade do agente. Tentativa .Conseqüência regra: redução de pena. 2) Não consumação por circunstâncias inerentes à vontade do agente (é o que o diferencia da tentativa). ele já consumou o crime formal e o de mera conduta. há essa diferenciação. portanto. se. que compele o agente a renunciar o propósito criminoso.Conseqüência: o agente só responde pelos atos já praticados. . mas deixa para adentrar no imóvel no dia seguinte. na desistência eu posso prosseguir. Pergunta: Adiamento da execução configura desistência voluntária? Ex. uma margem de ação. ou seja. É a chamada “Ponte de ouro”: retroceda que eu te dou um benefício. após terminada a execução criminosa. 2ª parte.Zaffaroni dá um sinônimo para arrependimento eficaz: resipiscência. . → Conseqüência da desistência voluntária: o agente só responde pelos atos já praticados. → Elementos: 1) Início da execução. responde por tentativa. uma influência externa objetiva. do ponto de vista objetivo. Há duas correntes: 1ª) a desistência momentânea é irrelevante. CP. 3) A desistência deve ser voluntária: a voluntariedade não se confunde com espontaneidade. Prevalece a 2ª corrente. não se exige espontaneidade.Início da execução. Assim. trata-se de influência externa subjetiva. não há diferença nas duas hipóteses.: o agente remove as telhas. → Elementos: 1) Início da execução. há tentativa. desejando retroceder na atividade delituosa percorrida. → Conceito: O arrependimento eficaz ocorre quando o agente.Arrependimento Eficaz: → Previsão legal: art. . Para os concursos. no entanto. 2ª) se o agente apenas suspende a execução e continua a praticá-la posteriormente. “Fórmula de Frank”: na tentativa eu quero prosseguir. mas não posso.

até o recebimento da denúncia ou da queixa. Na doutrina prevalece a segunda corrente.: Crimes violentos culposos admitem arrependimento posterior. não permite o benefício). não punível por razões de política criminal (fomentar o agente a desistir ou arrepender). → Requisitos: 1) Crime cometido sem violência ou grave ameaça à pessoa: Obs. .: hipnose. II exige que a circunstância seja alheia à vontade. → Conseqüência do arrependimento eficaz: o agente só responde pelos atos até então praticados. se a vítima concorda com a reparação parcial. a jurisprudência admite o arrependimento posterior. (Miguel Reali Júnior).Início da execução. 16. por ato voluntário do agente.O agente só responde pelos atos até então praticados. . Arrependimento Eficaz . O arrependimento ineficaz é mera circunstância atenuante de pena (o crime é consumado). 14. reparado o dano ou restituída a coisa.*O agente esgota os atos executórios. 114 . Há circunstâncias inerentes à vontade do agente. . Desistência Voluntária . quando não se usa grave ameaça ou violência contra a vítima.Direito Penal – LFG – Intensivo I 3) O arrependimento deve ser voluntário (não precisa ser espontâneo) e eficaz. não se admitiria o arrependimento posterior. 2ª: Causa de extinção da punibilidade: existe tentativa pretérita. diferente do arrependimento eficaz. Obs. → Natureza jurídica: É causa geral de diminuição de pena. O arrependimento é posterior à consumação. psicotrópicos como o “boa noite cinderela”). como o próprio nome indica. A tentativa passa a ser atípica ou exclui a punibilidade? A razão para isso vem explicada em duas correntes: 1ª: Causa de exclusão da tipicidade: a tentativa é uma norma de extensão (atipicidade indireta). 16.O agente só responde pelos atos até então praticados ART. “Nos crimes cometidos sem violência ou grave ameaça à pessoa. a pena será reduzida de 1/3 a 2/3”. que ocorre antes da consumação. Obs. portanto não há tipicidade. (Nelson Hungria). 2) Restituição ou reparação do dano: atenção: a restituição e a reparação têm de ser integral (se somente parcial.: o roubo admite o arrependimento posterior quando praticado na hipótese da segunda parte do art.*O agente abandona antes de esgotar os atos executórios. .Início da execução. Obs. CP: ARREPENDIMENTO POSTERIOR: → Previsão legal: art. 157: “depois de havê-la. CP. . Mas. reduzido à impossibilidade de resistência” (ex. ou seja.: o agente não responde por tentativa. portanto. por qualquer meio. e que.Não consumação por circunstâncias inerentes à vontade do agente. O art. que é uma violência imprópria.Não consumação por circunstâncias inerentes à vontade do agente. Ocorre que tem uma minoria da doutrina que acredita que mesmo neste caso ocorre violência. .

haverá a extinção da punibilidade. Importantes: a) Violência contra a coisa admite arrependimento posterior? Ex. se ainda não houve acusação? c) Crime cometido sem violência ou grave ameaça a pessoa que não faz jus ao arrependimento posterior: estelionato na modalidade de cheque sem fundo – ☺Súm. Isso repercute. Prevalece hoje a 1ª corrente. ele a receberá. IV) possibilidade de absolvição sumária. III) citação. maior será o benefício. após o recebimento da denúncia. IV) possibilidade de absolvição sumária. Arrependimento Eficaz Arrependimento Posterior . CPP. a partir da Lei 11. se pagar antes do recebimento da denúncia é hipótese de perdão criado pela jurisprudência. e não mera faculdade do juiz. II) citação. VI) audiência concentrada. 396. admite arrependimento posterior. 2ª) A ordem é: I) oferecimento da inicial. chama de recebimento o que está escrito no art. CPP significa “se não rejeitar”). configurará direito subjetivo do réu. não cabe o benefício. debates e julgamento).: furto qualificado pelo rompimento de obstáculo. b) O recebimento da denúncia. 115 . o juiz absolveria o agente do quê. CPP. faltando um deles. . STF: “O pagamento de cheque emitido sem provisão de fundos. Ou seja. 395 e 396. CPP (o recebimento do art. em que o agente se arrepende e devolve a coisa subtraída – o agente responde pelo que? ☺art.o juiz não pode absolver sumariamente antes do recebimento da acusação (o termo correto seria rejeitar a denúncia) – afinal. CP). ainda que não espontâneo. Mas quando exatamente isso ocorrerá? Há duas correntes: 1ª) A ordem é: I) oferecimento da inicial. no momento do arrependimento posterior e também no momento da interrupção da prescrição.O agente se arrepende quando já houve a consumação consumação (o arrependimento posterior pressupõe a consumação) → Obs. 396. Quanto mais rápido isso ocorrer.719/08 (que trata do procedimento comum). V) recebimento da inicial. 4) Voluntariedade: o ato basta ser voluntário. Atenção: o termo final é o recebimento e não o oferecimento da denúncia.☺ art.O agente se arrepende e impede. Se após o recebimento da denúncia. 554. se estiverem todos presentes. Nos casos de crime contra a ordem tributária. chama de recebimento o que está escrito no art. é claro. CPP: o processo está completo com a citação e não é possível citar sem que tenha havido o recebimento da inicial. Mas. Ou seja. 16: violência contra pessoa! Violência contra coisa não impede o benefício. evita a . 363. ou seja. é mera atenuante de pena (art. Atenção: esses requisitos são cumulativos. III) defesa escrita. V) se não absolver sumariamente passa-se à audiência concentrada (instrução. → Critério adotado pelo juiz para a diminuição da pena: É a presteza na restituição da coisa ou na reparação do dano. 65. II) recebimento da inicial. se dá quando? ☺art. Se o juiz não rejeita a denúncia. 399.Direito Penal – LFG – Intensivo I 3) A restituição ou reparação tem que ocorrer até o recebimento da denúncia. não obsta ao prosseguimento da ação penal” – ou seja. Fundamentos: .

Esta teoria pune o agente pelo crime. → Teorias: 1) Teoria Sintomática: com sua conduta. quer por falta do objeto material. 17. eis que também está contaminada pelo direito penal do autor. É adotada por LFG. quer em razão dos meios empregados. Caso contrário. a tentativa é punível. 16. justamente porque quem adota esta teoria está adotando o direito penal do autor: pune-se a pessoa pelo perigo que ela representa. f) O arrependimento posterior é comunicável ou incomunicável? É circunstância objetiva que se comunica. é impossível consumar-se o crime”. estaríamos admitindo a redução de pena para quem não cumpriu todos os requisitos do art. extingui-se a punibilidade. e) Peculato doloso: faz jus ao arrependimento posterior? Quanto ao peculato culposo ele é possível. → Previsão legal: art. 17. A impossibilidade absoluta e a relativa são impuníveis. ainda que o crime se mostre impossível de ser consumado. CP. 2ª) segundo Luiz Regis Prado. ou é circunstância subjetiva que não se comunica? Há duas correntes: 1ª) o arrependimento posterior é circunstância objetiva comunicável. há jurisprudência do STJ não admitindo o arrependimento posterior em crimes contra a Administração Pública. deve o agente sofrer a mesma pena da tentativa. Não é a teoria adotada no Brasil. e não pelo perigo de fato praticado. pois exige voluntariedade. 3) Teoria Objetiva: se subdivide em: a) Objetiva Pura: não há tentativa. §3º . há tentativa. porque a moralidade administrativa jamais poderá ser integralmente reparada.se o peculato é culposo. Mas no caso do peculato doloso. pois se relativa. 2) Teoria Subjetiva: sendo a conduta subjetivamente perfeita (vontade consciente de praticar o crime). 312. CP: CRIME IMPOSSÍVEL: “Não se pune a tentativa quando. Não é a teoria adotada pelo Brasil. É a corrente mais correta. demonstra o agente ser perigoso. b) Objetiva Temperada: a ineficácia do meio e a impropriedade do objeto devem ser absolutas. logo. mesmo que a inidoneidade seja relativa. CP. e sim pelo tentado. → Conceito: Diz-se impossível o crime quando o comportamento do agente é inapto à produção (consumação) do crime. É a corrente que prevalece. → Elementos do Crime Impossível: Tentativa Idônea Início da execução Tentativa Inidônea (Crime impossível) Início da execução 116 . O Brasil adotou a Teoria Objetiva Temperada – “ineficácia absoluta do meio ou absoluta impropriedade do objeto”.Direito Penal – LFG – Intensivo I d) Art. Se a impossibilidade ou impropriedade for relativa. trata-se de circunstância subjetiva incomunicável. por ineficácia absoluta do meio ou por absoluta impropriedade do objeto. não podendo ser estendida a outros. reparado o dano até a sentença irrecorrível (e não o recebimento da denúncia). → Sinônimos de crime impossível: “crime oco”. razão pela qual deve ser punido. todos os participantes receberão o benefício. mas não pelo crime consumado. “tentativa inidônea” ou “quase-crime”. ART.

A empregada pega o dólar e sai correndo. Trata-se de um flagrante provocado consumado. em hipótese alguma. nenhum estuprador conseguiria estuprar nenhuma vítima. Não consumação por circunstâncias alheias à vontade do agente Dolo de consumação Resultado impossível de ser alcançado: • Absoluta ineficácia do meio. não se trata de crime impossível. No lugar da dentista colocaram uma investigadora disfarçada. pratica manobras abortivas. abortamento por meio de rezas e despachos (há jurisprudência sobre isso). Ex: suponhamos que o patrão queira verificar se a empregada dele é honesta e então pega um dólar e deixa em cima da mesa. O que se entende por inidoneidade absoluta do meio ou absoluta impropriedade do objeto material? . Eles suspeitavam de uma pessoa e a induziram até o consultório desta dentista. Flagrante provocado: a postura da autoridade é a de induzir à prática criminosa. com razão. Esse flagrante é espécie de flagrante preparado – prepara-se o flagrante induzindo o delito. portanto. Tudo depende da preparação.A inidoneidade absoluta do objeto ocorre quando a pessoa ou coisa que representa o ponto de incidência da conduta não serve à consumação do delito. temos a preparação do flagrante nas duas espécies. o patrão já fica esperando o final do expediente. Nesse caso. O crime impossível é hipótese de atipicidade. pois os instrumentos postos a serviço da conduta não são eficazes. Ele colocou o dólar. Conclui-se. não há crime. Logo. Para o estudo desse tema lembramos aqui de duas espécies de prisão em flagrante: 1. Esse flagrante é espécie de flagrante preparado – prepara-se o flagrante sem induzir o delito. 117 . Flagrante esperado: a postura da autoridade é de espera. 145 do STF. Uma dentista tinha um irmão investigador. 145. pela forma como o flagrante foi preparado. Ela diz que quando a preparação do flagrante torna impossível a sua consumação. logo. impunível (delito putativo por obra do agente provocador). Ex: suponhamos que o patrão deixou o dólar. supondo-se grávida quando em verdade não está. para a produção do resultado. ele a induziu a praticar o crime e ele deixou todas as saídas vigiadas. Ex: Em Campinas. Ele estava diante de um flagrante esperado. Questão de concurso – MP: Sistema de vigilância em supermercado torna o crime patrimonial impossível? A jurisprudência majoritária entende que o sistema de vigilância por si só não torna o crime impossível. O irmão comentou com ela o modus operandi do estuprador. A súmula trata do gênero.Direito Penal – LFG – Intensivo I Não consumação por circunstâncias alheias à vontade do agente Dolo de consumação Resultado possível (o resultado não alcançado era possível). seria o local predileto de todos os furtadores do Brasil. A doutrina diz que o flagrante esperado é crime possível. Quando a empregada pega o dinheiro. aguardando a prática do delito anunciado. tornou-se crime impossível. punível. mulher. Trata-se. Porém. Mirabete. Do jeito que o patrão preparou o flagrante. chamamos a atenção para uma Súmula do STF: ☺ Súm. portanto. Se tornasse o crime impossível. Ora. Ex: acionar arma desmuniciada. que o flagrante esperado pode ou não ser crime e o flagrante provocado pode ou não ser crime. Ex: atirar em cadáver. • Absoluta impropriedade do objeto material. a empregada não conseguiria praticar o delito (sair com o dinheiro de dentro da casa – esfera de vigilância da vítima). não deixando tempo para o patrão vigiar as saídas. de crime impossível. 2. discorda disso. Dentro do tema crime impossível. logo. teve uma época em que um estuprador estuprava dentistas. O flagrante provocado é crime impossível. Não é isso que diz a Súm. . pressuposto para a prisão.A inidoneidade absoluta do meio configura falta de potencialidade causal.

Concurso de pessoas nos crimes monossubjetivos: É necessário aqui lembrarmo-nos de 3 conceitos: 1. etc.Direito Penal – LFG – Intensivo I CONCURSO DE PESSOAS: Conceito: Número plural de pessoas concorrendo para o mesmo evento. por sua vez. I. é quem subtrai. de alguma forma. O concursus deliquentium é o verdadeiro concurso de pessoas. Estamos diante de um crime de concurso eventual. colaboraram para o sucesso da empreitada criminosa. art. Essa teoria não reconhece a figura do partícipe. nada mais é do que concurso de crimes (uma ou mais pessoas praticando vários delitos). 288. Todos que. É quem realiza o verbo nuclear.: o autor nem sempre realiza o verbo nuclear. 213. CP. O concursus delictorum. c) de condutas convergentes: o crime nasce do encontro das condutas. O autor intelectual representa um agravante de pena – ☺ art. Esta teoria não faz distinção entre autores e partícipes. O exemplo clássico não existe mais – era o adultério. quem tem o poder de decisão. podendo ser o agente intelectual (aquele que tramou a empreitada criminosa). Ex: autor. c) Teoria do Domínio do Fato (LFG. no furto. CP). Zaffaroni): autor é quem tem o domínio final sobre o fato. São vontades que convergem. art. Ex: quadrilha (art. Ele se subdivide em 3 espécies: a) de condutas paralelas: várias condutas auxiliam-se mutuamente. porque no crime plurissubjetivo o concurso de agente já é elementar do tipo. Obs. 2. Ex: rixa (art. Ex. O tipo penal pressupõe o encontro das condutas. Esta teoria só tem aplicação nos crimes 118 . atual: bigamia. é quem mata. b) Teoria Extensiva ou Subjetiva ou Unitária: é diametralmente oposta à primeira teoria. 137. 62. 312. autor. autor. são autores. Não se pode confundir concursus deliquentium com concursus delictorum. O tema concurso de pessoas só se preocupa com o crime monossubjetivo. b) de condutas contrapostas: várias condutas voltam-se umas contra as outras. CP). Classificação doutrinária quanto ao concurso de agentes: A doutrina divide os crimes em 2 grandes grupos: 1. Crime Plurissubjetivo: crime que só pode ser praticado por número plural de pessoas. no homicídio. que não é mais crime. Crime Monossubjetivo: crime praticado por uma ou mais pessoas. é quem falsifica ou altera. É a teoria que prevalece entre os doutrinadores clássicos. Ex: ☺art. 121. Autor: Há 3 teorias: a) Teoria Restritiva ou Objetiva: autor é aquele que pratica conduta descrita no tipo. na falsidade de documentos. Estamos diante de um crime de concurso necessário.

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dolosos, sendo inaplicável nos crimes culposos. Atenção: esta teoria já vem sendo adotada pelo STF em suas decisões. 2. Co-autor: Em síntese, é a reunião de vários autores. O conceito de co-autor depende da teoria adotada para o conceito de autor. a) Teoria Restritiva: co-autor é o número plural de praticantes do núcleo do tipo. Ex: Várias pessoas devem subtrair, várias pessoas devem matar. b) Teoria Extensiva ou Subjetiva ou Unitária: é o número plural de pessoas concorrendo de qualquer maneira para a realização do crime. c) Teoria do Domínio do Fato: é a pluralidade de pessoas com domínio sobre o fato unitário. Várias pessoas dominam o fato em conjunto. O que é co-autor sucessivo? A regra é que todos os co-autores iniciem juntos a empreitada criminosa (co-autoria concomitante). Mas, pode acontecer que alguém, ou mesmo um grupo, já tenha começado a executar o crime, quando outra pessoa adere à conduta criminosa daquela, e agora, unidos pelo vínculo subjetivo, passam a praticar a infração penal. Ex: A começou a matar uma pessoa. B e C entram no meio do caminho e passam a matar com A. Após a consumação não é possível co-autoria sucessiva. Depois de consumado, qualquer adesão superveniente configurará crime autônomo. Ex. favorecimento pessoal e favorecimento real nada mais são do que adesões supervenientes à consumação do crime. Todos os crimes admitem co-autoria? Crime comum Não exige qualidade ou condição especial do agente. Admite co-autoria. Admite participação. Crime Próprio Crime de Mão Própria Exige qualidade ou Exige qualidade ou condição especial condição especial do do agente. agente. Admite co-autoria. Não admite co-autoria. É chamado de “delito de conduta infungível” (só o sujeito que pode praticar). Admite participação. Admite participação. Ex. peculato. Ex.: falso testemunho.

No caso em que advogado orienta testemunha a mentir, para o STF há co-autoria (art. 342, CP) e não participação. A explicação é que: o STF utilizou a expressão co-autor como sinônimo de concorrente (portanto, utilizou a expressão de forma equivocada) ou adotou a teoria do domínio do fato. É mais plausível que seja a última hipótese, o que comprova que está adotando a teoria do domínio do fato. Como chama a teoria em que o autor não precisa praticar o núcleo? Teoria do Domínio do Fato. Então, o advogado tinha o domínio da ação criminosa. (23/06/09) 3. Partícipe: Entende-se por partícipe o coadjuvante do crime (fato determinado praticado por autor conhecido e individualizado). O partícipe não realiza sequer em parte o núcleo do tipo. 119

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Vejamos as formas de participação: a) Material: dá-se pelo “auxiliar”, isto é, prestar assistência material. Ex: emprestar a arma para um homicídio, emprestar o carro para um roubo. b) Moral: dá-se pelo “induzir” ou “instigar”. O verbo induzir significa que o partícipe faz nascer a idéia criminosa. O verbo instigar significa que o partícipe reforça uma idéia que já existe. Deve-se deixar isso bem claro na denúncia. Deve-se, pois, descrever a modalidade, a forma de participação, sob pena de inépcia (denúncia genérica). OBS. Se cotejada a atuação do partícipe com o tipo legal delitivo violado, para efeito de verificação da tipicidade, será manifesta a falta de adequação, pois o partícipe não realiza ato de configuração típica. A tipicidade é indireta (depende de norma de extensão). O partícipe é aquele que fica vigiando para ver se alguém aparece, é aquele que empresta uma arma, etc. A conduta do partícipe, por si só, é atípica. Só se torna típica em razão do fato que ele está assessorando. O art. 122, CP não é um caso de participação. Induzir ou instigar é a conduta típica. Suicídio não é crime. Quando se fala em adequação, fala-se de norma de extensão pessoal e espacial – ☺art. 29, CP. Se não fosse esse art. 29, o partícipe não teria adequação típica. O partícipe nada mais é do que um comportamento acessório. Analisando a punibilidade do partícipe, há 4 teorias. Vejamos: a) Teoria da Acessoriedade Mínima: essa teoria condiciona a punição do partícipe a que a conduta principal que ele assessora seja típica. Se a conduta principal for típica, ainda que lícita, já se pode punir o partícipe. Essa teoria é injusta porque pune o partícipe de condutas acobertadas por excludentes da ilicitude. Ex.: induzir alguém a agir em legítima defesa – quem agiu em legítima defesa não responde, mas quem induziu, responde. b) Teoria da Acessoriedade Média ou Limitada: essa teoria condiciona a punição do partícipe a que a conduta principal que ele assessora seja típica e ilícita, ainda que não culpável. c) Teoria da Acessoriedade Máxima: essa teoria condiciona a punição do partícipe a que a conduta principal que ele assessora seja típica, ilícita e culpável. Se o fato não é culpável, não se pune nem o autor, nem o partícipe. d) Teoria da Hiperacessoriedade: essa teoria condiciona a punição do partícipe a que a conduta principal que ele assessora seja típica, ilícita, culpável e punível. A doutrina a critica muito. Essa hiperacessoriedade tornou praticamente impunível a participação. Qual é a corrente que prevalece? No Brasil, prevalece a teoria da acessoriedade média ou limitada. Isso significa o que, no Brasil, para se punir o partícipe, basta que o fato principal seja típico e ilícito, ainda que não culpável. No Brasil, existe a figura do autor mediato, mas que só tem razão de ser de acordo com a teoria da acessoriedade máxima. Quando se fala em imunidade parlamentar absoluta, isso toma extrema importância. Imunidade parlamentar absoluta é aquela que diz que o parlamentar é absolutamente inviolável em sua opinião, palavra e voto. Muito se discute a natureza jurídica da imunidade parlamentar absoluta, sendo para muitos hipótese de isenção de pena. Nesse caso, sendo fato principal típico e ilícito, é possível punir o partícipe (o assessor do parlamentar). O STF, no entanto, decidiu que esta imunidade exclui a tipicidade do comportamento, isentando de pena também os eventuais partícipes (teoria da acessoriedade limitada). 4. Autor mediato: Trata-se de uma criação doutrinária para suprir as lacunas da lei. Considera-se autor mediato aquele que, sem realizar diretamente a conduta prevista no tipo (diferença para o autor imediato), comete o fato punível por meio de outra pessoa, usada como seu instrumento.

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O conceito de autor mediato lembra bastante o conceito de partícipe. A diferença é que o autor mediato utiliza-se de outrem como seu instrumento. O partícipe é coadjuvante; o autor mediato é o personagem principal. Vejamos: Ex: A se vale de um inimputável, de um doente mental, para matar alguém. A é autor, co-autor ou partícipe? O autor realiza o núcleo do tipo. Se não for autor, também não poderá ser co-autor. Então, A será partícipe? Há uma lacuna. A doutrina preencheu essa lacuna, dizendo que se trata de AUTORIA MEDIATA. O Código Penal prevê 4 hipóteses de autoria mediata: a) Erro determinado por terceiro – ☺art. 20, §2º, CP. O terceiro é o autor mediato. b) Coação moral irresistível – ☺art. 22, 1ª parte, CP; c) Obediência hierárquica – ☺art. 22, 2ª parte, CP; e d) Caso de instrumento impunível – ☺art. 62, III, CP: “ou não-punível em virtude de condição ou qualidade pessoal” – ex. valer-se de um inimputável. É possível autoria mediata em crime próprio? Entende-se perfeitamente possível a autoria mediata em crime próprio. O estupro é crime próprio? É, porque exige qualidade especial do agente – o agente deve ser homem. Ex: Um homem pode induzir um doente mental a praticar conjunção carnal com uma mulher. O homem será autor mediato. Se uma mulher induz um doente mental a estuprar outra mulher, ela praticará estupro na condição de autor mediato. Foi a resposta dada pelo TJ de Santa Catarina. OBS. Quanto a isso há divergência na doutrina. Para LFG, Alexandre Carvalho, Paulo Queiroz, entre outros, o autor mediato deve possuir as qualidades ou condições especiais exigidas do autor imediato descrito no tipo. Como o tipo do art. 213, CP quer que o autor imediato seja homem, a mulher não seria autora mediata. Ela iria responder por constrangimento. Essa foi a resposta num concurso do MP/MG. É possível autoria mediata em crime de mão própria (conduta infungível)? Sendo de conduta infungível, não se tem admitido autoria mediata em crime de mão própria. Mas atenção: há uma exceção – falso testemunho. Autor de escritório: forma especial de autoria mediata, pressupõe uma máquina de poder determinando a ação dos “funcionários”, aos quais, no entanto, não podem ser considerados meros instrumentos nas mãos dos “chefões”. O autor de escritório tem poder hierárquico sobre os seus “soldados” (ex. no caso do PCC, o Marcola é o autor de escritório; comando vermelho, etc.). Requisitos para o concurso de pessoas: 1. Pluralidade de agentes; 2. Relevância causal das várias condutas (nexo causal); 3. Liame subjetivo entre os agentes (nexo psicológico): este é o requisito mais importante – deve o concorrente (co-autor ou partícipe) estar animado da consciência que coopera e colabora para o ilícito, convergindo a sua vontade ao ponto comum da vontade dos demais participantes. Obs.1: é imprescindível homogeneidade de elementos subjetivos. Só pode concorrer dolosamente em crime doloso e culposamente em crime culposo. Não existe concurso doloso em crime culposo e vice-versa. Ex: emprestar revólver para um homicida sem saber que ele irá matar alguém, quem emprestou não será concorrente. Não houve liame subjetivo. Apesar de pluralidade de agentes e relevância causal das várias condutas, faltou o liame subjetivo. Obs.2: quando se fala em liame subjetivo, jamais imagine que se está falando em ajuste prévio. Não se exige acordo de vontades, bastando vontade de cooperar na ação de outrem. Ex: A empregada 121

Isso torna a empregada doméstica uma partícipe do crime. Na autoria colateral. Identidade de infração penal: A identidade de infração é um requisito ou conseqüência do concurso de agentes? A doutrina moderna vem dizendo que a identidade de infração penal é uma conseqüência-regra do concurso de agentes. CP. Se a sua participação no crime for de menor importância. 29 traz o que a doutrina chama de “participação de menor importância”. Ela aderiu à vontade do ladrão. mas responderão pelo mesmo crime tentado por questão de política criminal (para não correr o risco de apenar injustamente o inocente). 342. O motorista garante o sucesso da empreitada. com relevância causal das várias condutas. A dá um tiro e B dá um tiro. Tem doutrina que coloca um 4º requisito no concurso de pessoas. Em nenhum momento eles ajustaram o crime. . 343. há uma autoria colateral ou uma autoria incerta (é pluralidade de agentes. A irá responder por homicídio consumado. Toda co-autoria tem igual importância. prevista no art.3: Se não houver liame subjetivo. B responderá por homicídio tentado. Nesse caso. Ex: motorista que fica aguardando os ladrões roubarem um banco. Ex: A e B querem a morte de C. Cada um é autor do seu crime. A dá um tiro. Entende-se por participação de menor importância aquela participação de pequena eficiência para a execução do crime. 29. . Participação de menor importância – Art. Exemplos: 1) aborto – art. A e B não estão unidos subjetivamente. os dois responderão por tentativa. A teoria pluralista serve como exceção. e B também dá um tiro. A autoria desconhecida ou ignorada é matéria de processo penal. Obs. §1º. A participação dele é de menor importância? Não. não atuam unidos pelo liame subjetivo. 3) Contrabando e descaminho e o crime de facilitação de contrabando e descaminho: ☺art. CP. O fato de ser motorista do ladrão não é uma pequena eficiência. Logo. Cada um responderá pelo seu crime. Isso que a irá diferenciar da autoria incerta. Obs. Consequência: ambos respondem por tentativa (in dubio. 4) Testemunha subornada e quem suborna a testemunha: ☺art. CP. sabese quem foi o responsável pelo resultado. 334. e não aos ladrões. CP: O art. é matéria de prova. sem liame subjetivo entre elas). CP. Há autoria incerta. em que não se apura a identidade dos autores do crime. 2) corrupção ativa e corrupção passiva.Autoria Incerta: nada mais é do que espécie de autoria colateral. a pena será reduzida de 1/6 a 1/3. 318 c/c art. pro reo). Eles não são co-autores. 29. que traz a Teoria Monista ou Unitária (várias pessoas concorrem para o mesmo fato e sofrem a mesma conseqüência).: Autoria Desconhecida ou Ignorada: não se confunde com autoria incerta ou colateral. porém nela não se consegue determinar qual dos comportamentos causou o resultado. mas houver pluralidade de agentes e relevância causal das várias condutas. 4. A e B não estão unidos subjetivamente. Não se sabe se a morte de C foi em razão do tiro de A ou do tiro de B. Porém. não há concurso de pessoas. Não existe co-autor de menor importância. C morre em razão do tiro de A. Conseqüência: o agente que não conseguiu consumar o crime em razão da sua conduta responde por tentativa. §1º c/c art. Essa causa de diminuição do §1º só serve para o partícipe. já se pode ter certeza de que não se tem concurso de agentes. embora convergindo suas condutas para a prática de determinado fato criminoso. Ou seja.Direito Penal – LFG – Intensivo I doméstica vê um famoso ladrão rondando a vizinhança e deixa a porta da casa aberta para que o ladrão entre. Por isso que se fez referência ao motorista. em que vários agentes concorrem para o mesmo fato.Autoria Colateral: fala-se em autoria colateral quando dois ou mais agentes. mas há conseqüências distintas para cada um dos agentes. Ex: A e B querem a morte de C. 124 e 126. 122 .

Se era previsível. Ex: domínio de violenta emoção logo em seguida a justa provocação da vítima – se somado ao homicídio. estuprar a moradora. A circunstância não interfere na tipicidade. Quando B entra na casa. CP). Ex: Vamos supor que A e B combinam um roubo (art. vira furto. O art. sendo ele imprevisível. Mas e A. A fica vigiando e B entra na casa. Ex: Vamos supor que A e B combinam um furto (art. se A não previu o estupro. 155. 2. responderá pelo quê? A doutrina diz que ele responderá por roubo majorado até metade. ☺art. 29. com a pena majorada. Elementares e Circunstâncias: A identidade de infrações é um requisito ou uma conseqüência do concurso? A doutrina moderna estipula que é conseqüência. A fica na condição de vigia e B entra na casa. mas na sanção penal. o §2º também se aplica aos co-autores (abrange partícipe e co-autor). também responderá pelo crime. “Se algum dos concorrentes quis participar (. O resultado morte do latrocínio pode advir de dolo ou culpa. 30 diz que as elementares e as circunstâncias podem ser: objetivas ou subjetivas.. continua homicídio. É perfeitamente possível a existência de elementares e circunstâncias. o fato permanece o mesmo crime. Quando chegam na casa. ele se depara com o morador e mata-o para poder roubar.Direito Penal – LFG – Intensivo I Cooperação dolosamente distinta – Art. A responderá pelo estupro? Depende: 1. vira roubo. 2. o fato deixa de ser crime ou passa a configurar outro delito. 3. se retirada do roubo. continua homicídio. 3. ele resolve. se A previu o estupro. mas ele era previsível. alterando somente a pena. Ela monta um gráfico que foi aceito pela jurisprudência. também responderá por ele. responderá pelo quê? Depende: 1. vira peculato. B praticou o crime de latrocínio. A agiu com culpa pelo resultado morte. E o que é circunstância? Faltando. B responderá por latrocínio doloso e A responderá por latrocínio preterdoloso. CP: Temos aqui o que a doutrina chama de “cooperação dolosamente distinta” ou participação em crime menos grave. Ex: violência – se agregada ao furto. 30. 123 . Atenção: não se pode esquecer que o latrocínio é crime doloso ou preterdoloso. sem aumento. com privilégio. Não se aplica o §2º para crime preterdoloso. responderá só pelo furto. Responderá por furto mais a pena majorada até metade. Responderá por furto mais estupro. se A não previu o estupro. CP: esse artigo tem uma redação que a doutrina não obedece tanto. além de furtar. Quando B entra na casa. se A previu o latrocínio. se retirado do peculato. responderá só pelo roubo. CP). Logo. se A não previu o latrocínio. O que são elementares? Faltando. volta a ser apropriação indébita. §2º. ele se depara com a moradora. 157.. se retirado do homicídio.)”. mas era previsível (possibilidade de prever). Ao contrário do que ocorre no §1º. sendo este imprevisível. se A não previu o latrocínio. responderá por latrocínio. Ex: funcionário público – se acrescido ao delito de apropriação indébita. responderá só pelo furto. aceitando-o. mas sem privilégio. Então.

121. (Se o partícipe houver induzido ou instigado o autor 124 . Comunica-se. B deixa de responder por tentativa de homicídio e responderá pelos atos até então praticados. A é auxiliado pelo particular B. na condição de partícipe. As circunstâncias são comunicáveis apenas se objetivas. o fato principal continua sendo típico e ilícito (a tentativa é típica e ilícita). Reparem que B se arrependeu de maneira eficaz – ocorreu então a tentativa abandonada. As elementares e as circunstâncias subjetivas estão ligadas ao motivo. Ex: meio cruel. o coadjuvante e o colaborador? Vamos supor que A induz B a matar C. E o A? também responderá por lesão corporal ou responderá por homicídio tentado? Depende da natureza jurídica que se dá à desistência voluntária e ao arrependimento eficaz. Se tiver. Por isso que é uma observação histórica. ao partícipe. O próprio Nélson Hungria se retratou posteriormente. dependendo de requisitos subjetivos. B. Fala sobre o delito do infanticídio. É necessário saber se B tem conhecimento a respeito das condições pessoais de A. Ex: reincidência – presente ou não. As elementares são comunicáveis. Observações finais: ☺art. São aquelas que interferem somente na pena. arrepende-se e socorre eficazmente C. a reincidência não muda o crime. responderá por simples apropriação indébita. Por que isso? A comunicabilidade não é absoluta. responderá por lesão corporal. 123. pois o estado puerperal é o desequilíbrio físico-psíquico da parturiente. (Prevalece a corrente que traz que o art. B responderá também por peculato. O Código Penal só reconhece a elementar subjetiva e objetiva. Ele queria que a gestante respondesse pelo art. portanto. Nélson Hungria chamava estado puerperal de “elementar personalíssima” para evitar que o infanticídio se comunicasse a co-autores e partícipes. 123 e os concorrentes pelo art. Se não integrarem o tipo. o crime será modificado (de art. O art. Se entendermos como não punibilidade. mas a pena. E se for o contrário? E se quem se arrepende for o partícipe? Ele responderá pelo crime? Se o partícipe houver induzido o autor. CP traz uma hipótese de atipicidade da tentativa ou de não punibilidade da tentativa? Se entendermos como atipicidade. Lembre-se de que o arrependimento deve ser eficaz. quer se apropriar de bens públicos que tem em sua posse em razão do cargo. e não no tipo. Qual é o crime cometido por A e qual é o crime cometido por B? A comete peculato. CP. Que crime pratica B? Depende. Isso evita eventual responsabilidade penal objetiva. ou seja. Ex: A. 123 passará para o art. modo surpresa. ao se arrepender. A elementar personalíssima não tem guarida legal. Se retirarmos o estado puerperal. nele incutindo a idéia criminosa. não tem como punir o partícipe por tentativa de homicídio. A elementar personalíssima é contra legem. portanto. As circunstâncias subjetivas são sempre incomunicáveis. 15 é uma hipótese de punibilidade da tentativa). pouco importa se objetivas ou subjetivas. portanto. CP). depois de efetuar 2 tiros contra C. configuram circunstâncias objetivas. CP: É uma observação mais histórica do que atual. que interferem na pena.Direito Penal – LFG – Intensivo I As elementares e as circunstâncias objetivas estão ligadas ao meio/modo de execução. sendo o fato principal atípico. funcionário público. A punição do partícipe está de acordo com a Teoria da Acessoriedade Limitada. CP: “salvo disposição expressa em sentido contrário”. 121. Trata-se de elementar subjetiva. o partícipe será punido por tentativa de homicídio. 31. → Punibilidade da participação no caso de desistência voluntária ou arrependimento eficaz do autor principal: Se o autor principal desistir voluntariamente ou se arrepender eficazmente impedirá a punição do partícipe? Beneficiará o partícipe. A doutrina costuma dar como exemplo a quadrilha ou bando (crimes em que o legislador pune meros atos preparatórios). ☺art. somente não será responsabilizado se conseguir fazer com que o agente principal não pratique a conduta delituosa. O arrependimento passa a ser circunstância alheia à vontade do partícipe. desde que obviamente ingressem na esfera de consciência do partícipe. Não se comunica. 15. Se não tiver conhecimento. estado anímico do agente ou condições pessoais.

. Vejamos: . que é impunível). E quem não tem o dever jurídico de evitar o resultado? Responderá como partícipe? A abstenção de atividade apenas pode determinar uma participação penalmente relevante se foi anteriormente prometida pelo omitente como condição de êxito para a ação criminosa (se não houve promessa. se 3 pessoas estão vendo alguém precisando de socorro e nada fazem. mas todos os presentes que se omitirem são autores de sua omissão. Os dois funcionários são autores ou co-autores desse homicídio culposo? Ex: Motorista e passageiro. quando induz a dirigir em alta velocidade. Ex: vizinho que percebe que a casa do outro está sendo assaltada e nem liga para a polícia. fazendo do agente autor. Logo. O motorista é autor de homicídio culposo? E o passageiro? Vejamos as correntes sobre o tema: . segundo ela crime omissivo admite participação. Eles lançam. Ex: A induz B a instigar C a auxiliar D a matar E. 13.1ª Corrente (Majoritária): Crime culposo admite co-autoria. Pode-se induzir ou instigar alguém a omitir socorro.2ª Corrente: crime omissivo admite concurso de agentes (tanto co-autoria quanto participação). Para essa corrente. (o crime culposo é normalmente definido por um tipo penal aberto. Ela é partícipe por omissão.) → É possível participação da participação? É possível participação em cadeia? É perfeitamente possível. O passageiro será partícipe. do alto de um prédio. é mera conivência atípica ou participação negativa. a concausação culposa importa sempre em autoria. e nele se encaixa todo comportamento que viola o dever objetivo de cuidado. O passageiro. essas 3 pessoas são co-autoras de omissão de socorro. o policial responderá por estupro na condição de omitente. Logo. Se o policiar aderir subjetivamente ao estupro (quer ou assume o risco) e há uma relevância da omissão. → É possível participação por omissão? Tem como ser partícipe de um crime. → É possível concurso de agentes em crimes omissivos? É possível ser partícipe de omissão de socorro? Há divergência. O passageiro induz o motorista a dirigir em alta velocidade. CP). Ex: Um policial percebe que a mulher está sendo levada para um matagal. uma tábua para cair numa caçamba. É necessário ter o aderir subjetivamente para evitar a responsabilidade penal objetiva. Não é raro o MP denunciar o padrasto por estupro e denunciar a mãe que tinha conhecimento do estupro e nada faz.1ª Corrente: crime omissivo não admite concurso de agentes (todos os omitentes são autores da sua omissão). Ocorre um atropelamento. A tábua cai e mata um pedestre. desde que o omitente: 1) tenha o dever jurídico de evitar o resultado (☺art. a se arrepender.2ª Corrente (Rogério Greco): Admite participação também.3ª Corrente: é a que prevalece. 2) adira subjetivamente (juntar sua vontade à do autor principal). e não co-autores. 125 . somente não será responsabilizado penalmente se conseguir fazer com que o autor não pratique a conduta criminosa (deve ser eficaz). §2º. Por que não admite participação? Qualquer concausação culposa importa violação do dever objetivo de cuidado.) .Direito Penal – LFG – Intensivo I e vier. omitindo-se? Sim. 3) haja a relevância da omissão. . o passageiro será co-autor. mas não co-autoria (cada omitente é autor da sua omissão). está sendo tão negligente quanto o motorista. → É possível concurso de agentes em crimes culposos? Ex: Imagine dois trabalhadores de uma obra. mas não participação. Percebe que a mulher seria estuprada.

Fundamentos: Quais os fundamentos para se estudar o conflito aparente de normas? Vejamos: 1. mas a doutrina moderna prefere chamar de “conflito aparente de normas”.: o conflito aparente de normas não se confunde com o concurso de crimes: no primeiro. Conceito: Ocorre o conflito aparente de normas quando. O prof. O STJ e o STF não estão atentando para a vigência. aparentemente. CP.Direito Penal – LFG – Intensivo I CONFLITO APARENTE DE NORMAS: Há muita divergência sobre esse tema. 126 . Este conflito se resolve. Princípios orientadores: A doutrina costuma falar em 4 princípios. Requisitos: Do conceito se extraem 2 requisitos do conflito aparente de normas: 1. porque a jurisprudência não segue o que a doutrina prega. Logo. necessariamente. temos duas leis vigentes e um só fato. Obs. Ninguém pode ser punido duas vezes pelo mesmo crime (Princípio do Non Bis In Idem). O direito é um sistema coerente. é necessário que ele tenha instrumentos para resolver o conflito interno. temos vários crimes ajustando-se a várias normas. a um só fato. em regra. “A lei é especial quando contém todos os elementos típicos da lei geral mais alguns específicos (chamados de especializantes)”. 2. estar-se-á diante de um conflito da lei penal no tempo. O assunto é difícil. Isso é um erro crasso. excepcionalmente. mais grave. no segundo. entendendo que para a doutrina moderna há apenas 3 princípios. duas ou mais normas vigentes são aplicáveis. Princípio da Especialidade: A lei especial derroga a lei geral. não concorda. Apenas uma norma deve se adequar ao fato. pela posterioridade e. pela lei mais benéfica – ☺art. Há quem diga em “conflito aparente de leis”. Inclusive no que diz respeito ao próprio título. Por isso que o conflito será sempre aparente. Fato único. Vejamos: 1. Duas ou mais leis vigentes aparentemente aplicáveis. pois se uma norma não estiver vigente. A lei especial não é. 4º. As duas normas devem estar vigentes. 2.

As duas normas estão vigentes. o tráfico permite liberdade provisória? O STJ tem vários argumentos. aplica-se a norma menos grave. 121. O art. É uma subsidiariedade expressa. Tem jurisprudência nesse sentido. 123 é especial e. Porém. O elemento pessoal (estado puerperal) e o elemento cronológico (“logo após”). É possível liberdade provisória no tráfico? Tem a Lei 8. A norma fica. mesmo assim. 312 têm ponto em comum. segundo Nélson Hungria. Código Penal – “se o fato não constitui crime mais grave”. 121 com o art. Além desse argumento. Há 02 espécies de subsidiariedade: a) Expressa ou Explícita: Quando a lei expressamente dita a subsidiariedade. No entanto. Deve evitar o bis in idem. Um deles é que a Lei 11. o art. A lei especial revoga a lei geral. mas negligentemente. Essa é a posição dos Tribunais Superiores. 2º da Lei 8. Quando se diz “equiparados” é necessário lembrar-se do tráfico. b) Implícita ou Tácita: Quando um delito de menor gravidade integra a descrição de um delito de maior gravidade. 2. 312 está punindo em alta velocidade. Exemplo de norma especial mais grave do que a norma geral: Homicídio culposo e homicídio culposo no trânsito.072/90 proibindo para crimes hediondos e equiparados fiança + liberdade provisória.464/07 que revogou o inciso I do art. 123. mas eles protegem o crime de forma diferente. ele diz que a liberdade provisória está vedada implicitamente ao ser vedada a fiança. Aplica-se a norma principal (mais grave). pois não significa que lei especial é mais grave. mas não pode tratar dessa forma. O art. ela é mais benéfica. Ex: Art. O crime mais grave pode ser o estelionato. Ex. 121. deverá aplicar a hipótese do crime mais grave. 132. O art. A relação entre as normas subsidiárias e principal é de maior ou de menor gravidade. O STJ e o STF impedem a liberdade provisória não só para o tráfico. Trata-se de crime de perigo e de crime de dano. A pena mais grave seria do art. Veio a Lei 11.1: Art. não impedindo a liberdade provisória. tem-se o art. Para tratar assim é necessário que as duas normas estejam vigentes. deve resolver o problema pela posterioridade.Direito Penal – LFG – Intensivo I A doutrina moderna fala em “norma” ao invés de “lei”. 302 é de especialidade.343 é lei especial se comparada aos crimes hediondos que é lei geral. 307. mas de sucessão de lei penal no tempo. Logo. e não de espécie e gênero como na especialidade. O nascente ou o neonato como sujeito passivo. Esses 4 elementos são os famosos “especializantes”. 302 do CTB que também pune o homicídio culposo no trânsito – com veículo automotor. Ex: homicídio com infanticídio – o homicídio pune “matar alguém”. Obs. Se o fato de abrangência comum não consegue preencher os requisitos da norma mais grave. O problema aqui não é de conflito aparente de normas. A relação do art. A fotográfica integra documento. A norma menos grave deve ser subsidiária.072/90 – dispôs que a proibição é somente de fiança. será crime de falsidade documental. a mãe que mata o próprio filho durante ou após o parto. Veio a Lei 11. 307 diz que é falsa identidade se não constituir elemento de crime mais grave. 121 e ao art. 311. O infanticídio também pune “matar alguém”. como um “soldado de reserva”. Nessa hipótese de conflito aparente. atropelou alguém. mas para todos os crimes equiparados. Está equivocado! O STJ está tratando o caso como conflito aparente de normas. Aparentemente. 123 tem a parturiente como sujeito ativo.343/06 (lei específica para o tráfico) que proíbe para tráfico fiança + liberdade provisória. §3º pune o homicídio culposo.2: Art. Se agora cabe liberdade provisória para os crimes hediondos e equiparados.: Substituir fotografia na carteira de identidade – que crime que configura? Tem gente que fala em “falsa identidade”. 127 . Ex. o comportamento dela se subsume ao art. Princípio da Subsidiariedade: Uma lei tem caráter subsidiário relativamente à outra (dita principal) quando o fato por ela incriminado é também incriminado pela outra (mais grave). O art. tendo o âmbito de aplicação comum (mas abrangência diversa). CP – “se o fato não constitui elemento de crime mais grave”. no conflito aparente. Portanto. O art. CTB. 311 e o art.

Para matar alguém. crime progressivo não se confunde com progressão criminosa. ficando absorvido). O crime progressivo se dá quando o agente para alcançar o resultado/crime mais grave passa. Na progressão criminosa é um crime que se dá em dois momentos (dois atos). ele resolve matar. Tem súmula do STJ que ignora isso – ☺Súm. responde apenas pelo estelionato. o crime anterior é indispensável. Na progressão criminosa. prevalece o todo. Três são as principais hipóteses de aplicação do Princípio da Consunção: a) Crime Progressivo: Nada mais é do que a aplicação do Princípio da Consunção. 3. o crime foi casualmente o meio para atingir o crime-fim. portanto. resolve matar). não é hipótese de crime progressivo. posteriormente. depois da ofensa. tenho que ferir). necessariamente. É uma nova vontade que surge na execução. jamais diria que a falsidade documental fica absorvida pelo crime de estelionato. a doutrina. emite-se cheque falso para realizar determinada compra. o agente primeiramente. o crime-fim absorve o crime meio somente quando se exaure no crime-fim. por um crime menos grave. Se envolver bens jurídicos diversos. No crime progressivo. O crime consumido e o crime consuntivo devem proteger o mesmo bem jurídico. Se a jurisprudência observasse isso. Assim. Para o STJ. O cheque se esgota na compra. A consunção pressupõe que os crimes protejam o mesmo bem jurídico. Um crime que é parte de um todo. a relação entre as normas é de parte para todo. para tanto. O contrário ocorre com o cartão de crédito que não se exaure na compra. para ficar absorvido o crime meio. o agente delibera realizar crime maior (quero ferir e. Qual é a sensível diferença do crime progressivo para o fato anterior impunível? A diferença é que no crime progressivo. No crime progressivo. portanto. Nesse princípio. obrigatório. Princípio da Consunção ou Absorção: Verifica-se a relação de consunção quando o crime previsto por uma norma (consumida) não passa de uma fase de realização do crime previsto em outra norma (consuntiva) ou é uma forma normal de transição para o último (crime progressivo). b) Fato anterior impunível (antefactum impunível): são fatos anteriores que estão na linha de desdobramento da ofensa mais grave (relação crime-meio para crime-fim). Absorver um pelo outro é o mesmo que um bem jurídico ficar sem proteção. em princípio. Logo. Um crime que é meio de um crime fim. No caso do fato anterior impunível. o agente quer cometer o crime menos grave (e consuma). É o crime-meio que o agente escolheu dentre os crimes possíveis. Súmula 17 do STJ: a relação da falsidade documental e do estelionato é de crime-meio para crime-fim.Direito Penal – LFG – Intensivo I Em ambas as hipóteses (subsidiariedade expressa ou tácita). obrigatoriamente. só se aplica o crime fim. precisa passar pela falsidade documental? Não. desde o início o agente deliberou o crime mais grave (quero matar. Como chama o crime de lesão corporal nesse caso? “Crime de ação de passagem” (crime obrigatório para se atingir um crime mais grave. envolve-se o mesmo bem jurídico. Primeiro. quer ferir e. Nos dois casos. é punido também o crime de falsidade. Atenção: crime progressivo não se confunde com progressão criminosa. A lesão é um crime de passagem. afasta-se a aplicação da regra subsidiária. É crime progressivo? O estelionato. o fim almejado é o homicídio. Essa súmula está aplicando o princípio da Consunção. de meio para fim. Na progressão criminosa. Depois de cometê-lo. necessariamente. Ex. a jurisprudência costuma adotar o concurso material. o agente responde somente pelo crime mais grave. Aplica-se o princípio de que a lei primária derroga a lei subsidiária. 17 do STJ. exige lesão ao mesmo bem jurídico. Atenção: a jurisprudência não observa isso. ocorrendo o delito principal (mais grave). Ex: Tem como matar alguém sem ferir ou ferir a integridade física de uma pessoa? Não tem. tem de passar pelo crime de lesão corporal (lesão e homicídio). Obs. Ex: falsidade documental com estelionato. 128 .

Isso significa que se praticou 4 crimes de tráfico? Se os 4 núcleos forem praticados num mesmo contexto fático. Se o agente importar. 33. Esse artigo traz 18 núcleos. portanto. Para Francisco de Assis Toledo. pois estaria incluído na especialidade e não consunção. 33. O estelionato fica absorvido pelo furto. Ignora o Princípio da Consunção.: Tem doutrina que diz que o Princípio da Subsidiariedade nem precisava existir. Atenção: se importar maconha e vender cocaína não estão no mesmo contexto fático.)”. é o crime-meio. fabricar. O Princípio da Alternatividade tem aplicação nos crimes plurinucleares ou de ação múltipla ou de conteúdo variado. por ele não podendo ser punido. Para a doutrina moderna. a alternatividade resolve conflito interno de uma norma. somente o furto seria punido. 4. Lei de Drogas 11. Logo. Obs. o que fica absorvido é o crime praticado depois de exaurir o crime querido. O que são esses crimes? São crimes compostos de pluralidade de verbos nucleares (ações típicas). O requisito de conflito aparente de normas é a pluralidade de normas aplicáveis. Mas o que vale um talão de cheque? Para que se tenha algum lucro. pune-se ambos os crimes). remeter. mas resolve o conflito aparente interno de uma norma. (. é necessário passar o cheque no comércio. não desnatura a unidade do crime e então só há um crime de tráfico. praticou 4 núcleos do art. Ex: A vende o carro como se fosse dele. a subtração do talão de cheque seguida de estelionato é concurso material de delito (há vítimas diversas. No posfactum. exportar. Furtar o carro e vender o carro está na linha do desdobramento da busca do lucro pelo furto. trazer consigo e vender. Pelo posfactum impunível. Ex: A furtou um talão de cheque. 129 . Princípio da Alternatividade: A doutrina moderna diz que ele não resolve o conflito aparente de norma. O antefactum. guardar. Ex: art. Consumou o furto. responderá pelos dois crimes.Direito Penal – LFG – Intensivo I c) Fato posterior impunível (posfactum impunível): O fato posterior impunível retrata o exaurimento do crime principal praticado pelo agente.. que fica absorvido.. Há jurisprudência nesse sentido.343/06 – “importar.

3ª Classificação: 1. No furto. Crime Vago: São os que têm por sujeito passivo entidade sem personalidade jurídica. Ex: seqüestro. 3. O crime é acessório somente quanto à existência. CP. 2ª Classificação: 1. Obs. 6. §4º. é um efeito permanente. pressupõem outros.: Damásio diz que todo crime tem efeito permanente. Aqui veremos as principais. Crime de Opinião: São os crimes que consistem em abuso de liberdade de pensamento. é um efeito permanente. Crimes principais: São os que existem independentemente de outro. ao ser agredido. O ato obsceno é crime especial por que ele não tem o quê? É um crime que não tem objeto material. Ele é autônomo na punição. à tipicidade. para existirem. Crime de Ímpeto: É aquele em que a vontade delituosa é repentina. Basta haver prova de que a coisa é produto do crime . sem continuidade temporal. Crimes acessórios: São os crimes que. Atenção: não se confunde com motivo fútil (motivo pequeno). Crimes permanentes: São os que causam uma situação danosa ou perigosa que se prolonga no tempo. Pode punir o receptador mesmo tendo absolvido o furtador. 1ª Classificação: 1. o público ou a sociedade. 2. 130 . 5. Ex: homicídio. Crime Gratuito: São os crimes praticados sem motivo. Crimes instantâneos de efeitos permanentes: Ocorrem quando. portanto. b) Não-transeunte: É aquele que deixa vestígios. furto. Ex: homicídio. Tem gente entende que só o louco pratica um crime sem motivo. ao perder o objeto. sendo indispensável a perícia.☺art. seja pela palavra. 2. 3.Direito Penal – LFG – Intensivo I CLASSIFICAÇÕES DOUTRINÁRIAS DOS CRIMES: Eduardo Corrêa escreveu um livro que traz mais de 180 classificações de crime. Os parlamentares são imunes a esses crimes de opinião. furto. não havendo deliberação. No roubo. Ex: receptação (adquire coisa produto de crime anterior). instantâneo ou não. consumada a infração em dado momento. Para punir o receptador não precisa punir o furtador. 2. Delito Transeunte e Não-transeunte: a) Transeunte: É aquele que não deixa vestígio. 4. critica a existência dessa modalidade de delito. Delito de Circulação: Praticado por intermédio de automóvel. A doutrina. imprensa ou qualquer outro meio de transmissão. Crimes instantâneos: São os que se completam num só momento. fruto do domínio de violenta emoção. A consumação se dá num determinado instante. 180. como a família. os efeitos permanecem independentemente da vontade do sujeito ativo. Ex: homicídio emocional. Ex: Ato obsceno.

2. 2. Crime de greve: Crimes praticados durante a paralisação dos empregados. roubo. Ex: homicídio. Ex: perdão judicial. 264. 131 . Delito Eventualmente Coletivo: São aqueles crimes que se praticados por número plural de agentes aumenta a pena. Ex: quadrilha ou bando. Ex: lesão corporal seguida de morte praticada durante uma greve. Delitos de Preparação: São aqueles que retratam atos preparatórios que foram tipificados como crimes autônomos. 2. 6ª Classificação: 1. Este nada mais é do que a exteriorização do Princípio da Bagatela Impróprio. Crime Bagatelar Próprio: A conduta não gera lesão ou perigo lesão ao bem jurídico (hipótese de atipicidade material). Crimes de Lock Out: Crimes praticados durante a paralisação dos empregadores. Delito Plurissubjetivo: São aqueles de concurso necessário. O plurissubjetivo se divide em 03: a) Condutas paralelas b) Condutas contrapostas c) Condutas convergentes 3. São aqueles de concurso eventual. Delito Monossubjetivo: São aqueles que podem ser praticados por uma ou mais pessoa. 7ª Classificação: 1. Delito Bagatelar Impróprio: Apesar de a conduta gerar relevante lesão ou perigo de lesão ao bem jurídico. 2.Direito Penal – LFG – Intensivo I 4ª Classificação: 1. Não está dizendo que a paralisação dos empregados é crime.Pune-se o perigo do arremesso que gera o perigo do perigo que esse arremesso possa gerar. Ex: furto. Delitos de Obstáculo (Delitos de Perigo de Perigo): Refere-se a incriminações que antecipam a intervenção penal a momentos anteriores à realização do perigo concreto e imediato. 5ª Classificação: 1. as circunstâncias demonstram que a sanção penal é desnecessária. Ex: art. CP .

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