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Planejando a Educação para o desenvolvimento de Competências.

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Published by: Larissa De Souza Correia on Aug 25, 2011
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Planejamento a favor do aluno e do professor

Publicação original | 31.12.1969 | Brisa Teixeira

Dar significado ao que aprende é uma condição para que o aluno se estimule a aprender. Esta é a opinião defendida pelo educador Vasco Moretto, em seu livro Planejamento - Planejando a educação para o desenvolvimento de competências, da Editora Vozes (2007). Nesta obra ele contextualiza fundamentos e atividades que contemplam a intenção do autor, de promover um planejamento da teoria à prática. Mestre em Didática das Ciências pela Universidade Laval em Québec (Canadá), Vasco acredita que o aluno percebe quando o professor preparou suas atividades pedagógicas e tem atitude positiva em relação ao processo ensino-aprendizagem. Na sua obra, o autor, especialista em Avaliação Institucional pela Universidade Católica de Brasília (UCB) e consultor na área educacional, traz uma abordagem consciente, avaliando os fundamentos da relação entre professor e aluno, tanto em conceitos psicossociais, epistemológicos, didáticospedagógicos ou éticos. Para Vasco, o bom professor deve desenvolver a aptidão para flexibilizar o planejamento, caso se fizer necessário. O planejamento, segundo ele, é o encontro da previsibilidade com a surpresa. Profissão Mestre - Quais os efeitos para o aprendizado do aluno nas ações pedagógicas bem planejadas? Vasco Moretto - O bom planejamento dará segurança ao professor, evitará a improvisação inoportuna e orientará o aluno em seu processo de construção do conhecimento. O aluno percebe quando o professor preparou suas atividades pedagógicas e tem atitude positiva em relação ao processo ensino-aprendizagem. O inverso também é verdade. Muitas vezes a indisciplina em aula pode estar relacionada à percepção de que o professor está “enrolando”, como dizem os estudantes. PM - O que você quer dizer quando escreve que o planejamento é o encontro da previsibilidade com a surpresa? VM - O planejamento é um roteiro de saída, sem certeza dos pontos de chegada, pois nenhuma situação complexa é exatamente igual à outra, ou seja, o planejamento deverá considerar que cada relação sempre terá os componentes da incerteza, da singularidade e do conflito de valores. Por esta razão julgo que o professor deve ser competente no ensinar, isto é, deve ter desenvolvido os recursos para flexibilizar o planejamento, caso se fizer necessário. Uma pergunta interessante de um aluno, a reação negativa dos alunos a uma atividade planejada, um acontecimento social relevante, podem ser fatores que levem o professor a altear seu planejamento. Esta alteração, no entanto, não pode descambar para uma simples improvisação. Ela exige do professor a competência para replanejar com base na reflexão-na-ação. PM - Como a personalidade do professor interfere no planejamento escolar? VM - Acredito que a escolha de estratégias de ensino não depende apenas de fatores técnicos relacionados à disciplina. Ela depende muito, a nosso ver, da personalidade do professor. Professor introvertido terá uma forma de agir, professor extrovertido outra. Um professor de temperamento melancólico escolherá formas de ensinar diferentes de um professor de temperamento sanguíneo. Devemos ressaltar que a personalidade do professor é um dos fatores a ser levado em conta no planejamento, com vistas a um processo de ensino eficaz e eficiente. PM - A cada dia são maiores as exigências na preparação dos alunos. Isso exige um ensino voltado a aprendizagens significativas, e não as meramente mecânicas? VM - Dar significado ao que aprende é uma condição para que o aluno se estimule a aprender. A simples “decoreba” mostrou, ao longo do tempo, sua ineficácia como aprendizagem desejável. Há

Por isso. médicos davam aulas de biologia.O autoconhecimento do professor e conhecer seus alunos colaboram para a resolução de situações complexas em sala de aula? VM . precisa levar sempre em conta a possibilidade de encontrar alunos com conhecimentos prévios aos quais o professor ainda não teve acesso: é o fator surpresa na ação docente. como desenvolver habilidades específicas para o magistério. Na preparação para o magistério os professores estudam psicologia. que na maior parte das vezes têm pouco significado para os alunos. PM . As formas de aprendizagem são diferentes para cada sujeito. Da mesma forma.Cada aluno é um sujeito único. PM . na medida em que a avaliação é feita por meio de “provas”. precisa levar em conta as diferenças entre seus alunos: um aluno tímido reagirá de forma diferente de um expansivo. É possível separar o avaliar do ensinar? VM . PM .Houve uma época em que o engenheiro era convidado a dar aulas de matemática ou de física.No livro você diz que avaliar a aprendizagem é uma situação complexa a desafiar o professor. para uma ação pedagógica que estimule a aprendizagem. Conhecer os conteúdos é um dos pilares da competência do professor para resolver a situação complexa de ministrar aulas. uma vez que a avaliação é uma forma do professor recolher indicadores da aprendizagem do aluno. dominar conteúdos conceituais das disciplinas. O segundo fator é o acesso rápido e fácil às informações que permite ao cidadão uma interação social contínua e atualizadora. neste caso. sociologia etc. com vistas a avaliar seu próprio processo de ensino e a necessidade ou não do (re)planejamento de novas atividades pedagógicas. Primeiro. O grande desafio do professor não é simplesmente abandonar o uso de provas para a avaliação.Conhecer-se e conhecer seus alunos é um dos fatores essenciais para o eficiente processo de ensino. PM . as transformações sociais são cada vez mais rápidas e mais profundas. mas na prática docente. é ter conhecimento de seus traços fundamentais de personalidade e saber até que ponto eles precisam ser trabalhados para favorecer a interação com o aluno. com sua história pessoal e a do grupo social a que pertence. De igual importância é o conhecimento das características psicossociais e cognitivas dos alunos. O professor. exigindo do profissional a capacidade de aprender a aprender. dizemos que o domínio do assunto a ser ensinado é de fundamental importância para o bom professor. contextualizar o ensino e ter a capacidade de administrar seu . mas certamente é um fator que não deve ser negligenciado.Por que você diz que o professor precisa planejar suas estratégicas pedagógicas respeitando as características psicossociais e cognitivas de seus alunos? VM . Mas há outros.dois fatores a considerar. o aluno hiperativo terá reações diferentes do quieto. Este nos parece ser o verdadeiro sentido da justiça no tratamento dos alunos. que não são momentos privilegiados de estudo e sim verdadeiros “acertos de contas” com seus alunos. Esta é uma das razões que nos levam a afirmar que ensinar é uma situação complexa e que exige o desenvolvimento da competência do professor para tratar de forma diferente aqueles que são diferentes. filosofia. ao planejar a atividade pedagógica com seus alunos. Você concorda com isso ou "ser professor é muito mais que ter o domínio do assunto"? VM . parece que tudo fica esquecido e o que importa é “dar e cobrar conteúdos conceituais”. mas não basta. No entanto. Qual era o pressuposto? Quem sabe os conteúdos da disciplina pode dar aulas. para o professor. em seu planejamento. por falta de professores licenciados para estas disciplinas. Ser bom professor é conhecer-se. Não queremos dizer que tanto o autoconhecimento do professor como o conhecimento de seus alunos seja o único fator que favoreça a aprendizagem. O professor.A frase "Quem conhece o conteúdo pode dar aula". dominar linguagens específicas da disciplina.Em princípio ensinar e avaliar a aprendizagem deveriam ser inseparáveis. contextualizar problemas e problematizar. há professores que conseguem separar o ensinar do avaliar a aprendizagem. conhecer seus alunos. Conhecer-se. mas ressignificá-las no contexto do processo ensino-aprendizagem.

esclarecer este assunto. Em terceiro lugar é preciso explicitar os recursos que devem ser mobilizados para a solução. Certo dia. Como já afirmamos. desde que suas ações sejam sempre acompanhadas de uma reflexão sobre cada nova ação. Poderíamos ter escolhido outros recursos. o planejamento é o encontro da previsibilidade com a surpresa.O conceito de competência tem causado bastante confusão devido às múltiplas interpretações e. Quantos jogam futebol? Centenas! Todos desenvolveram o mesmo nível de competência? Certamente que não. sim.emocional e o de seus alunos. Diante de uma situação complexa a ser resolvida o sujeito poderá continuamente desenvolver mais e mais recursos. VM . são cinco os recursos a serem desenvolvidos: conteúdos conceituais. fizemos nossa escolha. de certa forma. A experiência do professor é o resultado de muitas vivências semelhantes. deixando sempre o lugar para a flexibilização consciente e a criatividade na interação. alguém me disse: “Você afirma que tem vinte e sete anos de experiência como professor. é essencial que seja apresentada com clareza a situação complexa que se deseja resolver.Explique a frase contextualiza em seu livro: "Competência não se alcança. sobretudo.Por que a experiência do professor ligada à capacidade de flexibilização está intimamente ligada a um bom planejador? VM . Isso seria um adestramento. aumentando seu nível de competência. sim. como exemplo. No caso da aplicação do Modelo Pedagógico VM. PM . linguagens. Pensemos. é possível que haja fatores novos que mereçam ser levados em conta. PM .Que características e elementos deverão estar presentes no plano de curso e qual a sua importância? VM . Mas como é um modelo e não o modelo para resolver situações complexas. valores culturais e administração do emocional. Conceituei competência como a capacidade do sujeito mobilizar recursos para resolver situações complexas. desenvolve-se”. primeiramente estar postos os fundamentos epistemológicos que sustentarão as ações pedagógicas. mas ser um rumo possível a ser seguido. Eu digo: depende! Se no primeiro ano você deu aula e nos vinte e seis seguintes simplesmente repetiu o que fez no primeiro ano. Em segundo lugar. No modelo pedagógico do desenvolvimento-de-competências para resolver situações complexas que apresentei no livro Planejamento. que propusemos no livro Planejamento. . a falta de clareza entre os conceitos de competências e habilidades. você tem apenas um ano de experiência e não vinte e sete”. habilidades. não deve ser uma camisa de força para o professor.Num plano de curso devem. mas sobretudo da reflexão-na-ação destas vivências.Inicialmente queremos ressaltar que a experiência não é apenas o resultado da repetição dos mesmos comportamentos. na situação complexa “jogar futebol”. Importa ressaltar que o plano de ação. procurei. PM . pois mesmo que ela pareça igual às outras já vivenciadas. Por isso afirmamos que a experiência do professor é muito importante. resultante do planejamento consciente.

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